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Eleições parlamentares ou feira eleitoral? - 21/03/2026
Percival Puggina
Embora a edição em português tenha sido publicada em 1991, ainda hoje encontro fãs da autora, Ayn Rand, empolgados com o livro “A virtude do egoísmo”. Não sei se convenci algum, mas sei que jamais, qualquer desses interlocutores esclareceu o seguinte ponto: se, ao buscar o interesse próprio, o ser humano está cumprindo sua finalidade, por que raios devem os políticos renunciar a ele e se dedicar ao bem dos outros?
No coração do poder político, é preciso ser muito distraído em relação às oportunidades para não encontrar, a cada momento, algum interesse pessoal mais conveniente do que o bem alheio... É assim, exatamente assim, no subterrâneo dos interesses, que negligenciam a corrupção, matam a anistia, a dosimetria, as CPIs, a liberdade e a paciência dos cidadãos, e dão por virtuosos os vícios institucionais.
Qualquer pessoa com bom senso também sabe que nosso sistema eleitoral proporcional está mal pensado. Infelizmente, ele só é bom para quem faz a lei e acaba privilegiando a representação dos grupos de interesse. No viés oposto, e na linha do que expus no parágrafo anterior, esse sistema reduz a representação do cidadão comum (chefe de família, trabalhador, pagador de impostos ou um “ninguém por si”, desempregado). Até o último bilhão de reais, cabe ao cidadão pagar o custo da varredura interesseira que o sistema não perde ocasião de transformar em elite dirigente!
Há quarenta anos escrevo e falo sobre a superioridade técnica do voto distrital com recall, para que o parlamentar mais votado seja o representante de todos os cidadãos de seu distrito, assim como o governador é governador de todos os eleitores de seu Estado. No voto distrital, o deputado deve prestar contas a todos por suas ações e omissões, e está sujeito à revisão do mandato (recall).
Há muitas coisas erradas, sim. Nenhuma delas, porém, nem as urnas sem impressora, são motivo para não votar. Ao contrário, são uma soma de razões para comparecermos à sessão de votação e escolhermos pessoas capazes e virtuosas para o importante trabalho que a nação requer.
Estou acompanhando com muita preocupação as primeiras pesquisas sobre as eleições majoritárias que se avizinham (governadores e senadores). Alinham-se nos partidores, os nomes entendidos como preferenciais do eleitorado e o que leio me causa apreensão. É evidente a força dos partidos que se desfiguraram nas más experiências de um regime que transformou a política em feira de negócios. Tanto rebento de árvores genealógicas das dinastias regionais ponteando preferências não me deixam otimista. Não agora, não com esses dados. A Associação de Corruptos pela Democracia deve estar gostando dessas pesquisas.
O futuro precisa de uma elite da melhor qualidade. E ela existe! Pressionar os partidos, escrutinar suas nominatas, empurrar essas pessoas às urnas, enchê-las de votos, é uma tarefa para os meses vindouros. As convenções partidárias ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto. O cardápio será o que for escolhido nessas reuniões. E eis aí outra vulnerabilidade de nossa democracia em frangalhos.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O que dizem agora? - 21/02/2026
Percival Puggina
"Jurei sobre o altar de Deus, hostilidade eterna contra todas as formas de tirania sobre a mente do homem." — Thomas Jefferson, em carta a Benjamim Rush.
Vocês que selecionaram o que noticiar ou não noticiar, explicaram o absurdo, riram da desgraça alheia, louvaram a impiedade, aplaudiram a censura, justificaram o descumprimento da lei, o que pretendem agora e o que pensam de si mesmos? Pergunto porque chegamos ao fundo do alçapão que há no fundo da toca que tem no fundo da arapuca que há no fundo do poço. E a verdade não mais se cobre com tintas nem com fantasias. É hora, então, de ouvir vocês, que ecoavam os silêncios de quem devia explicações, que se fartaram com os excessos do poder e se regozijaram ante os desabrigados da justiça dos homens. Que dizem vocês, agora?
Pois é, chegamos a este ponto e se faz dever de consciência proclamar, como cidadão, que isso é bom. Há proveito e virtude quando uma nação se vê assim, diante do espelho, longe do narcisismo dos donos do poder e dos auditórios pegajosos e lisonjeiros que cortejam as cortes e seus cortesãos.
Foram anos difíceis, estes que se seguiram à malfadada experiência das eleições de 2018 e 2022. Enquanto uns construíam e aclamavam o mito Bolsonaro, outros, paradoxalmente, numa espécie de antropofagia tupinambá, que devorava o inimigo para absorver o seu poder, faziam dele um mito reverso, objeto de cotidiana malhação. A figura do ex-presidente na situação clínica e psicológica atual e o nível de concentração de poder assumido pelos novos protagonistas da política parecem, mas apenas parecem, concretizar o referido ritual.
O problema é que ao contrário do que previa a cultura tupinambá, a prisão do mito, seus problemas de saúde e os direitos humanos que perdeu coincidem com uma redução do poder político dos ministros do STF. Em poucas semanas, o grupo que comanda a instituição contabiliza deserções e boa parte da velha mídia dá claros sinais de que os compromissos, se os havia, já foram cumpridos. Que cada um cuide de si e vivas ao furo de reportagem, cumprindo seu papel de expor falsos profetas e escrutinar os cantos escuros de salões que, para Alberto Pasqualini, deveriam ter paredes de cristal.
Resultado: lembram do velho desejo de “controlar a mídia”, que sempre animou o petismo quando no poder e, recentemente, se deslocou para as redes sociais? Pois é. Voltou. Voltou e nos recorda a necessidade de retomar o básico, com o Barão de Montesquieu: “Não há tirania mais cruel do que aquela que se exerce à sombra das leis e sob o pretexto da justiça”.
O alvoroço destes dias só pode ser instigante para quem, como eu, crê que democracia, sendo forma e valor, não convive com a inércia das coisas ocultas.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O enredado, no samba-enredo - 17/02/2026
Percival Puggina
Foi complicado assistir pela TV ao desfile da Escola de Samba que homenageou Lula na Sapucaí. Qual era, mesmo, o canal da Globo? Minha mulher – graças a Deus! – também não fazia a menor ideia. Há tantos anos não sintonizávamos essa emissora que precisei sair atrás, de canal em canal. Quando pensei ter encontrado, percebi, instantes depois, que estava na tal Globo News. Continuei buscando no sentido decrescente até topar com a RBSTV em rede com a Globo na transmissão.
Não vou analisar a letra do samba-enredo homenageando o enredado presidente. Aliás, samba-enredo de homenagem a Lula é piada pronta. Foi como ouvir discursos de petistas numa sessão da Câmara dos Deputados. Muito barulho de prato e pouca comida.
A sete meses da eleição, com um ilícito eleitoral em cada verso e em cada alegoria para o mundo assistir ao vivo, a inusitada homenagem concede ao TSE tempo para julgar o assunto quando for mais oportuno. E aí se instala uma situação cada vez mais comum em nossos tribunais superiores: oportuno para quem? Infelizmente, todos sabemos a resposta. Na corte onde missões dadas são cumpridas e onde os manés perderam, questões de natureza política ou com reflexos políticos têm sido decididas conforme as cortes considerem melhor para si mesmas. E isso pode representar, no caso do showmício da Sapucaí, desde uma tênue multa até uma prolongada inelegibilidade.
Num Estado de Direito, a lei se impõe igualmente a todos. Quando a Justiça faz política, é seu querer que se impõe a todos.
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
De olho em outubro de 2026 - 15/02/2026
Percival Puggina
Quem quisesse saber como se sentem os cidadãos de uma nação que perdeu o senso de justiça, a noção de certo, errado, limites, ética e compostura, agora já sabe. Quem tem juízo, olha a realidade e observa os personagens que nos pretenderam lecionar sobre vida civilizada. Ouviu que “empurravam a História” ... Sentiu os trambolhões e os maus jeitos de uma Justiça com inusitadas estratégias políticas, praticando excessos e fazendo vítimas.
Há uma parcela demograficamente ponderável do povo brasileiro que consegue conviver com escândalos sucessivos; com revelações de mesadas que, se repartidas por cabeça, fariam felizes populações inteiras de vários municípios brasileiros; com o arrogante controle da política por quem não tem voto; com o desrespeitoso silêncio de quem tem explicações a dar; com argumentos falaciosos que nem jeito de argumentos têm; com os constrangimentos internacionais pelos quais o Brasil vem passando; com a obsessão do Executivo e do Judiciário em controlar a liberdade de expressão. É o produto de cinco mandatos presidenciais petistas e de políticas sociais viciantes. Deliberadamente, criam dependência e escravizam enquanto a ação do governo se restringe a distribuir dinheiro ou bens de consumo, ou crédito, para suprir demandas de dezenas de milhões que não trabalham.
Sinceramente, conheço pouquíssimos eleitores que correspondam a essas descrições. Os eleitores de esquerda que conheço são cidadãos com causas, embora não entenda como conciliam tais causas com a atuação dos governos que elegem. Preferem qualquer desastre nacional a um governo de direita.
Contudo, não foram os dois grandes grupos mencionados nos parágrafos anteriores – os dependentes e os militantes – que deram a Lula o mandato presidencial obtido em 2022. Não é a esses grupos de lulistas fieis que Lula deveria agradecer a presidência da República, mas aos mais de 30 milhões de eleitores que se deram ao luxo de ficar em casa nos dias da eleição. Decisiva omissão! Numa disputa que contou 60 milhões de votos para Lula e 58 milhões para Bolsonaro, a leviandade dos 30 milhões de ausentes entregou o Brasil em mãos que, de modo compulsivo, destroem tudo em que tocam!
Eu sei, muitos leitores destas linhas podem estar pensando nas “excepcionalidades” que viraram rotina na arbitragem da campanha eleitoral de 2022, na criminalização da direita, que nunca mais saiu do vocabulário dos tribunais superiores, na censura, nas palavras proibidas e na pressão sobre as plataformas. Nada disso, porém, superaria a presença de uma parcela, pequena que fosse, daquele tipo de cidadão que ficou em casa por razões do tamanho de sua casca de noz mental. Esse tipo de pessoa, tão autossuficiente que se permite dispensar a política, só pode situar-se ideologicamente do centro para a direita. A esquerda ou é dependente do Estado ou é militante. Eleitor da esquerda não se ausenta de eleição.
Se você passar uma lupa no que tem sido expresso pelo lado direito em conversas de rua ou nas redes como opinião vulgar, popular, perceberá impressões digitais, pegadas e farelos mentais da mesma convicção e da mesma atitude em relação ao pleito deste ano. A omissão dos milhões de cidadãos do sofá, povo da bolha, volta a ser esperança maior da esquerda e de Lula para a eleição deste ano. Não façam isso com o Brasil!
Percival Puggina (81) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Sinos da esperança, sirenes de alarme - 31/12/2025
Percival Puggina
Houve época, nas cidades medievais, em que as catedrais com suas torres e os campanários com seus relógios eram seus principais símbolos estéticos e dinâmicos. Na catedral batia o coração mesmo das comunidades, seu colossal orgulho; o relógio organizava o cotidiano e os sinos marcavam os tempos, seculares e religiosos, chamavam à oração e aos sacramentos, sonorizavam a alegria, o pesar e o perigo.
Escrevo este artigo no dia 30 de dezembro e não lembro de um ano novo tão pouco esperançoso. É de se perguntar: como tocarão os sinos à meia noite de amanhã? Soarão como sinos da esperança ou como repiques de alarme, num país desolado ante as visíveis comorbidades de suas instituições?
Viajante do século XIV, passando por uma cidade envolvida com a construção de sua catedral, deteve-se a visitar o atelier onde trabalhavam os escultores das imagens que integrariam a estética da obra. Em posição de destaque no canteiro dos artesãos, coberto de poeira, operava o mestre escultor, esmerando-se no acabamento de uma estátua. Curioso, perguntou sobre o local para onde estava designada aquela grande peça. A resposta o surpreendeu: “Este é apenas um dos doze apóstolos que serão colocados externamente no topo de cada arcobotante da nossa catedral”. O visitante saiu para a rua, tentou observar a extremidade superior daquelas estruturas, que estimou a 70 metros do chão, e voltou a interrogar o escultor: “Mestre, saí para ver se entendia, mas não consegui. Por que tanto zelo e detalhes num conjunto de peças que, de longe, ninguém conseguirá ver?” A resposta veio em duas palavras: “Deus verá.”
Como foi que perdemos essa dimensão da fé? Quem, e a troco de quê, a tomou de nós? Por que não vemos a nós mesmos – a nós mesmos! – como aquele escultor via sua estátua? Se nos víssemos assim, não passaríamos o recibo do silêncio ante o que está em curso em nosso país e não gratificaríamos o mal com a nossa omissão.
Eu lembro do réveillon do ano 2000 que tive a graça de viver aos 56 aninhos recém-feitos. Quanta esperança naquela ruidosa noite em que se misturavam os fogos de artifício, os sinos, as músicas da TV ligada, as palavras amorosas que trocávamos e as orações com que agradecíamos tantas e tão imerecidas graças. Sim, um novo milênio, inteiro, para o que desse e para quem viesse.
Se alguém lhe dissesse naquela noite, caro leitor, que no correr do quarto de século seguinte, o PT venceria cinco das seis eleições presidenciais que seriam disputadas, qual teria sido sua reação? Você teria imaginado a ruina institucional e moral a que chegamos? Teria previsto que nosso povo se habituaria, em modo cubano, à censura e à autocensura e que a isso acrescentaria os institutos dos sigilos por todo o século, dos segredos e dos respectivos vazamentos seletivos?
Quando iniciarem os sons do ano novo, lembre-se de que você é infinitamente mais amado por Deus do que a estátua tão zelosamente trabalhada pelo escultor medieval; lembre-se de que o ruído que ouvir é o dos alarmes, indicando os perigos que rondarão a política e as eleições de outubro. Faça, também nisso, o melhor de si.
Percival Puggina (80) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Mais um dia para a infâmia - 04/12/2025
Percival Puggina
Nada é tão danoso à política brasileira quanto o Centrão. Sim, para a política, o centrão é pior do que o PT porque o PT é previsível. Ele sempre agirá em conformidade com suas péssimas convicções. Já o Centrão é ardiloso, oportunista e sempre agirá em conformidade com seus variáveis interesses. Diferentemente do que por vezes é dito, com mais da metade do Senado, o Centrão não é o fiel da balança, ele é o infiel que não merece confiança.
Ontem, 03 de dezembro, quando soube da exótica decisão do ministro Gilmar Mendes, acomodei-me para assistir na TV à rebelião do Senado. Vi Davi Alcolumbre, cacique do Centrão, ler sua manifestação enquanto olhava para o plenário rotineiramente vazio. Ele conseguia mencionar nominalmente os poucos presentes. Ouvi alguns discursos de membros da bancada oposicionista, justamente indignados, e um do senador Randolfe Rodrigues, surpreendente, reprovando a intromissão do ministro em matéria eminentemente legislativa.
Fiquei pensando em gritar um e-mail ao senador Alcolumbre, dizendo-lhe que convocasse uma sessão deliberativa extraordinária, que chamasse todos os senadores a Brasília, que reunisse a imprensa para uma coletiva (como fez, por conta própria, pequeno bloco de oposicionistas), que atravessasse a rua acompanhado de alguns líderes e fosse, expressamente, tomar satisfação do ministro Edson Fachin sobre o ataque absurdo praticado por seu colega. Mas por que Alcolumbre faria isso, se teve em mãos requerimento com 41 assinaturas para dar início ao processo de impeachment do ministro Alexandre e disse que não o faria mesmo ante 81 assinaturas?
O silêncio dos senadores petistas mostra o compadrio que mantêm com a Corte. A omissão do Centrão, mostra a tibieza de um tipo de política que se criou no Brasil como erva daninha, atraindo uma fauna humana que a prudência recomendaria, ao eleitor atento, manter longe do poder.
Aludir ao risco de um possível uso abusivo do impeachment para justificar essa invasão ao Congresso é completo disparate quando estamos tratando de um dispositivo que, em 75 anos, nunca foi usado contra ministro do STF. E se hoje está em cogitação, é por motivos que milhões de olhos veem e milhões de corações sentem.
Percival Puggina (80) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
E dizem que lutaram pela democracia... - 17/11/2025
Percival Puggina
Nas encrencas típicas de republiqueta bananeira em que o país se enfia, volta e meia a frase “Nós, que lutamos pela democracia...” é pronunciada com poses de estadista por membros do consórcio governante. Que é isso, companheiro? Pra cima de mim?
Desmentidos a essa alegada luta pela democracia são abundantes, inclusive por participantes da atividade clandestina que, mais tarde, se tornaram honestos historiadores do período. A balela da luta armada pela democracia requer relação inescrupulosa com a verdade.
O mais interessante – quase ninguém com menos de 70 anos sabe disso – é que esses terroristas e guerrilheiros tiveram a oportunidade de proclamar à nação, em cima dos acontecimentos, quem eram e o que pretendiam. O regime que combatiam lhes deu acesso a todos os grandes meios de comunicação em rádio, TV e aos jornalões de então. Poucos momentos e raros documentos foram tão importantes para a história do período quanto o que resumirei a seguir.
O mês de setembro de 1969 iniciou em plena vigência do AI-5. O presidente Costa e Silva sofrera um AVC e o Brasil era governado por junta militar. Duas organizações guerrilheiras, a ALN e o MR-8, haviam sequestrado, no dia 4, o embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, e imposto condições para libertá-lo: soltura de 15 presos políticos e publicação e leitura, “na íntegra, pelos principais jornais, rádios e televisões” (sic) de um manifesto que haviam redigido.
Despachar os presos para os destinos combinados, era fácil, mas autorizar a ampla reprodução da catilinária dos sequestradores era constrangedora rendição... Contudo, a execução do embaixador por quem o havia sequestrado seria um mal maior. E a junta militar se rendeu.
Assim, ao longo do dia seguinte ao sequestro, em diferentes horários, a nação inteira leu, ouviu e assistiu o texto redigido por Franklin Martins, um dos autores da operação. Oportunidade preciosa, dourada, única para guerrilheiros e terroristas dizerem por que lutavam, afirmarem seus compromissos e cobrá-los do governo, não é mesmo? Qual o quê! O documento (leia a íntegra em "Charles Burke Elbrick" na Wikipedia) foi uma xingação em que os revoltosos falaram do que entendiam – ideologia, violência, revolução – e do que faziam – “justiçamentos", sequestros, assaltos. Não há uma única menção às palavras democracia e liberdade.
O texto acima reproduz artigo que escrevi de 11 de janeiro de 2016, relembrando os fatos de 1969. Aquela “luta pela democracia”, da qual tantos fazem fila para se vangloriar, só retardou o processo político. E se tivessem vencido? Bem, teriam antecipado para pior, em meio século, o estrago que passaram a produzir a partir de 2003.
Para saber a que distância andamos das liberdades inerentes à democracia, sem a qual não há Estado de direito, pense nestes males de consumo forçado, disponibilizados pelo regime em vigor. Pense em Congresso de maioria intimidada e tímida, com medo até da sombra projetada pelo lado direito da Praça dos Três Poderes (STF) e dependente das emendas parlamentares proporcionadas pelo seu lado esquerdo (Palácio do Planalto). Pense em eleições com dogmas (em 2022 eram os dogmas das vacinas, das sagradas urnas sem impressora e da vida imaculada de Lula da Silva). Pense em censura (inclusive prévia), em multidões com tornozeleiras, em presos políticos, em exilados, em criminalização das opiniões, em obstinado e obcecado controle das redes sociais e plataformas. Pense em direito penal do inimigo; pense em todas as perguntas lógicas que ficam sem resposta e no silêncio com que tais silêncios são acolhidos. Pense, então, no jornalismo militante, também ele, de exceção em exceção, tornando-se cortesão do regime. E me digam se isso é próprio de uma democracia.
Nem em seus melhores devaneios nos anos 60 do século passado, Franklin Martins imaginaria tão amplo elenco de sucessos para sua revolução com meios de então.
Percival Puggina (80) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O Brasil no atoleiro ideológico - 25/10/2025
Percival Puggina
É fácil compreender por que o Brasil perde posições nos rankings internacionais e por que, salvo exceções, nossa representação política é tão precária. Todo ano, cerca de 3 milhões de brasileiros festejam sua chegada à maioridade. Em imensa proporção, tiveram suas mentes oprimidas pela “pedagogia do oprimido” e suas potencialidades contidas pelas urgências da “luta política”. Vários anos de “Ideologia para idiotas” enfiada em diferentes conteúdos pedagógicos, impingiu-lhes que a esquerda, sempre moderada, é boa, generosa e bem sucedida e que a direita, sempre extremada, é sinônimo de fascismo. Agora, saiam de dentro da bolha e espiem o resultado.
Basta observar esses jovens para entender que foram vítimas passivas do persistente combate cultural e espiritual travado contra o Ocidente. Aliás, é bom saber que essa foi a linha mais bem sucedida da velha Guerra Fria. É um combate que atacou e continua atacando de modo permanente o Bem, a Verdade, a Justiça e a Beleza. Seu produto final é perversão, falsidade e, claro, o desastre da ética e da estética. Em ambientes universitários, quando bem encaminhada em direção aos próprios fins, essa “cultura” confere aos coletivos e a seus ambientes o conhecido aspecto de legião de zumbis indignados.
Menciono aqui, com pesar, observações que jamais têm o devido destaque fora das redes sociais. É como se para as emissoras e veículos do oficialismo, os pilares da civilização fossem temas superados e estivessem, em fratura exposta, ante os olhos de todos. Regrediram à pedra lascada, isto sim! Mas se veem como sofisticados joalheiros na Amsterdam das ideias.
O consagrado teatrólogo alemão Bertold Brecht, em “A medida punitiva”, depois de prescrever aos comunistas o abandono de toda coerência e o descarte das regras morais e dos sentimentos humanos, conclui: “Quem luta pelo comunismo tem, de todas as virtudes, apenas uma: a de lutar pelo comunismo”.
Capturados pela militância esquerdista, brechtianos sem o saberem, milhões de jovens brasileiros sobre cujos ombros recairia tanta responsabilidade no futuro do país, têm, na própria incoerência, sua “best friend”. Dela lhes vem o inesgotável estoque de pesos e medidas que usam no mesmo modo flex aplicado por certas autoridades da República a preceitos da Constituição Federal.
Estamos assistindo, ao vivo, a tolerância com a corrupção dos companheiros. Há um silêncio nas redações. Ainda que a corrupção seja de uso e benefício privado, fazer de conta que não existe é menos danoso do que reconhecer a culpa. No Brasil de hoje, apesar das provas em contrário, todo direitista é tão culpado quanto Filipe Martins, um inocente; todo esquerdista, tão inocente quanto Nicolás Maduro, um bandido. Essa é a escandalosa lição que as instituições republicanas, em mal ensaiada coreografia, proporcionam à nação.
Percival Puggina (80) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Aos mestres, com gratidão e reverência - 17/10/2025
Percival Puggina
Neste último dia 15 de outubro, dia dos professores, me veio a ideia de que, aos 80 anos, sou bem mais velho do que haviam sido todos os meus “velhos” mestres.
Cá entre nós, se considerarmos apenas a idade e o consequente acúmulo de perdas, não é uma boa contar 80 anos. Somar setenta, sessenta, cinquenta, era melhor. Quantos amores ficaram pelo caminho! No entanto, antes que o Senhor da vida me chame de ingrato por quanta bondade me concedeu, quero esclarecer meu ponto: se ter 80 anos não é exatamente um canteiro de saudades num jardim de delícias, ter vivido esse tempo todo é uma experiência extraordinária, uma esplêndida graça.
É um aspecto dessa dádiva que tenho em mente, por exemplo, quando se acendiam, anteontem, as luzes para a noite de 15 de outubro de 2025, Dia do Professor. Graças aos meus 80 anos, queridos leitores, os muitos professores que tive durante os anos 50 e 60 do século passado, não haviam sequer ouvido falar em Paulo Freire! Afortunado privilégio! De fato, como a badalada experiência freiriana de alfabetização “express” de Angicos é de 1963 e a “Pedagogia do oprimido” foi publicada em 1968, quando Freire já estava no Chile, os poucos que souberam algo dele eram suficientemente inteligentes como para não lhe dar atenção.
O resultado, meus amigos, é que absolutamente todos os meus muitos professores ao longo da vida eram exatamente isso: professores! Dedicados ao mais intenso uso possível de seu tempo com o toco de giz, conscientes do valor do conhecimento transmitido, ocupavam-se com ensinar! Cobravam dos alunos desempenho compatível com seu próprio empenho. Obtinham disciplina porque impunham respeito. Eram pessoas respeitáveis. Já então, nos anos 60, a política nacional fervia nos corredores, nos grêmios estudantis, nos centros acadêmicos, mas não entrava na sala de aula. Não era assunto dos professores.
Cada um no seu quinhão, eram missionários do conhecimento, da ciência, da ética e da estética. Não vendiam gato por lebre, não desrespeitavam a cultura das famílias, a política tinha seu lugar de estar e a sala de aula não era um desses lugares, não organizavam “coletivos” nem colecionavam “narrativas”. Viam seus alunos como operadores do próprio futuro. Por vezes, penso que anteviam a revolução do trabalho, do talento, do mérito. E o Brasil que nascia das salas de aula era um Brasil melhor! Eu o resumo na pessoa de Elvira Arla Pereira, minha primeira professora no Grupo Escolar Professor Chaves, em Santana do Livramento. Ela tanto amou nossa turma que a tomou como sua nos quatro anos do ensino fundamental, nos distantes anos 50 do século passado.
Minha imensa gratidão aos inesquecíveis mestres daqueles muitos anos e aos que ainda hoje abrem suas salas de aula com os mesmos valores e preservando a dignidade de sua missão.
Percival Puggina (80) é arquiteto, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A bacia de Pilatos - 12/10/2025
Percival Puggina
Em um dos acontecimentos marcantes destes dias, o ministro Luís Roberto Barroso anunciou, entre lágrimas, que deixaria o posto de ministro do Supremo Tribunal Federal. Sob sua presidência, a Corte despencou no apreço popular. Não apenas acirrou-se o ativismo. A “vertiginosa ascensão política do Supremo” foi proclamada pelo ministro como um feito da Constituinte de 1988 enquanto, em plena atividade política, negava o ativismo e o protagonismo político do Supremo.
Se apenas a justiça padecesse, a situação já seria seriíssima. Tudo piora, porém, quando, ali em frente, a legítima representação política se ressente das ameaças, das desautorizações e das imposições que cruzam a praça como se Têmis lançasse mísseis sobre as duas cúpulas do parlamento nacional. Não é do bom feitio de um tribunal constitucional derrotar tal ou qual corrente política! Menos ainda corresponde à sua missão derrotar sempre a corrente a que dirige frequentes descomposturas. Se um dia existiram no Brasil, arautos do rei perderam o emprego há muito tempo.
Ocorreu-me outro dia a seguinte indagação: qual a semelhança entre um DCE de esquerda e a atual composição do STF? A resposta me veio da antiga parábola do Boneco de Sal. Procure-a por aí, é altamente educativa. Em síntese, o boneco de sal quis conhecer o mar, mas esse conhecimento só aconteceu quando perdeu a própria individualidade desintegrando-se, mar adentro, na natureza daquele que o desafiava a esse conhecimento. É o que fazem os coletivismos com suas exacerbações e comandos. Nos “coletivos” de esquerda, como tantos DCEs, sindicatos, organismos e movimentos sociais, ocorre essa desintegração das individualidades. As perdas pessoais se tornam visíveis ao longo do processo, percebidas pelos pais, pelos antigos amigos e por todos que conheceram cada um, antes dessa destruição. Nos “coletivos”, os membros cometem excessos que não cometeriam antes, assumindo o aspecto comum, açulado, de matilha, contra quem julgam merecer seu incivilizado repúdio.
No STF, o “coletivo” se chama “colegialidade”. A colegialidade sobresta convicções anteriores, contrasta textos antigos produzidos para as bibliotecas acadêmicas, faz de conta que não lembra os apropriados e próprios comentários à Constituição, lidos e relidos por estudantes e – quem sabe? – até por militantes de ... DCEs.
Por essas e outras, creio que deveria haver uma bacia de Pilatos na saída de certos plenários e de certas “plenárias”. Por essas e por outras, enfim, recuso qualquer coletivo que se oponha à natureza única e insubstituível, da pessoa humana, criada num ato de bondade divina. Bondade, aliás, desse mesmo Deus que é juiz no tribunal da eternidade e permite a seus filhos viver com Ele, sem Ele ou contra Ele, o imenso dom da liberdade.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
No Brasil não tem Hora H nem Dia D - 05/10/2025
Percival Puggina
O Brasil é um país grande, populoso e diversificado, num berço esplêndido. Ou seja, o Brasil é lento. Nossas tolices são mansas e nossos hábitos comandam nossas percepções. Até o futebol brasileiro perde agilidade; nossos craques passam mais tempo recuando a bola e pensando no que fazer do que fazendo. Regiões inteiras se acomodam até ao petismo estrutural – “As coisas, aqui, são assim”, explicam, quando perguntados sobre tão sinistra conformidade com o infortúnio. Não se espere deste canto do planeta qualquer manobra brusca, salto ágil, pirueta genial, compreensão abrupta de problemas e soluções institucionais.
Foi essa característica que tornou possível a gradual construção e adaptação social ao controle que a maioria dos ministros do STF passou a exercer sobre a política. Contra a opinião de um punhado de bravos, a maioria do Congresso, em quietude pastoril, submeteu-se ao esvaziamento das próprias prerrogativas, às decisões furiosas de quem pensa com o fígado, à hipertrofia do STF, a atrofia do Legislativo e ao absenteísmo de um governo eventual, mas turista em modo contínuo. A indignidade dos meios pelos quais se foi afirmando a submissão do parlamento a uma democracia ao jeito do Supremo só encontra expressão nas redes sociais e em umas poucas vozes no Congresso Nacional.
Uso a palavra governo para facilitar a compreensão. O Palácio do Planalto, sabemos todos, está formalmente ocupado por um grupo político cuja principal prova de existência é fornecida quando, alinhada sobre um palco, racha os dedos aplaudindo e rindo feliz com a cesta básica de tolices que Lula costuma fornecer.
Não, não estou exagerando nem depreciando o presidente. Foi ele que em meio à maior crise instalada nas relações internacionais do Brasil desde 1822 gravou um vídeo oferecendo jabuticabas a Donald Trump e reduzindo as dificuldades de nossa diplomacia às proporções de um jogo de truco. Semanas depois, quando o mundo todo agiu com pressa, disse que estava com a agenda lotada, sem tempo para conversar com o presidente americano. Essa miséria intelectual só poderia dar no que deu. Assim como muitos bispos medievais dormiam com a chave do portão da cidade embaixo do travesseiro, a economia dorme embaixo do travesseiro de Lula.
Só das combatidas redes sociais vem o necessário jornalismo, obediente ao irônico preceito de Millôr Fernandes, para quem “jornalismo é oposição; o resto é armazém de secos e molhados”. Jornalismo só pode ser feito por quem não é cortesão, por quem não faz questão de ter acesso aos privilégios palacianos das Versalhes do poder.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Yes, o Brasil já fala inglês - 18/09/2025
Percival Puggina
O ambiente político brasileiro está irrespirável! E não foi o polo da direita que deu causa ao fenômeno, já comum a todo o Ocidente. A forte polarização se impôs por justíssima causa quando o extremismo esquerdista, de corpo inteiro, passou a arremeter contra os valores da civilização.
Entre as vítimas, está a juventude submetida à ditadura ideológica nas salas de aula e à tirania da informação que carrega os estigmas da submissão aos “editores da nação”. A primeira faz o que temos visto, em dimensão prática, no comportamento de matilha dos novos cidadãos; a segunda se permite escrutinar, no cardápio dos fatos diários, com a conveniente harmonização facial, a notícia que pode chegar ao conhecimento do povo.
De um lado, você tem:
a) organizações empresariais e instituições públicas dedicadas a uma suposta autenticação dos fatos mediante fact-check;
b) o silêncio submisso ante escancarada lawfare (a lei como arma da guerra ao inimigo);
c) a sumária adoção da cancel culture (cultura de cancelamento), significando o expurgo de toda divergência, promovido pela esquerda sempre que majoritária;
d) a tolerância ao discurso de ódio que diz combater o hate speech (discurso de ódio) alheio;
e) a normalização dos vazamentos possibilitados por fishing expeditions (pescaria probatória);
f) a distribuição de rótulos como os de fake news, misinformation, e informational disorder.
Em língua inglesa, juntas, essas expressões importadas pela esquerda exprimem conceitos e condutas que, em muitos casos, corrompem a aplicação do Direito, a política e o convívio social. Sinto muito, rapaziada, não foram vocês das “ciências humanas” em nossas universidades que inventaram essas práticas. É dos primeiros anos do século passado, tempo de seus tataravôs, que lhes vem os exemplos de cancelamento, desumanização da divergência, pensamento único, estado opressor e jornalismo submisso proporcionados pelos comunistas no contexto da Revolução Russa. Ponto. Sempre acompanhados do Gulag. Ou da Papuda.
De outro lado, para confrontar e criticar o desastre de um jornalismo cujo símbolo é o Consórcio Goebbels de Comunicação, milhões se valem dos novos canais viabilizados pelas redes sociais e pelas modernas tecnologias. São iniciativas brilhantes, que alcançam fantástico sucesso pelo simples fato de corresponderem ao desejo da sociedade por uma informação livre, plural e destemida.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A linha vermelha - 31/08/2025
Percival Puggina
Governos petistas não têm o hábito de levar a sério imposições da razão. Entende-se. Grupos políticos de extrema esquerda são pouco racionais. Embora digam defender a ciência, rejeitam as mais elementares lições da Economia, Antropologia, Sociologia, Política, etc. O critério ideológico é determinante, até mesmo, da escolha do jardineiro e dos ingredientes gastronômicos. Girassóis da Rússia. Camarões de esquerda. Lagostas trotskistas. Pato de Pequim. E, claro, conselheiros chineses.
Por vezes, o que um extremista de esquerda diz corresponde ao que algumas pessoas desejam, mas o que ele faz, nunca encaixa no que disse. Eis a trágica marcha rumo às grandes burradas, como as que nos trouxeram às atuais dificuldades, e provocam a doentia ansiedade de controlar as opiniões e seu trânsito no corpo social.
Depois de 2011, como consequência das sucessivas eleições de petistas para a presidência da República, a esquerda radical nunca teve menos de seis representantes entre os 11 ministros do Supremo. Com a adesão de ministros indicados por outros governos, como Gilmar Mendes (por FHC) e Alexandre de Moraes (por Michel Temer) chega-se à atualidade, quando a minoria conta com apenas dois e eventualmente com três dos 11 votos.
Era inevitável que o STF, pela maioria de seus membros, atravessasse a linha vermelha. O petismo não brinca com ideologia nem com o que possa afetar seu acesso e permanência no poder. Assim, com ares missionários, cobrando silêncio e submissão do rebanho, o STF se tornou uma esponja de prerrogativas, drenando-as do Parlamento, espaço legítimo da representação popular.
O advento das redes sociais pôs fim a um tempo em que essa maioria “era feliz e não sabia”, para dizer como o ministro Luís Roberto Barroso, hoje visivelmente infeliz, desejoso de ir embora. De fato, as redes sociais acabaram com a intermediação da opinião pública pelas grandes emissoras e grandes jornais. Como ela passou a se expressar de modo vigoroso pelas vozes próprias dos cidadãos em proporções que se revelaram decisivas na eleição de 2018, para elas confluiu parte expressiva das verbas publicitárias.
Selou-se assim um compromisso dos “editores da nação” no STF com os editores da velha mídia, repetindo juntos, à moda Goebbels, sem cessar, narrativas à margem dos fatos. Os editores da nação usam e abusam da intimidação proporcionada por mandados de busca e apreensão, celulares escrutinados, bloqueios de contas, supressão de direitos; muita gente pra prender e multa pra aplicar. Os editores da velha mídia agem como trombonistas da banda oficial, controlando música e letra à vontade dos donos. Fora isso, restam as redes sociais, porque tudo mais, no Brasil de hoje, é apenas paisagem. Com a verdade já decidida pelo Estado, quem precisa da opinião pública?
Ao observar pela primeira vez uma decisão ser tomada pelo STF em frontal antagonismo com teor explícito da Constituição, sob silêncio do Congresso e da mídia, redigi este prefácio do futuro em artigo publicado por Zero Hora.
“Foi escancarada a porta para o totalitarismo jurídico. Passou o bezerrinho. Atrás vem a boiada. Doravante, se um projeto de lei não tiver guarida no Congresso, recorra-se ao Supremo. Sempre haverá um princípio constitucional para ser espremido no pau-de-arara das vontades presentes.”
Corria o ano de 2011. Quanto eu quis estar errado!
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
E o PL da “Adultização” nada diz sobre emissoras de TV? - 24/08/2025
Percival Puggina
O início dos anos 90, preocupados com a erotização precoce de crianças e adolescentes, levando à gravidez, ao aborto e à prostituição, criamos em Porto Alegre um grupo de leigos para formação da “consciência crítica” das famílias através de palestras nas paróquias da Igreja Católica. Cumprimos essa missão por uns poucos anos. Éramos jovens e a vida nos dispersou para outras paragens e responsabilidades.
Naquela época, a internet sequer operava comercialmente no Brasil. Não havia algo que merecesse o nome de “ambientes digitais”. Não existiam redes sociais. Salvo falha da memória, apenas um membro do grupo, com atuação na área jurídica, tinha computador com impressora. O que mais nos preocupava eram as novelas, os programas de TV e sua influência na erotização precoce.
Por isso, louvei, outro dia, a manifestação do Alexandre do bem, o Garcia, chamando a atenção da audiência do “Oeste Sem Filtro” para o fato de que a tal “adultização” acontece principalmente na programação de emissoras de TV. Ao discorrer sobre o tema, Alexandre Garcia mostrou que o PL contra a adultização chega tarde e esquece o principal.
O foco desse projeto, de tanto interesse do governo, não são crianças e adolescentes. É o controle das redes e a autorização para regulamentar uma “autoridade nacional”, ideia fixa da esquerda que dá as cartas, joga de mão, apita o jogo político, parou o relógio em 8 de janeiro de 2023, e culpa a oposição por todos os erros que comete em cascata.
Se o projeto contra a adultização fosse o que dele é dito, incluiria, obrigatoriamente, a programação das emissoras de TV. Nem uma única vez, porém, o projeto menciona TV, emissora ou televisão, deixando tudo como víamos no início dos anos 90.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A democracia e a liberdade a gente vê depois? - 02/08/2025
Percival Puggina
Não estaríamos atravessando este período se, durante a campanha eleitoral presidencial de 2022 não tivessem sido proibidas quaisquer referências às péssimas relações e amizades de Lula e seu partido no plano nacional e internacional. A pandemia desse autoritarismo maldito que nos sufoca era pra já; o resto ficava pra depois.
Nas democracias de verdade, as campanhas eleitorais existem, também, para advertir os eleitores sobre riscos inerentes a escolhas feitas sem a necessária informação. Entre outros alertas, também esse, sobre as más amizades de Lula, foi proibido naquele pleito e ele, tão logo empossado, correu para se aliar aos inimigos do Ocidente. Resultado: os setores mais carentes e menos esclarecidos da sociedade, os que mais necessitariam da importante advertência, serão os que, proporcionalmente, absorverão o maior dano socioeconômico das medidas tarifárias já impostas por Trump.
Enquanto, no Brasil, o regime se esmera em controlar a divergência e a “polarização” é reprimida como se fosse uma invenção maligna da direita, nos Estados Unidos, em 2024, durante a campanha transcorrida lá, Donald Trump conseguiu deixar bem claras suas intenções e seu princípio fundante: Make America great again. Prometeu mais tarifas e barreiras comerciais para conter a influência chinesa. Reforçou o apoio total a Israel. Defendeu medidas duras na fronteira com o México. Garantiu que providenciaria a imediata saída dos imigrantes irregulares, etc., etc., etc. Tudo foi reiterado no discurso de posse.
No outro polo, Biden e Kamala Harris atacaram-no livremente, na vida privada e na vida pública. Combateram-no, também, pelo que não disse sobre direitos humanos, sem que nenhuma autoridade judicial os impedisse de pisar nesse calo ou bater nessa tecla. Quanto mais amordaçado ou esterilizado for o entrechoque de posições, quanto maior a contenção da natural polarização do debate político do presidencialismo com dois turnos, quanto maiores forem as censuras e as interdições, mais aberto fica o espaço para a mentira, para a falsidade, para a omissão e para os desastres subsequentes.
Aqui, em 2022, Lula fez campanha como se não tivesse passado, só futuro. E o futuro era a volta de um amor que só se viu na publicidade. Reapareceu até o belíssimo vídeo das mulheres grávidas que, na campanha dele em 2002, desceram uma coxilha verdejante ao som do Bolero de Ravel. Embora os bebês do vídeo já contassem 20 anos ou mais, o prontuário de Lula foi apresentado, naquele pleito, flamante e intocado como manual de carro zero. Agora está ele aí, fazendo estragos com as mesmas velhas e perigosas amizades que não podiam ser mencionadas.
Os novos problemas que passaremos a enfrentar a partir do dia 6 de agosto poderiam ter sido evitados com uma receita eficaz e saudável: mais liberdade. Mas essa liberdade foi rotulada como danosa para os interesses do grupo político que, sem ela, chegou ao poder. O preço dos efeitos da falta de liberdade não será pago, infelizmente, por aqueles que, desde a bolha onde vivem vida à forra, nos enclausuram prometendo, vida afora, o que não têm para entregar.
Por essas razões, e por tantas outras, no dia 3, domingo, nos veremos nas ruas e praças deste chão abençoado. Respeitem a Constituição, que a democracia e a liberdade vêm junto. Basta-me isso e um cafezinho. E desse eu mesmo me sirvo.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Os dez esteios do regime - 24/07/2025
Percival Puggina
Em nosso país, do Estado Democrático de Direito só resta o Estado em forma bruta e brutal. A democracia foi extinta por sucessivas omissões da representação parlamentar e o Direito está relativizado às conveniências dos donos do poder.
Ocorreu-me, então, identificar quem sustenta esse poder tão ativo, tão repressivo à direita e tão pertinaz no combate à liberdade de expressão.
Numa conta redonda, cheguei aos seguintes dez esteios do novo regime político brasileiro:
Vamos combinar que é uma assombrosa parceria, cujo produto só pode ser essa obra prima das malas-artes políticas sob as quais vivemos. Esqueci algum ou alguém?
As jaboticabas no pomar do Éden - 23/07/2025
Percival Puggina
Em Quincas Borba, obra de Machado de Assis, duas tribos disputavam um campo de batatas. “Ao vencedor, as batatas!”, exclama, então, Quincas Borba.
Estamos em vias de pagar preço pesadíssimo, imposto pela irresponsabilidade do presidente da República ao desconsiderar as consequências do que faz por conta própria. No caso da hecatombe à vista, parece mais adequado a Lula dizer – “Ao perdedor, as jaboticabas!”, que ele saboreia como se estivesse no pomar do Éden.
Quem não se engana com o Lula e vota no Lula é porque espera dele o que está fazendo. Quem vota no Lula enganado por ele, depois de quatro mandatos petistas e da longa folha corrida do partido, quando melhorar muito se tornará apenas um tolo certificado. Os ministros do STF não são tolos e sabem o que fazem. Sabem que estão manipulando e que encontraram a fórmula de usar seu poder para se garantir no poder. E têm consciência de que grande parcela de brasileiros sabe o que eles fizeram nos últimos verões, outonos, invernos e primaveras.
A quem exerce o poder político com protagonismo, a democracia pressupõe voto e convívio com o necessário contraponto entre direita e esquerda, entre oposição e governo. No regime atual, porém, quem faz política de modo mais efetivo (os membros do Supremo) se consideram, monocraticamente ou em colegiado, como uma “instituição”. Entendem a crítica como ataque à instituição. A quem cai em desagrado, impõem proibições, censuras, silêncio absoluto e pesada distribuição de investigações e punições. Por isso, assim como Janja, ministros do STF se agradam do modelo chinês de controle social, tornando-se pró China nessa perspectiva.
Coisa diversa, mas simultânea, são as burradas que Lula vem produzindo em série a partir de quando, garantido internamente pela maioria do Supremo, resolveu insultar os EUA e seu presidente. Tem feito isso cada vez que abre a boca em foro internacional ou se une com inimigos da grande potência do Norte. Ele pensou que cresceria batendo de longe em cachorro grande, mas o que produziu foi uma dispersão de cuscos e arrastou o Brasil para a soleira de uma crise nunca antes vista.
Quem escolhe lado, escolhe, também, o adversário. Escolhe o inimigo. Foi o que Lula fez desde a campanha eleitoral americana e a guerra que abriu representou, a meu ver, a gota d'água para Trump. Instado pelos exilados brasileiros a livrar o Brasil da venezuelização, decidiu pegar pesado contra nosso país.
Trump pode desarmar o Brasil, pode quebrar nossa economia, causar um dano social de consequências incontroláveis e deixar seus alvos no Supremo politicamente expostos no plano nacional e internacional. Se a volta do Brasil aos trilhos do Estado de Direito e ao regime democrático não acontecer antes e por menor custo, acontecerá depois – com imenso preço econômico, financeiro, social e de vidas – pela súbita miserabilização, frente a um setor público que pode estar quebrado em poucas semanas. “Todas as cartas estão sobre a mesa”.
Falemos, então sobre soberania. A guerra entre o Brasil de Lula e os Estados Unidos de Trump foi insistentemente declarada por Lula, mediante palavras e ações. Então, pergunto: foi você, leitor, ou o Congresso Nacional, quem autorizou Lula a iniciá-la? Você está incomodado pela intromissão estrangeira em temas inerentes à nossa soberania? Nesse caso, tenho três outras perguntas:
- Qual a regra que autoriza o Brasil a interferir e dar pitaco na soberania de outros países como vem fazendo em Israel, no Peru e na Argentina?
- Você considera legítima a interferência de um poder nacional na soberania do povo, intimidando a representação popular no Congresso, cancelando direitos constitucionalmente assegurados, nossa liberdade e nossa democracia?
- Foi a direita que deixou o Brasil se converter num narcoestado e perder para o crime organizado a soberania sobre expressivas porções de seu território e população?
Assim como o poder dos ministros do STF se impõe pelo medo que suscitam, só algo simetricamente oposto pode desestabilizar a segurança de que hoje usufruem sob agasalho da mídia companheira e camarada. Se isso não acontecer, restam-nos as jaboticabas.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Os dez esteios do novo regime - 18/07/2025
Percival Puggina
Em nosso país, do Estado Democrático de Direito só resta o Estado em forma bruta. A democracia foi extinta por sucessivas omissões da representação parlamentar e o Direito está relativizado às conveniências dos novos donos do poder.
Ocorreu-me, então, identificar quem sustenta esse poder tão ativo, tão repressivo à direita e tão pertinaz no combate à liberdade de expressão. Numa conta redonda, cheguei aos seguintes dez esteios do atual poder político brasileiro:
Vamos combinar que é uma assombrosa parceria, cujo produto só pode ser essa obra prima das malas-artes políticas sob as quais vivemos. Esqueci algum ou alguém?
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Cuba e o caminho por onde nos levam - 18/06/2025
Percival Puggina (com conteúdo reproduzido de Passos de Cambio)
Nota do editor: O infelicitado povo cubano, como se verá adiante, sonha com saídas para um regime semelhante a este por onde estamos sendo conduzidos. Lá, a primazia do Estado sobre a sociedade, a supressão de direitos individuais, a censura, o direito penal do inimigo e a falta de liberdade já contam 66 anos. E aqui, vamos em frente, passo a passo, renunciando à Liberdade e à Democracia?
MOBILIZAÇÃO CIDADÃ PELA DEMOCRACIA EM CUBA
Passos de Cambio
18 de junho de 2025 – A plataforma Pasos de Cambio anunciou hoje a publicação das Diretrizes para a Mobilização Cidadã, um resumo executivo das propostas comuns e ações mais eficazes apresentadas por organizações e cidadãos cubanos dentro e fora da ilha para alcançar uma transição democrática.
O documento descreve as etapas do roteiro para a mudança e inclui diretrizes para a desobediência civil não violenta, pressão internacional coordenada, organização local e fortalecimento da mídia livre e da unidade do movimento democrático. É o resultado do apelo anunciado pelo líder da União Patriótica de Cuba (UNPACU), José Daniel Ferrer — atualmente preso político — da qual participaram centenas de organizações e indivíduos signatários do Acordo para a Democracia.
"Os recentes protestos estudantis e os atuais protestos civis confirmam que os cubanos já estão mobilizados, prontos e determinados a alcançar mudanças", explicou Rosa María Payá, diretora executiva da Fundação para a Democracia Pan-Americana. "Estamos disponibilizando estas propostas, que emanam de organizações civis e cidadãos e que traçam o possível caminho para a democracia, a todos os cubanos."
"Esta compilação é um testemunho da resiliência e da sede de mudança do povo cubano", disse Alian Collazo, líder da Marcha pela Liberdade Cubana. "Reflete uma vontade coletiva de romper com a miséria e a repressão. Nossa missão é dar visibilidade e forma a esta busca por um futuro em liberdade."
Nos últimos dias, grupos de jovens paralisaram salas de aula universitárias exigindo tarifas justas para o acesso à internet. Seu manifesto denuncia o assédio e a criminalização do livre pensamento e reivindica o direito do povo cubano de decidir.
Pasos de Cambio convida jornalistas, organizações de direitos humanos e a comunidade internacional a ler e divulgar o resumo, disponível aqui, e a apoiar as aspirações e estratégias do povo cubano em sua luta pela liberdade.
Sobre Pasos de Cambio
Pasos de Cambio é uma plataforma de organizações cubanas, tanto na ilha quanto no exílio, signatárias do Acordo para a Democracia, que serve como um espaço para compartilhar ações que visam promover uma transição pacífica para a democracia em Cuba.
Contato com a imprensa
Pasos de Cambio - info@pasosdecambio.com
Sob o império do medo - 07/06/2025
Percival Puggina
Desde o final do século passado, até 2011, fui mobilizado por uma intensa curiosidade sobre o comunismo cubano. Das mãos de Lula e Fidel Castro surgira o Foro de São Paulo, que eu chamava Organização Comunistas Sem Fronteiras e o protagonismo da esquerda radical se ampliava em ritmo acelerado. Para uso externo, o petismo é contra a meritocracia, mas não no âmbito do serviço ao partido; naquela época, viagens a Cuba e cursos de Medicina em Havana reconheciam e premiavam a militância mais aguerrida e efetiva. Camisetas do Che Guevara integravam o fardamento oficial em ações do MST, manifestações sindicais e movimentos estudantis.
Se o conhecimento da história do comunismo como regime tornava insanidade descolá-lo de suas consequências, os defensores da revolução cubana dispunham de uma “narrativa” que convertia a miséria da ilha em paraíso na terra, laranja de amostra que só não era mais do que perfeita por causa do “bloqueio ianque” (como se Cuba produzisse valor a exportar e tivesse recursos para importar).
Então, fui a Havana.
E voltei a ir. Escrevi o livro “Cuba a tragédia da utopia”, sobre a revolução e sobre a ilha. Estabeleci conexões que até hoje me mantêm informado. Fui novamente em 2011. Aos 60 anos da revolução, publiquei “A tragédia da utopia” (2019), obra distinguida com prefácio do amigo Ives Gandra da Silva Martins.
Depois disso, nunca mais voltei. Nem preciso. Pude observar na nossa própria história o passo a passo no rumo de uma tirania esquerdista. A tirania cubana iniciou com uma revolução, com sangue, e se firmou pelo cerceamento da liberdade e pela miséria que levou o povo à dependência total submissão ao Estado. A nossa começou pelo controle dos meios culturais. Com uma das mãos causa miséria, com a outra atira pequenas esmolas periódicas que criam a dependência. São o substituto da “libreta” que limita os gastos dos cidadãos da ilha.
Em Cuba, há um CDR (Comitê de Defesa da Revolução) em cada quarteirão do país controlando a vida de toda as famílias. Aqui, a tecnologia viabiliza algo bem mais eficiente no controle das redes sociais. A democracia de picadeiro, moda da esquerda, quer agora, olhos postos em 2026, ampliar sua abrangência pela submissão das plataformas. O medo do Estado e a desproteção dos cidadãos são os mesmos, aqui e em Cuba. Na Venezuela e no Irã. Na Nicarágua e na Coréia do Norte.
Tenho até hoje gravada na retina a expressão fisionômica de duas pessoas que encontrei na rua em Havana e com quem conversei enquanto tomávamos um cafezinho na cafeteria do Hotel Inglaterra. A primeira era uma guia de turismo a quem apresentei uma lista com nomes de periodistas independentes que queria entrevistar. Ela fez uma expressão de horror, olhou à volta e foi embora. A segunda, poucas horas depois, era um professor de medicina, católico, que me confessou suas dificuldades com o regime por que “ellos saben que solo el Señor es mi señor”. Quando lhe disse que havia telefonado para Oswaldo Payá, o principal dissidente cubano, meu entrevistado se levantou advertindo que eu certamente estava sendo seguido e implorou que não revelasse seu nome.
De fato, eu estava sendo seguido. No dia seguinte, enquanto almoçava no Il Gentiluomo com três dissidentes, dois policiais enormes, carregando uma imensa filmadora do tamanho deles, entraram no restaurante, instalaram-na, apontaram-na para nós e nos filmaram durante alguns minutos. Então, senti em mim, o medo que transfigurou a fisionomia dos dois infelizes cidadãos da véspera, o medo de quem não tem defesa perante a mão pesada e o comportamento implacável, inquisitorial, do Estado. Experimentei o suor escorrendo frio. Saí dali e fui à embaixada pedir socorro. Para quantos brasileiros não é mais novidade saber que tudo em sua vida depende do arbítrio de alguém que lhe quer fazer mal?
O que descrevo não é um perigo iminente. É um dado da realidade.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Uma conversa séria sobre o Brasil - 24/05/2025
Percival Puggina
Em recente encontro casual com pequeno grupo de cidadãos interessados em questões nacionais, falávamos sobre a educação no Brasil. Ao ser mencionado o modelo das escolas cívico-militares, alguém perguntou, provocativamente: “São aquelas escolas que preparam militarezinhos para o Brasil?”. Aceitei a provocação e transcrevo aqui o que disse então.
Durante toda a minha vida ouvi ser repetida uma frase atribuída a Rui Barbosa, segundo a qual a pior das ditaturas seria a do judiciário porque dela não haveria a quem apelar. Mas onde – raios – já houve uma ditadura assim, sem voto nem legitimidade, nem força armada, nem patrocínio econômico interno ou de potência estrangeira?
Pouca sorte a nossa, pois acabamos por conhecer essa bizarrice na atualidade brasileira. O Brasil vive uma ditadura imposta pela Suprema Corte ao se tornar não apenas um poder político, mas o poder que determina os rumos da política nacional. Ela se manifesta em mostruário de arbitrariedades que partem de um pressuposto típico de política estudantil: a vitória da direita em 2018 teria colocado a democracia brasileira sob risco de um golpe de estado (risos na plateia).
Por meios próprios, o STF se ergueu à condição de poder político dominante, passando a supervisionar e a conter a expressão da opinião pública. Daí a censura, a censura prévia, o bloqueio de contas nas redes sociais, o controle dessas redes e das plataformas, a intimidação e submissão do parlamento, os casuísmos, as ameaças e o cerceamento de políticas aprovadas na eleição de 2018. Surgiram, até mesmo, três dogmas de fé: dogma da vacina que não vacina, dogma das sagradas urnas sem impressora (urnas com impressoras é uma ambição satânica) e dogma da imaculada vida pública de Lula.
Isso acontece em virtude do domínio exercido pela esquerda nos ambientes culturais, notadamente nas salas de aula, onde, afirma com razão José Dirceu, estão os corações e as mentes. Elas, de fato, não proporcionam bons cidadãos ao Brasil! Não proporcionam cidadãos responsáveis e que usem a liberdade com responsabilidade. Não proporciona estudantes que estudem porque disponibiliza professores que não estudaram e estão mais preocupados com preparar militantes políticos. Quanto mais burros melhor. Quanto menos amarem o país, melhor. Quanto menores e mais frágeis forem seus critérios morais, melhor.
Toda rejeição às escolas cívico-militares está em que elas operam no contrafluxo dessa atividade. Não formam militantezinhos, mas preparam melhores cidadãos, recurso humano de que a nação hoje é carente. Por isso, comprovado em tantas e tantas votações dentro das comunidades, é o modelo preferido e desejado pela imensa maioria dos pais. É isso que as escolas cívico-militares fazem e é por isso que a esquerda quer acabar com elas.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Na hora mais escura - 27/04/2025
Percival Puggina
Os animais que divertem as crianças num zoológico são os mesmos que a imaginação infantil, na escuridão da noite, transforma em monstros assustadores. Elas se acalmam quando a luz do quarto é acesa porque, como disse alguém, só a luz vence as trevas.
É sob o domínio do medo que povos vivem sua hora mais escura. Medo que a luz do dia não afasta. Ao contrário, esclarece melhor suas causas e seus efeitos. Onde mais evidente a tirania, onde mais sombria a noite dos tempos, mais binário, recíproco, é o medo, mais necessários se fazem e mais reduzidos ficam, em número, os homens virtuosos.
Fidel Castro, por exemplo, tinha um sósia – Silvino Alvarez – que desfilava de carro pelas ruas de Havana simulando popularidade enquanto, na prática, a semelhança era seu meio de vida, ou de morte. Um alvo de aluguel, abanando sorridente. Embora Ponto Zero fosse sua moradia oficial, o tirano tinha vários domicílios na cidade. Usava uma escolta de 14 guarda-costas em quatro viaturas e nunca se sentiu seguro, mesmo tendo se livrado dos três ex-comandantes da revolução que o superavam em popularidade. Ainda em 1959, Camilo Cienfuegos morreu num misterioso “acidente” aéreo e Huber Matos. por ser anticomunista, foi condenado a 30 anos de prisão integralmente cumpridos. A revolução tinha apenas sete anos quando Che Guevara foi enviado à Bolívia para uma missão abortada, na qual o executaram.
Da tirania à paranoia é um passo de dedo. A autoestima narcisista, que chega a autoadoração e se protege com violência, sabe que, de modo simétrico, cresce a repulsa social. Vem daí a rejeição à mínima divergência, o delírio persecutório e as teorias ou narrativas sobre conspirações que ensejam penas brutais. Mussolini, Hitler, Mao, Saddam, a coreana dinastia Kim e tantos outros unem-se pelas mesmas características.
Na Rússia Soviética, com Lênin e Stalin, sempre havia muitos a prender e executar. Afora os milhões de mortos por etnia errada, profissão errada, crença errada, visão de mundo errada e opinião errada, também os grevistas, críticos e adversários eram submetidos a julgamentos fajutos, enfiados em balsas com pedras no pescoço e jogados no rio Volga.
Tiranias não moderam a si mesmas. Sua dinâmica é bem outra. Mantendo-se pelo medo que suscitam, é natural que, na mesma proporção, cresça o medo da reação da sociedade. O medo de uma parte faz crescer o medo da outra e vice-versa. A insegurança se torna condição comum e franquia instalada a todos os excessos e abusos.
De quanto pude puxar da memória não lembrei de qualquer caso em que uma tirania tenha se deixado extinguir. Elas só se encerram por causas externas ou por falência estrutural dos sistemas que as sustentam.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Trump, o inimigo interno e saudades do Olavo - 18/04/2025
Percival Puggina
Há alguns anos, ao sair de uma solenidade de formatura, assumi o irrevogável compromisso de nunca mais comparecer a tais atos. Aquelas horas de consternação e aborrecimento haviam esgotado minha paciência. Cada formando que cruzou o palco do Salão de Atos tinha uma lição a dar à plateia sobre o “estado das coisas” no Brasil e no mundo. Como quem escolhe itens de um cardápio, despejavam clichês e inutilidades avulsas sobre desigualdade, diversidade, discriminação, inclusão, opressão, meio ambiente, dominação cultural, mal costurada história universal etc. Ficassem a nação e o planeta advertidos de que eles, elas e elus estavam chegando!
Na sequência, falou o paraninfo. Se ninguém é profeta na própria terra, aquele senhor, consagrado pela moçada, de corpo presente, no palco dos acontecimentos, driblou o preceito. Seu discurso derrubou cercas, muros e muralhas. Como ante um Vesúvio em chamas, tudo veio abaixo para ele se erguer vitorioso sobre... sobre o quê, mesmo? Dedo em riste, atacou como um patético Procurador de Justiça do Juízo Final. Observei silenciosos sinais de discordância da plateia, certamente ocupada numa avaliação de perdas e danos causados por quatro anos de tais doutrinações sobre seus pimpolhos. Tarde demais.
O pior, porém, ainda estava por vir. Ergueu-se o diretor da faculdade. Limpou a garganta com um gole de água e começou outro falatório de teor semelhante, com esta inesquecível declaração: “O ‘coletivo’ da faculdade subscreve integralmente as palavras proferidas pelo professor paraninfo”. Bah! Aquele não era um ato acadêmico de conclusão de curso superior, mas a celebração da morte das individualidades, do pluralismo sem o qual não há o que dizer sobre diversidade. O coletivo cumprira sua missão! Ao mesmo tempo, estava ali o grito de guerra da intolerância e do cancelamento de toda divergência.
Em crônica de 1970, Gustavo Corção conta o diálogo sobre a burrice moderna que entreteve com um amigo que lhe disse, em telefonema: “A burrice não é novidade, é antiquíssima. Garanto-lhe que ao lado do artista genial que pintava touros nas cavernas de Espanha, anunciando há quarenta mil anos a brava raça de toureiros, havia dois ou três idiotas a acharem mal feita a pintura”. Laconicamente, Corção apontou a diferença: - “Mas calavam-se!”.
Sim, os burros de antigamente se calavam. Já a burrice moderna é vistosa e arrogante. Dou razão ao leitor que, outro dia, me observou ter ela deixado de ser atributo de uso pessoal e se disseminado. O mecanismo de disseminação é o moedor de cérebros, cujas consequências testemunhei naquela assustadora solenidade acadêmica porto-alegrense.
Há quem diga ser ilegal a iniciativa do governo Trump de cortar a destinação de recursos públicos para instituições universitárias privadas dos Estados Unidos que se transformaram em “coletivos” esquerdistas. Não sei se as medidas são ilegais ou não. Sei é que não deve ser legal impor verdadeiro apartheid mediante políticas de cancelamento da divergência, nem usar o espaço acadêmico como comitês eleitorais de candidatos de esquerda. Nesses espaços e instituições que recebem verbas públicas, menos legal ainda há de ser a formação de núcleos antissemitas, pró terroristas e de animosidade contra os Estados Unidos – gigantescos cavalos de Troia da revolução cultural. Saudades do Olavo de Carvalho!
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Quem apita não chuta - 13/04/2025
Percival Puggina
Na narrativa que construiu e o Consórcio Goebbels de imprensa acolheu como revelação divina, o Supremo redige os eventos dos últimos anos como se estivesse tão equidistante do jogo político quanto deveria efetivamente estar. Descreve “o cenário mais amplo” como se não fosse intensa e reconhecida por todos os jornalistas do país sua atividade no palco dos acontecimentos! Aliás, quando seus membros não querem falar por si mesmos, há profissionais da imprensa, selecionados a dedo, que se prestam à função de meninos e meninas de recados nunca desmentidos. De resto, são os ministros, eles mesmos, que reconhecem tais atividades quando, ante públicos seletos, querem destacar seu protagonismo. Foi o ministro Barroso quem melhor explicitou o vulto dessa atuação ao sublinhar à “vertiginosa ascensão política do STF”.
Dão prova disso as múltiplas interferências do Supremo em decisões do governo Bolsonaro, a natureza política de tantas manifestações espontâneas dos ministros, a animosidade crescente, o enviesamento ideológico da Corte, que bem antes de 2021 já ganhara o nome de ativismo judicial. Também marcam presença do Supremo num palco de operações integral, não recortado nem híbrido: o antagonismo em relação aos conservadores, as práticas “contramajoritárias”, a censura, as multas, as ameaças e prisões, os bloqueios de canais, as desmonetizações, o combate às redes sociais e os múltiplos ataques à liberdade de expressão. Há todo um pacote de anomalias políticas que vêm sendo normalizadas pela prática continuada, com irrestrito apoio da base do governo e do Consórcio Goebbels com seus paninhos.
Ao abrir a porta para a atividade política, o Supremo importou, sem tarifa nem abatimento, certas consequências que lhe eram alheias. Por metáfora, se pode explicar a situação dizendo que, nesse jogo da política, as chuteiras têm travas e todo mundo tem canela e a consequência, também metaforicamente, vem sendo chamada de crise institucional. Eis por que é de bons modos e boas práticas ser intransponível a distância entre o apito e a chuteira. Quem apita não chuta.
O Congresso Nacional é o coração político do país, não o Supremo, não o Palácio do Planalto. O parlamento é o poder efetivamente representativo do povo brasileiro – este sim, fonte de onde “emana todo poder”, mediante a representação parlamentar que elege. A submissão do Congresso acorrenta e algema a democracia. Festeje-se, então, ter sido ultrapassado com folga, em poucos dias, o número de assinaturas (257) necessárias para impor às instáveis convicções do presidente Hugo Motta que submeta ao plenário o PL da Anistia.
Se quem sabe faz a hora, como cantou Vandré, ponderem os deputados e senadores: ou assumem as rédeas da política ou continuarão, por muitos anos, servindo de montaria a um poder sem votos. Ou aceitam a doma ou corcoveiam e restauram a representação que lhes corresponde.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
PT, STF e Senado: quem está instrumentalizando quem? - 13/03/2025
Percival Puggina
Nos dias de mormaço que já ficaram para trás, assisti a três filmes muito interessantes no Prime Video. Em “Uma mulher contra Hitler” conheci a história e os eloquentes exemplos de solidez moral da jovem mártir alemã Sophie Scholl. Seus vários diálogos com o interrogador sob o tacão da Gestapo são instigante defesa de princípios e valores. Às noites, no silêncio pétreo da cela, a mocinha sofre antevendo o que poderia acontecer com seus pais por ter ela cometido o gravíssimo delito de usar a palavra escrita em defesa da liberdade de expressão... Como não pensar em nosso país, depois de assistirmos, aqui, o que desgraçadamente temos assistido?
As outras duas preciosidades do tórrido veraneio: o filme sobre a obra de Judith Kerr, “Quando Hitler roubou o coelho cor de rosa”, e “A conferência”, um quase documentário sobre a reunião do alto comando nazista ocorrida em Wannsee para tratar da “solução final” da “questão judaica”. Nas duas obras, a degradação do arbítrio totalitário, a brutalidade do Estado e a superioridade moral de suas vítimas. Relembro o que afirmei no título do meu vídeo da semana passada: “os príncipes de Machiavel estão no Inferno de Dante”.
Quando tantos missionários do absurdo usam seus poderes no Estado para lutar contra fantasmas que brotam das próprias narrativas, eu me pergunto se é o PT que instrumentaliza o Supremo. Ou se é o Supremo que instrumentaliza o PT. Ou se, em algum nível, eles se confundem. Ou, ainda – suprema ironia –, se vamos descobrir, ao final, que as raposas felpudas do Senado instrumentalizavam os dois em benefício próprio.
Como cidadão que reconhece a importância das instituições de Estado e o valor do papel reservado ao STF pela Constituição, qualquer das quatro situações me causa indigestão cívica. Tornou-se sombria a realidade nacional a partir do momento em que a Corte decidiu se tornar um poder que atua decisivamente no cenário político e eleitoral com objetivos e estratégias.
A partir desse momento, o ativismo que já era observado em setores do Poder Judiciário foi ficando cada vez mais parecido, no STF, com o petismo que viabilizou as indicações de 7 dos seus 11 ministros, graças à convergência das convicções, à identidade das conveniências e às características dominantes no petismo. Entre estas, o uso abusivo do poder quando dele dispõe e a odienta desfiguração da imagem de quem o antagoniza, tão nítidas, agora, na conduta da Corte pela expressão de seus membros mais loquazes.
É bom não esquecer que o PT entrou para o pleito de 2022 disputando a eleição no fundo do poço das quatro sucessivas gestões petistas. Faltava-lhe, por isso, credibilidade para uma oposição que paralisasse o adversário. Tornou-se visível, então, que o núcleo da ação oposicionista se deslocou para o STF, de modo exitoso, pela via de uma judicialização militante empreendida pela bancada de extrema esquerda no Congresso. Acolhidas, as demandas transformaram o Supremo numa verdadeira esponja de prerrogativas que só podia dar no que deu.
O passaporte para os excessos que passaram a constranger as consciências bem formadas foi fornecido pela “excepcionalidade das circunstâncias”. No entanto, circunstâncias complicadas exigem homens excepcionais e não medidas excepcionais ou regimes de exceção.
Tornou-se impossível, para quem escreve, dizer que não percebe o STF e o PT agindo em perfeita sintonia para remover do quadro político as mais destacadas e eleitoralmente promissoras figuras da oposição. Cada um com seu inquérito, cada um com sua guilhotina armada e uma bacia no chão, à espera. Nem frei Gilson escapa! As analogias nacionais com o totalitarismo presente nos três filmes que mencionei são inevitáveis: inquéritos, ameaças e danos às famílias, passaportes tomados, prisões para intimidar, transporte obrigatório e enganos para o degredo, total desabrigo de direitos fundamentais e práticas de censura apresentadas como elevada contribuição do Estado ao bem estar social e à democracia.
A sensatez exige um Parlamento politicamente ativo e um Judiciário inerte, que só age quando provocado; a mediocridade nos legou um Parlamento inerte e um judiciário politicamente ativo. Insisto: momentos complicados exigem pessoas excepcionais; regimes de exceção é que geram momentos complicados.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Ainda estou aqui. Conheço esse truque. - 07/03/2025
Percival Puggina
O prêmio atribuído ao filme de Walter Salles Jr. na recente cerimônia do Oscar não é dos que me encheriam de orgulho pátrio. Um Nobel – unzinho só – em Literatura ou Ciências me faria bem mais feliz. Nosso longo jejum de 124 anos junto à Real Academia Sueca diz muito sobre um país onde os melhores talentos naturais vão embora, a começar pelos craques da bola, que, ainda imberbes, seguem direto do campinho da vila para a Europa.
O filme “Ainda estou aqui” reproduz o velho truque usado pelo mesmo diretor, com muito sucesso político, na produção de “Diários de motocicleta (2004)”. Naquele início de milênio, curioso por conhecer um país comunista, eu fizera minhas primeiras andanças por Cuba em voos baratos da Cubana de Aviación. Lera muito sobre a revolução e seus dois principais personagens – Fidel e Che – e publicara, no mesmo ano, a primeira edição de “Cuba, a tragédia da utopia”.
O truque do laureado cineasta consistiu então, como agora, em contar de modo talentoso a parte politicamente conveniente de uma história real. É um recorte, um short, um mero tik tok extraído do que realmente aconteceu, porque contar a história inteira arruinaria o efeito político desejado.
“Diários de motocicleta” conta a viagem que os jovens mochileiros Ernesto Guevara de la Serna e seu amigo Alberto Granado fizeram em 1952, saindo de Buenos Aires rumo a Caracas. No percurso de moto, entre aventuras e vicissitudes, os dramas sociais vistos ao longo do percurso andino vão alterando o espírito de Ernesto, levando-o a gastar o tempo livre na leitura de obras marxistas e na redação do diário de viagem.
Um de seus trechos mais expressivos se reporta ao curto período em que o Ernesto e Alberto passaram à margem do Amazonas num leprosário cuidado por religiosas peruanas. Do que ali aconteceu, Salles ressalta dois episódios: a) os viajantes se recusaram a utilizar as desnecessárias luvas que as freiras exigiam para contato com os pacientes; e b) no domingo, por ausência à missa, foram punidos com supressão do almoço porque a regra das irmãs era a de que “quem não alimenta o espírito não merece o alimento do corpo”.
Os dois relatos, como desejava o cineasta, induzem o telespectador a concluir que Ernesto foi mais cristão do que as freiras, mais generoso nas suas relações e mais sensível do que elas aos problemas dos doentes... Ou seja: o argentino era um anjo de bondade e as irmãs um bando de mulheres perversas.
No entanto, à semelhança do que acontece mundo afora em tantos leprosários mantidos há séculos por ordens religiosas, as irmãs de San Pablo passaram suas vidas num recôndito da selva amazônica cuidando, anonimamente, dos portadores da terrível enfermidade. Não mereciam que Walter Salles Jr., em seu intuito de construir o mito do Che, exaltando o comunista e zombando do cristianismo, as apresentasse ao público como insensíveis megeras.
O filme de 2004 termina abruptamente, quando os dois amigos se separam. Uma mensagem na tela informa que Ernesto Guevara de la Serna se incorporaria à revolução cubana e se tornaria um de seus comandantes. Mas que diabo! É ali que sai o adolescente mochileiro e entra o vulto histórico tomado pelo ódio mortal aos adversários, transformado em fria “máquina de matar”. E esse é apenas um dos maus resultados da ideologia que as duas realizações querem mostrar virtuosa, pois “Ainda estou aqui” faz a mesmíssima coisa. Os dois filmes com a história inteira de seus personagens Walter Salles Jr. não fez e jamais fará.
Achou ruim? Pior, muito pior, é saber que nas salas de aula do Brasil a mesma extrema esquerda aplica idêntico truque para enfeitar os recortes, os tik toks, proclamados como inteiras verdades históricas sobre os mais variados assuntos.
* Este artigo usa trechos de dois artigos que escrevi para o Correio do Povo em maio e julho de 2004.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Não com nosso consentimento! - 01/03/2025
Percival Puggina
Nestes últimos anos, tenho mantido o ânimo com base na certeza de que haverá chuva depois da seca e sol depois da enchente. Um dia, a tragédia brasileira haveria de passar e o principal papel do mero cidadão, como eu, era não fornecer um recibo de silêncio aos malefícios de cada momento. Se quem cala consente, então, resta o brado: “Não com nosso consentimento!”
Inúmeras vezes, recebi mensagens de leitores tão afoitos quanto acomodados reclamando que “Só falar não resolve!”, como se silenciar e reclamar de quem fala resolvesse... Nessas ocasiões, cuidei de advertir que se falar não resolvesse, as tiranias não fariam da censura o mais comum de seus documentos de identidade. Elas mesmas, simetricamente, se valem muito da palavra, da comunicação, para sua própria consolidação. Por isso, todo tirano é um falastrão, um boquirroto.
Desde meados de 2022, repassando em pensamento e sentimentos as impressões deste período, nunca os fatos sinalizaram qualquer otimismo em relação ao futuro nacional de curto prazo. Agora, porém, eles mostram que a mudança começou e me vêm à mente os versos que o grande Evaristo da Veiga escreveu à brava gente.
Os sinais promissores são evidentes. O governo petista, levado pela mão ao Palácio do Planalto, convive com a mais profunda rejeição já experimentada por qualquer outro governo de que me lembre. Segundo a última pesquisa do Datafolha (10 e 11 de fevereiro), apenas 24% dos brasileiros ainda consideram o governo petista como bom e ótimo. Como consequência, hóspedes das cabines de luxo somam-se aos tradicionais habitantes do porão e abandonam o barco.
Em Washington, as reiteradas visitas de parlamentares brasileiros passaram a produzir efeito após a vitória de Donald Trump. Cobras e lagartos aparecem na inspeção em curso na USAID. Inusitada comitiva da Corte Interamericana de Direitos Humanos (OEA), vem ao Brasil e até militantes de esquerda se declaram impressionados com as denúncias ouvidas. No Brasil, esses fatos só não constrangem e revoltam àqueles que usam dos direitos humanos como prerrogativa de companheiros e camaradas.
Embora Marx, Engels e seus seguidores ensinem o contrário, a luta de classes não é o motor da História. Seus discípulos brasileiros “empurram a História”, mas o motor não pega. Então, sua excelência, o imprevisto, entra no Salão Oval com a desenvoltura de Elon Musk. Marco Rubio se torna Secretário de Estado. Como resultado, os Estados Unidos colocam sobre o balcão um arsenal de dispositivos legais já existentes, outros em tramitação e um compromisso de acioná-los em defesa dos direitos humanos contra quem os atropela. A situação se agrava para aqueles que abandonam as vítimas sem lhes dar atendimento.
Fora das especulações, há, sim, um conjunto de fatos reais a comemorar.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O Brasil tem campo de concentração - 23/02/2025
Percival Puggina
O desabrigo da lei foi uma característica comum aos campos de concentração e aos gulags soviéticos.
Corporativismo, colegialidade e espírito de confraria, tão percebidos na atual composição do Supremo Tribunal Federal, não são expressões de reverência e apreço pela instituição.
Os autoelogios e o narcisismo, bem como o gosto por homenagens, luzes das câmeras e protagonismo político não combinam com a discrição inerente à missão judicante. Se “a boca fala daquilo que está cheio o coração”, pergunto: podem cumprir bem sua missão judicante pessoas cujo vocabulário profissional convive bem com adjetivos como “extremistas”, “terraplanistas”, “negacionistas”, aplicados àqueles que ainda não foram julgados e que ainda irão julgar?
Tivessem suas excelências a reverência e apreço que tenho pela instituição do Supremo Tribunal Federal não fariam distinção de pessoa, não se deteriam na “capa do processo” (para usar analogia aplicada pelo ex-ministro Marco Aurélio Mello ao referir certas condutas). Ou numa outra que me vem à mente agora: “Pau que não bate em Palocci não deveria bater em Cid!”. Ou ainda esta contradição: “Se Adriana Ancelmo, ex-primeira-dama do Rio de Janeiro, pode sair da prisão para cuidar dos filhos, por que o mesmo direito é negado à cabelereira Débora dos Santos?”. E ainda esta pergunta dirigida às consciências: “Onde fica mais imprópria e alarmante a expressão ‘Perdeu Mané’? Na boca de um ministro do STF ou escrita por uma cidadã, com batom, na estátua de Têmis?”. Quando é maior o dano: ao serem vandalizados bens materiais públicos ou ao serem afrontados repetidamente direitos individuais e preceitos constitucionais?
Eu poderia me alongar tediosamente na lista de atos explícitos de censura prévia, de ameaças que redundaram em conveniente autocensura, à qual poucos, muito poucos, ficaram corajosamente imunes. Quem acompanhou o noticiário sobre as audiências da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Brasil certamente formou uma boa ideia do tamanho dessa lista. Não posso deixar de lado, porém, a responsabilidade direta do Senado. Ela acaba de ser ratificada por palavras do “novo” e notoriamente omisso presidente, senador Davi Alcolumbre, para quem a anistia “não é assunto dos brasileiros”.
Intoxicado pelos vícios que provocam esse desinteresse do Senado, o Brasil – máxima vergonha! – tem e mantém um campo de concentração ou um gulag onde cidadãos vivem ao desabrigo da Constituição e das leis, privados dos direitos que elas conferem aos piores criminosos. Quanto foi que os fins passaram a justificar os meios?
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A inesperada pirueta da comissão da OEA - 11/02/2025
Percival Puggina
Na vinda ao Brasil, os representantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos trocaram os pés pelas mãos quando iniciaram suas atividades pelo gabinete do presidente do STF.
Terão ido verificar se estão bem protegidos os direitos humanos dos senhores ministros? Se seus poderes, prerrogativas e mordomias são restringidos ou usurpados por algum outro poder de Estado? Quais queixas de trazer lágrimas aos olhos terão eles ouvido de seus visitados em meio aos estofados e tapetes da suntuosa sala de reunião?
Vi, também, que foram ter audiência com a ministra de Direitos Humanos de um governo e de um grupo político que desde 2003, antes de se disseminarem as redes sociais, já se empenhava em restringir a liberdade de imprensa. Nessa visita, ouviram relato do Grupo de Trabalho que definiu a pauta das ações do ministério. Como de hábito, sempre que a esquerda trata desses assuntos, o viés é ideológico: a função da pasta é enfrentar “o discurso de ódio e extremismo no Brasil”. Esses dois inimigos se identificam como “atos antidemocráticos, racismo, xenofobia, homofobia, misoginia e intolerância religiosa”. Tudo, claro, para “proteger as crianças”.
Até parece que sempre se preocuparam com as criancinhas diante do que acontece nas salas de aula ou frente ao que, há décadas, é transmitido pelos canais de TV. Até parece que não lhes diz respeito o que vem acontecendo com a liberdade de expressão política, que não mais é respeitada sequer nas tribunas do Congresso Nacional. Até parece que todo esse empenho restritivo não se volta contra a direita e, em especial, contra suas principais lideranças e comunicadores. Por isso mesmo, o humor político, como se sabe, foi parar no submundo.
Depois de visitar o inerte Congresso Nacional, onde as presidências e as maiorias só se motivam por temerosa autoproteção e por cobiçadas emendas parlamentares, imagino que irão até as vítimas: aos que sofrem os bloqueios de redes e contas bancárias, as interdições, as restrições, a supressão de direitos processuais, as pesadas penas de prisão por um golpe que não houve nem teria como haver, as famílias dos que se viram forçados a abandonar o país.
É o que suponho, assim como suponho que, depois disso, informados pelas vítimas do arbítrio, retornarão às autoridades da República, aos donos do Brasil, para entrevistas menos protocolares e realmente esclarecedoras.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Grave delito de assédio às mentes infantis! - 09/02/2025
Percival Puggina
Leio que alguns estados da federação, começando por Santa Catarina, estão debatendo leis para impedir que professores utilizem músicas ou vídeo clips que façam apologia ao crime, ao uso de drogas ou que contenham conteúdo sexual e erótico nas escolas públicas e privadas do estado. No caso catarinense, a lei já está em vigor e incide sobre educandários públicos e privados, com tratamentos diferentes. Na rede pública, envolve processo administrativo; na rede privada, advertência e multa. Só o ensino superior fica fora das referidas restrições.
Ou uma patologia afetou a pedagogia ou pedagogos enfermos buscaram as salas de aula para exercer militância. Não há outro motivo para que providências legislativas com esse teor se façam necessárias e para que pais interessados na educação dos filhos sejam vistos como intrusos no reino onde o toco de giz é cetro e a palavra do professor é lei. Há uma enfermidade muito perversa fazendo vítimas entre pessoas que abusam da nobre missão de ensinar nossos pequenos.
Quem quer controlar a sociedade e empurrar a história tem que controlar a Educação. Nos primeiros anos deste século, em todo o país, leis estaduais e municipais buscaram impedir a introdução nas escolas da tão pretensiosa quanto anticientífica ideologia de gênero. Acompanhei a votação aqui em Porto Alegre e vi o modo frenético como numeroso grupo de professores e professoras se empenhou em impedir a deliberação. Havia entre eles uma necessidade premente de conversar sobre sexualidade e sobre “gênero” com as crianças. Arre! Não admitiam a vedação que acabou caindo pelas mãos do STF, que se creditou com mais essa importante contribuição à educação nacional...
Enquanto muitas portas ainda estavam fechadas ao tema, ele entrou pela janela das salinhas de aula, de mãos dadas com esse estrupício pretensioso chamado linguagem de gênero neutro. Quem não vê artimanhas totalitárias nisso tudo? Por que agem sempre assim, ignorando as próprias trapalhadas na vida das sociedades? Engels explica: “Como Darwin descobriu as leis da evolução da natureza, Marx descobriu as leis de evolução da sociedade”.
Bingo! Estabelecido o dogma, as mentes marxistas se reconhecem titulares da profecia. Elas sabem onde tudo vai chegar e se desinteressam por qualquer roteiro de viagem que não empurre a história para o futuro idealizado. O sumário de todas as revoluções comunistas formais ou informais – como a que está em curso em nosso país – é o relato da certeza sobre um futuro que precisa das cartilhas e das salas de aula para ganhar continuidade e justificação. Abolir com a família tradicional, “burguesa” (adjetivo empregado por Marx), é parte nuclear da estratégia.
Pronto! A confusão, a insegurança e o sofrimento instalados em mentes de crianças e adolescentes só não são percebidos por quem não quer ver.
A intensa dedicação a esse desserviço levou muitas escolas confessionais, disfarçadas com nomes que são objeto de devoção religiosa, a lançar suas redes sobre as salas de aula. Como não se pode servir a dois senhores, o cristianismo deixa, ali, de ser religião para que o marxismo infunda fé em seus devotos. Esquecem as duríssimas palavras de Jesus dirigidas a quem “escandalizar um desses meus pequeninos...”.
A liberdade de expressão e de cátedra não se confunde com autorização para catequese política, ideológica ou moral. Se o uso do poder para assédio sexual é crime, não tem menor gravidade o seu emprego para assédio mental dos alunos.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Mauro Cid, o vazamento e o não assunto - 01/02/2025
Percival Puggina
É assombrosa a capacidade do jornalismo oficial para manter em pauta um não assunto. Sim, sim, porque o assunto deveria ser outro, comojá veremos.
De quanto entendi, os “golpistas” operaram desde 2019 uma organização criminosa com o intuito de acabar com a democracia no Brasil no dia 8 de janeiro de 2023. De comércio de joias à Covid, de reunião com embaixadores a discurso em 7 de Setembro, passando, talvez, pelo assédio à baleia e pelo atestado de vacina, tudo serviu ou serviria para a direita demolir o estado de direito que vinha andando bem direitinho. Tão direitinho, que Lula, por culpas em cartório, foi preso no dia 7 de abril de 2018, três dias após o STF ter negado por 6 a 5 o derradeiro habeas corpus preventivo apresentado por sua defesa. Sim, o STF fez isso.
Na minha perspectiva, a ascensão de Bolsonaro no processo eleitoral de 2018, contraposto ao precipício em que o PSDB despencou, viraram a chave dentro do Supremo. Alckmin fez apenas 4% dos votos naquele pleito. Começou, ali, a “vertiginosa” ascensão institucional e política da corte e do TSE. Se quem não tem cão caça com gato, só Lula e o PT restaram para o establishment.
O trecho vazado da colaboração premiada de Mauro Cid deixa claro que os editores do relatório da PF cuidaram de obter dele nomes aos quais atribuir envolvimento com o suposto golpe. Vou fazer de conta que não vejo um queijo suíço cheio de buracos em toda essa narrativa e analisar o que me parece importante. (Do que está em sigilo e desconheço não tenho como falar).
Naqueles dias, se algum serviço secreto colocasse escuta em qualquer banco de praça, parada de ônibus, mesa de bar ou sala de espera, iria ouvir conversas sobre o ambiente político nacional e capturar opiniões como as que aparecem no depoimento relatado pela PF. Assim eram as coisas, no Brasil, de modo especial nos dois meses imediatamente posteriores ao pleito de 2022. As inconformidades de milhões de brasileiros eram muitas e incluíam, principalmente, o resgate de Lula da carceragem da PF de Curitiba, a condução do processo eleitoral e a falta de transparência da apuração. Os ministros do STF parecem não entender que uma coisa é a confiabilidade das urnas; outra é a transparência da apuração aos olhos da sociedade. O povo vê que o povo não vê. O sigilo e a censura também são ruidosos.
Em tal ambiente, seria inimaginável, impensável – diria mais: civicamente irresponsável e inadmissível – que pessoas próximas ao presidente não tratassem desses assuntos com ele, externando as próprias opiniões. Até aí, coisa alguma é crime, pois não passa de cogitação, de desejo, de anseio, de medo do que viria e veio, que simultaneamente estavam na alma e se expressavam nas vozes de milhões de cidadãos de bem e que merecem respeito, mesmo que sua liberdade de expressão pareçam deixar de o merecer.
Não se salva a democracia com menos democracia, nem o estado de direito com menos direito, nem a liberdade com menos liberdade. Esse é o assunto.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Oito de janeiro de 2025 - 08/01/2025
Percival Puggina
Na tarde do dia 8 de janeiro de 2023, em artigo reproduzido por vários jornais, eu escrevi:
As invasões e depredações neste momento em curso na capital federal constituem um erro descomunal! Quem julgar que estou equivocado pense em Alexandre de Moraes, em Lula, em Flávio Dino, em Rodrigo Pacheco, nos ministros indicados pelo PT aos tribunais superiores. Vocês acham que eles estão, neste momento, fazendo um exame de consciência? Avaliando suas condutas anteriores? Arrependidos? Decidindo mudar de vida? Entregando o poder aos invasores?
Bem ao contrário! Estes atos de um punhado de malfeitores contribuirão para explicar o que esses atores da cena política faziam antes sem motivo. Agora, instigados pelo vandalismo que estamos assistindo pela TV, passarão a intensificar e ampliar suas ações! Outras garantias individuais vão para o saco e outros pagarão a conta.
Há tempos, milhões de brasileiros olham assustados para o futuro. Identificam um avanço totalitário incidindo sobre a liberdade e a privacidade dos cidadãos, sobre os direitos humanos e veem na lixeira princípios constitucionais e leis que os protegiam.
Jornalistas vítimas de assédio judicial. Seus espaços de comunicação tomados pelo Estado que, sempre insatisfeito, impõe multas, recolhe passaportes e inclui as vítimas em inquéritos que (como muito bem escreveu alguém) são as únicas coisas persistentemente sigilosas em nosso país.
Aos poucos, mas sem recuos, o país saiu dos trilhos do bom Direito e da boa Justiça. Há um terrorismo de Estado e um fedor distópico orwelliano impregna a atmosfera da vida social de inesperadas supressões de direitos. E há o silêncio com que a outrora grande mídia expressa seu descompromisso com bens essenciais à natureza humana. Dezenas de milhões de cidadãos estão indignados, mas a indignação, hoje, se expressou de modo totalmente equivocado.
***
Naquela tarde, como no dia 14 de julho de 1789, à semelhança da Tomada da Bastilha, também os poderes em torno da Praça dos Três Poderes estavam desguarnecidos e desocupados...
O dia 8 de janeiro aparece como evento importante na linha de tempo em que se descreve o vácuo imposto ao Estado de Direito e à democracia no Brasil. Não que esse problema tenha começado ali. Nossa atual crise institucional (mais uma entre tantas) está marcada por uma profecia, ou maldição lançada pelo ministro Joaquim Barbosa, então presidente do STF, em 27 de fevereiro de 2014. Na ocasião, ele disse (aqui):
"Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que este é apenas o primeiro passo. Esta maioria de circunstância tem todo tempo a seu favor para continuar nessa sua sanha reformadora.”
Referia-se o ministro aos seis votos contra cinco que anularam as condenações do núcleo político julgado na Ação Penal 470 (Mensalão) por crime de formação de quadrilha. Com essa decisão, as penas desses réus se tornaram inferiores a 8 anos e eles saíram da cadeia cumprindo o restante em casa... Ali, a referida “maioria de circunstância” teve uma inusitada experiência do próprio poder e hoje, com alguns vaivéns, alcança retumbante placar que oscila entre nove a dois e onze a zero.
Há dois anos, as referências ao 8 de janeiro e seus impossíveis objetivos continuam a ser repetidos ao modo Goebbels e passaram a justificar um regime político de exceção, processos extravagantes e penas desproporcionais. Ministros que não viram uma quadrilha no Mensalão, agora veem um golpe onde ele não existiu! Esse novo regime recolhe aplausos nos salões do poder como defensor de uma suposta democracia da qual faltam vestígios enquanto sobram vítimas. Por isso, quase ninguém compareceu à fanfarronice de hoje, no meio da praça.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Marcel Van Hattem e a rocha de Thomas Jefferson - 10/12/2024
Percival Puggina
Tenho votado no deputado Marcel Van Hattem por reconhecer nele as virtudes que, hoje, parcela imensa da sociedade brasileira vê e aplaude.
O primeiro dos 250 artigos da Constituição só tem um parágrafo. Com esse destaque estético e ético, os constituintes de 1988 sublinharam para as gerações vindouras a relevância da afirmação que faziam ao descrever a origem do poder: “Todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido através de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
Se os representantes se omitem na representação, se a transformam em ativo financeiro para negócios privados ou se desligam os canais de comunicação com os representados, fazendo-se convenientemente surdos à voz das ruas, a democracia sufoca por falta de oxigênio. Em sequência, os outros 249 artigos, seus parágrafos, incisos, alíneas e itens restarão sujeitos não mais à vertente popular, mas a quem esse poder for transferido por conveniência ou omissão. Aí, tal poder relativiza quanto queira do que esteja constitucionalizado.
É por isso que passamos a ouvir, em frequência crescente, que nada é absoluto (portanto, tudo é relativo), mesmo se tiver garantia constitucional. A única exceção – realmente absoluto – passa a ser o poder sem voto em sua prerrogativa de decidir o real significado de “quaisquer” disposições da Constituição. Bom demais para uns; ruim demais para outros...
Quando a voz da sociedade é silenciada pela censura, mais relevante ainda se torna a representação parlamentar. O povo fala pelos seus representantes! Só que não? Perante o absoluto que se ergue, serão também suas prerrogativas relativizadas? Também sobre eles, a censura e a autocensura? Nem mesmo a inviolabilidade civil e penal dos parlamentares por “quaisquer opiniões, palavras e votos” escapará às relativizações do poder absoluto ancorado ao largo da vontade popular?
Thomas Jefferson considerava conveniente em questões de estilo fluir com a correnteza, mas em questões de princípios havia que ser firme como rocha. Marcel Van Hattem fala pelos que têm medo, pelos que cortaram a comunicação com seus representados, pelos que não estão nem aí e pelos que gostariam de falar e não podem. Fala por uma questão de princípios. É rocha na imagem de Jefferson. De seu vigor intelectual e moral sou testemunha ao longo dos anos.
Ele sabe que o tendão de Aquiles da democracia, hoje, é a liberdade de expressão dos parlamentares porque a liberdade recém começa, aqui e ali, a recuperar apoios e a contagem regressiva para um novo ciclo político inicia no próximo dia 1º de janeiro.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A “minuta” para 2026 - 08/12/2024
Percival Puggina
O eleitorado brasileiro que recentemente se manifestou nas eleições municipais infligindo merecida derrota a quem representasse o poder instalado no país deposita suas esperanças na eleição de 2026. No que concerne às anomalias institucionais, essa expectativa põe foco nas eleições para o Senado Federal, território das mais injustificáveis omissões desta última década.
A atual composição do Senado é herdeira dos pleitos de 2018 e 2022, período em que o plenário confiou as presidências a Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco. Sim, sim, há reincidentes nisso. Ambos permitiram que o STF passasse por “vertiginoso processo de ascensão institucional” (nas palavras do atual presidente da Corte). Quem teve olhos de ver e ouvidos de ouvir percebeu as consequências dessa vertigem em forma de ativismo e de invasão de competência do Legislativo e do Executivo (durante o governo Bolsonaro); observou as ameaças, as interdições, a censura, as prisões políticas; viu sua liberdade de tornozeleiras e ouviu de dignos senadores as vis razões da conduta pusilânime de seus pares.
Tornou-se objeto do senso comum a convicção de que, com justas motivações, os eleitores de 2026 promoverão ampla renovação no plenário do Senado. Afinal, naquele pleito, dois terços dos senadores encerram seus mandatos de oito anos. Com a disputa de duas cadeiras em cada estado, havendo claro consenso sobre a necessidade de renovar, é tida como certa a formação de nova maioria no Senado a partir de 2027. Não é o bolsonarismo, não é a direita, não é o mercado, não são os Estados Unidos nem os terraplanistas que o desejam, mas a ampla maioria dos cidadãos brasileiros.
Ante tais evidências e contra a vontade dos cidadãos, o regime busca salvar anéis e dedos. A “minuta” do plano de sobrevivência política – reeleição de Lula (presidente que não pode sair à rua) e manter a força do centrão – inclui uma artimanha para preservar a omissão do Senado. Esse casuísmo repulsivo está materializado num projeto de lei protocolado pelo líder do governo, senador Randolfe Rodrigues, estabelecendo que, embora a eleição seja para dois senadores, os eleitores deverão votar em apenas um (PL 4629/2024). Pronto! Reduz-se à metade a consequência, no Senado, dos votos da nova maioria formada no país! Isso é tomar do eleitor o poder de seu voto! As dezenas de milhões de brasileiros que – por serem maioria e de oposição – elegeriam dois senadores avessos ao atual regime entregarão um aos malabaristas da regra do jogo.
No Pacote de Abril (1977), para preservar a maioria que iria perder no Senado, o general Ernesto Geisel criou o terceiro senador (até então eram apenas dois), o senador “biônico”, eleito pelas Assembleias Legislativas. Passado meio século, a minoria de um regime que se diz democrático, sabendo-se derrotada, quer se valer de sua atual “representação” majoritária para aprovar esse projeto. É a “democracia” protegendo-se dos eleitores.
Filha da liberdade, a democracia vem sendo torturada em sucessivas sessões. É evidente que a minuta terá outros ingredientes, sistematizando lições dos pleitos de 2022 e 2024. Entre eles, a mordaça nas plataformas das redes sociais, que está sendo legislada pelo STF, nestes dias, revogando um dispositivo aprovado pelo Congresso há 10 anos...
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Anistia não é tarefa da Justiça, mas da Política! - 21/11/2024
Percival Puggina
O leitor não foi à Praça dos Três Poderes, talvez nem seja de Brasília, mas constitui, no debate sobre anistia, um “terceiro interessado”, para dizer como os advogados. Está fora, mas ela o afeta enormemente e não por motivos jurídicos, mas pelos mesmos que me levam a escrever este artigo, ou seja, razões cívicas, de natureza política no bom sentido dessa palavra.
Depois de tantas e tão recorrentes manifestações de ministros do STF contra a ideia da anistia aos presos e condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, eu fico pensando se realmente não sabem que anistia é tarefa da política, com causas políticas e consequências políticas. Ou estão, de fato, dispostos a continuar fazendo política sem votos, apenas com suas canetas?
Se depender dos que, de parte a parte clamam, por justiça, jamais haverá anistia. Eu os leio e ouço diariamente. Uns sonham com julgar os julgadores; outros os apoiam incondicionalmente. Uns consideram os réus inocentes ou que sofrem penas excessivas, tratamento desumano e que a anistia seria uma admissão dos crimes. Outros, ainda falam das muitas esquisitices da eleição de 2022.
Diferentemente do que tenho lido, anistia não é esquecimento, como a palavra sugere. Esquecer, sumir da memória não são consequências de atos de vontade. A anistia de penas, diferentemente, se refere a um ato de vontade política materializado por lei editada pelo Congresso Nacional. Está no âmbito de sua exclusiva competência, que não é compartilhada nem compartilhável com qualquer outro poder. É por isso que mesmo quando o governo da União ou das unidades federadas querem conceder uma anistia tributária, ela só pode viger mediante aprovação de lei no respectivo parlamento.
Não envolvendo esquecimento, a anistia não terá o poder de fazer com que os condenados pelos atos do dia 8 de janeiro, os que tiveram suas vidas destroçadas, os que ainda pendem de julgamento esqueçam tudo por que passam. Ela tampouco faz cessar o trabalho dos historiadores. Ela simplesmente extingue as consequências penais do que aconteceu.
É bom lembrar que a Emenda Constitucional 26 de 1985, ao convocar a Assembleia Nacional Constituinte, reconheceu o perdão concedido a militantes e militares. Ela foi o ato fundador da nova ordem constitucional do país, cancelando as tentativas revisionistas tentadas à época por movimentos de esquerda. No STF, em seu voto sobre a questão (2010), o relator, ministro Eros Grau, afirmou (aqui *): “Reduzir a nada essa luta é tripudiar contra os que, com assombro e coragem, na hora certa, lutaram pela anistia. É a página mais vibrante de atividade democrática da nossa história.” Décadas mais tarde, a esquerda brasileira ainda tentaria abolir o ato quanto ao perdão concedido aos militares e reescrever a história com as pretensões da Comissão da Verdade.
Em artigo de abril de 2010, referindo-me às reivindicações da esquerda contra o caráter amplo da anistia concedida pelos atos de 1979 e 1985, escrevi e reafirmo perante o que hoje leio, vejo e ouço: “Assusto-me quando os que buscam isso dizem agir pelo Direito e pela Justiça, desconhecendo a importância da Política e o eminente valor moral, profundamente cristão, do perdão institucionalmente concedido. Há uma parcela da esquerda que foi perdoada por seus muitos crimes, mas não aprendeu a perdoar.”
* https://www.conjur.com.br/2010-abr-28/anistia-entrou-constituicao-antes-1988-ministro-eros-grau/
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O STF, o crucifixo e o prego - 14/11/2024
Percival Puggina
Mergulhado em sufocante acúmulo de atribuições e demandas, o STF escolheu a próxima sexta-feira (15/11), mesmo dia da semana em que Jesus foi crucificado, para início do plenário virtual que colherá votos dos ministros sobre se o crucifixo exaltado em nicho próprio na sala de sessões permanecerá ou será removido. O período de votação se encerra no dia 26. Barrabás, salvo engano, foi “inocentado”; o que acontecerá, agora, com a memória do Crucificado? A decisão que o Supremo adotar terá repercussão geral, ou seja, valerá para todos os crucifixos em paredes públicas do país.
O politicamente correto é uma estratégia de congelamento da divergência com duas consequências totalitárias. Na mais visível, constrange quem tenha outras ideias a meter a viola no saco. Na menos visível, alinha-se com o igualitarismo coletivista, transformando toda expressão de diferença em preconceito. Se você tirar o suco ou fizer um destilado do “politicamente correto”, o que vai gotejar é o cancelamento do cristianismo e suas referências, transformados em alvos preferenciais.
A pergunta que me faço é: por que parar no crucifixo e não ir em frente, acabando com feriados religiosos, procissões, romarias, missas campais, toque de sinos? Pelas mesmas elevadas razões, por que não renomear todos os estados, municípios, ruas e acidentes geográficos que mencionam santos ou objetos de devoção? Meu Deus, como isso fica parecido com as revoluções francesa e russa! Sim, sim, aqueles fanáticos, com iguais motivos, fizeram coisas desse tipo.
Pergunto: locais públicos, mesmo num país em que 90% da população é cristã, devem ser pagãos como banheiro de aeroporto? Alega-se que se o Estado é laico, o crucifixo em local público é inconstitucional e o dedo da Constituição estaria apontando para ele, mandando arrancá-lo dali. Esquece-se que desde a Constituição de 1891 os preceitos constitucionais sobre a separação entre Igreja e Estado foram deliberados pelos redatores de nossas sete Cartas, majoritariamente cristãos! Ela é concepção da maioria e não é conquista de alguém. Podem sossegar o facho. O país nada deve ao iluminismo temporão!
De cada cem pessoas que veem crucifixos em tribunais e parlamentos, quantas ficam dispneicas, taquicardíacas ou entram em sudorese se veem um crucifixo? Nenhuma? Pois é. E quantas – na real, sem exageros – se sentirão pessoalmente injuriadas por aquele símbolo? Pois é, de novo. Perante símbolos religiosos – quaisquer símbolos, de qualquer religião! –, pessoas normais reagem com respeito ou com indiferença. Indignação, revolta, alergia escapam à normalidade.
Os adversários dos crucifixos referem-no, mas focam, lá na frente, os princípios, valores e tradições que lhe são implícitos. Muitos, como os relacionados à defesa da vida, à dignidade e aos direitos humanos, às liberdades, à família, compõem convicções constitucionalizadas no Brasil e se refletem em deliberações legislativas. É contra esse alvo que a militância “progressista” está declarando guerra e rufando tambores.
Em nome do laicismo estatal, num país onde mais de 90% dos cidadãos professam alguma religião cristã, pretendem retirar um símbolo que para esse mesmo povo representa o amor de Deus, o amor ao próximo, a Redenção e os mais elevados valores que deveriam iluminar as decisões e a justiça dos homens. Se o fizerem, deixem ao menos o nicho e o prego para memória do que foi feito.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Pendurados no pincel - 09/11/2024
Percival Puggina
Três pilares sustentam uma construção. Quatro fazem-no ainda mais facilmente. Com apenas dois pilares só dá para fazer uma ponte ou algo com jeito de ponte. Num único pilar, pode-se colar um cartaz, apoiar as costas ou fazer alongamento de pernas.
São quatro os melhores pilares para suporte de uma boa ordem social: família, religião, escola e instituições políticas. No Brasil, há longo tempo, todas vêm sendo atacadas por grupos que agem com motivação política, ideológica, partidária e/ou econômica.
A instituição familiar tornou-se objeto de sistemática desvalorização. As uniões são instáveis e os casamentos, quando chegam a acontecer, duram, em média, 13,8 anos (em queda). Mulheres sem cônjuge são chefes de 12% das famílias brasileiras. Há um divórcio para cada dois casamentos. Vinte por cento dos casais não têm filhos. Estou falando apenas em estatísticas, sem aprofundar na análise da nebulosa qualidade dos laços e do exercício das funções parentais. É sabido, porém, que tais funções padecem na desordem dos costumes que tanto afeta a vida social nas últimas décadas. E vai-se o primeiro pilar.
A religião enfrenta notória redução de sua influência. Correntes políticas que perceberam ser impossível destruir a civilização ocidental sem revogar a influência do cristianismo atacam as religiões cristãs declarando o direito de opinião e o exercício da cidadania territórios interditos a quem tenha convicções decorrentes de fé religiosa. E o fazem em nome da laicidade do Estado. Com esse truque, reservam apenas para si o direito de opinar e intervir em relevantíssimas questões sociais e morais e encontram idiotas que julgam isso muito adequado... As mesmíssimas correntes agem de modo perversor na Igreja Católica através da Teologia da Libertação e nas evangélicas, ao que me contam, através da Teologia da Missão Integral. E vai-se o segundo pilar.
A escola e o controle das funções educacionais foram tomados por militantes mais ocupados em conquistar adeptos às causas revolucionárias do que em trabalhar talentos e habilidades para que os jovens tenham participação produtiva e ativa na vida social. Com isso, oportunidades são dissipadas pela mais rasa ignorância, nutrindo frustrações e revoltas. Professores que respondem por essa realidade reverenciam Paulo Freire e sua pedagogia do oprimido que outra coisa não é senão a definitiva opressão pela pedagogia. Outro dia, um conhecido me contava de certo jovem seu parente que, aos 18 anos, sem ser imbecil, egresso do sistema de ensino, não sabia os meses do ano. Isso é opressão. E vai-se o terceiro pilar.
As instituições políticas afundam no bioma pantanoso da corrupção e do descrédito. Não apenas pesam dolorosamente nos ombros magros de uma sociedade empobrecida. Fazem questão, por palavras e obras, de deixar claro o quanto os píncaros dos três poderes existem para reciprocamente se protegerem. Vai-se, então, o quarto pilar. E ficamos, todos os demais brasileiros, pendurados no pincel.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Empurrar a História para o lado errado e na hora errada. - 21/10/2024
Percival Puggina
Mencionei em artigo anterior que meus colegas de esquerda nos anos 60 eram leitores ávidos de autores como Michel Foucault, Herbert Marcuse e Theodor Adorno. A iletrada juventude de esquerda radical, hoje militante no ambiente acadêmico, político e jurídico brasileiro, está chegando onde meus colegas agora octogenários haviam chegado em suas leituras dos anos 60. Como nada leram, surgem com esse enorme atraso querendo “empurrar a História” para o lado errado e fora de hora.
Em condições normais, o intelecto humano funciona movido pela curiosidade, com o objetivo de saber; funciona para resolver algo, espantar uma dúvida ou corrigir um erro. As perguntas que faço aos herdeiros de ideias antigas e sabidamente funestas: como vocês fazem para não saber o que aconteceu de lá para cá? Que espécie de conhecimento é esse, no qual as ideias se desconectam de suas aplicações ao mundo dos fatos e, portanto, da História?
Três anos antes do Maio de 1968 (rebelião iniciada pelos estudantes franceses na Universidade de Paris), o filósofo Herbert Marcuse escreveu um pequeno ensaio com o título “Tolerância Repressiva” (aqui). Em resumo, ele sustenta que a tolerância, como objetivo, exige intolerância. Diz assim o pensador alemão:
“Essa tolerância indiscriminada é justificada em debates inofensivos, em conversas, em discussões acadêmicas; é indispensável na empresa científica, na religião privada. Mas a sociedade não pode ser indiscriminatória onde a pacificação da existência, onde a sua liberdade e felicidade estão em jogo: aqui, certas coisas não podem ser ditas, certas ideias não podem ser expressas, certas orientações políticas não podem ser sugeridas, certos comportamentos não podem ser permitidos sem fazer da tolerância um instrumento para a manutenção da submissão abjeta”.
Um pouco adiante, Marcuse afirma: “Mais ainda, em intermináveis debates nos meios de comunicação, a opinião estúpida é tratada com o mesmo respeito que a inteligente, o mal informado pode falar tanto quanto o desinformado, a propaganda cavalga a par da educação, e a verdade, a par da falsidade”.
Na perspectiva de Marcuse, era indispensável à sociedade reprimir as ideias do sistema que ele considerava opressivo e favorecer as “progressistas”, que seriam efetiva e finalmente libertadoras... A leitura desse seu ensaio sobre a tolerância repressiva se revela útil para entender o processo em curso em nosso país, quando se observa a repressão às ideias conservadoras e os crescentes privilégios concedidos ao pensamento revolucionário e a seus protagonistas.
Vem daí, por exemplo, o empenho em controlar e o efetivo controle das redes sociais onde se fez óbvia a hegemonia dos conservadores. Vem daí o “politicamente correto” e o domínio da linguagem, como se observa na imposição da ideologia de gênero e na recentíssima adoção de “parturiente” em substituição a palavra “mãe”. Vem daí a recepção de calouros numa universidade por veteranos nus sendo acolhida como performance adequada; e vem daí, em viés oposto, a ação do MPPE contra alunos, de outra instituição, que rezam no intervalo entre aulas. Vem daí a construção acadêmica de narrativas para desconectar as ideias políticas do estrago que produziram na História. Vem daí o combate às escolas cívico-militares, a acepção de princípios e valores morais do pensamento conservador como discursos de ódio e a adoção generalizada das políticas de cancelamento de toda divergência e de todo divergente do pensamento esquerdista. Vem daí Lula presidente da República.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A direita e o voto nas regiões Norte e Nordeste - 25/09/2024
Percival Puggina
Nos últimos anos, parcela expressiva da sociedade brasileira tem atribuído o ativismo e o transbordamento dos poderes do STF e do TSE a uma obstinada e caprichosa omissão do Senado Federal. É sabido que a Constituição estabelece o controle recíproco dos dois poderes (Senado e STF) – um de olho no outro. Só o Senado tem legitimidade constitucional para agir contra excessos do Supremo. Parcela expressiva da opinião pública e muitos senadores experientes entendem que essa reciprocidade tem efeito oposto ao desejado pelos constituintes. Como os senadores preferem não contrariar os ministros que têm o poder de julgá-los, e vice-versa, o mecanismo de “freios e contrapesos” previsto na Constituição perde eficácia.
Há 200 anos, o poder legislativo brasileiro é bicameral, modelo frequente entre países extensos e/ou muito populosos. No Brasil, a Câmara dos Deputados representa o povo em sua diversidade e o Senado representa os estados. Vi muito projeto bom deixar de ser aprovado por divergência entre Senado e Câmara. E vi muito projeto inconveniente morrer na praia de uma das Casas por discordância com a outra. A simplificação do sistema, com adoção do legislativo unicameral, seria uma das ideias mais inviáveis que alguém poderia apresentar. Afinal, nenhum político ou partido teria interesse em cerrar as portas do ambicionado paraíso senatorial, com suas regalias usufruídas em confortáveis mandatos de oito anos.
Se observarmos como se distribuem regionalmente as cadeiras do Senado, veremos que:
Região Sul 3 estados 09 senadores
Região Sudeste 4 estados 12 senadores
Região Centro-Oeste 3 estados 09 senadores
+ D. Federal 03 senadores
Região Nordeste 9 estados 27 senadores
Região Norte 7 estados 21 senadores
Isso significa que um terço dos 81 senadores são eleitos no Nordeste e que mais da metade dos membros daquela Casa (59%) procedem do Norte e do Nordeste do país, apesar de essas duas regiões representarem apenas 32% da população nacional. Inevitavelmente, o perfil político do Senado será bem diferente do perfil da Câmara dos Deputados.
Como fazer gol nessa defesa? Como superar essa hegemonia, ampliada pela convergência de interesses e autoproteção? Não será fácil reverter o cenário atual. Os partidos políticos que enfrentam a máquina de extrema esquerda operada nos últimos anos pelos donos do poder precisam compreender a importância de levar o enfrentamento político ao Norte e ao Nordeste do país. É preciso quebrar, na persuasão e no voto, uma hegemonia que tem servido para explicar muito do que acontece no país.
O saneamento político do Brasil não se faz sem Educação e jamais a teremos enquanto for utensílio de um grupo cujo principal líder declarou ter pleno conhecimento de que perde poder e influência na medida em que os cidadãos prosperam (aqui).
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A vaca, o brejo, a missão. - 16/09/2024
Percival Puggina
Com frequência me perguntam o que se pode fazer para dar um jeito no Brasil antes da vaca ir para o brejo. Alegam, com razão, que o tempo é curto e o bicho parece ter pressa.
O fato é que não existe solução vapt-vupt. Aliás, existe, sim, mas muitos daqueles que a podem adotar no Congresso Nacional têm estranhas motivações para não o fazer. Nos parlamentos, não deliberar é uma deliberação.
Independentemente dessas condicionantes, impostas pelo lado esquerdo do estado de direito que cuida de si e dos seus, há algo que podemos fazer já agora, durante as próximas três semanas. Se tal passo não for dado nestes dias, se ficarmos parados sobre o pé canhoto, o passo consecutivo, com o pé direito, só poderá ser dado daqui a quatro anos.
Explico. Dentro de três semanas, no dia 6 de outubro, o Brasil elege 5.570 prefeitos e 60.300 vereadores. A escolha dos prefeitos se faz por eleição majoritária (vence o mais votado) dentro de um número pequeno de opções. Nesse caso, o primeiro filtro é o do caráter, da honradez; o segundo nos leva a votar em quem for mais capaz de derrotar o lulopetismo, o candidato do sistema de poder instalado no país. Ponto. Obviedades dispensam explicações: uma administração municipal nas mãos da esquerda é um aparelho a serviço dos adversários da nossa liberdade.
É principalmente sobre a escolha dos vereadores que desejo falar. Essa é uma eleição proporcional. Um quarto de século de intensa vida partidária até o ano de 2013, me ensinou que as comunidades não atribuem o devido valor a tão importantes mandatos num país que precisa desesperadamente de lideranças (ditas assim, no plural). Em eleições municipais, a nação tem deixado à margem líderes de verdade, líderes positivos, capazes de propagar as boas ideias e combater as más, cumprindo uma função pedagógica em suas comunidades.
Perdoem-me os tipos populares, com visão apenas local. Isso é o mínimo obrigatório, mas fica muito aquém do que a cidadania exige nesta hora: líderes formadores de opinião.
Assim como todo cidadão vive num município, todo munícipe é um cidadão brasileiro e sofre as consequências da marcha da vaca rumo ao brejo.
Todo cidadão se angustia com a liberdade que perde e com a injustiça que testemunha. Todo cidadão percebe o direito de opinião lhe ser suprimido, a informação lhe ser negada, os recursos lhe serem tomados, o direito à propriedade sendo ameaçado, a justiça se afastando da virtude, o poder cada vez mais se concentrando em Brasília. Todo cidadão sabe o quanto a educação padrão Paulo Freire vulnerabiliza a nação. E por aí vai a vaca.
Qual a opinião do candidato em quem você pretende votar sobre o que está acontecendo ao Brasil no lulopetismo? Seu candidato assina, entre outras fontes, a Gazeta do Povo? A Revista Oeste? É membro do Brasil Paralelo? Assiste o programa Oeste sem Filtro? A Rádio + Brasil? Ou se “informa” pela Globo e suas subsidiárias?
Aproveitemos a oportunidade de uma eleição local, onde as pessoas se conhecem, para proporcionar espaço, mandato e projeção a líderes autênticos, formadores de opinião, que percebam o andar da vaca e ajudem a sustar sua marcha para o brejo.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Lula e seus amiguinhos - 31/08/2024
Percival Puggina
O Foro de São Paulo nasceu como “coletivo” de políticos e organizações partidárias de extrema esquerda cujo objetivo era a conquista do poder ou a manutenção, em caráter permanente, do poder conquistado. Alguns já haviam conseguido esse objetivo de modo pleno, como ocorreu em Cuba, com a revolução sandinista da Nicarágua e viria a ocorrer na Venezuela. Outros foram transitórios, como nos casos da Bolívia, Peru, Honduras, El Salvador, etc.
Essa corrente política nunca faz autocrítica (suas críticas são sempre dirigidas ao adversário). A regra é clara: governo companheiro não critica governo companheiro. É bom lembrar que Lula, seu governo e sua base parlamentar se alinham com qualquer corrente política adversária do Ocidente, vale dizer, dos Estados Unidos, da União Europeia e de Israel. Ao mesmo tempo, Irã, China, Rússia e movimentos terroristas islâmicos têm tratamento privilegiado. Quando não há mais explicações possíveis, atribuem caráter canônico ao “respeito à autonomia dos povos”, quaisquer que sejam os males produzidos por seus líderes aos respectivos povos...
Lembro que em 2010, mais precisamente no dia 24 de fevereiro daquele ano, Lula desembarcou em Cuba para uma visita oficial aos irmãos Castro. Para azar dos azares, na véspera, ao cabo de uma greve de fome que se prolongara por inacreditáveis 85 dias, falecera o preso político Orlando Zapata Tamayo. A greve pela libertação dos presos políticos do regime tivera grande repercussão na imprensa das nações livres e democráticas. Ouvido sobre o episódio, Lula disse: “Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano de deter as pessoas em função da legislação de Cuba” [1].
No país que ele visitava, Fidel Castro, autonomamente, chegara ao absurdo de criar as UMAPs (Unidades Militares de Apoio à Produção), que eram, na verdade, campos de concentração para submissão dos jovens rebeldes às práticas comunistas. Nem por isso, líderes brasileiros de esquerda deixavam de exaltar as maravilhas do regime ali instalado. Agora, meio século depois, Maduro prende 120 menores de idade venezuelanos inconformados com a fraude eleitoral e os encaminha a um campo desse tipo, sob rigorosa disciplina militar.
Lula se meteu numa encrenca incomum quando, pessoal e publicamente, aqui no Brasil, aconselhou Maduro a “construir sua própria narrativa”. Pois bem, foi o que o venezuelano fez: perdeu a eleição, comemorou a vitória, disse que os inconformados serão presos e quer prender o candidato que o derrotou.
Enrolado na camisa de força de suas bravatas, promessas e más parcerias, Lula não assinou a nota da OEA pedindo auditoria internacional das atas eleitorais. Agora, vem a público dizer que era amigo de Chávez, não de Maduro, e que não reconhece a vitória deste nem a da oposição. Em junho, o Papa pediu a Lula que interviesse junto a Ortega para a libertação dos bispos católicos, mas o ditador nicaraguense sequer o atendeu. Lula lidera o que e a quem, exatamente?
[1] https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1003201001.htm
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Esse Maduro é um cara de pau. - 31/07/2024
Percival Puggina
Se me permitem dizer, os apoiadores dele que conheço aqui no Brasil, também.
No sábado anterior à eleição, encontrei um conhecido que emigrou da Venezuela. Perguntei-lhe se iria votar e me respondeu que precisaria viajar de Porto Alegre para Brasília, mas nem assim tinha certeza de que lhe seria permitido exercer esse direito como cidadão. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, são 7,7 milhões de pessoas, irresignados à ditadura, que deixaram o próprio país para ter uma vida em liberdade e se manter com o trabalho de suas mãos. Essa massa de votantes se somaria ao oprimido e empobrecido povo venezuelano para derrotar o ditador.
Maduro é um ditador mal sucedido. Ditadores com passado desastroso e tragédias no horizonte não se reelegem em eleições limpas e disputas isonômicas. No país que governa, sobre um mar de petróleo, falta até gasolina. Ele persegue e prende opositores. Faz as regras da disputa, prende e inabilita seus principais opositores. Controla os meios de comunicação, desinforma a comunidade internacional sobre a realidade do país, marca eleições e diz que se perder haverá banho de sangue. Seus agentes intimidam partidos e candidatos adversários. Proíbe a presença de observadores internacionais cujos chefes de Estado antagonizam seus métodos. Esbirros a seu mando atacam os locais de votação atemorizando eleitores e impedem o acesso de fiscais. Seu CNE (Conselho Nacional Eleitoral) promove um “apagão” no meio do processo de divulgação da apuração e, pouco depois, extrai da cartola a vitória do chefe.
Cada momento dessa eleição grita “Fraude!”. O povo de um país desarmado, vai para as ruas onde é contido pelas forças oficiais e por milícias que, em tudo, fazem lembrar as SA (Sturmabteilung) de Hitler e as Milícias Nacionais Revolucionárias de Cuba.
Há mágicos cujas artes e ofícios exigem, em certos momentos, que uma toalha negra cubra a cena para que as alterações se produzam e seja, depois, removida sob prováveis manifestações de espanto. Sempre achei isso frustrante. Quero observar, ver, entender. Todo dia, porém, cenas importantes são cobertas com a tolha negra dos ilusionistas, mediante sigilos e censuras. A eleição venezuelana foi um caso assim. Tenho certeza de que na noite de domingo passado, os protagonistas do sortilégio eleitoral retornaram a seus lares como heróis de uma Esparta judicial e disseram às esposas e filhos que agiram para salvar a democracia e a liberdade do povo venezuelano da investida fascista e golpista da oposição...
Não é saudável nem louvável a situação política de um país quando governo e suprema corte são regidos pela mesma batuta, irmãos de sangue, nascidos no parto da mais retrógrada e opressiva das ideologias.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Na “cozinha” do Congresso, batatas quentes trocam de mãos. - 25/07/2024
Percival Puggina
A omissão do bem é não menos reprovável que a comissão do mal. Plutarco, filósofo e historiador do 1º século.
O presidente do Senado brasileiro é professor emérito da cadeira de Omissões Políticas. Na semana passada, porém, ganhou as telas e telinhas manifestando sua concordância e apoio à proposta de emenda da Constituição que impede decisões monocráticas do STF sobre matérias aprovadas pelo Congresso Nacional. Falou bravamente, como resposta às críticas fortes dos ministros Luiz Roberto Barroso e Gilmar Mendes na abertura da sessão do STF subsequente à aprovação, pelo Senado, da PEC sobre o tema. A matéria seguiu para a Câmara dos Deputados onde, nas mãos do alagoano Arthur Lira, passará a integrar seu cacife de poder: só entrará na Ordem do Dia quando ele quiser.
Não é incomum que batatas quentes troquem de mãos na “cozinha” das relações entre Câmara e Senado. Este caso me fez lembrar de outro, anterior. Deu-se num tempo em que as corporações empresariais da nossa imprensa cumpriam um pouco mais ajuizadamente seu papel de informar e opinar sobre temas do interesse nacional. Criou-se, assim, amplo consenso sobre a necessidade de acabar com o tal foro privilegiado. Membros e ex-membros dos poderes, juristas e cidadãos esclarecidos identificavam e identificam a prerrogativa como causa de enguiço no sistema de freios e contrapesos determinado pela Constituição. Por conveniência ou conivência mútua, graças ao instituto do foro privilegiado, Senado e STF arrefecem ou, até mesmo, inativam o controle recíproco previsto na Constituição.
Foi assim que, em maio de 2017, atendendo clamor popular, o Senado aprovou a PEC 10/2013, extinguindo o que tecnicamente se chama “foro especial por prerrogativa de função”. O presidente da Casa era o senador Eunício de Oliveira e a aprovação (surpresa!) foi unânime. Contaram-se 70 votos a favor; uma senadora que se abstivera, logo após a totalização pediu que seu voto fosse registrado como favorável. A vitória repercutiu, a nação festejou e a PEC, em solene séquito de cavalos enfeitados por penachos (como descreveria Nelson Rodrigues), seguiu caminho para a Câmara dos Deputados, onde se deveria repetir a deliberação em dois turnos de votação.
Nos meses restantes de 2017, nada aconteceu com a importante matéria. No ano eleitoral de 2018, uma Comissão Especial aprovou o fim do foro privilegiado. A PEC ficou, então, pronta para votação. Só que não. Semiaprovada, virou almofada na cadeira do presidente Rodrigo Maia. Entrou o ano de 2019 com grandes expectativas em relação à renovação do perfil do Congresso Nacional, mas Rodrigo Maia se manteve na poltrona. Periodicamente, ao longo da legislatura de 2019 a 2023, algum deputado, cioso de suas responsabilidades, solicitava a inclusão na pauta de deliberação. Em vão. Maia passou o bastão para Arthur Lira, e nada. Veio o pleito de 2022, a aparente vitória da direita na Câmara não durou 45 dias, Arthur Lira foi reeleito, lidera também o Centrão e há quase quatro anos a PEC é almofada da cadeira em que repousa sua consciência cívica.
Em tempos como os atuais, quando a nação percebe seus direitos e tem sua liberdade de expressão contida por quem convive mal com a divergência, é indispensável libertar as consciências no Poder Legislativo. A intimidação dos representantes convive com a dos representados, que hoje são reféns, em conjunto com cada preso político e com cada cidadão cuja liberdade de expressão é tolhida.
Quero muito estar enganado, mas tenho a impressão de que a imagem da batata quente trocando de mãos descreve a situação da PEC que limita as decisões monocráticas do STF contra matérias aprovadas pelo Congresso Nacional.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O mandato do deputado Maurício Marcon - 21/07/2024
Percival Puggina
Não o conheço pessoalmente, mas vou tratar aqui da representação política dos 140 mil eleitores desse deputado federal gaúcho, filiado ao Podemos (PODE/RS), cujo mandato foi cassado pelo TRE do Rio Grande do Sul.
Mediante decisão da qual cabe recurso ao TSE, o colegiado da justiça eleitoral sul-rio-grandense determinou que seus votos, bem como a totalidade dos votos de sua legenda fossem para a... lixeira, digamos assim. A matéria julgada é um recurso do PSD, principal beneficiário da deliberação. O fato que a motivou é uma suposta fraude com a inclusão de uma funcionária do partido na cota de 30% destinada às candidaturas femininas (tolice legislativa que cria mais constrangimentos do que soluções). Se for mantida a decisão, anulados os votos masculinos, femininos etc. conferidos para deputado federal ao PODE no Rio Grande do Sul, num passe de mágica judicial, um outro candidato, provavelmente do PSD, obterá a cadeira agora ocupada pelo deputado Marcon.
Enquanto a política como a queremos estertora em tempos tão pouco promissores ao surgimento de novas lideranças com o perfil de que a nação se ressente, é de se lamentar o que está acontecendo com o jovem e aguerrido parlamentar da Serra Gaúcha. Quem dera vivêssemos tempos mais sábios, com melhores legisladores, como são esses que vêm sendo expurgados! Não estaríamos testemunhando tais desatinos.
Salta aos olhos do mais desatento observador que se instalou em nossas instituições (inclusive nos próprios parlamentos) um desrespeito à representação parlamentar, eixo diretor do constitucionalismo democrático. Quando se toma o mandato de um deputado ou quando se censura um deputado, o ato incide sobre aqueles a quem ele representa! No caso do deputado Marcon, 140 mil eleitores perdem a voz; no caso do deputado Dallagnol, 345 mil eleitores tiveram seus votos jogados na lixeira para onde tantos, inclusive no TRE do Paraná, quiseram levar, também, os votos do senador Sérgio Moro. E viva a democracia servida à moda da casa! Viva a democracia do parlamento flácido! É de congressistas como Marcel, Nikolas, Gayer, Bia, entre outros, e também como Marcon e Dallagnol, que precisamos!
O voto proporcional, esse miserável, conta votos como se fossem objetos. Vejam a loucura. Em cada legenda, votos nominais que excedem o quociente eleitoral somam-se aos de outros candidatos e, se esse total não alcança um novo quociente, tais votos entram, despersonalizados, numa espécie de bacia das almas perdidas, esperando conhecer seu lugar na fila das médias por legenda. A legenda que tiver maior média é a primeira a se beneficiar dos sufrágios excedentes para completar mais um quociente e conquistar uma cadeira a mais. E assim é feito, sucessivamente, com as outras siglas e seus excedentes. Esse sistema, dito proporcional, é totalmente oposto aos méritos do voto distrital, majoritário, em que o representante eleito por um distrito representa todos os eleitores do distrito.
No Brasil inteiro, sob as regras do sistema proporcional, algo como 40% dos votos nominais se transviam da intenção dos eleitores por esse formulismo obtuso determinado pela legislação. As consequências são insanáveis e fazem vítimas entre eleitores, candidatos e à democracia representativa.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Abolição violenta do Estado Democrático de Direito - 14/07/2024
Percival Puggina
"Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil". Compromisso proferido pelos congressistas no ato de posse.
A imensa parcela da nação que tem juízo, trabalha, paga impostos e respeita as leis se perturba ante a conduta de tantos deputados e senadores. Afinal, pronunciaram tais palavras perante seus eleitores, tendo por orgulhosas testemunhas os próprios familiares! A maioria deles, porém, jogou as promessas aos ventos e a Constituição jaz indefesa, no chão dos interesses políticos, mera caixa de ferramentas de um regime que se deformou e ficou irreconhecível.
E agora, senhores? Feitas as louváveis exceções depositárias de nossas esperanças, tendes os pés enfiados na lama do descrédito, depreciais a democracia, não defendeis a Constituição nem as leis que votais. Para escândalo da pátria, numa expiação às avessas, jogais no precipício as virtudes que ela civicamente reclama. O parlamento é o principal poder de Estado, representante legítimo do povo. Vossas omissões lesam gravemente a sociedade.
Nada diferente se espere do lado direito da Praça dos Três Poderes. Ali, o STF é um poder não eleito, cuja ampla maioria foi escolhida a dedo pelo poder instalado do lado esquerdo ao longo de muitos anos. Quando faz política, sempre excede os próprios limites.
Para o grupo dirigente do país, quanto pior, quanto mais nanico, quanto mais comercial for o parlamento (R$ 30 bi em emendas até as “democráticas” eleições de outubro), melhor para o Palácio do Planalto. Sabem por quê? Porque aquele poder, em tudo que realmente interessa, é igualmente nanico, reles e perdulário. O que tem ocorrido no Brasil é incompatível com um legislativo que se desse ao respeito.
Esse mal já contamina a nação. Poderosos veículos de imprensa, tendo perdido parcela importante de mercado e de anunciantes para o jornalismo que atua nas redes sociais, se tornaram dependentes do Estado como aqueles milhões do Bolsa Família cuja pobreza tanto a ele convém. Quanto maior for a censura às redes sociais, maiores os louvores dessa mídia ao Supremo e ao governo.
Como consequência, também, das omissões do Congresso, milhões de brasileiros escarnecem e riem tresloucados quando sabem que o Brasil tem mais presos políticos do que Cuba. Mas foi nessa toada que Clezão morreu, que uma jovem mãe de família, com filhos pequenos, está presa há quase 500 dias por haver escrito, com toco de batom, “Perdeu Mané” na estátua da deusa Têmis! Ela é acusada, perante o STF, de associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado. Tenha dó e não ria porque não tem graça!
Berram aos sentidos humanos a desproporção, a conduta perversa, a perda do senso de humanidade desses julgamentos pelo STF. Berra, também, a omissão do presidente do Senado e seus fiéis seguidores perante o que juraram fazer. Sabemos que o Senado é um paraíso onde não se entra de folha de parreira, mas de gravata. Como está vossa testosterona, senhores? Como estão vossos sentimentos maternos, senhoras? Cumpram o juramento que fizeram! Não subscrevam essa forma de “abolição violenta do Estado Democrático de Direito” através das instituições da República.
É o que está acontecendo pela anulação do Congresso e mediante o arbítrio e a violência praticados contra seres humanos reais, cidadãos comuns, pessoas humildes arrebanhadas nos dias 8 e 9 de janeiro do ano passado, que estão sendo julgadas, tratadas e condenadas de um modo desproporcional e cruel.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O sono dos injustos - 11/07/2024
Percival Puggina
Mas é infâmia de mais!... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares.
Castro Alves, Navio Negreiro
As perguntas que farei perturbam meu sono e são comuns ao cotidiano de milhões de cidadãos brasileiros. Como não ser assim, se a nação se dilacera e degenera, o sectarismo se empodera, a burrice impera, o crime prospera, a política se adultera, a Têmis se torna megera e os omissos somem ou dormem? Só eu acordo nas madrugadas pensando nesses motivos pelos quais 41% dos brasileiros (1), entre os quais 55% dos nossos jovens (2), só não desistem do Brasil por não terem condições financeiras de arrancar as folhas de um passado sem esperança e redigir seu futuro noutro lugar?
Os responsáveis por isso conseguem dormir? A nação se inquieta pela apatia de representantes omissos que tanto lhe custam. Como é insignificante, aliás, a relação custo/benefício, somados o mal que fazem e o bem que deixam de fazer! Como conciliam o sono e a culpa? A que destroços, a cupidez e a conveniência pessoal em condomínio com a injustiça reduziram tais almas? Elas simplesmente somem dos plenários quando, da tribuna, algum de seus pares lhes cobra pela apatia e a destruição das instituições!
No entanto, a realidade que vemos é sinistra. O Estado se agiganta perante a sociedade a que deveria servir. A juventude recebe uma educação de qualidade vexatória, últimos lugares nos rankings internacionais do PISA e da OCDE; a cultura nacional está degradada e o próprio QI dos brasileiros, por falta de estímulos, pode estar em regressão. Há décadas, os discípulos de Paulo Freire controlam e tornam cada vez mais sectária a educação nacional, transformando-a numa fábrica de ignorantes miseráveis, com as bênçãos do Estado. Quem escapa dessa máquina de moer cérebros prospera e vira réu no tribunal da desigualdade!
Resultado: chegamos a setenta e cinco milhões de seres humanos dependendo da assistência social do Estado. Do Estado? Sim, sim, o ente causador de todo esse mal aceita sem qualquer constrangimento posar de benfeitor. A pergunta que poucos fazem é: “Se o culpado não for o Estado, quem haveria de ser?”. Certamente a culpa não pode ser imputada a quem decide investir, correr riscos, gerar empregos, pagar salários e ser extorquido com impostos, taxas, contribuições. Essa pergunta derruba século e meio de mentiras sobre os sucessos do socialismo.
Eu quero o meu país de volta! Eu o vi antes, imperfeito, mas humano. Não era uma Suíça, mas era um país amável. O Brasil tinha boa reputação. Hoje é um país de má fama. Eu o quero moderno, mas com aqueles bens do espírito e naquele ânimo nacional que se comoveu e se moveu solidário quando as águas cobriram o abismo no Rio Grande do Sul. Eu quero de volta a energia inusitada que, durante oito anos, saudoso do “meu Brasil brasileiro, mulato inzoneiro”, me levou para cima dos carros de som a verberar corruptos, defender a liberdade e resistir à perdição de uma nação.
Impossível não evocar os versos finais de Navio Negreiro, esbravejados por Castro Alves, se vejo avançar o poder da Casa Grande, a se refestelar em folguedos e extravagâncias, enquanto garroteia direitos de cidadãos outrora livres.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Paulo Freire na veia da testa - 24/06/2024
Percival Puggina
Para a extrema esquerda, silenciar as redes sociais é questão de sobrevivência! Antigamente, seu pessoal tinha hábitos de leitura, dirigentes e militantes escreviam e frequentavam livrarias. Exibir ao menos um certo “verniz intelectual” era tão importante que até os camaradas mais vadios, nada estudiosos, portavam “livros de sovaco”, jamais lidos, mas levados para passear e chamar atenção. Conheci e debati com vários.
Paulo Freire acabou com isso. Os atuais professores aprenderam dele que o importante é a conscientização e o uso de palavras com poder de causar esse efeito (1). Os verdadeiros objetivos da revolução cultural podem ser alcançados, então, com multidões militantes e votantes, tão incultos quanto fortemente motivados. Eis por que resulta inútil discutir com extremistas de esquerda. Eles nada sabem sobre a organização de um argumento, sobre premissas e conclusões, mas percebem toda contraposição como assédio maligno, rejeitado por ser moralmente inferior... Vivem em lockdown intelectual. Se o objetivo é conquistar corações, quanto mais vazias as mentes, melhor. Para os sentimentos que quer provocar, é suficiente um bom arsenal de substantivos e adjetivos esparsos devidamente trabalhados.
Até o velho “livrinho vermelho dos pensamentos de Mao” ou o Minidicionário do guerrilheiro urbano” se tornam exemplos de loquacidade desnecessária. Palavras eficientes, fazem o serviço em corações e mentes esvaziadas e manipuladas de modo emotivo em sala de aula. Observem Lula. Todo discurso dele fala em pobreza, fome, desigualdade, raça, opressão, ganância, exclusão, exploração, discriminação, injustiça social e por aí vai. Paulo Freire na veia da testa.
Dado que o método exige repetição sem fim, anexa ao prédio da extrema esquerda opera sua fábrica de “mantras”. Dali saem etiquetas da moda para rotular os adversários: fascista, racista, machista, nazista, golpista, negacionista, terraplanista, extremista e mais recentemente as acusações preferidas: discurso de ódio e fake news. É pouco, mas ganha potência se as imputações forem associadas a algum tipo penal preexistente, ou a ser criado ou, ainda, considerado suficiente para justificar censura e repressão, lançando a Constituição às urtigas. Ali também operam as contradições do progressismo retrógrado, do multiculturalismo anticristão e antissemita, do pluralismo que não admite contradição e – novo achado da cartola! – o gabinete da ousadia, para onde o extrema esquerda levou sua conhecida experiência em amabilidades e meiguices.
Quando estou estressado com a situação do país, tenho duas possibilidades de recuperar a paz: vou à Igreja rezar ou escuto certas falas, entre outros, de meia dúzia de ministros do STF. São lições gentis de mansidão e equilíbrio. Quando me inquieto na busca da verdade, posso ler a Imitação de Cristo ou me aprofundar em vídeos com discursos de Lula.
Ante os olhos vagos e baços da maioria do Congresso, os outros dois poderes de Estado montam seus aparelhos para patrulhar opiniões.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A repressão aos ideologicamente indesejáveis - 27/05/2024
Percival Puggina
Em 1883, Sir Francis Galton criou o termo eugenia para definir “o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente". Nas décadas seguintes, com o desenvolvimento dos estudos sobre genética e sua aplicação ao aprimoramento de plantas e animais, cresceu a literatura científica e romanceada envolvendo a ideia de uma sociedade de super-homens geneticamente construídos. Malgrado a resistência, não demorou muito para Hitler promover o confisco de bens, o trabalho escravo e o holocausto do povo judeu com o alegado intuito de promover a “pureza racial” do Terceiro Reich.
Ao ler estas linhas, tenha em mente o que acontece no ambiente político e social brasileiro a partir da difusão dos escritos de Gramsci nos Cadernos do Cárcere e de seus estudos sobre hegemonia e conquista do poder na “longa marcha através das instituições”. Some a isso o que sabe a respeito de Goebbels, a importância política da repetição obsessiva do que se quer impor às mentes e o uso de todos os meios culturais para esse fim.
Veja agora aonde nos leva isso se, em vez de nazismo raiz com suástica e tudo, pensarmos no esquerdismo militante convencendo seus agentes de que tal condição acresce importantes polegadas à sua estatura moral, induzindo-os a olhar a divergência de cima para baixo. Cada um deles se vê como o novo Adão progressista. Em recente artigo, escrevi que esse personagem distópico, “nas suas ocupações e atividades profissionais, coloca a missão acima da função. Seja ele professor, jornalista, padre, pastor, artista, militar, burocrata, empresário – o que for – antes de tudo é um esquerdista empenhado no papel transformador e revolucionário que lhe cabe na construção da nova humanidade, bem ali, no lado esquerdo do palco das ideias”.
A composição das ideias de Gramsci com a técnica do “publicitário” Goebbels proporciona ignição espontânea ao crescimento explosivo dessa eugenia ideológica. Dê uma olhada nas postagens e comentários de esquerdistas nas redes sociais e verá como fazem lembrar as imagens que retratam a turba apreciando execuções na Revolução Francesa. Eis o motivo que fez sumir do discurso político da esquerda e dos comentários da Globo e congêneres qualquer menção à “direita”. No vocabulário do esquerdismo militante (ou governista por amor ao caixa) só existe extrema direita antidemocrática e fascista, objeto de repressão, perseguição e punição sem muito lero-lero.
Nossos novos Goebbels de extrema esquerda, então, já andam por aí em intensa atividade. Atacam a oposição com o peito inflado de uma superioridade moral fajuta que os autoriza a impor rótulos, restrições e sanções àqueles a quem atribuem a condição de extrema direita por serem conservadores, liberais ou antiesquerdistas.
“É uma estratégia política, qual o problema?”, talvez diga o leitor. O problema está nas já nítidas consequências da suposta superioridade moral. É visível que dela deriva um desconhecimento de direitos fundamentais à opinião divergente. Instala-se uma desigualdade de direitos, torna-se comum silenciar e perseguir cruelmente os desafetos; a injustiça deixa de ser percebida e se torna-se socialmente tolerada ou, mesmo, aplaudida; uma mesma lei não vale para todos.
Conhecer o adversário, entender o que o mobiliza e sua consequente estratégia são condições indispensáveis para vencê-lo dentro das regras do jogo, que é como deve ser no tablado da política.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A repressão aos ideologicamente indesejáveis - 21/05/2024
Percival Puggina
Em 1883, Sir Francis Galton criou o termo eugenia para definir “o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente". Nas décadas seguintes, com o desenvolvimento dos estudos sobre genética e sua aplicação ao aprimoramento de plantas e animais, cresceu a literatura científica e romanceada envolvendo a ideia de uma sociedade de super-homens geneticamente construídos. Malgrado a resistência ética e a abolição da escravatura em Cuba e no Brasil, os dois últimos países da América que ainda a mantinham, não demorou muito para Hitler promover o confisco de bens, o trabalho escravo e o holocausto do povo judeu com o alegado intuito de promover a “pureza racial” do Terceiro Reich.
Ao ler estas linhas, tenha em mente o que acontece no ambiente político e social brasileiro a partir da difusão dos escritos de Gramsci nos Cadernos do Cárcere e de seus estudos sobre hegemonia e conquista do poder na “longa marcha através das instituições”. Some a isso o que sabe a respeito de Goebbels, a importância política da repetição obsessiva do que se quer impor às mentes e o uso de todos os meios culturais para esse fim.
Veja agora aonde nos leva isso se, em vez de nazismo raiz com suástica e tudo, pensarmos no esquerdismo militante convencendo seus agentes de que tal condição acresce importantes polegadas à sua estatura moral, induzindo-os a olhar a divergência de cima para baixo. Cada um deles se vê como o novo Adão progressista. Em recente artigo, escrevi que esse personagem distópico, “nas suas ocupações e atividades profissionais, coloca a missão acima da função. Seja ele professor, jornalista, padre, pastor, artista, militar, burocrata, empresário – o que for – antes de tudo é um esquerdista empenhado no papel transformador e revolucionário que lhe cabe na construção da nova humanidade, bem ali, no lado esquerdo do palco das ideias”.
A composição das ideias de Gramsci com a técnica do “publicitário” Goebbels proporciona ignição espontânea ao crescimento explosivo dessa eugenia ideológica. Dê uma olhada nas postagens e comentários de esquerdistas nas redes sociais e verá como fazem lembrar as imagens que retratam a turba apreciando execuções na Revolução Francesa. Eis o motivo que fez sumir do discurso político da esquerda e dos comentários da Globo e congêneres qualquer menção à “direita”. No vocabulário do esquerdismo militante (ou governista por amor ao caixa) só existe extrema direita antidemocrática e fascista, objeto de repressão, perseguição e punição sem muito lero-lero.
Nossos novos Goebbels de extrema esquerda, então, já andam por aí em intensa atividade. Atacam a oposição com o peito inflado de uma superioridade moral fajuta que os autoriza a impor rótulos, restrições e sanções àqueles a quem atribuem a condição de extrema direita por serem conservadores, liberais ou antiesquerdistas.
“É uma estratégia política, qual o problema?”, talvez diga o leitor. O problema está nas já nítidas consequências da suposta superioridade moral. É visível que dela deriva um desconhecimento de direitos fundamentais à opinião divergente. Instala-se uma desigualdade de direitos, torna-se comum silenciar e perseguir cruelmente os desafetos; a injustiça deixa de ser percebida e se torna-se socialmente tolerada ou, mesmo, aplaudida; uma mesma lei não vale para todos.
Conhecer o adversário, entender o que o mobiliza e sua consequente estratégia são condições indispensáveis para vencê-lo dentro das regras do jogo, que é como deve ser no tablado da política.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Democracia sem valores? - 29/04/2024
Percival Puggina
Os recorrentes ataques ao conservadorismo com base na laicidade do Estado guardam relação apenas periférica com temas religiosos. O esquerdismo militante hoje oficial no país entendeu o que as pesquisas de opinião mostram: parcela crescente da sociedade percebeu os descaminhos por onde os “progressistas” a conduzem com muito más consequências. O argumento de que o “Estado é laico” não pega mais. A “progressista” CNBB se encarrega disso. Por fim, os limites entre Igreja e Estado já foram objeto de deliberação: em reta conformidade com a sintética determinação de Jesus, o Estado é laico, sim. A Deus o que é de Deus e a César o que é de César.
O rufo de tambores que ouvimos são os de uma guerra nada santa, a guerra pela completa anulação da influência do Cristianismo na cultura e nos valores morais dos indivíduos na Civilização Ocidental. Quem se dedica ao ateísmo militante, sabe que: 1º) é quase impossível "desconverter" as pessoas de uma fé em Deus para uma fé no Nada Absoluto; 2º) é inaceitável pela sociedade a ideia de um Direito moralmente isento, estéril ou que ignore os princípios e valores compartilhados pelos membros da sociedade.
Diante de tais dificuldades, os militantes do ateísmo cultural propuseram-se a algo muito mais sutil – querem esterilizar a moral nos próprios indivíduos. Como? Convencendo você, leitor, por exemplo, de que os princípios e valores que adota são, na origem, tão religiosos (e por isso mesmo tão pessoais) quanto a própria religião que porventura professe. Integrariam, então, aquele foro íntimo no qual se enquadrariam a religião e suas práticas. Pronto! Segundo o princípio da laicidade do Estado, tais princípios e valores só teriam vigência na sua vida privada.
As investidas contra símbolos religiosos são apenas a ponta do rabo do gato. O felino inteiro é muito mais amplo e pretensioso. Seu intuito é laicizar as opiniões e, principalmente, os critérios de juízo e decisão. Portanto, toda a conversa fiada sobre supostas infrações à devida separação entre o Estado e a Igreja precisa ser entendida como aquilo que de fato é: atitude de quem deseja alijar as opiniões majoritárias porque adotou o Estado, e só o Estado, por fonte de todo bem, baliza perfeita para o certo e o errado e vertente dos valores que devem conduzir a vida social. Convenhamos, é uma tese. Mas – caramba! – qual é, precisamente, a moral do Estado? Na prática, a gente conhece... Na teoria, é a que a sociedade majoritariamente determine, excluída a que moldou a civilização ocidental. Ou seja, aquela que deriva do Cristianismo, proclamada inadmissível perante a laicidade do Estado, blá, blá, blá.
Tal linha de raciocínio não resiste ao menor safanão. Precisa de reforços e apoios propiciados pelo relativismo moral. Cabe a esse filhote da pós-modernidade mostrar que a moral majoritária é apenas uma das tantas que andam por aí através do tempo, do espaço e da miséria humana. Saem às ruas, então, representações desse moderno mundo novo – Parada Gay, Marcha das Vadias, Marcha pela Maconha, ideologia de gênero para crianças. Escandalosos? Escandalosos perante qual senso moral? O totalitarismo pós muro de Berlim, tipo Foro de São Paulo, precisa do ateísmo cultural e do relativismo para derrogar o cristianismo cultural e o Direito Natural, resíduos empobrecidos do Cristianismo.
Nada contra a liberdade, mas tudo contra o deliberado desvirtuamento moral da sociedade pelos meios institucionais. Destruídos os valores que as fundamentam, a liberdade, a democracia e a própria civilização acabam porque que não se sustentam numa sociedade sem princípios, sem valores e sem vergonha.
* Artigo publicado em 11 de agosto de 2013, com pequenas atualizações.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Qual maioria? A que ganhou ou a que perdeu? - 25/04/2024
Percival Puggina
O esquerdismo militante convence seus agentes de que isso acrescenta importantes polegadas à sua estatura moral, induzindo-os a olhar a humanidade de cima para baixo. Cada um deles é o novo Adão que emergiu das trevas da injustiça, das opressões e das exclusões que até então “encobriam a superfície do abismo” (para usar a expressão bíblica).
Em suas ocupações e atividades profissionais, o esquerdista militante coloca a missão acima da função. Seja ele professor, jornalista, padre, pastor, artista, militar, burocrata, empresário – o que for – antes de tudo é um esquerdista empenhado no papel transformador e revolucionário que lhe cabe na construção dessa nova humanidade, bem ali, no lado esquerdo do palco das ideias.
Em todas as muitas experiências históricas e atuais, essas premissas e seus fundamentos ideológicos levam, isto sim, a uma nova eugenia. A tal de direita (sempre dita “extrema”) precisa ser sufocada para perder expressão política. Há que quebrar esses ovos para a omelete da revolução. Daí a censura que sai do texto, da obra, e atinge o autor, a família e o ordenamento jurídico do país, com sucessivas e crescentes restrições de direitos. Daí termos modernos gulags nos tais inquéritos sigilosos. Daí, também, serem os alunos, os pacientes, os fiéis, os presos, os pobres, os negros, os pardos, os gays, os leitores e o público de esquerda os únicos merecedores de atenção e defesa. Infelizmente, de tanto ver, entendi, mas preferia não ter visto.
O ministro Luís Roberto Barroso, em recente encontro da OAB Nacional, fez uma série de afirmações que exigem reflexão (assista aqui). Disse ele, em síntese, que:
- a democracia enfrenta uma onda de populismo autoritário, anti-institucional e antipluralista que vem representando um risco em muitas partes do mundo;
- a referida onda se torna perigosa por ser “autoritária, xenófoba, racista, homofóbica e misógina”;
- o populismo autoritário é o responsável por uma divisão política “nós e eles”;
- no Brasil e noutras partes do mundo, a comunicação direta by-passa instituições intermediárias como o Legislativo, a imprensa, a sociedade civil, e com muita frequência elege as Supremas Cortes como adversárias;
- as Supremas Cortes têm o papel de limitar o poder político das maiorias políticas;
- a articulação global extremista de extrema direita se utiliza das plataformas digitais para espalhar ódio, desinformação, teorias conspiratórias e destruir reputações.
O ministro parece ter retomado nesse pronunciamento o múnus ideológico e o esquerdismo militante que assumiu no último Congresso da UNE. O raciocínio, o vocabulário e a rotulagem dos opositores como “autoritários, xenófobos, racistas, homofóbicos e misóginos” o revelam.
Se há algo que conservadores e liberais não têm é uma articulação internacional que funcione em seu favor! Estaria o ministro se referindo a Elon Musk e à plataforma X quando menciona “articulação global da extrema direita”? Nesse caso, porém, não deveria levar em conta a atuação no sentido oposto dos notórios Facebook, YouTube, Instagram, Google, etc., que já reprimiam por conta própria e gosto os perfis e páginas de direita bem antes de serem instados a isso pelo STF e pelo TSE?
Esse by-pass às instituições intermediárias criticado pelo ministro não seria, em palavras mais claras, simplesmente a livre busca da verdade? Não seria o mero direito que assiste cada cidadão de interpretar e se expressar a respeito dos acontecimentos com liberdade, independentemente do que proclamem os oráculos oficiais?
Quando li sobre a tal “articulação global extremista de direita” me lembrei de que essa articulação sempre foi marca da extrema esquerda, com suas muitas e sucessivas “Internacionais” que até um belo hino próprio têm há um século e meio: (“De pé, ó vítimas da fome! De pé, famélicos da terra!"). Ademais, como desconhecer o Foro de São Paulo, o Sul Global, a Pátria Grande e outras articulações semelhantes? Como ignorar o movimento Woke? Onde ficam, nessa narrativa, a Nova Ordem Mundial e seus bilionários promotores?
Por fim, num país onde o presidente proclamado eleito é petista, tem maioria de 9 a 2 no STF, compra maioria no Congresso, conta com ampla cobertura do jornalismo militante das grandes redações e comanda com o tilintar das moedas o setor cultural, o ministro vê necessidade de controlar o poder político das maiorias! E essa maioria – surpresa! - não é a maioria governista, mas a ameaçada e silenciada oposição.
Infelizmente, entendi, mas preferia não ter entendido.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Os traidores - 15/04/2024
Percival Puggina
Na eleição nacional de 2022, dezenas de milhões de brasileiros sabiam o que queriam quando votaram contra a extrema-esquerda, contra o petismo, contra Lula fora da cadeia, contra inquéritos sem fim e excessos do Poder Judiciário, contra urnas sem impressora, contra a corrupção, contra a omissão do Congresso, contra o uso político-ideológico da Educação e contra a abusiva sexualização das crianças movida pela temática de gênero nas escolas. Esses eleitores, então, votaram em conservadores, em liberais, em candidatos de direita, em apoiadores da Lava Jato e do combate à corrupção.
Se um dia houve uma eleição polarizada, essa foi a eleição de 2022. Todos os eleitores cujas motivações foram descritas acima sabem o quanto aquele pleito foi controlado. Sabem que ali se aprofundou o silêncio imposto durante a pandemia e reduzida a democrática atividade das redes sociais. Podem tapar os fatos com o manto do sigilo e das ameaças, mas esses eleitores viram, sentiram e choraram a mordaça dos conteúdos não compartilhados, dos bloqueios, das “violações dos termos de uso”, etc., sempre voltados ao objetivo comum: fazer com que as mensagens do grupo majoritário e preponderante nesses canais tivesse sua propagação desestimulada, reduzida ou impedida. Tudo previsível. Quem tivesse o poder de influenciar esse espaço de comunicação social à luz do resultado pleito de 2018 e da vitória de Bolsonaro, saberia o que fazer em 2022. E fez.
Pense naqueles milhões de eleitores e na traição de que a maioria deles foi vítima. Votaram em alguém que, no exercício do mandato, se revelou o oposto do que dizia ser. Quase dois terços dos representantes frustraram, roubaram as expectativas de seus representados! Convivem nos embalos do erário com os males e malefícios de que somos vítimas. Dos eleitos por aqueles anseios dos eleitores, não resta mais de uma centena. Todos os demais pularam o muro e sentaram no colo de Lula, do petismo corneteiro. E elegeram os tranqueiras Lira e Pacheco.
Foi uma dura lição que não poderá se repetir novamente. A eleição de outubro vindouro é municipal, mas é tão relevante para o plano nacional de dois anos mais tarde que o ministro Alexandre de Moraes já remontou e aprimorou a estrutura que usou para apitar a partida de 2022 e quer manter ativa em 2026.
Ela deve ser importante também para nós. Os traidores devem ver nela a porta da rua que os eleitores lhes apontarão em 2026. Se aparecerem por aí no seu município com emendas liberadas e recursos federais, saibam que tais favores são o prêmio da traição. Não valem um infinitésimo do que os generosos doadores nos tomaram! Esses brindes foram pagos com injustiças que gritam aos céus, com vergonha nacional, com o nanismo diplomático, com o tacão do autoritarismo, com uso casuísta da Constituição, com dinheiro que sai da Educação e da Saúde e vai para os parceiros da guerra cultural, com perda de liberdades sem as quais a democracia é apenas uma ridícula “fumacinha” que ficou por aí, volátil resíduo de algo que passou.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Tudo que é podre termina no chão. - 08/04/2024
Percival Puggina
O poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Por isso, os homens de grande poder, quase sempre são homens maus. (Lord Acton, in Letter to Bishop Mandell Creighton, April 5, 1887)
Essa frase do conhecido historiador britânico que viveu no século XIX é mais conhecida do que ele mesmo. No entanto, em tempos de oligarquia, quando no elegante dizer de Ruy Barbosa se agigantam os poderes nas mãos dos maus, é importante mantê-la em nossa mente, soando seu alerta.
No Brasil onde vejo ladrões serem soltos e receberem de volta o produto de seu roubo, pessoas de bem serem presas e perderem seus direitos e sua liberdade, vejo também milhões de brasileiros de consciência rota, se divertirem com isso fazendo piadas e memes. Quanto tempo no sofá, assistindo à Globo, é necessário para obter esse desastre moral? Quanto tempo para um esquerdista achar que censura é coisa útil e boa, inerente ao regime democrático? Quanto tempo para nossas instituições terem de ouvir de um norte-americano, como Elon Musk, o quanto estão erradas? Por isso, repito: tudo que é podre, um dia cai no chão. Nosso trabalho como cidadãos é sacudir o galho que esteja ao alcance da mão.
No início dos anos 80 do século passado, diante do que víamos acontecer no país, nos reunimos num pequeno grupo de pessoas católicas para criar e ministrar cursos de Formação de Senso Crítico. O tema e o conteúdo se impunham. A sociedade se transformava e se moldava ao ditame dos grandes meios de comunicação, especialmente aos hábitos e condutas induzidas pela poderosa Rede Globo. As novelas comandavam os padrões de consumo, a moda, a linguagem e as rotinas sociais. O resultado podia ser medido em degradação, com afrouxamento dos laços familiares, instabilidade das relações parentais e esvaziamento da autoridade moral.
Os efeitos eram percebidos nas famílias, no embalo das madrugadas festivas, no abandono paterno, nas adolescentes grávidas, na zorra das salas de aula, no alcoolismo juvenil, na expansão do consumo de drogas, no abandono das práticas religiosas, no grande número de divórcios e nos consequentes desarranjos familiares. A lista já era grande.
A equipe do curso, ministrado em paróquias e escolas, tinha apenas cinco pessoas e a demanda ia muito além da nossa capacidade de atendimento. Ainda assim, conseguimos mantê-lo por alguns anos e só se extinguiu quando a atividade particular de seus membros os dispersou para destinos distantes da capital gaúcha.
A grande motivação para a missão que havíamos assumido era aquilo que, então, se chamava “crise dos valores”. Bastava usar a expressão para que todos entendessem a importância e a necessidade daquele conteúdo. Eu ministrava a palestra sobre Valores Morais, dos quais destacava cinco assuntos: Amor, Justiça, Liberdade, Respeito e Honestidade.
A juventude, desde sempre, é alvo prioritário dos inimigos do Bem e dos fraudadores da verdade, que se instruem e se preparam para avançar sobre ela. De nossa parte, cuidávamos de mostrar aos adultos aos quais falávamos que Valores, assim, com V maiúsculo, são bens que se planta e cultiva. Os principais semeadores são as famílias, as escolas e as igrejas.
Crianças, de modo especial, são verdadeiras esponjas de absorver e processar informação. Aprendem do que veem e sentem em palavras, imagens e exemplos, ações e omissões de pais, professores, religiosos, comunicadores.
Lembro que muitas vezes, os casais presentes naquelas palestras se entreolhavam, interrogando-se mutuamente, quando dizia que os pais são mestres, querendo ou não, por ação ou omissão. São mestres do amor ou do desamor, da verdade ou da mentira, da justiça ou da injustiça.
São reflexões que me vem de tempos antigos. Me faz feliz lembrar que, lá atrás, aquele pequeno grupo em Porto Alegre anteviu os primeiros sintomas do que iria eclodir nas décadas seguintes, transformando a crise de valores na guerra de uma civilização contra si mesma.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A passividade do Legislativo golpeia a democracia. - 02/04/2024
Percival Puggina
Em breve, o STF prosseguirá com mais uma das tantas tarefas que resolveu assumir, embora – por todas as razões da razão e do espírito da Constituição – sejam de competência do Congresso Nacional. Do alto de sua onipresença, onisciência e onipotência, o Supremo usará esses três poderes sobrenaturais, divinos, para o feito notável de definir quantos exatos gramas um maconheiro pode portar como limite máximo. Com o ar mais sério do mundo, os ministros ocuparão as cadeiras em torno da mesa e se ocuparão disso. Eu não sabia, mas há fumacinha na Constituição.
Os ministros dizem estar preocupados com a discricionariedade policial. No entanto, o que chamam de discricionariedade, eu chamo de experiência. É experiência de quem está nas ruas e conhece as “bocas de fumo”. Mais do que a gramatura da apreensão interessa a ficha da pessoa abordada, o local da abordagem, o dinheiro que a pessoa tem consigo e sua atitude. A simples possibilidade de ser o usuário vitimado por um discernimento equivocado do policial que o aborde tem efeito inibidor no consumo. Dá argumento aos pais para orientar os filhos. Aliás, dispensada a experiência dos policiais, do ministério público, dos advogados e dos juízes diante dos casos concretos, toda a sociedade ficará exposta às consequências de uma decisão que o Congresso Nacional, sabiamente, não quis tomar e que a sociedade também rejeita por esclarecida maioria. No Brasil “progressista”, de fumaça e pó, a maioria é sempre a grande discriminada.
Em cinco ocasiões, o Legislativo se recusou a modificar o que está na lei: produzir, transportar, comercializar e consumir drogas é crime. Isso é lei de uma sociedade que entendeu o recado dos fatos a quem tem ouvidos de ouvir e olhos de ver: se está ruim assim, qualquer ato que possa ser visto como permissivo ao consumo será muito pior para todos. Aumentará a demanda e multiplicará os males decorrentes.
Enquanto se aguardam os votos faltantes no plenário do STF, a nação que leva o país a sério olha sem esperança e ilusão para o Congresso Nacional que vive a expectativa de mais um momento de submissão. A PEC 45/23 estacionou na Ordem do Dia do Senado Federal.
A omissão do Legislativo naquilo que lhe compete e sua passividade perante excessos do STF ferem o espírito da Constituição. Você pode ler este artigo e crer que estou exagerando. No entanto, examine a realidade da América Latina. Faça isso como quem vê a realidade a uma distância que o desconecte de seus gostos e desgostos e das figuras de nossa cena política. Faça as observações que proponho como se estivesse embarcado numa estação espacial para observar as ditaduras de esquerda que existem em nosso continente.
Detenha-se, então, nas realidades de Cuba, Venezuela e Nicarágua. Essas repúblicas, em acelerado empobrecimento, são unidas por um denominador comum: o Executivo nomeia e comanda o Judiciário. As ditaduras de Maduro e Ortega, que não são de partido único, como a cubana, valem-se do Judiciário para conter a oposição parlamentar e preservar tranquila a perpetuidade do grupo governante. As cortes inibem, coíbem e controlam a divergência nos parlamentos, caçam mandatos, impõem inelegibilidades e criminalizam quaisquer ações que representem risco à estabilidade do poder instalado. Impõem censura à comunicação social e instauram o crime de opinião.
Agora, dê uma olhada para o Brasil e responda a si mesmo: “Qualquer semelhança é mera coincidência?”.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
“O avesso da pele” não é livro didático. - 11/03/2024
Percival Puggina
Tenho acompanhado as discussões sobre a inclusão e distribuição desse livro aos estudantes do ensino médio nacional. O conteúdo didático do debate é mais atraente do que qualquer mérito pedagógico atribuível à obra. É desse aspecto que me ocuparei, sem qualquer demérito do autor ou do importante Prêmio Jabuti que recebeu.
“O avesso da pele” resenha teses ideológicas do wokismo, verdadeiro cercado fora do qual a esquerda brasileira escrevente ou falante já não consegue raciocinar politicamente e, menos ainda, administrativamente. De outra parte, as manifestações de contrariedade a que assisto focam a linguagem tosca, de calão (baixo calão é redundância) e conteúdos sexuais grosseiros, explícitos.
Ante as críticas, os defensores do uso didático da obra desviam do assunto (isso é bem típico) para atacar o reacionarismo, o conservadorismo, o “falso moralismo” e para discursar sobre 1964 (mais típico ainda). Risível hipocrisia nestes tempos de censura política oficial imposta com mão pesada! Quem propõe, hoje, doses ainda mais fortes de censura oficial e festeja tais ocorrências com gargalhadas, aplausos e “lacrações” pode falar em liberdade de expressão?
O mesmo grupo ideológico que tenta confundir com censura a retirada de um livro da rede escolar domina a cadeia produtiva da “educação” no país. Nela, promove interdições de livros, autores e – creiam – também de seus leitores! Haverá quem se atreva a negar a extensão e gravidade desse tipo de censura, do bullying e da defenestração da divergência, mormente em ambientes universitários? Uma vez majoritário, esse grupo político age como gato borrifando e marcando o território, se é que me faço entender.
O autor do livro se mostrou escandalizado com o fato de as descrições envolvendo sexualidade chamarem mais atenção do que a crítica à violência policial e ao racismo. Também isso é falacioso, retórico, porque não estamos tratando de literatura no sentido amplo, mas de literatura para uso como material didático destinado a adolescentes. Uns percebem a falácia, outros não. A sala de aula, mesmo numa sociedade de hábitos já degradados, deve ser um local de ascensão ética, estética, técnica, humanística e social. Um dos muitos erros de Paulo Freire foi criar uma escola que rejeita esse papel. Por apego doentio à política de classe social e à sociologia da miséria, enclausura os estudantes e restringe seu desenvolvimento.
Repete-se, à exaustão, que a obra foi aprovada para uso nas escolas pela Comissão Nacional do Livro Didático durante o governo Bolsonaro. Será isso o reconhecimento de um mérito do ex-presidente ou, mais uma vez, simples retórica oportunista para enganar tolos? A aprovação para distribuição do livro em meio à gestão precedente é indício do famoso controle esquerdista na burocracia do Ministério da Educação. Em abril de 2019, é bom lembrar, o governo anterior tentou, em vão, “enxugar e extinguir” centenas desses colegiados que atuavam e atuam junto à administração, na maior parte dos casos, como aparelhos excludentes, censores, partidários e ideológicos.
Alguém argumentou que “num país onde tão pouco se lê, proibir um livro, blábláblá...” (e por aí foi). Ora, ninguém quis bani-lo das livrarias ou bibliotecas, mas das salas de aula, exatamente porque em época de raros leitores esse local deve proporcionar aos alunos textos mais adequados à sua faixa etária e aos fins da Educação. Que o leiam de capa a capa, quantas vezes quiserem, nos cursos universitários!
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
“Ainda estou aqui”. Conheço esse truque. - 07/03/2024
Percival Puggina
O prêmio atribuído ao filme de Walter Salles Jr. na recente cerimônia do Oscar não é dos que me encheriam de orgulho pátrio. Um Nobel – unzinho só – em Literatura ou Ciências me faria bem mais feliz. Nosso longo jejum de 124 anos junto à Real Academia Sueca diz muito sobre um país onde os melhores talentos naturais vão embora, a começar pelos craques da bola, que, ainda imberbes, seguem direto do campinho da vila para a Europa.
O filme “Ainda estou aqui” reproduz o velho truque usado pelo mesmo diretor, com muito sucesso político, na produção de “Diários de motocicleta (2004)”. Naquele início de milênio, curioso por conhecer um país comunista, eu fizera minhas primeiras andanças por Cuba em voos baratos da Cubana de Aviación. Lera muito sobre a revolução e seus dois principais personagens – Fidel e Che – e publicara, no mesmo ano, a primeira edição de “Cuba, a tragédia da utopia”.
O truque do laureado cineasta consistiu então, como agora, em contar de modo talentoso a parte politicamente conveniente de uma história real. É um recorte, um short, um mero tik tok extraído do que realmente aconteceu, porque contar a história inteira arruinaria o efeito político desejado.
“Diários de motocicleta” conta a viagem que os jovens mochileiros Ernesto Guevara de la Serna e seu amigo Alberto Granado fizeram em 1952, saindo de Buenos Aires rumo a Caracas. No percurso de moto, entre aventuras e vicissitudes, os dramas sociais vistos ao longo do percurso andino vão alterando o espírito de Ernesto, levando-o a gastar o tempo livre na leitura de obras marxistas e na redação do diário de viagem.
Um de seus trechos mais expressivos se reporta ao curto período em que o Ernesto e Alberto passaram à margem do Amazonas num leprosário cuidado por religiosas peruanas. Do que ali aconteceu, Salles ressalta dois episódios: a) os viajantes se recusaram a utilizar as desnecessárias luvas que as freiras exigiam para contato com os pacientes; e b) no domingo, por ausência à missa, foram punidos com supressão do almoço porque a regra das irmãs era a de que “quem não alimenta o espírito não merece o alimento do corpo”.
Os dois relatos, como desejava o cineasta, induzem o telespectador a concluir que Ernesto foi mais cristão do que as freiras, mais generoso nas suas relações e mais sensível do que elas aos problemas dos doentes... Ou seja: o argentino era um anjo de bondade e as irmãs um bando de mulheres perversas.
No entanto, à semelhança do que acontece mundo afora em tantos leprosários mantidos há séculos por ordens religiosas, as irmãs de San Pablo passaram suas vidas num recôndito da selva amazônica cuidando, anonimamente, dos portadores da terrível enfermidade. Não mereciam que Walter Salles Jr., em seu intuito de construir o mito do Che, exaltar o comunista e zombar do cristianismo as apresentasse ao público como insensíveis megeras.
O filme de 2004 termina abruptamente, quando os dois amigos se separam. Uma mensagem na tela informa que Ernesto Guevara de la Serna se incorporaria à revolução cubana e se tornaria um de seus comandantes. Mas que diabo! É ali que sai o adolescente mochileiro e entra o vulto histórico tomado pelo ódio mortal aos adversários, transformado em fria “máquina de matar”. E esse é apenas um dos maus resultados da ideologia que as duas realizações querem mostrar virtuosa, pois “Ainda estou aqui” faz a mesmíssima coisa. Os dois filmes com a história inteira de seus personagens Walter Salles Jr. não fez e jamais fará.
Achou ruim? Pior, muito pior, é saber que nas salas de aula do Brasil a mesma extrema esquerda aplica idêntico truque para enfeitar os recortes, os tik toks, proclamados como inteiras verdades históricas sobre os mais variados assuntos.
* Este artigo usa trechos de dois artigos que escrevi para o Correio do Povo em maio e julho de 2004.
Percival Puggina (80) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O pior comunismo do Ocidente - 03/03/2024
Percival Puggina
Não é preciso que me digam. Há uma esquerda que não sofre dos mesmos males que afetam o esquerdismo brasileiro produzindo sequelas institucionais, econômicas e sociais gravíssimas. Existe uma esquerda diferente, sim, mas no Brasil ela é como certas espécies raras da nossa fauna: difícil de achar. A que mais se tem por aí herdou os resquícios do comunismo clássico, ainda vigente no Leste Europeu à época da fundação do PT em 1980. Naqueles momentos iniciais, o partido incorporou a maior parte da intelectualidade comunista e da militância na luta armada beneficiadas pela anistia. Eram trotskista em muitos casos, stalinista noutros.
Foi por esse DNA que, dez anos tarde, quando os governos comunistas europeus foram obrigados a se apear ou foram jogados para fora do lombo das sociedades que tinham como montaria, o partido e seus congêneres na América Latina criaram o Foro de São Paulo em iniciativa de Lula e Fidel Castro. E o fizeram com as confessadas intenções que todos conhecem: recuperar aqui o que foi apeado de lá.
O passado deixa seus sulcos nas faces das pessoas, na vida das sociedades e em seu futuro. São eles que determinam muito de nosso presente. Por que o fazem, se noutras partes do mundo o comunismo, como tal, foi abandonado? Até a China mantém uma rígida ditadura, mas deixou referências ideológicas de lado, virou capitalista e rapidamente tirou da miséria mais de meio bilhão de chineses. A Rússia, faz a mesma coisa. Os países que integravam a desventurada franja da antiga “Cortina de ferro” deixaram a ideologia de sua miséria e submissão no lixão do passado e prosperam com a liberdade e a operosidade de seus povos. Na Ásia sobraram Vietnã, Laos e a patética Coreia do Norte.
O pior comunismo do Ocidente sobrevive como inspiração e ensaios de poder no Brasil e em nossas cercanias ibero-americanas. Nossos afetos e afagos vão para Cuba, Nicarágua, Venezuela e para qualquer ditadura de esquerda que se destaque por antiamericanista e anticapitalista como faziam os grêmios estudantis dos anos 60 do século passado. Àquela época nos arrastam.
É por isso que Lula, um comunista de gostos “modestos”, como se sabe, e desapegado dos bens materiais, proclama: “Muito dinheiro nas mãos de poucos, como era antes, é concentração de renda. Pouco dinheiro nas mãos de muitos é distribuição de riqueza”. Falácia! É preciso que haja mais dinheiro nas mãos de uns que de outros para que os investimentos produtivos sejam privados e não estatais. Pouco dinheiro nas mãos de muitos ou de todos, como delira o esquerdismo que acabei de mencionar, é receita de miséria e opressão perenes e crescentes. Sem exceção, todas as experiências o evidenciam desde 1917.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A terra é boa e generosa, mas a gente que manda é nada bondosa. - 28/02/2024
Percival Puggina
O jornalista Sérgio Tavares veio ao Brasil cobrir para seus canais nas redes sociais a manifestação do dia 25 deste mês na Avenida Paulista. Se o relato das observações que fez em nosso país buscasse inspiração na carta de seu antecessor Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel, ele provavelmente diria: “A terra continua boa e generosa, mas a gente que manda é nada bondosa”.
O Brasil está cada dia mais parecido com Cuba. Se os membros dos poderes de Estado assistissem um pouco menos a Globo, a CNN e afins, isso talvez não afetasse seus modos de agir, mas daria tempo aos seus ouvidos para a voz das ruas, onde dezenas de milhões de brasileiros têm a percepção de que a liberdade se extingue em nosso país. Não é a concordância, não são os puxa-sacos, nem os negocistas, nem os medrosos, nem os omissos que legitimam uma democracia, mas os que dissentem, divergem, discordam, refutam.
O conterrâneo e colega do escriba lusitano de 1500 foi submetido ao constrangimento de um escrutínio político. Isso não é aceitável; não é parâmetro de qualquer democracia.
Quando fui ao inferno caribenho pela segunda vez, em 2003, com o intuito de escrever “Cuba: a tragédia da utopia”, fiz contato com dissidentes e acabei sendo seguido, filmado, tive minhas ligações monitoradas de modo tão ostensivo que, buscando segurança, fui à embaixada do Brasil, já então sob comando de Tilden Santiago, ex-deputado federal do PT. Essa visita e a conversa que tive com o “companheiro” secretário da embaixada, estão minuciosamente relatados no livro. Minha preocupação maior era com as condições de saída do aeroporto preservando imagens e anotações que levava sobre minhas conversas com os dissidentes. O funcionário foi nada receptivo. “O senhor veio a Roma e não agiu como os romanos. Eles não gostam que pessoas entrem como turistas e saiam falando mal do país. Aqui tem muita coisa boa; as coisas não são como o senhor parece crer que sejam”, etc. etc.
Vejam que meu constrangimento em Cuba, ainda que tenha se prolongado por uma semana, foi muito menor do que o de Sérgio Tavares aqui. Mau sinal. Enquanto o totalitarismo cubano me controlou à distância, a suposta democracia brasileira submeteu o jornalista português a um interrogatório político. Nessa ideologia e em seu ruinoso trajeto pela história, democracia e liberdade são vocábulos de marketing, mas têm conceitos de confraria, de aplicação restrita, intimistas e excludentes.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Relação amigo-inimigo na Política ... e na Justiça. - 10/02/2024
Percival Puggina
Entre as muitas marcas dos anos seguintes ao pleito de 2018, destacam-se quatro conhecidas e incontestáveis: o desgaste moral do petismo determinado pelos achados da Lava Jato; a transferência do protagonismo oposicionista para a folgada maioria que o PT escolhera a dedo para compor o STF; as imensas manifestações populares, confrontando o ativismo desempenhado pelo Supremo; o permanente suporte da mídia aos crescentes excessos da Corte.
Foi com base na relação amigo-inimigo (falarei mais sobre ela aí adiante) que se estabeleceu e se ampliou a animosidade entre o colegiado do Supremo e aquilo que ministros da Corte denominam bolsonaristas, golpistas, terroristas, extremistas (mais ou menos metade dos eleitores brasileiros, se não mais). Contra esses inimigos, inovações processuais, medidas drásticas e nada ortodoxas foram adotadas na forma de censura, cancelamentos, desmonetizações, restrições de direitos, prisões e inclusões nos pacotes dos inquéritos do fim do mundo, fonte de tormentos e ameaças aos discordantes.
Sobre os acontecimentos, paira o manto protetor bendizente proporcionado pelo grupo que ficou conhecido como “o Consórcio”, que eu prefiro chamar de “Rede Goebbels de Narrativas”. Também destes é a obstinação em minimizar a influência e a concorrência das redes sociais, para benefício próprio e dos amigos.
Sobre tal período, o ex-ministro Marco Aurélio Mello registra em seu livro mais recente, “O Tribunal”, que a Corte da qual foi membro e decano, ouviu o comando militar antes de (segundo palavras da Folha de São Paulo) “dobrar a aposta” contra Bolsonaro. Foi assegurado, ali, curso livre e seguro ao ativismo que assinalou a história daqueles anos. O vocabulário do Supremo era o vocabulário da oposição. Passo a passo, lendo os fatos com a ótica oposicionista e sempre dobrando a aposta contra o Poder Executivo, o STF cuidou de brecar o programa de governo consagrado na eleição de 2018. A sociedade elegeu um presidente e o STF não gostou de seu perfil nem do programa.
Diante do que se viu entre 2019 e 2022, alguém poderia imaginar uma condução do pleito de outubro passado diferente da proporcionada pelo TSE? Alguém poderia imaginar as redes sociais preservadas como espaço de opinião livre e democrática? Naquele período, o que já vinha mal desde a Covid, piorou e agravou a contrariedade de dezenas de milhões de eleitores.
Nada, absolutamente nada mais me surpreende. Inesperada, convenhamos, foi a vitória de Bolsonaro sobre Haddad em 2018. De então para cá, muito do que vejo corresponde ao exposto por Carl Schmitt sobre a relação amigo-inimigo a que me referi no início destas reflexões. Em definitivo, isso não é bom! Lembre-se: esse profeta do positivismo jurídico se filiou ao partido nazista em 1933. Segundo ele, quando uma relação sai do campo do objeto e, ganhando intensidade, vai para o campo existencial, ela se torna política. É fácil constatá-lo nas experiências sociais e familiares destes tempos conflituosos. Trata-se de fenômeno social tão intenso que evitar conflito, dissociação e ruptura requer grau elevado de afeição, moderação, equilíbrio, tolerância e de alguma reciprocidade não encontráveis em toda parte.
Tenho grande apreço aos valores da tradição religiosa e cultural do Ocidente, sinto os ataques multiformes e intolerantes da cultura Woke, do identitarismo, da Nova Ordem Mundial e do velho Iluminismo com harmonização facial e makeup. Consigo perceber o quanto as relações sociais estão politicamente afetadas e quanto o binômio amigo-inimigo está presente inspirando a infiltração, os desastres educacional e cultural e os discípulos de Paulo Freire. Tendo estado vivo e alerta nas décadas anteriores, sei quem atacou e sei quem, em todo o Ocidente, precisou se defender.
Na lógica do presidencialismo, no baixo padrão cultural e político da sociedade, no rocambolesco modelo institucional brasileiro, no desgaste dos freios e no enguiço dos contrapesos, quem vencesse o pleito presidencial de 2018 festejaria vitória dos amigos e a derrota dos inimigos. A gente podia desejar algo diferente ou não prever a avalanche dos desdobramentos, mas cada acontecimento estava, sim, no quadro das possibilidades consistentes.
Será que alguém esperava coisa diferente do complexo STF/TSE ou da mídia vassala após a vitória de Bolsonaro? São como flagrantes perpétuos os vídeos em que ministros do Supremo fazem afirmações do tipo “Se hoje nós temos a eleição do presidente Lula, isso se deveu a uma decisão do Supremo Tribunal Federal”, “Nós derrotamos o bolsonarismo”, “Perdeu Mané”, “Missão dada, missão cumprida”.
Ministros do STF, em frequentes manifestações públicas, aplicavam ao governo adjetivos próprios do vocabulário esquerdista. Em setembro de 2020, o ministro Fachin vaticinou: “A sociedade brasileira precisa se preparar para fazer uma escolha entre essas duas agendas e esses dois projetos. E isso se dará em 2022”. Em sequência, proclamou a própria escolha, desqualificando a agenda inimiga como produto “de mentes autoritárias, de menosprezo à democracia, a questões vitais, como meio ambiente, povos indígenas, quilombolas”. Seis meses depois, o mesmo ministro anulou as condenações de Lula.
Por outro lado, quantos cidadãos brasileiros, olho na memória genética republicana, ansiaram por uma intervenção militar com Art. 142 etc.?
Estamos divididos como sociedade e o antagonismo, pelas razões mais amplas expostas, tem marcado os últimos pleitos em todo o Ocidente como reflexo da relação amigo-inimigo. É sensato o Poder Judiciário manter protagonismo político e ter parte nessa relação? Carl Schmitt diria que sim. O bom senso grita que não.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A polarização sadia é a chance da democracia! - 22/01/2024
Percival Puggina
Durante três décadas contadas da redemocratização (1985), passando pela Constituinte (1988), até a eleição de Bolsonaro (2018), o pensamento conservador, assim como o liberal, estiveram emudecidos. Tal silêncio era quebrado apenas, aqui ou ali, por eventuais articulistas dispersos em veículos da “grande mídia”. Entre estes, se agigantou o inesquecível e emocionante Olavo de Carvalho, com sua extraordinária obra intelectual e pedagógica. O notável mestre tomou para si o encargo de formar, desde o exílio em Richmond, na Virginia, uma geração de intelectuais brasileiros.
Desde 1985, eu fui um daqueles articulistas dispersos. Escrevia para jornais e participava de programas de debates. Ao longo do período, quem queria me depreciar usava os adjetivos conservador e liberal como xingamento. Eu agradecia a observação, mostrava surpresa com o esquerdismo confessado pelo interlocutor e ia em frente.
O teatrinho das tesouras montado pelo PT e pelo PSDB, ou seja, por Lula e FHC, obstruiu a propagação e a organização de movimentos conservadores e liberais, disponibilizando à esquerda todo o tempo do mundo para submeter a nação ao pesadelo gramsciano – a hegemonia do espaço cultural. Simultaneamente, porém, as décadas de encenação proporcionaram o tempo de observação necessário para que a verdade fosse percebida, mesmo no denso nevoeiro das narrativas: levavam-nos aos portais do inferno descrito por Dante. Dezenas de milhões de brasileiros se descobriram conservadores, liberais, de direita!
Nesse momento, Bolsonaro emerge da cena política com meia dúzia de ideias cuja validade a nação reconheceu. A partir daí, como fogo morro acima, o povo o pôs nos ombros e o levou às ruas e à presidência.
Os anos subsequentes são de passado bem recente. Não é preciso rememorar os meios e os caminhos pelos quais os magos da esquerda – cartolas na cabeça, com prestidigitações, panos vermelhos, sigilos, coloridas explosões e baforadas de fumaça – restauraram sua hegemonia.
Hoje, sabemos que o Brasil é parte do grande teatro onde se desenrola a guerra contra o Ocidente. Toda uma cultura e civilização – não por acaso as mais elevadas que a humanidade já conheceu – está sob ataque. O inimigo não é externo, mas interno. Seu plano de poder precisa promover o suicídio do Ocidente, com a morte de seus princípios e valores fundantes! O confronto é cultural, é político e se trava por humanidade, liberdade e democracia.
Quem comanda o que está em curso não quer que você perceba. Quer você submisso na senzala. Não o quer ciente e consciente, tendo a audácia de se posicionar contra progressistas, iluministas, socialistas, comunistas, Nova Ordem Mundial ou lá o que for que se reúna nas Casas Grandes da Praça dos Três poderes. Ou em Davos.
A oligarquia brasileira, embora não tolere apaziguamento e despeje discursos de ódio e xingamentos aos microfones, condena a polarização como se não devesse haver confronto ao que está em curso. Mas é disso que necessitamos! Só a polarização bem definida e só o antagonismo esclarecido, atuante e organizado podem restaurar a democracia no Brasil. A polarização sadia é a chance da democracia!
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
No mundo do faz de conta - 14/01/2024
Percival Puggina
As formas de vida que se desenvolvem no ecoambiente do Estado brasileiro se nutrem da crença em suas narrativas, como Lula ensinou a Nicolás Maduro. Quanto maior o número de crentes, melhor a vida no ecoambiente estatal.
A difícil tarefa exige um imenso, oneroso e multiforme aparato, quase do tamanho daquele que afirmavam ter operado em favor do governo Bolsonaro. O fato de tantos haverem acreditado em sua existência demonstra que o aparelho petista é extremamente eficiente, capaz de criar um fato a partir de nada. Dezenas de milhões de brasileiros viveram e vivem num mundo de “faz de conta” onde o ex-presidente, apesar de pouco gastar em publicidade oficial e ter, por isso, toda imprensa contra si, comandaria esse gabinete que ninguém jamais viu. Fazer de conta é o nome do jogo.
Fazem de conta que o comunismo não existe e que as relações de Lula com governos de extrema-esquerda são um delírio da ultradireita fascista. Como consequência, o governo Lula pressiona para entregar o Brasil aos indígenas, desacreditando o direito à propriedade privada, a segurança jurídica e a Constituição vai para as urtigas com a mãozinha dos “progressistas”.
Fazem de conta que os professores têm direito de expressar suas opiniões políticas além da mesa do bar, levando-as para a sala de aula e influenciando os alunos, abusando de sua autoridade porque essa é a melhor parte do aparelho que calcifica a pobreza sem a qual murcham exangues as formas de vida em torno do Estado.
Fazem de conta que Paulo Freire foi um gênio, que não reverenciava tiranos de esquerda em seus livros, que sua pedagogia libertadora realmente liberta, que os dedicados e militantes professores que o têm como referência merecem o apoio das comunidades interessadas no seu desenvolvimento econômico e social. Fazem de conta que o produto do sistema educacional brasileiro não se mede em conhecidos e pífios resultados que decaem ao ponto de derrubar o QI médio da população. O petismo militante em sala de aula emburrece o Brasil. Mas fazem de conta que não.
Fazem de conta que em 8 de janeiro de 2023, um domingo de recesso geral das instituições, na ausência dos objetos da ação golpista e de qualquer liderança conhecida, pessoas desarmadas promoveram uma tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, em sessão única, no período das 15h às 17h. Fazem de conta que a excepcionalidade do momento beatificou todas as exceções ao devido processo e aos direitos individuais no decurso dos últimos meses.
Fazem de conta que a democracia foi salva e permaneceu inabalada em que pesem a surdez à voz das ruas, a omissão do Senado Federal, os maus tratos dedicados à oposição em forma de censura, supressão de direitos, cassação de mandatos e imposição de inelegibilidades.
Fazem de conta que bandido não virou herói e que herói não virou bandido.
Enfim, faça sua lista. E faça de conta que não estão de brincadeira com você.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Os dois patéticos dias 8 de janeiro - 09/01/2024
Percival Puggina
O 8 de janeiro de 2023 foi patético. Aqueles poucos milhares de pessoas que chegaram à desguarnecida Praça dos Três Poderes não levavam armas nem megafones e não obedeciam a liderança alguma. Pessoas incautas, ingênuas, desorientadas, somavam-se a manés inconformados e a alguns arruaceiros, infiltrados ou não. Sobre estes últimos, não cabe a mim, mas às investigações, esclarecer quem eram e por que faziam o que fizeram. Transcorrido um ano inteiro, porém, a quem interessa deixar a sociedade sem essa informação? Por que o PT tanto quis pôr os arreios e freios que pôs na CPMI?
Repetidamente exibidas, as cenas mostram brutamontes dedicados à tarefa de rebentar, com frieza de robôs, o que encontravam pela frente, a torto e a direito, sem sequer olhar o que quebravam. Se me coubesse interpretar aquelas ações, eu diria que elas refletiam a seguinte mensagem: missão dada, missão cumprida. Os vândalos preparavam o cenário para as imagens que ilustrariam as narrativas daqueles dias. Digo narrativas e não história porque até agora, que se saiba, num palco bem abastecido de câmeras de vídeo, não houve a individualização dos agentes que se dedicaram à ignóbil tarefa. A partir daí, o assunto é tratado pelo STF como conta de restaurante: 100% pagam em anos de cadeia o vinho que 10% beberam. Muito conveniente! No entanto, os atores daquele estrupício têm nome e sobrenome.
Enquanto os fatos ainda estavam em curso, escrevi no artigo “Um erro descomunal!”, que, instigados pelo vandalismo ignóbil, os donos do poder iriam intensificar e ampliar suas ações! Outras garantias individuais iriam para o saco e muita gente de bem pagaria a conta. Subestimei, claro, as consequências que estavam por vir.
Um ano inteiro passou e ontem, 8 de janeiro de 2024, foi outro dia patético. Como um comandante que discursasse a seus homens antes do desembarque na Normandia, Alexandre de Moraes usou da palavra no evento que marcou o dia da “Democracia inabalada”. Parecia um implacável lança-chamas ou um canhão de bordo cuspindo fogo sobre o “populismo extremista” ao qual prometeu todos os suplícios que o destino pode reservar a quem ouse ver as coisas sob outro ponto de vista. Existem discursos que abalam democracias inabaladas. O público do evento incluía a nata da oligarquia governante. Todos eram adoradores de uma deusa Têmis que pairava sobre o ambiente. Na minha imaginação, ela era exótica. Não inspirava confiança com seus braços musculosos fartamente tatuados com corpulentos dragões e vampiros...
O público, que se via como representativo dos democratas brasileiros numa sociedade de indivíduos livres, não demonstrava grande abertura às diversidades inerentes à política. Aplaudia o indiscriminado furor punitivo, prestava culto à moldagem da Lei à forma das "excepcionalidades" do momento histórico, posava fazendo o L e deixava suas digitais ideológicas nos punhos que se erguiam ao ar nos momentos de maior vibração.
Que coisa mais patética pretender que aquele evento sem povo e aquelas falas pudessem ser representativos dos democratas brasileiros!
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
08/01/2024: Que democracia é essa? - 08/01/2024
Percival Puggina
Hoje, 8 de janeiro de 2024, as lideranças da oligarquia brasileira celebram o dia da “Democracia Inabalada”. A portas fechadas, 500 convidados, sob todos os zelos de segurança relaxados no ano passado, celebram a “democracia” sem povo, dos conciliábulos, dos sigilos, das imagens que somem, dos processos do fim do mundo, das excepcionalidades, dos Che Guevaras de caneta, das Scherezades das mil e uma noites de narrativas sem fim, dos senadores omissos e do vigoroso mercado do voto parlamentar.
Celebram a “democracia” dos corruptos libertos e dos presos políticos, dos mandatos caçados, das inelegibilidades, da intimidade devassada, da censura, dos assuntos proibidos, da insegurança jurídica, da imprensa que engorda no pasto e perdeu até o jeito até de fazer perguntas, e da Constituição transformada em caixa de ferramentas ou lojinha de conveniência.
A Constituição de 1988 criou um presidencialismo de cooptação. Num modelo pluripartidário, é normal nas democracias, especialmente nas parlamentares, o rateio dos cargos de governo entre as legendas da base de apoio. O que não é normal é o rateio geral do Estado, da administração pública, das empresas estatais e por onde quer que a ganância política espiche o olho cobiçoso. Estão comemorando isso também.
Lubrificada em saliva, a palavra “democracia” tem lugar permanente no vocabulário de pessoas públicas, seja como suposto objeto maior de seu zelo, seja como supremo bem das sociedades políticas. Muitas vezes, o orador é um tirano, mas usa e abusa da palavra. O sujeito pode reverenciar os maiores ditadores da história e manter relações afetuosas com os de hoje, mas afirma entreter com a democracia um amor filial. Não dá, não é mesmo?
A democracia pressupõe uma filosofia democrática cujo centro não seja o Estado, ou a classe, ou o partido, ou a pessoa que fala, mas a pessoa humana. Não havendo isso, cabe a contestação frontal: não há democracia sem democratas. Mentes autoritárias ou totalitárias não promovem uma democracia nem se lhes for dado manual completo de instruções.
João Camilo de Oliveira Torres ensinou em Harmonia Política (1961): “democracia é o Estado em que todos os poderes estão sujeitos à Lei e que tem como fundamento e condições para exercício o consentimento dos cidadãos, como finalidade, o bem comum do povo e como limite, os direitos fundamentais do homem”.
O Brasil tornou-se, claramente, uma oligarquia. Mas não prevalecerão!
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Além do dever! - 21/12/2023
Percival Puggina
Por vezes, são noticiados casos raros em que pessoas no desempenho funcional ou por estarem ocasionalmente presentes em momentos dramáticos, se destacam por iniciativa e coragem que vai além do dever. O cinema norte-americano se vale de fatos dessa natureza para reconhecer o mérito de personagens reais ou fictícios; se militares, essas pessoas são agraciadas com medalhas que exaltam virtudes como coragem, iniciativa, determinação “beyond the call of duty” (além do que o dever chama).
Vivemos momentos que exigem personagens assim. Tolos não percebem e inimigos da liberdade festejam as dificuldades impostas a quem tem coragem de pensar e expressar o que pensa nos meios de comunicação. A mente totalitária se compraz com a injustiça que a beneficia; ama o jornalismo que tem opinião a soldo e se deixa pastorear.
Os leitores destas linhas assistiram o êxodo de conhecidos e competentes profissionais que, repelidos pelos veículos onde atuavam, foram defender a liberdade criando seus próprios canais de trabalho. Alguns enfrentaram problemas com o regime, sofreram sanções. Outros, escaldados, buscaram água fria no exílio.
Aqui no Rio Grande do Sul acompanho a lida de dois amigos jornalistas. Júlio Ribeiro e Guilherme Baumhardt. Dois homens de rádio, experientes, bem formados e informados, não se deixaram arrebanhar para o curral onde o jornalismo brasileiro tem pouca diferença do cubano. Mostraram coragem além do que o dever indicava e uniram forças.
Não foi por si mesmos que trocaram a estabilidade pelas incertezas. Seu mérito se amplia porque fizeram isso por pessoas que sequer conhecem, que estão na outra ponta da comunicação e que têm o direito de receber informação e opinião fora dos sofismas e malabarismos retóricos que tanto agrado causam aos tutores e censores da nação.
Em outubro, Júlio Ribeiro deixou a Rádio Guaíba e criou a Rádio + Brasil. Agora, Guilherme Baumhardt junta-se a ele na emissora que dá seus primeiros passos rumo àquele sucesso para onde a liberdade impulsiona seus devotos. Numa visão liberal/conservadora, a Rádio + Brasil apresenta e comenta, em seu canal do YouTube (YouTube.com/@RadioMaisBrasilOficial), notícias de política e economia, do Brasil e do mundo. Guilherme Baumhardt apresenta o programa “Agora, Brasil” das 07h às 09 h da manhã (mesmo horário do programa que ancorava na Rádio Guaíba) e Júlio Ribeiro, o programa “Rádio + Brasil” das 13h às 15h.
No cenário devastado do jornalismo brasileiro, todo sinal de vida e inteligência me reanima o espírito.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Os filhos dos outros - 06/12/2023
Percival Puggina
Nosso sistema eleitoral proporcional afasta o eleito do eleitor e até o voto dado a alguém que não se elegeu migra desse candidato para sua legenda, onde outra pessoa o aproveita... É ótimo para gerar desconexão e descompromisso dos candidatos com seus eleitores, mas é péssimo para o espelhamento da vontade dos cidadãos, inerente às democracias representativas. Nossa cultura política soma omissão, desatenção e esquecimento. Como consequência, a imensa maioria não acompanha a vida pública.
Com exceções sempre raras, os políticos não têm interesse em mudar esse sistema feito por encomenda para lhes proporcionar total liberdade. Um congressista pode votar contra o interesse dos cidadãos em temas como liberdade de expressão, propriedade, tributos, tamanho do Estado, porque tem certeza de que esse fato não chega ao conhecimento de quem nele votou.
Conscientes disso, os partidos de esquerda tratam de se tornar orgânicos estruturando-se na sociedade através de inúmeros movimentos. Esses organismos, denominados “coletivos”, são mobilizados em torno de pautas que reativam a luta de classes para suposto benefício de grupos “minoritários”, “oprimidos” ou “excluídos” que buscam representar. Todos reagem ao comando partidário nos temas de interesse de cada um ou da sigla. Basta ao comando assobiar para que um enxame de entidades interessadas em “empoderamento” proclame manifestos e dispare seus mecanismos de comunicação. A velha e marxista luta de classes se reconstitui, assim, através de minorias com contas a receber e maiorias com contas a pagar.
Surge, assim, o problema: como aglutinar nessa dialética o topo da cadeia alimentar, os esquerdistas de 1ª classe que se refugiam em condomínios de luxo, que rodam de SUV, que têm senha para as salas VIP e cujos filhos estudam nos melhores colégios? No discurso que vale para todos os demais, esses companheiros são o “incluído” padrão, são o “opressor” padrão. O que fazer com eles? Suponho ter sido dessa constatação que surgiu a franquia “Para a Democracia”. Ela inclui, por exemplo, Juízes para a Democracia, Ministério Público para a Democracia, Artistas para a Democracia e, mais recentemente, Mães e pais para a Democracia, que sempre aparecem para defender a militância política de esquerda nas salas de aula onde estudam os filhos dos outros.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Outra vitória do amor! Flávio Dino no STF. - 29/11/2023
Percival Puggina
Com a indicação de Flávio Dino, Lula mostra como o amor torna tudo mais lindo. Onde iria ele encontrar alguém mais simbólico da vitória do amor? Cuidadosamente, escolheu uma pessoa aplaudida por sua cordialidade e afabilidade, que muito contribuirá para amansar a conduta ouriçada de alguns senhores ministros... Ao mesmo tempo em que exibe à nação seu sólido compromisso com nossa liberdade de expressão, realiza o sonho de seu saudoso camarada Luís Carlos Prestes, que sempre quis ter um líder comunista raiz sentado no STF.
Os adversários que os comunistas mais combatem em suas dezenas de experiências mundo afora ao longo de 106 anos não são indivíduos, não são pessoas concretas com nome e sobrenome. Um Estado que adote o comunismo precisa eliminar ou silenciar grupos sociais inteiros. A força do Estado só eventualmente age contra “alguém”, pois seu alcance precisa ser “multitudinário”, para usar a palavra da moda após as prisões e julgamentos em massa referentes aos eventos de 8 de janeiro. Então, para o governo, é bom colocar no Supremo um jurista com essa visão pragmática de como a banda deve tocar.
Quero sublinhar três problemas que antevejo como decorrentes da indicação. O primeiro se refere ao ciúme que Flávio Dino vai suscitar. Como reagirá o ministro Alexandre de Moraes quando perceber que mão visivelmente mais pesada que a sua chega à Casa com ganas de provar serviço? Quem vai mostrar mais os dentes?
O segundo, diz respeito aos cidadãos bem-aventurados que têm “fome e sede de justiça” e consciência da importância dos tribunais superiores. Nestes muitos, se consolida a ideia de que não serão saciados por quem tem fome e sede de poder.
O terceiro diz respeito aos milhões que a elite política governante e sua torcida organizada gostariam de ver surdos e mudos, ou idiotizados no sofá da sala, assistindo à Globo. Digo isso porque não será fácil convencer o Senado que o ministro Flávio Dino é tão manso e pacífico quanto ele se revelará nas audiências com senadores e na sabatina final. Pode ser difícil aprová-lo e tudo que é difícil para o governo no Congresso custa caro para a sociedade. É nosso dinheiro ganhando asas e tomando rumo que gera as maiorias conseguidas pelo governo no parlamento. E não vejo motivos para que seja diferente no caso de Flávio Dino.
Isso é firmeza de caráter. A maioria móvel, hoje base do governo, tem seu padrão de conduta e não abre mão. Aliás, é sobre isso que escrevi desde que sentei para desabafar neste texto, usando sarcasmos e ironias para ser menos depressivo.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Desonestidade intelectual - 26/11/2023
Percival Puggina
Sublinho aqui dois dos vários tipos de pessoas que estão, sempre, querendo nos enganar. O contingente mais numeroso é o dos estelionatários que, por mil artimanhas, procuram iludir pessoas ingênuas com o intuito de estender a mão grande sobre seus bens materiais. Esses proliferaram no ritmo em que evoluíram os meios tecnológicos de comunicação, aumentando a vulnerabilidade de seus usuários. Menos numeroso, mas ainda mais nocivo, é o grupo dos indivíduos intelectualmente desonestos, que se julga capaz de convencer os demais que o erro é um acerto, que o mal é um bem e que a verdade se expressa através de uma mentira. Você pode imaginar que esta pessoa não lhe está tomando valor algum, mas é exatamente isso que ela está fazendo ao afetar o apreço da sociedade a tudo que realmente tem valor e não é corroído pela ferrugem do tempo.
Apontar em alguém a desonestidade intelectual pressupõe identificar nele a existência de um intelecto usado sem senso moral, para fazer valer suas ideias e consolidar seu poder sobre todos a partir de suas vítimas diretas.
Os espaços de poder são objetivos constantes dessa guerra suja empreendida por indivíduos intelectualmente desonestos. É assustador observá-los e verificar o êxito de sua retórica ambivalente e dos malabarismos que usam para convencer os outros.
Assim como falsários e arrombadores de antigamente tinham à disposição um conjunto de instrumentos de trabalho, os estelionatários de hoje têm sua maleta de truques para iludir os ingênuos que encontram. O intelectual desonesto, por sua vez, se vale das habilidades proporcionadas pelo conhecimento.
Essas pessoas são a versão moderna dos sofistas gregos cujo objetivo era argumentar de modo exitoso durante um contraditório, sem qualquer preocupação com a verdade conhecida. Górgias foi o principal e mais bem sucedido desses mestres. Niilista e relativista, era reverenciado pelo domínio da oratória e dos truques de uma retórica despida de princípios morais.
Para ele, “A arte da persuasão ultrapassa todas as outras, e é de muito a melhor, pois ela faz de todas as coisas suas escravas por submissão espontânea e não por violência”. Seus alunos deram-se muito bem nos espaços de poder de seu tempo, remuneravam-no de modo abundante a ponto de ele poder encomendar – segundo se diz – uma estátua de ouro de si mesmo.
Seus discípulos estão entre nós e talvez nem saibam que o são, pois absorveram de outras fontes as qualidades e os vícios que o caracterizavam.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A Argentina perde Lula, mas ganha Milei. - 20/11/2023
Percival Puggina
Foi um excelente negócio! Lula era uma espécie de parâmetro para os governistas (kirchneristas) e para os oposicionistas. Os primeiros viam em Lula a mão amiga e o apoio necessário (com o nosso dinheiro); os oposicionistas viam em Lula o fantasma da mesma governança incompetente que assolava a Argentina. Felizmente, para a maioria, Milei pareceu mais promissor do que um governo com aplauso e apoio de alguém como Lula.
Era nítido que muitos eleitores rejeitavam Milei pelo seu modo de ser. E isso faz pensar naqueles que devolveram o poder a Lula (que loucura!) por não gostarem “do jeito de Bolsonaro”! Talvez por isso elegeram um presidente que aprecia a intimidade dos gabinetes, do avião e das comitivas companheiras. Não põe o pé na calçada.
Em que pese certa sintonia, Milei e Bolsonaro são bem diferentes, como tem sido dito. Um faz lembrar o outro por algo em que ambos são muito eficientes: a capacidade de se comunicar com a população. O brasileiro com sua metralhadora virtual para combater o crime e o argentino com sua motosserra para cortar o gasto público. E vai parando por aí porque Milei é bem mais liberal do que Bolsonaro e este é infinitamente mais conservador do que aquele.
Não podemos esquecer o efeito que o modelo institucional exerce sobre as eleições. O presidencialismo é, cada vez mais um plebiscito entre esquerda e direita. Vence quem fizer mais votos pessoais entre 36 milhões de votantes na Argentina e 150 milhões no Brasil. É muito voto! Esse “plebiscito” se trava em sociedades cada vez mais sequeladas pelos efeitos da Guerra Cultural e nem os Estados Unidos escapam de tal condição. Como consequência, a capacidade de comunicação e o modo como os candidatos lidam com as percepções e sentimentos da população são mais decisivos do que as propostas de governo.
Em 2018, sem dinheiro nem tempo de TV, Bolsonaro derrotou o poder hegemônico e paga caro por esse pecado imperdoável. Milei usou de seus talentos, venceu bem a eleição e certamente enfrentará dificuldades análogas. Bolsonaro não era liberal, mas tinha Paulo Guedes, seu “Posto Ipiranga”. Pôs ordem na casa, mas Lula, antes da posse, já tinha prontos dezenas de projetos para destruir tudo. Veremos como os outros poderes da Argentina, viciados no estatismo, se relacionarão com a motosserra de Milei.
A Ciência Política tem soluções para algumas dessas deformidades institucionais comuns à América Ibérica, embora não para os problemas educacionais e culturais de suas sociedades. Contudo, a Ciência Política não é a Política. Menos ainda a política com “p” minúsculo como eu a deveria ter escrito.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Vergonha e frustração - 13/11/2023
Percival Puggina
Há uma grande diferença entre o antagonismo ideológico norte-americano e o brasileiro. Lá, os dois partidos que competem pelo poder estão organicamente estruturados na sociedade, seja em militância, seja em fontes de custeio. As posições de ambos são consistentes e bem conhecidas do eleitorado. No Brasil, todos os partidos vivem do Estado, ou seja, do dinheiro público e muitos têm uma espécie de dono que os conduz para onde indica a cobiça.
Nosso sistema eleitoral para os parlamentos afasta o eleito do eleitor e até o voto dado a alguém que não se elegeu migra desse candidato para a legenda e serve para eleger outra pessoa. É ótimo para gerar desconexão e descompromisso dos candidatos com seus eleitores, mas é péssimo para o espelhamento da vontade dos cidadãos, inerente às democracias representativas. Nossa cultura política soma omissão, desatenção e esquecimento. A imensa maioria dos eleitores não acompanha a vida pública.
Como consequência, fica liberado o mercado para que os partidos se agreguem ou desagreguem, ou se desfigurem por interesses regionais, cargos nas funções de governo e de administração, emendas pix ou alguma vantagem qualquer. Ficamos sabendo disso, pouco a pouco, pelo noticiário cotidiano, logo após a eleição do ano passado.
Vergonha e frustração! O maior bloco político do país, conhecido como centrão, vende apoio a quem controla a tesouraria. Essa enorme bancada negocia anonimamente. Seus parlamentares não fornecem recibo ou nota fiscal, evitam o voto nominal e, a cada quatro anos, frustram a esperança de dezenas de milhões de cidadãos.
Há que reconhecer as condutas dos que a tanto resistem. Refiro-me aos principais partidos de esquerda; seus programas são ruins para o país, mas seus congressistas lhes são fiéis. E me refiro aos congressistas de direita que, apesar dos vícios do sistema e do mau exemplo dos partidos, correspondem ao que deles esperavam seus eleitores. Deus seja louvado por ainda existirem, na política brasileira, homens e mulheres como vocês. Em todo país, ao assistir sua atividade, milhões de cidadãos dos mais diferentes estados proclamam a expressão que os consagra: “Esse me representa!”.
Talvez chegue o dia em que também os partidos pelo lado direito do arco ideológico se tornarão orgânicos na sociedade, conhecidos e reconhecidos por suas posições liberais ou conservadoras. Essa condição é indispensável para que o país promova as reformas institucionais necessárias, volte ao caminho da democracia representativa emergindo destes tempos de tirania, submissão, vergonha e frustração.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O pior efeito das fake news - 30/10/2023
Percival Puggina
O confronto entre o terrorismo do Hamas e o poderoso sistema de defesa militar de Israel acabou me trazendo uma informação nova e terrível sobre o que está acontecendo com a comunicação social.
Meus leitores habituais sabem a importância que atribuo à preservação de nossas raízes culturais e à seiva que trazem ao tempo presente. Tenho consciência de que os princípios e valores que preservamos nos protegem de muitos males. Sei quanto bem nos produz o conhecimento herdado sobre o bem, o belo, o justo e o verdadeiro.
Há uma guerra cultural em curso e seu alvo é o Ocidente. É evidente que sua destruição ou submissão a qualquer outra Cultura ou à avidez de alguma forma de totalitarismo precisa derrubar seus pilares. Os filósofos do revolucionarismo os conhecem e atacam: a tradição religiosa judaico-cristã, o bom Direito que herdamos de Roma e a sã Filosofia legada pela Grécia.
Esse enfrentamento se dá no tempo presente e segue a cadência dos acontecimentos, conforme os conhecemos no noticioso noturno, nas manchetes matinais, nas “narrativas” que mudam a cor do céu e da grama. O escrutínio das manchetes é das tarefas que mais surpresas revelam a quem estiver apto a identificar suas maliciosas construções.
A mentira é arma de todas as guerras e não seria diferente na guerra cultural, supostamente mais humanitária, na qual parece não correr um único fio de sangue. Surge, então, o fenômeno moderno da fake news, tarefa assumida por desmiolados de parte a parte. “Se eles fazem, vamos fazer nós também”. Que estrago, senhores! Cada dia nos chega com sua carga de dejetos produzidos por camarões humanos que têm os intestinos no lugar do cérebro.
Sempre é bom lembrar que há atividade mais danosa que a dos propagadores de fake news. Refiro-me aos autores de fake analysis quando, não respeitando sua titulação, torturam os fatos e a ciência ante as câmeras das conveniências políticas.
Uma nuvem negra avulta, agora, no horizonte do Ocidente acossado pela guerra cultural. Ela surge como consequência do trabalho abestado dos propagadores de fake news. O fato nu e cru desaparece de toda conversa levando consigo nossa capacidade de conhecer o que não transcorreu sob nossos olhos! Basta que alguém invoque o estigma verbal gritando “Fake news!” para que o fato, suas causas e consequências percam sentido e se dissipem no ar.
Assim, num verdadeiro crime de laboratório intelectual, a verdade – não a mentira – está a morrer diante de nossos olhos enquanto as pessoas só acreditam no que serve para suas cabeças como os sapatos que usam servem para seus pés. Não há mais realidade nem compreensão da realidade.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O preço da omissão - 26/10/2023
Percival Puggina
Faça o teste: pense em um bem não material pelo qual você tenha apreço e verifique se ele não é combatido por esquerdistas e comunistas, ou seja, por gente de mentalidade revolucionária que se diz “progressista”. Depois, pense em algo útil à ascensão social dos mais necessitados e me diga: as mesmas facções políticas que combatem seus valores e seus bens culturais e espirituais, não atacam tudo que proporciona prosperidade material e desenvolvimento social – liberdade, empreendedorismo, combate às drogas e à criminalidade, abertura de horizontes?
Você sempre os verá em salas de aula à moda Paulo Freire, olhos postos no coletivo, na instrução de militantes da classe ou da causa, sejam elas quais forem. Por isso, o Programa Nacional de Educação está convocando para 28 a 30 de janeiro, em Brasília, a conferência “Plano Nacional de Educação 2024-2034: Política de Estado para garantia da Educação como direito humano com justiça social e desenvolvimento socioambiental sustentável”.
Fala sério! “Política de Estado”? “Justiça social”? “Desenvolvimento socioambiental”? E as nossas crianças e jovens? E sua formação? E o desenvolvimento proveitoso das potencialidades individuais para o bem deles mesmos, de suas comunidades e do país? Perceberam o quanto isso é atirar o futuro aos cães, para colocar todo o aparelho educacional a serviço do palavrório ideológico e dos interesses de um partido político e seus anexos? Quanto isso é igual ao que acontece em Cuba!
Platão dizia que a mentira é mãe de todos os vícios, mas deveria abrir espaço para apontar a omissão dos cidadãos como vício da tolerância perante os males proporcionados pelo Estado.
Pensando sobre o tamanho de nossa omissão, dei-me conta, outro dia, de ser ela uma das causas para que tantos congressistas, uma vez eleitos, saltem olimpicamente sobre os compromissos assumidos perante os eleitores e se bandeiem para a porta do Tesouro Nacional. Representantes de eleitores omissos, omissos serão, ora essa!
O Brasil tem 150 milhões de eleitores. Mesmo em nossas mais impressionantes manifestações levadas a cabo entre 2019 e 2022, quando cerca de seis milhões de cidadãos saíram às ruas e praças do país, 144 milhões assumiram que aquilo não lhes dizia respeito. Para cada patriota de verde e amarelo, outros 96 ficaram em casa assistindo futebol. No pleito de 30 de outubro do ano passado, 32 milhões de eleitores se abstiveram, 3,9 milhões anularam o voto e 1,7 milhão votou em branco.
A inércia que observamos no Congresso não é diferente da que vejo na sociedade. Por isso, a tarefa mais urgente das organizações liberais e conservadoras em formação no país deve ser a conscientização sobre as sinistras evidências dos males em curso. E a definição, em cada comunidade, das formas legítimas de ação social, política e cultural.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Razões para a anistia - 22/10/2023
Percival Puggina
Escreveu alguém, não lembro quem, que a anistia funciona sobre o ambiente político como rescaldo em área incendiada, quando se borrifa água para extinguir focos de fogo ou brasa persistentes junto às cinzas.
Imposição de um já longo momento histórico
O momento político brasileiro se inclui entre os mais complexos de que tenho lembrança. Há quase cinco anos o país convive com a censura, com os assuntos proibidos e as opiniões restritas, com a ditadura do consórcio de mídia e a manipulação da informação, com o cerceamento das redes sociais e com a teimosa recusa às urnas com impressora. Assistimos o tratamento díspar proporcionado às forças políticas em confronto e vimos a carranca ameaçadora dos inquéritos do fim do mundo num mundo sem horizonte. Há setores da sociedade que a tudo chancelam e aplaudem delirantemente. Por vezes, o aplauso tributado a uns foi, também, o apupo dirigido a outros e um contundente depoimento coletivo...
Assisti a isso durante quatro anos e continuo assistindo. Para descrever as causas da completa erosão do ambiente político nacional, devo ainda devo acrescentar dois itens: a surdez institucional à voz das ruas, significando omissão e desprezo à opinião pública e o alinhamento político da sólida maioria dos ministros do STF/TSE. Tal conduta tem sido proclamada com sinceridade cristalina em sucessivas e repetidas manifestações. “Perdeu mané!”, “Missão dada, missão cumprida”, “Tem muito mais gente para prender e multa para aplicar”, “Derrotamos o Bolsonarismo”, “Lula não estaria no Planalto se o STF não tivesse enfrentado a Lava Jato”.
Prisões políticas do passado
Em passado nada recente, tivemos presos políticos. Muitos eram terroristas de fato, pertenciam a organizações políticas cujo viés revolucionário e comunista estava expresso nas siglas usadas, onde o C era “comunista”, o R era “revolucionário”, o T era “trotskista”, o B era “bolchevique”, etc. Pegaram em armas e cometeram muitos crimes de sangue. Foram anistiados em 1979.
Aliás, a história da República registra quase meia centena de anistias concedidas. No geral, decorreram de negociações políticas, lidaram com processos em curso e condenações penais envolvendo indivíduos ou grupos. No final dos anos 70 do século passado, forte mobilização ganhou as ruas pressionando o governo por uma anistia “ampla, geral e irrestrita”. Graças a ela, militantes da esquerda voltaram ao Brasil, outros saíram das prisões, outros ainda deixaram a clandestinidade e se incorporaram à dinâmica normal da vida política.
Ao assinar a lei de anistia, em 28 de agosto de 1979, Figueiredo reconheceu “que ela não desfazia divergências”, ao contrário, estas “se refaziam pela liberdade”. Era preciso, porém, continuou, “desarmar os espíritos pela indispensabilidade da convivência democrática”.
Temos mais presos políticos do que Cuba
Passado meio século, o Brasil volta a ter presos políticos. E os tem em número superior aos de Cuba.
Mais de 1,5 mil cidadãos suportaram a pecha de terroristas a eles aplicada por ministros do STF que tinham o dever de saber a diferença conceitual e penal entre 1) estar na praça, 2) invadir um prédio 3) promover um quebra-quebra; 4) praticar golpe de estado e 5) executar um ato de terrorismo.
Permaneceram presos durante meses, submetidos às mesmas “excepcionalidades” circunstanciais que impulsionaram extravagantes decisões judiciais durante a campanha eleitoral de 2022. Os que voltam para casa, portam tornozeleiras e deixaram no presídio direitos de sua cidadania.
Os julgamentos a que assisti me revoltaram o estômago. Apenas o “animus condenandi” foi presença mais presente do que a ausência dos réus. Ah, senhores, as penas! Penas desproporcionais destroem o senso moral da sociedade! Lembro do mesmo tribunal julgando os réus do mensalão. O processo evidenciara o uso da publicidade oficial para financiar, durante o governo Lula I, a compra de votos no Congresso Nacional. O sistema funcionava mediante três núcleos articulados e usados como tais no julgamento: o publicitário, o financeiro e o político. Dentro deles se posicionavam os réus. Tudo caracterizava o crime de formação de quadrilha, só que não. Embora também por esse crime os réus tivessem sido condenados, um recurso de undécima hora, valendo-se do que Joaquim Barbosa chamou maioria de ocasião, excluiu as condenações por formação de quadrilha. Como consequência, os réus do núcleo político escaparam de cumprir parte das penas em regime fechado. Quem tem padrinho não morre pagão e quem não tem comete crime até por estar sentado na praça, numa cadeira de praia, comendo algodão doce.
Os atuais projetos de lei propondo anistia
Sei de três projetos, dois na Câmara dos Deputados (de autoria do Major Vitor Hugo e José Medeiros) e outro no Senado Federal (de autoria do senador Mourão). Têm características diferentes, mas não é impossível chegarem os autores a um acordo.
O que torna indispensável a anistia é o somatório de “excepcionalidades”, o abandono do senso de proporção na fixação das penas e o total desconhecimento das atenuantes. Como desconhecer a cultura política impressa no inconsciente popular em um século e meio de história da República, que sempre viu nas Forças Armadas a função de última instância que nossas constituições jamais providenciaram? Isso para não falar das atenuantes proporcionadas pela própria atuação dos ministros ao longo dos últimos anos. Eu não aprovaria anistiar os depredadores infiltrados ou não, presentes ou ausentes. Para os demais, contudo, a anistia é exigência do senso de justiça. Ou da aversão à injustiça.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A hipocrisia e o “espírito da coisa” - 14/10/2023
Percival Puggina
Esquerdistas festejaram. “O amor venceu!”, afirmavam, porque o retorno de Lula ao Palácio do Planalto representaria a consagração de um generoso projeto político. Afinal, o PT voltava lavado, enxugado, passado (passado apagado, quero dizer), ficha limpa para realizar o sonho de seus “pais fundadores”. As portas se abriam às delícias de uma sociedade igualitária, paraíso terrestre de que o esquerdismo fala nas salas de aula, nas redações e nos microfones, nos púlpitos, nos palanques, nas tribunas e nos tribunais. Bons parceiros para isso não faltam no Foro de São Paulo.
Com meus duvidosos botões pensei ser bem mais simples começar a experiência nos próprios “coletivos” em que se agrupam os militantes dessa ideologia. Ou seja, comecem com o exemplo de suas lideranças. Por certo, algo nesse sentido emergiria das três dezenas de comissões de transição instaladas após o pleito do ano passado. Naquela mescla de figurões e figurinhas, mais de mil pessoas – lembram? – transitaram junto com a transição até a posse de Lula. Raramente se viu tão prolongado desapego aos próprios interesses e ocupações para servir à causa de uma sociedade igualitária.
Por ela lutavam os integrantes do Movimento dos Sem Pasta. Eram tantos e tão valiosos os servos da Pátria que foi necessário aumentar em 65% o número de pastas ministeriais fazendo-as saltar de 23 para 38. O serviço total a ser executado pela União permanece o mesmo. O governo está, apenas, proporcionando à sociedade um exemplo inspirado na partilha cristã: dar ministérios e diretorias a quem não tem. Você é que não entendeu o espírito da coisa.
Michel Temer, entre realizações boas e indicações terríveis, conseguira aprovar a Lei das Estatais fechando a porta das empresas federais às indicações políticas e exigindo provas específicas de competência, experiência e desvinculação dos comandos partidários. Bastou isso para que, nos anos subsequentes, as empresas do Estado deixassem de contabilizar prejuízos, acabasse a corrupção e surgisse essa coisa chamada lucro que o esquerdismo considera moralmente desprezível.
O “espírito da coisa” exigia haver partilha, mas como promovê-la, sem o comando das estatais? Era imperioso estar dentro e, para entrar, impunha-se revogar as exigências da Lei das Estatais, tarefa da qual a nova legislatura não queria nem ouvir falar. Levado em mãos pelo PCdoB, o recurso ao Supremo (ADI 7331) bateu na mesa do ministro Lewandowski e voltou atendido. Os cargos e penosos encargos podiam ser, novamente, confiados aos companheiros.
No mesmo momento, o espírito da coisa foi embora pela chaminé. Hoje, há ministros do governo com remunerações catapultadas para 70 e até 80 mil reais mensais. Para os dirigentes das estatais, o infinito fica ao alcance da mão.
E a sociedade igualitária? E a vida modesta de que tanto falava Lula? E a “partilha”? É com o dinheiro dos outros que ela se faz? Para o bem da “partilha”, os companheiros têm que viver com mais e todos outros com menos? Entendi.
“A hipocrisia é o movimento de poder definitivo. É uma forma de demonstrar que se segue um conjunto de regras diferentes daquelas atendidas pelas pessoas comuns.” (Michael Schellenberger)
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Hora da testosterona: antes tarde do que nunca. - 11/10/2023
Percival Puggina
Em 1983 fiz algumas viagens de trabalho ao Equador. Casualmente, estava em curso uma campanha eleitoral presidencial e um dos candidatos – o conservador/liberal León Febres-Cordero, do Partido Social Cristão – atraiu minha atenção.
Era um tipo comunicativo, enérgico, autoconfiante e seu slogan refletia isso: “Con León si se puede!” (Com León sim, é possível). Duas décadas mais tarde, mensagem semelhante reapareceu na campanha de Obama com seu “Yes, we can” (Sim, nós podemos).
Recordo de uma entrevista em que alguém perguntou a León se, eleito, iria reproduzir as habituais concessões que os governantes fazem aos partidos e suas lideranças, recuando em temas fundamentais para o eleitorado. O candidato traduziu a pergunta para sua linguagem de campanha dizendo: “Lo que me preguntas es si me voy a bajar los pantalones. (O que me perguntas é se vou baixar as calças). La respuesta es No!”
Ah, meu amigo leitor! Muito abuso, muito excesso, muitos danos não seriam causados à sociedade se essa afirmação fosse feita com maior frequência entre nós. Tome por exemplo o voto em urnas com impressoras. Estou convicto de que se o parlamento não tivesse mudado de posição sob pressão do TSE, o ambiente político ao longo no ano e meio seguintes até a eleição e no período pós eleitoral teria sido muito mais tranquilo. O dia 8 de janeiro teria sido apenas um domingo a mais no calendário de verão. Mas, como diria León, “se bajaran los pantalones” ...
Esta é uma visão masculina sobre muitos dos recentes episódios da vida política brasileira. Minha inconformidade é genuína e desinteressada. Sou um indignado com as perdas consentidas e com a violência institucional contra a liberdade dos cidadãos – males impostos a todos porque tantos de nossos representantes vêm desonrando seus mandatos e as calças que usam.
Já não falo no autosserviço com os recursos públicos, nem nas tantas excelências que desprotegem a sociedade enquanto dela se encaramujam, nem nos que com a vara da cobiça saltaram olimpicamente o muro dos compromissos eleitorais do ano passado e trocaram de lado. A cada movimento desses “se bajan los pantalones”! As exceções – raras, contadas, conhecidas, brilhantes – têm sido focos de luz sobre fundilhos expostos.
Em nome e razão de todas as frustrações e padecimentos dos últimos meses é impossível não celebrar o fio de esperança que começa a se tornar visível nos recentes movimentos de resistência. Por diferentes motivos, inclusive alguns bons motivos, eles se manifestam dentro do Congresso Nacional para reafirmar o Legislativo como legítima e constitucional representação da soberania popular.
Segurança, equilíbrio e estabilidade não virão de um governo com sede de vingança, nem de um STF avesso à divergência atravessando a pauta política. Virão, isto sim, de um Congresso com testosterona, sensível ao clamor nacional, assumindo e resguardando suas competências, coibindo abusos e excessos próprios e dos outros poderes.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Aborto, questão de saúde. Sexo também. - 25/09/2023
Percival Puggina
Outro dia, a empresa de energia fez uma poda nas árvores de minha rua para liberar os fios de sua rede de distribuição. Enquanto apreciava o trabalho desde o terraço na frente de minha casa, percebi que eles cuidadosamente contornavam determinado galho que, se fosse seccionado, facilitaria o acesso aos galhos circunvizinhos. Ao final, ficou visível o motivo: havia um pequeno ninho ali escondido entre as folhas e os operadores dos serrotes e motopodadores com cabo telescópico cuidaram de preservá-lo, com seus ovinhos, na execução do turbulento serviço. Assim que se faz.
O que indiscutivelmente vale para um pequeno passarinho invisível, mas cuja presença é sabida dentro de um ovo, parece não valer para um ser humano no útero em que foi gerado. Ali, ele é coisificado e disponibilizado para abate. Não existe qualquer bem imaterial que seja de meu apreço e não seja combatido pela artilharia esquerdista mundo afora e no nosso mundinho brasileiro adentro. O respeitoso e zeloso apreço à vida humana é um deles. Por isso, o mesmo sistema de saúde que desejam acionar para execução de abortos em proporções industriais, deveria ser acionado para evitá-los e atender as mães grávidas em suas necessidades.
As vozes abortistas afirmam, com razão, que aborto é uma questão de saúde pública. É uma pena que voltem sua atenção ao ato abortivo enquanto silenciam sobre o modo irresponsável como a sexualidade humana é tratada em ambientes formadores de opinião e influentes sobre os costumes: comunicação social, cultura e educação.
As consequências são terríveis na propagação de doenças sexualmente transmissíveis, na gravidez precoce, na perplexidade com que adolescentes e jovens olham para seu teste positivo de gravidez como se não soubessem que “aquilo” poderia realmente acontecer. Elas também são percebidas na instabilidade dos casamentos e das estruturas familiares. Elas gritam no silêncio sobre as responsabilidades inerentes à sexualidade humana enquanto a meninada recebe aulas sobre anatomia e fisiologia do ato sexual.
Mais cedo ou mais tarde, todos aprendem que a irresponsabilidade, assim como a imprudência, em qualquer de suas infinitas manifestações, tem seu preço. E pagam esse preço. É moralmente insustentável que ele seja pago por seres inocentes com o não solicitado sacrifício das próprias vidas.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
A peregrinação de Lula - 18/09/2023
Percival Puggina
O que Havana simboliza para Lula é muito semelhante ao que a Terra Santa representa para os cristãos. Tais destinos são peregrinações, coisas de devoção. Nos séculos XI e XII, os cristãos promoveram sucessivas cruzadas para libertar Jerusalém do domínio sarraceno. O solitário apoio ao regime cubano significa algo semelhante: proteção do sagrado comunismo frente a permanente ameaça capitalista. A conta é paga pelos trabalhadores e pagadores de impostos brasileiros.
Como temos um presidente itinerante, que não esquenta lugar, verdadeiro papa-léguas em lua de mel, lá foi Lula a Havana encontrar-se com seu passado quando, em 2009, pelas barbas do profeta Fidel, decidiu regalar-lhe um porto zero quilômetro, da grife Odebrecht.
A fé política é um desastre quando substitui a fé em Deus. Nessa condição missionária, Lula (e os governos de esquerda) sempre ofereceram e continuarão oferecendo incondicional proteção diplomática a seus irmãos de fé política. O Brasil esquerdista, por exemplo, desaprova quaisquer manifestações de colegiados internacionais em relação às violações de direitos humanos sempre em curso naquele legendário país. O Brasil esquerdista faz negócios que desagradam os brasileiros, mas são festejados entre os beneficiados como uma alvorada sobre as ruinas do apocalipse.
Só os fiéis dessa igrejinha política não sabiam que o empréstimo para construção do Porto de Mariel seria pendurado num prego. O país não tem dólares para pagar. Sua balança comercial é permanentemente deficitária. Para cada três ou quatro dólares que importa, exporta um dólar. Na excelente instalação paga pelo Brasil, a maior obra de infraestrutura em Cuba, quase não há o que exportar. Metade da área está vazia.
Enquanto Cuba for um país comunista, inimigo dos Estados Unidos, será visto pelos norte-americanos exatamente conforme seus dirigentes políticos afirmam de si mesmos ao longo de 63 anos, em todas as suas manifestações. É conversa fiada afirmar que Cuba voltaria a ser a Pérola do Caribe, como efetivamente era no começo do século passado, se acabasse o bloqueio. Que bloqueio é esse que não impediu o Brasil de levar um porto inteiro para lá? Bloqueio que não impede Cuba de importar da China, Espanha, Rússia, Brasil, México, Itália e Estados Unidos (sim, os próprios EUA são o 7º país que mais exporta para lá). O problema é que, com medo de calote, alguns só vendem mediante pagamento à vista e nenhum investidor sensato vai colocar dinheiro naquele formato de Estado.
O governo Lula assinou um contrato que previa, na falta de meios, ser ressarcido em charutos. Ou seja, Lula II sabia o que estava fazendo em 2009, mas delirou com a ideia de criar, na Cuba comunista, um porto fervilhante de oportunidades e negócios que, impenitentes, só aparecem em regimes econômicos capitalistas.
O estado cubano e seu regime são uma lição ao mundo. As elites comunistas preferem seu povo enfrentando desnecessárias privações a reconhecer os próprios erros. Passadas seis décadas, esse discurso que inculpa os EUA não tem um fiapo que o mantenha no ar. Em 2019, o parlamento da Ilha aprovou uma nova Constituição (produto da experiência de 60 anos!) cujo artigo 5º acaba com o futuro da Castro&Castro Cia Ltda, cujo CEO, hoje é o senhor Díaz-Canel.
O Partido Comunista de Cuba, único, martiano, fidelista e marxista-leninista, a vanguarda organizada da nação cubana, sustentada em seu caráter democrático e em sua permanente ligação com o povo, é a força motriz dirigente superior da sociedade e do Estado.
Sabe quando um país assim pagará ao Brasil os US$ 261 milhões que deve? Vai um charuto aí, leitor?
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Os frutos da omissão e da intromissão. - 11/09/2023
Percival Puggina
Em meu primeiro emprego, recém-graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS, tive que redigir proposta técnica para um determinado projeto com impacto urbano. Pouco depois de entregar o trabalho, o diretor, um engenheiro experiente, me chamou para conversar e me disse: “Você escreve muito bem, mas trabalhos técnicos não comportam adjetivação. Retire os adjetivos e retorne”. Aprendi a lição e durante quase duas décadas nenhum texto saiu do escritório sem passar por mim.
Lembrei-me dela ao ler trechos da decisão com que o ministro Dias Toffoli anulou, monocraticamente, o acordo de leniência (delação premiada) da Odebrecht. A abundância dos adjetivos, as analogias e o tom de discurso político gritam sua incompatibilidade com o que a sociedade pode esperar de uma decisão judicial de tal gravidade. Palavras e expressões como conspiração, armação, conluio, ovo da serpente, pau de arara do século XXI cabem em certas colunas de O Globo ou da Folha, mas preocupam os cidadãos atentos, principalmente quando usadas por um ministro do Supremo para atribuir à Lava Jato o “objetivo de colocar um inocente como tendo cometido crimes jamais por ele praticados”. Nem mesmo o ministro Fachin foi tão longe.
As pessoas com quem falo sobre nosso amado país expressam sentimentos semelhantes aos meus. Ora o Brasil parece um carro sem freio e ali adiante haverá uma catástrofe, ora parece descer a cada dia um degrau da escada sinistra do infortúnio. Na primeira situação, haverá um ponto final; na segunda, talvez não, porque sempre será possível piorar um pouco. Esta é a sensação mais frequente pois o noticiário de cada dia nos informa que, de fato, descemos ou desceremos mais um degrau do impensável destino. Algo de que não podíamos sequer cogitar aconteceu.
Tem sido tão vertiginosa a velocidade com que o país se deteriora que a memória dos acontecimentos some com a poeira que levantam, mas ao final de cada dia, no balanço dos fatos, vemos crescer o abismo entre a sociedade e o Estado.
A assim chamada tribuna de honra do desfile do dia 7 proporcionou imagem viva e colorida desse isolamento. Ali estava a “democracia” pela qual se empenharam com tanto ardor os ministros do STF e do TSE. Ali estavam estampadas as consequências do intenso trabalho das redações e de seus digitadores a soldo. Ali se concentravam os frutos omissão de uns e da intromissão de outros, da censura e do cerceamento à liberdade de expressão jurado desde 2019. Ali também estavam representados os contemplados pela anulação das provas dos crimes cometidos. E a cidadania, a lesada de sempre? Ausente, como vem sendo mantida, mas por vontade própria.
Dos males possíveis, o maior será aquele em que a nação facultar a si mesma o abandono à própria sorte. Resistir sempre.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O canto sofrido no silêncio do peito - 08/09/2023
Percival Puggina
Ao longo do dia de ontem, abri duas exceções à sábia decisão de não mais assistir a alguns canais de televisão. Desconheço suas programações. A exceção consistiu em não mais de cinco minutos, somados os tempos perdidos diante da tela, vendo imagens mostradas em dois ou três desses veículos.
Em pensamento, exclamei: “Bem feito!”. Colheram o que plantaram, numa sinistra mistura para a qual uns contribuíram com arrogância, tirania, desprezo às leis da República, à sociedade e suas opiniões, enquanto outros aportavam doses maciças de submissão, omissão, cumplicidade e semeadura de ódio. Imagino o que ia nas mentes de ambas as vertentes que ali se amalgamavam, constrangidas, diante da silenciosa e gigantesca vaia nacional!
A quem era essa vaia dirigida? A quem? É pouco provável que alguém, ali, escapasse ao desdém expresso no silêncio federal, estadual e municipal daquelas horas.
Os dias anteriores evidenciaram o zigue-zague das avaliações oficiais. Segundo a Gazeta do Povo, o ministro Flávio Dino alertou o governo do Distrito Federal para possíveis atos organizados pelas redes sociais e colocou a Força Pública à disposição. O governo federal constituiu um Gabinete de Mobilização Institucional e o governo do Distrito Federal afirmou que as corporações (Polícia Civil e Polícia Militar) estavam vigilantes contra eventuais ameaças. Pouco depois, as notícias eram de que o ambiente nacional estava tranquilo. Cemitérios são, sim, locais bastante tranquilos. O féretro da liberdade, também.
Há um provérbio que parece aplicável ao caso sobre a má experiência de certo gato com água quente, mas o felino da história não pôs a água para ferver.
O jornal O Globo, em acesso de lulismo, deixou de lado o xoxo evento de 2023 e atacou o do ano passado, Bolsonaro e suas aparentemente “injustificáveis” críticas a ministros do STF. À época, lembro bem, alguns ativíssimos protagonistas do ambiente político nacional – badalados pela Folha, pelo Estadão e pelo O Globo – haviam decidido que era pouco saudável emitir opinião negativa a seu respeito.
O 7 de setembro de 2023 tornou-se uma espécie de identificação facial, facilmente reconhecível, da triste “democracia” brasileira. Democracia entre aspas, sim, transformada em serventia dos donos do poder. Durante anos, parcela expressiva da sociedade brasileira gritou nas ruas e praças do Brasil para instituições cujas maiorias lhe viraram as costas. Muitos pagaram caríssimo pelo atrevimento de dissentir.
Silenciar neste 7 de setembro não é sinal de consentimento. Bem ao contrário, equivaleu a um ruidoso ato de resistência para quem o amor à Pátria cantou sofrido no silêncio do peito.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Mas que droga! - 06/09/2023
Percival Puggina
Ninguém poderá dizer que dissimulo minhas convicções. Bem antes, eu as alardeio porque é para apresentá-las a outros que escrevo. De fato, não tenho objetivos adicionais quando sento diante do computador toda manhã ou quando, aos sábados ou domingos, gravo um vídeo. Assim, meus leitores habituais sabem que sou um conservador e, por isso, um institucionalista.
Instituições deveriam vir com uma bula, como remédios, cujos textos sintetizam a informação de que, se ruim com eles, pior sem eles.
Nosso modelo institucional é uma condenação eterna à instabilidade política, jurídica e econômica. Infelizmente, os congressistas que deveriam alterá-lo são os principais beneficiários desse modelo. Mesmo assim, pior sem eles. Seu misto de omissão e tolerância tem tolerado que o STF invada o seu “quadrado” e passe a dispor, segundo seu bel prazer, sobre temas que não integram seu elenco de conhecimentos ou competências. Como terras indígenas, contribuição sindical, armas, drogas, etc..
Que droga! Vejamos o caso da descriminalização do consumo de maconha, com a distinção entre consumidor e traficante, a ser feita na balancinha... Em nota conjunta publicado no dia 16 de agosto, o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria afirmam (íntegra aqui):
- “Trata-se de droga que causa dependência gravíssima, com importantíssimos danos físicos e mentais, inclusive precipitando quadros psicóticos (alguns não reversíveis) ou agravando sintomas e a evolução de padecentes de comorbidades mentais de qualquer natureza, dificultando seu tratamento, levando a prejuízos para toda a vida”.
- “O consumo de drogas também contribui para a maior incidência de acidentes de trânsito, homicídios e suicídios, com redução no mundo e aumento no Brasil”.
- “É nos países com maior rigor no enfrentamento às drogas que há diminuição do número de casos de dependência química e de violência relacionada ao consumo e tráfico dessas substâncias”.
No ano passado, a ABP já afirmara (íntegra aqui):
- “Não há evidências científicas suficientes que justifiquem o uso de nenhum dos derivados da cannabis no tratamento de doenças mentais. Em contrapartida, diversos estudos associam o uso e abuso de cannabis, bem como de outras substâncias psicoativas, ao desenvolvimento e agravamento de doenças mentais”.
- “O uso e abuso das substâncias psicoativas presentes na cannabis causam dependência química, podem desencadear quadros psiquiátricos e, ainda, piorar os sintomas de doenças mentais já diagnosticadas”.
- “No Brasil, o Conselho Federal de Medicina - CFM autoriza o uso compassivo do CBD apenas para crianças e adolescentes com epilepsia de difícil tratamento, por meio da Resolução nº 2.113 de 2014”.
- “As evidências atuais apoiam, no mínimo, uma forte associação do uso de cannabis com o aparecimento de transtornos psiquiátricos. Os adolescentes são particularmente vulneráveis ??a danos, devido aos efeitos da cannabis no desenvolvimento neurológico”.
O Presidente da ABP, Antônio Geral da Silva, falando em audiência pública no Senado há pouco mais de duas semanas, destacou a relação entre o assustador índice de suicídios no Brasil e consumo de álcool e outras drogas. Explicitando a maconha, perguntou, dirigindo-se ao seu conterrâneo, senador Rodrigo Pacheco que presidia a audiência pública (íntegra do vídeo aqui): “E nós estamos falando em liberação? ... Como nós vamos liberar? Como nós vamos facilitar o acesso? Isso é desconhecimento da matéria científica sobre o uso e consumo de álcool e outras drogas e especificamente da maconha. Sabem qual é a quantidade prevista que é segura para o consumo da maconha? Zero! Não há quantidade segura de uso da maconha. Se há que banir uma droga da terra é a maconha”.
Já debati muito sobre esse assunto e conheço a linha de abordagem de quem defende a liberação. Muitos dos que defendem são usuários. Usuários ou não, segundo essa linha de raciocínio, o indivíduo tem o direito de comprar a droga, de se drogar, de vender as tábuas da parede da casa de seus pais, de desgraçar a vida dos que com ele convivem, de fazer com que todos à sua volta adoeçam e de não ser contido e nem tratado a contragosto. É o perigosíssimo discurso dos direitos sem deveres. Quando ele se reproduz na sociedade, está sendo organizada a estrutura psicossocial de uma vida em comum que será mistura de sanatório geral e presídio central.
Não pode haver direitos sem deveres, sendo que aqueles vêm depois destes. Não pode haver liberdade sem responsabilidade, sendo que aquela vem depois desta.
Quando o ser humano não é educado a dizer não a seus desejos e impulsos, pela família ou círculo de convivência, nem pelo rigor da lei, favorece-se o caminho para o transtorno de personalidade antissocial. Tratar de dependência química passando ao largo dessa evidência ou, mais grave ainda, afirmando o direito de não ser a pessoa submetida a algo que não deseja nem autoriza (como se estivéssemos tratando de uma dieta de legumes), simplesmente não tem cabimento.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O governo comprou o quórum, a lona e os palhaços do circo. - 29/08/2023
Percival Puggina
Por breve período, imaginei obter da CPMI do dia 8 de janeiro resposta para as perguntas que me fiz enquanto os fatos aconteciam. Qual o quê! Imediatamente o governo reagiu, mostrou desinteresse e, quando o requerimento foi lido no plenário, tratou de formar maioria. Comprou o quórum, a lona e os palhaços do circo.
Como já escrevi, as comissões parlamentares de inquérito são instrumentos para, em proteção ao interesse da sociedade ou do país, conhecer o que querem ocultar aqueles que detêm poder sobre determinadas situações e encaminhar denúncias que couberem ao Poder Judiciário. Profundamente contrariado, então, assisti o enorme esforço da base governista em impedir a audiência dos principais personagens. Com isso, de modo ostensivo e deliberado, o governo oculta da população a verdade que não lhe convém.
O vandalismo é evidente nos atos de 8 de janeiro. Tão evidente quanto o vandalismo é a falta de espontaneidade dos protagonistas daquelas ações e a omissão coletiva das várias polícias com dever de proteger o local e seus bens materiais.
A leniência com que as responsabilidades do governo vêm tendo sua averiguação conduzida desde o dia 8 de janeiro é um caso à parte na história política do Estado. Observe que as imagens do general G. Dias só vieram a público quando vazaram 90 dias depois de iniciadas as prisões em massa e de estar decretada a prisão de Anderson Torres! Agora, é a própria CPMI que, passados outros 90 dias, ainda não conseguiu ouvir, nem o general, nem o ministro da Justiça.
O que quer ocultar o cerco de proteção ao governo? Só os fanáticos não sabem! A estas alturas, os silêncios e omissões na investigação falam mais do que os depoimentos.
Não bastasse o desrespeito à cidadania, ao longo das reuniões transpareceu algo que se reproduz em tantos inquéritos: enquanto por um lado escondem dados e fatos, por outro se aproveitam para vasculhar a vida alheia muito além da razoabilidade e do interesse da boa justiça. O sigilo é quebrado e a intimidade dos adversários é invadida com a mesma bonomia com que se descasca um amendoim enquanto se toma um uísque. Coisa de hacker com mandato e poder de Estado, dando uma tarrafada na vida dos outros para ver o que aparece na rede. Perdeu-se a noção do ridículo.
A estas alturas, não creio mais que o minoritário Jerry consiga capturar e expor o poderoso Tom. Ao menos não com a exposição midiática que seria necessária para o bem do país, nestes dias em que a sociedade se tornou descartável, sujeita a visíveis intenções de reciclagem para uma nova ordem mundial.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Aí tem coisa! - 18/08/2023
Percival Puggina
Na tarde do dia 8 de janeiro e nas horas seguintes, diante das cenas exibidas à nação, dezenas de milhões de brasileiros pressentiram que o filmado e exibido não estava bem contado. “Aí tem coisa!”, pensaram. No STF, o ministro Alexandre de Moraes, tuitou:
“Os desprezíveis ataques terroristas à Democracia e às Instituições Republicanas serão responsabilizados, assim como os financiadores, instigadores, anteriores e atuais agentes públicos que continuam na ilícita conduta dos atos antidemocráticos. O Judiciário não faltará ao Brasil!”.
Na noite do mesmo dia, no Inquérito 4.879, o ministro apreciou vários pacotes de solicitações. Eram pedidos da AGU, do senador Randolfe Rodrigues, do Diretor Geral da PF e da Assessoria de combate à desinformação. Na decisão, ainda referindo o episódio num contexto de ataques terroristas, determinou a desocupação e prisão imediata dos ocupantes de todos os acampamentos, a prisão de Anderson Torres, Secretário de Segurança do DF e aplicou a Ibanez Rocha, governador do DF, a pena alternativa de afastamento do cargo, ocasionando a subsequente intervenção federal.
No dia seguinte, a senadora Soraya Thronicke (UB-MS) formalizou o pedido de CPI para investigar os atos da véspera. A medida contava com apoio, entre outros, dos senadores Jacques Wagner, Randolfe Rodrigues, Humberto Costa, Eliziane Gama, Katia Abreu.
Enquanto a banda afinada do jornalismo brasileiro tudo registrava num foco muito fechado, desatenta às contradições presentes nas cenas, dezenas de milhões de brasileiros, seguiam comentando, também uníssonos: “Aí tem coisa!”.
Na 4ª feira 18 de janeiro, o presidente Lula, atribuindo a Bolsonaro a incitação àqueles atos, declarou ser contra a CPI solicitada pela senadora Soraya: “Nós temos instrumentos para fiscalizar o que aconteceu nesse país. Uma comissão de inquérito, ou seja, ela pode não ajudar e ela pode criar uma confusão tremenda. Nós não precisamos disso agora”.
Ouvido o presidente, outros milhões de cidadãos se juntaram à multidão dos que murmuravam a seus botões: “Aí tem coisa!”.
A oposição também apoiava a CPI. Contudo, embora já assinada por mais de 40 senadores, o ativo e determinado presidente do Senado (surpresa!) acabou sepultando-a com a alegação de que em janeiro de 2023 e antes da posse da nova legislatura em 1º de fevereiro todos os seus signatários eram “da legislatura anterior”. Cumpria-se o desejo do governo e morria a já então indesejada CPI. Sim, havia alguma coisa ali.
Três meses – três inteiros meses! – já tinham transcorrido quando, em 19 de abril, vazaram as cenas do general G. Dias e de outros integrantes do Gabinete de Segurança Institucional circulando e, biblicamente, dando de beber a quem tinha sede durante a invasão do Palácio do Planalto. Sim, sim, havia alguma coisa ali.
Os rumores que partem do silêncio longamente internalizado, escrevi outro dia, precisariam de um “sismógrafo” como os que registram os primeiros estertores vulcânicos. A exemplo deles, os rumores sociais acabam vindo à superfície e se transformam em fatos. Nasceria, assim, a CPMI dos atos do dia 8 de janeiro. Na “bacia das almas” onde se negociam as consciências, porém, a CPMI já veio ao mundo com maioria governista...
Sem a nobreza das performances circenses, sem o talento dos atores de teatros mambembes, sem o profissionalismo que caracteriza as operações desinformação, a CPMI não ouviu e não ouvirá o general G. Dias nem o ministro Flávio Dino. Aí tem! Esquecem-se os senhores de baraço e cutelo dessa coisa teratológica em que se transformou a política brasileira, que uma comissão parlamentar de inquérito não é um instrumento das minorias “nos legislativos”, mas é um instrumento da sociedade! CPIs não são do legislativo para o legislativo ou para os parlamentares, mas para a nação! Que raça de políticos e de representantes é essa? Mais uma vez esquecem que são apenas representantes e não negociantes dessa representação?
A cadeira da representação parlamentar não é uma cadeira das que se vende. Temos ainda um Congresso ou ele já virou um brechó?
Comprando votos parlamentares na “bacia das almas”, com número crescente de congressistas afundado ns assentos do plenário, apertando teclas em obediência a ordens dos donos dos partidos, vendidos à base do governo, fecha-se a tornozeleira no pescoço da verdade!
Não sei o que é mais desolador:
- o que uns e outros fazem com os fatos;
- o modo de não mais julgarem necessário ocultar o que fazem;
- o modo como a velha imprensa relata o que convém como lhe convém;
- o fato de o STF tomar esse jornalismo serviçal, cuja opinião prescinde dos fatos, como referência para impor disciplina e acabar com a liberdade das redes sociais.
Mas que aí tem coisa, tem!
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O silêncio de uma nação - 09/08/2023
Percival Puggina
Prestem atenção, ouçam o silêncio. O Brasil emudeceu. Durante quatro anos, o povo foi sendo alertado sobre a própria irrelevância. Erguendo bandeiras que expressavam seu amor à pátria, ele ia às ruas e às praças de onde clamava inutilmente contra excessos de uns e omissões de outros. Aos tribunais superiores, os excessos; ao Congresso Nacional, as omissões. Quem como eu subiu em tantos carros de som ao longo de dez anos sabe do que fala ao afirmar que quanto mais se avantajava o “contramajoritário” poder das altas Cortes e se expandia o baixio dos interesses parlamentares, mais as instituições mostravam seu desdém à nação.
Por fim, o silêncio, a quietude de uma democracia deserta, sem povo. Muitas vezes penso que os senhores do poder se veem como representação política num deserto onde, aqui e ali, esqueletos cívicos testemunham a ação destruidora que os vitimou.
Só que não. A nova tirania, tirania é. Quem tem olhos de ver sabe o que vê. Tornozeleiras não inibem opiniões nem a percepção de injustiças e abusos. Consciências bem formadas doem e se condoem na dor alheia. Um sismógrafo que captasse emoções perceberia o ruído nesse subterrâneo dos sentimentos. A democracia relativa, contramajoritária, bem ao gosto das cortes e dos plenários, talvez não consiga captá-lo como tampouco o percebe um jornalista que me escreveu outro dia,
Ele é militante da tirania real combatendo os fantasmas das narrativas petistas. Ele crê no que lhe dizem em detrimento do que os olhos capturam da realidade e por isso, após ler meu artigo “8 de janeiro, a narrativa e os fatos” (aqui), escreveu-me perguntando se não me envergonhava de afirmar o que afirmei. A seu modo, perante fantasmas ensinado a combater com lança-chamas retóricos, comentou cada parágrafo questionando os limites dessa minha falta de vergonha.
Constrangimento em forma explícita, que preferi não responder porque preferi tratar do assunto aos olhos e discernimento dos meus leitores. Caríssimos, vergonha eu teria se calasse, se me sujeitasse, se conferisse meu silencioso consentimento àquilo que vejo. Aí sim, eu teria vergonha de mim! Jogo a democracia pela regra do jogo, não pelas regras dos tiranos e seus aprendizes. Nada há na Constituição de 1988 que iniba meu direito de opinar sobre os acontecimentos nacionais, os protagonistas de nossa política e as impropriedades de nosso modelo institucional.
Quando toda divergência for silenciada só se ouvirá o coro da tirania no velório da liberdade.
Como me disse certa feita em Havana um médico com quem conversei e me falou das dificuldades que a ditadura lhe impunha: “Solo el Señor es mi señor”.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Salvemos a cultura e a civilização ocidental - 03/08/2023
Percival Puggina
“Somos gratos ao Washington Post, ao New York Times, à Time Magazine e a outras grandes publicações cujos diretores participaram de nossas reuniões e respeitaram suas promessas de discrição por quase quarenta anos. Seria impossível desenvolvermos nosso plano para o mundo, se tivéssemos sido expostos à luz da publicidade durante esses anos”. David Rockfeller, na reunião do Bilderberg Group em 1991.
Ao ler essas frases me vem à lembrança o discurso de Lula no ato de celebração dos 15 anos do Foro de São Paulo quando se referiu a ele como um espaço onde podiam “conversar sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política”. Não, conspiração não é necessariamente teoria descartável.
Os impérios são expansionistas. Todos os movidos a ambição e poder também o são. Por isso, muitos descrentes da Criação, têm um projeto pessoal para recriar a sociedade humana noutros padrões. Forma sagaz de exercer domínio! Em suas manifestações atuais, requerem e propõem novos engenhos e artes tanto para a guerra (que é a política em sua expressão hard) quanto para a política (que é a guerra em sua expressão soft) como talvez dissesse hoje Clausewitz se integrasse a geração dos millenials.
A experiência com o coronavírus serve ao caso. Ele universalizou o medo, mudou as rotinas dos povos, sustou as atividades produtivas, derrubou a economia mundial, estabeleceu novos protocolos de conduta civilizada, desacreditou a OMS, fez crescer enormemente o poder estatal sobre os cidadãos e restabeleceu a fé naquela “segurança que só o Estado pode lhe dar”. Em proporções que antes seriam inaceitáveis, cada homem, mulher e criança contemporânea percebe sua sujeição a imposições e a restrições de liberdade, com vistas à segurança coletiva. O vírus proporcionou um treino para a submissão aos rigores da burocracia. Levantamento recente revelou a edição, nesse específico tema, no Brasil, de 9455 leis e decretos municipais e 545 normas estaduais restringindo a liberdade dos cidadãos.
***
A história mostra uma lenta agregação, expansão e ampliação das formas de poder. Entre o caos que sucedeu à queda do Império Romano (476 d.C.) e o estágio atual do chamado globalismo medeiam 16 séculos, despendidos para irmos dos burgos fortificados aos atuais organismos internacionais e transnacionais. No século passado, grandes empresas, após um formidável acúmulo de capital, começaram a criar fundações dedicadas a uma seleção de objetivos de larga escala para uma nova humanidade. Entre esses objetivos se inclui o financiamento de ações e projetos voltados ao aborto, práticas antinatalistas, ambientalismo, laicismo, aquecimento global, feminismo, questões de gênero, diversidade e multiculturalismo. Enquanto preparam o terreno para uma futura governança mundial, grandes fundações subsidiam, em todo o Ocidente, boa parte da publicidade e do discurso dito “progressista”. Muitos acontecimentos nacionais e internacionais dos últimos anos devem ser atribuídos ao poder outorgado por essas fontes de financiamento.
Fazer tábua rasa da cultura do Ocidente é a 1ª página do breviário globalista, cujo “plano para o mundo” precisa destruir fundamentos que procedam da filosofia grega, do direito romano e da tradição religiosa judaico-cristã.
Fingir que não vê, ou supor que orquestradas ações políticas mundiais como as mencionadas anteriormente, que invadem e saturam a mídia e os espaços de opinião, sejam apenas reflexos de um democrático livre pensar diferente, constitui terrível imprudência. Pergunto: como, num estalo de dedos, multidões enchem as ruas no mundo todo portando cartazes que são meras traduções dos que por aqui se leem? Ou vice-versa? Como explicar que os antifas exsurjam entre nós como movimento “pró-democracia”, sendo que historicamente abrigaram anarquistas, socialistas e comunistas? Sendo que, tanto quanto qualquer grupo de esquerda, chama fascistas e assume como adversários todos os defensores do livre mercado e da cultura do Ocidente?
Ao fim e ao cabo, numa perspectiva das ações concretas, estamos assistindo a intolerância de um modo contemplativo. Valores que são caros ao Ocidente estão sendo minados em nome de uma diversidade que faz exatamente o oposto dela, acentuando contornos, afirmando incompatibilidades e promovendo conflitos.
O fenômeno do globalismo, que internacionaliza essas pautas enquanto um jornalismo militante as aplaude e promove, não se confunde com a globalização, ou seja, com a integração econômica, social, cultural e a articulação política entre nações. É um sistema sutil de transferência de poder, um meio pelo qual a penthouse da elite mundial furta o poder político das nações transferindo-o para organismos tecnoburocráticos que lhes sejam próximos. Teremos, então, democracia para o que não importa e tecnoburocracia para tudo mais.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O Estado que nos consome - 31/07/2023
Percival Puggina
Henry David Thoreau inicia seu “Tratado sobre a desobediência civil” com as seguintes palavras (*):
Aceito com entusiasmo o lema “O melhor governo é o que menos governa” e gostaria que ele fosse aplicado de forma mais rápida e sistemática. Levado às últimas consequências, ele tem o seguinte significado: “O melhor governo é o que não governa de modo algum”, quando os homens estiverem preparados, será esse o governo que terão.
Concordo de bom grado com a primeira das duas afirmações, pois creio, e muito já escrevi a respeito, que todos os governos que queiram ser realmente bons para todos os seus cidadãos devem cuidar de se fazer tão desnecessários quanto possam. Não digo o mesmo da segunda assertiva, ou seja, quanto à dispensabilidade de qualquer governança, pois a frase aponta para uma utopia que chega à de Marx pelo viés oposto. Também o alemão antevia, na plenitude do comunismo, o fim do Estado. Pois sim!
Thoreau era um tipo incomum, individualista e minimalista nos limites da autossuficiência, pensou segundo o modo de vida que escolheu ou, vice-versa, assim pensou porque assim viveu. Eram os Estados Unidos do século XIX, ainda escravocrata (a Guerra da Secessão aconteceria 12 anos depois de haver escrito essa obra) e ele recusava submissão a um estado que fazia guerras de conquistas contra seus vizinhos e convivia com a escravidão. Afirma no livro: “Nem por um minuto posso considerar meu governo uma organização política que é, também, governo do escravo”.
Passados 174 anos, quanto mais pode um homem de consciência proclamar sobre submissão a tantos e tantos governos corruptos e tiranos!
Quer vejamos o Estado como um mal ou como um bem, tenho como certo que após o adjetivo estará presente a palavra “necessário”. É o que aprendi com um inglês anterior a Thoreau, que escreveu uma obra importantíssima sobre a Revolução Francesa enquanto ela transcorria. Edmond Burke, esse o nome dele, valeu-se daqueles desastres sanguinários para mostrar a importância das instituições. Não é por acaso que todos os 193 países reconhecidos na ONU têm governos e mesmo duas unidades não reconhecidas como países – Vaticano e Palestina – também têm uma forma de governo.
Nosso problema, como brasileiros, é um Estado como o que temos. Um Estado que devendo assumir como tarefa primordial a superação da pobreza, apodera-se dos recursos de toda a população, inclusive dos mais pobres entre os pobres, para cuidar bem de si mesmo. Escândalo! Um Estado cuja elite se outorga ganhos milionários, cujo presidente critica os dois televisores da classe média, viaja como um sheik, hospeda-se em suítes reais e dá bolsa esmola aos mais pobres com fingida expressão de compaixão.
Cegueira extrema é discursar sobre injustiça e desigualdade entre as pessoas e não olhar para o que acontece entre o Estado e a sociedade. O Estado explorador do trabalho alheio, faz propaganda da luta de classe, mas não vê a si mesmo como provedor e painel visível de injustiças sem fim.
Realmente, submeter-se a um Estado assim é burrice e contradição. Não quero revoluções nem sangue, mas não podemos prescindir da inconformidade, da resistência, do ânimo de revolta, nem perder ocasião para proclamar indignação, odiando e combatendo politicamente o mal como é da natureza da virtude.
* Tenho em mãos o excelente livro editado pela Avis Rara, que inclui o ensaio de Étienne de la Boétie sobre “A servidão voluntária”.
O sol e a peneira - 15/07/2023
Percival Puggina
Desde que as peneiras surgiram no repertório das utilidades, os protagonistas da política, em situações de apuro e em última instância, apelam para elas com o intuito de obscurecer o sol dos fatos.
A inutilidade desse tipo de negacionismo não desanima quem dele lança mão porque o último recurso ainda é um recurso, como sabem os advogados. Vá que cole. Mesmo se a cola usada for a saliva dos discursos, sempre é possível contar com a ingenuidade dos ingênuos, com a credulidade dos crentes, com o companheirismo dos companheiros e com o apoio de um jornalismo que faz jornal sem sequer espiar os fatos pela janela das redações.
São reflexões que me ocorrem ante reações que observo às palavras do ministro Luís Roberto Barroso proferidas num lugar onde, em virtude de seu cargo, não poderia estar. Ali, sua simples presença como um dos onze “supremos” (na concepção do ministro Gilmar Mendes) passava a mensagem que agora se diz que não passou. É o que se percebe em manifestações como a do STF sobre o caso. A instituição pretendeu isolar a instituição, entendendo que Barroso falava do voto popular... Essa tentativa foi incompatível com a repercussão. E ela foi tanta que até o omisso senador Rodrigo Pacheco que transformou o Senado em parlamento baldio, pôs-se de pé pelo Brasil e cobrou retratação.
Ninguém do outro lado da praça, como era de esperar, levou a sério a cobrança do senador. Para quem tem olhos de ver, porém, o sol não tomou conhecimento da arrombada peneira e não alterou o modo como milhões de brasileiros percebem a conduta da ampla maioria do STF a respeito da atual oposição brasileira. Entenderam essa colegialidade bem representada cada vez que Barroso falou na primeira pessoa do plural. Para tanto, basta uma olhada no conteúdo da sacola dos inquéritos abertos por Alexandre de Moraes.
A propósito, é importante recordar o ambiente em que transcorreu o governo Bolsonaro. Alguém poderá dizer que foi ele quem abriu confronto com o STF? Alguém o viu descumprir ordem judicial, mesmo quando lhe vedava o que era prerrogativa sua, como, por exemplo, nomear o Diretor Geral da Polícia Federal? Em 26 de agosto de 2021 o Correio do Manhã publicou uma lista com as 123 ocasiões em que, até então, o STF havia alvejado o governo Bolsonaro. Conheça ou relembre disparos inaugurais de 2019:
- Em 10 de maio de 2019, a ministra Rosa Weber deu cinco dias para Bolsonaro explicar o decreto que facilitou o porte de armas.
- Em 10 de maio de 2019, o ministro Celso de Mello deu o prazo de 10 dias para o Governo Federal explicar o corte de 30% nas verbas das universidades.
- Em 12 de junho de 2019, após ação do PT, o STF formou maioria e cancelou a Extinção de Conselhos [sovietes] promovida pelo Governo Bolsonaro.
- Em 24 de junho de 2019, o ministro Barroso suspendeu MP de Bolsonaro que transferia a demarcação de terras da FUNAI para o Ministério da Agricultura.
- Em 30 de julho de 2019, o ministro Dias Toffoli proibiu o Governo Federal de bloquear verbas de Goiás em cobrança de dívidas do estado para com a União.
- Em 1º de agosto de 2019, o Plenário do STF referendou a liminar do ministro Barroso que barrou a transferência de demarcação de terras da FUNAI para o Ministério da Agricultura.
- Em 1º de agosto de 2019, o ministro Barroso deu prazo de 15 dias para Bolsonaro explicar sua fala sobre o pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB.
- Em 5 de agosto de 2019, a ministra Rosa Weber deu prazo de 15 dias para - Bolsonaro explicar declarações sobre Dilma Rousseff.
- Em 21 de outubro de 2019, o ministro Gilmar Mendes suspendeu a medida provisória que dispensava publicação de editais na grande imprensa.
- Em 27 de novembro de 2019, a ministra Cármen Lúcia deu cinco dias de prazo para Bolsonaro explicar o Programa Verde Amarelo.
- Em 13 de dezembro de 2019, a ministra Rosa Weber deu prazo de 10 dias para Bolsonaro explicar a fala sobre Glenn Greenwald.
- Em 20 de dezembro de 2019, o STF suspendeu a MP de Bolsonaro que previa o fim do seguro DPVAT.
Um ano e meio mais tarde, já havia 123 "cartuchos" no chão.. E não foi diferente no ano de 2022. Em compensação, alguém teve notícias de interpelações, suspensões de decretos, invasões de competência, durante o atual governo? A horas tantas, é claro, Bolsonaro perdeu a paciência, subiu o tom e partiu para a grosseria que nada resolve, aumenta o atrito e permite ampla exploração política.
Minha leitura, como cidadão, ao longo desses anos, mostra que o governo Bolsonaro foi, desde o início, antagonizado pelo STF. Essa impressão, consolidada ao longo de quatro anos, persiste. Não são apenas as palavras proferidas que expressam o que as pessoas sentem, pensam ou fazem.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Urgente: A direita precisa de advogados! - 11/07/2023
Percival Puggina
Precisa muito. E precisa deles já. Transcrevo, a título de curiosidade, a declaração do ministro Luís Roberto Barroso em palestra proferida no dia 5 deste mês aqui em Porto Alegre:
“O Poder Judiciário no Brasil, após a Constituição Federal de 1988, viveu e vive ainda um vertiginoso processo de ascensão institucional. Deixou de ser, já há um tempo, um departamento técnico especializado. Passou a ser um poder político na vida brasileira. Houve mudança na natureza, no papel, na visibilidade, nas expectativas que existem em relação ao Poder Judiciário”.
Não há novidade. Essas palavras expressam um reconhecimento da mudança sofrida pelo STF, ao migrar para um alinhamento petista ao longo das duas primeiras décadas deste século. Todos vimos isso acontecer e o surgimento em 2018 de uma força política formada por conservadores e liberais tornou isso muito evidente.
Pergunto: por onde andou a tropa choque parlamentar petista, sempre tão combativa, no quadriênio 2019 a 2022? Naquele período, quem respondeu pela oposição e de onde veio o embate mais frontal com o governo? Qualquer pessoa atenta aos fatos sabe que o PT se recolheu à discrição, passando pomada ou pano nas feridas abertas pela Lava Jato e o poder político emergente a que se referiu o ministro Barroso passou a bater de frente com o governo. Era ali que iam os repórteres. Era ali que estavam as notícias. Foi ali que surgiram novas estrelas da poderosa e confortável política dos sem votos, a impor suas devoções e a arrancar louvores da velha imprensa.
O corpo majoritário dentro do Supremo podia exercer seu papel contramajoritário à decisão das urnas de 2018.
Tudo pela democracia... Era ali, pois, que a esquerda enviava emissários com suas petições, ADIs, etc. O Jornal da Manhã do dia 26 de agosto de 2021 contabilizou 123 manifestações do STF (leia aqui e divirta-se) avaliadas como negativas para o governo, algumas das quais estariam impedindo, inclusive, a realização de promessas de campanha consagradas pelo voto popular. O que descrevo ganhou o nome de “judicialização excessiva” numa palestra do ministro Fux, quando presidia o tribunal em 2022.
A direita, atual oposição, está fazendo a mesma coisa? Não. Se essa proposta de Reforma Tributária que chuta o pau da barraca do federalismo brasileiro tivesse sido apresentada no governo anterior, o PT teria permanecido passivo? Não. Como agiria o STF se acionado? Numa outra dimensão do mesmo problema, quantos políticos e comunicadores foram parar nos sacos sem fundo dos inquéritos sem presente e sem futuro abertos pelo ministro Alexandre de Moraes “em defesa da democracia e do estado de direito”?
Pelo viés oposto, não lembro nenhuma iniciativa da atual oposição contra o governo. Ao contrário, o que vi foi o ministro Lewandowski derrubar preceito da lei das estatais e o PT indicar personagens de sua nomenklatura para postos prudentemente vedados a políticos por aquela lei de Michel Temer. Tampouco sei de parlamentares governistas que tenham sido denunciados às comissões de ética de suas casas no Congresso. Nem de ações de indenização por dano moral apresentadas contra políticos e comunicadores de esquerda. A propósito, quantas contradições de Lula em relação a suas promessas de campanha foram apontadas onde isso couber? Ou pode enganar, ganhar os votos e fazer o contrário? Pergunto porque o oposto aconteceu: promessas de campanha de Bolsonaro, aprovadas nas urnas, foram travadas pelo STF.
Há uma fila de denúncias formalizadas pela esquerda com o intuito de cassar mandatos de seus principais oponentes e/ou de torná-los inelegíveis para que não incomodem mais. É o mesmo roteiro que os camaradas Nicolás Maduro e Daniel Ortega adotam em suas “democracias” de narrativa.
Enfim, o que aqui proponho é urgente. Mexam-se os causídicos.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Um modo sábio de ser - 05/07/2023
Percival Puggina
Perguntam-me: “Como se explica a implosão da ‘consistente maioria conservadora’ eleita para o Congresso Nacional em 2022?”. A resposta a essa pergunta causa dor moral a quem tem olhos postos no futuro do país.
O conservadorismo é um modo sábio de ser. Nos anos recentes, quando evoluiu para a política, o conservadorismo acabou orbitando a pessoa do presidente Bolsonaro. Quantos se dispersaram após o pleito? Noutra vertente, reuniu patriotas. Muitos deles, porém, aprenderam história do Brasil de professores esquerdistas e, após o pleito, retornaram ao seu mau humor contra o país, rejeitando a própria nacionalidade. Já encontrei alguns por aí.
Neste artigo analisarei as causas da implosão da maioria conservadora contabilizada no final da eleição parlamentar do ano passado.
O Realismo
Há poucos dias, comentei a importante manifestação do senador Espiridião Amin ao questionar o advogado de Lula e do PT quando sabatinado pelo Senado. O competente representante de Santa Catarina disse a Zanin tudo que queríamos ouvir sobre os males que acometeram os tribunais superiores. No entanto, dirigiu-se ao candidato quando deveria voltar a voz e apontar o dedo a seus pares porque se eles cumprissem seu dever constitucional aquelas cortes não mais estariam cometendo os excessos que tão assiduamente praticam. Zanin não era ainda membro do colegiado, ao passo que os senadores integram a Câmara Alta, mas poucos agem como tal. Quantos “conservadores” aprovaram o candidato indicado por um mentiroso público que ao vivo e a cores assegurou não ser o STF lugar para presentear amigos?
Amim disse tudo certo, mas foi paradigmático ao não se dirigir a seus pares.
Um Supremo petista se comportará como os petistas que o aplaudem e dele se servem como num bufê de decisões. Um senado presidido pelo omisso e conivente Rodrigo Pacheco será conivente e omisso como ele.
A Coragem
Jamais teremos maioria conservadora enquanto não houver um número suficiente de homens e mulheres de coragem nos nossos quadros políticos! É de Eleanor Roosevelt a frase: Você ganha força, coragem e confiança em cada experiência na qual, olhando a face do medo, pode dizer a si mesmo: “Eu vivi através desse horror. Posso enfrentar o que venha pela frente.” Ao falar em coragem com essa dimensão, lembro-me do cidadão brasileiro Allan dos Santos. Ele vive o horror do desterro desde 2020! Longe da família, passa toda sorte de privações e males psicológicos para não cair nas mãos dos que dele buscam vingança pessoal enquanto alegam a necessidade de prendê-lo por ... fake news. Felizmente para ele, os Estados Unidos ainda respeitam a liberdade de expressão e sabem reconhecer os motivos políticos de sua entrada no país.
Aos nossos conservadores do pleito de 2022, dispersos em 2023, eu digo: Saiam debaixo da cama; tirem os olhos do próprio umbigo; seus eleitores não os escolheram para isso. Cumpram seu dever, caramba!
O Caráter
A má notícia vem ensinada pela vida. Caráter, ou se tem ou não se tem. É algo que não se compra, nem se ensina para gente grande. Menos ainda para quem vai desempenhar atividades num lugar de constante perigo moral, onde, sabidamente, cada voto pode se transformar em mercadoria e onde, à mais insensata sensatez, convém deixar tudo como está.
O parlamento é um lugar de escolhas. As cotidianas opções são feitas entre o bem e o mal. Ali, o caráter se exprime com atitudes e votos, como recomendaria Aristóteles. Ele completava a ideia afirmando que o caráter não é definido sobre o que pensamos a respeito do bem e do mal. E eu poderia aduzir que depende menos ainda de o quanto rezamos pelo bem que queremos enquanto fazemos o mal ou ante ele nos omitimos.
O Trabalho
Há muito trabalho pela frente até que o conservadorismo, esse modo sábio de ser, se torne uma força política sensível na sociedade. É muito desconfortável saber que por falta de nossa dedicação permitimos que as piores ideias sobre a pessoa humana, a sociedade, a liberdade, o estado, a economia, etc. prosperassem simultaneamente com a disseminação de seus males. Teria sido tão mais efetivo e bom para o Brasil e os brasileiros se não tivéssemos sido companheiros de viagem da farsa social-democrata que hoje perde a máscara e o pelo! Foi essa percepção que fez renascer o conservadorismo no Brasil.
Há muito trabalho, sem o qual jamais haverá colheita. É preciso criar e disseminar núcleos conservadores, ocupando espaços, formando opinião, criando meios de comunicação, interagindo de modo eficiente com o sistema de ensino em proteção aos estudantes, estimulando os bons educandários, os bons comunicadores, os bons veículos, os bons religiosos. Perseverando na Fé.
A Fé
Fé implicará rezar como se tudo dependesse de Deus e trabalhar como se tudo dependesse de nós. Sermos mãos do Senhor numa obra de misericórdia em relação aos brasileiros mais necessitados. São irmãos nossos, vítimas dos maus políticos em sucessivas gerações. Maus políticos, interessados apenas no poder, não têm viés ideológico. Há canalhas de direita e de esquerda. São pilotos do monomotor do egoísmo, não têm ideologia, nem coragem, nem vergonha.
Eu quero o bem do Brasil para que a prosperidade não dissipe seus frutos nas mãos dos maus políticos que drenam para si e para o Estado a riqueza nacional, dando causa ao empobrecimento e ao pequeno desenvolvimento humano. É impiedoso não enfrentar o mal, principalmente quando seus efeitos são tão extensos.
Que Deus abençoe nossa Pátria. Que a mãe de Jesus estenda seu manto protetor sobre o Brasil! Amém.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
E o petismo continua povoando os tribunais - 29/06/2023
Percival Puggina
Lula acaba de indicar ao TSE uma nova ministra substituta. Para felicidade geral do governo, o notório saber e os dotes morais e intelectuais necessários à importante missão foram encontrados praticamente dentro de casa, na pessoa da advogada da campanha de Dilma para o Senado Federal por Minas Gerais em 2022.
Eureka! Não é muita sorte? Imagina se aparece alguém para divergir da confraria em seu afã salvador da democracia, do estado de direito e da luta sem trégua aos golpistas seresteiros, aos cantores de hinos e aos piedosos devotos do divino réu julgado no Sinédrio de Jerusalém.
Há um recorrente denominador comum em muitas, se não em todas, as manifestações espontâneas, sentenças, decisões e despachos de efeito político oriundos de nossos tribunais superiores. Neles, é construído um cenário psicossocial e político sinistro. A democracia estaria a perigo, um golpe em curso, terrorismo nas ruas, as instituições expostas a toda sorte de conspirações, enquanto a verdade – límpida e serena – proclamada pelo Estado, acuada e em perigo, apanha das mentiras propagadas nas furtivas e ardilosas redes sociais.
Esse o fictício denominador comum, encimado pelo travessão sobre o qual se constroem decisões nas quais resulta impossível discernir o perfume do bom Direito. Em cotidianos tão excepcionais – que já contam cinco anos! – é sempre mais relevante salvar a pátria, a democracia, o Estado, seus poderes e suas sagradas proclamações...
Quem organiza o jogo parece não ver que esse povoamento das arbitragens por atletas ou ex-atletas do mesmo time está sendo percebido pela sociedade. No entanto, basta pensar um pouco para notar que se trata de outro sintoma do mesmo problema que afeta o ambiente cultural e educacional do país. Refiro-me à decretação da morte súbita de todo o conhecimento ou entendimento divergente, venha ele de pessoas ou de obras. A todos, o silêncio eterno, a elegibilidade suspensa, o isolamento, o gulag das restrições e o peso das multas. Mas é tudo para nossa privilegiada proteção, claro.
Modestamente, penso que as próprias Cortes, cientes do desequilíbrio que caracteriza suas composições, deveriam ter serenidade e ânimo pacificador. Ao menos na proporção que se empenham em impor à sociedade mediante sanções. A falta de qualquer divergência efetiva nos colegiados não é espelho da sociedade onde a divergência existirá enquanto houver um fiapo de liberdade e democracia por ser consequência da primeira e inerente à segunda.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O que está acontecendo com a direita? - 28/06/2023
Percival Puggina
Não tenho algo mais fácil para indagar a mim mesmo e aos leitores? Pois é. Essa pergunta tem surgido em minha mente com uma insistência que já beira à impertinência, fazendo-me lembrar de certo professor de Matemática que confeccionava provas tão difíceis que nem ele, depois, sabia resolver.
Então, eis-me nesta condição, buscando uma resposta que não aumente minha indignação diante do que vejo acontecer com aquela consistente “maioria conservadora” (já vai assim, entre aspas) que teria saído das urnas na eleição de 2022.
Pergunto: como foi que essa “maioria” concedeu, com ampla margem, as presidências do Senado e da Câmara dos Deputados, respectivamente ao omisso (para dizer o mínimo) senador Rodrigo Pacheco e ao Chief Executive Officer do Centrão, deputado Arthur Lira? Foi na condição de CEO desse velho e encardido bloco que Lira transmitiu a Lula o recado de que os deputados vinham impondo derrotas ao governo porque estavam “insatisfeitos”. Insaciáveis, não seria a palavra mais correta? Com os parlamentares satisfeitos, a composição da CPMI das armações fez a própria armação: 60% de seus membros são governistas que não queriam a CPMI.
A aprovação do nome de Cristiano Zanin, advogado de Lula e do PT, para integrar a confraria governista no STF é a mais recente evidência das duas afirmações que faço, ou seja, a confraria existe e se reforça, e ampla parcela da “direita” mudou-se para o aconchego de Arthur Lira e para o mundo dos negócios.
Essa sequência de desastres cívicos tem seus motivos para acontecer. Primeiro, porque fundos partidários, fundão eleitoral e emendas parlamentares viabilizam reeleições mesmo para quem manda seu eleitor catar no asfalto seus princípios e coquinhos ideológicos ou filosóficos; segundo, porque as exceções a tão triste padrão moral – e elas existem e são valiosas, embora poucas – reúnem virtudes cada vez mais incomuns: consistência intelectual e coragem moral.
Sem a primeira, o sujeito cai na conversa de qualquer líder picareta, até tornar-se igual a ele; sem a segunda, o congressista se acovarda quando o outro lado da rua rosna e mostra os dentes.
Personagem da autora inglesa Jane Austen, em Orgulho e Preconceito (1813), afirma que sua coragem sempre se ergue quando sob intimidação. Para Napoleão Bonaparte, coragem não era ter a força de ir em frente, mas ir em frente não tendo a força.
Mesmo num ambiente político de desconforto e indignação, alegra-me ver intimidados mostrar coragem numa coalisão de covardes e arrostar a força bruta com o vigor de seu caráter.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Inelegibilidades, ameaças, sanções e desforras. - 26/06/2023
Percival Puggina
Recentemente, em vídeo, contei um “causo” antigo, repetido aqui no Rio Grande do Sul sobre o acontecido em pequena comunidade de granjeiros. Gente séria, trabalhadora, partilhava suas experiências e se apoiava mutuamente. A cada safra, promovia uma exposição de seus produtos, com premiação por qualidade e produtividade, em eventos festivos que atraíam visitantes e favoreciam a comercialização.
Com o passar do tempo, dois proprietários começaram a disputar a primazia nessas premiações fazendo com que, entre ambos, a solidariedade inicial se transformasse em competitividade e gerasse um certo antagonismo. Foi nesse ambiente que se deu o tal “causo” quando um desses granjeiros foi à casa do outro pedir um favor.
- Compadre! Buenos dias! Me emprestas teu serrote que estou cortando umas estacas pra tomateiro e o meu quebrou?
O dono do serrote pensou no que dizer e saiu-se assim:
- Pois tu sabe que hoje de manhã, cedinho, minha mulher tinha que comprar uma batedeira pros doces que ela faz, pegou a caminhonete e se tocou pra cidade com meu guri que precisava vê os dente. Se foram os dois.
Disse isso e parou. O outro esperou um pouco e, diante daquele estranho silêncio, indagou:
- Que mal pergunte, compadre, o que tem a ver uma coisa com a outra?
A resposta veio seca e direta::
- Nada, quando a gente não quer emprestar qualquer desculpa serve.
Tenho me lembrado muito dessa história diante do que vejo acontecer em nosso país. Qualquer desculpa serve, qualquer explicação serve, qualquer motivo serve quando as cortes veem a si mesmas como missionárias de uma nobilíssima causa e essa causa vai para a capa dos processos e dos inquéritos. As situações “excepcionalíssimas” se tornaram rotineiras e o ar que todos respiramos impregnou-se pela fuligem tóxica das exceções e sua torrente de ameaças, censuras, multas, restrições de direitos e desforras pessoais.
Será uma conspiração em desfavor de nossos tribunais superiores, esse sentimento generalizado de que Bolsonaro será considerado inelegível porque se reuniu com os embaixadores ou porque não se vacinou e um cartão forjado diz o contrário? Ou seja lá por que for? Como pode ser tão previsível a opinião de um órgão colegiado? Não duvido de que, em breve, alguns nomes estejam disponibilizados em sites de apostas e que todos integrem o lado direito do arco ideológico contra o qual investem os missionários da democracia e do estado de direito para lá de esquerdo.
Há uma estranha coincidência entre o ânimo desses colegiados, que sobressai do farto manancial de suas manifestações públicas, e os confessados devaneios erótico-vingativos de Lula na prisão.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Prestígio, reputação, caráter - 21/06/2023
Percival Puggina
É dispendioso o esforço que Lula faz para se tornar figura carimbada da cena internacional e é exaustiva a dedicação de seus apoiadores em exaltar o que seria um retorno do Brasil às grandes partidas da diplomacia mundial. A ideia central da empreitada consiste em mostrar que Lula tem prestígio no circuito das grandes capitais da Eurásia.
Então, Lula viaja e Janja, que diz “sofrer todos os dias” em sua missão, descobre aquilo que os navegadores do século XV já haviam percebido: viagens intercontinentais são um saco, quer numa caravela, quer em voo lotado de turistas, quer, ainda, em avião presidencial carregado de puxa-sacos. “Compra um avião novo, meu bem, o Brasil merece”, presumo que tenha dito. Merece sim, senhora. Puxa se merece!
O casal não descobriu ainda, e seus apoiadores jamais perceberão, a enorme diferença existente entre comparecer a eventos internacionais fazendo a coisa certa e ali estar arrotando desinformações e autolouvações, apoiando a quem não deve, falando mal do antecessor e do próprio país, costurando pactos com malfeitores, agradando ao imperialismo russo invasor da Ucrânia, protegendo criminosos como Daniel Ortega e Nicolas Maduro.
Hoje, enquanto escrevo, chegou a vez do Papa servir de palco para Lula. Como ambos falam demais, deve ser uma conversa fatigante. Ontem, Lula teve proveitoso reencontro de alto nível cultural com o italiano Domenico de Masi. Como o sociólogo é famoso pela criação do conceito de ócio criativo, imagino que tenha ajudado na formatação da agenda de futuras viagens do peregrino casal brasileiro. Amanhã, Paris e os abraços de Emmanuel Macron que, como ele, vê o Brasil e o agronegócio nacional com muito maus olhos.
Há, contudo, três surpresas no fim dessa estrada. Elas se revelam ao descobrir que:
1 – Prestígio costuma ser atributo de quem é visitado; não do visitante. Na política, é mais comum que dependa do cargo do que da pessoa. Quando Lula deixar de ser procurado por pedintes e criminosos e abandonar as más companhias de sempre, essa improvável transição poderá contribuir para atenuar seus problemas em relação, também, a outro conceito fundamental:
2 – Reputação, boa ou má, ela nos acompanha ao longo da vida como luz ou sombra e depende do que os outros pensam sobre nós;
3 – Caráter, diferentemente de reputação, depende exclusivamente de cada um. Ou se tem ou não se tem.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Pelotões de fuzilamento e o grande equívoco - 09/06/2023
Percival Puggina
No último dia 6, a Mesa da Câmara dos Deputados cumpriu o que declarou ser mera formalidade exigida pela Constituição e proclamou a perda de mandato do deputado federal Deltan Dallagnol.
Pelotões de fuzilamento
O sinistro episódio foi um repeteco da decisão, também unânime, em que o colegiado do TSE em sessão de um minuto acolheu a narrativa profética do ministro Benedito Gonçalves e cassou o mandato do deputado ex-procurador da operação Lava Jato.
Lula não medira palavras, buscando nos baixios onde prolifera o calão de seu linguajar, para expressar suas intenções vingativas em relação a Deltan Dallagnol e ao senador Sérgio Moro. Daí, um minuto para o TSE cassar e um minuto para a Câmara declarar a perda de mandato.
Um minuto é o tempo de atuação para pelotões de fuzilamento. É o tempo para alinhar, preparar, engatilhar as armas, apontar, ser emitida e cumprida a ordem de fazer fogo. A vítima sacoleja e tomba. O pelotão cumpriu seu dever e se retira em silêncio.
O grande equívoco
Há um grande equívoco, conduzindo a conclusões erradas, em crer que estamos vivendo dias nos quais a justiça comanda a política. É a Política que vem orientando atos da Justiça! Ela o faz desde as salas de aula dos cursos de Direito até as indicações presidenciais para os tribunais superiores, passando por toda a grande árvore das carreiras jurídicas. Dói na alma dizer, mas é preciso andar de viseiras para não ver.
E eu sei que meus leitores veem. Só o que acabo de afirmar explica o que está acontecendo no Brasil. Só assim se entendem os acontecimentos da campanha eleitoral, o tratamento dado às petições do candidato governista de 2022, a guerra pelas urnas sem impressora, a cassação do deputado Daniel Silveira, o silêncio imposto à divergência, a censura, etc. Esses eventos atenderam ao que é de Direito? Ao que é de Justiça? Ou a uma determinada Política?
A Mesa da Câmara deveria agir como pelotão de fuzilamento? Só podia cumprir ordens e retirar-se ao alojamento? Em interessante artigo sobre aquele ato, a Dra. Kátia Magalhães escreve, no site do Instituto Liberal:
(...) se todo o conteúdo decisório reservado ao parlamento, em situações como a de Dallagnol, se resumisse à aposição de um “selo de certificação” ao julgamento das togas, que sentido faria a menção ao direito de defesa em trâmite onde sequer houvesse processo? Aliás, se assim fosse, por que o legislador constituinte teria imposto a participação da mesa diretora na declaração de perda do mandato? Apenas para ocupar o tempo dos congressistas e justificar seus elevados rendimentos? Assim como o TSE fabricou hipóteses de inelegibilidade, da mesma forma, a Câmara acabou de criar uma pseudo-impossibilidade de exame do mérito do caso, que jamais lhe foi vedado pela letra fria da Constituição. Aceitou ajoelhar-se diante de magistrados, chegando a anuir a um “fechamento branco” de sua própria instituição, pois convertida em mera linha auxiliar do Judiciário."
Essa coincidência vem acompanhando sucessivas e inéditas decisões. Elas nos arrastam para um pandemônio jurídico que é o efeito do pandemônio institucional gerado pela reação política ao resultado da eleição de 2022.
No fim do mês, o Foro de São Paulo se reúne em Brasília para comemorar suas vitórias.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Tenho amigos que se omitiram em 2022 - 06/06/2023
Percival Puggina
Algumas pessoas que me leem e conversam comigo preferiram omitir-se nas eleições de outubro. Desde 2019, expressavam desgosto em relação ao presidente Bolsonaro. Ele não correspondia ao seu perfil de estadista conservador, ele procurava casca de banana para escorregar, ele se expressava de modo grosseiro e, muitas vezes era simplesmente grosso. Faltavam-lhe recursos oratórios e não tinha bom desempenho em debates e entrevistas. Tudo verdadeiro, mas, convenhamos, nas circunstâncias políticas nacionais, irrelevante.
Nos primeiros dois anos do mandato presidencial, ou um pouco mais, essas pessoas buscavam “alguém” para substitui-lo em 2022, mas nunca foram além de Sérgio Moro, um nome racionalmente inviável para a corrida presidencial porque suscitava animosidade tanto pela direita quanto pela esquerda: condenara Lula e rompera com Bolsonaro.
Quando Lula, ao cabo de uma ação entre amigos, foi realinhado no partidor da corrida presidencial, eu imaginei que eles fossem entender o óbvio estampado nos fatos: no final da campanha, restariam dois para o segundo turno: um seria Bolsonaro e o outro, Lula. Nessa escolha, o voto em branco ou nulo, a omissão, poderiam redundar numa calamidade nacional. Favoreceriam o sucesso dos que, durante quatro anos, treinaram o país para a instalação de uma democracia de narrativa, que é o outro nome de uma ditadura efetiva (mídia militante, PT, esquerda, STF, etc.).
Tudo isso eu lhes disse, em tom privado, ou em artigos e vídeos nos quais tratei de tais temas. Mas foi em vão!
Qual crianças amuadas, comportaram-se como se o futuro não lhes dissesse respeito. Lavaram as mãos. Hoje, criticam a omissão do senador Rodrigo Pacheco, sem perceber que ele é imagem refletida de suas próprias omissões. Expressam preocupação com as ameaças, as ilegalidades, as inconstitucionalidades, as inseguranças jurídicas, a corrupção dos costumes políticos, como se isso não houvesse estado na memória, na história, debaixo dos olhos e diante do nariz, o tempo todo.
A cereja do bolo dos argumentos com que tentam se evadir de suas responsabilidades morais pelo que está acontecendo é dizer que a eleição de 2022 se travou entre dois populistas. Logo, populista por populista, não fazia diferença votar num ou noutro. Aí já é demais! Sim, eram dois populistas, mas isso nada diz, na prática, quando um dos candidatos ansiava por vingança, querendo beber sangue dos derrotados, pronto para destruir a direita, oficializar a censura, ampliar sua quota de amigos no STF, unir-se à escória do esquerdismo mundial e percorrer todo o abecedário do atraso, do estatismo, das narrativas, da mistificação, da elevação do gasto público e da carga tributária.
Imploro a esses amigos que, finalmente, abram os olhos para o que está acontecendo no país e que, antes de 2026, compreendam as consequências do que fizeram. Que o Senhor nos livre do mal. Amém.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Este é meu modo de dizer: “Presente, Brasil!” - 03/06/2023
Percival Puggina
Estou longe do Parcão de Porto Alegre, neste domingo que espero seja restaurador. Talvez devesse dizer que estou em férias, talvez devesse realmente estar em férias. Mas não consigo desligar-me das aflições de meu país.
Como não ver a democracia capturada? Como não me sentir esbofeteado ao ouvir Lula recomendar a seu companheiro, irmão, camarada Nicolas Maduro que “construísse a sua narrativa”? Como não saber que estamos ferrados nesse universo das ficções, das narrativas?
Temos a ficção do presidente da Câmara, de que os “congressistas estão insatisfeitos” e de que, supostamente, cabe ao governo satisfazê-los. Temos as muitas narrativas com que o STF faz o que bem entende, alegando a excepcionalidade e a urgência do interesse nacional. Temos as narrativas que levaram Lula a ser inocentado na última instância da Globo e as narrativas da mídia que durante quatro anos atribuiu a Bolsonaro o desejo de fazer aquilo que o STF cansa de fazer e que, agora, Lula faz. Temos tribunal cassando mandato de senador em um minuto, reverente à narrativa do ministro relator. E temos o senador Pacheco, um omisso que nem narrativa tem para sua omissão.
Bastam-me estes fatos para não tirar os olhos da estrada por onde nos estão levando e, por tais razões, minha alma estará no Parcão. Estou dizendo presente, do modo que posso. Não me afastariam desse dever cívico divisões, decepções nem malquerenças. Que venham os que ficaram em cima do muro, os que não saíram de casa no dia 30 de outubro, os que por “nojinho” do presidente votaram num nojento de carteirinha, aqueles que o jornalismo militante levou pelo nariz para onde quis. Que venham os arrependidos e os que sequer se arrependeram, como a turma do MBL.
Não me importa quem lute pela liberdade e pela dignidade dos cidadãos, contanto que o faça, que se exponha, que mostre o rosto e grite contra aquilo que rejeita. Se trata de dizer não à injustiça, à prepotência, às ameaças. Para dizer isto basta ser humano, não dobrar a espinha, não andar de bojo e não trazer os joelhos encardidos (como exclamou Cyrano de Bergerac, o inesquecível personagem de Edmond Rostand).
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Drible de caneta - 31/05/2023
Percival Puggina
Gradualmente, a bruma se dissipa. A gente pisca os olhos como para limpar a visão e começa a ver um pouco além da grande confusão dos últimos meses. Já não se trata mais de buscar as razões do que aconteceu, porque elas nunca foram razões da razão; o que se percebe, com realismo, são os motivos e os objetivos. O impeachment de Dilma e a presidência de Michel Temer foram dois pontos fora da curva e a eleição de Bolsonaro marcou o terceiro surfando nas redes sociais apesar da imprensa tradicional e do “Ele não!”. Acabei de mencionar os motivos; os objetivos, obviamente, foram dois: derrotar Bolsonaro e, com Lula, trazer a esquerda de volta ao poder.
O fato mais expressivo da campanha eleitoral de 2022 foi a nítida sensação de que a reeleição do presidente era inaceitável para quem se habituou a comandar o jogo. Episódio eloquente ocorreu no dia 12 de dezembro do ano passado, na cerimônia de diplomação da chapa eleita: o auditório do TSE, repleto de autoridades e petistas engravatados, saudou a chegada do ministro Alexandre de Moraes à mesa dos trabalhos com estrondosa e prolongada salva de palmas. Uma alegria incontida que só não entendeu quem não quis. Os cotovelos de Lula devem ter ficado magoados porque sua recepção foi muito menos calorosa. Revela-se nesses detalhes o ânimo legionário que permite a locução de praxe: missão dada, missão cumprida.
Para usar uma expressão do futebol, a história levou um drible “de caneta”. Como no poema de Drummond: “E agora, José?”.
Durante décadas, eventuais conclusões sobre o futuro do Brasil nas mãos da esquerda eram rotuladas como teoria da conspiração. Agora, não dá mais, porque tudo que se dizia sobre as consequências de uma futura vitória de Lula, está em pleno curso, aberto, declarado, estampado. Parece que o presidente saído das urnas não se preocupou, nem mesmo, em cuidar da imagem de seus benfeitores.
Quer desestatizar, impedir privatizações, ampliar a máquina e o gasto público, distribuir empregos para seus militantes revogando a Lei das Estatais, aumentar impostos, reestatizar o Banco Central, desarmar a população, apoiar as ações do MST, desqualificar quem se dedica ao agronegócio, descartar a cláusula democrática para retomar o projeto da UNASUL, apoiar ditaduras de esquerda na América Latina, ampliar sua influência sobre o topo do Poder Judiciário e formalizar a censura das opiniões nas redes sociais, através do PL 2630. De novo, mesmo, apenas a ideia de financiar a Argentina através do Banco do BRICS, incluir Venezuela como membro daquela organização e criar moedas únicas com quem quer que o convide a dizer algo sobre economia.
Hoje, examinei as imagens da reunião dos presidentes dos países da América do Sul. Vi Lula em reuniões reservadas e renegociando dívidas com Nicolas Maduro. O ditador venezuelano, aqui recebido com pompa e circunstância, é um narco-terrorista que se chegar num país que pretenda proteger seus cidadãos, vai preso.
Nisso tudo, o que mais me espanta é conhecer tanta gente que simplesmente não se importa em perder sua liberdade (e, com ela, sua dignidade) e ferrar seu país.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O fique em casa era um treino para o cala-boca. - 27/05/2023
Percival Puggina
Para o lulismo, divergir da retórica petista é promover discurso de ódio. Algo inaceitável pelos devotos daquela alma cândida e serena, que anda pelo mundo com espírito de peregrino.
Quando Lula seguiu para a prisão com os veículos da Polícia Federal, imaginei que estivéssemos atingindo o ápice de um evento cósmico. No entanto, o sol não se fez escuro, a terra não tremeu e o véu do templo permaneceu incólume.
Presenciávamos o fracasso dos falsos profetas e a perda de forças dos tutores da História. Não haveria como reescrever – não para esta geração – o que todos contempláramos. Não haveria como desgravar, desfilmar, desdizer, e não seria possível desmaterializar os fatos.
Só que não. A estratégia posta em curso se revelou de uma eficiência que -devo confessar – gostaria de conhecer o autor ou autores. Uma competência dessas, se difundida e aplicada a serviço do bem, seria preciosa para a humanidade.
Em três anos, a esquerda havia retomado o comando da narrativa. De modo disciplinado, os veículos do consórcio de mídia desdisseram o que haviam dito, deram um cavalo de pau e se reencontram agora, na estrada, com a poeira que haviam levantado.
O vírus corona funcionou, na operação, como detonador de um processo de transformação psicossocial. Ao medo causado por ele, ampliado pelo intensíssimo trabalho da mídia, inclusive das plataformas das redes sociais, somaram-se a supressão de garantias e as restrições à liberdade impostas pelo STF.
Na ocasião, surgiram advertências, mal-ouvidas e mal-recebidas, segundo as quais aquilo era um treinamento para o que viria depois. Após dois anos com a Covid servida aos telespectadores brasileiros em proporções cavalares, parcela inimaginável da população estava pronta para suportar doses crescentes de submissão. Prontos, inclusive, para dizer que os fatos não são como os veem, mas como é dito que os fatos são. Acidentalmente, vídeos são inutilizados e gravações perfuradas. As mais altas cortes da República recontam a história da Lava Jato e a campanha eleitoral de 2022 transcorreu num contexto histórico simulado, fictício, em que um dos candidatos simplesmente não tinha passado. Assistimos à desmaterialização dos acontecimentos.
Com frequência me lembro de um ministro do STF/TSE – aquele de prazos curtos e multas pesadas – usando a expressão “Na hora que prender dois ou três eles param rapidinho” (alguém lhe falara de suposta pressão de patrões sobre empregados para votarem em Bolsonaro). O mesmo ministro não conseguiu ocultar o ar de felicidade quando foi alertado por alguém que nos Estados Unidos a invasão do Capitólio já dera causa a mais de duas mil prisões. Afirmou ele, então, três semanas antes do dia 8 de janeiro: “Tem muita gente para prender e muita multa para aplicar”.
Em resumo: nem fechando os olhos deixo de ver que há um caminho sendo percorrido, em detrimento da nossa liberdade de expressão, que já é mencionada como “coisa de um tempo que acabou no Brasil”.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Mistificação e dominação cultural - 25/05/2023
Percival Puggina
Você já reparou no quanto a esquerda detesta o Brasil? Observe o mimimi histórico que nos é despejado em salas de aulas e em fake analysis da mídia ideologicamente manipulada: o Brasil explorado, suas riquezas drenadas, “veias abertas” ao longo dos séculos por um colonialismo de péssima origem, que nada de bom produziu e a ninguém dignifica. Bem ao contrário de todos os povos, o brasileiro é ensinado a se constranger de sua história e a repudiar suas raízes. Rompidos nossos elos com o passado, o mesmo mimimi se volta para as sujeições internas, para a odiosa burguesia europeia, branca, machista, racista, capitalista e sei lá mais o quê. Tudo construído para que nos vejamos como palermas necessitados da inteligência, sagacidade e discernimento dos “intelectuais” e políticos que disponibilizam esse condensado de desinformação.
Você jamais ouvirá uma só palavra que nos dignifique. Elogiam a latino-americanidade, a pátria grande do Foro de São Paulo e da UNASUL, e vilipendiam nossas origens ibéricas e lusitanas. Nessa infeliz preleção, o pequeno Portugal, cujo território é uma terça parte do meu Rio Grande do Sul, que foi o primeiro Estado Nacional europeu, torna-se objeto de ressentimento e desprezo. Oculta-se o fato de aquela minúscula nação se haver erguido à liderança mundial nos séculos XV e XVI, assumido a tarefa quase impossível de povoar o continente brasileiro e ter trazido a esta parte do mundo civilização a ocidental e cristã. Aliás, minimiza-se a própria importância dessa civilização que nos proporcionou idioma, fé e cultura. Até a comemoração dos 500 anos do Descobrimento foi repudiada!
Grandes figuras da nossa história precisam sumir em breves referências que não exaltam sua importância e, menos ainda, os propõem ao reconhecimento e à gratidão nacional: José Bonifácio, Pedro I, Diogo Feijó, Duque de Caxias, Barão de Mauá, Pedro II, D. Leopoldina, Barão do Rio Branco, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa. Eles e tantos outros, em qualquer país que os contasse entre seus filhos, seriam credores de louvor e admiração. No contrapelo, os que viram pelo avesso nossa história oferecem o culto a José Dirceu, José Genoíno, Carlos Marighella, Luís Carlos Prestes...
Por isso, multidões se emocionam com os vídeos do Brasil Paralelo. Eles enfatizam nossa dignidade, nossos méritos, os fundadores da pátria. Sobram-nos razões para o justificado orgulho nacional que todos os povos têm e no qual fundam parte de suas energias. Não somos filhos da macega! Não se trata de ocultar recantos sombrios de nosso passado (qual país não os tem?), mas de fazer o que os demais fazem, valorizando os muitos aspectos positivos para neles cravar raízes e com eles estabelecer nossa identidade nacional.
A conta política da história mal contada se materializa em submissão aos narradores que também se apresentam como redentores da riqueza nacional. Em cinco séculos, apenas os 14 anos de governo petista mereceriam respeito. Tenho ouvido, como sedutor relato contado e aprendido, que o Brasil tem riquezas abundantes das quais e graças às quais todos poderiam viver na fartura. É parte do processo de dominação cultural preservar e reforçar a atitude dependente e subalterna em relação ao Estado, entendido como inesgotável provedor de nossas necessidades comuns e de nossa segurança individual. O Estado precisa ser grande e forte para que à sua sombra possamos viver em meio a muitas estatais, empregos públicos e pressuroso atendimento de todas as demandas sociais. Os sedutores que nos querem dominar se apresentam como portadores desse cardápio de muitos direitos e escassos deveres, a preços de liquidação, embora no delivery só disponibilizem miséria e totalitarismo.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O silêncio dos nada inocentes - 20/05/2023
Percival Puggina
Por que a Câmara dos Deputados aprovou a prisão do deputado Daniel Silveira, silenciou perante o “fique em casa” e o “lockdown”, aceitou os primeiros ataques à liberdade de expressão e tolerou que até seus membros fossem sancionados com restrições de direitos de uso das redes sociais?
Por que, como poder de Estado com legitimidade para representação do povo, conformou-se quando a cúpula do Judiciário foi assumindo competências do Governo e do Parlamento?
Por que se aquietou quando ato soberano de concessão de graça a um parlamentar foi jogado à lixeira no plenário do STF? E por que o Senado da República nunca reagiu aos abusos de poder, reelegeu com ampla margem o mais omisso de seus presidentes e nada faz para conter a onda totalitária que agora conflui ao novo governo? Por que apenas uns poucos e valorosos discursos ousaram protestar contra a violência que caracteriza a cassação do deputado Deltan Dallagnol?
Nesse já longo e sinistro caminho, enquanto tantos se ocupam com a CPI das apostas, das Americanas, das criptomoedas, e outras questões de variado porte, uns poucos e bravos deputados custam a encontrar assinantes para a CPI do abuso de autoridade. Então, cravo aqui mais um “por quê?”.
Há várias respostas, mas a essencial é a enorme distância que nosso sistema de eleição proporcional estabelece entre os parlamentares e os cidadãos, entre Brasília e a Santana do Livramento onde nasci. Em nosso sistema, deputados e senadores só têm contato com quem está na sua bolha. Não são abordados, nem conhecidos. Menos ainda são reconhecidos e cobrados por quem está fora de seu convívio, de suas equipes e dos recursos que liberam em destinações específicas. Cristalizou-se no Brasil um sistema antipovo.
Por isso, temas da cidadania não suscitam interesse do parlamento, a menos que, em surtos de animação, as redes sociais sejam acionadas. Por isso, cá nas escarpas da realidade, longe da planície dos favores, costumamos dizer perante raros congressistas favorecidos por convite para se manifestar em algum canal de tevê: “Esse me representa!”. É o cidadão brasileiro que habita em nós diante de alguém que desviou os olhos dos interesses pessoais e viu a nação, viu a democracia solapada, o estado de Direito corrompido, a liberdade sendo suprimida, os brutamontes se multiplicando e elevando o tom de voz.
Os temas da cidadania morrem à míngua com esse sistema eleitoral! Creia, leitor amigo, voto distrital faz de cada deputado representante de todos em seu distrito, devedor de explicações a quaisquer de seus cidadãos. Se não os representar bem, perde o mandato por decisão daqueles que o concederam. É vacina indispensável à cura da enfermidade que descrevi, capaz de sanar o primado da estupidez e da aberração instalado no país. Sei que isso não é fácil nem para já. Por enquanto, só posso apontar a razão não-monetária pela qual nosso Congresso não lhe dá a mínima bola, cidadão. Os votos da reeleição já estão sendo comprados com recursos da torneira conectada a seu bolso.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Depois de ouvir Bárbara - 15/05/2023
Percival Puggina
Ontem, Dia as Mães, assisti ao vídeo da audiência da Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados na última quinta-feira (aqui). Todo brasileiro deveria, no correr desta semana, tratar de assisti-lo. Isso se tornou imperioso. O vídeo tem pouco mais de três horas que serão usadas de modo importante para o bem de cada um, de sua família e do país. A vida nos colocou neste tempo e neste lugar quando e onde somos testemunhas de dias e de fatos que marcarão de modo indelével nossa existência. Não podemos virar às costas e sair da História, como se fôssemos um Coelho Relojoeiro que jogasse fora seu relógio e se recolhesse entre os sonhos de Alice sobre um país das maravilhas chamado Brasil.
O fato de ser Dia das Mães me aproximou muito do drama e da atitude missionária da principal depoente do evento, Bárbara Destefani (canal “Te atualizei”). Nem de longe dedicaria um cumprimento a qualquer de seus algozes, mas de bom grado viajaria para externar àquela jovem mãe minha profunda admiração. Talento e coragem, senso de humor e seriedade fizeram dela uma figura nacional, sujeita à dupla condição de martírio e assédio.
O silêncio das feministas é um libelo. O silêncio dos senadores sobre o descontrole do STF revira o estômago. O que fazem com Bárbara (que tomo com símbolo de tantos) é a maior evidência de que 1) estamos sob censura no Brasil; 2) a censura vem do topo do Poder Judiciário nacional; 3) tudo mais que se diga sobre o PL 2630 para lhe dar espaço na vitrina das intervenções do Estado é meramente decorativo, acessório. O assunto é censura, sim, num país onde se estabeleceu um poder que não aceita ser contradito. De contrariado, claro, nem se cogita.
Houve um tempo, e já vai longe, em que perante certos tratamentos desiguais, clamava-se contra “dois pesos e duas medidas”. Era o senso popular de justiça. Do mesmo modo, houve um tempo em que punir Chico cidadão comum, mané, pé-de-chinelo, implicava o dever de punir, por iguais motivos, o abonado e influente Francisco, em seus mocassins italianos.
Pois tudo isso ficou para trás, levado na voragem de uma justiça cujos olhos servem a uma visão particular de futuro. Por ser particular, essa visão perde as condições para ser imposta legitimamente a todos. Quais condições? A legitimação dada pelos constituintes à Constituição, pelos legisladores às leis e pelo povo aos parlamentares que elege para representá-lo. Aquele futuro que essa justiça vê (sua compreensão sobre o destino do mundo, da pessoa humana e da sociedade) é apenas um futuro dentre outros possíveis. Perante tal pluralismo, cabe aos parlamentos discernir! Não aos juízes. Não aos ministros. Fora disso, o que se tem é “golpe”, para usar o vocábulo da moda.
Na prática do tempo presente, o pau que bate em Chico só bate em Chico. E não há mais dois pesos e duas medidas. Há apenas um peso e uma singular medida. Ambos servem aos fins de determinada causa, vale dizer, à destruição de uma corrente política e de pensamento dentro da sociedade, cortando suas derradeiras possibilidades de comunicação. Esse prato da balança tem peso zero.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A verdade foi sepultada viva - 20/04/2023
Percival Puggina
Sob sete palmos de terra e cinco anos de sigilo, a Verdade gemia dentro do caixão. A balbúrdia dos militantes nas tribunas, nos microfones, ante as câmeras, nas redações, abafava seus clamores. Parente próxima da Verdade, a Lógica corria de porta em porta e alertava nas esquinas e mesas de bar que ela sobrevivia; sufocada, mas viva. O governo gastava promessas, anunciava emendas, prometia recursos e cargos (a moeda oficial da compra de consciências em instituições enfermas) para que nenhuma comissão parlamentar de inquérito a fosse resgatar.
Era muito mais conveniente ao governo um inquérito que aplicou tornozeleiras e colocou atrás das grades mais de duas mil pessoas. Todas empacotadas com o rótulo de terroristas, ou vândalas, ou golpistas responsáveis por incitação ao crime e associação criminosa (vândalos reais e seus financiadores, se presos, estão no lugar certo).
Aos donos do poder vinha sendo bem mais confortável pespegar rótulos à oposição do que examinar os próprios meios de ação desde uma perspectiva moral. Ontem, a propósito, um jornalista da Jovem Pan retirou do baú da memória uma brilhante frase que o ex-senador José Serra usava para denunciar a conduta dos petistas no parlamento dizendo que batiam a carteira e saíam gritando “Pega ladrão!”.
Era muito, muito conveniente examinar aqueles vídeos, sepultá-los no ataúde da Verdade, mandar prender o secretário de segurança do Distrito Federal que estava em férias, destituir o governador do DF e convocar Bolsonaro para depor. Ao mesmo tempo, deixar solto o general Gonçalves Dias, sem sequer ouvir o Ministro da Justiça. Aos vídeos, diziam, impunha-se sigilo por uma questão de “segurança das próprias instalações de segurança do Palácio do Planalto”. Não entendo de segurança, mas reconheço uma hipocrisia.
O general Gonçalves Dias, também se soube ontem, foi Secretário de Segurança da Presidência da República nos dois mandatos anteriores de Lula e chefe da Coordenadoria de Segurança Institucional da ex-presidente Dilma Rousseff.
Com o que se sabe hoje, devo exclamar: Que inquérito, senhores! Que inquérito!
Aqui, desde esta pequena cápsula de trabalho a que chamo gabinete, penso no omisso senador mineiro Rodrigo Pacheco e nos enfeitados caciques partidários que com larga margem o reelegeram para presidir o Senado Federal. Talvez agora, que o chão se abriu sob seus pés e as vítimas dessa omissão caem no seu colo, o senador, enfim, se disponha à desagradável e inédita experiência de cumprir seu dever para com a nação.
A Lógica, sentada ao lado do túmulo da verdade, aguarda a CPMI e a exumação da parente sepultada viva.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Síndrome de A. de M. - 19/04/2023
Percival Puggina
Nunca tive qualquer simpatia pela Constituição de 1988. Sempre a considerei uma parolagem esquerdista, redigida com os olhos no passado e os dois pés no futuro. E o futuro, sabe-se, é inédito e incógnito por natureza. Como consequência, viver o presente e responder às demandas da realidade não acontece sem as tais emendas que entulham o texto original da Constituição e em propostas que se acumulam na forma de PECs.
No entanto, se a Constituição me desagrada de modo contínuo e crescente ao longo dos anos, o mau uso que dela vêm fazendo os atuais ministros do Supremo Tribunal Federal me leva a chamá-la, carinhosamente, “queridinha do vovô”. Se a cumprissem, se a respeitassem, se a seus limites se submetessem todos que a usam como instrumento de trabalho, nos vários níveis e compartimentos do Poder Judiciário, eu já me dava por satisfeito. Pedia um cafezinho e perderia menos tempo diante do teclado do computador.
Na esteira dessa permissividade interpretativa, gasta-se um tempo que permitiria dar duas voltas ao mundo. O Supremo perdeu credibilidade, a censura retornou agravada ao cotidiano nacional, as opiniões se percebem ameaçadas e sitiadas, e os cidadãos à direita do arco ideológico que querem exercer sua liberdade têm no horizonte interdições de direitos, tornozeleiras e grades.
Partidos e parlamentares de esquerda recorrem com assiduidade ao STF para pedir que sancione seus adversários com penas de inelegibilidade e prisão; no parlamento, requerem cassações de mandatos. Aqueles silenciosos e sigilosos inquéritos do fim do mundo passaram a integrar o arsenal retórico com que alguns pretendem conter a oposição: “Olha que o bicho-papão te põe no saco do inquérito!”.
É nesse cenário que a PGR considerou viável pedir a prisão do senador Sérgio Moro em virtude de uma brincadeira, feita tempos atrás durante uma quermesse. Em Estado de Direito, algo assim não ocorre. É como se ensaiássemos, aqui, um faroeste onde a lei é feita por quem se vê como xerife. Não faz grande diferença, em parâmetros civilizados, se é a tinta na caneta e não a bala no cartucho o instrumento do abuso que vai substituir a lei em nome de intenções que, muito comumente, dão sinais de envolver mais uma satisfação própria do que a da sociedade.
Depois de tudo que vi nos últimos quatro anos, identifico com clareza a propagação de uma síndrome no Estado brasileiro – a Síndrome A. de M.. Ela pode ser identificada em muitos titulares de poder que agem como o ministro Alexandre de Moraes em suas afoitas e pesadas intenções punitivas.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Bem-vindos ao passado! - 10/04/2023
Percival Puggina
Ainda que eu tivesse boa vontade – e desta não me resta um pingo –seria impossível não gritar, como se neste texto escrevesse em negrito e caixa alta: no Brasil, as leis más são protegidas pela espada de Themis (as que se referem à prisão de criminosos, por exemplo) e as leis boas (a das estatais, por exemplo) sujeitas a tratamento desdenhoso. Agentes políticos têm uma face para cada ocasião, como se o rosto fosse parte do vestuário que vai da bermuda ao black tie, com todos fingindo não notar. Eu noto.
Uma das melhores leis votadas pelo Congresso na última década foi proposta e sancionada pelo presidente Temer. Refiro-me à Lei das Estatais. Ela foi rigorosa em proteger tais empresas da pirataria política. À época, a nação parecia ascender a um patamar ético superior com o resultado das investigações da Lava Jato. Dinheiro roubado era espontaneamente devolvido, ou judicialmente recuperado. Corruptos e corruptores, presos. Hoje, sabe-se, os ladrões estavam certos; errada era a Lava Jato. E essa é uma história que não sou louco para contar.
As quarentenas de 36 meses para políticos em atividade proverem cargos de direção e conselhos de administração, bem como as exigências técnicas e de experiência para tais funções, resultaram em estatais lucrativas e fim dos escândalos. Mas o petismo retornou ao poder e, de repente, mudou de traje e de rosto, tratando de reduzir de 36 meses a quarentena que servia aos outros, para 30 dias, agora suficientes aos seus parceiros ... Senhor! Dá-me forças pra viver!
Se você acompanhou o período em que as notícias nacionais focavam aquela multidão que compunha a comissão de transição, certamente sentiu ali o tamanho do problema por vir. Havia uma inadequação entre o recipiente (a máquina estatal) e o conteúdo (número de companheiros e parceiros) a ela destinados. Faltava máquina e sobrava parceria.
A dificuldade está provisoriamente resolvida por decisão monocrática do ministro Ricardo Lewandowsky, que deixa o Supremo agora, no dia 11 de abril. Em meados de março, o ministro acolheu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo PCdoB e derrubou parte importante de uma boa lei aprovada pelo Congresso Nacional, com votos do governo e da oposição, vigente há quase sete anos! Representação popular, para quê? Enquanto o colegiado do STF não decidir, ficamos sem quarentena: nem 36 meses, nem 30 dias; basta sair de uma cadeira para sentar na outra. E muito espumante foi aberto em alegres comemorações.
O fato é que nos reencontramos com o passado de 2003, cujo futuro é a íntegra de uma história já contada. Bem-vindos ao passado! Ele está apenas recomeçando.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Militares, policiais, religiosos e os poderes políticos - 09/04/2023
Percival Puggina
O fenômeno é visível. A cada episódio eleitoral, aumenta o número de candidatos vinculados a instituições militares e policiais. O motivo é evidente. Desses grupos são esperadas virtudes inerentes à sua formação: respeito à lei, disciplina, valores consolidados, amor à pátria, civismo, honra, coragem, entre outros. Deles também se presume compromisso com a segurança da sociedade e do país. Sim, assim se presume. Quanto mais ameaçada se sentir a sociedade, mais ela voltará sua atenção aos candidatos procedentes das instituições voltadas à sua segurança. Em 2022, elegeram-se 87 policiais e militares para o Congresso Nacional!
Por motivação análoga, todo ano cresce o número de candidatos oriundos das atividades pastorais. É notável a dimensão que esse fenômeno adquiriu ao longo de sucessivas eleições em todo o país. Há hoje partidos políticos vinculados a igrejas que dividem o pentecostalismo original em um número sempre crescente de fragmentos e tendências.
Legendas como o PL, o Republicanos e o PSC reúnem bancadas numerosas, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Qual a razão disso? Por que aumenta a cada pleito o número de pastores com mandato parlamentar? É simples: pessoas que se sentem desprotegidas na segurança de sua vida e de seus bens, não raro se percebem, também, crescentemente ultrajadas em sua fé e em seus bens espirituais e afeições morais. Então, buscam proteção política da igreja que frequentam. A Frente Parlamentar Evangélica contabiliza 132 deputados, 14 senadores!
Embora tenha sido rejeitada pelos tribunais a tese de um suposto “abuso de poder religioso” por candidatos das igrejas, bem como a de impedir propaganda eleitoral durante os cultos, essa é uma ideia que ronda os pleitos. Não preciso dizer quem mais se agrada das propostas que coibiriam tais práticas.
Se os militares e policiais eleitos se penduram, de modo muito preponderante, do centro para a direita no varal ideológico, o mesmo não se pode dizer dos evangélicos. Em muitos casos, estes formaram base com governos petistas mostrando que a orientação religiosa nem sempre acompanha a política.
Indo para a conclusão. Quando o eleitor vota em militares e policiais, está pedindo socorro. E quando o PT se propõe impedir a participação de militares e policiais em disputas eleitorais e funções de governo, está, simplesmente, querendo se livrar de uma oposição com crescente êxito eleitoral. Quando eleitores votam cada vez maior disposição em pastores e em raros católicos que manifestam sua fé, estão apoiando quem se dispõe a enfrentar a sistemática destruição moral e cultural do Ocidente empreendida pela esquerda.
Partidos de esquerda fariam grande bem, até a si mesmos, se ponderassem os motivos pelos quais tantos eleitores os rejeitam. E a hierarquia católica faria melhor se, depois de cantar “Vitória, tu reinarás!”, pensasse no motivo pelo qual vem perdendo todas as batalhas da contemporaneidade, inclusive dentro dos educandários católicos.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O homem com a bilha d’água - 08/04/2023
Percival Puggina
O evangelista Lucas, em 22,8-13, faz um relato instigante sobre a preparação da ceia que antecedeu a Paixão. Pedro e João foram incumbidos por Jesus das providências necessárias e perguntaram-Lhe onde ela deveria acontecer. A resposta – vejam bem – foi assim:
"Logo que entrardes na cidade, encontrareis um homem levando uma bilha d'água. Segui-o até a casa onde ele entrar. Direis ao dono da casa: O Mestre te pergunta: onde comerei a Páscoa com meus discípulos? E ele vos mostrará no andar superior uma grande sala provida de almofadas. Preparai ali".
Não é uma determinação incomum? Quem era aquele personagem que entra visto pelas costas na história da humanidade? Personagem anônimo estava, na hora certa, no lugar certo, cumprindo sua missão. Usando uma expressão que ganha popularidade nestes dias tumultuados e de tão pouca fé humana nas pessoas das instituições, aquele homem me representa. Nos representa. Como ele, temos que palmilhar o caminho para a casa do Pai, e devemos fazê-lo de tal maneira que outros livremente nos sigam.
O homem com a bilha d’água, de certo modo e do modo certo, serviu a Cristo como a Igreja O deve servir, sem perguntar qual seria seu lugar na mesa, sem posar para a fotografia. O que transcorreu naquela casa, transformada no mais importante templo material do cristianismo, seria mais do que suficiente para impor ao evangelista uma identificação bem precisa. Mas não. Não é assim que as coisas acontecem na história da Salvação.
Também os sacerdotes por uma graça superior à sua condição humana, comparecem ao altar da Santa Ceia como o homem da bilha d’água. Abrem as portas da grande sala e a confiam ao Mestre para que opere, ali, o imenso dom da Eucaristia, “como aquele que serve”. Na eternidade, assim como no tempo humano – eis que sempre, em algum lugar, ela está sendo celebrada – a Eucaristia faz permanente a Aliança, o sacrifício da Cruz e a Ressurreição.
Feliz Páscoa!
O Brasil pertence aos índios? - 21/03/2023
Percival Puggina
Corria o ano 2000 e a nação se preparava para festejar os 500 anos do Descobrimento. Nunca a esquerda foi tão indigenista! Cabral era vaiado nas salas de aula e na mídia. Se aparecesse alguma caravela, seria afundada. Aliás, fizeram uma que, de maneira muito suspeita, se recusou a navegar. Em Porto Alegre, o relógio que fazia a contagem regressiva serviu a culto indígena prestado por descendentes de europeus que copiaram performances apaches aprendidas do cinema ianque. Tocaram fogo no relógio, dançaram em torno da fogueira e foram comemorar num restaurante.
Quando escrevi criticando a representação teatral e o incêndio, que contou com proteção do oficialismo petista da época, respondeu-me um padre, reprovando minha posição. O que segue é um extrato dos argumentos que usei na réplica e atende solicitação de leitor do Instagram que, há alguns dias, me pediu informações sobre o tema.
Comecei a carta ao padre alertando para a obviedade tantas vezes mencionada por mim: o fato de o espaço físico do nosso subcontinente já estar povoado não significa que ele não tenha sido descoberto porque, de fato só se descobre o que já existe; o que não existe e passa a existir é criado ou inventado. Os portugueses descobriram algo que lhes era, em todos os seus aspectos, desconhecido.
São raríssimos os casos em que os atuais ocupantes de quaisquer áreas do globo estão nelas e as têm como suas desde os primórdios. Não era diferente aqui, antes de Cabral. As tribos disputavam o litoral, por ser mais aprazível do que o interior. Na Bahia, onde aportaram as caravelas, os tupiniquins haviam expulso os tapuias, nome que significa “índio do mato”.
No Peru, os Chavins, os Nazcas, os Paracas, os Moches que ocupavam a costa do pacífico no século XVI, foram expulsos ou submetidos pelos Incas. E os astecas, a quantos expulsaram e sacrificaram? Que fizeram na Europa e norte da África, ostrogodos, visigodos, suábios, hérulos, vândalos, entre outros?
Por ser meu interlocutor da época um presbítero, pareceu-me oportuno lembrá-lo de que nem Deus conseguiu que a Terra Prometida estivesse desocupada e disponível para o povo da Aliança quando os israelitas se retiraram do Egito. Rolou sangue, muito sangue.
Aliás, é bom que os cristãos devotos desse tão engenhoso quanto inútil revisionismo histórico tenham presente o que aconteceu quando Constantino decretou e impôs o fim da religião do Império Romano. Nunca vi qualquer religioso “progressista” ou conservador, reclamando do que foi feito com a civilização e a cultura romana anterior ao Cristianismo. Coitados! Num canetaço imperial lhes tomaram a fé e os templos. Quantos deuses romanos ficaram ao relento! Tampouco vi alguém denunciando a ação evangelizadora e restauradora da civilização empreendida por cristãos junto aos bárbaros na baixa Idade Média. Nem sobre os procedimentos de Clóvis, rei franco, após seu batismo.
Lamentar o fim da “civilização” pré-cabralina, como tantas vezes ouço, é fazer uso totalmente inadequado da palavra civilização. Pode-se falar em “cultura”, mas tampouco esta teve um fim. Há tribos que vivem até hoje como viviam ao tempo do Descobrimento. Mas será isso positivo? Será bom que essas pessoas vivam privadas dos benefícios da civilização e sirvam de laboratório para estudos antropológicos?
Por outro lado, tenta-se extrair dividendo político e moral de uma suposta descoberta petista sobre os problemas dos povos originários após o Descobrimento. Não subestimem os meus professores de escolas públicas nos anos 50, lá em Santana do Livramento! Aprendi deles e dos mais elementares livros de história da época que os índios foram vítimas de violência, tentativas de escravidão etc. Não sei de onde saiu o suposto mérito petista de, num furo de reportagem, trazer à superfície a verdade sobre tais fatos. Novidade é a tentativa de extrair, além do impróprio dividendo moral, o lucro ideológico disso, jogando brasileiros contra brasileiros, tentando simplificar a história para reduzi-la aos termos da interpretação marxista de luta de classes. Novidade é entrar de martelete e picareta no relato dos acontecimentos históricos para deslegitimar todos os títulos de propriedade do país. Que eu saiba, nem Engels pensou nessa!
Na Ibero América, a esquerda católica, conhecida na Itália como “cattocomunista” parece não reconhecer o valor da conversão, do batismo e da evangelização de um continente inteiro. Chego a crer, que muitos religiosos veem com maus olhos a cruz plantada nas areias de Porto Seguro, após a primeira missa, pelos nossos descobridores que ante ela se ajoelhavam para que os nativos (na forma da carta de Caminha) “vissem o respeito que lhe tínhamos” ...
Muitas vezes, nas datas nacionais que cultuam o verde e amarelo da nossa bandeira, quando a esquerda está na oposição, seus militantes costumam proclamar do alto de sua simulada benignidade que nada há a comemorar porque as coisas não vão bem. A gente os conhece, mas sempre me surpreende quando quem diz isso é um religioso católico ou cristão. Afinal, se fossem boas essas razões, as próprias festas cristãs deveriam ser suspensas porque estamos tão longe do Reino de Deus e de seus critérios que deveríamos entoar, em todas as missas, um cântico que iniciasse com “Nada a comemorar, Senhor!”.
Eu continuo crendo no valor do batismo e convencido de que há um bem intrínseco na evangelização e na civilização. E quando vejo essas dezenas de milhões de mestiços que compõem a parcela majoritária da população do norte, nordeste e centro-oeste brasileiro, trazendo nos cabelos, nos olhos, na estatura, as marcas de suas raízes indígenas, e os encontro nas missas e na vida civilizada, me alegro pela obra dos jesuítas e de quantos para cá vieram, com os recursos da época, fazendo a história como sabiam, com a coragem que nos falta e com os conhecimentos inerentes ao período em que viviam.
Todas essas manifestações de repúdio aos brancos que se intrometendo aqui não viraram índios e não trouxeram a bordo antropólogos, sociólogos, psicólogos e filósofos me suscitam uma dúvida: onde querem chegar? Devemos voltar para a Europa, confinarmos os brancos em reservas e devolvermos tudo para os índios? Nos juntarmos a eles no mato? Des-descobrir? Desconstruir? Desevangelizar? Deseducar? Desmestiçar? Retornarmos os brancos à Europa, os negros à África, os amarelos à Ásia? Não conheço pensamento mais racista do que esse.
Admito que muitos pensem diferente. Também eu preferia que essas coisas e muitas outras tivessem ocorrido de modo diverso. Mas não vou passar a vida remoendo fatos ocorridos em séculos passados, escrutinando-os anacronicamente. Menos ainda criando um impasse sem solução sobre nossa identidade nacional. Não podemos corrigir o passado, mas o futuro, sim.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Por que sou conservador? - 18/03/2023
Percival Puggina
Minha primeira resposta a essa pergunta, no Brasil destes dias, encontra perfeita explicação em palavras de Cirano de Bergerac:
O que queres que faça? Almoçar cada dia um sapo e não ter nojo? Trazer os joelhos encardidos? Exercitar a espinha em todos os sentidos? Gastar o próprio ventre a caminhar de bojo? Não, muito obrigado!
Não, muito obrigado, mesmo! Sou conservador porque não me presto para ser aquilo em que nos querem transformar. Sou conservador porque vejo erodidos valores que tenho como sólidos e cuja eficiência comprovei em longas décadas de vida. Não sou um inexperiente nessa coisa de viver.
Sou conservador porque condeno as utopias, independentemente de quem as enuncie e sou capaz de identificar distopias, mormente quando querem me impor uma delas. Sou conservador porque aprendo com a História, quero corrigir o que está errado, manter o que a experiência passada me comprova ser bom e corrigir o que pode ser aprimorado.
Sou conservador porque vejo o mundo cultural, a academia, os partidos de esquerda e o próprio aparelho judicial militante ocupados em dar forma a um falso humanismo que não recusa a cessação das liberdades com vista aos fins enunciados. Ou, quando piores, implícitos.
Vem perdendo muito vigor, aquele conjunto de princípios que nós, conservadores e liberais, mantemos em comum, a saber, entre outros:
- Democracia política,
- Limitação dos poderes,
- Universalidade dos direitos humanos,
- Igualdade de todos perante a lei,
- Liberdade de expressar o pensamento, ir e vir, reunir, empreender,
- Liberdade de culto e o respeito às religiões.
Tais princípios cedem lugar a um autoritarismo que, no Brasil, ganha proporções alarmantes, contaminando os compartimentos do poder. É o que percebo rotinizado, por exemplo, nas presidências das duas Casas do Congresso e de suas comissões e no topo do Poder Judiciário, com natural aquiescência do CNJ e do CNMP.
Em seu livro Teorias Cínicas, os autores Helen Pluckrose e James Lindsay, chamam a atenção para um dos efeitos desse autoritarismo: a infiltração de tais ideias no mundo acadêmico. Ali, ele desencadeia uma intolerância que se sente moralmente autorizada a liberar sucessivas tropas de choque à revolução cultural – um reset mundial cujas consequências ocupam espaços na imprensa conivente, que finge não ver as causas.
Intolerância, ativismo, ignorância, espírito de corpo e interesses pessoais na gestão do que é público ou privado fazem com que:
- a democracia perca espaço;
- os poderes sejam exorbitados;
- os direitos humanos sejam distribuídos a grupos politicamente organizados como tira-gosto de coquetel;
- a igualdade de todos perante a lei morra em abomináveis desigualdades, ou em favor de um igualitarismo de encomenda, ou sob medida, como roupa de alfaiate;
- a liberdade de culto e o respeito às religiões atinjam todos os níveis possíveis de negação e vilipêndio.
Vistas as consequências, como não perceber aí a existência de uma força motriz a impulsionar o pensamento revolucionário? É precisamente ela que promove a atual reviravolta no conceito dos direitos humanos, fracionados em pautas que mobilizam interesses grupais, sectários, subitamente convertidos em exigências morais que, ao serem enunciadas, catapultam o reclamante ao mais elevado altiplano da nobreza moral (mas não “moralista”, obviamente). Opa! Que moral é essa?
De que moral, falamos, camarada? Pode ou deve, essa “moral”, influenciar o Direito? É razoável que a moral não influencie o Direito?
Sei que abro um espaço para divergência e não penso que essa divergência vá ser resolvida aqui ou em qualquer outro ambiente jurídico ou filosófico. Jamais formarei consenso, porém, com a ideia de uma moral de arreglo, de credores autoindicados e de devedores indigitados, ou a que se chegue por acordos sucessivos, com concessões e mediações... Isso para mim não faz sentido porque nos atira nas trevas do relativismo! Sete bilhões de cabeças, sete bilhões de sentenças, sete bilhões de interesses pessoais.
Alguém poderá alegar, que estou promovendo, aqui, a defesa de um Direito Natural e, por consequência, de uma moral universal. Pois é exatamente isso! Estou mirando algo muito relevante ao conservadorismo.
Sei que o Direito Natural absorve, querendo-se ou não, a ideia de um Deus, de uma sabedoria universal, ou algo assim. Entendo que muitos compreendam isso como não adequado a um Estado laico. O problema da objeção é que ela, com o sonoro tsic de uma faca Tramontina, corta a palavra de quem fala e passa com a boiada sobre uma biblioteca inteira, que não por acaso contém séculos de sabedoria humana. Funciona mais ou menos como o moderno ter ou não “lugar de fala”.
Por outro lado, o que vejo é que, com base na recusa ao Direito Natural por deitar raízes na tradição religiosa judaico-cristã do Ocidente, se vai legislando, mundo afora, contra a vida, a liberdade, a propriedade, a boa justiça e se afaste do debate democrático qualquer argumento rotulável depreciativamente como religioso.
Esses novos direitos, a imposição de códigos e convenções através do politicamente correto e do recentíssimo movimento woke, estão criando em pleno século XXI um deus ex-machina, difuso e confuso, com superstições, cultos e infalibilidades, com Cortes e inquisições, a controlar pensamentos, palavras e obras. Ou não? Sem lei que as defina como crime, qualquer pessoa pode ter sua vida devastada, ser jogado à desgraça por palavra imprópria ou ideia considerada politicamente incorreta.
Toda a sadia e louvável busca de realização da dignidade humana, de pluralismo, de proteção das minorias, foi deformada e politicamente apropriada para se converter em escalada à montanha do poder. Isso se torna mais evidente quando se percebe que o integrante de qualquer das frações identitárias em que a sociedade está sendo dividida só merece proteção se companheiro na militância pelo poder político.
Por vezes me pergunto: como não ser conservador vendo o colapso da democracia, o fracasso das instituições, a asfixia da liberdade, a cultura da morte, a criminalidade, a tolerância para com as drogas, o fornecimento de bebidas alcoólicas a menores, o afrouxamento dos laços familiares, a abdicação ao papel pedagógico-moral das famílias, escolas e Igrejas, a perda da noção de limites, a manipulação ideológica do sistema de ensino? Hã?
Como não acontecer tal degradação quando se despreza o ensinamento da História e os conceitos morais se acomodam e relaxam no colchão d’água das consciências deformadas?
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O caminho para a liberdade - 28/02/2023
Percival Puggina
A receita do totalitarismo não começa com a censura da opinião. Esta é uma fase posterior, abrutalhada e menor. O primeiro ingrediente da receita é a censura do pensamento. Sei que você dirá, leitor, ser impossível impedir as pessoas de pensar. No entanto, é perfeitamente viável restringir, com determinação e êxito, o acesso das mentes ao contraditório, ao pluralismo, às fontes da sabedoria, à informação ampla sobre o passado, o presente e as perspectivas para o futuro. Ou seja, é possível trazer o horizonte do saber para a ponta do nariz do cidadão, encurralando sua mente e confinando seu pensamento a uma preconcebida gaiola. E isso está em pleno curso.
Não estou falando de alguma distopia. Estou descrevendo, enquanto posso, o que vejo acontecer através dos mais poderosos mecanismos de formação e informação em nosso país: Educação, Cultura, Imprensa e Igrejas (Teologia da Libertação). A censura, em fases que vão dos direitos do texto aos direitos individuais do autor, é o arremate, o retoque sobre o trabalho de um mecanismo de ação muito mais intensa, extensa e profunda. A primeira fase é dos intelectuais; a segunda, dos brutamontes.
Não deixa de ser contraditório que, no Brasil, a censura seja exercida, notoriamente pelos andares mais altos do Poder Judiciário. Afinal, o direito à liberdade de expressão do mais humilde e derrotado mané é superior ao de qualquer ministro do Supremo Tribunal Federal. Não se zanguem estes, nem se surpreenda o leitor: os manés não exercem atividade jurisdicional, não têm qualquer compromisso ético e funcional com imparcialidade, neutralidade, isenção, equanimidade, equilíbrio, etc. Ministros do STF e magistrados, por todas as razões, deveriam evitar a própria expressão pública, falar nos autos e deixar para os políticos as tagarelices e ativismos da política.
Dezenas de milhões de brasileiros perceberam que, proclamada a vitória de Lula na eleição presidencial, fechava-se o cerco às divergências. Anteviu que a inteira cúpula dos três poderes de Estado estaria trabalhando conjunta e afoitamente na criação de distintas e múltiplas estruturas de controle das opiniões expressas pelos manés da vida. A judicialização da Política coligar-se-ia com a politização da Justiça. Passaram a pedir socorro. Silenciosamente, muitos, em diálogo com seus travesseiros; outros, em desacertos e desconcertos familiares; outros ainda acamparam às portas dos quartéis. Inutilmente, como se viu.
O vandalismo de uns poucos foi o instrumento para o inacreditável arrastão judicial do dia 9 de janeiro, mas – estranho, não é mesmo? – em quase dois mil brasileiros cumpriu-se a profecia do ministro Alexandre de Moraes quando, no dia 14 de dezembro, apenas três semanas antes, com um sorriso irônico, anunciou haver ainda muita gente e multa para aplicar. Estranho, também, que sobre todos incidiu a mesma acusação comum: foram arrebanhados porque expressavam diante dos quartéis medo do que, bem antes do esperado, acabou se abatendo sobre eles de modo impiedoso.
Só não se angustia com isso quem aceita que a liberdade seja protegida com a supressão da liberdade. E só aceita esse contrassenso quem, usando neologismo da moda, apoia a esquerdonormatividade que, em outubro, fechou cerco e tomou o Estado brasileiro.
“E qual é a saída?”, perguntará o leitor afoito. Meu caro, não há porta de saída. O que há é caminho. Porta da esperança é programa de auditório, crença que levou à derrota em outubro. Há o caminho da política, percorrido com coragem, determinação, formação, organização e ação contínua.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Vitimados pela justiça... - 24/02/2023
Percival Puggina
Em recente artigo publicado na Gazeta do Povo, o deputado Marcel van Hattem descreve o que viu nas visitas que fez aos presídios do Distrito Federal – o feminino da Colmeia e o masculino da Papuda – vistoriando a situação dos presos nos dias 8 e 9 de janeiro.
Um breve sumário dessas observações fica assim:
- as citações de presos eram simples reproduções de textos idênticos, sem individualização de condutas;
- por terem as prisões sido feitas em “arrastão” e envolvendo verdadeira multidão, as audiências de custódia levaram nove dias, em vez das 24 horas prescritas em lei;
- os juízes que as realizaram não podiam liberar ninguém (só Alexandre de Moraes tem poderes para tal);
- os presos não têm ficha criminal;
- suas vidas foram truncadas, seu trabalho e a fonte de renda das famílias cortados, negócios perdidos;
- a ilegalidade das prisões do dia 9 é gritante porque não preenche, sequer superficialmente, as condições para o flagrante;
- presos relatam ter sido chamados aos ônibus para ir a um lugar seguro, mas foram levados para o ginásio da Academia Nacional de Polícia.
O excelente conteúdo do artigo do deputado Marcel (que pode e deve ser lido aqui) inclui, também, relatos individuais de situações capazes de lancinar o coração de um brutamonte.
A questão que quero abordar, feita a exceção dos que efetivamente invadiram e vandalizaram os prédios dos três poderes e merecem os rigores da lei, sai do inferno dos presídios e vai para os milhões de culpados que estão do lado de fora. Não creiam esses que uma consciência amorfa, que toma o jeito determinado pelo partido ou pela morbidez ideológica os isente de responsabilidade moral.
Já não falo daqueles que podendo conter avalizam com um abano de toga esses maus tratos ao Direito e à Justiça. Já não falo de quantos, com atribuições constitucionais para protestar, têm os olhos cobertos pelas escamas da conivência e da conveniência. Já não falo dos que nos púlpitos, tribunas e palanques são briosos defensores dos direitos humanos e levam essa defesa ao limite do companheirismo, porque os além dessa fronteira não são humanos ou não têm direito algum. Já não falo dos que nos teclados das redações, diante dos microfones e das câmeras dos grandes veículos fazem que não veem e fingem que não sabem, algemando as próprias mãos e censurando a si mesmos porque, ali, o jogo é jogado assim. Já não falo dos que, no Congresso Nacional, calçam as silenciosas pantufas da omissão, entram e saem sem deixar rastro porque o estabelecimento trata de outros negócios.
É dos outros que falo, repito. E são milhões os que, sabendo, silenciam no ambiente da vida social ou, de modo ainda mais gravoso sob o ponto de vista moral, festejam nas redes sociais o sofrimento alheio, fazendo piada ou repetindo o bordão vulgar – “Perdeu, mané!”.
Uns e outros, sendo como são e agindo como agem, ocultam ao conhecimento público um fato essencial: era contra isso, contra o risco disso, contra a eminência de que algo assim fincasse pé na realidade nacional, que tantos se insurgiram e foram buscar segurança em lugar errado, à porta dos quarteis. Temiam os abusos que sobrevieram, não tinham poder para golpe algum, não foram à praça derrubar qualquer governo, gritaram aos vândalos que parassem a quebradeira. Aqueles que hoje os condenam foram os causadores, por palavras, ações e omissões, da ida de milhões às ruas durante quatro anos de inquietação social e civilizados protestos populares.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Brasil e Portugal - 22/02/2023
Percival Puggina
Provavelmente somos o único país que cultiva o desapreço por suas origens. Muitas de nossas dificuldades em lidar com questões cívicas decorrem desse vício solitário, que se propaga, por exemplo, quando nos ensinam que o Brasil foi descoberto nos azares de uma calmaria, como se fôssemos resultantes de um furo no preservativo do destino. E passamos a depreciar, por mentiras e gracejos, nossa raiz lusitana.
Primeiro estado nacional moderno com a revolução do Mestre de Avis (1385), confinado entre os mouros, o oceano e Castela, o pequenino Portugal, a quem “Netuno e Marte obedeceram”, sonhou com expandir - nessa ordem - “a Fé e o Império”. Criou a Escola de Sagres, projetou e construiu as embarcações de que precisaria e se lançou a “mares nunca dantes navegados”, numa empreitada que logo seria seguida pelos espanhóis. Desbravou a costa ocidental da África, o caminho das Índias, o Brasil, dividiu o planeta ao meio e retirou o eixo da História das mãos dos francos e dos germanos.
Portugal entendia sua missão no Brasil como “povoamento”. Para essa imensa tarefa, dificultada pela escassa população do reino, mandou o que podia e não podia: criminosos e presos políticos, homens de empresa, religiosos do mais alto nível, membros da corte (que nos apresentam, genericamente, como um bando de “degredados”). O Brasil, que estudamos como explorada “colônia”, nunca teve esse tratamento no vocabulário e nas leis portuguesas. Quem aqui nascia, desde 1605, era cidadão de um reino cujo coração batia cada vez mais forte no Brasil. Por fim, o sonho de Martim Afonso, D. João IV e Luís da Cunha: uma coroa europeia fora da Europa (que nos relatam como o “episódio da fuga”) e o depreciado Reino Unido (um modelo de comunidade política, concebida pelo talento português, que os britânicos mais tarde iriam, exitosamente, reproduzir).
Pedro I, proclamando a Independência segundo conselho do próprio pai (“antes para ti que para algum desses aventureiros”) e Pedro II, deposto e exilado, levando consigo terra do Brasil para nela “repousar a cabeça”, são fatos a demonstrar que nunca houve na história universal uma relação como a de Portugal com o Brasil - a maior nação católica, mestiça e ibérica do planeta. Impossível amar o Brasil sem amar Portugal.
Infelizmente, a essa crise de identidade, que inicia com a depreciação de nosso nascimento e paternidade, soma-se, mais recentemente, uma visão fragmentada da nação, fracionada em múltiplas identidades e interesses em conflito. Que maldade!
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A falsa direita dos fundões e dos fundilhos - 20/02/2023
Percival Puggina
A falsa direita “pegou os bobos na casca do ovo”. Essa expressão é antiga, hoje substituída por trollar ou sacanear, mas serve bem ao caso porque enganar alguém na casca do ovo significa vender-lhe por ovo apenas a casca esvaziada de seu conteúdo.
A exemplo de muitos, também comprei casca por ovo. Acreditei que a “direita” obteve uma vitória considerável na eleição para a Câmara dos Deputados e que essa bancada iria conter a volta ao passado mais do que imperfeito para onde apontavam as manifestas intenções do novo governo Lula.
“Porém, ah, porém”, digo com Paulinho da Viola (aproveitando que escrevo num domingo de carnaval), persiste e se revigora a tradicional venalidade das convicções na sua troca por cargos. O União Brasil, partido contado como “de direita”, nascido da união entre o PSL (partido de Bolsonaro no pleito de 2018) com o Democratas (antigo DEM, anteriormente PFL) já tem três ministérios no governo Lula e quer mais posições no segundo escalão. Não bastasse isso, se consolida uma federação entre UB e PP, cuja alegada intenção é, apenas, o rateio das presidências das comissões da casa.
Como entender alguém que fez campanha como antipetista, buscou votos na direita e imediatamente após a eleição vai se aconchegar no colo de Lula? Traição ao eleitor! E ela só se explica porque o sistema eleitoral favorece a reeleição de quem está agasalhado e bem comportado no aconchego das tesourarias, dos cargos e favores do governo, das emendas parlamentares, dos fundões e dos fundilhos alheios. No último caso, os próprios eleitores do parlamentar. Esse pacote dá mais votos do que a fidelidade a princípios e valores.
A propósito, lembre-se de que quando Bolsonaro, durante os dois primeiros anos de seu mandato se recusou a estabelecer esse tipo de negociação, foi flagelado com a rejeição de suas propostas e pelos próprios parlamentares que pediram votos com ele e para ele. Por quê? Porque não é assim que a banda toca.
Por isso, defendo a existência de um partido de direita com programa, princípios e valores, não extremista porque os extremos saem do arco da democracia, nem centrista porque o centro e sua periferia, pela direita e pela esquerda, é o espaço do famigerado centrão. E o centrão, lugar dos vendilhões e de sua freguesia, tem que ser reduzido à menor dimensão possível para que a política nacional comece a tomar jeito.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Ideologia de gênero: contradições e paradoxos - 18/02/2023
Percival Puggina
Quem apontar contradições e paradoxos num discurso de esquerda se torna, imediatamente, objeto de esmerado trabalho de colagem de etiquetas que farão dele um vulto irreconhecível. Divergir da maioria dos colegas ou do professor militante é atitude de risco. O coletivo não admite dissenção porque a diversidade de ideias é o perigoso habitat da burguesia. Quase tão danoso quanto a liberdade.
É o que acontece com relação à ideologia de gênero. A ideia de que os órgãos genitais são ilusões da mente e devem ser abolidos da identidade pessoal derruba uma biblioteca de Genética e outra de Biologia. Coisa difícil, já se vê, principalmente se os autores da tese não conseguem esconder suas contradições.
A ideologia de gênero, em tese, não lida com sexo, mas com sexualidade e com papeis – masculino, feminino e neutro. Para a confusão decorrente, esses personalíssimos scripts ora seriam construções sociais, ora deliberações tão frívolas quanto a escolha de um adereço, ora frutos de imposições heteronormativas, ora produtos de uma "dialética" da genitália com o inconsciente de cada um, ora produto da tirania de certas emanações hormonais.
Sob absoluto silêncio e omissão da natureza, ninguém nasceria homem ou mulher. Todos arribaríamos a este mundo assexuados como manequins de vitrine, pendentes de definições ou indefinições que adviriam das influências e das experiências mais ou menos bem sucedidas ou malsucedidas. Ademais, os gêneros seriam intercambiáveis e, dependendo do lado de corte do fio, inacessíveis até mesmo aos cuidados profissionais de psicólogos e psiquiatras.
Qualquer dessas ideias, suas dicções e contradições tem inteiro direito de comparecer ao debate no ambiente social leigo ou científico. O direito que não lhes assiste é o de assalto às salas de aula e espaços infantis, precisamente seu interesse maior. Mantenham-se longe daí! Esses ambientes lhes são totalmente impróprios. Sua presença ultrapassa os limites da decência. Ninguém tem o direito de levar sua militância às mentes infantis para confundir suas identidades.
Enquanto escrevo estas linhas, o G1 informa que 100 crianças (4 a 12 anos) e 180 adolescentes (13 a 17 anos), se submetem a processos que incluem bloqueio da puberdade, hormonização cruzada e cirurgia de redesignação sexual, fazendo transição de gênero no Hospital de Clínicas da USP (leia aqui).
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Sem virtudes, sem valores e sem vergonha - 11/02/2023
Percival Puggina
Com freqüência, lemos textos que nos trazem à mente um quase refrão: “Gostaria de ter escrito isso!”. Pois foi o que pensei ontem, diante de algo que lia. E segui sentindo essa identidade com o pensamento do autor até perceber que era um texto meu... Perdoem-me por me “recitar” novamente. No entanto,o artigo me pareceu tão válido aos dias de hoje, embora escrito em 2013, que eu o reproduzo aqui, convidando os leitores a refletir sobre o tema abordado.
O rufo de tambores que ouvimos mundo afora é de uma declarada guerra, nada santa, contra a influência do cristianismo na Filosofia, no Direito, na Cultura e nos valores morais dos indivíduos. Guerra de um projeto totalitário pela completa abolição dessa influência.
Até os militantes do ateísmo, sabem que: 1º) é quase impossível "desconverter" os indivíduos de uma fé em Deus para uma fé no Nada absoluto; 2º) é inaceitável pela imensa maioria das pessoas a ideia de um Direito cuja moral seja irrelevante, ou que ignore os princípios e valores compartilhados pelos membros da sociedade.
Diante de tais e tão grandes dificuldades, os militantes do ateísmo cultural, combatentes da revolução cultural, propuseram-se a algo muito mais sutil – querem esterilizar a moral nos próprios indivíduos. Como? Convencendo-os de que os princípios e valores que adotam são, na origem, tão religiosos, e por isso mesmo tão particulares, quanto a própria religião que porventura professem. Integrariam então, tais valores e princípios, aquele foro íntimo no qual se enquadrariam a própria religião e suas práticas. Pronto! Segundo o princípio da laicidade do Estado, só teriam vigência na vida privada. Não faltam pessoas religiosas para entrarem com os dois pés nessa armadilha. Por isso, o projeto totalitário avança.
As investidas contra os símbolos religiosos são apenas a ponta do rabo do gato. O felino inteiro é muito mais malicioso e malévolo. O que de fato pretende é laicizar a cultura, as opiniões em geral e, principalmente, os critérios de juízo e decisão (os meios do poder). Toda a conversa fiada sobre supostas infrações à devida separação entre o Estado e a Igreja, tão ouvida nas falas do STF, precisa ser entendida como aquilo que de fato é: atitude de quem adotou o Estado, e só o Estado, por fonte de todo bem. Assumiu-o como baliza perfeita para o certo e o errado, e vertente dos valores que devem conduzir a vida social.
Convenhamos, é uma tese. Mas – que diabos! – qual é, precisamente, a moral do Estado? Na prática, a gente conhece porque a conta é nossa. Na teoria, é a que a sociedade “majoritariamente” determinar, excluída a parcela realmente majoritária, que moldou a civilização ocidental porque esta, como se viu acima, só pode ter expressão na vida privada e resulta inadmissível perante a laicidade do Estado, etc., etc., etc.. Portanto, cale-se!
Tal linha de raciocínio não resiste ao primeiro safanão. Precisa de reforços e apoios propiciados pelo relativismo moral, um de seus subprodutos. Cabe a este filho do pós-modernismo mostrar que a moral majoritária é apenas uma das tantas que andam por aí através do tempo, do espaço e da miséria humana. Saem às ruas, então, representações desse nada admirável mundo novo: marcha das vadias, marcha pela maconha, marcha pelo aborto. Uma TV do Estado apresenta show das putinhas aborteiras, militantes partidários dançam pelados na Câmara Municipal de Porto Alegre ou fazem sexo com símbolos religiosos no Rio de Janeiro.
Escandalosos? Escandalosos perante qual senso moral? O totalitarismo pós muro de Berlim, o totalitarismo do século XXI, precisa do ateísmo cultural e do relativismo para derrogar o cristianismo presente na cultura de tantos povos. A nova ordem, o mundo novo, o all-in-one de Imagine não se constituirão numa sociedade que creia em algo anterior, superior e posterior a si mesma. Não há como esse novo poder global não ser totalitário! A democracia se extingue naturalmente quando destruídos os valores que a fundamentam, pelo simples fato de que não se sustenta numa sociedade política sem princípios, sem valores e sem vergonha.
* Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
Relação amigo-inimigo na Política ... e na Justiça. - 10/02/2023
Percival Puggina
Entre as muitas marcas dos anos seguintes ao pleito de 2018, destacam-se quatro conhecidas e incontestáveis: o desgaste moral do petismo determinado pelos achados da Lava Jato; a transferência do protagonismo oposicionista para a folgada maioria que o PT escolhera a dedo para compor o STF; as imensas manifestações populares, confrontando o ativismo desempenhado pelo Supremo; o permanente suporte da mídia aos crescentes excessos da Corte.
Foi com base na relação amigo-inimigo (falarei mais sobre ela aí adiante) que se estabeleceu e se ampliou a animosidade entre o colegiado do Supremo e aquilo que ministros da Corte denominam bolsonaristas, golpistas, terroristas, extremistas (mais ou menos metade dos eleitores brasileiros, se não mais). Contra esses inimigos, medidas drásticas e nada ortodoxas foram adotadas na forma de censura, cancelamentos, desmonetizações, interdições, prisões e inclusões nos pacotes dos inquéritos de fini mundi, fonte de tormentos e ameaças aos discordantes.
Sobre os acontecimentos, paira o manto protetor bendizente pelo grupo que ficou conhecido como “o Consórcio”, que eu prefiro chamar de “Rede Goebbels de Narrativas”. Também destes é a obstinação em minimizar a influência e a concorrência das redes sociais, para benefício próprio e dos amigos.
Sobre tal período, o ex-ministro Marco Aurélio Mello registra em seu livro mais recente, “O Tribunal”, que a Corte da qual foi membro e decano, ouviu o comando militar antes de (segundo palavras da Folha de São Paulo) “dobrar a aposta” contra Bolsonaro. Foi assegurado, ali, curso livre e seguro ao ativismo que assinalou a história daqueles anos. O vocabulário do Supremo era o vocabulário da oposição. Passo a passo, lendo os fatos com a ótica oposicionista e sempre dobrando a aposta contra o Poder Executivo, o STF cuidou de brecar o programa de governo consagrado na eleição de 2018. A sociedade elegeu um presidente e o STF não gostou de seu perfil nem do programa.
Diante do que se viu entre 2019 e 2022, alguém poderia imaginar uma condução do pleito de outubro passado diferente da proporcionada pelo TSE? Alguém poderia imaginar as redes sociais preservadas como espaço de opinião livre e democrática? Naquele período, o que já vinha mal desde a Covid, piorou e agravou a contrariedade de dezenas de milhões de eleitores.
Nada, absolutamente nada mais me surpreende. Inesperada, convenhamos, foi a vitória de Bolsonaro sobre Haddad em 2018. De então para cá, muito do que vejo corresponde ao exposto por Carl Schmitt sobre a relação amigo-inimigo a que me referi no início destas reflexões. Em definitivo, isso não é bom! Lembre-se: esse profeta do positivismo jurídico se filiou ao partido nazista em 1933. Segundo ele, quando uma relação sai do campo do objeto e, ganhando intensidade, vai para o campo existencial, ela se torna política. É fácil constatá-lo nas experiências sociais e familiares destes tempos conflituosos. Trata-se de fenômeno social tão intenso que evitar conflito, dissociação e ruptura requer grau elevado de afeição, moderação, equilíbrio, tolerância e de alguma reciprocidade não encontráveis em toda parte.
Tenho grande apreço aos valores da tradição religiosa e cultural do Ocidente, sinto os ataques multiformes e intolerantes da cultura Woke, do identitarismo, da Nova Ordem Mundial e do velho Iluminismo com harmonização facial e make-up. Consigo perceber o quanto as relações sociais estão politicamente afetadas e quanto o binômio amigo-inimigo está presente inspirando a infiltração, os desastres educacional e cultural e os discípulos de Paulo Freire. Tendo estado vivo e alerta nas décadas anteriores, sei quem atacou e sei quem, em todo o Ocidente, precisou se defender.
Na lógica do presidencialismo, no baixo padrão cultural e político da sociedade, no rocambolesco modelo institucional brasileiro, no desgaste dos freios e no enguiço dos contrapesos, quem vencesse o pleito presidencial de 2018 festejaria vitória dos amigos e a derrota dos inimigos. A gente podia desejar algo diferente ou não prever a avalanche dos desdobramentos, mas cada acontecimento estava, sim, no quadro das possibilidades consistentes.
Será que alguém esperava coisa diferente do complexo STF/TSE ou da mídia vassala após a vitória de Bolsonaro? São como flagrantes perpétuos os vídeos em que ministros do Supremo fazem afirmações do tipo “Se hoje nós temos a eleição do presidente Lula, isso se deveu a uma decisão do Supremo Tribunal Federal”, “Nós derrotamos o bolsonarismo”, “Perdeu Mané”, “Missão dada, missão cumprida”.
Ministros do STF, em frequentes manifestações públicas, aplicavam ao governo adjetivos próprios do vocabulário esquerdista. Em setembro de 2020, o ministro Fachin vaticinou: “A sociedade brasileira precisa se preparar para fazer uma escolha entre essas duas agendas e esses dois projetos. E isso se dará em 2022”. E mais adiante diagnosticou a agenda inimiga como produto “...de mentes autoritárias, de menosprezo à democracia, a questões vitais, como meio ambiente, povos indígenas, quilombolas”. Seis meses depois, o ministro anulava as condenações de Lula.
Por outro lado, quantos cidadãos brasileiros, olho na memória genética republicana, ansiaram por uma intervenção militar com Art. 142 etc.?
Estamos divididos como sociedade e o antagonismo, pelas razões mais amplas expostas, tem marcado os últimos pleitos em todo o Ocidente como reflexo da relação amigo-inimigo. Foi prudente o Poder Judiciário manter protagonismo político e ter parte nessa relação? Carl Schmitt diria que sim. O bom senso grita que não.
Percival Puggina (79) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
O leite derramado - 04/02/2023
Percival Puggina
Compreender para resolver. É disso que se trata.
Faça o seguinte: espalme as duas mãos e abra os dedos; em seguida, aproxime as mãos e junte-as, cruzando os dedos; feche os dedos. Você tem diante dos olhos um perfeito símbolo de unidade. E, devo complementar, uma representação visual do que acontece no Brasil enquanto a política se judicializa e a justiça se politiza.
O senador Randolfe Rodrigues é, apenas, a expressão mais simples do primeiro fenômeno, que ganhou crescente expressão no país: a política sendo feita mediante o STF (ou TSE), fora do parlamento e fora da sociedade. Por outro viés, a sequência de palavras e obras, ações e omissões dos tribunais superiores intervindo com regularidade no cotidiano da política representam o segundo fenômeno. Para o quadriênio recém-iniciado, o petismo alcançou a plenitude dessa unidade.
Lembremos. A oposição ao governo Jair Bolsonaro nunca foi obra parlamentar do petismo. As investigações conduzidas pela força-tarefa da Lava Jato esfarelaram a credibilidade do partido que recolheu as unhas da tradicional agressividade. A oposição, ferrenha oposição, foi conduzida pela imprensa e pelo STF. Era do Supremo o protagonismo, de lá vinha o noticiário político. Estrategicamente, os principais líderes petistas, mesmo os de ficha limpa, sumiram da pauta parlamentar. Nada disso tem paralelo na história republicana. Nunca os derrotados mandaram tanto no país por via indireta.
Lembre de tudo que você leu, viu e ouviu sobre discurso de ódio e gabinete de ódio. Observe que toda essa malhação teve como foco manifestações recolhidas nas cada vez mais patrulhadas e menos significativas redes sociais. Depois, compare isso com o que desde a eleição de Lula povoa os discursos oficiais, as entrevistas, e as ações concretas dos donos do poder.
Estimados leitores. De nada vale chorar o leite derramado. O céu não vai se abrir; o Altíssimo não vai empalmar as rédeas do Brasil e de nada vale esbofetear os fatos. Está mais do que provado: as redes sociais, mesmo que não estivessem controladas, por sua dispersão e deficiências técnicas perderiam para o poder de comunicação cotidiano das milícias jornalísticas empresariais.
Nós somos a razão de nossa esperança ou desespero. Eu jogo no primeiro time. Sei que no sulco aberto pela Lava Jato o ceguinho conservador e liberal achou um vintém. Quase um acaso! Agora é arregaçar mangas, deixar cair as escamas dos olhos e, como Paulo, infiltrar o coração do Império. Criar movimentos, promover eventos, motivar lideranças, formar líderes (especialmente líderes jovens), criar partido de direita (sem extrema direita e sem centristas), mobilizar instituições privadas, infiltrar instituições públicas, entrar nas universidades, enfrentar o sistema dentro do sistema, apoiar nossa maioria na Câmara dos Deputados, eleger em 2024 nossos vereadores e prefeitos, diminuir a influência dos partidos do Centrão para reduzir o balcão dos negócios e o número dos negocistas (são eles que nos derrotam no Senado). Centro direita e centro são pura enganação.
Lembrete final: não adianta chutar o balde; o leite já derramou.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Milícias jornalísticas - 31/01/2023
Percival Puggina
“Não confie em todas as pessoas, mas nas pessoas de valor; o primeiro caminho é insensato, o segundo é sinal de prudência”. Demócrito (Sec. V a.C.)
Chico Alves, colunista do UOL, escreveu no dia 27, sob o título “Milícias digitais atacam Pacheco e agitam corrida à presidência do Senado”:
Em tempos de polarização política, a caça aos votos para a eleição à presidência do Senado, marcada para o início da nova legislatura, em 1º de fevereiro, ganhou um inédito tom de agressividade. Bolsonaristas adeptos da candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) fazem duros ataques ao candidato à reeleição Rodrigo Pacheco (PSD-MG) nas redes sociais e tentam constranger os senadores que anunciaram votos no atual presidente da Casa.
Rezando pelo mostruário de etiquetas que a militância esquerdista usa para desqualificar quem não se ajoelha para rezar na sua capelinha, o jornalista autor da matéria apresentada como “reportagem” (aqui) deixa claro não ver razões racionais para que as ”milícias digitais” dos “bolsonaristas” se mobilizem contra a reeleição do omisso senador Pacheco. Dá-me forças para viver!
Essa visão sobre o poder político no Brasil assume um ponto de vista extremamente confortável. É uma poltrona fofa, com banqueta para os pés. Dali, as instituições de Estado se tornam autossuficientes porque têm a representação constitucional da sociedade, cabendo às “milícias jornalísticas” do consórcio a representação pontual da opinião pública. Feito! Toda mobilização da sociedade assume, a priori, um aspecto criminoso, marginal, análogo ao bando de malfeitores e seus responsáveis que a 08/01 se infiltrou no vácuo de lideranças em que foi enfurnada a atual oposição brasileira.
Os senhores da República não veem a si mesmos por falta de espelho nos salões do poder e das redações. Nada do que fazem passa pelo crivo de consciências bem formadas. Dezenas de milhões de cidadãos que perderam a confiança nas instituições e em tal jornalismo são tratados como desprezíveis e ironizados manés. Não obstante, esses bons cidadãos entendem, como o filósofo grego citado acima,, que só podem confiar em quem revelar valor! E aí, os senhores do poder ficam em situação extremamente deficitária.
Quanto lhes é necessário Rodrigo Pacheco presidindo o Senado! Ele é a garantia de que não haverá freio nem contrapeso. Significará mais dois anos de formalização dessa “democracia” encomendada pelos donos do poder. Com ele, preservam-se os objetivos de silenciar a nação, de impedir as pessoas de sentir o que sentem, de expressar emoções e efetuar cobranças a quem faz política, quer esteja num parlamento ou numa Corte de justiça.
Sim, as Cortes fazem política. Em O Globo de hoje (aqui), sob o título “O temor do STF com a votação para a presidência do Senado”, lê-se (mantidos os erros gramaticais de praxe):
Não à toa, alguns ministros do Supremo tem telefonado para senadores para sondar o ambiente e pedir que votem em Pacheco, com o argumento de que a reeleição do atual presidente do Senado seria fundamental para o distensionamento da crise política e a pacificação entre os poderes.
Essa pax de Brasília não é a paz do Brasil. É a paz que preserva a censura, ressuscita o cala-boca, criminaliza a divergência e opera o imenso aparelho persecutório agilizado na Esplanada.
No Brasil, a justiça é lenta, mas a arbitrariedade anda em ritmo acelerado, sem freio nem contrapeso.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
1º de fevereiro - 28/01/2023
Percival Puggina
Senhores,
não é de pouco significado o compromisso que têm com a nação no próximo dia 1º de fevereiro.
A nobre Câmara Alta da República, contando desde 2009, foi presidida por José Sarney, Eunício Oliveira, Renan Calheiros, Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco. Será preciso dizer mais? Haverá mais um elo nessa corrente? Os senhores sabem e ouviram nas ruas o quanto o Senado foi sendo apropriado por interesses distintos da conveniência nacional. Conhecem os acordos de bastidor que orientaram as sucessivas escolhas e o mal que causaram ao estado de direito, à democracia e à liberdade dos cidadãos.
Se é verdade que a representação popular não é sinônimo de obediência à voz das galerias, também é verdade que a ruptura com o evidente interesse nacional não se explica com as razões que têm levado o Senado a se omitir perante suas responsabilidades. Não se explica!
No meu modo de ver, pouco interessa se a votação do dia 1º será aberta ou secreta. Mais um passo nessa sequência de escolhas equivocadas pesará sobre os ombros de todos. A omissão do Senado é sementeira do arbítrio e do abuso que não tem poupado sequer os próprios congressistas. O que a nação quer é simples: democracia, estado de direito, lei valendo para todos, liberdade de expressão, garantias constitucionais. Sirvam-nos isso e estaremos bem servidos, cuidando de nossas vidas! Não falo em perseguir bruxas. A caça a elas que vejo – a única! – está em pleno curso já há alguns anos enquanto as liberdades e garantias dos cidadãos se foram esvaindo.
Ponderem. O sistema de freios e contrapesos entre os poderes enguiçou nas mãos do Senado! Enguiçou e enguiçará sempre se quem tem que acionar o freio fechar os olhos na hora de frear. Enguiçou e enguiçará sempre, se o contrapeso for tão leve que flutuar na atmosfera das cumplicidades.
A nação os observa com esperança e temor. Dois sentimentos antagônicos. Aplaquem o temor; não promovam o velório da esperança. No dia 1º de fevereiro, ela estará em suas mãos.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Um Senado ou uma quitanda? - 27/01/2023
Percival Puggina
No próximo dia 1º, os olhos esperançosos do país se voltarão para o Senado da República. Do que acontecer lá, da decisão que a maioria dos senadores tomar, dependerá o futuro da nossa democracia, das nossas liberdades e garantias constitucionais.
Não é pouca coisa. É o equivalente moderno entre ser cidadão romano ou bárbaro, ou entre a reforma e a revolução, entre a civilização e a selvageria. Não é raro nos confundirmos ao estabelecer relações entre causa e efeito. No caso brasileiro, porém, conceitos civilizatórios rudimentares derrapam para a valeta a partir da infeliz conjugação do ativismo dos tribunais superiores com a omissão institucional do Senado da República, sob aclamatórios aplausos do petismo delirante.
Concordo com que a representação popular não seja, em todas as decisões colegiadas, necessariamente submissa à vox populi. Há, porém, limites para essa dissintonia. Há omissões que criam revoluções; há silêncios que causam alaridos de revolta; há negociações que rescendem a velhacaria. Nenhum dos males que vitimaram a tradicional tolerância da parcela conservadora da sociedade brasileira teria ocorrido se o Senado Federal, sob o comando dos senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco houvesse cumprido seu inequívoco papel institucional.
Entre 2009 e 2022 o Senado brasileiro foi presidido por José Sarney, Eunício Oliveira, Renan Calheiros, Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco! Pense num desastre! Qual legislativo resistiria a tamanha sequência de opções sinistras? Gente bem intencionada não comete erros tão continuados. Todas as instituições da República foram, assim, negativamente impactadas.
Eu, você, o Brasil e o mundo ficamos chocados com os atos de vandalismo do dia 8, mas não podemos permitir que esses atos de selvageria ocultem, tornem opaco, um outro tipo de “vandalismo” ocorrente dentro dos próprios poderes quando se desvirtuam suas obrigações. Quando isso? Quando quem julga tem lado. Quando a Constituição vira cardápio. Quando quem é freio fecha os olhos. Quando quem é contrapeso flutua. Quando quem tem que negociar para o interesse público mercadeja o próprio interesse. E o parlamento vira uma quitanda de transações obscuras.
Os poderes da República vêm sendo submetidos a um processo corrosivo de causas internas com consequências sociais, políticas e econômicas muito maiores. Muito maiores!
No próximo dia 1º, pensem bem os senhores senadores sobre a quem querem servir. A sociedade os vê com os olhos da esperança!
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O vandalismo e suas misteriosas prevaricações - 24/01/2023
Percival Puggina
O estresse político brasileiro é um corruptor de consciências. Multidões perdem noções básicas de certo e errado que introduzem o senso moral e que toda criança sob cuidados familiares ouviu dos adultos: “Não faças aos outros o que não gostarias que fizessem contigo”; “Tua liberdade vai até onde começa a liberdade do outro”; “Evita as más companhias”, etc.
Não obstante a obviedade destes marcos morais, milhões de pessoas aceitam o abuso do poder exercido contra quem pensa diferente, aplaudem personagens que não seriam convidados para jantar com a família de quem aplaude. E por aí vai a razão cedendo lugar à paixão.
Álvaro Moreyra, poeta porto-alegrense que foi membro da Academia Brasileira de Letras, escreveu em “Lembranças... as amargas não” que no fim somos “biblioteca de nós mesmos, nosso próprio repertório”. Haveria menos imbecis e menos canalhas se todos estivéssemos atentos a isso.
Como escrevi enquanto os fatos aconteciam, na tarde do domingo dia 8, aquelas aberrações que feriram toda consciência bem formada beneficiavam exclusivamente o governo. Agora é possível explicitá-lo claramente pela conduta dos diversos atores. A ingenuidade da imensa maioria dos manifestantes, o desatino de alguns e a infiltração de outros deram suporte ao discurso do golpismo, reforçaram o palavrório de Lula no exterior, criaram a organização que faltava à sanha punitiva do ministro Alexandre de Moraes, fortaleceram a candidatura do omisso senador Rodrigo Pacheco à presidência do Senado e reduziram as bancadas de oposição nas duas casas do Congresso Nacional. Impossível apresentar à nação, ao vivo e a cores, algo com tamanho poder de beneficiar o adversário e causar tanto dano a quem são atribuídas as ações.
É inevitável que essa constatação nos remeta à conhecida frase de Napoleão: “Jamais interrompa seu inimigo quando ele estiver cometendo um erro”.
No calor dos acontecimentos, a base do governo no Senado tratou de pedir uma CPI. Ela foi proposta pela senadora Soraya Thronicke e contou com a habitual dedicação do senador Randolfe Rodrigues, líder do governo no Congresso, que logo garantiu já ter asseguradas as 27 assinaturas necessárias. Horas mais tarde, ainda no dia 9, já eram 31 os senadores signatários do requerimento da recém-batizada CPI do Terrorismo. No dia seguinte, a Revista Exame passou a régua e totalizou 41 apoiadores (mais da metade do plenário da Casa). O número deve ter continuado crescendo porque também os senadores da oposição concordavam com ser um dever do parlamento investigar atos criminosos cometidos contra o Legislativo.
Quando a poeira das investigações começou a baixar, soube-se que o governo não estava entusiasmado com a ideia da CPI. Interrogado sobre esse recuo na entrevista que concedeu à Globo News, Lula falou do que já estava sendo feito pelo governo e foi ajudado pela própria apresentadora (coisas do jornalismo independente) que completou por ele: “Porque a gente sabe como as CPIs começam, mas nunca sabe como terminam”. Isso significa que no pluralismo de uma CPI, a luz pode entrar, também, por outras portas e janelas.
O objetivo principal da CPI, além de identificar os responsáveis e os mandantes das condutas criminosas, é saber quais as forças que se conjugaram para que a omissão permitisse os atos de barbárie que horrorizaram o mundo. Por que, raios, quando tantos, com tanto poder, estavam sabendo que “algo” grave estava por acontecer, ninguém se mobilizou para impedir? Quantos prevaricaram? Hoje, passadas duas semanas, a oposição quer a CPI e o governo se desinteressou dela. Por quê?
Para essa pergunta, a jornalista da Globo News teve uma resposta que emprestou ao Lula.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
E Lula dilmou de vez - 20/01/2023
Percival Puggina
Adivinhe qual a emissora de TV que Lula escolheu para sua primeira entrevista de temas múltiplos após o início de seu governo? Bingo! Acertou de cara, amigo leitor: a Globo News, representada no ato pela indefectível jornalista Natuza Nery, comentarista de política do canal e de quem nunca se viu, em quatro anos, o mais tênue deslize em sua trincheira oposicionista.
Lula falou sobre a necessária aplicação da lei aos que tentaram golpe de Estado, disse que os militares devem tirar a farda para fazer política e prometeu acabar com o desmatamento. E, de repente se pôs a falar sobre Economia. Nessa área ele consegue ser pior do que Fernando Haddad e transforma a estabanada Dilma Rousseff em seu posto Ipiranga.
O jornalista Álvaro Gribel, da mesma Globo, e sobre cuja posição não cabe dúvida, pois considerou serem palavras “de estadista” aquelas com que Lula respondeu as três questões mencionadas acima, criticou fortemente as posições do novo presidente em questões econômicas. Lula considerou uma bobagem a independência do Banco Central, reiterou ser contra a meta de inflação e contra o teto de gastos.
Lula sempre pensou assim. Lá atrás, no começo do século, ele já pensava “que uma inflaçãozinha não fazia mal algum”. Não foi por outra razão, além da inveja que tinha de FHC, que seu partido se opôs ao Plano Real, sem o qual estaríamos até hoje em hiperinflação. E aquela loucura dos anos 90 do século passado começou com alguma inflaçãozinha e descontrole fiscal vinte anos antes.
Para Lula, estabilidade social e fiscal são objetivos antagônicos por causa da ganância das pessoas mais ricas. Ao que se acresce uma sentença que deveria ganhar versões em bronze e enviada aos empresários que apoiaram a volta de Lula ao poder: “O empresário não ganha muito dinheiro porque trabalhou, mas porque os empregados dele trabalharam”.
O novo governante tem instalada na cabeça, sobre Economia, uma verdadeira súmula das idéias que deixaram a situação fiscal do Brasil em pandarecos nas mãos de seu partido, mesmo transcorridas suas quatro gestões num dos períodos mais benfazejos em tempos de globalização. Para ele, todo gasto do governo, mesmo furando o teto, mesmo aumentando impostos, mesmo reestatizando o que foi privatizado, mesmo ampliando a inflação, é “investimento”. Gasto, do tipo dinheiro roubado (imagino), é pagamento de juros.
Ele não sabe que juros elevados não são sobrepreço de empreiteiras e fornecedores. Eles são pagos a quem usa seus recursos privados para financiar a despesa pública superior à receita. Ou seja, juros da dívida são a consequência inevitável da irresponsabilidade fiscal. E é exatamente isso que ele vem prometendo cada vez que fala sobre Economia.
Se, como se diz, “promessa é dívida”, as de Lula fazem isso mesmo: vão aumentar o endividamento do Estado. Em entrevista exclusiva à Globo, como deferência à empresa e prenúncio de tragédia à nação, Lula apontou o caminho do fracasso.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Um erro descomunal (e o que deveríamos fazer) - 08/01/2023
Percival Puggina
As invasões e depredações neste momento em curso na capital federal constituem um erro descomunal! Quem julgar que estou equivocado pense em Alexandre de Moraes , em Lula, em Flávio Dino, em Rodrigo Pacheco, nos ministros indicados pelo PT aos tribunais superiores. Vocês acham que eles estão, neste momento, fazendo um exame de consciência? Avaliando suas condutas anteriores? Arrependidos? Decidindo mudar de vida? Entregando o poder aos invasores?
Bem ao contrário! Estes atos contribuirão para explicar o que esses atores da cena política faziam antes sem motivo. Agora, instigados pelo vandalismo que estamos assistindo pela TV, passarão a intensificar e ampliar suas ações! Outras garantias individuais vão para o saco e outros pagarão a conta.
Há tempos, milhões de brasileiros olham assustados para o futuro. Identificam um avanço totalitário incidindo sobre a liberdade e a privacidade dos cidadãos, sobre os direitos humanos e veem na lixeira princípios constitucionais e leis que os protegiam.
Jornalistas vítimas de assédio judicial. Seus espaços de comunicação tomados pelo Estado que, sempre insatisfeito, impõe multas, recolhe passaportes e inclui as vítimas em inquéritos que (como muito bem escreveu alguém) são as únicas coisas persistentemente sigilosas em nosso país.
Aos poucos, mas sem recuos, o país saiu dos trilhos do bom Direito e da boa Justiça. Há um terrorismo de Estado e um fedor distópico orwelliano impregna a atmosfera da vida social de inesperadas supressões de direitos. E há o silêncio com que a outrora grande mídia expressa seu descompromisso com bens essenciais à natureza humana. Dezenas de milhões de cidadãos estão indignados, mas a indignação, hoje, se expressou de modo totalmente equivocado.
Não sei o que vai acontecer depois que eu encerrar este texto. Entretanto, preciso lembrar que dentro de três semanas assume um novo Congresso Nacional. Ele foi aclamado como expressiva vitória eleitoral dos conservadores e liberais ou, mais sinteticamente, dos não esquerdistas, ou não revolucionários, ou não petistas. Essa eleição a esquerda reconhece que perdeu.
Então me pergunto: por que, à parte da loucura de hoje, não aproveitamos esses dias para, nas bases, aí onde vivem centenas de parlamentares, conversar com eles, dizer-lhes o quanto precisamos deles para recuperar bens de altíssima relevância, como as liberdades de opinião e de expressão, para coibir abusos de que tantos são vítimas e para sustar o autoritarismo, venha de onde vier?
Esses congressistas – deputados e senadores da próxima legislatura – são nossa esperança. E Lula quer os votos deles! Cabe-nos, portanto, agir no sentido oposto, mostrando o quanto a democracia e as nossas liberdades dependem de que cumpram o compromisso assumido com quem lhes confiou a representação política e foi explicitado no ato de posse, quando disseram: "Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil".
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Memorial dos culpados desconhecidos - 31/12/2022
Percival Puggina
Passei o dia de ontem, 30 de dezembro, lendo discussões nas redes sociais entre cidadãos cujas opiniões se dividiam sobre a quem atribuir responsabilidades e culpas pelos acontecimentos que sobrevirão à posse de Lula e seu séquito de malfeitores.
Existem as culpas indiscutíveis. A culpa dos que, no juízo das “maiorias de circunstâncias” (palavras indignadas de Joaquim Barbosa), extinguiram o cumprimento de penas após condenação em 2ª instância, acabaram com a colaboração premiada e sepultaram a Lava Jato. Quatro mil e novecentas rolhas de espumantes espoucaram nos presídios do Brasil! Há a culpa dos ministros que, passados três anos, num instante de arrebatamento “iluminista”, mudaram o endereço dos processos em que Lula et caterva foram condenados. E a não esquecer: há a culpa dos ministros que – com criminosa informação de um hacker – exigiram de Sérgio Moro a isenção que alguns deles costumam deixar em casa quando a pauta do STF é de interesse político – porque os manés têm que perder, porque missão dada é missão cumprida, porque poder a gente toma e porque um tapinha carinhoso no rosto é o reconhecimento facial dos justos...
A estas, somam-se as imensas culpas das duas casas do Congresso Nacional, colegiados da representação política onde a falta de virtude prende aos próprios vícios o bem do povo brasileiro. E há a culpa dessa coisa horrorosa em que se transformou nossa “imprensa tradicional”, verdadeira massaroca de fatos, versões, narrativas, ocultações explícitas e fins implícitos.
O objeto real das discussões que acompanhei, porém, era outro. Envolvia possíveis responsabilidades das Forças Armadas e do próprio presidente Bolsonaro. Vejo essas altercações como uma armadilha criada por nós mesmos para nos capturar e dividir quando tanto iremos precisar de unidade.
Há muito trabalho pela frente! Objetivos a alcançar, tanto para frear os abusos de que temos sido vítimas quanto para sustar as ameaças e planos sinistros anunciados e já acionados por ministros do STF e pelo governo por instalar-se na virada da folhinha. Há um imenso dever de casa que nunca foi feito! 2018 foi o ano em que conservadores e liberais, ceguinhos e descuidados, acharam um vintém. Só por milagre, cegos acham vinténs. Há que vencer em 2026 por méritos, não por sorte ou milagre. A presidência de Bolsonaro mostrou-nos um quadriênio em que o bem realizado foi extraído a fórceps, de contexto adversário, que a toda hora quebrava regras e comandava o jogo.
O tema desta crônica, no entanto, era a busca de responsáveis pelo desastre de amanhã nos bate-papos de ontem nas redes sociais.
Neles não li uma única palavra sobre a responsabilidade por omissão dos 31 milhões de eleitores que ficaram em casa num dia como o 30 de outubro de 2022! Nem sobre outros quase 6 milhões que compareceram, mas votaram branco ou nulo!
Se um em cada dez desses cidadãos tivesse um pingo de juízo, o resultado da eleição seria outro. Sim, porque eleitores petistas, eleitores de esquerda, gente que acredita em mentiroso, que vai esperar o vale-picanha com cervejada, que precisava, por essas e outras, “trazer os criminosos de volta ao local do crime” (se o Alckmin pode, eu também posso), foram ávida e esperançosamente para a fila da seção eleitoral.
Uma pequena fração do bloco dos omissos daria ao Brasil outro 1º de janeiro. Enorme responsabilidade cabe, sim, à turma de “nojinhos” e comodistas a quem tanto escrevi e com quem tanto debati sempre que apareceu a oportunidade. Cidadãos que só votarão quando surgir candidato tão perfeito quanto eles mesmos; então, sobre as ruínas de sua omissão, comparecerão, vaidosos de si mesmos, às sessões eleitorais. Cidadãos que não gostam dos modos de Bolsonaro e com esse elevado critério viabilizaram números que “deram” vitória aos “modos” de Lula e seus comparsas. Quanta tristeza! Bastaria que pequena fração desse enorme contingente tivesse usado a consciência e a cabeça para que não estivéssemos, agora, às portas do nosso inferno astral, prometido pelo petismo e jurado por Xandão.
Com o que vem por aí, esse imenso grupo e os futuros congressistas são nosso campo prioritário de trabalho e conscientização cívica.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O que os homens de azul não toleram - 21/12/2022
Percival Puggina
Meninos, eu vi. Eu vi deputados furiosos com a intromissão do Supremo em assunto que estava sendo objeto de negociação na Câmara dos Deputados. Vale dizer, no dinheiro das emendas.
Se ministro do Supremo prender deputado, eles dizem: “Dane-se, não gosto dele!”. Se aplicarem tornozeleira, tudo bem. Se desarmarem deputado, eles assistem. Se cortarem o acesso de parlamentares às redes sociais, ninguém se importa. Façam os “supremos” o que fizerem contra a governabilidade do país ou contra as liberdades de expressão e o direito de ir e vir dos cidadãos – a Casa do Povo a tudo assiste com cara de paisagem. Rodrigo Maia, depois que largou a presidência da Câmara, foi ser secretário de Estado em São Paulo e abandonou a política. Seu sucessor, Arthur Lira, também largou a política. O que ele faz é outra coisa, parecida, mas não é política, na perspectiva da sociedade. Tudo isso a Casa tolera, com as raras, notórias e brilhantes exceções (que por poucas, todos conhecem).
Vou usar a palavra tolerância, mas não no sentido que o leitor está pensando. Direi que a tolerância do Congresso tem um limite e esse limite atende pelo nome vulgar de “grana”. Mexeu na grana das emendas e até quem está em casa de cuecas, veste as calças e se manda para Brasília expressar indignação. E pasmem: imediatamente começaram a falar em excessos do Judiciário, em ativismo judicial, em desprestígio do parlamento e até na indignação dos cidadãos...
Sim, sim, sei. Não precisa explicar. Eu só queria, mesmo, entender.
Como aluno atento do mestre Alexandre de Moraes, aprendi dele algumas “categorias criminais” novas, de criação própria, desenhadas à perfeição para aplicar restrição de direitos conforme seu gosto. São categorias fluidas, gasosas, tais como, entre outras, atos antidemocráticos, fake news, militância digital, desordem informacional.
Na mesma batida, eu alinho algumas condutas igualmente etéreas, aplicáveis ao descomunal protagonismo do STF agora percebido pelo Poder Legislativo brasileiro. Ele pode começar a reagir usando as seguintes “categorias criminais”: ativismo judicial, militância cartorial, desordem hierárquica, agilidade punitiva em contradição com a morosidade processual.
Se precisarem de outras, eu arrumo aqui.
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Randolfe e Moraes, feitos um para o outro - 18/12/2022
Percival Puggina
O inevitável senador pelo Amapá postulou e o intemperante ministro do STF por Michel Temer concedeu ordem para desmontar à força o acampamento a frente do Comando Militar em Brasília. “Ordem dada, missão cumprida”. É assim que no Brasil destes anos imoderados se faz política no Brasil. Sem modos e sem povo.
“Deus cria, o diabo espalha e eles por si se juntam”, constata o ditado popular. A História está cheia desses exemplos, como os de Mao Zedong e Zhou Enlai, Hitler e Goebbels. Às vezes se juntam e se separam como os três monstros da Revolução Francesa – Robespierre, Danton e Marat – ou Lênin e Trotsky.
Aqui no Brasil temos o recente caso da dupla Alexandre de Moraes e Randolfe Rodrigues. Um ministro do Supremo e um senador pelo Amapá que se tornou famoso em virtude do ritmo alucinante que, sozinho, consegue imprimir aos tribunais superiores da República. Ele é o cara que faz girar a roleta. E ganha sempre. Moraes e Ranolfe parecem almas gêmeas, nascidas uma para a outra.
O senador alegou que o acampamento estava tumultuando a vida da capital do país e era necessário “puni-los exemplarmente”. É óbvio que os acontecimentos posteriores à prisão do cacique têm que ser investigados e as autores identificados e submetidos à lei. Se a investigação for feita como deve, certamente evidenciará que houve infiltração. Seja porque a conduta dos malfeitores é totalmente atípica em relação aos manifestantes acampados, seja porque, ao contrário, do que pensam o senador e o ministro, ela caracteriza um tipo bem conhecido de militância.
A Vice-Procuradora- Geral da República, Lindôra Araújo, em contestação à decisão, escreveu:
"O Ministério Público Federal requer, em caráter de urgência, o exercício do juízo de retratação pelo eminente Ministro Relator, reconsiderando-se a decisão agravada, com a consequente negativa de seguimento ao pedido incidental formulado por agente político e o desentranhamento dos autos deste inquérito, com arquivamento das petições, sob os fundamentos de falta de legitimidade ad causam, ausência de conexão, violação do sistema acusatório e ocorrência de “bis in idem", Lindôra Araújo, vice-procuradora-geral da República.
A Vice-Procuradora afirma uma verdade que a dupla não se empenhou em buscar. A Justiça não pode funcionar desse jeito, na base do “ordem dada, missão cumprida” (“falta de legitimidade”), violando constantemente o sistema acusatório da competência da PGR, nem agir onde já existe inquérito funcionando “(bis in idem”).
Mas o Brasil está assim. O povo não gostou do modo como é tratado? Vá para casa e faça cara feia onde ninguém veja. Tal qual em Cuba, que conheço melhor do que o Lula (onde falei e falo com quem ele jamais falou) e certamente como na Venezuela e Nicarágua, que o Lula conhece melhor do que eu (mas na campanha eleitoral não se podia dizer).
Percival Puggina (78), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
“Missão dada, missão cumprida” - 14/12/2022
Percival Puggina
Foi o único momento sincero da cerimônia de diplomação de Lula. Por isso, e só por isso, saiu num sussurro captado pelo microfone do ministro que presidiu a solenidade.
Tudo mais me pareceu teatral, falso, forçado, pomposo. Nem as lágrimas de Lula foram sinceras porque, para que o fossem, seria necessário que houvesse nele um farelo de consciência, aquilo que nos leva, à noite, com a cabeça no travesseiro, ao juízo íntimo de nossas ações.
Fui ao Google às 07h49min de hoje, 14 de dezembro e procurei pela frase que faz a perfeita resenha do evento associando-a a outras que a identificassem com a situação em que foi pronunciada: nome do autor, diplomação, TSE, etc. As várias referências que encontrei constam de matérias de mídia digital. Ao que tudo indica, nenhum veículo do nosso “jornalismo” de companheiros, identificado pelo ministro orador da sessão como “imprensa tradicional”, considerou relevante tornar a frase conhecida de seu público. O silêncio, a omissão, também podem ser insinceros e desonestos.
Toda menção à democracia poderia ser entendida, isto sim, como sarcasmo! No discurso de Alexandre de Moraes esse substantivo e seus derivados aparecem 25 vezes. Ou seja, uma a cada 51 palavras que proferiu se referia à democracia, um regime político que, desde 2019, se fez ausente do país.
Digo e provo. Procurei nos meus apontamentos e não achei o dia em que esse Congresso eleito em 2018 ouviu e atendeu à voz das ruas em qualquer assunto. Entre meus achados estava sim, a constância do escancarado antagonismo “contramajoritário” do STF aos conceitos e propostas vitoriosos nas urnas. Estavam as escabrosas motivações que levaram à omissão do Senado e à submissão do Congresso Nacional, tornando inefetiva a representação popular.
No discurso de Lula, repete-se a situação e a proporção. Uma a cada 51 palavras (coincidências, às vezes, valem por um manifesto!) reproduz o vocábulo mais desperdiçado da noite.
Vou deixar de lado a insinceridade das palavras tão gentis quanto insinceras eventualmente dirigidas à nação pela dupla de oradores. Nada há de fofo em Alexandre de Moraes, nem quando para de mostrar os dentes e destilar ódio e furor persecutório contra as redes sociais que gostaria de desbaratar a golpes de caneta porque dizem verdades que a mídia tradicional oculta. Como ocultou a frase que dá título a este artigo.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
“Ensaio sobre a cegueira” ... que a vaidade causa - 07/12/2022
Percival Puggina
Tomo emprestado, em parte, o título do livro de Saramago para humildemente escrever estas breves reflexões sobre a vaidade e suas consequências entre nós.
Os piores produtos da vaidade, esse pecado preferido do diabo, vêm quando ausentes as virtudes que a poderiam conter. Aí a coisa fica feia, muito feia. É normal que integrar um colegiado supostamente formado por pessoas sábias afague o amor próprio e faça a vaidade se manifestar. A efetiva sabedoria, porém, coloca a pessoa diante do espelho de todo dia, olhos nos próprios olhos e deles a vaidade recebe o pedagógico corretivo. Por vezes, esse colegiado concentra poderes e a tensão moral aumenta porque a vaidade reforça e irriga suas raízes.
A umas poucas pessoas é dado tudo isso e o poder que ocupam está na posição suprema da pirâmide judicial. Sua missão é lateral aos poderes políticos representativos da sociedade e com eles lhes é dado interagir. Quanto maior o poder, maior a vaidade e mais virtudes são requeridas.
Tenho grande apreço à instituição STF. À instituição, repito. Não a quero destruída, embora a maioria do Senado Federal tenha aprovado indicações que não favoreceram sua imagem. Penso que a comparação fica mais fácil quando evocamos ministros que saíram. Lembro-me, entre outros, de eminentes juristas como Célio Borja, José Nery da Silveira, Paulo Brossard, Carlos Velloso, Sepúlveda Pertence, Francisco Resek, Maurício Correa, Marco Aurélio Mello. Que tal? Nessa lista há pessoas (conheci algumas) certamente envaidecidas pela nobre função, mas o peso da toga fazia as virtudes de caráter afluir e se sobrepor.
Também não desapreciava inteiramente a formação do STF quando havia manifestas divergências e surgiam altercações durante as sessões. A divergência era indício de um fragmento de pluralismo, antídoto à toxidez do protagonismo político que estava por vir, ao abuso do poder, ao império da vaidade colegiada e, enfim, à cegueira que acabou com a eficiência do espelho e levou a prudência a ser atropelada pelos fatos. Hoje, essa virtude dos sábios jaz estendida no chão para autopsia forense a ser realizada por quem se dispuser a tanto.
As tensões da hora presente, em boa parte, se devem à renitente vaidade que impediu ver o óbvio: voto é coisa que se conta, desencadeando durante dois anos o mais grosseiro festival de atropelos, abusos, arbitrariedades e decisões imprudentes por dia de serviço que já tive a infelicidade de observar.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Mentiras, fake news e artimanhas jurídicas - 05/12/2022
Percival Puggina
Deixei de usar o estrangeirismo “fake news”, que se tornou a mais vadia das expressões correntes em nosso vocabulário. Como a Geni de Chico Buarque, ela dá para qualquer um o que cada um quiser e, em seus momentos sádicos, tortura a verdade.
Na noite de 30 de outubro de 1938, milhões de ouvintes norte-americanos, sintonizados à CBS, ouviram a transmissão radiofônica de “A Guerra dos Mundos”. Durante uma hora, Orson Wells narrou uma invasão alienígena como se estivesse em curso na costa Leste dos EUA, espalhando pânico e, ao mesmo tempo, alçando sua carreira ao nível das estrelas de maior grandeza na luminosa abóboda hollywoodiana. O programa entrou para a história do rádio como um de seus capítulos mais notáveis.
Mentiras fazem parte do nosso cotidiano. Têm data própria no calendário anual. Mentem-nos tanto que acabamos desenvolvendo intuições que nos protegem de muitas. Por outro lado, a verdade, não raro, é produto de uma trabalhosa escavação, seja dos acontecimentos de hoje, seja nas cinzas da história. A política só é o habitat de tantos mentirosos porque muitos eleitores preferem ouvi-los. Na lei de Deus, a mentira é pecado; na lei dos homens, não é crime (salvo em situações muito particulares previstas em lei).
Rejeitemos a falsidade e a mistificação. Protejamo-nos, inclusive, do autoengano. Afastemo-nos dos mentirosos. Busquemos a verdade. Querer acabar com a mentira, contudo, é devaneio autoritário de quem sonha com um Ministério da Verdade e este é mais nocivo do que aquela.
O STF e seu braço eleitoral tantas fizeram com a expressão fake news, tanto dela abusaram para transformá-la numa espécie de crime hediondo, que acabaram por depreciar o emprego que dela fazem. Esqueceram-se da frequência com que alguns de seus ministros relativizam a Constituição, recuam das próprias verdades já explicitadas em trabalhos acadêmicos, atividades profissionais anteriores e até em decisões pretéritas como membros da corte. Aqueles que deveriam nos proteger dos abusos das plataformas, delas não se valem para sancionar quem os contraria?
No transcurso de uma campanha eleitoral, quem impôs como verdade inquestionável a inocência de Lula – a maior mistificação da década – perdeu a autoridade para imputar falsidade às afirmações alheias. Desculpem-me os divergentes, mas me sinto moralmente vinculado às minhas percepções, principalmente se do lado oposto observo, ademais, graves violações ao estado de direito.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Às portas dos quartéis - 01/12/2022
Percival Puggina
Quando ministros do Supremo Tribunal Federal passam nas sabatinas e são reprovados no exercício de sua atividade;
quando o Estado se agiganta sobre os bons cidadãos e a expressão “soberania do povo”, por perda de significado, mais parece nome de boteco;
quando milhões clamam contra a corrupção e a Justiça do país lhes entrega um ladrão como presidente;
quando ministros das altas cortes proclamam a transparência de um objeto aparafusado e lacrado, tão opaco quanto uma urna eletrônica, e a ela cobram fé e devoção;
quando, por permissividade e omissão do Congresso, o poder de estado se expressa apenas em canetas fumegantes nas mãos de ministros do Supremo;
quando o topo do Poder Judiciário dispara ameaças aos cidadãos e contrata empresas para atuar como cães farejadores do que é dito e escrito no ambiente digital;
quando restrições de direitos, inclusive sobre os próprios bens, são impostas aos cidadãos, sem possibilidade de defesa, por suposto cometimento de crimes sem leis que os definam;
quando o exercício do direito de expressão assegurado pelo mandato parlamentar pode levar um deputado à prisão, e a Câmara dos Deputados, pela maioria de seus membros, admite convalidar isso;
quando o STF e o TSE, seu braço e chicote eleitoral, rotinizam o crime de ameaça e reintroduzem a censura no país;
quando essa censura atinge a mais radical de suas expressões, alcançando não apenas uma opinião ou informação, mas atingindo, mediante cancelamentos e restrição de direitos, a própria pessoa, seus bens e os bens da família;
quando o STF absorve num único inquérito as funções da delegacia de polícia, ministério público e jurisdição, passando-se anos sem que essas funções se cumpram, em clara evidência de que sua única intenção é dar curso à ameaça, à coerção e à punição antecipada;
quando não parece haver limites para a sanha punitiva aos que, em nome da liberdade e do estado de direito, se expressam contra ela mediante manifestações e protestos pacíficos;
quando jornalistas são presos, veículos silenciados e matérias censuradas sem sequer serem vistas;
quando a maioria do tribunal que dirige o processo eleitoral tem candidato na eleição e, em pleno debate político, impede a mera menção à repulsiva biografia de um candidato enquanto permite a calúnia, a injúria e a difamação do outro;
quando a maioria dos membros do tribunal eleitoral deve o cargo que ocupa ao partido de um dos candidatos e proíbe até mesmo a reprodução de declarações comprometedoras que ele proferiu de própria voz;
quando recursos a sanções impostas devem ser decididos pelo mesmo poder que as impôs e quando esse círculo fechado sobre si mesmo, ante a inação do Congresso Nacional, se transforma no poder político efetivo do país, sobrepondo-se a tudo e a todos;
quando a imprensa não apenas escolhe lado – o que é de seu direito – mas pelo silêncio se torna cúmplice dos abusos de autoridade;
então, a realidade aqui sintetizada caracteriza a falência multilateral e orgânica do Estado de Direito, com o consequente surgimento de um estado de exceção, e só resta à sociedade ir às portas dos quartéis, últimos canteiros de onde pode brotar sua esperança porque a outra leva a bem conhecido inferno na terra.
Sirvam-nos uma boa e confiável justiça, eleições transparentes e arbitragem isenta, democracia e liberdade e estaremos supridos em nossas singelas demandas cívicas. É por rejeição a arreios e chicotes, senhorios, subserviências e toda forma de tirania que ali se vai.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A última sacada da cartola mágica - 18/11/2022
Percival Puggina
O STF decidiu que qualquer investigação que vise a identificar agravo ou crime contra ministro do STF seja julgado pelo próprio STF porque qualquer parte do território nacional é, para esses fins, dependência do próprio Supremo. É uma leitura geográfica do próprio Regimento Interno.
Os inquéritos abertos no Supremo, à revelia do ministério público, fazem com que aquele poder se sinta habilitado a intervir em qualquer situação, passando com uma motoniveladora sobre todo o Poder Judiciário Nacional e sobre o devido processo, jogando-lhes uma pá de cal por cima e desnorteando investigados e advogados.
Nunca se viu protagonismo tão exacerbado, nem tanta inovação. Grande parte da inquietação que o país hoje vive se deve a esse ativismo. Nem mesmo seu vizinho meio desfibrado, o Congresso Nacional, escapa a essa sanha. Os parlamentares que ainda zelam por suas prerrogativas não encontram apoio entre seus pares que adotam, perante qualquer fato ou situação que não seja de seu interesse pessoal, uma atitude desdenhosa e omissa.
O novo truque desse superpoder, que assusta quem tem olhos para ver, é restringir acesso às redes sociais de parlamentares que caiam em desgraça, exatamente como vinha fazendo com a plebe “golpista”, “fascista”, “Mané”.
É evidente que excessos dessa ordem podem ser recebidos com subserviência por quem jogou a própria dignidade na caçamba do lixo orgânico. Os bons cidadãos, porém, veem a situação com outros olhos e sabem que cortar a comunicação de um congressista através de seus meios digitais é tirar-lhe a voz. É lesão gravíssima à representação popular, eixo das democracias. A vontade nacional se manifesta através da representação exercida por parlamentares e não por magistrados ou tribunais sem voto.
Dezenas de milhões de brasileiros a tudo veem. E entendem o que veem, mesmo que lhes digam que não podem ver nem entender.
Na próxima semana, o Congresso retoma suas sessões normais. Vamos ver quem ainda justifica as calças que usa. Continuará o Legislativo como assistente passivo, valhacouto de covardes, enquanto o povo despido de prerrogativas enfrenta o medo e as ameaças contra ele proferidas dentre dentes cerrados?
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Os atos antidemocráticos que eu vi - 12/11/2022
Percival Puggina
Quando a expressão “atos antidemocráticos” virou feijão com arroz do discurso político “progressista”, abençoado pela mídia amiga, julguei instrutivo a mim mesmo listar atos antidemocráticos sem aspas que venho observando aqui da pequena cápsula de trabalho de onde escrevo. A lista vai assim:
Primeiro – a função contramajoritária
Em 2019, em meio a um tratamento rigoroso e invasivo, opondo-se às iniciativas do governo recém-empossado, ministros do STF se declararam no exercício de uma função contramajoritária e passaram a agir como se fossem oposição a um governo recém-instalado.
Segundo – atos antidemocráticos e fake news
A criação de duas figuras de conceituação imprecisa – atos antidemocráticos e fake news – originou inquéritos abertos para permanecer perenemente assim, sigilosos, misteriosos, ameaçadores e a suscitar medidas coercitivas imediatas.
Terceiro – coerção sobre os ambientes digitais
A censura nua e crua de veículos que atuam em meio digital, o bloqueio de redes sociais e a desmonetização de canais estabeleceram um ambiente de temor (que levou à autocensura), restringindo a expressão do pensamento em prejuízo da democracia. E ela não subsiste à perda da liberdade de expressão.
Quarto – desprezo ao povo
Ao longo de quatro anos, milhões de cidadãos saíram às ruas em dezenas de periódicas manifestações cívicas, clamando por manutenção da Lava Jato, contra a anulação da pena de Lula, pela possibilidade de prisão de criminosos após condenação em segunda instância, fim das permanentes intromissões e invasões de competência do Executivo e do Legislativo pelo Judiciário (STF). A surdez das instituições à voz das multidões não é conduta própria das democracias. Ao menos não dos parlamentos.
Quinto - A prisão do deputado Daniel Silveira
A prisão do deputado Daniel Silveira, no inovador “flagrante” proporcionado por um vídeo no YouTube, teria sido marca solitária não fosse duplicada pelo covarde consentimento posterior de seus pares.
Sexto – a pandemia
Durante a pandemia, severíssimas restrições ao direito ao trabalho e à circulação de pessoas infringiram liberdades fundamentais e prepararam o ambiente social para outras demasias que estavam por vir.
Sétimo – desrespeito a prerrogativas do governo
Mais de uma centena de vezes o STF foi usado por partidos oposicionistas para sustar atos do governo promovendo permanentes intromissões em questões próprias do Executivo, quando não da mera administração pública, criando instabilidade e insegurança jurídica – ambiente em que a democracia não floresce.
Oitavo – o passado do candidato sumiu
A campanha eleitoral agravou a desordem institucional do país e ampliou em muito os motivos para que o próprio tribunal, que deveria agir em favor do esclarecimento dos eleitores, entrasse em rota de colisão com seus fins. O candidato da oposição, não por acaso aquele que nomeou a ampla maioria de seus membros, foi submetido pelo TSE a um photoshop eleitoral, sendo apagados seus antecedentes, lançado sigilo sobre os acontecimentos de seu governo, rompidas suas relações internas e externas. Enquanto Lula era beneficiado com essas graças, os pleitos de Bolsonaro eram recebidos pelo “xerife” Alexandre de Moraes com caneta fumegante e promessas de novas desgraças. Não, a eleição não transcorreu num ambiente isonômico, isento e equilibrado. Foram atos muito graves contra condições inerentes à democracia.
Nono – censura a prazo
Às vésperas da eleição, aceleraram-se os meios de censura, chegando à sua absurda aplicação na forma especialmente grosseira de censura prévia, notabilizada com o famoso consentimento viva voz proporcionado pela ministra Cármen Lúcia.
Décimo – parlamentares sem redes sociais
Depois da eleição, a democracia foi duramente atingida por determinações judiciais que bloquearam as redes sociais de parlamentares. A agressão que esses atos cometem contra a democracia é ainda mais explicitamente inconstitucional. Hoje, deixar um parlamentar sem acesso a seus seguidores é tirar-lhe a palavra, fundamento da própria expressão “parlamentar”. Contudo, assim tem sido feito.
Conclusão
Os dedos que ameaçam a população deveriam voltar-se para o próprio peito, examinar a própria consciência, penitenciar-se por seus excessos, entender a voz das ruas e prover uma saída institucional para a crise que não foi o povo quem provocou.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O discurso do presidente - 02/11/2022
Percival Puggina
Dois dias depois de concluída a apuração do pleito, o presidente emergiu, enfim, de prolongado retiro para um discurso de dois minutos que deixou boquiaberto o jornalismo brasileiro. Quando achavam que ele estava nas preliminares, a missão foi concluída. Precoce, muito precoce.
Humor à parte, dois minutos foi tudo que o jornalismo brasileiro teve para transmitir. Havia uma razão para a frustração: passados dois dias da eleição, os profissionais da comunicação continuavam convencidos ou querendo convencer a sociedade que tivemos uma eleição absolutamente normal. No entanto, a única coisa normal foi o cumprimento do cronograma. Quase tudo mais compôs um catálogo de absurdos.
Entre esses absurdos está a total incapacidade de perceber, ou a deliberada intenção de não revelar, a anormalidade do ambiente político em que se travou a campanha eleitoral, desde muito antes da abertura de sua abertura oficial. Aliás desde antes, até mesmo, da sequência de atos judiciais que produziram o grande disparate: Lula em condições de disputar a presidência.
Mesmo em presença dessa imensa anomalia seria perfeitamente possível uma disputa isonômica, se travada num contexto de equidade. Mas não. Lula foi beneficiado com a invulgar condição de ser um candidato cujo passado não podia ser mencionado (a não ser de modo elogioso, imagino) e cujas más companhias, relações políticas e empresariais foram aspiradas do mundo dos fatos.
Por outro lado, esse mesmo jornalismo que esperava e cobrava do presidente uma reação protocolar, integrou-se de modo notório à oposição desde 2019. Por anos a fio, cada jornal, um manifesto; cada rádio emissora, um discurso; cada TV, um comício. Sem chances ao contraditório. E onde esse contraditório surgiu no pequeno nicho das possibilidades, ergueu-se contra ele o braço inominável da censura.
Enquanto grandes grupos de comunicação se dedicaram intensamente à construção de narrativas, aos sofismas e à análise ilógica, as redes sociais, responsáveis diretas pelos resultados eleitorais de 2018 e 2020, foram levadas a uma espécie de campo de concentração onde a vastidão do ciberespaço virou um galpão patrulhado por cães farejadores.
Se tudo isso é muito normal, se tudo isso é “protocolar” ou constitucional, se escrevo sobre sapos de bom paladar facilmente digeríveis, então o discurso do presidente deveria ser bem outro. Só que não. Obviamente, não. Durante quatro anos, sempre acusado de autoritário, ditatorial, golpista e outras coisas mais, o presidente lecionou respeito às quatro linhas da Constituição àqueles que a transformaram em tempero para uso ao gosto.
Em seu discurso, reprovou a paralização das estradas e disse bem-vindas as pacíficas manifestações populares (as pessoas já experimentaram perdas expressivas de sua liberdade de opinião, expressão, locomoção e temem pelo futuro). Entendam isto os responsáveis: as pessoas sentiram suas liberdades sufocadas, se sentem ameaçadas e fazem inevitáveis analogias com nações vizinhas!
Quem não sabe o tamanho do problema que ajudou a criar, não entendeu a festa nos presídios e nos bastiões do crime organizado, não assistiu ao comício do vencedor, não viu algo muito errado no “feirão” dos saques a estabelecimentos comerciais, é inepto para as funções que exerce.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Isto não é com você? - 12/10/2022
Percival Puggina
Pisaram na grama do vizinho. Arrancaram as flores de seu jardim. Ensinaram coisas impróprias às suas crianças e lhes falaram mal do Brasil. Controlaram as postagens do vizinho nas redes sociais. Invadiram sua casa. Levaram seu computador, seu celular e seus arquivos. Depois, o levaram também e não atendem o advogado dele. Por fim, bloquearam as contas bancárias da esposa. E você acha que isso não é com você? Você acha que está tudo bem, que você está “de boa” nessa?
Meu caro, a história que está passando diante de seus olhos irresponsavelmente vagos – queira você ou não – é sua história também, ainda que se considere isento ou isentão, ou membro da elevada estirpe moral dos omissos.
As cenas descritas sintética e simbolicamente no primeiro parágrafo desta crônica preenchem muitas páginas na história de todos os totalitarismos, de todos povos que passaram por sempre longas tiranias. Em todas elas, os vizinhos acomodados nada fizeram. Muitos confiaram na sorte, nos próprios meios e acabaram vítimas de algum pogrom, ou no gueto, no gulag, ou nos campos de trabalhos forçados instalados nas Unidades Militares de Ajuda à Produção (UMAP) criadas – saibam disso os jovens que me leem – por Che Guevara para isolar e reeducar os jovens cubanos dissidentes.
Ah! pare com isso, no Brasil não acontecerão coisas assim”, você talvez esteja pensando em me dizer. Pois eu também imaginava que não, até ver o que tenho visto em matéria de descarada negação da realidade e da supressão de direitos por aqueles que dizem defender a democracia e o estado de direito enquanto acabam com ambos.
Eu também nos julgava imunes a tais males, até ver a liberdade de opinião e expressão fenecer no território livre das redes sociais, como na China, ou em Cuba; até saber dos algoritmos controladores; até ver a sanha persecutória sobre essas plataformas, não por acaso as principais responsáveis pela derrota da esquerda em 2018; até ver inquéritos serem abertos para permanecer sigilosa e ameaçadoramente abertos. Eu também achava que estávamos de bem com a democracia, o estado de direito e a liberdade até perceber o Império da Lei soando como nome de escola de samba.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
2018, quatro anos e várias “pandemias” depois. - 03/10/2022
Percival Puggina
Em 2018 tudo jogava a nosso favor. Roubalheira transformada em escândalo de proporções nunca antes vistas; Lula na carceragem da Polícia Federal de Curitiba cumprindo pena; a estratégia das tesouras PT/PSDB desmascarada; Bolsonaro sacudindo os conservadores de sua conservadora letargia; a direita tomando consciência de seu direito de opinião e expressão; as redes sociais proporcionando um extraordinário espaço de liberdade onde era possível contraditar o esquerdismo dos grupos de comunicação. Mesmo assim, no primeiro turno da eleição presidencial daquele ano, Bolsonaro fez 46% dos votos para vencer Fernando Haddad, 21 dias depois, por 10 milhões de eleitores a mais e 55% dos votos.
Agora, várias pandemias depois, vamos para o segundo turno partindo de 43% dos votos. “Várias pandemias?”, perguntará o leitor. Sim, várias.
A pandemia da Covid, que a oposição transformou em arma biológica contra o governo, criou imensas dificuldades econômicas e sociais e impediu, por cautelas sanitárias, a organização de um efetivo movimento conservador no Brasil.
A pandemia do ativismo dos grandes grupos de comunicação, que se abraçariam, como fizeram em 2018, a qualquer poste que Lula viesse a apresentar.
A pandemia do STF, obstando e afrontando o governo, operando como ativo político da oposição.
A pandemia omissiva do Senado Federal, cujo presidente operou como um sabujo do Supremo, impedindo aquela Casa de cumprir seu dever constitucional como julgadora de ministros do STF.
A pandemia do TSE, confiado ao ativismo feroz de Sua Alteza Eleitoral Alexandre de Moraes.
A pandemia da libertação de Lula, cronometricamente planejada para habilitá-lo a disputar a presidência como alguém “que nada deve à justiça” na proclamação da Rede Globo pela voz de William Bonner.
A pandemia que acometeu as redes sociais, nosso espaço disponível de comunicação, tornando-as submissas ao TSE e às “diretrizes da comunidade”, censurando e achatando a propagação dos canais e páginas da direita.
Não seria razoável imaginar, mesmo se depositássemos total credibilidade nas instituições republicanas, que a eleição transcorreria num cenário obediente à racionalidade e proporcional ao entusiasmo com que reconhecemos nas ruas e praças nossas responsabilidades perante a história e o futuro do país.
Quem me conhece sabe que sempre considerei que o pleito seria renhido. “Me dou por satisfeito com um segundo turno” disse aos jornalistas Júlio Ribeiro e Glauco Fonseca num intervalo do programa Boa Tarde Brasil da rádio Guaíba, na última sexta-feira.
O segundo turno é uma nova eleição. As dificuldades persistirão, bem sei. Mas elas serão confrontadas com mais e melhor trabalho, anúncio e denúncia. Em seus estados, novos e importantes atores entrarão na campanha em favor de Bolsonaro.
Confio em que o bem haverá de vencer o mal. Eles não haverão de passar! Mesmo que todos soubéssemos, a opção dos corruptos e a opção eleitoral do crime organizado foi explicitada à nação. O Brasil não será dos ladrões.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Marxismo e água benta - 28/09/2022
Percival Puggina
Quem condena a riqueza, dissemina a pobreza. Sem riqueza não há poupança e sem poupança não há investimento. Sem investimento, consomem-se os capitais produtivos preexistentes, surge uma economia de subsistência, vive-se da mão para a boca, aumenta o número de bocas e diminui o número de mãos. Quem defende o socialismo sustenta que a ideia é exatamente essa e que assim não há competição ou meritocracia, nem desigualdade. E como diz Lula criticando a classe média, ninguém precisa de dois televisores...
Quando o Leste Europeu estava na primeira fase, consumindo os bens produtivos preexistentes, surgiu a teologia da libertação (TL), preparada pelos comunistas para seduzir os cristãos. A receita - uma solução instável, como diriam os químicos, de marxismo e água benta - se preserva ainda hoje. Vendeu mais livros do que Paulo Coelho. Em muitos seminários religiosos, teve mais leitores do que as Sagradas Escrituras. Aninhou-se, como cusco em pelego, nos gabinetes da CNBB. Perante a questão da pobreza, a TL realiza o terrível malabarismo de apresentar o problema como solução e a solução como problema. Assustador? Pois é. Deus nos proteja desse mal. Amém.
A estratégia é bem simples. A TL vê o “pobre” do Evangelho, sorri para ele, deseja-lhe boa sorte, saúde, vida longa e passa a tratá-lo como “oprimido”. Alguns não percebem, mas a palavra “oprimido” designa o sujeito passivo da ação de opressão. O mesmo se passa quando o vocábulo empregado na metamorfose é “excluído”, sujeito passivo da exclusão. E fica sutilmente introduzida a assertiva de que o carente foi posto para fora porque quem está dentro não o quer por perto. Então ele ganha R$ 50 para ficar na esquina agitando bandeira de algum partido vermelho, por fora ou por dentro.
A TL proporciona a mais bem sucedida aula de marxismo em ambiente cristão. Aula matreira, que, mediante a substituição de vocábulos acima descrita, introduz a luta de classes como conteúdo evangélico, produzindo o inconfundível e insuperável fanatismo dos cristãos comunistas. Fé religiosa fusionada com militância política! Dentro da Igreja, resulta em alquimia explosiva e corrosiva; vira uma espécie de 11º mandamento temporão, dever moral perante a história e farol para a ordem econômica. É irrelevante o conhecimento prévio de que essa ordem econômica anula as possibilidades de superar o drama da pobreza. A TL substitui o amor ao pobre pelo ódio ao rico e acrescenta a essa perversão o inevitável congelamento dos potenciais produtivos das sociedades.
Todos sabem que Frei Betto é um dos expoentes da teologia da libertação. Em O Paraíso Perdido (1993), ele discorre sobre suas muitas conversas com Fidel Castro. Numa delas, narrada à página 166, a TL era o assunto. Estavam presentes Fidel, o frei e o “comissário do povo”, D. Pedro Casaldáliga, que foi uma espécie de Pablo Neruda em São Félix do Araguaia. Em dado momento, o bispo versejador comentou a resistência de João Paulo II à TL dizendo: “Para a direita, é mais importante ter o Papa contra a teologia da libertação do que Fidel a favor”. E Fidel respondeu: “A teologia da libertação é mais importante que o marxismo para a revolução latino-americana”.
Haverá maior e melhor evidência de que teologia da libertação e comunismo são a mesma coisa?
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O outro lado da mesma moeda - 12/09/2022
Percival Puggina
Nossa Constituição está longe de ser boa. Em breve, o número de emendas empatará com o número de artigos. Mas é a que a casa oferece. Ainda assim, se não à levam em conta, se a interpretam segundo a conveniência do momento, se a transformam em massinha de moldar, se os constituintes originais são destituídos, as instituições se desconjuntam. E, mesmo inculta, a nação percebe, se desestabiliza e se desgosta. Contam demais com a ignorância da sociedade aqueles que assim agem e julgam merecer de todos, indistintamente, os rapapés de praxe que recebem em seu habitual entorno.
Como sabem meus leitores, sou um estudioso da triste realidade do povo cubano. Escrevi dois livros e centenas de artigos a respeito. Vivi, felizmente por uns poucos dias, a experiência de estar sob vigilância pessoal num estado totalitário. Porque mantive contatos com dissidentes, fui seguido, fui filmado, e... fui mal atendido quando busquei orientação e apoio na embaixada petista da época. Os fatos me fizeram entender muito bem a realidade daquele povo. Agora, sinto insegurança semelhante em meu país!
Sinto-me sob ameaças. Percebo a liberdade de expressão restrita. Observo um patrulhamento com cunho oficialista. Tomo conhecimento da existência de um Big Brother vasculhador da esfera privada, pescando palavras no espaço virtual, avaliando conteúdos. Sinto a pressão sobre as redes sociais e a restrição à temática política. Estranho esses inquéritos abertos para permanecerem abertos, sigilosos e atemorizadores. Assim como vejo a censura acontecer, percebo a injustiça sendo feita e sinto, na minha humanidade, a condolência que devemos sentir sempre que alguém dela é vítima.
Subitamente, noto haver mais sentido ético superior no senso comum de justiça (assim, com jota minúsculo), do que na Justiça com jota maiúsculo. A exemplo de milhões de brasileiros, meus olhos se voltam para o inerte Senado Federal. Hoje, eminentes senadores afirmam de público aquilo sobre o que já escrevi tantas vezes: “o Senado não julga ministros do STF e ministros do STF não julgam senadores”. Com isso, se esteriliza um importantíssimo preceito constitucional, na ausência do qual, tem-se espaço aberto para a ditadura, para a tirania! São 18 denúncias (impeachment = denúncia) contra quase todos os ministros.
Fato: da mesma forma que presidencialismo sem instituto do impeachment é ditadura, qualquer outro poder de Estado cujos membros não possam ser julgados e afastados também nisso se converte!
É para a omissão do Senado que se voltam as críticas dos senadores que explicitaram o que acabo de escrever – Álvaro Dias, Lasier Martins e Eduardo Girão. No entanto, que se haverá de dizer do STF sobre a parte omissiva que lhe corresponde nesse latifúndio de omissões?
Em uma lista do site Congresso em Foco, de 14/09/2021, leio que 15 senadores são réus ou alvo de inquérito no STF, num total de 5 ações penais e 25 inquéritos. Deste outro lado da mesma moeda, nada se fala.
Por quê?
Talvez algum cubano me ajude a encontrar a resposta.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Só que não! - 07/09/2022
Percival Puggina
O editorial de Zero Hora deste 7 de setembro alertava para o fato de ser nacional e de todos os brasileiros a data em festejos. Claro, claro, só que não. Para muitos, tais eventos são repreensíveis, motivo de revolta e leitura plana, chapada. O aparelho educacional brasileiro (aparelho, sim) se encarrega de disseminar esses preconceitos.
Em ampla maioria, têm sentimentos de animosidade em relação ao Brasil. Pesquisas periódicas registram um percentual nunca inferior a um terço da população que tem vergonha de ser brasileira. Conservadores é que não são.
Não é o meu caso. Tenho orgulho de ser brasileiro, exatamente porque conheço nossa história e vejo nela as extraordinárias realizações que antecederam o Descobrimento, o valor de nossos grandes vultos e o papel que nos corresponde na preservação da civilização ocidental.
Tenho vergonha é dos maus brasileiros que em ambientes fechados, além dos filtros de acesso, bem como nas trincheiras de um obscuro poder paralelo, trazem para o horizonte das possibilidades da corrida presidencial um ladrão condenado unanimemente por nove magistrados em três instâncias.
Tenho vergonha é do jornalismo manipulador que apoia qualquer bizarrice do Judiciário e toda uma plataforma de omissões do Congresso Nacional contanto que isso prejudique o Brasil e seu governo, ou vice-versa.
Tenho vergonha é dos que, para desconstruir o amor à pátria, entopem a juventude brasileira com toda maledicência que encontram em suas sebosas e sinistras cartilhas. Catam o lixo da história e o exibem, no alto dos telhados e das torres, na mídia e nos salões culturais, enquanto a beleza, a nobreza e a grandeza são varridas para baixo dos tapetes.
Bolsonaro não é combatido pelo que é, mas em virtude dos princípios e valores daqueles que o veem como um fio de esperança capaz de dar um salto de décadas sobre sua omissão.
Os que são contra essas convicções, revolucionários com contracheque ou subsídio, combatem Bolsonaro agindo por dentro do Estado ou à beira de seus recursos. E são contra Bolsonaro porque querem preservar a situação anterior à 2018, perfeitamente descrita pelo bem informado circuito de Alckmin, Palocci, Gilmar Mendes, e outros.
Nota do autor: este breve texto resume a essência do que falei, à tarde de 7 de setembro, à imensa multidão que tomou todos os espaços da Avenida Goethe, junto ao Parcão, em Porto Alegre.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Comunismo fazendo das suas na Nicarágua - 26/08/2022
Percival Puggina
Em março de 1983, João Paulo II foi à Nicarágua em meio a uma guerra entre os “Contra” e o governo comunista instalado pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), a primeira revolução exportada por Fidel Castro para a América Ibérica. O clero local estava dividido por ação da Teologia da Libertação e alguns padres se haviam envolvido com a luta armada que assumiu o poder político local entre 1979 e 1990. O mais destacado desses rebeldes era o padre Ernesto Cardenal que foi Ministro da Cultura ao longo de todo o período.
Como padre e ministro de Estado, Cardenal foi ao aeroporto recepcionar o Pontífice. Lembro bem do ocorrido porque a visita repercutiu amplamente na imprensa. João Paulo II, polonês, vivera em sua dureza a experiência de um país comunista e foi um dos artífices da derrocada da União Soviética e da libertação de nove de seus Estados satélites na década seguinte.
A cena correu mundo. Assista-a aqui. O papa desceu do avião, não beijou o chão, como era seu costume, dirigiu-se às autoridades, postou-se diante do padre Cardenal (que se recusara a deixar o governo comunista) e passou-lhe um breve sermão, brandindo o dedo indicador diante dele. As atividades sacerdotais do padre estiveram suspensas durante o longo período de sua participação no governo.
Passaram-se os anos. Com breve interrupção, os comunistas continuam governando a Nicarágua, agora sob a ditadura de Daniel Ortega. Padres estão sendo presos. No último dia 19, foi a vez do bispo de Matagalpa ser “recolhido”.
“E Cardenal?” perguntará o leitor que chegou até aqui. Pois o padre Cardenal deixou o governo em 1987, rompeu com a FSLN em 1994, e passou a ser, ele mesmo, perseguido pelo regime até sua morte em 2020. Durante a missa de corpo presente, os comunistas profanaram a igreja. Chamavam-no traidor. A revolução consumiu, assim, um de seus criadores.
Enquanto o comunismo vai espalhando suas lições pelo mundo, aqui, os seduzidos por ele silenciam, concordam, ocultam e desconversam, como fez a CNBB, instigada pelos colegas da Nicarágua que buscavam apoio em sua resistência aos ataques do regime. Sem qualquer menção à ofensiva empreendida pelo governo de Ortega contra clero e fieis, a nota diz isto e apenas isto:
“Nós, bispos do Brasil, acompanhamos com tristeza e preocupação os acontecimentos que têm marcado a vida da Igreja na Nicarágua. Sentimo-nos profundamente unidos aos irmãos bispos e a todo o povo nicaraguense. Clamamos ao Bom Deus para que a paz e a justiça sejam alcançadas.”
Nesta terra abençoada, há quem concorde, quem finja não ver, quem chamado a se manifestar não reprove e quem afirme ser necessário quebrar ovos conservadores para fazer a omelete de uma revolução que já leva perto de meio século. São João Paulo II, rogai por nós!
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Medo, medo terrível, é o castigo dos tiranos. - 26/08/2022
Percival Puggina
Sempre me chamaram a atenção os traços comuns que assinalam a vida dos tiranos através da história. Todos se veem titulares de uma tarefa indelegável e impostergável no seu tempo e todos transformam essa missão em fonte de um Direito que se sobrepõe às normas e ritos.
Fidel Castro foi o tirano sobre quem mais detidamente pesquisei. Tinha um sósia baixinho, Silvino Álvarez, usado em veículos, que funcionava como alvo de plantão. Embora a residência conhecida como Ponto Zero fosse sua moradia oficial, frequentemente trocava de “sede”. Fazia-se acompanhar de uma escolta de 14 guarda-costas dispostos em quatro viaturas, sendo incógnita e errática a posição daquela em que transitava. Preservou o irmão Raúl, mas se livrou de todos os comandantes que por popularidade poderiam ameaçar sua posição: Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Huber Matos. E assim foi fazendo ao longo das décadas.
Lênin era muito mais rigoroso. O terror que impôs tornou público o espaço privado, invadia residências, espionava fábricas e eliminava qualquer risco de divergência impondo-se sobre todos. Amotinados, grevistas, críticos eram enviados em balsas com pedras no pescoço e jogados no rio Volga, aos milhares. Nos anos de Stalin, tudo piorou porque o georgiano era paranoico, como foram Mussolini, Hitler, Mao, Saddam (cujo sósia cumpria agendas e circulava mais do que ele em ambiente público) e muitos outros.
É comum que tiranos sejam narcisistas. Têm-se em altíssima conta, sendo dessa vistosa autoimagem que seu poder toma vulto e transborda. Na outra ponta do mesmo circuito, porém, aparece o medo. Tiranos assombram-se com fantasmas da própria mente e criam seus bichos-papões. Por medo deles, largam pelo caminho o autocontrole, o senso de medida e de ridículo. Até a vida privada de alguns velhinhos lhes parece ameaçadora.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A coroação de Sua Alteza Eleitoral - 18/08/2022
Percival Puggina
Havia algo errado ali, uma demasia, um excesso. O ato de posse do novo presidente do TSE fez pensar numa cerimônia de coroação. Nunca antes se viu tamanha concentração de autoridades da República em evento do Poder Judiciário. Assistiam à coroação de Sua Alteza Eleitoral, D. Alexandre.
As ruidosas manifestações de apoio deixaram à mostra a velha fenda existente entre a elite brasileira e a sociedade. Entre os “donos de poder” e seus súditos. Era muita unanimidade em torno de quem está longe dela. Que a posse restitua ao ungido o equilíbrio e o bom senso que tanto lhe tem faltado.
Os aplausos concedidos à locução “Estado de Direito e Democracia” trazem lágrimas ao coração de quem, como eu, tanto se tem empenhado pela reforma de tudo que há de torto em nosso estado de direito e de vicioso em nossa democracia. Terei assistido ali o velório de minhas esperanças, sob os auspícios dos donos do poder? Sou conservador, não quero revolução! Quero reforma, mediante aplicação da inteligência aos fatos sob nossos olhos, à luz forte da história vivida.
Nosso modelo institucional e nosso sistema eleitoral são feitos sob medida para perpetuação de quanto há neles de perverso. As mudanças ocorridas ao longo do tempo apenas pioraram o pacote inteiro porque nossos congressistas são beneficiados pelo modelo vigente e fazem a regra do jogo conforme lhes convém. Resultados: mais dinheiro público para campanhas caríssimas, maior representação dos grupos de interesse, número crescente de partidos e candidatos, maiores dificuldades para renovação dos parlamentos. Sendo ínfima a percentagem de eleitores que consegue eleger a pessoa em quem votou, poucos podem ser cobrados legitimamente por ações e omissões.
Por fim, repilo, com veemência o adjetivo golpista aplicado contra quem clamou por transparência no sistema eleitoral. É desonesto e ardiloso usá-lo para alavancar aplausos.
A diferença entre um sistema blindado e um transparente não é sutil; é, digamos assim, transparente. A diferença entre golpismo e clamar às instituições, ao longo de anos, por essa transparência, é a mesma que existe entre uma verdade com carimbo da história e o oportunismo de uma falácia de ocasião. A comprovação do que afirmo é dada pela recorrência com que esse assunto retoma o cenário institucional por iniciativa da sociedade ou do Congresso.
Escrevo em defesa de mim mesmo exatamente por ser democrata e por haver subido em dezenas de carros de som nos últimos anos para chamar a atenção das instituições da República sobre seus abusos e omissões. Muitas vezes, pedia-se por transparência no sistema eleitoral.
O assunto morreu? Não. Voltaremos a ele em 2023. Essa não é, porém, a pergunta certa. A pergunta certa é: fez sentido esticar a corda, criar um grande estresse político nacional, pressionar abertamente a Câmara dos Deputados, desgostar dezenas de milhões de eleitores em relação a um pleito tão importante e arrastar essa pauta indefinidamente alegando defender a democracia e o Estado de Direito?
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Jornalismo tóxico - 12/08/2022
Percival Puggina
Quando o jornalismo assume as condutas a seguir descritas, acolhe, também, responsabilidade pelas consequências. Refiro-me às seguintes ações e omissões:
- silenciar, durante 43 meses sobre todas as ações abusivas, truculentas e inconstitucionais do STF e só prestar atenção aos malfeitos daquele poder quando os ministros encomendam lagostas ou aumentam os próprios vencimentos;
- isentar STF e TSE de sua total responsabilidade na atual crise política ao impor suas vontades, durante três anos, contra manifestações de rua por urnas com impressoras e auditoria nas apurações;
- desconhecer, ou quando conhece, desprezar, ridicularizar e adulterar os legítimos conteúdos das manifestações populares;
- nada dizer sobre o sinistro processo de dominação e imposição do pensamento único na Educação brasileira, nem sobre o amplo uso das universidades públicas para fins rigorosamente políticos e partidários;
- fazer de conta que não vê o imenso rol de privilégios financeiros e normativos autoconcedidos pelos congressistas na presente eleição em detrimento do desejo de renovação manifestado pela sociedade;
- perseguir de modo sistemático o presidente da República, que dispõe apenas de um ou outro programa de tevê e redes sociais para se fazer ouvir;
- repetir chavões contra o presidente e contra a maioria conservadora da sociedade como quem copia e cola de alguma cartilha oposicionista;
- avaliar o desempenho parlamentar contando projetos de lei e despesas de gabinete, sem se interessar pelo mais importante, que é clareza ou obscuridade das posições, a coerência ou incoerência das condutas e a efetiva contribuição para o bem (ou mal) do país;
- acolher centenas de milhares assinaturas à Carta da USP como sendo a mais legítima representação possível da sociedade e, por anos a fio, desprezar a voz de dezenas de milhões de cidadãos que vão às ruas sem serem ouvidos pelo Congresso e pelo STF;
- jamais escrever uma linha sequer sobre os gravíssimos motivos da poluída interação havida entre o Supremo e o Senado da República.
Poderia prosseguir, mas basta. A mais grave consequência da desinformação, da notícia transformada em retórica, da estratégia editorial persistente, é o agravamento da crise que diz combater; é fugir da solução e jogar a nação no colo do problema. Nosso país precisa resolver seus embaraços institucionais e eles não se solucionam com sofismas, cartilhas ideológicas, etiquetas e ocultações.
Não é dever da mídia tornar a nação mais sábia. É seu dever, porém, não intoxicar a democracia.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A Carta dos “Donos do Poder” - 29/07/2022
Percival Puggina
Movido pelo estardalhaço midiático, li a carta com descabida atenção porque havia quase nada a ler. Nos primeiros parágrafos, que tratam sobre os poderes de Estado, entendi que os autores compareceram às aulas de OSPB. Em seguida, lendo os nomes dos mais destacados signatários evidenciou-se o uso que fizeram desse conhecimento sobre nossa ordem política. Ficou claro, então, ter sido sobre eles que escreveu Raimundo Faoro em “Os Donos do Poder - Formação do patronato político brasileiro”.
Nessa importante obra, sociólogo e politólogo que era, Faoro demonstrou quem, sobre tudo e todos, em qualquer circunstância, detinha as rédeas do poder nacional. Tenho certeza de que ele não seria ufanista como são os autores da carta nas reverências à nossa democracia. Nem concordaria com o que vem acontecendo com a liberdade em nosso país. Tenho certeza de que ele, vivo fosse, conheceria os principais nomes subscritores da carta e muito provavelmente, como eu, afirmasse que sintetizam sua obra.
Pensem comigo. A lista dos primeiros signatários cabe inteira no topo da pirâmide de renda do país. Ali estão nossos tradicionais e novos banqueiros e alguns empresários de peso. Ali está, a postos, a coesa militância de nossas universidades, nas quais, refugando o ânimo que lhes é essencial, toda diversidade e pluralidade são bem vindas, exceto as de opinião e expressão. Ali está uma consistente representação das carreiras de Estado e da enraizada burocracia nacional. Ali estão os porta-vozes habituais do mundo artístico, sempre solidários com os companheiros e lacrimosos com a perda de suas fatias no bolo fiscal.
Independentemente do que aconteça nas ondas revoltas onde braceja a escumalha plebeia, todos surfam nas pranchas do poder. Por isso, sua “Carta aos brasileiros e brasileiras em defesa do Estado democrático de Direito” é típica dessas parcelas da elite brasileira.
Burocratas, não os li enquanto a nação era roubada. Acadêmicos, nada disseram enquanto a educação despencava em mãos inábeis. Intelectuais, nada escreveram quando a censura iniciou seu nefasto trabalho. Juristas e cientistas políticos contemplaram inertes o ativismo e o consequencialismo diluirem a Constituição no coquetel das supremas vontades; calaram-se quando nossos congressistas legislaram em benefício próprio e desfiguraram a democracia, transformando os partidos em tesourarias e tornando assimétricas as disputas eleitorais.
Os donos do poder sentem-se donos da eleição. Pareceu-lhes sempre normal, então, que o povo não fosse ouvido, afinal, surfam sobre suas angústias cotidianas. Fizeram-se surdos à voz das ruas que, ao longo de anos clamam por transparência no sistema eleitoral. Para eles, nada há de novo no front nacional quando temos censura, presos políticos e cidadãos exilados, conluios e estratégias entre o Senado e o Supremo.
Aos donos do poder, se banqueiros, é intolerável, terem que atender a milhões de brasileiros de mãos grossas, encardidas e a essas brasileiras de fisionomia sofrida que ganharam a cidadania da conta bancária e do pix. É inadmissível, se “empresários”, ver os bilhões de reais que antes lhes chegavam quase de graça sendo usados para amenizar dificuldades de motoristas e saciar a magra fome do prato de comida dos setores mais carentes da população. Se artistas e famosos, desses que “lacram” nos palcos, há que pisotear na bandeira do Brasil se o Estado não mais custeia suas turnês.
Vejo que colhem adesões a essa carta. Mais do que as palavras vazias e a retórica chinfrim do texto, gritam os nomes dos signatários. De algum lugar, as aves de rapina espreitam a cena e a oportunidade de voltar à presa.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Quando morre o senso de justiça - 27/07/2022
Percival Puggina
História número 1
Na primeira aula para a turma de calouros de uma faculdade de Direito, o professor, logo após a chamada, encarou o aluno visivelmente mais idoso da classe e disse, em tom agressivo: “O senhor aí, retire-se da minha sala de aula!”. Após alguns instantes de tensão, tendo o aluno saído, perguntou à turma: “O que houve? Porque vocês estão assim, com cara de quem viu lobisomem?”. Longo silêncio até que um dos estudantes, com visível insegurança, explicou que a expulsão do colega parecia não ter razão de ser. “Cometi uma injustiça? É isso? Então, vai lá fora e chama-o de volta”. Ao retornar, a surpresa: o aluno expulso ocupou o lugar do “professor” e este, encerrada sua representação, sentou-se entre os colegas. A partir daí, o verdadeiro docente da turma passou a lecionar o grupo sobre o dever moral, mormente entre advogados, de não silenciar perante uma injustiça.
História número 2
A aula daquela matéria toda vez mudava de local. Perdia-se um tempo procurando, subindo e descendo escadas. Naquela manhã, o professor já começara a falar quando uma aluna, retardatária, ensaiou entrar na sala. O homem com giz na mão olhou-a de modo rude e lhe disse, em tom mais rude ainda, que não podia entrar, pois a aula já começara. Enquanto a mocinha, humildemente, se retirava, um aluno levantou-se e explicou ao professor que sua cadeira sempre envolvia aquela dificuldade de localização, dando causa a tais atrasos. E completou: “Se a colega não pode entrar, eu saio”. E saiu da sala, seguido pelos demais.
A primeira história circula nas redes sociais há algum tempo. Não sei se realmente aconteceu. A segunda, esta última, deu-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRGS, na minha turma, por volta de 1966 e fui eu o aluno que reagiu à conduta do professor.
Quando o silêncio de alguns faz a história de todos
Injustiças me incomodam. Por isso, observo com indignação as ocorrências nacionais e o silêncio de tantos que devendo reagir, não o fazem. Penso na omissão perante casos como os de Allan dos Santos, de Barbara Destefani (Te atualizei), de Bernardo Küster, de Camila Abdo e outros que tiveram cortadas suas fontes de renda e enfrentam as dificuldades disso decorrentes sem ter acesso aos seus processos. O que fazem com eles não cabe no mundo das boas leis. Não conheço a todos, mas os que mencionei são pessoas que, de bom grado, receberia em casa para jantar com minha família. A seus detratores, não.
Outro dia, assisti Bárbara dizer à Jovem Pan que, há 10 meses, foi desprovida de seu sustento e não recebeu até agora sequer um e-mail que lhe indicasse os motivos disso. Logo após, li Bernardo afirmando estar na mesma situação dois anos depois de ter sido vítima de igual arbitrariedade.
A defesa da liberdade
Eles tinham milhões de seguidores. São pessoas que comungam do amor à liberdade e da aversão ao arbítrio. Censurados, podem sair à convivência das ruas enquanto seus censores viajam ao exterior para poder tomar sol.
Nada espero da OAB, nem dos advogados banqueteiros e festeiros da confraria Prerrogativas (Prerrô, para os íntimos). Tampouco espero algo das associações ditas “Pela democracia”, organizadas por pessoas que passaram por cursos de Direito e nada aprenderam sobre o valor Justiça.
Minha singular e tênue esperança está em que a sociedade não deixe morrer a repugnância à injustiça. E perceba, em tempo, o quanto ainda pode ir além, perigoso e arrogante, o poder que tudo pode.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A hipocrisia e o temeroso da luz do sol - 30/06/2022
Percival Puggina
A hipocrisia está escancarada. Durante quatro anos, os mesmos veículos e jornalistas se dedicaram a tarefa cotidiana de atacar, obstar, rotular e difamar o presidente da República, seu governo e seus apoiadores.
Com fartura, disseminaram fake analisys, que são a mais venenosa forma de desorientar a sociedade porque confere um aspecto respeitável e técnico à mistificação. Ocultaram as realizações do governo e relativizaram a importância das que não podiam distorcer. O neologismo “despiora” usado para não dizer que algo melhora em nosso país, talvez sintetize muito do que estou a descrever.
Receberam a missão e a cumpriram com denodo. No passo seguinte, num silêncio acrítico, acolheram a escandalosa sequência de decisões que pinçou Lula do interior da carceragem para colocá-lo, desajeitado e temeroso da luz do sol, no palco da disputa presidencial.
Agora, eu os assisto a criticar a divisão da sociedade brasileira como se fosse uma realização do governo! Logo o governo contra o qual atiçaram suas audiências num rodízio militante e evidente.
Procure nos escaninhos de sua memória uma crítica sequer desse tipo de jornalismo que se abateu sobre tantos veículos da mídia nacional à conduta desequilibrada e malevolente do senador Randolfe Rodrigues. Bem ao contrário! O senador que usa o mandato como arma a serviço do pior tipo de oposição possível recebe dessa mídia uma cobertura indisponível às autoridades com ações voltadas ao bem do país. Enfim, os iguais se juntam...
Era inevitável que sob esse bombardeio, seguido do resgate do descondenado, a divisão política pré-existente se exacerbasse. Por outro lado, se estamos falando em divisão da sociedade, não podemos esquecer todo o divisionismo identitário macaqueado dos EUA pela esquerda brasileira sendo persistentemente introduzido em nossa vida social.
Some tudo isso, como obra de mãos bem conhecidas, e veja a vítima, injuriada, insultada, condenada à eterna lacração, ser agora apontada, por aqueles que a atacaram, como responsável pela divisão do país. Dá-me forças para viver, Senhor!
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Financiamento público e fraude à democracia - 18/06/2022
Percival Puggina
Na noite da última quarta-feira, quando o TSE anunciou o resultado da partilha dos R$ 4,96 bilhões destinados ao financiamento das campanhas eleitorais por ato legislativo que derrubou veto presidencial, me sobreveio justa indignação. Aquela dinheirama cortava pernas e asas da democracia.
É sabido que, com raras e louváveis exceções, detentores de mandato não votam contra o próprio interesse. É para redução de riscos pessoais que não votam o fim do foro privilegiado nem a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância.
Normal é a ampliação dos próprios benefícios. Mantêm o milionário privilégio das emendas parlamentares para jogar o dinheiro vivo – e sofrido – de nossos impostos nos seus nichos eleitorais. A título de apoio à sua atividade pública, povoam os gabinetes com cabos eleitorais em permanente campanha pela reeleição. Não implementam o voto distrital nem adotam qualquer melhoria que possa colocar em risco a estabilidade de um sistema tão conveniente.
A esse abastecido e sempre atualizado cardápio, acresceu-se, a partir de 2015, a comodidade do financiamento público das campanhas eleitorais cujo fundão rapidamente evoluiu para a bolada acima referida. Quem vai mudar isso, por mais que a sociedade o deseje?
Ademais, surge a pergunta que poucos fazem: como é distribuído esse dinheiro dentro dos partidos? Imagine o poder que vai para as mãos do colegiado ao qual a tarefa esteja atribuída! É certo, e a experiência já comprovou, que há elevada discricionariedade nessa distribuição, constituindo-se tal poder em uma espécie de canga aplicada sobre as bancadas.
O produto final de toda essa artimanha é um ataque frontal ao natural desejo de renovação nos parlamentos, algo tão especialmente importante nas eleições de outubro. Se a democracia serve para expressar a vontade social, a nossa está desenhada para frustrar, para fraudar esse desejo. As ações e omissões de nossos congressistas, bem como sua surdez à voz das ruas, derivam das fornidas bases sobre as quais, ao longo de um inteiro quadriênio, operam em favor de suas reeleições.
É claro que pelo sistema anterior, com financiamento privado e teto de gastos, jamais o setor privado iria colocar quase R$ 5 bilhões nas mãos de candidatos e partidos. O resultado viria com campanhas mais modestas, que exigiriam mais trabalho prévio, maior sintonia com a opinião pública e com a voz das ruas. Esse sistema que escandalizou a nação na noite da última quarta-feira foi concebido e imposto pelos 11 gênios, os sábios da pátria, os tutores da sociedade, os devotos de uma democracia irreconhecível e de um Estado de Direito que se empenham em desestabilizar.
Sim, leitor, você tem razão. O que descrevi acima aumenta nossa responsabilidade, convoca nosso melhor discernimento, recruta nossa cidadania, suplica por nosso trabalho para eleger ou reeleger os melhores parlamentares. Sem estes, em número suficiente, não ocorrerão reformas que façam viger a vontade social que os atuais Congresso e STF, conjugando fantasmas fictícios e interesses reais, e agindo contra a democracia, trataram de obstar no quadriênio que se encaminha para o final.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Aproxima-se a hora, pegue sua vassoura. - 14/06/2022
Percival Puggina
Enquanto os dias escoam para o mês de outubro, olho para o Senado e percebo que o Senado não olha para mim. Nem para você, leitor. O Senado olha para os senadores e estes só atentam para si mesmos. Com a mais generosa boa vontade, entre os 81, as exceções a esse quadro egocêntrico não chegam a vinte.
Eis uma das grandes missões da ação política em favor do Brasil ao longo deste ano eleitoral. Vinte e sete senadores serão escolhidos pelos eleitores no primeiro domingo de outubro. Cada estado deve passar um pente fino na atuação dos que se apresentarem buscando renovar os mandatos. É preciso conhecer e tornar conhecidas, entre outras, as respectivas posições em relação ao pacote anticrime, à CPI da Lava Toga, à CPI da Covid, à prisão após condenação em segunda instância e à governabilidade do país.
A rigor, toda a insegurança jurídica causada por excessos monocráticos e colegiados do STF, apontados por Marco Aurélio Mello quando ministro, podem ser atribuídos ao desequilíbrio causado pelas décadas em que coube à esquerda política (mais precisamente a José Dirceu) apontar ao Senado os ocupantes dessas cadeiras. Agora, é o que temos, um poder de estado fazendo política sem voto.
Para o Senado porém, diferentemente do Supremo, a vida segue outro curso. Nossa Câmara Alta é um poder cujos membros se submetem à manifestação periódica de seus eleitores. Então, em outubro, sela-se o destino de 27 senadores. Salvem-se os raros bons e renovação já! Os restantes 54 entram na contagem regressiva para 2026. Também a estes deve ir o recado dos cidadãos de seus Estados. É a hora da cobrança, da revisão de vida, do respeito ao eleitor, da transparência das condutas. Hora de compreender que dirigir é servir.
Vale o mesmo para a Câmara dos Deputados. Antes de reeleger alguém, informe-se sobre como esse seu representante votou na autorização para o processo contra o deputado Daniel Silveira, como se posicionou (ou não!) sobre o voto impresso, o fim do foro privilegiado (que o Senado aprovou por unanimidade na legislatura anterior, ciente de que a Câmara jamais aprovaria aquela PEC). Maliciosamente, os senadores de então sabiam que o interesse próprio dos deputados prevaleceria e a matéria jamais iria à votação. Assim, salvaram-se todos, senadores e deputados, para os arquivos mortos da impunidade e da prescrição. Procure saber o que pensa seu candidato sobre reformas institucionais que limitem os ensaios tirânicos e o uso do poder de Estado como arma de guerra cultural e política.
Durante décadas, os construtores de narrativas foram muito bem sucedidos. Especialmente no tempo das velhas “cartilhas”. Os ativistas de esquerda eram nacional e uniformemente abastecidos de construções retóricas, esfarrapadas desculpas e grotescas acusações que, reiteradas além dos limites da náusea, tinham, pela repetição, aquele indigesto e conhecido poder de convencimento estudado por Goebbels. Pois esse tempo acabou, rápido e a muito baixo custo com as antagonizadas redes sociais. Os dias escoam em direção ao mês de outubro.
* Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Alexandre Garcia, a intolerância como virtude cívica - 03/06/2022
Percival Puggina
Eu deveria estar presente à cerimônia em que, no dia 30 de maio, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul conferiu ao jornalista Alexandre Garcia a Medalha do Mérito Farroupilha. A admiração que conta décadas ganhou, no tempo, o retorno e os prazeres de uma amizade que se renova com alegria em eventuais reencontros.
No entanto, a súbita decisão por uma necessária viagem de férias me levou à Sicília no período de sua vinda a Porto Alegre para o merecido reconhecimento ao destacado conterrâneo.
De volta ao Brasil, leio hoje (03/06), como de hábito, o artigo com que ele, na Gazeta do Povo, registra o evento e reproduz aspectos do pronunciamento que fez. Enquanto lia a íntegra, da qual destaco abaixo alguns parágrafos, reiterou-se em mim aquela convicção sobre o quanto é prudente e civicamente útil prestar-lhe atenção.
Em certo momento, Alexandre menciona o cancelamento da vinda de Toffoli a Gramado, por desconvite, e de Fux a Bento Gonçalves por “questões de segurança” para afirmar que saudara os episódios como expressões de “intolerância do bem porque a cidadania tem tolerado muito – e o exercício da passividade não é o exercício da cidadania”.
E vai adiante:
“A tolerância tem encorajado avanços cada vez maiores nas nossas liberdades. Quando senadores, num julgamento presidido pelo então chefe do Supremo, ministro Lewandowski, rasgaram o parágrafo da Constituição que estabelecia oito anos de impedimento em cargo público para a presidente condenada e todos ficamos calados, nossa omissão autorizava atos futuros semelhantes. E vieram.”
“Sob o pretexto da pandemia, o Supremo deu poderes a prefeitos e governadores de ficarem acima de cláusulas pétreas da Constituição, que tratam de direitos e garantias fundamentais, e que só poderiam ser mudadas por uma nova Constituinte. No entanto, suprimiu-se o direito de ir e vir, de reunião e de culto.”
“Antes já se havia suprimido a exigência do Ministério Público, num inquérito criado pelo Supremo, em que a suposta vítima é a investigadora, é quem denuncia e julga e também executa a pena. O passo seguinte a esse "inquérito de fim do mundo" como o chama o ministro Marco Aurélio, foi suprimir o artigo 220 da Constituição, que trata da liberdade de expressão em qualquer plataforma e veda qualquer tipo de censura.”
“Nosso silêncio, nossa omissão, foi autorizando a lenta substituição da Constituição por juízes constituintes. Estamos como o sapo que se sente confortavelmente aquecido na panela sobre o fogo. Por isso que o despertar da cidadania em Bento Gonçalves e agora em Gramado, pode ser visto como esperança de fim dessa tolerância servil. Uma intolerância democrática, legalista, se levanta, nos sacode a cidadania. Temos, na nossa história muitos exemplos, da busca da liberdade, ainda que tardia. As vozes legalistas podem ter a força do basta aos que estão indo além de seus deveres. A voz da intolerância cidadã é a força da democracia.”
Seguem-se aplausos! A causa da crise institucional, que alguns ministros com nariz arrogantemente empinado apontam para outro lado, está no desprezo a quem protesta com a Constituição na mão. Está, também, na permanente disposição de defender de modo ardoroso todas as diversidades, exceto a de opinião. Está, por fim, em estatizar verdades e criar supostas devoções e dogmas civis.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Companhias aéreas maltratam clientes - 17/05/2022
Percival Puggina
Gradualmente, viagens aéreas deixaram de ser bons momentos para se converter em tormentos. Com as bênçãos da ANAC, os abusos são praticados aos milhares, cotidianamente, e começam na total impossibilidade de contato entre o viajante e essa coisa rara nas “aéreas” que é um ser humano. Lida-se apenas com insensíveis plataformas e questões catalogadas, fora das quais não há salvação para o cliente.
Telefonar? Esqueça. Um dia, dois dias de tentativas infrutíferas e, por fim, o telefone atende para que um robô, um miserável robô, jogue você de volta à plataforma e suas xaradas. Os preços? Como assim, “preços”? Voos são mercadoria de preços flutuantes entre o caríssimo e o disparate! Dependem do dia, da hora, das angulações entre Júpiter e Saturno. Se você não se importa em sair de madrugada e chegar a seu destino nacional no dia seguinte, depois de atravessar de ponta a ponta, com mala e mochila, terminais de diferentes cidades, talvez a sorte lhe sorria com uma tarifa um pouco mais simpática.
Estou exagerando na ironia? Não mais do que as companhias aéreas em sua perversidade. Elas esperam que você não meça mais de 1,60m, viaje com as mãos no bolso e escova de dentes acomodada ao lado da caneta. Sua mala é requinte pelo qual há que pagar caro. Você já tentou por necessidade de serviço, alterar o dia de uma viagem? Reze para que isso nunca lhe aconteça! O telefone, lembre-se, será inútil. Procure uma loja da empresa. Hein? Empresas aéreas não têm lojas? Só no aeroporto? Pois é. Lá se inteirará de outras maldades. Empresas comerciais que transportam passageiros pelos ares são as únicas no mundo que se sentem autorizadas a cobrar multa de seus clientes!
Crie um negócio e estabeleça multa aos clientes que precisarem reagendar algum contato (não, não estou falando de atraso de pagamento, estou falando de reagendar) e verá sua agenda esvaziar-se. Não bastante esse insulto, ainda lhe aplicam uma tal “nova tarifa” muito superior ao valor que você já pagou para a mesma viagem, no mesmo horário há poucos dias. Isso significa que sai mais barato jogar fora seu bilhete e comprar outro. Perguntei à pessoa que me passou tal informação se aquele montante não a constrangia e ela disse que sim. Quer mais? Tente pedir à companhia para não voar o trecho final da passagem que comprou e pelo qual pagou. A remissão implica multa e “nova tarifa” para todo o bilhete.
Aí você começa a sentir aquela nostalgia que lhe vem da simples menção à palavra Varig. Aí você começa a entender por que as “aéreas” não fazem mais publicidade. Não têm o que dizer de bom sobre si mesmas. Com as bênçãos da ANAC.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A retórica inadequada do ministro Fachin - 13/05/2022
Percival Puggina
É normal que os eleitores do presidente da República se sintam desconfortáveis com o TSE. Há razões para isso nas reiteradas ações e manifestações dos ministros indicados pelo PT. Elas vêm em desabono e antagonismo ao Chefe de Estado e agora, na retórica do ministro Edson Fachin, também contra as Forças Armadas.
Uma das tarefas mais relevantes durante a campanha eleitoral envolve pendengas relativas à propaganda. Deliberar sobre essas questões é tarefa habitualmente confiada aos ministros substitutos oriundos da advocacia após uma peneira da categoria, do STF e da escolha final pelo presidente da República. Em 27 de abril, toda a imprensa divulgou que a cúpula do TSE pretende excluir dessa função quem ele venha a indicar...
Se os ministros indicados pelos governos petistas não atribuem crédito aos que venham a ser indicados pelo presidente da República, por que deveriam os eleitores deste dar crédito aos indicados pelo seu adversário no futuro pleito? Para uma parcela expressiva da sociedade, tudo parece ser o oposto daquilo que os senhores ministros dizem.
Também isso aumenta um mal estar que tem antecedente importante. A “pressão” que o ministro Fachin, em recente pronunciamento, disse não aceitar, venha de onde vier, não encontrou simetria quando o próprio tribunal, ainda presidido pelo ministro Roberto Barroso, foi ao Congresso para intervir, horas antes da sessão em que seria votada e aprovada pela CCJ a adoção da impressora de votos nas eleições de outubro vindouro. Como consequência, líderes de vários partidos substituíram membros da Comissão, ou para ela indicaram deputados contrários à medida, revertendo na caneta o resultado da votação.
Por fim, intransigência não é expressão de convicção, nem de razoabilidade; a surdez à opinião pública não é uma característica da democracia; arcaicas e carunchosas impressões ideológicas sobre as Forças Armadas não deveriam ter lugar em descomedidas manifestações públicas de membros do Poder Judiciário em temas da atualidade; uma sucessão de erros não tem preço no mercado de acertos; invisibilidade não é sinônimo de transparência.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Não com nosso silêncio! - 28/04/2022
Percival Puggina
Aonde vá e com quem fale, a pergunta tem sido sempre a mesma: o que fará o STF? A dúvida está posta porque a longa experiência, registrada no cartório dos fatos e feitos, mostra que aquela instituição, com os atuais membros, faz o que quer.
A resposta, portanto é esta: eles farão o que bem entenderem ser de seu interesse e conveniência. E se o leitor destas linhas pertencer ao pequeno número dos que têm dúvidas a respeito, deixarei à mostra a raiz da atual crise institucional. Refiro-me à trágica decisão que entregou ao próprio STF a competência para instaurar inquéritos sobre atos praticados contra ministros.
Em um dos capítulos do excelente livro “Inquérito do fim do mundo”, o Dr. Marcelo Rocha Monteiro, que é Procurador de Justiça no TJ/RJ, acende um holofote de pura racionalidade sobre o artigo 43 do Regimento Interno do STF. Mostra o quão longe foram os ministros na interpretação desse artigo quando resolveram, por exemplo, que postar vídeo na “nuvem” do YouTube xingando ministro é crime praticado nas dependências do Supremo.
Faz muito sentido que inquéritos referentes a crimes praticados nas dependências da Casa sejam conduzidos pelo próprio Poder (aquele ambiente não deve ser invadido por procedimentos investigatórios). Foi preciso, porém, “apagar as luzes do Direito Brasileiro” para promover o linchamento caseiro de Daniel Silveira, transformando o que ele fez em crime cometido nas dependências do STF, como se os ministros fossem salões e corredores da Casa.
Não bastasse isso, ao levar o caso para dentro de casa, criou-se a suprema aberração que deveria ferir toda consciência bem formada – vítimas julgando réus com sumária demissão do princípio da neutralidade do juiz.
As consequências vieram de roldão. Um vídeo virou flagrante perpétuo, a viger para além da morte de quem o tenha gravado. Dá causa a prisão, no recinto do lar, horas altas da noite. Vira crime inafiançável e permite que, contrariando a lei, a prisão se prolongue por semanas etc., etc., etc..
Foi por esse mau caminho e ainda pior motivação que as reprováveis declarações de Daniel Silveira lhe renderiam quase dez anos de cadeia, um despropósito concebido e nascido no pecado original acima descrito. Seremos surpreendidos por qualquer decisão que não sofra do mesmo mal.
Quando a Corte age como parte, atua como procuradora da parte. Pinça, então, entre normas e votos, o que bem lhe convém.
Mas não com nosso silêncio! Domingo estaremos nas ruas e praças do país.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Vinte motivos para não votar em branco. - 19/04/2022
Percival Puggina
Não sei onde andam os eleitores de Lula. Mas sei, com grande certeza, que no dia da eleição estarão todos formando fila nos seus locais de votação. Por outro lado, tenho encontrado eleitores, não de esquerda, que pretendem votar em branco, ou abster-se de votar.
De algum modo, associam a abstenção à absolvição de qualquer culpa ou responsabilidade pelo que acontecer ao país. Lavam e enxáguam as mãos na torneira do voto em branco sem perceber que ele é, também, uma posição política. Uma vez assumida, principalmente quando serve à estratégia da esquerda, tem gravíssimas consequências!
O último andar do idealismo é o cemitério do realismo.
Significa desconhecer a política real, aquela que manda no Estado, nas ruas e por varias frestas, invade a casa da gente. É a mesma que põe sob sigilo o que queremos saber e, de modo deslavado, mente sobre o que sabemos.
É grave imprudência desconsiderar os conhecidos e onerosos flagelos causados pelo lulismo. O retorno do petismo ao poder produzirá tragédias ao país. Entre muitas outras, estas vinte:
- reinserção de uma organização criminosa no quadro dirigente da República, atribuindo a essa organização o direito de nomear outros dois ministros do STF;
- tomada do poder nos termos de José Dirceu;
- reestatização do que tenha sido privatizado;
- influência e interferência política no Conselho Nacional de Justiça e no Conselho Nacional do Ministério Público;
- recrudescimento das ações terroristas dos movimentos sociais;
- relativização, quando não supressão, do direito de propriedade;
- restrições ainda maiores ao direito de defesa dos cidadãos;
- apoio político à legalização do aborto;
- incentivo ao aparelhamento partidário da burocracia federal;
- manutenção do sequestro da Educação pelas organizações políticas de esquerda;
- ampliação do poder da extrema imprensa em geral e da Globo em particular;
- restrições mais severas à liberdade de opinião e expressão nas redes sociais;
- aceleração do fracionamento identitário da sociedade brasileira;
- combate crescente à instituição familiar como célula essencial da sociedade;
- apoio estatal à erotização da infância e estimulo ao desenvolvimento confuso da sexualidade;
- omissão perante a criminalidade de rua e o crime organizado;
- uso do poder para garantia da impunidade;
- extinção das escolas cívico-militares e controle dos currículos de formação militar;
- revisão das regras de promoção e venezuelização das Forças Armadas;
- interpretação equivocada da laicidade do Estado.
O voto em branco, ante um perigo de tais proporções, é lamentável e estupendo favor prestado ao mal de todos.
Por isso, é muito preocupante saber que enquanto os eleitores de esquerda são perfeitamente capazes de votar em alguém como Lula para que se cumpra a pauta acima, eleitores não de esquerda, optam por uma omissão que coloca toda a sociedade sob o risco de ficar a ela submetida.
E o voto nulo? Além de inútil, não representa protesto quantificável. Ele vai misturado com os votos dados por quem não sabe usar a maquininha.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O golpe da esquerda - 14/04/2022
Percival Puggina
O projeto de lei das Fake News é sintomático. A esquerda brasileira, à beira de um ataque de nervos com as últimas pesquisas, prepara um golpe para impor silêncio às redes sociais em pleno ano eleitoral.
Entre 1990 e 2015, inúmeros programas diários de debates políticos em rádio e televisão ocupavam a grade das principais emissoras de Porto Alegre. O pluralismo de ideias se valia daqueles espaços. Participei de centenas deles como convidado para representar o pensamento conservador e/ou liberal sobre temas sociais, políticos e econômicos. O tipo de produção era basicamente o mesmo: um tema da ocasião, discutido entre duplas, com moderação do apresentador.
De todos esses eventos – que subitamente foram silenciando e sumindo após um quarto de século de serviços prestados ao pluralismo – eu saí com a impressão de que o debate não se travara sobre o assunto proposto pelo apresentador, mas sobre os princípios e valores que se defrontavam. O tema do dia era apenas o mote para estarmos ali. Aquela janela, porém, se fechou quando a “barra sujou” para o lado dos governos esquerdistas.
A vitória de Bolsonaro em 2018, graças à ampla democratização do direito de opinião e expressão pluralista viabilizada pelas redes sociais, inverteu a tendência eleitoral que já durava um quarto de século. Simultaneamente, as novas mídias abalaram o caixa dos grandes grupos de comunicação e o seu poder de ungir presidentes.
Os prejudicados uniram-se para restaurar o “ancien régime”. Passaram a lançar sobre os usuários das plataformas os piores adjetivos. Eles eram acusados de propagar desinformação e de articular ações contra a democracia, o Estado de Direito e as instituições da República... Tias do Zap, gente perigosa! Visto tudo bem de perto, chega-se ao seguinte: a comunicação social precisava de uma restauração.
O toque de silêncio imposto às redes sociais em temas políticos e eleitorais, atende pelo apelido de Lei das Fake News, mas foi à pia batismal no protocolo do Senado com o nome vaporoso de “Lei brasileira da liberdade, responsabilidade e transparência na internet”. Bem fofo, não?
Mesmo que o projeto já aprovado pelo Senado não seja endossado em tempo pela Câmara, a imposição de silêncio às redes ao longo dos próximos meses é pauta das bancadas de esquerda no Legislativo e no Judiciário, sob intensos louvores da mídia militante.
Na miserável democracia à brasileira, a ninguém parece escandalizar o fato de que, salvo honrosas e escassas exceções, esse espaço já intensamente patrulhado seja o único onde conservadores e liberais podem dizer o que pensam.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Lei das fake news, delírio de mentes totalitárias - 07/04/2022
Percival Puggina
Nota do autor: Quando o plenário da Câmara votaria o pedido de urgência para o projeto, dois ministros do TSE/STF foram à Câmara assinar, com o presidente Arthur Lira, um compromisso de combate a fake news. E viva a independência dos poderes!
O nome que o projeto da lei das fake news se atribui fala por si: “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”. Se o projeto tem a autoria de um militante esquerdista como o senador Alessandro Vieira, se já foi aprovado por esse Senado que temos e se suscita o máximo interesse dos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, respectivamente atual presidente e futuro presidente do TSE, abra o olho! Certamente o intuito do projeto não corresponde ao que o nome proclama. Sem chance!
Para não fazer pré-julgamentos, fui ler o projeto. Seu inteiro teor está acessível no site da Câmara dos Deputados, onde tramita como PL Nº 2630/2020. Em seis capítulos, 31 artigos e mais de uma centena de disposições transparece no texto um verdadeiro delírio de mente totalitária, daquelas mentes que, se pudessem, regulamentariam carrocinha de pipoca, fariam uma Lei do Selfie Progressista e elaborariam um Estatuto do Ato Sexual Democrático e Popular.
O projeto é francamente assustador, tal o nível de intervenção na esfera privada, tal o poder que delega àquelas organizações credenciadas pelo Ministério da Verdade que se dispõem a xeretar e a fiscalizar as opiniões alheias. Em última análise, só é verdadeiro o conteúdo publicado pelo uníssono consórcio dos grupos de comunicação. Sobre as narrativas, mistificações e omissões destes, nada a dizer... Tudo que circular na internet, é suspeito e vai para os minuciosos relatórios das plataformas. Indecente e desrespeitosa inserção na vida privada e na liberdade de expressão. Fascismo em estado puro. E mais: o único foco do projeto é político e eleitoral.
Com a militante unanimidade da outrora respeitável mídia formal, a liberdade de expressão foi para o quilombo das redes sociais onde, agora, é perseguida pelos capitães de mato “da democracia” e da verdade oficializada.
Não surpreende o interesse do STF e do TSE na aprovação da lei que felizmente, teve recusado o pedido de urgência solicitado pelo deputado Orlando Silva, não por acaso do PCdoB paulista.
A “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet” é o sonho de consumo legislativo de todos os que não querem pluralismo e contestação. Entende-se isso muito bem a partir da mobilização do TSE, notadamente do voto e do tom em que o proferiu o ministro Alexandre de Moraes quando, há poucos meses, o TSE julgou um processo que pretendia anular a vitória eleitoral de Bolsonaro em 2018. Viu-se, ali, quanto ele pretendia ter sob seu controle a comunicação através da Internet nas eleições deste ano.
Com a lei ou sem ela, prudência e prontidão tornam-se exigências à cidadania. Todos sabem quanto tem pesado o porrete jurídico nas mãos de certos ministros do STF e do TSE.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Como se não houvesse outubro! - 19/03/2022
Percival Puggina
Às vezes penso que o ministro Alexandre de Moraes considera a unção editorial do Grupo Globo equivalente a um referendo social às suas tropelias. Não é. Nada a ver.
O ministro se tornou um incômodo souvenir da passagem de Michel Temer pela presidência da República. Essa habitualidade, porém, não é suficiente para que sua conduta deixe de ofender a parcela da sociedade que não jogou o bom senso às urtigas. A nação sabe que há um fígado atuando no topo do poder judiciário reproduzindo, em bile, aquilo que supõe ser o objetivo dos fantasmas que lhe povoam a mente. Em “defesa da democracia e das instituições”, acabe-se com elas...
Esse Brasil percebeu, na perenização dos inquéritos que Alexandre de Moraes comanda, o intuito de transformá-los em instrumento de coerção da liberdade de expressão. Suas maiores vítimas são os comunicadores que com maior eficácia e impacto junto à opinião pública desnudaram os abusos por ele praticados, traduziram ao bom português suas ameaças e interpretaram o tom belicoso de suas manifestações.
Implacável como o inspetor Jalvert de “Os miseráveis”, e sob os aplausos da Globo, o ministro os tomou por inimigos e avançou sobre eles. Puniu-os preventivamente, sem coisa julgada. Cortou-lhes as fontes de sobrevivência! Atrapalhou a vida de famílias. Fez da prisão preventiva instrumento de terror.
O mal se propagou pelas instituições e a Globo não viu.
Ao não suspender os atos truculentos de seu colega, os demais ministros fizeram do STF um poder jacobino.
Ao não reagir, a atual composição do Senado Federal irá para as urnas de 2022 e de 2026 carregando sobre os ombros o imperdoável pecado de sua omissão. O Senado brasileiro se tornou um inédito poder colegiado que prevarica.
A Câmara dos Deputados, ao homologar a prisão do deputado Daniel Silveira, evidenciou ser formada, majoritariamente, por desfibrados e engravatados comandantes do navio de cruzeiro Costa Concordia.
Nosso Inspetor Jalvert, avança na perseguição ao cidadão Allan dos Santos. Destruiu-lhe a empresa, virou-lhe a vida pessoal pelo avesso, constrangeu-o ao extremo recurso de abandonar o país. Agora, para silenciá-lo de vez, fechou o Telegram.
A Globo achou muito correto. Milhões de brasileiros serão prejudicados em suas comunicações, em seus negócios. Serviços públicos terão interrompidos seus canais de informação. A defesa contra calamidades climáticas e proteção de comunidades em locais de risco idem, idem. Mas nada é mais importante do que cortar a voz de Allan dos Santos.
Como se não houvesse outubro, se dão por vencedores!
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
VOTO POPULAR - IMPEACHMENT DADO PELA CIDADANIA - 15/03/2022
Percival Puggina
Tudo bem, já vivemos períodos melhores, já tivemos políticos melhores e o século XXI está marcado pela má qualidade média de nossas representações parlamentares. Mas a Câmara Alta da República, o Senado Federal, façam-me o favor...! A Casa dos mais experientes virou abrigo dos mais espertos e dos conchavos.
São duras estas palavras? São, mas não há lugar para palavras macias em minha opinião. Aliás, se um dia eu quisesse ouvir conversa mole e desistir do Brasil, assistiria a TV Senado.
Desde 2003, nossos senadores escolheram em sequência, os seguintes presidentes para representá-los e dirigi-los: José Sarney, Renan Calheiros (duas vezes), Garibaldi Alves Filho, José Sarney (mais duas vezes), Renan Calheiros (mais duas vezes), Eunício Oliveira, Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco.
Desculpem senhores senadores, mas algo assim não acontece por acaso. Essa lista fornece o roteiro de uma tragédia moral. Estão aí as pegadas coletivas. Elas não abrem uma trilha, proporcionam, isto sim, uma avenida para irmos até a necessária conclusão: nem os senhores senadores se levam a sério.
O Brasil poderia ter um número maior de petistas, comunistas e consectários. Poderia conviver com mais universidades a serviço de si mesmas e de estapafúrdias ideologias. Poderia ter ainda maior corporativismo, mais bandidolatria, mais ativismo judicial, mais impunidade. Poderia. E mesmo assim, haveria esperança, se tivéssemos um Senado que fizesse por merecer o apreço da sociedade. Estaria cumprindo seu dever perante a nação. Ali, a política faria soar o clarim das mudanças, dos princípios, dos valores, do amor ao Brasil e seu povo.
No entanto, acantonados na longevidade de seus mandatos, exceção feita a escassas e honrosas exceções, nossos senadores vivem como se não houvesse amanhã. Abastecem-se na democracia, mas rejeitam os anseios nacionais. Fortalecem-se no poder da própria instituição, mas conspiram para fazer dela seu paraíso privado. Nunca a “busca da felicidade”, enfatizada por Thomas Jefferson, esteve tão bem saciada, quanto no Senado Federal brasileiro.
Na última sexta-feira, 9 de março, o senador Rodrigo Pacheco, o omisso, tomou a iniciativa de criar uma comissão para propor uma nova lei de impeachment. Logo ele, que está sentado sobre todos os processos de impeachment entregues à Casa resolve exibir interesse por tão relevante tema! E adota uma providência cujo efeito natural é sustar todas as denúncias existentes posto que o Senado produzirá nova lei para regulamentar a questão. Reina a paz nos cemitérios da democracia.
A tal comissão tem 11 membros, cinco ligados ao Poder Judiciário, cinco juristas ou advogados e o ex-senador Antônio Anastasia, hoje ministro do TCU. A juristocracia vive dias de glória e esplendor. Quem dentre os 11 tem independência absoluta, entende o sentimento nacional e conhece o clamor popular?
Não bastasse isso, o presidente da comissão, escolhido a dedo pelo omisso senador Pacheco, atende pelo nome de Ricardo Lewandowski. Sim, ele mesmo, o ministro do STF que fatiou a pena da ex-presidente Dilma, preservando-lhe os direitos políticos. Alguém acredita que essa comissão vai propor algo para favorecer a instauração de impeachment contra membros de poder?
Bem, o voto popular não deixa de ser uma forma tardia de impeachment. Tudo contribui para tornar ainda mais relevante a eleição de outubro. Cabe à nação ser, nas urnas, o que seus representantes não têm sido nos espaços de poder.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
DESMONTAR A ARMADILHA QUE NOS CAPTUROU - 09/03/2022
Percival Puggina
Nas raras ocasiões em que ouvimos um parlamentar afirmar e sustentar algo com argumentos consistentes e benéficos à nação, usamos a expressão – “Esse me representa!”. O meritório conceito jamais se destina a quem esteja defendendo privilégios, favores especiais a quaisquer grupos, aumento do gasto público, cerceamento de nossas liberdades, demagogias populistas e dissimulação de posições. São vozes, raras vozes que olham a nação e os cidadãos.
Por que se tornaram tão raros? Por que, ao ouvi-los, nos sobrevém o desejo de aplaudi-los, se estão simplesmente fazendo o que deveríamos esperar de todos e de cada um? E se tantos, a ponto de se tornarem majoritários, não correspondem às nossas expectativas, como se elegem e reelegem? Pois aí está a armadilha, a razão de nossa atual impotência, caro leitor. Vamos desmontá-la?
Esses políticos representam grupos de interesse que, uma vez atendidos, se dão por satisfeitos. Daí os privilégios, os favores, as demagogias, o populismo e a gastança dos nossos recursos. Seus eleitores, sem perceber, ajudam a montar a armadilha para si e para os demais. Desconhecem haver neles, como em todos nós, duas dimensões – uma individual e uma social. A individual trata do interesse próprio. A social vê o cidadão (o sujeito da pátria, o membro da nação, o agente da história).
Nosso sistema de eleição proporcional para os parlamentos permite que dezenas de milhões de cidadãos fiquem sem representante porque votaram em candidatos não eleitos, ou porque uma semana depois não lembram em quem votaram, ou porque não têm comunicação com o eleito. E vice versa: parlamentares não conhecem seus eleitores. Todo um sistema de comunicação indispensável à democracia fica inoperante! O deputado conseguiu a verba, destinou a emenda parlamentar, foi bom despachante de questões individuais, cuidou de seus cabos eleitorais? Missão cumprida, o resto do tempo é para cuidar de grana e reeleição.
Quando vai às bases, esse político padrão conversa apenas com companheiros. A nação e a cidadania estão ausentes, fora da pauta. Há um desinteresse completo e inconsequente sobre questões que levam a sociedade às ruas, tais como prisão após condenação em segunda instância, fim da impunidade, impeachment de ministros do STF, ativismo judicial, direito de trabalhar, direito de defesa, extinção de privilégios e remunerações abusivas, liberdade de expressão, reformas institucionais e fiscais, pluralismo nas universidades. É a armadilha em silenciosa operação. Vamos desmontá-la?
O voto distrital, ao contrário do que se alega, acaba com isso! Como cada distrito elege apenas um deputado, ele será o deputado de todos, do mesmo modo como o prefeito é prefeito de quem votou e de quem não votou nele. Será cobrado por todos. E ao retornar às bases seu incontornável destino é estar entre seus representados dando explicações das quais não tem para onde fugir.
Sua vida, suas posições, ações, omissões e votos dados em plenário transcorrem sob as vistas de todos. No meio do mandato, um recall pode mandá-lo de volta para casa por mau desempenho. Com o voto distrital, a armadilha se inverte: quem é caça, vira caçador. Impossível? Quase, mas totalmente impossível se as pessoas fizerem disso um não assunto, como são hoje, entre os congressistas, os temas de nosso maior interesse. Boa informação e não votar em ladrões e picaretas em 2022 já é bom começo.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
CONSERVADORES, ATENÇÃO! - 02/03/2022
Percival Puggina
Alguns conservadores brasileiros compraram pelo preço de capa as manifestações em que Putin se apresenta como crítico do desmonte cultural, espiritual e moral do Ocidente. Essa convergência, porém, não faz de Putin um Dostoievski. Ele é um ex-agente de segurança soviético e russo que se vê como versão atualizada do “líder genial dos povos” (povos eslavos, bem entendido), investido da missão de reconstruir a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, sem Soviete Supremo e com menos socialismo.
Por ter sido antes aquilo que foi, ele conhece o apoio que os neomarxistas da Escola de Frankfurt receberam da URSS para fazerem das ciências sociais os modernos mísseis e tanques da guerra cultural. É exatamente por saber quão letais são essas “armas” que ele não as quer na Rússia. Mas isso não o converte num aliado do Ocidente, ou dos conservadores e/ou liberais do lado de cá.
O negócio de Putin é poder e quanto mais decaído for o Ocidente, quanto mais esquerdistas os Estados Unidos se tornarem, quanto mais tolerantes e molengas se fizerem Reino Unido e França, quanto mais os alemães se confiarem a pessoas como Mutti Merkel, melhor para ele. Tomem isto por autoevidente.
Quando Putin defendeu nossos direitos sobre a Amazônia brasileira, ele estava a defender, também, os direitos deles sobre a floresta russa, duas vezes maior do que a área total da Amazônia em nove países da América do Sul. Alguns dos maiores inimigos da Amazônia brasileira estão aqui mesmo, fabricando e fornecendo munição para os ataques determinados por aqueles que a cobiçam.
As relações brasileiras com a Rússia e com Putin devem preservar nossos interesses comerciais. Isso é uma coisa. Outra é o que Putin está a fazer, empurrando as próprias fronteiras sobre a Europa à custa de uma nação independente. A Ucrânia, sentindo-se ameaçada, tendo observado o que aconteceu na Crimeia, lendo nos jornais do mundo inteiro que um dia seria invadida pela Rússia, buscou abrigo na OTAN. Esse foi o motivo simbólico da invasão, mas a causa real é outra: o projeto pessoal de Putin.
Ser conservador, querer segurança jurídica, ter princípios e afirmar valores, exigir punição para quem rouba um telefone celular, é incompatível com aceitar que uma potência militar tome para si, na mão grande e violenta, uma nação inteira.
“Ninguém é santo nesse jogo”, dizem alguns. Sim, e daí? Daí o povo Ucraniano, que lutou por democracia e liberdade no inverno de 2014, paga o pato?
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A BALANÇA DA JUSTIÇA NO INMETRO - 19/02/2022
Percival Puggina
Ao observar certas condutas como cidadão não me sai da cabeça a ideia de que a balança da Justiça tem que ser levada para calibrar no Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro).
Sou contra fake news. Quando recebo alguma, advirto quem remeteu. Mas não deixa de ser curioso observar que distorções, ocultações, factoides e fake analysis tenham espaço liberado nos grandes grupos de comunicação e não suscitem qualquer preocupação em plena campanha eleitoral. Ao mesmo tempo, as espadas da justiça e as tesouras da censura se exibem afiadas e ameaçadoras para quem conteste “verdades” estatizadas.
Afinal, o que foi o tal “vazamento de sigilo”, que tanto espaço ocupou, tanta matéria proporcionou a ministros do STF, sempre tagarelas quando se trata de afrontar o presidente da República? O que foi a pressão sobre uma suposta exigência de atestado de vacinação de Bolsonaro? O que foi a inteira CPI da Covid, se não um festival de factoides? O que foi o “escândalo” da Covaxin? O que foram as 195 ADPFs com que a oposição fez política usando o STF? O que fez o ministro Fachin ao afirmar que o Brasil vive um populismo autoritário? Quantos outros já saíram da memória, gerados ao longo de três anos?
***
Um amigo me socorre nesta pauta lembrando a reunião do governo ocorrida no dia 22 de abril de 2020. Presentes, Bolsonaro, o general Mourão, o ministro Moro e a equipe do governo. No dizer de Sérgio Moro, o evento teria motivado seu pedido de demissão em aberto antagonismo ao governo.
A saída de Moro foi uma bomba e a notícia de que a reunião estava gravada em vídeo, outra. Com aquela curiosidade que vai ao buraco da fechadura, a mídia entrou em delírio. Todos queriam assistir o vídeo, periciado pela PF e guardado sob sigilo determinado pelo STF. O ex-ministro da Justiça assegurava que o vídeo fazia prova da má intenção do presidente em relação à PF. A mídia militante enlouquecia de curiosidade e a oposição colhia apoios para o pedido de impeachment de Bolsonaro.
A situação rolou durante um mês inteiro até Celso de Mello resolver que a “peça” deveria ser exibida na íntegra. Enfim! Ao liberar a exibição, o ministro ainda botou mais lenha no fogo. Alegou o interesse do material para um eventual processo de impeachment no Congresso e lembrou o precedente da Suprema Corte dos EUA no Caso Watergate durante o governo Nixon. Só essas justificativas já eram condimento suficiente para a voracidade da plateia nacional. Afinal, a República iria cair, como costumam dizer os irresponsáveis.
O vídeo rodou, então, ante os olhos da pátria em vigília! E o factoide se dissolveu no ar. O que restou para a cozinha das redações, que esperava servir filé mignon no noticiário, foi desfiar carne de pescoço.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
RETORNO AO GUETO? NÃO! - 15/02/2022
Percival Puggina
Uma fábula de verão, porque haverá outubro e haverá primavera.
Há exatos 10 anos, escrevi um artigo cujo título era, “No gueto, pensando”. A partir de 2015, porém, senti estar sendo alforriado. Conservadores e liberais haviam criado os próprios espaços, os que éramos poucos nos tornamos muitos, muitos. De repente, fomos 47 milhões e vencemos a eleição de 2018.
Naquele exato momento, vivemos o êxtase, mas realizamos o intolerável. Mobilizou-se o mundo das sombras. Acordamos as potestades do Averno. Foi tudo muito rápido. Agora, nos vemos de novo no gueto, contidos num sítio existencial bizarro, cujos muros são tão invisíveis quanto sensíveis, dentro dos quais vamos minguando em cidadania e sendo suprimidos, até mesmo, do direito de expressar opiniões. Estamos sitiados pelo Congresso, pelas altas Cortes, pela mídia que se abastardou, pelas “diretrizes da comunidade” nas plataformas das redes sociais.
A caçamba e a corda foram recolhidas. As instituições jazem no fundo do poço do descrédito. Do ministro do STF ao camarada jornalista, do ex-presidente descondenado ao aluno que agride a professora, a noção de limites foi perdida. Mas não te passe pela cabeça, leitor, apontar causas para o que vês acontecer! Acabarás no gueto. O mundo das sombras veio às claras e te cobra total submissão.
Diariamente nos é ensinado que para não se dar mal, conservadores e liberais precisam reconhecer-se responsáveis por todos os males. Dizer que foi nosso mundo que gerou a crise. Podemos criticar a corrupção, mas esse é o limite. Apontar suas causas e causadores é perigoso! Os que comandam fora do gueto esperam que concordes quando dizem que as instituições funcionam bem, que corrupção sempre existiu e é igual em toda parte; esperam que aceites que ser corrupto é mal muito menor do que ser conservador, ou liberal. Eles não toleram os vocábulos "verdades", "princípios" e "valores". Aprende: no Brasil deles, é mais seguro entrar para o mundo do crime do que ser coerente e emitir opinião. O caminho dos princípios acaba no gueto.
Quem propuser algo de fato relevante perderá importância. Observa os partidos políticos, por exemplo, e se não quiseres ir para o gueto, faze como eles. Aprende a ser irrelevante. Quanto menos cada cidadão for, daquilo que deveria ser, quanto menor o conteúdo, mais importante será. Pode acabar numa tribuna. Ou de toga. Por isso, os partidos e os poderes de Estado estão fora do gueto. Mas o presidente está dentro, claro.
A coerência torna-se vício constrangedor. Sê incoerente e o STF te sorrirá. O mundo que o gerou, vê o sujeito coerente como antissocial, objeto de ameaças e maledicência. Se não quiser vir para o gueto, livre-se ele de suas convicções. É óbvio que para o mundo das trevas este país passa muito bem com pouco ou nenhum caráter, sem fé religiosa de qualquer espécie (à exceção da fé no grande demiurgo de Garanhuns). Sê fiel na igrejinha do politicamente correto, do pensamento fraco, onde a mentira deslavada se chama narrativa. É óbvio. Para um país ser como querem é preciso expurgar a virtude. Há que trancar a nação inteira no gueto, se necessário, para os arranjos do poder.
Contudo, não! Essa fábula abjeta que descrevi não é o Brasil e a nação não será protagonista desse desastre multidimensional. O gueto é muito maior do que seus criadores. O pai da mentira não reinará entre nós.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O SILÊNCIO NOS TROUXE ATÉ AQUI - 11/02/2022
Percival Puggina
No princípio era a Palavra, e Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. (João 1:1)
Poucas coisas me incomodam tanto quanto ouvir que “palavras não adiantam nada, não resolvem o problema brasileiro”.
Acabei de ler algo assim. Olho para os livros que me envolvem cá onde trabalho. Milhões de palavras produzidas por pessoas que passaram suas vidas dedicadas a escrevê-las! Entre eles, alguns livros volumosos, encadernados, com obras primas da retórica universal. Palavras que impulsionaram ações que barraram o desastroso caudal por onde a civilização era arrastada. Obras que integram os anais do tempo em que foram escritas.
Diferentemente do que afirmam aqueles que recusam às palavras o devido valor, foi o silêncio que nos trouxe até aqui.
Foi o silêncio omisso dos que ficaram em casa, dos que permaneceram no sofá de sua cômoda omissão.
Foi o silêncio dos que poderiam ter falado, contestado, protestado, mas sequer tinham algo a dizer porque deixaram sua cidadania no canto mais inacessível da mais empoeirada prateleira.
Foi o silêncio dos que, nos parlamentos e nas cortes só falam quando as palavras fogem da verdade e tilintam como moedas.
Foi o silêncio daqueles cujas convicções se intimidam diante de pesquisas de opinião e aceitam o cabresto do consórcio das empresas de comunicação, organizado exatamente para isso.
Foi o silêncio, também, daqueles cuja ignorância é filha da miséria e simplesmente não entendem porque lhes foi tomado o direito de entender.
Pergunto: será destes últimos, destes desditosos irmãos nossos, que vamos cobrar quaisquer desastres que suas decisões de voto causem à vida nacional? Como ousaremos fazê-lo?
São os conectados, os modernos argonautas da Internet, que abandonam a missão no meio do caminho e nada levam adiante se isso exigir empenho ou contiver a simples ideia de renúncia ou sacrifício.
Querem que outros “resolvam”, que outros repreendam seus congressistas, que outros se exponham aos riscos de suscitar a incontida ira dos tiranos. Enquanto perseveram na mais amorfa das simpatias, esperam que outros, que todos os outros, conscientizem seus familiares, vizinhos e amigos. Quando não, querem terceirizar aos demais as ações, os trabalhos e os riscos perante o presente e o futuro.
Martin Luther King, num de seus discursos, sentenciou: “No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.”
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A TOLERÂNCIA E OS INTOLERANTES - 09/02/2022
Percival Puggina
A manifestação de um “influenciador” digital dizendo-se favorável à criação de um partido nazista causou surpresa e justa indignação. Quando algo assim acontece, retoma-se, simetricamente, o tema da legitimidade ou não da existência de partidos comunistas no Brasil e a circulação de seus símbolos.
A simetria se aplica ao caso. As duas doutrinas e os regimes delas derivados são genocidas. Causaram terríveis sofrimentos à humanidade quando alcançaram o poder. São contra e atuam contra direitos fundamentais da pessoa humana. Na semana passada, em Curitiba, liderados por um vereador do PT, portando bandeiras de um partido comunista, baderneiros invadiram a igreja do Rosário durante a celebração da missa.
Dá-lhes poder e logo verás os resultados.
Países que viveram sob o comunismo proibiram a exibição de seus símbolos. Entre eles, nomeadamente, Hungria, Letônia, Polônia, Lituânia, Ucrânia, Geórgia, e Moldávia. Na Polônia, até camisetas de Che Guevara são proibidas.
Em agosto de 2020 circulou na Internet que “Os Estados Unidos proíbem filiados de partido comunista ou de qualquer outro partido totalitário de obterem residência no país”. O fato causou reboliço e alguém pediu à Lupa (agência verificadora, ou de fact checking) que averiguasse a autenticidade da informação. A Lupa retornou pela tangente. “Verdadeiro, mas...”, carimbou na matéria. Em resumo, a informação é verdadeira, mas não recente, como dava a entender a notícia.
Ou seja, não era bem assim, era pior. Acontecera que, poucos dias antes, o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos emitira uma nota relembrando o teor da Lei de Imigração e Nacionalidade, vigente desde 1952. Quem redigira a informação tomara o lembrete como se fosse norma nova.
Em relação à sua segurança interna, os Estados Unidos não são bobos há muito mais tempo. Por isso, os comunistas lá nativos percorrem o caminho da tomada, por dentro, dos espaços culturais, como tão bem observou – com razão – o Olavo de Carvalho. Daí para o poder político há um caminho curto e indolor. É o que acontece, de modo sistemático, em todo o Ocidente. Mas este é outro assunto.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O SENADO E AS FICHAS SOBRE A MESA - 31/01/2022
Percival Puggina
O presidente cumpriu o que dissera: não atende mais determinações do ministro Alexandre de Moraes. Ao considerar extemporâneo o pedido da AGU para que o presidente, em vez de comparecer à delegacia como estabelecera o ministro, se manifestasse por escrito, Alexandre dobrou a aposta. Bolsonaro, por sua vez, dobrou também, silenciando.
Que outras fichas tem o ministro para pôr sobre a mesa? Os colegas do Pleno. Irão cobrir a aposta dele e ordenar o comparecimento do presidente a uma delegacia?
Há alguns meses, isso não surpreenderia. Hoje, não sei não. Esse é um jogo que roda sob os olhos da sociedade e esta já percebeu o empenho com que o ministro e a maior parte de seus colegas dão curso à tarefa de destruir a harmonia entre os poderes e desestabilizar o governo.
“Tanto vai o cântaro à fonte que um dia lá se quebra”, diz um bem aplicável provérbio. A fúria persecutória contra o presidente da República e seus apoiadores se tornou tão evidente que ele, tudo indica, resolveu dar um basta. De fato, quando se pensa em todas as violações do sistema acusatório que vigem em inquéritos abertos dentro do STF e se percebe o quanto esses inquéritos são pernetas, puxando sempre para o mesmo lado, não há como a sociedade não se escandalizar.
Enquanto os dias passam, olho para o Senado e percebo que o Senado não olha para mim. Nem para você, leitor. O Senado olha para os senadores e estes só atentam para si mesmos. Com a mais generosa boa vontade, as exceções a esse quadro egocêntrico não chegam a vinte.
Eis uma das grandes missões da ação política em favor do Brasil ao longo deste ano eleitoral. Vinte e sete senadores serão escolhidos pelos eleitores no primeiro domingo de outubro. Cada estado deve passar um pente fino na atuação dos que se apresentarem buscando renovar os mandatos. É preciso conhecer e tornar conhecidas, entre outras, as respectivas posições em relação à CPI da Lava Toga, à CPI da Covid, à prisão após condenação em segunda instância, à governabilidade do país, ao pacote anticrime.
A rigor, toda a insegurança jurídica causada por excessos monocráticos e colegiados do STF, apontados por Marco Aurélio Mello quando ministro, podem ser atribuídos ao desequilíbrio causado pelas décadas em que coube à esquerda política (mais precisamente a José Dirceu) apontar ao Senado os ocupantes dessas cadeiras. Agora, é o que temos, um poder de estado fazendo política sem voto.
Deveria ser tarefa de gincana encontrar um esquerdista, investido de autoridade, que se mantenha dentro de seu quadrado.
Para o Senado, diferentemente do Supremo, a vida segue outro curso. Nossa Câmara Alta é um poder cujos membros se submetem à manifestação periódica de seus eleitores. Então, em outubro, sela-se o destino de 27 senadores. Salvem-se os raros bons e renovação já! Os restantes 54 entram na contagem regressiva para 2026. Também a estes deve ir o recado dos cidadãos de seus Estados. É a hora da cobrança, da revisão de vida, do respeito ao eleitor, da transparência das condutas. Hora de compreender que dirigir é servir.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O FUNERAL DOS PARTIDOS POLÍTICOS BRASILEIROS - 22/01/2022
Percival Puggina
Durante a Assembleia Nacional Constituinte teve início o longo funeral dos partidos políticos brasileiros. São duras estas palavras? Sei que são, mas as escrevo porque foi no consentimento proporcionado pelo silêncio, que chegamos à situação atual. Nela, só não olham indignados para o quadro político nacional aqueles que perderam a capacidade de reagir ante a iniquidade. Qual a influência positiva dos nssos partidos?
Desde 1988, o “centrão” é governo e aprendeu, com FHC, Lula e José Dirceu que o Estado é, e precisa ser, o butim dos vencedores, sem o qual a boa vida não rola. O modelo político gerado na Constituinte apodreceu nossa política. Foro privilegiado, dinheiro fácil, costas quentes, risco baixo, companheiros e camaradas no TCU e no STF inverteram e aceleraram o processo de seleção natural, atraindo os maus e expelindo os bons. Regionalmente há exceções, mas são exatamente isso, exceções.
Apesar do imenso relevo que tem a política entre nós, os partidos políticos não atraem e não formam novas lideranças. São meras siglas. As mais antigas, mandaram a própria imagem às cucuias; penso que não haja espelhos em seus diretórios nacionais. As muitas novas legendas são meras letras e números que raros, raríssimos, identificam desde fora do respectivo quadrado. Antigas e novas parecem ter o mesmo e único preceito em seus programas: aqui se busca o poder ou suas cercanias. Nada a dizer sobre a nação.
O Senado Federal é o habitat quase privativo das principais lideranças partidárias. Examine o quadro sucessório brasileiro e veja onde estão as figuras que dominaram cotidianamente os espaços da mídia militante brasileira, graças ao tipo de jornalismo que nela encarnou. Onde estão Rodrigo Maia (o ambicioso que queria ser primeiro-ministro ou presidente), Davi Alcolumbre (o vingativo), Rodrigo Pacheco (o grande omisso), Renan Calheiros (o Torquemada de ficha encardida), Simone Tebet (a bem falante), Alessandro Vieira (que confunde ar sério com seriedade)? E a propósito, cadê Rodrigo Maia (o ambicioso ex-presidente da Câmara que queria ser primeiro-ministro ou presidente)?
Observe agora, leitor, os partidos com maiores bancadas no Senado nas pesquisas da eleição presidencial. Deles, apenas o PMDB (15 senadores) tem a candidata Tebet (com 1%) e o PSDB (5 senadores) tem o candidato Dória (com 2 %). Ou seja, não têm nome a apresentar à sociedade. As outras bancadas numerosas ou tradicionais: PSD (11 senadores) testa Rodrigo Pacheco (0%) e o DEM (6 senadores) não tem uma carta que seja para colocar na mesa. O PODEMOS (9 senadores) foi buscar Moro fora dos seus quadros.
Os senadores e seus partidos, calaram-se quando deveriam falar. Falaram quando deveriam calar. Viraram as costas à sociedade. Durante três anos articularam, conspiraram e ocuparam com voracidade os generosos espaços que a mídia lhes concedeu. Gastaram a bateria dos holofotes para uma irresponsável oposição ao governo. Agora, na miséria de seus quadros, chegam ao pleito com as mãos vazias.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
POR QUE OS PRESIDENCIÁVEIS NÃO FALAM NISTO? - 11/01/2022
Percival Puggina
Depois de três anos atrapalhando e prejudicando deliberadamente o país agora são candidatos para “salvá-lo”? À miudeza se responde com grandeza!
Em artigo anterior, publicado na semana passada, afirmei que a vitória de Bolsonaro disse ao mundo que, aqui no Brasil, haveria resistência à hegemonia esquerdista, autorrotulada “progressista”. No entanto, poderosas máquinas de guerra não são enfrentadas sem determinar reações. Elas foram interna e externamente implacáveis e causaram dificuldades ao país.
Não creio, porém, que esse contexto tenha levado qualquer fração do eleitorado vitorioso naquelas urnas a gostar do que antes não gostava, a aprovar o que antes condenava, nem a inverter seus princípios e seus valores. As coisas não acontecem assim. A estratégia oposicionista, que se faz supor exitosa, consiste em fazer crer que o presidente cria os próprios embaraços (eventualmente, isso acontece em qualquer governo, mas não é a regra, nem a causa).
Portanto, tudo se passa na mídia de massa como se o presidente da República conseguisse transformar um perfumado e plácido mar de rosas em turbulenta cachoeira de desastres. Quem lê editoriais colhe a impressão de que os próprios veículos, o Congresso Nacional, o STF, fazem o possível para tudo andar bem, mas o governo não deixa! Essa é a mensagem que tentam fazer chegar ao eleitor enquanto procuram intimidar os conservadores nos restritos espaços das redes sociais.
A despeito da cotidiana corrida de obstáculos, o governo poderia operar com maior desembaraço não fosse a impossibilidade de compor maioria parlamentar. Estou bem atento às manifestações dos presidenciáveis. Lidam com o futuro como se as dificuldades institucionais do país se resolvessem com suas vitórias pessoais nas urnas de outubro. É como se dissessem: “Votem em mim. A governabilidade a gente vê depois”... Tá bom!
Bolsonaro tentou contornar essa montanhosa e espinhosa barreira indicando previamente, para a maior parte de seu ministério, técnicos de fora do circuito político-eleitoral. Qual o resultado? O mercado de votos parlamentares se sublevou! As cotações dispararam. O pregão teve que ser fechado. Rodrigo Maia era o senhor do sim e do não e só liberava o que não tinha importância. De responsável pela pauta, tornou-se senhor das decisões e já posava com ares de Primeiro Ministro. Lembram?
Ao mesmo tempo, em meio ao deliberado tumulto das relações institucionais, o STF dava carteiraço operando como dono da democracia e “poder moderador” da República... Logo aquele estranho colegiado onde tão frequentemente falta moderação!
A questão, portanto persiste. E persiste num escandaloso silêncio das instituições! O que têm a dizer os candidatos a presidente que vêm ao eleitor pedir voto depois de haverem, mediante sucessivas ações e omissões, procurado impedir o programa vitorioso nas urnas de 2018? O que tem a dizer sobre o que se recusaram a votar? Pergunto: como esperam obter maioria num parlamento onde haverá mais de duas dezenas de minorias no outro lado do balcão dos negócios que hoje frequentam? Como pretendem votos depois de agirem como agiram?
Este não pode ser um não assunto na campanha eleitoral que já começou! À miudeza se responde com grandeza!
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
AQUI HÁ RESISTÊNCIA! - 09/01/2022
Percival Puggina
Qual foi o principal problema enfrentado por Bolsonaro no exercício da presidência da República? Sobre a resposta a essa pergunta eu não tenho dúvida: o combate sem trégua a Bolsonaro se deve a ter ele sido eleito pela parcela conservadora da sociedade. Omisso e silencioso, esse eleitorado ganhou, com ele, súbita expressão política. E isso foi visto como ato de guerra pelos “progressistas” de todos os matizes (e de todos os países).
Fosse Bolsonaro um “progressista”, sua vida seria mais tranquila. Até então, a guerra cultural estava em curso e era vencida pela esquerda com facilidades análogas às encontradas pela máquina de guerra nazista ao invadir a Europa Ocidental.
Na vitória de Bolsonaro, porém, o Brasil disse ao mundo que, aqui, haveria resistência.
Você não enfrenta máquinas de guerra poderosas e vencedoras sem determinar reações em contrário. E elas foram severíssimas nos ambientes culturais propriamente ditos, no mundo acadêmico, nas poderosas e endinheiradas fundações da Nova Ordem Mundial, nos meios de comunicação, no aparelho burocrático do Estado e nos poderes de estado, notadamente nos Tribunais Superiores.
Bolsonaro poderia ser exatamente como é, mas se não tivesse despertado e mobilizado o eleitorado conservador – favas contatadas nas disputas entre duas esquerdas durante um quarto de século – o governo teria tido outro curso e enfrentado dificuldades bem menores.
Examine o leque dos candidatos presidenciais. Exceto Bolsonaro (PL) com 30%, todos os demais são esquerdistas e isso dá boa ideia sobre para onde aponta o ano eleitoral cuja folhinha já está rolando. Depois, olhe detidamente os nomes e conviva com a realidade: eles são tudo que os partidos políticos têm a apresentar após quatro anos fazendo fumaça e barulho, impedindo o governo de governar, atacando-o por tudo e por nada, criando despesa para um orçamento já estourado, fazendo negócios, batendo à porta do STF para fazer “política”. Nada revela tão bem o quanto são inaproveitáveis nossas legendas partidárias do que os nomes que apresentam ao eleitorado!
Lula (PT), com 40%. É um candidato zumbi, que surfa pesquisa, mas não aparece em público e deve fugir de espelho. Seu pior inimigo é sua biografia.
O governador João Dória (PSDB), dito Bolsodória na campanha de 2018, passou quatro anos criando problemas ao presidente e conseguiu apenas 3% de intenções de voto na última pesquisa que li.
Sérgio Moro (Podemos) está longe de ser um conservador, ou um liberal, como Bolsonaro descobriu tarde demais. Seu papel de hoje não é aquele com que o atraíram; é o que a história já lhe reservou: tirar votos de Bolsonaro para ajudar a eleição do ex-presidiário. Diante de apenas 11% de intenções de voto, seus próximos já o aconselham a disputar cadeira de senador para não ficar desocupado.
Ciro Gomes (PDT) contabiliza 7% e se vê em meio a uma calmaria, com o velame caído, sem receber uma lufada de ar que lhe permita esperar terra à vista em algum ponto de seu monótono horizonte.
A senadora Simone Tebet (do outrora grande MDB), picada pela mosca azul, fez o possível para se pôr em evidência, sempre infernizando a vida do presidente e descobre, agora, que conseguiu atrair a atenção de apenas um em cada cem eleitores brasileiros.
O senador Rodrigo Pacheco (PSD), o omisso “Pachecão”, fez muito mau uso de seu poder no Senado, ajoelhou-se perante o STF, virou as costas ao clamor popular, precisou fechar suas redes sociais, e ainda quer ser presidente. Com 0,6% perde até para a colega Simone Tebet.
Não me tiram a esperança de ter meu país de volta. Aqui resistiremos.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
AQUI HÁ RESISTÊNCIA! - 09/01/2022
Percival Puggina
Qual foi o principal problema enfrentado por Bolsonaro no exercício da presidência da República? Sobre a resposta a essa pergunta eu não tenho dúvida: o combate sem trégua a Bolsonaro se deve a ter ele sido eleito pela parcela conservadora da sociedade. Omisso e silencioso, esse eleitorado ganhou, com ele, súbita expressão política. E isso foi visto como ato de guerra pelos “progressistas” de todos os matizes (e de todos os países).
Fosse Bolsonaro um “progressista”, sua vida seria mais tranquila. Até então, a guerra cultural estava em curso e era vencida pela esquerda com facilidades análogas às encontradas pela máquina de guerra nazista ao invadir a Europa Ocidental.
Na vitória de Bolsonaro, porém, o Brasil disse ao mundo que, aqui, haveria resistência.
Você não enfrenta máquinas de guerra poderosas e vencedoras sem determinar reações em contrário. E elas foram severíssimas nos ambientes culturais propriamente ditos, no mundo acadêmico, nas poderosas e endinheiradas fundações da Nova Ordem Mundial, nos meios de comunicação, no aparelho burocrático do Estado e nos poderes de estado, notadamente nos Tribunais Superiores.
Bolsonaro poderia ser exatamente como é, mas se não tivesse despertado e mobilizado o eleitorado conservador – favas contatadas nas disputas entre duas esquerdas durante um quarto de século – o governo teria tido outro curso e enfrentado dificuldades bem menores.
Examine o leque dos candidatos presidenciais. Exceto Bolsonaro (PL) com 30%, todos os demais são esquerdistas e isso dá boa ideia sobre para onde aponta o ano eleitoral cuja folhinha já está rolando. Depois, olhe detidamente os nomes e conviva com a realidade: eles são tudo que os partidos políticos têm a apresentar após quatro anos fazendo fumaça e barulho, impedindo o governo de governar, atacando-o por tudo e por nada, criando despesa para um orçamento já estourado, fazendo negócios, batendo à porta do STF para fazer “política”. Nada revela tão bem o quanto são inaproveitáveis nossas legendas partidárias do que os nomes que apresentam ao eleitorado!
Lula (PT), com 40%. É um candidato zumbi, que surfa pesquisa, mas não aparece em público e deve fugir de espelho. Seu pior inimigo é sua biografia.
O governador João Dória (PSDB), dito Bolsodória na campanha de 2018, passou quatro anos criando problemas ao presidente e conseguiu apenas 3% de intenções de voto na última pesquisa que li.
Sérgio Moro (Podemos) está longe de ser um conservador, ou um liberal, como Bolsonaro descobriu tarde demais. Seu papel de hoje não é aquele com que o atraíram; é o que a história já lhe reservou: tirar votos de Bolsonaro para ajudar a eleição do ex-presidiário. Diante de apenas 11% de intenções de voto, seus próximos já o aconselham a disputar cadeira de senador para não ficar desocupado.
Ciro Gomes (PDT) contabiliza 7% e se vê em meio a uma calmaria, com o velame caído, sem receber uma lufada de ar que lhe permita esperar terra à vista em algum ponto de seu monótono horizonte.
A senadora Simone Tebet (do outrora grande MDB), picada pela mosca azul, fez o possível para se pôr em evidência, sempre infernizando a vida do presidente e descobre, agora, que conseguiu atrair a atenção de apenas um em cada cem eleitores brasileiros.
O senador Rodrigo Pacheco (PSD), o omisso “Pachecão”, fez muito mau uso de seu poder no Senado, ajoelhou-se perante o STF, virou as costas ao clamor popular, precisou fechar suas redes sociais, e ainda quer (?) ser presidente. Com 0,6% perde até para a colega Simone Tebet.
Não me tiram a esperança de ter meu país de volta. Aqui resistiremos.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
UMA HISTÓRIA DE NATAL - 24/12/2021
Percival Puggina
Eu já suspeitava de que o tal Papai Noel fosse uma enrolação dos adultos quando, certa noite, meus pais e tios reuniram-se e correram a porta onde, logo após, colei o ouvido de detetive para receber a má notícia: Papai Noel não existia e meu desejado carrinho de pedais não estava em cogitação.
Papai Noel é um mito fugaz da infância, um comerciário gordo e simpático, ou um parente bem disfarçado, com touca vermelha de pompom branco, sumido nas recordações infantis referentes ao 25 de dezembro. Mas o menino Jesus, não. Ignorá-lo neste dia, notadamente numa família cristã, é embarcar na canoa furada do politicamente correto para ocultar um acontecimento real. É transformar uma data marcante da Fé e da humanidade numa festa pagã e comemorar, como em tempos remotos, o solstício de inverno no hemisfério norte... Convenhamos!
Diferentemente do velhinho de vermelho, o menino da manjedoura é o Redentor referido neste pequeno texto que há 25 anos escrevi para o Correio do Povo, com o título “Uma história de Natal”.
Numa noite assim, quando os mais nobres sentimentos varrem o pó do cotidiano e rompem a carapaça com que paradoxalmente sufocamos o bem para nos proteger do mal, inspiram-se os escritores para iluminar a literatura com páginas comoventes. São as histórias de Natal. Em cada uma delas se encontram fragmentos desse insondável mistério que é o homem, habitual espantalho de si mesmo, que cresce quando se ajoelha e se humaniza quando chora.
Entretanto, leitor amigo, por mais histórias de Natal que você tenha lido, em nenhuma delas nem em todas elas existe a força do episódio ocorrido nas cercanias de Belém, a cidade de Davi, numa noite fria da Palestina. Nasceu o Menino, o Senhor da História, o Rei dos Reis. Envolveram-no em panos e o deitaram numa manjedoura.
Penso, às vezes, sobre como escreveríamos nós se nos coubesse conceber o roteiro daqueles fatos. Certamente não escolheríamos aquele local. Nunca aquela época e, nela, nunca aquele povo. Jamais personagens assim. A humanidade já produziu ambientes melhores bem como circunstâncias e elenco mais promissores. E é exatamente por isso que não havia lugar na estalagem.
Essa história de Natal, a própria história do Natal, tecida com os fios sutis com que o divino autor urdiu sua rede de amor à humanidade, vence os séculos, se torna eterna e se impõe ao coração dos homens. É tempo de repetir: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
PREMIAR OS MAUS E PUNIR OS BONS? - 19/12/2021
Percival Puggina
“Perdi a esperança. Não voto mais. A política brasileira nunca vai mudar porque as mudanças dependem de um Congresso e de um STF que não querem nem ouvir falar nas necessárias alterações. Tudo está sendo feito para favorecer as reeleições da atual representação parlamentar e manter o Supremo com a atual configuração e com a atual conduta”.
As palavras que você acaba de ler me chegaram em mensagem de um leitor. Exceto por pequeno detalhe, são bem verdadeiras as alegações que faz, mas a decisão tomada a partir delas está errada. E a causa do erro, como em tantas situações, está no detalhe: a política brasileira, queira meu leitor ou não, vai mudar sim! Isso é inevitável porque a política não é estática. Ela muda. Em certas condições, muda para melhor; noutras muda para pior.
Se uma certeza eu tenho em relação a essa questão, que se faz oportuna e significativa, a poucas semanas de um pleito nacional, é esta: se os eleitores indignados com a política que temos não comparecerem às urnas porque estão amuados, desesperançados, obviamente a vantagem será dos piores candidatos, votados por maus eleitores que, sim, comparecerão às urnas. Haverá número ainda menor de bons políticos e número ainda maior de maus políticos. E isso significa mudança. Mudança para pior na representação parlamentar, na presidência e nos governos estaduais. Em síntese: um desastre, cujas consequências provavelmente se derramarão sobre uma geração inteira.
Por outro lado, a omissão, o voto nulo, ou em branco, é o ponto culminante de uma omissão anterior. Cidadãos conscientes deveriam ser ativos em todo o período anterior e posterior à eleição. Todos já deveriam saber como votaram deputados e senadores o veto do presidente da República ao Bolsa Reeleição, também conhecido como Fundão Eleitoral, no montante de R$ 5,7 bilhões (clique aqui, ou siga o link no final do artigo). Todo cidadão ativo deve escolher seus candidatos o mais cedo possível, ao longo dos próximos meses e trabalhar para elegê-los.
Ao longo do ano que se avizinha, ainda estaremos pagando a conta de dois males simultâneos: a pandemia e o “fique em casa, que a economia a gente vê depois”. Era tranquilo dizer, pegava bem exigir, parecia haver um elevado senso moral a orientar tais condutas. Como em quase tudo na vida em sociedade, porém, há o que se vê e o que não se vê. Ou só se vê depois. Vale o mesmo para essa versão do fique em casa aplicada ao exercício da cidadania, que começa bem antes do voto e não se esgota no voto.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
SEGUNDO AS PESQUISAS ELEITORAIS, OS BRASILEIROS VIRARAM ARGENTINOS. - 17/12/2021
Percival Puggina
Os números divulgados por pesquisas eleitorais influenciam a realidade. Saber em que proporção representam a posição dos cidadãos poderia, muito bem, ser uma das 12 penitências de Hércules. Requer esforço sobre-humano do qual me declaro incapaz. No entanto, sinto-me habilitado a afirmar que se as pesquisas mais recentes expressarem algo próximo da realidade, temos duas opções :
1ª) a maioria do eleitorado brasileiro é um fenômeno parapsicológico, cuja opinião e cujo querer só pode ser captado por pesquisadores dotados de poderes supranormais; ou
2ª) esses eleitores viraram argentinos (que é a hipótese menos absurda).
Os brasileiros conservadores já deveriam estar acostumados ao fato de que as pesquisas erram e erram feio. Até quando colhidas em boca de urna. Já deveriam saber que muitas delas são a própria campanha eleitoral fora do período eleitoral.
Os números anunciados pelas emissoras de TV são o palanque, e os comentários são os comícios nestes meses que antecedem o início das campanhas propriamente ditas. Em alguns casos, como nas análises da Globo em relação às avaliações do governo Bolsonaro, quase se ouve o espocar dos foguetes.
É absurdo imaginar que essa maioria identificada pelas pesquisas, outrora formada por ruidosos militantes, tenha emudecido, cravado facão no toco, decidido votar em Lula e quer, literalmente, que tudo mais vá para o inferno. Esse notável movimento de massa faz, em silêncio, aquilo que os argentinos fizeram com mais ruído, encaminhando a nação vizinha para acelerada venezuelização.
O sujeito oculto dessa revolução ou o objeto oculto de sinistra manipulação vestiu terno, colocou gravata, ajeitou o cabelo e isso, em nada contribuiu para dar-lhe um ar de gente séria. Na Europa, Lula tem sido paparicado pela esquerda que vê nele a possibilidade de retomar o poder e restaurar a hegemonia que tão caro custou e continua custando ao Brasil.
A maioria do eleitorado não pode votar em Lula e, ao mesmo tempo, querer liberdade, defender princípios e valores morais, proteger a instituição familiar e a inocência da infância, desejar o combate à corrupção e o fim da impunidade...
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
130 ANOS DA MORTE DE D. PEDRO II - 04/12/2021
Percival Puggina
No dia 5 de dezembro de 1891, há 130 anos, morria em Paris a extraordinária figura humana de D. Pedro II, último monarca brasileiro e aquele que mais entranhadamente amou nosso país. Porque nascido aqui, diferentemente de seus antepassados que reinaram no Brasil (D. Maria I, D. João VI, D. Pedro I), esta era sua pátria e seu chão e foi um pouco desse chão que ele levou, como lembrança, dentro de um travesseiro quando, deposto, partiu para o exílio com sua família.
Sua mensagem de despedida nos diz o seguinte:
"A vista da representação que me foi entregue hoje, às três horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir com a minha família para a Europa, amanhã, deixando assim a pátria, de nós estremecida, à qual me esforcei por dar constante testemunhos de entranhado amor e dedicação durante meio século que desempenhei o cargo de Chefe do Estado. Na ausência, eu, com todas as pessoas da minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo ardentes votos, por sua grandeza e prosperidade".
Dois anos mais tarde, matou-o uma pneumonia contraída ao passear em dia frio às margens do Rio Sena. Materialmente pobre, com a ajuda de amigos, vivia o exílio parisiense hospedado no modesto hotel Bedford. No Brasil, com notícia de sua morte, a instável política republicana que dava seus primeiros passos desautorizou, receosa, atos públicos em reverência ao monarca deposto. No entanto, manifestações e sinais de luto, bandeiras a meio pau, tarjas pretas e comércio fechado revelavam o pesar com o óbito e o desconforto com a política estabelecida pelo golpe republicano.
Longe daqui, inúmeras nações se fizeram representar na missa de corpo presente, realizada na Igreja da Madeleine, em meio a pompas reais e admiráveis sinais de apreço. As cenas então filmadas tornam evidente a reverência popular, política e a significativa presença das grandes Academias de Letras, Ciências, Artes honrando o notável brasileiro.
Mais de 200 coroas de flores exibiam mensagens: “Ao grande brasileiro, benemérito da Pátria e da Humanidade”, “Um negro brasileiro, em nome de sua raça”, “Tempos felizes, em que o pensamento, a palavra e a pena eram livres”. Dentro do caixão, acompanhava seu corpo o conteúdo de um pacote encontrado nos aposentos do hotel. Com ele, um bilhete: “É terra de meu país, quero que seja posta dentro do meu caixão se eu morrer longe de minha pátria”.
O exemplo e o amor ao Brasil tão longamente demonstrado por D. Pedro II nos 49 anos em que usou, modesto e honrado, a coroa do Império, exercendo com sabedoria o Poder Moderador, nos sirvam de inspiração! Mormente nestes tempos em que poderes, tão impropriamente exercidos, restringem as liberdades de pensamento, palavra e pena.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
ONZE HOMENS E UM SEGREDO - 25/11/2021
Percival Puggina
Arthur Lira diz não haver acordo para criar a comissão necessária ao andamento da PEC que pretende restabelecer a idade de 70 anos para aposentadoria compulsória de ministros do STF. Com isso, ele quer dizer que ouviu os líderes e não percebeu suficiente apoio à medida. Ouviu? Não ouviu? Ouviu os que queria ouvir? Difícil saber.
Episódios assim, se sucedem nas duas casas do Congresso, com os presidentes ora impondo monocraticamente seu querer, ora “ouvindo os líderes” que, por sua vez não agem diferentemente em relação às bancadas. Você lembra, leitor, da visitinha do ministro Roberto Barroso à Câmara dos Deputados? Instantes depois, alguns líderes substituíram os parlamentares convictos da importância e necessidade da urna eletrônica com impressora por outros incumbidos de votar contra. É por essa combinação de meios que vamos morrer sem saber, por exemplo, quais os congressistas que são contra o fim do foro privilegiado, quais os que são contra a prisão após condenação em segunda instância e quais os que consideram todos os ministros do STF como zelosos e perfeitos cumpridores de suas obrigações.
De quanto se vê e se sabe, sobram às nossas reflexões duas questões.
A primeira é uma pergunta.
Para que servem 513 deputados se não mais de onze pessoas (por acaso o mesmo número de ministros do STF) tomam todas as decisões realmente importantes? De fato, por princípio, o plenário só vota o que o presidente quer, e os deputados, ao votar, salvo exceções, seguem os líderes. Estes, por seu turno, não deixam digitais nessas decisões de colegiado.
A segunda é o segredo.
De onde vem o poder dos líderes de bancada? Como obtêm essa submissão de seus comandados que, afinal, são titulares de mandato popular até recentemente merecedor de respeito (por respeito ao eleitor, mas este é outro assunto)? O poder dos líderes provém do pacote de atribuições políticas e burocráticas que lhes corresponde. Entre outras: indicações para integrar e presidir comissões, designação para representações internas e externas, liberação de meios, nomeação de indicados para cargos de confiança, e, principalmente, emendas parlamentares, verbas partidárias e de campanha eleitoral.
Estes assuntos são de grande importância para uma sociedade que não se sente representada e a cujo querer e a cujas manifestações Congresso e STF voltam as costas. Contudo, tais temas passam longe do interesse dos grandes grupos de comunicação do país.
A nação precisa dos poderes de Estado, mas estes fazem o possível para descartá-la de suas preocupações.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
TOFFOLI E O SINCERICÍDIO DO STF - 18/11/2021
Percival Puggina
Em 16 de março de 1990, quando a ministra Zélia Cardoso de Mello anunciou à imprensa e a um seleto público as medidas de contenção da inflação do Plano Collor , no fundo do salão, entre xícaras e cafeteiras, um garçom do palácio antecipou-se à plêiade de economistas presentes, exclamou e foi ouvido: “Não vai dar certo!”.
O mesmo puderam dizer da Constituição de 1988 os mais sábios constitucionalistas do país. Não, o Brasil não precisa que ministros do STF profiram tolices para viver suas crises. Nossas crises estão constitucionalizadas. Basta ler os artigos da CF de 1988 que tratam dos poderes de Estado para saber que as exigências de Sarney, introduzidas sabe-se lá de que jeito pelo Centrão, provocariam as crises institucionais e morais com que desde então convivemos.
Elas são inevitáveis! Nenhum presidente se elege com maioria parlamentar, mormente numa realidade partidária em que dezenas de partidos cercam todo governo como hienas cercam sua caça. Então, ou se instala a crise moral com permanente compra e recompra da base de apoio, ou se instala a crise institucional e o governante não governa, ou não conclui o mandato. A crise, contudo, é certa.
Durante muitos anos sob essa Constituição, o STF se manteve equidistante dos embates políticos. Afinal, tucanos e petistas, primos-irmãos para quem conhece os avós comuns, têm rusgas, mas se entendem como bem demonstram as cenas de carinho entre FHC e Lula e a recente tentativa de namoro entre o petista e Geraldo Alckmin. No entanto, ao se tornar eminentemente petista, o STF resolveu assumir um protagonismo jamais visto. Tornou-se a principal fonte dos noticiários, o poder político proativo. Emissora de TV que queira ter audiência precisa ligar-se ao canal do Supremo. Bye, bye Congresso! Bolsonaro aninhou-se nas redes sociais. Partidos de esquerda, de diversos portes abandonam o plenário e levam suas pautas direto para quem manda. E os conservadores, vitoriosos na eleição de 2018? Bem, para nós ameaças, dentes à mostra, censura, mordaça, cadeia.
Toffoli, em seu sincericídio lisboeta, explicitou o que tantas vezes escrevi e a maior parte do jornalismo brasileiro ocultava da sociedade: o STF, pela imensa maioria de seus pares, usurpa uma função constitucional inexistente, assumindo-se como pai da pátria, poder moderador da República, palavra final na Política e no Direito.
Assim como em Cuba tive medo do Estado, hoje tenho medo do STF e desse poder moderador ilegítimo, não coroado nem eleito, a que se refere Toffoli. Medo de também nos tomarem a esperança. Sinto em muitos a dormência dessa perda e me lembro das palavras lidas por Dante no sinistro portal do Inferno: “Por mim se vai a cidade dolente; por mim se vai a eterna dor; por mim se vai a perdida gente...”. E, ao fim do verso, a sentença terrível que, há sete séculos, ecoa com letras escuras nas horas sombrias: “Lasciate ogni speranza voi ch’entrate” (Deixai toda esperança, vós que entrais).
Todavia, não! Este é o país de Bonifácio, de Pedro II, de Isabel, de Nabuco, de Caxias! Esse STF fala por si e haverá de passar! Os corruptos de ficha lavada não nos convencem nem nos vencem. Trouxeram-nos aos umbrais do Inferno. Exibiram-nos o portal de Dante. Que entrem sozinhos. Perseveraremos.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
LADRÕES DO TEMPO E DO FUTURO - 04/11/2021
Percival Puggina
“Ou você tem estratégia própria, ou é parte da estratégia de alguém” (Alvin Tofler).
A falta de estratégia para resistência e a incapacidade de enfrentar à hegemonia instalada trouxeram a educação brasileira ao estágio atual. Só uma educação idiotizada ou moralmente ruinosa pode perder tempo com socioconstrutivismo, Paulo Freire, ideologia de gênero e formação de militantes usando para isso nosso mais precioso recurso: nossos filhos.
Ao longo dos anos colhi milhares de relatos como os que, sinteticamente, transcrevo a seguir. São professores que falam, comentando um dos tantos artigos que escrevi sobre a militância esquerdista em sala de aula.
***
(...) Tenho 42 anos, estou iniciando uma licenciatura em pedagogia e observando a ementa do curso já fiquei preocupado com a biografia esquerdizante. Durante toda minha formação fui influenciado por essa opressão. Se chegar a atuar como professor, não farei o jogo desses...
(...) Sou Pedagogo, discordo de Paulo Freire e já estou começando a sofrer represálias.?
(...) Sempre fui discriminado por não concordar com Paulo Freire. Ele nunca foi um Educador. Parabéns...
(...) Sou uma professora de Sociologia e História que não segue livros... Que não tem voz em meio a tanta doutrinação dentro da escola. Mas dou o meu recado e vou pela contramão.
(...) Experimente criticar Paulo Freire em qualquer curso de licenciatura no Brasil e você vai ser comido vivo. É absurdo como muitas pessoas engolem essa tal pedagogia crítica que de crítica só tem o nome (já que, aparentemente, não pode ser criticada).
(...) Sou historiador.... fiquei fora de instituições por sempre discordar do lixo. Não raro, os sequelados e patrulheiros levantam-se, em palestras e cursos meus, e vão embora. Meus compromissos são com a História, a seriedade, a verdade... não com besteiróis ideológicos.?
(...) Tive vários professores, aqui no interior do Amazonas, que falavam que íamos estudar, estudar, estudar para plantar mandioca na praia. Quem precisa de professores assim?
(...) Sou professor de Matemática da rede estadual. Há reuniões semanais em que tentam doutrinar os professores o tempo todo.
(...) Fiz letras e posso afirmar que não segui a profissão de professor porque odeio ver a Educação do país se deteriorando. Eles não conseguiram me doutrinar. Tenho saudades da cartilha e da minha primeira professora, naquele tempo os alunos aprendiam de verdade.?
(...) agora sei porque o meu projeto de pós-graduação na Federal não foi aceito. (O professor, a seguir, cita Olavo de Carvalho em crítica a Lev Vigotsky, Emilia Ferreiro e Paulo Freire): “Os responsáveis pela adoção desse sistema são diretamente culpados pelo fracasso retumbante das nossas crianças, amplamente comprovado pelos testes internacionais. Esses homens não são educadores, são criminosos."
***
É natural que professores tenham posições próprias sobre questões sociais, políticas e econômicas. O que não podem é transformar sua sala de aula em local de militância e a cátedra em torno e formão para moldar os alunos à sua imagem e semelhança. Isso não é grosseria, é imoral.
Acho que já relatei isso, mas repito aqui o convite com que me deparei, “googlando” por aí, postado por um mestrando ou doutorando na área de Matemática. Nele, a comunidade acadêmica era instada a apreciar a explanação que faria sobre a "necessidade de uma atuação dos formadores no sentido de conscientizar os futuros professores de matemática de sua tarefa como intelectuais orgânicos a serviço da construção da hegemonia dos excluídos, dos explorados em geral”. Baboseira gramscista para professores de Matemática, em péssimo português.
Alunos, pais, legisladores e professores precisam se preparar para enfrentar a militância que, pilotando salas de aula, rouba o tempo e o futuro dos alunos.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A ERVA DANINHA DO AUTORITARISMO - 20/10/2021
Percival Puggina
Os maus exemplos sufocam os bons exemplos como a erva daninha mata a planta boa. Temos assistido, nos últimos três anos, a sucessivos exemplos de autoritarismo. Na minha percepção, o fenômeno iniciou no Supremo Tribunal Federal e se propagou rapidamente no Congresso Nacional. Em ambos os lados da praça, a Constituição é serventia da casa e servida ao gosto do patrão.
Foi o autoritarismo que expediu ordens descabidas ao presidente da República por parte do STF. Foi ele que criou o inquérito do fim do mundo. É ele que fecha jornais, prende jornalistas, criou o flagrante eterno, estatizou verdades e impôs medo à liberdade de opinião.
Vê-se autoritarismo em atos cotidianos do presidente da Câmara dos Deputados no exercício de sua prerrogativa de elaborar a pauta de votações. Em três anos, a Casa não votou a PEC da prisão após condenação em segunda instância, nem o fim do foro privilegiado. Na democracia à brasileira, dane-se a opinião pública! É por causa do autoritarismo que custeamos 513 deputados federais para que uma dezena de líderes de bancada comandem os acontecimentos da Casa e conduzam todos os demais pelo nariz, segundo seu querer. Essa submissão se deve ao autoritarismo dos líderes na distribuição dos recursos públicos, sejam partidários, sejam do orçamento da União.
Houve longas sessões de autoritarismo na CPI da Covid-19. Foi o autoritarismo que levou ao “Pare de trabalhar e fique em casa!”. É o autoritarismo que leva juristas, políticos e jornalistas a regrarem o ato médico, formulem, com os próprios cotovelos, verdades “científicas” e imponham o passaporte sanitário.
Por puro autoritarismo, um único senador consegue tornar estéril a prerrogativa presidencial de indicar à aprovação do Senado um novo ministro do STF. Afirma o senador, e há quem concorde, ser sua a prerrogativa de marcar a data para a sabatina do indicado, podendo fazê-lo quando bem entender. Ou seja, o ato convocatório da sessão de sabatina poderia ocorrer no intervalo de tempo vai do já ao nunca. Passados cem dias da indicação, tudo leva a crer que o senador Alcolumbre pretende cumprir o que já li haver ele afirmado: enquanto for presidente da CCJ essa audiência não vai acontecer.
Examinemos em microscópio essa variante amapaense da síndrome autoritária que assusta a nação. O senador Davi Alcolumbre preside a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal do Brasil sem haver concluído sequer o curso de Ciências Econômicas cujas aulas um dia pretendeu frequentar. Na poltrona onde já sentaram figuras ilustres do direito brasileiro, senta-se agora um senador graduado no ensino médio, incapaz de compreender que o direito de marcar a data de um evento não se confunde com o direito de não marcar a data do mesmo evento. E mais, escapa-lhe a compreensão de que se assim fosse, os presidentes da CCJ teriam a prerrogativa de, ao longo dos anos, esvaziar por completo o plenário do STF. Bastaria, para isso, que a mesma “prerrogativa” fosse usada pelos titulares do posto ao longo do tempo necessário para todos os ministros se aposentarem. O senador nem imagina que o abuso de sua prerrogativa pontual derruba direito constitucional atribuído ao Presidente. Cabe a este indicar à CCJ quem ele quiser, para que a comissão, por deliberação colegiada de seus membros, verifique se o indicado atende às condições exigidas de um ministro do Supremo pela Carta da República.
Democracia e autoritarismo são antagônicos. Para usar palavra da moda, o autoritarismo é antidemocrático. Para se protegerem de seus fantasmas, o STF e o Congresso Nacional nos arrastam para um simulacro de democracia que a parcela mais bem informada da população não mais leva a sério.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A CPI PELO AVESSO... - 18/10/2021
Percival Puggina
Suponhamos que você se oponha ao governo federal e queira o presidente politicamente destruído, mas seja, ao mesmo tempo, uma pessoa intelectualmente honesta. Suponhamos, em seu favor, que seus padrões morais não se verguem a orientações como as lançadas diariamente à militância fanática. Não, você não é desse tipo. Você é uma pessoa esclarecida e habilitada ao uso da razão para buscar a verdade e, claro, com intentos políticos segundo suas convicções. Parabéns a você, que é o tipo de adversário com quem tenho prazer em conversar, principalmente se, em meio à essa zoeira, sabe conservar o bom humor.
Então eu lhe pergunto: se lhe coubesse a responsabilidade de montar uma CPI para investigar possíveis ilícitos administrativos ou penais que tenham ocorrido no curso do enfrentamento ao coronavírus, entregaria o comando dela aos senadores Omar Azis, Randolfe Rodrigues e Renan Calheiros, respectivamente como presidente, vice-presidente e relator?
Tenho certeza de que não! Essas pessoas, com suas biografias e folhas corridas, investidas do poder especial confiado pela Constituição às comissões parlamentares de inquérito, iriam fazer dela aquilo que fizeram, um barraco de condutas inconvenientes, de abusos e desvios de finalidade. Uma pessoa sensata não entregaria o comando de tal instrumento legislativo a inimigos declarados do governo investigado; perceberia que pesam em desfavor de tal comissão suspeitas graves, a inibir o correto uso dos meios para chegar a fins coerentes com a busca sincera da verdade.
“Mas toda CPI é um instrumento do Poder Legislativo e, também, um instrumento da política; é impossível dissociar as duas funções dentro de um parlamento”, talvez alegasse você, leitor de esquerda, tentando salvar de Renan Calheiros o relatório de Renan Calheiros. No entanto, o êxito de qualquer CPI, principalmente sob o ponto de vista político, depende de sua credibilidade. E essa é uma palavra chave, tanto na política, quanto na comunicação social.
Imagine, só para argumentar, que a CPI não fosse dirigida por três inimigos declarados do presidente, mas por três filhos de Bolsonaro e que os apoiadores de seu governo, não bastante isso, tivesse maioria de 7 a 4 na comissão. Você crê, sinceramente, que o trabalho desenvolvido por eles teria aceitação da sociedade, mereceria credibilidade, mereceria a sua credibilidade? Claro que não.
Por isso, posso afirmar que essa CPI não é um circo, mas um barraco dedicado a atividades suspeitas, que corrompem suas atribuições constitucionais e só tem consideração e cobertura jornalística de uma imprensa que ingressou com determinação, junto à sociedade brasileira, num processo de destruição da confiança que um dia teve.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
PENSAR, ATIVIDADE PERIGOSA - 15/10/2021
Percival Puggina
Pensar, opinar, escrever, falar, atributos inerentes à vida civilizada, se vão tornando atividades de risco, como escalar penhascos, fazer trilha em geleiras, descer cachoeiras, caçar cobras. Com estonteante rapidez, a sempre fugidia verdade foi sequestrada, estatizada, ganhou versões oficiais e foram cancelados os entendimentos divergentes. Criou-se um novo conceito de Ciência, em que algo que tenha recebido essa designação não pode ser discutido. Einstein era bem menos peremptório.
A título de exemplo, menciono a confiabilidade de urnas eletrônicas, engenhocas que não permitem a impressão e conferência do voto pelo eleitor. Ou, o que talvez seja mais grave, a presunção de que apontar evidentes desvios de conduta no STF e no Congresso Nacional é criar animosidade contra as instituições da democracia. A ser assim, há que se perguntar a razão pela qual apenas a instituição presidência da República está ao desabrigo dessas invejáveis prerrogativas. Que discurso fajuto é esse que serve apenas a dois dos três poderes de Estado?
Li na Gazeta do Povo de 25 do último mês de setembro: “No recém-lançado Programa de Combate à Desinformação (PCD), que será conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para combater conteúdos que, na visão do Tribunal, possam ser enquadrados como "desinformação e narrativas odiosas" direcionadas à Corte, o Supremo informou que uma das medidas será a aproximação do Comitê Gestor às agências de checagem. De acordo com a Resolução 742, que institui o PCD, esses veículos são responsáveis por “buscar solucionar o problema da desinformação e dos discursos de ódio”.
Há algum motivo para que tais agências, postas a serviço da cúpula do Poder Judiciário nacional, não ampliem o garrote já aplicado à liberdade de opinião? Elas nasceram desacreditadas por seu estrabismo ideológico e político, perfeitamente identificável na bênção concedida a “narrativas”, chavões e rótulos que não passam de lixo retórico esquerdista.
Muito do que vejo acontecer me traz à mente a famosa Comissão da Verdade, espécie de oráculo polifônico, a sete vozes, criado pela ex-presidente Dilma para carimbar uma “narrativa” sobre mocinhos e bandidos nos governos militares. Muito me bati contra aquela iniciativa que atribuía tal tarefa a um pequeno colegiado, como se repete agora a propósito de temas polêmicos do momento.
A prova cabal de seu facciosismo se evidencia no fato de jamais haverem exposto a absurda fake news que responsabiliza o presidente da República pela morte de 600 mil pessoas... Para o STF, porém, estão credenciadas a uma parceria com o poder na nobre tarefa de rotular ciência, consagrar verdades e tornar sacrílego o ato de as contradizer.
Caramba! Este país cansa, mas amanhã é outro dia!
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A EMPERRADA INDICAÇÃO DE ANDRÉ MENDONÇA - 13/10/2021
Percival Puggina
Completou 90 dias, ontem, a indicação de André Mendonça para ocupar a cadeira vaga no STF. Cabe ao presidente da CCJ do Senado, Davi Alcolumbre, marcar data para que o candidato seja ouvido, em “sabatina”, pelos membros da Comissão.
Nunca houve algo assim, ao menos no meu horizonte de memória. Todas as indicações, inclusive as mais despropositadas pela inadequação e despreparo da pessoa à função, foram aprovadas após breves passeios dos indicados pelos gabinetes da Casa. As sabatinas eram indulgentes, os pré-requisitos desconsiderados e o notório saber substituído por notoriedades bem menos úteis à nação.
Assim, Lula e Dilma empacotaram uma dúzia de companheiros para o Supremo. Dos oito designados por Lula, cinco já se aposentaram. Dentre os cinco apontados por Dilma houve uma defecção por morte. Dos atuais, portanto, sete passaram pelo crivo ideológico de José Dirceu. Com essa orquestra, por si majoritária, afina-se, de uns tempos para cá, Gilmar Mendes (indicado por FHC) e com ela se perfilou, caneta em riste, Alexandre de Moraes (indicado por Michel Temer). É um autêntico rolo compressor que não se constrange com os malabarismos jurídicos e estripulias repressivas em curso na Casa.
Por outro lado, quem conhece o Congresso Nacional sabe que quando algo não tramita porque surgem “dificuldades”, “facilidades” estão à venda e a demora eleva o preço. Infelizmente, devemos ter ciência e consciência de ser assim que funciona o parlamento brasileiro. Não, leitor, não creia que os obstáculos enfrentados pelo indicado André Mendonça tenham algo a ver com más credenciais. É diante as boas que eles se levantam.
Pesa contra ele uma posição religiosa, a adesão a certos valores que vêm sendo combatidos dentro do STF, alguns dos quais fazem parte da preocupante “agenda internacional do Supremo”. Pesa contra ele ser indicado pelo presidente Bolsonaro, algo que, para muitos senadores de critérios rasos, é considerado vício de origem. Outros, sempre receosos do STF, veem a aprovação como algo que possa causar desagrado ao tal rolo compressor.
***
Há um laicismo militante segundo o qual a moral não pode influenciar o Direito e esse laicismo está bem sentado dentro do Supremo e do Congresso. Segundo ele, a única convicção que pode influenciar o Direito é a laicista, diagnóstico que não consigo fazer sem achar muito engraçado.
Desde meu modesto posto de observação, é exatamente essa concepção que permite aos poderes de Estado agir de um modo que põe a moral para fora pela mesma porta pela qual entram, soberanos, os interesses particulares, políticos e partidários de qualquer ordem. O desprezo a princípios e valores dos candidatos enche os plenários de indivíduos que os mesmos eleitores, se os conhecessem bem, não convidariam para jantar em casa.
Para mim, a resistência à indicação de André Mendonça se converteu em sua mais insigne credencial.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
"TUDO PASSA, TUDO PASSARÁ" - 08/10/2021
Percival Puggina
Durante muitos anos, em palestras sobre problemas institucionais brasileiros, afirmei que visitar Roberto Marinho era condição indispensável para uma bem sucedida campanha eleitoral à presidência. Eu não estava errado. Errado era o sistema, que funcionava assim mesmo, e o poder concedido à Globo.
As redes sociais, democratizando o direito de opinião e a subsequente eleição de Bolsonaro, derrubaram a mesa desse jogo. Nem tudo é para sempre. Ao sentir-se demitida de seu poder, a Globo contra-atacou. Decidiu acabar com o presidente e desmoralizar as redes sociais, mesmo que para isso fosse necessário apoiar a prisão de jornalistas que atuam nesse segmento e causar dano ao país.
Durante meses, a covid-19 e a urgência da vacinação foram as principais armas dessa investida. A pressão, no começo deste ano, era terrível. Começar a vacinar um mês depois dos Estados Unidos virou escândalo. A Anvisa, porém, tinha suas regras, as compras públicas tinham suas exigências e os contratos de fornecimento, cláusulas leoninas (entre elas o “vendo, recebo, entrego quando puder e não me responsabilizo”). Aqui, Butanan, Dória e sua parceria chinesa arrumavam a vitrine de uma vacina praticamente caseira, testada em brasileiros. Para serem aprovadas as vacinas, que poderiam, em tese, alcançar uma eficácia de 100%, precisavam atinrir qualquer número significativo após o piso mínimo de 50%. A vacina paulista bateu martelo em 50,7%. Duas doses vieram parar no meu braço. Com ela, porém, não posso entrar em inúmeros países. Na próxima semana tomarei a terceira dose com a vacina da Pfizer.
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Leio em Poder 360: “Na última terça-feira (05.out) o Ministério da Saúde informou que não vai comprar a vacina CoronaVac em 2022 por ela ter sido autorizada só para uso emergencial pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A pasta ainda declarou que o imunizante, desenvolvido no Brasil pelo Instituto Butantan, tem “baixa efetividade entre idosos acima de 80 anos”. A informação foi divulgada na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado, nessa 5ª feira (7.out.2021). (...)
“A razão sobre a possível descontinuidade da vacina CoronaVac no ano de 2022 está diretamente relacionada com condição de sua avaliação pela Anvisa. Até o presente momento, a autorização [da CoronaVac] é temporária, de uso emergencial, que foi concedida para minimizar, da forma mais rápida possível, os impactos da doença no território nacional”, responderam os servidores da pasta.
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Um império desaba. Gradualmente, a vida volta ao normal. A Ciência segue seu curso enquanto a onisciência dos sabichões da política e da mídia, oportunistas de poucas letras e ainda menos juízo, se vale dela para seus fins. Daí a menção à canção de Nelson Ned no título desta crônica.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
LUCIANO HANG E OS MACACOS VELHOS DA CPI - 01/10/2021
Percival Puggina
Enquanto assistia à participação do dono da Havan na CPI, antevia que quando terminasse a sessão seria informado pela outrora grande mídia de que as coisas se passaram de outro modo. Há muito disso hoje. Você comparece, assiste, presta atenção e, mais tarde, fica sabendo em manchetes que foi enganado por seus olhos e ouvidos. Quem cometesse a imprudência de relatar conforme os sentidos lhe tornaram perceptível incorreria no crime hediondo de fake news.
Há um universo paralelo no qual tudo se desencaixa e a realidade se evade como sabonete foge das mãos em banho de cachoeira. É o universo onde vivem os mais destacados veículos de comunicação do país, partidos e organizações de esquerda, ministros do STF, o Congresso Nacional e, claro, a CPI da Covid-19 (cujo nome já é fake news porque seu objetivo é ferrar com a vida do presidente da República e ponto).
Assisti, então, boa parte da sessão em que a CPI inquiriu o dono da Havan. Quem perdeu ainda pode recuperar aqui. Valerá cada segundo. Os macacos velhos da política brasileira saltavam de um galho para outro tentando, inutilmente, capturar o empresário em pré-fabricadas narrativas. A todo instante, Luciano Hang os desconcertava com respostas corretas, surpreendentes, e uma descontraída insubmissão às pretensões autoritárias que caracterizam a conduta dos senadores oposicionistas.
De um lado, a fina ironia do inquirido, em sua expressiva fatiota verde e amarela; de outro, o deboche e a chacota, como única reação disponível no estoque de artimanhas da mesa dos trabalhos. Ora, a ironia é atributo dos espíritos livres, asas na porteira da liberdade (agauchando Vitor Hugo). O deboche é típico dos indivíduos rasteiros, aprisionados em si mesmos. Quanto mais tentavam aplicar ao inquirido seus próprios padrões, mais avultavam, mesmo não referidos, os apêndices caudais dos macacos velhos inquisidores.
Frequentemente, o senador Omar Azis, secundado pelo colega Renan Calheiros, sentindo que escorregavam de seus galhos, apelavam para restaurar as narrativas e as descarregavam sobre o empresário e todos os insubmissos como ele. Nesse momento, se erguia o vozerio do plenário para reforçar as imputações. Os ataques não correspondiam ao dito nem ao feito, mas era preciso contrapor algo para não ficar mais feio ainda.
Restou muito claro, durante todo o tempo, que a CPI tem um objetivo político e que sua preocupação passa longe da saúde pública e do contestável zelo de seus protagonistas pelo erário. Eles funcionam como metralhadora giratória, que dispara para qualquer lado onde possa servir ao objetivo dos viventes no universo paralelo. Essa metralhadora tem dois apoios retóricos: 1º) no Brasil, quem mata não é o vírus, mas o presidente e o tratamento precoce; 2º) conservadores, liberais, povo na rua, manifestações contra conduta de instituições de má conduta são antidemocráticos, exceto se forem para destituir o chefe do governo...
Absolutamente nada disso você vai encontrar em qualquer matéria da mídia militante sobre as seis horas de inquirição do dono da Havan.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O DISCURSO NA ONU E A MÍDIA MILITANTE - 22/09/2021
Percival Puggina
Escrevo tomado por uma dúvida matinal. Devo acreditar no que percebi e entendi pessoalmente enquanto o presidente lia seu discurso na ONU, ou no que me estão a repetir os grandes meios de comunicação do país a partir daquele momento?
O alinhamento geral com determinada causa política cria e cristaliza em nossas comunicações sociais situações que deveriam constranger consciências profissionais bem formadas.
Seria ridículo, não fosse tal conduta vista, internamente, como atividade missionária, quase religiosa, pastoral, dever de ofício por motivações supostamente nobres... Embora sejam o inverso disso. Chega-se ao absurdo de criticar a fala presidencial por não apontar mazelas do país, o que significaria reproduzir o discurso da mídia, da oposição, ou da maioria petista no STF, cotidianamente servido aos desavisados. Talvez desejassem que a tarefa de falar pelo Brasil fosse cedida a um editorialista do Estadão ou da Folha, ou a Bonner, ou ainda ao garoto Felipe Neto. Aí sim, na perspectiva da mídia, o Brasil teria cumprido seu papel perante a nação e o mundo.
Arre! Não estou exagerando. Descrevi exatamente o que essa mídia militante desempenha de modo cotidiano, em favor de sua causa e contra a imagem do país.
O presidente fala, a bolsa sobe e o dólar cai, mas a mídia vai ouvir operadores do mercado para os quais esse movimento nada tem a ver com a fala presidencial. Igual ao que faz sempre que busca algum “perito” ou “cientista” para opinar sobre assuntos a respeito dos quais os veículos já têm opinião formada e alinhada com sua própria militância.
Foi demais para esse tipo de jornalismo ouvir um discurso bem feito, tanto para o público interno e externo, apresentando o Brasil de modo positivo (coisa que tinha o dever institucional de fazer!). Havia consistentes razões para Bolsonaro assim se manifestar. E nenhum para fazer o contrário. Muitos outros chefes de Estado e de governo e diplomatas também são manipulados pela desinformação que cerca o Brasil desde que a esquerda, a contragosto de sua parceria mundial, perdeu a hegemonia aqui.
Durante oito anos, tive a privilegiada experiência de escrever inúmeros discursos para governadores aqui no Rio Grande do Sul. Sei, portanto, como se constroem esses pronunciamentos a partir de predeterminados objetivos externos e, por vezes, internos. A fala do presidente foi muito bem estruturada. Sintética, conteve o essencial. Mostrou o que mais mudou, de quem nos aproximamos e de quem nos afastamos, em que direção vamos e o que proporcionamos aos interessados, sejam migrantes ou investidores.
Deixou à imprensa a semeadura do desânimo, a roupa suja e a tarefa cotidiana de falar mal do Brasil.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A NOVA ARMA DO TOTALITARISMO - 21/09/2021
Percival Puggina
Eu prefiro ficar exposto às inconveniências de atender à maior liberdade do que àquelas correspondentes a seu menor decréscimo. (Thomas Jefferson)
Em todo o Ocidente, um número incalculável de veículos de mídia, muitos dos quais poderosíssimos, se converteram nos últimos anos em tratadores da humanidade. Olham-nos e veem “pets” precisando ser adestrados para nos comportarmos adequadamente no mundo concebido em seus laboratórios de reengenharia social. Ainda não nos ordenam saltar ou fazer gracinhas, mas nos mandam calar a boca e ficar em casa enquanto alimentam nosso pensamento com o magro jejum proporcionado pelas manipulações diárias.
Nenhum grupo é tão sensível a essa ditadura quanto o formado por parcela dos políticos com mandato. Jamais contrariam seus tratadores. Buscam votos populares, querem que você digite os números deles na urna eletrônica, mas é para seus colunistas mais influentes que abanam o rabo.
“E o que ganham com isso?”, indagará o leitor mais atento. Ora, mediante tal submissão, ganham o necessário silêncio sobre o mal que fazem e o bem que deixam de fazer no desempenho do mandato. Mas este é outro assunto.
O passaporte sanitário é o mais recente produto dessa opressão. Tão logo aprovado, será ele que vai abrir as portas à comunidade dos idiotizados, até recentemente conhecida como “sociedade” ou como “vida em sociedade”. Seres humanos sem passaporte sanitário terão que conviver entre si, nos subterrâneos, como antigamente viviam os leprosos. Mas quem se importa com isso, se o jornal X ou a TV Y querem que seja assim? Nessa ditadura da ignorância, quando deveriam gritar sua indignação, muitos que divergem calam e, no silêncio, consentem.
Parafraseando Kirkegaard vivemos tempos em que nossa liberdade está sendo tomada por aqueles que raramente usam a sua para pensar. Eu me pergunto como as lideranças liberais e conservadoras, os líderes de entidades empresariais que já foram tão prejudicados em sua liberdade para operarem seus negócios não se mobilizam para barrar a aprovação dessas assustadoras propostas que pipocam nos municípios brasileiros?
Só em Porto Alegre já são três projetos! Cada um impondo trancas e ferrolhos a quem não for portador dessa nova e sublime forma de cidadania: o passaporte sanitário. Por ser iniciativa com nítido perfil autoritário de esquerda, invasivo e inconstitucional, têm forte apoio dos vereadores desse bloco. E contam, também, com silêncio aquiescente entre os que receiam receber maus tratos de seus “tratadores” na dita grande mídia.
Valha-nos Deus!
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
PRIMEIRAS IMPRESSÕES - 10/09/2021
Percival Puggina
Quando li que o presidente retrocedera em seus arroubos, olhei ao redor e as pessoas estavam com cara de ponto de interrogação. Era como se uma explicação precisasse cair do céu, arremessada por algum anjo nacional bem informado sobre os desígnios do Altíssimo. O anjo não apareceu.
Primeiras impressões são as que se tem de uma namorada, como condição para iniciar o namoro. Em quase tudo mais, são insuficientes para formar opinião. Por isso, não invejo o trabalho dos palpiteiros da comunicação social que saem a opinar e a emitir juízo tão logo uma notícia bate à porta. Prefiro esperar que o cenário se complete.
Sobre o transcorrido na cena brasileira nos meses contados desde a eleição de 2018 eu tenho minha opinião perfeitamente consolidada: a vitória de Bolsonaro causou animosidades e inconformidades cósmicas. Raios e trovões passaram a desabar por obra das correntes políticas que habitualmente assassinam reputações, tentam derrubar quem senta em cadeiras que pretenderam ocupar, abusam do poder quando o têm em mãos, tentam silenciar a divergência e amordaçar a mídia (isto para ficar com apenas alguns aspectos mais relevantes dessas práticas tão antigas quanto atuais).
Em desfavor de Bolsonaro pesam complicadores sérios. Ele foi eleito com discurso que atraiu conservadores e liberais. Esta ampla corrente de opinião atravessou décadas na condição de omissa e ausente da política nacional, segregada no ambiente intelectual, relegada às redes sociais e cotidianamente fustigada pelo viés “progressista” que domina a mídia, a cultura e a educação em nosso país. De repente, por iniciativa pessoal de um deputado que resolveu enfrentar sozinho a eleição, conservadores e liberais colheram (devo dizer colhemos, porque me incluo entre estes) uma vitória que não foi plantada. Não há entre nós nenhum trabalho político consistente para difusão de princípios e valores de que o Brasil tanto necessita. Nossa representação parlamentar é casual e minguada. Em compensação, no viés oposto, somam-se décadas de ação persistente, de aparelhamento da máquina pública, controle da maior parte da mídia formal e a firme atividade política desempenhada pelo STF, onde sete dos onze ministros foram indicados pelo PT.
A sequência do filme é bem conhecida. A corda esticou em gravíssimo conflito institucional graças aos dois exóticos inquéritos instaurados no Supremo. O documento do presidente foi ou não um ato de grandeza? Por enquanto só sei o que eu faria se fosse ele, ante a evidência de que os outros dois poderes lixaram-se para a voz das ruas. Cuidaria do povo, em seu abandono por instituições que só pensam em si mesmas. E confiaria minha esperança ao Senhor da História, a quem dirijo minhas orações nesta noite de 9 de setembro.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O EXTRAORDINÁRIO PODER DOS OMISSOS - 21/08/2021
Percival Puggina
A frase de Shannon Adler vale por uma sirene de alerta. Diz ele: “Frequentemente, aquilo que as pessoas não dizem, ou deixam de lado, conta a verdadeira história”.
E eu acrescento: Quantos de nossos males seriam evitados se não comprássemos por dois vinténs de sossego os dissabores de amanhã!
A omissão dos conservadores e liberais favoreceu, nas últimas décadas, a condução do Brasil por maus caminhos, em más companhias. Se é verdade que fizemos nossa autodescoberta em 2018, não é menos verdade que quando acordamos da euforia inerente àquela vitória, a soberania popular jazia entre quatro velas no artigo primeiro da nossa Constituição. Voltamos a ser a galinha dos ovos de ouro no poleiro daqueles que decidem nosso destino e regem nossas liberdades. O mudo consentimento dos omissos permite a migração do poder real da República para mãos impróprias.
Atente, pois. Se alguém lhe jogar por cima etiquetas ofensivas e frases feitas; se disser que “um outro mundo é possível”, que o problema de Cuba é o “terrível bloqueio ianque”, que a ideologia de gênero é uma imposição da vida moderna e uma necessidade das crianças, que as drogas devem ser liberadas, que “interrupção da gravidez” é direito da mulher, que os cristãos devem ficar de boca fechada para que só eles falem porque o Estado é laico, que a pobreza é causada pela riqueza, que a polarização faz mal à política, saiba: aí está alguém animado por mentalidade revolucionária. Alguém que fará qualquer coisa pelo poder e que, no poder, agirá por dentro e por fora da ordem para destruí-la, pondo em curso o projeto revolucionário. Saiba mais: essa pessoa não quer melhorar o mundo, como eu e você queremos. Ela quer destruir a civilização e os valores que buscamos preservar. O Brasil, para elas, é apenas um dos espaços geográficos dessa disputa. Por isso, rejeitam o patriotismo, a bandeira e o Sete de Setembro.
Nossos valores, nossos apreço à liberdade, nossa rejeição à tirania e aos totalitarismos os contraria. Nós, de fato, preferimos a ordem à desordem e à anarquia. Respeitamos a justiça e o devido processo, o Estado de Direito e a Democracia. Rejeitamos revoluções e abusos de autoridade. Sabemos que a prisão dos criminosos liberta os cidadãos. Não investimos contra os bens alheios e exigimos que a propriedade privada seja respeitada. Consideramos que o Estado existe para a pessoa humana e não a pessoa humana para o Estado. Sabemos que a instituição familiar é importante, deve ser preservada e constituir objeto de atenção. Queremos um Estado eficiente nas tarefas que lhe correspondem, não intrometido na vida privada. Entre nós, mesmo os ateus reconhecem o valor da moral judaico-cristã, apreciam os fundamentos da civilização Ocidental e estão longe de considerar o Cristianismo como um mal que deva ser extirpado dos corações e das mentes.
As forças que exercem de modo efetivo o poder nacional, em proporção a cada dia mais evidente, rejeitam esse inteiro pacote, sem acordo possível. Querem a posse integral dos meios para dirigi-los a fins opostos. Abandonam os cidadãos à sanha dos bandidos porque lhes convêm o aumento da criminalidade e a insegurança. Põem em curso as agendas identitárias, não porque se interessem pelas pessoas concretas, mas porque toda trincheira e toda fratura aberta na sociedade serve ao projeto. Defendem a liberação das drogas, não porque considerem isso melhor do que a proibição, mas porque a drogadição abala os valores das comunidades. Hasteiam a bandeira dos Direitos Humanos de cabeça para baixo porque as únicas agressões a direitos humanos que os mobilizam são as que, de algum modo, atingem militantes do seu projeto.
Não tenho a menor condição de compor um cenário nacional para os próximos sessenta dias. Só sei que ele, muito provavelmente, será como os omissos permitirem que seja, antes de porem a culpa em alguém.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
MINISTRO BARROSO É UM ALERTA À PRUDÊNCIA - 09/08/2021
Percival Puggina
Durante duas décadas, várias vezes por semana, em programas de rádio e de TV com grande audiência em Porto Alegre, tive a feliz oportunidade de debater sobre temas políticos, sociais e econômicos com representantes do pensamento de esquerda no Rio Grande do Sul. O esquema dos programas era sempre o mesmo, fosse onde fosse: dois de cada lado da mesa, um assunto em pauta, argumentos e refutações correndo soltos.
Lamento dizer que foram anos nos quais me defrontei com muita desonestidade intelectual, deliberada corrupção da verdade, e muito aprendi sobre o que acontece com a Razão quando o poder está em jogo e a ideologia no comando. Sentaram-se no lado oposto deputados estaduais e federais, senadores, ex-governadores, professores de História e Ciência Política (muitos!) e raros foram os que, na hora de convencer o ouvinte ou o telespectador, se mantiveram fieis à verdade e à Razão.
Essa minuciosa observação e respectiva constatação me causaram, então, justificado receio sobre o que aconteceria com o poder quando confiado a pessoas de determinado perfil. Não deu outra. Os anos seguintes, como ficou sabido, viriam ratificar minhas suspeitas.
Não faço este relato por vanglória, mas com o intuito bem prático de afirmar que o ministro Barroso é uma síntese de todas aquelas maliciosas competências que desfilaram diante de mim e com as quais me antagonizei durante tanto tempo. São os mesmos maus tratos à verdade, a mesma cuidadosa inversão na relação entre causas e consequências, a mesma repulsa à divergência, o mesmo autoritarismo, a mesma capacidade de ocultar sentimentos e a mesma composição de narrativas sobre acontecimentos que as desmontam quando bem conhecidos.
Mesmo assim, duvido que algum daqueles meus antigos oponentes em debates fosse capaz de afirmar que um hacker permaneceu meses dentro dos computadores do TSE, tomando chá, aproveitando a paisagem e curtindo ar condicionado, sem causar dano significativo de qualquer natureza.
Che Guevara, numa entrevista ao London Daily Worker, referindo-se ao episódio dos misseis soviéticos em Cuba (1962), declarou: “Se os foguetes tivessem permanecido em Cuba, os teríamos usado contra o coração mesmo dos EUA, incluindo Nova Iorque. (...) Numa luta mortal entre dois sistemas temos que ganhar a vitória final. Devemos andar na senda da libertação, mesmo que à custa de milhões de vítimas atômicas”.
Essa frieza de alguém reverenciado como inspirador e mestre pela esquerda mundial está presente na atitude do ministro Barroso, que pouco se importa com esticar todas as cordas ao ponto de ruptura, criando uma seriíssima crise institucional, para não ceder posição. E ele não é um solitário no perfil daquela corte.
O perigo que ronda o Brasil não é causado pelos conservadores que têm a manifesta rejeição do ministro, mas pela recusa da esquerda, até bem pouco hegemônica, de conviver com a divergência. Que o exemplo proporcionado pelo ministro chame a nação à prudência. Os ingênuos, repito-me, estão na cadeia alimentar dos mal intencionados.É importante saber a quem se dá a chave.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
UMA COMBINAÇÃO SINISTRA - 02/08/2021
Percival Puggina
Neste último domingo, enquanto muitos acordavam de sua omissão e saíam às ruas para protestar contra a opacidade da apuração de votos, circulava no ambiente restrito das redes sociais a notícia de que a CPI queria bisbilhotar as contas de veículos ditos “bolsonaristas” e propagadores de “fake news” sobre tratamento precoce.
No Brasil orwelliano a estupidez zurra e distribui coices. Uma mídia que perdeu a noção de ridículo assiste às sessões da CPI serem dominadas por um grupo oposicionista escandalosamente majoritário, cuja soberba infla com o codinome G7, e no parágrafo seguinte diz que quatro dos sete são “independentes”. A razão fica à deriva num vazio moral.
No aparelho investigador instalado na Câmara Alta da República, opinião fora da narrativa esquerdista é motivo de grave suspeita. A moral de qualquer divergência é confrontada ante o mesmo espelho en que se miran os senadores Omar Azis e Renan Calheiros. Depois das sessões de escárnio, os porcos de George Orwell falam a jornalistas sedentos de notas turvas.
Mobilizam-se agora os senadores para quebrar o sigilo bancário de pessoas físicas responsáveis por alguns dos principais sites “de direita”, “conservadores”, que acusam de “fake news”, de promover “estratégia de confronto ideológico” e “radicalização dos ataques contra adversários”. As doces donzelas petistas e psolistas ficam escandalizadas, claro. No pacote de meios digitais que passa a ser perseguido pelo Estado se incluemi veículos em que o talento, o aplauso social e o valor do trabalho prestado à nação fazem arder a inveja em grandes grupos de comunicação do país.
Como não ser assim? A sociedade aprendeu, nos últimos anos, que o veículo que lê, ouve ou assiste é perfeitamente capaz de silenciar perante a censura, bem como a ameaça e a prisão de jornalistas, se forem “de direita”. É capaz de emudecer enquanto o Supremo despedaça a Constituição, contanto que “a direita” seja atingida, o presidente obstado e a vontade social atropelada. Simultaneamente, o mesmo veículo usa vocabulário ardiloso para desqualificar as notáveis e pacíficas manifestações populares de ontem.
Não encontrei nesta segunda-feira, 2 de agosto, maior evidência daquilo que denunciei enquanto falava à multidão de bons cidadãos que lotaram a ágora porto-alegrense junto ao Parcão. Não é Bolsonaro que os incomoda; são nossos valores, nossos princípios, nossa fé, nosso amor à Pátria, nossa reverência à cultura e à Civilização Ocidental. É isso que não suportam. É isso que mobiliza os senadores do G7, os ministros do TSE e do STF, os fascistas dos Antifas, os rabos presos da Câmara e do Senado, os grandes grupos de comunicação, os delfins da administração pública e os corruptos desmamados, que gemem saudades de tempos que não haverão de voltar.
O presidente da República não é odiado por si mesmo, mas por ser o escudo político-eleitoral que os contém e aparta de nós esse passado.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
CEGOS, OMISSOS, NEGLIGENTES! - 31/07/2021
Percival Puggina
Cegos, omissos, negligentes! Será tão difícil entender? Bolsonaro só interessa a nossos adversários por ser o único que pode impedi-los de NOS derrotar.
Desde o início dos governos militares, os conservadores e liberais brasileiros nos demos por satisfeitos e fomos cuidar de nossas famílias, negócios e lazer. Quando teve início a Nova República, que em seus primeiros minutos envelheceu no colo de José Sarney, continuamos voluntariamente exonerados da política.
No outro lado da cena, durante todo o período dos generais presidentes, em momento algum a esquerda parou de trabalhar, seja pegando em armas, seja fazendo política, num persistente trabalho de base para a conquista do poder.
Foram 21 anos de omissão até a “redemocratização” e mais 33 anos até 2018! Estou falando de mais de meio século sem que nada fosse feito para formar opinião, influenciar os meios culturais e educacionais, criar e robustecer movimentos políticos e partidos, participar dos temas fundamentais da Constituinte, cuidar do indispensável, enfim, para enfrentar a avalanche que estava por vir.
Tão negligentes fomos que, durante 24 anos, nos deixamos representar pelo PSDB.
Agora, que o poder lhes fugiu das mãos e perderam nossos votos, os tucanos voltam a se abraçar aos mesmos radicais com quem andaram durante a elaboração da Carta de 1988. Naquele sinistro período de nossa história legislativa, PSDB e PT puxaram o cordel constitucional tão para a esquerda quanto puderam.
Quero, com esta síntese, mostrar o quanto nossa omissão e nosso comodismo, delegando a política para os políticos, foi conivente com os muitos males causados à nação pelo falso progressismo da carroça esquerdista e suas bandeirinhas vermelhas.
Quando penso na eleição de 2018 sob esta perspectiva não tenho como afastar da mente a imagem do ceguinho que encontrou um vintém.
Foi um acontecimento, um fugidio clarão nas trevas, um rápido cair de escamas dos olhos. Num flash, vimos o devir e o dever, mas esmorecemos ante as primeiras contrariedades.
Enquanto retornávamos desgostosos, enojados da política real, ao lusco-fusco de nossos afazeres, clarões de usina eram acesos por nossos adversários. O presidente eleito não tinha um minuto de sossego. Agiam contra ele todas as demais instituições da República, todos os grandes grupos de comunicação do país, todos os meios culturais, toda a burocracia nacional, todo o aparelho sindical, todo o mundo do crime dentro e fora dos poderes de Estado,
E nós, conservadores e liberais, sem perceber que somos as vítimas reais desses ataques! É a nós que ofendem. Somos o adversário a ser derrotado. Quanto mais derrotas nos impunham, menores ficavam as manifestações de rua... Ora, o Bolsonaro!
O que desejam derrotar e recolher ao último compartimento da vida privada, até que não haja mais vida privada, são nossos valores e princípios, nossa cultura e nossa fé.
Cegos, omissos, negligentes! Será tão difícil entender? Bolsonaro só interessa a nossos adversários por ser o único que pode impedi-los de nos derrotar.
Somos os únicos que podemos nos salvar. E não será esvaziando nossas manifestações, desestimulando seus denodados organizadores que haveremos de salvar nosso país. Vamos exonerar-nos, também, de nossa soberania nas ruas? Silenciaremos nossa voz, juntaremos os punhos para que mais facilmente algemem nossa liberdade? Pela ausência, pela abstenção, pelo silêncio, gritaremos ao mundo nossa indignidade como cidadãos?
Estarei mais uma vez no Parcão, amanhã, 1º de agosto, às 15 horas.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
COMO SÃO ANTIGAS CERTAS NOVIDADES! - 27/07/2021
Percival Puggina
Volta e meia, minha mulher arruma tempo para abrir velhas pastas com papéis amarelados. Cada um à sua vez, eles foram úteis, ou importantes, e ganharam lugar em alguma pasta de cartolina, daquelas fechadas com elástico esticado sobre os cantos. Garanto-lhes que resistem ao passar dos anos.
Nessas ocasiões, voltam ao manuseio, entre sorrisos e lágrimas, soluços e gargalhadas, bilhetes e desenhos dos filhos, mensagens trocadas, cartões guardados de presentes que o tempo levou, artigos anteriores à minha amizade com os computadores. Tudo carinhosamente preservado por ela.
Outro dia, numa dessas pastas havia anotações de comentários que eu fazia diariamente para a Rádio Guaíba de Porto Alegre, no início dos anos 90. O mais visível era do dia 23 de novembro de 1991 e eu abordava a chacina do soldado Valdeci de Abreu Lopes, degolado com golpe de foice na esquina mais central de Porto Alegre em 8 de agosto de 1990. Os autores nunca foram identificados, tendo havido seis condenações de coautores. À época, para criar uma “narrativa”, foi constituída na Assembleia Legislativa uma Comissão Especial para investigar a violência no campo e essa comissão fora ao Presídio Central visitar os presos.
No comentário, eu perguntava o que uma comissão instalada sobre violência no campo buscava em visita a presos por um homicídio praticado no centro da capital gaúcha... (a ironia sempre foi minha parceira).
O achado me levou a outro. Certamente eu havia escrito algo a respeito daquele triste episódio, cujos primeiros movimentos, ocorridos na Praça da Matriz, assisti in loco, desde uma janela no prédio da Assembleia Legislativa do Estado.
Não encontrei o que queria, mas achei algo bem posterior, escrito 23 anos atrás para um semanário católico da época:
Ainda hoje, a defesa dos Direitos Humanos, na maior parte de suas manifestações visíveis, está longe de ter a abrangência que a condição humana (imagem e semelhança de Deus) reclama. Em nome de direitos naturais, dos quais todos somos igualmente detentores desde a concepção, se defende e se estimula aborto e controle de natalidade. Os mesmos grupos que, em nome dos Direitos Humanos, exigem sanções ao general Pinochet recebem Fidel Castro com urras e vivas (e vice-versa). Nenhum segmento que se preocupe com exigir do Estado um bom atendimento aos presos volta os olhos para os problemas enfrentados pelas vítimas dos crimes que esses mesmos presos praticaram. E assim por diante.
Por fim, nesse texto, de 14 de dezembro de 1998, afirmei:
“Em outras palavras, a maior parte das manifestações em defesa dos Direitos Humanos surge contaminada por um escrutínio racista, ou político, ou ideológico, ou sexual, ou cultural.”
Como é antigo esse divisionismo que hoje alguns parecem tardiamente descobrir e cuidam de atribuir ao presidente da República!
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
VIRTUDE PESSOAL E VIRTUDE INSTITUCIONAL - 19/07/2021
Percival Puggina
Li "O homem medíocre", de José Ingenieros, pela primeira vez, em 1999 quando topei com ele na biblioteca de meu pai, que falecera dois anos antes. Era uma edição argentina de 1917. Um capítulo do livro, em especial, chamou-me a atenção por parecer escrito para aquela realidade. Ele tratava da diferença entre a mera honestidade e a virtude, bem como da falsa honestidade daqueles que a exibem como troféu. “Em todos os tempos, a ditadura dos medíocres é inimiga do homem virtuoso. Prefere o honesto e o exibe como exemplo. Mas há nisso um erro ou mentira que cabe apontar. Honestidade não é virtude, ainda que não seja vício. A virtude se eleva sobre a moral corrente, implica uma certa aristocracia do coração, própria do talento moral. O virtuoso se empenha em busca da perfeição. O honesto, ao contrário, é passivo”.
"Não há diferença entre o covarde que modera suas ações por medo do castigo e o cobiçoso que age em busca da recompensa", afirma o filósofo portenho enquanto sentencia sobre o homem medíocre: "Ele teme a opinião pública porque ela é a medida de todas as coisas, senhora de seus atos".
Quantos existem, de uns e de outros, na vida social! Estão nas empresas disputando postos, nas salas de aula ansiando pelos favores dos mestres, na vida pública buscando aplauso e voto. Súditos da maioria, apontam seu dedo cobiçoso ou covarde sempre que vislumbram, nos demais, algo que possa ser apontado como falha ou falta. Cada sucesso por essa via é um passo na direção do que denominam vitória e um recuo em relação à verdadeira virtude. Continua Ingenieros: "A sociedade proclama: 'Não faças mal e serás honesto'. Mas o talento moral tem outras exigências: 'Persegue a perfeição e serás virtuoso'. A honestidade está ao alcance de todos; a virtude é uma escolha de poucos. O homem honesto suporta o jugo a que o prendem seus cúmplices; o virtuoso se eleva sobre eles com um golpe de asa". São palavras que queimam a palha da mediocridade e incendeiam a alma dos que buscam a virtude porque é nela, e não na simples honestidade, que se medem os valores da aristocracia moral.
É preciso distinguir a virtude que se alcança por adesão voluntária a um determinado bem, da virtude intrínseca a modelos institucionais que inibem a conduta não virtuosa. A fidelidade será, sempre, um produto da vontade humana. O pérfido só renunciará a perfídia quando ela se mostrar inconveniente. O venal pode trocar de camiseta, mas só não terá preço se não houver negócio a ser feito. É por esse motivo que quando o STF proclamou a constitucionalidade da Lei da Ficha Lima, eu disse que estávamos trocando de fichas, mas não estávamos acabando com a sujeira que, logo iria encardir outras tantas.
Por quê? Porque essa lei assume como verdadeiro que a corrupção tem apenas causas intrínsecas aos indivíduos, mas isso é falso. Ela tem, principalmente, causas de natureza institucional. E, mesmo no plano das individualidades, só teremos pessoas virtuosas em maior número quando a virtude for socialmente reconhecida como um bem a ser buscado e quando as famílias, as escolas públicas e os meios de comunicação compreenderem a relação existente entre o desvario das condutas instalado na vida pública e o estrago que vêm fazendo na formação da consciência moral e na vida privada.
Não há virtude onde não há uma robusta adesão da vontade ao bem. E isso não acontece por acaso. A busca da virtude exige grande empenho.
Contudo, a democracia (governo de todos), não é necessariamente aristocracia (governo dos melhores). E será sempre tão sensível à demagogia quanto a aristocracia é sensível à oligarquia. Portanto, numa ordem democrática, como tanto a desejamos, é necessário estabelecer instituições que, na melhor hipótese, induzam os agentes políticos a comportamentos virtuosos ou, com expectativas mais modestas, inibam as condutas viciosas.
Ora, o modelo político brasileiro parece ter sido costurado para compor guarda-roupa de cabaré.
Não há como frear a corrupção que se nutre de um modelo institucional que a favorece tão eficientemente, seja na ponta das oportunidades, seja na ponta da impunidade cada vez mais escorada por leis de proteção. Não estou falando de leis que a combatam, mas de um modelo político que a desestimule. Como? Libertando a administração pública dos arreios partidários, por exemplo. Ao entregar para o aparelhamento partidário a imensa máquina da administração (que a mais elementar prudência aconselharia afastar das ambições eleitorais), o Brasil amarra cachorro com linguiça e dá operosidades e dimensões de serraria industrial ao velho e solitário "toco". "É politicamente inviável fazer isso no Brasil", estará pensando o leitor destas linhas em coro com a grande maioria dos que, entre nós, exercitam poder político. Eu sei, eu sei. Não sou ingênuo. Está tudo errado, mas não se mexe. As coisas são assim, por aqui.
Do mesmo modo como a fusão do Governo (necessariamente partidário e transitório) com a Administração (necessariamente técnica e neutra porque permanente no tempo) cria problemas e distorções de conduta, a fusão do Governo com o Estado (que, por ser de todos, não pode ter partido) faz coisa ainda pior no plano da política interna e externa. Desde a proclamação da República, os governantes tratam de aparelhar o Estado e exercer influência sobre suas estruturas.
Todos os cidadãos, toda a mídia, todos os prefeitos, todos os governadores, todos os vereadores e deputados estaduais sabem que se produziu uma brutal concentração de poder e de recursos na União e na capital da República. Tal concentração é incompatível com a própria forma federativa de Estado, que, entre nós, virou um arremedo de si mesma. É grave. Gravíssimo. Mas tem coisa ainda pior na falência da Federação. Onde se reconheça que o Princípio da Subsidiariedade é irmão gêmeo da Liberdade, sabe-se, simetricamente, que a centralização de poder é irmã gêmea do totalitarismo. E, como ele, inimiga figadal da democracia. Mas eu sei: é politicamente inviável, no Brasil, retomar a boa forma federativa valorizando o poder local. Vai-se pelo viés oposto. Centraliza-se tudo, dos exames vestibulares aos recursos públicos. Depois, se descentraliza em conta-gotas, nas doses suficientes para gerar relações de dependência e submissão.
Em nosso sistema de governo, o presidente da República, uma vez eleito, deve buscar maioria parlamentar constituindo um arco de alianças formado por partidos minoritários. Com efeito, face à quantidade de legendas que disputam os pleitos parlamentares (há mais de duas dezenas de partidos representados na Câmara dos Deputados), todas as bancadas resultam minoritárias. Não existe maioria natural. E não havendo maioria natural, a "base" precisa ser adquirida pelo governo mediante um largo estoque de moedas de troca - entre outras, as mais valorizadas: cargos, liberação e pagamento de emendas parlamentares, verbas para nebulosas organizações não-governamentais, concessões de emissoras de rádio e televisão e dispensas de licitação. Os desdobramentos dessas operações acabam, mais cedo ou mais tarde, nas páginas policiais.
Em Brasília se decidem, como consequência, todos os contratos, todos os favores, todas as leis e todas as exceções às leis instituídas, atraindo corruptos e corruptores como pote de mel atrai abelha.
Resumindo: enquanto não enfrentarmos os vícios do sistema político e as deformações morais administradas em doses crescentes à sociedade, estaremos a uma distância da virtude que há de fazer o maligno esfregar as mãos em puro contentamento.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
EM DEFESA DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO - 27/06/2021
Percival Puggina
A livre expressão de ideias sujeitava-se a um eloquente silêncio. O direito de opinião fora escriturado em nome dos grandes meios de comunicação, seus teleguiados formadores de opinião, palpiteiros e consultores filtrados a dedo. Os cursos de jornalismo, adequadamente instrumentalizados, desovavam todos os anos levas de militantes preparados para cumprir sua missão. Nem o futebol ficava fora do serviço cotidiano de veneno ideológico disponibilizado à “massa”. Os espaços abertos à divergência eram oferecidos em doses homeopáticas nas monitoradas seções “Fale conosco” e “Opinião do leitor”, e por raríssimos colunistas entre os quais me incluí, durante muitos anos, nas páginas de diversos jornais do Rio Grande do Sul.
Em Zero Hora, substituí o Olavo de Carvalho no ano de 2007. Ali permaneci, solitário e semanal durante, dez anos. Depois veio o Constantino e, agora está o Guzzo. A seu tempo, cada um de nós significou o semanal “pluralismo” do veículo, sufocado em meio a dezenas de outros editores e colunistas diários. Não era e não é diferente no resto do país.
As redes sociais não revolucionaram os grandes meios de comunicação, mas abriram um espaço paralelo, no qual o direito de opinião saiu da teoria e ganhou efetividade. Sábios e néscios, cientistas e palpiteiros, políticos e eleitores, religiosos e ateus, passaram a desfrutar de uma liberdade que rapidamente reduziu o poder ditatorial da grande mídia e dos aparelhos ideológicos nelas atuantes.
Trump venceu nos EUA; Bolsonaro venceu no Brasil. Indesculpável! Para agravar a situação, jornais perderam leitores; emissoras perderam audiência; seus candidatos amargaram derrotas. Os donos das plataformas perceberam que um poder imenso escapara de seu controle. Por que não supervisionar e regrar os conteúdos? E veio a censura privada, o bloqueio provisório e permanente de contas por motivo de opinião. A censura leva à autocensura. Nela, a liberdade algema a si mesma e discrimina o pensamento.
O “politicamente correto”, o falso progressismo e a Nova Ordem Mundial impuseram sua ditadura também sobre as plataformas.
Numa evolução natural, dado o rumo tomado no Brasil pelas redes de TV, foram surgindo as lives e os noticiários autônomos. Era uma nova forma de comunicação, tão caseira quanto livre, oportuna e necessária. Parcela crescente do público foi mudando sua sintonia habitual para canais do YouTube. Até que... o YouTube reagiu e passou a bloquear canais de seu maior desagrado. Quer mais? Pense na insistência com que se denomina discurso de ódio o antagonismo ao mau legado dos governos de esquerda. Pense na corrupção, nos assassinatos de reputação, na violência verbal e material com que conduziram sua trajetória. Pense em agências de checagem, em Inquérito do Fim do Mundo, em prisão de parlamentar e jornalistas.
A defesa da liberdade é, sempre, parte inseparável das cenas políticas. Nenhum dos projetos em curso contra os valores do Ocidente tem compromisso com a liberdade indispensável numa era de conflitos.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
DENÚNCIAS E CERTEZAS CIENTÍFICAS - 25/06/2021
Percival Puggina
Já vi muito vigarista atingindo a honra alheia, não porque seja orientado por elevados valores morais, mas por mecanismo de autoproteção ou de compensação. Esse mesmo indivíduo mentirá sempre que conveniente ou necessário. Construirá oportunidades de ganho ilícito, ou delas se aproveitará, quando as circunstâncias o propiciarem.
Estou dizendo isso porque tendemos a crer que a mentira e a conduta farsante sejam rupturas menores com a ordem moral. Na minha convicção são todas janelas de um mesmo compartimento. Dão acesso a um interior essencialmente corrompido.
Com o pouco que se sabe das recentes denúncias que chegam ao conhecimento público na área de compras do Ministério da Saúde, não há, nem haverá, de imediato, condições para se formar um juízo sobre responsabilidades pessoais. A exceção fica por conta daqueles que, com tão pouco esclarecimento, já tem opinião formada e acendem fogueira no tribunal inquisitorial da CPI da Covid.
A propósito, você acredita que aqueles senhores que compõem a pré-fabricada maioria da comissão estão zelosos pela sua saúde, ou pela Saúde Pública? Estão virtuosamente atentos a essa andrajosa e desprezada senhora chamada Verdade, pela qual passam sem dedicar um simples olhar? Estão de fato querendo combater corrupção e seu interesse comum não é meramente político?
Faço estas perguntas porque tenho observado, por exemplo, a estudada indignação do imaculado senador Omar Azis quando dele divergem; tenho dado ouvidos (valha-me Deus!) à falsa erudição e ao ódio destilado pelo recordista senador Renan; tenho reconhecido, no tradicional berreiro da claque, maus modos e sons que me vêm dos tempos de adolescente em assembleias estudantis...
Certezas verdadeiramente científicas têm prazo de validade imprevisível, mas são finitas. A ciência avança. Observo com espanto, então, as severas convicções clamadas por indivíduos cuja “ciência” se deu por satisfeita no oitavo ano do ensino médio.
As denúncias desta semana cobram investigação como o próprio presidente determinou, e já estão em curso. Assim deve ser a prática em um estado de Direito. Mas a honra e a dignidade alheia não têm porta de vaivém, pela qual se entra e se sai como estou vendo acontecer cotidianamente, seja na CPI, seja em suas repercussões na mídia militante.
Conforme escrevi nos dois primeiros parágrafos deste artigo, tal conduta não diz boa coisa do caráter de quem a isso se presta. Quem age assim não faz só isso.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
PAULO FREIRE E A RUÍNA DA EDUCAÇÃO - 17/06/2021
Percival Puggina
Tenho mencionado repetidas vezes em artigos, vídeos e palestras que, enquanto conservadores e liberais estão sempre dispersos e atomizados nacional e internacionalmente, os marxistas, comunistas, fabianos et alii, formam e dispõem de uma quase secular rede de mútuo socorro em suas múltiplas organizações. O efeito disso se faz sentir ante qualquer necessidade em vários níveis da comunicação, da política dos povos e da política internacional, da cultura e das igrejas. Paulo Freire foi mercadoria bem iluminada nas vitrinas desses poderosos organismos.
Sua fama foi erguida sobre dois fundamentos: o livro “A pedagogia do oprimido” (1968) e a anterior experiência de Angicos (pequeno município potiguar), onde, com grande repercussão internacional, alfabetizou 300 pessoas em 40 horas (1963). Se você chutar uma pedra perto de um curso de pedagogia no Brasil, salta debaixo dela uma tese sobre Paulo Freire. Recentemente li uma. O texto revela o pouco interesse do mestrando pela alfabetização e o encanto que lhe suscitou a missão politizadora da educação. O paraíso desceria à terra porque a consciência daria forma à utopia.
Isso acontece na história dos povos. A “natureza” provê às sociedades indivíduos propensos às hecatombes, sempre com motivações palavrosas, aparentemente nobres. Tal é o trabalho de Freire e seus seguidores, muitos dos quais agem movidos pelo mimetismo comum no nosso meio acadêmico, sem uma real compreensão daquilo que fazem.
A geração de Paulo Freire é muito próxima à minha. Ele tinha 23 anos mais do que eu. Li a Pedagogia do oprimido com 25 anos e minha primeira constatação foi a de que se tratava de um livro muito mal escrito. A segunda: era um dos mais políticos que já lera. Voltando a ele, quase meio século mais tarde, para escrever um capítulo do livro “Desconstruindo Paulo Freire”, organizado pelo historiador Thomas Giulliano, confirmei inteiramente os dois conceitos então emitidos.
Parcela significativa da minha geração, politizada e ideologizada até a raiz dos cabelos por outras influências que não suas, quando chegou às cátedras passou a fritar o cérebro dos alunos em banha marxista. Foram esses professores, cujos mestres não eram ainda freireanos e, por isso aprenderam um pouco mais, que deram eco a Paulo Freire. Multidões abandonaram os conteúdos e partiram para a militância. Construíram a ignorância dos alunos, mas conseguiram seus objetivos políticos. Mentiram sobre história, abandonaram os clássicos, optaram pelas piores vertentes do pensamento e produziram uma geração onde só evoluíram aqueles que, voluntariamente, chutaram o balde e trataram de avançar por conta própria.
Hoje, essa orientação pedagógica cobra das novas gerações um preço descomunal. Muitos carregam o ônus da ignorância preservada, do talento contido na fonte e da futura mediocridade. Os números brasileiros do Pisa, entre 80 países, colocam-nos em lugares que variam entre 58º e 74º. Dois terços sabem menos do que o básico em matemática.
Nenhum desenvolvimento social sustentável pode advir da degradação qualitativa de nossos recursos humanos. Somente o esforço conjunto de alunos, pais e bons mestres ainda remanescentes permite, a alguns, escapar das malhas da mediocridade. Eo resultado da "educação politizadora" se representa perfeitamente nos políticos que temos.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A REAÇÃO DO VESPEIRO - 11/06/2021
Percival Puggina
Meus leitores, habituados a dedicar alguns minutos de seu tempo a estas ponderações, sabem que ideologias totalitárias e revolucionárias não se coadunam com o cristianismo cultural e, menos ainda, com o cristianismo em sua essência religiosa. Alguns filósofos do século XIX viram a fé religiosa como um lenitivo às amarguras da existência, enquanto outros, revolucionários, levaram essa ideia para o lado oposto. Passaram a ensinar que “a religião é o ópio do povo” e que a revolução exigia a derrubada de todo poder, fosse religioso, coroado, eleito ou financeiro.
A partir daí, a filosofia da destruição, lançou as bases de uma empreitada que se foi consolidando e já na segunda metade do século XX, esse trabalho alcançava êxitos infiltrando-se nos setores sociais (órgãos de imprensa, sindicatos, Igrejas, educação, cultura). De modo simultâneo com o desastre político e econômico dos totalitarismos, multiplicavam os sucessos da estratégia montada para derrubar os pilares da civilização ocidental. Seu objetivo permanente: reduzir a importância da família e do cristianismo na transmissão dos valores através das gerações. Mas vão além: da culinária ao clima, nada lhe escapa. Seus agentes são missionários de uma religião laica.
O desmanche do império soviético acabou sendo bom para os comunistas. Sumiu das vistas o mau exemplo que proporcionava e o Ocidente sentiu-se livre de suas até então piores ameaças. Até no extremo oriente, os países que ocidentalizaram suas economias e instituições, prosperaram, enquanto a mentalidade revolucionária ressurgia como pandemia, numa segunda onda, atacando as bases da civilização ocidental.
Aqueles que pressentiram o problema, entre os quais peço licença para me incluir, reconheceram a importância da vitória do exótico Trump em 2016 e viram com tristeza a roda do poder virar para a esquerda nas eleições de 2020. É nos EUA que mais fortemente se trava o combate pela preservação dos valores do Ocidente.
Em 2018, o Brasil assistiu o produto de um despertar. Veio tarde, mas não tarde demais. Nos dois ou três anos anteriores, a sociedade brasileira acordou para o despenhadeiro moral, social, político e econômico a que estava sendo conduzida. Entendeu o jogo de cena em que foi levada a optar entre dois partidos de esquerda, PT e PSDB. Um quarto de século entregue ao absoluto desleixo político de conservadores e liberais!
Nunca, na história de nossa república, um governante suscitou tão orquestrado clamor interno e externo como Bolsonaro. Se é verdade que a alguns desses clamores ele mesmo dá causa, também é verdade que as reações não guardam proporção com os fatos. O que todos vemos tem como único motivo ser, o Brasil, o grande baluarte em que um candidato com pauta não “progressista”, não revolucionária, fez 57 milhões de votos e derrotou a esquerda. Isso não é aceitável.
Eis o motivo pelo qual nosso país e seu governo estão sob ataque desse barulhento vespeiro que se sente ameaçado em suas posições. Ouça-o e verá que nada lhe é mais execrável, ninguém merece mais ser ferroado, do que o inimigo que tinham por destruído. Seja quem for, fosse quem fosse, sentado naquela cadeira que a esquerda tinha por propriedade sua, estaria sujeito aos ataques do mesmo vespeiro.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
TIRANIA E COVARDIA - 04/06/2021
Percival Puggina
A grosseria na CPI é termômetro da covardia. Aproveitar-se do poder conferido pelo mandato para ofender os depoentes é atitude reprovável, típica de tiranos e de abusadores. Senadores cobram dos interrogados um respeito que não lhes concedem. Quantas vezes os trabalhos da CPI me fizeram lembrar as assembleias estudantis do início dos anos 60! Militantes da esquerda de então, ensaiavam os mesmos artifícios, a mesma gritaria, os mesmos recursos regimentais para fazer calar a divergência. Mas eram adolescentes e lá havia o recurso da hombridade: “Te espero na saída!”.
Nem naqueles tempos, contudo, o desrespeito da militância esquerdista se voltava contra as colegas. Impensável então, tanto quanto hoje, fazer o que alguns senadores fazem ao interrogar mulheres nas sessões de tortura da CPI. E tudo perante o silêncio complacente da mídia e do feminismo militantes, que só zelam pelas mulheres de esquerda.
Disse bem o Simers em nota de repúdio:
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul manifesta indignação ao tratamento de senadores às médicas Mayra Pinheiro e Nise Yamaguchi, na CPI da Pandemia. A entidade repudia veementemente constrangimentos submetidos às respeitadas cidadãs, mulheres experientes, profissionais com qualificados currículos e respeito profissional.
O ambiente de hostilidade e absoluto demérito a posicionamentos contrários aos dos questionadores que se direcionaram às médicas, além de expostos preconceitos, denota profundo desrespeito ao ato médico. O fato ataca profundamente toda a categoria, independentemente da atuação de cada profissional.
Mais contundente ainda falou o presidente do Conselho Federal de Medicina, órgão máximo da categoria, em manifestação cuja íntegra pode ser assistida aqui. Afirma o Dr. Mauro Ribeiro:
Infelizmente, aquilo que nós temos visto nessa CPI da Covid é inaceitável, é intolerável, principalmente quando nós vemos médicas, como no caso das doutoras Nise Yamagushi e a Mayra Pinheiro, que estiveram lá recentemente, sendo completamente destratadas por alguns senadores que fazem parte daquela Comissão Parlamentar de Inquérito. Isso, para o CFM, instituição maior da medicina brasileira, é intolerável, é inaceitável sob todos os pontos de vista.
Antes de encerrar lamentando o ambiente tóxico da CPI, o presidente do CFM, dirigindo-se ao senador Otto Alencar por sua conduta em relação à colega doutora Nise Yamaguchi quando depondo à CPI, disse:
O senhor é um médico e deveria refletir sobre aquilo que o senhor fez, a deslealdade que o senhor teve com uma médica mulher. Sua atitude como senador da República poderia, até, ser caracterizada como um ato de misoginia, tamanha a agressividade que o senhor teve naquele momento e a desqualificação que o senhor fez com uma mulher que estava ali convidada.
Creio estar minha opinião suficientemente respalda, seja por minha observação pessoal, seja pelos depoimentos transcritos, aos quais se somaram protestos de outras senadoras e senadores presentes às sessões da Comissão.
Essa CPI faz mal a si mesma e mostra ao Brasil a face sinistra de políticos e partidos que, exatamente por serem como são e agirem como agem, têm que ser mantidos, por opção democrática da sociedade brasileira, longe de posições de mando. São tiranetes em busca de mais poder.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
UMA UTOPIA GENEROSA E PERIGOSA - 28/05/2021
Percival Puggina
Às vezes encontro pessoas cuja posição política conheço e me surpreendem repetindo o falatório da oposição, afirmando que o Bolsonaro isso, o Bolsonaro aquilo, apontando mancadas do presidente. Alguns ilustram o que dizem mencionando danos supostamente causados por ele à imagem do Brasil. Isso é referido como se tais danos não tivessem outras causas, ou como se o refinamento de Lula e a fulgor intelectual de Dilma tivessem sido ofuscados pelos modos toscos do atual chefe do poder executivo. Não raro, indicam como novidade, o racha da sociedade brasileira. “Vivemos um maniqueísmo”, exclamam.
Sei que esses interlocutores, tanto quanto eu, conhecem os males em médio prazo insanáveis que o falso progressismo causou ao Brasil. A obra de ocupação do território educacional e cultural já conta várias décadas e permanece abertamente operacional. Mais do que na degradação moral causada pela transformação do velho patrimonialismo em um conjunto de organizações criminosas, certamente é nesses dois setores conexos – educação e cultura – que se desenrola sua atividade mais perniciosa.
Sempre que denuncio o mal causado por Paulo Freire à juventude brasileira, esquerdistas me contestam mencionando as luzes que a ribalta companheira ou camarada ainda hoje acende para ele no cenário internacional. Falam da experiência alfabetizadora de Angicos e alegam que seu método nunca foi aplicado no Brasil. Também em Angicos, aliás, passados os 40 dias da aparatosa exibição, os alunos avaliados em alfabetização e politização saíram-se melhor nesta do que naquela. A política em primeiro lugar...
O estrago causado por Paulo Freire, sempre esteve em ter capturado para a pedagogia o que havia de mais destrutivo na filosofia, na sociologia e no pensamento político de seu tempo. Tanto foram e permanecem extensivos e dominantes esses paradigmas que a atrasada e decadente Educação em nosso país o tem por patrono! Como unir esforços com trabalhadores em educação?
O maniqueísmo que alguns almejam derrotar não é obra dos conservadores e liberais brasileiros, politicamente omissos até 2014. Com persistência que faz lembrar os construtores de grandes muralhas, os falsos progressistas foram dividindo a nação como obra das próprias mãos. Sem encontrar resistências! Estas só surgiram quando conservadores e liberais, olhando os escombros da sociedade, se perceberam maioria irresponsavelmente omissa, silenciosa e derrotada.
O enfrentamento hoje instalado no Brasil precisa se manter nos âmbitos devidos – da cultura, da educação e da política – para que maiores males sejam evitados. Portanto, atenção, leitor: entrar nesse contexto com apito na boca, com a neutralidade e o desinteresse dos árbitros em relação ao resultado da partida, ou querer encerrar o jogo para uma imaginária confraternização dos “atletas” é generosa, inútil e, como sempre, perigosa utopia. Deus abençoe e fortaleça os conservadores e liberais brasileiros.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
AINDA É TEMPO DE SALVAÇÃO! - 21/05/2021
Percival Puggina
No último dia 15, vi esse bom povo rezar, cantar, valorizar em cartazes, gestos e aplausos, palavras que traziam calor à alma na tarde fria de Porto Alegre. Havia, na manifestação pela Família, alguns amigos pessoais, claro. Mas eu conhecia aquela gente toda pelo muito que temos em comum no pequeno e imenso repertório de afetos morais e espirituais que trazemos no coração.
Estávamos unidos por algo valioso e, sim, também contra perigos assustadores. Quando lhes falei, encerrando o evento, disse que no campo político, no lado oposto, cada palavra proferida ali no Parcão era objeto de escárnio e combate. Era execrado cada cartaz, bem espiritual, valor moral, anseio expresso, oração pronunciada. Difícil, no mundo moderno, imaginar antagonismo maior e conciliação tão impossível.
Engana-se quem pensa que as bandeiras vermelhas expressam mera opção política. Não! Trata-se de algo muito mais profundo, que envolve a destruição de toda uma cultura. E não é para substituir por outra superior, que seus filósofos, psicólogos, linguistas, juristas estão longe de esboçar, mesmo os mais eminentes. Pensam tão distantes do homem real que negam a própria Razão.
Por acaso, poucas horas antes de sentar-me para escrever este artigo, recebi da editora Avis Rara, o livro “Guerra Cultural” de Stephen Hicks. Nas primeiras páginas, engasgo a leitura diante da composição de duas frases. Numa, diz Michel Foucault: “A Razão é a derradeira linguagem da loucura”. Na outra, Jean-François Lyotard completa o abismo: “A Razão e o Poder são uma coisa só”.
Perceberam, queridos leitores, as consequências disso? De um golpe só todas as bibliotecas são derrubadas. É a filosofia que nega a filosofia! Segundo ela, observar a realidade, buscar sentido, aplicar a inteligência ao objeto, ter razão, por fim, é opressão. Que dizer, então da Fé, da verdade, do bem, do justo, do belo?
Sigamos adiante com os semideuses das prateleiras universitárias. Eles nos levam pela mão àquilo de que nos querem afastar. Pense nas nossas salas de aula que motivam o desamor à pátria, no “pluralismo” excludente das universidades, no que aconteceu com a arte ao longo do último século. Pense nas notícias que chegam de toda parte sobre a total rendição dos educandários católicos, pense na acomodação e reacomodação da doutrina à falta de juízo da hora. Pense na fragmentação da sociedade, no modo como o poder é disputado, no que o Congresso vota, ou não vota, e no que STF decide, ou não. Pense na erotização das crianças, na ânsia pela liberação da maconha, nas prisões abertas, na culpa das vítimas e na inocência dos culpados. E vamos, assim, virando o mundo pelo avesso, usando a difamada Razão para estabelecer relações de causa e efeito.
Durante dezenove séculos, minha amada Igreja Católica foi a grande depositária e sustentáculo da cultura do Ocidente. Sua missão educadora e cultural andava lado a lado com a espiritual. Ao ceder aquelas, fragilizou esta. Ao exorcizar seus conservadores, foi à dança com os lobos. Por isso, o Brasil, com um governo que coloca Deus acima de todos, está no olho de um furacão de intolerância a evidenciar que não há lugar para Ele na destruição empreendida por seus adversários. Há dois anos, o Brasil mostrou não estar perdido. Não há uma carta de rendição sobre a mesa. Ainda é tempo de salvação.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A DEMOCRACIA MORRE EM SILÊNCIO - 18/05/2021
Percival Puggina
Há alguns anos, durante um dos mandatos de Lula, escrevi um artigo em que lastimava a falta de cobertura para a tarefa oposicionista no Congresso Nacional. Lembrava os tempos em que os jornalistas acompanhavam as sessões com bloco de papel e lápis fazendo registros sobre o que era dito pelos atores da cena política e o que lhes era sussurrado aos ouvidos para concluírem suas matérias no teclado das máquinas de escrever, aos fins de tarde. Vi tudo isso acontecer, pois de algo me valem meus 76 anos. Testemunhei um tempo em que o aeroporto, às sextas-feiras, era tomado por repórteres que aguardavam deputados e senadores nos voos procedentes de Brasília. Com eles vinham, fresquinhas, notícias “da corte”. Estas rotinas morreram com a evolução frenética das comunicações.
O que está morto morreu. Com o tempo, já entrando no ritmo do século XXI, foi ficando visível que descera uma cortina de silêncio sobre os congressistas de perfil conservador e/ou liberal. A esquerda já estava no poder. E não apenas no altiplano de Brasília, mas nos cursos de jornalismo, nas redações, no grande mundo da cultura. Nem o jornalismo esportivo escapava àquela hegemonia. O politicamente correto dominava a comunicação social e impunha a toda divergência um cala-boca geral. Foi o tempo em que os gigantes da nossa imrensa foram morrendo e os conservadores remanescentes, excluídos das grandes redações, deslocados para as formas de mídia surgentes. Restaram uns poucos, raros quais ursos brancos, como o Alexandre Garcia o J.R.Guzzo e uns poucos outros.
Ao mesmo tempo, o trabalho dos ditos “progressistas”, os portadores de projetos de reengenharia social, atuais oposicionistas, recebem intensa cobertura da mídia militante. A esquerda política, ou seja, o petismo e suas “variantes” (para usar o vocabulário da pandemia), age com as facilidades de uma pedra de curling, batedores à frente, amaciando o terreno. O governo e os governistas, por seu turno, falam nas redes sociais. E também estas vêm sendo manipuladas por “comissários da verdade”, corregedores de “temas sensíveis”, cujas opiniões não podem ser contrariadas.
É fastidioso, por fim, o silêncio dos plenários vazios. Chega a ser ridícula sua substituição por sessões virtuais em que os parlamentares falam em chinelas e bermudas, desde as próprias moradias. São verdadeiros monólogos caseiros, proferidos às “telinhas” enquanto cãezinhos latem, portas batem e os temas não se debatem. O cenário que descrevo de modo algum serve ao interesse da sociedade, cujo amplo esclarecimento é papel comum do bom jornalismo, dos partidos e das instituições do Estado.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A TEIMOSIA DE RESISTIR - 12/05/2021
Percival Puggina
“É nessa viscosidade intelectual que temos de viver e lutar se quisermos praticar a teimosia de resistir, de defender os valores fundamentais.” Gustavo Corção, em Disparates e contradições do tempo.
A primeira e principal lição foi sendo ministrada aos poucos. Era difícil, mas não impossível. Tratava-se de fazer a sociedade ingerir, enrolada como em rocambole, a ideia de que a criminalidade deriva das injustiças do modelo social e econômico. Aceita essa premissa, era imperioso levar consequentes proposições ao campo do Direito. Claro, seria perverso tratar com rigor ditas vítimas da exclusão social. Aliás, permutar as palavras “pobre” e “pobreza” por "exclusão" e "excluído" foi estratagema vital para completar o rocambole no Direito Penal.
A situação exposta acima representa uma versão rasteira da velha luta de classes marxista. Uma luta de classes por outros meios, numa brilhante concepção revolucionária porque realiza a proeza de se travar fora da lei com a proteção dela. Graças a isso, a punição é a aposta de menor risco desses beligerantes. Graças a isso, no Brasil, o crime compensa. Por isso, também, só os muito ingênuos acreditarão que um partido, um coletivo burocrático ou institucional que assim pense pretenda, seriamente, combater a criminalidade. Preste atenção, afine os ouvidos e perceberá as manobras e o escandaloso silêncio dos nossos congressistas e do aparelho de Estado sobre esse tema. Ou não?
Portanto, olhando-se o tecido social, chega-se à conclusão de que o grande excluído é o brasileiro honesto, quer seja pobre ou não. O outro, o que enveredou para as muitas ramificações do mundo do crime, leva vida de facilidades sabendo que tem a parceria implícita dos que hegemonizam a política nacional. Nada disso estaria acontecendo sem tal nexo.
Viveríamos uma realidade superior se o Direito "achado nas ruas", que inspira ideologicamente a atuação de tantos magistrados, fizesse essa coleta nas esquinas, mas ouvindo os cidadãos, os trabalhadores, os pais de família, em vez de sintonizar a voz dos becos onde a criminalidade entra em sintonia com a ideologia.
O leitor sabe do que estou tratando aqui. Ele reconhece que, como escrevi há alguns anos, a tomada do Brasil pelos maus brasileiros seguia inevitável curso. Perderíamos a guerra. O crime iria vencer. Estávamos na fase de requisição dos despojos que deveriam ser entregues aos vencedores.
Ou não! Ou não! Corção tinha razão e foi nessa viscosidade intelectual que tivemos de viver e lutar contra o mal que se espalhou pelo país. Foi isso que nos mobilizou em 2018 para uma vitória que logo se revelou insuficiente porque a máquina do poder reage ferozmente e há um longo caminho até a vitória final. Em seu andar, o peregrino da história descobre que nossas instituições agem implacavelmente contra a ordem democrática das urnas. Também elas são bandidas e se homiziam nos morros do poder desde o qual legislam em causa própria e sentenciam como lhes convêm.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
PRONTO SOCORRO PARA CORRUPTOS AFLITOS - 26/04/2021
Percival Puggina
Cumprisse o parlamento seu dever, o Supremo Tribunal Federal teria outra fisionomia e não seria esse pronto socorro dos corruptos aflitos.
Li certa vez que, na democracia, para que a submissão às leis não seja conduta servil, mas forma de auto-obediência, elas são aprovadas por representantes políticos eleitos pelo povo. Gostei do conceito, tanto sob o ponto de vista ético quanto estético. Estético, sim, porque o bem é belo.
O Congresso Nacional, contudo, pela maioria de seus membros, por ação ou omissão, contraria o sentido do mandato parlamentar e se conduz ao arrepio da vontade de seus eleitores. Cumprisse o parlamento seu dever, o Supremo Tribunal Federal teria outra fisionomia e não seria esse pronto socorro dos corruptos aflitos. Não seria essa corte sem espelhos onde ministros beneficiam o padrinho Lula decretando a “suspeição” de Moro e não reconhecem o próprio impedimento nessa votação. Cumprisse o parlamento seu dever, a figura literária da soberania popular não se estaria transformando em pura, muda, indefesa e real vassalagem.
Nas últimas semanas, nossa dignidade perdeu ainda mais substância em decisões tomadas por ampla maioria do STF que não se contenta com ser o principal protagonista da cena política brasileira. Não! Nosso Supremo passa a atuar como Casa-Grande emitindo determinações à senzala nacional. Certo, Gilberto Freyre?
Lembrei-me de uma frase do presidente equatoriano proferida no transcurso do escândalo que ficou conhecido naquele país como Escândalo Subornos. Disse Lenín Moreno, cujo mandato se encerra no mês que vem: “Os chamados socialistas do século XXI saquearam a América Latina”. Referia-se ao período áureo do Foro de São Paulo e aos esquemas de corrupção instalados por empreiteiras, muitas das quais brasileiras, com particular privilégio à Odebrecht. Melhor do que qualquer latino-americano nós, brasileiros, conhecemos essa história e pagamos essa conta.
No ano passado, a justiça equatoriana condenou o ex-presidente Rafael Correa a 8 anos de prisão. Ele, porém, vive na Bélgica desde 2017 sem poder retornar ao país. Cerca de uma dezena de ex-servidores e dirigentes políticos, igualmente sentenciados, vivem no exterior. Enquanto isso, aqui no Brasil, os saqueadores nacionais levam a vida regalada pela qual Fausto vendeu a alma ao diabo e têm futuro político promissor.
Já somos roubados como pagadores de maus impostos. Já somos roubados como cidadãos de uma democracia inepta e mal costurada. Já fomos roubados pela corrupção que tão ativamente operou em nosso país. Já nos roubaram a esperança de dias melhores porque precisamos de dias piores para que os piores retornem ao poder. Roubaram-nos, agora, o mínimo senso de justiça e respeito ao que no Brasil opera com esse nobre rótulo.
* Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
QUE PARLAMENTO É ESSE? - 22/04/2021
Percival Puggina
Vou longe, mas já volto. Não se assuste, leitor. É importante o preâmbulo que farei.
No início do século XIII, a Inglaterra vivia momentos difíceis. A disputa entre os filhos do rei Henrique II, as guerras e as campanhas de Ricardo (o Coração e Leão), que o sucedeu em 1189, arrasaram o orçamento da Coroa. Ricardo, como rei, comandara a 3ª Cruzada. Para fazê-la, raspou os cofres e monetizou tudo que podia ter algum valor no reino. Dois anos depois, enquanto retornava de Jerusalém sem conquistar a cidade, foi capturado e vendido ao rei da inimiga Áustria. Sua liberdade custou o equivalente ao dobro da renda anual da Coroa. Morreu em 1199 e o trono foi assumido por João (conhecido como Sem Terra), o mais jovem dos irmãos.
As disputas internas entre os filhos de Henrique, as aventuras de Ricardo e duas guerras mal sucedidas do rei João contra a França custavam muito e nada rendiam aos barões que se rebelaram e obrigaram João a firmar a Magna Carta, que limitou significativamente seu poder. Esse documento, que João não levou a sério, é considerado o fundador do constitucionalismo moderno. Os barões, através de quem se alastrava pelo reino a cobrança de impostos, achavam, com razão, que pagavam muito por quase nada. E quiseram dar um basta.
Voltei. O orçamento da União aprovado pelo Congresso Nacional para o corrente ano eleva a R$ 247 bilhões o déficit das contas públicas. Foi o menos ruim que se conseguiu obter. Esse número, tão vermelho, é produto cumulativo de irresponsabilidades fiscais que se transferem de orçamento para orçamento. Para sua composição, ao longo dos anos, convergem interesses corporativos, geração de espaços de poder político mediante criação de empresas estatais muitas das quais deficitárias, aumento permanente dos custos operacionais e funcionais dos poderes de Estado, notadamente daqueles cujos salários sobressaem dentro do mercado, e uso político partidário dos recursos públicos. Note-se que não falei dos inestimáveis custos da corrupção, mais uma vez premiada, nestes dias, com o selo nacional da eterna impunidade.
Compare o que aconteceu na Inglaterra do século XIII com o que está acontecendo no Brasil 800 anos depois, Lá, o “parlamento”, como poderíamos definir por analogia aquele conselho dos 25 barões impostos ao rei João, atuava para diminuir o gasto da Coroa e os tributos. Aqui, historicamente, a maioria dos parlamentares brasileiros pressiona para aumentar a despesa pública! Quer que o governante tome mais dinheiro da sociedade. Ou seja, olha para os lados e não olha para frente.
É claro que isso tem nome. É claro que os critérios do atual governo desagradam o mundo e o submundo. O que torna tudo mais difícil para o exercício da cidadania é que a imprensa brasileira parece não saber os nomes dos maus parlamentares, dos oportunistas, dos que fazem política para o mal do país, para o corporativismo e para o clientelismo. A omissão grita, principalmente porque os nomes do Executivo estão, sempre, sob o crivo negativo, o comentário ácido, e são objeto de adjetivos, interjeições e desconstrução de imagem. É um ativismo midiático que não atravessa a rua. E o Brasil perde com isso porque a copa fica franqueada aos abusados enquanto o clássico sistema de “freios e contrapesos” ganhou carga e perdeu os freios, atropelando o Estado de Direito.
Os barões se regalam.
* Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
PAU QUE BATE EM CHICO, BATE SEMPRE EM CHICO - 19/04/2021
Percival Puggina
No senso popular, se uma autoridade pune Chico cidadão comum, pé-de-chinelo, haverá de punir, por iguais motivos, o rico e famoso Francisco de sapato italiano.
Até uma singela e popular expressão como essa, de equidade de tratamento e de justiça, colide com usos e costumes dos nossos ministros do STF. Naquele pomposo recanto da pátria, se peneiram antecedentes e a Constituição Federal tem entrelinhas. Usam-na “ao gosto”, como é dito sobre certos condimentos em receitas culinárias. O quê? Só porque me fazem rir, não estou sendo sério? Eu?
Foi exatamente essa vontade de rir que senti quando o ministro Barroso determinou que o presidente do Senado instalasse a CPI da covid-19. Senti vontade de rir quando o notório Renan Calheiros se perfilou para integrá-la e negocia, agora, assumir posição de mando, logo ele que, presidindo o Senado, foi coveiro de muitas dessas comissões. Senti vontade de rir quando Bolsonaro revidou, solicitando ao boquirroto senador Kajuru que retrucasse o STF com um mandado de segurança pedindo que a Corte determinasse a abertura do processo de impeachment contra Alexandre de Moraes. Não vai levar, pensei, porque a Casa já mostrou ser em Chico, e só em Chico, que o pau bate e rebate.
Ri, também, ao ler o teor da decisão do membro novato levado à Corte pelas mãos de Bolsonaro. Claramente, o ministro Nunes Marques abriu o processo que lhe caiu no colo perguntando-se: “Como argumentar para negar isto?”, porque é assim que tantos votos são dados em matérias de repercussão política. Para decisões que tem gerado inédita insegurança ao país, confere-se, ali, aspecto jurídico a opiniões prévias, individuais ou colegiadas. “Dadas todas as vênias”, é o que depreendo do que assisto, no exercício do meu direito de crer mais no meu ver do que no meu ouvir.
Desde o início do governo, é só nele que o pau do Supremo bate, e o faz com mais vigor e determinação do que a oposição congressual. A Corte se olha no espelho benevolente da mídia militante, que gosta do que assiste e ouve sem questionar. Aliás, a análise mais profunda e a única crítica ao STF que identifiquei na mídia nacional, nesse tempo todo, foi uma vistoria do cardápio dos ministros, onde foram pescadas lagostas e identificados vinhos.
Não há setor de atividade em que a Corte se sinta inconveniente, intrometida, ou desequilibrando a harmonia dos poderes. Usa e abusa da prerrogativa de avaliar a conveniência e a qualidade de ações político-administrativas. Opera no Brasil um sistema de freios sem contrapesos, que vai da nomeação de um diretor da Polícia Federal até uma lei municipal na linha da escola sem partido, votada e aprovada para coibir abusos.
Mesmo quando o STF invade de modo totalmente irracional, ilegal, ardiloso a autonomia da Câmara dos Deputados, criando a ridícula figura do flagrante eterno, viabilizando prisão a qualquer hora e lugar, essa arbitrariedade pretoriana vai menos contra o Parlamento do que contra o Chico governista.
Há 10 pedidos de impeachment de ministros do STF na gaveta do presidente do Senado, mas isso não tira o sono da República. Está tudo programado para não acontecer.
* Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
NÃO É CPI, NEM PIZZA. É OUTRA COISA. - 16/04/2021
Percival Puggina
Ao longo de minha vida acompanhei o trabalho de inúmeras CPIs. Onde havia cobertura jornalística, havia teatro, gritaria, disputa por protagonismo e holofotes. Os exemplos de trabalho produtivo são raros. Estes, que me lembre, não tinham objetivos que afetassem os hormônios da política. Atinham-se a questões de interesse do setor privado.
Haverá, agora, uma CPI de grande motivação política e, supostamente ao menos, de impacto eleitoral. Haverá mais jornalistas do que senadores. Ela é, na prática, uma criação da mídia militante. Há mais de ano essa mídia atribui ao governo cada morte de brasileiro acometido pela covid-19. Em sua estreita perspectiva, o grande vilão é o governo federal. Não é o vírus e não são as comorbidades. É o governo. Seu alvo é o presidente.
Trata-se de um sarcasmo fúnebre, sem paralelo, até agora, nas democracias ocidentais. Contudo, é uma acusação insistente e continuada, obediente às regras do nazista Goebbels, o repetitivo propagandaminister, colhendo os resultados previstos. Mesmo países com mais óbitos devidos à covid-19 por milhão de habitantes reproduzem em seus noticiários essa imagem danosa do nosso país. Todos estão mal, mas o Brasil é o problema...
As dificuldades para lidar com o vírus são globais. Cientistas continuam aprendendo sobre ele e suas mutações. Em toda parte, os surtos da pandemia se sucedem após rápidos recuos. Há países que já estão se havendo com a quarta onda. Tratamentos precoces, isolamentos (ou lockdowns) são adotados por uns e desaconselhados por outros. Idem em relação a certas vacinas que, depois de aplicadas, ora têm as bulas alteradas para apontar novas contraindicações, ora são aceitas ali e rejeitadas acolá. Só não falta vacina nos quatro países que as fabricam em grandes laboratórios. O Brasil é o quinto que mais vacina. A demanda por insumos é mundial e há escassez.
Apesar de tudo e de tanto, genocídio, mesmo, só no vocabulário ardiloso de demagogos brasileiros de tribuna, teclado e microfone. Muitos deles, aliás, defensores de formas de governo e de governantes efetivamente genocidas, que já fizeram mais de cem milhões de vítimas ao longo da história.
É assim que nasce uma CPI e se instala uma crise. Não por que houvesse necessidade dela para resolver problemas concretos, mas por ser considerado politicamente indispensável criá-la. “Por quê?”, perguntará o leitor. Porque após um ano sendo repetida ao modo nazista, sem produzir o efeito desejado, é preciso autenticar essa narrativa que põe a culpa no governo federal. Afinal, não foi essa, também, a finalidade da Comissão da Verdade? Não foi criada entre os perdedores para carimbar sua versão política dos acontecimentos?
Como haverá mais jornalistas do que senadores a cada sessão da comissão, vai ter holofote para todo mundo. Veremos teatro e pastelão, como atos preparatórios do ambicionado golpe. Punto e basta.
* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
NOSSOS TIGRES BRANCOS - 11/04/2021
Percival Puggina
São raros, raríssimos na reduzida população de tigres, os apreciados tigres-brancos. Li, em algum lugar, que corresponderiam a 1/10000 nascimentos no conjunto da população selvagem.
Nos grandes meios de comunicação do Brasil, jornalistas com independência e coragem para nadar contra a corrente são raros como tigres brancos. Não tenho dúvida de que, se não fossem tão escassos, a nação alcançaria maior consenso, se aproximaria da verdade sobre os fatos e encontraria mais facilmente soluções para muitos dos grandes problemas nacionais.
No entanto:
Por último, mas não por fim, jamais, nem por acaso ou falta de assunto, nosso jornalismo examina os erros do modelo institucional que é, este sim, a causa original da maior parte de tais condutas, males e malefícios.
O jornalista J.R.Guzzo, um desses raríssimos Tigres Brancos, em artigo de 11/04 no Estadão, chama a atenção dos desatentos e omissos, especialmente colegas, sindicalistas, juristas, entidades defensoras de direitos humanos, para o caso do jornalista Oswaldo Eustáquio. Em certo trecho, diz assim:
(...) o jornalista Oswaldo Eustáquio, indiciado num inquérito ilegal no STF, está preso há três meses e meio por crime de opinião, acusado de violar a Lei de Segurança Nacional que sobreviveu ao regime militar. Não foi preso em flagrante. Não cometeu nenhum crime descrito na lei como “hediondo” e, portanto, inafiançável. Não tem direito a nenhuma das múltiplas garantias que a lei brasileira oferece a qualquer acusado de infração penal. Não tem acesso completo às informações do seu processo. Não lhe foi dito até agora quais são, exatamente, as acusações que estão sendo feitas contra ele. Não há data para a conclusão do inquérito, e nenhuma obrigação por parte dos carcereiros de responder às perguntas dos seus advogados. Não tem culpa formada. Não foi condenado por nenhum dos 361 artigos do Código Penal. Mas está preso desde o dia 18 de dezembro de 2020, por ordem e desejo do ministro Alexandre Moraes.
Valiosos princípios e bens morais precisam estar mortos para justificar silêncios que encobrem, também, muitos disparates praticados e opiniões abusivas de quem não consegue entender os limites à conduta pública de um julgador. Como pretendem, algum dos nossos, ingressar na política sem voto, bater sem levar e se indignar com a própria impopularidade?
Os tigres brancos não salvam a mídia brasileira. Mas são um lenitivo à inteligência e uma boa régua para medir aqueles que – em meio a tantos acontecimentos graves, tanto abuso e desrespeito à Constituição por parte do Supremo – se põem a examinar, minuciosamente, cardápios e compra de lagostas.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
A MISTIFICAÇÃO DA VERDADE - 01/04/2021
Percival Puggina
Convidado pelo amigo, coronel aviador Jorge Schwertz, do canal O Bom Combate, participarei neste 1º de abril de uma live com ele sobre a Comissão da Verdade. “Vamos falar sobre a Comissão da Verdade no dia da mentira?”, convidou-me ele. E eu topei. Lembrei-me, então, de um artigo que escrevi em março de 2011, quando o projeto de criação da Comissão tramitava no Congresso Nacional. O que segue é, quase na íntegra, aquele conteúdo, oportuníssimo a estes tempos inseguros.
"A verdade vos libertará" (Jo 8:32). Será preciso dizer mais sobre o valor da verdade para o ser humano? A sabedoria desta esplêndida frase repousa, muito especialmente, em evidenciar que assim como a bússola só funciona perante o norte magnético, a liberdade é uma conquista da verdade. Só frente a ela, que a precede, pode ser exercida. A liberdade de quem desconhece a verdade, ou a despreza, é perdição por desorientação, bússola sem ponteiro. Isto posto, não creio que qualquer consciência bem formada recuse-se à busca da verdade ou opte por viver na mentira.
"Como o senhor pode ser contra a busca da verdade?". Tal pergunta já veio parar na "Caixa de entrada" do meu correio eletrônico. Eu? Mas eu amo a verdade, moço! Amo-a com amor zeloso e sem ciúmes! Eu a quero universal e para todos. Mas porque a amo, repugna-me a possibilidade de vê-la submetida a lúbricas manipulações. E não tenho a menor dúvida de que é exatamente isso que vai acontecer quando os grandes bandos da política nacional e aqueles "cientistas" das nossas ciências humanas, militantes engravatados, intelectuais sutis e ardilosos, se debruçarem sobre o lixo da história. Os achados de suas pinças ideológicas, dos interesses políticos, dos ressentimentos e das vendetas serão tudo, menos a verdade. Se já fazem isso, descaradamente, nas salas de aula, com a história brasileira e universal, o que não farão com as controvérsias do passado recente?
Vá lá que manipulem a juventude (pois ao que parece quase ninguém se importa). Vá lá que subestimem, não raro com ganhos, a inteligência do povo. Vá lá que apresentem suas maracutaias como maracutaias do bem. Vá lá que vivam afundados em incoerências e contradições. Mas, por favor, não esperem contar com a complacência de quem ainda não perdeu o senso crítico e a capacidade de analisar o que vê.
A verdade, leitor amigo, é um bem imenso. Sabemos todos. No entanto, é preciso reconhecer que a verdade sobre certos fatos históricos sempre terá pelo menos dois lados. Conto um episódio recente para exemplificar a impossibilidade de se chegar a ela em determinadas circunstâncias políticas e através de interessados de insuspeita suspeição. Uma senhora foi a Cuba. Senhora de esquerda, do tipo que usa brinco com estrela, pingente com estrela e tem estrela no carrinho do bebê. Foi cheia de entusiasmo para conhecer a imagem viva dos seus afetos ideológicos. O refúgio do companheiro Zé Dirceu. O paraíso caribenho de Lula. A terra do socialismo real. Quando retornou, a família caiu-lhe em cima com suas curiosidades. Longos silêncios, muxoxos e frases desconexas eclodiram, depois de alguns dias, neste desabafo restrito ao circuito mais íntimo: "Tá, aquilo é uma droga. Mas eu não posso ficar dizendo, tá?". Tá, madame. Yo la entiendo. A verdade sobre Cuba fica entre quatro paredes. Agora, vamos cuidar da verdade sobre o Brasil, é isso? Se uma simples militante age assim, o que farão os patrões e patronos da pretendida investigação histórica?
***
Na perspectiva da verdade, a questão que eu levanto às pessoas de bom senso é esta: no dia em que estiverem interessados em tal ou qual verdade, seja lá sobre o que for, vocês irão buscá-la com o José Genoíno? Com o José Dirceu? Com o Franklin Martins? Com a Manuela d’Ávila? Com uma comissão nomeada pela Dilma? Não, claro que não. Quem sabe com Marilena Chauí, Rui Falcão, Emir Sader, Chico Buarque, Fernando Morais? À Globo? Difícil, não? Pois é, nem tente.
Eis por que vejo com tão maus olhos os acontecimentos do Brasil num momento em que, a sociedade vive dividida nesse “pluralismo” da água com o azeite e a verdade vem sendo escandalosamente ocultada e manipulada por aqueles que a deveriam divulgar.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
BOLSONARO RECORRE AO SUPREMO - 20/03/2021
Percival Puggina
É polêmica, bem polêmica, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) interposta pelo presidente da República ao STF, através da AGU, contra medidas adotadas pelos governadores do Distrito Federal, Bahia e Rio Grande do Sul para enfrentamento da pandemia. A ação afirma que esses atos têm natureza abusiva, foram tomados mediante meros decretos, sem autorização legislativa e/ou em contradição às competências do presidente. E enfatiza a desatenção ao direito de trabalhar, à busca da subsistência e as liberdades econômicas objetos de recente legislação federal.
Antes que alguém afirme que “não é bem assim”, digo eu: o parágrafo acima não tem a pretensão de resumir as 24 páginas da ADI. O que interessa, aqui, para fins de análise, é o ato em si. Ele pode ser visto de muitas maneiras, dependendo da boa vontade ou do antagonismo do leitor em relação à pessoa do presidente.
Em reunião de ontem, virtual, que há décadas mantenho com um grupo de bons e sábios amigos, levantaram-se, como de hábito, questões interessantes. A saber:
1ª Questão
Agiu certo o presidente ao apelar ao STF? Quem o faz não está a legitimar a autoridade da Corte num período em que ela vem avançando sinais de modo inusitado?
São inquietações que fazem muito sentido. Ao expressar perante o judiciário sua legítima preocupação com os reflexos sociais e econômicos das decisões, pode o presidente estar, sim, legitimando indiretamente as decisões de um tribunal que o tem como inimigo a ser destruído.
O presidente não deveria, então, – conclui-se – dar ele próprio curso a esse processo de judicialização da política e da gestão pública. Apenas para exemplificar o ponto a que chegaram essas intromissões, o subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu ao TCU que a gestão da Saúde, da Economia e da Casa Civil sejam atribuídas ao vice-presidente Mourão (G1 18/03). Um vereador propõe lançar spray de álcool gel, por avião, sobre sua cidade e o subprocurador-geral do MP no TCU propõe isso. Não é necessário ser inculto para sugerir bobagens.
2ª Questão
Não seria, a referida ADI, uma armadilha montada pelo presidente contra a Corte?
A pergunta se justifica de modo pleno. Se o STF conceder o que Bolsonaro pediu, estará suprimindo de estados e municípios aquele poder que, de mão beijada, delegou a governadores e prefeitos lá atrás, no início da pandemia. Se recusar o solicitado pela ADI, estará confirmando a perda de poder que impôs ao presidente da República, fato tantas vezes negado em manifestações de seus ministros.
Marco Aurélio Melo viu o assunto na perspectiva do item 2, acima. Indagado, respondeu assim, segundo O Antagonista:
“Não sei o que deu na cabeça do Bolsonaro (…). Quem receber essa ação no Supremo pode simplesmente negar seguimento (…). O presidente quer atribuir responsabilidade ao tribunal, como ele vem fazendo(...)”.
Pelo menos outros dois ministros manifestaram entendimento semelhante. Para eles o tribunal já decidiu e não vai repetir ou mudar o que foi decidido. Já o início do comentário do ministro: “Não sei que deu na cabeça do Bolsonaro”, entra na linha do item 1 acima. O Marco Aurélio e, talvez, a totalidade de seus pares, olha o presidente da República de cima para baixo, como a seus subalternos e não com ao chefe de Estado brasileiro.
O poder se expressa mais e melhor por ações do que por palavras. Os ministros do STF, assim como o presidente, aliás, não se ajudam muito quando falam.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
STF, O PIOR DA POLÍTICA - 14/03/2021
Percival Puggina
Se a ideia, há dois anos, foi evitar crise institucional, agora estamos em plena crise e já se viu qual poder se abasteceu da omissão do Parlamento.
O Supremo Tribunal Federal, como poder de Estado, exerce função política. É assim na teoria e tem sido assim na prática. Ao longo do tempo, o que se observa são certas variações em sua interferência para definir o que seja interesse público. Pode-se afirmar que a Suprema Corte, como tal, historicamente, observou seus devidos limites.
Assim foi, até ser tomada por petistas e serem, os não petistas capturados pelo ativismo e pela rejeição ao conservadorismo e ao liberalismo. Pois não é que quando tudo estava certinho, bem combinado, hegemonizado entre marxistas e fabianos, 57 milhões de eleitores entenderam a tramoia, viram para onde se perdia o barco e disseram – "Basta!"?
A partir daí o STF deixou de ser um dos poderes políticos para se tornar o mais político dos poderes de Estado e, por óbvio, o pior de todos. O pior no mais amplo sentido. Sem unção popular, monocrático em muitas decisões, maleficamente corporativo (tomado por aquele corporativismo que subscreve sandices para não deixar mal um companheiro). Capaz de usar o poder para constranger a opinião pública, a opinião parlamentar e o jornalismo divergente. Sempre pronto a usar mão leve para soltar criminosos e mão pesada para manter preso quem os desagrada pessoalmente (também no absolutismo monárquico o maior crime era o de lesa-majestade). E fiquemos, prudentemente, por aqui, posto que a imaginação, quando trabalha sobre fatos não esclarecidos, pode incorrer em mau juízo.
A situação do Supremo se agrava porque, de hábito e cultura do próprio poder, seus integrantes têm o ego diariamente untado por mesuras e reverências servis e até a divergência, recebida com enfado (só falta um lencinho perfumado sob o nariz), vem enrolada em vênias e escusas. Por vezes parece faltar, apenas, o apelante se retirar curvado, dando passos em marcha ré perante tais fulgurações.
Corresponde aos senhores senadores (são 81) pôr fim a esses abusos de poder. Reitero o que já escrevi antes: não é ao impessoal Senado, mas aos senadores individualmente que se deve clamar pela solução desse problema. É de seu querer que tudo pende. E aí o bicho pega. Um terço de laranjas podres estraga o cesto inteiro. Vinte e seis, nenhum petista, assinaram a Lava Toga em 2019 (1). Vinte e cinco perderam a liberdade de abanar a cauda porque estão sob investigação, ou respondem processo ou são réus perante o STF. O terço final se revela solidário aos colegas encrencados. Os primeiros já sabem o que tem que ser feito. Os segundos jamais o farão. É dos terceiros, dos que poderiam agir e não agem, que pode e deve ser extraída posição para fazer andar a Lava Toga ou os abundantes pedidos de impeachment de ministros do Supremo pendentes na Câmara Alta da República.
Se a ideia, há dois anos, foi evitar crise institucional, agora estamos em plena crise e já se viu qual poder se abasteceu da omissão do Parlamento.
Fora os que já se mostraram convencidos da necessidade de agir, de defender as instituições dos que sequestram seus poderes, todos os demais precisam ser conscientizados pelos cidadãos de onde vivem, ou onde quer que vão, da responsabilidade que têm sobre os ombros e do caráter imperdoável de suas omissões. Se não ouvirem o grito das ruas, ouvirão a vaia das urnas.
O valor de um senador não se mede em verbas conquistadas, mas por coragem cívica e política, especialmente nos momentos cruciais, em que a nação se sente abandonada por instituições que surfam onde os eleitores soçobram.
(1) Eram 27, mas o senador Elmano Férrer (PI) retirou a assinatura e o pedido foi arquivado por insuficiência de apoio. Lista dos 27 aqui e notícia do arquivamento final, aqui.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
FECHA TUDO, PELA VIDA? - 11/03/2021
Percival Puggina
Você quer fechadas as muitas atividades de milhões de trabalhadores e empreendedores que retiram da própria iniciativa e trabalho o sustento de suas famílias?
Eu sei. Menciono, aqui, um confronto de ideias em curso desde o início da pandemia. A pergunta, porém, persiste: você quer o lockdown?
Se sua resposta é sim, sou capaz de apostar que você é aposentado, ou sua atividade lhe permite trabalhar em home office, ou é seervidor público. Se sua resposta é sim, você está numa posição profissional não exposta aos perigos do insuperável prejuízo, seu emprego está bem substituído por outras fontes de renda, ou não está em risco. Se sua resposta é sim, seu futuro não balança, inseguro, na ponta de um fio. Ou, quem sabe, você é um jornalista que, no conforto do lar, é pago para escrever sobre a insensibilidade alheia. Em outras palavras, você é um privilegiado.
O fato é que dezenas de milhões de brasileiros não se enquadram nessa situação. Alimentam a si e aos seus do fruto do trabalho semanal, ou mensal. Ou dependem, em ritmo cotidiano, de sua atividade nas ruas para garantir o magro prato de comida na mesa familiar. Quando as portas se fecham, a fome se torna companheira de todas as horas. A necessidade se faz mãe das escassas iniciativas e a cama no passeio público, sob um beirado, é o insalubre destino dos que se viram impedidos de trabalhar... para bem da própria saúde.
Atividades essenciais! Ora, a atividade humana essencial é o trabalho. E trabalho não é a aplicação do lápis de cor sobre um mapa.
As regras, necessárias, indispensáveis, deveriam ser estabelecidas e fiscalizadas com foco na permissão de funcionamento, nas condições para que seja concedido e na efetiva fiscalização de seu cumprimento. O que deve ser evitado é a aproximação horizontal, já espontaneamente instituída em incontáveis estabelecimentos de comércio e serviços. O que deve ser exigido é o cumprimento dessas regras, a boa organização dos espaços, a maior frequência (e não a menor) do transporte coletivo; o que deve ser exigido é o maior tempo de abertura para o comércio. O que deve ser evitado são os males e outras formas de morte que se seguem ao pânico. O que deve ser feito é um apelo à caridade, ao auxílio mútuo, ao amor ao próximo, o eficiente auxílio pessoal e comunitário aos carentes. Sim, porque a paralisia de atividades, a recessão e os auxílios emergenciais já quebraram o Estado brasileiro. Precisamos, também, e muito, voltar os olhos para Deus, o esquecido Senhor destes dias. Os sentimentos que mencionei vivificam a sociedade desde muito antes dos tempos das pestes que se prolongaram durante séculos.
Sim, se você quer que tudo feche para que a vida continue e está em condições privilegiadas para segurar esse rojão, lembre-se de apoiar as dificuldades alheias, de rezar pelos mortos e pelos enfermos, pelas equipes de saúde em sua inexcedível dedicação. Pense que tudo o que você consome é produzido por quem não está sentado num sofá, protegido por uma bolha. Rompa essa bolha! Saia da frente da TV e de sua maledicência. Desperte as virtudes em seu coração.
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
RECADOS AMEAÇADORES DO STF - 14/02/2021
Percival Puggina
Como não consegui ligar para o ministro Luiz Fux para saber se era verdadeira a farta informação sobre recados enviados à Câmara dos Deputados e ao Palácio do Planalto, tenho que ficar com o que, com pequenas variações e sem serem desmentidos, relataram os grandes meios de comunicação. Segundo eles, os ministros teriam avisado que a confirmação da deputada Bia Kicis na presidência da CCJ da Câmara era uma declaração de guerra e que a interlocução com a Comissão seria interrompida.
Por quanto sei, a deputada tem sobre a conduta do STF, sua composição, e alguns dos membros da Corte, uma opinião em tudo semelhante à da maior parte da sociedade brasileira. A atual composição do Supremo é uma sequela dos longos governos anteriores, em completa dissintonia com as posições políticas vencedoras da eleição de 2018, o que era previsível. O que não era previsível é que a maior parte dos ministros, desde o início, visse o novo governo como um antagonista a ser contido e tratado como tal. Sobram exemplos de uma “guerra” que já vai longa, não declarada e nunca revidada.
Manifestações de rejeição a ministros quando expostos ao público se tornaram frequentes em aeroportos ou no exterior, e isso os deixou com os nervos à flor da pele. Passaram a tratar os demais poderes e toda divergência com autoritarismo e arrogância, como se todos fossem casca grossa.
Sei que não é novidade haver facções políticas que não sabem perder eleições. Aliás, que não admitem derrotas. Quando perdem, não admitem as consequentes mudanças. Querem que tudo permaneça como está, ou seja, como fizeram ou desfizeram. A novidade, na minha perspectiva, são recados ameaçadores do STF aos demais poderes. Lembrei-me da indignação que causou, com razão, a frase grosseira do então deputado federal eleito por São Paulo, Eduardo Bolsonaro, quando disse que para fechar o STF bastaria um cabo e um soldado.
No caso, amplificada pelo fato de ser filho do presidente o deputado que a proferiu, era uma opinião pessoal. Agora, estamos diante de recados de um poder aos outros dois. Veto a um nome de parlamentar é um pé na porta do Parlamento e do Palácio do Planalto. É conduta audaciosa.
Como poder cuidador da Constituição, o STF, há dois anos, vem enguiçando o sistema de “freios e contrapesos” inerentes à operação dos três poderes de Estado. O STF atua como poder “peso pesado” com freio desregulado e conduta intimidatória.
* Publicado originalmente em Conservadores e Liberais, o site de Puggina.org
Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
SEM VIRTUDES, SEM VALORES E SEM VERGONHA - 26/01/2021
Percival Puggina
Com freqüência, lemos textos que nos trazem à mente um quase refrão: “Gostaria de ter escrito isso!”. Pois foi o que pensei hoje, diante de algo que lia. E segui sentindo essa identidade com o pensamento do autor até perceber que era um texto meu... Por permanecer válido nos dias de hoje, embora escrito em 2013, eu o reproduzo aqui e convido os leitores a refletir sobre o tema abordado.
O rufo de tambores que ouvimos mundo afora é de uma declarada guerra, nada santa, contra a influência do cristianismo na Filosofia, no Direito, na Cultura e nos valores morais dos indivíduos. Guerra de um projeto totalitário pela completa abolição dessa influência.
Até os militantes do ateísmo, sabem que: 1º) é quase impossível "desconverter" os indivíduos de uma fé em Deus para uma fé no Nada absoluto; 2º) é inaceitável pela imensa maioria das pessoas a ideia de um Direito cuja moral seja irrelevante, ou que ignore os princípios e valores compartilhados pelos membros da sociedade.
Diante de tais e tão grandes dificuldades, os militantes do ateísmo cultural, combatentes da revolução cultural, propuseram-se a algo muito mais sutil – querem esterilizar a moral nos próprios indivíduos. Como? Convencendo-os de que os princípios e valores que adotam são, na origem, tão religiosos, e por isso mesmo tão particulares, quanto a própria religião que porventura professem. Integrariam então, tais valores e princípios, aquele foro íntimo no qual se enquadrariam a própria religião e suas práticas. Pronto! Segundo o princípio da laicidade do Estado, só teriam vigência na vida privada. Não faltam pessoas religiosas para entrarem com os dois pés nessa armadilha. Por isso, o projeto totalitário avança.
As investidas contra os símbolos religiosos são apenas a ponta do rabo do gato. O felino inteiro é muito mais malicioso e malévolo. O que de fato pretende é laicizar a cultura, as opiniões em geral e, principalmente, os critérios de juízo e decisão (os meios do poder). Toda a conversa fiada sobre supostas infrações à devida separação entre o Estado e a Igreja, tão ouvida nas falas do STF, precisa ser entendida como aquilo que de fato é: atitude de quem adotou o Estado, e só o Estado, por fonte de todo bem. Assumiu-o como baliza perfeita para o certo e o errado, e vertente dos valores que devem conduzir a vida social.
Convenhamos, é uma tese. Mas – que diabos! – qual é, precisamente, a moral do Estado? Na prática, a gente conhece porque a conta é nossa. Na teoria, é a que a sociedade “majoritariamente” determinar, excluída a parcela realmente majoritária, que moldou a civilização ocidental porque esta, como se viu acima, só pode ter expressão na vida privada e resulta inadmissível perante a laicidade do Estado, etc., etc., etc.. Portanto, cale-se!
Tal linha de raciocínio não resiste ao primeiro safanão. Precisa de reforços e apoios propiciados pelo relativismo moral, um de seus subprodutos. Cabe a este filho do pós-modernismo mostrar que a moral majoritária é apenas uma das tantas que andam por aí através do tempo, do espaço e da miséria humana. Saem às ruas, então, representações desse nada admirável mundo novo: marcha das vadias, marcha pela maconha, marcha pelo aborto. Uma TV do Estado apresenta show das putinhas aborteiras, militantes partidários dançam pelados na Câmara Municipal de Porto Alegre ou fazem sexo com símbolos religiosos no Rio de Janeiro.
Escandalosos? Escandalosos perante qual senso moral? O totalitarismo pós muro de Berlim, o totalitarismo do século XXI, precisa do ateísmo cultural e do relativismo para derrogar o cristianismo presente na cultura de tantos povos. A nova ordem, o mundo novo, o all-in-one de Imagine não se constituirão numa sociedade que creia em algo anterior, superior e posterior a si mesma. Não há como esse novo poder global não ser totalitário! A democracia se extingue naturalmente quando destruídos os valores que a fundamentam, pelo simples fato de que não se sustenta numa sociedade política sem princípios, sem valores e sem vergonha.
* Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
HÁ APENAS DUAS CADEIRAS NO JOGO DE XADREZ - 20/01/2021
Percival Puggina
Engana-se quem pensa que os grandes noticiários ininterruptos dos principais veículos de comunicação mantêm o público a par do que está acontecendo e ajudam a formar um juízo sobre os fatos narrados. Infelizmente não é bem assim. A desinformação começa na escolha dos temas. Noticiar algo significa, frequentemente, não noticiar algo. Há notícias escolhidas para difusão e notícias escolhidas para omissão.
A pluralidade dos meios não significa pluralismo nos meios, notadamente quando estes se tornam militantes de uma causa política, como está acontecendo no Brasil.
Salvo exceções, os noticiários de TV e rádio provêm de uma redação. Apenas noticiários rápidos e variados, acríticos, como os de rádio, lidos por locutores, poderiam sintetizar, ao longo do dia, o conjunto dos acontecimentos. Não haveria recursos humanos para abastecer um jornalismo completo com textos, imagens e opiniões sobre todos os fatos importantes de cada jornada. São pautados, então, certamente, os mais interessantes, os que servem aos objetivos da empresa e assim as opiniões são emitidas, ou omitidas. Aqui no Brasil, há dois anos, as notícias que servem nunca são boas ao governo. Estas vêm por e-mail ou em pequenos vídeos na redes sociais. Na imagem diariamente transmitida em editoriais, colunistas selecionados, noticiários de TV e comentaristas cevados na casa ou convidados, o governo é formado por um grupo de malfeitores.
Que Bolsonaro não é o príncipe perfeito estamos cansados de antever e saber, mas é o disponível, como demonstram as peças no tabuleiro do xadrez da política nacional. Quando estamos jogando xadrez, de nada vale nosso desejo de que as peças estejam em posições diferentes. Elas são as que vemos, nas posições em que estão. A mesa tem uma cadeira de cada lado. O resto, em volta, é torcedor, é peru, é secador. As cadeiras, não obstante, são apenas duas.
Em menos de um par de anos teremos eleições e a posição das peças no jogo mostra que se ninguém chutar a mesa ou derrubar o tabuleiro da disputa presidencial, de um lado estará o príncipe imperfeito, com suas deficiências e qualidades; do lado oposto haverá alguém representando os derrotados na eleição de 2018: PT, PCdoB, Psol, PDT, Rede e outros afins. Nesse jogo, a vida me ensinou o que não quero.
Ora, se todo o empenho da mídia que considero militante, a que me referi no início deste artigo, vai a desfavor do lado onde joga o atual presidente, ela serve, então, doses diárias de suporte ao lado oposto. E o faz sem sequer precisar referir que esse lado existe. A CNBB fez a mesma coisa durante anos, atacando os governos não petistas e ajudando o partido a ponto de merecer, posteriormente, o público reconhecimento de Lula ao apoio recebido.
Note-se que a própria oposição sequer se movimenta politicamente junto à sociedade. Ela se beneficia mais com o cotidiano serviço que lhe é prestado por alguém supostamente “neutro”, interessado apenas no bem do país, como seriam os grandes meios de comunicação. Esse é o quadro. Quem não entendeu até agora, não entenderá jamais.
* Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
CIDADÃOS, OU PETS DE ÚLTIMA GERAÇÃO? - 18/12/2020
Assisti com grande interesse à serie Borgen, da Netflix. Apesar da usual chatice “politicamente correta” que vem dominando de modo opressivo a cultura mundial, a série é interessante por quanto mostra do cotidiano político da Dinamarca. Revela a natureza das negociações políticas para compor maiorias parlamentares (sem as quais, lá como aqui, ninguém governa). Exibe o dia-a-dia de uma primeira-ministra, chefe de família, sem secretária, a preparar café para os filhos, no mesmo apartamento de sempre. Acompanha o marido a cumprir boa parte das atribuições cotidianas familiares. Deixa evidente que estar no topo da escada da política não é fonte de regalias, mas oneroso posto de serviço com encargos adicionais.
As conversas sobre política entre os personagens de Borgen me fizeram lembrar algo que escrevi há quase dez anos e que preserva atualidade entre nós. Transcrevo aqui, com mínimas adequações.
De uns tempos para cá, a cada campanha eleitoral, mais e mais partidos transmitem de algum modo, a mensagem de que vão "cuidar bem das pessoas". Perceberam? Já passamos da fase do paternalismo e entramos num patamar superior - o maternalismo. Partidos e candidatos disputam troféu na produção de zelos maternais. Nós, os cidadãos, somos vistos nessas peças publicitárias como bebês de cueiros e mamadeira, cujas vidas dependem dos cuidados da mamãe estatal. Por isso, aquele primeiro domingo de outubro a cada quatro anos, quando ocorre eleição presidencial, deveria ser instituído como “Dia das Mães" cívico. Nessa emotiva data, digitamos na boca da urna nossa mensagem de gratidão à legenda que consideramos mais promissora em bons cuidados. Fôssemos todos gratos filhos da Pátria deveríamos deixar sobre as teclas lágrimas de nosso reconhecimento ou esperança. Afinal, pergunto, lendo o noticiário de hoje, 18 de dezembro: “Mamãe vai nos levar para tomar vacina?”.
Não, não, não. Não estou exagerando. Bem, talvez um pouco, sim. Mas reconheça-se: é exatamente isso que vem sendo ensinado ao povo brasileiro mediante inesgotáveis demonstrações práticas. É a disputa dos corações para domínio das mentes. Com uma das mãos distribuem toda sorte de bônus. Com a outra enviam a conta para os pagadores de impostos. Como não poderia deixar de acontecer, enquanto "cuidam das pessoas", os agentes dessa política maternalista deixam morrer à míngua as funções essenciais do Poder Público. O pior, o mais nocivo, é que tais estratégias funcionam. E por funcionarem, deformam as consciências, convertendo pessoas em seres carentes, pets de última geração, aos cuidados do Estado.
O ser humano é portador de eminente dignidade natural. Abdica a essa dignidade quem aceita ser passivo nas suas relações com os outros e com o Estado. Fomos criados para existirmos em sociedade e em solidariedade, mas sem deixarmos de ser nós mesmos, indivíduos sempre, nos nossos erros e nos nossos acertos. E, por isso, responsáveis. Aceitar passivamente que o Estado esteja aí para cuidar da gente é desconectar-nos das fontes de energia interior que nos impelem a cuidarmos bem de nós mesmos e dos nossos. E equivale a transferir essa energia pessoal, com grande perda, para as centrais cada vez mais totalizantes do Estado.
O Estado brasileiro é forte onde deveria ser fraco e fraco onde deveria ser forte. É forte nos meios de ingerência e concentração de recursos e de poder, a ponto de estar acabando com a Federação. E fraco, fraquíssimo, em suas funções essenciais, a começar pela manutenção da ordem e segurança da sociedade. Não cabe a ele tomar dos indivíduos as rédeas dos seus destinos. Cabe-lhe criar as condições - repito: criar as condições - para que os indivíduos se desenvolvam. Portanto, só lhe compete fazer aquilo que as pessoas não possam fazer por si. E mesmo quando tais ações forem necessárias, deve o Estado reconhecer seu papel subsidiário. Fica bastante coisa para o Estado, sim. Mas sempre na justa medida, sem invadir o espaço sagrado onde cada um é soberano de si mesmo. Procure, leitor, os lugares onde as pessoas são mais necessitadas e chegará àqueles em que o Estado decidiu ser tudo para todos. Ou sequer apareceu para fazer o que deveria porque está metido onde não deve.
* Percival Puggina (76), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
ÓDIO DO BEM - 26/11/2020
No século passado, houve um longo tempo em que o comunismo e o respectivo cortejo de males só pela força bruta conseguia espaço para instalar suas estruturas de poder. Sacrificava vidas – muitas vidas, milhões de vidas! – e depois, neutralizava, também pela força, os remanescentes. Foi o período de triunfante expansão territorial dos totalitarismos, dos quais sobrou o comunismo, embora também ele tenha sido forçado a reconhecer seus fracassos ao som surdo das marretadas com que a população da Alemanha Oriental abriu passagem no Muro de Berlim.
A perda de validade das profecias comunistas de Marx não foi admitida pelos movimentos revolucionários em muitas nações periféricas. Na América Ibérica esses grupos se reuniram no Foro de São Paulo. O muro caíra em novembro de 1989 e em julho de 1990, apenas oito meses depois, esse colegiado se reunia na capital paulista, mobilizado por Lula e Fidel Castro. Ali secaram as lágrimas pelas perdas europeias e, numa operação quase hospitalar, ligaram as finadas profecias marxistas aos aparelhos partidários da esquerda do continente. Dada a natureza dos grupos que se coligaram, boa parte dos quais remanescentes da luta armada revolucionária, era preservado, in vitro, o ânimo belicoso que vê a política como luta que só se resolve com a total submissão do antagonista.
É essa a ideia presente no conceito de luta de classe. Ela só tem solução com a supremacia de uma classe sobre a outra. E tudo ganha agilidade na direção da hegemonia se novas classes forem se organizando mediante atração de “minorias” para a luta política. Eu vi isso acontecer e apontei nas mesas de muitos debates, no final dos anos 80.
***
Bem antes, porém, escrevia Mario Ferreira dos Santos. Ele é considerado, inclusive por Olavo de Carvalho, como o maior filósofo brasileiro. Filósofo de fato, de pensamento autônomo, autodidata, autor de dezenas de obras de fôlego e relevo, esteve desconhecido do público brasileiro, logo se verá por quê. Um ano antes de sua morte, em 1968, foi publicado pela primeira vez seu livro “A invasão vertical dos bárbaros” que trata da ocupação de uma nação pela destruição de sua cultura por uma cultura inferior. Passados 53 anos, esse fenômeno é um dos principais motivos para reflexão e preocupação dos brasileiros, com justificados reflexos na política nacional.
Ao mesmo tempo, os bárbaros locais não dizem dez palavras sem falar em luta. Exceto se querem esconder quem são por conveniência do marketing eleitoral. Herdaram o ânimo belicoso dos tempos da invasão horizontal. Em relação ao que expõem como suas causas, punhos cerrados, eles não as propõem, nem sustentam, nem escrevem, nem alardeiam, nem mobilizam. Eles lutam. A práxis é a luta. A vida é a luta. A frase não sai sem luta. Vem dela o ódio ao adversário. Aprenderam do adorado Che a ver “o ódio como fator de luta”. Não se constrangem, sequer, de torcer escancaradamente para que um inimigo do Brasil vença a eleição nos Estados Unidos se isso fizer mal, também, àqueles a quem odeiam. Só que claro, com a conivência do fã clube midiático, esse é um ódio do bem...
* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
“QUERIDES ALUNES” - 20/11/2020
Chamou-me a atenção a notícia de que o Colégio Franco-Brasileiro, tradicional educandário carioca, passava a adotar a linguagem de gênero neutro nas comunicações formais e informais. O motivo desse pega pra capar ideológico é dado pela conjugação do feminismo radical com o movimento LGBTQI et alii na sua guerra contra o macho da espécie.
Em nota pública dirigida à comunidade escolar, o colégio disse:
"Renovando diariamente nosso compromisso com a promoção do respeito à diversidade e da valorização das diferenças no ambiente escolar, tornamos público o suporte institucional à adoção de estratégias gramaticais de neutralização de gênero em nossos espaços formais e informais de aprendizagem".
Embora a nota da escola pareça extraída de uma assembleia de militantes, seu inteiro teor informa que ela não “configura a obrigatoriedade da adoção da estratégia” porque “a normatividade linguística de neutralização de gênero (...) ainda evidencia certa restrição a esses usos”. Ou seja, a boa gramática ainda não foi para o lixo seco. Mais adiante, afirma: “A substituição da expressão queridos alunos por querides alunes passa a incluir múltiplas identidades sob a marcação do gênero em “e””. E fica claro o objetivo a ser perseguido. Afinal, diz, “a marcação neutra de gênero compareceu a diversas categorias gramaticais no passado de nossa língua” e “o uso da língua reflete as mudanças pelas quais a sociedade passa”. Abusam da História..
Enquanto conto até 10 vou decidindo saltar a fase dos presumíveis adjetivos, inclusive alguns muito corretamente aplicáveis ao caso. Então, vamos aos fatos. Além do Congresso Nacional, quase todas as Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores do país decidiram excluir a ideologia de gênero de seus planos de Educação. À época em que o tema foi objeto de acaloradas discussões, eu afirmei que para os grupos feministas radicais e para os radicais do movimento gay aquela sucessão de democráticas derrotas legislativas estava longe de significar que o assunto se esgotava. Eles manteriam o objetivo que, em última análise, não pode dispensar a sala de aula. Não pode prescindir do domínio das mentes infantis.
É sobre isso que o Colégio Franco-Brasileiro confabula e é para proteger as crianças disso que nos mobilizamos nacional e localmente contra a introdução da ideologia de gênero nas escolas através dos planos de educação. Levar uma criança ou uma escola inteira a falar de modo incompreensível o vasto vocabulário do “dialeto” de gênero, em construção, exige penetrar no que lhe dá causa: o ideológico e perigoso território do gênero. E o que é pior, do gênero que, ou se escolheria nas circunstâncias do cotidiano, como a echarpe de cada noite, ou na construção do coletivo, por reconhecimento da tribo.
O produto colhido por essa perversidade serão homens não masculinos, inadequados às mulheres que continuarem sendo femininas.
* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
IDEOLOGIA DE GÊNERO: PSOL PEDIU E O STF VAI DELIBERAR - 31/10/2020
A intromissão não cessa. No próximo dia 11, depois de três anos da apresentação, chega ao plenário do Supremo a ADI 5668 através da qual o PSOL, que felizmente não tem força política para impor seu querer ao país, busca obter da Corte uma alteração no Plano Nacional de Educação. Se você imagina que seja para melhorar a qualidade do ensino, enganou-se. O PSOL quer incluir no PNE a obrigatoriedade de ser combatido nas escolas o bullying por gênero que atinge indivíduos do grupo LGBT.
A notícia foi usada, nestes últimos dias, com diferentes versões, para produção de fake news identificadas como tal por boatos.org. No entanto, assim como há, de fato, boatos em torno do assunto, há também verdades que não foram ditas.
O PSOL quer, com essa medida, reverter uma decisão do Congresso Nacional e demais parlamentos do país que, de modo quase unânime, decidiram não incluir a temática de gênero em seus planos de Educação. O próprio PSOL o reconhece no texto da ADI quando afirma que “parlamentares contrários aos direitos humanos da população LGBT conseguiram retirar dos planos Nacional, Estaduais e Municipais de Educação menções ao enfrentamento das discriminações por gênero, identidade de gênero e orientação sexual também nas escolas”.
O motivo pelo qual os parlamentos assim decidiram e o STF deveria recusar a pretensão do PSOL é sua efetiva desnecessidade. Os motivos para bullying e discriminação entre crianças e adolescentes são de várias naturezas e motivações. Portanto, está correta a redação dada a essa questão pelo PNE, cujo artigo 2º relaciona, em 10 incisos, as diretrizes do Plano. O inciso III trata da “erradicação de todas as formas de discriminação”. Criar uma abordagem específica para a temática LGBT é discriminar todas as outras formas de bullying. É priorizar uma em detrimento das demais, para atender ao gosto do PSOL. O que deve ser objeto de defesa é o respeito à dignidade humana, independente de qualquer desigualdade natural ou criada. E o que deve ser objeto de combate e erradicação é toda a forma de assédio moral, psicológico, sexual, entre tantas outras de que possa a maldade humana cogitar. A escola deve ser um farol a iluminar crianças, adolescentes e professores com os valores indispensáveis ao bom convívio em sociedade.
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A temática de gênero é, sim, de natureza ideológica. Desde o início envolveu questões de poder na sociedade a partir da descaracterização do núcleo familiar. Afirma uma ficção como verdade ao dizer que gênero é construção social. É tão ideológica que para ser sustentada e conceber uma realidade descritível precisou criar um vocabulário, inventando palavras não dicionarizadas e alterando todos os pronomes da língua portuguesa que passam a ter ortografia própria para não se identificarem com gênero algum. Daí coisas como “não binário” e “cisgênero”, entre uma infinidade de outras invenções. Ninguém precisa disso para não ser um estúpido preconceituoso e desrespeitoso.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
UM PODER INTROMETIDO - 28/10/2020
Eu não queria acreditar quando me contaram que sete partidos já recorreram ao STF para que a Corte determine ao presidente da República como deve agir em relação à CoronaVac. Parece uma questão tipicamente judicializável, não? Os ministros devem saber tudo sobre esse assunto, instruídos em algum curso pós doc...
Em nome do convívio independente e harmônico entre os poderes de Estado, as manifestações do STF em questões do Executivo e do Legislativo deveriam ser raras e muito bem justificadas. É fácil entender que pequenos partidos, ou o bloco minoritário da oposição, sem votos suficientes para impor suas opiniões, recorram ao STF, num claro abuso do direito de peticionar. Mas é difícil entender que os “supremos” se prestem para a instrumentalização do poder que têm.
Malgré tout, nosso STF é o próprio poder xereta, dando causa a desnecessárias tensões políticas. A maioria dos senhores ministros vê o presidente da República com as lentes do partido ao qual devem suas nomeações para o posto que ocupam. Sob essas lentes, Bolsonaro é um tirano que precisa ser contido e, para contê-lo, foi instituída uma informal ditadura do judiciário. Um caso típico de projeção: projetam em Bolsonaro o que, na prática, eles mesmos se comprazem com ser. Puxe pela memória, leitor, e me diga quando, nas últimas décadas, vivemos período de tanta intromissão do Supremo e de seus ministros na vida nacional?
PT, PCdoB, PSOL PSB e Cidadania querem que o STF impeça o governo de se contrapor a qualquer providência referente a vacinas e vacinações; a Rede quer que o governo apresente um plano de vacinação; o PDT quer que o Supremo reconheça a competência dos estados e municípios para tornar compulsória ou não a vacinação, e o PTB pede que essa possibilidade seja declarada inconstitucional.
A questão de fundo aqui é a seguinte: por que esse surto de judicializações, que não dá sinais de esmorecer, esvaziando o debate político, descaracterizando as funções do parlamento e comprometendo as ações do governo? São três as respostas a essa indagação. Elas interferem cumulativamente para darem causa a esse surto.
• Resposta 1 – o único intuito da oposição é atrapalhar o governo;
• Resposta 2 – o plenário do STF é, hoje, o mais ativo partido político brasileiro;
• Resposta 3 – há notória sintonia entre a oposição e a maioria do STF.
De todos esses pleitos, o único que tem jeito de matéria constitucional é exatamente aquele em que se confrontam os pedidos de PDT e PTB: é legítimo tornar a vacinação obrigatória? Parece bem nítida, aqui, no pedido do PDT, a afronta a liberdade individual, mormente quando, a cada dia, aumentam as incertezas sobre a segurança dessas vacinas. Sem esquecer, por fim, que a CoronaVac é mercadoria que o Partido Comunista da China põe à venda dizendo que vai imunizar a população contra o vírus que veio de lá.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
OS CONSERVADORES E A PROTEÇÃO DA FAMÍLIA E DA INFÂNCIA - 20/10/2020
Se formos estudar sobre conservadorismo folhando os mais brilhantes autores europeus, vamos morrer de inveja. Eles têm o que conservar ainda que o façam, como nós, sob intenso ataque. Têm tradição e a respeitam. Vivem em um continente onde existe visão de história e, principalmente, instituições estáveis e funcionais. Nós estamos apenas começando a nos conhecer. Ganhamos a eleição com uma visão bastante clara do que não queríamos. Convergiremos no que queremos?
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Engels, em união de almas ignoradas e desmazeladas com Marx, atribuiu à instituição familiar os males do mundo e abriu mais uma porta ao sinuoso e misterioso raciocínio do filosófo de Tréveris. Verdadeira multidão de pensadores bebeu água na fonte marxista. Alinharam-se com o desconstrucionismo próprio dos movimentos revolucionários. Converteram suas jovens vítimas em bonequinhos da reengenharia social. Dedicaram as últimas décadas a desacreditar, tumultuar e sabotar a instituição familiar. Fazem-no com palavras e obras. No serviço de sua causa política.
O séquito dos adoradores de Marx desconsidera seus erros. No entanto, ele deve ter sua validade medida e bom modo de fazê-lo é se deixar conduzir pelo cordão de seus prognósticos. Sua bola de cristal nunca funcionou direito e suas previsões para o futuro da humanidade seriam mais acertadas se vasculhadas esotericamente na borra de uma xícara de café.
Não é para desfazer de Marx que estou escrevendo isso, mas para que, passados 137 anos de sua morte tenhamos um juízo adequado do valor, aos pósteros, de sua produção intelectual. Nada diferente do que a história nos reserva quando vamos examinar textos de outros pensadores que se arriscaram a vislumbrar além do horizonte. Não podem ser comprados pelo preço da etiqueta.
O fato é que se há um território disputado na guerra cultural, fria e civil, é o território da família. Na perspectiva conservadora, essa é uma luta de vida ou morte porque, sem família perdem-se as crianças, vai-se a fé, e cessa a transmissão dos valores. Eis por que, mundo afora, tantos professores de modo velado ou explícito, jogam os filhos contra os pais, mormente se a clientela for de famílias daquela classe que a socióloga do PT, Marilena Chauí diz odiar.
Pense nas correntes políticas e ideológicas que agem contra a família, contra a infância, a favor da sexualização precoce ao mesmo tempo em que “problematizam” a sexualidade infantil com a ideia fixa da ideologia de gênero, impingida com inesgotável persistência. Observe que esses mesmos grupos políticos e partidários defendem a liberalização das drogas, referem-se à maconha como equivalente psicotrópico da independência e da liberdade. Usam a imagem da folha do vegetal como bandeira... “Abre as folhas sobre nós!”. Não sei qual será sua conclusão, mas para mim esses grupos estão tão preocupados com a infância quanto o Zucherberg com a chuva ácida na Polônia. Estão simplesmente fazendo sua parte na guerra cultural.
Agora, faça mais. Lembre-se do que aconteceu quando lançada a campanha de prevenção da gravidez precoce. Como reagiu a imprensa militante, quase sem exceção? Qual a atitude dos partidos revolucionários? As meninas eram apresentadas como Rapunzel presa na torre da bruxa Damares Alves, obrigadas a lançar as tranças para a escalada de seus príncipes... Metamorfosearam a campanha, para combatê-la, tanto quanto nossos congressistas metamorfosearam o pacote anticrime quando enviado ao Legislativo.
A proteção da instituição familiar deve ser, portanto, um dos principais pontos para agregação dos conservadores brasileiros.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
UM LAVAJATISTA NA PRESIDÊNCIA DO STF - 10/10/2020
Luiz Fux já deixou claro que será insubmisso aos arranjos da dupla Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Fux foi um dos cinco ministros que votou a favor da prisão após condenação em segunda instância. Entende-se, ele é o único dos 11 que, como escrevi outro dia, entrou pelo piso do Poder Judiciário, na Justiça de 1º Grau. Interrogou criminosos e suas vítimas, olho no olho. A prática forense concede ao magistrado consciente de seu dever uma sensibilidade maior às consequências da tolerância para com ações malignas na sociedade.
Ele expressou seu desagrado em relação ao encontro entre Toffoli, Gilmar Mendes, Davi Alcolumbre e Bolsonaro afirmando que não cabe à Corte participar de nenhuma espécie de "pacto federativo". Em seu entendimento, o STF não deve participar disso. Por cordialidade, colheu o voto de Celso de Mello e interrompeu o absurdo julgamento que o ministro impôs à Corte. Já deixou claro que pretende reduzir as decisões monocráticas que tanta celeuma causaram nos últimos anos revelando entendimentos contraditórios entre os ministros.
O novo presidente do STF é lavajatista, em dissintonia com o grupo antilavajatista do poder. Os inquéritos e ações da Lava Jato vinham sendo julgados na 2ª turma, justamente a turma tolerante, onde Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski compunham maioria de 3 x 2 contra Cármen Lúcia e Edson Fachin. Durante as ausências do decano por doença e, agora, a posse de outro provável antilavajatista, o placar dessa Turma ficaria num empate de 2x2 que é sempre contado como favorável ao réu. Já pensou? Julgado por uma turma de cinco ministros o corrupto sai livre com dois votos a seu favor... Por isso, o novo presidente abriu a última sessão arrancando do plenário a decisão de que inquéritos e ações penais, como aconteceu durante o julgamento do mensalão, serão sempre julgados pelo colegiado. Por coincidência, assisti ao momento em que, tendo o novo presidente aberto a discussão sobre o assunto, Gilmar Mendes reclamou manifestando desconforto por enfrentar esse tema de surpresa, “recém saindo do almoço”. Entende-se.
O STF continuará dividido. O provável novo ministro, o senhor Kassio com K, manterá as tendências atuais da corte. Não fosse assim, não sairia ungido de uma reunião tão estranha com presenças ainda mais estranhas. Resta o pequeno consolo de saber que o novo presidente marcou território, esvaziou os pneus de alguns advogados e é figura que se afirma, também, pela discrição em meio ao pavoneio de alguns de seus colegas. De minha parte, reitero: Longa vida à Lava Jato!
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros.Membro da ADCE. Integrante do grupo Pensar+.
QUE DEMOCRACIA É ESSA? - 12/09/2020
Se você quer um país onde a criminalidade seja punida de modo a desestimulá-la e as penas cumpridas, mas a realidade anda no sentido oposto...
Se você quer leis mais duras contra a corrupção, mas o Congresso aprova lei sobre abuso de autoridade para inibir a ação de juízes, promotores e policiais...
Se você quer que as penas comecem a ser cumpridas após a condenação em segunda instância, mas o STF impede e o Congresso não faz a alteração constitucional que dizem ser necessária...
Se você quer que os processos criminais tramitem mais rapidamente, para benefício da segurança dos cidadãos, mas vê o Congresso criando juizados de garantias que são mais um nó na correia dos processos penais do Brasil...
Se você quer que os tribunais superiores evitem a prescrição das condenações penais, mas fica sabendo que processos prescrevem ou são empurrados para a prescrição...
Se você quer que magistrados, como os ministros do STF, não atuem em casos que envolvam amigos, ou inimigos, mas os vê dedicados a isso expedita e alegremente...
Se você se envergonha e se constrange ao saber que organizações criminosas, como em nenhum outro país, se constituíram rapidamente para roubar, em pelo menos 19 estados, bilhões das verbas destinadas à saúde durante a pandemia...
Se você sabe que isso só acontece porque os criminosos recebem evidências diárias e históricas de que no Brasil o crime compensa...
Se você quer que, em favor do direito de defesa, seja facilitada a posse e o porte de armas, mas a tese, majoritária na sociedade, não consegue maioria no Congresso Nacional...
Se você quer que o Senado delibere sobre uma forma qualitativamente superior de provimento das vagas no STF, mas o Senado foge do assunto...
Se você quer que o Senado julgue as denúncias contra ministros do Supremo (impeachment) que se empilham nas gavetas do presidente David Alcolumbre, mas tais gavetas permanecem lacradas...
Se você quer que o Congresso revogue a PEC da Bengala, recuando de 75 para 70 anos a aposentadoria dos servidores, acelerando a renovação no STF, mas a proposta não consegue tramitar...
Se você quer que recursos públicos sejam orientados à sociedade e não sirvam para financiar partidos políticos e processos eleitorais, mas vê essas verbas sendo ampliadas...
Se você quer que os presidentes Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre encerrem seus mandatos no final deste ano, mas vê manobras para que sejam reeleitos...
Se você acha um absurdo a UNE arrecadar anualmente R$ 500 milhões com a emissão da carteira estudantil, mas sabe que o Congresso Nacional deixou caducar a Medida Provisória que as tornava gratuita aos estudantes brasileiros...
Se você gostaria que houvesse entre nós um renascimento do amor à pátria, mas vê, por toda parte, serem plantadas sementes de divisão e conflito, traição e revolta...
... enfim, se você é conservador, ou liberal, e pensa que tendo vencido a eleição realizou o necessário e suficiente para corrigir alguns dos pecados mortais da vida nacional, acorde.
Sim, acorde! Entenda, no jogo jogado da “democracia” brasileira, o tamanho do estrago feito em nosso país. É porque estamos institucionalmente tão mal que os bons brasileiros, como você, são tão necessários.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Integrante do grupo Pensar+.
A VIDA E SEU SUSTENTO - 26/08/2020
No dia 19 de julho a imprensa nacional informou que 716 mil empresas haviam fechado as portas no Brasil em virtude da pandemia. E o coronavírus seguirá, setembro adentro, vitimando, também, esses ambientes proveitosos à vida humana que são as empresas privadas.
Digo isso ciente de que, infelizmente, essa não é uma percepção comum. A população brasileira transita, inadvertida e submissa, em meio a instrumentos de doutrinação e domínio das mentes sob os quais se predispõe a considerar o ambiente empresarial como um lugar de opressão e submissão para exploração. Não percebem – tantos brasileiros! – quão submissos estão, isto sim, à opressão e à mistificação ideológica. Não é por outro motivo que, em tempos de pandemia, tanto se fala em opção entre vida e dinheiro. No entanto, esses locais que chamamos empresa, escritório, firma, fábrica, loja, venda, estão para a vida humana assim como os recifes de coral estão para a vida marinha nas cálidas águas tropicais.
Empresas funcionam à semelhança dos ecossistemas. Quando fatores externos agem de modo descuidado, estabanado, todo o sistema padece esse impacto afetando os organismos que ali se desenvolvem e inter-relacionam. Acho que não preciso fazer prova dessas afirmações. Estamos vendo acontecer. Até aqui, aliás, este texto é meramente descritivo. Mas tem mais.
Quando, em 2013 a cidade de Detroit quebrou, a maior parte de seu imenso parque automobilístico já havia encerrado atividades ou ido embora. A população caiu de dois milhões para cerca de 700 mil habitantes. Setores da cidade e imensos pavilhões industriais proporcionaram cenários para filmes de zumbis. Pelo viés oposto, são os negócios, a atividade mercantil, a manufatura, a prestação de serviços que a seu modo viabilizam a vida, a realização dos sonhos, as famílias e seus projetos. A vida e a liberdade.
Dez mil lojas de variados portes fecharam no Rio Grande do Sul. Não suportaram. Seus proprietários chegaram ao mês de maio com seus recursos esgotados diante de mais de dois meses com as portas fechadas desnecessariamente porque o vírus andava longe daqui. Quando ele chegou, teve início o abre e fecha, tipo sanfona de gaiteiro preguiçoso, muito mais tempo fechada do que aberta. Vieram os horários estapafúrdios, veio a arbitrariedade das agendas de funcionamento tiradas de mero arbítrio da autoridade, veio a onipresente ameaça do lockdown geral a afugentar ainda mais a vida de seu sustento.
Repito: a afugentar a vida de seu sustento!
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Cidadão de Porto Alegre. Integrante do grupo Pensar+.
HELICÓPTEROS NA FAVELA E O STF - 20/08/2020
Justiça é uma coisa; igualdade, outra. O hábito de absorver a primeira na segunda leva a situações bizarras. Contam-se, por exemplo, mortes de bandidos e mortes de policiais e se deduz que há uma desigualdade entre esses óbitos, caracterizando situação de combate injusto. É como se tudo ficasse mais gentil caso o número de policiais mortos fosse maior. E por aí vai o estrabismo moral dos falsos justiceiros.
Em importante matéria (1), o site Tribuna Diária registra (19/08) depoimento do Coronel Cajueiro, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. No estudo que fez, na condição de Superintendente de Comunicações Críticas e Presidente da Comissão de Análise da Vitimização da PMERJ, fornece números impressionantes de baixas sofridas pela corporação. Os dados que incluem mortos e feridos em serviço e em folga chegam, em 25 anos, a 20% de seu contingente atual.
Não tenho notícias de que o STF já tenha sido requisitado, ou de que qualquer ministro haja espontaneamente se manifestado sobre impor algo em benefício da segurança dos policiais em conflito com inimigos da Lei, da qual ele, Tribunal, é principal guardião. No entanto, leio que para regular no sentido oposto o ministro Edson Fachin, relator da ADPF das Favelas, consumiu 81 páginas. Páginas de tempo e papel!
No que o ministro determinou, se inclui a ordem para que os policiais militares da PEMRJ restrinjam o uso de helicópteros em voos sobre os morros cariocas a situações excepcionais. O ministro Lewandowsky, a seu turno, quer que o Estado do Rio de Janeiro elabore um plano com "medidas objetivas, cronogramas específicos e previsão dos recursos necessários” para redução da letalidade policial e ao controle de violações de direitos humanos.
Assuntos como o genocídio de policiais mencionado pelo coronel Cajueiro não comparecem ao caderno de encargos dos partidos de esquerda, entre eles o PSB, autor da ADPF, sempre intensamente preocupado com as graves questões nacionais que desembocam em pautas como os óbices ao uso de helicópteros pela polícia em operações nos morros cariocas.
Nessa voragem da razão, com aval do STF, suprime-se uma das vantagens da polícia militar em relação aos criminosos e se reproduz o acordo de Brizola com o mundo do crime, quando ele se foi enraizando, calcificando, cristalizando e fortificando nos morros da capital fluminense. E a polícia? Bem, a polícia poderia procurar bandidos e combater o crime organizado longe dali, na pacífica Petrópolis, ou nos espaços despovoados da região serrana...
A Agência Brasil, em matéria de 18/8, tratando dessa decisão do pleno do Supremo, informou que “no início do mês, o STF tomou a primeira decisão para limitar as operações policiais em comunidades do Rio. Pela decisão, as operações poderão ser deflagradas somente em casos excepcionais. A polícia ainda deverá justificar as medidas por escrito e comunicá-las ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, órgão responsável pelo controle externo da atividade policial”. Policiamento de papel. Papel para lá, papel para cá. Atividade policial não se planeja como um evento, assim, tipo convenção, feira ou casamento. Nem têm proclamas ou editais as atividades criminosas.
Policiais militares agindo contra o crime que nos aterroriza, nas suas organizações ou na atividade rueira, salvo exceções, nos representam e defendem com risco da própria vida. Gratidão é a palavra! Contê-los é conter-nos. Atacá-los é atacar-nos, seja com as armas de fogo, seja com as armas da palavra; ou seja, ainda, com a caneta, na segurança dos gabinetes e no conforto dos estofados e tapetes.
(1) https://www.tribunadiaria.com.br/noticia/1183/cel-da-pmerj-defende-o-uso-de-helicopteros.html?
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras e Cidadão de Porto Alegre, é arquiteto, empresário, escritor e titular do site Conservadores e Liberais (Puggina.org); colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil pelos maus brasileiros. Integrante do grupo Pensar+.
O INDIVÍDUO E A MULTIDÃO - 13/08/2020
Amanhecia em Porto Alegre e eu saía em viagem que me levaria a um compromisso no sul do estado. Quando me aproximei da ponte que faz a travessia do Guaíba, a porção levadiça estava erguida para a passagem de uma embarcação. Quando isso ocorre, forma-se um grande acúmulo de veículos em ambos os lados da travessia. Reaberto o fluxo, retomei a marcha e fui observando simétrico movimento na pista em sentido oposto. Subitamente, um longo trecho dela ficou sem trânsito e uma aglomeração ficou visível mais adiante. Imaginei tratar-se de um acidente, mas me enganei. Havia um carro parado no meio da pista, com o motorista aparentando dormir. Os veículos que vinham atrás, tentando de algum modo ultrapassá-lo, acabaram obstruindo completamente a via. Fui em frente, rindo e pensando sobre o que acabara de ver: se uma pessoa parada tranca uma multidão, uma pessoa em ação mobiliza uma multidão.
É uma experiência simples, empírica, mas verdadeira, que nos leva a recear das situações – e são muitas essas situações – em que o não fazer, o desistir, o arriar braços fecha a pista para a necessária mobilização social e a obtenção dos consequentes efeitos políticos.
Essa mobilização independe de gostar ou não de política. Aliás, gostar da política que temos não é sinal de muito bom gosto. Ela não se torna um imprescindível espaço da cidadania por ser agradável, charmosa, atraente (mulheres são assim, a política não). A política se faz necessidade imperiosa porque seu substituto soma violência e caos. Ademais, ela influencia nossa vida antes do nascer e segue influenciando o que de nós restar após a morte. Gostar ou não é irrelevante e apenas serve para estabelecer formas e níveis de participação. Quem se sente atraído ou vocacionado atuará nos partidos, será candidato ou apoiará candidaturas; quem não se sente atraído deve impor a si mesmo a obrigação de informar-se e ser um eleitor esclarecido.
O não gostar nunca foi suficiente para justificar o "afastamento horizontal" de quem conhece e sente a responsabilidade que recai sobre os membros de uma sociedade política. Nada se resolve com a desistência, o abandono da causa, o evanescer dos sonhos, o dirigir xingamentos e desaforos à pátria comum, como se ela fosse causa de nossos problemas e nós inocentes em relação aos problemas dela. Nada melhora agindo como se o ato de desistir nos fizesse subir um centímetro que seja na escada da moralidade. Seríamos a pior geração da história se desistíssemos, entregando uma partida ganha para quem a perdeu em 2018 e, em momento algum, contando com a nossa tibieza, cometeu o erro de desistir.
Você percebeu o volume das ações desencadeadas contra o governo nos últimos meses? Os autores disso tudo perderam a eleição... Imagine o que farão se e quando retomarem o poder.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
ENFIM, A CONFISSÃO - 31/07/2020
“Todo órgão de imprensa tem censura interna. Em que sentido? O seu acionista ou o seu editor, se ele verifica ali uma matéria que ele acha que não deve ir ao ar porque ela não é correta, ela não está devidamente checada, ele diz: ‘Não vai ao ar’. Aí o jornalista dele diz: ‘Mas eu tenho a liberdade de expressão de colocar isso ao ar?’. Entendeu? Não é à toa que todas as empresas de comunicação têm códigos de ética, códigos de conduta, de compromisso. Nós, enquanto Judiciário, enquanto Suprema Corte, somos editores de um país inteiro, de uma nação inteira, de um povo inteiro”. (Ministro Dias Toffoli, em vídeo conferência promovida pelo site Poder 360 e pelo Observatório de Liberdade de Imprensa do Conselho Federal da OAB
Nos três dias que se seguiram a essa mal costurada fala do ministro, procurei no Google matérias a respeito que tivessem sido publicadas em grandes meios de comunicação. Praticamente nada! O presidente da Suprema Corte de um país que se declara Estado democrático de direito, afirma serem, cada um e todos os seus 11 ministros, “editores de um povo inteiro”, e o dito passa batido? Nenhum nos grandes jornais exclamou um “Epa!” sequer?
Chamou-me a atenção matéria do site Conexão Política, com o título “Toffoli diz que STF atua como editor da sociedade e recebe críticas da Internet”. Sim, é fato. Essencialmente na Internet, nas redes sociais tão antagonizadas pelos veículos da mídia militante, verdadeira multidão de brasileiros registrou seu estupor perante a presunção do ministro ao formular tal disparate em presença de tantas testemunhas.
Não fiquei surpreso. Reiteradas vezes tenho expressado, ao conhecer certas decisões de nosso Supremo e ao presenciar certos votos de alguns senhores ministros, minha percepção de que pretendem ser, ou agem como se fossem, reitores da sociedade, pedagogos da nação. Essa tendência se revela exatamente nos momentos em que as percepções, as concepções e as visões de mundo dos membros do pretório excelso transbordam além das gélidas linhas dos votos lidos. Houve quem julgasse exagerada minha observação. Agora não resta dúvida: o ministro presidente faz uso de outra palavra para definir a mesma ousada tarefa. Para ele, os membros da Corte não são reitores nem pedagogos da sociedade. São editores. E o são com agrado geral da Corte porque não apareceu um só para dizer diferente.
A orientação “editorial” do STF está em consonância ou fornece regência à linha dos grandes veículos da mídia militante e a ela não escandalizou. Sabe por quê? Porque esta só receia o fantasma da censura da direita; censura da esquerda, real e evidente, é feita dentro de casa mesmo, ora essa. Daí o silêncio ante a analogia formulada pelo ministro. Note-se que para não deixar dúvida sobre o sentido dessa simetria, o ministro falou que tais jornalistas editores, cada um no seu quadrado, atuam como censores do trabalho dos colegas.
O “inquérito do fim do mundo”, dito inquérito das fake news, o eterno compadrio com o Senado Federal, a fala do ministro e a indulgência plenária concedida pela mídia militante são sinais de uma rejeição ao resultado das urnas de 2018. Ele afetou o juízo de muita gente.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
UM VÍRUS FAZ POLÍTICA NO BRASIL - 11/07/2020
Uma senhora conversa com o médico e lhe pergunta: “Doutor, quando o senhor acha que a covid-19 vai acabar?” E o médico, estetoscópio no pescoço, responde: “Não sei, eu não entendo muito de política.”
O inteligente cartum me chegou por e-mail. Ao constatar uma realidade do nosso cotidiano, onde a política está em tudo, como costuma ocorrer em países nos quais o Estado é forte e a sociedade, frágil, a imagem afirma ironicamente uma grande verdade. A covid-19 domina o noticiário e onde andam as notícias aí também se infiltram os interesses da política. Prefeitos e governadores têm sido agraciados pelos meios de comunicação com espaços que nunca tiveram antes. Nos respectivos partidores, se agitam candidaturas.
Há um confronto de imprudências. De um lado, Bolsonaro, com o intuito de manter viva a chama do entusiasmo nacional que o levou à presidência, desdenha o vírus como se fosse um opositor desprezível, embora seu governo tenha dado, e bem, todos os onerosos passos para atender demandas no espaço de ação da União. De outro, governadores e prefeitos jogam uma partida errada, em que os danos à sociedade aumentam com a submissão de suas atividades a uma sanfona de abre-e-fecha. No Rio Grande do Sul, para “achatar” uma curva que sequer se formava, ficamos fechados quando os hospitais estavam vazios... Agora o vírus chegou, o mapa do governador se pintou de vermelho, a mesma cor para onde vão os indicadores sociais, os saldos, as contas, os balanços e as estimativas para o futuro imediato e mediato. Não foi por falta de aviso, de choro, nem de ranger de dentes.
O vírus desconjuntou ainda mais nosso sistema político. Calou a nação com a máscara, acabou com as reuniões. Diminuiu o poder do presidente, aumentou o poder dos governadores e prefeitos. Nos parlamentos e colegiados franqueou a porta para o autoritarismo de muitos presidentes. Os plenários vazios são território de um poder vacante. Os mandatos se exercem dentro de casa, em eventos virtuais, irreais, que nem de longe conseguem prover o contraditório necessário à democracia, à tomada de decisão e ao melhor exercício do poder do parlamento. Parlamento silencioso é uma contradição nos termos. Ele não é um lugar de prolongados silêncios ou em que alguém, na telinha, fala para uns poucos ouvidos.
A covid-19 calou os parlamentos e deu voz aos tiranetes oportunistas, sob completo silêncio dos idiotas da objetividade (para dizer como Nelson Rodrigues), que se submetem a tudo e a qualquer um.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
DECOTELLI NÃO PODE ASSUMIR - 29/06/2020
O Estado brasileiro resfolega sua incompetência. Custa caro, queima óleo, roda mal e só ocasionalmente completa o percurso. Os episódios envolvendo a nomeação de Carlos Alberto Decotelli para ocupar o cargo de ministro de Educação são exemplos claros disso.
Como imaginar que a pessoa indicada para o MEC tinha uma vida acadêmica tão fajuta? Exatamente porque isso é inimaginável, era necessário que algum órgão do governo fizesse essa checagem junto às fontes mencionadas. Obviamente não é ao presidente que cabe investigar as competências dos membros de sua equipe. Não é ele, tampouco, que vai informar-se sobre os conceitos de que desfrutam os indicados nos locais onde tenham desempenhado atividades. Se Decotelli assumir vai prejudicar o governo e o trabalho a ser feito no MEC.
A natural circulação das informações, num mundo online, rapidamente descobriu o que, com facilidade, teria sido esmiuçado se alguém tivesse feito o seu trabalho. Ou não? O ministro não defendeu tese na Argentina e sua proposta para esse fim foi rejeitada pela comissão. Da tese que apresentou para o curso de mestrado na Fundação Getúlio Vargas diz-se que incluía trechos de outras fontes sem dar crédito aos respectivos autores. Seu pós-doutorado na Alemanha não aconteceu e não foi obtido entre 2015 e 2017, tendo ele passado três meses por lá em 2016.
Bem espremido, o currículo do professor periga perder ainda mais substância. Digo isso porque seu pedido de desculpas ao presidente já deveria ter sido apresentado e essa novela, sob o ponto de vista administrativo, lançada no cadastro dos acontecimentos exóticos, com envio de cópia para uma provável futura investigação sobre crimes de falsidade ideológica. O mais grave de tudo talvez se revele no fato de o professor Decotelli haver tentado explicar o inexplicável, aparentemente numa suposta expectativa de assumir o cargo, como se isso fosse tolerável e as acusações contra ele, desimportantes.
Não são. Exatamente por não o serem, avulta a responsabilidade de quem deveria fazer a completa investigação antes de autorizar a nomeação do professor. Das consequências dessa desatenção, nos livraram – à nação e ao governo – os olhos atentos da sociedade. Imagine os cuidados de uma empresa privada de 300 mil funcionários (número de servidores do MEC), para escolher seu CEO e compare com esse disparate!
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
EM DIA DE PACIFICAÇÃO, TRÊS TORPEDOS DISPARADOS POR MINISTROS DO STF CONTRA O PRESIDENTE. - 26/06/2020
Durante quase toda minha vida ouvi a frase: “Não existe opinião pública; o que existe é opinião publicada”. Dela fiz uso, muitas vezes, para mostrar que a imprensa costumava atribuir à sociedade, como conteúdo de produção própria, ideias e opiniões cuidadosamente cultivadas no que ela, imprensa, disponibilizava.
Nos anos mais recentes, a popularização da Internet, dos smart phones e das redes sociais abriu um amplo espaço para as fontes de opinião se expandirem em crescimento exponencial e em diversidade tal que, pela primeira vez na história, se pode falar sobre opinião pública como algo diversificado e democratizado.
O leitor destas linhas sabe. Nossa mídia vem seguindo uma estratégia que, embora tendo Bolsonaro como alvo aparente de suas matérias, visa, com efeito, restaurar seu antigo plantio e supremacia contra as opiniões de conservadores e liberais. Durante sucessivas décadas essas duas palavras eram usadas para injuriar pensadores, políticos, professores. Bolsonaro é, apenas, o alvo fácil para esse ataque a um público cuja opinião precisa sucumbir, novamente, no obscurantismo do movimento revolucionário, “autorrotulado” progressista, que dominou a política e a cultura brasileira com os péssimos resultados ainda hoje se fazendo conhecidos... graças às redes sociais.
Os jornais desta manhã (26/06) trazem a notícia de que o presidente da República discursou ontem no Palácio do Planalto, em presença do ministro Dias Toffoli do STF e falou em colaboração e harmonia entre os poderes de Estado. Do que li, colhi a impressão de que o presidente recuava de sua atitude até então belicosa para ir ao encontro da conduta fidalga dos demais poderes... No entanto, pasmem os leitores, ontem mesmo, em entrevista à CNN, o ministro Gilmar Mendes, com sua habitual falta de compostura (um defeito que a mídia só vê em Bolsonaro) fez piadinha dizendo que as milícias do Rio podem emprestar um soldado e um cabo"... (1). Também ontem, ao ser eleito para presidir o STF a partir de 10 de setembro, o ministro Luiz Fux afirmou sua disposição de manter o STF “no mais alto patamar das instituições brasileiras” (2). Na véspera, em entrevista ao UOL, a ministra Cármen Lúcia, falando do que não entende, havia afirmado: “Acho difícil superar a pandemia com esse desgoverno” (3).
Diante desses três fatos pergunto se você, leitor, viu na grande imprensa alguma repercussão a essas frases que jamais seriam ouvidas de ministros que respeitassem sua função e poder, zelosos pela harmonia imposta pela Constituição? Desde quando ministros do STF estão liberados para fazer piadas maliciosas carregadas de intenções políticas? Desde quando um futuro presidente da Corte pode se comprometer com elevar seu poder acima das demais instituições, quando a CF diz que os poderes são independentes e harmônicos, sem que um se sobreponha aos outros? Desde quando uma ministra se permite fazer crítica política frontal, sem cabimento nem fundamento, como a formulada pela ministra Cármen Lúcia?
Quanta irresponsabilidade numa missão de tamanha responsabilidade! Tudo isso num intervalo de umas poucas horas, provavelmente em dia de folga dos loquazes ministros Alexandre de Moraes e Celso de Mello, muito mais useiros e vezeiros nesse tipo de manifestação de agravo ao Poder Executivo. Quanta parcialidade no comportamento da imprensa! Ah, se fossem ditos do presidente, ou de alguém a ele ligado!
(1) - https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/06/25/gilmar-mendes-milicias-rio-um-soldado-e-um-cabo.htm
(2) - https://extra.globo.com/noticias/brasil/fux-eleito-presidente-do-stf-diz-que-respeitara-independencia-dos-poderes-dentro-da-constituicao-24499149.html
(3) - https://noticias.uol.com.br/videos/2020/06/24/acho-dificil-superar-a-pandemia-com-esse-desgoverno-diz-carmen-lucia.htm
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
"NÓS, QUE LUTAMOS PELA DEMOCRACIA!..." II - 18/06/2020
A palavra democracia é prostituída no cotidiano de certos grupos políticos e de todos os regimes totalitários. Ressalvadas algumas pessoas de esquerda que conheci e respeitei ao longo dos muitos anos que com elas debati em centenas de programas de rádio e TV, a palavra deve causar dor de garganta à maioria de seus companheiros. Cá entre nós, qual a credibilidade de um grupo de antifas ou black blocs ao entrar na avenida portando faixas “pela Democracia”? Se olhasse apenas a faixa sem ver a estampa daqueles que a portavam, dir-se-ia que o grupo iria protestar contra o STF. Qual a credibilidade dos ministros do STF para falarem em democracia enquanto desprezam a opinião pública e o resultado da eleição?
Nessa encrenca política, típica de republiqueta bananeira em que o país está enfiado, volta e meia a frase que dá título a este artigo é pronunciada, com poses de estadista, por membros de alguns partidos de esquerda. Que é isso, companheiro? Prá cima de mim?
Os que pegaram em armas e foram para a clandestinidade eram menos hipócritas que a atual geração de revolucionários de terno e gravata. Estes últimos povoam o aparelho de Estado, lutam por privilégios e pelo seu direito a correção dos vencimentos enquanto uma combinação sinistra de vírus com burrice já tomou o emprego de milhões de brasileiros que atuam no setor privado.
Como entender que alguém ou que alguma organização política se apresente como lutadora pela democracia e use unhas e dentes da retórica para defender Hugo Chávez e seu sucessor Nicolás Maduro, os irmãos Castro (da empresa cubana Castro & Castro, Cia. Ltda) e a ternura “sedenta de sangue” de Che Guevara? Que credibilidade tinha a democracia entre as nações submetidas a torniquetes políticos e econômicos pela extinta URSS, rebatizadas sem consulta como Repúblicas Democráticas, ou Repúblicas Populares, quando não proclamando uma junção dos dois adjetivos?
Repito: os que pegaram em armas e foram para a clandestinidade eram menos hipócritas. Não prostituíram a palavra. Não a usaram para enganar bobos. Sempre que penso sobre a apropriação do vocábulo, que ganhou aberrante efeito demonstração na arruaça da Avenida Paulista, me vem à mente um episódio no qual terroristas e guerrilheiros tiveram a oportunidade de proclamar ao Brasil quem eram e o que pretendiam. E o fizeram, para a História, de viva voz e próprio punho. Era o mês de setembro de 1969. Duas organizações guerrilheiras, a ALN e o MR-8 haviam sequestrado o embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, e imposto condições para libertá-lo: soltura de 15 presos políticos e leitura em cadeia nacional de rádio e TV de um manifesto que haviam redigido. Naqueles dias, estava em plena vigência o AI-5 e o Brasil era governado por uma junta militar, em virtude do derrame cerebral que acometera o presidente Costa e Silva. Embarcar os presos para o México e para Cuba era fácil, mas autorizar a publicação nos principais jornais e a leitura em cadeia nacional de uma catilinária dos sequestradores era constrangedora rendição. Contudo, a execução do embaixador pelos sequestradores seria um mal maior. E a junta militar se rendeu.
O país parou para ouvir o texto redigido por Franklin Martins, um dos sequestradores. Oportunidade preciosa, dourada, única, para guerrilheiros e terroristas dizerem por que lutavam, afirmarem seus mais elevados compromissos e cobrá-los do governo, não é mesmo? O documento (leia a íntegra em "Charles Burke Elbrick" na Wikipedia) foi uma xingação que falava do que os revoltosos entendiam: ideologia, violência, "justiçamentos", sequestros, assaltos. Não há menção à palavra democracia. Nenhuma das dezenas de organizações guerrilheiras ou terroristas atuantes naqueles anos usou a palavra democracia para sua identificação.
Os que pegaram em armas e foram para a clandestinidade queriam levar o Brasil para o inferno comunista, mas eram menos hipócritas.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
UM INQUÉRITO TOTALMENTE FORA DA CURVA - 12/06/2020
Preocupou-me o voto do relator, ministro Edson Fachin, em relação ao inquérito instaurado pelo STF para investigar ameaças, manifestações antidemocráticas em relação àquele poder, notícias falsas e o que mais possa parecer perigoso, assustador ou difícil de ser tolerado por suas excelências. O inquérito, já haverá percebido o leitor, é uma sacola de feira, onde laranjas e couves se misturam com uvas e tomates. Está aberto, até mesmo, para investigar contas de campanha eleitoral, ainda que haja um tribunal superior para isso em pleno funcionamento.
Aliás, não se requer muita sensibilidade para perceber, no teor do voto, o esforço do ministro para proclamar o caráter excepcional, quase interdito a reiterações da Portaria e do subsequente inquérito que criou todo esse constrangimento à Corte. Enquanto falava, o ministro ia balizando, ao bom ouvinte e ao bom leitor, todas as manifestas demasias e impertinências da Portaria GP Nº de 14 de março de 2019 e em sua aplicação. Fosse tudo de tão bom fundamento quanto vêm tentando fazer crer os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que razões teria Edson Fachin para sublinhar, em reunião plenária, a necessidade de um inquérito do STF respeitar súmula vinculante (a de nº 14) editada pelo próprio tribunal sobre o “direito de amplo acesso dos advogados aos elementos de prova (...) que digam respeito ao exercício do direito de defesa”? Pois é.
Que necessidade teria o ministro de, em defesa da liberdade de expressão, propor a supressão do escopo do inquérito de postagens, expressões, manifestações pessoais e compartilhamentos se elementos assim já não estivessem acolhidos no escopo do inquérito em desrespeito àquela liberdade? É um desafio à capacidade de compreensão. Do mesmo modo, por que sublinhar o caráter “atípico” desse tipo de aplicação dos artigos 42 e 43 do Regimento Interno, que “não é nem deve ser usual”? E a grande obviedade comparece ao voto do ministro relator eivada de subjetividade: “Aquele que julga não deve investigar, menos ainda acusar, eis a premissa da isenção, sinônimo de independência. Ao fazê-lo, como permite a norma regimental, esse exercício infrequente e anômalo submete-se a um elevado grau de justificação e a condições de possibilidade sem as quais não se sustenta”. Subjetividade pura! Será que isso descreve a situação da poderosa vítima que investiga e julga suposto réu?
É bom lembrar o que está prescrito com todas as letras no art. 43 sobre essa exótica atribuição conferida ao presidente do STF: “Ocorrendo infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal, o Presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade ou pessoa sujeita à sua jurisdição, ou delegará esta atribuição a outro Ministro”. Como pode essa jurisdição extravasar a sede ou dependência do Tribunal, sair ao ar livre, atravessar a praça, cruzar os céus da pátria e investigar crime praticado por suspeito morador nos confins do território nacional, sem sair das dependências do STF? Onde foram parar o “juízo natural” e o “fruto da árvore envenenada”?
Cada vez que leio os dois artigos do Regimento Interno do STF que respaldam o inquérito (ademais sigiloso!) presidido por Alexandre de Moraes, mais se consolida em mim a percepção de que foram pensados e redigidos como forma de dar tratamento especial a crimes eventualmente cometidos no espaço físico do tribunal, criando ali um mundo à parte. É algo tão singular em relação aos nossos costumes que o ministro relator, se empenhou em promover uma espécie de lockdown do inquérito instaurado pela Portaria GP 69. É para seguir funcionando, mas não deve contaminar as práticas forenses, seja no STF, seja noutros tribunais. Não sirva ele de exemplo.
Vamos ver como votam os pares, mas fiquei com a sensação de que o ministro prestava uma sequência de socorros: um de natureza corporativa, de apoio à própria corte já enrolada nas demasias do inquérito em curso; outro de socorro aos investigados, estabelecendo limites e contenções, fechando portas e janelas para que algo assim nunca mais volte a acontecer.
Por fim, participo da mesma preocupação expressa em artigo que li recentemente: o STF faz o que sua maioria quer. Sempre dá um jeito de impor esse querer, seja mediante uma “interpretação conforme”, seja alegando uma “omissão do parlamento” que não fez a lei necessária, ou ao gosto da Corte, seja mediante “modulação” de decisão extravagante, seja por alegada “inação das autoridades competentes”. Enquanto o STF vislumbra assombrações do passado em certas mobilizações de rua, seu modo de agir fica, por vezes, muito parecido com o preocupante vulto de uma ditadura do judiciário. Ao exibir-se à nação repartindo espaços de protagonismo no noticiário político, o Supremo, querendo ou não, convoca a cidadania a opinar sobre o que discute, decide e faz.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A FRAUDE INTELECTUAL DOS “ANTIFASCISTAS” - 09/06/2020
Quando penso que se abre alguma fresta para o bom senso, eis que parte da grande mídia brasileira compra, por vinte centavos, a fraude intelectual dos antifas, ou seja, dos autorrotulados antifascistas.
Admito que o estudo da História no ambiente acadêmico e, em particular, na preparação dos jovens jornalistas ande ideologicamente comprometido. Percebo, também, que uma das cláusulas desse pacto é a de explorar, em cada evento histórico, a narrativa mais conveniente sob o ponto de vista político. Trata-se de um compromisso que exige imensos esforços de dissimulação e manipulação. Quer saber o tamanho disso? É mais ou menos o que custaria esconder sob um tapete bordado uma centena de gulags soviéticos onde milhões de prisioneiros foram jogados, viveram e morreram sob a acusação de serem... fascistas.
Já no final dos anos 1920, entre os comunistas de vários países europeus, o adjetivo fascista era largamente utilizado inclusive para designar facções internas do próprio movimento ou forma de empacotar e mandar para o outro mundo toda dissidência. Foi assim em relação aos russos Brancos, durante a consolidação do domínio soviético. O Partido Comunista da Alemanha usava o conceito até para os sociais-democratas, chamados de sociais-fascistas. Os nazistas alemães eram chamados fascistas até a assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop (1939) quando a formação do acordo entre a Rússia comunista e a Alemanha nazista levou Stalin a difundir uma visão positiva do regime de Hitler. Tudo mudou dois anos depois quando o monstro alemão rasgou o pacto e invadiu a União Soviética. A partir daí, toda conduta antagônica ao comunismo, ficou sob o qualificativo fascista.
Para a cartilha marxista-leninista o fascismo era a fase final da “inevitável crise do capitalismo”. Sob Stalin, a exemplo de toda divergência a ele, Trotsky era fascista. Todos os países de economias livres eram, igualmente, assim declarados e continuam sendo assim definidos pelos comunistas que neles atuam e se expressam politicamente. Sem exceção, foram ditos fascistas todos os movimentos liberais na segunda metade do século passado – Primavera Húngara (1956), Primavera de Praga (1968), a revolta da Praça da Paz Celestial (1989), as Revoluções de 1989 (Outono das Nações) e as dezenas de mobilizações liberais entre 1989 e 1991.
Aliás, é muito pouco referido o fato de que o famoso Muro de Berlim, construído pelo lado comunista da Alemanha para impedir seus cidadãos de fugirem para a liberdade, era chamado pelos hipócritas que o construíram de Muro de Proteção Antifascista (Antifaschistischer Schutzwall).
Punto e basta! Continuar demonstrando o óbvio seria soterrar este texto, desnecessariamente, com evidências. O epíteto fascista caracteriza muito mais objetivamente a pessoa que dele faz uso do que a pessoa a quem é imputado. Nove décadas de história mostram inequivocamente que quem o utiliza se autodefine como comunista. Desconhecer tal fato não é cascata nem catarata. É cegueira, mesmo.
Portanto, como pode alguém levar a sério a natureza democrática dos antifas? Como aceitar que certos eventos sejam apresentados à nação como antifascistas, ou reconhecidos como Movimento pela Democracia quando seus membros se dedicam a distribuir o adjetivo fascista àqueles a quem se opõem?
Difícil encontrar hoje maior evidência de desonestidade intelectual, mormente entre quem tem a missão de bem informar! Por fim, como exercer a cidadania sem avaliar cuidadosamente os movimentos em ambos os lados da cena política real?
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A INVEJA MATA - 07/06/2020
Na encíclica Rerum Novarum, publicada em 1891, época em que o comunismo era apenas uma tese ainda distante um quarto de século de sua primeira experiência, o papa Leão XIII, referindo-se a esse modelo, escreveu: “Além da injustiça do seu sistema, vêem-se bem todas as suas funestas conseqüências, a perturbação em todas as classes da sociedade, uma odiosa e insuportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta a todas as invejas, a todos os descontentamentos, a todas as discórdias; o talento e a habilidade privados dos seus estímulos, e, como conseqüência necessária, as riquezas estancadas na sua fonte; enfim, em lugar dessa igualdade tão sonhada, a igualdade na nudez, na indigência e na miséria”. Foi profeta. A história veio lhe dar inteira razão.
No entanto, se as previsões do sábio pontífice foram confirmadas e pouca gente esclarecida rejeita suas afirmações sobre a ineficácia do sistema comunista, tem passado meio despercebida a relação entre comunismo e inveja (e poderíamos acrescentar “entre os totalitarismos e a inveja”) cuja existência ele tão fortemente sublinhou.
A inveja nasce da comparação e se afirma como um duplo sentimento negativo: a alegria pelo mal alheio e a tristeza pelo bem alheio. Os moralistas (estudiosos das questões relativas à moral) afirmam que o invejoso é a principal vítima desse sentimento. De fato, a inveja mata. Ela é um canhão que dispara para frente e para trás. Quando força motriz de um modelo político, ela se torna genocida e pode se voltar para a extinção de uma raça, de uma classe social ou da própria nação em nome de quem se expressa. Ao longo da história, centenas de milhões de seres humanos morreram em guerras e campos de concentração por conta do 5º pecado capital.
Foi esse pecado que deu causa ao holocausto. Foi ele que explodiu as Torres Gêmeas. É ele que hoje sai às ruas quebrando vitrinas. É ele que não consegue esconder o gozo perante tais fatos. É ele que nutre em tantos o ódio mortal aos Estados Unidos. Não podem os invejosos conviver com tamanha evidência dos equívocos em que se afundaram. O ódio que têm a Trump não guarda relação com humanismo e anseios de paz. Estiveram calados durante a Primavera de Praga, durante a invasão comunista do Tibet, assistiram desolados à queda do Muro de Berlim e só têm louvores aos regimes cubano, venezuelano e outros que tais.
Há cerca de 15 anos, uma emissora de TV exibiu reportagem feita com jovens da periferia de Paris protagonistas de arruaças que, de lá para cá, foram mudando a face da capital francesa. Aquela matéria me explicou muita coisa. Inclusive sobre certo jornalismo militante que já ganhara força entre nós. Um dos jovens entrevistados levou a repórter para ver onde vivia. Era um edifício popular, muito melhor do que as moradias de qualquer favela brasileira. Sem muito que dizer, e percebendo a inconsistência das imagens para os fins a que se destinavam, a moça disparou: “Já se nota o contraste entre isto aqui e os palácios de Paris”. Acho que ela queria levar a rapaziada para morar em Versailles. Enquanto isso, seu revolucionário guia apontava as más condições do prédio: paredes tomadas por pixações, a sinalizarem o caráter pouco civilizado dos moradores, e um balde, no meio da sala, marcando a existência de uma goteira, como se fosse dever do morador do Palais de l’Élysée subir no telhado para reparar tão complexo problema. No fundo, é tudo inveja.
Explorando esses vícios da alma, alguns governos se instalam. Também assim se corrompem, conduzidos pelos mesmos sentimentos maléficos. É assim que não se conformam com a perda do poder.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
EM BUSCA DO PODER ETERNO - 19/05/2020
Em “o Retrato de Dorian Gray”, o personagem criado por Oscar Wilde tem as mudanças físicas que o tempo determina transferidas para o retrato que tanto o encantara, enquanto ele, numa vida de crescente devassidão, permanece eternamente jovem.
Ainda mais sedutora que a eterna juventude é a eternidade do poder. Sobre isso, aliás, escreve Oscar Wilde:
Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. Suas virtudes não lhe são naturais. Seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o ator de um papel que não foi escrito para ele.
Esse resultado, extremamente gratificante, que produz tão radical entrega do “eu” alheio, é um fenômeno comum na comunicação social. Durante séculos da história da imprensa, o ambiente fumegante das salas de redação e o matraquear das máquinas de datilografia, os estúdios de rádio e TV, eram espaços de um poder com titulares eternos, desestabilizado pela atividade caótica, mas profundamente democratizante das redes sociais. Esse espaço é duplamente democratizante porque, de um lado está acessível a quem queira ali atuar e, de outro, reduz a concentração de poder até então exercido por número limitadíssimo de indivíduos.
Tornou-se frenético o mostruário das interpretações. Quaisquer fatos se expressam em mil formatos e suscitam mil boatos. Há um conflito aberto entre a mídia formal e as redes sociais. Aquela se apresenta como sendo o jornalismo sério e declara as redes sociais como ambiente prioritário das fake news.
Nem tanto ao mar, nem tanto à praia. A grande mídia simplesmente não noticia boa parte do que não serve aos seus objetivos. Ela pode ser, ou se tornar, tão politicamente orientada quanto costumam ser muitas redes sociais. Alinhou-se de tal modo à esquerda brasileira que esta tem preferido terceirizar sua ação política. Usa e abusa das fake análises. Parece óbvio que veículos de grande público adotam cautelas para evitar o terrível desconforto de divulgar notícias falsas (as conhecidas “barrigas”) que demandam constrangidos pedidos de desculpas. Não se diga o mesmo, porém, sobre as análises incongruentes com os fatos, montadas sobre premissas falsas.
Vejo com entusiasmo libertador a atividade das redes sociais. É um território de comunicação povoado por analistas brilhantes. Mas há também, nesse mundo caótico, o veneno das fake news, que só servem para desacreditá-las. É preciso combater essa maldição que permite à mídia militante dar vazão a seu antagonismo. Diariamente recebo dezenas de notícias falsas, informações erradas, textos atribuídos a autores que não os escreveram, imagens adulteradas.
A mentira, assim como a falsificação e outros modos de enganar o próximo, é uma forma gravíssima de corrupção. É corrupção de algo precioso, de um bem tão valioso quanto a esperança. A mentira é a corrupção da verdade. As deformidades no retrato de Dorian Gray podem servir como advertência a quem abusa de um poder que crê eterno.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
ESTRELISMO SEM ESTRELAS NO STF - 01/05/2020
“Estamos assim: os governadores mandam nos estados, os prefeitos nos municípios, o presidente não manda em ninguém e o STF manda em todo mundo”. Luís Ernesto Lacombe.
Ontem à noite (30/04), ministros do Supremo Tribunal Federal brasileiro ocupavam as telas dos canais de notícias. Instigados pela mídia militante, criticavam o presidente da República por haver manifestado opinião sobre a decisão que o impediu de nomear Alexandre Ramagem para o Polícia Federal. Deixavam a prudência no encosto da poltrona e opinavam sobre um assunto em relação ao qual, em tese, ainda poderão ser chamados a deliberar. O Ministro Celso de Mello funciona como líder da oposição no STF e critica duramente, por tudo e por nada, o presidente e seus eleitores. Alexandre de Moraes atropela a CF, transforma suas suposições em evidência impedindo a nomeação de Alexandre Ramagem. E Bolsonaro não pode dizer que aquela casa faz política? Dá-me forças para viver!
O estrelismo faz do nosso STF caricatura de uma Suprema Corte. Amigos constitucionalistas me dizem que tal notoriedade, vinda de um protagonismo exacerbado na cena política, não ocorre em países onde o estado de direito está consolidado em instituições racionalmente concebidas. No Brasil, há bom tempo, as sessões plenárias do STF são assistidas com os corações aos pulos e desembocam em passeatas e carreatas.
Não deixa de ser curioso que, quanto maior o protagonismo, quanto maior o estrelismo, mais estridentes as vaias e imprecações lançadas contra alguns senhores ministros de verbo solto e juízo contido. Chegamos ao exagero de podermos reconhecer os membros do nosso STF pela voz. Não é necessário olhar a tela da TV para saber qual o ministro que está sendo entrevistado. Com um pouco mais de experiência, antecipamos o que dirá. Curtem a notoriedade, mesmo com enorme prejuízo à própria imagem.
Chegam ao estrelato por relação de amizade ou de confiança com o presidente que os indicou à aprovação do Senado em sessões de “sabatina” que a tradição converteu em eventos laudatórios. Ou seja, os meios pelos quais os ministros assumem o poder que tudo pode e sobem as escadas da fama são os mesmos que o ministro Alexandre de Moraes considera inadmissíveis como critério para escolha de um delegado-geral da Polícia Federal. Ele mesmo é ministro do STF graças à indicação feita pelo notório Michel Temer que, antes, o fez Advogado-Geral da União.
Num país de péssima alfaiataria institucional, onde tudo está politizado e envolve dois interesses conflitantes, é contínuo o fluxo de questões políticas que chegam ao STF vindas das partes e interesses em jogo. Por isso, resulta completamente impróprio que o STF se intrometa num assunto em que a norma é tão clara: “O cargo de Diretor-Geral, nomeado pelo Presidente da República, é privativo de delegado de Polícia Federal integrante da classe especial”. Ponto.
Ao invadir espaço de competência exclusiva da presidência da República, Alexandre de Moraes arromba ainda mais a porta de entrada para uma cultura jurídica que vem alçando o STF à posição de verdadeiro condutor da política nacional. Trata-se daquilo que alguns colegas dele já se apressaram a afirmar: o STF caminha no sentido de se converter em poder moderador da República! Algo assim, sem voto nem respaldo constitucional é apropriação indébita exercida contra os poderes republicanos, cuja única fonte é o povo brasileiro.
Não sei que fim levou o tal túnel que estava para ser construído no STF proporcionando discrição à entrada e à saída dos senhores ministros. Pronto ou não, ele deveria mostrar a todos o quanto é frívolo e quanto mal faz ao país o protagonismo e o estrelismo sem estrelas que acometeu aquela corte.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
AFINAL, QUEM É GOLPISTA? - 20/04/2020
Perderam a eleição para Bolsonaro porque preferiram atacá-lo em vez de se perguntarem por que o povo o seguia. Agora, pelo mesmo motivo, caçam fantasmas e conspiram contra ele.
No noticiário desta manhã de segunda-feira, alguns veículos se desencaminharam e noticiariam sobre as carreatas ocorridas ontem em inúmeras cidades do país, descrevendo-as como “de apoio ao presidente”, “a favor do fim do isolamento”, “contra Rodrigo Maia”, “contra João Dória”. No entanto, para os grandes noticiosos da noite de domingo o que importava era exibir cartazes com que manifestantes pediram intervenção militar e lançaram maldições, anátemas e imprecações contra o Congresso e o STF. A cereja do bolo, porém, era o presidente da República falando a um grupo de intervencionistas. O G1 (Globo) reproduziu uma seleção de frases então proferidas pelo Presidente. O que disse ele?
"Todos no Brasil têm que entender que estão submissos à vontade do povo brasileiro. Tenho certeza, todos nós juramos um dia dar a vida pela pátria. E vamos fazer o que for possível para mudar o destino do Brasil. Chega da velha política", afirmou.
Bolsonaro falou aos manifestantes que podem contar com ele "para fazer tudo aquilo que for necessário para que nós possamos manter a nossa democracia e garantir aquilo que há de mais sagrado entre nós, que é a nossa liberdade".
Arrepiaram-se, fingidos, os barões assinalados. Era preciso induzir a população a temer o autor de frases tão simples e o perigo representado por não se sabe bem o quê. Então, acusaram-no de tossir uma vez e não fazê-lo sobre o cotovelo... Desabituados a usar palavras que expressem pensamentos reais, viciados com bastidores, useiros de conchavos e conspirações, grandes autoridades da República medem o presidente com sua própria escala. Não funciona.
Li hoje um artigo em que o autor, advogado e empresário Luiz Carlos Nemetz faz a seguinte resenha de patranhas belicosas do Congresso pilotado por Maia e Alcolumbre contra o presidente.
Deixou caducar as medidas provisórias do 13º do bolsa família, da carteira estudantil, da revogação do imposto sindical, da publicação de balanços; desfigurou completamente o pacote anticrime e de combate à corrupção; enfraqueceu a operação lava-jato com a lei de abuso de autoridade; articulou o aumento do fundo partidário e impediu seu uso para combate à COVID-19; aprovou o orçamento impositivo; não põe em pauta o marco do saneamento de gastos, da PEC emergencial 186/19 e do pacto federativo; junto com o Senado não vota a prisão em segunda instância dando chances para que a nata da aristocracia medieval corrupta não seja investigada, nem punida e, mesmo quando condenada, saia às ruas e goze a vida com os bilhões que roubaram.
Agora, neste exato momento, articula com os seus, a completa desfiguração do Plano Mansueto, que é um programa de acompanhamento e equilíbrio fiscal, que, em síntese, visa ofertar aos Estados uma solução para que consigam equilibrar suas folhas de pagamento e quitem suas despesas mais urgentes.
É estarrecedor que uma suposta elite dos poderes Legislativo e Judiciário tenha desvirtuado de tal modo sua percepção sobre a finalidade do poder que exercem! Nada aprendem das manifestações da opinião pública que com exaustiva frequência superlota ruas e avenidas por não encontrar outro canal de expressão.
Com mais sensatez e menos presunção, com mais senso de responsabilidade e menos vaidade, com mais amor à pátria e menos amor próprio, haveriam de chegar às câmeras de TV e às páginas de jornal para refletir sobre a estupidez de nossas instituições e sobre as razões de seu próprio descrédito junto à sociedade. Desapreço, aliás, que cresce a ponto de muitos ansiarem por uma ditadura.
Não temam, senhores, por uma ditadura de Bolsonaro. Temam, antes, as consequências de vossa ambição, de vossos conchavos, de vossa fatuidade e de vosso desprezo aos cidadãos.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
QUANDO SÓ SE FAZ POLÍTICA - 01/03/2020
O começo foi muito, muito difícil. Cansativo, mesmo. Exigia dedicação exclusiva e intensa. Não era moleza fazer política andando de ônibus, em cima de um Lada com pneus carecas, distribuir panfletos de dia e pichar muros à noite, vender distintivo e bandeirinha para arrumar dinheiro, fazer reunião para programar reunião para organizar reunião, imprimir propaganda em mimeógrafo, infiltrar-se nos seminários, nos jornais, nas escolas e nas universidades, conquistar os sindicatos, cativar um músico aqui, um escritor ali. Difícil!
Havia padres que cuidavam das paróquias e rezavam missa e padres que faziam política. Professores que davam aula e professores que faziam política. Jornalistas que relatavam fatos e jornalistas que faziam política. Juizes e promotores que operavam a justiça e outros que faziam política. Em quaisquer organizações da sociedade havia os que faziam as coisas acontecer e outros que só faziam política. Com tanta gente fazendo apenas política era inevitável que ela acabasse feita. De fato, ficou tão bem feita que o partido chegou ao poder. E aí, para espanto geral, deixou o governo de lado e continuou fazendo política.
Os companheiros trocaram os ônibus por aeronaves, abandonaram os Ladas e acorreram às concessionárias de veículos importados do maldito mundo capitalista. Substituíram os mimeógrafos pela policromia das máquinas rotativas e o papel reciclado pelo mais primoroso couché. Montaram uma estrutura capaz de cobrir o Brasil com propaganda em apenas vinte e quatro horas. E dê-lhe política. E veio o mensalão, e veio o petrolão. Fazer tanta política exigia muito dinheiro, exigia comprar os adversários.
De fato, olhando aquilo, os adversários chegaram à conclusão de que a política consistia em fazer política e que o sucesso dependia de só fazer política. E aderiram à fórmula: que se danem o país, o governo, as necessidades das pessoas, o bem comum. O negócio é fazer política! O país ficou muito mal, mas a política andava bem, pagava bem e – melhor de tudo – assegurava sucessivos mandatos.
Observando o comportamento do Congresso Nacional em relação a um presidente que se elegeu sem dinheiro e sem tempo de TV, que quer governar, que escolheu peritos nas respectivas áreas para compor o governo, pilotar a administração e pôr o país nos trilhos, ocorre-me formular a máxima que registro para a ponderação dos leitores: na política nacional se pode contrariar o interesse de todos, contanto que não se contrarie interesse de quem faz política. Aí a casa cai.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A INACREDITÁVEL MÍDIA - 25/02/2020
Ao tempo do mensalão não havia dúvida sobre a natureza indecente da compra de votos parlamentares. Nenhum veículo ousou afirmar que tal conduta tivesse algo a ver com democracia e com o jogo político. Nem o Lula! Em 2005, ele reuniu o ministério na Granja do Torto e pediu desculpas à nação, dizendo-se “traído por práticas inaceitáveis”.
Quem quiser refrescar a memória pode ler aqui (1) as 122 páginas do voto com que o relator Joaquim Barbosa esmiuçou as motivações daquela descarada iniciativa. Quinze anos mais tarde, o mensalão, referido a tudo que veio depois, parece trambique no jogo de cartas em casa de repouso para idosos. Ainda assim, por indecente, derrubou José Dirceu da chefia da Casa Civil e o converteu em bode expiatório do chefe.
Antes mesmo do mensalão, ainda no governo FHC, é bom lembrar, a imprensa, com razão, denunciava a troca de favores por votos parlamentares. Cargos e liberação de verbas compunham o cardápio de operações comerciais que atendiam pelo nome de “toma-lá-dá-cá”. Nelas, os votos eram cedidos sem convicção. O que mais importava não era a matéria em deliberação, mas a liberação da quantia ou o cargo provido. Ao ritmo das demandas, o Estado inchava e encarecia. Para um número significativo de parlamentares, o mandato, por si só, é pouco, mas abre a porta para muito mais. E cada vez mais.
***
A Lava Jato, o impeachment e a vitória de Bolsonaro elevaram o nível de estresse das redações. Décadas de colaboração e alinhamento com o esquerdismo hegemônico foram devorados pela boca da urna e a vida missionária da esquerda perdeu fontes de custeio.
Em março de 2019 o centrão se recompôs e retomou o hábito de chantagear o governo. Já então, porém, inculpar Bolsonaro tornara-se o esporte preferido das grandes redações. Em relação a tudo que aprontam os malasartes dos outros poderes (Toffoli, Maia, Alcolumbre), a inacreditável mídia fechou os olhos, lavou as mãos e terceirizou o direito de opinião para as redes sociais. A Globo e a Globo News atacam o governo com o jogral de seus comentaristas.
O Congresso criou as emendas impositivas, individuais e de bancada para controlar R$ 42 bilhões do Orçamento e a inacreditável mídia fez e continua fazendo cara de paisagem! A galinha da União sendo depenada em proveito eleitoral dos congressistas e a mídia dá força: “O Congresso é o senhor do orçamento”. Para cozinhar, sim; para saborear individualmente, não. Uma coisa é o parlamento como um todo, o orçamento como um todo. Outra é transformar tudo numa pizza com 594 fatias.
A grande imprensa não enxerga isso?
Minha consciência está tranquila. Como adversário do presidencialismo, há mais de 30 anos denuncio o que chamo presidencialismo de cooptação, em que maioria é coisa que se compra e voto é coisa que se vende. A novidade é que, se o Congresso derrubar o veto de Bolsonaro a esse fatiamento das despesas não vinculadas, o governo estará neutralizado, imobilizado.
Os partidos e seus congressistas, que antes recebiam ministérios, estatais e cargos da administração como forma de cooptação, perdidos os cargos, meteram fundo a mão no orçamento da União. A imprensa, enquanto isso, não cansa de elogiar a “autonomia do parlamento” como se, no presidencialismo, o legislativo não vivesse eterno déficit de responsabilidade. É por causa dessa irresponsabilidade que o Congresso vem agindo como age, contando, agora, com matreiro piscar de olhos dos veículos da inacreditável imprensa.
(1) http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticianoticiastf/anexo/relatoriomensalao.pdf
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A ECONOMIA E A POLÍTICA NUMA MESA DE BAR - 20/02/2020
A Economia e a Política vinham, há bom tempo, combinando encontro. Quando acontecia de estarem simultaneamente no mesmo lugar, diziam “Temos que marcar aquela conversa”, ao que a outra respondia “Pois é, temos mesmo...”. E ninguém abria a agenda para viabilizar a intenção.
Entende-se a dificuldade. Havia, entre elas, uma disputa por primazia. Ambas se tinham como credoras da maior atenção, percebiam-se assoberbadas pelas decisões mais relevantes. Cada qual nutria a convicção de que a outra lhe atrapalhava a vida, lhe roubava horas de sono, e essa era a razão daquela desejada conversa ocasional: “Temos que conversar, temos que conversar!”.
Eis que agora estavam sentadas as duas, frente a frente, no lobby do mesmo hotel e tempo livre até o próximo compromisso oficial. A política inicia as “hostilidades”.
Política: – Não há como aprovar todas as reformas que tua turma propõe.
Economia: – Interessante que digas isso e, ao mesmo tempo, teu pessoal fique pedindo recursos para um sem número de programas e projetos cuja principal finalidade é favorecer reeleições parlamentares, contemplando interesses locais. Na tua opinião, é para isso que serve o dinheiro dos pagadores de impostos? É assim, comprando votos, que o Presidente deve governar?
Política – (sentindo-se pressionada, devolve) Interessante é que penses assim e venhas pedir votos aos congressistas para aprovarem o que individualmente, dentro do teu gabinete, defines como interesse público. Quem quiser impor conceitos de interesse público ao parlamento é junto ao público que deve iniciar pedindo votos. A democracia funciona assim, no voto, amiga.
Economia – Se entendi bem, estás dizendo que os 57 milhões de votos do Presidente não conferem legitimidade ao governo. Lembra-te de que foi no meu posto de gasolina que ele buscou ideias que a eleição consagrou e que boa parte do teu pessoal abraçou para se eleger.
Política – As coisas não são tão simples assim...
Economia – (rindo) Eu sei, o Centrão...
Política – Vocês falam mal do Centrão, mas correm atrás dele.
Economia – Enquanto muitos, ali, correm da polícia. Tu sabes que há no Centrão um sistema de proteção recíproca e um permanente ânimo vingativo contra o Moro. Mas essa não é a minha pauta.
Política – Pois deveria ser! É a política que comanda tudo. O Congresso está trabalhando e não é fácil aprovar medidas restritivas, impopulares, enquanto vocês não entregam o que prometem. Onde estão os investidores? Dólares saem e não voltam. Em vez de cobrar desempenho nosso, olhem e cuidem do de vocês.
A Economia, olhando à volta, estica o braço e chama um garçom, que se aproxima solícito.
Economia – (falando ao garçom) Você confia no Congresso Nacional? Confia no STF? Confia na política como é feita no Brasil? Você acha que o Brasil dá motivos para que gente de fora invista aqui? Se você ganhasse na loto aplicaria no Brasil o dinheiro ganho? O Brasil lhe parece um país de instituições confiáveis?
O garçom respondeu negativamente a tudo e o ambiente foi ficando mais tenso. Quando concluiu, as duas interlocutoras estavam com os dedos indicadores esticados para o lado oposto da mesa. “Taí, é a Economia que não entrega o que promete” exclamou a Política alteando a voz. “É a Política, estúpido!”, contestou a Economia citando James Carville. E continuou: se as instituições de Estado não têm confiança da população brasileira, como pretender que investidores estrangeiros tenham?
Lido o artigo, só não me digam que o errado é o garçom.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
FILA PARA FAZER PAPEL DE BOBO - 08/02/2020
Foi ótima a ideia de usar o modo digital para fornecer a Carteira Estudantil, não é mesmo? Estimou o governo que isso proporcionaria uma redução de custos da ordem de R$ 1 bilhão por ano e representaria para a UNE uma perda de receita em igual montante. A carteira fornecida pela entidade aos estudantes custa R$ 35 mais frete. Se digital, o fornecimento seria gratuito.
Arrepiaram-se alguns cabelos quando a respectiva Medida Provisória (MPV) dispondo sobre o assunto, com amplo apoio entre os cidadãos interessados em questões nacionais, deu entrada no Congresso. Lá ganhou número (MPV Nº 895), aclamação das redes sociais e inimigos poderosos. O presidente Rodrigo Maia e o deputado Orlando Silva do PCdoB se entendem muito bem. A UNE já era comandada por partidos ou organizações comunistas quando eu, no início dos anos 60, participava da política secundarista. Coerente com sua história, escolheu Fidel Castro para patrono em 1999!
Seria necessário um milagre – tipo o Sol se pôr a Leste – conseguir que em apenas três dias se constituísse a Comissão Especial e fosse a MPV levada ao Plenário antes do dia 16 de fevereiro, dia em que perderá a validade. Temos sido agraciados com incontáveis exemplos de que essas coisas só andam assim, em “ritmo alucinante”, quando favorecem os maus parlamentares.
Em longa entrevista ao UOL, publicada na última quinta-feira (06/02), o líder do Centrão, deputado Arthur Lira, foi perguntado sobre as possibilidades de algum projeto ser aprovado sem apoio do Centrão. Resposta do parlamentar:
“É difícil. Você tem alguns partidos que compõe a esquerda, PT, PSB, PDT, PC do B, PV, Psol, Rede. Tem uma parte do PSL votando com o governo e tem os partidos de centro, 280, 300 deputados dependendo da votação. E esses partidos, há de ser reconhecido, deram muita estabilidade para o presidente da Casa.”
E seguiu o entrevistado confirmando algo que tantas vezes denunciei ao longo do ano de 2019 sobre o papel que o bloco desempenha na política brasileira desde a Constituinte:
“O Centrão teve um papel de muita importância. Quando há um projeto que não tem apoio do centro ele sequer é pautado.”
Nada mais precisa ser dito. Está contada a história da MPV Nº 895. Arthur Lira e Rodrigo Maia se entendem em nome de interesses superiores...
Fica bem exposto diante de nossos óculos, limpos e atualizados, o nó da correia das instituições nacionais: a menos que haja maioria comprada e bem paga nos cambalachos do “é dando que se recebe”, o parlamento faz o jogo dos parlamentares. E nossa grande imprensa, que antes denunciava tais operações como o que de fato eram – aplicações cínicas da linda oração atribuída a São Francisco – fechou o livro de preces e cerrou os olhos. Talvez durma.
Imagine, leitor, uma situação inversa. Suponha que a UNE fosse historicamente dominada por um partido político formado por conservadores, ou por liberais. Qual seria a atitude de um governo de esquerda? Preservaria sua descomunal fonte de financiamento?
Infelizmente, há no próprio corpo social brasileiro quem entre em fila para fazer papel de bobo.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A MINISTRA DAMARES E A TURMA DO KAKAY - 03/02/2020
A frase de Kakay, advogado dos corruptos endinheirados, que desfila de bermudas no STF, é testemunho eloquente de um tipo de personalidade que coloniza a atual oposição brasileira. Segundo nota publicada na coluna Radar, da Veja, Kakay escreveu o seguinte sobre Damares Alves para um grupo de juristas no WhatsApp: “Foi uma pena os pais desta idiota não terem feito o que ela prega. Se não tivessem trepado, estaríamos livres dela”. Não satisfeito com a repercussão da grosseria e o vocabulário chulo, o advogado ocupou espaço no Estadão digital com um artigo em que tenta, de modo patético e inútil, bater palmas para si mesmo. Não teve boa parceria pelo que vê nos comentários ao texto.
Parcela significativa da oposição brasileira, no entanto, ainda não entendeu o resultado da eleição de 2018. Instituíram para seu uso pessoal, como nécessaire, conceitos empacotados segundo os quais o país foi tomado por alguns homens e mulheres intrinsecamente perversos, com ideias conservadoras e liberais. É como se dissessem: “Querem recompor tudo que lutamos para desconstruir – família, ordem, religião, virtudes, amor à pátria. Acreditam que direitos e deveres andam juntos e que liberdade impõe um vínculo sólido com responsabilidade”. E deduzem: “Essa gente não presta!”. Kakay talvez complementasse esse despautério com elegância lacradora: “Melhor seria se os pais dos conservadores não tivessem trepado e eles não tivessem nascido”.
No entanto, a “idiota” assim qualificada por ele é, logo após Sérgio Moro (aguenta Kakay) o segundo nome mais prestigiado junto à opinião pública no conjunto dos ministros e representa, em muitos aspectos, o discurso vencedor das eleições de 2018. Bolsonaro foi eleito, principalmente, porque segurou a bandeira do discurso conservador, que ressoou na alma de milhões de eleitores, de muitos bons professores, de muitos pais conscientes do efeito tóxico da permissividade transformada em sinônimo geneticamente defeituoso de liberdade.
A Dra. Damares, que lança hoje, às 16 horas, junto com o ministro da Saúde a Campanha de Prevenção à Gravidez na Adolescência, tem maior conhecimento e experiência nos temas em que atua do que o inteiro colegiado de seus críticos. A má vontade deles espelha a maldade de seu querer, que torna opaco o que é cristalino. E como é cristalino o que ela tem dito sobre o tema da gravidez precoce! Qual mãe, qual pai ficará aborrecido se seus filhos, em adição ao que ouvem em casa, forem levados a refletir sobre as consequências e responsabilidades inerentes à atividade sexual? Qual mãe, qual pai ficará tranquilo ao saber que a filha de 12 ou 13 anos, sob pressão psicológica própria ou externa, está deitando com um adolescente imberbe? Que embaraço matemático existe em compreender a relação de causa e efeito entre menos “trepadas” precoces e menos gravidezes?
Isso nada tem a ver com cultura medieval, com colocar Rapunzel na torre da bruxa, nem com cinto de castidade. E tem tudo a ver com zelo, prudência, responsabilidade e saúde pública.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
ONDE O BOM CLIENTE PAGA PELO MAU - 07/01/2020
O sistema bancário brasileiro é sólido e líquido. Sólido porque tem muito dinheiro e aufere bons resultados. Líquido porque tem liquidez, ou seja, está folgado nos indicadores que aferem as relações entre a capacidade de pagamento do sistema e os compromissos por ele assumidos. Tal situação é boa para a economia. Mas, quando apenas cinco bancos controlam mais de 80% do mercado de crédito do país, parece evidente ser muito restrito o número dessas instituições para uma economia do tamanho da brasileira. Maior concorrência atenderia mais satisfatoriamente os clientes, tenderia a reduzir as taxas de juros cobradas nos empréstimos, faria baixar o preço dos serviços bancários e reduziria a inadimplência.
Então, se o sistema vai bem, obrigado; se os acionistas estão ganhando bem por suas ações e se só reclama a turma do balcão – os bancários de um lado e os clientes de outro, por que o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central deram sinal verde para os bancos cobrarem taxa de até 0,25% sobre o valor do crédito disponibilizado aos correntistas no cheque especial?
“Ah, mas a mesma autorização estabelece um teto de 8% ao mês nos juros mensais cobrados sobre o uso do cheque especial! Ele vai ficar mais barato”, dirá alguém. Sim, vai, se você achar razoável um juro que corresponde a 151% ao ano... Com a Selic a 4,5% ao ano, parece evidente que não há como banco algum queixar-se de “perdas”, mesmo perante a elevada inadimplência.
Aliás, não fossem a passividade e a tolerância dos brasileiros, não fosse sua inesgotável disponibilidade para pagar contas que lhes chegam, não aceitaríamos pagar juros astronômicos para reembolsar o prejuízo dos bancos com clientes que não pagam suas contas. Afinal, não cabe a tais instituições cuidar do próprio dinheiro? Saber a quem o emprestam? O que cada um de nós outros tem a ver com isso?
Pois bem, Ainda assim, está autorizada a cobrança. Santander já informou que vai aderir a essa nova criatura da engenhosidade financeira. Bradesco, Itaú, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banrisul decidiram não o fazer.
Jornal O Estado de Minas informa na edição de hoje, 7 de janeiro, que o Sistema disponibiliza cheques especiais no montante de R$ 350 bilhões. Destes, apenas R$ 26 bilhões correspondem a financiamento de fato concedido.
É óbvio que os bancos não deixam parado na conta do cliente o limite concedido. O banco libera parcelas do valor total à medida da demanda que receba. Tenho observado que os bancos, inclusive, elevam por conta própria o limite de crédito dos clientes ou de alguns clientes a título de “cortesia da casa”.
Agora, isso será cortesia com chapéu alheio. E essa mordida sobre um valor que a maior parte dos clientes não usa será empregada para cobrir prejuízos do sistema em operações com cheque especial. É comercialmente muito cordial emprestar a quem não paga, cobrando o prejuízo dos que pagam e até dos que não o utilizam. Arre, Brasil!
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
UM PODER PARALELO QUE NÃO PERDE ELEIÇÃO: NOSSOS MUITOS SOVIETES - 02/01/2020
Durante décadas fui participante ativo de debates políticos nas emissoras de rádio e TV de Porto Alegre. Eram anos de ostracismo para o pensamento conservador e para as ideias liberais de que o país era tão carente. Contavam-se nos dedos os que se dispunham a enfrentar o esquerdismo que ia dominando a política nestas bandas. Na Rádio Guaíba, um estúdio instalado na esquina da Caldas Júnior com a Rua da Praia proporcionava som e ampla visibilidade ao público que se acotovelava para assistir as discussões do programa Espaço Aberto. Durante a Feira do Livro, o “Estúdio de cristal”, como era chamado, mudava-se para a Praça, e a multidão, literalmente, cercava aquele ringue retórico para ver quem iria às cordas.
À medida que nos aproximávamos do fim do milênio, os partidos de centro-direita e de direita foram virando apoiadores de quaisquer governos, espécie de contrapeso nas disputas eleitorais, deixando sem trincheira ou expressão o ideário conservador e liberal. Fechavam-se, no Rio Grande do Sul, as últimas portas ao debate político que fosse além do bate-boca pelo poder. Ou, com palavras melhores, em que essa disputa não fosse a única finalidade de todo argumento.
Lembro-me de ter ouvido do governador Alceu Collares, num desses debates, pela primeira vez, referindo-se ele aos partidos do espectro esquerdista: “Nós, do campo democrático e popular”. A expressão disseminou-se.
Socialistas, marxistas e a esquerda em geral agarraram-se com braços e pernas ao binômio democrático-popular. Posavam como donos desse “campo”. Nele jogavam futebol e golfe, criavam gado e faziam seus melhores discursos. E criavam conselhos populares... Então, como ainda hoje, eram avessos à propriedade privada, mas o tal “campo” foi cercado, escriturado em seu nome e passou a lhes pertencer o inço que ali crescia.
Não falo, apenas, de uma pretensão local, mas de uma obstinação mundial. É bom lembrar que Albânia, Bulgária, China, Cuba, Camboja, Coréia do Norte, Mongólia, Vietnã, Iêmen, e todas as demais republiquetas africanas, asiáticas e europeias, que em décadas anteriores adotaram o socialismo, se apresentavam ao mundo como “democracias populares”. Enchiam a boca e estatutos constitucionais com sua condição de people’s republic. E o leitor está perfeitamente informado sobre seus principais produtos: totalitarismo, supressão das liberdades, genocídio e miséria.
Aqui no Brasil, o dito campo esquerdista encontrou na criação e povoamento de conselhos uma forma de se institucionalizar e atuar politicamente. Na administração pública estão em toda parte. Com exceções, formam pequenos sovietes, determinando e impondo políticas. São detentores de um poder paralelo que somente na órbita federal se manifesta através de 2.593 colegiados, segundo matéria de O Globo publicada em 29 de junho de 2019. Na véspera, Bolsonaro havia anunciado a intenção de reduzi-los a 32.
No entanto, esses aparelhos políticos resistem. Os 996 conselhos ligados a instituições federais de ensino operam em ambientes blindados pela autonomia universitária. Outros foram instituídos por lei e só poderão ser cancelados por outra lei. Assim, no curto prazo, apenas 734 criados por decretos federais ou por portarias dos próprios órgãos federais estão liberados para encerramento de atividades.
Note-se: a criação e operação de grande parte desses conselhos, muitos dos quais altamente onerosos ao pagador de impostos, é apenas uma das formas de aparelhamento da administração pública, que deveria ser apartidária, técnica e comprometida com a redução do peso do Estado sobre a sociedade.
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* Percival Puggina (75), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
NO PÉ DE ABRAHAM WEINTRAUB - 27/12/2019
Décadas de uma Educação que prioriza o alinhamento com a visão esquerdista da história, da sociedade, da economia e da política colocou o Brasil no underground dos indicadores internacionais de qualidade. Aliás, no caso brasileiro, o indicador é de ruindade.
O tema da Educação se inclui entre aqueles que me tiram o sono porque frustra meu desejo de ver o Brasil ingressando num patamar superior a esse em que se desdobrou minha vida. No viver aprendi que, em sociedades livres, o progresso social, político e econômico ocorre na razão direta da riqueza e das virtudes de seu patrimônio humano.
A imprensa está “pegando no pé” do ministro Abraham Weintraub. Tudo se passa e muita coisa é dita como se o ministro carregasse as culpas pelo péssimo desempenho da Educação em nosso país, onde raras e pontuais exceções são exatamente isso – pontuais e raras exceções. A quem não sabe, informo: 1) os dados do PISA, recém-divulgados, se referem ao ano de 2018 e o ministro nada tem a ver com eles, portanto; 2) a melhoria dos indicadores ocorrerá no tempo e é tão necessária quanto lenta será.
Acusa-se o ministro de ter excessivas preocupações ideológicas. Quem não as tem, contemplando o que acontece na Educação nacional? O pensamento freireano, o construtivismo, o marxismo e o esquerdismo permanecem como referências pedagógicas e foram sacralizados na concessão do título de patrono a Paulo Freire. Como haver futuro para nossa Educação se a imensa maioria dos professores crê estar num bom caminho, e que as dificuldades são todas financeiras? Mais dinheiro será, mesmo, o combustível para o foguete que nos levará ao topo?
Em 2015 gravei um vídeo sobre esse tema (1). Com quase 400 mil visualizações, ele colheu perto de 2 mil comentários cuja maioria relata experiências que comprovam a doutrinação. São evidências da falta de pluralismo e do esquerdismo que se fez hegemônico. Chegou-se a isso através do bem conhecido processo de tomada de posições nos centro de decisão (motivo, aliás, da revolta contra a gestão de Weintraub). Transcrevo, a seguir, alguns desses testemunhos:
Sou professor há 35 anos e esperei, todos os dias de minha vida, por alguém que não concordasse com Paulo Freire. Sempre fui discriminado por divergir dele. Hoje posso morrer em paz. Paulo Freire nunca foi um educador. Parabéns professor pela postagem deste vídeo.
Sr. Percival, estou com 73 anos de idade, aposentado, resolvi ocupar meu tempo fazendo licenciatura em matemática, estou em um instituto federal. Outro dia, após ouvir muita lengalenga sobre Paulo Freire, pedi à professora que me indicasse um país desenvolvido e/ou com boa classificação no PISA que tenha utilizado ou que utilize o Método Paulo Freire, não obtive resposta e para agravar argumentou que nosso baixo nível se dá por culpa das elites políticas, intelectuais e empresariais que impedem sua aplicação.
Sou Pedagogo, discordo de Paulo Freire e já estou começando a sofrer represálias.
Puggina! Lindo e triste vídeo... Sou uma professora de Sociologia e História que não segue livros... Que não tem voz em meio a tanta doutrinação dentro da escola. Mas dou o meu recado e vou na contramão. Amo o meu país e ainda espero por mudanças... Um abraço fraterno!
Experimente criticar Paulo Freire em qualquer curso de licenciatura no Brasil e você vai ser comido vivo. É impressionante como o discurso manso e democrático some e eles mostram sua verdadeira natureza intransigente (já aconteceu comigo).
Ótima reflexão Professor. E como futuro professor que serei, que pedagogias utilizarei se não as conheço, se elas não me foram apresentadas? Procuro muito metodologias que fogem do socioconstrutivismo, mas está difícil.
Comentário perfeito. Sou historiador. Fiquei fora de instituições por sempre discordar do lixo. Não raro, os sequelados e patrulheiros levantam-se, em palestras e cursos meus, e vão embora. É um prazer quando ocorre. Meus compromissos são com a História, a seriedade, a verdade. Não com besteiróis ideológicos.
Sou professor de escola pública e sinto o efeito devastador de Paulo Freire e toda a massa esquerdista. é muito triste e cansativo.
Comecei uma licenciatura e o que vejo é que eu tenho que dar sempre crédito ao "libertário". As perguntas das provas me obrigam a concordar com Paulo Freire. Questionei e fui atacado e quase reprovado. Contem comigo pra desmistificar essa fraude libertária.
Sou professor e infelizmente posso comprovar que esse tumor ainda prolifera.
Isso é verdade. Sou estudante do ultimo ano de Pedagogia e só rasgam elogio a Paulo Freire, e eu não posso nem dar minha opinião na sala!
Na escola sempre me foi ensinado: a culpa é do sistema! Hoje, como professor que estudou em escola pública, vejo a pedagogia ser trabalhada para massacrar o aluno e justificar que sua condição não é melhor por causa do sistema...
No referido vídeo há conteúdo para horas de leitura de testemunhos análogos a esses. A imprensa, que ao longo de décadas não se importou com a doutrinação nem com a ruindade do ensino brasileiro, agora se volta contra o ministro que viu o problema e está agindo contra ele.
A NAÇÃO NO PELOURINHO JUDICIÁRIO - 17/10/2019
Nossa lei penal, nosso processo penal, nossos tribunais são zonas de litígio. Quase nada está pacificado fora da letargia das gavetas e dos arquivos. Nas cortes, as posições divergem segundo el color del cristal con que sus miembros miran. No STF, há a turma do assim, e a turma do assado. Um ministro manda soltar e o outro manda prender. Não se entendem entre si, mas esperam ser compreendidos. Integram um poder político, fazem política sem voto, curtem a celebridade, mas querem ser tratados como se fossem exclusivamente poder jurídico imune às adversidades de relacionamento social e às críticas inerentes à vida pública. Topar com um cidadão é um desconforto que os faz enrubescer. Vergonha do STF!
Nesta quinta-feira (17/10), os senhores ministros retomam o trôpego caminho por onde têm elucubrado e andado nesta aparentemente indeterminável questão: quando deve ser preso o réu condenado em 2º grau de jurisdição, sobre cuja culpa não incide mais a presunção de inocência? Retornar ao criminoso patrocínio da eterna impunidade e da prescrição, ou manter vigente a interpretação que interrompeu a atividade criminosa nos negócios com o Estado brasileiro? É preciso, afirmam, pacificar essa questão.
Pois “pacificar” é uma boa palavra. Se tudo andar como pretendem os ministros, essa “pacificação” vai soltar algo entre quatro mil e 84 mil criminosos. Eles retornarão a seus negócios, às nossas ruas, estradas, parques. Somar-se-ão a outras centenas de milhares de inimigos da sociedade, à qual declararam uma guerra de conquista e formação de servidão. Ocupam território no meio urbano e rural; tomam o patrimônio e a vida de tantos; atacam nossas mulheres, nossas crianças e, em grande número, se constituem como estado paralelo dentro do Estado, a exigir integral submissão às suas determinações. Se não fui inteiramente entendido, esclareço: há uma parcela dessa bandidagem agindo com representatividade e vigor nas nossas instituições.
É essa a “pacificação”, sinônimo dolorido da nossa submissão, que muito provavelmente receberá notável reforço logístico da maioria do lamentável, desastrado e escandaloso Supremo Tribunal Federal brasileiro. O simples emprego da palavra “pacificar” é uma afronta e uma evidência suplementar da relação doentiamente alienada que o Poder mantém com a sociedade. A Corte vive num universo paralelo onde o brasileiro não conta, onde a realidade nacional é informação desconhecida. Nesse universo, a dubiedade dos tratados de Direito e dos precedentes contraditórios fazem o pretensioso cotidiano para que o próprio querer se imponha. Haverá muito mais bandido nas nossas ruas, a guerra contra a população recrudescerá, mas o STF “pacificou”. Ufa! Cairá a noite sobre um Brasil mais triste, mais desesperançado, mais perigoso, mais roubado, mas violento.
A grande celebração do crime, que fez do STF santuário de suas devoções, atravessará a noite. Metralhadoras, em festa, matraquearão balas perdidas arrepiando os morros. Abstêmios na prisão, grandes corruptos reabrirão suas garrafas de uísque. Farão o mesmo aquelas figuras conhecidas que exalam os maus odores da ira quando um endinheirado é preso.
Como obra de suas mãos, o Brasil se terá tornado um país pior para se viver. A vontade e a dignidade nacional sangrarão no pelourinho! Mas quem se importa com isso no STF? Lisboa, onde eles passam mais tempo, e a civilização ficam logo ali.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A AMAZÔNIA BRASILEIRA E SEUS PRETENDENTES - 09/10/2019
Sejamos claros: brasileiro que é realmente brasileiro se preocupa com a soberania nacional sobre nossa Amazônia e com as práticas predatórias de maus brasileiros e estrangeiros no uso do solo da região. É obvio que a região está sendo atacada. É óbvio, também, que esse ataque vem de fora e de dentro. De fora, em manifestações dos governos da França, da Alemanha, da Noruega, da ONU, de ONGs estrangeiras e, mais recentemente, do Vaticano. De dentro, promovido por organizações e organismos como a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Instituto Socioambiental (ISA). São vários. Há bom tempo. Dedicam-se a um trabalho que, malgrado as excelentes intenções proclamadas, compromete a soberania nacional na região. A esses protagonistas locais se acrescem os partidos de esquerda e a imprensa militante contra Bolsonaro, que não se pejam de servir a interesses estrangeiros contanto que sejam aproveitáveis à cotidiana tarefa de atacar o Presidente.
Ameaças militares não estão no cenário das possibilidades. Os tempos são outros e entrechoque entre democracias seria fato inusitado na história universal. A Alemanha, a França e a Noruega não são dadas a essas práticas e o Vaticano tem resumido suas investidas a alfinetadas verbais decorrentes da desinformação internacionalmente fabricada.
Toda essa histeria iniciou quando Bolsonaro meteu a mão na FUNAI e no IBAMA, disse que não aprovaria a criação de nenhuma nova reserva indígena, e anunciou que iria rever a atuação e a destinação de recursos orçamentários às ONGs. Existem ONGs que não fazem outra coisa além de organizar tribos e pleitear a criação de mais e mais reservas. Cada reserva criada deixa, na prática, de ser território nacional. Em muitas, a soberania efetiva corresponde às ONGs que ali atuam de modo coordenado com os índios, na identificação, mapeamento e exploração de recursos naturais das diferentes regiões. Em 2008, insuspeito de qualquer “direitismo”, o então ministro da Justiça Tarso Genro denunciou a biopirataria a que se dedicavam muitas ONGs. E tudo ficou por isso mesmo.
O ambientalismo é a “mula” dessa disputa política e econômica. Por isso tantos registros de queimadas criminosas e imagens falsificadas. Por isso a histeria em torno delas. Por isso tantos “pulmões ardendo” na Europa... A estratégia é criar mais e mais reservas, restringir ainda mais o uso do solo na região, afastar o agronegócio e a presença de nossos trabalhadores e empreendedores, deixando o território livre para a supressão pacífica da soberania nacional na Amazônia Brasileira. Ou, em palavras talvez mais claras: para retorno ao status quo anterior a 1º de janeiro de 2019, o que dá no mesmo. Isso não equivale a dizer que as novas diretrizes políticas para a região não devam incluir, também, rigorosa fiscalização de práticas predatórias, de desrespeito à boa técnica, ao bom Direito e às restrições de uso estabelecidas.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
GUERRA DE NARRATIVAS E SUAS VÍTIMAS - 06/10/2019
Durante cerca de trinta anos, aqui em Porto Alegre, onde resido, participei intensamente de debates em programas de rádio e TV. O formato era mais ou menos o mesmo em todas as emissoras: colocavam-se frente a frente duas posições distintas sobre um tema em evidência. O objetivo não era que os participantes chegassem a um improbabilíssimo consenso, mas digladassem com as armas da lógica e da retórica para convencerem a audiência. A regra ética prevalente, muitas vezes rompida, era a de “não mentir”. Eu tinha uma lista de mentirosos com os quais não debatia.
Perante o tribunal da opinião pública, é aceitável que lados em confronto, ao expor suas posições, sublinhem o que lhes convém, e descartem o que seja inconveniente. Apontar contradições e inconsistências de cada um, caso existam, é tarefa que compete ao outro lado da mesa. Mentir, porém, é sempre indecoroso. Estou contando isso para reconhecer perfeitamente legítimo que, no debate político, cada lado adote a “narrativa” que melhor lhe convier. Repito para absoluta clareza: refiro-me a esse específico tipo de interlocução.
Recentemente, um professor a quem apontei a parcialidade na qual afundou a Educação em nosso país, contestou-me dizendo que isso se explica porque toda observação da realidade é feita a partir de um ponto. Ou seja, um professor só poderia falar desde o seu ponto de vista. Eu o refutei, sustentando que tal atitude era válida no debate político, mas a sala de aula não era lugar para tais disputas, nem para disputas com tais caraterísticas, mormente com protagonismo do professor. É totalmente impróprio, ali, promover o convencimento dos alunos. O ambiente escolar é sagrado demais para isso.
Por outro lado, quase tão desonesto quanto mentir aos alunos é esconder o ponto de vista divergente e ocultar autores e livros que contestem as ideias do professor, da disciplina, ou do departamento. E é exatamente isso que, há décadas, acontece no Brasil, escondendo-se as obras de autores conservadores e liberais, como Antonio Paim, Meira Penna, João Camilo, Roberto Campos, Ives Gandra, Olavo de Carvalho, entre tantos outros. Na contramão, intoxicam-se os colegiais com obras marxistas e com textos rasteiros como o lamentável “Veias abertas da América Latina”, renegado pelo próprio autor.
No mesmo diapasão, a mãe das humanidades, a grande e apaixonante ciência da História, se tornou terreno fertilíssimo para essa importação da retórica política ao campo da ciência. Nasceu e prosperou, nos últimos anos, uma nova História, dita crítica, que simplesmente prostitui a nobre ciência no leito das lascívias do poder e das preliminares da disputa pelo poder hegemônico. Como pode a História se converter em objeto de uma “guerra de narrativas”, em que, como sempre, a verdade é a primeira a ser imolada?
Intelectuais, historiadores e professores têm a obrigação de respeitar a sala de aula e a ciência. Não lhes é lícito ocultar interpretações e autores divergentes nem exercer uma atividade militante em que até a mais grossa mentira é admitida pela habitualidade com que é contada. Padecem a verdade e o conhecimento, restringe-se a liberdade dos alunos e até sua identidade resulta afetada.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
MAIS UMA CRIANÇA MORREU NA GUERRA - 24/09/2019
A lamentável morte da menina Ágatha deu origem a inúmeras matérias às quais não pareceu importante mencionar:
• as infinitas culpas do crime organizado, principal causador de tais situações;
• as simétricas responsabilidades de sucessivos governos tolerantes com a formação desses estados paralelos, criados pela covardia de bandidos que usam como escudo humano bairros inteiros das nossas cidades;
• a cumplicidade de tantos, nos poderes de Estado, a fazer da tolerância com a criminalidade o gatilho ideológico que dispara sua utopia revolucionária;
• o falso humanismo que discursa do alto da torre de uma imaginária superioridade moral enquanto faz vítimas na vida real;
• o lamentável papel desempenhado continuada e historicamente, nos meios de comunicação, pelos que soluçam em textos histéricos a cada bandido morto;
• o criminoso mercado das drogas, das armas, dos veículos furtados, das cargas roubadas, que faz prosperar o crime, seus agentes e seus protetores.
A GloboNews, durante horas diárias de programação, conta bandidos afastados para sempre do serviço ativo, soma policiais mortos e abalados por problemas psicológicos, ouve familiares de vítimas. No fundo de tudo, a personagem errada das cenas é a autoridade policial, com o modo imperfeito ou impróprio de atuação. E o crime? Ora, o crime e a criminalidade devem ser parte da vida; e a polícia e a segurança pública, parte da morte.
É triste, muito, muito triste a perda de vidas inocentes! Estou inteiramente solidário com os familiares dos que comparecem às estatísticas dessa guerra. O que eu solenemente dispenso é o ataque frontal que alguns meios de comunicação estão promovendo à Polícia, instituição que sequer existiria se não houvesse a criminalidade e, especialmente, em nosso país, o crime organizado. Muito estranho o jornalismo zarolho, que ataca o efeito e não vê a causa. A Polícia não cometeria um único erro se não tivesse contra quem agir. Ou tantos contra quem agir, enxugando o gelo da permissividade processual penal.
O mundo do crime declarou guerra. É uma guerra assimétrica e multiforme. Ele dissemina o vício que debilita a sociedade e faz prosperar os criminosos. Não contente, mata. Mata na dependência, mata na guerra pelo ponto, mata para mostrar poder. Mata pelo valor de um telefone celular, pela cheirada de logo mais, porque o tremor não controla o dedo no gatilho. Mata 60 mil por ano. Organizado, dispõe de recursos incalculáveis e confronta a miséria do Erário.
De que modo entender matérias jornalísticas que, ou trabalham pelo avesso da verdade, ou são incapazes de arranhar a superfície dos fatos, como se, deliberadamente, pretendessem ocultá-los ao discernimento da opinião pública? Raspe a matéria, leitor. Faça uma “raspadinha” no conteúdo que lhe é apresentado e verá que diariamente, em todo país, milhares de homens e mulheres, a serviço da sociedade, saem de suas casas sem saber se vão voltar. Saem para enfrentar criminosos ante cuja conduta os adjetivos, as repreensões e as penas são tragados por certo jornalismo e por incerta justiça.
Tome, agora, o elevador social. Suba vários andares no edifício do banditismo. Desça lá no topo, nos grandes salões acortinados, com seus sofás de couro, periodicamente redecorados à sua custa. Verá que ali, outro tipo de crime engravatado, a toda hora encobre pegadas, limpa digitais, toma dinheiro seu para pagar advogados; faz acordos, achaca o governo, extorque a nação. Observe que as notícias a respeito são frias como ata de assembleia de cotistas de fundo de investimento. Não há nelas um único adjetivo. Não revelam nem suscitam qualquer emoção. Raspe, então, a notícia. Veja como querem, agora, impropriamente, valer-se de Ágatha para destruir o pacote anticrime de Moro e restaurar a abstenção anterior. Conjugue os fatos e perceba o quanto tudo serve para serem escondidos os verdadeiros culpados e tenha curso a inculpação dos inocentes.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
POR QUE VOU À RUA NO DIA 25 DE AGOSTO - 22/08/2019
“Será que adianta?”, perguntam-me muitos leitores. É o que adianta. Durante décadas, as manifestações de rua no Brasil careceram de legitimidade, eram manipuladas a “um sanduba e dez real”, e não mereciam ser tomadas em conta. Mais do que cidadãos querendo expressar-se, envolviam pneu queimado, piquete de grevistas e “miguelitos” para impedir a circulação. Visavam, no velho perfil totalitário, impor à nação inteira as pautas corporativas e eleitorais da vez.
As atuais mobilizações envolvem grandes temas, focam legítimos e consistentes anseios de parcela expressiva da opinião pública: combate à corrupção e à impunidade, segurança pública, redução do tamanho e peso do Estado. Houvesse sintonia entre a nação e suas instituições, seriam desnecessárias. Mas o fato é que, como de hábito, a opinião pública vai para um lado e elas para o outro. Alias, entre os fatos altamente positivos destes últimos anos sublinho a crescente consciência de que temos instituições e de que há, nelas, gravíssimos problemas.
Até recentemente, não chegava a dois dígitos em todo o país, ou seja, contavam-se nos dedos do Lula, os colunistas que, como eu, identificavam e abordavam tais questões. Hoje, esse número aumentou. Infelizmente, porém, aumentou incluindo os do contra. Chutando o balde da Razão, eles cobram reverência popular às instituições nacionais, cuja existência e conexões acabam de descobrir, afirmando que elas “estão cumprindo seu papel” e que o povo deve aceitar com submissão a regra que o exclui, permanecendo em casa, assistindo-os dizer isso na TV.
Não! As instituições não são confiáveis! Já o revelaram com excesso de evidências. Protegem-se reciprocamente num círculo de ferro. Estão em flagrante dissintonia com a sociedade. Nos longos anos de desatenção nacional, à sombra do desinteresse geral, desenvolveram o talento de entortar boas ideias, contornar o bem, tangenciar a verdade para, depois, enterrá-la viva, em posição vertical, sob toneladas de falácias. Exercem, na plenitude, o silencioso poder dos arquivos! A quem julgam enganar quando dizem aprovar uma lei contra o abuso de autoridade para proteger o “cidadão comum”?
As redes sociais e o povo na rua me enganam menos, me respeitam mais e – creiam! – me representam melhor.
Enfim, para ser bem entendido: os bons congressistas (e eu conheço muitos que correspondem a esse conceito) precisam dos cidadãos para constituírem maioria e cumprirem o que a história está a lhes exigir. E o STF precisa saber de nossa total inconformidade com um colegiado onde não há sequer um conservador, onde não há um único liberal, e que eles, os onze, são sequelas de uma grave doença que acometeu o país. Só em países totalitários vamos encontrar supremas cortes tão rompidas com a nação a que deveriam servir.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
SEQUESTRO DA INTELIGÊNCIA NA REDAÇÃO - 21/08/2019
O desfecho ainda não se dera, o dedo permanecia imóvel no gatilho, mas qualquer brasileiro medianamente informado podia antever as manipulações do noticiário quando certos jornalistas de incerta percepção fossem comentar o ocorrido. Jamais as responsabilidades seriam do sequestrador.
O tiro serviu apenas para encerrar uma história já contada no lusco-fusco da inteligência sequestrada pela ideologia. Vinte de agosto foi a Black Tuesday da razão e a venda de sofismas e desatinos se prolongou pela quarta-feira. Imediatamente apareceram as mais disparatadas avaliações dos fatos. Os fascistas do governador haviam executado um sujeito que tinha em mãos uma arma de brinquedo (que felizmente não era um guarda-chuva). Tudo dito e posto como se ele houvesse decidido brincar na ponte. Nessa perspectiva houve, até mesmo, uma mocinha do PSOL que tweetou sobre a inaceitável execução de um “popular”. Naquela cabeça oca, sequestrador morto vira popular.
Hoje pela manhã, numa emissora de rádio aqui de Porto Alegre, falava-se sobre a permanente ideologização de todas as pautas. E isso era fortemente recriminado como degradação do nível de percepção das realidades sociais. Tudo andaria muito bem, se o autor da crítica, não passasse, imediatamente, a fazer aquilo de que acusava os demais, dizendo que a ação havia sido bem executada, mas a atitude do governador, ao “comemorar a morte do bandido”, fora incorreta. Lembrei-me das singelas palavras de Jesus em Mt 7:3:
“Por que reparas no cisco que está no olho do teu irmão e não vês a trave que há no teu próprio olho”, meu rapaz?
O referido comentarista está tão dominado pela própria carga ideológica e precisa tanto criticar o governador odiado pela esquerda, que esconde de si mesmo a diferença entre festejar efusivamente a salvação de 37 sequestrados e “comemorar a morte do criminoso”.
Em resumo, a violência campeia no Rio de Janeiro. O número de PMs ali mortos caiu à metade no primeiro semestre de 2019. E ainda assim foram 13 policiais militares. No entanto, as críticas dos críticos, na persistente vaquejada de suas reses para o brejo do descrédito, reservam linhas, frases e discursos contra o governador Wilson Witzel e sua comemoração, execrada em uníssono pela esquerda. Fora da nau dos insensatos, porém, a alegria do governador foi compartilhada por todos que têm juízo e, muito especialmente pelos sequestrados e suas famílias. Entre esses, os festejos vão se prolongar por muitos dias.
Essa maldita ideologia queima neurônios. Constrói frases sobre a arma de brinquedo, sobre a doença mental do sequestrador e sobre suas intenções no momento do tiro. São ponderações tão sem pé nem cabeça que parecem galinha de supermercado. Nessa hora escura, a sensatez vem de quem tem para dar, vem dos jornalistas não cozidos no caldo ideológico do atual ensino superior do país. O amigo Alexandre Garcia comentava hoje na Rádio Guaíba, lembrando a esquecida professora Heley de Abreu Silva Batista, heroína da creche de Janaúba, que salvou 25 crianças imolando-se junto com o incendiário. “A arma do sequestrador do ônibus era o isqueiro”, concluiu Alexandre.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O SUPREMO, SUA FUNÇÃO CONTRAMAJORITÁRIA, E ... GEORGE SOROS - 09/08/2019
Com a mesma liberdade de opinião que me permitiu escrever na legislatura anterior que aquele era o pior Congresso Nacional que conheci, afirmo agora, fazendo coro com José Nêumanne, que esse STF é o pior que já vi atuar. Não apenas porque, usando o eufemismo da moda, “flerta” com a ditadura do Judiciário e realiza proezas nunca vistas, mas porque, com ares missionários, antagoniza a nação. O que para a sociedade é Verdade e Valor, para o STF é objeto de correição. O Supremo se orgulha de agir em dissintonia com a sociedade.
Entenda-se. Um ministro da Corte, ao deliberar, não tem entre seus deveres interrogar-se sobre o que as pessoas pensam a respeito do assunto. Não está imposta a ele a obrigação de promover pesquisa de opinião ou enquete a cada voto que deva dar, muito embora, por vezes, sejam promovidas audiências públicas. Opiniões lhes chegam, de regra, via contraditório expresso pelas partes.
No entanto, o problema que abordo aqui tem outra natureza e se vincula ao modo como o atual colegiado foi formado. Lula e Dilma indicaram 13 ministros, dos quais sete permanecem no cargo. Desnecessário dizer o quanto essas designações foram influenciadas pelo critério ideológico. Nos governos petistas ele era determinante, até mesmo, da escolha do jardineiro e do fornecedor de frutos do mar. Camarões de esquerda. Lagostas trotskistas. De nenhum dos quatro remanescentes se poderá dizer que tenham qualquer afinidade com o pensamento conservador, majoritário na sociedade. Bem ao contrário!
Os longos anos de petismo, resultantes de um tempo em que o ambiente cultural estava hegemonizado pelo pensamento de esquerda, dito “progressista”, viabilizaram ampla maioria na Corte. Para piorar a situação, os três ministros anteriores a esse tempo sinistro, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello, com diferenças de ritmo, batem no mesmo tambor. E o ministro subsequente, Alexandre de Moraes, já deixou claro a que veio.
Na parte final dessa linha de tempo, contudo, surgiram a redes sociais, democratizando o direito de opinião, dando voz a conservadores e liberais, e revelando, para escândalo dos ditos progressistas, o perfil majoritariamente conservador da sociedade brasileira. Decisões do STF repercutem de modo muito mais intenso nas redes sociais do que nas colunas dos jornais. E o desgosto da sociedade se manifesta.
Qual a reação do Supremo, evidentemente deslocado e isolado, com pouco espaço no mundo das ideias vigentes na sociedade, indigesto e desprestigiado, perante essa situação? Como o descomunal orgulho dos senhores ministros responde à sociedade? Proclamando seu papel contramajoritário!
Eis a grande sacada na cartola dos péssimos argumentos, adulterando o sentido original do termo "contramajoritário", que significa discordar de algo aprovado pelo Parlamento e sancionado pela Presidência. Na concepção do STF, o vocábulo passou a significar a recusa aos valores dominantes na sociedade, propagandeada como se fosse virtuosa atribuição do Poder. Caberia ao STF ensinar o povo a pensar segundo o modo como os onze interpretam os princípios constitucionais. Os onze sabem mais do que todos, mais do que os grandes filósofos gregos, mais do que os grandes teólogos. Nenhum destes, claro, mais qualificado do que George Soros e a Nova Ordem Mundial com suas ideias “progressistas” sobre aborto, ideologia de gênero, feminismo radical, controle de armas, globalismo, imigração, "politicamente correto" e engenharia social.
Alguém, aí, abra a janela que eu preciso de ar puro.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
STF & SENADO, UMA RELAÇÃO MUITO ESTRANHA - 03/08/2019
Marcio Chila Freysleben, Procurador de Justiça no MP/MG, solicita-me que endosse e divulgue o pedido de impeachment do ministro Dias Toffoli (1), do qual é um dos signatários. Feito.
O fato me fez lembrar, imediatamente, do pacote de documentos que me foi passado, há dias, por um leitor. Trata-se de uma resenha de todas as denúncias apresentadas contra ministros do STF nos anos de 2016 a 2019, num total de 37. Em sequência, uma volumosa cópia dos autos correspondentes às oito denúncias encaminhadas ao Senado Federal no ano de 2016, todas concluindo pelo não acolhimento, situação que se repetiu nos subsequentes casos sob diferentes presidências da Câmara Alta. Apenas as dez últimas, apresentadas no ano de 2019, ainda se encontrariam aguardando manifestação da assessoria técnica. O destino de todas, porém, já está sinalizado pelo curso da história.
Dois fatos chamam a atenção. Primeiro, o grande número de representações. Segundo, o exercício de autocrático poder pelo presidente do Senado para determinar arquivamento sem ouvir ninguém mais do que sua assessoria técnica. A reiteração de tais condutas evidencia o ataque letal e fulminante que as canetas dos presidentes do Senado determinam à Lei que regula os procedimentos de impeachment e ao preceito constitucional que atribui ao Senado o poder de processar e julgar Ministros do STF. É morte provocada, piedosa, espécie de eutanásia. A Constituição e a lei morrem por “piedade” dos denunciados.
Em momento algum a Lei Nº 1.079/50 menciona consulta a assessorias, ou atribui ao Presidente do poder a prerrogativa de decidir pelo não acolhimento. Seus artigos 42 a 49 são bem claros quanto à exclusiva competência do Poder como tal e não de seu Presidente. A própria Comissão Especial (de senadores) que deveria ser constituída a cada caso tem como tarefa emitir relatório apenas opinativo para orientar a deliberação do Plenário.
“Este assunto nunca foi levado ao STF?”, deve estar se perguntando o leitor destas linhas. Claro que sim. Aliás, a questão resultou esmiuçada na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) de nº 378, em que foi regulamentado o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Uma das questões levantadas se referia à possibilidade de o Senado simplesmente engavetar o processo por decisão da Mesa presidida por Renan Calheiros. O Supremo, no entanto, dispôs:
3.3. Conclui-se, assim, que a instauração do processo pelo Senado se dá por deliberação da maioria simples de seus membros, a partir de parecer elaborado por Comissão Especial, sendo improcedentes as pretensões do autor da ADPF de (i) possibilitar à própria Mesa do Senado, por decisão irrecorrível, rejeitar sumariamente a denúncia; e (ii) aplicar o quórum de 2/3, exigível para o julgamento final pela Casa Legislativa, a esta etapa inicial do processamento.
Ou seja, para o acolhimento da denúncia é exigida maioria simples dos senadores e, para a condenação, maioria de dois terços. No entanto, sucessivas presidências do Senado Federal vêm arquivando dezenas de denúncias contra ministros do STF de modo irregular, que inutiliza o exercício de um direito constitucionalmente assegurado a todos os cidadãos. É com esperança de que isso seja revertido, contando com a mobilização da sociedade, que subscrevo e divulgo o pedido de impeachment mencionado no primeiro parágrafo deste artigo.
É preciso acabar com o império da impunidade. O STF não julga os crimes dos senadores e o Senado não acolhe denúncias contra os ministros. Dois ou três impeachments de ministros do STF produziriam extraordinário efeito pedagógico em ambos os poderes da República.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A INCÔMODA MAIORIA QUE FALA NAS REDES SOCIAIS - 24/07/2019
Usuários de redes sociais jamais deveriam esquecer as lições colhidas nos dias que se seguiram ao fechamento da mostra Queermuseu, no Santander Cultural de Porto Alegre, em setembro de 2017. A exibição, com indicação para escolares e financiamento público (quase um milhão de reais através da Lei Rouanet), tinha conteúdo sexual, homossexual e transexual associado à infância e a animais, e vilipêndio religioso com desrespeito a figuras e objetos sacros. Tudo tão ao gosto de quem se regala com esse tipo de coisa quanto inadequado para crianças. Só quem estava a serviço de alguma “causa”, na mídia, no Ministério Público e no mundo cultural poderia não ver ali conteúdo impróprio à infância.
Graças às redes sociais, imagens chocantes das peças exibidas – repito: expostas ao público infantil – chegaram ao conhecimento da sociedade provocando rápida reação de clientes que começaram a fechar contas no Banco, levando-o a cancelar a exibição. Agiam conforme manda o bom figurino da cidadania em casos assim. Sem violência, civilizadamente e aos bons modos do mercado, que escolhe com quem quer manter relações comerciais e decide quais jornais e revistas quer assinar e quais emissoras de rádio e TV deseja ouvir ou assistir.
Como lição para a eternidade, o mais importante veio depois. Com raríssimas exceções, os meios de comunicação, seus formadores de opinião e o “mundo cultural”, em estado de choque e indignação, colocaram-se contra a opinião pública e contra o que denominaram reação conservadora. Aquilo, diziam, era um desrespeito à arte, coisa de gente atrasada, preconceituosa, em conflito com a laicidade do Estado e “flertando” (eufemismo que a esquerda anda gastando de tanto usar) com a censura. Ou seja, lançaram-se contra a imensa maioria da sociedade.
O protesto contra o fechamento do Queermuseu, realizado ante as portas cerradas do Santander Cultural, reuniu apenas um punhado de militantes perfeitamente alinhados com o conteúdo exibido além delas. Nem mesmo uma performance erótica com mulheres nuas conseguiu atrair espectadores...
Todo episódio compôs um momento simbólico, espécie de “Alons enfants de la patrie” da cidadania, a simbolizar a queda de um poder. As redes sociais se impunham como instrumento para democratizar o direito de opinião, proclamando a independência dos indivíduos em relação aos fornecedores habituais. Estes, por seu turno, reagiram de modo indignado ante o declínio de poder. Era como se a cada linha escrita ou cada frase proferida estivessem a clamar: “Não nos ouvem mais? Não nos atendem mais?”. Ao que se poderia responder: “Há outras opiniões e pontos de vista a merecerem atenção”.
Nessa mesma época, ouvi de amigos cientistas políticos a advertência de que as redes sociais fechavam-se em círculos de afinidade e que poderiam, por isso, ser ilusórias como informação sobre o conjunto da opinião pública. Era bem verdadeiro o que diziam. No entanto, essa miríade de círculos uniu conservadores, liberais e adversários da esquerda que se tinha por hegemônica e contava com a intensa militância em círculos de influência que tradicionalmente empalmavam o monopólio do direito se fazer ouvir. O tempo veio mostrar que a maioria ganhou voz nas redes e que a hegemonia esquerdista era coisa distrófica, desproporcional. Por isso, os círculos em que se expressa odeiam as redes sociais e a elas reservam os piores adjetivos.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
MORO NA CÂMARA E O MISTÉRIO DOS ESPELHOS QUEBRADOS - 04/07/2019
No conflito entre a curiosidade que o acontecimento suscitava e o mal estar que as cenas provocavam, o corpo venceu a mente. Desliguei o televisor. Até hoje não consegui entender a “credibilidade” que possam ter minúsculas transcrições de conversas, sem gravidade alguma, trocadas ao longo dos anos, com assimétrica ocultação do inteiro conjunto do material que certamente serviria, mais robustamente, como prova da tese oposta.
Enfim, não deu para suportar aquela sequência de raciocínios rasos, grosserias e calúnias, postos em forma de perguntas, produzidas com o simples intuito de ofender o ministro.
O desrespeito e a clara intenção de usar o ato como instrumento de vingança, na tentativa de flagelar o ex-juiz com o azorrague da maledicência, me incomodavam tanto quanto saber que os incidentes transcorriam na “douta” Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Se os critérios morais de um questionamento são esses, o que restará para os atos legislativos e decisões de Estado? Que respeito terão, pelo interesse público, aqueles senhores e aquelas senhoras tão facilmente combustíveis à chama de sentimentos vis? Não surpreende o resultado de tantas deliberações.
Com o devido respeito às instituições republicanas, Sérgio Moro submeteu-se ao mais rigoroso teste de paciência, tolerância e força de caráter. Foi exemplar. Sofreu na carne durante sete horas aquilo que não suportei assistir. Aos que o agrediam, nenhum limite era exigido; nele, um simples sorriso era objeto de severas reprimendas! Por fim, havendo a agressividade do plenário alcançado o nível mais baixo, retirou-se da sala. E foi chamado de “fujão”! Ora, os fujões compunham boa parte do plenário. Fujões dos braços da justiça, agarrados ao privilégio de foro e, com as unhas, à porta que supõem estarem abrindo para promover o fim da aterradora Lava Jato. Essas mesmas vozes falaram praticamente sem contestação durante décadas, promoveram a destruição de valores, construíram duradoura hegemonia política e semearam antagonismos na sociedade. Alinharam, perfilaram e mobilizaram tropas de choque. No entanto, desde que perderam o poder, têm reclamado do que chamam “discurso de ódio”. Mistério dos espelhos que se quebraram.
A audiência de Sérgio Moro expôs o tipo de cisão política que se torna inevitável em presença de partidos e parlamentares que, num dia aprovam projeto de lei que penaliza o abuso de poder e, no outro, usam do poder conferido pelo mandato parlamentar para praticar os abusos que todos pudemos assistir.
Desde a entrada em cena dos vazamentos que estão sendo distribuídos por Glenn Greenwald teve início uma tentativa de reconstruir a imagem do ex-presidente Lula. É como se uma mão lavasse a outra e um crime lavasse outro. Como se não houvesse outras condenações, outros processos criminais em outros foros e outras evidências, sempre associadas à mesma relação impura com poderosas empresas.
Os espelhos se espatifaram de vez.
O BRASIL SOB ATAQUE - 26/06/2019
Vários meios de comunicação evidenciam engajamento num trabalho que visa a alterar a percepção e afetar o discernimento do leitor. No Estadão do dia 24/06, um artigo bem típico, indaga: “Há uma luz promissora no horizonte? Claro que não. Sejamos realistas porque o contexto atual é kafkiano. Não se trata de uma fábrica de crises, mas de uma usina de desvarios”... E, mais adiante conclui que nada de bom pode acontecer, restando-nos a longa espera pelo “fim da atual administração”. Mas como? Aos seis meses de mandato? “Usina de desvarios” ante um governo consciente de suas responsabilidades, após sucessivas gestões de Lula e Dilma?
Claro que há um estresse muito grande e incômodo na política nacional. Não esqueçamos, porém, que ele entrou na cena pelas mãos, pés e voz do Partido dos Trabalhadores, seguido de seus anexos e movimentos sociais, numa prática política centrada na desqualificação moral dos adversários. Sou testemunha viva e atenta disso. Durante décadas, em mais de uma centena de debates, denunciei tal conduta, justificada como parte da “luta política”. Em nome dela, aliás, a agressividade não ficava apenas na retórica. Incluía invasão de propriedades, destruição de lavouras e de estações experimentais, bloqueio de transporte, queima de pneus, leniência e justificação ideológica da criminalidade e, ainda, esse gravíssimo subproduto do aparelhamento da Educação brasileira: professores militantes levando alunos a rejeitar a atividade empresarial de seus pais, criando terríveis animosidades nas relações familiares. Isso é violência, que o digam as vítimas.
Pois há, então, quem sinta saudade disso, da corrupção, das “articulações” de Lula e das “habilidades” de Dilma. Há gosto para tudo, mas querer nunca mais conviver com isso é justa e meritória aspiração de uma sociedade que busca recuperar os valores perdidos, e que, quando se mobiliza, o faz de modo ordenado e civilizado. É a autodefesa de uma parcela majoritária da nação que passou a se posicionar politicamente, venceu a eleição de 2018 e sabe o que rejeitar porque convive com as consequências daquilo que rejeita.
Parte da imprensa brasileira ainda não percebeu: quanto mais atacar a Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, quanto maior relevo der à atividade criminosa dos hackers a serviço dos corruptos (bandidos sob ordens de bandidos), quanto mais ansiar pelo silêncio das redes sociais, quanto mais desestimular e minimizar as manifestações de rua, mais estará reforçando, aos olhos de muitos, a obrigação cívica de proteger aqueles por quem se mobiliza. É tiro no pé. Principalmente quando salta aos olhos que, na perspectiva de tais veículos, membros do STF podem criticar o Legislativo e o Executivo; membros do Legislativo podem criticar o Executivo e o STF; o Chefe do Executivo a ninguém pode criticar; e os cidadãos têm que cuidar de suas vidas e deixar de incomodar as instituições.
Não há fundamento para o rigor com que o Presidente e o governo vêm sendo tratados. Não há um só ato que tenha causado prejuízo ao país. Bem ao contrário, todos os movimentos e iniciativas visam a diminuir o prejuízo herdado e a fazer as necessárias reformas. Bolsonaro já deixou evidenciado a todos que, se não é o príncipe perfeito com que pretendem aferi-lo alguns formadores de opinião, também não é o ogro que a fantasia destes, de modo maldoso, quis criar e exibir ao mundo.
Por fim, a sociedade entendeu que condutas voltadas a derrotar o governo, desacreditar o governo, derrubar o governo, são funestas ao país e àqueles que mais precisam que tudo dê certo. Não há parto sem dor. Ou as instituições fazem o que devem e o Brasil nasce diferente e melhor em 2020, ou será um lugar muito ruim de viver! A aposta no quanto pior melhor beira à delinquência. Ou à sociopatia.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
STF ULTRAPASSOU (DE NOVO) A LINHA AMARELA - 14/06/2019
A rigor, hoje, uma sirene deveria estar ressoando em todo o território nacional, advertindo que o STF avançou a linha amarela e invadiu competência do Poder Legislativo sob débil alegação – “Já que o Congresso não decide...”. Ante a “omissão” do Legislativo, o STF ultrapassou a linha amarela e criou um tipo penal aplicável a condutas homofóbicas por analogia ao racismo.
A sirene deveria estar soando porque essa, digamos assim, invasão do espaço aéreo do outro poder, na minha convicção, é sinal claro de mentalidades totalitárias, que em nome de suas convicções pessoais, desconhecem limites à própria ação e firmam decisões em palanque de banhado.
O fato de haver votos divergentes entre os ministros reforça a legitimidade dos entendimentos discordantes. Os três ministros que se posicionaram contra a decisão majoritária alegaram exatamente a invasão de competência privativa do Parlamento nacional. Só a ele cabe criar tipos penais. Não há na convicção dos ministros Marco Aurélio, Toffoli e Lewandowski qualquer resquício de preconceito ou homofobia. Apenas respeito às fronteiras entre os poderes de Estado.
Ao alegar “omissão” do Legislativo, a maioria do STF subscreveu tese perigosíssima. Segundo ela, se o Congresso não vota determinado projeto por não ter maioria para aprovação, seu autor, se a tese for do gosto de alguns senhores ministros, pode atravessar a rua e buscar apoio de meia dúzia deles. Não era esse o sentimento que transbordava de cada palavra do ministro Celso de Mello, ao ler as 155 páginas de seu voto em fevereiro deste ano? Não retirou ele do bolso da toga a acusação de que o Congresso estava “em mora” com um dever constitucional? Não entendia ele, então, que a Constituição impunha ao Parlamento o dever de deliberar e não ficava explícito, ali, o único conteúdo aceitável dessa “deliberação”? Nesse caso, como deve o Legislativo acolher a indicação que o STF lhe faz de que legisle a respeito? Faz um convênio e encomenda uma minuta de projeto ao outro lado da rua?
Nunca é demais lembrar: raramente, muito raramente, as casas do Congresso rejeitam projetos de parlamentares, pois estes só submetem suas proposições ao plenário quando têm certeza de contar com apoio suficiente. Portanto, o que a maioria do STF entendeu como “omissão” ou “mora” é falta de consenso ou de suficiente apoio. E também isso é deliberação. O projeto agora em discussão na Câmara dos Deputados, por exemplo, é aquele que limita o antagonismo à introdução da ideologia de gênero nos currículos escolares.
Por isso, o projeto patina. Uma coisa é defender a dignidade da pessoa humana e seu direito de definir e não ser discriminada em vista de sua identidade sexual. Outra é dar um salto com vara sobre o conhecimento científico para afirmar, lá do outro lado, já no terreno da mera ideologia, que essa identidade é uma construção social. E colocar isso na cabeça das crianças.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
PEQUENA CRÔNICA DO FUTEBOL E DA POLÍTICA - 08/06/2019
A conversa corria solta na mesa ao lado. Falavam de futebol e esse é um assunto que exige tanta eloquência quanto tempo. Não se fala de futebol em voz baixa, nem só um pouquinho. Se bem contado o tempo em certas emissoras de rádio que fazem jornalismo 24 horas, o futebol ocupa a maior parte da programação. Por vezes, chego a pensar que o brasileiro goste mais de falar sobre futebol do que do jogo propriamente dito.
Voltemos, porém, à conversa da mesa ao lado. Recordavam antigos atletas, treinadores, vitórias de seus clubes. De repente, alguém sacou de uma memória que me fez lacrimejar de inveja a escalação do Fluminense campeão carioca de sei lá qual ano. Coisa de décadas passadas. Estimulados por isso, outros abriram a gaveta dos papeis velhos e puxaram registros de feitos e vitórias de seus clubes. As principais interjeições eram reservadas a grandes goleadores e goleiros. Os assuntos mais densos envolviam esquemas de jogo, escalações, receitas para o sucesso e para o fracasso.
Continuavam discutindo quando fui embora pensando sobre o que ouvira e se tornou inevitável comparar todo aquele conhecimento, destreza analítica, capacidade de ver e compreender a realidade dos respectivos clubes nos vários momentos de sua história, com o pequeno interesse e o quase total desconhecimento que a imensa maioria da população brasileira tem e mantém sobre a realidade nacional. Sim, sim, só ela explica o longo período de hegemonia esquerdista pelo qual passamos.
O sujeito recita a escalação inteira de um time de futebol num ano remoto, mas é incapaz de dizer o nome dos candidatos em quem votou no ano passado. Conhece, passo a passo, a trajetória de seu clube e os protagonistas de seus feitos, mas nada sabe sobre as principais figuras da história do Brasil. É incapaz de identificar, pela imagem, José Bonifácio, Joaquim Nabuco, Machado de Assis, Castro Alves, simplesmente porque suas estátuas não existem e suas obras nunca lhes foram valorizadas.
Sei o quanto é comum isso que descrevo, mas sei, também, o quanto nosso país seria melhor, mais desenvolvido, mais humano, mas justo, respeitado e amado se atribuíssemos à sua história, sua política e suas grandes questões, o mesmo esforço de atenção e inteligência que dedicamos ao futebol. Cada brasileiro, com certa razão, se considera um técnico em futebol; no entanto, em relação ao país, não aprende coisas fundamentais como prestar atenção ao que já fez e não deu certo.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
ESTRANHOS EDITORIAIS DO ESTADÃO - 30/05/2019
É interessante observar o rumo que, de uns meses para cá, tomaram os editoriais do jornal O Estado de São Paulo. Ao mesmo tempo em que pedem moderação, diplomacia, capacidade de articulação política e transigência, como atributos de que o país e o governo estariam carentes, os editoriais do Estadão espancam o governo e desqualificam seus adeptos, acirrando, assim, os antagonismos que incluem entre os males do país.
Na edição do dia 28 de maio, depois de uma olhada superficial sobre as grandes manifestações do dia 26, o jornal adverte:
“Nunca é demais lembrar que a reforma da Previdência, malgrado sua urgência, deve ser apenas o início de um amplo processo de mudanças com vista a ensejar uma retomada do crescimento que, finalmente, comece a tirar o Brasil da sua persistente mediocridade. Nada disso será alcançado sem contrariar as corporações que capturaram o Estado para a satisfação de seus interesses, e para isso será preciso arregimentar democraticamente as forças dispostas à articulação de um consenso mínimo.”
O redator talvez julgue haver, em parto sem dor, dado à luz uma ideia original, o caminho da roça para tirar o país da crise – “um amplo processo de mudanças com vistas a ensejar uma retomada do crescimento”. Ao ler isso fiquei com vontade de recortar e mandar para o ministro Paulo Guedes, sublinhando a advertência sobre a necessidade de “contrariar as corporações que capturaram o Estado”. Grande sacada!
O problema é que enquanto tenta ensinar o padre a rezar missa, o jornal faz o que condena. Desacredita sistematicamente o Presidente, ora com platitudes, ora com grosserias. Silencia sobre seus méritos e tenta blindar o Congresso com um isolamento acústico aonde não chegue a voz das ruas. Cobra todas as responsabilidades e contas do governo e confere ao Legislativo (aí incluída a desacreditada elite do Centrão) um direito a decidir sem pressão que jamais foi objeto de tão insistente defesa nas páginas do jornal.
Na perspectiva do Estadão, tudo se passa como se “o amplo processo de mudanças“ a que se refere, estivesse sendo objeto de debate num país distante, e seus editorialistas, em vez de emitir opinião, se sentissem obrigados a omiti-la em nome do respeito às imaculadas motivações dos congressistas. Essa atitude impediu o jornal de perceber dois fatos significativos: 1) foi a reação popular que travou, no Parlamento, a recriação de pelo menos dois ministérios; 2) a mesma pressão, porém, não bastou para manter o COAF na órbita do Ministério da Justiça, em votação festejada no plenário como se fosse indulto de Natal. Deliberação legítima? Sim, mas convenhamos...
Em relação a seus deveres como importante jornal do país, o Estadão comete o mesmo erro que, equivocadamente, atribui ao governo: põe lenha no fogo e deixa as batatas assarem até a casa queimar. As multidões que foram às ruas em todo o Brasil no dia 26 entenderam melhor a situação. Apoiaram as reformas, deram suporte ao Presidente, louvaram Sérgio Moro e Paulo Guedes. Frustraram os que previam fracasso e decepcionaram os que imaginavam uma antidemocrática Tomada da Bastilha brasiliense. Foram muito mais proativas, enfim. Ajudaria bem o Brasil se o Estadão escrutinasse as condutas dos dois lados da praça e desse uma olhada nos inimigos das reformas e suas motivações.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
VERDADE ROUBADA, MENTIRA VENDIDA - 17/05/2019
Todo dia, toda hora, em algum lugar, alguém está falando a nós, o povo. Falam-nos nos meios de comunicação, nas redes sociais, nas tribunas, nos púlpitos, nos palanques sobre o que nós, o povo, queremos. E sempre há alguém acusando outrem, por estar fazendo as coisas de modo diverso daquele que nós, o povo, desejaríamos. Essa apropriação, que nos converte em gado do discurso alheio, é uma espécie de abigeato praticado cotidianamente. Muitas vezes, a verdade nos é roubada e a mentira vendida ao povo.
Há no povo homens e mulheres; há crianças, jovens, adultos e idosos (e também jovens idosos e adultos infantis); há pessoas instruídas e incultas, bem como sábios incultos e acadêmicos tolos; existem pessoas dos campos e das cidades, do febril anonimato das grandes metrópoles e das pequenas comunidades urbanas onde todos se conhecem; há pessoas de várias classes sociais e níveis de renda; há no povo uma diversidade cultural, racial e religiosa. Em cada grupo encontraremos bons e maus, trabalhadores e vadios, pessoas com e sem esperança, enfermos e sãos, cada qual com suas debilidades e fortalezas, vocações, inclinações e tendências políticas.
Tudo isso é povo. Como pode alguém, pois, apropriar-se de todos e de cada um, como enlouquecido aparelho de rádio que sintonizasse, simultaneamente, o conjunto das emissoras? Ninguém, a rigor, tem o “povo” nas mãos, seja governo, seja oposição. (Espero que me entendam, quando digo isso, aqueles que mais precisam entender).
Lembro-me do governo Olívio Dutra e do Orçamento Participativo (OP). Segundo seus promotores, aquilo era uma forma de atribuir ao “povo”, a decisão sobre o destino das verbas públicas. E o “povo” ia para lá e para cá nas assembleias do OP. Nelas o “povo” deliberava exatamente sobre os gastos não obrigatórios, as tais despesas discricionárias de que hoje tanto se fala. No final do processo, todo o “povo” convergia à Praça da Matriz para um grande comício com bandeiras vermelhas e palavras de ordem. Ali, testemunhavam algo insólito: a trepidante e inolvidável entrega do Orçamento do Estado à Assembleia Legislativa. Juro para vocês! Eu vi isso acontecer, mais de uma vez... As velhas entranhas do Theatro São Pedro, no outro lado da praça, roíam-se de inveja por nunca haverem reunido tanto público nem tantos talentos da nobre arte de representar. Ah! Claro, nenhum OP estadual gaúcho cumpriu, senão minimamente, o que foi deliberado pelo “povo”. O contingenciamento sempre pegou firme.
Na recente mobilização do “povo” pela Educação, que ganhou repercussão nacional, eu assisti a uma repórter da Globo sublinhando que o ato não era político nem partidário... Qualquer imagem em close ou microfone aberto mostrava justamente o contrário nos cartazes, nas cores, nos símbolos, nos discursos. A Educação, a pobre e deficiente Educação nacional, foi intensamente maltratada, aliás, na gramática, no desapreço à verdade dos fatos e no escancarado paradoxo de quem silenciou em todos os contingenciamentos promovidos pelos governos petistas (cumprindo a lei, diga-se de passagem), e sai aos berros quando outro governo adota o mesmo procedimento.
Existem políticos, jornalistas, sindicalistas, militantes, professores, que têm verdades de fabricação caseira. É uma produção barata, que conta com logística estruturada para circulação e distribuição.
* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
AS RAPOSAS, NOSSAS UVAS E O BURACO - 10/05/2019
Ontem, 9 de maio, numa cumplicidade translúcida, escancarada, as raposas da comissão mista meteram pata na reforma administrativa austera e séria proposta pelo Presidente. Não lembro de que algo assim já houvesse acontecido. O Congresso negar ao eleito a possibilidade de organizar seu governo segundo melhor lhe pareça? Note-se: essa metida de pata ocorreu para recriar dois ministérios que são autênticos navios piratas, a serviço dos cambalachos em que se negociam votos e se atendem interesses locais em detrimento da conveniência nacional. A recriação do Ministério das Cidades e do Ministério da Integração Nacional tem que ser lida e entendida pelo que é: uma regressão à velha política, à política das raposas. Se vivemos ou se queremos viver numa Federação, poucas coisas serão tão perniciosas e não federativas quanto um Ministério das Cidades e um da Integração Nacional. Ambos são clara expectativa de influência e poder sobre os prefeitos e governadores, com mediação e bônus para aquele lastimável tipo de congressista que, sem isso, não sabe o que fazer em Brasília.
Sem essas duas pastas (pelo controle das quais se engalfinharão), as velhas raposas viam verdes as uvas...
Aquela esperança que se acendeu com o resultado das eleições de outubro passado, determinando grande renovação nas duas casas do Congresso, já foi consumida pelo jogo de interesses da velha política. Ela continua a dar as cartas, os partidos do velho Centrão receberam a lição das urnas, mas rapidamente recrutaram adeptos entre os novos colegas e se firmaram como centro de poder. Ontem se juntaram ao PT para tirar o COAF das vistas do Ministério da Justiça, vale dizer, de Sérgio Moro, para hospedá-lo no Ministério da Economia.
O Ministério da Economia não é hospedaria adequada para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras. Na página do órgão, lê-se:
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras - Coaf tem como missão produzir inteligência financeira e promover a proteção dos setores econômicos contra a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo.
Não se trata, como tentaram fazer crer alguns meliantes da retórica parlamentar, de um órgão para “lidar com finanças”, em paralelismo ou em subsídio ao Banco Central. O COAF, como se vê e como ele se descreve, é um órgão para investigar condutas criminosas, ilícitas, que requerem ação do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, e relações institucionais com MPF e Justiça Federal. Bolsonaro levou o COAF para o lugar certo, onde os bons cidadãos sabem que ele deve ficar.
Raposas cuidam de seus rabos ainda mais do que macacos. Se o COAF deve ir para a pasta da Economia, a Polícia Federal deveria, pelo mesmíssimo motivo, ir para a Secretaria da Pesca.
Essas decisões da comissão mista, que agora dependem dos plenários das duas casas, são importantíssimas ao futuro do país. Enquanto as velhas raposas do Congresso Nacional, ao modo vulpino, ajudam o PT, agora na oposição, a quebrar de novo o país, discutem-se entre nós temas que, em poucos meses, virarão blábláblá dentro do buraco de que nos avizinhamos. Todas as raposas, creiam, estarão do lado de fora e não lhes faltarão uvas. Nem vinhos finos.
P.S. Melhor será se acordarmos logo para o fato de que não aconteceram as esperadas mudanças no Congresso Nacional. Estes dias deixaram evidente que as velhas raposas do Centrão continuam dando as cartas e ignorando o país real. O Congresso foi renovado, mas a regra do jogo continua sendo ficha suja. Então, escrevi este artigo para que isso nos mobilize. Depois de tudo que aconteceu nos últimos seis anos, esses cavalheiros e essas damas não podem imaginar que tudo continuará como antes. Nem pensar!
* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
DIGA FORO DE SÃO PAULO, MOÇA! - 06/05/2019
A jornalista arregala os olhos, tranca os lábios e sacode a cabeça em sinal negativo. “Diga, moça, você verá que não dói”, insisto eu. Mas ela persiste na recusa. Eu volto: “Ao menos diga que o PT e o Partido Comunista Cubano são responsáveis por isso que você está descrevendo”. Nada. Palavra alguma, também, sobre comunismo, sobre Lula, sobre Fidel. Na voz daqueles analistas, a ditadura venezuelana parecia um desses vulcões simpáticos que posam para fotografia de turistas e, subitamente, começam a cuspir fogo vindo do nada .
Aliás, durante todo o programa entretive esse diálogo mental com a apresentadora enquanto ela e seus colegas se revezaram em merecidas e pesadas críticas à ditadura venezuelana, hoje com Maduro, ontem com Chávez, mas ignorando as causas do que está em curso naquele país.
Aprendamos, pois, com Aristóteles e esclareçamos o que o mutismo dos analistas escondeu. O velho grego ensina haver quatro tipos de causas para que as coisas existam. Elas são materiais, formais, eficientes e finais. Assim, a causa material do que acontece na Venezuela, sua substância, chama-se comunismo. A causa formal, que determina sua essência, talvez por saltar aos olhos, era o único tópico reconhecido pelos analistas: ditadura com apoio militar. As causas eficientes, aquelas que explicam como a coisa tomou a forma atual, eram as que a moça, em meu diálogo mental, se recusava a admitir: o Foro de São Paulo, o regime e o governo cubano, o apoio do petismo quando governou o Brasil, e mais Lula, Fidel e Raúl Castro. E a causa final, razão de existir, é a manutenção de um grupo político no poder por tempo indeterminado, evoluindo na direção do partido único, que submeta a si todas as instituições do país.
Longe de mim a ideia de ensinar a moça a ajudar na sua missa diária. Quem realmente dirige o rito sabe o que está fazendo, tem seus motivos e quaisquer outros ficam fora de cogitação.
Minha intenção, por outro lado, é muito prática. Ao mostrar o que a moça estava omitindo, assim como o bebê que tranca os lábios ante uma colher de sopa de potinho, estou aproveitando o noticiário destes dias para revelar as terríveis consequências das ações dos agentes malignos que se congregaram no Foro de São Paulo no já longínquo ano de 1990.
O Brasil petista, o protagonismo de Lula nas eleições venezuelanas, os “financiamentos” a fundo perdido proporcionados pelos governos brasileiros e os cambalachos a eles relacionados foram causa eficiente da tragédia venezuelana. Esconder estas realidades da opinião pública, calar a respeito delas e jamais mencionar o Foro de São Paulo, é também ocultar parte das causas da crise em que nosso próprio país foi jogado.
* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A TIGRADA - 05/04/2019
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, presume-se por sua importância, reúne parlamentares com formação jurídica ou, na falta destes, os de maior preparo intelectual. A CCJ é formada por 65 membros e há 38 parlamentares que são advogados.
Não se esperaria de um órgão com tais quadros e responsabilidades a conduta observada na sessão a que compareceu o ministro Paulo Guedes para falar e responder questionamentos sobre a reforma da Previdência. O ambiente que a oposição articulou fez lembrar aquele em que os petistas costumam se dar bem e o interesse público, mal: algazarra, gritaria, cartazes, interrupções histéricas ao convidado. O objetivo é alcançado quando o caldo engrossa e a sessão precisa ser encerrada. Vi muito disso desde as assembleias estudantis secundaristas dos anos 60. O mesmo som, vindo da mesma banda. É a censura da divergência através da falta de educação e do berreiro.
Aquele grupo de parlamentares que derrubou a sessão da CCJ especializou-se, ao longo dos anos, em causar dano ao país. Seus melhores resultados (maiores danos com maior proveito próprio) são obtidos no exercício do poder. Por isso, é na busca dessa plena “eficiência”, que só pode ser alcançada na volta ao poder, que se centra sua ação oposicionista.
A audácia verbal usada contra o ministro procede da mesma ausência de remorso que lhes permite exibirem-se aos olhos da sociedade como defensores dos pobres e oprimidos após haverem deixado uma herança de 13 milhões de desempregados, proporcionado enriquecimento ilícito à sua parceria, quebrado fundos de pensão, jogado a Petrobras no descrédito e ensejado aos bancos recordes de lucratividade com a economia estagnada e recessão. Veem-se como profetas perante multidão de idiotizados.
Os críticos habituais do governo, com o discernimento turbado pelo antagonismo, trataram de fazer o ministro corresponsável pelo alarido. Imaginavam que Sua Excelência deveria engolir, com benignidade, doses crescentes de grosseria. Por que o faria? Para não desagradar os opositores sistemáticos? Para ser simpático ao Zeca Dirceu? Para dar razão à irracionalidade? Para se fingir desmemoriado e cego ante a incoerência dos que o atacavam? O ministro disse o que os governistas deveriam ter dito e o governo só “perdeu” votos que nunca teve.
Querem inculpar a base do governo por sua passividade? Façam-no, mas não esperem que o ministro aja como tchutchuca ante a tigrada que se escuda no mandato para atacá-lo. A reforma da Previdência não é apenas necessária. Ela é urgentíssima. Combatê-la não protege os mais pobres, antes, deixa-os ainda mais ao desabrigo porque é dispensado demonstrar quem são as principais vítimas das grandes crises econômicas. Falam por mim os sem teto que se espalham pelas marquises e soleiras de nossas cidades. Falam por mim os que saíram das estatísticas do desemprego simplesmente porque desistiram de conseguir um. Falam por mim os chefes de família que afundaram em depressão, alcoolismo, ou drogadição.
A biografia do grupo político que hoje faz oposição no Brasil é nacionalmente conhecida e responde por suas derrotas eleitorais em outubro do ano passado. Após apadrinharem os mais desonestos empresários do país, discursam como se fossem pais dos pobres (certamente por havê-los produzido em proporções demográficas). E empurram o país para o abismo do desastre fiscal, olhos postos nos proventos políticos que ele lhes proporcionará.
* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
DESTEMPEROS DE TOGA - 19/03/2019
Em julho de 2014, um destacado cientista coreano da área de nanotecnologia anunciou haver desenvolvido, com sua equipe, um pequeno sensor cutâneo para medir as emoções do portador. Ao fazer o anúncio, arrematou: “No futuro, as emoções serão consideradas informações biométricas, como pressão arterial e temperatura”.
Não sei a quantas anda, hoje, o trabalho do Dr. Yong-Ho-Cho. Na ocasião, aquilo me fez pensar em algo mais sofisticado, possivelmente ao alcance do longo braço da tecnologia por vir. Refiro-me a um sensor ambiental de emoções. O aparelhinho ficaria sobre a mesa de reuniões e as luzes de seu painel passariam a exibir a qualidade e a intensidade das emoções emitidas pelos presentes. Tal conhecimento permitiria, por exemplo, saber se naquele ambiente emocional o tempo gasto na reunião seria produtivo ou não, indicando a necessidade de mudanças de ânimo.
O leitor destas linhas talvez esteja a atribuir-me intenções invasivas e totalitárias. Nada mais distante da realidade, porém. Peço-lhe calma, portanto. Apenas acompanhe o raciocínio e conheça, primeiro, o que me motivou a escrever hoje, partindo daquelas reflexões de inspiração coreana.
Sou telespectador frequente das reuniões do STF. Elas superam em interesse, utilidade e importância a maior parte de nossas emissoras de TV no horário da tarde. Não raro, diante do que vejo quando a câmera, estática, filma o colegiado e capta suas expressões fisionômicas; diante do que ouço e percebo no vocabulário, fraseado e tom de voz dos senhores ministros; diante do sentido explícito ou implícito daquilo que dizem; diante da retórica, dialética e erística empregadas, fico pensando no que estaria sendo captado pelo aparelhinho que a equipe do Dr. Cho poderia vir a desenvolver. Quais luzes acenderiam, e com que intensidade?
No olho e no ouvido, percebo manifestações de orgulho, vaidade, ciúme, inveja, ira, lisonja, arrogância e presunção. Raramente, e de poucas cadeiras, capto sinais virtuosos de anseio por justiça, benignidade, conexão com o interesse público e sua proteção, amor, fé e – por que não? - humildade.
E você, leitor? Num momento em que o STF e vários de seus ministros nos surpreendem com decisões cuja derradeira consequência é a impunidade e a debilitação da Lava Jato, parece importante ressaltar a relevância do Supremo pelo que faz, pelo que não faz e pelo que deveria fazer. O Estado de Direito e a democracia precisam dessa instituição. Por isso, seus membros deveriam, urgentemente, pensar sobre si mesmos, sobre seus sentimentos, e sobre o modo como a nação, soberana, os vê.
Sim, a nação os vê. O tal aparelhinho medidor de sentimentos e emoções existe na vida real. Ele opera pela percepção de milhões de pessoas em todo o país diante das sessões do STF transmitidas pela TV e pelas manifestações públicas dos senhores ministros. Essa percepção, infelizmente, capta muitos sentimentos incompatíveis com o bom exercício da missão institucional e, raramente, nobreza efetiva. Não é incomum que o STF decida contra a opinião pública, pois é uma corte constitucional. Mas deveria ser incomum um tribunal emitir sinais tão pouco virtuosos.
* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
“SE FLÁVIO ERROU, ELE TERÁ DE PAGAR...” - 25/01/2019
Sob todos os pontos de vista, é uma pena que a afirmação feita por Bolsonaro ao jornalista da TV Bloomberg em Davos tenha caído do imenso vazio de significados que domina a imprensa brasileira. No ambiente local, se as informações transmitidas, quaisquer informações, não têm conotação negativa para o governo, não interessam. Ou elas permitem danificar-lhe a imagem, ou são inúteis. E não falta quem consiga, até mesmo, transformar limonada oficial em limão opiniático. Foi por isso que muitos veículos aproveitaram a manifestação do pai para requentar as denúncias contra o filho e, outros, para rotulá-la como tardia. Não escrevo este artigo porque queira uma imprensa omissa. Escrevo-o precisamente porque que não quero uma imprensa omissa.
A frase - “Se Flavio errou, ele terá que pagar por essas ações, que não podemos aceitar” – jamais sairia da boca de um Lula, por exemplo. Alias, parece haver suscitado escasso interesse da mídia extrema e do COAF, a vertiginosa escalada do filho do ex-presidente, que saltou de funcionário de zoológico a milionário. Papai Lula preferiu ver a intrigante ascensão como produto das atividades de um “gênio das finanças”. Deu para notar a diferença?
Dos moralistas de ocasião, daquela imprensa que reclamou do cancelamento da coletiva presidencial, ele só tinha a esperar desrespeito ao constrangimento a que estava submetido. Não faltaria, ali, quem viesse escarafunchar-lhe as emoções com perguntas tão relevantes quanto “Como o senhor se sente com isso?”, ou “Como foi a conversa com o seu filho?”. Por aí andariam os medíocres.
É uma pena que seja assim. Não creio, porém, que os ataques da mídia extrema alcancem seus sinistros objetivos. A exemplo de tantos outros brasileiros, bebi da taça da esperança. E me declaro civicamente bem servido. Conformado, esperei 34 anos para esse encontro do Brasil com as posições conservadoras e liberais que professo. A cada quatro anos, em vão as aguardava do ventre das urnas, enquanto via o Brasil ser levado ao abismo social, à indigência moral e à falência econômica. Quantas vezes, meu Deus, ao longo dessas décadas, sentei a mesas de debate, em rádio e TV, tendo como contraparte figurões da esquerda gaúcha, empenhados em defender aquele modelo, bem como os regimes cubano e chavista! Ali estiveram as parcerias, o horizonte e o futuro.
Há quem ainda agora os defenda e com eles prefira lidar. Manipulam, então, a lixeirinha dos fatos enquanto o país, a despeito deles, cumpre a manifestação democrática das urnas e muda seu destino.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O BRASIL QUE RENASCEU DAS URNAS - 18/01/2019
Com freqüência ouço comunicadores afirmando que o novo governo reclamava da ideologia determinante nos anteriores e, agora, tão logo eleito, vem com outra ideologia. Fingindo afogamento na banheira dos fatos, exclamam como quem fala de uma troca de seis por meia dúzia: “Quer dizer, então, que era só por ideologia?” e acrescentam indignados: “Estão substituindo todos os ocupantes de cargos por outros da sua ideologia”.
Penso que convém esclarecer que o termo ideologia se aplica, mais adequadamente, a uma idealização da realidade, não sendo, por isso, apropriado ao caso. O que aconteceu nesta eleição foi bem diferente. O Brasil renasceu das urnas e fez opção política por outra realidade. Sem idealização alguma. Ao contrário do que aconteceu nos governos anteriores, quando a ideologia fazia ministros no STF, a sociedade explicitou no voto o que vinha deixando claro nas redes sociais e nas ruas. Optou por coibir a impunidade, por torcer pela polícia contra o bandido (cujo lugar, decididamente, é na cadeia), combater a corrupção, proteger a infância, defender a instituição familiar, enxugar o Estado e acabar com os abusos. Após duas décadas em que a educação brasileira definhou em qualidade, graduou analfabetos funcionais, e cresceu – aí sim, - em ideologia, a sociedade optou por uma educação que privilegie o ensino fundamental, prepare os jovens para uma inserção ativa e produtiva na vida social e desenvolva valores morais que entraram em desuso.
O verde e amarelo das bandeiras que se agitaram nas ruas e praças do Brasil evidenciou que nosso país é amado e amável, pode voltar a ser uma nação respeitada, parceira das melhores democracias, avessa aos totalitarismos. E tem sobrados motivos para se orgulhar de suas raízes e de seus fundadores. Com muita razão, a ampla maioria dos brasileiros quer esse ânimo nas salas de aula, em substituição aos desalentadores resultados da pedagogia dos conflitos.
Nada tem a ver com ideologia, tampouco, a decisão política de privilegiar o interesse nacional em acordos internacionais, controlar de perto o trabalho da miríade de ONGs que, em muitos casos, atuam no Brasil, com recursos da União (ou seja, do povo brasileiro), em favor de interesses estrangeiros muito focados na riquíssima biodiversidade e no subsolo da Amazônia. É apenas o fim da copa franca, que serviu para o assalto às estatais, para os escandalosos e ruinosos financiamentos concedidos pelo BNDES, e para o enriquecimento de quem não precisa de recursos públicos no setor cultural. Ou não é exatamente isso que o povo quer? E isso nada tem a ver com “ideologia”.
A ira contra Olavo de Carvalho, por outro lado, se explica. Enquanto, em universidades brasileiras, tendo eco na "extrema imprensa", tantos se dedicam a emburrecer os alunos com doses de ideologia – aí sim – marxista, Olavo, com seus cursos, artigos e livros atuou no sentido oposto, ensinando milhares de brasileiros a pensar, e se tornando, de longe, o intelectual que mais influenciou, positivamente, a virada do jogo político no Brasil.
Por outro lado, é a primeira vez que eu vejo jornalistas criticando demissão de ocupantes de cargos de confiança. Certamente são razões do coração. Esperavam que o novo governo conduzisse suas políticas usando para isso servidores adversários, militantes do partido que povoou de modo sistemático o serviço público brasileiro? A última eleição mudou os rumos do Brasil, tanto quanto Lula e o PT o mudaram a partir de 2003. É bom lembrar que já no final daquele ano, a população brasileira começava a ser desarmada, tornando-se ovelha sob pastoreio de lobos.
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* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
POR FALAR EM DEUS - 15/01/2019
Você nem se deu conta, mas no breve espaço de sua geração, Deus sumiu do vocabulário corrente no outrora Ocidente cristão e este artigo se torna, digamos assim, fora das expectativas. Junto com o vocábulo, decresceu, também, o persignar-se, o ajoelhar-se, a frequência à missa ou culto, os símbolos religiosos, as confissões, os sinais interiores e exteriores de fé, mesmo entre os que a preservam. Em parcelas crescentes da população desapareceram, igualmente, os esplêndidos benefícios estéticos, éticos e espirituais da transcendência, alcançáveis por aqueles que se elevando acima dos imanentes rochedos, tendo olhos para o infinito, conheceram e desenvolveram a dimensão espiritual, superior e eterna de sua natureza.
Um dos objetivos centrais da guerra cultural empreendida pelo movimento totalitário e pelo moderno globalismo consiste em constranger o cristianismo ao silêncio, fazer com que a mensagem cristã não encontre eco nem repercuta na vida das pessoas e das sociedades políticas. Quem conduz ou segue tal estratégia observa a receita de Marx, cujo modo de preparo adverte que a religião é “o ópio do povo”, e está desatento à de Raymond Aron, para quem o marxismo é “o ópio dos intelectuais”. Fecho com ele. Conheço raros inimigos das religiões em geral e do cristianismo em particular que não sejam marxistas e esforçados coletores nos lixões da história. Nesta última função, incorrem no paradoxo de, por um lado, atribuir a Deus a culpa pelos pecados, erros e burrice dos homens; por outro, isentar Marx e o marxismo de toda a desgraceira que trouxeram à humanidade.
É claro que isso não tem graça alguma. Que o digam os chineses ainda hoje perseguidos por cultuarem o mesmo Deus que o Ocidente estabeleceu ser socialmente inconveniente e politicamente incorreto. Que o digam os milhões de cristãos e judeus vitimados por revoluções comunistas mundo afora. Que o digam as religiosas estupradas pelo simples motivo de estarem e permanecerem em seus conventos durante as eclosões levadas a cabo em nome dos “altíssimos valores humanos” dos revolucionários da hora. Afinal, a revolução, detentora de incontrastável superioridade moral, tem prerrogativas que a habilitam a toda iniquidade.
No entanto, se olharmos à volta e refletirmos sobre as transformações experimentadas pela sociedade ao longo do tempo, será impossível não contabilizar graves perdas. Bem feitas as contas, se evidenciará, também, o quanto é socialmente benéfico que as condutas humanas sejam mais influenciadas pelo amor a Deus e ao próximo, do que pelo peso das sanções do Estado. É na simultânea perda daquele amor e desse temor que o caos se instala e a criminalidade se expande.
* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
A RESERVA DOS DERROTADOS - 08/01/2019
Claro que há muita burrice e rabugice no que tantos profissionais da comunicação vêm escrevendo e dizendo. Assim como o uso do cachimbo entorta a boca, o hábito de falar sozinho sem ser contestado desenvolve deformações políticas. E faz carreira nos totalitarismos.
Não podemos esquecer que em todas as eleições presidenciais havidas entre 1994 e 2014, completando 20 anos e seis pleitos consecutivos, a nação foi constrangida a escolher entre dois partidos de esquerda – PSDB e PT. Contados os períodos dos respectivos mandatos, têm-se quase um quarto de século durante o qual a sociedade foi submetida a uma dieta política servida por legendas que apreciavam o mesmo cardápio. Não se discutiam outros pratos, outras receitas e, na maioria dos casos, o tempero era o mesmo: conversa fiada populista.
Liberais e conservadores, ou a direita (como queiram), ficaram sem pai nem mãe todo esse tempo. Situação inusitada. Algo análogo só se encontrará em países comunistas, creio. Pessoas e partidos que poderiam falar pela direita de modo orgânico no Congresso Nacional estavam, geralmente, capturados, ora por um, ora por outro dos dois projetos de poder em curso. A retórica política tornou-se monótona. Governo e oposição, ambos “de esquerda”, usavam o mesmo vocabulário, o mesmo glossário, se alinhavam com o infame “politicamente correto”, com o globalismo, com intervencionismo estatal, com o populismo de esquerda e suas articulações, com a Escola de Frankfurt, com George Soros e a Open Society. Consequentemente, tinham e têm o mesmo compromisso com a degradação das estruturas que sustentam a civilização ocidental e com uma ordem econômica não capitalista.
O rolar do tempo e a falta de concorrência no mercado das ideias foram criando uma espécie de pseudoconsenso em que qualquer expressão de base conservadora ou liberal era automaticamente repelida e expelida. Por não encontrar eco, sumia. Foi assim que o Brasil, empurrado pela política conforme era jogada, mas também pelas entidades representativas da tal “sociedade civil organizada” – OAB, CNBB, ABI, sindicatos e suas centrais, conselhos – aprendeu a falar a mesma linguagem e fez sumir as mesmas palavras. Quais? Pois é, será bom lembrá-las. Entre outras: ordem, tradição, honra, família, virtudes, princípios, fé, autoridade, capitalismo, propriedade. E mais: liberdade/responsabilidade e direitos/deveres, como binômios não fracionáveis.
O papel destruidor do que descrevo não poupou sequer a nação e sua história. Veio para cima das mesas, nas salas de aula, como refinado produto do saber, o lixo dos acontecimentos. Qualquer modo de contar a história do Brasil servia, desde que lhe suprimisse toda nobreza, todo sentimento de amor à pátria e valorização dos seus elementos unitivos, suas esplêndidas raízes, seus fundadores, suas grandes figuras humanas. Cobranças com vencimento à vista de supostas dívidas ancestrais são úteis a essa máquina de moer cidadania. Nenhuma nação de “credores” deu certo, mas a ideia nunca foi fazer dar certo. A ideia sempre foi trabalhar com os sentimentos menos nobres porque é com eles que se elegem os piores. Se me faço entender. E assim, nossas crianças – pasmem! –, há anos, ouvem a história do Brasil como quem testemunha uma delação premiada na qual o vício é narrado até onde não existe. E na qual toda virtude, merecimento, bem, gratidão e reverência são castigadas com silêncio. Escaneiam a consciência dos mortos e esquecem a própria!
O prêmio por falar mal do Brasil, pela delação histórica, vai para jornalistas, professores e intelectuais militantes. Cabe a eles, nestes dias, como braços do mesmo corpo, a tarefa de substituir, temporariamente, os políticos vencidos pelo descrédito. Para quase todos os efeitos visíveis, são os protagonistas da oposição nesta alvorada de 2019. E eles estão, já se vê, cumprindo seu papel, ostentando as vestes alvas de uma superioridade moral que ninguém confirma.
* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
ELEGER BOLSONARO FOI BOM, MAS NÃO BASTA. - 30/12/2018
Escrevo a 48 horas da posse do novo presidente da República. Pela primeira vez, desde a eleição para a Constituinte de 1985, quando o país começou a ser redesenhado com mãos radicais, teremos um governo conservador e liberal. Foram 33 anos de consistente e persistente destruição dos fundamentos de uma nação respeitável. E perdemos o respeito, inclusive o respeito próprio. Passamos a debochar de nós mesmos e chegamos ao mais sincero e profundo autodesprezo. Produto de labor político ao longo de três décadas de hegemonia esquerdista em nosso país.
Tempos de tolerância e conivência com tudo que é mau e faz mal, e de intolerância e aversão a tudo que é do bem e faz bem! Tolerância com o desrespeito à lei, com a corrupção e com a criminalidade rueira. Tolerância com o professor que não ensina e com o estudante que não estuda. Tolerância com o aparelhamento político e partidário da máquina pública. Intolerância com a verdade, a virtude, o bem, ordem, a autoridade, a transcendência. É longa, muito longa a lista das vilanias e flagelos que não vieram com as drogas. Não, as drogas vieram com os flagelos e as vilanias.
É numerosa a multidão dos indignados, dos prejudicados e dos inconformados com a vitória de Jair Bolsonaro. Nosso presidente vai enfrentar forças que jogam duro na regra do jogo e muito mais duro fora da regra do jogo através do conjunto de organizações e organismos, nacionais e internacionais que atuam sincronicamente. É o que se poderia chamar de PT Corporation e inclui a mídia amiga interna e externa, associações, movimentos sociais, aparelhos de “direitos humanos” e “ambientalistas”, grandes fundações com interesses globalistas e assim por diante.
Serão lançadas sobre o novo presidente as flechas envenenadas pela injúria, pela difamação, pela mentira e trampolinagem. O governo será atacado interna e externamente. E é bom que estejamos atentos para que essa orquestração não nos confunda, não nos faça recuar no apoio e no prestígio que, com nosso voto, conferimos ao presidente e aos compromissos que firmou com a nação.
No entanto, o governo não será exitoso apenas se puser em prática o receituário conservador de defesa da família, da infância; do combate à corrupção, à criminalidade, à impunidade; da regência dos valores, enfim. Seu sucesso dependerá, igualmente, do receituário liberal, que enfrentará impopularidade, pois medidas saneadoras da desordem e do déficit fiscal são impopulares em qualquer país. Sem elas, porém, o Brasil não sai de uma crise que preserva seu curso e aponta para um horizonte assustador. Não podemos, neste momento decisivo, entregar o país ao discurso irresponsável dos que criminosamente o quebraram. Temos que fiscalizar nossos deputados e permanecermos firmes com aquele a quem confiamos nosso voto.
Por fim, que venha o primado da verdade, da transparência, dos erros reconhecidos sob as lentes da lei e da Justiça para todos.
Que Deus abençoe o Brasil, neste seu renascimento de 2019.
* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
HÁ UMA ÉTICA PARA O GOVERNO E OUTRA PARA A OPOSIÇAO? - 28/12/2018
Os resultados da última eleição pontuaram fora da curva de nossa tradição mais recente e trazem novidades. Teremos um governo pela direita após 20 anos ao longo dos quais o poder transitou do PSDB para o PT. O primeiro, fundado durante o processo constituinte, reuniu a esquerda peemedebista; o segundo foi o partido, ainda mais à esquerda, que lhe fez vigorosa oposição. Essa relação confundiu os termos na política brasileira. Com dois partidos da mesma vertente disputando o poder, o país ficou sem direita. Durante mais de um quarto de século de pura insanidade política, um partido de esquerda representava a direita. Conservadores e liberais brasileiros não tinham pai nem mãe conhecidos na política nacional.
Numa entrevista logo após a escolha de Sérgio Moro para o ministério da Justiça, Rogério Forcolen, da RDC TV, perguntou-me sobre a reação que se podia esperar do PT a essa indicação. Respondi que não conseguia sequer imaginar o presidente Bolsonaro preocupado com a reação dos petistas ao tomar uma decisão qualquer. E acrescentei: “Esse não seria Bolsonaro. Esse foi o FHC”. Rimos juntos. De fato, Fernando Henrique Cardoso, sempre levou em grande conta o que dizia sua oposição petista. E nisso se distinguia de Lula que não costumava dar atenção ao próprio partido. Ademais, a oposição petista se caracteriza por uma conduta sistematicamente daninha.
Convém ouvi-la? Visando a enfatizar a legitimidade da tarefa oposicionista na dinâmica das democracias, um conhecido jornalista ensinava seus ouvintes de rádio, há alguns dias, que a oposição é detentora de um mandato popular. Imagino que empregasse a palavra como figura de linguagem porque mandato é atributo pessoal de governantes e parlamentares. Quem perdeu a eleição e não se integrou ao governo, adota, como regra, incumbência oposicionista Trata-se de uma consequência natural do jogo democrático.
Do governante se espera dedicação ao interesse público, ao bem comum. Seu mandato não é carta branca (para usar a expressão que está sendo gasta nestes dias) concedida ao vencedor do pleito para fazer o que bem entenda, como se observou nos quatro mandatos do PT. É extraordinário, também, que advertências no mesmo sentido já tenham sido afoitamente verbalizadas por ministros do STF e pela Procuradora Geral da República após a vitória de Jair Bolsonaro. No Brasil que eu conheço, quem quiser se preocupar com abusos de poder deve olhar prioritariamente para o STF (sem desatentar para os partidos providos de braços que agem à margem da lei).
Nessa dinâmica entre governo e oposição há uma questão ética que precisa ser enfatizada e em relação à qual a observação do petismo faz acender luzes de advertência. Os limites legais e os deveres morais serão diferentes entre governo e oposição? Há uma carta branca para a oposição? Parece óbvio que não. Há limites legais à atividade de todos em seus mandatos. No entanto, de nossa longa tradição, o compromisso com o bem comum parece ser atribuído exclusivamente ao governo, restando à oposição o exercício criativo e folgazão de atrapalhá-lo em suas atividades de gestão. Isso está moralmente errado.
O exercício do poder político – mandato popular é poder político – deve ser exercido, sempre, de modo responsável e tendo em vista o bem comum. Quem perdeu a eleição não recebeu uma autorização para, legitimamente, promover o caos. Agir para impedir o governo de governar, ampliar a crise, opor-se alguém a projetos que aprovaria se estivesse no poder é deslize moral, corrupção gravíssima: é corrupção no sentido do bem e da justiça!
Os meses por vir nos permitirão identificar quem são os radicais, em que consiste essa radicalidade e se a oposição, depois de lhe haver sido negado o governo, merece ser ouvida nessa tarefa.
* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
** Especial para a Revista Voto
O FUTURO DO SERVIÇO PÚBLICO - 07/12/2018
Durante boa parte de nossa história, o serviço público e a política foram os destinos principais de quem buscasse uma feliz combinação de sustento familiar e relevo social. Mães zelosas ambicionavam ver os filhos empregados no setor público ou numa empresa estatal.
Passaram-se os anos, o Estado brasileiro cresceu e sua burocracia se sofisticou. Às centenas, surgiram empresas públicas e se multiplicaram os ministérios, as secretarias, os departamentos. Miríade de novos municípios, conforme iam sendo criados, reproduziam essa expansão na base da pirâmide do poder político. Todo o organismo estatal se agigantou, num fenômeno que lembra a divisão celular por mitose e meiose. Concursos públicos e cargos de confiança proveram novas, crescentes e permanentes possibilidades de acesso a vagas em posições detentoras do privilégio da estabilidade.
O serviço público se manteve, através das décadas, como um lugar que permitia a sobrevivência digna, sob proteção de regras que concediam segurança e remuneração por vezes acima do mercado de trabalho no setor privado da economia.
Há mais de 40 anos, porém, luzes vermelhas começaram a sinalizar a gradual aproximação de severas dificuldades. Os ombros dos carregadores não iriam suportar o peso daquele andor. A atividade se tornara campo fértil para atuação de grupos em que a demagogia política de uns turbinava a voracidade corporativa de outros. A conta cada vez mais salgada das folhas de ativos, inativos e pensionistas foi reduzindo drasticamente a capacidade de pagamento e de investimento do setor público. A qualidade foi sumindo dos serviços prestados, as instalações se degradando e os vencimentos perdendo poder de compra. O problema aqui descrito passou a afetar a União, os estados e os municípios.
Durante longos anos, porém, enquanto essa realidade tolhia os governos, a autonomia dos poderes permitiu que o custo da crise fosse circunscrito ao executivo. Os demais conseguiram preservar dedos e anéis.
Nestes dias, contemplamos o fim de um ciclo. Três anos de recessão e mais dois de baixíssimo crescimento do PIB completaram o estrago. Acabou. Medidas duríssimas já vêm sendo adotadas e precisarão ser ampliadas para pôr fim à crise fiscal e para que se restaure a confiança e a capacidade de investimento do setor privado e do setor público.
Então, com a experiência de quem trabalha há 55 anos, tendo atuado nos dois lados desse balcão, constato que o futuro do emprego público é nada promissor, exceto (e assim mesmo, talvez) em algumas limitadas e disputadíssimas carreiras de Estado.
Bem ao contrário do que hoje acontece como orientação pedagógica, é importante despertar, nos jovens, interesse por atividades produtivas e estimulá-los a buscar o merecimento indispensável à competitividade. Desenvolver a mente e o espírito, aderir a valores perenes, adquirir hábitos de leitura e de estudo continuado e fazer de si mesmo o melhor possível será sempre um caminho virtuoso de inserção ativa nas complexidades da vida social, política e econômica. Em meio a elas, não convém a dispersão proporcionada pelas facilidades, nem o esmorecimento sugerido pelas dificuldades. O futuro, ou estará no setor privado da Economia, ou será um estuário de maus pressentimentos.
A experiência dos povos ensina que a crise pela qual estamos atravessando é parteira de novas e melhores possibilidades. E essa é a boa notícia que tenho a dar.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
LIÇÕES DA CHINA À CNBB E AO PT - 26/11/2018
Desde a fundação do PT, graças aos encantos que as heresias da Teologia da Libertação exercem sobre certo tipo de formação intelectual, “pintou um clima” entre a CNBB e esse partido. Trata-se de algo que só pode ser negado fechando os olhos para não tomar conhecimento. Quem observa a atividade da Conferência, suas Campanhas da Fraternidade e análises de conjuntura sabe disso. Os vínculos partidários de tantos assessores leigos da Conferência e a linguagem de muitas declarações também reforçam essa convicção.
É um nexo intenso, resistente até mesmo ao chumbo grosso que, liderados pelo PT, os partidos de esquerda disparam contra temas importantes à vida cristã e conteúdos permanentes do ensino católico. Entre outros: respeito à vida desde a concepção, matrimônio e família, educação religiosa, proteção da inocência infantil. É inequívoco o empenho dessas legendas em legalizar o aborto, em diluir o sentido de família, em propagar a ideologia de gênero e em incutir às crianças a perturbadora sugestão de uma sexualidade multiforme e auto reverse.
Por outro lado, o Brasil sabe que o PT não poupa seus adversários, nem recua na defesa de suas pautas. No entanto, mesmo divergindo de temas essenciais à Igreja Católica, jamais o PT atacou a CNBB. Jamais! O partido e seus militantes em salas de aula vivem tentando impedir a influência política dos cristãos com o argumento de que o Estado é laico, de que a moral cristã não pode pretender espaço nas normas incidentes sobre a vida social, de que os símbolos religiosos devem ser retirados dos lugares públicos, e de que a Igreja é um dos males da humanidade. Mas contra a CNBB, nem um pio. O nome disso é parceria. É companheirismo. E torna inevitável a constatação: a CNBB vive “numa relação estável” com corrente política avessa à sua missão.
Motivo? A Teologia da Libertação (TL). Ela, a CNBB e o PT se encontram no palanque do discurso fácil e inócuo em favor dos “pobres e oprimidos” contra os “ricos e opressores”, cuja essência é uma condenação à economia de empresa, ao capitalismo, e uma apologia ao socialismo (que nunca é este ou aquele das experiências reais, mas é sempre um outro, sublimado e perfeito).
Ora, se tirar os pobres da miséria for essência da mensagem cristã, se a dignidade material da humanidade for a obra magna da Fé, então nada na história se poderia comparar às conquistas do capitalismo. Afinal, esse sistema, após todo o serviço mostrado em tantos países, esbanja potencialidades no tempo presente. Tira da miséria e põe para sorrir 850 milhões de chineses, passa a fazer o mesmo no comunista Vietnã e começa a mudar mentalidades até na Coreia do Norte. Nada, porém, é tão amaldiçoado na parceria PT e CNBB quanto o capitalismo. Ambos condenam esse sistema, malgrado seus sucessos. E abençoam o socialismo, apesar de todos os seus fracassos.
É a China, então, um modelo de virtudes cristãs? Claro que não! E não o é porque o cristianismo não realiza sua missão com o progresso material, algo que, em sociedades complexas, pluralistas, exige um sistema econômico que gere riqueza. A essência do cristianismo é nos configurarmos a Cristo hoje, no século XXI, em meio aos compromissos, realidades, tentações e obstáculos do mundo contemporâneo. Disso deveria tratar a CNBB, deixando de firmar parceria com o atraso da boa ciência econômica e com seus adversários em tudo mais, inclusive na verdadeira promoção e proteção da dignidade da pessoa humana.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
SENHORES PAIS, RESISTAM! - 02/11/2018
Enquanto conservadores e liberais lentamente se mobilizam e – derrotados ou vitoriosos – rapidamente retomam suas atividades normais, os esquerdistas, sempre ligados na tomada de algum “coletivo”, operam em regime de 24 por 24 horas.
Nestes dias, os estudantes brasileiros se tornaram objeto dessa pesada ação política. Professores militantes inseridos no sistema de ensino são missionários da desgraça. As ideias que defendem sempre dão errado. Não há um único caso de sucesso entre suas 42 experiências concretas mundo afora. Falam em justiça e entregam uma nova elite corrupta; falam em liberdade e entregam opressão e paredão; falam em sabedoria e entregam cartilha; falam em pluralismo e entregam histeria e sanção contra toda divergência; falam em prosperidade e entregam cartão de racionamento; falam em democracia e entregam o manjado totalitarismo de sempre; falam em amor e entregam filhos revoltados chamando fascistas os próprios pais.
Depois de Georg Luckács, de Antonio Gramsci e da Escola de Frankfurt (Marcuse e Adorno), a renitente construção da desgraça precisa das salas de aula. É por ali que passa a grosseira expulsão do conhecimento divergente (Luckács), a construção da hegemonia pela ação do intelectual coletivo (Gramsci) e a superação das resistências culturais (Escola de Frankfurt). Lembrei-me muito deles ao ler notícias sobre reações em colégios e universidades à vitória de Jair Bolsonaro. Os derrotados na eleição democrática rejeitando o vencedor dois meses antes de ele usar a caneta pela primeira vez!
Em especial, lembrei-me de um artigo de Michael Minnicino, publicado em 1992 com o título “O politicamente correto e a Escola de Frankfurt”. Ali se lê:
“Os herdeiros de Marcuse e Adorno dominam completamente as universidades, ensinando seus estudantes a substituir a razão por exercícios [rituais] de ‘politicamente correto’. Há, hoje, um número reduzido de obras teóricas em Arte, Letras ou Linguagem que não iniciam reconhecendo sua dívida à Escola de Frankfurt. A caça às bruxas nos atuais campus é mera implementação do conceito de Marcuse sobre “tolerância repressiva” – tolerância para movimentos de esquerda, mas intolerância para os movimentos de direita”. (1)
Resulta impossível não associar esse relato ao que vem acontecendo ao longo dos anos com representações efetivamente rituais, além de manifestações, nos pátios e auditórios de nossas escolas e estabelecimentos de ensino superior.
O despertar conservador e liberal brasileiro tardou demais. Acorda sob insultos. É dito fascista porque a tanto são ensinados os jovens por professores que assim qualificam os pais de seus alunos e os que ousam divergir, ainda que a divergência se expresse em uma bandeirinha do Brasil.
Lembrem-se do que Beltrand Russel, outro frankfurtiano, escreveu, em 1951, após afirmar que “o mais influente dos modernos métodos de propaganda se chama Educação”:
“Os psicólogos sociais do futuro ensaiarão diferentes métodos de produzir, em crianças, inabalável convicção de que a neve é preta. Vários resultados serão percebidos: 1º) a influência doméstica atrapalha; 2º) nenhum resultado será obtido se a doutrinação iniciar depois dos 10 anos; 3º) refrões musicados insistentemente repetidos são muito efetivos; 4º) a opinião de que a neve é branca deve ser atribuída a um estado de excentricidade mórbida”. (2)
Ao final, Russel conclui afirmando que quando a técnica estiver aperfeiçoada, qualquer governo que tenha a seu cargo a educação de uma geração exercerá controle de seus sujeitos sem necessidade de armas ou policiais.
Portanto, senhores pais, se quiserem dar algum sentido prático ao presente, invistam no futuro e façam valer seu peso nas decisões pedagógicas das escolas de seus filhos.
(1) - https://archive.schillerinstitute.com/fid_91-96/921_frankfurt.html
(2) - http://www.whale.to/c/frankfurt_school1.html
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O NOSSO BRASIL VOLTOU! - 29/10/2018
Momento histórico que ficará marcado para sempre no HD do meu coração. Eram 19 horas de ontem, 28 de outubro, quando a tela da TV mostrou o resultado da pesquisa de boca de urna. Com uma diferença de 10 pontos percentuais, a nação escolhera Jair Bolsonaro para presidir a República a partir de 1º de janeiro. Dei um grito que assustou minha mulher. Afinal, o evento excedia as forças normais da natureza. Milagre!
Pense comigo. O presidente eleito não dispôs de uma única emissora de TV ou de rádio, de um único jornal de grande influência, de qualquer ambiente acadêmico formal, de mínimos recursos financeiros. Seu partido PSL e sua coligação com o PRTB eram politicamente insignificantes. Ao mesmo tempo, tinha contra si o poderoso PT e seus insondáveis recursos financeiros. Sofreu ataques permanentes, não raro várias vezes a cada turno, dos pesos-pesados da comunicação social - TV Globo, Globo News, jornal O Globo, Folha, ZH, Veja, Época, e verdadeira multidão de artistas, atores e celebridades do mundo cultural. Beneficiando seu adversário, somavam esforços contra ele a CUT, as legiões dos movimentos sociais, e mais a UNE, a CNBB e o gigantesco e endinheirado universo das ONGs.
Atribuíam a Bolsonaro as piores intenções contra os negros, mas a maioria dos negros votou nele. Diziam-no machista, inimigo das mulheres, mas as mulheres deram mais votos a ele do que a seu adversário almofadinha. Acusavam-no de ser homofóbico, mas uma quarta parte dos homossexuais preferiu votar nele. Por quê? Porque ele, sabidamente, é contra o homossexualismo militante, que quer promover-se inclusive nas salas de aula com instrumentos pedagógicos como os da ideologia de gênero e do kit gay. Quem pode ser favorável a isso, além de seu adversário, para contrapropaganda?
Na festa de ontem à noite, no Parcão, aqui em Porto Alegre, enquanto comemorava com a multidão, entre abraços, lágrimas e fotos, infinitas fotos, senti que se cumpria uma tarefa que assumi em 1985, quando entrei em contato pessoal com as primeiras expressões políticas do petismo que iniciava suas ações no país.
Percebi que se tratava de uma legenda para a qual, na expressão posterior de José Dirceu, o importante era o partido (ou seja, não a nação, não o Estado, não o Brasil) e que esse partido tinha um braço sobre a mesa do jogo e um braço sob a mesa do jogo. Essa combinação, levada ao poder, teria um efeito desastroso. A realidade me deu razão.
Estas primeiras horas já estão mostrando como será o PT na oposição. Continuarão perseguindo apenas o bem do partido. Não reconheceram a derrota e vem aí o “Fora Bolsonaro!”, expressão do velho golpismo, que o petismo dedica a quem senta na cadeira que ambiciona. Alguns colunistas, hoje, amargando o gosto do insucesso, advertiam que a vitória não era um “cheque em branco” ao vencedor. Suponho que andaram lendo a Constituição e descobriram que o país tem instituições, tem leis e regras. Um dia talvez descubram que Dilma sofreu impeachment, que Lula está preso, e que o país ficou como está justamente por haver dado sucessivas vitórias a quem confundiu cada sucesso eleitoral com um cheque em branco. Foram os valores preenchidos nesse cheque que quebraram o país.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O POVO BRASILEIRO ACORDOU - 10/10/2018
Não adiantou a enorme e persistente campanha para afastar os brasileiros das urnas. Poucas coisas são tão consensuais entre nós quanto a inconfiabilidade das eletrônicas em uso no país. Descrédito total! O solene depoimento de meia dúzia ou mais de ministros do STF e do TSE só agrava a situação. Quem confia nessas cortes? Pois mesmo assim, olhando de soslaio, com um pé atrás, os eleitores brasileiros foram às seções de votação no dia 7 de outubro. O pleito era sua bala de prata! Era a possibilidade de usar a minúscula fração de poder nas mãos de cada cidadão. Apenas nove horas, das 8 às 17. Mas durante esse curto espaço de tempo podia mandar quadrilheiros para casa e para a justiça, renovar o Congresso Nacional e evitar o retorno de criminosos aos locais dos crimes.
O jogo foi pesado. Havia na sociedade uma firme disposição de renovar o parlamento, suprimindo o foro privilegiado dos corruptos e despachando os coniventes e os omissos. Confrontados com essa notória intenção dos eleitores, os parlamentares avaliavam suas chances e muitos já buscavam alternativas pessoais longe do poder. Subitamente tudo mudou. Impulsionados pela oportunidade de ouro concedida pelo STF ao impedir o financiamento empresarial no modo como o fez, os parlamentares criaram o Fundão de Campanha com nosso dinheiro e o ratearam entre si. Em seguida, encurtaram todos os prazos, com o intuito de dificultar o trabalho dos novos postulantes. Para estes, apenas 45 dias de campanha, horário gratuito reduzido, publicidade dificultada e csteio por “vaquinha”. Enquanto os novatos corriam por uma pista cheia de obstáculos, os detentores de mandato colhiam os frutos da generosa distribuição de emendas parlamentares. A vida lhes voltou a sorrir e o céu de Brasília se fez novamente azul. O STF é bom e Deus existe, talvez dissessem blasfemando.
Quem haveria de imaginar que o povo, contra tudo e contra todos, saísse de casa, mandasse às favas a desconfiança nas urnas e levasse a cabo sua tarefa promovendo a maior renovação do Congresso Nacional em vinte anos? O bom povo brasileiro fez o que lhe correspondia. De cada quatro senadores que tentaram reeleição, três não conseguiram; das 54 vagas em disputa, 46 serão ocupadas com novos nomes! Na Câmara dos Deputados, dos 382 parlamentares que tentaram a reeleição, 142 foram destituídos de seus mandatos. A renovação atingiu mais da metade da Casa. O número de conservadores e liberais eleitos marca o que a imprensa militante qualificou como um inusitado giro à direita. Infelizmente, alguns inocentes foram descartados com a água desse banho.
É claro que esse giro se fez ao arrepio da grande imprensa. Nesta, viceja, cada vez mais forte, um rancor em relação às redes sociais. Acostumados a infundir suas convicções a um público dócil e cativo, muitos formadores de opinião viram o próprio poder se diluir, quase atomizar-se, na caótica democratização das redes sociais. Os grandes jornalões, as principais revistas semanais, a Vênus Platinada e os militantes globais do “progressismo” debochado e do esquerdismo anacrônico, em vão tentaram conter o sucesso eleitoral de Bolsonaro. Em vão queimaram o filme perante seu público. Em vão promoveram o presidiário. Em vão tentaram vender picolé de chuchu por chicabom. A nação, preferindo escolher o próprio caminho, recusou o buçal insistentemente apresentado.
O povo brasileiro acordou em tempo de salvar o país e os próprios dedos, que os anéis já lhe levaram.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO - 29/09/2018
Das empresas de comunicação se deve esperar mais do que um conjunto de manipulações e menos do que um pacote de ocultações. O consumidor da notícia, das matérias, tem direito de ser bem informado sobre assuntos de relevante interesse social.
O público sabe que muitos veículos preferiam ver Bolsonaro em qualquer lugar, menos no topo da preferência dos eleitores. Por isso, reservam espaços diários para atacá-lo e, por isso, tantos jornalistas, esquecendo-se dos demais candidatos, dedicam horas de expediente a comentários negativos, muxoxos, sorrisos, ironias e mistificações. Em contrapartida, silêncios coniventes cercam a vida e a obra de Fernando Haddad; ocultam seus livros e sua confessada adesão à Escola de Frankfurt, círculo de intelectuais que se dedicaram à tarefa de viabilizar o marxismo no Ocidente cristão mediante a dissolução dos fundamentos de sua cultura. Até seu alarmante Plano de Governo passa batido! Não faz jus a uma perguntinha sequer ao candidato a proposta de uma “Refundação Democrática do Brasil” mediante nova constituinte, notícia que evoca o processo venezuelano, inclusive pela ênfase à “soberania popular em grau máximo”. E note-se: Haddad, há pouco mais de uma semana, em entrevista a O Globo, atribuiu à oposição a crise da Venezuela. Disse (sic): “A Venezuela não vive um processo de normalidade, não vive. Por que há contestação sobre o ambiente democrático, não se reconhece resultado eleitoral, a oposição contesta quando um plebiscito é chamado, as eleições não são respeitadas. O clima alí é de conflagração. Inequívoco.” Pelo jeito, esse estrabismo ideológico do candidato faz sentido e não põe em dúvida o discernimento de um aspirante à cadeira presidencial. Afinal, é Bolsonaro quem constitui risco à democracia...
Voltemos, porém, ao Plano de Governo descartado das pautas dos grandes veículos como se afasta do caminho e da visão uma inconveniente barata seca. Nem uma palavra sobre a proposta de um Programa Transcidadania que anuncia a concessão de bolsas de estudo para travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade (note-se que o motivo da concessão não é a vulnerabilidade, mas a condição transexual). Silêncio! Desinteressante, também, pelo jeito, a proposta de uma Nova Política sobre Drogas, mediante descriminalização e regulação do comércio.
A apreensão em relação à posição eleitoral de Bolsonaro leva muitos veículos a esquecerem dos riscos inerentes ao retorno petista à cena do crime. Obscurece a terrível herança deixada por um governo que atuou ininterruptamente entre 2003 e 2016. Não permite ver, no Plano de Governo de Haddad, a ressureição do famigerado PNDH-3, a ser “resgatado e atualizado”, nem a promessa de implementar as recomendações da Comissão Nacional da Verdade.
O PNDH-3 (2010), para lembrar, desfigurava a democracia representativa, o Poder Judiciário, o direito de propriedade, a religiosidade popular, a cultura nacional, a família e a liberdade de imprensa. Numa tacada, liberava o aborto, mudava para pior o Estatuto do Índio, valorizava a prostituição e se intrometia em temas que iam da transgenia à nanotecnologia. Já a Comissão da Verdade, aquela com sete membros escolhidos por Dilma, entre os quais não havia qualquer historiador, foi mais um dos muitos meios pelos quais o PT quis maquilar-se como defensor da democracia (desde que não se mencione Cuba, Venezuela, Coreia do Norte, Nicarágua, Muro de Berlim etc.).
Nada disso, porém, interessa a setores da imprensa. Pode até parecer que são apenas livros e ideias no papel. Contudo, as ideias não são do papel.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
QUE EDUCAÇÃO ESPERAR DE TAIS PROFESSORES? - 20/09/2018
Como sabem meus leitores habituais, é comum que eu escreva sobre o malfadado uso e abuso da Educação por militantes políticos. Em vista disso, formei uma coleção preciosa de depoimentos e testemunhos sobre o uso perverso da sala de aula em prejuízo do que é essencial à atividade docente. São alunos, pais de alunos e professores que me escrevem relatando a própria experiência. Um dia ainda vou publicar esse material.
Os humilhantes indicadores de qualidade do nosso ensino podem ser atribuídos a muitas causas, mas entre elas jamais estará a atuação de professores que se empenhem na aprendizagem. E sempre avultará entre as causas do fracasso a conduta daqueles que estão mais preocupados com o que denominam “construção da cidadania”. Dê uma pesquisada na rede sobre “pedagogia e cidadania” e você entenderá melhor o que estou afirmando.
Se quase todas as universidades federais do país promoveram, nos últimos meses, cursos de extensão sobre “o golpe” de 2016, valendo-se, para isso, do espaço público e de recursos públicos, como haveremos de nos surpreender quando o orçamento da União, a máquina estatal e os poderes de Estado forem desviados para fins análogos?
Bilhões produzidos pelas mãos operosas do povo brasileiro, dedicadas a agregar valor e a merecer o pão com o suor do rosto se convertem em tributo e são jogados fora sem que suscitem interjeições ou pontos de exclamação. Desde cedo, o brasileiro está sendo amestrado a conviver com isso. Dessa rotina, pedagogia e dialética nascem obras que começam e não terminam, asquerosas negociatas, milionárias campanhas eleitorais e doações a governantes igualmente inescrupulosos. Não, não cabem interjeições se essas permissões são ensinadas como atributos da cidadania e se suas principais manifestações, absolvidas dentro das salas de aula, são consagradas pelo mau exemplo de tantos professores militantes.
Dois episódios muito representativos do que descrevi aconteceram nesta última semana aqui no Rio Grande do Sul. Na UFRGS, o Diretório Central de Estudantes (DCE) montou um comitê para desenvolver a campanha eleitoral de Haddad e Manuela, a dupla de estepes do preso de Curitiba. Felizmente, quando tudo estava pronto para entrar em ruidosa e escandalosa operação, a Reitoria acordou e proibiu a iniciativa. Creiam: os alunos não aprenderam sozinhos a fazer esse tipo de coisa. O ato convocatório iniciava assim:
A juventude do Triplex que fará o Brasil feliz de novo vem convidar para o lançamento do Comitê Haddad e Manuela na UFRGS, evento organizado por estudantes da Universidade em apoio à candidatura de Fernando Haddad.
O Golpe segue em curso no nosso país. Nesta nova etapa, impediram Lula de ser candidato, mas nós seguiremos lutando. Agora Haddad é Lula e Lula é Haddad. Vamos firmes no 13!
Triplex! Compre-o quem quiser. Simultaneamente, o TRE-RS, proibiu o Sindicato dos Professores do Estado – CPERS Sindicato – de fazer propaganda contra a candidatura do governador nas dependências das escolas estaduais. O sindicato sempre achou que seus filiados eram donos das salas de aula e, portanto, das escolas. Num momento eleitoral, nada mais oportuno do que montar uma caravana custeada pelos colegas e sair por aí, em missão política a ser cumprida dentro das escolas.
Em outras palavras, o sindicato bebeu água na mesmíssima vertente de todos os abusos: um suposto direito democrático do uso privado dos espaços e meios públicos, justificado pela inefável nobreza da causa... E quem não concorda é “fascista”.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
A CONSTITUIÇÃO “CIDADÔ, A DE MOURÃO, E A VIÁVEL - 17/09/2018
A Constituição Federal de 1988 encontrou muitas rejeições pontuais, mas poucas atacaram a integralidade do texto, ou sua essência. Não por acaso, as críticas que se tornaram mais conhecidas procederam da bancada do PT e do deputado Roberto Campos. Por motivos opostos, claro. Os petistas (para variar...) queriam uma Carta muito pior. Empenharam-se em formatar um país socialista, com ainda mais Estado e menos direito à propriedade privada. Por isso, votaram contra a Carta de 1988.
A reprovação do texto constitucional foi objeto de discurso de Lula no dia da promulgação. Após elencar um amplo conjunto de restrições ao que fora consagrado pelo plenário, ele assim se expressou:
“Sei que a Constituição não vai resolver o problema de mais de 50 milhões de brasileiros que estão fora do mercado de trabalho. Sei que a Constituição não vai resolver o problema da mortalidade infantil, mas imaginava que os Constituintes, na sua grande maioria, tivessem, pelo menos, a sensibilidade de entender que não basta, efetivamente, democratizar um povo nas questões sociais, mas é preciso democratizar nas questões econômicas. Era preciso democratizar na questão do capital. E a questão do capital continua intacta. Patrão, neste País, vai continuar ganhando tanto dinheiro quanto ganhava antes, e vai continuar distribuindo tão pouco quanto distribui hoje. É por isto que o Partido dos Trabalhadores vota contra o texto e, amanhã, por decisão do nosso diretório – decisão majoritária – o Partido dos Trabalhadores assinará a Constituição, porque entende que é o cumprimento formal da sua participação nesta Constituinte.”
O senador Roberto Campos, por seu turno, diagnosticou corretamente: aquele texto era excessivamente socialista, iria quebrar o país e demandaria uma carga tributária muito danosa à iniciativa privada e ao desenvolvimento econômico e social. No elenco de suas apreciações sarcásticas, destaco estas duas:
“Nossa Constituição é uma mistura de dicionário de utopias e regulamentação minuciosa do efêmero; é, ao mesmo tempo, um hino à preguiça e uma coleção de anedotas; é saudavelmente libertária no político, cruelmente liberticida no econômico, comoventemente utópica no social; é um camelo desenhado por um grupo de constituintes que sonhavam parir uma gazela.”
“É difícil exagerar os malefícios desse misto de regulamentação trabalhista e dicionário de utopias em que se transformou nossa Carta Magna. Na Constituição, promete-nos uma seguridade social sueca com recursos moçambicanos.”
A razão estava com Roberto Campos. A estas alturas já é ampla a percepção de que a Constituição Cidadã arrombou a torneira do gasto público e contém travas e amarras que dificultam nosso desenvolvimento social e econômico. São conceitos e preceitos que impedem o cumprimento da lei e a defesa da ordem pública, cristalizam os corporativismos, favorecem a criminalidade em geral e a corrupção em particular, oneram a produção e elevam a carga tributária. Talvez nada represente melhor o camelo identificado na analogia de Roberto Campos do que a infeliz arquitetura institucional desenhada na Constituição de 1988.
O que fazer, se a Carta é um problema? Jogar fora e escrever outra? Quem pode assegurar que a nova não incorrerá em erros maiores, ainda que através de uma constituinte exclusiva? Se levarmos em conta o que se ensina e o que pauta o pensamento político no meio acadêmico brasileiro, são elevadíssimas as possibilidades de que isso ocorra. Tal constatação levou o general Mourão, movido a boa intenção, a sugerir nova carta, a ser redigida por um grupo de notáveis para posterior submissão a referendo popular. A ideia não soa bem sob os pontos de vista político e formal.
Notáveis” sem mandato, ainda que não sejam escolhidos a dedo, mas por instituições, logo teriam sua legitimidade questionada. Vem daí o referendo mencionado por Mourão. No entanto, o país regrediu. O próprio conceito de “notável” já nos proporcionou, entre outros, Toffoli, Lewandowski, Fachin e Rosa Weber. E é altamente provável que, quanto mais virtudes viesse a ter o produto dessa comissão, maior a viabilidade de sua rejeição. Para ser boa, a Carta contrariaria interesses, e a soma dos interesses contrariados a conduziria a esse desfecho.
Por isso, sou favorável a sucessivas retificações parciais do texto atual. Embora laborioso e demorado, esse procedimento será mais seguro e reduzirá o risco de que a emenda piore o soneto. Obviamente, a primeira e mais urgente mudança é a do modelo institucional. Entre outros ganhos, isso evitará que a cada quatro anos nos defrontemos com as insanidades do tempo presente.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
AOS PIORES FATOS, AS MELHORES VERSÕES - 13/09/2018
Durante quase 30 anos, período em que algumas emissoras de rádio e TV mantiveram, aqui em Porto Alegre, programas de debates do tipo dois para lá, dois para cá, me contrapus incontáveis vezes com entusiasmados defensores dos regimes cubano e, mais recentemente, venezuelano.
A cada degrau descido por esses países na escada da perdição, era inevitável subir os morros onde se situam as emissoras para participar de rodadas de debate com o singelo encargo de afirmar o óbvio ante o contorcionismo retórico posto em prática por antagonistas cujo único intuito era o de dissimular o que todos viam. Cuba, diziam, era a coisa mais parecida com o paraíso terrestre, sob um regime que encarnava a beleza dos versos de José Martí tanto quanto o “socialismo bolivariano” evocava o eminente papel histórico de Simón Bolívar.
Aí já começavam a incongruência e a mistificação. Nenhum dos dois – Martí e Bolívar – se respeitados fossem, se consultados pudessem ser, aceitaria qualquer associação com os tiranos que se apossaram de suas imagens. Ambos eram libertadores e não aprisionadores de seus povos. Ambos lutaram contra o inimigo estrangeiro e não contra seus próprios conterrâneos. Mas tudo servia e serve para quem assume a fraudulenta tarefa de vender submissão como sendo autonomia, miséria como sendo abundância, perda de direitos como liberdade, atraso como progresso.
Aconteça o que acontecer por lá jamais se ouvirá dos incongruentes qualquer palavra que não seja de justificação e exaltação. Os argumentos são comuns aos dois regimes. Contra os fatos, a versão; contra a história, a narrativa; e, sobre tudo, a culpa dos Estados Unidos. Nessa fraudulenta perspectiva, qualquer país do mundo que mantenha relações comerciais e diplomáticas amistosas com os Estados Unidos empobrecerá por causa dessas relações e qualquer país sobre o qual pesem embargos comerciais norte-americanos, será pobre por causa disso. Apanha pelo sim e apanha pelo não. A coerência que se dane. A história, porém, ensina a quem a estuda: no comunismo, quando o capitalismo joga a toalha, a vida vira uma droga (para usar termo brando).
Se alguém tinha dúvida sobre o tipo de estrago que o chavismo, o socialismo, o bolivarianismo, o comunismo, o castrismo - o que seja, dessa gororoba ideológica - podem fazer num país, creio que a vida dos venezuelanos, sua acelerada degradação social, política e econômica, ajudam a dissipar.
A tirania, agora, proíbe a oposição de participar da eleição presidencial venezuelana. Ausentes os partidos oposicionistas, as chances de uma vitória do governo são, digamos, bem razoáveis. Mas até para isso há fã clube no Brasil. E querendo voltar ao poder.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
HÁ MALES QUE VÊM PARA PIORAR AS COISAS - 31/08/2018
Estamos padecendo a síndrome que acomete o Brasil a cada quatro anos. A bolsa cai, o dólar sobe, os empreendedores pisam no freio e o PIB encolhe. Há várias décadas venho denunciando que o sistema de governo e o sistema eleitoral são concebidos para favorecer os interesses políticos colegiados dos senhores congressistas. Quando isso é alcançado, que tudo mais vá para o inferno.
O tempo mais perdido da minha vida corresponde às muitas horas que gastei assistindo sessões de Comissões Especiais de reforma política promovidas pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. Completamente inútil. Ao final de todos os trabalhos, preservamos o sistema vigente, cuja mais notável competência é a geração de crises periódicas.
Entende-se o motivo de nos mantermos amarrados ao pelourinho das tragédias: parcela significativa do conjunto dos eleitos vê sua atividade com os mesmos olhos que seus eleitores os veem. É uma questão de coerência: assim como os eleitores escolhem um parlamentar para cuidar de seus interesses pessoais, familiares, corporativos, etc., tais congressistas, simetricamente, entendem seus próprios mandatos como delegação para zelarem por seus próprios interesses pessoais, familiares, corporativos, etc.. Eleitor egoísta, que elege alguém para zelar por si, vota em candidato egoísta igual a si. E se desaponta.
Depois que ingressou na corrente sanguínea das instituições algum preceito que serve às conveniências corporativas dos parlamentares, dali não mais sai. É como despesa pública – uma vez transformada em rubrica orçamentária, fica até o Juízo Final. É o que vai acontecer com a conta das campanhas eleitorais. Uma vez transferida para a sociedade, pela extinção do financiamento privado, nunca mais será cancelada.
A imensa maioria dos eleitores brasileiros ansiava por grande renovação do Congresso Nacional na eleição do dia 7 de outubro. Contudo, a pressão exercida por um grupo de entidades – entre as quais OAB e CNBB – levou o STF a examinar a questão do financiamento privado e nossos supremos descobriram que ele era “inconstitucional”. Não me pergunte por quê.
A consequência logo se fez sentir. Os congressistas que estavam desistindo de suas reeleições voltaram à ativa. Paradoxalmente, nunca houve tanto desejo de renovação e nunca tantos buscaram a reeleição. De uma hora para outra, lhes foi proporcionada a prerrogativa de dispor sobre o montante e sobre a distribuição do dinheiro para as campanhas! Nossos mateus, então, passaram a cuidar dos seus, deixando à míngua de recursos os demais pretendentes às cadeiras que ocupam. E para tornar ainda mais difícil a vida dos novatos, o TSE regulamentou a atividade de campanha em proporções minimalistas. É quase proibido fazer propaganda eleitoral. A péssima prática agora em vigor impediu que candidatos novos pudessem buscar recursos entre empresas de sua região para enfrentarem, em condições menos desiguais, os detentores de mandato.
Contrastando com o dito popular, há males que vem para piorar as coisas. E essa modalidade de financiamento passa a ser um novo mal vitalício do nosso sistema político porque os parlamentos não revogam preceitos que beneficiem seus membros. Agradeçam ao STF essa conta financeira e o embaraço à manifestação democrática da vontade nacional nas urnas brasileiras.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
DIGITAIS DE UM PARTIDO TOTALITÁRIO - 15/08/2018
“(...) quando então começaram a se precipitar para esses tempos em que nem nossos vícios, nem os remédios para eles, podemos suportar." Tito Lívio, em Ab urbe condita.
Em artigo publicado no meu blog em 30 de setembro de 2014, e que pode ser lido aqui, o prof. Giusti Tavares discorreu sobre o paradoxo representado pelos partidos totalitários que atuam em democracias constitucionais. Advertiu o eminente professor que o surgimento e a atuação de tais legendas se fazem tanto mais vigorosos quanto mais erodidas e fragilizadas forem essas democracias pela decadência de suas elites, pela corrupção e pela desinformação política.
Quando analisamos a conduta do Partido dos Trabalhadores na política brasileira, constata-se facilmente que, desde suas origens, a legenda surge com esse perfil, valendo-se e interagindo com essa erosão e com essa fragilidade. Muitos de seus dirigentes vieram das organizações guerrilheiras e terroristas que atuaram no Brasil nos anos 60 e 70 do século passado e, pela porta da anistia, a partir de 1980, foram absorvidos no jogo político. As organizações que criaram e nas quais militaram mantinham com a democracia constitucional uma atitude que pode ser descrita como de repugnância. Seu objetivo político era a ditadura do proletariado, um governo das classes trabalhadoras, uma nova ordem social, política e econômica. Nada diferente das então ainda remanescentes “democracias populares” padecentes sob o imperialismo soviético, por onde muitos andaram em tempos que lhes suscitam persistente e visível nostalgia.
Essa natureza está perfeitamente expressa no manifesto de fundação do partido: “O PT afirma seu compromisso com a democracia plena e exercida diretamente pelas massas. Neste sentido proclama que sua participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinarão ao objetivo de organizar as massas exploradas e suas lutas”. Vem daí todo o esforço para deitar mão nos mecanismos formadores de opinião – entre outros: meios de comunicação, instituições de ensino, associações, igrejas e sindicatos – e a debilitação da democracia representativa pela ação de conselhos criados, infiltrados e controlados pelo partido.
A estima por regimes totalitários como os de Cuba, Venezuela, Nicarágua, El Salvador, bem como a promoção da convergência ao Foro de São Paulo, dos movimentos e partidos revolucionários na América Ibérica, é expressão da mesma genética. De igual forma, simetricamente, não há registro de proximidade calorosa e simpática dessa organização política com qualquer democracia constitucional estável e respeitável. Os chamados movimentos sociais constituem os braços mais liberados para as tarefas de ruptura da ordem em favor da causa.
Os últimos acontecimentos promovidos em Brasília são um pouco mais do mesmo. São atos que se repetem sistematicamente, sem exceção, contra qualquer governo, em qualquer nível administrativo. A palavra de ordem é “Fora, seja lá quem for!” que esteja sentado na cadeira ambicionada pela legenda. É um perfil golpista. Geneticamente golpista e com longa história de sintomáticas manifestações.
Por isso, seu maior líder, apenas por ser seu maior líder, é tido e havido como alguém que está acima da lei. Por isso, embora legalmente impedido por condenação criminal, Lula foi aclamado candidato a presidente na convenção do PT. Por isso, a estratégia é afrontar o ordenamento jurídico do país. Por isso, no dia seguinte à proclamação do resultado do pleito, o PT estará nas ruas e na imprensa mundial proclamando a ilegitimidade do novo governo.
Tal acusação e o ambiente que proporcionará serão muito ruins para a estabilidade institucional, para o Brasil, para a confiança na economia, para o mercado e para a superação do desemprego. Mas ao PT isso não importa. Ao PT a única coisa que importa é o PT.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
QUANDO O PARLAMENTO SE OMITE - 14/08/2018
Há uma pedra no meio do caminho e ela não está ali servindo de inspiração a Drummond. A necessária racionalização de nosso modelo institucional, a mudança das regras do jogo político, mexeria com interesses daqueles que, vitoriosos no sistema vigente, temem criar riscos ou incertezas às suas carreiras. O tempo mais perdido da minha vida foi o que gastei assistindo infindáveis sessões de comissões parlamentares tratando de reforma política.
No entanto, esse não é um assunto para ser levado “a panos quentes”. O Brasil subiu no telhado e a informação a respeito não viaja de navio. As projeções que disso se extraem ficam disponíveis online. O Word Economic Forum (WEF) de 2017 classificou as instituições brasileiras em 109º lugar num conjunto de 137 países analisados. Claro, alguém, feliz da vida, otimista como o Dr. Pangloss de Voltaire, pode afirmar que está tudo indo muito bem e que esse pessoal do WEF deve ter algum problema de visão que impede captar as “virtudes” de nosso modelo institucional.
No entanto, isso é mais ou menos como fechar as janelas para não ouvir os miados do gato no telhado. Um país que, de modo continuado, perde posições nos rankings internacionais em tudo que importa; cujo risco de crédito vem se elevando, segundo as principais agências; e cujos poderes de Estado se encontram em absoluto descrédito não pode fechar os olhos, imaginando, assim, não ser visto.
Sempre me pareceram incompatíveis com um ano eleitoral as expectativas de crescimento do PIB de 2018, estimadas, no ano passado, como próximas a 3%. Por quais estranhos motivos se animariam os agentes econômicos se o cenário era tão pouco animador? Se tantos partidos e lideranças políticas colocavam seus próprios interesses acima do bem do país? Se os vícios do modelo político se apressavam para entrar em atividade e se era tão incerto o futuro? Já soara bem antes o alerta de que o dólar haveria de subir, a bolsa cair, e a economia recuar os dedos, resguardando os anéis restantes para depois da roleta eleitoral. Não é isso que nos ensina a experiência? A única coisa certa na hora incerta é a cautela com o dinheiro, seja você consumidor ou empreendedor.
Pois bem, para ajudar a complicar, há mais de um ano, o Supremo Tribunal Federal é o mais ativo protagonista da política brasileira. Seus ministros dominam o noticiário com monocráticas declarações e com colegiado silêncio ante as amarguras nacionais. Sem a menor cerimônia, ministros assumem papel regencial, interferindo no rumo dos acontecimentos e das candidaturas. Muitos fazem coro às honoráveis palavras do senador Romero Jucá quando desabafava sobre a necessidade de estancar a sangria... dos corruptos. A sociedade? Esta que vazasse plasma e hemoglobina pelas sarjetas da violência e das carências. Era preciso parar a Lava Jato. E há ministros do STF a disfarçar seu servilismo a esse objetivo com rompantes de uma orgulhosa e não reconhecível dignidade.
Quando o Congresso Nacional acordará de sua letargia, assumir-se-á como poder e conferirá racionalidade às nossas instituições?
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
** Especial para a Revista Voto.
O VERGONHOSO AUMENTO DO STF - IMPACTO MORAL - 10/08/2018
Todos os meios de comunicação do país têm produzido matérias sobre o impacto do aumento que os ministros do STF se autoconcederam com votos vencidos de Cármen Lúcia, Rosa Weber, Edson Facchin e Celso de Mello. A propósito, em entrevista a O Globo, Marco Aurélio Mello esclareceu que não se trata de autoconcessão porque o novo valor só comparecerá ao contracheque após a aprovação pelo Senado Federal. Como se houvesse brio em dose suficiente naquele plenário para se contrapor a todo o Poder Judiciário do país! Em entrevista publicada no site Congresso em Foco, o presidente do Senado, Eunício de Oliveira, já adiantou: “Compreendemos o momento que vivemos do ponto de vista da economia, mas também devemos compreender que cada Poder é autônomo e pode tomar suas próprias decisões. Não vamos fazer nada de confronto”, adiantou o senador, concluindo redundante: “Temos que respeitar a harmonia dos Poderes e o teto constitucional que foi estabelecido para cada um dos Poderes (sic)”.
Cálculo feito pela assessoria das Comissões de Orçamento da Câmara e do Senado estima que a despesa com pessoal se elevará em R$ 717 milhões no Judiciário, R$ 258 milhões no Ministério Público da União e R$ 400 milhões no Poder Executivo por consequência da majoração do teto remuneratório. Nos estados da Federação, o impacto chegará a R$ 2,6 bilhões.
Esse é o dano que está sendo divulgado. É um rombo fiscal. Há outro, porém, de natureza moral. Já foi anunciada a necessidade de manter congelados, até 2020, os vencimentos dos servidores públicos da União (e não será diferente nos Estados e municípios). A penúria das contas públicas foi produto de laboriosa construção. De modo irresponsável, os poderes de Estado e seus órgãos de controle permitiram que o gasto se elevasse constantemente em tempos de ruinosa queda da renda nacional e, consequentemente, das receitas fiscais. Estabeleceu-se o caos dos salários parcelados, atrasados e da perda do poder de compra. No setor privado, o efeito é bem mais atroz: desemprego em massa.
É aí que se produz o pior impacto desse vergonhoso aumento do STF. É um impacto moral! Como tolerar que ao topo remuneratório do poder público, aos terraços e coberturas do aparelho de Estado, sejam concedidas reposições de perdas remuneratórias que são recusadas aos miseráveis operadores dos porões? Como explicar isso aos que recebem menos, aos que recebem atrasado, aos que recebem parceladamente seus vencimentos e proventos, bem como aos desempregados? Como fazê-los entender que não bastante essa dura realidade terão que custear o ganho adicional das categorias beneficiadas em cascata pela decisão tomada por sete magistrados com acento no plenário do Supremo? Sim, porque não se imagine, repito, que os rabo-presos do Senado negarão a seus futuros julgadores o valor que pretendem ver incorporado a seus contracheques.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
OS ALGORITMOS MILITANTES - 30/07/2018
Nos últimos meses, escrevi vários artigos tratando da importância das redes sociais para a democratização do direito de opinião. Com o advento da internet, dos blogs e sites, e, por último, das redes sociais, esse direito se expandiu influenciando fortemente a política. Para quem educou a mente a descartar o lixo, assim como em casa se separa o lixo doméstico, houve um descomunal ganho de pluralidade, qualidade e inteligência. O efeito desse fenômeno sobre o esquerdismo dominante nas redações dos principais veículos da mídia tradicional foi arrasador. Sua posição hegemônica entrou em colapso.
Num período de tempo extremamente curto, diferentes modos de ver a realidade e de interpretar os fatos passaram a influenciar milhões de pessoas. Princípios, valores e autores consagrados em outros países, aqui mantidos ocultos, ganharam notoriedade. As árvores do pomar acadêmico foram sacudidas e muitas frutas podres vieram ao chão, em plena sala de aula, derrubadas por alunos que simplesmente foram ler “fora da caixa do professor”. O monopólio da “narrativa” e da “interpretação” exercido pelos que atuavam como fazedores de cabeças simplesmente ruiu. Absurdos, como, por exemplo, a suposta inocência de Lula, perderam espaço; o naturalmente ridículo, como, por exemplo, os cursos de extensão universitária sobre o “golpe de 2016” em universidades federais, se tornou escandalosamente ridículo.
Enquanto, no mundo real, a inteligência se abastecia, no impenetrável bas-fond das plataformas os companheiros algoritmos operavam para virar o jogo. O Facebook, por exemplo, declarou-se vocacionado às trivialidades da vida cotidiana, social e familiar. Se você estiver interessado em puppys e kittens, culinária e arranjos de flores, eventos familiares, entre que a casa é sua! Mas se você pretende usar a rede para restituir o Brasil a seu povo, salvando-o dos corruptos, dos coniventes, dos omissos, dos incompetentes e dos vilões, então seus amigos e seguidores ficarão sem saber que você ainda existe. Será sepultado em vida. E isso representa um nada para quem já enterrou no ambiente acadêmico Burke, Kirk, Chesterton, Aron, Sowell, Mises, Friedman, Hayek, Bohm-Bawerk e tantos outros gigantes do pensamento conservador e liberal.
A reação iniciou no começo deste ano, multiplicando na mídia tradicional a afirmação de que as redes sociais se haviam tornado uma usina de fake news. E elas existem, sim! Altas autoridades da República as disseminam quando anunciam investimentos que não se verificam, ou proclamam realizações mágicas como a extinção da miséria e o fim da fome, Acontecem fake news quando se apresenta Lula ao mundo como um São Thomas More de Garanhuns, condenado apenas porque virtuoso.Foi para enquadrar ideologicamente esses ataques que escrevi vários artigos apontando, em contrapartida, o problema das fake analysis na mídia tradicional, pois são essas mistificações as que mais desencaminham a opinião pública. A elas, com grande vantagem, se opunham tantos bons e sérios autores nas redes sociais.
Enfim, os algoritmos companheiros, ao que tudo indica, estão no comando. Enquanto o mercado não reagir criando novas plataformas, o Ministério Público não intervier, o Congresso não tomar providências (?), os instrumentos da inteligência artificial agirão ocultos, a serviço da conhecida má-fé natural daqueles que os manipulam.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
POR QUE E COMO RENOVAR EM 7 DE OUTUBRO - 25/07/2018
Subindo na ponta dos pés, o horizonte brasileiro que podemos discernir além das águas agitadas do córrego eleitoral, ali adiante, não é de causar entusiasmo sequer ao mais otimista dos cidadãos.
A maioria dos partidos políticos brasileiros me faz lembrar as opium dens, as covas de ópio onde chineses viciados se recolhiam, em nichos e catres, para longas jornadas de narcotização assistida. Não dão a mínima para os anseios por renovação, tão perceptíveis na sociedade brasileira. Seus principais agentes estão viciados. Vegetam na dormente modorra de práticas que as pessoas de bem reputam como intoleráveis.
O conhecimento dessa realidade borra o quadro eleitoral e desqualifica o que ainda chamamos democracia. As grandes siglas se conformam na mesmice, viciadas e acomodadas nos nichos e catres do poder. Jamais se renovam, pois são avessas a toda mudança que ponha em risco as posições de seus líderes. As pequenas, se têm apreço por suas ideias, precisam de tempo, muito trabalho e apoio para se tornarem significativas. Semeiam nas escarpas das dificuldades enquanto as demais colhem na várzea fertilizada com os recursos tomados da sociedade. Ainda assim, como escrevi há alguns meses aos esperançosos da intervenção militar: “Não haverá intervenção; haverá eleição”. E é preciso renovar o que der, levando ao Congresso Nacional gente nova, não contaminada pelas práticas vigentes – e mais do que isso: avessa a tais práticas.
Muitos leitores me perguntam: “Fala-se em renovar, mas devem os bons que hoje têm mandato ser jogados fora com a água desse banho”? Claro que não! Se forem bons, se não forem corruptos, nem coniventes, nem omissos (provavelmente não sobrarão muitos) devem ter seus mandatos preservados por uma questão de racionalidade e justiça. Para certificar-se disso, ou para votar em candidatos novos, consulte os sites e aplicativos que disponibilizarão avaliações completas dos candidatos, como os do Vem Pra Rua e o RenovaBR, fale com quem os conheça, informe-se, não se fie em lero-lero publicitário.
Procure saber o que os candidatos realmente pensam sobre segurança pública, legislação penal, progressão de regime, foro privilegiado, Lava Jato, STF, escola sem partido, ideologia de gênero, educação, Paulo Freire, tamanho do Estado, carga tributária, corporativismo, reforma da Previdência, reforma institucional, meritocracia, privatizações. Dá trabalho? Claro que dá trabalho! Mas votar errado custa muito mais caro. E não há como corrigir um voto mal dado a não ser a duras penas, longo prazo e grande custo.
Com eleições dentro de pouco mais de dois meses, é inútil continuar questionando a confiabilidade das urnas porque essa atitude só afasta os bons eleitores. Retomemos essa pauta no ano que vem. Os que afundaram o Brasil e os que por eles torcem estarão todos na fila de votação do dia 7 de outubro. Então, vote; não os deixemos sozinhos como donos das urnas. Do jeito que o Brasil está, considero moralmente inaceitável a omissão do cidadão consciente.
*Especial para a Gazeta do Povo.
** Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
O IPTU E A RETÓRICA TRIBUTARISTA - 01/07/2018
Uma coisa é perceber que a municipalidade (Porto Alegre é o caso, aqui) não conta com receita suficiente para manter, ainda que minimamente, serviços rotineiros como o de tapar buracos. Outra, bem diferente, é considerar que a solução passa por majorar o valor do IPTU segundo valores que, em 20% dos casos, podem mais do que duplicar.
Uma coisa é a administração local enviar projeto à Câmara de Vereadores com tal objetivo. Outra, bem diferente, é a autoridade alegar que não está promovendo aumento de imposto quando a maior parte dos pagadores de IPTU passará a despender muito mais ante o mesmo fato gerador.
Uma coisa é o justo anseio da gestão local por realizar um pouco ao menos daquilo que, na campanha eleitoral, demonstrou saudável intenção de concretizar. Outra, bem diferente, é cumprir tal objetivo buscando os recursos nos bolsos já rotos e drenados dos pagadores de impostos.
Uma coisa é o prefeito revelar a intenção de reduzir vantagens funcionais incompatíveis com a penúria do erário e atuar com firmeza na diminuição do gasto. Obviamente não é sustentável que as despesas correntes cresçam, de modo sistemático, segundo percentuais superiores aos da arrecadação. Um dia essa casa cai. Outra, bem diferente, é equivaler tais impositivos morais e racionais ao aumento imediato da receita tributária. A receita tributária deve evoluir com o desenvolvimento econômico e não com os meios de subsistência das famílias.
Uma coisa é haver desproporções gritantes entre os impostos pagos por imóveis novos e antigos em uma mesma área da planta de valores. Outra, bem diferente, é afirmar que todos são “privilegiados”, quando não agentes ativos de uma suposta injustiça. Imóveis hoje antigos tiveram seu IPTU rigorosamente atualizado na planta de valores fixada em 1989 e, desde então, todo ano, o tributo lançado é corrigido pelo IPCA, preservando seu valor real. Se o imposto cobrado dos novos imóveis não é referido ao valor da transação, isso é um problema da legislação ou das práticas fiscais. Entenda-se o fisco consigo mesmo, antes de acusar os munícipes; é inadmissível que se impute a eles quaisquer responsabilidades em relação a tal situação e que se onere os demais em vista disso.
Uma coisa é isentar imóveis de valor comercial insignificante. Outra, bem diferente, é afirmar que essa isenção depende da majoração do valor pago pelos demais – este, sim, verdadeiramente significativo. A caridade fiscal proposta é nada convincente, tanto no plano da razão quanto no da virtude social. Se a falta de recursos tem a dimensão que se alega, isentar de imposto quem já está pagando, ainda que pouco, não é coerente – a menos que se pretenda, com isso, criar massa de manobra para pressionar pelo que realmente convém à retórica tributarista.
É prova de insensibilidade a majoração de impostos num momento de letargia das atividades econômicas, quando os meios financeiros que faltam para o poder público faltam, também, para os cidadãos. E faltam àquele porque faltam a estes. No entanto, mesmo se as atividades econômicas transcorressem em condições normais, ainda assim haverá grave problema fiscal sempre que as despesas fixas cresçam de modo sistemático acima da receita. O pagador de impostos não pode ser indigitado como bode expiatório de um mal sistêmico.
Por fim, é meio pretensioso tratar da questão fiscal numa perspectiva que parece ver como privilégio o direito do “contribuinte” de viver onde vive enquanto o espaço urbano se degrada à sua volta. São responsáveis pela crise fiscal:
• todo gestor que silenciou e contemporizou enquanto o abismo se desenhava;
• todo pretendente ao posto de prefeito que, em campanha, ao longo de décadas, transmitiu ao eleitor a ideia de que as dificuldades seriam vencidas apenas com o vigor de sua “vontade política”;
• todo vereador, partido e bancada que aprovou despesa sem a sensata previsão de receita correspondente;
• todos os que se renderam, enfim, ao populismo e às facilidades da demagogia nutrida com recursos públicos, à pressão das greves, ao alarido das praças e ao grito das galerias clamando por fatias crescentes do bolo fiscal.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
CUBA SOB NOVA DIREÇÃO? - 29/06/2018
Certamente não passava pela cabeça de Angel Castro, ao mudar-se para Cuba, a idéia de que seus dois rebentos transformariam a ilha toda numa espécie de empresa familiar na qual ambos viriam a mandar e onze milhões de cubanos obedeceriam.
Há muito salta aos olhos de qualquer observador intelectualmente honesto que a situação de Cuba enveredou por desastrosa picada sem fim previsível. Mesmo assim, o meio acadêmico brasileiro e expressiva parcela da intelectualidade nacional não poupam louvores a Fidel, ao ideário que ele encarnou e desossou, e aos ícones do fatigante “socialismo o muerte!”, que os cubanos retificam para “socialismo y muerte”. De seu caráter sanguinário dão prova as vítimas do paredón e as sepultadas vivas nas masmorras do regime.
Os malabarismos retóricos a que recorrem seus seguidores brasileiros, treinados para dar nó em pingo d’água quando se trata de defender o comunismo, já começam a exigir platéia com atestado de morte cerebral. Os vários debates de que participei ao longo dos últimos 30 anos forneceram eloquentes exemplos disso.
“Cuba é uma referência de autonomia”, insistem. Cuba? Autonomia? Desrespeitam a autonomia própria e a dos outros! Sob Fidel, esse país viveu trinta anos na mais servil submissão à URSS. Foram três décadas de tenebrosas concessões. Ao longo delas, os jovens cubanos eram alugados como bucha de canhão para as intervenções comunistas na autonomia de Angola, Moçambique, Congo, Nigéria, Bolívia, Nicarágua, El Salvador e onde quer que a URSS precisasse de alguém para o serviço sujo das guerrilhas. “Cuba é uma democracia, sim, mas diferente da nossa”, proclamam, referindo-se a um regime sem liberdade de imprensa e de opinião, que há 60 anos só tem um partido, onde o líder máximo, quando enfermo, transferiu o poder para o maninho, onde criticar o governo faz mal à saúde, e onde ainda hoje, a placa - “Sob nova direção” - oculta o fato de que, por trás dos bastidores e das câmaras ainda é Raúl quem apita o jogo.
O próprio Díaz-Canel encarregou-se de deixar bem claro, ao assumir, que Raúl lideraria "as decisões de maior transcendência para o presente e o futuro do país". No início de junho, o novo presidente anunciou que seu antecessor comandaria, também, uma reforma constitucional que – surpresa! – não implicaria mudanças no modelo político e teria como pilares “a irrevogabilidade do sistema socialista, a união nacional e o papel do Partido (Comunista) como vanguarda organizada e força dirigente superior da sociedade e do Estado".
Quando alguém, desmontando as farsas dos argumentos, põe os pingos nos “is” da história e desenrola o filme dos fatos, eles, inevitavelmente, entre resmungos, começam a falar mal do Trump.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
SEDUÇÃO E DOMINAÇÃO CULTURAL - 25/06/2018
Você já reparou no quanto a esquerda detesta o Brasil? Observe o mimimi histórico que nos é despejado em salas de aulas e em fake analysis da mídia ideologicamente manipulada: o Brasil explorado, suas riquezas drenadas, “veias abertas” ao longo dos séculos por um colonialismo de péssima origem, que nada de bom produziu e a ninguém dignifica. Bem ao contrário de todos os povos, o brasileiro é ensinado a se constranger de sua história e a repudiar suas raízes. Rotos nossos elos com o passado, o mesmo mimimi se volta para as sujeições internas, para a odiosa burguesia europeia, branca, machista, racista, capitalista e sei lá mais o quê. Tudo construído para que nos vejamos como cachorros vira-latas, uns palermas necessitados da inteligência, sagacidade e discernimento dos “intelectuais” e políticos que disponibilizam esse condensado de desinformação.
Você jamais ouvirá uma só palavra que nos dignifique. Elogiam a latino-americanidade, a pátria grande do Foro de São Paulo e da UNASUL, e vilipendiam nossas origens ibéricas e lusitanas. Nessa infeliz preleção, o pequeno Portugal, cujo território é uma terça parte do Rio Grande do Sul, que foi o primeiro Estado Nacional europeu, torna-se objeto de ressentimento e desprezo. Oculta-se o fato de aquela minúscula nação se haver erguido à liderança mundial nos séculos XV e XVI, assumido a tarefa quase impossível de povoar o continente brasileiro e trazido a civilização ocidental e cristã a esta parte do mundo. Aliás, minimiza-se a própria importância dessa civilização que nos proporcionou idioma, fé e cultura. Até a comemoração dos 500 anos do Descobrimento foi repudiada!
Grandes figuras da nossa história precisam sumir em breves referências que não exaltam sua importância e, menos ainda, os propõem ao reconhecimento e à gratidão nacional: José Bonifácio, Pedro I, Maria Quitéria, Diogo Feijó, Duque de Caxias, Barão de Mauá, Pedro II, Barão do Rio Branco, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa. Eles e tantos outros, em qualquer país que os contasse entre seus filhos, seriam credores de louvor e admiração. No contrapelo, os que viram pelo avesso nossa história oferecem o culto a José Dirceu, José Genoíno, Carlos Marighella, Luís Carlos Prestes...
Por isso, multidões se emocionam com os vídeos do Brasil Paralelo. Eles enfatizam nossa dignidade, nossos méritos, os fundadores da pátria. Sobram-nos razões para o justificado orgulho nacional que todos os povos têm e no qual fundam parte de suas energias. Não somos filhos da macega! Não se trata de ocultar recantos sombrios de nosso passado (qual país não os tem?), mas de fazer o que os demais fazem, valorizando os muitos aspectos positivos para neles cravar raízes e com eles estabelecer nossa identidade nacional.
A conta política da história mal contada se materializa em submissão aos narradores que também se apresentam como redentores da riqueza nacional. Em cinco séculos, apenas os 14 anos de governo petista mereceriam respeito. Tenho ouvido, como sedutor relato contado e aprendido, que o Brasil tem riquezas abundantes das quais e graças às quais todos poderiam viver na fartura. É parte do processo de dominação cultural preservar e reforçar a atitude dependente e subalterna em relação ao Estado, entendido como inesgotável provedor de nossas necessidades comuns e de nossa segurança individual. O Estado precisa ser grande e forte para que à sua sombra possamos viver em meio a muitas estatais, empregos públicos e pressuroso atendimento de todas as demandas sociais. Os sedutores que nos querem dominar se apresentam como portadores desse cardápio de muitos direitos e escassos deveres, a preços de liquidação, embora no delivery só disponibilizem miséria e totalitarismo.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
CORRUPÇÃO MAIÚSCULA, DEMOCRACIA MINÚSCULA - 20/06/2018
Leio no jornal: Dilma e Aécio lideram pesquisa para senador em Minas Gerais.
Deu pra mim. Fui!
Voltei! “A ditadura é muito melhor, só que é pior”, talvez exclamasse um amigo que gosta de construir frases surreais. De fato, se você quer pôr ordem numa confusão de cabaré como essa aí acima, mais fácil e eficiente do que conversar com o eleitorado mineiro é apelar para o sujeito com cara de caminhão off road, parado lá na porta. Sim, democracia é coisa complicada. E fica muito mais enroscada quando não há mínimos consensos éticos, quando o sistema político é pouco ou nada racional, quando os agentes do processo ou são omissos ou desonestos, e quando os eleitores, tanto quanto os agentes, se regem por critérios imperdoáveis.
O presidencialismo agrava as dificuldades. Ao entregar todas as fichas e assegurar quatro anos de mandato ao presidente, ainda que sua gestão seja uma catástrofe, a nação se expõe a uma situação que nem empresas familiares toleram! Cria instabilidades que derrubam o PIB, as bolsas e desvalorizam a moeda. Como submeter uma sociedade complexa, com mais de 200 milhões de habitantes, a governos – quaisquer governos – que não podem ser destituídos, ainda que ineptos e desastrosos? Onde mesmo o impeachment de um governo criminoso envolve prolongada crise?
Por outro lado, a irrestrita criação de partidos políticos como sublime expressão do pluralismo, tolice bancada em 2006 pelos doutores da lei do STF, franqueia a porta do poder para aproveitadores que inventam legendas cartoriais e as transformam em rentáveis empreendimentos. Ora, a formação de maiorias parlamentares é questão central do jogo político e da governabilidade. Os processos eleitorais brasileiros, no entanto, vêm proporcionando minorias cada vez menores, cuja existência custa caro ao país e cuja agregação para formar bases de apoio se inclui entre as mais repulsivas e vacilantes tarefas de quem governa.
Cada vez mais, o ambiente político nacional se afasta das grandes pautas que deveriam interessar ao desenvolvimento econômico e social para se perder em retórica e propaganda. Os próprios eleitores não se ajudam: vão às urnas dissociando o governante que escolhem do parlamentar em quem votam, como se o segundo não fosse indispensável ao sucesso do primeiro.
Como regra, o eleitor vota num governante para que cuide do país, segundo suas convicções, e escolhe um parlamentar para defender seus interesses pessoais, corporativos ou setoriais. Inevitavelmente, essas duas tarefas se contrapõem, pois o parlamentar só pode cumprir a sua gerando ônus ao setor público e agindo contra a conveniência nacional. Isso é moralmente inaceitável! Parlamentares deveriam ser representantes de opinião e não de interesses.
Eleitores incapazes de perceber os desvios a que são conduzidos pelo critério eleitoral do interesse próprio afundam num paradoxo: julgam normal eleger alguém, pago pela nação, para cuidar de si, para legislar e negociar em seu benefício, mas se escandalizam quando os eleitos, orientados pelo mesmo norte moral, passam a cuidar de si mesmos, dos seus negócios e de suas próprias fatias no bolo do poder e dos impostos que todos pagamos.
Uma democracia tem a racionalidade de suas instituições e a força dos consensos éticos da sociedade.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o Totalitarismo; Cuba, a Tragédia da Utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
ACONTECE QUE HAVERÁ ELEIÇÃO - 10/06/2018
Certas mensagens recebidas quando menciono o pleito do dia 7 de outubro provêm de eleitores que desconfiam de tudo. Duvidam das urnas e dos votantes, dos partidos e dos tribunais, dos políticos em geral e dos candidatos em particular. Enquanto esperam solução por meio de uma ruptura institucional que comprovadamente não acontecerá, colocam tudo e todos sob suspeita.
Ainda há pouco alguém se exclamava, em rede social, ante a notícia de que certo militar seria candidato a deputado federal. Tratava-se, no seu modo de ver, de uma traição à causa da ruptura institucional e uma absurda aceitação das urnas eletrônicas.
Queiramos ou não, essa é, hoje, uma questão nacional relevante, consequência da degradação institucional e da fragmentação social. Se o que desejam os proponentes dessa solução não for uma inaceitável ditadura, se for de ação rápida isso pelo que clamam, de onde vem a confiança em que logo ali adiante surgirão partidos, políticos e eleitores com elevado discernimento e sistemas perfeitos?
Fraudes sempre houve e sempre poderá haver. Eleições também podem ser fraudadas. Na Primeira República, o bico de pena e a degola comandavam os resultados. O primeiro adulterava as atas que provinham das mesas eleitorais e o segundo, através da poderosa Comissão Verificadora de Poderes, simplesmente declarava ilegal, no Parlamento, a vitória dos indesejados. Mesmo após a criação da Justiça Eleitoral em 1932, continuaram as fraudes no registro e voto de eleitores inexistentes ou falecidos, na cíclica transferência de votantes em eleições municipais, na existência de municípios com mais eleitores do que habitantes, na compra de votos, e por onde mais houvesse brecha para a malícia dos espertalhões. Fui fiscal de apuração em diversos pleitos e embora não tenha me deparado com tentativas de fraudes, pude verificar possibilidades para que isso acontecesse durante a manipulação das cédulas, bem como esforços maliciosos para interpretar indevidamente rabiscos de eleitores analfabetos.
Nos grotões continua a intimidação dos eleitores com a divulgação de sanções a serem aplicadas se o resultado das urnas não for o pretendido pelo cabo eleitoral da região. Não bastasse isso, ainda agora, com a introdução da identificação digital dos eleitores, e já cadastrados 65 milhões, o TSE identificou 25 mil títulos duplicados. Um desses "multicidadãos" portava 52 títulos. Também isso é fraude.
As urnas que o Brasil usa, afirmam muitos técnicos, podem ser fraudadas. Se têm sido é questão para a qual ainda não vi resposta afirmativa categórica, malgrado a persistente suspeita em relação à silenciosa reviravolta na apuração do pleito presidencial de 2014. Segundo se diz, aquela vitória petista não foi obtida lisamente. Ora, se essa porta existe e pode ser aberta, como explicar o resultado do pleito de 2016? Afinal, apenas dois anos após a reeleição de Dilma, o PT sofreu estrondosa derrota, caindo do primeiro para o sexto lugar entre os partidos brasileiros, vencendo em apenas uma dentre as capitais de estados da Federação. Deu pane no mecanismo? Estavam de férias os manipuladores?
Por outro lado, a arrogância com que os ministros do TSE desprezam a opinião pública em tema tão relevante à legitimidade do poder político não ajuda a democracia. No meu modo de ver, a apuração manual, malgrado lenta e com grande dispêndio de recursos humanos, suscita superior credibilidade e segurança, por ser menos hermética e proporcionar ampla fiscalização partidária em todas as fases do processo, possibilitando, inclusive, totalizações paralelas pelos meios de comunicação.
Não estou convencido, enfim, de que as coisas sejam como querem fazer crer alguns mais interessados em desacreditar eleição e eleitores. Haverá eleição e temos que fazer bom uso de nosso voto.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
O QUE PENSO SOBRE A GREVE DOS CAMINHONEIROS. - 27/05/2018
Engana-se quem pensa que essa greve traz à população algo que não seja caos. Ela é pelo Diesel e não reduzirá nem o frete.
Essa frase, que postei dia 26/05 nas minhas páginas do Facebook, suscitou inúmeros comentários. A maioria expressando desagrado. Era previsível porque pesquisa feita pelo Instituto Methodus informava, na véspera, que 86% da população apoiava a greve. No entanto, não tenho o hábito de auscultar a opinião pública para decidir o que devo escrever ou falar. Se fosse fazê-lo, não teria escrito ou dito coisa alguma quando poucos, muito poucos, combatíamos as ideias de esquerda e o petismo na segunda metade dos anos 80.
Estou convencido, pela simples aplicação da razão aos fatos, de que é preciso distinguir as motivações. Uma coisa é a greve dos caminhoneiros, com apoio dos transportadores e produtores rurais interessados em reduzir o preço do diesel. Atendida essa reivindicação e isentos do pagamento de pedágio quando vazios, não fica um caminhão no acostamento. Ou alguém acredita que seus condutores continuarão parados até que o país tome jeito, que o Estado encolha, que os impostos diminuam, que a segurança aumente, que as estradas melhorem?
Outra coisa, então, são as pautas nacionais, sobre as quais muito tenho escrito e das quais poucos se têm ocupado. Quanto mais terrível for a situação no dia 7 de outubro, quanto maior o caos, mais receptiva estará a massa de eleitores a quem lhe oferecer, em 7 de outubro, o conhecido prato feito de mentira, populismo, corporativismo, estatismo e, claro, subsídios públicos. Não vislumbro a menor chance de que em tal situação a maioria do eleitorado decida optar por uma política econômica liberal. Ao contrário, ela se inclinará para o lado de quem lhe oferecer doses mais robustas do mesmo veneno através da mão falsamente dadivosa do Estado. Sou contra o plantio do caos.
Comece a falar em privatização e fim do monopólio e veja o que acontece. Quais as demandas da greve da Federação Única dos Petroleiros (FUP) programada para quarta feira? Demissão do presidente da Petrobras, retirada das Forças Armadas das refinarias onde garantem o abastecimento dos caminhões, manutenção dos empregos, “não às privatizações” e ao “desmonte da Petrobras”. Ah! Enquanto a empresa era vampirizada pelo governo petista que a transformou em objeto de escândalo e escárnio mundial, a turma da FUP, agora grevista, posava para fotos ao lado de Lula e Dilma. Agora, faz greve e se une aos caminhoneiros... “para o bem do Brasil”. Deve haver apoiador do caos aplaudindo a greve desses hipócritas porque, afinal, ela ajuda o caos, certo?
A pluralidade de expectativas em relação aos caminhoneiros é uma evidência de que ela está sendo vista como uma espécie de Bombril com usos contraditórios. Ora é uma porta aberta para a “intervenção militar constitucional”, ora uma oportunidade para o "Fora Temer", ora uma chance de criar clima para a volta da esquerda ao poder, ora uma oportunidade de acabar com os males do estatismo e ora uma oportunidade de buscar soluções junto ao Estado, ora servirá para acabar com o monopólio do petróleo e ora servirá para preservar definitivamente o monopólio. Entendam-se, porque eu não entendo.
Ponderação final: se você está convencido que a greve é boa para o país, que o “Fora Temer” petista que vi em caminhões, vindo ontem de Santa Maria, é uma boa pauta, que o agravamento do caos institucional fará o que até agora não foi feito, responda para você mesmo, a quatro meses de eleições gerais, qual o grupo político que colherá maior vantagem dele com vista aos próximos quatro anos de poder no país?
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
AMARRARAM CACHORRO COM LINGUIÇA - 18/05/2018
Desculpem a expressão pouco polida e, ainda menos, criativa. No entanto, é a exclamação que me ocorre diante do que se cristalizou como cenário das próximas eleições parlamentares.
Promover uma grande renovação nas duas casas do Congresso Nacional era a principal aspiração da sociedade brasileira para a futura eleição parlamentar em 7 de outubro. Tratava-se de pura racionalidade: afastar os corruptos, os coniventes com a corrupção e os incompetentes, preservando os melhores. A conduta dos eleitores, aliás, deveria ser sempre essa, mas os eventos dos últimos anos – em especial os achados da Lava-Jato e operações análogas – tornaram tal conduta uma imposição dos fatos a todo eleitor consciente, a todo cidadão preocupado com o presente e o futuro do país.
Foi no contexto desse clima político-eleitoral que começaram as pressões para extinguir o financiamento empresarial aos candidatos e partidos. Seria esse financiamento (e não o irracional modelo político) “a” causa fundamental da corrupção, por gerar conluio de interesses escusos entre financiadores e financiados. Tão indigno sistema – assim se dizia - deveria ser substituído por uma fonte pública, imune a quaisquer compromissos.
Chamada a opinar, a sociedade não aderiu à tese. Nem mesmo a poderosa organização formada por mais de uma centena de entidades e associações que se integraram na famosa “Coalizão por Reforma Política e Eleições Limpas”, sob a liderança da OAB e da CNBB, conseguiu sensibilizá-la. Empenharam-se os patrocinadores da tese em campanha que se estendeu por mais de um ano, entre 2014 e 2015, tentando, inutilmente, coletar 1,5 milhão de adesões a um projeto de iniciativa popular. O financiamento público encabeçava as propostas. Alegavam expressar o desejo social e pediam assinaturas durante missas em todo o país, mas nem assim conseguiram os patrocinadores coletar a metade disso! O povo jamais considerou ser de seu dever custear campanhas eleitorais, através de recursos públicos pelos quais cada cidadão estaria, inclusive, financiando candidatos contrários às próprias convicções.
A falsa lógica do beatificado fundo eleitoral público, porém, já havia contaminado os “legisladores” do STF. Em setembro de 2015, por oito a três, atropelando, inclusive, um projeto em sentido oposto que procurava disciplinar o financiamento por pessoas jurídicas, o Pleno decidiu que ele era “inconstitucional”.
Resultado: em 2017, o Congresso aprovou a formação de um fundo público para a eleição de 2018. Esse recurso, no montante de R$1,7 bilhão, será destinado aos partidos e neles manejados por seus líderes. E quem são estes? Como regra quase geral, nas executivas nacionais e nas secções estaduais, são deputados federais e senadores. Ou seja, os recursos “públicos” serão privatizados por aqueles que, em grande proporção, a sociedade não deseja ver reeleitos, frustrando-se a efetivação do cristalino anseio nacional pela renovação. OAB, CNBB e STF estão devendo explicações para esse terrível malfeito que realiza o sonho de todos os corruptos cuja reeleição estava em risco! Amarraram cachorro com linguiça, entregando-lhes – logo a eles! – o privilégio de se financiarem com meios que a nação sangrou para produzir e arrecadou na forma de tributos federais. Quem quiser furar esse esquema que trate de correr o chapéu juntando trocados de pessoas físicas, na base da “vaquinha”, ou do me dá um dinheiro aí.
Apesar desse desastroso papelão, persiste o desejo de renovação. Não se omita, não vote em corruptos, preserve os bons e renove. Sobretudo, dedique tempo à escolha que fará, e renove!
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
AS REDES SOCIAIS E A VIDA INTELIGENTE FORA DA ESQUERDA - 03/05/2018
“Qualquer pessoa que tenha os jornais e a TV como sua fonte principal de informações está excluída, in limine, da possibilidade de julgar razoavelmente a veracidade e a importância relativa das notícias.” (Olavo de Carvalho, em “Quem eram os ratos?”)
Em 2012, num excelente artigo que pode ser lido aqui, o autor da frase acima discorreu sobre a distância que, em períodos soturnos da história, se estabelece entre o conjunto de crenças (e incertezas) da parcela pensante da sociedade e as inabaláveis convicções que marcam a opinião das massas.
É diante disso que a frase em epígrafe amplia sua importância como auxiliar de diagnóstico da situação nacional. De 2012 para cá, ocorreu a explosão das redes sociais, que disponibilizou, à massa, o acesso a um volume até então inconcebível de informações, conhecimentos (para os mais dispostos a buscá-los) e capacidade de interpretação. O jornal impresso do dia tornou-se um depósito de notícias de ontem, opiniões sobre os fatos de anteontem e variedades. O noticiário dos canais tradicionais de TV perdeu sua dimensão informativa e ampliou dedicação à tarefa de adequar os fatos à opinião dos editores. Algumas emissoras de rádio e TV abriram canais e frequências voltados exclusivamente às “news”. O jornalismo, enfim, se digitalizou.
Não foi por livre e espontânea vontade que o fizeram, mas por exigência da força avassaladora de suas novas concorrentes: as redes sociais, que, em muito pouco tempo, revolucionaram o mundo da comunicação. E o da manipulação. É verdade que as redes sociais se prestam para a proliferação das fake news, mas não parece sensato mencionar esse fato sem incluir a tradicional manipulação das notícias pelos grandes veículos.
Voltando à frase do Olavo. A longa história do jornalismo está ligada ao binômio notícia-opinião. Os jornais tinham colunas de opinião, nas quais uns poucos analistas, presumivelmente qualificados, serviam aos leitores suas interpretações dos fatos em curso. Era um grupo restrito, infinitamente menor do que o requerido pela dinâmica da vida social e, como regra quase geral, orientado para servir ao alinhamento ideológico que buscava o poder no Brasil. Foi assim que o PT e os partidos de esquerda conseguiram crescer sob o beneplácito da mesma “grande mídia” da qual sempre tanto se queixaram. E mesmo isso fez parte da estratégia. Só o referido beneplácito pode explicar as longas décadas em que o criminoso trabalho do Foro de São Paulo permaneceu oculto e protegido, enquanto toda menção a ele era tratada como “teoria da conspiração”. Só esse beneplácito pode explicar que prosperasse a ideia de que os partidos de esquerda eram incorruptíveis e poderiam passar o Brasil a limpo, mesmo depois da morte de Celso Daniel e de tantas experiências de gestão em Estados e municípios. Só esse beneplácito pode explicar que o PT chegasse ao poder com um discurso contrário àquele que construiu seu caminho até ele. E ficasse tudo por isso mesmo, inclusive quando reverteu sua marcha-ré. O que hoje se vê é escala ampliada do que há muito se via.
A única disputa que a esquerda perdeu e sabe que perdeu, no Brasil, nas últimas décadas, foi a das redes sociais. Elas tornaram visível a existência de vida inteligente fora da esquerda. A derrota intelectual foi tão acachapante que o petismo precisou mudar de ramo, criar uma seita e se reinstituir como igreja... É a antipolítica pela falência do que se apresentava como razão.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
OS ARTIGOS QUE NÃO ESCREVO - 29/04/2018
Não é raro que leitores me perguntem por que, ao longo de tantos anos, tendo publicado quatro livros e milhares de artigos, eu não incluo entre minhas pautas os temas referentes às mazelas sociais. "Essas realidades nada lhe dizem? Por que o senhor combate pessoas e partidos manifestamente preocupados com os miseráveis?", indagam-me, certos de que sangrarei sob o peso da minha omissão.
Essas indagações ganham relevo porque refletem dois problemas nacionais, com conseqüências políticas desastrosas. Refiro-me, primeiro, à ideia de que as palavras têm um poder mágico, capaz de mudar a realidade por mera dicção. E, segundo, a ideia de que não seja necessário explicitar, concretamente, o modo como se viabiliza a superação do mal descrito. É exatamente pela desatenção a esse aspecto que os demagogos congestionam a política brasileira.
Já ouvi muito discurso vazio, já vi muita gente chegar ao poder mediante tais parolagens, já vivi para ver muitos povos submetidos a tiranos que se impuseram em nome de prometida e nunca entregue redenção social. Sinceramente, sinto-me dispensado disso. Um artigo que aponte como soluções para a pobreza sistemas econômicos e políticas que agravam a miséria só serve para o autor.
Prefiro outro caminho, ou seja, o dos temas sobre os quais escrevo. Entre eles, um sistema econômico que produza riqueza e não miséria, políticas que liberem as iniciativas individuais e reduzam o peso do Estado sobre a sociedade; e um sistema educacional que cultive os valores do estudo e do trabalho. É o caminho que promove valores culturais relevantes, como a dignidade e a autonomia da pessoa humana, a família, o correto uso da liberdade, a solidariedade, a ordem, o amor à pátria, o respeito à lei e as virtudes. É o caminho da religiosidade sadia, do amor a Deus, da fé, da prioridade do espírito sobre a matéria, da ética sobre a técnica e da pessoa humana sobre o Estado. É o caminho que promove o Bem e denuncia o Mal. Que aprecia a beleza, a justiça e a verdade. É o que busca instrumentos políticos capazes de construir uma verdadeira democracia, na forma e nos princípios que a inspiram, porque simetricamente presentes no conjunto do tecido social.
Sei que assim se atacam os problemas causadores do baixo crescimento econômico, a miséria, a desagregação familiar e social, o vício, a violência e a criminalidade. Aí estão os adversários que enfrento, caros leitores, eventualmente ansiosos por um artigo talvez tão agradável de ler quanto historicamente surrado e inútil. É claro, também, que nada posso fazer se minhas pautas, vez por outra, parecem chapéus sob medida para a cabeça de algumas pessoas ou partidos políticos.
* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
MARCO AURÉLIO, AGORA, CULPA CÁRMEN LÚCIA PELO DESGASTE DO STF - 27/03/2018
Está no noticiário desta terça-feira a informação de que Marco Aurélio Mello - aquele do talão de embarque, que não mora em Jaçanã, mas não podia ficar “nem mais um minuto com vocês” – decidiu, como rabugento lapão, sair da reta e colocar a culpa na presidente do STF, ministra Cármen Lúcia. Ela teria cometido o erro de antecipar o julgamento do habeas corpus de Lula quando o correto, segundo ele, teria sido julgar antes as duas ADCs sobre prisão em segunda instância que aguardam julgamento. “O desgaste para o tribunal está terrível. Isso demonstra que a estratégia da presidente foi falha”, afirma Marco Aurélio. “Foi muito ruim julgarmos só o caso do ex-presidente. Agora estamos pagando um preço incrível”.
Dadas todas as vênias, é muito caradurismo. Se o ministro não queria votar o habeas corpus, por que aprovou sua admissibilidade quando a consulta feita por Fachin deu ao plenário a oportunidade de rejeitá-lo? Bastava-lhe dizer não para que não se concretizasse o vexame atribuído por ele ao ato da presidente. No entanto, disse sim e copatrocinou o desgaste do STF.
Cármen Lúcia colocou em votação o HC de Lula exatamente para destapar a estratégia dos seis ministros a serviço da impunidade, que queriam votar, às pressas, as Ações Declaratórias de Constitucionalidade e beneficiar Lula. Toda aquela urgência tinha nome – Luiz Inácio Lula da Silva. Ora, se o objetivo era derrubar a prisão após condenação em segunda instância e proteger Lula, que o fizessem na pessoa física e não por interposta pessoa. E eles fizeram.
Acabaram com a Lava Jato, desmoralizaram o STF, deixaram a nação prostrada, semearam o desalento, expuseram a própria malícia e vão liberar geral, soltando milhares de presos - de pedófilos e estupradores a corruptos e corruptores.
Tudo em nome da “liberdade”, querendo significar lisa, total e eterna impunidade. Não pretenda agora o ministro, com o escândalo na rua, com o véu do templo rasgado, sair em defesa de uma dignidade que não mais defesa tem.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
UNIVERSIDADE PÚBLICA OU CASA-DA-MÃE-JOANA? - 26/03/2018
Se for verdade que a vida ensina, então nos enfiaram num curso de imersão, intensivo. De sol a sol, estamos assistindo o “mecanismo” em pleno funcionamento. Podemos observá-lo em diferentes estágios – o nacional, o venezuelano, o cubano, o norte-coreano. Todos têm devotos no Brasil. O mecanismo, quando ameaçado (Lava-Jato), sentindo esvair seu poder (impeachment) e perdendo substância popular (redes sociais), contra-ataca com todos os meios independentemente da reação. Não obedece lei, nem costume, nem limite. Não há sequer divergência entre suas facções. Mesmo aquela esquerda que posa como moça de bons costumes e oferece sua virgindade na praça eleitoral permaneceu em conivente silêncio ante o cambalacho promovido pelo “Pretório Excelso” (vê se eu aguento!). Não será preferível dizer Ínfima Caterva?
No mesmíssimo contexto se inscreve a universidade pública, outro importante espaço de poder que vem sendo metabolizado pela esquerda, usado para formação de intelectuais orgânicos desde antes da fundação do PT. O que constitui novidade, trazida a lume pela premência dos fatos, é a necessidade de incorporar a energia do ambiente acadêmico às táticas políticas de curtíssimo prazo para salvar o petismo na eleição de 2018. Isso ainda não fora visto.
Refiro-me às dezenas de cursos de extensão sobre o “golpe de 2016” que se propagam nas universidades brasileiras, incluindo disciplinas como “O lulismo e a promoção da paz social”, “O governo Dilma e a tentativa de repactuação lulista”, “A resistência popular e as eleições de 2018”, e por aí vai. Tais conteúdos, obviamente, são adequados às dependências de uma sede partidária e promovidos à custa da legenda interessada. É preciso haver subordinado o senso moral à causa e ideologizado cada neurônio para não perceber o quanto tais “cursos de extensão” ultrapassam os limites da decência no emprego que fazem de meios e títulos públicos.
Raciocinemos pelo viés oposto. Imaginemos, por exemplo, cursos sobre “A corrupção na Petrobras e a fraude financeira que favoreceu as vitórias eleitorais de 2006, 2010 e 2014”; “Objetivos totalitários da luta armada dos anos 60 e 70 no Brasil”; “A alternativa liberal-conservadora no pleito de 2018”. Não é difícil imaginar a reação que seria suscitada por qualquer desses temas. Contudo, em que pese o interesse por tais abordagens, a universidade não é para isso e a criação desses eventos incorreria em equívoco análogo ao que aqui critico. E mais: nenhuma aula dessas conseguiria ser ministrada ante a reação de alunos e professores. Ou não?
Valerem-se da autonomia universitária como blindagem para usar e abusar do que é público em benefício particular - seja ideológico, político ou partidário – é uma forma de corrupção que começa na mente e se expressa na práxis. A autonomia não é salvo-conduto para tropelias, nem é a universidade foro privilegiado onde o saber pode ser corrompido e nenhum abuso coibido.
Esses professores, ao mesmo tempo em que, tanto quanto os ministros do STF, envilecem seu poder, andam pelas respectivas universidades, transformada em casa-da-mãe-joana, reclamando da sobrecarga de aulas e da falta de verbas para as atividades acadêmicas. Mas os cursinhos de marotagem política têm tempo, disposição e meios.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
STF, UMA VISÃO DO INFERNO - 23/03/2018
Não, três vezes não! Eles não farão um Brasil à sua hedionda imagem e semelhança.
Nesta noite de 22 de março, enquanto escrevo, sinto o coração apertado. Sei que, neste momento, os ratos se regozijam nos porões do submundo e os grandes abutres festejam nas iluminadas coberturas do poder. Aos olhos escandalizados da nação, o STF testemunhou contra si mesmo. Falou aos trancos com o “humanitário” Gilmar Mendes. Soprou vaidade e ironia matreira com Marco Aurélio Mello. Tartamudeou e olhou assustado com Rosa Weber. Perdeu resquícios de pudor militante e se fantasiou de amor ao próximo com Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Deu razão a Saulo Ramos com os floreios monocórdios de Celso de Mello.
Enquanto confessavam suas culpas e exaltavam a impunidade, viralizava o crime, a corrupção e o pandemônio moral. Suas palavras nos aprisionavam ainda mais, corroendo esperanças que juízes de verdade haviam plantado em nossas almas. Acabamos o dia numa cidadania vã, sugados feito bagaço, desprovidos de qualquer poder e capturados pelo mecanismo que nos tomou como servos submissos, pagadores das contas que não cessam de nos impor. Ironicamente, queriam convencer-nos de que era tudo para o nosso bem e que impunidade também pode ser chamada – vejam o sacrilégio! – de liberdade. Ora, isso é tão ridículo que não prosperará!
Reconheço. Assim como, em Cuba, tive medo do Estado, esta tarde tive medo aqui. Medo de também nos tomarem a esperança. Senti a dormência de sua perda e me lembrei das palavras lidas por Dante no sinistro portal do Inferno: “Por mim se vai a cidade dolente; por mim se vai a eterna dor; por mim se vai a perdida gente...”. E, ao fim do verso, a sentença terrível que, há sete séculos, ecoa com letras escuras nas horas sombrias: “Lasciate ogni speranza voi ch’entrate” (Deixai toda esperança, vós que entrais).
Não exagero, leitor amigo. Ali estava, mesmo, o portal do Averno, do Inframundo. Cinco dos sete pecados capitais eram encenados por uma tribo de togas. Os dardos da ira cruzavam o salão como tiroteio na favela. A soberba se refestelava na própria voz. Ah, o poder sem freios! A inveja se esbaforia entre duas malquerenças: a do brilho e a da altivez. A preguiça, sim ela, fez parar a sessão às 18 horas; ela mesma admitiu as férias pascais. A avareza fremia de cupidez, olhos postos nos bilhões em honorários que se derramarão para a imediata soltura de milhares de criminosos endinheirados, já cumprindo pena de prisão por condenação em segunda instância. São sentenciados cujas condenações extinguiram completamente a presunção de inocência, mas em relação às quais não se completou – e talvez não se complete jamais – o rito do trânsito em julgado. Ao menos enquanto houver talão de cheques com fundos suficientes para puxar os cordéis da impunidade.
Todavia, não! Este é o país de Bonifácio, de Pedro II, de Nabuco, de Caxias! Esse STF fala por si e haverá de passar! Os corruptos não nos convencem nem nos vencem. Trouxeram-nos aos umbrais do Inferno. Exibiram-nos o portal de Dante. Que entrem sozinhos. Perseveraremos.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
APRENDE AQUI, LULA - 18/03/2018
Setores carentes da sociedade talvez se sintam mais seguros com alguém que posa de provedor de condições mínimas para sua subsistência, ainda que, em tudo mais, represente permanência na miséria. Setores privilegiados da elite funcional e empresarial brasileira devem a Lula muito dinheiro fácil, ainda que isso represente o caos e prisão ali adiante. Não se confunda, então, o povo brasileiro com Lula e vice-versa. Lula não representa o povo e não representa a elite porque a fruta estragada não significa o cesto e, menos ainda, a feira.
O povo brasileiro, contudo, não é como Lula. Lula não sabe o quanto ganha, nem quem lhe paga as contas. Não sabe o que tem e fornece essas respostas aos magistrados que o interrogam. Seus filhos beneficiaram-se do sobrenome e enriqueceram em negócios que tangenciavam o governo por vários lados. O povo brasileiro, enfim, não é como esses corruptos e corruptores do PT. Nem como os do PSDB, do PMDB, do PP e outros que reinaram nos governos petistas e buscaram proteção no governo Temer. Que a porta de entrada da cadeia lhes seja de serventia.
Como isso foi acontecer? De onde saiu a ideia de que um país pobre possa providenciar fortuna para quem se dedica às tarefas de Estado? Por que a corte republicana se julga titular de direitos, privilégios e padrões de consumo que não estavam sequer em cogitação no período monárquico? Quem enfrentar a difícil, mas fascinante, tarefa de perscrutar o perfil desses criminosos de colarinho branco, certamente vai encontrar indivíduos convencidos de que a unção popular é um “Abre-te Sésamo!” que franqueia acesso à gruta de Ali Babá. Uma espécie de direito de conquista que acompanharia o ato de posse. A pessoa não se considera extrapolando os limites da decência quando achaca um empreiteiro, recebe comissão num financiamento em banco oficial, ou é gratificado por emendar medida provisória para benefício de alguém em detrimento do interesse nacional.
O indecente patrimonialismo foi o mal de Lula e de muitos outros. O ex-presidente não se constrange com tantos benefícios concedidos por pessoas que, de algum modo, colheram antes ou colheriam depois os correspondentes favores. Recebia, na boa, o terreno, o sítio e suas obras, o tríplex, os jatinhos e helicópteros à disposição, a conta corrente aberta em seu nome, um estádio para o Corinthians, as milionárias palestras pagas por empreiteiras que se beneficiavam de seu poder. A ele, a tantos como ele e aos muitos que julgam normais tais padrões de conduta, convém lembrar o exemplo do ex-governador gaúcho Valter Peracchi Barcellos num tempo em que probidade não era exceção, mas regra. O ex-governador, homem de poucas posses, ao término do mandato, retornou para seu pequeno apartamento de dois dormitórios num bairro de classe média de Porto Alegre. Amigos – amigos mesmo – cotizaram-se em segredo e lhe compraram um bom apartamento num bairro melhor. O coronel, imediatamente, enfrentando a mágoa e as reclamações dos que o haviam presenteado, doou o imóvel à Santa Casa de Misericórdia.
Por quê? Pelo seguinte, Lula: para que ninguém ousasse ver, naquela manifestação de estima, reconhecimento por algum benefício indevido que o governador houvesse prestado aos doadores.
Saibam os mais jovens: o Brasil não era um país como este em que vivemos hoje.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
MARXISMO E ÁGUA BENTA - 10/03/2018
Quem condena a riqueza, dissemina a pobreza. Sem riqueza não há poupança e sem poupança não há investimento. Sem investimento, consomem-se os capitais produtivos preexistentes, surge uma economia de subsistência, vive-se da mão para a boca, aumenta o número de bocas e diminui o numero de mãos. Quem defende o socialismo sustenta que a ideia é exatamente essa e que assim não há competição ou meritocracia, nem desigualdade.
Quando o Leste Europeu estava na primeira fase, consumindo os bens produtivos preexistentes, nasceu a teologia da libertação (TL), preparada pelos comunistas para seduzir os cristãos. A receita - uma solução instável, como diriam os químicos, de marxismo e água benta - se preserva ainda hoje. Vendeu mais livros do que Paulo Coelho. Em muitos seminários, teve mais leitores do que as Sagradas Escrituras. Aninhou-se, como cusco em pelego, nos gabinetes da CNBB. Resumidamente: perante a questão da pobreza, a TL realiza o terrível malabarismo de apresentar o problema como solução e a solução como problema. Assustador? Pois é. Deus nos proteja desse mal. Amém.
A estratégia é bem simples. A TL vê o “pobre” do Evangelho, cumprimenta-o, deseja-lhe boa sorte, saúde e vida longa, e passa a tratá-lo como “oprimido”. Alguns não percebem, mas a palavra “oprimido” designa o sujeito passivo da ação de opressão. O mesmo se passa quando o vocábulo empregado na metamorfose é “excluído”, sujeito passivo da exclusão. E fica sutilmente introduzida a assertiva de que o carente foi posto para fora porque quem está dentro não o quer por perto.
A TL proporciona a mais bem sucedida aula de marxismo em ambiente cristão. Aula matreira, que, mediante a substituição de vocábulos acima descrita, introduz a luta de classes como conteúdo evangélico, produzindo o inconfundível e insuperável fanatismo dos cristãos comunistas. Fé religiosa fusionada com militância política! Dentro da Igreja, resulta em alquimia explosiva e corrosiva; vira uma espécie de 11º mandamento temporão, dever moral perante a história e farol para a ordem econômica. Por fim, anula as possibilidades de superar o drama da pobreza. A TL substitui o amor ao pobre pelo ódio ao rico, e acrescenta a essa perversão o inevitável congelamento dos potenciais produtivos das sociedades.
Todos sabem que Frei Betto é um dos expoentes da teologia da libertação. Em O Paraíso Perdido (1993), ele discorre sobre suas muitas conversas com Fidel Castro. Num desses encontros, narrado à página 166, falava-se sobre a TL. Estavam presentes Fidel, o frei e o “comissário do povo”, D. Pedro Casaldáliga, espécie de Pablo Neruda em São Félix do Araguaia. Em dado momento, o bispo versejador comentou a resistência de João Paulo II à TL dizendo: “Para a direita, é mais importante ter o Papa contra a teologia da libertação do que Fidel a favor”. E Fidel respondeu: “A teologia da libertação é mais importante que o marxismo para a revolução latino-americana”.
Haverá maior e melhor evidência de que teologia da libertação e comunismo são a mesma coisa?
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O ESTUPRO DA HISTÓRIA E OS AFOGADOS DA "ONDA CONSERVADORA" - 05/03/2018
A História, dita rainha das humanidades, é a mais violentada das ciências. Submetida a toda sorte de sevícias no mundo acadêmico brasileiro, a grande dama chega às salas de aula do ensino fundamental e médio já esgotada, manuseada, enferma, violada e pornograficamente abusada nos livros didáticos. Estou com a mão pesada? Sim, estou. Como não estar quando informado por um leitor que já são treze as universidades brasileiras com cursos de extensão sobre o “gopi” de 2016? Esse descaramento faz lembrar o bairro da luz vermelha de Amsterdã, com suas “mercadorias” e respectivos atributos expostos nas vitrinas.
Meu tema, porém, se volta à outra parte do mesmo curso, àquela que na UFRGS promete excitar iras cósmicas contra a “nova onda conservadora no Brasil”. Que diabos é isso?
A cada dia se tornam mais nítidas, na sociedade, as rupturas com os padrões civilizados de comportamento. Perdem-se as noções de limite, amplia-se a violência, multiplicam-se as condutas desonestas na vida pública e privada. Ao mesmo tempo, algo que a maioria civilizada da população vê como perspectiva de reversão das piores expectativas sobre seu futuro, para os promotores do curso é inimigo a ser identificado, rotulado e destroçado. Listarei esses tópicos para que os conservadores brasileiros saibam contra o que se dirige o ódio do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS. Ele confronta nossos anseios por: a) revalorização da instituição familiar e natural exercício da autoridade de pais e mães; b) cultura do trabalho honesto; c) zelo pelas crianças, pelos idosos e proteção da mulher; d) respeito ao direito de propriedade; e) cuidado com os bens próprios e com os bens públicos e sociais; f) amor à verdade, ao bem e à justiça; g) zelo pela vida desde a concepção e h) respeito à dignidade da pessoa humana.
Como chegamos ao ponto em que tudo isso soçobra, arrastando à atual insegurança e tornando cada vez mais residuais os Valores que estruturam a ordem social? Felizmente, o tempo evidenciou o aviltamento e a gradualidade do processo a que fomos submetidos. Mostrou, também, sua relação de causa e efeito com o descrédito das instituições de Estado, com a ação nefasta das Organizações Globo e de poderosas ONGs internacionais. Tudo convergiu, em síntese, para reduzir ao ponto de praticamente anular a eficácia daquilo que, através das gerações, respondeu pela transmissão desses valores. Refiro-me ao trinômio família, religião e escola.
• Família. O desfazimento dos laços familiares, a promiscuidade e os novos arranjos conjugais, o combate à autoridade dos pais e a sistemática fragilização dos papéis masculino e feminino retiraram do âmbito familiar a energia e a autoridade moral indispensáveis à transmissão de valores.
• Religião. A Teologia da Libertação (TL) sacramentou uma união estável entre a CNBB e os partidos de esquerda, conferindo a estes poder e força para deturpar a laicidade do Estado e impor silêncio ao ensinamento cristão. O próprio Lula reconhece a contribuição da TL e da base da Igreja Católica para sua ascensão ao poder. A imagem da dança com lobos caracteriza muito bem o envolvimento da CNBB e de vastos setores do clero com os piores e mais destacados inimigos dos valores cristãos. Desviado de sua finalidade, o cristianismo definha na alma do povo brasileiro.
• Escola. O sistema de ensino foi capturado pela ideologia que domina o pensamento brasileiro desde o último terço do século passado. Nas salas de aula de todos os níveis do ensino público ou privado, confessional ou leigo, a tarefa de alinhamento político impôs-se sobre tudo mais. As exceções são apenas exceções e têm dificuldade, até mesmo, de encontrar material didático apropriado.
Finalmente, tornou-se impossível esconder causas e consequências das múltiplas crises que tanto dano causam à nação. A rápida propagação desse entendimento nas redes sociais, em ano eleitoral, foi batizada como “Nova onda conservadora”, sendo a UFRGS mobilizada para cumprir seu papel, na forma do parágrafo anterior.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
ESTELIONATO UNIVERSITÁRIO E OS CURSOS SOBRE O “GOLPE” DE 2016 - 02/03/2018
Art. 171 do Código Penal - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.
A definição de estelionato serve como luva aos ardilosos cursos universitários de extensão que estão sendo organizados no ano eleitoral de 2018 e papagueiam sobre “O Golpe de 2016 e a Nova Onda Conservadora no Brasil”. Não ria que é sério. A moda começou na Universidade de Brasília e já repicou na UFRGS, no embalo de impróprias intenções e incompreensíveis justificativas. A diretora do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), em matéria publicada no jornal Zero Hora de 2 de março, afirmou que “em resumo, a gente acha que foi golpe”.
Como os promotores do curso mandam no seu quadrado, farão um curso acadêmico sobre aquilo que “acham” (com dinheiro do contribuinte, claro, que ninguém dá aula de graça). Militância com contracheque, bem se vê, comprometida com a necessidade de enfrentar a “nova onda conservadora no Brasil”, inconveniente aos anseios “progressistas” dessa destapada militância acadêmica.
A narrativa que convém aos partidos de esquerda, aquilo que eles acham, ficaria adequadamente exposto em salinhas dos diretórios do PT, PSOL, PCdoB e PSTU. Jamais com prerrogativas de extensão acadêmica, numa universidade federal. Todas as que já anunciaram seus cursinhos para militantes são públicas. Por que será? Ao saber que o ministro da Educação solicitara a órgãos e instituições federais competentes que apurassem a responsabilidade administrativa dos promotores dos cursos, estes se insurgiram invocando “a autonomia universitária e a independência necessária para que a comunidade científica possa levar adiante o seu labor” (ainda no mesmo jornal). Filosofando com os cotovelos, em português ruim até para o ENEM, um professor de História adicionou que “as universidades devem esse compromisso com a sociedade, que é converter em conhecimento as opiniões, as teses diferentes”. Diferentes, professor? Cadê a diferença, se o curso já traz a conclusão no título?
Trata-se, isto sim, de um esforço concentrado, em ano eleitoral, para transformar em “conhecimento” aquilo que os professores acham, reproduzindo o discurso de “golpe” e combatendo a “onda conservadora”. Tudo sem precisar mexer nos fundos partidários. Gleisi Hoffmann agradece a vantagem ilícita.
Se alguém afirmar que esse tipo de ensino é o avesso do pluralismo inerente ao ambiente e ao espírito universitário, a resposta já vem colada na sola das havaianas que sustentam esse edifício retórico: “Quem acha que não foi golpe que crie seu curso”. Tal foi a manifestação de um parlamentar petista interrogado sobre o assunto em GaúchaZH de 01/03.
Está completa a analogia com o estelionato: 1) obtenção de vantagem política e organização de militância jovem; 2) induzindo alguém ao erro pela ocultação do vasto contraditório disponível; 3) mediante uso ardiloso de meios públicos (a universidade federal); 4) em prejuízo da maioria da população brasileira que compreende a necessidade de retomar valores morais, ditos conservadores, que se perderam na bruma do “progressismo”.
Nota do autor: Aos 60 anos da revolução cubana, estou ultimando uma nova edição ampliada e atualizada de “Cuba, a tragédia da utopia”. Ela estará disponível nos próximos meses.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
INTERVENÇÃO NO RIO - 23/02/2018
Quando eu era criança, em Santana do Livramento, brincava-se com bolinha de gude. Por influência castelhana chamava-se “jogo de bolita” e era disputado “às brinca” ou “às ganha”. Às brinca jogava-se por diversão; às ganha, pela bolita do adversário. Daí a pergunta: a intervenção no Rio de Janeiro é às brinca ou às ganha?
Não posso sequer imaginar o Exército de Caxias descendo o morro, cabisbaixo, derrotado por homicidas, ladrões, traficantes e estupradores, sob o olhar desesperançado da população. Jamais!
A reprovação da oposição e movimentos sociais à intervenção no Rio de Janeiro se dá por motivos militares? Motivos policiais? Não. Por insuficiência dos meios em relação aos fins? Tampouco. Ela é determinada pelos motivos ideológicos de costume. São os mesmos que sempre estiveram ao lado da criminalidade. São os mesmos que a percebem como força auxiliar no processo da revolução social com que perfilam seus palanques e tribunas. Deles, em circunstância alguma, se ouviu palavra de reprovação a quaisquer condutas criminosas que não fossem atribuíveis a seus adversários. Nunca se ouviu dessa esquerda vociferante uma advertência sequer aos bandidos do país. Nos diferentes níveis de governo ou fora deles, governando ou impedindo de governar, legislando ou impedindo de legislar, sempre se alinharam com a justificativa ideológica da criminalidade. Nas comissões de “direitos humanos” dos parlamentos e nos conselhos nacionais, estaduais, municipais e siderais de igual viés, sempre se instalam, constrangendo e recriminando a atividade policial.
Trata-se de uma percepção política da Moral. Esse grupo - como reiteradamente tenho comprovado na experiência de décadas de debates - crê com fé religiosa que o capitalismo, o livre mercado e a propriedade privada são as causas da pobreza, das desigualdades sociais e as gêneses de todo mal. Por mais que a realidade, o presente e a história os contradigam, sustentam que, eliminados tais fatores, não só o mal deixaria de existir, mas a humanidade emergiria num paraíso de amor e paz. Quem acredita nisso conclui que não se deveria criminalizar a conduta de quem conduta diversa não possa ser exigida. Para esses preconceituosos, o pobre em nome de quem dizem falar é um bandido em potencial.
Voilá! A impunidade e seus corolários infiltram-se, por essa fresta, no lado formal, estatal, público, da cadeia produtiva da criminalidade. É um verdadeiro self service de leis brandas, persecução penal constrangida a escalar exaustivas e morosas escarpas recursais, penas mínimas, cadeias de menos, garantias demais, indenizações aos presos, progressões de regime, arrombados semiabertos, “prisões” domiciliares, maioridade aos 18 anos, restrições ao regime disciplinar diferenciado, indultos, ativismo judicial, insegurança jurídica, e o Poder Judiciário atabalhoado entre interpretações contraditórias. Quem buscar causas para o vertiginoso crescimento da criminalidade no Brasil se irá deparar, necessariamente, com a impunidade, esse verdadeiro energético aplicado diretamente nas artérias do mundo do crime. Sobre tudo isso, um desarmamento que permite selecionar a vítima com o dedo, assim como se elege o frango assado na vitrine da mercearia.
A criminalidade declarou guerra à nação e as Forças Armadas foram convocadas a intervir. Não posso imaginar o Exército de Caxias descendo o morro em retirada. Nem consigo supor que vá, simplesmente, espanar o morro e espalhar o crime, numa operação que exige aspirador de pó. Impõe-se forte pressão social para que os entraves jurídicos sejam removidos, a bem da segurança de todos e, principalmente das populações usadas como valhacoutos dos barões do crime.
Nota do autor: Aos 60 anos da revolução cubana, estou ultimando uma nova edição ampliada e atualizada de “Cuba, a tragédia da utopia”. Ela estará disponível nos próximos meses.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
PARA QUE SERVEM OS MINISTÉRIOS, AFINAL? - 20/02/2018
Tenho certeza de que esta pergunta, feita em qualquer país com instituições estáveis e racionais, pareceria uma infantilidade. Formulada no Brasil, será percebida, de imediato, com um sentido dúbio que salta aos olhos. Afinal, para que servem os ministérios?
ocê poderia pensar, por exemplo, que o Ministério do Trabalho e Emprego serve para organizar as ações e políticas do governo com vistas a ampliar o mercado de trabalho, formalizar e fiscalizar as relações trabalhistas e coisas assim. Poderia, mas não pensa. No fundo, você sabe que esse ministério pode servir, por exemplo, para que Roberto Jefferson, presidente do PTB, proporcione um mimo à própria filha, com direito a lágrimas de emoção e beijos de gratidão. Não tapemos o sol das fotos com a peneira dos decretos de nomeação. Ademais, o PTB tem, no Congresso, uma bancada de 20 deputados federais e 2 senadores que fazem peso quando o placar de votação fica apertado. Revela-se, assim, outra finalidade dos ministérios: eles são intercambiáveis com votos das bancadas partidárias que se credenciam ao direito de designar seu titular. Enfim, poderíamos seguir alinhando outras utilidades e usos maliciosos dos gabinetes na Esplanada: nomear afilhados, fazer negócios, arrecadar contribuições e comissões, ajudar a mídia amiga, atender a companheirada, angariar prestígio, e por aí vai.
Nos regimes de gabinete, parlamentaristas ou semiparlamentaristas, é a maioria formada por afinidade das bancadas eleitas que escolhe o chefe do governo e governa junto com ele. Quando o governo perde a maioria, por abandono ou traição dentro da base, cai. Esse preceito, ao contrário do que parece, tem consequência muito benéfica na conduta dos parlamentos. No presidencialismo, é o governante eleito que, permanentemente, precisa estar no balcão comprando, voto a voto, uma base que o sustente e isso corrompe o governo e o Congresso.
Se você achava ruim a concessão de um ministério à filha do presidente do PTB com vistas aos votos partidários, imagine a criação de 15 ministérios novos com objetivos semelhantes! Em 2002, o governo federal tinha 24 ministérios. Catorze anos mais tarde, o governo Dilma chegou a seu melancólico fim com 39 cadeiras ao redor daquela mesma mesa. E a vida, como se sabe, só piorou. O governo Temer voltou aos 24 e, agora, está criando o 25º para a Segurança Pública.
Muito mais importante do que reprovar o tipo de negócio feito nos prédios da Esplanada dos Ministérios é compreender o quanto é perniciosa a regra desse jogo político que transforma o governo num loteamento e o voto parlamentar em mercadoria com cotação unitária flutuante na bolsa política. É hipocrisia reprovar o eleitor que vende seu voto quando os membros do parlamento, a toda hora, fazem o mesmo com seu “Sim” e seu “Não” no painel de votação.
Nota do autor: Aos 60 anos da revolução cubana, estou ultimando uma nova edição ampliada e atualizada de “Cuba, a tragédia da utopia”. Ela estará disponível nos próximos meses.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
O DIA EM QUE MARX RESSUSCITOU - 02/02/2018
Em meados de setembro de 2008, havia muito mais rolhas de espumante no lixo de Porto Alegre e, presumo, em todo o país. Festejavam a ressurreição do camarada Marx.
Talvez menos por Marx e mais pelo fim de capitalismo, abriam-se garrafas como quem liberta o pensamento para os vapores da utopia. A imaginação conduzia a delírios de prazer com a antevisão de bancos quebrando, empresas fechando portas, filas quase soviéticas às portas das padarias, pedintes nas ruas e multidões no seguro desemprego e no bolsa família. Seria a afirmação do papel do Estado como grande pastor do povo, na uniformidade obediente da miséria. Justiça e igualdade servidas em fumegantes conchas no grande sopão do socialismo. O maldito capitalismo, enfim, estertorava.
“Quando aconteceu isso?” perguntará o leitor destas linhas. Assisti a essas comemorações da esquerda em Porto Alegre, mas elas se devem ter reproduzido em todo o Brasil por ocasião do tsunami que atingiu a economia mundial na crise causada pelo descontrole na emissão de créditos imobiliários no governo Bush. Com o pedido de falência do banco Lehman Brothers em 15 de setembro de 2008, a palavra subprime explodiu nas manchetes e telas de TV. No dia seguinte, a água bateu no queixo da maior seguradora norte-americana, a AIG, e já não se falava noutra coisa... O sistema financeiro estava desabando em cascata. A economia capitalista mergulhava e era incerto se havia oxigênio suficiente nos pulmões.
Enquanto, no mundo inteiro, os governos e empresas apertaram o cinto preparando-se para as incertezas da travessia, aqui no Brasil, lembro bem, houve duas reações simultâneas e diferentes. A mais conhecida foi a de Lula, então no seu segundo mandato, período em que começou a se ver como uma divindade. Quando advertido para o que estava acontecendo e sobre a inconveniência de assumir compromissos onerosos como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, Lula desprezou a crise dizendo que, no Brasil, o tsunami era simples marolinha. Seguiram-se anos de multibilionária transferência de recursos para os companheiros do setor público e do setor privado nacional, para a turma do Foro de São Paulo e para parceiros ideológicos africanos. Marolinhas não intimidavam Lula.
Essa foi a mais trágica das reações brasileiras à crise da economia mundial em 2008 e nos anos seguintes. A outra, jocosa, é a que trago à reflexão dos leitores. Naquelas noites, em meados de setembro de 2008, havia muito mais rolhas de espumante no lixo de Porto Alegre e, presumo, em todo o país. Festejava-se a ressurreição do camarada Marx. Enfim o trem da história chegara à estação onde o velho alemão, determinado e confiante, esperava por ele. Cumpriam-se os fados e a História se curvava às previsões do profeta.
Estou jogando palavras, de fato. No entanto, elas caem sobre realidades que vi há quase dez anos e a elas se moldam. Com vocábulos piores, era isso que muitos diziam, naqueles dias difíceis, sobre o que estava em curso nos centros vitais do organismo capitalista, os infernos liberais dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Dez anos depois, o trem passou e a história seguiu seu curso no mundo livre. O petismo produziu no Brasil seu próprio tsunami financeiro e moral. A Venezuela é a mais recente experiência fracassada de comunismo e as economias capitalistas prosperam como há muito não acontecia. Quem tiver condições avise o Marx que ele perdeu o trem.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
DA MENTIRA COM TORCIDA AO ESPLENDOR DA VERDADE - 19/01/2018
“Todos têm direito à própria opinião, mas não a seus próprios fatos”. Daniel Patrick Moyniham
Em 1980, a jornalista Janet Cooke trabalhava na seção de temas "Semanais" do Washington Post. Para ali ingressar, inflara significativamente seu nível de formação profissional. Nessas condições, escreveu um artigo - "Jimmy's World" - no qual relatou a surpreendente história de um menino de oito anos que se tornara dependente de heroína, levado a tal condição pelo namorado da mãe. A história causou comoção nacional. Enquanto ela "preservava sua fonte" (o caso inteiro era uma invenção narrada com extraordinário talento), as autoridades se empenhavam, inutilmente, em procurar pistas que levassem à criança. Dentro do próprio jornal surgiram dúvidas sobre a veracidade do relato. A direção, porém, bancou a funcionária e sua matéria. Candidatou-a ao cobiçado "Pulitzer Price for feature writting" (textos de especial interesse humano). Eram negros, o menino, o namorado da mãe, a mãe e a jornalista. O principal postulante do prêmio para a autora de Jimmy's World dentro da comissão de seleção era um militante negro, interessado em revelar aos brancos a realidade das drogas na comunidade negra.
Janet Cooke ganhou o mais cobiçado troféu do jornalismo norte-americano, mas foi desmascarada, dias depois, porque a divulgação de seu perfil profissional fez com que a universidade onde obtivera o bacharelado suspeitasse de tudo mais que ela dissera sobre si mesma. E a teia das mentiras foi se rompendo. O Post divulgou o que ficara sabendo, extraiu a confissão da moça, e pediu a retirada do prêmio.
Há mentiras muito mais graves sendo contadas em nosso país. Estão acobertadas pelo direito de mentir conferido aos acusados e são referendadas pela multidão que depende fisiológica, financeira, psicológica, política e ideologicamente de que elas sejam acolhidas e se propaguem. São mentiras tão relevantes que poderiam ser classificadas como institucionais. Determinam fatos políticos. Geram enorme círculo de conexões cuja ruptura põe em risco sistemas e esquemas. Estimulam uma densa solidariedade que, primeiro, sai a pichar muros e colar cartazes e, depois, atiçada a adrenalina, passa a prometer fogo e fúria.
Poderia estar relatando qualquer item de um verdadeiro catálogo de mentiras envolvendo a corrupção do ambiente político em nosso país. E isso, certamente, não surpreenderá o leitor. Nenhum corrupto desses de mala de dinheiro, conta na Suíça, offshore no Caribe, chegou a tal estágio sem, antes, ter sido um competente mentiroso. E a mentira, à qual damos tão pouco valor, é gravíssima forma de degradação moral por corromper esse bem precioso que é a verdade.
A infame corrente de males desencadeada pela mentira é bem mais sinistra do que se possa depreender da simbologia infantil representada por Pinóquio. Ela se agrava com os reforços retóricos construídos mediante sofismas (que corrompem a razão) e com calúnias e difamações que lançam sobre a honra alheia as indignidades do mentiroso.
Felizmente, a exemplo do que aconteceu com a senhora Janet Cooke, o que se esconde na penumbra das conspirações um dia chega às manchetes e a verdade vem à tona. E não como flutuante achado lúgubre de filme de terror, mas esplendente como um anjo dourado no alto de seu campanário.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
ROBOTIZADOS PELO PETISMO - 08/01/2018
Na tela do PC, em fonte tamanho 40, o e-mail exibia uma dessas frases nos quais o autor berra em caixa alta: “Quem é o imbecil que escreveu tanta bobagem? O sujeito consegue falar esse monte de asneiras sem sequer usar a palavra capitalismo”.
Seria eu o imbecil? Não, ufa! O texto que indignara o missivista era um artigo do excelente Rodrigo da Silva, editor do Spotniks. Citando fontes oficiais, exibia dados sobre a pobreza no Brasil após 14 anos de petismo. Por exemplo:
a) 25 milhões de brasileiros vivem com renda domiciliar per capita inferior à linha de pobreza, e mais de 8 milhões vivem abaixo da linha de extrema pobreza;
b) 39,5% das pessoas aptas a trabalhar não possuem sequer o ensino fundamental e mais de 13 milhões de brasileiros são analfabetos;
c) apenas 8% têm condições de compreender e se expressar plenamente (isto é, são capazes de entender e elaborar textos seguindo normas gramaticais);
d) apenas 4,9% dos estudantes da rede pública saem do ensino médio com conhecimentos básicos em matemática;
e) mais de 35 milhões de brasileiros não possuem acesso sequer ao abastecimento de água tratada, e quase 100 milhões não dispõem de coleta de esgoto; do esgoto coletado, apenas 40% é tratado.
Por aí seguia o trabalho, convertendo em números o que a realidade grita aos nossos olhos: as péssimas condições do país após uma década e meia de petismo. No entanto, diante desses dados oficiais, o indignado leitor cujo e-mail chegou ao meu correio eletrônico usa caixa alta para “gritar” que a culpa dessa realidade é do ... capitalismo.
Entende-se. Há 40 anos, apenas uma força política atua em tempo integral no país. Faz política nas vitórias e nas derrotas. Considera as primeiras como equivalentes a tomadas revolucionárias do poder e as segundas como golpes que precisam ser desconstituídos. Nenhuma outra corrente exerce sequer fração da influência que o petismo desempenha no conjunto dos meios formadores de opinião – mídia, rede de ensino, mundo acadêmico, sindicatos e suas centrais, carreiras jurídicas e poderes de Estado, Igreja, instituições culturais. E por aí afora. É um aparelho articulado, imenso e, principalmente, robotizado para uma tarefa universal de massificação na qual a história, os fatos, as ciências, tudo tem uma e apenas uma expressão: a que serve à práxis e deve ser repetida sem cessar.
Por isso, Lula é um santo injustiçado. Por isso, Moro é um agente da CIA. Por isso, velhacos viram heróis e guerreiros. Por isso, o PT “acabou com a pobreza”. Por isso, todo miserável que vemos nas ruas é uma exceção, uma impossibilidade material. Por isso, Cuba é um paraíso e a Venezuela quase. Por isso, as incitações do PT para o dia 24 de janeiro. Por isso, sempre que necessário, palpiteiros são convidados e aparecem para julgar os julgadores e absolver petistas em idiomas como Punjabi, Malaio, Khmer e até em francês. Por isso o governo petista arrombou os fundos de pensão das estatais e os funcionários da Petrobras, Correios, BB e CEF fazem festa para Lula e seus companheiros.
Por isso, a pobreza brasileira é denunciada como produto de algo que simplesmente não temos: o capitalismo. Logo o capitalismo, um sistema econômico em cujo ranking, entre 186 países, ocupamos o lugar nº 118! Isso é robotização, daquela primitiva, dos brinquedos infantis em que se dava corda para andarem e apitarem.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
CARTA A UM AMIGO ATEU - 26/12/2017
A ideia passou-me pela mente como sombria nuvem enquanto participava da missa de Natal na Igreja São Pedro, em Porto Alegre. E se aquela celebração não fizesse o menor sentido para mim? E se eu não tivesse fé? Poderia acontecer de não tê-la, dado que tantos não a têm. Fui tomado por um sentimento de gratidão, ciente de que nada fiz para merecer tal graça. E os suaves compassos da canção Amazing Grace me vieram à mente – “Esta Graça me trouxe até aqui e me conduzirá para casa”.
Na certeza de que tenho uma alma, sinto-me mais seguro alimentando-a com importantes convicções do que resfolegando meu corpo em dúvidas que nada informam, nem consolam, nem alegram o espírito. Prefiro enfrentar as tormentas da existência segurando a mão de Deus do que as bengalas do mundo material. Aliás, as esperanças divinas são tão superiores às vãs expectativas humanas! Considero vantajoso almejar a vida eterna em vez de crer que tudo acaba num corredor de cemitério, atrás de uma frase saudosa, inscrita em placa de mármore. Prefiro aprender de Deus que se revela do que de filósofos que escutam silêncios e tateiam trevas. Sim, meu caro, é preferível ter fé. Nada se perde com ela e muito se perde sem ela. Falo por mim. E falo para ti.
Durante muitos anos supus, como tu, que a fé fosse um recanto silencioso onde se saciava a ignorância humana perante questões complexas. Ou, dito sem artifícios, que o Deus dos tempos modernos seria sofisticado descendente do trovão reverenciado pelos nossos ancestrais do paleolítico inferior. Agora, convenhamos, quem precisa de um Deus para fins que o Google e a Wikipédia cumprem razoavelmente bem?
O Deus que um dia encontrei no cristianismo é um Deus que se conforma à pequenez do sacrário, à gruta de Belém e à imensidão do Cosmo. Com infinita paciência – vejam que privilégio!- esse Deus é meu pedagogo nos meandros do pensamento e nas picadas da ação. Recebi dEle verdades, princípios e valores que só me fazem bem.
A fé nada me toma em troca do muito que me dá. Rezo para que encontres “such amazing grace”.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
STF USURPADOR - 18/12/2017
“Essas questões todas deveriam realmente ser resolvidas pelo Parlamento, mas acontece uma questão muito singular: o Parlamento não quer pagar o preço social de decidir sobre aborto, sobre união ‘afetiva’ e outras questões ‘que’ nos falta capacidade institucional. Então, como eles não querem pagar o preço social e como nós não somos eleitos, nós temos um grau de independência maior porque nós não devemos satisfação, depois de decidir, a absolutamente mais ninguém. (...) O judiciário decide porque há omissão do Parlamento”. (Ministro Luiz Fux, transcrição literal do áudio com sua fala)
A manifestação acima, que pode ser ouvida aos 18min e 48seg deste aúdio e lida em matéria do Estadão aqui, define muito bem o que passa pela cabeça dos nossos “supremos”. No exercício de suas atribuições, os onze membros do STF creem tudo poder. Julgam não estar submetidos sequer à Constituição. Substituem-se aos congressistas para legislar e para deslegislar. A opinião de cada um e da maioria é a própria lei. O que seis decidem é irrecorrível. Pouco se lhes dá o que as pessoas pensam deles, como bem observou o ministro Fux na espantosa declaração acima.
Para ainda maior azar da sociedade, a sucessão de dois governos mencheviques do PSDB por dois governos bolcheviques do PT formatou esse STF “progressista”, em completa dissonância com as posições conservadoras e liberais majoritárias na sociedade. Não se trata de dever ou não satisfações públicas; mas de usurpar ou não atribuições de outro poder.
Alega o ministro Fux, em sua argumentação, que o STF, por omissão do Parlamento, é chamado a deliberar em relação a certas matérias que chegam à Corte. E então faz o que faz. Mas o que é isto, ministro? Quer dizer que se o Congresso Nacional não “corrige” a Constituição ao gosto do STF, o STF corrige a Constituição a contragosto do Congresso? Que absurdo! Qualquer pessoa com alguma experiência legislativa sabe que raramente são pautados para votação nos parlamentos projetos de relevo em relação aos quais o autor ou autores não têm certeza de aprovação. Não é razoável fazê-lo antes de haver maioria favorável porque projeto derrotado vai morar no arquivo. Isso faz parte do bê-á-bá na vida parlamentar. E ministros do STF o desconhecem?
Os pleitos a que se refere Luiz Fux já foram longamente deliberados pelo Congresso em seu cotidiano. E este vem decidindo não mudar a Constituição, mantendo os correspondentes preceitos na forma em que foram definidos pelos constituintes originários em 1988. Tal fato é de uma obviedade ululante, como diria Nelson Rodrigues. Perante essas pautas levadas a seu exame, o STF deveria rejeitá-las por inconformidade com a letra clara da respectiva norma constitucional. Interpretá-la de modo diverso ou reverso candidata os julgadores a uma paraolimpíada de língua portuguesa. Ou ao ainda mais triste papel de usurpadores do Poder Legislativo.
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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
SÓ QUE NÃO - 30/11/2017
No dia 31 de maio de 2017, com presença de 70 senadores, o plenário do Senado Federal aprovou a PEC 10/2013, por unanimidade, extinguindo o foro privilegiado para os crimes comuns praticados por autoridades do mais alto escalão republicano. A atitude dos senadores foi nacionalmente louvada. Com surpreendente altivez, suas excelências se dispuseram a extinguir o próprio benefício e a fazê-lo cessar, também, para governadores e autoridades federais atualmente beneficiadas (exceção feita a presidentes de poderes). Só que não.
As trombetas que uma semana depois acompanharam a PEC no curto trajeto que separa as duas casas legislativas entraram em surdina na Câmara dos Deputados. E sobre ela caiu o silêncio dos arquivos à prova de fungos, traças e outros bisbilhoteiros. Ali ela dorme há seis meses. É conhecida como interna 333/2017, sem parente conhecido. Ninguém por ela. Não deu sequer um passeio no corredor. Quem indagar a respeito no portal da Câmara será informado de que desde o dia de sua baixa, há meio ano, ela "aguarda criação de comissão temporária". Só que não.
No último dia 23, a ministra Cármen Lúcia, presidente do STF, colocou na pauta da sessão do pleno a restrição do foro privilegiado. A matéria tivera uma primeira rodada de debates em maio deste ano e tudo indicava, desde então, apoio para a posição do ministro Roberto Barroso que restringia as prerrogativas de foro especial para crimes ligados ao desempenho da atividade. Crimes comuns e os praticados antes da vigência do mandato, seriam julgados em juízo singular. E assim andava a deliberação do dia 23. Sete votos favoráveis à posição do ministro Barroso apontavam como já contadas as favas para o fim desse privilégio nada republicano. Só que não.
Quando chegou a vez do douto Dias Toffoli, experiente doutrinador da advocacia petista, ele primeiro abriu a divergência e, depois, pediu vistas. Ao divergir, posicionou-se por aguardar a decisão da matéria que estaria em deliberação na Câmara dos Deputados (só que não, como se viu), e defendeu, principalmente, a permanência dos julgamentos na alçada do STF. Para sustentar sua posição, subiu nas tamancas da retórica falaciosa e lascou: "Este tribunal trabalha, este tribunal investiga. Não pratica impunidade". Só que não. O índice de condenação da corte é inferior a 1% e os arquivos do STF à prova de fungos, traças e xeretas, dão aconchego ao sono de 528 processos.
O Regimento Interno do Supremo determina que o ministro Toffoli tem que devolver o processo no prazo de duas sessões consecutivas. Só que não. Existem nos registros da corte pedidos de "vistas" tão longe dos olhos quanto dos corações e do plenário quanto se pode alcançar com o passar dos anos.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
"PROGRESSISTAS" SE REVIGORAM NA TRAGÉDIA MORAL DO PAÍS - 28/11/2017
No dia 27 de novembro, zapeando na TV a cabo, passei pela Globo News exatamente quando a apresentadora do Estúdio I, Maria Beltrão, perguntou aos universitários que completam a mesa do programa: "Qual o estreito limite entre o conservadorismo e a extrema-direita?". De saída, Maria já entendia tratar-se de um limite "estreito". E não o conseguia definir. Foi o mais parecido que ela encontrou para evitar o vocábulo "inexistente", que era seu entendimento, este sim estreito.
Maria está satisfeita com o Brasil que vê. Está convencida de que pessoas conservadoras, com princípios e valores, cumpridoras de suas obrigações, respeitadoras dos demais e da lei, são a parte pior da tragédia nacional. Ela acha que nosso país precisa derrubar mais e mais valores morais, tornar-se mais e mais permissivo, debilitar mais e mais os laços familiares, extinguir mais e mais interditos e proibições. Maria está convencida da relatividade do bem e do verdadeiro. Maria não conhece o "estreito limite" entre liberdade e libertinagem. Maria queria o Queermuseu cheio de crianças. Maria sorria deslumbrada para aquele casal que dava nome neutro ao bebê que iria nascer para não intervir na escolha de sua identidade sexual. Maria acha aquilo lindo. Maria incorporou a intelligentzia de algum Centro Acadêmico e ficou assim, "progressista" para o resto da vida.
No dia 28, o time de "progressistas" do programa Timeline da Rádio Gaúcha ensaiou o linchamento público de um vereador de Bento Gonçalves que foi salvo pela firmeza de sua posição em defesa do projeto que cria lugar especial na biblioteca pública municipal para obras impróprias a menores. A impropriedade ou não do catálogo do Queermuseu foi mote da entrevista. A fumaça de uma censura (ainda que meramente etária e legal, em conformidade com o ECA) pairava sobre os microfones. Os "progressistas" pareciam querer um catálogo daqueles na mão de cada criança do Brasil. Davi Coimbra chegou ao cúmulo de indagar se as conhecidas referências bíblicas a relações incestuosas dariam causa a interdição do Livro Sagrado de judeus e cristãos.
Na percepção dos "progressistas", à medida em que avança sua luta "politicamente correta", libertadora dos instintos, e à medida em que tombam os limites, em que são obtidas vitórias no combate à autoridade, à repressão policial, à posse de armas, à religiosidade, à moral cristã (mas nem uma tênue palavra sobre a sharia), o país vai tomando o jeito que eles gostariam que tivesse. Só pode ser isso. Talvez digam que a insegurança, a violência, a criminalidade, a degradação cultural, professor apanhando de aluno, sejam consequência do "fenômeno das drogas". E novamente se enganam porque transformam em causa aquilo que é consequência.
As drogas, senhores e senhoras "progressistas", são efeito da sistemática desconstrução dos valores morais; da libertinagem e da procriação irresponsável, com a decorrente ruptura dos laços familiares e sumiço da missão educadora dos pais. As drogas são consequência de se estar mais preocupado com quem põe um livro aqui ou ali do que com a necessidade de proteger a inocência infantil. As drogas são decorrência da repulsa a toda autoridade, do império dos sentidos, da perda da noção de limites e da omissão de quem os deve estabelecer. Tanto assim é que os dependentes químicos, quando se percebem no ápice de seu holocausto pessoal, procuram uma dessas benditas fazenda de recuperação onde vão encontrar o que perderam: valores, autoridade, disciplina, trabalho, ordem e espiritualidade com o que redescobrem o bem e fortalecem sua vontade para enfrentar as tentações do vício. E só assim dele se libertam.
Mas de que adianta falar dessas coisas a "progressistas" comprometidos com tudo que leve à gandaia geral?
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
UM "NEOLIBERAL" NA REVOLUÇÃO - 19/11/2017
Penso que avançaremos mais no combate à criminalidade se examinarmos a hipótese de estarmos, simultaneamente, sob os raios e os trovões de uma posição filosófica e de uma atitude política que a estimulam. Elas penduram a criminalidade num varal que tem uma ponta no capitalismo e outra na exclusão social. Na lógica da análise marxista, que faz da vítima um malfeitor, o ladrão é um justiceiro, pararrevolucionário que ainda não compreendeu bem sua trincheira. Ou, quem sabe, um neoliberal da revolução, assumindo na iniciativa privada aquilo que deveria ser socializado pelo coletivo. Aliás, é mais fácil combater o capitalismo com discurso do que vender o socialismo com exemplos.
Pensando sobre isso, lembrei-me de um artigo que escrevi para Zero Hora em 2 de fevereiro de 2001. À época, Tarso Genro era prefeito de Porto Alegre e Olívio Dutra governava o Rio Grande do Sul. Sim, sim, já passamos por isso. O referido texto tratava de um assalto ocorrido poucos dias antes na capital gaúcha e que, em vista de suas peculiaridades, ganhara destaque no noticiário.
Por azares da vida, no momento da abordagem, a vítima estava sendo entrevistada por um veículo da RBS, tornando possível a gravação, a transcrição e a divulgação da conversa que se travou entre o assaltado e o assaltante. Esse diálogo, absolutamente incomum, levou o episódio ao noticiário de Zero Hora e motivou o artigo que releio enquanto escrevo. Pasme, leitor: durante a abordagem, o assaltado afirmou e sublinhou, de maneira insistente, sua condição de pessoa conhecida, de dirigente petista presente nos noticiários daquele mesmo dia, de amigo do governador e do prefeito. Foram, ao todo, seis tentativas de trazer política à conversa com o assaltante.
Quem, na condição de assaltado, cuidaria de se apresentar como pessoa importante? Fazê-lo seria algo arriscado pois poderia aguçar a ganância do criminoso. Havia um intuito e uma estratégia naquela atitude. O assaltado tinha convicção de que produziria efeito positivo sobre o bandido. Intuía que sua posição estabeleceria uma conexão entre ambos. O assaltante, porém, não foi sensível. “Não quero saber do teu trabalho, né meu? Minha caminhada é uma, a tua é outra.”
Com essa frase, a política saiu da pauta do assalto. E o assalto entrou na pauta da política. Afinal, nossa insegurança tem a ver com ele. A vítima, ali, sabia que para a esquerda marxista brasileira tudo se resume a uma luta pelo poder, daí porque a palavra "luta" só deixa a frase do discurso para virar cartaz de passeata. Sabia, também, que toda ruptura da ordem serve à causa, quer seja uma invasão de escola por meia dúzia de adolescentes, quer seja a revolta de um presídio. Aprendeu que permissividade com o roubo abala o valor do direito de propriedade. Soube que para Foucault, guru da New Left, “As prisões não diminuem a taxa de criminalidade: pode-se aumentá-las, multiplicá-las ou transformá-las, a quantidade de crimes e de criminosos permanece estável, ou, ainda pior, aumenta." Ou, como li outro dia num trabalho acadêmico: "O controle social institucionalizado, realizado pelo jus puniendi, com instrumentalização dada pelo Sistema Penal, carece, hodiernamente, de fundamentação teórica e filosófica que lhe dê sustentação, legitimidade."
É fácil entender o quanto essa concepção resulta aconchegante aos criminosos, desestimula a criação de vagas prisionais e tem oferecido aos fora da lei segurança e condenações sem qualquer eficácia.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
2018: HORA DE FAZER O DIABO, DE NOVO - 17/11/2017
Novamente é quase três da madrugada na necrópole da República. Hora de cultos satânicos, quebrantos e esconjurações. Ágeis como drones, bruxas esvoejam entre lápides e ciprestes. Taumaturgos de colarinho branco presidem cerimônias.
Quem ainda não percebeu, em breve será arrastado para as consequências destes dias. Neles se reproduz o ciclo repetitivo e funesto muito bem definido por Dilma em 14 de março de 2013. Antecipando, então, campanha eleitoral em João Pessoa, ela afirmou que "Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição, mas quando estamos no exercício do mandato, temos que nos respeitar". O público presente talvez tenha tomado a primeira oração como exagero e a segunda como compromisso. No entanto, o diabo foi feito e o desrespeito derrubou a casa. Um ano e pouco mais tarde, já com a disputa eleitoral em marcha, ante público de seu estado natal, Lula disse a Dilma: "Eles não sabem o que nós seremos capazes de fazê, democraticamente, pra fazê com que você seja a nossa presidenta por mais quatro anos neste país". Os meses seguintes contêm minuciosa narrativa daquilo que, de fato seria feito, "democraticamente", para assegurar mais quatro anos para a presidenta. É do diabo que estamos falando.
Se há algo que sabemos sobre as potências das trevas é que elas não mudam de caráter nem de objetivo. O discurso de Lula aponta para a volta ao seu pior estilo, aquele anterior à carta ao povo brasileiro, com ódio exacerbado, afinação bolivariana e cheiro de enxofre.
Cenários como os que se desenham para 2018 fazem parte da nossa tradição presidencialista. As "virtudes" tomadas em maior conta no recrutamento dos presidenciáveis jamais influiriam na escolha de executivo para uma pequena empresa que almeje sucesso. Mas, se é para presidir a república, tendo voto, qualquer um serve. Causa angústia saber que, periodicamente, apostamos o presente e o futuro do país num cassino eleitoral matreiro, desonesto, onde, em acréscimo a tudo mais, sequer as urnas são confiáveis.
Em menos de um ano saberemos quem dirigirá a república no quadriênio entre 2019 e 2022. Até lá, vamos para o mundo das trevas, onde tudo é incerto. A irracionalidade do sistema de governo e o vulto dos poderes em disputa, concentrados em uma única pessoa, levarão insegurança e instabilidade ao desempenho dos agentes econômicos. Dependendo do lado para onde for a carroça, cairá a Bolsa, subirá o dólar, cessarão os investimentos. Afinado com as bruxas, o parlamento só se interessará por doces (agrados e favores) e travessuras (contas ao pagador de impostos). Tudo virará moeda nas mãos de quem tocar o sino na hora do diabo.
A revista The Economist divulga um índice de democracia pelo qual 167 países são pontuados em relação a processo eleitoral e pluralismo, funcionamento do governo, participação política, cultura política e liberdades civis. Entre os 20 primeiros lugares, apenas os dois últimos são presidencialistas. E nós estamos no 51º lugar. Um dia a ficha cai e exorcizamos esse modelo político.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O SUICÍDIO DA GLOBO - 13/10/2017
Há uns dois meses assinei a revista Época, do Grupo Globo. Já no primeiro exemplar pude perceber para que lado soprava o vento editorial. Aumentei minha contribuição semanal ao lixo seco.
Na edição desta semana, três colunistas dão sermões e excomungam a opinião pública em virtude da reação nacional à presença de crianças em museus e mostras ditas "de arte" cujos conteúdos e "performances" qualquer pessoa responsável reconhece totalmente impróprios a esse público. O noveleiro Walcyr Carrasco, a sei-lá-o-quê Ruth Aquino e o professor de jornalismo Eugênio Bucci desfiam sua ira nada santa contra a população. Este último, num assomo de cólera que raia o tipo "Sai de perto!", calcou as dianteiras no teclado e jogou as traseiras em sucessivos coices contra quem diverge de seus gostos socioculturais. Não se alarme. Estou sendo moderadíssimo, leitor. Veja se não. No texto que tem por título "A sanha moralista nas redes sociais", o professor Bucci produz frases assim:
• O conservadorismo está à solta, com sua tara furibunda para encarcerar a política, banir a alegria e matar a imaginação.
• ... podem considerar a hipótese de que elas (as redes sociais) nos levem de volta aos calabouços do passado.
• Não dá mais para esconder. O que está em marcha nesta terra é o Festival de Besteiras Reacionárias que Assola o País.
• A turba virtual baba de saudade da repressão política e moral dos anos 1970.
• O conservadorismo pátrio é um lobisomem que uiva em surto.
• No campo da Cultura e da Arte o conservadorismo também uiva. Prega censura, execração, castigo. Prega a ordem dos cemitérios como ideal de vida.
• Quando sente o cheiro de imaginação e prazer, vitupera sobre os "bons costumes sem libido".
• O discurso moralista, além de rabugento e barraqueiro, é mistificador: acredita que a televisão tem o poder satânico de programar o pensamento dos seres humanos.
Não informem ao referido professor de jornalismo, mas é claro que a TV exerce influência sobre a opinião pública. Esse é o negócio dela, aliás. Não fosse assim, as emissoras não viveriam de patrocínios comerciais que apostam alto nessa possibilidade, ora bolas! Tampouco digam ao inspirado mestre das artes que não dá para comparar o Davi de Michelangelo ou Leda e o Cisne de Leonardo da Vinci com desenhos de sacanagem produzidos com traços infantis para atrair olhares de crianças. E o boicote, sabemos todos, é filho democrático e sadio da mesma liberdade que ele diz defender.
Foi para justificar essas investidas contra a inocência infantil que a Globo, no último dia 8, arrastou para o programa Fantástico todo o peso da emissora e de seus atores para, em nome da diversidade e da liberdade, atacar uma "censura" e defender uma laicidade do Estado que em momento algum estiveram em jogo. A sociedade tem todo o direito de se interrogar sobre por que o fez o Grupo Globo, dado que nenhuma reação teria acontecido se crianças não estivessem sendo atraídas a tão maliciosas arapucas. Para completar o serviço, a empresa praticamente promulgou como plataforma sua a ideologia de gênero que, por motivos óbvios, o Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas estaduais e as Câmaras Municipais erradicaram dos respectivos planos de educação.
A "Vênus platinada" tomou mau caminho. Jogou-se contra a opinião pública em matéria gravíssima.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
HOMOSSEXUALIDADE NÃO É DOENÇA, MAS IDEOLOGIA DE GÊNERO É. - 10/10/2017
E é doença grave. Seus agentes transmissores proliferam em segmentos bem específicos do meio artístico, da agenda cultural, da programação da Rede Globo, do ambiente educativo e da militância LGBT. Mostras e performances que causaram escândalo nos últimos dias, bem como outras já anunciadas, alinham-se com esse objetivo. Impossível negar.
A ideia de que os órgãos genitais são ilusões da mente e devem ser abolidos da identidade pessoal derruba uma biblioteca de Genética e outra de Biologia. Mas isso não importa à militância contanto que se propague um mix conceitual cheio de contradições. Segundo ele, masculino e feminino ora seriam construções culturais e sociais, ora deliberações tão frívolas quanto a escolha de um adereço, ora frutos de imposições heteronormativas, ora produtos de uma "dialética" da genitália com o inconsciente de cada um. Como consequência, sob absoluto silêncio da natureza, ninguém nasceria homem ou mulher. Todos arribaríamos a este mundo assexuados como manequins de vitrine, pendentes de definições ou indefinições que adviriam das influências e das experiências mais ou menos bem sucedidas ou malsucedidas. Ademais, os gêneros seriam intercambiáveis e, dependendo do lado de corte do fio, inacessíveis aos cuidados de psicólogos e psiquiatras.
Qualquer dessas ideias, suas dicções e contradições tem inteiro direito de comparecer ao debate no ambiente social leigo e no ambiente científico. O direito que não lhes assiste é o de assalto às salas de aula e espaços infantis, precisamente seu interesse maior. Mantenham-se longe daí! Esses ambiente lhes são totalmente impróprios. Sua presença ultrapassa os limites da delinquência. Ninguém tem o direito de levar suas próprias dubiedades às mentes infantis para confundir suas identidades.
Tomar as exceções como fonte de norma geral e impô-la a crianças é uma perversão que passou a tomar corpo, no campo educacional, durante a Conferência Mundial da ONU sobre População e Desenvolvimento, realizada no Cairo em 1994. A palavra gênero aparece 211 vezes em seus documentos. Entende-se: quanto mais sexo homossexual, menor a reprodução da espécie. Aqui no Brasil, o Plano Nacional de Educação, que tramitou no Congresso Nacional desde 2010, cozeu no forno legislativo recheado de centenas de emendas e inclusões da ideologia de gênero até que, por ampla maioria, todas as referências ao tema foram suprimidas da lei que instituiu o PNE 2014-2024. Em que pese a rejeição no ditame federal, o MEC - sempre o aparelhamento da burocracia pela ideologia! - através da subsequente Conferência Nacional de Educação, enviou a Estados e municípios documento reintroduzindo a ideologia de gênero como conteúdo abundante nos respectivos planos. Esse desrespeito à legislação federal e à posição do Congresso Nacional está muito bem exposto aqui. Assim, também Estados e municípios tiveram que se defrontar com a questão e, outra vez, intensa mobilização social derrubou a inclusão de tais políticas na quase totalidade dos planos de educação dos mais de cinco mil municípios brasileiros. Não foi diferente nos Estados.
A disposição que os militantes do MEC não têm para ensinar o que interessa, têm para isso. A versão final da Base Nacional Comum Curricular tem 396 páginas e a palavra gênero reaparece 135 vezes! Esse número de menções fornece uma ideia do espaço que ela ocupa na cabeça dos que põem a educação brasileira a serviço de suas causas.
É como se nada significassem a maciça rejeição pela opinião pública e pelos poderes que a representam. Querem enfiar-nos goela abaixo a militância de gênero no sistema de ensino para causar molesta crise de identidade nas nossas crianças. Não passarão!
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
TEMER DEVE SAIR OU FICAR? - 25/09/2017
"O coração tem razões que a razão desconhece". Blaise Pascal (sec. XVII)
A frase do grande matemático e filósofo francês me veio à mente quando tomei conhecimento de que a pesquisa da CNT divulgada na semana passada detectou avaliação positiva de apenas 3,5% da população ao governo de Michel Temer, ao passo que 75,6% o qualifica negativamente. A exemplo dos indivíduos, o coração das massas tem razões desconhecidas da razão.
Tais números me levaram a examinar outros. Em 16 meses da gestão Temer:
1) o risco Brasil caiu de 400 pontos para 180;
2) a SELIC (taxa de juros) foi reduzida de 14,25% para 8,25%;
3) a inflação (carestia) desacelerou de 6,48% para 2,71% ao ano, no menor nível em duas décadas;
4) o PIB brasileiro, nos dois últimos trimestres, voltou a crescer após 36 meses de sucessivas quedas, mostrando que o país está emergindo da mais desastrosa recessão de sua história;
5) a massa salarial real cresceu 2,3% e o consumo das famílias, após oito trimestres de retração, subiu 1,2%;
6) o saldo anualizado de admissões e demissões, pela primeira vez nos últimos anos, se tornou positivo em 101 mil vagas.
Estes dados são todos significativos. O desenvolvimento social depende do desenvolvimento econômico.
Contra o governo Temer pesam:
1) a herdada desproporção entre o gasto público e os serviços disponibilizados à população, causa do cotidiano mal estar social;
2) as denúncias de corrupção envolvendo o presidente;
3) a impopular necessidade de modernizar a previdência social e as relações de trabalho.
No confronto entre fatores positivos e negativos, obviamente pesaram mais estes últimos na avaliação da grande maioria dos pesquisados e é tolice brigar com a opinião pública. Isso me leva a uma outra questão: como se teriam manifestado os cidadãos pesquisados se a pergunta investigasse a posição das pessoas sobre o que é melhor para o país - manter ou substituir o presidente neste momento?
Estranhamente, embora mais importante do que a aprovação ou desaprovação, essa questão não foi formulada. A posição sobre a permanência ou não do presidente, em virtude de suas consequências, é politicamente mais significativa. O afastamento, agora, teria quatro efeitos principais:
1) a instalação de um novo processo criminal (desta vez pelo STF), com recrudescimento da instabilidade política que se prolongaria até as eleições do ano que vem;
2) um governo de transição sob o comando do presidente da Câmara dos Deputados (Rodrigo Maia), que precisaria negociar nova maioria parlamentar e a subsequente disputa em torno do processo sucessório;
3) a difícil deliberação sobre como se faria a eleição, porque o respectivo preceito constitucional nunca foi regulamentado;
4) uma retração das atividades econômicas, inevitável diante da instabilidade política pois, sabidamente, a mera expectativa de uma crise faz com que a bolsa caia e o Real se desvalorize.
Com tais razões, que julgo serem da razão porque meu coração pede cadeia para todos os culpados, é que, se pesquisado, eu responderia convir ao país que Michel Temer só seja julgado após o término de seu mandato. É tradicional nas nossas constituições, inclusive na de 1988, atribuir à Câmara dos Deputados a decisão de aceitar ou não denúncias formuladas contra o presidente da República. Tal prerrogativa é um reconhecimento da prevalência da definição política quando se trata do interesse público. E o interesse público, a conveniência nacional, é espaço da Política. Na primeira denúncia de Janot, a Câmara não inocentou Temer, nem sustou qualquer investigação. Apenas postergou a respectiva ação penal para o término do mandato.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
A ORCRIM E A DEMOCRACIA NO BRASIL - 15/09/2017
O funcionamento da Orcrim está descrito nesta parte da nova denúncia encaminhada no último dia 14 pelo Procurador Geral da República contra o presidente Temer:
“A organização criminosa objeto da investigação no âmbito da Operação Lava Jato foi constituída em 2002 para a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula Da Silva — Lula à presidência da República, quando integrantes do PT uniram-se a grupos econômicos com o objetivo de financiar a campanha de Lula em troca do compromisso assumido pelo então candidato e outros integrantes da organização criminosa do PT de atender interesses privados lícitos e ilícitos daqueles conglomerados.
“Com isso, Lula foi eleito e a organização criminosa passou a ganhar corpo após a sua posse, quando então se estruturou um modus operandi que consistia em cobrar propina em diversos órgãos, empresas públicas, sociedades de economia mista controladas pela União e Casas do Congresso Nacional, a partir de negociações espúrias com as empresas que tinham interesse em firmar negócios no âmbito do governo federal e na aprovação de determinadas medidas legislativas (…)
Todo este estratagema não foi desenvolvido para beneficiar indevidamente apenas os integrantes do PT que constituíram a organização criminosa, serviu também para atender interesses escusos de integrantes de outras agremiações partidárias que, ao longo do governo Lula, aderiram ao núcleo político desta organização criminosa com o objetivo de comandar, por meio da nomeação de cargos ou empregos públicos chaves, órgãos e entes da Administração, um verdadeiro sistema de arrecadação de vantagens indevidas em proveito, especialmente, dos integrantes da organização criminosa. Em contrapartida aos cargos públicos obtidos junto aos integrantes do PT envolvidos no esquema ilícito, os integrantes do PMDB e do PP que ingressaram na organização criminosa ofereceram apoio aos interesses daqueles no âmbito do Congresso Nacional.”
Como se vê, nada que até o semanário de Burundi já não tenha noticiado. No entanto, a organização descrita passou ao largo e o TSE fez que não viu algo muito relevante sob o ponto de vista político e institucional. Refiro-me à propagação sobre o baixo clero dos efeitos políticos e éticos da atividade criminosa desenvolvida pelas cúpulas das organizações partidárias.
Os caciques que comandavam os negócios da tribo supriam suas tropas de recursos para custeio das respectivas campanhas eleitorais. O motivo é evidente: quanto maior o número de fieis seguidores, mais valiosa se tornava sua posição política e mais bem remunerada a participação nos negócios. Sabe-se, hoje, que o topo da cadeia alimentar, o ápice da carreira consistia em ter apelido e arquivo próprio no departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.
O tipo de ganância que essa organização permitiu prosperar gerou e ainda preserva um efeito político devastador. Não fossem as coisas assim, a representação da sociedade brasileira, a proporcionalidade entre as diferentes bancadas e muitos daqueles a quem hoje chamamos deputado e senador estariam em outras atividades, longe dos centros de poder. Devem seus mandatos aos caciques em cuja cisterna beberam água e, hoje, se empenham, juntos, em encontrar uma regra de jogo eleitoral que os agasalhe da rejeição do eleitorado.
A distorção causada pelo crime virou o país pelo avesso, influenciou o Direito e a Justiça, a economia, a moral nacional e a doutrinação nas salas de aula. A próxima legislatura, porém, não pode ser uma cópia carbonada da atual; a ORCRIM não pode continuar reproduzindo seus efeitos na representação política. A democracia é muito mais do que um conjunto de normas e formalidades; o que lhe dá vida é a adesão da sociedade política a elevados princípios e valores.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
SE O COMUNISMO CONSEGUIU MANTER NA MISÉRIA METADE DA ALEMANHA DURANTE 44 ANOS... - 30/08/2017
Os venezuelanos pedem socorro. Não, não são todos. Lá, como em quaisquer regimes totalitários, graças à fé doentia nas lideranças revolucionárias ou aos favores que recebe ou espera receber do Estado, parte considerável da população está alinhada com a ditadura. Os que a ela resistem se defrontam com as forças militares e com as milícias armadas pelo regime.
Pobre povo venezuelano! Foge pelas fronteiras e conta mortos nas ruas. Tudo se passou como se uma velha garrafa jogada do malecón habanero em meados do século passado, houvesse atravessado o Mar das Caraíbas, arribado no pedregoso litoral venezuelano e ali se quebrado, espargindo uma torrente de maldições semelhantes às que se abateram sobre Cuba. Sim, porque quase tudo na Venezuela segue o funesto ritual cubano: crescentes restrições às liberdades políticas, manipulações eleitorais, cerceamento da oposição e prisão de dissidentes, intervencionismo estatal, tabelamento de preços, sucateamento do parque produtivo, escassez. E, desde 2013, a versão bolivariana, eletrônica, da libreta de racionamento. Quando esta começou em Cuba, no ano de 1963, foi muito mal recebida pela população. Era uma forma de proporcionar, a um povo que empobreceu rapidamente após a revolução, alimento subsidiado em quantidades mínimas. Passados 54 anos, o Estado cubano continua se apropriando da totalidade da renda nacional e remunerando a população em servidão com salários mensais que apenas compram três quilos de leite em pó. A libreta se adelgaçou a menos da metade do conteúdo original, mas os cubanos reagem às propostas para extingui-la, porque "con la libreta nadie puede vivir, pero sin la libreta hay mucha gente que no puede vivir".
Diferentemente de Cuba, a Venezuela era rica, petroleira, membro da OPEP. O comunismo, que afundou a economia cubana em três anos, levou 17 para arruinar o país. Mas nada é impossível a esse ogro político-ideológico. Se o comunismo conseguiu manter na miséria metade da Alemanha durante 44 anos, não seria uma republiqueta bolivariana que haveria de resistir a seu poder de destruição.
Os venezuelanos estão famintos. Matéria da United Press International em fevereiro deste ano informou sobre uma pesquisa desenvolvida por três universidades venezuelanas (Universidade Central da Venezuela, Universidade Católica Andrés Bello e Universidade Simão Bolívar). Os resultados foram assustadores! Em meio à crise de alimentos e medicamentos, a população perde peso em proporções alarmantes. Um milhão de estudantes abandonaram a escola.
or quê? Blackouts, greves, fome. A renda de 82,8% dos venezuelanos os classifica como em estado de pobreza. O FMI estima que a inflação do país atingirá 1600% no corrente ano e a Comissão Econômica da ONU para a América Latina e o Caribe avalia uma redução de 4% no PIB nacional.
Matéria do El Nacional do dia 16 de agosto passado mostra que se repete na Venezuela um fenômeno generalizado no comunismo: até as vacas param de dar leite e a população apela para éguas e cabras. A falta desse produto agrava a mortalidade infantil por desnutrição e doenças digestivas.
Nesse cenário é impositivo perguntar: para onde se deve mover a sensibilidade de uma pessoa com senso de justiça e humanidade? Claramente, é o sofrimento da população que nos deve condoer. Em instância mais remota, será a ruína de um país vizinho e sua tragédia perante a história. Mas, para isso, é preciso ter senso de justiça e humanidade. Os dirigentes e militantes dos nossos partidos de extrema esquerda (PT, PCdoB e PSOL) olham para a realidade venezuelana e, entre o sofrimento da população sob seu governo comunista, ficam com o governo, apoiando-o para que ponha mais lenha no braseiro do inferno que criou.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O BRASIL É INOCENTE - 25/08/2017
Instalou-se entre nós uma justificada sensação de que os problemas são maiores do que nossa capacidade de os resolver e de que face os males do corpo social e político nacional, os anticorpos institucionais são insuficientes para combater as células malignas que o acometem.
Creiam-me, o Brasil é inocente, totalmente inocente. Inapto a qualquer protagonismo, o país, como tal, é vítima e não culpado dos males de que é acusado. Tudo que costumamos dizer sobre o Brasil, deveríamos transferir, por ação ou omissão, à sociedade brasileira. E esse é um dos aprendizados mais urgentes.
Nossas culpas são muitas e efetivas como nação. Não, não me atolarei no lugar comum de atribuir indiscriminadamente à sociedade o lixo arremessado pela janela do carro, a buzinada no trânsito e a venda sem nota. O que trago é muito mais sério. Refiro-me, entre outros desvios, à infeliz tentativa de criar um humanismo sem Deus porque o "politicamente correto" coíbe toda referência a Ele em espaço público. Refiro-me a uma sociedade que tem o dedo duro para as imperfeições alheias e jamais aponta o próprio peito por considerar mórbido e pernicioso examinar a consciência. Refiro-me a uma sociedade que busca a perfeição nas coisas exteriores, que usa o espelho, os cosméticos e a academia para fazer porcelana do barro de que é moldada, mas teme olhar fundo nos próprios olhos.
Ora, a qualidade que pertença ao todo de um corpo social se faz da qualidade das pessoas que o compõem; em nenhuma organização humana haverá qualidade que não esteja fundada nos atributos de seus membros, em todos os seus níveis. Não há como nem por que ser diferente em relação a uma nação.
Todos desejamos um Congresso Nacional composto por pessoas probas, responsáveis, competentes e dedicadas ao interesse público. Se tal anseio fosse atendido, nossas dificuldades institucionais, sociais e econômicas já estariam resolvidas. No entanto, a maior parte dos cidadãos brasileiros, na hora de escolher um parlamentar, busca alguém para cuidar dos seus interesses. E quanto mais privados forem, melhor. É assim que a alguns se creditam e perpetuam privilégios enquanto a conta segue, inexoravelmente, a débito de todos os demais, incluídas as gerações futuras.
Num viés oposto, salutar, ao escolherem no leque de alternativas proporcionado pelos candidatos a uma determinada cadeira, os eleitores interessados no bem do país deveriam orientar sua opção àquele com cujas opiniões melhor se identifiquem. E não por convergência de interesses pessoais ou corporativos. Para despachante de interesses qualquer um serve.
A inversão na natureza do mandato parlamentar é, também ela, uma forma de corrupção, problema de natureza moral, que atinge a finalidade mesma da política, corroendo a ideia de representação e originando um paradoxal filho da hipocrisia. Refiro-me ao eleitor - e como ele é típico! - que elege alguém para cuidar de si e fica indignado quando percebe seu parlamentar fazendo exatamente a mesma coisa, dedicado a seus próprios negócios ou negociatas.
No dia em que tais compreensões alcançarem parcela expressiva da sociedade brasileira muitos patifes que só causam dano à pátria perderão suas cadeiras.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
NOS TORNAMOS REFÉNS - 11/07/2017
Lembro-me perfeitamente da última atualização feita na planta de valores de Porto Alegre para lançamento do IPTU. Aconteceu em 1991, terceiro ano da administração Olívio Dutra, e causou sérios dramas. Nas zonas em que ocorreram maiores aumentos, os novos valores excediam a capacidade financeira de muitos munícipes, comumente idosos cuja renda andara em direção inversa à da valorização dos respectivos imóveis. A inadimplência explodiu. Embora o poder público muitas vezes o desconheça em si mesmo, esse limite existe, sim, na vida dos cidadãos.
Ninguém espera, nem interessa à comunidade, um órgão arrecadador de coração mole, disposto a perder dinheiro. No entanto, cabe perguntar: está a prefeitura “perdendo dinheiro” ao lançar o imposto, todo ano, com valor corrigido segundo a inflação ou algum índice de preços? Óbvio que não. É o mesmo dinheiro, em valor atualizado, mudando de bolso. Nos impostos que pagamos, acompanhando a alta dos preços de tudo que compramos, ele sai do nosso e vai para os entes federados como receitas correntes. Não, não é aí que mora o prejuízo. Se há vazamento, obviamente não é nos impostos pagos. Elementar regra de prudência recomendaria à União, aos estados e aos municípios que o aumento de suas despesas correntes não sobrepujasse esses mesmos índices.
Dê uma pesquisada no Google sobre o que aconteceu em recentes revisões de plantas de valores em municípios como Curitiba, Belo Horizonte e Guarulhos, entre outros. Verá casos que multiplicaram o tributo por 10 e até 20 vezes. A própria intenção de parcelar esse aumento ao longo de alguns anos mostra que o forte impacto da providência na economia das famílias é pressentida pelo fisco. O fatiamento da majoração, porém, não altera sua substância, nem sua inconveniência ou inoportunidade. Desconhecem, por acaso, o dano que a crise do setor público está produzindo na economia, nos empregos, no poder de compra das pessoas?
Alega-se, e é fato, que quem adquire um imóvel agora numa região valorizada estará pagando IPTU maior do que seu vizinho que ali reside há bom tempo. Mas é falso ver-se injustiça nisso. Quem compra imóvel paga preço e imposto conforme suas posses. Injusto , em vista disso, é onerar o vizinho que nada tem a ver com tal comércio. A imensa maioria dos imóveis residenciais só constitui um negócio na hora da transmissão. Depois, se converte em lar de alguém, parte importantíssima de um projeto de vida que não pode ficar sujeito a essas manipulações tributárias.
São surpreendentemente reais os problemas financeiros da prefeitura de Porto Alegre, 10ª capital brasileira em população. Eles ocorrem apesar de a população ser fortemente onerada. Segundo artigo publicado em ZH da última quarta-feira, dentre todas as capitais, nossa arrecadação per capita é a quinta em IPTU, a terceira em ISS e a primeira em ITBI. E repito: a capital gaúcha é apenas a 10ª em população. Mesmo assim, o dinheiro não basta, como nunca são bastantes as receitas do Estado e da União. Por quê? Porque o mais real conflito no Brasil de hoje, malgrado todas as manobras diversionistas que tentam focar questões de classe, raça, gênero, etc., se relaciona à opressão do público sobre o privado, do Estado sobre a nação. Somos reféns de um setor público que consorcia o patrimonialismo dos poderes políticos com o corporativismo da burocracia. E crescem juntos, de modo incontrolável, impondo à nação, muito além da capacidade que temos de sustentá-los, uma verdadeira ditadura de interesses minoritários. Como consequência, já não conseguem fazer sequer o mínimo que deles se espera.
PREFÁCIO DE BANDIDOLATRIA E DEMOCÍDIO - 20/06/2017
Quando foi lançado o livro Bandidolatria e Democídio - Ensaios sobre garantismo penal e a criminalidade no Brasil, eu estava em viagem de férias e não pude comparecer, como tanto gostaria e como seria meu dever, distinguido que fora pelos autores com o privilégio de prefaciá-lo. Registro, então, o fato e o ato, publicando o texto que escrevi sobre minha leitura desta corajosa e importante obra. Bandidolatria e Democídio é uma co-produção das editoras Armada e Resistência Cultural e teve sessão de autógrafos na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country em Porto Alegre, dia 7 deste mês de junho.
A obra que você tem em mãos, antes de ser um livro, é um acontecimento. Entendida assim, deveria ser manuseada como se o leitor participasse de um evento, desses que o acaso nos permite testemunhar e as compulsões da vida moderna fazem surgir o desejo de capturar em forma de imagem. Clic! Este livro, saiba, está na categoria dos atos heróicos. Há nele muito do destemor exigido para um salto ao fosso das ariranhas. Seus autores são membros do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Sul, o que torna ainda mais relevante a corajosa determinação de, juntos, o produzirem.
O promotor de Justiça Diego Pessi, atua na comarca de Erechim e o promotor Leonardo Giardin de Souza exerce suas atividades em Taquara. Os dois trazem às páginas de Bandidolatria e Democídio - Ensaios sobre garantismo penal e a criminalidade no Brasil - vigorosas experiências de quem, no exercício de sua função institucional, conhece e atribui justíssimo valor às expectativas da sociedade em relação ao aparelho judicial. E sofre, com a sociedade, as dores de suas perdas ante a terrível expansão da criminalidade em nosso Estado e em nosso país. Dessa angústia nasce cada página desta obra, da qual me foi dado o privilégio da leitura prévia e o convite para prefaciá-la.
Há, aqui, alguns relatos sobre criminalidade, a guisa de ilustração, tomados ao acaso no farto provimento disponibilizado pelo cotidiano nacional. Na dose certa, eles servem como motivação para o que lhe é essencial: constatar e demonstrar que os avanços da criminalidade contam com inegável favorecimento proporcionado pelas elites políticas, pelas instituições do Estado brasileiro, por amplos segmentos do mundo acadêmico, por doutrinas em voga e moda no mundo jurídico, pela ideologia que imanta os adeptos da Teologia da Libertação e pela maior parte dos nossos formadores de opinião. Não por acaso, listei, quase à exaustão, a parcela da elite nacional de quem a sociedade espera a fração de bem comum que não seja de produção própria.
Os autores, com diferentes estilos e focos, vão desmontando as falácias que fornecem inspiração à maior parte dos textos que chegam ao grande público sobre o tema da sua própria insegurança. Eles demonstram que essas abordagens são desfocadas, ou erradas, ou mal-intencionadas, como bem evidenciam suas consequências na vida social.
O grande inimigo aqui combatido é, ao mesmo tempo, o grande amigo da criminalidade e causa eficiente do descontrole a que chegou entre nós. Leonardo Giardin de Souza, informa seu nome e sobrenome: é o "Garantismo Penal, filho bastardo do Marxismo Cultural, gestado no ventre de aluguel do Positivismo Jurídico".
Vai-se a obra, então, atrás dessas raízes, mostrando a perversidade da seiva que por elas flui, a envenenar, desde dentro, a árvore institucional brasileira, robustecendo todos os níveis do mundo do crime e debilitando a sociedade. Eis a esteira doutrinária pela qual se chega à "bandidolatria", prática corrente no ambiente jurídico e penal brasileiro, que transforma o criminoso em vítima de quem não se poderia exigir conduta distinta e a vítima em imperdoável beneficiário e coautor da desigualdade social que levaria ao crime. Sem a dolosa conduta de todas as vítimas - disso querem nos convencer os bandidólatras - viveríamos num mundo de amor, segurança e paz. Os autores sustentam diferentemente e, ao fazê-lo, confrontam poderes e poderosos. Não miram para o rés do chão, mas para as Torres de Marfim das elucubrações e para a insensível arrogância de tantos gabinetes.
Com fundamento em bons autores e em estudiosos da criminologia como ciência, afirmam que o criminoso é um agente consciente de seu poder, buscando realizar desejos, informado sobre o quanto lhe estão franqueados os meios de ação pela falta de reação e investido de autorização tácita expedida pela "intelectualidade" nacional. Sendo infinitamente maior o número de necessitados do que o número de criminosos e havendo tantos criminosos materialmente abastados, resulta óbvia a conclusão de Diego Pessi: não é a necessidade que leva ao crime, mas a submissão ao conjunto de paixões e pulsões, na ausência da alteridade. A inteligência do criminoso calcula riscos, avalia ganhos e benefícios, e toma decisões como qualquer empreendedor em relação a seus objetivos.
Há neste livro, que percebo como um acontecimento, absoluta honestidade intelectual e compromisso com o bem da sociedade. Citam-se sentenças judiciais que escandalizam consciências bem formadas. Inclusive sentenças colegiadas, de segundo grau, que, feliz e oportunamente, receberam severas revisões. Constituem exemplos clássicos do que os autores reputam importante combater. São expressão vultosa do inimigo doutrinário, cultural, ideológico e político a desmascarar e superar.
Sem necessidade de formação jurídica, a sociedade brasileira já deu claros sinais de haver entendido a quem servem aqueles que reservam à atividade policial apenas palavras de censura, advertência e condenação. Cumprem tarefa antissocial minuciosamente caracterizada nestas páginas. Seguem à risca a prescrição que determina marcar sua atuação como em defesa dos direitos humanos. São onipresentes para apontar o dedo acusador a alguma ação excessiva, mas desaparecem envoltos no próprio silêncio e omissão quando policiais morrem defendendo a sociedade. É importante a reflexão dos autores, com apuro técnico e verdadeiro humanismo, a respeito dos encargos que recaem sobre a categoria funcional dos policiais. No elevadíssimo nível de violência incidente em nosso país, os criminosos, protegidos pela bandidolatria, ampliam sem cessar seus confrontos com a sociedade e, especialmente, com a polícia. Esta constitui, portanto, a parcela mais exposta, mais confrontada de modo violento e é nela que, proporcionalmente, se contabiliza o maior número de vítimas de homicídio.
Fracassará irremediavelmente toda política de segurança pública que não incluir a ampliação dos contingentes policiais e a construção de estabelecimentos prisionais em números suficientes para atender a demanda. O mero controle de território e a simples pressão sobre tal ou qual atividade criminosa apenas fazem com que os agentes do crime migrem para outro local ou para outro ramo. Será infrutífera toda legislação que desconhecer o fato de que a cadeia é o lugar onde os bandidos devem estar. Carência absoluta de penitenciárias é o sonho sonhado por todo criminoso. A bandidolatria aposta no caos da segurança pública como berçário de sua utopia. Por isso, não hesita em reprimir a atividade policial, em ser a favor do desarmamento da população, contra a construção de novos presídios e hospitais psiquiátricos, contra a pena de prisão e contra a redução da maioridade penal, contra a prisão após condenação de segunda instância e tem verdadeira devoção pelo sistema recursal do nosso processo penal (CPP).
Não se chega a um nível de criminalidade geral em que meio milhão de veículos são roubados anualmente e o número de homicídios bate nos 60 mil anuais (caracteriza o que este livro denomina democídio), sem que os valores capazes de inspirar condutas retas tenham passado pelo moedor do relativismo moral. É a infeliz vingança do Adão pós-moderno. Ele expulsa Deus do seu peculiar "paraíso humanista", cuja primeira perda é a do fundamento conceitual da própria dignidade. Eis a gênese da displicência moral que se expande sem poupar a parte mais saudável da sociedade brasileira. Afinal, o que seria pecado, ao sul do Equador? Assim, enquanto, por um lado, as fanfarras do relativismo fazem evanescer as noções de certo e errado, bem e mal, verdade e mentira, por outro chega-se a tempos ainda mais assustadores, soturnos. A soleira da porta é local de perigo, espaço aberto aos predadores.
O garantismo jurídico que empolga teóricos da inação e da passividade togada é irmão gêmeo do desarmamento e das carpideiras de bandidos, olhos secos ao genocídio das pessoas de bem. São os mesmos que afirmam e reafirmam, para concluir que "prender não resolve", a falácia segundo a qual já temos presos em excesso. E são os mesmos, também, que veem nas páginas policiais relatos de guerrilha social, newsletters cotidianas de uma Sierra Maestra revolucionária, infinitamente mais violenta e menos sutil do que a original. São os mesmos, por fim, que fornecem aos malfeitores a porção de "ternura" - para não olvidar Che Guevara - em forma desse falso e desumano humanismo que resguarda o malfeitor e se desapieda de suas vítimas.
É nesse tempo e para esse tempo que escrevem Diego Pessi e Leonardo Giardin de Souza. Há em suas páginas angústia, sangue e dor, mas, também, valentia e esperança. E um suave perfume que me permito definir como amor ao Direito, à Justiça e ao bem da sociedade a que se comprometeram a servir no desempenho de sua missão institucional.
Percival Puggina
COMPROMISSO COM OS PROBLEMAS - 12/06/2017
No Brasil, infelizmente, certas desgraças vêm para ficar, fazem ninho, dão cria e são zelosamente nutridas; algumas têm fã clube e vivem sob a proteção da tesouraria. ”E as soluções?”, perguntará o leitor mais proativo. Pois é, meu caro, aí é que está. Nosso país não tem compromisso com soluções, mas com problemas. Quanto maior for a encrenca, mais sólida será a adesão nacional àquilo que lhe dá causa.
A alavanca com a qual Arquimedes afirmou que poderia mover a Terra se lhe dessem um ponto de apoio não serve para o Brasil. Parece não haver braço de alavanca nem ponto de apoio capazes de abalar a inércia nacional em relação a suas principais dificuldades. Em compensação, por aqui, nada é mais sólido do que uma boa conversa mole, que se resume em encontrar razões para deixar tudo como está. Os acontecimentos – sim, há fatos acontecendo – terríveis, assustadores, vexatórios, em nada alteram a alma do país. O poder público continua escrevendo o roteiro, dirigindo a peça, escolhendo os atores. E embolsando a bilheteria. Lê-se em toda parte que o Brasil tomará jeito quando os brasileiros aprenderem a votar, o padrão cultural e socioeconômico da sociedade avançar, houver menos pobres. Verdadeira mixórdia de causas e efeitos que transforma a borda do poço em opressivo horizonte.
Tome, por exemplo, a questão da insegurança pública. Apenas uma corrente de opinião muito minoritária, minúscula, é contra legislação penal mais rígida e penas que desestimulem a atividade criminosa. No entanto, o que está em vigor é o desencarceramento e a total leniência, inclusive para com crimes de maior potencial ofensivo. Por quê? “Porque só prender não resolve”, respondem, como se tal frase contivesse um argumento e refutasse a verdade esférica de que bandido preso perturba menos do que bandido solto.
O mesmo tipo de raciocínio, que quebra, na prática, a alavanca de Arquimedes, é usado quando se apresenta o parlamentarismo como ponto de apoio para resolver o problema institucional no Brasil. “Só isso não resolve”, repetem. Claro que só isso não resolve! Precisamos, também, de alguma forma de voto distrital, de cláusula de barreira que reduza o número de partidos, de uma justiça mais disposta a julgar casos de corrupção e mau uso dos mandatos eletivo e de tudo, absolutamente tudo mais que a divergência queira incluir. Mas não bastará! Insatisfeitos, retornarão em ares de xeque mate: “No parlamentarismo, com esse Congresso, o chefe do governo vai ser alguém tipo Renan Calheiros ou Rodrigo Maia”.
Desculpem-me os eleitores de uns e de outros, mas não parece justa essa restrição num país que, por conta própria, elegeu Collor, reelegeu FHC, deu dois mandatos para Lula e outros dois para Dilma. Se é para usarmos o instituto da eleição direta para produzir resultados assim, continuo preferindo o parlamentarismo, no qual o eleito por via direta será apenas chefe de Estado e não exercerá, simultaneamente, a chefia de governo. No presidencialismo, “the winner takes it all”, como cantou Meryl Streep. O vencedor leva tudo; e leva mesmo.
O que nosso presidencialismo chama de “instituições funcionando” é isso que você vê. É assim que elas “funcionam”, gerando crises sem solução, criando instabilidade política, retração das atividades econômicas, desconfiança externa e interna, e sérios danos à vida de todos. No parlamentarismo também existem conflitos e disputas, mas a facilidade com que os governos são substituídos estabiliza a democracia e produz uma vida política sem sobressaltos. (Leia a íntegra do artigo em zhora.co/percivalpuggina).
UMA DÚZIA DE LIÇÕES SOBRE EDUARDO CUNHA, QUE OS PETISTAS ESQUECERAM - 04/06/2017
A cartilha petista manda atribuir a Eduardo Cunha o impeachment de Dilma Rousseff. Na sequência, como esse evento é considerado o episódio mais sinistro da história do partido, o ex-presidente da Câmara dos Deputados passa a ser descolado do PT e apresentado como encarnação de um belzebu fascista.
Torna-se necessário, então, acender a lanterna sobre certas lições a respeito de Eduardo Cunha que o lulismo jogou para o lado escuro da mente.
1. Cunha elegeu-se deputado federal pelo PMDB em 2003, tendo integrado a base do governo durante os dois mandatos de Lula e o primeiro mandato de Dilma Rousseff. Aliás, já em 2007 ajudou a preservar Dilma, ministra de Minas e Energia, na CPI do Apagão Aéreo. Seria, pois, na condição de aliado e sócio de atividades escusas que apareceria, anos mais tarde, molhado nas mangueiradas da Lava Jato.
2. Os negócios de Eduardo Cunha, portanto, são pixulecos das grandes operações comandadas, entre outros, por Lula, José Dirceu, Antonio Palocci e Guido Mantega. Ele não criou o “mecanismo” (para ficarmos com a expressão de José Padilha (O Globo, 21/02/2017). Foi a operação do “mecanismo” durante o governo petista que o trouxe à ribalta.
3. Em 2014, Cunha considerou chegada a hora de emergir do baixo clero para a cúpula do poder, disputando a presidência da Câmara. Sua candidatura dividiu a base do governo e fez fracassar o projeto do governo, que patrocinava a campanha de Arlindo Chinaglia. Em fevereiro de 2015, ele se tornou presidente da Câmara.
4. A partir desse momento, após longa e frutuosa camaradagem, Cunha passou a ser visto pelo PT como inimigo. Inimigo? “Pero no mucho”, como se verá a seguir.
5. Quando a Lava Jato o exibiu encharcado à opinião pública, Cunha foi à CPI da Petrobras, em março de 2015, mês e pouco após sua posse na presidência da Casa, e negou ter contas no exterior. Essa declaração formal motivou o processo que correu junto à Comissão de Ética e conduziu à cassação de seu mandato. Durante mais de um ano, porém, Cunha manobrou contra a tramitação desse processo usando medidas regimentais e jurídicas.
6. Assim como seu destino estava nas mãos da Comissão, os requerimentos de impeachment de Dilma Rousseff passavam pelas suas. Cabia a ele despachá-los ou não. E eram muitos.
7. Trinta dias após a grande manifestação de 15 de março de 2015, mais de três dezenas desses requerimentos empilhavam-se sobre a mesa de Eduardo Cunha.
8. Foi ele, então, um dos menos dispostos e mais lerdos protagonistas dessa história. Para alegria do PT, freou e retardou tudo o quanto pode, esvaziando as manifestações populares ao longo de 2015. Muito mais eficientes foram os pareceres técnicos da CGU, do TCU e os sucessivos achados da Lava Jato e delações a ela levadas.
9. Cunha preservou sobre sua mesa o cacife com o qual passou a negociar o apoio de que precisava para se safar da Comissão de Ética. Um dos meios usados foi o de impedir o quorum necessário para abertura de suas sessões. Houve um momento, inclusive, em que coube aos deputados do PT tomar essa providência. Inimigos, “pero no mucho”. O PT precisava de Eduardo Cunha.
10. Ao contrário do que o partido pretende fazer crer, Cunha beneficiou em muito o governo Dilma, concedendo-lhe, contra a opinião pública, de fins de março a dezembro de 2015, tempo precioso para fazer a coisa certa e se livrar da pressão política e técnica pelo seu impeachment. No entanto, o PT e a presidente continuaram apresentando sempre mais do mesmo.
11. Cunha, porém, continuou beneficiando Dilma Rousseff. Ao sentir-se perdido na Comissão de Ética, e ainda mais abandonado no plenário, dentre dezenas de requerimentos com igual fim, escolheu o que mais convinha à presidente. O único que nada dizia sobre a Lava Jato. O único que não mencionava a refinaria de Pasadena. Essas omissões, que trouxeram para a ribalta o requerimento de Hélio Bicudo, Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal, fizeram com que os debates sobre o impeachment se restringissem àquele fastidioso plano técnico das contas públicas.
12. Em 5 de maio de 2016, uma decisão liminar do ministro Teori Zavascki afastou Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados por considerar comprovado que ele, no exercício de sua função, conspirava contra a Lava Jato. Horas mais tarde, por unanimidade, o pleno referendou a decisão.
Ora, conspirar contra a Lava Jato, declará-la insulto à boa justiça e instrumento maligno da direita raivosa, é, se não tudo, ao menos boa parte das tarefas petistas para esta quadra de sua existência. Pois tal era, na opinião do STF, uma especialidade de Eduardo Cunha, silencioso na prisão, companheiro de tantos, longos e proveitosos anos daqueles que hoje o inculpam por estarem enfrentando as conseqüências do mal que fizeram ao país.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
GANÂNCIA E IRRESPONSABILIDADE EM DOSE DUPLA: DILMA QUERIA CONTINUAR, LULA QUER VOLTAR. - 31/05/2017
Deu no Globo de hoje (31/05):
O caso JBS-Temer está levando parlamentares a realizar uma exumação nos empréstimos do BNDES, entre 2008 e 2014, quando o banco injetou dinheiro barato em empresas selecionadas pelos governos Lula e Dilma (os “campeões nacionais”) para que pudessem comprar outras empresas no exterior. Ontem, o senador Álvaro Dias (PV-PR) apresentou no plenário resultados de uma análise preliminar: em um período de seis anos, a União emprestou ao BNDES um total de R$ 716 bilhões. Como o Tesouro Nacional não dispunha do dinheiro, o governo foi ao mercado privado. Tomou recursos pagando juros de mercado, a 14,25% ao ano pela taxa Selic, e repassou à JBS, Odebrecht e outras empresas ao custo entre 5% e 6%, pela TJLP. Negócio de mãe para filho. O resultado, lembrou, é um subsídio sem precedentes, de R$184 bilhões. “A sociedade vai pagar por isso até o ano de 2060”, disse Dias. Faltam 42 anos para liquidar a conta.
Os números absolutos e atualizados da escrita, conforme divulgado anteriormente, superam em 25% o total do subsídio que o Plano Marshall proporcionou à reconstrução de 16 países europeus após a Segunda Guerra Mundial.
Nos bastidores dessa conduta sinistra que arrasou o Brasil atuavam, de modo conjugado, duas diferentes forças:
• a do grupo dos economistas alinhados com Dilma Rousseff, também ela uma “desenvolvimentista”, convictos de que o Estado gastador, jogando dinheiro no mercado, cria prosperidade;
• o do grupo dos proxenetas do erário, cafetões dos negócios de Estado, olho aberto a todas as possibilidades de comissionamento que possam ser criadas com recursos públicos.
Na ocasião, nossos melhores e mais responsáveis economistas denunciavam a magnitude, a injustiça e a ineficiência daquela torrente de dinheiro barato em tempos de juro alto. Enquanto, no Brasil petista, havia dinheiro quase de graça para alguns poucos privilegiados – ditos “campeões nacionais” – a segunda e a terceira divisão do empresariado, aqueles que faziam a economia ainda se mover, tinham que se haver com juros na estratosfera. Ao custo de bilhões, adoecia-se o mercado e se quebrava o país.
São esses populistas, irresponsáveis uns, desonestos outros, que pretendem se valer da atual crise política para escapar da cadeia e voltar ao poder. Se as conseqüências de semelhante desatino recaísse apenas sobre seus fieis seguidores – perdoe-me Deus! –, seria muito bem feito. Mas o Brasil é um navio com 210 milhões de passageiros viajando em mar revolto.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
DEZOITO BREVÍSSIMAS OBSERVAÇÕES SOBRE O EFEITO JBS - 22/05/2017
O texto que segue contém observações avulsas sobre os acontecimentos desencadeados pelo encontro entre Michel Temer e Joesley Batista. Creio que sintetizam boa parte das inquietações nacionais.
1. Aquilo foi uma armação? Claro que foi. Afirmá-lo não torna Joesley mais culpado do que já é. E por mais que queiramos desanuviar a cena para o bem do país isso não exime Michel Temer de suas responsabilidades pessoais em relação ao fato.
2. O encontro jamais deveria ter acontecido. Lembram da viagem de Ricardo Lewandowsky, então presidente do STF, à cidade do Porto, em julho de 2015, para se encontrar, longe dos olhos da imprensa, com a então presidente Dilma Rousseff? Pois é. Existem reuniões essencialmente reprováveis.
3. A fita foi editada? Haverá uma perícia, tardiamente solicitada pelo ministro Fachin. No entanto, nessa hipótese, quem primeiro deveria ter denunciado isso seria o próprio Temer, para dizer que o diálogo não correspondia ao que foi conversado, que suas frases de aprovação não se referiam aos crimes confessados por seu interlocutor, mas a outros ditos proferidos no encontro.
4. Em momento algum, após a divulgação do áudio, o presidente mencionou que algo pronunciado por ele estivesse ausente da fita levada a público. E mais: quando seu visitante sumiu nas sombras da noite, nenhuma atitude tomou sobre o que dele tinha ouvido.
5. Não vislumbro, portanto, qualquer motivo para abrandar as responsabilidades da mais alta autoridade da República diante do que ouvi naquela gravação, e li na sua degravação.
6. O ministro Fachin atuou de modo apressado, pondo a prudência em risco? Sim, e pode estar na falta de uma perícia da fita, a saída para Michel Temer, na hipótese de que o pleno do STF, julgando o recurso impetrado pela defesa do presidente, suspenda a investigação contra ele. Mas isso não altera o fato em si.
7. O acordo de delação beneficiou os irmãos Batista de um modo escandaloso, que repugna a consciência nacional. A estas alturas, Marcelo Odebrecht deve estar se perguntando: "Onde foi que eu errei?". Não há demasia em imaginar que, no encerramento do acordo da laureada delação, a autoridade pública que o coordenou tenha dado um beijo nas bochechas dos Batista brothers e ido para casa abrir uma bouteille de champagne.
8. No entanto, conforme alertou o Dr. Luiz Marcelo Berger com base na Teoria dos Jogos, os dois salafrários podem vir a ser presos por outros crimes praticados fora do acordo celebrado com a justiça.
9. Toda essa situação beneficia o PT? Sim, tudo que é ruim para o Brasil é bom para o PT, e vice-versa. Por isso, o PT quer rasgar a Constituição e defende a ideia de diretas imediatas. Depois de bater os recordes mundiais de incompetência e corrupção, o partido imagina voltar ao poder para mais do mesmo. Suas lideranças ainda não fizeram ao país todo o mal que pretendem, nem a si mesmos todo o bem que aspiram.
10. O governo Temer emergiu do interior da gestão que dirigia o país desde 2003, compartilhada entre o que havia de pior no PT, no PMDB e no PP. O impeachment de Dilma Rousseff não foi uma campanha oposicionista para "eleger" Michel Temer presidente. Foi uma consequência dos atos por ela praticados e teve como consequência constitucional a posse do vice-presidente eleito e reeleito em chapa com ela.
11. O troféu da ingenuidade vai para quem esperou que um grupo de homens virtuosos saísse do interior daquele governo unido em torno do vice-presidente. Não havia gente assim por lá. Salvar a nação do naufrágio - e isso vem sendo feito - era uma parte da missão. A outra era salvar o próprio pêlo.
12. As medidas para sair da crise, reduzir o descrédito do país (ou, em melhor hipótese, melhorar a confiança nele) envolvem providências que, no curto prazo, causam rejeição popular. Com um Congresso marcado pela corrupção, assombrado pelo temor da reação dos eleitores no pleito de 2018, o apoio a tais medidas envolve concessões que reduzem o efeito das reformas. Elas ficarão ainda mais difíceis sob uma presidência fortemente atingida em sua honra pessoal.
13. Não há conveniência política nem suporte constitucional para uma antecipação da eleição presidencial. A Constituição de 1988, exatamente para evitar casuísmos desse tipo, tornou cláusula pétrea a periodicidade das eleições. Antecipar é romper a periodicidade.
16. Está constitucionalmente determinado que a sucessão do presidente, passada a primeira metade do mandato, se proceda por eleição indireta, através do Congresso Nacional. O artigo 224 da lei 13.165, da minirreforma eleitoral de 2015, define diferentemente, mas está em desacordo com a Constituição.
17. Os fatos ainda estão rolando, como pedras, morro abaixo. Impossível, portanto, fazer previsões com segurança. Inclino-me, porém, pela conveniência de afastar o presidente (por renúncia, por cassação da chapa no TSE ou, na pior das hipóteses, por impeachment), preservando a base de apoio para uma eleição indireta no plenário do legislativo nacional.
18. Pode ser que, um dia, em nova tormenta institucional sempre por vir, despertemos para a absoluta irracionalidade do nosso presidencialismo, pivô de crises que cada vez mais vigorosamente flagelam o país.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
ROBERTO CAMPOS, MINHAS HOMENAGENS - 09/05/2017
Texto que escrevi para o livro Lanterna na proa, 100 anos de Roberto Campos, obra coletiva de 62 autores em homenagem ao grande brasileiro. O título do texto é Baixa Mobilidade Vertical no País de Baixo IDH. O livro é uma edição da Livraria Resistência Cultural
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Quando me pus a redigir estas páginas sobre Roberto Campos, vieram-me à lembrança os artigos de sua autoria publicados pelo Correio do Povo, principal jornal gaúcho durante boa parte do século passado. Ali, por muitos anos, ainda jovem, pude provar de seu conhecimento e das lúcidas observações que fazia sobre a realidade nacional.
Acompanhei a evolução de seu pensamento e, dado meu gosto pela forma do texto, percebi o quanto ele foi se tornando mais agudo, mais crítico, mais irônico em relação aos que o contestavam. Imagino o quanto seus escritos deviam irritar adversários. Em Roberto Campos, a ironia era um punhal que cortava com o gume do argumento e cortava, também, com a exposição de seus antagonistas ao riso dos leitores. Muitas vezes, lendo-o, pensei comigo: “O velho Bob está ficando confiado”. E seu maior atrevimento consistiu em subir o aclive liberal num tempo em que o Brasil começou a resvalar na rampa socialista. Era uma época em que, com as palavras dele mesmo, o liberalismo ainda não havia nascido entre nós. E o parto continua.
Os constituintes de 1988 decidiram criar no Brasil um Estado de bem-estar social. O povo brasileiro lhes concedera o poder máximo para estabelecerem o que quisessem sobre nosso país. Nós nos submeteríamos. Então, nada aparentemente mais natural nem mais bem-intencionado do que redigir uma versão nacional do paraíso terrestre. Quase um trabalho divino de criação, na linha do – “Faça-se o bem-estar e a felicidade geral!”. Para alcançar os dois efeitos, nossos refundadores usaram uma varinha de condão pela qual cada condição necessária foi declarada “direito de todos e dever do Estado”.
Como sinalizou com precisão o constituinte Roberto Campos, sobrevieram tempos difíceis ao Brasil. Ele advertia sobre isso seus colegas demagogos e espertos que trocavam benesses constitucionais por votos. E fazia o mesmo com os ingênuos que interpretavam as generosas prescrições da “Constituição Cidadã” como sinalização de um horizonte, espécie de projeto nacional a ser alcançado. Era, de fato, previsível: todo aquele conteúdo entrou pelo protocolo dos tribunais como ações reivindicatórias e saiu pelos acórdãos como preceito de aplicação imediata, gerando direito líquido e certo, contas a pagar, impostos a aumentar e dívidas a assumir.
Com a sociedade e os constituintes convencidos de que as nações mais prósperas e com mais elevado índice de desenvolvimento humano da Europa alcançaram essa condição por terem criado boas condições ao bem-estar social, o Brasil entrou para o crédulo clube dos povos que pretenderam gerar prosperidade e felicidade geral mediante determinações constitucionais impostas a essa suposta terceira pessoa do singular – ele, o Estado. É uma crença que se mantém, apesar de não se conhecer país pobre que se haja tornado rico por implantar um “Estado de bem-estar social”. Isso só pode acontecer (se é que pode) naqueles que se tornaram ricos com o capitalismo, conforme constatou, por primeiro, o ex-marxista alemão Eduard Bernstein. Mas não há como recolher, desse modelo de Estado, condições para enriquecer um país pobre. Ao optar pelo Estado benevolente, ao qual todos recorrem em suas necessidades, garantidor de direitos reais e imaginários, provedor inesgotável, inclusive das mais insaciáveis demandas, o Brasil fez e faz, ao contrário, uma opção fundamental pela pobreza. Roberto Campos foi incisivo: “Ao contrário da mãe das Cartas Magnas democráticas – a Constituição de Filadélfia – que é, como diz o professor James Buchanan, a ‘política sem romance’, as constituições recentes fizeram o ‘romance da política’. Baseiam-se em dois erros. Primeiro, a ‘arrogância fatal’, de que nos fala Hayek, de pensar que o processo político é mais eficaz que o mercado na promoção do desenvolvimento. Segundo, a ideia romântica de que o Estado (…) é uma entidade benevolente e capaz. Essa idiotice foi mundialmente demolida com o colapso do socialismo na inesperada Revolução de 1989/91, no Leste Europeu.”
O Brasil é a própria evidência do quanto foi prudente o ensino de Roberto Campos. Depois que tudo se comprovou errado, nosso país optou por tentar de novo. O PT criou o Foro de São Paulo e, em seguida, providenciou o caos. Teve, contudo, o cuidado de servir-se do bem-estar em primeiro lugar, com garçons de punhos alvos, jatinhos fretados e comprados e amantes distribuídas pelas folhas de pagamento do setor público e empreiteiras corruptas. Foi fácil proporcionar ao país a crise em curso. Bastou optar por Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares na economia, por Paulo Freire na educação, por Lula na política. E, num país católico, claro, entregar a CNBB aos cuidados teológicos de Leonardo Boff. Foi isso que nosso país fez. E tem, agora, a tarefa de desfazer.
Roberto Campos afirmou que a pobreza não pode ser vista como “uma imposição da fatalidade”. Pelo viés oposto, os influentes cidadãos acima mencionados não apenas levaram a sério o livro Veias abertas da América Latina, rejeitado pelo próprio autor, como o transformaram em catecismo didático – para que todos saibam que não somos pobres por conta própria, mas por culpa de ações do hemisfério Norte contra o hemisfério Sul. Com isso, em vez de nos preocuparmos com o mau gerenciamento do capital humano, dele negligenciamos, como apontava Campos. E confiamos a educação da juventude brasileira a uma pedagogia que, em vez de formar construtores do próprio destino, forma militantes para a utopia revolucionária, cujo melhor resultado acontece quando fracassa também nisso.
Por óbvio, quem escapa de tal trampa, provavelmente numa escola privada de padrão bem superior à média geral, vai em frente e sobe aos andares mais elevados da vida social, onde a vista é mais larga e a vida mais promissora. Os vitimados pelo sistema público de ensino se tornam incapacitados (os de língua espanhola usavam, antes do “politicamente correto”, a expressão minusválido que, em sua forma tosca, identifica com boa precisão o que realmente acontece no Brasil). É assim que se explica, ainda que não se justifique, a cristalização da miséria nos porões do país.
No ranking do IDH relativo aos dados do ano 2000, publicado em 2002, o Brasil ocupava o 65º lugar. Passados 14 anos, o ranking relativo ao ano 2014, divulgado em fins de 2015, situava o Brasil em 77º lugar.
A sociedade contemporânea já demonstrou, com excesso de evidências, que a promoção eficiente do desenvolvimento social, sem prejuízo da solidariedade, exige: zelosa formação de recursos humanos, através da educação; inserção dos indivíduos na vida social, política e econômica; segurança jurídica e atividades produtivas desempenhadas em economia livre. Só são contra isso os que têm mais ódio ao materialmente rico do que amor ao materialmente pobre. Cegos pela ideologia, semeiam o que dizem combater: pobreza material e crescentes desníveis sociais. Em meio à saudade, é sempre bom matá-la revisando lições com Roberto Campos.
Percival Puggina é arquiteto, empresário, escritore membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
OS HABEAS CORPUS DO STF: TERÁ A ÁGUA BATIDO EM QUEIXOS IMPRÓPRIOS? - 04/05/2017
Ao mandar de volta ao aconchego do lar João Claudio Genu, José Carlos Bumlai, Eike Batista e José Dirceu, a segunda turma do STF abriu a porteira nos dois sentidos. Saem os presos e as suspeitas invadem o topo do judiciário nacional.
Chega às raias do inadmissível que, conforme denunciou o procurador Deltan Dallagnol, o mesmo grupo de ministros tenha mantido na cadeia delinquentes em situação análoga aos que agora manda soltar. Como costumava dizer um amigo meu, já falecido: "É a diferença entre pano de chão e toalha felpuda".
Como pode proporcionar segurança à sociedade um poder "supremo" da República que faz esse tipo de diferenciação? Que se conduz de modo ziguezagueante, para não dizer trôpego? Que decide e logo volta atrás? Onde alguns de seus membros se consideram em condições de julgar casos ante os quais se deveriam declarar impedidos? Que mantêm uma vida social comum e conversações tão frequentes quanto pouco recomendáveis com figuras da cena política e econômica de quem nós guardaríamos prudente distância? Os membros da Suprema Corte dos EUA, tão logo assumem suas funções, se recolhem a uma vida quase monástica, evitando toda atividade social que os exponha a situações de convívio inconveniente.
Sinto muito. A desejável saída da crise política, pela qual tanto ansiamos como nação, pressupõe credibilidade no Poder Judiciário. E o STF vem se esforçando por cair em descrédito. É essa a conclusão inevitável de uma deliberação por 3 x 2 em matéria de tamanha sensibilidade social, onde isso parece não haver merecido qualquer consideração por parte da posição vencedora.
Proliferam, então, as suspeitas. Como não associar esse surto de habeas corpus e as palavras arrogantes, duras e desrespeitosas do ministro Gilmar Mendes contra os promotores da Lava Jato, com a ruptura do contrato entre Antonio Palocci e os advogados que tratariam de sua delação premiada? Um dia o "Italiano" anuncia estar em condições de disponibilizar a Sérgio Moro atividades ilícitas com nomes, endereços e anotações que poderiam demandar mais um ano de investigações. Dia seguinte, recado dado, sabe-se da contratação, por ele, de advogados especializados em delações. Qual a consequência? Liberdade ainda que tardia para as toalhas felpudas! Só faltou ser dito: "Ai de quem falar em delação premiada daqui para a frente!". E Palocci dispensou seus advogados.
Terá a água batido em queixos impróprios? A declaração da ministra presidente em entrevista ao programa "Conversa com Bial" da Rede Globo, na madrugada desta quarta-feira, 3, é uma clara expressão de insegurança quanto a isso. Disse ela: "A Lava Jato não está ameaçada, não estará. Eu espero que aquilo que cantei como hino nacional a vida inteira, nós do Supremo saibamos garantir aos senhores cidadãos brasileiros, de quem somos servidores: verás que um filho teu não foge à luta". Veremos?
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
A REBELIÃO DOS PELEGOS - 01/05/2017
É impossível negar o que todos constataram. No último dia 28 ocorreu no Brasil uma rebelião de sindicalistas que, mediante um sem número de ações criminosas, impediram o ir e vir dos cidadãos. Convém, a propósito, ler o disposto no Código Penal sobre crime de constrangimento ilegal:
Art. 146 - "Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, (...) a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa". A pena se agrava quando, para a execução do crime, se reúnem mais de três pessoas.
Ora, em muitos casos havia mais pneus queimando do que delinquentes praticando o crime de constrangimento ilegal. Mas, visivelmente, sempre eram mais de três a pôr fogo na pista, com a finalidade de impedir a população de fazer o que a lei permite. A necessidade de ostentar como adesão à greve aquilo que foi o seu inverso, ou seja, a paralisia forçada de um sem número de atividades, incluiu a reiterada prática de uma outra conduta criminosa capitulada no Código Penal:
Art. 163 - "Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Pena - Detenção de um a seis meses ou multa". Uma das hipóteses de agravamento da pena se refere, especificamente, ao dano causado em patrimônio público.
Convocaram a greve geral com voz de gente grande, como expressão de uma eminente tarefa, mas se comportaram qual marmanjos incivilizados. Como pretende essa esquerda voltar ao poder se nem uma greve assim é capaz de realizar? O evento foi do esmero do planejamento à selvageria da execução. A data, escolhida a dedo na folhinha: sexta-feira, véspera de feriadão. O Brasil já estaria em slow motion natural, com milhões de brasileiros na malemolência da beira da praia, sob o sol dos trópicos. Passo seguinte, cometeram duas nítidas incongruências: 1ª) terceirizaram, a soldo (a CUT terceirizando!), contratando ações de fechamento de rodovias, avenidas, pontes, ferrovias; e 2ª) buscaram, à base de "miguelitos" e queima de ônibus, o objetivo principal do desastrado empreendimento - a paralisia forçada do transporte de passageiros. Tudo em nome da liberdade de manifestação. Tudo em nome do butim de R$ 2,1 bilhões referentes à contribuição sindical compulsória.
"E o povo?", perguntará o leitor destas linhas. O povo não conseguiu chegar aos hospitais ou comparecer a consultas médicas. O povo ficou parado nos congestionamentos forçados, impedido de cumprir tarefas e honrar compromissos. O povo indignou-se com o constrangimento a que estava submetido. O povo sabia que seus detratores, nutridos com os direitos que lhe tomavam, arrotavam sucesso nos megafones.
De toda aquela atrapalhação não se aproveitou um discurso, não surgiu uma ideia útil para as reformas, nada aconteceu que conferisse substância e força aos que as antagonizavam. O fracasso da greve geral se mede pelos milhares de vezes, Brasil afora, que o Código Penal foi violado para que a rebelião dos sindicalistas se tornasse visível.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O VENENO DA MENTIRA E A EDUCAÇÃO - 19/04/2017
"Um país se faz com homens e livros", ensinou Monteiro Lobato ao Brasil de seu tempo, de maioria analfabeta. Por via de consequência, podemos afirmar que a construção de um país passa, também, por professores e livros didáticos. Estas verdades acacianas foram entendidas pelos totalitarismos, que sempre usaram o sistema de ensino para a indigna tarefa de moldar gerações segundo os devaneios de seus dirigentes políticos. E a missão prossegue, mesmo em regimes de feição democrática, mediante infiltração, para idêntico fim, de modo militante, nas mentes dos homens e na alma dos livros.
Não é só a escola, portanto, que deve ser sem partido. Também ao material didático impõe-se essa condição. Contam-se às dezenas de milhões os livros que os governos de esquerda e centro-esquerda enviaram às escolas para transmitir aos estudantes brasileiros visões distorcidas da política, da economia, da história, da vida social, do cristianismo e da Igreja Católica. Tivessem maior credibilidade os militantes da causa, não fossem tão escandalosamente sectários, não abusassem tanto do poder de ensinar que lhes foi outorgado, não fossem tão desautorizados pelos fatos, e o estrago teria sido muito maior.
A mais recente edição do Fórum da Liberdade - "O futuro da democracia" - foi uma evidência de que nem tudo está perdido. Milhares de estudantes lotaram espontaneamente o auditório da PUC/RS, durante dois dias, para assistir e aplaudir, com entusiasmo, conferencistas nacionais e internacionais que discorreram sobre liberdades políticas e econômicas, autonomia do indivíduo, papel subsidiário do Estado, empreendedorismo e causas estruturais da pobreza e da riqueza. Chega a ser surpreendente que aqueles jovens procedessem de salas de aula nas quais apenas 20% dos professores se consideram politicamente neutros; onde 86% deles, na opinião dos alunos, transmitem um conceito positivo de Che Guevara, e 78% creem que seu principal papel seja o de "formar cidadãos" já se sabe para quê (matéria completa do Spotniks aqui).
Mas não é só por livros didáticos e professores militantes que o veneno da mentira e da ocultação da verdade a serviço da causa se infiltra no meio estudantil. Tal prática parece correr solta, também, em sites com conteúdos escolares. É o de que me adverte um leitor, diante de matéria no portal "Brasil Escola". No meio de um texto que descreve a situação da Alemanha no período entre as duas grandes guerras e o surgimento do nazismo, o autor do conteúdo permitiu-se instalar este "jaboti":
"Em 1917, a Rússia, comandada pelo socialista Lênin, derrubou o governo do Czar Nicolau II e instaurou uma nova forma de governo democrático: o comunismo. Os países que baseavam suas economias no capitalismo e na exploração do trabalhador se viram ameaçados. Uma onda de movimentos antidemocráticos surgiu no cenário mundial, com o intuito de conter o crescimento do comunismo."
Se você enxerta uma opinião pessoal em meio a um relato histórico neutro, você amplia a credibilidade da propaganda que faz. Mutretas como essa saltam de livros didáticos, sites de educação, polígrafos, provas escolares, exames do ENEM, mostrando que Escola sem Partido é uma imposição da realidade. Para dizer como os "companheiros": é preciso problematizar essa falta de escrúpulos e de limites. O país não pode ficar refém do atraso e da perfídia de deseducadores.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
QUANDO O CRIME FAZ AS LEIS - 17/04/2017
É cruel a situação dos bolsões urbanos onde o crime se enquadrilha e rege a vida das pessoas de bem. Além está o mercado das vítimas, cuja juventude deve ser levada ao vício, cujos bens devem ser tomados e cuja vida não tem valor. Nenhum chefe do crime paga um vintém pelo corpo estendido no chão. Seu carro, este sim, tem custo e preço. É o "capitalismo" da criminalidade, que certa esquerda, por algum motivo, reverencia como justiceiro.
Observo o Brasil que se vai revelando aos nossos olhos e percebo muita semelhança. Aqui atuava e dava ordens uma rede de organizações criminosas incrustadas em inúmeros centros de poder. A partir deles eram prestados alguns serviços à nação que os recepcionava na intimidade das instituições republicanas. Migalhas, distribuídas como farelo a pintos. Enquanto discursavam sobre o estado do bem estar social, viviam às custas dos miseráveis na mais escandalosa suntuosidade. A dependência é análoga à que os chefes do tráfico estabelecem sobre as regiões onde se abrigam.
Nos novelos desenrolados pela Lava Jato foi-se sabendo que, em imensa proporção, decisões e atos do poder público tinham preço e constituíam mercadoria. Eram como drogas que intoxicavam a sociedade, a economia, a política, o direito e a justiça. Vendiam-se leis, portarias, medidas provisórias e emendas. Vendiam-se contratos, financiamentos, taxas especiais de juros, informações privilegiadas e audiências. "Alô, alô, freguesia! Quem quer uma isenção ou beneplácito para alguma falcatrua?". Mercantilizavam-se ministérios e se compravam partidos até acabar o estoque. O foro privilegiado era a sobrecapa do descaramento, regalia indisponível, aliás, ao colega lá do morro, com correntes de ouro no pescoço.
E agora, que podemos dizer como Drummond a José que a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu e a noite esfriou? Agora devemos ter plena consciência de que também na nossa comunidade bandidos fazem leis. E elas saltam dos recantos do Congresso Nacional como pipoca na panela que esquentou. Vão da incrível legalização do caixa-dois à inibição dos poderes do Ministério Público e do Judiciário, passando pela enxurrada de dinheiro público para o financiamento das futuras campanhas eleitorais. Mas seu lugar de honra está na Comissão Especial da Reforma Política. Ali se jogam lances como o voto em lista fechada pré-ordenada, uma proposição cujo simples enunciado espanca a democracia. Segundo ela, não serão mais os eleitores, com os votos dados aos candidatos de sua preferência, que atribuirão mandatos aos mais votados. Isso não convém àqueles cujos rostos e negócios se tornaram conhecidos. Como farão campanha, colarão cartaz em muro e se exibirão na TV? Sem voto, vai-se o mandato. E sem o mandato, o futuro passa, em 2019, pela pista do aeroporto de Curitiba.
Com a lista fechada e pré-ordenada, defendida pelos investigados, a começar pelos presidentes das duas casas do Congresso, pelo presidente e pelo relator da Comissão da Reforma Política, a situação fica como explicado a seguir: em junho do ano que vem, ao realizarem suas convenções, os partidos, na imensa maioria dos casos comandados por seus congressistas, organizarão suas listas de candidatos a deputados federais e estaduais colocando os atuais parlamentares nos primeiros lugares. Estes, os do topo da lista, sairão da Convenção para comemorar a eleição; os demais, bons que sejam, estão previamente derrotados. Três meses mais tarde, em outubro, nós, os bobos da corte, compareceremos aos locais de votação, onde somaremos nosso voto a uma lista qualquer para que assim, proporcionalmente, sejam definidas quantas cadeiras cabem a cada sigla, segundo aquela ordem de preferência que cada partido houver definido em junho.
Não se diga que há países civilizados que votam assim. Este é o país da Lava Jato, do foro privilegiado, onde criminosos legislam, governam e julgam. (Leia a íntegra do artigo aqui: http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/ultimas-noticias/tag/percival-puggina/)
NA NOSSA GERAÇÃO, JOSÉ MAYER, ISSO TERMINAVA EM SOPAPO - 07/04/2017
"Tristemente, sou sim fruto de uma geração que aprendeu, erradamente, que atitudes machistas, invasivas e abusivas podem ser disfarçadas de brincadeiras ou piadas. Não podem. Não são. Aprendi nos últimos dias o que levei 60 anos sem aprender. O mundo mudou. E isso é bom. Eu preciso e quero mudar junto com ele." (Extraído do longo pedido de desculpas do ator José Mayer após sua agressão a uma figurinista da TV Globo).
Lendo atentamente, percebe-se que o documento do qual extraí o pequeno trecho acima tem uma eloquência demasiada. Dá impressão de que o redator, notando o péssimo efeito colateral de sua desastrosa investida, quis penitenciar-se plenamente, às antigas. Foi do oitenta do desrespeito ao oitenta da contrição. Sua mensagem, urbe et orbi, preenche todos os requisitos formais. Mas...
Mas foi além da conta. Incorreu no que, em juridiquês, se chama extra petita, extrapolou o pedido, buscando remissão e indulgência plenária a toda uma geração de brasileiros, que, na forma da transcrição acima, o teria educado para atitudes machistas, invasivas e abusivas.
Aí não, José Mayer! Você não tem autoridade para falar em nome de uma geração que é também a minha, onde esse tipo de coisa terminava, inevitavelmente, em sopapo, exatamente por não ser tolerada. Sempre havia um amigo, um namorado, um colega, um irmão para aplicar ao abusado o devido corretivo. Em tais eventualidades, a natural reação masculina era de repulsa e de proteção à mulher agredida.
Portanto, senhor José Mayer, fale por si. Faça sua catarse, mas não use esse estratagema rasteiro de distribuir suas culpas pessoais e seus desvios de conduta sobre os ombros de uma inteira geração de brasileiros que nada têm a ver com elas, exceto para expressar repúdio e indignação.
Ademais, e finalizando, um homem de 67 anos, designado ao papel de galã de novela, deveria ter discernimento e saber o que é personagem e o que é vida real, para atuar bem no primeiro caso e não ser ridículo no segundo. Aliás, melhor ainda seria se José Mayer parasse de bancar galã da novela das oito e se assumisse como zeloso cuidador de netinho na novela das seis.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
COMO OS CANALHAS FRAUDAM A DEMOCRACIA - 17/03/2017
A tentativa de instituir o voto em lista fechada é a manobra mais descarada desde o início das operações da Lava Jato. Supera, em despudor, a missão do "Bessias" levando a Lula o ato que o homiziaria no ministério de Dilma. É mais desavergonhada do que a "anistia do caixa 2". A democracia dos canalhas alcança seu apogeu com algo tão indecente na motivação, tão contra a democracia na concepção e tão escancaradamente desonesto que estará coberto de razão o cidadão que registrar, na polícia, um boletim de ocorrência.
A ideia e a intenção estão em todos os noticiários desta sexta-feira 17 de março. Seus promotores, grandes figurões da política nacional, estão preocupados com os prejuízos eleitorais que lhes advêm do conhecimento de seus crimes e de suas inclusões nas listas de Janot. O que conceberam pode ser descrito como um gigantesco iceberg político sem nada submerso. Da ponta à base, o mastodonte está inteiramente visível nas páginas dos jornais. Nosso país nunca adotou o voto em lista fechada exatamente pelo motivo que, agora, a organização criminosa atuante na política brasileira passou a vê-lo com bons olhos: ele esconde os candidatos e o voto deixa de ser direto e pessoal.
Com efeito, nesse sistema:
1) cada partido elabora uma lista com os nomes em disputa;
2) no dia da eleição, o eleitor escolhe e vota na lista de sua preferência;
3) o percentual de votos dados a cada lista, em relação ao total de sufrágios da eleição, define quantas cadeiras cabem a cada partido;
4) são os partidos que estabelecem a ordem dos nomes nas respectivas listas;
5) é dentro dessa ordem que as cadeiras são preenchidas (se um partido tiver direito a dez cadeiras, por exemplo, os dez primeiros nomes de sua lista serão titulares).
Com medo da reação da sociedade ante os escândalos em que estão envolvidos, os piores elementos da vida pública brasileira, candidatos preferenciais a serem varridos das urnas em 2018, encontraram no voto em lista fechada um modo de se elegerem sem necessidade de encarar individualmente os eleitores. Pretendem, com essa manobra, caciques que são, retomar suas cadeiras e preservar o foro privilegiado escondidos na lista partidária, mais ou menos como se dá comprimido para cachorro, disfarçado dentro de um naco de carne. É assim, escondidos e sem votos pessoais, mascarados, que eles querem voltar aos negócios em 2018. Antes, desfiguravam a representação política comprando votos e abusando do poder econômico com dinheiro mal havido; agora, querem continuar abastardando a democracia com o voto em lista fechada.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
ESTÁ TUDO ERRADO E JÁ QUEBROU. MAS NÃO MEXE! - 10/03/2017
Difícil entender a conduta de muitos brasileiros. A parcela mais significativa do eleitorado é, historicamente, sensível às mais demagógicas promessas populistas. A biografia de muitos que entraram para nossa história como líderes benquistos e o catálogo de suas principais realizações não resiste ao crivo da relação benefício-custo e ao escrutínio de suas consequências. O Brasil anda devagar e o futuro é um horizonte que se afasta. De Getúlio para cá, incluindo o próprio, o populismo nos presenteou pela urna Juscelino, Jânio, Collor, Lula e Dilma. Não era outro o ânimo dos vices Jango e Sarney. Escaparam-se, em tempos recentes, o saudoso Itamar Franco e FHC em sua primeira eleição como cavalo do comissário de um governo bem sucedido. Já não se diga o mesmo dele em 1998, pois a reeleição enviou às favas os critérios do primeiro mandato.
Recordista mundial em número de sindicatos, o Brasil cria 250 novas organizações desse tipo por ano. Segundo a revista Veja, em outubro do ano passado, havia 16.293 deles, prontos para servir de sinecura a dirigentes e de complicador às relações de trabalho. O motivo pelo qual os temos em tal quantidade (125 vezes mais do que os Estados Unidos e 180 vezes mais do que a Argentina) é o mesmo pelo qual são tantos os nossos partidos políticos. Há muito dinheiro fácil para uns e outros.
"Nenhum direito a menos!", lia-se em faixa de passeata ocorrida há dois dias em Porto Alegre. "Queremos mais direitos e não menos!" proclamava outra, no mesmo evento. Ora, quem disse que muitos direitos são vantajosos ao trabalhador? Fosse assim, Portugal e Espanha estariam recebendo trabalhadores alemães e ingleses. No entanto, o que acontece é o contrário. Recursos humanos de países super-regulamentados migram para países onde as relações são mais livres. Aqueles têm as economias mais travadas e pagam salários mais baixos; estes são mais ágeis, prósperos e pagam salários mais altos. Li outro dia que na Venezuela, onde a lei proíbe a demissão de quem ganha salário mínimo, os trabalhadores, por motivos óbvios, têm medo de ser promovidos.
Então, o Brasil preserva instituições irracionais, verdadeiras usinas de crises que promovem cíclica instabilidade da vida social e econômica. Cultua leis incompatíveis com o tempo presente como se fossem preciosidades jurídicas e esplêndidas realizações da generosidade política. Mas ai de quem propuser alteração em estatutos anacrônicos como os da previdência social e das relações de trabalho! Mas e o Brasil, deputado? Ora, o Brasil! Empregado tem nome e CPF. A empregabilidade não rende votos e o desempregado não tem sindicato.
A infeliz combinação de populismo, corrupção e leis erradas produziu a recessão, gerou 12,5 milhões de desempregados e derrubou a renda real dos brasileiros. Essa queda, porém, foi muito assimétrica, proporcionalmente maior para que ganha menos, chegando a 100% para o universo dos desempregados. Isso está muito errado!
Sim, mas não mexe, parecem dizer as próprias vítimas do perverso populismo e os eternos incendiários do circo alheio. Assim, o mero futuro já é uma utopia.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
COMO GADO PARA O ABATEDOURO? - 23/02/2017
Quem se alinha com teses sempre desastrosas, como os defensores do desarmamento, por exemplo, senta-se sobre o lado esquerdo do traseiro. Por que será? As exceções são tão raras que não ocupam lugar na arquibancada dos fatos sociais. Não contentes com fincarem pé nos fracassos, nem com andarem por aí arredondando pilar quadrado até que a casa caia, esse pessoal se esmera em espancar o bom conselho e em desqualificar a divergência. Você é contra o desarmamento? Então você é raivoso, da turma da bala; está a serviço da indústria da guerra. Potencialmente, um assassino de aluguel.
No entanto, a entrega compulsória de todas as armas das pessoas de bem tem lugar de merecido destaque na lista das iniciativas absurdas e maléficas já adotadas em nosso país. Responde, diretamente, pelo aumento da criminalidade, tanto em razão do quantitativo quanto da desfaçatez com que os bandidos passaram a agir nos mais variados ambientes e circunstâncias. Percebem-se – e de fato são – “donos do pedaço”, tocadores de gado para o abatedouro ou para o brete da marcação. Rapidamente vamos adquirindo destreza em preencher boletins de ocorrência, aos quais já tratamos na intimidade como "os meus BOs".
Nós, os conservadores, e boa parte dos liberais, cremos que a pessoa humana é titular de direitos aos quais denominamos naturais. Entre eles, o direito à vida, à liberdade e à propriedade dos bens legitimamente havidos. Para os estatistas, socialistas, comunistas e outros totalitários em geral, as coisas não são assim. Entendem que os direitos nos são dados pelo Estado, motivo por que, fonte de todos os direitos, ele se torna, simultaneamente, objeto de reverência e de assédio. Estados vão à falência por conta do assédio. Sociedades são escravizadas por conta da reverência.
O leitor destas linhas pode estar pensando: “Mas se o Estado diz que eu não posso isto ou aquilo, na prática eu não posso mesmo; na prática eu não tenho tais direitos". Ora, se um direito é natural, inerente à condição humana, o Estado pode não o reconhecer, mas ele não deixa de existir. Os criminosos sentenciados têm a liberdade justificadamente tolhida; os presos políticos em regimes não democráticos, tem a liberdade injustificadamente contida. Mas o direito? Ah, o direito permanece na pessoa!
Isso é tão significativo quanto objeto de abuso. Se olharmos a pauta das postulações daqueles corpos políticos a que me referi no início, veremos que atuam invocando o reconhecimento de supostos direitos que seriam naturais aos grupos que manipulam. Normalmente, não são.
Pois bem, a turma das teses desastrosas acabou, simultaneamente, com o sistema penitenciário e com a possibilidade de dar devida vigência repressiva ao Código Penal. A realidade social evidencia que já há mais criminosos soltos do que presos. As baixas contabilizadas pelas estatísticas são indicativas de estado de guerra, e de guerra sangrenta. Em tais condições, nosso direito à vida não pode ser preservado, defendido ou exercido na ausência de legítimo e proporcional direito de defesa. No Brasil de 2017, a posse e o porte de armas deveria ser objeto de clamor nacional ante o Estado omisso no cumprimento das obrigações. Esse não cumprimento se torna ainda mais grave quando, simultaneamente, nos recusa o direito à posse e ao porte de armas de defesa pessoal. Como gado para o abatedouro, não!
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
NOVILÍNGUA, EUFEMISMOS E ... TESTOSTERONA - 13/02/2017
O famigerado "politicamente correto" parece nascido nas páginas de 1984, o profético livro de George Orwell sobre o totalitarismo em expressão máxima. É a própria "novilíngua", que manipula, suprime ou recompõe vocábulos para dominar a linguagem e o pensamento. O "politicamente correto" já fez muito disso e já foi longe demais. Vocábulos triviais foram carimbados como impróprios e se converteram no que Orwell talvez chamasse de "impalavras", ou "despalavras". Ao sumirem, por supressões e patrulhamento, some a ideia que expressam e é restringido o que podemos pensar.
No "politicamente correto", usa-se e abusa-se dos eufemismos, trocando-se palavras fortes por palavras fracas para tornar palatável o que deveria ser rejeitado. Neste último fim de semana, por exemplo, a edição de ZH estampou matéria cujo título mencionava o possível fim da "paralisação" dos policiais militares no Espírito Santo. Paralisação? Mas aquilo não foi um motim? Na Globo News, uma locutora referia as "eventuais ações" sobre "possíveis crimes" praticados pelos "grevistas". O próprio presidente da República, em nota sobre aqueles episódios, pediu o fim da "paralisação". Não fazem diferente aqueles que falam em "ocupação" sempre que manipulados baderneiros de esquerda metem o pé e entram porta ou vidraça adentro em alguma propriedade pública ou privada. Ora, só se pode ocupar o que está vago, devoluto, ou não tem proprietário, inquilino ou comodatário. Tudo mais é invasão, seja um parlamento, uma estância ou uma escola.
O que acabo de escrever evidencia a crescente fragilidade nas nossas estruturas de comunicação. Se formos desatentos a esses e outros processos em curso na vida social, corremos o risco de ser tragados por eles, imperceptivelmente submissos a um insinuante ideal totalitário, tornando-se a sociedade vulnerável ao domínio de quem controla as palavras que ela usa.
Por isso, chamam a atenção de todos, com aprovação de muitos e rejeição de outros tantos, a conduta e o vocabulário utilizado por agentes políticos como Trump e Bolsonaro. Do primeiro, escreveu outro dia o prof. Neemias Félix que, perto dele, o segundo parece um poeta. O que os faz notórios, principalmente, é a ruptura com a novilíngua, com os eufemismos e com o déficit de testosterona, que já habituou a sociedade a conviver com falas molengas e discursos pasteurizados, nos quais só os adjetivos lânguidos e as imprecisões cuidadosamente estudadas têm assento às mesas onde a comunicação se estabelece.
Caem juntas, a cultura e a civilização. Caem a golpes de dissimulação, covardia e melindres, vulgarmente conhecidos como mimimis.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
DR. DRÁUZIO E A VIOLÊNCIA - 29/01/2017
No último dia 17, o programa Timeline da rádio Gaúcha ouviu o Dr. Dráuzio Varella sobre o surto de violência que assola o país. Mostrando conhecimento do assunto na perspectiva em que o examinou (causas sociológicas), o conhecido médico diagnosticou-a como uma enfermidade que se alastra sob o impulso de inúmeras causas, sendo a periferia das grandes cidades o espaço onde mais rapidamente se expande. Entre os fatores que originam o mal da violência e a aparente surpresa com que nos colhe, ele citou: 1) a desconexão entre o discurso que menciona os muitos milhões tirados da pobreza e as péssimas condições reais de vida naquelas áreas; 2) os milhões de jovens desocupados, que não trabalham e não estudam, ou estudam em péssimas escolas, e são facilmente transformados em recrutas das organizações criminosas; 3) a natalidade descontrolada e socialmente desequilibrada; 4) a permanente expansão da população que nasce com pequenas possibilidade de desenvolvimento individual e social, a produzir verdadeira "fábrica de ladrões".
Com justo discernimento, o Dr. Dráuzio, observou que ser pobre não é condição necessária para que alguém se torne criminoso, nem é o mundo do crime destino obrigatório de quem vive em condições de carência material. No entanto, diante da nossa triste realidade e das imensas facilidades que o caos social disponibiliza às forças do crime, o entrevistado do Timeline afirmou que a taxa de criminalidade brasileira poderia ser ainda maior.
Creio que foi o David Coimbra quem, lá pelas tantas - citando a Índia como exemplo -, perguntou sobre os motivos pelos quais países com níveis de pobreza ainda mais acentuados ou não padecem dessa enfermidade, ou não são por ela atingidos nas proporções em que o Brasil é afetado. O médico foi incisivo: famílias bem estruturadas, onde ocorra a transmissão de valores, com mães e pais trabalhadores, inexistindo abusos ou violência, podem proporcionar "ovelhas desgarradas". Mas serão sempre em número muito menor do que na situação oposta. Sem carinho, sem imposição de limites, convivendo com pais violentos e sem referências saudáveis a infância se faz vítima potencial, também, do recrutamento pela criminalidade.
É claro que o programa não esgotou a imensa pauta. O entrevistado abordou apenas alguns elementos da caótica situação das "comunidades" tomadas pelos traficantes, ou na fila de espera de que isso aconteça enquanto o Estado vai para um lado e a sociedade marcha para a anomia. Não, o Brasil não se explica nem se entende em 15 minutos. Nem em 15 anos. Nem em 15 livros. No entanto, do diagnóstico à terapia recomendada, o Dr. Dráuzio mencionou temas que considero relevantes, sobre os quais tenho escrito ao longo das últimas décadas sucessivos artigos.
Note-se, ele é ateu e não consigo vê-lo como um conservador. No entanto, falou no binômio família e valores, apontou a conveniência da simultânea presença masculina e feminina, a mãe, ou alguém por ela, o pai, ou alguém por ele, como cuidadores responsáveis, proporcionando afeto, estabelecendo limites e atentos às vivências e convivências das crianças e adolescentes. E chegamos, assim, ao meu ponto: nada disso se consegue com a irresponsável publicidade (o mais apropriado seria falar em propaganda) da "mulher dona do próprio útero"; dos filhos de "produção independente"; da família identificada como "instituição opressora", a ser superada em vistas do pleno exercício da liberdade; do "proibido proibir". Nem com apoio às rupturas da ordem e à impunidade. Nem torcendo pelo bandido contra a polícia. Nem com a libertinagem sexual que procria, mas não cria; que povoa, mas não civiliza...
(Leia o restante do artigo em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/ultimas-noticias/tag/percival-puggina/)
DEPOIS CONTE PRÁ GENTE, DEPUTADO. - 19/12/2016
Nenhum país suporta ser esfolado de tantas formas, por meios que vão da mais fingida generosidade à mais sofisticada engenharia criminosa. Entre esses dois extremos cabem muitos outros drenos de recursos: expropriação corporativa; esbanjamento nouveau riche; encargos da solidariedade ideológica nacional e internacional; descalabro administrativo; keynesianismo de prodigalidade; loucuras dos Programas de Aceleração do Crescimento, Brasil Maior, empresas campeãs nacionais; delírios do pré-sal, Jogos Olímpicos, Copa, e por aí vai.
A partir de 2005, começou a ficar evidente a extensão da crise que sobreviria como consequência de uma política que surtava ante a ideia da responsabilidade fiscal. O desastre se tornou inevitável pela teimosa repetição dos erros pois bastam alguns anos com a despesa crescendo acima da receita para que esse desajuste comece a derrubar o Produto Interno Bruto. E quando isso acontece, a despesa pública sacode os ombros e vai em frente como se não lhe dissessem respeito as dificuldades do caixa. Consequentemente, o déficit não para de aumentar e o PIB não para de diminuir. Tal realidade deveria suscitar preocupações nas duas extremidades da relação público-privado. Mas isso não acontece fora de alguns círculos técnicos.
No primeiro lado dessa relação estão todos aqueles cujo ganha-pão vem das folhas de pagamento rodadas no setor público e dos negócios que com ele são mantidos. Nesse numeroso grupo é quase consensual a necessidade de reduzir o gasto e equilibrar as contas, contanto que tais providências se apliquem bem longe de onde cada um opera. No segundo lado dessa relação estão todos os demais cidadãos, aqueles cujo trabalho no setor privado gera a riqueza da qual saem os tributos que irão pagar as despesas dos entes estatais. No Brasil, esse grupo de cidadãos, imensa maioria da população nacional, está culturalmente submisso à ideia de um setor público mais bem protegido e aquinhoado nas relações de trabalho. Entre as consequências de tais distorções se inclui o fato de que poucos jovens brasileiros estudam com tanto afinco quanto aqueles que decidem se preparar para um concurso público. Que eu saiba ninguém se dedicou, ainda, a calcular o custo financeiro dessa negligência, tão comum entre nossos jovens, com a própria formação para a vida na esfera das atividades privadas.
Resultado da cultura estatista: o gasto excessivo gera mais reclamações pela má qualidade dos serviços, do que pelo tamanho e peso tributário que o Estado assume e expande sem cessar.
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O parlamentar petista ocupava a tribuna da Câmara dos Deputados. Da alienação por onde divagava (Freud explica), era fácil depreender que recém retornara de um voo em 1ª classe à constelação de Andrômeda. Na viagem, por essas coisas do tempo e do espaço (Einstein explica), sumiram os catastróficos governos petistas. E ele lançava maldições à PEC do teto, que denunciava como produto de mentes perversas, ignorantes de rudimentos da ciência econômica: "Com o que vocês estão fazendo vai faltar dinheiro para tudo! Já deveriam saber que em tempo de recessão cabe ao governo gastar para ativar a economia. Certo?".
Errado, deputado. Como o senhor está chegando de viagem intergaláctica, esquece que a recessão foi causada pelo aumento desmesurado do gasto e do déficit primário. Não é que vá faltar dinheiro para tudo no futuro. O dinheiro já acabou, deputado. Mas eu tenho uma excelente utilidade para sua sugestão: aplique-a em casa. Em vez de conter despesas, resolva os problemas financeiros da família obrigando mulher e filhos a aumentarem seus gastos. Depois conte prá gente, deputado.
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
COXINHAS E PETRALHAS NÃO ESTÃO NO MESMO BARCO - 12/12/2016
A mensagem me veio em e-mail sobre o momento político e incluía esta convocação à unidade nacional: "Coxinhas e petralhas, uni-vos!". O absurdo propósito tem dois pressupostos:
1º) A denúncia da Odebrecht, que acaba de vazar, abalou o governo Temer tanto quanto estava abalado o governo Dilma por acasião do impeachment.
2º) Coxinhas e petralhas, estariam, agora, no mesmo barco, unidos por simétricos infortúnios.
Se é verdade que a denúncia do ex-diretor da Odebrecht Claudio Melo Filho fez um enorme estrago nos mais altos escalões dos partidos que se uniram pelo impeachment de Dilma Rousseff, é absolutamente falso traçar qualquer analogia entre a conduta pré ou pós impeachment de coxinhas e petralhas. Enquanto estes cumpriam missão partidária, aclamando bandidos como "heróis do povo brasileiro", fazendo uso de violência e depredações, os coxinhas, em momento algum, emitiram som ou gesto em defesa de qualquer corrupto, independentemente do partido a que fosse filiado. Justice for all! Toda tentativa de apresentar os dois grupos como faces distintas de uma mesma moeda é falsa como seria a moeda que o expressasse.
A melhor evidência do que afirmo me veio pela edição de ZH desta segunda-feira, 12 de dezembro, no relato de um leitor transcrito pelo jornalista Tulio Milman em seu "Informe Especial", à página 2. O autor teve o privilégio de comparecer à palestra proferida pelo juiz Sérgio Moro ao público que lotou um auditório da Universidade de Heidelberg. Esclarece o autor que palestrantes estrangeiros costumam atrair umas poucas dezenas de interessados. Para o evento com presença do juiz brasileiro, porém, foi necessário um auditório com capacidade para centenas de pessoas e muitas ficaram de pé.
Interrompo momentaneamente as referências ao relato do leitor de ZH para registrar algo que estou pesquisando enquanto escrevo. Antecedendo o evento, diversas personalidades enviaram mensagens à Universidade de Heidelberg alertando para suposta falta de credibilidade do magistrado que estaria empenhado em destruir o PT e proteger PMDB e PSDB. A KGB petralha estivera em ação internacional.
A Rede Brasil Atual, por exemplo, se encarregou de divulgar isso, no dia 9, afirmando que "Moro vai encontrar ambiente hostil na Alemanha", pois intelectuais brasileiros estavam advertindo a Universidade sobre as reais intenções de seu convidado. Eis, um parágrafo que, de certo modo resume, em péssima redação, o espírito petralha da matéria:
"Já houve uma série de protestos em forma de documentos encaminhados aos anfitriões do encontro, professores, alertando sobre quem eles estavam convidando". "(...) claro, um alerta em termos, eles sabem quem é Moro, mas cartas foram escritas alertando que o juiz não é um paladino contra a corrupção, e sim um paladino contra um partido".
A imprensa brasileira, reportando o evento, destacou a presença de manifestantes portando cartazes com acusações de parcialidade ao magistrado da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba. O leitor de ZH, contudo - voltando a ele - informa que eram uns poucos, cuja idade evidenciava não serem membros do corpo discente da instituição anfitriã. E sublinha que mais da metade do auditório aplaudira Sérgio Moro em pé, ao final de sua consistente e firme apresentação.
Toda a trama mentirosa contida nas matérias da sexta-feira se desfez no sábado. A delação da Odebrecht, a "delação do fim do mundo", foi cuidadosamente articulada na Lava Jato, sob as vistas do correto magistrado de Curitiba. Em outubro, ele já advertira para as turbulências que dela adviriam. E de fato, a primeira a se tornar conhecida acertou em cheio aqueles a quem os petralhas diziam estar sob proteção do juiz.
Então, por obséquio: coxinhas não são defensores de corruptos nem estão articulados com qualquer projeto estilo KGB para destruir a reputação do principal e mais eficaz combatente contra a corrupção em nosso país. Coxinhas não embarcam com petralhas.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
ORGASMOS AUDITIVOS - 06/12/2016
A estas alturas da história do Ocidente, o discurso político mais perigoso e mais prejudicial, porque produz verdadeiros orgasmos auditivos, é o que fala sobre a pobreza com intuito de gerar energia política.
Amar o próximo e dedicar zelo especial aos mais necessitados é mandamento divino e missão profundamente humana, que cada um deve cumprir segundo sua vocação, discernindo na pluralidade de meios que as circunstâncias proporcionam. Não obstante, junto a tantos e tão belos exemplos de amor e solidariedade, existem, na vida civil e, não raro, na religiosa, aparelhos políticos que vivem hipocritamente desse discurso e para esse discurso. São pessoas que se abastecem do poder que ele confere e, nos confortos da vida fácil, matraqueiam sua parolagem com vapores alcoólicos dos melhores vinhos e perdigotos da mesa farta.
Se ficassem nisso, seriam apenas hipócritas. O que os torna perigosos e prejudiciais é que sua falsa devoção inclui, para o melhor efeito político, a pregação do ressentimento e do ódio ao rico. É aí, na construção do confronto, que efetivamente começam a fazer política e, simultaneamente, a causar dano àqueles por quem dizem zelar. Não lhes basta fingir um conteúdo amoroso. A eficácia exige apresentar algo a combater e alguém para odiar. Então, esse discurso arrasta consigo a luta de classes e uma retórica convenientemente estruturada para alcançar o efeito desejado.
O amor trambiqueiro ao pobre vai contra a própria ideia de riqueza. Com isso, adota mecanismos que sufocam as energias produtivas, penalizam investimentos, criam insegurança jurídica, tornam malvistos os empreendedores, põem em risco os bens individuais, elevam a carga tributária, expandem a dívida pública e, inevitavelmente, produzem miséria e desemprego. Tudo por fingido "amor ao pobre". Cada passo nesse malsinado caminho chuta para o acostamento as possibilidades de desenvolvimento social e econômico. E mais: os devotos desse discurso, em nome dele, perdoam todos os malefícios que produziu ao longo da história. É por ele que recebem absolvição política os crimes e agressões à democracia e às liberdades cometidos por Fidel, Che Guevara, Chávez, Maduro e muitos outros. É por ele que se entrega ao silêncio o martírio de leigos e religiosos. É por ele que se desconsidera o fabuloso enriquecimento ilícito de tantos amantes infiéis da pobreza. É por ele, também, que se expõe a nação ao comando político de pessoas sobre cujo despreparo não cabem dúvidas.
Esse orgasmo auditivo resiste, até mesmo, ao teste do fracasso e da total inutilidade desse discurso. A fé que ele gera é capaz de lançar ao mar toda uma cordilheira de evidências.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
OS SOVIETES DO PSOL - 25/10/2016
OU "O PREÇO DA DEMOCRACIA E A ETERNA VIGILÂNCIA"
Os sovietes (conselhos) surgiram entre os revolucionários russos de 1905 e, em 1917, se consolidaram como órgãos do poder no Estado comunista. No dizer atribuído a Lênin, eram "expressão da criação do povo, manifestação da iniciativa do povo". Portanto, como nada mais democrático do que a expressão da vontade e ação do povo, devemos aceitar que o terrível, genocida e totalitário regime implantado na União Soviética continua sendo, para todo comunista, a melhor expressão de democracia registrada nos anais da História. Eis aí o motivo da reverente admiração de tantos pelos regimes cubano, angolano, venezuelano, chinês, norte-vietnamita e norte-coreano e sua aversão às sofridas primaveras de Praga, Budapest e Pequim. Aliás, também se deve a isso a completa desconsideração, dos mesmos, por todos os regimes que testemunham a superioridade das democracias liberais e de suas instituições ante as funestas filhas de Marx e Lênin.
Foi a natureza revolucionária e comunista dos sovietes que deu origem à alcunha "Decreto dos Sovietes" ao Decreto Nº 8243/2014, da extinta presidente Dilma, que criava a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social (SNPS). No cruzamento deste com aquela, saía atropelado e paraplégico o Congresso Nacional. Com o decreto, o governo imiscuía nas decisões nacionais uma dezena de mecanismos envolvendo a participação dos coletivos, movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados (!), suas redes e suas organizações. O PT e demais partidos de esquerda criaram e controlam centenas desses coletivos e movimentos. Todo poder aos sovietes!
Era o mês de março de 2014. Haveria uma eleição em outubro daquele ano e, muito embora as pesquisas fossem favoráveis à candidata petista, as investigações da Lava Jato não tranquilizavam suficientemente o governo. Então, o Decreto Nº 8243 era sonho de consumo: num luzir democrático tão falso quanto seria a propaganda eleitoral por vir, seu pessoal poderia, participativa e democraticamente, como "povo", interferir em todas as áreas do governo, qualquer que fosse o vencedor do pleito.
A gritaria dos segmentos esclarecidos da sociedade, capazes de perceber a real natureza dessas manobras, não chegou a mobilizar o Congresso em pleno ano eleitoral. Um projeto de Decreto Legislativo (PDC 1491/14), sustando o ato presidencial ficou dormindo no protocolo. Passado o pleito, porém, com a vitória petista, o próprio governo se desinteressou pelo assunto. A Câmara aprovou o PDC 1491/14 e o enviou para o Senado e para o esquecimento. Esquecimento nosso, porém. No mesmo dia em que a Câmara cassava o decreto dos sovietes, os três deputados do PSOL (Chico Alencar, Ivan Valente e Jean Wyllys) o reapresentavam como projeto de lei! Era o que havia de mais comunista na prateleira das possibilidades e o partido não permitiria que se exaurisse na lixeira.
Estamos falando do PL 8048/2014. Em regime de tramitação ordinária, ou seja, com aprovação conclusiva pelas comissões, essa ave de mau agouro já foi aprovada pela Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público. Neste momento, está pousada na Comissão de Finanças e Tributação, de onde irá à deliberação final da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania. Só voará ao plenário se rejeitada por alguma das duas comissões restantes ou se pelo menos 51 deputados o requererem. Passou da hora de a sociedade se manifestar novamente sobre essa fraude à democracia e às instituições políticas da República.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
QUINTA-COLUNA. OU, QUEM PROTEGE BANDIDOS? - 16/10/2016
Importado da Guerra Civil Espanhola e largamente usado durante a Segunda Guerra Mundial, o termo quinta-coluna designa quem, no desenrolar de um conflito, serve à causa do inimigo nacional comum. Não é outra coisa a zelosa proteção de malfeitores conduzida por proselitismo ideológico, estratégia política e administração da justiça. Assumida com motivações de esfumaçada nobreza, implica ações e omissões que colidem com a segurança e a defesa da sociedade, com elevados atributos do bem comum e com finalidades essenciais ao Estado.
Num tempo em que nossas sirenes mentais disparam ao colocarmos o pé na soleira da porta, ou pararmos num semáforo, ou escrutinarmos cada passageiro que embarca no coletivo em que nos aventuramos, a palavra paranoia tende a cair do vocabulário, substituída por duro e puro realismo. Há uma guerra declarada pelo crime contra a sociedade. E nós não somos militares ou policiais. Somos os desarmados objetivos de forças inimigas, que evitam se confrontar com o Estado pois este tem armas e tropas, reduzidas, mas treinadas. É conosco, é contra os civis, que tal guerra foi estabelecida.
Por isso, decidi alinhar nesta coluna, para adequada identificação, diversas posições e atitudes de colaboração com as forças inimigas. Podem, por isso, ser qualificadas como quinta-colunas. Você verá, leitor, sem surpresa alguma, que todas essas atitudes procedem do mesmo arraial ideológico onde se articulam ações revolucionárias.
São protetores de bandidos os adversários à posse e ao porte de armas. Eu mesmo me alinhei entre estes, até aprender de minhas sirenes mentais o quanto a prudente prevenção serve à nossa segurança e à de nossos familiares. Uma população civil desarmada vira pombinha branca para as armadilhas do banditismo, tão alva e tão ingênua quanto as dessas revoadas lançadas por manifestantes em favor de uma paz unilateralmente declarada. É bem assim que as forças inimigas querem ser recebidas. Elas desejam ser, sempre, o único lado com o dedo no gatilho.
São protetores de bandidos todos os que emitem a cantilena do "só isso não resolve" ante qualquer demanda racional por rigor contra o crime, a saber, entre outras: mais presídios, penas de reclusão mais longas, severas exigências para a progressão de regime e uso mais intenso do Regime Disciplinar Diferenciado nas execuções penais.
São protetores de bandidos os que proclamam, como se argumento fosse, o fato de já termos "presos em excesso". E tudo se passa como se miragens e alucinações, não bandidos reais, andassem por aí todo ano, armas na mão, matando 60 mil brasileiros, roubando meio milhão de carros, praticando número muito maior de furtos diversos não notificados e algo como 520 mil estupros (estimativa feita pelo IPEA, levando em conta a subnotificação, a partir de 41 mil ocorrências registradas).
São protetores de bandidos os políticos, formadores de opinião, juristas e ideólogos cujas vozes, em pleno estado de guerra, mas longe do tiroteio cotidiano, só se fazem ouvir para recriminar ações policiais, promovendo a associação ideológica dessas corporações à repressão, autoritarismo, brutalidade, ditaduras e assemelhados. São protetores de bandidos os militantes de ideologias instalados nas carreiras jurídicas e ganhando acesso aos parlamentos. Para estes, os criminosos são agentes ativos da revolução social com que sonham sem terem a coragem de acionar com mão e gatilho próprios.
São defensores de bandidos todos que espalham as sementes do mal por plantio direto, lançando-as ao léu, com a afirmação de que os criminosos são seres humanos esplêndidos aos quais foi negada a realização de sua bondade natural por essa sociedade perversa (eu, você que me lê e os executados de ontem em atos de extrema frialdade). Veem-nos - a nós, nunca a si próprios - como potenciais cenas do crime, corpos de delito com culpabilidade constatada e contas a ajustar.
A lista é extensa e não há como condensá-la nestas linhas. Não tenho como (leia o artigo completo em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/percival-puggina/ultimas-noticias/
Especial para ZERO HORA, 15/10/2016
NÃO HÁ MAL QUE NÃO ACABE - 20/09/2016
A sentença que dá título a este artigo tem permanência e não tem ideologia. Um dia a casa cai. Eduardo Cunha viu a sua tombar na última segunda-feira. Só ele não via que sua cassação era dessas verdades anunciadas até frente os mictórios do Congresso. Ela não decorreu de qualquer convicção moral majoritária. Bem ao contrário. Como sua numerosa bancada fora construída mediante distribuição de favores e corretagem de benefícios, extinto o poder com o afastamento, ruíram os alicerces, os ratos sentiram o chão tremer e o telhado desabou.
Foi dia de festa nacional. Até o PT, que andava encontrando pouco prazer na vida e ensaiava passar os próximos dois anos a fazer o que sempre fez e faz quando na oposição – gritando “Fora!” aos que estão em seu caminho – brindou à saída daquele a quem escalara como arqui-inimigo. Os milhões de brasileiros que, como eu, queriam o impeachment da presidente Dilma, idem. Nós sabíamos bem o quanto Cunha,com sua omissão,atrapalhou, retardou e procurou esfriar a mobilização popular pelo impeachment. Nós sabíamos que ele usou em seu próprio benefício a voz das ruas e o poder que tinha de decidir sobre encaminhar ou não um requerimento qualquer entre as dezenas que se empilhavam sobre sua mesa. Quando, com nove meses de atraso, decidiu decidir, escolheu provavelmente o único que deixava de lado o conjunto da obra, ou seja, a casa que um dia haveria de cair. Por que essa escolha? Porque do conjunto da obra ele fazia parte.
Foi essa escolha que transformou as sessões do Congresso que deliberaram sobre o assunto numa repetitiva sequência de debates políticos sobre desgraciosa matéria técnica de contabilidade pública e Direito Constitucional. Foi graças à falta de atrativos desse conteúdo que o PT construiu a retórica do golpe. Os próximos dias possivelmente nos reservarão uma surpresa. Se Cunha formular as denúncias que anuncia, talvez venhamos a ver o petismo acreditando piamente em tudo que ele disser. E não duvide: Cunha pode estar a um passo de se transformar no próximo guerreiro, herói do povo brasileiro.
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Não tenho condição de opinar sobre a denúncia de 159 páginas encaminhada pelos procuradores da Lava Jato contra Lula, dona Mariza e outras seis pessoas. Percebo porém, ante o que li e ouvi, que as declarações da família Lula da Silva sobre o tríplex de Guarujá são inconsistentes. As alegações de Lula sobre não haver escritura em seu nome transforma o famoso imóvel numa versão praiana do argumento de Cunha, que também alegava não ter “conta na Suíça”, mas dinheiro num fundo trust. Idêntica situação, de resto, se repete em relação ao sítio de Atibaia.
O que impressiona a quem pôde dedicar algum tempo a ouvir o procurador Dallagnol e a ler ao menos as partes principais da denúncia formulada por ele na companhia de outros 12 procuradores é o rigoroso tratamento lógico dispensado ao que foi denominado conjunto da obra. Faz lembrar algo? Pois é. Pouco a pouco, a peça acusatória vai escrutinando as circunstâncias em que foram praticados crimes de corrupção. Mostra que o petrolão é continuidade do mensalão, sem José Dirceu. Prova que houve continuidade delitiva pelos mesmos agentes, tornando impossível, após a AP-470, qualquer posterior alegação de desconhecimento por parte de Lula. A operação Lava Jato já viu e ouviu o que nem o diabo sabe. Proporcionou 1,4 mil procedimentos, mais de 600 buscas e apreensões, 70 acordos de colaboração e 112 pedidos de cooperação internacional. Ofereceu acusações criminais contra 239 pessoas e já obteve 106 condenações. Pediu ressarcimento de R$ 38 bilhões, incluindo propinas que já alcançam o montante de R$ 6,6 bilhões!
É inconcebível que algo dessa magnitude se instale, opere, acesse semelhante volume de recursos e posicione operadores conforme a conveniência do esquema, sem que alguém com poder no governo e sobre os partidos ... (leia o artigo completo em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/percival-puggina/ultimas-noticias/)
Especial para Zero Hora, 17 de setembro de 2016
O FORA TEMER E A ESQUERDA GOLPISTA - 15/09/2016
Alguém pode me citar um presidente com mandato posterior à fundação do PT que não tenha sido alvo de campanhas semelhantes à que presentemente se dirige contra Michel Temer? Parece-me que a infinita reiteração denuncia insubmissão a toda autoridade não alinhada ao partido. Não por acaso, essa é uma conduta radical muito semelhante à do Islã político, merecedor de persistente proteção da esquerda mundial.
Apenas para comparar, lembro que somente após 12 anos de sucessivos governos petistas a sociedade brasileira foi às ruas. E o fez com a intenção - perceba-se a diferença - de cobrar das instituições uma solução para a tragédia em moto contínuo e para os encordoados escândalos proporcionados pela organização criminosa que operava no governo e em sua base de apoio. É importante ter em vista essa diferença. Uma coisa é o direito popular de se manifestar às instituições. Outra é mobilizar milicianos e militantes para ações típicas de agitprop (agitação e propaganda, no melhor estilo da KGB) com a intenção de promover convulsão e prejudicar o país, interna e externamente. Flagrada numa pichação "Fora Temer", a deputada comunista Jandira Feghalli explicou que aquele era um ato subversivo. E, claro, "democrático". Em recente manifestação promovida pela CUT e pelo MTST, Luíza Erundina afirmou que "não sairemos das ruas até esse governo cair".
Cair como, dona Luíza? Tipo Tomada da Bastilha? Se estamos sob um governo constitucional, golpeá-lo reunindo milicianos, esbravejando bandeiras vermelhas, espatifando vidraças, queimando pneus e estimulando o caos, não é ... golpe?
No Estado de Direito existe um modo legal de fazer as coisas. Até para ir às ruas pode-se sair de casa dentro da lei e fora da lei. As manifestações contra o governo Dilma e contra a corrupção ocorreram com prévia notificação às autoridades da segurança pública indicando local e percurso, solicitando proteção e acompanhamento policial. Opiniões foram expressas e soluções reivindicadas dentro da ordem, com legitimidade formal. Fora do Estado de Direito, temos o que está sendo promovido pelos partidos de esquerda, com inequívoco intuito subversivo, na sincera expressão da candidata do PCdoB à prefeitura do Rio de Janeiro. Se querem destituir Temer, busquem fundamentos constitucionais e peçam seu impeachment.
Não entendo, mas admito como possível e legítimo que pessoas amem Dilma Rousseff, exaltem sua gestão, tenham e mantenham adoração religiosa pelo PT, desconheçam as manifestações das ruas pelo impeachment, considerem que a ex-presidente seja de uma correção sem par e que, para ela, a verdade se imponha como grande soberana das próprias manifestações. Acredito que existam pessoas convencidas de que seu impeachment ocorreu sem justa causa, fruto de tenebrosas maquinações da direita. Juro que acredito!
Creio, também, na possibilidade de que, para muitos, Lula seja outro modelo de virtudes. Admito que outros tantos não atribuam qualquer importância a seus desvios de conduta e ao vertiginoso enriquecimento de toda família Lula da Silva. Mas me permito, pelo viés oposto, não atribuir qualquer importância às suas opiniões, crendices e critérios de juízo moral. Na linha de tiro das minhas opiniões continuam todos os corruptos e corruptores, todos os fora da lei, todos os subversivos e todos os golpistas inglórios.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O CONJUNTO DA OBRA E O JUÍZO FINAL DE DILMA ROUSSEFF - 26/08/2016
O PT nasceu com aspirações à santidade. Tão metido a santo que nunca hesitou em atirar a primeira pedra. Não porque necessariamente houvesse pecado, mas porque havia pedras.
Não há impositiva relação de causa e efeito entre crime de responsabilidade e impeachment. Não poderia haver este sem aquele, mas poderia haver aquele sem este. No caso atual, é o desastroso conjunto de pecados que determina, ante o crime de responsabilidade cometido, a condenação num juízo político. A propósito, aprendi no catecismo que o pecado pode acontecer por pensamentos, palavras, atos e omissões. Informo a quem considere piegas esta informação, que a vida, com enxurrada de exemplos, me ensinou o quanto ela é correta. É através desses meios que cometemos todas as nossas faltas. E para o ser humano, não as reconhecer, em qualquer das quatro formas, é o mais danoso de todos os erros.
Enquanto assisto a primeira sessão do juízo final de Dilma Rousseff, percebo, em sua defesa, a continuidade dos mesmos pecados. A mensagem que recentemente (16/08) leu à Nação e ao Senado registra pela primeira vez a palavra "erro", ainda que numa frase com sujeito oculto. Erro de autoria não identificada. Tornou-se evidente, ali, a contradição entre a Dilma do dia 15 de agosto, mergulhada "num pote até aqui de mágoas", tomada pela ira e arrogância, e a Dilma que acordou no dia seguinte humilde, propondo diálogo e união em torno da pauta que lhe convinha. Qual a Dilma real? Se algum dia existiu, evaporou-se entre Lula e João Santana. Personagens tão divergentes quanto os que ela encarna só podem ocorrer numa encenação. Um deles é falso. Ou todos o são. Na política isso é pecado mortal.
A situação se agrava quando assistimos o comportamento da defesa da presidente afastada no Senado Federal. Primeiro, rasga e joga no lixo a carta do dia 16 de agosto (no que vai bem porque o inaproveitável programa ali proposto prorroga por dois anos o sanatório institucional em que temos vivido). Em seguida, reitera o velho e conhecido sintoma da psicopatologia petista. Entenda-se: o PT é um partido que nasceu em sacristias e conventos, com aspirações de santidade. Tão metido a santo que nunca hesitou em atirar a primeira pedra. Não porque necessariamente houvesse pecado, mas porque havia pedras.
Quis ser, e por bom tempo muitos o viram assim, um guia de peregrinos, objeto de veneração. Ainda sem pieguices, torna-se oportuno outro ensino de catequese: ou nossa vida se modela segundo aquilo em que cremos ou nossa crença se conforma ao modo como vivemos. Então, o petismo não reconhece os males que causou ao país. Só tem dedos para o peito alheio. Não tem unzinho sequer para as próprias culpas. Com três tesoureiros presos, o partido se considera um santo incompreendido e, para evitar martírio, extingue a função. Na história universal é o primeiro partido político com muita grana e sem tesoureiro.
Voltemos, porém, à primeira sessão do juízo final de Dilma Rousseff. Lá estão seus senadores usando todas as manhas possíveis para retardar o andamento dos trabalhos. Depois de seu governo haver feito tudo que fez, depois de ter caído na mais profunda desgraça, seus senadores estão servindo à nação mais e mais do mesmo. Não ruborizam pelos malefícios causados ou pela quadrilha instalada no coração do governo. Declaram-se ofendidos, isto sim, porque alguém os acusa de retardar o andamento das sessões e de todo o julgamento. E a nação a tudo vê. Temos aqui um dos muitos motivos da desgraça moral em que afundou o partido que governou o Brasil durante 13 anos consecutivos. É o pecado mortal de se achar sem pecados, de negar o que fez e faz, mesmo quando todos assistem aquilo que é feito. Eis a definitiva essência do conjunto da obra.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O PORRE IDEOLÓGICO E A CRIMINALIDADE - 16/08/2016
A primeira informação chegou-me em rede social. Uma amiga pedia doações de sangue para a médica que havia sido ferida a tiros durante assalto na Zona Norte de Porto Alegre. Levaram-lhe o carro e a vida. No mesmo horário, lado oposto da cidade, um porteiro foi vítima de latrocínio. Levaram-lhe a moto e a vida. Não preciso esperar pelas ações policiais para saber que os autores dos dois latrocínios têm extensa ficha policial, não são incógnitos aspirantes ao mundo do crime, nem estão na fila de espera de algum projeto de ressocialização. Não. São indivíduos perigosos, fora da lei, sem qualquer respeito pela vida e bens alheios. E andam soltos. Fizeram uma opção existencial, abriram guerra contra a sociedade, contra quem trabalha, seja médica, seja porteiro. Enfrentar o mundo do crime a partir da benevolente hipótese de sua ressocialização é zombar das vítimas. É uma política que firma compromisso com a multiplicação dos danos. Dar um passo além e afirmar que esses criminosos de mão própria são vítimas de uma sociedade que se organiza em torno do direito de propriedade merece enquadramento como tipo penal - delito de incentivo à criminalidade.
Qual a diferença entre quem pratica o crime e aquele que o justifica? Enquanto o primeiro tem ação limitada à própria capacidade individual, o segundo funciona como uma aeronave de aviação agrícola, espargindo a fumaça do mal sobre a multidão dos descontentes, dos cobiçosos, dos vagabundos, dos viciados e dos incontinentes. Nada há que convença esses cavalheiros sobre o malefício que produzem. Dirão que me importo com o ocorrido por se tratar de alguém da upper class (esquecidos do desditoso porteiro da mesma madrugada). Afirmarão que estou defendendo um sistema perverso, mas fazem vista grossa a um dado inequívoco: o supostamente generoso sistema a que se aferram malgrado todos os fracassos levou a Venezuela a um nível de violência duas vezes superior ao brasileiro.
De modo pegajoso, abraçam-se a qualquer monstro, vendo nele o ideal rousseauniano do homem bom que poderia ter sido, mesmo quando ele anda pela vida avançando contra tudo que seja, de fato, bom, puro e sagrado. Por que fazem isso? Porque sem esse delírio, que desconhece a presença do mal na natureza humana, de que lhes serve a máscara de bondade?
Se o crime se justifica por motivos sociológicos e se doutrinas jurídicas nesse sentido encontram guarida no mundo acadêmico, alimentando corações e mentes de advogados, promotores e magistrados, que necessidade teremos de prisões? Por isso não as conservamos nem as construímos. Corporações policiais para coibir a atuação justiceira da criminalidade? Que os agentes da lei sejam, estes sim, objeto de contingenciamento de recursos e rigoroso controle. Aliás, de quanto se lê, parece que aí, e só aí, a maldade pode se manifestar como de fato é, sem qualquer guarida sociológica... Paradoxo! O bandido é aquele que deve ser visto como o homem bom que não deixaram ser. O policial, por seu turno, é o homem mau que precisa ser severamente patrulhado. Dai-me forças, Senhor!
Não me resta mais dúvida. Nossa insegurança é causada pelo porre ideológico que esta nação tomou nas últimas décadas. Agora, vivemos a ressaca.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
OS DIREITOS HUMANOS E A LEI - 04/08/2016
Os que começaram com isso estão velhos e carecas. Há mais de meio século, partidos de esquerda priorizaram a infiltração na política estudantil e a tomada dos seus organismos de representação. Acompanhei uma parte dessa história e posso testemunhar que, já então, a conduta dos jovens militantes era, tanto quanto agora, de estilo autoritário, presunçoso e arrogante. Nas disputas eleitorais, nas assembleias e congressos estudantis, e na afirmação de suas causas, colocavam-se aqueles jovens colegas acima da lei, das regras e da ordem. Não surpreende a constante reiteração de tais comportamentos ao longo dos anos. Afinal, onde o comunismo foi democrático, respeitoso e tolerante?
Assim, em junho deste ano, por exemplo, mais de 150 escolas do Estado foram invadidas por pequenos grupos de estudantes ligados a dois ou três partidos de esquerda. Entravam, aferrolhavam as portas e declaravam que a escola lhes pertencia. Eles não queriam aulas, que se danassem, então, os colegas, os professores e todas as famílias prejudicadas com a paralisação do ano letivo. E ai de quem dissesse que a escola é um patrimônio público! Era logo rotulado fascista, expressão que podia muito bem, pelo que estavam a fazer, ser proferida pelos próprios se diante de um espelho.
Outras invasões ocorreram na mesma época, entre elas a do prédio da Secretaria da Fazenda, no último dia 15 de junho, durante a greve dos municipários. Eram algumas dezenas de menores de idade, acompanhados de uma dúzia de adultos. Que relação poderia haver entre a pauta corporativa dos servidores e o movimento estudantil? Para que precisavam os maiores, da presença dos menores? Ora, a causa era política, ou melhor, a política era a causa. Quem não vê? Resultado da operação invasora: muito dano ao patrimônio público. Para que isso? Procure suas respostas em alguma obra sobre práticas fascistas.
Feito o rescaldo, ocorreu o necessário inquérito policial, houve denúncia ao Ministério Público e o promotor Luís Felipe Tesheiner, incumbido do processo referente aos maiores de idade, não prevaricou, não deixou de cumprir seu dever funcional. Fez o que inequivocamente lhe competia diante de um conjunto de crimes simultâneos, que vão do dano qualificado ao aliciamento de menores. Pronunciou-se pelo acolhimento, sugerindo uma pena branda de comparecimento periódico ao Foro da Capital durante dois anos ao longo dos quais os acusados não podem se envolver em ações semelhantes.
Em sua incomparável capacidade de escolher o lado errado, afrontar a sociedade, ignorar as vítimas, desprezar os danos e abraçar os culpados, arrepiaram-se os membros do Conselho Estadual de Direitos Humanos (CEDH-RS). Cavalgaram o surrado chavão da "criminalização dos movimentos sociais" e cuidaram de apontar ao digno promotor algo que seria o verdadeiro "sentido de sua missão constitucional". No entender do CEDH-RS, esse sentido seria afagar os responsáveis, louvar sua dedicação à causa que os levou a aliciar, invadir e depredar, e pedir um autógrafo aos bravos combatentes do movimento revolucionário.
* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
MARXISMO NO DIREITO E A NOSSA INSEGURANÇA - 13/07/2016
Você provavelmente se criou assumindo como verdadeiras algumas premissas, entre as quais a de que pagamos impostos para que o Estado nos proporcione serviços, ou a de que os poderes de Estado priorizam o interesse público.
O tempo e a vida lhe ensinaram, contudo, que há grande distância entre tais premissas e a realidade. No mundo dos fatos, é para manter o Estado que pagamos impostos. A prioridade número um dele é cuidar de si mesmo. E a preocupação maior dos poderes de Estado é com sua manutenção e com a qualidade de vida de seus membros.
Desnecessário provar o que afirmo. Prefiro dar um passo além e desnudar outro mal que se instalou no Estado brasileiro e, mais intensamente no nosso Direito. Refiro-me a uma visão marxista da criminologia, dita criminologia crítica. Ela vê o ato criminoso como consequência da estrutura de dominação e como reflexo de uma luta de classes da qual a própria lei penal é instrumento. A criminalização de condutas seria, então, a forma pela qual o grupo social superior sanciona e reprime certas ações do grupo social inferior. Dito isso, você começa a entender, por exemplo, a origem do uso permanente que as esquerdas fazem do verbo "criminalizar" quando se referem aos repúdios à invasão e à destruição de bens públicos e privados: "Vocês estão criminalizando os movimentos sociais!". Confere?
Pode não parecer muito (quando o bem agredido não nos pertence), mas se trata de algo com seriíssimos reflexos na criminalidade, na ordem pública e na nossa segurança pessoal. Quando estas ideias saem dos livros, descem com canudo na mão as escadarias das universidades e ganham vida nos tribunais e nos parlamentos, nossa segurança pessoal começa a perder a tutela do Estado e de suas instituições. Perde-a, pela convicção ideológica dos mais altos níveis institucionais. E perde-a, nos níveis inferiores, pela total incapacidade de corresponder à demanda social. Faltam vagas nos estabelecimentos penais e são insuficientíssimos os contingentes policiais. A estes, falta verba, viatura, armamento e munição. E ainda caem impiedosas sobre seus ombros acusações de brutalidade, preconceito, despreparo e cobranças incompatíveis com o cotidiano de quem ganha o pão com o sangue, a saúde, o medo e a vida.
Como o leitor destas linhas deve ter percebido, a questão que aqui abordo tem tudo a ver com seu dia a dia! Parte significativa da insegurança em que todos vivemos decorre dessa insidiosa penetração do marxismo no nosso Direito e na nossa Política. E ainda temos que assistir os defensores dessa ideologia em orgulhosa contemplação de si mesmos e de sua virtuosa benignidade para com os malfeitores que nos atacam...
Não haverá policiamento suficiente enquanto os mesmos criminosos, ainda que presos incontáveis vezes, continuarem retornando às ruas pelas mãos gentis do Estado. Nem enquanto a regra for a de prender pelo menor tempo possível. Quem disse que o sistema penal deve que ser um carrossel sem fim, com mais gente fora do que dentro? A mesma mão que nos escorcha nos tributos estende a sua para quem nos toma a vida e o patrimônio. Por quê? Porque escolheram inverter os polos, fazendo de cada um de nós os verdadeiros autores do suposto ato criminal, culposo ou doloso, de não vivermos e não querermos viver numa sociedade socialista. Como se não nos bastassem os exemplos bem próximos da Venezuela e de Cuba!
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
VOCÊ VAI AJUDAR FINANCEIRAMENTE OS SEUS CANDIDATOS? - 17/06/2016
Chega a ser simplória a ideia de que, no modelo político brasileiro, campanhas eleitorais possam ser adequadamente viabilizadas apenas por contribuições individuais. Estamos nos encaminhando para ver, no dia 2 de outubro, em que vai dar essa decisão do STF, mas antecipo algumas observações. E a primeira diz respeito à pergunta que dá título a este artigo. Você, leitor, está disposto a meter a mão no bolso e doar dinheiro para a campanha de seus candidatos à prefeitura e à vereança?
Pois é. Imagino que não seja significativo o número de pessoas que responderão afirmativamente. O dinheiro está tão ou mais curto do que a confiança do eleitorado naquilo a que chamamos "classe política". Aqui no Rio Grande do Sul, e não será diferente, por certo, em todo o país, o poder público está quebrado e o ânimo alquebrado, exceto para o pedido de reposições, planos de carreira, quando não, direitos e vantagens para membros dos poderes e categorias funcionais mais bem aquinhoadas! Ponto de exclamação? Escândalo? Não, tudo perfeitamente habitual. Enquanto o setor privado nacional se constrange a fechar milhões de postos de trabalho, os três níveis da Federação mantêm seus contingentes funcionais, e seus parlamentos vão aprovando elevação de suas despesas com pessoal.
E aí? Nesse contexto, vamos ajudar candidatos? A família vai concordar com isso? Pela lei, você pode doar até 10% de sua renda no ano passado. Vejo muita dificuldade para todos que se disponham a concorrer. Uma das formas encontradas para tornar as campanhas menos onerosas financeiramente foi a redução dos prazos para o trabalho explícito de busca de votos. No entanto, quanto mais curto o tempo de campanha, maior a vantagem de quem já tem mandato porque, salvo desistência, há quatro anos trabalha pela reeleição. Isso reduzirá a renovação e preservará o onipresente corporativismo. Adicionalmente, o uso de recursos próprios favorecerá candidatos com alta renda. Para estes, 10% dos ganhos do ano anterior representa valor expressivo. Por tudo isso, se você identificar em sua comunidade candidato a prefeito e a vereador que mereça ser apoiado em virtude de sua história de vida, valores, convicções, compromisso com responsabilidade fiscal e redução do gasto público, sugiro enfaticamente que o faça.
No entanto, é bom visualizar o cenário mais amplo. Nosso sistema de governo e nosso sistema eleitoral são incompatíveis com eleições de baixo custo. Temos partidos em excesso e, neles, candidatos em excesso disputando no mesmo espaço geográfico. Se fizéssemos o que a quase totalidade dos países com democracias estáveis fazem, elegendo o governante indiretamente através da maioria parlamentar, só isso representaria um enorme ganho financeiro e aumentaria muito a responsabilidade da maioria parlamentar. Se, essas democracias elegem indiretamente seus governantes, de onde tiramos a ideia de que a eleição indireta não é democrática ou é menos democrática do que a eleição direta? Estamos podendo observar nestes dias o quanto nosso sistema age contra o interesse público ao dificultar sobremodo a substituição do mau governo. Num sistema racional, o governo cai no momento em que perde a maioria parlamentar, sem choro nem vela, sem passeata nem quebra-quebra. Normal e pacificamente.
Eleições com baixo custo, adequadamente fiscalizadas, só as teremos com parlamentarismo e voto distrital (um candidato por partido em circunscrições eleitorais pequenas). Há poucos dias passei, na Itália, pela cidade de Trieste, onde se disputavam eleições municipais. Os partidos ocupavam pequenas tendas nas praças, lado a lado, com alguém atendendo os eleitores e fornecendo volantes dos candidatos. Nenhum carnaval publicitário. Quem pode dizer que isso não é democrático? Quem dirá que o saco sem fundo das arrecadações para campanhas de grande visibilidade serve melhor ao interesse público do que o processo eleitoral simples, travado num espaço geográfico reduzido, onde quem trabalha é o candidato e não o dinheiro que ele arrecada?
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
SÓ MARCELO ODEBRECHT FEZ MAIS PELO PT DO QUE EDUARDO CUNHA - 14/06/2016
Marcelo Odebrecht foi insuperável no financiamento e nas cortesias dispensadas ao partido que governou o Brasil de janeiro de 2003 a maio de 2016. Consolidou longa e sólida parceria irrigando contas, tapando buracos, emprestando aeronaves, arrumando negócios, fazendo corretagem de palestras para Lula e pavimentando com pedrinhas de brilhantes o caminho para seu PT passar. Durante mais de dez anos, uma mão lavou a outra.
Mas as impressões digitais ficaram. O homem cuja prisão, nas palavras do próprio pai, acabaria com a República num fim de semana, cravou o facão no toco e resistiu, como poucos, um ano inteiro na humilhante rotina do xilindró. Só então, começou a cantar o verso e o reverso.
Ele é o número 1 entre os benfeitores do PT. O número dois vai para Eduardo Cunha. Sim, leitor, o proclamado inimigo número 1 é, na verdade, o amigo número 2. O PT jura que não, mas é falso. Acompanhe o raciocínio. Ele foi eleito para comandar a Câmara em fevereiro do ano passado e, logo no mês seguinte, desabaram sobre sua mesa cerca de três dezenas de pedidos de impeachment da presidente Dilma. Que fez então, desatento à maledicência que o acusava das piores intenções em relação a esses requerimentos? Nada. O PT falava mal dele e ele cuidava do PT. A nação ia para a rua, pedia impeachment e o Cunha se mantinha impassível. Era como se não fosse com ele. Tanta demora, ao longo dos meses, foi esfriando a motivação nacional, silenciando as redes sociais e, claro, reduzindo o público das manifestações.
A mídia amiga do governo e os militantes assalariados deitavam e rolavam ante a debandada dos coxinhas. Lembram? Obra exclusiva do Cunha, leitores! E assim terminou o verão de 2015. E assim passaram, também, o outono, o inverno e quase toda a primavera. Quanto mais requerimentos pedindo impeachment chegavam, mais Cunha permanecia imperturbável, dando inutilmente ao PT o ano inteiro para livrar a pele, escusar-se ante Nação, adotar medidas para superar a crise, reconstruir credibilidade e o que mais a astúcia e a malícia pudessem conceber.
Quando se sentiu perdido, abandonado pelo oposição que lhe negou apoio na Comissão de Ética e, por fim, pelo próprio PT, Cunha mergulhou na pilha dos pedidos de impeachment para escolher um. Esse mergulho ainda precisa ser bem contado. Havia dezenas de processos fundamentados, listando os crimes praticados pela presidente e pelo governo sob seu comando. Havia a penca de denúncias da Lava Jato, a negociata da refinaria de Pasadena, as irregularidades na arrecadação de recursos de campanha, a falsidade ideológica na ocultação da realidade nacional durante a disputa eleitoral de 2014. Dentre tantos, qual o requerimento escolhido por Cunha? Pois é. Cunha escolheu o das pedaladas fiscais, crime real, grave, mas politicamente estéril, ruim de explicar, incompreensível ao povão. Por fim, pego com a boca na botija, apresentou a si mesmo para o papel de inimigo, sem o qual o PT não sabe fazer política. Amigo é para essas coisas.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
AS INACREDITÁVEIS PREOCUPAÇÕES ÉTICAS DO PT - 01/06/2016
Contando não se acredita. O Partido dos Trabalhadores, esse mesmo cujo governo proporcionou os maiores escândalos da vida republicana, com dois tesoureiros presos e algumas de suas maiores lideranças encarceradas ou sob investigação, está muito impressionado com os desvios éticos do governo Temer. A angústia petista em preservar o bom nome das instituições brasileiras levou o partido a formalizar uma série de denúncias à Comissão de Ética da Presidência.
Assim, por exemplo, o ex-ministro José Eduardo Cardozo denunciou o atual Advogado -Geral da União, Medina Osório, por haver aberto uma sindicância contra ele, Cardozo, devido à sua atuação nitidamente partidária e de legalidade duvidosa na defesa da presidente Dilma Rousseff durante os atos iniciais de seu impeachment. O deputado petista Afonso Florence denunciou como antiético o fato de deputados e senadores que votaram a favor da tramitação do processo contra a presidente Dilma haverem assumido ministérios do governo imediatamente após seu afastamento. Essa lista envolve uma dúzia de ministros cuja conduta, ao assumirem posições no governo, feriu a sensibilidade moral do seu acusador.
A bancada petista, por sua vez, questiona a Comissão de Ética da Presidência a respeito do ministro José Serra. O PT considera reprovável o fato de o novo ministro haver instruído as representações do Brasil no exterior a tratarem do tema impeachment com base em crime de responsabilidade, sem falarem em “golpe”... Para a “ética” petista, o fato de sua presidente haver trombeteado ao mundo que estava sendo vítima de um golpe, atingindo, com isso, o Tribunal de Contas da União, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, não envolve deslize ético. Tampouco vê o PT crime de traição no fato de Dilma haver solicitado a organismos internacionais sanções contra o Brasil e, por decorrência, contra o povo brasileiro. Ao mesmo tempo, os rufiões do Tesouro Nacional, das estatais e dos fundos de pensão, consideram gravíssimo afirmar que sua "presidenta" foi afastada por crime de responsabilidade, em conformidade com a Constituição.
O SURTO DE OCUPAÇÕES FASCISTAS NAS ESCOLAS - 18/05/2016
A cena apresentada pela Globo News era inacreditável. Uma dessas que a gente costuma ver no YouTube, filmada por celular, em posição vertical e tela estreita, estava sendo exibida ao país por uma emissora de grande audiência, em tela grande e HD. O ato, transcorrido no palco do auditório de uma escola estadual do Rio, tinha certa imponência. Casa cheia. À mesa diretora dos trabalhos, um grupo de adolescentes comunicava ao mundo sua soberana decisão de encerrar a "ocupação" que já levava 56 dias. Sentado entre eles, o chefe de gabinete do secretário de Educação do Rio de Janeiro. Imagino que até a Unesco festejou a notícia. Ufa!
Aquela escola era uma das centenas que, em articulada sequência, vêm sendo invadidas no país. O ato mostrado pela TV fazia lembrar esses comunicados formais de autoridades sobre temas palpitantes. O chefe de gabinete, ao se manifestar, teve a audácia de expressar sua desaprovação à atitude dos invasores. Prá quê! Os ágeis neurônios da audiência entraram em rebelde polvorosa: "Como é? Esse sujeito está nos criticando? Afirma que não deveríamos ter ocupado o colégio? Fascista!". E a gritos de "Fascista!" o infeliz chefe de gabinete foi varrido para fora do auditório.
A Globo News a tudo filmava como coisa relevante para exibir ao país. A tais alturas, seria conveniente ouvir algum professor. Não sei se havia outros disponíveis no local, mas uma professora de Sociologia apresentou-se para defender seus pupilos destacando o caráter altamente educativo dos acontecimentos ali transcorridos. Cidadania pura.
Os xingamentos lançados sobre o audacioso chefe de gabinete foram mais do que suficientes para evidenciar o mal inoculado nos jovens. Ele volta a se revelar sempre que alguém quiser entrar para estudar ou lecionar nas escolas invadidas: "Fora, fascistas!".
Por um lado, bem feito. Bem feito para a Rede Globo que se presta para dar cobertura a uma traquinice daquelas e, depois, se sujeita a ser acusada, também ela, de fascista e de golpista quando cobre algum evento onde haja petistas. Por outro lado, muito válido o episódio para revelar a origem política e ideológica de tais invasões e sua coincidência com o processo de impeachment. Só fechando os olhos para não perceber. Assim como o idioma de quem fala, na maior parte das vezes serve para identificar sua origem, o vocabulário empregado na política vale como carteirinha de filiação, indicando devoção e militância. Você já sabe: "Chame-os do que você é, acuse-os do que você faz.".
Há exceções nessa agitação estudantil? Claro que deve haver. Mas causa tristeza saber o quanto a educação brasileira está desfocada. Multidão de professores entra diariamente nas salas de aula com o intuito de capturar corações e mentes para a ideologia do atraso. Reproduzindo conduta histórica da KGB, dos partidos comunistas e da União Soviética, ensina seu auditório cativo, entre outras maledicências, a qualificar como fascista quem não segue sua cartilha. Que contribuição se pode esperar dessa miserável atividade pedagógica para o desenvolvimento social, econômico e cultural do país? Mal sabem tais professores que, quanto mais o país for levado na direção que pretendem, menos recursos haverá numa economia despida dos "odiosos" critérios de conhecimento, estudo, trabalho, mérito, competitividade e produtividade para lhes pagar o que gostariam de receber como remuneração de sua insidiosa tarefa.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
HÁ UM BRASIL QUE NÃO SE PRESTA PARA OTÁRIO - 12/05/2016
Ouvindo os dois pronunciamentos da presidente Dilma, tive a clara percepção de que, de fato, estávamos sendo governados por uma pessoa que derrubou limites na sua relação com a realidade. Era algo que já se identificava durante a campanha eleitoral. À época, essa conduta foi inteiramente atribuída a um esforço para esconder do eleitorado a crise já em curso. Certamente havia bastante disso, sim, na publicidade eleitoral e nas orientações que, a peso de ouro, produzia João Santana. Mas evidenciou-se nos últimos meses que algo mais grave envolvia pessoalmente a presidente. Para todos os efeitos práticos, Dilma presidia um país diferente. Exercia um outro governo.
Mesmo diante de indicadores gravíssimos, que diagnosticavam a maior crise nacional em oito décadas, a presidente jamais lhe dedicou a atenção necessária. Erro imperdoável! Quem não se acautela ante um inimigo desse porte será implacavelmente abatido por ele. Essa é uma crise cujo enfrentamento cobra ações sérias e responsáveis. Dilma desconsiderou as mais prudentes advertências, desdenhou as reações das agências de risco. Condenou os críticos da política econômica. O navio afundava e ela ouvia a orquestra dos companheiros.
A corrupção grassava no governo. Fortunas se acumulavam no seu entorno. É bom lembrar: esses escândalos não foram "descobertos" pela Lava Jato. Eles já enchiam as páginas das revistas semanais bem antes de caírem nas mãos diligentes da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba. E o que fazia a presidente? Estimulava a reação de sua militância contra as publicações, sem enfrentar os fatos escabrosos que eram denunciados.
Quantas matérias foram produzidas sobre os negócios de seu anjo da guarda, Luís Inácio Lula da Silva, com empreiteiras nacionais em arranjos bolivarianos e africanos envolvendo o BNDES? Quantas denúncias sobre o enriquecimento da família Lula da Silva? Quantas informações circularam no país, durante anos, sobre os desmandos da Petrobrás? Ela sempre ocupando postos, caneta e cadeira de mando. E quanta prosperidade ao seu redor! Não, não me impressionam as alegações da presidente afastada sobre a própria honestidade. Não há mérito em não furtar. Os crimes que se gaba de não ter praticado aconteceram com o que estava sob seu zelo! Ademais, mentir não é honesto. Ocultar a verdade, tampouco. Já a tolerância, a imprudência, a omissão, a negligência e a vista grossa compõem gravíssimos deméritos.
Nos dois pronunciamentos com que se despediu, Dilma Rousseff reincidiu nos mesmos equívocos. Buscou sacralizar um mandato conquistado no mais destapado estelionato eleitoral, tão escandaloso e tão rapidamente evidenciado que levou a nação às ruas já antes de sua posse. Atribuiu seu afastamento a um complô golpista e não a um justificado clamor popular e a um correto procedimento constitucional. Afirmou que seus adversários são inconformados com as "conquistas sociais" e com a "prosperidade dos mais pobres". Somente alguém destituído de juízo pode crer que investidores, empresários, profissionais liberais, por exemplo, se beneficiem da pobreza dos pobres. Fosse assim, o mundo dos negócios se mudaria para Serra Leoa e para a Somália. Quem não sabe disto? Ao contrário, o que de melhor aconteceu para a economia mundial neste século foi proporcionado por 400 milhões de chineses que começaram a produzir, consumir, e saíram da pobreza. Até o Brasil petista cresceu, mas a riqueza foi consumida pelos piores meios e fins, e seus benefícios, hoje, atendem pelo nome de desastre brasileiro.
No entanto, no cérebro da presidente afastada, não há esse tipo de registro. Ali só têm lugar meia dúzia de chavões ideológicos que compõem os mandamentos de seu grupo político. Então, é melhor suportá-los na oposição do que nos submetermos por mais tempo ao desastre que foi a gestão petista.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
PNEUS QUEIMADOS E OS MIGUELITOS DA PRESIDENTE - 10/05/2016
Esta terça-feira que antecede a votação do relatório da Comissão Especial do impeachment no Senado amanheceu com pneus ardendo em rodovias do país. Os jagunços do comandante João Pedro (quebra-quebra) Stédile vinham sendo, de viva voz, convocados como milícias do decadente governo. Com pneus velhos e foices mais luzidias do que baionetas de desfile, manifestam-se amuados com a decisão constitucional e soberana da Câmara dos Deputados e com a disposição do Senado Federal de afastar a presidente do atabalhoado exercício de suas funções. É bom, mesmo, que a Câmara Alta faça isso logo porque Sua Excelência dedicou os últimos dias à impatriótica tarefa de jogar "miguelitos" no caminho de seu substituto.
O que leva as forças de Stédile a bloquear estradas queimando pneus também move a quase-ex-presidente Dilma a despejar pacotes de medidas cujo efeito é ampliar as dificuldades fiscais que Temer terá de enfrentar no exercício do seu período de substituição. É o mesmo motivo, aliás, pelo qual o governo está caindo, pelo qual o país foi levado a uma crise descomunal e pelo qual o partido governante afunda em descrédito. O PT é animado por aquele egoísmo que só aceita sistema ou ordem em que tudo gravite em torno de si mesmo. Sob tal perspectiva, o país e seu povo pertencem à sua órbita e nela se deslocam. É assim que operam as mentes totalitárias.
Eis aí, também, o motivo pelo qual o partido se recusa a admitir que seu governo levou o país ao caos. Os dados à sua frente nada o informam a esse respeito. Ao contrário, para o PT tudo estava muito bem com o sistema gravitando em perfeita ordem. Caos, para o partido que ainda governa o país enquanto escrevo, é o que se instala quando se embaralham as forças em seu universo particular. E se isso ocorre, fogo nos pneus. "Miguelitos" na estrada do Temer. Histeria masculina e feminina nos plenários. "Manhas e artimanhas", para tumultuar a vida institucional. Manhas e artimanhas foram as palavras usadas pela presidente quando se referiu à patacoada promovida pelo presidente interino da Câmara dos Deputados no ato através do qual usurpou o papel de seu colega Tiririca. Manhas e artimanhas como aquela em que se degradou o ministro José Eduardo Cardozo ao organizar a farsa e arrastar os senadores da base para sua pantomima jurídica.
Estamos longe do fim. Por muito tempo ainda os veremos jogando pesado contra o interesse nacional, contra o bem do país e sua credibilidade. Por muito tempo ainda os veremos empenhados em causar o maior dano possível à sociedade brasileira, que conduziram a inédito nível de desemprego, perda do poder de compra, insegurança, criminalidade e desorientação. Afinal, como esperar algo mais republicano de um grupo político cuja militância queima pneus nas estradas e a quase-ex-presidente joga "miguelitos" no caminho do país?
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O GOLPE INEXISTENTE E O PLANEJADO PELO PT - 09/05/2016
Ao longo das últimas semanas tive oportunidade de observar a conduta da tropa de choque petista na Câmara e no Senado durante as longas etapas de deliberação sobre o impeachment da presidente Dilma. Havia duas linhas paralelas de atuação e ambas convergiam para aquela câmera que dava publicidade às infindáveis sessões. A primeira das linhas de defesa do governo repetia, à nossa fadiga, que assistíamos a um "golpe". A segunda pretendia, com gritos, tumultos, questões de ordem e contestações, evitar que fossem mencionados outros crimes não constantes do processo. Desses não poderíamos ouvir falar. O PT insistentemente varria seu lixo para debaixo do tapete.
Quem são os agentes do "golpe" que o PT insistentemente denuncia? Vamos a eles:
1. a população brasileira, que aos milhões saiu às ruas para sacudir as instituições de sua inércia;
2. os autores de dezenas de requerimentos de impeachment que, ao longo de 2015, foram transformados por Eduardo Cunha em moeda de negociação para salvar a própria pele;
3. os signatários do requerimento finalmente escolhido para prosseguir, subscrito, entre outros, por um fundador do PT e, não por acaso, o que reduzia a apenas dois os muitos crimes de responsabilidade praticados pelo governo (opção que muito contrariou a Dra. Janaína Paschoal, como ela fez questão de deixar bem claro);
4. o Tribunal de Contas da União, que por seus técnicos e pela unanimidade de seus ministros rejeitou as contas e apontou os crimes de responsabilidade ao Congresso Nacional;
5. o Supremo Tribunal Federal, que definiu minuciosamente o moroso rito a ser seguido pelas duas casas do Congresso em sua deliberação;
6. a Câmara dos Deputados, que em duas etapas e por quase três quartos de seus membros votou pela admissibilidade do processo;
7. o Senado Federal, que na próxima quarta-feira, por grande maioria de seus membros, salvo contratempo, acolherá a denúncia e dará início ao processo público de julgamento da presidente.
É a todos esses que a presidente e sua tropa de choque se referem quando insistem no discurso do golpe, cuja única utilidade é legitimar as ações efetivamente golpistas que se sucederão e para as quais estão sendo motivadas as milícias a serviço do partido e do governo. Não é mesmo, Gilberto Carvalho? Não basta terem, através de uma organização criminosa, assim designada pelo Procurador Geral da República, conduzido o país à mais caótica situação dos últimos 80 anos. É preciso, por todos os meios, impedir que ele se recupere.
Assim, de um lado, temos um processo transparente, fundamentado, dispondo de amplo apoio popular e congressual, contando com reiterado reconhecimento judicial. De outro, as motivações e condutas golpistas do governo, como essa traquinagem inventada pela AGU com a cumplicidade do presidente interino da Câmara dos Deputados, que ronrona fidelidade nos ouvidos do governo pedindo cafuné.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
ASCENSÃO E QUEDA DO PETISMO - 06/05/2016
As razões do impeachment da presidente e do inferno astral do partido devem ser buscadas em sua compulsão à construção de versões, ao tratamento desonesto dos fatos e da história, aos sofismas, às inversões de responsabilidade e à incapacidade de se corrigir. Em uma só palavra: à mentira ou falsidade em suas muitas formas. O crime de responsabilidade não aconteceria fora desse quadro, digamos assim, clínico.
Detalhando um pouco mais. Para alcançar a vitória em 2014 foi preciso, confessadamente, "fazer o diabo" e ele foi feito. Foi necessário escandalizar a todos com prévia proclamação sobre o quanto seriam "capazes de fazer para ganhar". E fizeram. A imperiosa determinação de vencer a qualquer custo implicava, entre outras ações e omissões, esconder a realidade fiscal e manter elevado o gasto público sem autorização legislativa. Tudo com olho na urna e um silenciador na consciência de quem ainda dispusesse de uma. Por isso, o crime de responsabilidade que dá causa ao impeachment tem, ele mesmo, origem num mal maior - a relação hostil com a verdade e com a realidade. É por ela que, nestes dias, fingem indignação e simulam ironias em atlético e aeróbico esforço para sovar um pouco mais a velha estratégia: construir versões, torcer os fatos, inverter responsabilidades, evadir-se das próprias culpas, perseverar na incorreção.
Note-se: houve outros crimes de responsabilidade praticados pela presidente - crimes que prosseguiram, em cascata, desde antes de o processo haver começado a tramitar. Sobre todos eles, o tempo e a Justiça ainda haverão de falar. Alguns estão gravados e nós ouvimos.
E SE FOSSE NO SEU CONDOMÍNIO?
Veio de um amigo a mais clara explicação sobre o crime de responsabilidade praticado pela presidente Dilma. Perguntou-me ele: "Num condomínio, pode o síndico usar recursos do Fundo de Reserva sem autorização da assembléia?". E em seguida: "Se o síndico faz isso, o que lhe acontece?". As respostas são óbvias. Não pode o síndico agir assim por conta própria. E se o fizer, cai-lhe a casa em cima, entra em desgraça, é destituído da função. Ora, se tal conduta tem gravidade num condomínio, imagine-se quando falamos de um país e de seu orçamento!
UM PESO E UMA MEDIDA
O Procurador Geral da República descarregou um caminhão de candidatos à investigação no colo do STF. Sobrou para ambos os lados do espectro político. Pouco depois, por unanimidade, o Supremo mandou Eduardo Cunha tirar férias. Ninguém foi às ruas protestar, ninguém esbravejou, ninguém saiu por aí a cuspir nos demais. A nação celebra todo gesto de limpeza, todo ato de Justiça, toda contribuição ao saneamento moral das instituições. Essa diferença em relação aos paladinos do indefensável, que chamam bandidos de heróis, só não vê quem não quer. Por isso, não imagine o vice-presidente que a inclemência institucional e popular em relação à organização criminosa que está sendo afastada do poder o beneficie além dos precisos termos da Constituição, que o fazem primeiro da linha sucessória. Tão logo assuma, estará sendo pessoalmente julgado por sua conduta e pelas escolhas que fizer. Os bons brasileiros têm um só peso e uma só medida.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
"A ÚLTIMA TRINCHEIRA DA CIDADANIA" - 02/05/2016
Quando o ministro Marco Aurélio Mello, entrevistado no programa Roda Viva, fortemente pressionado por José Nêumanne, indagou-lhe se não confiava no STF, desde minha poltrona respondi com o jornalista: "Não, não confio!"
E por que não? Porque muito mais vezes do que minha tolerância se dispõe a aceitar, assisti o STF legislar contra a Constituição e invadir competência do Congresso Nacional. Sempre que isso aconteceu, a maioria que se formou despendeu boa parte de seu tempo afirmando não estar fazendo o que à vista de todos fazia. Ademais, como conceder a confiança que o ministro esperava colher depois de o STF, na ação penal referente ao mensalão, haver decidido que nele não ocorreu crime de formação de quadrilha? Vinte e cinco condenações envolvendo três núcleos interconectados não compunham uma quadrilha? Como cortejar um ponto tão fora da curva?
Como esquecer o ministro Joaquim Barbosa, com seu linguajar ríspido, reprovando o que via acontecer nas sessões finais daquele julgamento? Recordo sua advertência sobre a "maioria de circunstância" e "sanha reformadora". Pergunto: não ficam nítidos, em certas entrevistas concedidas por alguns senhores ministros, os desapreços internos? Nêumanne não está só.
Ao estabelecer que o provimento das cadeiras da Suprema Corte se dê por nomeação da presidência da República após aprovação da escolha pelo Senado, nossos constituintes confiaram em que o natural rodízio das tendências nas eleições presidenciais permitiria um equilíbrio das orientações jurídicas e sensibilidades políticas dentro do STF. Tal presunção foi rompida com a sequência de quatro governos petistas, que indicaram oito dos 11 ministros. Numa democracia, seria muito saudável que o Supremo, em sua composição, exprimisse equilibradamente o espectro dessas sensibilidades presentes e atuantes na vida social. Não parece razoável que na prática, a posição conservadora ou liberal ali só se manifeste no microfone de onde, suplicantes, falam advogados e amigos da corte. Nunca no plenário. Nunca com direito a voto.
Não bastasse isso, nos últimos meses, relevantes figuras da República têm manifestado dispor de uma intimidade, que vai além de todo limite, com membros do poder situado no outro lado da praça. O governo contabiliza votos na corte como se fossem seus. Ministros opinam sobre assuntos em deliberação no Congresso Nacional. Divergem publicamente sobre questões cruciais do momento político. Onde buscar razões para a ambicionada confiança?
Há mais. A nação tem imensa dificuldade de entender como podem tantos processos dormir, tirar férias, entrar em remanso e envelhecer nas prateleiras do STF. Num país com tão angustiante necessidade de combater a corrupção não é aceitável que políticos corruptos sejam agraciados com o sigilo sobre seus crimes, a dormição de seus processos e, não raro, a prescrição dos crimes praticados. De que vale a lei da ficha limpa quando a ficha suja encontra abrigo numa gaveta do tribunal e criminosos seguem influenciando a vida do país?
Por fim, uma questão institucional. O ministro Marco Aurélio ora tem afirmado que o STF se encaminha para ser o Poder Moderador da República...
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COMPROMISSO COM A MENTIRA - 29/04/2016
É de autoria da jovem escritora norte-americana Veronica Roth a observação, tão interessante quanto significativa, que determinou o título deste artigo: a mentira exige compromisso. De fato, quem mente faz um pacto com essa falsidade, agravando de modo crescente seus efeitos e a corrupção da própria consciência. O que descrevi ganha enorme significado no campo político. Neste caso, a mentira pode fraudar a democracia e determinar as mãos para onde vai o poder; pode frear e inibir a Justiça; pode promover a injustiça e pode causar severos danos aos indivíduos e ao interesse público.
Imagine agora, leitor, quanto mal pode advir quando a mentira, corrupção da verdade, é repetida milhões de vezes por multidões que, deliberada ou iludidamente, a reproduzem sem cessar como papagaios de barbearia. Temos visto muito disso por aqui. Impeachment é um instrumento constitucional da democracia, de rito lento e severo definido pelo STF, que exige quorum elevadíssimo em sucessivas deliberações nas duas casas do Congresso. No entanto, sua legitimidade vem sendo contestada através de uma mentira que me recuso a reproduzir aqui em respeito ao leitor cujos ouvidos, certamente, já doem de tanto a escutar.
Agora, um novo mantra está em fase de propagação. É o tema deste artigo. Ouvi-o pela primeira vez há poucos dias: "Se Temer assumir vai acabar com a Lava Jato". Ué! Em seguida ouvi novamente. E de novo, e de novo. A mentira passou a ser difundida por uma nuvem de papagaios. Em bem pouco tempo, como era de se prever, de tão repetida a mentira virou assunto de entrevistas e comentários em rádio e TV. Ora, quem ouviu a mentira várias vezes proferida por repetidores comprometidos, viva voz ou nas redes sociais, e logo vê o tema sendo abordado em meios de comunicação, aos poucos passa a entender como informação aquilo que repetidamente ouviu. É gigantesca a disparidade de forças entre a verdade e a mentira incansavelmente proferida!
Vamos à verdade. Quem tentou controlar a operação Lava Jato foi o governo. Quem manifestamente odeia o juiz Sérgio Moro são: a presidente Dilma, o ex-presidente Lula, seu partido, seu governo e seus seguidores. Eram os parlamentares do governo que assediavam José Eduardo Cardozo enquanto foi ministro da Justiça para que contivesse as ações da Polícia Federal. Foi por pressão partidária, especialmente de Lula, que ele deixou o ministério onde seu sucessor, o ministro Aragão, já no dia da posse, começou a ameaçar a Polícia Federal. Ou não? Num país onde os absurdos se sucedem abundantes, em cascata e por dispersão, as pessoas esquecem essas coisas e abre-se o campo para quem mantenha relação descomprometida e inamistosa com a verdade.
Ninguém pode deter a operação Lava Jato. Ainda que alguns parlamentares investigados por ela tenham se mudado do governo para a oposição, a operação funciona numa esfera que não pode ser alcançada por cordéis acessíveis aos comandos políticos. O governo, que descobriu ser inútil sonhar com isso, também sabe que pode se valer da ideia para propagar uma falsidade que lhe convém.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O PT ROTO XINGA O DESCOSIDO CUNHA - 18/04/2016
Assisti de ponta a ponta a sessão da Câmara dos Deputados que deliberou sobre a admissibilidade do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Foi uma experiência emocionante e muito instrutiva. Nos telões armados no Parque Moinhos de Vento (Parcão) em Porto Alegre, em uníssono com a multidão, vibrei a cada Sim e vaiei a cada Não. Devo ter calculado quase uma centena de regras de três tentando antecipar um sempre cambiante resultado final.
Muito instrutiva a observação dos votantes, em especial a turma do Não. Marcharam para o cadafalso político uniformemente ensaiados. Repetiam os mesmos mantras que se revelaram inúteis ao longo dos últimos 15 meses! Levaram suas frases feitas até o alçapão da derrota. Traziam nos olhos um postiço furor cívico. Entre elas, o paradoxal estribilho sem verso "Impeachment é golpe" - uma contradição em termos porque o ato não pode ser as duas coisas: ou é impeachment ou é golpe. Ao final, temos que o povo, o TCU, boa parte da mídia, o STF, o Hélio Bicudo (quem diria?) e mais de 2/3 da Câmara são, todos, "golpistas". E se somam ao "golpista" magistrado Sérgio Moro, aos também "golpistas" promotores que atuam na Operação Lava Jato (outra conspiração) "golpista" e à notoriamente "golpista" Polícia Federal. Por quê? Porque diante do terremoto moral, econômico, fiscal e social que acometeu o governo e o pais, isso é tudo que o PT tem a dizer à nação. No meu modo de ver, em vista das proporções que tomou, o governo da República é o maior e mais danoso golpe impetrado num país democrático desde que Hitler chegou ao poder na Alemanha.
Um segundo mantra se repetiu ao longo da sessão. Refiro-me aos desaforos, em tom crescente, dirigidos a Eduardo Cunha. Entre os adjetivos de uma escala que começava com "patife" e chegava até "gangster", restaram poucos não utilizados pelos que pretenderam ser originais.
Não me surpreenderam os ataques ao presidente, que muito provavelmente os merecesse. O que me espantou foi constatar que partiam de bancadas empenhadas, ao último fio de voz, à última lufada de ar dos pulmões, na defesa de uma organização criminosa inteira. Organização que se apossou do poder central da República e ali praticou (no pouco que já se sabe com prova provada) o maior saque de que se tem notícia na história universal. Diante dela, Cunha entra na lista como mero trombadinha. Mas para o PT, enquanto Cunha é um bandido cuja presença na sessão deslegitima a deliberação do último domingo, o partido, com quanto pesa contra si, é um insubstituível modelo de virtudes, apto a dar lições de dignidade ao mundo.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
E O POVO? ESQUECERAM O POVO? - 17/04/2016
O governo petista tem sido muito ingrato com Eduardo Cunha. De março até dezembro de 2015, os pedidos de impeachment oriundos dos mais variados cantos do país faziam fila no protocolo da Câmara. Enquanto a nação se alvoroçava, movida a estelionato eleitoral e Lava Jato, o presidente da Casa, como bom vendeiro, usou aquela munição para negociar proteção a si mesmo, em especial na Comissão de Ética. Houve um período - vejam só - em que os três deputados do PT naquele nobre colegiado ajudaram Cunha, ausentando-se para que as reuniões não tivessem quórum. Apenas quando se viu perdido, em 2 de dezembro, muito a contragosto, o deputado retirou da pilha o requerimento que hoje segue curso constitucional no Congresso.
Esse prazo proporcionado pelos cambalachos do presidente da Câmara deveria ter sido entendido como de fato era: uma dádiva em meio ao infortúnio. Bem usado, cada dia desses meses valia mais do que uma boca livre no Piantella para toda a bancada. De fato, a deliberada morosidade de Cunha proporcionou ao PT e ao governo tempo para mudar rumos, desculpar-se, curar-se e abandonar a arrogância tão presunçosa quanto vazia. O partido poderia emitir sinais de arrependimento, reconhecendo seus erros. Livrar-se dos corruptos expurgando as más companhias internas e externas. Admitir a má condução da política econômica e dar adeus definitivo à irresponsabilidade fiscal. Poderia entender que vitória eleitoral não é credencial para apropriação do Estado.
Todas essas condutas e atitudes implicam sofrimento moral. Mas todas são muito mais saudáveis e menos ofensivas à razão e ao eleitorado do que fazer de conta que os males não existiram e que os crimes não foram cometidos. Irrecuperavelmente danoso é chamar corruptos de heróis do povo brasileiro; é louvar criminosos e acusar o juiz; é condenar o vazamento e silenciar sobre o que vazou; é repetir sandices como a de que criticar o governo é coisa de quem não gosta de ver pobre dentro de avião; é afirmar, à exaustão de toda paciência, que partido e governo são vítimas de conspiração promovida por meia dúzia de golpistas; é excitar ânimos e conclamar milícias ao uso da violência; é comprar da freguesia apoio parlamentar por lote e cabeça; é esperar que sujeiras pretéritas encubram as atuais; é crer que denunciar o passado suscite mais interesse do que retificar o presente e o futuro.
Ambos, partido e governo escolheram persistir nos mesmos erros e usaram contra si mesmos o valioso tempo de que dispuseram. Quando perceberam ... (por exigência contratual de exclusive com o veículo, para este conteúdo, o restante do artigo deve ser lido em http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/percival-puggina/ultimas-noticias/).
AS PEDALADAS, PARA NÃO INGÊNUOS - 12/04/2016
Depois de longas horas assistindo a sessões da comissão especial do impeachment, posso testemunhar que o maior antagonismo não se formou entre o sim e o não, entre direita e esquerda, governistas e opositores. A mais notória divergência foi a mesma que, historicamente, se estabelece entre a verdade e o partido governista. Nele, fato, história, realidade e verdade são submetidos ao filtro das conveniências e ganham, sempre e sempre, o aspecto e a versão que mais convém aos seus interesses.
Tal ditame integra a natureza mesma dos partidos revolucionários e totalitários de qualquer viés, criados para constituir uma nova ordem e sendo, portanto, insubmissos à ordem e à moral vigentes. Rápida folheada de vista na história é suficiente para estampar profusão de exemplos dessas ocultações trapaceiras em novelos de falsidades, mistificações e dissimulações. É aquilo que estava, por exemplo, na cabeça de Brecht quando, em "A medida punitiva", estabeleceu: "Quem luta pelo comunismo tem que dizer a verdade e não dizer a verdade, manter a palavra e não cumprir a palavra (...). Quem luta pelo comunismo tem de todas as virtudes apenas uma - a de lutar pelo comunismo".
Não era diferente a convicção de Goebbels, ministro de Propaganda de Hitler, quando ensinou que a mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Foi o que ainda ontem (11/04), em sua última fala na sessão da Comissão Especial, num rasgo de sinceridade, o deputado José Guimarães, líder do governo, disse sobre a vinculação entre impeachment e golpe: "Pegou!", disse ele. "A vinculação entre impeachment e golpe pegou". Não se trata, necessariamente, de uma vinculação real. É uma vinculação que, pela repetição, "pegou".
Quero ater-me, aqui, a outro atropelamento da verdade, repetido ao longo dos últimos meses até não restar caco de paciência para ouvi-lo. Refiro-me à afirmação de que as pedaladas foram exigência da generosa dedicação do governo aos necessitados, pobres, humildes e carentes da pátria. Moradores do coração do governo, resgatados da miséria por sua prestimosa atuação, seriam estes Joões, Marias e Josés os destinatários principais dos recursos que fizeram explodir o orçamento e levaram o governo ao crime de responsabilidade unanimemente apontado pelo Tribunal de Contas da União.
Enquanto esse discurso era salivado de boca em boca no plenário da comissão, o Banco Central, a três quilômetros dali, divulgava que os atrasos de repasses do governo a bancos públicos haviam alcançado R$ 60 bilhões no final de 2015, e que a maior parcela, no valor de R$ 17,3 bilhões, foi destinada ao rombo do PSI-BNDES.
O rombo em miúdos: 30% do montante pedalado corresponde ao subsídio proporcionado pelo governo aos graciosos juros de 4% a 6% ao ano, cobrados nos empréstimos bilionários concedidos pelo BNDES a grandes empresas. Quem não os haveria de querer? O montante desses financiamentos, em meados de 2015, chegava a R$ 461 bilhões. O peso do subsídio sobre a dívida pública, ao longo das próximas décadas, vai a quase R$ 200 bilhões! Isso é dar esmola aos pobres e ser pródigo com os afortunados e endinheirados.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
DITADURA ATRAVÉS DO JUDICIÁRIO - 08/04/2016
O bem falante ministro Marco Aurélio Mello me faz lembrar muitos petistas que conheço. Diminutivos e aumentativos variam conforme a conveniência. Probleminhas e problemões mudam de lado segundo a retórica do momento. Sérgio Moro (símbolo nacional de uma justiça como a nação deseja) tanto lhe serve como bom exemplo do que denomina "promissora conduta das instituições nacionais", quanto de justiça servida “em cambulhada”. Sérgio Moro é conveniente quando o ministro quer elogiar o poder cuja cúpula ele, Marco Aurélio, integra e que está longe de representar a Justiça que a nação deseja. Mas deixa de ser bom, o juiz de Curitiba, quando o ministro pretende isentar o STF de responsabilidades pela lentidão dos processos em sua longa dormição nas gavetas, onerosa longevidade e intoleráveis prescrições. Para o ministro, a demora serviria à boa justiça...
Quem acompanha com interesse cívico os fatos que se desenrolam nos mais altos escalões do poder não pode, em sã consciência, negar o que vê: um poder judiciário mais do que politizado. Politicamente alinhado em sua cúpula. Nele, as cortesias de praxe escondem das vistas do público as dissenções e as desconfianças internas. Um exemplo foi brilhantemente apresentado pelo jornalista José Nêumanne. Acumulam-se ações contra o presidente da Câmara e do Senado. Ambos repugnam à nação. Os procedimentos para afastar Eduardo Cunha avançam e isso é ótimo, mas servem ao governo que quer vê-lo pelas costas. Os procedimentos para afastar Renan Calheiros se arrastam e isso é péssimo, mas servem ao governo que precisa dele como do ar que respira, até a conclusão do processo de impeachment no Senado. Acho que não preciso desenhar tal assimetria.
Inquirido sobre o ato falho do colega Roberto Barroso no comentário que fez sobre essa gente do PMDB como alternativa de poder, Marco Aurélio foi para o púlpito dos advogados defender o ministro que falou ignorando a transmissão externa. Ora, o próprio Barroso cuidou de deixar estampada a gravidade do erro quando recomendou que apagassem a fita!
Indagado sobre o inegável desvio de finalidade presente na nomeação de Lula para a Casa Civil, Marco Aurélio Mello deu uma volta na frase, parecendo concordar, e apresentou a ideia de que, por outro lado, não se poderia desconhecer a hipótese de que a presidente estivesse, de fato, precisando de Lula como tábua de salvação. “Me tira os tubos”, como diria aquele personagem de Jô Soares.
Logo após sua exibição de vaidade em rede nacional, o Ministro Marco Aurélio voltou ao serviço, subiu nas tamancas e determinou que o presidente da Câmara desse continuidade a inaudito pedido de impeachment contra o vice-presidente, impetrado por um governista tão delirante quanto burro porque reconhece em Temer o crime que o PT nega em Dilma. Cunha disse que ia recorrer, mas perante o próprio rabo preso, obedeceu. Eu não entendo: os ministros despacham o que querem, quando querem, mas obrigam os demais poderes e despachar quando eles querem. Quem disse que querer não é, necessariamente, poder, desconhece Marco Aurélio e o STF.
Na minha perspectiva, a casa caiu quando ele afirmou que, sendo o STF “o último bastião da cidadania”, o processo de impeachment, ainda que aprovado no julgamento do Senado, poderá passar ao crivo do Supremo – “caso haja dúvida sobre o cometimento de crime pela presidente da República”. Ou seja, a decisão de 594 deputados e senadores pode cair por seis a cinco no STF. E até mesmo, quem sabe, por uma liminar monocrática... Nesse caso, que terão feito Câmara e Senado ao deliberarem exatamente sobre tal questão? O site do PT festejou a declaração. No meu léxico, o nome da pretensão exposta pelo ministro é Ditadura através do Judiciário.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
O PT COLONIZOU O BRASIL! - 31/03/2016
Nos primeiros anos do governo Lula, brincava-se com o que se compreendia como uma presunção petista. Comentava-se - "O PT pensa que descobriu o Brasil". Sob o novo governo, tudo era como "nunca antes na história deste país" e a própria narrativa histórica era refeita para se adequar a tais premissas. O petismo gerava grandes "novidades"! Descobrira a escravidão negreira e reacendia tensões raciais. Captara a existência de desigualdades sociais e manejava para produzir antagonismos a partir delas. Percebera desníveis de renda entre o Norte e o Sul do país e extraía daí as bases para o coronelismo de Estado lá onde, ainda hoje, alojam-se seus principais redutos. E assim por diante. Na alvorada do século XXI, o PT era o novo Cabral chegando com a modernidade aos botocudos brasileiros.
Tudo ficaria na base do transitório e jocoso, não fosse o fato de que o partido governante levava tudo aquilo muito a sério e tinha um projeto de poder que não admitia interrupção. Não que o projeto político para o país fosse uma preciosidade em si mesmo, mas porque o poder era por demais precioso ao partido. José Dirceu, em um evento realizado aqui ao lado de onde escrevo, na cidade de Canoas, afirmou em 2009, textualmente: "Se o projeto político é o principal, o principal é cuidar do PT". E o Brasil? Ora, o Brasil! O Brasil, àquelas alturas, já era tratado como uma colônia pela corte petista instalada em Brasília.
A atitude colonialista se expressa em diversos aspectos do cotidiano nacional. Há um colonialismo com reflexos na produção cultural e na cultura pois uma mão lava a outra no acesso aos benefícios e estímulos financeiros proporcionados pela corte. A invasão do politicamente correto produziu efeito deletério na indiada que antes vivia numa sociedade livre, impondo auto-censura à liberdade de expressão. O sistema público de ensino foi domesticado para só ministrar o que a corte de Brasília deseja ver ensinado através de seus trabalhadores em Educação. Em nenhuma hipótese tais conteúdos podem divergir da orientação imposta pelo colonialismo petista. Não convém à corte que seus súditos tenham armas para defesa pessoal. Por isso, inúmeras e onerosas dificuldades lhes são impostas para tal posse. No mesmo sentido, o colonialismo, de modo crescente, reduziu a autonomia dos entes federados - estados e municípios - em favor da centralização e consolidação de seu projeto de poder. Vai-se a Federação para o brejo.
À exemplo do velho colonialismo europeu, a corte transformou em monopólio partidário a parcela mais rentável dos negócios de Estado, e neles atua, simultaneamente, como contratante e intermediária. Por óbvio, tudo fica mais oneroso ao súdito, pagador de impostos e consumidor dos serviços prestados pela corte.
Portanto, laços fora brasileiros! As cortes de Brasília querem, mesmo, escravizar o Brasil.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
LÓGICA DE AVESTRUZ - 24/03/2016
Há poucos dias, numeroso grupo de estudantes e profissionais do Direito reuniu-se na tradicional faculdade do Largo de São Francisco (USP) para defender o mandato da presidente Dilma Rousseff. No entendimento de todos, Dilma é um modelo de virtudes, o PT é vítima da maledicência de uma oposição golpista e a 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba é uma câmara de tortura onde pessoas honradas são extorquidas até em seus míseros e bem havidos bilhões. A mim não impressionam os camisas vermelha, militantes a privilégio, soldo e sanduíche. Impressiona-me a conduta de quem estuda e ensina Direito. Impressionam-me a indignação postiça, a seriedade estudada, a pose de injustiçados com que certos deputados petistas se manifestam na Comissão Especial do Impeachment. Impõem-se, por dever de ofício, um ar de dignidade ultrajada, como se excelsas virtudes sangrassem sob os punhais de injustificáveis acusações. Me poupem!
Para o bem do Brasil, entendem tais cavalheiros, a faxineira Dilma deve prosseguir sua faina moralizadora do governo e da administração pública. No entender deles, não foi o carrossel de mentiras de sua campanha eleitoral que deu o primeiro impulso à imensa rejeição popular. Não foi de sua imprudência, imperícia e incompetência, que resultou a crise econômica. Não foi a ineficiência de suas políticas que produziu a estagnação e, agora, o retrocesso dos indicadores sociais. Não foi por entre seus dedos que a Economia escoou, a receita se foi, o orçamento drenou, o investimento minguou, o emprego acabou. Não foi sob seus olhos que a corrupção alcançou níveis multibilionários contaminando, numa extensão ainda não calculada, o conjunto da administração e do governo. Foi nada disso. Para o ilustrado público do Largo do São Francisco e para os bem remunerados bajuladores dos recentes atos palacianos, o Brasil renascerá das zelosas mãos da "presidenta". As crises em maçaroca que seu governo gerou, serão vencidas - não é uma feliz coincidência? - sob sua prudente supervisão, habilidosa capacidade de gestão e negociação, intolerância para com toda ilicitude e lealdade exclusiva à letra da lei e ao bem do pátria. "Duela a quien duela", como anunciou certa vez Fernando Collor. Dilma, uma gestora sem compadre, padrinho e afilhado.
A indignação de tais doutores nem de passagem encara os crimes praticados à sombra do governo, volta-se, isto sim, contra a laboriosa atividade de um cidadão que o país reverencia: Sérgio Moro, um juiz convencido - suprema audácia! - de que a lei vale para todos.
No auditório da nobre faculdade, as falas e gritos de ordem rugiam para os próprios ouvidos de quem rugia. Costuma ser assim: mentiras e falsidades metabolizam falsidades e mentiras. Ganham corpo de merengue na batedeira da enganação. Assistindo aquilo em vídeo no YouTube pude perceber o quanto fica inviável o entendimento civilizado com pessoas cujos alinhamentos políticos e ideológicos turvam a visão quanto a tudo mais. Creia, leitor: sequer os mais altos escalões da magistratura nacional estão livres desse mal. Preferem não ver nem saber.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
DE DOSTOIEVSKI PARA LULA - 07/03/2016
A tarefa de fazer com que muitos creiam não é apenas missão religiosa. É, também, essência da política como arte de conquistar apoios para alcançar e manter o poder. Há sistemas políticos nos quais as pessoas creem em partidos e suas ideias, visões de mundo, perspectivas históricas, valores e em como isso se projeta nos anos por vir. E há sistemas, como o nosso presidencialismo, em que a crença dos eleitores recai sobre as pessoas dos candidatos. É fácil compreender que isso nos faz mais vulneráveis à mentira como forma de angariar apoios. Quanto mais ingênuo o eleitor, quanto mais carente do benefício pessoal que lhe possa advir do poder público, mais sensível ele se torna a mentiras e mistificações. Nas nossas disputas políticas, a verdade é mais inoportuna do que a mentira.
Em Irmãos Karamazov, Dostoievski ensina: "O homem que mente para si mesmo e escuta as próprias mentiras chega a um ponto em que não pode distinguir a verdade e a mentira dentro de si ou ao redor de si, e assim perde todo o respeito por si mesmo e pelos outros".
Após seu depoimento nas instalações da PF em Congonhas, durante a entrevista que virou discurso, o ex-presidente era imagem viva e falante do desastre exposto por Dostoievski. Lula apelou para todo o seu repertório de artimanhas. Quero destacar a que é mais repetida, ao longo dessa infinita série de escândalos. Segundo o governo, a promissora condução petista dos negócios nacionais seria antagonizada por uma elite que não tolera a prosperidade dos mais pobres.
Lula, Dilma, o governo e seus partidos prestariam enorme serviço à saúde pública se apontassem quais brasileiros desejam que os pobres continuem pobres e morram na miséria. Essas pessoas, certamente pouquíssimas caso existam, deveriam ser identificadas e tratadas porque portadoras de um desejo anormal, desumano e masoquista. Ninguém mentalmente sadio quer viver sitiado pela miséria e suas vexatórias consequências que o governo sequer minimamente conseguiu abrandar.
A esse respeito, o senso comum grita contra a algaravia de Lula: nada é tão honestamente benéfico ao bem de cada um do que o bem de todos! Nada é mais conveniente à prosperidade de cada um do que a prosperidade de todos! São dois axiomas que dispensam provas. Eis por que o desastre ético e técnico da gestão petista nos leva a sonhar com educação promovendo o desenvolvimento das potencialidades da juventude, população ativa ganhando a vida e gerando riqueza, produção, consumo, empregos, PIB crescendo, inflação caindo e as pessoas podendo cuidar bem de si mesmas. Quem não quiser isso é doido. E quem acusa 90% da população ser contra isso é o quê, Dostoievski?
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
OS DOIS MAIORES INIMIGOS DO IMPEACHMENT - 11/02/2016
O grito pelo impeachment estava na garganta do povo brasileiro desde as últimas semanas de 2014. Quando ficou evidente que a campanha presidencial se desenrolara num ambiente de mistificação e ocultação da realidade, tipificando estelionato eleitoral, o impeachment passou a frequentar as redes sociais. Foi esse tema que motivou as duas primeiras manifestações populares, ainda em novembro de 2014. E foi ele que deu causa à histórica mobilização nacional do dia 15 de março de 2015. Enquanto análogas iniciativas aconteciam país afora, aqui em Porto Alegre, do alto de um carro de som, eu vi esse grito nascer. Como testemunha ocular e ativa dos fatos, certifico e dou fé: o impeachment foi e continua sendo, em primeiríssimo lugar, exigência do povo brasileiro.
Portanto, quando o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em entrevista ao jornal O Globo (10/02), declara que o "impeachment foi desencadeado por vingança de Cunha", sei que estou diante de uma flagrante mentira, de uma notável desonestidade intelectual. E desonestidade intelectual, desonestidade é. Existem políticos tão pouco afeitos à verdade que não a reconheceriam mesmo se pingada em seus olhos como colírio. Em março de 2015, poucos dentre aqueles milhões de brasileiros que saíram às ruas sabiam o nome do presidente da Câmara dos Deputados. Raros, mais bem informados, tinham conhecimento de que ele chegara ao posto contra a vontade do Planalto. Raríssimos estavam cientes de que o sujeito não era trigo limpo. Confundir impeachment com Cunha não é esperteza. É mistificação e velhacaria.
Em fins de março de 2014, três dezenas de requerimentos pedindo a instauração do processo contra a presidente Dilma estavam empilhados sob a guarda do presidente da Câmara. E o que ele fez? Nada. Diante dessa omissão, o povo voltou às ruas, meio frustrado, no mês de maio. Qual a reação de Eduardo Cunha? Nenhuma. O povo voltou às ruas em agosto. E nada. Em outubro, um acampamento instalou-se, durante semanas, diante do Congresso. E mais uma vez, nada. Até que, em 2 de dezembro(!), Cunha despachou o requerimento que passou a tramitar.
Cabem, então, estas perguntas: durante todo o período descrito, alguém ouviu um discurso de Eduardo Cunha a favor do impeachment? Concedeu ele uma entrevista favorável? Emitiu qualquer gesto de apoio, ao longo desses oito meses? Eduardo Cunha, leitores, atrapalhou o processo o quanto pode, isto sim. Usou-o para maquinações de interesse pessoal. E permitiu que ele se contaminasse com as revelações surgidas em torno de seu nome. Rindo do descosido Cunha, o roto PT tentou desacreditar o sonoro clamor nacional.
Por tudo isso, bem ao contrário da inversão que o ministro Cardozo tenta promover nos fatos para servi-los como lhes convém, não hesito em afirmar que Eduardo Cunha e Luís Roberto Barroso do STF são os dois maiores inimigos do impeachment. Cunha por tudo que não fez. Barroso pelo que fez ao, maliciosamente, confirmar o STF como puxadinho do PT.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
BRASILEIROS VIÚVOS DE CRISTINA CHORAM POR TI, ARGENTINA - 05/02/2016
Transcrevo pequeno trecho de um "necrológico" maior, publicado em site brasileiro (1) sobre os primeiros movimentos do governo Macri na Argentina. A leitura é muito instrutiva sobre essa disfunção mental que leva os esquerdistas a virarem a realidade pelo avesso como se fosse um par de meias.
"O eleitorado argentino deu um prêmio quase inesperado à direita mundial, os capitais internacionais, os banqueiros, as transnacionais e, muito em particular, aos Estados Unidos. Mas, em menos de 30 dias já suspeita que deu um tiro no pé. A república macrista fantástica que se prometia em Clarinlândia era mentira, como a maioria do que vende Clarín, e vendeu gato por lebre. Macri está destruindo a Argentina para dentro do país, e para fora, entregando-a de mão beijada. A democracia presente na Argentina é atingida de forma violenta e ícones e símbolos da malha social e pensante do país sofrem a perseguição diária, simbólica e prática, por parte desta espécie de “ditadura democrática” que encarnam Macri e sua equipe. Não se salva ninguém, nem sequer o Parlamento, nada. A buldozzer macrista não descansa.
A soberania monetária foi atingida na linha de largada. A moeda argentina foi desvalorizada com relação ao dólar um 40%. O passo imediato foi atingir a Lei de Meios que durante mais de 20 anos o povo argentino procurou com debates setoriais e populares ao longo do país. Um agrado especial ao CEO do Grupo Clarín, Héctor Magnetto, capo da campanha de toda e qualquer direita argentina, especialmente das ditatoriais. O seguinte foi uma agressão não muito bem explicada à Sede da Rádio das Mães de Praça de Maio, com apedrejamento e agressão a um funcionário da emissora. Dias depois foram liberados da prisão cinco militares da repressão. Depois veio o anúncio da demissão em massa de 2.035 trabalhadores do Senado argentino e, a repressão social, a proibição de trabalhar aos médicos formados em Cuba, e um ar de ameaças de clausura contra o Centro Cultural Néstor Kirchner além de demissões de 85% dos trabalhadores. Essas são as ações na linha de largada imputáveis a este governo antipopular e conservador que votaram os argentinos."
O autor do texto acima tem todo o direito de chorar a derrota da esquerda e de se lamuriar diante das medidas tomadas por Macri (nem todas as alinhadas pelo jornalista são decorrentes de ordens expedidas pelo novo governo). No entanto, o que se observa é que ele critica o governo por seus méritos, convencido de que o contribuinte argentino tinha deveres idênticos aos que o PT impôs aos pagadores de impostos no Brasil: custear servidores públicos desnecessários, pagar ao governo cubano um overhead de 80% por seus médicos de meia receita e sustentar os "símbolos da malha social pensante do país" instalados em estruturas onerosas para fazerem, ali, a militância política da esquerda e do partido do governo.
Obviamente, porém, não é pela Argentina que choram os viúvos brasileiros da Era K.. O que lhes arranca suspiros e gemidos é o que vêm no próprio horizonte com os estertores do lulopetismo em nosso país.
(1) Desacato.info (Raul Fitipaldi)
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
DEDICAÇÃO TOTAL AO FRACASSO - 03/02/2016
Engana-se quem supõe que o desastre da pedagogia marxista se dá apenas na sala de aula onde estão os alunos mais vulneráveis, aqueles que Paulo Freire chamava "oprimidos" e aos quais dedicou uma pedagogia que os oprime para o resto da vida. O aluno que recebe dos professores, ano após ano, uma carroça cheia de materialismo histórico, dualismos e conflitos em sociedade de classes, sai da escola pronto para coisa alguma - ou para as "lutas sociais". Jamais para ganhar a vida, que isso é coisa de neoliberal. Mas não é somente ali que se prepara o desastre. Idêntico problema se derrama sobre todo o sistema de ensino, transmitindo aos estudantes uma visão de sociedade e de Estado incapaz de estimular o desenvolvimento individual e, consequentemente, o desenvolvimento social e econômico do país.
Os calouros da Faculdade de Serviço Social (SeSo) da UERJ contam-se entre prováveis novas vítimas da pedagogia marxista. O Centro Acadêmico dessa faculdade criou um legítimo trote para os novatos da primeira turma de 2016. A todos foi sugerido (felizmente não é imposto) que suas páginas no Facebook - ora vejam só! - sejam encimadas por uma "capa" onde, ao lado da imagem de Marx, se lê: "Sou calouro do SeSo e não viro à direita".
É razoável presumir que o jovem, feliz por ingressar numa faculdade estatal gratuita, que lhe vai garantir o futuro canudo, receberá essa sugestão como animada declaração de princípios, norma técnica a ser replicada e preservada ao longo do curso. E a tal "capa" proposta para as páginas dos alunos pode ser compreendida como dístico no umbral de um espaço acadêmico em que o marxismo - supõem-se - seja a chave que abre as portas ao conhecimento e à interpretação da realidade.
Não é assim? Pois se não for assim, que reajam com firmeza calouros e demais alunos! Com essas coisas não se brinca. Graças a tais desgraças, tolerâncias e omissões, as políticas sociais do Brasil são de estagnação, de cristalização na miséria, de manutenção do IDH na mesma posição relativa no ranking mundial. Poucos sabem (esse dado, quando divulgado, irritou Lula profundamente) que o governo petista, devidamente "virado à esquerda" como pretendem os acólitos marxistas da SeSo, tem resultados bem piores do que seus antecessores na melhoria do IDH nacional. Eis o que revelou o relatório de 2014 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud):
"Entre 2000 e 2013, o crescimento do IDH brasileiro foi de 0,67% ao ano, em média - abaixo da média mundial, de 0,74%. Entre 1990 e 2000, o índice havia sido de 1,1%. Na década anterior, de 1,16%. Desde 2008, o Brasil perdeu quatro posições - não porque teve uma redução no IDH, mas porque outros países cresceram mais rápido: Irã, Azerbaijão, Sri Lanka e Turquia, especificamente. Na América Latina, o país ficou atrás de Argentina, Uruguai, Chile e (pasmem!) Venezuela" (1).
Contra todas as evidências, porém, os seguidores de Marx têm no alemão uma fé que faz inveja aos fieis de qualquer religião. Ela não é do "tamanho de um grão de mostarda", como Jesus dava por mais do que suficiente para produzir milagres, mas do tamanho de uma semente de abacate. Só que não serve para coisa alguma, exceto angariar militantes do atraso.
(1) http://www12.senado.gov.br/emdiscussao/edicoes/pacto-federativo/realidade-brasileira/agenda-social-avancou-mas-desigualdades-persistem
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
LULA, O IMACULADO - 23/01/2016
No último dia 20, o ex-presidente reuniu-se com blogueiros amigos na sede do Instituto Lula. Blogueiros amigos são aqueles regiamente remunerados pela sociedade brasileira para promoverem a defesa do governo em seus blogs e sites. Não conheço a todos, mas os que conheço têm vultoso patrocínio do governo, de seu partido e de empresas estatais (em alguns casos esses patrocínio já alcança, ao longo dos anos, a casa dos sete dígitos). Creio que só isso deveria ser considerado suficiente para estabelecer um clima pouco propício a jactância e brincadeiras. Opinião a soldo? Sei não.
Durante esse encontro, sentindo-se mais protegido pela gratidão dos circunstantes, Lula queixou-se da perseguição que alega estar sofrendo. Logo ele, alma sem jaça, cristal sem trinca, sendo mal falado e tendo seus negócios como objeto de investigações e especulações. Quem o ouve pode ser levado a crer que montou um governo e formou maioria parlamentar para si e para sua sucessora entre a mais nobre elite da política nacional. Até parece que entre os bons, buscou os melhores. Não é mesmo, Celso Daniel? Lula parece esquecer que após 13 anos no poder, seu partido e seus defensores estão constrangidos a se medirem com a régua que usavam para aferir seus adversários. E não conseguem ser muito otimistas. É uma linha de defesa que lembra o Tavares, aquele personagem canalha criado por Chico Anísio: "Sou, mas quem não é?".
O excesso de auto-estima de Lula é muito bem representado por frases como a que proferiu em 8 de abril de 2005, após a missa celebrada durante o funeral de João Paulo II. Inquirido por jornalista se havia confessado para poder comungar, o então presidente de primeiro mandato saiu-se com esta: "Sou um homem sem pecados". O escândalo do mensalão viria a público 36 dias depois.
Pois eis que, agora, durante o encontro com a fagueira comunidade de seus blogueiros, o ex-presidente, subiu o tom da gabolice e disparou: "Se tem uma coisa que eu me orgulho, neste país, é que não tem uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, nem dentro do Ministério Público, nem dentro da Igreja Católica, nem dentro da Igreja Evangélica. Pode ter igual, mas mais do que eu, duvido."
Pensando sobre a distância que medeia entre essa frase e a vida pessoal, familiar e política de Lula, sou levado a suspeitar de que nosso messias de Garanhuns, o santo, o imaculado, está preparando caminho para ser declarado inimputável por problemas mentais. Convenhamos, Lula!
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
NOTAS FÚNEBRES - 18/12/2015
1. A NAÇÃO ABANDONADA
Com as decisões de ontem, o STF evidenciou à nação o estado de abandono em que se encontra perante os poderes de Estado. Rompeu-se o fio pelo qual pendia a esperança de que em algum canto da República houvesse instituição capaz de proteger a sociedade da incompetência e da rapinagem do governo.
O mesmo STF, que volta e meia, durante suas sessões públicas promove eleições secretas entre seus membros para postos de funções de administração e representação, exigiu comportamento inverso do poder legislativo em cuja autonomia interferiu.
Fez mais, determinou um bis in idem facultando ao Senado decidir, nos processos de impeachment, se aceita ou não a resolução da Câmara. Se o Senado (casa legislativa que representa os Estados) divergir da Câmara (casa legislativa que representa o povo), esta enfia a viola no saco e a própria decisão na lixeira. De nada terá valido.
Por fim, vedou a candidatura autônoma às cadeiras da comissão que analisará o processo de impeachment. Essa norma simplesmente dispensa a contagem de votos. A decisão sobre o andamento do processo fica transferida para os 23 líderes de bancadas. Até parece eleição cubana, que deixa o eleitor sem opção.
2. A MANIFESTAÇÃO DOS "TRABALHADORES" PRÓ-DILMA, ÀS NOSSAS CUSTAS
Abomináveis, sob todos os aspectos, as manifestações pró-Dilma na tarde da última quarta-feira. Sob forma de ato público, supostos trabalhadores, no meio da tarde, exibiram-se em diversas capitais brasileiras. Trajando seus fardamentos vermelhos, substituindo as cores e símbolos nacionais pelos símbolos e cores partidários e ideológicos, saíram ao asfalto para sustentar o governo. Assistimos, então, à notória defesa da mentira, da fraude, da dissimulação, da incompetência, da recessão, do desemprego, da inflação e da corrupção.
Trabalhadores? Sem mais o que fazer, no meio da tarde? Só podem ser "trabalhadores" sem patrão, sem compromisso laboral. Portanto, ou são servidores públicos cujos salários nós pagamos, ou são dirigentes sindicais, cujo ócio e improdutividade são incorporados aos preços dos bens e serviços que adquirimos. Ou seja, são pagos por nós...
3. A IRRESPONSABILIDADE FISCAL DO SENADO QUE VAI DECIDIR SOBRE A IRRESPONSABILIDADE FISCAL DA PRESIDENTE
Ontem, dia 17, o Senado Federal concluiu que as contas públicas estão em perfeita ordem e considerou compatível com a realidade nacional elevar os vencimentos de seus servidores efetivos no percentual de 21,3%, parcelado ao longo dos próximos 3 anos. A conta, para 2016, fica em R$ 174,6 milhões. Isso acontece num momento em que o governo, com extremo otimismo, prevê redução de 1,9% na atividade econômica do próximo ano, o que representará, inevitavelmente, queda na arrecadação. O relator do orçamento, aliás, promoveu cortes em praticamente todas as atividades do governo. E o Senado distribui favores aos seus! É essa Casa legislativa irresponsável, onde o governo é amplamente majoritário, que decidirá sobre os crimes de irresponsabilidade fiscal da presidente da República.
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* Percival Puggina (71), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
REFORMA INSTITUCIONAL OU ESTELIONATO ELEITORAL - 16/12/2015
O crime de estelionato está assim definido no Código Penal Brasileiro: "Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento". É o famoso 171. Por analogia, aplica-se a designação aos casos em que o candidato ou candidata, após vitória eleitoral, passa a fazer o oposto do que afirmara em seus compromissos e promessas de campanha. O caso se torna ainda mais grave quando esse candidato ou candidata, durante a disputa, atribuiu a seu adversário a intenção oculta de aplicar essas mesmas políticas. Tem-se aqui, com toda clareza, a obtenção da vantagem ilícita (vitória eleitoral), em prejuízo de outrem (o adversário), mediante indução dos eleitores ao erro, através de persuasivo ardil.
Em janeiro deste ano, na eleição grega, o Syriza, partido de esquerda, obteve maioria parlamentar para formar governo com um discurso radicalmente avesso aos ajustes fiscais exigidos pelos credores. O líder partidário, Alexis Tsipras, como ocorre via de regra nos países que adotam o sistema parlamentar, assumiu o governo e durante meses tentou sustentar seu discurso. Por fim, rendeu-se aos fatos. Imediatamente após, numa atitude corretíssima, renunciou ao cargo e novas eleições foram convocadas. Seu partido voltou a vencer, e Tsipras retornou à chefia do governo com ainda maior força política e moral.
Deu para notar a diferença? Alguém alegará que o Brasil não é um país parlamentarista e que estelionato eleitoral não é crime no Brasil. Tem razão quem diz. Vender falso bilhete premiado dá prisão, mas não é crime enganar 45 milhões de eleitores (número a que se chega diminuindo dos 54 milhões de votos obtidos pela presidente os 9 milhões que ainda a apoiam). Contudo, mesmo não sendo crime, os artífices desse estelionato deveriam andar pelas ruas, pelos aeroportos, pelos restaurantes do país, com os olhos baixos, constrangidos de encararem a sociedade à qual, iludiram de modo ardiloso. Esta seria a atitude moralmente exigível e não a arrogância que ostentam quando exigem que a legitimidade do mandato assim conquistado possa valer, inclusive, como blindagem contra julgamento por posteriores crimes de responsabilidade fiscal. Aí estamos diante de uma indignidade que nem mesmo uma dúzia de adjetivos pesados são insuficientes para caracterizar.
Julgo que a atual crise brasileira geraria algum ganho se desse causa a uma reflexão nacional sobre a irracionalidade do nosso sistema de governo (que funciona como um amplificador de crises) e convencesse nossos legisladores da necessidade de separar Estado, governo e administração (causa principal do descontrole fiscal e da corrupção). A menos que queiramos continuar sendo enganados.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil, integrante do grupo Pensar+.
PORNOMANIFESTAÇÃO - REITORIA DA UFPEL PASSA A MÃO POR CIMA - 30/10/2015
Se você leu meu texto (http://www.puggina.org/fique-sabendo/ufpel---nudez-maconha-alcool-e-masturbacao-no/1212), e viu imagens do ocorrido (a maioria é impublicável, mas tem de tudo), você precisa ler, também, a nota oficial da reitoria da universidade (http://ccs2.ufpel.edu.br/wp/2015/10/29/nota-oficial-da-ufpel-sobre-a-manifestacao-no-ich/). Num texto desnecessariamente longo, a UFPel "vem a público esclarecer sobre o ocorrido" e informar sobre "as ações realizadas pela Instituição". O que você lerá, caso se dê o trabalho de clicar no link indicado, é uma confissão formal sobre a calamidade que expus na última frase do meu artigo mencionado acima:
Algumas [dessas moças] serão professoras de nossas crianças e adolescentes! E o que mais deve preocupar a comunidade: ninguém nasce assim. O veneno que as domina lhes foi ministrado gradualmente por gente de péssimo juízo e ainda pior leitura, como venho alertando há bom tempo.
Com efeito, a nota oficial dispensa qualquer lente para ver, ou qualquer investigação para identificar, onde e como estas condutas são geradas. A reitoria simplesmente passou a mão por cima de todo aquele despudor. O texto inicia (imagine só!) criticando um grupo do whatsapp constituído por alunos acusados de machismo. Segundo a nota, estaria ali, na intimidade vilã daquele grupo machista, o motivo da pornomanifestação pública do dia 26, evento que a universidade não aplaude, mas gasta praticamente todo o texto para explicar e compor coro com as manifestantes.
A da UFPel usou 23 das 670 palavras empregadas em sua nota oficial para anunciar que "a Administração está constituindo uma comissão especial para avaliar os fatos e propor os encaminhamentos devidos e cabíveis diante da importância da situação". Tudo mais foi redigido para alinhar-se com a pauta das manifestantes, jactar-se da criação de um Observatório de Gênero e Diversidade, afirmar-se como um espaço de diálogo, de convivência das diversidades, de multiplicidade de perspectivas, de interação das culturas e blá, blá, blá.
Com o que fica tudo perfeitamente explicado e, de minha parte, perfeitamente entendido. Sei, até, em quem votaram para presidente em 2014.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
CAMARADAS - 25/10/2015
Em junho deste ano, durante o 2º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, um membro do comitê central do PCB fulminou os conservadores com o poema em que Brecht sentencia um homem dito bom à morrer num bom paredão, com uma boa espingarda, uma boa bala e com sepultura numa boa cova. Calorosos aplausos da plateia referendaram a fala. Alguém filmou, vazou e o vídeo prolifera nas redes sociais sob óbvias rejeições. O site do PCB atribui tais repulsas - ora vejam só! - a uma direita "fascista e raivosa".
Lembrei-me do livro Camaradas. Esse excelente trabalho de pesquisa e jornalismo, empreendido por William Waack sobre a Intentona Comunista de 1935, foi viabilizado quando a abertura dos arquivos de Moscou permitiu escrutinar com correção os fatos da época. O livro inicia com pequeno trecho de uma das peças teatrais didáticas produzidas por Brecht: "Quem luta pelo comunismo tem que poder lutar e não lutar, dizer a verdade e não dizer a verdade, (...) manter a palavra e não cumprir a palavra (...). Quem luta pelo comunismo tem de todas as virtudes apenas uma: a de lutar pelo comunismo".
Nessa obra (procure "The measures taken" para lê-la em inglês), Brecht, que era militante comunista, relata certa missão de propaganda durante a qual um jovem militante concorda com ser executado por seus camaradas para segurança da tarefa revolucionária. O coro, como a plateia do sujeito do PCB, louva a terrível decisão. Às infames lições citadas acima, o drama brechtiano, acrescenta que a benevolência faz mal à causa, que o coletivo sabe mais que o individual, que a rígida disciplina é indispensável à tarefa revolucionária, e por aí vai. Tais princípios abastecem os coletivismos, motivaram os genocídios sem os quais não se imporiam e são as muletas retóricas do discurso mencionado no início deste texto. Paredão!
Portanto, quando lhe falarem no tal coletivo, se não for ônibus, desembarque! Você pode ser atropelado por uma terrível ideia: nos coletivismos, o indivíduo e sua vida valem nada, absolutamente nada. Opondo-nos a isso, devemos reconhecer que temos, por natureza, uma real e preciosa existência social. Essa existência, todavia, deve ser vivida sem prejuízo da nossa individualidade. Somos dotados de liberdade, vontade, razão, responsabilidade e dignidade natural. Somos indivíduos, pessoas humanas, desde a concepção. É como indivíduo, pessoa divina, que Cristo irrompe na História. Será como indivíduos que nos apresentaremos ao Altíssimo para um juízo pessoal, não coletivo. Desconhecer, minimizar ou desfazer essa grandeza num coletivismo é reabrir as páginas mais trágicas e escabrosas do século 20.
ZERO HORA, 25 de outubro de 2015
DEFENSORES DO GOVERNO E DO IMPEACHMENT - DUAS ATITUDES MORAIS - 13/10/2015
Eduardo Cunha foi um exemplo que caiu dos céus no inferno moral brasileiro. Ele está aí como um divisor de águas. Surpreso, leitor? Acalme-se, o petismo ainda não conseguiu me enlouquecer.
Eduardo Cunha obteve seu primeiro mandato como deputado federal pelo PMDB, em 2003, ou seja, ele acompanhou como deputado da base três dos quatro mandatos presidenciais petistas. O dinheiro que está depositado em suas contas na Suíça foi conquistado com o "suor de seu rosto" nas mesmas falcatruas que enriqueceram outros parlamentares dos partidos que apoiam o governo. Participou dos mesmíssimos trambiques que custearam as campanhas presidenciais petistas. Só se afastou do governo em fins de 2013 quando percebeu que as fissuras abertas no apoio a Dilma poderiam lhe proporcionar a presidência da Câmara dos Deputados. De fato, somando as perdas do governo com os ganhos da oposição ele superou por vários corpos de vantagem, o parelheiro da comissária, o arrogante deputado Arlindo Chinaglia.
A inimizade estabeleceu-se instantaneamente. O governo afundava em escândalos e a economia em crises. Cunha tornou-se, então, figura-chave para viabilizar um incontornável processo de impeachment. E é a partir desse exato momento que se justifica a frase inicial deste artigo: Cunha caiu dos céus no inferno moral brasileiro.
Primeiro, e principalmente, porque foi dentro das investigações referentes à operação Lava Jato que seu nome surgiu na ribalta dos escândalos. Ora, para quem dizia que a operação era uma armação golpista, nada mais contragolpista do que desmoralizar o arqui-inimigo do governo. Acho que isso até os petistas entendem: a denúncia contra Cunha é atestado de isenção da Lava Jato. Segundo, porque o fato separa nitidamente duas atitudes morais. De um lado, a dos que defendem com unhas, dentes e os mais encardidos sofismas um governo que apodreceu sob a ação de seus "heróis do povo brasileiro". De outro, a atitude dos que colocavam esperanças na atuação de Eduardo Cunha como presidente da Câmara dos Deputados. No entanto, meteu o pé na jaca? Fez o que não se faz? Dane-se e pague a conta de seus atos! Ele não tem em seu favor senão vozes isoladas entre mais de cem milhões de brasileiros que querem ver o petismo pelas costas. Responda-me, agora, leitor amigo: isso não revela duas posições moralmente opostas - a daqueles para quem o poder vale mais do que a honra e a daqueles que não sacrificam dignidade em nome de causas políticas?
Por fim, um exemplo adicional. Os petistas militantes, os que estão para o que der e vier, em flagrante desrespeito à verdade (e este é o primeiro degrau na escada da corrupção) querem fazer de Eduardo Cunha um exemplo da corrupção oposicionista, mesmo sabendo que foi dentro dos contratos dos governos petistas, enquanto membro da base, que ele acumulou a fortuna localizada em bancos da Suíça.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
UM SILÊNCIO CONSTRANGEDOR - 29/09/2015
Martha Beatriz Roque é uma estimada amiga, católica, economista, com quem tive oportunidade de conversar nas vezes que fui a Havana. Ela estava entre os 75 presos de consciência condenados durante a Primavera Negra de 2003. Às vésperas de completar 60 anos de idade, Martha foi sentenciada à internação por duas décadas nas masmorras de Fidel. Um ano mais tarde, as precárias condições do cubículo onde ficava agravaram seu estado de saúde e ela foi libertada. Quando a reencontrei, em outubro de 2012, ouvi dela que, por vezes, não sabia o que era pior, se estar presa, ou livre no grande presídio da ilha, onde recebia maus tratos de vizinhos permanentemente empenhados em agredi-la para agradar o regime. É a função das Brigadas de Resposta Rápida (BPRs), formada por civis que se prestam à vilania de acossar e intimidar dissidentes.
Às vésperas da chegada do Papa, Martha realizou dezenas de postagens em sua conta no Twitter informando, nominalmente, sobre pessoas que estavam sendo, no interior do país, advertidas para não se dirigirem a Havana. Depois, postou sobre pessoas que haviam sido presas e sobre outras, cujas casas estavam sitiadas “pela turba”. Em uma dessas notas, ela conta ter sido visitada pelo secretário do núncio apostólico que a convidou para ir à nunciatura falar com o Papa. Por fim, no dia 20, ela e mais duas dezenas de damas de branco foram detidas e impedidas de comparecer à missa papal. Os acontecimentos que narrou, as prisões de dissidentes, bem como a exigência de que os católicos se reunissem em grupos para serem acompanhados por agentes de segurança ao local da missa, foram noticiados por outras fontes.
Qualquer pessoa minimamente informada sobre a realidade cubana poderia antever tais acontecimentos. O regime, por ser como é – violento, intransigente e opressivo – pode fazer ligeiras concessões para se safar da falência. Mas nada cede nas condições indispensáveis à sua sobrevivência. Por isso, o Papa devia estar bem advertido sobre a “conveniência” de não tocar em assuntos da política interna.
Não se diga que manter distância desses temas fosse indispensável cortesia. O Papa não é apenas chefe de Estado. É, principalmente, o líder espiritual dos católicos que naquele momento estavam sendo perseguidos, presos e vigiados. Impunha-se ir além das esplêndidas exortações pastorais. Permanece bem presente na memória da Igreja cubana o martírio de tantos jovens que, nos primeiros anos da Revolução, foram vítimas da faxina espiritual e morreram fuzilados clamando: “Abaixo o comunismo! Viva Cristo Rei!”. Mereciam mais.
ZERO HORA, 27 de setembro de 2015
DILMA: “NÃO SAIO DAQUI: NÃO DEVO NADA, NÃO FIZ NADA DE ERRADO" - 23/09/2015
O país tornou-se um espectro do que já foi. Há mais de duas décadas as expectativas em torno da economia nacional não andavam tão baixas. Foi tanta coisa errada ao longo dos últimos 13 anos, tanto abuso praticado com os recursos dos contribuintes, tanta corrupção, que cresce no país a ideia segundo a qual está em curso um plano maligno, ainda mais maligno do que o resultado obtido até aqui. Quem sustenta essa opinião está convencido (e tem bons motivos para estar) que tamanho desastre exige cuidadoso planejamento e primorosa execução.
A frase que dá título a este artigo sustenta a tese. Bem entendida, vale por uma confissão. Se a presidente nada fez de errado, então fez tudo certo e as ações de seu governo, de seus auxiliares diretos e de seu partido levaram o país deliberadamente ao caos (e ainda há quem afirme que “golpe” é propor seu impeachment!). Na outra hipótese, ela não tem ideia do que diz nem do que fez e supôs que o Brasil fosse uma lojinha de tudo por R$ 1,99. Nesse caso, quem a indicou para presidir a república tinha que estar enfiado em camisa-de-força. Dilma desmente a tese segundo a qual cada povo tem o governo que merece. Eu sei, o povo brasileiro elegeu quatro governos petistas, de corrida, um atrás do outro. Mas nem por isso merece tamanho castigo.
Malgrado o caos que se instalou no país, o completo desacerto do governo em relação ao modo de enfrentar a situação, a presidente agarra-se ao cargo como se sua permanência fosse mais importante do que o bem do país. O afastamento voluntário, pelo qual a nação anseia, torna-se impensável por exigir grandeza moral que não encontra medida na régua petista.
Diante de tudo que se sabe, parece inadmissível não haver previsão legal para fundamentar um processo político de impeachment contra quem deteve e detém poder de mando e função de controle sobre o corpo e o espírito do governo. Como pode não ser crime de responsabilidade comandar uma administração onde a probidade era a exceção? Como pode não ser crime de responsabilidade atentar contra a lei orçamentária? São perguntas que se faz todo cidadão medianamente informado. Então vale a informação: tudo isso é crime, sim, em todas as leis que tratam da matéria, como muito bem está salientado no pedido de impeachment formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.
Volto, então, à frase do título. Ou a presidente tem responsabilidade, ou é irresponsável. Em nenhum dos dois casos deve permanecer no cargo por sobradas razões jurídicas e políticas. Isso para não mencionar a dignidade nacional nem as urgências sociais e econômicas.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
TV POR ASSINATURA E ECONOMIA DE MERCADO À BRASILEIRA - 21/09/2015
Outro dia, querendo confrontar-me, um interlocutor exclamou: "Ah, já vi que o senhor defende o Estado mínimo!". Retruquei: "Não sei de que você está falando. Eu só conheço Estado grande, enorme, mastodôntico. E, cá entre nós, ele não precisa que você o defenda porque faz isso muito bem com sua força, leis, regulações, monopólios e mais uma lista inesgotável de meios através dos quais intervém na nossa liberdade e toma nosso dinheiro. Não se aborreça comigo por tentar defendê-lo desse Estado espremedor".
Diferentemente do que possa estar supondo o leitor destas linhas, não me conto entre os que esperam do mercado todas as soluções e as soluções para tudo. Não, não é isso que penso. Há tarefas que são típicas de Estado e a definição sobre quais sejam é polêmica. Independentemente desse debate necessário, tenho como certo que nós, brasileiros, somos tolerantes com o fato de que o Estado vai à contramão da modernidade, ampliando suas atribuições, seu poder e seus custos. Ele, que deveria estar se retraindo a meia dúzia de funções, se expande sem cessar. Para isso, nos trata como se fôssemos limões a espremer e descartar. Não satisfeito, quando os limões acabam, passa a espremer a safra futura, e a outra, e a outra, garantindo que os limões do porvir já cheguem devidamente amassados.
Tal compreensão da realidade não implica considerar o livre mercado como símbolo da perfeição. Não, o mercado não é perfeito. Frequentemente surgem nele distorções cuja correção, pelo próprio mercado, demanda tempo. Mas afirmo, sem qualquer dúvida, que intromissões reguladoras do Estado sobre o mercado nunca são mais eficientes do que as decisões dos consumidores.
Por exemplo: 90% do serviço de TV por assinatura, no Brasil, está em mãos de duas empresas e ambas adotam, além de preços excessivamente elevados, a respeito dos quais é impossível negociar (o que convenhamos, é uma prática antimercadológica, pois não há motivo pelo qual eu possa negociar na loja o preço de um sofá e não possa negociar o preço dos programas de TV que irei assistir sentado nele). Recentemente, não tendo interesse no "pacote HBO" da NET, solicitei cancelamento. Enquanto conversava com o atendente, tentei compor um menú contendo apenas aquilo que eu realmente gostaria de ter à disposição. Impossível. No cardápio do restaurante da TV por assinatura o consumidor não pode dar palpite. Não é permitido, sequer, trocar arroz à grega por batata suíça. A consequência é que todos, sem exceção, pagamos pelos serviços de TV por assinatura muito mais do que consumimos. Pagamos pelo muito que não vemos e o preço final resulta extorsivo.
Felizmente, a tecnologia que associa TV à internet proporcionou o surgimento da Netflix, serviço no qual, por menos de 20 reais/mês, se dispõe de vasto elenco de filmes e séries à livre escolha do cliente. Viva! O mercado está encontrando uma saída para os abusos das gigantes do setor, que passa a lutar contra esse inesperado intruso em mesa onde davam as cartas e jogavam de mão. A quem apelam, para conservar seus anéis nos dedos? Apelam ao Estado, meu amigo! Querem a ajuda do Estado para coibir a Netflix, forçando-a, por via tributária, a elevar seus custos e preços. Alguém tem dúvidas sobre o que fará a respeito o Estado máximo?
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
DOBREM A LÍNGUA E A NOVILÍNGUA! - 16/09/2015
De uns tempos para cá, a novilíngua gramscista encontrou no sufixo "fobia" um pé-de-cabra semântico muito útil ao seu trabalho desonesto no plano da cultura. Basta aplicar o sufixo a um determinado vocábulo para impor silêncio à divergência. Assim, por exemplo, a palavra xenofobia tem sido usada em relação a quem considere excessivamente permissivo o ingresso no Ocidente de imigrantes oriundos do mundo islâmico. Os mais exaltados chegam a identificar essa atitude com o nazismo, como se simples recomendações à prudência equivalessem à construção e uso extensivo de câmaras de gás. E não faltam papagaios para, desde seus poleiros nos meios de comunicação, correntinha ideológica presa à perna, repetirem incessantemente a mesma tolice: "Xenofobia! Xenofobia!".
Ora, o Islã político (dificilmente dissociável do ensino do Profeta) assusta o mundo, insistente e desabridamente. Ataca o Ocidente com ameaças, palavras e obras. É a jihad, que já conta 15 séculos. Não há paz onde ela se manifesta. Um enorme conjunto de organizações terroristas proclamam seu objetivo de acabar com os "infiéis" (ou seja, eu e vocês que me leem). O dito califado, do autodenominado "Estado" islâmico, explicita acima de qualquer dúvida intenções de espalhar pelo mundo seu poder e as monstruosidades que pratica na Síria e no Iraque. Não há limites à sua demoníaca malignidade. Então, a prudência não pode ser desprezada, como não a desprezaríamos em nossas casas ao acolher alguém.
Aqui no Brasil, setores da mídia ainda não decidiram se: 1) o capitalismo acabou, a Europa quebrou e viva o socialismo!, ou 2) o capitalismo é um sucesso e a Europa, rica, deve acolher com generosidade os infelizes da Terra. Para eles, porém, num caso ou noutro, em quaisquer circunstâncias, hoje e sempre, o Ocidente é culpado de tudo.
Não nego que a xenofobia pode se manifestar em qualquer sociedade. Inclusive entre os ocidentais que odeiam o Ocidente. Pode, mas não é essa a regra. Quem pôs fogo num imigrante senegalês em Santa Maria é indivíduo enfermo, portador de uma fobia que merece contenção e tratamento. Essas pessoas não são representativas de coisa alguma, exceto da própria enfermidade.
O que escrevo e descrevo não é difícil de entender, mas pode se tornar incompreensível se os conceitos forem espancados até formarem uma massa única e disforme, como pretendem os papagaios da ideologia. Se o mesmo viés fosse usado para todas as manifestações dessas mesmas pessoas, teríamos que criar os vocábulos e correspondentes execrações públicas para os "cristofóbicos", os "meritofóbicos", os "machofóbicos", os "brancofóbicos", os "milicofóbicos", "europofóbicos" e assim por diante.
Então, ativistas, dobrem a língua e a novilíngua. Saibam: o uso desonesto do vocabulário para difundir conceitos errados com fins políticos é apenas mais uma dentre as muitas formas em que a corrupção se manifesta.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
O GRAVÍSSIMO PECADO DOS OMISSOS - 10/09/2015
1. O PAÍS PERDE TRINTA ANOS EM 13
Os responsáveis pela crise brasileira podem ser classificados em três grupos principais. O primeiro inclui políticos, governantes e formadores de opinião que, numa rara e fecunda combinação de ignorância, incompetência e desonestidade, jogaram o país no abismo. O segundo é formado pelos que se beneficiando do governo concederam sucessivos mandatos a quem, diligentemente, conduzia o país de volta aos anos 80. Uniram-se no palco para a grande mágica petista: o país perde trinta anos em 13! O terceiro é o dos tão descontentes quanto omissos. Refiro-me à turma que não sai do sofá. Quando a água bate nas canelas, pegam as velhas listas telefônicas e sentam em cima. Estes últimos incorrem no gravíssimo pecado de omissão. Eu ficaria feliz se os ônus do que vem por aí incidisse, direta e pessoalmente, sobre cada um desses três grupos em vez de se repartir de modo tão injusto sobre o conjunto da população
2. OMISSOS!
É gravíssimo o pecado dos omissos no atual momento histórico brasileiro! O sujeito lê uma pesquisa e fica sabendo que quase 70% da população quer o impeachment da presidente e que ela conta com a confiança de menos de 8% da sociedade. Diante desses dados, em seu comodismo, ele se considera contado e se dá por representado. Naquela cabeça de cidadão omisso, o dado da pesquisa fala por ele. Representa-o.
3. TERCEIRIZAM O PRÓPRIO DEVER
Pouco importa se seu congressista, ou o Congresso inteiro, não o fazem. Pouco lhe interessa se o único assunto das lideranças com poder de fogo no parlamento é a formação de um "acordão" que mantenha tudo como está. Não o perturba a inconfiabilidade dos tribunais superiores. Ele terceirizou todas as suas responsabilidades cívicas. Ou o fez para as Forças Armadas, que não podem e não devem intervir fora das previsões constitucionais. Ou o fez para o juiz Sérgio Moro, como se o bravo magistrado e a sala onde trabalha não estivesse situada no andar térreo do enorme e pouco confiável edifício judiciário. A pachorra dos processos criminais contra personalidades do mundo político é simétrica à pachorra dos cidadãos omissos. E esta serve àquela.
4. MOBILIZAÇÃO OU CAOS
No entanto, o fio pelo qual pende esse trágico governo, só poderá ser rompido quando a mobilização do povo, fonte legítima de todo poder, alcançar proporções multitudinárias, se dezenas de milhões (e não centenas de milhares) forem às ruas, pacífica e ordeiramente, rugir de modo reiterado e insistente sua inconformidade para desestabilizar a quietude das instituições.
Uma das páginas mais aviltantes da nossa história está sendo escrita no tempo presente com as tintas da ignorância, da incompetência, da desonestidade e da omissão.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
EU VOU! - 16/08/2015
O Brasil é um navio sem rumo nem prumo. Não está apenas à deriva. É um navio cuja tripulação joga as culpas do extravio no estaleiro, nas estrelas, nos ventos, nas ondas e, claro, nos passageiros de olhos azuis. O que nos reduz alternativas a essa crise é estarmos sob um governo alheio aos males que causou. Somos governados por quem chegou ao poder mentindo sobre o passado, mentindo sobre o presente e, agora, mente sobre o futuro. E é um navio sem prumo, o Brasil, porque adernou com o peso do Estado. Nada que não viesse sendo anunciado desde os tempos em que Lula, na metade de seu segundo mandato, decidiu que a manutenção do poder valia qualquer irresponsabilidade. Então, irresponsabilidade e meia: apontou como sucessora a companheira Dilma, gerentona, mãe do PAC e seu alegado braço direito. Pedra cantada para dar no que deu.
Muito já escrevi e falei sobre o conforto das instituições. A nação ia sem rumo nem prumo e as instituições só estavam interessadas em ampliar vantagens. Desatenção ao leme e maior peso agregado ao Estado. Deus, porém, escreve direito por linhas tortas, mesmo num barco desaprumado. E eis que surgem, da vastidão continental e populacional do país, ali, na capital do Paraná, um juiz, alguns promotores e policiais federais. Eles se recusam à zona de conforto e começam a fazer o que devia estar sendo feito há dez anos. Tiveram o mérito de perceber mais risco em nada fazer do que na missão que abraçaram. Já são quase três dezenas de colaborações premiadas (e olha que uma não pode repetir o que qualquer outra já tenha relatado!).
Há muitos anos, muitos mesmo, o Congresso Nacional dava sinais de morte cerebral. Ou de ser uma casa onde cada um cuidava de si e o Tesouro Nacional cuidava de todos. Pois a operação desencadeada em Curitiba levou o povo às ruas em 15 de março e desacomodou o parlamento. Queiramos ou não, ainda que com tanta presença constrangedora, ali está o coração, debilitado mas ainda vivo, daquilo que, como extensão do conceito, talvez se possa chamar de democracia brasileira. É ao parlamento que o Brasil, de todas as cores, falará nas manifestações de hoje. Porque, como escreveu alguém, cujo nome gostaria de saber: "A bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade. A paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência. A serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença. A tolerância que nunca replica não é tolerância: é desumanidade." O futuro do Brasil não passará na tevê. Não acontecerá no sofá. Estará se manifestando pacífica e civicamente nas ruas, neste domingo.
Especial para Zero Hora, 16 de agosto de 2015
NINGUÉM NO SOFÁ NO DIA 16! - 14/08/2015
Quem optar pelo sofá da sala em vez de participar da manifestação do próximo domingo, 16 de agosto, estará escolhendo sofrer a história em vez de contribuir para um futuro melhor.
Inúmeras articulações vêm ocorrendo em Brasília. Um dia a presidente convidou para jantar em comemoração ao Dia do Advogado altas personalidades do mundo jurídico e dos tribunais superiores, inclusive do STF (três compareceram!). Vêm-me à mente que o 11 de agosto é tradicionalmente conhecido como "Dia do pendura", um antigo costume pelo qual estudantes de Direito iam aos restaurantes e mandavam pendurar a conta. Qual a conta que se pretendeu pendurar no jantar do dia 11? No dia seguinte, Lula se reuniu com Temer, Sarney, Renan Calheiros e lideranças do PMDB no intuito de "enfrentar a crise". Enfrentar a crise, para esse específico grupo, significa conseguir que tudo fique como está, que é exatamente como tudo não pode ficar. Na sequência, a presidente foi distribuir benefícios no Nordeste. E, ontem, reuniu-se com lideranças dos movimentos sociais. Foi durante esse ato que ela ouviu, sentada e calada, o presidente da CUT chamar seu exército às armas. Que armas?
As forças do conformismo interesseiro se movimentam nos bastidores. Suas preocupações com a situação nacional não são perceptíveis a olho nu.
Vivêssemos sob as mesmas regras adotadas nas democracias estáveis, o governo já teria caído em novembro do ano passado quando se tornaram evidentes as mentiras e mistificações da campanha eleitoral. A suposta "legitimidade" do mandato presidencial é fruto de embustes que fizeram de bobo o eleitor.
As mesmas forças políticas que hoje chamam impeachment de golpe forçaram a renúncia de Collor, que deixou o cargo no dia 29 de dezembro de 1992. Menos de quatro meses depois, em 21 de abril de 1993, por determinação das disposições transitórias da Constituição de 1988, ocorreu o plebiscito sobre sistema e forma de governo. Jamais esquecerei a figura do militante ator Milton Gonçalves, na telinha da tevê, durante a campanha sobre o tema, afirmando que "No presidencialismo, você põe, você tira". Era uma gigantesca inversão da realidade. É no parlamentarismo que se pode tirar o mau governante. O que ocorrera com Collor fora uma quase inacreditável exceção à regra. Mas era uma exceção ainda bem presente na memória das pessoas. Mentindo, fizeram o eleitor de bobo. Pois é, também, graças àquela fraude publicitária de 1993 que Dilma está amarrada ao cargo com uma aprovação de apenas 7% que só lhe proporciona vaia e panelaço.
Aqueles que recusam a legitimidade ao impeachment como um processo constitucional, também recusaram legitimidade, poucos anos passados, ao que aconteceu nos impeachments de Manuel Zelaya em Honduras e de D. Fernando Lugo no Paraguai. Anseiam por parlamentos comprados, submissos, abastardados. Devem avaliar de modo muito positivo os legislativos de Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Argentina, dos quais jamais se ouve falar porque aceitam a focinheira que lhes impõem os respectivos governos.
Não podemos deixar que convençam ou vençam. Munidos do que lhes falta - respeito à ordem, amor à paz, civilidade e compromisso com o bem do Brasil e de seu povo - vamos todos às ruas neste domingo!
* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
FAMÍLIA - PERDEU-SE UM TESOURO? - 27/07/2015
(Publicado originalmente na revista Voto)
É provável que só com ler o título deste artigo alguém já me esteja admoestando mentalmente: "Olha que Estado é laico!". Como se eu não soubesse! Tal advertência, tantas vezes lida e ouvida, tem por finalidade silenciar qualquer opinião que, objetiva ou subjetivamente, mantenha relação com alguma orientação religiosa cristã. Isso leva ao seguinte disparate: o ateu, o comunista, o materialista, o maria-vai-com-as-outras, o iletrado e o doutor, podem falar sobre quaisquer assunto, especialmente sobre moral e valores. Admitem-se, inclusive, com reverências e como referências, posições das mais diferentes culturas, da txucarramãe à budista. Calem-se, contudo, os que pretendam dizer algo que guarde relação com a tradição judaico-cristã, fundadora, com a filosofia grega e o direito romano, da civilização ocidental.
O tema "família" sempre foi conteúdo importante nas posições filosóficas e ideológicas. Os totalitarismos investem contra a instituição familiar dado seu notável efeito na transmissão dos valores através das gerações. Procuram afastar os filhos dos pais, entregando-os pelo maior tempo possível às orientações do Estado. Incentivam os jovens a delatar os genitores por posições ou atividades contra o Estado. Engels, em "A origem da família, da propriedade e do Estado", vai na esteira aberta por Marx que pretendeu ter diagnosticado a família - mais do que a propriedade - como origem da desigualdade. Fabulou ele que, no microcosmo da família, o pai opressor desempenhava papel análogo ao do capitalista em relação ao proletário. Ali habitava a matriz das desigualdades a ser combatida por aqueles que consideram toda desigualdade como um mal em si mesmo - o que, aliás, é absolutamente falso.
Convém lembrar, de outra parte, que não apenas os coletivismos e os totalitarismos investem contra a instituição familiar. Também os defensores do individualismo exarcebado, anarco-individualistas, a atacam, embora por outra frente. Consideram que a família, por se constituir em um "coletivo" a influenciar fortemente os indivíduos, acaba opondo obstáculos à liberdade de cada um. Portanto, em benefício da liberdade de todos, é preciso reduzir a força desses vínculos internos. É preciso abri-la. E então, surpresa! Estes últimos, que desconsideram a dimensão social da pessoa humana, acabaram sendo mais eficazes na erosão da instituição familiar do que os próprios marxistas. Entende-se. Os marxistas se acasalaram com um sistema econômico inviável e o fracasso econômico acabou desacreditando seu arcabouço filosófico. Restou apenas a mentalidade totalitária como participante do jogo político.
A ideologia de gênero, tão em voga, assedia o mesmo inimigo comum, ou seja, a instituição familiar. Em nome do coletivismo e do igualitarismo, desconhece o sexo com que se nasce para fazer, do gênero, objeto de uma construção. Não havendo sexo, extinguir-se-ia a diferença e se instauraria a igualdade. Convencer as crianças disso, é proclamado indispensável à "desnaturalização dos papéis de gênero e sexualidade". Pelo viés oposto, a ideologia de gênero, em nome do individualismo anárquico, faz dessa "pedagogia" uma educação para a liberdade.
Não é difícil perceber o que vai acontecer com a família à medida em que forem prosperando os ataques ao seu sentido natural, à sua finalidade essencial, e sendo adelgaçados, por vários modos e motivos, os vínculos entre seus membros. Combater a instituição familiar é atentar contra a humanidade e a liberdade. A família é essência do espaço privado, grupo humano em relação ao qual o Estado só deve agir para proteger e onde não deve entrar sem expressa e muito bem justificada determinação judicial. Ela é o porto seguro, escola do amor afetivo e efetivo, do serviço mútuo, do sacrifício pelo bem do outro, do martírio e do êxtase. Onde mais se haverá de prover tudo isso, geração após geração?
Alguém dirá que o parágrafo acima é ficcional. Que não se pode tomar a exceção por regra. Admitamos. Admitamos que o descrito é exceção e que a regra, agora, é outra. Perdeu-se, então, um tesouro.
* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões, e a Tomada do Brasil (no prelo).
A POLÍTICA NÃO PODE SER TUDO. NEM NADA. - 24/07/2015
Certamente o leitor já teve ocasião de ouvir entrevistas do tipo em que o repórter pergunta - "O que é isto ou aquilo para você?". E o entrevistado responde - "Ah! Isso para mim é tudo!".
Tudo? Como assim "tudo"? Atribuir totalidade a algo é sintoma de fragilidade mental. Coisa nenhuma pode corresponder ao todo na medida em que o todo é, por definição, a agregação de tudo. Nem Deus pode ser tudo porque se o fosse acabaria agasalhando sua contradição, seu antípoda, o sujeito da fumegante fornalha do andar de baixo. Mesmo assim, o fato permanece: muitas pessoas agem como se alguma coisa fosse tudo, mesmo.
Quando isso ocorre com futilidades, as conseqüências, por vezes graves, se limitam ao âmbito pessoal ou familiar. Constitui porém desvio psicológico capaz de produzir verdadeiras tragédias atribuir essa totalidade à política. O leitor muito provavelmente sabe do que estou falando; conhece e convive com pessoas para as quais a política é tudo. E certamente conhece também idéias políticas que, seduzindo corações e mentes, cobram dos que a elas aderem essa entrega total. Tudo é o partido e nada é mais importante do que a reunião do partido, a defesa do partido, a propaganda partidária. Prioridade alguma se pode sobrepor aos atos convocados pelo partido e nenhuma razão traz consigo a audácia de questionar suas razões e seus procedimentos.
Estou exagerando? Pense no professor que usa a sala de aula para fazer a cabeça dos alunos, no religioso que emprega o púlpito como palanque e que não distingue sua ação pastoral de sua militância política, no jornalista que, na cozinha da redação, manipula o fato para produzir a versão que mais convém ao partido, no torcedor de futebol que mistura o símbolo de seu partido com a bandeira de seu clube, transformado qualquer coisa em vetor de suas próprias manias e compulsões.
Essa totalidade, na política, é a farinha e o fermento do totalitarismo. Mobilize-a com o que bem quiser (insatisfação, revolta, revolução) ou lhe dê o nome que preferir (utopia, radicalização da democracia, organização da cidadania). O produto final será sempre antidemocrático, maniqueísta, totalitário. A melhor proteção contra esse produto é o conhecimento de sua natureza. Da mesma forma, a comprovar a importância do equilíbrio, ignorar completamente a dimensão política do ser humano e a importância da política à vida em sociedade é sinal de pouco juízo e rompimento com um grave dever moral. A omissão na política, pavimenta o caminho dos demagogos, dos incompetentes, dos oportunistas e dos tiranos. E o omisso, cedo ou tarde, será chamado, com todos os demais, a pagar essa conta.
O Nº 10 DE DOWNING ST. E O PALÁCIO DO PLANALTO - 15/07/2015
Diariamente, centenas de milhares de turistas em visita a Londres percorrem a pé a pequena distância que separa Westminster do mais famoso beco do mundo, a Downing Street, em cujo nº 10 trabalha e mora o First Lord of Treasury, cargo tradicionalmente comissionado ao Primeiro Ministro britânico. Através das grades de uma cerca metálica pintada de preto, elegante mas sem floreios, pode-se espichar os olhos na direção do famoso endereço. A impressão que se recolhe, como brasileiro, é a total desproporção entre a importância do cargo e a sobriedade do edifício. Alvenaria de tijolos à vista, uma porta estreita abrindo para a rua sobre uma soleirinha de dez centímetros não é exatamente o que se imagina para quem ocupa posto de tal relevo.
Embora doada a Sir Robert Walpole em 1732 pelo rei George II, este a recusou como presente e propôs que fosse destinada ao uso dos ocupantes do cargo que ele então exercia. Muitos dos sucessores de Walpole, contudo, preferiram outros endereços por considerar aquele destituído da necessária dignidade. O nº 10, já então, estava longe de ser incluído entre os domicílios ou escritórios elegantes de Londres.
Ao retornar dali para o hotel onde estava hospedado, dias atrás, busquei informações sobre o número de pessoas naquele local. Chamara-me a atenção a tranquilidade reinante na Downing Street. Havia muito mais gente espiando através das grades do que em circulação nas áreas externas da sede do governo. E lá dentro? Pesquisando, descobri que o primeiro-ministro britânico tem a sua disposição 85 postos da burocracia estatal e que no nº 10 trabalham, ao todo, cerca de 170 pessoas. Em Brasília, no Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, segundo informou o jornalista Claudio Humberto, em sua coluna do dia 27 de novembro de 2013, estão lotados 4,6 mil funcionários. À época, o jornalista observou que esse número era 10 vezes maior do que o staff total da Casa Branca. E, pelo que constatei em minha pesquisa, 27 vezes maior do que o staff operando na sede do governo do Reino Unido.
Quanto poderíamos aproveitar dos bons exemplos! Em vez disso, parece que aprendemos dos gregos. É evidente que com tais esbanjamentos, vivendo à forra, não pode sobrar dinheiro, por exemplo, para construir os presídios de cuja existência tanto dependem a credibilidade e efetividade da legislação penal e nossa segurança pessoal. Esse modelo pródigo de gestão só será rompido, com imensa economia de recursos se e quando adotarmos um sistema racional, que separe o Estado do governo e ambos da administração pública. Vejam que ao referir o Palácio do Planalto, mencionei apenas um local, um edifício. Há muito mais luxo, requinte e esbanjamento ao redor da mesma praça onde se situa o endereço profissional da senhora presidente.
* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
PÁTRIA DESEDUCADORA - 29/06/2015
"Ao bradarmos "BRASIL, PÁTRIA EDUCADORA" estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar, em todas as ações do governo, um sentido formador, uma prática cidadã, um compromisso de ética e um sentimento republicano". (Presidente Dilma, discurso de posse, 01/01/2015)
Como é inconsistente e distante da realidade o compromisso do governo de Sua Excelência com a ética! E vale o mesmo para o "sentimento republicano" e para a tal "prática cidadã", seja lá isso o que for. Treze anos de governo petista só serviram para desnortear moralmente a sociedade e semear descrédito nas instituições mediante exemplos, palavras e atos. O governo mente, faz o que não deve, não faz o que deve, cerca-se de péssimas companhias, ele mesmo é muito má companhia, corrompe, se deixa corromper e acusa os demais daquilo que faz. Na inepta frase presidencial, contudo, há outro aspecto e é nele que quero me deter.
A presidente disse que a educação será a prioridade das prioridades e que para essa tarefa convergirão as ações do governo. Aparentemente, ninguém a advertiu para o fato de que a sociedade não pediu ao Estado para ser por ele "educada". O que a sociedade espera do sistema público de ensino é que cumpra, dentro das salas de aula, nas escolas, o papel de transmitir à juventude brasileira ensinamentos úteis à vida na sociedade contemporânea e à realização das potencialidades de cada indivíduo. Para variar, é tudo ao contrário do que a presidente e seu partido fazem. Por isso seguimos dilapidando preciosos recursos humanos e perdendo tempo na imprópria tarefa de "construir sujeitos" e de preparar "agentes de transformação social"! Chega de construtivismo, de Paulo Freire e de Emilia Ferreiro (até os argentinos já perceberam o estrago que o método da conterrânea causou à alfabetização no seu país). "Chega de Piaget e de Vygotski!", me assopra num antigo texto o sociólogo e jornalista José Maria e Silva.
Eu sei que o parágrafo acima escandalizará setores do meio acadêmico brasileiro, especialmente nos cursos voltados à formação de professores. Eu sei. Ali, multidão de mestres e doutores ensina os futuros professores dos nossos jovens que a transmissão de conhecimentos, de conteúdos, será apenas parte, e parte pouco relevante, de seus quefazeres profissionais. Por isso, em nosso país, não se ensina História, mas leituras ideologicamente convenientes de fatos históricos. Não se ensina geografia, mas geografia política em conformidade com a sociologia e com a política que convém ao uso revolucionário da rede escolar. Pouco e mal se ensina língua portuguesa porque o uso correto do idioma é instrumento de dominação e desrespeito à cultura do "sujeito educando". E não se ensina matemática, talvez por ser conteúdo exigente, que dispersa energias revolucionárias.
Aferir resultados é uma imposição da razão a toda atividade humana. Não haveria de ser diferente no sistema de ensino. E o que esse sistema proporciona ao Brasil é tão ruim que chega ao absurdo de repelir o mérito e de manter um compromisso com a mediocridade, da base ao topo do sistema. Enquanto na minha infância, no piso da pirâmide, as crianças eram alfabetizadas em poucos meses, passadas seis décadas, esse objetivo não é alcançado por muitos sequer em três anos. Pesquisa do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa revelou, em 2012, que 38% dos estudantes universitários não dominavam "habilidades básicas de leitura e escrita", qualificando-se como analfabetos funcionais. No topo da pirâmide, na produção acadêmica, o Brasil responde por apenas 1% da obra científica mundial de maior qualidade, segundo a revista Nature. O Chile, com 8% da população brasileira, produz mais artigos científicos do que o Brasil. No entanto, enquanto nós gastamos nisso US$ 30 bi, o Chile gastou US$ 2 bi. A ineficiência no uso dos recursos, entre 53 países analisados, nos coloca em 50º lugar.
Não vejo como se possa mudar essa realidade quando ela decorre do projeto político, ideológico e pedagógico há muito em curso no Brasil. Esse projeto, anterior ao PT, levou-o ao poder. Por isso, em relação ao Plano Nacional de Educação, o próprio Lula reconheceu (leia aqui) que ele é "a chance de começar uma revolução no país". A presidente sabe disso tão bem quanto eu e você.
* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
UM CASO RARO: O BOM SENSO PREVALECEU - 17/06/2015
Os autores do projeto que concedia de uma a três passagem de ônibus gratuitas por mês para apenados em regime fechado, em regime semi-aberto e aos parentes de uns e outros, tiveram a delicadeza de retirá-lo. Aliás, ao ler, na manhã desta terça feira, a notícia da apresentação do projeto na Comissão de Direitos Humanos do legislativo gaúcho, lembrei-me dos versos de Chico e os parodiei: "Você que apresentou esse projeto, ora faça a fineza de desapresentar". Foi o que acabou acontecendo, felizmente.
Sabe-se que a sugestão partiu de um setor da Defensoria Pública, sendo adotada pelos deputados Catarina Paladino, Manuela D'Avila, Pedro Ruas, Miriam Marroni e Jefferson Fernandes. A repercussão pública foi tão negativa quanto deveria ser. O presidente da Comissão, diante disso, jogou a responsabilidade para cima da Defensoria, alegando que a sugestão viera de lá. Esta, por sua vez, rejeitou a maternidade da ideia e mandou de volta para a Comissão. Coisa tipo: "Abraça aí que o filho é teu".
No momento em que escrevo, temos uma decisão acertada em cima de um projeto mal pensado. Na Assembléia Legislativa e na Defensoria Pública há gente sonhando com um anonimato provisório e com o total esquecimento do assunto. Ainda assim, o tema merece reflexão porque a malsinada proposta andou sobre esteira bem conhecida. É a esteira por onde passam leis que protegem a criminalidade, que concedem aos presos regalias negadas às suas vítimas, que anseiam pelo total desarmamento das pessoas de bem, que consideram a concessão de vantagens e gratuidades uma solução magnífica exatamente porque a conta, aparentemente, vai para ninguém. E é nessa esteira que atuam os opositores à redução da maioridade penal (os menores que, recentemente, sequestraram, estupraram e mataram uma menina no Piauí cometeram "ato infracional", mais ou menos como se estivessem dirigindo e falando no celular).
É preciso denunciar sempre essa esteira política e filosófica de más ideias e péssimos resultados práticos.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar.
ESPALHAFATOSA DEFESA DA CRIMINALIDADE - 15/06/2015
A gritaria da deputada Maria do Rosário, que pode ser assistida neste vídeo, impõe alguns comentários. Os adjetivos selecionados pela oradora visam a criar uma dicotomia, onde a perversidade está nos deputados favoráveis à redução da maioridade penal e a bondade nas "organizações sociais" que a ela se opõem. De onde saiu a ideia de que a defesa da sociedade, mediante a privação da liberdade dos criminosos, é um ato mau? A deputada acusa a comissão, também, de estar assumindo uma ideologia de classe que é, por definição, a ideologia dela mesma, como petista e ex-PCdoB. Por isso, fala como se a redução da maioridade penal visasse seleção por classe social. Foi Sua Excelência e não a comissão ou o projeto que quis pautar o assunto como conflito de classe.
Tomada pela ira, sem pedir licença ao bom senso, afirma que "eles estão tentando aqui é colocar na prisão não os que matam, não os que cometem crimes bárbaros". Enorme esforço retórico para sair da sinuca de um discurso sem pé nem cabeça. Em sua exaltação cotidiana, sempre preocupada com os criminosos e desinteressada de suas vítimas, afirma, também, que o Código Penal não resolve o problema da criminalidade. Mas o Código Penal, deputada, não existe para isso. Ele existe para punir culpados, para reduzir a sedução da vida criminosa e para que o condenado, no dizer deles mesmos, "pague sua conta com a sociedade". O que a senhora deseja, a retificação da vida do criminoso, é uma das tarefa do sistema penitenciário e não do Código Penal. Aliás, para que o sistema (bem preparado para isso) faça o que a senhora pretende é necessário, primeiro, que o bandido seja preso. Precisarei desenhar?
"Cinquenta mil presos a mais" não reduziram a insegurança social? E graças a qual estranho para-efeito isso virou motivo para que se desista de prender bandidos? Entende-se, assim, o motivo pelo qual o governo da deputada jogou a sociedade no atual nível de insegurança, sem vagas nos presídios, sem controle de fronteiras, desarmando os cidadãos de bem e se opondo à redução da maioridade penal, numa sequência de condutas que ofendem o bom senso. Quantos marmanjos de 16 anos merecem, de fato, ser tratados como inimputáveis, irresponsáveis e incapazes? A legislação penal já prevê a inimputabilidade dos que o forem, independentemente da idade! Chega a ser desrespeitoso tratar um marmanjo de 16 anos como se fosse criança, e criança pequena mal educada, incapaz de distinguir o certo do errado. A distorção da atual legislação está, visivelmente, ampliando aquilo que pretende evitar e desprotegendo aqueles que pretende resguardar. Por isso aumenta a criminalidade entre os jovens. E, não por acaso, são eles mesmos, as primeiras e principais vítimas da regra cega que a deputada se esforça em preservar.
BRASIL, O FILHO PRODIGO CAIU EM SI? - 04/06/2015
Quando decidi renovar meu velho blog, dando a ele o formato atual em www.puggina.org, escolhi duas frases para aparecerem intermitentemente na “testa” do site: “O bom liberal sabe que há princípios e valores que se devem conservar” e “O bom conservador deve ser um defensor das liberdades”.
Creio nisso e me vejo, como católico, identificado com as duas vertentes. A liberdade é um dom esplêndido, que Deus respeita como atributo de suas criaturas muito mais do que elas mesmas costumam respeitar. E as responsabilidades que obviamente advêm da liberdade recaem sobre os indivíduos, sobre as pessoas concretas e não sobre grupos sociais, coletivos ou sistemas como alguns querem fazer crer.
É aí que entram os valores que balizam as condutas individuais e, por extensão, a ordem social e os códigos. É socialmente importante saber conservar o que deve ser conservado e mudar o que deve ser mudado. O bom conservador rejeita a revolução, a ruptura da ordem, a substituição da política pela violência, reconhece o valor da tradição e aprecia a liberdade como espaço para realização digna dos indivíduos e dos povos.
Não é por outro motivo que o movimento revolucionário e os que com ele colaboram atacam vigorosamente uns e outros. Liberais e conservadores são identificados, corretamente, como os adversários a serem vencidos. Essa batalha se trava no mundo da cultura. Gramsci descobriu isso e fez escola. Seus discípulos brasileiros, ditos intelectuais orgânicos, em poucas décadas tomaram o sistema de ensino das mãos dos educadores cristãos, inclusive na maior parte das instituições confessionais.
Nos anos setenta, incorporaram-se a essa tarefa inúmeros novelistas, diretores e produtores de programas de televisão em canal aberto. Tratei deles em meu artigo anterior “Acabou! Acabou! ”
http://www.puggina.org/artigo/puggina/acabou-acabou/3234). Enquanto o comunismo era propagandeado como expressão sublime da bondade humana (!), coube àqueles profissionais a tarefa de destruir os valores da sociedade, em ação de lago espectro. Assim, foram zombando do bem, exaltando o mal, pregando a libertinagem e depreciando tudo que merecesse respeito. Foi um longo e bem sucedido processo de destruição moral do qual a corrupção que hoje reprovamos é mero subproduto. A população de patifes, canalhas e sociopatas aumentou em proporções vertiginosas.
Houve um relaxamento até mesmo entre as consciências bem formadas. Gravíssima a omissão de quantos a isso deveriam resistir, nas famílias, nas escolas, nas igrejas e nas instituições! Devemos reconhecer, então: há muito mais culpados entre os omissos do que entre os efetivos agentes do processo de destruição dos valores. As liberdades recuaram simultaneamente porque esse era o objetivo final do projeto de dominação cultural: estabelecer a hegemonia política, com o Estado avançando sobre as autonomias dos indivíduos, das famílias e da sociedade e das liberdades econômicas. Foi assim que assistimos, durante décadas, sucessivas derrotas dos conservadores e dos liberais, tão numerosos quanto acomodados.
Felizmente, a cada dia que passa, cresce o número de brasileiros conscientes das causas da desgraça que acometeu a sociedade brasileira. São as pesquisas que o indicam com clareza. Foi tamanha a lambança, tão generalizada a degradação moral, tão impertinentes os abusos do Estado, a cascavel, enfim, tanto agitou seu chocalho que acabou despertando as consciências de sua letargia. A nação dá claros sinais de estar refletindo sobre o que fez de si mesma.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar.
ACABOU! ACABOU! - 02/06/2015
Outro dia, escrevi sobre o comportamento abusivo de setores sociais que se consideram corregedores da opinião pública. Referia-me a grupos empenhados em nos instruir segundo seus próprios padrões de conduta. Estranhamente, percebi hoje, deixei de lado os autores e diretores de novelas da Rede Globo. Como fui esquecê-los? A explicação é simples: há muitas décadas não assisto novela alguma. Mas sei que foi constante e persistente o trabalho desses profissionais para impor à sociedade suas pautas e suas posições político-ideológicas, através da audiência da maior emissora de tevê do país.
Serviram à população, lentamente, doses crescentes de drogas que a tornassem dependente e destruíssem seus princípios e seus valores. Muitos dos atuais males vividos pelas instituições nacionais, partindo da família, passando pelo sistema de ensino, até chegar à política e às instituições do Estado, resultam, em boa parte, do longo processo sobre o qual aqui escrevo. A discussão sobre ele é antiga e se resume, essencialmente, em saber quem reflete o quê: a novela expressa a vida ou a vida reflete a novela?
Essa dúvida eu nunca tive. Durante anos participei de um grupo que fazia palestras sobre a formação do senso crítico, para criar mecanismos de defesa no ambiente familiar e escolar, construindo trincheiras de consciências bem formadas. Com o passar dos anos, o grupo se desfez por motivos que nada tiveram a ver com a tarefa em si. Mas sinto uma ponta de orgulho em saber que, há tanto tempo, tivemos claro discernimento sobre para onde a nação estava sendo conduzida. Em entrevista que li lá pelo início dos anos 90, um dos maiores da profissão, filiado ao PCB, Dias Gomes, admitiu explicitamente que sua atividade profissional sempre estivera orientada nessa direção, inclusive durante os governos militares.
Por todas essas e por muitas outras, a matéria da Veja sobre a reação de Gilberto Braga e Dennis Carvalho, respectivamente autor e diretor da novela Babilônia, me fez muito feliz. Encantou-me o desalento da dupla que quis aumentar um pouco mais a dose da droga que serve à sociedade e obteve como resposta uma sólida rejeição. A novela virou o maior fiasco do horário em toda a história da TV Globo. Mas o melhor de tudo foi ler que a dupla está estarrecida com a “caretice” da população. “Nós estamos no século 21, em 2015, e de repente as pessoas ficam chocadas com coisas que não chocavam antigamente”, lamuriaram-se.
Mas não é a novela que imita a vida, senhores? Agora mudou tudo? A rejeição da sociedade a essa novela mostra que sempre foram vocês que estiveram conduzindo a população através da falta de caráter e limites de seus personagens. E agora, que os telespectadores lhes dizem – Basta!” - têm a audácia de atribuir a rejeição ao “politicamente correto”? Mas essa maldição do politicamente correto foi outra construção do mesmo plano sinistro que conduziam!
Esse ardiloso uso do poder da televisão também chega ao fim. Aquelas três novidades tecnológicas que mencionei outro dia – internet, smartphones e redes sociais - estão derrubando o comércio de droga à população através da TV. As pessoas estão sabendo mais, lendo outras coisas, assistindo vídeos de formação, ampliando seu discernimento e percebendo que com a perda da noção de limites são perdidos, também, muitos dos mais valiosos bens de que todos podemos dispor para nossa felicidade.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar.
O MELHOR DO BRASIL, EM MUITAS DÉCADAS. - 31/05/2015
Em relação ao que aconteceu e ao que não aconteceu no dia 27 de maio, firmo algumas certezas. Se três índios tivessem saído de Manaus a pé para Brasília, levando postulações ao Congresso, haveria forte mobilização da mídia nacional e internacional, repercutindo imagens e reivindicações. Se o senhor João Pedro Stédile, ou o frei Betto, fizessem algo parecido, as grandes emissoras de tevê acompanhariam passo a passo a peregrinação e os delírios revolucionários dos romeiros. Utopias são assim, quanto mais trágicas, maior a sedução e maior o número de adeptos. Vá entender!
Segunda certeza. Há uma deliberada intenção de dificultar, por todos os modos possíveis, o surgimento de lideranças jovens, cujas posições, no quadrante das ideologias, se situam do centro para a direita. Para quem estava acostumado a emprenhar a juventude brasileira pelos ouvidos e, depois, levá-la pelo nariz a colaborar com os objetivos do petismo e da esquerda, é intolerável o surgimento de núcleos de contestação e reação. De onde saiu essa moçada que se vai transformando em força política?
Isso não estava previsto. Não fazia parte do projeto. Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete da presidente Dilma, confessou lisamente sua surpresa com o “surgimento de uma direita organizada e mobilizada”. Tal reconhecimento foi feito durante uma reunião com a turma de comunicação dos movimentos sociais, promovida para salvar o decreto dos sovietes de afogamento na onda de rejeição que contra ele se formara.
O projeto de construção da hegemonia petista precisou, então, ser revisto e as providências estão sendo tomadas. A primeira cuida de confinar esses jovens ao ambiente virtual onde teve início sua organização. É preciso transformá-lo em gueto e fazer com que dele não saiam. A segunda é desqualificar todos os grupos convertendo seus méritos em motivo de reprovação. Afinal, qual país do mundo precisa de jovens liberais ou de jovens conservadores? O bom para a hegemonia esquerdista é a militância comunista, coletivista, estatizante, castrista, guevarista, chavista, que tem o dom de destruir todas as economias e todas as sociedades em cuja teia envolve.
Os meios usuais de desqualificação não se aplicam ao caso. Não é possível identificar esses jovens com qualquer governo. Os pais deles eram crianças em 1964. Eles próprios sequer haviam nascido ao tempo da redemocratização. Nada há para agravá-los exceto o que são: liberais e/ou conservadores. Assim, esses inegáveis méritos são atacados por quem não tem mérito algum. Muitos dos que se integram à tentativa de jogar no ostracismo essa moçada brilhante – o que de melhor aconteceu ao país nas últimas décadas! - já abandonaram por desilusão moral o barco onde vinham. Já não defendem o indefensável (como fizeram por tanto tempo), mas não perceberam ainda que o problema não está no partido tal ou qual, no líder tal ou qual, mas na ideia. O que aconteceu no Brasil foi o processo natural de amadurecimento e apodrecimento de uma fruta que cairá pelo peso da gravidade. Quem quiser um Brasil melhor terá que mudar a natureza das ideias que planta.
Saibam os jovens que me leem: vocês não têm com o que se decepcionar. Vocês mobilizam a esperança de milhões de brasileiros que, como eu, não souberam fazer o que vocês estão fazendo. Vocês estão enfrentando a malícia e a perversidade das forças do mal. “Sede, pois, prudentes como as pombas e espertos como as serpentes”.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar.
ESPLÊNDIDAS TEIMOSIAS - 24/05/2015
Há exatos trinta dias um grupo de jovens partiu de São Paulo, a pé, rumo a Brasília, onde deverá chegar no próximo dia 27. Feliz a Pátria que os gerou! Marcham por nós. Esplendidamente teimosos, têm as mochilas cheias de amor à sua terra, anseios por mudanças e sadia indignação contra a praga de gafanhotos que infestou os altos escalões da República. São simbólicos seus passos e admirável sua irresignação. A imprensa os ignora. Cai sobre sua teimosia o silêncio dos acomodados e dos acumpliciados. No entanto, através das redes sociais, multidões os acompanham e chegarão com eles à capital federal, onde ensinarão civismo aos que não sabem o que é isso. Cobrarão das instituições o cumprimento do dever. Haverá, dia 27, o encontro da honra com a desonra. Do amor ao Brasil com seu oposto - a lascívia do poder. Representam-me ante os que deveriam me representar.
Se somarmos as três parcelas - tudo que se sabe, o que se suspeita, e o que tratam de manter oculto - há um camburão de motivos para que a omissão oposicionista seja ofensiva à dignidade nacional. Quando a oposição não faz o que deve, ou faz o que não deve, ou se muda para Nova Iorque, quebra-se uma das duas pernas da democracia. Em sua esplêndida teimosia, a pequena marcha que saiu de São Paulo pretende tirar o carro da oposição da vaga para cadeirante onde parece estar impropriamente estacionado.
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São as pesquisas de opinião que comprovam: se você reunir os adeptos de posições liberais e conservadoras, você congregará bem mais da metade da população brasileira. Majoritariamente, amamos as liberdades e sabemos que há valores que devem ser preservados para o bem de todos. No entanto, não existe no STF um único ministro em sintonia com qualquer das duas posições. O PT ainda não completou seu serviço e ali já puxam, todos, para o mesmo lado. Não bastasse a dissonância com a opinião pública e com o Congresso, é comum ouvir-se nos votos de Suas Excelências libelos contra essas duas posições. E não é só no STF que isso acontece. O estranho hábito de dar aulas à opinião pública se reproduz em boa parte da mídia, onde as palavras "conservador" e "liberal" são pronunciadas entre sorrisos tão maliciosos quanto parvos. O mesmo se reproduz com status professoral nas salas de aula do país. Têm, todos os mencionados e outros mais, a pretensão de agirem como corregedores das nossas opiniões. Mas nós temos, também, essa esplêndida teimosia do livre pensar.
ZERO HORA, 24 de maio de 2015
PEDOFILIA POLÍTICA E OUTRAS NOTAS - 11/05/2015
O ministro Janine Ribeiro vem sendo saudado como promessa de dias melhores para a Educação nacional. Espero, portanto, que já tenha assistido ao vídeo da audiência da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, promovido pelo movimento Escola sem Partido, sobre Doutrinação Política e Ideológica nas Escolas. O Brasil tem cerca de 2,5 milhões de professores. Quantos desses não incluem entre os deveres de ofício moldar a seu gosto as posições políticas e ideológicas dos alunos? Quantos milhões de crianças e jovens já foram vitimas desse procedimento malicioso, também impresso em enganosos livros didáticos? Inominável abuso de poder que, não raro, ridiculariza convicções familiares de crianças e jovens! Tais práticas precisam ser reprimidas pelo que são: rotinas de pedofilia política, adotadas nacionalmente, em proporções multitudinárias.
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Para quem gosta de cláusulas pétreas constitucionais, aí vai uma. Ela é tão relevante que os constituintes, ao relacionarem preceitos que não poderiam ser abolidos, puseram-na em primeiríssimo lugar. Refiro-me à forma federativa de Estado. Pois malgrado a primazia, apesar de agasalhados pelo rigor do preceito, Estados e municípios voltaram à condição de súditos de um poder imperial. Viraram baronatos desfigurados pelo absolutismo que a Casa reinante no Palácio do Planalto impõe. Ela age de forma tão desabrida que um de seus mais cobiçados e endinheirados ministérios (creia, leitor!) é o Ministério das ... Cidades! Pode haver algo menos federativo que um Ministério das Cidades?
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Há no Brasil certo contingente de formadores de opinião identificados como chapa-branca. Montaram tenda de negócios à sombra das tamareiras governamentais e ali prosperam. E há um número bem superior de outros que servem à causa pela causa, discretamente, ardilosamente. Estes, ainda mais do que os primeiros, pavimentaram o caminho do petismo ao poder com a propagação de ideias e bandeiras que multiplicavam o efeito das cartilhas. Foram assim até o dia 26 de outubro passado. Desde o dia 27, quando o cavalo começou a mancar, procuram nova montaria, mas no mesmo cercado ideológico. Prefiro os que permaneceram fieis.
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Com 12% de aprovação, não é a democracia que sustenta a presidente. É o Estado de Direito. Então pergunto: pode ele servir para proteção do governo que vemos e não para proteger a sociedade do governo? Hoje, quem ficar assistindo pela tevê não estará entregando aos azares as rédeas do país. Estará entregando, junto, a si e aos seus.
Especial para Zero Hora, 12/04/2015
UMA SOCIEDADE MORALMENTE SEDENTÁRIA - 29/04/2015
Li “O homem medíocre” pela primeira vez em 1999. Na época, o cetro do poder político brasileiro estava em outras mãos e a oposição de então apresentava-se como modelo das mais seráficas virtudes. Um capítulo do livro, em especial, chamou-me a atenção por parecer escrito para aquela realidade. O autor, José Ingenieros, tratava, ali, da diferença entre a mera honestidade e a virtude, bem como da falsa honestidade daqueles que a exibem como troféu. “Em todos os tempos, a ditadura dos medíocres é inimiga do homem virtuoso. Prefere o honesto e o exibe como exemplo. Mas há nisso um erro ou mentira que cabe apontar. Honestidade não é virtude, ainda que não seja vício. A virtude se eleva sobre a moral corrente, implica uma certa aristocracia do coração, própria do talento moral. O virtuoso se empenha em busca da perfeição.”
Com efeito, não fazer o mal é bem menos do que fazer todo o bem que se possa. Ser e proclamar-se honesto para consumo externo é moldar-se às expectativas da massa e isso fica muito aquém da verdadeira virtude. “Não há diferença entre o covarde que modera suas ações por medo do castigo e o cobiçoso que age em busca da recompensa“, afirma o filósofo portenho enquanto sentencia sobre o homem medíocre: “Ele teme a opinião pública porque ela é a medida de todas as coisas, senhora de seus atos“. Temia, filósofo Ingenieros, temia. O medíocre não mais teme a opinião pública porque a nação tolerou prostituir-se em troca de umas poucas moedas.
Não demorou muito, daquela minha leitura, para que as palavras de Ingenieros desnudassem a intimidade do novo círculo de poder que se instalara no país! Presentemente, após 12 anos disso, sempre em dose crescente, estou convencido, como nunca, de que jamais enfrentaremos de modo correto a degradação das práticas políticas brasileiras se não compreendermos o que é a virtude e como ela se expressa no plano pessoal e no plano institucional.
Há alguns anos, quando se discutia com disposição semelhante à de agora a conveniência e o conteúdo de uma reforma política, instalou-se na opinião pública ampla convergência quanto à indispensabilidade de ser criado preceito que impusesse a fidelidade partidária. “É preciso estabelecer a fidelidade partidária!”, clamavam as vozes nas calçadas, em torno das mesas de bar, nas academias e nos salões do poder. Cansei de alertar, em sucessivos artigos, contra a falsa esperança que a nação depositava nesse instrumento de coerção. Tudo que se lia sobre o assunto passava a impressão de que a infidelidade partidária sintetizava nossos males políticos e era o coração ético de uma boa reforma. Por quê? Nunca entendi. Há coisas que se repetem sem explicação plausível.
Decorridos, já, sete anos de vigência do instituto da fidelidade partidária está demonstrado que ela em nada melhorou o padrão das relações institucionais entre o governo e o parlamento, nem a conduta dos agentes políticos nacionais.
É preciso distinguir, portanto, a virtude que se alcança por adesão voluntária a um determinado bem, da virtude intrínseca a modelos institucionais que inibem a conduta não virtuosa. A fidelidade será, sempre, um produto da vontade humana. O pérfido só renunciará a perfídia quando ela se mostrar inconveniente. O venal pode trocar de camiseta, mas só não terá preço se não houver negócio a ser feito. É por esse motivo que quando o STF proclamou a constitucionalidade da Lei da Ficha Lima, eu escrevi que estávamos trocando de fichas, ou de fraldas como diriam alguns, mas não estávamos acabando com a sujeira que, logo iria encardir outras tantas.
Por quê? Porque essa lei parece desconhecer que a corrupção tem causas em duas fragilidades, a da moralidade individual e a institucional. No plano das individualidades, só teremos pessoas virtuosas em maior número quando forem enfrentadas certas questões mais amplas, na ordem social. Ou seja, quando:
• a virtude for socialmente reconhecida como um bem a ser buscado;
• escolas e universidades retomarem o espírito que lhes deu origem e levarem a sério sua missão de formação e informação e não cooptação;
• famílias e meios de comunicação compreenderem a relação existente entre o desvario das condutas instalado na vida pública e o estrago que vêm produzindo na formação da consciência moral e na vida privada dos indivíduos;
• o Estado deixar de ser fonte de privilégios;
• for vedada a filiação partidária dos servidores públicos;
• forem extintos os CCs na administração direta, indireta e Estatais;
• a sociedade observar com a atenção devida o método formativo e educacional das corporações militares;
• voltar a ser cultivado o amor à Pátria;
• a noção ideológica de “la pátria grande” for banida por inspirar alta traição;
• as Igrejas voltarem a reconhecer que sua missão salvadora nada tem a ver com sociedade do bem estar social, mas com sociedade comprometida com os valores que levam ao supremo Bem.
Não há virtude onde não há uma robusta adesão da vontade ao Bem. E isso não acontece por acaso. É uma busca que exige grande empenho.
Contudo, a democracia (governo de todos), não é necessariamente aristocracia (governo dos melhores). E será sempre tão sensível à demagogia quanto a aristocracia é sensível à oligarquia. Portanto, numa ordem democrática, como tanto a desejamos, é necessário estabelecer instituições que, na melhor hipótese, induzam os agentes políticos a comportamentos virtuosos ou, com expectativas mais modestas, inibam as condutas viciosas. Ora, o modelo político brasileiro parece ter sido costurado para compor guarda-roupa de cabaré. Não há como frear a corrupção que se nutre num modelo institucional que a favorece tão eficientemente, seja na ponta das oportunidades, seja na ponta da impunidade, vale dizer, pela via das causas e pela via das consequências. Não estou falando de leis que a combatam, mas de um modelo político que a desestimule.
Como? Adotando procedimentos e preceitos comuns nas Forças Armadas. Libertando a administração pública dos arreios partidários, por exemplo. Ao entregar para o aparelhamento partidário a imensa máquina da administração (que a mais elementar prudência aconselharia afastar das ambições eleitorais), o Brasil amarra cachorro com linguiça e dá operosidades e dimensões de serraria industrial ao velho e solitário “toco”. “É politicamente inviável fazer isso no Brasil”, estará pensando o leitor destas linhas em coro com a grande maioria dos que, entre nós, exercitam poder político. Eu sei, eu sei. Não sou ingênuo. Está tudo errado, mas não se mexe. As coisas são assim, por aqui.
Do mesmo modo como a fusão do Governo (necessariamente partidário e transitório) com a Administração (necessariamente técnica e neutra porque permanente no tempo) cria problemas e distorções de conduta, a fusão do Governo com o Estado (que, por ser de todos, não pode ter partido) faz coisa ainda pior no plano da política interna e externa. Desde a proclamação da República, todo governante trata de aparelhar o Estado e exercer influência sobre suas estruturas.
Por fim, quero lembrar que o relativismo moral veio para acabar com a moral. O novo totalitarismo elegeu como adversário os valores do Ocidente. Multidões, sem o perceber, tornaram-se moralmente sedentárias.
Abandonaram os exercícios que moldam a consciência e fortalecem a vontade. Ao fim e ao cabo, em vez de uma sociedade onde os indivíduos orientam suas vidas segundo os conceitos que têm, constituímos uma sociedade onde os indivíduos conformam seus princípios e seus valores à vida que levam.
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* Percival Puggina é membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do sitewww.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo;Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
COMUNISMO, O FILHO DA INVEJA - 23/04/2015
Na encíclica Rerum Novarum, publicada em 1891, época em que o comunismo era apenas uma tese ainda distante um quarto de século de sua primeira experiência na Revolução Russa (1917), o Papa Leão XIII, referindo-se a esse modelo, escreveu: “Além da injustiça do seu sistema, vêem-se bem todas as suas funestas conseqüências, a perturbação em todas as classes da sociedade, uma odiosa e insuportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta a todas as invejas, a todos os descontentamentos, a todas as discórdias; o talento e a habilidade privados dos seus estímulos, e, como conseqüência necessária, as riquezas estancadas na sua fonte; enfim, em lugar dessa igualdade tão sonhada, a igualdade na nudez, na indigência e na miséria”. Foi profeta. A história veio lhe dar inteira razão.
No entanto, se as previsões do sábio pontífice foram confirmadas e pouca gente esclarecida rejeita suas afirmações sobre a ineficácia do sistema comunista, tem passado meio despercebida a relação cuja existência ele identificou entre o comunismo e a inveja.
A inveja nasce da comparação e se afirma como um sentimento duplamente negativo: a alegria pelo mal alheio e a tristeza pelo bem alheio. Os moralistas (entendidos aqui como estudiosos das questões relativas à moral) afirmam que o invejoso é a principal vítima desse sentimento. De fato, a inveja mata. Ela é um canhão que dispara para frente e para trás. No entanto, quando força motriz de um modelo político, ela se torna genocida e pode se voltar para a extinção de uma raça, de uma classe social ou de uma nação inteira. Como só gera miséria, o comunismo é movido a inveja.
É a inveja que tem sido vista, por exemplo, nas ruas de Paris. Nas ações da Jihad islâmica. Foi a inveja que explodiu as Torres Gêmeas. É a inveja que não consegue esconder a alegria perante tais fatos. Foi a inveja que deu causa ao holocausto. É a inveja que faz com que todo esquerdista nutra ódio mortal pelos Estados Unidos. Eles não podem conviver com tamanha evidência dos equívocos em que se afundaram. O ódio que têm não guarda relação com humanismo e anseios de paz. Estiveram calados durante a Primavera de Praga, durante a invasão comunista do Tibet e assistiram desolados a queda do Muro de Berlim, apoiam a ditadura dos Castro, apoiaram Chávez e agora apoiam Maduro.
Uma emissora de TV exibiu, há aguns anos, reportagem feita com jovens da periferia de Paris protagonistas de arruaças. Um deles levou a repórter para ver onde vivia. Era um edifício popular, muito melhor do que as moradias de qualquer favela brasileira. Sem muito que dizer, a moça disparou: “Já se nota o contraste entre isto aqui e os palácios de Paris”. Acho que ela queria levar a rapaziada para Versailles. Enquanto isso, seu revolucionário guia apontava as más condições do prédio: paredes tomadas por pixações, a sinalizarem o caráter pouco civilizado dos moradores, e um balde, no meio da sala, marcando a existência de uma goteira, como se fosse dever do governo francês subir no telhado para reparar tão complexo problema. No fundo, é tudo inveja e a América Latina está sendo vítima de governos comunistas que chegam ao poder porque sabem, muito bem, promover esse terrível sentimento.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
A PRIMAZIA DA BURRICE - 08/04/2015
Assumo o ônus da afirmação. Vivemos sob a primazia da burrice. Considero-me diante de inegável sinal de burrice, tão perceptível, tão audível quanto um zurro, quando a mais simples sugestão da racionalidade sobre contas públicas ou definição de funções do Estado é recusada assim: "Essa é a lógica neoliberal!". Não importa se o autor da expressão se julga tão sábio quanto Nicolas Maduro ou tão cartesiano quanto Lula ou Dilma. A expressão é tola. Ideias se enfrentam com ideias e não com adjetivos. As coisas se complicam ainda mais para todos quando quem se vale de adjetivos para afastar a racionalidade do debate político ocupa relevante função de Estado.
O resultado disso é uma conta devedora, com efeitos tão devastadores sobre a nação quanto o provocado por um rombo de caixa na vida familiar de qualquer cidadão. Habitualmente, governos gastam mal e gastam mais do que arrecadam. Eis por que todo ano - quase ninguém sabe disso - 42 % do nosso dinheiro em mãos do governo vai para o pagamento de compromissos da dívida pública, formada pelo excessivo gasto ao longo dos anos!
Como parte dessa tragédia, quando as pessoas dela tomam conhecimento, em vez de mudarem de atitude em relação ao Estado seus usos e costumes, seus abusos e maus costumes, imediatamente começam a falar em calote, em não pagar a conta, em não nos sujeitarmos aos sanguessugas do sistema financeiro, à lógica neoliberal, aos interesses do grande capital e por aí afora (até parece que estou lendo algum documento da CNBB não é mesmo?).
Primeiro, assistimos o desperdício dos impostos que pagamos em cada caderno escolar que compramos para nossos filhos. Depois, aceitamos, inertes, as regalias, os abusos, os privilégios auto-concedidos, ou arrancados sob pressão das galerias nos parlamentos. Em seguida, convivemos com a ideia de que há, em tudo que é "estatal", um poço sem fundo, aberto à generosidade e ao interesse público. Logo, colocamos o "privado" sob suspeita do mais perverso egoísmo, avesso à conveniência social. Por fim, assumimos como elevada exigência moral que o sistema financeiro banque eternamente a gastança do governo. E o faça a fundo perdido.
Perdidos ficamos, mesmo, quando a burrice começa a influenciar as opiniões desde as salas de aula do ensino fundamental, com explicações ideologizadas sobre os acontecimentos de cada dia. Ao fim e ao cabo, a burrice acaba sendo a forma de pensar e de governar a nação. Ou, então, o burro sou eu e o Brasil vai muito bem, obrigado.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
OS INDIGNADOS E OS QUE AINDA NÃO ENTENDERAM - 02/04/2015
O Brasil vai como quem resvala rampa abaixo sobre um skate. É a crise. Em relação a ela, existem duas atitudes principais. A primeira, amplamente majoritária, é a atitude dos que entenderam o que aconteceu e estão indignados. A segunda é a dos que ainda não entenderam.
Estou entre os primeiros. E realmente indignado porque não precisávamos estar passando por isso. Nosso país viveu um momento promissor nos primeiros anos da década passada. Após enorme esforço fiscal, o Brasil derrubara a inflação, havia recuperado a credibilidade internacional, passara a atrair investimentos, construíra alguns fundamentos para a Economia, a arrecadação crescera e o governo ampliara a destinação de recursos para uma série de programas sociais. As condições para tanto foram obtidas a duras penas desde o governo Itamar Franco, com medidas de austeridade e privatizações que o PT combateu furiosamente. Seriam necessárias muitas outras providências, é verdade, mas nunca houve (e não sei se um dia haverá) apoio político, no Brasil, para fazer todo o dever de casa.
Mas íamos bem. Tanto assim que Lula e seus companheiros se convenceram de que governar o Brasil era uma barbada. A China vendia tudo barato e comprava montanhas de qualquer coisa. Jorrava dinheiro nas contas públicas. Obama dizia que Lula era "o cara" e o cara era o pai dos pobres, aqui e mundo afora. O Brasil virou um programa de auditório onde se atirava dinheiro ao público. Havia bastante. Dava para comprar todos que quisessem se vender. Uma parte da grana ia para os programas sociais e outra, muito maior, para os programas socialites, via contratantes de obras e serviços, e financiamentos do BNDES.
De formiga da revolução social, o petismo passou a cigarra das prodigalidades. Em vez de investir na qualidade da educação das classes de menor renda, preferiu remunerar a ociosidade. Em vez de estimular o mérito, favoreceu a mediocridade com leis de cotas. Em vez de gastar recursos públicos em infraestrutura, "conquistou" em dois lances, a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Em vez de diminuir o tamanho o Estado, agigantou-o com novos ministérios para usufruto da base de apoio. Para que o PT se exibisse como partido líder da esquerda continental, financiou de um modo escandalosamente secreto obras de infraestrutura que fariam muito bem, se feitas no Brasil. Bilhões de reais foram direcionados para os países do Eixo do Mal Latino-Americano (na expressão perfeita do Dr. Heitor de Paola).
A crise da economia mundial ganhou o apelido de "marolinha". E como tal, foi solenemente ignorada pela imprudência ufanista do presidente. Ele dava conselhos ao mundo sobre como acabar com a pobreza... A partir da metade do segundo mandato do estadista de Garanhuns, nos monitores dos analistas da realidade brasileira, as luzes amarelas se alternavam com as vermelhas. Mas nada importava. Era preciso eleger a senhora mãe do PAC, notória economista que pensou haver descoberto o segredo do bem estar geral: endividar a sociedade toda através do governo para manter as aparências e, adicionalmente, ampliar o endividamento das famílias. Se você examinar de perto, verá que não há muito espaço para geração de riqueza, poupança interna e investimento nessa inadequada concepção. Embora não conviesse ao Brasil reeleger Dilma, Dilma precisava ser reeleita. Paguemos todos, então, os custos das ilusões necessárias para produzir o absurdo e suspeitíssimo resultado eleitoral de 2014.
A notória falsificação, que já leva oito anos, enganou muitos, durante muito tempo. Não só no Brasil, diga-se de passagem. Agora veio a conta e levaremos alguns anos pagando. Quem sofrerá mais? Os pobres, justamente os mais vulneráveis e, por isso, os mais iludidos pela publicidade do governo. Mas não precisávamos passar por isso.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
INIMPUTABILIDADE DOS MENORES DE 18 ANOS - 01/04/2015
Todas as tentativas de reduzir a maioridade penal, mesmo que para o patamar mínimo de 16 anos, esbarram no fato de que a Constituição Federal declara, no parágrafo 4º do artigo 60, que os direitos e garantias individuais nela estabelecidos constituem "cláusulas pétreas". Ou seja, não podem ser objeto de emenda tendente a os abolir. E nessa lista, entre quase seis dezenas de garantias, vai, como peixe em cambulhão, a inimputabilidade dos menores de 18 anos.
Hoje, 31 de março de 2015, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da PEC 171/93, que trata dessa redução. Com a decisão, a matéria volta a tramitar na Casa, embora o PT, que junto com o PCdoB, o PSB, o PSOL e o PPS se posicionaram contra a medida, já tenha anunciado que vai recorrer da decisão ao Poder Judiciário. É outra "velha senhora": a judicialização da política brasileira, que não serve à Justiça e não serve à Política.
Foi muito presunçosa a atitude dos constituintes de 1988 quando decidiram listar os dispositivos constitucionais que não poderiam ser objeto de modificação. Ao fazê-lo, pretenderam cristalizar a Sociedade, a Política e a Justiça como se fotografassem um instantâneo das aspirações nacionais e decidissem torná-las imutáveis através dos séculos. Quase nada pode ser assim e a CF de 1988 foi excessiva em fazê-lo.
Cada vez mais, a criminalidade praticada por menores de 18 anos assombra a segurança pública, com os "de menor" transformados em linha de frente do crime organizado. É imperioso coibir isso.
Sempre que se fala em combater a criminalidade com medidas repressivas aparecem os protetores de bandidos. São os mesmos - exatamente os mesmos - que relegam as vítimas ao mais negligente abandono. Seu argumento é tão surrado quanto paralisante: "Só isso não resolve!", proclamam. É óbvio que só isso não resolve, mas se nada é feito, tudo fica pior a cada dia, como a experiência e as estatísticas demonstram com clareza.
É um raciocínio absolutamente lógico; de tão lógico acaba sendo absolutamente não ideológico: quanto maior o número de bandidos presos, menor o de bandidos soltos e menor a insegurança na sociedade. E vice-versa.
JORNALISMO EM TEMPOS DE IPHONE - 17/03/2015
Quando a má intenção é excessiva, até os bobos percebem. Estive folheando alguns jornais em busca das matérias que registraram as ditas manifestações encomendadas pelo governo e que antecederam às de domingo. Elas registraram os eventos com coloridas estampas onde dominavam as bandeiras vermelhas, e informaram números estimativos de participantes. Esclareceram que as pautas principais eram a defesa da Petrobras, direitos trabalhistas e preservação do mandato da presidente Dilma. Corretamente, divulgaram que o público era formado, em sua totalidade, por gente da CUT, MST e assemelhados. Bastava olhar as bandeiras para saber isso.
Havia, porém, outros fatos acontecendo simultaneamente. E o silêncio sobre eles se enquadra na situação a que aludi na primeira frase deste artigo: quando a má intenção é excessiva até os bobos percebem. Quem eram essas pessoas que não são capazes de identificar a contradição em que se meteram? Não foi a presidente cujo mandato defendiam quem detonou a Petrobras e agora quer lhes suprimir direitos? Quem eram essas pessoas que em plena tarde de sexta-feira estavam disponíveis para atender convocação de sua entidade e se deslocar para determinado ponto de concentração? Uma vida tão sem compromissos laborais em dia útil seria, no meu modo de ver, mais compatível com "coxinhas". Classes "trabalhadoras" dispensadas de trabalhar? Por quem, cara-pálida?
Tem mais. O telefone celular e, em especial os iphones, conjugados com as redes sociais, parecem ainda não detectados por muitos profissionais da mídia. Hoje, cada cidadão, com um aparelho desses, é parte de uma agência de notícias onipresente. E enquanto os "do ramo" se atinham à ramagem dos fatos, pessoas comuns, de iphone em mãos, falavam com taxistas, conversavam com os atendentes de restaurantes e bares, registravam onde iam, como se alimentavam e quais as rotinas adotadas por aqueles a quem a mídia denominava manifestantes.
Pelo Twitter, me informavam sobre os taxistas, a quem os portadores de bandeiras vermelhas pediam recibos das corridas (alguém, portanto, estava custeando aquela modorrenta espontaneidade). Pelo Face me mostravam fotos de grupos recebendo dinheiro e de grupos almoçando em restaurante caro de um shopping de Belo Horizonte. O que os "manifestantes" ali mais manifestaram foi bom apetite e bom gosto, consumindo três garrafas de vinho cujo preço unitário excederia R$ 100. E venha a bendita nota fiscal. Por e-mail, chegavam fotos mostrando filas nas sorveterias imperialistas do Mc Donalds. Via Face, relatos de atendentes de bares e restaurantes que gastaram canetas e talonários fornecendo recibos individuais para cada item consumido. Por e-mail, recebi short clips de "manifestantes" do MST marchando em filas paralelas de modo a parecerem muitos, sendo poucos, interrompendo o trânsito e criando confusão sem qualquer comunicação positiva com a sociedade (que eles, aliás, foram ensinados a rejeitar). Mas nada disso parece ter sido visto por quem, em tese, teria o dever profissional de estar observando, registrando e comunicando.
Essa informação deficiente não foi despropositada. Ela queria transmitir a ideia de duas manifestações antagônicas e semelhantes, ainda que em quantitativos diversos (como teve que ser registrado no domingo). Com base nessas matérias, Cardozo e Rossetto puderam se referir às "reivindicações das duas manifestações". Contudo, foram eventos incomparáveis. Um foi manipulado, com participantes remunerados e pautas que se contradizem. O outro foi amplamente democrático, quem compareceu o fez por sentimento de dever, no uso de sua liberdade, por amor ao Brasil e com o desejo de dar um basta à sordidez que se apoderou de nossas instituições.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
AS MUITAS E INCONTORNÁVEIS RAZÕES POLÍTICAS DO IMPEACHMENT - 16/03/2015
Queriam a prova? Pois ela veio assim que terminaram as manifestações do domingo, país afora. A entrevista dos ministros Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo fez prova provada do inverso da tese que pretenderam apresentar. O governo é incorrigível! O que tinham a dizer? Nada que suscitasse consideração ou respeito. Ao contrário, mostraram a mesma falsa autossuficiência e a conhecida arrogância. Pacote de combate à corrupção? Me poupem!
Só o impeachment (palavra que em inglês significa acusação, impugnação) da presidente Dilma pode resolver a crise política instaurada no país. De que se acusa o governo? Por que impugná-lo como parte de um ato político devidamente constitucional e objeto de legislação específica? Eis por quê:
1. A presidente perdeu quase totalmente apoio popular. Sua permanência no cargo, em tais condições, nada tem a ver com democracia, mas com Estado de Direito. A democracia, a vontade popular, não mais a sustenta. Não mais a referenda. O povo perdeu-lhe o apreço e o respeito. É graças à Constituição que a presidente permanece até que o rito político nela previsto, impugne sua presença na chefia do governo e do Estado brasileiro.
2. Dilma se esconde do povo. Onde vai, leva vaia Quando aparece na televisão não tem o que dizer exceto repetir o discurso de sua inescrupulosa campanha eleitoral e anunciar pacotes que só convêm ao seu partido e ao seu projeto de poder. E leva panelaço.
3. Não é admissível, não é probo, não é honesto mentir aos eleitores! É fraudulento vencer uma eleição contando à Nação, até o dia 26, mentiras que caem por terra no dia 27.
4. Nem com a maior dose de boa vontade e tolerância se consegue aceitar a tese de que a suprema mandatária, comercializada ao público como "gerentona", não fosse informada nem percebesse o sumiço de bilhões das contas públicas e o mágico e inebriante retorno dessa dinheirama a seu partido e seus parceiros.
5. Não é probo, não é decente, usar recursos públicos para criar no Brasil uma nova classe de bilionários - os bilionários do BNDES - privilegiados com muito dinheiro, a juros subsidiados por nós. Eles enriquecem e a diferença entre o juro subsidiado e o que o Tesouro paga vai para nosso débito.
6. Não é moralmente admissível perdoarem-se dívidas de governos ditatoriais para viabilizar a concessão de novos financiamentos que beneficiam empreiteiras amigas da corte e intermediário de muita conversa. É inaceitável que tais operações sejam registradas como sigilosas.
7. É ímprobo um governo que escolhe para diretorias de empresas estatais pessoas não apenas desonestas, mas que agiam sob voraz pressão partidária. Não pode ser acaso, então, o fato de dois sucessivos tesoureiros do PT terem ido hospedar-se na cadeia.
8. O partido da presidente não se penitencia ante os acontecimentos e promove gritarias para calar a oposição na CPI da Petrobras. Ou seja, a nação está sob comando de um governo e de partidos que defendem criminosos, como faziam seus militantes pagos na última sexta-feira. Como haverão de corrigir-se?
9. A compra da refinaria de Pasadena, longe de ser o maior escândalo do governo, foi autorizada por um conselho do qual Dilma era presidente. Foi considerada, na Bélgica, como o "negócio do ano" entre as empresas daquele país. E virou processo criminal nos Estados Unidos.
10. A refinaria Abreu Lima teve seus custos de construção elevados de R$ 2 bilhões para R$ 18 bilhões e algo assim só acontece quando a gestão pública atinge indescritível tolerância com a apropriação ilícita dos recursos públicos. Ou dos acionistas.
11. Nenhuma empresa privada conviveria 11 dias sequer com uma roubalheira do porte praticado na Petrobras durante 11 anos sem que, ela mesma, providenciasse o processo criminal dos responsáveis.
12. No início do primeiro mandato da presidente Dilma estouraram escândalos em oito (!) ministérios, sinalizando ilicitudes que já corriam, com fluidez e liberdade, desde os mandatos de Lula.
13. Só não percebe o que estão fazendo com o país quem não se respeita nem se faz respeitar. O governo e a presidente não podem ser acusados de improbidade? Diga, então o contrário: diga que são probos...
Sei bem que contra estas e muitas outras razões podem ser interpostos vários argumentos. Isso é da natureza do debate político e jurídico. No entanto, esse governo é incorrigível. Ele nada tem a oferecer daquilo que o Brasil precisa. Em defesa do interesse nacional, me posiciono entre os que consideram o impeachment viável, necessário e imposição da consciência nacional.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
GOVERNO DILMA: CNBB ABSOLVE OS PECADOS? OAB AFIRMA A INOCÊNCIA? - 25/02/2015
As duas entidades lançam na manhã desta quarta-feira um Manifesto em Defesa da Democracia. Por que? Porque segundo ambas, a democracia está em perigo devido às "graves dificuldades político-sociais" enfrentadas pelo país. A nota em que divulgam o evento reafirma a importância da ordem constitucional e da normalidade democrática. A saída para a crise passa pelo que denominam uma urgente "Reforma Política Democrática para corrigir tais distorções que ameaçam a democracia e cerceiam a participação efetiva do povo nas decisões importantes para o futuro do país". Sempre que esse pessoal fala em povo, reitero, estão falando apenas de si mesmos.
Blá-blá-blá. O que a CNBB e a OAB pretendem é socorrer o governo petista que meteu pés e mãos no lodaçal da corrupção. Vêm em auxílio de quem levou o país do nanismo diplomático para o nanismo econômico. Propõem-se a ajudar a presidente, a mesma senhora que, falando em tom irônico, como se tivesse descoberto a senha que abre os portões da Papuda, atribuiu os escândalos da Petrobras a supostas omissões de FHC em 1996. Feito! Não é bela e pura, a Brasília oficial, estrelada, togada, prelada ou engravatada? Tudo se passa como se de 2003 a 2015, o governo petista, inspirado no regime de partilha e nos contratos de exploração do pré-sal, não houvesse instituído um regime paralelo de partilha e abonado contratos de exploração dos recursos da empresa entre os partidos da base e seus prepostos.
Nesta quarta-feira, CNBB e OAB procurarão tirar a corrupção dos ombros dos corruptos e jogá-la em quem não pode ser algemado: o modelo político adotado no país. A primeira entidade absolverá os pecados? A segunda fará prova da inexigibilidade de outra conduta? Ou seja, a mensagem resultante é a de que os malfeitos ocorrem pela falta de uma reforma política e em nome da governabilidade (andaram lendo o Luis Nassif). Ora, senhores, sobre isso eu já escrevi tantas vezes! Com uma diferença essencial: ao afirmar que nosso modelo institucional é corrupto e corruptor, ficha suja, eu jamais me vali disso para lavar e enxaguar a ficha individual de quem quer que seja. Uma coisa é uma coisa e outra coisa, etc. e tal.
E tem mais. A CNBB, ao opinar sobre Reforma Política, fala do que não entende nem tem o dever de entender. Mas a OAB tem obrigação de saber que não será alterando as regrinhas sobre financiamento de campanha e mudando o modo de eleição parlamentar que vamos remover os principais vícios de um modelo político que mistura Estado, governo e administração, transformando as funções públicas em capital político, para render juros e correção monetária aos partidos do poder.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
FHC E A SÍNDROME DO PETISMO DELIRANTE - 21/02/2015
Fernando Henrique, me desculpe, mas você pediu por isso. Você pediu que Dilma olhe para si mesma, para a decepção e o descrédito a que levou o país, e afirme que a culpa é sua. Que é lá de 1996. Você criou facilidades para que uma pessoa incompetente, incongruente e estabanada como ela o escolha para bode expiatório de seu encalacrado governo. Você, por infinita omissão, permitiu que a imprensa nacional trate algo tão sem cabimento com chamada para o noticiário da noite e foto de capa nos jornais.
Há muitos anos o PT o designou para a função de renegado. Você, Fernando Henrique, atravessou muita avenida de braços dados com Lula. Você era ponta esquerda do "campo democrático e popular". Você integrava a ala do PMDB que desembarcou do governo Sarney porque este estaria muito à direita, para fundar o PSDB como partido de esquerda. Você, Fernando Henrique, nunca se afastou da esquerda como deveria. Ela é que o renegou. E você continuou sorrindo para Lula.
Durante os oito anos em que você governou o Brasil, o PT assassinou sua reputação e você a deixou ficar ali, gelada, numa gaveta de necrotério. Durante oito anos você levou cuidadosamente para casa ofensas que em Santana do Livramento se resolvem com um soco no nariz. Você, Fernando Henrique, se deixou desrespeitar. Você não mexeu um dedo para processar Lula e seus sequazes por injúria, calúnia e difamação nem mesmo quando chegaram ao poder e de nada o acusaram, apesar de terem assumido o comando de todos os órgãos governamentais de investigação, recebido as chaves de todas as gavetas, as senhas de todos os arquivos e tido livre acesso a todos os contratos.
Como resultado, a mídia petralha continuou a fustigá-lo. Você virou uma síndrome do petismo. Ele julga redimir-se de todos os pecados apenas com se afirmar, à exaustão, melhor do que FHC e PSDB. Sou testemunha ocular desse delírio. Em muito microfone já denunciei tal prática como vigarice intelectual. Há mais de uma década, boa parte dos âncoras e entrevistadores da imprensa brasileira cobra pedágio de quem risca o chão demarcando o atoleiro petista. Eu não pago! Mas qualquer um que critique os governos do PT é incitado a fazer o mesmo com os governos tucanos. E se o entrevistado não o faz, o entrevistador assume a tarefa por conta própria. Compromisso com a justiça? Não! Orientação partidária, da empresa de comunicação, ou intimidação causada pelo cotidiano patrulhamento petista em síndrome de triunfalismo, mesmo quando afundado na própria infâmia.
Portanto, Fernando Henrique, quando Dilma destravou a língua para culpá-lo pela sinecura organizada pelo PT e quadrilheiros da base, ela reproduziu o que os estrelados de seu partido se acostumaram a fazer por falta de quem desse um murro na mesa e um basta a esse desrespeito.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
O BRASIL NÃO É BUTIM DOS VITORIOSOS - 15/02/2015
Não mesmo! Impeachment não é golpe. Golpe é o que foi aplicado no eleitorado e no patrimônio público. Golpista será toda tentativa de impedir manifestações populares ordeiras em favor do trâmite de um processo de impeachment. Golpes ocorrem fora do ordenamento jurídico. Impeachment, ao contrário, é um procedimento constitucional, demorado e ponderado, regulamentado em lei específica. É um instrumento previsto porque necessário ao presidencialismo.
Tampouco é coisa "da direita", como alguns com mais preconceitos do que conceitos têm sugerido. Essa afirmação, aliás, é tiro no pé. É acusação maldosa à própria esquerda pois significaria que perdeu o senso moral. O processo de impeachment de que hoje tanto se fala no Brasil tem a ver com crime de responsabilidade, com ações e omissões que lesam o país. Por outro lado, o único processo de impeachment que produziu efeitos no Brasil, embora a renúncia de Collor tenha interrompido sua tramitação, resultou de mobilização promovida pela esquerda, notadamente através da UNE e da CUT. Prefiro crer que ainda exista boa intenção e reta conduta em certos setores da esquerda brasileira. As pessoas conscientes, independentemente de alinhamentos ideológicos, estão estarrecidas com a liberdade de ação concedida aos que transformaram a administração federal direta e indireta em butim dos vencedores.
Não estou exagerando. No período de 2005 a 2014, enquanto a Ação Penal 470 (Mensalão) tramitava e as penas eram impostas aos réus, a pilhagem da Petrobras se mantinha em livre curso, como se nada estivesse acontecendo. E tudo se dava em benefício dos mesmos partidos da base do governo! Descobriu-se, assim, que em muita gente a cobiça supera o medo, seja ela engravatada ou descamisada. Tal é o móvel de boa parte dos crimes cotidianos.
O Dr. Ives Gandra, em recente parecer, mostrou que as condições jurídicas para um processo de impeachment estão dadas. Não é necessário que haja dolo. Basta a culpa. E desta, a dose fornecida é abundante. Ora, se já houve culpa em alta dose, poucas coisas importarão mais ao bem nacional e à probidade dos atos de governo do que a viabilização das condições políticas que decorrem da pressão social, como bem reconheceu o novo presidente da Câmara dos Deputados. Não imagino que afeição partidária possa se sobrepor, nas consciências bem formadas, à boa imagem do país, ao bem nacional e à retidão das condutas. Uma nação que, com justa razão, queixa-se da impunidade geral, não pode endossar o que está acontecendo no Brasil.
ZH, 15/02/2015
O HAITI É AQUI? - 25/01/2015
Ao congregar sob um só comando Estado, governo e administração, na figura onipotente da presidência da República, nosso modelo institucional produz um grave déficit democrático e um enorme ônus aos pagadores de impostos. Essa fusão só pode dar confusão. A função governo, que é transitória, deve ser partidária. Nisso andamos certos. Mas constitui um completo disparate partidarizar e aparelhar, simultaneamente, o Estado e a administração. Estes, são permanentes.
A partidarização do Estado, vou ficar com este fio do problema, tem determinado as grandes trapalhadas da nossa política externa. Aponto, entre muitos outros, os casos com Honduras, Paraguai, Bolívia, Israel, Itália, Cuba, Irã e Indonésia. Em todos esses, e em muitos outros, ou o Brasil traspassou, varou, o princípio constitucional de respeito à soberania das demais nações ou foi na contramão das melhores tendências internacionais. Isso para não falar na magnanimidade dos governos petistas para com ditadores africanos e sul-americanos, malbaratando recursos nossos em nome da ambicionada cadeira no Conselho de Segurança da ONU.
Andando por esses descaminhos ideológicos, seguindo a cartilha do Foro de São Paulo, o Brasil foi parar no Haiti. Corria o ano de 2004 e a ONU criara o MINUSTAH (Missão das Nações Unidas para estabilização do Haiti). Transcorreu uma década, o Brasil comanda a missão, e já enviamos ao Haiti mais de 30 mil homens. E agora? Bem, agora a recíproca revelou-se verdadeira. Agora, o Haiti é aqui.
Vinte mil haitianos aparecem no Acre. No Acre? Sim, o governador do Acre é petista. A revista Veja, em 2/02/2014, assim descreve a rota dos haitianos: "Até cruzar a fronteira do Brasil, os haitianos viajam dias a partir da República Dominicana, país vizinho ao Haiti. De lá, embarcam para o Panamá e para o Equador, que não exige visto de entrada. Alguns permanecem no país por algum tempo até juntar dinheiro para o resto da viagem. De Quito (Equador), cruzam o Peru até a cidade de Puerto Maldonado, onde atravessam de carro a fronteira do Brasil e chegam à cidade de Assis Brasil (AC). A corrida de táxi até Brasileia custa 20 reais."
Do Acre, os haitianos dirigem-se, preferentemente, para São Paulo, não por acaso, cidade administrada pelo PT, o que deixa essa longa história, do início ao fim, sob orientação de certa diretriz partidária. Todas as informações que se têm sobre a recepção aos haitianos não permitem um louvor à dedicação humanitária de quem lhes abriu nossas portas. Se o país os acolhe num gesto humanitário, não é correto tratá-los miseravelmente. E eles estão submetidos a condições inumanas de recepção e encaminhamento.
O governo já anunciou que está em elaboração uma Lei de Migrações, para substituir o Estatuto do Estrangeiro, atualmente em vigor. Mas parece que antes de sair a lei já sepultou o Estatuto, segundo o qual a "imigração objetivará, primordialmente, propiciar mão-de-obra especializada aos vários setores da economia nacional, visando à Política Nacional de Desenvolvimento em todos os aspectos e, em especial, ao aumento da produtividade, à assimilação de tecnologia e à captação de recursos para setores específicos".
Nada justifica acolher os haitianos para, depois, jogá-los à própria sorte, dispersos num país de proporções continentais. Os petistas administram as questões internacionais com o mesmo desleixo com que tratam das questões nacionais.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
MENTIRA, DIREITO DE TODOS E DEVER DO ESTADO - 22/01/2015
Em setembro de 1980, a jornalista Janet Cooke trabalhava na seção de temas "Semanais" do Washington Post, onde, para ingressar, inflara significativamente seu nível de formação profissional. Nessas condições, ela escreveu um artigo - "Jimmy's World" - no qual relatou a surpreendente história de um menino de oito anos que se tornara adicto à heroína, levado a isso pelo namorado da mãe. A história teve enorme repercussão. Enquanto ela "preservava sua fonte" (o caso inteiro era uma invenção), as autoridades se empenhavam, inutilmente, em procurar pistas que levassem à criança. Dentro do próprio jornal surgiram dúvidas sobre a veracidade do relato. A direção, porém, bancou a funcionária e sua matéria. Candidatou-a ao cobiçado "Pulitzer Price for feature writting" (textos de especial interesse humano). Eram negros, o menino, o namorado da mãe, a mãe e a jornalista. O principal postulante do prêmio para a autora de Jimmy's World dentro da comissão de seleção era um militante negro, interessado em revelar aos brancos a realidade das drogas na comunidade negra.
Janet Cooke ganhou o mais cobiçado troféu do jornalismo norte-americano. Só foi desmascarada, dias após, porque a divulgação de seu perfil profissional fez com que a universidade onde obtivera o bacharelado suspeitasse de que tudo mais que ela dissera de si mesma era falso. E a teia das mentiras foi se rompendo. O Post divulgou o que ficara sabendo, extraiu a confissão da moça, e pediu a retirada do prêmio.
Pois bem, existem mentiras de todo tipo, mentiras piedosas, mentiras avulsas. Existem, também, como no relato acima, mentiras que envolvem compromissos. Estas últimas são construídas dentro de uma rede de solidariedade. Precisam de apoios. Precisam de quem as repita e de quem as referende.
Agora, passo ao Brasil. São mentiras assim que estão em curso no nosso país, já há bom tempo. Graças a elas, a Nação é empacotada como besouro colhido em teia de aranha. Usadas como instrumento da política, essas mentiras são multiplicadas graças à teia de solidariedade entre interesseiros mentirosos, que acabam envolvendo nela a nossa liberdade e a nossa vitalidade como indivíduos e cidadãos. Os compromissos firmados em torno das mentiras paralisam a Nação. Não esqueçamos: a aranha tem objetivo final bem conhecido em relação à sua presa.
Poderíamos usar a fórmula e a cadência de certos preceitos mágicos incluídos na Constituição Federal e afirmar que, aqui no Brasil, a mentira é direito de todos. E dever do Estado. De fato, nossa legislação protege o mentiroso. E ninguém mente mais à Nação do que o Estado. Durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma mentia para trás, vangloriando-se de inexistentes realizações e conquistas dos governos petistas. Mentia para a frente, anunciando um futuro brilhante para o próximo quadriênio. Atribuía, falsamente, intenções perversas a seus opositores. Essas mentiras eram repetidas, país afora, por uma rede de multiplicadores formada por milhões de ativistas.
Findo o pleito, mantida a cadeira e a caneta, a presidente passou a fazer nada do que havia prometido. E foi adiante. Jogou inteiro sobre a sociedade o saco de maldades que, durante a campanha, ela mesma se encarregara de pendurar nas costas de seu adversário. Mesmo assim, são poucos, muito poucos, os que erguem a voz para denunciar que caímos numa rede de mentiras ante as quais nada podemos fazer porque, como disse, no Brasil, a mentira é direito de todos. E dever do Estado.
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* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
O DISCURSO DA RAINHA - 06/01/2015
O Partido dos Trabalhadores mantém uma relação muito própria com a realidade. A exemplo dos partidos totalitários, os fatos, para o PT, são meras referências a partir das quais são concebidas e propagadas as versões mais convenientes. Três fatores se têm revelado utilíssimos para que cada versão, malgrado sua desconexão com os acontecimentos, produza o efeito político pretendido.
O primeiro desses fatores é a velocidade com que a máquina publicitária petista produz e distribui a versão mais proveitosa. É imperioso que chegue a todos os cantos do país simultaneamente com a notícia a partir da qual a versão foi construída. O partido dispõe, então, de numerosa e bem organizada rede de reprodução e repetição das versões que constrói. Em instantes, no canto mais remoto do país, onde houver um vereador do PT ou um dirigente partidário local, ele sabe muito bem o que deve propagar e repetir incessantemente sobre cada assunto de interesse da sigla. Bastaria essa coesão para fazer da mentira verdade e da verdade mentira. Nada que não tivesse sido utilizado antes por todos os partidos de viés totalitário, ao longo do século 20. Inclusive o anseio por reescrever a história, transformando bandidos em heróis e vice-versa, sempre com base nas versões construídas. A Comissão da Verdade é o recente exemplo local de algo que foi prática corrente no mundo comunista.
O segundo fator tem a ver com a fragilidade intelectual do grande público. Quem faz política com astúcia conta com ela e dela se aproveita. Valem-se dessa fragilidade, aliás, todos os vigaristas bem sucedidos. Confiam nela os mentirosos, nas muitas esferas da vida social. Não bastasse isso, é fato: quase sempre, a mentira bem contada é mais atrativa do que a verdade.
O terceiro fator é uma peculiar idiossincrasia de parte da imprensa brasileira que exige de si conduta estéril, uma azoospermia que parece não ter cura, uma equidistância em relação a toda divergência. Graças a isso, mentira e verdade se defrontam com igualdade de condições. Ponto e contraponto. Ainda que um ou outro seja descarado embuste, são raras, entre nós, matérias editoriais desmascarando tramoias. Mesmo se produzidas em série, como as que rechearam o discurso de Dilma.
Os textos que ela leu durante a posse, preparados por ghost writer, formam duas coletâneas de exemplos do que examinei acima. Versão, versão, versão, ufanismo, falsidade e mistificação. Graças a esse menosprezo aos fatos, a presidente pode afirmar, sob aplausos, que esta é a "primeira geração de brasileiros que não vivenciou a tragédia da fome". Graças a ele, a presidente mencionou os escândalos que espocam na Petrobras feito milho de pipoca como se fossem causados por seres alienígenas vindos de algum planeta capitalista. Graças ao mesmo menosprezo pela verdade e pelos fatos, ela referiu um compromisso com a "Pátria Educadora" (meu Deus, que diabo será isso?) depois de haver entregue o Ministério da Educação a um ex-governador que absolutamente não é do ramo. Graças a ele, prometeu extirpar a corrupção no mesmo dia em que chamava para integrar seu ministério pelo menos uma dúzia de políticos envolvidos em denúncias de corrupção. E por aí foi Dilma, comprometida com muito mais do mesmo.
* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
MÍDIA ATIVA, PÚBLICO PASSIVO - 30/12/2014
Jornalistas costumam dizer que a imprensa tem costas largas, sendo objeto de críticas merecidas e imerecidas. É verdade. Mas também costuma ter costas quentes, pois o poder de que desfruta lhe proporciona uma boa proteção. Numa sociedade de massa, entre muitos outros papéis, a mídia desempenha tarefa relevante na formação da opinião pública, ou seja, no modo de pensar, nos usos e costumes, nos critérios de juízo e na formação dos padrões morais e de conduta que os indivíduos passam a reproduzir no cotidiano.
Atirarei alguns chapéus ao vento. Há veículos e profissionais de imprensa que deformam as consciências; deprimem os padrões culturais da sociedade; criam hoje os mitos que lhes convêm para derrubá-los amanhã quando já não servirem mais; estimulam o relativismo e atacam os valores morais; servem ao patrão estatal da vez, e por aí afora. Em muitos e muitos casos, tais acusações são tão corretas quanto provavelmente sejam corretas outras suspeitas em que esses mesmos se envolvem. Mas o mesmo dedo acusador que aponta com precisão as culpas da mídia dá sinais de ser uma bússola desorientada quando se trata de vasculhar a própria conduta.
A moderna comunicação é um canal de duas vias onde o público desempenha o papel importante e onde os fenômenos de ação e reação determinam cadência permanente (note-se, a propósito, que a omissão é uma forma bem medida de reação). Cabe indagar, então, especialmente àqueles cuja consciência permite identificar os malefícios causados pela eventual ou permanente irresponsabilidade social dos veículos: quais são suas reações pessoais ante o problema? Como você interage? Em que sua atitude difere daquela adotada pelos consumidores menos sensatos ou omissos? Quantas vezes tornou conhecidas suas divergências, ou mesmo seu apoio, ao julgar merecido? E mais: a que veículos de comunicação concede estímulo, assinatura, leitura, audiência ou patrocínio?
Nos países onde a opinião pública tem boa noção de seu valor e força, manipulações e abusos do tipo que ocorrem entre nós são rapidamente corrigidos. Por isso, estou cada vez mais convencido de que, com freqüência, as vítimas somos co-responsáveis pelos males a que nos submetem, pois bastariam, em muitos casos, vinte ou trinta manifestações por telefone ou e-mail para modificar certos usos ou abusos.
Triste a nação que renuncia à tarefa de transmitir valores morais às suas gerações! Enquanto as famílias cuidam apenas da subsistência; enquanto as escolas são oficialmente usadas para absolutizar o relativismo moral; enquanto as Igrejas se ocupam preferentemente de questões sociais e políticas; enquanto os meios de comunicação abusam de seu poder para seduzir e, ao mesmo tempo, desmiolar seu público; e enquanto as instituições semeiam joio no meio do trigo, quem, afinal de contas, vai orientar a sociedade para o bem?
* Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
O BRASIL AINDA É O BRASIL? - 15/12/2014
Por que as instituições nada fazem contra a matriz de corrupção instalada no coração do poder? Mistério. Por que Bolsonaro suscita maior comoção e interesse entre os formadores de opinião do que as denúncias da geóloga Venina Velosa da Fonseca? Mistério. Por que o relatório de uma Comissão Nacional da Verdade que sepulta verdades e ressuscita mentiras ganha espaço como se credibilidade tivesse, malgrado afronte a própria lei que a criou? Mistério. Por que, para tantas pessoas, o mal está na mera existência da revista Veja e não nos crimes que ela denuncia? Mistério. Por que é tão solenemente ignorada a existência do Foro de São Paulo, como bem sinaliza Olavo de Carvalho? Mistério. Por que não causou estranheza em parte alguma que a pessoa escolhida para ocupar a função de tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, seja, justamente, o ex-dirigente de uma cooperativa habitacional que lesou centenas de associados? Não está ele sendo processado por estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica? Comanda as finanças do PT e só a Veja acha estranho? Mistério. Por que o partido que governa a República perdeu todo interesse em desvendar os enigmas em torno da morte de Celso Daniel? Mistério, mistério, mistério. Para onde quer que se olhe, lá está a densa bruma de onde quase se espera o surgimento de dragões, unicórnios e manticoras.
Pois eis que, de repente, fica-se sabendo que a presidente da República foi a Quito participar de uma reunião da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e que nessa reunião foram tomadas diversas decisões envolvendo supostos interesses comuns aos países do bloco. E com que parcerias! Pois bem, as relações internacionais do Brasil, de uns tempos para cá, seguem estratégias incomuns e nos têm custado muito caro. Não seria preciso mais do que isso para despertar o interesse da mídia nacional. Mas não despertou. Por quê? Mistério. E não me consta que alguém tenha gasto meia hora, seja na mídia, seja no Congresso Nacional, para investigar o que significará, na vida prática, algo tão enigmático (mormente entre nações sob tais governos) quanto a Unidade Técnica de Coordenação Eleitoral que passará a funcionar na Unasul. Por quê? Mistério.
Tampouco suscitou interesse a decisão de criar uma Escola Sul-Americana de Defesa, que até sigla já tem: Esude. E para que servirá a Esude? Para constituir "un centro de altos estudios del Consejo de Defensa Suramericano de articulación de las iniciativas nacionales de los Estados Miembros, formación y capacitación de civiles y militares en materia de defensa y seguridad regional del nivel político-estratégico". Será que só eu fiquei preocupado com isso? Será que só eu fui buscar informações e me deparei com este vídeo? Terei sido o único a descobrir que, conforme ali se explica, a tal Esude tem por objetivo formar civis e militares afastados das "lições caducas com que se formavam nossos militares", as quais seriam "quase cópias dos manuais gringos, norte-americanos"? O que dizem sobre tudo isso nossos comandantes militares? Mistério.
Definitivamente, de duas uma: ou estou ficando incapaz de compreender o Brasil, suas instituições e seu povo, ou o Brasil está se tornando outra coisa qualquer.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
AÇÕES DA PETROBRAS: DE BLUE CHIPS PARA O CÓDIGO PENAL - 13/12/2014
Ora vejam só. Na última quarta-feira, a senhora Graça Foster propôs à presidente Dilma a substituição de toda a diretoria da Petrobras. Nessa novela, o enredo é conhecido. Muitos personagens, também. O mais novo é a geóloga Venina Velosa da Fonseca, cujo relato contém cenas de gangsterismo. Quando denunciou o pouco que sabia do muito que acontecia, encostaram-lhe uma pistola na cabeça, ameaçaram seus filhos e a expatriaram.
O Brasil real já sabe. A Petrobras foi aparelhada pelo Comando Vermelho, pelos sócios do Clube da Estrela, que governa e faz girar a roda da história em nosso país há mais de uma década. Mas o Brasil do faz de conta, do me engana que eu gosto, funciona de outro modo. Acredite, foi necessário que a presidente da Petrobras fosse ao Palácio do Planalto propor a Dilma a demissão da diretoria da empresa!
Causa surpresa a conduta da presidente? É bom lembrar que no dia 27 de outubro, dia seguinte à eleição, já lá vai mês e meio, Dilma declarou ao Jornal Nacional, referindo-se à corrupção na Petrobras: "Não vou deixar pedra sobre pedra!". Pois deixou. Deixou cada pedrinha no seu lugar. Você sabe como são essas coisas no jogo de xadrez - às vezes, uma pedra mal mexida faz desandar a partida.
Ao longo desse período, cada dia reservou ao noticiário nacional algo capaz de estremecer a escala Richter de quem tenha a mínima sensibilidade política e moral. E a que se dedicou a presidente Dilma? Manteve-se cumprindo o dever: protegendo a linha de fundo de seu tabuleiro, lá onde estão o rei e a rainha, cujas cabeças perdem preço tão rapidamente quanto se depreciam as ações da Petrobras. Ah, as ações da Petrobras! Saíram da lista das blue chips e foram para os artigos, incisos e alíneas do Código Penal, as ações da outrora reverenciada Petrobras!
O momento pertence às instituições da República. Ou elas cumprem seu papel ou o povo voltará às ruas para proclamar sua revolta e sua vergonha. Não será apenas vergonha ante o que esse governo, seu partido e seus associados fizeram com o país e com a imagem do país. Será uma revolta contra as instituições e sua condescendência criminosa. O povo já percebeu que não pode contar mais com outras veneráveis instituições que, historicamente, funcionavam como faróis e como vigilantes dos grandes valores nacionais - entre outras a CNBB, a OAB, a ABI. Hoje elas se omitem, ou concedem apoio explícito ao Comando Vermelho, aos sócios do Clube da Estrela.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
DA CORRUPÇÃO FINANCEIRA À CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA - 12/12/2014
Quando a nação fica sabendo que os muitos escândalos da Petrobras são apenas alguns dentre muitos outros, nascidos no seio fértil do governo recém reeleito, a Comissão da Verdade chega, célere, em seu socorro. Veio a lume, ontem, o relatório final. Sai da pauta a corrupção financeira e entra na pauta a corrupção da história.
Imagine, leitor, que durante o governo Sarney, fosse deliberada a criação de uma Comissão da Verdade com o objetivo de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas durante a ditadura de Getúlio Vargas, "a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional". Foram muitas e graves as violações. E a nação, decorridos, então, 40 anos da ditadura de Getúlio, se agitava indormida e irreconciliada ante a tenebrosa lembrança dos abusos cometidos por Felinto Müller e seus asseclas.
Avancemos, com nossas suposições. Para compor a Comissão e desenvolver o histórico trabalho, o governo Sarney nomearia sete membros, escolhidos a dedo entre os remanescentes parceiros mais leais de Carlos Lacerda. Tudo gente da velha e combativa UDN.
Uma tal comissão, não fosse apenas fruto de imaginação, concebida para compor o raciocínio que exponho neste texto, seria um disparate, um destampatório, motivo de gargalhadas, porque existem bibliotecas inteiras, centenas de trabalhos acadêmicos a respeito da Era Vargas e da ditadura getulista. Ninguém precisaria então, e não precisa ainda agora, de uma comissão para descrever o período e, menos ainda, de uma versão oficial dos fatos de então, narrados por seguidores de seu maior adversário.
Acho que não preciso desenhar para ser entendido. A atual Comissão Nacional da Verdade era tão necessária quanto seria a CNV sobre Vargas ao tempo de Sarney. Não é assim que se faz historiografia. Versões oficiais são próprias de regime totalitários. Nas democracias, abrem-se os arquivos para que os pesquisadores pesquisem e para que os historiadores escrevam, emitindo suas opiniões em conformidade com o conhecimento adquirido e à luz dos respectivos critérios. E já há centenas de trabalhos feitos. A nação custeou uma comissão que não deveria ser criada, cujo objetivo foi o de transformar comunistas terroristas, sequestradores, guerrilheiros, assaltantes, homicidas em "heróis do povo brasileiro", lutadores por uma democracia que odiavam com o furor ideológico. Com o mesmo furor ideológico que motivou a luta armada dos comunistas, no mundo inteiro, naquele período da Guerra Fria, infelizmente muito quente por estas bandas. Passado meio século, muitos dos reverenciados pela CNV estão no poder e persistem nos mesmos afetos ideológicos e na mesma aversão à democracia representativa. Seu apego aos direitos humanos acabam quando visitam Cuba ou Caracas, ou quando elogiam a tirania comunista na Coreia do Norte. Quanto ao mais, tortura é crime odioso, terrorismo é crime odioso, comunismo e ditaduras são regimes odiosos e a anistia, ampla, geral e irrestrita, foi pedida pelos que hoje a querem revogar.
O trabalho dessa Comissão é leviano, violador da lei que a criou, mal intencionado, revanchista. E é o equivalente, em colarinho branco e bem remunerado, do popular linchamento.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
A "CONVERSÃO" DE DILMA - 04/12/2014
No ano passado, centenas de entidades, entre as quais a CNBB e a OAB, formaram uma Coalizão pela Reforma Política e Eleições Limpas. Reitero, aqui, o desafio recentemente feito por Bruno Braga, em artigo que pode ser lido no meu site (aqui): se houver real interesse cívico por eleições limpas, comecem pelo último pleito.
Desnecessário rememorar. Os fatos, além de recentes, se agravam com a reviravolta adotada pela presidente. Ela consegue fazer pior do que Lula em 2002. Naquele ano, antes das eleições, Lula jogou no lixo o discurso demagógico e populista construído ao longo de seus anos de oposição e firmou uma “Carta ao povo brasileiro” comprometendo-se com preservar o que condenara. Seus eleitores, se leram a carta, não entenderam bulhufas. Dilma, em 2014, não escreveu carta alguma. Afirmou reiteradamente, até o dia 26 de outubro, que os desatinos que cometia na condução da Economia e das finanças públicas atendiam ao mais elevado interesse público. Quem dissesse o contrário era atacado com os piores adjetivos. No dia 27, mudou tudo.
Conversões instantâneas, a partir de experiências místicas, não são fatos incomuns. O marido, desatencioso, irresponsável e beberrão, subitamente muda de vida. A família estranha, os vizinhos comentam, os colegas elogiam e a mulher esclarece faceira: “Ele encontrou Jesus!” É o que chamamos metanóia, palavra grega que significa arrependimento, conversão, mudança de mentalidade e de atitudes. Nossa presidente implodiu o PIB, tornou deficitários todos os nossos superávits, furou o teto da meta e tratou disso, na campanha, com indisfarçado orgulho, como se expressasse honrosa insubmissão aos receituários neoliberais. Alcançada a vitória, converteu-se às teses “demoníacas” que atribuía a seu adversário. E foi buscar entre os melhores afiliados da Escola de Chicago, um discípulo de Armínio Fraga, a quem tanta ruindade atribuíra. Até quando faz a coisa certa, Dilma desliza na maionese ética. Ela não poderia ter dito quanto disse, para, logo após, fazer tudo ao contrário. Sem qualquer ato penitencial. Constrangida, sequer compareceu à posse de seus novos ministros da área econômica.
O que teria determinado a aparente conversão da presidente, de uma economia de liquidação, de uma gestão orçamentária com jeito de caderno de armazém, tipo “o Brasil é meu e eu levo as coisas como quero”, para a ortodoxia da Escola de Chicago? Sei não, mas essa sua nova atitude é problemão criado para seus próprios devotos. São milhões, e terão que mudar de reza, trocar de retórica, e engolir, palavra por palavra, aquele besteirol que defendia a marcha para o caos como um modo superior de administrar para o interesse público. Ontem, ao anistiarem o crime de responsabilidade cometido pela presidente quando descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal, eles ainda usavam a cartilha antiga.
* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
OAB E SUA INSÓLITA COMISSÃO DA VERDADE SOBRE A ESCRAVIDÃO NEGRA. MAS SOBRE O PETROLÃO, NADA. - 26/11/2014
A recente decisão tomada pelo Conselho Federal da OAB me fez ver como esses devaneios históricos transitam no Brasil. Devagar e sempre. Demoram mas vão para onde os querem levar. As motivações para que avancem são muitas e graves: é tudo questão de privilégio, poder e dinheiro.
A notícia me lembrou de um artigo que escrevi em 1999, para o Correio do Povo. Estávamos, no Rio Grande do Sul, sob o governo petista de Olívio Dutra, nosso conhecido Exterminador do Futuro. A Secretaria de Educação, totalmente dedicada à conquista gramsciana da hegemonia, lançara uma cartilha que tratava obviedades históricas como achados ideológicos do governo popular e democrático. O texto que escrevi a respeito dessa cartilha tinha por título "Aqui são outros quinhentos" e, lá pelas tantas, dizia assim:
"Doravante, de acordo com o livrinho vermelho dos pensamentos da SEC, passa-se a ensinar a grande novidade de que havia índios no local do desembarque ocorrido em 21 de abril de 1500, atribuindo-se a esse episódio, portanto, o nome de Invasão. Tal verdade histórica estabelece uma conveniente referência para homologar as práticas do MST. Nesse livreto é ensinado ao povo que o país chamado Brasil, constitui, há cinco séculos, um sinistro e gigantesco usucapião lançado contra os primitivos e legítimos proprietários."
E prossegui, ironizando: "Também é denunciado, ali, que os ancestrais dos negros e mulatos foram trazidos para a América como escravos, nos infectos porões de navios negreiros. Quem ler a cartilha fica com a impressão de que antes do governo popular e democrático, a versão dominante é a de que os negros aportaram ao Brasil como turistas, a bordo de confortáveis transatlânticos. Só a democracia popular e participativa do governo petista teria permitido arrancar o véu da mentira e revelar para a História, que os escravos, inclusive, trabalhavam de graça e eram frequentemente maltratados."
Passados 15 anos, chega a vez da OAB. Transitando ao largo de bibliotecas inteiras, toneladas de livros escritos sobre o tema em diversos idiomas, propõe ela que o governo crie uma Comissão da Verdade sobre a escravidão. A tarefa, é claro, tem que envolver o governo petista. Qualquer outro, mandaria a OAB cuidar da própria vida. Mas sabe bem a OAB que se o governo não participar não aparece dinheiro para a colheita.
Enfim, na perspectiva dos pais da ideia, tudo se passa como se a vinda dos escravos africanos fosse um mistério insondável, um autêntico naufrágio da verdade que agora, felizmente, sob um governo que sabe muito bem criar e se beneficiar de cisões e ressentimentos, será "resgatada" dos mais profundos abismos da história universal. Parolagem político-ideológica que a Secretaria de Educação do governo Olívio Dutra iniciou no Rio Grande do Sul há 15 anos e que, agora, poderá render um "fundo de reparação" cuja conta, como sempre, virá para a sociedade. Como será com a farra do "Petrolão", a respeito do qual a OAB nada diz.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
ALÔ, TSE! QUE DIABO DE ELEIÇÃO FOI ESSA? - 30/10/2014
Escreverei sobre fato novo, valendo-me de notícias velhas. Não faz um ano, nem dois, nem três, que os meios de comunicação e as redes sociais vêm divulgando análises técnicas independentes, estudos elaborados em universidades, opiniões de juristas, alarmantes experiências feitas por hackers e insistentes alertas de que o sistema de votação utilizado no Brasil é vulnerável e de que a transmissão de dados via internet também não proporciona segurança. É insistentemente dito que essas deficiências fazem com que o sistema usado em nosso país seja refugado por muitos outros. Salta aos olhos mais desatentos que um sistema de votação que não permite recontagem tem um gravíssimo e imperdoável pecado original.
Mais recentemente, após recusas em submeter o sistema a auditorias independentes, chegam às redes sociais notícias de urnas não zeradas no início da votação e de disparidade entre os resultados médios das seções com identificação digital e as seções com identificação documental em situações análogas. E por aí vai. É possível que o clima de desconfiança se nutra, também, de informações falsas. Mas as informações falsas só transitam graças à desconfiança propiciada, de um lado, pela inconfiabilidade do sistema e, de outro, pelas eloquentes insinuações de Dilma e de Lula sobre o que seriam capazes de fazer para vencer.
Não se trata de uma desprezível e deselegante inconformidade com a derrota. Eu não me prestaria para esse papel. Trata-se de algo grave, a cobrar posicionamento dos cidadãos que se sentem civicamente responsáveis. Instala-se, no país uma pesada suspeita sobre a higidez e a invulnerabilidade do sistema, conduzindo à incertezas sobre a legitimidade dos mandatos saídos das urnas dos dias 5 e 26 de outubro.
Sei que dar satisfação a torto e a direito sobre os porquês de suas escolhas e decisões, ou sanar inquietações cívicas, não são tarefas que se contem entre as atribuições jurisdicionais mais urgentes e relevantes do Tribunal Superior Eleitoral. Mas neste caso não é exatamente assim. O que milhões e milhões de brasileiros, nestes dias, estão expressando como podem nas redes sociais não se soluciona com um dar de ombros das autoridades. Não silencia ante a voz do trono. Não some por decreto. Não cabe em nenhuma gaveta. Não se enterra nos desvãos do tempo. Nas democracias (muitas delas proibiram o uso desse modelo), a confiabilidade do sistema eleitoral é tema de elevadíssimo interesse público, questão altamente sensível, sobre a qual não pode haver dúvidas. E, menos ainda, inúmeras, imensas e reiteradas dúvidas.
Muito já foi escrito sobre o quanto era politicamente impróprio confiar a presidência da Corte que conduziria este pleito a um ex-funcionário do partido governista. Agora, surpreende o silêncio do TSE sobre aquilo que mais se fala no país: as suspeitas sobre a eleição por ele presidida. Já surpreendia antes, quando os cidadãos se angustiavam e não passava dia sem que alguma informação circulasse, potencializando as incertezas. E surpreende ainda mais agora, quando denúncias e inconformidades surgem dos pontos mais variados do território nacional.
Para bem da democracia, da respeitabilidade das instituições e da legitimidade dos mandatos, que tudo seja auditado e investigado. E que estas sejam as últimas eleições feitas segundo esse método de votação e transmissão de dados. Afinal, ao longo dos anos, quase uma centena de países vieram conhecer o modelo brasileiro. Nenhum o adota.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
QUANDO A ESPERANÇA TEM DIA E HORA - 26/10/2014
Dentro de poucas horas saberemos o que foi fecundado no ventre das urnas e qual o aprendizado nacional a partir da experiência acumulada nestes últimos anos. Aguardo com ansiedade cívica a abertura da porta da maternidade para as notícias do início da noite. Afinal, não nos faltam escândalos, más notícias, nem nuvens negras no horizonte.
Como parlamentarista, sou contrário a esse sistema de eleições que, ingenuamente, entrega tanto poder a uma só pessoa e seu partido. Contemplo o futuro com expectativas que vão além do resultado das eleições. Já temos definidos os parlamentos federais e estaduais. Os partidos políticos e suas bancadas não podem continuar, por ação e omissão, fazendo tanto mal ao Brasil. Não me representam! Mas há muitos parlamentares que sim, o fazem. Portanto, em vez de tudo esperar de uma pessoa só (quem quer que venha a presidir a República) eu prefiro confiar nos melhores deputados que saíram das urnas do dia 6.
Sei que eles existem. Não são tantos quanto conviria, nem tão poucos que nada possam fazer. Sei que quase todos ouviram de seus eleitores esta interrogação: “O que poderás fazer lá, sozinho no meio das feras?”. Essa pergunta trata de um problema real e é inevitável que esteja repercutindo fortemente na consciência de cada um deles. É para essas figuras públicas, para os melhores homens e mulheres de nossos parlamentos, que se dirigem, neste momento cívico, minha preocupação, a acalentada sugestão que aqui exponho, e minhas orações.
Não me conformo com saber que os bons sejam, inexoravelmente, sobrepujados pelos maus. Não precisa ser assim! O que eu estou sugerindo é que, entre tantas vigorosas frentes parlamentares já existentes nas Assembleias Legislativas e no Congresso Nacional, se articulem e passem a operar frentes parlamentares integradas por membros de diversas bancadas, unidas pelos ideários liberais e conservadores, movidas por reta intenção, dedicadas ao desenvolvimento econômico e social do país, com sólida adesão aos melhores princípios e aos mais elevados valores.
Que frentes parlamentares podem existir e operar de modo suprapartidário, a experiência já demonstrou com fartura de bem sucedidos exemplos. Pois que os bons, que os melhores, façam a sua e ponham-na a funcionar. E vamos ver quem pode mais! Vamos ver quem vai conquistar o respeito da população. Muito bem pode ser realizado e muitos males podem ser impedidos, contanto que os bons se organizem como força política indispensável à própria respeitabilidade de cada um, à honorabilidade do Brasil e ao bem de todos na pátria comum.
A CASA CAIU - 10/10/2014
Sabe aqueles vídeos anunciados como contendo "cenas muitos fortes", tipo "tire as crianças de perto"? É com iguais cautelas que se deveriam abrir as matérias referentes às revelações feitas pelos dois mais famosos depoentes das últimas semanas, o doleiro Alberto Youssef e o engenheiro Paulo Roberto Costa.
Quem se tenha dado ao trabalho de escutar o teor dos depoimentos deste último, disponível no YouTube, ouvirá dele que em três partidos políticos com sólida presença no Governo Federal e no Congresso Nacional se estruturaram organizações criminosas. Não que ele assim as qualifique. Não, em seu relato, Paulo Roberto Costa, o "Paulinho" de Lula, simplesmente entrega o serviço, contando, em tom monocórdio, como eram feitos os acertos e a repartição do botim das comissões entre o PT, o PMDB e o PP. Não preciso dizer qual dos três ficava com a parte do leão.
Este escândalo, tudo indica, transforma Marcos Valério em mero pivete e o Mensalão em coisa de amadores. No entorno da Petrobras circula tanto dinheiro quanto petróleo. E foi muito fácil aos profissionais da corrupção abastecer desses tanques contas bancárias que saíam - lavadas, passadas e empacotadas - da lavanderia de Youssef.
Vários anos decorrerão entre os achados de agora e o trânsito em julgado de quaisquer sentenças condenatórias. Isso significa que, muito embora os crimes em questão tenham sido praticados num ambiente político, seus efeitos eleitorais serão jogados para bem depois do pleito que agora se desenrola. Nós, cidadãos, devemos lamentar que seja assim. No entanto, se não temos como saber mais sobre os fatos e seus atores, podemos e devemos levar em conta a dança das cadeiras nos tribunais superiores em geral e no Supremo Tribunal Federal em particular. Será certamente ali, outra vez, que serão tomadas as decisões mais relevantes sobre estes casos.
O STF continuará se renovando e promovendo alterações na composição de seu quorum por aposentadoria dos atuais ministros. E aí se impõe a reflexão que quero trazer ao leitor destas linhas. As últimas indicações do governo petista para o STF têm deixado a desejar. Portanto, ainda que o julgamento definitivo vá ocorrer lá adiante, a continuidade da atual administração federal não atende aos anseios nacionais por justiça e combate à corrupção. É o que a história recente parece deixar bem claro.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
NADA ESTÁ RESOLVIDO, AINDA - 06/10/2014
Nada está resolvido, exceto uma primeira lição aos arrogantes, aos que se julgam tutores da sociedade, pretendendo conduzi-la sob cabresto, como boiada, para as mangueiras de sua hegemonia e do totalitarismo que a acompanha.
Nada está resolvido, exceto que foi uma ilusão petista a ideia de que poderiam fazer no país o que bem entendessem. A sociedade, de modo bem consistente, deu muito mais votos à oposição do que ao governo, refletindo o que já se respirava nas ruas, oxigenando a consciência política nacional.
Ficou muito claro na voz das urnas que o governo petista, sob o ponto de vista eleitoral, só tem, como dividendos a receber, os lucros do coronelismo de Estado. O assistencialismo, elevado pelo PT à categoria das maiores realizações humanas, mantém a submissão dos carentes no ponto de calda para adoçar a vida do partido nas disputas eleitorais. E nada para elevar essa multidão a um patamar de dignidade superior.
Para o PT, estratégia eleitoral é a síntese da ação de governo. Em nome disso, tudo pode ser sacrificado, inclusive os cuidados com a estabilidade da moeda, com a moderação nos gastos públicos, com o desenvolvimento da economia segundo vetores sustentáveis. Para o PT, em já longa história recheada de exemplos, sempre valeu mais a versão do que o fato. Não é o discurso que deve convencer por sua consistência e congruência com a realidade, mas a repetição da versão com a intensidade necessária para obscurecer tudo mais.
Vem aí um segundo e definitivo turno. A nova rodada de embates, desta feita, será vis-à-vis. Tempos iguais. Olho no olho. A desproporção dos tempos de TV no primeiro turno serviu muito e bem à estratégia do PT. Em números redondos, para cada ataque de Marina a Dilma, Dilma contra-atacava sete vezes. A cada ataque de Aécio a Dilma, a presidente contra-atacava três vezes. Agora isso acabou. Retiram-se do cenário aqueles candidatos que, exceto por Marina Silva, ali só estavam buscando promoção a baixo custo. Mas ambos, Aécio e Dilma, terão por estratégia a sedução dos eleitores da acreana. Eles definirão o futuro quadriênio presidencial brasileiro. A própria Marina, preservando o compromisso de Eduardo Campos, já deixou claro que estará na oposição, trincheira que ocupou e do qual foi deslocada pela obstinada carga de cavalaria petista tão logo demonstrou que vinha para competir.
Os próximos dias serão dias para não mais esquecermos.
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* Percival Puggina (69), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+.
LINCHAMENTO DE UMA JOVEM PELA IMPRENSA - 04/09/2014
Não é muito raro que cidadãos comuns, presenciando um assalto, reajam contra o assaltante agredindo-o fisicamente. Sabem que o meliante, levado à delegacia, tem grande possibilidade de sair livre, leve e solto pela mesma porta por onde entrou. E sai, muitas vezes, antes mesmo de que o policial preencha os documentos relativos à sua captura. Ainda recentemente, o secretário de segurança do Rio Grande do Sul relatou a uma emissora de rádio que certo PM, num único turno de trabalho, prendeu duas vezes o mesmo bandido. Então, as pessoas, vez por outra, tratam de fazer justiça com as próprias mãos.
Sempre que isso ocorre, a imprensa nacional reage com justa indignação. Essa não é uma atitude civilizada! E não é mesmo. Impõe-se que a Justiça siga seu curso. Ainda que ela falhe, ainda que seja excessivamente branda, ainda que "a polícia prenda e a justiça solte", ainda que o bandido seja um indivíduo socialmente intolerável e irrecuperável, ainda que seus crimes se repitam indefinidamente, o "justiçamento" não pode ser tolerado. São severas as palavras da mídia, sempre que algo assim acontece. E têm que ser.
Há poucos dias, na Arena do Grêmio, um grupo de torcedores dirigiu palavras injuriosas ao goleiro do Santos. Chamavam-no de "macaco" e imitavam sons e movimentos simiescos. Vulgaridade, grosseria, estupidez. Entre esses torcedores havia uma jovem cuja imagem foi flagrada por câmera enquanto pronunciava, com nitidez que não gera dúvidas à leitura labial, as três sílabas da palavra macaco. Nos dias que se seguiram, a imagem dela injuriando o goleiro ocupou parte do noticiário nacional, capas de jornais e ganhou manchetes, numa reiteração cotidiana. A moça mereceu painel fotográfico, perfil biográfico, entrevistas com familiares, identificação minuciosa.
Junto com diversos torcedores, identificados uns, outros não, ela cometeu delito criminalmente tipificado como injúria racial (onde a característica racial da injúria é agravante). Correrá um processo, no qual certamente será condenada a pena branda, porque o delito não comporta mais do que reclusão de um a três anos, o que, ante a primariedade da ré, provavelmente será substituída por pena alternativa.
A questão é a seguinte: a imprensa, que tão pronta e justamente reprova a agressão a bandidos nas ruas, não percebeu o linchamento moral imposto à jovem, com a superexposição a que a submeteu? Foi desmedido e absurdo esse comportamento. Não, não foi sábio, nem prudente, nem judicioso. Antes das devidas sanções judiciais, a moça foi imediatamente penalizada com a despedida de seu emprego. Sua casa foi apedrejada. Seus familiares injuriados. Recebe ameaça de morte e precisa buscar abrigo e segurança.
Perdeu-se a noção de limites, bem ali onde se abrigam tantos árbitros dos limites alheios.
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* Percival Puggina (69) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, membro do grupo Pensar+.
REVOLUÇÃO LENTA, GRADUAL E SEGURA - 08/08/2014
Mudanças sociais importantes se fazem por reforma ou por revolução? Tem-se aí pano para muita manga e a sobra ainda dá um colete razoável. No final do século 19 estabeleceu-se um debate acerca dos caminhos para alcançar a nova ordem social, política e econômica almejada pelos comunistas. Alguns autores passaram a defender que os avanços nessa direção se fizessem através da luta sindical e das cooperativas. Eram os reformistas. Rosa de Luxemburgo postou-se contra eles. Em 1900 publicou "Reforma ou Revolução?", condenando o reformismo e afirmando, entre outras coisas, que os sindicatos ocupam-se com lutar por melhores salários, sendo, portanto, órgãos de defesa do proletariado, mas não de ataque ao capitalismo. Enfim, segundo Rosa, reformar serviria à conveniência do capital e só a revolução seria libertadora.
Essa tese se impôs com tamanha força entre marxistas de diferentes matizes que, passado um século, raros são os adversários das economias livres, de mercado, de empresa, que se assumem como reformistas. A opção revolucionária esteve no foco, por exemplo, de nossos conhecidos Fóruns Sociais Mundiais e de quantos a ele acorriam de toda parte. Em tais eventos renovavam-se, sobre muros e cartazes, os conhecidos dizeres - "Um outro mundo é possível". Duvido que qualquer participante de tão prestigiadas congregações se assumisse reformista. O FSM, em si, era revolucionário. Discutia-se o modo de fazer a revolução. Jamais, substituí-la por reformas. O objetivo, sempre o mesmo: construir o possível "outro mundo".
Ora, edificar onde já existe algo cuja estrutura se considere inaceitável implica demolição. Em palavras da Sociologia: revolução. O processo de desconstrução, demolição ou implosão da ordem social envolve a derrubada de seus pilares. Entre eles, a instituição familiar, a disciplina, o respeito à lei, a religiosidade, e o direito de propriedade. A eliminação deste último pode ser alcançada acabando com ele ao modo cubano de 1959, que tanto encanta nossos governantes de hoje, ou enfraquecendo esse direito, adelgaçando e debilitando esse pilar, até seu ponto de ruptura. Eis o que sempre esteve e está por trás das ações do MST, da Via Campesina, desse novo braço da luta revolucionária denominado MTST e dos muitos aparelhos assemelhados que, no Brasil, encontraram abrigo junto à CNBB, onde muitos confundem cristianismo com revolução social (se assim fosse, Jesus Cristo jamais teria subido à Cruz; teria feito uma revolução e seria merecedor de simples notas de rodapé nos livros sobre a história dos povos à leste do Mediterrâneo).
Está posto aí o motivo pelo qual, em recente invasão de propriedade urbana por militantes do MTST, apesar da ordem judicial de desocupação dada pelo magistrado do feito, a providência não foi autorizada pelo governador Tarso Genro que a retarda quanto pode. O governador chegou a dizer que iria obter uma sustação da ação por noventa dias, ao que o juiz do caso, pacientemente, ensinou: o Estado nada tem a dizer numa ação da qual não é parte. É a mesma intenção revolucionária que explica a ilimitada tolerância dos poderes de Estado com as tropelias do MST e esse jogo de palavras fuleiro, que chama invasão de ocupação. E é também por ela que convivemos com tão excessiva tributação, espécie de desapropriação sem nome nem direito de defesa.
Que ao menos não possam presumir ignorância nossa sobre para onde, aos poucos, nos conduzem.
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ANDANDO NA LUA - Di?o do Com?io - 09/12/2008
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OS BONS COMPANHEIROS - IL - 05/12/2008
CARTA ABERTA AO GRANDE CHEFE BRANCO - Estad? - 28/11/2008
PAZ, PERIGO DE GUERRA CIVIL EM ISRAEL - Enviado pelo autor - 25/11/2008
O ANTIPATRI?ICO APEDEUTA - Enviado ao site - 25/11/2008
JULGADORES FACCIOSOS DOS DIREITOS HUMANOS - Folha - 23/11/2008
A DIMENSÏ INTEGRAL DA PESSOA HUMANA - Prof. Hermes Rodrigues Nery - 21/11/2008
DISCURSO SOBRE A DOA?O DE ?GÏS - 07/11/2008
FLAGRANDO IDEOLOGIZA?O - Francisco Razzo - 24/10/2008
C`ENTRE N? - 28/09/2008
DISCURSO AOS JOVENS DE UMA COMUNIDADE DE RECUPERA?O - 18/07/2008
EST`COM PENINHA? LEVA PR`TI - 09/05/2008
Grava? hor?o pol?co - 02/05/2008
QUANTOS PETISTAS SÏ NECESSRIOS PARA SE TROCAR UMA LPADA NO PALCIO DO PLANALTO - 14/04/2008
Lula e as zelites - 11/04/2008
AL QAEDA QUERIA EXPLODIR CRISTO REDENTOR - 05/03/2008
SEM ESPERANÇAS COM A CNBB - //
Fique Sabendo
Conae, o pesadelo da educação socialista - 22/02/2024
Paulo Briguet
O projeto da esquerda para a educação das crianças está fundamentado no ódio ideológico e na negação da realidade.
Lembro-me como se fosse hoje. Há 39 anos, no Colégio Cidade de Araçatuba, tivemos nossa primeira aula de história no primeiro colegial. O professor indicou, como leitura obrigatória, o livro "A Ilha", de Fernando Morais, que trazia na capa uma foto do ditador cubano Fidel Castro. Esse livro — uma ode ao regime comunista — foi o nosso principal conteúdo naquele semestre. Ao final do ano, muitos de nós, inclusive este futuro cronista de sete leitores, éramos perfeitos militantezinhos socialistas.
De 1985 para cá, tive inúmeros professores de socialismo. No colegial, nem todos eram de esquerda, mas os mais populares eram. Na faculdade, já morando em Londrina, a esmagadora maioria dos docentes era esquerdista. Foram longos anos aprendendo a fazer revolução. Essa dominação mental foi rompida inicialmente por Paulo Francis e definitivamente por Olavo de Carvalho, o meu professor de realidade. Só abandonei a esquerda na virada dos 30.
As cenas tétricas da última Conae — onde a militância mostrou explicitamente o seu plano revolucionário para a educação brasileira nos próximos dez anos — abriram os olhos de muitos pais de família e educadores sérios para o tamanho do abismo em que estamos nos metendo. É lógico que esse plano não começou ontem — trata-se de algo que vem sendo construído há mais de meio século. Mas a esquerda pretende usar este quinto mandato petista para consolidar o seu domínio sobre as almas de nossas crianças. Acreditem: isso é ainda mais perigoso e nocivo que a Stasi do Alexandre de Moraes.
Em 1918, um ano depois do golpe de Estado que ficou conhecido como Revolução Russa, uma eminente educadora russa, Zlata Lilina escreveu o seguinte:
"Precisamos transformar os jovens em uma geração de comunistas. Crianças, como cera macia, são muito maleáveis e devem ser moldadas como bons comunistas... Precisamos resgatar as crianças da influência prejudicial da família... Precisamos nacionalizá-las. Desde os primeiros dias de suas pequenas vidas, elas precisam se encontrar sob a influência benéfica das escolas comunistas... Obrigar a mãe a dar o filho ao Estado soviético? esse é o nosso dever."
Na mesma época, a dirigente comunista e professora Nadezhda Krupskaia afirmou:
"A distinção entre a vida privada e a vida pública fatalmente levará a uma traição do comunismo".
Segundo Krupskaia, a ideia de uma vida privada separada da política não fazia sentido — e, portanto, a esfera pessoal deveria estar submetida ao controle público.
Krupskaia e Lilina eram respectivamente esposas de dois dos mais importantes líderes da Revolução, Vladimir Lênin e Grigori Zinoviev. Nos primeiros anos do regime soviético, a família era vista como a primeira arena em que se daria a luta pela construção do socialismo. Os comunistas consideravam a família como uma instituição nociva, egoísta e conservadora, "uma fortaleza da religião, da ignorância e do preconceito que oprimia mulheres e crianças".
Não é por acaso que, cem anos depois, os militantes socialistas da Conae continuem centrando seus ataques na família. "Os pais não são donos das crianças", vivem repetindo os militantes. Para formular essa frase, parte-se da premissa de que alguém pode ser dono de alguém. E a tese hegemônica da esquerda é de que as crianças são propriedade do Estado.
Os ataques à educação domiciliar (homeschooling) e a virulência da militância LGBT nos debates da Conae mostram que a família continua sendo o grande inimigo da educação socialista. A esquerda "denuncia" a proposta de "descriminalizar" o homeschooling (ou seja, educar as crianças em casa é um crime para eles), ao passo que a difusão da agenda LGBT para crianças é um direito sagrado e inquestionável. Afinal, como disse um delegado durante a Conae, "precisamos garantir a inclusão de nossos corpos e nossas corpas".
A educação socialista é inteiramente fundamentada no ódio e na negação da realidade. No Documento de Referência da Conae, os alvos do ódio são explícitos: a extrema-direita, o conservadorismo, o cristianismo, as escolas confessionais, as escolas privadas, as escolas cívico-militares, o agronegócio, o homeschooling. O verdadeiro problema da educação brasileira — a baixíssima qualidade do ensino — é ignorado em nome do combate a espantalhos ideológicos. A qualidade de ensino foi substituída, no Documento de Referência da Conae, por uma enigmática "qualidade social". Em outras palavras, a educação de qualidade é aquela que segue o programa socialista.
Nossa única esperança é que os congressistas venham a coibir esses abusos no Plano Nacional de Educação, em 2025. Mas será que vai existir direita no Brasil até lá?
* O autor, Paulo Briguet, é escritor e editor-chefe do BSM. Autor de Nossa Senhora dos Ateus e O Mínimo sobre Distopias.
Declaração de Westminster - 03/02/2024
Declaração assinada por 141 personalidades internacionais
Escrevemos na qualidade de jornalistas, artistas, escritores, ativistas, profissionais da tecnologia e acadêmicos para fazer um alerta a respeito do aumento da censura internacional, que ameaça corroer normas democráticas centenárias.
Vindo da esquerda, da direita e do centro, estamos unidos pelo nosso compromisso com os direitos humanos universais e a liberdade de expressão, e estamos profundamente preocupados com as tentativas de rotular a expressão protegida como ‘desinformação’ e outros termos mal definidos.
Esse abuso de termos resultou na censura de pessoas comuns, jornalistas e dissidentes em países de todo o mundo.
Tal interferência no direito à liberdade de expressão suprime discussões legítimas sobre questões de interesse público urgente e mina os princípios fundamentais da democracia representativa.
Em todo o mundo, agentes governamentais, empresas de mídia social, universidades e ONGs estão cada vez mais trabalhando para monitorar cidadãos e roubá-los de suas vozes. Esses esforços coordenados em grande escala são às vezes chamados de ‘Complexo Industrial da Censura’.
Este complexo muitas vezes opera através de políticas governamentais diretas. Autoridades na Índia[1] e na Turquia[2] se apossaram do poder de remover conteúdo político das redes sociais. O legislativo da Alemanha[3] e o Supremo Tribunal Federal do Brasil[4] estão criminalizando o discurso político. Em outros países, medidas como o Projeto de Lei de ‘Discurso de Ódio’ da Irlanda,[5] o Ato de Crime de Ódio da Escócia,[6] o Projeto de Lei de Segurança Online do Reino Unido[7] e o Projeto de Lei da ‘Desinformação’ da Austrália[8] ameaçam restringir severamente a expressão e criar um efeito inibidor.
Mas o Complexo Industrial da Censura opera através de métodos mais sutis. Estes incluem filtragem de visibilidade, aplicação de rótulos e manipulação de resultados de mecanismos de busca. Através de suspensões, banimentos e denúncias, os censores das redes sociais já silenciaram opiniões legalmente permissíveis em assuntos de importância nacional e geopolítica. Fizeram-no com o total apoio de ‘especialistas em desinformação’ e ‘checadores de fatos’ na mídia convencional, que abandonaram os valores jornalísticos de debate e investigação intelectual.
Como os Arquivos do Twitter revelaram, empresas de tecnologia frequentemente realizam ‘moderação de conteúdo’ censória em coordenação com agências governamentais e a sociedade civil. Em breve, o Ato de Serviços Digitais da União Europeia formalizará essa relação, fornecendo dados das plataformas a ‘pesquisadores credenciados’ de ONGs e da academia, relegando nossos direitos de expressão ao arbítrio dessas entidades não eleitas e imunes a escrutínio.
Alguns políticos e ONGs[9] estão até mesmo visando aplicativos de mensagens criptografadas de ponta a ponta como WhatsApp, Signal e Telegram.[10] Se a criptografia de ponta a ponta for rompida, não teremos mais nenhum canal restante para conversas privadas autênticas no âmbito digital.
Embora a desinformação estrangeira entre estados seja um problema real, agências projetadas para combater essas ameaças, como a Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura nos Estados Unidos, estão cada vez mais sendo voltadas para dentro, contra o público. Sob o pretexto de prevenir danos e proteger a verdade, a expressão está sendo tratada como uma atividade permitida em vez de um direito inalienável.
Reconhecemos que palavras podem às vezes causar ofensa, mas rejeitamos a ideia de que sentimentos feridos e desconforto, mesmo que agudos, são motivos para a censura. A expressão aberta é o pilar central de uma sociedade livre e é essencial para responsabilizar governos, empoderar grupos vulneráveis e reduzir o risco de tirania.
Proteções à expressão não são apenas para pontos de vista com os quais concordamos; devemos proteger vigorosamente a expressão para os pontos de vista a que mais fortemente nos opomos. Somente na praça pública essas visões podem ser ouvidas e devidamente desafiadas.
Além disso, repetidamente, opiniões e ideias impopulares ao fim se tornaram sabedoria convencional. Ao rotular certas posições políticas ou científicas como ‘desinformação’, nossas sociedades correm o risco de ficar presas em paradigmas falsos que roubarão a humanidade de conhecimentos conquistados a duras penas e eliminarão a possibilidade de adquirir novos conhecimentos. A liberdade de expressão é a nossa melhor defesa contra a desinformação.
O ataque à expressão não diz respeito apenas a regras e regulamentos distorcidos — é uma crise da própria humanidade. Toda campanha de igualdade e justiça na história dependeu de um fórum aberto para expressar discordância. Em inúmeros exemplos, incluindo a abolição da escravidão e o movimento pelos direitos civis, o progresso social dependeu da liberdade de expressão.
Não queremos que nossos filhos cresçam em um mundo onde vivam com medo de expressar suas opiniões. Queremos que eles cresçam em um mundo onde suas ideias possam ser expressas, exploradas e debatidas abertamente — um mundo que os fundadores de nossas democracias imaginaram quando consagraram a liberdade de expressão em nossas leis e Constituições.
A Primeira Emenda dos EUA é um forte exemplo de como o direito à liberdade de expressão, de imprensa e de consciência pode ser firmemente protegido pela lei. Não é preciso concordar com os EUA em todas as questões para reconhecer que essa é uma ‘primeira liberdade’ vital da qual todas as outras liberdades se seguem. É só pela liberdade de expressão que podemos denunciar violações de nossos direitos e lutar por novas liberdades.
Também existe uma proteção internacional clara e robusta para a liberdade de expressão. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH)[11] foi elaborada em 1948 em resposta às atrocidades cometidas durante a Segunda Guerra Mundial. O Artigo 19 da DUDH afirma: ‘Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui a liberdade de manter opiniões sem interferência e de procurar, receber e transmitir informações e ideias através de qualquer meio e independentemente de fronteiras’. Embora possa haver necessidade de governos regularem alguns aspectos das redes sociais, como limites de idade, essas regulamentações nunca devem infringir o direito humano à liberdade de expressão.
Como é deixado claro pelo Artigo 19, o corolário do direito à liberdade de expressão é o direito à informação. Em uma democracia, ninguém tem monopólio sobre o que é considerado verdadeiro. Em vez disso, a verdade deve ser descoberta através do diálogo e do debate — e não podemos descobrir a verdade sem permitir a possibilidade de erro.
A censura em nome de ‘preservar a democracia’ inverte o que deveria ser um sistema de representação de baixo para cima para um sistema de controle ideológico de cima para baixo. Essa censura é, em última análise, contraproducente: semeia desconfiança, incentiva a radicalização e deslegitima o processo democrático.
No curso da história humana, ataques à liberdade de expressão foram um precursor de ataques a todas as outras liberdades. Regimes que corroeram a liberdade de expressão sempre, inevitavelmente, também enfraqueceram e prejudicaram outras estruturas democráticas centrais. Da mesma forma, as elites que hoje defendem a censura também estão minando a democracia. O que mudou, no entanto, é a escala ampla e as ferramentas tecnológicas através das quais a censura pode ser posta em prática.
Acreditamos que a liberdade de expressão é essencial para garantir nossa segurança contra abusos de poder do Estado — abusos que historicamente representaram uma ameaça muito maior do que as palavras de indivíduos solitários ou mesmo grupos organizados. Pelo bem-estar e florescimento humano, fazemos as seguintes três reivindicações.
Pedimos aos governos e organizações internacionais que cumpram suas responsabilidades para com o povo e defendam o Artigo 19 da DUDH.
Pedimos às corporações de tecnologia que se comprometam a proteger a praça pública digital conforme definido no Artigo 19 da DUDH e se abstenham de censura politicamente motivada, censura de vozes dissidentes e censura de opinião política.
E, finalmente, pedimos ao público em geral que se junte a nós na luta para preservar os direitos democráticos do povo. Mudanças legislativas não são suficientes. Também devemos construir uma atmosfera de liberdade de expressão desde a base, rejeitando o clima de intolerância que incentiva a autocensura e que cria conflitos pessoais desnecessários para muitos. Em vez de medo e dogmatismo, devemos abraçar a investigação e o debate.
Defendemos o seu direito de fazer perguntas. Discussões acaloradas, mesmo aquelas que podem causar angústia, são muito melhores do que não ter discussões.
A censura rouba-nos da riqueza da própria vida. A liberdade de expressão é a base para criar uma vida de significado e uma humanidade próspera — através da arte, poesia, drama, história, filosofia, música e mais.
Esta declaração foi o resultado de uma reunião inicial de defensores da liberdade de expressão de todo o mundo que se reuniram em Westminster, Londres, no final de junho de 2023. Como signatários desta declaração, temos discordâncias políticas e ideológicas fundamentais. No entanto, é apenas pela união que derrotaremos as forças crescentes da censura para que possamos manter nossa capacidade de debater e desafiar abertamente uns aos outros. É no espírito da diferença e do debate que assinamos a Declaração de Westminster.
* Traduzido por: Eli Vieira, jornalista e biólogo genético
** Transcrito do original acessível em https://westminsterdeclaration.org/portugues, que inclui nomes, credenciais dos signatários e notas de rodapé.
Ainda é possível uma educação de fato católica? - 31/01/2024
Peter Kwasniewski
Todo o mundo diz que "a educação é a chave para o futuro, a solução para os nossos problemas, a única maneira de formar o destino da nação". Mas quem realmente entende o que é a educação?
Para os burocratas do governo, muitas vezes é uma palavra da moda que significa: gastar muito dinheiro com profissionais que buscam interesses próprios, mesmo que muitas pesquisas demonstrem que os estudantes estão ficando cada vez mais imbecilizados, sem capacidade de raciocínio e conhecimento cultural — de fato, nem mesmo caligrafia legível, grafia correta ou gramática básica. Sem falar na imoralidade desenfreada que é promovida por "educadores" e legisladores, que evidentemente querem que a sociedade seja tomada por hordas de homens e mulheres escravos de suas paixões.
Educação, do latim ex ducere, significa "liderar" [1] — então, a questão lógica é: liderar a partir de quê e para quê? Da ignorância, do erro e do pecado, ao conhecimento, à verdade e à santidade. A educação deve refletir a trajetória do povo de Israel, conduzido da escravidão, no Egito, à liberdade em Canaã. A verdadeira educação pressupõe a revelação cristã da situação decaída do ser humano e da sabedoria do alto que pode curá-lo e elevá-lo.
A educação deve refletir a trajetória do povo de Israel, conduzido da escravidão, no Egito, à liberdade em Canaã.
Este é, de fato, o significado mais básico do tempo do Advento, com o qual a Igreja Católica, em seus ritos ocidentais, começa cada novo ano litúrgico: recomeçamos repetidas vezes a partir do desejo de libertação da escravidão, que perdura há muitos séculos e é também o nosso desejo. Como afirma São Paulo: "Sabemos que toda a Criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo" (Rm 8, 22-23).
É necessário admitir que entre os seres humanos não existe um mestre que esteja completamente livre de ignorância, erro e pecado, por mais inteligente ou bem-intencionado que seja. Entretanto, alguns pecados são qualitativamente piores que outros; alguns erros são mais densos e nocivos que outros; e alguns tipos de ignorância são muito mais terríveis que outras. Os professores não precisam ser perfeitos para serem instrumentos eficazes da Sabedoria Eterna e Encarnada, que está além de todos nós. Basta que estejam atrelados à verdade que nos liberta; que indiquem a beleza da santidade; e que demonstrem a aspiração constante por descobrir a realidade das coisas. Se assim for, bem-aventurados serão os seus alunos, que compreenderão o que significa viver plenamente em Cristo.
Em 15 de dezembro de 2011, o Papa Bento XVI fez uma homilia, durante a oração das Vésperas com universitários de Roma, partindo da Carta de São Tiago (5, 7): "Tende, pois, paciência, meus irmãos, até a vinda do Senhor. Vede o agricultor: ele aguarda o precioso fruto da terra e tem paciência até receber a chuva do outono e a da primavera" (5, 7). Aí ele falou da "atitude interior de nos prepararmos para ouvir e acolher novamente o anúncio do nascimento do Redentor na gruta de Belém, um mistério inefável de luz, amor e graça". Como professor, muitas vezes fico impressionado com quanta paciência, dedicação e atenção são necessárias, tanto por parte dos alunos quanto por parte das instituições de ensino, para se acolher a espantosa verdade de que a Palavra Eterna do Pai — a Sabedoria Divina em que e para quem todas as coisas existem — tornou-se homem, a fim de que possamos nos tornar como Deus, sendo "divinizados" através de sua graça.
Entre os seres humanos não existe um mestre que esteja completamente livre de ignorância, erro e pecado.
Esta é a verdade determinante para a nossa salvação, é a premissa fundamental do cristianismo. Cada Advento nos recorda a necessidade que temos do auxílio de outrem — não apenas de outras pessoas, mas, de forma mais precisa, de outra fonte que não seja a humanidade decaída ou qualquer elemento da ordem natural. Cada Natal nos lembra da bondade inefável de Deus para conosco, não porque merecemos, mas porque necessitamos. Essa é uma verdade que qualquer pessoa — até a mais simples, pobre ou iletrada — é capaz de a ouvir e acolher, nela crer e se alegrar.
Infelizmente, também se trata de uma verdade que o mundo, a carne e o diabo odeiam ouvir e se esforçam incessantemente para suprimir com uma variedade de ferramentas: programas governamentais progressistas, doutrinação secularista compulsória, descrédito social, desprezo profissional, refutações sofísticas, alternativas ilusórias, ameaças violentas ou o velho silêncio. É por isso que, em todas as épocas, houve a necessidade e, sempre haverá, de que os católicos se formem como professores, pregadores, apologistas, escritores, testemunhas e líderes de referência. Porém, não haverá formação de católicos sem o mesmo tipo de trabalho árduo e persistência paciente que caracteriza o agricultor mencionado na Carta de São Tiago.
Santo Agostinho, um dos maiores pregadores e mestres de todos os tempos, compreendeu muito claramente que, para alcançar um entendimento básico dos mistérios da Revelação divina, é preciso dedicar-se a todo um grupo de discípulos com constância, energia e concentração. O trabalho é gratificante e desgastante para a nossa natureza humana; geralmente não vemos o que está por vir, de onde viemos ou como teremos sucesso. Nesse sentido, o Papa Bento XVI afirmou aos estudantes universitários na homilia supramencionada:
A exortação do Apóstolo à constância paciente, que no nosso tempo poderia deixar-nos um pouco perplexos, é na realidade o caminho para acolher profundamente a questão de Deus, o sentido que Ele tem na vida e na história, porque precisamente na paciência, na fidelidade e na constância da busca de Deus, da abertura a Deus, Ele revela a sua Face. Não temos necessidade de um deus genérico, indefinido, mas do Deus vivo e verdadeiro, que abra o horizonte do futuro do homem a uma perspectiva de esperança firme e segura, uma esperança rica de eternidade e que permita enfrentar com coragem o presente em todos os seus aspectos.
Certamente é disso que a nossa época precisa: a revelação do rosto de Deus, para que possamos ter esperança. O mundo, tão amado por Deus e tão contrário a Ele, não conseguirá aquilo de que necessita sem homens e mulheres sedentos de Deus, que desejem ver sua face, e viver unidos a Ele, confiantes nas suas promessas — e que, ao mesmo tempo, estejam capacitados para "responder em vossa defesa a todo aquele que vos pedir a razão de vossa esperança" (1Pd 3, 15).
As palavras do Papa emérito são fundamentais para prosseguirmos com o "cultivo" da vida intelectual, onde os resultados não são instantâneos e onde a tecnologia não pode substituir o caráter e a sabedoria:
A paciência é a virtude daqueles que confiam nesta presença na história, que não se deixam vencer pela tentação de depositar toda a esperança no imediato, em perspectivas puramente horizontais, em programas tecnicamente perfeitos, mas distantes da realidade mais profunda, aquela que confere a dignidade mais excelsa à pessoa humana: a dimensão transcendente, ser criatura à imagem e semelhança de Deus, trazer no coração o desejo de se elevar a Ele.
O objetivo da educação liberal não é formar seres perfeitos a partir da instrução de seres que já são perfeitos; mas iniciar uma vida de aprendizado com o único e verdadeiro Mestre, Jesus Cristo, libertando a mente e o coração dos escombros de uma civilização que está em colapso, porque é escrava de suas paixões. Os estudantes que recebem essa educação têm a oportunidade de encontrar uma liberdade espiritual mais preciosa do que todas as riquezas deste mundo.
Hoje, são as escolas católicas mais novas e geralmente muito pequenas e independentes que oferecem a seus alunos um ambiente católico propício à oração e ao discernimento, um currículo relevante, com professores dedicados, a oportunidade de amizades honrosas e a inspiração para buscar as verdades perenes sobre Deus, o homem e o mundo, sem as quais perecemos na miséria de nossos confortos materiais e em nosso desespero existencial.
Sem a Verdade, perecemos na miséria de nossos confortos materiais e em nosso desespero existencial.
Quando Natanael, de forma cética, pergunta: "Pode, porventura, vir coisa boa de Nazaré?" (Jo 1, 46), Filipe, ao responder, não inicia uma discussão, mas lhe faz um convite, e até um desafio: "Venha e veja". Sim, precisamos ir e ver o que essas escolas estão fazendo a crianças, adolescentes e jovens adultos, futuros cônjuges, padres e religiosos. Elas estão atendendo a um chamado que é semelhante ao do Advento: praticar um cultivo paciente, fiel e inabalável dos corações e das mentes, para o bem das almas e a glória de Deus.
* Publicado originalmente em https://padrepauloricardo.org/blog/ainda-e-possivel-uma-educacao-de-fato-catolica, no dia 17 de dezembro de 2019.
+ BRASIL, um espaço para a liberdade - 15/10/2023
Percival Puggina
Na última quinta-feira, participei pela primeira do programa +Brasil, na rádio do mesmo nome, com coordenação do amigo jornalista Júlio Ribeiro e a companhia dos também amigos Rinaldo Penteado e Ricardo Nogueira. O conhecido Tio Júlio é mais um dos renomados e exitosos profissionais da imprensa brasileira que tem o microfone silenciado por imposição política e levam seu talento ao ar por meios próprios através da Internet. São os novos heróis da comunicação social.
Júlio Ribeiro apresentava o programa Boa Tarde Brasil na Rádio Guaíba de Porto Alegre e sua demissão o levou para a iniciativa própria na companhia solidária das dezenas de convidados e comentaristas que, sob sua “ancoragem” firmaram um elevado padrão de liberdade de pensamento e expressão.
Agora, com ainda maior liberdade, em estúdio próprio, com equipamento zero quilômetro o + Brasil está no ar das 13 às 15 horas de segunda a sexta-feira. O programa pode ser assistido em qualquer lugar do planeta, com aplicativo para Android, baixado em https://play.google.com/store/apps/details?id=com.radiomaisbrasil.app e no YouTube, em youtube.com/@RadioMaisBrasilOficial
São os novos endereços da Liberdade! Vejo vocês lá.
Para evitar a fragmentação do Brasil - 07/09/2023
Paz no Campo
362.000 hectares de terra para cerca de 60 (sessenta) índios. Esta é a dimensão da Terra Indígena Kapôt Nhinore nos Estados do Mato Grosso e do Pará, a qual já foi identificada pela FUNAI e está em fase de implantação. Serão 60 milhões de metros quadrados para cada um!
Há ali 201 fazendas produzindo gado, soja, etc. Tudo deverá ser abandonado, por bem ou à força, sem direito a indenização. Sim, nas terras que forem declaradas como indígenas, todos os títulos de propriedade, ainda que centenários, serão considerados nulos e sem valor. Isso em qualquer lugar do Brasil e a qualquer momento. A menos que seja mantida a garantia do Marco Temporal.
O Marco Temporal foi estabelecido pela Constituição de 1988, a qual define em seu artigo 231, que são terras indígenas aquelas já ocupadas tradicionalmente por indígenas naquela data. Não abrange portanto as que eles venham a ocupar posteriormente ou que tenham ocupado no passado. O Marco Temporal é, portanto, a data da Constituição. O Supremo Tribunal Federal já vinha levando em conta esse Marco Temporal em seus julgamentos.
Caso esse Marco Temporal não seja observado, a qualquer tempo e em qualquer lugar do Brasil, qualquer terra, seja urbana ou rural, poderá ser reivindicada como Terra Indígena.
De acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2022, vivem atualmente em áreas indígenas, 622.100 pessoas que se declaram como índios. São 573 áreas, perfazendo um total de 110 milhões de hectares. Isso dá em média 176 hectares ou 1.760.000 metros quadrados para cada um, seja homem, mulher, idoso, criança ou bebê.
Essas áreas já ocupam 13% do território nacional, o que equivale ao total somado dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, todo o Estado de São Paulo e metade de Minas Gerais.
E ainda estão sendo reivindicadas mais 598 áreas, o que elevará o total a 26% do território nacional, equivalente a quatro vezes o tamanho da França!
Cada vez menos índios e cada vez mais terras
A grande imprensa deu a entender, através dos títulos das matérias publicadas, que o número de índios mais do que dobrou, desde o censo de 2010 até o de 2022.
Mas de fato, nas terras indígenas, foi o contrário que aconteceu. Havia 681.421 em 2010 e caiu para 622.100 em 2022. Uma diminuição de quase 10%.
O que aumentou foi a quantidade de pessoas que se declaram como indígenas, mas que residem fora das terras indígenas, em locais urbanos, rurais, favelas, etc. Porém, esse dado não pode ser considerado ao pé da letra, pois corresponde à pergunta: “você se considera indígena?”, feita pelos agentes do IBGE. Ora, muitos podem ter hesitado diante dessa pergunta ou levaram em consideração a sua ancestralidade.
A realidade é que a população nas terras indígenas vem diminuindo. É natural, pois a tendência dos jovens é de querer estudar e progredir.
Em sentido contrário, as terras indígenas têm aumentado. Ainda agora, a FUNAI voltou a mostrar interesse em 66 áreas, as quais já tinham sido descartadas anteriormente.
Essa expansão, de fato, obedece a uma ideologia, que o Professor Plínio Corrêa de Oliveira já denunciava profeticamente em 1977 e que denominou como um “ideal comuno-missionário”. Esse ideal é impulsionado por inúmeras ONGs, muitas delas estrangeiras, sendo a principal delas o CIMI – Conselho Indigenista Missionário, um órgão da CNBB, que tem pouco de missionário e muito de ideológico. Há grupos que já não disfarçam, e afirmam com todas as letras que “O Brasil é Terra Indígena”, querendo significar que qualquer lugar do País poderá ser considerado terra indígena, mesmo áreas urbanas de São Paulo.
Atualmente, o Supremo Tribunal Federal voltou a tratar do assunto e está julgando um processo que decidirá pela manutenção do Marco Temporal garantido pela Constituição ou se, pelo contrário, o Marco Temporal não teria mais vigência e qualquer local do Brasil, seja rural ou urbano poderia ser declarado como Terra Indígena, com a consequente “desintrusão” dos habitantes do local e sem direito a indenização pela propriedade.
Concomitantemente, está tramitando no Senado Federal o Projeto de Lei nº 2.903, que regulamenta o Marco Temporal, deixando claro que não poderão ser declaradas novas terras indígenas, além daquelas tradicionalmente ocupadas por ocasião da Constituição.
A falácia da pretensa indenização
Há os que defendem que não deve prevalecer o Marco Temporal, mas que no entanto as terras atingidas poderão ser indenizadas, desde que os proprietários demonstrem que as adquiriram de boa fé. Essa pretensa solução “salomônica” só virá agravar a situação, incentivando invasões, como tem acontecido com relação à Reforma Agrária. Essa indenização é quase uma quimera. Serão anos de disputas judiciais, com resultado incerto e no final, caso seja concedida alguma indenização, quem sabe quando será paga efetivamente e por que valor. Ademais, essa “solução” é contrária à Constituição, a qual estabelece em seu artigo 231, parágrafo sexto, que as terras consideradas indígenas não serão indenizadas.
Não fique parado. Clique abaixo, para defender o Marco Temporal e a Civilização Cristã, contra o avanço dos princípios comunistas.
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Discurso contra a tentativa do PSOL de matar fetos com ajuda do STF. - 06/09/2023
Henrique Lima
Primeiramente vamos entender o que é uma ADPF. Estamos aqui para debater a ADPF 442.
E o que é uma ADPF? É uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. É uma ação prevista na Constituição Federal intentada perante o Supremo Tribunal Federal e ela serve para o controle de constitucionalidade de leis anteriores à Constituição Federal, que é justamente o caso do Código Penal contra o qual essa ADPF se insurge.
Em síntese, qual é a tese que o Partido Socialismo e Liberdade - PSOL quer que o Supremo Tribunal Federal reconheça? O partido alega que a proibição do aborto viola os seguintes preceitos fundamentais da Constituição: dignidade da pessoa humana, cidadania, não discriminação, inviolabilidade da vida, liberdade, igualdade, proibição da tortura, saúde, etc. De cara, nós já vemos que o conteúdo real desses preceitos foi completamente esvaziado, de modo que esses preceitos que são importantes, são reais, viraram verdadeiras palavras talismãs que são usadas para embelezar. E mais, tais preceitos passaram a ser usados para defesa de atrocidades que violam esses mesmos preceitos.
Então, meus senhores, é inacreditável que o direito à vida seja invocado para negar o direito à vida do nascituro. É inacreditável que a proibição da tortura seja invocada exatamente para submeter a tortura um ser humano indefeso sem possibilidade nenhuma de defesa, mas o papel aceita tudo.
A tese central dessa ADPF está calcada no princípio da dignidade da pessoa humana e aqui ele se socorrem da teoria do Ministro Luís Roberto Barroso acerca desse princípio. Então, segundo o Ministro, existem três vetores da dignidade da pessoa humana. O primeiro é o valor intrínseco, depois a autonomia e por fim o valor comunitário.
O valor intrínseco é ter valor simplesmente porque se é humano, por pertencer a espécie humana. Autonomia é ter autodeterminação, ser capaz de executar um projeto de vida e o valor comunitário é a aceitação social da pessoa, a importância da pessoa como membro da comunidade, como cidadã.
De início o nascituro já não passa pelo primeiro critério, segundo os autores da ação, embora eles reconheçam o nascituro como um indivíduo da espécie humana, e, portanto, dotado de valor intrínseco que é o primeiro daqueles três critérios, o estatuto de "pessoa constitucional" é negado ao nascituro. Em outras palavras, o nascituro não é pessoa segundo os autores da ação porque só teria direito a esse status, o status de pessoa constitucional, quem nasce com vida. É o nascimento com vida que dá àquele ser humano o status de pessoa constitucional e aqueles invocam, é curioso que eles invocam, igualdade e não discriminação. Essas palavras talismãs que embelezam os falsos discursos, invocam esses dois princípios para forjarem uma distinção iníqua e arbitrária entre seres humanos.
É assim que num teste de proporcionalidade o nascituro sempre vai perder contra a mãe que quer abortá-lo, já que, como ele não tem status de pessoa constitucional, ele também não tem nenhum direito fundamental. É isso mesmo, o nascituro não tem nenhum direito fundamental, segundo os autores da ADPF.
Portanto, o nascituro é descartável, ele não tem autonomia, não tem autodeterminação, e não tem também valor comunitário. Aqueles três vetores da dignidade da pessoa humana do Ministro Barroso. E numa ponderação entre a simples humanidade do nascituro e a coleção de direitos que a sua mãe ostenta, o nascituro sempre sai perdendo, e então ele vira lixo hospitalar. Então, o nascituro não é pessoa e não tem nenhum direito, muito menos o direito à vida.
Eu disse no início que os fundamentos da ação permitem uma constatação assustadora que é a seguinte: não há nenhuma razão para que toda essa construção argumentativa empreendida na ADPF se aplique somente até a décima segunda semana de gestação. Ora, se só aqueles que nascem vivos têm direitos fundamentais, o aborto, então, deveria ser legalizado até o nono mês e agora a coisa fica mais assustadora ainda. Atenção! Se a dignidade humana requer além do critério do valor intrínseco, que é o pertencimento à espécie humana, isso eles não negam ao embrião, mas requer além disso a autonomia e o valor comunitário, logo as portas estão abertas para legalização do assassinato de pessoas já nascidas, pessoas que não tenham autonomia, por exemplo, bebês já nascidos, bebê de colo, doentes, deficientes físicos, e também de pessoas consideradas sem valor comunitário, que são os critérios para que alguém tenha dignidade.
E, meu senhores, isso já aconteceu na história. Nós já vimos isso acontecer. Judeus, um dia não tiveram valor comunitário, ciganos, católicos, negros, inimigos do partido, burgueses e assim por diante. Tantas classes foram destituídas de valor comunitário, tiveram seu status de pessoa cancelado pelo Estado. Então, será que eu estou criando alguma Teoria da Conspiração? Não, porque isso, em relação aos bebês, já foi defendido em artigo acadêmico publicado em prestigiada revista acadêmica. O título do artigo é "Aborto pós-nascimento: por que o bebê deve viver?". Os autores são Alberto Giublini e Francesca Minerva, pesquisem depois na internet, foi publicado no Journal of Medical Ethics, em 2013. Não foi em blog de internet. Lá, eles defendem que a mãe que não aceita o filho já nascido, ela tem direito de matá-lo, a criança já nascida. E aí, quando nós objetamos não, ele pode ser entregue para adoção, qual é a resposta dos autores do artigo? Não, se ele for entregue a adoção, a mãe passará o resto da vida se atormentando pensando "onde estará meu filho?"; é melhor matar logo e resolver o problema. Isso está defendido por pesquisadores não é blogueiro de internet, é a chamada escola do vínculo social. A criatura só é aceita como membro da sociedade humana, só adquire o status de pessoa, se ela desenvolve vínculos sociais e o primeiro vínculo social é do bebê com sua mãe. Se a mãe já o rejeita de cara, a mãe pode matá-lo. Antes dos vínculos sociais não haveria direito à vida, nenhum direito fundamental. É aquele terceiro critério da dignidade da pessoa humana: é o valor comunitário, quem não tem valor comunitário, não tem direitos fundamentais. E assim eles relativizam todos os direitos humanos.
Essa ADPF, portanto, é uma fraude, um cavalo de Tróia, uma caixa de Pandora, porque a sua fundamentação, se nós olharmos atentamente, ela não vale só para o aborto até as 12 semanas de gestação, mas ela conduz ao aborto livre até o nono mês. Além de abrir as portas para o infanticídio, para o homicídio de bebês já nascidos, para a eutanásia e outras atrocidades já vistas na história humana. Essa é a conclusão lógica dos próprios argumentos da ação. Aliás, não é a primeira vez que esse plano sorrateiro é posto em prática no Brasil. Em 2005, nós tivemos o substitutivo do PL 1135 de 91, cujo o artigo primeiro legalizava o aborto até a décima segunda semana, mas, sorrateiramente, o último artigo do Projeto revogava os artigos 124, 126, 127, 128 do Código Penal. Só restaria o aborto sem consentimento da gestante. Daquela vez a via escolhida foi o Legislativo, mas o Projeto de Lei naufragou, agora a cultura da Morte resolveu pegar um atalho e esse atalho é o Poder Judiciário.
Mas o esquema é o mesmo, eles pedem a legalização do aborto até a décima segunda semana, mas sorrateiramente querem que o Supremo reconheça aqueles fundamentos que no futuro vão conduzir a atrocidades muito piores, vão aprofundar ainda mais essa tragédia, vão dar enseja novas ações e assim por diante e assim eles vão avançando a agenda.
Hoje, meus senhores, o Judiciário é o atalho para militância ideológica, revolucionária, é ganhar no tapetão sem submissão ao processo democrático. E eu lembro aqui que 92% dos brasileiros, segundo o Datafolha (é o Datafolha, hein) são contrários a liberação total do aborto, 92%. Então, não há respeito à democracia. A democracia virou uma palavra para embelezar discurso, vazia, e eles dizem que tem uma função contra majoritária, só que na verdade esse atalho a que se presta o Poder Judiciário é um vilipêndio às prerrogativas do Parlamento.
É um menoscabo ao Congresso Nacional. O PSOL quer demonstrar que todas essas premissas já foram assumidas pelo STF em precedentes da corte começando pela ADI 3.510 do DF que julgou a constitucionalidade da lei de biossegurança e que concluiu que é constitucional a destruição de embriões para pesquisa científicas e essa Ação Direta de Inconstitucionalidade declarou que o nascituro não é pessoa, os embriões humanos não são pessoas, não têm o status de pessoa constitucional, isso foi em 2008. O segundo passo foi a ADPF 54 que declarou que bebês anencéfalos não têm direito à vida porque não são viáveis, isso foi em 2012. Em terceiro lugar, o Habeas Corpus 124.306 do Rio de Janeiro que é um caso escabroso [de] uma quadrilha de aborteiros da Baixada Fluminense. A mulher, no momento de fraqueza, grávida de três meses foi à clínica clandestina fez o aborto. O procedimento foi mal sucedido, a mulher veio a óbito, eles deram um tiro na cabeça do cadáver para simular um assassinato, esquartejaram e puseram fogo no cadáver. E a primeira turma do STF pôs em liberdade essa quadrilha e nesse julgamento o STF declarou pela primeira turma que a criminalização do aborto até o terceiro mês é inconstitucional; e é por isso que agora no quarto passo do movimento da cultura da morte essa ADPF 442 está pedindo a legalização até a décima segunda semana, porque isso o Supremo já reconheceu naquele caso concreto desse Habeas Corpus, isso foi em 2016. Então, percebam que de quatro em quatro anos é feito um movimento em direção a legalização do aborto e eles já estão atrasados porque isso deveria ser agora em 2020, o último foi em 2016, deveria acontecendo em 2020, eles estão atrasados, eles não contavam com a ascensão do movimento conservador. De modo que essa ADPF 442 é a solução final, é a pá de cal, ela vai abrir as portas para liberação total do aborto, não é só até a décima segunda semana. E quais são as causas profundas de tudo isso?
Gostaria de terminar com esta reflexão, a razão fundamental de todos esses movimentos é esta: a ADPF 442, ela se baseia numa falsa concepção do direito. Se nós voltarmos à Grécia antiga, nós vemos que Platão vai dizer "a lei é a descoberta da realidade, o direito é achado na realidade objetiva sobre a qual nós não temos poder, não podemos transfigurar a realidade, não podemos mudar o ser das coisas". E Aristóteles vai dizer "na cidade, na pólis, uma parte do direito é positivo, nós não negamos que os homens são capazes de produzir leis, mas essa atividade humana de produção de leis está calcada sobre uma base natural que é a lei natural. Ela é dada pela realidade objetiva, ela não é produto da nossa opinião, do que eu acho ou deixo de achar, da minha vontade arbitrária". E aí Cícero, já em Roma, o grande advogado e jurisconsulto vai dizer que "pensar que o direito é produto de opinião e dá vontade humana arbitrária, é coisa de loucos" e São Tomás de Aquino já na Idade Média vai dizer "a lei natural é a participação da Lei eterna na criatura racional", ou seja, com a nossa razão, com a nossa inteligência, nós contemplamos a realidade e dali nós extraímos os direitos naturais dentre os quais o direito à vida que é o mais importante sem o qual nenhum outro direito pode ser exercido.
Então, o direito à coisa justa é parte da estrutura da realidade, assim como existem leis naturais de ordem física, existem também leis naturais de ordem moral, de ordem jurídica. Em suma, o direito não é produto da vontade humana arbitrária, eu não posso decretar do alto da minha soberba o que eu acho certo, o que eu acho errado, o que eu acho que é o bem ou mal. "Sereis como deuses", disse a serpente, "conhecedores do Bem e do Mal, tal como Deus os conhece". Não é um conhecimento do Bem e do Mal ordinário, é o poder de decretar o Bem e o Mal. É o poder, a pretensão melhor dizendo, de transfigurar a realidade, mudar o ser das coisas, isso não está ao nosso alcance. Então, o direito não é produto da vontade humana, seja essa vontade expressa em leis ou em decisões judiciais. Tudo o que os nazistas fizeram na Alemanha e o que os comunistas fizeram, tudo que eles fizeram, todas as atrocidades, estava de acordo com a lei positiva do regime e com as decisões dos juízes do regime, tanto que os criminosos de guerra nazistas usaram isso em sua defesa no Tribunal de Nuremberg "ora, nós não fizemos nada ilegal, o que nós fizemos estava de acordo com a lei, estava de acordo com as decisões judiciais", mas não estava de acordo com a Lei Natural, universal, imutável e indispensável, e por isso eles foram condenados. Descrever o que pretendem legalizar pode ser libertador. Dentre as técnicas de aborto uma delas é enfiar uma agulha na barriga da mulher e uma injeção de cloreto de potássio no coração da criança, [isso] faz o coração do bebê parar de bater e se ele for muito grande, ele vai ser esquartejado e os pedaços serão extraídos: o bracinho, as perninhas, o tronco esfacelado, a cabeça esmagada. Isso é o que pretendem legalizar. Assim como o genocídio nazista e comunista não poderiam ser legalizados, somente no papel, mas não na realidade, o aborto também não pode ser legalizado por nenhum poder humano. O que as autoridades humanas podem fazer é simplesmente produzir papéis com ficções jurídicas escritas neles, porque o papel aceita tudo. É por isso que existe uma coisa chamada papel higiênico. O que eles não podem fazer é mudar a realidade das coisas, de modo que o aborto será para todo sempre ilegal. Não importa o que os homens digam ou pensem. Muito obrigado.
* Em Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família. Seminário sobre "A ADPF 442, a competência do Poder Legislativo e o ativismo judicial". 10 de agosto de 2023.
Auditório Nereu Ramos - Congresso Nacional/ Brasília-DF.
Nota Pública da Associação Nacional dos Procuradores da República - 06/09/2023
Associação Nacional dos Procuradores da República - ANPR
Associação Nacional dos Procuradores da República vem, em razão da decisão proferida no Supremo Tribunal Federal, nos autos da Reclamação 43007, ressaltar a necessidade de que a discussão sobre os fatos envolvendo a Operação Lava Jato seja pautada por uma análise técnica, objetiva, que preserve as instituições e não se renda ao ambiente de polarização e de retórica que impede a compreensão da realidade.
Não é razoável, a partir de afirmação de vícios processuais decorrentes da suspeição do juízo ou da sua incompetência, pretender-se imputar a agentes públicos, sem qualquer elemento mínimo, a prática do crime de tortura ou mesmo a intenção deliberada de causar prejuízo ao Estado brasileiro.
O acordo de leniência firmado pelo Ministério Público Federal com a Odebrecht resultou de negociação válida, devidamente homologada pelo próprio Supremo Tribunal Federal, com a participação de vários agentes públicos, pautados em atividade regular.
Não é correta a afirmação de que o acesso aos sistemas Drousys e Mywebday, mantidos pela Odebrecht para registrar o pagamento de propina, descumpriu o procedimento formal de cooperação internacional. Em razão do acordo de leniência, a Odebrecht entregou uma cópia dos sistemas diretamente ao MPF no Brasil.
Adicionalmente, para confirmar a integridade dos sistemas, o MPF solicitou à Suíça, por meio de regular procedimento de cooperação jurídica internacional, no qual atuou o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça (DRCI/MJ), cópia integral dos sistemas que haviam sido apreendidos em autônoma investigação suíça.
O pedido, formulado em 17 de maio de 2016, foi encaminhado pelo DRCI para as autoridades suíças em 3 de junho de 2016, por meio da Official Letter 3300/2016/CGRA-SNJ-MJ, e, em 28 de setembro de 2017, o DRCI encaminhou ao MPF a resposta à solicitação (Ofício 7676/2017/CGRA-DRCI-SNJ-MJ).
Todo o procedimento de entrega e recebimento dos discos rígidos contendo os sistemas está documentado e foi atestado por relatórios técnicos elaborados pela Secretaria de Pesquisa e Análise da Procuradoria-Geral da República (SPPEA/MPF) e por laudo pericial elaborado pela Polícia Federal (LAUDO No 0335/2018 – SETEC/SR/PF/PR), ressaltando-se, inclusive, as menções feitas nesses laudos à tramitação das mídias recebidas de autoridades estrangeiras por intermédio do DRCI.
O acordo celebrado pela empresa Odebrecht com o MPF não é um acordo internacional. Estados Unidos e Suíça não são partes do acordo brasileiro, e vice-versa, pois cada um dos países atuou em sua esfera de jurisdição, assinando acordos em separado e absolutamente independentes com a empresa. A menção a EUA e Suíça indica, apenas, ter havido coordenação entre as diferentes jurisdições, para evitar duplicidade de punições à empresa, já que os valores pagos no Brasil seriam abatidos dos valores a pagar nos Estados Unidos, procedimento este que é recomendado em manuais e convenções internacionais de combate à corrupção. Por essa razão, inclusive, os acordos celebrados pelos EUA e Suíça com a empresa Odebrecht continuam válidos e não são afetados pela decisão do Supremo Tribunal Federal.
Esse mesmo procedimento – celebração de acordos de leniência com empresas no Brasil, de forma concomitante à celebração de acordos por autoridades estrangeiras com a mesma empresa – já foi utilizado em diversos outros casos. Menciona-se que há registros de múltiplos acordos celebrados pelo MPF e pela própria Advocacia-Geral da União (AGU), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), utilizando o mesmo procedimento, sem que fosse necessária a tramitação de cooperação jurídica internacional especificamente para que cada autoridade pudesse celebrar seus acordos com validade interna. Da mesma forma, os diversos países que já assinaram acordos semelhantes com empresas investigadas na Lava Jato – incluindo Reino Unido, França, Singapura, além de EUA e Suíça – jamais precisaram transmitir pedidos de cooperação internacional ao Brasil para viabilizar a assinatura de seus próprios acordos.
Quando se fez necessária a transmissão e o recebimento de quaisquer provas, informações ou valores, entre autoridades nacionais e estrangeiras, o MPF sempre seguiu precisamente o procedimento determinado na legislação, fazendo os requerimentos em juízo e transmitindo-os por intermédio do DRCI/MJ.
Os acordos de colaboração premiada celebrados com diretores e empregados da Odebrecht, que se valeram também de provas extraídas dos sistemas da companhia e que foram entregues voluntariamente, foram firmados pela Procuradoria-Geral da República e homologados pelo próprio Supremo Tribunal Federal, que, na época, reconheceu sua validade. Já o acordo de leniência foi homologado pela 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, assim como por juízo federal.
As questões suscitadas pelo Exmo. Min. Dias Toffoli já haviam sido remetidas pelo Min. Ricardo Lewandowski às esferas competentes para apuração – a Corregedoria-Geral do MPF e a Corregedoria Nacional do Conselho Nacional do Ministério Público. Após vasta análise de provas e informações, foi reconhecida a legalidade do procedimento adotado pelo MPF nos acordos envolvendo a Odebrecht e seus diretores e empregados. Encerrada a apuração, a conclusão da Corregedoria-Geral do MPF foi comunicada ao STF, mas tais documentos não foram mencionados na decisão proferida e precisam ser expressamente analisados.
As Leis Orgânicas do Ministério Público e da magistratura delimitam as autoridades competentes para a investigação da atuação funcional de seus membros, o que é uma garantia ao livre exercício de suas funções constitucionais, a fim de evitar pressões e ameaças advindas de poderes externos. A AGU e o TCU não têm atribuição para investigar membros do Ministério Público e do Judiciário, no exercício de suas atividades finalísticas, e tal proceder não é adequado no estado democrático de direito, justamente para afastar qualquer tentativa de fazer cessar a atuação de órgãos cujas atribuições estão previstas na Constituição Federal.
Por fim, é necessário respeitar-se o trabalho de dezenas de membros do Ministério Público Federal que atuaram no acordo de leniência firmado com a empresa Odebrecht, magistrados de diversas instâncias, policiais federais, agentes públicos da CGU e Receita Federal, dentre outros que agiram no estrito exercício de suas atribuições funcionais, com resultados financeiros concretos, revertidos aos cofres públicos.
6 de setembro de 2023
Acesse aqui a Nota Pública na íntegra em PDF.
Olavo de Carvalho, para o tempo presente - 17/08/2023
Num artigo de dezembro de 2009, que pode e deve ser lido aqui, Olavo elenca diversas diferenças entre os revolucionários com que a esquerda inferniza a civilização e a sociedade que contra eles tenta reagir. Sua avaliação é quase uma convocação e não é otimista porque as diferenças de conduta, de estratégia, de disposição, de dedicação à causa conferem aos revolucionários uma posição vantajosa.
Em certo momento do texto, ele diz:
A diferença decisiva entre revolução e reação é que a primeira tem uma visão abrangente e unitária do alvo a ser destruído — a “civilização ocidental” –, enquanto a segunda se conforma com uma estratégia parcial e minimalista, encarando a proposta revolucionária como uma coleção de metas separadas e inconexas, combatendo umas e negociando com outras, seja na esperança vã de dividir as forças inimigas, seja no intuito de “adaptar-se aos tempos”, sem perceber que com isto concede ao adversário o monopólio da interpretação da História e, assim, a vitória inevitável a longo prazo.
Dessa diferença decorre outra. O combate revolucionário é total, radical e implacável: nada releva, nada perdoa, nada deixa escapar. Quando cede num ponto, é em caráter provisório, pronto a retomar o ataque na primeira oportunidade. Para isso, todas as armas são válidas, todos os meios legítimos. Como o revolucionário não conhece valores mais altos do que o combate revolucionário em si, a completa falta de escrúpulos no trato com o inimigo é para ele a mais excelsa obrigação moral. Seus meios vão desde a violência genocida até a mentira organizada, a chantagem emocional, o suborno em massa e a redução da alta cultura a instrumento do engodo revolucionário. Já a reação é travada não só por escrúpulos de polidez mas pela obsessão seletiva que a impede de combater o movimento revolucionário em si e na totalidade, francamente, diretamente, limitando-a a alvos parciais, quando não amarrando-lhe as mãos mediante o compromisso de “despolitizar” o combate para não ser acusada de exagero extremista, sem que ela note que, por definição, todo ataque despolitizado é de mão dupla, podendo ser facilmente desviado contra o atacante.
A “direita” continuará caindo de derrota em derrota enquanto não parar de esfarelar suas forças numa confusão de investidas parciais e concessões suicidas e não começar a dirigir seus ataques ao coração mesmo do inimigo. Mas para isso é preciso conhecer a identidade desse inimigo como ele conhece a do seu. Se o alvo de seus ataques é a “civilização ocidental”, o da direita tem de ser, não esta ou aquela proposta isolada, mas o movimento revolucionário enquanto tal, tomado como unidade diversa na totalidade das suas manifestações as mais díspares e em aparência heterogêneas. Já demonstrei, em centenas de aulas, conferências e artigos, em que consiste essa unidade, que os intelectuais liberais e conservadores jamais tinham percebido antes (v., por exemplo, www.seminariodefilosofia.org/node/630,www.seminariodefilosofia.org/node/479,www.seminariodefilosofia.org/node/358,www.olavodecarvalho.org/semana/070813dc.html,www.olavodecarvalho.org/semana/071010dce.html,www.olavodecarvalho.org/semana/071029dc.html,www.olavodecarvalho.org/textos/0801entrevista.html, etc.). Enquanto o centro vital do movimento revolucionário não se tornar visível aos olhos de todos, ele não poderá ser atacado com a eficácia letal com que os revolucionários vêm ferindo e sangrando a “civilização ocidental”.
O movimento revolucionário é a sombra comum do que acontece nos mais diversos setores da atividade humana em sua existência social. Pais preocupados com o que é ensinado a seus filhos, leitores escandalizados com o jornalismo que lhes é oferecido, intelectuais perturbados com a ditadura da linguagem e com a deturpação dos fatos históricos, religiosos que não mais compreendem a “teologia” que rege a conduta de sua hierarquia, cientistas que veem a manipulação da ciência com narrativas que causarão dano à humanidade e assim por diante, todos precisam saber que têm diante de si tentáculos da mesma hidra.
Esse é o enfrentamento mais relevante de todos que estiverem empenhados em preservar sua condição humana e o patrimônio cultural e espiritual herdado. Faz o jogo do adversário quem imagina possível contemporizar, buscar consensos ou mediações.
Quem fala demais dá bom dia para cavalo - 13/07/2023
Percival Puggina
“Aqueles que gritam, que não colocam argumentos na mesa, isso é o bolsonarismo”, falou Barroso. “Lutei contra a ditadura e contra o bolsonarismo”, continuou. “Nós derrotamos a censura, nós derrotamos a tortura, nós derrotamos o bolsonarismo para permitir a democracia e a manifestação livre de todas as pessoas”. (Leia em Poder 360°)
Isso foi dito ontem (12/07), durante o Congresso da UNE (eterno braço do PCB). O ministro estava ao lado de Flávio Dino e do deputado Orlando Silva. Fora confrontado por um protesto de estudantes que reprovavam sua conduta no impeachment da presidente Dilma e em relação ao piso da enfermagem. Barroso elevou o tom para um padrão de discurso e quis valorizar-se perante a militância ali congregada. O que disse, vindo do homem do “Perdeu mané!” e que acabou de exaltar aqui em Porto Alegre a ascensão do STF à condição de Poder Político é de cair os butiás do bolso, como se diz aqui no RS para denotar grande estupefação.
Não porque constitua novidade, multidões sabem como os fatos transcorreram e se agudizaram as tensões desde que o militante ministro atravessou a pequena distância que separa a sede do STF da Câmara dos Deputados para tratar das urnas com impressora. A Comissão de Constituição e Justiça tinha ampla maioria para aprovação de um sistema com votos recontáveis; quando o ministro foi embora, líderes partidários trocaram mais de uma dúzia de membros da comissão, revertendo o resultado. A partir daí, o ambiente político e, na sequência, o ambiente eleitoral, desestabilizou-se. E veio a censura que o ministro disse haver combatido e vieram as ameaças e os excessos que assinalaram o processo eleitoral do ano passado.
Grave, da maior gravidade, é haver o ministro, agora, espontaneamente, microfone na mão, consignado à nação sua luta pessoal e a luta colegiada contra o bolsonarismo. Isso, vindo de quem presidiu o TSE e vai presidir o STF, torna ainda pior o que já estava ruim. Acendem-se as luzes no pelourinho da opinião pública. No país do discurso do ministro, o que ele disse teria consequências. E no Brasil real?
Direitos humanos e aparelhamento - 01/06/2023
Percival Puggina
É muito incomum que nos parlamentos brasileiros, sejam municipais, estaduais ou federais, as comissões de Direitos Humanos não sejam povoadas e comandadas por militantes de esquerda. Era de se esperar que essa enorme convergência proporcionasse verdadeiras redes de proteção aos desvalidos e discriminados. Só que não.
A experiência evidencia a um observador atento que tais comissões se prestam quase sempre, exclusivamente para proteção de interesses de companheiros em necessidade. Se o desvalido ou o discriminado for de direita procure outra porta para bater. E isso basta para provar quão desumano o esquerdismo é, por natureza.
Nicolas Maduro foi festejado, paparicado e se tudo der certo, será bem servido por Lula em suas necessidades. Leia, a seguir, o que dizem sobre esse déspota venezuelano e seu governo o Human Rights Watch e o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.
***
Em novembro de 2021, o procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, abriu uma investigação sobre possíveis crimes contra a humanidade cometidos na Venezuela. Em 2020, a Missão de Averiguação de Fatos das Nações Unidas (Missão) encontrou motivos suficientes para acreditar que crimes contra a humanidade foram cometidos como parte de uma política de Estado para reprimir opositores.
Em 2022, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), que tem presença na Venezuela, perdeu o acesso aos centros de detenção onde são mantidos os presos políticos.
Autoridades judiciais têm participado ou sido cúmplices dos abusos, servindo como mecanismo de repressão.
A Venezuela enfrenta uma grave emergência humanitária, com milhões sem acesso a cuidados de saúde e nutrição adequados.
As autoridades assediam e perseguem jornalistas, defensores dos direitos humanos e organizações da sociedade civil. Preocupações persistentes incluem práticas brutais de policiamento, falta de proteção a populações indígenas e condições prisionais precárias.
Um êxodo de cerca de 7,1 milhões de venezuelanos representa uma das maiores crises migratórias do mundo.
Um relatório de uma missão de observação eleitoral da União Europeia lançado em 2022 apresentou recomendações concretas para abrir o caminho para eleições livres e justas.
As negociações que estavam suspendidas desde outubro de 2021 foram retomadas em novembro.
Perseguição de Opositores Políticos, Detenções e Tortura
O governo prendeu opositores políticos e os impediu de concorrer a cargos públicos. Segundo o Fórum Penal, uma rede venezuelana de advogados de defesa criminal que atuam pro-bono, reportou 245 presos políticos até outubro.
Pelo menos 114 presos políticos passaram mais de três anos em prisão preventiva, apesar dos limites de tempo incluídos em uma recente reforma do Código Penal. Aproximadamente 875 dos 15.770 civis presos arbitrariamente de 2014 a junho de 2022 foram processados em tribunais militares, informou o Fórum Penal.
Embora alguns detidos tenham sido libertados ou transferidos das instalações do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN, na sigla em espanhol) para prisões, novos críticos foram submetidos a detenções arbitrárias.
O ACNUDH continuou recebendo denúncias de tortura, maus-tratos e detenções incomunicáveis em 2022.
Forças de segurança e colectivos – grupos armados pró-governo – têm sistematicamente atacado manifestações desde 2014, inclusive com ações violentas, espancamentos brutais e tiros à queima-roupa.
Segundo fontes oficiais consultadas pelo ACNUDH, o Ministério Público registrou 235 denúncias de violações de direitos humanos envolvendo privação de liberdade, de maio de 2021 a abril de 2022, incluindo 20 em acusações relacionadas a terrorismo.
O ACNUDH e o Grupo de Trabalho da ONU sobre Detenções Arbitrárias relataram dificuldades persistentes para garantir os direitos à liberdade e julgamentos justos. Também há atrasos na implementação de ordens judiciais de soltura.
Em setembro, a Missão da ONU informou que crimes cometidos por serviços de inteligência, por ordem de autoridades de alto escalão, incluindo Nicolás Maduro, faziam parte de uma política deliberada de repressão aos opositores do governo. A missão novamente os descreveu como crimes contra a humanidade.
A catarse da Direita - 24/04/2023
Gilberto Simões Pires
A CATARSE
Na semana passada, o deputado Luiz Philippe Orleans e Bragança publicou o importante texto -A DIREITA LAVA ROUPA-, na Gazeta do Povo, no qual insiste para que a DIREITA faça uma CATARSE (conceito filosófico que significa limpeza e purificação). Diz ele, com muita precisão, que desde as eleições de 2022 e os eventos de 8 de Janeiro de 2023 a DIREITA pecou por não juntar os pedaços, conversar e orientar. Muitos seguem com medo e acuados. Ou seja, não LAVAMOS A ROUPA SUJA EM GRUPO e por isso NÃO DECIDIMOS NEM NORTEAMOS NOSSOS ATIVISTAS.
1º SIMPÓSIO DA DIREITA UNIDA - FÓRUM DO BRASIL
Para dar vazão a essa VONTADE DE SE EXPRESSAR, no dia 15/4, aconteceu o 1º SIMPÓSIO DA DIREITA UNIDA - FÓRUM DO BRASIL, evento público, mas restrito a lideranças que se mobilizam com frequência e por essa razão teve pouca divulgação, com a presença de líderes de MOVIMENTOS DE DIREITA E INDEPENDENTES, PARLAMENTARES E PERSONALIDADES PÚBLICAS EM GERAL. Além do deputado Luiz Philippe, que ocupou a tribuna como mediador, participaram do painel a deputada federal Bia Kicis; o secretário do desenvolvimento social do Estado de São Paulo, Felipe Sabará; a vereadora de Porto Alegre, Fernanda Barth; o deputado federal Ricardo Salles e o deputado estadual Tomé Abduch.
SEM DISCURSOS
Detalhe inovador: nenhum dos parlamentares fez discurso. De imediato o microfone foi aberto para todos da plateia se pronunciarem sobre o TEMA, que tratou do MOMENTO QUE VIVEMOS, O QUE O MOVIMENTO DA DIREITA FEZ DE CERTO, DE ERRADO E OS PRÓXIMOS PASSOS. Praticamente 100% do conteúdo discutido foi levantado pelos mais de 40 ativistas que se manifestaram na plateia e chamamos várias questões a voto por aclamação. Os mais de 400 presentes puderam levantar as mãos em apoio ou rejeição de vários pontos importantes, e até polêmicos, que a direita nunca antes havia tido a oportunidade de discutir e colocar a voto num grupo maior.
12 ASSUNTOS
O objetivo inicial era somente -BOTAR PARA FORA- ou -LAVAR A ROUPA SUJA EM PÚBLICO- mas ao final, depois de submetidos a voto, 12 ASSUNTOS ganharam destaque:
1. PERSPECTIVA: As vitórias da direita nos últimos 10 anos não foram fruto de organização, planejamento e ação, mas sim da rejeição à corrupção, do esgotamento das ideias e do esvaziamento de lideranças da esquerda;
2. PREFEITURAS: Erramos em não ter partido que nos representasse, plano de ação e ativismo para as eleições municipais de 2020;
3. REFORMAS: Erramos em não nos alinhar em torno de uma reforma do sistema eleitoral (voto distrital), do sistema de voto e do TSE para garantir representatividade, transparência e direito de contestação;
4. MOVIMENTO NACIONAL: Criação de um movimento nacional com pauta unificada, para criar a coesão ideológica que ainda não existe e forjar novas lideranças;
5. PRÓXIMAS ELEIÇÕES: União para cumprir a missão das eleições municipais de 2024;
6. EDUCAÇÃO E JUVENTUDE: Foco no trabalho com a juventude, no desenvolvimento de conteúdo e de currículo escolar alternativo ao da ideologia de esquerda. Reacender as pautas levantadas pelo movimento Escola Sem Partido;
7. LIBERALISMO: engajar a opinião pública na agenda social sustentável da direita: emprego, empreendedorismo e oportunidades;
8. GLOBALISMO: acirrar a troca de informações e o combate ao globalismo, seus agentes e métodos;
9. PRIVATIZAÇÃO: privatizar para diminuir o poder de corrupção que o executivo detém sobre o legislativo;
10. CULTURA: remover o Estado do protagonismo cultural, pois a Cultura pertence à sociedade;
11. PROMOVER REFORMAS DE SOBERANIA POPULAR: regulamentar referendo popular, projeto de lei de iniciativa popular, plebiscitos e recall de mandato;
12. ATIVISMO: devemos voltar às ruas.
DEMOCRACIA
Segundo Orleans e Bragança, O SIMPÓSIO DE DIREITA UNIDA chegou com atraso, mas tem FORMA E CONTEÚDO adequados para ter ampla adesão e capacidade de estimular o recomeço do ativismo no Brasil. Apesar de ser um político com mandato, como alguns presentes no evento, nunca deixamos de ser ativistas pelo Brasil e esperamos ver novas lideranças assumindo protagonismo na sociedade. O jornalista Fernão Lara Mesquita, ao observar a forma e os temas tratados no evento, mencionou: “A DIREITA NO BRASIL NÃO É DIREITA, ELA É DEMOCRATA: faz e representa tudo que todo verdadeiro democrata representa, mas NÃO SE POSICIONA como tal ou sequer usa a palavra -DEMOCRACIA- em seus discursos. Se assim o fizesse, teria muito mais sucesso”. Só há uma maneira de “ser democrata”: da maneira certa, debaixo para cima e a ouvidoria é o primeiro passo. Outros fóruns como esse já estão sendo programados para acontecer em outras cidades. Na verdade, não é de hoje que a tocha olímpica da vontade popular está nas mãos daqueles que mobilizam o país, mas desde 2014, quando iniciou o processo de impeachment de Dilma. Só cabe a alguns de nós lembrar de como era feito. O recomeço começou.
O silêncio das ONGs de Direitos Humanos - 14/04/2023
Percival Puggina
Existem no Brasil inúmeras organizações não governamentais dedicadas à benigna e prestativa missão de zelar por direitos humanos. Muitas recebem recursos públicos para esse fim; outras são organismos internacionais que estendem suas mãos cuidadoras a toda humanidade. Umas são precisas e preciosas no desempenho de suas funções; outras fazem distinção entre seres humanos companheiros e seres humanos adversários. Parecem ser deste último tipo as que operam em nosso país. Digo isso quando observo o já longo silêncio com que acolhem certos acontecimentos nacionais.
Toda uma gama de atropelos à dignidade da pessoa humana tem sido praticada à luz do dia e da noite. Censura, restrições de direitos, dificuldades à prestação de serviços por advogados de defesa, arresto de bens e bloqueio de contas bancárias, proibição do exercício de trabalho remunerado nas plataformas das redes sociais (equivalente à supressão da subsistência) e invasão de privacidade têm sido notória e largamente aplicados no Brasil em condições incomuns e em misteriosos inquéritos. A estes agravos se somam os conhecidos excessos ocorridos nas prisões dos dias 8 e 9 de janeiro.
Pode-se encontrar explicações e justificativas para muita coisa, mas não há como entender cem por cento de omissão ou silêncio de quem se proclama protetor de direitos humanos! A exclamação mais irrefutável destes já longos tempos de repressão tem sido esta: “Ah, se fosse com alguém da esquerda tudo seria diferente!”. E quase não passa dia sem que tal frase possa ser muito adequadamente aplicada a acontecimentos, notícias ou interpretações da realidade.
Visitei os sites de algumas dessas ONGs. Além do silêncio sobre temas do momento, poucas não têm matérias contra o governo anterior. Mas não é, exatamente essa, a principal ocupação, também, do governo atual? Pois é.
Urgentíssimo: abortistas querem aprovar um abortoduto na Câmara dos Deputados - 06/03/2023
Esta próxima terça feira, dia 7 de março de 2023, será votado no Plenário da Câmara dos Deputados Federais, o requerimento para tramitação em regime de urgência do PL 7559/14, que novamente visa, camufladamente, sob as aparências da criação de um Programa de Financiamento para o Combate à Violência contra a Mulher, construir um programa de financiamento ao aborto no Brasil, repetindo, em uma versão ligeiramente diferente, a proposta do ABORTODUTO apresentada em 2014.
Precisamos de todos que leiam esta mensagem com atenção, entrem em contato com as lideranças das bancadas dos deputados e com os deputados de seus próprios Estados, para explicar-lhes o que está acontecendo e o que devem fazer.
A lista dos telefones das bancadas e dos deputados está em anexo.
Leia a seguir:
1. COMO SE DEU A PRIMEIRA TENTATIVA DE APROVAR UM ABORTODUTO (2014).
2. A NOVA TENTATIVA DE APROVAR O ABORTODUTO (2023).
3. O QUE FAZER?
4. LISTA DOS TELEFONES DAS LIDERANÇAS E DOS DEPUTADOS FEDERAIS, POR ESTADO
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1. COMO SE DEU A PRIMEIRA TENTATIVA DE APROVAR UM ABORTODUTO (2014).
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Em 2013, a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei 12.485/13, também conhecida como Lei do Cavalo de Tróia. A Lei do Cavalo de Tróia pode ser consultada nestes dois links:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2013/lei/l12845.htm
http://www.alfarrabios.com.br/LeiCavaloTroia.pdf
A lei, segundo a ementa, dispunha sobre
"O ATENDIMENTO OBRIGATÓRIO E INTEGRAL DE PESSOAS EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA SEXUAL".
Em nenhum momento se mencionava a palavra aborto. Parecia tratar-se apenas do atendimento
médico às vítimas de violência sexual, mas trazia em si tudo o que seria necessário para implantar o aborto, praticamente legalizado, na rede do SUS.
O artigo 1 da Lei do Cavalo de Tróia estabelecia que
"OS HOSPITAIS DEVEM OFERECER ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA SEXUAL ATENDIMENTO EMERGENCIAL, INTEGRAL E MULTIDISCIPLINAR, VISANDO AO CONTROLE E AO TRATAMENTO DOS AGRAVOS FÍSICOS E PSÍQUICOS DECORRENTES DE VIOLÊNCIA SEXUAL".
Na linguagem técnica consagrada pelas normas publicadas pelo Ministério da Saúde durante o
governo Lula, ainda vigentes até hoje, se a gravidez é decorrência de violência, o conceito de atendimento integral à vítima inclui o direito ao aborto.
O artigo 2 da Lei do Cavalo de Tróia modificou o conceito do que é violência sexual. Segundo esta lei, agora violência sexual passou a ser definida como
"QUALQUER RELAÇÃO SEXUAL NÃO CONSENTIDA".
O problema desta definição é que consentimento pode ser entendido como um ato interno da vontade. Neste sentido, uma insistência do companheiro, sem violência física externa, pode ser apresentada como uma violência sexual que justificaria o aborto.
No caso brasileiro, as normas técnicas atualmente vigentes para a realização do aborto em casos de violência, já previam que mesmo que a gestante tivesse sofrido um estupro, não seria necessária a apresentação de provas da violência externa para obter a realização do aborto. Bastaria a palavra da mulher afirmando ser vítima de violência. Mas a partir de 2013, com a Lei do Cavalo de Tróia, se fossem exigidas, as provas não seriam mais de utilidade, ou mesmo seriam impossíveis. Se o consentimento é uma disposição interna da mulher, que nem sempre pode ser externamente provado porque, dependendo do caso, é somente a mulher que em seu foro íntimo pode saber se houve consentimento. Desde 2004, com as normas aprovadas pelo governo Lula, já estava previsto não haver necessidade de apresentação de provas para pedir um aborto em caso de violência que, naquela época ainda era sinônimo de estupro com agressão externa. Mas com a nova lei do Cavalo de Tróia o conceito de violência passou a ser entendido
de modo tão amplo que já não haveria mais sentido em apresentar as provas, mesmo que elas fossem exigidas.
Ao aprovar a lei, as ONGs a favor do aborto estavam seguindo recomendações internacionais em grande parte difundidas pela organização conhecida como International Women Health Coalition (IWHC). Em 1998 a IWHC divulgou amplamente entre os ativistas do aborto em todas as Américas um Manual de estratégias em que, dentre muitas outras medidas, recomendavam na página 8, que onde o aborto fosse permitido em casos de estupro o conceito de violência fosse
"AMPLIADO ATÉ CONSIDERAR O ESTUPRO CONJUGAL COMO UMA RAZÃO VÁLIDA PARA INTERROPER A GRAVIDEZ".
http://www.alfarrabios.com.br/IWHC.pdf
A redatora deste manual, a socióloga Adrienne Germain, já havia sido enviada ao Brasil em 1988 pela Fundação Ford para saber o que poderia ser feito para introduzir o aborto no país. Em reunião com as principais líderes do movimento feminista brasileiro, estas lhe relataram que havia duas décadas, isto é, desde o começo dos anos 70, que havia projetos no Congresso Nacional para legalizar o aborto no país, mas diversamente do que acontecia nos Estados
Unidos, no Brasil a discussão era impossível.
Adrienne então explicou que o que estava acontecendo era que as brasileiras estavam errando a
estratégia. Em vez de lutarem diretamente pelo aborto, o que elas deveriam fazer era estabelecer uma rede de hospitais que praticassem o aborto em casos de estupro e em seguida ampliar gradativamente o conceito de estupro até que na prática ele abarcasse quase qualquer tipo de aborto. Foi assim que no ano seguinte, em 1989, o primeiro hospital de aborto em
casos de estupro foi inaugurado no bairro do Jabaquara, na cidade de São Paulo.
Em 1992 Adrienne voltou ao Brasil, novamente por conta da Fundação Ford, e promoveu no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, uma gigantesca capacitação para cerca de três centenas das principais líderes feministas vindas de todo o mundo. O objetivo seria adotar a adotar a mesma estratégia aconselhada anos antes no Brasil nas Conferências da ONU, começando pelas Conferências do Cairo de 1994 e de Pequim em 1995.
Em março de 2012 a ONU concedeu a Adrienne, fundadora da IWHC, um prêmio especial por sua excepcional habilidade em criar novos conceitos de saúde sexual e reprodutiva com o objetivo de fomentar o aborto em países de legislação restritiva. No endereço abaixo, um arquivo do Fundo das Nações Unidas para Ações Populacionais, a entidade explica o motivo da condecoração e apresenta um breve currículo da fundadora, que começou trabalhando para os Rockefellers e depois fez carreira na Fundação Ford:
http://www.alfarrabios.com.br/UNFPA-2021-Award.pdf
Estes fatos, assim como muitos outros, mostram que a Lei do Cavalo de Tróia não foi criação do governo Dilma, mas tratou-se da culminância de estratégias claramente traçadas por fundações internacionais desde fora do país.
No seu artigo terceiro, a Lei do Cavalo de Tróia ainda estabelecia que
"O ATENDIMENTO IMEDIATO, OBRIGATÓRIO EM TODOS OS HOSPITAIS INTEGRANTES DA REDE DO SUS, DEVE INCLUIR A PROFILAXIA DA GRAVIDEZ".
A lei, porém, não definia o que seria uma "PROFILAXIA DA GRAVIDEZ". Na realidade, nem
seria necessário, porque ao afirmar que trata-se de uma lei sobre "atendimento emergencial, integral e multidisciplinar dos agravos físicos e psíquicos decorrentes de violência sexual", está utilizando as mesmas expressões que as normas do Ministério da Saúde já utilizavam para estabelecer que este atendimento deveria incluir o aborto.
Aprovada a nova lei, com dispositivos como estes já prontos para funcionar, o que estaria faltando para estabelecer o aborto em toda a Rede de hospitais do SUS? Apenas o dinheiro. E de onde viria este dinheiro? Como fazer este dinheiro entrar
oficialmente na rede pública de saúde? Seria necessário apresentar um outro projeto de lei
estabelecendo o modo de obter o financiamento. Foi o que se fêz no começo do ano seguinte, em março de 2014.
Foi assim que em março de 2014 a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre a Violência
contra a Mulher elaborou o Projeto de Lei 7371, que criava o Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, para financiar as ações da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. O projeto estabelecia no seu artigo 2 que os recursos para o fundo deveriam vir
"DA PRÓPRIA UNIÃO, DE ORGANISMOS OU ENTIDADES NACIONAIS, INTERNACIONAIS
OU ESTRANGEIRAS, BEM COMO DE PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS, NACIONAIS, INTERNACIONAIS OU ESTRANGEIRAS, OU DE CONVÊNIOS, CONTRATOS OU ACORDOS FIRMADOS COM ENTIDADES PÚBLICAS OU PRIVADAS, NACIONAIS, INTERNACIONAIS OU ESTRANGEIRAS".
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1242139&filename=PL+7371/2014
http://www.alfarrabios.com.br/PL-7371.pdf
Ou seja, estaria aberta a porta para o financiamento internacional do aborto em toda a Rede do Sistema Único de Saúde.
Note-se da apenas aparente coincidência do Projeto do Fundo Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher ter sido apresentado logo em seguida à aprovação da Lei do Cavalo de Tróia.
O projeto do Fundo também mencionava estar em conformidade com a Lei Maria de Penha (Lei
11340/2006), uma lei que está constantemente sendo alterada, e que estabelece em seu artigo 7 que violência sexual contra a mulher não é apenas
"UMA CONDUTA QUE A CONSTRANJA A PARTICIPAR DE UMA RELAÇÃO SEXUAL NÃO DESEJADA"
mas também
"QUALQUER CONDUTA QUE A FORCE À GRAVIDEZ",
deixando propositalmente em aberto qual tenha sido a natureza da relação sexual que tenha originado a gestação.
Por estes motivos, muitos cidadãos brasileiros acusaram o projeto de estar na verdade criando um "ABORTODUTO" para financiar o aborto que já estava nas entrelinhas da Lei do Cavalo de Tróia. Por sua vez, as autoras do projeto do Fundo Nacional, as parlamentares da Comissão Parlamentar da Violência contra a Mulher, acusaram de conspiracionistas os que denunciaram o projeto de ocultar um ABORTODUTO. As proponentes insistiam em declarar que tudo o que o projeto pretendia era apenas a criação de recursos para socorrer as mulheres vítimas de violência e nele não havia nada relacionado com aborto, palavra que sequer era mencionada em seu texto.
Por este motivo logo no início do debate foi então proposto que o projeto fosse reapresentado, votado e aprovado, mas contendo uma emenda que estabelecesse que
"NENHUM RECURSO DO FUNDO NACIONAL DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA
CONTRA A MULHER PODERIA SER UTILIZADO PARA FINANCIAR, DIRETA OU INDIRETAMENTE, EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS RELACIONADFOS À PRÁTICA DO
ABORTO".
Assim, se realmente a intenção dos proponentes do projeto não fosse financiar o aborto mas, conforme vinha sendo afirmado, apenas socorrer as mulheres vítimas de violência, a emenda poderia ser aceita sem problemas. Mas não foi o caso. A emenda foi considerada pelas autoras do projeto como conspiracionista, preconceituosa, inaceitável e insultuosa. Mas finalmente, depois de semanas de discussão, o Congresso, cujos integrantes em sua maioria são contrários ao aborto, assim como também a esmagadora maioria da população brasileira, começou a entender qual era a verdadeira intenção do projeto.
As autoras do PL 7371, finalmente, em vez de ceder e aprovar um projeto que certamente traria com a emenda recursos para combater a violência contra a mulher, preferiram simplesmente arquivar o projeto, sem votá-lo e aprová-lo.
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2. A NOVA TENTATIVA DE APROVAR O ABORTODUTO (2023).
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No dia 14 de maio de 2014 a Deputada Flavia Moares apresentou à Câmara dos Deputados o PL 7559/14, que instituía o Fundo Nacional para a Promoção dos Direitos da Mulher.
O texto ficou adormecido na Câmara até que foi apresentado o Requerimento de Urgência nº 1638/22, que está pautado para ser votado nesta terça feira dia 7 de março de 2023. Se for aprovado, o PL 7559/14 poderá ser votado talvez no mesmo dia, por votação simbólica, sem discussões e sem emendas.
O texto do PL 7559/14 pode ser consultado neste links:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1253177&filename=PL%207559/2014
http://www.alfarrabios.com.br/PL-4251.pdf
O Requerimento de Urgência 1638/22 pode ser consultado neste link:
https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2224443&filename=Tramitacao-PL%207559/2014
Segundo estabelece o PL 7559/14, farão parte do Fundo Nacional para a Promoção dos Direitos da Mulher as contribuições de organismos estrangeiros e internacionais, e o resultado de aplicações do governo e organismos estrangeiros e internacionais. O projeto não especifica nenhum detalhe e não faz nenhuma restrição sobre como deverão ser aplicados os recursos. Deixa tudo a critério que será fixado pelo Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
Tudo isto estaria bastante correto se nos últimos anos a legislação brasileira não tivesse sido
propositalmente alterada, sob a orientação de Fundações Internacionais, de maneira a ampliar o
conceito de direitos sexuais e de violência sexual até o ponto de virtualmente já conter o aborto sem necessidade de mencioná-lo. Conforme já mencionamos, a Lei Maria da Penha, estabelece, no seu artigo 7, em linguagem ambígua, que constitui violência sexual não apenas
"CONSTRANGER A MULHER A MANTER UMA
RELAÇÃO SEXUAL INDESEJADA",
mas também
"FORÇÁ-LA À GRAVIDEZ".
Por este motivo, é necessário avisar as bancadas que a votação, em regime de urgência, do PL 7559/14 fará com que o projeto seja aprovado às pressas por votação simbólica, sem possibilidade de discussão e dando um cheque em branco ao governo brasileiro para o
financiamento do aborto em toda a rede do SUS.
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3. O QUE FAZER?
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O que pode ser feito é muito simples e muito eficaz.
1. A partir desta segunda feira de manhã, telefonem para os gabinetes das lideranças dos partidos para explicar-lhes o que está acontecendo. Expliquem que o PL 7559/14 é uma nova versão para o Abortoduto e peçam que tirem da pauta desta terça feira dia 7 de março o Requerimento 1638/22 que estabelece tramitação de urgência para a votação do PL 7559/14.
2. Após ligarem para os gabinetes das lideranças, façam o mesmo com os deputados de seu próprio estado.
3. Emails para os deputados podem ser enviados desde já.
A LISTA DAS LIDERANÇAS DOS DEPUTADOS FEDERAIS, ESTÁ NESTE
ENDEREÇO:
http://www.alfarrabios.com.br/Liderancas.pdf
A LISTA DAS LIDERANÇAS DOS DEPUTADOS FEDERAIS, POR ESTADO, EM ORDEM
ALFABÉTICA DE ESTADO, ESTÁ NESTE ENDEREÇO:
http://www.alfarrabios.com.br/Deputados.pdf
Os congressistas já voltaram a frequentar pessoalmente as sessões do Congresso. A grande maioria deles é claramente contrária ao aborto. O projeto somente só tem chances de ser aprovado como está se for votado sem que haja esclarecimento dos Congressistas, que é justamente o que os proponentes do projeto querem evitar. Pedimos a todos os que receberem esta mensagem que a leiam e releiam com atenção. Se possível, leiam também matéria referenciado nos links.
Em seguida telefonem de viva voz aos gabinetes das lideranças e aos deputados de seu próprio Estado, identifiquem-se como eleitores do Estado do deputado e peçam para falar de viva voz com o próprio deputado ou com seus assessores diretos.
Expliquem que o PL 7559/2014, devido às alterações havidas promovidas pelas organizações
financiadas para introduzirem o aborto na legislação brasileira, principalmente a Lei Maria da Penha e a Lei do Cavalo de Tróia, fazem com que o projeto contenha novamente uma outra versão do ABORTODUTO de 2014.
Reenviem esta mensagem a todos os seus contatos.
Peçam a seus amigos que façam o mesmo.
As seguintes observações finais são importantíssimas:
1. A TODAS AS PESSOAS A QUEM NOS DIRIGIRMOS DEVEMOS USAR SEMPRE DO
MAIOR RESPEITO EM QUALQUER CIRCUNSTÂNCIA.
2. SEJA SEMPRE EDUCADO AO EXTREMO, MAS NÃO DEIXE DE MANIFESTAR CLARAMENTE O SEU PONTO DE VISTA.
3. TENHA CERTEZA QUE SUA PARTICIPAÇÃO É DECISIVA E INDISPENSÁVEL.
4. O BEM QUE ESTARÁ AJUDANDO A PROMOVER ESTÁ ALÉM DE TODA
GRATIDÃO POSSÍVEL.
Continuaremos a manter a todos informados sobre o desenrolar dos acontecimentos.
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4. LISTA DOS TELEFONES DAS LIDERANÇAS E DOS DEPUTADOS FEDERAIS, POR ESTADO
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A LISTA DAS LIDERANÇAS DOS DEPUTADOS FEDERAIS, ESTÁ NESTE ENDEREÇO:
http://www.alfarrabios.com.br/Liderancas.pdf
A LISTA DAS LIDERANÇAS DOS DEPUTADOS FEDERAIS, POR ESTADO, EM ORDEM ALFABÉTICA DE ESTADO, ESTÁ NESTE ENDEREÇO:
http://www.alfarrabios.com.br/Deputados.pdf
Floweek - 05/02/2023
Como sabem meus leitores, este site tem importante e elegante apoio publicitário da Florense, modelar empresa brasileira, “nascida e criada” na charmosa cidade gaúcha de Flores da Cunha e que, há anos, ombreia com as maiores e melhores do mundo na produção de mobiliário de altíssima qualidade.
Sempre que vou a Flores da Cunha me encanta conviver com esse ânimo ao mesmo tempo empreendedor nas ações do presente, de preservação das raízes culturais da empresa e de projeção para o futuro, como transparece da Floweek, que inicia na noite deste domingo e se estende até quarta-feira (08/02). Com o jantar de abertura, a Florense recepciona todos os franqueados de suas 64 lojas – 50 no Brasil e 14 no exterior (Estados Unidos e América Latina) – para o jantar de abertura da FloWeek, evento que se estenderá até quarta-feira.
Além da abordagem de todos os temas relativos ao dia a dia da rede, o ponto alto será a apresentação da Casa Florense. Instalada na Fábrica 1, no centro de Flores da Cunha, a Casa Florense propõe uma imersão no universo da marca, resgatando sua história e projetando seu futuro.
As intervenções são percebidas ainda na parte externa, com o restauro da primeira fachada da empresa. O tour pelos ambientes internos inicia-se no espaço Galeria, com uma instalação assinada pelo cenógrafo José Marton, que apresenta de forma lúdica toda a cultura da Florense, seu DNA, filosofia e trajetória. A história se materializa em peças antigas originais resgatadas de clientes, produzidas desde 1953, e num rico acervo de fotos e catálogos.
Chega-se, então, a um showroom que traz os lançamentos da marca para 2023. Fechando o tour, o espaço Inside apresenta um novo e promissor modelo de operação da empresa, que será revelado em primeira mão presencialmente. Aqui, um mergulho no metaverso da Florense se transforma uma experiência futurística única.
* Com release de Quadrante Sul Publicidade
Floweek - 05/01/2023
Como sabem meus leitores, este site tem importante e elegante apoio publicitário da Florense, modelar empresa brasileira, “nascida e criada” na charmosa cidade gaúcha de Flores da Cunha e que, há anos, ombreia com as maiores e melhores do mundo na produção de mobiliário de altíssima qualidade.
Sempre que vou a Flores da Cunha me encanta conviver com esse ânimo ao mesmo tempo empreendedor nas ações do presente, de preservação das raízes culturais da empresa e de projeção para o futuro, como transparece da Floweek, que inicia na noite deste domingo e se estende até quarta-feira (08/02). Com o jantar de abertura, a Florense recepciona todos os franqueados de suas 64 lojas – 50 no Brasil e 14 no exterior (Estados Unidos e América Latina) – para o jantar de abertura da FloWeek, evento que se estenderá até quarta-feira.
Além da abordagem de todos os temas relativos ao dia a dia da rede, o ponto alto será a apresentação da Casa Florense. Instalada na Fábrica 1, no centro de Flores da Cunha, a Casa Florense propõe uma imersão no universo da marca, resgatando sua história e projetando seu futuro.
As intervenções são percebidas ainda na parte externa, com o restauro da primeira fachada da empresa. O tour pelos ambientes internos inicia-se no espaço Galeria, com uma instalação assinada pelo cenógrafo José Marton, que apresenta de forma lúdica toda a cultura da Florense, seu DNA, filosofia e trajetória. A história se materializa em peças antigas originais resgatadas de clientes, produzidas desde 1953, e num rico acervo de fotos e catálogos.
Chega-se, então, a um showroom que traz os lançamentos da marca para 2023. Fechando o tour, o espaço Inside apresenta um novo e promissor modelo de operação da empresa, que será revelado em primeira mão presencialmente. Aqui, um mergulho no metaverso da Florense se transforma uma experiência futurística única.
* Com release de Quadrante Sul Publicidade
Nada fora da lei, nada contra a lei! - 05/12/2022
Percival Puggina
Certas reações da imprensa e de algumas instituições públicas e privadas ao manifesto que a Sociedade de Engenharia do RS (SERGS) dirigiu ao Presidente da República mostram o grau de subserviência ao arbítrio que se instalou em nosso país.
Certas pessoas não só se acomodaram ao cabresto como parecem fazer questão de colocá-lo nos demais. E juram estar movidos pela melhor das intenções. Platão, há alguns dias, já havia abordado o tema.
Essa reação talvez seja a melhor evidência das razões que levaram a SERGS a se manifestar. Apenas quatro anos bastaram para que se rotinizassem e normalizassem as imposições do arbítrio! Entre elas, a proibição do uso de certas palavras e a simples menção a certos temas de relevância social e política, a severa aplicação de sanções, os discursos excessivos e ameaçadores. Por medo ou gosto, tantos cidadãos entraram passivamente na caverna e se acomodaram a uma vida entre as sombras!
A SERGS deixou claro que, em respeito a seus 93 anos de defesa da democracia e do estado de direito, não entrou e não quer entrar ali. Os redatores do manifesto e aqueles que o aprovaram não entregam tão facilmente sua liberdade de expressão, mesmo que as afirmações feitas desagradem a alguns ou a muitos. As coisas são assim em povos livres! Entre eles não existe compromisso algum com a omissão. Aliás, numa terra de homens livres, Rodrigo Pacheco não é herói.
No manifesto, que, note-se bem, é dirigido ao presidente da República, não chamando rebelião alguma, li dez vezes a palavra Constituição e seus derivados, evidenciando que os entendimentos defendidos e propostos ficam sob o crivo do chefe de estado e de governo, e submissos à letra da Carta de 1989. Nada fora da lei e nada contra a lei, vale para todos! Simples exercício da liberdade.
São pesadas e fortes as palavras com que o texto do manifesto define a realidade? Acaso são cordiais as palavras daqueles que desviaram de seu leito o fluxo da Justiça? Acaso são gentis e respeitosas as decisões que tomam e as restrições que impõem aos direitos dos cidadãos?
Na atual circunstância histórica e psicossocial, na corte do Grande Irmão orwelliano, invocar a dignidade humana e o valor da liberdade é muito malvisto. E esse é o mal que vejo.
Essa nota é nota dez - 11/11/2022
Percival Puggina
Tenho certeza de que a nota assinada pelos três chefes militares sobre os excessos praticados por ministros do TSE, em especial pelo seu presidente, deve ter acendido alertas dentro da Corte. No mínimo, a sirene tocou.
Alexandre de Moraes vinha agindo como se o Brasil fosse um faroeste e ele o gatilho mais rápido, uma espécie de xerife no Arizona, única expressão do poder local.
Não é. Através da nota, os comandantes militares,
- reafirmaram “seu compromisso irrestrito e inabalável com o Povo Brasileiro, com a democracia e com a harmonia política e social do Brasil”;
- lembraram que há uma Constituição e que ela protege “a livre manifestação do pensamento; a pacífica liberdade de reunião, e a liberdade de locomoção no território nacional” (direitos que o TSE vem coibindo);
- assinalaram “não constituir crime [...] a manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais (idem);
- afirmaram ser igualmente condenáveis excessos de manifestantes e de agentes públicos;
- alertaram caber às autoridades da República, instituídas pelo Povo, nos termos da Constituição e da legislação, a imediata atenção a todas as demandas legais e legítimas da população; (mais claro impossível)
- lembraram ao Legislativo, Casa do Povo, ser ele o destinatário natural dos anseios e pleitos da população, em nome da qual legisla e atua, sempre na busca de corrigir possíveis arbitrariedades ou descaminhos autocráticos que possam colocar em risco o bem maior de nossa sociedade, qual seja, a sua Liberdade;
- posicionaram as Forças Armadas como vigilantes, atentas e focadas em seu papel constitucional na garantia de nossa Soberania, da Ordem e do Progresso, sempre em defesa de nosso Povo.
Observe o leitor que essa nota não traz assinatura do Ministro da Defesa, não sendo, portanto, um documento do governo. Nas circunstâncias, isso eleva sua gravidade. Com ela, as Forças Armadas fizeram o que o profeta Natã fez com o rei Davi quando lhe apontou seus pecados. Mostraram os gritantes excessos praticados pelo TSE e a insegurança que trazem à nação.
Por fim, deixa claro ser dever das instituições promover um diálogo que viabilize saída institucional para a crise criada – agora são palavras minhas: pela leniência do Congresso e a desmedida parcialidade do Supremo.
Obviamente, as Forças Armadas entraram como players nessa que é mais uma de nossas tantas crises.
Para baixo do tapete? - 10/11/2022
Percival Puggina
Não sou auditor, mas sei que o relatório das Forças Armadas sobre a atividade que seus técnicos puderam desenvolver durante o processo eleitoral não é uma auditoria. É o que lhes foi possível fazer com o que lhes foi permitido ou proporcionado. No entanto, o ofício do ministro da Defesa traz solicitações e recomendações que precisam ser lidas com atenção pela sociedade. Ele as destaca na carta de encaminhamento.
No ítem 6, o ministro solicita 1) investigação técnica para melhor conhecimento do ocorrido na compilação do código-fonte e de seus possíveis efeitos; e 2) análise minuciosa dos códigos binários que efetivamente foram executados nas urnas eletrônicas.
No item 7, o ministro sugere a criação de uma comissão específica, integrada por técnicos renomados da sociedade e por técnicos representantes das entidades fiscalizadoras.
No item 8, solicita que a Corte considere a urgência na apreciação da proposição.
Não entendo coisa alguma do que está dito no item 6, mas entendo que no item 7 o ministro recomenda que a comissão a ser encarregada da tarefa indicada inclua técnicos da sociedade e representantes das entidades fiscalizadoras. Ou seja, recomenda que a tarefa seja feita por um grupo múltiplo e independente. No item 8, urgência é palavra com um único sentido e interpretação.
Assinada pelo presidente da Corte, a brevíssima nota do TSE sobre o relatório recebido é autolaudatória e afirma, no segundo parágrafo, que “As sugestões encaminhadas para aperfeiçoamento do sistema serão oportunamente analisadas”.
Em outras palavras, o TSE não reconhece a urgência e considera inoportuno o momento atual. Cabe, então, perguntar: o relatório vai para baixo do tapete?
A máquina da desinformação - 30/10/2022
Percival Puggina
Pela portaria, mosquito não passa. Há, porém, uma entrada lateral para elefantes. Intimidar o queixoso é prática recorrente no TSE. Na sociedade da informação, desinformar é tarefa comum e universal.
Tem sido assim ao longo dos últimos meses no pleito brasileiro. Agora, no estágio final, a equipe de Bolsonaro encaminhou a derradeira denúncia: a não divulgação de um número alarmante de veiculações publicitárias em rádio e TV. A reação imediata do xerife da eleição foi tratar o fato com a habitual animosidade. Disse que a reclamação poderia constituir crime. E as provas? No dia seguinte, as provas caíram sobre sua mesa. O que fez Alexandre de Moraes? Afirmou que não era assunto dele. A ele interessava – vejam só! – saber, imediatamente, quanto custou e de onde veio o dinheiro para fazer a auditoria que produziu aquelas provas!
Valha-me Deus! É isso que chamam “estado de direito”? É assim que se faz a “defesa da democracia”?
Onde estão os observadores internacionais? Sete deles integram as Missões de Observação Eleitoral (MOEs) Internacional e observam o sistema sob o ponto de vista técnico (urnas, votação, transmissão, totalização, etc.). O maior número, porém, observa o sistema como um todo. São, na maioria, instituições políticas, culturais e de ensino interessadas em conhecer e avaliar a qualidade da democracia brasileira.
Eles, portanto, estão vendo o que a velha imprensa relata e não relata. Estão presenciando a mais manipulada de nossas eleições: a prática da intimidação e da censura, a conduta militante padronizada do jornalismo, o fato de o tribunal exigir que um dos candidatos, não por acaso o da esquerda, seja tratado pela corrente oposta como se não tivesse passado, nem amizades, nem relações internacionais sobejamente conhecidas. O que dizem esses observadores? Nada!
Não observam que no homogêneo oceano de uniformidades que é o jornalismo nacional, há quatro anos alinhado à oposição, estão sob censura e intimidação uns poucos veículos que atuam com sucesso no ambiente digital como reduto do pluralismo e qualidade, como Jovem Pan, Brasil Paralelo, Revista Oeste, Gazeta do Povo? Ninguém sabe, ninguém viu a tesoura que desabou sobre dezenas, se não centenas de influenciadores digitais, encerrando páginas, perfis, canais e microempresas individuais.
O mistério das inserções subtraídas - 26/10/2022
Percival Puggina
No uso da minha liberdade de opinião, expressarei percepções que me vêm da experiência pacientemente adquirida. Há alguma vantagem nisso? Sim, quem viver verá.
O servidor do TSE responsável pelo Pool de Emissoras do tribunal foi exonerado sem qualquer explicação. Levado até a porta da rua, o funcionário, que é de carreira, foi diretamente à Polícia Federal prestar depoimento voluntário sobre os acontecimentos. A imagem acima foi divulgada pela CNN.
Chama a atenção ter sido ele exonerado sem qualquer explicação após dar ciência a uma superiora sobre o e-mail de certa emissora comunicando haver deixado de exibir 100 inserções da campanha de Bolsonaro no período entre 7 e 10 de outubro. Também chama a atenção a informação de que o servidor depoente voluntário vinha fazendo, ao longo dos anos, advertências sobre a falta de fiscalização do TSE à exibição das inserções.
Tudo fica muito parecido com o resto. Decisões urgentes tomadas como expressão de poder absoluto proibindo algo ou punindo alguém. A “colegialidade” não alcança servidores subalternos. Desta feita, nem foi necessário que o senador Randolfe tomasse alguma iniciativa. O justiceiro de quadrinhos não encontrou motivos para isso.
Para concluir. Engana-se quem pensa que tudo acabou com alguém entregando o crachá e sendo levado à porta da rua do tribunal. O fato é de imensa gravidade e repercussão. Um órgão caríssimo à sociedade, tão zeloso em caçar palavras nos meios de comunicação e nas peças publicitárias, tendo a violência contra a liberdade de opinião e expressão como padrão de conduta, não pode permitir tamanho desequilíbrio nas condições em que se trava a disputa eleitoral. Esta eleição entrará para a história como um mostruário de absurdos.
Se agissem mais como administradores do processo – o que de fato são – e menos como “senhores”, ou, quem sabe, feitores da eleição, tudo andaria muito melhor. Ah, se os ministros não se impusessem tão frequentemente ao juízo soberano dos eleitores! Estes sim, são os senhores da democracia.
Se te perguntarem o que Bolsonaro fez de bom para o Brasil - 01/10/2022
O que Bolsonaro fez de bom para o Brasil?
*Não inclui o que o Congresso e o STF não autorizaram.
Copia, cola e compartilha.
O coração de D. Pedro I e o maior 7 de setembro dos últimos 200 anos. - 05/09/2022
Percival Puggina
Uma seguidora de meu canal no YouTube, comentando o vídeo que publiquei hoje (05/09), escreveu haver lido em algum lugar esta terrível pergunta: “Que país é este que traz o coração do colonizador para celebrar a Independência?”.
A frase é uma eloquente expressão do que acontece no aparelho educacional brasileiro. Aparelho, sim, e não me digam que não. Infiltrado, tomado, lacrador, manipulador. As esplêndidas exceções salvam-se, claro, mas não salvam o conjunto deteriorado. Coleciono cotidianas evidências de seu quase total aparelhamento!
O sujeito que escreveu isso, aprendeu assim. Reproduz a “narrativa” como ela lhe chegou e que incita a repulsa à brasilidade, ao 7 de setembro! Aos símbolos da Pátria! É a narrativa premiada; entrega o que promete: substitui o amor ao Brasil por um punhado de maus sentimentos.
Não preciso lhes dizer em quem votam pessoas assim. Seu sonho de vida é a preservação do autoritarismo e o voluntarismo sem fronteiras que marca a atuação de alguns e conta com a omissão dos demais ministros do STF. Ignorantes por iniciativa própria ou por responsabilidade alheia têm seu totalitarismo de fetiche. “Todo poder aos sovietes!”, gritava Lênin dias antes de ferir gravemente a humanidade inteira. Outros, dizendo agir “pela Democracia e pelo Estado de Direito” ferem gravemente os dois. E a você. E à nação.
À pessoa que escreveu aquela frase não foi dado conhecer que a Independência aconteceu no momento de ruptura do projeto de estabelecer no Brasil a sede da Coroa Luso Brasileira. Nunca ouviu falar na Revolução do Porto. Nunca lhe mencionaram as deliberações das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, estas sim, ávidas por colonizar o Brasil.
Nunca lhe disseram que foi por se opor àquela decisão das Cortes Gerais e Extraordinárias (onde o Brasil tinha representantes) que D João VI voltou a Portugal e na saída aconselhou o filho a pôr a coroa na cabeça se isso se fizesse necessário.
Este 7 de setembro será de louvores e juras. Louvores ao Brasil, à Independência, aos grandes vultos da Pátria comum; e juras (parafraseando Rui Barbosa) de defender a comunhão da lei, da língua e da liberdade.
Como sempre, ao longo dos últimos nove anos, estarei no Parcão, aqui em Porto Alegre.
Democracia Em Risco! - 01/09/2022
MP - Pró Sociedade
Nota pública
Quebra de sigilo, whatsapp, provas ilícitas e STF
O Brasil, uma vez mais atônito, como se ainda fosse possível surpreender-se neste manicômio jurídico, deparou-se com a notícia veiculada pelo Jornal JOTA, às 16h55 do dia 23 de agosto de 2022, nos seguintes termos: “ELEIÇÕES 2022 – Celulares apreendidos mostram troca de mensagens entre Aras e empresários bolsonaristas”[1]. Ao se ler a notícia, destaca-se o seguinte trecho:
“Nos celulares apreendidos pela Polícia Federal com empresários bolsonaristas há troca de mensagens com o procurador-geral da República, Augusto Aras. A informação é confirmada por fontes da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Ainda segundo fontes do MPF, PF e STF, nas mensagens haveria críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes e também comentários sobre a candidatura de Jair Bolsonaro. As mensagens ainda são mantidas em sigilo, mas já viraram tema entre ministros do STF.”
A Associação Nacional MP Pró-Sociedade vem a público manifestar, uma vez mais, extrema preocupação com o avanço de medidas e procedimentos judiciais e midiáticos capazes de abalar os alicerces mais profundos e importantes do regime democrático, do devido processo legal e da proteção das demais liberdades individuais. Mas, para que se possa dimensionar o caso e suas repercussões, convém breve recapitulação dos fatos.
O jornal Metrópoles, em reportagem datada de 17 de agosto de 2022, assim noticiou: “EXCLUSIVO. EMPRESÁRIOS BOLSONARISTAS DEFENDEM GOLPE DE ESTADO CASO LULA SEJA ELEITO; VEJA: Empresários apoiadores de Jair Bolsonaro atacam STF, TSE e defendem ruptura em caso de vitória de Lula. Série de reportagens começa hoje”[2].
Aprofundando a questão, também se verificou que mal o tema foi divulgado pela imprensa, aportou no STF, em 18 de agosto de 2022, um pedido judicial formulado por uma “COALIZÃO EM DEFESA DO SISTEMA ELEITORAL”, composta por instituições como a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE JURISTAS PELA DEMOCRACIA, ASSOCIAÇÃO DE JUÍZES PARA A DEMOCRACIA, ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE JURISTAS, INSTITUTO DE PESQUISAS E ESTUDOS AVANÇADOS DA MAGISTRATURA E DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO e COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ DE BRASÍLIA[3], solicitando, em síntese, a apuração do conteúdo da reportagem publicada pelo jornal METROPOLES, referida acima, no âmbito do Inquérito nº 4.781[4], conhecido ordinariamente como “Inquérito das Fake News”.
Dias depois, o STF, por decisão que se imputa ao Ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal (PF) teria sido autorizada a realizar busca e apreensão e outras medidas cautelares contra oito alvos, todos empresários conhecidos publicamente pelo apoio à gestão do atual Presidente da República[5]:
“O ministro do STF Alexandre de Moraes atendeu a um pedido da Polícia Federal e autorizou busca e apreensão em endereços de oito empresários bolsonaristas. […] O pedido faz parte do inquérito que investiga milícias digitais suspeitas de atuar contra as instituições e a democracia.”
Embora, inicialmente, o pedido formulado pela Polícia Federal ao STF e a decisão do STF estivessem sob sigilo, CURIOSAMENTE o site G1 informou conhecer detalhes da decisão ao indicar que “o ministro Alexandre de Moraes determinou a quebra dos sigilos bancários e das mensagens, além do bloqueio das contas bancárias e dos perfis dos empresários em redes sociais”[6].
Causa espécie que agentes da imprensa (de mais de um veículo de comunicação) possuam informações privilegiadas sobre decisões judiciais prolatadas pela mais alta corte judicial do País em situação de sigilo.
Observa-se que, entre a data da realização das operações, isto é, o início da manhã de 23 de agosto, e a divulgação da notícia pelo site JOTA, transcorreram cerca de 10 horas. Considerando que este lapso temporal não foi suficiente sequer para a trasladação dos aparelhos para a capital federal, pois a operação ocorreu em várias cidades e, à evidência, ainda não foram submetidos à perícia forense, de que forma a imprensa teve conhecimento do conteúdo de mensagens trocadas entre um dos investigados e o Procurador-Geral da República (PGR), que sequer era objeto de qualquer investigação?
A partir do momento em que os aparelhos celulares foram apreendidos, presume-se que se encontram sob a responsabilidade da autoridade judicial prolatora da decisão. A quem compete resguardar a higidez do sigilo processual? Quem foi a autoridade responsável pela divulgação da existência de conversas (sejam elas quais forem) entre um investigado e o PGR? Quais serão as providências que serão adotadas para a identificação dos responsáveis pelo crime de violação de sigilo? Qual a repercussão deste fato para a validade da prova encontrada?
Veja-se que a medida em questão, ainda que não analisada pela ótica do direito à liberdade de expressão dos tais empresários-alvo da investigação, transborda por completo todos os limites do razoável.
Percebe-se a possível utilização da técnica investigativa do fishing expedition, quando se busca em um alvo aleatório, menos importante (no caso, um dos empresários, notoriamente um amigo do PGR), informações relacionadas a outros alvos mais importantes. Utilizar-se um aparelho de um empresário para devassar conversas deste com o PGR consiste em uma clara tentativa de desestabilizar o Ministério Público brasileiro e o próprio sistema acusatório.
Não bastassem todos estes fatos, extremamente perigosos para as instituições democráticas, o mesmo Jornal JOTA[7] noticiou que parlamentares peticionaram ao STF (em inquérito sigiloso) postulando o compartilhamento das conversas entabuladas entre um dos investigados e o PGR para fins de análise de abertura de processo de impeachment[8], o que demonstra ser plausível a tentativa do fishing expedition.
Vislumbra-se um horizonte perigoso nas relações institucionais quando as regras mais comezinhas de investigação não são acatadas pelas mais altas autoridades da nação. Se a legislação imprime sobre a operação em questão o adequado e rigoroso sigilo, como se admitir que se devasse a intimidade da maior autoridade do Ministério Público brasileiro, o seu Procurador-Geral da República, dando publicidade a possíveis conteúdos de conversas, ainda mais quando o referido PGR sequer é alvo de investigações?
Sequer se está a discutir na presente nota as possíveis ilegalidades decorrentes da atuação do STF na apuração dos atos praticados pelos referidos empresários, em especial a ausência de foro privilegiado dos empresários-alvo, atipicidade das condutas e ofensa ao princípio acusatório, circunstâncias estas que justificariam acréscimos de novas linhas.
De igual forma, medidas cautelares como bloqueio de contas correntes de empresários são extremamente danosas, sem excluir a visível desproporção.
Ao se aproximar do bicentenário da Independência do Brasil, percebe-se que os verdadeiros inimigos da República não são aqueles contra os quais a grande mídia vocifera diariamente. A Associação MP Pró-Sociedade conclama toda a sociedade a, nos dizeres dos beneditinos, ora et labora; oração pelo povo brasileiro, para que não seja mais cego como a estátua que adorna a Praça dos Três Poderes em frente ao STF, e trabalho sacrificado, para que prevaleça a verdadeira liberdade.
“Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil.”
(Hino da Independência)
[1] Aras: Celulares apreendidos pela PF mostram troca de mensagens entre Aras e empresários bolsonaristas (jota.info), acessado em 23 de agosto de 2022.
[2] Exclusivo. Empresários bolsonaristas defendem golpe de Estado caso Lula seja eleito; veja zaps (metropoles.com), acessado em 23 de agosto de 2022.
[3] A notícia do pedido encontra-se em AJD Portal - Coalizão protocola notícia crime contra empresários que defendem golpe, assim como o seu inteiro teor. Acessado em 27 de agosto de 2022.
[4] Inquérito sob sigilo, cuja consulta pode ser realizada em Supremo Tribunal Federal (stf.jus.br), acessado em 29 de agosto de 2022.
[5] Moraes autoriza operação contra empresários suspeitos de defender golpe em mensagens de celular | Jornal Nacional | G1 (globo.com), acessado em 23 de agosto de 2022.
[6] Moraes autoriza operação contra empresários suspeitos de defender golpe em mensagens de celular | Jornal Nacional | G1 (globo.com), acessado em 23 de agosto de 2022.
[7] Randolfe pede ao STF cópias das mensagens entre Aras e empresários bolsonaristas (jota.info), acessado em 29 de agosto de 2022.
[8] O inteiro teor do pedido encontra-se em Petição 6 - Inq 4874 INQ conversas empresários-aras (jota.info), acessado em 29 de agosto de 2022.
MP - Pró Sociedade 01/09/2022
O coração de D. Pedro I e o maior 7 de setembro dos últimos 200 anos. - 05/07/2022
Percival Puggina
Uma seguidora de meu canal no YouTube, comentando o vídeo que publiquei hoje (05/09), escreveu haver lido em algum lugar esta terrível pergunta: “Que país é este que traz o coração do colonizador para celebrar a Independência?”.
A frase é uma eloquente expressão do que acontece no aparelho educacional brasileiro. Aparelho, sim, e não me digam que não. Infiltrado, tomado, lacrador, manipulador. As esplêndidas exceções salvam-se, claro, mas não salvam o conjunto deteriorado. Coleciono cotidianas evidências de seu quase total aparelhamento!
O sujeito que escreveu isso, aprendeu assim. Reproduz a “narrativa” como ela lhe chegou e que incita a repulsa pela brasilidade, pelo 7 de setembro! Pelos símbolos da Pátria! É a narrativa premiada. Entrega o que promete: substitui o amor ao Brasil por um punhado de maus sentimentos.
Não preciso lhes dizer em quem votam pessoas assim. Seu sonho de vida é a preservação do autoritarismo e o voluntarismo sem fronteiras que marca a atuação de alguns e conta com a omissão dos demais ministros do STF. Ignorantes por iniciativa própria ou por responsabilidade alheia têm seu totalitarismo de fetiche. “Todo poder aos sovietes!”, gritava Lênin dias antes de ferir gravemente a humanidade inteira. Outros, dizendo agir “pela Democracia e pelo Estado de Direito” ferem gravemente os dois. E a você. E à nação.
À pessoa que escreveu aquela frase não foi dado conhecer que a Independência aconteceu no momento de ruptura do projeto de estabelecer no Brasil a sede da Coroa Luso Brasileira. Nunca ouviu falar na Revolução do Porto. Nunca lhe mencionaram as deliberações das Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, estas sim, ávidas por colonizar o Brasil. Os estatutos portugueses sequer conheciam a palavra “colônia”.
Nunca lhe disseram que foi por se opor àquela decisão das Cortes Gerais e Extraordinárias (onde o Brasil tinha representantes) que D João VI voltou a Portugal e na saída aconselhou o filho a pôr a coroa na cabeça se isso se fizesse necessário.
Este 7 de setembro será de louvores e juras. Louvores ao Brasil, à Independência, aos grandes vultos da Pátria comum; e juras (parafraseando Rui Barbosa) de defender a comunhão da lei, da língua e da liberdade.
Como sempre, ao longo dos últimos nove anos, estarei no Parcão.
Eleições democráticas x eleições brasileiras – 2 - 24/06/2022
Fernão Lara Mesquita, em O Vespeiro
O Brasil discute apaixonadamente a insegurança das urnas e tem boas razões para isso. Ninguém recheia pacientemente um supremo tribunal com militantes, anula irreversivelmente as três instâncias do Poder Judiciário abaixo dele resgatando um criminoso condenado para enfia-lo diretamente na eleição e mata a pau o Poder Legislativo inteiro ao derrubar três votações democráticas maciças dos representantes eleitos do povo mandando imprimir um comprovante do voto alegando razões futeis porque esteja bem intencionado. Tirar da eleição o caráter de argumento indiscutível da pacificação nacional que a transparência da contagem dos votos lhe confere em todas as democracias do mundo certamente não vale os caraminguás que se quer "economizar" negando ao eleitorado brasileiro um comprovante do voto que ele possa ler.
Mesmo assim, na merda em que estamos a questão da urna chove no encharcado!
A "fraude", quando "aparece", verdadeira ou "falsa", consiste na pessoa votar num nome e seu voto ser transferido para outro pela máquina. Mas o fato é que o otário do eleitor brasileiro vota numa pessoa e elege outra sem o concurso de qualquer hacker. No sistema do voto proporcional essa transferência fraudulenta já é operada PELA LEI. Só 15 a 20% da fauna que habita os legislativos brasileiros, conforme lembrou artigo publicado ontem por José Serra em O Estado de S. Paulo, foi eleita por votos em sua pessoa. 80 a 85% dela ganhou o poder de ditar-nos leis "de carona".
Hoje essa fraude sistematizada está delimitada ao interior de cada "partido político" criado e sustentado pelo Estado. Até 2020 rolava até entre partidos diferentes, desde que estivessem mancomunados numa mesma "coligação".
O resultado é esse que está aí. O eleitor não sabe quem elegeu e o eleito não deve lealdade a ninguém senão ao "dono" do partido em que se homiziou. E sua única missão na vida passa a ser a de defender o sistema sem o qual jamais se elegeria e reelegeria, os menos ruins para ter privilégios vitalícios e hereditários às custas do favelão nacional, os mais iguais à média para assaltá-lo impunemente.
E enquanto rasga-se assim, já não digo a nossa constituição drogada e prostituída, coitada, mas até a própria Declaração Universal dos Direitos Humanos, a imprensa nacional das redações franqueadas aos "jornalistas" formados no "sistema educacional" criado pela fauna dos 15 a 85%, dança em frenesi a dança do "estado democrático de direito" em torno da fogueira da ignorância (e não só da ignorância) como um bando de anacrônicos pajés de uma tribo institucionalmente primitiva.
O resto da tragédia nacional é mera consequência.
Leia o restante do artigo aqui: https://vespeiro.com/2022/06/24/eleicoes-democraticas-x-eleicoes-brasileiras-2/
A guerra de fakes russa - 17/06/2022
Luis Dufaur
“Toda a história humana é a história da arte de enganar”, instruiu o general Alexander Vladimirov apresentando seu livro 'Teoria Geral da Guerra' numa escola de cadetes em Moscou. (Russian International Affaires Council. Moscou 15-04-2014)
Ele é vice-presidente do Colégio de Especialistas Militares da Rússia e um mestre na técnica de iludir no noticiário e nas ações da guerra.
Em russo é a “maskirovka”, ou “pequeno baile de máscaras”, em Ocidente se usa “guerra psicológica”, de “guerra da informação”, e os mais modernos “fake news” e “guerra híbrida”.
A Crimeia foi invadida por “pequenos homens verdes” desarmados e sem insígnias trazidos em caminhões militares sem identificação.
A evidência era de soldados russos, mas a mídia ocidental insistia em não saber de onde vinham.
Putin disse em conferência de imprensa que eram “patriotas voluntários” de férias, mas, cinco semanas depois, glorificou o operativo das tropas russas, não se incomodando com a contradição.
A mentira deu retorno e foi das maiores vitórias da “maskirovka”.
“A estratégia russa, fora e dentro do país, é dizer que a verdade não existe”, explicou à BBC
Peter Pomerantsev, que trabalhou anos na TV russa. “É um tipo de cinismo que tem muito eco no Ocidente, ... e os russos confiam nesse cinismo e o usam num contexto militar”, explicou.
A Rússia aprimorou o uso da mentira até a perfeição, registrou a jornalista Lucy Ash da BBC.
Na rua Savushkina nº 55 de São Petersburgo Putin mantinha uma central de “guerra da informação” que espalha na Internet palavras de ordem com milhares de pseudônimos.
O nome oficial é Internet Research Agency e é chamada 'fábrica de trolls'.
“O termo deriva da expressão trolling for suckers (enganando os trouxas)”.
Os trolls (enganadores) todo dia recebem uma instrução técnica como esta do 28 de fevereiro: “Ideia central: criar a opinião de que oficiais ucranianos estavam envolvidos na morte do oposicionista russo”.
Os comentários não devem ser identificáveis ideologicamente e devem parecer bem documentados para viralizar em artigos, comentários e tuites pró-russos.
Outra jornalista, a finlandesa Jessikka Aro entrou entre “os propagandistas pro Kremlin nas redes sociais” e ficou estarrecida: eles faziam uma guerra invisível para assediar, desalentar, intimidar e caluniar.
O general Valeri Gerassimov, atual chefe do Estado Maior russo (morto em combate segundo Kiev, ou vítima de expurgo em Moscou), explicou no semanário Military-Industrial Courier:
“as guerras não são mais declaradas, mas simplesmente começam e prosseguem por vias que não são familiares. O uso escancarado das forças militares é só para a fase final do conflito”.
“A nova forma de guerra não pode ser caracterizada como campanha militar”, diz o Centro de Pesquisas para a Segurança e a Estratégia da Letônia.
E Dmitry Kiselyov, tido como “o chefe propagandista do Kremlin” sublinha que hoje a “guerra de informação” é “a forma primordial de guerra”.
Outro favorito de Putin e filosofo ocultista Alexander Dugin prega uma “revolução conservadora” enquanto “oligarcas” putinianos transmitem atraentes promessas para os movimentos conservadores do mundo.
Nem sempre Putin as cumpre, o importante é enganar, por interesse estratégico, sem moral.
O referido general Gerassimov, insistiu na Academia Militar de Moscou: “as fronteiras entre a guerra e a paz se apagaram no século XXI”.
Hoje a ofensiva visa submergir o inimigo no caos mental espalhando fakes que apagam os limites entre o real objetivo e a ficção pré-fabricada.
“El Mundo” de Madri observa que muitos direitistas acreditam mais no líder russo do que nos nacionais.
“Die Zeit” vê muitos alemães acreditar mais em Putin do que no próprio chanceler; agentes da FSB (ex- KGB) infiltraram a campanha eleitoral de Trump.
Jeanne Smits ex-diretora do jornal “Présent” de Le Pen espantou-se com “tradicionalistas” católicos invertendo a mensagem de Fátima em favor da Rússia contra o Ocidente, e defendendo até que o Espírito Santo saiu de Roma após o Concílio Vaticano II e se instalou em Moscou.
Essa ofensiva bate na tecla de que a “nova Rússia” é o baluarte da moral tradicional cristã diante de ideologias do tipo LGBT, da ideologia de gênero, anti-vida, anti-família, etc., subprodutos da Nova Ordem Mundial com que hiper-capitalistas afogariam Ocidente, omitindo que esses males existem em grau exacerbado na própria Rússia.
Jeanne Smits registrou até o exagero de apresentar Putin investido da “missão providencial” de salvar o cristianismo.
Como fazer desaparecer a Igreja Católica dizendo ao mesmo tempo que está sendo salva por quem a extingue?
Smits fornece exemplos. Um “próximo entre os próximos” de Vladimir Putin, o multibilionário Konstantin Malofeev sustenta o think-tank Katehon do citado ideólogo gnóstico Alexander Dugin onde o “tradicionalista” Charles Upton defende que a “nova-Rússia” e o Patriarcado de Moscou vão salvar a Igreja de Ocidente, extinguindo os Papas de Roma.
Smits conclui que se ela fosse da KGB não agiria de outro modo para espalhar que a Igreja Católica fracassou.
A professora Cécile Vaissié, da Universidade de Rennes 2, especializada em Estudos Soviéticos e Pós-Soviéticos e autora do livro Les réseaux du Kremlin en France (As redes do Kremlin na França), mostra que as redes de propaganda sub-reptícia da URSS, outrora centradas no “pacifismo” nos últimos anos assumiram bandeiras “conservadoras” e de “extrema direita”.
Na realidade, diz ela, essas são práticas da velha KGB que fazem as pessoas perder o senso e impedem que entendam o que está acontecendo.
Alexeï Komov, representante do Patriarcado de Moscou nos Congressos Mundiais da Família, defende que a Revolução Bolchevista de 1917 nada teve de russa.
Ora, essa Revolução instalou o comunismo, proclamou o amor livre, legalizou o divórcio e instalou o aborto sem limites.
Mas Komov, “convertido” pelo Patriarcado de Moscou em defensor da família, escapuliu-se da contradição alegando haver um “milagre” na Rússia que faz renascer os valores tradicionais da família e da tradição e que o regime de Stalin “acabou mais favorável à família” .
A estratégia falseia conceitos e posições para ludibriar as vítimas e Dugin comemora:
“Nós os embaralhamos passando do direitismo ao esquerdismo e vice-versa. Seduzimos ao mesmo tempo a extrema-direita e a extrema-esquerda” (Dugin).
* Publicado originalmente em https://flagelorusso.blogspot.com/ em 29/05/2022.
Discurso do presidente da República no Lançamento do Programa Brasil pela Vida e pela Família - 10/06/2022
Nota do editor: Este pronunciamento do presidente deveria ser lido por todos. É longo, sim, porque os assuntos são importantíssimos e as evidências que traz são indiscutíveis. Reitero: em algum momento do dia, pare e leia, para o bem do Brasil.
Senhoras e senhores, boa tarde.
Eu vou falar do tema, mas queria perguntar para vocês: o que é indignação? Quando é que você fica indignado? Quando você vê um brutal ato de injustiça. E não interessa contra quem seja esse ato de injustiça. Nós temos que nos indignar. Nós temos que demonstrar o nosso sentimento. Nós temos que tentar mostrar que o outro lado está errado. Bem, tem um jurista aqui na frente, nosso ministro Humberto. Nós somos autoridade para agir em flagrante delito. Não é isso mesmo? Nós podemos deter uma pessoa que tenha cometido um delito grave, de forma flagrante. Eu pergunto: eu poderia aqui, agora, deter alguém por ter espancado um marciano? Poderia? Acredito que não. Não existe nada na lei que fale: se você espancar marciano, maltratar ou matar, você vem a detê-lo. Eu pergunto a vocês: pode alguém ser punido por fake news? "Olha, ele está espalhando o fake news". E se esse fake news não for fake news, for uma verdade, pior ainda. Enquanto aqui a gente está num evento voltado para a fraternidade, amizade, amor, compaixão, aqui, do outro lado da Praça dos Três Poderes, uma turma do Supremo Tribunal Federal, por 3 a 2, mantém a cassação de um deputado acusado em 2018 de espalhar fake news. Esse deputado não espalhou fake news. Porque, o que ele falou na live, eu também falei para todo mundo: que estava havendo fraude nas eleições 2018. Ia se apertar o número, quando se apertava o número 1, já aparecia o 13 na tela e concluía a votação. Foram dezenas de vídeos. Dezenas de pessoas ligaram para mim, ao longo de toda noite daquela primeira votação do 1° turno, de 2018. Isso é uma verdade.
E esse deputado foi cassado. Primeiro ele foi absolvido por 7 a 0 no TRE do Paraná, depois por 6 a 1 foi condenado no Tribunal Superior Eleitoral, cujo objetivo era criar jurisprudência para perseguir os outros que, porventura, não gostassem do seu comportamento. Deputados que estão aqui que, porventura, estejam vendo, vai chegar a sua hora, se você não se indignar. Não existe tipificação penal para fake news. Se for para punir fake news com a derrubada de páginas, fecha a imprensa brasileira, que é uma fábrica de fake news. Em especial, O Globo, Folha. Outro caso hipotético, vamos supor, um caso hipotético, que o João assassinou a esposa, Maria, e ele foi condenado. Algum tempo depois, descobriu-se que o João não era casado com a Maria. Eles viviam em união estável. Solte-se o João. Volte o processo às origens. Assim foi a absolvição do Lula. Patrocinada por quem? Edson Fachin? Ele que botou o Lula em liberdade. Baseado no quê? No CEP, Código de Endereçamento Postal. Ele não podia ser julgado em Curitiba. Tinha que ser julgado em São Paulo ou Brasília. E anulou-se na época que já se prescrevia todas as acusações contra ele. Que Brasil é esse? Que justiça é essa, me desculpem os demais magistrados aqui presentes? Onde está o nosso TSE, quando convida as Forças Armadas, via portaria assinada pelo ministro Barroso, a participar de uma Comissão de Transparência Eleitoral? As Forças Armadas descobrem centenas de vulnerabilidades. Apresentam nove sugestões. Não gostaram. "Eleição é coisa para forças desarmadas." Convidá-los para quê, ora bolas? Para fazer o papel do quê? Eu sou o chefe das Forças Armadas. Nós não vamos fazer o papel de idiotas. Eu tenho a obrigação de agir.
Tenho jogado dentro das quatro linhas. Não acham uma só palavra minha, um só gesto, um só ato fora da Constituição. Será que 3 do Supremo Tribunal Federal, que podem muito, pode continuar achando que podem tudo? Eu não vou viver como um rato. Tem que haver uma reação. E se a população achar que não deve ser dessa maneira, preparem-se para ser prisioneiros sem algemas. O ministro que solta o Lula é o mesmo que está à frente do Tribunal Supremo Eleitoral, dando as cartas como dono da verdade. O que ele fez essa semana que passou? A política externa é minha e do ministro França, do Itamaraty. Ele convida, então, 70 embaixadores, e eles vão lá para dentro do TSE, e ele, de forma indireta, ataca a Presidência da República, como "o homem que não respeita a Constituição, que não respeita o processo eleitoral, que pensa em dar um golpe". E conclui de forma indireta: "acabou as eleições, imediatamente seu Chefe de Estado deve reconhecer o ganhador das eleições, para que não haja qualquer questionamento junto à Justiça." O que é isso, senão arbítrio? Um estupro à democracia brasileira? Para mim, é muito mais fácil eu estar do outro lado, muito mais fácil. Otoni de Paula, Carla Zambelli, é muito mais fácil.
Tenho a família toda perseguida, até a esposa processada. Canalhas. Processar minha esposa? Vem pra cima de mim, se são homens. Eu sou suspeito para falar de parentes ao meu lado. A minha esposa, pelo que eu vejo, pelo que eu sei, é uma pessoa discreta, que trabalha pelos menos favorecidos, por pessoas com deficiência, aprendeu libras, dá exemplo. Porque participa ao lado da ministra da Mulher no Dia das Mães, no horário das 20h30 da noite, ela é processada. O que querem com isso? Essa questão, julgada agora há pouco por 3 a 2, o ministro Alexandre de Moraes falou: "Temos jurisprudência em cima do Francischini para cassar registro e prender candidatos que, porventura, duvidem do sistema eleitoral."
A dúvida, o debate, faz parte da democracia. Onde não há debate, há ditadura. Nós confiamos nas máquinas, e eu confio nas máquinas. Não confio em quem está atrás das máquinas.
Se me permitem avançar, a minha segunda live do ano passado, onde eu peguei o inquérito da Polícia Federal, que foi aberto no início de novembro. Por que foi aberto? Porque um hacker fez uma denúncia e a ministra Rosa Weber, que não sabia de nada, fez com que a Polícia Federal, determinou, que instaurasse o inquérito. O que vou falar aqui está dentro do inquérito, que não tinha qualquer classificação sigilosa até aquele momento. E lá está escrito, dentro do inquérito, porque o delegado encarregado do inquérito pediu ao TSE informações. O TSE informou que os hackers ficaram por oito meses dentro do TSE, com a senha do ministro Banhos. Está escrito isso, e essa imprensa não enxerga isso? Vai falar amanhã que eu estou atacando as urnas eletrônicas. Vocês serão os primeiros a ser perseguidos no futuro, podem ter certeza disso. Os hackers tiveram oito meses com a senha do ministro Banhos. Nos primeiros dias, o delegado encarregado do inquérito pediu os logs. Sete meses depois, o TSE informou. Está no processo que os logs foram apagados por uma firma terceirizada que fazia manutenção dos computadores. Os logs são entregues no mesmo dia, no dia seguinte, é como um backup. Por que há sete meses? Ficaram arrumando o quê dentro do TSE? Porque só sobra margem para desconfiança.
Será que o Datafolha está perfeitamente alinhado com o que está previsto no resultado do TSE? Nós não podemos viver sob suspeição. Até num casal, tem que sentar e conversar. Por que é que os técnicos do TSE não conversam com os técnicos das Forças Armadas que foram convidados a participar do critério? Queriam a participação das Forças Armadas como uma moldura de uma fotografia, para dar ares de credibilidade? Esqueceram que eu sou o chefe das Forças Armadas? O que queremos pro nosso Brasil? Ganhe quem ganhar as eleições, eu entrego a faixa numas eleições limpas, democráticas e auditáveis. O que aconteceu no dia de ontem, depois do show com os embaixadores? O ministro Fachin, presidente do TSE, convida lideranças religiosas. E o título do convite era Paz e Tolerância. Olhe só, o Ministro Fachin fala Paz e Tolerância. O que o Ministro Fachin fez no ano passado? Tentou, de todas as formas, no TSE, criar uma jurisprudência ao tentar cassar uma vereadora evangélica, de Luziânia, Goiás, que pediu votos numa pequena igreja para meia dúzia de pessoas. "Vote em mim". Com essa cena, o ministro Edson Fachin tentou criar a jurisprudência para cassar registro de cristãos, evangélicos e espíritas sobre abuso do poder religioso.
Qual é a coerência desse ministro? Um convite falando sobre tolerância, ele sendo um intolerante com uma pobre de uma coitada de uma vereadora eleita em Luziânia. Qual a isenção que tem esse ministro para conduzir as eleições? Qual terá Alexandre de Moraes para, 40 dias, assumir aquele posto? O que podemos pensar que essas pessoas… o que eles querem? Querem uma ruptura? Por que atacam a democracia o tempo todo? Aqui não tem ninguém mais homem do que outro. Mas nós não podemos nos curvar. Eu não sou dono da verdade nem dono do Brasil. Eu não sou a pessoa mais poderosa. Eu não sou a pessoa perfeita. E assim, ninguém o é. Ou nós nos indignamos, acordamos para o que está acontecendo, ou marcharemos no caminho da Venezuela.
O outro lado fala de aborto, isso de forma escancarada. Ataca os valores familiares o tempo todo, como o decreto 2009 do PNDH3, cujo capítulo mais importante é a desconstrução da heteronormatividade. O outro lado diz que vai valorizar o MST, que nós acalmamos, titulando os mesmos. Diz que vai voltar a fazer empréstimos para outros países, que isso é investimento. Nós já pagamos 4 bilhões, nós, no FAT, para o BNDES, dinheiro emprestado para a Venezuela. Mineiro, se tem algum aqui: Belo Horizonte não tem metrô, mas Caracas tem. Com dinheiro nosso. Esse outro lado fala em desarmar a população. Não deu certo a política de desarmamento. O Chile está sendo desarmado agora. Todas as ditaduras precederam de movimentos desarmamentistas. Povo armado jamais será escravizado. Ninguém desarma o povo americano. Não adianta aparecer por lá alguém com espírito de ditador, que não vai dar certo. O Brasil tem que criar esse espírito também. Tenho falado para todos os meus ministros: em 64, tentaram tomar o poder pelas armas; agora, as armas que usam são as armas da democracia.
"Eu quero, eu não quero, eu puno, eu caço, eu prendo um deputado por oito meses, eu faço com que a jornalista seja exilado, outros sejam presos." Oras, bolas, se as urnas são inexpugnáveis, por que temos o hacker preso há quase um ano em Minas Gerais? São inexpugnáveis. O que se espera de um país que age dessa maneira?
Eu não estou dizendo que há fraude, mas há suspeita. Temos que dissipar essa nuvem da suspeição. Não podemos viver dessa maneira. Metade do meu tempo eu tomo para me defender de acusações do outro lado da Praça dos Três Poderes. Como agora, uma ministra me dá 10 dias para explicar como anda a população de rua do Brasil. Agora, Alexandre de Moraes, novamente: "Qual é o seu plano para defender os yanomâmis?" Se eu perguntar para ele qual o tamanho da área Yanomami, duvido que ele saiba. Olha, se foi demarcado, é porque não podemos estar lá dentro.
É o tempo todo aceitando ações propostas por partidos que não têm mais que meia dúzia de representantes. As coisas mais absurdas acontecem, como, por exemplo, começamos a fazer um contorno numa reserva indígena de 190 km, aqui em Mato Grosso, onde que, passando pela reserva, seriam 110. E pela reserva pode passar, mas não pode asfaltar a estrada, é uma estrada intransitável grande parte do tempo, tendo em vista os atoleiros. Vamos fazer um contorno de mais 80 km. Cada safra, 2.000 caminhões bi-trens passam por essa rodovia, que agora vão andar mais 80 para ir e mais 80 para voltar, com o preço do diesel que está aí nas alturas. Mas a Justiça diz: "Não pode asfaltar a reserva indígena." E agora, para concluir, que eu gostaria de falar 1 hora com os senhores, desde que os senhores não fossem embora, obviamente, está o Supremo discutindo marco temporal. O que é isso?
Já temos no Brasil uma área do tamanho da região Sudeste demarcada como terra indígena. Uma nova interpretação querem dar a um artigo da Constituição. E quem quer dar essa nova interpretação? Ministro Fachin, marxista-leninista, advogado do MST, votou depois o Cássio Nunes, 1 a 1. Agora está com o ministro Alexandre de Moraes. E eu tenho falado: se o novo Marco Temporal for aprovado, além de uma área do tamanho da região Sudeste, já demarcada como terra indígena, teremos outra área do tamanho da região Sul; que, pela localização geográfica dessas centenas de terras indígenas, teremos uma outra área, também, do tamanho do estado de São Paulo, como terra indígena. Acabou a economia brasileira do agronegócio, acabou a nossa garantia alimentar, acabou o Brasil. O que eu faço se aprovar o marco temporal? Tenho duas opções: entrego a chave para o ministro supremo ou digo "não vou cumprir".
Eu fui do tempo em que decisão do Supremo não se discute, se cumpre. Eu fui desse tempo, não sou mais. Certas medidas saltam aos olhos dos leigos. É inacreditável o que fazem. Querem prejudicar a mim e prejudicam o Brasil. Para onde vai a nossa Pátria? Como está o Brasil pós pandemia? E mesmo com essa guerra, estamos bem, levando-se em conta a maioria dos outros países do mundo. Para onde queremos ir? Por que essas decisões? Não têm um diálogo, não tem um convite para nada. É só pancada, pancada, pancada o tempo todo.
Querem a volta daquele cara que roubou o país, o cara responsável pelo maior lote de corrupção da Via Láctea. Quer isso de volta? Já loteou todo o futuro ministério, o outro lado. Inclusive as duas vagas para o Supremo Tribunal Federal. Cristiane, quando se fala em aborto, que nós somos contra. Primeiro, eu conheço o Parlamento. Não vão aprovar uma proposta nesse sentido lá. Se aprovarem, tem o poder de veto aqui. Mas quem aprovou aborto na Colômbia foi a Suprema Corte colombiana. Vocês acham que, aquele cara voltando, botando o advogado do PT lá, o Zanin, e outro indicado por esse que está fazendo a miséria do TSE, vai botar que perfil de gente lá? Não adianta o André Mendonça pedir vista, porque ele é um evangélico. Vão passar o trator em cima dele. O que vão fazer com a nossa pátria?
Olha o que está sendo feito, via Assembleia Constituinte no Chile, um país que estava redondinho na economia, que crescia no mínimo, cinco 5%, próximo disso, todos os anos. Olha para onde foi. E olha que lá o voto é no papel. O outro lado ganhou porque o pessoal resolveu se acomodar. "Eu sou isentão, eu sou limpinho, uso talco pompom". E não foi votar. Agora estão fazendo movimento de rua: "Fora, Presidente do Chile".
E aqui, as andanças minhas pelo Brasil. Não é no local onde eu vou, que tem 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 pessoas, que aí podem falar: "essa gente é simpático a ele". Mesmo sem ter um ônibus parado na periferia. Mas, ao longo do percurso, como povo nos trata, a mim e aos meus meninos. O outro lado não consegue sair às ruas. Não sai de casa. Agora diz que está com Covid. Dez dias que não vai sair de casa mesmo. Que eleições são essas? Eu sou do tempo em que, eleições, ganhava quem tinha o voto nas urnas. Agora, parece que é quem tem amigo no TSE. E lá tem uma sala cofre que ninguém entra. A apuração é um ato público. Qualquer um de vocês tem que entender como são feitas as apurações. Não interessa se conheça ou não de tecnologia. E como é feito? Ninguém sabe. Pode ser que seja feito corretamente? Pode, mas não podemos ter a suspeição. Não podemos terminar umas eleições onde um lado não vai se satisfazer com o resultado. E olha que eu sou o chefe do Executivo. O que é normal seria o chefe do Executivo estar conspirando para permanecer no poder. Jamais farei isso. Entrego para qualquer um a faixa, mas tem que ganhar no voto transparente. Alguns falam: "Ah, o Bolsonaro, está fazendo isso porque está criando um clima, que vai perder."
Meu Deus do céu, se o Lula tem 45%, vamos dar transparência para ele ganhar no primeiro turno. Isso não é um desabafo, é um alerta à nação brasileira. Podia ter ficado quieto, como quase todos os meus ministros, me aconselham: "fique quieto, fique na tua, calma". Olha o que aconteceu agora, o 3 a 2. O que nós estamos vendo no dia-a-dia? É para ficar calmo? Vamos esperar acabar o jogo para pedir o VAR? Aqui tem gente que vai votar na esquerda, tenho certeza disso. É um direito teu, parabéns. Mas quem tem que ganhar a eleição é quem tem mais voto. E outra, se houver, se por acaso houver, vai haver só para presidente, ou não vai haver para outros cargos? Por que é que o TSE não fala o seguinte: "Presidente, deixa os técnicos das Forças Armadas virem aqui para dentro do TSE, conversar com o nosso pessoal, debater, e fazer com que não tenhamos quaisquer dúvidas no pleito eleitoral"?. Nada mais justo do que isso. Por que vivemos na incerteza? É um milagre eu estar aqui. Sobrevivi a uma facada. Um milagre minha eleição. Quem eu era? Eu não era nada dentro do Parlamento. Era mais um deputado do baixo clero que discursava para as paredes, como tantos outros discursam lá dentro. Resolvi vir candidato porque, me desculpe, deputado, eu cansei do Parlamento. Eu quero cuidar da minha vida. E falava durante a campanha: Eu tenho duas alternativas, praia ou Planalto. Me dei mal. Vim para o Planalto.
Mas eu entendo, aqui, Otoni, a gente que não podemos medir a fé. Não temos como ter uma fita métrica para isso. A fé está dentro de você. Ou você tem, ou você não tem. Eu aprendi uma coisa ao longo da minha vida. Sou católico, já li a Bíblia quando estava na fronteira. Naquele tempo, não tinha energia elétrica, não tinha celular. Então tinha mais tempo para a família, para ler a Bíblia. E o que eu aprendi? O que for possível fazer, que você faça. O que for impossível, bote nas mãos de Deus. Eu entendo que é dessa forma que devemos agir, e concluo mais uma vez: Não sou mais homem que nenhum dos homens que estão aqui. Somos iguais. Quando tiver um ponto final para cada um de nós, o nosso destino é o mesmo. Se ninguém enterrar, o urubu vai comer. Nada temeis, nem mesmo a morte, a não ser a morte eterna.
Parabéns a todos da secretaria pelo brilhante trabalho que fazem. Não queremos que pessoas, que está viva na memória de nós, voltem a ocupar o lugar que já ocupou a Damares e que ocupa atualmente a Cristiane.
Muito obrigado a todos vocês.
Conheça a posição de senadores e deputados sobre a Lei das Fake News - 07/04/2022
Percival Puggina
Esse projeto monstruoso que formaliza e oficializa a censura política, foi aprovado pelo Senado em 2020. Seu único intuito é o constrangimento e a restrição da comunicação entre os cidadãos. As redes sociais, já patrulhadas, limitadas e sujeitas à verificação de não se sabe quem, ainda persistem como único espaço disponível para a circulação de opiniões divergentes. Consorciados, os grandes grupos de comunicação, como cotidianamente evidenciam, deram-se as mãos numa homogeneidade fanática que acabou com o pluralismo.
As redes sociais são o quilombo da liberdade de opinião. E os capitães de mato nós sabemos quem são.
Ontem a Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de urgência para a tramitação do projeto naquele parlamento. Era necessária a aprovação do pedido por 257 deputados e a proposta do deputado Orlando Silva (PCdoB) conseguiu 249. Faltaram apenas oito votos para que a urgência fosse aceita e a proposta fosse levada ao plenário sem passar pelo crivo das comissões da Casa.
Como um assunto puxa o outro, fui consultar no Google como nossos congressistas votaram essa matéria. No Senado, ela foi aprovada pelos senadores relacionados abaixo. A lista completa com os votos de cada senador, foi divulgada pelo Congresso em Foco. Abaixo, relaciono os que tiveram a audácia de impor tais regras à nação. O voto dos deputados, sobre o pedido de urgência na Câmara, pode conhecido aqui, no Pleno News.
Senadores que votaram a favor da Lei das Fake News
Acir Gurgacz PDT RO SIM
Alessandro Vieira Cidadania SE SIM
Angelo Coronel PSD BA SIM
Antonio Anastasia PSD MG SIM
Carlos Fávaro PSD MT SIM
Chico Rodrigues DEM RR SIM
Cid Gomes PDT CE SIM
Ciro Nogueira PROGRES SIM
Confúcio Moura MDB RO SIM
Daniella Ribeiro PROGRES PB SIM
Dário Berger MDB SC SIM
Eduardo Braga MDB AM SIM
Eliziane Gama Cidadania MA SIM
Fabiano Contarato REDE ES SIM
Humberto Costa PT PE SIM
Irajá PSD TO SIM
Jader Barbalho MDB PA SIM
Jaques Wagner PT BA SIM
Jarbas Vasconcelos MDB PE SIM
Jayme Campos DEM MT SIM
Jean Paul Prates PT RN SIM
José Maranhão MDB PB SIM
Kátia Abreu PROGRES TO SIM
Lucas Barreto PSD AP SIM
Marcelo Castro MDB PI SIM
Marcos Rogério DEM RO SIM
Maria do Carmo Alves DEM SE SIM
Mecias de Jesus Republica RR SIM
Nelsinho Trad PSD MS SIM
Omar Aziz PSD AM SIM
Otto Alencar PSD BA SIM
Paulo Paim PT RS SIM
Paulo Rocha PT PA SIM
Randolfe Rodrigues REDE AP SIM
Rodrigo Pacheco DEM MG SIM
Rogério Carvalho PT SE SIM
Rose de Freitas Podemos ES SIM
Sérgio Petecão PSD AC SIM
Simone Tebet MDB MS SIM
Tasso Gereissati PSDB CE SIM
Telmário Mota PROS RR SIM
Veneziano Vital do Rêgo PSB PB SIM
Wellington Fagundes PL MT SIM
Weverton PDT MA SIM
José Serra e Renan Calheiros se abstiveram...
O QUE ESTÁ ACONTECENDO NAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS? - 05/03/2022
Brasil Paralelo, com comentário
Por que, justamente no ambiente onde mais deveria ser ESTIMULADO o debate, estão tentando IMPEDIR?
E por que exatamente quem mais se diz defensor da liberdade está querendo cercear a liberdade alheia?
Afinal, o que está acontecendo com (e nas) faculdades brasileiras?
Não é de hoje - é de mais de uma década - que o Brasil não avança nos rankings internacionais de educação, sempre ocupando uma posição entre as piores.
É baixo, muito baixo, nosso nível de aprendizado na educação básica.
E é claro que a conta desse aprendizado raso e deficiente, quando chega, é alta.
A maioria dos jovens chega à universidade com sua inteligência totalmente vulnerável.
Com o intelecto enfraquecido, são presas fáceis para doutrinadores ideológicos.
Não questionam, apenas aceitam o que lhes é imposto como verdade.
Com o conhecimento de base enfraquecido, acabam se tornando meros repetidores do que ouvem.
Nosso documentário O Fim da Beleza levou dois anos para ficar pronto.
Fomos buscar em outros países grandes especialistas no assunto, fizemos longas pesquisas, dedicamos milhares de horas para entregar um conteúdo rico.
A tese apresentada em três episódios traz um assunto sério e complexo, de forma simples (e bela) para o entendimento de todos. Apesar de profundo, não é algo que deveria se tornar o que se tornou nos últimos dias: polêmica.
Aliás, uma polêmica desmedida: (Aqui, a Nota do BP reproduz manifestação de redes sociais pedindo que estudantes protestem contra a exibição da recentíssima série O Fim da Beleza na UFPR).
Mas por que tudo isso?
Simples: Querem nos calar. Querem liberdade, desde que a nossa liberdade não invada a deles.
Aqueles que pregam o "mudanças e avanços" são os mesmos que flertam com o retrocesso.
Sim, porque censura é retrocesso.
Mas nós não vamos parar. Seguimos em frente com a nossa missão e convocamos você para apoiar o movimento que busca resgatar a cultura brasileira.
Querer cancelar nosso conteúdo é tudo, menos defender a liberdade. Faça a sua parte, torne-se Membro da Brasil Paralelo. A nossa liberdade é a sua também.
COMENTO
O Brasil Paralelo é a mais importante empresa do setor cultural nascida neste século no Brasil. Foi concebida com foco na alta cultura, sem recursos financeiros e com compromisso de não utilizar fundos estatais. Contava com apoio de um público que precisava construir. Tinha, portanto, tudo para dar errado, exceto pelo fato de estar fazendo a coisa certa, na hora certa.
Eu a vi nascer, aqui no Rio Grande do Sul. Hoje, contados apenas cinco anos do início de suas atividades, o Brasil Paralelo faz evidente que o serviço ao Bem é atividade tão incômoda quanto exitosa, suscita animosidade e admiração. Seus 280 mil membros assinantes compõem um número que rivaliza veículos tradicionais de comunicação e lhe permitiu alcançar 15 milhões de expectadores únicos em 2021. Em apenas cinco anos de existência o BP proporciona mais de 50 cursos, e já gerou mais de uma centena de produções originais.
Não falta quem os queira silenciar. Apoie o Brasil Paralelo. Dê força ao Bem.
ONDE CONDENADOS SÃO INOCENTES E OS INOCENTES SÃO OBJETO DE TODAS AS SUSPEITAS - 19/02/2022
Percival Puggina
O modo como os grandes grupos de comunicação noticiaram a transferência da presidência do TSE para o ministro Edson Fachin só se explica pela decadência de seu jornalismo. O antagonismo do ministro ao presidente da República e o emprego de chavões de nítida matriz ideológica já disponibilizariam vasto repertório a todo jornalismo ciente de sua missão.
Muito mais, contudo, foi servido e jogado às redes sociais como restolho desprezível. Enquanto o ato em si criava um clima de guerra aos que, em seu delírio, os ministros imaginam ser a síntese dos eleitores de Bolsonaro, o novo presidente da Corte eleitoral lascou: "Paz e segurança nas eleições com o máximo de eficiência e o mínimo ruído, é o que desejamos".
Sobre isso, Mara Montezuma Assaf escreveu:
“E quando foi que nas campanhas não tivemos paz e segurança? Somos um povo ordeiro, ministro, com exceção de uns bandos que tomam as avenidas para quebrar portas de vidro de bancos ou de lojas... mas essas manifestações passam por democráticas aos olhos da lei, não é? O senhor fala como se o período das campanhas eleitorais fosse o caos no Brasil. Não, ministro, nunca foi. Mas o que o senhor deseja mesmo com o "mínimo ruído possível", é nos amordaçar durante a campanha para que as redes sociais não bombem o nome de Bolsonaro ou as críticas justas aos outros candidatos”.
Boiada ainda maior passou acriticamente pela mesma porteira, sob olhos e ouvidos da mass media subalterna. Disse Fachin:
“Senhoras e senhores, em breve iniciaremos nossa gestão. E há robusto conjunto de desafios que encontraremos. Segurança cibernética, por exemplo, é um item essencial. Há riscos de ataques de diversas formas e origens. Tem sido dito e publicado, por exemplo, que a Rússia é um exemplo dessas procedências. O alerta quanto a isso é máximo e vem num crescendo. A guerra contra a segurança no cyber espaço da Justiça Eleitoral foi declarada faz algum tempo. Deixemos dito de modo a não pairar dúvida: violar a estrutura de segurança do Tribunal Superior Eleitoral abre uma porta para a ruina da democracia. Aqueles que patrocinam esse caos sabem o que estão fazendo para solapar o Estado de Direito”.
Deixo ao leitor a conclusão sobre o quanto essas palavras contradizem as arrogantes certezas do ministro Barroso.
De minha parte, como cidadão, preocupa-me ver o Tribunal enfrentando crescentes dificuldades geradas pelos seus próprios fantasmas e pela forma autoritária e politicamente alinhada como tem pretendido lidar com eles. É uma perspectiva em que os condenados são inocentes e os inocentes se tornam objeto de todas as suspeitas.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
CHINA: ARREMATANDO A EUROPA - 15/02/2022
Judith Bergman
- Impressionantes 40% dos 650 investimentos chineses na Europa entre os anos de 2010 e 2020, segundo Datenna (uma empresa holandesa que monitora os investimentos chineses na Europa), tiveram "alta ou moderada participação de empresas estatais ou controladas pelo Estado".
- Quando o presidente da Comissão de Assuntos Estrangeiros do parlamento britânico, Tom Tugendhat, escreveu que a compra pelos chineses da fábrica britânica de microchips Newport Wafer Fab "representava uma ameaça significativa para a economia e segurança nacional", o Secretário de Negócios do Reino Unido, Kwasi Kwarteng respondeu que o negócio tinha sido "considerado tim-tim por tim-tim". Somente após uma considerável pressão, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson concordou em realizar uma reavaliação de segurança nacional em relação à venda.
- Sistemas eficientes destinados a bloquear investimentos estrangeiros com base em apreensões de segurança nacional parecem não existir ou simplesmente não estarem sendo utilizados o suficiente.
- As "mais rigorosas estruturas de monitoramento" indubitavelmente não estão contendo as aquisições chinesas.
- O que ao que tudo indica ser urgentemente necessário na Europa agora é uma compreensão mais aprofundada da ameaça que a China representa, bem como a vontade política de agir frente a esta ameaça. A tomada de medidas é urgentemente necessária para que se bloqueie dar de mão beijada investimentos que proveem os ativos estratégicos da Europa para as empresas estatais da China, que o Partido Comunista Chinês usa para promover seus objetivos Por mais de uma década, a China vem comprando sorrateiramente empresas europeias de setores estratégicos, principalmente no âmbito da tecnologia e energia. Ao que tudo indica, a China está fazendo uso desses bens europeus no sentido de facilitar as ambições do Partido Comunista Chinês (PCC) de se tornar uma potência global, tecnologicamente independente do Ocidente e, em última análise, suplantar os EUA como a superpotência econômica, política e militar do planeta.
A China vem acobertando as aquisições europeias, ostensivamente fazendo de conta que são investimentos comerciais. Ela oculta as empresas estatais envolvidas nos investimentos atrás de "níveis de propriedade, complexas estruturas acionárias e negócios executados por meio de subsidiárias europeias", de acordo com a Datenna, uma empresa holandesa que monitora os investimentos chineses na Europa. Impressionantes 40% dos 650 investimentos chineses na Europa entre os anos de 2010 e 2020, segundo Datenna, tiveram "alta ou moderada participação de empresas estatais ou controladas pelo Estado, incluindo algumas de tecnologia avançada".
(Leia mais em https://pt.gatestoneinstitute.org/18235/china-arrematando-europa). 14/02/2022
** Original em inglês: China: Buying Up Europe
**Tradução: Joseph Skilnik
SUICÍDIO MULTICULTURAL DA ALEMANHA - 07/01/2022
Giulio Meotti
Em 6 de Janeiro de 2022
- Vou continuar tendo uma postura crítica àqueles... que usam a estrutura liberal e a tolerância da constituição para impor visões totalitárias do estado que minam as normas do Estado de Direito usando doutrinação antiocidental...Não vou adaptar a minha visão de liberdade de expressão... 'Todos têm o direito de expressar livremente sua opinião desde que não seja contrária à lei da Sharia." Ralph Giordano, FAZ.net.
- Depois que uma barragem se rompe, é um salve-se quem puder para ver quem cede mais rápido.
- A cidade também está mudando o nome de suas praças para dar espaço ao Islã. "Moscheeplatz" ("Praça da Mesquita"), nome almejado pelo prefeito Marcel Philipp, acordado com o Departamento de Assuntos Religiosos da Turquia...
- A despeito disso, diz-se que a "Grande Substituição" e a islamização da Europa não passam de teorias da conspiração. Será que realmente estamos cientes de como será a Europa do amanhã?
A hegemonia do Ocidente acabou,"ressaltou recentemente o presidente turco Recep Tayyip Erdogan. "Durou séculos, mas já era".
Concomitantemente, as mesquitas da cidade de Colônia, a quarta maior cidade da Alemanha, obtiveram licença para transmitir todas as sextas-feiras o chamado às orações pelos sistemas de alto-falantes dos minaretes.
"Muitos residentes de Colônia são muçulmanos", salientou a prefeita Henriette Reker, "e na minha opinião é um sinal de respeito permitir a chamada do muezim (encarregado que chama os muçulmanos às orações do alto dos minaretes)."
Para outros, o chamado muçulmano às orações representa o mesmo grito de conquista que os cristãos do Oriente Médio e da África ouvem cinco vezes todos os dias e todas as noites nas portas das igrejas e casas. Agora é a vez da Alemanha.
Há dezesseis anos, o Papa Bento XVI fez sua primeira visita papal à cidade de Colônia. Ele convidou os jovens da Europa a voltarem às suas raízes numa peregrinação ao túmulo dos Reis Magos. Um ano depois, em Regensburg, ele soou o alerta em relação à violência intrínseca do Islã. Colônia agora virou o palco onde a Alemanha acabou de assinar a rendição ao Islã político.
O jornalista Daniel Kremer, escreveu no jornal Bild, lembrando que muitas das mesquitas de Colônia são financiadas pelo governo turco e administradas por Erdogan, "um sujeito que se opõe aos valores liberais de nossa democracia" e salientou:
"é errado equiparar os sinos da igreja ao chamado para a oração. Os sinos representam um sinal sem palavras que também ajuda a dizer as horas. Mas o muezim grita 'Alá é Grande!' e 'eu atesto que não há outro Deus a não ser Alá.' É uma enorme diferença."
Os sinos das igrejas não proclamam que o deus cristão é o único deus e que Jesus é seu filho.
Ahmad Mansour, especialista em integração, também refutou a posição da prefeita Recker. "Não se trata de 'liberdade religiosa' ou 'diversidade', como quer fazer crer a prefeita Reker," ressaltou Mansour. "A mesquita quer visibilidade. O muezim é uma demonstração de poder".
No ano passado, um tribunal da cidade de Münster deliberou que uma mesquita local seja autorizada a realizar o chamado às orações em público na sexta-feira pelo sistema de alto-falantes. A mesquita é administrada pela União Turco-Islâmica para Assuntos Religiosos (DITIB). Sendo a maior organização pai de mesquitas da Alemanha, a DITIB providencia imãs e financiamento, além de administrar cerca de 900 mesquitas na Alemanha, contando com aproximadamente 800 mil membros.
Pouco depois da decisão, o governo estadual de Hesse deliberou que as chamadas do muezim para as orações por meio dos alto-falantes da minarete estão autorizadas sem a necessidade de licença.
Oito das 100 cidades mais populosas da Alemanha, observou a revista Der Spiegel, já deram luz verde para a transmissão de chamadas islâmicas para orações em público. Em Düren, a mesquita turca Fatih chama os fiéis para as orações três vezes ao dia. A professora de etnologia Susanne Schröter, da Universidade Goethe em Frankfurt, esclarece que os muçulmanos veem as chamadas para as orações como triunfo do "Islã forte" em cima do "cristianismo fraco" e, ao que tudo indica, acompanhado pelo anseio do crescente islâmico substituir as estrelas da União Europeia.
"Será que o chamado do muezim será ouvido em toda a Alemanha?" perguntou o Bild, jornal de maior circulação da Alemanha. O chamado do muezim já pode ser ouvido em Munique. Desde abril de 2020, cinco mesquitas estão transmitindo o chamado às orações pelo sistema de alto-falantes. "A chamada do muezim não necessita licença," ressaltaram as autoridades de Hanover, onde há 27 mesquitas. "Lembra o som dos sinos das igrejas, da liberdade da prática religiosa que é protegida pela constituição".
Uma resposta na mesma linha veio de Dresden: "nós nos vemos como uma sociedade urbana diversificada e cosmopolita".
De Frankfurt, domicílio de uma mesquita que acomoda até 6 mil fiéis, o prefeito declarou: "a lei não prevê a necessidade de licença para a oração do muezim, a exemplo dos sinos das igrejas".
Cidades como Dortmund, Hamm, Siegen, Düren e Oldenburg também permitiram que mesquitas transmitissem o chamado islâmico à oração por intermédio do sistema de alto-falantes. Em Nuremberg, sede de uma dozena de mesquitas, permitir a chamada do muezim aparentemente "não é nenhum problema".
O ex-presidente do Tribunal Constitucional da região do Reno, Norte da Westphalia, Michael Bertrams,fala de um "triunfo político" do presidente da Turquia, já Hamed Abdel-Samad, um sociólogo que vive protegido por seguranças armados por conta de ameaças de morte dos islamistas, meteu o dedo na ferida:
"o chamado às orações começa com 'Allahu Akbar', também é o grito de guerra dos muçulmanos. Isso significa que Alá é o maior. Maior que o inimigo, maior que o povo, maior que a vida, maior que a Alemanha, maior que tudo. E como ele é maior que tudo, ao fim e ao cabo só vale a sua lei, a sharia".
Malte Kaufmann, membro do Bundestag escreveu:
"doravante, em todas as sextas-feiras em Colônia, 'não há outro deus a não ser Alá!' Mas a islamização não deveria tomar forma na Alemanha... Estamos alertando há anos! O clamor do muezim é uma asseveração de poder. Passo a passo, o Ocidente cristão está sendo traído".
"A história da Mesquita Central de Colônia documenta a ingenuidade das autoridades alemãs no trato com as organizações islâmicas", relata da Suíça o Neue Zürcher Zeitung, o jornal no idioma alemão mais antigo da Europa.
"Antes do início da construção, a Associação Turca prometeu ao então prefeito de Colônia, Fritz Schramma, que os sermões seriam realizados em alemão e que a mesquita se tornaria um ponto de encontro de membros de diferentes religiões. O ex-prefeito, um dos maiores patrocinadores da mesquita, não foi convidado para a inauguração. Eles queriam construir uma casa para encontros interculturais nos quais o Islã fosse pregado em alemão. No estado de espírito de Erdogan, foi criado um centro nacionalista islâmico. Depois dessa chicana, quem acredita que o muezim vai parar por cinco minutos sequer está sendo embalado no mundo dos contos de fadas ".
O que dá a impressão é que há uma atmosfera infantil, gritantemente aberta de capitulação. "Quem diz sim aos campanários também deve dizer sim aos minaretes", disse o Cardeal Rainer Maria Woelki, arcebispo de Colônia. Parece que as igrejas alemãs estão cometendo suicídio. A arquidiocese de Colônia, a maior da Alemanha e uma das mais ricas do mundo, planeja reduzir suas paróquias de 500 para 50 até 2030. Em Colônia, Erdogan veio para a inauguração da maior mesquita e foi recebido pela chanceler alemã Angela Merkel, filha de um pastor prussiano. Este gesto de boa vontade não impediu o presidente turco, em 2020, de transformar a grande basílica bizantina de Hagia Sophia em mesquita. A Igreja Católica de São Teodoro em Colônia até contribuiu para a islamização da cidade ao financiar a mesquita, em nome de algum quimérico diálogo inter-religioso.
Ralph Giordano, escritor judeu que escapou do Holocausto, criticou a decisão de Colônia, o "islã político" e a "megalomania da grande mesquita", é ao seu ver "uma espécie de declaração de guerra". Em um artigo para o jornal FAZ, Giordano escreveu:
"Vou continuar tendo uma postura crítica aos imãs que usam a estrutura liberal e a tolerância da constituição para impor visões totalitárias do estado que minam as normas do Estado de Direito usando doutrinação antiocidental para incutir a lei da Sharia..."
"Quero ter o direito de dizer que não quero ver burcas ou xadores nas ruas alemãs, assim como não quero ouvir os chamados dos muezins dos minaretes. Também não vou adaptar a minha visão de liberdade de expressão a um demônio que a interpreta da seguinte forma: todos têm o direito de expressar livremente sua opinião desde que não seja contrária à lei da Sharia'. Não e três vezes não!".
Depois que uma barragem se rompe, é um salve-se quem puder para ver quem cede mais rápido. Até o chefe da Chancelaria Alemã, Helge Braun, que ao que consta gostaria de se tornar o líder do partido CDU de Angela Merkel, se manifestou favorável que as mesquitas transmitissem a chamada às orações.
Em Aachen, cidade do imperador Carlos Magno e sua maravilhosa catedral e seus arredores, o chamado do muezim não só se sente em casa. A cidade também está mudando o nome de suas praças para dar espaço ao Islã. "Moscheeplatz" ("Praça da Mesquita") é o novo nome de uma praça pública em Aachen. Evidentemente, trata-se da mudança almejada pelo prefeito Marcel Philipp, que de acordo com a DITIB turca salientou: "estou muito contente na qualidade de prefeito por termos uma Praça da Mesquita", ressaltou o prefeito.
Em 11 de novembro, o muezim chegou em Raunheim, uma cidade nos arredores de Frankfurt, a primeira em Hesse a permitir oficialmente orações por meio de alto-falantes todas as sextas-feiras e, durante o Ramadã, todos os dias antes da oração antes do pôr do sol.
"O princípio da equanimidade também se aplica à religião numa sociedade democrática", explicou o prefeito Thomas Jühe. E também há a questão demográfica: 70% da população de Raunheim é formada por migrantes. "Aqui há mais muçulmanos do que cristãos", enfatizou Jühe.
A despeito disso, diz-se que a "Grande Substituição" e a islamização da Europa não passam de teorias da conspiração. Será que realmente estamos cientes de como será a Europa do amanhã?
Em uma entrevista com Boulevard Voltaire, Thilo Sarrazin, ex-presidente do banco central da Alemanha e autor de dois best-sellers sobre multiculturalismo e islã que sacudiu o debate na Alemanha, diz que a decisão de Colônia está perfeitamente alinhada com o futuro demográfico da Alemanha:
"se esta a tendência não esfriar, a população alemã, chegará ao fim nos próximos 100 anos. No último capítulo do Germany is Disappearing, esbocei o rumo que a situação tomará nos próximos anos... A decisão de Colônia não me surpreende em nada. Corresponde à minha imagem de como as coisas vão evoluir nesta área. Na França, descobri que Michel Houellebecq diz o mesmo em seu livro Soumission".
Até os dois principais jornais do establishment alemão criticaram a crescente tendência.
O Frankfurter Allgemeine Zeitung tomou partido contrário à decisão de Colônia de autorizar a oração do muezim em 50 mesquitas da cidade. Ronya Othmann escreveu:
"contrastando com o Adhan, a chamada islâmica às orações, o badalar dos sinos é apenas um som, não uma mensagem. 'Tolerância' é uma palavra como 'diversidade' e 'respeito', um chiclete velho mascado até não ter mais gosto. Se Erdogan acarpetou aldeias Alevis e Yazidi com mesquitas e as fez ressoar a fé islâmica cinco vezes por dia, é um ato de submissão islamista e não podemos permitir que isto aconteça em Colônia".
O jornal Süddeutsche Zeitung de Munique também foi duro:
"o chamado às orações não é novidade na Alemanha. Ele já é ouvido em dezenas de cidades há muito tempo. O Ocidente Cristão, se é que ainda existe, não cairá de sopetão. Mas Recep Tayyip Erdo?an uma vez citou um poema: 'minaretes são baionetas, cúpulas são capacetes,... crentes são soldados. Uma coisa é inegável: o islamismo está em ascensão há décadas. A ascensão ao poder do Talibã no Afeganistão é saudada pelos islamistas como triunfo abençoado com o poder da fé. Então a transformação de Hagia Sophia em mesquita... Isso pode ter pouco a ver com as ideias e pensamentos da maioria dos muçulmanos na Alemanha. Mas para um islamista, o Adhan é a confirmação diária do mandato político".
Agora temos música alta ecoando de uma tenda acima da Willy-Brandt-Platz de Leipzig, enormes banners verdes com letras em árabe e jovens distribuindo panfletos aos transeuntes. O Bild nos diz que o aniversário de Maomé está sendo comemorado em uma grande cidade alemã. Se a França é o país da agressão islamista, a Alemanha é o país da rendição. O Pew Research Center estima que em 2050, a população muçulmana da Alemanha atingirá 17,5 milhões, 20% da população. Hoje ela é de apenas 8%. A "cidade dos Três Magos" será renomeada de "cidade dos muezins"?
"Prepare-se para o muezim diário..."alertou Henryk Broder no jornal Die Welt. "Já é uma realidade em Estocolmo, Londres, Bruxelas e Amsterdam... "
* Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.
** Original em inglês: Germany's Multicultural Suicide
*** Tradução: Joseph Skilnik
**** Publicado originalmente em https://pt.gatestoneinstitute.org/18106/suicidio-multicultural-alemanha
VACINAÇÃO OBRIGATÓRIA PODE ABRIR CAMINHO PARA OUTRAS POLÍTICAS SOCIAIS COERCITIVAS: DR. AARON KHERIATY - 06/01/2022
Ella Kietlinska e Joshua Philipp, em Epoch Times
Segundo o Dr. Aaron Kheriaty, ex-professor de psiquiatria e diretor do Programa de Ética Médica da Universidade da Califórnia, Irvine (UCI), uma vez que a vacinação obrigatória é introduzida na sociedade e as pessoas se acostumam a mostrar seu certificado de vacina COVID-19 para participar da vida social, as autoridades podem usar essa infraestrutura para outras políticas coercitivas,
A vacinação obrigatória anula o direito de fornecer consentimento informado quando se trata de intervenção médica, não permitindo que pacientes ou pais de crianças tomem suas próprias decisões a esse respeito, disse Kheriaty, que foi recentemente demitido de seu cargo na UCI por contestar a política de vacinação contra COVID-19 na Universidade.
Para muitas pessoas, mostrar um comprovante de vacinação para poder viajar, ir a um restaurante, uma arena esportiva, comprar comida ou fazer outras coisas pode parecer trivial, pois tomar a vacina COVID-19 faz com que alguns se sintam mais seguros, especialmente aqueles que são mais velhos ou têm comorbidades, disse Kheriaty ao programa “Crossroads” da EpochTV.
No entanto, “uma vez que a infraestrutura está pronta, e as pessoas se acostumaram, isso se tornou normal. Essa infraestrutura pode ser facilmente usada para todos os outros fins”, disse o especialista em ética, chamando-a de “um desenvolvimento muito nefasto”.
Não há vacinas esterilizantes para COVID-19, pois os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) admitiram que essas vacinas não impedem a infecção e a transmissão, ao contrário da imunidade natural, continuou Kheriaty.
De acordo com o CDC, “as pessoas vacinadas ainda podem ser infectadas e têm o potencial de espalhar o vírus para outras pessoas, embora a taxas muito mais baixas do que as pessoas não vacinadas”.
“É por isso que a ética tradicional de consentimento livre e informado é tão importante manter com essas intervenções”, disse Kheriaty.
Outra consequência da vacinação obrigatória sem consentimento informado é “o problema de as pessoas se acostumarem com as coisas sob o pretexto de uma emergência de saúde pública ou em uma situação na qual foram submetidas a propaganda que induz ao medo por dois anos, [e] aceitando coisas que eles nunca teriam aceitado em circunstâncias normais ”, observou ele.
“Estou muito preocupado com o uso das liberdades civis comuns como incentivos e castigos para fazer as pessoas se comportarem da maneira que as autoridades de saúde pública querem que você se comporte”, continuou Kheriaty.
“Lançar isso com uma vacina que muitas pessoas queriam faz com que pareça mais benigno e inócuo do que realmente é. … Isso concentra muito poder nas mãos, não apenas de funcionários do governo, mas também de pessoas com interesses econômicos que podem querer nos empurrar nessa ou naquela direção. ”
Por exemplo, quem está no poder pode usar essa infraestrutura para desligar a capacidade de uma pessoa de comprar gasolina porque a pegada de carbono dessa pessoa é muito alta, disse o ex-professor.
A nova tecnologia avançada, especialmente a tecnologia do smartphone, que permite rastrear onde as pessoas estão e se estão próximas a outras pessoas, foi "ligada a objetivos médicos e de saúde pública de maneiras que são novas" e não era vista há 10 a 15 anos atrás, disse Kheriaty.
Nos últimos 10 anos, os governos se envolveram no tipo de cenários de planejamento de pandemia que envolveram não apenas médicos e epidemiologistas tentando encontrar a melhor resposta à gripe, gripe aviária ou outros surtos, mas também muitas vezes envolveram agências de segurança, como a CIA ou aspectos dos militares, ele explicou.
“Sob o pretexto de [uma] emergência de saúde pública, houve uma enorme mudança de poder durante a pandemia e, na verdade, uma enorme mudança para cima da riqueza durante a pandemia que considero muito preocupante”.
O especialista em ética médica está particularmente preocupado com a falta de definição do que constitui uma emergência de saúde pública. O governo federal ou os governos estaduais prorrogaram o estado de emergência a cada 90 dias nos últimos dois anos, mas os critérios para determinar o que é uma emergência de saúde, como o número de casos, o número de hospitalizações, percentual da população infectada, ou outros métricas nunca foram definidas, ele explicou.
“[Isso] significa que não temos como saber quando a emergência acabou... Tipos comuns de proteção e limites constitucionais comuns foram colocados de lado por dois anos, e não sabemos, e não temos nenhuma medida para saber quando isso vai parar. ”
“Isso me parece altamente problemático apenas de uma perspectiva social e política, porque significa que essas pessoas receberam poderes enormes. Quero dizer, nunca antes em minha vida os governadores exerceram tanto poder sobre aspectos muito pessoais e íntimos de nossas vidas. ”
“Cidadãos comuns, pessoas comuns ao redor do mundo, eu acho, precisam começar a exigir de seus líderes definições claras, limites claros sobre quem pode declarar este estado de emergência, por quanto tempo ele pode durar.”
Conflito de interesses
A pesquisa científica é frequentemente financiada pelo governo federal, explicou Kheriaty, acrescentando que agências como o National Institutes of Health, o CDC, a Food and Drug Administration (FDA), todas reportando ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS) “tornaram-se estreitamente alinhadas ao longo dos anos, com os interesses das empresas farmacêuticas de formas muito concretas e tangíveis”.
Por exemplo, o NIH “projetou e fez os testes clínicos para a vacina Moderna e, na verdade, copossui a patente da vacina Moderna”, disse o especialista em ética.
Os dólares do contribuinte foram usados ??como subsídios para financiar estudos científicos e o desenvolvimento da vacina, disse Kheriaty observando que "como o [NIH] tem copropriedade dessas patentes, eles lucram quando a vacina é vendida".
“Para mim, seria um claro conflito de interesses”, acrescentou.
O FDA autoriza o uso da vacina e o CDC faz a recomendação sobre como usar a vacina, disse Kheriaty. “E essas recomendações são normalmente traduzidas hoje em dia em vacinação obrigatória.”
O Epoch Times entrou em contato com o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, Institutos Nacionais de Saúde, CDC, FDA e Moderna para comentários.
Um assessor de imprensa do FDA disse em um e-mail para o Epoch Times que “o FDA não exige vacinações. Se um estado, governo local ou empregador, por exemplo, pode exigir ou exigir a vacinação contra COVID-19 é uma questão de estado ou de outra lei aplicável”.
“A outra questão importante é que as empresas farmacêuticas são totalmente indenizadas contra qualquer responsabilidade pelas vacinas”, disse Kheriaty.
Como resultado, os medicamentos passam por testes de segurança mais rigorosos do que as vacinas, porque os fabricantes de produtos farmacêuticos são os únicos responsáveis ??por quaisquer danos causados ??por um medicamento, observou ele.
“[As empresas farmacêuticas] convenceram o governo federal, há vários anos, de que as vacinas não eram suficientemente lucrativas e os custos de pesquisa e desenvolvimento eram muito altos se fossem responsáveis ??por danos.”
Outra maneira pela qual as empresas farmacêuticas podem exercer influência indevida sobre a opinião pública é a publicidade direta de produtos farmacêuticos aos consumidores, disse Kheriaty.
Ele foi originalmente proibido pela lei federal, então as empresas farmacêuticas costumavam comercializar seus produtos apenas para médicos, explicou ele. No entanto, essa lei foi alterada no final dos anos 90 para permitir que as empresas farmacêuticas anunciassem seus medicamentos diretamente aos pacientes, o que deu a essas empresas influência sobre muitos meios de comunicação e redes de TV, acrescentou.
“Para que os interesses econômicos não ultrapassem os interesses da saúde pública, provavelmente precisamos de algumas das proteções antigas em vigor que foram reduzidas nas últimas duas décadas. E precisamos de uma separação mais rígida entre as agências encarregadas de regulamentar as empresas farmacêuticas e seus produtos e as próprias empresas”, concluiu Kheriaty.
Ele também aconselhou as pessoas a buscarem muitas fontes diferentes de informação, avaliá-las cuidadosamente e pensar sobre sua credibilidade.
“Embora seja verdade que você pode não ser um virologista, ou pode não ser um epidemiologista, você é um ser humano racional que pode reconhecer uma contradição aberta, que pode reconhecer quando algo é completamente ilógico e não faz sentido . ... Então, uma suspeita saudável de um especialista que não está disposto a explicar as coisas, citar evidências, responder perguntas, acho que é saudável para as pessoas comuns nos dias de hoje. ”
“Acho que todos precisam realmente examinar suas próprias convicções e se perguntar: ‘Ok, onde está minha linha na areia?’”.
* Ella Kietlinska é repórter do Epoch Times em Nova York.
** Joshua Philipp é um repórter investigativo premiado do Epoch Times e apresentador do programa "Crossroads" da EpochTV. Ele é um especialista reconhecido em guerra irrestrita, guerra híbrida assimétrica, subversão e perspectivas históricas sobre as questões de hoje. Seus mais de 10 anos de pesquisas e investigações sobre o Partido Comunista Chinês, subversão e tópicos relacionados lhe dão uma visão única da ameaça global e do cenário político.
*** Texto original de 5 de janeiro de 2022, em Epoch Times
PROJETO DE LEI VISA À DESCRIMINALIZAÇÃO DO FURTO DE ALIMENTOS - 23/12/2021
Percival Puggina
Leio na IstoÉ
Com 27 milhões de pessoas em situação de miséria no País e com poucas condições de se alimentar, segundo dados oficiais da FGV, a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) tomou uma atitude polêmica na prerrogativa do cargo. Apresentou um projeto de lei que, em suma, descriminaliza o furto de alimentos.
O PL 4540/2021, recém protocolado na Mesa da Câmara dos Deputados, prevê alteração do Código Penal e a descriminalização do ato de furto de alimentos por fome. O novo texto do Artigo 155 apresentado prevê os termos “furto por necessidade” e “furto insignificante” – com punição leve, apenas de multas, a depender do caso.
Hoje, pela lei, o furto ou roubo de alimentos é passivo de punição criminal – em casos pequenos e corriqueiros, se comprovada a extrema necessidade de alimentação, cabe ao(a) juiz(a) sentenciar ou não pena leve ou perdão. Até no STF há ministros que já sentenciaram a insignificância de ocorrências similares.
Mas o projeto já causa polêmica entre deputados da base e até da oposição – e entre internautas. No portal da Câmara, no link para o projeto, 96% dos votantes já se dizem contra até este momento. O texto ainda prevê que não há crime em caso de reincidências. A proposta está na mesa do presidente Arthur Lira para despacho para tramitação às comissões da Casa.
Comento
Quando começou a circular a informação de que na Califórnia estava descriminalizado o furto até um determinado valor, imediatamente pensei que, em breve, teríamos alguma proposta nesse sentido sendo apresentada no Brasil.
Nossos “progressistas” da esquerda não têm uma única ideia original. Menos ainda alguma que se aproveite. Mas são ágeis em copiar bobagens alheias. E, como se vê, foi o caso e a iniciativa partiu de sua mais provável fonte.
Parece generoso pensar na pessoa que está com fome e determinar que o Estado lhe conceda o direito de furtar alimentos. Mas não pensar nas consequências disso sobre milhares de pequenos negócios que se poderão inviabilizar com a difusão de tal prática é irresponsabilidade. Na Califórnia, grandes redes mudaram-se para outros Estados devido à onda de furtos acelerada com a adoção de políticas tolerantes adotadas para prevenir a “superlotação dos presídios”, etc., etc,, etc..
De novo, tudo lhe soa repetitivo, não? Contudo, nada disso foi daqui para lá, mas trazido de lá pelos papagaios daqui, a serviço de uma causa ideológica.
Ademais, iniciativas dessa natureza inibem o princípio da subsidiariedade, segundo o qual caberia prioritariamente às comunidades se organizarem para enfrentar o problema dos famélicos. Que iniciativas nesse sentido se inspirem no clima de Natal, entendam o mandamento do amor ao próximo e esqueçam leis e legisladores que estimulem a delinquência.
PEC DA BENGALA: QUEM CRIOU, PORQUE CRIOU E QUEM NÃO QUER ACABAR COM ELA. - 25/11/2021
Percival Puggina
Em 2015, primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff, interessou ao governo a aprovação de uma PEC que postergava, dos 70 para os 75 anos de idade, a aposentadoria dos ministros dos tribunais superiores. Havia dez anos que essa proposta, apresentada pelo senador Pedro Simon, passeava pelas comissões e arquivos até que o governo interessou-se por ela. Na prática, assegurava longa vida à densa maioria petista na composição do STF. As consequências são bem conhecidas e o Supremo se transformou no que se sabe.
Por mais que o jornalismo militante queira negar, a PEC da Bengala, se não teve motivação oportunista e casuísta quando apresentada originalmente em 2005, a sua aprovação uma década mais tarde foi, sim, casuísta e oportunista. Ela se revelou muito conveniente ao petismo e aos partidos de esquerda que a aprovaram e agora querem, por igual motivo, rejeitar sua revogação.
Com o retorno ao texto original da Constituição de 1988, o atual governo poderá indicador outros dois novos nomes em substituição dos atuais ministros Ricardo Lewandowski e Rosa Weber. Afirmar que a revogação é casuísta e que a aprovação da PEC em 2015 não foi é conversa de botequim. Tudo que envolve o Supremo e sua composição é obrigatoriamente casuísta, porque ninguém é bobo nesse jogo.
No numeroso plenário da CCJ da Câmara dos Deputados, onde todas as bancadas estão representadas, a revogação da PEC foi aprovada por 35 votos a favor e 24 votos contrários. Somente no PSL houve unanimidade a favor. Já as bancadas de esquerda (PCdoB, PT, PSOL, PSB) foram unânimes no voto contra. E mesmo assim perderam.
Tal constatação torna evidente quem se considera plenamente atendido e satisfeito com a atual composição do Supremo Tribunal Federal, inclusive como “poder moderador” da República, sem convite, sucessão dinástica ou voto.
UM CONGRESSO DE FRITAR BOLINHO - 21/11/2021
Percival Puggina
"O STF não é autoridade suprema sobre todos os poderes, nem sobre o Brasil. A democracia representativa prevista no primeiro artigo da nossa carta magna precisa ser respeitada por todos os poderes, principalmente pelo STF. E cabe a esta Casa, cabe ao Senado Federal, sair desse processo de omissão, de covardia e buscar meios para frear as tendências tirânicas desse jocoso poder moderador, fazendo valer o desenho de poderes previstos na nossa Constituição." (Deputada Federal Mara Rocha, falando da tribuna, no último dia 18 de novembro)
A fala do ministro Dias Toffoli, em Lisboa, sobre o exercício do poder moderador pelo Supremo, objeto de meu artigo do dia 19, provocou pronunciamento da deputada, jornalista Mara Rocha. Dele, extraí o trecho acima. Manifestação, aliás, mais do que necessária. Todo parlamentar com brio, na Câmara e no Senado, deve reagir igualmente e deve cobrar do próprio poder um freio ao protagonismo e às pretensões hegemônicas do STF.
A conduta que a parlamentar identifica como tirana confronta as entusiásticas louvações que ministros do Supremo fazem a si mesmos dizendo defenderem a democracia e manietam a liberdade.
Tanto o dito pelo ministro, quanto o feito por seus pares ao longo destes últimos anos seria gravíssimo, se o exercício desse poder fosse de uma imparcialidade indubitável. Mas não é! Não há um exemplo útil para essa prova. Toda a ação mira o governo e os governistas.
Portanto, salvo medidas urgentes, urgentíssimas, a serem adotadas nos próximos dias, somos representados por um Congresso de fritar bolinho, que não se dá o respeito e não se faz respeitar. E os motivos para tal são ainda mais vergonhosos do que essa conduta desfibrada que fere como lâmina cortante a alma nacional.
TRIBUNAL FEDERAL BLOQUEIA VACINAÇÃO OBRIGATÓRIA NAS EMPRESAS DOS EUA - 07/11/2021
Zachary
Um Tribunal Federal de Apelações (equivalente a um dos nossos TRF) bloqueou no sábado o mandato da vacina COVID-19 do empregador privado da administração Biden, afirmando que pode haver questões constitucionais envolvidas.
"Como as petições dão motivos para acreditar que há graves questões estatutárias e constitucionais com o mandato, o mandato fica PERMITIDO enquanto se aguarda uma ação adicional por este tribunal", disse um painel do Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Quinto Circuito no pedido breve.
A suspensão do mandato, que foi revelada esta semana, é temporária à medida que prossegue o julgamento do caso apresentado por várias empresas, incluindo a American Family Association; vários indivíduos; e vários estados, incluindo Texas, Utah e Mississippi.
Os peticionários disseram que o mandato, promulgado como um Padrão Temporário de Emergência (ETS) pelo Departamento de Administração de Segurança e Saúde Ocupacional do Trabalho (OSHA), deve ser anulado porque excede a autoridade da OSHA sob a Lei de Segurança e Saúde Ocupacional.
Eles disseram que a autoridade é limitada aos perigos relacionados ao local de trabalho, enquanto o risco do COVID-19 é "um perigo para toda a sociedade". Eles também disseram que o mandato não faz sentido porque determinar se COVID-19 é um risco no local de trabalho depende da idade e saúde dos funcionários, não de quantos colegas de trabalho eles têm.
“Em uma tentativa de impor um mandato de vacinação em todo o país sem a aprovação do Congresso, o poder executivo expressou seu mandato de vacina COVID-19 como uma regra de emergência no local de trabalho afetando quase 100 milhões de americanos. Mas o ETS não é uma regra para o local de trabalho nem responde a uma emergência”, escreveram os advogados dos peticionários em uma moção de emergência pedindo ao tribunal que impusesse uma suspensão.
“A condição de vacinação é um problema de saúde pública que afeta as pessoas em toda a sociedade; não é um perigo específico para o local de trabalho. E não há necessidade de usar uma regra de emergência para lidar com uma pandemia que já dura quase dois anos. O Congresso não concedeu à OSHA tais poderes abrangentes em seu estatuto de autorização”, acrescentaram.
Funcionários do governo disseram, nos últimos dias, que estão confiantes de que a regra da OSHA vai resistir à enxurrada de contestações legais que foram apresentadas depois que foi tornada pública. O procurador do trabalho, Seema Nanda, disse ao Epoch Times, em uma declaração enviada por e-mail, que a administração está preparada para defender o mandato em tribunal.
“O Departamento de Trabalho dos EUA está confiante em sua autoridade legal para emitir o padrão temporário de emergência sobre vacinação e teste. A Lei de Segurança e Saúde Ocupacional dá explicitamente à OSHA a autoridade para agir rapidamente em uma emergência onde a agência descobrir que os trabalhadores estão sujeitos a um perigo grave e um novo padrão é necessário para protegê-los”, disse ela.
Brandon Trosclair, um peticionário que emprega quase 500 pessoas em supermercados em Louisiana e Mississippi, disse em um comunicado que a decisão é "uma incrível primeira vitória para todos os americanos", acrescentando que o tribunal de apelação "rapidamente percebeu que o mandato da vacina do empregador Biden causaria grande dano a empresas como a minha.”
“A ação do tribunal não apenas impede Biden de seguir em frente com seu exagero ilegal, mas também exige a revisão judiciosa que buscamos. O presidente não imporá procedimentos médicos ao povo americano sem os freios e contrapesos proporcionados pela Constituição ”, acrescentou o procurador-geral da Louisiana, Jeff Landry, um republicano e um dos peticionários.
O painel do tribunal de apelações consistiu do juiz Stuart Kyle Duncan, indicado a Trump; A juíza Edith Jones, indicada por Reagan; e o juiz Kurt Engelhardt, indicado a George W. Bush.
A administração Biden foi ordenada a apresentar uma resposta à moção dos peticionários para uma liminar permanente até às 17h00 na segunda-feira e apresentar uma resposta a outros documentos do tribunal peticionário até às 17h00 na terça-feira.
* Zachary Stieber é repórter de Epoch Times.
GIGANTESCA EDIFICAÇÃO NUCLEAR NA CHINA - 12/10/2021
China Arma-se até os dentes.
Judith Bergman,
10 de Outubro de 2021
Quando a "China é 'Intocável' em Termos de Poderio Militar"
A China está multiplicando significativamente seu potencial de armamentos nucleares. Recentemente inúmeros relatórios mostraram que a China está construindo 120 silos de mísseis para armazenamento de mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs) perto de Yumen em Gansu, outros 110 silos perto de Hami na parte oriental da região de Xinjian e mais 40 silos em Ordos na Mongólia Interior. Os ICBMs são mísseis com alcance mínimo de 5.500 quilômetros, projetados acima de tudo para o lançamento de armas nucleares.
"A construção dos silos em Yumen e Hami constitui a maior expansão do arsenal nuclear chinês que se tem notícia," de acordo com um relatório de Matt Korda e Hans Kristensen, da Federação de Cientistas Americanos sobre o campo de Hami. "No cômputo geral... as descobertas indicam que a China pode estar construindo cerca de 300 novos silos para o armazenamento de mísseis", salientaram eles em setembro.
"O número de silos de mísseis aparentemente em construção é semelhante ao número total de ogivas nucleares do atual estoque chinês, excedendo o número de silos de mísseis operados pela Rússia, se aproximando do número de silos operados pelos Estados Unidos, compreendendo a maior construção de silos desde que os Estados Unidos e a Rússia estabeleceram suas forças de ICBMs durante a Guerra Fria."
Em maio, o Global Times, jornal estatal chinês, asseverou que especialistas militares chineses instaram o governo a aumentar o número de armas nucleares. Song Zhongping, especialista militar chinês e comentarista de TV, ressaltou ao Global Times:
"ponderando que os EUA consideram a China seu principal inimigo imaginário, a China precisa aumentar a quantidade e a qualidade das armas nucleares, em especial mísseis balísticos lançados por submarinos, para proteger efetivamente a segurança nacional, soberania e interesses para o desenvolvimento."
Também de acordo com o Global Times, "especialistas militares ressaltaram que a China deveria aumentar o número de mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) mais avançados, os DF-41..." Os lançadores móveis, contam com um alcance operacional de 15 mil km, fazendo com que possam atingir os EUA e, segundo consta, carregar 10 ogivas nucleares.
Leia mais, aqui.
Original em inglês: China's Vast New Nuclear Build-Up
Tradução: Joseph Skilnik
PASSAPORTE SANITÁRIO SUSPENSO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO - 03/10/2021
Luiz Guedes da Luz Neto
No dia 29 de setembro de 2021, o Desembargador Paulo Rangel, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro – TJRJ, deferiu medida liminar em habeas corpus coletivo para suspender os efeitos do Decreto do Prefeito Municipal fluminense.
Entendeu, o ilustre Desembargador Paulo Rangel, que a “carteira de vacinação” é uma afronta ao direito à liberdade de locomoção, não só da impetrante, mas de qualquer cidadão que pretenda circular pela cidade do Rio de Janeiro.
Afirmou o magistrado que é possível a impetração de habeas corpus coletivo para discutir pretensões de natureza individual homogênea, já tendo o STF se manifestado nesse sentido quando julgou o habeas corpus 188.820-DF, que deferiu aos presidiários a ordem de habeas corpus em decorrência da pandemia do COVID-19. E ainda afirmou:
Ora, seria um contra sensu dizer que se admite habeas corpus coletivo quando se tratar de presidiários, mas não se admite quando se tratar de pessoas livres e cumpridoras dos seus deveres que vivem de acordo com a lei. Absurdo incomensurável que dispensa maiores esclarecimentos.
Reconheceu, na decisão liminar, que todos os cidadãos do município do Rio de Janeiro estão impedidos de circular pelos locais citados no decreto se não estiverem vacinados. Vou além, não só os cidadãos residentes daquele municípios são atingidos pelo mencionado decreto municipal, mas todos os cidadãos brasileiros que precisarem circular por aquele município.
Fixou o Desembargador relator do HC a questão a ser debatida judicialmente:
A questão é a possibilidade ou não de um decreto municipal impedir a circulação de pessoas pelas ruas e estabelecimentos sejam eles públicos e/ou privados, academias, eventos, shoppings, cinemas, teatros, lojas, piscinas, e outros estabelecimentos da cidade do Rio de Janeiro, salvo se possuírem o chamado “passaporte da vacina” ou passaporte sanitário.
Afirma, o julgador, que o decreto divide a sociedade em dois grupos: o dos vacinados e o dos não vacinados. Os integrantes desse último grupo estarão impedidos de circular livremente pelos locais mencionados no decreto municipal. De acordo com o relator:
O Prefeito está dizendo quem vai andar ou não pelas ruas: somente os vacinados. E os não vacinados? Estes não podem circular pela cidade. Estão com sua liberdade de locomoção cerceada. Estão marcados, rotulados, presos em suas residências. E por mais incrível que pareça tudo isso através de um decreto.
Menciona, ainda, na decisão, a hipocrisia contida no decreto: “A hipocrisia chega a tal ponto de não se perceber que o transporte público (BRT) anda lotado de gente. Metrô, barcas, ônibus idem”.
O julgador aborda um aspecto de suma importância em um estado democrático de direito: a liberdade. Relembra alguns fatos históricos recentes vergonhosos, nos quais havia a escravidão:
Se no passado existiu a marcação a fero e fogo dos escravos e gados através do ferrete ou ferro em brasas hoje é a carteira da vacinação que separa a sociedade. O tempo passa, mas as práticas abusivas, ilegais e retrógradas são as mesmas. O que muda são os personagens e o tempo.
Com acerto, afirma que atualmente o que separará a sociedade é a “carteira de vacinação”, lembrando que as práticas abusivas ocorrem ao longo da história humana, mudando apenas os personagens e o tempo. E prossegue em relação à aludida carteira da seguinte forma:
A carteira de vacinação é um ato que estigmatiza as pessoas criando uma marca depreciativa e impedindo-as de circularem pelas ruas livremente, com nítido objetivo de controle social. O propósito é criar uma regra não admitida juridicamente, mas que visa marcar o indivíduo constituindo uma meta-regra que está associada ao estigma do NÃO VACINADO.
E de forma acertada afirma que se trata de uma ditadura sanitária: “É uma ditadura sanitária. O Decreto quer controlar as pessoas e dizer, tiranicamente, quem anda e não anda pelas ruas da idade”.
Relembrou outos momentos históricos nos quais foram criados outras espécies de estigmatizados:
Outrora, já vi algo idêntico quando trataram a mulher casada como relativamente incapaz (Código Civil de 1916 – art. 6º, II); os negros como raça inferior na voz de NINA RODRIGUES que enfatizou tal absurdo plenamente aceito à sociedade da época “influência negra há de constituir sempre um dos fatores da nossa inferioridade como povo”3; os judeus também foram perseguidos; os negros escravizados, tudo pelo medo que se incutia na mente das pessoas da época, tratando essas pessoas como incapazes, perigosas e nocivas à sociedade.
Lembrou ainda outro fato lamentável na história, a tirania imposta por Hitler aos povos judeu e cigano:
Outro que sabia bem incutir no povo o medo dos inimigos foi HITLER, que através da propaganda nazista, incutiu na população o medo dos judeus e dos ciganos. Era preciso aniquilá-los para se defender.
Menciona, na sua decisão, como o medo é utilizado como instrumento de dominação, de controle, por parte do ditador contra a sociedade:
Todo ditador quer controlar a sociedade e sempre usa um discurso bondoso para cercear sua liberdade de locomoção. PIETRO VERRI, na obra Observações sobre a Tortura, relata como o Estado usou o medo para legitimar suas ações arbitrárias e violentas, em 1630.
A obra de VERRI denuncia e condena a utilização, pelo governo, de métodos de investigação brutais, injustos e desprovidos de qualquer racionalidade.
Ainda sobre o medo como instrumento:
O medo, portanto, não é um sentimento novo, nem é descoberta do século XXI. É algo que persegue a civilização humana desde a antiguidade, passando pela idade média, pela era moderna, e chegando ao mundo contemporâneo, cada qual com seus fantasmas e mitos inerentes à época.
Pela leitura da decisão, percebe-se que a ditadura, seja ela de qual matiz político for, é implementada em etapas, aos poucos, um passo por vez, para que a população não perceba o desiderato verdadeiro do tirano. E faz o seguinte alerta:
Próximo passo no Brasil é insuflar os vacinados a denunciar e reagir contra os não vacinados acusando-os de serem vetores de transmissão do vírus, mas não esqueçam que vacinados também estão contraindo a doença.
O julgador ainda lembra a eleição de bodes expiatórios, ou da eleição de “culpados”, para responder pelo mal que supostamente determinados grupos são responsáveis, de acordo com a narrativa política de cada época:
A fome, a guerra, a visão da peste como punição, trazendo como contrapartida a eleição de culpados (judeus, leprosos, estrangeiros, marginais), a caça aos feiticeiros e bruxas (a caça às Bruxas de Salem na década de 1690, hoje crianças assassinas),6 tudo sempre em nome de um medo coletivo que se teve dos inimigos escolhidos pelo sistema da época.7 Tudo sempre muito bem engendrado, politicamente.
E conclui que os inimigos do Sèculo XXI são os não vacinados, de acordo com a política adotada por vários estados:
Quem é o novo inimigo de hoje em pleno Século XXI? OS NÃO VACINADOS. Querem obrigar as pessoas a se vacinar e em nome dessa bondade cerceiam liberdades públicas, prendem pessoas nas ruas, nas praças, fecham praias, estabelecem lockdown. Nunca imaginei que fosse assistir aos abusos que assisti.
Infelizmente, tudo indica que o Século XXI será conhecido na história como o século da aniquilação das liberdades, conforme já escrevi em outra oportunidade. (Para ler O Século XXI como supressor de direitos fundamentais?, clique aqui)
Na decisão liminar, lembra, com propriedade, que a liberdade de locomoção só pode ser restringida nos exatos limites da Constituição Federal, a saber:
O direito à liberdade de locomoção, previsto na Constituição da República (art. 5º, XV) somente pode ser restringido nos exatos limites da própria Constituição. É a Constituição quem diz quando a liberdade de locomoção pode ser cerceada:
a) Em caso de prisão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente;
b) Estado de Defesa (art. 136 da CR); e,
c) Estado de Sítio (art. 137 da CR).
E faz uma observação pertinente, que deve ser levada a todos os prefeitos e governadores brasileiros:
Nota-se que o próprio maior mandatário do País tem limitações prevista na Constituição da República, mas o Prefeito pensa que pode determinar o fechamento da cidade e exigir que as pessoas somente possam circular se estiverem vacinadas.
Nem uma Emenda Constitucional pode restringir a liberdade de locomoção, in vrbis: Art. 60. (…)
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I – a forma federativa de Estado; II – o voto direto, secreto, universal e periódico; III – a separação dos Poderes; IV – os direitos e garantias individuais (sem grifos no original).
E afirma, em relação à liberdade de locomoção:
E um dos direitos e garantias fundamentais é exatamente a liberdade de locomoção. Não é possível que ninguém, absolutamente ninguém, informou isso ao senhor prefeito: DECRETO NÃO PODE IMPEDIR AS PESSOAS DE CIRCULAREM LIVREMENTE PELAS RUAS DA CIDADE SE NÃO ESTIVEREM VACINADAS. DECRETO NÃO LIMITA A LIBERDADE DE LOCOMOÇÃO DE QUEM QUER QUE SEJA QUE NÃO ESTIVER VACINADO. NÃO ESTAMOS EM ESTADO DE DEFESA NEM EM ESTADO DE SÍTIO. E AINDA ASSIM, SE ESTIVÉSSEMOS, SÓ ATRAVÉS DE ATO PRESIDENCIAL NOS EXATOS LIMITES DO QUE DIZ A CONTITUIÇÃO.
E de forma bastante apropriada, utilizando das palavras mais precisas para descrever o ato do prefeito da cidade do Rio de Janeiro, qualifica bem o ato de ditadura sanitária. Realmente, não é outra coisa a não ser isso. Quem não enxergar isso, ou é uma pessoa totalmente alienada, ou é mal intencionada. Eis o trecho da decisão que fala sobre a referida ditadura:
É a ditadura sanitária, fruto de uma insanidade politica que pensa que a sociedade pode ser presa em casa caso não queira se vacinar. INACREDITAVEL. Em pleno século XXI.
Um outro ponto importante é abordado na decisão e abarca o princípio de autodeterminação do indivíduo:
Se o cidadão quer ou não se vacinar é um problema seu que se encontra amparado pelo princípio da autodeterminação e pelo princípio da legalidade, mas jamais um DECRETO MUNICIPAL pode impedir a liberdade de locomoção de quem quer que seja por não estar vacinado.
Deferiu a liminar à cidadã que buscou amparo no Judiciário contra o ato ilegal e abusivo do Poder Executivo da cidade do Rio de Janeiro, concedendo, ainda, de ofício, o habeas corpus coletivo, determinando a comunicação urgente da decisão às autoridades públicas daquela localidade.
Decisões como essa ainda deixam florescer a esperança no ressurgimento do estado democrático de direito no Brasil. Pois, entre tantos atos ilegais e abusivos de várias autoridades públicas, ainda há cidadãos, que investidos em cargos públicos, estão dispostos a fazer valer os princípios e direitos constitucionais tão caros à democracia, a exemplo da liberdade.
Não se engane, uma vez perdida a liberdade, total ou parcialmente, a sua recuperação virá com muita dor e sofrimento da população e, você, caro leitor, lembre-se, também é uma dessa pessoas que sofrerá com a violência do Leviatã, caso a sociedade permita que parte do aparato estatal brasileiro rasgue a constituição federal e institua a ditadura sanitária no nosso país.
Não deixe que o medo inoculado por parte da imprensa e de parcela das autoridades públicas escureça a sua visão racional dos fatos. Pare, respire, informe-se adequadamente e repudie toda e qualquer tentativa estatal de supressão da liberdade. Essa não tem preço e uma vez perdida poderá levar gerações para a sua recuperação.
Recomendo a leitura de decisão proferida pela Juíza da Comarca de Gaspar, no Estado de Santa Catarina, que também fez valer o direito constitucional da liberdade. Clique aqui para ler sobre a decisão mencionada.
Espero que decisões dessa envergadura e coragem (coragem para demonstrar para uma sociedade refém do medo quais valores democráticos devem ser sempre defendidos: a liberdade de escolha, a liberdade de locomoção, a liberdade de exercer trabalho remunerado etc.) possam inspirar outros julgadores a trilhar o mesmo caminho, o caminho da dignidade da pessoa humana fundamentado na liberdade.
Sobre o direito de ser informado sobre medicamentos, imunizantes, e o direito de escolha do cidadão acerca da inoculação em seu corpo de imunizante e outros fármacos, recomendo a leitura do seguinte texto: A liberdade sobreviverá aos governantes do Século XXI? O “combate” ao COVID-19 como estratégia para a eliminação das liberdades. Nesse texto você encontrará diplomas internacionais sobre bioética e o direito ao livre consentimento.
* Luiz Guedes da Luz Neto possui graduação em Direito pelo Centro Universitário de João Pessoa (2001). Mestre em Direito Econômico pela UFPB (2016). Aprovado no concurso de professor substituto do DCJ Santa Rita da UFPB (2018). Aprovado no Doutorado na Universidade do Minho/Portugal, na área de especialização: Ciências Jurídicas Públicas. Advogado
** Publicado originalmente no blog Guedes & Braga e enviado ao site pelo autor.
CONCEDER LEGITIMIDADE INTERNACIONAL AO TALIBÃ SERÁ UM DESASTROSO EQUÍVOCO - 27/09/2021
Con Coughlin, Gatestone Institute
26 de Setembro de 2021
Investidas incautas de inúmeras potências ocidentais para fomentar relações com o recém empossado regime do talibã em Cabul estão sendo carcomidas pela atitude intransigente do novo regime islamista.
Na esteira da drástica tomada de poder do Afeganistão pelo Talibã no mês passado, vários proeminentes líderes ocidentais indicaram a disposição de trabalhar com o novo regime afegão, decorrente das assertivas de alguns líderes do grupo expressando a intenção de estabelecerem uma forma de governo mais moderada do que o anterior regime do Talibã que aterrorizou o país no final dos anos de 1990.
Após a tomada de poder pelo movimento islamista, os líderes do Talibã fizeram questão de enfatizar a intenção de estabelecer uma abordagem mais moderada. Na primeira entrevista coletiva após a tomada do poder, os líderes do movimento prometeram proteger os direitos das mulheres, garantir a liberdade da mídia e propiciar uma anistia nacional aos funcionários públicos e militares do governo passado do presidente Ashraf Ghani, que desmoronou no caos após a decisão do presidente dos EUA, Joe Biden, de encerrar o apoio militar dos Estados Unidos.
Zabihullah Mujahid, porta-voz do grupo armado, também salientou que o Talibã deseja ter relações pacíficas com outros países e que nenhum grupo terá permissão de usar o território afegão para desferir ataques contra qualquer outra nação.
"Quero assegurar à comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos, que ninguém será prejudicado", ressaltou Mujahid. "Não queremos nenhum inimigo, interno ou externo."
O tom mais moderado adotado pelos líderes do Talibã levou vários proeminentes líderes ocidentais a sinalizarem a disposição de trabalharem com o recém-criado Emirado Islâmico do Afeganistão, gerando temores de que o Talibã em breve alcançará seu objetivo de alcançar o reconhecimento internacional das principais potências mundiais.
Ao passo que Biden se mostrou ambivalente na questão do reconhecimento do novo regime islamista, enfatizando que cabia ao Talibã decidir se queria o reconhecimento internacional, alguns dos principais aliados de Washington demonstraram mais entusiasmo em estabelecer relações com o novo regime de Cabul.
A última vez que o Talibã governou o Afeganistão, no início da década de 1990, os militantes usufruíram do reconhecimento de apenas três nações: Paquistão, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Agora, as perspectivas do movimento de obter reconhecimento internacional de um número maior de países melhoraram consideravelmente, depois que importantes políticos europeus sinalizaram a disposição de trabalhar com o novo regime.
Em uma coletiva de imprensa realizada após a tomada do Afeganistão pelo Talibã, Josep Borrell, o principal diplomata da União Europeia, realçou que o bloco estava pronto para considerar seriamente o estabelecimento de relações com o Emirado Islâmico. "O Talibã ganhou a guerra, de modo que teremos que conversar com os membros do governo", declarou ele. "Não é uma questão de reconhecimento oficial. É uma questão de tratar com eles."
O aparente entusiasmo da UE de estabelecer relações com o Talibã ecoou na Alemanha, onde Armin Laschet, o candidato da União Democrata Cristã, partido de Angela Merkel, que espera sucedê-la no cargo de chanceler, observou que "a arte da boa política externa" é encontrar soluções com os países cujos objetivos e ideais outras sociedades rejeitam.
Na outra ponta, a França e a Grã-Bretanha foram mais ambivalentes quanto ao estabelecimento de laços com o Talibã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França salientou que a questão do reconhecimento do Talibã "não é no momento relevante para a França" e o primeiro-ministro britânico Boris Johnson advertiu que "seria um erro qualquer país reconhecer qualquer novo regime de Cabul prematura ou bilateralmente. "
Mesmo assim, a estreita cooperação que ocorreu entre os talibãs e as forças ocidentais no aeroporto de Cabul durante a recente evacuação de estrangeiros significa que vários políticos do alto escalão da Europa ainda são da opinião de que em breve será possível conceder reconhecimento oficial ao novo regime.
Os planos europeus de forjar laços mais estreitos com Cabul estão, no entanto, sendo drasticamente prejudicados pela conduta do novo regime do Talibã que, em vez de cumprir a promessa de tomar jeito, ao que tudo indica, está voltando à velha e intransigente toada.
Depois de nomear uma série de importantes militantes para altos cargos para a nova administração do Talibã, o grupo já foi acusado de mandar esquadrões da morte para capturar e assassinar ex-membros das forças de segurança afegãs.
Informes recentes afirmam que pelo menos quatro agentes da elite antiterrorista afegã foram capturados e mortos pelo Talibã nas últimas três semanas e num caso os Talibãs arrancaram todas as unhas da vítima antes matá-la a tiros.
As vítimas ao que consta seriam integrantes das Unidades 011 e 041, unidades estas treinadas por britânicos e americanos responsáveis por achar e interrogar o membros do Talibã, que anteriormente tinham suas bases na sede do serviço de inteligência afegão, o Diretório Nacional de Segurança (NDS) em Cabul.
A abominável conduta do Talibã na perseguição de seus antigos inimigos levou o Ex-Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, HR McMaster, a soar o alerta em relação ao estabelecimento de relações diplomáticas de nações ocidentais com o novo regime.
Escrevendo no London Sunday Times, McMaster emitiu um grito de alerta aos líderes ocidentais para não se deixarem levar pela conversa fiada do Talibã de que eles são um movimento mais moderado do que seus antecessores.
"Temos que parar de fazer de conta que o Talibã mudou", alertou McMaster. "Nossa autoilusão levou muitos a abraçarem a reversão orwelliana da moralidade, na qual veem os terroristas jihadistas como parceiros.
Nós sabemos quem eles são, como são recrutados e porque são perigosos. O Talibã está determinado a impor uma forma brutal da sharia ao povo afegão e está entrelaçado com terroristas determinados a continuar a jihad contra todos os que não estão nos conformes com a sua pervertida interpretação do Islã."
Não resta dúvida, a julgar pelo comportamento cada vez mais intransigente do Talibã desde a tomada do poder no mês passado, que há pouquíssimas evidências para sugerir que os militantes islamistas estão dispostos a adotar uma abordagem mais conciliatória em governar o povo afegão, uma atitude que deve ser levada em consideração antes que os líderes europeus cometam o desastroso equívoco de dar legitimidade internacional ao novo regime islamista do Afeganistão.
* Con Coughlin é o Redator de Defesa e Relações Exteriores do Telegraph e Distinguished Senior Fellow do Gatestone Institute.
** Original em inglês: Giving the Taliban International Legitimacy Would Be a Disastrous Mistake
*** radução: Joseph Skilnik
**** Publicado originalmente em https://pt.gatestoneinstitute.org/17804/legitimidade-internacional-taliba
OS PROTAGONISTAS - 12/09/2021
Roberto Motta
Primeiro criaram a “progressão de regime”, reduzindo as penas dos criminosos a 1/6 da sentença, e nós ficamos calados. Depois estenderam a “progressão de regime” aos crimes hediondos. Achamos estranho, mas continuamos em silêncio. Criaram a “visita íntima” para que os criminosos fizessem sexo na prisão, e ficamos quietos. “Eles também têm direito”, nos disseram. Até os estupradores. Criaram a “remissão de pena por leitura” para reduzir ainda mais a pena para cada livro “lido” pelo preso, e achamos interessante. Depois criaram as “saidinhas temporárias” em 7 feriados por ano, e nada dissemos. Criaram o “auxílio reclusão”, maior que um salário mínimo, a ser pago aos criminosos presos, e muitos de nós o defenderam como uma medida justa.
Quando o CNJ criou a “audiência de custódia”, com a única finalidade de verificar o bem-estar do preso e livrá-lo da cadeia em 24 horas, nem fomos informados. Depois criaram o ECA e a Lei do SINASE, garantindo a impunidade dos criminosos com menos de 18 anos. Nem ousamos sussurrar qualquer protesto, temendo ser acusados de querer “encarcerar nossas crianças”. As ONGs dos “Direitos Humanos” se uniram contra a construção de presídios. Depois, diante das celas superlotadas, pediram piedade para os criminosos. “O Brasil prende demais”, anunciaram em uma grande campanha. Acreditamos em tudo isso. Esquecemos das vítimas.
Demonizaram a polícia, e assistimos passivos à caça aos policiais. Ensinaram às nossas crianças, por todos os meios possíveis – até na escola – que drogas são inofensivas, e fazem parte de um estilo de vida descolado e moderno. Depois glamourizaram os traficantes – “meros comerciantes varejistas” – e continuamos assistindo às novelas, minisséries e filmes sem protestar. Proibiram o cidadão de portar armas, ao mesmo tempo em que facções passaram a portar armamento de guerra – e nos convenceram que assim estávamos mais seguros. Enquanto destruíam nosso sistema de justiça criminal estávamos ocupados trabalhando, criando nossos filhos e pagando boletos. Até que um dia percebemos que todo mundo já tinha sido assaltado. Até que passamos a viver com medo permanente. Até o dia em que o STF declarou que só vai ser preso quem não tem um bom advogado. Esse dia é hoje. E os protagonistas agora somos nós.
* Roberto Motta é Engenheiro Civil pela PUC-RJ, Mestre em Gestão pela FGV-RJ e tem cursos da George Washington University. Roberto tem mais de 30 anos de experiência executiva em empresas como Petrobras, Shell, HP e Oi, incluindo 5 anos como consultor do Banco Mundial nos EUA. Roberto também é jornalista, escritor e professor, suplente de deputado federal e de vereador, fundador e ex-membro do partido Novo.
** Este artigo foi publicado em 11 de novembro de 2019, no site do Instituto Milenium: https://www.institutomillenium.org.br/os-protagonistas/. Ganha atualidade quando tais medidas são comparadas à forma como o STF tem tratadocidadãos aos quais atribui atos “antidemocráticos” ou “fake news”.
CURIOSIDADES SOBRE A SUPREMA CORTE DOS ESTADOS UNIDOS - 05/09/2021
Plínio Arabá V. Lins
- Tem apenas 9 ministros, todos com mandato vitalício e escolhidos pelo Chefe da Nação;
- Cada ministro tem direito a apenas 4 (quatro) assessores, estes com contratos de 2 anos, no máximo;
- Só o presidente da Corte. (escolhido pela maioria) tem direito a carro com motorista. Os demais dirigem e custeiam seus próprios carros e têm direito apenas a uma vaga no estacionamento do Tribunal;
- Não há restaurante privativo no prédio, mas sim comunitário e cada um arca com sua própria despesa;
- Recebem um ótimo salário, algo em torno de US$ 23.000/mês, mas sem qualquer outro adicional. Não existem subsídios, tipo auxílio moradia, alimentação, milhas de viagens, paletó, funeral, anuênios, quinquênios, etc.
Outras características:
- É um Tribunal do tipo Apelação, cujas duas competências são: 1) Apreciação de recursos que questionam decisões dos Tribunais Federais e Estaduais; 2) Fiscalização da constitucionalidade das leis. Somente isso, ou seja, jamais serão chamados a decidir quem ficará com o gato da casa na separação de um casal;
- Não há transmissão ao vivo das sessões. Houve apenas uma exceção, via áudio, por ocasião da implantação das restrições em decorrência da pandemia do Corona Vírus.
Como decidem:
- Reúnem-se numa sala fechada, debatem entre si e um dos ministros da parte majoritária dos votos é selecionado para anunciar o resultado. Discretissimos, raramente dão entrevistas e jamais opinam sobre temas que possam subir à exame pelo Tribunal.
- A Constituição que juram guardar e defender tem apenas 7 artigos e 23 emendas, apesar de ser a segunda em vigor mais antiga do mundo, com 234 anos de existência. A nossa Carta Magna, com 33 anos de existência, tem 245 artigos, mais de 1,6 mil dispositivos, 116 reformas, sendo 108 emendas constitucionais!!!
- A maioria da população dos EUA não sabe seus nomes, mas confia cegamente na instituição por saber que lá estão para manter o justo equilíbrio entre direitos e deveres de todos os cidadãos. São homens e mulheres que não se julgam deuses, não acusam, não investigam e não se afastam uma vírgula sequer do texto constitucional. Apenas julgam, sempre com base nos fatos e nas provas e não em suas ideologias ou em razão dos nomes envolvidos. Talvez isso explique ser impossível achar-se brechas para soltar políticos e empresários corruptos, ladrões e traficantes.
- Não se tem, jamais se teve, conhecimento de um juiz da Suprema Corte americana tentar influenciar e/ou limitar decisões dos demais poderes da República e provavelmente seria taxado de louco aquele (s) que acusasse(m) publicamente o presidente dos EUA de torturador, genocida, homofóbico, fascista ou nazista. Esses juízes sabem que estão lá exclusivamente para servir a Nação e não para se servirem dela. Que é uma HONRA e não favor; ORGULHO e não sacrifício, servir seu povo. Enfim, sabem que devem ser EXEMPLO, por isso sua segunda maior recompensa é a do dever cumprido. A primeira é a certeza de que podem sair à rua sem guarda-costas, viajar de metrô ou avião de carreira e ir à praia ou ao parquinho com os netos, sem ouvir vaias e xingamentos.
* Publicado originalmente em Portal Hora H
POLÍTICA NÃO SE DISCUTE? - 26/08/2021
Percival Puggina
Nota do Editor: Recebi de um leitor, atribuído a Roberto Nunes de Menezes, o texto do qual extraio o seguinte trecho:
No passado eu acreditava que brigar com alguém ou desfazer uma amizade por política era bobagem. Mas os anos foram passando e vi que não se tratava exclusivamente de política e sim de valores morais e éticos que estavam sendo substituídos por ideologias macabras, como criminalidade, recebimento sem mérito, aborto, uso de drogas ilícitas, promiscuidade sexual e principalmente comportamento anticristão.
A partir de então passei a entender que bobagem mesmo era brigar por causa de futebol, frio ou calor, preto, branco ou colorido, dia ou noite, inveja ou ciúmes. Motivos estes que em nada se confundem com que a organização criminosa chamada de políticos corruptos que nos rouba há décadas, desviando dinheiro de impostos os quais deveriam no mínimo ser investido na educação, saúde e segurança.
COMENTO
O que mais favoreceu a construção da hegemonia esquerdista no Brasil foi a atitude omissa de quem não participa de debates políticos. Para tais cidadãos, os temas mencionados pelo autor acima podem gerar uma tensão inconveniente e eles, então, calam quando deveríam falar, aceitam em silêncio a contaminação ideológica da sala de aula pela pedagogia da militância, não resistem à infiltração esquerdista em entidades e instituições de que participam.
A hegemonia esquerdista não teria acontecido sem uma descomunal omissão de conservadores e liberais que confundem ser bem educado com ser cordato, como cordeiros polidos, no caminho do frigorífico para onde os querem levar.
Estamos revivendo as consequências dessa falsa polidez, dessa postura desastrosa. Mais uma vez, a esquerda está nos mostrando, não o caminho, nem os modos, mas o ânimo que não se abate com dificuldades nem com derrotas. Nem com pressões, nem com a destruição completa de sua presunçosa superioridade moral.
GOVERNO ESCOCÊS PERMITE QUE CRIANÇAS DE 4 ANOS TROQUEM DE GÊNERO SEM CONSENTIMENTO DOS PAIS - 19/08/2021
Independent Cronicle (1)
O governo escocês divulgou uma nova orientação para as escolas, dizendo que crianças em idade escolar a partir dos 4 anos devem ter permissão para mudar de sexo sem o consentimento ou conhecimento dos pais.
A orientação do governo declara que as crianças pequenas devem ser ouvidas e apoiadas em suas decisões sobre identidade de gênero porque “o reconhecimento e o desenvolvimento da identidade de gênero podem ocorrer em uma idade jovem”.
https://independentchronicle.com/scotland-to-allow-4-yr-olds-to-change-gender-without-parents-knowledge/
Outros protocolos governamentais incluem o fornecimento de material de leitura em sala de aula voltado para pessoas trans. Os professores também devem deixar a decisão de qual banheiro usar para as crianças, já que não há nenhuma lei escocesa dizendo que as pessoas devem usar o banheiro que corresponda ao seu sexo biológico.
As novas regulamentações governamentais também sugerem que as escolas examinem suas políticas de uniformes escolares e considerem a mudança para uma opção neutra em termos de gênero.
RELACIONADOS: Mulher trans é morta em Porto Rico após ser atacada com armas de paintball em crimes de ódio
“Este guia descreve como as escolas podem apoiar jovens transgêneros, garantindo que os direitos de todos os alunos sejam totalmente respeitados”, disse a secretária de educação escocesa Shirley-Anne Somerville.
Marion Calder, diretora do grupo de campanha For Women Scotland, discordou, expressando preocupação com os protocolos recém-lançados.
“Para ser transgênero, você tem que ter um diagnóstico de disforia de gênero. O que eles estão pensando? Os pais ficarão muito preocupados em ler este documento ”, disse ela.
Calder afirma que a orientação "fornece às escolas sugestões práticas" sobre o apoio a alunos transgêneros do ensino fundamental e médio.
“A orientação não é prescritiva e não promove a transição”, afirma ela.
O MEDO DO STF RACHOU O CENTRÃO - 09/08/2021
Percival Puggina
Durante quase dois anos, Bolsonaro radicalizou a autonomia dos outros poderes. Ele enviava suas propostas ao Congresso e dizia que não iria interferir porque sua “responsabilidade era propor e a do Congresso, deliberar”. A mídia militante, claro, o acusava de omissão e inaptidão para a negociação, perante temas relevantes da vida nacional.
Errado não era o Congresso votar contra o interesse do país; errado era o Executivo não “negociar” com um Parlamento negocista.
Até que caiu a ficha e o presidente percebeu que sem maioria não estava conseguindo aprovar coisa alguma. Pior do que isso, o Legislativo aproveitava seus projetos para virá-los do avesso, de regra em benefício próprio, como no caso da lei que define os crimes de abuso de autoridade, ou nas leis orçamentárias.
No exato momento em que Bolsonaro passou a negociar com o centrão, a mídia militante mudou de perspectiva e foi buscar a biografia dos personagens, como um achado na cartola de onde pinça seu relativo dever de informar. Como se houvesse outras bancadas para essa “negociação” e como se votos disponíveis não fossem os que o governo já tinha!
Imagino que uma aproximação do presidente com o PT e seus anexos traria felicidade geral à república dos derrotados.
“Mas o governo continua sofrendo derrotas dentro do centrão”, alegará o leitor atento. Claro, uma inusitada visita do presidente do TSE, presentes líderes de 11 partidos, convenceu-os de impor uma derrota ao presidente em matéria que, a juízo dele e de parcela expressiva da sociedade, é relevante para a democracia – a transparência das apurações. Difícil não ver na reunião e em suas consequências, com a troca de membros da comissão para garantir a derrota da PEC, sinais da fragilidade do Legislativo ante os poderes extraordinários de que se revestiram os dois tribunais superiores perante a classe política. Ali, a vontade pessoal se sobrepõe à Constituição e às leis.
Resultado, o poderoso centrão rachou! Uma parte apoia o governo e outra apoia o TSE e o STF... Parece brincadeira, mas não é.
CHINA COMUNISTA: O MAIOR POLUIDOR CLIMÁTICO DO PLANETA CONTINUA POLUINDO - 05/07/2021
por Judith Bergman
Em 2020 a China Comunista desenvolveu mais de três vezes o potencial adicional de energia proveniente do carvão do que a soma de todos os demais países do mundo juntos, ou seja: o equivalente a mais de uma grande usina de carvão por semana, de acordo com o relatório da Global Energy Monitor. Foto: usina a carvão de propriedade do Estado em Huainan, província Anhui, China. (Foto by Kevin Frayer/Getty Images)
Em 2020 a China Comunista desenvolveu mais de três vezes o potencial adicional de energia proveniente do carvão do que a soma de todos os demais países do mundo juntos, ou seja: o equivalente a mais de uma grande usina de carvão por semana, de acordo com o relatório divulgado em abril pela Global Energy Monitor.
Também em 2020 as emissões chinesas de CO2 aumentaram 1,5%, enquanto as da maioria dos outros países diminuíram. Muito embora em 2020 o restante dos países tenha recuado no tocante ao uso do carvão, este recuo foi eclipsado pelas novas usinas de carvão da China.
ENSINO EM CASA - 12/06/2021
Percival Puggina
Leio na Agência Câmara de Notícias
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (10), o PL 3262/19, das deputadas Chris Tonietto (PSL-RJ), Bia Kicis (PSL-DF) e Caroline de Toni (PSL-SC), que permite que pais eduquem seus filhos em casa (o chamado homeschooling).
A proposta modifica o Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40) para deixar claro que a pena prevista para o crime de abandono intelectual, de detenção de quinze dias a um mês ou multa, a quem deixar, sem justa causa, de prover a instrução primária de filho em idade escolar, não se aplica a pais ou responsáveis que ofertarem a modalidade de educação domiciliar. O texto ainda depende de análise pelo Plenário.
A relatora da proposta, deputada Greyce Elias (Avante-MG), defendeu que a prática do homeschooling “nada tem a ver com o abandono intelectual”. “Pelo contrário, os genitores demonstram um comprometimento ainda maior com a educação dos filhos”, argumentou.
Ela também lembrou que uma proposta do Executivo (PL 2401/19, apensada ao PL 3179/12, regulamenta a educação domiciliar. Esse projeto deve ser avaliado por uma comissão especial, ainda a ser criada, sob relatoria da deputada Luisa Canziani (PTB-PR).
Comento
Apesar de seu caráter polêmico, o projeto é necessário. Há um enorme contingente de país, exatamente por serem conscientes de seu papel, que não querem seus filhos sujeitos à influência de professores que se declaram “trabalhadores em Educação”, que se assumem como doutrinadores, fazedores de cabeça. Em boa parte por isso, a educação disponibilizada no país é de má qualidade, como revela o Pisa, e ocorre nos intervalos entre as greves...
Há muitos anos pais pedem esse projeto ao Congresso. Querem educar suas crianças em concordância com seu credo, seus princípios e seus valores. Um direito fundamental deles é ferido pela ideia de que o Estado pode constrangê-los a entregar seus filhos a uma educação inferior e sob influências nocivas quando podem orientá-los com qualidade superior.
É sabido que os governos totalitários dão grande atenção à autoridade do Estado em relação ao ensino, exatamente porque é através dele que asseguram sua perenidade. Não é por outro motivo que os partidos de esquerda são totalmente avessos ao projeto e já lhe colam as inevitáveis etiquetas depreciativas. Esse, porém, é um mal estar indignado, revoltado, que faz bem presenciar por ser o desconforto de quem compreendeu o prejuízo que terá pela perda parcial de suas forças juvenis.
O projeto de lei que regulamenta a homeschooling ainda está em discussão e sua aplicação vai aguardar a regulamentação.
PARLAMENTO EUROPEU CONDENA VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS EM CUBA - 11/06/2021
CubaNet
O Parlamento Europeu aprovou na quinta-feira uma resolução "histórica" ??que condena "a existência de presos políticos, perseguições políticas persistentes e permanentes, atos de perseguição e detenções arbitrárias de dissidentes em Cuba".
Também condenou “os ataques que atualmente estão sendo registrados contra artistas do Movimento San Isidro, dissidentes pacíficos, jornalistas independentes, defensores dos direitos humanos e membros da oposição política”; e pediu "que essas ações cessem imediatamente".
A resolução, promovida pelo grupo conservador do Partido Popular Europeu, os liberais e os eurodeputados de direita, conseguiu 386 votos a favor, 236 contra e 59 abstenções.
Nesta ocasião, o Parlamento Europeu exortou "as autoridades cubanas a libertarem todos os presos políticos e pessoas detidas arbitrariamente exclusivamente pelo exercício da sua liberdade de expressão e reunião"; e “condenou veementemente a detenção arbitrária” de Aymara Nieto Muñoz, Iván Amaro Hidalgo, Edilberto Ronal Arzuaga Alcalá, Yandier García Labrada, Denis Solís González, Luis Roblesástegui e 77 outros prisioneiros de consciência.
Por sua vez, a euro-deputada Dita Charanzová, vice-presidente do Parlamento Europeu, saudou a resolução e a qualificou como uma mensagem “de solidariedade para com o povo cubano”. “No acordo com a União Europeia, Cuba tem que cumprir com suas obrigações em Direitos Humanos”, escreveu ela no Twitter.
A resolução, qualificada de "histórica" ??por numerosas fontes, também pede ao regime de Havana que ofereça "maiores garantias em relação ao direito a um julgamento justo e à independência do judiciário" e "garanta que as pessoas privadas de liberdade tenham acesso a um advogado independente”.
Além disso, “lamenta profundamente a falta de compromisso e vontade do regime cubano de avançar, mesmo que mínimo, no sentido de mudar ou abrir canais que permitam encontrar caminhos para reformar o regime, que melhorem a participação social e política, além das condições de vida dos cidadãos ”.
Lamenta também que, apesar da “entrada em vigor do Acordo de Diálogo Político e Cooperação há quase quatro anos, a situação em matéria de direitos humanos e democracia não tenha melhorado e não tenha gerado nenhum resultado positivo substancial e tangível para o povo cubano”.
“Do Parlamento Europeu aprovamos a resolução sobre a situação política e a violação do DD. H H. em Cuba, exigindo que as autoridades da ilha cumpram o acordo de diálogo com a União Europeia e libertem os presos políticos”, escreveu no Twitter Leopoldo López Gil, deputado europeu.
Por sua vez, a organização dos Defensores dos Prisioneiros comemorou que o Parlamento Europeu tenha condenado, também, a "escravidão das Brigadas Médicas Cubanas no exterior" e confirmou que o Acordo de Diálogo é atualmente violado por Cuba e pelo Serviço Europeu de Ação Externa.
“Depois de quatro anos do Acordo UE-Cuba, há mais presos políticos em Cuba e não há um processo de diálogo que inclua a sociedade civil cubana e ONGs europeias excluídas pelo regime”, denunciou em nota o grupo parlamentar Renew Europe, após conhecer o resultado da votação.
“O povo cubano sofre há muito tempo e o objetivo principal deste Acordo é melhorar suas vidas. No entanto, Cuba continua a violar as suas obrigações em matéria de direitos humanos e a UE deve dar um passo em frente para as cumprir”, concluem os membros do Renew Europe.
Comento
Embora pessoalmente divirja de muitas deliberações do Parlamento Europeu que chegam até nossos noticiosos, neste caso trata-se de uma mudança na posição da maioria, até então omissa em relação à ditadura instalada em Cuba há 62 anos. O uso da palavra escravidão é bem apropriada para definir as condições impostas aos médicos locados por Cuba ao atendimento de demandas do Terceiro Mundo.
ALFAIATE DA CPI NÃO COSTUROU DIREITO OS FUNDILHOS - 22/05/2021
Percival Puggina
Leio na CNNBrasil (matéria de Daniela Lima e Renata Agostini)
Convocação de governador e quebras de sigilo ameaçam unidade do G& da CPI
Debate interno no grupo de senadores que formam maioria na comissão foi um dos temas do novo episódio do podcast Horário de Brasília.
O depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello aumentou a pressão para que a CPI da Pandemia convoque o governador do Amazonas, Wilson Lima. Senadores do chamado G7, que reúne oposicionistas e independentes, passaram a admitir nos bastidores que a convocação não está descartada.
Esse debate interno no grupo de senadores que formam maioria na CPI foi um dos temas do episódio desta sexta-feira (21) do podcast Horário de Brasília. Até pouco tempo atrás, integrantes do G7 eram refratários a abrir a possibilidade de levar governadores para não expor aliados e manter o foco nas ações de Jair Bolsonaro.
Pazuello, porém, transferiu ao estado do Amazonas a responsabilidade pela crise de abastecimento de oxigênio que se abateu sobre Manaus em janeiro deste ano. A avaliação de parte do G7 é que, como o Amazonas está no objeto da CPI, pode haver espaço para chamar Wilson Lima e barrar a convocação de outros governadores. O argumento é que, conforme a CPI avança, ignorar o chefe do governo do Amazonas pode se tornar insustentável. A estratégia é arriscada, insistem outros integrantes do G7 que têm debatido a questão.
O grupo tenta ainda aparar arestas sobre como encaminhar os pedidos de quebra de sigilo. O debate sobre o tema ameaça expor na comissão um racha já presente nas reuniões do G7. Membros do grupo rechaçam, por exemplo, quebrar o sigilo do vereador Carlos Bolsonaro, enquanto parte entende ser essencial avançar sobre o filho do presidente.
Wilson Lima, por sua vez, quer evitar a todo custo parar no palco da CPI. A interlocutores, avalia que ninguém que ocupe cargo no Executivo vai se beneficiar comparecendo à comissão neste momento.
Comento
Quem acompanha a vida da CPI já percebeu que ela é uma armação cujo relatório já está pronto, e é um primor de erística.
Erística é um ramo um tanto espúrio da retórica, desenvolvido na Grécia pelos sofistas, e muito valorizado na política, pois estudava formas de vencer o debate de forma independente da verdade e da razão. Buscava unicamente o efeito prático do convencimento e seus mestres eram regiamente pagos.
Uma dessas técnicas consiste, como lembrava outro dia o Alexandre Garcia, em criar uma narrativa ficcional com aspectos da realidade, assumi-la como verdadeira e encadear um raciocínio lógico convincente a partir de uma mistificação. Outra é atribuir ao interlocutor uma afirmação que ele não fez e atacá-lo ferozmente por essa afirmação. Outra é atribuir uma intenção ao interlocutor e destruí-lo moralmente a partir de algo apenas suposto ou inexistente. Outra, ainda, é atacar a pessoa com o intuito de descredenciar o que ela diz. Pazuello, por exemplo, é atacado pelo que é e pelo que não é, por não ser médico e por ser militar...
Segundo Schopenhauer, são 38 estratagemas diferentes, à disposição de debatedores desonestos. Só que tudo que é demais salta aos olhos, principalmente se o conjunto fica mal composto e o alfaiate esqueceu de costurar direito os fundilhos. No caso, o fio da investigação de governadores que são companheiros dos que conceberam e apoiam a tal CPI. Se puxar esse fio, fica tudo exposto.
O BRASIL DÁ SINAIS DE MELHORA - 11/05/2021
Gilberto Simões Pires
SINAIS DE MELHORA
Ainda que a OPOSIÇÃO AO ATUAL GOVERNO esteja sempre pronta e disposta para jogar, ou manter, o nosso empobrecido Brasil na VALA COMUM reservada aos países SOCIALISTAS/COMUNISTAS, o fato é que, inobstante às claras e evidentes dificuldades que são constantemente impostas, de forma infame e descarada, a economia brasileira dá claros sinais de melhora.
INFRAESTRUTURA COMO DESTAQUE
A rigor, uma boa parte do ânimo e da esperança de que o crescimento econômico é real e palpável tem origem na área da INFRAESTRUTURA, graças aos inúmeros LEILÕES DE DESESTATIZAÇÃO e/ou de CONCESSÕES DE SERVIÇOS À INICIATIVA PRIVADA que já foram realizados nestes dois últimos anos, assim como de outros tantos que seguem programados para acontecer em 2021 e 2022.
ÁGUA NA BOCA
Pois, mesmo com o atraso monumental das REFORMAS - TRIBUTÁRIA E ADMINISTRATIVA-, assim como dos importantes MARCOS REGULATÓRIOS DA CABOTAGEM, DAS FERROVIAS E DA PARTILHA DO PETRÓLEO, DA MODERNIZAÇÃO DO SETOR ELÉTRICO, DO PACTO FEDERATIVO, ETC., que, se bem feitos, jogariam a economia brasileira às alturas, algumas boas propostas e projetos estão deixando os investidores com água na boca.
DESTINOS TURÍSTICOS
Uma das boas notícias dá conta de que o governo federal estaria se preparando para iniciar um programa de vendas de imóveis públicos em DESTINOS TURÍSTICOS. Além dos bens, a proposta inclui CONCEDER ATIVOS INALIENÁVEIS À INICIATIVA PRIVADA, como ilhas, espelho d´água e faixa de areia para instalação de infraestruturas. Na lista de prioridades estão Florianópolis (SC), Angra dos Reis (RJ), Maragogi (AL) e Cairu (BA).
PRAIAS DO BRASIL
O objetivo do projeto, chamado -PRAIAS DO BRASIL-, é estimular especialmente o investimento de grandes grupos hoteleiros. Segundo informa o jornal Folha de São Paulo, o interesse é transformar as regiões em versões nacionais de Cancún, onde abundam os resorts internacionais. Este projeto está sendo tocado pelo Ministério da Economia, em parceria com o Ministério do Turismo e o Ministério do Meio Ambiente. A previsão é que as CONCESSÕES ocorram no primeiro semestre de 2022. Fantástico, não?
REFORMA ADMINISTRATIVA
Quanto à REFORMA ADMINISTRATIVA, hoje pela manhã, durante a Audiência Pública na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, o ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliou que a proposta do governo é bastante moderada e fruto de muita conversa ao longo de dois anos de governo. "Calibramos e moderamos bastante, exatamente conversando com parlamentares, trocando ideias". O projeto cria cinco novos tipos de vínculos para os NOVOS SERVIDORES, apenas um deles com garantia de estabilidade no cargo após três anos. O texto prevê a de realização de concursos, mas também vai permitir entrada por seleção simplificada para alguns vínculos.
A proposta também extingue uma série de benefícios para os futuros servidores, como férias superiores a 30 dias, licença-prêmio (direito a três meses de licença para tratar de assuntos de interesse pessoal a cada cinco anos) e adicionais por tempo de serviço. No entanto, juízes, promotores, procuradores, desembargadores, deputados e senadores ficam de fora dessas novas regras.
UM NINHO DE COBRAS CRIADAS - 30/04/2021
Percival Puggina
Os diálogos travados entre o presidente Omar Aziz e o relator Renan Calheiros, e de ambos com a minúscula base do governo, mostram uma situação original. Como regra quase geral, CPIs confrontam pontos de vista divergentes. E não é de outra natureza essa da Covid constituída no Senado Federal. Quando isso acontece, o presidente da comissão é de uma banda e o relator é de outra.
No entanto, o que se viu até agora e o que se verá nas próximas semanas, é um baião de dois em que Omar e Renan dançam de rosto colado por interesses comuns. Entre eles está o de causar o maior dano possível ao governo federal e à corrente de opinião que o levou ao poder desarticulando as organizações criminosas – as famosas orcrim – que esfolavam o país ao longo das últimas décadas.
A mesa dos trabalhos, viu-se, opera contra o governo em duas direções. Em uma, quer assinar, carimbar e selar a narrativa oposicionista de que o Brasil é o único lugar no mundo onde o vírus não existiria nem faria vítimas não fosse o governo. (Sim, eles têm os grandes meios de comunicação para respaldá-los nisso) Em outra, a mesa e a maioria do plenário, querem salvar a pele de governadores, prefeitos e senadores corruptos, tirando de foco seus crimes e levando mais holofotes para onde eles sempre estão apontados, o governo federal e o presidente.
Os prontuários do presidente e do relator são de causar espanto em qualquer delegacia de área conflagrada. Quando os líderes e o presidente do Senado negociam essa comissão e essa mesa diretora dos trabalhos, fica nítido o vale-tudo, o despudor e o desrespeito da Casa para consigo mesma e para com a sociedade brasileira.
BIDEN QUER “EMPACOTAR” A SUPREMA CORTE - 15/04/2021
Leio em Breitbart News
Joel B. Pollak
Os democratas vão apresentar um projeto de lei na quinta-feira para preencher a Suprema Corte ampliando o número de juízes de nove para treze, com as quatro novas vagas a serem providas imediatamente pelo presidente Joe Biden e pelo Senado controlado pelos democratas.
A proposta vem menos de uma semana depois de o presidente Biden assinar uma ordem executiva criando uma comissão para estudar a questão de saber se a Suprema Corte deveria ser ampliada. A comissão é chefiada por partidários democratas. No entanto, a ala mais à esquerda alertou que a comissão poderia ser usada para frustrar as mudanças desejadas, em vez de promovê-las.
Os democratas começaram a falar em empacotar a Suprema Corte depois que o juiz Brett Kavanaugh foi confirmado em 2018. Biden, certa vez, rejeitou a ideia, mas moveu-se para a esquerda no assunto, como fez em muitos outros. Ele se recusou a declarar sua posição até o final da campanha presidencial de 2020, após a confirmação da ministra Amy Coney Barrett, quando propôs a comissão.
Expandir a Suprema Corte para 13 juízes daria aos juízes liberais uma maioria nominal de 7-6. O Congresso pode definir o tamanho da Suprema Corte sem uma emenda constitucional, embora o último presidente que tentou empacotar a Suprema Corte, Franklin Delano Roosevelt, tenha se oposto a seu próprio partido.
Seu esforço é visto pelos historiadores como uma grosseira tomada de poder - mas que convenceu o Tribunal a parar de derrubar sua legislação do New Deal e permitir que os poderes do governo aumentassem.
* Joel B. Pollak is Senior Editor-at-Large at Breitbart News
Comento
No Brasil, após as primeiras escaramuças travadas entre o governo e o STF, quando ficou visível a animosidade da Corte para com o presidente da República, muitos pensaram na necessidade de retornar as aposentadorias para a anterior idade de 70 anos. Outros, cogitaram em limitar a 10 anos o tempo dos mandatos. Simultaneamente, os novos ministros não mais seriam de livre indicação do presidente, mas uma comissão de juristas indicaria três nomes à escolha do presidente. Outros, por fim, pensaram também nessa hipótese que, agora, seduz o presidente norte-americano. Ele tem em seu desfavor uma Corte de perfil conservador.
Aqui, até mesmo pensar nessas coisas que lá têm nome – chama-se “empacotar” o Tribunal – era considerado “golpe”. Aqui, tratava-se de “desempacotar” o pacote petista. Lá, Biden se prepara para fechar seu pacote esquerdista com um laço de fita azul, nomeando quatro novos membros para a Corte.
MATÉRIA DA FOLHA MANIPULA, OMITE E DISTORCE AO DIZER QUE HOSPITAIS MILITARES ESTÃO OCIOSOS - 11/04/2021
Nota de esclarecimento
Brasília (DF), 07/04/2021 - O Ministério da Defesa (MD) informa que a matéria "Hospitais das Forças Armadas reservam vagas para militares e deixam até 85% de leitos ociosos sem atender civis", publicada em 6 de abril, no portal da Folha de S. Paulo, contém graves manipulações, incorreções, omissões e inverdades, que levam o leitor à completa desinformação.
Ao contrário do que induz o título da matéria, a grande maioria dos hospitais militares está com quase todos os leitos de UTI ocupados. Na realidade, muitos hospitais militares têm frequentemente removido pacientes para outras regiões para evitar o colapso. Assim como os hospitais civis, a situação varia de acordo com cada região. Os números são críticos e evoluem diariamente.
A reportagem deliberadamente usou dados de hospitais pequenos, com poucos leitos, recursos limitados e de alguns que sequer possuem UTI.
No caso do Exército, a matéria afirmou que os leitos clínicos estão ociosos nos hospitais em Florianópolis-SC, Curitiba-PR, Marabá-PA e em Juiz de Fora-MG. No entanto, a reportagem omitiu que os leitos de UTI, dessas mesmas unidades, estão totalmente ocupados. No Paraná, no Pará e na Zona da Mata Mineira a ocupação é de, respectivamente, de 117%, 133% e 500%. Em Santa Catarina, não há leitos de UTI.
No caso da Força Aérea, o Esquadrão de Saúde de Guaratinguetá, também alvo da reportagem, está instalado dentro de uma escola de formação da FAB. Ele possui sete leitos de enfermaria Covid-19 para atender 3.000 militares, sendo que desse total 1.300 alunos estudam em regime de internato. Já os esquadrões de saúde de Curitiba-PR e de Lagoa Santa-MG possuem, respectivamente, seis e 13 leitos de enfermaria. Ressalta-se que essas unidades não dispõem de estrutura para internação de longa permanência e também não possuem disponibilidade de UTI.
A matéria mostra ainda todo o seu viés, tendencioso e desonesto, ao mencionar que as Forças Armadas “contrariam os princípios da dignidade humana e violam o dever constitucional do Estado de oferecer acesso à saúde de forma universal”. O jornalista deliberadamente ignora e omite todas as ações que as Forças Armadas vêm realizando há mais de um ano, em apoio abnegado à população brasileira, desde o início da pandemia.
O sistema de saúde das Forças Armadas possui caraterísticas específicas para atender militares que estão na linha de frente, atuando em todo o território nacional, nos inúmeros apoios diuturnos, como transporte de material, insumos, e, agora na vacinação dos brasileiros. A reportagem omitiu também que os hospitais militares não fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e que atendem 1,8 milhão de usuários da família militar (militares da ativa, inativos, dependentes e pensionistas), em sua maioria idosos, que contribuem de forma compulsória todos os meses para os fundos de saúde das Forças Armadas.
Mesmo com seu sistema de saúde fortemente pressionado, com carência de recursos e de pessoal, os profissionais de saúde militares também estão fortemente engajados nas Operações Covid-19 e Verde Brasil-2. As Forças Armadas seguem atendendo à população civil, especialmente as comunidades indígenas e ribeirinhas, tanto na Amazônia como no Pantanal, realizando evacuação de pacientes nas regiões mais críticas, transportando toneladas de oxigênio, medicamentos e suprimentos, transportando, montando e operando hospitais de campanha, além de, em parceria com a academia e com a indústria, fabricando respiradores.
Apesar de os dados do HFA e dos hospitais militares estarem disponíveis para acesso público na internet, a matéria insinua que há falta de transparência. Mesmo após a pasta ter respondido a todas as informações solicitadas dentro do prazo acordado, a reportagem ignorou que os leitos dos hospitais são operacionais e de alta rotatividade. Logo, ocupados tanto por pacientes com Covid-19, quanto por pacientes oncológicos e em pós-operatório.
Este Ministério sempre se colocou à disposição para informar e responder prontamente a todos os questionamentos demandados por esse veículo no que tange ao combate à Covid-19. Entretanto, a reportagem optou por buscar um viés claramente negativo em um assunto de tamanha relevância para a sociedade brasileira neste momento em que todos os esforços estão concentrados no combate ao novo coronavírus.
O MD lamenta que assunto de tamanha gravidade seja objeto de matéria que induz a sociedade brasileira à desinformação.
Reiteramos que as Forças Armadas atuam na atual pandemia, com extrema dedicação, no limite de suas capacidades, sempre com total transparência e prontidão, preservando e salvando vidas.
Centro de Comunicação Social da Defesa (CCOMSOD)
Ministério da Defesa
NADA MOBILIZA TANTO QUANTO UM PRIVILÉGIO - 28/03/2021
Leio na Gazeta do Povo (1)
A Câmara dos Deputados instalou, no dia 21 de janeiro, a Comissão contra o Racismo – grupo formado por advogados, procuradores de justiça, defensores públicos, juízes e demais juristas, todos negros –, que tem como objetivo propor alterações na legislação brasileira com o objetivo de “combater o racismo estrutural e institucional”.
Nas últimas semanas, os integrantes se reuniram virtualmente para encontros entre os grupos temáticos que compõem a comissão, para avaliar alterações em projetos de lei que estão tramitando em Brasília. Os trabalhos devem ser encerrados até o final de maio, quando os juristas encaminharão um relatório à Câmara dos Deputados com sugestões para os projetos de lei atuais e, eventualmente, novas proposições.
Existem propostas em discussão como responsabilização de empresas e órgãos do poder público em casos de discriminação racial ocorridos dentro dessas instituições; cotas raciais eleitorais; condições de crédito especiais para empreendedores negros; revisão de aspectos tributários que sejam “injustos” com a população negra e medidas que favoreçam pessoas negras em contratos com a administração pública, como as licitações. Das medidas relacionadas ao aspecto econômico, o que levanta questionamentos é o foco unicamente na raça, com ausência de critérios socioeconômicos para determinar quem terá acesso aos benefícios.
COMENTO
É uma pena que as políticas sociais, tantas vezes transpassem a linha divisória entre o justo e o abusivo, para transformar presumível carência em fonte de direito, segundo um mecanismo automático que converte o aludido “direito” em privilégio.
É o caso dessa Comissão contra o racismo que passou a vasculhar todas as possibilidades favorecidas pelo momento em que foi constituída. A Comissão foi formada logo após a morte de um consumidor negro agredido por dois seguranças brancos na saída de um supermercado aqui em Porto Alegre.
Toda morte de um ser humano naquelas condições agride a humanidade inteira. É para conter isso, para reprimir isso, que tais delitos estão tipificados no Código Penal. Tudo funcionaria melhor se, no passo seguinte, não aparecessem os meandros e a leniência dos procedimentos processuais. O crime ocorreu no dia 19 de novembro do ano passado e, decorridos quatro meses a justiça “ainda não concluiu se o crime teve motivação racial”, conforme se lê na matéria da Gazeta. E não tem como concluir, porque motivação. num caso assim, não se presume nem se deduz.
Agora, veja bem, leitor. Quando os criminosos forem condenados e começarem a cumprir pena, imediatamente se tornarão minoria discriminada e oprimida. Passam a ser protegidos por outros grupos defensores de minorias, como os do desencarceramento, e têm resguardo de uma execução penal fofa. Todo um discurso que se erguerá em sua defesa. Esses protetores dirão que a prisão é típica de uma sociedade discriminatória e vingativa.
A própria comissão, no seu viés, atua nessa direção. Entre suas pautas se inclui o problema do “encarceramento em massa da população negra”, como se os presos, de qualquer cor de pele estivessem lá por elevados serviços prestados à sociedade. E não como forma de punição que desencoraje as más ações (função original e fundamental de toda e qualquer pena).
Enfim, a Comissão contra o Racismo (vale a pena ler a matéria da Gazeta, indicada no pé desta página), é a cara do Brasil: em cada porta legislativa aberta há uma fila aguardando privilégios. No caso, cotas eleitorais, vantagens fiscais, financiamentos privilegiados e, até mesmo, benefícios em contratos com o setor público...
130 ANOS DO STF EM LIVRO - 03/03/2021
Desde que foi instalado no Rio de Janeiro, em 28 de fevereiro de 1891, o STF teve participação em inúmeros momentos do país, ora mais discreta, ora mais ostensivamente.
“500 CURIOSIDADES SOBRE O STF” selecionou acontecimentos, datas, trajetórias profissionais, debates acirrados de plenário, detalhes das sabatinas, quem recusou vagas e muito mais.
Isso se fazia necessário por uma razão elementar: o órgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro não é mais aquele desconhecido a que aludiu Aliomar Baleeiro, um dos seus mais notáveis integrantes. Ao contrário. Hoje, o STF é um protagonista praticamente diário.
A obra traz um universo de informações nem sempre abordadas em torno desta importante instituição cuja atribuição precípua é dar vida e sentido à Constituição Federal.
Dois propósitos essenciais impulsionaram o meu trabalho: desmistificá-lo enquanto instituição judicial e permitir que as pessoas possam conhecê-lo mais e melhor, tanto nos seus acertos quanto nas suas falhas. Afinal, nem sempre o tribunal exerceu com maestria as suas missões. Assim como teve altivez para enfrentar Floriano Peixoto, condenar no Mensalão e revogar a Lei de Imprensa, a Corte emudeceu diante da ascensão do Governo Provisório em 1930, tergiversou nas concessões de habeas corpus nos anos 60/70, instabilizou jurisprudências importantes, vem consolidando o predomínio de decisões individuais às colegiadas e recentemente determinou a prisão de um congressista desprezando a sua imunidade parlamentar.
Concebido em vista dos 130 anos da instalação do STF republicano (embora delineado bem antes), este livro foi escrito numa linguagem coloquial e sem maior rigidez cronológica nas curiosidades justamente para que a sua leitura seja uma atividade leve, informativa e agradável.
Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado, professor, autor e colunista da Revista VOTO e de Conservadores e Liberais – Puggina.org
PRÉ-VENDA DO LIVRO: https://editorathoth.com.br/produto/500-curiosidade-sobre-o-supremo-tribunal-federal-acontecimentos-datas-polemicas-debates-acirrados-sabatinas/242:
QUANDO HÁ UMA IMPRENSA QUE SÓ PENSA “NAQUILO” - 26/01/2021
Leio no excelente Diário do Poder
“Brasil é o quinto país que mais vacina desde o dia 17, início da imunização”
O país vacinou mais de 700 mi habitantes, em oito dias. No total mundial, desde meados de dezembro, Brasil é o 15º
O Brasil iniciou a imunização contra o coronavírus quase um mês depois dos países da rica Europa, como Dinamarca, Bélgica, Suíça Portugal etc. Mas, desde o dia 17, início da vacinação por aqui, o Brasil já é o 5º país que mais imuniza no mundo. Apenas Estados Unidos, Reino Unido, Índia e Israel vacinaram mais habitantes, no mesmo período, segundo a plataforma Our World in Data. No total, o Brasil é o 15º país com mais imunizados (mais de 700 mil). EUA estão em 1º, com 21,3 milhões. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
Em toda a América do Sul, cerca de um milhão de pessoas foram vacinadas. Desse total, 70% já são brasileiros.
A Argentina, muito elogiada na imprensa brasileira, iniciou a imunização no dia 29 de dezembro. Até ontem, imunizou menos da metade do Brasil.
COMENTO
Quando há uma imprensa que só pensa em derrubar o governo, com ideia fixa, com metas e estratagemas políticos, a informação verdadeira causa sensação! Produz o efeito de uma abertura da janela para entrada de ar puro. É o que se percebe quando se lê este conteúdo do Diário do Poder. Não é a verdade que escandaliza. O que escandaliza é a omissão da verdade.
Por outro lado, cabe acrescentar que essa velocidade no processo de vacinação alcançado no Brasil se deve à boa estrutura preexistente no país, de longa data. Campanhas de vacinação são rotineiras. Elas não acontecem, nem deixam de acontecer, por causa das redes de TV ou dos grandes jornais. Por mais pensem como Chanteclere, o galo de Edmond Rostand, que o dia nasce porque eles cantam.
FATOS E PERSONAGENS DA HISTÓRIA POLÍTICA - 23/12/2020
Francisco Ferraz
Nota do editor do site
Este e-book interessa pelo autor, temário, conteúdo e capa.
O professor Francisco Ferraz, ex-reitor da UFRGS e nacionalmente conhecido cientista político, criador e diretor do site Política para Políticos, acaba de lançar pela Amazon um e-book sobre fatos e personagens da História Política.
São palavras do qualificado autor, como introdução e apresentação de sua mais recente obra:
Este livro é composto de artigos sobre temas políticos diversos que possuem em comum sua singularidade, sua importância e relativo desconhecimento.
Os temas abordados são os mais variados. Desde uma revisão dos sistemas totalitários – fascismo, nazismo e comunismo – expondo os limites doentios de declarações e frases com que Mussolini, Hitler e Stalin pronunciavam sobre seus povos, bem como as expressões de culto à personalidade à outrance ditadas pelo pavor, pelo medo da perseguição, mas também por uma admiração devota ou por um amor sentido ou teatralizado.
Também há capítulos que contêm a narrativa de alguns filmes que ilustram episódios de origem histórica como Os fantasmas de Goya (inquisição espanhola); e a Carga da Brigada Ligeira - que narra a última ocasião em que a famosa Brigada Ligeira foi usada (Guerra da Criméia).
A brigada ligeira era a elite da cavalaria. Somente os mais hábeis cavaleiros e os mais rápidos cavalos dela faziam parte. Sua missão era atacar canhões com espadas e armas de fogo leves e captura-los como símbolo de vitória. Era uma batalha entre canhões e espadas; peças fixas e cavaleiros em alta mobilidade; munição pesada que destroçava animais e guerreiros e animais em extrema velocidade que avançavam em direção à artilharia. Canhões eram lentos para recarregar e eram úteis quando atiravam à distância. A carga da brigada ligeira era suicida para a maioria dos cavaleiros que eram destroçados pelos canhões e para os seus artilheiros quando a cavalaria chegava próxima deles com a espada desembainhada.
Os canhões procuravam atingir o máximo de cavaleiros à distância, enquanto podiam atirar seus projéteis; os cavaleiros precisavam com o máximo de velocidade chegar próximo aos canhões que perdiam sua função num combate corpo a corpo, onde a espada tornava-se a arma letal.
O capítulo sobre, A que depois de morta foi rainha se refere à expressão tão usada em Portugal e no Brasil sobre Inês de Castro: “Agora é tarde, Inês é morta”. É a história de um amor que termina não na morte de Inês, e sim na remoção de seu cadáver, no trono em que foi posta, no traje de rainha que a vestiu, na coroa a que tinha direito e na macabra cena dos nobres ajoelhando-se e beijando a mão da morta, imposta pelo rei seu viuvo como gesto de submissão à rainha...como se estivesse viva.
No capítulo sobre os Intermináveis aplausos a Stalin, é descrita a situação tragicômica dos aplausos a Stalin que nenhum membro do público atrevia-se a parar de aplaudir. Presente ou ausente Stalin era o alvo do aplauso que, uma vez iniciado ninguém se atrevia a parar de aplaudir (sempre haveria alguém para denuncia-lo!). Usando a ardorosa narrativa de personagens russos - entre eles Solzhenitsyn e Pasternak - esta situação de frequente ocorrência na União Soviética é descrita até o seu desenlace.
Tinha-se como certo que o mais longo aplauso(6 minutos) fora dado a Pavarotti. Descobriu-se mais tarde que foi Stalin quem recebeu o mais longo aplauso (11 minutos). O texto traz também o endereço no YouTube para você acompanhar a gravação deste aplauso que durou 11 minutos.
Outra situação peculiar é a Orquestra Fabril. No auge do entusiasmo revolucionário na União Soviética (1917/1918) surgiu um movimento para substituir a música clássica por uma outra de origem e características proletárias. Não mais Mozart, Beethoven, Bach, Tchaikovsky a revolução exigia a música proletária. Mas não com os instrumentos burgueses como violinos, piano, cello, flautas, fagotes.
Os novos instrumentos musicais tinham que ser aqueles usados pelos proletários para trabalhar: martelos, apitos, gemidos de máquinas, sirenas de fábricas; também não cabia fazer toda esta mudança e pôr um maestro de fraque a rege-la. O regente então ficava no teto do mais alto prédio das redondezas e, com duas bandeiras (uma em cada mão) regia a melodiosa composição.
Não durou muito este lance de criação revolucionária.
Também o livro contém dois capítulos mais longos. A narrativa do período de terror anarquista que se espalha na Europa no início do século XX, antes da I Guerra Mundial –Anarquismo a propaganda pelo ato e, a Caça às Bruxas, como arquétipo de manipulação do poder totalitário nas ditaduras e autoritarismos.
A análise mostra a similaridade da tecnica medieval de caça às bruxas e seus métodos com a polícia política e o poder judiciário em governos totalitários.
Por fim, num momento em que tanto se discute a universidade no Brasil, o discurso de Unamuno em defesa da universidade de Salamanca (em que era reitor) e da Espanha, enfrentando o General Millan-Astray, franquista, fascista extremado, brutal e sádico cujo lema era Viva la Muerte.
Uma última observação. É óbvio que uma variedade de temas como esta resulta de escolhas individuais do autor. Espero que a sua leitura agrade seus leitores.
ÍNDICE
1. ENTENDER O SEU TEMPO: CHAVE DO SUCESSO POLÍTICO
2. OS FANTASMAS DE GOYA-
3. FASCISMO E NAZISMO: DUAS TRAGÉDIAS ANUNCIADAS
4. OS INTERMINÁVEIS APLAUSOS A STALIN
5. SINFONIA FABRIL NA RUSSIA DE 1917
6. O GRANDE INQUISIDOR FIODOR DOSTOIEVSKI
7. CRIMEIA: O EPISÓDIO DA CARGA DA CAVALARIA LIGEIRA
8. “AGORA É TARDE, INÊS É MORTA”
9. A RESISTÊNCIA ITALIANA NA II GUERRA MUNDIAL E SEU HINO BELLA CIAO
10. A TRADIÇÃO COMO A SABEDORIA POLÍTICA INGLESA
11. O ANARQUISMO: A PROPAGANDA DO ATO
12. A “CAÇA ÀS BRUXAS”, A TRAJETÓRIA DE DESTRUIÇÃO DA DEMOCRACIA
13. UNAMUNO DISCURSO EM DEFESA DA UNIVERSIDADE
14. A DESTRUIÇÃO DA CATEDRAL DE CRISTO SALVADOR EM MOSCOU
15. UMA CIDADE AO MAR
GOLPISTAS ATACAM PELO WHATSAPP - 26/11/2020
Há um surto de golpes proporcionado por meliantes que agem através do WhatsApp. Com muito mais bandidos soltos do que presos, com pressão política e judicial para desencarcerar, facilitar a atividade criminosa, relaxar as condutas repressivas (quando não em extinguir as polícias militares e desarmar os policiais), era inevitável vivermos uma alvorada festiva da bandidagem.
Diversos casos no meu círculo de relações relatam o mesmo procedimento: alguém envia mensagem pelo WhatsApp fazendo-se passar por amigo ou familiar da pessoa escolhida para extorquir. Usa, no seu Whats, uma foto da pessoa por quem querem se fazer passar. Informa que mudou seu número de telefone e manda a pessoa registrar o novo (aquele que está usando para a conversa). Alega estar com um compromisso financeiro no mesmo dia e não poder acessar os próprios recursos em virtude de alguma dificuldade com o Pix e pede que a pessoa passe dinheiro para determinada conta (provavelmente laranja).
Portanto, fique atento para ligações dessa natureza. Não fique nervoso. A probabilidade de ser falsa é de 100%. Na dúvida, adie a resposta e entre em contato com seu parente ou amigo que estaria lhe fazendo a solicitação. Observe se a forma de tratamento corresponde à que tal pessoa normalmente usaria ao falar com sigo. Como regra, não é assim.
O GLOBO E AS OUTRAS DROGAS - 15/11/2020
Com o título “Descriminalização de drogas avança nos EUA e serve de exemplo ao Brasil”, o jornal O Globo, em sua edição do dia 14 de novembro publicou o seguinte editorial. Editorial, como se sabe, expressa a opinião do veículo sobre o assunto que nele é abordado. Diz O Globo (1):
“(...) Ao mesmo tempo que a maioria dos eleitores americanos tratava de tirar Donald Trump da Casa Branca, muitos também votavam em plebiscitos estaduais para ampliar a liberação do uso recreativo e da aplicação medicinal das drogas. Tais consultas mostram quanto o Brasil está atrasado nesse campo, apesar dos esforços de legisladores, juízes e pesquisadores.
Arizona, Montana, Nova Jersey e Dakota do Sul juntaram-se a 15 outros estados — além do distrito de Columbia, sede da capital federal, Washington — onde o comércio e o consumo de maconha é legal. No Mississipi, a maioria dos eleitores aprovou o uso medicinal da erva (como também em Dakota do Sul). Dos 50 estados americanos, 33 já haviam liberado substâncias da cannabis como medicamento, segundo a Organização Nacional para a Reforma das Leis sobre a Maconha (NORML, na sigla em inglês). No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desburocratizou a importação do canabidiol, medicamento derivado da maconha, mas o país impede o plantio para abastecer laboratórios. É uma incongruência.
A tendência à descriminalização nos Estados Unidos levou a população do Oregon a aprovar não apenas posse e consumo de maconha, mas também de cocaína, heroína e metanfetamina, entre outras drogas (...).”
COMENTO
Essa atitude perante as drogas, considerada “progressista”, e que, por isso mesmo, tem o Grupo Globo na linha de frente, está levando os Estados Unidos à perda de algumas posições de liderança no cenário internacional. A perspectiva dita “progressista” transforma em direito natural os impulsos do ser humano aos vícios, paixões, pulsões e revoga as possibilidades que a civilização descortina no sentido do bem.
Não é de hoje que as drogas ganham espaço nas novelas e nos naturais torvelinhos da vida. Verdadeira legião de atores e artistas criados no ambiente “global” foram vitimados por esses vícios que a empresa quer ver descriminalizados e liberados.
Diante desse quadro e da militância política que o Grupo Globo vem fazendo, chega a surpreender que haja brasileiros dispostos a colocar o pupilo “global” Luciano Huck no partidor da corrida presidencial de 2022. Entregar a presidência da República para o Grupo Globo seria a sandice final de nossa história política.
MINISTRA TEREZA CRISTINA ACOMPANHA DIPLOMATAS EM VIAGEM À AMAZÔNIA OCIDENTAL - 05/11/2020
A missão é organizada pelo vice-presidente Hamilton Mourão por meio do Conselho Nacional da Amazônia Legal
A ministra Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e diplomatas de vários países sobrevoaram áreas da Amazônia nesta quarta-feira (4). O sobrevoo faz parte da programação da missão, liderada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, por meio do Conselho Nacional da Amazônia Legal, para mostrar ações do governo federal para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Ocidental. Os diplomatas irão visitar as cidades de Manaus, São Gabriel da Cachoeira e Maturacá, todas no estado do Amazonas, até o dia 6 de novembro.
O objetivo é mostrar a atuação de ministérios e demais órgãos federais nas áreas urbanas e remotas da região. "A iniciativa tem por objetivo mostrar à comunidade nacional e internacional que a Amazônia brasileira continua preservada e que sua complexidade ambiental e humana não permite um entendimento genérico da região. Conhecer é a base para entender e sugerir ações para contribuir com o desenvolvimento sustentável da região, preservando, protegendo e desenvolvendo nossa imensa floresta tropical", destaca a vice-presidência.
A ministra ressaltou que a missão será uma oportunidade para os diplomatas conhecerem iniciativas bem-sucedidas na região. "Temos problemas, mas também temos muitas coisas boas em termos de sustentabilidade para mostrar para o mundo", disse, em Manaus. Tereza Cristina reforça a diversidade do bioma, que reúne 22 tipos de vegetação, e que tem 80% de sua área preservada. "Agora, temos que restabelecer a verdade. A verdade é que nós temos um território enorme, que a Amazônia está preservada".
Uma dessas iniciativas é o Projeto Integrado de Colonização (PIC) Bela Vista, coordenado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), e que será apresentado pela ministra nesta quinta-feira (5). Localizado em Manaus, o projeto abriga famílias assentadas em uma área de aproximadamente 785 mil hectares, ocupada desde 1971. Atualmente, dos 1.311 lotes georreferenciados, 446 já receberam o título definitivo, sendo 97% constituídos por pequenas propriedades (inferiores a 400 hectares).
Apesar do grande potencial econômico da região, a ministra enfatiza que muitas famílias vivem com baixa renda. Conforme ela, a melhora de renda passa pelo processo de regularização fundiária. "Temos pessoas que estão aqui há mais de 20 anos, que foram trazidas para cá, muitas vezes, por governos anteriores. Essas pessoas têm o direito a ter qualidade de vida e não viver em um lugar riquíssimo que tem um dos piores IDHs [Índice de Desenvolvimento Humano] do Brasil".
Está prevista a participação dos seguintes chefes de missões diplomáticas: África do Sul, Espanha, Peru, Colômbia, Canadá, Suécia, Alemanha, Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), União Europeia, Reino Unido, França e Portugal.
A comitiva é também integrada pelos ministros do Meio Ambiente, das Relações Exteriores, da Saúde, do Gabinete de Segurança Institucional, do chefe de Estado do Conjunto das Forças Armadas do Ministério da Defesa e o senador Nelsinho Trad.
COMO LAVAR DINHEIRO COM SEGURANÇA - 28/10/2020
Leio no Estadão
Advogados propõem mudanças que esvaziam lei de lavagem de dinheiro. Comissão designada pela Câmara sugere dificultar punição, reduzir pena e até anular condenações.
BRASÍLIA – As duas primeiras reuniões da comissão designada pela Câmara dos Deputados para discutir a atualização da lei de lavagem de dinheiro surpreenderam autoridades de órgãos de controle que acompanham a discussão. Advogados de condenados na Lava Jato e no mensalão têm defendido mudanças que contrariam convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, e que podem levar à anulação de sentenças.
O grupo foi formado em setembro, a pedido do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para formular um relatório com propostas de mudanças para a lei de lavagem. Esse relatório deve fundamentar um novo projeto de lei legislativo com sugestões de alterações alterando nas regras atuais. A comissão é formada por 44 integrantes, sendo 24 advogados, 13 membros do Poder Judiciário e 7 do Ministério Público. Não há representantes, por exemplo, do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), nem da Receita Federal.
COMENTO
Fatos como esse reforçam a sensação de que os ratos montaram armadilha para pegar os donos da casa. Não é possível! O Brasil virou um manicômio? Lendo outros jornais que divulgaram a mesma notícia, percebi que as propostas danosas foram apresentadas por advogados, que fazem o grupo mais numeroso da tal comissão. Mas é um sinal sinistro a ausência de representantes de órgãos do Poder Executivo diretamente envolvidos com o controle dessas operações.
Conhecendo a banda e seu repertório, posso antever: quer venham, quer não venham inscritos no projeto da nova lei de lavagem os artigos que beneficiam os criminosos dessa especialidade eles apareceram no plenário, em forma de emendas. Como brasileiro espero estar enganado, ponho esperança, mas não levo fé.
NEGLIGÊNCIA DOS CONSERVADORES - 21/09/2020
Leio no portal da Câmara dos Deputados
A comissão externa criada na Câmara dos Deputados para acompanhar os trabalhos do Ministério da Educação (MEC), aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (10) o relatório final, apresentado pelo deputado Felipe Rigoni (PSB-ES).
O relator apresentou nova versão do texto nesta segunda (9), incorporando algumas sugestões de deputados. Entre elas, a recomendação ao Poder Executivo de apoio aos estados, DF e municípios para implementação do ensino técnico.
Rigoni explica os próximos passos do colegiado: “Apresentaremos o relatório ao presidente da Câmara, à Comissão de Educação, que terá a responsabilidade de aprovar os projetos sugeridos, e ao próprio ministro da Educação e sua equipe, se assim o desejarem”, disse.
"A partir daí, continuaremos com os trabalhos da comissão acompanhando a gestão do MEC e acompanhando como as sugestões estão sendo implementadas”, completou.
O texto, que tem 273 páginas, avalia o planejamento e a gestão do MEC como “muito aquém do esperado e insuficientes para dar conta dos desafios educacionais que se apresentam no País". Evidência disso, segundo Rigoni, é que o ministério ainda não apresentou Planejamento Estratégico para o ano de 2019, e diversas metas do Plano Nacional de Educação (PNE) estão atrasadas sem cronograma de ação para atingi-las.
Rigoni acrescenta que outro fator preocupante é a baixa execução orçamentária em diversos programas. Conforme Rigone, até julho foi executado apenas 4,4% do montante para investimentos do MEC — valor que corresponde a menos da metade do executado no mesmo período de 2018.
“A gente não está só batendo de frente, está apresentando soluções, está apresentando caminhos. E ano que vem é mais trabalho de novo, aqui na Câmara para aprovar os projetos que a gente sugere. E com o Ministério da Educação, para que a gente possa corrigir essa rota juntos”, disse a coordenadora do colegiado, deputada Tabata Amaral (PDT-SP).
Fonte: Agência Câmara de Notícias
COMENTO
Todos sabemos o quanto é fundamental ao conservadorismo agir contra a influência do movimento e dos partidos revolucionários sobre a Educação. Nela é cozinhado o pão da revolução cultural, é manipulada a história, são construídas versões, é dominada a linguagem, são destruídos valores, são desestruturados os fundamentos de uma ordem moral e manipulados princípios para manipular leis. Ou não. Ou se evita, ali, que isso aconteça. Nesse território, infelizmente, os militantes dos movimentos revolucionários agiram com total liberdade de ação durante décadas, produzindo os resultados que bem observamos.
O texto transcrito acima é do ano de 2019. A Comissão Externa, como tudo ao longo deste ano, enfiou nariz na máscara e não teve atividade registrada. A última está datada de 17/12/2019.
O que chama atenção é a composição desse colegiado. A saber, Coordenador Felipe Rigoni (PDT/ES); Vice-Coordenador João H. Campos (PSB/PB); Relatora Tabata Amaral (PDT/SP. A estes se acrescem seis sub-relatores, sendo dois do PDT um do PSB, um do PV, um do PTB e um do Novo.
O leitor poderá perguntar, mas não havia conservadores em posição de influência, seja de coordenação ou relatoria? Não. “Para quê?”, talvez tenham perguntado entre si os demais membros da comissão, inteiramente confiada a mãos e a um comando comando “terrivelmente” esquerdista.
Uma Comissão da Câmara vai “ficar de olho no MEC (logo no MEC!) e é controlada pela oposição esquerdista que quer deixar tudo como está, limitando-se a pedir mais e mais verbas. É alarmante a negligência de congressistas eleitos em 2018 por eleitores conservadores, num pleito em que estes se revelaram majoritários, mas votaram em representantes sem esse perfil. Que sirva de lição.
* Colaborou: Denisa Puggina
DECLARAÇÃO HUMANITÁRIA URGENTE EM APOIO À LIBERTAÇÃO DE SILVERIO PORTAL CONTRERAS. - 01/09/2020
E há partidos políticos no Brasil em êxtase permanente com o regime cubano e sua desumana “revolución”! Seus líderes no Brasil chilream como passarinhos sobre direitos humanos e apoiam política e financeiramente aquela ditadura que já conta seis décadas!
"Para a Suprema Corte de Cuba:
O preso político cubano Silverio Portal Contreras está mantido incomunicável na prisão de San Miguel del Padrón, de 1580, em Havana. Depois de seis meses sem vê-lo, sua esposa, Lucinda González, foi informada de que possivelmente ele será transferido para o Hospital Carlos J. Finlay, o que mostra o agravamento de seu já precário estado de saúde.
Diante desse novo cenário, o signatário exige a liberação imediata de Silvério, o que lhe permitiria voltar para casa e se recuperar com assistência médica adequada.
Portal Contreras liderou o projeto “Chega de mortes em Cuba por deslizamentos de terra”, cujo objetivo era protestar perante as instituições do Estado para exigir a proteção das pessoas que vivem em prédios em mau estado de suas comunidades. Por suas legítimas demandas, foi condenado a quatro anos de prisão pelos supostos crimes de "desordem pública" e "desacato". O incidente pelo qual foi condenado ocorreu em 20 de junho de 2016, mas o Ministério Público só apresentou a denúncia em 4 de setembro de 2017.
Dois anos e meio se passaram desde o encarceramento de Silverio Portal Contreras, em que a epilepsia e a hipertensão que ele sofria antes de chegar à prisão foram agravadas por um infarto cerebrovascular, duas isquemias transitórias, perda de visão em um olho após espancamento e perda progressiva da visão do outro após o diagnóstico de diabetes.
Várias organizações internacionais falaram a favor de sua libertação. Em 22 de julho de 2020, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) concedeu uma medida cautelar a favor de Portal Contreras. Anteriormente, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenção Arbitrária pediu sua libertação imediata junto com outros sete presos políticos cubanos. Além disso, a Amnistia Internacional o declarou um “Prisioneiro de Consciência” e o Parlamento da União Europeia manifestou preocupação com o seu caso.
O Portal Contreras não cometeu crimes de sangue, violência ou furto. Ele foi sancionado por defender publicamente o direito constitucional à moradia digna para aqueles de nós que vivemos em Havana. Ele queria evitar novos deslizamentos de terra, como o que custou a vida a três meninas inocentes. Absurdo que venha a morrer na prisão!
Exigimos que Silverio Portal Contreras seja libertado imediatamente devido ao agravamento acelerado do seu estado de saúde, o que pode ser agravado pelo perigo da epidemia de COVID-19 na Ilha. Este comunicado e as ações que iremos progressivamente anunciando em apoio ao nossa demanda, se unem à campanha para trazer liberdade aos presos políticos e pôr fim às arbitrariedades cometidas contra eles que está sendo realizada em Cuba por uma parte importante de nossa sociedade civil. Unimo-nos, também, aos pronunciamentos internacionais sobre os prisioneiros de consciência cubanos e, especialmente, sobre o caso de Silverio. Acreditamos que essas solicitações dos cidadãos não devem continuar a ser ignoradas pelas autoridades."
Nota: Seguem-se as assinaturas de 168 intelectuais e artistas cubanos.
* Original em espanhol: https://s3.eu-central-1.amazonaws.com/qurium/cubanet.org/noticias-silverio-portal-declaracion-humanitaria-urgente-demanda-su-liberacion.html
PAULO GUEDES TEM RAZÃO - 29/08/2020
Leio em Exame.com
* https://exame.com/economia/renda-brasil-de-300-reais-pode-provocar-furo-bilionario-no-teto-de-gastos/
Renda Brasil de 300 reais pode provocar furo bilionário no teto de gastos.
Com uma dívida bruta próxima a 100% do PIB e um déficit fiscal primário de 934 bilhões de reais, previsto para este ao, o governo deve enfrentar um grande desafio fiscal para equacionar a extensão do auxílio emergencial e o Renda Brasil sem furar o teto de gastos. Mesmo que o auxílio emergencial seja de 300 reais por mês, seria necessário unificar diversos benefícios sociais para não exceder o espaço fiscal de 15 bilhões de reais do orçamento, aponta um estudo inédito do BTG Pactual.
O levantamento, elaborado pelos economistas Gabriel Barros, Álvaro Frasson e Luiza Paparounis, concluiu que a única forma de não furar o teto de gastos seria unificar os benefícios sociais atuais como o salário-família, Bolsa Família, farmácia popular, seguro defeso e abono salarial, o que, na visão do mercado, parece pouco provável.
Segundo os cálculos do BTG Pactual, nesse cenário seria possível custear um benefício de 250 reais por mês para 22,5 milhões de famílias ou de 350 reais mensais a 15 milhões de famílias com um gasto de 15 bilhões de reais, respeitando o teto de gastos.
Caso o programa Renda Brasil, que está sendo desenhado pelo governo, seja estendido a 15 milhões de pessoas, com um valor mensal de 300 reais, o custo para o governo seria de 25,5 bilhões de reais. Se forem atendidas 17,5 milhões de pessoas com o mesmo valor, o risco fiscal aumenta substancialmente, já que o custo anual do programa seria de 35,2 bilhões de reais.
COMENTO
O novo coronavírus desnorteou a economia. Não tenho registro de memória sobre qualquer momento em que a União esteve tão próxima, tão acessível e tão pródiga com seus estados e municípios. A União deu o que não tinha, elevou a dívida pública a 100% do PIB, socorreu os prejudicados por uma política de suspensão das atividades econômicas com a qual o governo não concordava. Essa política derrubou o PIB, elevou o desemprego, fez cair a receita tributária e não evitou a triste mortandade atribuída à covid-19. Quando o vírus arrefecer sua truculência no país, um milhão de empresas terão encerrado definitivamente as portas.
Paulo Guedes se vira nos 30. Que Deus lhe dê energia, sabedoria, ciência e paciência. Os cálculos voltados para programas de complementação de renda mostram, nas várias alternativas, custos bilionários a serem cobertos com valores indisponíveis, se preservado o teto de gastos. A situação se agrava porque gastos públicos em compromissos mensais, uma vez criados, tornam-se eternos como os diamantes.
Entende-se o entusiasmo do presidente com o efeito político-eleitoral dos benefícios sobre um eleitorado que o PT contava como seu. Não é um eleitorado cativado pelo discurso do PT, mas porque os líderes petistas são uma versão repaginada dos coronéis que dominam, historicamente, a política da região. Quando eu os conheci, eles eram do PDS, depois foram para o PFL (hoje DEM), e dali para o PT. A despeito dessa vantagem eleitoral, a União não pode furar o teto e pedir para os estados e municípios respeitarem o próprio teto de gastos.
Os dois melhores programas sociais do mundo são Educação e Trabalho. Programas de renda mínima não proporcionam evolução no Índice de Desenvolvimento Humano, objetivo a ser perseguido. Os programas de renda mínima, no entanto, não o proporcionam. Evitam a descensão, mas não produzem ascensão. Por isso, aliás, o Brasil vem perdendo posições relativas no ranking mundial do IDH.
Nota final
Se me fosse solicitado um conselho, seria este: é preferível trazer os programas sociais para um patamar mais baixo em valor e aplicar a diferença em formação para o trabalho.
DECIFRA-ME OU TE DEVORO - 31/07/2020
Presidente em plena batalha contra o coronavírus considera seriamente demitir o medico comandante da batalha que tem sobrenome italiano e que no julgamento de muitos esta fazendo um bom trabalho.
A oposição esta se preparando para fazer um escândalo com a demissão do tal médico. O pomo da discórdia é reabrir ou nao a atividade econômica do país, levantando paulatinamente a quarentena de certas atividades em áreas onde a pandemia não existe ou é muito pequena.
O governador do estado epicentro da pandemia, que faz oposição ferrenha ao Presidente está de tocaia esperando o momento de dar o bote final no presidente.
Em alguns estados, populares fazem protestos ao fechamento da economia.
Se eu pedir a voce leitor que ponha nomes nos protagonistas da história acima, ela ficaria assim:
Presidente: Bolsonaro;
Medico comandante da batalha: Mandetta;
Estado do epicentro: São Paulo
Governador do estado João Doria
Beleza, mas se eu traduzir a história palavra por palavra para o Inglês, ou seja exatamente a mesmíssima história e entregar o texto para um anglofônico a resposta muda para:
Presidente: Trump;
Medico comandante da batalha: Fauci;
Estado do epicentro: N. York;
Governador do estado: Andrew Cuomo
Como pode uma situacao como essa colocar na mesma, na exatíssima mesma história, dois paises tao diferenrtes como Brasil e USA?
Mas essa pergunta se soma a muitas outras coincidencias que se acumulam desde 2018.
HIDROXICLOROQUINA: AMB DEFENDE AUTONOMIA DO MÉDICO - 21/07/2020
A Associação Médica Brasileira acompanha diversos estudos e pesquisas sobre a utilização de fármacos para tratamento ou quimioprofilaxia da Covid-19 que estão em curso no mundo inteiro. A avaliação é de que, até o momento, não existem estudos seguros, robustos e definitivos sobre a questão. Mesmo nos mais recentes, especialmente os da última semana, há várias fragilidades que impedem que sejam considerados conclusivos. Limitações foram alertadas pelos próprios autores, mas solenemente ignoradas por aqueles que parecem torcer pelo coronavírus.
Os holofotes da sociedade voltados para a pandemia, e em especial para a classe médica, por vezes acabam alimentando vaidades e ofuscando a percepção sobre a tênue fronteira entre o campo técnico-científico e o campo político/ideológico/partidário.
Quando, em 22 de maio, a revista The Lancet divulgou resultados de uma pesquisa que comprovaria a aparente ausência de efeitos da hidroxicloroquina no combate à Covid-19, causou espanto a reação de algumas pessoas e entidades: estavam comemorando!!!Ficava claro ali que a discussão havia sido politizada. Afinal, o que justificaria tamanha euforia diante de notícia tão frustrante para a saúde da população? E justamente em um momento de ausência de tratamentos efetivos…
Dias depois, a The Lancet veio a público para se desculpar e informar que iria “despublicar” o estudo, a pedido dos autores. As “certezas” caíram por terra e o alarmismo contra o uso do fármaco silenciaram diante da perplexidade do caso.
Infelizmente, pouco se aprendeu com o episódio. Médicos, entidades, políticos, influenciadores e palpiteiros seguem monitorando estudos sobre o uso de hidroxicloroquina em pacientes acometidos pela Covid-19. Uns procurando provas de que se trata da salvação. Outros, de que é puro placebo. Ou pior: veneno (mesmo diante do fato de que os efeitos adversos são limitados e conhecidos há mais de cinco décadas). Muitos sairão da pandemia apequenados, principalmente médicos e entidades médicas que escolherem manipular a ciência para usá-la como arma no campo político-partidário.
É bastante provável que cheguemos ao final da pandemia sem evidências consistentes sobre tratamentos. E também sobre diversos outros aspectos próprios de uma nova enfermidade. Pois estudos adequados e robustos são caros e demorados. E estamos falando de uma medicação barata, que, portanto, não tem, nem terá financiamento da indústria que suporte os investimentos necessários para minimizar as incertezas.
“Análises criativas” dos atuais estudos permitem quaisquer tipos de interpretações. E vêm sendo usados de forma irresponsável pelos que tentam extrair deles conclusões que nem mesmo os autores se atreveram a patrocinar. Nesse cenário, os estudos recentes não podem ser considerados conclusivos, tampouco verdade científica, pois carecem de evidências.
O derby político em torno da hidroxicloroquina deixará um legado sombrio para a medicina brasileira, caso a autonomia do médico seja restringida, como querem os que pregam a proibição da prescrição da hidroxicloroquina. Essa restrição vai contra a própria Declaração de Helsinque: “No tratamento de um paciente individual, em que não existem intervenções comprovadas ou outras intervenções conhecidas foram ineficazes, o médico, após procurar aconselhamento especializado, com consentimento informado do paciente ou de um representante legal, pode usar uma intervenção não comprovada se, no julgamento do médico, oferecer esperança de salvar vidas, restabelecer a saúde ou aliviar o sofrimento. Essa intervenção deve ser posteriormente objeto de pesquisa, destinada a avaliar sua segurança e eficácia. Em todos os casos, novas informações devem ser registradas e, quando apropriado, disponibilizadas ao público”.
A AMB é signatária da Declaração de Helsinque, da WMA, juntamente com associações médicas de centenas de países. E tem o compromisso de defender a preservação da autonomia do médico. Também defenderá o Parecer 4/2020 do Conselho Federal de Medicina, que disciplina o assunto.
É importante lembrar que o uso off label de medicamentos é consagrado na medicina, desde que haja clara concordância do paciente. E que, sem a prática do off label, diversas doenças ainda estariam sem tratamento. Não se trata de apologia a este ou àquele fármaco. Trata-se de respeito aos padrões éticos e científicos construídos ao longo dos séculos.
Não podemos permitir que ideologias e vaidades, de forma intempestiva, alimentadas pelos holofotes, nos façam regredir em práticas já tão respeitadas. Não se pode clamar por ciência e adotar posicionamentos embasados em ideologia ou partidarismo, ignorando práticas consolidadas na medicina. Isso é um crime contra a medicina, contra os pacientes e, sobretudo, contra a própria ciência.
DIRETORIA DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA BRASILEIRA
19 de julho de 2020
COMENTO
Leia essa nota e tire suas conclusões. Quem procurar por ela, bem acessível no site da AMB (AMP.org.br) encontrará um extenso debate travado entre os leitores. Fica evidente que há um grupo que prefere morrer numa UTI a admitir que um tratamento precoce, com esse grupo de medicamentos, possa ser útil contra os malefícios do vírus. Isso seria dar razão ao presidente da República e dizer que também nisso esteve errado o Dr. Mandetta. Há uma espécie de demência em relação a esse tema. Medicamento com torcida contra! E quem faz isso? Os mesmos de sempre.
DOIS OUTDOORS, DUAS HISTÓRIAS - 12/07/2020
Em Santa Maria, um grupo denominado As Republicanas resolveu instalar dois outdoors de apoio ao presidente da República. Através de vaquinha entre suas integrantes, o grupo amealhou recursos para pagar a instalação contratada com empresa do setor. O primeiro foi colocado na rótula de acesso à UFSM e outro em espaço valorizado, locado pela empresa junto a terreno da Basílica Nossa Senhora Medianeira, num importante eixo viário da cidade onde há vários painéis instalados.
O primeiro foi vandalizado. Jogaram sobre ele tinta preta. Por sorte chovia e a água impediu que a tinta censora cumprisse seu papel, facilitando a remoção. O segundo acertou os pruridos políticos de alguma autoridade com prerrogativas sobre o terreno que exigiu da locadora de outdoors que o instalasse longe dali. O fato me fez lembrar a live a que assisti recentemente na qual Lula e Leonardo Boff conversam sobre suas histórias e memórias e na qual Lula afirma que o PT sequer existiria sem a Teologia da Libertação...
A qualquer das histórias dos outdoors acorrem antigas preocupações das democracias: não pode haver democracia de qualidade sem democratas; a tolerância dispensa os intolerantes.
A tolerância é um importante valor social; o convívio entre os diferentes é sua principal consequência; a igual dignidade de todos, seu maior fundamento. Mas a tolerância não se confunde com a permissividade que costuma andar associada à sua atual concepção entre nós. A tolerância com o intolerável, a tolerância para com quem se vale dela com vistas ao seu próprio agir intolerante, deixa de ser uma virtude social para se tornar um comportamento irresponsável e condenável. É muito comum que, em nome da tolerância, a sociedade contemple de modo passivo a violência que pisa no jardim do vizinho, que invade sua casa, que o prende e o leva. Ou, no viés político, é intolerável a tolerância para com os partidos que pregam e estimulam a violência, valendo-se da democracia para agir contra a democracia.
Os dois outdoors:
https://www.facebook.com/robertapereiraleitao/videos/2846380232259764/
https://www.facebook.com/109361464176820/posts/113152197131080/
A NEUTRALIDADE SELETIVA DE CERTAS INSTITUIÇÕES - 11/04/2020
Manifesto do Ministério Público Pró-Sociedade
O Ministério Público Pró-Sociedade tomou conhecimento da instauração de um procedimento na Corregedoria Nacional de Justiça contra o desembargador Alberto Anderson Filho que, atuando com compromisso com a Sociedade e a Justiça, denegou liminar em mais um desses habeas corpus que tentam colocar condenados e presos provisórios em nossas ruas, sem que tenha cessado a razão de sua prisão, aproveitando-se da situação de Pandemia que mudou de forma grave nosso cotidiano e causa pânico nas pessoas.
Tal instauração de procedimento intimida o exercício correto de sua função judiciária, na qual utilizou uma comparação bastante pertinente: apenas três astronautas que estão fora da superfície da terra é que não estão correndo risco de contaminação com o COVID-19. Nenhuma ofensa há em sua decisão, nenhum ataque pessoal, nenhum xingamento. Formulamos, aqui, um voto de louvor, não só a esse magistrado, como a todos os que estão mostrando a coragem de decidir conforme a necessidade da Sociedade: evitando acréscimo de risco nas ruas.
Entendemos que, esses restritos de liberdade correm risco bem menor, pois já estão confinados e afirmamos mais: que as pessoas de bem estão em suas casas, apavoradas ou precisam sair e temem ainda mais a contaminação. A soltura generalizada de quem deveria estar preso apenas vai aumentar esse pavor e, em breve, mostrar que havia motivo para ele existir.
Chamaram os apóstolos e mandaram açoitá-los. Depois, ordenaram-lhes que não falassem no nome de Jesus e os deixaram sair em liberdade.
Os apóstolos saíram do Sinédrio, alegres por terem sido considerados dignos de serem humilhados por causa do Nome.
Todos os dias, no templo e de casa em casa, não deixavam de ensinar e proclamar que Jesus é o Cristo. (Atos dos Apóstolos 5:40 a 42).
COMENTO
O desembargador Alberto Anderson Filho apontou o absurdo do pleito que bate às portas do Judiciário em todo o país pedindo a soltura dos detentos em virtude do Covid-19. Ao recusar a pretensão, o magistrado lembrou os três astronautas da estação espacial e iluminou a situação com a mais robusta lógica.
Quando os fundilhos do ridículo ficam expostos, o feito viraliza.
Viraliza e incomoda, como de fato incomodou. A Associação MP Pro Sociedade manifestou-se publicamente em apoio ao magistrado e foi vitimada por uma representação junto ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), pela qual o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Justiça dos Ministérios Públicos dos Estados e da União pretende que a associação seja proibida usar "Ministério Público" e "MP" em suas manifestações sobre a pandemia e outros temas de interesse institucional, em uma franca tentativa de enquadramento não só da associação como de seu presidente.
Ainda que não tenha havido desdobramentos no procedimento, pois o CNMP ainda não se pronunciou quanto ao pedido, a Associação MP Pro-sociedade, através de seu presidente Marcio Luís Chila Freyesleben, manifestou-se publicamente assim:
O Coletivo Transforma MP, o Ministério Público Democrático, a Associação dos Juízes pela Democracia constantemente fazem manifestações publicas opinando sobre questões públicas e sobre processos e casos concretos.
Hoje vimos que a entidade privada CNPG, que usa "Procuradores-Gerais" e “Ministérios Públicos" em seu nome - Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais de Justiça dos Ministérios Públicos dos Estados e da União - resolveu representar contra a Associação MP Pró-Sociedade, legal e constitucionalmente constituída e, pessoalmente, contra seu Presidente, visando a impedir que a Associação tenha MP ou Ministério Público em sua denominação.
Mas o CNPG não usa nome de cargo e do MP em sua denominação? Ele que nunca fez o mesmo contra as entidades que tinham a hegemonia do debate defendendo ideologias? E agora se volta contra uma associação que tem membros conservadores, sendo que conservadorismo não é ideologia, mas a negação dela, como bem explicam Stuart Hughes e Russel Kirk.
Por que esse Duplipensar? A quem isso serve?
A pergunta que deve ser feita é: a proibição de liberdade de expressão é apenas imposta a quem não segue ideologias? Apenas contra quem defende a soberania nacional? Apenas contra quem acredita que a Sociedade é a verdadeira titular do Poder?
Apenas contra quem repudia a bandidolatria?
Aliás, praticamente todas as associações de membros do MP têm "Ministério Público" em seu nome: pelo óbvio motivo de reunir membros do MP.
Sobre nosso presidente, Márcio Chila, indagamos: tem ele menos direito à liberdade de expressão que as associações e "coletivo" citados? Por que se escolhe ele pra ser atacado e nunca os membros das entidades supracitadas?
Enfim, repudiamos a representação lançada contra a Associação MP Pró-Sociedade e seu presidente e a denunciamos como mais uma tentativa de censura, de tentar calar as vozes que não concordam com avanços totalitários e que exercem o contraditório que era negado pela espiral do silêncio.
COMENTO
Fica claro, tanto na situação descrita quanto nas razões apresentadas pelo MP Pró-Sociedade, a neutralidade seletiva pela qual esgrimam retoricamente certas instâncias institucionais nos poderes de Estado. Há um visível alinhamento ideológico que franqueia pela esquerda e bloqueia pela direita.
CONFINAMENTO, TESTES EM LARGA ESCALA E CLOROQUINA. - 28/03/2020
Nota do editor: Esta entrevista de Didier Raoult ao jornal Le Parisien (22/03) foi transcrita por Gilberto Simões Pires em Ponto Crítico (27/03)
IMPERDÍVEL ENTREVISTA DE DIDIER RAOULT:
CONFINAMENTO, TESTES EM LARGA ESCALA E CLOROQUINA.
CLOROQUINA
LE PARISIEN: - O governo autorizou um grande ensaio clínico para testar o efeito da cloroquina no coronavírus. É importante para você ter obtido isso?
DIDIER RAOULT: - Não, eu não ligo. Eu acho que existem pessoas vivendo na Lua que comparam os testes terapêuticos da AIDS com uma doença infecciosa emergente. Eu, como qualquer médico, uma vez demonstrado que um tratamento é eficaz, acho imoral não administrá-lo. É simples assim.
LE PARISIEN: - O que você diz aos médicos que pedem cautela e estão reservados quanto aos seus testes e ao efeito da cloroquina, especialmente na ausência de mais estudos?
DIDIER RAOULT: - Entenda-me bem: sou um cientista e penso como um cientista com elementos verificáveis. Eu produzi mais dados sobre doenças infecciosas do que qualquer pessoa no mundo. Sou médico, vejo pessoas doentes. Eu tenho 75 pacientes hospitalizados, 600 consultas por dia. Então as opiniões de todos, se você soubesse como eu não me importo. Na minha equipe, somos pessoas pragmáticas, NÃO PÁSSAROS DE PROGRAMAS DE TV.
ENSAIOS EM LARGA ESCALA
LE PARISIEN: - Como você começou a trabalhar com cloroquina e concluiu que poderia ser eficaz no tratamento de coronavírus?
DIDIER RAOULT: - O problema neste país é que as pessoas que falam são de total ignorância. Eu fiz um estudo científico sobre cloroquina e os vírus, treze anos atrás, que foi publicado. Desde então, outros quatro estudos de outros autores mostraram que o coronavírus é sensível à cloroquina. Tudo isso não é novo. É sufocante que o círculo de tomadores de decisão nem sequer seja informado sobre o estado da ciência. Sabíamos da eficácia potencial da cloroquina em modelos de cultura viral. Sabíamos que era um antiviral eficaz. Decidimos em nossas experiências adicionar um tratamento com azitromicina (um antibiótico contra pneumonia bacteriana, nota do editor) para evitar infecções secundárias por bactérias. Os resultados foram espetaculares em pacientes com Covid-19 quando a azitromicina foi adicionada à hidroxicloroquina.
LE PARISIEN: - O que você espera de ensaios em larga escala em torno da cloroquina?
DIDIER RAOULT: - Nada mesmo. Com minha equipe, acreditamos ter encontrado uma cura. E em termos de ética médica, acredito que não tenho o direito como médico de não usar o único tratamento que até agora se mostrou bem-sucedido. Estou convencido de que, no final, todos usarão esse tratamento. É apenas uma questão de tempo até que as pessoas concordem em reconhecer que erraram e dizer: essa é a coisa a fazer.
SEIS DIAS
LE PARISIEN: - De que forma e por quanto tempo você administra cloroquina a seus pacientes?
DIDIER RAOULT: - A hidroxicloroquina é administrada na dose de 600 mg por dia, durante dez dias (na forma de Plaquenil, o nome do medicamento na França, nota do editor) na forma de comprimidos administrados três vezes ao dia. E 250 mg de azitromicina duas vezes no primeiro dia e depois uma vez ao dia por cinco dias.
LE PARISIEN: - É um tratamento que pode ser tomado para prevenir a doença?
DIDIER RAOULT: - Nós não sabemos.
LE PARISIEN: - Quando você administra, quanto tempo leva para um paciente do Covid-19 se recuperar?
DIDIER RAOULT: - O que sabemos no momento é que o vírus desaparece após seis dias.
LE PARISIEN: - Você entende, no entanto, que alguns de seus colegas pedem cautela com este tratamento?
DIDIER RAOULT: - As pessoas dão sua opinião sobre tudo, mas só falo do que sei: afinal, não fico por aí dando minha opinião sobre a composição da seleção francesa! Todo mundo tem seu próprio trabalho. Hoje, a comunicação científica neste país é semelhante à conversa de botequim.
RISCOS
LE PARISIEN: - Mas não existem regras de prudência a serem respeitadas antes de administrar um novo tratamento?
DIDIER RAOULT: - Para aqueles que dizem que precisamos de trinta estudos multicêntricos e mil pacientes incluídos, respondo que, se aplicássemos as regras dos atuais metodologistas, teríamos que refazer um estudo sobre o interesse do paraquedas. Pegue 100 pessoas, metade com paraquedas e a outra sem e conte os mortos no final para ver o que é mais eficaz. Quando você tem um tratamento que funciona contra zero outro tratamento disponível, esse tratamento deve se tornar a referência. E é minha liberdade prescrever como médico. Não precisamos obedecer às ordens do governo para tratar os doentes. As recomendações da Alta Comissão da Saúde são uma indicação, mas não nos obrigam. Desde Hipócrates, o médico faz o melhor que pode, no estado de seu conhecimento e no estado da ciência.
LE PARISIEN: - E quanto aos riscos de graves efeitos indesejáveis relacionados ao uso de cloroquina, especialmente em altas doses?
DIDIER RAOULT: - Ao contrário do que algumas pessoas dizem na televisão, a nivaquina (o nome de uma das drogas projetadas à base de cloroquina, nota do editor) é bastante menos tóxica que o doliprano ou a aspirina ingerida em altas doses. Em qualquer caso, um medicamento não deve ser tomado de ânimo leve e sempre deve ser prescrito por um clínico geral.
LE PARISIEN: - Você está ciente da imensa esperança de cura para os pacientes?
DIDIER RAOULT: - Vejo acima de tudo que existem médicos que me escrevem diariamente em todo o mundo para descobrir como tratamos doenças com hidroxicloroquina. Recebi telefonemas do Hospital Geral de Massachusetts e da Clínica Mayo em Londres. Os dois maiores especialistas do mundo, um em doenças infecciosas e outro em tratamentos com antibióticos, entraram em contato comigo pedindo detalhes sobre como configurar esse tratamento. E até Donald Trump twittou sobre os resultados de nossos testes. É apenas neste país que não está claro quem eu sou! Não é porque aqui em Marselha não vivemos dentro do anel viário de Paris que não fazemos ciência. Este país se tornou Versalhes no século XVIII!
LE PARISIEN: - O que você quer dizer com isso?
DIDIER RAOULT: - Estamos fazendo perguntas franco-francesas e até parisiano-parisienses. Mas Paris está completamente fora de sintonia com o resto do mundo. Tomemos o exemplo da Coréia do Sul e da China, onde não há mais casos novos. Nesses dois países, eles decidiram há muito tempo realizar testes em larga escala para poder diagnosticar pacientes infectados mais cedo. Esse é o princípio básico do gerenciamento de doenças infecciosas. Mas chegamos a um nível de loucura tal que os médicos que aparecem na TV não aconselham mais diagnosticar a doença, mas dizem às pessoas para ficarem confinadas em suas casas. Isto não é Medicina.
LE PARISIEN: - Você acha que confinar a população não será eficaz?
DIDIER RAOULT: - Nunca antes isso foi feito nos tempos modernos. Estávamos fazendo isso no século 19 para a cólera em Marselha. A ideia de limitar as pessoas para bloquear doenças infecciosas nunca foi comprovada. Nem sabemos se funciona. É improvisação social e não medimos seus efeitos colaterais. O que acontecerá quando as pessoas ficarem trancadas, a portas fechadas, por 30 ou 40 dias? Na China, há relatos de suicídios por medo do coronavírus. Alguns vão lutar entre si.
LE PARISIEN: - Deveríamos, como exige a Organização Mundial da Saúde, generalizar os testes na França?
DIDIER RAOULT: - Vamos ter a coragem de dizê-lo: a gambiarra ao estilo francês, não funciona. A França faz apenas 5.000 testes por dia, quando a Alemanha realiza 160.000 por semana! Existe um tipo de discordância. Nas doenças infecciosas, diagnosticamos pessoas e, uma vez obtido o resultado, as tratamos. Especialmente porque estamos começando a ver pessoas portadoras do vírus, aparentemente sem sinais clínicos, mas que, em um número não desprezível de casos, já têm lesões pulmonares visíveis no scanner mostrando que estão doentes. Se essas pessoas não forem tratadas a tempo, existe um risco razoável de se encontrarem depois em terapia intensiva, onde será muito difícil salvá-las. Testar pessoas apenas quando já estão gravemente doentes é, portanto, uma maneira extremamente artificial de aumentar a mortalidade.
LE PARISIEN: - E devemos generalizar o uso de máscaras?
DIDIER RAOULT: - É difícil de avaliar. Sabemos que elas são importantes para o pessoal da saúde, porque são as poucas pessoas que realmente têm um relacionamento muito próximo com os pacientes quando os examinam, às vezes a 20 cm do rosto. Não está claro até que ponto os vírus voam. Mas dificilmente mais que um metro. Portanto, além dessa distância, pode não fazer muito sentido usar uma máscara. De qualquer forma, é nos hospitais que essas máscaras devem ser enviadas como prioridade para proteger os cuidadores. Na Itália e na China, uma parte extremamente grande dos pacientes acabou sendo pessoal de saúde.
SEM FILANTROPIA COM A SAÚDE ALHEIA - 17/03/2020
Nunca sonhei com algo parecido ao que vivo hoje na Espanha. Assisti pela mídia ao “isolamento social” chinês, ao italiano e apenas quando a constrição topou em Salamanca que a “ficha caiu”. Por aqui, desde domingo vige um Decreto Real que restringe o deslocamento às ruas. Mercados, farmácias, caixas externos de bancos e centros de saúde: únicos estabelecimentos autorizados a operar. Da mesma forma, são os únicos locais aos quais pode a população espanhola se dirigir. Correr e pedalar? Multa. Sim, as forças policiais aqui na Espanha têm “braços” para multar quem desobedece ao “toque de recolher”.
Os estudos até então elaborados, entre pontos de convergência e de divergência, sintonizam, ao menos, num mesmo sentido: incerteza! Incertezas quanto às consequências, quanto ao prazo necessário ao isolamento, quanto aos métodos de imunização, entre outros. Por outro lado, um dado não falta: o COVID-19 MATA.
Não “culpo” quem, especialmente em países onde o foco do vírus ainda não “estourou”, diga: “mas a taxa de mortalidade não é tão alta”, ou “atinge apenas as pessoas mais velhas”, ou “já passamos por coisas piores”, ou “a dengue mata mais”. Quem, entretanto, quer passar por “herói” não deve submeter terceiros inocentes a sua irresponsabilidade.
O transmissor da doença é o homem. O único meio, infelizmente, até então identificado, capaz de reduzir a propagação do vírus é evitar o contato com terceiros. China, Itália e Espanha, além de suportar todos os consectários econômicos que impactam e que impactarão suas economias, estão não mais apenas “correndo atrás” de vagas em hospitais, mas de vagas em necrotérios.
O Brasil ainda pode enfrentar “apenas” uma gravíssima crise financeira. Que poupemos as vidas. Não deixemos para amanhã, o isolamento social é AGORA – ou, como dizem por aqui : “YO ME QUEDO EN CASA”.
Em tempo: não espere que a polícia brasileira te multe para deixar de sair às ruas, ela, antes disso, tem que conter algumas “viradas de presídios”. RESPONSABILIDADE, BRASIL!
Nota do editor: Recebi este relato eloquente relato hoje (17/03), enviado pela autora, amiga Promotora de Justiça que cursa mestrado em Salamanca.
GOVERNO QUER CANCELAR INDENIZAÇÃO A EX-MILITARES - 26/01/2020
Nota do editor do blog: Estou recuperando esta matéria para que meus leitores tenham noção do número de beneficiários, de pretendentes à essa condição e os valores envolvidos. É inaceitável que a Comissão não feche as portas, que trinta anos depois da nova Constituição, ainda esteja aceitando pedidos de indenização. Faz bem o Presidente e faz bem a ministra Damares Alves alterando a composição da Comissão. E fez bem a AGU ao obter do STF, em outubro do ano passado, autorização para revisar concessões abusivas ou irregulares.
Conteúdo Estadão, 06/02/2019 (original, aqui)
O governo Jair Bolsonaro vai acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para evitar o pagamento de indenizações concedidas pela Comissão de Anistia a ex - militares da Força Aérea Brasileira (FAB), que somam R$ 7,4 bilhões. Embora tenham sido militares, os contemplados alegam ter sofrido perseguição política dentro dos quartéis entre 1946 e 1988 – período que engloba a fase da ditadura (1964-1985). A medida é a primeira do governo para acabar com o que considera ser uma farra na concessão da "bolsa-anistia".
A cifra de R$ 7,4 bilhões corresponde a valores retroativos de decisões ocorridas nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A decisão de acionar a AGU foi tomada em conjunto pelo Palácio do Planalto e pelo comando da Aeronáutica.
Até o ano passado, a conta total envolvendo anistiados políticos chegava a R$ 17,4 bilhões. Desse valor, R$ 9,9 bilhões já foram pagos – R$ 3,5 bilhões para ex-militares da Aeronáutica, do Exército e da Marinha e R$ 6,4 bilhões para civis.O valor, quando concedido, é vitalício.
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Não existe na legislação prazo final para que cidadãos requeiram a reparação – o que significa que a conta nunca fecha. Atualmente, 12.669 pessoas, entre civis e militares, aguardam uma decisão. Na fila, estão Dilma e Lula. Dilma inclusive pede R$ 10,7 mil por mês, mas já há parecer contrário.
A Comissão de Anistia é formada por, no mínimo, 20 pessoas indicadas pelo governo. Até o governo de Michel Temer, a prerrogativa era do Ministério da Justiça. Na gestão Bolsonaro, passou para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandada por Damares Alves. A orientação dela é "fechar a torneira" das indenizações.
Governo diz que pagamento é absurdo
A cúpula das Forças Armadas e o núcleo dos ministros militares do governo Bolsonaro consideram "absurdo" o pagamento de indenizações aos ex-integrantes da FAB. Um brigadeiro disse à reportagem que a maioria dos pedidos de indenização é "indevida" e que muitos praças aproveitaram a política de reparação em benefício próprio.
Um ministro de origem militar afirmou que, para evitar o pagamento bilionário, o governo decidiu recorrer ao caminho "político", além de tentar sensibilizar a opinião pública para o que ele considera uma "roubalheira" dos cofres públicos. Em conversas reservadas, o mesmo ministro avaliou que, no começo dos trabalhos da Comissão de Anistia, as indenizações foram justas, mas logo teria começado o pagamento de uma série de benefícios sem fundamento histórico. Virou uma "indústria", de acordo com ele.
Procurada, a assessoria de imprensa da FAB informou que aguarda a chegada oficial da notificação dos pedidos de indenização para definir uma "linha de ação".
No ano passado, foram 650 novos pedidos
Em 2018, a Comissão de Anistia recebeu 650 novos processos, de um total de quase 77.931 apresentados desde 2002. Apenas 48 requerimentos foram deferidos no ano passado – a menor quantidade da série histórica. O auge ocorreu na "era PT", logo após a posse de Lula, que, como ex-líder sindical, recebe aposentadoria de anistiado pelo INSS de cerca de R$ 6 mil.
De 2003 a 2010, o governo Lula concedeu 33.915 anistias. A gestão Dilma deferiu 4.264 anistias para civis e militares. Já a administração Temer liberou 442 pedidos de indenização.
Ex-ministro da Justiça do governo Lula, Tarso Genro rechaçou haver uma "farra" nas indenizações. "O valor deve ter sido destinado a milhares de pessoas atingidas pelas decisões de 'exceção' dos governos de fato oriundos do regime militar. Até o momento que acompanhei, estavam sendo pagas a quem de direito", disse.
FAB teve revoltas às vésperas do golpe de 1964
Na lista de espera das indenizações da Comissão de Anistia estão cabos, soldados e sargentos da Força Aérea Brasileira (FAB) que protagonizaram revoltas às vésperas do golpe de abril de 1964 contra o presidente João Goulart. Em 12 de maio de 1963, cerca de mil militares da Aeronáutica realizaram um encontro no Rio que surpreendeu o governo. Eles ameaçavam um movimento armado caso o Supremo Tribunal Federal impedisse a elegibilidade dos militares, o que acabou ocorrendo.
Em 12 de setembro daquele ano, 630 praças da FAB bloquearam as estradas de acesso a Brasília, fecharam o aeroporto e ocuparam prédios públicos. O "Levante de Brasília" foi liderado pelo sargento da FAB Antonio Prestes de Paula, ligado ao líder trabalhista Leonel Brizola. Os revoltosos prenderam o ministro do STF Vitor Nunes Leal e o presidente interino da Câmara, Clóvis Mota. O soldado do Exército Divino Dias dos Anjos e o motorista civil Francisco Moraes foram mortos.
Em outubro de 1964, sete meses após o golpe, o comando da Aeronáutica baixou a Portaria 1.104 para limitar a progressão na carreira, estipulando um desligamento após oito anos de serviço.
A partir da criação da Comissão de Anistia, os desligados da FAB ao longo do período militar começaram a pedir reparação. Num primeiro momento, a comissão indeferiu pedidos de quem foi desligado depois da portaria. O grupo passou a aceitar pedidos de quem tinha deixado a força antes da medida por entender que o ato da Aeronáutica teve caráter político e de exceção.
GUERRA URBANA - 20/01/2020
Será que os repórteres do Fantástico não sabem que há uma guerra urbana assolando o Rio de Janeiro de forma sangrenta? Será que os repórteres desconhecem as notícias publicadas pela emissora onde trabalham mostrando as ações, a presença e o empoderamento do tráfico com armas e artefatos de guerra dominando territórios, escondidos em bunkers, executando desafetos, extorquindo o comércio, ameaçando serviços públicos, atirando contra turistas desavisados, semeando a miséria e impondo o terror e a violência nas comunidades do Rio?
Se a polícia mata é porque a bandidagem se organiza, ousa, se encoraja protegida pelo garantismo e bandidolatria, e não hesita em atirar contra os policiais, atentar contra bases policiais e executar policiais isolados. Os policiais são formados e preparados para atirar em sua defesa e na defesa de terceiros. Não são os vilões. E não vão recuar, nem deixar de patrulhar as comunidades ou tampouco de atender chamados e pedidos de socorro.
A guerra só vai terminar o dia em que o estado de defesa for decretado para permitir aos policiais mais segurança nas operações, a justiça deixar de ser lerda, omissa e garantista de direitos de bandidos, os legisladores endurecerem as leis revogando as leis permissivas, a execução penal se tornar rigorosa e responsável, e a sociedade organizada passar a enxergar os bandidos como vilões e os policiais como heróis defensores do cidadão e da população.
* O autor é ex-coronel PM/RS e escreve a respeito desta matéria do G1: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2020/01/19/em-2019-uma-em-cada-tres-pessoas-assassinadas-no-rio-de-janeiro-foi-morta-por-policiais.ghtml?
STF, COMO A BANDA TOCA - 15/01/2020
Li atentamente o parecer do senador Anastasia (1), com seu substitutivo às propostas de emenda à Constituição que tratam do preenchimento de vagas no Supremo Tribunal Federal. O relatório está pronto para votação na CCJ do Senado.
O senador mineiro piorou o projeto do senador gaúcho Lasier Martins. O substitutivo de Anastasia reduz a apenas três o conjunto das instituições incumbidas de promover uma única indicação para compor a lista tríplice: tribunais superiores, PGR e OAB.
Ora, impossível não perceber o quanto seria preferível andar na direção oposta, ampliando o leque das possibilidades para alargar o espectro aberto ao discernimento pessoal do atual Presidente da República. Escolher entre apenas três nomes pode não significar propriamente uma escolha, mormente quando, na presente situação, o presidente pode escolher quem quiser.
É verdade que essa regra (escolha pura e simples pelo Presidente e submissão do indicado a uma sabatina pelo Senado) não foi boa para o Brasil nos anos em que a esquerda curtiu sua longa hegemonia. Nossos ex-presidentes fizeram indicações que nos proporcionaram, no somatório, o pior STF na história republicana: lento, aliado da impunidade, arrogante, malquisto, adversário dos valores conservadores da sociedade, esbanjando desprezo à opinião pública e às garantias que a sociedade espera receber da cúpula de seu Poder Judiciário. E, talvez principalmente, longevo... Convivemos com um STF que constrange e continuará constrangendo o Judiciário nacional.
Portanto, veria de modo mais prazeroso um substitutivo que ampliasse o número de indicações, que entrasse em vigor somente após 2026, permitindo ao atual presidente pelo menos quatro escolhas pessoais (caso reeleito em 2022). Essas quatro escolhas promoveriam uma presença no STF de uma bancada de ministros conservadores e liberais hoje sem assento daquele poder da República. Isso não seria casuísmo, seria política, realismo e interesse nacional.
Sabendo como a banda toca, é impossível não intuir, na proposta que está indo à deliberação da CCJ do Senado, o desejo de andar na direção oposta, reduzindo prerrogativas do atual Presidente.
Por fim, não parece muito razoável fixar os mandatos dos ministros em 10 anos e não encurtar os tempos de quem, como Toffoli e Alexandre Moraes, por exemplo, têm mandatos até 2042 e 2043, respectivamente.
CENTRÃO, ESPECIALISTAS EM INTERESSE PRÓPRIO - 04/01/2020
Leio em Diário do Poder
Prisão após condenação em 2ª instância mete medo em setores do Congresso, como mostra a jogada para “melar” a PEC já aprovada na CCJ pelos deputados. O Centrão “toca de ouvido” com Rodrigo Maia, chefão da Câmara, que foge da regra como o diabo da cruz. O “plano B” deles é propor execução de decisões de 2ª instância para todos tipos de Justiça, só para criar confusão e inviabilizar a PEC no plenário. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
O líder do Centrão, deputado Arthur Lira (PP-AL), não tem dúvida de que a jogada da “PEC ampliada” será aprovada na Câmara.
A “PEC ampliada” inclui a indústria de precatórios na 2º instância. A jogada é chantagear os governadores a agirem contra a PEC.
Sentenças trabalhistas em 2ª instância, outra indústria de indenizações, ameaçam empregadores de todos os níveis, inclusive os domésticos.
O compromisso de incluir todos os ramos da Justiça foi assumido pela dupla designada por Rodrigo Maia para tocar a comissão especial.
COMENTO
O Centrão é aquele agrupamento político informal, mas extremamente poderoso, instalado na Câmara dos Deputados, elemento decisivo em todas as votações. Sua história iniciou na Constituinte e se consolidou, desde então, como parte ao menos da base de todos os governos da República. Sua especialidade: o zelo pelo interesse próprio como critério objetivo de suas decisões.
Em alguns governos seus votos eram trocados por cargos e emendas. No governo de Bolsonaro essa fonte secou muito e, como consequência, não tem o atual governo uma base consistente, em que possa confiar com aquela confiabilidade que merecem os velhacos escolados. Estima-se que em sua atual configuração, sob o comando do alagoano deputado Arthur Lira (PP), o bloco controle cerca de 200 votos!
Neste ano de 2019, com motivação no gabinete do ministro Sérgio Moro, várias medidas foram encaminhadas ao Congresso Nacional para favorecer o combate ao crime organizado, à corrupção e à impunidade. E todas, desde a pretendida transferência do COAF para o Ministério da Justiça, ao passar pelas mãos do Centrão, saíram degeneradas. Todas foram transformadas para produzir efeito oposto, como aconteceu com a lei sobre abuso de autoridade, com a criação do juiz de garantias, e como vai acontecer com a PEC da prisão após condenação em 2ª instância (conforme texto acima de o Diário do Poder).
MANIFESTO: QUEM CONFERIU ÀS AGÊNCIAS DE FACT CHECKING O PODER DE JULGAR O QUE É VERDADEIRO OU FALSO? - 07/12/2019
Os sites Critica Nacional, Avança Brasil, Liga Patriótica e Movimento Soberanistas vêm a público manifestar o seu repúdio contra a tentativa de ditadura do fact check que está sendo instalada no Brasil.
Repudiamos os seguintes fatos:
1) Militantes travestidos de jornalistas e ex-dirigentes partidários não estão aptos a estabelecer a verdade com viés opinativo e ideológico;
2) Entidades privadas não são “tribunais da verdade” e não tem legitimidade para – com base em seus interesses privados – dizer o que é “verdadeiro” ou “falso”;
3) “Opiniões” não são “fatos” e não se pode aceitar que alguém tente impor uma agenda política através de fact check;
4) O fact check nasceu para checar condições objetivas (datas, fatos concretos, atributos, nomes, pessoas) e não para censurar opiniões e pontos de vista, como querem fazer alguns desqualificados projetos políticos travestidos de fact check no Brasil, em especial o Projeto Comprova;
5) É inadmissível que “jornais” que mantêm relações promíscuas com institutos de pesquisas se utilizem da manipulação do fact check para, em notório conflito de interesses, defenderem-se mutuamente, com o claro objetivo de manter um mercado cativo de pesquisas de opinião ultrapassadas e duvidosas. Pesquisas essas que afirmavam que o atual Presidente da República “perderia no segundo turno para todos os adversários” (sic);
6) Ao se utilizar de frases como “redes sociais não servem para auferir popularidade”, algumas agências de comprovação ou de checagem de fatos se colocam contra a inovação e contra a democratização plena da sociedade civil;
7) Todo esse discurso de combate às redes sociais parece convergir com a alegação de que algumas agências desse tipo tentam, na verdade, sufocar a voz das pessoas comuns nas mídias sociais, elegendo-as como inimigas de seu modelo ultrapassado de poder centralizado e baseado em intermediação.
Assim sendo, conclamamos:
a) As pessoas de bem para que repudiem, contestem e manifestem seu descontentamento contra essa tentativa de censura moderna;
b) O Poder Judiciário, para que avalie o monopólio da jurisdição estatal definido na Constituição Brasileira. Somente o Estado pode exercer a jurisdição: julgar fatos, proclamar vereditos. Somente a jurisdição pode dizer o que é “falso” e o que é “verdadeiro”.
Conforme diz a boa doutrina:
“A jurisdição é a realização do Direito por um terceiro imparcial em uma situação concreta. Trata-se de uma das funções do Estado. São características da jurisdição a substitutividade, a exclusividade, a imparcialidade, o monopólio do Estado, a inércia e a unidade.”
Monopólio do Estado: “só o Estado pode exercer a jurisdição. Estado é que julga e que diz quem pode julgar” (LFG). Desconhecemos qualquer tipo de autorização estatal para que agências de fact check venham a substituir o Estado na tarefa de julgar.
c) O Poder Executivo Federal, para que sancione, nos termos da Lei, os veículos de comunicação – concessionários do Poder Público – que estiverem se utilizando do estratagema do fact check para criar um “judiciário paralelo”, segundo o qual julgam, agridem e atacam pessoas de bem, de acordo com seus interesses privados e empresariais.
AS INSTITUIÇÕES E O PAÍS A QUE PERTENCEM - 27/10/2019
Todo o discurso contemporâneo sobre o funcionamento das “instituições” orienta-se pelo princípio absurdo e irracional de que elas se situariam nalgum lugar acima e além da Realidade, no Império dos Princípios Abstratos.
Ora, tais instituições só existem – sendo este o Princípio Originário que justifica sua existência – porque, antes delas, existe um país soberano.
Em Português simples: sem país, não há instituições! Só há Constituição porque já havia, antes dela, um país capaz de definir e garantir os rumos da própria existência.
Tendo em mente esta premissa óbvia, é inescapável a conclusão de que, acima das instituições, mais importante do que qualquer instituição individual, ou mesmo de seu conjunto, está a preservação do país, entendido como unidade de povo e território.
Deste modo, não há como desconsiderar a existência de um Princípio supraconstitucional: nenhuma instituição jamais estará autorizada a tomar decisões ou implementar ações que ponham em risco a segurança do país. Uma decisão desse tipo não pode ser obedecida simplesmente porque alguns indivíduos, membros do povo temporariamente dotados de poder institucional, entendem que ela emana do texto constitucional. Afinal, a Constituição é resultado da autodeterminação de um povo e, deste modo, não pode contradizer a si mesma autorizando uma instituição a pôr em risco a origem mesma dessa própria autodeterminação.
Simplesmente não pode haver preceito constitucional que autorize um poder a permitir a invasão do país por uma força estrangeira ou, o que tem efeito semelhante, que autorize qualquer Poder da Republica a libertar nas ruas um exército de malfeitores, ameaçando diretamente a sobrevivência do povo que define uma certa fração do território do mundo como o “seu país”.
SÉRGIO MORO NO SENADO - 19/06/2019
Por Percival Puggina
No momento em que escrevo, estou ouvindo a inquirição do ministro Sérgio Moro em seu comparecimento espontâneo à Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Não pretendia escrever sobre isso ainda hoje, em virtude de outros afazeres. Não obstante, com o passar das horas, foi surgindo aquela comichão nos dedos a clamar por um teclado. E aqui estou, obediente a uma demanda de natureza moral que assim se expressa. Preciso desabafar diante do que ouço.
Nosso país foi escandalosamente saqueado ao longo de décadas. Várias organizações criminosas, envolvendo diretamente diversos partidos; apropriaram-se de parcela expressiva do PIB; promoveram o enriquecimento ilegal de pessoas, servidores, políticos e empresas; comprometeram o desenvolvimento nacional e distorceram, por meios financeiros a representação política do país. A Operação Lava Jato puxou o fio da meada e deu no que se viu ao longo de vários anos de uma história bastante bem conhecida.
De repente, vem a público o trabalho dos hackers que serviram à The Intercept. Por causa disso, Sérgio Moro vai ao Senado e eu assisto a senadores petistas exigirem de Sérgio Moro que renuncie ao ministério e peça desculpas ao país, agredindo-o com aquela pilha de acusações falsas que, há anos, enchem as páginas dos sites de esquerda.
Aí a comichão se tornou irresistível. Houve uma invasão criminosa nos telefones do juiz e dos procuradores. É mais um crime em benefício dos mesmos e está em seus desdobramentos! Os hackers restringiram sua ação no sentido de produzir matéria que desacreditasse a Lava Jato em si, tanto assim que logo se agitaram os defensores dos réus a clamar pela nulidade dos processos em que seus clientes foram condenados. Os criminosos não foram hackeados. Seus partidos não foram hackeados. Entre os mocinhos e os bandidos, os bandidos, claro, escolheram seu lado, contra a lei, para proteger os criminosos. Isso nada lhes diz?
Nunca ouvi dirigente de qualquer dos partidos integrantes daquele núcleo da Orcrim desculpar-se perante a nação. Jamais admitiram os crimes praticados em seu governo. Bilhões roubados à nação sumiram tragados na moenda da corrupção e reapareceram lavados e enxaguados em contas secretas, malas de dinheiro e vistosos mandatos adquiridos a custa de dinheiro roubado. E essas lideranças de consciência frouxa, pouca vergonha e indignação seletiva têm a coragem de pedir que Sérgio Moro renuncie, peça desculpas, se anulem as condenações e se soltem os companheiros? Me poupem.
Pronto. Falei. Agora vou trabalhar.
O CÍRCULO DE FERRO DAS CORPORAÇÕES - 15/06/2019
Leio no Diário do Poder
O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta sexta (14), no Rio de Janeiro, que o relatório apresentado pela Comissão Especial da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados teve um recuo na regra de transição que pode “abortar a Nova Previdência”.
“Houve um recuo que pode abortar a Nova Previdência. Pressões corporativas dos servidores do Legislativo forçaram o relator a abrir mão de R$ 30 bilhões para os servidores do Legislativo, que já são favorecidos. Recuaram na regra de transição. Como isso ia ficar feio, estenderam também para o regime geral. Isso custou R$ 100 bilhões”, disse Guedes, em entrevista depois de evento no Consulado da Itália.
COMENTO
Essa informação que nos trás o jornalista Cláudio Humberto é manifestação de fato bem conhecido por mim. Sempre que num parlamento se vota matéria de interesse de alguma corporação funcional, imediatamente se manifestam pressões oriundas dos círculos próximos aos parlamentares.
E todos eles têm parentes, amigos íntimos, colegas, pessoas de sua convivência com liberdade para entrar no gabinete e exercer sua pressão.
Mais significativa a pressão quando as matérias são do interesse dos servidores do Parlamento porque nesse caso, entra-se no circuito da convivência diária.
Na mesma regra estão os demais poderes de Estado, cujos interesses se entrelaçam em vista do famoso e "precioso" princípio da isonomia pelo qual o barco de um é o barco de todos.
Para que essa conta, identificada pelo ministro Paulo Guedes em R$ 100 bilhões, não venha a onerar a sociedade com prerrogativas especiais aos mais bem aquinhoados, é preciso cobrar firmeza moral dos senhores congressistas. Que resistam, no plenário, às pressões a que o deputado relator, Samuel Moreira, não resistiu! Depois não venham dizer que estavam protegendo os mais pobres...
CRITICAR O GOVERNO MESMO EM SEUS ACERTOS - 01/06/2019
O colunista João Domingos, do Estadão, escreve em sua coluna de hoje que, “de forma involuntária, Bolsonaro pode ter feito um bem para a política”. Para o colunista, o Presidente montou um governo sem as habituais negociações típicas do presidencialismo de coalizão, para cumprir promessa de que “não lotearia seu governo e numa ação politicamente egoísta, no estilo ‘ganhei a eleição, o governo é meu e não vou dividi-lo’”.
Não contente com a desqualificação do acerto presidencial, o colunista seguiu afirmando que essa atitude (“egoísta e involuntária”) fez com que o Congresso mudasse de atitude e deixasse de ser um “carimbador das medidas provisórias” e “um apêndice do Poder Executivo”. Situação que vinha se mantendo desde o governo de FHC, quando os ministérios entregues a partidos se tornaram “feudos próprios” onde deputados e senadores “mandaram e desmandaram”.
Na sequência, o colunista afirma que a tal atitude “involuntária e egoísta” do Presidente levou os congressistas a perceber que a pressão das redes sociais estava a exigir deles que assumissem “pautas importantes para o país, como a reforma da Previdência e a reforma tributária”. Por fim, e nessa mesma linha, manifesta simpatia pelo substitutivo à reforma da Previdência apresentado pelo partido dirigido pelo mal afamado ex-deputado Valdemar Costa Neto, que reduz à metade o ganho fiscal a ser obtido. Essa proposta, outra coisa não é que um detalhamento da anunciada pelo deputado Paulinho da Força, que cortava ao meio a reforma com a elevadíssima motivação de não reeleger o governo em 2022.
É assim, com fake analysis, que se presta desserviço à nação.
PRIORIDADES DO NOVO MINISTRO DA EDUCAÇÃO - 03/01/2019
Em cerimônia de transmissão de cargo, nesta quarta-feira, 2, na sede do MEC, em Brasília, o novo ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, destacou quais serão as diretrizes à frente da pasta. “Nossa prioridade será a educação básica, com o desenvolvimento de políticas públicas de combate, principalmente, ao analfabetismo, mas também de fortalecimento da educação em creches e escolas, de jovens e adultos, na educação especial de pessoas portadores de deficiências e na gestão das escolas, para que os estudantes concluam seus estudos no devido tempo”, afirmou.
Vélez Rodríguez foi nomeado na última terça-feira, 1º, durante a cerimônia de posse do presidente da República, Jair Bolsonaro, e do vice-presidente, general Antônio Hamilton Martins Mourão, juntamente com outros 21 ministros.
O novo ministro ressaltou, ainda, que sua gestão também estará focada a outros setores educacionais essenciais para o desenvolvimento do Brasil, como o ensino profissional tecnológico, as pesquisas científicas e de extensão e a inovação tecnológica nas escolas e universidades, bem como no aperfeiçoamento de programas que incentivem o empreendedorismo para a inserção no mercado de trabalho.
“Daremos atenção especial, também, aos fundos de investimento em educação e ao ensino privado, para fortalecer a qualidade dos cursos oferecidos”, disse. “Nas universidades, vamos melhorar a gestão dos recursos para que haja estímulo às linhas de pesquisa científica e tecnológica, que irão fomentar políticas públicas de educação com qualidade. Há um compromisso assumido com o Brasil e a educação de todos”.
Outro ponto para alcançar o sucesso da gestão, na avaliação do ministro, é a aplicação correta e eficaz dos recursos financeiros destinados ao MEC, por meio da Lei Orçamentária Anual (LOA), para a formação e valorização dos professores e profissionais da educação em geral, como gestores e técnicos. Ricardo Vélez Rodríguez também enalteceu a importância do diálogo entre as redes estaduais e municipais de ensino, com o apoio da sociedade, para atender aos anseios da população brasileira na busca pela excelência na educação.
“É preciso combater o que se denominou de ideologia de gênero, com a destruição de valores culturais, da família, da igreja, da própria educação e da vida social”, pontuou. “Pautas nocivas não serão mais aceitas e vamos combater o marxismo cultural em instituições de Educação Básica e Superior. O MEC não será um bazar de enriquecimento”.
PARA ONDE O FORO DE SÃO PAULO LEVA SUAS VÍTIMAS - 23/12/2018
Leio no Diário do Poder
A ditadura de Daniel Ortega, da Nicarágua, fechou o canal 100% Noticias e prendeu seu diretor, Miguel Mora, as jornalistas Verônica Chávez e Lúcia Piñeda Ubau e o analista político Júlio López, na capital, Manágua. Agentes da polícia antimotim entraram no edifício, apreenderam equipamentos e tiraram o canal do ar na noite de sexta-feira (21).
“É uma emergência, querem levar nosso diretor preso”, afirmou Piñeda por mensagem em redes sociais.
A jornalista estava na emissora no momento da operação e, depois que divulgou a informação, outros funcionários perderam contato com ela. O canal afirmou ainda que o motorista Joseph Rafael Hernández está desaparecido desde a operação. Verônica Chávez, mulher de Mora, foi a única liberada pela polícia até a manhã deste sábado (22).
A agência reguladora de telecomunicações da Nicarágua, Telcor, soltou uma nota proibindo que operadoras de TV a cabo emitam o sinal do canal. Leia mais aqui.
COMENTO
O povo da Nicarágua é mais uma vítima da organização criminosa chamada Foro de São Paulo, criada por Lula e por Fidel Castro. Não imagino como daí pudesse sair algo compatível com qualquer valor moral ou princípio merecedor de respeito. Daniel Ortega é um remanescente do movimento comunista revolucionário que agitou a América Latina nos anos 60 e 70. Militou na Revolução Sandinista que derrubou a ditadura do clã Somoza e, como costuma acontecer em casos semelhantes, hoje implanta na Nicarágua práticas que em nada diferem daqueles seus antecessores.
Já se contam centenas de mortes nos protestos contra seu governo, enquanto as liberdades vão sendo sequestradas e a ditadura disfarçada se consolida, como aconteceu na Venezuela. Ortega segue a receita de Hugo Chávez, cumpre o terceiro mandato consecutivo, preside a Nicarágua desde 2006 e tem mandato até 2021.
AS 3 ECONOMIAS DA AMÉRICA LATINA PRÓXIMAS DE SE TORNAREM AS MAIORES DECEPÇÕES DE 2018! - 17/12/2018
No início do ano, poucos imaginavam que haveria uma revolta popular nicaraguense e que ela provocaria centenas de mortes.
Enquanto a crise se agrava na Venezuela, país com o pior desempenho econômico na América Latina, três outras economias da região correm o risco de fechar o ano sob fortes quedas.
É o caso da Nicarágua, da Argentina e do Equador, que têm dado sinais de que terminarão 2018 numa situação complicada.
Na Argentina, o bom desempenho econômico no primeiro trimestre não indicava que meses depois haveria uma corrida contra a moeda local, o peso, e que a taxa básica de juros chegaria a 60% (no Brasil, ela é de 6,5%).
Quanto ao Equador, os analistas se preocupam com o alto nível de endividamento público.
Já o Brasil, que nos últimos anos se habituou a figurar nos rankings das economias com pior desempenho do continente, escapou desta vez. Segundo a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), o país deve crescer 1,6% em 2018 - 0,1 ponto percentual acima da média de crescimento de toda a América Latina, segundo a comissão.
Nicarágua: o impacto da crise social e política
A crise social e política na Nicarágua resultou em mais de 300 mortes e quase 2.000 pessoas feridas, segundo o Escritório do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos.
A organização denunciou execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados e barreiras ao acesso à assistência médica num país que enfrenta protestos massivos contra o presidente Daniel Ortega.
Em meio à crise, a Cepal projeta uma busca queda no crescimento econômico, que deve passar de 4,9%, em 2017, para 0,5% neste ano.
O conflito teve um impacto profundo no turismo, no comércio e na agricultura, além de afetar exportações e investimentos.
"Se o baixo crescimento persistir e as tensões sociais não se resolverem, deve-se esperar que os indicadores sociais comecem a deteriorar", disse à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, Daniel Titelman, diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal.
Mas há um elemento importante na economia local, que são as remessas de nicaraguenses no exterior - o economista estima que não haverá redução desse volume, ao menos um fator positivo num país tão convulsionado.
A Nicarágua representa 0,3% do PIB da América Latina e registrou no ano passado um PIB per capita de US$ 2.217 (cerca de R$ 8.600). O país tem 6,2 milhões de habitantes.
Argentina em situação de emergência
A Argentina, com 44,5 milhões de habitantes, tem vivido dias sombrios. O presidente Mauricio Macri declarou que o país está em uma "situação de emergência" e anunciou um plano de ajuste que inclui uma redução no número de ministérios a menos da metade e volte a impor impostos sobre as exportações agrícolas.
O peso argentino perdeu 50% de seu valor ante o dólar no último ano, e espera-se que a depreciação acelere ainda mais a inflação, que já superou os 30%.
Além disso, a taxa de juros chegou a 60%, algo difícil de imaginar no primeiro trimestre, quando as coisas caminhavam dentro do previsto.
Macri busca diminuir o déficit orçamentário para convencer investidores de que o país pagará sua dívida, uma das condições acordadas como parte de um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) de US$ 50 bilhões (o equivalente a quase R$ 195 bilhões).
O governo esperava atingir um equilíbrio fiscal até 2020 e o adiantou para 2019, impondo-se uma meta difícil de alcançar.
"A Argentina tem problemas de baixo crescimento, alta inflação e baixa credibilidade por parte dos mercados. Não é fácil manejar essa situação", afirma Titelman, da Cepal.
A Cepal projeta que a economia argentina, que cresceu 2,9% em 2017, tenha uma queda de 0,3% neste ano.
Terceira maior economia da região, a Argentina representa 11,7% do PIB regional e registrou no ano passado um PIB per capita de US$ 14.305 (cerca de R$ 56 mil).
O Equador e o ajuste do gasto público
O Equador cresceu 3% em 2017, principalmente graças ao aumento do consumo privado e do gasto público, financiado por meio de endividamentos.
É justamente o tamanho da dívida uma das pressões econômicas que inquietam os analistas estrangeiros.
Outro aspecto preocupante é que no ano passado o investimento caiu 0,5%, um dos fatores que fizeram a Cepal projetar um crescimento de 1,5% na economia do país neste ano.
Como essa queda ocorreu em apenas 12 meses? "Os motores que empurravam a economia em 2017 se debilitaram", diz Titelman, da Cepal.
No Equador, o petróleo tem um papel muito importante na economia, e a produção total do óleo teve uma queda de quase 3,4% em 2017.
Isso, somado a outras incertezas, como o ajuste de gastos promovido pelo governo de Lenín Moreno, influenciaram na redução das projeções.
A Cepal estima que haverá queda no consumo em meio a uma política monetária mais restritiva.
O Equador é uma economia dolarizada altamente sujeita aos vaivéns externos. "Quando o dólar se valoriza, isso não convém ao Equador, porque ele perde competitividade", disse Titelman.
E já que os EUA estão subindo as taxas de juros, novas nuvens podem surgir no horizonte. Frente a esses desafios, o governo equatoriano apostou em medidas de austeridade para reduzir o déficit e a dívida pública, com o intuito de aumentar a arrecadação.
O plano foi anunciado em abril deste ano e deixou organismos internacionais e investidores esperançosos. O Equador representa 1,9% da economia latino-americana e registrou no ano passado um PIB per capita de US$ 6.199 (cerca de R$ 24 mil). O país tem 16,8 milhões de pessoas.
ESSE ENEM É UM LIXO TOTALITÁRIO ESQUERDISTA - 06/11/2018
Leio no Diário do Poder
O “aparelhamento” da prova do Enem causou mal-estar no Palácio do Planalto e irritação no Ministério da Educação, em razão das questões nitidamente “contaminadas” pelo clima eleitoral. O principal alvo da indignação no MEC é a presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), Maria Inês Fini, que escolhe os integrantes e também preside a comissão que elabora as provas. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
O MEC confirmou que as provas são preparadas no Inep por comissão que sua presidente chefia. O Inep silenciou sobre o “aparelhamento”.
Além de endossar conceitos da ideologia de gênero, a prova do Enem até fez propaganda de um dicionário gay sobre expressões “secretas”. A avaliação é que o tema da redação estimulou os alunos a atribuírem a derrota do PT a suposta manipulação de mensagens do WhatsApp. “Aparelhadas” por grupos anti-Bolsonaro, as provas foram avaliadas como uma “provocação desnecessária”, na definição de um ministro.
COMENTO
O Enem é um dos muitos instrumentos de concentração de poder político nacional nas mãos de quem já o detém e a ele se aferrou de um modo que causa preocupação. É parte de um projeto de hegemonia esquerdista em implantação há vários anos. Tudo se faz de modo solerte e gradual, de modo que a sociedade não perceba estar perdendo sua soberania e se tornando politicamente imprestável. Se não fazemos parte desse projeto e não compomos quaisquer das minorias ou grupos de interesse que se articulam no país, tornamo-nos inocentes inúteis, cidadãos de última categoria, numa democracia a caminho da extinção por perda de poder popular, por inanição do poder local.
O ENEM passou a pautar o que se ensina e a visão de mundo, de história e de sociedade em todas as escolas do país. Como em qualquer regime totalitário.
SERÁ ISSO QUE QUEREMOS PARA O BRASIL? DE NOVO? - 15/10/2018
POR LÚCIO WANDECK
Em 2016, no início do governo Temer, pedi, através do Portal da Transparência, que o BNDES informasse os dados que seguem. Fui atendido e repassei as informações por quem de direito.De lá para cá nada foi feito.
A dupla criminosa Lula/Dilma transferiu para esses países bilhões de dólares da riqueza nacional. Enquanto faltava dinheiro para as nossas rodovias esburacadas, para tocar a obra da transposição da água do S. Francisco, para construir escolas, hospitais, ferrovias, etc, sobrava dinheiro para atender às necessidades de Cuba, Venezuela, Nicaragua, Angola, Bolívia, etc..
Utilização de mão de obra brasileira praticamente zero por cento. Se o devedor não pagasse, fundos brasileiros rastreados em ações do Banco do Brasil e da Eletrobras cobriam as dívidas. Alias, não cobriam, cobrem.
Ao mesmo tempo em que os pobres brasileiros tomavam empréstimos a 10% ao mês nos cartões de crédito, os gringos se obrigavam, apenas, a pagamentos em parcelas semestrais com juros de 4.5% ao ano.
A Venezuela e Cuba deram o beiço. Quem pagou o prejuízo?
Você brasileiro!
Há um ano eu já dizia o que segue. Foi instaurado inquérito na Polícia Federal? Se foi, é secreto!
Você sabia que o BNDES,durante a era petista, financiou a juros anuais de 3,451% , para pagamento em 144 meses, 637 MILHÕES DE DÓLARES para a Venezuela construir um estaleiro?
Você sabia que o pagamento não é mensal, é de seis em seis meses?
Como o contrato de financiamento é secreto,
o contribuinte brasileiro que está bancando a expansão comuno-bolivariana não tem como saber se a Venezuela se comprometeu a amortizar 10 dólares por mês e o saldo no 144 mês.
Você sabia que o PR, com o aval do Congresso, deu em garantia, anos depois, ao BNDES, caso a Venezuela não honre o compromisso, todos os terrenos de marinha do Amazonas ao Chuí?
O seguro garantidor dessa operação chama-se FGE.
Vejam abaixo.
Aparentemente, uma sigla de seguradora como outra qualquer, porém ela é imensamente mais poderosa do que todas as seguradoras nacionais e estrangeiras que operam no PATROPI, porque FGE, ou melhor dizendo,
O FUNDO DE GARANTIA À EXPORTAÇÃO NADA MAIS É DO QUE O PRÓPRIO BRASIL.
Em outras palavras, se a Venezuela não pagar, tem início uma cadeia de transferências de responsabilidades que terminam no FGE, ou seja, terminam na UNIÂO, porque o tal fundo é composto de recursos que incluem todos os imóveis sob domínio da União, ou seja, terrenos de marinha nas praias, rios, lagos, lagoas e terras devolutas.
Não estou exagerando. Confiram nos dados e lei abaixo.
Operação - 1911729
País - Venezuela
Área operacional - Área de Comércio Exterior
Exportador - Construtora Andrade Gutierrez
1911729 VENEZUELA AREA DE COMERCIO EXTERIOR
Exportador - CONSTRUTORA ANDRADE GUTIERREZ S/A
Valor - US$ 637.894.134
Descrição do projeto
Exportação de bens e serviços para a implantação de um estaleiro para construção, reparos e manutenção de embarcações, na Venezuela.
Condições financeiras
Data da contratação - 20/09/2011
Custo financeiro - Tarifa fixa em US$
Juros - % ao ano 3,451
Prazo Total (em meses) - 144
Total geral - US$ 637.894.134
20/09/2011 TAXAFIXA
Em US$ 3,451 144 637.894.134
Total geral 637.894.134
Forma de apoio - Direta
Modalidade de apoio - Reembolsável
Produto - BNDES - EXIM Pós-Embarque
Tipo de garantia - Seguro de Crédito FGE
Fundo de Garantia a Exportacao - Lei nº 9.818, de 23 de agosto de 1999
O FANTASMINHA PLUFT DE LULA - 24/07/2018
Fernando Haddad é o fantasminha Pluft, também conhecido como Plano B de Lula. Sonha com se eleger presidente como uma aparição de última hora para substituir o presidiário no número 13 da urna eletrônica.
Leio em O Antagonista que o fantasminha companheiro tem ideias de um verdadeiro camarada, como diriam os comunistas de antigamente. Em entrevista à Folha, disse que o PT quer regular as emissoras de TV. Pelo jeito, espera que elas sirvam ainda melhor às estratégias e objetivos do partido. E explicita o desejo de que elas tenham compromisso com o contraditório, com a diversidade, com a liberdade de expressão de camadas vulneráveis e com a representatividade étnica.
Para que não coubessem dúvidas sobre o caráter liberal da iniciativa, Haddad, em o Valor, atribuiu a autoria dessa diretriz ao jornalista Franklin Martins, criador da TV Brasil e “companheiro em armas” [observação minha], conhecido por sua dedicação ao controle da informação.
Vale lembrar que o PT, enquanto governo, tentou o mesmo através do marco regulatório da imprensa, da frustrada criação do Conselho Federal de Jornalismo (que terá poderes para punir jornalistas desafinados com as pautas da esquerda), do marco civil da Internet e, em toda parte, pela imposição da novilíngua e do politicamente correto.
Quem quer voltar a esse purgatório?
DESMENTINDO CIRO GOMES SOBRE IMPOSTO DE HERANÇAS - 30/06/2018
Vocês devem ter ouvido por aí a cascata que o Ciro Gomes anda vomitando de que os USA cobram 29% de imposto de herança contra apenas 3% no Brasil - o que justificaria, em sua visão, uma equiparação de tributos com os americanos.
Pois é. Ele só "esqueceu" de mencionar que:
1) O Imposto FEDERAL sobre transmissão de heranças só se aplica para bens acima de US$5.430.000,00. Ainda assim, o valor é 20%;
2) Apenas 17 estados cobram impostos regionais sobre transmissão de heranças. No PIOR dos casos (New Jersey), valores acima de US$675.000,00 são taxados; no melhor (Dalaware e Hawai), bens avaliados em menos de US$5.000.000 estão livres. Os demais estados simplesmente não cobram nada!
Ou seja, somente grandes patrimônios são tributados quando da transmissão. A maioria das heranças está isenta, enquanto no Brasil qualquer quinhão acima de R$30.000 leva uma garfada!
*Extraído do Facebook do autor
** Dados de https://www.thebalance.com/will-you-have-to-pay-taxes-on-your-inheritance-3505056
CENÁRIOS PARA O ESTADO DO RS, 2019-2025 - 29/06/2018
Calculamos alguns cenários para o Estado do RS, fazendo algumas combinações que permitem projetar o resultado orçamentário (receita total menos despesa total), nos diversos anos acima referidos. Não consideramos as operações de crédito e nem a receita de venda de bens patrimoniais, porque a finalidade foi calcular a necessidade de financiamento em cada ano.
Com base na proposta orçamentária para 2018, com alguns ajustes, e em certos indicadores, constantes da tabela 1 do texto analítico, calculamos os citados resultados, combinando as seguintes possibilidades:
• Não adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RR);
• Adesão ao RRF;
• Manutenção das alíquotas de ICMS majoradas a contar de 2016;
• Manutenção parcial ou não manutenção dessas alíquotas;
• Reajuste salarial pelo IPCA para todos em todo o período;
• Reajuste salarial pelo IPCA para todos somente a partir de 2022.
Com base nessas premissas, calculamos cinco cenários, sendo que o de número 5, denominado impensável, só serve para mostrar a inviabilidade de não renovar as alíquotas de ICMS e, ao mesmo tempo, reajustar os salários pelo IPCA, ambos procedimentos que seriam esperados em condições normais das finanças. Os déficits na hipótese 1 ficam próximos de 20% da RCL, uma situação impossível de suportar.
No texto principal, lincado a este, encontram-se todos os cenários.
As últimas causas desse desequilíbrio foram três. A principal foi o grande crescimento da folha de pagamento nos últimos anos, que passou de R$ 13,4 bilhões em 2010 para R$ 27,1 bilhões em 2017, ou 102% nominais. A razão dessa expansão foram os altos reajustes concedidos no período 2011-2014, muitos deles estendidos até novembro de 2018. Nesse período, com uma inflação de 27%, a RCL cresceu 40% e a folha, 61%.
Outra causa foi o alto e crescente número de aposentadorias, principalmente, numa área fundamental, como na Segurança Pública, que obriga a reposição dos servidores que se inativam, ainda que restem muitas vagas não preenchidas.
Esses dois fatores fizeram a folha da Segurança crescer 59% acima da RCL, comparando-se 2010 com 2017, superando a folha da Educação, historicamente a maior. Contribuiu muito para isso a recessão econômica, o que fez com que nosso PIB de 2018 fosse igual ao de 2011 em termos reais (sete anos antes) e o PIB per-capita 9% menor.
Com base nos cenários citados, chegamos à seguinte conclusão:
Somente a concretização de quatro iniciativas pode evitar a grande debacle no próximo período governamental. São elas:
• Adesão ao RRF;
• Renovação integral das alíquotas de ICMS:
• Não concessão de reajustes para nenhuma categoria até 2021;
• Obter receitas extras, sejam elas decorrentes de privatização ou de operações de crédito. Só o cenário 2 viabiliza o Estado.
Sem o RRF, o Estado do RS será a Grécia do Brasil!
Com ele, no entanto, não é garantia de sucesso futuro. Sem ajuste fiscal rigoroso e crescimento econômico maior que o considerado, o déficit de 2025 volta a ser alto, em torno de R$ 4 bilhões, a preços correntes desse ano.
Tudo isso, sem considerar o passivo de curto prazo.
Repetindo mais uma vez a afirmação já feita: O Rio Grande do Sul é um doente em estado terminal. Se não tomar o remédio (aderir ao RRF), morre inevitavelmente. Se tomar poderá morrer ou não, mas para não morrer precisa continuar com adequado e rigoroso tratamento.
Para ler o texto completo em PDF, clique no link abaixo:
Cenários para o Estado
PETROBRÁS PODE PERDER R$ 15 BI COM AÇÃO TRABALHISTA - 20/06/2018
A maior ação trabalhista da história Petrobrás será julgada na quinta-feira, 21, no plenário Tribunal Superior do Trabalho (TST). Se a empresa perder, terá de desembolsar mais de R$ 15 bilhões e a folha de pagamento ainda aumentará em até R$ 2 bilhões por ano.
Aberto pelos trabalhadores, o processo pede recálculo de um acordo coletivo de 2007 que concedeu adicionais ao salário, como trabalho noturno, por sobreaviso e confinamento. Os extras têm sido pagos, mas milhares de empregados querem outra conta que, grosso modo, dobra os adicionais. A estatal classifica como “possível” perder a ação.
A disputa entre Petrobrás e os trabalhadores tem origem em um acordo coletivo firmado há mais de dez anos. Em 2007, a estatal e os empregados chegaram a um entendimento para reajuste salarial que previa, entre outros benefícios, a adoção de uma política para equalizar salários com uma remuneração mínima por cargo e região – é a chamada remuneração mínima por nível e regime (RMNR).
Com a nova regra, em alguns casos o salário mais que dobrou em relação à remuneração básica. Um exemplo são os petroleiros que atuam em plataformas no regime de 12 horas. O grupo passou a ganhar 30% mais por periculosidade, 26% extras por adicional noturno, 39% por hora de repouso, 30% por confinamento e 4% de um complemento negociado. Assim, o salário passou a ser 125% maior que o salário básico dos petroleiros.
No início da década, porém, alguns trabalhadores passaram a questionar a metodologia de cálculo dessa remuneração. Empresa e petroleiros citam que há cerca de 50 mil empregados da ativa e aposentados que questionam o tema em ações individuais e coletivas.
O principal argumento usado nos processos é que a redação do acordo coletivo dá a entender que a conta para a nova remuneração pode ignorar extras e adicionais que já estavam no salário – o que aumenta expressivamente o montante a ser recebido pelos trabalhadores. No processo, é citado o exemplo de um petroleiro que atua confinado em plataforma, cujo salário aumentaria de R$ 21.750,09 para R$ 31.029,02 pela nova conta, conforme valores de 2014.
O tema já foi debatido por duas comissões no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Uma deu vitória para a Petrobrás e outra para os trabalhadores. Sem consenso, o processo subirá ao plenário que agendou o julgamento para quinta-feira.
Impacto
Se a Petrobrás perder, o impacto imediato seria de R$ 15,2 bilhões, conforme balanço do primeiro trimestre de 2018. O valor, porém, não foi separado no caixa porque a empresa classifica a hipótese de perder o processo como “possível” – o que não exige provisionamento. A reserva dos valores só ocorreria caso a perspectiva de derrota fosse considerada “provável”.
Além desse impacto imediato, a folha de pagamento cresceria até R$ 2 bilhões por ano.
No plenário, advogados dos trabalhadores defenderão que a redação do acordo é imprecisa e permite dupla interpretação. Nesse caso, argumentarão que, de acordo com a jurisprudência da Justiça do Trabalho, deve prevalecer a versão que beneficia o trabalhador.
Já os advogados da estatal manterão a defesa de que não há dupla interpretação e que os próprios sindicalistas concordaram, na época, com as condições defendidas pela empresa. Além disso, citarão que eventual decisão favorável aos trabalhadores criará insegurança jurídica nos acordos coletivos – mecanismo que ganhou força na reforma trabalhista.
COMENTO
E ainda há quem creia que a Petrobras é do povo...
DIREITOS HUMANOS DOS HUMANOS DE FARDA - 06/03/2018
É preciso falar sobre os direitos humanos dos humanos que vestem farda.
No Brasil encontramos humanos vestindo fardas de todas as cores.
Muito embora todos que ostentam fardas sejam humanos , a negação de seus Direitos Humanos aparece sob as mais diversas formas.
No mais das vezes os humanos de farda são retratados como máquinas de violar direitos humanos de outros humanos , em especial dos humanos que se dedicam ao Crime.
Os seus próprios direitos, de outro lado, raras vezes são lembrados.
Isso deve mudar e ser combatido, tanto quanto a violação dos direitos humanos de qualquer cidadão.
Humanos fardados, é preciso pontuar, têm por dever constitucional proteger a todos nós, sacrificando, para isso, em inúmeros casos, a própria vida.
Atuam para garantir Direitos que a eles são negados.
Apesar de todos os Humanos serem titulares de Direitos Humanos, no caso dos humanos que ostentam fardas estes são relativizados .
Isso é inaceitável.
Essa seletividade no reconhecimento dos Direitos Humanos aos humanos que usam fardas se afere no discurso intransigente na defesa dos direitos humanos de um grupo de pessoas calculadamente escolhido.
Em contrapartida, quanto aos humanos de farda, a existência destes direitos é solenemente desprezada.
A eterna presunção da ilegalidade e abusividade de todo e qualquer ato praticado por humanos de farda, em cada singular ocorrência noticiada na imprensa e comentada por “especialistas” estão aí para demonstrar.
Desqualifica-se a atuação dos humanos de farda, de forma habitual, para desqualificar, ao mesmo tempo, a importante missão protetiva que devem cumprir .
O silêncio intencional e desconcertante quanto ao direito básico à vida - artigo 5º da CR e artigo 3º da Declaração Universal dos Direitos Humanos - dos humanos de farda que legitimamente se defendem é também estratégia para inabilitar o exercício de seus direitos humanos.
Em nenhuma das mais de 400 mortes de humanos fardados no Brasil em 2017, 134 destas apenas no Rio de Janeiro, escutamos gritos indignados, manifestações bloqueando ruas, ONGs partindo para a defesa do Direito à vida de outros humanos que vestem fardas, visitas de parlamentares aos familiares do s mortos, matérias indignadas na mídia e, muito menos, a mobilização de pessoas e grupos para orientar qualquer um do povo a filmar e denunciar atuação de criminosos contra os humanos fardados .
A farda ostentada por um humano não é e não pode ser usada como fator distintivo que o desqualifique como titular de direitos humanos.
Os humanos de farda também são humanos. Eles são pais, mães filhos, filhas, irmãs, irmãos, parentes e amigos de alguém e, pelo que significam e protegem, devem ser vistos pela sociedade com especial respeito e admiração.
Valorizar e proteger os humanos fardados é a melhor forma de valorizar e proteger a todos nós.
*Publicado originalmente em DIREITOS HUMANOS DOS HUMANOS DE FARDA
Movimento de Combate à Impunidade
É preciso falar sobre os direitos humanos dos humanos que vestem farda.
No Brasil encontramos humanos vestindo fardas de todas as cores.
Muito embora todos que ostentam fardas sejam humanos , a negação de seus Direitos Humanos aparece sob as mais diversas formas.
No mais das vezes os humanos de farda são retratados como máquinas de violar direitos humanos de outros humanos , em especial dos humanos que se dedicam ao Crime.
Os seus próprios direitos, de outro lado, raras vezes são lembrados.
Isso deve mudar e ser combatido, tanto quanto a violação dos direitos humanos de qualquer cidadão.
Humanos fardados, é preciso pontuar, têm por dever constitucional proteger a todos nós, sacrificando, para isso, em inúmeros casos, a própria vida.
Atuam para garantir Direitos que a eles são negados.
Apesar de todos os Humanos serem titulares de Direitos Humanos, no caso dos humanos que ostentam fardas estes são relativizados .
Isso é inaceitável.
Essa seletividade no reconhecimento dos Direitos Humanos aos humanos que usam fardas se afere no discurso intransigente na defesa dos direitos humanos de um grupo de pessoas calculadamente escolhido.
Em contrapartida, quanto aos humanos de farda, a existência destes direitos é solenemente desprezada.
A eterna presunção da ilegalidade e abusividade de todo e qualquer ato praticado por humanos de farda, em cada singular ocorrência noticiada na imprensa e comentada por “especialistas” estão aí para demonstrar.
Desqualifica-se a atuação dos humanos de farda, de forma habitual, para desqualificar, ao mesmo tempo, a importante missão protetiva que devem cumprir .
O silêncio intencional e desconcertante quanto ao direito básico à vida - artigo 5º da CR e artigo 3º da Declaração Universal dos Direitos Humanos - dos humanos de farda que legitimamente se defendem é também estratégia para inabilitar o exercício de seus direitos humanos.
Em nenhuma das mais de 400 mortes de humanos fardados no Brasil em 2017, 134 destas apenas no Rio de Janeiro, escutamos gritos indignados, manifestações bloqueando ruas, ONGs partindo para a defesa do Direito à vida de outros humanos que vestem fardas, visitas de parlamentares aos familiares do s mortos, matérias indignadas na mídia e, muito menos, a mobilização de pessoas e grupos para orientar qualquer um do povo a filmar e denunciar atuação de criminosos contra os humanos fardados .
A farda ostentada por um humano não é e não pode ser usada como fator distintivo que o desqualifique como titular de direitos humanos.
Os humanos de farda também são humanos. Eles são pais, mães filhos, filhas, irmãs, irmãos, parentes e amigos de alguém e, pelo que significam e protegem, devem ser vistos pela sociedade com especial respeito e admiração.
Valorizar e proteger os humanos fardados é a melhor forma de valorizar e proteger a todos nós.
*Publicado originalmente em https://www.facebook.com/Movimentodecombateaimpunidade/
JOSÉ MEDEIROS ANUNCIA REPRESENTAÇÃO CONTRA LINDBERGH E GLEISI NO CONSELHO DE ÉTICA - 09/02/2018
Informa a Agência Senado
O senador José Medeiros (Pode-MT) anunciou nesta quarta-feira (7) em Plenário vai protocolar no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar uma representação contra os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) por insuflarem atos de violência e defenderem a quebra da via institucional.
Segundo Medeiros, ao criticarem a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Lindbergh e Gleisi “jogaram para a galera de forma perigosa". Ele classificou de inaceitável a atuação dos colegas, advertindo que discursos semelhantes de apoio à desobediência civil resultaram em atos de violência.
Medeiros negou que levar a questão ao Conselho de Ética seria uma tentativa de cercear a atividade parlamentar. No seu entendimento, nenhum partido detém o “condão da verdade” e todos devem responder pelos seus atos.
— Quando vieram me dizer: 'Olha, mas desobediência civil é estilo Gandhi', eu falei: tudo bem. Então, pegue as imagens de Gandhi e compare às do senador Lindbergh e da senadora Gleisi quando eles fizeram esse pronunciamento.
COMENTO
A conduta dos dois senadores mencionados na denúncia levada à Comissão de Ética extrapola os limites de civilidade dentro dos quais se espera que fiquem contidas as manifestações públicas de pessoas responsáveis, principalmente se forem autoridades da República como são os membros da Câmara Alta.
O PT, diante do procedimento junto à Comissão de Ética, saiu em defesa de seus senadores acusando-o de aderir à campanha de “ódio e perseguição” contra o partido.
MEDIDAS DE EXCEÇÃO? - 07/02/2018
Nota do Editor: Considero conveniente que a sociedade conheça o pensamento do Clube Militar sobre o que está acontecendo na Segurança Pública.
O crescimento da violência no País atingiu níveis tão elevados, tão fora do controle dos meios legais, que uma declaração do ministro da defesa soou para a sociedade como quase uma rendição aos criminosos: "O sistema de segurança do Brasil está falido". E complementou o Ministro: "Nem, um bandido preso, está a 5 mil quilômetros do RJ, mesmo assim, declara uma guerra na Rocinha; as FFAA estão nas ruas e executarão, também, bloqueios marítimo e aéreo no estado".
Cabe-nos, então, perguntar: Será isso suficiente diante da realidade que nos afronta? O que fazer mais? Continuaremos a morrer como cordeiros nas mãos dos bandidos? Aceitaremos passivos à cena final? Ou temos o direito de pensar numa reação, antes que seja tarde demais, ainda que tenhamos que nos valer, para sobreviver, de medidas pouco ortodoxas?
No Rio de Janeiro, hoje, não é segredo, muitos entendem que o medo, há muito tempo, já se sobrepõe ao Direito. O Estado vai deixar continuar como está, ou vai assumir as responsabilidades que se impõem nesse momento, que é de excepcional gravidade? Não sendo deste modo, estejam certos de que vão se avolumar os casos de justiçamento, seja ele de que natureza for.
A omissão das instituições estatais, no que tange aos direitos e garantias individuais, caminha para a criação de uma situação de desespero na qual vai se tornar comum a utilização de ferramentas alheias ao ordenamento vigente.
Se é para admitir a necessidade de adoção de medidas de exceção, é bom que o Estado assuma sua grave responsabilidade enquanto é tempo, ainda que com todos os sabidos ônus advindos. É questão de vida ou de morte de milhares de inocentes.
• O autor é Presidente do Clube Militar
GRUPO DE EMPRESÁRIOS CONVOCA ELITE BRASILEIRA PARA ASSUMIR O PROTAGONISMO POLÍTICO - 19/01/2018
É uma grande alegria estar aqui com você na maior feira de varejo do mundo, neste momento tão especial em que o varejo brasileiro começa a mostrar sinais de recuperação. Somos duros na queda, resilientes, e estamos aqui para dizer ao mundo que não desistimos do Brasil.
Não tenho dúvida de que é o trabalho duro, o brilhantismo e o compromisso com o Brasil de todos vocês que permite que um país mergulhado na pior crise econômica e também ética e moral da sua história possa ter um pouco de esperança. Meus mais sinceros parabéns a todos vocês por esse resultado.
Minha mensagem para vocês hoje não é apenas para aplaudir os bons números da economia e do varejo mas para lembrar como a recuperação econômica do Brasil ainda é frágil, como ainda somos vulneráveis, como cada pequeno avanço que estamos fazendo pode nos deixar esquecer o tamanho do abismo que está logo na esquina.
O rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor’s na semana passada foi um duro lembrete de quanto ainda temos que caminhar para um crescimento realmente sustentável e que abra mais oportunidades para um país com mais de 12 milhões de desempregados. Cada desempregado é um drama de todos nós, uma família desestruturada, uma vida em compasso de espera, um brasileiro que tem problemas para prover para si e para sua família.
A leve recuperação do Brasil atual não pode significar, de forma alguma, o esquecimento de como chegamos até aqui. O Brasil é um país sem memória, mas não é possível que em pleno ano eleitoral não se fale a cada oportunidade, todos os dias, do período nefasto de quase 15 anos em que uma quadrilha saqueou o Brasil, aparelhou as instituições, usou bancos e obras públicas para enriquecimento privado numa proporção jamais vista e que, espero, nunca mais aconteça.
Não há nada de casual na crise brasileira. Desde 2009, quando nasceu a famigerada e insana “Nova Matriz Econômica”, o Brasil foi jogado num buraco que ainda levaremos muitos anos para sair. E nós varejistas sabemos isso como ninguém, sabemos da dificuldade do povo brasileiro de manter seu nome limpo, de pagar suas contas, de ter condições mínimas de consumo.
O Brasil hoje não tem um governo, é o governo que tem um país que vive para sustentar sua gastança, seu desperdício, seu endividamento, seus ralos bilionários de corrupção e clientelismo, suas regulações insanas, seu intervencionismo retrógrado, sua aversão ao liberalismo e ao empreendedorismo, seu paternalismo autoritário, sua incompetência criminosa e sua fome insaciável por poder, dinheiro e ingerência na vida do cidadão e das empresas. É preciso dar um basta!
O livre mercado não é apenas a melhor arma contra a pobreza, é a única. Todos nós, em algum momento da vida, precisamos fazer uma escolha: ou estamos ao lado dos pobres ou da pobreza. Ou temos amor aos mais necessitados ou temos ódio aos ricos. São sentimentos incompatíveis. Se você é solidário ao pobres, faz tudo para que saiam da pobreza. E é o livre mercado que pode gerar oportunidades e riqueza para todos, especialmente os mais pobres. Quando vamos aprender esta que é a mais básica das lições da história?
Se você quer o melhor para os pobres, você luta por uma sociedade mais livre, que crie mais riquezas e oportunidades para todos. Se você odeia os ricos, você quer expropriar seus bens e destruir sua capacidade produtiva, jogando todos no caos e na miséria. Há décadas que o Brasil optou por odiar os empreendedores, os investidores, os inovadores e os resultados falam por si.
Agora é hora de mostrar que é possível um outro caminho. O próximo presidente governará o país de janeiro de 2019 até o final de 2022. Numa dessas coincidências mágicas, 2022 é exatamente o ano em que o país completará 200 anos do dia em que, às margens do Rio Ipiranga, Pedro I deu o grito que tornou o Brasil uma nação independente de Portugal.
Quero sugerir a todos vocês que chegou a hora de uma nova independência: é preciso tirar o estado das costas da sociedade, do cidadão, dos empreendedores, que estão sufocados e não aguentam mais seu peso. Chegou o momento da independência de cada um de nós das garras governamentais. Liberdade ou morte!
É por isso que estou lançando, junto com outras lideranças da sociedade civil, o movimento Brasil 200 anos. Nós queremos que você diga que país espera para 2022, como você quer o Brasil na comemoração dos seus 200 anos, ao final do mandato dos candidatos eleitos este ano. 2022 começa em 2018, os 200 anos do Brasil começam aqui e agora. Em quatro anos não é possível fazer tudo, mas é possível fazer muito.
Estamos conversando com cidadãos brasileiros para que juntos tenhamos uma pauta comum para entregar aos candidatos ao executivo e ao legislativo com compromisso verdadeiro com a liberdade para que eles saibam, sem sombra de dúvidas, o que o Brasil espera deles. Vamos contribuir com propostas, metas, dados, idéias e, claro, vamos cobrar a cada momento, durante os 4 anos que nos separam do bicentenário, o andamento da implementação destas propostas.
Não é possível que o líder das pesquisas no Brasil para presidente hoje seja não apenas o maior responsável pela crise como um criminoso condenado a 9 anos e meio de prisão em apenas um de inúmeros processos que responde. Que mensagem o país está passando para a classe política e para o mundo? Que aqui o crime compensa? Que o brasileiro aprova a roubalheira? Não é possível que a lição, a mais dura de todas, não tenha sido aprendida.
Eu não espero que toda a imprensa, com honrosas exceções, tenha a isenção de reportar estes fatos durante a campanha, mas espero estar errado. Foram quase 15 anos de uma farra de gastos públicos e créditos subsidiados para os amigos do rei, o que incluiu vários grupos de comunicação que infelizmente jogam contra a estabilidade econômica que estamos buscando hoje com tanta dificuldade sonhando com a volta do dinheiro fácil.
A apropriação privada dos ganhos provenientes de empréstimos de pai para filho dos bancos públicos infelizmente comprou corações e mentes nos últimos anos e muitos fingem não perceber os riscos da volta do projeto bolivariano e cleptomaníaco de poder ao comando do país.
Infelizmente a elite empresarial brasileira, da qual faço parte, não tem liderado como deveria o processo de tornar o Brasil um país mais livre, parte dela sócia do assalto ao estado com prejuízos incalculáveis para a população mais carente. Sem uma elite comprometida de corpo e alma com o progresso, com o avanço institucional, com mais liberdade e menos intervencionismo, com a diminuição do estado hipertrofiado, não vamos a lugar algum.
Por mais que a Operação Lava Jato me orgulhe como cidadão, não tenho como não ficar triste por ver empresários que deveriam estar pensando nas próximas gerações de brasileiros, incluindo em seus próprios filhos, envolvidos nos piores escândalos de corrupção da nossa história. Quantos empresários ainda vivem nas suas pequenas bolhas acreditando que podem tocar suas vidas e seus negócios sem se preocupar com a deteriorização do país, sem lutar pelas instituições, pela ética e pela democracia? Mais cedo ou mais tarde, essa omissão baterá na porta de cada um de nós e cobrará a conta.
Os empresários e empreendedores do país devem ser os guardiões mais intransigentes da competitividade e da liberdade, pré-requisitos para a criação de riqueza que move a economia e a sociedade no caminho da prosperidade e da verdadeira justiça social, com autonomia, dignidade e oportunidades para todos. Chegou a hora de pararmos de ser parte do problema e viramos parte da solução e é essa a convocação que faço hoje para cada um de vocês.
Um país mais livre é também uma declaração de confiança ao nosso povo, uma prova de que juntos podemos construir mais oportunidades para todos, sem a intermediação nefasta da burocracia estatal. Tenho certeza de que cada um de vocês vai tomar parte nessa luta que é de todos nós.
Tenho muita fé no Brasil e nos brasileiros e provo isso saindo da minha zona de conforto e me expondo aqui para vocês na luta para devolver o Brasil aos seus verdadeiros donos, o povo brasileiro. O cidadão independente é aquele que consegue estudar, trabalhar, empreender, gerar valor para a sociedade, para si e sua família, que participa voluntariamente da comunidade e que é solidário com quem precisa.
Peço a todos vocês que participem do Brasil 200 anos com sugestões, propostas, idéias e muito mais. O Brasil 200 só tem um dono: o povo brasileiro, cada um de vocês. Aqui em Nova York, na capital do mundo, podemos nos unir para refundar o Brasil em bases mais livres e solidárias, mais modernas e prósperas para todos. É a minha ideologia, é o meu compromisso, e espero que seja o de vocês também.
REPERCUTE O PLANO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA DA CUT PARA OS PRÓPRIOS TRABALHADORES - 03/12/2017
A notícia não é recente. É de meados do mês passado. Recente é haver-me topado com esta nota postada pelo Sintrajufe (Sindicato dos Trabalhadores da Justiça Federal do RS), criticando a decisão da Central Única dos Trabalhadores. Dizem assim os sindicalizados da Justiça Federal:
Ao mesmo tempo em que critica – com razão – o programa de demissão voluntária lançada pelo governo de Michel Temer (PMDB) junto aos servidores públicos do Executivo federal, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) demonstra incoerência. A CUT anunciou, na última semana, um programa de demissão incentivada (PDI) para seus próprios funcionários, visando reduzir a folha de pagamento em 60%.
O presidente da Central, Vagner Freitas, afirma que a direção apresentou a proposta aos trabalhadores, que a aprovaram em assembleia. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, os trabalhadores cogitam entrar em greve contra a medida. A motivação do PDI é o fim do imposto sindical, oficializado no dia 11 de novembro, com a entrada em vigor da reforma trabalhista. Cabe lembrar que o fim do imposto é uma bandeira histórica da própria CUT, embora a defesa fosse de que houvesse um momento de transição para adaptação dos sindicatos à nova realidade.
Por outro lado, em sua última plenária, também no início do mês, a Fenajufe aprovou, após proposta da Frente Fenajufe pela Base, integrada pelo Sintrajufe/RS e outros sindicatos, resolução que determina que a federação e os sindicatos a ela vinculados não apliquem, na relação com seus funcionários, as mudanças trazidas pela reforma trabalhista.
COMENTO
Diante do fim do dinheiro fácil, a CUT fez o que deveriam fazer todos aqueles que, geridos com responsabilidade, não estivessem contidos por preceitos privilegiados, direitos adquiridos, e nas proximidades dos cofres do poder, sustentados pela patuleia: vai enxugar 60% de seus quadros.
Se o Sintrajufe não fizer a mesma coisa, ou suas finanças vão para o vinagre ou parte expressiva de seus servidores são cedidos pelo próprio poder público, um injustificável privilégio que precisa ser extinto. Que razão tem o pagador de imposto brasileiro para custear a atividade sindical seja lá de que categoria for?
DANÇARINOS TIRAM A ROUPA PARA CRIANÇAS EM ESCOLA DE JUNDIAÍ - 21/10/2017
Uma apresentação de dança com dançarinos apenas de cueca foi acompanhada por crianças a partir de 04 anos de idade no interior da Escola Municipal de Ensino Básico (EMEB) Luiz Bárbaro, localizada em Jundiaí, em comemoração ao “Dia das Crianças”.
“Na apresentação os bailarinos dançaram ao som de ‘Sabão cra cra’ e, ao final deste ‘clássico’, abaixaram as calças, mostrando a cueca para as crianças”, comentou uma professora. O caso foi denunciado por pais de alunos e mesmo funcionários da escola se sentiram constrangidos.
De acordo com os pais, os bailarinos dançaram ao som do funk “Me Deu Onda” e outras músicas de apelo sexual. “Nós já estamos organizando uma comissão para protestar no Paço Municipal”, revelou uma mãe indignada, que não quis se identificar.
“O prefeito Luiz Fernando (Machado) tem que explicar o que está acontecendo nas escolas da cidade, pois não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece. Ou ele não tem comando da Educação ou está sendo conivente com essa baixaria”, completou a mãe.
Os dançarinos são uma escola particular de dança, cuja equipe geralmente promove e participa de vários eventos na cidade e, segundo foi apurado, não sabiam que o público seria formado de crianças a partir dos quatro anos de idade.
O episódio gerou enorme repercussão entre católicos e evangélicos de Jundiaí, cidade que tem sido alvo de várias ações de promoção da agenda LGBT, incluindo uma peça de teatro gay para crianças que, num primeiro momento, contou com apoio da Prefeitura.
“Que história é essa que teve show de homem de cueca em escola de Jundiaí? Será que foi uma apresentação da profissão de gogo boy?”, questionou o advogado Alexandre Pereira.
Um grupo de pais procurou o site Gospel Prime para denunciar o ocorrido. Eles contaram que o conselho de pais havia sido informado sobre uma programação em comemoração à “Semana das Crianças”, mas que ninguém falou sobre dançarinos de cueca e coreografia sensual.
“Conteúdo não era impróprio”, diz Prefeitura
Diante do questionamento do site Gospel Prime sobre as reclamações dos pais, a assessoria de Comunicação da Prefeitura de Jundiaí enviou a seguinte nota de esclarecimento:
A Unidade de Educação esclarece que a atividade promovida pela EMEB Luís Bárbaro, no último dia 11 de outubro, foi precedida pela aprovação do conselho de pais da escola, tendo em vista a importância dada ao processo de construção e constituição de vivências coletivas do ambiente escolar.
Dito isso, reitera-se que o trabalho apresentado na ocasião tinha classificação indicativa livre e o seu conteúdo não era impróprio para crianças. De todo modo, e para preservar a reconhecida qualidade de ensino prestada pela EMEB Luís Bárbaro, a Unidade de Educação solicitou à equipe gestora da escola a documentação com o detalhamento completo da atividade, para que o conteúdo possa ser analisado integralmente e esclarecida qualquer dúvida sobre o contexto.
*Publicado originalmente em https://noticias.gospelprime.com.br/dancarinos-tiram-roupa-para-criancas-em-escola-de-jundiai/
BENEFICIADOS PELA CRISE - 04/09/2017
É simples como isto: os governantes da maior das Antilhas não saberiam como governar um país normal.
HAVANA, Cuba.- É um critério quase generalizado que os problemas de Cuba não têm e não terão solução, pelo menos enquanto a crise econômica continue a gerar benefícios pessoais tanto para os funcionários de alto, médio e pequeno escalão, quanto para aqueles que, de fora ou de dentro, creia que falar de mudança expresse unicamente oportunidades de negócios. E negócios sem muitos horizontes, com esses "empresários" e aventureiros que se adaptam a uma situação de crise que, ao longo do tempo, se tornou uma estratégia política bem eficaz.
Tanto é assim que alguns membros do Partido Comunista já estão falando sobre os favores da política de Donald Trump em relação a Cuba, que é considerado muito menos "perigoso" do que o de Barack Obama, só porque deu a possibilidade de retornar a idéia do "inimigo ameaçador" que foi tão útil para Fidel Castro.
Obama apostava em eliminar ou "suavizar" esses dois elementos (embargo e inimigo ameaçador) sobre os quais o discurso ideológico do governo cubano é sustentado. Aquela política, pela primeira vez em um longo período de tempo, revelou um pouco dos profundos sentimentos anexionistas do povo cubano ou, se não isso, ao menos simpatia pela nação vizinha. Diversamente, com seu retorno a "política difícil", Trump injeta concreto fresco nos fundamentos rachados de uma estrutura que estava prestes a entrar em colapso.
Durante os últimos anos do mandato de Obama, nas assembléias do Partido Comunista, com grande sigilo, como vazou por depoimentos de vários participantes, já se falava da chegada a um ponto sem volta, ou seja, a "revolução" fora declarada morta, e tudo o que os líderes tinham que fazer era esconder o cadáver e mascarar o fedor, algo a que uma parte da velha guarda não havia se resignado, ainda esperançosa com a consolidação no poder dos extremistas latino-americanos de esquerda, que continuariam a contribuir com capital e alianças em fóruns internacionais.
A esperança da ortodoxia comunista não nasceu de uma fantasia vulgar, mas de uma estratégia real que os manteve mais de meio século segurando as rédeas de um azarão que, embora emaciado e doente, pelo menos os serviu para não andar a pé. Isso é muito melhor do que se retirar e transferir os controles da nave, dentro do próprio governo, para aquela facção à qual não parece mau o reformismo econômico e uma transformação política que prepare, pouco a pouco, o terreno para a transição suave e pacífica, sem muito trauma. Um processo assim, no contexto atual, só pode ser conduzido por aqueles que, com a capacidade de entender as necessidades da nação, acima de suas ambições pessoais, não têm muitos compromissos com uma política e uma ideologia que aceitam por necessidade, mas não compartilhar
O ponto de barragem em que nos encontramos hoje é muito semelhante ao de vinte anos atrás. Sabe-se que, em larga medida, a existência de governo depende da existência da crise e dos seus principais componentes: embargo e inimigo incluídos. Sem isso, nenhum mecanismo de controle sobre os cidadãos teria sentido. Tornar Cuba um país normal, conectado em todas as áreas com o resto do mundo, seria o mesmo que o suicídio da velha casta, incapaz de para justificar mediocridades, torpeza administrativa, proibições, repressões, privilégios e tudo o que dificulta a prosperidade da nação.
É tão simples quanto isto: eles não saberiam como governar um país normal, e muito menos como se perpetuar no poder sem restringir e criminalizar as liberdades e os direitos dos indivíduos, daí o alívio fornecido pela "linha dura" de Trump em substituição ao rosto sorridente de Obama.
Enquanto isso, nada é dito sobre a incompetência para encontrar uma solução para as reivindicações de cidadãos que foram forçados por anos a não emitir critérios negativos sobre "o assunto", isto é, sobre a situação. Todos sabem que não há solução e só esperam que a "coisa" caia por seu próprio peso, algo que não é fácil nem simples.
No final, a incompetência do governo é e, ao mesmo tempo, não é incompetência. Seria melhor defini-lo como "incompetência utilizável", como fazer limonada dos limões que a vida lhe dá. Isso apenas reafirma a mediocridade das ideologias totalitárias. Conseqüentemente, o Partido Comunista, que controla a imprensa, trabalha a imagem de uma crise provocada por "inimigos externos" para projetá-la exclusivamente na cena daqueles que a sofrem.
(Publicado originalmente em cubanet.org)
TETO SALARIAL DE SERVIDORES SERÁ DISCUTIDO NA CÂMARA - 31/08/2017
Não é só o Supremo Tribunal Federal que resolveu abrir guerra contra os salários de servidores que extrapolam o teto constitucional de R$ 33,7 mil, equivalente ao de ministro do STF. A Câmara também se movimenta e vai tirar da gaveta empoeirada um projeto aprovado em dezembro do ano passado pelos senadores. A proposta define regras sobre o que pode ser incluído dentro dos vencimentos para não ferir a regra constitucional. A comissão especial para analisar o projeto está marcada para ser instalada em 12 de setembro. O único partido que ainda não indicou um parlamentar para compor o colegiado é o PSol. O relator será o deputado Rubens Bueno (PPS-PR).
“O chamado ‘Projeto Extrateto’ visa impedir que adicionais incorporados ao salário elevem a remuneração acima do valor que é pago a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Trata-se de uma iniciativa para barrar os privilégios e os supersalários no serviço público”, explicou Bueno.
Segundo a relatora do projeto na Casa, senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), o debate em torno desse tema é simples. “Teto é teto. Temos que obedecer ao limite de R$ 33,7 mil. Nenhum subsídio pode ultrapassar isso. O servidor pode ter todos os auxílios possíveis, desde que cumpra a lei e não passe do teto. Não há segredo. A chave de tudo está na Constituição. A regulamentação que propomos com esses projetos são apenas alguns pingos nos is, já que está muito claro que teto existe para ser cumprido”, resumiu ela, quando o texto foi aprovado.
TRÊS FOCOS – O relatório apresentado por Kátia foi fruto de três projetos que tramitavam na Casa. Segundo a senadora peemedebista, o trabalho resumiu-se em três focos. “O primeiro foi regulamentar a diferença entre subsídio, que é o salário, e a verba indenizatória, que são os benefícios extras, como auxílio-moradia. Em segundo lugar, colocamos fim ao efeito cascata, que é a vinculação dos salários de ministros do Supremo a de desembargadores, procuradores, juízes e conselheiros. Por fim, consideramos algumas pouquíssimas exceções previstas em lei, que é o caso do magistério e dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral”, explicou.
Devem ser incluídos – Vencimentos, salários, soldos e subsídios; Verbas de representação; Parcelas de equivalência ou isonomia; Abonos, prêmios, adicionais, gratificações de qualquer natureza; Diferenças pessoais para garantir decréscimo remuneratório; Vantagem pessoal nominalmente identificável; Ajuda de custo para capacitação profissional; Retribuição pelo exercício em local de difícil provimento; Gratificação ou adicional de localidade especial; Proventos ou pensões estatutárias, especiais ou militares; Valores decorrentes de cargos de comissão ou função de confiança; Valores decorrentes do exercício acumulativo de atribuições; Substituições; Gratificação por assumir outros encargos; Adicional de insalubridade e periculosidade; Horas extras; Adicional de plantão e adicional noturno; Auxílio-moradia; Assistência pré-escolar, médica e odontológica; Jetons por participação em conselhos de administração ou fiscal de empresas públicas; Indenização de férias não gozadas.
Devem ficar fora do teto – Ajuda de custo em função de mudança de sede; Diárias; Auxílio-invalidez; Adicional ou auxílio-funeral; Valores recebidos de entidade previdenciária fechada ou aberta; Abono de permanência em serviço; Abono pecuniário de férias, limitado a 10 dias por exercício; Ajuda de custo prevista por ocasião de transferência para atividade remunerada de militares.
MÍDIA PETISTA, ANTES, DURANTE E DEPOIS DOS CRIMES - 16/07/2017
Em pequena nota anterior comentei as arrogantes dissertações supostamente jurídicas com que operadores da mídia petista se aprumaram e enfileiraram para criticar a volumosa sentença de condenação do ex-presidente Lula. Nada sabem sobre Direito e pouco devem saber sobre Lula porque nunca se importaram em investigar além do que a ideologia e a propaganda mandam informar.
Assim agindo, certamente contrariaram o juramento profissional que devem ter feito, sem dedos cruzados, em seu ato de graduação. Embora cada instituição de ensino adote um rito próprio, parece improvável que esteja ausente de tais compromissos alguma afirmação que vincule o profissional à busca da verdade e ao direito social à informação.
Então, as perguntas:
• Onde estava essa mídia quando os crimes eram praticados sob os olhos da nação?
• De que cuidavam esses profissionais quando as instituições começaram a puxar os fios da sinistra meada que redundou na Lava Jato?
• Qual sua atitude quando as condenações passaram a incidir sobre outros partidos (PMDB e PP) da base do governo petista?
• Em qual momento mediram com a régua da informação correta a importância das manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff em todo o país?
• Serviram de qualquer modo à nação brasileira quando postados diante de tantos e tão volumosos escândalos?
• Alguma vez, uma que seja, sabendo tudo que lhes foi dado saber, colocaram em dúvida a inocência de Lula?
• Alguma vez, uma que seja, usaram os meios disponibilizados por sua profissão para questionar o maior e mais importante partido político do país sobre o temporal de escândalos que sobre ele se abatia?
Haveria muito mais a perguntar, mas essas indagações bastam para expressar minha inconformidade com o que vi e vejo acontecer. Sinta-se à vontade para expressar suas próprias curiosidades.
CUIDADOSO ESCRUTÍNIO DO ESTADO BRASILEIRO - 28/06/2017
No último fim de semana, nas confortáveis instalações de Móveis Florense, em Flores da Cunha, aconteceu o 5º Colóquio do Grupo Pensar +. Tendo participado de todos os anteriores, colhi a sensação de que este superou os demais pela riqueza de conteúdo, pela natureza cirúrgica dos diagnósticos e pelas consequências que produzirá nas comunicações dos membros do grupo com a sociedade. O Pensar+ reúne profissionais de formação liberal e/ou conservadora que reservam parte de seu tempo para várias formas de comunicação, buscando influenciar positivamente a sociedade para a participação esclarecida na vida nacional. O Brasil exige participação assim, esclarecida. Formas meramente emocionais e reativas, ou desinteressadas, são substituíveis, com vantagem, por sensata omissão. Melhor não participar do que participar de modo atabalhoado, destrutivo ou equivocado.
O eixo das exposições e debates foi determinado pelas interações que se estabelecem entre a Economia e a Política e sobre o quanto as enfermidades que acometem essas duas áreas tão significativas à vida dos povos estão danificando a sociedade brasileira. Ficou muito evidente que o Brasil, além da corrupção em evidência, atravessou largo período cobrando da Economia aquilo que ela não poderia entregar porque as requisições políticas se faziam em flagrante desrespeito a seus fundamentos e à sua autonomia como ciência. A recessão é resultado dessa síndrome, causada por pressão política, má formação institucional e por crescente e escandalosa influência do corporativismo nos quadros de Estado.
O corporativismo é filho do trans-histórico patrimonialismo. Este engrossa o caldo da corrupção; aquele faz crescer, desmesurada e insuportavelmente, todas as dimensões do Estado que sobrecarregam a sociedade.
Sob coordenação de Gilberto Simões Pires e Fernanda Barth, participaram, por meios eletrônicos, os pensadores Ives Gandra (jurista), Paulo Rabello de Castro (presidente do BNDES), Paulo Moura (cientista político), Paulo Uebel (secretário municipal de gestão da prefeitura de São Paulo), Marcel Van Hattem (deputado estadual no RS) e Igor Moraes (economista). Presencialmente, palestaram José Antônio Rosa (advogado), Ricardo Gomes e Ramiro Rosário (vereadores e secretários municipais em Porto Alegre), Felipe Camozzato (vereador em Porto Alegre), Fabio Ostermann (cientista político), Vinícius Boeira (advogado e presidente do Movimento Paramentarista) e Cleber Benvegnú (secretário de Comunicação do governo do Estado), convidado especial.
A abordagem de temas teóricos e relatos de experiências de gestão em Porto Alegre, São Paulo e no governo gaúcho forneceram diagnósticos do tipo que em, medicina, é feito com o ventre dos pacientes aberto para inspeção visual. E o quadro serviu para mostrar o quanto se torna relevante a tarefa de esclarecimento objetivo para que, numa sociedade democrática e sob os regimentos do Estado de Direito, se possam fazer as reformas de que o país necessita.
Ao final, em vista disso, importante deliberação: o Grupo Pensar + se estruturará para promover hangouts, abertos ao público, com a participação de seus membros.
OLAVO DE CARVALHO, UM FILÓSOFO À FRENTE DE SEU TEMPO - 01/06/2017
Em recente artigo, publicado no blog do Instituto Liberal, o competente Ricardo Bordin destaca, dentre muitas, cinco evidências da superioridade intelectual do Olavo de Carvalho em relação a seus contemporâneos quando se trata de antecipar e apontar graves problemas de nosso tempo, de modo inédito e sob incredulidade quase geral. Não raro, Olavo é acusado de formular teorias conspiratórias quando mostra evidências de articulações reais que, logo ali, exibem seus efeitos e deixam as impressões digitais dos conspiradores. Com o tempo, as observações de Olavo assumem a importante função de conhecimento adquirido. E quando essa quase mágica transformação se produz, é mais do que hora de louvar o peregrino que vai à frente da caminhada.
Seguem em itálico os cinco temas selecionados por Ricardo Bordin para comprovar sua afirmação. Sei que posso contar com a tolerância do autor para acrescentar, ao final, uma breve observação minha.
1) Globalismo (artigo de 2009)
Com grande frequência vejo liberais e conservadores repetindo os slogans mais estúpidos do globalismo, como por exemplo o de que certos problemas – narcotráfico, pedofilia, etc. – não podem ser enfrentados em escala local, requerendo antes a intervenção de uma autoridade global. O contrassenso dessa afirmativa é tão patente que só um estado geral de sonsice hipnótica pode explicar que ela desfrute de alguma credibilidade. Aristóteles, Descartes e Leibniz ensinavam que, quando você tem um problema grande, a melhor maneira de resolvê-lo é subdividi-lo em unidades menores. A retórica globalista nada pode contra essa regra de método. Ampliar a escala de um problema jamais pode ser um bom meio de enfrentá-lo. A experiência de certas cidades americanas, que praticamente eliminaram a criminalidade de seus territórios usando apenas seus recursos locais, é a melhor prova de que, em vez de ampliar, é preciso diminuir a escala, subdividir o poder, e enfrentar os males na dimensão do contato direto e local em vez de deixar-se embriagar pela grandeza das ambições globais.
2) Islamização do Ocidente (artigo de 2007)
Continua portanto válida — não obstante erros de detalhe, concernentes por exemplo à China –, a análise feita em 1924 por René Guénon (ele próprio um muçulmano) em Orient et Occident, segundo a qual o Ocidente só teria, daquele momento em diante, três caminhos a escolher: a reconquista da tradição cristã; a queda na barbárie e em conflitos étnicos sem fim; e a islamização geral. Os que pretendem defender o Ocidente na base do laicismo ou do ateísmo só concorrem para fortalecer a segunda alternativa, ante a qual a terceira pode surgir, mais dia menos dia, até como alternativa humanitária. A “civilização laica” não é uma promessa de vida: ela é a agonia de uma humanidade declinante que, um minuto antes da morte, terminará pedindo socorro ao Islam.
3) Importância dos valores culturais para o desenvolvimento econômico (artigo de 2001)
O que distinguiu o capitalismo moderno, surgido nos Países Baixos na época da Reforma, foi um conjunto de condições culturais, morais e políticas que, na ausência de forças políticas reguladoras da vida social, permitiram que o próprio mercado assumisse o papel de regulador. Mas não de regulador autocrático. Os principais fatores daquele conjunto eram a homogeneidade dos valores morais vigentes (cristãos e judaicos) e a inexistência de um poder central coercitivo: o acordo interior, na ausência de coerção externa. Tais foram as bases éticas que, como bem viu Adam Smith, fundamentavam a economia de mercado sem que esta, por si, pudesse criá-las. Foi a presença dessas condições que favoreceu o desenvolvimento do capitalismo nos países protestantes e o inibiu nos países católicos, de forte autoridade central.
4) Foro de São Paulo (artigo de 2002, quando Lula era praticamente uma unanimidade – positiva – nacional)
O Lula que os brasileiros elegeram não é o mesmo que fundou e há doze anos lidera o Foro de São Paulo, entidade criada para coordenar as ações legais e ilegais do movimento comunista no continente, que tem entre suas fontes de sustentação financeira o narcotráfico das Farc e os sequestros do MIR chileno.
O Lula do Foro não morreu, nem muito menos se transmutou em outra coisa ao fim de uma longa evolução interior. Ainda em dezembro de 2001 ele assinou um compromisso de solidariedade com as Farc, provando que ainda era o mesmo de sempre — e não pode ter mudado tanto em tão pouco tempo.
O que aconteceu foi que ele simplesmente desapareceu, arrebatado do horizonte visível pelo silêncio da mídia, pela omissão covarde ou cúmplice de seus concorrentes e, no fim, pela decisiva intervenção censória do Superior Tribunal Eleitoral.
Em seu lugar entrou um ente de ficção, criado pela artes publicitárias de Duda Mendonça, lançado no mercado sob o rótulo de “Lulinha Paz e Amor” e imposto aos consumidores pelo vozerio incessante de milhares de garotos-propaganda recrutados em todas as elites intelectuais, artísticas, políticas e empresariais do país — e algumas do exterior.
5) A disputa PT x PSDB é uma briga interna da esquerda (artigo de 2006)
Não havendo partidos ou políticos de direita no Brasil, toda a confrontação direita-esquerda que se vê atualmente é uma obra de engenharia social criada pela própria esquerda com três objetivos: (1) ocultar sua hegemonia e seu poder monopolístico sob uma aparência de disputa democrática normal; (2) neutralizar quaisquer tendências direitistas, canalizando-as para uma direita pré-fabricada, a “direita da esquerda”, o que se observou muito claramente nas duas campanhas eleitorais de Fernando Henrique Cardoso, um marxista gramsciano que foi alegremente aceito como depositário (infiel, é óbvio) da confiança do eleitorado direitista; (3) dominar todo o espaço político por meio do jogo de duas correntes partidárias fiéis ao mesmo esquema ideológico, só separadas pela disputa de cargos, como aliás o reconheceram explicitamente o próprio Fernando Henrique e o prof. Christovam Buarque, então um dos mentores do PT. Essas três linhas de ação definem exatamente o que Lênin chamava “estratégia das tesouras”, termo inspirado na idéia de cortar com duas lâminas.
Então, segue Ricardo Bordin
Eu não sei vocês, mas para a maioria dos brasileiros estas constatações, em grande parte, são novidades reveladas pelo recente movimento liberal/conservador que emergiu graças à internet – quando não são ainda totalmente desconhecidas. O quão surpreendente, pois, é perceber que uma pessoa falava sobre tudo isso (e muito mais) há tanto tempo e seus escritos não ganhavam a reverberação necessária? Muito, com certeza. Teríamos chegado a este ponto de governo agigantado e interventor caso a este cidadão tivéssemos destinado mais atenção? Pouco provável.
Em relação ao famoso bordão “Olavo tem razão”, que se deixe claro que ninguém precisa concordar sempre com ele quanto às resoluções que devam ser adotadas frente a conflitos concretos diversos. No episódio recente do impeachment de Dilma Rousseff, por exemplo, não me foi possível compartilhar do ponto de vista do professor (que acreditava, basicamente, que retirar apenas a “presidenta” do Planalto poderia acobertar investidas mais pesadas da esquerda), o que não impede, em absoluto, que reconheça a profundidade de seus argumentos e os acolha na mente.
Em grande parte dos casos, contudo, o fenômeno do reconhecimento tardio é a regra: após um considerável lapso para digestão é que logramos internalizar seus ensinamentos e passar a compreender sua relevância.
Que fique a lição: da próxima vez que lhe vier a cabeça “mas eu nunca ouvi falar disso”, após ler ou assistir ao material que for, não relegue o texto ou o vídeo à lixeira virtual apenas por este motivo. Pode ser que grandes oportunidades de amadurecermos como nação e como indivíduos estejam sendo desperdiçadas. Melhor é procurar saber por que cargas d’água informações de vital importância permaneceram-lhe deliberadamente sonegadas até este fatídico dia de epifania – seu professor do ensino médio e seu telejornal favorito talvez lhe devam satisfações.
Aliás, aproveite e assista hoje (30/05) sua entrevista ao apresentador Danilo Gentili no programa The Noite, ou faça-o mais tarde pelo YouTube. Quem sabe não lhe sirva como pontapé inicial para aprender “O mínimo“…
E acrescento eu:
A isso e a muito mais, eu acrescentaria o importante papel desempenhado por Olavo de Carvalho em seus cursos, sobre os quais milhares de alunos oferecem testemunhos impressionantes. Particularmente, destaco o valor espiritual, religioso e cultural de seu testemunho como cristão católico, apontando, num ambiente intelectual dominado pela soberba do humano, o valor espiritual e cultural do cristianismo. Sabe mais quem sabe com Deus.
OS ELEITORES DE LULA E DILMA E OS ELEITORES DE AÉCIO NEVES - 30/05/2017
O jornalista Lauro Jardim noticiou anteontem, 28 de maio, que o senador afastado Aécio Neves não sai de casa desde o dia 17. Completam-se amanhã duas semanas de voluntária prisão domiciliar. A informação abre espaço para várias cogitações. Estaria o senador envergonhado, em depressão? Contido por seus familiares que não o querem exposto à luz do sol e aos olhos da nação? O que passa na cabeça de quem, subitamente, vê sua máscara cair e seu mundo desabar? Não sei e não acho importante. Felizmente, sua carreira política está encerrada. Não mais candidato à presidência, não mais liderança da bancada, não mais comando do PSDB, não mais grana fácil colhida em escandalosos comissionamentos e, se a justiça assim decidir, um bom período de prisão a ser cumprido.
Pois bem, enquanto lia sobre a clausura do senador mineiro, eu olhava para mim mesmo na condição de alguém que votou em Aécio Neves naquela disputa. A bem da verdade, fiz mais do que isso. No final da campanha, em meados de setembro de 2014, fui um dos convidados para assinar a lista dos intelectuais “100% Aécio”. Sim, eu assinei a lista em apoio do candidato que via com melhores condições de ir para o segundo turno e vencer Dilma Rousseff.
Não tenho do que me arrepender. Fui enganado. E aí começam as diferenças entre os 51 milhões de eleitores de Aécio Neves e os que querem a volta de Lula ao poder. Os primeiros estão indignados, enojados, sentem-se traídos e nunca mais repetirão o erro. Não têm compromissos com delinqüentes e criminosos. Já a turma das bandeiras vermelhas, dos badernaços, dos showmícios de Copacabana, viram o que seus líderes fizeram, conhecem o que aconteceu em nosso país e sabem, muito bem, a quem apoiam. Chamam bandido de herói, glorificam Lula e satanizam Sérgio Moro. Têm uma responsabilidade moral gravíssima perante os males do tempo presente. E antes de se deixarem conduzir pelo nariz por lideranças mal intencionadas deveriam bater no próprio peito. É necessário penetrar no lado mais dark da natureza humana para encontrar as razões pelas quais a conduta de Aécio causa justa indignação em pessoas que endeusam um perfeito canalha como Lula.
DIVULGAÇÃO DA CONVERSA DE REINALDO AZEVEDO É ILEGAL - 25/05/2017
Trecho de um texto maior do autor, publicado no www.institutoliberal.org.br.
Essa história de tornar públicas conversas privadas não relacionadas a investigação é simplesmente ilegal. Quem procedeu com isso terá que responder por esse absurdo. Inaceitável e criminoso é o procedimento de tornar públicas conversas entre pessoas privadas não investigadas, com conteúdo não relacionado a investigação, com o único intuito de lhes causar constrangimentos de ordem pessoal ou profissional. A lei foi violada, resta agora saber se de maneira intencional ou por descuido.
Se até agora você ainda não se convenceu, então imagine que sua esposa ou sua filha liguem para um médico e comentem questões pessoais com o médico. Questões relacionadas a tratamentos de saúde e remédios que devem ser tomados. Cinco meses depois tais áudios vem a público em decorrência do médico estar sendo investigado. Você acha isso correto? Que culpa tem sua esposa, ou sua filha, de se consultarem com um médico que elas confiavam (mas que era investigado pela polícia)? Ora, tais conversas privadas em nada ajudam a investigação. Contudo, sua divulgação pública pode denegrir, manchar a reputação, implicar numa demissão de emprego, ou causar constrangimentos consideráveis a pessoas inocentes.
COMENTO
Há bom tempo deixei de me interessar pelos textos e, mais ainda, pelas falas de Reinaldo Azevedo. Parece-me que a notoriedade subiu-lhe à cabeça. E poucas coisas afetam tão negativamente o jornalismo quanto a necessidade que alguns profissionais se impõem de emitir opinião sobre tudo e sobre todos. No entanto, a divulgação de suas conversas telefônicas foi um ato de abuso, ilícito e injustificado, a exigir uma correição na PGR.
LEIA A CONVERSA COMPLETA ENTRE TEMER E O DONO DA JBS - 19/05/2017
A conversa entre o presidente Michel Temer e o dono da JBS Joesley Batista foi divulgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) nesta quinta-feira (18).
Veja a transcrição completa da conversa:
Michel Temer: Primeiro você sabe que tô fazendo 10 meses, parece que foi ontem, né. Parece que foi ontem e parece uma [...] e segundo que tem uma oposição muito brava, muito orgânica, né? Foi terrível no começo.
Eles lançaram o negócio do golpe, golpe, golpe e não passou. Daí a economia não vai dar certo, não vai dar certo e começou a dar certo. Então, os caras estão num desespero. Não dá nem pra ter apoio do Congresso, isso eu não tenho apoio
Joesley Batista: Muito grande.
Michel Temer: Tô ferrado, tô ferrado.
Não tenho apoio da imprensa, entendeu? Mas vai dar certo . Nós vamos atravessar isso aí, você vai ver. Vamos chegar no final este ano já muito melhor e dia 18 vamo comemorar.
Joesley Batista: Com certeza. Sabe que nós vamos chegar isso mesmo. Vamos chegar no fim desse ano olhando pra frente…
Michel Temer: Já começou, modestamente, mas já começou. Uma coisa que eu não esperava que começasse agora.
Joesley Batista: Muito rápido, tá sendo muito rápido. Cê tá falando de 10 meses, mas na realidade…
Michel Temer: Seis como titular.
Joesley Batista: Então, porque teve aquele periodozinho muito duro ali. Não podia fazer nada…
Michel Temer: Seis meses como titular. E olha o que nós já fizemos… O teto dos gastos, a reforma da [...], aprovamos a [...], um troço que tava lá há dez meses sem ser votado, aprovado, dezenas, aprovamos a [...] do Conselho Nacional de Justiça, fizemos um grande acordo com a [...] Trabalhista [...] com as centrais sindicais [...]
Joesley Batista: Muito rápido. Muita coisa, muito rápido. A economia tá bem, mas tem que baixar o juro rápido, porque a expectativa é [...] rápido, né? A reversão da expectativa.
Michel Temer: [...] Aí desce mais um. Vai descendo o responsável [...]
Joesley Batista: Cê sempre tem que deixar o mercado com a sensação de que foi pouco, o mercado tem que ficar na sensação de que [...], aí você pode tomar a dianteira. O Banco Central baixou 25, depois 25. Aí o mercado pôôô. Aí quando ele deu aquele 75 o mercado deu uma animada, só que aí já esperava. Aí ele deu 75, que é muito. 75 é muito. Aí ele deu 1, o mercado ohhhh, agora vai dar 1 o mercado vai achar pouco. ‘Pô, mas só 1, tinha que ser 1,5’
Não tá bom, presidente, a tarde. Primeiro eu vim aqui por dois, três motivos, assim, assim, assado. Primeiro que eu não tinha te visto, né? Desde quando você assumiu.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Não, não desde que você assumiu
Michel Temer: Não quando eu assumi?
Joesley Batista: Não, não. Antes de assumir.
Eu tive motivo no teu escritório dez dias antes ali, quando tava ali naquela briga ainda, naquela guerra pela rede social.
Michel Temer: Você tem razão.
Joesley Batista: Negócio de golpe, golpe. Mas tudo bem.
Mas e aí, enfim, de lá pra cá, eu vinha falando com o Geddel [Vieira Lima], enfim, aí também não deu [...]
Michel Temer: Foi quando deu aquele problema?
Joesley Batista: É, também não quis incomodar.
Michel Temer: Um idiota aqui...
Joesley Batista: Foi uma bobagem.
Michel Temer: Foi uma bobagem que ele fez. Uma bobagem sem consequência nenhuma, mas o cara aproveitou para fazer um Carnaval.
Joesley Batista: Mas eu ia ali falando com o Geddel, tudo bem. Andei falando algumas vezes com o [Eliseu] Padilha também, agora que o Padilha adoeceu, tá adoentado, enfim, aí eu fiquei meio. Falei. ‘Deixa eu ir lá pra dar uma...’.
Eu queria primeiro dizer o seguinte. E tamo junto aí, o que o senhor precisar de mim me fala.
É, eu queria te ouvir um pouco, presidente.
Como é que o senhor tá nessa situação toda aí do Eduardo, do não sei o quê [...].
Michel Temer: O Eduardo tentou me fustigar
Joesley Batista: E como é que tá essa relação?
Michel Temer: Ah tá [...] e na hora de ir para a defesa indeferiu 21 perguntas dele que não tem nada a ver com a defesa dele. Era pra me [...]. Eu não fiz nada com ele [...] no Supremo Tribunal Federal. Ó só [...] fatalidade [...]. E tá aí, rapaz [..], mas os meus ministros [...]
Joesley Batista: Dentro do possível eu fiz o máximo que deu ali. Zerei tudo o que tinha, alguma pendência daqui prali zerou e tal. [...] deu tudo e ele foi firme em cima, ele já tava lá [preso em Curitiba] , veio, cobrou, tal, tal, tal. Pronto, acelerei o passo e tirei da frente. O [...], companheiro dele [...] que o Geddel sempre tava.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Geddel que andava sempre ali. Mas o Geddel também com esse negócio, eu perdi o contato também, porque ele virou investigado. Agora eu não posso também …
Michel Temer: É complicado.
Joesley Batista: Eu não posso encontrar ele.
Michel Temer: [...] perigosíssimo.
Joesley Batista: Isso, isso. O negócio dos vazamentos, o telefone lá do [...] com o Geddel, volta e meia citava alguma coisa meio tangenciando a nós, eu tô lá me defendendo.
O que eu mais ou menos dei conta de fazer até agora?
Tô de bem com o Eduardo.
Michel Temer: Tem que manter isso, viu.
Joesley Batista: Todo mês também. Eu tô segurando as pontas, tô indo. [...]. Eu tô meio enrolado aqui no processo assim.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Isso, isso. investigado. Eu não tenho ainda denúncia. [...]
Aqui eu dei conta de um lado com o juiz, dá uma segurada. Do outro lado o juiz substituto, que é o cara que ficou.
Michel Temer: Tá segurando os dois?
Joesley Batista: Tô segurando os dois.
Michel Temer: Ótimo, ótimo.
Joesley Batista: Consegui [...] dentro da força-tarefa que também tá me dando informação e lá que eu tô [...] pra dar conta de trocar o procurador que tá atrás de mim.
Se eu der conta tem o lado bom e o lado ruim. O lado bom é que dá uma esfriada até o outro chegar e tal. O lado ruim é que se vem um cara com raiva ou com não sei o quê.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Tem um que tá me investigando [...] eu consegui colar um no grupo, agora tô tentando trocar o...
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Isso. Essa semana eles estão de férias . Até essa semana eu fiquei preocupado, porque saiu um burburinho de que iam trocar ele e não sei o quê. Tudo bem.
Só tô contando essa história pra dizer que eu tô me defendendo aí, tô me segurando com os dois lá, tô mantendo, tudo bem.
Mas [...] aquele dia que o Geddel tava aqui e quase não deu.
Michel Temer: [...] se todos se reunirem e fizerem isso, [...], mas se todos fizerem isso.
Joesley Batista: Sabe que eu tive até com o presidente Lula na época, no dia que parte do PT . [...].
'Pô, presidente, quando [...]’.
Eu quero uma aguinha.
Água.
Todo mundo.
Michel Temer: [...].
Joesley Batista: Então, isso foi um negócio da autoridade [...] era outra.
Michel Temer: [...].
Joesley Batista: Presidente, eu não sei o quanto o senhor tá [..] de verdade da casa [...]. É uma brutalidade, um negócio assim.
Duas semanas atrás, três semanas atrás [...] que trabalhava lá com o Lúcio que ninguém nosso nunca viu, ninguém nunca, nada.
Pô, me rendeu um “Fantástico”, um “Jornal Nacional”, e não sei o quê. Como eu tenho boa relação com a imprensa consegui rapidamente quietou.
Foi um dia, dois, parou. Mas, puta merda, é um problema. Sobre esse ponto aí, também estamos tocando.
Ninguem nosso nunca viu nada. É um diz que me diz de ‘ah, eu ouvi falar do Lúcio que não sei que, eu ouvi falar…’ Po, me rendeu um “Fantástico”, um Jornal Nacional, e não sei o que. Como eu tenho boa relação com a imprensa consegui rapidamente ‘quietou’ (sic). Foi um dia, dois, pronto, parou. Mas, puta merda, é um problema. Sobre esse ponto aí, também estamos tocando.
[...]
Joesley Batista: To fazendo [...] mil por mês.
[...]
Joesley Batista: [...] enfim, mas vamos lá. Eu queria falar sobre isso. Falar como é que… falar contigo qual é a melhor maneira [...]
Geddel… Eu não vou lhe incomodar [...] é o Rodrigo?
Michel Temer: É o Rodrigo.
Joesley Batista: Então ótimo [...]
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Eu prefiro combinar assim, Se for alguma coisa que precisar eu falo com o Rodrigo. Se for algum assunto desse eu te encaminho.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Funcionou super bem à noite, umas 10h30 da noite, uma horinha… tá, falar de outra coisa aqui. O Henrique, como é que você tá com o Henrique?
Michel Temer: A gente tá muito bem. [...] Quer dizer, ele concorda [...]
Joesley Batista: Ele é trabalhador [...]
Michel Temer: [...] inacreditável, inacreditável [...] Mas o Henrique [...] Eu chamo ele todo dia.
Joesley Batista: E ele gosta. Ele gosta de trabalhar. Se chamar pra ir para a praia, se você for pra praia e chamar ele (sic), ih…. agora se chamar ‘vamos trabalhar’... Ele é muito disciplinado, tem uma relação ótima comigo.
Eu não sei… assim, eu já andei falando com ele alguns assuntos [...] falou ‘ah, lá o Nilo (?) faz as coisas, eu tiro fora. Você que manda nessa merda? Não, Nilo lá’ Um dia eu cheguei assim: ‘Nilo, você tem que chegar na Receita Federal, po. [...] Tem um monte de coisa pra fazer’. ‘Ixi, não posso mexer’. BNDES? BNDES é o Planejamento, mas foi você quem botou a Maria Sílvia [Bastos Marques] lá...
Michel Temer: [...] A gente ligou, acertou e tal.
Joesley Batista: Queria ter alguma sintonia contigo para quando eu falar com ele não jogar que 'o presidente não deixa, não quer'. Então, você é um banana, não manda p*** nenhuma. Eu falei com ele [...] o companheiro presidente do Cade ia mudar, mudou, sei lá. Já mudou, já botou?
Michel Temer: Isso.
Joesley Batista: Eu também não sei se é hora de mexer em uma coisa porque dentro do contexto geral eu também não quero importunar ele, também se eu for mais, eu trabalhei com ele quatro anos. Se eu for mais firme, eu acho que ele corresponde.
Michel Temer: Ele [...] denúncias maiores.
Joesley Batista: Até voltando um pouco para o caso Eduardo, na época ‘ah, briguei lá e tal’. Agora, uns 15 dias antes dele perder o cargo, o Eduardo. Ele veio e deu uma cobradazinha em mim: ‘a gente tem que trabalhar, não sei o quê e tal’. Eduardo não é assim também [...]
Aí uns 15 dias antes, eu falei: ’Eduardo, não é assim não. Parai, pô’. Ele olhou: ‘pô, cê tá com a Ferrari aí?” [...] ficou Fazenda, Banco Central. O Banco Central perdeu o status de ministro, né.
O Henrique [Meirelles] ficou muito prestigiado. Peraí, o Henrique também não vai sair fazendo [...] Ele é só. Não sei. Vou só te dar um toque em relação a isso e em relação a eu não sei o quanto eu vou engolir, o quanto eu deixo ele com essa pepineira dele. Enfim...
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Se ele jogar para cima de você, eu posso bancar e dizer assim: ‘eu não, qualquer coisa eu faço...’
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Eu não vou falar nada descabido. Agora, esse presidente do Cade não sei se [...] Seria importantíssimo para o governo, um Cade ponta firme.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Já foi, já foi. Em janeiro, já. E eu não soube. Eu falei para ele...
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Foi nomeado o presidente.
Michel Temer: [...] conversa franca.
Joesley Batista: Eu não sei. Então, talvez.... Agora tá o presidente da CVM [Comissão de Valores Mobiliários] para trocar ou não trocar. É um outro lugar fundamental. Eu diria assim: ‘se eu falo com ele e empurrar para você’.
Michel Temer: Pode fazer.
Joesley Batista: É só isso que eu queria ter, esse alinhamento, para a gente não ficar e para ele perceber que nós temos.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Mas, quando eu digo de ir mais no Henrique é isso. É falar: ‘Henrique, mas você vai levar? ‘Vou’, Então, tá bom. Então, pronto. Aí ele vem. É esse alinhamento só que eu queria ter em todos os termos mais amplos e genéricos ter esse alinhamento para dizer o seguinte: ‘mas olha: quando eu falei um negócio pelo menos vai lá e consulta para ver’. Queria te dizer daquela operação. O Geddel me falou que teve todo um empenho
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Não de um jeito, mas deu do outro, pronto.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Esse negócio do BNDES é outra [...] Influencia e tal. Hoje, quem assumir vai estar falando com quem? É um negócio que vai estar problemático.
Michel Temer: [...] Tem uns servidores lá que estão com os bens indisponíveis. [...] Não se pode mexer. Então, eles estão com medo de mexer em qualquer coisa. [...] Isso ai do Meirelles.
Joesley Batista: É isso que eu quero. [...] Se eles [...] eu digo: consulta lá e me fala desse negócio. Para eles. Afinal de contas, eu fiz...
Michel Temer: Consulta o presidente
Joesley Batista: Afinal de conta tem até o fim do ano aí. [...] O Geddel cê tem visto ele? Como é que ele tá?
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Exatamente. [...] Como é que será 2018? [..]
Michel Temer: Não sei. [...] Apesar de todo [...] na economia
Joesley Batista: Casa que falta pão não tem união, né? Não tem nenhum remédio melhor do que as coisas irem bem, né? Financeiramente, todo mundo acalma
Michel Temer: Certamente.
Joesley Batista: E o TSE, como é que tá?
Michel Temer: [...] eu acho que ele não passa o negócio da minha cassação, porque eles têm uma consciência política de pô mais um presidente [...] primeiro. Segundo, [...], terceiro, a improcedência da ação. Pra mim não é só dos direitos políticos [...]
Joesley Batista: Então tá bom. Puta que pariu.
Michel Temer: Os aborrecimentos que você tá tendo também.
Joesley Batista: É duro né presidente, porque é o seguinte, igualzinho o senhor aqui. A gente fica equilibrando esse prato, né, porque um monte de coisas, não temos só isso. Tem a empresa, tem o concorrente, tem os EUA, tem o dia a dia, tem a empresa. Ai tem que parar por conta de resolver coisa lá com o procurador lá. O procurador, se você quer me investigar não tem problema, mas não fica dando solavanco não.
Não fica dando solavanco e fazendo medidas [...] e divulgando pra imprensa. E, doutor, eu posso estar certinho, mas eu vou chegar lá morto. De tanto solavanco que você vai me dar, se eu tiver 100% certo, eu morro. Para com isso. Da outra vez eu falei “faz um favor pra mim, me denuncia de alguma coisa”. Mas não, não tenho nada pra te denunciar.
Eu falei “mas inventa ou você para de [...] que eu não aguento. Se o senhor ficar desse jeito o senhor vai me quebrar. Puta que pariu eu sei que é o seguinte [...] eu sou um [...] grosso
Michel Temer: [...] não dá pra passar a vida toda assim.
Joesley Batista: Tem o que, como se diz, ter o pé no chão [...] passado é passado. Tá faltando, talvez, quando tava ali falando de anistia, de negócio da autoridade, tinha uma coisa objetiva a lutar pelo que. Tamo trabalhando [...] pensar que se não for atrás de algo [...] esses meninos, eles não param.
Eles vão ficar ‘pum pum pum pum’. Um delata um que delata o outro que delata um que delata outro. Uma delação é a verdade. Não precisa provar nada. [...] é o seguinte, eu até perdoo, já teve uns 4, 5 delator nosso, coisa estapafúrdia, coisa nós nunca vimos esse cara na vida.
Eu vi o vídeo e fiquei pensando. Fala assim ‘fala ai da JBS’. ‘Não, não tenho nada’. “Ah, mas então vai preso, então não vai embora”. ‘Eu não conheço esse povo’. “Não, lembra de alguém senão” [...]. Eu vi o vídeo, o pobre coitado que eu não conheço e o último capítulo era a JBS. Então agora faz assim. Ai ele decorou assim, leu um papelzinho na hora, tal tal tal. [...] ah, acabou, tá no vídeo.
Michel Temer: Sérgio Machado?
Joesley Batista: É, falando de JBS com um cara que nunca vi, nunca passamos perto da Petrobras [...] Eu nunca vi Sérgio Machado na vida, nem ele nem os filhos dele. Nada. Mas o procurador vira e diz fala se não [...]
Michel Temer: É, [...] agora fala.
Joesley Batista: Lembra de alguma coisa, qualquer coisa assim. Ai o cara
Michel Temer: [...] para poder convencer os procuradores [...]
Joesley Batista: Eu fico imaginando que teve um menino em uma dessas operações que tava preso e ele contando, fala alguma coisa nossa. Ele contando é de dar dó do cara. Você não sabe, eu fiquei 15 dias humilhado na cadeia porque não tinha nada para falar de vocês.
Aí foi foi foi eu falei. Aí você olha pro cara [...] De tudo o que aconteceu conosco até agora, tem só um tal de um PIC, que é procedimento investigativo criminal. Não tem nada: não tem uma prova, não tem um dinheiro meu no exterior que eu depositei, não tem uma, uma. No dia que aconteceu eu tava nos EUA. Eu liguei pro meu advogado e ‘o que que é isso?’ Que ele também não sabia, que ele é criminalista.
Não, Joesley, o delegado aqui disse para não se preocupar não, é um PIC, um procedimento investigativo criminal, é só um procedimento investigativo. Tá bom. Meia hora bloqueou as contas, passou mais meia hora, os bens tão bloqueados. Que coisa que não é problema? Passou mais meia horinha e falou ‘i, Joesley, tão recolhendo os passaportes, não pode viajar. Não pode viajar, tá louco? Daqui a pouco [...]
Foi onde, compilando o procurador tinha [...] um milhão e meio e ai pronto, resolveu meu problema. Ai imagina se eu não consigo fazer um negócio desse? É muito desproporcional, então eu acho presidente, assim, tem que criar, não sei o que também, alguma agenda, alguma coisa [...] para o PSDB ai. Agora tão se mexendo, dizendo “não” [...]
Michel Temer: [...] e daí começa a [...] numa solução
Joesley Batista: Eu não vou mais tomar seu tempo não. Obrigado.
Michel Temer: Foi bom te ver aí.
Joesley Batista: Adorei te ver, nós estamos combinando assim, se precisar de alguma coisa fala.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Segundo, estamos lá, nos defendendo. Terceiro [...] e, enfim, se surgir alguma coisa
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Se for urgente [...]. Gostei desse jeito aqui. Eu vim dirigindo, ele de motorista [...] eu tinha combinado de vir com ele
Michel Temer: [...] se identifica com ele [...]
Joesley Batista: Eu vinha com ele.
Michel Temer: ah, você veio sozinho?
Joesley Batista: Eu vim sozinho, mas eu liguei pra ele era umas 10h30, por isso que me atrasei uns cinco minutinhos, ai deu 9h50 eu mandei mensagem pra ele. Ai ele não respondeu, deu 10h05 eu liguei pra ele [...] puta, eu to num compromisso aqui, vai lá, eu passei a placa do carro, fui chegando, eles abriram, nem deu meu nome.
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Fui chegando, eles abriram, entrei aqui na hora
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: Funcionou super bem. O senhor não vai mudar pro outro?
Michel Temer: Não [...] Fiquei uma semana lá. [...] Primeiro embaixo [...] Na parte de cima [...] Tem cozinha, tem massagem, [...] vamos voltar, porque [...]
Joesley Batista: É frio, né? Aqueles vidrão [...] como é que a Dilma aguentava ficar sozinha. Deixa eu ir embora que já é tarde
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: To bem. [...] To me alimentando bem, mais saudável [...] coisa mais saudável, menos doce, menos industrializado.
[...]
Joesley Batista: Se ele falar, ah tá bom [...]
Michel Temer: [...]
Joesley Batista: ué, espalha pro Rodrigo [...]
EM POST NO FACEBOOK, ADVOGADA DESMONTA A ESTRATÉGIA DA DEFESA DE LULA - 12/05/2017
Aos que acharam que o depoimento do ex-presidente Lula da Silva foi um sucesso ( para sua defesa ), aqui vai a opinião de quem trabalhou por mais de uma década com o Direito Penal e deve ter feito muitas audiências de interrogatório de centenas de acusados.
Lula estava nervoso, muito nervoso. Tentava aparentar uma calma que não tinha. Foi contraditório em várias partes do depoimento ( quando por exemplo disse que resolveu conversar com Renato Duque e perguntar-lhe se tinha contas no exterior, quando anteriormente declarou que ele -presidente e petista - não tinha qualquer responsabilidade nos atos criminosos de seus indicados à Petrobrás: Duque era indicação do PT). Se não tinha responsabilidade, qual a razão de ir atrás do indicado?
Lula foi acintoso para com o Juízo e Ministério Público. Foi debochado, cínico, arrogante, tentou armar seu palanque diante do ato processual, repetindo a tese tosca de que estava sendo perseguido por ter feito um governo excepcional, voltado para o povo do Brasil, fato que se falso ou verdadeiro, é absolutamente irrelevante para a análise do mérito, pois na verdade existem centenas de provas mostrando a ligação entre as propinas e a aquisição fraudulenta de dois imóveis de uso e desfrute de Lula e sua família. Ele não soube explicar por exemplo, o que os documentos do apartamento do Guarujá estavam fazendo em sua residência em São Bernardo do Campo. Não soube explicar também, as notas fiscais sobre as reformas, as visitas de familiares e etc. Se não havia a menor intenção na aquisição do imóvel ( como declarou), as tais provas não existiriam - elementar!
A defesa de Lula mostrou-se pueril por sustentar a tese de que a falecida D. Marisa, se fez alguma transação comercial com Leo Pinheiro e a OAS sobre o triplex, o fez por conta própria e sem a aquiescência do marido. Ora! Que idiotice! Afinal, nota-se claramente que é uma estratégia inescrupulosa da defesa para jogar a culpa numa finada e inexpressiva pessoa, a falecida esposa do acusado.
O desmonte desta infantilidade se daria, por exemplo, pelo fato que a falecida senhora não dispunha de recursos financeiros para adquirir um bem de elevado valor ( ainda que tivesse uma conta recheada de pixuleco, ninguém saca R$ 2 milhões de sua conta corrente, sem que isso não seja notado). Dona Marisa não era de família endinheirada, não exercia uma profissão rentável e salvo engano, recebia uma aposentadoria de um sindicato cumpañero, de mais ou menos R$ 20 mil. Caso ela quisesse ( ainda que para proporcionar uma surpresa ao amado marido) comprar o apartamento teria que necessariamente recorrer ao cônjuge para pagamento e desdobramentos burocráticos. Uma simples checada no imposto de renda da citada pessoa e do acusado ( que deve ser conjunta) já aniquila esta infantilidade de advogado nefelibata, que pensa ser a justiça pouco inteligente ou que desconsidera as provas materiais da denúncia. Vejam que a tese é tão estapafúrdia e mostra-se tão artificial que é usada como “álibi“ de Lula para se eximir do recebimento da propina ou da compra do imóvel.
Exatamente o contrário do que fez a advogada Adriana Ancelmo( também usando de artifícios) que se passou por uma servil Amélia, dizendo nada saber sobre os ganhos do marido e que não questionava os gastos astronômicos da família, pois sua relação com o ex-governador Sérgio Cabral era de confiança, apenas matrimonial e jamais patrimonial.
A advogada bem sucedida, conhecida no meio jurídico por transações milionárias e por chefiar um grande escritório de advocacia era uma reles e submissa Amélia. Já Dona Marisa, a analfabeta dona de casa era uma resoluta mulher de negócios, que comprava imóveis no valor de R$ 2 milhões no famoso litoral de São Paulo como investimento, conforme declarou seu marido, pois "inclusive não gostava de praia“ ( sic ).
Sinceramente, no tempo em que militava nos tribunais, os advogados eram bem mais inteligentes e apresentavam outra postura no trato com a defesa de seus clientes. O advogado deveria pelo menos ter tentado desconstituir as provas materiais da denúncia ( se é que isto seria possível) mas não, ele preferiu afrontar a inteligência de uma equipe seleta de promotores de justiça e de um juiz que já condenou 90 pessoas por todo tipo de corrupção.
O método usado pela defesa foi inadequado. Ainda que exista o glorioso e aparelhado STF para colocar na rua e absolver o camarada Lula, certamente na primeira instância, o ensaboado bravateiro será carimbado como réu. Já não se fabricam mais advogados como antigamente, nem na civilidade, postura ética, ou na formação técnica. Paulo Freire aplaudiu a audiência na República de Curitiba! Neste caso excepcional, o Brasil agradece.
Por Claudia Wild, advogada
OS HABEAS CORPUS DO STF: TERÁ A ÁGUA BATIDO EM QUEIXOS IMPRÓPRIOS? - 04/05/2017
Ao mandar de volta ao aconchego do lar João Claudio Genu, José Carlos Bumlai, Eike Batista e José Dirceu, a segunda turma do STF abriu a porteira nos dois sentidos. Saem os presos e as suspeitas invadem o topo do judiciário nacional.
Chega às raias do inadmissível que, conforme denunciou o procurador Deltan Dallagnol, o mesmo grupo de ministros tenha mantido na cadeia delinquentes em situação análoga aos que agora manda soltar. Como costumava dizer um amigo meu, já falecido: "É a diferença entre pano de chão e toalha felpuda".
Como pode proporcionar segurança à sociedade um poder "supremo" da República que faz esse tipo de diferenciação? Que se conduz de modo ziguezagueante, para não dizer trôpego? Que decide e logo volta atrás? Onde alguns de seus membros se consideram em condições de julgar casos ante os quais se deveriam declarar impedidos? Que mantêm uma vida social comum e conversações tão frequentes quanto pouco recomendáveis com figuras da cena política e econômica de quem nós guardaríamos prudente distância? Os membros da Suprema Corte dos EUA, tão logo assumem suas funções, se recolhem a uma vida quase monástica, evitando toda atividade social que os exponha a situações de convívio inconveniente.
Sinto muito. A desejável saída da crise política, pela qual tanto ansiamos como nação, pressupõe credibilidade no Poder Judiciário. E o STF vem se esforçando por cair em descrédito. É essa a conclusão inevitável de uma deliberação por 3 x 2 em matéria de tamanha sensibilidade social, onde isso parece não haver merecido qualquer consideração por parte da posição vencedora.
Proliferam, então, as suspeitas. Como não associar esse surto de habeas corpus e as palavras arrogantes, duras e desrespeitosas do ministro Gilmar Mendes contra os promotores da Lava Jato, com a ruptura do contrato entre Antonio Palocci e os advogados que tratariam de sua delação premiada? Um dia o "Italiano" anuncia estar em condições de disponibilizar a Sérgio Moro atividades ilícitas com nomes, endereços e anotações que poderiam demandar mais um ano de investigações. Dia seguinte, recado dado, sabe-se da contratação, por ele, de advogados especializados em delações. Qual a consequência? Liberdade ainda que tardia para as toalhas felpudas! Só faltou ser dito: "Ai de quem falar em delação premiada daqui para a frente!". E Palocci dispensou seus advogados.
Terá a água batido em queixos impróprios? A declaração da ministra presidente em entrevista ao programa "Conversa com Bial" da Rede Globo, na madrugada desta quarta-feira, 3, é uma clara expressão de insegurança quanto a isso. Disse ela: "A Lava Jato não está ameaçada, não estará. Eu espero que aquilo que cantei como hino nacional a vida inteira, nós do Supremo saibamos garantir aos senhores cidadãos brasileiros, de quem somos servidores: verás que um filho teu não foge à luta". Veremos?
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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.
ODEBRECHT ANUNCIA O EPITÁFIO DO MITO: BON VIVANT - 19/04/2017
(Publicado originalmente em http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br)
As ruas já haviam descanonizado Lula em 2015, quando um gigantesco boneco do morubixaba do PT, vestido de presidiário, passou a ornamentar os protestos contra a corrupção. Os delatores da Odebrecht providenciaram o enterro do mito ao confirmar que Lula deixou mesmo o socialismo para cair na vida. E o dono da empreiteira, Emílio Odebrecht, pronunciou algo muito parecido com um epitáfio: "Bon vivant".
Um dos principais provedores dos confortos de Lula, Emílio evocou no seu depoimento à força-tarefa da Lava Jato uma frase que diz ter ouvido do general Golbery do Couto e Silva, criador do SNI e chefe do gabinete militar nos governos Ernesto Geisel e João Figueiredo: ''Emílio, o Lula não tem nada de esquerda. Ele é um bon vivant.''
Em 1968, já lá se vão 49 anos, Lula foi atraído para a militância trabalhista pelo irmão mais velho: José Ferreira de Melo, o Frei Chico. Nessa época, Lula tinha 25 anos. Com a velocidade de um raio, virou diretor de sindicato. Frei Chico era militante do Partido Comunista. Imaginou-se que Lula se enrolaria na mesma bandeira. Engano.
Em entrevista registrada no ótimo livro "Lula, o Filho do Brasil", da jornalista Denise Paraná, o pajé do PT afirmaria muitos anos depois: ''A minha ligação com o Frei Chico é uma ligação biológica. Ou seja, um negócio evidentemente de irmão para irmão. Não tinha nenhuma afinidade política com Frei Chico.''
Com Emílio Odebrecht, Lula desenvolveu um relacionamento fisiológico-patrimonial, do tipo uma mão suja outra. Coisa tão profunda que acabou virando matéria-prima para a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Suprema ironia: além de forrar a conta bancária de Lula com os milhões das pseudo-palestras e de providenciar confortos como a reforma do sítio de Atibaia, a Odebrecht bancava até uma mesada de R$ 5 mil mensais para o ex-comunista Frei Chico.
Depois que Lula declarou que, "se a Odebrecht resolveu dar R$ 5 mil de mesada para Frei Chico, o problema é da Odebrecht", ficou todo mundo desobrigado de fazer sentido no Brasil. O próprio Lula abusou do vale-tudo semântico ao desafiar qualquer empresário a dizer que ele pediu cinco centavos ou dez centavos em benefício próprio. A conta roda na casa dos milhões, não dos centavos.
Na época em que o Brasil ainda era um país lógico, ''lealdade'' e "ética" não eram sinônimos de ''submissão'' e ''conivência". Nesse tempo, políticos sérios eram leais aos interesses da sociedade, não às conveniências negociais da Odebrecht.
No livro "A Ditadura Acabada", quinto volume da extraordinária obra do repórter Elio Gaspari, há um relato sobre a passagem de Lula pela cadeia. Deu-se em 1980, nas pegadas de uma greve que eletrificou o ambiente no ABC paulista. Gaspari obteve a transcrição do interrogatório de Lula.
Verificou-se que o oficial que o inquiriu tinha uma enorme curiosidade. Queria porque queria saber se o preso, na época um líder sindical de mostruário, reunira-se secretamente com Golbery. Lula respondeu que jamais estivera com o general. Supondo-se que disse a verdade, o bruxo da ditadura, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, soou premonitório no comentário feito ao dono da Odebrecht: ''Emílio, o Lula não tem nada de esquerda, é um bon vivant.''
Nos 13 anos que o PT passou no poder, Lula fez consigo mesmo o que seus inimigos tentavam há quatro décadas, sem sucesso: desmoralizou-se. Ofereceu em holocausto, em altares como o da Odebrecht, o maior patrimônio que um político pode almejar: a presunção de superioridade moral. Foi para o beleléu aquela aura de diferença heróica que o distinguia. O mito morreu. Reluz sobre a lápide, com o patrocínio da Odebrecht, o epitáfio constrangedor: "Aqui jaz um bon vivant".
NA VENEZUELA NÃO HÁ FARINHA NEM PARA A PRODUÇÃO DAS HÓSTIAS - 05/04/2017
Padres têm que dividir a eucaristia em 4 nas missas
A falta de farinha na Venezuela é tão grande que está em risco o fabrico de hóstias para a Semana Santa, noticia o jornal El Universal. "Se não há farinha, não há hóstias, e sem hóstias não há eucaristia", disse a freira Concépcion Gómez, superiora das Servas de Jesus, na paróquia de Altagracia, um dos principais centros de produção de hóstias na capital.
É a primeira vez em 40 anos que se dá uma crise como esta, sublinhou a superiora da comunidade, que em situação normal produziria 80 mil hóstias diariamente. Falta farinha na Venezuela, e falta pão, e por causa disso o Estado tomou a decisão de expropriar padarias, a grande maioria das quais é propriedade de emigrantes portugueses e mandar perto de 4 mil fiscais para as ruas, para verificar se os padeiros não desviam farinha para fazer bolos e croissants, bens de consumo mais caros.
Mas como o problema é a falta de matéria-prima, é improvável que a solução para haver pão - ou hóstias - esteja na intervenção estatal. A Federação da Indústria de Panificação diz que para garantir o fabrico contínuo de pão no país seria necessário que chegassem mensalmente à Venezuela 120 mil toneladas de trigo.
Isso quer dizer que até Março deveriam ter entrado 360 mi toneladas, explica o jornal El Nacional. Mas só chegaram 90 mil toneladas, ou seja 25% do necessário. Não há nada para os extras da Páscoa, e a importação de cereais é um monopólio estatal.
As freiras vêem-se obrigadas a recorrer ao mercado negro para encontrar farinha. As hóstias são finas, com pouca farinha, desintegram-se facilmente, e em algumas paróquias têm de ser racionadas, divididas em quatro pelos párocos. Quando todo o resto falha, resta o apelo à solidariedade: é o caso da campanha "doe farinha por amor a Deus", para tentar arranjar matéria-prima para a hóstias da Páscoa - Público.
Portal Carlos Magno
ENTREVISTA: MÉDICO ROMENO CONTA COMO ERA VIVER NUM PAÍS SOCIALISTA - 04/04/2017
(Publicada originalmente em http://minutoprodutivo.com/internacional/)
Um homem está pulando num pé só pela Praça do Palácio em Bucareste.
– Você perdeu um sapato? – grita alguém.
– Não! – diz o homem – Eu encontrei um!
(KOTKIN; GROSS, 2013, p.117)²
Essa com certeza é uma das postagens que entrarão para a história deste blog (minutoprodutivo.com), é muito importante que nós, indivíduos e cidadãos brasileiros, nos conscientizemos do que foi e é o socialismo/comunismo. Apesar de muitos livros serem lançados a respeito, a linguagem quase sempre acadêmica estabelece uma distância enorme entre o leitor e o fato. E para mim – assim como acredito que será para você, caro leitor – ler isto a partir de uma testemunha ocular do fenômeno em questão, será muito mais chocante que qualquer outra coisa. É um outro mundo. A literatura acadêmica estabelece quase sempre um olhar global e geral na tentativa de sistematizar o fenômeno político e histórico mais assassino do século XX, contudo, esse viés essencialista acaba tirando justamente o aspecto existencial que reside no fato, e esse aspecto só se pode aceder através do relato individual da testemunha. Com isso, uma simples entrevista te põe no lugar do “cidadão”, se é que se pode chamar assim alguém que não tem direito nenhum, ao não ser o de sobreviver calado. Uma simples entrevista mostra ao leitor o drama que é estar um dia, num lugar onde não há confiança, onde só há medo e incertezas, que ao meu ver, é o pior do comunismo… Embora claro, não negue que a escassez material seja igualmente grave e destrutiva.
Gostaria de agradecer ao senhor Mihai Sorin Doroban?u, que veio da distante Romênia e que hoje vive no Brasil e se disponibilizou gentilmente, a compartilhar conosco, um pouco de sua história. E por falar em história, deixo vocês com ela:
MP – Apesar das muitas críticas que são feitas ao comunismo, sempre vemos a desculpa da esquerda que nele não havia pessoas passando fome, ou morando nas ruas como mendigos, apesar de reconhecerem algumas violações de direitos humanos. Isso é verdade? Ou essa visão do comunismo apenas como um regime totalitário onde a “igualdade” e o “bem-estar social” só podem ser mantidos pela força é falsa?
“O fato da esquerda defender com fanatismo as próprias ideias patológicas, mesmo mentindo, não é nada incomum. Na verdade, este é o estilo deles de se manterem no poder, e não somente mentindo, mas também tentando fazer com que as pessoas acreditem nas suas próprias alucinações. Para que vocês imaginem a escassez de mercadorias: Cada membro de uma família tinha direito (se estivesse disponível) a 04 (quatro) ovos de galinha por mês, 150 ml de óleo de girassol, 250 mg de salame (o clássico salame com soja), 250 g de farinha de trigo, 250 g de farinha de milho e a 200 g de açúcar. Ainda hoje consigo ver nas minhas mãos a cartela alimentar de papelão reciclado que marcava o nome do chefe da família, o numero de membros da família, e uma tabela com os meses do ano no cabeçalho em horizontal, bem como os respectivos alimentos na coluna vertical que é onde o vendedor marcava as coisas que você pegava com ele. Assim como hoje o garçom marca no restaurante quantas cervejas ou refrigerantes você tomou, era feito lá também. Em paralelo, as lojas tinham uma segunda tabela de controle, pois era comum que algumas pessoas pagassem suborno para levar mais alimentos. Não se podia comprar esses produtos em outros bairros, somente na padaria do seu bairro.
Para saber como era o sabor do leite, do iogurte ou mesmo da manteiga, era necessário levantar de madrugada, pelo menos ás três horas da manhã e ficar numa fila enorme. A espera durava até 5 horas quando chegava o caminhão (e isso com sorte). Algumas vezes o povo esperava à toa de 3 a 4 horas num frio de -10°C e não chegava nada. Já ocorreu de vir produtos trocados, e as pessoas os compravam e traziam mesmo não sendo exatamente o que elas queriam. (“fazer o que, esperei aqui e vou embora de mãos vazias?”).
Mas, na verdade, não havia mais nada nas lojas – nas de ferramentas, não tinham nem “pregos para pregar”; já não se achava praticamente nada, exceto alguns tecidos sujos e horrorosos que nem as ratazanas queriam. Não existiam mais brinquedos, não se achava mais cuecas, calcinhas, meias, sapatos.
Realmente, mendigos na rua não existiam, porque na verdade todo povo vivia em condição de mendicância. Não havia calefação e sempre interrompiam a energia elétrica durante um período de 4 horas por dia, sempre das 18:00-22:00. O único canal TV transmitia das 20:00 ás 22:30. Não haviam “homeless” porque depois 22:00 os bares fechavam e quem estava na rua e quando era achado pela Policia (se chamava Milícia naquela época) era autuado e se não conseguisse se identificar, era levado até a delegacia onde toda a noite lavava as privadas e fazia as tarefas de empregado. Os departamentos de polícia viviam lotados de mendigos.
MP- Como era o dia-a-dia de um cidadão sobre um governo tirânico? As pessoas viviam com medo?
Quem vive num regime totalitário se acostuma com o medo, se adapta ao perigo assim como uma espécie ameaçada que que luta pra sobreviver. Tínhamos vários tipos de medos: medo da Securitate (Polícia Politica, tipo um KGB), medo de ir na igreja acender uma vela e ser dedurado por um amigo informador, medo de dizer uma piada que poderia ser interpretada como “denegrir o poder proletário” (com direito a ganhar uma viagem, geralmente somente de ida para a Sibéria), medo de ser transferido disciplinarmente com o emprego para algum buraco no mapa da Romênia só porque o chefe não vai com sua cara, medo de alguém fuçar o seu passado e descobrir que algum parente seu simpatizou com outro tipo de política que não o comunismo… Enfim.
MP- O historiador Nigel Cawthorne diz em sua obra “Os crimes de Stalin” que: “O socialismo no leste europeu, mostrou o que de pior havia no ser humano; […] desumanizando mais que os indivíduos, mas também corrompendo a sociedade inteira de maneira irrecuperável.” O comunismo realmente corrompeu a sociedade como um todo, desde o politburo até o cidadão mais pacato?
Às vezes por causa do medo, outras vezes por causa do caráter leviano de algumas pessoas. Enfim, as pessoas mostraram sim, durante o comunismo, a parte mais assombrada da alma. Como cidadão, não se podia confiar em ninguém – qualquer pessoa poderia ser um informador da Securitate, qualquer um poderia fazer um relatório sobre você simplesmente por causa de inveja ou rancor. Os benefícios para os informantes do sistema eram do tipo: permissão para viajar fora do pais, uma quantia extra de dinheiro no seu salário, posições hierárquicas privilegiadas, ou pelo contrário, se você por acaso tivesse algum parente preso ou prestes a ser deportado, poderia usar como moeda de troca com o regime pra soltá-lo. A dura verdade é que essas pessoas não podiam confiar integralmente nem em amigos, nem em familiares, se você desse azar, a viagem para Sibéria era garantida.
MP – Como era a presença da Securitate na “sociedade civil”? Ela era quase onipresente como se diz?
A Securitate estava infiltrada em toda a pirâmide do poder. Se você tivesse uma posição hierárquica privilegiada numa empresa (contador, chefe dos serviços, diretor) era cem porcento certo de que você estaria na lista de espionados da policia política. Qualquer palavra era pesada, interpretada, qualificada, sempre se solicitavam relatórios de atividade politica para todos os chefes de departamento, com a finalidade de assinalar a presença do que eles chamavam de “elementos desestabilizadores”. Quem entrava na mira de repente era “atropelado” por um carro cuja placa ninguém viu, morria de “infarto” com 30 anos, mesmo sendo saudável como um cavalo, ou ainda se “suicidava” jogando-se, geralmente do ultimo andar do prédio.
MP – É verdade que pessoas comuns como parentes e vizinhos poderiam a qualquer momento serem utilizados como “espiões” do estado?
Assim como falei, às vezes nem precisava “utiliza-los.” Eu tinha um amigo, vizinho de infância que tinha um parente do outro lado da Cortina de Ferro. Para poder visitar esse parente, o cara escreveu livros inteiros sobre a atividade dos vizinhos, acho que nem o facebook hoje não colheu tanta informação. Outros escreviam para se vingar, enquanto muitos faziam isso somente por inveja, ou para ganhar alguma vantagem. Pessoas de baixa qualidade.
MP – Como o comunismo é visto hoje pelos seus compatriotas?
Eu me pergunto sempre: “Quais são as pessoas que curtem a esquerda e, em espécie, o comunismo?” Geralmente os fracassados, aqueles que nunca iriam conseguir chegar onde sonhavam sem a ajuda de uma corrente politica que precisa de acólitos. Tem gente que trabalha, estuda e ganha uma fortuna no meu pais. Esses geralmente, nem querem saber de politica, na verdade não tem tempo para isso. Assim como tem gente que, não importa em que sistema eles viveriam, sempre vão se constituir no lixo da sociedade: alcoólatras sonhadores, preguiçosos, ladrões, bandidos. Toda essa a ultima categoria é o grosso do que se chama de “turma proletária*” mas não tem nada a ver com proletariado. É, na verdade, o esgoto da sociedade, a sujeira que fede de qualquer jeito à pobreza, ao medo e a covardia. Graças a Deus, hoje o Exercito Vermelho está longe do meu pais, então essa gentalha está fraca. Mas eles esperam, lá, na sombra, assim como esperaram nos anos 40 para se apoderar do pais. Quem acha que o comunismo não existe mais, se engana, ele está presente nos botecos, nas áreas de prostituição, nas drogas, na preguiça e nas esmolas da sociedade. Ele vai ressuscitar sem dúvidas, porque essa gosma tira seu poder principalmente da indiferença e da ignorância da sociedade.
* Nota do Site: Marx Chamava isto de “lumpemproletariado”
² KOTKIN, Stephen; GROSS, Jan T. Sociedade Incivil: 1989 e a derrocada do comunismo. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2013
PAÍS ESTRANHO - 02/04/2017
Por Alexandre Garcia
Este país tem uma gente muito estranha. Primeiro, apoiam um governo corrupto que destrói estatais - e se declaram estatistas - e isso causa 13 milhões de desempregos. Depois vão para as ruas se manifestar contra as medidas corretivas do mal que causaram. Não querem terceirização, que garante direitos do pessoal terceirizado, e não querem a atualização das leis trabalhistas, em lugar da antiquada CLT, que desestimula o emprego. Não querem tampouco uma reforma da Previdência, fonte de gigantescos déficits que desequilibram as contas públicas e geram inflação e juros altos. Preferem deixar como está, até que todas aposentadorias se estiolem, pela mesma incapacidade de pagar que hoje afeta estados como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
Aparentemente é masoquismo, já que não pode ser burrice, simplesmente. Na verdade é fanatismo. E, como tal, cegueira. O resultado é o suicídio, com a falência do estado, tão amado por eles. Como alvo, costumam apontar para o empresário, o que emprega. Apontam no grande, mas sempre acertam no pequeno, o que emprega, no campo ou na cidade, cinco, 10 pessoas. Este é afetado mais fortemente, porque a grande empresa tem munição de reserva, advogados, recursos. No campo, quando o Ministério Público do Trabalho age, a consequência é pior que uma catástrofe meteorológica.
Pode-se concluir, como ouvi do Deputado Nilson Leitão, do Mato Grosso e integrante da Comissão do Trabalho, que a minoria mais perseguida, mais vítima de preconceito neste país é quem gera emprego, quem emprega. Esse paga 42% de impostos, tem que se submeter a uma gigantesca burocracia, gasta o dobro do que paga ao seu empregado, é chamado de burguês, é hostilizado, invadido, por movimentos sociais, é multado pelo Ministério Público do Trabalho, pela Receita Federal, pelos fiscais municipais, até que desiste e fecha o pequeno negócio, a pequena atividade de serviço, ou industrial, ou agropecuária, e fecha emprego, e desiste de participar do PIB.
Isso não deve acontecer por acaso. Pessoas raivosas, infelizes, frustradas, que pretendem destruir o país, as estatais, as escolas, as famílias, devem ser de alguma seita masoquista, suicida, já que estamos todos no mesmo país, e sofremos todos as mesmas consequências. É raiva de não terem conseguido sugar a Petrobrás até o fim? Usar o poder em benefício próprio traz por consequência o enfraquecimento de tudo no país: instituições, moral nacional, esperança, confiança e acaba com o que, no grupo escolar, declamávamos do poeta Olavo Bilac: Ama, com fé e orgulho, a Terra em que nasceste”.
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CÂMARA AUMENTA CARGOS DE CONFIANÇA PARA DEPUTADOS - 06/03/2017
O Congresso Nacional é constituído por 513 deputados federais e 81 senadores e para atenderem a esses 594 senhores, segundo o ministério do planejamento, em dezembro de 2015 existiam 24.896 servidores ativos que custaram R$ 5,4 bilhões. Considerando também os 10.360 servidores inativos que custaram R$ 3,5 bilhões o custo total com essa imoral e criminosa usina de gastos públicos foi de R$ 8,9 bilhões.
Câmara aumenta cargos de confiança para deputados
Diretores da Casa trabalham até no sábado para concluir proposta encomendada por Rodrigo Maia que ampliará número de vagas a serem preenchidas por funcionários escolhidos por parlamentares e partidos. Mudança foi costurada na campanha da nova Mesa DiretoraSem alarde, o novo comando da Câmara prepara, a toque de caixa, mudanças na estrutura administrativa da Casa para garantir aos deputados o direito de contratar mais funcionários de sua confiança e ampliar as vagas destinadas às lideranças partidárias. A manobra, que deve inicialmente criar de 200 a 300 novos cargos de livre nomeação, faz parte das promessas de campanha da chapa vencedora, do atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Os parlamentares têm pressa em aprovar as modificações, que também estão atreladas à distribuição das comissões, a serem instaladas nos próximos dias.
A pedido de Maia, diretores das áreas de Recursos Humanos e Pessoal da Câmara se reuniram, neste sábado (4), para discutir uma proposta a ser apresentada à Mesa Diretora na próxima semana. Caberá a esse órgão, e não ao plenário, decidir sobre o assunto. A estratégia se baseia na combinação de duas modificações. A ideia é transformar cerca de 100 funções comissionadas (FCs), privativas de servidores efetivos da Casa – concursados e os funcionários que entraram na casa antes da exigência de concurso público – em cargos de natureza especial (CNEs), para funcionários contratados livremente pelos parlamentares, por secretarias ou lideranças. Além da conversão das FCs em CNEs, também se articula a divisão desses cargos comissionados, de modo a multiplicar o número de contratados.
Os CNEs são divididos em diferentes níveis de remuneração. Um CNE 7, por exemplo, ganha R$ 18 mil. Já um CNE 15 recebe cerca de R$ 3 mil. Pela proposta, cujo detalhes ainda não foram divulgados, além da transformação das FCs em CNEs, será possível dividir os CNEs – os novos e os já existentes – em vários. Um CNE 7 poderia ser transformado em vários CNEs 15 e permitir a contratação de até seis servidores de confiança. Integrantes da Mesa Diretora que defendem as medidas argumentam que as mudanças não vão implicar aumento de gasto público. Alegam que o mesmo valor será repartido entre mais pessoas.
Mas não será bem assim, advertem servidores efetivos: a Câmara gastará mais com outros benefícios, como auxílio-creche e alimentação, para mais funcionários. Ou seja, seis servidores de R$ 3 mil (CNE 15) custarão mais que os R$ 18 mil de um CNE 7, para ficarmos com o mesmo exemplo. Com a mudança nas regras, apoiadores de Rodrigo Maia pretendem ampliar seu espaço na área legislativa, como as lideranças partidárias, as novas secretarias e comissões temáticas da Casa.
Reação de servidores efetivos
Um grupo de servidores efetivos questiona a legalidade e a moralidade da manobra. Em nota, a Frente Ampla de Trabalhadoras e Trabalhadores do Serviço Público pela Democracia afirma que o objetivo maior da proposta encabeçada pela Mesa Diretora é aumentar o “cabide de empregos” na Câmara e “desmontar” a estrutura administrativa da Câmara, reduzindo o peso dos concursados e ampliando o dos assessores indicados politicamente.
“O desmonte da estrutura administrativa da Câmara dos Deputados, iniciado pela Mesa Diretora presidida por Eduardo Cunha (PMDB), prossegue a passos largos na gestão de Rodrigo Maia (DEM). Órgãos da Casa tradicionalmente técnicos, encarregados de garantir a lisura do processo democrático, estão se tornando estruturas fantasmas povoadas de apadrinhados políticos daqueles que estão no comando”, denuncia a frente.
O grupo questiona a falta de estudo para embasar a decisão da Mesa. “Não se trata de reestruturação destinada a melhorar a eficiência dos órgãos, nem a tornar as chefias mais efetivas. Não houve qualquer estudo prévio sobre o funcionamento administrativo da Câmara. Trata-se, isso sim, do achincalhamento dos servidores de carreira da Câmara visando a intensificar a já desigual proporção de apadrinhados políticos na Casa. Trata-se de ingerência direta da Mesa Diretora na política de recursos humanos.”
Segundo a frente, há quatro vezes mais indicados políticos que servidores do quadro na Casa atualmente. “A Câmara conta hoje com 3.644 vagas de servidores efetivos em seu quadro, das quais 3.081 estão ocupadas por servidores ativos. A Mesa e as lideranças dos partidos contam com 1.671 vagas de CNEs, das quais 1.621 estão ocupadas. Em seus gabinetes, os deputados contam com 10.334 Secretários Parlamentares – também de livre nomeação. A atual Mesa, aliada de Eduardo Cunha, pretende agravar ainda mais essa distorção”, prossegue a nota.
Há informações de que essa gana por cargos já se estende aos terceirizados da Casa. Hoje, trabalham na Câmara dos Deputados 2.868 funcionários terceirizados, contratados para serviços diversos: limpeza, segurança, copa, recepção, telefonia e eletricidade, mecânica, jardinagem, design gráfico, tecnologia de informação etc. Os melhores salários são os dos encarregados, o que, segundo circula entre os servidores, seria o principal objeto de cobiça.
A direção-geral da Casa informou à reportagem na sexta-feira que estudava “formas de otimizar o trabalho e reorganizar o pessoal”. A assessoria do presidente da Casa, Rodrigo Maia, também foi procurada, mas ainda não houve retorno.
“Coisa de outro mundo”
Apontado como principal articulador das mudanças, o primeiro-secretário da Câmara, Fernando Giacobo (PR-PR), diz que o assunto não pode ser tratado “como se fosse coisa de outro mundo” e nega que a reestruturação que deverá garantir mais cargos de confiança para os parlamentares tenha sido solicitada pela Mesa, conforme apurou o Congresso em Foco. Ele também rechaça que a reorganização faça parte de promessas assumidas na eleição do novo comando da Casa.
“Acredito que o presidente Rodrigo Maia não tem compromisso de dar cargo para ninguém por causa de eleição. Eu muito menos, até porque fui candidato único. Não tive disputa nenhuma. Há reclamações por pessoas que estão com medo de perder as funções comissionadas. Mas ninguém vai cometer nenhum tipo de injustiça”, declarou.
De acordo com Giacobo, a mudança não vai implicar aumento de gastos. “Essa conversa é improcedente. A Casa não vai ter nenhum acréscimo de despesa a não ser corte de gastos. Tiramos daqui e realocamos ali. Não tem absolutamente nada com corte de FC para criar CNE.”
Como novo “prefeito” da Câmara, o deputado diz que pretende economizar R$ 1 bilhão dos quase R$ 6 bilhões previstos para o orçamento deste ano. “Nossa ideia é devolver parte do orçamento ao Executivo para que ele possa aplicar em algumas ações que vão ser politicamente acertadas com a Câmara. Nesse primeiro semestre, vamos economizar em torno de R$ 450 milhões”, promete.
* Colaborou Patrícia Cagni
O VERDADEIRO PRECONCEITO DO OCIDENTE: REJEIÇÃO AOS CRISTÃOS PERSEGUIDOS - 27/02/2017
(Publicado oroginalmente em midiasemmascara.org)
Finalmente depois de anos de apatia e imobilismo, Washington está estendendo a mão amiga, deveras necessária, aos cristãos do Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump anunciou recentemente que será dada prioridade aos cristãos perseguidos quando se tratar de aplicar o status de refugiado nos Estados Unidos.
Cristãos e yazidis estão sendo expostos ao genocídio nas mãos do ISIS e de outros grupos islâmicos, que estão empenhados em uma campanha de grandes proporções para escravizar as minorias não muçulmanas remanescentes e destruir o seu patrimônio cultural.
Em 2006 o estudioso Hannibal Travis salientou:
"Lamentavelmente o Ocidente rejeitou a ideia de solidariedade para com os cristãos do Oriente Médio priorizando a diplomacia baseada em interesses petrolíferos e no conflito árabe-israelense. Assim sendo, os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França têm ignorado as perseguições aos cristãos do Iraque, Líbano, Egito e Sudão, ao mesmo tempo em que correm para salvar os países muçulmanos ricos em petróleo como a Arábia Saudita e o Kuwait, bem como as minorias sitiadas como curdos, bósnios e kosovares. Até o dia de hoje sabe-se que as tropas americanas acantonadas no Iraque nem sempre intervêm para impedir a perseguição aos cristãos, talvez por não quererem ser vistos como "tomando o partido dos cristãos" e com isso provocar retaliações".
Por esta razão os assim chamados liberais no Ocidente -- e até mesmo cristãos -- começaram a se opor à medida.
Cristãos autóctones no Iraque e na Síria não só estão sendo expostos ao genocídio nas mãos do Estado Islâmico (ISIS) e de outros grupos islamistas, como também tiveram seus pedidos de imigração para os países ocidentais postos em segundo plano pela ONU, vergonhosamente, sem causar nenhuma surpresa.
Um grupo de armênios do Iraque, por exemplo, fugiu de suas casas depois que o ISIS apareceu. Optaram por ir para Yozgat, Turquia. Em 21 de dezembro de 2015 o jornal Agos publicou a seguinte matéria sobre eles:
"Eles vivem em condições subumanas. A ONU não pode agendar nenhuma entrevista para pedido de imigração antes de 2022. Eles não sabem como irão sobreviver nestas condições por mais sete anos. A única coisa que eles querem é se reunir com seus parentes".
Yozgat, uma das cidades da Anatólia onde os armênios foram submetidos aos assassinatos mais abomináveis e exílio nas mãos dos muçulmanos durante o genocídio de 1915, é o lugar onde armênios se encontram novamente, desta vez lutando pela sobrevivência em meio ao desemprego, miséria, perseguição, intolerância e doença.
Sant Garabedyan, 23, disse que aos cristãos não são oferecidos empregos.
"Estive em Yozgat por dois meses. Somos em oito morando na mesma casa... Ninguém me contrata porque sou cristão. Minha esposa é caldeia e não usa crucifixo porque tem medo."
Alis Salciyan disse que eles deixaram o Iraque por temerem o ISIS.
"Estamos aqui há um ano. Ainda em Bagdá ficamos apavorados quando o ISIS invadiu o Iraque... Uma pessoa na rua viu o meu crucifixo e cuspiu no chão olhando nos meus olhos. Depois disso eu o tirei e o deixei em casa... Nós demos entrada em um pedido de imigração na ONU, no entanto eles marcaram a entrevista para 2022, apesar de terem feito outros agendamentos para o ano que vem. Somos obrigados a ficar aqui esperando por mais sete anos".
Gazar Setrakyan ressaltou que eles deixaram Bagdá na noite em que o ISIS invadiu a cidade: "quando os militantes do ISIS invadiram Bagdá, pintaram 'casa de cristãos' na porta da nossa casa. Ficou impossível continuar lá. Deixamos o nosso lar e três lojas, tivemos que fugir".
Lusin Sarkisyan disse que seu filho, que trabalhou para os americanos no Iraque foi alvo do ISIS. "Um belo dia militantes ISIS ameaçaram meu filho dizendo que matariam a sua família se ele continuasse a trabalhar para os americanos. Tivemos que fugir".
Sarkisyan acrescentou que os funcionários da ONU marcaram uma entrevista para avaliar um pedido de imigração para 2018. "Não sei o que vamos fazer até lá".
Mesmo quando os países europeus acolhem refugiados cristãos, eles não os protegem dos ataques de muçulmanos que ocorrem nos alojamentos de refugiados.
De acordo com os resultados de um levantamento, uma pesquisa do grupo de defesa cristão Christian Open Doors USA, os refugiados de descendência cristã e yazidi que fugiram da perseguição de lugares como a Síria e o Iraque continuam enfrentando ataques por motivos religiosos na Alemanha.
Desde fevereiro de 2016 cerca de 800 refugiados cristãos e yazidis foram atacados por outras etnias nos acampamentos e centros de assistência, de acordo com um boletim intitulado "Falta de proteção às minorias religiosas na Alemanha" realizado entre os dias 15 de fevereiro e 30 de setembro de 2016.
"Ao ser questionado sobre a natureza dos ataques, a agressão foi a palavra mais comumente citada, seguida por ameaças de morte, dirigidas diretamente aos próprios refugiados cristãos ou às suas famílias na Alemanha ou em seus países de origem.
"Ataques sexuais foram assinalados por 44 vítimas. Outras formas de perseguição compreendem insultos, ameaças em geral e agressões físicas que não haviam sido definidas como agressão. Dos entrevistados, 11% se sentiram intimidados por música alta/orações".
De acordo com o testemunho de um refugiado do Iraque, ele recebeu ameaças de morte depois que muçulmanos viram que ele estava lendo a Bíblia:
"Eles queriam que eu me convertesse novamente ao Islã. O diretor do estabelecimento afirmou ser impotente e sem condições de me proteger. Como eu temia ser morto, relatei a situação a um assistente social que em seguida registrou a denúncia. As ameaças de morte se intensificaram. O intérprete tentou banalizar as ameaças e ocultá-las da secretaria do bem-estar social. O departamento então instruiu a gerência do estabelecimento a dar mais de si a fim de garantir a minha segurança. Ela não tinha condições para isso e por esta razão fui transferido para outro alojamento".
"Alguns muçulmanos disseram", segundo revelou um refugiado do Irã: o Islã nos permite derramar seu sangue, seu espírito e suas vestes são impuras".
Uma refugiada do Irã assinalou:
"No início todos eram bons conosco. Então perceberam que eu era cristã. Eles pegaram a água suja que usavam para limpeza e, do piso superior, jogaram-na em cima da gente... Não sei o que aconteceu depois disso. Até hoje (17 dias após o ocorrido) minha denúncia ainda não foi registrada".
Segundo o relatório, os yazidis, minoria autóctone, religiosa perseguida no Oriente Médio, também estão expostos a agressões e discriminação.
"Dos 10 refugiados yazidis, três foram ameaçados de morte, dois sofreram assédio sexual e cinco sofreram outras formas de perseguição. Seis relataram que ocorrências dessa natureza aconteceram repetidas vezes. Em três casos os criminosos eram refugiados como eles e nos outros três os familiares dos funcionários da segurança perpetraram os crimes. Cinco vítimas não registraram nenhuma denúncia por considerá-la inútil".
Integrantes do staff nos alojamentos de refugiados também estão envolvidos na discriminação. Quase um terço dos entrevistados disseram que o grosso da discriminação e violência vêm principalmente dos guardas dos alojamentos de descendência muçulmana. De acordo com o relatório:
"Em caso de conflito, um grande número de funcionários muçulmanos se solidarizam com seus irmãos muçulmanos, obstruindo ou minimizando as reclamações. Intérpretes influenciam o resultado dos procedimentos no asilo de forma ilícita e, por vezes, até se envolvem ativamente na discriminação dentro dos alojamentos".
Um cristão do Irã assinalou: "eu tive um problema e o denunciei reiteradamente aos canais competentes. Há uma pessoa que vive insultando nossas mães e irmãs. Ele disse que somos 'neciz' (impuros)".
"O quadro do serviço de segurança é formado integralmente por árabes e eles só ajudam seus patrícios", ressaltou um cristão da Eritreia. "Sempre que alguém faz algo de errado no alojamento, eles dizem: 'Foram os cristãos', ainda que não tenhamos feito nada".
Somente em raras ocasiões o prejudicado se dispõe a prestar queixa(17% ou seja: 129 pessoas) na polícia de acordo com o relatório.
"Se incluirmos os relatórios e queixas apresentados à administração do alojamento, apenas 28% (213) requisitaram a proteção das autoridades alemãs. 54% dos inquiridos (399) deram razões específicas para não registrar queixas: 48% estavam com medo, principalmente da recorrência de ataques ou de que a situação iria piorar ainda mais (36%). Outros motivos são a falta de oportunidades seguras para entrar em contato ou se comunicar com a polícia ou com as autoridades competentes devido a barreiras linguísticas e (14%) a impressão de que o relatório seria de alguma maneira inútil".
Em outros países europeus - entre eles Áustria, Suíça, França, Reino Unido, Suécia, Holanda, Itália, Espanha e Grécia - os refugiados cristãos e yazidis também estão expostos a ataques nas mãos de refugiados de descendência muçulmana.
O governo alemão também está rejeitando pedidos de asilo de refugiados cristãos, deportando-os injustamente, segundo um pastor alemão.
De acordo com a CBN News o Dr. Gottfried Martens, um pastor da Igreja Luterana Trindade em Berlim, realçou que o governo alemão está rejeitando praticamente todos os pedidos de asilo da maioria dos refugiados iranianos e afegãos de sua igreja, que esperam há anos na Alemanha para que o governo dê atenção aos seus casos.
O arcebispo de Aleppo, Jean-Clément Jeanbart, da Igreja Greco-Católica Melquita disse em uma entrevista:
"O egoísmo e os interesses submissamente defendidos pelos seus governos irão no final também liquidá-los. Abram os olhos. Vocês não viram o que aconteceu recentemente em Paris?"
Ao que tudo indica, eles não abriram os olhos. Parece que eles ainda estão em estado de negação. De acordo com dados do governo dos Estados Unidos, dos quase 11.000 refugiados sírios aceitos pelos Estados Unidos no ano fiscal de 2016, apenas 56 eram cristãos.
Quando alguém levanta a questão dos países ocidentais, tendo em vista os migrantes muçulmanos da Síria e do Iraque sem a devida checagem no tocante aos vínculos jihadistas, ao mesmo tempo em que se deixa para trás as vítimas dos jihadistas, cristãs e yazidis, esse alguém é acusado de ser "intolerante" e "racista". Mas o verdadeiro preconceito está no abandono dos perseguidos e inofensivos cristãos e yazidis do Oriente Médio, principais vítimas do incessante genocídio na Síria e no Iraque.
É verdade que os muçulmanos xiitas e até mesmo certos muçulmanos sunitas - em particular os não praticantes, moderados e seculares - também estão ameaçados pelo Estado Islâmico. Mas o ISIS e demais organizações islamistas não estão procurando destruir o Islã e acabar com os muçulmanos. Muito pelo contrário, eles visam institucionalizar ainda mais o Islã e até mesmo expandir a influência islâmica em outros países e estabelecer um califado (império islâmico) com base nas escrituras islâmicas.
Ajudar as minorias religiosas no mundo muçulmano não é apenas uma questão humanitária, mas também uma questão política de vital importância para o Ocidente. Há quem acredite que os EUA ou o Ocidente não deveriam se envolver na política do Oriente Médio.
No entanto, se o Ocidente continuar fazendo vista grossa à radicalização islâmica no Oriente Médio e Norte da África, o que ele espera que irá acontecer no próprio Ocidente?
Enquanto os islamistas continuarem atingindo "vitórias" pelas nações e enquanto os cristãos e demais não muçulmanos continuarem a ser exterminados, os islamistas amealharão mais poder e coragem de se expandir para a Europa e outras regiões do planeta.
A ideologia islâmica radical nunca para no lugar onde toma o poder. É uma ideologia genocida, imperialista e colonialista. Ela tem como meta matar ou subjugar todos os não muçulmanos que estejam sob seu domínio. A jihad islâmica começou no século VII na Península Arábica. Na sequência, por meio de massacres e pressão social, incluindo o imposto jizya e a instituição da dhimmitude, ela se expandiu por três continentes - Ásia, África e Europa - perseguindo um número incontável de povos autóctones.
Parece que uma das maneiras mais eficientes de parar esse paradigma é apoiar os cristãos e demais não muçulmanos do Oriente Médio. O Ocidente não só adquirirá um aliado importante no Oriente Médio como também enfraquecerá a influência política, militar e econômica dos islamistas.
Os países ocidentais deveriam receber de pronto e de braços abertos os cristãos e os yazidis - os principais alvos do genocídio - além disso também deveriam considerar maneiras de conferir poderes a eles em suas terras nativas, como por exemplo a criação de refúgios. Já está mais do que na hora de não só os EUA, mas todos os outros governos ocidentais finalmente enxergarem que os cristãos no Oriente Médio são uma extensão deles próprios.
Uzay Bulut, jornalista nascida e criada como muçulmana na Turquia, está atualmente radicada em Washington D.C.
Publicado no site do Gatestone Institute.
Tradução: Joseph Skilnik
GLOBO EXALTA MARCHA DA MORTE E OCULTA MARCHA PELA VIDA. - 14/02/2017
Publicado originalmente em GLOBO EXALTA MARCHA DA MORTE E OCULTA MARCHA PELA VIDA.
Bruno Braga.
Publicado originalmente em https://www.facebook.com/blogbbraga.
I.
Em 21 de janeiro, o Jornal Nacional anunciou que "milhões de mulheres saíram às ruas de centenas de cidades americanas pra protestar contra Donald Trump" [1]. Sem mencionar a fonte dos números que sustentavam a referência a "milhões" e "milhares", a matéria foi apresentada por Monalisa Perrone. A jornalista - que já foi desmentida ao vivo por inventar falas de Trump e afirmou que defender a fé e a família é "extremismo" [2] - encheu a boca para descrever o protesto contra o Presidente dos Estados Unidos.
O Jornal Nacional não mencionou, porém, o patrocínio multimilionário que George Soros generosamente concedeu as tais "mulheres" [3]. Elas, que tinham - ora, ora... - uma "agenda", já que mulheres que eram a favor da vida e contra o aborto - contra o assassinato em massa de crianças inocentes - foram impedidas de participar do evento.
Em outubro do ano passado, Gioconda Brasil - repórter da Globo - disse "No Brasil não existe cobertura das eleições americanas. Existe torcida pela vitória de Hillary Clinton" [5]. Mas, não é só "torcida" por um candidato, mas compromisso - escancarado - com a agenda, não a das mulheres, e sim a das feministas e de seus padrinhos comuno-globalistas.
***
Comuno-globalismo - travestido de "mulher" - contra Trump.
George Soros tem ligação com mais de 50 "parceiras" da "Marcha das Mulheres" em Washington.
Leia: "Billionaire George Soros has ties to more than 50 ‘partners’ of the Women’s March on Washington". The New York Times, 20 de janeiro de 2017 [http://nytlive.nytimes.com/womenintheworld/2017/01/20/billionaire-george-soros-has-ties-to-more-than-50-partners-of-the-womens-march-on-washington/].
II.
As imagens por si só exibem uma monstruosa concentração de pessoas. Você por acaso viu o evento ser noticiado no Jornal Nacional? Procure lá - na edição do dia 27 de janeiro - por "Marcha pela Vida". Não vai encontrar nada [6].
Mas, com paciência, vá até a edição do dia 21. Você irá encontrar uma matéria com grande destaque - enviesado - sobre a tal "Marcha das Mulheres", realizada na mesma capital americana. Uma "marcha" promovida não por "mulheres", mas por gangues abortistas para - não simplesmente protestar contra o Presidente eleito Donald Trump - mas para exigir o "direito" de assassinar crianças indefesas. Tudo patrocinado pelo multimilionário George Soros [7].
Eis mais uma amostra das fraudes promovidas por um jornalismo delinquente, comprometido com a macabra agenda comuno-globalista.
III.
Em uma nota anterior, mostrei como o Jornal Nacional enalteceu a "Marcha das Mulheres", em Washington - uma "marcha" organizada por gangues abortistas para reivindicar o "direito" de assassinar bebês e protestar contra Donald Trump - e omitiu do noticiário a "Marcha pela Vida" - um evento contra o aborto que levou milhares de pessoas às ruas da mesma capital americana e que contou com o apoio do Presidente eleito e do vice-Presidente dos Estados Unidos [8].
Vamos pegar agora o "Fantástico". Na edição do dia 22 de janeiro, o programa da Rede Globo levou ao ar uma matéria de 4 minutos e 25 segundos, na qual exaltou a "Marcha das Mulheres", valendo-se das "estrelas" que participaram do evento [9]. Exibiu Madona pregando a "revolução do amor"; mas não mostrou a cantora dizendo, sob aplausos e gritos entusiasmados, que estava pensando em explodir a Casa Branca [10]. O "Fantástico" recortou um "belo" trecho do discurso de Scarlett Johansson; porém, escondeu aquele em que a atriz dá o seu testemunho e promove a Planned Parenthood - o maior matadouro de crianças inocentes da face da terra, acusada de comercializar os órgãos e os tecidos dos bebês assassinados [11]. Deu destaque aos estereótipos inventados para manchar a reputação de Donald Trump - proferidos por Ashley Judd -, mas não reservou vinte segundos da reportagem para as palavras de Donna Hylton na "Marcha" - uma "black feminist" condenada por sequestrar, torturar e matar um senhor branco de 62 anos de idade [12]. Não falou das ligações dos familiares de uma das organizadoras com o Hamas - grupo terrorista islâmico [13]. Sequer fez menção aos "lindos" cartazes e do "mais puro bom gosto" exibidos no protesto financiado por George Soros [14].
E a "Marcha pela Vida"? No último domingo - 29 de janeiro - o "Fantástico" não mostrou nada, nada, nada. Procure lá na página do programa [15]. Mas exibiu uma matéria curiosa: "Notícias falsas divulgadas na internet se tornam um problema mundial". Nela, trata das eleições nos Estados Unidos - contando com a colaboração do petista Eugênio Bucci -, sempre mirando Donald Trump [16].
O principal nessa matéria é que o "Fantástico" coloca em xeque a internet. Sim, as informações que circulam na rede devem ser realmente verificadas. Porém, ele dá a imprensa "oficial", e o programa mesmo, como fontes de extrema credibilidade - o que é falso. Basta ver como o "show da vida" omitiu a "Marcha pela Vida". Verificar o seu histórico de fraudes jornalísticas - e o da Rede Globo - a serviço da agenda comuno-globalista para comprová-lo [17].
REFERÊNCIAS.
[1]. "Milhões de mulheres protestam contra Donald Trump". Jornal Nacional, 21 de janeiro de 2017 [http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/01/milhoes-de-mulheres-protestam-contra-donald-trump.html].
[2]. Cf. [https://www.youtube.com/watch?v=nAP3daI4Hk8].
[3]. Cf. [https://www.facebook.com/blogbbraga/posts/765111676970780].
[4]. Cf. "Estados Unidos: Marcha pela Mulher retira feministas pró-vida do evento". ACIDigital, 20 de janeiro de 2017 [http://www.acidigital.com/noticias/estados-unidos-marcha-pela-mulher-retira-feministas-pro-vida-do-evento-74450/].
[5]. Cf. [https://twitter.com/GiocondaBrasil/status/789235076668264448?ref_src=twsrc%5Etfw].
[6]. Cf. [http://g1.globo.com/jornal-nacional/].
[7]. Cf. Jornal Nacional, 21 de janeiro de 2017 [http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/01/milhoes-de-mulheres-protestam-contra-donald-trump.html] - Cf. NOTA sobre a cobertura do Jornal Nacional [https://www.facebook.com/blogbbraga/photos/a.190586071090013.1073741828.184797238335563/766843470130934/?type=3&theater] e "Comuno-globalismo - travestido de "mulher" - contra Trump": George Soros tem ligação com mais de 50 "parceiras" da "Marcha das Mulheres" em Washington [https://www.facebook.com/blogbbraga/posts/766969776784970].
[8]. Cf. [https://www.facebook.com/blogbbraga/photos/pb.184797238335563.-2207520000.1485795531./770663119748969/?type=3&theater].
[10]. Cf. [https://www.youtube.com/watch?v=NurAbEylW9M].
[11]. Cf. [https://www.youtube.com/watch?v=vCoSKmCHi74].
[12]. Cf. "Women's march speaker a kidnapper, murderer". WND, 26 de janeiro de 2017 [http://www.wnd.com/2017/01/womens-march-speakera-kidnapper-murderer/].
[13]. Cf. "Women’s March organizer Linda Sarsour has family ties to Hamas, recently met former Hamas financier". Jihad Watch, 22 de janeiro de 2017 [https://www.jihadwatch.org/2017/01/womens-march-organizer-linda-sarsour-has-family-ties-to-hamas-recently-met-former-hamas-financier].
[14]. Cf. "The Horrible New Normal", Rod Dreher [http://www.theamericanconservative.com/dreher/the-horrible-new-normal/].
[15]. Cf. [http://g1.globo.com/fantastico/].
[17]. Cf. "Fantástico adapta a 'família' à 'novilíngua' gayzista" [http://b-braga.blogspot.com.br/2016/05/fantastico-adapta-familia-novilingua.html]; "O 'Fantástico' e a fraude gayzista" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/07/o-fantastico-e-fraude-gayzista.html]; "A 'fantástica' propaganda gayzista" [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/04/a-fantastica-propaganda-gayzista.html]; "A 'fantástica' mitologia dos 'torturados'". Tópico VIII in "Bolsonaro, Ustra: o 'torturador' e a mitologia comunista" [http://b-braga.blogspot.com.br/2016/04/bolsonaro-ustra-o-torturador-e.html]; "Ana Maria Braga, Fátima e a ideologia de gênero gayzista" [http://b-braga.blogspot.com.br/2016/10/ana-maria-braga-fatima-e-ideologia-de.html].
PT EXPLORA A CRISE PENITENCIÁRIA - 31/01/2017
Em mais de 13 anos no poder, o PT relegou a questão penitenciária a segundo plano, como demonstra o fato de que, nesse período, apenas R$ 687 milhões, 14% da dotação de cerca de R$ 5 bilhões destinados ao Fundo Penitenciário (Funpen), foram efetivamente aplicados. Para os lulopetistas, a questão dos presídios sempre foi um grande incômodo, porque não viam apelo eleitoral na questão.
Revela, portanto, enorme hipocrisia a atitude do grupo de sete petistas integrantes do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) do Ministério da Justiça – todos nomeados por Dilma Rousseff – que se demitiram coletivamente com a alegação de que o atual governo tem atentado contra a "independência" do órgão e também por discordarem do Plano Nacional de Segurança lançado no início do mês, em caráter de emergência, para enfrentar a crise deflagrada com a sucessão de rebeliões em presídios que atingiram até agora oito Estados. De resto, a iniciativa dos petistas demonstra sem disfarces o aparelhamento a que o Estado brasileiro foi submetido por Lula e companhia para sustentar as políticas partidárias do PT e aliados. Os conselheiros demissionários tinham com certeza, no governo anterior, total "independência" para manter em prudente segundo plano a já então grave questão penitenciária no País.
Um dos demissionários, Gabriel Sampaio, ocupava um lugar no Conselho como recompensa pelos bons serviços que prestara ao PT como assessor do ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo e seu auxiliar na defesa de Dilma no processo de impeachment. Aos jornalistas, Sampaio explicou: "Saímos porque o ministro de Estado interditou o debate. Ciente de que o Conselho tinha uma maioria crítica ao Plano de Segurança, à MP que desvia recursos do Funpen para a Segurança Pública e ao decreto de indulto aos presos (publicado em dezembro), optou por alterar a composição do colegiado".
A alegação de falta de debate revela-se claramente demagógica quando se examina a folha de serviços dos governos petistas relativa a questão tão relevante quanto a situação carcerária. Os petistas não apenas quase nada fizeram enquanto estavam no poder como, agora, queriam perder tempo precioso num "debate" que, a rigor, já foi feito.
Seria ocioso repetir o diagnóstico do problema e suas soluções – e verdadeiramente criminoso protelar medidas para restabelecer a ordem nas cidades conturbadas.
Como se trata de uma questão delicada e complexa, é claro que a solução definitiva do problema só virá a médio ou longo prazos, tempo suficiente para eventual correção de medidas de emergência e também para incorporar sugestões colhidas de quem está interessado em colaborar honestamente e não em fazer demagogia.
Por outro lado, a alteração do colegiado a que o petista órfão do poder se refere diz respeito à criação pelo Ministério da Justiça de novos cargos de suplentes, que eram apenas 5, para igualar-se ao número de 13 titulares. É claro que as vagas que agora se abrem não serão ocupadas por militantes petistas.
Em resposta às acusações dos petistas demissionários, um grupo remanescente de conselheiros subscreveu nota: "O grupo que ora se despede identificava-se com a gestão anterior. O Conselho passará, ao natural, por renovação, o que proporcionará melhor compreensão do dramático cenário herdado. O descalabro penitenciário não é de hoje, não tem oito meses, mas décadas" e foi "acentuado nos últimos 14 anos".
Esse lamentável episódio em que petistas se valeram da crise penitenciária para fazer política de baixo nível é mais uma demonstração dos motivos pelos quais o PT agoniza. Depois de 13 anos de populismo irresponsável agravado, no governo de Dilma Rousseff, pela desastrada tentativa de cunho ideológico de impor ao País uma "nova matriz econômica", os brasileiros finalmente despertaram para o engodo de que eram vítimas: deram apoio maciço ao afastamento da presidente e decretaram nas urnas o banimento político do PT.
Mas o mal foi feito. Para qualquer lado da administração pública que se olhe, o que se vê é devastação – que custará tempo e tesouro para consertar.
DEZ FRASES DE FERREIRA GULLAR SOBRE O CAPITALISMO, O SOCIALISMO E O GOVERNO - 08/12/2016
Faleceu hoje (04) no Rio de Janeiro o poeta, crítico de arte, biógrafo e tradutor José Ribamar Ferreira, também conhecido como Ferreira Gullar. Nascido no dia 10 de setembro de 1930 em São Luis – MA, fez parte de um movimento literário que lançou o pós-modernismo no Maranhão e é um dos criadores da poesia concreta, basicamente visual, que procura estruturar o texto poético a partir do espaço do seu suporte, sendo ele a página de um livro ou não.
Ferreira Gullar foi militante do Partido Comunista Brasileiro e, exilado durante a ditadura militar, viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Gullar dizia que "bacharelou em subversão" em Moscou durante o seu exílio, mas que devido à uma maior reflexão e experiência de vida se desiludiu com o socialismo.
Em homenagem a esse grande poeta brasileiro, resgatamos a visão de Ferreira Gullar sobre o capitalismo, o socialismo, o governo e o mundo em que vivemos por meio de 10 frases ditas por Gullar em entrevistas e artigos.
Sobre a esquerda
"Quando ser de esquerda dava cadeia, ninguém era. Agora que dá prêmio, todo mundo é."
Sobre o capitalismo
"O capitalismo não é uma teoria. Ele nasceu da necessidade real da sociedade e dos instintos do ser humano. Por isso ele é invencível. A força que torna o capitalismo invencível vem dessa origem natural indiscutível. Agora mesmo, enquanto falamos, há milhões de pessoas inventando maneiras novas de ganhar dinheiro. É óbvio que um governo central com seis burocratas dirigindo um país não vai ter a capacidade de ditar rumos a esses milhões de pessoas. Não tem cabimento."
Sobre a "exploração" capitalista
"A luta dos trabalhadores, o movimento sindical, a tomada de consciência dos direitos, tudo isso fez melhorar a relação capital-trabalho. O que está errado é achar, como Marx diz, que quem produz a riqueza é o trabalhador, e o capitalista só o explora. É bobagem. Sem a empresa, não existe riqueza. Um depende do outro. O empresário é um intelectual que, em vez de escrever poesias, monta empresas. É um criador, um indivíduo que faz coisas novas. A visão de que só um lado produz riqueza e o outro só explora é radical, sectária, primária. A partir dessa miopia, tudo o mais deu errado para o campo socialista."
Sobre a desigualdade social
"A própria natureza é injusta e desigual. A justiça é uma invenção humana. Um nasce inteligente e o outro burro. Um nasce inteligente, o outro aleijado. Quem quer corrigir essa injustiça somos nós. A capacidade criativa do capitalismo é fundamental para a sociedade se desenvolver, para a solução da desigualdade, porque é só a produção da riqueza que resolve isso."
Sobre a militância no Partido Comunista durante a ditadura militar
"Eu fui do Partido Comunista, mas era moderado. Nunca defendi a luta armada. A luta armada só ajudou mesmo a justificar a ação da linha dura militar, que queria aniquilar seus oponentes. (As pessoas do partido Comunista) não lutavam por democracia, mas pela ideologia Comunista, e estavam sinceramente equivocadas. Você tem de ter uma visão crítica das coisas, não pode ficar eternamente se deixando levar por revolta, por ressentimentos. A melhor coisa para o inimigo é o outro perder a cabeça. Lutar contra quem está lúcido é mais difícil do que lutar contra um desvairado."
Sobre o socialismo
"O socialismo fracassou. Quando o Muro de Berlim caiu, minha visão já era bastante crítica. A derrocada do socialismo não se deu ao cabo de alguma grande guerra. O fracasso do sistema foi interno. Voltei a Moscou há alguns anos. O túmulo do Lênin está ali na Praça Vermelha, mas, pelo resto da cidade, só se veem anúncios da Coca-Cola. Não tenho dúvida nenhuma de que o socialismo acabou, só alguns malucos insistem no contrário. Se o socialismo entrou em colapso quando ainda tinha a União Soviética como segunda força econômica e militar do mundo, não vai ser agora que esse sistema vai vencer.
O socialismo acabou, estabeleceu ditaduras, não criou democracia em lugar algum e matou gente em quantidade."
Sobre a ideologia marxista
"Frequentemente me pergunto por que certas pessoas indiscutivelmente inteligentes insistem em manter atitudes políticas indefensáveis, já que, na realidade, não existem mais. Estou evidentemente me referindo aos que adotaram a ideologia marxista, que, de uma maneira ou de outra, militaram em partidos de esquerda, fosse no Partido Comunista, fosse em organizações surgidas por inspiração da Revolução Cubana."
Sobre Cuba
"Não posso defender um regime sob o qual eu não gostaria de viver. Não posso admirar um país do qual eu não possa sair na hora que quiser. Não dá para defender um regime em que não se possa publicar um livro sem pedir permissão ao governo.Apesar disso, há uma porção de intelectuais brasileiros que defendem Cuba, mas, obviamente, não querem viver lá de jeito nenhum. É difícil para as pessoas reconhecer que estavam erradas, que passaram a vida toda pregando uma coisa que nunca deu certo."
Sobre a política de "psiquiatria democrática" adotada pelo governo (Ferreira Gullar teve dois filhos com esquizofrenia)
"Existe uma política que o governo adotou, chamada 'psiquiatria democrática', que é um absurdo. Impede a internação. Eles acabaram com mais de quatro mil leitos. Por que chama "psiquiatria democrática"? Porque não interna. Mas é uma bobagem, ideológica, cretina, que não tem nada a ver com essa doença real. Eu, que lidei com essa doença, sei muito bem que não tem nada disso. Quando uma médica veio com essa conversa, perguntei: 'É a sociedade que adoece o doente mental? A doença mental não existe? É a sociedade que faz ficar doente? O fígado adoece e o cérebro não adoece? Por quê? É o único órgão divino?'"
Sobre o mundo atual e a poesia
"O mundo aparentemente está explicado, mas não está. Viver em um mundo sem explicação alguma ia deixar todo mundo louco. Mas nenhuma explicação explica tudo, nem poderia. Então de vez em quando o não explicado se revela, e é isso que faz nascer a poesia. Só aquilo que não se sabe pode ser poesia."
INQUÉRITOS SOBRE POLÍTICOS ESTÃO HÁ 10 ANOS SEM CONCLUSÃO NO STF - 11/11/2016
Um grupo de 30 inquéritos sobre parlamentares com foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal) tramita há mais de seis anos sem desfecho. Desses, sete estão há mais de dez anos inconclusos.
São os casos mais antigos no tribunal, segundo levantamento a partir de listagem fornecida pela corte.
Reportagem da Folha revelou neste domingo (6) que as 84 ações penais (em que o inquérito já foi encerrado e o acusado virou réu) hoje em andamento no STF estão, em média, há sete anos e oito meses sem solução final.
O cálculo considera a data do início da apuração, mesmo que em primeira instância, pois muitos casos são paralisados e passam ao STF por força do foro privilegiado.
Ao todo, 362 inquéritos estão em andamento no tribunal sobre políticos com foro, entre deputados federais, senadores, ministros de Estado e do TCU (Tribunal de Contas da União), segundo a lista do STF.
Entre os mais longos está o que trata de depósitos da empreiteira Mendes Júnior, feitos por um lobista, ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o crescimento patrimonial do parlamentar.
O caso foi aberto há mais de nove anos para apurar a suspeita de que a empresa pagou pensão para uma filha do senador com uma jornalista.
A PGR (Procuradoria-Geral da República) apresentou denúncia só em 2013, sob as acusações de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.
Somente no mês passado o atual ministro relator do caso, Luiz Fachin, liberou o inquérito para ser analisado em plenário. Se a denúncia for aceita, Renan se tornará réu pela primeira vez no STF.
Outro inquérito entre os mais antigos trata do senador Romero Jucá (PMDB-RR), ex-ministro do Planejamento do governo Michel Temer.
Aberto pela Polícia Federal há quase 14 anos, o inquérito conta com uma fita cassete entregue por uma comissão de assentados da reforma agrária na qual o então prefeito de Cantá (RR) havia dito a um empreiteiro que receberia uma "comissão" de 10% sobre recursos públicos liberados e que um senador de Roraima, supostamente Jucá, também receberia um percentual por emendas destinadas ao município.
Apenas em 2016 o STF autorizou quebra de sigilo bancário. Os resultados estão sendo analisados pela PGR.
Outro dos inquéritos mais longevos trata do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e está paralisado há quatro anos porque o STF considerou que é necessário primeiro haver uma solução sobre a discussão administrativa acerca do recolhimento de Imposto de Renda do peemedebista.
Na denúncia, a Procuradoria afirmou que, de 1997 a 2000, o parlamentar "utilizou-se indevidamente da redução da base de cálculo" do imposto. O valor então cobrado foi de R$ 2,8 milhões.
Em 2012, ao mandar paralisar o caso, o ministro Marco Aurélio ordenou também a suspensão do prazo de prescrição. Ele fez um desabafo sobre o volume de trabalho no Supremo: "É de notar que estão aguardando o exame do plenário, consoante revela o sítio do Supremo na internet, 791 processos. Sou relator de 162, o mais remoto liberado em 16 de outubro de 2000".
Segundo Marco Aurélio, "o quadro retrata a necessidade de otimizar o tempo e conciliar celeridade e conteúdo".
Três outros inquéritos no STF, sendo dois sobre o deputado federal Vander Loubet (PT-MS), se arrastaram por tanto tempo que a PGR já pediu o arquivamento por prescrição das eventuais penas.
LEGISLATIVO PASTELÃO - CAFEZINHO GRÁTIS APÓS REFEIÇÕES E QUOTAS PARA MULHERES NO UBER - 22/10/2016
Há na Câmara do Rio de Janeiro um projeto de lei obrigando bares e restaurantes a disponibilizarem cafezinho a seus clientes após as refeições. Como a nota de O Globo que trazia essa informação nada mais dizia, fui atrás e descobri que o projeto de fato existe. Seu autor é o vereador Jorge Braz (PSB), bispo da Igreja Universal. O nobre edil quer que a obrigatoriedade de servir cafezinho free se imponha sempre que o consumo exceder a R$ 30,00 e que a "cortesia" seja divulgada mediante cartaz posicionado em lugar visível no interior dos estabelecimentos. Quem descumprir a lei é passível de multa, aplicada pelo município, no valor de R$ 2 mil.
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal carioca reconheceu constitucionalidade e mérito no projeto! No entanto, ele estabelece uma espécie de concussão legislativa, obrigando donos de bares e restaurantes a fazer algo que não integra a prática comercial entre esse tipo de estabelecimento e seus clientes. Para superar a dificuldade, o autor, na justificativa que acompanha o projeto, produz a seguinte pérola, cujo intuito é disfarçar o abuso que pretende:
“(...) O Cafezinho e a conta, por favor”. Essa frase invariavelmente é uma tradição no final das refeições em bares e restaurantes. Portanto, o cafezinho é uma cortesia que pode ser oferecida aos consumidores, sem aumento significativo de custos, incentivando a preferência de escolha do estabelecimento.
Permanece oculto nas brumas o motivo pelo qual a frase transcrita acima, na concepção do autor do projeto, significa que o café é cortesia e autoriza o poder público a criar uma obrigação cujo descumprimento implica multa. Não percebe o autor que ao transformar em dever, faz sumir o "incentivo à preferência de escolha do estabelecimento" em relação aos que, de modo espontâneo e por interesse comercial, o proporcionavam a seus frequentadores?
Esse tipo de desonestidade legislativa que impõe, a particulares, ônus que significam bônus político ao legislador (alguém paga o benefício que ele concede) é o mais comum em nossos parlamentos. Em muitos casos, o ônus é atribuído a um agente privado (tipo cafezinho "de graça", meia entrada no cinema, passagem gratuita em transporte público). Noutros, a conta vai para o poder público (tipo vencimentos muito acima do mercado, aposentadorias privilegiadas, custeio de milionários tratamentos de saúde) e podem levar o Estado a situação falimentar.
***
A Câmara de Vereadores de Porto Alegre também é dada a práticas que abusam do poder de legislar. Agora mesmo, ao regulamentar o Uber (por que isso é tão indispensável?), a maioria da Casa aprovou a emenda de uma vereadora do PSOL que estabelece quota de 20% para mulheres como motoristas operando com o aplicativo. Diz a emenda aprovada: "Dentre os condutores, deverá haver mínimo de 20% (vinte por cento) de mulheres, percentual a ser atingido progressivamente e reavaliado anualmente para posterior incremento." Nesse rumo, em breve haverá quotas raciais, LGBTs etc, determinando quem senta ao volante de um meio de transporte.
UMA SEGUNDA-FEIRA PARA A HISTÓRIA. MAS HISTÓRIA NÃO FAZ PAUSAS. - 28/08/2016
A presidente afastada comparece hoje ao Senado Federal. Assistiremos um necrológio de corpo presente. Para quem defende a versão de que tudo não passa de um golpe, a presença da vítima é um desmentido. Não se diga que o comparecimento de Dilma guarde relação com o correspondente e natural direito de defesa. Ela esteve representada pelo mais exaustivo, ruidoso e dedicado grupo de defensores que já se assistiu no Direito brasileiro.
A suposta inocência de Dilma Rousseff é uma tentativa de salvar os dedos após a perda dos anéis. Trata-se de construir uma versão (seguindo o velho hábito da esquerda à manipulação dos relatos históricos) que permita o discurso político subsequente. O dia é para a História, mas a História não faz pausa. A vida continua.
Espero que a oposição ao PT não caia nessa. Dona Dilma está sendo julgada por dois crimes selecionados em dezembro do ano passado dentre os muitos listados em dezenas de requerimentos para instalação desse processo que se empoeiravam na mesa de Eduardo Cunha desde março daquele ano.
É ali que está o conjunto da obra: 1) o relato sobre a quadrilha instalada no coração do poder desvendado pela Lava Jato; 2) o desequilíbrio da representação popular determinado pelo saque a todos os fundos disponíveis para financiar as campanhas dos protegidos pelo poder petista (quantos mandatos parlamentares, quantos governadores e prefeitos foram eleitos com esses recursos e não o seriam sem eles?); 3) o estelionato eleitoral e o festival de mentiras, ilusionismo e ocultação da verdade que pautaram a campanha presidencial petista de 2014; 4) o assustador desarranjo das contas públicas, que derrubou a economia nacional e a respeitabilidade externa do país; 5) a direta responsabilidade omissiva ou comissiva da presidente afastada sobre a negociata da planta de Pasadena; 6) a demagógica manipulação dos preços da energia elétrica e dos combustíveis que derrubou as duas maiores estatais brasileiras; 7) a maliciosa herança de uma sociedade onde foi cuidadosamente semeado o divisionismo sexual, racial, étnico e político; 8) a pavorosa crise social marcada por recessão, inflação, desemprego, subemprego, perda de renda das famílias; 8) a criminalidade transformada na grande senhora da vida urbana e rural porque tomada como parceira para o projeto revolucionário urdido no Foro de São Paulo, na UNASUL e nos conchavos bolivarianos. Esta lista não tem fim porque o conjunto da obra compõe um circo de horrores que não pode sumir sob as 80 mil páginas do processo das pedaladas e dos decretos irregulares.
Jamais! Para atribuir ao partido oxigênio que mantenha ativos alguns de seus sinais vitais, a desastrosa gestão petista tem precisado - quem diria? - comparar indicadores de 2014 (nunca os de 2016!) com indicadores de 2002... Ou seja, com o Brasil de uma década e meia atrás. Só com face lenhosa e total desprezo ao discernimento alheio. Sim, sim, o caráter continua o mesmo e a vida continua.
MÉDICA QUE ATENDEU SOLDADO PM MORTO NO RIO DESABAFA EM REDE SOCIAL - 14/07/2016
O soldado Eric é o 59º morto este ano no Rio de Janeiro.
Uma médica do Hospital Marcílio Dias, no Lins de Vasconcelos, na Zona Norte, que afirma que, na noite de domingo (10), teria atendido o soldado PM Victor Eric Braga Faria, baleado na cabeça, fez um desabafo emocionado numa rede social. Ela publicou uma selfie com a roupa ainda manchada de sangue do policial, como mostrou o RJTV.
03h da manhã.
Estou deitada na cama de um quarto de plantão.
Trabalhei por 20h e mesmo assim não consigo dormir.
Só chorar.
Mas pra você, talvez hoje seja uma boa noite.
Você que está na sua cama quentinha, na sua casa, bem alimentado, com algumas frustrações normais do dia a dia porém, vivo.
Talvez seja uma boa noite para os políticos que têm 50 seguranças garantindo a paz do sono deles. Que têm helicóptero à disposição para os deslocamentos, assim não estão sujeitos a arrastões, assaltos, sequestros...
Políticos que não vivem nossa realidade de medo, insegurança, instabilidade... E por não serem atingidos pela podridão da sociedade, simplesmente não estão nem um pouco preocupados com os milhões que são atingidos todos os dias. Simplesmente não pretendem fazer nada para mudar o cotidiano de terror que vivemos.
Hoje deu entrada neste hospital um policial militar.
Atingido por um tiro na cabeça.
Chegou ainda com vida, trazido por quatro outros policiais que, desesperados como quem transportassem seus próprios pais ou irmãos, gritavam tentando mantê-lo acordado.
"Estamos contigo, parceiro. Você vai ficar bem. Nós estamos aqui com você."
E assim o entregaram aos cuidados da equipe.
Tudo foi feito.
Em perfeita sincronia a rotina de trauma foi realizada e em pouquíssimo tempo estávamos na sala do centro cirúrgico com um neurocirurgião a postos para o procedimento.
A anestesia trabalhando firme, a cirurgia atuando com rapidez e precisão.
Terminou o procedimento. Mas ele faleceu.
Não, essa história não tem um final feliz.
E sim, eu chorei.
Fiz um sinal da cruz no peito dele e saí da sala de cirurgia aos prantos, soluçando... E ainda estou chorando.
Porque não me conformo em perder um policial.
Não me conformo viver numa sociedade tão doente que trata esses homens como bandidos, corruptos.
Fico revoltada de ver como esses caras morrem sem um mínimo de dignidade, com um tiro dado por um marginal, mequetrefe, sem vergonha.., um filho de chocadeira.
Não consigo aceitar a desvalorização dos policiais militares.
Esses caras são heróis!!!!!
Eles botam a farda e sobem o morro pra catar bandido. Pra prender, pra matar.. Não importa.
A função deles é tirar o bandido de circulação pra que VOCÊ não seja assaltado.
Pra que VOCÊ não seja sequestrado.
Pra que SUA ESPOSA não seja estuprada.
Eles arriscam a vida deles por VOCÊ!!!!!!
Por um salário de merda, com um treinamento de merda, com equipamento de proteção pessoal de merda e armamento de merda, eles sobem o morro por VOCÊ.
E como a sociedade retribui???
Rotulando que todo policial militar é bandido.
Todo policial militar pratica abuso de poder.
Todo policial militar é corrupto.
NÃO!!! ELES NÃO SÃO!!!!
Eles são filhos de alguém. Irmãos de alguém. Amigos de alguém. Pais de alguém.
E, repito, saem todos os dias de casa, arriscando a própria vida POR VOCÊ.
É inadmissível o que vêm acontecendo.
Bandido pode matar policial com tiro nas costas que não acontece nada.
Ele é uma pobre vítima da sociedade... E o bandido tava só se vingando do policial malvado que incitou ódio quando deu dura no bandido de forma ultrajante. Coitado do bandido. Ele é gente. O policial não podia tê-lo tratado assim. Policial malvado! A culpa é sua que despertou o ódio num pobre menino de comunidade que nunca teve acesso à nada e foi discriminado por você.
NÃO!!!!
Meu Deus, NÃO!!!!!
Enquanto isso, se um policial atira num bandido, é afastado da corporação, responde à sindicância, perde o direito de atuar.
A polícia está coagida.
Não tem mais um pingo de autonomia.
Resultado?
Policiais morrendo a 3 X 4.
O de hoje, foi só mais um.
Uma estatística. Um número. Um qualquer.
Fazem um enterro bonito, com honras militares e tá resolvido. Vida que segue.
Político falar sobre morte de policial não dá voto.
Falar sobre morte de meninos negros da favela é que dá.
Porque a população odeia policial. Eles são uns babacas corruptos mesmo.
É com os meninos negros que a população se identifica.
PAREM, PAREM, PAREM, PELO AMOR DE DEUS!!!!
Não pode um homem que arrisca sua vida pela sua, morrer tão anônimo, tão indignamente, tão desprezado.
Não pode, Meu Deus. Não pode.
Até quando eu vou ter que ouvir os gritos de desespero das mães dos policiais ecoando nos corredores dos hospitais quando dou a notícia que o filho delas faleceu???
Até quando eu vou ter que consolar uma mãe que diz "como eu vou viver sem nunca mais ver meu filho?"
Até quando eu vou ter que escutar "o filhinho dele de 2 anos é tão apegado com o pai... como vai ser agora??"
Escutar "como eu vou aguentar ver meu filho de 24 anos num caixão?"
Até quando, Meu Deus, até quando????
Parafraseando meu grande amigo e brilhante médico Leandro Cacciari que atuou comigo na sala de trauma hoje, lavando minha farda, plena de sangue do policial, eu pensava: "sempre que eu lavar minha farda suja de sangue, esse sangue nunca vai ser o meu. mas sempre vai ser de algum militar. e eu sinto um puta orgulho de ter escolhido prestar assistência a esses homens que me defendem, te defendem, nos defendem."
E peço a Deus que esse orgulho dos militares alcance outras pessoas...
Porque quando eu disse para a mãe dele hoje "seu filho morreu como um herói. lembre-se dele sempre com muito orgulho. nunca deixe que te digam o contrário sobre ele.", eu estava falando de coração.
Descanse em paz, Eric.
Eu tenho muito orgulho de você.
PÂNICO EM FAMÍLIA - 21/06/2016
Emílio Odebrecht se desespera e manda Marcelo entregar logo Lula e Dilma
(Publicado originalmente em Tribuna da Internet)
O método de atuação da força-tarefa da Operação Lava Jato é intrincado e às vezes necessita de tradução simultânea. Fala-se muito em delação premiada da Odebrecht, mas isso não existe. Não há um acordo amplo que envolva toda a empresa. A delação premiada é um benefício individual, embora possa ser concedido em grupo, como está acontecendo agora, com os procuradores solicitando delação premiada para três executivos simultaneamente, porque estão indiciados no mesmo inquérito.
No caso da Odebrecht, maior corporação envolvida na Lava Jato na condição de agente corruptor, a delação mais importante será de seu ex-presidente Marcelo Odebrecht, embora a força-tarefa nem espere dela maiores novidades, porque apenas confirmará outros depoimentos já concedidos.
Ainda há um impasse e a delação premiada somente será aceita se Marcelo Odebrecht der informações adicionais sobre o envolvimento direto do ex-presidente Lula da Silva e da presidente afastada Dilma Rousseff no esquema de corrupção. Há outras exigências da força-tarefa, mas estas duas são as principais, consideradas indispensáveis ou "condições sine qua non", como dizem os juristas.
EMILIO SE DESESPERA – O empresário Emilio Odebrecht, pai de Marcelo, está desesperado e não entende por que o filho ainda reluta em revelar o que sabe sobre as atividades ilegais de Lula e Dilma.
Foi por ordem direta de Emilio Odebrecht que os executivos da empreiteira já informaram a força-tarefa sobre o tráfico de influência que Lula fazia em benefício do grupo, especialmente no exterior. Revelaram também que Lula era remunerado através de supostas palestras de sua empresa, a consultoria LILS, e do Instituto Lula, que recebia patrocínio constante. Além disso, confirmaram que a Odebrecht fazia doações legais e ilegais (caixa dois) às campanhas eleitorais do PT, a pedido de Lula e Dilma.
Também a pedido do patriarca Emilio, os executivos revelaram que a presidente Dilma realmente nomeou o procurador Navarro Ribeiro Dantas para o Superior Tribunal de Justiça, com a missão específica de libertar Marcelo Odebrecht e Otavio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez.
O ÚNICO A FAVOR – O fato concreto é que Ribeiro Dantas foi efetivamente nomeado por Dilma para ocupar a vaga do desembargador Newton Trisotto, provisoriamente na cadeira e que era relator e vinha votando contra a soltura dos presos da Lava Jato.
E no julgamento do habeas corpus que pedia a liberdade de Marcelo Odebrecht, o neoministro Ribeiro Dantas, como relator, foi o único dos cinco integrantes da turma do STJ a votar pelo "sim", e o fez com um entusiasmo constrangedor, digamos assim.
Agora, Navarro está sendo investigado pelo Conselho Nacional de Justiça por ter sido citado na delação do ex-senador Delcídio Amaral, que confirmou a nomeação do ministro como parte de estratégia do governo para soltar Marcelo Odebrecht e Otávio Azevedo.
MARCELO AINDA RELUTA – Um ano se passou, o empreiteiro Otavio Azevedo conseguiu delação premiada, já foi solto e está revelando tudo o que sabe. Os executivos da Odebrecht cumprem as ordens do patriarca Emilio, estão fazendo importantes depoimentos e até ensinando a força-tarefa a operar o programa de computador do chamado "Departamento da Propina". Mas o recalcitrante Marcelo Odebrecht ainda reluta, levando ao desespero sua família.
O patriarca Emilio Odebrecht até já se ofereceu para depor, mas não adianta, porque ele não está sendo investigado e a delação premiada só pode ser feita oficialmente pelo filho Marcelo.
De toda forma, falta pouco, muito pouco mesmo, para Marcelo Odebrecht ceder e revelar, em plenitude, como na verdade Lula da Silva e Dilma Rousseff se comportaram ao exercer a Presidência da República. E aí é que a Lava Jato vai pegar fogo.
O VERDADEIRO CUSTO DA OLIMPÍADA! - 10/06/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
No artigo abaixo,a conceituada jornalista examina bibliografia técnica, dados e projeções sobre os efeitos dos Jogos Olímpicos sobre a economia brasileira. Ao final, eu faço alguns comentários.
***
1. Há literatura vasta sobre o tema, muitos artigos acadêmicos que tentam destrinchar as verdades escondidas por detrás do "glamour" dos jogos, da propaganda, das palavras dos governantes. O que todo esse trabalho mostra é que as razões que levam um País, uma cidade, a pleitear o título de anfitriã da Olimpíada têm pouca ou nenhuma relação com argumentos econômicos. Estudo recente de autoria dos economistas Robert Baade e Victor Matheson publicado na última edição do Journal of Economic Perspectives diz, com clareza: "A conclusão contundente é que, na maioria dos casos, as Olimpíadas geram perdas expressivas para as cidades anfitriãs. Sobretudo quando essas cidades pertencem aos países menos desenvolvidos".
2. Pensemos no caso do Rio de Janeiro, município cujo déficit como proporção das despesas correntes líquidas alcançou exorbitantes 17% ao final de 2015. Estudo comissionado pelo Ministério dos Esportes e preparado pela USP diz que, para cada US$ 1 de investimento, o País terá retorno de US$ 3,3 até 2027, que o impacto sobre o PIB do País poderá alcançar a extraordinária cifra de 2% do PIB, que cerca de 120 mil empregos serão criados, anualmente, até 2027.
3. Recorrendo à evidência internacional, Baade e Matheson (2016) afirmam que uma boa regra de bolso para avaliar o real impacto da Olimpíada sobre a economia é pegar o que dizem governos e organizadores e mover tudo uma casa decimal para a esquerda. Se fizermos isso com o ganho de 2% do PIB estimado pela USP, concluímos que o melhor que se pode esperar é ganho de 0,2% do PIB, número que não chegaria a pódio algum.
4. Originalmente, a Olimpíada estava orçada em US$ 13,7 bilhões, montante reduzido para US$ 11 bilhões quando o governo federal, responsável por mais de dois terços das obras de infraestrutura para os jogos, percebeu que não conseguiria dar conta do recado em meio à recessão e aos imensos problemas do País. Ainda não será desta vez que o metrô do Rio será concluído. A quantia de US$ 11 bilhões representa, ao câmbio de hoje, cerca de 0,6% do PIB brasileiro. Contudo, dizem Baade e Matheson, geralmente os custos excedem em 150% aqueles anunciados pelo governo.
5. Acreditando nos economistas, somei. Cheguei a um custo final de US$ 16 bilhões, ou cerca de 0,9% do PIB brasileiro. Se subtrairmos do ganho esperado de 0,2% do PIB os custos de 0,9%, a Olimpíada haverá de deixar-nos prejuízo de 0,7% do PIB, ou uns R$ 42 bilhões. Mais perdas em País cujas contas estão mergulhadas em território profundamente vermelho.
6. Chegamos, portanto, à devastadora conclusão. A Olimpíada das Olimpíadas trará o prejuízo dos prejuízos.
* Professora da Universidade Johns Hopkins
COMENTO
Quando se fala sobre Jogos Olímpicos e Copa de 2014, devemos ter em mente, mais uma vez, a seriíssima questão da irresponsabilidade fiscal dos governos petistas. Se existe algo infinito no mundo real, esse um dos casos. Despendem recursos públicos como se não fossem produto do suor do nosso rosto. Naqueles anos em que o país buscou a Copa e os Jogos, Lula corria o mundo como um doidivanas perdulário, recebendo homenagens e jogando dinheiro para cima; O mundo era um grande programa de auditório. Em nome do pré-sal, gastava-se o que ainda não se tinha e o que não se viria a ter. "Irresponsabilidade" - that is de name of the game que o Brasil petista jogou e no qual todos perdemos.
Ademais, no caso dos Jogos Olímpicos, não podemos esquecer que os gastos federais foram feitos com dinheiro da União, ou seja, dinheiro arrecadado em todos os estados e municípios do país, e canalizado para o Rio de Janeiro, onde permanecerão todos os eventuais benefícios. Escárnio e escândalo!
LEIA A LISTA DA AGENDA COMUNISTA: QUALQUER SEMELHANÇA NO BRASIL NÃO É MERA COINCIDÊNCIA - 07/06/2016
LEIA A LISTA DA AGENDA COMUNISTA: QUALQUER SEMELHANÇA NO BRASIL NÃO É MERA COINCIDÊNCIA
Um livro escrito em 1958 "The Naked Communist" - "O Comunista nu" do autor Cleon Skousen (ex-agente do FBI) mostra os passos da agenda para perverter e transfigurar os valores da sociedade para a implantação do regime comunista (https://en.wikipedia.org/wiki/The_Naked_Communist).
O livro aponta 45 metas comunistas a partir de 1958 cuja o propósito é subverter a sociedade americana por dentro, e também está sendo cumprido à risca em todos os países que estão sendo alcançados num processo revolucionário mundial. Veja apenas alguns dessas metas...as mais macabras !
Meta nº 03: Desenvolver a ilusão de que o desarmamento total dos Estados Unidos seria uma demonstração de superioridade moral.
Meta nº 17: Tomar o controle das escolas. Usá-las como meio de transmissão para o socialismo... suavizar o currículo. Tomar o controle das associações de professores.
Metas nº 20 e 21: Infiltrar na imprensa. Tomar o controle de postos-chaves no rádio, TV e cinema.
Meta nº 24: Eliminar todas as leis que regem a obscenidade chamando-as de "censura" e uma violação da liberdade de expressão e de imprensa.
Meta nº 25: Quebrar padrões culturais de moralidade, promovendo a pornografia em livros, revistas, filmes e televisão.
Meta nº 26: Apresentar a degeneração e promiscuidade homossexual como "normal, natural, saudável." O autor alegou que os comunistas procuram incentivar a prática da masturbação.
Metas nº 27: Infiltrar as igrejas e substituir a religião revelada pela religião "social". Desacreditar a Bíblia enfatizando a maturidade intelectual que não necessita de uma "muleta religiosa".
Meta nº 28: Eliminar a oração nas escolas, alegando que ela viola o princípio da "separação entre Igreja e Estado."
Meta nº 32: Apoiar qualquer movimento socialista para controle central sobre qualquer aspecto da cultura - educação, entidades sociais, programas de bem-estar, clínicas de saúde mental, etc.
Meta nº 38: Transferir alguns poderes de prisão da polícia para entidades sociais. Tratar todos os problemas comportamentais como desordens psiquiátricas que ninguém senão psiquiatras podem compreender ou tratar.
Meta nº 40: Desacreditar a Família como uma instituição. Encorajar e promiscuidade e o divórcio fácil.
Meta nº 41: Enfatizar a necessidade de criar os filhos longe da negativa influência dos pais. Atribuir: Preconceitos, bloqueios mentais e retardo de crianças à influência supressiva dos pais.
O Comunismo está morto?
O mito comum é que o comunismo está morto; no entanto, há mais membros de partidos comunistas hoje no mundo do que jamais houve.
Uma coisa que os comunistas estão fazendo em todo o mundo é não usar esse nome haja vista a experiencia histórica horrível de genocídio, ditaduras e fomes causadas em vários lugares do mundo; por isso, agem sob uma variedades de nomes, exemplos: Forças Democráticas, Progressistas e etc.
Enquanto todo mundo está dizendo que comunismo morreu, ele vive em grande parte da África, é ressurgente na África do Sul, nas Américas do Sul e Central. Hoje 6 países na América do Sul são comunistas além da China, Cuba, Coreia do Norte, Vietnã, nos bastidores da Rússia; é muito forte na Europa Oriental e na União Europeia; enfim, é forte em quase todos os países do mundo.
Por que algo comprovadamente maléfico se alastra facilmente no mundo?
Whitaker Chambers disse que o comunismo é bem-sucedido porque a maioria das pessoas que promovem causas comunistas, não são comunistas. "Os idiotas úteis" como Lênin chamava, dão um ar de legitimidade que nunca teriam se fosse identificados como comunistas. O comunismo também se utiliza de movimentos sociais (financiado por capitalistas) para fazer pressões nos governos locais com intenção na mudanças de leis; também subverter a ordem pública com protestos e convulsões sociais dando impressão que o atual regime não está dando certo e que é necessário mudanças "para melhor"atender os "anseios" do povo.
Engana-se quem acha que o comunismo acabou na derrubada do muro de berlim; o que ela não conseguiu através das armas e violência, hoje consegue por meios pacíficos, transfigurando cenários e valores de dentro pra fora. E o que deixa todo o planeta em maus lençóis, é que não existe nenhuma oposição centrada e capacitada com recursos intelectuais e financeiros... o futuro é sombrio ao ver esse sistema tirânico estender seus tentáculos em todo mundo e alcançando até as almas das pessoas sem que as percebam
DEMOROU, MAS A LAVA JATO ENFIM ESTÁ INCRIMINANDO RENAN CALHEIROS - 25/05/2016
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que está prestes a concluir um dos inquéritos que apura a suposta ligação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com o esquema de corrupção da Petrobras. Segundo relatório enviado pelo delegado Thiago Delabary, falta apenas o depoimento do senador para que as apurações deste inquérito sejam fechadas. A PF informa, inclusive, que está tendo dificuldades para marcar uma data com o senador.
A linha de investigação avalia se Renan foi beneficiado de propina em acordo da Petrobras com a categoria dos práticos, os profissionais responsáveis por orientar os comandantes de navio a atracar nos portos.
A Folha apurou que a defesa do senador pediu que ele envie explicações por escrito, em vez de prestar um novo depoimento à PF. Nesta segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República enviou manifestação ao STF pela rejeição do pedido da defesa, portanto, pelo depoimento presencial.
MAIS 30 DIAS
O delegado pediu ao Supremo mais 30 dias para a o encerramento do caso. “É possível afirmar que o acervo informativo já reunido nos autos põe a investigação em estágio de finalização. Afora algumas medidas de ordem administrativa, resta pendente de efetivação apenas a oitiva do senador Renan Calheiros a qual não se tornou possível, ainda, em face da dificuldade de agendamento decorrente das atribuições de sua excelência à frente da Casa Legislativa”, escreveu.
O ministro Teori Zavaski, relator da Lava Jato, vai definir como serão feitas as explicações. Renan é investigado neste inquérito juntamente com o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE).
As investigações começaram a partir das declarações do delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, para investigar as suspeitas de recebimento de propina da estatal que recaem sobre Aníbal e Renan.
“EM NOME DE RENAN”
Segundo Costa, Aníbal “falava em nome” de Renan e lhe prometeu, em 2007, R$ 800 mil “em caso de resolução favorável” em uma ação judicial pela qual duas empresas de serviços de praticagem da Baixada Santista cobravam R$ 60 milhões de indenização da Petrobras.
Para tentar comprovar as afirmações de Costa, a PF rastreou o dinheiro e concluiu que o advogado Paulo Roberto Baeta Neves recebeu, em setembro de 2008, R$ 6 milhões de “comissão” pelo fechamento do acordo com a Petrobras.
O dinheiro foi transferido para sua conta bancária –após passar pela de seu sócio, Eduardo Ferrão, que disse nada saber do acordo e ter rompido com Baeta Neves– pelo escritório de advocacia Ferreira Ornellas, do Rio, que formalmente havia fechado o acordo judicial com a Petrobras.
MAIS OITO INQUÉRITOS
Dos R$ 6 milhões que chegaram a Baeta Neves –descontados R$ 500 mil de impostos–, a PF agora concluiu que R$ 3 milhões foram para Luiz Carlos Batista Sá, amigo do deputado Aníbal Gomes. Segundo o laudo, parte do dinheiro foi sacado em diversas operações: seis cheques no valor de R$ 80 mil cada, três de R$ 70 mil, dois de R$ 60 mil, dois de R$ 50 mil, três de R$ 30 mil e três de R$ 20 mil foram destinados a diversas pessoas e empresas.
Na Lava Jato, Renan ainda é alvo de mais oito inquéritos. O senador foi citado por cinco delatores como destinatário de propina desviada da Transpetro: Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef, Fernando Baiano, Ricardo Pessoa e Nestor Cerveró.
Delatores disseram também que Renan teria indicado para o cargo Sérgio Machado, que exerceu a presidência de 2003 a 2015. E que, em razão disso,recebia dinheiro desviado de contratos da estatal.
Machado é o protagonista da primeira crise do governo de Michel Temer e negocia acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
INVESTIGAÇÕES
Renan é suspeito de envolvimento de fraudes na contratação de consorcio Estaleiro Rio Tietê pela Transpetro. Teve o sigilo bancário e fiscal quebrados pelo Supremo nesse caso.
Ele também é investigado em outras frentes por propina em acordo da Petrobras como favorecimento à empresa Serveng junto à estatal e suspeita de propina para viabilizar a venda da participação da Petrobras na empresa argentina Transener ao grupo Electroingenieria, também do país.
Alguns inquéritos a PGR ainda mantêm em sigilo por causa de delações que não foram divulgadas.
As defesas de Renan e de Aníbal têm negado o envolvimento com irregularidades e afirmam que nunca receberam propina da Petrobras.
BASTIDORES: NO ÚLTIMO DIA, ISOLAMENTO E BARREIRA POLICIAL - 13/05/2016
Dilma Rousseff viveu na manhã de ontem momentos tensos no trajeto entre os Palácios da Alvorada e do Planalto, onde assinaria a notificação de seu afastamento da presidência. Às 9h40, ela deixou a residência oficial do Alvorada acompanhada de seguranças num comboio de cinco carros. Na altura de um viaduto que dava acesso ao Eixo Monumental e à Praça dos Três Poderes – área do Planalto fechada para o trânsito desde anteontem –, a comitiva foi parada numa barreira policial. Guardas mandaram o grupo seguir por outra via que levaria aos fundos do palácio.
“Aqui ninguém passa”, disse em tom elevado um dos guardas da Polícia Militar do Distrito Federal na barreira, diante dos motoristas do comboio presidencial. Mesmo informado de que a presidente estava num dos carros, o PM não recuou. Houve incredulidade e bate-boca. Um motorista relatou à reportagem que percebeu espanto, irritação e depois tristeza por parte da presidente. Sandra Brandão, assessora especial de Dilma, que estava no Planalto, foi acionada por um dos homens da comitiva. Ela telefonou para a segurança do governo: “Isso é uma ordem, a presidente vai passar, sim”.
Dentro do carro, parada na barreira, Dilma demonstrou, agora, nervosismo. O comboio, então, recuou dando voltas pela Vila Planalto, um bairro entre o Alvorada e o Planalto, até que recebesse autorização. Após, dez minutos, os motoristas do comboio foram avisados de que estavam “autorizados” a passar. Dilma ainda estava no exercício da presidência. Os motoristas aceleraram e entraram a pelo menos 140 km/h pelo Eixo Monumental. Dilma chegou ao palácio às 10h20, atrasada para receber a notificação.
O isolamento, uma constante no mandato de cinco anos e quatro meses de Dilma, foi uma marca dos momentos vividos por ela no Alvorada antes da decisão do Senado, que aprovou no início da manhã a admissibilidade do processo de impeachment. Quando o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), abriu a votação, por volta de 6h30 e logo depois apresentou o resultado, a área ao redor da residência oficial da Presidência estava em silêncio e sem movimentação.
Dentro do Alvorada, Dilma só contava com a presença da mãe, dona Dilma Jane, de 92 anos, que enfrenta problemas de saúde. Paula, a filha única de Dilma e os netos da presidente, Gabriel, de seis anos, e Guilherme, de quatro meses, ficaram em Porto Alegre. Alguns minutos depois do anúncio do afastamento da presidente, começou um barulho de fogos de artifício na região do Lago Sul e Lago Norte, bairros de classe alta da capital, nas margens do Lago Paranoá. A segurança tinha sido informada desde a véspera que Dilma não iria fazer a habitual pedalada.
Desde as 5h30 até a votação do impeachment, nenhum carro de autoridade entrou ou saiu do Alvorada. Depois, por volta das 9h, a presidente recebeu a visita de Nilma Lino Gomes, ministra de Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Naquele momento, no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente e agora presidente interino Michel Temer, a um quilômetro do Alvorada, também não havia movimentação. Temer deu ordens para que a segurança só liberasse a entrada de parlamentares às 9h.
DILMA PEDE PUNIÇÃO PARA O BRASIL E PROVOCA REAÇÃO INDIGNADA - 23/04/2016
(Publicado originalmente em www.diariodopoder.com.br - 22/04/2016)
"Está em curso no Brasil um golpe", disse a presidente Dilma Rousseff nesta sexta-feira, 22, a jornalistas em Nova York, ressaltando que quer que o Mercosul e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) avaliem o processo, a fim de adotarem "sanções" contra o Brasil. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que antes elogiou o discurso discreto na ONU, disse que a declaração dela é “extremamente delirante”.
As palavras de Dilma deixaram horrorizado o presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Carlos Siqueira. "Está achando pouco o que já fez de mal ao Brasil? Agora quer que o Brasil seja prejudicado no Mercosul? Que horror!" Siqueira observou que "mesmo com depoimentos dos ministros do Supremo atestando a constitucionalidade, vem fazer uma proposta dessas na entrevista a jornalistas estrangeiros? Está passando informações mentirosas e sem fundamento. Ela deveria ter mais responsabilidade", acusou.
"Dizer que não é golpe é tapar o sol com a peneira. Eu sou uma vítima, sou uma pessoa injustiçada", ressaltou Dilma, destacando que não se pode admitir um processo de impeachment que, na verdade, segundo ela, é uma eleição indireta. "Sou vítima de um processo absolutamente infundado", reforçou.
Dilma afirmou que vai se "esforçar muito" para convencer os senadores sobre a falta de fundamentação do processo de que é vítima no Congresso. "O ministro da Justiça, o ministro da Fazenda, todos nós vamos lá junto aos senadores debater, explicar e dar todas as informações necessárias." A presidente afirmou que não teve o respaldo necessário por segmentos da Câmara, mas disse ter certeza que será ouvida no Senado. "Depois os senadores votam como achar que devem."
Questionada sobre a proposta de novas eleições, Dilma afirmou que não acusa as pessoas que tenha essa ideia de golpistas. "Uma coisa é eleição direta, com votos e o povo brasileiro participando. Mas tem que ser me dado o direito de defender o meu mandato. Não sou uma pessoa apegada a cargos, mas estou defendendo o meu mandato", afirmou Dilma aos jornalistas.
Dilma afirmou que, desde que assumiu a Presidência da República, em 2011, desenvolveu relacionamentos pessoais com líderes mundiais e que eles têm mostrado solidariedade a ela.
CHICO BUARQUE CHAMA ATO PRÓ-DILMA DURANTE VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT - 08/04/2016
(Publicado originalmente em www.congressoemfoco.uol.com.br)
Convocação também feita por Wagner Moura, Leonardo Boff, Fernando Morais e Eric Nepomuceno diz que tentativa de afastar Dilma é “golpe de Estado” movido por “aventureiros do desastre” e “ressentidos da derrota”
Em manifesto divulgado nesta terça-feira (5), cinco figuras conhecidas do meio artístico e intelectual brasileiro convocam para uma manifestação em defesa da democracia no próximo dia 11, às 17h, na Lapa, no Rio de Janeiro. No mesmo dia e horário, está prevista a votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pela comissão especial da Câmara, em Brasília. Para eles, o processo de impeachment é um “golpe de Estado” movido pelos “ressentidos da derrota” e pelos “aventureiros do desastre”. O texto é assinado pelo compositor e cantor Chico Buarque, pelo ator Wagner Moura, pelo teólogo Leonardo Boff e pelos escritores Fernando Morais e Eric Nepomuceno.
Os cinco alegam que, embora tenham opções ideológicas, políticas e eleitorais diversas, estão unidos em defesa de uma causa. “Nos une, acima de tudo, a defesa do bem maior: a democracia. O respeito à vontade da maioria. O respeito à diversidade de opiniões.”
No texto, eles reconhecem que o impeachment é um mecanismo constitucional, mas criticam o “uso indevido e irresponsável” da Constituição para amparar o afastamento de Dilma. “E é precisamente por isso, pelo respeito à Constituição, escudo maior da democracia, que seu uso indevido e irresponsável se constitui em um golpe branco, um golpe institucional, mas sempre um golpe. Quando não há base alguma para a sua aplicação, o que existe é um golpe de Estado.”
COMENTO
Enquanto o PT na oposição usava pedido de impeachment como corneta, formulando 50 pedidos de impeachment contra todos os presidentes que o antecederam, os "ressentidos da derrota" perderam três eleições e não usaram desse instrumento constitucional exceto na quarta, por sobradas e conhecidas razões.
Os supostos intelectuais signatários dessa convocação lixam-se para o Brasil e para a situação do povo brasileiro. Falam nele na condição de seres extraterrestres. Que sabem de desemprego? Quanto tempo esperam para um exame médico especializado? Qual sua experiência com a sensação de insegurança? De hospitais públicos e de SUS? Quais preços de artigos de consumo conhecem? Quanto lhes pesa a inflação? Que entendem de desemprego? Quais deles não se abastecem nas tetas gordas dos projetos culturais? Que prejuízo lhes causa o assalto promovido pela Orcrim?
Fariseus! Falsários do patriotismo! Democratas adoradores de Fidel Castro! "Esquerda Caviar"! "Socialistas de I-Phone e de carrão"! Defensores de bandidos!
CÂMARA REAGE E APRESENTA PROJETO CONTRA INTROMISSÕES DO SUPREMO - 07/04/2016
(Publicado originalmente em Tribuna da Internet)
Sempre atento à evolução do quadro político e institucional, o advogado João Amaury Belém nos envia um projeto que acaba de ser apresentado na Câmara Federal, com objetivo de evitar que o Supremo continue a usurpar competência do Poder Legislativo ou do Executivo, como ocorreu recentemente nos casos do rito do impeachment (ministro Luís Roberto Barroso) e da obrigatoriedade de criação de Comissão Especial para arquivar pedido (ministro Marco Aurélio Mello).
O projeto de lei 4754/2016, que altera a redação do art. 39 da Lei 1.079, de 10/04/1950 (Lei do Impeachment), é curto e grosso, como se dizia antigamente. Foi apresentado por um grupo de deputados, sob coordenação de Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ).
O texto é do seguinte teor:
”Art. 1º – Esta lei acrescenta o inciso 6º ao art. 39 da nº 1.079, de 10 de abril de 1950, para incluir como crime de responsabilidade dos Ministros do Supremo Tribunal Federal a usurpação de competência do Poder Legislativo.
Art. 2º O art. 39, da Lei nº 1.079, de 10 de abril de 1950, passa a vigorar acrescido do seguinte inciso 6º:
“Art. 39………………………………………………………………………………………
6º – usurpar competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo.”
Art. 3º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.”
Certamente, os ministros Luís Roberto Barroso e Marco Aurélio julgavam que o Congresso se curvaria eternamente perante a sapiência do Supremo. Mas a realidade é bem outra. Agora, eles deveriam dizer: “Desculpem, foi engano…”
MAIS ELEMENTOS CORRETOS DO PEDIDO DE PRISÃO DE LULA - 13/03/2016
Repetimos nossos argumentos:
– O pedido de prisão preventiva de Lula se enquadra ou não na necessidade de garantia da ordem pública?
– O pedido de prisão preventiva de Lula, cotado inclusive para virar ministro, se enquadra ou não na necessidade de garantia da instrução criminal?
– O pedido de prisão preventiva de Lula se enquadra ou não na aplicação da lei penal (impossibilitar a fuga do réu, garantindo que a pena imposta pela sentença seja cumprida).
R: Sim, sim e sim.
Agora trazemos outros elementos do pedido do MP paulista que justificam o pedido de prisão. Elementos que, por sinal, foram ignorados por analistas tão preocupados com a própria imagem, a julgar pelo número de parágrafos de auto-louvação. Destacamos em negrito os pontos principais:
144) Aliás, não seria possível deixar de ressaltar três episódios sintomáticos e extremamente expressivos do poder político-partidário do denunciado, prova de sua capacidade de se valer de pessoas que ocupam até cargos públicos para defendê-lo, conquanto devessem se abster de fazê-lo.
145) O primeiro relativo à mobilização da Presidente da República que se apresentou em rede nacional de TV para realizar pronunciamento em defesa do denunciado, na tarde da mesma data em que, pela manhã o denunciado foi conduzido coercitivamente pela Polícia Federal para prestar depoimento sobre fatos que são objeto da investigação denominada Operação Lava Jato e que tramita sob a presidência do Ministério Público Federal em Curitiba.
146) A sociedade civil, a imprensa livre e as instituições públicas assistiram, surpresas, auma Presidente da República, em pleno exercício de seu mandato, interromper seus caros compromissos presidenciais para vir a publico defender pessoa que não ocupa qualquer cargo público, mas que guarda em comum com a chefe máxima do Governo Federal a mesma filiação partidária.
147) O segundo episódio que causou mais surpresa, de forma nova e igualmente lamentável, foi saber pela imprensa que no dia 05 de março de 2016, a mesma DD. Presidente da República embarcou para o Município em que o denunciado reside para prestar apoio a ele, valendo-se de meios públicos, e não privados, de transporte.
148) O terceiro e ultimo fato foi que, não satisfeita, por uma segunda vez, diga-se, menos de uma semana após sua primeira defesa -, a Presidente da República veio novamente a público externar sua opinião em defesa do denunciado sobre fatos de que deveria se abster, porquanto relativos a decisão judicial relacionada a investigação que não guarda qualquer relação com os atos do Governo Federal.
149) Daí por que patente a hipótese de necessidade de prisão preventiva do denunciado por conveniência da instrução criminal, pois amplamente provadas suas manobras violentas e de seus apoiadores, com defesa pública e apoio até mesmo da Presidente da República, medidas que somente tem por objetivo blindar o denunciado – erigindo-o a patamar de cidad o "acima da lei", algo inaceitável no Estado Democrático de Direito brasileiro, pois é inadmissível permitir-se o tumulto do estado normal de trâmite das investigações e do vindouro processo crime.
150) Além disso, cabe ressaltar que a prisão cautelar guarda co-relação com a garantia de aplicação da lei penal. Ora, se há evidências de que o denunciado praticou os crimes tratados na denuncia, necessário que seja segregado cautelarmente, pois sabidamente possui poder de ex Presidente da República, o que torna sua possibilidade de evasão extremamente simples.
Quando antes se viu tamanha movimentação para defender um investigado? Para impedir o prosseguimento de uma investigação? Se não há justificativas para a prisão preventiva de quem se vale da presidente da República para se colocar acima da Lei, então extingua-se de vez este recurso legal.
Está em curso uma guerra de informação. Alguns de caso pensado e outros por vaidade pessoal estão embarcando na tese incorreta, mentirosa e apressada de que o pedido de prisão preventiva de Lula é totalmente infundado. É MENTIRA!
A rede criminosa que destruiu o Brasil é poderosíssima. Não basta combatê-los com os instrumentos policiais normais, é preciso atuar também na opinião pública. espalhem nossa série de posts em apoio à equipe do Ministério Público de São Paulo.
QUE CONVERSA É ESSA DE AUTORIDADE ATULHAR UM DEPÓSITO COM PRESENTES RECEBIDOS? - 05/03/2016
(Publicado originalmente em eniomeneghetti.com)
“Regras sobre o tratamento de presentes e brindes aplicáveis às autoridades públicas abrangidas pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal.”
O ex presidente Lula afirmou que sua “mudança” é constituída de PRESENTES que ganhou no exercício do cargo.
Veja o que diz o Código de Conduta referente ao tema. Grifos do blog.
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
RESOLUÇÃO Nº 3, DE 23 DE NOVEMBRO DE 2000
Regras sobre o tratamento depresentes e brindes aplicáveis às autoridades públicas abrangidas pelo Código de Conduta da Alta Administração Federal
A Comissão de Ética Pública, com fundamento no art. 2º, inciso V, do Decreto de 26 de maio de 1999, e considerando que:
1. a) de acordo com o art. 9º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, é vedada a aceitação de presentes por autoridades públicas a ele submetidas;
2. b) a aplicação da mencionada norma e de suas exceções requer orientação de caráter prático às referidas autoridades,
Resolve adotar a presente Resolução de caráter interpretativo:
Presentes
1. A proibição de que trata o Código de Conduta se refere ao recebimento de presentes de qualquer valor, em razão do cargo que ocupa a autoridade, quando o ofertante for pessoa, empresa ou entidade que:
I – esteja sujeita à jurisdição regulatória do órgão a que pertença a autoridade;
II – tenha interesse pessoal, profissional ou empresarial em decisão que possa ser tomada pela autoridade, individualmente ou de caráter coletivo, em razão do cargo;
III – mantenha relação comercial com o órgão a que pertença a autoridade; ou
IV – represente interesse de terceiros, como procurador ou preposto, de pessoas, empresas ou entidades compreendidas nos incisos I, II e III.
2. É permitida a aceitação de presentes:
I – em razão de laços de parentesco ou amizade, desde que o seu custo seja arcado pelo próprio ofertante, e não por pessoa, empresa ou entidade que se enquadre em qualquer das hipóteses previstas no item anterior;
II – quando ofertados por autoridades estrangeiras, nos casos protocolares em que houver reciprocidade ou em razão do exercício de funções diplomáticas.
3. Não sendo viável a recusa ou a devolução imediata de presente cuja aceitação é vedada, a autoridade deverá adotar uma das seguintes providências, em razão da natureza do bem:
4. Não sendo viável a recusa ou a devolução imediata de presente cuja aceitação é vedada, a autoridade deverá adotar uma das seguintes providências:(Redação dada pela Resolução nº 6, de 25.7.2001)
I – tratando-se de bem de valor histórico, cultural ou artístico,destiná-lo ao acervo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN para que este lhe dê o destino legal adequado;
II – nos demais casos, promover a sua doação a entidade de caráter assistencial ou filantrópico reconhecida como de utilidade pública, desde que, tratando-se de bem não perecível, esta se comprometa a aplicar o bem ou o produto da sua alienação em suas atividades fim.
II – promover a sua doação a entidade de caráter assistencial ou filantrópico reconhecida como de utilidade pública, desde que, tratando-se de bem não perecível, se comprometa a aplicar o bem ou o produto da sua alienação em suas atividades fim; ou(Redação dada pela Resolução nº 6, de 25.7.2001)
III – determinar a incorporação ao patrimônio da entidade ou do órgão público onde exerce a função.(Incluído pela Resolução nº 6, de 25.7.2001)”
4. Não caracteriza presente, para os fins desta Resolução:
I – prêmio em dinheiro ou bens concedido à autoridade por entidade acadêmica, científica ou cultural, em reconhecimento por sua contribuição de caráter intelectual;
II – prêmio concedido em razão de concurso de acesso público a trabalho de natureza acadêmica, científica, tecnológica ou cultural;
III – bolsa de estudos vinculada ao aperfeiçoamento profissional ou técnico da autoridade, desde que o patrocinador não tenha interesse em decisão que possa ser tomada pela autoridade, em razão do cargo que ocupa.
Brindes
5. É permitida a aceitação de brindes, como tal entendidos aqueles:
I –que não tenham valor comercial ou sejam distribuídos por entidade de qualquer natureza a título de cortesia, propaganda, divulgação habitual ou por ocasião de eventos ou datas comemorativas de caráter histórico ou cultural, desde que não ultrapassem o valor unitário de R$ 100,00 (cem reais);
II – cuja periodicidade de distribuição não seja inferior a 12 (doze) meses; e
III – que sejam de caráter geral e, portanto, não se destinem a agraciar exclusivamente uma determinada autoridade.
6. Se o valor do brinde ultrapassar a R$ 100,00 (cem reais), será ele tratado como presente, aplicando-se-lhe a norma prevista no item 3 acima.
7. Havendo dúvida se o brinde tem valor comercial de até R$ 100,00 (cem reais), a autoridade determinará sua avaliação junto ao comércio , podendo ainda, se julgar conveniente, dar-lhe desde logo o tratamento de presente.
Divulgação e solução de dúvidas
8. A autoridade deverá transmitir a seus subordinados as normas constantes desta Resolução, de modo a que tenham ampla divulgação no ambiente de trabalho.
9. A incorporação de presentes ao patrimônio histórico cultural e artístico, assim como a sua doação a entidade de caráter assistencial ou filantrópico reconhecida como de utilidade pública, deverá constar da respectiva agenda de trabalho ou de registro específico da autoridade, para fins de eventual controle.
10. Dúvidas específicas a respeito da implementação das normas sobre presentes e brindes poderão ser submetidas àComissão de Ética Pública, conforme o previsto no art. 19 doCódigo de Conduta.
Brasília, 23 de novembro de 2000
João Geraldo Piquet Carneiro
Presidente da Comissão
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 1.12.2000
LASIER APROVA NA CCJ PROJETO QUE RETIRA DE DILMA O PODER DE NOMEAR MINISTROS DO STF. - 26/02/2016
(Publicado originalmente por polibiobraga.blogspot.com.br/2016/02/lasier-aprova-na-ccj-projeto-que-retira.html
O governo Dilma cochilou e por isso foi aprovado agora pela manhã, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do Senado, e avança para deliberação inclusive do plenário, a proposta do senador Lasier Martins (PDT-RS), que altera a fórmula de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O projeto de Lasier Martins é considerado importante porque retira da Presidência da República a prerrogativa de indicar de maneira “absolutista” os ministros.
“A Presidência da República escolhe quem quer e quando quer. Às vezes, pesquisando quem tenha afinidade ideológica ou partidária, o que significa aparelhamento do STF", afirmou o senador gaúcho.
O governo vacilou, ia propor audiências públicas, mas ninguém apareceu.
Um dos pontos fundamentais da proposta aprovada é que, entrado em vigor, ficará inviabilizado o "aparelhamento" da suprema corte por interesses políticos do governante. A PEC do senador estabelece a criação de um colegiado com sete integrantes, com membros dos órgãos superiores do Judiciário, além do presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O projeto também propõe mandatos fixos, de 10 anos. Ao final dos mandatos, os ministros ficarão cinco anos inelegíveis, de acordo com a PEC.
MACRI MOSTRA O CRUCIFIXO PARA 24 MIL VAMPIROS ESTATAIS - 02/02/2016
(Publicado originalmente em lucianoayan.com)
A extrema-esquerda está chorando. E este é um motivo para o povo decente (e trabalhador) comemorar, uma vez que trabalho é uma perdição para os bolivarianos. Segundo a Carta Maior estão histéricos, revoltados, transtornados pois 24 mil vagabundos não conseguem mais vampirizar o estado. Dá até gosto de ler a gritaria da Carta Maior:
Mais de 24 mil funcionários públicos da Argentina foram demitidos pelo novo governo do neoliberal Maurício Macri. O presidente, porém, durante sua campanha eleitoral afirmou por diversas vezes que seu país teria “emprego para todos”.
Muitos dos trabalhadores demitidos se dedicavam à implementação de projetos do Estado em bairros pobres; outros eram encarregados de analisar preços de produtos de consumo em massa e transmitir estas informações às forças policiais e militares do país.
A política de corte de Macri não afetou apenas os mais de 2 mil trabalhadores do Congresso, que foram despedidos por não compactuar com o pensamento neoliberal, mas também outros 489 funcionários do Ministério da Justiça que se dedicavam aos casos de violência institucional e crimes de lesa humanidade.
A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) afirma que as novas autoridades da Argentina não têm critério para aprovar as demissões injustificadas em um país onde “as oportunidades de emprego são para todos os argentinos, sem distinção política ou religiosa”.
“As demissões foram intempestiva, muitas vezes sem uma comunicação direta com o trabalhador e em inúmeros casos com interrogatórios para os empregados “se entregassem” com alusões à simpatia política ou à militância”, denunciou o jornalista do jornal Pagina/12, Javier Lewkowicz.
Ainda estão reclamando?
Deviam ficar vergonha por terem chupinhado o estado por tanto tempo. Não eram funcionários concursados, mas comissionados, ou seja, apadrinhados.
Reclamam que Macri está em discordância com seu lema de campanha, o qual dizia que o país teria "emprego para todos". Mas ele falava de emprego para trabalhadores, não morcegadores metidos a espertalhões.
A Carta Maior nem se envergonha de falar que alguns desses chupins "eram encarregados de analisar preços de produtos de consumo em massa e transmitir estas informações às forças policiais e militares do país". Deviam morrer de vergonha por fazer isso.
No fim ainda reclamam, na caradura: ""As demissões foram intempestiva, muitas vezes sem uma comunicação direta..."
Comunicação direta? Deviam agradecer por não sofrerem escracho.
Agora o negócio é correrem atrás de um trabalho decente. Vai ser dolorido para essa gente...
Eis o verdadeiro Van Helsing da Argentina. Já botou para correr 24 mil vampiros do estado. Os 12 anos de noite trazidos pelos Kirchner viraram um dia de sol.
CELSO DANIEL MORREU, MAS O CASO AINDA VIVE. - 17/01/2016
No Brasil do jeitinho, do jeitinho criminoso por ação e omissão, por culpa e dolo, certas investigações morrem de inanição, perdidas nos arquivos, entre traças e baratas. Há, aqui, uma anistia de luxo, proporcionada pela indiferença e consolidada pelo esquecimento. Assim foi possível enterrar Celso Daniel e sepultar seu caso numa cova ao lado. Muitas pessoas morreram para que isso acontecesse. E tudo foi levado à vala comum onde jaz o corpo de delito de um caso no qual não convém mexer.
Apesar de toda essa longa e pouco honorável tradição, em Curitiba, como diria o moleiro de Sans Souci, há um juiz, promotores e policiais federais. Há menos de dois meses, em meio à imensa meada de fios da investigação, ganhou luz do dia a notícia de que lá atrás, em 2012, na esteira de sua condenação, Marcos Valério fez importante denúncia ao MPF. O bem informado e mal orientado publicitário relatou que um empréstimo concedido pelo Banco Schahin ao empresário José Carlos Bumlai, nos idos de 2004, teve como finalidade pagar uma extorsão a que eram submetidos Lula e o ex-ministro Gilberto Carvalho. Marcos Valério pretendia delação premiada, mas o prêmio saiu para os suspeitos. Por alguma razão, o dito ficou pelo não dito.
Agora, passados três anos, porque há um juiz em Curitiba, o caso retorna. O pedido de prisão de José Carlos Bumlai menciona aquela denúncia entre os possíveis destinos dados a um empréstimo de R$ 12 milhões concedidos ao PT pelo Banco Schahin. Posteriormente, esse valor virou pixuleco e foi "perdoado" em troca de um contrato com a Petrobrás. E nós, simples cidadãos, ficamos divididos. De um lado, alegra-nos saber que o caso está sendo exumado. De outro, somos acometidos de pesar e a indignação ante o que fizeram com nosso país.
FACHIN ENTROU EM CAMPO PARA MANTER NO CARGO A MULHER A QUEM DEVE O EMPREGO - 10/12/2015
Por anos a fio, Luiz Fachin foi simultaneamente procuradorl do estado e advogado militante. A essa acumulação de funções, proibida pela Constituição paranaense e portanto ilegal, somou-se uma agravante só contornada por gente dotada do dom da ubiquidade: Fachin continuou a dar aulas na universidade. E o duplo emprego virou triplo.
Em numerosos artigos, entrevistas e discursos, o doutor em extravagâncias bacharelescas deixou claro seu menosprezo pelo preceito constitucional que garante a propriedade privada no Brasil. Nunca escondeu os laços afetivos com o MST, uma velharia comunista que não tem existência jurídica. E sempre defendeu enfaticamente a desapropriação de terras produtivas para fins de reforma agrária, sem o pagamento de indenização aos proprietários lesados.
Indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal por Dilma Rousseff, Fachin superou a sabatina no Senado com a ajuda militante do cabo eleitoral Álvaro Dias. Na discurseira em que se derramou em elogios e rapapés ao sabatinado, o parlamentar tucano advertiu os que lastimaram a deserção do até então combativo oposicionista: todos iriam arrepender-se quando Fachin começasse a agir no Supremo.
Nesta terça-feira, em decisão monocrática, o magistrado dos sonhos de Álvaro Dias suspendeu a comissão do impeachment que a Câmara começou a montar horas antes. A palavra final caberá so plenário do tribunal, que examinará a pendência na próxima quarta-feira. Mas agora está claro que Fachin entrou em campo para manter no cargo a presidente a quem deve o emprego.
Na conversa gravada pelo filho de Nestor Cerveró, o senador Delcídio do Amaral e seus comparsas se mostram muito animados com a informação de que determinado caso seria julgado por Fachin. A interrupção do processo de impeachment ajuda a entender o entusiasmo da turma empenhada em desmoralizar a Operação Lava Jato.
Para devolver à condição humana ministros convencidos de que a toga transforma advogados em divindades, basta que os milhões de indignados retomem as ruas e mostrem claramente o que o país que presta pensa de gente assim. O Congresso fará a vontade do povo. O STF não ousará desafiá-la com atrevidas manifestações de gratidão ao padrinho. Ou madrinha.
O PMDB ESTÁ SAINDO DO GOVERNO - 06/12/2015
A matéria de O Globo de hoje, com manchete de capa, anuncia que o PMDB já decidiu derrubar Dilma Rousseff.
Não é difícil extrair essa conclusão a partir do momento em que Eliseu Padilha decidiu abandonar o governo. Ministros nao pedem demissão. Ministros ou sofrem lenta fritura ou são sumariamente demitidos. No caso de Padilha, um perito em avaliações de cenários políticos, a saída significa que em sua avaliação a chapa está quente para o governo do qual vinha participando. Dilma já sabe disso e está sentindo o calor na sola dos próprios sapatos.
Padilha juntar-se-á a outros peemedebistas que, na sede do PMDB, vão trabalhar para estabelecer a nova posição do partido em relação ao governo e unir forças em favor do impeachment de Dilma e posse de Temer. Com ele trabalharão, segundo a matéria de O Globo, os peemedebistas Romero Jucá, Moreira Franco e Geddel Vieira Lima.
TCU APURA NOMEAÇÃO DE MARIDO DE EX-MINISTRA PARA POSTO NOS EUA - 05/10/2015
O Tribunal de Contas da União (TCU) investiga a nomeação do marido da ex-ministra Ideli Salvatti para o cargo de ajudante da Subsecretaria de Serviços Administrativos e de Conferências na Junta Interamericana de Defesa. O segundo-tenente músico do Exército Jeferson da Silva Figueiredo teve sua transferência assinada em 5 de agosto pelo ministro da Defesa, Jaques Wagner, a pedido de Ideli, conforme revelou a reportagem.
"O fato causa preocupação, especialmente porque se sabe que as nomeações de militares para o exercício de missões no exterior passam por rigoroso processo de seleção", afirma o ministro substituto André Luís de Carvalho, autor do pedido de investigação, aprovado em plenário. Figueiredo deveria assumir o novo posto ontem, em Washington (EUA).
Na última quarta-feira, o TCU aprovou em sessão secreta o envio de ofícios para que Ministério da Defesa e Exército esclareçam os critérios da transferência e solicita a cópia de todo processo de indicação, escolha e nomeação do militar. O TCU também pede informações sobre o custo da mudança.
A transferência correu após a nomeação da ex-ministra Ideli para ser assessora de Acesso a Direitos e Equidade da Organização dos Estados Americanos (OEA). Para não viver separada do marido, a ex-ministra inicialmente procurou o Exército para pedir a transferência. Sem sucesso, Ideli recorreu então a Wagner e foi atendida.
Na nova função, Figueiredo deverá receber US$ 7,4 mil, o equivalente a cerca de R$ 30 mil mensais, por uma jornada de trabalho de 32 horas semanais. Ele tem direito a uma ajuda de custo para sua transferência de US$ 10 mil, cerca de R$ 40 mil.
O TCU pediu ainda à Defesa e ao Exército informações sobre viagem oficial feita por Figueiredo à Rússia, em 2014. Ministros querem saber as razões que levaram à escolha do oficial para a missão, o total gasto e a comprovação de que ele possuía habilitação para participar da viagem.
Figueiredo era um dos dez integrantes de uma missão à Russia para avaliar o sistema antiaéreo Pantsir-S, que o Exército brasileiro estava interessado em comprar. Sua habilitação para a função foi questionada, mas ele explicou que fora escolhido porque fala russo.
DROGAS: O PARLAMENTO LEGISLA, PERITOS OPINAM, MAS QUEM DECIDE É O STF? - 16/09/2015
O STF está em vias de decidir sobre a descriminalização da posse de pequenas quantidades de drogas, o que, na prática é uma liberação do pequeno tráfico e do consumo. Enquanto isso, o assunto está em debate da Câmara dos Deputados, onde se manifestam especialistas. Na real quanto os ministros do STF entendem sobre a maconha e seus efeitos? E serão os juristas e não os profissionais da saúde e os congressistas que decidirão sobre o assunto? Absurdo! Segue abaixo matéria da agência Câmara:
A descriminalização da maconha esteve em debate na Câmara. A Comissão de Seguridade Social no dia 16 e reuniu representantes das áreas da saúde e do direito. O assunto descriminalização do porte de drogas e maconha para uso pessoal está em julgamento no STF e até o momento, os três votos apresentados são a favor da descriminalização.
Na ocasião, o deputado federal Osmar Terra (PMDB-RS) ressaltou que o Brasil vive uma epidemia das drogas, em um problema de saúde pública. O parlamentar, mestre em neurociências, advertiu que a maconha vicia 50% dos usuários e não apenas 9%, como afirmam os defensores da liberação da droga.
Terra alertou que o afrouxamento da legislação pode fazer com que o número de dependentes químicos exploda:
- O Brasil já tem 7 mil viciados em drogas ilícitas e 40 mil viciados em drogas legais. A maconha afeta mais partes do cérebro do que qualquer outra droga. Além de criar dependência química em 50% dos jovens, ela multiplica o número de jovens com psicose, com esquizofrenia, com doenças que causam um dano terrível, aumenta o número de suicídios. E a dependência química da maconha causa retardo mental a longo prazo, irreversível. A psicose que ela causa não tem volta, como a dependência química não tem cura. Ao dizer que não tem problema, que maconha é remédio, estamos induzido ao erro uma quantidade enorme, gigantesca de jovens que passam a acreditar que aquela sensação boa que a maconha causa quando ele fuma é a única coisa, e não é verdade.
O representante do Conselho Federal de Medicina Salomão Rodrigues Filho afirma que o consumo de drogas é o maior problema de saúde pública do Brasil e citou uma pesquisa realizada na Suécia da década de 80, em que a vida de 50 mil adolescentes foi acompanhada de perto. Metade deles consumia maconha uma vez por semana e foi neste grupo em que a incidência de esquizofrenia foi três vezes maior.
- A sociologia, a antropologia podem defender o uso da maconha. A medicina não pode, porque nós sabemos o quanto faz mal à saúde. Poder portar e consumir é um equívoco pois, se ele vai portar essa droga, ele comprou de alguém. Como não está autorizada a venda, vai comprar de quem? Do traficante. Então isso é um estímulo ao tráfico. Na minha opinião é a oficialização do tráfico no Brasil.
(Com informações de Brasília: Luiz Cláudio Canuto, Agência Câmara)
O QUE PROPÕE O PARLAMENTARISMO - 13/08/2015
Resumo da PEC nº 20/95 (Dep. Eduardo Jorge), que estabelece o parlamentarismo no país e foi apresentada em 20 anos à Câmara dos Deputados. Tivesse sido aprovada essa PEC, estaríamos fom a atual encrenca resolvida há bom tempo e o ambiente político nacional seria bem outro.
A PEC 20/95 define o perfil dos principais institutos do sistema parlamentarista, dando ao Poder Executivo a característica feição dual desse sistema, repartindo competências entre o Chefe do Estado e o Chefe do Governo, estabelecendo normas sobre sua nomeação e queda do Conselho de Ministros, disciplinando os institutos da moção de censura e do voto de confiança e criando a hipótese de dissolução da Câmara dos Deputados e de convocação de novas eleições.
O Relator, à época, à época, dep. Bonifácio de Andrada, apresentou Substitutivo, aprovado pela Comissão Especial, resumindo assim os lineamentos de sua proposição:
1) Criam-se as figuras do Primeiro Ministro, do Conselho de Ministros e do Programa de Governo
2) Ao Presidente da República caberá nomear e demitir o Primeiro Ministro
3) Antes de ser nomeado, o Primeiro Ministro levará, para aprovação, ao Presidente da República, o Programa de Governo
4) Após a aprovação do Programa de Governo, o Primeiro Ministro comunicará o seu teor à Câmara dos Deputados
5) A Câmara poderá apresentar moção de desconfiança contra o Primeiro Ministro, após seis meses da apresentação do Programa de Governo
6) Quando o Primeiro Ministro for demitido pelo Presidente ou sofrer moção de desconfiança da Câmara, com ele cairá todo o Ministério
7) Na hipótese de grave crise política e institucional, o Presidente, com a aprovação do Conselho da República e do Conselho de Defesa, poderá dissolver a Câmara dos Deputados, convocando eleições em sessenta dias
8) Todos os atos governamentais serão assinados pelo Presidente e referendados pelo Primeiro Ministro, podendo haver delegação
9) Inclui-se no Conselho da República (art. 89 da Constituição Federal) o Presidente do Supremo Tribunal Federal e o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, alterando-se a representação de cidadãos de seis para quatro membros
10) Incluem-se no Conselho de Defesa Nacional (art. 91 da Constituição Federal) o Presidente do Supremo Tribunal Federal e o Oficial-General da ativa mais antigo das Forças Armadas.
Semelhantes ao acima exposto, em essência, são formadas as instituições de praticamente todas às democracias estáveis do planeta (apenas 25), que há 50 anos ou mais não enfrentam qualquer ruptura institucional.
MENSAGEM TRISTE DE UM JOVEM ESTUDANTE E RESPOSTA QUE LHE ENVIEI - 01/07/2015
Olá Sr.Puggina, é com muita honra que lhe escrevo hoje. Gostaria de cumprimentá-lo pelo seu trabalho; tenho lido seus artigos, assistido seus vÍdeos e acompanhado os hangouts que o senhor participa com grande entusiasmo e curiosidade. Tenho 16 anos, estou cursando o 2° ano do Ensino Médio e me identifiquei muito com suas falas a respeito da educação brasileira hoje. Realmente sou testemunha do baixíssimo nível de parte das instituições,acompanho todas as semanas as mentiras expostas por parte dos professores que, não bastando somente o discurso ainda tem em seu favor as apostilas de ensino.
De inicio usava conhecimentos adquiridos com o Prof. Olavo e demais fontes para debater e até mesmo desmentir alguns discursos, porém não tenho espaço suficiente e as vezes nem sequer sou respeitado. Sou o único no meio educacional que frequento que defende abertamente a ideologia liberal-conservadora, alguns até compartilham da minha opinião porém não se sentem confortáveis para expô-las. Posso dizer então, que estou sozinho. Ainda não sei como vou agir dentro da faculdade. Perante essa situação me identifiquei com um trecho do artigo EspÍrito e Personalidade do Prof.Olavo: "a conquista de uma personalidade intelectual num ambiente que desconhece a mera existência dessa possibilidade humana – o caso, sem dúvida, do meio universitário brasileiro hoje em dia – é fonte de inumeráveis dificuldades psicológicas para o estudante, a começar pela quase impossibilidade de encontrar pessoas do mesmo nível de consciência com as quais possa ter diálogo e amizade. A personalidade intelectual só pode ser compreendida desde outra personalidade intelectual: o diálogo com indivíduos desprovidos dela é uma transmissão sem receptor, a ocasião de malentendidos e sofrimentos sem fim."
Também me identifiquei com o seguinte trecho do artigo A Tragedia do Estudante Serio no Brasil: "Ao estudante que consiga ainda vislumbrar o que é vida intelectual e faça dela o objetivo de sua existência, restam dois caminhos: o exílio, que pode levar ao lugar errado (a miséria brasileira nasce em Paris), e o isolamento, que pode levar os mais fracos a um desespero ainda mais profundo do que aquele em que se encontram." A situação da nação não é nada boa, não tenho atualmente grandes expectativas e esperanças porém quando me deparo com trabalhos como o do senhor me sinto um pouco mais revigorado e de certa forma acolhida por saber que mais cidadãos compartilham do meu ponto de vista. Minha grande dificuldade hoje é como lidar com as tolices que escuto no dia-a-dia, caso o senhor tenho algum conselho ele será bem vindo.
Minha mensagem é bem simples, queria somente cumprimentá-lo e demonstrar minha admiração por seu trabalho. Vamos em frente, lutando pelo Brasil. Que Deus o abençoe, um grande abraço!
RESPOSTA QUE LHE ENVIEI
Caríssimo jovem.
Se por um lado suscitaste em mim sentimentos de solidariedade, vontade de dizer desaforos a esses vigaristas intelectuais que posam de professores e se assumem como "educadores", por outro lado fiquei entristecido com tuas palavras. Imagino-me enfrentando a situação que descreves.
Imagino-me tendo que buscar o entendimento nas palavras duras do nosso Olavo. Deve ser penoso estar na tua posição e me sinto condoído por isso.
Busca em Deus a força e a sabedoria. Dedica-te aos estudos e manda esses falsos profetas ao conteúdo das latrinas. Busca o saber e faz dele teu posto de observação e combate. O tempo resolverá o restante. Tens duas grandes vantagens sobre esses algozes da honestidade intelectual: tens mais tempo que eles, tens as virtudes que lhes faltam e, com o tempo, passarás por cima deles, como diria Ingenieros, com um "rufar de asas".
Forte abraço e que Deus de abençoe.
Muito obrigado por tuas palavras generosas a mim dirigidas.
Percival
SOBRE OS FATOS OCORRIDOS EM CARACAS - 22/06/2015
Nota à imprensa
O embaixador Ruy Pereira tem, sim, parte de responsabilidade no episódio, embora o principal responsável pelo fato de a comitiva não ter sido acompanhada por nenhum diplomata brasileiro é o seu superior hierárquico, o Ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, conforme ele mesmo reconheceu, perante um grupo de deputados federais que o visitou durante a ocorrência dos fatos.
No entanto, o chefe da missão diplomática, embaixador Pereira, que é um profissional experiente, deveria ter assumido pessoalmente a decisão de seguir a comitiva, especialmente quando já sabia das armações para por em risco a segurança de brasileiros. Refiro-me ao fato dos agentes de segurança do aeroporto terem impedido que nos encontrássemos com os jornalistas brasileiros e com as esposas dos opositores presos no saguão do aeroporto.
Pereira foi visitado na véspera da chegada da missão oficial do Senado pelo ministro Eduardo Saboia, diplomata hoje lotado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. O embaixador informou a Saboia que não iria nos acompanhar na visita, mas disse que o conselheiro José Solla estaria à nossa inteira disposição.
Na manhã do dia 18, o ministro Saboia dirigiu-se à Base Aérea de Maiquetia com o conselheiro Solla em ônibus alugado pela embaixada. Contaram com a presença de batedores, e o trânsito fluía bem àquela altura. Na chegada à Base Aérea, a confusão já se prenunciava e o conselheiro Solla informou o embaixador por telefone das dificuldades.
O avião pousou sem que aqueles que nos esperavam no saguão soubessem por onde sairia a comitiva, isso, repito, para impedir nosso contato inicial com a imprensa e as representantes dos movimentos venezuelanos de oposição.
Os senadores tiveram que esperar longamente no avião até que finalmente se decidisse fazer ingressar o ônibus à pista do aeroporto. Foi com muita insistência nossa que, contrariando a orientação da polícia local, que o ônibus se deteve em frente ao terminal principal para que pudéssemos nos encontrar com as pessoas que nos esperavam.
Ruy Pereira, na pista, cumprimentou os parlamentares e informou que não os acompanharia, o que já era de conhecimento do ministro Saboia. Para nossa surpresa, foi naquele momento que todos ficamos sabendo que também o conselheiro Solla nos deixaria. Saboia alertou o embaixador de que não era isso o que havia sido acertado na véspera.
Registro o fato de que diante da impossibilidade de ativar um chip de telefone local comprado pela embaixada e da negativa do embaixador Ruy Pereira de emprestar o celular da representação diplomática brasileira, José Solla, em gesto solidário, entregou seu celular particular para a comitiva, sem o qual ficaríamos impossibilitados de nos comunicar com quem quer que seja.
Registro também que, durante aqueles momentos de aflição, comuniquei-me várias vezes com o embaixador Pereira para relatar-lhe os fatos, transmitir-lhe a convicção de todos de que o cerco hostil dos manifestantes fora teleguiado pelo governo e pedir-lhe providências junto ao governo venezuelano para o reforço de nossa segurança, assim como para que as autoridades de trânsito nos permitissem utilizar uma via que ainda se encontrava livre, reservada a trajetos oficiais.
Em todas as ocasiões, o embaixador relatou-me seus contatos infrutíferos com a chancelaria venezuelano visando a atender o nosso apelo. A sequência dos acontecimentos é de conhecimento público.
O governo Dilma está enroscado em uma incômoda contradição: de um lado, o Ministro da Defesa, Jaques Wagner, cede o avião da FAB para nos levar a Caracas; de outro, o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não autoriza o embaixador a acompanhar a missão do Senado à visita aos presos políticos, objetivo declarado de nossa viagem.
O governo do Brasil precisa "sair do armário" e assumir sem ambiguidade a condenação à repressão política e valer-se do seu peso diplomático para induzir o governo Nicolás Maduro a uma negociação séria com a oposição o objetivo da realização de eleições livres e limpas. Se fizesse isso, a presidente Dilma se engrandeceria.
Aloysio Nunes Ferreira Senador (PSDB-SP) e presidente da Comissão de Relações Exteriores
Brasília, 21 de junho de 2015
POR ORDEM DO ITAMARATY, EMBAIXADOR - 20/06/2015
Embaixador do Brasil em Caracas, Ruy Pereira se absteve de acompanhar a comitiva de oito senadores que foi hostilizada na Venezuela nesta quinta-feira (18). Após recepcionar os visitantes no aeroporto, o diplomata se despediu. Alegou que tinha outros compromissos. Agiu assim por ordem do Itamaraty.
O governo brasileiro avaliou que a participação direta do embaixador numa comitiva cujo principal objetivo era visitar na prisão o líder oposicionista venezuelano Leopoldo Lópes causaria problemas diplomáticos com o governo pós-chavista de Nicolás Maduro. Algo que Dilma Rousseff não quer que ocorra.
"O embaixador nos virou as costas", disse ao blog o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), após desembarcar na Base Aérea de Brasília na madrugada desta sexta-feira (19). Vinha de uma missão paradoxal, que teve sucesso porque fracassou.
Destratados por manifestantes leais a Maduro e retidos nos arredores do aeroporto por um bloqueio das vias públicas, os senadores retornaram a Brasília sem cumprir a agenda que haviam programado. A frustração virou êxito porque o governo de Caracas revelou-se capaz de tudo, menos de exibir seus pendores democráticos.
"Entre a cumplicidade com o regime ditatorial de Maduro e a assistência a cidadãos brasileiros em apuros, a nossa diplomacia preferiu o papel de cúmplice", queixou-se o tucano Cunha Lima. "O que aconteceu ficou acima das piores expectativas", ecoou o também tucano Aécio Neves (MG). "Uma missão oficial do Senado foi duramente agredida e o governo brasileiro nada fez para nos defender."
Horas antes do desembarque dos senadores na Base Aérea de Brasília, ainda na noite de quinta-feira (18), um grupo de deputados estivera no Itamaraty para conversar com o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores). Enquanto aguardavam pelo início da audiência, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) acionou o viva-voz do celular para que os colegas ouvissem um relato direto de Caracas.
Do outro lado da linha, o senador Ricardo Ferraço contou o que sucedera. E realçou a ausência de Ruy Pereira, o embaixador brasileiro em Caracas. Assim, armados de informações recebidas do front, os deputados entraram no gabinete do chanceler Mauro Vieira dispostos a crivá-lo de perguntas incômodas.
O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) indagou: por que o embaixador recebeu a comitiva de senadores no aeroporto e foi embora? O ministro alegou que o diplomata não poderia acompanhar os visitantes numa incursão ao presídio onde se encontra o oposicionista Leopoldo Lópes. Sob pena de provocar um incidente diplomático.
Raul Jungmann foi ao ponto: de quem partiu a ordem? O chanceler informou que o embaixador seguiu orientação do Itamaraty. Jungmann insistiu: então, ministro, o senhor está declarando que o governo brasileiro deu a ordem para que o embaixador se ausentasse? O ministro respondeu afirmativamente.
Pouco depois desse encontro, o Itamaraty soltaria uma nota oficial sobre o fuzuê de Caracas. Em telefonema para Dilma, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cobrara uma manifestação formal de repúdio do Executivo. O texto anota que "o governo brasileiro lamenta os incidentes que afetaram a visita à Venezuela da Comissão Externa do Senado e prejudicaram o cumprimento da programação prevista naquele país."
Não há na nota nada que se pareça com uma crítica ao governo de Nicolás Maduro. "São inaceitáveis atos hostis de manifestantes contra parlamentares brasileiros'', escreveu o Itamaraty, como se desse crédito à versão segundo a qual os militantes que cercaram a van que transportava os senadores brasileiros brotaram na hora e no local exatos sem nenhuma interferência do governo venezuelano.
Como que farejando a repercussão negativa da ausência do embaixador na hora da encrenca, o Itamaraty enumerou os serviços prestados pela embaixada brasileira em Caracas. "Solicitou e recebeu do governo venezuelano a garantia de custódia policial para a delegação durante sua estada no país, o que foi feito'', diz a nota. "Os policiais, embora armados, assemelhavam-se a agentes de trânsito do Brasil", comparou o tucano Cunha Lima. "Nada fizeram para conter as hostilidades. Se a coisa descambasse, não creio que impediriam o pior."
"O embaixador do Brasil na Venezuela recebeu a comissão na sua chegada ao aeroporto", acrescentou o Itamaraty em sua nota. E Cunha Lima: "Sim, recebeu, mas virou as costas e foi embora".
"Os senadores e demais integrantes da delegação embarcaram em veículo proporcionado pela Embaixada, enquanto o embaixador seguiu em seu próprio automóvel de retorno à embaixada. Ambos os veículos ficaram retidos no caminho devido a um grande congestionamento". Se o embaixador ficou retido, ninguém soube. Impedidos de prosseguir, os senadores viram-se compelidos a retornar para o aeroporto. O diplomata Ruy Pereira não deu as caras.
O texto do Itamaraty compra como verdadeira uma informação contestada pela venezuelana María Corina Machado, deputada cassada por divergir de Maduro. O bloqueio foi "ocasionado pela transferência a Caracas, no mesmo momento, de cidadão venezuelano extraditado pelo governo colombiano", sustentou o documento da chancelaria brasileira.
E María Corina, no Twitter: "Está totalmente trancada a autopista porque 'estão limpando os túneis' e por 'protestos'. Se o regime acreditava que trancando as vias impediria que os senadores constatassem a situação de direitos humanos na Venezuela, conseguiu o contrário. Em menos de três horas, os senadores brasileiros descobriram o que é viver na ditadura hoje na Venezuela.''
"O incidente foi seguido pelo Itamaraty por intermédio do embaixador do Brasil, que todo o tempo se manteve em contato telefônico com os senadores", acrescentou a nota oficial. "O embaixador ficou nos tapeando pelo telefone", contestou Cunha Lima. Recebeu orientação do Itamaraty para fazer isso."
Ainda de acordo com a nota do Itamaraty, o embaixador Ruy Pereira "retornou ao aeroporto e os despediu [sic] na partida de Caracas.'' Na versão de Cunha Lima, o retorno do diplomata serviu apenas para reforçar a pantomima. "Ele dizia que estava muito distante. Quando decidimos partir, apareceu em menos de cinco minutos. Eu me recusei a cumprimentá-lo. O senador Ricardo Ferraço também não o cumprimentou.
"À luz das tradicionais relações de amizade entre os dois países, o governo brasileiro solicitará ao governo venezuelano, pelos canais diplomáticos, os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido", encerrou a nota do Itamaraty. Para os congressistas, quem deve explicações no momento é o governo brasileiro.
O deputado Raul Jungmann formalizará na Câmara pedido de convocação do chanceler Mauro Vieira e do embaixador Ruy Pereira para prestar esclarecimentos no plenário da Câmara. Cunha Lima requisitará a presença da dupla na Comissão de Relações Exteriores do Senado. De resto, os parlamentares se reunirão nesta sexta-feria, na liderança do PSDB no Senado, para decidir as providências que serão adotadas em reação aos episódios de Caracas. Uma delas é cobrar do governo Dilma que coloque em prática a cláusula democrática prevista no tratado do Mercosul.
http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/06/19/por-ordem-do-itamaraty-embaixador-nao-acompanhou-os-senadores-em-caracas/
O CASO DA EDUCAÇÃO - 07/06/2015
De vespeiro.com
A primeira condição para voltarmos a ter uma educação que puxe o país para cima (sim, ela ja foi assim no Brasil!) é nossas escolas voltarem a entregar educação em vez de empulhação.
Vai ser uma luta muito dura porque envolve a grande chave comutadora de tudo: a decisão sobre se este país quer ser uma meritocracia ou continuar para sempre nesse troca-troca entre liberdade para roubar e distribuição de pequenos privilégios para comprar a conformidade dos roubados.
O alvo essencial desses “professores” black-blockeados que, ha anos sem fim, servem a dose diária de ultimate fighting jurássico-ideológico que inferniza a vida do país é a meritocracia. Bani-la para sempre do dicionário geral da língua portuguesa é a única condição essencial à sobrevivência deles como espécie porque militância profissional e meritocracia são coisas tão irreconciliavelmente incompatíveis e mutuamente excludentes quanto o musgo e o sol.
Não confundí-los jamais com os professores de verdade, cada vez mais humilhados e ofendidos. Estes só terão remissão quando se impuserem aos que lhes usurparam a palavra e limparem o seu ambiente de trabalho do entulho político e corporativo que come a diferença entre o dinheiro que os brasileiros ja investimos em educação — igual ou maior que o que os melhores do mundo investem — e o resultado que colhemos depois de reparti-lo entre os professores de verdade e a multidão dos que se infiltraram no sistema com pistolões políticos e permanecem lá dentro por todos os motivos menos pelo do merecimento.
NA REFORMA POLÍTICA O ÚNICO PERDEDOR FOI O PSDB - 01/06/2015
(Publicado originalmente no ex-blog Cesar Maia)
1. O PSDB nunca sabe se fica com a academia ou com a imprensa. De preferência, com os dois. Vota entre marcar posição e sair bem na foto. A questão de fundo é que passados os dias de votação, de brilho no plenário e de ampla cobertura da imprensa, recolhem-se os louros e os cacos e, então, se pode ver quem foram os vencedores e os perdedores.
2. Destacadamente um partido se pode sublinhar como perdedor: o PSDB. Seu abre alas era o “voto distrital misto”. Com todo o coro dos analistas criticando o “distritão”, se sentiu estimulado por uma possível aliança de voto com o PT e a opinião do relator na comissão de reforma política. Resultado, nem o PT votou no voto em lista que defendia e o PSDB mal conseguiu agregar uns 40 votos para o seu “distrital misto”. E se apalavrou em votar o “distritão” se não passasse o distrital misto. Descumpriu a palavra.
3. As manchetes do noticiário no dia seguinte exultaram com a derrota do presidente da Câmara Eduardo Cunha, defensor explícito do “distritão”, com o apoio não menos explícito do vice presidente Michel Temer, que foi poupado.
4. Os jornais que conseguiram produzir um segundo clichê puderam destacar que na segunda votação o que o PSDB e o PT davam como favas contadas (a exclusão das empresas do financiamento dos partidos nas campanhas) retornou numa outra emenda aglutinativa e obteve largos votos de maioria constitucional.
5. O PT sentiu que era melhor recolher sua coreografia, deixar com o PSOL, e não ser perdedor dali para frente. O líder do governo o fez explicitamente, deixando todas as demais questões em aberto. Afinal, num plenário de 28 partidos, a vida iria continuar por mais 3 anos e meio. E se o PT se isolasse, marcando posição, ficaria assim até o final da legislatura.
6. E veio a votação para terminar as coligações. O PSDB sapateou na tribuna. Em seguida, a votação do término da reeleição. O PSDB, patrono da causa com FHC e Sergio Motta, preferiu votar contra si mesmo, encolhendo-se e colocando o rabo entre as pernas. E, no final, a cláusula de barreira, em que o PSDB imaginava poder afirmar a tese germânica dos 5% dos votos eleitorais – tanto quanto o voto distrital misto.
7. Não levou em conta que na Alemanha, além dos 2 grandes partidos, são apenas 3 defendendo-se na linha divisória dos 5%. Aqui, além dos 3 maiores são mais 25 partidos. O PMDB –aliado ao relator de plenário- atuou com a competência parlamentar de sempre, agregando em seu entorno a constelação de médios e pequenos partidos.
8. Resultado: o PMDB venceu, o governo ficou olhando para o horizonte para manter sua base, e o PT foi se ajustando na medida em que novas votações vinham. Governo e PT não ficaram mal com os demais partidos (excluindo PT e PSDB), que somam 75% dos votos.
9. Perdeu o PSDB. Ficou com a pose em plenário. Perdeu a confiança de seus pares. Agora, com sua bancada de 10% dos deputados, terá que fazer oposição ao governo e ao PMDB, que dirige as duas casas. O PSDB foi o único perdedor.
FRACASSO TOTAL - 24/05/2015
FRACASSO TOTAL
Coalizão para Reforma Política, encabeçada por CNBB, não consegue nem metade das assinaturas pretendidas.
No dia Nacional de Mobilização contra a Constitucionalização da Corrupção, mais de duas mil pessoas participaram de ato cultural e caminhada em favor da Reforma Política Democrática. O evento, organizado pela Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, ocorreu nesta quarta-feira, 20, em Brasília, às 9h.
A caminhada iniciou em frente à catedral metropolitana e seguiu até o Congresso Nacional, para a entrega das assinaturas já coletadas, em favor da Reforma Política Democrática. Ao todo, foram entregues 630.089 assinaturas (entre físicas e eletrônicas). A coleta continua, com a meta de alcançar 1,5 milhão de assinaturas.
“Jamais perderemos a esperança”, afirma o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão para Acompanhamento da Reforma Política da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joaquim Mol. “Que este Congresso Nacional veja que as mais de 600 mil assinaturas representam a vontade do povo brasileiro em mudar. A democracia brasileira só tem como avançar se as empresas forem extirpadas de vez da política”, pontua dom Joaquim.
(Com informações da Assessoria de Imprensa da Coalizão e original encontrado em http://cnbbsul3.org.br/paf.asp?catego=11&exibir=5288 e em
http://fratresinunum.com/2015/05/21/fracasso-total-coalizao-para-reforma-politica-encabecada-por-cnbb-nao-consegue-nem-metade-da-assinaturas-pretendidas/).
Comento: se 630 mil assinaturas, segundo D. Joaquim, representam a vontade do povo, após quase nove meses de uma campanha que não despertou interesse em ninguém, então o conceito da cúpupla da CNBB corresponde exatamente ao que tenho escrito: "povo", para esses senhores, é quem pensa como eles pensam. E falam em democracia...
REVOGADA PROMOÇÃO POST MORTEM DE CARLOS LAMARCA - 09/05/2015
A Dra. Cláudia Rentroia, advogada dos Clubes Militar, Naval e de Aeronáutica, informou-nos ontem, dia 07 de maio de 2015. que os clubes foram vitoriosos na ação (contra a promoção do ex-capitão, desertor, assaltante, assassino e traidor Carlos Lamarca a coronel com proventos de general de brigada) movida perante a Justiça Federal no Rio de Janeiro.
Não cabe transcrever aqui a íntegra a sentença.
É, enorme, repetitiva e cansativa, porquanto a lei exige que o juiz fundamente-a mediante inclusão de relatório circunstanciado que aborde os autos do processo que contenham dados fáticos.
Como é sabido, esses dados encontram-se desde 2007 dispersos em nove volumes que somam quase 4.000 páginas.
No momento, transcrevemos:
1 - A ementa do processo, a saber:
Data de Publicação: 07/05/2015 No TRIBUNAL: Dados do processo
Jornal: Diário da Justiça Eletrônico do Estado do Rio de Janeiro
Caderno: J.Federal
Página: 00137
Local: Justiça Federal .
21a Vara Federal
Publicação: FICAM INTIMADAS AS PARTES E SEUS ADVOGADOS DAS SENTENCAS/DECISOES/DESPACHOS NOS AUTOSABAIXO RELACIONADOS PROFERIDOS PELO MM. JUIZ FEDERAL GUILHERME CORRÊA DE ARAÚJO
6009 – AÇÃO CIVIL PÚBLICA/SERVIDOR PÚBLICO
31 - 0022940-43.2007.4.02.5101 (2007.51.01.022940-5) CLUBE NAVAL E OUTROS (ADVOGADO: RJ124823 - CLAUDIA REGINA LIMA RENTROIA. ...
2 - O fecho da sentença, in verbis:
"III - DISPOSITIVO - Ante a todo o exposto, JULGO extinto os feitos, com resolucão de mérito, na forma do art. 269, I, do CPC, e PROCEDENTES OS PEDIDOS, para, nos termos do art. 11 da Lei 4.717/65, declarar a nulidade das Portarias nºs 1.267, 1.268, 1.269 e 1.270, todas de 12 de julho de 2007, do Sr. Ministro da Justiça, determinando, por conseguinte, o ressarcimento ao erário federal dos valores comprovadamente desembolsados com base nelas, corrigidos monetariamente segundo a variação do IPCA/E e acrescidos de juros de mora de 1% ao mes a contar da citacao. O ressarcimento dos valores devera ser inicialmente exigível dos beneficiários dos atos, ressalvada a responsabilidade subsidiaria da autoridade subscritora das portarias invalidadas em caso de comprovada impossibilidade de devolução. Condeno os réus nas despesas processuais. Fixo a verba honoraria em 10% (dez por cento) do valor das causas, a serem rateados igualmente pelos réus. A SEDCP para exclusão do polo passivo de PAULO ABRAO PIRES JUNIOR do procedimento 2007.5101.018466-5, cuja ilegitimidade foi acima reconhecida. Sentença sujeita a reexame necessário (art. 475, I, do CPC). Rio de Janeiro, 30 de abril de 2015. GUILHERME CORREA DE ARAUJO Juiz (a) Federal Substituto (a) no exercício da Titularidade (assinado eletronicamente)"
Como pode ser lido, o Exmo. Sr. juiz singular decidiu:
- pela nulidade das Portarias nºs 1.267, 1.268, 1.269 e 1.270, todas de 12 de julho de 2007, do Ministro da Justiça;
- o ressarcimento ao erário federal, com correção e juros, dos valores comprovadamente desembolsados com base nessas portarias;
- esse ressarcimento deverá ser inicialmente exigível dos beneficiários dos atos (a viúva e os dois filhos do Lamarca, que receberam, respectivamente, R$ 902.715,97, R$ 100.000,00 e R$ 100.000,00). Se não for possível receber da viúva e filhos, cabe ao Ministro da Justiça (Tarso Genro), que expediu as Portarias anuladas, a obrigação de meter a mão no bolso e ressarcir o erário;
Convém notar que essa sentença deu-se na 1a. instância, ainda cabendo recurso ao Tribunal Federal/RJ e, posteriormente, ao STJ.
É de todo o interesse dos Clubes Militares que essa decisão histórica chegue ao conhecimento do maior número de companheiros de armas, da ativa e na inatividade, motivo pelo qual solicitamos que assim procedam.
Lúcio Wandeck
CIM-Comissão Interclubes Militares
Subcoordenador para assuntos jurídicos
Seguem as citadas portarias
PORTARIA No- 1.267, DE 12 DE JULHO DE 2007
O MINISTRO DE ESTADO DA JUSTIÇA, no uso de suas
atribuições legais, com fulcro no artigo 10 da Lei no- 10.559, de 13 de novembro de 2002, publicada no Diário Oficial de 14 de novembro de 2002 e considerando o resultado do julgamento proferido pela Comissão de Anistia na 10ª Sessão realizada no dia 13 de junho de 2007, no Requerimento de Anistia n° 2006.01.55584, bem como os subsídios colhidos nos autos da Ação Ordinária no- 87.0010726-3 e nas decisões correlatas do Tribunal Regional Federal - 3ª Região, do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial no- 146226-SP - 1997/0060744-5), e do Supremo Tribunal Federal (Recurso Extraordinário no- 382482-1), resolve:
Declarar CARLOS LAMARCA anistiado político "post mortem", reconhecendo o direito às promoções ao posto de Coronel com os proventos do posto de General-de-Brigada e as respectivas vantagens, e conceder em favor da requerente MARIA PAVAN LAMARCA, a reparação econômica em prestação mensal, permanente e *continuada no valor de R$ 11.444,40 (onze mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e quarenta centavos). *
Os efeitos financeiros retroativos somente incidirão sobre a diferença de proventos desse posto e os do posto de Coronel, que a requerente já percebe no valor de R$ 7.728,50 (sete mil, setecentos e vinte e oito reais e cinqüenta centavos), o que perfaz a diferença de R$ 3.715,90 (três mil, setecentos e quinze reais e noventa centavos), com efeitos retroativos da data do julgamento em 13.06.2007 a 05.10.1988, completando 224 (duzentos e vinte e quatro) meses e 08 (oito) dias, *totalizando o valor* *líquido de R$ 902.715,97 (novecentos e dois mil, setecentos e quinze reais e noventa e sete centavos),* e conceder acesso a todos os benefícios indiretos mantidos pelo Exército Brasileiro, em conformidade com o art. 14 da supracitada lei, bem como a isenção de Imposto de Renda, nos termos do artigo 1°, incisos I e II, e artigo 9°, Parágrafo Único da Lei no- 10.559 de 13 de novembro de 2002.
TARSO GENRO
CARTA ABERTA AOS SENADORES DA REPÚBLICA - 02/05/2015
Certamente, nestes dias, apenas uma pequena parcela da Nação, uns poucos milhões de brasileiros, está preocupada com esse assunto. Não é muito, se considerarmos a magnitude da decisão a ser tomada.
No entanto, há um grupo muito especial de cidadãos, os 81 senadores da República, que não podem acompanhar nem representar a maioria omissa e alienada. Ao contrário, impõe-se a cada um, exige-se de cada um, a plena consciência de sua responsabilidade nessa importantíssima missão institucional. Irão Vossas Excelências aquiescer com o aparelhamento partidário e a ditadura de uma mesma ideologia no Supremo Tribunal Federal? Sim, há alguns dentre vós que o desejam. E há quem venha tomando decisões que a tanto conduzem. Isso já vem acontecendo e as consequências se fazem visíveis.
Cuidado, porém! Sabem os que assim confabulam, sabem os que concordam e precisam saber os que o toleram, que tal conduta, no curto prazo, afronta gravemente o pluralismo como princípio inserido no preâmbulo da Constituição Federal; e, no longo prazo, destrói a confiança na Justiça como poder de Estado e como virtude buscada no ambiente jurídico-institucional.
Apelo a Vossas Excelências para que rejeitem essa indicação e qualquer outra que afronte a Constituição e a credibilidade do Poder Judiciário brasileiro.
Porto Alegre, 02 de maio de 2015
Percival Puggina
Cad. nº 7 da Academia Rio-Grandense de Letras,
um simples jurisdicionado.
CARTA DO POVO BRASILEIRO - 18/04/2015
Esta é a parte final do documento entregue às lideranças partidárias de oposição. O texto completo pode ser lido aqui:
PROPOSTAS CONCRETAS
Atendendo a urgência que o momento exige, viemos, neste instante, apresentar ao Congresso Nacional a primeira pauta de reivindicações da agenda construtiva para um novo Brasil:
1) Enfrentamento real da corrupção através do fim da impunidade:
a) aprovar, prioritariamente, as 10 medidas de combate à corrupção apresentadas pelo MPF;
b) submeter os acordos de leniência à anuência do Ministério Público;
c) apoiar incondicionalmente o Juiz Sergio Moro, o Ministério Público Federal, e a Polícia Federal nas investigações da Operação Lava Jato;
d) agravar as penas para corrupção, aprovando-se o projeto de lei 915, que cria o crime de Lesa Pátria;
e) fortalecer a Polícia Federal para combater a corrupção;
f) indicar servidores concursados, de carreira, idôneos, com amplo reconhecimento e competência comprovada, para os cargos do STF, STJ, TCU, STM, MPF e TSE, com prazo de mandato definido e com posterior quarentena;
g) Senado exercer papel de controle efetivo da capacidade dos indicados acima, por meio de sabatina, com critérios objetivos de imparcialidade, convidando técnicos da OAB, CNJ e MPF para compor o grupo avaliador;
h) Implementar eleições diretas por entidades representativas para escolha dos Procuradores-Gerais, com o fim de listas tríplices e escolhas arbitrárias pelo chefe do Executivo;
g) afastar o ministro Dias Toffoli do STF e TSE por não atender ao critério de imparcialidade;
2) Sobre a Presidência da República
a) Pedir ao STF e ao Procurador Geral da República a abertura de investigação por crime comum da cidadã Dilma Vana Roussef;
b) apreciar com transparência os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Roussef apresentados ao Congresso;
3) Choque de ordem e transparência na gestão pública:
a) Abertura total dos contratos de empréstimos realizados pelo BNDES, fim de empréstimos do BNDES a outros países e a empresas doadoras em eleições. Rejeição da MP 661;
b) reduzir o número de ministérios, o número de cargos comissionados e o tamanho da máquina pública;
c) transparência nas contas de todas as empresas públicas ou com participação societária do estado brasileiro;
d) total transparência e redução dos gastos de parlamentares e governantes, incluindo os cartões de crédito governamentais;
e) “Revalida” para todos os médicos estrangeiros atuando no Brasil;
f) redução e simplificação dos impostos.
4) Educação
a) Qualidade total na educação básica, sendo a mesma universal e meritocrática;
b) fim da doutrinação ideológica e partidária nas escolas. Aprovação do PL 867/2015, “Escola Sem Partido”.
5) Ajustes no processo político eleitoral
a) Maior justiça, legitimidade e representatividade nas eleições pela implantação do Voto Distrital;
b) Eleições com registro eletrônico e impresso do voto, auditáveis por empresa idônea e partidos;
c) revisão do financiamento público de campanhas. O Estado não suporta mais patrocinar a atual farra eleitoral;
d) Mandato único – Fim de reeleição para todos os cargos executivos.
É importante frisar que novas pautas serão apresentadas e outras complementadas, nas próximas semanas, vindas do diálogo com as ruas, e conduzidas pelos vários movimentos democráticos, ressaltando que repudiamos qualquer tipo de controle da mídia ou limitação na liberdade de expressão irrestrita de todo e qualquer brasileiro.
A INIMPUTABILIDADE DOS MENORES DE 18 ANOS - 31/03/2015
Todas as tentativas de reduzir a maioridade penal, mesmo que para o patamar mínimo de 16 anos, esbarram no fato de que a Constituição Federal declara, no parágrafo 4º do artigo 60, que os direitos e garantias individuais nela estabelecidos constituem "cláusulas pétreas". Ou seja, não podem ser objeto de emenda tendente a os abolir. E nessa lista, entre quase seis dezenas de garantias, vai, como peixe em cambulhão, a inimputabilidade dos menores de 18 anos.
Hoje, 31 de março de 2015, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou a admissibilidade da PEC 171/93, que trata dessa redução. Com a decisão, a matéria volta a tramitar na Casa, embora o PT, que junto com o PCdoB, o PSB, o PSOL e o PPS se posicionaram contra a medida, já tenha anunciado que vai recorrer da decisão ao Poder Judiciário. É outra "velha senhora": a judicialização da política brasileira, que não serve à Justiça e não serve à Política.
Foi muito presunçosa a atitude dos constituintes de 1988 quando decidiram listar os dispositivos constitucionais que não poderiam ser objeto de modificação. Ao fazê-lo, pretenderam cristalizar a Sociedade, a Política e a Justiça como se fotografassem um instantâneo das aspirações nacionais e decidissem torná-las imutáveis através dos séculos. Quase nada pode ser assim e a CF de 1988 foi excessiva em fazê-lo.
Cada vez mais, a criminalidade praticada por menores de 18 anos assombra a segurança pública, com os "de menor" transformados em linha de frente do crime organizado. É imperioso coibir isso.
Sempre que se fala em combater a criminalidade com medidas repressivas aparecem os protetores de bandidos. São os mesmos - exatamente os mesmos - que relegam as vítimas ao mais negligente abandono. Seu argumento é tão surrado quanto paralisante: "Só isso não resolve!", proclamam. É óbvio que só isso não resolve, mas se nada é feito, tudo fica pior a cada dia, como a experiência e as estatísticas demonstram com clareza.
É um raciocínio absolutamente lógico; de tão lógico acaba sendo absolutamente não ideológico: quanto maior o número de bandidos presos, menor o de bandidos soltos e menor a insegurança na sociedade. E vice-versa.
CONSERVADORES CONSEGUEM VITÓRIA EM TEXTO DO PNE - 27/03/2015
Lobby conservador retira igualdade racial e de gênero do Plano Nacional de Educação. Marco Feliciano, Pastor Eurico e Jair Bolsonaro conseguiram o que queriam.
A comissão especial que analisa o Plano Nacional de Educação na Câmara aprovou nesta terça-feira (22) o texto principal do documento, deixando para quarta-feira (23) a votação dos destaques. A maioria dos parlamentares presentes cedeu ao lobby dos pastores-deputados Marco Feliciano (PSC-SP), Marcos Rogério (PDT-RO) e Pastor Eurico (PSB-PE) e aceitou retirar a diretriz que propõe a superação das desigualdades educacionais, “com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”, um dos pontos mais polêmicos do projeto.
Assim, fica mantida a redação do Senado, que determina a “promoção da cidadania e na erradicação de todas as formas de discriminação”. Parlamentares mais conservadores entendiam que a ênfase na igualdade de gênero e orientação sexual permitiria a adoção de materiais didáticos e atividades escolares que incentivassem a homossexualidade. Os mais progressistas defendiam que o trecho busca promover o combate à homofobia e ao preconceito contra as mulheres.
A assessoria de imprensa de Feliciano havia informado, na última quinta-feira (17), que o deputado não abriria mão de retirar do texto as questões de gênero, raça e identidade sexual. O tema já fizera com que a votação fosse adiada por duas vezes apenas neste mês. No último dia 8, Feliciano e Marcos Rogério apresentaram requerimentos pedindo o adiamento da votação para “estudar melhor” a proposta referente à promoção da igualdade.
“Nós reproduzimos aquilo que está na Constituição Brasileira, mas com uma linguagem mais recente. O constituinte de 1988 não abordava o tema da identidade sexual como ela é abordada hoje. A Constituição diz que deve-se promover o bem de todos sem discriminação de sexo, de raça, de nenhuma natureza. E a educação brasileira tem de atacar, de forma sistêmica, toda desigualdade”, resumiu o relator do PNE na comissão especial, o deputado federal Angelo Vanhoni (PT-PR).
A diretriz sobre financiamento, outra polêmica do plano, será votada amanhã. No texto principal, os deputados aprovaram 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública, contrariando a redação do Senado, que não especificava se o montante seria para a educação pública, o que daria espaço para incluir aí as instituições privadas, filantrópicas e comunitárias. Falta decidir se o Programa de Financiamento Estudantil (Fies), Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico (Pronatec) serão contabilizados no montante.
“O plano não foi concebido, e conceitualmente não está estruturado, para relegar as escolas filantrópicas, comunitárias e particulares a um papel menor. Pelo contrário, garante a elas o papel complementar ao sistema de ensino público. Mas a prioridade é a escola pública”, afirmou Vanhoni.
O Plano Nacional de Educação é um documento que estabelece metas para a área nos próximos 10 anos. Foi elaborado a partir da Conferência Nacional de Educação, realizada em abril de 2010, na qual diversas organizações da sociedade civil levantaram propostas para melhorar a qualidade da educação brasileira.
O texto principal aprovado mantém metas já acordadas entre parlamentares, como a erradicação do analfabetismo, oferta de educação integral em metade das escolas públicas, a formação de 60 mil mestres e 25 mil doutores por ano e a equiparação do salários dos profissionais da educação básica com demais profissionais de escolaridade equivalente.
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/04/conservadores-conseguem-vitoria-em-texto-pne.html
QUANDO A MÁ INTENÇÃO É EXCESSIVA - 14/03/2015
Quando a má intenção é excessiva, até os bobos percebem. Estive lendo algumas matérias de jornais sobre as ditas manifestações de ontem, sexta-feira. Registram os eventos com coloridas estampas onde dominam as bandeiras vermelhas e informam um número estimativo de participantes. Esclarecem que as pautas principais eram a defesa da Petrobras, direitos trabalhistas e preservação do mandato da presidente Dilma. Corretamente, as matérias divulgam que o público era formado, em sua totalidade, por gente da CUT, MST e assemelhados. Bastava olhar as bandeiras para saber isso.
Havia, porém, outros fatos acontecendo simultaneamente. E o silêncio sobre eles se enquadra na situação a que aludi na primeira frase deste artigo. Quem são essas pessoas que não percebem a contradição intrínseca ao que postulam? Não foi a presidente cujo mandato defendem quem detonou a Petrobras e agora quer lhes suprimir direitos? Quem são essas pessoas que em plena tarde de sexta-feira estão disponíveis para atender convocação de sua entidade e se deslocar para determinado ponto de concentração? Uma vida tão sem compromissos laborais em dia útil seria, no meu modo de ver, mais compatível com "coxinhas". Classes "trabalhadoras" dispensadas de trabalhar? Por quem, cara-pálida?
Tem mais. O telefone celular e, em especial os iphones, conjugados com as redes sociais, parecem ainda não detectados por muitos profissionais da mídia. Hoje, cada cidadão, com um aparelho desses, é parte de uma agência de notícias onipresente. E enquanto os "do ramo" se atinham à ramagem dos fatos, pessoas comuns, de iphone em mãos, falavam com taxistas, conversavam com os atendentes de restaurantes e bares, registravam onde iam, como se alimentavam e quais as rotinas adotadas por aqueles a quem a mídia denominava manifestantes.
Pelo Twitter, me informavam sobre os taxistas, a quem os portadores de bandeiras vermelhas pediam recibos das corridas (alguém, portanto, estava custeando aquela modorrenta espontaneidade). Pelo Face me mostravam fotos de coordenadores de grupos distribuindo dinheiro aos participantes e de grupos almoçando em restaurante caro de um shopping de Belo Horizonte. Ali, os manifestantes manifestaram bom apetite e bom gosto, consumindo três garrafas de vinho cujo preço unitário excederia R$ 100. E venha a bendita nota fiscal. Por e-mail, chegavam fotos mostrando filas nas sorveterias imperialistas do Mc Donalds. Via Face, relatos de atendentes de bares e restaurantes que gastaram canetas e talonários fornecendo recibos individuais para cada item consumido. Por e-mail, recebi short clips de manifestantes do MST marchando em filas paralelas de modo a parecerem muitos, sendo poucos, interrompendo o trânsito e criando confusão sem qualquer comunicação positiva com a sociedade (que eles, aliás, foram ensinados a rejeitar). Mas nada disso parece ter sido visto por quem, em tese, teria o dever profissional de estar observando, registrando e comunicando.
Essa informação deficiente não é inócua. Ela transmite a ideia de duas manifestações antagônicas e semelhantes, ainda que em quantitativos diversos (como necessariamente terá que ser registrado domingo). Contudo, são eventos incomparáveis. Um é manipulado, com participantes remunerados e pautas que se contradizem. O outro é amplamente democrático, vai quem sente que deve, no uso de sua liberdade, por amor ao Brasil e com o desejo de dar um basta à sordidez que se apoderou de nossas instituições.
SÉRGIO MORO, DURO DE MATAR - 20/02/2015
Reproduzo na íntegra porque subscreveria integralmente este texto de "O antagonista" :
http://www.oantagonista.com/posts/sergio-moro-duro-de-matar
Brasil 18.02.2015
Os encontros secretos entre o advogado administrativo José Eduardo Cardozo, ocupador do Ministério da Justiça, e os defensores das empreiteiras do Petrolão levaram o juiz Sergio Moro a estender a prisão preventiva dos empreiteiros Ricardo Pessoa, da UTC, e Eduardo Hermelino Leite, Dalton Avancini e João Auler, todos os três da Camargo Corrêa. O argumento de Sergio Moro é perfeito do ponto de vista legal: está demonstrado que as empreiteiras tentam interferir nas investigações.
Disse Moro, no seu despacho:
a) "Existe o campo próprio da Justiça e o campo próprio da política. Devem ser como óleo e água e jamais se misturarem. A prisão cautelar dos dirigentes das empreiteiras deve ser discutida, nos autos, perante as Cortes de Justiça."
b) "Intolerável que emissários dos dirigentes presos e das empreiteiras pretendam discutir o processo judicial e as decisões judiciais com autoridades políticas. Mais estranho ainda é que participem desse encontros, a fiar-se nas notícias, políticos e advogados sem procuração nos autos das ações penais."
c) "Não socorre os acusados e as empreiteiras o fato da autoridade política em questão ser o ministro da Justiça. Apesar de a Polícia Federal, órgão responsável pela investigação, estar vinculada ao ministério, o ministro da Justiça não é o responsável pelas ações de investigações."
d) O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa "bem definiu a questão ao dizer que, se você é advogado em um processo, deve recorrer ao juiz, nunca a políticos."
e) "A mera tentativa por parte dos acusados e das empreiteiras de obter interferência política em seu favor no processo judicial já é reprovável, assim como foram as aludidas tentativas de cooptação de testemunhas, indicando mais uma vez a necessidade da preventiva para garantir a instrução e a aplicação da lei penal e preservar a integridade da Justiça contra a interferência do poder econômico."
Sergio Moro, o estrategista, evitou atirar em José Eduardo Cardozo neste momento, atribuindo tudo à empreita bandida e aos seus advogados eriçados. Moro, o enxadrista, sabe como jogar. Moro, duro de matar, é o nosso herói.
OPOSIÇÃO MOSTRA A SUA FORÇA - 05/02/2015
Logo após a eleição de outubro, gravei um vídeo dizendo que o próximo Congresso seria diferente e (coisa rara) melhor do que o precedente. Disse que haveria um número maior de parlamentares qualificados e sem compromisso fechado com a base do governo, mesmo pertencendo a partidos que participam do apoio a Dilma.
A eleição do deputado Eduardo Cunha, a comemoração de sua vitória por inúmeros deputados que já integraram a Base, são fatos que confirmam minha opinião e dão claros sinais de uma alteração das forças políticas no plenário da Câmara dos Deputados.
Novidades já ocorreram. Diversas portas se fecharam ao petismo. Se isso pouco se refletiu no Senado, continuo crendo que seja questão de tempo.
O povo virá para a rua, nos próximos meses. A reforma política sonhada pelo PT, pela OAB e pela CNBB (é tudo a mesma coisa), já foi para o saco das inutilidades. E a CPI da Petrobras foi aprovada contra a vontade do governo, mas de modo incontestável. São os primeiros passos para o cerco ao governo Dilma.
A matéria abaixo, da bancada do PSDB, confirma a minha opinião.
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CPI da Petrobras na Câmara trará as respostas exigidas pela sociedade, diz Sampaio
Em entrevista coletiva realizada na manhã desta quarta-feira (4), o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), afirmou que a CPI da Petrobras dará “uma resposta ao Brasil” para a série de escândalos que tomaram de assalto a companhia. “O sentimento da nação é de quem quer que se aponte os culpados. A Câmara tem obrigação de trazer esses nomes à luz”, reforçou o parlamentar. O requerimento que pede a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito foi apresentado pela oposição na noite dessa terça. A Secretaria Geral da Mesa da Câmara contabilizou 182 assinaturas de apoio – 11 a mais que o mínimo necessário.
Sampaio foi categórico ao dizer que o governo enfrentará dificuldades para controlar as apurações dos deputados. “Sem sombra de dúvida”, destacou. Ele citou como exemplo emblemático de enfraquecimento da base aliada do Palácio do Planalto a derrota acachapante do candidato do PT, deputado Arlindo Chinaglia (SP), para a presidência da Casa. “O compromisso dos deputados é nenhum com este governo. Não sou eu quem digo que a presidente Dilma não tem competência para gerir o país e para ter uma interlocução com a Câmara. São os deputados ligados a ela”, destacou.
DA CORRUPÇÃO FINANCEIRA À CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA - 11/12/2014
Percival Puggina
Quando a nação fica sabendo que os muitos escândalos da Petrobras são apenas alguns dentre muitos outros, nascidos no seio fértil do governo recém reeleito, a Comissão da Verdade chega, célere, em seu socorro. Veio a lume, ontem, o relatório final. Sai da pauta a corrupção financeira e entra na pauta a corrupção da história.
Imagine, leitor, que durante o governo Sarney, fosse deliberada a criação de uma Comissão da Verdade com o objetivo de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas durante a ditadura de Getúlio Vargas, "a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional". Foram muitas e graves as violações. E a nação, decorridos, então, 40 anos da ditadura de Getúlio, se agitava indormida e irreconciliada ante a tenebrosa lembrança dos abusos cometidos por Felinto Müller e seus asseclas.
Avancemos, com nossas suposições. Para compor a Comissão e desenvolver o histórico trabalho, o governo Sarney nomearia sete membros, escolhidos a dedo entre os remanescentes parceiros mais leais de Carlos Lacerda. Tudo gente da velha e combativa UDN.
Uma tal comissão, não fosse apenas fruto de imaginação, concebida para compor o raciocínio que exponho neste texto, seria um disparate, um destampatório, motivo de gargalhadas, porque existem bibliotecas inteiras, centenas de trabalhos acadêmicos a respeito da Era Vargas e da ditadura getulista. Ninguém precisaria então, e não precisa ainda agora, de uma comissão para descrever o período e, menos ainda, de uma versão oficial dos fatos de então, narrados por seguidores de seu maior adversário.
Acho que não preciso desenhar para ser entendido. A atual Comissão Nacional da Verdade era tão necessária quanto seria a CNV sobre Vargas ao tempo de Sarney. Não é assim que se faz historiografia. Versões oficiais são próprias de regime totalitários. Nas democracias, abrem-se os arquivos para que os pesquisadores pesquisem e para que os historiadores escrevam, emitindo suas opiniões em conformidade com o conhecimento adquirido e à luz dos respectivos critérios. E já há centenas de trabalhos feitos. A nação custeou uma comissão que não deveria ser criada, cujo objetivo foi o de transformar comunistas terroristas, sequestradores, guerrilheiros, assaltantes, homicidas em "heróis do povo brasileiro", lutadores por uma democracia que odiavam com o furor ideológico. Com o mesmo furor ideológico que motivou a luta armada dos comunistas, no mundo inteiro, naquele período da Guerra Fria, infelizmente muito quente por estas bandas. Passado meio século, muitos dos reverenciados pela CNV estão no poder e persistem nos mesmos afetos ideológicos e na mesma aversão à democracia representativa. Seu apego aos direitos humanos acabam quando visitam Cuba ou Caracas, ou quando elogiam a tirania comunista na Coreia do Norte. Quanto ao mais, tortura é crime odioso, terrorismo é crime odioso, comunismo e ditaduras são regimes odiosos e a anistia, ampla, geral e irrestrita, foi pedida pelos que hoje a querem revogar.
O trabalho dessa Comissão é leviano, violador da lei que a criou, mal intencionado, revanchista. E é o equivalente, em colarinho branco e bem remunerado, do popular linchamento.
SOB PROTESTOS DE TUCANOS, BASE GOVERNISTA APROVA CALOTE DA PRESIDENTE DILMA - 25/11/2014
Sob os gritos de “vergonha” de populares e protestos da oposição, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) aprovou, na noite desta segunda-feira (24), por 23 votos a seis, o texto-base do projeto do governo que acaba com a meta de superávit primário – economia para pagar juros da dívida – deste ano. Além disso, os governistas rejeitaram todos os 39 destaques apresentados à matéria, que segue nesta terça-feira (25) para o plenário do Congresso.
Batizado de “calote da Dilma” pelo líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), o PLN 36/14 autoriza um abatimento sem limite da meta de resultado primário do ano, que é de R$ 116,1 bilhões, para o governo federal. Com isso, mesmo que feche as contas com déficit, o governo federal não terá descumprido a meta definida pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
A reunião, que começou por volta das 20h30, foi marcada pelas contínuas tentativas da oposição de aprofundar o debate sobre o projeto. No entanto, ela foi vencida pela supremacia governista, que apelou a todo tipo de estratégia para atropelar a minoria. “Há um mensalão velado aqui dentro. Saio indignado daqui. Muitos que votaram sim vão sair de cabeça baixa”, protestou o deputado Nilson Leitão (MT). A guerra, acrescentou o deputado Izalci (DF), não está perdida. O parlamentar conclamou a população para acompanhar a votação da matéria nesta terça-feira (25), a partir das 15h, no plenário do Congresso. “Tenho certeza de que o Brasil está atento. Venham para o Congresso.”
Durante as discussões, Leitão lembrou que Dilma responderia criminalmente se fosse governadora ou prefeita e descumprisse a Lei de Responsabilidade Fiscal, como tenta fazer à frente da Presidência da República. “O que nos deixa estarrecidos é ela (Dilma) dizer que o Brasil vai bem. As metas fiscais estão deficitárias, a dívida interna cresceu, a inflação subiu, o PIB está em frangalhos e a miséria do Brasil aumentou”, afirmou o tucano.
Segundo o deputado Carlos Sampaio (SP), a presidente e sua base apelaram para a pior espécie de autoritarismo ao tentarem mudar a legislação. “Num governo sério e democrático, o governante se submete às leis e não modifica as leis”, enfatizou o parlamentar, que condenou a tática adotada pela presidente para obter a anistia fiscal.
APÓS DENÚNCIA DO ESTADÃO, ITAMARATY QUESTIONA VENEZUELA SOBRE ACORDO COM MST - 07/11/2014
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, chamou na quarta-feira o encarregado de negócios da Venezuela, Reinaldo Segóvia, para manifestar a insatisfação do governo brasileiro com as atividades do vice-presidente e ministro para o Poder Popular das Comunas e Desenvolvimento Social, Elías Jaua, no Brasil. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S.Paulo nesta quinta-feira.
Figueiredo afirmou a Segóvia que o governo brasileiro viu com "estranheza" o fato de Jaua ter vindo ao país sem informar e ter tido uma agenda de trabalho, inclusive com assinatura de acordos, e que isso poderia significar uma "interferência nos assuntos internos do país”. Figueiredo cobrou explicações do governo venezuelano.
De acordo com o ministro, o diplomata foi informado de que o Brasil considera que "o fato não se coaduna com o excelente nível das relações entre os dois países". A decisão de chamar o representante diplomático da Venezuela - o embaixador está viajando - foi conversada com a presidente Dilma Rousseff depois de ter virado notícia o fato de Jaua ter usado seu tempo no Brasil, em que teoricamente estaria acompanhando a mulher em um tratamento médico, para assinar um convênio com o Movimento Sem Terra (MST), além de outras ações relativas a seu cargo de ministro.
A visita silenciosa de Jaua, que não informou o Itamaraty sobre a sua viagem, causou mal estar no governo brasileiro. Apesar de não ser obrigatório no caso de uma visita particular, seria de praxe um aviso. No caso do ministro venezuelano, que ainda fez algumas atividades de trabalho, a situação ficou ainda pior.
Na terça, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou um convite para que Figueiredo dê explicações sobre a passagem do venezuelano pelo Brasil.
De acordo com o jornal, o ex-chanceler do governo Nicolás Maduro esteve no país na última semana de outubro e não fez qualquer comunicado ao governo brasileiro. A embaixada ainda negou que houvesse qualquer comitiva de governo venezuelana no país. O Itamaraty foi informado da chegada dele pela Polícia Federal.
Mal-estar – A situação causou mal-estar no Itamaraty, e diplomatas já falavam que o governo brasileiro questionaria a Venezuela em algum “encontro futuro”. Só ontem, no entanto, Figueiredo pôde conversar com a presidente a respeito de tomar alguma medida mais dura em relação ao caso.
A convocação de um embaixador tem um significado forte nos meios, especialmente associada à cobrança de explicações do governo.
Depois de buscar informações, o Itamaraty recebeu como resposta que Jaua teria trazido a mulher para fazer exames no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e os médicos decidiram operá-la imediatamente. Por isso, ele teria decidido trazer para o Brasil os filhos, a sogra e a babá – que acabou presa por trazer uma maleta de Jaua onde havia um revólver.
No entanto, mais tarde, descobriu-se que o ministro venezuelano teve encontros em Curitiba, sobre mobilidade urbana, e assinou um convênio com o MST para “treinamento, organização e conscientização do povo” para a revolução. Segundo o MST, o objetivo do acordo é trocar experiências na área de agroecologia.
O MAIOR ROUBO JAMAIS HAVIDO NOMUNDO - 02/11/2014
De "O Diário do Poder" - www.diariodopoder.com.br
Fugir do Brasil para escapar da prisão, como fez o escroque petista Pizzolato, é saída que em breve deve se fechar para os membros da quadrilha que tomou conta da Petrobras no governo Lula, para perpetrar o que a Polícia e a Justiça, antes mesmo de concluir as investigações da operação Lava-Jato, antevêem como o maior roubo jamais havido no mundo.
A Security Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos, bem mais ágil do que sua congênere brasileira a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) tem jurisdição sobre empresas estrangeiras que sejam negociadas em bolsas norte-americanas. O que a Lava-Jato até agora já levantou de podridão na Petrobras foi suficiente para que a SEC abrisse uma investigação que,dependo dos resultados, pode resultar na abertura de inquérito criminal nos EUA.
A Petrobras já começou a prestar esclarecimentos à instituição norte-americana sobre os desmandos havidos principalmente ao longo do período em que o baiano José Sergio Gabrielli (merecidamente detentor do prêmio “O Equilbrista” que em 2009 lhe foi concedido pelo Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros) comandou a empresa. Tratou-se de indicação do governador da Bahia em final de mandato, Jaques Wagner, queridinho de Dilma e da cúpula do PT, e que hoje pousa de principal candidato para assumir a presidência da Petrobras. Só não disse se vai levar seu secretário no governo baiano, o mesmo Gabrielli, para lhe ensinar o caminho das pedras na gestão da estatal.
Referindo-se à contratação pela Petrobras de dois escritórios de advogacia (um brasileiro, outro americano) para prestar as satisfações exigidas pelo órgão de controle americano, o reputado órgão da imprensa econômico-financeira, o jornal Valor, disse com todas as letras que na berlinda também estão o presidente da companhia durante o período em que o delator Paulo Roberto atuou ilegalmente, José Gabrielli, e o diretor financeiro, Almir Barbassa, “que atestaram a veracidade das informações apresentadas aos investidores e a eficácia dos controles internos”. A descoberta de cobertura contábil a fraudes, que os investigadores estimam poder atingir R$ 10 bilhões, pode colocá-los em maus lençóis diante da lei americana, comenta o jornal.
Segundo o mesmo editorial, havia a suspeita de que em algum momento as indicações políticas para cargos operacionais importantes acabariam trazendo problemas graves à Petrobras. Mas a empresa, exatamente por estar envolta em interesses políticos, praticamente não reagiu diante das suspeitas, “em parte porque isso poderia, primeiro, ferir a imagem de gestora de Dilma Rousseff, que foi presidente de seu Conselho de Administração, e, depois, por diminuir as chances de reeleição da presidente, acossada de muito perto pelos rivais nas pesquisas eleitorais”
No último relatório que mandou à SEC, em inglês, a nova direção da Petrobras fez de conta que toda a roubalheira que se vai desvendando foi feita por marcianos, e que eles não tem nada a ver com o peixe, apesar da afiliação de todos ao mesmo partido. A empresa, tadinha, coloca-se como vítima, e que a Lava-Jato investiga ”the practice of alleged crimes committed against Petrobras”.
Mas atenção que as investigações por órgãos ficalizadores nos EUA costumam ser mais bem rigorosas que aquelas feitas pelas instituições brasileiras (o que descobriu ao longo de todos os anos o TCU ou a CVM, boa pergunta a se fazer!!!). Se for registrada até mesmo omissão dolosa todo mundo vai ser indiciado nos EUA.
E não adiante ninguér ir chorar no ombro do Obama, pois ele não tem nada a ver com isso. Nos EUA os órgãos reguladores são verdadeiramente independentes, e lá trambiqueiros vão mesmo para a cadeia.
Colocar na Petrobras quem lá colocou o Gabrielli, além de uma afronta a pelos menos 48 por cento dos brasileiros, é uma péssima ideia para o futuro da empresa.
POR QUE A VANTAGEM DE DILMA ESTÁ AUMENTANDO? - 28/09/2014
Percival Puggina
Para entender o aumento das intenções de voto da presidente Dilma em relação a seus dois principais competidores é preciso observar a tabela abaixo. Ela mostra os tempos de cada uma das três coligações no horário da propaganda eleitoral e define. Também o número de inserções comerciais durante a programação normal das emissoras de rádio e tevê observa essa proporção:
I – DILMA - Coligação Com a Força do Povo – 11 minutos e 48 segundos;
II – AÉCIO - Coligação Muda Brasil – 4 minutos e 31 segundos;
III – MARINA - Coligação Unidos Pelo Brasil – 1 minuto e 49 segundos.
Ou seja, em números redondos, para cada ataque de Aécio, Dilma contra-ataca 3 vezes. Para cada ataque de Marina, Dilma contra-ataca 7 vezes. É uma desproporção gigantesca, e é para proporcioná-la que muitos negócios foram feitos durante o período de gestão da presidente-candidata.
Na perspectiva situacionista, o ideal ocorreria se essa vantagem assegurasse a eleição no primeiro turno, porque, havendo segundo-turno, os tempos se equiparam, o horário de propaganda disponibiliza 10 minutos para cada candidato e igual número de inserções nos intervalos comerciais das emissoras de rádio e tevê.
Ademais, os debates entre os candidatos passam a ser travados apenas entre os dois remanescentes, face-to-face. Com isso, as coisas mudam. E mudam muito.
PARA COM ISSO, GOVERNO! - 25/09/2014
Não gostei nem um pouco da notícia de que o governo passará a controlar as viagens internacionais dos brasileiros, com o alegado intuito de coibir evasão fiscal. O verdadeiro nome disso é invasão de privacidade. É intromissão na vida dos indivíduos e suas famílias. O governo que vá cuidar das suas coisas e pare de se comportar como uma senhora fofoqueira controlando a vida alheia.
É paradoxal! Em busca de algo que possa ser tributado, os aparelhos do Estado xereteiam a mala dos viajantes, das pessoas de bem, que vão ao exterior para turismo ou negócios, mas deixam livres, leves e soltos, os criminosos que evadem bilhões através de doleiros, e não protegem nossas fronteiras do contrabando e do ingresso de drogas.
Muito mais fácil fiscalizar nos aeroportos o cidadão de bem, em fila por um, com passaporte na mão e levando mala de rodinha do que controlar a saída de madeira da Amazônia, ou a vida dos bandidos que infernizam a vida da população. No tempo de infância, dizia-se dos grandalhões que batiam nos pequenos: "Por que não vão brigar com os do seu tamanho?".
A DATA FARROUPILHA - 20/09/2014
Percival Puggina
O Rio Grande do Sul não é um Estado melhor nem pior do que qualquer outro da Federação brasileira. Ele é apenas diferente. Essa diferença tem tudo a ver com a forma como transcorreu a História por estas bandas. Durante os dois primeiros séculos seguintes ao Descobrimento, o Rio Grande era terra de ninguém, uma longa costa arenosa, de mar revolto, que causava preocupações às caravelas que desciam na direção do Prata. Não havia, por aqui, Brasil, nem Portugal, nem Espanha. Quem primeiro chegou, não aportou, mas veio de oeste, das missões guaraníticas. Eram jesuítas e falavam espanhol. O Rio Grande começou a existir como mera possibilidade de ser parte do Estado de Portugal quando a boa estratégia da Coroa portuguesa começou a construir uma fortificação (Colônia do Sacramento) defronte a Buenos Aires, no lado oposto do Rio da Prata, em 1680. A partir de então, a vida nestas plagas foi uma sequência de guerras e batalhas para demarcar os contornos do território da província. Em 1835 foi a vez da guerra contra o Império (uma das tantas que tumultuaram os anos que se seguiram à Independência, mas a que mais se prolongou e a que mais dores de cabeça causou). Menos de 20 anos depois de pacificada a província, já estavam os gaúchos envolvidos e a Fronteira Oeste transformada em palco da Guerra do Paraguai. Em seguida, vieram as revolução da política local, a Federalista de 1893, a dos maragatos contra o borgismo em 1923, e a de 1930, por Getúlio Vargas.
Em cima desses episódios, os gaúchos construíram uma tradição que mais vale pelo efeito do que pelas causas, que mais vale pelas virtudes que se exaltam nos mitos históricos do que pelo conhecimento que se pode ter do caráter de cada um. Num resumo de poucas linhas: a tradição gaúcha, assinalada nas festividades que marcam o 20 de setembro, carrega em si um conjunto de valores e virtudes de honra que lembra certas características da cavalaria medieval. E que muitos rio-grandenses, acertadamente ou não, gostam de reconhecer em si mesmos. O Rio Grande do Sul, nesse sentido, é um exemplo de que tradição, quando não avessa ao progresso, é coisa séria, e com ela não se brinca sem graves prejuízos.
O GOVERNO DO RS E A BANDEIRANTES - 19/08/2014
Percival Puggina
Há algumas semanas se ouvia falar de uma pesquisa de intenção de voto cujo resultado teria sido engavetado pela emissora que o contratara. Dizia-se que os números eram inconvenientes ao governador gaúcho e, por isso, mantidos ocultos. Pois agora, o mesmo Instituto Methodus que teria feito aquela pesquisa, entregou nova pesquisa, desta feita à Rede Bandeirantes. Nela, Tarso aparece com 30% e Ana Amélia com 42%.
Instalou-se, segundo relato da própria emissora, uma fortíssima pressão do Palácio Piratini no sentido de evitar, mais uma vez, que os números fossem tornados públicos. O simples pedido para que os dados não fossem revelados já seria um inominável abuso de autoridade, mas o caso se torna ainda mais grave quando o apelo vem acompanhado de ameaça. Assim: "Essa decisão (de publicar a pesquisa) vai acarretar nova relação entre nós e a Band (teor da mensagem enviada por jornalista do Piratini constante do jornal Metro, do Grupo Bandeirantes, edição de hoje, 19/agosto).
O governador em nome de quem o jornalista do Palácio diz enviar a mensagem é um homem público que, há não muito tempo, para cada frase usava duas vezes a palavra "republicano" como sinônimo de transparente, de democrático, de subordinado ao Direito e à Justiça. Republicano era tudo de bom. Pois agora, "republicano" é usar o poder do Governo para intimidar órgãos de imprensa.
A pergunta que se impõe é a seguinte: quantas vezes algo assim já terá sido tentado? E levado a cabo? Quanto silêncio e omissão já foram impostos sob pressão?
O DECRETO Nº 8.243/14 E O DESLEIXO DO CONGRESSO - 06/08/2014
No dia 29 de julho, após muitas horas de discussão ao longo da qual esgotaram-se os argumentos, o Congresso aprovou regime de urgência para o projeto de decreto legislativo que tornava sem efeito o Decreto Nº 8.243/14, o decreto dos sovietes. É uma das raras prerrogativas que nosso modelo institucional concede ao parlamento, essa de obstar decretos presidenciais que contrariem a vontade majoritária do legislativo.
Por margem larguíssima - quase 300 votos a favor contra cinquenta e poucos votos contra - o plenário aprovou o regime de urgência que permitiria a imediata votação da matéria pelo plenário sem necessidade de cumprir o trâmite pelas comissões técnicas. Cumprida essa etapa, quando todos imaginávamos que fosse ser votada a proposição que motivara aquela longa sessão de discussões, conhecida a opinião amplamente majoritária, o plenário esvaziou-se, acabou o quorum e os senhores parlamentares correram para o aeroporto de Brasília, retornando às suas bases.
Tamanha sofreguidão em voltar se explica pelo período eleitoral. Por outro lado, os deputados têm direito, neste período do ano, a um recesso parlamentar que não poderiam usufruir antes de votarem, por imposição legal, a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Como não a haviam votado, nem a iriam votar naquela tarde/noite de julho, suspenderam o recesso oficial e entraram num recesso branco. Entendeu? De direito, tudo ficaria funcionando, só que não funcionaria na prática.
Pois bem. Hoje, dia 6, haveria um esforço concentrado, no qual seria retomada a pauta de votação. E o projeto que tornava sem efeito o famigerado decreto dos sovietes? Foi enviado para uma audiência pública pilotada por entidades afinadas ideologicamente com os sovietes do governo. E tão cedo não se fala mais nisso.
SUJEITO OCULTO. E TROUXA. - 01/08/2014
O ex-presidente Lula, nos últimos anos de seu mandato, desenvolveu o hábito de criticar as inspeções realizadas pelo Tribunal de Contas da União, da mesma forma como, nas suas campanhas eleitorais, fazia troça das multas aplicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. São fatos que valem por uma biografia. Tribunais atrapalham, vistorias também.
Outro dia, durante um debate em emissora de tevê, ouvi de um debatedor, em defesa do status quo nacional, que nunca se fiscalizou tanto as obras públicas e que o TCU, em inspeções recentes, havia gerado uma economia da ordem de R$ l bilhão. Todo contribuinte a par de como se dessangra a população com a imposição de tributos só pode se sentir ofendido com esse número. Por quê? Porque ele é representativo do que acontece em centenas de obras e serviços contratados pelo poder público, Brasil afora.
E não se trata, apenas, de superfaturamentos. Tampouco se trata de comprovação sobre, digamos assim, corretagens, paga a intermediários. Nem de fraudes concorrenciais mediante prévio acordo entre os licitantes. Em muitos casos, como nos noticiados hoje pelo Estadão, o TCU elabora relatórios demolidores apontando obras mal feitas, defeitos de projeto, rachaduras, afundamentos de pisos. Noutros, o tribunal indica deficiências de organização, de controle e da fiscalização exercida pelo próprio órgão contratante.
Nada surpreendente. Estamos habituados a ver obras recém inauguradas apresentarem defeitos que saltam aos olhos até do observador leigo. No entanto, receberam aprovação técnica, foram pagas e inauguradas com espocar de foguetes. Quando digo que as obras foram pagas eu estou usando um verbo com sujeito oculto. No caso, sujeito oculto e trouxa, ou seja, nós mesmos.
RIO DE JANEIRO AGE CONTRA OS BLACK BLOCS - 19/07/2014
Saudável informação! Nos últimos dias, chegam notícias de que, no Rio de Janeiro, as instituições resolveram agir contra os aprendizes de terroristas que vêm infernizando, com atos de violência, o ambiente urbano das grandes metrópoles brasileiras. No Rio, ao menos, parece que a omissão oficial chegou ao fim.
O leitor destas linhas sabe como se desenvolvem tais ações. Sabe que esses tipos com rostos encobertos cometem crimes. O fato de serem motivados por ideais políticos não minimiza os malefícios que causam nem reduzem a natureza dos mesmos. Ao contrário, agrava-os. Se fora do poder agem assim, como se conduzirão se tiverem acesso ao poder que buscam? São muito mais perigosos do que bandidos comuns, os militantes da violência política.
Mas se sabemos tudo isso, pode acontecer que não estejamos atentos para o fato de que esses "vândalos" (como querem alguns que parecem confundi-los com meros rabiscadores de muros), ou "ativistas" (como pretendem outros, benevolentes), estão integrados em um projeto político. Recebem recursos de alguma fonte. São remunerados para o que fazem. E tudo leva a crer que estejam ligados a um ou mais partidos políticos. Também essa investigação é necessária e urgente. Há uma eleição no horizonte de curto prazo e os eleitores precisam saber quais os partidos que agem nos bastidores da violência.
CADÊ O QUORUM? O GATO COMEU - 17/07/2014
Os setores esclarecidos da sociedade, inteirados da malignidade do decreto dos sovietes, aguardavam sua revogação na sessão do dia 15. Era necessário, em primeiro lugar, aprovar proposta para que o Projeto de Decreto Legislativo Nº 1.491 tramitasse em regime de urgência, dispensando a deliberação prévia das comissões técnicas. Com 294 a favor e apenas 54 votos contra, foi aprovado o regime de urgência, por volta das 9 horas da noite.
No entanto, quando todos pensavam que, aprovado o regime de urgência, reconhecida por ampla maioria a urgência da matéria após uma tarde inteira de discussões... sumiu o quorum. "Cadê o quorum que havia aqui? O gato comeu." Esvaziou-se o plenário. E esvaziou-se por longo período. A partir daquele momento, até os primeiros dias subsequentes às eleições do dia 5 de outubro, haverá apenas duas sessões deliberativas nos dias 5 e 6 no mês de agosto. A pressa dos parlamentares de embarcar num voo de volta às suas bases já na quarta-feira tem se sobreposto a qualquer interesse nacional. E note-se: eles chegam em Brasília na segunda-feira à noite, ou na terça-feira pela manhã. É inevitável que falte tempo para o cumprimento das obrigações constitucionais.
Fato Comentado
Senado: da omissão à ação desastrosa - 07/03/2024
Percival Puggina
Leio na Gazeta do Povo que o presidente do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), quer acelerar a tramitação do novo Código Civil. O nome dado não é esse. O calhamaço com 293 páginas vem ao mundo das propostas como “atualização”.
A missão de elaborá-lo foi dada e cumprida pelo ministro Luis Felipe Salomão (sim, ele mesmo), com relatoria de Rosa Maria de Andrade Nery e Flávio Tartuce.
Um Código Civil envolve e dispõe sobre conceitos essenciais de uma sociedade. Alterações nesses conceitos alteram a própria sociedade, tal a abrangência de seus desdobramentos na vida real das pessoas. Então, para não deixar por menos, se aprovado tal como está agora, “o documento promoveria uma revolução legal no Brasil, atendendo demanda do abortismo, do identitarismo woke e dos defensores da ideologia de gênero, e modificaria radicalmente os conceitos de família e de pessoa na legislação” (aqui).
Aberto para receber emendas até o dia 8, vale dizer amanhã (os espertalhões fazem assim quando querem aprovar o que não deveria ser aprovado), no resumo de alguns temas, dispõe, segundo a Gazeta do Povo:
- A definição do bebê em gestação como "potencialidade de vida humana pré-uterina ou uterina", que introduz no Código Civil a noção de que o bebê, antes de nascer, não teria vida humana.
- O reconhecimento de uma "autonomia progressiva" de crianças e adolescentes, que devem ter "considerada a sua vontade em todos os assuntos a eles relacionados, de acordo com sua idade e maturidade" – o que abriria caminho, por exemplo, para facilitar cirurgias de redesignação sexual sem a necessidade de anuência dos pais, entre outras coisas.
- A previsão de que o pai perderá na Justiça a sua autoridade parental caso submeta o filho a "qualquer tipo de violência psíquica" – a lei não especifica as atitudes classificáveis como "violência psíquica".
- A previsão de que os animais de estimação podem compor "o entorno sociofamiliar da pessoa", e que da relação afetiva entre humanos e animais "pode derivar legitimidade para a tutela correspondente de interesses, bem como pretensão reparatória por danos experimentados por aqueles que desfrutam de sua companhia" – o que elevaria o status jurídico da relação entre pessoas e animais, abrindo espaço para o reconhecimento legal daquilo que se tem chamado de "família multiespécie".
- A introdução do conceito de "sociedade convivencial", que poderia abrir caminho para abrigar na legislação brasileira, por exemplo, uniões poliafetivas (veja com mais detalhes no PDF ao fim deste artigo).
O grupo que comanda o Senado Federal para não fazer o que convém à nação, que se banqueteia com Lula e exibe em grupo uma felicidade que não vem da pureza de seus corações, agora se apressa para fazer o que não deve. Haverá ali algum grupo desapoderado que se sensibilize com o clamor da sociedade e ponha um freio nessa esquerda desengrenada morro abaixo?
Javier Milei governará com apenas nove ministérios - 11/12/2023
Percival Puggina
Leio no Diário do Poder
O novo presidente da Argentina, Javier Milei, começou seu governo cumprindo o compromisso de usar a “motosserra” que virou símbolo da sua campanha, e extinguiu metade dos 18 ministérios existentes no desastrado governo do antecessor Alberto Fernández.
Após o corte, cujo objetivo é reduzir os gastos públicos, o governo Milei será composto apenas pelos ministério do Comércio Internacional e Culto, Defesa, Economia, Infraestrutura, Interior, Justiça, Relações Exteriores, Saúde e Capital Humano e Segurança.
O decreto reduzindo seu ministério à metade foi o primeiro que Milei assinou tão logo começou a trabalhar em seu gabinete na Casa Rosada, sede do governo argentino.
Em seu discurso oficial de posse, ele prometeu que não haverá retorno aos tempos que levaram a Argentina ao caos econômico.
“Não há retorno”, avisou. “Hoje encerramos décadas de fracasso e disputas sem sentido. Hoje começa uma nova era na Argentina, era de paz e prosperidade, de conhecimento e desenvolvimento, de liberdade e progresso”.
Comento
Não conheço a Constituição argentina, mas fico pensando se Bolsonaro tivesse iniciado seu governo com o mesmo ânimo saudável – é importante que se diga – com que Milei inicia seu ataque ao Estado casca grossa e intervencionista.
O que fariam os príncipes da República? O que diriam os signatários do manifesto da USP? Como reagiriam os que puxam os cordéis no STF e qual teria sido a reação do TSE argentino durante a campanha eleitoral? A motosserra seria tolerada ou vista como uma incitação ao desmatamento?
Num dos meus primeiros artigos quando, em 1985, comecei a escrever sobre política expressou um delírio distópico. Nele, o Estado era uma disputada vaca leiteira e eu sonhava com que alguém desse um nó nas tetas dessa vaca que dissipava e malbaratava os bens gerados pela sociedade.
Por isso, olho com imensa simpatia para o ânimo de Milei, esperando que ele perdure e que os incomodados percebam o quanto são necessárias as medidas que serão tomadas.
Por falar em democracia - 15/09/2023
Percival Puggina
Por falar em democracia, hoje, 15 de setembro, é o Dia Internacional da Democracia. A data foi assinalada pela ONU, em 2007, para lembrar os termos e os compromissos dos países signatários da Declaração Universal da Democracia, aclamada em 15 de setembro de 1997. O Brasil é um dos que a subscrevem. Ao elencar os princípios que a animam, os signatários afirmaram:
“A democracia é um ideal universalmente reconhecido, uma meta que se baseia em valores comuns partilhados pelos povos de todo o mundo, independentemente de diferenças culturais, políticas, sociais e econômicas. É, portanto, um direito básico de cidadania, a ser exercido em condições de liberdade, igualdade, transparência e responsabilidade, com o devido respeito à pluralidade de pontos de vista, no interesse da comunidade.”
Passado um quarto de século, é a seguinte a situação de 167 países estudados pela revista The Economist para produção do Democracy Index, onde o Brasil ocupa o 51º lugar:
- 34 são democracias plenas
- 48 são democracias imperfeitas
- 36 são regimes híbridos
- 58 são regimes autoritários ou ditaduras
O índice avalia cinco quesitos: processo eleitoral e pluralismo; funcionamento do governo; participação política; cultura política; liberdades civis (de expressão e de imprensa, entre outras).
Mais de uma quarta parte da população mundial (28%) vive sob governos nacionais cujos poderes são ilimitados. Tiranias. Se a esses acrescentarmos os governados por regimes híbridos (México, El Salvador, Guatemala, Butão e outros 32), somos levados a concluir que 72% da população mundial está submetida a situações às quais não se pode aplicar o adjetivo imperfeito ou a palavra democracia.
É relevante ver que países dos quais o governo brasileiro se aproxima estão na rabeira da lista: Irã (154º), Venezuela (147º), Rússia (146º), Nicarágua (143º).
Por fim, pense no quesito “Cultura Política”, na qual o Brasil tem sua nota mais baixa, e responda para si mesmo como obter uma saudável cultura política se são unilateralmente alinhados e militantes:
- a imprensa que mais se comunica com a opinião pública, ou seja, os poderosos grupos de comunicação, os canais de TV aberta, suas News e seu jornalismo,
- as plataformas que operam as redes sociais,
- a imensa maioria dos que trabalham na cadeia produtiva da Educação e
- os atores do mundo cultural.
Isso quase nunca é apontado e compromete gravemente a qualidade da nossa democracia neste seu dia internacional. A razão é simples: o Brasil necessita de uma reforma institucional que poderia melhorar nossa posição em alguns quesitos, mas é impossível demonstrar isso para quem acha que democracia boa é assim com a temos e que nossos únicos problemas são ideológicos e morais. Sempre pensam em si, mas nunca olham para dentro de si mesmos.
Percival Puggina (78) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país.. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+. Membro da Academia Rio-Grandense de Letras.
Na Venezuela é assim - 24/08/2023
Percival Puggina
A exemplo da conhecida frase de Sant Hilaire, ou acabamos com as exceções ou as exceções acabam com o Brasil.
As regras vigentes para o TSE durante a campanha eleitoral, quando a urgente aplicação das decisões decorre da necessidade de prevenir prejuízos insanáveis, foram usadas às mancheias em 2022. A partir daí, tem-se a impressão de que alguns as entenderam como a linha reta entre dois pontos – vapt-vupt – para a justiça que lhes cabe exercer.
O caminho fácil das exceções entrou por janeiro e seguiu pelo ano adentro, a tal ponto que a vice-procuradora-geral da República formalizou seu protesto apontando excessos que observava. A CPMI quis conhecer esse documento, mas li em Metropoles que o ministro Alexandre de Moraes quer saber que relação esse pedido tem com o escopo da Comissão. Seguindo a regra geral, ficaremos sem saber de coisa alguma, neste modelo de Estado que só protege diligentemente a si mesmo e seus segredos.
Ontem assisti ao especial do Brasil Paralelo com o título “Infiltrados”. O documentário mostra com imagens e depoimentos, a dura realidade institucional da Venezuela, onde cidadãos que se atreveram a falar repetem situações muito semelhantes às que estamos vivendo no Brasil: censura, criminalização da oposição, criação de tipos penais fluidos como fake news e discurso de ódio... Lá eles não podem chamar isso de ditadura.
O fato é que, como cidadãos, todos nos sentimos inseguros perante as atitudes do Estado em relação a quem diverge de seu majestático modo de ser.
Coreia do Norte: posse de Bíblia pelos pais deu prisão perpétua também para bebê. - 30/05/2023
Leio no Portal Guiame
De acordo com o Relatório Internacional de Liberdade Religiosa de 2022 do Departamento de Estado dos EUA, um menino de dois anos e sua família foram condenados à prisão perpétua pela posse de uma Bíblia.
O caso de grande repercussão na mídia ilustra a repressão do regime comunista norte-coreano contra indivíduos com crenças religiosas.
Segundo o relatório, estima-se que cerca de 70.000 pessoas, incluindo cristãos e indivíduos de outras religiões, estão detidos na Coreia do Norte devido à perseguição religiosa.
“O direito à liberdade de pensamento, consciência e religião [na RPDC] também continua a ser negado, sem sistemas de crença alternativos tolerados pelas autoridades”, afirmou António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), descrevendo as atrocidades que a Coreia do Norte comete contra a liberdade religiosa nos últimos anos.
De acordo com a ONU, as restrições de viagens impostas devido à pandemia de Covid-19 reduziram as informações sobre a perseguição religiosa, o que piorou a verificação de detalhes sobre os casos de abuso.
No entanto, o Departamento de Estado americano afirmou ter finalmente confirmado os detalhes do relatório com base em informações de organizações não governamentais (ONGs), grupos de direitos humanos e a própria ONU.
De acordo com o relatório, algumas instituições registradas, como igrejas, existem especialmente na capital coreana, Pyongyang. No entanto, os visitantes relataram que a igreja "operava sob rígido controle do estado e funcionava em grande parte como uma vitrine para estrangeiros".
O Departamento de Estado também afirmou que é difícil quantificar o alcance e o número de igrejas subterrâneas ou secretas devido o governo proibir atividades religiosas privadas.
Segundo informações de desertores, o governo norte-coreano encoraja os cidadãos a denunciarem qualquer pessoa envolvida em atividades religiosas não autorizadas ou que possua materiais religiosos, como a Bíblia.
Eles relataram que cristãos frequentemente escondem suas atividades religiosas de familiares, vizinhos, colegas de trabalho e outros, por medo de serem rotulados como desleais ao governo norte-coreano e denunciados às autoridades.
Abusos da liberdade religiosa
A Korea Future divulgou, em 2021, um relatório com base em entrevistas feitas com 244 vítimas de abusos da liberdade religiosa.
Entre as vítimas estão 150 pessoas que aderiram ao Xamanismo, 91 ao Cristianismo, uma ao Cheondoísmo e outra pessoa ligada a outras crenças. Essas pessoas tinham entre dois e mais de 80 anos. Mulheres e meninas representaram mais de 70% das vítimas documentadas.
Conforme relatado, o governo acusou indivíduos de envolvimento em práticas religiosas, realização de atividades religiosas na China, posse de itens religiosos, contato com pessoas religiosas e compartilhamento de crenças religiosas.
Esses indivíduos foram submetidos a prisões, detenções, trabalhos forçados, tortura, negação de um julgamento justo, execuções públicas e violência sexual, de acordo com o relatório.
Crianças também são vítimas
Um dos incidentes destacados no relatório foi a prisão de uma família em 2009 devido às suas práticas religiosas e posse de uma Bíblia.
Como resultado, toda a família, incluindo uma criança de dois anos, foi condenada à prisão perpétua em campos de prisioneiros.
Outro incidente relatado pela ONG Korea Future descreve um caso chocante em que um homem foi espancado quase até a morte por guardas ao ser descoberto orando.
Além disso, foi registrado um incidente envolvendo um membro do Partido dos Trabalhadores Coreanos que foi encontrado com uma Bíblia. Ele foi levado pelas autoridades para um aeródromo e executado publicamente diante de milhares de pessoas.
Segundo relatam os cristãos, as terríveis condições dos campos de prisioneiros norte-coreanos, incluem desnutrição extrema, alimentação forçada com comida contaminada, abuso verbal e físico e execução.
A Open Doors USA (ODUSA) informou que, para os cristãos na Coreia do Norte, a vida é um "caldeirão de pressão constante" e "a captura ou a morte estão a apenas um erro de distância".
Segundo a ODUSA, os cristãos são considerados os mais baixos da sociedade e estão constantemente "vulneráveis ??e em perigo".
Comento
Terrível, não é mesmo? Pois mais ou menos assim é a história de vida de dezenas de milhões de pessoas cujas opções não foram compatíveis com o “direito” imposto por alguém, ou por algum partido político. No comunismo, os gulags eram campos de prisioneiros e, ao mesmo tempo, parte do mercado de mão de obra escrava entre repartições do Estado, sempre carentes de recursos humanos para atender às crescentes metas de produção fixadas por Stalin.
Há alguns anos, li um livro que recomendo enfaticamente – Fuga do Campo 14. Ele conta a história do jovem Shin Dong-hyuk que nasceu num campo de concentração da Coreia do Norte. Ali viveu sem conhecer sentimentos humanos uma vida de submissão absoluta e em total desconhecimento sobre o que havia fora do Campo. Atualmente, ele vive na Coreia do Sul, faz ativismo político contra a tirania que oprime seus irmãos do Norte e persiste como o único norte-coreano que conseguiu fugir de um campo de concentração naquele país.
Coisas assim podem acontecer e acontecem quando as tiranias se instalam. Por isso, denúncia, anúncio e resistência são condutas de prudência. No Brasil, a linha da liberdade já foi recuada e está sob ameaça.
Na capa do meu livro “Pombas e gaviões”, publicado pela AGE em 2010, incluí uma frase que retoma, nestes dias sua inteira validade: “Os ingênuos estão na cadeia alimentar dos mal-intencionados”.
O erro de não reconhecer os direitos dos outros - 11/05/2023
Percival Puggina
Tornou-se habitual em nosso país, e nem às vítimas surpreende mais o não reconhecimento dos direitos alheios. Seja por parte do Estado, seja entre os indivíduos. O direito à propriedade privada, ao devido processo, ao juiz natural, à intimidade, à própria dignidade, à liberdade de opinião, valem menos a cada dia. Instalou-se entre nós um ódio real para combater um ódio ficcional que, na maior parte das vezes, é cidadania indefesa e, por isso, indignada e revoltada. Quem ainda não entendeu, vá estudar história.
O leitor destas linhas sabe que é assim e, por isso, mais vale dedica-las ao caso concreto da intromissão brasileira no conflito entre a Federação Russa e a Ucrânia. Tudo que o governo Lula tem feito ao se intrometer onde não era chamado foi comprometer o Brasil com uma atitude inconveniente e errada, mas compatível com seu agir mais corrente.
O governo petista não reconhece direitos alheios. Aqui, desconsidera, por exemplo, os direitos de quem contribui para os fundos que dissipa em empréstimos internacionais, os direitos dos cidadãos à liberdade de expressão e os direitos dos proprietários invadidos por seus movimentos parceiros. Por que seria diferente em relação aos da invadida Ucrânia?
Então, Lula fala e fala, e manda seu porta-voz, que o papagueia, dizer que a paz na Ucrânia depende de que os dois lados abram mão de algo, cabendo à Ucrânia ceder uma parte de seu território, porque com a guerra, os dois lados estão tendo um ônus maior do que se renunciarem a alguma coisa...
Imagine, agora, cidadão brasileiro, as consequências dessa irracionalidade e falta de juízo moral quando aplicados aos interesses nacionais que lhes corresponde proteger! Estão vendo o que fizeram com nosso país? A esquerda só não renuncia ao que, em sua ganância política, julga ser seu, como, por exemplo, os cargos que a lei vedava provimento por militantes políticos. Mas isso Lewandowski já resolveu. E disso, agora, Toffoli é o novo garantidor.
Que tempos, senhores! Que tempos!
Que bispos são esses? - 30/04/2023
Bernardo P. Küster
Que bispos são esses que, reunidos em Aparecida, fazem esta gracinha, aparentemente inocente, e ainda de risinho do rosto?
Fazer o L é apoiar todas as medidas a favor da legalização do ab0rt0 do governo atual;
Fazer o L é apoiar toda a promoção da ideologia de gênero e da relativização da família feita pelo atual governo;
Fazer o L é apoiar o atual governo, amigo de Daniel Ortega (Nicarágua), que persegue implacavelmente cristãos em seu país;
Fazer o L é apoiar o Foro de São Paulo, fundado pelo PT e que apoia as ditaduras latino-americanas, do qual ainda participaram grupos narcoterroristas como as Farc;
Fazer o L é apoiar (direta ou indiretamente) o socialismo-comunismo, ideologia que matou 100 milhões no século XX e, hoje, ainda mata;
Fazer o L é apoiar um governo com diálogos cabulosos com PCC, segundo um membro da própria Orcrim;
Fazer o L é apoiar o regime chinês, que persegue toda religião (católica, protestante, muçulmana, judaica) que não se submeta a Xi Jinping;
Fazer o L é apoiar a justificação da invasão da Ucrânia feita pelo atual governo;
Fazer o L é isso e muito mais.
É rir da cara de 100 milhões de brasileiros que não fizeram o L em outubro de 2022.
É acusar os católicos de polarização ao mesmo tempo em que, cinicamente, promovem a polarização e divisão entre os fiéis.
Por fim, a gracinha se fez, mais uma vez, vergonha.
Deus, pedimos ao Senhor misericórdia e justiça perfeitas sobre todo mal que os membros de Sua Igreja perpetuam.
Como diz a Escritura: “O nome de Deus por causa de vós é blasfemado entre as gentes” (Rm 2,24)
Graças a Deus, não é a maioria de nossos bispos que são assim. Há excelente prelados que, no silêncio e no serviço, governam, ensinam e santificam o Povo de Deus. Infelizmente, a minoria barulhenta é que aparece.
Na foto, da esquerda para a direita:
-Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho-RO e do Conselho Indigenista Missionário;
-Dom Vicente Ferreira, bispo Livramento de Nossa Senhora-BA;
-Dom Flavio Cappio, bispo de Barra-BA;
-E, fazendo o “L”, está Dom Edson Damian, bispo de São Gabriel da Cachoeira-AM.
* Texto e foto publicados pelo autor Bernardo P. Küster em sua página no Instagram: https://www.instagram.com/p/Crn4XXZAZy8/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D
Indulto de Daniel Silveira será julgado pelo STF em abril. - 27/03/2023
Percival Puggina, com conteúdo Diário do Poder
Leio no Diário do Poder
Parte interessada na questão, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgará em 13 de abril a “legalidade” do indulto que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) concedeu ao ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ), após o parlamentar ter sido condenado pela mesma corte.
O indulto ou ”graça” presidencial é uma prerrogativa prevista na Constituição, que não prevê sua “revalidação” pelo STF. Apesar disso, o tribunal acolheu representação de opositores e, mesmo sem previsão constitucional e sendo parte interessada, os ministros decidiram realizar esse “julgamento”.
A data foi marcada pela ministra-presidente do STF, Rosa Weber, que é relatora de ações de partidos políticos que contestaram o indulto.
Comento
O julgamento ocorre porque em 22 de abril do ano passado, a Rede, o PDT e o PSOL contestaram a graça concedida por Bolsonaro ao parlamentar. Partidos de esquerda que votam em ladrão, que defendem o desaprisionamento, que veem um excesso de indivíduos encarcerados em nosso país, que consideram “vingativo” o sistema penal, são implacáveis quando o preso é adversário político. No Senado governista, a Comissão de Ética tem uma lista de senadores de oposição para manter sob pressão a risco da cassação de mandato.
Em virtude da graça presidencial, o deputado Daniel Silveira foi posto em liberdade, mas o taxímetro das multas continuou sendo marcado, dia após dia, porque o ministro Alexandre de Moraes considera que o benefício presidencial não atingiu desdobramentos do ato agraciado. Vinte e quatro horas após extinguir-se o mandato parlamentar de Daniel Silveira, o ministro ordenou seu retorno à prisão, onde se encontra ainda hoje, para alegria de seus empoderados adversários.
Para caracterizar a catálogo de absurdos do caso Daniel Silveira, basta a pena 8 anos e 9 meses em regime fechado que lhe foi aplicado por tribunal que funcionou como ofendido, acusador e julgador – uma situação, que tenho certeza, nenhum dos que o condenaram haveria de tolerar para si mesmo... Foi preciso somar crimes e penas para chegar um total que tornasse obrigatório o cumprimento em regime fechado. Afinal essa era a satisfação buscada por quem foi ofendido por um parlamentar cujas palavras estão protegidas pela Constituição.
Fosse ele um cidadão comum, sem proteção constitucional, jamais seria encarcerado pelo que disse. Mas Daniel Silveira é arrogante, desaforado, tem o tamanho de um guarda-roupa e é visto como "de direita". Está pagando também por isso.
A guerra contra as redes sociais receberá novos mísseis e armas pesadas - 10/03/2023
Percival Puggina
Leio em Jota.info
Os ministros Dias Toffoli e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), marcaram para o dia 28 de março a audiência pública para debater as duas ações que discutem a moderação de conteúdo e a responsabilidade dos provedores de internet, websites e gestores de redes sociais em relação ao conteúdo postado por terceiros.
A audiência pública é um importante passo para o andamento das duas ações e demonstra o interesse do Supremo em dar seguimento a assuntos que envolvem plataformas e conteúdo. Ministros do STF têm demonstrado interesse em julgar esses temas para deixar o ambiente legislativo mais seguro para regular a internet no Brasil.
A audiência ocorrerá na modalidade híbrida – presencial e virtual – e ainda não há horário definido. As duas ações estavam sem andamento no STF porque a audiência pública ainda não tinha ocorrido – a reunião chegou a ser marcada em 2020, mas por conta da Covid-19, acabou não ocorrendo.
Comento
Guerras com desequilíbrio de forças são aquelas em que um dos lados tem armas melhores e mais combatentes. E existem guerras em que um lado a declara e vai à caça dos oponentes que, embora infinitamente mais numerosos, com mãos abanando, saem em disparada. Tem este segundo tipo assimetria a guerra travada contra as redes sociais.
“A vida era mais fácil quando elas não existiam”, devem pensar os militantes instalados nas redações dos grandes veículos e na cadeia produtiva da Educação, os políticos de esquerda, os ativistas do Judiciário, os religiosos da Teologia da Libertação, os líderes dos ditos movimentos sociais, os milionários das sinecuras culturais, etc. Para completar essa lista seria necessário desfiar todos os elos da imensa e consolidada cadeia de organismos em que se nutre a hegemonia esquerdista no Brasil. “Então, acabe-se com elas pela regulação!” – é o estridente grito dessa guerra.
A regulação fornece os mísseis; a militância usa as armas pesadas do denuncismo, da gritaria e do espalhafato. Já não me surpreende mais que o façam cobertos pelas vestes alvas de uma suposta grandeza moral e de um amor fecundo àquela verdade da qual são habituais estupradores.
Enquanto tiver fôlego direi impotente “Não!” a qualquer sugestão para regular as redes proveniente da mesma fonte que, há poucos meses, censurou verdades conhecidas que agora cotidianamente se comprovam, impôs silêncio aos divergentes, fechou veículos de mídia digital, deixou tantos comunicadores e autores sem sustento e impediu a divulgação de obra que sequer conheceu.
Por que o governo não quer a CPMI do 8 de janeiro? - 08/03/2023
Percival Puggina
Assisti durante pouco mais de uma hora à sessão da Câmara dos Deputados na terça-feira (07/03). O assunto era a CPMI.
A oposição criticava o movimento do governo, que compra votos para “convencer” parlamentares de que devem “dessassinar” o pedido da CPMI. Essa compra utiliza os mecanismos usuais de “negociação”, cujos valores tradicionalmente são considerados suficientes para que convicções se tornem irrelevantes.
Estamos falando de moeda sonante nacional. Pouco importa se por concessão de cargos (acesso a tesourarias bem fornidas), se por liberação de recurso para atender emendas parlamentares (dinheiro para beneficiar bases eleitorais), se por ameaça de não liberar recursos para emendas aprovadas, ou se falamos de dinheiro em espécie. A fonte é sempre o bolso do pagador de impostos.
O governo contrapunha falando de joias. Ou seja, um diálogo entre surdos para ser ouvido por mudos na frente do televisor.
Um deputado petista iluminou o plenário proclamando, como quem desfere um golpe mortal nos adversários, sob impulso da mais pura lógica: “Queriam o quê? Que o governo pressionasse para apoiarem a CPMI?”. Ou seja, formulou uma sonora e solene proclamação de culpa. A ideia de um esclarecimento dialético no âmbito de uma comissão parlamentar, com audiências públicas e investigações acompanhadas pelo governo e pela oposição não interessa ao governo! E, em vista das perguntas que não faz, não interessa sequer a essa coisa lamentável em que se transformou a maior parte do jornalismo brasileiro.
Os acontecimentos dos dias 8 e 9 de janeiro saem de todos os gabaritos razoáveis! Seja no plano da segurança pública, seja no das polícias próprias dos poderes de Estado, seja no procedimento do QG do Exército, seja no arrastão que levou mais de 2 mil pessoas para o ginásio da PF, seja na ação do Poder Judiciário, seja na tão ridícula quanto criminosa ação dos vândalos em vista da patética relação entre os meios usados e os fins supostamente buscados. E por aí vai. Tudo muito misterioso se a verdade se resumir a saber quem financiou e por que estava de férias quem estava de férias (caso do secretário de segurança do DF).
Cidadão, se puder e estiver ao seu alcance, pressione deputados e senadores a apoiarem a CPMI. Só ela pode trazer racionalidade para o debate político e, principalmente, legitimar a ação política espontânea da sociedade como parcela viva da democracia que queremos.
O jornalismo na idade das trevas - 05/03/2023
Percival Puggina
A militância política das redações nasce nas salas de aula da cadeia produtiva da Educação. É um dos resultados desejados pelos ativistas do giz e quadro negro. O jornalismo que temos é produto acabado desse aparelhamento. Sei que, retoricamente, estou tomando a maioria pelo todo, mas é a maioria que faz a maior parte da receita no bolo da comunicação social. Certo?
O entusiasmo missionário de muitos jornalistas, ou mesmo de profissionais de outras áreas atraídos para as programações na condição de consultores, acaba fazendo de tudo uma simulação da realidade, como se os programas fossem apresentados desde o interior da caverna de Platão. As coisas não são como são, mas como as sombras que dela se projetam.
Há bem poucos dias, na CNN, uma jornalista mocinha defendia (o jornalismo de hoje ou ataca ou defende) a ideia de que o “subsídio” aos combustíveis (na verdade a redução de impostos) só interessa às classes a partir da classe média porque aos pobres interessa o alimento...
Tratava-se, no caso, de defender o retorno da tributação que produziu a imediata elevação dos custos de um insumo com repercussão direta na formação dos preços das demais mercadorias. A militância, porém, não se preocupa com a racionalidade. O negócio é vender o peixe com o discurso politicamente conveniente.
Do alto de sua sensatez, um amigo meu comentou a absurda tese da mocinha em poucas palavras: “Para ela o alimento do pobre deve chegar a pé no mercadinho”.
E esses fidalgos falam em “discurso de ódio” - 04/02/2023
Percival Puggina
Leio no Diário do Poder
Gilmar diz em Lisboa que Brasil era governado ‘por uma gente do porão’
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou em Lisboa, nesta sexta-feira (3), que “estávamos sendo governados por uma gente do porão, pessoas da milícia do Rio de Janeiro com protagonismo na política nacional”.
As declarações do ministro foram prestadas à jornalista Sonia Blota, da Rádio Bandeirantes e da TV Band, por ocasião de evento da Lide, empresa do ex-governador de São Paulo João Doria. Para ele, isso mostra “que temos que ter preocupação até pela nossa integridade física”.
Sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o ministro afirmou ter a “impressão” de que ele “já está sendo investigado”.
Comento
Assim é o STF brasileiro, onde todos fazem política e alguns são politiqueiros a esse nível.
A frase de Gilmar Mendes é um depoimento sobre si mesmo. Sempre que a oportunidade aparece, ele mostra ser muito mais um político no exercício de atividade política, com lado e missão, do que um ministro ocupado com a proteção da sociedade à luz da Constituição. Nesse mesmo evento, ele afirmou desejar “que o Brasil nunca mais volte a ser um pária internacional”...
Fazer frases de efeito, afirmar esse disparate contra um governo que recebeu no mínimo 58 milhões de votos de cidadãos brasileiros, não olhar para os mequetrefes que Lula chamou para o poder, nem para o próprio presidente e seu passado, são condutas incompatíveis com qualquer desejo de obter consideração social.
Nunca estive no “porão”, mas imagino quem o frequente. No entanto, como não sou irresponsável, não digo.
Opa!? Pacheco pede e Alexandre de Moraes concede? - 30/01/2023
Percival Puggina
Lido dia 26 no jornal Metrópoles
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a reativação das contas do deputado federal eleito Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros parlamentares. Em decisão desta quinta-feira (26/1), Moraes determinou expedição de ofício às empresas Facebook, Instagram, TikTok, Twitter e YouTube para que cumpram a decisão.
Moraes considerou apelo do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, no sentido “de permitir que os parlamentares, bem como aqueles que foram eleitos para a próxima legislatura, possam retornar a utilizar suas redes sociais dentro do mais absoluto respeito à Constituição Federal e à Legislação”, diz decisão.
Ao examinar a peça de Nikolas, o ministro do STF entendeu que os mesmos argumentos que aceitou para a retomada das contas do senador Alan Rick seriam aplicáveis a Nikolas.
Multa
Em 11 de janeiro, o ministro determinou que a conta no Telegram do parlamentar eleito fosse suspensa. A empresa recebeu a ordem dois dias depois, mas não cumpriu a determinação. Na quarta-feira (25/1), o aplicativo questionou a decisão da Suprema Corte, afirmando que ela apresenta fundamentações genéricas” e “desproporcionais”.
Em resposta ao questionamento do Telegram, Moraes multou o aplicativo em R$ 1,2 milhão.
Comento
Rodrigo Pacheco está brigando por voto no esforço para chegar a 41, se reeleger presidente do Senado Federal e dar continuidade à sua trajetória de sucessivas omissões. Contanto que para ele tudo esteja bem, o circo nacional inteiro pode pegar fogo e as arbitrariedades seguirem seu curso como “água morro abaixo e fogo morro acima”.
Agora, me digam: se Pacheco está brigando por voto, não fica estranho o ministro fazer o que nunca faz e voltar atrás de decisões punitivas a pedido do senador candidato que é seu óbvio preferido na eleição do dia 1º de novembro? Tudo parece pouco republicano...
Não convém esquecer que as razões para cortar as redes sociais de parlamentares eleitos eram vagas e difusos, como tentou demonstrar o aplicativo Telegram pedindo ao ministro que revisse sua determinação. Afinal, a empresa vive dos seus assinantes ativos e não dos passivos. Tomou multa de R$ 1,2 milhão. Logo após, Alexandre, a pedido do senador Pacheco, liberou as tais contas “desde que todos obedecessem a Constituição”. E, como bons meninos, não fizessem pipi na cama.
Por essas e outras, às vezes me sinto um extraterrestre no meu país.
É bom que os novos senadores – especialmente esses! – aproveitem o treinamento para verem como funcionam as coisas e decidam se querem exercer um poder de terceira categoria ao longo de seus mandatos. Não é o que os eleitores desejam.
Medalha do Mérito Farroupilha - 23/12/2022
Ontem, no Salão Júlio de Castilhos da Assembleia Legislativa, recebi a medalha do Mérito Farroupilha das mãos do deputado Mateus Wesp, autor da proposição que levou meu nome à consideração da Mesa Diretora do parlamento gaúcho.
Embora não me julgue possuidor de méritos para tanto, honrou-me receber tal reconhecimento através do jovem e ilustre parlamentar e professor, pós-doutor em Direito, líder da bancada estadual e presidente de seu partido (PSDB) no Rio Grande do Sul.
Temos as mesmas convicções sobre as causas institucionais dos problemas políticos, sociais e econômicos brasileiros. Esse traço de união e esse trabalho quase missionário que partilhamos há décadas está certamente na razão da presença de muitos outros amigos que, naquele nobre recinto, testemunharam o ato.
Ali estavam, também, irmãos de sangue e de fé cristã, amigos do Partido Progressista ao qual dediquei um quarto de século de minha vida, membros do movimento de cursilhos, da ADCE, da ADESG, defensores, todos, da democracia, da liberdade e do estado de direito. De fato, não de rótulo ou falso argumento.
Ao agradecer a honraria, depois de exaltar a brilhante carreira profissional e intelectual do deputado Wesp, apontei a tirania instalada no país, suas causas e o histórico empenho de muitos ali presentes em promover uma adequada reforma institucional no Brasil. As atuais deficiências, gravadas na pedra constitucional, compõem terrível armadilha pela qual somos periodicamente atraídos à danosa sucessão de crises sociais, econômicas e políticas cuja culminância estamos atingindo. A íntegra do solene ato, com os dois pronunciamentos, meu e do deputado Wesp, pode ser assistido AQUI.
Encantou-me particularmente algo que de modo fortuito percebi numa das fotos enviadas para mim nestas últimas horas. Nela estão três jovens e brilhantes deputados estaduais gaúchos – Mateus Wesp, Marcus Vinícius Almeida e Guilherme Pasin –, Leonardo Paschoal, prefeito reeleito de Esteio, e o ex-vice-prefeito de Porto Alegre, Gustavo Paim. No início do milênio, quando se ensaiavam para as atividades políticas a que se sentiam vocacionados, todos foram alunos da Fundação Tarso Dutra, da qual, por sugestão de Celso Bernardi, fui organizador e presidente ao longo de seis anos dedicados à formação de tais lideranças. Um trabalho do qual muito me orgulho pelos excelentes frutos, alguns dos quais luzindo entre os melhores do cenário federal. Que Deus a todos conduza e inspire, sempre, para o bem do Brasil, minha paixão e meu chão.
Omissão, tolerância e bobeira - 30/11/2022
Percival Puggina
Leio na Gazeta do Povo
Desde o dia 13 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) conta com uma empresa privada dedicada a fazer monitoramento em sites e redes socais não apenas de temas relacionados à Justiça Eleitoral, mas também de usuários que façam publicações sobre termos e palavras-chave que o TSE manifeste interesse. A importante matéria pode ser lida aqui: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/tse-mantem-contrato-empresa-monitorar-identificar-criticos-justica-eleitoral/.
Comento
Noutros pontos da matéria, a Gazeta informa que entre os interesses explicitados nos objetivos do contrato se inclui a identificação de “fontes detratoras” e “ações coordenadas”.
Ontem (20/11), durante sessão da Comissão de Transparência, Fiscalização e Controle (CTFC), os bons senadores Espiridião Amim, Eduardo Girão e Luiz Carlos Heinze falaram sobre o tema expressando a necessidade de investigar esse contrato que bem deveria caber no âmbito de uma CPMI (Comissão parlamentar mista de inquérito) sobre abuso de autoridade. Unindo as duas casas do Congresso, ampliar-se-ia o caráter da CPI proposta pelo deputado Marcel van Hattem que, com mais de 200 outros deputados, pede a instalação de uma CPI com esse intuito na Câmara dos Deputados.
Meus leitores devem lembrar que em artigos escritos nos últimos meses eu mencionei o caráter abusivo e invasivo do trabalho que designei como ação de cães farejadores no espaço digital. Não sou adivinho, em algum lugar isso já tinha sido divulgado. Assim, pelo menos desde o dia 13 de setembro (três semanas antes da eleição e já contando 11 semanas de operação), algo do que pagamos como impostos e vai destinado à Justiça Eleitoral serve para que esta nos vigie. Mais bem faria a instituição se nos protegesse de quem quisesse nos vigiar.
O fato de os poderes de Estado serem informados pelos jornais com tanto atraso é a omissão, cadeira ministrada pelo professor Rodrigo Pacheco, e primeira palavra do título deste comentário. A segunda palavra se refere às consequências. Tenho certeza de que se abrisse aqui uma enquete sobre possíveis consequências dessa informação, a resposta mais frequente seria “Não vai dar nada”. É a tolerância. E a terceira palavra vai para a imensa multidão dos desinformados, dos que estão de bobeira, dos que não têm ideia de onde estão metidos. Simplesmente são levados ao mesmo brejo para onde a vaca é puxada.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Agora, faz um L. - 13/11/2022
Percival Puggina
Em 2009, Lula cumpria o penúltimo ano de seu segundo mandato. Os anteriores foram de euforia. Moeda estável, commodities em alta, receita pública em rota ascendente. Meio bilhão de chineses haviam entrado no mercado mundial consumindo o que houvesse para comprar. O PIB sorria e o mundo não espirrava nem arquejava. A revista The Economist publicou a famosa capa em que o Cristo Redentor foi representado como um foguete cuspindo fogo e decolando do Corcovado. Sobre a cena, a manchete de capa: “Brazil takes off!”.
Oito anos depois, a mesma revista estamparia idêntico cenário, mas o Redentor era um foguete em queda livre, sob o título inverso: “Brazil blown it”.
Infelizmente, nada do que fora positivo podia ser creditado ao estadista de Garanhuns. Ele e os seus se haviam oposto ao Plano Real de onde vinham as virtudes da estabilidade monetária e da credibilidade. O acelerador da prosperidade interna fora pisado off shore, pelo mercado externo. Exatamente quando tudo ia bem com as receitas em alta, se revelou a irresponsabilidade e a incompetência da gestão petista. As despesas fixas acompanharam essa ascensão anunciando o déficit por vir. E ele veio. Veio com a Copa, com os Jogos Olímpicos, com as obras mal planejadas que não terminariam, com as novas estatais (41 para ser exato!); veio com a corrupção, com os empréstimos a Cuba mediante garantia em charutos e a outros mais do que duvidosos devedores (a maioria dos quais membros da fraternidade comunista do Foro de São Paulo).
Agora, enquanto o dólar sobe e a Bolsa cai, impulsionados ambos pelas declarações de Lula firmando compromisso com a irresponsabilidade fiscal e querendo gastar R$ 200 bi que nao existem, seu homem de então no Banco Central, Henrique Meirelles, disse que Lula “sinalizou uma direção à Dilma” e desejou sorte aos financistas que o escutavam. Li, tambpem, que Pérsio Arida estaria repensando sua participação na equipe de transição.
Aí, vêm à mente aquelas palavras de Luiz Inácio, na Etapa São Paulo do 6º Congresso do PT (1917), quando, após uma enxurrada de promessas que incluíam a regulação da mídia, afirmou que assim agiria não por ter ficado mais radical, mas por estar mais “Maduro” evocando o tirano da Venezuela (assista aqui). De lá pra cá, “amadureceu” ainda mais, se me faço entender.
Confissões - 10/11/2022
Percival Puggina
Quem não é bobo ou mal intencionado entende a decisão da nobre Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados que aprovou a concessão de prêmio ao ministro Alexandre de Moraes. É a mesma coisa que o atropelado entregar medalha de honra ao mérito a quem o atropelou. Sim, porque a dupla dinâmica TSE/STF tem atropelado o Congresso Nacional sem que se registre B.O. e sem – nem mesmo isto! – que o jornalismo brasileiro relate os fatos.
Só há um motivo para que o proponente, deputado Áureo Ribeiro, tenha praticado algo tão ridículo. Mesmo pelos obstruídos canais por onde transitam as notícias sobre os acontecimentos, o pouco que circula, circula. Nem todo o jornalismo internacional está deteriorado como o nosso; só nos países sob ditaduras o poder judiciário pratica ou carimba a censura; nas democracias, ela não recebe os aplausos que recolhe aqui. O excessivo ativismo do TSE, como era inevitável, chegou ao conhecimento internacional.
Era preciso, portanto, fazer um upgrade na reputação do processo eleitoral brasileiro diante das condições assimétricas e nada isonômicas em que se travou a campanha eleitoral. A entrega do prêmio “Transparência e Fiscalização Pública”, portanto, deve ter algo a ver com censura, com patrulhas digitais e com aplicação de sela, estribo, cabresto e rédea nas plataformas das redes sociais. O prêmio, com aprovação simbólica e apenas quatro votos contra, quer ser percebido como uma legitimação parlamentar de tudo isso.
Contestado pelos deputados gaúchos Marcel e Sanderson, o presidente da comissão e proponente da homenagem, na falta do que dizer, elogiou a “transparência” – valha-me Deus! – e a celeridade do processo de apuração. Que diabos isso teve a ver com os motes oficiais da premiação? Maravilha da tecnologia brasileira: contam-se de modo "transparente" 120 milhões de votos em três horas e seguem-se 11 dias de povo nas ruas.
A concessão do prêmio vale por uma confissão: para o lulismo, o serviço prestado foi tão valioso que mereceu reconhecimento; para a turma com processos no STF, a reverência preserva a pacata harmonia do ambiente.
Resposta a um leitor que se absteve de votar - 04/11/2022
Percival Puggina
Comentários de leitores são uma fonte inesgotável de reflexões. A gente aprende com eles e (espera-se!) vice-versa. Este, me escreve longo comentário, na verdade um manifesto, exaltando o contingente de 32,2 milhões de “eleitores-cidadãos-contribuintes-consumidores” que se recusam terminantemente a sair de casa para se submeter ao voto obrigatório. Com justa razão critica o voto obrigatório, o sistema eleitoral, o sistema de governo, o Congresso e a dupla STF/TSE. Defende o parlamentarismo, o voto distrital e o recall. Diz que Lula perdeu longe para a soma dos votos de Bolsonaro aos dos que se abstiveram de votar; que pouco importa quem venceu.
É a mais eloquente defesa da abstenção que já li. Sinteticamente respondo-lhe a seguir.
***
Você é responsável, sim, meu caro. Inclusive por aquilo que condena. Ao se abster de votar, você deixa sem representação parlamentar suas pautas corretas e importantes sobre nossas jabuticabas institucionais e, de lambuja, entrega ao país à decisão dos 120 milhões que foram às urnas.
Você fala de uma verdadeira multidão (32,2 milhões é muita gente) que corresponde à quase totalidade dos eleitores do estado de São Paulo (34 milhões). Essa multidão, rigorosamente, não fez coisa alguma em favor do que pensa, do que quer, de si mesmo ou do Brasil. Zero! Nada! Voto facultativo é uma prerrogativa de quem não qualquer motivação cívica. Você tem!
Sua reação, contudo, é tão sem sentido, desculpe-me por dizer, que precisa de um e-mail personalizado para tentar explicar. Quando eu receber 32,2 milhões de mensagens explicando os motivos da omissão de cada um dos remetentes eu estarei convencido de ser verdadeiro, embora estéril, o protesto que, nome de todos, você afirma.
No Chile e na Colômbia o voto é facultativo. Em ambos os países, no segundo turno, os dois candidatos perderam para a abstenção. E daí? O que isso quer dizer? Qual o valor disso? Qual a contribuição dos eleitores ausentes ao bem de seus conterrâneos?
No Chile e na Colômbia o voto é facultativo. Em ambos os países, no segundo turno, os dois candidatos perderam para a abstenção. E daí? O que isso quer dizer? Qual o valor disso? Qual a contribuição dos eleitores ausentes ao bem de seus conterrâneos?
Pense nisso urgentemente. Em 2024 haverá eleições municipais. Não posso, por fim, deixar de ponderar que o Brasil será entregue a um pilantra, a Globo e os presídios festejam vitória, Alexandre de Moraes, se tudo ficar como está, sai consagrado por sua tenacidade em levar o pleito para onde quis e por ter conseguido realizar a proeza. E a nação? Bem, essa está ferrada por quatro anos.
Abraço
O direito de propriedade relativizado - 03/11/2022
Percival Puggina, com conteúdo do Diário do Poder.
Leio no Diário do Poder (íntegra aqui)
Sempre lenta, reintegração de posse agora será submetida a "comissões".
Apesar de haver rejeitado a prorrogação da suspensão de ordens de remoção e despejos em áreas coletivas habitadas antes do início da pandemia de covid-19, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso tomou uma decisão que, na prática, dificulta a reintegração de posse de áreas invadidas, relativizando o direito constitucional à propriedade.
O ministro determinou que os tribunais responsáveis pelo julgamento de casos de reintegração de posse instalem comissões para mediar os despejos, antes do cumprimento de decisão judicial que determine a retirada de pessoas de áreas privadas. Especialistas afirmam que essa providência irá retardar ainda mais a conclusão de processos em que legítimos donos de áreas invadidas recuperem o que lhes pertencem.
Comento
Desnecessário dizer o quanto essa relativização está ligada a interesses ideológicos da esquerda. A razão é simples. Desde o século IV, pelo menos, circulou ao longo da história a ideia de que a propriedade privada é um erro estrutural das sociedades. A frase segundo a qual a propriedade e um roubo, atribuído ao Anarquista Proudhon (sec. XIX) caiu no inteiro gosto dos comunistas. O irônico na apropriação dessa ideia é o fato de ser ela valiosa para a implantação do comunismo porque excita a cobiça de uns sobre os bens de outros. E a revolução ganha seu combustível para a luta de classes.
Todo o blábláblá sobre o Brasil não ter sido descoberto e integrar, por direito, o “paraíso perdido” dos índios tem esta única razão: deslegitimar toda posse privada de bens imobiliários. O fato de a posse “pública”, estatal ou coletiva dos meios de produção haver redundado inevitavelmente em miséria, improdutividade, incompetência e opressão parece ser insuficiente ao entendimento de muitos.
E continuarão tentando.
Campanha de Lula pede que TSE investigue Jovem Pan - 16/10/2022
Percival Puggina
Leio na revista Piauí
A coligação Brasil da Esperança, composta pelo PT e pelos nove partidos que apoiam a candidatura Lula-Alckmin, protocolou hoje no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) contra os canais Jovem Pan, presentes na tevê paga, no sistema UHF e nas rádios, alegando falta de isonomia da emissora na cobertura eleitoral. A coligação argumenta que a cobertura da Jovem Pan é amplamente favorável a Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, e desfavorável à candidatura de Lula, veiculando, inclusive, notícias falsas a respeito do petista. A ação pede, em caráter liminar, que a rede passe a dar cobertura isonômica aos candidatos sob pena de multa, prevista no novo código eleitoral. (Leia a íntegra aqui)
Comento
A ridícula solicitação expõe, simetricamente, o inteiro consórcio da velha imprensa! Esta sim, há quatro anos, de modo ininterrupto, mesmo sob as regras da campanha eleitoral, faz oposição ao governo, silencia sobre suas realizações, ataca seu candidato e alisa o pelo de todos os gatos que cercam o candidato da oposição, catalogados em sucessivos processos criminais.
Por que vou votar no General Mourão - 01/10/2022
Percival Puggina
É imperioso, urgente, para o bem da democracia e do estado de direito, romper com a prevaricação, disfarçada de “equilíbrio institucional” e abençoada pela velha imprensa, que se estabeleceu entre o Senado Federal e o Supremo Tribunal Federal. Essa realidade está duramente explicitada em reiteradas declarações dos senadores Álvaro Dias, Eduardo Girão e Lasier Martins. Ao abdicarem dos julgamentos que reciprocamente lhes competem, os dois poderes desarmam a democracia das proteções constitucionais atribuídas a ambos.
O produto é abuso do poder, omissões absolutas, tirania ativa. Senadores que não são julgados pelos crimes de que são réus e ministros que fazem política em regime de dedicação exclusiva. Portanto, a eleição dos novos senadores é importantíssima para que se rompa esse ciclo vicioso.
No Rio Grande do Sul, a valerem as pesquisas na eleição para o Senado, o candidato do PT – ex-governador Olívio Dutra (em cuja posse no posto de governador foi hasteada uma bandeira de Cuba na sacada do Palácio Piratini) lidera as intenções de voto. Só não será eleito se os eleitores de um dos candidatos que aparecem em segundo e terceiro lugar migrarem suas preferências para o outro. Difícil de combinar, mas fácil de decidir.
O general Mourão, que aparece em segundo lugar na pesquisa IPEC divulgada ontem (30/09) à noite, é o candidato apoiado pelo presidente da República e isso já diz muito para quem sabe a importância de uma base parlamentar do governo no Congresso.
A ex-senadora Ana Amélia, em 2012, quando senadora pelo Progressistas, apoiou Manuela d’Ávila como candidata a prefeita de Porto Alegre; em 2018 integrou como vice-presidente a chapa de Geraldo Alckmin. Agora, disputa o Senado pelo PSD, partido que no Rio Grande do Sul apoia a candidatura de Eduardo Leite (PSDB), adversário declarado do Presidente da República. Por fim, num cenário político como o atual, o PSD alega não ter candidato à presidência, embora seu líder Gilberto Kassab faça acenos para Lula e para o PT.
São razões práticas que tenho como suficientes para recomendar, a quem não for de esquerda, um voto indispensável no general Mourão (100).
A perseguição à Jovem Pan - 23/09/2022
Nota: Bianca Nunes, Diretora de Redação da Revista OESTE, divulgando aos assinantes o conteúdo da última edição, escreveu este belo texto introdutório de um tema da maior gravidade, abordado na revista.
"Além da multiplicação da pobreza, da escassez de produtos de consumo, da inflação descontrolada e da produtividade raquítica, governos populistas de esquerda da América Latina têm outra característica comum: o desprezo pela liberdade em geral e, em particular, pela liberdade de imprensa.
Em janeiro de 2021, por exemplo, depois dos sucessivos ataques a veículos de comunicação ocorridos durante o governo de Hugo Chávez, Nicolás Maduro tirou do ar o canal de streaming VPItv, o único que costumava transmitir eventos oposicionistas. O ditador em gestação também condenou à morte os sites independentes Efecto Cocuyo, Tal Cual, El Pitazo e Caraota Digital, além do jornal Panorama, de Maracaibo. Em Cuba, faz mais de 60 anos que existe um único jornal: o Granma, um Diário Oficial piorado. Em novembro de 2021, nove homens encapuzados lançaram coquetéis molotov contra o prédio do jornal El Clarín, em Buenos Aires.
Valendo-se da linguagem literária, escritores como George Orwell e Aldous Huxley mostraram como regimes socialistas censuram, oprimem e perseguem aqueles que não obedecem às ordens dos donos do poder. Mas nem mesmo esses autores de fina linhagem poderiam imaginar que algum dia a imprensa apoiaria a institucionalização da censura.
Neste estranho 2022, uma emissora de rádio e televisão se tornou alvo não do governo, mas da ira dos próprios jornalistas e do pensamento único da esquerda. A perseguição à TV Jovem Pan News não ocorre por acaso. Segundo levantamento da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), 80% dos jornalistas brasileiros se declaram de centro-esquerda, esquerda ou extrema esquerda. Em contrapartida, somente 4% desses profissionais se identificam como de centro-direita, direita e extrema direita.
Os efeitos decorrentes desses números são resumidos num artigo publicado em 2017 por Sérgio Dávila, diretor de redação da Folha. "As redações são formadas em sua maioria por uma elite intelectual de jovens progressistas de esquerda", afirmou. "O resultado era palpável nas páginas do jornal, por mais que os profissionais se empenhassem em fazer valer o princípio de apartidarismo."
Qualificada de "braço mais estridente do bolsonarismo", a Jovem Pan é a única emissora efetivamente plural. Afinal, que canal de TV junta no mesmo programa figuras como Amanda Klein e Roberto Motta, ou Fábio Piperno e Rodrigo Constantino? E que lei impediria a Jovem Pan de adotar a posição política que quiser, como fazem os concorrentes? Até agora, nenhum veículo de comunicação saiu em defesa da emissora.
Como reagirão agora, confrontados com a mais recente arbitrariedade registrada na Nicarágua? O tirano Daniel Ortega, decidido a reiterar que é ele quem manda no seu pequeno reino, fechou o canal da CNN local. Lula é um dos mais ativos defensores do companheiro Ortega.
Nesta edição de Oeste, o jornalista argentino Gustavo Segré fez uma profecia perturbadora: "A Venezuela é a Cuba de amanhã. A Argentina, a Venezuela de amanhã". Na eleição presidencial brasileira, uma má escolha pode transformar o Brasil de amanhã numa Argentina, numa Venezuela, numa Cuba. Ou numa inquietante cópia ampliada da Nicarágua."
O irrestrito direito de dizer bobagens - 17/08/2022
Percival Puggina
Ontem fui com minha mulher buscar uma irmã que retornava do Rio de Janeiro após longo período acompanhando, com outra mana, a irreversível moléstia de uma sobrinha. Enquanto o pesado trânsito de Porto Alegre nos arrastava num remansoso rio de luzes pela Av. Carlos Gomes, comentei que estava apreciando aquela lentidão. Ante a surpresa das duas, esclareci que durante dois anos havíamos usufruído de um trânsito mais tranquilo, mas ele refletira a dura crise econômica causada pelo “fique em casa” e pelo “a economia a gente vê depois”.
O que agora víamos nas ruas deveria ser entendido como a retomada de sinais vitais, o corpo social e econômico respondendo positivamente a uma sábia combinação de liberdade e estímulos aplicados de modo correto. Tudo isso, a despeito da conhecida turma do quanto pior melhor. Só falta algum senador abusado entrar no TSE com denúncia de que os números promissores da economia são indícios de crime eleitoral e ministro em desvario dar ao presidente 48 horas para explicar as razões pelas quais a economia emite esses suspeitos sinais positivos.
Entre as razões da aceleração dos ritmos vitais se inclui, claro, a redução do preço dos combustíveis e de inúmeros tributos, medidas cuja principal consequência é haver mais dinheiro livre nas mãos das pessoas.
Penso que estaríamos ainda melhor não fosse o fato de revivermos, nestes dias, o período cíclico das incertezas eleitorais, que se agravam sob o sistema presidencialista de governo.
Alguém disse “nada a ver”? Pois leia o programa de governo de alguns candidatos. Eles me fizeram lembrar de um antigo exercício infantil em que as crianças, unindo com traço de lápis os pontos de uma gravura, reproduziam o desenho concebido pelo autor. Quem sabe “juntar os pontinhos” dessas propostas eleitorais obtém um desenho ameaçador. De modo reacionário, os autores do desenho pretendem nos levar de volta ao início do século. Algo assim não entusiasma os bons empreendedores nem quem esteja habituado a investir com meios próprios.
Por outro lado, nossa democracia não assegura a liberdade de expressão na proporção desejada pelos democratas. Temos tópicos proibidos e alvos políticos sob proteção do vocabulário opositor. Mas o direito de dizer bobagem é lindamente irrestrito. Evite falar sério.
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site Liberais e Conservadores (www.puggina.org), colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
Um debate constrangedor - 08/07/2022
Percival Puggina
Na última segunda-feira, a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do RS realizou uma audiência pública tendo como tema as Escolas Cívico-Militares já em funcionamento no estado. Com apoio do comando da entidade, que rejeita esse modelo, o tema foi proposto por um dos núcleos do CPERS-Sindicato.
Não estive na reunião, mas recebi um pequeno vídeo enviado pela vereadora de Porto Alegre, Comandante Nádia, que se manifestou entre os que defenderam o sistema.
Das imagens que vi, ficou-me uma impressão: o CPERS e os partidos que há décadas controlam pedagógica e politicamente a Educação no RS promovem, com exaltação e sem constrangimento algum, a defesa estridente do desastre que produziram.
A decadência da Educação no RS se expressa em sua atual posição no ranking dos Estados brasileiros, após ter sido uma referência nacional em educação pública. Segundo o IDEB 2019, o Rio Grande do Sul, na comparação com os demais estados, ocupa o 9º lugar e 16º lugar, respectivamente, nas séries iniciais e finais do ensino fundamental e o 11º lugar no ensino médio.
As escolas cívico-militares, infelizmente, estão obrigadas a manter as diretrizes pedagógicas e os currículos. Apenas, através de instrutores, incorporam ao convívio escolar conceitos de ordem, disciplina, respeito e amor à pátria que se traduzem em taxa de abandono muito menor, reprovação menor e IDEB maior.
Não por acaso, as comunidades das escolas consultadas aprovam, com 80% a 90% de votos favoráveis, sua transformação em escolas cívico-militares.
Contudo, o sequestro da Educação por partidos e organizações de esquerda, em todos os níveis, não admite a perda de nenhum de seus sequestrados!
A BBC treina equipe para lidar com 150 diferentes gêneros - 04/07/2022
Paul Joseph Watson
Incluindo xe, xem, xyrs...
A emissora estatal BBC, financiada por taxas de licença, contratou consultores de “inclusão trans e não binária” para treinar sua equipe de que havia pelo menos 150 gêneros diferentes.
Sim, realmente.
Os consultores da Global Butterflies foram contratados para fornecer treinamento sobre diversidade em torno do uso adequado de pronomes.
Durante as sessões de lavagem cerebral, os funcionários foram informados: “as pessoas podem se identificar de mais de 150 maneiras, e cada vez mais!”.
Os funcionários foram obrigados a incluir seus próprios pronomes de gênero nos e-mails da empresa, uma lista que agora aparentemente se expandiu para incluir os recém-inventados, como “xe, xem, xyrs”.
Funcionários que insistiram em usar os pronomes tradicionais he/she foram avisados ??de que “podem criar desconforto, estresse e ansiedade” e levar à depressão e risco de suicídio em pessoas trans.
“Se você ouvir um colega usando os pronomes incorretos para alguém, leve-o de lado e lembre-o dos pronomes corretos”, disseram aos participantes.
Uma fonte que vazou a história para o Telegraph depois de deixar a BBC disse ao jornal: “A BBC simplesmente não entende o que está acontecendo com a ideologia de identidade de gênero” e “está favorecendo um contágio social entre os jovens, em vez de ser o adulto na sala.”
O denunciante acrescentou que há uma “cabala unida no topo da BBC News que dá aprovação tácita à ideologia de gênero” e bloqueia histórias críticas à ideologia transgênero, garantindo as que “afirmem a ideologia de gênero” …
A BBC é financiada por uma taxa de licença obrigatória que é aplicada por meio de visitas domiciliares, ameaças legais e, em alguns casos, processos judiciais daqueles que assistem à programação da BBC sem pagar a taxa de licença.
* Conteúdo publicado originalmente em inglês por INFOWARS.
Uma casa sem espelhos - 15/06/2022
Percival Puggina
Leio no Correio Braziliense
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestou a declaração do presidente da Corte, ministro Luiz Fux, de que a anulação dos processos derivados da Operação Lava-Jato foi um ato "formal" e que os erros processuais não apagam os fatos que foram demonstrados nas investigações. Crítico dos métodos utilizados pelos procuradores de Curitiba, Gilmar afirmou na tarde desta segunda-feira, 13, durante almoço com empresários no Rio de Janeiro, que "ninguém discute se houve, ou não, corrupção", mas que "não se combate crime cometendo crime".
Comento
O ministro Gilmar Mendes, bem como seus confrades na confraria do STF, tem o hábito de desconsiderar fatos que não contribuem para a narrativa da hora. Um desses fatos jogados à masmorra do esquecimento foi a mudança de posição do próprio ministro em relação à prisão após condenação em 2ª instância. Em 2016, o ministro Gilmar integrara a maioria que por 6 a 5 estabelecera essa possibilidade; em 2019, mudou de convicção e, em nova “maioria de circunstância”, como talvez dissesse o ex-ministro Joaquim Barbosa, derrubou o que antes aprovara.
Não devemos esquecer que foi a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância que formou a fila de confessionário e de delações em Curitiba. A Lava Jato só alcançou os resultados que obteve graças às admissões de culpa e às possibilidades de redução de penas (ou até mesmo de perdão judicial) por colaboração com as investigações ou delação de outros criminosos feitas ante a possibilidade de prisão em curto prazo. O novelo recursal prosseguia rumo à eternidade, mas a pena começava a ser cumprida de imediato. O natural pavor do criminoso consciente do crime que cometeu, ante a porta da cadeia abrindo-se ali na primeira esquina, hoje vem sendo chamado, injustamente, de “tortura psicológica” imposta a esses desamparados... Arre!
A Lava Jato morreu, pois, em 7 de novembro de 2019, quando a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância ganhou caráter excepcionalíssimo. Clima de velório na sociedade e dia de festa na Papuda! Solenes homenagens a São Nunca. Embora morta, a Lava Jato ainda permaneceu aberta à visitação até o dia 8 de março de 2021, data em que o confrade Edson Fachin, após 10 sólidas decisões anteriores em sentido contrário, evaporou-as, mudou de posição e anulou a os processos de Lula que, julgados em Curitiba e no TRF-4, não tinham relação com a Petrobras.
O leitor destas linhas deve ter percebido essas “maiorias de circunstância”, essas mudanças súbitas de orientação e essas decisões capazes de reverter condenações julgadas e “rejulgadas” e “rerejulgadas”. Deve ter observado, também, o alinhamento político que caracteriza ampla maioria da atual composição do STF. Deve sentir, como eu, que ela traz insegurança jurídica e solapa, por essas e muitas outras razões, a confiabilidade da Corte, uma casa aparentemente sem espelhos.
O cúmulo do azar - 06/06/2022
Percival Puggina
Dezessete médicos cubanos presos por desertar.
Ser médico cubano é ser servidor público sacrificado, mal remunerado, tratado como commodity pela ditadura instalada em sua pátria. O Brasil conheceu uma parte dessa história durante os governos petistas. Governos que financiaram um enorme porto em Cuba para receber nosso dinheiro de volta em charutos a serem produzidos, também ajudaram a economia cubana importando mão de obra escrava para atuar na atenção básica de saúde em nosso país. Isso só não é um escândalo para quem tapa os olhos para não ver.
O texto transcrito abaixo é de um veículo de imprensa digital venezuelana e confirma notícia que eu já havia recebido de um amigo, médico cubano que foi mais bem sucedido que seus colegas e conseguiu evadir-se com toda sua família. Hoje mora nos Estados Unidos.
Ele me contou todo esse infortúnio, a que chamo de cúmulo do azar. Médicos na ditadura cubana, arrendados à ditadura venezuelana, tentaram desertar... na Venezuela com o intuito de chegar a Colômbia. Agora, estão sujeitos à aplicação do artigo 369 do novo Código Penal cubano. Isso significa perda do título, pena de 3 a 8 anos de prisão, pagamento de indenizações incidentes sobre todas as despesas havidas com eles – da feitura do passaporte ao transporte forçado de retorno à ilha-prisão.
Quem conhece, como eu conheço, as práticas paralelas aplicadas pela ditadura cubana sabe que lá as penas incidem sobre direitos de cidadania das família das pessoas que caem em desgraça perante o regime.
Segue abaixo, aos interessados, a tradução que fiz da matéria divulgada pelo veículo digital TalQual.
O doutor Miguel Ángel Ruano indicou que pelo menos seis dos 17 médicos cubanos já foram enviados a Havana, onde podem cumprir penas de até oito anos de prisão.
O membro do Conselho de Administração do Grêmio de Médicos Cubanos Livres, Miguel Ángel Ruano, denunciou via Facebook na terça-feira, 30 de maio, que pelo menos 17 médicos da nação antilhana foram detidos na Colômbia depois de abandonar a missão médica enviada à Venezuela .
Ruano indicou na referida rede social que esses médicos cubanos foram presos por órgãos de segurança de nosso país no estado de Táchira quando tentavam atravessar para a Colômbia, depois que decidiram deixar a legação enviada por Havana em 10 de maio.
Os médicos detidos, segundo conversas que Miguel Ángel Ruano manteve no WhatsApp com alguns desses profissionais e outros que lhes são próximos, que “já estão sendo enviados a Cuba como prisioneiros e ameaçados de aplicar o artigo 369 do novo Código Penal cubano para abandonando uma missão oficial.
Acrescentou que a legislação estabelece que as pessoas que abandonem a missão ou se recusem a cumprir as ordens do Estado podem enfrentar penas de três a oito anos de prisão.
De acordo com o Diario de las Américas, esses médicos retiraram desde 30 de maio o passaporte de 100% do restante dos mais de 20.000 colaboradores cubanos na Venezuela para evitar que fugissem e o aparato de segurança e vigilância foi intensificado. profissionais de saúde nesta "missão" médica.
Ruano continuou a postar em suas redes sociais sobre o assunto em que publicou algumas fotos das pessoas que foram presas pelas autoridades. Diz que, além do processo penal, essas pessoas teriam que “pagar” tudo o que Cuba “investiu” nelas, como passaporte, hospedagem, viagem e assistência médica.
No jornal La Opinion de Cúcuta entrevistaram o médico que disse que pelo menos seis médicos já haviam retornado a Cuba em voos da Conviasa de Caracas. Muitos dos que tentaram fugir vieram dos estados de Anzoátegui e Carabobo através das etapas formais, já que seus salários os impedem de pagar a trilha.
“Estamos falando de cerca de 8.000 médicos que abandonaram as missões na Venezuela nos últimos anos, alguns deles adquiriram o blefe que os Estados Unidos lhes deram”, disse ele, acrescentando que desse número, pelo menos 2.000 residem na Colômbia.
Ministro Barroso provoca e General Paulo Sérgio responde - 25/04/2022
Percival Puggina
NOTA OFICIAL DO MINISTRO DA DEFESA SOBRE MANIFESTAÇÃO DO MINISTRO ROBERTO BARROSO
Brasília (DF), 24/04/2022 - Acerca da fala do Ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, durante participação, por videoconferência, em um seminário sobre o Brasil, promovido por entidade acadêmica estrangeira, em que afirma que as Forças Armadas são orientadas a atacar e desacreditar o processo eleitoral, o Ministério da Defesa repudia qualquer ilação ou insinuação, sem provas, de que elas teriam recebido suposta orientação para efetuar ações contrárias aos princípios da democracia.
Afirmar que as Forças Armadas foram orientadas a atacar o sistema eleitoral, ainda mais sem a apresentação de qualquer prova ou evidência de quem orientou ou como isso aconteceu, é irresponsável e constitui-se em ofensa grave a essas Instituições Nacionais Permanentes do Estado Brasileiro. Além disso, afeta a ética, a harmonia e o respeito entre as instituições.
As Forças Armadas, republicanamente, atenderam ao convite do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e apresentaram propostas colaborativas, plausíveis e exequíveis, no âmbito da Comissão de Transparência das Eleições (CTE) e calcadas em acurado estudo técnico realizado por uma equipe de especialistas, para aprimorar a segurança e a transparência do sistema eleitoral, o que ora encontra-se em apreciação naquela Comissão. As eleições são questão de soberania e segurança nacional, portanto, do interesse de todos.
As Forças Armadas, como instituições do Estado Brasileiro, desde o seu nascedouro, têm uma história de séculos de dedicação a bem servir à Pátria e ao Povo brasileiro, quer na defesa do País, quer na contribuição para o desenvolvimento nacional e para o bem-estar dos brasileiros. Elas se fizeram, desde sempre, instituições respeitadas pela população.
Por fim, cabe destacar que as Forças Armadas contam com a ampla confiança da sociedade, rotineiramente demonstrada em sucessivas pesquisas e no contato direto e regular com a população. Assim, o prestígio das Forças Armadas não é algo momentâneo ou recente, ele advém da indissolúvel relação de confiança com o Povo brasileiro, construída junto com a própria formação do Brasil.
Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira
Ministro de Estado da Defesa
Expressões usadas pelo ministro Roberto Barroso
Em sua conferência, entre outras afirmações que incluem expressões de apreço pelas FFAA, disse o ministro (estou transcrevendo conteúdos de O Globo):
Comento
Acusando o governo de tentar politizar as Forças Armadas, o ministro mais uma vez politiza o STF para além da medida. Fica difícil dissociar dos mais recentes acontecimentos essas suas manifestações. Na visão da maioria do Supremo, em que ninguém larga a mão de ninguém (exceto, parece, o ministro Nunes Marques que não entrou na cirandinha) a hora é de constranger internacionalmente o presidente para que o STF se imponha como palavra final sobre tudo e sobre todos e o Chefe de Estado não utilize suas prerrogativas constitucionais e legais.
É como consequência dessa intenção que alguns membros da Corte, apontando assombrações que vislumbram desde 2018, dominam o noticiário político.
Por que tanta repressão e censura nas redes. - 24/04/2022
Percival Puggina
Leio na coluna de Lauro Jardim (O Globo)
Em meio ao desgaste na comunicação da campanha do PT, surgem críticas de petistas ao Lulaverso.
Criado há dois meses para disseminar conteúdo para as eleições e fazer frente a Jair Bolsonaro, o canal detém oito grupos de WhatsApp com inexpressivos 1.006 membros, no total. Já o perfil do Telegram conta com 2.595 inscritos.
A título de comparação, o canal oficial de Jair Bolsonaro no Telegram tem 1,3 milhão de membros.
A campanha petista acendeu sinal de alerta com a falta de entusiasmo da militância petista nas redes digitais diante do que consideram “um exército bolsonarista”.
A preocupação foi externada pelo próprio Lula em jantar com senadores do MDB há duas semanas, em Brasília.
Comento
A esquerda em geral, a falecida Terceira Via e o lulismo em particular só têm como canais de comunicação as empresas do chamado “Consórcio” (espécie de Central Única do Jornalismo Oposicionista), cuja missão institucional, profissional, única e exclusiva é atacar o governo. Acontece que hoje, as redes sociais têm mais de 150 milhões de usuários (esse é um número de setembro do ano passado) e são, depois do candidato, o maior problema da campanha lulista.
As pessoas não querem usar as redes sociais para dizer o que a Globo já disse, imagino eu. Daí a iniciativa de criar essa coisa com nome estranho chamada Lulaverso, ruim de nome, forma e conteúdo. Daí, também, o empenho das próprias plataformas, com especial estímulo do TSE, em restringir seu efeito, levando junto tudo que puderem de nossa liberdade de opinião e expressão.
Sim, e daí? - 01/04/2022
Percival Puggina
Os onze ministros do STF já votaram sobre as medidas impostas pelo iracundo colega Alexandre de Moraes ao deputado Daniel Silveira. Apenas os Nunes Marques e André Mendonça se posicionaram contra as imposições do iracundo ministro, instável mistura de Robespierre com Torquemada.
Em vista disso, cabe a pergunta do título: sim, e daí?
Passará pela cabeça de qualquer dos ministros a ideia de que esse placar, ou outro ainda mais ampliado, torna legítimo o conjunto inteiro dos absurdos cometidos nesses inquéritos? Será que o apoio dos advogados amigos da Corte e da extrema imprensa a qualquer arbitrariedade praticada contra o governo é considerado bastante para convalidar todas as tropelias que são a essência material do caso? Considerarão vazias de significado as palavras do ex-ministro Marco Aurélio Mello quando, diante do fato, se mostrou preocupado com a futura presidência de Alexandre de Moraes no TSE? Disse ele:
"Receio que possamos ter tempestades [...] Não é o desejável. A atuação do juiz trepidante deve ser afastada. Vamos adotar temperança, vamos adotar compreensão sem abrir mão da prevalência das regras jurídicas".
Imagino que a maioria do Senado apoie a silenciosa omissão do senador Rodrigo Pacheco frente a tropelias que se avolumam. Imagino que para essa maioria não seja relevante o total desprezo do ministro Alexandre de Moraes ao Poder Legislativo, ao ponto de determinar que a tornozeleira fosse imposta ao deputado mesmo dentro das dependências do Congresso!...
Estamos diante de uma situação delirante a exigir resposta institucional adequada como forma de prover às instituições razões mínimas de credibilidade, sem as quais o que se sobrepõe é a usurpação.
*Atualizado em 03/04/2022
Percival Puggina (77), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.
A máquina de propaganda do Kremlin - 27/03/2022
Percival Puggina, com conteúdo MediaTalks
Leio em MEDIATALKS
A jornalista russa Zhanna Agalakova trabalhou por mais de 20 anos na emissora estatal Channel One — a mesma em que uma editora protestou ao vivo contra a guerra na Ucrânia neste mês e foi acusada de ser espiã britânica.
A invasão da nação vizinha motivou Agalakova a pedir demissão do meio de comunicação número 1 do Kremlin, deixando o cobiçado posto de correspondente em Paris.
Com a experiência de quem viu a engrenagem da propaganda política do Kremlin por meio das mídias estatais funcionar por dentro, ela fez um relato sobre como funciona o processo e o quanto é nocivo para a população da Rússia.
“Não foi possível para mim trabalhar chamando o que está acontecendo na Ucrânia de ‘operação pacífica’”, disse ela a jornalistas de vários países na sede da organização Repórteres sem Fronteiras (RSF), em Paris, onde fez seu relato.
“É uma guerra e isso deve ser dito claramente.”
Zhanna Agalakova ingressou no Pervi Kanal (Channel One, em inglês) em outubro de 1999. Ela foi âncora de programas diurnos e noturnos, incluindo o principal telejornal de notícias da emissora, o Vremya.
No dia 14 de março, imagens da editora Marina Ovsyannikova protestando contra a guerra com um cartaz ao vivo no telejornal viralizaram nas redes sociais.
Após ser detida por algumas horas e receber uma multa, Marina foi acusada de ser espiã do Reino Unido pelo chefe da divisão de notícias da emissora estatal, Kirill Kleimyonov, e deve enfrentar um processo legal para provar sua inocência.
Assim como a editora que protestou no ar, Zhanna Agalakova estava frustrada com a cobertura da guerra na Ucrânia feita pelo Channel One.
(...)
Na sede da RSF, Agalakova relatou conhecer bem o funcionamento da propaganda do Kremlin na televisão.
Ela disse que já havia pensado em deixar o emprego várias vezes devido à forma como as notícias são manipuladas no Channel One, assim como em todos os meios de comunicação estatais na Rússia, mas que até agora “não tinha tido coragem de sair. ”
* Leia a íntegra da matéria aqui: https://mediatalks.uol.com.br/2022/03/26/jornalista-russa-que-deixou-tv-estatal-relata-como-funciona-a-maquina-de-propaganda-do-kremlin/
Comento
O relato sobre como o Estado, dirigido por uma pessoa com o perfil de Putin, que acabou com a democracia em seu país (a perenização no poder é incompatível com o regime democrático), faz lembrar as técnicas do autoritarismo em suas relações com a imprensa. Putin aprovou já durante a guerra, uma legislação penal especial para quem divulgar conteúdos divergentes dos interesses russos na guerra contra a Ucrânia. A jornalista Marina Ovsyannikova (que se atravessou na programação ao vivo com um cartaz de protesto) foi condenada a multa por um vídeo que gravou e pode ser condenada a longa pena de prisão pelo episódio que proporcionou na TV estatal.
Na leitura da matéria divulgada por MediaTalks, percebi descrito com grande aproximação, o que acontece no Brasil graças ao comportamento uníssono dos maiores grupos de comunicação. A ele se soma o tipo de controle que TSE e STF exercem sobre as redes sociais, e a pressão sobre o jornalismo independente através dessas plataformas.
PUTIN, FACHIN E CENSURA - 05/03/2022
Percival Puggina
Em matéria com o título “Entre censura, fake news e propaganda, Rússia acirra controle do discurso sobre a guerra na Ucrânia”, UOL Notícias informa que a guerra de comunicação alcançou novo patamar na Rússia (*). No Brasil, digo eu, há quem veja como guerra a comunicação social num ano eleitoral.
No dia 4, o parlamento russo aprovou penas de prisão, censura de sites jornalísticos e multa para quem publicar “notícias falsas sobre seu exército”. Aqui no Brasil, digo eu, esse tipo de matéria já é notícia velha.
O simples desejo de controlar a informação não chega a ser pecado mortal. Afinal, quem não quer exercer o poder num ambiente de concordância geral da imprensa, como o que Fidel Castro e seus sucessores, por exemplo, dispõem em Cuba há 63 anos? É bom demais para não ser cobiçado. O pecado se torna mortal à democracia quando medidas de controle passam, efetivamente, a ser aplicadas pelo Estado com o intuito de limitar a circulação de fatos e opiniões e o faz unilateralmente: ao coral da velha imprensa, todos os elogios; às redes sociais, todas as ameaças.
Esse é, também, o problema da fala do ministro Fachin, novo presidente do TSE, quando expressou, e não explicou, seu compromisso com a tal “sociedade da informação adequada”. Espero que essa sociedade não seja secreta como secreto ficou o conceito. Sabe-se, apenas, que tem muito a ver com o futuro da comunicação da sociedade através das redes sociais durante a campanha eleitoral deste ano.
* https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/rfi/2022/03/04/entre-censura-fake-news-e-propaganda-russia-acirra-controle-do-discurso-sobre-a-guerra-na-ucrania.htm
CONTRA O ATIVISMO JUDICIAL. - 03/03/2022
Leio na página da deputada Carol De Toni no Facebook
Apresentei na semana passada, o PL 344/2022 que estabelece a possibilidade de sustação, via aprovação de Decreto Legislativo, de atos normativos do Poder Judiciário que exorbitem sua atribuição, levando em conta a atribuição do Congresso Nacional.
Nos últimos anos, em diversos casos amplamente conhecidos de ativismo judicial como o dos julgamentos sobre o aborto, o do casamento homoafetivo, o da criminalização da homofobia e da transfobia, ou ainda o da realização das audiências de custódia, o Supremo Tribunal Federal deixou nítida a usurpação da competência legislativa pelo Poder Judiciário.
Muitas vezes, há quem atribua tais usurpações à eventual “omissão” do Legislativo. No entanto, só pode haver omissão quando a própria Constituição Federal obriga a criar norma específica, e mesmo assim cabe tão somente ao Poder Judiciário dar ciência do caso ao Poder competente.
Com o projeto de lei, ora apresentado, vamos viabilizar a possibilidade de sustar atos do Judiciário. Enfatizo que isso deriva do próprio texto da Constituição Federal, a qual prevê que cabe ao Congresso “zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes” (art. 49, XI). Ademais, tal prática é corrente no Congresso Nacional quando atos normativos do Poder Executivo exorbitam o poder regulamentar ou os limites da delegação legislativa (art. 49, V).
É imperativo reequilibrar os Poderes da República, estabilizar o país e, de fato, atender aos anseios da população.
COMENTO
A deputada, que não conheço, está corretíssima em relação à iniciativa. As práticas a que ela se refere são parte do volumoso pacote de excessos praticados pela atual composição do STF, que invade muito mais a competência do Executivo do que as atribuições do Legislativo.
Todas essas invasões se explicam pela origem das indicações da atual maioria. Saída das canetas petistas de Lula e Dilma, essa maioria tem a conduta comum do petismo quando no poder: desconhece limites e trata de cumprir sua missão e impor à sociedade sua visão de mundo, de pessoa humana, de vida social, de família, de liberdades e de direitos. A primeira vítima desses abusos é o Direito Natural, inimigo a ser derrotado por ser ele que vem inspirando, através dos séculos, a civilização Ocidental.
Tenho suficiente fundamento para ser pessimista em relação à qualquer possibilidade de que o projeto seja aprovado por esse Congresso Nacional em virtude do “pacto de não agressão” tacitamente firmado com o STF, gerando total abandono da sociedade. É importante, porém, que a nação reflita e que temas como esse passem a integrar a pauta de um ano eleitoral.
VACINAÇÃO DE CRIANÇAS CONTRA COVID-19 - 07/01/2022
Percival Puggina
Tenho em mãos uma caixa de Dipirona, um medicamento de uso corrente que me foi receitado para emprego em caso de dor ou febre, pois estou com Covid-19.
Como faço com tudo que me cai nas mãos, leio a bula da Dipirona. As três partes mais prolixas são, respectivamente, “Quando não devo usar este medicamento”, “O que devo saber antes de usar este medicamento”, e a longa lista que alinha “Quais os males que este medicamento pode causar”. Quem lê, não toma. Aliás, não pretendo tomar. Meus sintomas são muito brandos e o mais incomodo é o isolamento.
São todos esses alertas, feitos pelo laboratório fabricante de um medicamento comum, que me trazem ao tema da vacinação infantil contra a Covid-19. Querem torná-la obrigatória e contam, para isso, com agressiva campanha nos meios de comunicação. Reproduz-se o surrado mecanismo que parece ungir tantos jornalistas à condição de sacerdotes missionários de uma causa sagrada. Agem como exorcistas da divergência. Aventam a possibilidade de perda de direitos familiares sobre as crianças!
Pergunto-me: como podem usar seus espaços nos meios de comunicação para defender a irrestrita vacinação infantil contra a Covid-19, sem cogitar de eventuais condições prévias? Sem a mais tênue advertência sobre o que observar nas crianças após a vacinação (reações adversas)? Sem sequer alertar para o caráter experimental da vacina, usada em condições emergenciais, numa população de baixíssimo risco?
Os amados mestres, que ao longo da vida me ensinaram a pensar, também achariam tudo isso muito estranho e me apontam como mais correto o caminho que passa pela ampla informação e pelo respeito ao direito dos pais. O clima deste país está ficando sufocante.
FUNDAÇÃO PALMARES MUDA SEU LOGOTIPO E SUA LOGOMARCA - 14/12/2021
Sai o Machado de Xangô e entra a integração.
Leio no site da Fundação
Na segunda-feira, 13 de dezembro de 2021, a Fundação Cultural Palmares apresenta aos cidadãos Brasileiros o novo logotipo e logomarca da instituição, trazendo em sua criação a transformação, a modernidade e a nacionalidade em seus traços.
Foi a partir desses três conceitos-pilares que o novo logotipo nasceu, sobretudo por seu significado de abrangência, concatenando anseios e preservação de valores culturais. O antigo logotipo era retratado pelo Machado de Xangô. Hoje, finalmente, a Palmares tem um símbolo que representa a todos os brasileiros.
Segundo o Diretor do Departamento de Fomento e Promoção da Cultura Afro-Brasileira (DEP), Marcos Petrucielli, faltava incluir no novo logotipo da Palmares as cores que representam o povo como todo, sem distinção de classe, credo ou cor.
“Para representar a Palmares, nada melhor que o verde e amarelo que estampam nossa bandeira. Foi com esse pensamento, uma inspiração determinante na busca pela harmonia entre o preto, o branco, o miscigenado, que criamos nosso novo logo e, portanto, nossa identidade visual. Uma identidade que traduz o multicolorido de nosso povo, condensada e sintetizada às cores do nosso país, cuja população tem orgulho de sua nacionalidade. Orgulho de ser brasileiro!”, disse Petrucelli.
A função do logotipo e logomarca é identificar, ou seja, criar a identidade de uma empresa, um produto, um serviço ou uma instituição, de forma única e exclusiva.
“É objetivo a ser alcançado — portanto, tarefa árdua — que ele deva traduzir a personalidade da marca e a essência de uma missão, que no caso da Fundação Cultural Palmares, se dá no âmbito institucional”, completou Petrucelli, idealizador do logotipo.
(...) Em sequência, o texto fornece informações sobre procedimentos formais da escolha.
Comento
Se dividir a população brasileira pela cor da pele já é, por si só, um absurdo, esse absurdo adquire proporções gigantescas quando se sabe que menos da metade (42,9%) da população brasileira se declarou branca no PNAD 2019 e que, no mesmo levantamento, 56,2% se disse parda e preta (46,8% e 9,4%).
Segundo o censo de 2010, as religiões de origem africana, para as quais o antigo símbolo da Fundação Palmares – o Machado de Xangô – faz sentido, são praticadas por apenas 0,3% da população brasileira. Tratava-se, como se vê, de mais uma supervalorização da minoria em detrimento da imensa maioria e em desfavor da desejada integração, conceito que marca o novo visual da Fundação.
Construir a dignidade das extensas parcelas desprotegidas da sociedade brasileira é unânime pauta nacional. Portanto, a politização, a ideologização, a partidarização, a radicalização e a deliberada construção de antagonismos se contrapõem a esse grande objetivo comum.
NOSSA SEGURANÇA DEPENDE DOS CORRUPTOS - 09/12/2021
Percival Puggina
Leio no excelente Diário do Poder
Manobra do PT e “puxadinhos” provocou retirada de pauta da votação da proposta de emenda constitucional que restabelece a prisão após condenação em 2ª instância. Há políticos, grande parte petista, que morrem de medo dessa regra como o diabo da cruz. A votação da proposta, na comissão especial da Câmara, foi retirada de pauta três vezes, só esta semana. A voz de comando é de Lula, de acordo com um senador do campo de esquerda. Lula não quer ouvir falar nisso.
Comento
Ao ler isso, hoje de manhã, corri para assistir às duas horas do vídeo que registra a referida sessão da comissão especial. Ela aconteceu ontem (8/12). Há dois anos vem discutindo um texto que viabilize o envio ao plenário a PEC 199. Após sucessivos clamores populares, entre os quais incluo vários incisivos artigos meus, e sob silêncio generalizado dos grandes grupos de comunicação, rompidos com a cidadania brasileira, finalmente reuniu-se a Comissão Especial para sua deliberação final. Final? Não.
De um dia para outro, na véspera da reunião, 17 dos 34 integrantes da comissão, favoráveis à sua aprovação, foram substituídos por deputados com orientação de seus líderes para votar contra. Manobra vergonhosa!
Na reunião, repetiu-se a manobra que derrubou a possibilidade de a eleição do ano que vem realizar-se em urnas com impressoras. A mesma manobra, aliás, que anteriormente derrubara a CPI do BNDES. Algumas coisas ficaram evidentes:
- o relatório ia ser aprovado;
- razões jurídicas invocadas pelo PT para derrotá-lo não têm fundamento quando se sabe que seu conceito foi formulado pelo extraordinário ex-ministro do STF Cesar Peluzzo;
- agiu bem o relator ao retirar seu relatório para evitar a derrota e retomar as negociações;
- apenas líderes do PT, PDT e Progressistas falaram, deslavadamente, em apoio às substituições e contra a aprovação do relatório;
- os demais partidos que fizeram substituições esconderam-se na sessão;a sociedade, mais uma vez foi derrotada por um parlamento cuja maioria não cansa de demonstrar que trabalha a seu favor e contra a sociedade.
A PEC 199 é o passo mais importante para combater a criminalidade, em todo o espectro de sua incidência sobre a sociedade. Quanto maior e mais iminente a perspectiva da prisão, maior o risco do crime e maior o receio de cometê-lo.
Infelizmente, a despudorada defesa do interesse próprio e a corrupção persistem como inimigos políticos da sociedade brasileira, nisto que, eufemisticamente, alguns chamam de democracia e de estado democrático de direito.
Espero que p que reste de bom jornalismo no Brasil divulgue amplamente a lista dos deputados substituídos e dos substitutos.
A “HARMONIA” ENTRE OS PODERES E O SINCERICÍDIO DE FUX - 27/11/2021
Percival Puggina
Leio na excelente Revista Oeste
“Se promulgada e for comprovado o espírito de retaliação ao Supremo, a PEC que reduz a idade de aposentadoria dos ministros do STF viola a harmonia entre os Poderes”, afirmou Fux.
Segundo o Globo, outros ministros do Supremo alegam que a proposta fere não só a harmonia entre o Judiciário e o Legislativo, como também a cláusula pétrea da Constituição da separação entre os Poderes.
Essa posição foi compartilhada por membros da Corte com os presidentes Rodrigo Pacheco (PSD-MG), do Senado, e Arthur Lira (PP-AL), da Câmara, que disseram que a proposta não avançará.
Comento
Essa é de mandar o cidadão para divã de psicanalista! Segundo o que foi dito acima pelo presidente do STF, a PEC que elevou a idade de aposentadoria dos ministros da Corte não violou a harmonia entre os poderes ao lhes impor mais cinco anos de trabalhos forçados no exercício da espinhosa missão. Vá entender!
Então, se me oriento pelo que vejo e sei, a harmonia dos poderes é algo que o Supremo e só o Supremo pode violar. E viola. Viola quando os ministros falam demais; viola ao interferir, como agora, na questão das emendas de relator, quando até Arthur Lira reagiu; viola quando pressiona o parlamento contra o voto contável e auditável; viola quando legisla sobre direito penal; viola quando intervém em nomeações do Executivo; viola quando os ministros dão conselhos públicos ao Presidente da República, como se fossem editorialistas do Globo ou da Folha; viola quando se autoproclama “Poder Moderador” da República (nenhum dos três poderes políticos pode ser, também, poder moderador devido, exatamente, à necessária harmonia entre os poderes!). Essa obviedade, que passa despercebida pelo guardiães da Constituição e pelo Congresso, me foi proclamada pelo eminente professor de Direito Constitucional, Dr. Cézar Saldanha Souza Júnior.
Por fim, o “espírito de retaliação”, mencionado pelo ministro presidente. Retaliar, segundo o bom e velho Aurélio, é “revidar com dano igual ao dano recebido”. Aqui, desde o divã do analista onde fui jogado, vejo essa afirmação como confissão de que a tal harmonia entre os poderes recebeu, antes, um dano correspondente no sentido inverso, ou seja, dano do Supremo ao Legislativo, ou do Supremo ao Executivo.
Depois do sincericídio do ministro Toffoli sobre a condição de poder moderador assumida pelo STF, temos, agora, outro sincericídio, o do ministro Fux. Lira e Pacheco, porém, não dão bola para essas minúcias...
STF INTERFERE, AGORA, NO CONGRESSO - 01/09/2021
Percival Puggina
Leio no Diário do Poder (01/09) *
Toffoli deu 48 horas para Lira 'explicar' decisão do plenário por 322x139 votos
Em uma daquelas atitudes sempre interpretadas como interferência do Poder Judiciário em assuntos privativos do Poder Legislativo, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48 horas para que o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), explique a aprovação, pelo plenário da Casa, do regime de urgência para tramitação do projeto de lei do novo Código Eleitoral.
O detalhe é que o mandado de segurança foi protocolado no STF por in integrantes próprio Poder Legislativo, que tanto reclama de interferência. Seus autores são dois senadores e quatro deputados federais derrotados na votação da Câmara que definiu o regime de urgência por esmagadora maioria de 322 votos a 139 .
Os parlamentares que impetraram o mandado de segurança tentam impedir a votação do novo Código Eleitoral sem “ampla discussão”, mas a história é outra.
Trata-se na verdade de uma manobra da minoria derrotada no plenário da Câmara para impedir a pela lei, mudanças na legislação eleitoral devem ser adotadas até um ano antes da eleição, dentro do princípio da anualidade, e os deputados correm contra o tempo porque o projeto ainda terá de ser votado no Senado.
O projeto está sob discussão há cerca de dois meses e prevê a unificação de toda a legislação eleitoral e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
- Leia original da matéria aqui: https://diariodopoder.com.br/brasil-e-regioes/stf-avalia-nova-interferencia-no-legislativo-em-plena-discussao-do-codigo-eleitoral
Comento
Se é para explicar urgência a quem não entendeu, deve ser possível ao presidente da Câmara dos Deputados dar, também, 48 horas ao ministro para explicar por que quer resposta em apenas 48 horas.
Inimaginável o protagonismo assumido pelo STF na política nacional. Matéria eleitoral é competência do Congresso, o prazo para a reforma curtíssimo porque o prazo para introduzir mudanças na lei vence nos primeiros dias de outubro e o Senado já reclama da demora em receber o projeto para sua deliberação.
Esses congressistas que recorrem ao Supremo ante qualquer contrariedade se contam entre os responsáveis pelo ativismo judicial. Ele é proporcional ao “inativismo” legislativo. Tal afirmação não tem o objetivo de justificar a intromissão da corte em tantos assuntos da esfera política. É, tão somente, uma denúncia da tolerância do Congresso Nacional com essa regência geral que cada ministro, isoladamente, exerce na vida nacional.
Quando algum poder recua, outro avança no espaço deixado. É o que acontece com o povo brasileiro, mesmo que seja, ele mesmo, origem de todo o poder e do poder de todos. Por isso, dia 7 eu vou.
INVESTIDA CONTRA OS SITES DE DIREITA - 21/08/2021
Percival Puggina
Matéria na Gazeta do Povo deste sábado 21 de agosto informa que 24 sites e pessoas físicas tiveram pedidos de quebras de sigilo oriundas da CPI da Covid; outros 15, por determinação do TSE, sofreram a suspensão de recursos provenientes de monetização nas redes sociais; 14 são alvo de ações do STF. É a blitzkrieg contra a direita. O “cala-boca” está bem vivo e sendo imposto a muitos.
Isso não dá o que pensar? Da CPI não se poderia esperar algo melhor. Afinal, todos que merecem atenção da comissão são medidos pela régua da maioria dos seus membros: dinheiro, em tese, é mal havido. “Aí tem!...”.
Suponho que as iniciativas do TSE estejam, todas, relacionadas à questão das urnas eletrônicas. A seita dos adoradores de urnas sem impressora não admite dissidência nem discriminação. Como esse grave crime ainda não foi tipificado por lei federal, o órgão administrativo que organiza a eleição brasileira não impede os descrentes de descrer, mas suprime o direito de receberem o que lhes é devido como remuneração pelo ganho das plataformas graças ao trabalho deles. Em outras palavras, têm direito à própria opinião, mas sobrevivam por outros meios.
As ações do STF são o caso mais grave porque decorrem de uma leitura inusitada e oblíqua do Regimento Interno da Corte. Leitura tão oblíqua quanto necessário para colocar nas mãos de um de seus ministros poderes que nenhum outro magistrado teve antes na história do país.
Tudo feito a serviço de uma suposta democracia, usada para sufocar a liberdade, contando com o alvoroço comemorativo de nossa outrora respeitável “grande mídia”.
O EMBAIXADOR E O CAVALO DE TROIA - 15/08/2021
Percival Puggina
Não é de hoje que se comentam as intromissões do senhor Yang Wanming e o uso que faz do twitter para emitir opiniões que, no caso dele, jamais podem ser consideradas apenas pessoais. A caminho para se tornar a nação mais poderosa do mundo, a China não esconde sua riqueza nem a atenção que dá a seus próprios interesses geopolíticos.
O embaixador chegou ao Brasil depois de passar dois anos no Chile e quatro na Argentina. E vejam no que deu. Aqui, já está escudado pela esquerda brasileira, que vibra com as “tiradas” do embaixador na rede social. Seria excessivo afirmar que também esteja escudando nossas esquerdas, que não escondem seu entusiasmo por bandeiras vermelhas?
Na última sexta-feira, noticiada a prisão do deputado Roberto Jefferson, o embaixador foi ao twitter e escreveu: “Lindo dia para o Brasil” e uma sequência de aplausos. A prisão de adversários tem a cara do regime chinês.
De uns tempos para cá o embaixador chinês vem ficando parecido com aqueles malwares, não por acaso também chamados cavalos de troia, que se infiltram nos computadores e causam erros de funcionamento. Nossas instituições já os tem em demasia e por conta própria, dispensando acréscimos externos; mas são certamente estes descuidos de manutenção que nos tornam mais vulneráveis às presumíveis intromissões do embaixador do poderoso Xi Jinping.
ENFIM, CLUBES-EMPRESAS - 12/08/2021
Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
SOCIEDADE ANÔNIMA DO FUTEBOL
Na última 6ª feira, 6, o presidente Jair Bolsonaro sancionou um projeto de lei que PERMITE a transformação de clubes de futebol em empresas, criando a figura da -Sociedade Anônima do Futebol- (SAF). Com a lei, os clubes de futebol que optarem por se transformar em empresas poderão se capitalizar através da emissão de títulos de dívida, como debêntures (debêntures-fut). Mais: terão um prazo de seis anos, prorrogáveis por mais quatro anos, para quitar suas dívidas.
DESCONHECIMENTO GERAL DAS REGRAS DO FUTEBOL
Como se sabe, o futebol, na escala de importância para o povo brasileiro, figura em primeiríssimo lugar. Tudo que vem depois é considerado como resto e como tal tem importância irrelevante. Ainda assim, por incrível que possa parecer, uma coisa é FATO: o FUTEBOL é, muito provavelmente, o único ESPORTE que é PRATICADO, DIRIGIDO, ASSISTIDO, COMENTADO, NARRADO e, não raro, APITADO, por quem simplesmente DESCONHECE AS REGRAS DO JOGO.
GOL ANULADO
Partindo desta premissa -VERDADEIRA-, tudo leva a crer que, da mesma maneira que as REGRAS DO FUTEBOL são desconhecidas, o mesmo vai acontecer com a LEI QUE PERMITE A TRANSFORMAÇÃO DOS CLUBES DE FUTEBOL EM EMPRESAS. Com isso, as interpretações sobre o que está na SAF serão tão ruins e equivocadas como acontece durante os jogos, quando narradores e comentaristas falam, e repetem, por exemplo, que houve -GOL ANULADO-.
POUCO IMPORTA ONDE A BOLA FOI PARAR
Ora, o que não existe em futebol é GOL ANULADO. O que realmente acontece é simples: se houve uma infração, o que menos importa é onde a bola foi parar, se dentro ou fora do gol. Assim, da mesma forma como não cabe dizer que o GOL FOI ANULADO, também não existe TIRO DE META ANULADO, ESCANTEIO ANULADO, LATERAL ANULADO, ou qualquer outra coisa que venha a ser ANULADA. Vejam que em caso de uso do VAR, os lances considerados duvidosos não anulam os eventuais gols, pois o que prevalece é o que aconteceu antes da bola entrar.
SAIR DO AMADORISMO
Feito este registro, sugiro que antes de se manifestar contra ou favor desta importante lei, o melhor, ou indispensável, é que tratem de ler, e estudar as vantagens que o texto oferece para o bem do futebol. É preciso que os clubes que atuam no futebol deixem de lado as ADMINISTRAÇÕES AMADORAS (sem fins lucrativos) e passem a encarar a atividade de forma PROFISSIONAL com regras idênticas que valem para as SOCIEDADES ANÔNIMAS EM GERAL.
O COFUNDADOR DA WIKIPEDIA ADVERTE: ‘WIKIPEDIA É MAIS UNILATERAL DO QUE NUNCA’ - 06/07/2021
Jack Phillips
Larry Sanger, um cofundador da Wikipedia, alertou que a enciclopédia online é "mais unilateral do que nunca" à luz das entradas do site para Black Lives Matter, a eleição de 2020, os dois impeachments do ex-presidente Donald Trump e outros tópicos controversos .Sanger, em particular, questionou como algumas entradas da Wikipedia são originadas.
“Em suma, e com poucas exceções, apenas fontes mainstream progressistas e globalistas - e fontes amigáveis ??ao progressivismo globalista - são permitidas”, escreveu ele em um artigo em seu site.
Vários veículos de notícias centristas, como The Daily Telegraph, The Wall Street Journal e The Weekly Standard, às vezes têm permissão para ser terceirizados, disse ele, mas os editores da Wikipedia são "cuidadosos para nunca deixar a janela Overton atual do pensamento progressista".
Ao contrário do Facebook Inc. e do Twitter, que adotam abordagens mais de cima para baixo para moderação de conteúdo, a Wikipedia, que completou 20 anos no início deste ano, depende em grande parte de voluntários não pagos para lidar com questões relacionadas ao comportamento dos usuários, edição de entradas e outros aspectos de gestão do site.
A Wikipedia tem 230.000 editores voluntários que trabalham em artigos de crowdsourcing e mais de 3.500 “administradores” que podem realizar ações como bloquear contas ou restringir edições em certas páginas, de acordo com um artigo da Reuters.
Além disso, sugeriu Sanger, os editores da Wikipedia "purgaram sistematicamente as fontes conservadoras da mídia convencional" porque seus editores "não querem que o que eles descartam como‘ desinformação ’,‘ teorias da conspiração ’etc., seja ouvido. Ao dizer isso, eles (e instituições igualmente tendenciosas) estão claramente reivindicando controle exclusivo sobre o que é pensável. Eles querem definir os limites do debate e querem dizer a você como pensar sobre isso. ”
Sanger observou que a Wikipedia proibiu o uso de reportagens políticas da Fox News, do New York Post e do Daily Mail como fontes.
De acordo com uma página da Wikipedia sobre as fontes que podem ser usadas, outros sites conservadores como Breitbart, The Blaze, The Daily Wire, The Gateway Pundit e Newsmax também estão proibidos.
“Muitas fontes convencionais de opinião conservadora, libertária ou contrária também foram banidas da Wikipedia, incluindo Quillette, The Federalist e the Daily Caller”, acrescentou. “Esses podem ser contrários ou conservadores, mas dificilmente são 'radicais'; eles ainda são mainstream. Então, de que modo, na terra, esses pontos de vista podem ser veiculados na Wikipedia? Resposta: muitas vezes, eles não podem, não se não houver 'fontes confiáveis' disponíveis para relatar sobre eles. ”
“Não é muito longe para dizer que a Wikipedia, como muitas outras instituições profundamente preconceituosas de nosso admirável novo mundo digital, se tornou uma espécie de polícia do pensamento que de fato acorrentou pontos de vista conservadores dos quais eles discordam”, escreveu Sanger em um conclusão em seu site. “A democracia não pode prosperar sob tais condições: eu defendo que a Wikipedia se tornou oponente de uma democracia vigorosa.”
Mas a democracia, argumentou ele, “exige que os eleitores tenham uma ampla gama de pontos de vista sobre questões polêmicas, para que possam decidir por si mesmos”.
“Se as principais fontes de informação da sociedade marcham em sincronia ideológica, elas zombam da democracia. Então, os ricos e poderosos precisam apenas obter o controle dos poucos órgãos aprovados de pensamento aceitável. Assim, eles serão capazes de manipular e, em última análise, controlar o diálogo político muito importante”, concluiu Sanger.
Sanger e outro co-fundador Jimmy Wales criaram a Wikipedia - à qual Sanger deu o nome - em 2001. Sanger deixou o projeto durante o ano seguinte e há anos critica o site.
O Epoch Times entrou em contato com a Wikipedia para comentar.
*Em 5 de julho de 2021 Atualizado em 6 de julho de 2021 Impressão maior.
NISE YAMAGUCHI PROCESSOU SENADORES QUE A DESTRATARAM - 20/06/2021
Percival Puggina
Leio em Metrópoles, por Rebeca Borges, em 19/06/2021
A médica Nise Yamaguchi processou os senadores Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, e Otto Alencar (PSD-BA) por danos morais. Ela pede indenização de R$ 160 mil a cada um dos parlamentares.
O processo foi revelado pela CNN Brasil e confirmado pelo Metrópoles. Na denúncia feita ao Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT), Nise argumentou ter sido vítima de misoginia e humilhação durante seu depoimento à comissão no dia 1º de junho.
Nise Yamaguchi defendeu que os senadores “perpetuaram um verdadeiro massacre moral”. A defesa da médica diz que os parlamentares agiram com intenção de “destruir a imagem” de Yamaguchi “perante toda a sociedade brasileira”.
Diz a peça que “durante o seu depoimento, a autora [Nise] foi tremendamente supliciada pelos requeridos [Otto e Calheiros], que abusando de seu direito à imunidade parlamentar perpetraram um verdadeiro massacre moral à requerente, massacre este que foi reconhecido por toda imprensa nacional e gerou uma veemente nota de repúdio do CFM – Conselho Federal de Medicina”,
Para a defesa da médica, os senadores “não agiram como congressistas eleitos por um sistema democrático e equânime, mas sim como verdugos de um regime ditatorial”.
De acordo com os advogados, caso Nise ganhe a ação, ela doará o dinheiro a hospitais infantis para crianças com câncer.
Comento
Agiu muito bem a médica. As cenas de grosseria e desrespeito foram presenciadas por todos. Aquela CPI odeia o pensamento divergente. A ignorância comum sobre o que seja ciência leva a esse comportamento. Viu-se muito dessa mentalidade em séculos pregressos. O inculto e o insciente, notadamente num colegiado de iguais, busca mecanismos de autoproteção. A estupidez é arma de toda mentalidade primitiva.
Ouve momentos, aliás, nos quais pensei que a simpática e educada médica fosse arrastada da sala pelos cabelos, levada por um senador Otto Alencar com tacape na mão.
Não sei o que decidirão as cortes que, sabe-se, mantém com o Senado um convênio de proteção recíproca. Aquela sessão, porém, ficará na memória do povo brasileiro. E essa CPI, restará como a mais legítima, autêntica e representativa síntese da atual composição do Senado Federal.
DESTRAMBELHARAM DE VEZ - 31/05/2021
Percival Puggina
Quando digo que não há conciliação possível com os grupos políticos que governaram o Brasil no último quarto de século, sou corroborado pelo noticiário cotidiano. A simples leitura diária de jornais agrega pilhas de evidências, como esta, na página 2 de ZH de hoje (31/05): “UFRGS muda critérios para concursos de professores”.
Novos critérios? Tais provas não avaliam formação, conhecimento e desempenho? O que mais pode influir para a admissão de alguém numa instituição cuja finalidade principal é buscar excelência em Educação, sendo, para tanto, custeada pelo povo? E note-se que a palavra “povo”, aqui, está usada no mais amplo e inclusivo sentido porque todos, do indigente ao bilionário, pagam impostos e custeiam as universidades federais.
Fui ler a matéria e encontrei o frio e acrítico relato desta “pérola”: nos futuros concursos de professores, receberão pontuação extra candidatas que tiveram filhos nos últimos seis anos e os sujeitos de ações afirmativas que buscam combater os efeitos acumulados de discriminações ocorridas no passado. Entenderam? Não? Nem eu.
De que modo ser mãe de filho com menos de seis anos agrega qualificação para o ensino acadêmico? Ou, faz com que essa jovem senhora supere outra concorrente por não ser mãe de filho menor de seis anos?
Por outro lado, fui ao Google e não deu outra. Como acontece com todas essas anomalias neomarxistas, excludentes, mas ditas “de diversidade”, copiam e colam, tipo Cntrl C, Cntrl V, estratégias políticas da esquerda norte-americana. Encontrei 849 mil referências a “políticas afirmativas”. Em inglês, “affirmative action” tem 23,8 milhões de referências! Originalidade zero, portanto. É desse prato que se alimentam leis de quotas que agora saem dos bancos escolares e vão para as cátedras aumentar a militância e o desvio de finalidade da Educação em nosso país.
Esse mal, reitero, tem efeito contrário ao desejado pelos que o defendem, pois aumenta o desnível entre os que consideram mais importante queimar pestana do que baseado, aprender de bons professores do que de bons militantes, preparar-se para a vida produtiva do que para a militância. Mas o grupo que domina o Conselho Universitário destrambelhou de vez.
QUANTA HIPOCRISIA! - 26/05/2021
Percival Puggina
Não bastassem as narrativas pré-fabricadas, os sofismas, agora, a hipocrisia é desmascarada por uma dessas maravilhas da memória digital . O portal Brasil Sem Medo, desencavou uma live do senador Randolfe Rodrigues em que ele esparge elogios como lantejoulas sobre três médicos amapaenses que aplicam o tratamento precoce em seu Estado. O vídeo é de 9 de julho de 2020 e, nele, o senador anuncia que proporá a entrega de medalhas do Congresso aos profissionais meritório serviço prestado ao salvamento de vidas.
A matéria do BSM transcreve a fala do senador:
“Eles são responsáveis pelo protocolo médico utilizado, em especial, pela prefeitura de Macapá. E que foi (sic) responsável por esse protocolo por impedir que muitas mais mortes ocorressem no Amapá. Os três são, me permitam assim dizer, os três colocados são uma heroína e dois heróis amapaenses pelo o que eles já fizeram pela saúde do Amapá e pela atuação deles nessa pandemia. Eu já quero anunciar nesta live que estarei propondo no Congresso Nacional a entrega de comendas aos três por tudo o que fizeram para evitar a perda de vidas”, afirmou Randolfe. (1) A íntegra da matéria aqui parcialmente transcrita e o vídeo podem ser acessados em https://brasilsemmedo.com/randolfe-rodrigues-o-negacionista/
Cada vez que sintonizo numa sessão da CPI, faço a mesma constatação: a direção dos trabalhos jogou na cesta de lixo seu compromisso com a busca da verdade. Sua única tarefa é promover inquirições que levem à responsabilização do governo e do presidente, inocentando vírus e companheiros da nada santa inquisição senatorial.
É hipócrita um comando de CPI que só se interessa em ouvir quem fala contra o governo, pois busca esclarecimentos, mas se recusa a escutar e exige meros “sim” ou “não” como resposta de quem tem posição favorável ao governo. Estes esclarecimentos, literalmente “não interessam”. E a própria CPI vai se enterrando no desinteresse geral, exceto para quem gosta de comédia pastelão..
CHUVA DE MÍSSEIS NOS CÉUS DE ISRAEL - 16/05/2021
Percival Puggina
Impressionado com aquela chuva de riscos luminosos que explodiam como fogos de artifício nos céus de Israel, liguei o som da TV. Logo apareceu uma jovem brasileira falando desde lá e descrevendo abrigos antiaéreos e a muralha antimíssil que blinda Israel de ataques externos a seu território. Israel investe na proteção de sua população.
A mocinha explicou que, tendo o Hamas percebido a eficiência da proteção antimíssil israelense, lançava artefatos simultaneamente, em grande quantidade, para atrapalhar os radares do sistema de defesa e, com isso, possibilitar que um ou outro atingisse o território alvo.
Imediatamente, passei a ouvir os porta-vozes nacionais da justiça igualitária a contar mortos e a falar sobre uma “guerra desproporcional”. Morria mais gente entre palestinos do que entre judeus. Trata-se de uma contabilidade desconexa, em tudo semelhante à que é aplicada às ações policiais nos morros. Elas seria mais equitativas se mais policiais morressem...
No entanto, suponha que Israel buscasse um justo equilíbrio atacando o Hamas com tantos mísseis quantos este lança sobre seu território. Não seria uma resposta inquestionavelmente simétrica? Imagine-se, contudo, o dano em vidas humanas que uma resposta dessas proporções produziria.
Note-se que o Hamas, a exemplo do que fazem os traficantes nos morros cariocas, usa as populações palestinas como escudo exatamente para sofrear as reações israelenses quando atacadas. Elas, porém, não podem ficar sem resposta. Se o Hamas, em vez de investir em armamento para ataque, investisse em proteção, tudo seria diferente. Muitas vidas seriam poupadas!
Israel é um país cercado de inimigos, consciente de que se extingue quando perder a primeira guerra.
ARCEBISPO MILITAR SE NEGA A PARTICIPAR DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE - 15/02/2021
Do site Templário de Maria
Em uma carta destinada ao Presidente da CNBB e o Núncio Apostólico, Dom Fernando Guimarães fez um alerta exemplar, de que o tempo da Quaresma não é espaço para se dialogar sobre temas polêmicos e contrários à autêntica doutrina de nossa Igreja. Comunicou que seus Capelães Militares não utilizarão o material da Campanha da Fraternidade deste ano, e informou que o valor da coleta será destinado aos pobres.
Brasília, 8 do fevereiro de 2021
Exma. e Revmo.
Dom WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO – Presidente da CNBB
Brasília, DF – (C/C Nunciatura Apostólica no Brasil)
Assunto: Campanha da Fraternidade 2021
Excelência e prezado Irmão,
Com relação à Campanha da Fraternidade de 2021, em consciência, devo declarar o seguinte:
1. O Serviço de Assistência Religiosa às Forças Armadas e Auxiliar o ecumênico em sua própria natureza e na atuação concreta junto à família militar. Os segmentos católicos, protestante o kardecista, aos quais pertence a maioria dos membros das Forças Armadas, convivem em harmonia e trabalham juntos. Nas celebrações inter-religiosas procuramos insistir sobre os valores comuns, partilhados por todos, e evitamos aqueles temas que são contraditórios ou não aceitos por todas as igrejas e denominações. O diálogo inter-religioso é necessário e oportuno somente quando, no respeito às diversas expressão de fé, é realizado em sedes competentes. A evangelização dos fiéis, no entanto, em qualquer tempo e ainda mais em um tempo especial como é a quaresma católica, não é espaço para se dialogar sobre temas polémicos e contrário à autêntica doutrina de nossa Igreja.
2. Compete aos bispos diocesanos, como autênticos Mestres e guardiães do Depósito da Fé, garantir a ortodoxia da fé que é pregada aos seus diocesanos. Esta missão, objeto de solene juramento por parte de cada um de nós antes de nossa ordenação episcopal, compromete a minha consciência de bispo e a ela jamais poderei renunciar.
3. Por este motivo, comunico-lhe que no Ordinário Militar do Brasil, durante a quaresma deste ano, seguiremos apenas as orientações teológico-litúrgicas próprias do tempo quaresmal e não serão utilizados quaisquer dos materiais produzidos oficialmente para a Campanha da Fraternidade deste ano. Nossos Capelães Militares estão sendo orientados, caso desejem abordar o tema da mesma, a utilizar unicamente a Fratelli Tutti do Papa Francisco.
4. Também o percentual da coleta destinado a esta Conferência Episcopal – e repartido com outras entidades promotoras da Campanha – não será enviado e sim, real e efetivamente, empregado no socorro aos pobres, através de obra social reconhecida pelo Ordinariado Militar. Sobre este uso, será meu cuidado prestar contas posteriormente à Presidência.
Em união de oração, pela construção de uma autentica comunhão episcopal,
Dom Fernando Guimarães,
Arcebispo do Ordinário Militar do Brasil
BIA KICIS NA CCJ - 13/02/2021
Percival Puggina
Do que tenho lido, a indicação da deputada Bia Kicis para o comando da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados encontra resistência nos lugares certos. Haveria algo errado se concordassem, se é que me faço entender. Eles estão sempre a postos, como faróis piratas para desviar o Brasil de sua rota. Deixe de lado esses faróis fajutos e siga em frente.
São os mesmos comentaristas, analistas, opiniáticos e palpiteiros de todo dia, atuando em três turnos de oito horas, sete dias por semana. “Como pode ser presidente da mais importante comissão da Câmara dos Deputados uma parlamentar bolsonarista?”, perguntam com fingido espanto. Fico pensando. E pergunto aos ventos: “Será uma mulher presidindo a CCJ. Sumiram as feministas?”. Sim, responde o sábio vento. Estas só defendem as companheiras.
Depois de tanto ouvir a mesma lengalenga fui dar uma pesquisada e, para surpresa minha, de fato, nenhuma mulher, até hoje, presidiu aquela comissão. Nenhuma! E quando surge uma, credenciada, cai sobre ela o “estigma” de bolsonarista, de extremista. Interessante é que quando o Dr. Luiz Eduardo Greenhalgh, petista, advogado do MST, extremista de fazer dó, assumiu a CCJ em 2003, no início do governo Lula, ninguém apareceu para dizer que ele não poderia fazê-lo por ser lulista, petista e extremista.
Nada foi dito, tampouco, contra a indicação ao mesmo cargo, já na era Dilma, do famoso João Paulo Cunha, lulista e dilmista, condenado posteriormente no mensalão e indultado em 2016. Nem contra a do também petista Vicente Cândido em 2014.
Dê a esse tipo de conduta o nome que quiser. Só não leve toda essa hipocrisia a sério porque ela desdenha de seu discernimento. Sempre que perdem, querem que tudo continue como antes.
OS 500 CARGOS DA MESA DA CÂMARA - 08/02/2021
Percival Puggina
O normal teria sido o ex-presidente Rodrigo Maia, antes de sair, demitir os ocupantes de cargos de confiança que serviram durante sua gestão. Dele, porém, não se esperem gestos dessa natureza, que acentuassem sua perda de prestígio. Então, o novo presidente da Câmara dos Deputados demitiu a totalidade dos cerca de 500 ocupantes de cargos de confiança cujas nomeações e demissões passam, agora, pela sua caneta. Parte não tem vínculo funcional com o Legislativo; parte integra os quadros permanentes da Casa e perde as gratificações correspondentes.
O fato e o quantitativo são aberrantes. Quinhentos cargos de confiança na gestão da Casa mostra uma desproporção entre o custo de produção e a mercadoria entregue. Dei uma olhada no Portal de Transparência da Câmara e encontrei um total de 16,6 mil servidores. Quantas empresas brasileiras têm tantos funcionários? Quinhentos só na conta da diretoria?
Se, por um lado, impressionou-me a notícia divulgada pela imprensa, por outro, impressionou-me ainda mais o modo acrítico com que foi transmitida à sociedade, como se nada houvesse ali a ser dito em favor desta, contra tamanha prodigalidade.
Ou esse silêncio é uma proteção ao ex-quase-primeiro-ministro cortejado pela mídia militante, ou é um total descaso ao interesse nacional.
Em virtude dessas omissões, nos próximos dias todos os cargos agora vagos estarão preenchidos por novos ocupantes...
E O GOVERNO COMEÇA A ANDAR - 03/02/2021
Percival Puggina
Leio no Estadão
BRASÍLIA – Após se empenhar na eleição de aliados nos comandos da Câmara e do Senado, o presidente Jair Bolsonaro apresentou uma lista de 35 propostas para que o Congresso priorize no retorno aos trabalhos. Na relação, entregue nesta quarta-feira, 3, ao deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) e ao senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), estão desde propostas para a retomada da economia, como a privatização da Eletrobrás, a pautas de costumes, como o projeto que criminaliza o infanticídio indígena, o que flexibiliza a porte de armas e o que prevê a liberação do ensino de crianças em casa, o chamado homeschooling.
COMENTO
A íntegra da matéria acima resumida a seu primeiro parágrafo, relaciona a maior parte das 35 propostas que o governo espera sejam apreciadas e aprovadas pelo Congresso. Ou seja, com a perda de poder dos “tranqueiras”, dos engavetadores, há espaço para que, finalmente, o governo comece a cumprir seu próprio programa. Esse programa, diga-se de passagem, foi muito explicitamente aprovado nas urnas. Ele corresponde ao que a sociedade esperava ver iniciado em janeiro de 2019.
Naquele mês, no entanto, percebeu-se que os comandos do Parlamento, em jogo cruzado com o STF, estavam em franca divergência com o resultado da eleição presidncial. Era preciso mudar desde que tudo ficasse como estava. Dois anos disso foram a conta certa para que o governo modificasse sua estratégia. Aceitou o jogo como estava sendo jogado.
Espera-se, agora, concedidos os meios, que os fins comecem a ser alcançados. Isso será bom para todos. Se aprovada, a indicação da deputada Bia Kicis para presidir a importantíssima Comissão de Constituição e Justiça sinalizará dias mais estáveis para a governança do país.
Não se espere, no entanto, qualquer avanço em pautas que firam interesses individuais dos parlamentares. Pautas de combate à impunidade, prisão em segunda instância, impeachment de ministros do STF, restrições aos abusos daquele poder pelos parlamentares de ficha limpa, dificilmente avançarão porque desagradam à maioria dos plenários. Enquanto corruptos continuarem a ser eleitos, enquanto eleitores buscarem candidatos que defendam seus interesses, os plenários, em todo o Brasil, continuarão sendo tomados por interesseiros. O governo, porém, começará a andar.
CORPO MOLE” NA ELETROBRAS - 27/01/2021
Leio no Diário do Poder
O presidente demissionário da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, que cobra “envolvimento” do presidente Jair Bolsonaro nas privatizações, não se esforçou para isso.
O Planalto acha que ele dificultou o quanto pôde o processo de privatização da estatal. Não fez o básico: separar o que é considerado “intocável” pela Constituição, como Itaipu e Eletronuclear.
Tampouco vendeu as mais de cem sociedades de propósito específico (SPEs) penduradas na Eletrobrás. Nem precisava convocar assembleia geral. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
COMENTO
Essa é uma situação muito comum. O espírito de corpo, o corporativismo, é um torniquete aplicado a cada processo de privatização porque os funcionários dessas estatais estão convencidos de que ninguém conseguirá conduzir as atividades da empresa com maior qualidade e tão bom preço.
Só que isso não e bem assim. Primeiro, trata-se de um natural mecanismo de autoproteção, expressão do desejo de manter o monopólio sobre seu posto de trabalho.
Por isso, a cada ato de privatização, obriga-se o governo a manter um plantão com centenas de advogados da AGU para obstaculizar as ações simultâneas que ingressam nas varas federais do país com o intuito de impedir os leilões.
Por outro lado, entre os 39 países que integram um levantamento da OCDE, o Brasil é o que tem sob sua tutela o maior número de estatais nacionais (418)! Se a isso acrescentarmos as empresas públicas estaduais e municipais, o número vai a vários milhares.
Finalmente, o país precisa fazer caixa para sair da crise fiscal a que foi empurrado pela Covid-19 e por determinações imprudentes e inúteis impostas às suas atividades produtivas.
QUANDO O SILÊNCIO VIRA NOTÍCIA - 07/01/2021
Percival Puggina
Aos 75 anos, Lula voltou a Cuba. Desta feita, em lua de mel e para participar de documentário produzido pelo diretor Oliver Stone. Assim, sem nenhum adendo, a viagem foi levada ao conhecimento da opinião pública. Portanto, segundo o noticiado, Lula não foi abraçar nem reafirmar seus votos – estes, sim, eternos e promissores – à revolução e seus líderes. Por outro lado, conforme sugere um leitor, não terá ele ido Cuba fazer política, usando a entrevista para esse fim, sendo a lua de mel mero efeito colateral?
É incrível que nenhuma grande empresa de comunicação, brasileira ou norte-americana, tenha manifestado curiosidade e tomado a iniciativa de enviar um correspondente para cobrir eventuais atividades políticas de Lula em Cuba. Nem mesmo o nome do hotel onde está hospedado chegou ao conhecimento do público brasileiro, não por acaso, pagador parcial ou total dos requintados passadio e albergaria.
As últimas notícias sobre a viagem de Lula, sem qualquer acréscimo ou supressão, são idênticas às de duas semanas passadas e as mesmas do período anterior à viagem.
Diante de tamanho vazio, meu leitor pergunta, não sem razão: “Sendo Lula, juntamente com Fidel Castro, criador do Foro de São Paulo, é descabido supor que a viagem e a ausência da mídia internacional seja oportunidade para confabulações da esquerda revolucionária nele congregada? Não estarão em Havana, coincidentemente, nestes mesmos dias, algumas canetas robustas da Nova Ordem Mundial?”.
Não é impróprio perguntar, então, se tal silêncio não é, por si só, uma notícia importante.
SUPREMOCRACIA - 06/12/2020
As democracias enfrentam perigosa quadra histórica. Com velocidade impressionante, as instituições definham entre arranjos manifestamente anacrônicos e superados. Não há como negar a realidade. Os fatos estão aí, em cores vivas, pulsando em alto e bom som nas telas de smartphones da cidadania global. No todo, as sociedades contemporâneas apresentam urgentes demandas instantâneas em ondas Wifi, mas a política, com seus métodos bizantinos, apenas consegue respostas frias, cozinhadas em fogão à lenha.
Ora, não tem como dar certo. O descasamento de perspectivas é evidente. Ou as instituições democráticas mudam ou serão mudadas pelas circunstâncias. O grave e não menos preocupante é que mudanças aleatórias, movidas sem arte e inteligência humana, podem guiar a civilização a tempos sombrios. Definitivamente, não precisamos repetir o passado, pois o futuro abre oportunidades mais promissoras. Para tanto, teremos que agir no presente, pois o amanhã se faz agora.
No Brasil, o desarranjo institucional tem sido compensado por uma aguda hipertrofia de poder do Supremo Tribunal Federal. Com um Executivo fragilizado e um Congresso Nacional inorgânico, enredados em profunda incapacidade de construção de maiorias políticas virtuosas, o colendo STF acabou sendo progressivamente provocado a se manifestar sobre temas sensíveis à democracia, adquirindo ostensiva primazia na cena política, quando, tecnicamente, deveria exercer sua autoridade com absoluto resguardo, moderação e comedimento.
Sem cortinas, um Tribunal Extraordinário não pode ter funções ordinárias. Tal situação contraria sua natureza suprema, banalizando a autoridade constitucional aos olhos da Nação. É imperioso, portanto, que o Supremo retorne a sua alta e invulgar função institucional. Definitivamente, não cabe à Corte ser uma recorrente UTI de questiúnculas políticas menores, cujas soluções devem ser buscadas no próprio tecido parlamentar em conjunção aos interesses do governo estabelecido. Da mesma forma, o STF não pode aceitar ser um plantão judicial de poderosos encardidos, como se a ordem legal permitisse atalhos ou mágicas processuais de última hora, em total desrespeito ao caráter sistêmico da jurisdição.
O fato é que a “supremocracia” não é uma alternativa válida às insuficiências democráticas. Ou seja, a democracia se resolve pela política, cabendo aos tribunais o rigor técnico da aplicação da lei. A lição é de sobremaneira antiga e, talvez por isso, um tanto esquecida.
Em precedente histórico de 15 de abril de 1914, a inteligência do Min. Amaro Cavalcanti conduziu a maioria da Corte a firmar tese no sentido de que “uma vez conferida a um dos poderes políticos, criados pela Constituição, uma atribuição para a prática de dado ato, ou para o uso de dada faculdade, é ele o único juiz competente da oportunidade e razões determinantes do respectivo ato, ou do uso de sua faculdade; o contrário seria a negação completa de sua independência”. Logo, a confusão de competências institucionais é a raiz do desequilíbrio republicano, devendo ser evitada ou corrigida quando se manifestar.
Em complemento, a sabedoria invulgar de Paulo Brossard bem ponderou que “afeitos à aplicação da lei, consoante métodos estritamente jurídicos, é duvidoso que, de ordinário, os juízes tenham condições para decidir acerca de fatos que, por vezes, transcendem a esfera da pura legalidade, inserem-se em realidades políticas, vinculam-se a problemas de governo, insinuam-se em planos nos quais a autoridade é levada a agir segundo juízos de conveniência, oportunidade e utilidade, sob o império de circunstâncias imprevistas e extraordinárias” (Impeachment, 1965).
A lição acima, no pouco, diz muito. Demonstra que as lógicas da política transcendem à norma posta, exigindo critérios e medidas que não podem ficar petrificados no seio de sentenças judiciais, sujeitas à imutabilidade da coisa julgada. Isso porque a democracia é dinâmica, exigindo diário e continuado exercício político, através de soluções tidas por impossíveis, mas que, com tato e talento, surgem no horizonte da República.
Por tudo, a linha que separa a política do jurídico é tênue e sensível às pulsantes circunstâncias da realidade vivida. No atual contexto transformador, cabe ao Tribunal Constitucional bem discernir o cabimento, a necessidade, as consequências e os limites de sua atuação institucional soberana. Porque aquilo que supremo é não pode ficar sujeito a banalidades ordinárias. A hora exige ponderação reflexiva, pois, como bem disse o bom e velho Aliomar Baleeiro, “o único meio de o Supremo Tribunal Federal construir a Constituição, é por esse processo de tentar, errar e corrigir o erro”.
* Este artigo foi publicado originalmente em 14/10/2020, no excelente website Dynamic Mindset - https://www.dynamicmindset.com.br/supremocracia/
** O autor é Advogado especialista em Direito do Estado e Vice-Presidente da Federasul.
- 31/10/2020
OS ESTADOS SÃO UNIDOS, MAS A NAÇÃO NORTE-AMERICANA ESTÁ DIVIDIDA.
Percival Puggina
Durante décadas se dizia, com acerto, que o alto grau de consenso na sociedade norte-americana favorecia a estabilidade do regime democrático. De um modo superficial, é verdade, mas que reflete bem essa percepção, afirmava-se que a diferença entre presidências republicanas e democratas ao longo da história consistia em pagarem os cidadãos mais ou menos impostos.
Acontece que a guerra fria cultural estava em curso também na maior democracia do planeta. De início sutil, depois explícita, ela foi tomando posições nas grandes metrópoles, as drogas foram debilitando as consciências, as relações entre pais e filhos foram se fragilizando e a transmissão dos valores e da fé foi sendo apartada de sua raiz, o “politicamente correto” foi se tornando a linguagem do beautiful people e as grandes empresas foram se alinhando aos projeto globalista e patrocinando as ações de seus companheiros de viagem da esquerda mundial.
Esse grupo chegou ao poder com Barack Obama. Teve oito anos para mostrar metade das unhas e só perdeu a terceira eleição porque houve no eleitorado norte-americano uma reação conservadora que elegeu Trump, num fenômeno que faz lembrar o ocorrido no Brasil com Bolsonaro.
Momentos políticos importantíssimos serão vividos pelos EUA nas cabines de votação da eleição presidencial. “É a eleição mais importante das nossas vidas”, disse Obama referindo-se ao pleito já em curso e que se conclui no dia 3 de novembro. Uma vitória de Joe Biden, digo eu, vai restaurar as linhas de suprimento do movimento revolucionário no Ocidente.
A situação permite avaliar com clareza a força destrutiva dessa esquerda, capaz de dividir o que parecia indivisível, o grande consenso nacional que fundou The Land of the Free, The Home of the Brave.
- 17/10/2020
BOLSONARO ESTAVA CERTO? O “FIQUE EM CASA” SALVOU OU CEIFOU VIDAS?
Valterlucio Bessa Campelo
Se alguém tinha dúvidas de que o “fique em casa” não estava funcionando, a campanha eleitoral encerrou o assunto. Está todo mundo na rua, ninguém mais agüenta a tranca imposta aos cidadãos por governadores e prefeitos, parte deles de índole autoritária, que em seus arreganhos esmagaram muitos dos direitos fundamentais da população. O custo econômico e social, estratosférico, se revelou insuportável. Sinal mais evidente foram as recentes declarações dos mandões da Organização Mundial de Saúde – OMS, que deram um cavalo de pau sem-vergonha e agora negam que tenham recomendado o lockdown. Os “especialistas” que macaqueavam a OMS sumiram, se escafederam, ninguém os encontra para bancarem o tranca-rua com seus títulos acadêmicos e sabedoria de récua.
Recentemente, milhares de cientistas assinaram um documento chamando atenção de governo e sociedade a respeito do equívoco monstruoso do lockdown e pedindo o retorno dos jovens à vida normal. Não há o que esperar, o modelo adotado fracassou miseravelmente.
Em matéria deste dia 12 de outubro, a VEJA traz a palavra do Dr. David Nabarro, o emissário da Organização Mundial da Saúde (OMS) para lidar com a pandemia de Covid-19, negando (vejam só!) que em algum momento tenham recomendado o lockdown. Um farsante que depois de colaborar para a quebra de economias em todo o mundo, aparece com cara de virgem da Vila Mimosa alegando inocência. A história julgará os efeitos danosos das medidas tomadas em todo o mundo, calcadas na “ciência” de araque e na autoridade da OMS.
Na entrevista, o sujeito da OMS lamenta “... parece que podemos muito bem ter uma duplicação da pobreza mundial no próximo ano. Parece que podemos ter pelo menos uma duplicação da desnutrição infantil porque as crianças não estão recebendo refeições...”. Pois é, tem isso e muito mais. Tem também muitas mortes nas costas de quem adotou como mantra o “fique em casa”. Pelo menos é o que aponta um estudo recente, publicado em preprint, pelos pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Prof. DSc, Bruno Campello de Souza e Prof. PhD, Fernando Menezes Campello de Souza (AQUI).
Com base nos 82.241 brasileiros que morreram de COVID-19 entre 12/03/2020 e 22/07/2020 e os mais de 60 milhões de usuários brasileiros de celulares cujos celulares dispositivos usaram pelo menos um dos mais de 600 aplicativos que incorporaram a API In Loco, Campello conclui: “Parece haver forte evidência empírica de que, no Brasil, a adoção de medidas restritivas que aumentam o isolamento social agravaram a pandemia naquele país em vez de mitigá-la, provavelmente como um efeito de ordem superior emergente de uma combinação de fatores”.
No gráfico abaixo, copiado do referido estudo, os pesquisadores demonstram que a partir da adoção das medidas restritivas e do “fique em casa” (linha tracejada vermelha), a curva (azul) de mortes futuras observadas (calculada em 39-40 dias) se distancia da curva de tendência (verde) prevista por extrapolação dos dados dos primeiros 44 dias da pandemia. A curva de isolamento social SII (rosa) apresentada em média móvel de 7 dias, demonstra um movimento brusco de aumento coincidente com as medidas restritivas e aos poucos vai caindo, como sabemos todos.
O saldo verificado, ou seja, a diferença entre as linhas verde e azul é de 10,5%, isso quer dizer que o numero observado de mortes supera aquele previsto pela tendência observada nos primeiros 44 dias em aproximadamente 7.824 no período. Extrapolados a hoje, são mais de 15.000 mortes.
Mais detalhes da pesquisa o leitor pode ver com o próprio autor do estudo em debate que o mesmo teve com o jornalista Alexandre Garcia e o Prof. Dr. Ricardo Zimmermann da Universidade de Brasília, no último dia 11 de outubro, (AQUI).
Acredito que muitos estudos verdadeiramente científicos - agora há base de dados suficiente, corroborarão o estudo do Professor Bruno Campello e avançarão em outros efeitos decorrentes da política de encarceramento da população. Doenças não cuidadas, prevenções não realizadas, cirurgias adiadas, doenças psíquicas, suicídios, atraso infantil, deficiências cognitivas... enfim, a academia deve se preparar para produzir milhares de artigos demonstrando que contra a peste chinesa tomamos o pior dos caminhos.
Certamente não interessa ao establishment mostrar que houve quem alertasse para o erro, que houve quem percebesse a marcha da insensatez liderada pela mídia e endossada por políticos oportunistas. Quem se opôs ao lockdown foi chamado de negacionista, até de genocida, como se não embarcar no discurso do pânico fosse atestado de estupidez. Aí está o resultado. Sem contar com o saldo pavoroso da maior crise econômica da história mundial em tempos de paz, o lockdown horizontal acompanhado do “fique em casa e volte se sentir falta de ar” ceifou milhares de vidas.
Estando correto o Prof. Bruno Campello, quem pagará essa conta? A “ciência” que não era ciência? A OMS, que agora diz que não disse o que disse? Os oportunistas da espécie Mandetta, que projetavam ascensão política sobre cadáveres? Os ladrões do COVIDÃO que se esgueiram em fuga da Justiça? A mídia fúnebre, que comemorava cada morte como um desgaste na popularidade do Presidente? Sei, ninguém pagará, mas os terraparadistas (royalties para o jornalista Guilherme Fiúza), assim como a OMS, serão obrigados a reconhecer, mesmo silenciosamente, que Jair Bolsonaro estava certo.
Valterlucio Bessa Campelo, é engenheiro agrônomo, MSc
- 10/10/2020
MAIS UMA EMOCIONANTE HOMENAGEM AO BRASIL E À FEB NA ITÁLIA
Discurso do prefeito de Porreta Termini
Nota do editor do blog
Porreta Terme é uma pequena comunidade italiana, em Alto Reno Terme, região de Bologna. Ali esteve instalado o Alto Comando da FEB na Itália, sob comando do Marechal Mascarenhas de Moraes. O discurso a seguir foi proferido em 22 de abril de 2018 por Giuseppe Nanni, prefeito de Alto Reno Terme. Estavam presentes autoridades brasileiras e italianas.
Palavras do prefeito de Porretta Terme:
(Saudações às autoridades presentes)
... Hoje, para nós, concretiza-se um desejo antigo: o de dedicar um lugar de memória aos filhos da FEB.
Esta nomeação não nasceu por acaso. Desde a posse do nosso Conselho, nos propusemos a meta de expressar de forma tangível, aos nossos amigos brasileiros, o nosso sincero agradecimento pelo que fizeram pela nossa liberdade, com um alto custo para jovens vidas.
Até hoje, foram inúmeras as ocasiões em que delegações de autoridades civis e militares brasileiras nos visitaram. Em um desses, eu tive que dizer literalmente:
"Ao receber o busto em memória do General MASCARENHAS DE MORAES, assumimos o compromisso solene de garantir uma localização digna: _De fato, planejamos, como parte de uma reforma geral do centro urbano de Porretta Terme, colocar o busto no jardim da Via Matteotti, reformada e embelezada para a ocasião. A escolha foi motivada pelo fato desse jardim estar totalmente inserido nos locais que sediaram a FEB em Porretta Terme, sendo adjacente ao antigo Hotel Campana e, sobretudo, a poucos passos da Termas Altas, que foi o Quartel-General das tropas brasileiras. Dessa forma, também em nossa cidade, teremos um importante ponto de referência para a memória da Força Expedicionária Brasileira e seu Comandante ".
Aqui, com exatamente estas palavras, assumi, em nome da nossa Comunidade, aquele compromisso que hoje vemos realizado e que, temos a certeza, se tornará um ponto de referência para os tantos amigos brasileiros que vêm todos os anos à Itália para visitar os lugares do sacrifício e da solidariedade com nosso povo.
A Itália deve muito a esses soldados, que de setembro de 1944 até a rendição das Forças do Eixo, lutaram ao lado dos Aliados com o objetivo de romper a Linha Gótica, e para isso operaram pela primeira vez em vários locais de Versilia, depois em Garfanhana, até que o comandante Mascarenhas de Morais transferiu suas tropas para o Vale do Reno, fixando-se aqui em Porretta Terme e preparando uma série de operações militares, que culminariam nas batalhas de Monte Castello e Montese.
Temos testemunhos extraordinários da sua presença, que nos falam de jovens bem integrados nas nossas famílias, nas quais muitos deles se instalaram, estabelecendo relações de mútua simpatia. Um caso único, se comparado a outros exércitos que permaneceram separados da população, preferindo acampamentos e locais isolados.
Acredito que se hoje, depois de tantos anos, a memória daquelas crianças ainda é tão viva e afetuosa, é também pela sua aproximação calorosa com a comunidade local, sinal de uma cultura e humanidade que está entre as marcas do povo brasileiro.
Mas os testemunhos daqueles meses também nos contam, infelizmente, de homens forçados a se deslocarem em condições proibitivas, principalmente por aquela espessa manta de neve com a qual nunca tiveram que lidar na vida, na qual tiveram que avançar e operar, não só em Porretta, mas em locais inacessíveis como as áreas de Molino del Pallone e Randaragna. E eles nos contam sobre 465 tombados, 465 jovens que nunca mais veriam seus entes queridos e sua pátria novamente.
Por isso pensamos que este pode tornar-se um jardim da memória, para manter vivo e transmitir às novas gerações o espírito de amizade e de gratidão para com aqueles que partilharam com o nosso povo uma das páginas mais trágicas da história e que estiveram do nosso lado para mudar seu curso em direção à liberdade e à democracia.
Fico feliz que uma importante associação da região, o Lions Clube, tenha participado da construção do monumento, em uma jornada que começou com o ex-presidente Lazzaroni e continuou pelo atual presidente Luca Boschi.
Agradeço mais uma vez a todos vocês, por sua participação nesta cerimônia simples, mas que ficará em nossas melhores lembranças e na identidade de nossa comunidade.”
COMENTO
Mais uma lição que nos vem de um país distante, cujas comunidades aprenderam a manter viva a lembrança de sua própria história e aproveitam as oportunidades para expressar gratidão pela liberdade que receberam. Assim procedem, mesmo que isso tenha acontecido há oito décadas, mesmo que não tenham se libertado pelas próprias forças, mesmo que os laços da servidão ao nazismo tenham sido rompidos por mãos brasileiras, e mesmo que aqui no Brasil quase ninguém se importe com isso fora do ambiente castrense.
- 14/07/2020
LÍDER CUBANA COBRA DUAS AÇÕES CONCRETAS DE TRUMP
CiberCuba
10/07/2020
A opositora Rosa María Payá Acevedo pediu ao presidente dos EUA Donald Trump que processe Raúl Castro e as principais figuras do regime comunista pelos crimes cometidos contra o povo cubano e cobrou que classificasse as organizações militares e o Partido Comunista de Cuba como entidades terroristas.
"Senhor Presidente, exorto você a processar Raúl Castro, [Miguel] Díaz-Canel e todos os altos funcionários do regime, e, muito importante, exorto-o a classificar as forças armadas cubanas, seus serviços de inteligência e o Partido Comunista como organizações" terroristas internacionais por seus laços com o crime e o narcoterrorismo na região", disse Rosa María durante uma reunião de Trump com exilados cubanos e venezuelanos nesta sexta-feira em Miami.
A petição apoiou uma ligação semelhante feita na reunião pelo ativista Orlando Gutiérrez-Boronat, presidente da Direção Democrática Cubana, que pediu o apoio de Trump para julgar Raúl Castro em um tribunal internacional por crimes contra a humanidade.
O líder do projeto Cuba Decide apelou a cortar os fundos de todos os ditadores e repressores que impedem a estabilidade da democracia no continente e denunciou a exploração e o tráfico de pessoas que o regime cubano exerce por meio de brigadas médicas enviadas ao exterior.
"Cuba está em crise. O regime não tem nada a oferecer, a não ser repressão e violência", afirmou o jovem oponente.
Rosa María convidou Trump para participar no dia 22 de julho, oitavo aniversário da morte de Oswaldo Payá Sardiñas, em homenagem às vítimas do comunismo na América.
"Este 22 de julho marca oito anos desde que meu pai Oswaldo Payá foi assassinado pelo regime comunista. Meu pai fundou e liderou o Movimento Cristão de Libertação, ele era um líder da oposição política, mas também um líder moral para milhares de pessoas que exigiam o direito de ter voz e participar da mudança do sistema ", enfatizou.
A ativista também observou que, além de assassinar seu pai, eles também tentaram apagar seu legado porque "temem uma maioria silenciosa que está acordando e exigindo liberdade".
"Não vamos ceder até estarmos livres. Vamos terminar o que meu pai e muitos outros começaram", disse ele.
As palavras de Rosa María encerraram nesta sexta-feira a reunião do presidente Trump com exilados de Cuba e Venezuela em Miami, em que o presidente reiterou seu compromisso com a luta contra os governos ditatoriais de ambos os países.
"É uma honra estar aqui como uma voz de liberdade para o povo cubano", começou Rosa María. "Obrigado, presidente, por se encontrar conosco hoje, por sua amizade e por ficar com o povo cubano, que quer ser livre para decidir seu próprio destino."
O ativista também agradeceu a Trump por suas "ações históricas para apoiar a democracia em Cuba e pressionar a cruel ditadura comunista".
"O povo cubano sofre opressão constante do Estado socialista. Por mais de seis décadas, o sistema comunista de Castro impôs uma cultura de discriminação contra qualquer cubano que tenha uma expressão divergente", denunciou.
"Eles aboliram nossas liberdades civis, nossa liberdade de expressão e tentaram apagar nossa história, nossa fé e nossa cultura", continuou ele.
"O regime de Castro amarrou as mãos do povo cubano, nos tornou pobres e dependentes porque o comunismo mutila a alma humana para controlar a sociedade", afirmou ele com firmeza.
Rosa María terminou suas palavras desejando que Trump logo pudesse andar pelas ruas de uma Cuba livre.
*Publicado originalmente em https://www.cibercuba.com/noticias/2020-07-10-u1-e196568-s27061-cubana-rosa-maria-paya-le-hablo-trump-encuentro-miami
- 27/06/2020
O CASO LACOMBE É ESPELHO DA REALIDADE BRASILEIRA
Percival Puggina
Leio no site da IstoÉ:
Um ano após sua estreia, o programa ‘Aqui na Band‘ sofreu uma grande intervenção da direção da emissora e será totalmente reformulado. Além disso, os apresentadores Luís Ernesto Lacombe e Nathália Batista, e o diretor-geral Vildomar Batista, foram afastados. As informações foram divulgadas pelo Notícias da TV.
O site informa também que profissionais da produção devem ser demitidos ainda nesta quinta-feira (25). No horário do programa, serão exibidas reprises. Mariana Godoy, que foi contratada recentemente, e um novo apresentador devem assumir a atração na próxima ou na outra semana, já com o programa reformulado.
Ainda segundo o Notícias da TV, a intervenção se deve após uma briga interna da área de Entretenimento com o Jornalismo, por conta de pautas tendenciosas a favor do presidente Jair Bolsonaro, com direito a três importantes diretores da emissora terem travado uma guerra nos bastidores por conta de pautas conservadoras do ‘Aqui na Band’.
A crise ganhou um novo capítulo nesta semana, quando foi ao ar um debate envolvendo o blogueiro Allan dos Santos, que é investigado pela Polícia Federal por disseminação de fake news. (1)
COMENTO
No programa que deu causa à demissão (2), com a participação de Allan dos Santos, Flavio Morgenstern, Alexandre Garcia e Marcus Vinicius Freitas, foi posto em debate o tema do conservadorismo. Pronto! Revolução na cozinha e revolta na cobertura. Quem pode suportar um programa em que participem tais pessoas, mormente com “pautas tendenciosas a favor do presidente Jair Bolsonaro”, falando em “onda conservadora”?
Há coisas que a grande mídia brasileira totalmente engajada no" politicamente correto" do falso progressismo não tolera. Uma delas é a opinião dos conservadores. Durante décadas trabalharam contra ela em todos os níveis por onde pudesse andar a comunicação social. Feito isso, passaram a implantar o seu ideário, que vai desde a confusão da sexualidade infantil com ideologia de gênero até a destruição gradual da liberdade individual. O problema de Bolsonaro com a imprensa tem pouco a ver com o fato de ser ele presidente da República, mas com ser ele a pessoa que tirou o conservadorismo do armário e ameaça um trabalho psicossocial cuidadoso minucioso e abrangente que levou décadas para apresentar resultado.
(1) https://istoe.com.br/programa-aqui-na-band-sofre-intervencao-e-apresentadores-sao-afastados/
(2) Íntegra do excelente programa aqui. https://www.youtube.com/watch?v=m9F8I-DMrdI
- 06/05/2020
STF REVOGA CENSURA A TEXTO DO MINISTÉRIO DA DEFESA
Percival Puggina, com conteúdo do site Consultor Jurídico
Uma decisão da 5ª Vara da Justiça Federal do Rio Grande do Norte havia determinado a retirada da publicação, em via eletrônica, da Ordem do Dia referente ao 31 de março que fazia menção a haverem sido, os eventos daquela data, “um marco para a democracia”. Em sequência, o governo recorreu a TRF 5 que manteve a decisão do magistrado de primeiro grau, levando a AGU a apelar ao STF, instância na qual, por fim, o presidente Dias Toffoli derrubou as decisões anteriores.
A propósito, leio no Conjur (citando o presidente do Supremo)
"Não se mostra admissível que uma decisão judicial, [...] venha a substituir o critério de conveniência e oportunidade que rege a edição dos atos da administração pública, parecendo não ser admitido impedir a edição de uma ordem do dia, por suposta ilegalidade de seu conteúdo, a qual inclusive é muito semelhante à mesma efeméride publicada no dia 31 de março de 2019", lembrou o ministro ao indicar que o caso parece mais um exemplo da excessiva judicialização que sobrecarrega o sistema jurídico brasileiro. (...) Dessa forma, não caberia ao Judiciário "redigir, segundo a compreensão que esposam, os termos de uma simples ordem do dia, incidindo em verdadeira censura acerca de um texto editado por Ministro de Estado e Chefes Militares".
Leio, também no UOL, citando Dias Toffoli
"Não se pode pretender que o poder judiciário delibere sobre todas as possíveis querelas surgidas na vida da sociedade. E o caso ora retratado me parece um exemplo clássico dessa excessiva judicialização."
COMENTO
Assinavam a Ordem do dia, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva e os comandantes da Marinha, Ilques Barbosa Junior; do Exército, Edson Pujol; e da Aeronáutica, Antonio Bermudez.
A excessiva judicialização, como vemos sobejamente nestes dias, não é causa, mas consequência da irracionalidade de nossas instituições. As decisões derrubadas pelo presidente do STF alinhavam-se com uma conduta em voga no próprio Supremo. Segundo tal procedimento, certas decisões monocráticas se alinham, primeiro, ao sentimento do magistrado em relação ao fato e, depois, vão [as decisões] atrás de algum princípio que as retire do éter das emoções para lhes dar sustentação jurídica.
Por outro lado, com o passar dos anos, criou-se uma espécie de história oficial sobre os eventos de 31 de março de 1964. Foi construída uma “narrativa” que não admite contestação, dando origem à absurda “Comissão da Verdade”, impulsionada pelo desejo de mandar na história e parir dos fatos uma criatura em cujo colo possa a esquerda sentar-se e receber carinhosos afagos. Fazer o mesmo com toda a história do Brasil toma mais tempo, mas segue os mesmos passos.
- 15/04/2020
TRUMP ANUNCIA SUSPENSÃO DO ENVIO DE VERBAS PARA OMS
Percival Puggina, com conteúdo G1
Leio no G1
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (14) que vai ordenar a suspensão do envio de verbas para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Ele acusa a organização de lidar de forma inadequada com a pandemia de coronavírus.
Há uma semana, Trump havia ameaçado cortar a verba durante uma entrevista coletiva, reclamando que a OMS poderia "ter avisado antes" sobre o perigo do coronavírus. Horas antes, ele havia postado uma mensagem se queixando que a organização dava muita atenção à China.
Nesta terça, Trump abriu sua coletiva diária anunciando o corte.
"Hoje estou instruindo minha administração a interromper o financiamento da OMS enquanto uma revisão é conduzida para avaliar seu papel (da OMS) na severa má administração e no encobrimento da disseminação do Coronavírus", disse.
Ainda segundo Trump, a OMS tem problemas "do tipo que ninguém acreditaria" e a revisão deve levar de 60 a 90 dias. Ele diz que, ainda em dezembro de 2019, havia "informações críveis" de que o vírus seria transmissível de uma pessoa para outra, mas que a OMS desprezou a gravidade da ameaça e não respondeu de maneira apropriada.
"Tantas mortes foram causadas por seus erros", afirmou.
"Por enquanto, redirecionaremos a saúde global e trabalharemos diretamente com outras pessoas. Toda a ajuda que enviarmos será discutida em cartas muito, muito poderosas e com grupos muito poderosos e influentes e grupos inteligentes", acrescentou.
Em comunicado divulgado horas depois, o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse que "não é hora" de reduzir o repasse de recursos à OMS.
"Agora é hora de unidade e de a comunidade internacional trabalhar junto com solidariedade para parar esse vírus e suas consequências desastrosas", afirmou.
COMENTO
Todo santo dia, a dupla de falantes da OMS – Tedros Adhanom Ghebreyesus e Michael Ryan – comparece aos canais de TV, lecionando ao mundo. Com que credibilidade? Deveriam iniciar suas falas com reiterados pedidos de perdão à humanidade pelos erros que cometeram. Esses erros agravaram o quadro de contaminação que levou à pandemia.
A ausência de qualquer explicação joga o manto da suspeita sobre o que dizem. Todo não globalista, aliás, adota espontaneamente essa atitude perante organismos de burocracia com atribuições supranacionais.
A OMS já deveria estar sofrendo uma auditoria externa para identificar as causas dos erros em que incorreu o comando da instituição bem como as características de suas relações com a China e o Partido Comunista Chinês. É possível que uma investigação assim, decifre, até mesmo, os impenetráveis segredos de Wuhan, que em um mês (janeiro) contou milhares de mortos e no dia 30 anunciou dois dias sem registro de casos novos...
***
Em meio a tantos erros, quando se tem que desculpar as autoridades da nossa saúde pública pela desinformação prestada à população afirmando que as máscaras eram inúteis, devemos assinalar a necessidade de ter e manter estoque de materiais estratégicos para tais situações. Há que produzi-los no Brasil, mesmo que a custo superior ao do produto chinês, para não ficarmos expostos à insegurança do mercado internacional.
- 25/09/2019
AMAZÔNIA, CLIMA, NÍVEL DOS MARES
Félix Maier
Pelo visto, os árabes do Golfo Pérsico não temem o aumento do nível dos oceanos devido à mudança climática. Constroem prédios cada vez mais altos, ao nível do mar.
Por que será?
Ignorância e falta de informação é que não deve ser.
Eu gostaria de ouvir os engenheiros e empresários de Dubai explicando isso numa Cúpula sobre o Clima, se eles não estão com medo do degelo das calotas polares e da Groenlândia (outrora Green Land), que inundariam todas as cidades costeiras do mundo, como NY, Rio e - obviamente - Dubai.
Um cubo de gelo jogado numa piscina transbordaria uma piscina? Pois parece ser isso que tentam nos provar.
Há muitas coisas com que possamos nos preocupar com respeito ao clima terrestre, evitando desertificação de áreas extensas, emissão de poluentes na atmosfera, poluição dos oceanos (nossa principal fonte de oxigênio), embora muitas das manifestações da natureza não sejam controláveis pelo ser humano, como terremotos e furacões.
Muito do que se noticia sobre mudança climática me parece ser puro embuste. Principalmente se for para atacar o agronegócio brasileiro - um sucesso mundial absoluto - e, especialmente, o presidente Bolsonaro, "queimado" pelo presidente francês Emmanuel Macron, que leva a tiracolo o cacique para gringo ver, Raoni, em criminosa campanha mundial contra os interesses e a soberania do Brasil no caso da Amazônia.
E vem aí o Sínodo sobre a Amazônia, no Vaticano, em outubro, para jogar mais um pouco de gasolina nas queimadas que estão sendo apagadas por militares, bombeiros e as primeiras chuvas da primavera.
O interessante é que existem cerca de 15.000 ONGs operando na Amazônia. Se cada ONG tiver em média 10 componentes, seriam 150.000 baldes de água para apagar as queimadas. Alguém viu um ongueiro, um único ongueiro com balde na mão?
É mais fácil achar um ongueiro com tocha na mão, em vez de balde d'água, já que Bolsonaro fechou a torneira de recursos monetários para muita ONG fajuta.
O Outubro Vermelho do Vaticano promete!
- 07/08/2019
EX-ADVOGADO GERAL DA UNIÃO FÁBIO MEDINA FAZ ALERTA CONTRA MILÍCIA DIGITAL
Correio Braziliense, em 6/08/2019
Não houve conluio entre Moro e procuradores, diz Medina Osório
Conhecido por suas opiniões fortes e incisivas, Fábio Medina Osório, de 52 anos, advogado-geral da União do governo Michel Temer, deixou o setor público para atuar na área do direito criminal em Brasília. Em entrevista ao Correio, ele avalia a crise instalada no Poder Judiciário e no Ministério Público em razão da divulgação de supostos diálogos envolvendo o ministro da Justiça, Sérgio Moro, e procuradores da Lava-Jato. Na visão do jurista, a operação está sofrendo ataques que a colocam em risco.
O defensor afirma que a decisão mais prejudicial para o andamento das investigações pode vir do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o ex-AGU, caso aceitem que conversas vazadas por hackers sejam usadas em ações na Corte, ministros do Supremo abrirão precedentes para que invasões a eletrônicos se tornem meios de coletar prova.
Osório assumiu o cargo de AGU em março de 2016, e saiu em setembro do mesmo ano, acusando o governo de tentar parar a maior operação de combate à corrupção do país. Atuou durante 14 anos no Ministério Público do Rio Grande do Sul e se especializou em combate à corrupção. Confira trechos da entrevista:
O senhor acredita que a divulgação dos conteúdos das supostas conversas trocadas entre procuradores pode levar ao afastamento do procurador Deltan Dallagnol?
Eu acho que a premissa fundamental que deve nortear qualquer decisão administrativa ou judicial sobre esse assunto é a questão da origem da prova que vai ser utilizada pelo órgão julgador, seja ele judicial, seja administrativo. Essa prova foi obtida por meios criminosos. E mais do que isso: por uma organização criminosa através de invasão ilícita de equipamentos de autoridades públicas que estavam empreendendo investigações em uma operação de magnitude ímpar de combate à corrupção no Brasil. Essa prova é considerada juridicamente imprestável à luz da jurisprudência do STF. Nós entendemos que, pelos precedentes já consolidados em inúmeras ocasiões, é impossível abrir investigações ou processo a partir do uso dessa prova. Ela não tem sua autenticidade verificada nem é passível de verificação. São dois pilares importantes: uma coisa é a autenticidade verificada e a outra é a autenticidade passível de ser verificada. Para ela ser verificada, é necessário deflagrar algum tipo de apuração. E o suporte para isso é a própria prova ilícita. Então, à luz da jurisprudência do STF, é inviável deflagrar apurações e investigações com suporte em prova ilegal.
Quando dizem que são “mensagens obtidas de maneira criminosa”, os envolvidos não estão confirmando o conteúdo?
Não. “Mensagens obtidas de maneira criminosa” é uma premissa incontestável, e a autenticidade está negada em todas as manifestações dos envolvidos. E a própria forma de veicular essa matéria, as mensagens, já pressupõe a edição delas. O The Intercept confessou que veicula as matérias a partir de uma edição. A autenticidade é posta em xeque automaticamente.
Mas agora se tem o material verdadeiro. Poderia se provar se esse material é real ou não.
O material pode ter sido editado pelo próprio hacker. Isso é perícia, e aí, para fazer perícia, se esbarra no óbice do STF. Perícia é apuração, é investigação. Não se deflagra uma operação com base em prova ilícita. No Brasil você tem métodos de investigação. Tudo seria permitido se a investigação fosse aberta por qualquer meio. Se nós autorizássemos a coleta de provas por parte de hackers, tudo seria permitido. Aí começa a deflagrar investigação com base no que ele invadiu e aí a própria autoridade policial vai contratar hacker. Teria início, então, uma atividade paraestatal. Assim como hoje existem as milícias, teríamos os milicianos digitais. Se o Supremo autorizar o uso dessas provas, com essa origem, vai criar os milicianos digitais.
Então o ministro Luiz Fux errou ao determinar que esse material não seja destruído?
Não errou. Eu acho que o material não deve ser destruído, por enquanto. Realmente, é um material que tem que ser resguardado, porque as investigações estão em curso. Tem que ter confronto, cotejo, pode ter até perícia, mas veja, uma coisa é o material ser preservado no interesse da investigação, outra coisa é você imaginar que isso possa ser utilizado seja para absolver, seja para desmontar a operação, ou seja para condenar alguém.
Em entrevista ao Correio, o ministro Gilmar Mendes afirmou que o Supremo vai ter que analisar se esse tipo de prova pode ser utilizada para defesa, por exemplo.
O STF tem uma jurisprudência já muito segmentada no sentido de qual tipo de prova ilícita pode ser utilizada pela defesa. É aquela prova que foi obtida, por exemplo, em legítima defesa, mas é a prova que já é cabal, já é crível, fidedigna, certificada por si só. Não a prova que ainda careça de uma investigação.
O ministro Gilmar Mendes fala que se criou em Curitiba um estado paralelo. Como o senhor avalia essa afirmação?
Eu não vejo estado paralelo instalado no Brasil. Vejo uma necessidade de aperfeiçoamento das relações entre magistratura e MP, de aprimoramento das nossas instituições fiscalizadoras.
Os supostos diálogos revelam que Deltan Dallagnol fez movimentos para investigar o ministro Dias Toffoli e pessoas próximas de Gilmar Mendes. Ele pode fazer isso?
Eu acho difícil analisar esses elementos, essas informações, porque são todas passíveis de terem sido editadas e são oriundas de prova ilícita. É proibido que uma autoridade de primeira instância investigue alguém com prerrogativa de foro. Isso caracterizaria um ilícito funcional, se tivesse ocorrido. Mas o familiar de alguém não tem imunidade.
O procurador pode investigar sem a indicação de crime?
Não pode. Os limites do poder investigatório estão muito bem delineados no regramento interno do próprio MP. Então, quando há um abuso do poder investigatório, obviamente o MP, ou um membro de lá, se submete também ao rigor da esfera disciplinar própria.
De acordo com as conversas que vieram a público, houve cerceamento de defesa?
É muito complicado falar em cerceamento de defesa. Todas as condenações e absolvições, as decisões que têm sido tomadas pela Justiça no âmbito da Lava-Jato, eu acredito que têm preservado os direitos de defesa, porque têm passado por várias instâncias. Os advogados têm conseguido trabalhar dentro dessa esfera. Eu não acredito que a Lava-Jato tenha vulnerado o direito de defesa. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) atuou, o TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) atuou. Acho que é uma tentativa de ferir o Estado democrático brasileiro por meio de investigação com hackers e utilização de prova ilícita para tentar macular a imagem do Brasil.
A produção de prova ocorre na 1ª instância. Uma falha nessa etapa não contamina todo o resto?
Eu acho que a produção de prova aconteceu com ampla dilação. Eu não vejo, por exemplo, nenhuma afirmação de que a defesa foi impedida de produzir prova. Não teve. Nenhum desses materiais mostra isso. Em qual momento mostra o juiz combinando, forjando prova ou dizendo que vai impedir a defesa de produzir um laudo?
Sérgio Moro se tornou ministro do opositor do ex-presidente Lula durante a campanha…
Mas em que momento o juiz diz que impedia a defesa de acessar uma prova?
Então não houve parcialidade?
O juiz tem que ser imparcial. Ele tem sua formação ideológica. Ele pode ter uma convicção, mas ele não pode ter a independência tocada. Ele não pode impedir o réu de produzir provas.
A ida ao governo não é uma prova?
Isso não é proibido. Do ponto de vista ético e moral, existe uma alegação, mas, do ponto de vista da sociedade brasileira, era o desejado. Se ele se sentiu confortável para fazer isso, acha que não altera sua imparcialidade, é um problema ético dele. Eu não creio que seja o suficiente para declarar a suspeição, por exemplo.
Juiz indicar testemunhas, pedir para afastar procuradora das audiências não representam algo combinado?
Eu não vejo como um jogo de cartas marcadas para condenar alguém. Tem que ver se a condenação foi arbitrária ou não. É na sentença que se analisa o processo, assim como na condução de audiências e produção de provas. O resto é secundário. A defesa arrolou todas as testemunhas que podia? Arrolou. Produziu todas as provas necessárias? Produziu. Estão se apegando a questões secundárias, pequenas, para tentar anular a condenação e tentar absolver um corrupto, um bandido que foi condenado com base em provas.
- 13/07/2019
COM AS UNHAS À MOSTRA
Percival Puggina
Na votação do segundo turno da reforma da Previdência, petistas & associates (como convém em tempos de Greenwald) comemoraram o êxito da estratégia de prolongar a sessão discursando sobre seu virtuoso amor aos pobres, lero-lero que só convence a CNBB. Noite adentro, sucederam-se na tribuna, cobrando do governo a mesma irresponsabilidade fiscal que praticaram enquanto negociavam com os ricos e levavam o país ao buraco de onde, agora, tentam impedi-lo de sair. Com o passar das horas, o plenário começou a esvaziar e o quórum foi sendo reduzido até que a suposta maioria se declarou insegura para dar sequência aos trabalhos.
Nada como uma votação importante para que as unhas sejam exibidas.
1º) Unhas da esquerda, cujo único projeto é um projeto de poder que passa longe do bem do país, pois o bem do país é bom para o governo. Nada é mais previsível, portanto, que uma decisão do PT e seus associates.
2º) Unhas do insaciável Centrão, capaz de dobrar até mesmo um sujeito teimoso como Bolsonaro, que acabou fechando os olhos para a liberação das emendas parlamentares (procure por centrão insaciável no Google e vai sair bem informado por mais de três mil referências...).
3º) Unhas do jornalismo militante. Durante semanas a fio atacou tanto as mobilizações populares pela reforma quanto a resistência do governo em “negociar”. As duas condutas, dizia, atentavam contra normalidade institucional. Eram intromissão tola do povo e incompetência do governo. O Centrão, ele sim, representava a indispensável referência da institucionalidade e dos excelsos poderes do parlamento. O mesmo jornalismo militante, agora, ironiza o governo pelo fim da “nova política”.
Enquanto isso, o Centrão, o honorável Centrão, viu no adiamento para o próximo semestre um guichê aberto a novas e proveitosas negociações. Em outras palavras: por motivos diferentes, oposição e Centrão tinham ontem, 12 de julho, um interesse comum: atrasar três semanas a votação do segundo turno da reforma da Previdência. O Brasil que espere.
- 10/07/2019
ANALISTAS EXTRATERRESTRES
Leio no excelente Congresso em Foco
O relator do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2020, Cacá Leão (PP-BA), inseriu uma emenda na proposta com a previsão de um aporte de R$ 3,5 bilhões de emendas parlamentares para o fundo eleitoral de 2020. O valor é o dobro do repasse realizado na campanha de 2018, quando os partidos receberam R$ 1,7 bilhão de verbas públicas para financiar propagandas, eventos e viagens dos candidatos.
Nas eleições de 2018, 34 dos 35 partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) receberam recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o Fundo Eleitoral, aprovado em 2017 pelo Congresso Nacional. Foi a primeira vez que a verba foi usada por candidatos, já que as doações empresariais foram proibidas. O Novo foi a única legenda que não participou da partilha dos valores, abriu mão do recurso após uma decisão interna.
Tal fundo tornou-se uma das principais fontes de receita das campanhas após o Supremo Tribunal Federal (STF) proibir doações de empresas privadas. O aumento previsto no orçamento ocorre às vésperas das eleições para prefeitos e vereadores. A LDO serve de diretriz para a elaboração da proposta orçamentária, que deve ser enviada pelo Executivo ao Legislativo em agosto.
Além desse fundo, as siglas contam com o Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos. Esses valores são utilizados para custeio de atividades ordinárias. Ele é composto por multas e penalidades em dinheiro aplicadas de acordo com o Código Eleitoral, além de recursos financeiros destinados por lei, em caráter permanente ou eventual.
Procurado pelo Congresso em Foco, o deputado Cacá Leão não respondeu até o fechamento deste texto. O projeto da LDO precisa ser votado até 18 de julho, quando começa o recesso parlamentar. A proposta precisa passar, antes, pela Comissão Mista de Orçamento. Esse é o primeiro passo para a reserva do recurso na lei orçamentária, que deverá ser votada pelo Congresso no fim do ano.
COMENTO
1. Estamos diante de diversos disparates. A operação dos parlamentos do país, de modo quase geral, teria muito a ganhar com a redução dos partidos e nada incentiva mais sua multiplicação do que entregar dinheiro vultoso, de mão beijada, a quem conseguir assinaturas suficientes para criar um.
2. Nossa bela e produtiva democracia precisa do dinheiro dos cidadãos para ajudar até quem não tem voto. Sabe quem, além dos próprios partidos, fez pressão para isso? O STF.
3. Duplicar os recursos num intervalo de dois anos com o país enfrentando as conhecidas dificuldades de caixa seria um acinte do Congresso Nacional aos pagadores de impostos e aos carentes de atenção do Estado.
4. R$ 3,5 bilhões para as campanhas municipais? É inimaginável o que se pode fazer de bem ao país com esse montante.
No entanto há, em alguns dos grandes jornais e emissoras do país, quem sustente ser indispensável que os parlamentares decidam sobre o que quiserem sem que a sociedade, ainda que por modo civilizado, expresse sua opinião. Certos conteúdos jornalísticos parecem escritos por homenzinhos verdes, com olhos negros salientes em grandes órbitas enviesadas. Parabéns ao Congresso em Foco por dar destaque ao assunto.
- 02/07/2019
SERGIO MORO NA ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO
Leio em O Antagonista
Duas manifestações de petistas na CCJ da Câmara dos Deputados que ouve o ministro Sérgio Moro foram destacadas.
O deputado Rogério Correia, do PT/MG, chamou Deltan Dallagnol de cretino e acusou o ex-juiz de conluio criminoso com o chefe da força-tarefa.
A sessão parou e o presidente da comissão, Felipe Francischini, ameaçou encerrar a reunião se começasse o bate-boca.
“Não vai encerrar porra nenhuma”, reagiu outro petista.
A deputada Maria do Rosário, do PT/RS saiu-se com esta:
“Eu quero que o senhor me olhe nos olhos. É importante, eu desconfio de quem baixa a cabeça. O senhor envenenou a árvore desse processo. Instruiu de forma irregular, parcial, imoral, corrupta, em conluio com o Ministério Público esse processo contra o Lula”, bradou.
Ao final, gritando, pediu que o ex-juiz respondesse com dignidade às suas perguntas.
COMENTO
Essa falta de linha é característica de um perfil que a gente encontra nas redes sociais, nas salas de aula e nas salas de professores, em debates nos meios de comunicação e em qualquer evento onde o debate seja político e haja público.
Havendo auditório, havendo pessoas que possam ser influenciadas por uma ideia oposta, certos indivíduos perdem o controle, põem a educação e a razão junto com os papéis de bala e exibem exatamente esse despreparo para o contraditório inteligente.
- 11/06/2019
O AGITO CAUSADO PELOS VAZAMENTOS DA INTERCEPT
Percival Puggina
Quem não tem o que dizer ou fala bobagem ou fabrica informação. Creio ser isso o que está acontecendo com a divulgação dos vazamentos da Intercept, apresentados de modo a criar notícia escandalosa onde o verdadeiro escândalo é a invasão de celulares de agentes públicos por criminosos que passaram informação ao site.
Praticamente tudo o que li parece ter sido redigido por um advogado da equipe de Lula, procurando tirar todo o leite possível das pedras hackeadas. Li sobre procuradores empenhados, noite adentro, na obtenção de elementos de convicção para si mesmos. Li sobre procuradores empolgados com a missão de combater a corrupção num país em que suas ramificações pareciam não encontrar limites. Li sobre um magistrado federal cuja determinação fez dele o bem sucedido símbolo desse combate. E li uma matéria nitidamente empenhada em desacreditar a Operação Lava Jato e proteger os corruptos.
A advogada Janaína Paschoal, em seu twitter, divulgou uma opinião da qual destaco os seguintes trechos:
Hilário ler que o CNMP está discutindo em grupo de whatsapp o que fazer com os Procuradores que se falaram em grupo de whatsapp. Será que ninguém percebe o pitoresco da situação? Pena eu não ser uma escritora, fosse, não faltaria material.
Em um país em que parentes de Ministros advogam nos Tribunais Superiores; em que a nata da advocacia criminal faz jantar homenagem ao Presidente da Corte que julgará suas causas;
em que o magistrado da causa oferece jantar de aniversário para a parte em que um ex-Ministro de Estado se refere a um Ministro do STF como “nosso advogado” e ninguém se considera suspeito, DATA VENIA, parece piada querer fazer um carnaval por causa de três frases em um grupo de whatsapp. Faz-me rir!
Também no Twitter, J.R.Guzzo observou:
A clonagem do telefone do ministro Sérgio Moro é apenas um episódio a mais na única disputa de verdade que existe hoje no Brasil: a guerra para derrubar Moro, liquidar a Lava Jato, soltar Lula, sabotar o governo e devolver o país aos ladrões - centrão, PT, empreiteiras. Só isso.
Pessoalmente, me entristece saber que num país onde o crime compensa, condutas criminosas recebam credibilidade. É a coroa de ouro da estupidez nacional ocupando as cabeças que lhe correspondem.
- 31/05/2019
O STF, OS BANDIDOS E A NAÇÃO
Percival Puggina
Leio no Diário do Poder
Após silêncio do ex-ministro Antônio Palocci na CPI do BNDES, garantido por habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF), a deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF) apelou ao presidente da Corte, ministro Dias Tofffoli, para reduzir as interferências que aniquilam comissões parlamentares de inquérito. Palocci foi convocado para explicar o esquema corrupto que roubou dinheiro do BNDES. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
Toffoli se colocou à disposição para discutir a questão com integrantes da CPI do BNDES. Sinalizou com eventual redução das interferências.
COMENTO
A legislação penal e processual brasileira foi desenhada para serviço dos réus, dos condenados e dos indivíduos que causam dano à sociedade. Antes de o STF fazer isso, na percepção da sociedade, a lei já o faz. Graças a ela, Palocci conseguiu do STF comparecer à reunião da CPI do BNDES protegido – vejam só! – pelo direito de permanecer em silêncio, de não ter sua imagem registrada, de ser assistido por advogado, de não ser submetido ao compromisso de dizer a verdade e de não sofrer constrangimentos físicos ou morais em virtude de tais direitos e/ou prerrogativas. E que a sessão desse depoimento fosse sigilosa... Ou seja, ele só não poderia deixar de comparecer, mas a inutilidade do comparecimento estava previamente assegurada.
Há quem ache isso muito bonito, muito democrático e profundamente humano. A sociedade, porém, tem outro entendimento. Coonsidera tudo muito parecido com servir medalhões de lagosta nos banquetes da impunidade e da criminalidade.
Quando multidões saem às ruas, um mínimo de racionalidade, de realismo, exige que se preste atenção ao que é dito. E tem ficado muito claro que o STF dispõe de majoritário reconhecimento da legitimidade e da necessidade de sua existência, mas não encontra voz que defenda a conduta da maioria de seus membros.
Está firmado o conceito de que há desserviço à nação. Ele começa na insensibilidade para com a situação financeira do Estado, manifesta num cardápio de mordomias incompatíveis com a realidade nacional, e vai encontrar expressão mais nítida na angústia que alguns ministros extravazam quando juízes e tribunais dos andares de baixo do Judiciário mandam prender figurantes significativos da cena política e/ou financeira do país.
- 07/05/2019
CENTRÃO E OPOSIÇÃO QUEREM COAF LONGE DOS OLHOS DE MORO
Percival Puggina
Parece mentira, mas o mesmo grupo político que acusa o governo de falta de agilidade nas suas negociações, até agora ainda não votou a Medida Provisória da reforma administrativa que o governo enviou ao Congresso logo após a posse.
A MP é incômoda. Aliás, todas as providências moralizadoras, que reduzem o gasto público e o tamanho do Estado, que ajustam as torneiras da despesa, desagradam quem vê o governo e a administração como uma feira de utilidades, onde os partidos e os detentores de mandato se servem gratuitamente.
A reforma de Bolsonaro cortou ministérios e mais de 20 mil cargos. Cortou a cereja do bolo ministerial, o esdrúxulo e não federativo Ministério das Cidades (faz sentido, numa Federação, um ministério desses?), e fez arranjos que vão favorecer o combate à corrupção.
Uma dessas mudanças é a transferência do COAF (Comissão de Controle das Atividades Financeiras) da área fazendária do governo para a órbita do Ministério da Justiça. É fácil imaginar as motivações de quem quer e de quem não quer que isso aconteça. Ao que consta em matéria do Estadão de hoje (07/05), 13 dos 26 membros da comissão se manifestam favoráveis, três apenas se dizem contrários e 10 ocultam sua posição.
Não imagino possa ser considerado “mau juízo” supor que os motivos para a posição contrária nada tenham a ver com o melhor e mais apurado controle das atividades financeiras, mas com o desejo de ver essas atividades longe dos olhos de Sérgio Moro.
- 30/04/2019
OFENSIVA DA VELHA POLÍTICA DERROTA PORTO ALEGRE
Percival Puggina
Na noite de segunda-feira (29/04), a velha política sitiou a Câmara Municipal de Porto Alegre, cuja maioria se rendeu às negociações do poder. No balcão, cargos e benesses, receita eficaz para a formação de sólidas convicções governistas e para, num estalar de dedos, converter minorias em maiorias.
No caso específico dos eventos em questão, vale registrar que em seu terceiro ano de mandato, o prefeito de Porto Alegre é rejeitado por 86,5% dos porto-alegrenses. Seu índice de aprovação é de apenas 8%, segundo pesquisa do Instituto Methodus divulgada na semana passada. Mesmo assim, a administração que jamais conseguiu formar base majoritária acabou realizando esse desejo exatamente quando o apoio ao prefeito se precipita a um nível inédito de rejeição.
Um bom escritor poderia escrever um thriller, um filme de mistério ou, mais assustador ainda, um documentário sobre os inéditos eventos daquele dia.
É provável que o leitor destas linhas esteja querendo saber o que, sob a batuta da velha política, estava sendo votado em tais circunstâncias. Talvez imagine que estivesse na pauta algum extraordinário benefício aos cidadãos, ou uma forma de incentivar a economia local, ou uma alternativa para reabrir os tantos pontos comerciais que fecharam suas portas. Pois é aí que está o cerne do suspense, a converter o legislativo da capital gaúcha numa casa do espanto. Aumentava-se o IPTU! E aumentava-se o IPTU em proporções escorchantes, aplicando-lhe sucessivos pinotes anuais de 30% e podendo crescer até dez vezes em alguns casos. Não faltaram votos para impor essa derrota e esse ônus aos cidadãos numa sucessão de artimanhas que envolveram licença do prefeito, férias do vice-prefeito, retorno forçado à Câmara de secretários vereadores. Tudo num aparente improviso, de uma hora para outra, vazias as inadvertidas galerias.
No final do ano, quando as guias para pagamento do IPTU começarem a chegar aos proprietários e inquilinos, talvez os negócios da velha política ajustados nesta votação se tornem conhecidos dos – como direi? – “terceiros interessados”, os realmente interessados, vitimados e escorchados cidadãos de Porto Alegre.
Atualização, em 1º de maio às 12:00h.
Algumas emendas tornaram o projeto um pouco menos danoso, como a proposta pelo vereador Cassio Trogildo, que reduziu os “pinotes” anuais de 30% para 20%, aumentando o número de anos em que esse percentual se aplica, e a proposta pelo vereador Ricardo Gomes, para que valor venal de um imóvel a ser considerado para fins de base cálculo do IPTU não seja superior ao último valor considerado para fins de cobrança do Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) para o mesmo imóvel.
De modo não muito comum, as bancadas votaram fechadas. A favor do projeto, caracterizando-se como base do governo, DEM, MDB, PRB, PTB, PSDB, PROS, SDD, PSC e REDE.
Votaram contra as bancadas do PT, PSOL, PDT; Felipe Camozzato (NOVO), Cassiá Carpes e Ricardo Gomes em dissidência do PP, que se dividiu; e Paulinho Motorista, em dissidência do PSB.
- 24/04/2019
Enfim a maioria venceu!
OPOSIÇÃO SEM VOTOS, MAS COM MILITÂNCIA PARA ATRAPALHAR
Percival Puggina
O placar da votação da admissibilidade da PEC da Previdência, na CCJ da Câmara dos Deputados não deixou dúvidas: a oposição barulhenta e raivosa tinha apenas 18 votos em plenário.
No entanto, durante sucessivas sessões conseguiu retardar a deliberação com tumulto organizado, estratégias de superlotação do plenário com parlamentares sem direito a voto, mas devidamente orientados a agir de modo a que as reuniões de leitura do relatório e de deliberação não avançassem para votação. Tudo foi feito para retardar a vitória de quem tinha mais votos.
As estratégias protelatórias foram, ontem, prometidas para todas as etapas subsequentes dos trabalhos. Continuarão confundindo Congresso Nacional com grêmio estudantil ou congresso da UNE.
Uma coisa é propor alterações ao projeto, no devido tempo e instância decisória. Outra, bem diferente, é impedir que a decisão seja tomada, organizando o caos, adotando conduta desqualificada e discursando como se falassem para uma nação de desmemoriados, que não soubessem quem são os responsáveis pela difícil situação social e econômica do país, como se não tivessem havido uma eleição, como se não houvesse um governo legítimo, como se os partidos de esquerda não tivessem reduzido significativamente sua representação no Congresso Nacional.
- 10/03/2019
DETENÇÕES POLÍTICAS EM CUBA DOBRAM DURANTE O MÊS DE FEVEREIRO
De CubaNet
Em seu relatório mensal, a Comissão Cubana de Direitos Humanos informou um total de 310 prisões, mais que o dobro do mês de janeiro.
MIAMI, Estados Unidos 07/mar/2019 - A Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN) relatou um aumento acentuado nas prisões arbitrárias por motivos políticos na ilha durante fevereiro passado e alertou para a crescente perseguição política contra os ativistas e opositores do regime.
Em seu relatório mensal, publicado na quarta-feira, a CCDHRN informou que, em fevereiro, houve 310 prisões, mais do que o dobro das de janeiro, quando um total de 144 foram registradas.
Nesse sentido, o grupo de oposição destaca que a realização do referendo constitucional em 24 de fevereiro causou uma "grande mobilização" polícial e parapolicial dedicada à prática de "repressão preventiva e intimidação" dos cidadãos classificados como descontentes ou simpatizantes do regime .
Além disso, o relatório descreve a situação dos cidadãos Yasser Rivero Boni, de Havana, e Salvador Reyes Pena, de Matanzas, que foram presos em Havana em 10 e 16 de Fevereiro, respectivamente, e colocados em prisões alta segurança
A Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional também denunciou a ocorrência de "48 atos de assédio e 12 ataques físicos", em todos os casos, ações repressivas que teriam sido perpetradas pela polícia política.
A CCDHRN é a única plataforma que registra este tipo de incidentes dentro da Ilha e, somente em 2018, contabilizou um total de 2.873 detenções consideradas arbitrárias, quase todas de caráter temporário.
- 18/11/2018
MAIS MÉDICOS: BRASILEIROS PREENCHEM QUASE 100% DAS VAGAS
Quase 100% das 983 vagas ofertadas a médicos para atuar no Programa Mais Médicos foram preenchidas por profissionais brasileiros. A 1ª chamada do edital lançado em dezembro [2017] pelo Ministério da Saúde recebeu 8.042 inscrições de médicos que possuem registro no Brasil. Foram ocupadas 977 vagas com profissionais que atenderão nas unidades básicas de saúde de 507 municípios e um Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) já a partir da próxima semana, oito de janeiro.
Ampliar a participação de médicos brasileiros no programa é um compromisso da gestão do ministro da Saúde, Ricardo Barros. “A alta adesão dos médicos brasileiros demonstra o quanto o programa Mais Médicos está consolidado no país. Esses profissionais atenderão em unidades apontadas pelos prefeitos como carentes destes profissionais”, ressaltou o ministro.
Os municípios tiveram até primeiro de dezembro do ano passado para indicar o quantitativo de vagas disponíveis. Entre as 983 vagas ofertadas, a região Nordeste possui a maior quantidade, com 341 oportunidades, seguido do Sudeste (253), Sul (167), Norte (125) e Centro-Oeste (97). Apenas os estados do Rio Grande do Sul e Amapá não conseguiram a totalidade dos médicos requisitada pelos prefeitos.
Entre os dias três e cinco de janeiro está previsto o período de validação dos médicos pelo gestor municipal no Sistema de Gerenciamento de Programas (SGP). Caso ocorram desistências durante validação e homologação da 1ª chamada, as vagas remanescentes serão ofertadas a médicos brasileiros formados em instituições estrangeiras com habilitação para exercício da Medicina no exterior na 2ª fase, prevista para 28 de Fevereiro de 2018.
O Ministério da Saúde tem lançado editais periódicos para repor e substituir médicos da cooperação com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) por profissionais brasileiros. Além disso, também estão sendo repostas vagas oriundas de desistências e de encerramento de contrato.
AVANÇOS – A atual gestão do Ministério da Saúde conseguiu avanços significativos para o Mais Médicos. Uma delas foi a renovação por mais três anos do programa. Além disso, a pasta conseguiu reajustar o valor da bolsa anualmente aos médicos participantes, e concedeu, também, um acréscimo de 10% nos auxílios moradia e alimentação de profissionais alocados em municípios e distritos indígenas, que passou de R$ 2.500 mensais para R$ 2.750.
O PROGRAMA – Criado em 2013, o Programa Mais Médicos ampliou à assistência na Atenção Básica fixando médicos nas regiões com carência de profissionais. O programa conta com 18.240 vagas em mais de 4 mil municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), levando assistência para cerca de 63 milhões de brasileiros. Do total de médicos participantes, 46,9% são profissionais da cooperação com a OPAS, 43,4% brasileiros formados no Brasil ou no exterior e 3,3% são intercambistas estrangeiros.
Alexandre Penido, da Agência Saúde
- 11/11/2018
DOIS DISCURSOS SOBRE O MÉRITO
Notas do Editor
1. O primeiro discurso é da juíza Fernanda Orsomarzo, ligada à Associação Juízes para a Democracia (que abraça todas as teses esquerdistas). Segundo a magistrada paranaense, a meritocracia é injusta porque desconhece desigualdades de condições. Para alguns, diz ela, “os entraves são meras pedras no caminho, enquanto para outros a vida em si é uma pedra no caminho”.
2. O segundo discurso, cuja íntegra transcrevo a seguir, é da juíza Ludmila Lins Grilo, do TJ/MG. Ela tomou conhecimento do artigo da colega e o contestou apresentando sua própria história de vida para formular uma eloquente convocação ao esforço pessoal em contraposição ao vitimismo do texto precedente. O esperar pelo Estado para tomar decisões e assumir atitudes individuais nunca foi bom aconselhamento.
3. A imagem que ilustra este texto viralizou na Internet em 2015. Registra a atitude de uma criança estudando à noite, na rua, aproveitando-se da iluminação externa projetada por uma lancheria MacDonalds. Há depoimentos de que essa imagem modificou a vida de muita gente.
A Dra. Ludmila Lins Grilo diz:
“Minha resposta ao POST da juíza Fernanda Orsomarzo, integrante da AJD (Associação Juízes para a Democracia), associação de magistrados de viés marxista que frequentemente fala ao público como se representasse todos os juízes, quando, na verdade, é repudiada pela grande maioria dos magistrados.
Fernanda disse que ralou duro para ser juíza de direito. Entretanto, ressaltou que essa vitória não deve ser imputada somente a ela e aos seus méritos, mas sim, a uma conjunção de fatores positivos que, desde sua tenra infância, pôde desfrutar: casa, escola particular, comida na mesa, aulas de inglês, informática. Diz que, graças a todas essas circunstâncias, ela foi alçada a um patamar de maior comodidade, e, privilegiada, teve mais chances de conseguir chegar onde chegou. Invoca questões raciais: “nasci branca”.
Fernanda é contra a meritocracia. Acha injusto desresponsabilizar o Estado e jogar “nos ombros do indivíduo todo o peso de sua omissão e falta de políticas públicas”. Diz que “quem defende essa falácia não se recorda que contou com inúmeros auxílios para chegar onde chegou”.
Fernanda se esforça em mostrar para o público como é difícil para o pobre vencer na vida. Milhares de pessoas compraram a sua ideia. Fernanda estimulou a revolta nesses milhares de pessoas.
Pois eu não farei isso. Jamais estimularei a sua revolta contra um ente abstrato e sem rosto, como o “Estado”. Estimularei a sua coragem sua força de vontade e, principalmente: sua FÉ. Vem comigo!
Assim como Fernanda, eu ralei duro (duríssimo!) para ser juíza de direito. Era um verdadeiro sonho a ser perseguido dia após dia. Mas, ao contrário de Fernanda, não tive tantas facilidades assim. Morava no subúrbio do Rio de Janeiro, no bairro de Olaria. Não tinha vista para o Cristo Redentor, mas sim, para o Complexo do Alemão. Conservo até hoje uma pequena cicatriz na perna de um TIRO tomado dentro da escola, aos 11 anos, em Ramos. Minha mesinha de estudo ficava à beira da janela: quando começavam os tiroteios, eu precisava sair dali da linha de tiro. Pegava o livro e ia ler na cama, toda torta e com baixa visibilidade. Os olhos e a coluna sofriam, mas o espírito sempre estava em FESTA.
Muito tempo de estudo foi tomado durante minhas viagens no 621 (Penha-S.Peña), ônibus que eu pegava para a ida ao trabalho administrativo em um hospital ao pé do morro da Mangueira. Nem sempre conseguia ir sentada, muitas vezes eram 40 minutos, uma hora em pé, desconfortável, suando, sendo empurrada, com os braços doendo por ficar segurando naquele ferro acima da cabeça. Mas minhas “folhinhas” de estudo estavam à mão: não havia tempo perdido. Não havia espaço para vitimismo: minha alma estava em FESTA.
O retorno da faculdade era feito na linha 313 (Pça. Tiradentes-Olaria): altas horas da noite eu voltava sozinha naquele ônibus vazio, cheio de perigos, transpassando a Central do Brasil, Leopoldina, São Cristõvão, Jacaré…ah como eu tremia quando entravam no ônibus aquelas pessoas sinistras no Jacaré! Cheguei a presenciar assalto com fuzis na estação de Bonsucesso. Mas meu livrinho estava sempre à mão, e meu coração estava em FESTA. Fazia uma breve oração, pedia a Deus por minha vida. E Ele me conservou.
Sabe por que estou te contando toda essa história? Pra mostrar ao mundo o quanto sou fera e incrível? Nada disso. Estou te contando essa história para que você não acredite em pessoas como a Fernanda.
Enquanto a Fernanda diz que só é juíza porque também recebeu um “empurrãozinho” da vida, eu te digo que esse empurrãozinho não é necessário: você pode começar do zero. Não temos castas no Brasil. Um rico pode ficar pobre e um pobre pode ficar rico.
Enquanto a Fernanda te diz que você deve esperar tudo do Estado, eu te digo que você não deve esperar NADA do Estado. Levante-se! Faça você mesmo! Come on!
Enquanto Fernanda invoca questões raciais para dizer que esta circunstância a ajudou na vida, eu te digo: deixe o racismo com eles. Independentemente da sua cor, você PODE.
Enquanto a Fernanda te conta que você deve ter revolta, eu te digo: você deve ter otimismo, força de vontade e FÉ.
Enquanto a Fernanda te estimula a permanecer onde está, por não ter condições financeiras, eu te digo: ignore sua condição financeira. Não fique onde está, se não te agrada. Saia daí. É possível e viável. Você pode sim.
Isso é a meritocracia que tanto irrita a Fernanda. E claro que existem desigualdades sociais – e, lamento informar: sempre existirão. Por isso, parta para o abraço: não deixe que pessoas como Fernanda digam que você não pode. Não acredite nisso. Não se vitimize. VOCÊ PODE SIM.”
- 29/08/2018
PERDEM FEIO PARA O BOLSONARO E QUEREM ORIENTAR A OPINIÃO PÚBLICA?
Percival Puggina
Hoje (29/08) de manhã, ao assistir pelo YouTube a entrevista que os jornalistas William Bonner e Renata Vasconcellos haviam feito com o candidato Bolsonaro, tive a confirmação de só colher ganhos na decisão tomada, há muitos anos: não perder tempo com a TV Globo, suas novelas e telejornais.
Ser informado e ter a opinião conduzida por quem calça luvas de boxe para entrevistar o candidato e sai grogue do ringue não parece, mesmo, risco que se deva tomar.
Não sei se, como tem sido afirmado durante o dia, Bolsonaro saiu da entrevista eleito presidente. Já os dois entrevistadores e a emissora saíram menores do que começaram a noite. Erraram feio.
Erraram na estratégia, atacando pontos em relação aos quais o entrevistado estava mais do que preparado. Talvez se tenham julgado mais competentes e, por isso, foram buscar seus cartuchos no mesmo arsenal a que, em vão, colegas de outras emissoras haviam apelado. Erraram mais e com consequências piores porque Bolsonaro, desta feita, resolveu revidar e, enquanto este encaixou os golpes, a dupla, visivelmente, cambaleou.
Nada, porém, supera o desabono decorrente do uso irresponsável do poder da emissora. Em horário nobre, deixaram de lado real interesse público, os temas nacionais (sociais, econômicos e políticos), e investiram na tática marota de desacreditar o entrevistado para alcançar objetivo político.
- 27/08/2018
NICARÁGUA, MAIS UM FRACASSO DO FORO DE SÃO PAULO
Percival Puggina
Contabilizando mais de 400 mortos e milhares de feridos, a pequena Nicarágua é mais um país que sufoca em sangue de vítimas civis a desastrosa articulação do Foro de São Paulo. Daniel Ortega, velho parceiro de Frei Betto e de Lula, revolucionário que encontrou na mistificação política o caminho do poder, acabou implantando uma ditadura formal no país, controlando os três poderes de Estado e o exército. Sua mulher é sua herdeira política e seus filhos dirigem empresas estatais e têm o controle das emissoras de TV do país.
Viajando nas águas turvas da revolução sandinista, o dirigente, que pode se “reeleger irrestritamente”, tem mandato até 2022, mas perdeu o controle da situação. Para não perder o costume, acusa a Igreja Católica e os Estados Unidos pelos protestos contra seu governo.
O PT imediatamente se pôs ao lado do companheiro. Durante a última reunião do Foro de São Paulo, em Havana, Mônica Valente, secretária de Relações Internacionais do PT afirmou, alto e bom som: “Depois de tantos sucessos, sofremos uma contraofensiva neoliberal, imperialista, multifacetada, com guerra econômica, mediática, golpes judiciais e parlamentares, como ocorre na Nicarágua e ocorreu na Venezuela.”
Tão bem que vão esses países, não é mesmo?
- 08/04/2018
UHUU! O MUNDO NÃO ACABOU!
Percival Puggina
Para o lulismo, divergir da retórica petista é promover discurso de ódio. Algo inaceitável pelos devotos daquela alma cândida, serena e genuflexa, espírito de peregrino, que se dirigiu à nação metalúrgica de São Bernardo após a missa pelo aniversário de dona Mariza Letícia. Inocente que era, falou com a pureza da purinha.
Quando Lula se dirigiu aos veículos da Polícia Federal, imaginei que estivéssemos atingindo o ápice de um evento cósmico. No entanto, o sol não se fez escuro, a terra não tremeu e o véu do templo permaneceu incólume. O sol, a terra e o véu devem ser três irremediáveis fascistas.
Penso que este domingo, ainda mais do que os dois ou três dias anteriores, é uma data para comemorar. Presenciamos o fracasso dos falsos profetas e a perda de forças dos tutores da História. Não há como reescrever – não para esta geração – o que todos presenciamos. Não há como desgravar, desfilmar, desdizer, e não é possível desmaterializar os fatos.
- 06/02/2018
O MINISTÉRIO DA FILHA DE ROBERTO JEFFERSON
Percival Puggina
É prazeroso ouvi-lo falar. Roberto Jefferson, o simpático delator do mensalão, tem todos os recursos de um grande orador, mas isso não é um salvo-conduto. Cumpriu cinco mandatos de deputado federal pelo PTB até ser cassado e condenado a 7 anos e 14 dias de prisão que cumpriu parcialmente em regimes semiaberto e aberto até ser indultado em 2015. Retomada a liberdade, voltou à presidência do PTB, posição desde a qual passou a pressionar para que a filha assumisse o ministério do Trabalho. O resto você sabe. O passado recente da deputada Cristiane é tão incompatível com essa missão quanto seria o de alguém condenado por racismo para ocupar o ministério dos Direitos Humanos.
No entanto, o PTB tem uma bancada significativa na base do governo, que precisa de seus votos e não pode colocar a relação em risco. Não é hora de “discutir a relação”. Em contrapartida, o impasse em nada ajuda a já difícil relação do governo com a sociedade. Está muito certo quem reclama da conduta do governo, da conduta do PTB e das sempre inadequadas atitudes da postulante ao gabinete ministerial.
Outro problema, porém, está passando batido nessa história. Refiro-me ao fato que viabiliza esse tipo de situação. O caso de Cristiane, de rolo em rolo, é apenas mais um dentre incontáveis casos em que elevados postos do governo e da administração direta e indireta são confiados a pessoas inadequadas, para cumprirem missões desastradas, desastrosas ou, mesmo, criminosas. E isso é viabilizado e estimulado pelo sistema político que torna o governante refém da maioria parlamentar que tem os bônus do poder sem as necessárias responsabilidades com o governo e perante o governo.
Em vão se reclama do cardápio se a receita não for trocada.
- 29/01/2018
Nota do Editor: Considero excelente esta sugestão do amigo Gilberto Simões Pires, coordenador do grupo Pensar+. Trata-se de, aproveitando a iniciativa da TV Globo, fazermos milhares de vídeos e os difundirmos nas redes sociais reproduzindo uma mesma e necessária mensagem para que o Brasil dê certo. No texto ele explica a ideia, a intenção e a mensagem. Cada um faz o comentário que quiser, gravado onde julgar melhor e conclui com o bordão. Eu farei isso.
O BRASIL QUE EU QUERO
Gilberto Simões Pires
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GRAVAR UM VÍDEO
A boa e oportuna iniciativa da TV Globo, que propõe aos seus telespectadores que gravem um vídeo, usando o celular, dizendo -O BRASIL QUE EU QUERO-, no meu entender é algo que deve ser festejado, aplaudido e bem aproveitado.
APROVEITAMENTO
É óbvio que dependendo da quantidade de vídeos produzidos nos 5.570 municípios, como sugere a emissora, a maioria deles, por questões de espaço e tempo reservado para a grade dos noticiários, não terão como ser aproveitados pela TV Globo.REDES SOCIAIS
Isto, no entanto, não pode nem deve ser visto ou sentido como motivo para frustração, críticas destrutivas ou descontentamentos. Até porque as importantes REDES SOCIAIS aí estão, oferecendo espaço ilimitado e visibilidade total para qualquer coisa que cada indivíduo queira ou deseje postar.
CAUSAS
Pois, a título de sugestão, antes de sair gravando vídeos com mensagens inoportunas e/ou POLITICAMENTE CORRETOS, com os eternos e cansativos pedidos de PAZ, EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA, que não passam de CONSEQUÊNCIAS, proponho que se dediquem em atacar as CAUSAS dos nossos problemas.
FOCO NA SOLUÇÃO
Ora, como já está mais do que provado que o grande responsável pela falta de PAZ, SAÚDE, EDUCAÇÃO E SEGURANÇA são os governos, em todos os seus níveis, sugiro que o leitor, ao gravar o seu vídeo, dê total atenção e foco aquilo que representa a SOLUÇÃO DESSES ENORMES MALES.
MENSAGEM
Entendo, portanto, que a melhor e mais oportuna mensagem que cada brasileiro deveria gravar no seu celular e compartilhar nas Redes Sociais seria a seguinte: - QUERO UM BRASIL COM MENOS ESTADO E COM MAIS LIVRE INICIATIVA PARA GERAR INVESTIMENTOS, TRABALHO E RENDA PARA TODOS.
Bom seria se numa só voz aparecesse esse tipo mensagem. Afinal, quanto mais ESTADO menos os cidadãos são atendidos. Independente daquilo que pleiteiam. Que tal?
- 22/11/2017
CUBA ESTÁ PRATICAMENTE ROMPENDO RELAÇÕES COM O BRASIL
Informa o Diário do Poder
Após “mamar” bilhões do Brasil, a ditadura de Cuba agora hostiliza o governo brasileiro. Retirou sua embaixadora e faz a grosseria de nem sequer responder aos pedidos de agrément para embaixador brasileiro em Havana. Somente em duas jogadas, nos governos do PT, em dois anos, Cuba embolsou R$7,2 bilhões do Brasil: R$2,7 bi para o porto de Mariel, construído pela Odebrecht, e R$4,5 bilhões do “Mais Médicos”. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
A derrocada petista e a punição aos corruptos fez secar a fonte de dinheiro fácil, daí a hostilidade de Cuba contra o governo brasileiro.
José Sarney (PMDB) refez as relações com Cuba, que sempre teve do Brasil apenas gentilezas. Só nos governos do PT, quase R$10 bilhões.
Último embaixador brasileiro, Cesário Melantonio deixou Havana em 13 de abril. A embaixadora cubana foi retirada de Brasília há um ano.
Cuba já recusou três indicações de embaixadores em Havana. A indicação mais recentemente ignorada foi a do diplomata Fred Meyer.
Comento
Quem não acompanhou a história do eurocomunismo no século XX, não sabe que esse tipo de comportamento era muito comum. Os partidos e os governos comunistas atuam em blocos que operam como amplificadores dos respectivos interesses e dão maior repercussão às suas posições.
Todos morreremos sem ouvir uma única palavra oficial, formal, de autoridade petista repreendendo ação ou omissão do regime dos Castro, de Chavez, de Maduro, ou de qualquer outro parceiro do FSP, seja em que circunstância for. Algo assim pertence ao conjunto das coisas que não acontecem.
Só para ilustrar, lembro que durante uma das visitas “ad limina” de Lula à Ilha, morreu após 85 dias em greve de fome o intelectual cubano Orlando Zapata. Ouvido sobre o lamentável acontecimento, Lula disse ser contra greves de fome: "Temos de lamentar, como ser humano, sobre alguém que morreu porque decidiu fazer greve de fome, que vocês sabem que eu sou contra porque fiz greve de fome".
- 23/10/2017
O "PRESIDENCIÁVEL" LUCIANO KULK
Percival Puggina
Menções a uma provável candidatura de Luciano Hulk a presidente da República têm sido recorrentes nas redes sociais. O apresentador de programa de auditório contabiliza em seu favor milhões de seguidores, a força da rede Globo, uma faixa etária em sintonia com o mais largo espectro da população brasileira, a ampla penetração nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e, claro, uma boa capacidade de domínio dos meios de comunicação. Diz-se que é boa pessoa.
Em 30 de março deste ano, entrevistado por Eliane Trindade para a Folha de São Paulo, que lhe perguntou sobre qual sua missão, Hulk respondeu:
O poder que conquistei através do microfone é resultado de muito trabalho. Tenho 40 milhões de seguidores nas redes sociais e 18 milhões de pessoas todo sábado assistindo ao programa. Espero dar muito trabalho para o meu biógrafo. No final da história, ficarei contente se puder ter melhorado o mundo à minha volta. Não gosto da ideia de viver de forma passiva. Somos curadores em tempo integral do futuro que queremos, precisamos imaginá-lo e criá-lo.
Indagado sobre se poderia concorrer à presidência, entre negativas e evasivas, disse:
Não dá para responder na atual conjuntura. Falando seriamente, nossa geração chegou a um momento em que tem capacidade, saúde, força de trabalho, relevância, influência. Quem entrou na faculdade em 1990 está chegando agora aos espaços de poder. Faço parte desta geração. Estamos vivendo um trauma moral e ético que se soubermos capitalizar para o bem, tenho convicção de que daqui a 10, 20, 30 anos vamos ter um país de fato diferente e mais justo.
Como se vê, são respostas semelhantes às que João Dória dava em maio sobre o mesmo tema. Em outras palavras, como Dória, sim, ele vinha e vem pensando nisso e eu quero apontar no fato mais uma impropriedade do presidencialismo com seus parcos critérios quando se trata de "recrutar" postulantes ao mais alto cargo da República. Tudo é possível, até mesmo o pior possível. É de altíssimo risco eleger alguém para o principal posto da política nacional pelo dominante critério da popularidade, atribuindo-lhe funções de chefia do Estado, do governo e da administração federal.
Não é um bom sinal alguém aventurar-se na vida pública, como calouro, aspirando a presidência. Experiência não é sinônimo de coisa alguma. Inexperiência, sim, e não é bom. Luciano Hulk celebrizou-se distribuindo, com recursos alheios, em eventos altamente emotivos, generosos presentes a famílias e pessoas carentes. E isso, convenhamos, é magnífico para os beneficiados, mas revela uma inclinação perigosíssima em quem pretenda gerir o orçamento federal.
- 05/09/2017
A militãncia docente em sala de aula foi longe de mais!
CÂMARA DE CAMPINAS APROVA EM PRIMEIRA VOTAÇÃO PROJETO DE LEI DA ESCOLA SEM PARTIDO
Henrique Bueno, CBN Campinas
Em uma sessão polêmica, com quase cinco horas de duração na noite desta segunda-feira, a Câmara de Campinas aprovou em primeira votação, o projeto de lei conhecido como Escola Sem Partido, de autoria do vereador Tenente Santini, do PSD. A proposta estabelece regras que proíbem a propaganda político partidária em sala de aula e veta que os professores incentivem alunos de participarem de manifestações. Desde o início da tarde, grupos favoráveis e contrários à proposta se dirigiram ao plenário da Câmara, que teve suas 250 cadeiras ocupadas por manifestantes. Do lado de fora, ainda ficaram dezenas de pessoas que não conseguiram entrar no recinto.
A sessão foi tumultuada desde o início, já que a comissão de legalidade da Câmara reprovou o projeto de lei Escola Sem Censura, da vereadora Mariana Conti, do PSOL, que havia sido apensado ao PL do Tenente Santini, que tratava do mesmo tema, de maneira antagônica. A medida revoltou os vereadores de oposição, que criticaram duramente o posicionamento da comissão, que julgou de maneira diferente dois projetos semelhantes, configurando assim ilegalidade no processo. A oposição conseguiu ainda as 11 assinaturas necessárias para colocar em votação o regime de urgência do PL, o que ampliaria o debate sobre a questão, com a realização de audiências públicas, por exemplo. Mas os parlamentares, rejeitaram a proposta e levaram o projeto a votação, que foi aprovado com 26 votos favoráveis, quatro contrários e duas abstenções.
O vereador Tenente Santini afirma que busca a neutralidade na sala de aula e o fim do que ele chama de doutrinação socialista no aprendizado dos alunos. Ele garante ainda que o projeto também prevê o impedimento de professores que lecionam com amparo religioso. A vereadora Mariana Conti reafirmou sobre a ilegalidade do projeto de lei e disse que já vai entrar com uma ação na justiça para impedir que a discussão seja lavada adiante. Ela lamentou a aprovação da proposta, que coloca em xeque a credibilidade do legislativo de Campinas ao aprovar uma proposta inconstitucional.
Durante a sessão, militantes favoráveis e contrários à proposta se manifestaram, com gritos e insultos, sempre inflamados pelos discursos dos vereadores. Os grupos foram separados pela Guarda Municipal, que usou grades para evitar qualquer tipo de violência. Todos eles fizeram questão de demonstrar suas convicções sobre a Escola Sem Partido, contrários ou não ao PL.
Como o projeto da Escola Sem Partido está em regime de urgência, deverá ser levado em segunda votação já na próxima semana. Caso seja novamente aprovado, será encaminhado para a sanção ou veto do prefeito Jonas Donizette.
Foto: Câmara de Campinas
- 27/06/2017
QUATRO CHAPAS DE ESQUERDA DISPUTAM O COMANDO DO CPERS-SINDICATO!
Percival Puggina
(Com imagem da pág. 28 de ZH de 27/05/2017)
Hoje (27/06) e amanhã são colhidos os votos dos professores estaduais do RS na disputada eleição para o comando do maior sindicato do Estado. Com mais de 80 mil filiados, o Cpers se transformou numa evidência sólida, prova provada, do aparelhamento da educação pública e privada do RS pelas várias correntes de esquerda.
Esse processo tem início no topo do sistema, nos cursos de pós-graduação e graduação, fornecendo os docentes que darão continuidade ao trabalho no ensino médio e fundamental das redes pública e privada, onde agirão diretamente sobre a juventude. Relatos sobre o tema se derramam pelas redes sociais como testemunhas dessa grave acusação. As defesas, ou são balbuciantes na negativa da conduta adotada, ou, caso mais comum, sustentam energicamente o direito de a adotar.
Como consequência desse aparelhamento, indispensável, aliás, à pretendida hegemonia, a atual eleição do Cpers será, mais uma vez, travada entre quatro chapas que competem: 1º) pelo direito de estar mais à esquerda das outras concorrentes e, 2º) ter maior compromisso de oposição política ao governo do Estado.
O fenômeno político-ideológico descrito se repete ao longo de sucessivas décadas, mostrando que desse mato educacional não sairá o coelho de uma educação para a modernidade, para o efetivo e sustentável desenvolvimento econômico e social.
Se a educação gaúcha está empobrecida em recursos, está ainda mais empobrecida em ideias, em cérebros, em ânimo construtivo de qualquer coisa que não seja um desastroso projeto marxista, decididamente comunista, da sociedade. Estes são os focos e os empenhos majoritários. Exceções são isto mesmo: louváveis exceções. Como consequência, sepulta-se, nas salas de aula, a liberdade futura, o direito ao conhecimento e à informação, o livre discernimento e o acesso dos jovens a um futuro melhor para si e para os seus.
- 16/06/2017
Isto tudo é muito grave e mostra a necessidade de uma alternativa política para 2018 que passe longe de petistas e tucanos.
PEC DO VOTO DOS ESTRANGEIROS EXTINGUE A CIDADANIA BRASILEIRA
No excelente blog Crítica Nacional, em matéria datada do dia 15, Paulo Eneas põe holofote num fato gravíssimo. Transcrevo, abaixo, parte desse texto que pode ser lido na íntegra aqui.
Em mais um capítulo da aceleração da agenda de esquerda globalista que vem sendo implementada no país por iniciativa principalmente dos tucanos, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal aprovou nessa quarta-feira, em um reunião esvaziada e sem qualquer discussão mais relevante, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 25/2012) de autoria do senador e ministro Aloysio Nunes que estende aos estrangeiros que estejam no país, sejam em situação regular ou não, os mesmos direitos e garantias fundamentais asseguradas aos brasileiros natos ou naturalizados.
A Proposta de Emenda Constitucional prevê uma mudança relevante no artigo 5° da Constituição Federal. Esse artigo, na sua redação atual, assegura a todos os brasileiros e aos estrangeiros residentes no país (portanto, estrangeiros que se encontram no Brasil legalmente) aqueles direitos e garantias fundamentais dos quais derivam os demais direitos, inclusive o de votar. A PEC propõe excluir a denominação residentes do texto constitucional, ficando apenas o termo estrangeiros. Dessa forma, brasileiros natos, naturalizados e estrangeiros na sua generalidade (o que inclui estrangeiros residentes, turistas e estrangeiros ilegais) passariam a gozar dos mesmos direitos fundamentais.
COMENTO
A agenda globalista, do mundo sem fronteiras, do multiculturalismo sem cultura e da liberdade sem liberdade é uma agenda comunista. Esse espírito já animava a criação da Primeira Internacional, nascida em Londres no ano de 1864, reunindo operários de várias origens nacionais e de diferentes idiomas para a integração de seus objetivos sociopolíticos. Karl Marx entrou nessa associação como convidado e logo se tornou chefe de seu Conselho Central.
O objetivo do multiculturalismo não é a preservação de culturas, mas a diluição das bases da civilização ocidental. Os multiculturalistas não são defensores de todas as culturas e civilizações, mas inimigos da civilização ocidental. É esta, com sua mística judaico-cristã e o decorrente humanismo, com a filosofia que herdou, com o farol da liberdade a impulsionar o desenvolvimento e a prosperidade, e com a ética decorrente da sã filosofia, o inimigo a ser destruído. O multiculturalismo, a derrubada das prerrogativas nacionais por ação de organismos formais externos é o instrumento central dessa estratégia de destruição que transcorre em vários países do Ocidente.
As PECs do senador Aloysio Nunes (PSDB/SP) cuidam disso e estão em perfeita sintonia com esse "farol" do pensamento contemporâneo chamado George Soros, patrono do globalismo e de um mundo sem fronteiras e sem refúgio. Eu continuo favorável ao esquema tradicional - "minha casa, minhas regras".
- 13/06/2017
VERDES SEM ARGUMENTOS: O BRASIL ESTÁ ALIMENTANDO MAIS DE UM BILHÃO DE PESSOAS!
Luis Dufaur
(Publicado originalmente em https://ecologia-clima-aquecimento.blogspot.com.br/)
A produção de grãos do Brasil é superior a uma tonelada por habitante (dados finais de 2015), sendo que um resultado abaixo de 250 kg/pessoa/ano significa insegurança alimentar e implica importar alimentos.
Em 2014, um país altamente industrializado como a Coreia do Sul importou US$ 27 bilhões em alimentos. Outra grande economia, o Japão, teve que importar US$ 68,9 bilhões. E a gigantesca China flagelada por uma reforma agrária socialista e confiscatória bateu recorde com US$ 105,2 bilhões.
Estes e outros dados impressionantes foram reunidos por Evaristo de Miranda, doutor em Ecologia e Chefe Geral de Monitoramento por Satélite da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), e publicados em artigo da “Revista Agro DBO”.
Eles desfazem os mitos catastrofistas e miserabilistas do movimento ambientalista-comunista sobre um falso esgotamento dos recursos do planeta, sobre um não menos fantasioso excesso de habitantes acrescidos de uma pregação eclesiástica comunistoide pela redistribuição da terra e aos recursos naturais.
Já se pode definir a missão do Brasil como sendo a de saciar a fome do planeta, diz Evaristo de Miranda com os aplausos dos nutricionistas. A fome será um problema, mas não do Brasil.
Só a nossa produção de grãos é suficiente para alimentar quatro vezes a população brasileira ou mais de 850 milhões de pessoas.
Além de grãos, o Brasil produz anualmente cerca de 35 milhões de toneladas de tubérculos e raízes (mandioca, batata, inhame, batata-doce, cará, etc.). Comida básica para mais de 100 milhões de pessoas.
Acrescentem-se mais de 40 milhões de toneladas de frutas, entre as quais 7 milhões de toneladas de banana, ou uma banana/habitante/dia. A laranja e outros citros totalizam 19 milhões de toneladas/ano. E cresce todo ano a produção de uva, abacate, goiaba, abacaxi, melancia, maçã, coco…
Hortaliças?: 10 milhões de toneladas por ano, com uma diversidade impressionante, resultado do encontro da biodiversidade nativa com os aportes de verduras, legumes e temperos trazidos por portugueses, espanhóis, italianos, árabes, japoneses, teutônicos. E por aí vai longe.
Cerca de um milhão de toneladas de castanhas, amêndoas, pinhões e nozes, além dos óleos comestíveis, da palma ao girassol, e de uma grande diversidade de palmitos. E se não bastar, 34 milhões de toneladas de açúcar/ano.
Por isso, o especialista conclui que a produção vegetal do Brasil já alimenta mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo, usando apenas 8% do território nacional.
E depois vem a produção animal. Em 2015, o País abateu 30,6 milhões bovinos, 39,3 milhões de suínos e quase 6 bilhões de frangos. Quer dizer, produziu cerca de 25 milhões de toneladas de carnes!
O consumo médio de carne dos brasileiros é da ordem de 120 kg/habitante/ano ou 2,5 kg por pessoa por semana.
Desses, 42 kg/habitante/ano são de carne bovina; 45 kg de frango e 17 kg de suínos, além do consumo de ovinos e caprinos (muito expressivo no Nordeste e no Sul), de coelhos, de outras aves (perus, angolas, codornas…).
Há ainda os peixes, camarões e crustáceos (cada vez mais produzidos em fazendas), além de outros animais.
Em matéria de leite, o Brasil produziu 35,2 bilhões de litros (contra 31 bilhões de litros de etanol); 4,1 bilhões de dúzias de ovos e 38,5 milhões de toneladas de mel em 2015.
Em 50 anos, observa Evaristo de Miranda, de importador de alimentos o Brasil se tornou uma potência agrícola, o preço dos alimentos caiu pela metade, permitindo à grande maioria da população o acesso a uma alimentação saudável e diversificada, e a erradicação da fome.
Essas realizações são também fruto da modernização agrícola.
O que teria ocorrido na sociedade sem esse desenvolvimento da agricultura? Certamente, uma sucessão de crises intermináveis.
Portanto, devemos agradecer todos os dias aos agricultores pelo seu esforço de modernização e por tudo que fazem pelo País.
A Nação e suas lideranças devem assumir a promoção e a defesa da agricultura e dos agricultores, com racionalidade e visando ao interesse nacional.
Mas, acrescentamos nós, não é isso o que fazem os ativistas embandeirados de vermelho e símbolos socialistas, ou os pretensos arautos “verdes”.
Nem sequer aqueles órgãos da CNBB criados para subverter a vida nos campos e nas cidades.
* Escritor, jornalista, conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs
- 23/03/2017
TERCEIRIZAÇÃO: SE ESSA TURMA É CONTRA, EU SOU A FAVOR
Informa o Estadão
BRASÍLIA - A Câmara aprovou, na noite desta quarta-feira, 22, a redação final do projeto de lei de 19 anos atrás que permite terceirização irrestrita em empresas privadas e no serviço público. A proposta também amplia a permissão para contratação de trabalhadores temporários, dos atuais três meses para até nove meses - seis meses, renováveis por mais três (veja como cada deputado votou).
O texto principal do projeto foi aprovado por 231 votos a 188. Houve ainda oito abstenções. O placar mostra que o governo terá dificuldades para aprovar as reformas trabalhista e, principalmente, a da Previdência, que será votada por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que exige um mínimo de 308 votos favoráveis na Câmara.
A Câmara não pôde incluir inovações no texto. Isso porque a proposta, de 1998, já tinha passado uma vez pela Casa, em 2000, e pelo Senado, em 2002. Com isso, deputados só puderam escolher se mantinham integral ou parcialmente o texto aprovado pelo Senado ou se retomavam, integral ou parcialmente, a redação da Câmara.
O texto final aprovado, que seguirá para sanção do presidente Michel Temer, autoriza a terceirização em todas as atividades, inclusive na atividade-fim. Atualmente, jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TSE) proíbe terceirizar a atividade-fim da empresa. Por exemplo, um banco não pode terceirizar os atendentes do caixa.
Foto: André Dusek/Estadão
- 12/01/2017
JUIZ QUE LIBEROU 160 DETENTOS DIZ QUE SOLTOU PARA 'EVITAR NOVO MASSACRE'
DIÁRIO DO PODER - Redação
Cinco meses após ser nomeado pelo Tribunal de Justiça de Roraima como juiz substituto, o juiz Marcelo Lima de Oliveira tomou uma das mais polêmicas decisões da história do judiciário no Estado. Autorizou a liberação de 160 presos do regime semiaberto em caráter emergência.
Alvo de críticas por conta da decisão, o juiz usou as redes sociais nesta quarta-feira, 11, para fazer um desabafo e, em entrevista, contou que quis evitar um novo massacre. "Houve informe da inteligência do Estado dizendo que os presos seriam assassinados na porta da unidade. Não fui eu que tirei da cabeça que lá seria o local do próximo massacre. O que eu podia fazer? Fechar os olhos e ignorar? Se não tivéssemos dado a decisão e no dia seguinte tivesse acontecido outro ataque?".
O Centro de Progressão Penitenciária (CPP), onde estavam os presos, abriga de 160 a 200 detentos, a depender do período. Eles chegam juntos às 20 horas para entrar na unidade, já que têm permissão de trabalhar de dia. Mas, com apenas dois agentes penitenciários realizando a revista, os detentos ficam horas na frente da unidade, localizada em um bairro residencial da capital Boa Vista.
Balas vencidas
O CPP já registrou quatro homicídios de detentos, três deles agora em dezembro.
"Os presos ficam amontoados do lado de fora da unidade esperando a vez de entrar. O diretor afirmou que não tinha condições de dar segurança por só ter quatro agentes penitenciários, sendo dois sem arma, além de afirmar que a maioria das armas está com balas vencidas. Então qual a segurança que se dá, dentro de um bairro residencial nesse caso? E se uma dessas balas passa direto e atinge uma casa?" disse Oliveira.
Pela decisão, assinada pelo juiz Marcelo Lima de Oliveira e pela juíza plantonista Suelen Márcia Silva Alves, os presos devem retornar para a unidade na próxima sexta-feira 13, visto que a prisão domiciliar no período noturno era temporária. "Antes da decisão, os presos podiam trabalhar durante o dia, mas deviam dormir no CPP. São presos que vieram do regime fechado, progrediram, estão com bom comportamento e têm trabalho. Era um sábado à tarde, não havia como requisitar PM e segurança para o presídio. Se mandasse retirar viaturas da rua para cuidar do presídio iam dizer que o juiz estava dando segurança para preso e tirando da sociedade".
Os presos que não retornarem na sexta-feira, 13, vão perder o regime diferenciado e retornar para o regime fechado na Cadeia Pública.
"Foi uma medida excepcional em situação de excepcionalidade. Se nada der errado, se não acontecer nada de mais grave, eles retornam na sexta para o presídio".
Massacres em Manaus e Boa Vista
Um sangrento confronto entre facções no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, em Manaus, deixou 56 mortos entre a tarde de 1º de janeiro e a manhã do dia 2. A rebelião, que durou 17 horas, acabou com detentos esquartejados e decapitados no segundo maior massacre registrado em presídios no Brasil - em 1992, 111 morreram no Carandiru, em São Paulo. Treze funcionários e 70 presos foram feitos reféns e 184 homens conseguiram fugir. Outros quatro presos foram mortos no Instituto Penal Antonio Trindade (Ipat), também em Manaus. Segundo o governo do Amazonas, o ataque foi coordenado pela facção Família do Norte (FDN) para eliminar integrantes do grupo rival, o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Cinco dias depois, o PCC iniciou sua vingança e matou 31 detentos na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), em Boa VIsta, Roraima. A maioria das vítimas foi esquartejada, decapitada ou teve o coração arrancado, método usado pelo PCC em conflitos entre facções. Com 1.475 detentos, a PAMC é reduto do PCC, que está em guerra contra a facção carioca Comando Vermelho (CV) e seus aliados da FDN. Roraima tem 2.621 presos - 900 dos quais pertenceriam a facções, a maioria do PCC. No total, 27 facções disputam o controle do crime organizado nos Estados.
A guerra de facções deixou o sistema penitenciário em alerta, os e governadores de Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul pediram ajuda do governo federal com o envio da Força Nacional. Amazonas foi o primeiro Estado a receber. A crise é tamanha que, segundo o Conselho Nacional de Justiça, são necessários R$ 10 bilhões para acabar com déficit prisional no país. (AE)
(FOTO: DIVULGAÇÃO)
- 29/12/2016
O LANCHINHO DE TEMER, O CARRAPATO E A BOIADA
Pedro Henrique Mancini de Azevedo
"Ninguém gasta o dinheiro dos outros com o mesmo cuidado com que gasta o próprio." (Milton Friedman)
O último alvoroço causado nas redes sociais mais uma vez causou um embaraço para o presidente Michel Temer. Desta vez, o motivo foi a compra de alimentos de alto padrão para abastecer o avião utilizado pelo presidente, que somavam gastos superiores a R$1,7 milhões. Após repercussão negativa, o governo cancelou a licitação que ocorreria no dia 2 de janeiro do próximo ano.
É muito bom ver que a internet está mudando a política brasileira e mundial. Estamos vivendo uma verdadeira revolução da informação. Os nossos políticos estão acuados, pois finalmente a população está fazendo aquilo que sempre deveria fazer – vigiá-los de perto. Para se ter uma ideia do lanchinho de Temer, a licitação previa que um sanduíche de mortadela custasse R$16,45 a unidade. Um verdadeiro impropério. Mais absurdo ainda é saber que em 2006, o ex presidente Lula gastava neste mesmo lanchinho R$3,6 milhões - mais que o dobro de Temer.
Apesar de comemorar o fato de estarmos mais atentos a vida de marajás que a classe política vive, tenho a obrigação de colocar alguns pontos. Toda redução de gastos supérfluos como esses devem ser cobrados, criticados e divulgados assim como aconteceu nesse episódio, e não só quando estamos em momentos de crise. Mas sinto dizer que o corte desses gastos são mais simbólicos do que qualquer outra coisa.
É fato que quando o governo pede para cortar gastos ele também deve fazer um esforço para cortar da própria carne. Entretanto, o triste dessa situação é que isso não nem perto de resolver a nossa crise. Como uma imagem vale mais do que mil palavras, o gráfico demonstra como está distribuído o orçamento da União de 2015, elaborado pela ONG Auditoria Cidadã.
Longe de mim de compactuar com as ideias da ONG citada acima, pois a mesma elabora esse estudo com o intuito de incentivar o governo a promover um calote da dívida. Esse não é meu intuito. O que quero demonstrar é que existem dois grandes problemas no orçamento que saltam aos olhos de qualquer um – Juros e Dívida Pública; e Previdência.
Antes de falar sobre os juros é importante saber como o governo chegou a essa situação. Basicamente, existem 3 formas que o governo pode sanar suas contas. A primeira é aumentando impostos, e isso vem ocorrendo de forma sistemática desde o início do Plano Real. O Brasil saiu de uma carga tributária de 27% em 1995 para perto dos 36% em 2016. A segunda é a inflação. O governo gasta mais do que arrecada, e com isso emite moeda no mercado cobrando uma "taxa" por essa emissão. Essa taxa se chama inflação. E a terceira é emitindo títulos públicos. Esta última é onde entram os chamados juros sobre juros que destroem as nossas contas.
Com a implementação do sistema de metas de inflação, o governo se viu com uma certa impossibilidade de emitir moeda. Isso fez com que o perfil da dívida brasileira mudasse. Hoje, o governo ao invés de hiperinflacionar o mercado, emite títulos e os recompra com a promessa de que irá pagá-los algum dia. O problema é que como não paga nunca, surgem os chamados juros sobre juros. É o equivalente a um jogador viciado que continua apostando mais dinheiro mesmo quando está perdendo. O credor fica cada vez mais desconfiado e aumenta os juros progressivamente, fazendo com que o devedor fique ainda mais encalacrado. Por isso, é errado atribuir aos bancos os juros exorbitantes cobrados no Brasil. Os juros são altos porque os credores têm medo de calote, e como o governo brasileiro tem histórico de ser gastador e caloteiro...
Alguns devem estar se perguntando com que o governo gasta tanto. Seriam com os lanchinhos? Sim, ele gasta muito com isso como vimos anteriormente. Porém, como também já vimos no gráfico, o governo gasta muito com a Previdência (21,76%) - daí a necessidade de reforma, pois esses quase 22% são absurdos, já que temos apenas 8% da população acima de 65 anos. Já a outra grande fatia, chamada de Juros e Amortizações da Dívida não consegue ser paga porque o governo gasta muito com pessoal - que constitui cerca de 40% dos gastos do governo central. Contando com mais outros gastos semelhantes, estima-se que apenas 10% dos gastos do governo sejam discricionários (livres). É um entrave legal que engessa a capacidade do governo em cortar gastos, já que 90% dos gastos estão atrelados a Constituição e a leis específicas. É assustador saber que só se pode mexer em 10% dos gastos!
Sendo assim, reforço que devemos continuar divulgando as mordomias que os nossos governantes usufruem com o nosso dinheiro. Mas também é preciso dizer que hoje isso é um carrapato em meio a boiada. Não achem que os cortes não devem ser feitos por causa dessas mordomias; eles devem ser feitos apesar dessas mordomias. Está mais do que claro que o orçamento do governo não comporta o tamanho do Estado. Mas e a corrupção, pergunta o mais cético? Ora, vale o mesmo raciocínio. Muito do que já foi roubado não poderá ser resgatado; é custo afundado. E aí, por causa disso não faremos cortes e continuaremos na mesma? Então fechem as portas do país. Temos que apoiar as operações que estão em curso para que eles recuperem o que for possível e façam com que os criminosos sejam punidos. Torço para que todos eles fiquem sem um centavo. Mas também torço para que as pessoas entendam de uma vez que o país quebrou devido a uma ideia de Estado gigante que não deu certo. Vamos combater a corrupção, as regalias e também os gastos exorbitantes. Esse é o meu desejo para 2017. Feliz ano novo a todos!
PS.: É muita contradição de quem critica o lanchinho do Temer criticar a PEC do Teto de Gastos. A PEC existe para limitar esses gastos também, ora bolas! É a mesma contradição de quem critica a classe política e pede cada vez mais Estado. Precisamos começar a raciocinar.
- 23/12/2016
NÃO DÁ PARA TOLERAR O ISLÃ RADICAL
Rodrigo Constantino
(Publicado originalmente em rodrigoconstantino.com)
O Islã radical não quer conversa: quer nos destruir. Não aceita nossos valores. E encontra no próprio relativismo ocidental um aliado e tanto
O Ocidente, com tudo o que ele representa em termos de valores, está sob ataque. As liberdades individuais, a democracia, o império das leis, cada um dos pilares que sustentam o mundo civilizado tem sido alvo do ódio dos fanáticos muçulmanos. E como os ocidentais reagem? Com coragem e firmeza na defesa desses valores? Não. Com um acovardado relativismo moral que quase pede desculpas ao inimigo.
C.S. Lewis expôs a contradição desse relativismo em Cristianismo puro e simples: “A intenção da discussão é mostrar que o outro lado está errado. Não haveria sentido em demonstrá-lo se você e ele não tivessem algum tipo de consenso sobre o que é certo e o que é errado, da mesma forma que não haveria sentido em marcar a falta de um jogador de futebol sem que houvesse uma concordância prévia sobre as regras do jogo”.
Ou seja, só é possível existir discussão, ou debate civilizado, quando o relativismo não se faz presente. Com ele, o que resta é uma espécie de “vale tudo”. No limite, o relativismo leva à agressão, ao ataque físico, justamente porque o debate calcado em argumentos foi suspenso, por ser considerado desnecessário ou inviável. O Islã radical não quer conversa: quer nos destruir. Não aceita nossos valores. E encontra no próprio relativismo ocidental um aliado e tanto.
“Tolerância não significa renunciar a todas as opiniões que outros podem considerar ofensivas”, diz Roger Scruton em Como ser um conservador. Toleramos justamente aquilo que não apreciamos, que desaprovamos. Ele continua: “Tolerância significa estar preparado para aceitar opiniões pelas quais temos forte aversão. Do mesmo modo, democracia significa aceitar ser governado por pessoas por quem nutrimos repugnância profunda. Isso só é possível se mantivermos a confiança na negociação e no desejo sincero, entre os políticos, de compromisso com os adversários”.
Ou seja, para existir a verdadeira tolerância, antes é necessário haver concordância quanto aos métodos do debate e seu resultado final. É preciso apostar nas regras do jogo. Não há como nazistas e comunistas participarem da democracia pois eles não aceitam a democracia, são antidemocráticos em sua essência. “Não devemos aceitar sem qualificação o princípio de tolerar os intolerantes, senão corremos o risco de destruição de nós próprios e da própria atitude de tolerância”, resume Karl Popper.
Os “progressistas” ocidentais hoje têm agido com excessiva “tolerância” para com aqueles que não respeitam nossas regras e desejam nos destruir. A esquerda chega a colocar a culpa do terrorismo no próprio Ocidente, e não no Islã radical. E essa turma acha que será deixada em paz se acender velas, escrever cartazes bonitinhos ou pedir desculpas por existir.
Essa covardia só vai alimentar mais a ousadia do inimigo. É como se em plena Segunda Guerra Mundial os franceses e britânicos fizessem protestos para alegar que nem todos os alemães eram nazistas. O Ocidente hoje está mudado, bem mais afeminado, com “homens” que acham que vão enfrentar os estupradores muçulmanos com saias e batom, em vez de armas. Como foi que chegamos a esse ponto tão patético?
Para não “ofender” os malucos de turbante, o Ocidente tem sacrificado seus mais caros valores e princípios, cuspido em seu próprio legado, que representa nada menos do que a civilização mais avançada que já tivemos. Chegará o momento em que intelectuais ocidentais defenderão não celebrarmos mais o Natal, para não “ofender” o Islã e ficarmos em paz.
O que falta é coragem, convicção moral, determinação para defender o que é nosso e valioso. Diante da covardia dos “progressistas”, o vácuo será ocupado pela direita nacionalista e religiosa, a única com estamina suficiente para enfrentar o inimigo. Quem viver verá. E um Feliz Natal a todos!
Rodrigo Constantino, economista e jornalista, é presidente do Conselho do Instituto Liberal.
- 15/11/2016
FUNCIONÁRIA DA SECRETARIA DE SEGURANÇA DO DF LIDERA INVASÃO NA UNB
Redação do Diário do Poder
A secretária de Segurança Pública do DF, Márcia de Alencar, e o Governo do Distrito Federal vão ter muito o que explicar sobre a servidora comissionada da pasta Thaynara Melo Rodrigues. A jovem de 22 anos é coordenadora de Articulação Institucional, da Subsecretaria de Segurança Cidadã, da SSP, e ao mesmo tempo lidera invasões em escolas públicas do DF. Thaynara foi uma das militantes que coordenou a ocupação na Universidade de Brasília (UnB), mesmo sendo uma das responsáveis pela implantação dos Comitês de Paz nas Escolas.
Thaynara foi nomeada em 22 de abril e recebe remuneração de R$ 5.855,82. Uma das atribuições de Thaynara, segundo a secretaria, é “prevenir conflitos no ambiente estudantil e promover a interlocução entre alunos, direção de escolas e órgãos públicos”. Mas parece que não é isso que ocorre, pois por causa das escolas invadidas cerca de 280 mil brasilienses não fizeram o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) este ano.
Nas redes sociais Thaynara não esconde que trabalha no governo socialista de Rodrigo Rollemberg, muito menos que está nas ocupações, conforme divulgou o site GuardianDF. Posta tudo em seus perfis, sobretudo dos atos na UnB. Em um post de 1º de novembro (uma terça-feira à tarde), Thaynara publicou uma foto no Facebook com os dizeres "agora a UnB acordou. Vem ocupar com a gente!"
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e o GDF disse que tem conhecimento da participação da funcionária exercendo funções de ocupação de escolas, incluindo a UnB. E se limitou a dizer que "vai apurar o caso".
- 04/09/2016
RESOLUÇÃO POLÍTICA SOBRE O GOLPE E A OPOSIÇÃO
AO GOVERNO USURPADOR
Nota oficial do PT
Por esta e muitas outras o PT é um partido golpista, que não sabe perder. Reiteração das mentiras da campanha eleitoral, esta "Resolução" é uma chamada ao conflito. Para o PT, um narciso de águas barrentas, que o Brasil vá mal, contanto que o partido se dê bem.
1. A decisão adotada pela maioria do Senado Federal, de afastar ilegalmente, em caráter permanente, a presidenta Dilma Rousseff, violou a Constituição e provocou a ruptura do regime democrático.
2. O processo de impeachment, sem crime de responsabilidade, mesmo disfarçado por ritos institucionais, tem nome: golpe de Estado. A conspiração parlamentar impõe-se sobre o resultado democrático das urnas e um grupo de senadores, muitos dos quais investigados por corrupção, surrupiam os votos de 54,5 milhões de brasileiros e brasileiras.
3. Esta foi a saída encontrada pelos setores hegemônicos do capitalismo brasileiro para interromper e reverter o processo de mudanças iniciado em 2003, com o qual conviveram enquanto a expansão de mercados e do investimento público compensaram o aumento dos salários, a reorientação dos fundos orçamentários para a inclusão social e a elevação da classe trabalhadora a novos padrões de vida.
4. A desaceleração da economia, a partir de 2011, serviu como pano de fundo para o reagrupamento das oligarquias empresariais e financeiras ao redor de um programa que ampliasse sua margem de lucros através da compressão de conquistas trabalhistas, do crescimento da renda financeira, de novas privatizações, de concessões maiores aos centros imperialistas.
5. Esta agenda ultraliberal pressupunha a derrubada da presidenta Dilma Rousseff, pois somente seria viável sem o crivo do voto popular. O que interessa ao grande capital é impor uma contrarreforma capaz de demolir o sistema de bem-estar em construção pelas administrações petistas.
6. As medidas tramadas pelos usurpadores desvelam a natureza de classe do golpe, entre as quais se destacam: eliminação de direitos trabalhistas; reforma regressiva da Previdência Social; desvinculação do salário-mínimo do reajuste dos benefícios previdenciários; liberação da venda de terras para estrangeiros; privatização de estatais e do patrimônio publico -– Petrobrás à frente–; esvaziamento do Sistema Único de Saúde e corte dos programas sociais.
7. O mais emblemático dos retrocessos patrocinados pelo golpismo é a PEC do Estado Mínimo, a 241/2016, que congela por vinte anos os investimentos em educação e saúde, quebrando a espinha dorsal da Constituição de 1988. Trata-se de reversão geral das prioridades orçamentárias, que passam a estar completamente determinadas pelo pagamento dos juros extorsivos da dívida interna, principal instrumento de concentração de renda do país.
8. O governo usurpador também se associa, como sócio menor, à reorganização da hegemonia norte-americana na América Latina. Sua consolidação integra a ofensiva conservadora na região, cuja lógica é a recuperação de território econômico, político e ideológico pelo principal país imperialista, os Estados Unidos. O fim do regime de partilha e a entrega do Pré-Sal às petroleiras do exterior, que precisamos combater com afinco, é prova cabal da política de rapina patrocinada pelos entreguistas do governo golpista.
9. O abandono da política externa independente, altiva e ativa, favorece o enfraquecimento da integração regional e de suas instituições. A política de alinhamento automático também concorre para fragilizar os BRICs, facilitando os novos tratados de desregulamentação comercial e financeira, como o Tratado de Serviços (TISA), o Tratado Transpacífico (TTP) e o Tratado Transatlântico (TTIPS), que fundamentam a estratégia de retomada da acumulação capitalista em escala global.
10. A via antidemocrática, contudo, não se limita à forma como os usurpadores lograram chegar ao comando do Estado. A aplicação de seu programa, bem como a reconstrução da direção conservadora sobre as instituições e a sociedade, tende a promover uma escalada repressiva contra os partidos de esquerda, os movimentos populares e as manifestações de protesto. Os fatos que vêm se sucedendo nas primeiras 24 horas depois da votação do impeachment, com violenta ação policial em diversas cidades – em especial os graves fatos ocorridos em São Paulo, revelam o caráter repressivo e autoritário que visa a instalar o medo e o terror como método dos usurpadores. O PT repudia a edição de decreto pelo governo ilegítimo que, a pretexto de garantir a passagem da tocha paralimpica, convoca a participação das Forças Armadas para impedir a manifestação popular contra o golpe, domingo na Av. Paulista, em São Paulo.
11. A violência do Estado igualmente inclui a sistemática perseguição do PT e de suas principais lideranças, especialmente o ex-presidente Lula, por setores do aparato judiciário e policial, que transformaram a Operação Lava Jato em um dos aríetes do movimento golpista, através da apropriação do justo combate à corrupção como biombo para a supressão de garantias fundamentais e para uma cruzada contra o principal partido de esquerda. Vários de seus protagonistas, reivindicam publicamente a extinção do PT e a interdição política e eleitoral do maior líder popular do país.
12. Setores do Ministério Público Federal e da magistratura, com apoio da mídia monopolizada, milita incansavelmente por uma reconfiguração constitucional que elimine garantias democráticas, operando um arcabouço de estado de exceção no interior do estado democrático de direito. Pregam abertamente que se se aceitem provas mesmo que obtidas ilegalmente. Esta, entre outras providências, pode amputar o devido processo legal e conceder ainda maior autonomia ao sistema repressivo, na lógica de um Estado policial que sirva como cerceador da vida política e da luta de classes.
13. Fica evidente, pois, que o golpe em curso, para além de manobra parlamentar ou institucional destinada a derrubar o governo constitucional da presidente Dilma Rousseff, é uma alternativa estratégica do grande capital. A coalizão patrocinada pelas oligarquias financeiras, industriais, agrárias e midiáticas, representada pelos partidos golpistas, tem obtido sucesso até o momento em forjar maioria nas camadas médias e arrastar as forças de centro para um projeto que interdita o campo popular e estreita fortemente as fronteiras democráticas demarcadas na luta contra a ditadura.
14. A postura do Partidos dos Trabalhadores, diante desse cenário, não poderá ser outra que não aquela enunciada pela companheira Dilma, quando anunciou “a mais firme, incansável e enérgica oposição que um governo golpista pode sofrer.” Nosso objetivo central é colocar fim ao governo do usurpador Temer Golpista e conquistar o direito do povo eleger, direta e imediatamente, um novo presidente da República.
15. Se antes havia divergências sobre a proposta de antecipação de eleições presidenciais, agora a situação é outra, pois o Estado tem à frente um governo usurpador, ilegítimo, sem votos, com um programa antipopular e antinacional. A recuperação da legalidade e o restabelecimento da democracia, nessas condições, somente se efetivarão quando as urnas voltarem a se pronunciar e o povo decidir os caminhos da Nação. O que exige construir uma ação conjunta e iniciativas práticas com partidos e entidades populares, capazes de mobilizar e dar efetividade a este objetivo rumo à normalização democrática, como a DIRETAS JÁ.
16. A resistência contra o golpe também passa pela defesa intransigente dos direitos e conquistas sociais, unificando ações parlamentares com a mobilização social em aliança prática para barrar as medidas antipopulares do governo usurpador, ocupando as ruas e as instituições do país contra o retrocesso.
17. A Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores, nestas circunstâncias, convoca sua militância para, junto ao movimento sindical, contribuir e participar da resistência às medidas neoliberais de retirada de direitos, materializadas nas reformas previdenciária e trabalhista, além da PEC do Estado Mínimo. A mobilização da classe trabalhadora por sua pauta é parte integrante e fundamental do movimento contra o governo usurpador e por novas eleições presidenciais. Nesse sentido, convocamos companheiros e companheiras a engrossarem as manifestações do 7 de setembro, o Grito dos Excluídos, em defesa dos direitos sociais e da soberania nacional.
18. Também conclamamos todos (as) os (as) petistas a continuarem a reforçar a Frente Brasil Popular, como o principal espaço de unidade e organização da resistência ao golpe, impulsionando também nessa direção as organizações nas quais atuam. Devemos nos empenhar pela construção da FBP nos estados e cidades, sempre trabalhando pela unidade com as demais correntes do campo progressista, particularmente aquelas que se inscrevem na Frente Povo sem Medo. Nosso esforço deve ser pela unificação das palavras de ordem e agendas de mobilização, ampliando o caráter de massa dos protestos e das ações contra o governo usurpador.
19. As bancadas parlamentares do PT estão orientadas a enfrentar a agenda do golpismo, com todos os recursos e possibilidades disponíveis, agindo para dividir a base usurpadora sempre que for possível derrotar os projetos palacianos. A batalha imediata mais importante é pela recusa da PEC do Estado Mínimo, bem como da PLP 257. Nossas bancadas devem atuar de forma ampla, mas implacável, nessa e em outras batalhas, contra o governo usurpador.
20. A Comissão Executiva Nacional conclama os (as) deputados (as) federais petistas para entrarem em acordo com as demais bancadas democráticas a fim de exigirem, já no dia 12 de setembro, a cassação do mandato do corrupto Cunha Golpista.
21. O Partido dos Trabalhadores orienta todos seus candidatos e candidatas nas eleições municipais a defenderem o legado de nossos governos, a denunciar o governo usurpador, a mobilizarem os eleitores na luta contra o golpismo, Naturalmente, sem descurar da busca do voto que possa nos assegurar governos locais e presença forte nas câmaras de vereadores.
22. A Comissão Executiva Nacional conclama os petistas e demais democratas a prestarem solidariedade ativa ao ex-presidente Lula e demais lideranças de nosso partido injustamente atingidas pela Operação Lava Jato. É preciso rechaçar mais amplamente, aqui e no Exterior, as ilegalidades e arbitrariedades perpetradas pelas forças reacionárias, empenhadas numa abjeta cruzada político-ideológica.
23. O Partido dos Trabalhadores renova sua admiração, solidariedade e respeito à presidenta Dilma Rousseff, cujo combate intrépido pela democracia já está inscrita na história brasileira. Sua coragem serve de inspiração para todos os homens e mulheres comprometidos na luta contra o golpe.
24. O Partido dos Trabalhadores saúda nossos senadores e senadoras e seus colegas de diferentes partidos que desmascaram os golpistas em plenário, pronunciando-se em defesa do mandato da companheira Dilma e da democracia. Rende homenagens também a todos os movimentos populares e partidos progressistas — em particular ao Partido Comunista do Brasil, nosso aliado histórico — pela incansável mobilização contra o impeachment.
Em homenagem aos que dedicaram a vida à democracia, que ocuparam as ruas por eleições diretas, resistiremos!
Em defesa dos milhares que ascenderam socialmente com as políticas instituídas pelos governos Lula e Dilma, combateremos!
Lado a lado com os que sonham por um país justo, livre, democrático e soberano, historicamente negado pelas elites, lutaremos!
Fora Temer!
Nenhum direito a menos!
Diretas Já!
Comissão Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores
São Paulo, 2 de setembro de 2016
- 29/07/2016
CPI DA FUNAI: QUADRILHA IDEOLÓGICA E CONSPIRAÇÃO
Percival Puggina
No dia 19 de julho, o presidente do STF, pessoalmente, talvez com pouca coisa para fazer, acatou liminar da Associação Brasileira de Antropologia para impedir a quebra de seus sigilos bancário e fiscal, que fora aprovada pela CPI da FUNAI e do INCRA. Outros organismos sobre os quais se acumularam seriíssimas evidências durante os trabalhos da CPI também ingressaram com mandados de segurança em vista do mesmo fim: querem evitar que a Comissão tenha acesso às suas contas.
Segundo o site "Sem medo da Verdade", o presidente da CPI, deputado Alceu Moreira, afirmou existirem "40 laudas de documentos que mostram a necessidade de quebra de sigilo porque há recurso público sendo destinado a essas ONGs sem nenhum tipo de averiguação e, que não chegam aos índios".
Segundo o parlamentar, "a Comissão irá buscar junto ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a prorrogação do prazo da investigação, que havia sido encurtado pelo então presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA). "Parece que querem enrolar o processo para que no último dia da CPI, 17 de agosto, não se viabilize a divulgação desse grande escândalo nacional", adicionou o deputado.
O simples desejo de ocultar à CPI e ao conhecimento público informações sobre o uso que fazem dos recursos oficiais já deveria ser motivo para o STF negar atenção aos apelos dos investigados. Por que não franquear as informações? Há muito tempo se sabe que os organismos referidos atuam em favor de uma causa política e ideológica. E há muito tempo pesam sobre eles as graves suspeitas que levaram à abertura da CPI e ao achado dos indícios que levaram a CPI a determinar a quebra do sigilo e a busca de provas.
É importante que se entenda, igualmente, que uma CPI federal tem amparo legal para determinar a quebra, "individualizado o investigado e o objeto da investigação, mantido o sigilo em relação às pessoas estranhas à causa e limitada a utilização de dados obtidos somente para a investigação que lhe deu causa" (jusbrasilcom.br). Obviamente também em relação a esse ato parlamentar cabe recurso ao STF, conforme solicitado pelos atingidos.
O que não deveria caber era o provimento do recurso. Concedido por quem concedeu, fica tudo muito parecido com um esquema de proteção à quadrilha ideológica que aparelhou completamente o Estado brasileiro e, não satisfeita, produziu a constelação de ONGs que nele e dele se beneficiam enquanto operam pela causa comum.
- 20/07/2016
MORO DIZ QUE CÂMARA JÁ DESPERTOU PARA O PACOTE DE COMBATE À CORRUPÇÃO
Jailton de Carvalho - O Globo
O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, disse que a decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de votar todos os projetos do pacote de medidas contra a corrupção lançado pela força-tarefa da Lava-Jato deve ser vista como um “despertar” da instituição contra desvios de dinheiro público. Para o juiz, considerado um dos principais responsáveis pelos resultados operação até o momento, o acordo entre Maia e deputados da Comissão Especial para apreciar logo os projetos contra a corrupção põe a Câmara em sintonia com a sociedade.
— A notícia do compromisso da Câmara em deliberar sobre as propostas de enfrentamento da corrupção apresentadas em projeto popular pelo Ministério Público Federal é muito positiva e representa um despertar da instituição para o problema da corrupção sistêmica e uma resposta esperada pela sociedade brasileira — disse Moro ao Globo.
As propostas contra a corrupção surgiram de uma iniciativa do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público em Curitiba, e de outros procuradores responsáveis pelas investigações sobre corrupção na Petrobras e outras áreas da administração pública. A ideia teve imediato apoio de Moro e do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Para eles, não basta punir os envolvidos em corrupção na Petrobras. Isso resolveria apenas um problema imediato.
SANGRIA AOS COFRES – Moro e os procuradores entendem que são necessárias medidas estruturais para garantir transparência e controle na movimentação de dinheiro público. Consideram também essenciais medidas que facilitem a punição de pessoas ou até mesmo instituições comprovadamente corruptas e a devolução aos cofres públicos de dinheiro desviado. A Lava-Jato quebrou o tabu da impunidade de políticos e empresários influentes. Provou também que é possível recuperar somas expressivas.
Mas, para os investigadores, nada disso é suficiente para estancar, de fato, a sangria dos cofres públicos sem a aprovação do pacote anticorrupção. Entre as propostas do pacote estão a tipificação do crime de caixa dois e do enriquecimento em causa plausível. O pacote também prevê mudanças nos prazos de prescrição de pena. Classifica corrupção como crime hediondo e prevê penas rigorosas, inclusive o fechamento de partidos envolvidos de forma sistêmica com malversação de dinheiro público.
- 16/07/2016
COMISSÃO DA PREFEITURA DE SÃO PAULO VETA BANDEIRA DO BRASIL NO PRÉDIO DA FIESP!
Quando a gente pensa que se esgotou a pauta de tolices, o petismo sempre tem mais uma para apresentar. Não consigo sequer imaginar em que outro país do mundo uma coisa dessa seria possível!
No Estadão, matéria sobre o assunto informa:
A CPPU (Comissão de Proteção à Paisagem Urbana), ligada à prefeitura, decidiu vetar a exibição da bandeira nacional na fachada do prédio da Fiesp, na avenida Paulista.
Por oito votos favoráveis contra três contrários, os integrantes da comissão entenderam que o painel de LED deve exibir apenas mostras artísticas, permanecendo desligado durante os intervalos.
A polêmica sobre o que pode ou não ser projetado no local, sem que interferisse na Lei Cidade Limpa - analisada pela CPPU- teve início após a Fiesp usar o painel para mostrar frases favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT).
Em nota, a Fiesp informou que "considera absurda a censura imposta pela prefeitura ao maior símbolo do Brasil, que é a bandeira nacional".
A Folha de São Paulo, ao divulgar a informação, acrescentou depoimento de um membro da CPPU, para quem "A bandeira pode ser colocada, mas se houver um contexto. Da maneira como está sendo usada, é com cunho político".
- 12/06/2016
FUTURO MUSEU DA BURRICE
Percival Puggina
"EBC é aparelhamento, é cabide de empregos é dinheiro de outras areas, investido nisso. Vou ao limite de minhas forças para acabar isso". (Ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima)
Só existe um grupo de pessoas defendendo a existência de uma aberração como a EBC com suas emissoras de rádio, agências de notícia, etc.. Até bem poucos dias, quando no exercício de suas atividades, sequer a presidente Dilma gostava da TV Brasil. Foi ela que, em telefonema, determinou ao então ministro José Eduardo Cardoso que interrompesse uma entrevista que estava concedendo à emissora e retornasse a Palácio porque "isso aí é traço". Traço no Ibope. Audiência zero. Algo que ninguém assiste e onde há uma imensa distância entre o que custa e o que produz, entre o que apresenta e a quantidade de servidores que utiliza para isso. Os únicos defensores da emissora que consome R$ 1 bilhão por ano são seus funcionários, os militantes petistas da mídia que engordam suas receitas através de contratos com a emissora e os fanáticos que só dizem amém ao petismo.
Para uma vaga ideia do quadro funcional, vale um acesso ao site da EBC, no link "Empregados e remuneração". O tamanho é tão reduzido que se torna praticamente ilegível, mas a imagem anexa mostra uma página com cerca de 120 nomes. Ao todo são 22 páginas dessas. E a conta é nossa!
O motivo pelo qual ninguém a assiste é que a TV Brasil é ruim. Ruim de tudo: de programação, de equipe, de ideologia, de equipamento e, principalmente, de função nas comunicações nacionais. A EBC e a TV Brasil são produto de um projeto totalitário estatizante. Para efeitos externos, esse projeto confunde democratização com estatização, de tal forma que, na ponta oposta, a pluralidade de meios privados de comunicação desserviria à democracia. Para efeitos internos, emprega militantes e promove o governo, divulga suas autoridades e propaga as versões oficiais raramente coincidentes com a realidade nacional. A TV Brasil é uma TV sem censura. Lá os petistas e apenas eles falam o que bem entendem com absoluta liberdade.
Uma TV que é traço, pagando para um corpo funcional medíocre salários muito acima dos praticados pelo mercado, precisa ser extinta, fechada, lacrada e destinada a integrar um provável futuro museu da burrice que assolou o Brasil.
- 29/05/2016
MEU COMENTÁRIO À NOTA DA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA SOBRE O RECENTE E POLÊMICO CASO DE ESTUPRO
Escreveu a ministra:
"O gravíssimo delito praticado contra essa menor - mulher e, nessa condição, sujeita a todos os tipos de violência em nossa sociedade - repugna qualquer ideia de civilização ou mesmo de humanidade.
É inadmissível, inaceitável e insuportável ter de conviver sequer com a ideia de violência contra a mulher em nível tão assustadoramente hediondo e degradante. Não é a vítima que é apenas violentada. É cada ser humano capaz de ver o outro e no outro a sua própria identidade.
A luta contra tal crueldade é intensa, permanente, cabendo a cada um de nós - mais ainda juízes - atuar para dar cobro e resposta à sociedade contra tal chaga da sociedade.
O que ocorreu não é apenas uma injustiça a se corrigir; é uma violência a se responsabilizar e a se prevenir para que outras não aconteçam.
Repito: a nós mulheres não cabe perguntar quem é a vítima: é cada uma e todas nós. Nosso corpo como flagelo, nossa alma como lixo. É o que pensam e praticam os criminosos que haverão de ser devida e rapidamente responsabilizados.
Ministra Cármen Lúcia - STF"
Comento eu:
Na sociedade brasileira, todos estão sujeitos à violência. Mulheres, menores e idosos, em maior grau por serem mais frágeis. Mas ninguém está imune a ela porque a criminalidade e a violência se generalizaram ante a tolerância e a impunidade.
Não se estará levando essa questão em termos adequados enquanto ficarmos classificando as vítimas em vez de agir contra quem comete crimes, especialmente os crimes contra a pessoa.
Ao afirmar que os criminosos “haverão de ser devida e rapidamente responsabilizados” a ministra expressou um legítimo “wishfull thinking” (pensamento que toma o desejo por realidade), que pode até vir a ser verdadeiro nesse específico caso, mas está muito longe de o ser num país onde 70% dos crimes sequer são notificados e onde apenas 5% dos homicídios são solucionados.
Quantos criminosos perigosíssimos, muitos dos quais estupradores, estão soltos por decisão de tantos magistrados de primeira instância em nome do “garantismo” levado a um patamar que acaba desprotegendo a sociedade em nome da proteção do criminoso?
- 27/05/2016
TCU: GASTO COM CARGOS DE CONFIANÇA SUPERA R$ 3,4 BI POR MÊS
Publicado originalmente em Congresso em Foco)
Relatório divulgado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que os gastos da administração pública federal, que inclui os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, chega a R$ 3,47 bilhões por mês. O cálculo foi feito a partir dos custos com funcionários em cargos de confiança e comissionados.
O levantamento, divulgado pelo jornal O Globo na manhã desta sexta-feira (27), mostra que o valor representa 35% da folha de pagamentodo funcionalismo público da esfera federal (R$ 9,6 bilhões por mês), e detalha os gastos com esse tipo de funcionário em 278 órgãos federais. Em pelo menos 65 deles, o número de cargos de confiança e comissão passa de 50% do total de empregados.
A partir do documento elaborado pela Secretaria de Fiscalização de Pessoal (Sefip) do TCU, é possível avaliar que os maiores percentuais de gastos com esses cargos são do Legislativo (60,9%) e o Judiciário (56,9%). Também é possível contabilizar que dos 346 mil comissionados nos Poderes, cerca de 30 mil estão filiados a partidos políticos.
De acordo com o relatório, As legendas que mais ocupam esses cargos são PT (13,6% do total), PMDB (10,9%), PSDB (9,6%) e PDT (6,5%). A Fundação Cultural Palmares, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Senado são os órgãos que apresentam os maiores percentuais de servidores comissionados filiados a partidos.
- 25/05/2016
CLASSIFICAÇÃO DE RISCO SOBERANO DO BRASIL
Econ. Prof. Ricardo Bergamini
A classificação de risco (rating) soberano é a nota dada por instituições especializadas em análise de crédito, chamadas agências classificadoras de risco, a um país emissor de dívida. Tais agências avaliam a capacidade e a disposição de um país em honrar, pontual e integralmente, os pagamentos de sua dívida. O rating é um instrumento relevante para os investidores, uma vez que fornece uma opinião independente a respeito do risco de crédito da dívida do país analisado.
Oficialmente, o Brasil possui contrato para classificação de seu risco de crédito com as seguintes agências: Standard & Poor´s (S&P), Fitch Ratings (Fitch) e Moody´s Investor Service. Adicionalmente, outras agências internacionais monitoram regularmente o risco de crédito do país, como a canadense Dominion Bond Rating Service (DBRS), as japonesas Japan Credit Rating Agency (JCR) e Rating and Investment Information (R&I), a coreana NICE Investors Service a chinesa Dagong Global Credit Rating.
As agências de classificação de risco usualmente atribuem notas para as dividas de curto e longo prazo, em moeda local e estrangeira. A nota para a emissão de longo prazo em moeda estrangeira é a mais comumente usada como referência para definir a classificação de risco do país. As escalas usadas pelas agências podem ser representadas por letras, números e sinais matemáticos (+ ou -) e normalmente vão de 'D' (nota mais baixa) a 'AAA' (nota mais alta). Tais notas são classificadas, pelos participantes do mercado, em dois grupos: Grau Especulativo (D até BB+) e Grau de Investimento (BBB- até AAA).
Apesar de, tecnicamente, os ratings soberanos se aplicarem diretamente aos títulos de renda fixa, com implicações consideráveis sobre seus preços, sua importância se estende muito, além disso. O rating soberano tem as seguintes implicações:
- À medida que impacta o custo de financiamento do soberano, os ratings podem afetar fortemente a flexibilidade fiscal de um governo;
- Na maioria dos casos, os ratings determinam um teto ou uma referência para o risco das empresas e do setor financeiro de um país, afetando os custos de financiamento do setor privado no mercado;
- É determinante para o apreçamento do risco dos empréstimos bancários (muitos bancos internacionais se baseiam nos ratings públicos para sua avaliação de risco) que, por sua vez, afeta os preços das linhas de crédito;
- Serve de guia para investidores institucionais regulados, como fundos de pensão e companhias de seguro, tendo em vista a alocação de recursos no país;
- O rating soberano, junto com a publicidade associada a ele, serve como referência comum para investidores estrangeiros e sua disponibilidade de investimento no país;
- É um componente importante da formação das percepções externas sobre o risco e suas tendências.
- 16/05/2016
DITADURA CUBANA LIDERA CAMPANHA CONTRA O BRASIL
Luciano Henrique Ayan
Aqui temos algo que se encaixa no caso clássico de “diga-me quem está contra você e eu te direi quem eles são”. No caso, a pior escória moral de todas as lideranças políticas das Américas lidera a campanha contra o governo Temer: Cuba. Parece até gozação, mas leia:
Sem se intimidar pela reação do chanceler José Serra de criticar abertamente as declarações dos governos bolivarianos em relação aos acontecimentos políticos no Brasil, a diplomacia de Cuba faz campanha nos órgãos internacionais contra o governo de Michel Temer.
O Estado obteve com exclusividade um e-mail enviado pela missão de Cuba perante às Nações Unidas para mais de uma dezena de organismos internacionais, alertando para o “golpe” no Brasil.
Na mensagem datada de 15 de maio, o governo cubano descreve o conteúdo da declaração como sendo “sobre o golpe do estado parlamentário e judicial no Brasil”. Em anexo, os diplomatas que abriam o documento podiam ler a declaração assinada em Havana no dia 12 de maio e já publicada que acusava Temer de ter “usurpado o poder”, apoiado pela “grande imprensa reacionária e o imperialismo”.
“Dilma, Lula, o PT e o povo do Brasil contam e contarão sempre com toda a solidariedade de Cuba”, indicou a nota, que ainda denuncia as “manobras” da “oligarquia” e a “contraofensiva reacionária”.
O e-mail com a declaração foi direcionado para altos dirigentes da Organização Internacional do Trabalho, Organização Mundial do Comércio, para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, para a secretaria da ONU, Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Organização Mundial da Saúde, União Internacional de Telecomunicações, UNAids, para o Programa da ONU para o Desenvolvimento e para o Programa da ONU para o Meio Ambiente, além de várias outras.
Também receberam a nota a Secretaria da Convenção sobre Mudanças Climáticas, a Organização da Conferência Islâmica, membros do alto escalão do governo suíço e dezenas de outros diplomatas.
O governo cubano tem como hábito fazer circular algumas das declarações assinadas em Havana por entidades. Mas pelo menos quatro dos funcionários do alto escalão da ONU que receberam o e-mail admitiram ao Estado que nunca tinham recebido uma mensagem do governo cubano. No sábado, a imprensa internacional com sede nas Nações Unidas já havia recebido a mesma declaração. As comunicações dos diplomatas cubanos com os jornalistas, porém, são frequentes.
O Itamaraty enviou na sexta-feira a todos os Ministérios de Relações Exteriores de países com os quais mantém relações uma nota para informar que Dilma foi afastada em um processo que segue a lei e a Constituição. A preocupação do governo Temer é desconstruir a versão de que houve um “golpe de Estado” no Brasil, divulgada por Dilma, por seus aliados e pelos petistas.
O Estado apurou que o próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, tratou do assunto quando esteve, na quinta-feira, em uma visita oficial a Portugal. Por meio de seu porta-voz, ele indicou que “confiava” que os processos democráticos no Brasil seriam respeitados.
No Parlamento Europeu, o deputado Francisco Assis indicou ao Estadoque a mudança de governo no Brasil não foi alvo de um questionamento “nem mesmo pela extrema-esquerda”. “Todos sabem que o Brasil não é a Venezuela.”
Enquanto Cuba choraminga, eles não tem eleições diretas para presidente há várias e várias décadas, além de terem matado milhares de opositores (e aprisionado tantos outros) e escravizado seus habitantes.
Que os bolivarianos tenham eleito Cuba para “liderar” as ditaduras do Foro de São Paulo na campanha contra Temer é outro tipo no pé.
Todo o fricote do governo cubano só pode ser encarado como piada, além de uma demonstração do baixo nível de lideranças que apoiam Dilma.
Fonte: Cuba lidera campanha contra o Brasil – Política – Estadão
- 14/05/2016
SERRA PÕE OS GOVERNOS BOLIVARIANOS NO SEU LUGAR
Percival Puggina
Em duas notas oficiais, o ministro José Serra, das relações exteriores, põe no devido lugar os governos e associações bolivarianas que se manifestaram contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Melhor do que comentar a intromissão representada pelas manifestações dessas personalidades e governos estrangeiros é transcrever a íntegra das duas pequenas notas. Poucas e suficientes palavras.
NOTA DIRIGIDA À UNASUL
A primeira nota se refere às "Declarações do Secretário-Geral da UNASUL sobre a situação interna no Brasil"
O Ministério das Relações Exteriores repudia declarações do Secretário-Geral da UNASUL, Ernesto Samper, sobre a conjuntura política no Brasil, que qualificam de maneira equivocada o funcionamento das instituições democráticas do Estado brasileiro.
Os argumentos apresentados, além de errôneos, deixam transparecer juízos de valor infundados e preconceitos contra o Estado brasileiro e seus poderes constituídos e fazem interpretações falsas sobre a Constituição e as leis brasileiras. Além disso, transmitem a interpretação absurda de que as liberdades democráticas, o sistema representativo, os direitos humanos e sociais e as conquistas da sociedade brasileira se encontrariam em perigo. A realidade é oposta.
Tais juízos e interpretações do Secretário-Geral são incompatíveis com as funções que exerce e com o mandato que recebeu do conjunto de países sul-americanos nos termos do Tratado Constitutivo e do Regulamento Geral da UNASUL.
NOTA AOS GOVERNOS E ASSOCIAÇÕES BOLIVARIANAS
A segunda nota se refere às manifestações dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, assim como da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América/Tratado de Comércio dos Povos (ALBA/TCP),
O Ministério das Relações Exteriores rejeita enfaticamente as manifestações dos governos da Venezuela, Cuba, Bolívia, Equador e Nicarágua, assim como da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América/Tratado de Comércio dos Povos (ALBA/TCP), que se permitem opinar e propagar falsidades sobre o processo político interno no Brasil. Esse processo se desenvolve em quadro de absoluto respeito às instituições democráticas e à Constituição Federal.
Como qualquer observador isento pode constatar, o processo de impedimento é previsão constitucional; o rito estabelecido na Constituição e na Lei foi seguido rigorosamente, com aval e determinação do STF; e o Vice-Presidente assumiu a presidência por determinação da Constituição Federal, nos termos por ela fixados.
- 20/04/2016
PALHAÇO ENGANA LULA, VOTA A FAVOR DO IMPEACHMENT E MOSTRA QUE GOVERNO DILMA CHEGOU AO FIM.
Redação Ucho.Info
Após o deputado federal Tiririca (PR-SP) votar a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, no último domingo (17), o ex-presidente Lula, que continua como quase ministro, fez um desabafo inconformado. "Esse cara esteve comigo hoje. Como ele faz isso? Ele ia votar com a gente".
"Senhor presidente, pelo meu país, meu voto é sim", afirmou Tiririca durante a sessão. Foi a primeira vez que o palhaço e dublê de deputado fez uso do microfone do plenário da Câmara, após quase seis anos como parlamentar.
Sentado em uma das salas de reunião do Palácio da Alvorada, Lula teria dito à "companheira" Dilma que havia recebido Tiririca na manhã de domingo, no quarto do hotel transformado em lupanar político do governo. "Ele ia votar com a gente", repetiu Lula. Dilma balançou a cabeça negativamente, dando a entender que estava consciente das traições.
Assessores presidenciais tentavam mapear os "traidores", não apenas entre deputados do PP, mas também no PR, PMDB e outras siglas. Somente PT e PC do B não traíram o governo. Concluiu-se ali que a voz das ruas não estava com Dilma, além do clima que se instalou no plenário, favorável ao impedimento da petista, que influenciou deputados como Tiririca, que foi ovacionado pela oposição após dizer "sim".
Outro deputado que esteve no bunker anti-impeachment, que Lula montou em elegante hotel de Brasília, foi o deputado Paulo Maluf (SP). Ele era contrário ao impeachment da presidente, mas mudou de ideia durante a comissão especial da Câmara. Lula tentou, sem sucesso, reverter mais uma vez o voto de Maluf.
O ex-presidente recebeu alguns "nãos" na capital dos brasileiros, o que influenciou no antecipado desânimo do governo em relação à votação, como noticiou o UCHO.INFO horas antes do início da sessão dominical da Câmara.
A derrota do governo na votação sobre a admissibilidade do processo de impeachment mostrou que Lula perdeu o seu conhecido poder de barganha ou traçou uma equivocada estratégia de negociação. Um dos votos que surpreendeu o ex-metalúrgico foi o do deputado federa Adail Carneiro (PP-CE), assessor especial do governador Camilo Santana (PT-CE). Carneiro foi exonerado para votar contra o impeachment, mas acabou votando a favor do impedimento da presidente, a quem pediu desculpas.
No momento em que um palhaço – que ainda não mostrou a que veio como deputado – consegue enganar um político experimentado como Lula, nomear o petista para a Casa Civil é armação contra eventual prisão no escopo da Operação Lava-Jato, caso não seja um sinal de desespero de um governo moribundo que aguarda a extrema-unção.
- 09/04/2016
GOVERNO ESTÁ COMPRANDO VOTO COMO GADO EM LEILÃO
Folha ouve deputado que relata o que todo mundo sabe: o governo está comprando votos com cargos, promessas e emendas. Compra por cabeça e por lote. Isso é anunciado nos jornais, comentado na TV e até uma tabela de preços circula nas redes sociais. Quantos indecisos estão apenas valorizando, precificando, seu apoio ao governo?
(A entrevista abaixo foi publicada na Folha d 08/04)
Folha - Como representantes do governo entraram em contato com o sr. e fizeram ofertas?
Evair de Melo - Desde a semana passada, quando eu estava ainda na liderança do partido e fui confirmado como titular da comissão do impeachment, eu fui procurado por parlamentares e pessoas ligadas ao governo para que realmente pudesse analisar, após a saída do PMDB, a ida do PV para a base do governo.
Foram oferecidos cargos, ministérios e outras facilidades. Isso foi oferecido na condição de líder e como membro da comissão. Isso foi mais agressivo na semana passada, e nesta semana eu também confirmo que fui procurado por diversos interlocutores, volto a dizer, por parlamentares e ocupantes no Executivo, o tempo todo insinuando essa hipótese de termos facilidades no governo, rediscutir cargos, rediscutir a ocupação de posição.
Nesta semana não foi mais do ponto de vista partidário, foi do ponto de vista individual. Mas continuou esse assédio em cima de nós, para que pudéssemos avaliar, com carinho, até na última hora. A agenda ainda continua em aberto. [O governo] Quer nos oferecer vantagens para que possamos mudar de voto e votar contra o processo.
Folha -Quem entrou em contato com o sr.?
Prefiro não envolver terceiros.
Folha -Quando o sr. fala em vantagens, recebeu também a oferta de dinheiro para uso pessoal?
Não, me ofereceram cargos e a liberação de emendas. Não é dinheiro extra. A mim, no caso, é [a promessa] de honrar os compromissos de emendas.
Há muita especulação de que há deputados empenhando emendas em valores muito superiores ao normal. Não é um pouco mais, é muito mais. Então, especula-se entre os deputados que os que ora estão se manifestando contra o processo de impeachment vão ser atendidos no mesmo nível.
Entende-se que os deputados que tiverem manifestado como base do governo terão esse mesmo atendimento, além da oferta de cargos e outras vantagens no governo.
Folha -Em algum momento o sr. sentiu que essas pessoas estariam também oferecendo dinheiro extra, de uma forma mais direta?
A mim não aconteceu isso. Mas ouvi de outros parlamentares que realmente, em algum momento, algum deputado foi assediado com recurso financeiro.
- 29/03/2016
CARTA ABERTA AOS BISPOS DO BRASIL
(Publicado originalmente em http://hermesnery.com/v1/), 24 março de 2016.
Em meio à grave crise política, econômica, institucional e, acima de tudo profundamente moral, nós católicos recorremos a cada membro do episcopado brasileiro, para que em cada Diocese haja uma posição clara e firme em relação aos graves danos que o Partido dos Trabalhadores (PT) causou à Igreja Católica e à nação brasileira nestas últimas décadas, especialmente nos últimos treze anos à frente do governo. Um partido que chegou aonde chegou com a conivência, a cumplicidade, a omissão (e até o favorecimento) de muitos bispos, seduzidos pela retórica do populismo e pela demagogia.
Desde o início, era preciso ter havido coragem para denunciar o PT como um partido revolucionário, de ideário socialista, aliado de governos comunistas e ditatoriais (especialmente Cuba), que emergiu com a bandeira da ética para chegar ao poder e depois dilapidar o estado brasileiro, aparelhando as instituições e implementando a agenda anti-vida e anti-família das fundações internacionais, a agenda abortista, etc. E tudo isso com a complacência do clero progressista da CNBB, e através de ONGs e pastorais atuando no seio da igreja, dos teólogos da libertação, e de toda sorte de infiltrados.
Faltou coragem a muitos bispos do Brasil, firmeza, e fidelidade ao Magistério: ao não alertarem os fiéis do risco de excomunhão — e do risco à própria salvação — aos que apoiavam o PT (Catecismo, n. 2246); ao não denunciarem o projeto de poder totalitário do Foro de São Paulo (que Lula fundou e implantou com Fidel Castro); e, ainda, ao não rejeitarem o projeto utópico da Pátria Grande socialista sendo construído pela UNASUL com a simpatia e apoio de vários bispos.
Hoje, os fatos expostos pela Operação Lava Jato estão escancarando ao mundo a verdadeira face do PT, seu modus operandi que em tudo contraria os princípios e valores cristãos e as diretrizes da Doutrina Social da Igreja. Por isso, urge que os bispos do Brasil, ainda em tempo, façam o mea culpa por terem permitido ao PT chegar aonde chegou, com as consequências calamitosas no campo político e econômico, mas sobretudo no campo moral e cultural.
Que sigam o exemplo de um Papa, S. João Paulo II, que teve a humildade de pedir perdão e rever posturas quando necessário. E que nesta Páscoa possamos à luz do Evangelho, “Caminho, Verdade e Vida”, ressuscitar como povo católico, verdadeiramente sal e luz para o Brasil, coração do Continente de Esperança.
MOVIMENTO LEGISLAÇÃO E VIDA
- 03/02/2016
JUIZ DOS EUA AUTORIZA INVESTIDORES A PROCESSAR PETROBRAS EM CONJUNTO
O juiz distrital em Nova York, Jed Rakoff, autorizou investidores a processar em conjunto a Petrobras. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Brasil, a Petrobras informou que o juiz, que é responsável pelas ações ajuizadas por investidores nos Estados Unidos, certificou duas classes de investidores. "Com isso, os pleitos dos investidores dentro da respectiva classe poderão ser conduzidos em conjunto”, diz o comunicado.
No mesmo comunicado, a Petrobras disse que cabe recurso à decisão e que “continuará a defender firmemente seus direitos na ação”.
O juiz negou o pedido da empresa petrolífera brasileira de impedir que investidores possam processar em grupo a companhia por perdas bilionárias causadas pelas denúncias de propina e desvio de dinheiro na empresa, investigadas pela Operação Lava Jato.
A Petrobras esclareceu que o juiz determinou que os representantes da classe de investidores, na qual os pleitos se baseiam no Securities Act (normas da legislação norte-americana), serão os autores Employees’ Retirement System of the State of Hawaii e North Carolina Department of State Treasurer. Já o representante da classe dos investidores, na qual os pleitos se baseiam noExchange Act (normas da legislação norte-americana), o autor será Universities Superannuation Scheme Limited.
Ainda na decisão, Jed Rakoff indicou o escritório de advocacia Pomerantz LLP como assessor jurídico de ambas as classes.
- 21/12/2015
JOAQUIM LEVY VS NELSON BARBOSA
Alfredo Peringer
Joaquim Levy, um egresso da Universidade de Chicago, é, notoriamente, um avesso à inflação. Nunca arriscaria estimular a economia via injeções monetárias, orientadas por gastos governamentais. Sabia do erro dessa poupança forçada, como Friedrich Hayek chama esses falsos dispêndios públicos. Ainda que não tivesse consciência, pelos seus artigos e comentários — assim como pela sua nefasta atitude do último dia útil de dezembro de 2014, quando expropriou cerca de R$ 23 bilhões da base monetária para cobrir o orçamento fiscal — Levy sabia que as emissões de moeda sem lastro causam desequilíbrios no sistema de preços, salários e juros, e não faria uso prático delas.
Nelson Barbosa, porém, conforme sugere a sua voluptuosa retórica e um longo texto que escreveu, onde se caracteriza um keynesiano, com forte pendor estatista e socialista, acha que os gastos governamentais têm uma função social e econômica útil, quando não tem. Ao contrário, os gastos governamentais são o fulcro das crises, principalmente quando fundados em emissões de moeda sem lastro na produção dos bens e serviços. O fato é que todo gasto governamental tem que ser subtraído do gasto privado. Em outras palavras, o MAIS do governo sempre é um MENOS do setor privado.
Infelizmente, é justamente isso que Barbosa pretende: combater a crise via gastos governamentais, mesmo que deficitários, bem ao estilo do pseudo economista John Maynard Keynes, cuja análise de Henry Hazlitt, a seguir, traduz bem o que seja esse sistema: "I have found in Keynes's General Theory an incredible number of fallacies, inconsistencies, vaguenesses, shifting definitions and usages of words, and plain erros of fact*." A minha impressão é a de que estamos trocando o sujo pelo roto. Deus queira que esteja errado! Mas alguém precisa enfiar na cabeça do Senhor Barbosa que é a Oferta que gera a Demanda, como nos ensinou Jean Baptiste Say. Colocar a Demanda como guia, é colocar a carroça na frente dos bois... So, help us God!!!
* "THE FAILURES NEW ECONOMICS -- An Analysis of the Keynesian Fallacies". Mises Institute, 1959, Auburn – Alabama/USA
Alfredo Peringer é economista.
- 18/10/2015
ONU EXCLUIRÁ CATEGORICAMENTE OS BEBÊS EM GESTAÇÃO DO DIREITO À VIDA?
Dr. Stefano Gennarini
NOVA IORQUE, EUA, outubro (C-Fam) Um relatório preliminar da ONU exclui todas as crianças no útero de toda proteção sob as leis internacionais.
O Comitê de Direitos Humanos, um comitê da ONU em grande parte desconhecido, mas influente, que registra e revisa a implementação do tratado da ONU sobre direitos civis e políticos, publicou uma opinião preliminar sobre o “direito à vida” nas leis internacionais que atribui às mães o direito de abortar seus filhos.
O que é surpreendente na “Observação Geral 36,” como o relatório preliminar é conhecido, é a ausência total de proteções para crianças no útero, apesar de uma breve menção de preocupação pró-vida antes de seu lançamento.
A versão preliminar declara: “o Pacto não se refere explicitamente aos direitos de crianças em gestação, inclusive seu direito à vida.” Conclui pois que: “o Comitê não pode presumir que o artigo 6 impõe aos países membros uma obrigação de reconhecer o direito à vida das crianças em gestação.”
Diz também que se os países desejam proteger a vida no útero eles só “podem” fazer isso se garantirem às mulheres o direito de abortar seus filhos em casos de estupro, incesto e quando seu filho no útero é deficiente.
A versão preliminar também expressa uma obrigação dos países de permitir “abortos terapêuticos — ainda que muitos especialistas médicos achem que o aborto nunca é necessário para salvar a vida de uma mãe. Diz que não permitir um aborto nessas circunstâncias equivale a tratamento cruel, desumano ou humilhante, o que é proibido pela Convenção.
A versão preliminar também insiste em que, em qualquer caso, os países não podem regulamentar o aborto de modo restritivo demais.
Diz que os países não podem “aplicar sanções criminais contra as mulheres que fazem aborto ou contra os médicos que as ajudam a fazê-lo,” e não devem prescrever “exigências excessivamente pesadas ou humilhantes para quem busca permissão para fazer um aborto, inclusive a introdução de longos períodos compulsórios de espera antes da realização de um aborto legal.”
As afirmações sobre o “direito de abortar” na versão preliminar não são inéditas. Elas consolidam recomendações anteriores da ONU nas duas décadas passadas. Mas elas nunca foram expressas de forma tão categórica.
Tais interpretações de tratados da ONU são ilegítimas e declarações inexatas e grosseiras de leis internacionais obrigatórias, de acordo com os Artigos de San José, um documento preparado e assinado por especialistas em direito internacional e saúde global.
Os Artigos de San José dizem que os tratados da ONU não deveriam ser usados para expandir proteções para crianças no útero, nem tirá-las. Eles destroem diretamente a afirmação de uma obrigação clara de se permitir o aborto, e põem em dúvida a integridade de especialistas da ONU e seus métodos de interpretar tratados.
“Nenhum tratado da ONU pode com exatidão ser citado como estabelecendo ou reconhecendo um direito ao aborto,” os artigos dizem, apontando para a ausência completa de qualquer referência ao aborto também no tratado em questão.
Embora os artigos reconheçam a falta de uma obrigação clara de se proteger a vida no útero, como diz a observação do documento preliminar, eles apontam para uma cláusula no tratado da ONU sobre direitos civis e políticos que proíbem a aplicação da pena de morte para mães grávidas, sugerindo que crianças inocentes no útero na verdade têm um direito à vida independente de sua mãe e não deveriam prestar contas pelos crimes de sua mãe. A observação do documento preliminar não explica essa discrepância.
Além disso, os Artigos de San José apontam que quando o tratado da ONU sobre direitos civis e políticos foi ratificado a maioria dos países do mundo proibiu o aborto na maioria ou todas as circunstâncias. Isso também não é levado em consideração no documento preliminar.
O comitê debaterá o documento preliminar preparado por um subgrupo do comitê de 18 membros na sua próxima sessão mais tarde neste mês.
Tradução: Julio Severo
- 11/10/2015
VEJA DO QUE SÃO CAPAZES ESSES ABUSADORES DE MENTES JUVENIS
(Excerto de um texto encontrado em www.administradores.com.br)
Educação, eis a palavrinha mágica no discurso dos políticos e nas faixas de campanha, nos gritos de protesto e nas passeatas sindicais, a solução inevitável para todos os nossos problemas.
Na posse do segundo mandato da atual presidente, ela foi a estrela máxima:
“O novo lema do meu governo, simples direto e mobilizador, reflete com clareza qual será a nossa prioridade, e sinaliza para qual setor deve convergir nossos esforços. Trata-se de emblema com duplo significado. Estamos dizendo que a educação será a prioridade das prioridades, mas também que devemos buscar em todas ações de governo um sentido formador.”
Não bastasse o claro fracasso na escola como instituição de ensino, não raramente ela é usada como instrumento para doutrinação ideológica. De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Sensus, 78% dos professores brasileiros acreditam que a principal missão das escolas é “formar cidadãos” (apenas 8% apontou a opção “ensinar as matérias”) e 61% dos pais acham “normal” que os professores façam proselitismo ideológico em sala de aula.
Evidentemente essa não é uma prática assinada por todos os docentes – e seria chover no molhado apontar aqui que parte considerável dos nossos professores atuam na melhor das intenções, quando não são vítimas de material didático de péssimo gosto. Mas, ainda assim, a doutrinação atua como uma praga numa lavoura, corrompendo a formação intelectual de incontáveis estudantes e interferindo negativamente no ambiente de trabalho dos docentes.
Para combater a prática, o advogado Miguel Nagib criou a organização Escola Sem Partido, “uma iniciativa conjunta de estudantes e pais preocupados com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis: do ensino básico ao superior”. A organização promove o debate e denuncia práticas de doutrinação em sala de aula. Em sua página é possível encontrar inúmeros exemplos de uso eleitoreiro e político nos livros didáticos brasileiros, propaganda ideológica em instituições de ensino, professores-militantes, entre outras aberrações presentes na nossa educação.
Aqui, 5 exemplos (textos e imagens) de como a doutrinação atua nas salas de aula do país:
- 10/10/2015
ADVOGADOS DA UNIÃO, EM NOTA CONJUNTA, FULMINAM TÉCNICA E ETICAMENTE LUÍS INÁCIO ADAMS, O ADVOGADO GERAL DA UNIÃO
O Sinprofaz (Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional), a Unafe (União dos Advogados Públicos Federais do Brasil), a Anauni (Associação Nacional dos Advogados da União) e a Anajur (Associação Nacional dos Membros das Carreiras da AGU), diante dos últimos acontecimentos veiculados na mídia envolvendo a atuação da Advocacia-Geral da União, vêm a público prestar esclarecimentos sobre a real missão da Instituição e a atual gestão da AGU comandada pelo senhor Luís Inácio Adams.
Destaca-se, de início, que a AGU não se confunde com Luís Inácio Adams. A AGU, constituída por quase 8 mil advogados públicos, é Função Essencial à Justiça, conforme estabelece a Constituição Federal, competindo-lhe, por lei, promover o controle de legalidade e defender o Estado brasileiro. Deve garantir a viabilidade das políticas públicas e atuar em favor de todos os poderes da União.
Luís Inácio Adams, no entanto, com ótica própria, se afastou dos ditames constitucionais e optou, deliberadamente, por uma advocacia de governo em detrimento de uma advocacia de estado. Preferiu os encantos do poder às demandas da instituição, do Estado e do povo brasileiro. Transformou a res publica em res privada.
Em 2014, o atual AGU defendeu, junto ao TCU, os interesses pessoais da então presidente da Petrobras. Em sustentação oral, Adams argumentou que os bens de Graça Foster não deveriam ser bloqueados em favor da Estado. Ou seja, atuou contra os interesses da União, a qual deveria defender. Priorizou o interesse do governo em detrimento do interesse do Estado e do povo brasileiro. Houve, inclusive, um questionamento público da conduta em questão pelas associações (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,unafe-pedira-explicacao-sobre-atuacao-da-agu-em-defesa,1542155).
Mais recentemente, Adams esforçou-se para viabilizar acordos de leniência com as empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. Agiu sem envolver os membros da AGU, tampouco debater o tema internamente. Chegou a publicar um vídeo no sítio eletrônico da AGU tentando justificar o injustificável: seu envolvimento político na questão.
Mas não é só. Com sua visão distorcida da Constituição, Adams tenta transformar a AGU em um aparelhado órgão de governo. Esforçou-se para aprovar, no Congresso Nacional, o Projeto de Lei Complementar 205/12, que enfraquece as carreiras concursadas e possibilita a nomeação de advogados sem concurso público nos quadros da AGU. Sua aprovação seria uma tragédia para a instituição e para o Estado brasileiro.
(...) Vale notar que, por tudo o que restou relatado, os advogados públicos federais repudiam fortemente as condutas ultimadas pelo referido Advogado-Geral à frente do órgão. A atual gestão de Luís Inácio Adams é repudiada por nada menos do que 99% dos membros da instituição (http://unafe.org.br/index.php/9865-dos-advogados-publicos-federais-rejeitam-a-atual-gestao-do-adams/). Em lista tríplice organizada pela Unafe e outras associações da AGU, o atual Ministro não recebeu sequer um mísero voto.
As entidades signatárias sempre pautaram suas atuações pela transparência e pela defesa dos interesses da AGU, de seus membros e do Estado brasileiro. Justamente por isso e, ante os desvios perpetrados por Luís Inácio Adams à frente da AGU, os advogados públicos defendem que o próximo Advogado-Geral da União seja nomeado com base na lista tríplice democraticamente escolhida pela carreira. Defende, ainda, que a AGU seja autônoma, capaz de atuar de forma livre e técnica, como advocacia do Estado brasileiro e não como órgão aparelhado de defesa dos interesses deste ou daquele governo, como pretende Adams.Em virtude dos últimos acontecimentos, setores da imprensa têm cunhado a AGU de "golpista", fato que expõe a Instituição como um todo. Com relação a isso, esclarece-se que a instituição que defende os interesses do Estado não é golpista e não pode ser maculada diante de questões controversas envolvendo atos de governo.
ós, advogados públicos federais, sentimo-nos no dever de separar o joio do trigo. A sociedade brasileira merece saber.
http://www.sinprofaz.org.br/noticias/nota-conjunta-2
- 23/09/2015
O FINANCIAMENTO ELEITORAL E A VANTAGEM DE QUEM ESTÁ NO GOVERNO!
Ex-blog de Cesar Maia
1. O STF considerou inconstitucional o financiamento eleitoral por parte de empresas. Vários analistas, vários acadêmicos, máquinas sindicais, os pequenos partidos ideológicos outsiders, etc., comemoraram a decisão. Ou é por boa fé, por desconhecimento, por ingenuidade ou por esperteza.
2. Com essa decisão do STF, as vantagem dos que estão no governo controlando as máquinas e orçamentos é flagrante. Passam a ter monopólio do financiamento, só que não diretamente pelas empresas, mas indiretamente e através dos governos.
3. Os gastos de campanha estão concentrados na publicidade (TV, etc.) e no pagamento dos cabos eleitorais e mobilidade. CPIs já demonstraram, ao extremo, como funciona esse processo. Os governos, através de uma seleção subjetiva, contratam agências de publicidade de suas confianças. Muitas vezes que trabalharam para a candidatura deles na última campanha eleitoral.
4. Através delas deixam pré-paga parte importante da publicidade (TVs, etc.) para a próxima campanha eleitoral. Por exemplo: nas inserções nos meios de comunicação, as agências têm direito a comissões que vão de 10% a 20%. Se a mídia técnica sugere X inserções, governos fazem o dobro ou mais. Como isso não gera custo adicional, apenas aumenta o faturamento da agência.
5. Descontando o imposto de renda desse excesso de mídia, os partidos nos governos passam a ter uma reserva financeira para a campanha seguinte. Podem até antecipar a publicidade da campanha e deixar guardada na memória eletrônica. E uma vez em campanha o registro do gasto realizado é muitas vezes menor que o que seria efetivado sem a reserva conseguida pelos governos.
6. Da mesma forma, a publicidade exige subcontratações de material gráfico de pesquisas de opinião pública, etc. E, de novo, governos pagam bem mais do que utilizam e deixam a sobra como reserva para utilizar na campanha seguinte. E -claro-registram valores muito menores como gastos efetivos de campanha.
7. Em relação aos cabos eleitorais se utiliza amplamente os comissionamentos e gratificações que cobrem as despesas -pagas pelos governos- desses "cabos eleitorais" ou de amigos. E de forma tão ou mais ampla através das terceirizações. O pessoal padrão necessário para uma função qualquer de limpeza, vigilância, etc., é ampliado em 20%, 30%, 50%... A imprensa costuma chamá-los de funcionários fantasmas. Certo, fantasmas para o gasto dos governos, mas muito vivos para as campanhas eleitorais.
8. E além destes vetores mais significativos, ainda vem um conjunto grande de "pedaladas" eleitorais de mesma origem, com a disponibilidade de veículos alugados muito além do necessário, carros de som, etc., e assim de reservas "técnicas".
9. Isso para não falar nas máquinas de grandes sindicatos e centrais sindicais com financiamento público garantido, que mobilizam pessoal, gráfica, publicidade, etc., a favor de quem apoiam.
10. Numa conjuntura como a atual, que sinaliza claramente a descontinuidade dos que estão no poder, especialmente o PT, que detém máquinas importantes como a federal, estados como os de Minas Gerais e Bahia, prefeituras expressivas Brasil afora, mudar as regras do jogo beneficiando quem está no poder, é de um descaramento que só os de boa-fé, os desinformados, os ingênuos ou os mal intencionados poderiam defender.
- 10/07/2015
O FORO DE SÃO PAULO ENTREGA UM SACRILÉGIO AO PAPA.
Percival Puggina
Mas que conversa fiada essa do Rev. Federico Lombardi! Na condição de porta-voz do Vaticano, afirmou que o projetista da excrescência, o padre jesuíta Luis Espinal, concebera a escultura como "símbolo de diálogo e compromisso para com a liberdade e o progresso para a Bolívia". De fato, Espinal foi vítima das brutalidades do governo ditatorial de Garcia Meza. A exemplo de muitos colegas seus em outros países da região, brasileiros incluídos, o padre escultor era comunista. Pretenderam, todos, combater um mal com outro mal maior. E ao assim procederem, entravam em desacordo com o ensinamento evangélico, com o sacrifício de Cristo e ofendiam o sacrifício de centenas de milhares de cristãos que, naqueles mesmos tempos de guerra fria, eram martirizados em nome da foice e do martelo que Espinal cometeu a insensatez de representar com a cruz.
O crucifixo comunista, diferentemente do que pretendeu sustentar o porta-voz do Vaticano, não adquire respeito em virtude de o seu autor haver sido assassinado. Aquele crucifixo causou justa indignação entre as pessoas de bom senso, entre elas, ao que se sabe, o próprio Francisco. Dizerem, como tenho lido, que ele já trazia no peito aquele mesmo símbolo pendurado numa corrente boliviana que lhe haviam enfiado no pescoço, sugere uma falsidade, a de havia coerência entre os adereços do Papa e o cavalo de Troia ideológico que Morales lhe entregou. Sei que não o desrespeito como chefe da Igreja a que pertenço quando digo que faltam ao papa Francisco traquejo diplomático, habilidade para lidar com a imprensa e uma boa assessoria em assuntos macroeconômicos.
O episódio serve, também, para conhecermos melhor os modos de agir, as estratégias e as convicções dos parceiros ideológicos de nossos governantes, aqui no Brasil e no Foro de São Paulo.
- 17/06/2015
Comento: há quem sustente a tese de que esses rapazes, se caírem na prisão, serão "estragados" pela convivência com outros criminosos...
BANCADAS FECHAM ACORDO SOBRE MAIORIDADE PENAL
(Publicado originalmente em Congresso em Foco)
Proposta do PSDB que ganha força entre as demais legendas prevê a redução da maioridade penal para crimes como tráfico de drogas, terrorismo, estupro e roubo seguido de morte, lesão corporal grave e roubo qualificado
Por Wilson Lima, 17/06/2015 08:15
Cinco bancadas partidárias (PSDB, PMDB, PSB, Solidariedade e DEM) fecharam acordo para apoiar uma proposta alternativa ao relatório da comissão especial à proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz para 16 anos a maioridade penal. O relator da comissão especial, Laerte Bessa (PR-DF), defende a realização de um referendo para ouvir a população sobre o tema. Para Bessa, que é delegado da Polícia Civil, o referendo apenas confirmaria a sua tese de que é necessária a redução da maioridade penal de forma ampla e irrestrita. O texto deve ser apresentado nesta quarta-feira (17), mas enfrenta resistência de parlamentares e entidades ligadas à defesa dos direitos humanos.
Mas, na falta de acordo sobre esse relatório, uma outra proposta, de autoria do deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), ganhou força na Câmara. A emenda prevê a redução da maioridade penal apenas em crimes como tráfico de drogas, terrorismo, crimes hediondos como estupro e roubo seguido de morte, lesão corporal grave e roubo qualificado.
Pela proposta original do tucano, o jovem responderá como adulto apenas se houver pedido do Ministério Público. Ou seja, caberia ao promotor responsável pela investigação do crime pedir à Justiça a punição ao menor com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ou no Código Penal. Mas, pelo acordo das bancadas, a redução da maioridade penal não dependerá de pedido do MP. Ocorrerá automaticamente se o jovem for flagrado cometendo um desses crimes. Outros partidos como o PTB e o PR também são simpáticos à proposta do PSDB.
O entendimento ocorreu após ameaças do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de levar a votação da proposta diretamente para o plenário, sem a apreciação da comissão especial criada exclusivamente para tratar do assunto. A estratégia seria a mesma adotada pelo peemedebista na reforma política. Na ocasião, ele ignorou as conclusões do colegiado que discutia a reforma do modelo político e eleitoral do país e remeteu a decisão aos 513 deputados. A intenção do presidente da Câmara é votar a PEC no plenário, no dia 30 de junho.
- 01/06/2015
O PAÍS DA MORAL QUE VOCÊS TENTARAM IMPOR
(O título acima é meu. A matéria a seguir é da veja.abrail.com.br)
Babilônia: o desabafo de Gilberto Braga e Dennis Carvalho
O novelista Gilberto Braga e o diretor Dennis Carvalho se manifestaram pela primeira vez sobre o desempenho da novela das 9, Babilônia. Braga está deprimido. "Sofro a humilhação pública de perder para a novela das 19h, I love Paraisópolis", afirmou em entrevista para o jornal O Globo, neste domingo. "É uma decepção muito grande. Escrevo achando que está bom e na Bahia e em Goiás dou 12 de audiência. O que é isso?". Carvalho diz estar muito assustado com a reação do público. "Nós estamos no século 21, em 2015. E de repente as pessoas ficam chocadas com coisas que não se chocavam antigamente", desabafou no programa Ofício em Cena, novo programa da GloboNews, espécie de Inside the Actors Studio brasileiro com profissionais do canal. "É uma novela muito parecida com várias outras que já fiz, em matéria de maldade, vilania, de sexo, de chantagem, corrupção - até de homossexualismo, que já tinha em Brilhante. E o público rejeitou violentamente o começo dessa. Fizeram uma pesquisa e as pessoas diziam: 'Ah, tem muita maldade!'. 'Ah, tem muita corrupção!' Coisa que sempre teve em toda novela".
A dupla se alinha no discurso de que o país está careta demais. Criador de sucessos como Dancin´days eVale Tudo, Gilberto começa: "Não tenho a menor dúvida. Quer a prova? Não pode ter nudez nem masculina nem feminina. Nos anos 80 tinha a bunda de um homem de fora na abertura de novela das 19h (Brega e Chique, em 1987). Hoje não poderia. Por quê? O Brasil encaretou. Por que uma bunda de homem choca? É a realidade que a gente está vivendo. Por que não pode peitinho de mulher? É tão agradável. Até eu que sou gay, gosto". Complementa Carvalho: "Houve uma certa regressão do conceito das pessoas, de politicamente correto. Vale Tudo, Celebridade não passariam hoje. As pessoas odiariam. Tudo tem que ser politicamente correto. Aí as coisas ficam chatas, ficam babacas, ficam caretas".
Feita para comemorar os 50 anos da Globo, Babilônia é o maior fiasco da emissora no horário das 9. Lançada no fim de março, colheu uma audiência morna em sua estreia, com 33 pontos em São Paulo, e viu desabar para 25 pontos nas últimas semanas. O tradicional grupo de discussão foi antecipado para estancar a fuga de espectadores. "A situação era calamitosa. No Nordeste e em Goiás, deu 12 pontos", lembra Braga. Com isso, o horário das 9, carro-chefe da programação da Globo, se encontra numa situação impensável tempos atrás: é hoje o terceiro programa mais visto da emissora - perde para a trama das 7 e o Jornal Nacional.
Prestes a completar 70 anos, Braga deseja apenas um presente em 2015: "Quero ganhar de I love Paraisópolis".
- 22/05/2015
SEMANA DE COMUNISMO NO CURSO DE LETRAS DA UFRGS
Percival Puggina
É uma promoção do Centro de Estudantes. Não é pautada pela Universidade, mas pelos próprios alunos. No entanto, serve como amostra do que vem por aí quando essa rapaziada chegar às salas de aula, para ensinar o idioma aos alunos do ensino fundamental e médio.
Essa programação da Semana Acadêmica significa, por outro lado, que o trabalho dos mestres desses jovens produziu o resultado que eles desejavam. Criaram militantes para suas causas. E, ao conseguirem isso, concretizaram sua missão essencial (como destaca a Moção de Repúdio do Sinpro/RS que comentei aqui).
Não surpreende o mau uso das palavras, nem os erros de português. Os alunos escolhidos pelos colegas para comandar o Centro de Estudantes de Letras mostram, claramente, que as letras têm, para eles, uma utilidade bem diferente daquela que prezamos ao encaminhar um filho para a escola.
A Nação paga muito, em tributos, para custear as universidades públicas. E elas produzem isso aí. Não surpreende que nenhuma esteja entre as 200 melhores do mundo.
- 19/05/2015
Este texto e outros que postarei nais adiante são do blog https://aprendicomoenem.wordpress.com/ dedicado a mostrar a ideologização explícita do ENEM.
MAMA ÁFRICA, A MINHA MÃÃÃE...
O conjunto de questões que eu classifico de “mama África” enfatiza a difusão do vitimismo dos negros em decorrência da escravidão de africanos no Brasil. Os objetivos são : 1. incultir culpa na presente geração, por atos cometidos no século retrasado e considerado aceitáveis à época; 2. suscitar o ódio racial entre negros e não-negros ; 3. incitar as reivindicações de reparações da parte de qualquer pessoa que tenha a cara de pau de se apresentar como vítima direta desse fato histórico.
De quebra o africanismo, tal como o indigenismo, ainda prepara o imaginário do estudante para apoiar a política de demarcação de terras quilombolas que é feita “segundo critérios de auto-atribuição”, cujo procedimento de identificação e delimitação do terreno quilombola considera “como tácita” a concordância dos órgãos e entidades que não se manifestarem no prazo de 30 dias sobre o conteúdo do relatório técnico (conforme decreto no 4.887, de 20 de novembro de 2003).
A modorrenta pergunta 32 do caderno azul da prova de humanas do ENEM 2011 ilustra bem o interesse estatal nos objetivos supracitados.
Mama Africa
O texto da questão informa que foi iniciativa do governo a introdução da obrigatoriedade do ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira… [que] incluirá o estudo da História da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, … além de instituir, no calendário escolar, o dia 20 de novembro como data comemorativa do “Dia da Consciência Negra”.
De acordo com a resposta correta determinada pela comissão elaboradora do exame, isso “representa um avanço não só para a educação nacional, mas também para a sociedade brasileira, porque… impulsiona o reconhecimento da pluralidade étnicoracial do país.” Como se essa pluralidade não saltasse aos olhos de cada brasileiro que sai às ruas ou liga a TV.
As abordagens indigenistas e africanistas servem no fundo aos mesmos propósitos e respondem por quase 6% do total de questões das provas de linguagens e humanas das edições de 2009 a 2014 do ENEM. Você que é estudante e está se preparando para a edição de 2015 pode esperar para se deparar como esse tipo de viés, pois no período mencionado não houve uma única edição em que ao menos uma dessas abordagens estivesse ausente. E os melhores antídotos para as mentiras contadas pelos seus professores e livros de história do Brasil sobre esses assuntos são os capítulos 1 e 2 do Guia politicamente incorreto da história do Brasil, de Leandro Narloch.
- 11/05/2015
RETRATO DO BRASIL: FACHIN VIOLOU LEI OU NÃO VIOLOU A LEI?
(Matéria de ebc.com.br, Por Karine Melo e Carolina Gonçalves Edição:Armando Cardoso Fonte:Agência Brasil)
Em resposta a uma consulta do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), a Consultoria Legislativa do Senado emitiu uma nota técnica reforçando a tese de ilegalidade do exercício da advocacia pelo indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, quando também era procurador do Paraná.
“Pode-se concluir que, tendo o sr. Luiz Edson Fachin tomado posse após janeiro de 1990, quando já se encontravam em vigor as proibições de advogar constantes tanto da Constituição do Paraná quanto da Lei Complementar nº 51, de 1990, a atuação no âmbito da advocacia privada, concomitantemente com o exercício do cargo de procurador do Estado, viola o ordenamento legal”, conclui o consultor João Trindade Filho.
Segundo a assessoria de imprensa do senador, Ricardo Ferraço compartilhou esta manhã (7) nota técnica com todos os 53 membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa. Após audiência em uma comissão geral da Câmara, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse estar otimista e minimizou possíveis efeitos da nota técnica. Segundo ele, Fachin já havia explicado que, quando prestou concurso para a Procuradoria do Estado, o edital informava sobre a possibilidade do exercício de advocacia.
(Matéria de O Globo)
BRASÍLIA — Elaborada a partir de uma consulta do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), uma nova nota técnica do Senado concluiu que não houve ilegalidade no desempenho da advocacia privada por Luiz Edson Fachin, indicado para ministro do Supremo Tribunal Federal, enquanto foi procurador do Estado do Paraná, de 1994 a 2006. A conclusão contraria estudo divulgado recentemente pela mesma Casa. O senador Álvaro Dias apoia a indicação de Fachin.
De acordo com a nova nota, a Constituição Federal delega ao Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil, que é uma lei federal, a tarefa de estabelecer as vedações. O Estatuto, por sua vez, ainda conforme o estudo, proíbe que procuradores dos estados advoguem contra ou a favor das pessoas jurídicas de direito público e outras entidades ligadas ao governo, como concessionárias de serviço pública ou sociedades de economia mista.
Sobre a Constituição Estadual do Paraná, que entrou em vigor em 1989, proibindo de forma absoluta as atividades privadas dos procuradores, o estudo do Senado destaca que o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) da própria lei estabeleceu que a vedação não se aplica “aos atuais procuradores do Estado”, caso de Fachin à época.
- 08/05/2015
RELATÓRIO SOBRE REFORMA POLÍTICA DEVE SER VOTADO ATÉ A PRÓXIMA QUINTA-FEIRA
(Agência Câmara Notícias)
O presidente da comissão especial da reforma política (PEC 182/07), deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), informou, nesta quinta-feira (7), que o relatório sobre a proposta deve ser votado até a próxima quinta-feira (14), antes de expirar o prazo regimental. Segundo Maia, os parlamentares precisam alcançar um "consenso mínimo" sobre a proposta, do contrário a matéria pode ir direto ao Plenário e o trabalho da comissão ficará prejudicado. Depois da comissão, a PEC precisa ser votada pelo Plenário da Câmara em dois turnos. Para ser aprovada, são necessários pelo menos 308 votos (3/5 dos deputados) em cada uma das votações.
Para cumprir a meta, o relator Marcelo Castro (PMDB-PI), disse que vai apresentar o texto já na próxima segunda-feira (11), em reunião extraordinária do colegiado. A ideia é discutir o relatório antes de vencer o prazo regimental de 40 sessões do Plenário para que a PEC seja votada na Câmara. Para tanto, ele se comprometeu a telefonar pessoalmente para os deputados da comissão e fazer um balanço dos principais pontos de convergência. Segundo Marcelo Castro, desde o início, a comissão firmou alguns pontos de consenso: o fim da reeleição para cargos executivos; a coincidência das eleições a partir de 2022; mandato de cinco anos para todos os cargos eletivos; e a janela da fidelidade. Esta última medida impõe ao parlamentar a obrigação de estar vinculado ao partido, no mínimo, até o último mês do final do mandato.
Financiamento misto
O relator adiantou que a maioria dos integrantes da comissão é favorável ao financiamento misto de campanhas por recursos públicos e privados. Apesar disso, os deputados ainda se dividem sobre como seriam aceitos os recursos privados. Uma parte defende a contribuição tanto de pessoas físicas quanto de empresas, como é feito hoje; a outra aceita apenas a contribuição de pessoas físicas. Marcelo Castro explica que, mesmo com a aprovação do financiamento privado por empresas, é preciso fixar um novo limite: "Esse teto já existe hoje, mas existe em valores percentuais, e aí tem uma diferença muito grande, fica muito díspar o que uma empresa pode contribuir ou que outra empresa pode contribuir, porque 2% do faturamento de uma empresa pode ser R$ 10 mil, mas podem ser por exemplo R$ 100 milhões".
Distritão
Tão importante quanto o consenso sobre os temas da reforma é a negociação, segundo o petista Henrique Fontana (RS), que relatou a matéria na legislatura passada. Ele acredita que a maioria não deve impor a escolha pelo distritão, sob o risco de impedir a reforma. No "distritão" são considerados eleitos os candidatos mais votados em estados e municípios, independente do partido de filiação."Se essa for a escolha, com todo respeito porque é um direito de quem defende o 'distritão', ela vai gerar um movimento de defesa de todos que querem o 'distritão', e nós podemos inviabilizar a votação do sistema eleitoral, porque a manobra defensiva é muito forte no Parlamento e é a mais fácil", observou.
Diferente do ‘distritão’, o sistema distrital misto combina o voto proporcional e o majoritário. Os eleitores têm dois votos: um para candidatos no distrito e outro para os partidos. Os votos no partido são computados em todo o estado ou município, conforme o quociente eleitoral, que é o total de cadeiras divididas pelo total de votos válidos. Já os votos no candidato elegem os mais votados em cada distrito.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Newton Araújo
A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara Notícias'
- 20/04/2015
FHC DEFENDE O PT MELHOR DO QUE O PT SE DEFENDE
Percival Puggina
A notícia abaixo é extraída de www.wscom.com.br. Vê-se que o ex-presidente continua como o cão que lambe a mão que lhe bate.
O PT não abre a boca que não seja para falar mal dele e a ele atribuir a origem de todos os males nacionais. Atacar FHC é o hobby preferido e a frase introdutória de qualquer defesa do PT quando confrontado com o estrago que está causando ao país.
Nem mesmo quando o PT diz que as pedaladas fiscais detectadas pelo TCU como crime de responsabilidade iniciaram no governo dele, FHC, o mestre do tucanato, deixa de aliviar o PT e sai-se como se lê abaixo:
"Como um partido pode pedir impeachment antes de ter um fato concreto? Não pode!", reagiu FHC durante um seminário no Fórum de Comandatuba, no Sul da Bahia, no qual ele participa ao lado de outros ex-presidentes latino-americanos.
Mesmo sem citar especificamente o PSDB, FHC afirmou não fazer sentido que os partidos queiram antecipar esse movimento enquanto não houver decisões de tribunais ou algumas provas concretas de irregularidades cometidas por Dilma.
"Impeachment não pode ser tese. Ou houve razão objetiva ou não houve razão objetiva. Quem diz se é objetiva ou não é a Justiça, a polícia, o tribunal de contas. Os partidos não podem se antecipar a tudo isso, não faz sentido", comentou o ex-presidente, que emendou: "Você não pode fazê-lo fora das regras da democracia, tem que esperar essas regras serem cumpridas. Qualquer outra coisa é precipitação."
Não sei qual a natureza desse acordo, desconheço os compromissos recíprocos e as vantagens de cada um. Mas tão misteriosa conduta só encontra explicação razoável na existência de um também misterioso acordo entre FHC e Lula. O tucano não apresenta sinais externos de alienação mental que comporiam a outra explicação possível.
- 04/04/2015
MAS PARA A TV PT NÃO FALTARÃO RECURSOS
PT faz 'ajuste fiscal' interno para não quebrar após escândalo da Petrobras.
Estadão Conteúdo
São Paulo - Demissões, cortes de gastos, aperto orçamentário. Não é apenas o ajuste fiscal proposto pelo governo Dilma Rousseff que tem incomodado o PT. Em meio a uma queda brutal de arrecadação provocada pela redução das doações privadas desde que o tesoureiro João Vaccari Neto passou a ser investigado pela Operação Lava Jato, o partido está enfrentando um ajuste drástico em suas próprias contas.
Depois de mais de uma década de bonança, o partido está sendo forçado a economizar por falta de dinheiro, mesmo diante de um forte aumento do Fundo Partidário neste ano - o Congresso aprovou a elevação de R$ 289,56 milhões pagos em 2014 para R$ 867,56 milhões.
O uso de passagens aéreas por dirigentes foi limitado, diretórios regionais demitiram funcionários, o aluguel de espaços para eventos foi otimizado e até o uso de telefones foi restrito.
Integrantes da Executiva Nacional do PT, órgão responsável pela administração direta do partido, tiveram a verba de telefonemas reduzida de R$ 500 para R$ 100. Muitos deles preferiram trocar de celular, optando por operadoras mais baratas.
Verbas com táxi, combustível, alimentação, serviços técnicos de terceiros, advogados e gráficas também foram contingenciadas. Segundo a direção do partido, a única área que não foi afetada é a de comunicação, para onde são direcionados todos recursos economizados em outras despesas. Apesar disso a implantação da TV PT está atrasada em quase um mês.
- 27/03/2015
NOSSA INACREDITÁVEL RELAÇÃO COM O ESTADO E SUAS TROPELIAS
Pouca gente sabe disto. Todo ano, 42 % do nosso dinheiro em mãos do governo vai para o pagamento de compromissos da dívida formada pelo excessivo gasto público ao longo dos anos.
Como parte dessa tragédia, quando as pessoas tomam conhecimento, em vez de mudarem de atitude em relação ao Estado seus usos e costumes, seus abusos e maus costumes, imediatamente começam a falar em calote, em não pagar a conta, em não nos sujeitarmos aos sanguessugas do sistema financeiro, à lógica neoliberal, aos interesses do grande capital internacional e por aí afora. Arre!
Primeiro, assistimos o desperdício dos impostos que pagamos em cada caderno escolar que compramos para nossos filhos. Depois, aceitamos, inertes, as regalias, os abusos, os privilégios auto-concedidos, ou arrancados sob pressão das galerias nos parlamentos. Em seguida, convivemos, cegamente, com a ideia de que há, em tudo que é "estatal", uma bondade natural de elevado interesse público. Logo, colocamos o "privado" sob suspeita de um perverso egoísmo, avesso à conveniência social.
Por fim, assumimos como elevada exigência moral que o sistema financeiro tem que bancar ad aeternum a gastança do governo e fazê-lo a fundo perdido...
- 21/03/2015
Imperdível. Matéria de Josie Jeronimo (josie@istoe.com.br), a quem vão todos os créditos!
OS ESQUEMAS DO DUQUE
“Se o senhor é o duque, quem é o rei?”
O questionamento foi feito pelo deputado Altineu Côrtes (PR-RJ) ao ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a rede de corrupção instalada dentro da maior estatal brasileira. Preso pela Polícia Federal (PF) na segunda-feira 16, o ex-funcionário da petrolífera prestou depoimento à CPI três dias depois. A PF prendeu Duque após a inteligência da instituição descobrir que ele tentou movimentar mais de 20 milhões de euros de uma conta da Suíça para vários países, entre eles o Principado de Mônaco – não poderia haver, afinal, lugar mais apropriado para um duque. Na comissão, o ex-diretor não revelou quem é o monarca supremo nem respondeu às outras perguntas dos parlamentares. Pelo menos momentaneamente, o silêncio confortou as hierarquias do Palácio do Planalto e do PT. Se confirmasse o teor da denúncia do Ministério Público Federal (MPF) sobre o aparelhamento da Petrobras por uma quadrilha, o reinado petista sofreria abalos irremediáveis.
- 24/02/2015
A moral relativista não conhece limites!
CLUBE DO CARIMBO: SOROPOSITIVOS PREGAM TÉCNICAS DE TRANSMISSÃO DO HIV DE PROPÓSITO
Sites e blogs mostram como passar a doença sem anuência, o que é considerado crime pelo Código Penal
(O Globo, 22/02/2015)
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Grupo ensina maneiras de ludibriar o uso do preservativo - SeongJoon Cho / Bloomberg
RIO - Denominado de “Clube do Carimbo”, um grupo de homossexuais soropositivos se reúne em sites para passar dicas de como transmitir Aids para outras pessoas. A premissa é que se todos tiverem a doença, ela não será mais um problema social. Junto com isso, a prática do bareback, a relação sexual sem o uso de preservativo, misturado com uma dita sensação de aventura faz com que as “carimbadas” aconteçam mais e já se tornem um problema de saúde pública.
Neste primeiro site visitado pelo GLOBO, após enumerar cinco passos com técnicas para transmitir a doença (com ou sem preservativo), o dono da página afirma que: Recentemente, um blog que pregava essa prática foi retirado do ar. O “Novinho Bareback” teria sido o local onde foi criado o dito clube. A página ... trazia dicas para a transmissão da doença sem a anuência da outra pessoa. Mesmo que desativado, as instruções se disseminaram como um vírus pela Internet.
Em um dos sites visitado pelo GLOBO, o autor enumera passo a passo de como criar mecanismos para “carimbar” as novas vítimas. Autodenominados de “vitaminados”, os portadores do vírus que pregam a prática on-line também sugerem as melhores épocas do ano, como as férias, para conquistar mais vítimas.
“Este texto é só uma ideia. Comentado nacionalmente e internacionalmente, um fato que ocorre e que não quer dizer que eu faça isso. Praticar o ato sexual sem preservativo não é considerado crime, o que é crime segundo os artigos 130, 131 e 132 do código penal brasileiro, é uma pessoa transmitir doenças sexualmente transmissíveis para outra (com provas concretas), a pena para esse crime é de 3 meses a um ano de cadeia”.
Entretanto, o Código Penal brasileiro deixa claro que a simples exposição, tal como enaltecida na postagem, já é crime.
“Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave”, afirma o artigo 132 da legislação.
Em outro site visitado, os praticantes chegam a marcar encontros em casas noturnas de orgias de forma que alguns possuem a doença e outros não. Os que não possuem são divididos entre os que sabem que correm o risco de transmissão, chamados de bug-chasers, e os que não possuem ciência disso. Em comentários de outros usuários do site, as orgias mescladas são chamadas de “roleta russa” do sexo.
Segundo o último Boletim Epidemiológico, divulgado pelo Ministério da Saúde, a Aids avança tanto entre homossexuais quanto em heterossexuais. Entretanto, o aumento de infectados entre os gays é bastante superior. Em 2003, eram 4.679 novos casos por ano. Atualmente, são 6.043 soropositivos diagnosticados anualmente.
- 14/02/2015
Texto original de "O antagonista". Transcrevo porque subscrevo.
E JOSÉ EDUARDO CARDOZO CONTINUARÁ NO CARGO?
É intolerável que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tenha se reunido secretamente com o advogado da empreiteira UTC, para dizer que, depois do carnaval, a Operação Lava Jato mudaria de rumo, a barra dos acusados seria aliviada -- e, por isso, ele "desaconselhava" a delação premiada dos empreiteiros.
Trata-se de um escândalo maior até do que o próprio Petrolão. O ministro da Justiça do Brasil age em favor do crime e está obstruindo o trabalho da própria Justiça do Brasil. Isso não é interpretação, mas fato.
É imperioso que José Eduardo Cardozo seja demitido imediatamente. Conservá-lo no cargo é deixar as instituições do país à mercê de fanqueiros.
www.oantagonista.com/posts/exigimos-a-demissao-de-jose-eduardo-cardozo
BRASÍLIA - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, recebeu em uma audiência em seu gabinete, no dia 5 deste mês de fevereiro, três advogados representantes da empreiteira Odebrecht, envolvida na Operação Lava- Jato. O encontro consta da agenda oficial do ministro, divulgada no site da Pasta, mas sem informar que os advogados representam a construtora, nem detalhar o assunto. Outros encontros com defensores de empreiteiros teriam acontecido. Na sexta-feira, a revista “Veja” informou que o ministro se reuniu com Sérgio Renault, advogado da empreiteira UTC, e com o ex-deputado Sigmaringa Seixas. Na edição de ontem, a “Folha de S. Paulo” noticiou que ele teria tido ao menos três encontros neste mês com advogados da própria UTC e da Camargo Correa.
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/ministro-da-justica-recebeu-advogados-da-odebrecht-em-seu-gabinete-15341511#ixzz3Rkq1f8SV
- 05/01/2015
EIXO OBAMA - FRANCISCO: PRESTIDIGITAÇÃO E CONFUSÃO
Armando Valladares
NOTA DO EDITOR DO SITE
Armando Valladares é um escritor cubano que cumpriu 22 anos de prisão (1960 a 1982) sob a ditadura de Fidel Castro. Após muitas greves de fome que o deixaram em cadeira de rodas, conseguiu ir para os Estados Unidos cujo governo o designou embaixador junto à Comissão de Direitos Humanos da ONU (1988 a 1990). Em recente artigo, que pode ser lido aqui, em espanhol, ele fez a observação transcrita a seguir, que considero especialmente relevante e, por isso, traduzi para o português. Diz ele:
"(...) Poucos analistas assinalam o aspecto mais grave e trágico deste acordo: a responsabilidade que cabe a seu artífice e mediador mais eminente, o pontífice Francisco. No dia 17 de dezembro pp, o próprio dia do anúncio de restabelecimento de relações diplomáticas, Francisco, junto com a reafirmação de seu papel mediador, saudou a libertação de "alguns presos", sem sequer insinuar que em Cuba o sistema comunista mantém subjugados não a "alguns" senão que a 12 milhões de cubanos. É sumamente doloroso dizê-lo, mas a bota com a qual Castro continua pisoteando meus irmãos da ilha tem, agora, um altíssimo aval".
- 26/11/2014
No fundo, a motivação não será, mais uma vez, grana, fundo de reparação e honorários? E a conta vem para a sociedade.
OAB CRIA COMISSÃO DA VERDADE DA ESCRAVIDÃO NEGRA NO BRASIL
Brasília – “Somos um só Brasil. Queremos uma nação de iguais. O fim do racismo e do preconceito, não admitindo a intolerância e a discriminação, são fundamentais para a construção de uma sociedade justa, solidária e fraterna”, afirmou nesta segunda-feira (3) o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, durante a sessão plenária que aprovou a criação da Comissão Nacional da Verdade da Escravidão Negra no Brasil. Também foi aprovado novembro como mês da consciência negra para a advocacia.
A comissão terá como funções o resgate histórico desse período, a aferição de responsabilidades e a demonstração da importância das ações de afirmação como meio de reparação à população negra. O plenário da OAB aprovou também o encaminhamento de sugestão do governo federal para que crie comissão semelhante, para atuar nos moldes do que faz hoje em dia o grupo que apura os crimes cometidos durante a ditadura militar.
Marcus Vinicius apresentou números que mostram a inserção da população negra na advocacia. “Nos últimos dois anos, 39 mil advogados negros adentraram os quadros da Ordem. Somos uma categoria representada por um contingente importante numericamente e de qualidade de profissionais negros, que ajudam a construir a advocacia do nosso país”, disse.
“Através desse ato estamos fazendo história não somente na OAB e na advocacia, mas na sociedade deste país, inaugurando e alicerçando a criação da Comissão da Verdade contra todos os crimes praticados com preconceito racial. Todos esses crimes devem ser apurados com mais rigor”, afirmou Cícero Bordalo Jr., presidente da Comissão Nacional da Promoção da Igualdade.
Vice-presidente da Comissão Nacional da Promoção da Igualdade e também da nova comissão, Humberto Adami afirmou que a OAB entra para a história com a criação da comissão sobre escravidão. “Estamos fazendo história hoje. A criação dessa comissão é um importante passo dentro de uma grande história. Buscar saber o que aconteceu colocará o Brasil de frente para si mesmo, onde hoje existem cidadãos de duas categorias”, afirmou Adami, que defendeu também a criação de um fundo de reparação no contexto da comissão que apurará a escravidão.
O conselheiro federal César Augusto Moreno (PR) foi o relator do processo de alteração de provimento para a criação da nova Comissão e afirmou que “a OAB está junta para criar um país mais justo e igualitário”. “Precisamos identificar e expor os fatos da escravidão para que a sociedade se livre das sombras do passado e possa ser reparado. Desta forma, esperamos que a sociedade possa se congraçar em um estilo de vida multirracial, com reflexão sobre o passado, as conquistas, a inserção e o papel do negro na nossa história”, concluiu em seu voto.
A votação que criou a Comissão da Verdade da Escravidão no Brasil foi acompanhada por representantes de diversas entidades da sociedade civil que lutam pelos direitos da população negra e quilombola.
http://www.oab.org.br/noticia/27772/
- 15/10/2014
O ESTADO ISLÂMICO QUER ROMA E CONSTANTINOPLA
A organização jihadista, em sua revista oficial Dabiq, desfralda a insígnia negra sobre São Pedro e afirma: "Conquistaremos Roma, quebraremos suas cruzes e escravizaremos suas mulheres, com a permissão de Alá, o Exaltado. Essa é sua promessa para nós".
Na quarta edição de Dabiq, publicada para recrutar combatentes de todos os rincões do mundo, a organização terrorista afirmou que os ataques da coalizão liderada pelos Estados Unidos constituem uma "cruzada falida" e que eventualmente a derrotarão.
"Se crerem, conquistarão Roma e serão donos do mundo, se Ala o permitir" expressou em certa ocasião Abo Bakr al-Baghdadi, líder e califa do Estado Islâmico.
Ademais, no artigo "O regresso da escravidão antes da Hora" o ISIS confirma e justifica a escravização de milhares de mulheres e crianças yazidis (minoria pré-islâmica, predominantemente curda), afirmando que "foram divididos conforme a Sharia entre os combatentes do Estado Islâmico".
A revista também informa como o grupo crê que será sua vitória final: o ISIS e os romanos (termo que os jihadistas usam para denominar a Civilização Ocidental) chegarão a uma trégua quando se defrontarem com um inimigo comum, mas que o Ocidente a romperá assassinando um muçulmano. Isso determinará uma batalha antes da aparição do Messias e o Anticristo e finalizará com a conquista de Constantinopla e Roma.
Dabiq, cujo nome provém de uma região no norte da Síria, é publicada em vários idiomas para, assim, chegar a influenciar o maior número possível de pessoas, e se crê que tenha sido instrumento para conseguir a incorporação ao conflito de mais de 12 mil terroristas de 74 nacionalidades diferentes.
Fonte: Infobae.com (cópia pdf da publicação, em inglês, pode ser lida em http://www.infobae.com/2014/10/12/1601307-otra-provocacion-del-isis-el-grupo-terrorista-promete-izar-su-bandera-el-vaticano
- 24/08/2014
O HOMEM É UM SER FAMILIAR
Percival Puggina
“O homem é essencialmente um ser social; com maior razão, pode-se dizer que é um ser familiar.” (João Paulo II)
Pediram-me, outro dia, que discorresse sobre o tema “Como podem os pais influenciar positivamente seus filhos”. Embora a receita seja a mesma de sempre - amor, diálogo, atenção, amizade, zelo e exemplo - há que reconhecer que os resultados podem ser insuficientes pois o conjunto das outras influências a que os adolescentes estão sujeitos envolve, supera e muitas vezes destrói os melhores influxos familiares. Só uma ação conjunta de pais, escolas, autoridades, Igrejas e meios de comunicação social pode reverter a situação.
A que influências nocivas me refiro? Refiro-me às novelas de TV (que jamais valorizam qualquer coisa que tenha valor), às perniciosas revistas juvenis, às bandas de rock (com a desarmonia que produzem, com o conteúdo das letras que berram e com o modo como se comportam); refiro-me ao fio condutor permissivo de quase toda a publicidade e mensagem voltada aos jovens (firmando, por palavras e exemplos, chavões moralmente insustentáveis, do tipo “livre é quem faz o que quer”, “você quer você pode”, “normal é o que todo mundo faz”, “você é quem sabe o que é bom prá você”, “errando se aprende”); refiro-me à cultura do corpo (e sua animalidade) e à indigência a que é relegada a humanidade do espírito e da mente; refiro-me à impotência das autoridades ante o tráfico de drogas, às noites e suas festas, que absurdamente começam na hora em que deveriam terminar (e ao livre consumo de bebidas alcoólicas por menores).
São adultos os que promovem e se beneficiam dessa ausência de limites e os que perante ela se omitem. Há no inferno lugar para todos.
- 10/08/2014
FELIZ DIA DOS PAIS
Reproduzo trecho de um artigo que escrevi em 1997. Faço como homenagem a todos os pais, neste Dia dos Pais. De modo especial, penso naqueles que, como eu, já não o tem ao alcance do abraço ou do telefone.
Muitas vezes, nos últimos anos, me surpreendo usando a expressão "lá em casa" para me referir àquela habitação, já vazia e triste, porto seguro e generoso de onde parti para o oceano da vida. Outras tantas vezes tenho pensado que “preciso consultar o pai”, no impulso comum de quem sempre contou com o sábio conselho do velho marujo.
É provável que os leitores o conhecessem como figura pública, dezesseis anos deputado, dedicado às questões sociais, simples qual os homens da terra, cujas mãos ásperas e encardidas como raízes, ele apertava com afeto e admiração. E ao mesmo tempo economista estudioso, tão disposto e hábil no debate sério e produtivo quanto avesso às discussões estéreis sempre comuns no cotidiano parlamentar. Outros talvez guardem dele a imagem do cristão convicto, diariamente presente na missa da Igreja Santa Terezinha, que fazia das encíclicas de João XXIII luzeiros de suas idéias e sinuelos de suas ações.
Eu o recordo, principalmente, como pai de muita ação, não muitas palavras, e ao mesmo tempo enciclopédia de vida, dicionário de valores, cuja adesão existencial ao bem educava sem nada precisar dizer, mestre que era na insuperável arte do exemplo. Pai de sete filhos, repartia-se - inteiro em cada lugar - entre a família, a Assembléia e as estradas de barro, pedra e pó.
Nesse dia, leitor amigo, penso de modo especial em você, que também não pode mais abraçar seu pai. A melhor mensagem que lhe posso transmitir foi a que recebi de um fraterno companheiro, via Internet, quando o meu velhinho morreu. “Sem os limites do frágil corpo, sua alma, em liberdade, alçou vôo para muito alto, para a morada do Pai de todos os homens!”
- 19/07/2014
Há alguns anos, referindo-me aos genocídios causados pelos que qualifico como "tarados políticos", afirmei que eles são infinitamente mais nocivos do que os tarados de beco. Ai de quem se torne seu alvo! Alimentados por ódio em estado puro, são capazes de qualquer coisa. Inclusive de disparar um míssil contra uma gigantesca aeronave transcontinental lotada de passageiros.
Não se deve confundir esse tipo de determinação com idealismo, ou, no caso, nacionalismo. É possível, ao ser humano, sacrificar a própria vida por motivos nobres ou por ideal. Muitos o fazem. Fazem-no por fé religiosa, por ideal político, por convicção moral, pelo bem de outros. Muito diferente, contudo, é sacrificar a vida dos outros pelo ideal que se tenha. Nisso não há nobreza alguma. É crime contra a humanidade, a exigir investigação e severíssima condenação.
Julgo conveniente valermo-nos deste terrível exemplo para recuperarmos um conceito no qual muitos escorregam para declives perigosos, louvando tipos como Che Guevara, Stalin, Lênin, Hitler, Prestes, Marighella, entre inúmeros outros tarados políticos.
- 18/07/2014
Segundo o The Gap Report, feito pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, o número de novos casos de infecção cresceu 11% no Brasil entre 2005 e 2013, período durante o qual cerca de 42 mil pessoas contraíram o vírus. Estima-se que três em cada mil brasileiros sejam portadores da doença.
É fácil entender por quê. Infelizmente, no Brasil, quando se fala em prevenção da AIDS e em educação sexual, toda o esforço didático está posto na fisiologia e no preservativo de borracha para evitar gravidez indesejada e contaminação por doenças sexualmente transmissíveis. Nenhuma palavra é dita sobre a enorme responsabilidade inerente ao ato sexual.
Conhecidas as características da AIDS, seria de imaginar que o governo e os meios de comunicação investissem em campanhas visando a combater as causas. Mas não. O que mais se vê é um constante e sedutor estímulo à promiscuidade e ao desregramento, desde a mais imprudente idade. Isso é o mesmo que promover, para segurança no trânsito, uma campanha assim: "Pise fundo no acelerador, mas use cinto de segurança".
“CORPO MOLE” NA ELETROBRAS - 27/01/0202
Leio no Diário do Poder
O presidente demissionário da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, que cobra “envolvimento” do presidente Jair Bolsonaro nas privatizações, não se esforçou para isso.
O Planalto acha que ele dificultou o quanto pôde o processo de privatização da estatal. Não fez o básico: separar o que é considerado “intocável” pela Constituição, como Itaipu e Eletronuclear.
Tampouco vendeu as mais de cem sociedades de propósito específico (SPEs) penduradas na Eletrobrás. Nem precisava convocar assembleia geral. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.
COMENTO
Essa é uma situação muito comum. O espírito de corpo, o corporativismo, é um torniquete aplicado a cada processo de privatização porque os funcionários dessas estatais estão convencidos de que ninguém conseguirá conduzir as atividades da empresa com maior qualidade e tão bom preço.
Só que isso não e bem assim. Primeiro, trata-se de um natural mecanismo de autoproteção, expressão do desejo de manter o monopólio sobre seu posto de trabalho.
Por isso, a cada ato de privatização, obriga-se o governo a manter um plantão com centenas de advogados da AGU para obstaculizar as ações simultâneas que ingressam nas varas federais do país com o intuito de impedir os leilões.
Por outro lado, entre os 39 países que integram um levantamento da OCDE, o Brasil é o que tem sob sua tutela o maior número de estatais nacionais (418)! Se a isso acrescentarmos as empresas públicas estaduais e municipais, o número vai a vários milhares.
Finalmente, o país precisa fazer caixa para sair da crise fiscal a que foi empurrado pela Covid-19 e por determinações imprudentes e inúteis impostas às suas atividades produtivas.
Outros Autores
Cantos de crime e desgraça: a realidade nas entrelinhas das músicas III... - 02/04/2026
Adriano Alves-Marreiros
“– Ah, a música – disse Dumbledore, secando os olhos. – Uma mágica que transcende todas que fazemos aqui!”
J.K. Rowling
Prosseguimos com nossa série de artigos de inspiração na Música. Se nas outras duas elogiei a qualidade da canção, nesta não posso fazer o mesmo, embora seja de um dos maiores compositores de todos os tempos, John Lennon: sim, nosso alvo será aquela que é a vaca sagrada de tantos militantes...
Sem dúvida, algumas das maiores canções de todos os tempos foram feitas por ele e Paul nos Beatles. Canções de amor como Woman e Starting over, já na carreira solo, são encantadoras. Obras primas às dezenas podem ser mencionadas. Mas esta, além de superestimada, tem significados ainda menos disfarçados que as outras.
Vamos então àquela que, junto com postes de led, pombas brancas, desarmamento das pessoas de bem e abraços em lagoas e praças, pode nos propiciar “um mundo melhor” ...
“Imagine”: criando um mundo “melhor”, à imagem e semelhança do que pretenderam muitos ditadores...
“Imagine there´s no heaven” (imagine que não haja o paraíso) é o verso que começa “despretensiosamente” a música que propõe um paraíso segundo a ideologia receita do autor. Ele também nos manda imaginar que não há inferno sob nós (“no hell below us”), o que é mais fácil; pois, criado o mundo ideal de Lennon, o inferno não estará mais sob: mas around us (à nossa volta), como já aconteceu na URSS e em outros lugares em que esse mundo ideal foi tentado seguindo a idéia ou ideologia de alguém. Seria o caso, então, de lembrar e não de imaginar... Mas, para que você não lembre, ele imediatamente quer todas as pessoas vivendo o presente (“living for today”), apenas o presente. Esquecer o passado, ou recontá-lo, é muito importante para o “agente de transformação social” que é alguém como aquele alfaiate da piada atribuída ao Millôr que, vendo que o terno não serve, faz ajustes no cliente...
Ficando mais explícito, ele manda imaginar que não há países (“imagine there's no countries”) passando ao internacionalismo, objetivo de certas ideologias, e afirma que não seria difícil de imaginar isso (“It isn´t hard to do”), desta vez revelando até dons proféticos: quem poderia prever que nações ocidentais de imensa história, alta cultura e tradição, cederiam suas soberanias tão facilmente, deixando-se governar por burocratas não eleitos que, por vezes, impõem por tratados as mesmas regras que aqueles povos rejeitaram em referendos. Quem iria imaginar que até a nação mais poderosa do mundo teria se curvado por quase uma década ao Globalismo[1]. Então, realmente, hoje podemos dizer: “It isn´t hard to do”. Ainda mais se fizerem as pessoas imaginarem que realmente não há nada pelo qual matar ou morrer (“Nothing to kill or die for”) tornando-as fracas e submissas, tolamente pacifistas e esquecendo de episódios em que se lutou e se deu a vida pela Democracia, pela Liberdade, contra o totalitarismo, por princípios e para não deixarem invadir sua pátria (mas se não há países...).
Evidentemente que a religião manteria as pessoas pensando em valores pelos quais valeria a pena viver e morrer e manteria a cultura, que precisa ser destruída para facilitar a vinda da revolução; então, imagine que não (...) há religião, também (“Imagine there´s (...) no religion too”). Com isso, o deus Lenin, digo, Lennon, ou qualquer outro, vai poder impor uma forma boa e pacífica de viver sem conflitos (“Living life in peace”): principalmente sem conflitos com esse deus... Sem que haja religiões para atrapalhar.
A ideologia agora se revela totalmente quando nosso caro John, cuja fortuna ao morrer atingia algumas dezenas de milhões de libras, nos manda imaginar que não existem propriedades (“Imagine no possessions”), desde que não notemos as dele (duplipensar[2]). Essa precisa explicar? Mas sobre o direito à propriedade privada, devo lembrar que é uma das garantias da liberdade e da dignidade da pessoa humana (Leia Mises, Locke e tantos outros). Sem ele, não existe nenhum âmbito em que o governo não mande, mesmo que esse governo se disfarce de outras formas não (tão evidentemente) governamentais... Curiosamente, o autor sugere que a ausência de propriedade levaria à inexistência de fome e ganância (“No need for greed or hunger”). Mas será que você viu mais abundância e fartura nos países que restringiram o direito à propriedade ou nos que o respeitam: indaguem... Impedem as pessoas de saírem de quais? Para quais elas querem ir? Lembro de uma “fraternidade dos homens” (“a brotherhood of men”), por exemplo, que fez milhões morrerem de fome no Holodomor porque acharam que os ucranianos não eram fraternos como eles queriam[3]...
No refrão Lennon profetiza mais uma vez e diz que tem esperança de que um dia você se unirá a sonhadores como ele ( “I hope someday you'll join us”) e realmente o politicamente correto, o domínio da imprensa, da academia, a manipulação da arte fizeram com que muitas pessoas sejam “modinhas”, isto é, seguidoras de toda moda politicamente correta da vez, sentindo-se constrangidas pela Espiral do Silêncio[4] que direciona o que você deve pensar para não se sentir deslocado e que muitas vezes já foi um tema mal visto que foi tornado bem visto e inquestionável por meio da janela de Overton[5] (procure saber mais sobre o assunto: você vai entender muita coisa).
E quando houver modinhas suficientes para que a revolução vença, por meio do Globalismo[6], então “the world will be just one” (o mundo será um só): e você terá a liberdade de fazer aquilo que a oligarquia não eleita determinar... como já anda acontecendo aqui e ali...
O camarada Lenin nos ensinou que […] na guerra dos exércitos, não se pode atingir o objetivo estratégico, que é a destruição do inimigo e a ocupação de seu território, sem ter antes atingido uma série de objetivos táticos, visando a desagregar o inimigo antes de enfrentá-lo em campo aberto.“
Antonio Gramsci
Agora vou ouvir a música... (não, vou não: é chata pra caramba!)
*O autor é fã da música dos Beatles mas imagine se ele iria gostar desta...
[1] “O Globalismo é uma política internacionalista, implantada por burocratas, que vê o mundo inteiro como uma esfera propícia para sua influência política. O objetivo do globalismo é determinar, dirigir e controlar todas as relações entre os cidadãos de vários continentes por meio de intervenções e decretos autoritários.”, trecho do artigo publicado em < https://www.mises.org.br/article/2639/a-diferenca-basica-entre-globalismo-e-globalizacao-economica-um-e-o-oposto-do-outro > Leia mais em outras fontes.
[2] Conceito demonstrado por Orwell na obra 1984.
[3] Ah, mas foi um tirano e não a fraternidade... Sim! E você acha que essas “fraternidades de homens” não vão ser lideradas???
[4] Teoria sobre comunicação formulada por Elizabeth Noelle-Neuman em que“O resultado é um processo em espiral que incita os indivíduos a perceber as mudanças de opinião e a segui-las até que uma opinião se estabelece como atitude prevalecente, enquanto as outras opiniões são rejeitadas ou evitadas por todos, à exceção dos duros de espírito. Nessa teoria o importante são as opiniões dominantes, e estas tendem a se refletir nos meios, a opinião individual passa por um processo de crivo do coletivo para ganhar a força.”. Leia um resumo, contendo os trechos acima em < https://teoriasdacomunicacao2.wordpress.com/teoria-espiral-do-silencio/ > e aprofunde-se mais em outras fontes.
[5] “A Janela de Overton é uma teoria política que descreve como a percepção da opinião pública pode ser mudada de modo que ideias que antes eram consideradas absurdas sejam aceitas a longo prazo”, usando, em geral, 5 etapas: 1) do impensável ao radical 2)do radical ao aceitável 3) do aceitável ao sensato 4) do sensato ao popular 5) do popular ao político. Leia um resumo, contendo a o trecho acima, aqui : < https://amenteemaravilhosa.com.br/janela-de-overton/ > e aprofunde-se em outras fontes.
Ela é uma brasa, mora?... - 26/03/2026
Rubem Sabino Machado
PRA FRENTE, BRASIL!!!
Não sei por que, justamente esta semana, lembrei daquela que, de fato, “é uma brasa, mora?!”: sabem de quem eu falo, né? Claro, da Jovem Guarda! Pensaram que eu iria falar de futebol?! Nada a ver! Prossigo falando de música, que tem uma memória afetiva ainda maior que o Escrete Nacional!
Que lembranças, que vozes! Ah, aquela franja da Wanderléa e de outros brotinhos, em um tempo de alegria, muito antes da Rivotril. Em um tempo em que o carro é que era vermelho, fosse Cadillac ou calhambeque e em que eu não usava “espelho pra me pentear”, mesmo tendo muito mais cabelo que hoje... Um tempo em que mandar tudo pro inferno era força de expressão, não uma intenção satânica.
O programa não chegou a ver o Tricampeonato da Seleção, durou só 3 anos, mas seus participantes viram e se imortalizaram em nossas memórias, também nas décadas seguintes, especialmente seu Rei: se o futebol tinha um Rei, que reinava absoluto, a Jovem guarda tinha o seu. Nenhum dos dois jamais seria deixado de lado: ainda que um 22 ou outro quisesse afastá-los questionando sua visão, ninguém seria tantã de fazer um programa ou uma Copa sem eles...
Um tempo em que, pasmem, o 13 era sorte, até nas sextas-feiras: o 13 do Zagallo. “Zagallo eterno” e “Brasil campeão” tinham 13 letras, como o número favorito do jogador que venceu duas copas e que, como treinador, o adotou, vencendo mais duas Copas na comissão técnica: o único tetracampeão mundial, saudoso Lobo!
“80 milhões em ação, pra frente BRASIL, salve a Seleção.” Dizia a canção que não era da Jovem Guarda, mas que até poderíamos dizer – mas nunca dissemos – que “era uma brasa, mora?!”, gíria que podemos usar até hoje, mas que nunca alterou o jeito de chamarmos nosso time nacional: Seleção, Brasil, Escrete (não Scratch,) Canarinho (não Canary). “Pra frente, Brasil! Salve a Seleção”: “Brasil, Brasil, Brasil”, se recuarmos mais, para Lamartine em 1950, ano da tragédia do Maracanaço... Nem como adjetivo, essa gíria famosa, eu vi alguém usar sobre a Seleção. Era mais sobre os brotinhos de então...
Mas voltemos à Jovem Guarda: estamos em um tempo em que o saudosismo se impõe não pela nostalgia, mas pela qualidade. Como não pensar, com o que temos visto ultimamente, em versos como “Pobre menina, não tem ninguém”, “Por favor, pare agora!!! Senhor Juiz, pare, agora”! Ou, diante de um mundo cada vez pior: “Estou guardando o que há de bom em mim”! Tempo em que havia mais biquinis de bolinha amarelinha e menos camisões escuros. Como esquecer de Roberto e de seu amigo Erasmo, de Celly Campelo, de Leno e Lilian, Os Vips, Martinha, Jerry Adriani?!...
Hoje, só posso ter saudade de um tempo de boa música em que, a cada dia, surgiam mais belas canções... Tempo em que, em cada show ou jogo, um Rei dava show. Que saudade! “E por falar em saudade, onde anda você?” dizia a bela canção que não era da Jovem Guarda, que essa sim era uma brasa, enquanto nosso Escrete sempre foi o Brasil! Salve a Seleção!!!
Ao recordar,
eu não acredito,
que sofrendo assim,
eu vá viver,
você se foi...
(Leno e Lilian)
* O autor, Rubem Sabino Machado, é cronista fictício e dizem que é uma Brasa, mora?! PRA FRENTE, BRASIL!!!
In God we trust!
Seja um ativo comunicador - 19/03/2026
Gilberto Simões Pires
ENTUPIR AS REDES SOCIAIS
Mais do que nunca se faz necessário e imperioso ENTUPIR as -REDES SOCIAIS- com notícias e comentários sobre as -BILIONÁRIAS FRAUDES DE TODOS OS TIPOS E TAMANHOS, ROMBOS HOMÉRICOS NAS CONTAS E NAS EMPRESAS ESTATAIS, AUMENTO INDISCRIMINADO DE IMPOSTOS, AUMENTO EXTRAORDINÁRIO DA DÍVIDA PÚBLICA, RECORDE DE INADIMPLÊNCIA DA POPULAÇÃO (81,2 milhões de brasileiros, segundo a Serasa Experian) e ALTÍSSIMO NÍVEL DE CORRUPÇÃO jamais vistos no nosso planeta, ASSALTO AOS APOSENTADOS DO INSS, etc...
ESCANDALIZAR
Antes de tudo, a considerar o FATO de que grande parcela da MÍDIA BRASILEIRA é agraciada com POLPUDAS VERBAS DE PUBLICIDADE GOVERNAMENTAL, com o CLARO COMPROMISSO de RELATIVIZAR e/ou -ESCONDER AO MÁXIMO- O ENVOLVIMENTO DO GOVERNO NAS MAIS DIVERSAS SAFADEZAS, o que nos resta, além de ir às ruas para PROTESTAR, é SISTEMATICAMENTE ESCANDALIZAR -NAS REDES SOCIAIS- tudo aquilo que a olhos e mentes nus está destruindo o nosso empobrecido país.
EXAGEROS
Ainda que algumas postagens até contenham alguns exageros, há que se admitir que a CAUSA desse comportamento fica muito por conta da INDIGNAÇÃO com a INÉRCIA das -NOJENTAS AUTORIDADES- que -ao invés de cumprir a Constituição- decidem ao seu bel prazer. Mais: não raro promovem PERSEGUIÇÕES E/OU PRISÕES daqueles que ousam -democraticamente- EXIGIR apenas e tão somente o ESTRITO CUMPRIMENTO DA LEI.
COMUNICADOR ATIVO
Portanto, antes que algum leitor ache por bem -RELAXAR e/ou TERCEIRIZAR- a IMPORTANTE TAREFA de mostrar constantemente o tamanho da sua INDIGNAÇÃO sobre a TEIA DE ESCÂNDALOS que envolve o nosso empobrecido Brasil, agora, mais do que nunca, se faz necessário que ATUE COMO -COMUNICADOR ATIVO-, expondo não apenas os CRIMES E DESMANDOS COMETIDOS como os EFETIVOS PREJUÍZOS QUE CAUSAM À SOCIEDADE. Esse tipo de ATITUDE é FUNDAMENTAL para levar muitos -eleitores desavisados- a votar em políticos -decentes- nas ELEIÇÕES DE 2026.
Fracasso em samba e verso - 19/02/2026
Gilberto Simões Pires
MODO PETISTA DE GOVERNAR
Mais do que sabido, a partir de 2003, quando LULA foi eleito pela primeira vez para comandar o Poder Executivo do Brasil, em muito pouco tempo o mundo todo percebeu, compreendeu e comprovou que o -MODO PETISTA DE GOVERNAR- sempre teve como -FOCO PRINCIPAL E SECUNDÁRIO-a PRODUÇÃO DE MAZELAS do tipo que misturam, em doses cavalares, ALTA CORRUPÇÃO, MÁ ADMINISTRAÇÃO, INCOMPETÊNCIA, INFORTÚNIOS, ROMBOS NAS CONTAS PÚBLICAS etc., com reflexos SOCIAIS ECONÔMICOS INCALCULÁVEIS.
PROSPERIDADE PETISTA
Em meio ao processo de convencimento -palpável, paulatino e inequívoco- do quanto o MODO PETISTA DE GOVERNAR tem sério compromisso com a DESTRUIÇÃO, A CORRUPÇÃO E A ROUBALHEIRA, muita gente, com cara de espanto, acabou por descobrir, enfim, que a PROSPERIDADE, sob a ótica dos PETISTAS, tem -COMPROMISSO ETERNO COM O INSUCESSO-, ou seja, com a OBTENÇÃO DE RESULTADOS TRÁGICOS E/OU INSUSTENTÁVEIS A MÉDIO E LONGO PRAZO.
FRACASSO EM SAMBA E VERSO
Ainda assim, partindo do princípio de que -TUDO TEM LIMITE-, nem mesmo os mais resistentes, do tipo que apoiam o FUNESTO IDEÁRIO PETISTA, imaginavam que o -MODO PETISTA DE GOVERNAR-, acabaria, por óbvio, levando - A ESCOLA DE SAMBA - ACADÊMICOS DE NITERÓI- ao inevitável -REBAIXAMENTO PARA O GRUPO DE ACESSO-. Como se vê, tudo que LULA e o PT tocam, se envolvem, participam e elegem, resultam sempre em estrondosos FRACASSOS. Vide, por exemplo, as ESTATAIS, que ano após ano acumulam prejuízos cada vez maiores.
O POVO É O GRANDE FRACASSADO
Pois, para deixar bem claro que, NA REAL, o maior FRACASSADO É O POVO BRASILEIRO, pois a Escola de Samba ACADÊMICOS DE NITERÓI recebeu R$ 9,6 MILHÕES EM VERBA PÚBLICA (DINHEIRO DOS PAGADORES DE IMPOSTOS) para realizar seu desfile. Os pagamentos vieram da PREFEITURA DE NITERÓI, DO GOVERNO DO ESTADO DO RJ, DO GOVERNO FEDERAL, POR MEIO DA EMBRATUR, E DA PREFEITURA DO RJ, VIA RIOTUR. Mais: o governo federal, leia-se LULA e JANJA, se envolveu diretamente com o desfile.
Os construtores da realidade - 06/02/2026
Alex Pipkin, PhD
Toda sociedade é, em silêncio, organizada por uma escolha vital. Ouve-se os que descrevem o mundo ou se confia naqueles que o sustentam.
De um lado estão os engenheiros do discurso, mestres da interpretação, hábeis em nomear injustiças, rápidos em distribuir responsabilidades e sempre prontos a oferecer soluções cuja execução quase nunca repousará sobre seus próprios ombros. Do outro estão os construtores da realidade, menos visíveis, porém indispensáveis. São os homens e mulheres que assumem riscos concretos para que a vida coletiva continue a avançar factualmente.
A distância entre esses dois grupos não é somente ideológica, é uma distância de experiência concreta.
Os que mais falam em defesa dos trabalhadores quase nunca carregaram a responsabilidade de garantir o trabalho de alguém. Nunca olharam uma folha de pagamento como quem encara um compromisso moral inadiável. Nunca atravessaram a noite revendo cálculos para assegurar que, ao amanhecer, uma empresa permaneceria aberta.
Existe uma verdade simples, incômoda e pragmática: é impossível proteger aquilo que você nunca teve de sustentar.
Forjados, em grande medida, em estruturas protegidas, tais como sindicatos, aparelhos partidários, burocracias estáveis, muitos intérpretes “progressistas” da economia acostumaram-se a enxergar o setor produtivo como uma abstração resistente, sempre capaz de absorver mais encargos, mais regulações, mais intervenções.
Mas empresas não são abstrações. São organismos vivos mantidos por um equilíbrio exigente, onde decisões mal calibradas não apenas comprimem resultados. Essas suspendem contratações, estreitam horizontes e, por vezes, eliminam futuros antes mesmo que tenham a chance de começar.
Gerar riqueza está entre as tarefas mais difíceis da experiência humana. Não é um exercício de linguagem, mas um pacto permanente com a realidade.
Só compreende uma economia viva quem já decidiu antes da certeza, quem já contratou antes do conforto, quem já avançou quando recuar parecia mais sensato. São aqueles que, de fato, correm riscos, arriscando a própria pele.
Empreender é aceitar viver sem corrimão.
Talvez por isso seja tão fácil falar em opressão e desigualdade. Mas o difícil é compreender a arquitetura do progresso. O progresso raramente faz barulho. Ele se ergue no silêncio das responsabilidades assumidas por aqueles que entenderam que prosperidade não se anuncia, constrói-se.
Convém lembrar uma verdade antiga, frequentemente ignorada nessa “res pública” verde-amarela. A maior política social já concebida chama-se crescimento econômico. Quando ele é vigoroso, o trabalho deixa de ser escasso, a renda ganha densidade e a autonomia deixa de ser promessa para se tornar destino.
Nenhum discurso produz esse fenômeno.
O risco começa quando aqueles sem intimidade com o mundo produtivo passam a desenhar os limites de quem o sustenta. Ao tentar proteger, sufocam. Ao buscar justiça imediata, comprometem o amanhã. Penaliza-se o risco. Suspeita-se do lucro, como se prosperar fosse uma falha moral, e não a evidência de que algo valioso foi criado.
Instala-se, então, um dos paradoxos mais destrutivos de uma economia, passando-se a “defender” o trabalhador enquanto se estreita o espaço para que o trabalho exista.
No fundo, há apenas duas maneiras de encarar a prosperidade. A primeira acredita na força organizadora das palavras, da retórica bom-mocista. A segunda confia na coragem de quem constrói mesmo quando o terreno ainda é incerto e repleto de riscos.
Sociedades não começam a empobrecer quando lhes faltam recursos.
Começam a empobrecer quando passam a ouvir mais os intérpretes do mundo do que aqueles que aceitam o risco de carregá-lo.
Porque economias não avançam pela eloquência.
Avançam pela coragem, a de sustentá-las, de carregá-las quando o peso aumenta, de cair e se levantar sempre que a realidade cobra seu preço.
Toda a vez que o discurso tenta substituir a experiência, não é apenas o crescimento que perde força.
Não, é a própria liberdade de prosperar que, quase sempre em silêncio, começa a ficar lejos atrás.
Ao cabo, a pergunta que permanece é singela: você quer apenas explicar o mundo, ou ter a coragem de sustentá-lo?
A hipnose do lulopetismo - 31/01/2026
Alex Pipkin, PhD
Eu não sou cinéfilo. Não estudo cinema, não escrevo sobre enquadramentos nem faço reverência a teorias narrativas. Quem me lê, porém, sabe: eu amo o cinema. Amo porque, quando acerta, ele funciona como um espelho moral, desses que deformam o rosto para revelar o caráter. A arte serve para dizer verdades que a vida real prefere esconder atrás de discursos moralmente edificantes e consagrados pelo aplauso social automático.
O cinema sempre foi válvula de escape e laboratório social. Talvez por isso, em tempos de delírio coletivo, a ficção tenha começado a parecer menos imaginação e mais ensaio geral. Há filmes que envelhecem mal; outros envelhecem rápido demais. O Amor é Cego pertence à segunda categoria porque se transformou num diagnóstico exato da realidade vermelho-verde-amarela de 2026.
À primeira vista, é uma comédia romântica leve. Jack Black interpreta um sujeito raso, obcecado por padrões estéticos que jamais alcança. Então surge o guru — sempre surge — oferecendo iluminação instantânea. O truque é singelo. O protagonista passa a enxergar apenas a “beleza interior”. O efeito é cômico. Ele se apaixona por uma mulher que, no mundo real, não corresponde ao ideal que ele dizia cultuar. Para ele, porém, ela é perfeita. Não porque ela mudou, mas porque a realidade foi suspensa.
A genialidade do filme está aí. Não se trata de aprender a ver melhor, mas de aprender a não ver. A hipnose não cria virtude; cria cegueira. Mas quando a cegueira deixa de ser acidente e se transforma em estratégia, ela abandona a ingenuidade e se converte num projeto evidente de poder.
É preciso chamar as coisas pelo nome. Desde Karl Marx, o grande formulador da ideologia do fracasso, a moral é tratada como um incômodo descartável. Para ele, ética é superestrutura: um artifício criado para legitimar relações econômicas. Não existe bem ou mal em si; existe o projeto. Os meios são irrelevantes, desde que o fim seja proclamado como justo. A corrupção, nesse esquema mental, não é um problema moral, é apenas uma ferramenta. Se serve ao projeto, absolve-se. Se escandaliza, relativiza-se. A moral não limita o poder; ela é sacrificada em nome dele.
Por isso o filme é atualíssimo. Basta olhar ao redor para enxergar uma sociedade submetida ao mesmo transe. Não por um guru excêntrico num elevador, mas por uma ideologia inteira que promete redenção enquanto suspende qualquer critério de realidade.
O resultado é a obscenidade normalizada. Ou não? Aposentados roubados no INSS tratados como “falhas técnicas”, Correios afundados sem culpados, escândalos financeiros como no caso Master escancarados recebidos com indiferença moral. A corrupção deixou de se esconder; perdeu o pudor e ganhou, como sempre, narrativas.
O mais espantoso não é a existência do encantador de burros — toda época produz o seu. O espantoso é a multidão disposta a manter os olhos fechados mesmo depois de revelado o velho novo truque.
Enxergar exige responsabilidade, a de admissão do engano. Impõe o “acordar-se”.
Bem, talvez algo esteja mudando. Pesquisa recente indica um dado incômodo para o “hipnotizador de burros”. Até parte dos sustentados pelo assistencialismo tupiniquim começa a rejeitar o encanto. Não é lucidez plena, mas já é um espasmo de consciência no país hipnotizado pela farsa lulopetista.
No filme, a hipnose acaba. Na vida real, ela costuma durar mais, porque rende cargos, discursos, dinheiro sujo, e a confortável cumplicidade dos que fingem não ver. Nenhuma ilusão, porém, resiste eternamente à realidade. Quando o transe se desfaz, o encantador desaparece, o truque fica evidente e sobra apenas o essencial.
Oxalá o país comece a se olhar no espelho e se pergunte, sem anestesia, como aceitou chamar cegueira de virtude, e farsa e ruína de “governo do povo”.
Ditaduras temem a normalidade - 15/01/2026
Alex Pipkin, PhD
Seguramente, há um momento histórico em que a neutralidade deixa de ser prudência e se transforma em uma triste cumplicidade deliberada.
O Irã chegou a esse ponto. Parte do mundo escolheu fingir que não. Sob o pretexto da complexidade internacional, constrói-se uma postura supostamente equilibrada que, na prática, apenas preserva conveniências.
Não é ignorância. É, a meu juízo, uma escolha perversa. A decisão consciente de suspender a empatia quando as vítimas atrapalham a narrativa dominante. Um conforto moral sustentado por uma estética de análise “responsável”, que relativiza a violência quando ela é praticada pelos aliados certos. Claro, os amigos, os meus amigos, os amigos dos meus amigos.
O colapso do regime iraniano não é apenas econômico, embora seja devastador nesse plano. A moeda foi pulverizada, a inflação corroeu a vida cotidiana, a promessa material virou uma genuína ruína.
Mas ditaduras não caem por estatísticas. Caem quando a sociedade percebe que foi submetida a uma fraude moral longa e cuidadosamente ensinada, quando a pobreza é transformada em consciência política, quando o empobrecimento é elevado à condição de virtude, quando a submissão é apresentada como mérito cívico. Nesse instante, o Estado deixa de parecer um norte e passa a ser reconhecido pelo que sempre foi nesses regimes que se dizem “do povo e emancipadores”. Verdadeiramente, não um opressor eventual, mas um predador estrutural, organizado para extrair obediência, recursos e silêncio em nome de uma causa que jamais pertenceu ao povo.
O que emerge nas ruas do Irã é perigoso para qualquer tirania porque é simples e transversal. Mulheres, trabalhadores, comerciantes, jovens e minorias não pedem concessões marginais; rejeitam o arranjo inteiro.
O discurso religioso, antes escudo simbólico, perdeu sua capacidade de sedução. Em seu lugar surge um nacionalismo cívico, desprovido de messianismo, que pede pouco. E é exatamente por isso que assusta tanto, já que o povo somente deseja uma vida normal. Não heroísmo, não martírio, não destino histórico. Apenas normalidade. Regimes sustentados pelo medo não sobrevivem à normalidade.
A própria arquitetura do poder racha. O Irã se revela menos como teocracia e mais como um Estado-mafioso, capturado por elites armadas, com a economia militarizada e a corrupção convertida em forma de governo. Quando o clero moderado se afasta e a classe média urbana rompe, quando o isolamento externo se aprofunda e antigos protetores enfraquecem, a queda deixa de ser hipótese e passa a ser processo.
É aqui que o Irã deixa de ser um drama distante e se transforma em espelho incômodo para o Brasil. Também aqui, quando o povo ousa ocupar o espaço público, a resposta automática do sistema é a da narrativa da desqualificação. Como se lê, escuta-se e se vê: “golpe”, “ameaça”, “radicalismo”.
A grande pequena imprensa simula isenção enquanto protege arranjos, relativiza abusos e administra o silêncio como se fosse uma qualidade moral.
O Brasil lulopetista, alinhado a esse eixo de regimes decadentes, protege o amigo do amigo, chama complacência de diplomacia e confunde interesse de facção com política de Estado. Escárnio.
Mas há um teste moral elementar que separa princípios de retórica vazia.
Se você afirma defender direitos humanos, mas não consegue expressar solidariedade a quem arrisca a própria vida por liberdade no Irã, você já se revelou. Não, isso não é prudência nem pacifismo! É, objetivamente, seletividade moral.
O povo iraniano faz lembrar ao mundo que nenhum sistema erguido sobre sectarismo — religioso ou ideológico — é eterno.
A pergunta derradeira é simples e incômoda: quem terá coragem de aprender antes que a normalidade também nos seja “totalmente negada”?
O fetiche muda, o fracasso não - 07/01/2026
Alex Pipkin, PhD
Ontem à noite fui convidado para um debate na televisão. O tema era a captura de Nicolás Maduro.
Ao chegar ao estúdio e observar a mesa, tive aquela intuição que só a experiência concede. Sim, eu teria de me controlar. Duas professoras de Direito de universidade pública. Ali já estava tudo dado. Não encontrei juristas interessadas na realidade, mas militantes togadas dos chamados direitos humanos, esse moralismo seletivo que costuma absolver tiranos e condenar fatos.
Essas figuras, tristemente, não raciocinam; reproduzem. Não elaboram; propagam. Funcionam como caixas de ressonância de uma fé antiga, impermeável à evidência. A dissonância cognitiva, nesse ambiente, não é acidente psicológico, é método conhecido. Quando a realidade ameaça a crença, elimina-se a realidade.
A luta marxista não morreu. Apenas trocou de endereço. Abandonou a economia — onde fracassou de forma constrangedora — e se refugiou na linguagem, nos campi e nos tribunais morais. Vive de abstrações porque os números a desmentem. Já não explica como gerar riqueza; limita-se a demonizar quem a produz. Já não promete prosperidade; oferece redenção simbólica. O concreto a constrange. O abstrato a protege.
Durante anos, o grande fetiche foi a terra da arepa. Não por virtude institucional, inteligência produtiva ou sofisticação econômica, mas por um detalhe vulgar, ou seja, o preço do petróleo. Enquanto o dinheiro escorria, a incompetência parecia política pública, o autoritarismo parecia coragem e a corrosão das instituições era vendida como ousadia histórica. Bastou o ciclo das commodities virar para que a fantasia perdesse sustentação. Não havia economia; havia apenas renda circunstancial.
O desfecho foi mais do que óbvio. Moeda triturada, produção inexistente, inflação obscena, repressão crescente e um êxodo humano que desmoraliza qualquer discurso humanista. Um humanismo de fachada, feito para holofotes, aplausos fáceis e a satisfação narcísica da turma do pertencimento.
Economias centralizadas prometem justiça e entregam escassez; prometem igualdade e produzem castas; prometem libertação e terminam em coerção e miséria. Ainda assim, a esquerda trata cada colapso como desvio de rota. Nunca como destino. Nunca como padrão. Não são acidentes, apenas um encadeamento lógico de falhas previsíveis.
Como todo fetiche apodrece rápido, é preciso trocá-lo. Não por revisão intelectual, mas por cansaço estético. A ideia fracassa, a fé sobrevive, apenas muda o objeto da devoção.
O erro jamais é o modelo; é sempre a execução. Ou o embargo. Ou o imperialismo. Ou a realidade, esse detalhe incômodo.
Foi então que uma das doutoras, com a serenidade típica da ignorância convicta, acusou Israel de genocídio. Nesse instante, pedi permissão a mim mesmo para dizer o que precisava ser dito. Não por provocação, mas por obrigação intelectual e moral. A palavra criada para nomear a tentativa de exterminar os judeus transformada em panfleto por quem relativiza terroristas, ignora escudos humanos e banaliza o horror. Não é confusão conceitual. É degradação deliberada da linguagem.
Há ainda o ponto mais constrangedor: a defesa intransigente de tiranos quando estão do “lado certo”. Ditaduras são relativizadas, perseguições são silenciadas, a fome é contextualizada. O critério não é moral; é ideológico.
Hoje, pensar exige autorização moral. Questionar se transformou em suspeita. Os fatos, quando atrapalham a narrativa, são tratados como falhas de caráter, não da tese, mas de quem a enuncia.
Nelson Rodrigues tinha razão — com um ajuste. O mundo não é dominado apenas por idiotas, mas por idiotas úteis. Essa gente de argila, moldável, manobrada por utopias que nunca produzem pão, apenas slogans. Hoje, eles têm diplomas, cátedras e microfones.
Pois saibam que títulos não produzem sabedoria, produzem vaidade.
A sabedoria nasce do confronto honesto com a realidade.
Utopias morrem, mas eles continuam acreditando em Papai Noel.
A realidade, como sempre, sobrevive. E quem me conhece sabe: eu não entro em delírios marxistas. Eles sempre terminam em coerção e miséria.
Espelho meu, diga… - 02/01/2026
Alex Pipkin, PhD
Sou um opinador compulsivo. Escrevo sistematicamente contra a ideologia do fracasso, contra as falácias do coletivismo e contra a hipocrisia de políticas públicas supostamente bem-intencionadas, mas estruturalmente hostis à lógica econômica, à experiência histórica e à responsabilidade individual. Não por gosto da provocação, mas por recusa ao autoengano.
O Brasil acostumou-se a chamar vícios de virtudes e a desvirtuar valores morais civilizacionais como a coragem, a generosidade, a excelência, a integridade e a fé, preservando o discurso enquanto dissolve o essencial conteúdo.
Todo mundo conhece as práticas corruptas do PT. Nada do que se diga hoje surpreende quem não escolheu a ingenuidade e/ou o sectarismo ideológico como modo de ser. O retorno à cena do crime não foi acidente, foi decisão respaldada por milhões. Ainda assim, seria desonesto fingir que esse mal se esgota num partido, num líder ou num governo. Ele é mais profundo, atravessa discursos, sobrevive a alternâncias de poder e se instala na mentalidade do “dar-se bem”, visível na banalização da ética quando se aceita, sem constrangimento, que alguém “rouba, mas faz”, como se eficiência absolvesse a corrupção e resultados redimissem a ausência de caráter.
A corrupção que se vê em Brasília não nasce no poder, ela sobe até ele. O Estado não cria nada que a sociedade já não pratique em escala doméstica, apenas amplia, organiza e legitima.
Basta olhar ao redor, nas relações de trabalho, nos vínculos sociais, nas conversas privadas, para encontrar quem afirme com convicção que “todo mundo faz”, ou quem, de forma mais discreta, pense e pratique o “dar-se bem”. Se dá para levar vantagem, leva-se. Se não, condena-se. O governo que se serve do povo é a versão institucional da mesma lógica que rege o cotidiano, a esperteza celebrada, o atalho moral justificado, o silêncio cúmplice diante do privilégio quando ele parece conveniente.
O brasileiro não odeia a corrupção, odeia não participar dela. A indignação seletiva costuma esconder ressentimento, não virtude. O problema raramente é o roubo, é a exclusividade.
Critica-se o político não por violar a regra, mas por ter chegado antes ao lugar onde muitos gostariam de estar. A Lei de Gérson deixou de ser desvio para se tornar pedagogia moral, confundida com inteligência prática.
O PT não inventou isso, apenas compreendeu. Compreendeu que o ressentimento mobiliza mais do que princípios, que a inveja rende mais votos do que a responsabilidade, que prometer proteção contra o mérito é mais eficaz do que exigir esforço. Não governa apesar do povo, governa porque o representa. Como diagnosticou Ortega y Gasset, o homem-massa abdica da exigência de si mesmo e passa a exigir que o mundo se curve às suas limitações.
Quando a lei se torna negociável, quando a regra varia conforme o réu, a causa ou o alinhamento ideológico, não existe mais lei, existe conveniência. Onde a norma perde a universalidade, a moral vira ornamento. O governo ensina sempre, relativiza a verdade, escolhe aliados, transforma privilégios em virtudes e naturaliza a ideia de viver do esforço alheio.
Sejamos francos, basta examinar o Poder Judiciário, um mundo paralelo, quase uma Ilha de Nárnia institucional, cercado de privilégios, benefícios e penduricalhos, todos legais porque o próprio Judiciário molda as regras, mas completamente imorais para quem ainda leva a sério a noção de justiça.
Nada disso é ingenuidade. Como advertia La Boétie, a servidão raramente é imposta, ela é aceita e cultivada. O brasileiro não é apenas vítima de um Estado corrupto, é seu fiador moral, denuncia em público, reproduz em privado e sonha ocupar um lugar confortável dentro do sistema que critica.
A pergunta incômoda não é por que o governo se serve do povo, mas por que o povo tolera e admira quem se serve dele.
Se 2026 pretende marcar alguma inflexão real, ela não virá apenas das urnas. Começa quando o espectador imparcial, esse juiz interno que cada um tenta calar, passa a apitar como despertador moral.
A mudança começa quando o indivíduo decide parar de negociar princípios, mesmo quando ninguém está olhando.
O resto é apenas a alternância de nomes administrando a mesma decadência moral, a corrosão silenciosa do princípio basilar de qualquer país minimamente civilizado, aquele em que trabalhar, produzir e prosperar honestamente não é ingenuidade, mas regra.
A tirania das escolhas fáceis - 26/12/2025
Alex Pipkin, PhD
A maturidade, a experiência, o estudo e os erros acumulados ao longo do tempo me levaram a uma percepção que só o tempo autoriza: há algo profundamente errado na forma como tomamos decisões, como indivíduos, como empresas e como países. Não falo de má-fé. Falo de algo mais sutil e mais perigoso.
Tomamos decisões guiados pelo curto prazo. Eu, você, todos nós. O alívio imediato costuma vencer a construção paciente do que realmente importa. Escolhas fáceis seduzem porque prometem conforto, aprovação e paz momentânea. Escolhas difíceis exigem coragem, renúncia e disposição para suportar desconforto. A perversidade está aí: o que parece sensato hoje quase sempre cobra um preço alto amanhã. E, quando o resultado chega, já não há mais culpados, apenas consequências.
No mundo empresarial, vejo isso todos os dias. Empresas em processo de transição — especialmente aquelas que saem de um modelo familiar para uma gestão mais profissional — sofrem de um mal silencioso; a ausência de discordância real. Executivos concordam com a visão do fundador ou do principal líder não porque estejam convencidos, mas porque discordar custa caro. Questionar o status quo exige caráter, não apenas competência. Assim, decisões ruins seguem intactas, projetos medíocres prosperam e oportunidades reais são ignoradas em nome de uma harmonia aparente.
Sustentabilidade exige foco, renúncia e escolhas difíceis. Não por acaso, em estratégia, talvez o mais importante não seja decidir o que fazer, mas decidir o que não fazer, e sustentar essa decisão ao longo do tempo. Exige dizer não a projetos ruins, a expansões apressadas, a desvios tentadores, mesmo quando parecem racionais no curto prazo. Sustentabilidade não é técnica; é caráter aplicado à gestão.
Menos de 10% das empresas no mundo conseguem sustentar crescimento econômico por uma década. Esse número tende a cair à medida que a tecnologia acelera ciclos, amplia concorrência e reduz margens de erro. Crescer é difícil; crescer de forma sustentável é exceção. E isso só acontece quando a empresa opera em dois planos ao mesmo tempo. No presente, que paga as contas, e no futuro, que está sendo construído agora, com decisões que quase ninguém enxerga e, portanto, aplaude.
No plano governamental, o padrão se repete, em escala maior e com consequências mais graves. Governos populistas, tanto à esquerda — principalmente à esquerda — quanto à direita, prosperam oferecendo alívio imediato a sociedades exaustas. Reformas estruturais são adiadas; decisões impopulares, evitadas; verdades incômodas, substituídas por narrativas confortáveis e por falácias “progressistas”. Governa-se para o agora, não para um futuro promissor e sustentável.
O grande imbróglio está nos incentivos; equivocados e perversos. Ah, como eles importam! É mandatório e urgente estruturar incentivos que priorizem o investimento, a geração de empregos, renda e riqueza, e a mentalidade de um futuro sustentável, pois são esses incentivos que moldarão as escolhas e definirão o caminho para uma prosperidade duradoura.
A política passa a refletir o desespero coletivo. Populações que exigem soluções rápidas acabam sendo atendidas por quem promete o impossível. Não é por acaso, quando as pessoas estão desesperadas, apenas os mentirosos conseguem satisfazê-las. A disciplina fiscal, por exemplo — condição sine qua non de qualquer economia saudável — é sempre empurrada para depois. Mas o “depois” nunca chega.
Há uma confusão perigosa entre atender necessidades e bajular desejos. No mercado, clientes sabem o que sentem, não necessariamente o que resolve seus problemas. Cabe às empresas, com seus recursos, competências e tecnologias, enquadrar essas necessidades em soluções reais, muitas vezes invisíveis ao próprio mercado. Governos deveriam fazer o mesmo: sair da armadilha populista e tomar decisões difíceis hoje para que o bem-estar de amanhã seja possível.
Escolhas fáceis sempre parecerão humanas e sensíveis. Escolhas difíceis quase sempre parecerão duras e impopulares.
Porém, o tempo não se impressiona com intenções, nem mesmo com as mais nobres. Governos já não nascem para construir o futuro, mas para aliviar o presente — e o tempo sempre cobra essa escolha.
Estado de esculhambação - 15/11/2025
Gilberto Simões Pires
MINISTROS PSOLISTAS
A maioria dos ministros da nossa -sinistra- SUPREMA CORTE, com o nítido propósito de DEMONSTRAR o quanto vê como LEGÍTIMO, SIMPÁTICO E NECESSÁRIO dar prosseguimento a toda e qualquer AÇÃO apresentada pela enlouquecida turma do PSOL, achou por bem, na semana passada, RECONHECER a -OMISSÃO DO CONGRESSO NACIONAL- em INSTITUIR -o quanto antes- o estúpido -IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS-.
INEFICIÊNCIA COMPROVADA
Antes de tudo, para que não paire mínima dúvida, a EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL COM O IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS MOSTRA -TIM TIM POR TIM TIM- QUE A GRANDE MAIORIA DOS PAÍSES QUE INSTITUÍRAM A ESTÚPIDA TRIBUTAÇÃO, como ALEMANHA, JAPÃO, ÁUSTRIA, SUÉCIA E FRANÇA, por exemplo, acabou por REVOGÁ-LO OU MODIFICÁ-LO DEVIDO A INEFICIÊNCIAS E À FUGA DE CAPITAIS.
7 VOTOS A 1
Pois, nem mesmo o FATO -mais do que comprovado- de que praticamente todos os países voltaram atrás, tratando de REVOGAR A ESTÚPIDA TRIBUTAÇÃO, consegue fazer com que a maioria dos ministros do STF enterre o pleito do PSOL. Até o momento, para quem não sabe, o placar é de 7 votos a 1 para RECONHECER A OMISSÃO DO LEGISLATIVO.
FUX - O DIVERGENTE
Até agora, pelo que foi divulgado, Luiz Fux foi o único ministro que DIVERGIU dos MINISTROS PSOLISTAS. Como tal CRITICOU OS PARTIDOS POLÍTICOS que “perdem na arena política e vêm procurar a solução no Judiciário”. Com ênfase, DEFENDEU que COMPETE À UNIÃO, E NÃO AO PODER JUDICIÁRIO CRIAR TRIBUTOS. Fux destacou, também, a diferença entre -OMISSÃO E OPÇÃO- e lembrou que o Congresso discute inúmeros projetos na área econômica.
ESTADO DE ESCULHAMBAÇÃO
Já o ministro Flávio Dino, com o claro intuito de se mostrar sempre pronto para atender os pleitos do PSOL e/ou mostrar que o BRASIL VIVE UM PLENO -ESTADO DE EXCEÇÃO-, ou -ESTADO DE ESCULHAMBAÇÃO- fez a seguinte afirmação: - se o Congresso se omitir, aí cabe a nós, STF, criar o IMPOSTO SOBRE GRANDES FORTUNAS. Que tal?
As vítimas do presidente - 29/10/2025
Sílvio Munhoz
Há poucos dias, o primeiro mandatário do Brasil pronunciou a frase infame “traficantes são vítimas dos usuários de drogas”, tão ultrajante ao povo trabalhador e honesto quanto aquela outra que relativizava o furto de celular.
A repercussão, à evidência, foi negativa, gigante. Aliados, com o apoio da ex-imprensa, que vive de passar pano para o personagem, rapidamente saíram em socorro divulgando pedido de desculpas pela “frase infeliz”, mas a história já demonstrou que não há nada de infeliz ou mal entendido, ao contrário, significa exatamente seu pensamento a respeito do crime, de bandidos e das vítimas da criminalidade.
O mundo hoje, porém, não caminha a passos lentos como quando o ritmo era ditado pelo andar dos cavalos, ao contrário, a humanidade hoje galopa velozmente na velocidade da internet e da IA e, poucos dias depois, a frase foi submetida ao escrutínio da realidade.
Na missão de cumprir em torno de 100 mandados de prisão e conter o avanço do Comando Vermelho, conhecida facção narcoterrorista, foi necessária a realização da maior operação policial da história do Rio de Janeiro, envolvendo em torno de 2.500 policiais civis e militares e o Ministério Público.
Para surpresa de quase ninguém, as “vítimas”, ao invés de se submeterem à prisão – afinal, recolhidas ao sistema prisional ficariam livres do assédio e opressão de seus algozes, os usuários -, resolveram reagir...
Pior, para surpresa de ninguém, reagiram fortemente armadas, com fuzis, drones, usados para jogar bombas e granadas, enorme número de barricadas - algumas eletrificadas, outras contendo embaixo granadas para explodir quando fossem retiradas -, inúmeros carros para incendiar no caminho, dificultando a ação da polícia, transformando algumas regiões da cidade em verdadeiro cenário de guerra. São essas as vítimas que, segundo o autor da frase, devem ser tratadas com paz e amor.
Só se surpreendeu com o poderio bélico, a estrutura de barricadas, e o crescimento territorial das facções nos últimos anos quem não leu Guerra à Polícia, no qual, junto com vários outros autores, analisamos os efeitos da ADPF 635 na segurança do Rio de Janeiro. Na minha colaboração para a obra, escrevi:
Com a decisão e enquanto ela viger, o futuro da segurança pública no Rio de Janeiro estará a um passo do caos, pois as ORCRIMs, com a folga, voltarão a se capitalizar, a arregimentar seguidores, a aumentar e melhorar armamentos, a disputar territórios, a separá-los do Estado como já estão fazendo ao colocarem barricadas em praticamente todas as ruas de acesso às comunidades... É a beira do abismo da criação de um Narcoestado...”
A obra é a verdadeira crônica do favorecimento do crime organizado anunciado.
Entretanto, fruto da guerra cultural que vivemos, adivinhem quem os aliados políticos do frasista e a ex-imprensa, ideologicamente comprometida, impressionados com o número de mortos no confronto, culpa? Acertaram? A POLÍCIA, na velha esteira da bandidolatria já tão envelhecida e desgastada. Esquecem que estão cumprindo ordens judiciais, como é mesmo aquela história “ordens judiciais se cumprem”...
Claro que a operação e os policiais receberam vários e escabrosos adjetivos, pois o CONFRONTO, manipulado semanticamente, virou chacina. São, na realidade, heróis brasileiros, que colocam a própria vida em risco para proteger a população honesta e ordeira. Claro, esqueci, para essa mídia só são heróis os que cumprem ordem para prender mulher armada de batom, septuagenária portando bíblia, moradores de rua e vendedores de algodão doce, pois aí estão impedindo o “gópi”...
Quanto aos traficantes, inobstante a resistência governamental, precisam ser, o quanto antes, classificados como terroristas, pois são o maior problema da segurança pública brasileira nos dias atuais.
Com quase 30 anos atuando no combate ao crime, até hoje não sei se rio ou choro quando ouço ou leio alguém dizer que o tráfico não é crime violento e, pior, quando um Juiz utiliza tal argumento para soltar um traficante. Claro que a prática do ato de mercadejar a droga em si não é violento, porém olvidar a violência atrelada ao crime de tráfico é negar fato notório e não enxergar a realidade. O preço de ocultar a realidade costuma ser sangue e lágrimas, e o melhor exemplo disso são as inúmeras varas de júris pelo Brasil afora, cuja grande carga de trabalho é cada vez mais homicídios oriundos do tráfico de drogas.
Nunca esqueçam, traficantes matam: o comprador que não paga; o dono da casa que se nega a ceder a moradia para usarem como ponto de tráfico; o cidadão que, num arroubo de cidadania, ousa denunciá-los; o pai que se nega a entregar a filha, nova e bonita, para “uso” do chefe; os moradores que não obedecem às ordens, como quando determinam, p.ex., “toque de recolher”; a testemunha valente que pensa em depor contra a quadrilha; os suspeitos de serem infiltrados nos seus domínios; membros de outras favelas dominadas que os desafiam ao entrarem em seu território; crianças que afrontam a liderança ao roubarem passarinhos; policiais de folga, quando os identificam; policiais em serviço (nestas duas últimas categorias o matador cresce de importância na organização); o membro que usa a droga ao invés de a vender; o comparsa que não obedece as ordens da chefia; o jornalista investigativo que se infiltra para denunciar a quadrilha etc... etc... etc...
Finalizo, dizendo que as “vítimas do Presidente” não merecem compaixão, mas longa e rigorosa pena. Compaixão e orações merecem as vítimas dos delitos ligados ao nefasto tráfico de drogas. Aproveito para deixar minhas orações pelos valentes policiais que tombaram na operação e meu sincero pesar aos seus familiares. Saibam que eles não morreram em vão, são verdadeiros HERÓIS BRASILEIROS!..
Que Deus tenha piedade de nós!..
O País do Medo - 23/10/2025
Alex Pipkin, PhD
As instituições brasileiras se tornaram fábricas de medo — e, mais do que isso, fábricas emblemáticas da autolocupletação e difusoras da intimidação. O poder e a liderança já não se afirmam pela confiança ou pela competência que inspira e serve de modelo; virtudes essenciais, sobretudo para a geração mais jovem. Historicamente, o poder flertou com o medo; no Brasil atual, ele o faz de forma escancarada e sem pudor. O medo tornou-se o método oficial das lideranças institucionais, que confundem força com coerção e autoridade com intimidação.
A universidade, que deveria ensinar a pensar por meio de várias visões de mundo, transformou-se em laboratório de obediência. O contraditório foi banido — e, de forma estúpida e ideológica, cancelado. Não se pode discordar, muito menos pensar contra o dogma. Não há debate; há apenas a catequese das falácias do coletivismo, do “progressismo” do atraso.
Enquanto isso, a suposta “suprema” corte tornou-se um espetáculo dantesco. O tribunal virou palco de arbitrariedades, vaidades e decisões nada republicanas. Cada juiz interpreta conforme seu humor ideológico, e a lei passou a ser pretexto para o arbítrio. Jornalistas são punidos, opiniões censuradas, e a liberdade de expressão, que um dia nos fez cidadãos, tornou-se risco calculado.
Vivemos sob a ditadura do medo institucionalizado, que transbordou para a vida comum. As pessoas evitam expor-se, opinar ou confrontar. Tornaram-se cúmplices involuntárias da própria servidão. Esse silenciamento é não apenas político, mas psicológico e moral. O resultado é o tipo humano mais perigoso para uma civilização: o vitimista submisso, que transfere a culpa e terceiriza a responsabilidade. Quem estuda a história sabe que este sempre foi o método de líderes autoritários travestidos de humanistas, que arrotam governar para o povo. A culpa pelos fracassos sempre recai sobre um inimigo criado, nunca sobre suas próprias falácias.
Como consultor empresarial, vejo isso de forma evidente. É impossível liderar se você fica limitado aos problemas atuais, sem olhar para a mudança. Muitos líderes estão nesse estado, agarrados ao passado, aos próprios erros e frustrações, culpando o sistema. Eles não mudam; esperam que alguém ou as circunstâncias os mude. A política do medo funciona como antídoto perverso: mantém-nos imóveis e impede que assumam responsabilidade, transformando a inação em obstáculo à mudança.
O legítimo líder é um homem livre que pensa criticamente e que, portanto, age de maneira diferente. Diante do fracasso, ele não repete suas queixas: ele aprende e age. Não diz “ninguém me ouviu”, mas “não construí confiança suficiente para fazer o que precisa ser feito”. Ele entende que a liberdade é inseparável da autorresponsabilidade e de sua ação crítica e deliberada.
Essa é a fronteira decisiva entre cidadão e súbdito. O medo institucionalizado impacta de maneira avassaladora todas as esferas da vida brasileira, impedindo o crescimento individual, corporativo e social — nas empresas, universidades, mídia e sociedade.
No Brasil, a vitimização tornou-se virtude pública. O resultado é uma sociedade de subalternos — dóceis, ressentidos, distraídos — que preferem culpar outros ao desconforto de pensar por si.
Diante dessa realidade, cada indivíduo precisa fazer um exame de consciência. É necessário criar seus próprios incentivos, refletir sobre valores e visão de mundo, e buscar mudar a si mesmo e, na medida do possível, este sistema perverso. É possível pensar diferente, adotar visões diversas, mas sem se acovardar ou se resignar à estagnação e ao retrocesso que medo e vitimização nos impõem. A responsabilidade é pessoal. A ação consciente é o único caminho para não nos tornarmos cúmplices de nossa própria mediocridade.
Enquanto o medo for o cimento das nossas instituições e a vitimização o refúgio das consciências, permaneceremos estúpidos. Não por falta de inteligência, mas por covardia moral.
O vazio moral dos odiosos - 16/10/2025
Alex Pipkin
Fico imaginando com o que eles se “divertirão” agora. Perderam, pelo menos por hora, o brinquedo favorito. O ódio a Israel deixa de ser o “Protagonista 00” dessa tragédia moral encenada pela esquerda do atraso. A festa do terror está sendo mitigada. Mas eles não sabem viver sem uma causa para odiar. Continuarão, é claro, tomando café, almoçando e jantando com o velho antissemitismo, esse prato frio que volta, de tempos em tempos, ao cardápio moral da esquerda “humanitária”.
E agora, com o início do fim da suja farsa, quando o feijão vermelho da fé socialista recebeu a água fria da realidade, o que eles farão? A narrativa ruiu. Os próprios palestinos de Gaza, libertos das garras do Hamas, comemoram o acordo que os livra das algemas terroristas. Os sacerdotes da “moral superior” ficaram sem liturgia, por hora.
Sim, eles têm seus nobres rituais. Toda semana, uma procissão de consciências puras se reúne para exibir, em espetáculo público, sua superioridade moral encenada. É a missa do ressentimento. São palavras de ordem no lugar de orações, slogans no lugar de pensamento, histeria no lugar de compaixão. Cada gesto é calculado, cada frase é performática, são pseudo-indignações trágicas.
E na republiqueta da união e reconstrução, hein? Será que a missa continuará com o mesmo padre de barro de sempre — Lula — ou será atenuada? Que dúvida atroz…
O desgoverno Lula, ao retirar o Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, cometeu não apenas um retrocesso diplomático, costumeiro, mas uma perversão moral e um flagrante gesto de antissemitismo institucional, enviando aos judeus brasileiros a mensagem de que sua memória, dignidade e segurança valem menos que ideologias e conveniências políticas.
O falastrão inconsequente e reincidente continuará insultando a memória dos que tombaram no Holocausto e zombando dos judeus brasileiros, enquanto finge governar? Sua fé é a gastança, sua missa é o populismo, e seus fiéis confundem o Tesouro Nacional com o cofrinho da “justiça social”.
Mas será que eles se voltarão para algo mais pragmático? Ou continuarão perseguindo nobres causas de palco? Perguntas retóricas; o espetáculo precisa continuar, a moral deve ser exibida, a indignação teatralizada.
É. Antes a desculpa era a taxa de juros do Banco Central. Campos Neto era o herege. Agora, com Galípolo, o que eles fazem? Talvez uma nova cruzada moral para justificar o roubo do INSS, o saque da quadrilha lulopetista contra idosos e jovens. Tudo, claro, em nome da “paz e do amor”, da virtude superior e intransigente que nunca se materializa em resultados fatuais.
Será que eles, como apologistas anti-pobreza e anti-desigualdade, sairão às ruas para protestar? Irão alertar sobre a dívida pública, que alcança 80% do PIB e, combinada com juros altos, obriga o governo a gastar com juros em vez de “investir” em mais assistencialismo ou garantir serviços públicos de qualidade? Quem paga a farra somos nós, os contribuintes. Será que marcharão de punho cerrado, gritando contra o “capital financeiro”, incapazes de ver que é a própria fé estatista que gera essa pobreza e desigualdade?
Não, eles não desaparecerão. Precisam sempre de um fantasma, de uma mentira, de um inimigo para existir. O silêncio constrangido não lhes cabe. A vontade antiga, a obsessão de controlar, censurar e pregar a virtude, renascerá com um novo velho significado, ressignificado, sempre contra aquilo que não entendem, sempre do lado errado da história, sempre encenando a moral enquanto o mundo real arde ao redor. E continuarão, como sempre, odiando para existir.
A fé vermelha sempre se esfarela. O resto é missa para ateus de si mesmos.
Que vergonha… sempre ritos vazios de sentido, um culto ao próprio vazio moral.
Deixe a notícia envelhecer - 10/10/2025
Dartagnan da Silva Zanela
Um dos mantras que é repetido à exaustão no terceiro milênio é o de que devemos nos manter sempre bem informados porque, como dizia Abelardo Barbosa, "quem não se comunica se trumbica". E é bem provável que eu e você já cobramos isso dos outros e de nós mesmos, mas, por mil raios e trovões, realmente precisamos estar atentos a todos os acontecimentos que foram destacados no último minuto e que são atirados em nossas ventas pela grande mídia? Foi o que eu pensei.
E tem outra: se formos petulantes além da conta, iremos notar que tudo aquilo que nos é noticiado só ganha sentido e contexto com o passar do tempo, porque é apenas o tempo que nos propicia o distanciamento que é imprescindível para compreender-se algo com alguma profundidade.
Quando uma série de notícias e factoides começa a tomar conta do cenário midiático, mais do que depressa veremos os nossos ânimos se alterando, turvando nossa compreensão, limitando o nosso entendimento e excitando o nosso desejo de, como direi, "ver o circo pegar fogo" ou algo parecido com isso. E se nos encontramos nesse estado de espírito, dificilmente iremos ler a conjuntura, desenhada a partir das notícias, de forma minimamente crítica, mesmo que creiamos candidamente que o estamos fazendo.
Aliás, quando as coisas começam a parecer óbvias demais para nós é sinal de que alguma coisa está errada em nossas conclusões, na forma como processamos as informações que acolhemos e, principalmente, com as premissas que utilizamos para avaliar as informações que nos permitiram chegar àquilo que chamamos de nosso entendimento sobre os fatos.
Ora, se nós nunca nos fizemos esses questionamentos é um sinal de que aquilo que chamamos de nossa opinião [criticamente crítica] não passa de um estranho que nos habita sem pagar aluguel, como bem nos ensina José Ortega y Gasset.
E repare numa coisa: raramente questionamos nossas conclusões porque, na maioria das vezes, nós já as temos prontinhas e acabadas antes mesmo de lermos uma notícia e, por não avaliarmos criticamente a forma como consumimos as informações que chegam até nós, tomamos nossas pseudo premissas como conclusões pétreas e aí, perguntamos: qual é o valor de um conhecimento construído de uma forma tão epidérmica? Pois é, foi o que eu pensei.
Enfim, deixemos as notícias envelhecerem para que possamos, com elas, amadurecer.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Ano Novo Judaico: Reflexão, Renovação e Propósito - 23/09/2025
Alex Pipkin, PhD
Hoje começa o Ano Novo Judaico — Rosh Hashaná. Shaná Tová a todos. É um dia de introspecção, renovação e reflexão sobre quem somos, nossa memória, nossos valores e nosso compromisso com a dignidade humana. Neste momento de renovação, nenhuma reflexão é mais necessária do que pensar sobre intolerância, liberdade e a força da resistência. Reafirmamos, juntos e individualmente, o propósito do judaísmo: fazer o bem, preservar a vida, transmitir valores que sustentam a humanidade.
Vivemos numa atmosfera saturada de intolerância. Contra ideias divergentes, contra a liberdade de consciência, contra a fé. Uma intolerância que, travestida de virtude, se esconde sob o nome de "politicamente correto", mas cujo objetivo é calar dissidentes, sufocar a verdade e impor um dogma ideológico.
Quando se fala em defesa das minorias, a única minoria sistematicamente desrespeitada, demonizada e apresentada como opressora é a minoria judaica. O mesmo povo que, ao longo da história, foi perseguido, segregado e massacrado, agora ocupa novamente o tribunal da memória distorcida.
Depois do genocídio do Holocausto, em que mais de seis milhões de judeus foram assassinados, vemos novamente judeus sendo mortos, intimidados e espancados, no Oriente Médio e em seus próprios países. Assistimos à inversão moral surreal, onde tribunais e operadores políticos transformam assassinos em vítimas e terroristas em réus respeitáveis, enquanto os verdadeiros agredidos são tratados como algozes. Querem-nos impedir de exercer o direito elementar de defender nosso território, nosso povo. Como se não houvesse lição na história, como se a memória do Holocausto não nos ensinasse que a omissão diante da violência termina sempre em catástrofe. Nós resistiremos, como sempre resistimos. Estamos de pé e ainda mais fortes. Nunca mais significa nunca mais.
O radicalismo contra ideias dissidentes e o antissemitismo contemporâneo são expressões de uma nova religião intolerante. Uma fé secular que se traveste de defesa das minorias e dos direitos humanos, mas que exige conformidade ideológica. O chamado politicamente correto é apenas um verniz. Fala em inclusão, mas opera pela exclusão. Defende diversidade, mas nega voz àqueles que já foram silenciados. É a censura travestida de compaixão, o autoritarismo pintado com as cores da virtude.
Populistas, demagogos e autoritários, de todas as esferas, manipulam essa cultura da virtude para esmagar a dissidência, calar a razão e obscurecer fatos. A censura tornou-se sua arma mais eficaz. O corolário é previsível, resultando em liberdade em declínio, perseguição em expansão, especialmente contra os judeus.
Karl Popper nos advertiu: "A tolerância ilimitada deve levar ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos tolerância mesmo aos intolerantes... então os tolerantes serão destruídos, e a tolerância com eles. Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes".
Não se trata apenas de liberdade de expressão — trata-se da sobrevivência da civilização. Da preservação dos valores que nos definem: dignidade humana, justiça, memória.
Hoje, neste Rosh Hashaná, reafirmo que resistiremos, como sempre resistimos; estaremos aqui sempre defendendo a dignidade humana, brigando pelos valores judaico-cristãos que ergueram a civilização ocidental, lutando por aqueles que tombaram, pelo nosso povo, pela nossa ancestralidade. Reafirmamos o propósito coletivo e individual do judaísmo: fazer o bem, transmitir valores, manter viva a chama da justiça, proteger a memória e a vida. Nós resistiremos. E esta resistência será eterna.
Shaná Tová Umetuká!
Epílogos de uma filosofia perversa III - 19/09/2025
Valdemar Munaro
O expoente mais notável do Idealismo Alemão, G. W. F. Hegel (1770 – 1831), concebia a história do mundo como realização progressiva do 'espírito' iniciada no oriente e concluída no ocidente. China, Índia, Pérsia, Grécia e Roma representam, para Hegel, a infância e a adolescência da humanidade, enquanto a fase adulta se encontra no continente europeu, especificamente, em terras e culturas germânicas.
O olho hegeliano vê o cume qualitativo do 'espírito' no germanismo, lugar da liberdade e da consciência. É, como se vê, um idealismo bairrista e arrogante que esconde em suas entranhas os gérmens do marxismo, do fascismo e do nazismo.
A megalomania de tais ideias, desembocou, mais tarde, nas práticas malthusianas, eugenistas e racistas que a história registra. A hipotética superioridade sanguínea e cultural do povo germânico, suficientemente chancelada por Hegel, foi palco do desprezo que levou milhões de 'inferiores' e sobrantes ao extermínio.
A demência historicista, hegeliana e marxista, foi denunciada veementemente pelo filósofo K. Popper. Não se pode, segundo ele, isentar Hegel e Marx da responsabilidade pelas ideologias assassinas que esmagaram e destruíram a Europa.
No seu livro autobiográfico (O mundo de ontem: memórias de um europeu), o escritor judeu austríaco Stefan Sweig, exilado no Brasil, escreveu: "Todos os corcéis pálidos do apocalipse correram pela minha vida, revolução e fome, desmonetização e terror; vi as grandes ideologias de massas crescerem e propagarem-se sob os meus olhos, o fascismo na Itália, o nacional-socialismo na Alemanha, o bolchevismo na Rússia e, acima de tudo, esse arque-pestilência, o nacionalismo, que envenenou a flor de nossa cultura europeia. Tive de ser uma testemunha indefesa e impotente da inimaginável recaída da humanidade na barbárie há muito esquecida com o seu dogma consciente e programático de antihumanidade. (...). Era preciso submeter-se constantemente às exigências do Estado, atirar-se para ser devorado pela política mais estúpida, adaptar-se às mudanças mais fantásticas, sempre se estava acorrentado ao comunitário, por mais amargamente que se resistisse; você era arrastado, não havia como resistir"
Os que plantam ideologias assassinas quase sempre não são os que experimentam os seus frutos. São autores incendiários, reclinados em seus divãs confortáveis (como fazem os dirigentes do Hamas no Catar), sob conforto e segurança de asseclas, ignorantes da ruína demencial que produzem.
Os convencidos da superioridade germânica não são poucos: I. Kant, F. Holderlin, J. G. Fichte, G. W. F. Hegel, R. Wagner, K. Marx, F. Engels, Robby Kossman, Ernst Haeckel, Max von Gruber, A. Rosemberg (ministro da cultura nazista), Oscar Schmidt, F. Nietzsche, M. Heidegger, Adolf Hitler etc. Muitos deles foram combatentes pró eugenistas. A lista de muitos outros, pode ser encontrada nos estudos de Richard Weikart 'De Darwin a Hitler' e Francisco Gil-White 'O Eugenismo – movimento que pariu o nazismo'.
Boa parte dos teóricos e revolucionários marxistas são de ascendência germânica: K. Marx, F. Engels, L. Feuerbach, Moses Hess, Ernst Bloch, Karl Kautsky, Eduard Bernstein, Theodor Adorno, etc. e, por mais que o marxismo se contorça para inculturar-se, transportar-se-á por veias mentais soberbas e racistas. A história, segundo Hegel, no fim dos tempos, julgará supremamente os vivos e os mortos. Seus magistrados serão germânicos. Como se vê, Hegel não foi apenas mentor do marxismo, mas também seu sacerdote, juiz e profeta.
Entretanto, das teses hegelianas presentes no prefácio da 'Filosofia do Direito' e também na 'Enciclopédia das Ciências Filosóficas' sobressai-se a afirmação mais desconcertante e enigmática que o idealismo alemão produziu: "aquilo que é racional é real; e aquilo que é real é racional".
Se levada a efeito, a proposição faz o pensamento ser um princípio igualzinho ao ser e o ser um princípio igualzinho ao pensamento. A simbiose densa e vulcânica desse esponsalício realiza uma confusão tamanha que faz do mundo uma extensão da racionalidade e da racionalidade uma extensão do mundo. Construído assim, o bolo ontológico se equipara ao bolo racional e vice-versa. Não havendo fronteiras que distingam o pensamento da existência e a existência do pensamento, qualquer coisa será possível, num imanentismo de fatos pensados e pensamentos factuais que substancializam, estonteantemente e esquizofrenicamente, tudo, para enlouquecer e desorientar.
Hegel tinha um projeto maluco (morreu antes de o terminar): eliminar todas as obscuridades no interior do saber humano. Nas suas últimas considerações acerca da 'Fenomenologia do Espírito' dedicou páginas ao 'saber absoluto'. O projeto: fundição da inteligência com a natureza e vice-versa até ao ponto de não haver mais enigmas, nem sombras epistemológicas. A meta hegeliana seria obter a graduação divina para tudo dominar e esclarecer. Hegel quis ser Deus sem precisar Dele. A conquista do saber absoluto, seria a chave do poder absoluto que tudo ilumina e resolve: tudo em todos e todos em tudo.
Essa 'enjambração' filosófica, porém, veio de mais longe, dos tempos subjetivos em que o geômetra francês R. Descartes (1650), desconfiado e cético, não conseguia sentir o que pensava, nem pensar o que sentia. Foi, porém, de dentro do próprio pensamento que encontrou sua suposta verdade desejada. 'Cogito, ergo sum' (penso, logo existo), concluiu. O ato de pensar lhe garantiu a certeza de ser um ser real. Em outras palavras, Descartes tirou da 'cartola' racional a confirmação de sua própria existência. Não foi da experiência senciente, mas do seu pensar erguido edifício. Ninguém pode pensar sem existir, mas a sua principal testemunha, o pensamento, lhe dá a certeza de ser.
Assim, a filosofia moderna ocidental pôs sobre os ombros do pensamento o comando dos raciocínios e das buscas científicas. De modo que, segundo ela, se deve partir da razão para se chegar ao ser e não inversamente. Ao invés das coisas reais determinarem a atividade cognoscitiva, o pensamento passa a determinar o mundo das realidades. G. Berkeley, B. Espinoza, N. Malebranche, I. Kant, J. Fichte, F. Schelling e G. W. F. Hegel acrescentaram temperos a essa lógica cartesiana que resultou catastrófica e insana.
O tobogã idealista escorregadio fez o pensamento 'voar livre', sem compromissos, para que se detivesse onde bem lhe aprouvesse. Sob sua 'autoridade' absoluta, o pensamento não mais pensa sobre as coisas que vê, mas vê as coisas sobre as quais pensa. Esse grave delito hegeliano não apenas fundiu o pensamento no ser, mas o independizou para que se erigisse autor de si mesmo.
Idealistas aos moldes hegelianos creem firmemente na premissa segundo a qual, o que não é pensado também não existe. Em outras palavras, aquilo que não for pensado pertencerá ao mundo do não ser. "Agora sabemos, disse o físico norte americano, N. D. Mermin, que é possível demonstrar que a lua não está lá quando ninguém a olha". Quer dizer, se ninguém estiver olhando a lua, ela praticamente deixará de existir.
É preciso, porém, urgentemente, restaurar o realismo científico e filosófico que se perdeu, pois não é a visão a causadora da existência das coisas, mas as coisas existem independentes de nosso pensamento e, por isso, podemos vê-las e conhecê-las. Se o mundo existisse em razão dos pensamentos que o pensam, então a existência do mundo dependeria de uma roda 'pensamentista'. Os idealismos epistemológicos podem nos enlouquecer, pois criam a falsa ilusão de que as coisas existem e ocorrem em razão de nossas ordens pensantes.
A fórmula 'aquilo que é real é racional e aquilo que é racional é real' quando levada ao forno prático da atividade cognoscitiva e moral, produz esquizofrenias monstruosas. A festa de muitos que celebraram a morte de Charlie Kirk é uma demonstração delas. Ao invés da inteligência se submeter aos apelos dos fatos e realidades reais, a alucinação estonteante faz prevalecer a demência e a insensatez. O idealismo hegeliano, portanto, é um fabricante de esquizofrenias tresloucadas que o tempo não curou.
Hegel e Marx, segundo Popper, algozes do passado e profetas do futuro, na verdade, se tornaram pensadores estranguladores do presente. A incapacidade que os impede de ver a realidade tal como é, metamorfoseou-os em loucos desvairados.
O recente julgamento sobre os eventos de 08 de janeiro de 2023 e do ex-presidente da República mostra a eficácia do idealismo hegeliano. Se o ministro Fux refletiu sobre o que viu, os demais ministros, refletiram sobre o que pensaram. No primeiro caso, a realidade dos fatos orientou o pensamento, no segundo, o pensamento orientou os fatos da realidade. A sentença infame e vergonhosa que resultou, indica a presença de hegelianos esquizofrênicos ocupando o egrégio tribunal.
Em Santa Maria, 19/09/2025
* O autor, Valdemar Munaro, é professor de Filosofia.
Soberania Tirana - 10/09/2025
Gilberto Simões Pires
MENSAGENS NAZISTAS
Antes de tudo vale sempre lembrar que Adolph Hitler ao escolher o seu fiel escudeiro Joseph Goebbels para chefiar o MINISTÉRIO DA PROPAGANDA NAZISTA, tinha como propósito, mais do que comprovado, de garantir que as MENSAGENS NAZISTAS fossem -transmitidas e recepcionadas- com sucesso através -da arte, da música, do teatro, dos filmes, dos livros, do rádio, dos materiais escolares, da imprensa e, obviamente através de DISCURSOS e/ou PRONUNCIAMENTOS proferidos pelo DITADOR-. Mais do que sabido, e repetido à exaustão, a técnica mais utilizada era a de -RETIR MENTIRAS- até que as mesmas fossem entendidas como VERDADES.
SOBERANIA
Pois, na noite do dia 6 de setembro, quem se propôs a ouvir o MENTIROSO -PRONUNCIAMENTO- do presidente LULA -transmitido em -rede nacional de rádio e televisão- ficou com a clara impressão de que o texto -preparado pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social do Brasil, Sidônio Palmeira-, foi integralmente inspirado na CARTILHA do Chefe da Propaganda do governo nazista, JOSEPH GOEBBELS. Desta vez, vale registrar, o FESTIVAL DE MENTIRAS teve como mote principal a cansativa REPETIÇÃO da expressão -SOBERANIA-.
OITO VEZES
Mais: com o mesmo propósito consagrado por Goebbels, de REPETIR MENTIRAS ATÉ QUE AS MESMAS SOEM COMO VERDADES, ao longo dos 5 minutos e 25 segundos de pronunciamento, LULA usou e repetiu -OITO VEZES- a palavra SOBERANIA. E, como já era mais do que esperado, a MÍDIA TRADICIONAL, ou ABUTRE, que para tudo sempre tem algo a criticar, comentar, desconfiar ou repreender, não se dignou a fazer o menor comentário sobre TANTAS E REPETIDAS MENTIRAS.
DIREITOS HUMANOS UNIVERSAIS
Pois, a título de ESCLARECIMENTO me apresso, mais uma vez, em explicar que SOBERANIA é o PODER SUPREMO E INDEPENDENTE QUE UM ESTADO POSSUI para GOVERNAR SEU TERRITÓRIO SEM INTERFERÊNCIA EXTERNA -DESDE QUE CUMPRA O QUE MANDA A LEI -UNIVERSAL E INDIVISÍVEL que caracteriza os DIREITOS HUMANOS.
-UNIVERSAL-, porque se aplicam a todas as pessoas;
-INDIVISÍVEL, porque não podemos separar um do outro, ou escolher quais serão respeitados e quais não. A violação de um deles é uma ameaça aos demais.
Essas diretrizes estão descritas na -DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS-, aprovada em 10 de dezembro de 1948 por 48 países, dos 58 que eram membros da ONU na época. Detalhe importante: - o BRASIL estava entre os países signatários. Atualmente, a ONU possui 193 países-membros e TODOS SÃO SIGNATÁRIOS DESTE COMPROMISSO INTERNACIONAL DE GARANTIA DE DIREITOS HUMANOS- e o BRASIL, REPITO, segue como PAÍS-MEMBRO.
CUMPRIMENTOS
Ontem, o que se viu em todo o Brasil foi um verdadeiro -ATO DE SOBERANIA-, onde o POVO foi às ruas para DIZER -ALTO E BOM TOM- que não aceita a violação dos DIREITOS UNIVERSAIS, notadamente pela SUPREMA CORTE, órgão de cúpula do PODER JUDICIÁRIO, ao qual compete a GUARDA DA CONSTITUIÇÃO, como bem define o art. 102 da nossa LEI MAIOR.
A propósito, na qualidade de participante de todos os MOVIMENTOS PRÓ LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DEMOCRACIA, envio os meus sinceros cumprimentos pelo VALOROSO SENTIMENTO DE PATRIOTISMO.
Epílogos de uma filosofia perversa (II) - 06/09/2025
Valdemar Munaro
G. W. F. Hegel (1770 – 1831), como dissemos, foi favorecido pelo rei prussiano, Frederico Guilherme II, para ser professor e reitor da universidade de Berlim, em 1818. A submissão da filosofia a instrumento de regime político fez Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), contemporâneo, denunciar a inauguração de uma era idealista, escandalosa, de 'desonestidades'.
Com efeito, a filosofia idealista hegeliana, se prestou eficazmente para ser ovo de serpente e útero do marxismo. Seu 'modus operandi' atingiu a espinha dorsal da diaconia científica roendo a devoção do pesquisador pela verdade. Desde então, encharcados de idealismos imorais, pensadores e agentes sociais, políticos e jornalistas, juristas e teólogos, cientistas e pesquisadores passaram a regurgitar frutos insensatos das inteligências destruídas.
Hegel ensinou, despudorada e metodicamente, a enlamear o pensamento nas arenas políticas, sem perder a vergonha nem sentir remorso. As honestidades cederam lugar aos salamaleques de ocasião, conveniências e incensos dirigidos a 'camaradas' e 'companheiros'. Desde o ofício hegeliano, o número de intelectuais bajuladores cresceu exponencialmente e os 'caras de pau' se triplicaram. O amor e a dedicação a ideias necrosadas aumentou assustadoramente pondo em risco a sanidade mental dos mais inocentes pensadores. Basta observar que muitos ainda insistem cortejar leninismos, stalinismos, chavismos, castrismos, petismos, kirchnerismos, nazismos, comunismos, socialismos, etc., feitos de ideias e experiências práticas historicamente fracassadas e assassinas. A decadência, fruto abjeto de servilismos, revela carcaças imorais que rondam como zumbis a seara cultural.
É, porém, através da metafísica hegeliana que podemos identificar mais claramente os perversos princípios filosóficos e intelectuais que a acomete. Um deles é o da dialética. Etimologicamente, o termo 'dialeticai tecné' referia-se à arte de discorrer, discutir ou raciocinar. Tratava-se, portanto, de um mecanismo essencialmente argumentativo, situado no interior da racionalidade humana como mediador e dilatador dos assuntos tratados. Os 'dialetos', com efeito, se tornaram vertentes linguísticas-culturais expandidas ou dilatadas.
Os gregos foram mestres na arte da dialética e a empregavam para ampliação e esclarecimentos de discussões, diálogos e oráculos. Péricles, Sólon, Heráclito, Protágoras, Sócrates, Górgias, Isócrates, Demóstenes, Platão, Teofrasto, Aristóteles, Sófocles, Ésquilo, etc., artistas da dialética, manuseavam-na para estender e aprofundar conhecimentos e ideias.
Também os medievais em nada menores na utilização de argumentos e raciocínios discursivos, pela arte dialética deram origem às monumentais 'Quaestiones Disputatae', sínteses filosóficas e Summa Theologiae.
Com a chegada de Hegel, no século XIX, porém, a ordem se inverteu. O mentor do monstruoso idealismo ocidental que herdamos deslocou a dialética do seu nicho lógico para o âmbito da vida extramental. Ao invés de ser um adjetivo da inteligência, Hegel a elevou à condição de verbo do mundo real. Ou seja, por um decreto hegeliano, a dialética passou do estado lógico para o ontológico numa oposição demencial à metafísica aristotélica-tomista.
O que Hegel elaborou, segundo Schopenhauer, se assemelha ao descarrilamento de um manicômio fabricante de psicopatias. O que era para ser mera metodologia racional, passou a ser tratado como princípio intrínseco do mundo real. "O ponto principal a destacar, diz textualmente Hegel, é que não é só nos quatro objetos particulares tomados da Cosmologia que a antinomia se encontra: mas antes em todos os objetos de todos os gêneros, em todas as representações, conceitos e ideias. Saber disso, e conhecer os objetos segundo essa propriedade, faz parte do essencial da consideração filosófica. Essa propriedade constitui o que se determina mais adiante como o momento dialético do lógico" (Enciclopédia, I, Par. 48).
O resultado foi a fomentação e a fermentação de doutrinas guerrilheiras, cujo conteúdo e metodologia dialéticos passaram a ser compreendidos como parte integrante de uma mesma realidade movediça e conflitiva. "Entendemos por dialética, diz o historiador E. Colomer, uma teoria geral que afirma o caráter intrinsecamente móvel ou mutante da realidade em virtude de alguma negação, e por método dialético um estilo de pensar que procede mediante negações, precisamente porque supõe que a realidade é em si mesma dialética, ou seja, que se move mediante negações".
Assim, se tudo o que existir está assentado ou edificado sobre a dialética, também o serão, por consequência, a história, a política, o espírito e a matéria, a vida e a morte, o céu e a terra. Tudo, portanto, segundo Hegel, está, energeticamente, constituído e guiado pela lei dialética na qual e da qual nada, nem ninguém pode se subtrair. Somos, pois, seres essencialmente feitos de contradição e antagonismo, negação e afirmação. A natureza, a matéria, o espírito, o cosmos, tudo, enfim, hostiliza-se consigo mesmo e com os outros numa contínua e mútua intriga incapaz de apaziguamento e autodestruição. A realidade inteira, encharcada de luz e treva, bondade e maldade, escravidão e senhorio, domínio e submissão, poder e fraqueza, amor e ódio, vive o inferno de si mesmo, num percurso indestrutível e sem fim. A lei dialética, implacável e absoluta, substituiu a Deus.
Em palavras acomodadas e vulgares, pode-se dizer que a dialética significa, para Hegel, justamente o convívio existencial dos seres entre si, no caos e na ordem, na negação e na afirmação, na ruína e na edificação, ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Inevitável e necessária, a dialética é o movimento antagônico histórico e político, cosmológico e espiritual de todos os seres consigo mesmo e com os negativos de si. Karl Marx agarrou com afinco essa ideia e a injetou no seu sangue marxista. Os agentes revolucionários mais próximos, Lênin e Stalin, chamaram justamente o marxismo de materialismo histórico e dialético.
Por essa razão, os conflitos, segundo o pensamento hegeliano, não devem nos assustar, nem, tanto menos, infortúnios e confusões que surjam, pois são sazonais e decorrentes do processo histórico. Contudo, como se conclui, se a dialética for histórica, jamais teremos a paz, nem o comunismo virá, nem o fim dos tempos e dos conflitos; mas se, porventura, o comunismo vier a acontecer, significa, então, que a análise da história está absolutamente equivocada.
Ou a dialética é real e jamais teremos paz, ou a paz é real e possível e a dialética uma grande mentira. Marxistas e hegelianos, porém, apreciam sobremaneira a presença de conflitos e jamais se empenham em diminuí-los, pois os veem como inevitáveis e necessários. Não se importam, tampouco, com as contradições. A paz, segundo eles, não virá dos processos civilizatórios, nem das diplomacias, muito menos de Deus, mas do cansaço e do esgotamento humanos.
Como se observa, a dialética hegeliana, numa tacada, pretendeu resolver o problema da iniquidade, da morte, do pecado e do sofrimento trazendo-os para o meio do sistema como membros legítimos do progresso. O mal, na perspectiva de Hegel, não deve ser tratado como 'malvado', mas como um ilustre hóspede, tão necessário e útil quanto o Bem. Hegel valorizou a mentira tanto quanto a verdade, a feiura tanto quanto a beleza, o mal tanto quanto o Bem por seus papéis dialéticos. Assim, segundo Hegel, se a maldade for tratada como necessária, aprenderemos ser possível extrair de sua presença, vantagens progressistas. É de enlouquecer.
Nas suas preleções sobre a filosofia da história, Hegel escreveu "O pensamento geral, a primeira categoria que emerge da contemplação das vicissitudes dos indivíduos, povos e estados, que por algum tempo existem... e desaparecem, é a categoria da mudança... A visão das ruínas de uma antiga potência nos induz imediatamente a considerar esta ideia de mudança no seu aspecto negativo. A esta categoria de mudança está, porém conectado em seguida também o outro motivo, que da morte surge a vida".
Dentre todos os filósofos, Aristóteles (322 a. C.) foi o que observou com perspicácia quanto imprescindível e eficaz é, à honestidade e à saúde intelectual de qualquer pensador, o respeito que se deve ter pelo princípio de não contradição. Essa lei "nos ordena a evitar contradizer-nos, seja em nossas palavras, seja em nosso pensamento. Ela nos diz que não devemos responder a uma questão dizendo simultaneamente sim e não. Dito de outro modo, ela nos diz que não devemos afirmar e negar a mesma proposição" (M. Adler). Aquele que se contradiz no que diz e no que faz, não é digno de credibilidade.
Hegel converteu-se no maior inimigo metafísico da filosofia de Aristóteles, justamente por ignorar e desprezar o que o estagirita diagnosticou. A contradição rejeitada e combatida por Aristóteles, tornou-se pela filosofia hegeliana, uma hóspede ilustre da razão por meio da qual, intelectuais inescrupulosos e hipócritas deram vazão às suas psicopatias.
Vê-se que o hegelianismo escancarado e escandaloso se ajusta às contradições de feministas inocentando estupradores, guerrilheiros proclamando-se pacíficos, comunistas zelando por suas economias privadas, pedófilos protegendo crianças, ditadores dizendo-se democratas, narcotraficantes combatendo ilícitos, corruptos vestindo-se de honestidade, larápios caçando ladrões, mentirosos perseguindo mentiras, tresloucados julgando lúcidos, raposas guardiãs de galinheiros, homossexuais bajulando próprios matadores, terroristas condenando o terror, herdeiros de valores judaico cristãos apoiando o antisemitismo , etc.
"O que é mais perturbador nos psicopatas, diz Kenneth Francis, tanto na realidade quanto no mundo da ficção, é que eles não acreditam ser loucos".
Quem nos libertará desse curral de contradições e hipocrisias hegelianas em que nos encontramos?
Santa Maria, 05/09/2025
Um agosto de muitas amoções - 29/08/2025
Gilberto Simões Pires
SINO DA DITADURA
As fortes badaladas do SINO DA DITADURA BRASILEIRA, conduzida pela -JUNTA GOVERNAMENTAL- composta pelo presidente LULA, pela maioria dos ministros do STF e pelos irrelevantes presidentes da Câmara e do Senado, dão por encerrado o mês de agosto com a PROMESSA, ou CERTEZA, de que nos próximos quatro meses que restam para o fechamento de 2025 a -TIRANIA- será ainda mais implacável com aqueles que insistem com a volta da DEMOCRACIA.
LEI MAGNITSKY E TARIFAÇO
Antes de tudo há que se admitir que o que menos faltou neste incrível mês foi EMOÇÃO. Ainda que Donald Trump tenha SANCIONADO o ministro Alexandre de Moraes com a LEI MAGNITSKY no dia 30 de JULHO, o FATO é que a REPERCUSSÃO, assim como o ESPERNEIO DO MINISTRO E SEUS APOIADORES, aconteceu pra valer ao longo do mês de AGOSTO. Além disso, VALE LEMBRAR, o SOBERANO -TARIFAÇO- imposto aos produtos e serviços que o Brasil exporta para os EUA, entrou em vigor no dia 6 DE AGOSTO, deixando milhares de empresários exportadores em MODO -DESESPERO-.
TANTAS EMOÇÕES...
Como se já não bastasse TANTAS EMOÇÕES, na terça-feira, 26, a COMISSÃO PARLAMENTAR MISTA -que PROMETE INVESTIGAR as FRAUDES DO INSS-, deu início aos trabalhos. Ontem, quinta-feira, 28, a POLÍCIA FEDERAL e a Receita Federal entraram em cena para DEFLAGAR DUAS INUSITADAS OPERAÇÕES VOLTADAS AO COMBATE AO CRIME ORGANIZADO, mais precisamente o PCC.
QUASAR E TANK
1- OPERAÇÃO -QUASAR- que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A investigação identificou um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas.
2- OPERAÇÃO -TANK-, visando o desmantelamento de uma das maiores redes de lavagem de dinheiro já identificadas no estado do Paraná. O grupo criminoso atuava desde 2019 e é suspeito de ter lavado pelo menos R$ 600 milhões, movimentando mais de R$ 23 bilhões por meio de uma rede composta por centenas de empresas, incluindo postos de combustíveis, distribuidoras, holdings, empresas de cobrança e instituições de pagamento autorizadas pelo Banco Central.
DÚVIDA CRUCIAL
Por mais importantes que sejam as EMOÇÕES vividas (até agora, faltando poucas horas para o encerramento do mês de AGOSTO), a grande e crucial dúvida que, infelizmente, paira na cabeça dos brasileiros dotados de discernimento é a seguinte:
1- o STF vai validar tudo aquilo que a CPMI DA FRAUDE DO INSS promete desnudar?
2- o PCC, que Lula garante não ser uma ORGANIZAÇÃO TERRORISTA e/ou CRIMINOSA, vai aceitar tudo aquilo que as DUAS OPERAÇÕES DEFLAGRADAS PELA POLÍCIA FEDERAL E PELA RECEITA FEDERAL devem revelar?
Confesso que tenho muita dificuldade para acreditar que algo de bom vai acontecer...
Um TBT de Lewis para Chesterton - 14/08/2025
C. S. Mourão
Recentemente vi uma postagem de um amigo em redes sociais onde ele brilhantemente desnudava a velha máxima adesista "se não pode vencer seus inimigos, una-se a eles", expondo o que ali sempre se escondeu: um viés diabólico que lentamente se apropria de símbolos caríssimos à humanidade, culminando no "perenialismo" de René Guénon (entre outros) – que, ao fim e ao cabo, é para a filosofia o que a noite é para os gatos: apenas um jeitinho de deixá-los todos pardos. Para sustentar seu contraponto, o inteligentíssimo pastor (sim, esse amigo a que me refiro é um cuidadoso pastor) trazia à esgrima ninguém mais, ninguém menos, que a dupla cristã G. K Chesterton e C. S. Lewis – dos quais sou um devotado, ainda que medíocre, leitor.
A quem não sabe (muito embora todos devêssemos saber) esses dois cavalheiros estão entre os maiores e melhores escritores e pensadores britânicos do século XX (e muito seguramente de toda a história!), amplamente conhecidos por trabalhos literários com abordagens diretas ou indiretas de temática filosófica, religiosa, social e comportamental. Suas obras, fossem elas em prosa ou verso, ficção ou não, ensaios seriíssimos ou bem humoradas anedotas, todas convergiam para um mesmo ponto em comum: Deus!, e o Homem por ele criado. Seja de “Ortodoxia” e “O Homem Eterno”, de Chesterton; a “Cristianismo Puro e Simples” e “A Abolição do Homem”, de Lewis, é possível perceber uma nítida confluência de pensamento (assim como na série de Padre Brown e “O Homem Que Era Quinta-Feira”, de um lado, e “As Crônicas de Nárnia”, do outro). A identidade – ou, melhor dizer, continuidade – é tão grande que se poderia pensar que eles foram amigos, e do tipo que se conheciam pessoalmente (pois assim é que era antigamente). Mas eles não eram. Não porque fossem antipáticos um ao outro, mas, sim, simplesmente por uma breve questão de tempo: Chesterton, nascido em 1874 e morto em 1936, “existiu” antes de Lewis (1898-1963), sobretudo antes da conversão deste último ao cristianismo. De fato, apesar da diferença etária não tão gigante (24 anos é pouco nos dias atuais; mas há mais de cem anos era bastante coisa), o grosso [ou, melhor dizendo, “o fino”] da produção intelectual-literária de Chesterton é do início do século XX, até o final dos anos 20 de então, sendo que Lewis, uma geração mais novo, só começou a despontar no início dos anos 30. Logo, e para a frustração de muitos ansiosos espectadores, por essas coisas do destino –, ops, de Deus! – eles não tiveram amizade. (No entanto, como Deus não escreve errado por qualquer linha que o seja, Lewis era #BFF do último hobbit vivo, Sir Tolkien. Mas isso é fato para outra boa estória, ainda que seja a mesmíssima história...)
Pois a partir disso, desse desencontro, lamentável somente pela minha pequenez, cometi a ousadia, quase herética, de confabular uma cartinha que, talvez, poderia muito bem estar sendo escrita nos dias atuais por Lewis ao mui simpático e bonachão compatriota rotundo. (E claro que não seria, em se tratando deles, de um mero e-mail ou mensagem no direct do “Insta”, mas uma missiva completa, com selo, carimbo e tudo). E ficou mais ou menos assim:
"Oxford, noutro tempo e espaço,
Em um agosto absurdamente líquido:
Meu caro e estimado Gilbert,
Sei bem que as cartas do Paraíso não costumam fazer escala na Terra — mas receio que, para preservar alguma réstia de sanidade, precise infringir uma ou duas leis da eternidade e confessar-te umas tantas perplexidades da hora presente.
Disseste outrora que “o mundo moderno é cheio de velhas virtudes cristãs enlouquecidas”. Permita-me ir além: estas virtudes agora, para além de enlouquecidas, se perderam mais que aquele inklink que abusou de hidromel e se engasgou com o old toby Tais virtudes parecem que fumaram maconha (dizem!), tomaram ácido, fundaram ONGs, e vivem pedindo doações via Pix – e isso tudo é fato!, mas não necessariamente nessa ordem...
Gilbert, o Ocidente – esse velho cavalo cansado que outrora cavalgava orgulhoso entre as catedrais, as bibliotecas e os pubs – hoje cambaleia, não por ter perdido a força, mas por ter perdido o sentido. E, pior, sob o pretexto de defender o homem, tenta a todo o momento aboli-lo por completo. Na realidade, hoje tudo é mais importante do que qualquer homem, até um ponto em que o Homem não importa (e eu não sei mais dizer se quem prega isso é homem ou o Q!)...
Lembras da tua Democracia dos Mortos?! Foi enterrada sem velório! Nossos avós foram silenciados por, pretensamente, “terem morrido na década errada” – esse foi o libelo [ainda existe essa palavra?]. E enquanto os heróis de agora morrem de overdose, a tradição, a “votação dos falecidos”, foi substituída pelo princípio do prazer dos vivos, o que nada mais é do que adições de “amigos” no Instagram, curtidas no TikTok e rolagens de Reels.
Nesse ponto tu podes me perguntar por onde anda a saudade e a autoridade milenar da razão, da revelação e do senso comum. E eu só posso responder que, pelo menos da última vez que as vi, a primeira anda de bar em bar, ao passo que a última, juntamente com o Homem [eu já nem sem mais se é com “h” minúsculo, que dizer maiúsculo] foi sumariamente substituída por decisões judiciais muito mais preocupadas com a semântica dos emojis, e elaboradas para virar virar memes [não me peça para explicar isso, caro amigo], do que para fazer verdadeira Justiça. Aliás, o fundamento bem comum agora significa o prazer da minoria – mas não pode ser uma minoria muito pequena, porque aí se chega no indivíduo, e, assim como uma andorinha não faz verão, um imbecil só não ganha eleição [foi o que eu ouvi de um senador (ou terá sido de um padre ou de um uber? Enfim, agora não lembro, caro amigo...)].
E há um novo tipo de tirania, Gilbert: a tirania do sentimentalismo. Disfarçada de compaixão, essa usurpadora reduz a alma humana à sua condição mais estreita — suas inclinações, seus desejos; em verdade, sua mais virílica concupiscência. O homem moderno exige que sua biologia se curve à sua biografia – que é escrita por ele próprio ele próprio, óbvio. O “ser”, não importa! O que importa é tão somente o “querer”. E quanto mais próximo dos genitais é esse sentimento de querer, mais ele é tido por nobre, a ponto de ser, até mesmo, destacado em apresentações formais... E é claro que não pode ser um sentimento comum. Quanto mais extravagante o for, mais lattes ele deixa o curriculum. Não te ofendas, amigo, se fores debater em Cambridge com alguém cujo título de apresentação consista em anunciar estranhas façanhas que gosta de fazer na alcova. Isso é, para eles, uma credencial importante. Acho que aprenderam com os cães, que iniciam relações sempre por um processo rino-anal. Então, apenas sorria de volta, continue caminhando, o cumprimente e, claro, mantenha a devida distância para evitar farejadas grosseiras. E não dê bola, Gilbert, porque a maioria deles tende a não se reproduzir. Eles passarão, tu passarinho. São pessoas apenas com genitais, não possuem peito.
E sobre isso — agora que posso te falar livremente — confesso que aquele título, “O Homem Sem Peito”, no meu livro “A Abolição do Homem”, foi, sim, uma pequena homenagem velada a ti, Gilbert. “Peito”, como sabes, é onde moram as virtudes, as afeições ordenadas, a coragem civilizadora acima de tudo. E “Chester”, esse nome que carrega peito até na etimologia, foi em mim símbolo daquele que lutou com humor e espada contra as sandices do niilismo. Em ti, o peito cristão ainda palpitava. E isso inspirou o meu peito. Gostaria que isso houvesse nos tempos atuais, mas agora eles estão desnudos, ou de cropped, e ali só respira a vaidade, o aliado erudito daquilo que habita a virilha.
É, Gilbert... As quintas-feiras de antes não são mais as suas. Tolkien, nosso mui amigo John – o querido inkling que não era quinta-feira, mas a semana toda! –, ao ver isso tudo, teria dito que “Sauron venceu!”. E não com exércitos, mas com editais de concursos públicos e conferências acadêmicas. A espada não defende mais, só ofende; o cajado apenas sustenta o anacronismo, a velharia; e o anel de poder foi partilhado entre uma pequena elite para a todos governar. Na mão do povo sobrou apenas o cachimbo – e não há mais old toby!, mas somente a erva venenosa. Ah, Gilbert, não tenho mais dúvidas!, estamos diante da completa abolição do homem. E os orcs estão urrando de prazer (e não só do princípio!).
Não há mais como voltar atrás. A lei, já não natural, agora é líquida. O juiz — outrora servo da norma — avocou tanto poder a si que se tornou demiurgo. A justiça, que era apenas cega, agora é careca e – pasme! – cabeluda. “Direitos”, conforme o vai-e-vem virílico das minorias qualificadas, surgem e desaparecem no mesmo instante. Aliás, mais surgem do que desaparecem; e deveres não se criam – ao menos não para os donos da virilha, é claro. Ninguém deve nada, mas todes podem tudo. No final, às vezes até acontece de suceder justiça para uns e outros – mas isso só, é claro, por acidente – ou por acinte (eles dizem).
E o mais triste, meu amigo, é que essa eterna sexta-feira se apresenta com uma face muito redonda, benigna, sorridente e terapêutica. O Inferno descobriu que a melhor forma de vencer os anjos era vestir-se de anjo da empatia – pois o disfarce é ferramenta que vem de baixo. É o “Sextou!”.
Por isso escrevo. Não para lamentar — pois sei que, no fim, como bem escreveste, a cruz voltará a florescer! Quero apenas avisar e registrar, num tom meio cômico e meio desesperado, que, realmente, tua pena era profética, e que tua teologia, com joelhos sujos de chão, agora anda limpinha e com tornozelos depilados à mostra... No final, tenho certeza, venceremos todos, mas somente uns poucos de nós saberemos o quanto nos custou isso tudo.
Saudades de nossas conversas sobre cerveja, paradoxos e encarnação. Quem sabe um dia, num pub celestial (ou infernal, se nos deixarem ingressar), possamos rir juntos das absurdidades destes séculos e brindar com hidromel e old toby o triunfo da verdade. É só marcar!
Do velho companheiro de fé e fantasia,
Clive Staples Lewis
P.S. John já antecipou que não irá no encontro e que não está nem aí para nós, pois – disse – tem mais o que escrever.”
...E não se localizou uma única mancha de lágrima nela.
Caxias do Sul, 07/08/2025.
C. S. Mourão.
O STF e a Lei Magnitsky - 14/08/2025
Gilberto Simões Pires
LEI MAGNITSKY
Antes de tudo é importante lembrar -notadamente aos -ANALFABETOS FUNCIONAIS, ou RUDIMENTARES, que a -LEI MAGNITSKY-, APROVADA EM 2012 pelo Congresso dos EUA e devidamente SANCIONADA pelo presidente Barack Obama - do partido DEMOCRATA, tinha como -PROPÓSITO -INICIAL- PUNIR AUTORIDADES RUSSAS responsáveis pela morte do advogado tributarista russo SERGEI MAGNITSKY. Quatro anos depois, em 2016, o Congresso dos EUA PROMULGOU o Global Magnitsky Human Rights Accountability Act, que deu PERMISSÃO AO GOVERNO DOS EUA de -SANCIONAR- FUNCIONÁRIOS DE GOVERNOS ESTRANGEIROS IMPLICADOS EM ABUSOS DE DIREITOS HUMANOS EM QUALQUER PARTE DO MUNDO. Mais: a PUNIÇÃO, de caráter imediato, se dá através do CONGELAMENTO DE ATIVOS e da PROIBIÇÃO DE ENTRAR NOS EUA.
LISTA DA OFAC
De novo: como a LEI MAGNITSKY AUTORIZA sanções contra estrangeiros acusados de graves violações de direitos humanos e corrupção, SEM A NECESSIDADE DE CONDENAÇÃO EM PROCESSO JUDICIAL, o ministro Alexandre de Moraes acabou, com sobradas razões, incluído na LISTA DA OFAC -Office of Foreign Assets Control- órgão do TESOURO DOS EUA, acusado de liderar uma INEGÁVEL -CAMPANHA OPRESSIVA DE CENSURA- E AUTORIZAR PRISÕES ABUSIVAS DE -RÉUS- DA INVASÃO DO CONGRESSO NACIONAL EM, 8 DE JANEIRO DE 2023.
DENTRO DO ESPERADO
Seguindo apenas e tão somente o que está escrito na LEI MAGNITSKY, o TESOURO AMERICANO -SANCIONOU- o superministro com a PROIBIÇÃO DE TRANSAÇÕES COM CIDADÃOS E EMPRESAS AMERICANAS E A EXCLUSÃO DE SISTEMA BANCÁRIO INTERNACIONAL VINCULADO AO DÓLAR. Pronto: dentro do esperado, levando em conta o seu inconfundível MAU CARÁTER, AM reagiu afirmando, com um ar de vitória, NÃO POSSUIR BENS OU INVESTIMENTOS NOS EUA. Ou seja, -cagou e andou- para seus apavorados colegas que, confessadamente, afirmam possuir investimentos em dólar, títulos mobiliários e/ou propriedades imobiliárias em território americano.
EFEITOS DA LEGISLAÇÃO
Altamente preocupados, principalmente porque sabem que estão sob mira do Tesouro dos EUA, e como tal sabem que de uma hora para outra podem figurar na LISTA DA OFAC, o esperneio é enorme. Alguns estão testando os bancos brasileiros para ver quais instituições estariam dispostos a DRIBLAR os efeitos da LEI MAGNISTSKY, alegando, para tanto, que nem mesmo juristas nos Estados Unidos têm clareza sobre todos os efeitos da legislação. Ou seja, os ministros do STF querem para eles tudo aquilo que NÃO PERMITEM -em hipótese alguma-, para todos os brasileiros que LUTAM PELA LIBERDADE.
Politica[mente] [In]correto - 05/08/2025
C. S. Mourão
Não é novidade: o “politicamente correto”, para o bem e para o mal, se consolidou como um dos pilares da retórica pública contemporânea, especialmente em ambientes institucionais, afetos ou não ao direito. No entanto, sua aplicação indiscriminada levanta questões relevantes sobre a autenticidade, a liberdade de expressão e, também, sobre a integridade argumentativa no campo jurídico.
Uma constatação autoevidente, embora simples, é profundamente reveladora: se algo precisa de um advérbio para ser considerado correto, é porque correto – correto mesmo! – não é. Essa percepção, que pode até soar obtusa à primeira vista, desnuda uma contundente contradição essencial — a de que a correção política, muitas vezes, não passa de um mero verniz linguístico aplicado unicamente para evitar desconfortos, angariar simpatias ou sustentar narrativas, e não para afirmar verdades. O modo político, o politicamente, é exata[mente] e magicamente esse verniz, atuando como uma prestidigitação dolosa.
A linguagem jurídica deve ser, antes de tudo, clara, precisa e honesta. O jurista – real ou politicamente falando – não pode se dar ao luxo da ambiguidade calculada, tampouco da dissimulação travestida de gentileza. Quando o discurso jurídico se curva ao politicamente correto, corre-se o risco de sacrificar a verdade em nome da aceitação – e, então, eis aí um farsante.
O papel do operador do direito não é agradar, mas esclarecer. Não é contornar conflitos, mas dirimi-los, enfrentando-os com rigor técnico e coragem argumentativa. A linguagem jurídica não pode ser um campo de evasivas, mas um instrumento de revelação – e revelação sempre pressupõe a verdade!
A própria expressão “politicamente correto” carrega em si uma confissão: a de que a correção, nela, não é natural, mas meramente construída. Não é ética, mas estratégica. O advérbio “politicamente” altera o significado de “correção”, ampliando o seu conceito para alcançar situações não necessariamente corretas; o que nada mais é do que uma mentira funcionando como uma espécie de álibi linguístico, como se a verdade fosse um crime a ser ocultado.
Se há necessidade de um advérbio para qualificar a correção, é porque a correção, por si só, não deve ser tão reta assim. O que é realmente correto não precisa de adjetivos nem de qualificações. É. E basta! (Entre o correto e o incorreto, há muito mais formas de errar do que acertar, porque o acerto e o correto, assim como a verdade, tendem ao Uno, ao passo que o erro, a incorreção e a mentira tendem ao vazio do infinito – e, eventualmente, ao calor do inferno...)
O politicamente correto, enquanto balizador das expressões humanas, serve como mecanismo de autocensura. O medo de desagradar, de ser mal interpretado ou de contrariar expectativas sociais – incluindo aí “expectativas hierárquicas” – passa a ditar o conteúdo das manifestações jurídicas. E isso é muito perigoso.
O silêncio forçado, ainda que polido, é sempre um empobrecimento do debate. A dissimulação, ainda que elegante, é sempre uma forma de omissão. E o direito não pode ser pobre ou omisso. O direito precisa ser abundante e ser dito — com todas as letras, com todos os riscos – e precisa ser preciso, acima de qualquer ênfase, por mais pleonástica que possa parecer.
É possível — e desejável — que o discurso jurídico seja respeitoso. Mas isso não exige a adoção de um vocabulário artificial, nem a renúncia à clareza. A consideração pelo outro não se confunde com a omissão da verdade. O tato não é sinônimo de neutralização do conteúdo. E a elegância argumentativa pode — e deve — coexistir com a firmeza jurídica.
O desafio ao operador jurídico está em dizer o necessário com precisão, consideração e responsabilidade, sem se curvar ao medo de desagradar. A verdade, quando bem dita, nunca é ofensiva, pois é tão somente a verdade – e, se ela dói em você, é porque talvez você não esteja tão certo assim.
Moral da história: Para ser político e correto não é preciso ser politicamente correto (até porque honestidade intelectual é um valor que não transige com eufemismos).
Em Caxias do Sul, 29/07/2025.
O Brasil Respira Sob Censura - 23/07/2025
Alex Pipkin, PhD
O Brasil respira sob censura. Ainda chamam isso de democracia… Mas o que vivemos não é liberdade; é disfarce. O que há, de fato, é controle do discurso, perseguição política seletiva, manipulação institucionalizada, inversão sistemática da realidade. O Brasil virou um imenso tribunal ideológico, onde se julga não o que se fez, mas o que se pensa.
Converso com empresários de todos os portes, trabalhadores, amigos, familiares. Só se fala de incerteza, insegurança. O país está travado. Há uma névoa sobre o futuro que impede qualquer ação racional de investimento, planejamento, crescimento. O essencial desaparece da conversa pública tupiniquim, ou seja, produtividade, emprego, renda, ambiente de negócios… O colapso não é questão de se, mas de quando.
O Brasil vive uma obsessão. O debate público foi sequestrado por uma guerra ideológica permanente. A pauta nacional está contaminada por narrativas emocionais, sectárias, irrelevantes. Não se fala mais em eficiência do Estado, em educação técnica, em competitividade, inserção global, liberdade econômica.
A política transformou o país num campo de batalha de rótulos. E quem perde é o povo. Quem perde é o empreendedor que quer investir e é sufocado. E o trabalhador que quer produzir e é ignorado.
A ascensão de Bolsonaro acentuou uma cisão que já fervia. O retorno do lulopetismo, com sua retórica de “união nacional”, consolidou o poder de um establishment disposto a tudo para eliminar o contraditório. O Judiciário deixou de ser árbitro, virou um ator com agenda. Vivemos sob uma toga que legisla, executa e censura.
O Congresso? Um teatro de omissões. O Executivo é um amontoado de improvisos, discursos divisionistas e alianças oportunistas. Evidente, o Estado inflado, caro e hostil ao setor produtivo. E, agora, há um novo ator no tabuleiro global.
Trump voltou. O jogo começou a mudar. O presidente da maior potência do mundo — gostem ou não — já começou a aplicar sanções contra regimes que violam liberdades civis. E o Brasil entrou nesse radar. Não por acaso. Trump não disfarça sua “aliança com a dinastia Bolsonaro”, nem sua repulsa à ditadura da toga. O objetivo é claro: expor, confrontar e isolar o sistema de perseguição política que se instaurou no Brasil.
Com Trump de volta, o país entra oficialmente no foco da nova guerra civilizacional. O da liberdade contra controle, da verdade contra manipulação, e da democracia real contra ditadura disfarçada. Mas aqui dentro, seguimos encenando. Como se o problema fosse “discurso de ódio”. Como se censurar o outro lado fosse restaurar a verdade. Como se calar vozes críticas fosse garantir a paz social.
Não há prosperidade sem liberdade. Não há liberdade sem verdade.
A verdade é que o Brasil está paralisado. Não por falta de recursos, mas por excesso de narrativas falsas. O custo disso é brutal: o capital foge, os talentos vão embora, a juventude se desilude. Um país inteiro congelado, intoxicado por ressentimento e medo, sem agenda produtiva, sem liderança lúcida, sem futuro claro.
Não é exagero. É o retrato, que dói. O Brasil precisa de ar. Precisa romper essa camisa de força ideológica. Precisa lembrar que liberdade não é concessão, é pré-requisito. Que crescimento só vem com segurança jurídica, estabilidade institucional e liberdade de pensamento. E o futuro do Brasil passa por uma reconstituição nacional urgente, alicerçada no protagonismo do setor privado, que deve liderar a recuperação.
É preciso reformar o Estado para que ele seja um facilitador e não um entrave, simplificar o ambiente de negócios, garantir mais liberdade econômica e individual para que as pessoas possam empreender, gerar empregos, inovar e apresentar soluções reais para a sociedade.
Sem isso, não haverá saída para o ciclo vicioso de estagnação e retrocesso. Não é somente o país “da década perdida”, mas, talvez, do século…Ainda chamam isso de democracia. Mas já não é. Claro que não.
Só que agora o mundo percebe.
Por que Trump se mete com o Brasil - 21/07/2025
Dagoberto Lima Godoy
Há quem se mostre perplexo diante das atitudes de Donald Trump em relação ao Brasil — impondo tarifas elevadas, criticando o governo Lula e até censurando abertamente decisões do Judiciário nacional, como se estivesse se intrometendo em assuntos internos. Para entender esse movimento, é preciso ir além da superfície e enxergar o cenário mais amplo: o mundo vive hoje uma profunda cisão ideológica.
Mesmo num ambiente repleto de blocos econômicos e alianças políticas, é possível distinguir com nitidez dois grandes polos em formação. De um lado, consolida-se um bloco de poder que promove a centralização política, econômica e cultural, assumindo diferentes rostos conforme a região.
Na Europa Ocidental, essa força se expressa por meio de uma burocracia supranacional — como a União Europeia — que busca impor consensos morais e políticos uniformes sobre culturas diversas. Suas elites social-democratas e liberais-progressistas defendem o intervencionismo estatal, o esvaziamento das tradições e uma cidadania cada vez mais baseada em princípios abstratos do que em vínculos históricos e nacionais concretos.
Nos Estados Unidos, a mesma lógica se materializa na ala dominante do Partido Democrata, com sua ênfase em políticas identitárias, ampliação do poder regulador, controle da informação por meio de grandes plataformas privadas e reeducação cultural por vias institucionais. A esse conjunto somam-se magnatas como Bill Gates, George Soros e outros expoentes do globalismo corporativo, que, sob o pretexto de filantropia e inovação, atuam na formulação de políticas públicas globais, financiamento de agendas ideológicas e fortalecimento de instituições supranacionais. Seu poder deriva menos do voto popular e mais do capital acumulado, das redes de influência e da capacidade de moldar narrativas em escala planetária.
No Oriente, esse projeto centralizador adquire formas ainda mais explícitas. A China comunista combina vigilância digital em massa, repressão política e expansão econômica travestida de parceria pacífica. O Irã subjuga seu povo sob um regime teocrático e exporta ideologia e terrorismo. A Coreia do Norte representa o extremo da tirania estatal.
A esse bloco soma-se a Rússia de Vladimir Putin — cuja posição é ambígua. Apresenta-se como defensora da tradição e da soberania nacional, mas pratica autoritarismo, culto personalista, repressão à dissidência e manipulação midiática. No plano internacional, Moscou atua para enfraquecer a hegemonia liberal do Ocidente, aliando-se taticamente à China e ao Irã. Apesar de não compartilhar o discurso progressista, converge com esse eixo centralizador na supressão das liberdades individuais e no combate à ordem democrática clássica.
Esses modelos, ainda que diversos em aparência, compartilham um denominador comum: a concentração de poder, o desprezo pela autonomia popular e o controle da sociedade como instrumento de engenharia social. Não formam uma aliança formal, mas sim uma frente funcional, unida pela oposição ao modelo ocidental baseado na liberdade individual, no pluralismo institucional e na descentralização do poder.
Ainda assim, convém notar que, embora atuem em convergência estratégica, esses atores dificilmente nutrem lealdade recíproca. Olham uns para os outros, na melhor das hipóteses, como companheiros de viagem — aliados temporários rumo a um objetivo comum, mas com ambições hegemônicas próprias. Cada um, a seu modo, espera que, no desenlace do confronto global, possa prevalecer sobre os demais e impor sua própria versão de ordem. O que hoje parece unidade, amanhã pode desdobrar-se em rivalidade feroz, pois o elo que os mantém juntos não é a afinidade profunda, mas a oposição ao outro bloco de poder, ainda embrionário, um movimento global em sentido oposto — o polo soberanista e libertário.
Esse bloco defende a autodeterminação dos povos, a responsabilidade individual e o direito das nações de preservarem suas culturas sem interferência de elites transnacionais nem vigilância ideológica disfarçada de progresso moral.
É nesse novo contexto que despontam figuras como Donald Trump e Javier Milei. Ambos, a seu modo, simbolizam a resistência à centralização globalista. Trump, com sua política de “America First”, não é propriamente um idealista da liberdade universal. Sua prioridade é restaurar o poder e a prosperidade dos Estados Unidos, enfraquecidos — em sua visão — por gestões democratas e compromissos multilaterais excessivos. Já Milei, na Argentina, ergue a bandeira do libertarismo radical contra décadas de populismo estatizante e alianças com regimes autoritários latino-americanos. Sua eleição representa um marco simbólico na América Latina: a primeira vitória explícita de uma agenda que combina liberdade de mercado, soberania nacional e recusa frontal à burocracia internacional.
O Brasil, por sua vez, tornou-se personagem central nesse embate.
Sob o comando do PT, o país vem sendo reposicionado no tabuleiro internacional como peça auxiliar do bloco estatizante e autoritário. Adoção de pautas globalistas sem debate interno, aparelhamento institucional, manipulação das cortes superiores, neutralização das Forças Armadas e subordinação do Congresso a interesses fisiológicos são traços de um projeto hegemônico de longo prazo. As alianças políticas com regimes como Venezuela, Cuba e Nicarágua, e a reaproximação com China, Rússia e Irã, deixam clara a guinada estratégica.
A oposição, embora numerosa, ainda carece de articulação e projeto. Em torno de Jair Bolsonaro reuniu-se a resistência conservadora, marcada tanto por sua força simbólica quanto por suas limitações operacionais. A trajetória de Bolsonaro revelou, no entanto, uma inquietação difusa mas profunda, compartilhada por milhões de brasileiros — e por outros povos — diante do avanço da centralização autoritária.
É com vistas ao quadro global que Trump age. Ao aplicar sanções simbólicas contra o Brasil de Lula, seu gesto vai além da economia: é uma sinalização geopolítica. Os Estados Unidos nunca se importaram muito com a América Latina. Mas, agora, um Brasil alinhado à China, Rússia e seus aliados representa ameaça à estabilidade da região e ao equilíbrio estratégico do Ocidente. Ao criticar o Governo e o Judiciário brasileiro, e até mesmo ao impor tarifas exorbitantes ao país, Trump não visa interferir diretamente, mas marcar posição: os Estados Unidos, ao menos sob sua liderança, não apoiarão — para dizer o menos — regimes que, sob verniz democrático, avançam na erosão das liberdades fundamentais.
Além disso, Trump compreende que preservar a hegemonia americana no mundo exige contrariar o avanço das potências rivais e dos projetos globalistas que diluem a soberania nacional — inclusive a dos próprios Estados Unidos. Sua política externa não se ancora apenas na retórica nacionalista, mas também na convicção de que a liderança americana deve ser reafirmada com autonomia, firmeza e disposição para agir fora das amarras de organismos multilaterais que já não servem aos interesses nacionais. Em sua visão, conter a expansão da influência chinesa, dos conglomerados transnacionais progressistas e de seus aliados ideológicos é parte essencial da missão de restaurar a grandeza americana.
Os gestos de boa vontade de Trump com o governo de Milei reforçam essa leitura. A Argentina, antes parte do mesmo eixo bolivariano que seduz Brasília, agora se desloca para o campo soberanista. Esse movimento repercute além do Prata. Pressiona o Brasil, inspira outras nações e sinaliza que há alternativas reais ao dirigismo global e à tutela das nações por elites transnacionais.
Tudo faz crer que não é só o Brasil que preocupa Trump, mas, sim, o conflito que se desenrola globalmente, uma disputa profunda e estrutural:
• entre centralização e liberdade,
• entre dirigismo e livre iniciativa,
• entre hegemonia global e autodeterminação dos povos.
E, nesse jogo de forças, o Brasil — queira-se ou não — está no centro do tabuleiro.
É campo de batalha.
A sala vermelho, verde-amarela e seus “adultos” - 15/07/2025
Alex Pipkin, PhD
Na segunda-feira, começando a semana, fui assistir a um filme que ainda não tinha visto. Um filme de Costa-Gavras, “Adults in the Room”. Em português, Jogo do Poder.
É um retrato literal da moderna tragédia grega, em que um governo recém-eleito, embalado em discursos progressistas, prometia ser a salvação do povo. Mas o “progressismo do atraso” é sempre igual. Na película, uma verdadeira revolução sem sangue. Na economia, claro, um milagre fiscal sem matemática. Enquanto as cenas passavam, ideias dançavam em minha mente. Não era mais a Grécia. Era o Brasil. Era o lulopetismo em sua plenitude narrativa, bom-mocista, disfarçada de redenção popular.
No filme, o ministro das finanças tenta negociar com a Troika — BCE, FMI e Comissão Europeia — em nome do povo grego. Mas ele logo descobre o óbvio ululante: não há como romper com a realidade sem suportar suas consequências. É impossível melhorar a vida das pessoas sem respeitar os fundamentos da economia. Principalmente, a regra básica da disciplina fiscal.
Aqui, no Brasil, trocamos o ministro da economia por ilusionistas de orçamento, e o rigor contábil por narrativas sentimentais. A política econômica de Luiz da Silva e de seu escudeiro Haddad, é um GPS quebrado, programado para sempre nos levar de volta ao mesmo lugar. Notadamente, o buraco fiscal. Gasta-se como se não houvesse amanhã, tributando-se até o que não se produz. E, quando tudo falha, como aos costumes, eles culpam o mercado.
Austeridade é uma palavra inexistente no vocabulário lulopetista. Dignidade é mera farsa e a soberania é somente para “inglês ver”. O resultado entregue é endividamento, divisão social e a incerteza “gritante”.
Mas essa é só uma parte da história. A outra, mais sombria, mora na Praça dos Três Poderes. O STF opera como o verdadeiro oráculo da democracia fabricada. Alexandre “O Grande”, é a versão pós-moderna de Robespierre com caneta digital, aquele que controla o que pode ser dito, escrito, pensado. Claro, ele o faz em nome do Estado democrático de direito, e da liberdade…
O lulopetismo se apresenta como um governo do povo, para o povo. Na prática, é um regime de concentração institucional, de assistencialismo sufocante e de censura travestida de proteção. Promete inclusão, contudo, entrega dependência. Promete crescimento, mas gera aversão a investimento com sua tributação escorchante e abissal instabilidade jurídica.
Não, não existe milagre econômico quando se destrói a confiança. Fundamentalmente, não há liberdade quando se silencia, de maneira horrenda, o contraditório.
No filme, a Troika age como poder oculto, imune ao voto. Aqui, o STF faz o mesmo, transformando-se num Departamento de Verdades Homologadas. Decide o que é legítimo, o que é moral e quem pode falar. Por óbvio ululante, a esquerda. Já o Executivo mente pelos cotovelos e o Judiciário o blinda. O povo, que o lulopetismo alega proteger, é reduzido a espectador de uma televisão em preto e branco. Não há futuro.
No país chamado Brasil, o populismo distribui esmola com uma mão e censura com a outra. Mas não se preocupem, tudo em nome da democracia. Porém, democracia de verdade exige liberdade, responsabilidade e limites institucionais. Três palavras banidas da política lulopetista.
“Adults in the Room” termina com a rendição dos idealistas. Por aqui não há rendição. O que existe, de fato, é um conluio. STF e lulopetismo não se enfrentam, operando como sócios da grande empresa do Estado aparelhado. O Estado que arrecada, distribui, persegue e censura, tudo sob a farsa do selo do bem comum, devidamente carimbado pela Suprema Corte da moral única.
A farsa está montada e o GPS vermelho continua rodando em círculos. Não há nenhuma novidade, ou seja, a de que povo - do governo “do povo” - não sai do lugar. Como poderia? Pelo contrário.
E os adultos brasileiros? Bem… os adultos saíram da sala. Agora, só restaram os donos da chave.
O script da tragédia vermelho, verde-amarela segue. Tem novos atores, mas sempre o mesmo final. Triste.
Carta aberta à oposição: resgatem as nossas liberdades e os seus mandatos! - 28/06/2025
Katia Magalhães - IL
À atenção dos deputados e senadores opositores ao autoritarismo judicial
Dirijo esta missiva à restrita gama de parlamentares que, da tribuna e fora dela, manifestam oposição aos crescentes desmandos do STF e, em particular, aos atentados judiciais à liberdade de expressão e à autonomia do Legislativo. Afinal, de nada adiantaria escrever aos inúmeros pares de V. Exas. que, traindo seus eleitores e a nossa ordem constitucional, aplaudem ou calam diante de decretos de juízes abusivos.
Ontem, o Brasil presenciou uma autêntica sessão legislativa na corte que deveria arbitrar litígios. Em vez de cumprir sua função institucional de aferir se julgados de outras instâncias ou normas infraconstitucionais são ou não compatíveis com a Constituição, o tribunal se arrogou a ditar as regras do jogo. No encerramento do julgamento sobre a responsabilização das redes sociais por conteúdos, o ministro Barroso, após a proclamação dos resultados dos casos concretos em apreciação, passou a palavra ao colega Toffoli para que este enunciasse as “teses” destinadas à regência dos conflitos no ambiente digital.
Na prática, juízes legislaram, pois criaram para as plataformas obrigações não-previstas no ordenamento vigente, dispondo sobre situações genéricas e futuras, em atuação que cabe tão somente a V. Exas., parlamentares. Responsabilizaram provedores pela não-remoção imediata de conteúdos relacionados a atos antidemocráticos, terrorismo, induzimento ao suicídio e à automutilação, incitação à discriminação, crimes sexuais e tráfico de pessoas e, ao assim fazerem, reescreveram dispositivos inteiros do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/14).
No dia seguinte à sessão, foi noticiada, pelo jornal Gazeta do Povo, uma reação parlamentar ao arbítrio da véspera, mediante esforços tendentes à aprovação de uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Segundo a reportagem, a PEC, de autoria da deputada Caroline de Toni, promoveria uma alteração no artigo 5º da Constituição: a redação atual, que ampara a livre manifestação opinativa e veda o anonimato, seria substituída por uma versão que conferisse liberdade plena às opiniões e vedasse qualquer tentativa de limitá-la. Em que pese a coragem na iniciativa, a solução parece inadequada e ineficaz.
Inadequada, vez que redundante, ao conferir à liberdade opinativa um amparo já previsto em nossa Constituição e consagrado, diga-se de passagem, em sua plenitude. Embora repleta de imperfeições, a CF em vigor não pode ser acusada de não conceder uma amplíssima chancela ao direito natural de falar, pensar, e exprimir ideias. Promulgada após o trauma de um longo período de repressão, a Carta de 88 se preocupou em elencar a liberdade de expressão no rol das garantias fundamentais, que, ainda por cima, constam da seleta lista de cláusulas pétreas (art. 60, parágrafo 4, inciso IV). Assim, a PEC representará algo como “chover em um molhado” de proteção ampla à liberdade de expressão, que, de tão resguardada, sequer pode ser afetada por eventuais mudanças no texto constitucional.
Ineficaz, pois de nada adiantaria inserir, na Constituição, um reforço de proteção às manifestações opinativas. Afinal, a despeito da já robusta chancela constitucional, a liberdade de expressão já vem sendo desrespeitada pelo Judiciário pelo menos desde a instauração do Inquérito das Fake News, em 2019.
A supressão da vedação ao anonimato, também objeto da PEC, parece igualmente inócua no enfrentamento do autoritarismo togado. Como se vê nos últimos anos, o STF não se incomoda com opiniões provenientes de perfis anônimos, com poucos seguidores e baixa reverberação nas redes. Antes, a mordaça judiciária tem sido direcionada a contas de titulares conhecidos por seus verdadeiros nomes e sobrenomes, perseguidos exatamente em virtude da ampla repercussão de suas manifestações críticas ao STF. Não à toa, conforme revelado pelos Twitter Files, a censura maciça tem recaído sobre jornalistas e influenciadores notórios, e até sobre parlamentares!
A despeito desse cenário sombrio, V. Exas. podem e devem agir, lançando mão de todas as suas prerrogativas constitucionais para impor que juízes retornem às suas funções e deixem de se imiscuir na seara parlamentar. Cabe a V. Exas a tarefa de colocar em prática o artigo 49, XI da CF, que reconhece como sendo de atribuição exclusiva do Congresso nacional a faculdade de zelar pela sua própria competência legislativa. Ora, se o texto constitucional é claríssimo ao conferir a V. Exas. o poder de resguardar a exclusividade da função de promulgar normas jurídicas, então partam para a ação e neguem vigência a julgamentos como o de ontem, em que magistrados desempenharam indevidamente o papel de legisladores. Não se trata de disrupção, mas de simples aplicação de dispositivo da Constituição, norma fundamental que tem de reger todos os poderes!
Ainda no âmbito das atribuições legislativas de V. Exas., revoguem a Lei 14.197/21, que introduziu, em nosso Código Penal, os crimes contra o Estado democrático de direito. Trata-se de tipos penais perigosamente abertos, cuja redação genérica e indefinida foi maliciosamente usada como fundamento a todos os inquéritos e processos por suposto “golpismo”. Cabe a V. Exas. a faculdade constitucional de banir esses tipos penais do nosso ordenamento e, por consequência, de cancelar todas as condenações e os procedimentos injustos contra indivíduos que nada fizeram além de manifestar suas opiniões. Assim como cabe aos membros do nosso Senado processar e punir todos os magistrados que, sob o pretexto de “enfrentamento ao golpismo”, tenham incorrido em crimes de responsabilidade.
Momentos críticos como o presente demandam as respostas prontas que a Constituição coloca ao alcance de V. Exas. Em jogo, estão o cerceamento indevido às liberdades individuais e a invasão da esfera legislativa por togados, que vêm tornando V. Exas. figuras cada vez mais decorativas e vulneráveis. Coloquem um pouco de lado as aparições em redes e priorizem ações efetivas que V. Exas. podem e devem tomar para frear um J1udiciário que se coloca como “poder moderador”, pairando acima dos demais e da própria Constituição. Ajam, antes que seja tarde demais para chorarem por seus mandatos perdidos!
Atenciosamente,
Katia Magalhães
OAB/RJ 95.511
* Publicado originalmente no excelente site do Instituto Liberal, em https://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/carta-aberta-a-oposicao-resgatem-as-nossas-liberdades-e-os-seus-mandatos/
As portas se fecham para nós, brasileiros - 12/06/2025
Stephen Kanitz
Quem tem muito dinheiro já foi embora. Quem ficou, ficará — para sempre.
Os últimos a saírem ainda conseguiram um visto italiano, português, americano.
Os que zombaram da política, que votaram "no que fala pouco", agora vão entender o preço da omissão.
No Brasil do futuro — que já começou — você somente obedecerá. Obedecerá calado.
Pagará impostos cada vez mais pesados, aceitará uma saúde pública em colapso, verá seus filhos estudarem em escolas sucateadas. E ainda agradecerá, pois reclamar será crime.
Desde o fim do regime militar, único período de crescimento sustentado, nossa renda per capita foi cortada pela metade. Dado escondido pelo IBGE, abafado pela imprensa.
Caímos do 40º onde hoje está a Grécia, para o 81º lugar no ranking global de renda.
Sim, caímos — e acreditamos todo este tempo estar subindo. Foram 40 anos de doutrinação.
Nossos jornalistas, intelectuais e professores venceram: conseguiram fazer o país regredir em nome de justiça social — uma justiça que só distribui miséria.
Como ex-professor universitário, afirmo: nunca ouvi na USP uma conversa séria sobre crescimento. Só sobre distribuição.
Nunca discutimos eficiência. Só aumento de gastos.
Nunca produtividade. Só aumento de salários do funcionalismo.
Agora, quando o Brasil se tornar verdadeiramente inviável, Flórida e Portugal não estarão com os braços abertos para nos receber. Estarão com os portões trancados. E com razão.
A esperança de que Tarcísio, Caiado, ou Ratinho, poderão mudar tudo isso sozinhos, é uma ingenuidade atroz.
Como se trocar o piloto mudasse o avião em queda.
A verdade é amarga: 1,5 milhão de brasileiros irresponsáveis, somados aos 12 milhões que anularam o voto, colocaram no poder um condenado em três instâncias. Mesmo que a primeira instância fosse falha, a segunda e a terceira confirmaram e isso ainda não foi contestado.
Prepare-se. O Brasil caminha para mais 50 anos de estagnação, comandado por políticos e economistas que vivem do que você produz, sem entregar nada em troca.
Mas ainda há tempo para reagir. Comece se educando, politicamente e economicamente.
Exija reformas, desmascare as mentiras, confronte o discurso único.
Ensine seus filhos a pensar — e não a repetir slogans.
Denuncie o populismo, o aparelhamento, a corrupção sistêmica. Vote com coragem, com lucidez, com memória.
O futuro do Brasil não será diferente enquanto os brasileiros forem os mesmos. Mude. Agora.
Ou se conforme em assistir o país definhar — por sua culpa.
* O autor, STEPHEN KANITZ, é Consultor de empresas e Conferencista brasileiro, Professor na USP, Mestre em Administração de Empresas da Harvard Business School e Bacharel em Contabilidade pela Universidade de São Paulo
** Reproduzido do Blog do autor, em https://blog.kanitz.com.br/as-portas-se-fecham-para-nos-brasileiros/
Como o Papa Leão XIV emergiu das sombras e chocou o mundo - 07/06/2025
Hon. Justice Aggrey
"Existe um tipo de sabedoria que não é elevada. Ele não procura atenção. Ele não grita para ser visto. Ela simplesmente existe, silenciosa, profunda e eternamente. Esta é a sabedoria da Igreja Católica, um corpo que sobreviveu a impérios, a cismas, suportou escândalos e, ainda assim, permanece de pé, firme e sagrado. A Igreja Católica não é uma tendência. Não é uma onda social. É uma instituição que caminha com o tempo, mas escuta a eternidade.
Enquanto o mundo se ocupava de previsões, elaborando listas de cardeais notáveis, analisando alinhamentos políticos e formulando teorias sobre quem seria o próximo Papa, o Colégio dos Cardeais escolheu um caminho diferente. Ignoraram o barulho. Afastaram-se dos holofotes. Entraram no sagrado e regressaram com um nome que o mundo jamais imaginou. Papa Leão XIV. Um nome que não tinha sido sussurrado nos corredores da especulação. Um homem desconhecido nas manchetes. Uma escolha que silenciou todos os analistas e redefiniu a bússola da seleção divina.
Isto não é uma coincidência. É uma confirmação da ordem divina.
O que o Vaticano fez não foi apenas eleger um novo Papa. Fizeram uma declaração ao mundo. Lembraram à humanidade que Deus não segue tendências. Ele as define. Que a verdadeira liderança nem sempre se encontra no óbvio. Que por vezes, quem carrega o manto não é aquele que o mundo espera, mas aquele que o céu aprova. Este é o mistério da sucessão divina, envolto em silêncio, revestido de oração e selado em sagrada deliberação.
Eu não sou católico. Mas a cada dia que passa, vejo claramente porque é que esta instituição continua a ser venerada. Não é porque os seus membros são perfeitos. Não é porque os seus líderes sejam imunes ao erro. Isto porque, apesar da imperfeição humana nela existente, a Igreja Católica permanece enraizada na ordem sagrada, na governação estruturada e na disciplina espiritual. É uma instituição que domina a continuidade. A sua longevidade não é sustentada pela conveniência, mas pela consagração.
Nenhuma igreja é perfeita. Nenhuma instituição humana está isenta de falhas. A Igreja Católica não é exceção. Nela existem homens e mulheres com diferentes graus de santidade, sinceridade e luta. Mas no meio de tudo isto, permanece um núcleo profundamente espiritual, um centro que se mantém, um sistema que funciona, um ritmo que não se quebra. Há aqueles que estão dentro dos seus muros que servem a Deus em espírito e em verdade, silenciosa, humilde e fervorosamente. A devoção deles não é uma performance. A fé deles não é uma moda. É uma vida.
O que aconteceu na eleição do Papa Leão XIV não é apenas um acontecimento político ou eclesiástico. É um espelho para o resto do mundo cristão. Expõe, por comparação, o caos que reina em muitos ambientes das igrejas modernas, particularmente no espaço pentecostal. Em algumas destas assembleias, as lutas pelo poder substituíram a oração, e a ambição afogou a unção. A liderança é herdada como propriedade. As eleições são manipuladas como acordos comerciais. O púlpito tornou-se uma plataforma para a performance, não um lugar de transformação. O altar tornou-se um local de exposição, não um santuário.
Mesmo entre os chamados irmãos, o amor arrefeceu. A lealdade é transacional. A fraternidade é vazia. É uma tragédia que muitas igrejas pentecostais não conseguem sequer imaginar manter um processo de sucessão tão transparente, espiritual e altruísta. Ajudar um colega ministro é visto como uma ameaça. A ideia de unidade na liderança foi substituída pela competição e pela suspeita. O sagrado está a ser sacrificado no altar do sucesso.
Mas hoje, a Igreja Católica recordou-nos algo que nos esquecemos. Que o reino de Deus não é ruído, mas ordem. Não exibição, mas disciplina. Não a popularidade, mas a pureza. Lembrou-nos que, quando Deus tem permissão para falar, Ele geralmente escolhe alguém que ninguém esperava. Ele ressuscitará o homem que está escondido. Ele levantará aquele que esteve no lugar secreto.
A eleição do Papa Leão XIV é uma lição para a Igreja e para o mundo. É um apelo ao regresso à estrutura, à sacralidade, à tomada de decisões guiada pelo espírito. É a prova de que uma instituição pode ser antiga, mas não obsoleta. Antigo, mas não irrelevante. Tradicional, mas não estagnado. É a sabedoria em ação.
Esta é a sabedoria da Igreja eterna. Este é o mistério da ordem divina. Este é o poder do sagrado. E num mundo afogado em confusão, ela brilha como uma luz que não pode ser escondida.
Que todo o ouvido que ouve ouça. Que todo o olho que o vê aprenda. Que todo o coração que o compreenda regresse ao antigo caminho que conduz à vida.
Verdadeiramente, Deus não pode ser manipulado como muitas das nossas eleições africanas!! Deus é Deus para sempre!"
* O autor, Justice Aggrey Otsyula Muchelule, é ministro da Corte de Apelação do Kenia e ex-pastor Metodista.
Antes tarde do que nunca - 07/06/2025
Gilberto Simões Pires
ESTADO DE COMA
Mesmo cercado de muita desconfiança, vi com bons olhos o fato de que, nesta semana, o ministro André Mendonça, do STF, deu sinais de que, enfim, conseguiu sair do PROFUNDO ESTADO DE COMA, que parecia ser IRREVERSÍVEL a considerar o largo tempo em que permaneceu OMISSO e/ou FAVORÁVEL às TIRÂNICAS DECISÕES tomadas a cada momento pela CELESTIAL SUPREMA CORTE.
FRUSTRAÇÕES
Vale lembrar que desde o dia 16 de dezembro de 2021, quando os senadores aprovaram a indicação de Mendonça como ministro do STF, tudo aquilo que se esperava dele em termos de -JUSTIÇA-, infelizmente resultou em sucessivas FRUSTRAÇÕES. Esse sentimento foi de tal ordem que precisei me beliscar para ter certeza de que era real a afirmação do ministro André Mendonça, ao DEFENDER, durante a leitura do voto que discute a validade do artigo 19 do MARCO CIVIL DA INTENET, que o Poder Judiciário adote uma postura “autocontida” no julgamento sobre a RESPONSABILIZAÇÃO DAS REDES SOCIAIS por conteúdos ilícitos de usuários.
DIREITO DO CIDADÃO
Mais: a percepção de que Mendonça saiu do COMA PROFUNDO ficou ainda mais clara quando afirmou que as pessoas têm o direito de desconfiar das instituições, inclusive da Justiça Eleitoral, em defesa da LIBERDADE DE EXPRESSÃO que PROTEGE TODA A SOCIEDADE. “A Justiça Eleitoral brasileira é confiável e digna de orgulho. Se, apesar disso, um cidadão brasileiro vier a desconfiar dela, este é um DIREITO. No Brasil, arrematou -com lucidez- o ministro André Mendonça: é lícito duvidar da existência de Deus, de que o homem foi à Lua e também das instituições”.
BEM COLETIVO
Embora Mendonça seja o único dos 11 ministro do STF que recuperou a razão e a decência, há que se levar em conta que suas afirmações representam um RESPIRO DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO em meio ao MAR DE CENSURA! Soou, portanto, como uma bela música a defesa de que MAIS DO QUE UM DIREITO INDIVIDUAL, A LIBERDADE DE EXPRESSÃO É UM BEM COLETIVO!
O país do futuro em ruínas - 06/06/2025
Alex Pipkin, PhD
O Brasil, outrora celebrado como o “país do futuro”, vive hoje sob o torpor letárgico de um modelo econômico esgotado, autofágico e moralmente falido.
É como um navio enferrujado, onde os passageiros tiram selfies no convés enquanto a água invade a casa de máquinas. A dívida pública cresce como uma massa disforme, impagável, e o governo finge que não vê. O lulopetismo, fiel à sua natureza, não tem qualquer compromisso com disciplina fiscal. Gasta como se houvesse amanhã. E não haverá.
Enquanto o país sangra, a Esquerda Letrada preserva sua fórmula de poder: compadrio no topo e dependência na base.
De um lado, subsídios bilionários sustentam empresas zumbis, ineficientes e blindadas contra a concorrência. Em 2025, mais de R$ 615 bilhões foram drenados para manter vivos setores improdutivos. É o capitalismo do compadrio, ou seja, uma elite empresarial mantida em incubadora estatal, sustentada por renúncias fiscais, favores regulatórios e proteção contra a competição internacional.
De outro, o assistencialismo crônico, vendido como justiça social, mas operado como máquina de dominação eleitoral. Mais de R$ 270 bilhões, ou 2,5% do PIB, foram transferidos para programas como o Bolsa Família e o BPC. Não se trata de autonomia, mas de um sistema de domesticação coletiva. Distribui-se dinheiro para manter votos. Compra-se lealdade com o suor do pagador de impostos.
Até quando aceitaremos esse pacto silencioso? Onde está a coragem de romper com essa engrenagem perversa que premia a dependência e pune quem produz? A “elite” do funcionalismo público trabalha e vive em Nárnia!
Esse duplo veneno é o coração do projeto lulopetista! Um modelo que paralisa a produtividade, desincentiva o mérito, desmoraliza o esforço e entorpece a sociedade. Tudo isso embalado em discursos sobre “inclusão” e “justiça social” que apenas perpetuam o atraso.
Enquanto isso, a dívida pública se aproxima de 80% do PIB, os juros devoram o orçamento e o déficit é maquiado com truques contábeis. O Brasil caminha, sem freios, para um colapso fiscal antes de 2030.
Não há mais espaço para reformas cosméticas. É preciso cortar com bisturi, não com espátula. Extinguir o compadrio, desmontar o assistencialismo eleitoreiro e devolver ao brasileiro a dignidade de produzir, competir e prosperar. Isso exigirá coragem. E enfrentamento de verdade.
Não há mais tempo de espera. Ou encerramos esse ciclo de decadência ou aceitaremos, como cúmplices, o colapso iminente de um país que já foi promissor — o eterno país do futuro que nunca chega.
O país do pano de prato no ombro - 25/05/2025
Alex Pipkin, PhD
Uma cafeteria. Um desabafo. Um país à deriva.
Fui tomar um café com um amigo — empreendedor, dono de uma cafeteria há mais de dez anos. Bastou perguntar como estavam os negócios para ouvir o diagnóstico seco: “Tô pensando em fechar”. Evidente, não é exclusividade do amigo…
Não por falta de café. Mas por falta de gente com alma.
O que mata o empreendedor brasileiro não é apenas o custo, o imposto, a burocracia. É o colapso invisível da atitude. O Brasil, há tempos, vem fraturando sua coluna vertebral mais silenciosa, ou seja, a cultura do trabalho.
Ele me contou um episódio quase cômico, se não fosse trágico. Um funcionário foi servir com o pano de prato jogado no ombro. Ao ser advertido — por uma questão de higiene, de padrão mínimo — irritou-se, achou-se ofendido e pediu demissão. Não aceitou correção. Preferiu sair. E levou consigo algo mais grave do que um pano sujo. Levou o retrato de uma geração que já não tolera esforço, não reconhece autoridade e se enxerga como vítima em qualquer contexto.
Como escreveu Max Weber, o trabalho foi por séculos a medida da dignidade do homem. Hoje, virou um incômodo. Uma afronta à autoestima inflada por discursos que ensinam o jovem a exigir antes de entregar, a reivindicar antes de compreender.
Claro que há escassez de técnicas, mas essas são ensinadas, como faz meu amigo empreendedor.
Porém, a falta maior é a escassez do “tônus vital”, vulgo tesão. Falta “grit”, aquela garra que os americanos prezam como virtude fundadora. Falta a vontade de aprender, de crescer, de se aperfeiçoar. Falta humildade.
Enquanto isso, cresce o exército de dependentes do Estado. Mais da metade da população brasileira vive de algum tipo de transferência pública. O assistencialismo deixou de ser ponte para se tornar morada. E o brasileiro, outrora orgulhoso de construir sua vida com esforço, virou refém de um Estado que compra apatia com moedas políticas.
Na Brasília das narrativas, o Brasil avança. No balcão da cafeteria, o Brasil sangra.
Empresas fecham não por falência financeira, mas por falência moral. Jovens fogem do trabalho como se fosse punição. Reagem a um puxão de orelha como se fosse uma agressão.
Corrigir virou humilhação. Trabalhar virou humilhação. Empreender virou martírio.
O resultado salta aos olhos em vermelho, verde-amarelo. Cafeteiras vazias de mão de obra, empresas órfãs de comprometimento, jovens que exigem respeito antes mesmo de aprender a cumprimentar. Há trinta anos, um jovem queria seu primeiro emprego. Hoje, exige home office, respeito irrestrito e plano de carreira. Note-se, sem jamais ter lavado um copo.
Não se enganem. O Brasil não quebrou por falta de capital. Quebrou por falta de caráter.
Não é o empreendedor que está cansado. É o Brasil que está adoecido.
E só uma geração disposta a suar de novo poderá reerguê-lo.
Singelo assim.
A farsa democrática vermelho, verde-amarela - 16/05/2025
Alex Pipkin, PhD
Eleito sob o manto da promessa de “restaurar a democracia” e o “Estado de Direito”, o desgoverno Lula se mostra, a cada gesto, a negação exata daquilo que disse defender. A narrativa fabricada para justificar seu retorno ao poder — a de que se combatia um fascista, misógino, autoritário, homofóbico e nazista — serviu apenas como véu conveniente para ocultar intenções mais perigosas para a democracia quanto aquelas que juravam combater.
A presença do presidente brasileiro na Rússia, durante o “Dia da Vitória”, é mais um desses fatos que escancaram a hipocrisia e a contradição. Em meio à guerra brutal travada pela Rússia contra a Ucrânia, uma agressão condenada pela maior parte do mundo civilizado, Luiz da Silva, com sua diplomacia oblíqua e de valores invertidos, prefere posar ao lado de Vladimir Putin, acenando à comunidade internacional ao lado de autocratas africanos, com seu velho fetiche por ditadores e regimes totalitários. Um aceno que não é ingênuo, tampouco protocolar, é ideológico, deliberado e revelador.
Mais revelador ainda é o papel do assessor Celso Amorim, figura cada vez mais central na condução dessa diplomacia do avesso. Antigo ícone da esquerda brasileira, Amorim hoje personifica a decadência moral e política de um governo que insiste em flertar com terroristas como o Hamas, em nome de um antiamericanismo e de um anti-israelismo patológicos. Seu alinhamento com grupos e governos que não hesitam em violar direitos humanos básicos apenas comprova que a tão alardeada “defesa da democracia” era, na verdade, apenas um instrumento retórico para retornar ao poder.
Enquanto isso ocorre no palco externo, o Brasil agoniza internamente. A população, esmagada por um custo de vida insuportável, com combustíveis em alta, alimentos a preços exorbitantes, famílias endividadas e desempregadas, vê um governo ausente, inerte, incapaz de propor uma única medida concreta para aliviar o desespero popular. Não há política econômica efetiva. Não há enfrentamento da inflação. Não há reformas. Não há sequer um discurso sério voltado ao povo. Tudo o que há é silêncio, desprezo e espetáculo ideológico no exterior.
O que se vê é um presidente ausente, que parece mais empenhado em cumprir agenda turística internacional do que em governar. Sua esposa, igualmente desconectada da realidade nacional, viaja em eventos sem relevância prática, desfilando em compromissos que custam caro ao erário e nada devolvem ao cidadão comum. A ida separada à Rússia, dias antes da comitiva oficial, é um exemplo de despropósito e ostentação pública. Uma afronta a quem não consegue pagar o botijão de gás.
No Brasil, o silêncio é absoluto quando se trata de projetos estruturantes ou medidas urgentes. Não se fala em reformas, em emprego, em desburocratização, em produtividade. Lula simplesmente não governa. Quando abre a boca, é para soltar bravatas, repetir slogans mofados e dizer asneiras, quase sempre culpando os outros, como se ainda estivesse em campanha. Enquanto isso, no exterior, veste a fantasia de estadista global, discursando como se o mundo estivesse à sua espera para ouvir sermões de um moralista sem moral.
Trata-se, portanto, de um desgoverno completo. Uma administração que, além de desprezar os princípios democráticos que diz defender, abandonou por completo o seu povo. A “restauração democrática” que prometeram revela-se, cada vez mais, uma encenação. Uma encenação cínica, financiada com dinheiro público e sustentada por uma militância cega, disposta a defender qualquer absurdo em nome de um projeto de poder que, desde sempre, teve pouco apreço pela liberdade e muito apetite por controle.
A democracia brasileira, mais uma vez, é refém de falsos democratas. E o povo brasileiro, traído e empobrecido, paga a conta, literalmente, inclusive as passagens, os jantares, os hotéis e os mimos da comitiva que vive no exterior enquanto o país arde.
Mas não se preocupem! Amanhã tem discurso bonito sobre “justiça social”.
Seis por meia dúzia - 06/05/2025
Gilberto Simões Pires
RESPONSÁVEL
Segundo esclarecem todos os dicionários, RESPONSÁVEL é aquele (a) que tem a OBRIGAÇÃO DE RESPONDER pelas consequências de seus atos, notadamente quando os realiza de maneira consciente e intencionada.
BLOQUEIO DE CONTAS E BENS
Partindo dessa clara premissa, e levando em conta a CONFISSÃO PÚBLICA feita pelo (ex) ministro da Previdência Carlos Lupi, se declarando RESPONSÁVEL (a rigor nem precisaria fazer esta declaração) pelo IMENSO ROUBO DOS APOSENTADOS DO INSS, antes de qualquer atitude reparadora em favor dos SAQUEADOS, a JUSTIÇA (???) deveria, de imediato, BLOQUEAR as contas e bens do ministro -RESPONSÁVEL-.
TUDO POR CONTA DO POVO
Entretanto, como se vê, e não é de hoje, principalmente em se tratando de um governo petista, a RESPONSABILIDADE pela pronta restituição dos DESCONTOS BILIONÁRIOS nas contas dos aposentados do INSS é, exclusivamente, do povo brasileiro. Isto significa, claramente, que, por assumirem -coercitivamente- a RESPONSABILIDADE por um CRIME que não cometeram, os brasileiros se obrigam a renunciar de uma ou mais de suas vontades para ressarcir o BRUTAL SAQUE nas contas dos aposentados. Pode?
SEIS POR MEIA DÚZIA
Pois, em meio a tanta safadeza, onde os VERDADEIROS E ÚNICOS RESPONSÁVEIS seguem LIVRES E SOLTOS, sem ser minimamente perturbados pela JUSTIÇA, o presidente Lula fez troca ministerial do tipo SEIS POR MEIA DÚZIA. Ou seja, sai o ministro IRRESPONSÁVEL CARLOS LUPI E, ENTRA O PETISTA WOLNEY QUEIROZ. Para quem não sabe, Queiroz é aquele que afrouxou as regras de controle do INSS sobre descontos associativos aplicados em aposentadorias e pensões. Que tal?
Não era a única cópia - 27/04/2025
Dartagnan da Silva Zanela
Quando jovem, Napoleão Bonaparte participou de um concurso, no qual apresentou um texto que versava sobre o seguinte tema: "Quais são as verdades e sentimentos fundamentais que um homem deve dominar para ser feliz?"
O ano era 1791, e ele esperava ganhar o prêmio de 1200 francos.
Ele levou seis meses para escrever a tal redação e, no final das contas, não obteve êxito na sua empreitada.
Apesar de não ter sido vitorioso, seu texto é, ainda hoje, digno de ser lido e meditado, tamanha é a sua atualidade, visto que suas palavras nos convidam a uma profunda reflexão sobre as ambições insaciáveis que vicejam na alma humana.
Aliás, vejamos um trecho do dito-cujo: "...a ambição que leva governos e fortunas à ruína, que se alimenta de sangue e crimes, a ambição é, como todas as paixões desordenadas, uma febre violenta e irracional que só cessa, como uma conflagração que, atiçada por um vento impiedoso, só finda depois de tudo ter sido consumido."
Palavras nesse tom foram, ao longo de algumas páginas, ilustradas com diversos exemplos históricos, que iam de Alexandre Magno, passando por Júlio César e, por fim, chegando a Oliver Cromwell.
Agora, já pensou se esse brado contra a tirania tivesse sido apresentado ao imperador Napoleão? Então, foi.
Seu ministro das Relações Exteriores, Talleyrand, desenterrou o referido e o entregou ao imperador francês. Após lê-lo, Bonaparte teria dito que o autor daquela missiva merecia ser açoitado e, então, Sua Majestade murmurou, enquanto jogava no fogo aquilo que imaginava ser a única cópia: "Que ideias ridículas eu tive e como ficaria chateado se tivessem sido impressas".
Atualmente, não temos mais entre nós homens da envergadura titânica de um Alexandre Magno ou de um Napoleão, porém, não são poucas as imitações fajutas que infestam nossa época com suas pretensões megalomaníacas e, por isso, creio que a leitura da tal redação poderia fazer muito bem a inúmeros corações despoticamente peludos e, quem sabe, inspirá-los a mudar de rumo, antes que seja tarde.
Sim, antes que seja tarde, porque, como o poeta Juvenal nos lembra, o mundo inteiro não foi grande o suficiente para a ambição de Alexandre, mas, no final, um caixão bastou.
De mais a mais, de que adianta ao homem ganhar o mundo se ele perder tudo? Realmente vale a pena? Pois é, foi o que eu imaginei.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Um grito de liberdade - 18/04/2025
Alex Pipkin, PhD
Em terras vermelho, verde-amarelas, dormimos e acordamos incomodados. Você está sentido que está sendo enganado? Que trabalha cada vez mais e leva cada vez menos? Que o Estado está te vigiando, te cobrando e te punindo? Você está certo. E mais, você não está sozinho.
Há um ponto de ruptura em toda sociedade que se pretende livre, mas que, dia após dia, vai sufocando seus melhores indivíduos. Não acontece de forma abrupta. É sempre gradual, imperceptível, até que já não se pode mais respirar sem pedir permissão. Hayek chamou isso de “O Caminho da Servidão”. Estamos, mais uma vez, trilhando esse caminho, passo a passo, decreto a decreto.
A tragédia da liberdade moderna não está na tirania declarada, mas na servidão disfarçada de democracia. Os liberticidas de hoje não usam fardas, usam gravatas. Não apontam armas, apontam dedos. Roubam, censuram e controlam em nome do povo. E o povo, muitas vezes enfeitiçado por slogans e esmolas, e/ou desprovido de conhecimento e discernimento, aplaude sua própria escravidão. Aldous Huxley já prenunciava tal situação em seu romance Admirável Mundo Novo.
Por sua vez, Hayek alertou com precisão cirúrgica que “a democracia ilimitada é tão perigosa quanto qualquer ditadura”. Quando o voto serve para legitimar o saque, a imposição, o privilégio, a mentira, já não se está mais numa república de indivíduos livres, mas num hospício em que os parasitas escrevem as regras e os criadores de riqueza são punidos.
Antes dele, Frédéric Bastiat já havia desmascarado a grande perversão do direito, ou seja, quando a lei, em vez de proteger, se torna instrumento de roubo legalizado. Quando ela deixa de ser o escudo do indivíduo contra o Estado para se tornar a arma do Estado contra o indivíduo. Para ele, “a lei é pervertida quando ela viola a propriedade, em vez de protegê-la”. Nesta direção, o que é o Estado brasileiro hoje senão uma máquina de expropriação, que confisca pelo imposto, controla pela regulação e oprime pelo discurso?
No século XIX, Alexis de Tocqueville, alertava sobre esse “despotismo suave” das democracias modernas. Há um governo que não oprime com brutalidade, mas com “uma rede de pequenas regras”, até reduzir o cidadão a um animal tímido, domesticado por benesses e tutelas estatais.
Quando os produtores passam a pedir permissão para existir, quando quem investe e cria precisa justificar-se diante de quem nada constrói, a moral da sociedade foi virada do avesso. E não adianta pintar isso com as cores da “justiça social”. Aquilo que precisa destruir a liberdade para se afirmar, não é justiça: é tirania emocional travestida de virtude.
Em The God of the Machine, Isabel Paterson foi clara: “nenhuma autoridade pode criar. Só pode consumir”. O Estado vive do que toma, não há Estado forte sem cidadão explorado. Não se pode mais aceitar tal circunstância. Não se pode aceitar o roubo como política pública. A censura como proteção, e a servidão como solidariedade.
Quando o indivíduo perde sua liberdade, ele também perde sua dignidade, tornando-se servo do Estado. Sua vontade é atrofiada, seu senso de responsabilidade substituído por obediência. Todos nós, de alguma forma, dependemos do Estado, mas é preciso não deixar que essa dependência silencie o espírito de liberdade, fazendo-nos comportar como um sapo fervido. O único contrato legítimo é aquele que reconhece o indivíduo como fim em si mesmo, não como ferramenta de uma massa amorfa chamada “sociedade”.
A sagrada liberdade, é fundamentalmente dependente das ideias que orientam os indivíduos.
Uma vez que o Estado toma sua renda a fórceps, ele está tomando seu trabalho e sua liberdade. Não há justiça nisso, somente escravidão moderna com verniz legal. É preciso rechaçar esse “status quo”. O que fazer?
Indignar-se com essa pseudo-democracia. Romper com as utopias, mentiras e falácias do coletivismo. É necessário se organizar. Estudar. Falar. Escrever. Reagir. Espalhar ideias. Defender os valores do indivíduo acima das fantasias de massa.
Não há mais tempo de espera. A liberdade é o nosso bem maior. Ela só floresce onde o indivíduo não se curva diante de pretensos donos da verdade, de políticos disfarçados de juízes que vestem toga preta.
Quem, de fato, ama a liberdade, precisa lutar por ela. Aguerridamente, com a mente, com a voz e com a ação.
Lawfare para os inimigos. Um “underlawfare” para os amigos? - 17/04/2025
Valterlucio Bessa Campelo
Apesar de ter conseguido as assinaturas necessárias para que o presidente da Câmara Federal dispense as comissões e leve o projeto da anistia diretamente ao plenário, os parlamentares estão enfrentando seriíssimas dificuldades para que o objetivo seja alcançado. É que executivo e judiciário, através de ministros que exacerbam livremente sua função, estão “em campo” ligando para os deputados e chantageando-os no sentido de que retirem a assinatura. Cargos e processos estão na mesa. De outra parte, já dão declarações de que, no caso de votação e aprovação, o STF o julgará inconstitucional. É aperto de todo lado, utilizando-se a justiça para coagir e derrotar o adversário comum. Isso tem nome, chama-se lawfare.
Se, contra o Jair Bolsonaro e a direita de modo geral, temos um lawfare feroz, a favor do lulopetismo e da esquerda verifica-se o uso estratégico da lei para prejudicar agindo de forma benevolente com ilegalidades e negligente com a apuração de crimes.
Em primeiro lugar, saibamos que a palavra lawfare combina (em inglês) duas – law (lei) e warfare que, no contexto, adquire o sentido de jornada, campanha, estratégia de guerra. Enfim, o termo se refere à utilização do sistema jurídico e das próprias leis como numa guerra política, é uma estratégia de persecução legal do adversário. Pense no que fazem com a direita no Brasil, mormente com seu principal líder, o Jair Bolsonaro. Pois é isso mesmo e podemos identificá-lo percebendo:
Quando o judiciário perde as estribeiras e toma o papel de fazedor de leis, ou seja, quando se dispõe a um ativismo fácil e encontra aliados para, na imprensa, no executivo e no próprio parlamento, suportar o desequilíbrio entre os três poderes com o argumento fajuto de combater a inação ou fazer avançar a agenda da sociedade, ou mover a civilização como já disseram nossos ministros, estamos encalacrados em um lawfare clássico. É o judiciário dando passos maiores do que as pernas e adentrando ao perigoso terreno do autoritarismo.
Por outro lado, as mesmas estruturas são frequentemente usadas para facilitar a vida dos membros de um partido ou, mais extensivamente, de uma tendência política. Sendo de esquerda, o criminoso será compulsoriamente julgado pelos favores da lei. Há uma espécie de acolhimento que vai do garantismo ao engavetamento.
Sem ser jurista, penso que há razões para propor que temos no Brasil atualmente, uma novidade, um “underlawfare” que descreveria uma situação em que a lei é intencionalmente subaplicada, ignorada, ou a fiscalização é deliberadamente negligenciada para obter algum tipo de vantagem ou favorecer certos grupos ou indivíduos. Atrevo-me a propor aqui algumas características do "underlawfare".
Pode-se dizer, então, que, enquanto o "lawfare" usa a lei como uma arma ofensiva, o "underlawfare" usa a não aplicação da lei como uma forma de proteção ou favorecimento estratégico. O Sistema atua como um leão contra a direita e mia como um gatinho contra a esquerda. Ambos distorcem o propósito fundamental do sistema legal. A vítima maior é a democracia, conspurcada por uma danação jurídica que se soltou de seu propósito constitucional.
* O autor, Valterlucio Bessa Campelo, escreve às segundas-feiras no site AC24HORAS, terças, quintas e sábados no DIÁRIO DO ACRE, quartas, sextas e domingos no ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites.
Democracia, Estado de Direito e Law Fare - 09/04/2025
Sebastião Ventura
O voto concede poder. E poder político é mando e organização social. Todavia, em uma democracia autêntica, autoridade não é autoritarismo, independentemente de onde venha o poder exercido. Tais conceitos básicos se esvaem em um tempo no qual os significados perdem sentido. Na desconstrução estrutural do presente, assentada na ruptura de padrões tradicionais e no desmonte cultural da razão superior, não é somente a democracia, mas a própria civilização que está em risco.
Sim, os conceitos de paz e prosperidade são construções sociais recentes. Historicamente, a humanidade passou por longos períodos de guerras, pestes e misérias absolutas. A longevidade era baixa, a mortalidade infantil altíssima, a pobreza era regra, a riqueza, exceção majestática. Aliás, faz menos de 100 anos que o mundo viveu um conflito armado de larga proporção que devastou a Europa e, após anos de destruição e ruína absoluta, só chegou ao fim com o uso do poder atômico e consequente estabelecimento de um novo norte de hegemonia global.
Com o fim da Guerra Fria, o poder hegemônico se consolidou sob a direção de Washington, possibilitando a implantação de pautas capitalistas de largo alcance com geração de prosperidade, desenvolvimento econômico, científico e impressionante aprimoramento da qualidade de vida e do bem-estar humano. Por certo, algum sabujo indagar-se-á: quer dizer, então, que todos os males sociais foram resolvidos? Ora, é lógico que não, até mesmo porque a gravidade da hora dispensa ingenuidades juvenis. Agora, negar os avanços promovidos pelo capitalismo é fechar os olhos para a realidade evidente, preferindo-se a cegueira ideológica que usa a ignorância e a miséria dos que ainda sofrem para mantê-los na agonia da dor e da pobreza. Na verdade, como o progresso os ofende, preferem mentir despudoramente.
Infelizmente, a mentira elege fácil, pois ser verdadeiro exige o peso da responsabilidade e o compromisso com valores pessoais. No inverno das virtudes, os sistemas de poder se tornam ocos, sendo preenchidos por perigosos gases asfixiantes. Por assim ser, as democracias perdem vitalidade, reduzindo o espaço público a um jogo de interesses rasteiros, sem visão superior e despido de raízes de sustentação. A consequência é direta: a política decai, fulminando a crença dos cidadãos nas instituições republicanas. Entre angústias e desmandos, a esperança por justiça se torna premente, mas a relativização da legalidade a torna ilusória. Onde não há lei, as injustiças se tornam reais.
O Estado teoricamente de Direito passa a ser uma ilegalidade prática. Como último freio, chama-se o poder togado para resolver problemas que a política democrática se tornou incapaz de resolver, seja por covardia, omissão ou ausência de espírito público. Sobre o ponto, em artigo seminal, o general americano Charles J. Dunlap Jr. cunhou a expressão “lawfare” para indicar o uso da legalidade para fins bélicos, vindo a pontuar a “evidência perturbadora de que o Estado de direito está sendo sequestrado em outra forma de luta (lawfare), em detrimento de valores humanitários, bem como da própria legalidade”. A manobra, através de expedientes jurídicos de ocasião, embrulha matérias políticas fundamentais em ações judiciais, colocando na decisão jurisdicional o exercício de opções democráticas de titularidade prioritária da política.
O fato é que, por maior que seja o talento do julgador, não terá ele o poder de consertar ou suprir o exercício político responsável. Afinal, política democrática não se faz com um homem só. Plenamente ciente das imperfeições da democracia, bem como dos limites da jurisdição constitucional, o grande Oliver Wendell Homes afirmou: “if my fellow citzens want to go to Hell I will help them. It’s my job.”. A expressão do notável juiz americano, antes de indiferente fatalismo, expõe que há escolhas democráticas que, independentemente de serem boas ou más, estão acima do poder de interferência judicial. Até mesmo porque, entre escolhas erradas, a cidadania aprende a escolher certo. E, entre erros e acertos, entre idas e vindas, a democracia aprimora-se como instrumento pulsante de poder.
No cair da noite, os desafios da contemporaneidade exigem prudência máxima. A busca de atalhos apenas acelerará imprevisíveis processos de ruptura. Com tato e sensibilidade, o resgate institucional da democracia não se fará por litígios, mas pela hábil construção de pautas majoritárias que impactem a vida das pessoas. Antes de bravatas, precisamos de lideranças públicas e privadas com capacidade de dizerem palavras sinceras que cativem a confiança dos cidadãos em um projeto de futuro factível. Tudo com respeito, altura e dignidade. Com verdade e sem ilusões. Uma força democrática séria, honesta e com a simplicidade que faz conquistar. Enfim, valores que somos e que precisamos representar.
* Publicado originalmente em Dynamic Mindset – https://dynamicmindset.com.br/capitalismo-e-progresso/
Fracassos pastorais - 25/03/2025
Valdemar Munaro
Subsidiadas por 'teologias' ascendentes, as Campanhas da Fraternidade promovidas pela CNBB desde 1962, mostram que o rosto pastoral e evangelizador da Igreja no Brasil tem escasso e superficial efeito. Não é preciso uma requintada observação para ver, nesses anos todos, que a fraternidade entre nós não aumentou e o egoísmo não diminuiu. Algum fracasso pastoral ronda os investimentos dessa 'evangelização' e merece honesto exame.
Costumeiramente, as Campanhas não tem energia própria e viajam nos ombros da liturgia quaresmal com objetivos paralelos ao da penitência, contrição e perdão dos pecados com vistas à celebração dos mistérios da paixão, morte e ressurreição de Cristo.
A teologia da libertação é a grande fornecedora dos subsídios teóricos das referidas Campanhas, mas, sendo um espinheiro, é incapaz de produzir uvas e figos (cfr. Mt 7, 16). Os textos que idealizam a árvore da fraternidade estão carunchados de kantismo e hegelianismo. O resultado: catequeses essencialmente moralistas, temperos sociológicos refinados, dicas sobre ecologia e meio ambiente, recomendações econômicas e políticas, juízos comportamentais acerca da convivência humana.
As fraternidades indicadas por Jesus, porém, pedem claramente um tipo de amor raro, impossível à moralidade: "Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que vos maldizem e orai pelos que vos injuriam... Se amais os que vos amam, que recompensa mereceis. também os pecadores amam aqueles que os amam" (Lc 6, 27s).
Nenhum ser humano pode viver esse amor se não estiver enxertado na Graça divina, pois Cristo mesmo disse: 'sem mim nada podeis fazer" (Jo 15, 5). A elevação da natureza é pressuposto imprescindível sem o qual, os homens permanecem aprisionados à miséria, à morte, ao egoísmo e à violência.
A catequese kantiana, por sua vez, põe seu bedelho para apertar ainda mais a corda moral que nos aprisiona e sufoca. Os conflitos, as mágoas e os ressentimentos estão nas raízes dos afetos e das relações humanas, coisa que os românticos, contaminados de hegelianismo, não querem ver. Em razão disso, propõe comportamentos que a soberba, a vaidade endêmica e o pecado, torna impraticáveis. Mesmo assim, os 'teólogos' elevam-se do seu lugar e, julgando-se capacitados para julgar vivos e mortos, avaliam os não praticantes da fraternidade. A teologia da libertação fomenta o surgimento de almas justiceiras e ansiosas por 'juízos finais', mas a fraternidade que propõe goela abaixo, vem inspirada pelo tirânico socialismo espiritual que não é de Cristo.
Revolucionários franceses de 1789, russos de 1917, maoistas de 1950, cubanos de 1959, etc... também ostentavam bandeiras de igualdade e fraternidade. Daqueles ideais nada sobrou, exceto amargura, dor, sangue, violência e morte.
Os 'carteiraços' morais astutos e 'mansos' endereçados aos fieis a fim de que pratiquem as ditas fraternidades, é uma canalhice pastoral semelhante àquela dos que enviam soldados desarmados e raquíticos às guerras.
O hegelianismo, pai do marxismo, também meteu-se nesse imbróglio teológico para condimentar fraternidades com ideais surrealistas. Demente, propõe soluções idealistas que a complexidade dramática da convivência humana não suporta.
Enquanto os existencialistas agudizam os dramas humanos históricos e temporais, os idealistas, perigosamente, descem a campo para implementar engenharias sociais. Assim, quando kantianos, idealistas hegelianos e existencialistas, na contramão do Evangelho, subsidiam teologias cristãs, o que ocorre é a metamorfose das exigências de Cristo em ações meramente éticas e cívicas.
Certamente, os ideais de fraternidade cristã, como os descritos nos Atos dos Apóstolos (4, 32-35), sempre foram imperfeitos, anônimos e escassos. Apenas a sabedoria divina os pode julgar e tornar possível. É preciso levar em conta seriamente, pois, que as relações e vivências humanas podem ser belas e verdadeiras, mas também fúteis e banais, hipócritas e farisaicas.
O fingimento e o desamor, a vaidade e a mentira são mais recorrentes e fáceis do que se imagina. "Tra il dire e il fare, c'é in mezzo il mare', diria um proverbio italiano. As aparências, quase sempre, enganam. O que se diz nem sempre é o que se faz e o que se faz nem sempre é o que se diz.
Por estas e outras tantas razões, deduz-se que as carências fraternas não serão jamais preenchidas por meio de catequeses morais, cantigas de roda e técnicas diplomáticas, espirituais e psicológicas como sugerem as Campanhas.
S. Agostinho (430 d. C), entre os grandes da Igreja, resume, magistralmente, o enigma da vida fraterna cristã: "Beatus qui amat te et amicum in te et inimicum proter te" (Feliz quem te ama, o amigo em ti, o inimigo por ti) (Conf. 4, 9). Quer dizer, só o amor capaz de dar a vida ao inimigo produz a autêntica fraternidade. Quem for capaz de amar nessa medida, será um santo ou um idiota: idiota se não souber o que faz e santo se souber que o amor com que ama vem de Deus, pois inimigos não são aqueles que odiamos, mas aqueles que nos odeiam e amá-los, incondicionalmente, é coisa impossível à nossa condição, mas possível a Deus.
O protestante Karl Barth (1886 - 1968), enfeitiçado pelo existencialista S. Kierkegaard (1813 - 1855), ponderou que o bom teólogo deve olhar duas fontes: a Bíblia e o jornal. Não disse, porém, qual deve ser a primeira leitura, já que é impossível ler duas coisas ao mesmo tempo. É a Escritura que ilumina o jornal ou é o jornal que ilumina a Escritura?
No século XIII, S. Tomás de Aquino sabia dessas questões, mas respondeu que o esforço filosófico começa pela admiração e contemplação das criaturas até chegar progressivamente ao conhecimento de Deus. O teólogo, ao invés, tem o privilégio de um caminho inverso, partindo de Deus para chegar às criaturas, pois conhece estas últimas numa luz mais perfeita que a racional. "A essência da criatura\", diz textualmente o doutor angélico, "está para a essência de Deus como o ato imperfeito está para o ato perfeito. Eis por que a essência da criatura não nos conduz de modo suficiente, ao conhecimento da essência divina; o mesmo, porém, não se dá com a investigação em sentido inverso" (S. Theol., I, q. 14, a. 6. ad 2).
Como se conclui, a autêntica teologia cristã sobrevive na e pela verdade revelada. A vantagem cristalina e gratuita do teólogo é maior se comparada à posição do filósofo, porque, antecipadamente, vê o mundo a partir da luz que vem das verdades reveladas. Nestas, compreende luminosa e profundamente o sentido da história, do mundo e do homem. A teologia cristã, enfim, encontra na Revelação seu sentido, sua origem, sua compreensão e sua sobrevivência.
Prescindir de Cristo, portanto, é uma corrupção teológica. Os problemas ecológicos, políticos e econômicos quando essencialmente priorizados sobre os revelados traduzem a pressa do teólogo pelo juízo final. Com efeito, boa parte da produção teológica contemporânea, transportada em carroças kantianas, embrulhos hegelianos e molduras existencialistas, transformaram os Evangelhos em catequeses morais que não suscitam conversão, nem mudança de vida. Não é tarefa do teólogo ser juiz do mundo, nem ser seu ceifador.
Por serem soberbas e ansiosas, essas teologias ascendentes, contaminadas de exigências históricas, apelos transversais e ressentimentos, jogam os fieis sempre mais profundamente no interior da arena política enlameada de conflito e malandragem. Como e quando, infelizes e pobres fieis católicos ou não, poderão vislumbrar alguma saída para o caldeirão infernal de ressentimentos e conflitos em que se encontram, se as tais 'fraternidades' tão esperadas e tão alardeadas, se baseiam essencialmente em apelos morais e mandamentos cívicos?
O imperador romano Constantino (272 - 337 d. C.), bom estrategista, mas teólogo ignorante, fez deslizar o poder político para dentro da ortodoxia cristã e da organização eclesiástica, dando-lhe pompa e visibilidade. Já o reino franco de Carlos Magno (742 - 814 d. C.), agudizou o problema ao permitir que prelados e teólogos interviessem nas reuniões políticas e administrativas e condes, duques e príncipes dessem palpites nos concílios, sínodos e assembleias episcopais. A saúde profética da Igreja se deteriorou com reis metendo-se em assuntos eclesiais, mas piorou com intromissão de bispos e teólogos em poderes políticos.
Constatar, portanto, a religião cristã buscando amparo teológico em filosofias ímpias e inimigas é desolador, mas também o é, ver teologias buscando amparo nos engodos e na podridão dos poderes políticos. O quadro, como se conclui, é triste: teologias mendigando sustento de poderes políticos apodrecidos e corruptos e poderes políticos corruptos e apodrecidos mendigando apoio de teologias.
Tal parece ser o retrato de uma Igreja que mandou às cucuias Jesus Cristo e seu Evangelho. Se racionalistas, aos moldes kantianos e idealistas (hegelianos e marxistas), absolutamente hostis ao Filho de Deus, galgaram um lugar para subsidiar as teologias, é porque estas últimas finalmente degringolaram.
Nas artérias da teologia da libertação, enfim, encontramos resíduos doutrinários já ensinados pelo líbio, Ario (256 - 336 d. C.) e pelo bretão, Pelágio (350 - 243 d. C.). Ambos inteligentes, lábios afiados e de boa retórica, foram teólogos que aceitaram e recolheram de Jesus unicamente seu exemplo moral. O arianismo e o pelagianismo jogaram fora a divindade de Cristo e retiveram apenas sua humanidade. Exatamente como faz o iluminista Immanuel Kant (1724 - 1804), o teólogo Rudolf Bultmann (1884 - 1976) e quase toda Teologia da Libertação.
Ignorar o poder do pecado e da morte, do ressentimento e da mágoa, da preguiça e da indolência, do tédio e do vazio, da incapacidade humana de amar e perdoar, é não saber da visceral necessidade que o pecador tem de Cristo e de sua Graça para ser cristão. Se Jesus não for levado a sério como Filho de Deus, vivo e ressuscitado, deixará de ser a causa e razão de nossos vínculos fraternos e de nossa fé.
Teólogos à espera de uma fraternidade que eles mesmos não conseguem viver, são apenas moralistas e juízes de plantão.
* O autor, Valdemar Munaro, é professor de Filosofia.
Santa Maria, 24/03/2025.
Concorrente afinado - 25/03/2025
Gilberto Simões Pires
BESTEIRAS
O vice-presidente Geraldo Alckmin veio à público com o propósito de mostrar que -DIZER GRANDES BESTEIRAS- é uma tarefa que não cabe apenas ao presidente Lula, mas, de forma igualitária aos integrantes da -CHAPA LULA/ALCKMIN-, que mais do que sabido vem -desgovernando- o Brasil desde janeiro de 2022.
FORTE CONCORRENTE
Ontem, em evento promovido pelo jornal Valor Econômico, na qualidade de presidente em exercício, Alckmin foi simplesmente à loucura quando resolveu defender, com unhas e dentes, que o Banco Central desconsidere a inflação de alimentos e energia ao definir a taxa Selic. Fantástico, não? Creio que tão logo tomou conhecimento da enorme idiotice, Lula deve ter percebido que seu vice-presidente é um forte e destemido concorrente.
CAUSA INTOCÁVEL
Para deixar muito claro que não tem o menor compromisso em atacar a VERDADEIRA -CAUSA- DA INFLAÇÃO, que consiste em PAQUIDÉRMICOS GASTOS PÚBLICOS -sustentados por UM CRESCENTE E ABISMAL ENDIVIDAMENTO-, Alckmin simplesmente atacou -com todas as pedras- a pobre e velha CONSEQUÊNCIA. Pode?
CRÉDITO CONSIGNADO
Mais: em momento algum, Alckmin criticou a SAFADEZA que embala o PROGRAMA DE CRÉDITO CONSIGNADO, que seu líder está VENDENDO ao pobre povo brasileiro como se o EMPRÉSTIMO fosse DINHEIRO DO CAIXA DO GOVERNO (??), quando, na REAL, é DINHEIRO DO PRÓPRIO POVO, a considerar que a GARANTIA É DADA ATRAVÉS DO FGTS.
Aliás, vale lembrar que, ontem, a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, achou melhor apagar um vídeo que publicou no sábado, 23, em suas redes sociais, no qual se referia ao crédito consignado como “empréstimo do Lula”....Argh..
A mídia em modo êxtase - 19/02/2025
Gilberto Simões Pires
MODO ÊXTASE
Ontem, à tarde, tão logo o sinistro procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, decidiu oferecer ao STF, (leia-se ministro Alexandre de Moraes), a tão esperada e, portanto, nada surpreendente, denúncia contra 34 pessoas ACUSADAS de -ESTIMULAR- e -REALIZAR- atos -GOLPISTAS- contra os Três Poderes e contra o Estado Democrático de Direito, a MÍDIA TRADICIONAL, eivada de EUFÓRICOS LULISTAS e ESQUERDISTAS EM GERAL, entrou em MODO -ÊXTASE-.
NARRATIVA
Pois, a bem da mais pura verdade, coisa que a MÍDIA TRADICIONAL não tem o menor apreço e compromisso, a NARRATIVA imediatamente utilizada para iluminar a tal DENÚNCIA dá a entender que a -ACUSAÇÃO- dos 34 DENUNCIADOS seja percebida como -CONDENAÇÃO-. Mais: SEM DIREITO À DEFESA e muito menos ANISTIA, coisa que, aqui entre nós e o mundo, só pode alcançar àqueles que já foram condenados por crimes cometidos.
NOS EUA...
Enquanto a MÍDIA TRADICIONAL -IDEOLÓGICA- se concentra na DENÚNCIA OFERECIDA PELA PGR, lá nos EUA, como bem refere o jornalista Paulo Figueiredo, o advogado americano Martin De Luca, responsável pela ação da empresa do Trump e Rumble contra Alexandre de Moraes nos EUA, disse o seguinte, sobre o -JULGADOR- DA DENÚNCIA:
Este caso trata de responsabilizar ALEXANDRE DE MORAES EM UM TRIBUNAL AMERICANO PELA FORMA COMO ELE EXERCEU SUA AUTORIDADE. Ele usou o judiciário não como um árbitro neutro da justiça, mas como uma arma para silenciar opositores políticos, seja Jair Bolsonaro ou um dissidente político que recebeu asilo nos Estados Unidos. Nós solicitamos um julgamento com júri para determinar se um juiz estrangeiro pode usar seu cargo para ditar qual discurso é permitido nos Estados Unidos". Este é um caso histórico que definirá o futuro da liberdade de expressão e da soberania digital nos Estados Unidos.
MAIS DO QUE CENSURA
Disse mais: NUNCA ANTES UM JUIZ ESTRANGEIRO TENTOU IMPOR CENSURA A EMPRESAS AMERICANAS DEPOIS QUE O GOVERNO DOS EUA REJEITOU SEU CASO LEGAL. Este processo não é apenas sobre Rumble e TRUTH Social—é sobre estabelecer um precedente de que empresas americanas seguem a lei dos EUA, não os ditames de tribunais estrangeiros agindo sem a aprovação do nosso governo." "Este processo é sobre mais do que censura—é sobre proteger a soberania digital da América. O Ministro Moraes está usando lawfare para alcançar além das fronteiras do Brasil para silenciar a oposição política nos Estados Unidos. Este é um precedente perigoso. Se for permitido que continue, abre a porta para governos estrangeiros -weaponizarem- seus tribunais para controlar o discurso e neutralizar seus opositores políticos em solo americano."
O ultraje da retina - 24/01/2025
Dartagnan da Silva Zanela
Certa feita, Roland Barthes havia dito que, no século XXI, os analfabetos não seriam apenas aqueles que não sabem ler, nem escrever, mas todo aquele que não sabe ler, escrever e interpretar imagens. Não apenas porque vivemos num mundo onde os canais de televisão, e as mídias digitais, estão praticamente presentes em todos os cantos e recantos da nossa vida (e, sem o menor recato, procuram emoldurar a nossa percepção dos acontecimentos), mas também, porque toda informação comunicada é formatada a partir de uma trama de intenções.
Intenções essas que, muitas vezes, desconhecemos; outras tantas, ignoramos e, em alguns casos, comungamos. Nos dois primeiros, cedo ou tarde, podemos corrigir nosso entendimento, quando procuramos nos nutrir com outras informações que podem ser contrapostas às primeiras, fazendo saltar, diante dos nossos olhos, as suas contradições.
Agora, quanto ao terceiro, esse é um trem pra lá de danado, porque, quando comungamos de algo, consciente ou não dos pressupostos do emissor, sempre acabamos ficando com um ponto cego em nosso horizonte de percepção.
Um bom exemplo disso foi a inauguração do novo mandato presidencial de Donald Trump, onde Elon Musk discursou e, ao final, visivelmente emocionado, pôs a mão direita no peito e moveu-a com força na direção do público como se estivesse jogando algo e, comovido, disse: "Meu coração está com vocês. É graças a vocês que o futuro da civilização está assegurado."
Mas como a grande mídia noticiou isto nestas terras onde gorjeia a andorinha e o sabiá? Que ele havia feito uma saudação nazista.
É, quem só lê manchete acaba ficando sem informação.
Aliás, esse é um caso clássico daquilo que Leo Strauss chamou de "Reductio ad Hitlerum", uma falácia que, em resumidas contas, procura estabelecer uma relação, qualquer relação, entre uma pessoa com a figura de Hitler e sua gangue, para desqualifica-lo, rotulando-o de forma infame como nazista.
Na dúvida, veja o vídeo e tire a conclusão que julgar mais apropriada sobre Elon Musk, mas não se fie naquilo que a grande mídia diz; não confiemos apenas naquilo que é apresentado por uma manchete sensacionalista, não permitamos que nosso entendimento seja tangido maliciosamente por pessoas, partidos e entidades que procedem dessa forma ultrajante, insultando a nossa inteligência e vilipendiando o bom senso.
* O autor, Dartagnan da Silva Zanela, é professor, escrevinhador e bebedor de café. Autor de "A QUADRATURA DO CÍRCULO VICIOSO", entre outros livros.
Cumprindo a risca - 12/01/2025
Gilberto Simões Pires
DORES E SOFRIMENTOS
Mais do que perceptível, os notáveis sofrimentos econômicos produzidos com esmero e dedicação pelo governo Lula, que foram anunciados, à exaustão, em 2024, dando conta de que as dores se fariam presentes, de forma gradual, implacável e vigorosa ao longo de 2025, já estão dando o ar de sua péssima graça, aqui e ali, com desenhos pra lá de assustadores.
ADMISSÃO DO ÓBVIO
Vejam que até a Rede Globo, companheira de primeira hora do governo Lula, acabou se rendendo à realidade trágica e se viu obrigada a admitir o óbvio ao publicar o seguinte texto: -a recente tempestade perfeita vivida pelas varejistas brasileiras está prestes a ter um novo capítulo. Além de lidar com a concorrência das estrangeiras, as altas taxas de juros e a escalada do dólar, as empresas se preparam agora para um REPASSE DE PREÇOS que deve chegar a 10% no primeiro trimestre do ano.
PROJETO DO PT
Para provar que nada do que já vimos e sentimos é obra do acaso, basta levar em conta o que disse, com calma, convencimento e determinação, o ex-presidente do PT, Rui Falcão, na recente entrevista que concedeu à FolhaPress:
- O nosso PROJETO é ANTICAPITALISTA, com as devidas atualizações de experiências anteriores. Isso é essencial para que a gente possa ser realmente antissistema, apontando um rumo que se contraponha ao próprio sistema e à extrema-direita. A extrema-direita está fazendo uma disputa política permanente. Ao contrário da esquerda e do nosso governo.
PROMESSA EM CURSO
Disse mais o petista da gema: -Não podemos entregar NOSSA IDENTIDADE E NOSSO PROJETO, mas sim fortalecê-los. Já aprendemos no passado que só a governabilidade institucional não é suficiente para lutar contra isso. Precisamos de força social mobilizada.
Este claro e perseguido estado de coisas ruins, deixa mais do que evidente, notadamente para os mais espantados e surpresos, que o PROJETO PETISTA JAMAIS ESCONDEU QUE A SUA OBRA SÓ TERMINA DEPOIS QUE NÃO RESTAR PEDRA SOBRE PEDRA. ESSA É A PROMESSA EM CURSO.
CAMPEÃO...
Para finalizar e confirmar que a ROTA DE DESTRUIÇÃO é para valer, anotem aí: 2024 foi o ano com maior número de pedidos de recuperação judicial dos últimos 20 anos. Que tal?
Caos com propósito - 20/12/2024
Dagoberto Lima Godoy
A má condução econômica pode não ser apenas um erro de gestão, mas uma estratégia para subverter a ordem constitucional e instalar um regime autoritário. Um dos caminhos mais insidiosos para isso é a dominância fiscal, um fenômeno que ocorre quando o governo prioriza seus próprios gastos acima da estabilidade econômica, levando ao descontrole inflacionário. O governo acumula déficits insustentáveis e recorre ao Banco Central para financiar suas despesas, geralmente por meio da emissão de moeda. Essa prática desvaloriza a moeda, reduz o poder de compra da população e destrói a confiança no sistema econômico. O resultado? Uma espiral inflacionária que desorganiza a economia, criando condições de caos social.
Historicamente, regimes autoritários se aproveitaram de crises econômicas para justificar ações extremas. Na Alemanha dos anos 1920, a hiperinflação abriu caminho para a ascensão do nazismo. Na Venezuela e no Zimbábue, políticas fiscais desastrosas desencadearam colapsos econômicos que fortaleceram líderes autoritários sob o pretexto de "restaurar a ordem".
No Brasil, esse alerta não é irrelevante. A instabilidade econômica, aliada à deslegitimação de instituições democráticas, pode ser usada como justificativa para medidas excepcionais que centralizem o poder, calem a oposição e controlem as massas. Sob o pretexto de combater o caos, controles econômicos rígidos e a supressão de liberdades individuais podem ser impostos.
Evitar essa armadilha exige vigilância institucional e políticas fiscais responsáveis, sendo a autonomia do Banco Central crucial para evitar interferências políticas que sabotem o controle inflacionário.
Proteger a economia de abusos é proteger a própria democracia. O caos econômico manipulado, pode ser um caminho para a destruição das liberdades que tanto prezamos.
* O autor é engenheiro civil, mestre em Direito, empresário e escritor.
Para que estão servindo os valores iluministas? - 05/12/2024
Alex Pipkin, PhD
Vivemos em uma era das falácias, da mentira explícita e da primazia da ignorância.
Penso que estou habilitado a opinar, dotado de uma espécie de poder de fala. Sou Doutor e trabalho, faz muito tempo, na iniciativa privada. Uma das falácias favoritas de ignorantes preguiçosos e/ou de técnicos desprovidos de visão holística, é enaltecer a “distinção” entre teoria e prática. São coisas diferentes, entretanto, fundamentalmente, interdependentes.
Teorias são abstrações da realidade (de uma prática), que aportam os fundamentos e os conceitos que deveriam orientar a ação humana. A prática, sinteticamente, é o como fazer, repetidamente. Uma mera técnica. Para um prático, sem teorias, a “solução” é sempre reincidente, não havendo espaço para inovações e aprimoramentos.
São os teóricos, a partir das experiências da realidade - o que é necessário compreender profundamente -, que buscam ampliar as fronteiras do conhecimento nas amplas e variadas áreas. Nas trevas da era da ignorância, tendo a pensar que o ignorante e preguiçoso presidente Luiz da Silva, talvez tenha razão. Ele não estudou, não gosta de ler, e, cotidianamente, assassina sua língua nativa.
Os fatos cabais têm demonstrado que o estudo, ao invés de encaminhar à “iluminação”, tem desembocado na obscuridade e na cegueira. O “século das luzes”, surgido na Europa no século XVIII, valorizava o genuíno conhecimento, a ciência com “c” maiúsculo” - não à ideologia -, a prevalência da razão (que escassez!), e o humanismo “racional” - não os falsos altruísmos da famigerada sinalização de virtude.
Evidente que não estou me referindo ao “Iluminismo” mencionado pelo ministro do STF, Luís Roberto Barroso. O compromisso de nossa deselite com os valores iluministas é, factualmente, pura ilusão, não vale um vintém. A realidade, como ela é, deixou de existir, constituindo-se numa mera construção daquilo que coletivistas de araque desejam que essa seja. Não há nada mais do que uma singela - mas gritante - farsa.
O grande imbróglio é que o verdadeiro ensino “duro” e produtivo no Brasil, tomou Doril, e faz tempo. O que se tem é a formação em massa de militantes e de ativistas contra a “opressão e a injustiça”, analfabetos funcionais. O conhecimento, a razão e a ciência, concederam lugar ao sectarismo ideológico - e religioso -, e as correspondentes rejeição da verdade e o império da nefasta dissonância cognitiva. Ouso dizer que a psicologia vermelha assumiu o controle do volante, transformando naturais ocorrências da jornada terrena em “traumas insuperáveis”. O sujeito que discute com seu chefe, e pede demissão ou é demitido, parece ter sua vida arruinada para sempre. O interessante nisso tudo, é que os livros de autoajuda, e os gurus da atualidade, não param de holofotizar a suprema virtude da resiliência.
Todo nosso contexto de terror e pânico foi calculado e planejado milimetricamente. A mentalidade da abstração coletivista se apossou das instituições e, portanto, da cultura. Será que ainda resta um fiapo de legítima cultura?
Populistas e ideólogos do atraso, de várias estirpes, manipulam suas “massas de tribos”, incapazes de pensar criticamente, mirando nos desejos de legiões de ignorantes e de desesperados por soluções mágicas para suas vidas, transformando esses em escravos de um Estado “salvador da pátria”. Problemas complexos exigem soluções complexas. Não há soluções populistas e simples que os resolvam, de fato.
As comprovadas “soluções” que trazem crescimento econômico e social e progresso, exigem medidas duras e impopulares. Poucos políticos têm coragem e habilidades necessárias para concretiza-las.
Verdadeiramente, populistas maldosos, simplesmente, buscam levar música aos ouvidos dessa legião de ignorantes e de desesperados por respostas e artifícios aderentes às suas respectivas angústias e necessidades. Esses respondem com políticas contraproducentes, que já fracassaram sistematicamente, e de maneira rotunda. Embora tais iniciativas sejam entoadas como sendo para o “bem popular”, essas encaminham para a pobreza e para o retrocesso.
As tribos anseiam pela mentira escrachada, pela hipocrisia, concientes e/ou inconscientemente, uma vez que seus associados são ignorantes e/ou desesperados, suportados por crenças ideológicas, superstições e em soluções “divinas” de tais semideuses.
De forma trágica, muitos abdicam de suas liberdades e responsabilidades individuais, na espera de promessas que somente demagogos e mentirosos podem prover. O sectarismo tribal transformou o contexto verde-amarelo num mar vermelho de disputas por perfumarias de segunda ordem, esfacelando os valores genuinamente democráticos-liberais, destruindo à moral, à justiça, às liberdades individuais e econômicas e, fundamentalmente, acabando com a vital coesão social.
A era é a das trevas, da ignorância, da falta de estudo e do conhecimento, da lógica “ilógica”, da “scienssia”, da sinalização de virtude, e da mentira trajada e maquiada de verdade inquestionável. O conhecimento e a razão se transformaram em acessórios de muito pouco valor.
No faroeste sem leis, vermelho, verde-amarelo, do autoritarismo disfarçado de “democracia relativa”, da ditadura da toga, os pobres mortais, ignorantes e/ou desesperados, aspiram pelo abissal e devastador intervencionismo estatal, aquele ambicionado como sendo o remédio para curar todos os males tupiniquins. Desafortunadamente, o desejo é de ser escravo de um Estado, naturalmente, ineficiente.
Triste, mas me inclino a concordar com o Dr. Lule…
De maneira efetiva, para que estão servindo a argumentação racional, o conhecimento, a verdadeira ciência, nessa época das trevas da mentira escancarada, das falácias e do apogeu da ignorância?
O PT sempre se supera - 01/12/2024
Gilberto Simões Pires
BARÃO DE ITARARÉ
Se vivo estivesse, o humorista gaúcho, Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, mais conhecido como BARÃO DE ITARARÉ, autor da célebre frase -DE ONDE MENOS SE ESPERA, DAÍ É QUE NÃO SAI NADA-, ao tomar conhecimento do triste pronunciamento do ministro-poste Fernando Haddad, de pronto cunharia uma nova frase corrigindo, ou atualizando, a anterior.
FRASE ATUALIZADA
Na certa, ao acompanhar as tragédias que são propostas e/ou decididas a todo momento pelo governante LULA -PREMADURO- DA SILVA, o Barão de Itararé, soltaria a seguinte e atualizadíssima frase: -DE ONDE TUDO DE RUIM JÁ É ESPERADO, AÍ O PT SEMPRE SE SUPERA-.
MENTIRA GROSSA E DESLAVADA
Sem surpreender, Haddad, cumprindo -ipsis literis- a Cartilha Petista, começou o seu pronunciamento proferindo, sem ruborizar e/ou ser criticado pela MÍDIA -PASSA PANO-, uma GROSSA, ABSURDA E DESLAVADA MENTIRA, ao dizer: NOS ÚLTIMOS MESES, TRABALHAMOS INTENSAMENTE PARA ELABORAR UM CONJUNTO DE PROPOSTAS QUE REAFIRMAM NOSSO COMPROMISSO COM UM BRASIL MAIS JUSTO E EFICIENTE. Mais: ESTE NÃO É UM ESFORÇO ISOLADO DO PRESIDENTE LULA, MAS UMA CONSTRUÇÃO CONJUNTA QUE BUSCA GARANTIR AVANÇOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DURADOUROS.
Ou seja, depois de dois anos de INTENSA PRODUÇÃO DE ROMBOS FISCAIS, Haddad, na certeza de que todos os brasileiros são IDIOTAS, disse que o governo trabalhou intensamente na elaboração de propostas que reafirmam o compromisso com um Brasil mais justo e eficiente. Pode? -
FOCO PETISTA
Na real, mais do que sabido e comprovado, os governos de esquerda só têm olhos voltados para o AUMENTO DOS GASTOS PÚBLICOS. Como tal, quando a corda está próxima de ruir, aí o foco é CRIAR E/OU AUMENTAR IMPOSTOS. Bingo! Depois de um mês inteiro prorrogando a divulgação do PACOTE DE -CORTE DE DESPESAS-, a montanha -pariu um mosquito- e tudo se transformou numa TRAGÉDIA, como retrataram, de imediato, os operadores do mercado cambial e financeiro, onde a cotação do DÓLAR frente ao REAL bateu o recorde dos recordes, ao atingir a marca de R$ 5,91. Neste momento em que publico este editorial, a moeda americana já está cotada em R$ 6,00. Detalhe, o valor do dólar só sobe no Brasil, pois em vários países a moeda apresenta queda. Que tal?
STF define critérios para a concessão judicial de medicamentos não incorporados à lista do SUS. Como será a partir de agora? - 04/11/2024
Luiz Guedes
O Supremo Tribunal Federal – STF concluiu recentemente (setembro de 2024) o julgamento do Tema 6, cujo mérito do RE 566471 foi julgado em março de 2020.
No julgamento, o STF definiu os critérios que devem ser observados pelo magistrado ao analisar o pedido de concessão de medicamentos registrados na Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA, porém que não estejam incorporados ao Sistema Único de Saúde – SUS.
Nesses casos, o autor deve comprovar na ação judicial, entre outros requisitos, os seguintes:
que não tem recursos para comprar o medicamento;
Os requisitos são cumulativos, isto é, precisam estar todos presentes para que o magistrado possa deferir o fornecimento do medicamento. Quando houver o deferimento, o juiz deve oficiar aos órgãos competentes para esses avaliarem a possibilidade de sua incorporação no âmbito do SUS.
As premissas analisadas para a fixação do Tema 6 foram a escassez de recursos, eficiência das políticas públicas, a igualdade de acesso à saúde, o respeito à expertise técnica e à medicina baseada em evidências.
Não se discorda que a gestão dos recursos públicos deve ser feita levando em consideração a aplicação racional dos recursos. Contudo, também pode se aplicar a racionalidade no emprego dos recursos públicos sem ferir a igualdade de acesso à saúde, o respeito á expertise técnica e à medicina baseada em evidência, através de uma distribuição diferente do ônus da prova.
O que se quer dizer com isso? Atribuir o ônus de provar que o medicamento não pode ser substituído por outro da lista do SUS, que a sua eficácia está baseada em evidências e que seu uso é imprescindível para o tratamento do autor significará, na prática, a ineficácia do processo judicial para a busca do fornecimento do medicamento porque a grande maioria dos promoventes não terá condições técnicas e financeiras para produzir tais provas.
A produção de prova que comprove, por exemplo, a eficácia do medicamento baseada em evidências é difícil e custosa. Consultando uma publicação da UFRS, constata-se que as “melhores evidências sobre a eficácia e segurança de medicamentos podem ser sumarizadas por meio de revisões sistemáticas, com ou sem metanálise, desenvolvidas com elevado rigor metodológico”. Contata-se que não é algo trivial, que necessita da assistência de profissional qualificado para a realização de tal análise, e de forma periódica.
A aludida publicação da UFRS reconhece a complexidade da questão:
[…] diversos fatores tornam a questão ainda mais complexa: elevado número de medicamentos registrados no país; necessidades clínicas não atendidas pelos medicamentos disponíveis nas listas do SUS; elevados custos de tratamentos recém-lançados no mercado; e interesses econômicos de diversos tipos.
E, para que se alcance a melhor análise sobre a eficácia de medicamento baseada em evidência, é imprescindível que “as evidências sejam disponibilizadas pela academia, pela indústria farmacêutica e pelas agências regulatórias de medicamentos de forma completa e transparente” (grifo meu).
A disponibilização das evidências de forma completa e transparente será um enorme desafio, pois a praxe é a existência de assimetria das informações entre os diversos entes que participam do mercado.
Diante da complexidade da prova, o processo alcançaria mais facilmente o fim social a que se destina se o ônus da prova fosse atribuído ao ente estatal, que deveria apresentar prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, nos termos do art. 373, II, do Código de Processo Civil.
Isso facilitaria, inclusive, a concessão de tutela de urgência, que poderia ser revista quando o promovido apresentasse com a contestação provas de fato que impedisse, modificasse ou extinguisse o direito do promovente (cidadão que busca o medicamento).
Vale destacar ainda que o paciente que judicializa a questão encontra-se em uma situação de extrema vulnerabilidade, com a necessidade do uso imediato de medicamento, geralmente com risco de morte iminente caso o tratamento não seja logo iniciado.
Não advogo afastar a racionalidade no emprego dos recursos públicos através das decisões judiciais, porém entendo que dificulta sobremaneira a prestação jurisdicional que resulte no deferimento do pleito do cidadão que necessita dos medicamentos de alta complexidade e elevado custo a atribuição do ônus da prova, nos moldes decididos pelo STF, ao autor da ação.
Alcançaria mais a finalidade social do processo judicial se o ônus da prova fosse atribuído ao promovido, ente estatal que tem mais recursos financeiros e técnicos para fazer a prova contrária, do que incumbir o autor, pessoa física e doente, em estado de extrema fragilidade, de comprovar todos os requisitos estipulados pelo STF.
E você, o que pensa sobre o assunto? Deixe nos comentários a sua opinião.
Processo para consulta: RE 566471
Abaixo, transcreve-se a íntegra da tese de repercussão geral fixada (Fonte: site do STF):
1 – A ausência de inclusão de medicamento nas listas de dispensação do Sistema Único de Saúde – SUS (RENAME, RESME, REMUME, entre outras) impede, como regra geral, o fornecimento do fármaco por decisão judicial, independentemente do custo.
2 – É possível, excepcionalmente, a concessão judicial de medicamento registrado na ANVISA, mas não incorporado às listas de dispensação do Sistema Único de Saúde, desde que preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos, cujo ônus probatório incumbe ao autor da ação:
(a) negativa de fornecimento do medicamento na via administrativa, nos termos do item ‘4’ do Tema 1.234 da repercussão geral;
(b) ilegalidade do ato de não incorporação do medicamento pela Conitec, ausência de pedido de incorporação ou da mora na sua apreciação, tendo em vista os prazos e critérios previstos nos artigos 19-Q e 19-R da Lei nº 8.080/1990 e no Decreto nº 7.646/2011;
(c) impossibilidade de substituição por outro medicamento constante das listas do SUS e dos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas;
(d) comprovação, à luz da medicina baseada em evidências, da eficácia, acurácia, efetividade e segurança do fármaco, necessariamente respaldadas por evidências científicas de alto nível, ou seja, unicamente ensaios clínicos randomizados e revisão sistemática ou meta-análise;
(e) imprescindibilidade clínica do tratamento, comprovada mediante laudo médico fundamentado, descrevendo inclusive qual o tratamento já realizado; e
(f) incapacidade financeira de arcar com o custeio do medicamento.
3 – Sob pena de nulidade da decisão judicial, nos termos do artigo 489, § 1º, incisos V e VI, e artigo 927, inciso III, § 1º, ambos do Código de Processo Civil, o Poder Judiciário, ao apreciar pedido de concessão de medicamentos não incorporados, deverá obrigatoriamente:
(a) analisar o ato administrativo comissivo ou omissivo de não incorporação pela Conitec ou da negativa de fornecimento da via administrativa, à luz das circunstâncias do caso concreto e da legislação de regência, especialmente a política pública do SUS, não sendo possível a incursão no mérito do ato administrativo;
(b) aferir a presença dos requisitos de dispensação do medicamento, previstos no item 2, a partir da prévia consulta ao Núcleo de Apoio Técnico do Poder Judiciário (NATJUS), sempre que disponível na respectiva jurisdição, ou a entes ou pessoas com expertise técnica na área, não podendo fundamentar a sua decisão unicamente em prescrição, relatório ou laudo médico juntado aos autos pelo autor da ação; e
(c) no caso de deferimento judicial do fármaco, oficiar aos órgãos competentes para avaliarem a possibilidade de sua incorporação no âmbito do SUS.
* O autor é advogado, pesquisador e professor de Direito.
Perdidos no espaço - 02/11/2024
Gilberto Simões Pires
FRACASSO TOTAL
Ontem, mais do que nunca, o ministro-poste, Fernando Haddad, depois de várias e inúteis horas em que esteve reunido com Lula, seu -CHEFE E GURU-, sujeito que por exclusiva vontade e decisão do TSE ocupa a presidência de República, nem precisou informar o resultado do encontro: a sua fisionomia foi mais do que bastante para esclarecer o quanto o FRACASSO É CAPAZ DE PRODUZIR através da estúpida forma PETISTA DE GOVERNAR.
DESTRUIÇÃO ECONÔMICA
Na real, mais do que sabido, Haddad, ou Taxxad, assim como seu chefe e guru, é adepto fiel de tudo que pode resultar -a curto, médio ou longo prazo-, numa indisfarçável DESTRUIÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL do país.
Ainda assim Haddad foi em frente e disse que o conjunto de medidas de contenção de gastos (coisa para inglês ver) a ser apresentado pela área econômica do governo continua sob -eterna- análise do chefe-guru-. Assim, não há uma data para ser divulgado.
PERDIDOS NO ESPAÇO
Tal qual o seriado de televisão -PERDIDOS NO ESPAÇO-, Lula, Fernando Haddad e a insignificante Simone Tebet, se identificam com o doutor Zachary Smith, um agente de um governo inimigo que é enviado para sabotar a missão que consiste na reprogramação do robô B9 para destruir os equipamentos da nave. Ao tentar desativar o robô, este se religa sozinho e, quando menos se espera, o robô B9 inicia a sua programação e destrói o sistema de navegação. Com a espaçonave em sérias avarias e já muito distante da rota programada, todos a bordo tornam-se PERDIDOS NO ESPAÇO.
COMPRADO EM DÓLAR
Pronto. Na medida em que o ministro-poste tentava explicar o inexplicável, a cotação do dólar avançava com força total, dando clara demonstração de que Lula tem como grande objetivo o aumento desenfreado da -ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS- e nenhum compromisso com a -CONTENÇÃO DE GASTOS-. Ou seja, nutre um apreço incomensurável por DÉFICIT FISCAL. Afinal, para o GURU LULA, como repete a toda hora, GASTOS PÚBLICOS SÃO INVESTIMENTOS, e como tal precisam ser aumentados sem parar.
Aqui entre nós: Lula, certamente, deve estar fortemente COMPRADO EM DÓLAR!
Clube das ditaduras - 26/10/2024
Gilberto Simões Pires
PROPÓSITO FALSO
Nesta semana, sob o comando da ABERT -Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão,- e da ABRATEL - Associação Brasileira de Rádio e Televisão-, as maiores empresas de comunicação -TV Globo, Bandeirantes, Record, Rede CNT, Rede TV, SBT e Rede Vida- colocaram no ar a campanha de “Jornalismo contra a desinformação”, tendo como propósito -ABSOLUTAMENTE FALSO-, reforçar a -importância- do jornalismo profissional e da radiodifusão no combate à disseminação de notícias falsas.
OS FAKE-JORNALISTAS
A campanha entrou no ar praticamente no momento em que acontece, em Kazan, Rússia, a Reunião de Cúpula do BRICS - sigla que o economista Jim O'Neill criou, em 2001, para definir os países -emergentes-: BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA, CHINA E SOUTH ÁFRICA, como altamente PROMISSORES para receber investimentos.
CLUBE DE DITADURAS
Pois, para começar, os JORNALISTAS-FAKE passaram a DESINFORMAR o público ao dizer, insistentemente, que o BRICS é um BLOCO COMERCIAL, como é o caso da UNIÃO EUROPEIA e do MERCOSUL. Na real, gostem ou não, o -BRICS- se tornou uma ALIANÇA POLÍTICA, ou -CLUBE DE DITADURAS- onde o Brasil está assumindo o papel de COADJUVANTE, como aponta a jornalista da Gazeta do Povo, (jornal que não faz parte do CONSÓRCIO DA MÍDIA ABUTRE, Carinne Souza. Mais, na entrevista que concedeu a BBC News Brasil, o economista Jim O'Neill, que sequer é citado pelos ditadores como criador do GRUPO, disse, alto e bom tom: "Sigo sem saber o que o BRICS pretende além de um simbolismo poderoso [...] Isso fica óbvio com a escolha do Irã, por exemplo. Pode até tornar as coisas mais difíceis".
AUMENTO DE PARTICIPANTES
A rigor, desde quando assumiu a presidência do BRICS a China pressionou para um aumento de novos membros, com sucesso. Assim, a partir deste ano -2024- o GRUPO oficializou a aderência da Argentina, Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes como membros permanentes do BRICS. Detalhe importante: a Argentina foi aceita quando ainda era governada pelo ditador Alberto Fernandez.
RANKING DE DEMOCRACIA
Para finalizar, ontem na coletiva de imprensa, Lula, que está assumindo a presidência do BRICS, não deixou por menos e lascou mais uma MENTIRA: "O que está em jogo aqui não é a pessoa ou o governo, é o país -a importância do país-. Eu não quero saber que pensamento ideológico tem o governante. Quero saber se o país está dentro dos critérios que estabelecemos para fazer parte do BRICS".
De acordo com o RANKING DE DEMOCRACIA do jornal inglês The Economist, entre os países anunciados para integrar os BRICS, apenas a Argentina é considerada uma democracia – ocupando o 50º lugar no ranking, uma posição acima do Brasil. As demais nações, todas com REGIMES AUTOCRATAS, ocupam posições para além da centésima de um ranking que avalia 167 países e territórios. Na lista, a Etiópia aparece em 122º; o Egito em 131º; os Emirados Árabes Unidos em 133º, a Arábia Saudita em 150º e, por fim, o Irã em 154º lugar. Mais: levando em consideração que Rússia e China, fundadoras do bloco, também são considerados PAÍSES AUTORITÁRIOS o grupo teria uma maioria de países em REGIME DITATORIAL. Vejam, que Moscou e Pequim, respectivamente, ocupam as 146ª e 156ª posições do ranking de democracias do The Economist.
Gigolôs da moralidade - 13/10/2024
Valdemar Munaro
Disfarçado de retidão e justiça, o ex-mandatário argentino, Alberto Fernández, aliado e amigo de Lula, vivia de aparências mentirosas enlameadas na hipocrisia e devassidão. Enquanto governava o país, era soberbo no apoio ao feminismo e aos direitos humanos. Porém, desligados os holofotes, agredia a esposa, Fabíola Yanez e era pródigo com dinheiro público para orgias e festas. A Casa Rosada converteu-se em prostíbulo: a dedo ou a esmo, como Calígula, Alberto se encontrava com mulheres furtivas para vícios e diversões. A 'companheirada' kirchnerista, por sua vez, era a corroboração das malandragens do presidente. Enquanto isso, compatriotas minguavam na pobreza e na miséria.
O político esquerdista ostentava um ministério exclusivo às mulheres. Vergonhosa hipocrisia. Por trás das cortinas, o que era dito não se fazia, o que se fazia não era dito. As imoralidades vicejavam. Na pandemia, ao povo encontros e reuniões eram proibidos e participações em enterros de entes queridos, punidas. A Casa de Olivos, porém, promovia banquetes e aglomerações. Argentinos estupefactos, descobriram-se enganados por espertalhões e parasitas.
Fabíola, feminista pusilânime e humilhada, pediu ajuda ao ministério dedicado às mulheres; silenciada e reclusa, precisou se resignar. Alberto, no entanto, trombeteava moralidades fingidas num reino de velhacarias, vícios sexuais, bebidas alcoólicas e ideologias. Provavelmente aprendeu de Juan Domingos de Perón (reiterado abusador de adolescentes e apreciador de prostitutas), a arte de mentir e enganar.
Os episódios envolvendo o ex-presidente argentino se assemelham aos divulgados assédios sexuais do ex-ministro brasileiro Sílvio Almeida. Sílvio, como Alberto, apresentava-se como bom moralista, professor e intelectual, versado em questões ligadas ao direito e ao racismo. Condutas privadas de Sílvio, no entanto, mostram a alma de um pavão: palavreado fino e artístico nas aparências, mas por trás das cortinas, o time que joga é outro. Sílvio, um combatente do racismo e da injustiça, se mostrou um moralista de cuecas, um rei nu, mentiroso e hipócrita. A hipocrisia marxista lhe forneceu lentes poderosas para enxergar pecados alheios e lentes fraquíssimas para ver os próprios. Moralistas de plantão são exatamente assim: observam argutamente o argueiro no olho do semelhante e pessimamente a trave que está no próprio (Lc 6, 41). É uma astuta malandragem do racismo estrutural ver mal o mal, pois vê o mal pendurado unicamente nas estruturas.
A hipocrisia, desde Adão e Eva, tem sua onipotência: mina a vida cívica, os negócios e as relações fraternas. Onde reina a mentira, o amor fenece, a fé esfria, a esperança esmorece. Prima irmã da mentira, quando espraiada, produz frutos devastadores de ceticismo e desconfiança. Onde não há confiança, os vínculos sociais e afetivos ficam degringolados. As desonestidades intelectuais, por sua vez, estão nas raízes desse mal, e, por serem consequentes, produzem enfermidades comportamentais. As ideias, segundo Isaiah Berlin, têm força; corrompidas, geram ações imorais. Não basta, portanto, pensar; é preciso pensar reta e honestamente.
O historiador Leszek Kolakowski mostrou a ousadia intelectual dos que laboram como inimigos do intelecto realizando a mais demoníaca das ações: corromper a luz da alma racional. Infestadas de 'paralaxes cognitivas', muitas atividades intelectuais parecem ser feitas justamente para perverter o raciocínio e enganar os aprendizes. É proposital o fato de muitos moralistas e ensinantes, excluírem-se da responsabilidade de se comprometer com o que ensinam. São os que "dizem, mas não fazem, atam pesados e esmagadores fardos aos outros, enquanto eles mesmos, não querem movê-los sequer com o dedo" (cfr. Mt 23).
N. Maquiavel (1469 - 1527), vestia-se elegante à noite para entabular colóquios com sábios pretéritos. Achava indigno estar com os taberneiros florentinos durante o dia e julgava ser mais sábio estar com os mortos durante a noite. Sua obra é uma sutil bajulação endereçada a governantes com o objetivo de angariar benefícios pecuniários e políticos para si. A ciência política maquiavélica, portanto, foi tragada pelo lamento sub-reptício embutido nos salamaleques dirigidos aos Médici. Por isso, são escritos ocos ou vazios de honestidades intelectuais. Se os princípios maquiavélicos fossem aplicados ao próprio Maquiavel, este teria sido catapultado da história. Sua doutrina pretensamente aplicada aos outros, não tinha valor para ele mesmo.
Jean J. Rousseau (1712 - 1778), abastecido por carcaças românticas lamuriosas, fez-se francês e desenvolveu queixosas pedagogias repletas de armadilhas políticas e morais. Os conselhos dados aos pais e educadores, não valiam para ele mesmo, pois os filhos que gerou foram despejados em orfanatos. Choramingando narcisismos e incompreensões, Rousseau depositou sobre os ombros da inteira humanidade as culpas das próprias aflições. Sua obra trata os infortúnios como provindos só da exterioridade. As responsabilidades pelas infelicidades pessoais foram espertamente derramadas no 'tecido social'. Rousseau é o pai do vitimismo avassalador contemporâneo. A solução psicológica que deu aos problemas éticos é uma obra demoníaca astuta que, simultaneamente, culpabiliza e inocenta todo mundo, sem responsabilizar, nem redimir ninguém.
Mentiroso, igualmente, foi Maximilien Robespierre (1758 - 1794), insignificante e medíocre advogado provinciano que esbravejava oposição ferrenha à pena de morte para quem quer que fosse. Alçado ao naco de poder que a presidência da Convenção Nacional lhe deu, mudou de personalidade e suas convicções converteram-se em algozes tiranias revolucionárias. Achando-se juiz de vivos e mortos, mandou ao cadafalso Luís XVI, Maria Antonieta, delfins e infinidades de homens e mulheres sob seu arbítrio. A desonestidade demoníaca encheu e inchou sua alma de hipocrisia.
Esquisito e mentiroso foi o filósofo prussiano e iluminista, Immanuel Kant (1724 - 1804), para quem as religiões se definem como bengalas de incapacitados racionais. Pondo a ideia de Deus no ralo da teoria, resgatou-a para envernizar sua impotente doutrina ética com cores divinas. Os chamados 'imperativos morais', não conseguem ser imperativos quanto pensava, por isso usou a religião desprezada como socorro ou suporte para seu edifício ético. A doutrina que elaborou mostrou-se impotente na condução e persuasão de homens e mulheres à prática das virtudes. Assim, o princípio religioso se tornou um escabelo de sua escada moral.
Mentiroso foi G. W. F. Hegel (1770 - 1831), arquiteto do idealismo dialético mais despudorado da história, que menospreza o bom senso e estraçalha a obediência e o respeito que devemos ter pelo princípio de não contradição. O hegelianismo que, simultaneamente, absolutiza e relativiza tudo o que pensamos, enlouquece a inteligência de quem age e a ação de quem intelige. O 'saber absoluto', seu projeto megalomaníaco e totalitário, é um espelho da monstruosa filosofia que destroi a lógica e o raciocínio humanos.
Bebum da doutrina hegeliana foi K. Marx (1818 - 1883), outro mentiroso, bajulador de proletários virtuais e artífice dos ideais surrealistas impossíveis de serem vividos, pois ele mesmo não os viveu. Os 'trabalhadores do mundo', com os quais se entreteve teoricamente, nunca os conheceu, nem os beneficiou, exceto a proletária de sua alçada, Helene Demuth, empregada doméstica com quem flertou e teve um filho, Frederick Demuth, jamais reconhecido nem amado por ele. Frederick foi, ainda bebê, afastado da família e da mesa marxiana. A justiça, exigência moral e revolucionária que a filosofia marxista apregoa, não foi praticada pelo próprio Marx.
Mentiroso foi o industrial mais socialista da história, F. Engels (1820 - 1895), amigo de Marx, defensor de um comunismo que não conseguiu implementar dentro de sua própria tenda existencial. A fábrica herdada do seu pai em Manchester, foi para si e para Marx sustento e conforto econômico para suas vidas inteiras. Ao invés de administrá-la de modo socialista, Engels a vendeu, pois a experiência industrial exigia compromissos sociais e uma capacidade para lidar com percalços econômicos inerentes a qualquer administração. A filosofia ensinada por Engels não teve nenhuma serventia para si mesmo nem para seus negócios.
Grande mentiroso e farsante foi Walter Duranty (1884 - 1957), jornalista e correspondente norte americano enfeitiçado pelo comunismo stalinista, em Moscou. Vivendo capitalística e luxuosamente protegido pelo ditador comunista, Duranty escondia de propósito as atrocidades vividas pelos russos nos tempos pós-revolucionários. Ao invés de denunciar os crimes e a fome provocada em Holomodor, por exemplo, na Ucrânia, o jornalista bajulava o regime, obtendo segurança e conforto para si. Dentre as hipocrisias jornalísticas, a de Doranty foi a mais escandalosa e criminosa do século XX.
Os exemplos podem se estender longamente, mas, pode-se afirmar que a maior mentira se encontra no interior das teorias cunhadas por Marx acerca da história, da economia e da sociedade. Por causa disso, praticamente se tornou impossível encontrar intelectuais marxistas guiados pela honestidade e consequentes. Todos, absolutamente todos os seus pensadores, movem-se numa lógica imoral e insensata. É só ler e estudar com atenção autores aos moldes hegelianos como Karl Marx, F. Engels, K. Kautsky, Rosa de Luxemburgo, Antonio Labriola, Antonio Gramsci, Georges Sorel, Plekhanov, V. Lenin, L. Trotsky, J. Stalin, E. Bernstein, Gyorgy Lukács, K. Korch, L. Goldmann, Ernst Bloch, H. Marcuse, Louis Althusser, etc., etc.... Todos, absolutamente todos, enrustidos ou declarados hegelianos, incorrem nas bastardas incursões militantes sem se envergonhar, nem se ruborizar com suas contradições e seus surrealismos.
Urge, pois, restaurar a sanidade nas ciências, nas religiões, nas filosofias cultivadas e difundidas por toda parte. Urge recuperar o elo que nos vincula ao mundo real tal como é, não fictício, no qual mãos e pés debilitados, mentes e corações desesperançosos, fé e confiança feridas possam se apoiar e se reconstruir.
Hipocrisia é fingimento. O hipócrita (do grego hypócriton, comediante), sofre a afetação de virtudes que não possui, por isso é capaz de mostrar a alma mentirosa que não tem e esconder a verdadeira que tem. Mentirosos são os que transformam personalidades em personagens e personagens em personalidades. Disfarçando o que escondem, desdenham a verdade e mostram o que lhes convém numa façanha que é a esperteza dos demônios. Quão saudável seria uma reviravolta moral no nosso país: que políticos que nos governam e intelectuais que nos ensinam não mentissem!
* Santa Maria, 11/10/2024
** O autor é professor de Filosofia
A antítese de dois presidentes - 28/09/2024
Dagoberto Lima Godoy
Os discursos dos presidentes do Brasil e da Argentina, na recente sessão de abertura da ONU, põem na tela claramente duas visões de mundo e duas perspectivas do futuro de seus países.
Lula, além da propaganda duvidosa das realizações do seu governo, afirmou sua aprovação do Pacto de Futuro, o documento assinado dois dias antes, que nada mais é do que um reforço da Agenda 2030 e dos ODS -Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Isso, mesmo ele reconhecendo o “alcance limitado” do badalado pacto, que, nas suas palavras, anda em círculos entre compromissos possíveis e resultados insuficientes.
Não se precisa ser um leitor muito arguto, para perceber a mensagem de Lula a favor de uma “governança intergovernamental”, como deixou claro com referência à inteligência artificial, ou quando insistiu na “cooperação internacional para desenvolver padrões mínimos de tributação global”.
Milei, por sua vez, denunciou o tal Pacto do Futuro como nada mais que um “aprofundamento do trágico curso” que a ONU vem tomando, o que, nas palavras do seu Secretário Geral (que Milei cita), “requer a definição de um novo contrato social em escala global”, redobrando os compromissos da Agenda 2030. Milei avaliou como “ridículas” as políticas promovidas pelo Fórum Econômico Internacional (aquele de Davos), “com antolhos malthusianos”, como a de Emissões Zero ou as ligadas a direitos sexuais e de reprodução. Afirmou com vigor que a Agenda 2030, ainda que bem intencionada, não é outra coisa senão “um programa de governo supranacional, de corte socialista”, que propõe medidas que “atentam contra a soberania dos Estados-Nações e violentam o direito à vida, à liberdade e à propriedade das pessoas”.
Enquanto Lula terminou seu discurso clamando por mudanças, que parecem ser daquelas que mudam para tudo ficar como está, Milei desmascara a ONU como “uma organização que impõe uma agenda ideológica a seus membros”, e tem sido uma das principais promotoras da violação sistemática da liberdade, dando o exemplo das quarentenas impostas globalmente em 2020, as quais ele taxou de “delito de lesa humanidade”.
Num pronunciamento que considero de valor histórico, por desvendar as construções doutrinárias politicamente corretas que tomam conta do mundo atual, Milei parece rebater um dos pontos defendidos por Lula, quando denuncia as políticas da ONU como um modelo de “governo supranacional de burocratas internacionais”, que pretendem impor aos cidadãos do mundo um modo de vida padrão. Abro parênteses para registrar que minha experiência pessoal como membro, por doze anos, do Conselho de Administração da Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma estrela da constelação da ONU, me induz a modestamente endossar essa definição.
Milei ainda marca outros pontos essenciais, como o coletivismo da agenda woke e a lembrança de que a história do mundo demonstra que a única maneira de garantir a prosperidade é limitando o poder do monarca, garantindo a igualdade ante a lei e defendendo o direito à vida, a liberdade e a propriedade dos indivíduos.
Não é preciso ir adiante para identificar, nos pronunciamentos dos dois governantes, as linhas mestras que conduzem os seus governos. Ai de nós, brasileiros, que bem conhecemos as consequências. E as sofremos.
25-09-2024
Da probabilidade à certeza - 25/09/2024
Gilberto Simões Pires
RISCO
Antes de tudo, RISCO, por definição, é resultante do cálculo da PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA de algo INCERTO ou DESCONHECIDO. Por consequência, portanto, o RISCO é algo inerente ao FRACASSO e/ou ao SUCESSO, de tudo que está em jogo, tanto para aquilo que PROJETAMOS quanto para o que achamos por bem INVESTIR.
DESEQUILÍBRIO ENTRE RECEITAS E DESPESAS DO GOVERNO
Pois, partindo desta clara e indiscutível premissa, não cabe dizer que o Brasil corre sério RISCO FISCAL, como a grande maioria dos ECONOMISTAS e PALPITEIROS -fala e escreve-, diariamente, na vã tentativa de explicar o crescente e incrivelmente prazeroso -DESEQUILÍBRIO ENTRE RECEITAS E DESPESAS DO GOVERNO-.
CERTEZA
Portanto, se levarmos em conta mais do que certa que RISCO é resultante da PROBABILIDADE DE OCORRÊNCIA, em se tratando da QUESTÃO FISCAL do nosso empobrecido Brasil a tal PROBABILIDADE já deu lugar à CERTEZA DE OCORRÊNCIA DO FRACASSO. Mais: considerando que o propósito do PT e seus aliados sempre foi a DESTRUIÇÃO ECONÔMICA, o ROMBO FISCAL é festejado como um RETUMBANTE SUCESSO.
ORÇAMENTO GERAL DA UNIÃO 2025
Esta verdade é de tal forma CRISTALINA que nem mesmo a eterna e perseguida PRETENSÃO PETISTA/COMUNISTA de AUMENTAR DRASTICAMENTE OS IMPOSTOS, como está posto claramente no -ORÇAMENTO GERAL DA UNIÃO 2025, tem como propósito ZERAR O ROMBO FISCAL do próximo exercício. Ou seja, o PT et caterva só tem olhos voltados para INDECENTES E CRESCENTES DESPESAS PÚBLICAS.
A perversidade humana - 09/09/2024
Alex Pipkin, PhD
Não sou estúpido, tampouco ingênuo.
Vive-se numa “era progressista”, em que os chamados conservadores são considerados como aqueles que carregam e propagam o mal. Já os ditos “progressistas”, são os bondosos paladinos da cruzada moral, pelo bem.
O mal, a perversidade, é imanente à natureza humana.
Santo Agostinho tem razão, a perversidade é fruto dos “desejos desenfreados”. Ele afirma que cada um de nós é autor de suas próprias más ações.
Não há como desconsiderar que nesse “novo mundo” dicotômico, reina a dissonância cognitiva. Tal viés cognitivo impõe e alinha o pensamento tribal a determinadas crenças e ideologias que aprisionam as pessoas em suas fantasiosas cavernas mentais. Inexistem fatos e dados que desmintam os castelos de areia criados pelo sectarismo.
No entanto, a realidade e os fatos são claros. Faz parte do projeto de poder “progressista” a conhecida estratégia de dividir para conquistar. A mentalidade dual esquerdista, propositalmente, impõe uma falsa premissa de que a vida é pautada por opostos absolutos.
Contudo, o que está por detrás dos discursos e das narrativas idealistas e utópicas esquerdistas é, sem dúvida, uma hipocrisia peçonhenta. São os exímios praticantes das fúrias hipócritas, patológicas.
Agora esses “progressistas”, detentores da superioridade intelectual e moral, imposta por uma deselite perversa, de maneira surreal, apoiam à censura, que ceifa um dos direitos mais fundamentais, aquele da genuína liberdade de expressão. Em última análise, apoiam um Estado autoritário e repressor.
Dizem defender às minorias identitárias, desde que façam parte da tribo encarnada. São apologistas dos direitos (des)humanos, expressando ojeriza total, um terror moralista aos “autoritários, homofóbicos, fascistas…”, inimigos que pensam distintamente desses semideuses de barro.
Triste, mas nada distinto do “normal”, de uma hiprocrisia tenebrosa e destruidora. A maldade dessa turma petista - e assemelhados - já foi amplamente comprovada e julgada! Cego enxerga e sente de longe.
Nenhuma novidade do tradicional e recorrente “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.
Eles retoricamente discursam sobre a defesa dos direitos “humanos”, desde que negros, gays, e outros grupos minoritários, rezem na cartilha tribal vermelha. Evidente que defendem a tribo de terroristas do Hamas, contra os judeus “conspiradores e opressores”.
Eles dizem defender os pobres, mas só pensam em tributar os comuns, e reforçar seus laços de compadrio com os amigos banqueiros.
Pois ontem caiu mais um símbolo desse desgoverno, da escrachada hipocrisia dessa turma que o passado, ampla e fartamente, condena.
São representações da mentira escrachada, da hipocrisia, que no discurso empolado diz se preocupar com o povo, com os direitos (des)humanos, mas que na realidade objetiva, seletivamente, descarta tudo aquilo que vai de encontro ao seu projeto de poder, e o que não lhe convém confessar.
Súplicas em vão - 06/09/2024
Gilberto Simões Pires
PRESIDÊNCIA DO BC
Mais do que sabido, ontem, 04, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, RESERVOU, no melhor estilo -SAVE THE DATE- na sua viciada e interesseira agenda, com letras garrafais na cor vermelho -PT,- o dia 8 de outubro próximo para proceder, em plenário, a votação da -INDICAÇÃO- de Gabriel Galípolo à presidência do Banco Central.
IMPEACHMENT
Como se vê, claramente, por mais que já tenham chegado às suas mãos sujas centenas de pedidos de IMPEACHMENT do consumado ditador ALECHANDRE DE MORAES, todos carregados de cabíveis e notórias justificativas, nem assim o presidente do Senado vê razões para RESERVAR uma data, ou apenas um minuto, para apreciação, em plenário, das SÚPLICAS extraídas das inúmeras manifestações do povo nas ruas.
ORGULHO IMENSO
A rigor, Rodrigo Pacheco, desde a sua posse como presidente do Senado, nunca traiu a sua ética e seus princípios imorais. Com irreparável DISCIPLINA, Rodrigo Pacheco não esconde o IMENSO ORGULHO que nutre pelo fato de integrar, com galhardia, a SINISTRA ORGANIZAÇÃO -DITATORIAL- que comanda o nosso empobrecido Brasil.
MAIS UM
Como o povo está cercado e entrincheirado pelas submissas FORÇAS ARMADAS, que se sentem confortáveis e prazerosas por integrar a SINISTRA ORGANIZAÇÃO, tudo leva a crer que no próximo sábado, 7 de setembro, milhões de brasileiros irão às ruas com o velho e surrado propósito de SUPLICAR, pela ENÉSIMA vez, mais um pedido de IMPEACHMENT do PRESIDENTE DA CRUEL ORGANIZAÇÃO.
Tenho pena dos otimistas: e alguns são tão crédulos... - 01/09/2024
Adriano Alves-Marreiros
“Hoje só acredito no pulsar das minhas veias
E aquela luz que havia, em cada ponto de partida
Há muito me deixou."
“Noturno”. Fagner (Música que , me lembro, meu pai
Cantava no carro, imitando o jeito do Fagner
Em memória do Cabo DT Manoel Silveira Marreiros: meu Pai!
Quando passei no Concurso do Colégio Militar meu pai ia operar o coração e internou. Lembro que ele pediu pra minha mãe comprar a farda pra ele me ver fardado antes de operar. Minha mãe disse “Não! Nós vamos comprar juntos...”. Não fomos... Desde então, tornei-me um pessimista e não acredito que alguém possa me tirar a razão. Desde então Noturno é a minha “música chiclete”... (Posso garantir que era melhor que fosse um fanque carioca...)
“Calma”. “Tudo vai dar certo”. “Pense positivo”. Todas são expressões que ouço, com desprezo, com raiva. Ou apenas triste quando vejo que a pessoa, bem intencionada, realmente acha que pode me dar consolo ou ajuda repetindo-as. Nunca garantiram nada: tranquilizar? Ainda menos...
Sofrer por antecipação é o que podem dizer alguns. Prefiro falar em estar preparado: sempre preparado. Nas Agulhas Negras tinha um paulista (queria lembrar seu nome!) que dizia que devíamos sempre esperar o pior: se viesse o melhor, estaríamos no lucro, se não: estaríamos preparados. Talvez tenha sido a coisa mais sábia que já ouvi...
Tem gente que não só não se prepara nunca, como vai muito além do otimismo: é eternamente crédula. Prefere torcer bestamente a ver o que está acontecendo diante do seu nariz. Prefere negar quaisquer indícios como se fora um Piu-Piu que sequer acha que viu um gatinho...
Gente que acha que supressão de Liberdades pode ser feita para o seu bem. Que acha que alguém que pode permitir ou não o que é ou não Liberdade de Expressão não é censor...
Gente que acha que o famoso geek simpático e bem sucedido é só gente boa[1]: não tem interesses globalistas, não é adepto do Socialismo Fabiano.
Gente que acha lindo quando se fala em agir para transformação social e não percebe que isso não é Democracia: é querer impor ideologias e fazer o povo à sua imagem e semelhança.
Gente que acha que o discurso de suposto “combate às fake News” é realmente para combater notícias falsas e mentiras[2]. Que acha que as tais “agências de fact checking” não são ideológicas. Que acha que o combate não é aos Conservadores.
Gente que acha que ser Conservador é ser fascista: sem se dar conta que o fascismo, o comunismo e o nazismo é que possuem natureza totalitária, coletivista e revolucionária e que o conservadorismo é o oposto de revolução e baseia no respeito às individualidades.
Gente que acha que traficante vai se tornar empresário honesto se legalizarem as drogas e até que UBER vai continuar existindo (e facilitando a nossa vida como é hoje) se impuserem a CLT à empresa.
Tenho pena: muita pena de quem troca sua dignidade por aceitação da turma “cool”, pena dos que acham que uns poucos autodenominados “iluministas” devem estar acima do poder que emana do povo, pena dos que aceitam trocar sua liberdade por segurança, apesar do aviso de Benjamin Franklin[3].
Sim, tenho pena dos otimistas e daqueles que tentam sê-lo apenas para sofrerem menos, mas tenho ainda mais pena dos crédulos: dos espíritos submissos, fracos e sem visão...
“Sentido? Sem tudo! Sem nada…
Comecei a também morrer,
Naquela primeira morte,
No caixão também estava eu:
Metade de mim…
Tive que prosseguir por que assim é, Carlos,
Porque vc não morre, José,
E duro segui por uma alameda de túmulos,
E até sem eles,
Sem conseguir enterrar todos…
Sem conseguir enterrar nenhum,
Enterrando apenas a esperança,
Que não foi a última, mas a primeira…
Não, Harry, seu espírito não perde uma parte quando você mata,
Mas quando eles morrem…
(Poema de Adriano Marreiros, publicado no site Janelas da Alma de Harley Wanzeller: < http://www.poesiajanelasdaalma.com.br/)
Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas
(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)
* Matéria publicada no Portal Tribuna Diária, setembro de 2020
** O autor, Adriano Alves-Marreiros, é cronista, pessimista e Cristão.
[1] “Tem gente boa que me fez sofrer, tem gente boa que me faz chorar”: da banda Zero.
[2] Leiam todo o livro “O Inquérito do fim do mundo”, mas, sobre isso, leiam especialmente o artigo do Morgenstein, logo no início...
[3] “Aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança”.
Ah, os rótulos! - 31/08/2024
Alex Pipkin, PhD
Aprecio Macunaíma. Aliás, o herói sem nenhum caráter, nunca antes na história desse país, foi tão atual. Eu gosto de Mario de Andrade. Cirúrgico em suas análises.
Uma dessas, é de que as pessoas não debatem conteúdo, apenas os rótulos.
Efetivamente, “momentoso”, em especial, na era dos “especialistas” e dos protagonistas das redes sociais. O mundo se transformou no instantâneo, tudo rápido, automático, intuitivo, baseado nas maquiagens, nas emoções e, claro, no que parece ser.
Nosso funcionamento cerebral potencializa a super valorização do que parece ser, já que por meio de estímulos e de gatilhos mentais, o ser humano é influenciado - manipulado - a opinar e a tomar determinadas decisões. Pouco se pensa crítica e reflexivamente, por si só. Vão longes os tempos em que os esteriótipos, os rótulos, enfim, eram, digamos, confiáveis. Os “tempos modernos” são de genuínas distopias à lá Orwell, de inacreditável rejeição da lógica e da verdade.
Evidente que os rótulos direita e esquerda no espectro político, num passado já distante, até que eram razoáveis quanto ao conteúdo implícito.
No “novo mundo progressista” jamais. Direita significava ser conservador na questão de valores e, de alguma forma, menos estatista em nível do funcionamento da economia. Por sua vez, esquerda (decente), representava ser mais liberal quanto aos valores morais e em temas sociais, e completamente adepto do Estado “total” na vida econômica, o salvador da pátria.
Nesse “novo mundo” transviado, direita simboliza aqueles mais conservadores - alguns radicalmente -, quanto aos valores morais e, penso eu, na imensa maioria, mantendo-se, de alguma forma, de mãos dadas com o Estado.
Desnecessário classificar a esquerda em relação à economia, “mãe - e pai - Estado”. A grande transformação se deu nas questões sociais, em que me parece que, de fato, havia uma legítima preocupação com os descamisados e com os direitos dos grupos minoritários.
Sou um liberal nas questões econômicas, e adepto das liberdades individuais, e não da libertinagem e/ou das retóricas farsantes em defesa dos grupos minoritários. Pobre juventude escravizada por outros jovens marxistas - e velhos - iludidos e/ou manipulados.
Evidente que também existe a declamada “extrema direita”, pronunciada todo o santo dia pelo partido da mídia. Não tenho lembrança de ter lido ou escutado algo relacionado a “extrema esquerda”. Acho que Stálin, Mão, Maduro… são meras miragens.
O atual presidente crê que esse último é um democrata - são só as narrativas contrárias -, e que democracia é algo relativo. O fato “moderno” surreal, é que o romantismo idealista desapareceu, faz tempo, entrando em campo o sectarismo doentio utópico, custe o que custar.
Esquerda, nesse “novo mundo progressista”, nada, absolutamente nada, tem a ver com uma maior liberdade na seara social. Pelo contrário, nunca imaginei estar ainda no plano terreno para ver marxistas de carteirinha defendendo, ardorosamente, o autoritarismo, à censura, o terrorismo, e os direitos (des)humanos. Quanto aos grupos minoritários, até cego debaixo d’água enxerga que se não houver conformidade com as várias tribos esquerdistas, não adianta ser negro, gay, drag queen, enfim. Farsa total!
Pois é, os rótulos! Como pode alguém - que pensa racionalmente - ser de esquerda? Claro, a premissa básica é que o sujeito é ignorante - na real acepção da palavra - em economia.
O que a galera juvenil não sabe e/ou faz de conta não saber, é que a esquerda atual, é abertamente defensora do autoritarismo acordado, desagregador e racista, da coerção, da maldade e da escravidão, a fim de alcançar o seu único objetivo: poder.
Não, senhores, o que qualquer caolho enxerga é que esse simulacro da antiga defesa dos valores libertários e humanitários, foi nefastamente substituída pelo autoritarismo amplo e raso. Na atualidade, quem deseja e impõe à fórceps os valores morais - únicos e ditatoriais -, não são os “monstros conservadores”. Objetivamente, é essa tribo rotulada como “de esquerda”. Surreal, distópico.
Hoje, não há quaisquer dúvidas, a mãe Estado grande, e a maioria de suas instituições “progressistas”, utilizam-se do aparato estatal como poderoso instrumento para decretar - e oprimir - os “valores morais progressistas” sobre as pessoas.
O romantismo idealista sumiu - apareceram as verdades romanescas -, e a falácia do conserto e da salvação da humanidade, têm que ser realizada, inexoravelmente, pelo franco e real autoritarismo estatal canhoto.
Como alguém pode acreditar no rótulo “esquerda”?
Simples. Ou se trata de um analfabeto em economia, ou é um iludido e manipulado, que acredita nas 99 mentiras “progressistas” que estão sendo contadas por populistas “esquerdistas”.
A esperança é que como ainda há uma verdade, espero que essa verdade acabe - sei lá quando - triunfando.
A grande pergunta - 06/08/2024
Gilberto Simões Pires
O QUE FAZER EM RELAÇÃO À FRAUDE?
Considerando que se trata de FATO INCONTESTÁVEL a existência de FRAUDE na eleição para presidente da empobrecida Venezuela, a PERGUNTA mais ouvida mundo afora neste crucial momento, tanto pelos indignados quanto pelos esperançosos, é a seguinte: - O QUE FAZER EM RELAÇÃO À FRAUDE?
PANAM POST
Pois, o PanAm Post, site que se propõe a divulgar e analisar com muito cuidado tudo que acontece na América, publicou o seguinte texto produzido por Victor H. Becerra, presidente do Think Tank México e membro do Board de la Alianza Internacional de Partidos Libertários, o qual, com objetividade, se prontificou a RESPONDER à INSTIGANTE INDAGAÇÃO. Eis:
SEM ESPERANÇA
- Nos dias que antecederam as eleições de domingo, 28 de julho, conversei com um grande número de venezuelanos e em nenhum deles percebi a menor esperança de que este seria um processo limpo e democrático, muito menos que os resultados seriam respeitados . Em todo caso, esperava que diante de milhões de olhos o chavismo tivesse um pouco de modéstia e não tentasse algo errado.
O tempo provou que eles estavam certos. O regime bolivariano decidiu cometer uma FRAUDE FLAGRANTE numa eleição que já não resistiu aos testes de qualquer legalidade ou legitimidade, com uma pane do sistema informático incluída, como nos piores momentos do PRI mexicano, com um copy paste mal feito de resultados. Por que o fez, sabendo que a atenção de milhões de cidadãos em todo o mundo estava voltada para este processo, graças à luta e à tenacidade da oposição e de María Corina Machado? Porque podia e também porque acreditava que não teria consequências, face à tibieza e ao desinteresse da maioria dos governos ibero-americanos. E claro: porque perder o poder seria muito perigoso para ele e para a sua camarilha.
CONTROLE TOTAL
Os leitores devem lembrar que o CHAVISMO TEM O CONTROLE TOTAL DO APARELHO ESTATAL: O EXECUTIVO, A ASSEMBLEIA NACIONAL, O TRIBUNAL DE JUSTIÇA, OS GOVERNOS ESTADUAIS E MUNICIPAIS, O MINISTÉRIO PÚBLICO, O EXÉRCITO, A GUARDA NACIONAL, O ÓRGÃO ELEITORAL -CNE- (seu presidente foi até mesmo um funcionário e deputado chavista). Mais: CONTA COM A SÓLIDA CUMPLICIDADE DE IMPORTANTES SEGMENTOS DA OPOSIÇÃO, UNIVERSIDADES, ORGANIZAÇÕES SOCIAIS E MEIOS DE COMUNICAÇÃO, o que lhe garantiu liberdade de ação. E CONFIOU NA IMPUNIDADE, através do apoio da Rússia, da China (graças às enormes dívidas do regime com esses países), de Cuba, da Nicarágua, da Bolívia e da cumplicidade aberta de governos como o da Colômbia, do México e da Espanha, todos eles traidores da democracia com que chegaram ao poder, e talvez confiando no silêncio dos seus pares ideológicos no Brasil, Chile e outros países. É por isso que ele CONSEGUIU E OUSOU.
FRAUDE FLAGRANTE
Perante uma FRAUDE TÃO FLAGRANTE, O QUE DEVERIA SER FEITO? Em princípio, acredito que POUCO SE PODE ESPERAR DE EXÉRCITO E DA GUARDA NACIONAL VENEZUELANOS. Para eles, ir contra o regime significa ir contra o seu modus vivendi e os privilégios bons e ilícitos que colheram com o chavismo. Tão pouco se pode esperar dos comandantes militares e das forças de segurança: além do mais, não são uma entidade diferente do chavismo, são uma parte orgânica dele.
Também não creio que devamos esperar nada dos governos de outros países: muitos deles mantêm negócios, legais ou não, com o regime chavista, o que lhe permitiu sobreviver. Além de romper relações com o regime, não creio que isso signifique muito para ele; Já rompeu com uma dúzia de países. A sua expulsão de algumas organizações como os BRICS ou o Mercosul poderia ser mais significativa, uma vez que daria ao regime de Maduro uma aparência mais ostensiva de ilegitimidade. Mas dificilmente isso será feito, pela complexidade do tema e pela necessidade de atrair tantas vontades. Em qualquer caso, a atitude de Javier Milei face ao regime fraudulento deve ser valorizada como um exemplo de coragem e de compromisso democrático, face a governos ibero-americanos desprovidos de toda a decência e valores democráticos.
Mas a verdade nestas horas decisivas é que a responsabilidade recai sobretudo sobre os cidadãos venezuelanos: venceram nas urnas e agora devem vencer nas ruas.
Tenho ouvido pessoas na América Latina exigirem uma atitude mais desafiadora e concreta da oposição, especialmente de María Corina Machado. Não partilho dessa visão: deveria ser sempre exigido mais aos líderes e às figuras públicas: eles pediram para estar presentes. Mas penso que conseguir compilar 73% dos registros de votação em menos de 24 horas e colocá-los online, com todas as circunstâncias contra isso, parece-me notável.
Fundamentalmente, a responsabilidade cabe aos cidadãos venezuelanos, que neste momento se manifestam em todo o país e exigem a anulação do processo. Se os próprios cidadãos não derrotarem o chavismo, através da sua resistência pacífica e do erguer da voz, ninguém o fará por eles. É verdade: opõem-se a uma ditadura, não a um regime que faz cumprir as leis, mas a um bando de criminosos, sem respeito pela civilidade e pela vida. Portanto, devem ser prudentes e colocar a sua integridade como valor supremo.
Na Venezuela houve grandes protestos populares em 2002, 2014, 2017 e 2019, iguais ou talvez maiores que os acuais, e o regime resistiu e ainda está lá, igualmente confiante. Talvez o regime não esperasse uma participação política tão massiva e isso representa uma diferença substancial em relação ao passado. À medida que a mobilização continua, isto certamente levará a liderança chavista a pelo menos se perguntar se é aconselhável arriscar tudo para manter uma figura como Maduro, e acabar como um amazônico Nicolae Ceau?escu ou Muammar Gaddafi. Introduzir a dúvida no regime, semear a dúvida nos reais factores de poder e eventualmente dividi-lo deve ser a chave de todo este processo de resistência, até que se acredite que o regime não tem hipóteses de sobreviver.
Também exporá cada vez mais a ditadura à opinião pública internacional, que está mais receptiva ao drama venezuelano, depois de ver o êxodo de 8 milhões de venezuelanos e os outros que virão se Maduro continuar no poder. A sua mobilização também aumentará os custos para o regime de tentar uma repressão dura e sangrenta e, eventualmente, de ser desobedecido pelas tropas, o que seria fatal para ele e mostraria a sua fraqueza. Tudo isto tornaria a possibilidade da queda do regime mais realista e mais próxima.
Não creio que haja outra solução: os fuzileiros navais dos EUA ou os soldados brasileiros não chegarão para se sacrificar pela Venezuela. Isso não acontecerá, os cubanos esperam a mesma coisa há 65 anos e nada... nem veremos López Obrador, nem Petro nem Pedro Sánchez, que de repente têm uma decência inexistente para pedir a saída do seu aliado Maduro.
Todo o destino da Venezuela reside exclusivamente nos seus cidadãos e na esperança de uma liderança da oposição que resista, não os abandone nem os venda; A este respeito, é preciso estar ciente de que os aliados do chavismo, como a Rússia e o seu aparelho de desinformação, ou a China e a sua presença nas universidades, procurarão introduzir rumores e divisões entre a oposição. Os cidadãos devem ser muito ativos, criativos, serenos e concentrados no que é importante, sem espalhar pessimismo ou desconfiança, e sabendo que será um esforço longo e talvez solitário.
E nós, latino-americanos, devemos estar conscientes e acompanhar estes esforços de limpeza e regeneração democrática: é do nosso próprio interesse. Muitos países da região, em particular a Colômbia e o México, estão perto de acabar com um regime como o venezuelano, que não desaparecerá por acaso ou por votos. E daí termina como Cuba, sem escalas, em vôo direto.
Força venezuelana! Saiba que a sua luta também é a nossa e nós a replicamos e acompanhamos: o silêncio nos torna cúmplices da ditadura e da desumanidade. Lembre-se que o comunismo caiu na URSS e no Leste Europeu sem disparar um tiro, com sociedades rebeldes e resistentes, movidas por um ideal.
Desembarcando o ESG - 21/07/2024
Alex Pipkin, PhD
Definitivamente, o propósito de uma empresa é gerar lucro para os seus donos, ou seja, seus acionistas. Importante destacar que entre tais donos, encontram-se pequenos poupadores que buscam remuneração para seus recursos de toda uma vida.
Até então me parecia algo intuitivo. Sem lucro, não há investimentos, e sem investimentos não existe geração de empregos, de inovações e, notadamente, estímulo para o crescimento organizacional. Aliás, sem lucratividade, governos arrecadariam menos tributos das empresas para financiar serviços públicos básicos e essenciais.
Disse que parecia intuitivo, entretanto, nesse "novo mundo "progressista"", emergiu vorazmente a grande indústria do ESG - Governança, Social e Ambiental.
Como liberal, considero que os mercados devem ser livres, a fim de estimular a concorrência e as inovações. Uma empresa só sobrevive no longo prazo se for capaz de satisfazer as necessidades e os desejos de seus clientes-consumidores, visando o lucro. Sem lucratividade, seguramente, não haverá empresa no futuro.
Tal missão é alcançada por meio do fornecimento de soluções para os consumidores, materializadas através de melhores produtos e serviços, a preços, cada vez mais, competitivos. A missão da organização é exatamente essa, não a utopia da salvação da humanidade. Empresários que satisfazem, efetivamente, os consumidores, de fato, estão gerando bem-estar social para todos. Ponto.
No entanto, nesse "novo mundo "progressista"", a sanha coletivista, anticapitalista, crê que são as políticas autoritárias e intervencionistas impostas pelo Estado grande, aquelas que devem ser protagonistas, em nome da "justiça social". Portanto, impõem-se práticas ESG no seio empresarial.
Note-se que a exigência estatal quanto ao ESG, ao cabo, impacta negativamente nos mercados, impulsionando um comportamento discriminatório e anticompetitivo. Verdadeiramente, as escolhas estratégicas das empresas, devem ser tomadas por seus próprios acionistas que, em tese, desejam e operam mirando a maior lucratividade possível.
Evidente que uma organização deve praticar ações antidiscriminação, porém, a diversidade, equidade e inclusão, tão propaladas por "progressistas", ideologicamente, têm se restringido à questões de raça e gênero. Nada de idosos, de pessoas de "todas as cores", de indivíduos em más condições socioeconômicas, de diferentes etnias, entre outras.
Se os governos deixassem de se intrometer na economia - e na vida privada das pessoas -, certamente haveria maiores e melhores oportunidades para os indivíduos, e de maneira genuína, para todos. Inquestionavelmente, onde existe liberalismo econômico, há mais prosperidade.
Mesmo com a imposição governamental, uma série de empresas têm abandonado tais práticas ESG, por entender que o ativismo não tem contribuído para a verdadeira melhoria das condições daqueles que verbalizam defender.
Repito, são os acionistas aqueles que devem decidir se o ESG faz sentido para o seu negócio ou não, não burocratas estatais interesseiros, tampouco a turma "moderna de marketing". Essa, surpreendentemente, anda tomando decisões "estratégicas", isto é, realizando maquiagens nas comunicações, que contradizem a realidade objetiva das operações pragmatizadas pelas empresas.
Importante mencionar que apesar do estardalhaço e da retórica da indústria do ESG, estudos científicos fidedignos atestam que não há evidências de que os fundos de alta sustentabilidade superem os fundos de baixa sustentabilidade, como também, de que os fundos ESG tenham um desempenho social superior.
Quando se sai da retórica para a vida real das ações, ficam claras as contradições da narrativa ESG. Em síntese, são os donos das organizações, não os governos, aqueles que devem determinar o que deve prevalecer no ambiente empresarial.
Penso eu que é a lucratividade superior quem manda, embora algumas empresas possam continuar a investir no ESG, às custas de uma baixa lucratividade. Parecer "verde e bondoso" não basta. É necessário, preto no branco, ganhar dinheiro, visando a ser sustentável. Sustentável? Sim, alcançando uma lucratividade sustentável ao longo do tempo.
O direito de esfolar - 21/07/2024
Gilberto Simões Pires
DIREITO DE ESFOLAR
Ontem, finalmente, o tão aguardado e pra lá de necessário CORTE DE GASTOS PÚBLICOS foi anunciado pela área econômica do governo. Entretanto, por mais que Lula tenha dado o AVAL para o CONGELAMENTO DE R$ 15 BILHÕES, a sua fisionomia revela, com total transparência e vontade, que, a exemplo do agente secreto James Bond - conhecido como Agente 007 - que tem PERMISSÃO PARA MATAR, ele não pretende abrir mão do -DIREITO DE ESFOLAR- OS PAGADORES DE IMPOSTOS.
NÚMEROS...
Para que não paire dúvida e tampouco euforia com a tardia e pouco confiável atitude do governo, ontem a equipe econômica fez uma mera apresentação de números, os quais, não por acaso, agradou muito os jornalistas de plantão, do tipo que sorriem iguais hienas para qualquer coisa dita e ou prometida pelo governo. A rigor, a proposta completa, segundo disse Fernando Taxadd, será detalhada no relatório de despesas de julho, a ser anunciado na próxima segunda-feira, 22.
INGENUIDADE EXPLÍCITA
O mais curioso é que muitos analistas do mercado financeiro ficaram muito satisfeitos com o CONTINGENCIAMENTO DE 15 BILHÕES, pois achavam que o governo anunciaria um corte de apenas R$ 10 bilhões. Ou seja, tomados por um incompreensível sentimento de INGENUIDADE, os analistas ficaram felizes e crentes que Lula está realmente disposto a CORTAR GASTOS. Pode?
DESPESA X INVESTIMENTO
Vale lembrar, antes de tudo, que durante a entrevista que concedeu nesta semana ao Jornal de Record, o presidente Lula, com todas as letras, afirmou que -NÃO É OBRIGADO A CUMPRIR A META FISCAL. Mais do que sabido e comprovado, Lula só tem compromisso com a DESPESA. Mais: ao confundir, espertamente, DESPESA COM INVESTIMENTO, não admite que o INVESTIMENTO exige a SAÍDA DE DINHEIRO (INEXISTENTE) DO CAIXA DO GOVERNO.
RELATÓRIO DO IFI
A propósito: segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal, da Instituição Fiscal Independente (IFI), divulgado ontem, o DÉFICIT PRIMÁRIO recorrente do Brasil foi de 1,6% do PIB nos 12 meses encerrados em junho de 2024. Com isso, a IFI calcula que será necessário um esforço fiscal equivalente a 1,3 pp do PIB para que seja alcançada a META FISCAL de DÉFICIT PRIMÁRIO ZERO DO GOVERNO EM 2024. Atenção: enquanto as RECEITAS crescem 6%, o AUMENTO DAS DESPESAS chegou a 10,9% no primeiro semestre de 2024. Que tal?
Efeitos de uma desordem fiscal - 14/07/2024
Gilberto Simões Pires
DESORDEM FISCAL
Por mais que o DESEQUILÍBRIO FISCAL seja um tema bastante árido e como tal de difícil entendimento tanto para a grande maioria da nossa população quanto para praticamente todos os meios de comunicação, esta clara e preocupante situação que o Brasil está vivendo, sob o comando -prazeroso- do governo Lula, volto a insistir no assunto na esperança de que mais brasileiros entendam que as consequências produzidas pela DESORDEM FISCAL são desastrosas.
PÉ NO ACELERADOR DAS DESPESAS
Pois, antes de tudo, para que fique bem claro, RISCO FISCAL se manifesta, matematicamente, através do DESEQUILÍBRIO ENTRE RECEITAS E DESPESAS DO GOVERNO e, por consequência, pela PREOCUPAÇÃO DE QUE O GOVERNO NÃO CONSIGA HONRAR SUAS OBRIGAÇÕES FINANCEIRAS. Mais: a TAXA DE DESEQUILÍBRIO FISCAL cresce na medida em que o GOVERNO, ao invés de conter a encrenca, resolve colocar o pé no acelerador das DESPESAS PÚBLICAS.
RISCO-PAÍS
Para quem ainda não sabe, a capacidade do governo de pagar suas dívidas é constantemente avaliada e pontuada pelos agentes econômicos. Como tal, o RISCO-PAÍS espelha, numericamente, o grau de possibilidade dos governos poderem honrar com seus compromissos. Ou seja, quando A TAXA DE RISCO-PAÍS aumenta, os investidores (pessoas ou empresas que financiam governos comprando títulos públicos) passam a PERDER A CONFIANÇA na capacidade do governo de honrar suas dívidas e manter a estabilidade econômica. Esse sentimento ruim faz com que aumente as RETIRADAS dos recursos do país, que por sua vez provoca, pelo efeito DEMANDA, o aumento da cotação do DOLAR.
CICLO VICIOSO
O que precisa ser enfatizado é que a DEPRECIAÇÃO DO REAL EM RELAÇÃO AO DÓLAR, tem EFEITO IMEDIATO NA ELEVAÇÃO DE PREÇOS DE INÚMEROS PRODUTOS IMPORTADOS. E, para conter esta situação o BANCO CENTRAL -INDEPENDENTE- é forçado a AUMENTAR AS TAXAS DE JUROS (SELIC). Pois, estas importantes e necessárias decisões tomadas pelo BC, infelizmente, são tratadas sistematicamente pelo presidente Lula através de xingamentos ao presidente do BC, Roberto Campos Neto, que se esforça diariamente para manter o tal de EQUILÍBRIO FISCAL. Vou mais além: caso o RISCO FISCAL siga em MODO ALTO, nem os aumentos da TAXA SELIC se mostrarão capazes para estabilizar a moeda, resultando, assim, em um CICLO VICIOSO DE DEPRECIAÇÃO CAMBIAL E INFLAÇÃO EM ALTA, como aliás, o país já viveu no passado recente.
A lamentável marca Brasil - 07/07/2024
Alex Pipkin, PhD
Confesso que o saudosismo tem o seu "lado negro", na medida em que exerce uma apreciação exagerada sobre as coisas do passado. No entanto, como era bom quando a nação verde-amarela era reconhecida, internacionalmente, por suas praias afrodisíacas, por suas belas canções, e pelo nosso glorioso futebol!
A marca-país é o meio pelo qual uma nação se comunica, se diferencia e simboliza suas particularidades para o mundo. Gera-se um valor emocional, criando uma imagem que os consumidores têm do país como um todo. Marca é um ativo essencial para empresas, identificando seus produtos e serviços e, fundamentalmente, sua proposição de valor, ou seja, como uma organização cria e entrega uma solução diferenciada e melhor para resolver os problemas reais dos clientes-consumidores.
É evidente que o posicionamento de marca impacta, positiva ou negativamente, nos olhos, na mente e no coração dos clientes-consumidores, agregando - ou não - valor aos clientes e influenciando no alcance de uma lucratividade superior nas empresas.
O ex-presidiário retornou a cadeira do Planalto, tendo como uma de suas grandes narrativas para a “reconstrução” brasileira, a recuperação da imagem do país no exterior. De acordo com os “especialistas em ilicitudes”, o ex-presidente aniquilou a reputação tupiniquim no exterior.
É lamentável e, ao mesmo tempo, surreal, que esse desgoverno e seu partido da propaganda, a ex-mídia, agora coloquem os holofotes sobre presentes recebidos pelo ex-presidente de autoridades internacionais, além de supostas irregularidades com o cartão de vacinação do capitão. Chacota. Ainda acreditam que a maioria dos da terra de Macunaíma são legítimos idiotas!
Pois essas são as grandes, sensacionalistas e importantes notícias do dia, de acordo com o (des)jornalismo nacional. Decerto que todas eventuais irregularidades devem ser apuradas e, se materializadas, punidas. Entretanto, a imagem do país se encontra na sarjeta em razão, objetivamente, de fatos reais e que assombram, de verdade, o globo. O autoproclamado “negociador da paz mundial”, genuíno defensor de terroristas do Hamas, transformou-se em um cão sarnento no cenário internacional, em que todos os chefes de Estado desejam a máxima distância. Inquestionável.
A mídia mundial, de maneira certeira, identifica o Brasil como se postando do lado errado da história. O retorno escancarado da corrupção, dos abusos intervencionistas na economia e na vida das pessoas, da intromissão desastrosa em estatais, da incompetente má gestão pública, e de seu conluio com políticos de toga, disfarçados de ministros da Corte, são flagrantes. Esses, inacreditavelmente, regozijam-se, afirmando, abertamente, que presentemente dispomos de um STF socialista. Eles não julgam a lei, legislam de acordo com a cartilha vermelha.
Os verdadeiros radicais de “extrema-esquerda”, com suas genuínas narrativas e “fake news”, fazem o impossível para controlar, distorcer e atrapalhar a vida do empresariado e dos cidadãos.
Difícil escutar um pio da “grande imprensa” sobre a suja corrupção que retornou livre, leve e solta, sobre a asfixia imposta pelos escorchantes impostos, pela cada vez mais abusiva e maior regulação da economia, pela inconcebível censura prévia, e pela apologia aos direitos desumanos. A marca Brasil está bem no fundo da lata do lixo. Impossível ser diferente. O jornalismo mundial sério, com “J” maiúsculo, enxerga e informa os fatos e os dados como eles são, verdadeiramente.
Os estrangeiros sabem o que está acontecendo no país. Prova disso é a escassez de confiança e dos respetivos investimentos em terras do Pau Brasil. A marca Brasil, atualmente, sinaliza sua imagem e sua particularidade socialista, autoritária, incompetente e, acima de tudo, da tatuagem da corrupção e da prevaricação. Embora para a imprensa nacional o país seja uma reprodução de Nárnia, o mundo enxerga de maneira transparente o rápido caminhar em direção à destruição.
Minha esperança é a de que os eleitores-consumidores assim também o façam.
Sobre o PL 1904/2024 e a estratégia da esquerda - 24/06/2024
Valterlucio Bessa Campelo
Quem conhece um pouquinho que seja de Arthur Schopenhauer, o grandíssimo (meu preferido) filósofo nascido em Gdansk, na Polônia, em 1788, que aos 30 anos escreveu sua obra basilar “O mundo como vontade e representação”, já ouviu falar de seus relatados estratagemas para ganhar um debate incluídos no livro “A Arte de ter razão: 38 estratagemas” (1830). Um desses estratagemas, preferido pela esquerda e pela imprensa tendenciosa, é a “falácia do espantalho”, que consiste basicamente em fugir do argumento verdadeiro e apresentar em seu lugar um parecido, porém falso – o espantalho, para que seja o alvo da pancadaria. Veja o exemplo abaixo.
O político Fulano declara que as verbas do governo devem ser prioritariamente destinadas à segurança, saúde e educação; O político Sicrano, amparado pelos meios de comunicação, diz que o Fulano não se importa com a cultura nem com o meio ambiente. Pronto, está criado o espantalho, ou seja, o Fulano foi transformado num sujeito insensível às causas culturais e ambientais e, daí em diante, passa a ser massacrado pelo Sicrano que, ao cabo, sai vencedor. Ganhou a mentira, pois em nenhum momento Fulano se referiu à cultura ou ao meio ambiente, apenas enunciou as prioridades obvias para o gasto público.
Foi o que vimos nas últimas semanas acerca do PL 1904/24, que sob campanha avassaladora da imprensa, replicada à exaustão por jornalistas e políticos de esquerda, chegou a motivar manifestações de rua. Maliciosamente, a esquerda utilizou seus agentes na imprensa, onde é majoritária na proporção de 95% contra 5% segundo última pesquisa, para apedrejar o espantalho, inclusive nomeando-o. O PL do aborto (verdadeiro) foi transformado em PL do estupro (falso), e daí em diante o resultado só poderia ser o que foi. O Presidente da Câmara dos Deputados recuou e criou uma comissão para analisar o PL antes de voltar com ele para o Plenário.
O troço é tão perverso que as redes de televisão em sua totalidade, os sites do governo, os partidos políticos de esquerda e a grande maioria dos blogs e sites de notícia, partiram com tudo para cima do espantalho sem dó nem piedade, ouvindo apenas um lado da moeda. O verdadeiro PL não está sendo debatido, está sendo massacrado na forma de espantalho. Como fizeram isso? Respondo.
Toda essa gente de DNA esquerdista, inclusive alguns jornalistas pretensos cristãos (Deus tá vendo), transmitiu para o público a falácia de que o PL 1904 “condena a estuprada a penas maiores que a do estuprador” como se a pena do estuprador fosse obra do PL. É mentira, NÃO HÁ PENAS PARA VÍTIMAS. Quando o leitor ouvir ou ler alguém falando “o PL criminaliza a menor estuprada que aborta”, saiba que está de frente a um mentiroso. A menor não é alcançada JAMAIS, pois está protegida pela inimputabilidade criminal. Além disso, NÃO HÁ PENA para mulheres estupradas de qualquer idade, pois neste caso a Lei também protege a mulher (Art. 128 do Decreto Lei 2.848). Tem mais. Basta a esquerda apoiar e votar a urgência do PL 4.233/2020 que a pena para estupradores fica aumentada. Vamos lá, valentes! Apoiem, que a coisa fica resolvida, ou não é essa a questão?
Outra trapaça da esquerda é a que ouvi recentemente em um programa de entrevistas na TV. O entrevistador iniciou a sua pergunta à entrevistada, uma conhecida “bondosa” senhora esquerdista, referindo desde logo que essa é uma questão acima da ideologia. Parecia o Bonner entrevistando o Lula “O Sr. não deve nada à justiça”. Essa falácia não é claramente Schopenhaueriana, mas tem o intuito de ganhar o debate salvando a esquerda da bandalheira, enquanto reduz a discussão à falácia do espantalho, como se o aborto não tivesse o amparo canhoto em todo o mundo. Talvez essa mentira tenha servido para sossegar seu coração em conflito, mas, obviamente, o assassinato de crianças no útero pertence à esquerda e não é de hoje.
Em 1920, sob Lenin, a União Soviética foi o primeiro país do mundo a liberar o aborto. Depois de um refluxo stalinista que restringiu a prática a alguns casos específicos (Stálin preferia fuzilar os adultos), ele voltou com tudo, livre e gratuito, sob Kruschev em 1955. A nação mais livre do mundo, dos EUA, somente em 1973 reconheceu o direito ao aborto, mesmo assim, restrito ao período até a 24ª semana de gestação. Recentemente, em 2022, a competência legislativa nos EUA sobre o tema foi delegada a cada Estado, causando diferenciação conforme a localização.
Modernamente, sob o título fajuto de “direitos reprodutivos da mulher”, a violência contra o feto se espraia por todo o mundo, fazendo do assassinato de crianças uma pregação enganosa de afirmação feminista. Não bastam a liberação sexual, a pílula e os vários métodos anticoncepcionais providos pela ciência e disponibilizados pelo Estado. Para a esquerda, é necessário que a mulher decida se quer ser mãe depois de grávida e, pasmem, a qualquer tempo, mesmo depois de ter seu filho lhe chutando a barriga. Para essa gente, o limite deve ser o parto, ou seja, enquanto estiver na barriga, até os nove meses, aquele ser não é HUMANO e pode ser descartado em qualquer privada. A cidadã comum, bombardeada por enem percebe que, no final das contas, são as crianças negras, pobres e portadoras de algum problema congênito que a esquerda pretende descartar, dizendo que estão protegendo a mãe.
Marco fundamental da sanha assassina foi o surgimento nos EUA, em 1942, de uma entidade vinculada à esquerda americana, a Planned Parenthood, que iniciou suas atividades como fornecedora de serviços de saúde reprodutiva e sexual, oferecendo educação sexual, testes de DST e exames ginecológicos. Mais à frente ela se especializou mesmo foi em promover e praticar abortos e hoje é responsável por espantosos 800 assassinatos diários, o que representa 30% dos abortos praticados nos EUA. Essa entidade tem braços em todo o mundo, inclusive no Brasil, através de ONG’s financiadas para defender “o direito reprodutivo das mulheres”.
Quer saber mais? Procure qualquer documento de teses dos partidos de esquerda, especialmente do PT, e em 100% deles achará a o embuste da “defesa dos direitos reprodutivos da mulher”, uma frase bonitinha e ordinária para esconder a verdadeira, horrenda e diabólica “matar o ser humano na barriga da gestante”. Procure nos anais dos encontros, colóquios, seminários e congressos feministas e lá encontrarão o mesmo sofisma.
Voltando ao PL 1904, qualquer pessoa com dois neurônios funcionais e honestos perceberá em sua leitura que seu único objetivo é dizer para a mulher ADULTA: “Após as 22 semanas em seu ventre, há um SER HUMANO e, tal como preconizam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto de San José da Costa Rica e a própria Constituição Federal brasileira, ele deve ter seu direito à vida protegido, inclusive com a hipótese de dá-lo para adoção”. Driblar a Lei para, a pretexto de garantir direitos reprodutivos, negar a lógica e a adequação ao PL, é DESUMANIZAR o feto de 22 semanas, transformando-o em um aglomerado de células a ser jogado numa privada ou, como sugerem várias denúncias internacionais, a ser utilizado como material biológico. Se não fossem tão covardes, os abortistas diriam o que pensam: “mato porque não é um ser humano”.
Outra trapaça da esquerda é empurrar o debate para o campo religioso na tentativa de contaminá-lo com uma visão dogmática, o que descredenciaria o debatedor pró vida. Isso na esfera da imprensa, porque na Câmara dos Deputados, na reunião de líderes para formação da Comissão que analisará o PL 1904/24, os partidos de esquerda espernearam para que NENHUM cristão declarado participasse. Felizmente, nessa, Arthur Lira não capitulou.
Ainda tem a turma do “mas”. Ouvi outro dia um esquerdista candidato a prefeito, autodeclarado cristão, fugir da pergunta sobre o PL com um “Sou contra o aborto, MAS...”. Contra o aborto, uma OVA! Não tem essa de “mas” quando se trata de matar um ser humano no ventre da mãe. Em nenhum texto bíblico há amparo para essa enormidade, nenhuma moral sustenta essa posição dúbia ou complacente com o crime de aborto. Esses políticos meia boca, que vem com essa pilantragem de “mas” relativizam a vida e traem a religião que dizem professar.
Sem medo nem vergonha de ser cristão, deixo aqui duas sugestões. Aos cristãos, que por ignorância ou por fraqueza de convicção fazem concessões ao aborto, sugiro abrirem a Bíblia e ir lá em Salmos 127:3 “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá”. Ou, em Salmos 71:6 “Desde o ventre materno dependo de ti; tu me sustentaste desde as entranhas de minha mãe. Eu sempre te louvarei!”. Achou pouco? Tente Jó 31:15 “Aquele que me fez no ventre materno não os fez também? Não foi Ele que nos formou, a mim e a eles, no interior de nossas mães?”.
Aos parlamentares, juízes, jornalistas, advogados, senhoras “bondosas” e esquerdistas militantes da causa do aborto, sugiro que assistam alguns dos inúmeros vídeos na internet que mostram o despedaçamento do corpinho, ou a entrada de uma agulha assassina no coraçãozinho de um feto para que seja retirado morto. Por precaução, preparem-se para, talvez, ouvirem o eco de um grito desesperado em suas consciências.
* O autor, Valterlucio Bessa Campelo, escreve às segundas-feiras no site AC24HORAS e, eventualmente, no seu BLOG, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no DIÁRIO DO ACRE, no ACRENEWS e em outros sites. Quem desejar adquirir seu livro de contos mais recente “Pronto, Contei!”, pode fazê-lo através do e-mail valbcampelo@gmail.com
A esperança deu lugar à certeza - 09/06/2024
Gilberto Simões Pires
FALÊNCIA
A primeira semana de junho está findando e com ela o desencantado povo brasileiro, sem cessar, manteve a clara infelicidade de CONFIRMAR que, na medida em que o tempo passa, ao invés de ver aumentada a ESPERANÇA DE DIAS MELHORES, a única coisa que consegue perceber, e/ou sentir, é a nítida CERTEZA de que o governo Lula só vai descansar depois de DECRETADA A FALÊNCIA DO NOSSO EMPOBRECIDO BRASIL.
FESTEJAR OS INSUCESSOS
A cada decisão tomada, não resta a menor dúvida de que as INTENÇÕES, assim como praticamente todas as AÇÕES que são tomadas - dia após dia- , têm absoluto compromisso com o ERRO. E como tal a META perseguida pelo governo, em todos os níveis, contando sempre com ajuda máxima do STF, é FESTEJAR OS INSUCESSOS OBTIDOS.
AS PRAGAS E O CURANDEIRO
Com o claro propósito de garantir o quanto antes o perseguido INSUCESSO TOTAL, Lula não adormece sem antes ROGAR AS PIORES PRAGAS CONTRA O PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL, ROBERTO CAMPOS NETO. E na manhã seguinte, ao acordar, entona a voz e replica tudo que disse na noite anterior. Com isso, fica impossível não admitir que Lula não tem o menor apreço pela RESPONSABILDADE FISCAL, assim como seu -POSTE- Fernando Haddad, que tal qual um pretenso CURANDEIRO DA TRIBO PETISTA, corre, da manhã à noite, de um lado para outro, na procura de maneiras que levem ao AUMENTO DA ARREACADAÇÃO.
MÁXIMA
Com isso, o ORÇAMENTO DA UNIÃO, que por muitos anos foi rotulado, acertadamente, como mera OBRA DE FICÇÃO, sob o comando de Lula simplesmente passou a ser reconhecido como ALGO FLAGRANTEMENTE DECORATIVO e, portanto, DISPENSADO DE SER OBEDECIDO. Dentro desse ambiente TRÁGICO, o que mais impressiona é que muita gente APLAUDIU A APROVAÇÃO DO -ARCABOUÇO FISCAL-. Ou seja, nada mais lógico do que a velha máxima - SÓ EXISTEM OS ESPERTOS PORQUE EXISTEM OS TROUXAS. Que tal?
UM LEILÃO MUITO LOUCO
A propósito de tudo e mais um pouco, este editorial não pode fechar sem antes registrar o MAU ESTAR e o CHEIRO DE FALCATRUA que permeou o SAFADO LEILÃO DE ARROZ PROMOVIDO ONTEM PELA CONAB, que não por acaso se trata de uma empresa pública federal. Leiam aqui o que foi apurado pelo site -THE AGRIBIZ- sobre o -ARROZÃO- (https://www.theagribiz.com/agronegocio/um-leilao-muito-louco-wisley-souza-o-desconhecido-rei-do-arroz-da-conab/).
Importar arroz: eis a questão. - 07/06/2024
Alex Pipin, PhD
Todo liberal “raiz” sabe que uma das mais básicas premissas liberais é a do livre comércio. Não poderia ser diferente. Aliás, os fatos da história econômica mundial comprovam cabalmente a importância estratégica, tanto das exportações, como das importações, a fim de gerar e acelerar o desenvolvimento econômico e social de uma nação.
O protecionismo, o intervencionismo de burocratas estatais interessados nas relações de compadrio em seus países é, indubitavelmente, um dos maiores cancros inibidores do efetivo progresso. Quando os cidadãos de uma nação são privados de comprar produtos/serviços mais baratos e/ou de melhor qualidade/produtividade, esses são compulsoriamente forçados a pagar mais caro por mercadorias de menor qualidade.
Desse modo, sobram menos recursos para as pessoas adquirirem outros produtos e serviços em seu país, afetando todo o mercado nacional e, portanto, reduzindo os empregos e o nível de investimento em uma determinada nação.
O protecionismo impõe a população comprar “pior” e, assim, diminui o poder de compra dos brasileiros, a demanda agregada nacional e, evidente, deteriora o padrão de vida das pessoas. Contudo, nessa presente situação envolvendo a importação de arroz, as circunstâncias são atípicas e muito distintas.
A maior tragédia de enchentes ocorrida no Rio Grande do Sul, impactou em quase todos municípios gaúchos, trazendo abissais prejuízos ao setor agrícola, como também à outras indústrias. Não entanto, várias entidades representativas do setor arrozeiro, já se manifestaram, confirmando que não haverá falta de arroz para fornecimento no país.
O que se vê - e o que não se vê -, é um Estado incompetente, mais uma vez, politizando questões-chave, desejando intervir nos mercados com mão de ferro, atrapalhando a vida dos empresários e das pessoas.
Neste momento crítico da economia gaúcha, o que o Estado deveria estar planejando e executando, são ações para impulsionar o crescimento da economia, ao invés de estar indo na contramão dos interesses do empresariado e do povo do Rio Grande do Sul.
A sanha intervencionista do desgoverno é tão grande, que mesmo após uma ação judicial que suspendia o leilão de arroz importado almejado pelo ex-presidiário, hoje, quinta-feira, dia 6/6, o TRF-4 derrubou tal liminar e, desta forma, manteve o leilão de arroz importado.
Nessa republiqueta rubra coletivista, a fúria e a bagunça judicial não encontram limites quando se trata de prejudicar o Estado do RS. Diferentemente da premissa basilar do livre comércio, pelo trágico contexto gaúcho, o que esse desgoverno quer, é aumentar o desemprego e prejudicar ainda mais a economia do RS. Além disso, claro, qualquer cego que pensa, sabe que devem estar contempladas no referido leilão, relações “perversas e libidinosas” por parte desse desgoverno.
É lamentável que o intervencionismo inepto e voraz de políticos e de burocratas estatais, sempre empregando uma narrativa velhaca e ideológica, a do “para o bem do povo”, de fato, esteja direcionada para lesar o Rio Grande do Sul, como também todos os demais estados e consumidores brasileiros. O livre comércio sempre é benéfico, sem dúvidas, porém, aqui a questão não é de natureza econômica.
Nessa circunstância, o que se vê é um desgoverno incompetente, ideológico, canhoto e mal-intencionado, fazendo todo o possível para afetar e dificultar a penosa recuperação do Estado dos gaúchos. Triste.
A esquerda se divide – um embuste previsível. - 05/06/2024
Valterlucio B. Campelo
Nos últimos dias, a extrema-esquerda, aquela que nem bateu o mofo do marxismo-leninismo e já se enrola no wokeismo uns 150 anos mais jovem, com aspirações revolucionárias, resolveu no Acre anunciar uma possível candidatura às eleições para a prefeitura de Rio Branco. Tem, penso, o direito e o dever de fazê-lo, de disseminar, debater e testar a adesão da população à sua agenda. Os dados do último pleito em que o PSol participou com candidatura própria não parecem animadores, mas, considerando-se as circunstâncias, este não é o problema.
Com muitos anos de estrada, chega uma hora em que nos obrigamos a sempre perguntar o porquê das coisas, dos fatos, das declarações, das coincidências… deve ser o vezo de quem viveu. É o caso, portanto, de se perguntar quais as razões mesmas da candidatura psolista, além de aproveitar o espaço para difusão de suas ideias.
Em entrevista recente a um programa de TV, o pretenso candidato, recém-ingresso no Psol vindo (surpresa!) do Partido dos Trabalhadores, através do qual já exerceu o cargo de secretário no governo estadual, ensaiou alguns pontos de debate. Quer, segundo ele, pautar os interesses das classes menos assistidas, deseja sair da discussão paroquial para questões de fundo relativa a direitos sociais pouco ou não atendidos pelo poder público, sugere formas de participação popular, admira o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST, etc. Alvíssaras! Temos um candidato corajoso, assumidamente ideológico e de esquerda na disputa.
Vendo a entrevista, eu estava até animado com a qualificação e serenidade do socialista-pastor, afinal, venho defendendo que nem só de asfalto vive o eleitor, mas também e, principalmente, de sua visão de mundo, quando, lá pelas tantas, o futuro pré-candidato psolista danou-se a falar bem do adversário (?), candidato do PT-MDB, Marcus Alexandre, elogiando-o e se esforçando ao máximo para deslocá-lo da esquerda para o centro, como, aliás, já fizera anteriormente o próprio Marcus no mesmo espaço de entrevistas, quando repetiu várias vezes o mantra da hora “eu sou de centro”.
Oxente! Foi aí que os meus neurônios se inquietaram. Bem, temos então mais um motivo, dessa vez funcional, para o surgimento de uma candidatura de esquerda sem mínimas ambições eleitorais. Parece que antevendo a carga ideológica da campanha, a esquerda está cuidando de criar um escudo contra os disparos que virão das candidaturas à direita, uma espécie de para-raios incumbido de atrair o debate mais ácido, livrando das discussões de pautas incômodas o peemedebista amnésico, enquanto o empurra para o centro.
Não é genial? O candidato A da esquerda, devidamente desideologizado, se apresenta para falar da paróquia, das praças, dos acertos e compromissos, dos projetos e melhorias para os bairros, da prestação dos melhores serviços etc., e o candidato B, sua “altera facie”, enfrenta as questões inconvenientes relacionadas ao desastre ético, moral, econômico, político e social da esquerda e do governo lulopetista. Não, não é genial, é bastante previsível.
Embora neguem terminantemente, o fato é que a polarização esquerda-direita, maximamente representada no Brasil pelo lulopetismo versus bolsonarismo vem fazendo com que as candidaturas maleficiadas pelo confronto procurem saídas. Uma delas é puxar o debate para o paroquialismo despolitizado, outra, como se vê, é arranjar um zagueiro-esquerdo para interditar as boladas destras.
Segundo a pesquisa publicada nesta segunda-feira pelo Instituto de Pesquisas e Consultoria – IPEC (ex-IBOPE), visceralmente alinhado com a Rede Globo, no Brasil a direita tem a preferência da maioria do eleitorado, na base de o DOBRO em relação à esquerda. Se considerarmos as últimas eleições, pode-se especular que no Acre os dados são ainda mais expressivos dessa tendência. Então, é o seguinte: A esquerda, verdadeiramente representada pelo candidato do PT-MDB diz que não, mas está se borrando de medo de que o bolsonarismo (defesa da vida, liberdade, família e propriedade), de algum modo contagie a campanha e ganhe majoritariamente o centro. Com o lulopetismo tatuado bem na testa, não se sabe até que ponto esse fingimento será mantido e se surtirá os efeitos desejados. Desconfio de que o eleitorado percebe, só desconfio.
* O autor, Valterlucio Bessa Campelo, escreve às segundas-feiras no site AC24HORASe, eventualmente, no seu BLOG, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no DIÁRIO DO ACRE, no ACRENEWS e em outros sites. Quem desejar adquirir seu livro mais recente “Pronto, Contei!”, pode fazê-lo através do e-mail valbcampelo@gmail.com
O Rio Grande depois do Dilúvio - 21/05/2024
Felipe Daiello
Durante quase três semanas , de todos os lados , de todos os Estados do Brasil uma corrente de solidariedade, mesmo com ausência dos agentes do poder público numa ação solidaria, voluntários metem a alma em águas poluídas, enfrentam fome, frio, noites sem dormir, numa façanha que salva milhares de brasileiros e os seus animais de estimação. Depois sem propaganda, quase sem nenhum apoio era preciso criar centros de acolhimento para humanos e animais, providenciar comida ,água potável, mínimas condições de higiene, serviços sanitários e para higiene mínima , apoio psicológico para mentes em depressão pelas perdas, medicamentos e para as crianças estabelecer rotinas de ensino, de recreação, com desenhos e atividades culturais.
Mas agora, durante semanas , talvez meses, outras tarefas são prioritárias, pois com inverno chuvoso, frio congelante, sem roupas adequadas surgem doenças respiratórias. Devido a aglomeração das pessoas em locais sem privacidade, surto de piolhos, de sarna, de doenças gastrointestinais , além da leptospirose, mostram a sua cara.
No entanto algo mais sério não foi enfrentado pelo poder público, mais preocupado pela imagem em queda do que ver a realidade que só os voluntários enfrentam, A destruição da cadeia produtiva do Rio Grande é realidade. Começando pelas malhas de transporte, pois a queda de pontes, mesmo em zonas rurais, a destruição de rodovias ,os deslizamentos de encostas, além das vidas perdidas. bloqueiam os acessos entre municípios. Nosso aeroporto internacional interditado por meses por falha ou ausência de bombas de drenagem traz outro desafio, estamos ilhados do mundo.
Sem a imediata normalização da nossa logística de transporte , não há como iniciar a movimentação da economia que está paralisada e sem condições de iniciar a recuperação exigida. Faltam insumos, rações para o gado, para aviários , sem falar em combustível. Além da alta nos preços, pois o transporte quando há é bem mais caro, o desabastecimento geral ou as prateleiras vazias logo serão realidade. O parque industrial está paralisado.Milhares de empregos a perigo.
Como mais de 450 municípios no RG sofreram danos severos durante o dilúvio, alguns ainda recuperando efeitos das enchentes de 2023, com a queda previsível de receita eles não dispõem dos recursos mínimos mesmo para iniciar a limpeza e a remoção dos entulhos. Alguns foram dizimados com bairros fantasmas em áreas de risco permanente. O que fazer na urgência, questão a discutir e a providenciar. Diques? Casa de bombas?
Como nossa carta magna diz ser o Brasil uma Federação de Estados, com independência em decisões administrativas e gerenciamento dos seus recursos, apesar de Brasília, onde não há fabricas e nem grandes empresas , ao longo do tempo centralizar arrecadações para aumentar o seu poder político, provocando distorções e injustiças.
O Estado do Rio Grande do Sul onde temos Governo Estadual e Assembleia Legislativa, envia em tributos federais anuaís, em média, 60 bilhões de reais, fruto do trabalho dos.seus habitantes, no entanto o retorno em migalhas ou doações não chega a 25 %. Parece mentira, mas 42 bilhões provenientes do suor dos gaúchos desaparece num saco sem fundo. Em 10 anos nossa espoliação chega a 420 bilhões de reais, perto de 84 bilhões de dólares americanos. Como falar em dívida do Estado, perto de 100 bilhões, se já entregamos quantia mais de quatro vezes superior. Numa comparação o Estado do Maranhão, estado que apresenta os piores índices sociais do Brasil como o IDH e PIB , onde municípios têm mais bolsas auxilio do que carteiras assinadas, numa equação reversa entrega 6 bilhões de reais e recebe quase o triplo. Compare os resultados obtidos em 10 anos de doações. No momento do dilúvio é preciso reparação do injusto encargo na presente situação.
Diferente do que ocorreu durante a pandemia do Covid -19, com a política do fique em casa, os danos na economia foram severos, obrigando o governo a injetar 700 bilhões de reais para evitar o caos, mas a infraestrutura da nação não foi destruída, A situação do Rio Grande do Sul é muito distinta, o que exige novas decisões e mudanças de paradigmas tradicionais. Precisamos de bons gestores para crises e não de interventores jornalistas.
A atuação inicial dos voluntários foi fundamental para salvar vidas por primeiro, para depois alojar, vestir e alimentar os refugiados, a maioria só com a roupa do corpo enquanto o imobilismo tradicional de estado paquidérmico não sai da tradicional letargia. Mas a atuação dos voluntários tem prazo de validade. O Rio Grande está destruído, como o Japão e a Alemanha do pós guerra, necessitando de fundos agora e na veia para iniciar a recuperação e depois planejar em segundo plano como evitar e controlar futuros dilúvios. Esmolas, entrega de recursos de propriedade dos gaúchos, como a devolução do IR pago a maior , não contam,
Como o governador afirma precisamos de um plano para galvanizar energias positivas, apenas um nome gauderio seria mais adequado, como Plano ou Projeto Farrapos como exemplo. Para isso precisamos do apoio dos nossos deputados federais e senadores em Brasília , bem como cobertura ampla em todos os meios de comunicação, pois a causa é justa e interessa ao Brasil.
Durante 5 anos, como de direito, os impostos federais, mesmo em queda devem permanecer no Rio Grande, com administração de entidades civis e com as reivindicações dos prefeitos e das forças vivas do munícipio. Pois cada local sabe onde aperta o sapato. Como organizador não podemos esquecer o nosso governador, que foi eleito e conhece o Rio Grande e as armadilhas e traições de Brasília. Hora de união total, como os nossos antepassados fizeram quando nossas fronteiras estavam ameaçadas. Republicanos e imperiais lutam e morrem sob a mesma bandeira.
Durante cinco anos, com bandeira comum, agora que as forças vivas e atuantes do RG foram despertadas podemos revitalizar o nosso querido RG, começando pela infraestrutura logística que foi destruída. São 200 bilhões provenientes do nosso trabalho, não do governo de Brasília, que o utiliza em finalidades não republicanas. Vamos recriar o RG dos nossos sonhos. A hora chegou e a nova precisa alcançar todos os rincões do Rio Grande.
Importante , para desvendar o drama atual conhecer a topografia típica do RG, tendo ao norte, montanhas, morros e serras com altitudes entre 500 a 1.000 nos cânions, entremeados por vales sinuosos onde fluem uma rede de arroios, de riachos que vão engrossar outros maiores como o Taquari, o Jacuí, o dos Sinos, o Uruguai, que rolam para planícies e coxilhas mais baixas onde o estuário e não lago do Guaíba é o ponto de encontro de muitos, para depois formar a Lagoa dos Patos e a barra do Rio Grande. Um sistema pluvial perfeito é formado , qualquer precipitação maior vai chegar mais cedo ou não nos vales e cidades ribeirinhas. A antiga regra de fundar as povoações perto de rios e riachos pode trazer problemas. Mas na Mesopotâmia, no Nilo, no Iêmen da Rainha de Sabá era importante saber controlar a irregularidade das águas.
Como engenheiro e professor da UFRGS conhecendo o nosso Instituto e Laboratório de Hidrologia, onde fiz o meu primeiro trabalho de pesquisa como estudante e sendo o atual reitor um especialista no assunto, já temos um embrião para rever, analisar e estudar a implantação de mini represas, com vertedouros e canais que desviem e levem a água para caminhos secundários. A partir do terceiro ano de execução do Plano ou Projeto Farrapos, após projetos, a implantação dessa rede de mini represas, além do controle das cheias, pode gerar energia elétrica barata para a micro região, controlar secas pela irrigação, incentivar a piscicultura para velhos pescadores e ter um caminho aquático eficiente entre duas barragens. Seria projeto cidadão trazendo vantagens inerentes aos habitantes que teriam outras opções para lazer incluindo a pesca esportiva, uso de jet-skis e de lanchas. Com o controle local como a comunidade de Nova Roma demonstrou ao reconstruir ponte destruída em 2023 e agora, em 2024, a mesma aguenta um dilúvio, agora com nova vaquinha a missão é recuperar estradas obstruídas para chegar a Farroupilha. Surge solução mais barata , mais rápida e de melhor qualidade; podemos fazer do limão uma revolução. Precisamos divulgar o método participativo. Pois nos cálculos no governo a ponte iria exigir 24 milhões de reais e levaria quase dois anos para a conclusão. No entanto o interesse e a força da comunidade de Nova Roma, exemplo para o Brasil e para os seus políticos e dirigentes, em menos de 3 meses e a um custo de um terço do orçamento oficial, foi aberta ao trafego ainda em 2023 com uma procissão onde o andor da padroeira da cidade á frente cortava a fita da inauguração. Como adendo a nova ponte resistiu a dilúvio nunca visto no Rio das Antas. Podemos iniciar novo modelo de governo. Outra façanha dos gaúchos.
Sirvam nossas façanhas de modelo , de modelo , a toda à Terra.
Obs: Rio Grande foi a denominação dada ao nosso Estado quando o primeiro português, Martim Afonso de Souza, passou por nossa costa em 1532.
Carioca? Bem capaz: sou Gaúcho, tchê!!! - 13/05/2024
Adriano Alves-Marreiros
Sirvam nossas façanhas
de modelo a toda Terra.
Hino Riograndense
Entendi de vez o Hino do Rio Grande, o trecho citado acima não é exagero: é fato!!! Passei a compreender melhor a Farroupilha! O orgulho gaúcho não é só por ter nascido aqui: é por viver aqui, por pelear aqui.
Quando via bandeiras do Rio Grande do sul nos carros de gaúchos vivendo em outros estados, achava curioso: a maioria não usa a bandeira de seu estado, alguns nem a reconhecem.
Quando via CTG (Centros de Tradições Gaúchas ) em todas as unidades da federação ou via famílias com a mateira pendurada a tiracolo em praias, aulas e clubes espalhados pelo Brasil, eu dizia, “Nossa, que tradição forte é essa?” Sempre longe dos pagos peleando por suas tradições...
O que explicaria tanto orgulho?
Vim a turismo e percebi que era o estado mais bonito do Brasil (nem precisa de belas praias pra isso) e muito mais: resolvemos vir para cá. O mais belo por do sol do mundo é em Porto Alegre porque a cada dia é muito diferente em formas, textura e cor. A uma, duas, três horas da capital há cidades lindas, hospitaleiras e cheias de surpresas. Você não sabe o que é um baile ou até uma festa de rua até ir a Bento, Igrejinha, Garibaldi. Sabem organizar, sabem receber, que comida, que bebida, e digo mais, lembra daquelas histórias que circulavam da Copa e Olimpíada em que os japoneses limpam tudo antes de sair? Bem, nessas festas do interior gaúcho eu nunca achei o que limpar, nunca achei lixo no chão...
Há muito tempo eu me entendo como gaúcho e até Amore Mio diz que sou muito mais gaúcho que carioca. Chegava quase a ficar triste quando me perguntavam “Esse sotaque não é daqui, né” e respondia brincando, para afastar a tristeza “Você percebeu, né, sou de Bagé, Tchê”. Entre os “mas, mas” iniciados pelo interlocutor, eu explicava, “Era carioca, mas decidi ser gaúcho, e se alguém disser que não sou, digo: BEM CAPAZ!!!”
Como já disse em outra crônica, já não preciso do Champagne se tenho os espumantes da serra e da campanha, não preciso de cachaça mineira se tenho a de Ivoti, prefiro o fondue daqui ao da Suíca (lá nem tem o rodízio de Fondue...) e não troco os casacos de couro gaúchos pelos florentinos. Até whisky puro malte de primeira linha temos por aqui... Você pode achar que eu já sou gaúcho mesmo por estar exagerando: acertou no que sou, mas divulgou “fake News” ao dizer que exagero. Isso é que é “fake news“! Agora, mais que nunca eu posso provar.
Eu sabia de desgraças que já se haviam abatido sobre o Rio Grande e que o povo gaúcho se levantara de todas, cada vez mais forte. Uma tragédia imensa se abateu mais uma vez e o que estou vendo? Estou vendo o povo sem tempo para enxugar as lágrimas, pois o usa para, de forma espontânea e voluntária, salvar pessoas e animais, organizar abrigos, fazer, receber e distribuir doações...
Nunca vi tanto barco circulando em reboques, em cima de caminhonetes, em imparáveis Fiats Uno e até nos ombros de pessoas que os levam para locais alagados. Pra você ter ideia, o amigo da Moira, um empreiteiro que fazia obra no condomínio dela, quando viu o início da desgraça, prestem bem atenção: saiu pra comprar um barco e motor (ele não tinha nenhum!) pegou os 14 filhos e foi salvar e ajudar. Maria, nervosa com a família em Eldorado, também foi sem experiência nenhuma ajudar em resgates de muitos desconhecidos antes mesmo de seus parentes serem salvos, até barco comprou, está endividada, pegou leptospirose, mas também está na galeria dos heróis.
Jipeiros com veículos novinhos e customizados levaram os veículos para cumprirem seu destinos e, com ou sem snorkel, estão entrando em locais quase submersos, com o carro quase coberto, interior alagado mas só pensando em ajudar. Pessoas comuns metem seus jet-skis em agua podre e sem transparência, levando-os ao limite para salvar pessoas e animais que não conheciam. Jogadores de futebol que vivem de sua incolumidade física, entram na agua imunda, levam idosas nas costas, fazem esforços que podem causar lesões, levam veículos, jet-skis, trazem aeronaves, recrutam amigos, fazem donativos, servem comida. Até os que achávamos antipáticos e de times rivais mostram o quão humanos são...
Restaurantes que não podem funcionar por falta d’água, apesar do prejuízo decorrente, estão fazendo quentinhas para desabrigados e voluntários. Os tais CTG são quase todos abrigos, além de muitas Igrejas, colégios, galpões com um ponto comum entre todos: essencialmente trabalho não só voluntário, mas espontâneo.
Artur oferece um gerador e vai lá instalar... Seu Ivan não sabe nadar mas, num caiaque em aguas sujas e perigosas resgatou 300! Ele tem quase 60 anos... Mas não sabemos o nome da imensa maioria de heróis anônimos nem sabemos de todas as façanhas que devem servir de modelo...
O amor contagia, o verdadeiro amor contagia, digo, e tenho buscado também participar disso: como Capitão de Infantaria, mesmo da reserva, teria vergonha de manter meus pés secos diante de uma enchente como essa. Tenho buscado participar também mas ainda é pouco, diante de tudo que testemunho: não sou herói como tantos, só não sou omisso. Fernanda está no front. Não poderia ser um dos que só olham, criticam e reclamam...
Pessoas de outros estados, contagiadas pelo amor, também buscam obter e remeter doações, emprestam helicópteros, aviões, organizam comboios humanitários... Surfistas famosos colocam seus jet-skis caríssimos e novinhos na lama e no esgoto sem transparência, danificando-os, consertando e prosseguindo. 3 Atletas não vão ao pré-olímpico de remo para ajudarem o Rio Grande: estão abdicando do sonho olímpico!!! Nunca entendi muito bem aquela medalha Barão de Coubertin, sempre achei que ela era dada por motivos nem sempre relevantes... sei lá, mas se alguém merece recebê-la, se alguém tem espírito olímpico, de congraçamento, é quem é capaz disso: verdadeiros heróis olímpicos, mais que olímpicos heróis com valores cristãos!
Mas, mais que todos os recursos e meios, a prova do amor envolvido, contagiante, é que as pessoas estão doando seu tempo, a exemplo da Lúcia, que nem dormir queria pra não parar de ajudar. E tempo é uma das coisas mais valiosas de que dispomos. Quando o damos de coração pelo próximo, isso é amor, o de verdade, não da boca pra fora...
Parabéns também a todas as instituições públicas que estão agindo, algumas também por voluntariado, mas o assunto aqui é sobre esses voluntários que sem esperar já começaram do primeiro momento, é sobre esse amor contagiante vindo do povo gaúcho, nunca vi nada parecido antes, e que atingiu pessoas de bem em todo o Brasil consolidando aquele que já estava em mim pelos mais variados e óbvios motivos e, era previsível, sou, de vez, um Gaúcho. Saibam todos que um carioca nascido na saudosa Guanabara renunciou a esse título para ser definitivamente gaúcho compartilhando valores, convicção, coragem e resistência, tchê!
E a quem disser que não sou, direi; “Bem capaz!!!
Feito!!!
Esta história será ensinada pelo bom homem ao filho e, desde este dia até o fim do mundo, a festa de São Crispim e São Crispiniano nunca passará sem que esteja associada à nossa recordação, de nosso pequeno exército, de nosso feliz pequeno exército, de nosso bando de irmãos; porque, aquele que hoje verter o sangue comigo será meu irmão; por mais vil que seja, esta jornada enobrecerá sua condição e os cavaleiros que agora permanecem na Inglaterra, deitados no leito, sentir-se-ão amaldiçoados pelo fato rebaixada a própria nobreza, quando ouvir falar um daqueles que combateram conosco no dia de São Crispim!. (Henrique V – W.Shakespeare)
Que o Senhor proteja o Rio Grande!!!
* O autor, Adriano Alves-Marreiros, é gaúcho de corpo e alma!
Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas
(Oração de São Bento cuja proteção ao Rio Grande e a esses Heróis eu suplico)
O Brasil não é um país capitalista - 30/04/2024
Stephen Kanitz
Esse é um dos maiores erros cometidos por nossos intelectuais, economistas e marxistas de esquerda.
O Brasil não é Capitalista porque não temos o capital mínimo e necessário para ele funcionar.
Capitalismo sem Capital simplesmente não funciona, nem “capitalismo” é. Simples assim.
Jovens de esquerda jogam sua juventude fora numa batalha equivocada.
O Socialismo nunca funcionou pela mesma razão, porque até combatem esse capital mínimo e necessário, que é grande contradição do Socialismo que a esquerda custa a perceber.
Sem o capital mínimo necessário as empresas já começam mal, demoram para crescer, quebram na primeira recessão ou crise bancária, nunca chegam ao pleno emprego, nunca tem condições de remunerar trabalhadores e acionistas o justo e necessário.
Quase todas as construtoras brasileiras nos últimos 50 anos começavam sem o capital mínimo necessário, isso era tão óbvio é claro, e quase todas já quebraram.
O grande erro de Karl Marx foi não ter desenvolvido o conceito de “capital mínimo necessário” muito menos o conceito de “Capital Adequado”.
“Karl Marx never discussed “adequate and necessary” capital as a specific subject”. Chat GPT.
Marxistas partem da premissa que o capital é abundante, mas mal distribuído. Capital é escasso quanto mais pobre o país for, justamente o contrário.
É como concluir que antibióticos não funcionam só por que médicos deram doses pequenas.
De fato, na época de Karl Marx, muitas empresas capitalistas começaram subcapitalizadas, especialmente as médias e pequenas, e por isso pagavam mal e atrasado.
Marx, porém, observou a amostra errada e não analisou as 500 maiores da época.
Na minha primeira edição das 500 maiores em 1974 ficou evidente esse fato, e eu publicava uma tabela todo ano alertando nossos economistas deste fato.
Mas isso é má administração financeira e não perversidade capitalista.
A maioria dos brasileiros sequer analisam o “capital mínimo necessário e suficiente” para crescer e os sustentar no seu primeiro emprego
Um erro infantil de início de carreira que pode ser fatal.
Nossos sindicatos fazem greve por maiores salários, mas nunca por maior segurança no trabalho e mais aporte de capital dos acionistas.
A verdade nunca dita é que capitalismo com capital suficiente e adequado mais do que funciona e foi ele que tirou 90% do mundo da pobreza.
Menos para os que vivem no Socialismo onde começam afugentando o capital, proíbem o lucro que lentamente geraria o capital que tanto precisam e mantém o povo em baixa produtividade e pobres.
Como no Brasil.
Saudável concorrência das redes sociais - 26/04/2024
Gilberto Simões Pires
CONCORRÊNCIA
Por conta da natureza humana, todo empresário, se dependesse apenas de sua vontade, ficaria extremamente satisfeito caso seu produto, além de ser considerado como indispensável para os consumidores, também estivesse totalmente LIVRE DE CONCORRENTES. Já o grande desejo dos consumidores é que tudo aquilo que estão dispostos a comprar sejam produzidos por um incontável número de fabricantes e distribuidores, pois quanto mais concorrentes mais competitivos serão os preços e a qualidade.
REDES SOCIAIS
Partindo deste princípio, até poucos anos atrás, quem estivesse disposto a se informar, mesmo que o mercado da comunicação se apresentasse como CONCORRENCIAL, e ou COMPETITIVO, o FATO é que com o FELIZ ADVENTO DA INTERNET e, por consequência, das REDES SOCIAIS, a tarefa de NOTICIAR, DIVULGAR E OPINAR, que até então eram totalmente dominadas pelos JORNAIS, REVISTAS, EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO, passaram a ganhar um sério e espetacular CONCORRENTE.
DISPENSA GERAL
Na medida em que o público em geral foi percebendo que não mais precisava dos tradicionais MEIOS DE COMUNICAÇÃO para se informar, e ainda por cima também passava a ter o fantástico DIREITO DE SE EXPRESSAR sobre qualquer assunto através das REDES SOCIAIS, aí, de forma INCONTESTÁVEL, muitos JORNAIS foram DISPENSADOS até pelos seus mais fiéis leitores.
MÍDIA ABUTRE COMPARADA COM AS REDES
A propósito, como já expus num antigo editorial, faz algum tempo que DECIDI ignorar o que é dito e noticiado nos jornais e emissoras da REDE GLOBO, no ESTADÃO, na FOLHA DE SÃO PAULO e demais empresas jornalísticas que fazem parte do indissociável CONSÓRCIO DA MÍDIA ABUTRE. Aliás, quem se dispõe a comparar as FAKE NEWS publicadas nas REDES SOCIAIS com as ABSURDAS FAKE NEWS noticiadas pela MÍDIA ABUTRE, não terá a mínima dúvida de que as PIORES E MAIS CRIMINOSAS são produzidas pelos TRADICIONAIS MEIOS DE COMUNICAÇÃO.
Diversidade e inclusão passados em revista - 22/04/2024
Alex Pipkin, PhD
Não há um rasgo de dúvida de que o contexto atual é grotesco e hipócrita, constituindo-se, verdadeiramente, numa farsa. Nesse mundo da pós verdade, “progressistas”, donos da “verdade mentirosa”, das instituições e dos meios de comunicação do velho mundo, censores das modernas redes sociais, impõem suas verdades pelo simples fato de desejarem que suas narrativas sejam autênticas. De fato, são meros desejos, vontades e crenças.
Esses possuem a vontade de rejeitar o real em prol da realização de “suas verdades”. Tal situação reina em todas as esferas da vida. A ciência, o conhecimento e a razão se transformaram em “coisas desimportantes”. Somente tem sentido aquele que diz e, evidente, o seu claro viés de confirmação.
Os coletivistas de carteirinha possuem fortes compromissos ideológicos com pautas que “jogam para a torcida”, como é o caso da diversidade e inclusão. Tomemos o ambiente empresarial, em que se afirma que a diversidade melhora o desempenho de uma organização. Similarmente, de que um Conselho de Administração mais diversificado agrega valor a empresa.
Hoje se sabe que os “especialistas” criam uma série de novidades heterodoxas a fim de provar o que se deseja afirmar como uma verdade. Torcem intensamente os dados para que eles confessem aquilo que se quer demonstrar.
O fato real é que quando utilizados os métodos convencionais estabelecidos, não há nenhuma comprovação científica indicando uma relação direta entre diversidade e desempenho organizacional superior.
O que é certo é que esses “especialistas” escolhem o método que querem para que o resultado seja o esperado por eles. Neste sentido, sempre é salutar lembrar que correlação não significa causalidade. O objetivo desses estudos com resultados “fabricados” é, evidentemente, advogar em causa própria.
Diversidade e inclusão são temas importantes, porém, o que se vê é a politização interesseira de tal temática. Gênero e raça é o que se vê e o que não se vê. Não se fala no mesmo tom em questões de deficiência, de faixa etária, de situação socioeconômica, entre outros. Fundamentalmente, surgem como notas de rodapé às questões relativas as capacidades e as competências das pessoas.
Triste perceber que hoje se discrimina, recrutando-se pela fisionomia, pela aparência. O mundo factualmente é um mundo das aparências. O que vale hoje é cor e/ou gênero. As genuínas qualidades para a função que tem que ser executada, nem pensar…
Se for um sujeito negro está ok, desde que não seja de “direita”. Se for de um grupo minoritário ok, desde que não seja judeu. Feminismo ok, menos de for uma judia, de direita, e/ou uma ex-juíza da Lava Jato.
Além disso, pouco se fala da aderência de tal diversidade e inclusão à cultura organizacional. Pergunto, qual é a missão de um time de futebol? Ganhar a partida, por óbvio. A seleção da África do Sul não parece ter grandes chances de ganhar uma Copa do Mundo.
A politização da diversidade e inclusão é mais uma pauta para emplacar a agenda coletivista. Na prática serve mesmo para mais segregação e como uma alavanca para dividir ainda mais os contextos sociais. Evidente que existe uma indústria da diversidade e inclusão lucrando bastante com isso.
A ideia da diversidade e inclusão nas organizações é nobre e sedutora, muito embora as evidências de melhoria dos resultados organizacionais sejam parcas.
Não importa, o que importa é badalar tanto uma mentira para que essa se torne uma verdade, censurando-se o contraditório.
Sorte que existem legítimos cientistas que possuem o conhecimento, o pensamento crítico e a coragem de desnudar tais discursos e narrativas farsantes e interesseiras.
O que está acontecendo no brasil deve terrificar o mundo - 15/04/2024
Michael Shellenberger
Há apenas um dia e meio, parecia que as coisas estavam se acalmando no Brasil. A Folha de São Paulo publicou editorial contra a censura. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil fez forte declaração em apoio à liberdade de expressão. E o presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil disse que o conflito entre o Brasil e o X, anteriormente conhecido como Twitter, acabou. “Às vezes as pessoas fazem bravatas,” disse ele, “mas não implementam as suas declarações.”
Tudo isso mudou mais uma vez. Ontem, o presidente do Brasil, Lula, pediu a criminalização das mentiras. Dado que todos mentem, Lula propõe dar ao governo o poder de prender quem ele quiser. Milhares de ativistas do Partido dos Trabalhadores foram ontem ao X para exigir que eu fosse preso por coisas que disse durante meu depoimento perante o Senado brasileiro. E hoje, o chefe do X no Brasil anunciou que pediu demissão, temendo por sua segurança.
Não tenho medo por mim mesmo. Como disse no X há alguns dias, não temo nem o diabo nem Alexandre de Moraes. Estou tomando todos os cuidados necessários para garantir que poderei sair do Brasil com segurança e sem ser preso. Você pode ajudar compartilhando este vídeo e divulgando o que está acontecendo aqui.
E, mesmo assim, o Brasil me aterroriza. Amo este país e o seu povo e temo que estejam à beira do totalitarismo. Uma parte significativa da Esquerda quer encarcerar os seus inimigos políticos. Jornalistas brasileiros respeitados dizem com seriedade que o governo deve praticar a censura em massa para proteger a democracia. O Brasil é tudo o que George Orwell temia e ainda pior. O governo brasileiro parece ver “1984” não como um alerta sobre a distopia a ser evitada, mas sim como um guia para um futuro melhor.
Eu ficaria menos preocupado se o Brasil fosse um país pequeno e irrelevante, mas não é. O Brasil é a maior e mais importante nação da América Latina. Ainda esta semana, uma comitiva do Partido dos Trabalhadores, partido do presidente Lula, esteve na China falando sobre como a China, um dos mais totalitária do mundo, é um modelo para o Brasil. O Brasil é uma inspiração para os totalitários europeus que instrumentalizaram as agências de inteligência governamentais para espalhar desinformação sobre os seus inimigos políticos e estão implementando um sistema de censura para controlar toda a Internet.
A parte mais assustadora de tudo isto é o casamento de líderes governamentais psicopatas como Lula e de Moraes com ativistas e eleitores totalitários. Os governos conseguiram fazer lavagem cerebral a uma percentagem significativa da população para apoiar a censura em massa. Os jovens adultos criados nas redes sociais são hoje mais intolerantes do que os estudantes da Revolução Cultural Chinesa na China, que denunciavam os seus professores que, como consequência, eram enviados pelo governo para campos de trabalho para serem torturados.
Ao mesmo tempo, pessoas com uma mentalidade semelhante à das pessoas que dirigiam a Stasi e a Gestapo estão no comando das agências de inteligência na Europa e nos Estados Unidos.
Ontem, a Câmara dos Deputados dos EUA prorrogou a lei que dá ao governo dos EUA o direito de espionar americanos suspeitos de colaborar com governos estrangeiros. O resultado será um macarthismo com anabolizantes. O FBI poderá espionar qualquer cidadão americano que ouse criticar a guerra na Ucrânia. O governo dos EUA irá rotular as pessoas que se opõem às guerras intermináveis na Eurásia como “extremistas políticos”, arruinando as suas carreiras, ou ainda pior.
Durante a ascensão do comunismo e do fascismo na Europa, muitos judeus e outras pessoas perseguidas puderam fugir para os Estados Unidos. Para onde fugiremos se os Estados Unidos continuarem no caminho do totalitarismo? Não para a Europa. Não para o Brasil. Algum país está seguro num mundo onde todos os nossos movimentos, transações e pensamentos são monitorados?
Continuo na expectativa de que a espiral totalitária finalmente atinja o fundo do poço, mas ele nunca chega. Sou uma pessoa otimista por natureza, mas às vezes isso significa que tenho tendência a ter pensamentos positivos. Esse pensamento positivo é perigoso e até irresponsável em momentos como este. O mesmo ocorre com a passividade.
Devemos agir. Isso começa por enfrentar os valentões, todos os que são covardes por dentro. Elon Musk enfrentou o valentão de Moraes na semana passada e parece estar se mantendo firme. Esta noite ele realizará um Spaces com o polêmico ex-presidente do Brasil, que o Supremo Tribunal Federal impediu de se candidatar novamente por mais oito anos.
Meus colegas e eu estamos construindo um novo movimento pela liberdade de expressão. Todas as organizações nas quais confiávamos para defender os direitos humanos, incluindo a Anisitia Internacional, a Human Rights Watch e a ACLU, foram assumidas por totalitários que exigem censura. Vamos nos reunir em Londres em junho. Estamos iniciando nossas próprias ONGs em todo o mundo.
Não podemos fazer isso sozinhos. Por favor, compartilhe esta postagem, considere assinar minha publicação, chamada *Pública*, e faça uma doação. As pessoas estão arriscando as suas vidas para defender a liberdade de expressão de todos os seres humanos. Você não precisa arriscar a sia vida, mas precisamos desesperadamente da sua ajuda. As coisas não estão se acalmando e não vão se acalmar até enfrentarmos os tiranos e removermos cada um deles do poder.
Nem esquerdista nem Direitista: Stuart é Stuartista... - 14/04/2024
Adriano Alves-Marreiros
Estes são meus princípios.
Se você não gosta desses:
Tenho outros...
Groucho Marx (o Marx do bem...)
Sabe aquele moleque interesseiro que, de repente, vem cheio de elogios pra você, muitos até injustos?[1] Acho que todo mundo conhece alguém assim. Menos ele próprio, que se acha o próprio diplomata, um grande estadista? Paul Stuart era assim...
E, ano após ano, foi crescendo, não em graça e sabedoria, mas em cinismo e EUforia. Na escolinha, sua cor preferida já era a que agradava a maioria da turma e, por isso, era uma nova cor a cada ano.
No ginásio, já falavam mais de esporte e, como ele já não era mais tão infantil, já não mudava sua torcida com a maioria da turma: era Vasco, Flamengo, Fluminense ou Botafogo dependendo do grupo de quem ele precisava. Dizia que preferia o Senna ou o Piquet, dependendo da pessoa, só após ficar calado em alguma discussão, observando quem preferia cada piloto. Chegou mesmo a assistir o primeiro tempo de uma final com uma torcida e o segundo com a oposta, usando desculpas de compromisso e atraso, só pra ficar bem com coleguinhas colorados e gremistas...
E com os professores então? Concordava e ia bajular, no final da aula, todos, bons e ruins, fossem nobres conservadores ou doutrinadores militantes: não queria ficar mal com nenhum.
Como diz o João Guilherme, era como o chuchu: tinha gosto de camarão ou de carne dependendo de quem estivesse mandando no guisado...
Então, décadas passaram, a fim de encurtar a crônica, e hoje ele se tornou profissional de alguma área de que não recordo – talvez Ciências Ocultas e Letras Apagadas – e, agradando sempre todo mundo, acabou eleito presidente de um desses conselhos que se espalham pelo país e que, se fosse bom, ninguém dava de graça. Uma dessas organizações não governamentais que nem eram organizadas nem não governamentais porque sempre queriam financiamento do governo. (Cá entre nós: passara anos sendo apoiador das diretorias, fossem de ideologias opostas, inimigas, isso não importava: nunca fazia oposição).
Lembro que um dia, do nada, ainda um mero diretor, ele fez uma proposta para essa ONG declarar um apoio público a uma causa. Sei lá... Acho que era pra fazerem uma campanha contra a legítima defesa, ou a favor de não se corrigir erros de português, ou para limitar a liberdade de expressão, uma dessas modinhas que, vez por outra, ressurgem por aí e que hoje te deixam bem na fita com o establishment e seus súditos... Até estranhei... não muito... mas ele nunca fora de falar daquele assunto, em mais de trinta anos que o conhecia, e chego até a lembrar de alguma dessas raras vezes em que ele tomara uma posição: e fora em sentido contrário...
Foi então que alguém veio me perguntar: “Que proposta absurda! Esse seu amigo Paul Stuart é esquerdista?”. Respondi: “Ele não é meu Amigo...”. “Ah, mas Você o conhece há muitos anos. Ele é esquerdista ou não? Para de enrolar!”. “Conheço Stuart há muitos anos e posso de dizer que ele não é esquerdista...”. “ Como assim? Ele não pode ser de Direita!”. “Stuart nunca foi esquerdista, repito. E nem de Direita! Stuart é Stuartista! Sempre foi...
Sempre tive o dom do silêncio: sempre falei coisas que calavam repentinamente a rodinha animada que discutia algo... Isso se confirmou novamente... E é melhor prosseguirmos em silêncio: Há um tantão de gente que cai em sua conversa...
E tem o establishment, que não cai, mas acha os stuarts muito úteis...
Os egoístas vivem cheios de EUforia. Todas as outras pessoas vivem cheias dos egoístas.
Millôr Fernandes
Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas
(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)
* Por Adriano Alves-Marreiros, que também anda cheio...
** Publicado em 15 de fevereiro de 2022 no Tribuna Diária.
[1] Pede logo o que você quer!!! – eu dizia...
O STF sequestrou o direito de expressão - 11/04/2024
Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
CATIVEIRO
Por mais que os atentos leitores se mostrem cansados do recorrente e importante tema que trata da imprescindível recuperação da LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE INFORMAÇÃO, o fato é que silenciar, neste momento crítico, porém altamente promissor, é PREMIAR O SEQUESTRADOR, que mantém em CATIVEIRO o SAGRADO DIREITO DE CADA INDIVÍDUO DIZER O QUE PENSA.
O COMANDANTE DO SEQUESTRO
Por mais que a expressiva maioria do povo brasileiro já esteja pra lá de convencida e consciente de que o -celestial- ministro-ditador Alexandre de Moraes é o comandante do terrível SEQUESTRO DO DIREITO DE EXPRESSÃO, e como tal deveria ser punido exemplarmente, através de um implacável impeachment, esta providência, infelizmente, não está na linha da vontade das lideranças que foram eleitas para atender os interesses do povo que imagina ser SOBERANO.
PRESSIONAR, PRESSIONAR, PRESSIONAR...
Daí a importância de PRESSIONAR, constantemente e sem trégua, até que o CATIVEIRO seja ESTOURADO. Principalmente, depois que os AMORDAÇADOS brasileiros que usam as REDES SOCIAIS receberam o espetacular apoio do COMBATENTE empresário -ELON MUSK-, dono do -X- (ex-Twitter), que de forma HEROICA assumiu o papel de DEFENSOR DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DE OPINIÃO sobre qualquer coisa ou assunto.
BANDO DE COELHOS
Ninguém sabe o que vai acontecer, mas, segundo bem informa o jornalista J.R. Guzzo, o ministro, mandando tudo isso que manda, não conseguiu, até agora, criar uma BASE POLÍTICA. Não tem aliados de verdade no Congresso Nacional ou nos partidos; tem apenas um BANDO DE COELHOS COM MEDO DELE, o que não é a mesma coisa. Mantém, com certeza, uma espécie de ABRAÇO DE AFOGADO COM LULA, O PT E O BAS-FOND- que sustenta os dois, mas isso não resolve a vida de ninguém no Brasil de hoje, e sobretudo do futuro. Lula se convenceu de que Alexandre de Moraes vai resolver todos os seus problemas, a começar pelo mais fatal deles, a falta de povo e de voto.
Quem não deve não teme é discurso de ditador ou de idiota. - 30/03/2024
Valterlucio Bessa Campelo
Com origem perdida em tempos imemoriais, ipsis literis ou com variações dependendo da circunstância histórica, a frase “quem não deve, não teme”, vem sendo utilizada ultimamente com bastante frequência para atribuir a qualquer demonstração de medo, uma culpa evidente. É como dizer “se teme, é culpado”, ou, “se fosse inocente, não temeria” e, com isso, condenar o indivíduo pelo sentimento que demonstre perante a atribuição de crimes de qualquer natureza.
Ocorre que a frase proverbial exprime uma sentença cujos pressupostos se assentam em um sistema de justiça necessariamente idôneo. Por exemplo, na Bíblia, em Provérbios 28:1, está escrito: "Os ímpios fogem sem que haja ninguém a persegui-los, mas os justos são corajosos como um leão”, ou seja, o culpado anda com medo, enquanto os inocentes andam com altivez. Sim, mas aí se colocam à presença de Deus, onisciente, justíssimo, infalível. Indiscutivelmente, posto perante Deus, quem não deve, não teme. Para por aqui.
Embora o topo do Sistema seja habitado por uma espécie de deuses-trans, sua presença não oferece segurança aos justos, pelo contrário. Lembremos da senhora presa na Papuda, que se urinou de medo na hora da visita de algumas autoridades ao presídio. Teria sido por culpa que demonstrou tanto temor? Pelo contrário. Sabendo-se inocente, ela tremeu de medo da INJUSTIÇA ali personificada. Em sua mente, abalada por meses de martírio psicológico, provavelmente se viu diante do carrasco e sentiu quebrarem-se os próprios nervos. Já que estamos na semana santa, é oportuno citar o apóstolo Pedro que, amedrontado, negou Jesus três vezes, obviamente, não por culpa.
Pois bem. Especula-se, depois do vazamento criminoso de imagens da embaixada da Hungria, que o ex-presidente Jair Bolsonaro cogitou pedir asilo político àquele país, após lhe tomarem o passaporte (outra indignidade). Apareceu uma versão na web de que o serviço secreto húngaro foi informado de um novo atentado para aqueles dias e o protegeu (não foi confirmada pela Globo, deve ser fake). Certo é que imediatamente após a divulgação da notícia, os “corajosos” lulopetistas correram para o esconderijo de suas redações e bunkers digitais pedindo prisão preventiva e, hipocritamente, acusando-o de fugitivo. O próprio Ministro Alexandre Padilha deu um tempo nas dezenas de processos que responde e referiu-se ao ex-Presidente como fugitivo confesso, ou seja, propagou a ideia de que a visita à embaixada era medo e medo é culpa e culpa implica condenação e condenação só pode ser prisão.
Ora, o medo é, ele mesmo, excluindo-se os psicopatas, inerente ao homem tanto quanto ter cérebro. Duvida? Perguntemos sobre ele a algumas personagens um tanto mais sabidas do que eu e os lulopetistas:
Não bastasse isso, a história é prodiga em revelar grandes nomes que em determinado momento ousaram fugir para não serem aprisionados por regimes ditatoriais. De Ghandi ao Dalai Lama, de Aung San Suu Kyi a Alexei Navalny (recentemente assassinado na Rússia), inúmeros líderes políticos enfrentaram o medo com a coragem de racionalizá-lo e agir com serenidade. Portanto, se não estou enganado, depreciável é aculpa, não o medo.
Sob regimes ditatoriais, a frase "quem não deve, não teme" perde seu significado original e se torna uma ferramenta de propaganda e controle, largamente utilizada para silenciar críticas, legitimar a repressão e manipular a percepção pública. Em tais regimes, a frase não serve para proteger os cidadãos, mas sim para oprimi-los e controlá-los.
Quando anunciam “quem não deve, não teme”, regimes como o que avança sobre os brasileiros, em primeiro lugar se arroga infalível, ou seja, inserem no imaginário popular um “acreditem em nós, somos sábios, justos e imparciais”, para daí em diante se sentirem legitimados e perseguirem sem freios quem se atravessar no caminho. Assim, por cima, no balaio de objetivos dessa gente, pode-se encontrar facilmente: autocensura e submissão; silenciamento de dissidentes; criminalização de opositores; deslegitimação de qualquer forma de resistência; associação dos opositores à culpa e ao medo enfraquecendo-os moralmente; apatia e inação da população. Tudo amparado na frase estendida “somos sábios e justos, quem não deve, não teme”.
Já se disse que sem a funcionalidade do medo, nem mesmo as religiões teriam sobrevivido. O mesmo aplica-se aos regimes ditatoriais. Qual romano não temia Nero? Qual alemão não obedecia a Hitler de olhos fechados? Qual soviético não tremia sob a mira de Stálin? Qual cubano não tinha medo de Fidel? Qual brasileiro não tem medo de Alexandre de Moraes? Qual idiota dirá que não tem medo porque não tem culpa? Nos dias atuais, a culpa é o de menos. Quer saber, pergunte aos vários jornalistas autoexilados, à juíza Ludmila Lins Grillo refugiada nos EUA, à viúva do Clesão, ou, ainda, a cuidadora dona Jupira e a professora aposentada dona Iraci Nagoshi, condenadas com centenas de inocentes, em baciadas jurídicas, por um crime impossível.
Já se vão pelo menos 5 anos que Jair Bolsonaro enfrenta uma caçada sem tréguas, um cerco político-jurídico jamais conhecido em qualquer democracia. Escarafuncharam cada centímetro de seu espaço privado, filtram cada palavra que pronuncia, espionam cada passo que dá e, agora, como clímax da podridão do sistema, querem prendê-lo pelos pensamentos e emoções. Há algum tempo, inaugurou-se no Brasil uma nova doutrina jurídica – a punibilidade da cogitação sem meios de ação (vide 8 de janeiro), o que significa censura do pensamento. “Ex cogitatione mea, culpa oritur”, diria o jurisconsulto de camisa vermelha. E fazem isso das torres de seus palácios, arrotando um saber jurídico que traem de modo vil.
É claro que Bolsonaro tem medo da ditadura lulo-alexandrina. Como não teria? Eles mesmos se gabam em público de terem derrotado o bolsonarismo, são seus inimigos políticos declarados, dia sim dia sim se revezam na mídia para opinarem fora dos autos em um ativismo político exacerbado nos termos da Constituição Federal. Chegam a dar prazo para a sua prisão. Repito. Como não ter medo da injustiça praticada por quem deveria zelar pela justiça?
Alguns camundongos vermelhos que habitam livremente a velha imprensa e as mídias sociais, chegaram a comparar o caso Bolsonaro com o de Lula em 2018. Esqueceram de dizer que Lula foi alvo de trocentas delações aceitas porque provadas, declarações livres de gente do governo, de empresários, de políticos e até de ministros da sua cozinha, como Antonio Palloci. Bilhões de reais afanados dos cofres públicos foram devolvidos. Além disso, se desenvolveram trocentos processos, julgamentos e condenações em várias instâncias, por corrupção e lavagem de dinheiro, rigorosamente respeitado o devido processo legal. Todos “surpreendentemente” anulados, engavetados ou prescritos a posteriori por filigranas que em nenhum momento examinaram as provas dos autos. Para esses lobotomizados, Lula enfrentou e “não fugiu”. Quanta hipocrisia. Embora tenha cogitado se meter em algum cafofo do Foro de São Paulo, Lula não fugiu basicamente porque percebeu que não havia razão de medo. Não porque não tivesse culpa, mas porque “estava em casa”, sabia (nomeou a maioria) quem eram os donos do malhete. Tanto que, na primeira oportunidade, como confessou Gilmar Mendes, foi dado um cavalo de pau jurídico pelo STF e, enfim, sua elegibilidade foi possível.
A pergunta honesta cabível é: Como Jair Bolsonaro reúne coragem suficiente para enfrentar as bestas-feras que transformaram o Brasil em uma republiqueta governada a canetadas com traços de psicopatia (royalties para o Ministro Barroso), que prendem e torturam, que escolhem a dedaços quem pode ser candidato e quem deve ser inelegível, com o parlamento ajoelhado, vendido, diariamente aviltado por eles próprios? Com o apoio bem pago da velha imprensa amestrada, estamos assistindo a gradual implantação de uma ditadura. Só não a reconhece quem não sabe o que é, quem nunca viu uma ou quem, de algum modo, nela se locupleta.
Os brasileiros estão com medo, significando que percebem o sinal de perigo e que precisam reunir coragem para enfrentar e vencer o inimigo. Somente idiotas não teriam medo ao enxergar bem na frente um furacão político, capaz de transformar uma nação enorme, rica, cristã, pacífica, de uma só língua e um só povo em um corpo totalitário, miasmado, humilhado, a andar de mãos dadas com ditaduras sanguinárias, a ameaçar o pôr do sol a cada amanhecer.
* O autor, Valterlucio Bessa Campelo, escreve às segundas-feiras no site AC24HORAS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor Percival Puggina e em outros sites. A imagem que ilustra o presente texto foi copiada do seu livro “Desaforos e Desaforismos (politicamente incorretos)” que pode ser adquirido por este LINK.
Esterilidades teológicas - 23/03/2024
Valdemar Munaro
O prussiano, Immanuel Kant (1804) herdou de seus mestres e progenitores uma espiritualidade pietista cuja liturgia esquivava-se de instituições religiosas e clericais. O filósofo, refinado e astuto intelectual, usava palavras doces e respeitosas quando se referia a Jesus Cristo. Chamava-o de 'Santo do Evangelho'. Na intimidade de sua alma racionalista, porém, rejeitava sua natureza divina e não levava a sério suas palavras redentoras, seu amor, nem seus milagres. O Nazareno, para Kant, representava apenas um exemplar humano de magnífica vida moral.
Contudo, quando a doutrina ética kantiana penetrou as veias da teologia cristã, produziu duas catástrofes emblemáticas: embretou a fé religiosa nos limites frios da racionalidade e utilizou da mesma para convencer eticamente aqueles que julgava como 'menores' intelectuais. Com tais efeitos, cresceu no seio da Igreja o designado teísmo moral.
Os escritos kantianos parecem vir de autor 'manso e humilde', mas, na verdade, sua filosofia é orgulhosa e arrogante, iluminista e perigosa aos metafísicos e crentes. O magistério da Igreja Católica, em 1827, de fato, considerou Kant um velado ateu e multiplicador deles. O fiel cristão que se aproximar da doutrina kantiana e a aceitar como suporte teórico para sua fé, terminará por confiar num Deus inexistente e ilusório. Coisa esquisita e paradoxal: Kant não confia em religião alguma, mas utiliza a 'idéia religiosa' para ser bengala de persuasões éticas.
Justamente, no condomínio do pensamento kantiano encontramos uma fé oca, formal, conceitual, idealista e vazia de conteúdo real. De Deus, pensava Kant, nada podemos saber nem obter, tanto menos escavar razões para crer e confiar, mas a 'ideia' que Dele tivermos, pode ser proveitosa e útil, sobretudo nos quesitos relacionados à vida moral e à educação.
Ora, confiar em verdades que não existem se asssemelha a socar ilusões e fantasias ou a dar crédito a ficções. É outorgar às miragens um papel educativo que beneficie e impulsione as condutas morais. A sequência esquisitoide dessa manobra racional kantiana foi a obtenção de fés adornadas e enfeitadas com a figura de Cristo. Ou seja, o 'Santo do Evangelho' se tornou apenas uma ideia para servir de estímulo a motivos revolucionários e morais.
O 'caso' Cristo, assim, virou uma fotografia útil para qualquer coisa, inclusive para a vida moral e fraterna. Teólogos da libertação, endemicamente kantianos, subsidiam teologias com estilo similar: sob vestes e adornos cristianizados, têm cabeças e estratégias doutrinárias que propõem ideais fraternos surrealistas utilizando a figura do Filho de Deus, Jesus de Nazaré, crucificado e ressuscitado, como ornamento corroborante, não como causa da fraternidade.
Rudolf Bultmann (1864 - 1976), o mais kantiano dos teólogos protestantes do último século, muito ligado ao suiço Karl Barth (1886 - 1968) e ao seu conterrâneo e amigo, Martin Heidegger (1889 - 1976) fez um trabalho monumental de demitização das Sagradas Escrituras visando depurar o essencial das narrativas bíblicas de suas formas literárias míticas.
No fim do seu labor, Bultmann afastou-se do Jesus histórico para se aproximar do Jesus da fé. Isto significa que, para ele, os fatos sobre Jesus e seus ditos, tais como nos contaram os evangelhos, podem ser dispensados da vida cristã, porquanto não há como verificar e comprovar empiricamente a veracidade das fontes. O que sobra como valor e utilidade, segundo Bultmann, é o Cristo da fé, isto é, o Cristo 'preservado' na memória e no pensamento dos crentes, ocorrendo então, uma inversão da lógica religiosa: são os cristãos que mantêm o Cristo da história e não o Cristo da história que mantém os cristãos.
Vê-se que, por esse percurso, Bultmann transformou a fé cristã num ato de confiança que se enraíza num vazio de incertezas e irrealidades. As coisas, pensava ele, provavelmente não foram assim como os Evangelhos nos contaram; apesar disso, continuam válidas na forma de cabides onde se penduram ideias e pensamentos. A fé no Cristo, vazia de conteúdo real, pode ser, mesmo assim, útil e necessária à vida ética humana, subsistindo apenas como pensamento e memória na vida dos crentes.
Bultmann levou até às últimas consequências o ofício kantiano que foi o de utilizar o Senhor Jesus unicamente para fins morais e pedagógicos. O Cristo Ressuscitado, para esses senhores, não é o Deus que deve ser amado, adorado, escutado e seguido, mas é a figura da encarnação moral para ser usada como persuasão ética. Seu papel: alavancar a vida moral dos homens. As ideias religiosas, segundo Kant, são boas e úteis na medida em que servem ao agir ético. A ética finalmente, aqui, acaba por engolir a religião.
Como se vê, o iluminismo kantiano pôs um fim à dramaturgia cristã. Depurando e expulsando do recinto sagrado o amor de Cristo, seus milagres e os mistérios que envolvem sua paixão, morte e ressurreição, Kant jogou a Revelação Cristã no túnel da pólvora moral e de seus conflitos.
Teólogos da libertação, por sua vez, bicados pelo vírus kantiano, de modo simiesco, adicionam Jesus às fraternidades morais que propõem. A amizade social, meta da campanha quaresmal 2024, é um convite dirigido a todos os homens de boa vontade para que exerçam boa convivência e se sintam irmanados de um jeito a não excluir ninguém de seu horizonte. Desse modo, se todos colaborarem para esse fim, certamente Cristo também poderá fazê-lo e seremos 'felizes para sempre'.
Tem-se um abrumado sentimento de esterilidade e tristeza quando se manuseiam os textos das Campanhas da Fraternidade, cujos autores, em geral anônimos, buscam e oferecem receitas mágicas à prática da fraternidade. A inutilidade de tais páginas é patética...
As vestes kantianas que os cobrem duram já mais de 60 anos e continuam carregadas de mandamentos catequéticos e moralistas, não garantindo, porém, a eficácia ou conversão de seus leitores. os que os redigem se parecem a 'corpos religiosos' portando estandartes maniqueus recheados de medíocres e recorrentes apelos prometeicos misturados a palpites de economia e política. Neles, os textos, raramente se garimpam meditações que verdadeiramente conduzem o destinatário ao encontro dos mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
O dinamarquês S. Kierkegaard (1855) já denunciava o vilipêndio sofrido pelo manto de Cristo quando líderes religiosos submetiam a missão profética e apostólica à funcionalidade da política e da moral. Se quereis matar o vigor do apóstolo, dizia Kierkegaard, transformai-o em funcionário religioso.
'Vendilhões' templários, ainda hoje, negociam o sacrifício de Cristo às conveniências benevolentes do poder estatal. O episódio da missa em louvor ao ingresso de Flávio Dino no STF e o abraço de membros da CNBB dirigidos a ele (ex ministro da justiça, comunista, bajulador de Stalin e admirador de Mao) indicam o grau refestelado de nossos pastores no rol das arenas políticas militantes.
Enquanto para Kierkegaard o Cristo não é um adorno, nem enfeite, mas causa e razão da fraternidade cristã, pois Nele, com Ele e por Ele é que podemos fraternar, F. Nietzsche (1900), por sua parte, como observa Kolakowski, morreu 'convencido que a ciência havia roubado do mundo, e também da história humana, seu sentido, de que Deus havia abandonado o universo para sempre e que nunca mais encontraria um substituto para Ele. A dignidade que nos permite aceitar a verdade e desafiar, por meio de atos criadores, o vazio do Ser, era para ele a única maneira de suportar o peso de uma vida sem ilusões'.
Um mundo sem Deus e sem amor nos conduziria ao suicídio ou à loucura. Sem eternidade, não haveria temporalidade, nem sentido ao que fazemos e somos. Estaríamos fadados ao extermínio niilista da morte.
Um mundo sem Deus e sem ressurreição não serve a nada, nem a qualquer trabalho, esforço ou fraternidade. Se Cristo apodreceu no túmulo e não ressuscitou, vã seria nossa fé e sem sentido nosso amor. A que serviriam imortalidades e fraternidades se não houvesse Deus? A que nos serviria Deus e seu Filho crucificado se não fôssemos participantes de sua ressurreição?
Anemias antropológicas sobressaem nessas doutrinas que analisamos. Desconhecendo a perturbada alma dos que estão à sombra do pecado e da morte, da dor, dos sofrimentos, dos infortúnios, dos ressentimentos, das culpas e remorsos, os engenheiros da fraternidade ignoram as incapacidades humanas de amar e perdoar, desconhecem a força da malícia e da preguiça, o poder da inveja e da vaidade, a bigorna do orgulho e do egoísmo, as feridas do desespero e da solidão. Ignoram as fragilidades, as contingências, as traições, as promessas não cumpridas, as hipocrisias e as mentiras que rondam as portas dos corações humanos, sem exceção. Kantianos e marxistas creem em suas catequeses e conscientizações como se fossem capazes, por si só, de gerar homens novos e justos. Mas se enganam.
A fraternidade cristã não nasce da arte psicológica, nem da boa convivência, por mais refinadas que sejam, nem de articuladas diplomacias, nem de doutrinas adjacentes. Nascem, ao invés, do encontro com o Senhor Ressuscitado cujo sangue de cruz realizou o amor incondicional. Só Ele pode nos dar esse amor impossível: o amor que dá a vida a inimigos. Sem esse amor, a fraternidade permanece barateada e inflacionada pelo baixo custo. Estas podem ser encontradas nas esquinas e quintais, em ambientes diplomáticos e festivos, no afeto da parentela e, sobretudo, nos jardins políticos dos simpatizantes e agremiados.
Ninguém é obrigado a ser cristão. Aquele, porém, que desejar um dia sê-lo, somente o conseguirá, lavando suas vestes no 'sangue do Cordeiro' para moldar seus comportamentos a Ele. Os que vivem de sua graça não precisam de moralismos e os que vivem de moralismos não precisam de sua graça.
Idealistas das CFs enchem a pandorga com suas engenharias sociais e seus mandamentos impossíveis. Promotores das Campanhas da Fraternidade, vos pedimos: dai-nos o Cristo, pois só Ele possibilitará em nós a fraternidade que apregoais! De moralismos kantianos e hipócritas estamos fartos.
*O autor, Dr. Valdemar Munaro, é professor de Filosofia.
Santa Maria, 22/03/2024
As 10 faces diferentes da censura - 03/03/2024
Luan Sperandio
A liberdade de expressão, um dos pilares mais preciosos das sociedades democráticas, está constantemente ameaçada por diversas formas de censura que corroem a diversidade de pensamento e tolhem o progresso. Em um mundo onde a troca livre de ideias é fundamental para o crescimento e a evolução, é imperativo compreender os dez tipos distintos de censura que minam a “mãe de todas as liberdades”, nas palavras de um dos pais fundadores dos Estados Unidos, Benjamin Franklin. Abaixo, estão 10 faces diferentes da censura.
1. Censura governamental: Em muitos cantos do globo, governos autoritários manipulam informações para controlar as narrativas e inibir o questionamento. É a forma de censura mais clássica, e geralmente, quando utilizada, contribui para o crescimento de abusos de poder por parte dos governantes.
2. Autocensura: O receio de consequências adversas pode levar indivíduos a silenciar suas próprias opiniões. A partir de 2006 na Venezuela, por exemplo, o regime de Hugo Chávez tornou-se mais repressivo. O governo iniciou os ataques a veículos de comunicação críticos ao governo. Algumas das mídias, acuadas, praticaram a autocensura. A Venevisión, anteriormente considerada como pró-oposição, mal cobriu a oposição durante a eleição de 2006, dando ao presidente Chávez 84% do tempo de cobertura — quase cinco vezes mais do que aos seus rivais —, o que contribuiu para sua vitória. Posteriormente, a emissora decidiu interromper as coberturas políticas e optou por programações de entretenimento. Entender esse fenômeno ajuda a criar ambientes seguros onde todos possam contribuir com suas perspectivas únicas e enriquecer o diálogo público.
3. Censura de mídia: Uma imprensa livre é essencial para manter os governos responsáveis e informar o público e cumpre seu papel de ser “o quarto poder”. Governos autocráticos buscam justamente mitigar a liberdade da imprensa. Também na Venezuela, a Globovisión era um dos veículos mais contrários ao governo de Chávez. O governo acusou Guillermo Zuloaga de irregularidades financeiras e este foi obrigado a fugir do país para não ser preso. Sob intensa pressão, vendeu o veículo a valores descontados para um simpatizante do governo, que alterou o editorial jornalístico que tornou-se favorável ao regime. Compreender como a censura de mídia ocorre é necessário para melhor defender a integridade jornalística e garantir a circulação de informações verdadeiras.
4. Censura religiosa: A maior pauta de quem apreciava liberdade no século XVII, que tem como grande expoente o filósofo inglês John Locke, era a separação entre Estado e igreja para possibilitar liberdade de pensamento e crença, além de tolerância religiosa. Desde então, a liberdade de crença se consolidou gradativamente no Ocidente, mas atualmente ainda há dezenas de países em que preconceitos e discriminações religiosas se transformam em políticas de Estado graças à força e ao aparato estatal. Segundo o relatório anual do World Watch List, cerca de 3 mil praticantes do cristianismo foram mortos e mais de 700 igrejas são depredadas por ano em países cujos governantes buscam censurar a religião de opositores políticos.
5. Censura corporativa: A censura nem sempre parte do Estado. É comum empresas exercerem controle sobre informações, opiniões ou conteúdos de diversas formas, a fim de promover seus próprios interesses, proteger sua imagem ou evitar críticas negativas. Isso pode ocorrer em várias situações, como na mídia, nas redes sociais, em publicações, em filmes ou em outras formas de comunicação. Em geral, são utilizadas técnicas de controle de informações, censura de funcionários, patrocínios e financiamentos condicionais a projetos e filtragem de conteúdos on-line. A censura corporativa levanta preocupações sobre a liberdade de expressão, a transparência e a integridade das informações disponíveis ao público, pois pode impactar a diversidade de vozes e perspectivas no discurso público e influenciar a forma como as pessoas compreendem o mundo ao seu redor.
6. Censura de livros e literatura: A proibição de livros limita o acesso a ideias desafiadoras e restringe o potencial de aprendizado. Um exemplo clássico se deu pelo “Index Librorum Prohibitorum”, que consistiu em uma relação de publicações consideradas como heresias, anticlericais ou que colidiram com os dogmas da Igreja Católica. Ele surgiu em 1559, pelo Papa Paulo IV, e teve fim somente em 1966, pelo Papa Paulo VI. Conhecer essa forma de censura é essencial para salvaguardar a liberdade intelectual e a busca por conhecimento.
7. Censura na Internet: O bloqueio e a filtragem na internet prejudicam o acesso à informação global. O país com mais censuras à Internet é a Coreia do Norte. No regime, somente uma pequena minoria é autorizada a acessar uma rede de intranet administrada e monitorada pelo governo, e uma parcela ainda menor, composta somente de autoridades e seus familiares, possui acesso à internet, tornando o país com o menor número de usuários do planeta. O controle é tão restrito que a maioria da população norte-coreana sequer sabe da existência da internet.
8. Censura Artística: A supressão da expressão artística limita a liberdade criativa e restringe o diálogo sobre questões sociais e políticas, sendo uma das formas mais clássicas de censura em regimes ditatoriais.
9. Censura política: A repressão à dissidência política silencia a voz dos cidadãos e prejudica a participação ativa na vida política. O AI-5, ao longo da ditadura militar no Brasil, inaugurou a fase mais repressiva dos 21 anos do regime. Somente em seus primeiros dois dias de vigência, presos políticos processados nas auditorias da Justiça Militar denunciaram mais de 2.200 casos de tortura. Foram punidas, com perda de direitos políticos, cassação de mandato, aposentadoria e demissão, 4.841 pessoas —513 deputados, senadores e vereadores perderam os mandatos. Entender essa forma de censura é essencial para defender a democracia, Estado de Direito e assegurar que todos tenham a oportunidade de se envolver no processo político.
10. Censura Cultural: A censura de elementos culturais limita a diversidade cultural e impede a compreensão intercultural. Conhecer essa forma de censura permite celebrar e respeitar a riqueza de diferentes tradições e identidades. Um exemplo histórico significativo de censura cultural é a “Queima de Livros” que ocorreu na China durante a dinastia Qin (221-206 a.C.). O primeiro imperador da China unificada, Qin Shi Huang, ordenou a supressão de obras literárias e filosóficas que ele considerava ameaçadoras ao seu regime e à sua visão de governo centralizado. Nessa campanha de censura, muitos textos clássicos foram destruídos e inúmeros estudiosos e intelectuais foram perseguidos. O objetivo era eliminar ideias que pudessem questionar ou desafiar a autoridade do imperador, bem como promover uma forma de pensamento que apoiasse o governo centralizado e a unificação do império. Essa censura cultural teve um impacto profundo no desenvolvimento intelectual da China na época, influenciando a direção da filosofia, da literatura e do pensamento político.
Considerações finais
O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, dizia que “A verdade poderá ser temporariamente ocultada, nunca destruída. O futuro e a história são incensuráveis”. Porém, ainda que temporariamente, a censura não é aceitável em um Estado de Direito. Ao identificar e compreender as diferentes faces da censura, a sociedade se prepara melhor para enfrentar tentativas de censura, ainda que temporariamente, e defender a liberdade de expressã
*Em 29/02/2024
**O autor, Luan Sperandio, é analista político, colunista de Folha Business. Foi eleito Top Global Leader do Students for Liberty em 2017 e é associado do Instituto Líderes do Amanhã. É ainda Diretor de Operações da Rede Liberdade, Conselheiro da Ranking dos Políticos e Conselheiro Consultivo do Instituto Liberal.
***Texto publicado originalmente na página do Instituto Liberal, em https://www.institutoliberal.org.br/blog/teoria-economica/as-10-faces-da-censura/
Precisamos defender a liberdade: como a cultura woke invadiu nossas privacidades. - 26/02/2024
Juliano Roberto de Oliveira
Leio hoje pela manhã um artigo do economista Paul Cwik, professor de economia e finanças da universidade de Mount Olive. O economista inicia seu artigo com a descrição de como a cultura woke (a cultura da turma ESG e do Great Reset) se aproveitou de algumas características do ser humano para impor, sutilmente, sua agenda totalitária.
O ser humano, sempre que possível, evitará esforços que considera dispensáveis. Não que seja preguiçoso, diz o professor, mas porque a tomada de decisões baseada na relação “esforços versus benefícios” é algo inerentemente humano. Quando analisam a quantidade de esforços necessários para a obtenção de dado benefício e chegam à conclusão de que o benefício não é capaz de recompensar seus correspondentes esforços, as pessoas simplesmente optam pelo caminho mais cômodo. Parece óbvio, não? Este fenômeno se aplica, por exemplo, ao caso de eleições de conselhos de administração de grandes empresas (hoje tomados por CEO’s cujas ações são guiadas por pautas woke). Aplica-se também ao caso de eleições para cargos políticos. Se meu voto, numa democracia, não conta muito e, se ao fim, prevalecerá a vontade de uma maioria influenciada pela academia e pela grande mídia, haveria razão para algum esforço em torno de pesquisas sobre quais candidatos participam de um pleito e as pautas que defendem? Dir-nos-ia a lógica que não. Não faz nenhum sentido. É neste contexto que os ativistas woke têm reproduzido suas narrativas e, coercitivamente, reestruturado toda uma forma de cultura e comportamento. Tornamos as coisas mais fáceis para a propagação do wokismo e de suas medidas autoritárias quando colocamos nossas decisões em suas mãos (a turma do isencionismo, os famigerados insentões que ganharam notoriedade na arena da política brasileira, deve entender bem disto).
Outro artigo que segue a mesma linha é o do escritor libertário e pesquisador sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria, Jeffrey Tucker (os artigos de Tucker são sempre uma fonte inesgotável de sabedoria e de uma leitura honesta dos fatos, a propósito). Ao analisar a proibição das sacolas plásticas pelo estado, Tucker nos adverte de como fomos tomados de assalto pela cultura woke que deseja, sem nenhuma discrição, destruir a felicidade alheia. Para dar destaque à sua mensagem, em dado momento, o autor nos leva a refletir sobre como éramos felizes quando saíamos dos supermercados carregando as sacolas plásticas que suportavam, facilmente, 100 quilos de mantimentos. A nossa felicidade e a nossa liberdade de escolha, porém, sempre serão o alvo de gente amarga, sinalizadora de virtudes, que apregoa boa vontade e bom mocismo enquanto coloca em torno de nossos braços um par de algemas que limite a nossa felicidade e condicione nosso comportamento à sua incontrolável vontade de “salvar o planeta”.
Para cobrir sua análise de cientificidade Tucker apresenta dados de um estudo conduzido pelo Freedonia Research Group que comprovam que as sacolas não descartáveis atualmente utilizadas para o transporte dos mantimentos possuem muito mais plástico que as velhas sacolas fornecidas pelos supermercados e que, não raro, são usadas por duas ou três vezes apenas para, logo após, serem trocadas. Seu impacto ambiental? O aumento da emissão de gases de efeito estufa em 500% (o artigo original completo está aqui).
Adicionalmente o autor aponta a hipocrisia desta gente que odiaria morder um único pedaço de carne ou pão que estivesse à venda num mercado a céu aberto (cujo ambiente fosse tomado por moscas), mas não abre mão das embalagens plásticas em que os produtos que consomem são acondicionados, as quais lhes garantem produtos limpos e frescos. A este respeito, diz o autor:
“Afinal, a maior parte do plástico relacionado ao supermercado vem dos próprios produtos. Pense nisso. Cada pedaço de carne, tudo feito de pão, cada caixa tem um plástico dentro para frescor, e até mesmo seus legumes são colocados em sacos para levá-los ao balcão. Todo o lugar é uma meca de plástico. Quanta diferença as sacolas de transporte realmente fariam?”
Não obstante os cenários aqui narrados e apresentados por ambos os autores, Paul Cwik mostra ainda certo otimismo em relação às ideias da liberdade e, portanto, frontalmente opostas às coerções da agenda ambientalista que muito pouco tem, de fato, de ambiental. Para o autor, grupos de estudos, associações voluntárias, a postura corajosa e, acima de tudo, a leitura e a dedicação ao conhecimento dos fundamentos da liberdade (notadamente a dedicação à busca pelo conhecimento das mensagens e teorias difundidas pela Escola Austríaca de Economia) serão capazes de preparar um verdadeiro exército de intelectuais aptos a travar uma “guerra” no campo da cultura contra a servidão a que somos submetidos diariamente. “Planejo iluminar minha luz e as Luzes da Liberdade dentro de meus alunos e daqueles ao meu redor. Você vai se juntar a nós”? Eis a pergunta com a qual o economista conclui sua defesa otimista de um movimento liberal.
Como o autor, também penso que a defesa da liberdade, diferentemente da imposição da servidão, não pode ser centralizada. É um movimento que depende de esforços e talentos individuais. Como professor de economia já tive várias e variadas oportunidades de discutir com meus alunos os benefícios do livre mercado, da propriedade privada e a importância do indivíduo para o florescimento de uma nação e uma sociedade ricas e prósperas. É um esforço hercúleo, porém. Ocupar os espaços tomados pela cultura woke exige muita resiliência. A respeito disto, lembro-me de quando fui convidado a palestrar a uma turma de jovens alunos a respeito de macroeconomia e políticas internacionais. Foi um momento vibrante. Vi nos olhos de muitos dos presentes um brilho característico de quem é exposto a verdades que não são facilmente encontradas nos livros fabricados pela educação estatal. Não obstante, foi uma experiência pontual da qual consegui extrair três importantes lições: 1) parte de nossos jovens já foram convencidos de que a política assistencialista é necessária e que, sem o estado, o mundo estaria mergulhado em completo caos; 2) outra parte, numericamente superior, deseja ouvir sobre as ideias da liberdade e anseia por um mundo em que prevaleçam a meritocracia e a liberdade capazes de catapultar indivíduos para perto de seus objetivos individuais e 3) nossas entidades, como dito por Cwik, estão sob a direção de pessoas cuja gestão está alinha à cultura woke (embora, em grande parte, não seja possível saber se este é um fenômeno que define a crença de nossos gestores corporativos ou se eles estão, simplesmente, rendendo-se à cultura para evitar dores de cabeça e um possível estado de ostracismo profissional).
* Em 25/02/2024
** O autor, Juliano Roberto de Oliveira, é Bacharel em Administração de Empresas – FAI, Especialista em Qualidade e Produtividade – UNIFEI, Mestre em Eng. da Produção - UNIFEI
Como podem os bons políticos aparecer? - 17/02/2024
Alex Pipkin, PhD
Tenho convicção de que é uma tarefa realmente hercúlea. Sei que não é somente deselegante, como também, e muitas vezes inócuo, atacar de maneira “ad-hominem”, ou mesmo uma categoria inteira, como a composta por políticos profissionais.
Presencia-se a olhos nus manifestações ostensivas contra o atual presidente e o seu respectivo desgoverno. É trivial, embora muitos não queiram enxergar. Fatos são fatos e ilícitos comprovados mais ainda.
Contudo, para que serviram os destaques e os berros relativos ao rastro de incompetência, de corrupção incomensurável e de preocupação com o umbigo dos interesses particulares e/ou tribais do partido que agora voltou ao poder?
Nem a genuína superioridade moral de uma pequena fração de políticos “do bem” funcionou no sentido de evitar o retorno da vanguarda do atraso.
Verdadeiramente, a hiperpolarização e os respectivos ataques de todos os lados e cantos contribuíram para denegrir mais intensamente toda a categoria de políticos. O ranking é autoexplicativo.
Evidente que há bons políticos. Eu os conheço. Especialmente, aqueles políticos não profissionais, que têm como propósito a genuína missão de contribuir para a construção de uma sociedade mais desenvolvida e mais justa.
O cenário político brasileiro se transformou, faz algum tempo, em um campo de batalhas, embora vários “lados”, retoricamente, abram suas matracas a fim de pronunciar a palavra mágica; pacificação. Mentira grossa.
O trágico disso tudo, é que os consumidores, a população, acaba por colocar toda a categoria num mesmo balaio de gatos. Desnecessário se enumerar os adjetivos.
Nesse ambiente corrosivo, ficam encobertas as ideias, por vezes as vozes, de políticos preparados e do bem, que intencionam legitimidade, pensar distintamente, visando a implementar inovações úteis, possíveis e benéficas para o povo.
No presente faroeste tupiniquim, não há concorrência; não basta ser, tem que parecer ser, e todos aparentam ser iguais, pelo menos para a grande massa. O consumidor-eleitor, dotado de massa e pensamento crítico, sempre se beneficia da concorrência e de ideias úteis e inovadoras.
Porém, esses bons políticos estão escondidos - e/ou metidos - nesse sujo cabo de guerra vigente. A pergunta que me faço é se é possível que determinados políticos preparados, com atitudes e comportamentos para promover o bem comum, possam raiar e se destacar neste esgoto a céu aberto.
Qual será a feitiçaria que poderá trazer à luz às ideias e aos planos consistentes destes bons políticos, aqueles direcionados efetivamente para o real desenvolvimento econômico-social e o bem estar dos cidadãos? Aqueles que façam sentido e que despertem o interesse e a atenção ativa dos eleitores?
Eu, honestamente, não sei… A cada dia que passa, as correntes majoritárias parecem se superar nas agressões, nas mixarias, e no desejo do caos. Tudo é cinza. Neste triste momento, eu possuo muito mais perguntas do que respostas. Até porque desconheço de onde, eventualmente, poderão despontar as respostas - certas.
Tomara que o dito esteja correto: pode parecer difícil no início, mas tudo é difícil no início.
Bolsa indústria - 28/01/2024
Gilberto Simões Pires
O recém-lançado -BOLSA INDÚSTRIA-, ou, como prefere o governo socialista/comunista, -PROGRAMA NOVA INDÚSTRIA BRASIL-, segundo os representantes dos mais diversos segmentos do setor, está sendo visto como MODERNO E POSITIVO. Como vivemos no -PAÍS DAS BOLSAS-, até aí nada que espante. O espanto e a preocupação é que este mesmo PROGRAMA já foi colocado em prática durante o péssimo governo Dilma, de 2011 a 2014, sob o título -NOVA MATRIZ ECONÔMICA-, ou -MATRIZ ECONÔMICA BOLIVARIANA-, cujos resultados, mais do que sabido, foram simplesmente CATASTRÓFICOS.
MESMO CARÁTER
Vale lembrar que a -MATRIZ ECONÔMICA BOLIVARIANA-, a exemplo do que pretende o atual governo petista com o PROGRAMA NOVA INDÚSTRIA BRASIL, tinha o mesmo caráter -DESENVOLVIMENTISTA-. O fato, entretanto, sem a menor surpresa, é que aquele CATASTRÓFICO PLANO foi decisivo para: 1- uma QUEDA BRUTAL DO PIB BRASILEIRO; e, 2- um FORTE AUMENTO DA TAXA SELIC.
ESTIMULAR A ECONOMIA
MAIS: sob o pretexto de ESTIMULAR A ECONOMIA, por meio dos gastos públicos e excesso de INTERVENÇÃO DO ESTADO, o BNDES recebeu mais de R$ 600 BILHÕES do Tesouro Nacional, às custas, obviamente, de emissão de títulos públicos (endividamento), cuja conta ainda não foi paga, causando assim uma forte PRESSÃO INFLACIONÁRIA. Isto, sem esquecer que -para tentar segurar a inflação- o governo Dilma adotou a prática de controle de preços DE ENERGIA, COMBUSTÍVEIS E DERIVADOS. Aliás, por conta desse estúpido controle, a Petrobras foi obrigada a vender combustíveis no mercado interno com preços inferiores aos que foram pagos no mercado externo, provocando prejuízo brutal na estatal.
DIZER O QUÊ?
A propósito, para que os leitores não se deixem levar apenas pelas minhas considerações, eis como o pensador e economista Igor Moraes enxerga os efeitos do PROGRAMA NOVA INDÚSTRIA BRASIL: Dizer o quê sobre a "nova política industrial"? Quando um Governo de um país pobre diz que "dinheiro não é problema", algo já está errado. Fico imaginando o industrial da Alemanha, que atravessa um momento crítico, escutando essa declaração e vendo o milagroso plano para salvar a indústria brasileira (que está sempre nascendo), simplesmente "DANDO DINHEIRO". O problema é esse mesmo? Ao invés de criticar o "Plano", vamos fazer uma coisa simples: ver o que o setor está dizendo que são os problemas para eles. Nesse caso, olhando a "Sondagem industrial" da CNI, uma pesquisa que pergunta ao setor os principais entraves, podemos ver uma lista de pontos:
1. Carga tributária (sempre dentre os primeiros a ser apontado pelos industriais);
2. Demanda interna insuficiente. O país tributa muito os produtos que ficam caros, temos os carros, as roupas, o videogame, o celular, etc., dentre os mais caros do mundo. Daí a demanda é pequena mesmo.
3. Taxa de juros elevada. Vocês querem falar de causa ou efeito?
SIMPLES ASSIM
O juro é alto porque a dívida do Governo é alta e ele oferece juros altos ao mercado para rolar essa dívida, encarecendo o crédito para as pessoas e empresas. Além de outras distorções microeconômicas como juro subsidiado, leia-se BNDES. A lista se estende por mais uma dezena de itens. Advinha o último problema? "Falta de financiamento de longo prazo". O Governo está certo. Dinheiro não é problema. Ele existe. Tem liquidez no mercado para financiar o crescimento industrial. Não precisa do BNDES nem de política industrial. O que precisamos é reduzir o tamanho do Governo, cortar impostos e gerar segurança jurídica para contratos. Até o montante de recursos já foi dito: R$ 300 bilhões. Eu diria: Vocês já foram melhores. Se dinheiro não é problema, não se diz o limite superior. Mas quer ajudar mesmo o setor de forma linear, atingindo todo mundo? Corta R$ 300 bilhões em tributos. Simples assim.
A importância da Família - 17/01/2024
Dr. Marco Antônio Fetter
A Família é o eixo principal de solidariedade entre as gerações. É o espaço principal de responsabilidade social, que deve oferecer a mais leal rede de segurança e de afeto frente a qualquer ameaça.
Para muitos de nós, a Família nos permite e nos remete a este espaço de segurança, amor e solidariedade que constitui o nosso principal apoio motivacional, assim como é o reduto ante qualquer problema que enfrentemos na vida.
Cada Família é única, e de todas elas esperamos o cumprimento de suas funções básicas como provedora das satisfações emocionais e materiais fundamentais para o sadio desenvolvimento das pessoas.
Sem dúvida, e lamentavelmente, sabemos que não é assim em todos os casos. Em muitas ocasiões, é precisamente neste âmbito privado, oculto da vista de todos, que se escondem situações inaceitáveis.
Nos dias de hoje, está cada vez mais comprovado, que violência intrafamiliar está em todas as partes: contra a integridade das meninas, dos meninos, das mulheres, dos idosos ou com capacidades diferentes.
Este é um problema originado por múltiplas causas. Somente, de uns anos para cá, ele vem sendo discutido abertamente revelando que este tipo de violência tem raízes culturais. As respostas são necessárias e devem ser consistentes. Mas, nunca chegam...
O problema da violência intrafamiliar não aceita respostas parciais e tampouco podem ser solucionadas por decreto. É necessária a colaboração de toda a sociedade, a fim de modificar nossos padrões e valores que deram espaço e lugar a tudo isso.
É difícil aceitar, como pais, que ele mesmo foi receptor ou reprodutor destes padrões culturais negativos.
É difícil, também, encontrar junto aos filhos o equilíbrio necessário sem cair em atitudes autoritárias ou permissivas.
Igualmente é difícil – no próprio casal, um modelo equilibrado de conduta ética e honesta.
Felizmente, são cada vez maiores os recursos que podemos utilizar para refletir sobre nossas crenças e atitudes. Com isto, temos a oportunidade de corrigir muitas das atitudes que são nocivas para o desenvolvimento integral – sadio - dos membros de uma Família.
Entender, por exemplo, as dificuldades que vive uma mãe solteira em uma situação econômica difícil e sua preocupação com o cuidado dos seus filhos enquanto ela trabalha.
Entender, por exemplo, a dinâmica específica naquelas famílias que um de seus membros requer cuidados especiais, por alguma dificuldade física, doença crônica ou pela avançada idade.
Entender, por exemplo, o momento diverso e diferenciado que marca a própria evolução da Família não é o mesmo para aquelas que não têm filhos, ou que estes são pequenos ou adolescentes. Ou quando crescem e formam uma nova Família.
Frequentemente, repetimos que a Família é a célula da sociedade, sem nos darmos conta da verdadeira dimensão destas palavras e afirmação.
É na Família, com nosso exemplo, que os filhos aprendem as atitudes e valores que como sociedade logo vamos cobrar deles. Exigimos que nossas filhas tenham as mesmas oportunidades que nossos filhos. Mas, na nossa própria casa, este não é o nosso comportamento...
Desejamos que nossos filhos encontrem companheiros (as) para a vida a dois e os ame e os respeite. Nós, como casais e pais fazemos isso?
Criticamos a corrupção que prevalece na sociedade. Em casa, somos os primeiros a não respeitar as regras!
Queremos uma sociedade justa e democrática. Em casa não damos espaço para a democracia e nem para o diálogo
Pedimos mais segurança. Em casa, ultrapassamos todos os limites.
Queremos, pedimos, solicitamos tantas coisas...
Todos nós, indistintamente, dizemos que queremos um Brasil unido, onde a unidade deve ser o critério fundamental não somente para o bem do governo, mas também da sociedade.
Mas, uma reflexão se faz necessária: como querer um Brasil unido se nem sequer a Família é unida?
Se por um lado, a Família é o local onde se educa pelos valores. É também onde muitas vezes se educa pelas inverdades, pela simulação, pela dupla mensagem.
Se quisermos que a simulação, o engano e a mentira terminem no Brasil devemos, primeiramente, contribuir para estas mesmas inverdades e enganos terminem na nossa própria Família.
Nosso país necessita urgentemente de cidadãos, homens e mulheres de tempo completo, que solidifiquem um novo rumo no país e que sejam capazes de construir um novo rosto de uma nação.
Ao nos referirmos a Família como célula social, estamos reconhecendo nela a matéria fundamental para toda a possibilidade de nossa sociedade. Assim como a célula é a unidade básica de estrutura e função de todo o ser vivo, a Família é a unidade básica de construção e função de toda a construção da sociedade.
Não podemos negar a nossos filhos o contato com o mundo fora da Família. Podemos, sim, dar aos mesmos as melhores ferramentas para que enfrentem todas as dificuldades que irão aparecer: o nosso exemplo!
Quem sabe não é hora de aproveitar estas palavras... em Família!
* O autor, Marco Antonio Fetter, é doutor em Família, Consultor da ONU para o Brasil em Assuntos de Família e Presidente do Instituto Pró-Família (IPFAM)
O vírus patológico da mentira - 09/01/2024
Alex Pipkin, PhD
J á opinei, afirmando que a pior crise desta nova era “progressista”, é a moral. Estamos, de fato, mergulhados em um mar sujo repleto de lama, de omissões, de distorções, de mentiras, de hipocrisias e de incontroversas maldades.
O triste momento civilizacional vem embalado de muitas ilusões, de desejos insaciáveis de enganar, de manipular, sendo propício para o emprego de narrativas e de falácias, a fim de que a verdade dos fatos seja rejeitada. E os fatos, os dados e as evidências existem, fartamente.
Todos nós, de alguma forma, mentimos. No entanto, é muito distinto uma distorção da realidade, de maneira eventual, tipo aquela do falso elogio, daquela que é proferida habitualmente, com o claro objetivo de encobrir e corromper a verdade objetiva.
Atualmente, na cena empresarial, política, cultural e social, o que se vê, com sobras, são sujeitos deliberadamente mentindo, rejeitando a verdade, visando a obtenção de algum tipo de benefício individual e/ou grupal.
O vírus patológico da mentira compulsiva contaminou uma enormidade de gente, de todos os matizes. De forma isolada, os mentirosos contumazes não enganam por muito tempo. A verdade dá uma volta ao mundo, mas aparece.
Porém, quando agrupados, e se utilizando de veículos propagadores da corrupção da verdade, como se vê hoje com a “ex-mídia”, o estrago e seus efeitos são abissais e malignos.
Não é difícil perceber que indivíduos, de tanto utilizarem falsas narrativas, em todas as esferas, muitas vezes, acabam acreditando em suas próprias mentiras e falácias; uma legítima psicopatia.
Na seara política, é justamente ai que reside o mal. Não existe perfeição terrena, o mundo é como ele é. Desejos utópicos indicam a projeção de aspirações de como o mundo deveria ser.
Evidente que na realidade vivida há mazelas e injustiças, e tantos outros problemas de cunho econômico-social. Contudo, no reino da doutrinação de utopias, mentes carentes e idealistas - por vezes, doentias -, creem que vale a pena adotar, como objetivo de vida a ser perseguido, a perpétua luta contra a opressão. Claro que não.
Essa é, de fato, uma estratégia que denota não só manipulação, como também, uma espécie de escapismo inconsequente, pois utopias não só são ilusórias, como igualmente, matadoras.
Penso que, de certa forma, a banalização da mentira e da imoralidade, sejam o resultado das propaladas utopias coletivistas e do desejado fim do “opressor” sistema capitalista.
O sonho é o fim da opressão de capitalistas malvados, e a distribuição da “riqueza”, sem a respectiva geração de riqueza.
O decrescimento econômico é mais um dos ilusionismos coletivistas. Por isso, existe tanto esforço e narrativas pregando a necessidade de se “estabilizar as economias”, e de se alcançar objetivos sociais e ecológicos.
Quando sectários ideológicos acreditam que estão doutrinando e lutando pela justiça divina na terra, ou seja, que estão almejando o alcance de um suposto bem, tipo o da igualdade impossível, esses omitem, distorcem, mentem e afirmam meias-verdades. Enfim, operam tudo em nome de uma “causa nobre”. Tudo isso, de maneira genuína, destrói o respeito à verdadeira alteridade dos indivíduos.
Esses não se sentem nenhum pouco constrangidos, mesmo que para a obtenção dos fins desejados, haja tirania, mortes, fome, miséria e pobreza.
Desnecessário trazer à tona fatos e evidências quanto à inviabilidade das práticas coletivistas, inexistem quaisquer tipos de julgamento moral, eles sempre dão um jeito de “racionalizar”.
A ânsia pelo espetáculo do utópico não aparenta ter data para acabar, afinal, faz parte da identidade social dos “justiceiros”.
Tendo em vista que seus objetivos são devaneios perversos - conforme já demonstrado -, eles acabam por contaminar as mentes e os corações de legiões de outros sectários ideológicos, inibindo as possibilidades de discussão e do alcance do real. A lógica não é revolucionária, talvez nos enredos cinematográficos…
A mentira se relaciona umbilicalmente com as utopias. Metas inatingíveis só podem ser racionalizadas por meio de mentiras, de falsidades e, claro, de utopias.
Vejam, os maiores e mais imorais massacres coletivistas da história humana - vide Lênin, Mao - abusaram da corrupção da verdade e do real, a fim de tornar o sonho uma possibilidade alcançável.
O mundo é imperfeito, uma constatação lógica. Mas é preciso um giro de 180 graus para trazer de volta um dos ingredientes capaz de mitigar mentiras descaradas e a normatização da hipocrisia: o realismo.
Muito difícil. Essa turma de políticos coletivistas, e seu rebanho de comparsas, saliva espontaneamente, como os cães de Pavlov, com quaisquer quimeras econômicas e/ou sociais.
Contudo, não é mais suportável conviver com a rejeição do real, em prol do fanatismo pelas utopias irrealizáveis.
Triste. Estamos cada vez mais distantes desse essencial realismo. Triste.
Feliz 2025 - 31/12/2023
Gilberto Simões Pires
ÚLTIMO EDITORIAL DO ANO
Considerando o que está escrito no título de hoje, este é o último editorial que escrevo neste complicado ano de 2023, prometendo voltar à carga, com ENERGIA LIBERAL mais do que redobrada para enfrentar os sacrifícios que serão impostos, de maneira cruel, maldosa e persistente, pelo governo PETISTA-COMUNISTA.
ALGO MAIS
Para que não reste dúvidas a respeito das intenções deste governo, o próprio presidente Lula, em todas as aparições públicas, quando lhe é perguntado, faz enorme questão de declarar o quanto tem ORGULHO DE SER COMUNISTA. Ou seja, se COMUNISTAS CONFESSOS aplicam com rigor e efetividade os IDEAIS E PROPOSTAS COMUNISTAS, os COMUNISTAS ORGULHOSOS se consideram especiais e como tal sempre querem ALGO MAIS em termos de destruição.
A MANDO DOS CÉUS
A história aí está para contar, de maneira muito clara, que são raras as vezes em que os povos, quando ameaçados da PERDA DA LIBERDADE, agem rapidamente para impedir que isso aconteça. Em geral, só ACORDAM TARDE DEMAIS, QUANDO O CAOS JÁ ESTÁ INSTALADO. Isto geralmente acontece porque a maioria sempre imagina e/ou acredita, firmemente, que ao fim e ao cabo aparecerá alguém -CELESTIAL-, a MANDO DOS CÉUS, com a firme disposição de impedir a INSTALAÇÃO DA TIRANIA.
COMUNISMO -DECLARADO, INICIADO E QUASE CONCLUÍDO-
Para comprovar, tim tim por tim tim, o que a história conta, vejam que ainda há um universo enorme de cidadãos brasileiros que se diz PREOCUPADO com o avanço do COMUNISMO NO BRASIL. Ora, a bem da verdade -absoluta-, há que se reconhecer que o COMUNISMO JÁ ESTÁ INSTALADO e COMO TAL AVANÇA A CADA DIA. Da mesma forma como uma tropa, ao entrar em território inimigo, tem a missão de avançar e/ou ocupar e conquistar os espaços, os governos COMUNISTAS fazem o mesmo para impor suas ideias e determinações a cada espaço ocupado. No Brasil, queiram ou não, a GUERRA -COMUNISTA- JÁ FOI DECLARADA, DEVIDAMENTE INICIADA, E ESTÁ PRESTES A SER CONCLUÍDA COM MUITO ÊXITO.
FELIZ 2025!
Face à esta incontestável situação, o que resta aos brasileiros de bem é fazer do ano de 2024 uma FORTE BASE DE RESISTÊNCIA que consiga, de fato e de direito, proporcionar a todos os brasileiros um FELIZ 2025!
O impostor - 18/12/2023
Gilberto Simões Pires
RELEVÂNCIA
Levando em boa conta que grande parte dos leitores/assinantes do PONTOCRITICO.COM estão espalhados por todos os cantos do nosso imenso Brasil, isto é o bastante para que destine comentários e/ou opiniões sobre questões que envolvem o meu estado - RIO GRANDE DO SUL- apenas e tão somente quando acontece algo considerado como RELEVANTE e como tal julgo necessário que muitos brasileiros entendam, analisem e tirem o melhor proveito.
AUMENTO REAL DE 15%
Como boa parte dos brasileiros já tomou conhecimento, o governador do RS, Eduardo Leite, está focado, dia e noite, na CRIMINOSA MISSÃO que tem como meta AUMENTAR A ALÍQUOTA DO ICMS, de 17 para 19,5%. Pois, antes de tudo é preciso lembrar que -MATEMATICAMENTE- estes 2,5 PONTOS PERCETUAIS representam um ABSURDO AUMENTO REAL DE 15% para os já massacrados PAGADORES DO ICMS.
IMPOSTOR
Lamentavelmente, a postura e o desejo do governador gaúcho revelam que se trata de legítimo IMPOSTOR. Atenção: antes que eu seja acusado de estar INSULTANDO o governador Leite, me antecipo em dizer que em todos os dicionários é considerado, literalmente, como IMPOSTOR -aquele que se aproveita da credulidade e da ignorância de outrem para ludibriá-lo; mentiroso, hipócrita. Mais: é aquele que demonstra ou pratica impostura; embusteiro.
SURTO TRIBUTÁRIO
Como se isto não bastasse, Eduardo Leite, no sábado último, 16, foi tomado por um SURTO TRIBUTÁRIO e mandou publicar, repentinamente, DECRETOS COM CORTE DE BENEFÍCIOS. Segundo Leite, a medida foi adotada com a finalidade de GARANTIR( ???) NOVAS RECEITAS CASO NÃO SEJA APROVADO PELA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, o AUMENTO DE 15% DA ALÍQUOTA DO ICMS (17% para 19,5%). De novo: tudo isso e mais um pouco faz de Eduardo Leite um verdadeiro IMPOSTOR, de um MENTIROSO, DE UM EMBUSTEIRO e outras coisas mais.
IMPOSTORES
Além da grande mobilização o povo gaúcho, mais do que nunca, precisa promover uma grande pressão junto aos deputados estaduais para que não aprovem este CRIMINOSO AUMENTO DE 15% DE ICMS. Caso contrário (nem pensar) os parlamentares gaúchos estarão também se declarando como IMPOSTORES. Atenção: amanhã, 19, está prevista a votação da estupidez na ALRS. Todos os gaúchos precisam se fazer presentes!
Iconoclastia ideológica - 15/12/2023
Sílvio Lopes
Foi durante o dilúvio, portanto, nos tempos bíblicos, que a humanidade viu surgir o primeiro símbolo da paz. Para saber se as águas haviam baixado, Noé enviou uma pomba e esta, de volta, confirmou que sim ao trazer no seu bico um ramo de oliveira. A paz, enfim, havia retornado à terra.
Desde então, o homem tem vivido em busca de simbologias que o identifiquem, ao seu grupo, seu país, sua forma de pensar e agir, sua cultura, hábitos e costumes. A bandeira, diga-se, é o símbolo maior de um país desde o século XIII, quando a Dinamarca tornou um "pano honorável" no seu símbolo nacional, eivado de significados e glórias.
Reverenciar a bandeira nacional é, pois, honrar e respeitar a toda uma nação. Quando pisoteamos ou ateamos fogo nela, estamos ofendendo esta nação e desprezando sua história, suas lutas e conquistas. Hoje, no Brasil, virou moda enxovalhar nossa bandeira em praça pública como forma de contestar e tripudiar sobre os valores da Pátria.
Essa iconoclastia ideológica vem de longe, gestando consigo o sonho de nos tornar, os humanos, um só povo, submissos a um só tirano, e nos subtraindo todos os direitos, exceto um: silenciar e obedecer. Nós, brasileiros, temos agora essa magna e patriótica missão: resistir e, impostergavelmente, destruir esses lanceiros do demônio que nos querem tornar escravos de suas beligerantes e fascínoras ideologias.
A hora é agora: preservar nossa bandeira e o seu significado histórico de Ordem e Progresso. Jamais nos rendamos ao que prega essa ideologia satânica: a " Desordem Progressista".
* O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista e palestrante sobre Economia Comportamental.
A escorregada quanto ao “fim da história” - 29/11/2023
Alex Pipkin, PhD
O filósofo e economista político, Francis Fukuyama, em seu seminal artigo “O Fim da História”, em tese, foi certeiro, diria metálico.
Ele diagnosticou, perfeitamente, que os trágicos sistemas coletivistas e autoritários do fascismo e do comunismo/socialismo deveriam estar na sepultura, e que, portanto, a democracia liberal ocidental prevaleceria como modelo político, sendo a economia de mercado a melhor forma de organização econômica.
No entanto, pelos inquestionáveis fatos e dados da realidade objetiva, seu “fim da história”, realmente estava completamente equivocado, tristemente.
As ideologias do coletivismo, ou melhor, do fracasso, e do correspondente autoritarismo, embalado modernamente como bom-mocismo, tiveram um passado glorioso - e matador - e, peçonhentamente, têm um futuro promissor.
O que se enxerga a olhos nus - e o que não se vê -, é a genuína corrupção dos valores fundamentais de liberdade e de justiça, valores esses sempre enunciados em tom solene por autoridades estatais “podres”, a fim de enganar, mentir, perverter, deturpar e seduzir pobres e desesperados incautos.
Não é suficiente e esclarecedor o rastro de barbárie, de mortes, e de pobreza e de miséria - inclusive, e desesperadamente- moral, que os engodos coletivistas deixaram como saldo vermelho para as populações mundiais. Eles nunca deram certo em lugar algum, tampouco darão.
A cegueira coletiva é, cada vez mais, maior. Coletivistas atuando, especialmente, nos campos universitários e culturais, com seus ungidos, intelectuais de araque, reais militantes sectários ideológicos, assim como acadêmicos, artistas e jornalistas, negligenciam e pervertem a história real, ignorando a verdade dos fatos, e destruindo a ponte e os pilares econômicos e culturais que nos conectam com o passado virtuoso.
A “progressista e cool”, espúria estratégia coletivista, é ganhar as mentes e os corações culposos de homens, mulheres e assemelhados, sobre as mazelas do passado, a fim de derrubar os valores virtuosos que edificaram a civilização ocidental. Tais valores acarretaram em menos pobreza e miséria - comprovadamente - e mais desenvolvimento e progresso.
É o sempre enganador papinho morfético da luta contra a opressão, do homem como mercadoria, e o correspondente e surrado marxismo da mais valia. Eles nunca cansarão!
Continua na moda horrenda, em especial na de jovens acéfalos, ser transgressor por qualquer causa, até mesmo a da barbárie e do terrorismo assassino.
A destruição civilizacional segue corroendo o tecido social, aniquilando a confiança, e demolindo os “velhos” valores morais e éticos, da dignidade humana, da civilidade e da responsabilidade individual, por exemplo.
Vejam agora a transformação do nazismo em luta contra a opressão do povo palestino, a “resistência”. Horror. Terroristas são glorificados com combatentes pela “justiça social”. Onde chegamos?!
A maior crise da humanidade, indubitavelmente, é a moral!
Essa foi deflagrada por coletivistas ávidos pelo poder, que logram ainda convencer pobres almas culpadas, muitas delas interesseiras e outras ingênuas, a ponto de desconhecerem que estão demolindo os sustentáculos da vida e do efetivo progresso, no presente e no futuro.
O relativismo moral destrói tudo o que vê pela frente, em todos os campos; não se tem mais o certo e o errado, o belo e o feio, o bem e o mal. Se tudo é relativo, nada é, somente os desejos e os interesses de coletivistas apologistas da matança civilizacional.
Na incessante e deletéria busca pelo alcance de poder, vale tudo, é selva. Vale até transformar jovens em mortos-vivos, esses que experenciam existências medíocres, abdicando de suas vidas individuais, de suas mentes e de seus esforços, a fim de serem recompensados pelos seus próprios méritos no alcance de seus amplos e distintos objetivos pessoais.
O coletivismo os torna escravos do gigantesco e poderoso Estado, que incute em mentes vazias a brutal cultura da dependência. O Estado, de fato, é escravocrata e autoritário.
Nunca foi tão exposto e translúcido o nefasto objetivo desses coletivistas “benevolentes”. Só desejam alcançar mais poder para si e suas castas, levando a máxima potência o comportamento "rent-seeking", ou seja, sugando por meio de incentivos invertidos, a renda dos criadores de riqueza, e alocando os recursos escassos de maneira ideológica, ao invés de pelo mercado.
O grande Fukuyama falhou, enganou-se e/ou foi engrupido.
Qualquer cego enxerga que não há democracia liberal, por aqui e acolá.
O que impera, factualmente, é um coletivismo escancarado, que se denomina social-democracia, um eufemismo de coletivismo nato. É esse o mesmo que burla e exerce, abertamente, novas e velhas fórmulas ditatoriais na sua constante busca pelo poder.
?O corolário de tudo isso, desta “moderna democracia cleptomaníaca” devastadora, do abjeto relativismo moral, é a ignorância, a nefasta inversão de valores, a barbárie, o caos e o anti-progresso.
Onde chegamos?! Tudo isso incentivado pelas ideias coletivistas, do Estado do bem-estar, esse embusteiro e ardil.
O pior disso, é que tudo isso está, quase que absolutamente, normatizado.
Atormentador. Pois quem são os defensores, nesta luta draconiana, da liberdade, da prosperidade e da própria civilização?
Impressões digitais do elevado Custo Brasil - 27/11/2023
Gilberto Simões Pires
CÁLCULO DO CUSTO BRASIL
Segundo estudos recentes realizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços -MDIC-, o imenso CUSTO BRASIL - ou despesa adicional que empresas nacionais são obrigadas a pagar para produzir-, na comparação com à média dos países membros da OCDEa -Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico-, está por volta de R$ 1,7 TRILHÃO, ou seja, algo em torno de 20% DO NOSSO PIB.
SISTEMA TRIBUTÁRIO, ENERGIA E TRANSPORTES
A elaboração do estudo, segundo informou a secretária de Competitividade e Política Regulatória do MDIC, Andrea Macera, em entrevista que concedeu à CNN, contou com quase 1,3 mil sugestões da sociedade civil. Mais: os CUSTOS calculados foram divididos em 12 eixos que vão desde as despesas para abrir um negócio até para encerrá-lo. As principais queixas do SETOR PRODUTIVO se dividiram entre o SISTEMA TRIBUTÁRIO (18,8%); ENERGIA (16,6%) e TRANSPORTE (14,3%).
CONTENCIOSO
Segundo apontam os dados divulgados pelo MDIC, o fabuloso CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO no Brasil equivale a absurdos 25,8% do PIB, ante 0,28% da média da OCDE. Com isso o TEMPO GASTO PARA PAGAR IMPOSTOS NO BRASIL correspondem a 1.501 horas, enquanto a média da OCDE está por volta de 164 horas.
PROTAGONISTA
Ora, partindo deste claro DIAGNÓSTICO, para SOLUCIONAR ESTE GRAVE PROBLEMA, uma coisa é mais do que certa: o ESTADO não pode ser PROTAGONISTA. Caso contrário, o CUSTO BRASIL ficará ainda mais alto. Portanto, se o real interesse é DIMINUIR O CUSTO BRASIL, tudo de bom depende, exclusivamente, de 1- RECURSOS DA INICIATIVA PRIVADA; e, 2- PERMISSÃO PARA QUE INVESTIDORES -CONFIANTES- SE INTERESSEM PELOS PROJETOS. Vejam que o BNDES já elencou 17 projetos prioritários para esta agenda, além de 24 que ficam sob monitoramento do governo. Segundo a secretária, a -ideia- é de que as primeiras entregas do programa aconteçam nos próximos seis meses. No âmbito do financiamento, segundo Macera, o governo pretende aprovar um projeto de lei que cria uma nova modalidade de DEBÊNTURES E PARA INVESTIMENTO EM INFRAESTRUTURA.
A VER....
É difícil crer, mas a secretária Andrea Macera disse, que para setor de LOGÍSTICA E TRANSPORTE, o governo quer regulamentar o MARCO LEGAL DE CABOTAGEM, aprovado durante o governo Bolsonaro. Deseja remover barreiras à navegação hidroviária e racionalizar taxas portuárias. O custo logístico no Brasil foi estimado em 11,6% do PIB, três pontos percentuais acima da média da OCDE. Na mira do programa também estão regulamentações do marco legal das ferrovias e do marco legal do transporte público coletivo, além do aprimoramento da política nacional de mobilidade urbana. Outras medidas olham para infraestruturas de comunicação.
No tocante à ENERGIA, a intenção é desenvolver a produção onshore de gás natural e remover barreiras à entrada de novas empresas neste mercado. Aprimorar o marco regulatório do setor elétrico e buscar a expansão do livre mercado também aparecem listados.
Além do mais - 19/11/2023
Sílvio Lopes
Na sociedade atual, não há mais lugar para a omissão, para os omissos e para os isentões de todas as cores e calibres. Em tudo precisamos (mais, devemos), tomar posição, lutar pelo justo, pelo correto, pelo que nos honre e dignifique enquanto criaturas de Deus, feitos à sua imagem e semelhança.
Os movimentos hoje em voga, pelo viés nitidamente niilista assumidos ante os valores da sociedade ocidental – bem caros a nós, brasileiros, seja no âmbito religioso/espiritual como legal, em acordo ao legado que abraçamos do Direito Romano – buscam solapar as bases dessa sociedade e sua maior e extraordinária conquista: a democracia. Uma democracia que, verdadeiramente, imprescinde das liberdades civis, portanto, que esteja vacinada contra a opressão e a coerção a que os chamados progressistas intentam submetê-la.
Por isso, nossa política de luta implica a tomada de consciência resoluta de todos para enfrentar o arbítrio e a tirania, por vezes, constituindo dissimuladas tentativas dos opressores antidemocráticos que, no discurso bem articulado e panfletário, louvam a democracia, mas o que querem, ao fim e ao cabo, é destruí-la, de maneira inapelável e definitiva.
Como bem profetizara o filósofo Henry Thoreau: " Pense por sí próprio; do contrário, outros pensarão por você, sem pensar em você ". Essa é bem a realidade que vivenciamos no Brasil, onde milhões de almas vegetam de um pra outro lado, imersas no seu mundinho mesquinho e sedentário de ambição e propósito de vida, enquanto esse berço esplêndido e rico que as embala está lhes sendo subtraído em tenebrosas e escandalosas transações.
É isso ou não Chico Buarque? Vigiai e orai. Esse apelo bíblico nunca esteve tão atual e necessário para que, enfim, possamos recuperar a democracia brasileira em risco de ser banida de vez por uma corja de abutres ressentidos e frustrados de sua própria condição humana.
* O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista e palestrante de Economia Comportamental.
O barbarismo petista envergonha - 16/11/2023
Alex Pipkin, PhD
Entre os corredores de um grande shopping, reencontrei uma querida amiga. Surpresa agradável em tempos de novidades horrorosas. Notadamente, ela reza pela cartilha das ideias “progressistas” e gosta das artes.
Lê todos os meus textos, meu juízo, sinal de inteligência. O contraditório é sempre essencial “para se pensar”, de fato. Evidente, se nossa dissonância cognitiva assim permitir.
Astuta, observou que meus textos andam um pouco ácidos. Concordamos. Adiciono que o tenebroso momento, não me faculta outra opção. Na verdade, se meus dedos não funcionassem tais quais um Rivotril, minha aspereza seria, seguramente, muito maior.
Socraticamente, pergunto a mim mesmo, seria razoável ser diferente? Ato contínuo respondo: objetivamente, não.
A ideologia marxista, coletivista, e completamente populista, voltou ao poder, e com ela o regresso do inchaço do Estado - basta ver o número e a temática dos ministérios petistas -, da explosão dos gastos públicos, do câncer do intervencionismo estatal, do apoio ao MST, do encorajamento do multiculturalismo, do ativismo identitário, do suposto combate ao racismo (somos 100% racistas para eles) e de suas pautas, entre essas, a ditadura do pensamento único nas universidades.
Inacreditavelmente, o Ministro - negro - dos Direitos (des)Humanos e da Cidadania, continua calado e omisso ao massacre de israelenses. Contudo, a locomotiva da guerra cultural gramciana está a todo vapor.
Por sua vez, a farra com o dinheiro público já faz com que o governo acumule um déficit de mais de R$ 100 bilhões. Sem dúvidas, o déficit zero para 2024 é somente “para inglês ver”.
É chocante constatar que a grande maioria dos condenados, comprovadamente, por corrupção, retornaram a cena do crime, inclusive o presidente demiurgo.
Enfim, as visões antimercado, de cunho marxista, dormem entre nós e, pasmem, para petistas e assemelhados, os inimigos do desenvolvimento brasileiro, continuam sendo os mesmos, os imperialistas americanos e seus sócios, ou seja, sempre a culpa é dos outros.
Mas nada há que não possa ficar pior! Se não bastasse o horrendo cenário tupiniquim, o presidente Da Silva, e sua cúpula de “lideres”, nitidamente antissemitas, posicionam-se agora, pela sectária religião ideológica, em favor da “causa palestina” e, de forma surreal, a favor do grupo terrorista do Hamas, que massacrou bebês, mulheres, jovens, adultos e idosos inocentes, civis israelenses.
Como judeu, evidentemente, não disponho de sangue de barata, sendo impossível me calar e não rechaçar essa barbárie, apoiada pelo governo brasileiro, contra o Estado de Israel, e por consequência, contra o povo judeu. Repito, tenho que factualmente medir minhas palavras…
Verdadeiramente, pelos valores civilizacionais e pela verdadeira dignidade humana, nenhum ser humano de bem poderia ficar acomodado frente a tal situação.
O semideus Marx afirmou que a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. Pois os governos petistas sempre foram anões diplomáticos, tomando o lado errado da história, alinhando-se a terroristas e ditadores de todo o mundo.
O semianalfabeto fanfarrão Da Silva, equiparou moralmente o massacre do Hamas, ao direito de defesa de Israel. Não disponho de adjetivos… O sectarismo ideológico do (des)governo Da Silva, sanciona a barbárie e, mais uma vez, desmoraliza, e mancha de sangue, a imagem do Brasil diante de todo o mundo.
Nenhuma novidade. O primitivismo petista é claro. A placa de Petri das ideologias esquerdistas são o Estado mastodôntico, o abissal intervencionismo, a gastança desmedida do dinheiro público, como forma de dependência e de votos e, grotescamente, o alinhamento ideológico às ditaduras e ao terrorismo.
Interrogo-me novamente. Diante dos fatos acima mencionados, posso eu me dar o direito de não ser “ácido”?
Assassinos - 03/11/2023
Valdemar Munaro
Os tristes episódios perpetrados em Israel por terroristas do Hamas podem já ser inferidos e contemplados na fundação histórica do Islã. Conforme biografia sobre Maomé, escrita por Barnarby Rogerson, a Arábia no nascente Islamismo do século VII d. C., era habitada também por muitos judeus.
Centenas deles que resistiram à nova fé, foram mortos e degolados na presença do próprio Profeta e com sua aprovação.
A terra sagrada de Meca e Medina guarda, portanto, de modo silencioso e sôfrego, o sangue judaico de decapitados. Judeus e muçulmanos, sabemos, são descendentes e herdeiros do mesmo cavaleiro da fé (expressão de Kierkegaard), Abraão, e se tornaram irmãos pela benevolência e graça de Deus, mas, ao longo do tempo, vergaram-se à desgraça de uma fraternidade assassina que rasga os mantos da comunhão enchendo de dor e medo os amantes da paz e da concórdia.
O terrorismo fere o Islã tanto quanto fere qualquer outra expressão religiosa. A vida do Profeta, por sua vez, honestamente falando, não foi cem por cento limpa, nem pura. Ao se casar pela quinta vez, em 626, com Zaynad, sua linda nora, Maomé rompeu com o mandamento que ele mesmo tinha estabelecido para todos os muçulmanos: ter no máximo quatro esposas. Mas Ele resolveu o dilema com uma revelação que veio em benefício de si mesmo: a sura 33 lhe concedeu carta branca para se casar uma quinta vez: "Ó Profeta", diz o versículo 50, "tornamos legais para ti as tuas esposas (...) e qualquer outra mulher crente que se oferecer ao Profeta e que ele quiser desposar: privilégio teu, com exclusão dos demais crentes (...)".
O poeta, Ka'b ibn al-Ashraf, descendente de uma tribo judaica em Medina, ironizou um casamento anterior que Maomé tinha contraído com uma outra mulher, Hafsah, viúva de um homem que pereceu numa batalha muçulmana.
O poeta comparou o comportamento de Maomé com aquele de Davi que enviou o general e amigo Jônatas à morte, pondo-o à frente de um conflito, para poder ficar depois com Betsabé, sua esposa. Ka'b foi oportunamente esfaqueado e morto por ofender e difamar o Profeta. Mas se o Alcorão do Profeta e o Profeta do Alcorão chancelam a eliminação de infiéis, o que se pode esperar de seus discípulos radicais?!
O século VII, nas regiões da Arábia, registrava a presença de muitos judeus, muito embora não existisse, naquele então, o estado de Israel. Na ocasião em que o exército muçulmano se aproximou de Medina para conquistá-la um dos seus guerreiros bradou: "Nós enfrentamos duas coisas: ou Deus garantirá a superioridade sobre eles, ou Deus nos destinará o martírio. Eu não me importo sobre qual seja o destino - pois existe o bem em ambos".
Em outras palavras, é este o leitmotiv da cruzada terrorista: no seu reino deve haver uma só cor, uma só cultura, uma só crença, um só livro, um só povo, um só modo de ser e de pensar. Nos seus ideais não deve haver lugar para meios-termos, meias-luas, pardos, mestiços e miscigenados. Deve ser o tudo ou o nada, a raça pura ou a impura, o fiel ou o infiel. "Os revolucionários", diz o historiador polonês Leszek Kolakowski, "não creem no purgatório; creem na via sacra, no inferno e no paraíso, no reino da libertação total e no reino do mal total".
Pode ser paradoxal, mas foi exatamente esse fundamentalismo extremista religioso que se acrescentou à atividade revolucionária marxista, ateia e materialista, temperando com tentações purificadoras as ações radicais que praticam, desdenhando excrescências maniqueístas de limpeza étnica e cultural.
Assassinos, terroristas e revolucionários se assemelham em tudo com seus métodos e objetivos: estrangular violentamente as diferenças, abater sem piedade os desconfortos plurais, instalar pela força as hegemonias ideológicas culturais, políticas ou religiosas.
O psiquiatra Theodore Dalrymple diagnosticou lucidamente a identidade nas doutrinas teologais da Irmandade Muçulmana representada pelo militante, radical e poeta, Sayyid Qutb (1906 - 1966 - enforcado por Nasser) com os ideais da doutrina comunista apregoada e ensinada por Karl Marx (1818 - 1883) e seus sequazes. Qutb queria uma única religião, a islâmica, mas sabia que ela não aconteceria apenas com pregações. Marx queria uma única sociedade, sem classes e sem opositores, a comunista, mas sabia que ela não viria por espontâneas democracias reformistas.
Qutb sabia, pois, que seria necessário o emprego da coação violenta e terrorista para implantar uma única fé no mundo. Marx sabia que seria inevitável e necessário o emprego da violência revolucionária para instalar o comunismo. O terrorismo islâmico religioso e a violência revolucionária marxista antirreligiosa terminaram se abraçando numa espécie de irmandade siamesa paradoxal e autofágica.
Nos anos medievais, homens estranhos habitavam castelos inexpugnáveis em rochedos montanhosos da Síria e da Armênia e eram conhecidos pelo nome de 'assassinos'. Carne e leite de cabras, juntamente com tâmaras do deserto, alimentavam os seus corpos, mas suas mentes nutriam-se de outra comida: o excremento dos demônios. Seu ofício assassino era assaltar e matar quem atravessasse seu caminho.
Obedecendo cegamente às ordens do 'Velho da Montanha', cumpriam o sanguinário e impiedoso ato de tirar vidas alheias e/ou de morrer. Quando mandados, atiravam-se até aos penhascos para despedaçar a própria vida. Como recompensa, o paraíso, cujo prêmio prometido é ensinado no Alcorão.
O comportamento daqueles assassinos era igual ao dos terroristas atuais como os do Hamas perpetrados no dia 07 de outubro passado. Desprezando vidas pessoais e alheias, esses homens estampam crueldades e ignomínias que estremecem, estarrecem e amedrontam qualquer pessoa decente.
Felipe VI, rei francês, no ano de 1332, programou uma cruzada com o fito de libertar Lugares Santos da Cristandade. Não imaginava encontrar assassinos como aqueles da Síria pelo caminho. Recebeu de Brocardo, missionário alemão localizado na Armênia, aterradora advertência sobre ataques sanguinários que podiam ser perpetrados por homens que empunhavam adagas e punhais sob vestes matando sem piedade os que encontrassem.
"Os Assassinos", escrevia aquele missionário ao rei, "devem ser amaldiçoados e evitados. Eles se vendem, têm sede de sangue humano, matam inocentes por dinheiro e não se importam nem um pouco com a vida ou a salvação. Como o demônio, transfiguram-se em anjos de luz, imitando os gestos, as vestes, línguas, costumes e atos de diversas nações e povos; desse modo, escondidos em pele de cordeiro, submetem-se à morte tão logo sejam reconhecidos".
Os chamados 'assassinos', dos primórdios do terrorismo islâmico, eram homens alterados e sanguinários. Segundo o historiador, Bernard Lewis, comportavam-se daquela maneira em virtude dos entorpecentes que consumiam. 'Hassi', era uma espécie de pedra resinosa seca que alterava a visão e o raciocínio de quem a ingerisse. O termo 'hassassins' (bebedores de hassis) indica, regularmente, o modo de ser e de se comportar dos submetidos ao haxixe, droga que treslouca ações e pensamentos dos seus usuários.
Os homens, portanto, não nascem assassinos. Transformam-se tais quando alteram sua natureza e sua alma. São forçosamente demolidos para serem reconstruídos de forma demoníaca. É preciso degringolar a natureza e a ordem do próprio ser para se atingir o estágio criminal. É necessário um entorpecimento da inteligência e uma catalepsia da vontade para se galgar a fé e a ação terroristas. Nenhum movimento dessa magnitude seria possível sem a prévia destruição da interioridade, sem o 'haxixe' do torpor e sem o torpor do 'haxixe'.
Portanto, o terrorismo praticado, consumido e aprovado por alucinados indica um estágio fenomenológico comportamental revelador: a degeneração nuclear da vida moral e psicológica dos seus protagonistas e defensores. Ninguém galga o terrorismo assassino sem comer a bosta do demônio que pode ser encontrada somente no inferno ideológico mais corroído da terra.
Racionalidade alguma ou motivo algum podem entender e aceitar ousadias assassinas embebidas de terrorismo que tornam alguém capaz de degolar crianças indefesas ao mesmo tempo em que festeja o próprio crime.
Unicamente seres entorpecidos podem virar do avesso a própria alma e se vergar ao torpor da corrosão mais lancinante e inimaginável.
Immanuel Kant (1724 - 1804), o mais iluminista dos filósofos modernos, pretendeu defender a moral e, ao falar do suicídio, fez referência à vida humana incivilizada. "Fomos postos neste mundo\", escreveu Kant, "sob certas condições e para propósitos específicos. Mas o suicida se opõe ao propósito do Criador; e chega ao outro mundo como alguém que desertou do posto; ele deve ser desprezado como um rebelde contra Deus. Logo que nos lembramos da verdade de que a intenção divina é preservar a vida, somos obrigados a regular nossas atividades em conformidade com isso".
Ora, se, deveras, o suicida é um desertor, então o homicida é um impostor.
Os que se retiram do jardim são desertores, os que o esmagam são impostores. Ambos, porém, agem na contramão da vontade divina e fora do lugar criatural. Se no suicídio há desistência, no homicídio há demência. A escola assassina, revolucionária e terrorista ensinou, por sua vez, que um suicida pode ser também um homicida e um homicida, um suicida. Os que matam conscientes de que podem ser mortos, são terroristas suicidas porque matam para morrer e morrem para matar. Já não lhes importa a própria vida nem a de ninguém.
É por isso que os revolucionários matam na mesma proporção e na mesma ignominiosidade dos terroristas e os terroristas matam na mesma proporção e na mesma ignominiosidade dos revolucionários. Revolucionários assassinos e assassinos revolucionários rasgam a ordem da Criação e se põem num lugar transumano.
Faltam-nos estudos para compreender os abismos morais e mentais nos quais nos encontramos. Entorpecidos assassinos rondam os ambientes culturais e educacionais com ideologias e doutrinas que legitimam até o sacrifício de inocentes, a morte de indefesos, o desaparecimento de culturas, tradições e povos. Muitos terroristas, ao serem reconhecidos, suicidam-se, porque obedecem às ordens da entorpecência, incapazes de observar a loucura em que se meteram.
"Na doutrina marxista", continua Kolakowski, "domina o espírito revolucionário: a libertação ou é total e definitiva ou não existe; não existem vias intermediárias; mediante um multiplicar-se das reformas a revolução não pode nem ser substituída nem ser realizada 'em parte': a revolução não consiste na soma das reformas... Regressões culturais determinantes não são todavia impossíveis porque não existe nenhuma lei histórica que garanta à humanidade o progresso ininterrupto: a ideia que o mundo atual seja corrupto tão radicalmente a ponto de tornar impossível qualquer melhoramento e que justamente por este motivo o mundo que a isso sucederá deva trazer consigo a perfeição absoluta e a libertação definitiva, esta ideia é uma das mais monstruosas aberrações do espírito humano: a sã razão sugere ao invés: quanto mais o mundo atual é corrupto, tanto mais longo, difícil e incerto é o caminho que o separa do agoniado reino da perfeição".
Nas veias de qualquer terrorismo, religioso ou marxista, habita, portanto, um maniqueísmo de purificação, uma ansiedade de erradicação de toda dissidência e diversidade. Sua empreitada supõe a demolição de toda moralidade, o estrangulamento de toda ordem espiritual e axiológica. Os que matam inocentes sem pestanejar, sem remorso e sem culpa, assassinaram, antes, sua própria alma.
Urge, desejava G. Chesterton, retornar às fontes sagradas da nossa existência para redescobrir a verdade segundo a qual a justiça e a salvação plena deste mundo não serão alcançadas por meio de nossas soberbas mãos. Aquele que esquecer sua condição de criatura, terminará por resvalar na demência demoníaca na qual o destino é sem retorno e o retorno é sem destino.
* Em Santa Maria, 03/11/2023
** O autor é professor de Filosofia
Ladeira abaixo - 31/10/2023
Afonso Pires Faria
Como pode um povo inteiro ficar tão debilitado mental e cognitivamente?
Nos fins dos anos 40 o escritor George Orwell já alertava através de sua obra "1984", o que nos esperava. Claro que ninguém o levou a sério. Seria impossível alguém acreditar que no futuro, em vez de evoluirmos, regrediríamos a ponto de aceitar uma idiotice tão grande tal como se criar um "ministério da verdade". Ou que se admitiria, em vez de criarmos maior número de palavras para nos comunicarmos, aceitaríamos de forma velada, a supressão das que usamos.
O que falta para aceitarmos estas evidências? O tal ministério, ao qual se referia o autor, se não foi criado com o mesmo nome, teve a sua atuação turbinada e está aí para quem quiser ver. Tem muito mais poder pois não é um simples departamento e sim um dos três poderes da República.
Quanto à linguagem, é nítido o seu empobrecimento. Liguem o rádio em uma emissora qualquer e vejam a pobreza vocabular dos seus locutores. Os pronomes pessoais foram todos suprimidos e substituídos pela expressão "a gente". Utilização indevida de termos que nada dizem e somente tornam a comunicação truncada como "aí", "né", "hã", "tá" e muitas outras, que tornam a nossa comunicação um amontoado de palavras soltas, que pouco ou nada dizem de concreto.
Os erros de pronúncia como "a grama", "récorde" e expressões totalmente desconexas como "estádio completamente lotado", "eu acho que, com certeza" são usuais. Isto tudo dito por profissionais da comunicação. Eles foram treinados para fazer exatamente assim.
O pior ainda é que foi tudo planejado por aqueles que segundo autores renomados, perderam a guerra fria. Perderam nada. Mudaram a estratégia e estão cumprindo os seus propósitos com muita eficiência. Em breve estaremos todos enjaulados e grunhindo.
* O autor é titular do blog kacetadasdoafonso.blogspot.com
Ganância por arrecadação - 30/10/2023
Gilberto Simões Pires
TÍTULOS MUNDIAIS
Os governantes petistas, mais do que todos que comungam das demoníacas ideias socialistas/comunistas, além de ostentar os títulos de -MAIORES CORRUPTOS E INSUPERÁVEIS MENTIROSOS da história contemporânea, também nunca esconderam o quanto são providos de uma desproporcional GANÂNCIA ARRECADATÓRIA.
LULA JOGOU A TOALHA
Pois, o chefe do PT, na última 6ª feira, 27, em café da manhã com a imprensa, estufou o peito e AFIRMOU, ALTO E BOM SOM, sem surpreender, tudo aquilo que já venho AFIRMANDO através dos meus editoriais. Na real Lula -JOGOU A TOALHA- ao dizer que -DIFICILMENTE O BRASIL ATINGIRÁ O DÉFICIT ZERO NAS CONTAS PÚBLICAS EM 2024-, como foi PROMETIDO pelo seu desmoralizado MINISTRO-POSTE, Fernando Haddad. Disse mais: -QUE UM ROMBO DE 0,5% ou 0,25% NÃO É NADA!
MISSÃO IMPOSSÍVEL
Mais: como estava diante de uma plateia de jornalistas-petistas, usando da MENTIRA, jogou a culpa nos AGENTES DO MERCADO chamando-os de GANANCIOSOS. Pois, para que fique bem claro, Lula e seu partido são, desde sempre, GANANCIOSOS POR ARRECADAÇÃO. A propósito, a palavra -DIFICILMENTE- utilizada por Lula é mais uma MENTIRA, pois, a considerar o fantástico festival de IRRESPONSÁVEIS GASTOS PÚBLICOS, a tentativa da obtenção do PROMETIDO -DÉFICIT ZERO-, independente da GANÂNCIA ARRECADATÓRIA, virou MISSÃO IMPOSSÍVEL.
MAIOR DO QUE O PREVISTO
Pois, antes que algum leitor desavisado pense que estou de má vontade com o GASTADOR GOVERNO LULA, eis o que disse, também na última 6ª feira, 27, o Secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron (que integra a equipe do MINISTRO-POSTE): - O governo federal pode fechar 2023 com um DÉFICIT PRIMÁRIO PIOR DO QUE O PREVISTO.
Horizonte sombrio - 22/10/2023
Gilberto Simões Pires
SEMANA MELANCÓLICA
Esta semana, ainda que não tenha acontecido algo que possa ser classificado como -SURPREENDENTE- encerra de maneira -MELANCÓLICA- por conta de descabidas, porém sempre muito focadas, decisões que, sem trégua, vem sendo tomadas pela fantasiosa e irresponsável administração petista desde o início do ano.
SUBORNO TRANSACIONAL
Como são tantas as arbitrariedades, a escolha das mais impactantes se constitui em MISSÃO PRATICAMENTE IMPOSSÍVEL. Ainda assim é pra lá de importante levar em conta o que diz o relatório da OCDE -Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico-, REPROVANDO E CRITICANDO o lamentável papel do Brasil na COOPERAÇÃO INTERNACIONAL NO COMBATE À CORRUPÇÃO, especificamente em relação ao cumprimento da Convenção contra o SUBORNO TRANSACIONAL.
ANULAÇÃO DE PROCESSOS POR DIAS TOFFOLI
O relatório, divulgado ontem, 19, destaca um dos pontos que envolve a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, de anular processos resultantes de acordos de leniência da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. O grupo de trabalho da OCDE observa esse movimento com preocupação, argumentando que ele levanta questões relacionadas à segurança jurídica e à capacidade do Brasil de cooperar judicialmente em casos de suborno internacional.
PRECONCEITO POLÍTICO
Além disso, o relatório da OCDE critica juízes e promotores envolvidos na Lava Jato, apontando a falta de imparcialidade do Judiciário. O documento menciona “preconceito político” em casos envolvendo autoridades e destaca que “promotores federais e um juiz federal agiram com preconceito político em casos envolvendo diversas figuras políticas nacionais, concluindo que o juiz violou o seu dever de imparcialidade. Mais: A OCDE ressalta que a escolha do próximo procurador-geral da República, a ser determinada pelo presidente Lula, será um indicativo importante para a futura trajetória do Brasil no que diz respeito à cooperação internacional e ao combate à corrupção.
Ensaio sobre a cegueira ideológica - 16/10/2023
Alex Pipkin, PhD
Não há qualquer brecha de dúvida de que neste momento de retrocesso civilizacional o mundo não corre o menor risco de dar certo.
Fanatismos e paixões religiosas e ideológicas são capazes de imbecilizar e de demonizar, absolutamente, homens e mulheres.
Não consigo digerir que algum ser humano, dotado de pensamento crítico e lógico, possa se manter omisso aos atos de barbárie, de selvageria e de sadismo de terroristas assassinos do Hamas.
Como pode alguém não ser tocado pela degola de bebês, pelo estupro e assassinato de mulheres, e por centenas de mortes sangrentas de jovens que participavam de uma festa?
Não há nada que não possa ficar pior! Há gente - será que são humanos? - que apoia esses animais assassinos. A doença ideológica os faz encontrar justificativas para o injustificável, sob qualquer hipótese.
Psicopatas mentem ao afirmar que é um ato de auto-defesa contra a opressão de Israel que mantêm os palestinos de Gaza em uma prisão à céu aberto.
Se existe algum tipo de aprisionamento, esse se refere ao povo palestino de bem, preso ao fanatismo desse grupo de terroristas. Israel, genuinamente, se auto-defendeu dos ataques de milhares de mísseis contra o seu território, lançados por esses adoradores de uma ideologia cega e assassina.
Animais selvagens em corpo humano, terroristas do Hamas, são financiados pela escória teocrática iraniana, deformadora do islã. Apossados por sua doença ideológica, o Irã deseja estender sua influência sobre a região, e apagar do mapa o Estado de Israel e, ao cabo, fazer desaparecer do mundo todos os judeus.
É surreal. Até mesmo a juventude iraniana de bem, espalhada pelo mundo, lá é impraticável, percebe e se revolta contra o regime teocrático iraniano que trata mulheres como seres de quinta categoria, rejeita às liberdades e ama mais o ódio aos judeus do que ao seu próprio povo.
A mente ideológica doentia de terroristas palestinos do Hamas, suportados por psicopatas iranianos, usa de toda a propaganda possível, e repressão para inverter fatos, realizando lavagem cerebral em jovens a fim de efetivar sua “guerra santa” contra o povo judeu.
Tal propaganda, de um fanatismo ideológico patológico, tristemente, tem aderência em jovens, conceitualmente bem-educados, em todo mundo.
Estudantes de Harvard assinaram uma carta em apoio ao Hamas - isso mesmo! -, condenando os ataques de Israel a Gaza.
Por aqui, em Cuba do Sul, estudantes saem às ruas e organizam eventos em favor de terroristas do Hamas, que matam, cruelmente, crianças, jovens e mulheres.
Nelson Rodrigues tem razão: “A ideologia que “absolve e justifica os canalhas” - e psicopatas assassinos (grifo meu) - é apenas o ópio dos intelectuais”.
Eu tenho muita pena - embora sentimento inadequado - de nossa juventude, doutrinada por aspirantes a professor, que foram doutrinados por adoradores fanáticos de Marx e assemelhados.
Eles pensam que sabem de tudo, mas, seguramente, não entendem de quase nada. Leram quase nada, mas aprendem por osmose, desde cedo, sobre a ladainha retrograda e nefasta da “opressão e dos direitos humanos”. Tal juventude sonhadora enganada não consegue se libertar da prisão imaginada dentro de suas próprias cabeças, intensamente estimulada pela seita ideológica marxista.
É inacreditável que esses jovens apoiem assassinos de crianças e de mulheres, além de líderes autocráticos que controlam e encarceram à população iraniana. Claro, não há como ir de encontro aos irmãos de seita ideológica - da destruição.
Evidente, a patota “progressista” vermelha defende às minorias das mulheres e dos gays, por exemplo. Sim, eles sabem como tais grupos minoritários são tratados no Irã. Escárnio.
Pior. O grupo minoritário dos judeus, como inimigos, “fazemos de conta que não enxergamos”, afinal, “eles são brancos e fazem parte de uma elite mundial”… Fico estupefato; como podem judeus se posicionarem ao lado dessa seita vermelha racista?! Surreal.
Não imagino que seja possível erradicar esse papinho morfético da “opressão”. Há muitos vagabundos e interesseiros que o evangelizam. A juventude idealista e ansiosa por pertencimento é bombardeada cotidianamente pelo sedutor ilusionismo marxista e, em razão de circunstâncias e de conveniência, passa a acreditar no irrealizável.
O momento civilizacional é aquele dos “passos para trás”. Porém, tomara que os terríveis acontecimentos em Israel possam lançar luzes sobre a realidade objetiva.
A esperança não morre, portanto, é possível que os jovens, em especial, e as pessoas se permitam a compreender a tirania imposta pelo cruel fanatismo religioso e ideológico.
Felizmente, já constato que jovens - e velhos - judeus sonhadores, estão sacando a realidade… ufa.
É preciso. A cegueira ideológica emburrece, imbeciliza e mata!
Acobertando terroristas - 11/10/2023
Alex Pipkin, PhD
Nunca antes na história da civilização, o orwelliano duplipensamento foi tão presente e nefasto como agora.
É mesmo surreal, para dizer o mínimo, o que a grande pequena mídia tupiniquim está fazendo em relação ao ataque terrorista, inédito pelas proporções, realizado pelo Hamas a Israel.
Qualquer jornalista profissional, que tem a missão precípua de informar a verdade, sabe que o Hamas é uma organização terrorista, que objetiva, ao cabo, varrer o Estado de Israel do mapa.
Porém, o pseudojornalismo nacional, manipula a realidade, dizendo mentiras deliberadas, e o que é pior, acreditando que tais mentiras se constituem em verdades.
Não, não, essa guerra é muito séria, com desdobramentos terríveis e incertos para o mundo.
Penso que alguns desses militantes-jornalistas estejam encarando o conflito como sendo uma ficção cinematográfica. Neste tipo ficcional, alguns indivíduos gostam mais dos vilões - conhecidos - do que dos mocinhos.
Dos mocinhos, espera-se o trivial, ou seja, que eles façam a coisa certa. Já o “misterioso” dos vilões, desperta o imaginário e a curiosidade relativa à natureza humana, a dos sonhos e das possibilidades que podem ocorrer.
Mas a realidade objetiva é de uma facção terrorista cruel, que estupra, fere e mata seres humanos de carne e osso.
No sábado, quando liguei a televisão, ouvi que “Israel lança ataques aéreos na Faixa de Gaza, após combatentes armados palestinos do Hamas se infiltrarem em seu território”.
Há o exercício de uma deliberada orgia mental, a fim de bloquear que esses pseudojornalistas qualifiquem assassinos do Hamas como de fato esses são: terroristas sanguinários.
Inverteram-se os papéis: israelenses são os vilões, e os terroristas do Hamas, por sua vez, os mocinhos.
No engodo disfarçado de cobertura jornalística, Israel é quem se utiliza de um poder de fogo desproporcional para matar famílias de civis e pobres indefesos “combatentes do Hamas”.
Causou-me náuseas. Cheguei a ouvir um jornalista afirmar que os combatentes do Hamas estão “lutando por liberdade”. Que horror!
Liberdade, de fato, necessita o seu povo, aprisionado por terroristas, sectários religiosos, que não desejam um Estado Palestino e o desenvolvimento de uma população, mas sim o desaparecimento de Israel e dos judeus. São os terroristas do Hamas, os reais causadores dos sofrimento do povo palestino de bem.
Hoje conversei com um ex-aluno meu, palestino, que me disse sentir repulsa por esse mesmo Hamas, que a ex-mídia verde-amarela inventa desculpas e tenta proteger.
Era desnecessário essa guerra para eu afirmar que a grande pequena mídia brasileira, provoca-me nojo, além de muita vergonha.
Contudo, até mesmo numa guerra distante, os compromissos ideológicos com o atual (des)governo brasileiro, fazem com que esses militantes disfarçados de jornalistas mintam, invertam as posições, e coloquem, mais uma vez, a população contra o Estado de Israel.
Tenho genuíno asco pela forma com que a grande pequena mídia brasileira se comporta em relação a essa guerra e, em especial, ao Estado de Israel. Triste, mas com esses pseudojornalistas, a mentira sempre está um passo adiante da verdade.
Vergonha! Não existe uma mídia que informa os fatos, existe um partido político disfarçado de mídia. Ponto.
Pior do que está vai ficar, se esta nação mestiça se curvar - 11/10/2023
Ernesto Caruso
Ninguém precisa financiar a presença de quem reside na cidade x, y ou z. Basta combinar local, hora e cada um lá estará, com a sua camiseta verde-amarela, portando a sua Bandeira do Brasil e a sua faixa externando o seu pensamento em respeito à liberdade de expressão. Ao menos, com um apito... em passeata aos milhões em ação, pacificamente. Assim, tem sido.
Deu certo no “fora Dilma”, “fora Collor”;
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal, por seus integrantes, precisam sentir a presença da NAÇÃO MESTIÇA nas ruas e ouvir o seu clamor, em especial os seus presidentes que detêm a responsabilidade sobre os seus ombros, na condução dos destinos do país, no atual cenário de submissão ao Judiciário, deputado Arthur Lira e senador Rodrigo Pacheco.
O Brasil precisa gritar, agir, escrever, propagar, se reunir, caminhar, se manifestar pelas redes sociais, pelas avenidas e praças. Se cada um considerar que o outro vai e assim, “eu” não preciso ir, ninguém vai.
Por certo, há quem não possa comparecer por mil razões. No entanto, motivos não faltam para se afirmar que a vontade do povo deve prevalecer contra a perseguição e prisão do cidadão por ‘ações antidemocráticas’ imaginárias e livrando quem cometeu crime. Nomes não faltam para ilustrar o lado coagido da sociedade e o contemplado com as benesses da justiça com a balança mal regulada.
Como raiz, entender que essa Nação Mestiça deve nos unir em contraposição aos que tentam fracioná-la, enfraquecê-la, alimentando narrativas, como se coubesse ao cidadão renegar um dos componentes da sua ascendência, do indígena sulamericano, do branco europeu, do negro africano, a que se juntaram os sangues de orientais e do branco africano. A ideologia cega essa gente? Abomina o sangue da própria mãe, do próprio pai, do avô, da avó?
Das origens mais antigas, dificilmente, alguém deste torrão pode dizer sou 100% branco ou sou 100% negro, pouco importando essa característica na resultante do pilar étnico que se aglutina ao pilar linguístico e ao pilar territorial, a formar o Estado Brasileiro, de expressão mundial, em extensão, em população e riquezas naturais. Motivo para ser subvertido e ser mantido na condição de provedor de matérias primas e alimento às grandes potências.
De todas as cunhas para solapar esses pilares, a ameaça maior está na demarcação de terras indígenas, para fatiar o território e criar enclaves dotados de recursos minerais, administrados por gente inculta e pobre e a serem mantidas como reservas para exploração futura. No bojo mais um tempero na questão racial para dividir, manter atritos e alimentar a luta de classes.
A Nação verde-amarela está perplexa, não só diante dos questões econômicas, número de ministérios incompatível com os princípios básicos de administração (quase 40 do Ali Babá) a engordar o tamanho mastodôntico do Estado (p.ex., 82 assessores de senadores!!!), crescimento das contas públicas, aumento de impostos, como também no cerceamento das liberdades democráticas, prisões arbitrárias e em questões que caberiam ao Congresso Nacional, como criar e alterar as normas legais, assumidas pelo Supremo Tribunal Federal como anular o marco temporal constitucional e estabelecer um intervalo aberto à direita indefinidamente, para a criação de reservas indígenas.
Disciplinam outros temas sensíveis como aborto, imposto sindical, identidade de gênero, banheiros mistos, liberação das drogas, dos mais graves males para subverter a sociedade, o que fatalmente vai disseminar ‘cracolândias’, com famílias desestruturadas, meninos de rua, soldados do tráfico, em bola de neve a criar trapos humanos e sobrecarregar o sistema de saúde que não atende o cidadão como devia ser.
Na supremacia desse poder paralelo, saiu aquela do GDuro (...só para lembrar do GDias) com as suas palavras semitonadas, macias, incensando o ‘a.b.o.r.t.o’, o empoderamento da mulher sobre o ‘seu corpo’, entra outro coroado no absolutismo monárquico com sussurros mais aveludados e expressão congelada, a esfolar o que resta das tradições judaico-cristãs. A se admirar e dizer, “eu sou o sol a iluminar essa sociedade obscura, medieval”.
Assim, vale trazer a lume o passado das palavras registradas que o tempo, objetivos e interesses, sob a combinação entre o mimetismo e a metamorfose, não enrubescem a fria expressão facial dos seus autores. Mentalidade uniforme, monolítica, padronizada, do barrento pegajoso, escorregadio a tijolo formatado em diversas fornadas, como pedras da lei em difusão orquestrada.
Dentre outros votos, proferidos por seus pares: “Quem puder observar que os números da atuação da 13ª Vara federal de Curitiba são muito impressionantes, foram 179 ações penais com 553 denunciados, houve 174 condenações em primeira instância, confirmadas em segunda instância, celebraram-se 209 acordos de colaboração e 17 acordos de leniência, foram devolvidos aos cofres públicos 4,3 bilhões de reais que haviam sido desviados e os valores previstos para serem recuperado atinge 12,7 milhões de reais. Foi uma operação que revelou um quadro impressionante e assustador de corrupção de norte a sul e de leste a Oeste no Brasil. Um quadro de corrupção estrutural sistêmica e institucionalizada.
Compravam-se maiorias políticas com a corrupção; almejavam-se cargos públicos para desvio de dinheiro e financiava-se a política e o próprio bolso, com dinheiro público desviado. Além de estrutural era uma corrupção sistêmica e que uma engrenagem alimentava a outra.
Não foram falhas individuais ou pequenas fraquezas humanas. Eram esquemas profissionais de arrecadação e distribuição de dinheiro desviado. A obra superfaturada irrigava o pagamento do marqueteiro. A propina na obtenção do financiamento público irrigava o caixa 2 da campanha; tudo lavado em offshores, não declaradas em sucessivas camadas de empresas de fachada para disfarçar a corrupção.
Saque do estado brasileiro; em última análise saque do povo brasileiro. Criouse um mundo paralelo de esperteza e desonestidade que naturalizou as coisas erradas no país. Quem se dispuser a ler o livro da Malu Gaspar, ‘A organização’, verá a fotografia aterradora de um país que se perdeu na história. Está tudo lá, o PT e seus próceres, o PSDB e seus próceres, o PP e seus próceres, o PMDB e seus próceres, com os valores das propinas e, em muitos casos, com os nomes das contas não declaradas em paraísos fiscais.
E não se fale, presidente, em criminalização da política. Levar percentuais em contratos públicos; cobrar pedágio e empréstimos públicos e receber suborno pra dar isenção tributária a quem não merecia ser desonerado, ou cobrar propina para não convocar empresas ou indivíduos para comissões parlamentares de inquérito, não é política, é crime mesmo, presidente...”. (destaques pessoais em negrito)
A bifurcação está posta. À esquerda o cenário que demonstra às claras o caminho da submissão, o gado tangido pelo capataz, apartados os touros bravos, indomáveis, confinados, patriotas, “bolsonaristas”; à direita o muro de Berlin, inimaginável na Terra de Santa Cruz, a cada dia mais resistente, organizado, armado, à moda da Venezuela, amadurecido e protegido por cães de guarda.
O tiro de misericórdia/facada jurídica na direita, tem como alvo Jair Bolsonaro, pois foi o único a peitar com firmeza o sistema, que não admite liderança fora do padrão cartola/ PSDB ou macacão/PT. E o isentão vai continuar em busca do oásis da 3ª via. Até quando?
Pelas ‘beiradas’ do mingau (vale tudo para o G.1), foi descoberto um grupo para substituir os “black blocs”, os kids pretos, fritando militares da ativa, generais, menosprezando as Forças Armadas, desmilitarizando as forças policiais fardadas.
Pensar e pensar, fazer e fazer, na certeza de que refugiado não tem diploma, não recebe pensão, nem proventos.
Quem fica se acostuma à TARJETA DE RACIONAMIENTO BOLIVARIANA ou despertou antes de acontecer.
* Publicado originalmente no jornal Inconfidência Nº 324 de OUT/2023
** O autor é Coronel, Administrador e Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil
Supremo povo - 08/10/2023
Silvio Lopes
Nas nações avançadas e evoluídas do mundo, observa-se o que sentenciou o poeta e pensador inglês John Milton( século XVII) no consagrado livro " Paraíso Perdido", um clássico da literatura:
-"O povo não existe por causa do rei; mas o rei por causa do povo".
Essa percepção política e social do povo sobre o seu papel na caminhada de um país para se tornar em nação desenvolvida, próspera e justa, é sagrada e imprescindível. Sem ela e sua aplicação de fato, nada acontecerá de preponderante e definitivo para transformarmos nosso país. Apenas continuaremos a ser uma extensa e rica área geográfica habitada e nada mais, sem apresentar um vestígio sequer característico de uma nação livre e independente, de um povo efetivamente integrado no que se convencionou chamar... civilização.
Nós, os brasileiros, estamos hoje experimentando (quiçá, pela vez primeira na história de cinco séculos), esse que é o primeiro e mais importante passo para realizarmos o sonho acalentado por gerações e gerações de brasileiros patriotas, que amam o seu país e desejam o bem e a felicidade de seu povo.
Com propriedade e sabedoria, sentencia o hino riograndense: " ...povo que não tem virtudes, acaba por ser escravo". Reforcemos o amor ao nosso país, aos nossos irmãos e à nossa história. Como o apóstolo Paulo, combatamos o bom combate. Lutemos para desbancar a petulância e a desfaçatez dos falsos democratas (não passam de canalhas travestidos de libertários), que nos querem, isso sim, oprimir e calar.
Sejam juízes, sejam políticos, seja qual for a criatura que tente encarnar o papel de destruidora de nossos ideais e sonhos, todas - lembrem-se - devem submissão à vontade do seu povo. Independente de tudo isso, é necessário que sejam julgados e condenados ao cadafalso da história pela impatriótica e deplorável tentativa.
O povo é e sempre será o supremo da nação. O resto não passa de balcão de negócios onde o que menos importa é a integridade de caráter, a elevada honradez e o respeito à vontade de uma nação. Tudo a ver com o Brasil atual.
* O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista e palestrante.
O tétrico show das falácias e da irracionalidade - 04/10/2023
Alex Pipkin, PhD
Escassez foi, e ainda é, a condição primária dos seres humanos. Evidente que os recursos que estão presentemente disponíveis são insuficientes para o atendimento de todas as necessidades materiais e para os ilimitados desejos do bicho-homem.
Neste sentido, a tão propalada igualdade é uma quimera. Qualquer reflexão factualmente racional demonstra que os seres humanos são distintos entre si, possuindo características distintivas, e habilidades e competências diferentes.
Ainda que se possa impô-la por lei, a desigualdade sempre existiu e, pragmaticamente, continuará se apresentando.
A sedutora profecia irrealizável da igualdade, pilar central das narrativas falaciosas de coletivistas, anda mais forte do que nunca. Similarmente, na atual sociedade do espetáculo e da pós-verdade, os sinalizadores de virtude gritam pelos quatro cantos, digitam e se digladiam ativamente nas redes sociais pela tão desejada “justiça social”.
Não há como discordar que desigualdades perduram. contudo, objetivamente, nenhum governo é capaz de viabilizar o sonho da igualdade, visto que esse não tem condições de controlar todas as variáveis e as circunstâncias de milhares de indivíduos com necessidades, desejos e planos de vida distintos. A tentativa - fracassada - nesse intento, compulsoriamente, ceifa as liberdades individuais das pessoas de qualquer espaço social. A igualdade de resultados é um alvo inalcançável.
Por isso, nosso mundo real alimenta, cada vez mais, a psicose social e o aprofundamento da divisão social, da mentira, da “antimoral”, da escassez de liberdades e, por consequência, do agravamento das tão faladas desigualdades.
Parece-me que nunca houve tanto estímulo e incentivos das instituições ao emburrecimento e a irracionalidade individual e coletiva. Especialmente os mais jovens, idealistas por natureza, mas claramente de mãos dadas com os de mais idade, são impulsionados a viverem enclausurados em suas cabeças, sob os fantasmas da opressão, das impossibilidades e das desigualdades. Isso os conduz ao destruidor vitimismo e aos pensamentos instintivos e tribais, demasiadamente embasados em emoções e em sentimentalismos.
Triste. A vida por natureza é dura. A dessa gente mais infeliz ainda. Dia a dia, todos nós somos bombardeados por estímulos, em especial os midiáticos, que acionam gatilhos mentais nefastos, dificultando o processo do pensar reflexivo por parte dos indivíduos, aquele com base nos fatos, dados e evidências. Tal situação restringe o pensamento crítico em nível individual, obstando que as pessoas tenham, ao menos, uma chance de escapar da prisão mental da opressão, do pensamento mágico e da escassez de racionalidade.
A turma que dorme e acorda do “travesseiro opressor”, sofre de delírios de perseguição. Esses foram treinados por marxistas inspiradores que planejaram o paraíso terreno, completamente utópico e inviável de acontecer na realidade objetiva.
Esses partem de premissas equivocadas, de sonhos e de desejos impraticáveis, e são dotados de mentes absolutamente repletas de muitos instintos, mas de muito pouca e genuína lógica.
Infelizmente, alguns até possuem lapsos de racionalidade e de realidade, porém, rapidamente são arrefecidos pela necessidade de pertencimento e pelo comportamento “me too” partilhado em suas respectivas tribos. A “grande mídia” é exímia em os empurrar de volta para a caverna da opressão e da irracionalidade.
Hoje aparenta inexistirem conhecimentos, fatos e evidências que os demovam de suas fantasias e de risíveis mentiras. Sistematicamente, eles retroalimentam um ciclo vicioso de invenção de histórias e de falácias, a fim de justificar a psicose da criação de mais fantasias e de falsos argumentos para jogarem a culpa de seus fracassos sobre os ombros de outros.
Esses que sofrem de mania de perseguição nunca se sentem na condição de serem responsáveis por seus atos, realizações e condições.
Incontestavelmente, sempre, os causadores de todos os seus males, e da sociedade, são os outros, em especial, os malvados capitalistas, “comedores de adultos”.
Segundo os residentes da caverna da opressão, a única verdade verdadeira, é a ilógica da total dominação, da marginalização e de suas próprias “fake news”, criadas e compartilhadas com suor e ódio nas redes sociais.
O futuro, sendo realista, parece-me sombrio. As razões são singelas. Os essenciais incentivos institucionais se encontram de cabeça para baixo, e os interesses mercantilistas e escusos da grande pequena mídia abundam.
Claro, os “poderosos” verbalizam a música que esses desejam ouvir, porém, agem totalmente em desacordo com aquilo que alegam defender.
A hipocrisia dos engenheiros sociais, que efetivamente desprezam as pessoas comuns, tem batido verdadeiros recordes.
As redes sociais deram voz alta para os “cheios de amor” no coração, para o incremento do racha social e da falta de coesão e, em especial, para o ápice da irracionalidade, mesmo diante dos mais objetivos fatos e dados.
Não imagino que se tenha uma saída de curto e/ou médio prazo desta UTI psiquiátrica. Caminho pavimentado para a continuidade do processo de emburrecimento e da evasão da lógica.
Bom senso, diálogo franco e aberto, suportado por argumentos válidos, realidade objetiva e a verdade da vida como ela é, escafederam-se. Transparente.
A “verdade das massas” - tribais - reina livre, leve e solta. O coletivo enganado, agrupado por sentimentalismos grosseiros, travestidos de verdade, substituiu o pensamento crítico individual, reflexivo e, portanto, lógico.
Atualmente é artigo de luxo enxergar e/ou ouvir indivíduos autônomos empregando, verdadeiramente, cognição racional e vontade própria.
O tétrico show da irracionalidade, da mentira e das falácias, das “fake news” e da desagregação social não tem data para findar.
Penso que muitos adoentados até desejariam o seu final, porém, a turba de mentirosos contumazes logo dá um jeitinho de os fazerem retornar para o reino das fantasias e da irracionalidade individual e coletiva.
É o que se tem neste momento. Triste.
O mundo insuportável de quem precisa de uma causa - 27/09/2023
Bernardo Guimarães Ribeiro
Enquanto esperava os meninos na escola, ouvi no rádio uma música que me chamou a atenção, tanto pela linda voz, como pela melodia. Como gosto muito de Soul, acionei um app que tenho no celular de pesquisa musical e vi que se tratava de um dueto, sendo uma das cantoras a revelação Agnes Nunes. Rapidamente, então, fui ver de quem se tratava, qual minha surpresa em ler que a jovem cantora se declarava representante dos nordestinos e dos negros (https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/04/29/mulher-negra-e-nordestina-agnes-nunes-a-nova-xodo-da-musica-brasileira.htm). A outra cantora do dueto era nada menos que Ivete Sangalo, hoje uma notória militante do movimento LGBT (https://vejasp.abril.com.br/coluna/pop/ivete-sangalo-se-posiciona-sobre-criminalizacao-da-homofobia-e-divide-fas/), mas que não foi poupada pelos próprios fãs ao abster-se de posicionamento nas eleições presidenciais de 2018 (https://veja.abril.com.br/cultura/ivete-sangalo-fala-sobre-politica-e-famosos-e-um-direito-nao-um-dever/).
A recente morte de Marília Mendonça chocou o Brasil pela prematuridade e por ter ela deixado um filho pequeno, mas grande parte das informações noticiadas à época do acidente foram direcionadas para a explicação da sua importância para o empoderamento feminino e até contra a gordofobia!!! Não sei se de forma deliberada ou não, mas referida cantora foi identificada como representante feminista e de pessoas gordas. Como ela acabou encampando o ativismo, foi criticada ao perder peso (https://claudia.abril.com.br/famosos/marilia-mendonca-perda-peso-criticada/) e quase cancelada ao não se posicionar publicamente contra um participante do “erudito” BBB (https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2021/04/marilia-mendonca-apos-hate-na-web-por-bbb21-fazia-tempo-que-nao-chorava-tanto.html).
Num recente Miss Universo – o último que vi – as manifestações das modelos trilhavam sempre a lógica politicamente correta e o engajamento em alguma causa. A relevância atribuída à militância era nítida, tudo em detrimento do verdadeiro motivo do concurso, qual seja a beleza da mulher. Havia modelos feministas, ambientalistas, LGBTistas, antirracistas e tudo mais que pudesse gerar exibicionismo moral. Nada contra a que mulheres exibam todo o seu cardápio de militância política, mas talvez fosse mais razoável criar um Miss Politicamente Correta!
O saldo final desse caldeirão de excrescências é que a celebridade pós-moderna tanto capitaliza sobre as agendas de minorias, angariando novos admiradores, como delas também se torna refém. Ou seja, o exibicionismo moral agrega, mas cobra seu preço – o ídolo passa a ser pautado pelos seguidores, isto é, teleguiado por alguma minoria que representa. Assim, o artista não é mais um farol para a sociedade; ele é um mero vagão, cuja locomotiva implacável é guiada por seu público ativista. Um exemplo claro disso ocorre com a atriz Marina Ruy Barbosa, sempre obrigada a se explicar perante os fãs que a guiam como um timoneiro à embarcação. Mencionada atriz foi criticada por uma ONG ao aparecer numa fotografia com um cachorro da raça Beagle, o que fora enquadrado como uma espécie de racismo animal (???), tendo que se justificar pela falha (https://www.purepeople.com.br/noticia/marina-ruy-barbosa-posa-com-cachorro-de-raca-e-responde-critica-mais-amor_a155085/1) e, mais recentemente, precisou se explicar por ter feito uma festa de aniversário durante a pandemia (https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/07/4936029-marina-ruy-barbosa-sobre-festa-de-aniversario-eu-nao-sou-perfeita.html).
Em paralelo a isso, com o incremento das redes sociais, temos um novo fenômeno ao qual denomino de carteirada por prestígio. Celebridades – e subcelebridades com elevada autoestima – são instadas a manifestar-se sobre qualquer discussão do momento, mesmo que não tenham o menor conhecimento do objeto. O palpiteiro vê-se obrigado a opinar nos mais variados assuntos do momento, de atracamento de navio a acasalamento de muriçocas. Logicamente, o posicionamento segue sempre a manada, visando a fornecer àquela posição um ar de credibilidade com o repaginado “sabe com quem está falando?”. Recentemente, o deputado Alessandro Molón participou de uma live (https://www.youtube.com/watch?v=JCeDLBOFXH8) com a funkeira e especialista em todas especialidades, Anitta, que, dentre as inúmeras pérolas, disse estar surpresa por existir no Brasil “mais cabeça de gado que cabeça de pessoa”. A ideia subjacente de quem explora o prestígio alheio é a de que pessoas ignorantes pensem: “olha, você viu o que a Anitta disse sobre o peido das vacas ser muito poluente”? Anitta declarou recentemente que daria um tempo nos comentários políticos; nós agradecemos!
Como não há nada tão ruim que não possa piorar, os palpiteiros profissionais encontraram uma fórmula pra lá de criativa de constranger outras celebridades a opinarem no sentido do que desejam. Através do chamado desafio, um provoca o outro na intenção de engrossar o coro em direção a alguma opinião. O constrangimento é inexorável, pois eventual silêncio é sempre interpretado como a assunção de uma opinião contrária à finalidade da provocação, o que não pega tão bem para a opinião pública. Esse fenômeno sucedeu com a própria Ivete Sangalo e também com Cláudia Leitte, quando desafiadas por – de novo ela – Anitta (https://www.hypeness.com.br/2018/09/anitta-adere-ao-movimento-elenao-e-desafia-ivete-sangalo-e-clauda-leitte/).
A consequência da adoção obrigatória de uma causa como bengala moral é o paradoxo da desumanização a pretexto da exibição de virtudes humanitárias. Uma pessoa é sempre um ser humano único, com suas qualidades, mas também com inúmeras imperfeições. A obrigatoriedade de ter uma causa a tiracolo para chamar de sua desloca os holofotes do objeto para o sujeito. À condição de indivíduo foram adicionados anexos sem os quais ele não é mais nada. É sobretudo por isso que o status pessoal passou a ser condicionado à agenda dos fãs censores. O cantor não é mais reconhecido pela sua música ou letra, mas pelo trabalho social ou ativismo ideológico que porventura desenvolva. Ao atleta não basta ser bom no esporte; ele tem que ser engagé. O ator não presta se não for aquele enfronhado na militância de algum partido que se oponha ao mal, mesmo que sequer se saiba o que é isso. Até o programa televisivo mais culturalmente underground, como o BBB, hoje tem seus participantes como diletos representantes de algum grupo!
Na pós-modernidade, nem mesmo cidadãos comuns e anônimos escapam à força gravitacional da afetação de virtudes. Todos querem representar algo ou alguém e ninguém quer ser o patinho feio sem causa. Se você não tem algo genuíno que se identifique, não tem problema, pois há todo um mercado emergente de temas, principalmente de hiperestimulação de ressentimentos e de gênese de novas minorias “oprimidas”. Encerro, pois, parafraseando o comercial oitentista do Neston: “existem mil maneiras de ter uma causa, invente uma”.
* Publicado originalmente por Burke - Instituto Conservador, em 28 de março de 2022
Nem convertido, nem convencido - 18/09/2023
Gilberto Simões Pires
CONSÓRCIO
É sempre importante lembrar que em junho de 2020, usando como pretexto -ridículo- a divulgação -EM CONJUNTO- do número de mortes e contaminados pela Covid-19, jornalistas da GLOBO, EXTRA, ESTADÃO, FOLHA E UOL trataram de formar um CONSÓRCIO com o nítido e cruel propósito DETONAR, -através de NARRATIVAS MENTIROSAS-, tudo que estava sendo feito -e muito bem feito- pelo governo Bolsonaro.
ORDEM
Surfando na mesma onda do PÉSSIMO JORNALISMO, os participantes do combinado CONSÓRCIO em momento algum esconderam que estavam FECHADOS com LULA e como tal estavam dispostos a fazer de tudo e mais um tanto para eleger o seu fiel e declaradamente preferido candidato. Isto passou a ser a grande ORDEM que deveria ser cumprida -à risca- em todas as redações das empresas CONSORCIADAS.
É PRECISO REAGIR...
Pois o mesmo e ridículo ESTADÃO, jornaleco que fez questão de participar -ATIVAMENTE- do CONSÓRCIO DA MÍDIA ABUTRE, no ESPAÇO -OPINIÃO-, publicou ontem, 17, o curioso texto -BÚSSOLA INSTITUCIONAL AVARIADA-, dizendo que -HÁ UM CLIMA DE PERMISSIVIDADE INSTITUCIONAL - no país, no qual Executivo federal e setores do Judiciário sentem-se autorizados a atuar como bem entenderem, indiferentes à Constituição. Mais: completa a frase dizendo que -É PRECISO REAGIR!-
ISOLADAMENTE
Ora, desde a primeira frase colocada no texto chama muito a atenção o fato de que este importante tema esteja sendo tratado, ISOLADAMAENTE, pelo ESTADÃO, e não pelo CONSÓRCIO DA MÍDIA ABUTRE, que de forma organizada e comprometida APOIOU, sem fazer uma crítica sequer, a postura nojenta do STF a partir do grave momento em que resolveu assumir, de FORMA -TIRÂNICA-, os TRÊS PODERES DA REPÚBLICA.
CONVENCIDO
No seu -ALERTA-(???) o Estadão não perdeu a ocasião de demonstrar o nojo que nutre pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, a ponto de dizer, mais uma vez, que o seu governo era pautado como CONTRA A DEMOCRACIA. Pode? Este sentimento -cego- e equivocado, certamente deve ter colaborado para que o Estadão não se desse conta que a DEMOCRACIA foi pro brejo a partir do momento que o CONSÓRCIO apoiou A TIRANIA. Tanto é uma verdade que mesmo diante da TIRANIA EXPLÍCITA, o Estadão segue convencido de que o STF foi VALENTE NA DEFESA DA CONSTITUIÇÃO. De novo: isso está lá no texto do jornal, e não na minha interpretação. Que tal?
Justiça? Direito? Cadê vocês? - 11/09/2023
Sílvio Lopes
"Neste mundo eu também reparei o seguinte: no lugar onde deviam estar a justiça e o direito, o que a gente encontra é a maldade". A constatação está inserida no livro de Eclesiastes, ou "o sábio". Como se vê, justiça e direito sempre estiveram presentes (ou ausentes) no cotidiano dos povos, seja na vida nos antigos povos nômades (os sumérios, entre eles), seja nas mais complexas civilizações que os sucederam pelo tempo. Sem o mínimo de justiça e direito, o que temos é exemplo típico das mais desaforadas e cruéis tiranias. Onde se fizeram implantadas e respeitadas, foram erigidas civilizações exemplares e evoluídas, em democracia e nas liberdades individuais (a partir da Grécia antiga).
Estes povos, no fim das contas, nos transmitiram a verdadeira forma de convivência do Estado com o indivíduo. Neles, ao Estado coube o estrito papel de lhes garantir unicamente o direito à vida e às liberdades. A busca da felicidade, a maneira de conduzir a vida é de estrita alçada de cada um de nós. Até neste item está implícito o chamado livre arbítrio bíblico, que nos faz criaturas únicas diante de nossos parceiros, os animais.
Tudo na vida tem o seu tempo. De amar e de odiar; de calar ou falar. Também há o tempo de paz e o tempo de guerra. Os exemplos históricos aí estão, claros, evidentes, cristalinos. Nossa paz nos foi tirada, nossos sonhos catapultados e lançados no rol das impossibilidades e nossos valores, vilipendiados e desonrados.
Haveria outros mais motivos para apontar que é chegado o tempo de guerra? Que sonhamos viver na paz, essa é a verdade, mas que isso jamais fez parte dos planos de nossos líderes que nos querem escravizar e tornar criaturas indignas do próprio e intransferível bem viver? Que para eles sequer a paz e, muito menos, as liberdades as merecemos verdadeiramente? Vamos continuar dando chances para os inimigos nos condenarem a uma vida de medo, total submissão e desonra?
No mesmo livro acima referido há um versículo que bem se adapta aos Brasil de hoje. Ei-lo: "Tenho visto escravos andando à cavalo e príncipes andando a pé como se escravos fossem". Até quando vamos nos conformar em ser príncipes e escravos ao mesmo tempo? E permitir, sem esboçar reação digna de gente sábia e livre, que tolos continuem a comandar os destinos de nossas vidas e de uma nação inteira?
* O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista, professor e palestrante.
Corrupção: a mesma coisa em 2009 e em 2023 - 10/09/2023
Ricardo Velez
?Estava fazendo uma faxina digital nos meus arquivos e terminei me deparando com um deles, escrito em 2009, que me pareceu tremendamente atual. Parece como se o estivesse escrevendo agora, em pleno terceiro mandato do Presidente Lula. Título do artigo que ia para o lixo: MIRABEAU E O SENADOR (Blog “Rocinante”, 25-02-2009). Fiquei realmente perturbado com a atualidade desse texto de há 14 anos. Como a matéria de que trata sobreviveu ao tempo, apliquei-lhe a antiga lei da pena de morte na cadeira elétrica: o condenado sobreviveu a três descargas, então fica vivo mesmo! Cumprindo com a praxe dessa narrativa, reproduzo, então, o velho artigo aqui:
Há pessoas que intuem a natureza das coisas, como o astuto parlamentar francês Mirabeau (1749-1791), que dirigiu a Luís XVI (1754-1793) as seguintes palavras, no início da Revolução Francesa: “Comparemos o novo estado de coisas com o Antigo Regime; aí encontrareis motivo para consolos e esperanças. Uma parte dos atos da Assembléia Nacional, a mais considerável, é evidentemente favorável ao governo monárquico. Não significará nada, por acaso, ter um país sem parlamento, sem governo de Estado, sem corporação de clérigos, de privilegiados, de nobreza? A idéia de constituir uma única classe de cidadãos teria agradado a Richelieu (1585-1642), pois esta superfície igual facilita o exercício do poder. Alguns reinos de governo absoluto não teriam feito tanto em prol da autoridade real, quanto este único ano de Revolução”.
A entrevista concedida pelo Senador Jarbas Vasconcelos (1942-) à revista Veja (18/02/2009), é um fato revelador da natureza da política brasileira. Nada do que o parlamentar falou era desconhecido do grande público. Que Sarney é uma raposa que manterá as coisas como estão no Senado, atendendo aos seus compromissos clientelísticos, todo mundo sabe disso; que o PMDB é uma agremiação fisiológica, não há como negá-lo; que a corrupção não foi inventada pelo atual governo, mas que é prática consolidada na vida pública do nosso país, é lição que até as criancinhas sabem; que o PT rasgou a túnica da virgindade política, logo após o início do primeiro mandato lulista, com o festival de falcatruas que deu ensejo ao mensalão, é meridiano como a luz do meio-dia; que o Brasil perdeu a oportunidade de, tendo um governo com amplo apoio popular, efetivar as reformas necessárias, não há como negá-lo; que o legislativo foi emasculado por um executivo hipertrofiado e dono da bola da iniciativa legiferante, isso já todos sabíamos; que a política brasileira tornou-se um festival de safadezas, em que os seus protagonistas cuidam, em geral, unicamente do seu, sem olhar para o bem do país, era coisa conhecida. Então, por que tanta celeuma em face da entrevista do Senador?
Por dois motivos, a meu entender. Primeiro: se Lula não inventou a corrupção, à luz da entrevista de Jarbas Vasconcelos fica claro que a democratizou. O presidente, no sentir do Senador, com a sua retórica de banalização desse mal, decretou um “liberou geral” para a leviandade política. A instituição da presidência tem, na história da República brasileira, um peso enorme, herdado da desastrosa progênie do castilhismo-getulismo. Lula não inventou a hipertrofia do executivo na vida da nação. Mas colocou toda essa influência a serviço da banalização dos deslizes na gestão da coisa pública. Ser corrupto virou coisa normal, se colocarmos a infinita compreensão do presidente para com os seus subordinados, em face dos inúmeros episódios de corrupção da vida pública patrocinados por eles (as escabrosas histórias do mensalão, dos sanguessugas, dos cartões corporativos, dos grampos das agências oficiais, da intimidação da imprensa, dos inquéritos e CPIs abafados pela base aliada, do terrorista anistiado pelo ministro da Justiça, dos esportistas cubanos que pediam asilo, entregues ao ditador do Caribe pelo mesmo ministro, etc.). Valha aqui repetir as palavras do Senador: “A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização. Ele só afasta as pessoas depois de condenadas, todo mundo é inocente até prova em contrário. Está aí o Obama dando o exemplo do que deve ser feito. Aqui, esperava-se que um operário ajudasse a mudar a política, com seu partido que era o guardião da ética. O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?”
Segundo motivo da celeuma causada pela entrevista: Lula, para manter o alto grau de popularidade, terminou corrompendo os eleitores de baixa renda, mediante uma política assistencialista escancarada, corporificada nos programas da Bolsa Família. “O marketing e o assistencialismo de Lula – frisa Jarbas Vasconcelos – conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre. O Bolsa Família é o maior programa oficial de compra de votos do mundo (...) Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho”. E para ilustrar esse caráter nefasto do mencionado programa, o Senador conta uma história que se passou na terra dele, Pernambuco: “Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada, cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa, para ele e outra para o filho, e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família. A situação imediata do nordestino melhorou, mas a miséria social permanece”.
Lula conseguiu a façanha de unificar o país numa única classe, a dos dependentes do favor oficial.
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Tudo estará perdido? Acho que não. No fundo dos nossos corações ainda lateja a esperança. A presença de Cristo no interior da nossa alma, pode ainda renová-lo tudo. Concluo citando as palavras de esperança do blogueiro Antônio Fernando Pinheiro Pedro na sua postagem de 9 de abril passado intitulada: A ressurreição de Cristo também apresenta a renovação da cidadania:
"ELE, está em cada um de nós! Não se enganem. Há muito o desespero bateu nas hostes da mesmice, surgindo a pregação do ódio pessoal, a demonização da pessoa, a perseguição dos meios. Segue-se a campanha sórdida da desconstrução da realidade, a fabricação de factoides destrutivos e a manipulação de números. Jornalistas amestrados enterram a moribunda imprensa nacional junto com suas próprias biografias. Instituições em pânico articulam para que tudo fique exatamente como está... até no terreno dos algoritmos. Chegou, portanto, o momento do cidadão. A Páscoa revela a renovação da fé na figura do cidadão ungido desde a concepção - destinado a viver entre os comuns para demonstrar que a eles, não aos poderosos, cumpre transformar o mundo. A coalização desprezível de celerados parasitas, será inexoravelmente derrubada pelo povo, razão de ser do sistema democrático. O Brasil retornará para o cidadão de bem e seus filhos, nesta e nas próximas gerações".
* Publicado originalmente no blog do autor em https://www.ricardovelez.com.br/blog/corrupcao-a-mesma-coisa-em-2009-e-em-2023
Os frutos da terra - 03/09/2023
Sílvio Lopes
Tudo, absolutamente tudo o que vem de Deus, a esquerda demoniza. E o que é do capeta, por outro lado, endeuza e idolatra em prosa e verso.
O agronegócio brasileiro, hoje, é dos mais modernos e eficientes do planeta. Alimenta boa parte da população mundial. Pau nele. Até fascista é chamado... Afinal, é das coisas que deram certo e para a esquerdopatia isso é crime inadmissível.Tem que ser combatido.
Lá atrás, na eleição de Collor, o agro mostrou, afinal, a sua cara. Forjou o embrião de um movimento estrutural e político via UDR( União Democrática Ruralista), para defender nossos produtores e o seu negócio do preconceito e da perseguição esquerdopata. Figuras como Ronaldo Caiado ( hoje governador de Goiás), à época candidato presidencial, mostraram a força do campo e sua importância estratégica na geopolítica mundial. Aqui, no RGS, figuras como Gilberto Scopel de Moraes, Carlos Eduardo Borba Nunes, Ana Maria Sartori e tantos outros, tornaram-se ícones da representatividade rural gaúcha.
O campo, até então avesso à arena política percebeu a necessidade - e aproveitou a oportunidade- para fazer valer seu papel primordial na construção de uma nação pujante e autosuficiente na produção primária. Os frutos, hoje colhemos. Somos respeitados no mundo todo e graças a essa gente e sua determinação e amor ao trabalho e ao País, temos muito a comemorar.
Se a política mesquinha e destruidora de nossos valores e das nossas riquezas for neutralizada, logo o Brasil poderá alçar ao panteão das grandes nações do planeta terra. O agronegócio merece nosso total apoio e aplauso.
* O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista, professor e palestrante.
Ideologia, sim! - 28/08/2023
Sílvio Lopes
Verificamos hoje que nós, que defendemos valores da cristandade afinados com o espírito que nos anima enquanto criaturas de Deus, relaxamos ao ignorar, sobre nosso pensar e agir, o peso, a influência e a sedução das ideologias marxistas de combate e destruição dos seres humanos, ameaça e propósito do mal desde o começo do mundo.
O " matar, roubar e destruir" constitui, sim, e antes de tudo, poderoso arsenal de armas diabólicas lançadas contra a criação divina, exatamente nós, eu, você. Desde a Revolução Francesa, por Antoine de Tracy, filósofo à época, o termo ideologia passou a cunhar a chamada teoria liberal ampla do indivíduo, da sociedade e da política. No seu livro "Fundamentos da Ideologia", foram praticamente lançadas as bases da libertação dos homens do ferrolho da escravidão física e intelectual.
O marxismo, de sua parte, defendeu a submissão deste, lançando-o no cadafalso da escravidão e absorção intelectual de um Estado opressor e inclemente, sob a promessa (cínica e hipócrita) de libertá-lo das correntes do capitalismo "desumano e cruel".
Ideologia importa, sim, discutir e, se necessário - como hoje se percebe, clara e objetivamente - combater com firmeza e destemor. Por longo tempo evitamos sequer nos referir ao termo, como se isso o condenasse ao ostracismo e desinteresse. A ideologia move o mundo e pavimenta a estrada por onde milhões passaram ou estão prestes a caminhar, conscientes ou não do que irão encontrar na estação de chegada. Os exemplos aí estão, muitos deles próximos, outros distantes de nós. Todos, contudo, apontam e sintetizam para uma realidade de extrema miséria humana em todos os sentidos e dimensões de nossas vidas a que nos conduz a ideologia de esquerda.
Queremos isso prá nós? Se nada fizermos, se continuarmos a desprezar o poder do mal sobre nossas vidas, nosso futuro, logo deixaremos de partilhar a sala de espera para mergulhar, inapelavelmente, nas profundezas do inferno. E aí nada mais irá importar senão o choro e o ranger de dentes. Com tristeza, constato que já vivemos, sim, esse transcendental momento em nossas vidas. Muitos ignoram, outros desacreditam e até há os que contestam. Seja qual for sua posição, todos nós seremos atingidos pelas consequências de nossa ação. Ou omissão. Pense nisso!
* O autor, Sílvio Lopes, é jornalista, economista, professor e palestrante.
Iniciativa e Acabativa - 20/08/2023
Stephen Kanitz
“Acabativa é a capacidade de terminar aquilo que você ou outros começaram.”
Isto é um teste de personalidade que poderá alterar a sua vida.
Portanto, preste muita atenção.
Iniciativa é a capacidade que todos nós temos de criar, iniciar projetos e conceber novas ideias.
Algumas pessoas têm muita iniciativa e outras têm pouca.
Acabativa é um neologismo que significa a capacidade que algumas pessoas possuem de terminar aquilo que iniciaram ou concluir o que outros começaram.
É a capacidade de colocar em prática uma ideia e levá-la até o fim.
Os seres humanos podem ser divididos em três grupos, dependendo do grau de iniciativa e acabativa de cada um: os empreendedores, os iniciativos e os acabativos – sem contar os burocratas.
* Empreendedores são aqueles que têm iniciativa e acabativa.
Um seleto grupo que não se contenta em ficar na ideia e vai a campo implantá-la.
* Iniciativos são criativos, têm mil ideias, mas abominam a rotina necessária para colocá-las em prática.
São filósofos, cientistas, professores, intelectuais e a maioria dos economistas. São famosas as histórias de economistas que nunca assinaram uma promissória. Acabativa é o ponto fraco desse grupo.
* Acabativos são aqueles que gostam de implantar projetos. Sua atenção vai mais para o detalhe do que para a teoria.
Não se preocupam com o imenso tédio da repetição do dia-a-dia e não desanimam com as inúmeras frustrações da implantação.
Nesse grupo está a maioria dos executivos, empresários, administradores e engenheiros.
Essa singela classificação explica muitas das contradições do mundo moderno.
Empresários descobrem rapidamente que ficar implantando suas próprias ideias é coisa de empreendedor egoísta.
Limita o crescimento.
Existem mais pessoas com excelentes ideias do que pessoas capazes de implantá-las.
É por isso que empresários ficam ricos e intelectuais, professores – entre os quais me incluo – morrem pobres.
Se Bill Gates tivesse se restringido a implantar suas próprias ideias teria parado no Basic.
Ele fez fortuna porque foi hábil em implantar as ideias dos outros – dizem as más línguas que até copiou algumas.
Essa classificação explica porque intelectual normalmente odeia empresário, e vice-versa.
Há uma enorme injustiça na medida em que os lucros fluem para quem implantou uma ideia, e não para quem a teve.
Uma ideia somente no papel é letra morta, inútil para a sociedade como um todo.
Um dos problemas do Brasil é justamente a eterna predominância, em cargos de ministérios, de professores brilhantes e com iniciativa, mas com pouca ou nenhuma acabativa.
Para o Brasil começar a dar certo, precisamos procurar valorizar mais os brasileiros com a capacidade de implantar nossas ideias.
Tendemos a encarar o acabativo, o administrador, o executivo, o empresário como sendo parte do problema, quando na realidade eles são parte da solução.
Iniciativo almeja ser famoso, acabativo quer ser útil.
Mas a verdade é que a maioria dos intelectuais e iniciativos não tem o estômago para devotar uma vida inteira para fazer dia após dia, digamos bicicletas.
O iniciativo vive mudando, testando, procurando coisas novas, e acaba tendo uma vida muito mais rica, mesmo que seja menos rentável.
Por isso, a esquerda intelectual e a direita neoliberal conviverão às turras, quando deveriam unir-se.
Se você tem iniciativa mas não tem acabativa, faça correndo um curso de administração ou tenha como sócio um acabativo.
Há um ditado chinês, “Quem sabe e não faz, no fundo, não sabe” – muito apropriado para os dias de hoje.
Se você tem acabativa mas não tem iniciativa, faça um curso de criatividade, estude um pouco de teoria.
Empresário que se vangloria de nunca ter estudado não serve de modelo.
No fundo, a esquerda precisa da acabativa da direita, e a direita precisa das iniciativas da esquerda.
Finalmente, se você não tem iniciativa nem tampouco acabativa, só podemos lhe dizer uma coisa: meus pêsames.
* Veja, novembro de 1998
** Blog para se pensar, https://blog.kanitz.com.br/iniciativa-acabativa/
Alerta Laranja - 18/08/2023
Gilberto Simões Pires
SINAIS DE ALERTA
Antes de tudo, mais do que sabido, notícias ruins, do tipo que produzem um nefasto aumento da desconfiança quanto ao desempenho da economia, não têm como ser festejadas. Quando as notícias ruins se tornam mais frequentes, isto soa como uma emissão de sinais de alerta informando que a máquina que movimenta os SETORES -INDUSTRIAL, COMERCIAL E DE SERVIÇOS- está OPERANDO COM DIFICULDADE. Mais: se nada for feito o sistema pode travar a qualquer momento.
CENÁRIO DESANIMADOR
Pois, quem olha a nossa economia através do indicador da B3 - principal Bolsa de Valores do país, que negocia as ações das empresas brasileiras de capital aberto, o cenário é pra lá de desanimador. Vejam que até ontem, 4ª feira, 17, TODOS OS 13 PREGÕES que foram realizados neste mês de agosto fecharam em BAIXA. O que mais impressiona é que esta triste sequência de perdas não era vista desde 1970. Que tal?
RISCO
Ainda há quem acredite e/ou afirme, por puro desconhecimento, que as Bolsas de Valores e/ou de Mercadorias não passam de verdadeiros CASSINOS. Ora, é bom lembrar que nos CASSINOS aqueles que correm RISCO são apenas e tão somente os APOSTADORES. Já nas BOLSAS, quando a queda é sistemática, quem CORRE RISCO é a ECONOMIA DO PAÍS COMO UM TODO e não apenas os investidores detentores de ações e/ou demais títulos ali negociados.
MUITO DOENTES
Como se vê, países que conseguem mostrar uma performance tão negativa, de forma firme e constante, identificam, claramente, que as suas economias estão muito doentes. Mais ainda quando o número de pregões em queda contínua chega a 13, que não por acaso é o número do PT.
ARCABOUÇO FISCAL
Para piorar o ânimo daqueles que fazem e comercializam boa parte dos produtos produzidos, o governo petista acena, constantemente, com mais impostos e/ou aumento de alíquotas. A propósito, leiam o texto do economista e pensador Darcy Francisco dos Santos a respeito do estúpido ARCABOUÇO FISCAL, que o governo Lula insiste na sua aprovação.
Segue o link: https://financasrs.com.br/2023/08/16/arcabouco-fiscal-nao-ha-solucao-sem-contencao-de-despesa/.
Estratégia: execução do básico com excelência - 17/08/2023
Alex Pipkin, PhD
Qualquer sujeito mediano, sabe hoje que a IA - Inteligência Artificial - traz enormes possibilidades de melhoria para os processos organizacionais e, especialmente, para a criação de mais valor para os clientes.
Há um vasto conjunto de recursos e de capacidades e, assim, enorme potencial para inovações por meio de sua utilização.
A IA é democrática, no sentido de que organizações de todos os portes podem usufruir de seus benefícios. Os sistemas de código aberto amplificaram as oportunidades para todos.
Pequenas e médias empresas podem obter importantes insights de mercados e de clientes/consumidores, através de algoritmos, podem desenhar e implementar estratégias customizadas, e aprofundar relacionamentos lucrativos com determinados tipos de clientes.
Porém, antes de se buscar o refinamento de processos por meio de ferramentas inovadoras, meu conselho como consultor de empresas, é que elas pensem em sua missão dentro de um negócio, e operem com excelência em seus processos, entregando o básico bem executado!
É impressionante a quantidade de empresas - de todas às dimensões - que não consegue entregar valor de maneira consistente para seus clientes, seja em termos de produtos, de serviços, e de experiências.
Sem dúvida que é essencial ter uma visão cristalina do propósito do negócio, apontando para onde a empresa quer chegar, com objetivos e metas claras que mobilizem e orientem todos os funcionários para um determinado rumo a seguir, passível a possíveis correções deste ao longo da trajetória. O propósito organizacional determina as estratégias competitivas e operacionais, e atua como um balizador para a tomada de decisão na organização.
A grande questão - e parece coisa trivial - é que as empresas não possuem processos bem definidos, com atividades e tarefas a serem - sempre - seguidas e bem executadas para o atingimento de um objetivo organizacional.
Isso é o básico dos básicos! Além de inexistirem, quando presentes, são falhos, desatualizados e não há uma gestão estratégica, na direção de um acompanhamento dos processos, com a presença de indicadores de avaliação de desempenho - aqueles que de fato importam para o negócio.
Cito apenas três exemplos - negativos - que me deparei nas últimas semanas.
Na empresa X, assistência técnica de celular, prometeram-me a película adequada para o meu aparelho. Além de não haver tal película, esperei tanto, sem retorno, que tive que me deslocar até o ponto de venda físico para obter a informação correta.
Na empresa Y, esperava um retorno - objetivo e definitivo - de um serviço. Toda vez que ligava para empresa - um parto - não só recebia uma nova informação, como também incorreta. O pior era a postura cerrada do atendente para ouvir a “verdade do cliente”. Erro fatal.
Na empresa Z, o produto entregue estava desconforme, e para realizar a troca, tive a sensação de que estava realizando um novo doutorado. Que dureza.
Sem processos, primeiro eficazes, depois eficientes, funcionários bem-intencionados se esforçam, mas o resultado, quase sempre, é ruim, e acaba prejudicando todos os funcionários, tanto os bons como também aqueles não tão bons.
O corolário é que o cliente passa a não confiar na oferta competitiva desta empresa, não mais se envolvendo e se comprometendo com essa.
O que tem sido sistemático mesmo, são a falta de empatia com os problemas dos clientes, o destruidor descompasso entre o prometido e o entregue e, assustadoramente, o comportamento de “autoridade estatal”, reativa, as necessidades e dificuldades dos clientes, mesmo frente às abissais e inquestionáveis falhas do fornecedor.
As organizações perdem uma oportunidade gigante para fidelizar clientes, e para formar advogados de sua marca.
Eles desconhecem o Paradoxo da Recuperação de Serviço, em que uma falha bem recuperada, aumenta a satisfação do cliente, passando essa a ser maior do que se o problema não tivesse ocorrido.
Necessita-se de um processo robusto até para corrigir os erros que surgem em toda a jornada do cliente.
Uma turma empresarial desconhece que a grande maioria dos clientes não reclama, simplesmente, busca outro fornecedor. Simples assim.
E para agravar a já debilitada situação, clientes insatisfeitos se transformam em detratores de uma empresa/marca. Desse modo, o eficiente boca a boca negativo se multiplica como um vírus! Contagiante.
Evidente que as novas soluções tecnológicas podem, inclusive, ajudar nos processos-atividades-tarefas de suporte e de atendimento aos clientes. Chatbots e assistentes virtuais têm executado tais atividades-tarefas.
Claro que para alguns negócios, um atendimento “humanizado” pode se constituir em um diferencial competitivo.
Minha recomendação é bem singela: fazer o básico bem feito, executado, por meio de processos, com excelência.
Aliás, fazer o básico bem feito, executado eficazmente, aparenta e se assemelha a utilização das propaladas e modernas ferramentas de IA. Creio que, pelo menos, alguns clientes assim pensarão!
Chiqueiro político - 12/08/2023
Valdemar Munaro
Repercute tristemente pelas mídias sociais da Argentina às vésperas de novas eleições, o aumento assustador da criminalidade e da delinquência. Entre os assassinatos registrados recentemente está a ignominiosa morte de Cecília Strzyzowski, ocorrida no dia 2 de junho passado, em pleno meio-dia, na cidade de Resistência, capital da Província del Chaco, norte do país.
A moça, 28 anos, foi estrangulada e picotada para ser dada aos porcos numa fazenda pertencente à família dos próprios sogros. Restos ósseos e pertences da vítima, incinerados, foram encontrados nas águas de um rio próximo.
Câmeras de vigilância registraram Cecília e César (o esposo) ingressando na residência de Emerenciano Sena e Marcela Acunha, pais deste último. Mas a jovem não saiu mais de lá. A mãe, Glória, assustada com o sumiço da filha, deu alarme e iniciou buscas.
Emerenciano e Marcela, pais de César, com quem Cecília havia se casado recentemente, planejaram a morte da nora propondo-lhe uma viagem ao sul, Ushuaia, para trabalho e passeio. Tudo mentira e arapuca. Seu destino trágico seria uma pocilga no interior de Chaco.
A notícia do macabro crime espalhou-se e obrigou órgãos de segurança a iniciar investigações. O horrendo delito ganhou contornos chocantes em razão da família assassina ter estreitos vínculos políticos e de amizade com o governador da província, Jorge Capitanich (o Cóqui), aliado de primeira hora da senhora Cristina Kirchner e do senhor Alberto Fernandez (vice e presidente, respectivos, da Argentina).
As famílias Sena e Acunha exercem liderança política na região e se tornaram conhecidos por suas ações piqueteiras e sindicais. O esquerdismo comunista dos criminosos é o motivo pelo qual, até o momento, não ter havido manifestação pública dos atuais governantes condenando o fato, nem expressado solidariedade à família da vítima.
O específico ministério do governo kirchnerista, enaltecedor e defensor dos direitos das mulheres, ignora os acontecimentos na Província del Chaco e os organismos relacionados a direitos humanos, hipocritamente, guardam um absurdo e escandaloso silêncio. É o retrato da cara de pau deslavada do esquerdismo que alardeia e condena feminicídios só quando seus feitores estão à direita. Estampa-se perfeitamente ali o dito de James Burnham sobre o comportamento dos progressistas: 'pas d'ennemis à gauche'. Seus inimigos nunca estão à esquerda, sempre à direita.
O silêncio feminista de plantão se explica, exatamente, pelo fato dos envolvidos na morte de Cecília serem políticos kierchneristas influentes na Província del Chaco. Sendo destacados sindicalistas piqueteiros e atuantes invasores de terras públicas e alheias, esses comunistas não respeitam leis nem têm freios em suas ousadias. Com efeito, tornaram-se amedrontadores revolucionários, intimidadores e barganhadores políticos, detentores de privilégios estendidos à impunidade e à obtenção de polpudos recursos públicos. As autoridades, coniventes e recuadas, participam vergonhosamente daquela violência e daquela corrupção.
Mesmo sem qualificações profissionais, os assassinos de Cecília angariaram postos administrativos e apropriaram-se de escolas (che guevaristas) e fundações receptoras de verbas governamentais.
Emerenciano Sena e Marcela Acunha, momentaneamente presos, são ainda candidatos às eleições do próximo pleito e buscam vaga na Câmara da Província e no governo municipal. Para arregimentar votos, mostram-se piedosos e devotos como parecem revelar as fotografias da visita que fizeram ao papa, em Roma.
Dos atuais governantes provinciais e federais, na Província del Chaco, seus amigos escandalosamente coniventes, ainda recebem dinheiro para administrar onde e como bem lhes parecer. O apoio infraestrutural às suas 'obras assistenciais e culturais' continua, assim como o suporte para suas campanhas políticas. Os parceiros escancarados da ilicitude e da imoralidade são o governador e os líderes kirchneristas nacionais.
As notícias do crime, como disse, ultrapassaram fronteiras locais e obrigaram autoridades, constrangidas, a iniciar diligências. Os dias posteriores ao delito, porém, foram tranquilos e suficientes para os criminosos continuarem seus comícios e sumirem vestígios. Embora tardios, rastreamentos encontraram vultoso dinheiro no local, restos ósseos, manchas de sangue e objetos da vítima. O crime, claramente comprovado, obrigou a prisão dos envolvidos, mas sua libertação pode ser iminente.
O martírio de Cecília na Província del Chaco revela uma ponta do iceberg mafioso que encharca a política argentina. Sob aparentes mantos de beneficência, assassinos mantêm pessoas sob sua dependência para que funcione o cabresto eleitoral. É assim em qualquer socialismo democraticamente temperado. A jardinagem perversa e egocêntrica desses comunistas fazem-nos exercer uma tirania através da malversação de recursos públicos disponíveis, aparentando um compromisso com a justiça e um falso engajamento solidário com a população.
Cecília era só uma modesta moça de Resistência que desejava trabalhar e ser feliz. Mas foi atraída pelo psicopata César que a levou à gaiola de seu clã. A intimidade com ele, contudo, levou-a a conhecer o mar de podridão política e moral subjacente. Testemunhou o indevido e por isso sua presença incomodativa tinha de ser eliminada.
Do chiqueiro político verificado na Província del Chaco, Argentina, o olfato da sensatez capta fedores espectrais de cortelhos espalhados pela América Latina. Sob muitos aspectos, nosso continente virou uma pocilga imunda e fétida: Maduro na Venezuela, Ortega na Nicarágua, Petro em Colômbia, Fernandez na Argentina, Boric no Chile, Morales na Bolívia, Lula no Brasil...
A revolução socialista de G. Orwell termina com porcos governando a fazenda e bichos outros sendo subjugados. A noite cínica revolucionária encerra seu ciclo com homens e cerdos refestelando-se em comidas fartas, bebidas finas, vestes de grife, charutos importados, sapatos e relógios luxuosos e whiskys regando poker. Os porcos ali se parecem a humanos e os humanos a porcos.
Assim ocorre com todas as festas e mentiras socialistas. O cinismo e a hipocrisia são sua origem e consequência. Quem, porventura, poderia ainda crer na honestidade, na retidão e na autenticidade patriótica das grandes comemorações e desfiles comunistas propagados por governos norte coreanos, cubanos, chineses, russos, romenos etc? Ali, no coração das aparências, os sofrimentos alheios e a decência eram e são intencionalmente ignorados e esquecidos, pois "os homens, como conclui ironicamente Orwell, são todos iguais, mas uns são mais iguais do que outros".
Sem as mazelas políticas instauradas por Juan Domingos Perón e vigorante até nossos dias, nosso belo país vizinho seria realmente gigante e extraordinário. Transformou-se, porém, num ultrajante feudo socialista e terminou por cabrestear e empobrecer o país inteiro. O caminho brasileiro poderá ser muito semelhante se não mudar de rumo. Da nossa casta política ilegítima governante não é possível esperar coisas boas. O socialismo é um 'esperancídio' a serviço da roubalheira e da mentira como se lê nas entrelinhas do Foro de São Paulo. Nada mais.
Aprisionando poderes judiciais e leis, ladrões e maníacos lubrificam-se com impunidades psicopáticas maquiadas de serviço público e mentiroso amor pelo povo.
Quem pode compreender as barafundas iníquas de ministros do STF e do TSE, céleres e parciais em processos que lhes interessam, mas lentos naqueles que não lhes apraz? Manifestantes presos sem o devido processo legal minguam o direito à liberdade enquanto bandidos e ladrões confessos obtêm soltura e riem à toa. Grande parte de nossos deputados e senadores, diferentemente do prometido, comportam-se à maneira Fausto de Goethe: ante o poder fascinante e enfeitiçador, ensombram-se e se mancomunam às vantagens e benesses do governo de plantão nem que para isso vendam própria alma. O exemplo do presidente do Partido Republicano é eloquente: mandou às favas moralidades e se aliou a Lula.
Cartazes eleitorais dos assassinos de Cecília na Província del Chaco diziam: "Somos lo que hacemos". A autêntica face de suas personalidades.
Se a política (de polis: cidade e ika: arte), consiste na justa administração das coisas pertencentes a muitos, pode-se concluir que a sabedoria grega há muito foi incinerada entre nós.
A ilha de Salamina em 480 a. C., viu a batalha na qual os helenos em pequeno número comandados por Temístocles venceram os numerosos persas comandados por Xerxes. A coragem dos gregos brotava do amor visceral que sentiam pela terra e pela liberdade. Preferiam a morte do que ser escravizados. Aos soldados persas, 'universais' e mercenários, interessava-lhes naquele então somente o soldo e os botins. Oh gregos! Vinde um momento nos ensinar patriotismo e cidadania.
Arrancai da casta política benefícios e privilégios e vereis seu verdadeiro rosto! Trazei à luz suas intenções e vereis imoralidades! Extirpai do seu horizonte vaidades e aplausos e vereis artérias contaminando seus corações, mentiras corroendo suas palavras e perversidade orientando seus comportamentos! Tirai de seus colos mordomias e salamaleques e vereis hipocrisias em seus atos!
Um único candidato a presidente da república tem coragem e ousadia de limpar o chiqueiro político em que a Argentina se encontra. Chama-se Javier Milei, economista da escola de Von Mises e escritor. Seu plano de governo é: reduzir drasticamente o número de ministérios, terminar com a inflação, privatizar estatais, fechar todos os meios de comunicação públicos, eliminar o Banco Central (prisioneiro da classe política e emissor incansável de moeda), dolarizar a economia, doar a empregados e sindicatos a empresa Aerolíneas Argentina, eliminar aposentadorias privilegiadas, agir com mão dura contra o crime e a delinquência, libertar de tentáculos estatais todas as obras infraestruturais, promover o livre mercado, respeitar a vida desde a fecundação, etc...
Se os argentinos elegerem outro candidato, exceto Javier Milei, continuarão sua derrocada moral e econômica. Seria péssimo para o Brasil e para a América Latina. O nefasto socialismo peronista e kirchnerista não pode continuar, caso contrário nossa irmã Argentina cairá implacavelmente num poço social e econômico jamais visto em sua história. Torcemos por Javier Milei.
Santa Maria, 10/08/2023
* O autor é professor de Filosofia
Será minha “inescrupulosa” mentalidade individualista? - 03/08/2023
Alex Pipkin
Ontem, às 16h, recebi um mandado de convocação de jurado. Pela 5a. vez.
Às 18:15h, retruquei por e-mail, pontuando que sou profissional liberal, tendo compromissos agendados e planejados como consultor empresarial e professor universitário.
Às 19:25h de ontem, recebi retorno de minha mensagem, solicitando meu comparecimento hoje, às 9h, para a sessão no Fórum.
A doutora - será que é PhD? - juíza do caso, fez uma emocionante exposição do papel diferenciado daqueles potenciais jurados que ali estavam, ressaltando a importância individual das pessoas por julgarem vítimas de acusados de homicidas, que trouxeram luto às famílias e a sociedade - meu impedindo?
A “doutora” juíza, posteriormente, leu uma lista, com o nome das pessoas que foram dispensas e/ou excluídas d?o referido julgamento.
Meu pleito estava lá, o último a ser lido. Solicitou-me “provas”. Ato contínuo, em uma sala repleta, com aproximadamente 80 pessoas, tomei a palavra. Informei-a que havia sido convocado ontem, às 16h, e já havia exposto meus motivos, com as respectivas justificativas.
Após sua fala - infelizmente não dispunha de lenço -, argumentei que, embora causa razoável, primeiramente, preocupava-me com minha lógica individualista, tendo em vista meus objetivos compromissos profissionais.
Disse ainda que, distintamente dela, não era funcionário estatal.
A “doutora” redarguiu, afirmando que era “agente política do Estado”, e que percebia minha lógica individualista. Dispensou-me da sessão, solicitando detalhamento de provas.
Será que sou um inescrupuloso individualista, indo de encontro a “lógica” coletivista, amplamente vociferada e encrustada em nossa sociedade verde-amarela? Penso que exerci, trivialmente, meu livre-arbítrio de pensar e agir.
Nesta direção, os aflorados sentimentos coletivistas, meu juízo, representam, pragmaticamente, um demérito, exatamente o contrário do que quer crer a grande massa de bom-mocistas coletivistas.
Imagino que meu auto-interesse me ajude e, por consequência, auxilio aos outros e às empresas com as quais trabalho.
Essa é a mentalidade estatal, encharcada de sentimentos, culpas e ordens sobre como as pessoas devem pensar e agir.
Uma mentalidade que impulsiona os indivíduos a pensarem e se agitarem com suas próprias consciências, e seus respectivos deveres comunitários.
Mais uma vez, confesso que quase chorei, com a narrativa justiceira e sentimental da referida doutora.
Penso, definitivamente, de forma distinta, isento de juízo de valor, tipo melhor ou pior.
De fato, preocupo-me comigo e com os que me cercam, fazendo, literalmente, o bem a todas as pessoas.
Não sou adepto da autopromoção de orgias mentais, culposas e, portanto, de julgamentos morais “coletivistas” em meu “eu” interior.
Pelo contrário, acho que o bem individual e da comunidade de fato se materializa, quando cada um se mantém preparado e atualizado em seus respectivos campos, em constante estado de alerta, para abraçar as oportunidades à frente, beneficiando a si próprio e aos outros.
Hoje, imagino que, mais uma vez, tive a oportunidade de cultivar minha mentalidade individual, que reputo como sendo a mais adequada.
Sai com um sentimento - ah, como somos sentimentais! -, de que a “doutora” pensa - e tomara que aja como pensa e verbaliza - distintamente de mim.
Sim, claro, somos seres humanos e, portanto, inalteravelmente, diferentes.
Preparai-vos, eleitores do Bolsonaro, ou sereis extirpados. - 21/07/2023
Valterlucio Bessa Campelo
O quadro acima, que fiz questão de emoldurar, traduz bem o momento que estamos vivendo no Brasil, embora os lacaios da extrema imprensa insistam em olhar pro lado ou passar pano, como fizeram vergonhosamente nos últimos dias. É seguramente um período de exceção, o chamado “estado democrático de direito” foi pro brejo faz tempo.
Aos lulopetistas de cuecas vermelhas, isentões etc., pergunto: Como vocês acham que começam os regimes totalitários? Com o caminhão do ovo gritando na rua? Com o pé na porta da igreja? É não, diria eu mesmo ao meu amigo bobinho. É assim, é solapando as instituições, dominando a imprensa por todos os meios, silenciando e cassando opositores, amaciando lentamente o cidadão como se fosse um bife sob o martelo, até que ele não se importe em ver as sombras se abaterem sobre seu futuro e o dos seus filhos ou, em muitos casos, decida fazer parte do esquema macabro.
Num dia, um ministro do STF, o mais progressista do grupo, aquele que quer mover a história e acha normal a Corte se transfigurar em órgão político, se dá ao desfrute de discursar em uma Assembleia Estudantil dominada há décadas por partidos de extrema esquerda e se declarar antibolsonarista, em flagrante atrito com a Constituição Federal, pelo menos, é o que pensam alguns PARLAMENTARES que assinaram contra ele um pedido de impeachment (entre eles, por enquanto, quatro corajosos acreanos – Alan Rick, Marcio Bittar, Coronel Ulysses e Eduardo Veloso). A CF veda a participação de ministros em eventos políticos e partidários. Convenhamos, no caso em tela, apenas a presença do Barroso, calado, sem soltar um sequer de seus barrosismos, ensejaria quebra do decoro.
No outro dia, um importante jornalista, Ricardo Kotscho, ex-Ministro do Lula da Silva, esquerdista de carteirinha e bolsista da viúva na Comissão de Anistia, foi mais além. Segundo ele, a pacificação do país não é possível porque tem muito bolsonarista solto, ou seja, se quiser paz Lula da Silva deverá construir presídios para uns 58 milhões de adultos que votaram em Bolsonaro, o que, para quem aplaude Stálin, Mao Tse Tung, Pol Pot, Fidel Castro, Kim Il-Sung etc., não parece impossível. Aguardemos.
Concomitantemente, o próprio Lula da Silva, em momento inspirado, não se conteve. Não é possível saber se leu em algum lugar, o que seria duvidoso, ou se alguém (quem sabe a janja?) lhe falou ao ouvido ou, ainda, se ele mesmo pensou, o certo é que praticamente REPETIU as palavras NAZISTAS de um homem que ele mesmo já disse admirar. Sabe quem? Adolf Hitler. (VEJA AQUI). Segundo Lula da Silva, os bolsonaristas são ANIMAIS SELVAGENS que precisam ser EXTIRPADOS. Antes ele achava que deveriam ser “purificados”, seja lá o que isso signifique. Quem sabe, uma nova Inquisição política. Se o leitor tem alguma dúvida do que se trata EXTIRPAR, nem se dê ao trabalho. No quadro abaixo tem uma listinha de sinônimos, que peguei do Google:
Extirpar
Assolar,abalar,abater,abolir,acabar,afligir,alhanar,aluir,aniquilar,anular,apagar,arrasar,
Arruinar,aterrar,Avexar,bombardear,ceifar,cercear,consumir,demolir,depopular,depredar,
Derribar,derrocar,derrotar,derrubar,desbaratar,desmoronar,desolar,destroçar...
Pronto. Se o leitor, por acaso, é um dos 62,5% dos eleitores acreanos que votaram no Bolsonaro, pode escolher aí no quadrinho o que pretende pedir ao carrasco vermelho. Tem pra todo gosto. Hitler, o admirado pelo Lula, não deu muita escolha aos inimigos que chamava de animais, com ele era tiro na nuca ou câmara de gás, Stálin tinha um leque de opções que variava entre um tiro na nuca e o frio da Sibéria (havia quem escolhesse o tiro), Mao Tse Tung preferia matar de fome mesmo, Pol Pot era extremamente cruel, gostava de ver o inimigo sofrer sob tortura, Fidel curtia um “paredón”, e por aí vão eles.
Enfim, a experiência de mais de 100 milhões de mortos por seu sistema poderá inspirar os comunistas, entre os quais um que disso se orgulha, ou seja, o próprio Lula. Sem nenhum remorso, eles executarão as ordens, afinal, os seus inimigos, os eleitores de Bolsonaro, foram desumanizados, não são gente, será um processo que visa o amor e a paz, né, Kotscho? Além disso, como cochichou o ministro do TSE ao ouvido do colega na diplomação do Lula, “missão dada é missão cumprida” (lembrei Adolf Eichmann em seu próprio julgamento em Nuremberg). Penso se não seria o caso de recorrer aos defensores dos animais, talvez os ambientalistas de coração bom resolvam salvar esses “animais selvagens” das garras dos extirpadores.
Feita a explicação do quadro pavoroso que encima este texto, talvez seja hora de chamar a tenção para a necessidade que temos, todos os democratas, de enfrentar a barbárie anunciada. Aqui? Sim, aqui no Acre e em todos os lugares, em todos os municípios brasileiros. Como disse o jovem Étienne de La Bóetie no século XVI, em seu “Discurso da Servidão Voluntária”, a melhor coisa que se pode fazer contra o tirano é não entregar o que ele deseja. O que Lula mais deseja é ganhar as eleições para, sob a capa da incolumidade do processo eleitoral, levar adiante seu desiderato perverso, então, que perca. Já no próximo ano teremos uma oportunidade de derrotar os extirpadores nas eleições para prefeito. Milhares de pequenas vitórias em milhares de pequenos e grandes municípios farão uma grande vitória da verdadeira democracia, liberal, de respeito à vida, ao indivíduo e suas opções, à família, às religiões, à propriedade, às tradições e à nação. Se não somos extirpadores de ninguém, nem queremos ser extirpados, lutemos.
* O autor, Valterlucio Bessa Campelo, escreve às sextas-feiras no site ac24horas e, eventualmente, no seu BLOG, no site Liberais e Conservadores do Percival Puggina e outros sites.
O foco míope no social versus a economia - 19/07/2023
Alex Pipkin, PhD
O presente lamaçal verde-amarelo representa, de fato, a continuidade para o infeliz epílogo progressista. Infeliz e trágico porque o boleto será cobrado ali na frente, das futuras gerações canarinho.
Não se trata de nenhuma teoria da conspiração, são somente os fatos, estúpido.
Se não bastasse seu desabonador saldo corrupto, o PT se uniu a Suprema Corte Nacional, um órgão que transparentemente abdicou da defesa da Constituição para, declaradamente, fazer política e exercer ativismo judicial em favor de causas "progressistas".
Notem a diferença de uma Suprema Corte não-aparelhada, por exemplo, a americana, que não se manifesta publicamente, e que reverteu iniciativas progressistas discriminatórias nos processos de admissão em universidades.
Claro, a retórica palaciana é da defesa da "democracia", entretanto, uma que usa de completo autoritarismo para banir os supostos autoritários e fascistas.
O resultado disso é, comprovadamente, cristalino. Quando o foco está no bom-mocismo desajuizado das preocupações sociais, do abstrato coletivo, do efetivo coletivismo, ao invés da economia, do indivíduo, das liberdades individuais e do livre mercado, o resultado é o desastre econômico e social.
Impera hoje no país, a ilógica da Estado grande, de uma social-democracia e de um coletivismo intervencionista, que regula muito e que gasta ainda muito mais.
A fim de suportar a bolha de gastos públicos, que não para de crescer, há uma voraz fome arrecadatória, que inibe a geração de maior atividade econômica e penaliza severamente os reais criadores de riqueza, as pessoas - em especial, os pobres - e as empresas.
O centro na pauta dos costumes "sem costumes", na cultura "woke", adentrou ao reduto capitalista empresarial, com a indústria do ESG e da diversidade e inclusão. Sim, indústria!
CEO's, agora, são os novos semideuses, justiceiros sociais, na busca da salvação terrena e na definição das regras morais na sociedade. Menos homens e mulheres de negócios, mais e novos políticos.
Embora muitas empresas atuem nas pautas progressistas, visando o aumento de lucratividade, muitos CEO's decidiram perseguir objetivos estritamente vinculados as pautas progressistas, independentemente ou, em alguns casos, em detrimento da lucratividade da empresa.
Sem lucro, essas empresas fazem um mal estupendo para o social, já que além de não satisfazerem as necessidades e desejos dos consumidores, deixam de pagar tributos para o governo, prejudicando a geração de recursos para os respectivos programas sociais.
Alarmante é o fato de se estar sob o égide do Estado-Babá, que escraviza indivíduos e, factualmente, não melhora, de maneira sustentável, o padrão de vida das pessoas.
O resultado das políticas públicas progressistas, bom-mocistas, são desemprego, baixo crescimento econômico, baixa produtividade, tributação escorchante, e muito suor, trabalho e sociedade com o governo, a fim de bancar, mais e mais, programas sociais.
Evidente que a chave que abre a porta do crescimento econômico e social, e do efetivo aumento de bem-estar, é conhecida.
Foco na economia, com a liderança do setor privado, deixando os indivíduos livres para empreender em mercados livres, por meio da geração de ideias, de relacionamentos colaborativos voluntários, para que a roda da destruição criativa possa girar com intensidade.
O Estado-Babá, da dependência, não é o segredo do fracasso. Todos sabemos. Ele cobrará a conta. Tragédia anunciada!
Sabe-se que o caminho para a prosperidade passa por deixar os indivíduos livres para decidir sobre seus próprios planos e suas próprias vidas.
Essa é a chave para a melhoria da economia, e todos são conhecedores de que o melhor plano social é o crescimento econômico.
Nem o Juro Zero melhora a inadimplência - 17/07/2023
Gilberto Simões Pires
MUITO ENDIVIDADAS
Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor -PEIC-, apurada mensalmente pela CNC -Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o PERCENTUAL DE FAMÍLIAS COM DÍVIDAS A VENCER bateu em 78,5% em junho, a maior taxa desde novembro do ano passado.
INADIMPLÊNCIA
Desse grupo de MUITO ENDIVIDADOS, o total de famílias INADIMPLENTES (com DÍVIDAS ATRASADAS), atingiu a marca de 29,2%. Deste total, segundo revela a pesquisa, quatro em cada dez devedores afirmam, categoricamente, que -NÃO TÊM CONDIÇÕES DE PAGAR OS COMPROMISSOS DE MESES ANTERIORES-.
FORA DO MERCADO DE CONSUMO FINANCIADO
Ora, até quem tem poucas luzes sabe que para o contingente de INADIMPLENTES, pouco ou nada importa o patamar da TAXA DE JURO. Até porque, mesmo com JURO ZERO os ENDIVIDADOS, do tipo -que afirmaram não ter condições de pagar os compromissos assumidos- seguirão fora do MERCADO DE CONSUMO FINANCIADO (com pagamento em prestações).
VOLTAR A SER ADIMPLENTE
Em outras palavras, os MUITO ENDIVIDADOS só têm dois caminhos para voltarem a se tornar ADIMPLENTES: 1- consumir aquilo que cabe dentro do seu orçamento; 2- aumentar a renda. Como o governo só pensa em tributar, como assegura a PEC DA REFORMA TRIBUTÁRIA, uma coisa é certa: o número de INADIMPLENTES tem tudo para crescer. Só pode...
COMPETIÇÃO SEVERA
Uma outra saída que já está se desenhando é a SONEGAÇÃO DE IMPOSTOS como forma de aumentar a capacidade de consumo. Neste particular a competição será ainda mais severa, a considerar que: 1- o governo SONEGA OS SERVIÇOS PÚBLICOS QUE DEVERIA PRESTAR POR CONTA DOS IMPOSTOS ARRECADADOS; e, 2- os consumidores, por sua vez, em contrapartida se veem forçados, sem culpa, a SONEGAR OS ELEVADOS IMPOSTOS, utilizados para GARANTIR DIREITOS INDECENTES dos apaniguados funcionários que vivem ÀS CUSTAS DO SETOR PÚBLICO.
O hino gaúcho - 16/07/2023
Sílvio Munhoz
Nos últimos dias foi pauta no noticiário gaúcho e, inclusive, nacional, discussão acerca da votação do projeto da PEC 295/2023 na Assembleia Legislativa Gaúcha, a qual versa sobre a possibilidade de alteração ou não do Hino Gaúcho e dos demais símbolos do Estado.
A polêmica começou há anos, na tomada de posse da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, quando determinado grupo (desnecessário nominá-lo) negou-se a levantar e cantar o hino, fato com direito a reprise na posse da Assembleia Legislativa, dois anos após, sob a desculpa de a letra do hino conter verso com cunho racista. À época, um Deputado dizia que entraria com Projeto de Lei para alterar o verso e tal possibilidade, nunca concretizada, levou outros Deputados a apresentarem a PEC em discussão.
Na época escrevi uma crônica, perdida por conta da alteração do portal da Tribuna Diária, em cujo texto me perguntava se a acusação seria fruto de “analfabetismo funcional” ou de método da guerra cultural que vivemos no Brasil, em uma espécie de neo iconoclastia. Reapresento o texto, pois seus argumentos podem servir de reflexão sobre a tentativa de mudança não só de nossos símbolos, mas, de nossa história:
“A REFORMA DA LETRA DO HINO – PURO MÉTODO"
‘Daqui a pouco, a nossa história não terá datas nem nomes, nem batalhas, nem episódios. Só terá ideologia – a rígida ideologia totalitária que os comunistas querem impor à juventude’. Sandra Cavalcanti.
“Causou grande celeuma o episódio da posse da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, quando alguns edis, que assumiam, negaram-se a cantar o hino riograndense, pois seria racista por conter o verso “povo que não tem virtude acaba por ser escravo” e, poucos dias depois, segundo notícias, um Deputado – do PT é lógico, alguém surpreso? - entrou com projeto de lei para alterar a letra do hino.
“Confesso que pensei, inicialmente, em nosso patrono da educação, cujo sistema para alfabetizar não passava de “suposto método milagroso de alfabetização cantado em prosa e verso para justificar a utilização de processos revolucionários e subversivos junto aos adultos analfabetos” e que, sabidamente, embora aprendam a ler, não conseguem interpretar corretamente os textos, fato já constatado quando foi exportado e aplicado em alguns países da África: “dentre os 26.000 alunos envolvidos no processo de alfabetização, não se podia contar com nenhum a ser considerado como ‘funcionalmente alfabetizado”, pois quando eram “questionados sobre o que eles estavam lendo e escrevendo, a compreensão era nula: eles não podiam entender nada (aqui, págs. 207/209)”.
“Não é necessário ir muito longe, pois os resultados desastrosos do Brasil no PISA comprovam, sendo que no último exame: “apenas 2% dos jovens brasileiros alcançaram níveis altíssimos de compreensão em leitura, no qual são capazes de entender textos mais longos e ideias contraintuitivas ou abstratas”. Ou seja, a grande maioria dos estudantes brasileiros não consegue interpretar, corretamente, um texto... Consequência lógica da utilização, por décadas, desse método que visa politizar e ideologizar, não educar.
“O pensamento me ocorreu, porque há grosseiro erro de interpretação, o hino fala em povos, não em raça, e é “necessário conhecer a História para entender que muitos povos virtuosos foram escravizados, à força, ao longo dela: Judeus, Eslavos, Africanos e outros. Muito triste. Mas é ela que nos mostra também que o povo que abdicar das virtudes, que for submisso, que aceitar o fim das Liberdades sem reclamar será escravizado voluntariamente, sem qualquer resistência”. Nenhum povo foi mais perseguido – com várias tentativas de extermínio – e escravizado na história que o povo judeu. Alguém acha mesmo que não sendo virtuoso ainda existiria e, mais, criaria um País próprio?
“O próprio exemplo do Rio Grande do Sul – que desenhou nossas fronteiras com Uruguai e Argentina a pata de cavalo e ponta de lança e, depois, quando tentaram escravizar não física, mas materialmente, pois o Governo Central nada concedia e, em contrapartida, aumentava cada vez mais os impostos, reagiu e sustentou um confronto de 10 anos contra o império - demonstra o conceito do hino.
“Entretanto, por ser tão grosseiro o equívoco comecei a pensar na outra hipótese: a dos neo iconoclastas que, “por entenderem que muitos monumentos, estátuas e obras de arte refletem um passado pecaminoso, colonialista, escravocrata ou seja lá o que for, não merecem existir”. Em síntese, a aplicação efetiva, continuada e metódica de táticas desenvolvidas na guerra cultural que vivemos, para fazer verdadeira engenharia social. Apagando da mente dos mais jovens tudo aquilo, todos os conceitos básicos que forjaram nossa civilização.
“Não percebem, pois usam antolhos, que a remoção ou mudança de significado de palavras não resolve o problema, passar a chamar a pessoas negras de ‘afrodescendentes’ não apaga o fato de que existiu escravidão e a existência, ainda hoje, de racismo, com maior ou menor intensidade, em vários lugares do mundo... O fato de destruírem estátuas de descobridores - colonialistas – não apaga o fato de que a América foi descoberta por Cristovão Colombo e o Brasil por Pedro Alvares Cabral, ou seja, só demonstra o desprezo que possui quem assim age por nossa história, nossa cultura, nosso passado, bem retratada na frase que usei como epígrafe da crônica...
“Pior, não percebem que precisamos estudar o passado, para bem aferir os erros e acertos e forjar um presente descartando àqueles e privilegiando estes, pois só assim será possível planejar um futuro melhor. Os acontecimentos do passado devem “correr como águas caudalosas do tempo, modelando a paisagem do presente. Se não pudermos compreendê-los, teremos falhado com as futuras gerações” (aqui, nota de orelha).
“Dentro desse contexto é que, na Alemanha, foi construído o Museu (memorial) do Holocausto. Alguém há de perguntar o porquê de se construir algo que lembre o maior crime, as maiores atrocidades já presenciadas pelo Ser Humano. Exatamente para que jamais esqueçamos o terrível exemplo e, não o olvidando, nunca mais o homem deixe que se repita. Quando esquecemos os exemplos do passado é muito provável que ocorram de novo, exatamente por não guardarmos seus horrores em nossas memórias. Apagar a história, seja qual forem as razões, é um equívoco incomensurável!..
“Por isso peço aos Deputados Gaúchos: digam não à tentativa espúria de mudar nosso Hino, pois é só a aplicação do método utilizado pela esquerda, na guerra cultural marxista, que está em plena vigência no Brasil, hodiernamente. Não deixem isso acontecer!... e cantemos a plenos pulmões, pois nosso hino está correto: povo que não tem virtude, acaba por ser escravo!...
“’É impossível falar ao coração, à consciência profunda dos indivíduos que trocaram sua personalidade genuína por um esteriótipo grupal ou ideológico. Diga você o que disser, mostre-lhes mesmo as realidades mais óbvias e gritantes, nada os toca. Só enxergam o que querem’. Olavo de Carvalho (aqui, págs. 96/97).”
Anteontem foi aprovada em 1º turno a PEC 295/2023, por 38 votos favoráveis contra 13 contrários, mas a questão ainda não está encerrada, pois, passadas 03 sessões, por se tratar de Projeto de Emenda Constitucional, deverá ser submetido a votação em 2º turno. Espero, ao recordar estes singelos argumentos, contribuir para o debate... e que os Deputados Gaúchos continuem iluminados para barrar esta neo iconoclastia que tenta mudar nossa história, quebrar e alterar nossos símbolos...
Que Deus tenha piedade de nós!..
A moderna vida boa - 14/07/2023
Alex Pipkin, PhD
Evidente que estou pessimista!
A vida e seus resultados dependem da ação humana e as circunstâncias não são nada boas. São ciclos e, nesta direção, mantenho a esperança de que mais adiante eu possa ser surpreendido positivamente.
Vive-se na era da rejeição da verdade, das narrativas falaciosas, dos gatilhos, das emoções e dos estímulos curto-prazistas. Uma época de abissal sentimentalismo grosseiro.
Sou dos anos 60. Não me apego ao saudosismo, o mundo se transforma, porém, os nossos princípios-chave cerebrais levam séculos para serem alterados.
Acho que sou de um tempo em que prevalecia o pensar reflexivo, a razão. Claro, os estímulos e os incentivos no seio familiar e nas instituições nos impeliam com “sangue, suor e lágrimas” para a construção individual - e portanto, no todo - de um futuro mais saudável e promissor.
A ignorância - na correta acepção da palavra - e o emburrecimento, parecem-me transparentes.
Penso que uns 70% da população brasileira atua no piloto automático do sistema 1, dos sentimentos, tomando decisões baseadas nos comportamentos puramente instintivos.
No dia a dia, somos bombardeados de estímulos e informações, e nosso cérebro busca economizar esforços e maximizar a eficiência. Na verdade, esse gosta mesmo da “vida boa”, sendo necessário fazê-lo se exercitar de fato.
Os nossos “modernos” homens, mulheres e LGBTQIA+, por meio das transformações na família, e em razão dos incentivos tupiniquins de cabeça para baixo, desejam a “vida boa”, procrastinando com relação ao futuro, focados no curto-prazo, e nas falsas recompensas que lhe são apresentadas.
A vida é dura! Exige esforço, compromisso, sacrifício, constância de propósito e foco nos objetivos de longo prazo. O sucesso não chega por decreto, é uma jornada que precisa ser construída para se alcançar um “final feliz”.
Não é o que se vê - e o que não se vê - na atual Pindorama.
As gratificações e as recompensas de curto prazo são finalidades de desejos e de necessidades enganadoras, momentâneas e emocionais. Os grupos de pertencimento, por afinidades - as ideológicas são perversas -, que parecem enaltecer nossa identidade social, são muitas vezes singelas miragens de facilitadores do sucesso. Quando analisadas sobre as lentes do sistema 2, lógico, do pensamento racional, torna-se possível compreender e perceber a irracionalidade de muitos pensamentos, do agir meramente instintivo e, talvez, das escolhas de trilhas equivocadas.
Não somente a verdade se tornou desimportante, o conhecimento, além de ser parco em Macunaíma, passou a ser rejeitado.
A decadência é gritante, tanto no escasso nível de conhecimento exposto, como na questão moral.
Embora muita gente negligencie, os valores importam, e muito, em especial, sobre os resultados na educação e no ensino. Não se constrói caráter como antigamente…
Ligue a TV e constatarás o grau de baixeza de conteúdo, de pautas, de discussões e, de forma assustadora, da mentira escrachada e dos viesses ideológicos. Uma genuína celebração da ignorância, da hipocrisia e da ruína moral.
A grande maioria dos brasileiros enxerga com os olhos enevoados, e a razão da ignorância é singela.
O Estado grande pensa e decide por todos e, pior, a escassez de conhecimento e de discernimento, faz com que muitos aceitem essa nefasta circunstância.
Não há mais o essencial ser individual, pensante e crítico, definindo e trabalhando duro pelos seus próprios objetivos e planos de vida. Esse foi substituído pelo abstrato coletivo, sujeito às ordens e aos desejos espúrios ao qual esse “coletivo” está submetido.
Não há mais lei, liberdades individuais, e a capacidade de se pensar e dizer o que se quer.
Não se distingue mais o que é digno, verdadeiro e positivo, e tal incapacidade é gratificada por meio dos enganadores e “modernos” prazeres imediatos.
Sem querer ser saudosista, mas o meu tempo juvenil não era de tamanha ignorância, burrice, farsa e escuridão.
A prisão tribal - 10/07/2023
Alex Pipkin, PhD
Encontros com a fantasia humana e com o negacionismo dos fatos têm sido tão frequentes para mim, que realmente tenho desacreditado num futuro mais promissor para o nosso país.
Muitos jovens se encontram acometidos da “ideológica gonorréia juvenil”, embora mesmo os mais experientes não consigam se divorciar deste ilusionismo.
Meu curto vocabulário já não dispõe de mais adjetivos a fim de qualificar esse tenebroso momento nacional, de absurda doença psicossocial.
Negação, inversão, enganação e corrupção da verdade, são os protagonistas dessa tragédia.
Existe uma enormidade de síndromes e de efeitos “à la carte” para serem escolhidos por aqui, tais como a Síndrome de Estocolmo e o Efeito IKEA.
É chover no molhado afirmar que o ego é, muitas vezes, o nosso principal inimigo. A nossa parte consciente se desenvolve a partir da nossa interação com a realidade, porém, muitas vezes, os desejos individuais fazem com que a realidade seja transfigurada.
Todos desejam, e muito, terem suas identidades sociais valorizadas. As redes sociais alavancaram as necessidades e as possibilidades.
O Efeito IKEA anda cada vez mais forte e solto. As pessoas querem criar elas próprias, e ser reconhecidas pelas suas competências.
Há também o viés cognitivo do senso de propriedade sobre aquilo que é produzido individualmente e/ou por uma filiação tribal. Nesta direção, mesmo que o resultado final dessa produção seja deletério, os sujeitos a defenderão com unhas e dentes afiados.
Essa é a ordem do dia!
Desnecessário ser um PhD para compreender essa questão. Não se quer frustar os desejos avassaladores de nossa personalidade, de nosso eu interior, desse modo, os indivíduos se suportam nessas “experiências de competência”, a fim de melhorar a visão que possuem de si mesmos. Além disso, não querem de maneira alguma chamuscar o senso de pertencimento tribal aos seus pares, seja por quais afinidades forem.
Adam Smith - sempre ele - já havia enaltecido o importante papel da reputação na vida social. Muitas vezes, quando uma pessoa afirma algo, ela procura ser coerente quanto aquilo que disse, assumindo um firme compromisso com determinada coisa. Assim, dificilmente a bigorna da realidade alcançará os olhos, as mentes e os corações daqueles que foram atraiçoados por desejos irrealizáveis e falácias.
Dentre os vários sonhos da turma ideológica vermelha, que capturou os movimentos identitários, de grupos raciais e de gênero, por exemplo, é evidente que o tratamento preferencial das minorias raciais não conduzirá a um bem social. Não há nada humanitário quando esses favorecimentos são decretados por agentes estatais, motivados por interesses político-ideológicos. Na verdade, ao cabo, isso atua como uma poderosa alavanca por mais discriminação.
Fico me questionando, até porque tenho a resposta de alguns amigos negros e gays - se esses grupos se sentem confortáveis com favores e padrões duplos, ou se genuinamente desejam apenas justiça e liberdade para criarem as oportunidades de acordo com seus próprios esforços, objetivos e planos de vida?
Acho que muitos querem mesmo escapar dessa ideológica tirania grupal.
Penso que estamos em um estágio civilizacional de retrocesso. Não é o fim, é mesmo um triste estágio da nossa história civilizacional.
Por que há, presentemente, a orgia mental da negação, da inversão, da enganação e da corrupção da verdade? Por que soberbam egos avantajados e comportamentos tribais inflexíveis e refratários a concessões? Por que não há a busca de confiança e coesão social, que encaminharia ao verdadeiro bem comum?
Uma das respostas é trivial. Quanto aos jovens, a narrativa e ação devastadora é o motor - furado - da promoção da autodescoberta, não da construção de caráter. Eles não largam a tal opressão…
Já no que se refere aos adultos e aos velhos, muitos marxistas de carteirinha, esses não conseguem evoluir. Dedicaram suas vidas inteiras a ideologia do fracasso, comprometeram-se com o engodo, por isso não abdicam do sonho irrealizável, mesmo que saibam que o seu resultado - conforme o pragmatismo da realidade - seja devastador para todos.
Policiofobia na veia - 06/07/2023
Silvio Munhoz
Chocou a sociedade ordeira – viralizou nas redes – e a comunidade policial a decisão na ação penal (5007920-40.2022.8.21.0023/RS) da Comarca de Rio Grande. A Juíza desclassificou (não remeteu ao julgamento do júri) a imputação de seis tentativas de homicídio contra policiais no exercício da função para o delito de resistência e soltou o réu que respondia preso.
A bandidolatria (idolatrar bandidos, tornando-os vítimas da sociedade) e a policiofobia (demonizar a polícia, tachando-os de violentos, inimigos da sociedade) são táticas da guerra cultural. Autor brasileiro, comunista confesso, dizia que começaram a fazer isso nos idos de 1930, a pedido de Stalin (aqui cap. 10).
Ficou famosa, durante o regime militar, a teoria da “panela de pressão”. Analogia feita pelo Gen. Golbery do Couto e Silva (fundador do SNI), segundo a qual não podiam tapar todos os buracos, era necessário deixar algum para o ar escapar ou a panela explodiria e, por isto, combateram o braço armado da revolução e entregaram o cultural, razão pela qual a esquerda, seguindo a teoria gramscista, tomou de assalto imprensa e academia. O resultado da leniência no combate ao marxismo cultural é evidente hoje. Alguém dúvida de a ex-imprensa e as Universidades (com raras exceções, que confirmam a regra) serem dominadas por tais ideologias.
Analisemos o fato. No dia do evento, 06 policiais, em viaturas oficiais devidamente identificadas e com o uniforme da corporação, foram à casa do réu para cumprir mandado de busca/apreensão e prisão, ao chegarem se identificaram – 2 dos policiais gritavam ‘é a polícia’ – e, não obstante, o acusado abriu fogo e desferiu inúmeros tiros contra a equipe policial, ferindo uma agente na cabeça, com graves sequelas, pois, ocorrido o fato em 1º de abril, até hoje não retornou ao serviço por conta do ferimento.
Denunciado por 6 tentativa de homicídio (1 cruenta – gera lesões - e 5 brancas – não resultam lesões -) a Juíza, na fase de pronúncia, desclassificou o fato para o delito de resistência, artigo 329 do Código Penal, crime de menor potencial ofensivo punido com pena detenção, de dois meses a dois anos, passível, inclusive, de benesses como transação penal e suspensão condicional do processo!
A tese não é nova no Rio Grande do Sul. O nosso Tribunal já a utilizou em situação de perseguição com tentativas brancas, sob a desculpa de que o marginal, quando fugindo, não conseguiria fazer mira e não possui, pois, o dolo de acertar o policial, mas, nunca ocorrera em situações de policial ferido e em região letal, como no caso, a cabeça.
A tese da Magistrada se esteia na seguinte premissa: “para fins de se opor à execução de ato legal, mediante disparos de arma de fogo, tentou impedir que policiais civis adentrassem no imóvel. É evidente, portanto, que o agente não efetuou os disparos com o dolo de matar os policiais, mas tão somente de impedir a execução do cumprimento da ordem legal”.
Premissa equivocada, pois esqueceu – ou “revogaram” na faculdade que estudou, pelo viés do incentivo à policiofobia – que na lei penal brasileira ainda vigora o § 2º do artigo 329 do CP, o qual determina processo e punição obrigatória e cumulativa da resistência e do resultante da violência, ou seja, a própria lei estabelece que, embora possuído do dolo de resistir ao ato ilegal, isto não afasta o dolo do delito praticado com o uso da violência contra o policial e determina punição por ambos.
Ao justificar a decisão usou obra de dois Promotores, mas esqueceu de ler um pouco mais adiante, quando comentam o § 2º, omitido na decisão. Segundo Estefan: “Se uma pessoa, com o objetivo de vingar-se de policiais, efetuar disparos de arma de fogo contra eles durante a execução de uma ordem de prisão, visando a atingi-los fatalmente, responde por homicídio, consumado ou tentado; se o agente, no entanto, agiu desse modo para evitar o cumprimento da ordem de prisão contra si ou contra terceiro expedida, responde por resistência e homicídio, tentado ou consumado, em concurso material, por força do § 2º” (aqui pág 653), e Greco: “A violência [...] Importa em vias de fato, lesões corporais, podendo até mesmo chegar à prática do delito de homicídio. [...] haverá concurso de infrações penais entre o delito de resistência e aquele originário da violência” (aqui págs. 695 e 698).
Não cabe falar em dolo eventual (a denúncia diz ‘no mínimo’ dolo eventual) e, realmente, esse o mínimo, pois é dolo direto, sem dúvida alguma. Ensina Schlee: ao utilizar a chamada concepção volitiva, o Juiz fica tentando adivinhar a “vontade” do réu, que é subjetiva e só ele conhece; o avanço para a concepção cognitiva nos ensina que o dolo é um conceito jurídico que deve ser considerado a partir da análise da conduta do indivíduo (aqui).
Analise os fatos e a conduta: a polícia anuncia um mandado, entra na residência e o réu, armado, efetua inúmeros disparos e fere gravemente um policial. O bandido queria atingir os policiais? Se a resposta é sim, agiu com dolo e a decisão é absurda... Para mim, com certeza, é caso de dolo direto.
Decisão desse naipe só serve para incentivar a policiofobia e colocar, cada dia mais, a sociedade em risco, por gerar impunidade e desincentivar a atuação da polícia, último guardião a proteger a sociedade ordeira do caos da criminalidade de nosso País, um dos locais onde mais se prática crimes, de toda a espécie, no mundo!..
“Quem atira na polícia, atira em mim, atira em você, cidadão de bem!” Marcos Eduardo Rauber, Promotor de Justiça do RGS, em post de suas redes sociais.
Que Deus tenha piedade de nós!.
Cumprindo meu dever - 02/07/2023
Olavo de Carvalho
Um homem de pensamento deve ser fiel à verdade tal como ela se lhe apresenta a cada momento no exame das questões concretas, sem deixar-se envolver por uma atmosfera mental que tinja todo o seu horizonte de consciência com uma tonalidade geral e prévia de “esquerda”, de “direita” ou seja lá do que for. Pessoalmente, nunca me manifestei a favor de nenhuma política “de direita”, e é por pura indução psicótica e ressentimento de complexados que uns sujeitos de esquerda tentam enxergar em mim um feroz direitista. Deduzem isto das críticas que lhes faço. Raciocinam na base schmittiana do “Quem não está conosco está do outro lado”, mostrando que nem sequer em imaginação podem conceber que exista uma inteligência livre, capaz de atacar o mal sem cair no automatismo mentecapto de supor que a simples inversão da ruindade faria dela um bem.
Logicamente falando, a posição política de um indivíduo jamais pode ser inferida das críticas, por mais duras, que dirija a uma ideologia ou partido, pela simples razão de que críticas idênticas podem ser feitas desde várias posições ideológicas. O sionismo foi atacado com igual vigor pela extrema-direita e pelos comunistas. O fundamentalismo islâmico é tão abominado pelos cristãos conservadores quanto pela esquerda feminista e gay ou pelos liberais modernistas e ateus.
Só uma tomada de posição positiva em favor de determinadas políticas é que define identidade e compromisso ideológicos. A crítica é livre e pode vir de todas as direções.
A mentalidade comunista, no entanto, desconhece a tal ponto a liberdade de pensamento, subjuga tão pesadamente a inteligência ao comando partidário, que chega a catalogar a ideologia de um sujeito não pelas intenções e valores que ele professe, mas pela simples conjecturação hipotética e quase sempre paranóica do benefício político ou publicitário que partidos ou correntes possam auferir de suas palavras, ainda que oportunisticamente e contra a vontade dele. Na imaginação dos comunistas, ninguém afirma “x” ou “y” com a simples intenção de dizer a verdade, mas sempre com a premeditação de algum resultado político, mesmo remotíssimo. É que eles pensam assim, eles são indiferentes à verdade e à falsidade e só abrem a boca em vista de efeitos políticos. Por isso imaginam que o resto da Humanidade também é assim.
Foi com base nesse raciocínio alucinadamente projetivo que o Estado soviético chegou a condenar como crime a indiferença política, por julgar que ela denotava sinistras intenções contra-revolucionárias. Boris Pasternak foi parar na cadeia por conta disso.
Da minha parte, estou persuadido de que o homem de pensamento deve ser escrupulosamente comedido ao opinar a favor de qualquer política em especial: ele deve simplesmente fazer a crítica do que é ruim e perverso, deixando ao público e aos políticos, àqueles que se orgulham de ser “homens práticos” e que têm o dever de sê-lo, a decisão de políticas positivas que hão de suprimir ou remediar o mal.
Ademais, se critico a esquerda é porque hoje só existe esquerda. Não há direita nenhuma no Brasil. Há direitistas, mas cada um fechado nas suas convicções privadas, sem qualquer ação de conjunto. A prova mais patente é que a palavra “direita” só aparece na imprensa com conotações sombrias e criminais, jamais como a designação de uma corrente política que tenha o direito de existir como qualquer outra. Apontar um homem como direitista é acusá-lo de conspirador, de golpista, de corrupto, de torturador. Tanto é assim, que qualquer delito cometido em interesse próprio por analfabetos coronéis do sertão é imediatamente atribuído à “direita”, o que é pelo menos tão absurdo quanto enxergar motivação ideológica esquerdista em todos os crimes cometidos por meninos de rua. Só se pode falar nesse tom, impunemente, de uma minoria de párias sem voz nem poder. O curioso é que aqueles mesmos que sem temor de represália falam da direita nesses termos, provando com isto que ela não tem poder nenhum, querem nos fazer crer que ela existe, que ela é uma força organizada e manda no Brasil. Tudo isso é puro histrionismo de uma esquerda que sabe que está no poder mas não deseja assumir as responsabilidades de sua situação.
Hoje o establishment é esquerdista, a oposição também. Leiam as cartilhas de marxismo-leninismo do Ministério da Educação e me digam se um governo que educa as crianças nessa mentalidade não é comunista em espírito, conformado provisoriamente com o capitalismo que não pode suprimir. E qual governo sem forte inspiração comunista desejaria a supressão do sigilo bancário? Nessas condições, seria hipocrisia eu falar mal da “direita” só para me fazer de bom menino e afetar uma independência estereotipada. A independência autêntica não teme os rótulos que lhe queiram impor e não foge deles mediante o apelo a discursos de ocasião. Diz o que tem de dizer, e pronto. A confusão que façam em torno dela corre por conta da malícia e da sem-vergonhice de cada um.
* Artigo publicado em 30 de dezembro de 2000 em O Globo.
** Reproduzido do site do autor, em https://olavodecarvalho.org/2000/
Nota de pesar pelo falecimento da Democracia - 29/06/2023
DEMOCRACIA EM MODO -RELATIVA-
Na rota que leva qualquer -PAÍS CONSIDERADO COMO DEMOCRÁTICO- a fazer um -TEST DRIVE- para conhecer mais de perto como funciona o -REGIME DITATORIAL-, já na primeira curva aparece, com letras garrafais, uma placa informando aos curiosos passageiros que no trecho a seguir a DEMOCRACIA JÁ ENTRA, AUTOMATICAMENTE, EM MODO -RELATIVA-.
ATESTADO DE DESAPARECIMENTO
Infelizmente, por conta de baixa capacidade de discernimento, grande parte dos passageiros não percebem que em REGIMES DEMOCRÁTICOS não cabe o termo -RELATIVO-. Da mesma forma, aliás, como não existe, em hipótese alguma, mulher MEIO-GRÁVIDA. Portanto, para que fique bem claro, usar o termo RELATIVO para definir DEMOCRACIA é, antes de tudo, PASSAR UM ATESTADO DE SEU EFETIVO DESAPARECIMENTO.
RESSUCITAR A ASSASSINADA DEMOCRACIA
Pois, como o nosso triste país vive um momento crítico e decisivo, onde os passageiros dotados de racionalidade tentam, de todas as formas, RESSUCITAR a ASSASSINADA DEMOCRACIA, mais do que nunca é preciso restabelecer o funcionamento da importante -JUSTIÇA- que tem como compromisso GARANTIR OS DIREITOS INDIVIDUAIS, COLETIVOS E SOCIAIS, que de uns tempos simplesmente passaram a ser desrespeitados.
NOTA-EDITORIAL DA JOVEM PAN
A propósito, como as LIBERDADES -DE IMPRENSA E DE EXPRESSÃO- estão sob potente FOGO CRUZADO Brasil afora, onde dois procuradores do Ministério Público Federal -Yuri Corrêa da Luz e Ana Letícia Absy- querem tirar a Jovem Pan do ar, eis aí, em forma de solidariedade total à empresa, a importante NOTA-EDITORIAL emitida ontem, com o título -VOCÊ SABE O QUE É JUSTIÇA?-.
VOCÊ SABE O QUE É JUSTIÇA?
- Você sabe o que é JUSTIÇA? Se você sabe ou não sabe, se tem uma vaga ideia, se acha que sabe, mas não sabe dizer em palavras… enfim, reflita comigo: O que é Justiça? Existem duas respostas: Uma para a Justiça como valor universal, a Justiça como verdade que existe acima dos homens; outra para a Justiça que julga os problemas através das leis, a justiça como instrumento de pacificação e harmonia social. Você quer saber o que é Justiça? Preste atenção: no céu, não há Direito, mas só a Justiça. Até mesmo no inferno não existe Direito, mas somente a Justiça. É sobre este planeta Terra, que, não havendo a verdadeira Justiça, existe o Direito. Porque é um valor universal que vai além deste mundo, a Justiça nos informa a existência da razão e, por isso, a Justiça é aquilo que atesta uma situação de equilíbrio e respeito entre tudo o que existe no universo e qualifica, assim, que a criação divina é justa.
Mas a humanidade nem sempre sabe respeitar e, por isso, ela quebra a harmonia da razão neste planeta. Para que possamos, então, gozar dos direitos humanos fundamentais da liberdade e da igualdade, criamos um sistema chamado Justiça que se inspira na Justiça como valor universal. Neste mundo, portanto, a Justiça parte do pressuposto que, porque somos todos filhos de Deus, tanto quem acusa quanto quem é acusado têm razão. Logo, entre nós, seres humanos, a Justiça é processo e não pode ser outra coisa. Esse processo é estabelecido pelo Direito, cujo objetivo principal é fazer Justiça através da instituição que chamamos de Justiça.
O processo não é a petição inicial, a acusação. O processo também não se resume à decisão dos juízes. O processo é um método preestabelecido pelo Direito que engloba a acusação, a análise de cabimento dessa acusação pelos juízes, a informação desse processo ao acusado pelo juiz, a defesa, o debate sobre os argumentos e as provas, o julgamento e, ainda, o debate acerca da necessidade de revisão do julgamento. O processo é tudo isso. Portanto, acusar ou ser acusado por qualquer um, por qualquer motivo, faz parte do exercício da Justiça no Estado Democrático de Direito. Pelo contrário, quando um acusador faz propaganda da sua acusação como ato de Justiça, pratica, na verdade, uma injustiça, pois, se a Justiça está no processo, essa propaganda é maldosa e quer enganar.
Vale-se da máquina e da estrutura do Estado brasileiro para propagar apenas a acusação, a petição inicial, como se ela fosse uma medida definitiva, como se ela desde já refletisse o resultado de um processo que nem começou; quer dizer, alardear uma petição sem a existência da defesa do acusado, a contestação, como medida heroica e de salvação popular é, em última análise, praticar um crime, o crime de abuso de autoridade. O Ministério Público Federal, quando faz propaganda em um veículo digital pago pelo povo somente para alardear que protocolou uma acusação contra quem quer que seja, faz uso indevido de recursos públicos contra o próprio público, que é dono dos recursos. Esse alarde de uma acusação serve para intimidar e manchar a reputação daquele que é acusado. É, em resumo, um ato antidemocrático, de má-fé, abusivo, leviano e que pretende levar a população a engano. E, porque é abusivo, é um ato ilícito, um exercício de injustiça praticado com o dinheiro do pobre brasileiro pagador de impostos.
Os serviços prestados à sociedade brasileira pela Jovem Pan preenchem muitas páginas da história do Brasil desde o século passado. Mas, somente agora, está sob ataque – justamente por ousar ser aquilo que se espera de um veículo de imprensa: ser livre, independente e ser sempre crítico. Este editorial não se resume em uma defesa da Jovem Pan. É uma defesa para que você não seja calado. Não importa se você é de esquerda, direita, centro ou apolítico: defender o fechamento de um veículo de imprensa é um atentado contra a democracia que somente se viu em regimes fascistas, nazista, soviéticos, enfim, toda sorte de regimes autoritários. Diga não à censura hoje para não se envergonhar de ser brasileiro amanhã.
Relação de ódio, raiva, desprezo - 12/06/2023
Gilberto Simões Pires
DIA DOS NAMORADOS
Hoje, 12 de junho, os brasileiros comemoram o DIA DOS NAMORADOS, data fielmente copiada do VALENTINE’S DAY que nos Estados Unidos e na Europa é comemorado dia 14 de fevereiro.
LOJA CLIPPER
Face ao baixo movimento das vendas no comércio no mês de junho, a já extinta Loja Clipper contratou, em 1949, a agência Standard Propaganda com o propósito de coordenar uma campanha que fosse capaz de animar o comércio em geral. Para tanto, a data escolhida foi o dia 12 de junho por ser véspera do dia de Santo Antônio, conhecido como SANTO CASAMENTEIRO.
TERCEIRA MELHOR DATA PARA O COMÉRCIO
A campanha, iniciada 74 anos atrás, foi de tal forma exitosa que o DIA DOS NAMORADOS é a TERCEIRA MELHOR DATA PARA O COMÉRCIO no país, atrás apenas do NATAL e do DIA DAS MÃES.
INTROMISSÃO DO ESTADO
Como no nosso imenso Brasil o ESTADO se intromete, através da INCONTROLÁVEL FOME TRIBUTÁRIA, notadamente quando há troca de presentes, o DIA DOS NAMORADOS é muito festejado -financeiramente- pelos insaciáveis governantes por conta da TAXAÇÃO ABSURDA IMPOSTA sobre os produtos que mais se identificam com a data comemorada pelos casais apaixonados.
RELAÇÃO DE ÓDIO, RAIVA E DESPREZO
O abuso é de tal ordem e indecência que, segundo pesquisa feita pelo IBPT - Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação-, os presentes para o Dia dos Namorados poderão ter mais de 70% de taxas de tributo.
Eis aí alguns exemplos desta RELAÇÃO DE MUITO ÓDIO, RAIVA E DESPREZO:
Flores naturais: 17,71%
Chocolates: 39,61%
Cerveja garrafa: 42,69%
Cerveja artesanal: 42,69%
Champagne: 59,49%
Cosméticos: 55,27%
Joias: 50,44
Perfume importado:78,99%
Perfume nacional: 69,13%.
Vinho nacional: 44,73%
Vinho importado: 59,73%
Pato ou águia? A decisão é só sua. - 11/06/2023
Autor desconhecido
Você decide.
Eu estava no aeroporto quando um taxista se aproximou.
A primeira coisa que notei no táxi foi uma frase, logo li:
- Pato ou águia? Você decide.
A segunda coisa que notei foi um táxi limpo e brilhante, o motorista bem vestido, camisa branca e calças bem passadas, com gravata.
O taxista saiu, me abriu a porta e disse:
"Eu sou João, seu chofer. Enquanto guardo sua bagagem, gostaria que o senhor lesse neste cartão qual é a minha missão."
No cartão estava escrito:
Missão de João
- Levar meus clientes a seu destino de forma rápida, segura e econômica, oferecendo um ambiente amigável.
Fiquei impressionado.
O interior do táxi estava igualmente limpo.
João me perguntou:
"O Senhor aceita um café?"
Brincando com ele eu disse: "não, eu prefiro um suco".
Imediatamente ele respondeu:
"sem problema.
Eu tenho uma térmica com suco normal e também diet, bem como água" também me disse:
"se desejar ler, tenho o jornal de hoje e também algumas revistas."
Ao começar a corrida João me disse:
"essas são as estações de rádio que tenho e esse é o repertório que elas tocam."
Como se já não fosse muito, o João ainda me perguntou se a temperatura do ar condicionado estava boa.
Daí me avisou qual era a melhor rota para meu destino e se eu queria conversar com ele ou se preferia que eu não fosse interrompido.
Eu perguntei:
"você sempre atende seus clientes assim?"
"Não", ele respondeu.
"Não sempre. Somente nos últimos dois anos. Meus primeiros anos como taxista passei a maior parte do tempo me queixando igual aos demais taxistas.
Um dia ouvi um doutor especialista em desenvolvimento pessoal. Ele escreveu um livro chamado Quem você é faz a diferença. Ele dizia: se você levanta pela manhã esperando ter um péssimo dia, certamente o terá.
Não seja um PATO!
Seja uma ÁGUIA!
Os patos só fazem barulho e se queixam, as águias se elevam acima do grupo.
Eu estava todo o tempo fazendo barulho e me queixando.
Então decidi mudar minhas atitudes e ser uma águia.
Olhei os outros táxis e motoristas.
Os táxis sujos, os motoristas pouco amigáveis e os clientes insatisfeitos.
Decidi fazer umas mudanças.
Como meus clientes responderam bem, fiz mais algumas mudanças.
No meu primeiro ano como águia, dupliquei meu faturamento. Este ano, já quadrupliquei.
O senhor teve sorte de tomar meu táxi hoje. Já não estou mais na parada de táxis. Meus clientes fazem reserva pelo meu celular ou mandam mensagem. Se não posso atender, consigo um amigo taxista "águia" confiável para fazer o serviço."
João era diferente.
Oferecia um serviço de limusine em um táxi normal. João, o taxista, decidiu deixar de fazer ruído e queixar-se como fazem os patos e passou a voar por sobre o grupo, como fazem as águias.
Não importa se você trabalha em um escritório, com manutenção, professor, servidor público, político, executivo, empregado ou profissional liberal ou taxista!
Como você se comporta?
Se dedica a fazer barulho e se queixar? Ou está se elevando acima dos demais?
Lembre-se: A DECISÃO É SUA.
Essa chave só abre pelo lado de dentro!
E CADA VEZ VOCÊ TEM MENOS TEMPO PARA MUDAR!
Brasil: uma ditadura a la Venezuela - 09/06/2023
Gilberto Simões Pires
DITADURA A LA VENEZUELA
Todo santo dia ouço e leio mensagens de brasileiros que, com pesar, se declaram convencidos de que o REGIME POLÍTICO DO NOSSO EMPOBRECIDO BRASIL é DITATORIAL. Mais: como bem aponta o pensador Roberto Rachewsky, é uma DITADURA A LA VENEZUELA, uma vez que NÃO TEM UMA CONSTITUIÇÃO E OS DIREITOS INDIVIDUAIS E CIVIS NÃO SÃO RESPEITADOS NEM PROTEGIDOS POR QUEM DEVERIA FAZÊ-LO: A JUSTIÇA, A POLÍCIA E AS FORÇAS ARMADAS.
CONTROLES IMPOSTOS POR HUGO CHÁVEZ
Ora, quando muita gente diz, sem o menor receio, que no Brasil impera uma clara -DITADURA A LA VENEZUELA, esta afirmação tem como base os CONTROLES DA IMPRENSA, DO JUDICIÁRIO E O ESTADO DE EXCEÇÃO, que passaram a vigorar, a partir de 1989, quando Hugo Chávez assumiu o poder na Venezuela.
CONTROLE DE IMPRENSA
No que diz respeito ao -CONTROLE DE IMPRENSA-, como bem observou, em 18/06/2015, na coluna do G1, o jornalista Hélio Gurovitz, os jornais -El Universal e Últimas Notícias-; as emissoras de televisão -RCTV e Globovisíon- depois de anos de perseguição, foram forçados a passar para as mãos de grupos ligados ao governo. No ano anterior (2014) mudanças nas regras para a importação de papel, destinadas a atingir as empresas de jornais, levaram o “El Impulso”, jornal mais antigo do país, e 11 outros jornais a interromper sua circulação. - Aliás, segundo o relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa, na Venezuela é quase nulo o acesso à informação em mãos do Estado e se criminaliza toda forma de manifestação social e política dissidente, seja de jornalistas, dirigentes locais, estudantes ou políticos.
CONTROLE DO JUDICIÁRIO
Entretanto, a maior semelhança fica por conta do CONTROLE DO JUDICIÁRIO, que ocorreu em maio de 2004, quando uma lei -DITATORIAL- reformou o Supremo Tribunal Federal da Venezuela, incorporando 12 JUÍZES CHAVISTAS. Desde então, o tribunal funciona, de acordo com a Human Rights Watch (HRW), como um APÊNDICE DO EXECUTIVO. “Desde que o ex-presidente Chávez e seus partidários na Assembleia Nacional assumiram o controle político da Suprema Corte em 2004, o poder judiciário praticamente parou de funcionar como um poder independente do governo”.
ESTADO DE EXCEÇÃO
Em março de 2015, vale lembrar, o PARLAMENTO, já controlado por chavistas, concedeu a Nicolás Maduro poderes para governar por decreto em TEMSAS DE SEGURANÇA NACIONAL, por seis meses, por meio de um dispositivo aprovado em 2013, conhecido como Lei Habilitante. Trata-se de um expediente clássico, usado para implantar regimes de exceção.
Diga aí, caro leitor: - ainda falta mais alguma coisa para confirmar que o Brasil já vive, categoricamente, uma DITADURA A LA VENEZUELA?
Ricardo Salles: entre duas linguagens - 06/06/2023
Marco Frenette
O deputado federal do PL está em destaque por conta da CPI contra os terroristas e da escolha de candidato à prefeitura de São Paulo. Nos dois casos, ele enfrenta a linguagem distorcida que usam contra ele.
Salles tem o discurso direto das pessoas honestas. Ele assume que é de direita, que é bolsonarista e que é inimigo da esquerda. Ele não tem a língua bifurcada.
No entanto, a bifurcação está presente em vários que circulam no meio conservador, protegidos pelo escudo frágil e provisório de "trabalhar para a direita".
Alguns chamam Salles de "extrema-direita", para rotulá-lo de "radical"; e outros desmerecem seu discurso como sendo "maniqueísta" e "polarizado".
Supostos aliados dizem que ele não entende "a diversidade democrática do cenário político contemporâneo", mas esta frase é um eufemismo para a submissão à hegemonia esquerdista.
Outros criticam Salles por não apanhar quieto e não engolir calado o rótulo de radical inoportuno. O problema é que esses críticos utilizam o arsenal da novilíngua, estuprando o real significado das palavras.
Repare que não estou falando em termos de Salles estar certo ou errado, embora eu concorde com ele.
Estou chamando a atenção para o uso delinquencial da linguagem por aqueles que se dizem inimigos do marxismo cultural. Deixe-me ouvir as palavras que você escolhe para se expressar, e eu te direi quem és.
A censura ditatorial - 05/06/2023
Sílvio Munhoz
Ao começar a série sobre censura, com o artigo chamado Silêncio, citei uma frase do Adriano Marreiros: “O problema não é com os boatos falsos, mas sim com os fatos verdadeiros e com as opiniões que me contrariam: a liberdade de expressão é perigosa”.
Basta comparar passado recente com os dias atuais para verificar o quão verdadeira é a citação. Lembram o episódio, durante o segundo turno das eleições presidenciais, no final do ano passado, quando o TSE proibiu o partido de um dos candidatos de fazer propaganda referindo a amizade do outro candidato com “ditadores”, entre eles o atual “Presidente” da Venezuela, pois consistiria “propaganda ilícita”.
A “propaganda ilícita” dizia ser o “Mandatário” do vizinho país e o candidato – hoje Presidente - amigos, que aquele era um ditador e este tentaria ajudá-lo... o que havia de mentira, desinformação ou ilícito em tal propaganda? A amizade de longa data – fato notório e comprovado – é escancarada para o mundo quando o hoje Presidente do Brasil recebe o vizinho com pompas e circunstâncias e tenta de todas as formas defendê-lo, embora seja considerado um pária, mercê de seus desmandos, por inúmeros países do mundo...
A tentativa de ajuda fica evidente, não só pelos inúmeros discursos, tentando minorar as práticas abusivas ocorridas (o famoso “passar pano”), mas com o próprio Ministro da Economia dizendo que vai “reprogramar” a dívida da Venezuela, ou seja, o Brasil já recebeu um calote em 2018 de Venezuela e Moçambique e foi, na época, aprovada a Lei nº 13.659 de 07/05/2018, criando crédito de 1.16 bilhões de reais para cobrir o rombo, pagos pelo FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador – seguro desemprego). Preparem-se pagadores de impostos brasileiros, trabalhem mais, pois o resultado da “reprogramação” sequer precisa ser vidente para saber qual será...
Qual seria a desinformação ou mentira da propaganda, então, não seria o personagem um “ditador”? Não, tais afirmações não eram desinformação nem mentira, ao contrário, tratava-se de fatos comprovados por análise de uma “Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos” criada pela ONU para apurar as denúncias contra a Venezuela e que já no primeiro relatório publicado em 16/09/2020 apontava: “o Estado venezuelano tem de ser responsabilizado por execuções extrajudiciais, desaparecimentos forçados, prisões arbitrárias e tortura”, e deixava claro o envolvimento do seu Presidente (leia aqui).
As violações ocorridas no País vizinho continuam, como mostra o relatório de 2023 da organização Human Rights Watch (aqui), gerando declaração enfática da Secretária-Geral da OEA: “Não é um tempo para ambigüidades, é um tempo para justiça; Não é hora de encontrar termos de convivência com a ditadura venezuelana, é hora de restabelecer a democracia no país” (aqui) e continuam a ser denunciados pela ONU em 2023, apontando, inclusive, ataques contra jornalistas e a imprensa (aqui).
Apesar dos fatos o Presidente do Brasil - em clara mostra da veracidade e acerto da propaganda proibida – disse, em discurso, que as acusações contra Maduro e a Venezuela não passavam de “narrativas”... imaginando, talvez, na sua tentativa de ajudar o amigo a qualquer preço, ser possuidor de tamanha força que tornaria realidade a Orwelliana frase do icônico 1984: “Se o líder disser que tal evento não aconteceu, não aconteceu. Se diz que dois e dois são cinco, então dois e dois são cinco”.
Felizmente, para o bem da humanidade, não é dotado de tal poder e outros lideres levantaram as vozes para demonstrar o equívoco de suas palavras, inclusive, o Presidente do Chile, reconhecido progressista/esquerdista, que com clareza sentenciou: “a ditadura no país vizinho não é “narrativa”, e sim “real e séria”. “Temos discrepância com o que Lula disse ontem. Não é uma questão de narrativa”.
Esse é o perigo da existência de um órgão (Ministério da Verdade de 1984 ou similar) para ditar o que é “mentira ou verdade”, “informação ou desinformação”, pois o dono da caneta pode achar que a liberdade de expressão é só uma emoção, além de perigosa e proibir a informação verdadeira, só por conter uma posição que contraria ao seu pensamento. Por isso é fundamental a rejeição do PL DA CENSURA (PL2630). #CensuraNão.
“Ver o que está diante de nossos olhos requer um esforço constante.” Orwell, 1984.
Que Deus tenha piedade de nós!..
E aí, Ministra, o juízo ou a cabeça? - 25/05/2023
Valterlucio Bessa Campelo
A Ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, a acreana Marina Silva, resolveu espremer o chefe Lula da Silva neste imbróglio da exploração de petróleo na costa amazônica brasileira. Perfurações de teste a 500 km do Amapá foram vetadas por ela liminarmente, com base em “evidências”, seja lá o que isso signifique.
Para os mais novos, um pouco da história política de Marina. Projetada nacional e internacionalmente pelo cadáver de Chico Mendes, no qual ancorou-se e herdou fama, contatos e prestígio, a ex-marxista do PCR Marina Silva, que já dava seus primeiros passos em mandatos de vereadora em Rio Branco e de deputada estadual no Acre, foi eleita Senadora pela generosidade do povo acreano em 2002. Imediatamente, dado o simbolismo que carregava, foi nomeada Ministra do Meio Ambiente no primeiro governo Lula da Silva, de onde saiu soltando maribondos em maio de 2008, dizendo que “perderia a cabeça, mas não o juízo”, face à decisão governamental sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte. Pouco tempo depois, em 2009, saiu do PT na tentativa exitosa, diga-se, de não aparecer no esgoto de corrupção petista aberto pela Justiça. Em algumas oportunidades até reconheceu (de má vontade) as estrepolias éticas e morais do presidente Lula.
Em 2009 se acomodou no PV, partido pelo qual foi candidata à presidência da república no ano seguinte, perdendo honrosamente. Em 2014 foi candidata a vice na chapa do PSB de Eduardo Campos. O acaso, salvou-a da morte acidental(?) do candidato e a fez titular da chapa, quando foi massacrada pela campanha petista de Dilma Roussef. Acostumada a aparecer na cena de quatro em quatro anos para dar pitacos em temas controversos, ressurgiu em 2018 como candidata a presidente e ficou em 8º lugar. Em 2022, descobriu o amor por São Paulo e lá foi eleita deputada federal para em janeiro deste ano, dar um cavalo de pau moral e aceitar novamente a nomeação como Ministra de Lula da Silva, aquele que chegou a chamar de corrupto.
Pois bem. Nesta terça-feira, em entrevista rápida para tratar da decisão de vetar a exploração de petróleo nas imediações da foz do Amazonas, a Ministra emparedou o chefe Lula com uma frase duríssima. Disse ela. “Em um governo republicano e democrático, as decisões técnicas são obedecidas”. É, ao mesmo tempo, uma camisa de força no governo e uma bobagem que, não sendo pueril, só pode ser um serviço ao globalismo e seus vieses antinacionais. Explico.
Sabe a professora de história e política experiente que a técnica não é neutra. Não existe esse negócio de “decisão técnica não se discute, se obedece”, como fez transparecer em sua resposta, insistindo em “evidências” talvez para lembrar a COVID e nela ancorar sua decisão militante. A técnica, seja qual for, surge e é implementada carregada de elementos políticos, aliás, desde a sua própria criação, o conhecimento depende de decisões políticas, então, não se trata de prestígio à ciência como sugere, mas de escamotear a opção por engessar a Amazônia brasileira e vetar todas as vias de exploração que não sejam sancionadas a nível global pelos detentores do poder e seus aliados, a saber, Organizações das Nações Unidas – ONU, Fórum Econômico Mundial – FEM e o onguismo internacional.
Precisam entender os amazônidas de uma vez por todas (que este caso sirva de exemplo), que a Marina Silva há muito deixou de ser a seringueira, pobre e preta (jargões politicamente corretos que gosta de utilizar), para se transformar em títere do globalismo. Seu aludido cristianismo não resiste a uma campanha abortista sem relativizá-lo, seu amor pelos habitantes da Amazônia não resiste a um mandado do Klaus Schwab, seu pires estendido para receber grana do tal Fundo Amazônia tem como destino certo o onguismo que sustenta e projeta sua imagem internacional. Somente um otário pensaria que a Ministra ainda tem na mente alguma estrada de seringa, seu negócio é o aplauso globalista ao lado de Leonardo di Caprio e Greta Thundberg, de preferência.
Sim, ela emparedou o governo. Se Lula da Silva insistir em dispensar a “decisão técnica” e promover no litoral amazônico a exploração de petróleo como já fazem os vizinhos da Guiana Francesa e Suriname, estará jogando “contra as evidências” e traindo seu compromisso com os ambientalistas. Se deixar a Marina mandar, e submeter o governo com Petrobras e tudo à agenda imobilista que seus parceiros internacionais estabeleceram para a Amazônia, gritará que é um servo do globalismo. O custo, entretanto, pode ser alto.
Ocorre que nem todos no Governo rezam na cartilha marinista. Tem gente com juízo suficiente para entender que a carga internacional sobre a Amazônia pretende tão somente manter-nos pobres, e cada vez mais dependente de fundos que trazem consigo a governança sobre a maior parte do território brasileiro, o que não parece razoável para muitas lideranças regionais. O único senador de seu partido pulou fora por causa dessa decisão e logo a discussão chegará com força ao Pará. O Ministro de Minas e Energia considerou inadimissível a postura da colega, o Congresso quer limitar a autonomia da Ministra, enfim, também nessa área o governo está uma bagunça.
Conscientemente, a Marina esticou a corda e ameaça o próprio país com sanções internacionais e essa balela de “decisões técnicas” apartadas da política. Ela jura que é a fiadora internacional da gestão ambiental brasileira e, talvez, seja mesmo, já que Lula da Silva virou piada. O certo é que se estima que exista uma reserva de mais de 40 bilhões de barris de petróleo e imensurável quantidade de gás somente na área adjacente ao Amapá. O dilema está, portanto, colocado. Exploramos nossas riquezas como todo mundo faz ou engessamos a Amazônia e estendemos o pires?
Esperemos que o governo Lula da Silva tenha juízo, atropele o empate marinista e autorize a Petrobras a cavucar até a última gota de petróleo que existir, gerando riqueza, renda, empregos e desenvolvimento. Técnica é a capacidade de realizar a exploração e isso temos sobrando, o resto é política e a Ministra sabe disso, apenas a utiliza contra a Amazônia e o Brasil.
* Valterlucio Bessa Campelo escreve às sextas-feiras no site ac24horas e, eventualmente, no seu BLOG, no site Liberais e Conservadores do Percival Puggina e outros sites.
Gringuices e brasuquices - 25/05/2023
Silas Velozo
Quando um brasileirinho da perifa raqueteia a bola de lado no tênis, dizem back-hand. Surfista girando no Ceará realiza loops e se roda caindo, drop spins. Isqueitista faz street ao andar nas ruas. Bicicletas despencando nas ladeiras das favelas, downhill. Internauta em Pindamonhangaba faz downloads. Peladeiros nas praias cariocas agora jogam beach soccer em competições oficiais. Zezinho qualquer no sertão dá um drible quando dibra. Caminhadas rústicas não mais, sim trekking. Idem pegar jacarezinho, agora body-board. Andávamos de bicicleta antes de virar bike. Se a loja entrega a domicílio, delivery. Bolha de proteção nos carros, air bag. Rango rápido, fast food. Roqueiro em Piancó balançando a cabeça, head-banger. Congelador, freezer. Dona Raimunda nem faz mais limpeza de pele, ora, é peeling. Alto-falante de sons graves, woofer. Pedaços de frango empanados, chicken-eetos. Faz o que tens, just do it. Patins, roller.
Por que não pendraive, rali, catupiri, saite, imeio, tríler, tur, isqueite, becape, linque, gurmê, trêiler, teipe, gueime, guei, musse e tantas outras como o jornal Pasquim faria, do mesmo modo que jogávamos bola brincando, confiantes de não precisar imitar o formalismo dos quadris duros estranjas. Com esse engarrafamento gringal acontecem alguns borocochismos evitáveis. Quando anos atrás o vulcão Eyjafjallajökull (pronuncia-se Eiafiétlariogute) na Islândia entrou em erupção, causou danos à economia europeia, africana, asiática e... à língua portuguesa. Batendo cabeça, nossa imprensa usou a grafia islandesa original, tendo de botar uma bula nos instruindo como pronunciar o palavreão... Por que não grafar o nome já vertido ao português, em parênteses o original apenas uma vez nos textos?
Aí palavras aportuguesadas há décadas recomeçam a voltar ao ninho gringo, boutique, tarot, toilette, crochet, off-road, feedback, bamboo etc e até pasmei uma oficina mecânica anotar capot em vez de capô. Além do mais, o baque em nossa inventividade. Como Deutchland aflorou em Alemanha? Corner em escanteio? Abat-jour em abajur? Porque saboreávamos transpor quebra-línguas estrangeiros em malemolência brasilíssima. Orgulho, poesia e doce insubmissão nesse ato simples, como bananeiras balançando ao vento. Desconfiando não ser comparação besta, lá vai: das 9 primeiras copas do mundo de futebol, ganhamos 3, (sem nunca tomar sapatada de 7 x 1); depois disso, em 13 disputadas, só levantamos a taça duas vezes. Nos perdemos mais macaqueando o mundo do que gingando-o.
Anos atrás sonhei apenas ouvir a sonoridade de nosso idioma, desplugada de significado. Só a música das palavras encadeando-se, como se minhas orelhas viessem do leste europeu, de outra arquitetura semântica. Então... meu filho hoje namora uma polonesa! E, antes de captar o sentido de qualquer palavra em português, ela já o achava a língua mais bela. Passou a estudá-la. Ah, gostaria de herdar por uns momentos seus ouvidos ainda não totalmente racionais do idioma. Como num hotel em Amsterdã certa vez, quando um atendente nativo nos confessou adorar ouvir nossas conversas no saguão pelo prazer da musicalidade.
Ô ié! Se não conseguirmos antropofagar em gaiatice todas essas emissões estrangeiras, melhor arriar as fronteiras logo, dolarizar tudo, gringar de vez, porque tá chato demais. É ótimo passear nos idiomas alheios, mas importar sem imprimir o tempero brasuca não vertendo-os à língua mátria esfacela o Português, menospreza e deixa a maioria de nossos compatriotas confusos. E agora ainda querem enfiar goela abaixo a artificiosa e insossa linguagem neutra...
Enfim, nem “mior” nem outdoor, muito menos menine; sim, equilíbrio, sapequice, dengo, suingue, molejo nas ancas, vai-não-vai-vai-mesmo, tropicanonização. Fazer a vida se divertir!
Censura ou algo além? - 19/05/2023
Sílvio Munhoz
Novamente a censura... Vocês devem estar pensando isso e achando chato, mas nunca esqueçam que a liberdade de expressão é a maior e mais fundamental das liberdades, sem a qual as outras podem perecer e esvair-se, por entre os dedos, a própria democracia. Tal aspecto é reconhecido pela declaração de princípios sobre liberdade de expressão (leia), da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ao estabelecer no artigo 1º: “A liberdade de expressão, em todas as suas formas e manifestações, é um direito fundamental e inalienável, inerente a todas as pessoas. É, ademais, um requisito indispensável para a própria existência de uma sociedade democrática”.
Nos anos da intervenção militar no Brasil, para quem não viveu ou não lembra, as notícias que seriam publicadas eram submetidas a um CENSOR (agente do Governo, termo relembrado por editorial do Estado de São Paulo), o qual lia o texto e liberava ou não a publicação, quando não concordava com o teor apunha um carimbo na matéria com o termo “censurado”. Os jornais ou revista, para evitar o espaço em branco criaram o costume de colocar no lugar uma receita, normalmente, de bolo.
Embora tardio o protesto do Estadão, mostra como a preocupação deve ser de todos, inclusive, dos membros da ex-imprensa, pois pau que bate hoje em Chico pode bater amanhã em Francisco e a história bem o demonstra. Porém, o que estamos vivenciando no atual momento do Brasil vai além...
O Censor, segundo o Estadão, está muito mais para “ministro”, do Ministério da Verdade do seminal “1984”. Na distopia de Orwell, a função de Wiston, personagem central, não era censurar, mas alterar a verdade, mudando as matérias para ficarem de acordo com o pensamento dos donos do poder. Em suas palavras: “Nenhuma notícia ou opinião que conflitasse com as necessidades do momento poderiam permanecer gravadas. Toda a história era um palimpsesto, raspado e regravado quantas vezes fossem necessárias. Uma vez feita a alteração, era impossível provar que qualquer falsificação fora aplicada”.
Não foi exatamente o que ocorreu com o Telegram? Não bastava censurar. O aplicativo além de não poder expressar sua opinião sobre tema que impacta fortemente sua atividade, o PL 2630, foi obrigado a colocar no lugar – não a receita de bolo, mas como Wiston fazia – a versão oficial “do censor”, segundo a qual estaria desinformando (mentindo), conceito que inexiste legalmente no Brasil e será incorporado caso o PL seja aprovado. O desespero para aprovar o PL parece a necessidade de justificar legalmente os atos praticados há algum tempo, ao arrepio da Lei.
Como diz um dos considerandos da declaração de princípios, acima citada: “ao se obstaculizar o livre debate de idéias e opiniões, limita-se a liberdade de expressão e o efetivo desenvolvimento do processo democrático”.
Suprimida a principal liberdade, não duvidem, muitas outras serão suprimidas. Vejam, não à toa, já surgiu proposta para regulamentar a “liberdade de manifestação”, e a filha do autor de tal proposta, “falando em nome da OAB”, sugere a criação de um órgão para fiscalizar as redes sociais e, ao que parece, em breve será proibida a liberdade de oposição em nossa Pátria. Na decisão de cassação de um Deputado Federal foi criada a jurisprudência heptadimensional da bola de cristal, pois baseada em previsões futurísticas, que se soma, no rol de grandes novidades do processo penal brasileiro ao flagrante perpétuo com expedição de mandato!.. Pobre Brasil
Será que chegaremos à tão sonhada, por tantos, “democracia” de Partido único!... Rezo com muito fervor para que o Brasil não seja testemunha disso!..
“Quando a liberdade de expressão nos é tirada, logo poderemos ser levados, como ovelhas, mudos e silenciosos, para o abate.” George Wastington.
Que Deus tenha piedade de nós!..
Campos, o Óbvio - 16/05/2023
Gilberto Simões Pires
CAMPOS, O ÓBVIO
Toda a vez que ouço ou leio as razões apontadas pelo presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, no tocante ao patamar da Taxa Selic, não raro me vem à cabeça o conteúdo do excelente livro -ADAMS ÓBVIO-, biografia ficcional de Osborne Adams, que trabalhava para a Oswald Advertising Agency, em New York.
FAZER O ÓBVIO
Para quem não leu, (sugiro a leitura), todas as PARÁBOLAS da história de ADAMS ÓBVIO acabam demonstrando a razão do seu sucesso, qual seja -FAZER O ÓBVIO-. Mas não aquele óbvio que salta aos olhos, que frequentemente é a razão do insucesso de quem não analisa suficientemente suas questões. Adams sabia que o óbvio nem sempre é evidente, e ia até o cerne, não se deixando desviar dos fatos, nem cedendo à tentação de analisar apenas a parte mais interessante da amostra.
DOSE DE MUITA OBVIEDADE
Pois, ontem, ao assistir, na CNN, a entrevista que Roberto Campos Neto concedeu ao empresário Abilio Diniz, no programa -CAMINHOS-, me veio imediatamente à lembrança a obra ADAMS ÓBVIO quando Campos Neto afirmou que a taxa de juros estar em um patamar alto não é culpa do Banco Central, mas sim da DÍVIDA DO GOVERNO. Foi, certamente, uma dose e tanto de muita OBVIEDADE.
O GRANDE CULPADO
Para ser mais claro, Campos Neto praticamente -desenhou- quando disse: - “A gente tem que tomar cuidado para não ter uma inversão de valores. Se você, empresário, está tentando pegar um dinheiro e está caro, a culpa não é do BC, porque é malvado, a culpa é do governo, que deve muito. Porque o governo está competindo com você pelo dinheiro que tem disponível para aplicar em projetos. Então, assim, o GRANDE CULPADO pelos juros estarem altos é que tem alguém competindo pelos mesmos recursos e pagando mais”. De acordo com Campos Neto, se a dívida do governo fosse baixa, “o custo do dinheiro seria mais barato para todo mundo”. “Quando a gente pensa que o governo faz uma emissão hoje, longa, e paga uma taxa de juro real acima de 6%, isso não tem a ver com o Banco Central, isso é uma percepção de longo prazo e existe um risco que justifique que a taxa de juro real seja 6%”, explicou o presidente da autoridade monetária.
FALÁCIA
Sobre a questão da inflação não estar associada à demanda, Campos Neto considerou como “falácia”. “Acho que tem duas falácias. Primeiro, que a inflação não é de demanda (…). Os componentes de oferta existiram em algum momento, principalmente durante a invasão da Ucrânia, mas eles diminuíram. Hoje, a gente tem claro os componentes de demanda e a gente consegue quantificar, olhando, dependendo do índice ou o que está acontecendo na economia, o que é a demanda e onde que está vindo essa demanda. Essa é a primeira falácia”, rebate Campos Neto.
Em seguida, ele rebate o argumento de que, se fosse uma inflação de oferta, o Banco Central não deveria atuar. “Segundo é que não existe também alguma coisa que diga ‘quando é inflação de oferta, você não faz nada’. Porque o BC tem que combater a inflação de demanda e tem que combater o que chamamos de efeitos secundários de um possível choque de oferta”. Veja aqui a entrevista completa (https://www.cnnbrasil.com.br/economia/se-o-dinheiro-esta-caro-a-culpa-nao-e-do-bc-porque-e-malvado-mas-do-governo-que-deve-muito-diz-campos-neto-a-cnn/).
Apatia cívica - 13/05/2023
Dagoberto Lima Godoy
Nos últimos quarenta anos, participei de vários movimentos memoráveis, em que os empresários marcaram posições afirmativas, em momentos críticos da política nacional. Lembro deles com um certo orgulho, embora tenham resultado em mais frustrações do que conquistas.
No final da década de setenta, quando apenas se esboçava a abertura do regime militar, o “Manifesto dos Oito” veio a público, clamando pela volta à democracia (para honra nossa, com a assinatura de dois gaúchos -- Jorge Gerdau e Paulo Vellinho). O fato marcou o esgarçamento da aliança do setor produtivo com o regime de exceção e abriu espaço para a manifestação de outros setores da sociedade brasileira. Na mesma época, coordenei uma enquete da Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul sobre o pensamento político dos associados, que se declararam maciçamente na mesma direção dos “Oito”, num posicionamento com repercussão nacional.
Nos anos oitenta e noventa, foram firmes e fortes as campanhas empresariais em favor da Constituinte e, após, da Revisão Constitucional, numa defesa vigorosa da democracia e da livre iniciativa econômica. A Fiergs, por exemplo, viveu um episódio memorável quando a comitiva de 130 gaúchos que levei à Brasília, com as propostas de empresários e sindicalistas independentes para o aperfeiçoamento da Constituição, foi “recepcionada” e agredida por arruaceiros da esquerda retrógrada. Mas, a missão foi cumprida.
Com a eleição de Fernando Henrique, as entidades empresariais uniram-se de norte a sul do País em luta pela realização das reformas institucionais, indispensáveis ao desenvolvimento de uma economia competitiva. E retomaram a pressão sobre o Governo e o Congresso, depois que os primeiros avanços, obtidos no primeiro mandato de FHC, não tiveram a continuidade necessária.
Foram quatro momentos importantes da vida nacional em que o setor empresarial não se omitiu, na defesa de seus legítimos interesses, sim, mas também de garantias constitucionais e oportunidades de trabalho e melhoria de vida para a população inteira. “Mostrou a cara”, não obstante o poder econômico governamental e a militância agressiva dos inimigos da economia de mercado.
Veio então a desgraça dos governos petistas, que haveria de desembocar na atual crise, talvez a mais grave dos últimos sessenta anos, por atingir de uma só vez os âmbitos político, econômico, e moral, e colocar em risco as próprias instituições nacionais. Mas, dessa vez, as representações empresariais ...
É até compreensível a cautela de um setor tão dependente do estado todo poderoso, que faz as leis e as aplica discricionariamente, que onera com tributos insaciáveis toda a produção de riqueza, que exerce o monopólio do crédito de longo prazo com juros subsidiados, e que se mostra implacável ao exercer o poder de polícia contra quem não seja “amigo do Rei”. Mas já não é tão fácil aceitar tamanha passividade quando a situação se agrava a ponto de levar o povo às ruas, no país todo, em demonstrações de repúdio às violências perpetradas contra a ordem constitucional justamente pelos encarregados de defendê-la, e em protesto contra a falta de transparência do processo eleitoral. Chega a ser incrível o silêncio das lideranças empresarias quando a sucessão dos atos governamentais, tanto no campo político quanto no econômico e no institucional, deixam evidente a intenção de instalar no País um socialismo bolivariano, do tipo sonhado e proclamado pelo Foro de São Paulo. Será que não se dão conta do que aconteceu com as empresas da Venezuela?
De cabeça para baixo: incentivos e prioridades - 10/05/2023
Alex Pipkin, PhD
Penso que, cada vez mais, é preciso reiterar que democracia de verdade, não a cleptocracia tupiniquim, para gerar real crescimento econômico e social sustentado, é dependente de um sistema econômico de mercado eficiente.
Neste sentido, assistindo o ministro do STF, Gilmar Mendes, no programa Roda Viva, mais uma vez, surpreendeu-me negativamente, sua explícita satisfação com a vitória do candidato esquerdista Lula, francamente beneficiado por tal Corte Suprema.
A alegria contagiante desse ministro, correlacionava-se com a “volta da democracia” no país, e o afastamento da “extrema direita” e do autoritarismo, expresso na figura do ex-presidente.
A turma dos grandes vinhos premiados e das lagostas, juntamente com quase todos os “progressistas” que fizeram o “L”, só pensam no retorno do “amor e da democracia” ao país verde-amarelo.
Conforme a ministra do governo petista, Marina Silva, metade da população brasileira passa fome, mais isso aparenta ser desimportante, tendo como fatos cabais dessa omissão, a compra de cama e de sofá a preços estratosféricos, e o luxo e a pompa exibidos nas intermináveis viagens internacionais do casal presidencial Lula-Janja.
Políticas econômicas progressistas, que cheiram à naftalina, associadas as nacionais-desenvolvimentistas, são a receita certa para o atraso e para a estagnação econômica.
Qualquer estudante de economia e/ou de gestão e negócios sabe que uma política econômica adequada para o caixa do governo e, fundamentalmente, para a satisfação dos consumidores e dos contribuintes, é a privatização de monopólios estatais. Inquestionável.
A turma petista quer não só a manutenção do Estado grande, como também engrandecê-lo ainda mais.
Não existe qualquer sentido lógico de defender o indefensável, ou seja, a presença do Estado, a estatização, em setores econômicos em que, comprovadamente, não há vocação deste para operar.
A grande preocupação e obra desse (des)governo é o aumento de tributação.
Inexiste qualquer preocupação e foco, com ações pragmáticas, para realizar o que tem que ser feito, ou seja, a redução dos gastos públicos. Pelo contrário, o que se vê - e o que não se vê - é a gastança do dinheiro do contribuinte.
A necessária reforma tributária vermelha, ao contrário do que deveria acontecer, aumentará o gasto público.
O dublê de bravateiro-turista internacional, o adorador das benesses do capitalismo - para o povaréu o socialismo -, Luiz Inácio, sistematicamente tem falado asneiras de todas às ordens, concentrando-se na sua luta para derrubar o presidente do Banco Central independente que, ironicamente, beneficia o governo petista.
A inflação, a fome, a falta de crescimento econômico, enfim, tudo isso é, para dizer o mínimo, secundário para os militantes coletivistas do governo e da Corte nacional.
O que importa é que o amor venceu, e a “extrema direita autoritária” de Bolsonaro, claro dentro da institucionalidade, foi afastada.
Não, esse não é o governo do povo, em absoluto. É o reino do compadrio, da extrema felicidade dos grupos de interesse, dos amigos do rei de Garanhuns.
Seguramente um governo maquiavélico, expresso em sua retumbante frase: “Aos amigos os favores, aos inimigos a lei”.
Terrível, mas mais uma vez, em função de princípios doutrinários esquerdistas, ditos “progressistas”, demagógicos e atrasados, o país caminha para uma crise econômica e social, e para o recrudescimento da fome e da desunião nacional.
Insensatez e demência - 05/05/2023
Valdemar Munaro
Insensatez é o repúdio da razão e a demência, sua deterioração. Viajando no bagageiro da alma humana produzem infelicidades. Ausentes, não são notadas, presentes, causam sofrimentos.
Michel Foucault (1926 – 1984), fértil autor consumido em academias e universidades, herdou fenomenologia existencialista a molde Jean Paul Sartre e argamassou inteligência com demência dando a esta última chamegos e afagos que nos confundem e nos arrepiam.
Escritos e preleções desse autor fazem da loucura uma usina de lucidez e da lucidez uma usina de loucura nublando os contornos da culpa e inocência, esperteza e enfermidade, mentira e verdade, malandragem e decência. Teias patológicas contaminam a todos, por isso, segundo ele, as insanidades não devem ser confinadas nem punidas.
Quaisquer relacionamentos, mesmo belos e benfazejos, para Foucault, estão contaminados pelas estruturas de 'poder' e doidice. A deterioração mental, portanto, adquire 'legitimidade' e nos deve obrigar, enfim, ao hábito da 'doideira geral', solta e difusa.
Notável, paradoxalmente, é gente 'doida' e 'insana' subindo palcos e pedestais, recebendo aplausos, ganhando holofotes, dirigindo nações, inspirando e orientando comunidades. Com maluquices garimpadas em obscuros engenhos culturais amedrontam e entontecem pessoas.
Da insensatez e da demência colhemos tragédias. Elas habitam parasitariamente altos cargos e nichos políticos, nutrem governantes e autoridades para fazer estragos. Astutamente, escanteiam 'estranhos no ninho' até removê-los do bom senso e reinar incólumes mesmo em recônditos lugares (creches, escolas, igrejas e lares).
M. Foucault alavancou intelectualmente o fechamento definitivo de internatos psiquiátricos e manicômios ou hospícios pelo mundo. Loucuras, estigma de poucos, reverberaram-se, inutilizando o esforço de identificação territorial que distingue lucidezes de doidices. O ônus da demência passou a ser de todos, a responsabilidade por seus efeitos de ninguém. Transformamo-nos, assim, em bombeiros que choram enquanto recolhem caídos.
O filósofo alemão, G. F. Hegel (1770 - 1831), século e meio antes, ensinava sobre contradições e conflitos que, sua tese, não são princípios maus, mas fundamentos palatáveis e essenciais ao devir qualitativo e ontológico da natureza e do espírito. Portanto, não devem ser tratados como inimigos, mas como aliados metafísicos da racionalidade.
Desse modo, afagando 'oposições' que mutuamente se 'desdizem' e se 'negam', o maior iluminista da história desrespeitou o princípio de não contradição e mandou às favas honestidades intelectuais imprescindíveis à diaconia científica.
Porém, os princípios descompromissados de suas correlativas consequências se transformaram em libertinos fomentadores de dissociações mentais e comportamentos éticos desavergonhados.
Ante loucas ilogicidades e contradições, o hegelianismo não recuou. Sua contribuição essencial à estratégia comunista foi habilitar os seus discípulos para a arte de um raciocínio convulsivo e dialético. O objetivo deixou de ser científico (a busca pela verdade) e passou a ser aquilo que é pragmático e conveniente. Karl Marx embebedou-se de filosofia hegeliana tornando-se, por meio dela, em exímio mercador de contradições.
A dialética hegeliana, como já disse, cooptou e capacitou marxistas para serem atletas e comerciantes de mentiras. Negociando ilusões e adamantinos paraísos surrealistas, os herdeiros de Hegel, com empulhações intelectuais, transacionam produtos inexistentes. O impudor e a sem-vergonhice acompanham essas transações e as mercadorias sempre são ideais, nunca reais.
Dos princípios Foucaultianos, amalgamados à dialética marxista, tirou-se, enfim, a inversão de ponteiros consuetudinários: doravante, insanidades não mais pertencem a 'manifestantes', mas a recalcitrantes.
Assim: a) insanidade e preconceito é não aceitar o marmanjão canadense Stefonknee Wollschtt (pai de família), ora autopercebendo-se criança de 8 anos; b) insanidade e preconceito é não acolher nem aceitar argentino autopercebendo-se cão siberiano, trans espécime; c) Insanidade é não compactuar com a Suprema Corte colombiana legalizando aborto para seis meses de gestação ao mesmo tempo em proíbe pesca esportiva (peixes sofrem traumas com anzóis, dizem os juízes); d) insanidade e preconceito é não aceitar o homem que se diz marido de uma manequim inflável; e) insanidade e demência é repudiar decisão de nosso STF que prende pessoas sem processo legal e liberta criminosos processados; f) insano e demente é Nayd Bukele, presidente salvadorenho, implacável combatente de 'pandilleros', traficantes e assassinos que sangram o país (corroborados e protegidos por organismos internacionais, OEA, a ONU, etc., ora defensores de seus direitos, por décadas indiferentes às vítimas); g) insanidade e demência é horrorizar-se ante malandragens e palavras do nosso ilegítimo, mentiroso e atual governo posando-se artífice da paz enquanto incendeia o seu próprio país; h) insanidade é abominar hipocrisias de socialistas esbanjando fortunas em jantares fartos, salários estratosféricos (Dilma e afins), viagens inúteis, hospedagens luxuosas, roupas chiques, móveis caríssimos e privilégios sem fim dizendo-se amantes e defensores de pobres e famintos.
Nesses e noutros casos, insanidades e demências, pela lógica invertida, não pertencem aos que as cometem, mas aos que reagem a elas e as repudiam. Atingimos o brejo.
A marcha da insensatez, conforme a escritora B. Thuchman, segue sua iracunda estrada. Colada, sobremaneira, à alma de governantes, intelectuais, líderes políticos e religiosos, produz efeitos tristes, desola e inferniza indefesos e inocentes.
Insensatos, Príamo e seus ministros não ouviram súplicas e advertências de Laocoonte e Cassandra. A ardilosa geringonça deixada pelos gregos às portas de Troia não foi destruída, mas ovacionada e conduzida para dentro da cidade pondo fim aos troianos.
Insensato, Roboão, herdeiro de Salomão, ouvidos moucos às advertências de anciãos, preferiu voz de rebeldes e violentos. A comunhão, então, quebrou-se dentro das tribos de Israel separando amargamente os de Judá (sul) e de Siquémn (norte) durante séculos.
Insensato, o asteca Montezuma inauscultou sinais e advertências de sábios lhe dizendo ser Hernán Cortez e seus soldados homens comuns, não deuses. O reino das Américas recostou-se na vaidade, arrogância e superstição do grande guerreiro que abriu tesouros e palácios ao inimigo.
Insensatos, papas renascentistas Sisto IV, Inocêncio VIII, Júlio II, Clemente VII, Alexandre VI e Leão X envolveram-se nas simonias, esbanjamentos, negligências e depravações servindo a ambições pessoais mais que a Cristo. Surdos ante reformas e decências, apressaram rupturas que rasgariam o manto cristão nos séculos vindouros.
Insensato, Chiang Kai-Shek ignorou vozes que pediam e indicavam estratégias e reformas ante reais intenções do revolucionário Mao Tse Tung. O general, ambicioso e vaidoso, contribuiu ao colapso comunista-maoísta que assassinou milhões de chineses.
Insensatos, Jorge III e governo inglês, olhar fixo nos tributos coloniais mais que no bem-estar de seus habitantes, fomentaram a independência americana (1776) emoldurada na oposição à preconceituosa e arrogante política do império britânico.
Insensatos, Luís XVI e aristocratas franceses, chafurdavam-se em frivolidades sustentadas por iníquos impostos enquanto cresciam miséria e fome populares. Clamores que subiam também desciam insuflando revolucionários de 1789.
Insensatos, Romanov, Rasputin e nobreza russa, desdenhavam lamentos de camponeses e retornantes de guerra (1914-1919). A Revolução de 1917 encontrou ali faíscas para seu fogo demencial.
Insensatas, as presenças francesa e americana em terras indochinas estimularam tristes eventos vietnamitas de 1965 a 1975. Camboja, Laos e Vietnã experimentaram indescritíveis horrores que demências de líderes e governantes causaram.
Insensata é a manifestação do Papa Francisco santificando Dilma e Lula antes do tempo. As palavras do pontífice desconcertam fiéis que abominam a corrupção, a mentira, a hipocrisia, o cinismo, a malandragem.
Insensata foi a Igreja nicaraguense que apoiou causas revolucionárias sandinistas em recente passado. Daniel Ortega, então, juntou-se a sacerdotes (Miguel D'escoto, Ernesto Cardenal e Fernando Cardenal) para iniciar sua demência tirânica. S. João Paulo II advertira sobre riscos daquela escolha eclesial. A semeadura no passado, tem no presente a colheita propícia.
Espeluncas imorais tornam-se canteiros de insensatez e demência. Dos tristíssimos fatos blumenauenses compreendemos que a insanidade machuca, desconcerta e amedronta. Todos aqueles, porém, sobretudo intelectuais e políticos que desprezam valores e princípios morais e espirituais, fazem o mesmo.
Segundo Eric Voegelin, os males que nos curvam e nos ferem têm raízes nas enfermidades do espírito cultivadas em hortas culturais desonestas e imorais. No século das infelicidades, expressão de Besançon, vemos demolirem-se na alma humana sensibilidades pelo sagrado, sentimentos de eternidade e pertença a Deus, amor à Verdade, confiança no destino último, pleno e feliz da nossa existência.
No leito de morte, o insano revolucionário russo, Vladimir Ulianov, (popular Lenin 1870 – 1924) teve um lampejo de lucidez e afirmou: "Cometi um grande erro. Meu pesadelo é ter o sentimento de que estou perdido num oceano de sangue de inúmeras vítimas. É tarde demais para retornar. Para salvar nosso país, a Rússia, teríamos precisado de homens como Francisco de Assis. Com dez homens como ele, teríamos salvado a Rússia".
* O autor é professor de Filosofia em Santa Maria/RS
Silêncio!... - 28/04/2023
Sílvio Munhoz
“Silêncio, abanem os lenços. Chora o vento em despedida”. Os dois versos de uma antiga música gaúcha expressam o que restará ao Brasil caso terça-feira próxima seja aprovado o PL das Fake News, nº 2630/20. Só lamentar a morte da liberdade de expressão!..
Objetivo, controlar as redes sociais. Tentarão criar um Ministério da Verdade à la Orwell com algum apelido bonito, Conselho Autônomo ou outro qualquer, com membros escolhidos pelo Governo e a função de decidir o que é verdade ou Fake News. Claro, vai funcionar... afinal, o Brasil viu nos últimos anos que órgãos autônomos, com membros nomeados pelo Governo continuam isentos, imparciais sem a balança pender para o lado de quem os nomeou. Vai funcionar!..
Como cravou Puggina “você conhece algum país onde [...] Os democratas querem calar o povo e entram em êxtase com a imposição de tiranias”. Sei, o nome do país está na ponta da língua, mas você teve aquela pequena falha de memória e não lembra. Entendo, afinal, pode ficar perigoso pensar ou falar caso a PL vire lei.
Bem capaz... alguém diria, a CF garante que o cidadão só seja punido quando lei anterior defina o crime e impede lei nova de retroagir em prejuízo do acusado (juridiquês: vedada retroatividade in malam partem). Sério! Ou o “tribunal autônomo” dos membros nomeados pelo governo destruiu esse e outros preceitos da Carta Magna.
Aliás, a última moda é denunciar “em lote” dizendo na denúncia “embora não exista até o momento prova da participação” e ser o recebimento das denúncias julgado pelo “tribunal autônomo”, que é incompetente. Verdadeiros processos Kafkianos. Há quem sustente que ainda vivemos em um “estado democrático de direito”... Que direito? Hoje “direito” não é o que está na Constituição ou nas Leis, mas, o que é ditado pelas cabeças pensantes na jurisprudência “eneadimensional do tribunal autônomo”. Estado democrático?
Ah os “democratas”, vejam as listas de quem votou o regime de urgência para o PL 2360/20 (voto direto em plenário, sem passar por Comissões e sem debates dos representantes do povo, os Deputados e sem ter nem mesmo um texto final). Viram? A maioria dos votos é dos partidos que compõem o governo e através da história se autoproclamam “democratas e defensores da liberdade”. Que no exercício cristalino de democracia chamam quem discorda de seu pensamento de antidemocrático, autoritário e fascista!..
Não, não estão preocupados com notícias falsas e com o prejuízo que possa acarretar à democracia, o que lhes assusta, realmente, é a verdade. Estavam acostumados com os tempos anteriores às redes sociais, quando criavam narrativas que, a troco de propagandas pagas com verbas do erário – dinheiro dos pagadores de impostos –, eram difundidas por grande parte dos órgãos de imprensa, hoje apelidada ex-imprensa.
A divulgação maciça sem contrapontos criava o fenômeno chamado “espiral do silêncio”... as pessoas não expressavam suas ideias, por medo de serem isoladas ou ridicularizadas, quando sua opinião era diferente da dominante, que por falta de contestação parecia ser aquela divulgada pelas grandes redes...
As redes sociais quebraram a espiral do silêncio, terminando com a “polarização feliz” – o conspiratório “teatro das tesouras”. Quebrado o silêncio foram difundidas outras ideias e surgiram inúmeros players novos no cenário político e muitos foram ouvidos e eleitos. Não, não pode... Como novas ideias e gente nova se elegendo... Necessário voltar aos tempos da “narrativa” ditada por nós. Esse o objetivo, não há dúvidas.
“O problema não é com os boatos falsos, mas sim com os fatos verdadeiros e com as opiniões que me contrariam: a liberdade de expressão é perigosa”, como escreveu meu irmão Adriano.
Sem liberdade de expressão não há democracia. Como denunciar as arbitrariedades quando não se pode expressar ideia diferente da “narrativa oficial”... estão umbilicalmente ligadas democracia e liberdade de expressão, uma não sobrevive sem a outra.
A votação está programada para terça-feira, lute, converse ou mande e-mail para seu deputado. O Brasil não pode voltar aos tempos de censura.
Aprovada só restará dar adeus à liberdade de expressão e à democracia.
“Silêncio abanem os lenços
Chora o vento em despedida.” Luiz Coronel.
Que Deus tenha piedade de nós!..
O Brasil e suas máfias invisíveis - 28/04/2023
Raul Jafet
Nunca fui especialista no estudo sobre MÁFIAS, Cartéis e Facções criminosas mundo afora! O que sei vem de algumas leituras,filmes,publicações.
Na Itália são regionais, algumas seculares, comandadas por Famílias; no Japão a temível Yacusa; e há MÁFIAS chinesa, russa, albanesa ( mais conhecida por tráfico humano)... Com certeza,todos os países têm alguma ou sob outras definições, como os denominados Cartéis do Narcotráfico, notadamente na Colômbia e no México, onde se destacaram líderes que ganharam fama, como Pablo Escobar.
No seu "modus operandi", é praticamente comum o SUBORNO de policiais, carcereiros, políticos, juízes e até de militares. Investem na formação universitária de jovens advogados e contadores, e em campanhas políticas, com o objetivo de terem seus corrompidos junto ao poder, com o compromisso de servir a seus interesses.
No Brasil porém, nunca consegui identificar tais MÁFIAS. Temos sim, facções criminosas que se formaram dentro do falido sistema prisional brasileiro, que graças à "complacência" de políticos e de parte do Judiciário, foram crescendo e solidificando, amealhando fortunas, sobretudo com o Narcotráfico e o de armas...cada dia mais organizados, aliciam crianças e jovens carentes, dominam as prisões, terceirizam quadrilhas.
No governo Bolsonaro, se tinha a esperança de que finalmente haveria um combate sem fim a essas facções. Ledo engano! Após algumas ações corretas de transferências prisionais de líderes, foi sucumbindo a esdrúxulas decisões judiciais superiores, que inclusive proibiram policiais de subirem os morros, e soltaram milhares de presos durante a PANDEMIA! Apreensões de toneladas de cocaína chegaram a ser anuladas, e seus "pertences" devolvidos aos criminosos, alegando o Judiciário, falhas na condução do processo! Da mesma forma, um poderoso traficante foi solto e todos os seus processos anulados!!!!! Isso aliás, não foram exceções, tem ocorrido com constância!
Pouco depois das eleições do ano passado, iniciou-se poderosa investigação aos advogados que defenderam o "louco" Adélio - que esfaqueou o ex presidente - associando-os ao PCC. Note-se que durante os 4 anos de governo Bolsonaro, essas investigações ficaram no "limbo" (aliás, em breve escreverei um artigo sobre o ex-Presidente, demonstrando o quanto ele foi fraco e decepcionando aqueles - que como eu - achavam que ele colocaria o Brasil nos trilhos do combate ao crime organizado e desorganizado do país!).
Outro fato policial relevante ocorrido, e que pode VITIMAR QUALQUER UM DE NÓS, CIDADÃOS DE BEM E INOCENTES, usuários de vôos internacionais, foi a prisão de uma mulher - supostamente ligada à facção criminosa - que subornou funcionários do aeroporto para trocar etiquetas de malas transportando cocaína, com 2 turistas brasileiras, totalmente inocentes, que acabaram presas na Alemanha, levadas ao cárcere, humilhadas, vilipendiadas e em precárias condições de higiene, por mais de mês....a Justiça já soltou a criminosa alegando que ela não irá prejudicar as investigações. Realmente, a inJustiça brasileira, cada dia mais caolha, parece não se importar com as vítimas e sim com os criminosos, seguindo ao pé da letra a medíocre legislação, conforme o interesse. Legislação, aliás, aprovada em Congresso ao longo dos anos - diga-se de passagem - pela força de alguns membros provavelmente pertencentes à "MÁFIA INVISÍVEL ".
No Brasil, percebo sutil diferença entre os outros países citados no começo. Nossas MÁFIAS são INVISÍVEIS, e ao contrário das outras, vêm de CIMA para BAIXO. As facções criminosas brasileiras é que estão a serviço delas, bem como policiais, políticos, militares e muitas ONGs também!
Tratam-se de inimigos desconhecidos, mas suspeita-se de serem compostos de rostos conhecidos, espalhados nos Poderes da Nação, muitos há décadas, que acreditamos fazerem parte de algo concreto, que podemos quase ver, mas parece ser impossível de tocar!
* O autor é Engenheiro Civil e Jornalista.
Resumo da mentalidade política moderna - 24/04/2023
Marco Frenette
Salvo raras exceções, nas quais a direita conseguiu impor sua vontade e impedir a esquerda de implementar seus projetos criminosos, a história política moderna tem comprovado, de modo empírico e inequívoco, que:
1 - A esperteza, a resiliência, o cinismo, a delinquência e a amoralidade da esquerda têm sido ferramentas eficientes para alcançar o poder;
2 - A inteligência, a hesitação moral, a cultura do adiamento (a espera do mítico momento de agir com a ilusória estratégia perfeita), e a pretensão da direita têm sido ferramentas inadequadas para alcançar o poder.
Dessas duas verdades históricas modernas, tira-se mais duas:
3 - A esquerda, quando é retirada do poder, consegue retomá-lo em tempo recorde, contrariando todas as probabilidades e todas as previsões;
4 - A direita, quando alcança o poder, o perde em tempo recorde, assemelhando-se a um cometa de pouca duração.
A principal desculpa mundial da direita para tal assimetria vergonhosa é esta:
5 - A direita tem um conjunto de virtudes morais que a impede de agir como a esquerda age; e, portanto, a esquerda termina vencendo por jogar sujo.
Essa desculpa é muito fraca, uma vez que:
6 - "Virtude" que permite que o mal cresça e vença, não é virtude, mas covardia e omissão disfarçadas de virtude;
7 - É perfeitamente possível vencer o mal sem se igualar a ele, e usando as mesmas ferramentas e estratégias.
Historicamente, a direita tem dificuldade de entender a postura suicida contida no item 5, e raras vezes aplicou as verdades dos itens 6 e 7, porque:
8 - Atribui erroneamente "virtude" e "moral" aos objetos e às estratégias, e não ao tipo de uso dos mesmos objetos e estratégias.
Vamos traduzir essa afirmação do item 8 por meio de dois exemplos:
9 - Um policial que atira contra um bandido armado não está se igualando moralmente ao bandido porque usou o mesmo objeto elegido pelo bandido: a arma de fogo;
10 - Um político honesto que destrói a reputação de um político bandido usando a verdade dos fatos não está se igualando ao político bandido que destrói a reputação de um político honesto por meio de mentiras. Porém, ambos estão usando a mesmíssima estratégia.
Mais recentemente, uma outra desculpa surgiu para defender o hábito da direita de manter as calças abaixadas:
11 - A esquerda já aparelhou de tal modo as instituições e a cultura, que nada resta a fazer a não ser resistir, mas bem moderadamente para não provocar a fúria do monstro.
Essa é uma meia verdade, porque:
12 - Boa parte do poder da esquerda é blefe. Ela diz que tem poder, e todos obedecem, e, paradoxalmente, o falso poder se torna real, e o sofrimento, censura, prisões e medo se tornam também reais. Mas a direita tem muita culpa nisso, por permitir o crescimento do mal até o ponto de ser quase impossível enfrentá-lo;
13 - Se o aparelhamento da esquerda fosse total, não aconteceria a chegada dos conservadores ao poder, como vimos em vários países nas últimas duas décadas. E todos eles já perderam o poder, mas a culpa não foi da esquerda, mas da própria direita.
E por que a culpa foi da direita? Há vários motivos, todos com base no equívoco histórico da direita de confiar na sua superioridade moral. Porém, esse erro se destaca:
14 - Quando a esquerda está no poder, ela trata a parcela honesta dos políticos e da população como criminosos; e a direita, quando está no poder, se desmancha em explicações e justificativas para a parte desonesta dos políticos e da população, relutando em fazer o que deve ser feito. E de relutância em relutância, acaba descobrindo que é tarde demais.
* Reproduzido da excelente página do autor, Marco Frenette, no Facebook.
Padrão ideal - 23/04/2023
Sílvio Lopes
A Finlândia foi, pelo sexto ano consecutivo, considerada a nação mais feliz do mundo. Situada no norte da Europa tem uma população de 5,5 milhões de habitantes, sendo 90 % deles, de religião protestante. Sentimento de felicidade pode ser muito relativo, variar de pessoa a pessoa, mas há indicadores sociais que permitem medir graus de felicidade coletiva.
Três características dos finlandeses concorrem para tal: 1) Adoção de padrões de felicidade individual. Ou seja: evitar a comparação com os outros. Maquiavel já profetizava: "Se quiséssemos ser apenas felizes, não seria difícil; mas como queremos ser mais felizes que os outros, se torna impossível, pois que julgamos que os são mais felizes do que realmente o são". Segundo ponto: Respeito à natureza, de onde absorvem a boa energia. E terceiro: Estabelecimento de um ciclo impermeável de confiança na sociedade, em que a honestidade é o elemento e o elo mais forte de transmissão.
Fez- se, até uma experiência, entre dezenas, para avaliar o grau de honestidade de vários países. Foram deixadas em locais públicos 192 carteiras. Em Helsinque, das doze espalhadas, onze foram devolvidas. Experiência dessa natureza, por aqui, que resultado teria? Fácil responder, não é mesmo? Essa é a tragédia nacional. Jamais iremos atingir grau elevado de desenvolvimento econômico e social (pré-requisitos para se alcançar a felicidade no mundo moderno, seja individual ou coletivamente), se a cultura do povo escarnece e ridiculariza os honestos, defenestra a honestidade e, ao mesmo tempo, escolhe como seu líder máximo o mais abjeto e desonesto até hoje nascido neste imenso país.
Pra finalizar, cito Emil Farhat que em seu conceituado livro "Brasil, País dos coitadinhos". Sentenciou ele: "O Brasil deve decidir-se entre ser uma grande nação – o que todos sonhamos –, ou um vasto albergue". Aliás, já estamos albergados. Ou ainda restam dúvidas sobre isso?
* O autor, Sílvio Lopes, é jornalista e economista. Palestrante sobre a Economia Comportamental.
O rebanho - 21/04/2023
Silvio Munhoz
Para marcar os 100 dias de governo, a nova direção, praticando plágio, usou como slogan: “o Brasil voltou”. Ao ver a frase fiquei pensando, voltou para onde? Ao matutar, percebi o surgimento de um novo/velho rebanho que demarca o caminho trilhado que leva de volta ao passado e cheira a mofo e naftalina.
Temos a VACA MUERTA, gasoduto Argentino que será financiado pelo BNDES, voltando à velha prática de usar o dinheiro dos pagadores de impostos para financiar “amigos”. Autoridades garantem “não há risco de calote”, pois o FGE (fundo de garantia à exportação) garante a dívida e criticar o auxílio é “pura ignorância”. Lembram o calote de 2018 por Venezuela e Moçambique? O FGE cobriu? Não mesmo, na época foi aprovada a Lei nº 13.659 de 07/05/2018, criando crédito de 1.16 bilhões de reais para cobrir o rombo, que saiu do FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador – seguro desemprego). Quem paga o rombo é o trabalhador, mas, é “ignorância” falar disso. A novidade é que o Congresso acordou e tentará impedir o prejuízo ao País.
Reapareceu para assombrar o agronegócio (responsável por 1/3 do PIB do país) a VACA PROFANA, que se revela na forma de invasões, feitas pela “associação criminosa” que já foi chamada de exército, mas se autoproclama “movimento social”, do qual não tem nada, pois só desestabiliza a sociedade ordeira. Voltou turbinada, após anos de calmaria, realizando, em 100 dias, quase o mesmo número de invasões dos últimos 04 anos. Pior, com apoio oficial, pois um ministro afirmou que em caso de invasões “só haverá diálogo quando ambos os lados cederem”... Pense, sua casa é invadida e quem tem de garantir sua segurança quer que você ceda algo, ao invés de expulsar os invasores. Nos novos tempos o chefe do exército marca entrevista coletiva para anunciar as invasões. Criando novo tipo de flagrante, como tuitou Ailton, o “Flagrante de Delito Avisado”, o criminoso avisa que vai praticar o crime para que ninguém se surpreenda e atrapalhe. Castigo para tal descalabro, bem capaz, ao contrário o chefe dos invasores é premiado com convite para fazer parte de comitiva oficial em viagem internacional.
Há espécimes que denunciam as mentiras eleitoreiras e o estado da economia, como a VACA TRANS - a galinha que se sente vaca e chama seu ovo de “picanha com casca” e acha que vai saciar a fome do pobre - só que não, pois seu preço foi às alturas, ou a VACA PÓS-MODERNA – o trigo que virou massa e sente (atenção, veganos e vegetarianos, segundo estudo científico as plantas sentem, e gritam quando são cortadas) que aquele “miojo sabor picanha” será a salvação da Pátria, novamente não, pois até o tradicional símbolo da comida barata vive tempos de alta. Claro, não esqueçamos a VACA CINDERELA, como no conto infantil, até meia-noite é uma bela representante bovina, com muitos quilos de gostosa proteína, com destaque para a suculenta “picanha”, passada a meia-noite o encanto termina e o churrasco vira abóbora...
Reimportaram da Índia a VACA SAGRADA, que, por sua sacralidade, ao invés de presa em seu cercado, anda livre, leve e solta por onde quiser. Recebe os méritos por eventuais acertos com pompa e destaque do consórcio da ex-imprensa, mas, como é sagrada, nunca é culpada dos erros. A culpa é sempre dos membros das direções anteriores, por isso a economia, entregue como uma máquina azeitada, funcionando a pleno, é chamada de herança maldita... Aliás, a expressão causa sensação de dèjá vu, parece que já a ouvi pelo idos de 2003.
Pior é a VACA AMARELA. Lembram a brincadeira infantil, a panela cheia de podridão, mas ninguém pode falar e quem falar primeiro come tudo. Esse o rumo que querem para o País com o aval da Corte Suprema, querem calar os brasileiros, regulando e mandando nas redes sociais. É a volta ao passado onde só existia a “narrativa oficial”, sem questionamentos. Para o bem do Brasil rezo que o rebanho não esteja iniciando a marcha da VACA QUE VAI PARA O BREJO.
Lutemos, sem LIBERDADE DE EXPRESSÃO não existe Democracia. Retorno à luta lembrando a inconfidência Mineira e encerro com seu lema.
“Libertas quae sera tamem. Liberdade ainda que tardia.”
Que Deus tenha piedade de nós!..
O Brasil virando pária do Ocidente - 20/04/2023
Silvia Gabas
Tenho lido algumas análises a respeito do dia de hoje (19/04) que fazem todo o sentido.
Lula se indispôs com o governo americano.
Irritou sobremaneira os americanos com a sua intromissão de idoso etílico na geopolítica mundial, abandonando um parceiro geopolítico de mais de meio século e jogando-se no colo da China e da Rússia, oponentes naturais dos Estados Unidos da América.
A resposta veio a cavalo.
A CNN, vejam só, é empresa americana.
Coincidentemente, a embaixadora daquele país visitou hoje (19/04) os estúdios dessa rede de televisão, parabenizando a empresa pelo bom serviço realizado aqui na terrinha pela "empresa americana", segundo suas palavras.
Estranhamente, foi essa empresa americana televisa que escancarou o que aconteceu no fatídico 8 de Janeiro, apresentando os vídeos que haviam sido negados por duas vezes ao Congresso e sobre os quais o próprio General Gonçalves Dias havia imposto um sigilo de cinco anos, por uma questão de "segurança nacional".
Chegou a alegar também que câmeras do local estavam "indisponíveis".
Por um passe de mágica, essas mais de 100 horas de gravação foram depositadas nas mãos da CNN.
Em poucas horas, a informação se disseminou feito rastro de pólvora, e o Brasil foi informado sobre um fato sobre o qual pairavam muitas dúvidas, mas não se tinha acesso algum.
A lição que fica:
Os americanos são profissionais, não brincam em serviço e podem implodir um governo quando assim o entenderem.
Enquanto amigos, tudo.
Sentindo-se traídos, aplicaram a lei mafiosa.
Sorry, Lula!
Durma com um barulho desses.
Moraes,
que fria, hein, meu filho?
* Reproduzido da página da autora no Facebook
Princípio ativo - 04/04/2023
ILUMINISTA ROBERTO CAMPOS
Volta e meia, notadamente quando ouço ou leio afirmações feitas por SOCIALISTAS EM GERAL, antes de manifestar o meu ponto de vista sobre os COSTUMEIROS ABSURDOS, não raro busco socorro nas frases e/ou comentários proferidos pelo imortal- iluminista Roberto Campos, que sempre tinha, na ponta da sua afiada língua, uma correta observação para explicar os mais diversos desvarios.
DATAFOLHA
Ontem por exemplo, ao tomar conhecimento da pesquisa Datafolha, divulgada nesse domingo, 02, a qual aponta que 80% dos entrevistados avaliam que Lula -AGE BEM- ao pressionar o Banco Central pela REDUÇÃO DA TAXA DE JUROS, e que apenas 16% acham que ele -AGE MAL-, me veio imediatamente à cabeça a seguinte frase dita certa vez por Campos: NO BRASIL, A BURRICE TEM UM PASSADO GLORIOSO E UM FUTURO PROMISSOR.
IGNORÂNCIA EXPLÍCITA
Na real, a pesquisa deixa bem claro o descomunal tamanho que a IGNORÂNCIA do nosso povo já atingiu, onde grande parte se deve a muito do que é dito e repetido a todo momento através da MÍDIA, que de maneira geral faz com que um enorme contingente de leitores, ouvintes e telespectadores confunda -CAUSA com EFEITO-. Ou seja, ao invés de atacar a -INFLAÇÃO como DOENÇA-, e a -TAXA DE JUROS como REMÉDIO-, a maioria, como aponta a pesquisa Datafolha, faz exatamente o contrário.
VÍDEO
Como os meus editoriais têm, por princípio e fim, levar constantes esclarecimentos aos leitores/assinantes, mesmo consciente da minha limitação aproveito, além de uma ou outra frase dita ou escrita por Roberto Campos, a pesquisa que revela que 80% do povo brasileiro ignora a importância da INDEPENDÊNCIA DO BANCO CENTRAL, para disponibilizar o vídeo no qual o ex-ministro Paulo Guedes explica com muita didática o assunto. Clique aqui e confira: (https://youtu.be/wFHV5amAdEQ).
CAPITALISMO E SOCIALISMO
Para finalizar, esta frase do saudoso Roberto Campos diz muito sobre o atual momento que vivemos: - O CAPITALISMO TEM PREÇOS FLEXÍVEIS E PRATELEIRAS CHEIAS; O SOCIALISMO; PREÇOS CONGELADOS E PRATELEIRAS VAZIAS .
Ladeira abaixo - 31/03/2023
Afonso Pires Faria
Como pode um povo inteiro ficar tão debilitado mental e cognitivamente?
Nos fins dos anos 40 o escritor George Orwell já alertava através de sua obra "1984", o que nos esperava. Claro que ninguém o levou a sério. Seria impossível alguém acreditar que no futuro, em vez de evoluirmos, regrediríamos a ponto de aceitar uma idiotice tão grande tal como se criar um "ministério da verdade". Ou que se admitiria, em vez de criarmos maior número de palavras para nos comunicarmos, aceitaríamos de forma velada, a supressão das que usamos.
O que falta para aceitarmos estas evidências? O tal ministério, ao qual se referia o autor, se não foi criado com o mesmo nome, teve a sua atuação turbinada e está aí para quem quiser ver. Tem muito mais poder pois não é um simples departamento e sim um dos três poderes da República.
Quanto à linguagem, é nítido o seu empobrecimento. Liguem o rádio em uma emissora qualquer e vejam a pobreza vocabular dos seus locutores. Os pronomes pessoais foram todos suprimidos e substituídos pela expressão "a gente". Utilização indevida de termos que nada dizem e somente tornam a comunicação truncada como "aí", "né", "hã", "tá" e muitas outras, que tornam a nossa comunicação um amontoado de palavras soltas, que pouco ou nada dizem de concreto.
Os erros de pronúncia como "a grama", "récorde" e expressões totalmente desconexas como "estádio completamente lotado", "eu acho que, com certeza" são usuais. Isto tudo dito por profissionais da comunicação. Eles foram treinados para fazer exatamente assim.
O pior ainda é que foi tudo planejado por aqueles que segundo autores renomados, perderam a guerra fria. Perderam nada. Mudaram a estratégia e estão cumprindo os seus propósitos com muita eficiência. Em breve estaremos todos enjaulados e grunhindo.
* O autor é titular do blog kacetadasdoafonso.blogspot.com
VOCÊ está na Mira da - 27/03/2023
J.B. Shark
* WEF - World Economic Forum
** IA – Inteligência Artificial
Quando Sir Thomas More escreveu a sátira sociopolítica sobre uma fictícia e insular sociedade no Novo Mundo, ele deu a ela o engenhoso nome Utopia, derivado do grego básico, que significa "nenhum lugar". Embora More estivesse dizendo à sua plateia, de forma humorística, que a idealizada comunidade não existia em lugar nenhum, séculos de importantes planejadores enveredaram à procura de concretizar a fantasia de sociedades utópicas, simplesmente não entenderam a piada. Pior do que isso, para cada comunidade religiosa pacífica que busca se afastar da civilização moderna, há um tirano sedento de poder querendo impor a sua vontade aos demais.
Parece que não passa nenhuma geração sem que algum megalomaníaco se levante para proclamar: "se ao menos o mundo fizesse exatamente o que eu quero, eu daria a todos o paraíso aqui na Terra". Normalmente, esses egocêntricos passam para a história como vaidosos bufões ou tiranos sedentos de sangue, geralmente os dois.
Hoje, Klaus Schwab se alça na qualidade de líder do Fórum Econômico Mundial (WEF) e com a promessa do "Grande Reset" para a raça humana. Ele vislumbra a futura utopia que será alcançada por meio da precisão tecnológica, gerenciamento centralizado dos recursos da Terra, cuidadosa observação dos cidadãos, a fusão da inteligência humana e artificial e a monopolização do poder governamental por uma pequena classe profissional de reconhecida expertise. Embora o WEF tenha passado os últimos 50 anos organizando conferências, publicando propostas de políticas e conectando líderes globais na indústria, bancos, tecnologia da informação, coleta de informações, estratégia militar e política, o objetivo de sua missão é impressionantemente simples: os mais inteligentes e melhores do mundo deveriam governar todos os demais.
Fora todas as intensões de "salvar o mundo" do descontrolado crescimento populacional e do apocalipse climático, o WEF não apresenta nenhuma novidade. Seus fundamentos estão circulando por aí pelo menos desde os tempos de Platão, quando há dois milênios e meio o filósofo grego propôs que a cidade-estado ideal seria governada por "reis filósofos." A exemplo de Platão que pesquisou o mundo e, como era de se prever, concluiu que os que tinham aptidões análogas as dele, pela lógica, deveriam governar todas os demais, as "elites" globais do Fórum Econômico Mundial chegaram a uma conclusão surpreendentemente semelhante. Longe de apresentar algo voltado para o futuro ou moderno, Schwab e seus asseclas seguem os passos do grego milenar. Por meio século, os membros do WEF se engendraram na missão para conceber o perfeito governo global sem que as populações votantes das nações ocidentais tivessem algo a dizer e, sem pegar ninguém de surpresa, esses mesmos "reis filósofos" se autonomearam tomadores da decisão de governar. Nada mau.
A exemplo do que acontece com praticamente todas as ideias utópicas, a nova ordem mundial do WEF será impressionantemente centralizada. "Especialistas" em mudanças climáticas determinarão quais tipos de energia poderão ser usadas por empresas e por consumidores. "Especialistas" em sustentabilidade irão determinar quais alimentos os humanos (pelo menos a variante não "elite") poderão consumir. "Especialistas" em desinformação determinarão que espécie de notícias e que lado de um debate poderão ser conhecidos e promovidos. "Especialistas" em saúde pública determinarão quantas vezes cada cidadão deverá ser "vacinado" com vacinas novas e, se os cidadãos deverão ser mantidos em confinamento "para o próprio bem deles" e, se máscaras deverão ser usadas para provar a contínua conformidade. "Especialistas" em extremismo determinarão que tipo de discurso é "prejudicial". "Especialistas" em racismo determinarão quais grupos da sociedade gozam de "privilégios" injustos. Os "especialistas" em desigualdade determinarão quais propriedades deverão ser confiscadas e quais grupos o Estado deverá recompensar. "Especialistas" em tudo o que o Estado exigir determinarão que o Estado está agindo adequadamente em cada etapa do processo. Contudo, a liberdade de pensamento, a liberdade de expressão, os direitos individuais e outras liberdades pessoais significarão muito pouco em um futuro construído pelo WEF e executado com base no expertise do rei filósofo. Em nenhum momento as necessidades, desejos ou interesses de um indivíduo poderão obstruir o "bem maior". Esta é a sombria visão da Utopia de Schwab.
Se ele e o clã WEF tiverem êxito, eles farão uso da tecnologia para enfraquecer, em vez de fortalecer a espécie humana. As pessoas já se familiarizaram com os novos termos de futura escravidão. Moedas digitais do banco central permitirão que governos não só rastreiem o histórico de renda e de aquisições de cada cidadão em tempo real, e a tecnologia também será usada para limitar o que uma pessoa pode gastar, dependendo da pontuação de crédito social determinado pelo governo, infrações observadas em relação ao "bem comum" ou quem sabe posse injusta de "privilégio sistêmico". Passaportes digitais de vacinações não só fornecerão rastreamento universal dos movimentos de cada um, como também garantirão conformidade baseada em incentivos e punições em futuras obrigatoriedades durante as declaradas "emergências sanitárias". As marcas de cada um relacionadas ao carbono no sentido de medição a "culpabilidade" pela assim chamada mudança climática provocada pelo homem terão o efeito de registrar tudo o que uma pessoa come e onde quer que ela vá, cada cidadão será constantemente "cutucado" com recompensas ou penalidades digitais para modificar o comportamento para se alinhar ao ajuste dos padrões do governo. Desnecessário dizer que, quando qualquer governo conta com poderes onipotentes de tal natureza, as invasões de privacidade só irão se expandir, as declaradas "emergências sanitárias" se tornarão ainda mais numerosas e as "cutucadas" do governo se tornarão ainda mais invasivas.
Caso isso pareça mais distópico do que utópico e como uma prisão indesejada supervisionada por inúmeros agentes governamentais, é exatamente o que parece ser. Os fanáticos do WEF nem escondem mais suas intenções, já chegaram até a impelir a construção de "cidades inteligentes" ou "cidades de quinze minutos" nas quais dezenas de milhões de pessoas possam ser realocadas, viverem lado a lado em pequenos complexos de apartamentos e se movimentarem por um labirinto de incontáveis entradas e saídas acessadas exclusivamente por meio de verificação e aprovação de identidade digital. Em essência, o objetivo é criar um panóptico digital que implementará todos os programas de vigilância mencionados acima, para dar aos futuros governantes controle absoluto, ao mesmo tempo em que os demais permanecerão em um estado prostrado de encarceramento. No linguajar do WEF, tais esquemas de supervisão total e modificação comportamental criarão um futuro "sustentável" para a humanidade. Sem dúvida, os carcereiros sentem o mesmo quando os condenados são mantidos atrás das grades em fileiras de jaulas de segurança. A diferença é que na Utopia do WEF, não é preciso cometer nenhum crime para se colher as injustas "recompensas" de Schwab.
Muito bem, se os povos ocidentais compreendessem o que está por vir, eles poderiam se enfurecer e resistir à nova ordem mundial do WEF. Por isso mesmo, a guerra mais importante sendo travada hoje é aquela que nunca é comentada abertamente pela imprensa: a guerra secreta pela informação. Quando as pessoas têm a permissão de debater abertamente ideias em praça pública (incluindo a praça digital das redes sociais e as páginas da Internet, livres de banimento de plataformas digitais em mecanismos de busca), este "livre mercado de ideias" irá para algum lugar onde as pessoas que estiverem debatendo essas ideias as levarem. Para que as "narrativas" governamentais não só sobrevivam, como também dominem todas as opiniões dissidentes, as plataformas aliadas ao governo devem pender a balança da liberdade de expressão a seu favor, ridicularizando, censurando ou criminalizando, de fora a fora os pensamentos e palavras de mentes dissidentes. Em qualquer outro mercado, tal interferência intencional seria considerada conluio anticompetitivo em violação às leis antitruste, mas porque os asseclas do Fórum Econômico Mundial tratam a liberdade de expressão conflitante como perigosa "desinformação", o "livre mercado de ideias" se transformou em um "espaço seguro" controlado para os amigos do governo.
O que acontece quando a ambivalência do governo em relação à liberdade de expressão é misturada com a amoral força tecnocrática por trás dos planos do WEF no tocante à Utopia global? Bem, como o Herr Schwab recentemente proclamou na Cúpula Mundial de Governo em Dubai ao discutir inteligência artificial (IA), atendentes virtuais e identidades digitais: "Quem dominar estas tecnologias, de alguma forma, dominará o mundo." (Daí para frente, o governo mundial único ainda é considerado uma "teoria da conspiração"?) Se o WEF controlar o mundo digital, então ele irá essencialmente controlar as pessoas. Outrora matéria de ficção científica, os tecnocratas do WEF têm até um plano para "hackear" a mente dos funcionários via monitoramento e decodificação das ondas cerebrais.
O Google não perdeu o trem do controle de pensamento: a empresa declarou a intenção de expandir o programa que "antecipa e expõe a trapaça" destinado a "imunizar" as pessoas contra o que o Google vê como sendo "propaganda" ou "desinformação", doutrinando usuários desavisados da Internet com a sua própria propaganda feita e aprovada por ela mesma. Ao manipular os usuários do Google sem o conhecimento deles, o gigante do mecanismo de busca tem condições de bloquear ideias diferentes – brilhante!
Bill Gates, fundador da Microsoft, é da mesma opinião. Em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, o autointitulado especialista em vacinas argumenta que tecnologias de IA deveriam ser usadas como ferramentas poderosas para combater a "desinformação digital" e a "polarização política". Isso na esteira de uma recente descoberta que a Microsoft já está usando o think tank britânico, Índice Global de Desinformação (GDI), para secretamente colocar na lista negra empresas de mídia conservadoras dos Estados Unidos e impedi-las de gerarem receita publicitária. O mandante? O Departamento de Estado dos EUA vem financiando o trabalho de "desinformação" da GDI com dinheiro dos contribuintes para o National Endowment for Democracy e para o seu próprio Centro de engajamento global, que são então transferidos para o GDI antes que o GDI enxugue o grosseiro ponto de vista da discriminação de volta à Microsoft e a outras empresas por meio de um fino véu de "objetividade."
Seguindo o modelo do WEF de criar uma parceria toda poderosa entre a indústria privada e a autoridade governamental, a Microsoft e o Departamento de Estado descobriram um jeito de minar a dissidência fazendo com que uma organização terceirizada, o GDI, rotule todo esse tipo discurso como "desinformação prejudicial" em sua "Lista de Exclusão Dinâmica."
Na mesma linha, agências de notícias em todo o Ocidente que contam com financiamento público, incluindo Alemanha, Canadá, Suíça e Bélgica, estão trabalhando juntas para "desenvolver soluções online" visando "comentários de ódio e crescente desinformação". O que poderia dar errado quando instituições controladas pelo Estado conspiram para controlar a disseminação de informações? Conforme, testemunhou perante o Congresso o ex-executivo para "Confiança e Segurança" do Twitter, Yoel Roth, "a irrestrita liberdade de expressão paradoxalmente resulta em menos discurso, não mais." A partir deste padrão de discurso orwelliano de duas caras, a linha clara que separa a proteção à liberdade de expressão da censura total se resume na condição do orador articular pontos de vista que estejam de acordo com a coalizão governante do WEF dos titãs da Big Tech e das autoridades governamentais ou não. Na Utopia de Schwab, não há espaço para a verdadeira liberdade de expressão.
O que aconteceria quando o trabalho de censurar o público for colocado inteiramente nas mãos digitais da inteligência artificial? Embora alguns líderes políticos tenham alertado que a IA poderá virar uma "ameaça existencial" para a humanidade, e mesmo quando os pioneiros da tecnologia, como o ex-chefe do Google, Eric Schmidt, admitem que os poderosos sistemas de computador com IA deveriam ser vistos de fora a fora tão poderosos como armas nucleares, a corrida em direção à Utopia construída pela IA está acelerando a todo vapor. Isso deveria dar a qualquer um de mente sã uma pausa para se preocupar. Afinal, os vieses cognitivos das "elites" da Big Tech, como Gates, Schmidt e outros, quase que indubitavelmente se traduzirão em vieses digitais em qualquer inteligência artificial.
O ChatGPT, um programa de software de IA lançado no final do ano passado, já está aterrorizando as pessoas com seu explícito viés político. Em um caso, a IA concluiu que um insulto racial é pior do que permitir que uma cidade seja arrasada por uma bomba atômica. Em outro, a IA justificou a repressão aos eleitores de Trump como necessária para "defender a democracia" e impedir a disseminação de "discurso perigoso", ao mesmo tempo em que argumentou que "a IA não deve ser usada para suprimir a liberdade de expressão" dos apoiadores de Biden. Enquanto isso, assim que alguns experimentadores obtiveram acesso ao novo chatbot com IA da Microsoft, o cérebro sintético começou a ameaçar pessoas.
Esses desconcertantes sinais preliminares dão credibilidade à advertência de Schmidt de que a IA deve ser considerada tão perigosa quanto as bombas nucleares. Onde ele e outras "elites" globais aliadas ao WEF diferem dos cientistas envolvidos no Manhattan Project, no entanto, é no desejo aparentemente urgente de usar essas incríveis armas de IA diretamente contra os povos ocidentais.
É óbvio que, se o Fórum Econômico Mundial concebido por Schwab pretende inaugurar uma Utopia alimentada por IA, onde ele poderá ser o "mestre do mundo", então para ele os seres humanos, como tais, tem pouca utilidade. Literalmente, os seres humanos virarão nada mais do que "coisas" a serem contadas, rearranjadas, categorizadas, etiquetadas, monitoradas, manipuladas e controladas. Elas se tornarão nada mais do que uma grande engrenagem na máquina tecnocrática "transhumanista" do WEF, útil por um tempo, talvez, mas no final das contas um fardo para alimentar e abrigar e, logicamente descartável. Se a inteligência artificial pode pensar e imaginar o que Schwab precisa e apoiar as ideias que Schwab adora, então os humanos estão só estorvando. Se o Fórum Econômico Mundial concretizar a Utopia centralizada, a "coisificação" da raça humana será um passo gigantesco em direção ao seu final descarte.
*Publicado originalmente por Gatestone Institute, em https://pt.gatestoneinstitute.org/19528/voce-mira-escravidao
**JB Shurk escreve sobre política e sociedade.
Woke, ainda mais autoritário do que o "politicamente correto”. - 16/03/2023
Valterlucio Bessa Campelo
Está em plena evolução na última década, a partir dos EUA (sempre de lá), uma perspectiva que responde pela gíria Woke, que surgiu como sinônimo de “consciente”. Inicialmente aplicada à questão racial e à homofobia. O “Wokismo” como muitos o denominam, avançou para engolir “o politicamente correto” e se estabelecer como nova expressão de uma geração que se pretende justa, fraterna e igualitária (aonde já vimos isso?) com a superação de conceitos de certo e errado, de bom e mau, de pátria, de família, de religião, de propriedade etc.
Se o “politicamente correto” já enchia o saco de qualquer um com seu olhar inquisitório sobre cada palavra dita ou comportamento observado, firmando normas para a comunicação, o Wokismo se aprofunda como campo de luta ideológica contra o racismo, homofobia, machismo, ambientalismo, veganismo e todas as formas de discriminação reais ou imaginárias. No fundo se pretende instaurar como movimento de uma geração pós-2000 que luta pela justiça social e igualdade, a chave semântica que abre todas as mentes incautas, especialmente da juventude da facul. A diferença marcante é que, enquanto o primeiro era algo mais cosmético, que transitava entre a conveniência ou não de determinados termos ou comportamentos em certas condições, o Wokismo quer mesmo se estabelecer como movimento social protagonista do século XXI, colorindo e atualizando o velho socialismo.
Entre os planos que presidem o Wokismo está o de revolução moral e de costumes, abraçando todas as causas do presente e futuro condizentes com uma visão de mundo igualitária e progressista ao seu modo. A geração Woke, segundo seus acólitos, quer estabelecer uma espécie de novo guia da humanidade, fixando caminhos para os quais arrastam a todos. E há quem ceda facilmente à nova “religião”, sem freios lógicos, sem reflexão, sem personalidade, apenas seguindo uma onda que parece moderna, atual, como fez a loirinha no voo que virou meme em que estava o Deputado. Falou sozinha contra 200 passageiros. Entre os políticos aderentes, há o medo de não ser aceito, especialmente em temas sociais.
Essa introdução é para colocar em discussão o recente discurso do deputado federal, o jovem Nikolas Ferreira, mineiro campeão de votos que, em plena tribuna discursou em defesa das mulheres, no dia da mulher, usando, entretanto, para chamar a atenção, uma peruca loira emoldurando uma caricatura da ideologia de gênero que também faz parte do Wokismo antes referido. O mundo lhe caiu sobre a cabeça, levando-o a defender-se da forma mais óbvia possível, mas, como se trata de um dos inúmeros calcanhares Wokes, há até quem lhe queira cassar o mandato (mais de 1,5 milhões de votos). A mais estridente, a deputada Tábata Amaral, gerada no laboratório político financiado por banqueiros tipo Jorge Lemann, Armínio Fraga, Candido Bracher e uma penca de grandes empresários, quer a sua cabeça na comissão de ética. O motivo alegado é uma falsa “transfobia”, o real é político.
O ponto do Deputado Nikolas Ferreira é o seguinte: como pode comemorar e se dizer em defesa da mulher, quem advoga o direito de que um ser biologicamente nascido homem, crescido como tal, formado fisicamente como tal, possa, por decisão pessoal, se dar como mulher e, a partir daí, passar a frequentar livremente competições contra mulheres biológicas. Refere-se ele a competições em que o resultado é decorrente da força física, esta determinada, logicamente por diferenças hormonais e fisiológicas. Em síntese: os homens transformados em mulheres (mulheres trans), estão tomando das mulheres, na cara dura, os lugares no pódio em seus esportes e, com eles, patrocínios, publicidade, grana. Simples, obvio, ululante.
Sobre isso, ninguém melhor que Ana Paula Henkel , ex-campeã brasileira de vôlei expõe os motivos pelos quais essa parte do Wokismo é uma fraude evidente. É claro que nessas horas surgem “especialistas” de bancada para defenderem cinicamente que se trata de política inclusiva. É mesmo? Por que será que enquanto competia entre homens, William Thomas em sua melhor performance ficou em 18º lugar em uma universidade americana e, depois do tratamento hormonal através do qual se afirmou a mulher Lia Thomas, também na foto acima, virou recordista entre mulheres, mas o contrário (homem trans recordista) nunca acontece? Inclusão pela exclusão de semelhantes? Existem dezenas de casos, nas lutas, por exemplo, em que mulheres biológicas são literalmente surradas por ex-homens, digo, mulheres trans. Abaixo, fotos de Alana McLauglin, que antes pertencia às Forças Especiais do Exército Americano, mas achou melhor assumir a mulher que vivia nele, tomar hormônios, pintar o cabelo de roxo, raspar a barba, espancar outras mulheres e ganhar lutas seguidas.
Aproveito para dizer que em minha opinião pessoal, o sujeito adulto pode fazer do seu corpo o que quiser, ter a profissão que quiser, olhar no espelho e ver o que quiser, olhar pra dentro de si mesmo e ver o que quiser, agir como quiser, se divertir no parquinho que quiser. Quem acompanha esta coluna sabe quanto defendo a liberdade. Simplesmente não é da minha conta e seria intrusão ilegítima se, por acaso, me metesse a julgar quem quer que seja.
No fundo, não é de uma transfobia fantasiosa que estão acusando o jovem Deputado. Elas sabem. Na esteira do Wokismo de Tábata Amaral, que além do mais vê no Nikolas Ferreira um fenômeno político adversário a ser derrubado para que se viabilize seu projeto político, o que estão tentando defender é que a fluidez de gênero deva ser aceita nos esportes sem possibilidade de contestação, desprezando a biologia e adequando os campeonatos com restrições e regulamentos de dosagens hormonais, escala e tempo até que o errado caiba no certo. Wokes utilizam-se da elasticidade de conceitos para igualar desiguais. Um estudo científico publicado na Revista Mineira de Educação Física, (Universidade Federal de Viçosa) já no resumo declara em 2015 que:
“As diferenças relativas ao sexo no desempenho físico são explicadas, principalmente, pelas diferenças nas características fisiológicas e morfofuncionais de homens e mulheres. As respostas neuromusculares, metabólicas e morfológicas entre homens e mulheres refletem a ação de hormônios característicos. Um aspecto relacionado ao esforço físico em que são notadas diferenças entre os sexos diz respeito à instalação do quadro de fadiga. Estudos têm demonstrado que a fadiga da musculatura periférica em função do exercício é maior nas mulheres do que nos homens, o que resulta em menor rendimento delas em tarefas físicas. Em relação à força muscular absoluta, a da mulher média é 63,5% da força do homem. A força muscular da parte superior do corpo das mulheres é de 55,8% da força dos homens enquanto a da parte inferior é de 71,9%. Já em relação à capacidade aeróbia, a diferença em valores absolutos no consumo máximo de oxigênio é de aproximadamente 30%. Resultados relativos à capacidade anaeróbica e potência anaeróbica apresentam os mesmos resultados que nos correspondentes aeróbicos. Como conclusão, fica clara a desvantagem do sexo feminino em relação ao masculino para todas as valências físicas, com exceção da flexibilidade.”
Aqui também se pode ver conclusões semelhantes. Não parece simples, evidente? Para o leitor sim, mas não para o Wokismo tirânico e suas caronas que insistem em dobrar a ciência ao ponto de homem ser fisicamente mulher e vice-versa, sem mais nem menos. Felizmente, creio, essa tolice contra o deputado dará alguns holofotes, mas não avançará, afinal ainda há um mínimo de liberdade de expressão na Câmara dos Deputados. No máximo, servirá de teste para sabermos que o Wokismo já se encrusta no parlamento, seja por militância consciente e objetiva (deputada Tábata Amaral), seja por conveniência, e que precisamos conhecer a verdade dos fatos antes de sair macaqueando celebridades. Sugiro ao leitor que não se deu conta da obviedade do contrassenso, dar uma vista nos sites, pesquisas e estudos que tratam do tema, se for mulher a ler este breve texto, saiba que há um movimento crescente contrário a essa injustiça, ou seja, o Wokismo não está sozinho no ringue, embora tenha alguns torcedores na plateia.
Brasil omisso com ditadura da Nicarágua - 14/03/2023
Ney Lopes
Absolutamente inexplicável a posição do Brasil em não condenar abertamente o atual regime despótico de Daniel Ortega, na Nicarágua.
A realidade internacional mostra a Nicarágua como uma ditadura sangrenta.
Daniel Ortega foi líder do movimento sandinista, que lutou contra a ditadura Somoza, e se tornou um ditador igual aos que combatia.
No fim das contas, no DNA do Daniel Ortega há um stalinista.
Ele quer imitar o que Fidel Castro representou em Cuba, no sentido de uma liderança individualizada, personalista.
Daniel Ortega voltou ao poder em 2007, após ter presidido o país pela primeira vez entre 1985 e 1990.
No ano passado, ele conquistou seu quinto mandato e o quarto consecutivo.
Ele era um conhecido guerrilheiro, preso repetidas vezes por crimes que incluem um assalto à mão armada a uma filial de um banco norte-americano em solo nicaraguense.
Absolutamente estranho que, em tais circunstancias, o Brasil não assinou a declaração na ONU com acusações ao governo da Nicarágua, que foi subscrita por 55 países.
Observe-se que o texto tem como signatários governos de esquerda como Chile, Colômbia, Peru, Paraguai e Equador. Mas o Brasil negou-se a condenar.
O regime Ortega se caracteriza por avançar contra os católicos
O bispo dom Rolando Álvarez segue preso.
O regime considera o prelado de 55 anos como uma das principais figuras da Igreja Católica a serem silenciadas, já que dom Rolando foi um dos mais enfáticos críticos dos atos ditatoriais de Daniel Ortega.
Dois sacerdotes foram presos em Madriz e Nueva Segovia por terem mencionado ou orado pelo bispo durante suas celebrações de domingo.
Recentemente, foram proibidas as procissões e a Via Sacra ao ar livre em todo o país, sem exceção sequer para a Sexta-Feira Santa.
Repetem-se ações violentas contra o clero, que Somoza considerava “uma máfia”.
O núncio apostólico dom Waldemar Stanislaw Sommeretag foi expulso do país, em março de 2022.
Várias emissoras católicas de rádio foram fechadas ao longo dos últimos meses.
O governo ditatorial determinou o fechamento de duas universidades católicas, da Fundação Mariana de Luta contra o Câncer (Fumalccan) e até mesmo da Cáritas, que é um mundialmente respeitado braço católico de ação social e caridade cristã.
Neste contexto de cerceamento da liberdade e tirania, realmente não se justifica a posição do governo brasileiro de manter-se distante, a pretexto de desejar ser um mediador.
Até porque, um mediador omisso e amigo da ditadura não conseguiria a paz desejada.
Ademais, o presidente Lula já se mostrou amigo íntimo de Somoza, quando declarou no passado: “Por que Angela Merkel pode ficar 16 anos no poder e Daniel Ortega não? Por que Felipe González pode ficar 14 anos no poder? Qual a lógica? ”
A ONU vai ainda manifestar-se oficialmente.
Aguardemos a posição final brasileira.
* Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente do Parlamento Latino Americano (PARLATINO); e- Presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara; procurador federal; professor de Direito Constitucional da UFRN – nl@neylopes.com.br – blogdoneylopes.com.br
** Publicado originamente no Diário do Poder.
A narrativa sempre vence? - 10/03/2023
Gilberto Simões Pires
NARRATIVAS
Exemplos não faltam, por este Brasil, para mostrar a enorme quantidade de NARRATIVAS construídas com base em -princípios ideológicos- com o claro objetivo de -ALTERAR A VERDADE DOS FATOS-. Para que as MENTIRAS sejam vistas, tratadas e/ou confundidas como se VERDADES fossem, as equipes dos NARRADORES usam as velhas, porém eficientes, ferramentas -repetição, encenação e dramatização-, as quais, juntas ou separadas, garantem alto grau de sucesso -doutrinário- nas pobres cabeças daqueles que acreditam em tudo que sai nos noticiários.
ATAQUE AOS EFEITOS
Um dos maiores motivos que leva muita gente a ACEITAR como sérias e procedentes grande parte das NARRATIVAS está na crucial dificuldade que a maioria do povo mostra no sentido de identificar as CAUSAS dos problemas e situações. Muitos por preguiça e outro tanto por pura falta de discernimento, a maioria do povo e os profissionais da mídia, notadamente, preferem deixar as CAUSAS intactas e em paz e, com muita veemência, cuidam de atacar os EFEITOS, que por sua vez se encadeiam no processo da falsa cura.
JUROS É EFEITO
Observem, por exemplo, o caso dos JUROS definidos pelo COPOM. O governo, lulistas em geral e boa parte da mídia, estão bombardeando a TAXA SELIC afirmando que ali reside a CAUSA do nosso baixo crescimento/desenvolvimento. Ora, a TAXA SELIC, quando é elevada ou reduzida pelo COPOM, é mero EFEITO do comportamento da INLFAÇÃO, que por sua vez é CONSEQUÊNCIA do aumento da BASE MONETÁRIA. A verdadeira CAUSA, gostem ou não, está no fantástico -DÉFCIT PÚBLICO- que por sua vez impõe constante emissão de MOEDA À VISTA OU A PRAZO (TÍTULOS PÚBLICOS) para fechar as contas previstas ou não pelo Orçamento Público.
GASOLINA
Outro exemplo é o caso dos preços da GASOLINA que são cobrados nos postos de abastecimento. Há quem esteja convencido, muito por influência da mídia, que os VILÕES são os donos dos estabelecimentos, quando, na mais pura verdade, os GRANDES VILÕES são o GOVERNO -FEDERAL e/ou ESTADUAIS que taxam absurdamente os combustíveis e, pior do que isso, promovem grande e impiedosa desorganização no mercado.
PROCON
Vejam que antes da decisão de -reonerar- os combustíveis, o preço da gasolina estava tranquilo. Bastou que Lula decidisse impor a criminosa reoneração para o mercado ser atingido por grande desconfiança o que promoveu elevação anormal dos preços. O curioso é que a mídia achou por bem orientar os -consumidores- a procurar o PROCON como tábua de salvação dos aumentos -abusivos- cobrados pelos postos. Em nenhum momento orientaram a população para exigir que o PROCON fosse bater na porta do GOVERNO LULA - VERDADEIRO VILÃO da alta dos preços de tudo.
Fraternidades caiadas e kantianas - 25/02/2023
Valdemar Munaro
Os textos das 'Campanhas da Fraternidade' (promovidas anualmente pela CNBB) produzem no leitor quaresmal, atento e sedento, mistos de tristeza e desolação. É mísera a teologia aí encontrada e parca a reflexão sobre os dramas e mistérios do pecado e da morte que ferem a vida humana, sobre o amor de Jesus aos que sofrem, sobre as iniquidades sombrias que afligem o coração dos fiéis, sobre o sangue e a graça de Cristo derramados na cruz.
As fraternidades divulgadas e prometidas por tais Campanhas têm caretas cristãs, mas são essencialmente caiadas e kantianas. Têm o perfil dos imperativos morais, em tudo semelhantes aos grimpados nas obras do prussiano, Immanuel Kant (1804).
Iluminista de carteirinha, este conhecido e rebuscado filósofo alemão dos tempos modernos, pretendeu encontrar na faculdade racional as inteiras credenciais da decência humana. Morreu (12 de fevereiro), ironicamente, atormentado por alucinações e amnésias.
A prática cristã, para Kant, equivale à vida ética. O Cristo de Nazaré é apenas um homem moral excelente, dispensável às súplicas e preceitos evangélicos. Segundo sua filosofia, o homem não precisa de alavancas sobrenaturais para melhorar e suplantar ações morais e capacidades cognoscitivas. A razão tem coordenadas e imperativos suficientes que o possibilitam ser bom e digno da coroa da justiça.
Numa carta dirigida a Lavater, em 28 de abril de 1775, escreveu: "em lugar de propor como essencial a doutrina religiosa prática do santo mestre (Lehrer), (os apóstolos) defenderam a veneração desse mestre e uma maneira de buscar favores por meio de bajulações e louvores". Em outras palavras, Kant entende que os apóstolos deturparam os fatos e as palavras de Cristo, transformando-o em divindade. Ao invés de absorverem seus ensinamentos morais, fizeram dele um ser divino.
Ora, essa conclusão kantiana tem uma ousadia intelectual malandra. Sorrateiro anticristão, Immanuel Kant, desdenhou simploriamente as notícias neotestamentárias narradas pelos evangelistas: palavras, discípulos, milagres, morte, paixão, ressurreição, humanidade e divindade de Jesus de Nazaré. Prevalecendo a interpretação epistemológica dada por ele, os fatos registrados nos Evangelhos são claramente deturpados.
Como diz o poeta Heirich Heine, nada mais avassalador e aniquilador. A 'imoral' desonestidade intelectual de Kant inviabiliza a sua pretensa moralidade filosófica. O seu sacana apriorismo crítico foi capaz de criticar tudo, exceto a própria criticidade.
Católicos e protestantes, gentes das academias, ainda o veneram, sem desfazer o fato que sua doutrina fere a verdade cristã. Com razão, tardiamente (11 de junho de 1827), o magistério da Igreja católica o considerou não apenas um agnóstico, mas também "um velado ateu e pai de ateus".
A linguagem kantiana, astutamente, não exclui elogios ao Nazareno, mas, como dissemos, o faz apenas para adornar e complementar sua pedagogia ética. Mesmo negando a divindade, Kant se utiliza das qualidades humanas de Jesus para corroborar seus ideais morais abstratos.
Em outras palavras, a ética kantiana, incapaz, por si mesma, de exemplificar ideais morais humanos inexistentes, toma a excelência moral de Cristo (que é divino) para amostragem e vitrine. O 'Santo do Evangelho', como o designa, não é, para Kant, modelo, Deus e mestre a ser seguido, imitado, amado e adorado, mas apenas 'excelência moral', empiricamente demonstrada, possível e acessível a todos os homens.
Para o kantismo, só a racionalidade libertada da 'menoridade' (exigência e tarefa imprescindíveis aos pensantes), pode ser ferramenta e porta de acesso à vida adulta, autônoma e livre do indivíduo.
Em outros termos, os ideais éticos, segundo a doutrina kantiana, enraizados na íntima estrutura racional humana, postulam, peremptoriamente, uma vida prática decente. Os próprios divinos mandamentos, aparentemente revelados, não passam de códigos nascidos do estuário racional no qual estão enraizadas as credenciais necessárias à perfeição moral. Ser eticamente bom (estágio correspondente à vida cristã), é cumprir o dever e a justiça, nível comportamental 'qualificado' e suficiente à vida humana.
O tesouro da razão, conforme Kant, contém deveres e ideais 'imperativos' a serem obedecidos. Eles nos bastam. Dispensam-se, portanto, santidades cristãs, autoridades externas, dogmas, dons ou suplementos extra racionais. Mestra e guia é somente a razão dentro da qual se deve permanecer, pois fora dela só há superstição e dogmatismo.
Como se vê, Kant amesquinha a vida cristã estreitando-a aos muros racionais e usa a fé unicamente como instrumento de ação pragmática. O efeito é devastador, pois propõe uma crença ficcional, isto é, uma fé em um Deus inexistente.
A doutrina racionalista kantiana, assim, não realiza apenas a proeza apocalíptica do 'nem frio, nem quente (3, 16) que, simultaneamente, amorna crentes e ateus, senão também cria rupturas metafísicas niilistas, de um Deus sem mundo e de um mundo sem Deus, de uma existência vazia de divino, de um divino vazio de existência.
Nenhuma outra época como a nossa experimentou, justamente, tristes avalanches de solidão e desespero, loucura e violência que aquelas premissas fomentaram. Que mundo seria o sem Deus? E que Deus seria o sem mundo? Se Ele não nos tivesse consigo, também não O teríamos conosco. Do mesmo modo, se planetas tresloucados ficassem indo e vindo elipticamente, sem eira, nem beira, sem origem e sem destino, exterminariam absolutamente o sentido e a razão de ser de nossa frágil existência.
O deicídio intelectual e moral no homem contemporâneo abriu, por consequência, comportas de psicopatias nunca vistas. Alucinantes e inimagináveis gritos de dessacralizados e sem esperança ecoam por todas as partes invocando amor e significado para o que fazem e vivem. Se Deus não estiver conosco, seremos apenas frangalhos de explosões ridículas e ocas do acaso.
Sabemos, porém, que não é assim. O agnóstico e sarcástico Voltaire (1778) entendeu bem que a negação absoluta de Deus inviabilizaria tudo, sobretudo a vida humana. Por isso saiu em defesa da sensatez dizendo: "Se Deus não existisse, teríamos que inventá-lo".
O estudioso Eric Voegelin, por sua vez, considerou que as serpentes nazistas e suas consanguíneas (comunismo, fascismo) só puderam eclodir seus ovos porque ninhos culturais alemães e europeus os chocaram fecundados por doenças 'pneumáticas'. As enfermidades espirituais, com efeito, infectam sobremaneira intelectuais sendo mil vezes mais perigosas que as do corpo.
Houve e há, como se vê, intelectuais seguidores de Kant. O célebre teólogo protestante, Rudolf Bultmann (1884 -1976), por exemplo, foi um deles. Sob feitiços kantianos que orientaram sua mente, produziu uma teologia que destrói a fé dos que têm Deus e o Deus dos que têm fé. Igual a Kant, postulou uma crença sem conteúdo, desvestida de história, fatos e presenças reais.
Pela lógica kantiana (e bultmanniana), qualquer pessoa poderá ser cristã sem precisar de Cristo já que o importante é a 'ideia', útil e eficaz do mesmo posta a serviço da ignição e da ação preferencialmente revolucionária.
Por este caminho somos conduzidos a esquizofrenias e catástrofes espirituais: fés esvaziadas da presença real de Cristo e presença real de Cristo inacessível ao coração humano. Se a racionalidade for a rainha do pedaço, a única a postular condições para haver encontro vivo e real com o Senhor, então a vida e a graça de Cristo nunca nos acontecerão. As vidas éticas estão sempre emaranhadas de teias racionais que condicionam o encontro e o acesso à Boa Nova de Jesus. Muitas vezes, porém, são a ruína do edifício cristão.
Vemos como os mecanismos éticos e teóricos kantianos fazem de Jesus um adorno moralista posto à disposição de catequeses e doutrinas 'fraternalistas'. Teólogos da libertação e seus agentes fazem o mesmo que fez Bultmann. Sob vestimentas aparentemente cristãs escondem corações e mentes não fixadas em Cristo, mas em ideais, preferencialmente socialistas e revolucionários, nos quais as fraternidades são imaginariamente dependuradas. Ali, na própria fraternidade imaginada, adornam o Cristo que por sua vez os adorna.
Das tentações de Jesus no deserto há a da fome e do pão (Campanha da Fraternidade, 2023). Cristo, faminto e solitário, é visitado pelo demônio que o instiga a solucionar o gigantesco problema da fome no 'canetaço': "Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se tornem pães" (Mt 4, 3).
Poder-se-ia quase dizer: 'Deus do céu! Por que não facilitar as coisas invertendo e reformulando a criação, fazendo o amor não ter renúncias, o pão não ter suor, os filhos não ter sacrifício, a liberdade não ter responsabilidade, a riqueza não ter trabalho?!'
Mas Jesus nos ilumina: "Não só de pão vive o homem". O Filho do Homem sabe que o pão necessário ao corpo, não é tudo o que precisamos, pois o entupido de pão não é capaz de partilhá-lo. Morre com ele.
A assustadora fome corporal que assola os homens, porém, não é pior que a morte. Saciados e bem nutridos, estão na iminência de morrer tanto quanto famintos. 'Farturas' de miséria se aproximam das 'misérias' de fartura e corpos bem nutridos podem se reunir apodrecidos aos mesmos túmulos dos mortos pela fome.
Quem nos assegura o 'vigor da uva', a vida, o pão e a fraternidade é o Crucificado Ressuscitado. Sem Ele, com Ele e por Ele nosso pão mofaria, nosso trigo caruncharia, nosso vinho vinagraria, nosso fermento azedaria, nosso azeite rançaria e nossa fraternidade seria afetação diplomática.
Famintos, pobres, doentes, decaídos, endividados, carentes de toda ordem, presas fáceis da 'compaixão' política e sociológica, normalmente afetada, são os primeiros a serem vistos e visitados por demônios que os quer sempre desvalidos, perpetuamente 'cativos' na duradoura dependência lhes dá guarida a caridades hipócritas. Vê-se que vulneráveis 'amam' benfeitores e benfeitores 'amam' vulneráveis exatamente na recíproca colaboração que apazigua e acalma consciências morais.
Evocando ideais que poderiam ser promovidos em qualquer lugar, tempo e religião, teólogos, bispos e assessores 'libertadores' proclamam Campanhas da Fraternidade encharcadas de síndromes kantianas temperadas de pelagianismo e romanticismo, teses exaltantes e exultantes de fraternidades fáceis e baratas. Pressupõem o amor cristão surgindo mágico de catequeses e conscientizações, decretos e propagandas, sermões e cânticos, textos e técnicas pastorais.
As moralidades kantianas uniram-se ao espírito revolucionário marxista pondo lenha no fogo 'teológico libertador' de metas sempre surrealistas. Infelizmente, ideais surrealistas produzem na alma dos próprios protagonistas, atitudes invertidas de hipocrisia e/ou rebeldia. O comunismo, por exemplo, é um ideal tão alto, tão excelso, só possível fora da face da terra. Nas condições humanas, porém, produz o efeito de transformar comunistas em hipócritas ou rebeldes já que a impossibilidade de ser vivido faz o vivente ser fingido ou revoltado. Fraternidades adornadas e fingidas sobram aos cântaros. Delas não precisamos.
'Comovidos' e 'comprometidos' com os famintos do Brasil, entre eles políticos e católicos moralistas de plantão (como Ackmin, Lula, Haddad e tutti quanti), não fossem fingidos teriam destinado vultoso dinheiro aos desabrigados de SP e nada aos desfiles e artistas da Sapucaí.
Onde está o 'amor fraterno petista' pelos milhões esfomeados brasileiros? Revelam-se tão perversos quanto parlamentares europeus socialistas, situados em Bruxelas, que se 'mostram' comovidos com os 'terremotados' turcos sem diminuir uma gota de suas benesses (pagos pela população) para ajudá-los. São portadores de amores e comoções vernizados num rosto 'cosmético' de hipocrisias e mentiras.
Muitos dos promotores das Campanhas da Fraternidade no Brasil apoiam governantes e políticos anticristãos, abortistas, ladrões, empenhados na liberação de drogas e do crime, dispensando-lhes salamaleques e favores.
Aos protagonistas e promotores de tais campanhas, os sedentos de fraternidade perguntam: "Onde morais? Mostrai-nos a fraternidade que ensinais e com quem a praticais para que também a possamos viver e saborear. Porém, se não tendes como no-la mostrar, se não tendes como no-la testemunhar, então, calai-vos! Vossos julgamentos, admoestações e mandamentos se assemelham 'aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão. Por fora pareceis justos aos olhos dos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade. Serpentes! Raça de víboras! Como escapareis ao castigo do inferno?" (Mt 23, 27s).
* Santa Maria, 24/02/2023
** O autor, Dr. Valdemar Munaro, é professor de Filosofia.
A hiper-regulamentação e as lágrimas sinceras - 14/02/2023
Juliano Roberto de Oliveira
Foi Walter Block quem certa vez disse que “empregos, por si sós, não garantem bem-estar e riqueza para uma nação”. Em sua argumentação a respeito dos prejuízos causados pela ingerência estatal na economia, Block faz alguns alertas que, de tão simples, parece-nos impossível que alguns economistas, notadamente os da linha desenvolvimentista, teimem em ignorá-los. Basicamente, em seu esforço pelo convencimento de que não precisamos de um braço estatal trabalhando em prol da geração de empregos, o autor faz uma analogia bastante modesta. Compara todos os membros de uma sociedade a uma família abandonada numa ilha deserta. Ao fazer a comparação, o economista procura mostrar que, vivendo sob as intempéries e hostilidades de um mundo primitivo, todos os integrantes da família se esforçariam por obter alguns elementos básicos que lhes garantissem a sobrevivência. No cenário desenhado, ninguém estaria preocupado com um emprego, mas todos canalizariam seus esforços na busca por alimentos, roupas, abrigo e proteção contra prováveis ataques de animais selvagens.
Como os moradores da ilha imaginária, todos nós, habitantes de um mundo civilizado (no caso do Brasil, nem tão civilizado assim), seremos conduzidos à miséria geral se insistirmos na equivocada ideia de que o estado seja o responsável pela geração de empregos formais que garantam o pão que colocamos à mesa. A mão-de-obra, como qualquer recurso econômico, é um recurso escasso. Se moradores de uma ilha deserta ou trabalhadores de um mundo civilizado se dedicam a tarefas que não geram resultados finais que produzem como efeito imediato um padrão de vida mais elevado ou, ao menos, a satisfação das necessidades mais básicas (aquelas que Frederick Herzberg, psicólogo e professor norte-americano, chamou de fatores higiênicos) o resultado será miséria e, no fim, a desconstrução da própria civilização como a conhecemos.
Empregos não são (ou não deveriam ser) resultantes de políticas públicas. Empregos são os meios pelos quais pessoas produzem, numa relação harmoniosa e de cooperação, produtos e serviços que satisfazem às mais variadas necessidades e desejos de seus concidadãos. Estes, por sua vez, só estão dispostos a pagar pelos produtos do trabalho alheio quando percebem que podem obter deles algum benefício, o que significa, no economês ou na linguagem do marketing corporativo, obter algum valor.
Qualquer cartilha básica de estudo de microeconomia aponta, em sua lição número 1, que o problema da economia é a escassez. Lembro-me de quando, ao folhear as primeiras páginas do primeiro livro de economia a que tive acesso nos tempos de universitário, deparei-me com esta verdade inconteste. “A escassez existe porque as necessidades humanas a serem satisfeitas através do consumo de vários tipos de bens e serviços são infinitas e ilimitadas”, dizia o livro-texto no seu primeiro parágrafo para, logo depois, arrematar com um “ao passo que os recursos produtivos à disposição da sociedade são finitos e limitados, ou seja, são insuficientes para se produzir o volume de bens e serviços necessários para satisfazer as necessidades de todas as pessoas”.
Nenhuma destas lições, embora básicas, parece estar sendo levada a sério pelo governo que ora comanda os rumos do nosso país. Salário mínimo, encargos sociais e trabalhistas, leis de proteção ao emprego, licenças para exercício de determinadas ocupações (diplomas universitários nada mais são que licenças concedidas pelo estado e representam uma forma de protecionismo), proibição ao trabalho infantil e muitos outros obstáculos criados pela boa vontade estatal explicam a existência de uma massa de desempregados num mundo de necessidades e desejos ilimitados. Ao aumentar artificialmente, por força de decretos, os custos de contratação (e de demissão), o estado empurra para a fila do pão milhares de pessoas saudáveis e as coloca sob sua dependência. Numa lógica perversa que inverte prioridades, o estado inibe a poupança, o crescimento de longo prazo, a prática do investimento, as bases da moralidade civilizatória que fazem parte do arranjo em que, para me satisfazer, preciso ofertar a meus terceiros algo que os satisfaça (isso faz parecer que o capitalismo não é tão egoísta como dizem os defensores de um estado pantagruélico, não é mesmo?).
Como populistas irresponsáveis que são, os estatistas que estão no comando do país desprezam todo o sistema de livre iniciativa (para Lula, afinal, o patrão só ganha muito dinheiro porque os trabalhadores trabalham, afirmação digna de um aluno de DCE que despreza, para não fugir à regra, as verdades básicas da ciência econômica. Já podemos chamá-lo de negacionista?).
São inúmeras as mostras dadas pelo atual governo de que seu compromisso não é com a realidade, mas com a ideologia que o domina. Há não muito escrevi um artigo em que explico porque a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva nos colocou numa rota venezuelana. Trata-se de um breve resumo das péssimas decisões tomadas pelo poder executivo no que diz respeito a questões que representam o alicerce da nossa economia. Responsabilidade fiscal, segurança jurídica, lei das estatais, privatização, etc...
Escrever sobre todas as irresponsabilidades e excesso de populismo do atual mandatário do país, bem como sobre todos os potenciais estragos nos campos da economia e da diplomacia, não é uma das tarefas a que me dedico com muito afinco. Faltar-me-ia tempo, afinal, para apontar tanta estultice. Não obstante, um caso ocorrido na última semana me chamou à atenção.
O atual governo, que não esconde sua sanha por controlar cada aspecto de nossas vidas, deixou bem claro, por meio de seu ministro do trabalho, Luiz Marinho, que não permitirá que os brasileiros decidam, sem a tutela estatal, como devem se dar suas relações trabalhistas com as empresas que os empregam. Num tom ameaçador, Marinho afirmou que a regulamentação dos trabalhos por aplicativos é uma de suas prioridades (a outra seria rever a reforma trabalhista aprovada na gestão Temer).
Quando perguntado sobre a possibilidade de uma reação da empresa UBER e de sua eventual saída do país em função da criação de custos artificiais que inviabilizariam o negócio, Marinho disse que os correios poderiam substitui-la. Nada novo. A proposta central deste governo é sempre mais estado para os velhos problemas criados pela mão forte do próprio estado. É a solução mágica para tudo. A panaceia dos megalomaníacos. Os estatistas, afinal, fazem questão de ignorar as verdades inconvenientes, caso contrário, não seriam estatistas.
Uma análise histórica da relação do Partido dos Trabalhadores com as estatais nos mostra que não há qualquer motivo para assombro, que não devíamos esperar de Lula e de seu séquito nada menos que o protagonismo do estado na condução da economia. A simbiose entre governo e empresas públicas, afinal, é a regra em se tratando de governos de esquerda. Uma volta ao passado nos mostra que foi o protagonismo dos correios que permitiu o favorecimento de empresas em processos licitatórios, favorecimento que desaguou no famigerado caso do mensalão, um sistema golpista cujo objetivo era destruir os pilares democráticos do país por meio da compra de apoio aos projetos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mostra-nos que outro golpe contra a empresa ocorreu em seu fundo de pensão, o Postalis, o qual gerou um rombo de 7 bilhões de reais decorrente de investimentos fraudulentos e negligentes baseados em ideologia e partidarismo (para quem deseja entender um pouquinho mais esta paixão que o Partido dos Trabalhadores tem pela estatal, sugiro a leitura deste excelente artigo de Luan Sperandio).
Apenas a frieza mesquinha e o sentimentalismo seletivo são capazes de explicar como alguém pode, com suas intromissões e hiper-regulamentações, excluir do mercado de trabalho milhares de pessoas (afinal, os marginalizados pela CLT, em sua maioria, encontraram abrigo nos trabalhos por aplicativos) e, num discurso de posse presidencial, chorar convulsivamente ao citar mães e crianças famintas.
O fatídico 01 de janeiro de 2023 deixa clara essa contradição. Foi naquele dia, afinal, que, com voz embargada, Lula afirmou que o Brasil vive um período de trevas marcado por muito abandono e desamparo. "Há muito tempo, não víamos tamanho abandono e desalento nas ruas. Mães garimpando lixo em busca de alimento para seus filhos. Famílias inteiras dormindo ao relento, enfrentando o frio, a chuva e o medo. Crianças vendendo bala ou pedindo esmola, quando deveriam estar na escola vivendo plenamente a infância a que têm direito", disse o mandatário em ato de posse.
Este episódio me fez lembrar de um artigo intitulado Bondade Mesquinha (2009), de autoria do grande professor Olavo de Carvalho. Nele o professor destaca a capacidade de enternecimento de Lula diante das multidões com as quais compartilha seus ideais de militância. Num dos fragmentos, diz o professor:
“Não é a primeira vez que ele dá mostras de sua notável capacidade lacrimejante. Ele chorou duplamente ao ser eleito e ao ser empossado, chorou vezes inumeráveis ao anunciar do alto dos palanques seus planos de governo, chorou no enterro do deputado petista Carlos Wilson, no das vítimas da chuva em Sta. Catarina e no dos mortos do acidente em Alcântara, chorou ao inaugurar o projeto “Luz Para Todos”, chorou ao enaltecer seus próprios feitos num encontro de estudantes em São Paulo, chorou no Senegal dizendo que era de arrependimento pela escravatura, chorou ao prometer acabar com o desemprego em 2003 e depois novamente em 2006 (os desempregados continuam chorando até agora), e chorou quando o deputado Roberto Jefferson lhe falou do Mensalão: soluçou tão convulsivamente que ficou até parecendo que era o último a saber do imbróglio”.
Se o choro de lá é seletivo, o de cá é real. No fim, restam-nos lágrimas. Lágrimas sinceras de quem vê nas trapalhadas econômicas e no desrespeito às mais básicas leis da economia (já citadas no início deste texto) a destruição dos sonhos de milhares de jovens que serão obrigados a viver sob a proteção do estado que lhes tirou o próprio sustento.
* O autor é Bacharel em Administração de Empresas – FAI; Especialista em Qualidade e Produtividade – UNIFEI e Mestre em Eng. da Produção - UNIFEI
No alvo - 07/02/2023
Sílvio Lopes
"Povos, sacrificai tudo, menos a liberdade de pensamento!" Tal foi a advertência de Johann Fichte, filósofo do idealismo alemão pós Kant (e por este influenciado), ambos expoentes do período conhecido por Iluminismo.
Nada mais atual e sintonizado com um movimento global de supressão das liberdades, que varre nações e continentes e cujo ideal político é o de estabelecer um mundo de um só governo, uma só nação, uma única moeda, e, claro, um único pensamento. Um mundo centrado nessas premissas, com certeza, imprescinde do pensamento único e absoluto para dominar e submeter a sociedade. Em toda parte, essa é a saga opressora que aqui também busca sufocar pensamentos dissonantes, perseguindo e calando quem ouse discordar e sem escrúpulos e qualquer sentido de racionalidade, justificando tais ações como defesa da " democracia".
Quanta hipocrisia e desavergonhado caráter de gente que jurava ser libertária e contra a ditadura dos " anos de chumbo" – nem tão ditadura quanto julgam, considerando o pouco chumbo dispendido ao longo dos 20 anos que depuração social havida.
A esquerda, a bem da verdade, sempre foi dissimulada e tirânica onde quer que tenha sido implantada, embora use e abuse da retórica democrática como forma de iludir os incautos e ingênuos para se estabelecer e reinar.
Vivemos dias sombrios e incertos. Parafraseando Jean- Jacques Rousseau, outro grande filósofo e contemporâneo de Fichte, "há certo tipo de sociedade em que se impõe opressão à uma maioria em proveito de uma minoria privilegiada”.
É bem esse o quadro hoje em voga, aqui como acolá. Cabe aos homens e mulheres de bem desta nação, enfim, sacrificar tudo para defender nossas liberdades. Enquanto é tempo.
* O autor, Sílvio Lopes, é jornalista e economista.
Desejo de matar - 04/02/2023
Olavo de Carvalho
Amigos e leitores pedem-me uma opinião sobre o aborto. Mas, inclinado por natureza à economia de esforço, meu cérebro se recusa a criar uma opinião sobre o quer que seja, exceto quando encontra um bom motivo para fazê-lo. Diante de um problema qualquer, sua reação instintiva é apegar-se ferozmente ao direito natural de não pensar no caso. Mas, ao argumentar em favor desse direito, ele acaba tendo de se perguntar por que afinal existe o maldito problema. Assim, o que era uma tentativa de não pensar acaba por se tornar uma investigação de fundamentos, isto é, o empreendimento mais filosófico que existe. Os futuros autores de biografias depreciativas dirão, com razão, que me tornei filósofo por mera preguiça de pensar. Mas, como a preguiça gradua os assuntos pela escala de atenção prioritária mínima, acabei por desenvolver um agudo sentimento da diferença entre os problemas colocados pela fatalidade das coisas e os problemas que só existem porque determinadas pessoas querem que existam.
Ora, o problema do aborto pertence, com toda a evidência, a esta última espécie. O questionamento do aborto existe porque a prática do aborto existe, e não ao contrário. Que alguém decida em favor do aborto é o pressuposto da existência do debate sobre o aborto. Mas o que é pressuposto de um debate não pode, ao mesmo tempo, ser a sua conclusão lógica. A opção pelo aborto, sendo prévia a toda discussão, é inacessível a argumentos. O abortista é abortista por decisão livre, que prescinde de razões. Essa liberdade afirma-se diretamente pelo ato que a realiza e, multiplicado por milhões, se torna liberdade genericamente reconhecida e consolidada num "direito". Daí que o discurso em favor do aborto evite a problemática moral e se apegue ao terreno jurídico e político: ele não quer tanto afirmar um valor, mas estatuir um direito (que pode, em tese, coexistir com a condenação moral do ato).
Quanto ao conteúdo do debate, os adversários do aborto alegam que o feto é um ser humano, que matá-lo é crime de homicídio. Os partidários alegam que o feto é apenas um pedaço de carne, uma parte do corpo da mãe, que deve ter o direito de extirpá-lo à vontade. No presente score da disputa, nenhum dos lados conseguiu ainda persuadir o outro. Nem é razoável esperar que o consiga, pois, não havendo na presente civilização o menor consenso quanto ao que é ou não é a natureza humana, não existem premissas comuns que possam fundamentar um desempate.
Mas o empate mesmo acaba por transfigurar toda a discussão: diante dele, passamos de uma disputa ético-metafísica, insolúvel nas presentes condições da cultura ocidental, a uma simples equação matemática cuja resolução deve, em princípio, ser idêntica e igualmente probante para todos os seres capazes de compreendê-la. Essa equação formula-se assim: se há 50% de probabilidades de que o feto seja humano e 50% de probabilidades de que não o seja, apostar nesta última hipótese é, literalmente, optar por um ato que tem 50% de probabilidades de ser um homicídio.
Com isso, a questão toda se esclarece mais do que poderia exigi-lo o mais refratário dos cérebros. Não havendo certeza absoluta da inumanidade do feto, extirpá-lo pressupõe uma decisão moral (ou imoral) tomada no escuro. Podemos preservar a vida dessa criatura e descobrir mais tarde que empenhamos em vão nossos altos sentimentos éticos em defesa do que não passava, no fim das contas, de mera coisa. Mas podemos também decidir extirpar a coisa, correndo o risco de descobrir, tarde demais, que era um ser humano. Entre a precaução e a aposta temerária, cabe escolher? Qual de nós, armado de um revólver, se acreditaria moralmente autorizado a dispará-lo, se soubesse que tem 50% de chances de acertar numa criatura inocente? Dito de outro modo: apostar na inumanidade do feto é jogar na cara-ou-coroa a sobrevivência ou morte de um possível ser humano.
Chegados a esse ponto do raciocínio, todos os argumentos pró-aborto tornaram-se argumentos contra. Pois aí saímos do terreno do indecidível e deparamos com um consenso mundial firmemente estabelecido: nenhuma vantagem defensável ou indefensável, nenhum benefício real ou hipotético para terceiros pode justificar que a vida de um ser humano seja arriscada numa aposta.
Mas, como vimos, a opção pró-aborto é prévia a toda discussão, sendo este o motivo pelo qual o abortista ressente e denuncia como "violência repressiva" toda argumentação contrária. A decisão pró-aborto, sendo a pré-condição da existência do debate, não poderia buscar no debate senão a legitimação ex post facto de algo que já estava decidido irreversivelmente com debate ou sem debate. O abortista não poderia ceder nem mesmo ante provas cabais da humanidade do feto, quanto mais ante meras avaliações de um risco moral. Ele simplesmente deseja correr o risco, mesmo com chances de zero por cento. Ele quer porque quer. Para ele, a morte dos fetos indesejados é uma questão de honra: trata-se de demonstrar, mediante atos e não mediante argumentos, uma liberdade autofundante que prescinde de razões, um orgulho nietzschiano para o qual a menor objeção é constrangimento intolerável.
Creio descobrir, aí, a razão pela qual meu cérebro se recusava obstinadamente a pensar no assunto. Ele pressentia a inocuidade de todo argumento ante a afirmação brutal e irracional da pura vontade de matar. É claro que, em muitos abortistas, esta vontade permanece subconsciente, encoberta por um véu de racionalizações humanitárias, que o apoio da mídia fortalece e a vociferação dos militantes corrobora. Porém é claro também que não adianta nada argumentar com pessoas capazes de mentir tão tenazmente para si próprias.
* Publicado originalmente no Jornal da Tarde, 22 de janeiro de 1998
Três saídas - 28/01/2023
Dagoberto Lima Godoy
Os célebres 10 mil “Imortais” da Pérsia sustentaram por mais de dois séculos o poder imperial Aquemênida, até a sua queda perante Alexandre, o Grande. Ao longo da história, muitos outros regimes autoritários se mantiveram incólumes, por certo tempo, valendo-se da couraça de suas guardas palacianas, fortemente armadas e bem remuneradas (com o dinheiro dos impostos extorquidos do povo). Por algum tempo, mas não para sempre. Alguns deles terminaram caindo por forças externas, como o de Dario III, mas a maioria acabou se destruindo internamente, tal como o câncer acaba corroendo os organismos mais fortes. Somente depois de enfraquecidos pela incompetência na gestão econômica; de incapacitados para manter políticas de pão e circo, na forma de programas assistencialistas; de dilacerados pelas disputas viscerais pelo poder; e de imersos na corrupção foi que a população oprimida pode encontrar formas e meios para derrubá-los, sendo comum que a própria guarda pretoriana se juntasse à revolta (ou até a encabeçasse).
Diante dessa retrospectiva histórica, como decifrar o quadro kafkiano da nossa situação política? Estamos diante de um governo recém-empossado, detentor de um mandato com roupagem democrática, obtido em pleito validado pelo Poder Judiciário, endossado pelo Poder Legislativo e protegido pelas Forças Armadas. Tudo indica que estão postas as condições para a longevidade do regime, não importa a multitudinária inconformidade de metade (no mínimo) da população brasileira, assombrada pela avalanche do socialismo “bolivariano” que ameaça afogar nosso continente.
Afasto, decididamente, a hipótese de esperarmos que um outro grande Alexandre, travestido de paladino da democracia, venha impedir a consolidação do projeto neocomunista anunciado e proclamado pelo presidente, dito vitorioso nas urnas vulneráveis. E, na minha despretensiosa perspectiva, vejo três saídas para impedir que se prolonguem estes tempos de arbítrio, corrupção e dissolução dos costumes mais caros aos brasileiros.
Primeira (ardentemente desejada e de vigência imediata): o novo Congresso Nacional, a empossar-se em fevereiro, assume com patriotismo sua missão perante o povo e, como Poder legítimo, impõe aos demais poderes o restabelecimento do estado de direito, o respeito à lei e a garantia dos direitos individuais consagrados na Constituição Federal.
Segunda (técnica e logicamente previsível, a resultar das diretrizes anunciadas pelo governo): gastos públicos incontrolados, programas sociais e culturais assistencialistas, associados à insegurança jurídica, levam a inflação, aversão a investimentos, falta de crescimento econômico sustentável, crescente insatisfação popular.
Terceira (inevitável, a se manterem a degradação ética da política nacional e a disposição dos atuais governantes de “fazer qualquer coisa” para conservar o poder e concluir a proclamada revolução socialista, neocomunista ou bolivariana): a progressiva consolidação de um sistema cleptocrático, no qual a disputa pelo poder e pelos potins do saque contra o patrimônio público provoque a canibalização das lideranças espúrias.
Desperdiçada a primeira saída, qualquer das duas outras levará, cedo ou tarde, a uma nova oportunidade para que se desmonte - tomara que de uma vez por todas – o pervertido sistema político atual, de modo que o poder seja entregue às mãos do povo e aos que melhor o sirvam, com honestidade, lealdade e a devida competência.
Qualquer que seja das três saídas a que ocorra, o que se impõe à cidadania é que se mantenha mobilizada e firme na luta pela liberdade, pela restauração dos direitos constitucionais e pela prevalência da dignidade na vida nacional.
Manifestações - 20/01/2023
Uma fábula, por Dagoberto Lima Godoy
As coisas não andavam nada bem naquele clube. Numa eleição tumultuada, voltara à presidência um sócio com “ficha suja”, na gíria corrente, por ter sido condenado por envolvimento em desfalque na tesouraria, num inquérito depois anulado por falhas processuais. Pior de tudo era a atuação da Diretoria Jurídica, a responsável pelo atendimento ao Estatuto Social, cujo titular parecia ensandecido com o poder e passara a fazer gato e sapato dos direitos dos associados. Era um tal de multar, suspender e até expulsar sócios, sem obedecer aos procedimentos exigidos pelos estatutos, numa escalada de arbitrariedades e ameaças de endurecimento ainda maior.
Foi então que, em mais de um departamento do clube, sócios passaram a fazer manifestações, reclamando do Presidente e esperando que a Assembleia Geral tomasse as devidas providências. De nada adiantou e os grupos, como último recurso, resolveram “acampar” defronte às salas do Conselho Fiscal, portando faixas de protesto, gritando palavras de ordem e até cantando o hino do clube. Tudo pacificamente, respeitando todas as disposições do regimento interno, tanto que o próprio Conselho Fiscal autorizou a continuidade dos acampamentos.
A tensão já dava mostras de alcançar seu limite, quando um pequeno grupo, difícil de se identificar, perdeu a paciência e invadiu as dependências administrativas, passando a depredar móveis, utensílios e até alguns troféus históricos. Num comportamento de manada, os sócios acampados por ali se juntaram à invasão, mas não à violência, muitos até tentando acalmar os predadores, uma vez que os vigilantes de plantão a tudo assistiam, sem ação.
Foi um fato histórico, ainda que não inédito, na história do clube. Mas o mais interessante ocorreu depois. Associados de vários departamentos, os quais até então se mantinham inertes ou perplexos diante dos desmandos da Jurídica e da omissão das demais diretorias, passaram a pregar manifestos no quadro de avisos do clube. Entretanto, essas mensagens quase sem exceção, “pisando em ovos” para não se indisporem com a Diretoria,recitavam louvores aos princípios de civilidade consagrados nos estatutos, limitando-se a condenar os invasores, sem distinguir os vândalos dos ingênuos. Pretendiam, talvez, redimir-se das passadas omissões diante dos fatos que deram origem às invasões. Mas, na verdade, ao não fazerem qualquer menção às ofensas aos mesmos estatutos desde muito tempo praticadas pela administração, usaram a meia-verdade e produziram manifestos facciosos, prontamente interpretados pela Diretoria como gestos de apoio e assim divulgados pelo jornal do clube e enviados como “press releases” aos órgãos de comunicação da cidade.
Manifestantes foram punidos indiscriminadamente, desprezados quaisquer trâmites estatutários; o presidente saiu fortalecido; a Diretoria Jurídica, ainda mais empoderada; e os associados... Bem, os associados que se lixem!
Sobre liberdade de expressão e afronta à democracia - 12/01/2023
João Luiz Mauad
Ontem, a liberdade de expressão tomou mais uma paulada em Pindorama. Três jornalistas/comentaristas da Jovem Pan e da Gazeta do Povo tiveram todas as suas redes sociais suspensas, seus passaportes cancelados e suas contas bancárias bloqueadas por ordem daquele ministro do STF – vocês sabem qual.
“Não existe direito absoluto”. Esta expressão jurídica vulgar virou lugar comum nas mesas de bar, no discurso da imprensa e de seus indefectíveis analistas e especialistas, e até mesmo nas sentenças das mais altas cortes de Pindorama, quando o assunto é liberdade de expressão.
O problema é que esta expressão nada mais é do que uma falácia, ou um grande espantalho, para ser mais exato. Ninguém que denuncie os (cada vez mais) frequentes abusos contra a liberdade de expressão recusa os limites dela. A questão de fundo é que, entre um direito absoluto e nenhum direito há uma enorme zona cinzenta, que jamais deveria ser refém das subjetividades e idiossincrasias de ninguém.
Por isso, o legislador enumerou uma série de exceções ao direito fundamental da liberdade de expressão – não por acaso, gravado em cláusula pétrea na CF. São elas: ameaças à vida ou à integridade física de terceiros, injúrias, calúnias e difamações. O mais importante é que todas as exceções previstas são puníveis (civil ou criminalmente) apenas a posteriori, depois do devido processo legal e da possibilidade de ampla defesa. A censura prévia (ou ‘cala-boca’, nas palavras da ministra Carmem Lúcia) não está prevista no arcabouço legal de Pindorama.
A censura é expressamente vedada pela Constituição Federal em duas passagens: no artigo 5º, inciso XI, que dispõe ser livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença, e no §2º do artigo 220, que proíbe qualquer espécie de censura de natureza política, ideológica e artística.
Desses dois dispositivos depreende-se que é inadmissível qualquer tipo de censura prévia, coisa típica de países totalitários. Se houver excesso na linguagem ou ultrapassagem do limite entre a liberdade de expressão e a prática de uma infração, inclusive de natureza penal, a punição é sempre posterior. Ninguém está autorizado a antever a prática de um ilícito e calar qualquer pessoa a priori.
Até mesmo na famigerada Lei de Segurança Nacional, editada no período militar, havia dispositivo expresso que permitia a exposição, a crítica ou o debate de quaisquer doutrinas (com exceção do nazismo) – artigo 22, §3º, da Lei nº 7.170/1983.
Já a Lei nº 14.197, que substituiu a Lei de Segurança Nacional e atualmente trata dos crimes contra o Estado Democrático de Direito, inseriu no Código Penal o artigo 359-U, que dispõe sobre a liberdade de expressão e de manifestação do pensamento, ressalvando que: “Não constitui crime previsto neste título a manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais”.
Mais claro, impossível. O direito à livre manifestação do pensamento consiste justamente em poder dizer o que pensa sobre algo ou alguém, inclusive sobre os poderes constituídos e seus agentes, sem que isso seja considerado criminoso. Essa regra constitucional é comum a praticamente todos os países democráticos, pois a liberdade de expressão é um dos pilares do estado democrático.
Não sem razão, a lei permite inclusive opiniões contrárias à própria democracia, bem como a defesa de regimes autoritários – há gosto para tudo. Tanto isso é verdade que, desde a redemocratização do país, assistimos a manifestações diversas dos defensores de uma ditadura do proletariado sem que tais atividades jamais tenham sido criminalizadas ou proibidas.
Por outro lado e a despeito de tudo isso, testemunhamos diariamente ataques concretos à democracia e ao estado de direito sem que isto cause qualquer desconforto cognitivo nas nossas elites pensantes. Refiro-me, evidentemente, aos inquéritos perpétuos do STF, sem competência originária e ao arrepio de princípios processuais mais comezinhos. Sem falar dos reiterados atos de censura e bloqueios de redes sociais, inclusive de parlamentares textual e constitucionalmente imunes em relação às suas palavras e votos.
Refiro-me também a algumas decisões extravagantes do mesmo STF, as quais interferem de maneira insofismável na divisão de poderes, outro dos principais pilares de uma democracia realmente digna deste nome – como a recente autorização do judiciário para que o executivo gaste acima do teto constitucional, entre outros arroubos de um STF cada vez mais ativista e imbuído do papel (espúrio) de legislador.
Nada poderia afrontar mais a democracia do que este vilipêndio ao império da lei e ao devido processo legal. O problema é que, em Pindorama, não é a opinião que interessa na hora de punir alguém, mas quem emite a opinião.
* João Luiz Mauad é administrador de empresas formado pela FGV-RJ, profissional liberal (consultor de empresas) e diretor do Instituto Liberal. Escreve para vários periódicos como os jornais O Globo, Zero Hora e Gazeta do Povo.
** Publicado originalmente no site do Instituto Liberal - https://www.institutoliberal.org.br/blog/sobre-liberdade-de-expressao-e-afronta-a-democracia/
Engenheiros sociais: tormento das comunidades - 11/01/2023
Valdemar Munaro
Caniços, segundo Pascal, despossuídos de consciência, movem-se à mercê dos ventos e determinismos, não 'sofrem' solidão, medo, ressentimento, trauma ou angústia, não sabem de si, nem se perguntam sobre o seu destino.
A condição humana, ao invés, guiada por inteligência e amor, é artífice de seu próprio caminho, engenheira e arquiteta, molda seu ambiente, trama artimanhas e astúcias vindas não do vigor físico ou das pulsões instintivas, mas da interioridade regida pelo espírito que tudo tempera e ilumina evitando esfacelamento e extinção.
Admirável invenção é, pois, a pessoa humana dignificada pela sabedoria e pela ordem da consciência (cum+scientia) que só Deus poderia lhe dispor. Os animais sabem, mas não sabem que sabem. Se soubessem, não seriam o que são. O homem, por sua vez, sabe que sabe e sabe também de não saber. Há, pois, um abismo metafísico entre caniços e racionais.
Embora abaixo de anjos (Sl 8), criaturas humanas se elevam, com asas de inteligência e vontade, para viver acima do achatamento materialista.
Perfeitos e simples, substâncias separadas, como são chamados por Aristóteles os seres angélicos, não carregam o peso da temporalidade e da composição. Talvez, por isso, não complicaram a mão divina no ato que os fez existir. Seres corporais, no entanto, feitos de carne e osso, exigiram 'engenharia' e 'esculturação'. Tudo o que vemos, diz S. Boaventura, é vestígio divino, mas só o homem é sua imagem e semelhança.
A sabedoria divina, portanto, se derramou na criação e contagiou os homens fazendo destes também inventores. Em épocas arcaicas quanto hodiernas, civilizações, 'engenharias' e arquiteturas esplêndidas se emolduraram em muitos lugares e tempos. A inteligência fez o homem cientista e escultor, criador de máquinas, manuseador de linguagens, colhedor de benefícios inimagináveis, domesticador de animais, utilizador do fogo, desviador de monções, construtor de pontes, palácios e templos, desbravador e aplainador de estradas, escavador de túneis, organizador de cidades e campos, prolongador da vida.
Os últimos séculos, porém, surpreendentes, esquisitas e chocantes 'forças' alteraram inspirações e inventividades. O espírito e o objetivo das engenharias vestiram novas indumentárias e a chamada modernidade se tornou ninho de balbúrdias. Alucinantes pensamentos reverberaram inchando ciências e artes de impulsos destruidores. O interior da atividade intelectual, enfeitiçada pela pressa e pelo transformismo, fez 'engenheiros' assumirem incumbências novas e radicais: alterar homens e 'mundos'.
Assim, admiráveis criações esculhambaram-se. O paradigma, exemplo estampado pelo filósofo, cientista e político inglês, Francis Bacon (1561 – 1626) no seu 'Novo Organismo' revela já, em linhas tênues e mansas, uma proposta de reformulação radical das ciências e dos seus fins. Bacon, oposto a Aristóteles (322 a. C.), organizou a atividade cientifica de modo a que estivesse estreitamente ligada a 'poder' e resultados práticos.
No rol das modernas inovações mergulhou também a atividade artística, que, abalroada no 'novo' espírito, passou, progressivamente, do ofício criativo de 'belezas' para o ofício das pedagogias e militâncias. O recinto da estética se encheu de éticas e o recinto da ética se encheu de estéticas. O novo 'paradigma' artístico veio para catequizar e moralizar antes que 'embelezar'. A arte transformou-se em denúncia e protesto desviando-se de seu compromisso original: expressar o belo.
Obras como as de Duchamp, Picasso, Miró, Oscar Niemeyer, Le Carbusier, Lúcio Costa e tantos outros, se tornaram 'criações' apriorísticas pisoteadas por botas políticas, ressentimentos e moralismos reversos. Por isso fizeram artes capengas e gélidas.
Olhemos Brasília, nossa capital artificial. Porventura, não é uma cidade humanamente 'fria', distante dos brasileiros que a sustentam, impessoal, serva e mãe de burocratas, refúgio de ladrões e corruptos?! Não é, porventura, um milagre heroico encontrar algum 'político' ou jurista íntegro, de humanidade e retidão moral conservadas na cidade desalmada projetada pelo marxista Oscar Niemeyer?
As ideologias que sapateiam e esmagam poesias, escreveu o escritor De Sanctis, produzem inevitavelmente artes carunchadas. Os cantos litúrgicos, por exemplo, introduzidos nas Campanhas da Fraternidade do Brasil nesses últimos 30 anos (promovidas pela CNBB), quais ainda o povo católico se lembra para cantar? Por que isso ocorreu? Porque eram canções infestadas de catequese e moral que embretaram a criação artística. A hidra política que os estrangulou feriu radicalmente suas inspirações.
Do novo espírito cultivado na era moderna brotou, portanto, um eticismo estético (que faz da arte uma ética) e um estetismo ético (que faz da ética uma arte), de tal modo que a vida ética acabou por se identificar com sensações e as sensações com éticas. Nesse panorama, quase torpe, embolam-se moralidades e afetos. Qualquer sentimento pode se tornar exigência moral, qualquer exigência moral, sentimento. Inspirações e obras de todo tipo reivindicam 'certificado artístico' e vice-versa.
Entretanto, dos mais graves efeitos dessa reviravolta, os piores se situam no interior da cultura e da educação, campos nos quais o transbordamento de engenharias e arquiteturas se verificou assustadoramente. Francis Bacon representou apenas o pontapé pós-medieval e inicial da nova configuração, mas o 'poder' atrelado ao saber pôs-se, inescrupulosamente, a modificar de fato mundos e sociedades.
No túmulo de Karl Marx, em Highgate, Londres, se lê o conhecido mote comunista: 'Os filósofos, até aqui, interpretaram o mundo. A questão é transformá-lo'. Esta tese, cume intencional da nova perspectiva filosófica e científica instaurada no Ocidente dos últimos séculos, veio afirmar, justamente, que as coisas existem não para serem primeiramente compreendidas, conhecidas, respeitadas e amadas, mas, antes, para serem modificadas.
Na dialética marxista, de adolescente rebeldia congênita, reside o desejo de dinamitar inteligências e vidas a fim de não haver mais conhecimentos sem relação direta com exitosas e excitadas transformações materiais e sociais. Para Marx e seus discípulos, qualquer conhecimento não destinado à revolução, é alienado e inútil. Não há lugar para 'contemplações' no marxismo. Descortina-se, pois, aqui, neste princípio, o nicho das filosofias e engenharias contemporâneas que produziram sofrimentos indescritíveis, jamais vistos na história.
Daqui nasceu a engenharia social. Os recentes séculos a engendraram em profusão. Engenheiros sociais surgem como ervas por toda parte e vêm com o objetivo de remodelar o mundo e as pessoas. São o tormento das comunidades. Quase sempre, apresentam-se doces e mansos, sedutores de ingênuos e incautos. Depois da sedução, no entanto, põem-se a destruir, confundir, cercear e matar.
Mestre por excelência dessa diabólica maquinação foi o italiano Antônio Gramsci, pensador que alimentou e ainda nutre esquerdistas latino-americanos. Gramsci tornou-se o criador dos 'sanitaristas' enganadores que se infiltraram em nossas veias culturais.
As engenharias sociais são o 'modus operandi' de todos os socialismos. Protagonistas e defensores aprenderam suas técnicas de aplicação do jacobinismo francês, do marxismo leninista e do maoísmo. O 'gourmet' manso, angélico e traiçoeiro, sutil e perverso, como já dissemos, veio de Antônio Gramsci cuja filosofia é totalmente marxista sob táticas culturais doces e sutis. O Partido dos Trabalhadores bem como todos os seus asseclas socialistas, apresentam-se com rosto político e democrático quando na verdade não são senão e somente porta vozes e portadores de engenharias sociais.
Por que 'cargas d'água' tais 'engenheiros' se metem na vida e nos jardins alheios? Não lhes seria suficiente a doméstica e pequena existência que possuem? Por quais razões 'orquestram' músicas em outros teatros? O que os leva a encarnar papeis 'visionários' e messiânicos, encharcados de hipocrisia, sob objetivos ocultos em comunidades estranhas? De onde lhes vem a arrogância tratorista que os faz arar terras não suas e plantar, com violência, sementes revolucionárias?
'Engenharias sociais' entranharam-se na nossa economia, em nosso direito e justiça, em nossa educação e fé, em nossa cultura e afeto, mudando tristemente a originalidade e o destino das ciências e das comunidades. Mudaram, exemplo, a filosofia, amor de sabedoria, para retórica transformista, a pedagogia, ciência da educação, para estratégia mutante de ambientes e pessoas, a religião, anúncio de Boa Notícia, para tobogã escorregadio de conflitivas arenas políticas.
A 'psicologia', ciência da alma, outro exemplo, nas mãos do americano John B. Watson, século XX, transformou-se em técnica modificadora de personalidades. Qualquer pessoa, pensava loucamente Watson, pode ser moldada para fins previsíveis e desejáveis. O behaviorismo, promovido por ele, via e considerava pessoas como se fossem entes mecânicos destituídos de mistério e consciência.
Os engenheiros sociais bebem, portanto, pavorosamente, de fontes antropológicas apoiadas em princípios mecanicistas, materialistas e justiceiros. Espantosas e horripilantes consequências estão à vista. Engenheiros sociais, caricaturas da 'justiça', camuflam-se nas veias de partidos políticos, nas religiões e igrejas, nos estábulos psicológicos e culturais, nas secretarias de educação, nos consultórios médicos, nas agendas globalistas, nos escritórios da ONU e UNESCO, nas escolas de economia e arte encarregando-se de missões monstruosas e irrealizáveis chafurdando existências que não lhes pertence.
Traço comum, assemelham-se em todos os lugares e tempos. O inescrupuloso e maluco Ernesto Che Guevara, por exemplo, depois de Cuba, foi guerrear nas selvas da Bolívia. Por quê? Porque se julgava um messias latino-americano, libertador e arauto de justiças. Invadiu terras de um povo que nada lhe devia. Matou e destruiu, urinou e cuspiu, comeu e defecou em jardins alheios, guiado unicamente por baterias de revolta e ódio que tiraram a vida de 70 humildes bolivianos. Os que se compadecem e se emocionam com a morte de Che, não tem, esquizofrenicamente, mesmo sentimento pelos pobres ignominiosamente assassinados por ele.
Quais razões, pois, levaram Guevara a revolucionar em Cuba, Congo e Bolívia, para além de seu 'canteiro' argentino? Justamente a engenharia social que não realiza justiças, mas suga, destrói e assassina.
Colonizadores, em outros tempos, fizeram o mesmo de modo menos cruel.
Na galeria que historicamente visitamos, os caminhos traçados por engenheiros sociais mostram sempre estreita ligação entre conhecimentos adquiridos e a excitação revolucionária. No Peru, o professor de filosofia na Universidade de Ayacucho, Abimael Guzmán (1934 – 2021) tornou-se fundador e organizador do mais violento grupo guerrilheiro da América Latina, Sendero Luminoso. A filosofia marxista-leninista ensinou a Abimael as técnicas e os princípios que moldaram sua impiedosa crueldade contra seus compatriotas peruanos.
Em Colômbia, Camilo Torres (1929 -1966), sacerdote católico, aprendeu das ciências sociais, mais do que da teologia, os princípios da revolução. Para Camilo, o Evangelho não é suficiente para mudar sociedades e pessoas. É preciso, segundo ele, acrescentar a violência. Pioneiro e inspirador da teologia da libertação, Camilo creditava à morte dos injustos o advento do Reino dos Céus. Morreu guerrilhando com fuzil nas mãos.
A teologia da violência foi também a seiva doutrinária que alimentou poetas e escritores como o brasileiro, Rubem Alves, os sacerdotes sandinistas Miguel d'Escoto, Ernesto Cardenal e Fernando Cardenal, o médico e filósofo argelino Franz Fanon, o existencialista Jean Paul Sartre e tantos outros. Muitíssimos legitimaram e ainda legitimam a violência como caminho de transformação social.
Revolucionários chamados Tupamaros convulsionaram o Uruguai entre os anos 1963 e 1972. Seu líder e inspirador foi o advogado e político, Ravel Sendic. A ele se juntaram intelectuais universitários, profissionais liberais e membros da igreja católica, gente que acreditou na guerrilha e na violência como caminho para a justiça social. Ao invés de mudar o país, porém, instauraram terror e medo naquele país.
Já o grupo extremista, Montoneros, na Argentina, com outros grupos semelhantes, eficazmente, desencadeou verdadeira guerra civil entre os anos 1970 e 1979. Seus mentores eram jovens ardentes que esperavam o retorno de Perón (exilado na Espanha). Ligações com a Igreja Católica também existiam. Carlos Mugica (sacerdote católico), sindicalistas e nacionalistas do movimento Tawara, agrupações sociais na cidade de Santa Fé e Buenos Aires, intelectuais e ativistas constituíam o estrato da engenharia social que fomentava transformações, atentados e revoltas.
Segundo Paul Jonhson, em 1975, três milhões de pessoas viviam em Phnom Penh. Foram literalmente empurradas para o campo com todos os doentes e médicos. Os livros de bibliotecas e pessoais no Camboja inteiro foram jogados no rio Mekong ou queimados. Soldados camponeses obedeciam a ordens vindas do comando anônimo denominado Angka Loeu. Os intelectuais que planejaram aquelas atrocidades jamais apareceram. Três milhões e quinhentos mil pessoas das cidades foram espalhadas pelos campos. Entre 1975 e 1977 mais de um milhão e meio de habitantes, um quinto da população, morreu forçosamente no Camboja, um massacre perpetrado por ideólogos leninistas-marxistas que imitavam Lênin e Stalin. Os líderes fanáticos da Angka Loeu – Khieu Sapham e Pol Pot – perpetraram um dos maiores horrores jamais visto e imaginado. Pol Pot foi discípulo de Jean Paul Sartre, filósofo existencialista francês que aplaudia a violência como medida assertiva à correção das rotas sociais. Tal engenharia aconteceu também no Laos e no Vietnã do sul com magnitude semelhante.
A paixão de Mao Tse Tung (1893 – 1976), além de descompensada compulsão sexual, era a filosofia. Não qualquer filosofia, porém, mas a filosofia violenta de Karl Marx. Aprendeu a ser guerrilheiro sob influência do professor de filosofia chamado Li Dazhao, fundador do partido comunista chinês. Nenhum outro país do mundo viveu realidade mais apocalíptica quanto o povo chinês nas mãos de Mao durante o século XX. Tudo em nome da engenharia social.
Coisa parecida, antes dele, pode ser vista no sofrimento inimaginável vivido pela população russa nas mãos de Vladimir Ulyanov (1870 – 1924) e Joseph Stalin (1878 – 1953). O primeiro, apelidado Lênin, formou-se em Direito, mas tinha paixão pela filosofia marxista e pelo socialismo revolucionário francês. Sempre a violenta engenharia social. O segundo, Stalin, um rebelde seminarista ortodoxo, foi medíocre intelectual, mas esperto estrategista, um maluco 'engenheiro social'. Os resultados tristíssimos daqueles experimentos podem ser verificados nos anais da história russa.
Também Fidel Castro amava a filosofia e o direito assim como o romeno Ceausescu, os líderes nacional socialistas alemães, os muitos líderes políticos de fundos psicológicos excitados pela engenhoca revolucionária social. 'Engenheiros' sociais são o pavor e o tormento das comunidades. Aonde chegam, carcomem liberdades, corrompem a alma, destroem valores e tradições e, por fim, engolem ou destroem vidas, pois, eles mesmos, são desalmados. Deles devemos nos precaver e nos afastar.
Os tempos mudaram, mas a engenharia social permanece. Sob a orientação de Antonio Gramsci, ela se aninhou entre nós de forma mansa e avassaladora impregnando a mente de nossos intelectuais e de nosso povo.
De rosto não mais velado, eles já não têm vergonha nem escrúpulos. É só observar o governo fraudulento que assumiu. Ele exprime tudo o que subjuga, corrompe e engana. Eles mesmos alteraram regras e urnas eleitorais, quebraram a ordem jurisprudente, legitimaram a desonestidade intelectual, romperam as tábuas da nossa Constituição. Seu objetivo é o poder, a aplicação 'negativa' da dialética frankfurtiana.
O Brasil, tristemente, nas mãos de engenheiros sociais não terá destino feliz, pois sua meta não é a justiça, nem o bem do país e do seu povo, mas a hegemonia cultural, a chave do cofre, o controle social, a idiotice dos cidadãos.
Hanna Arendt refugiada e filósofa dizia que os totalitarismos nunca desejaram qualificar a vida dos seus dominados. Sua meta sempre foi e será mudar almas e naturezas.
Parafraseando o general mexicano Porfírio Díaz (1830 – 1915) que exclamava: 'Pobre México! Tão longe de Deus, tão perto dos EUA!", também nós dizemos: 'Pobre América Latina! Tão magnífico continente, tão encharcado de socialismo! Pobre Brasil! Tão esplêndido país, tão lamentavelmente petezado!
Uno-me a Puggina: "Quero meu país de volta".
Santa Maria, 11/01/2023
Três saídas - 08/01/2023
Dagoberto Lima Godoy
Os célebres 10 mil “Imortais” da Pérsia sustentaram por mais de dois séculos o poder imperial Aquemênida, até a sua queda perante Alexandre, o Grande. Ao longo da história, muitos outros regimes autoritários se mantiveram incólumes, por certo tempo, valendo-se da couraça de suas guardas palacianas, fortemente armadas e bem remuneradas (com o dinheiro dos impostos extorquidos do povo). Por algum tempo, mas não para sempre. Alguns deles terminaram caindo por forças externas, como o de Dario III, mas a maioria acabou se destruindo internamente, tal como o câncer acaba corroendo os organismos mais fortes. Somente depois de enfraquecidos pela incompetência na gestão econômica; de incapacitados para manter políticas de pão e circo, na forma de programas assistencialistas; de dilacerados pelas disputas viscerais pelo poder; e de imersos na corrupção foi que a população oprimida pode encontrar formas e meios para derrubá-los, sendo comum que a própria guarda pretoriana se juntasse à revolta (ou até a encabeçasse).
Diante dessa retrospectiva histórica, como decifrar o quadro kafkiano da nossa situação política? Estamos diante de um governo recém-empossado, detentor de um mandato com roupagem democrática, obtido em pleito validado pelo Poder Judiciário, endossado pelo Poder Legislativo e protegido pelas Forças Armadas. Tudo indica que estão postas as condições para a longevidade do regime, não importa a multitudinária inconformidade de metade (no mínimo) da população brasileira, assombrada pela avalanche do socialismo “bolivariano” que ameaça afogar nosso continente.
Afasto, decididamente, a hipótese de esperarmos que um outro grande Alexandre, travestido de paladino da democracia, venha impedir a consolidação do projeto neocomunista anunciado e proclamado pelo presidente, dito vitorioso nas urnas vulneráveis. E, na minha despretensiosa perspectiva, vejo três saídas para impedir que se prolonguem estes tempos de arbítrio, corrupção e dissolução dos costumes mais caros aos brasileiros.
Primeira (ardentemente desejada e de vigência imediata): o novo Congresso Nacional, a empossar-se em fevereiro, assume com patriotismo sua missão perante o povo e, como Poder legítimo, impõe aos demais poderes o restabelecimento do estado de direito, o respeito à lei e a garantia dos direitos individuais consagrados na Constituição Federal.
Segunda (técnica e logicamente previsível, a resultar das diretrizes anunciadas pelo governo): gastos públicos incontrolados, programas sociais e culturais assistencialistas, associados à insegurança jurídica, levam a inflação, aversão a investimentos, falta de crescimento econômico sustentável, crescente insatisfação popular.
Terceira (inevitável, a se manterem a degradação ética da política nacional e a disposição dos atuais governantes de “fazer qualquer coisa” para conservar o poder e concluir a proclamada revolução socialista, neocomunista ou bolivariana): a progressiva consolidação de um sistema cleptocrático, no qual a disputa pelo poder e pelos potins do saque contra o patrimônio público provoque a canibalização das lideranças espúrias.
Desperdiçada a primeira saída, qualquer das duas outras levará, cedo ou tarde, a uma nova oportunidade para que se desmonte - tomara que de uma vez por todas – o pervertido sistema político atual, de modo que o poder seja entregue às mãos do povo e aos que melhor o sirvam, com honestidade, lealdade e a devida competência.
Qualquer que seja das três saídas a que ocorra, o que se impõe à cidadania é que se mantenha mobilizada e firme na luta pela liberdade, pela restauração dos direitos constitucionais e pela prevalência da dignidade na vida nacional.
Linguagem neutra na pauta - 07/01/2023
Ernesto Caruso
O idioma português está presente no Brasil desde o ano de 1500. Na Constituição da Republica de 1988, vigente, para ser respeitado e praticado, o texto é marcante e norteia como ideia central:
- “A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. (Art. 13)”.
Fator preponderante e basilar do Estado-Nação — unidade linguística — amalgamada com a identidade territorial, miscigenação, costumes e aspirações.
A importância do caput, avulta com outros pilares da Pátria, explícitos no seu § 1º, “São símbolos da República Federativa do Brasil a bandeira, o hino, as armas e o selo nacionais”. Inquebrantável Unidade Nacional.
Com destacada valorização, o artigo 13, foi inserido pelo Constituinte no Título II, Dos Direitos e Garantias Fundamentais, Capítulo III, Da Nacionalidade, juntamente com o artigo 12, que caracteriza o cidadão brasileiro, como natos e naturalizados. Como farol de preceito superconstitucional.
Louvado Berço esplêndido! Legado com luta e sacrifício dos nossos antepassados, inconteste vitória sobre tantos fatores adversos. Sob constante ameaça das cunhas de toda a espécie, do invasor com outras fardas, de linguagem estranha, no passado, aos calabares de sempre, doutrinadores e inocentes úteis, convictos, vendidos, gado tangido.
Além da componente Nacionalidade, há que se considerar o Novo Acordo Ortografico em vigor no país desde 2016, que advém da Declaração Constitutiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, composta de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, que tem as suas peculiaridades e dispensa modismos impostos.
A grafia correta das palavras, conforme as regras do acordo, se pode consultar no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, disponível no portal da Academia Brasileira de Letras.
Por outro, lado se reconhece que a linguagem portuguesa apresenta certas dificuldades para o aprendizado, em especial quanto à acentuação gráfica, e à grafia de palavras, que contenham por exemplo, a letra x (xis) com diversos fonemas, como de s, z, “ch”.
Acrescente-se um ensino fraco, com resultados no PISA, comparados a outras tantas nações e os do ENEM impressionam pelo número de notas zero em redação, em 2020, 87.567; 2019, 143.736; 2018, 112.559; 2017, 309.175.
Dentre outras cunhas ameaçadoras da Unidade Nacional, mais uma a surgir de modo impositivo com efervescência crescente a debater não quanto ao sexo dos anjos, mas das palavras. No bojo da desconstrução da sociedade, se procura demonstrar que a “norma culta é artificial, criada pela elite, que não respeita a diversidade, preconceito linguístico”.
As gramáticas normativas procuram ensinar a falar e escrever a língua padrão corretamente, facilitando a intercomunicação de modo que as pessoas se entendam com a necessária profundidade, consciente de que a linguagem se altera com o tempo e naturalmente.
As cobranças nas provas de ‘pegadinhas’ e minúcias são mais importantes do que saber ler, escrever e entender. São doze anos; nove anos no ensino fundamental e três no ensino médio.
Diversamente dos projetos impositivos no bojo de ideário globalista, como da ideologia de gênero, pari passu com a linguagem neutra e, sanitários mistos, constrangendo senhoras e meninas, com casos de estupros consequentes.
Preocupação e reação da sociedade com as cartilhas pornográficas, performances de homens nus com meninos (as) presentes, substituição das expressões de pai e mãe nos documentos oficiais (passaporte), por filiação 1, filiação 2, sendo que para inscrição de sexo as opções, masculino, feminino e NÃO ESPECIFICADO, inclusive para o requerente.
Como parte dessa reação o Estado de Rondônia sancionou a lei, que estabelece medidas protetivas ao direito dos estudantes ao aprendizado da língua portuguesa de acordo com a norma culta e orientações legais de ensino.
No entanto, o ministro Fachin/STF decide: - “Ante o exposto, defiro, ad referedum, do Plenário do Supremo Tribunal Federal a medida cautelar nesta ação direta de inconstitucionalidade para suspender a Lei do Estado de Rondônia n. 5.123, de 2021, até o julgamento de mérito”.
Além de Rondônia, há 34 propostas que tramitam em Assembleias Legislativas do país, contra essa afronta ao ensino consagrado e legal.
Além da Constituição, na Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educacao Nacional - LDB), que normatiza o tema de capital importância, no seu Art. 26 reza, “Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada”, atinente às características “regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos”.
No seu § 1º, consta que “Os currículos a que se refere o caput devem abranger, obrigatoriamente, o estudo da língua portuguesa...”.
E no § 10, impõe: “A inclusão de novos componentes curriculares de caráter obrigatório na Base Nacional Comum Curricular dependerá de aprovação do Conselho Nacional de Educação e de homologação pelo Ministro de Estado da Educação”. Importância da política de Estado e respeito à Constituição.
Observe-se que o Art. 58 da LDB, define a ‘educação especial’, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente para educandos portadores de necessidades especiais.
Que não é o caso da linguagem neutra que altera a gramática para diferençar o gênero entre masculino e feminino, a exigir profundo debate na sociedade e alteração, se for o caso, em respeito às normas legais e órgãos competentes para fazê-lo, o Congresso Nacional e o Executivo.
Imaginar, as necessidades desta Nação Mestiça, com sérios problemas de segurança alimentar, inflação, desemprego, com maior reflexo nas classes de menor poder aquisitivo, parafernália tributária, e, tanto alarde, face à pandemia da Covid-19, e agora, com desvio de foco, a exigir alterações nos livros didáticos (caros), gramáticas, corretores ortográficos e dicionários, nos substantivos, adjetivos, artigos, pronomes relativos variáveis, etc.
Ora, temas inclusivos e genéricos, como os de necessidades especiais, são de capital importância e previstos em lei.
A ressaltar a Língua Brasileira de Sinais (Líbras), que se encontrava meio esquecida, agora com a relevância que merece nas transmissões televisivas.
Exemplos dessa linguagem, gerada para atender à exceção e não à regra geral: “ela e ele” podem ser expressos em cinco sistemas: ‘elu’, ‘ile’, ‘ilu’ e ‘el’. Complexo.
E, “nelas e neles”, na escrita neutra, assim, ‘nelus’, ‘niles’, ‘nilus, ‘nel’.
Da expressão, “elu é ume menine’, como se visualizar, sentir, perceber a pessoa a quem se refere?
E mais algumas alterações, como, “todx” ou “meninxs”, que pode ser assim, “tod@” ou menina@s”.
Ora, tanto pode ser masculino, feminino, como outro gênero. De um comentário, “alguém que não seja nem 100% homem e nem 100% mulher.” Do grupo LGBTQIA+?
Que prefere ser. Pois, ao que consta, a diferença entre os sexos é considerada como natural e, imutável pela ciência. Não foi a sociedade que criou, como opressão ou rótulo.
Tal proposta, complica, vai melhorar o desempenho dos alunos nos testes do PISA, ENEM, nas relações humanas, no entendimento entre as pessoas?
Ou vai fazer parte da ideologia de gênero, do banheiro misto? Da perda de tempo, com essa luta de classes permanente?
Ou é mais importante ensinar e cobrar, que todos merecem respeito? Reciprocamente. Da maneira que são. Iguais perante a lei, no mérito, na punição.
Foco no aprimoramento na educação escolar e de civilidade, que tem sido desconstruída, a citar os mestres que hoje apanham de alunos e pais de aluno, descontrolados.
* Enviado ao site pelo autor.
Obra-prima da demagogia de esquerda - 03/01/2023
Alex Baur
Já havia sido anunciada a presença do ditador venezuelano Nicolás Maduro na posse de Lula. Oficialmente. O Brasil suspendeu a proibição de entrada do regime de tortura de esquerda, que obrigou sete milhões de pessoas a fugir, especialmente para a ocasião comemorativa.
Apenas Jorge Rodríguez, presidente do parlamento fantoche venezuelano, compareceu. Ele também é irmão de Delcy Rodríguez, vice-ditador de Maduro. Afinal.
Coincidentemente, a recepção oficial do emissário de Maduro na gigante da TV Globo, amiga de Lula, coincidiu com o intervalo comercial. Tanto que muitos brasileiros perderam a reabilitação da ditadura.
Lula deveria ter percebido que a presença de Maduro seria um pouco demais. Durante a campanha eleitoral, Lula se apresentou como o salvador da democracia. Teve proibida na Justiça a publicação de fotos que o mostrassem em um abraço íntimo com caudilhos de esquerda e velhos companheiros como Daniel Ortega, os irmãos Castro, Hugo Chávez ou, claro, Maduro.
A posse de Lula em 1º de janeiro teve como tema "União e Reconstrução" - unidade e reconstrução. Isso soa bem. Na verdade, seus discursos inaugurais foram puro veneno.
No mesmo fôlego em que o novo presidente do Brasil clamava por unidade e reconciliação nacional, ele literalmente acusou seu antecessor Jair Bolsonaro de "fascismo", "genocídio" e "terrorismo", "barbárie" e "estupidez", a "tirania " ou "mentiras" (notícias falsas).
Os discursos de uma hora de Lula podem ser reduzidos a uma mensagem central: o demagogo de direita Bolsonaro dividiu e destruiu o Brasil! É a mesma melodia que a esquerda global tem pregado em uníssono com a mídia nos últimos cinco anos.
Internacionalmente, essa retórica pode ter pegado. Mas cerca de metade dos brasileiros não caiu na desajeitada inversão da realidade de Lula. Eles votaram em Bolsonaro.
Lula também insulta metade das pessoas a quem se refere. Dificilmente alguém mudará de ideia por causa das tiradas de ódio. Na verdade, a maioria se sentirá justificada.
Para Lula e seus seguidores, isso não é uma contradição. De acordo com a compreensão marxista da democracia, somente o partido representa os interesses do povo. Quem se opõe ao partido é inimigo do povo - e, portanto, não pertence mais ao povo.
Em um primeiro ato oficial, Lula voltou a restringir a posse legal de armas liberalizada por Bolsonaro. Em segundo lugar, ele aumentou o número de ministérios por decreto de 23 para 37. Em terceiro lugar, ele quer reverter a privatização de estatais não lucrativas iniciada por Bolsonaro.
Além das razões ideológicas, há razões sólidas para isso: Lula só tem minoria no parlamento. Ele precisa desesperadamente de cargos estatais para recompensar os aliados e mantê-los felizes.
Claro, é um veneno para a economia. Mas se as coisas correrem mal, o culpado já está claro: foi seu antecessor que arruinou o Brasil.
Jair Bolsonaro se despediu dos Estados Unidos no réveillon. Supostamente apenas por trinta dias. Talvez para sempre. Na América do Sul, é apenas um pequeno passo entre insultar um oponente político e prendê-lo. No passado, o trabalho sujo era deixado para os militares. Hoje, os juízes politizadores são os responsáveis por isso. Eles já deram a Lula um valioso apoio durante a eleição.
*Alex Bauer é um jornalista e escritor. O artigo acima foi publicado no suíço Die Welt Woche.
Ao vencedor, as batatas! - 01/12/2022
Katia Magalhães
Nota do editor: Este artigo que hoje (01/12) me cai nas mãos, é adequada síntese do desequilíbrio imposto à disputa pelo segundo turno da eleição presidencial.
Na falta de bizarrices no Brasil, onde tudo se desenrola dentro da mais perfeita ordem democrática, terei de encher essas linhas com notícias de um país remoto, que parece viver uma convulsão sistêmica às vésperas de uma eleição supostamente influenciada, de forma direta, pela cúpula judiciária local. Ossos do ofício de alguém como eu, que se dispõe a entreter você, caro leitor, ainda que mediante o relato de eventos de uma terra desconhecida, e um tanto pavorosos aos olhos de todos nós brasileiros, entusiastas aguerridos da democracia e das liberdades.
No país popularmente apelidado de Togaquistão, mas cuja identidade oficial junto à comunidade das nações consta como República Democrática dos Togados (RDT), disputam a presidência o atual ocupante do cargo e um ex-líder muito popular por lá, condenado em todas as instâncias por crimes graves contra o erário, mas cujas condenações foram anuladas pela suprema corte do país, por terem sido supostamente proferidas por um magistrado de outro estado federativo que não aquele onde deveriam ter sido examinadas as ações. Anuladas as sentenças sem a absolvição do tal líder, este participa da disputa em condições anômalas, devido à não-revisão, no mérito, de suas condenações, o que o impede, pelo menos em tese, de alardear um histórico de idoneidade. Como é penoso tentar entender as peculiaridades desses estrangeiros, e reportá-las aos nossos conterrâneos, tão radicalmente avessos à corrupção e aos desmandos…
Mas esse é apenas o início de um emaranhado de estranhezas. De algum tempo para cá, o partido desse líder ex-condenado decidiu bater incessantemente às portas da justiça eleitoral local, pleiteando a retirada de circulação dos mais variados conteúdos desfavoráveis à referida liderança, e, pasme, não cansa de obter vitórias sucessivas, graças a medidas judiciais que, na prática, representam uma mordaça a todos aqueles que ousem remexer em fatos inconvenientes da biografia do polêmico líder. E sim, caro leitor, trata-se de censura, prática banida para sempre entre nós, desde o final da era militar, e que só posso designar como tal exatamente por viver em um país livre e não na jurisdição da RDT, onde a leitura dessas singelas páginas seria vedada antes mesmo de sua publicação. Aguarde só o relato de fatos bem recentes, dos quais tomei ciência por algumas vozes dissidentes do establishment de lá, e você será o primeiro a constatar que não há exagero nas minhas palavras.
A semana já começou com a proibição, a pedido do partido do líder ex-condenado, de lançamento de um vídeo de uma certa produtora independente, cujo teor discutia várias hipóteses possíveis para a suposta tentativa de assassinato do atual presidente do país. Embora os autores tenham acentuado a natureza jornalística da peça produzida em torno de especulações, sem qualquer conclusão, e tenham até se disposto a quebrar o ineditismo da obra para exibi-la em juízo, todos os argumentos foram vãos, e os togados mantiveram a censura.
Bem pitoresco foi o voto, em plenário, de uma magistrada assolada por um dilema moral diante da iminência de uma censura, extinta, segundo ela, desde o final do regime fardado que também dominou aquele país por algumas décadas. Nas palavras da juíza, apesar da jurisprudência consolidada no supremo tribunal local sobre o impedimento de qualquer forma de censura, medidas repressivas podem ser tomadas como veneno ou remédio, donde se depreende que, no entender da magistrada estrangeira, a diferença entre aniquilar e salvar a sociedade reside no grau de cuidado aplicado, palavra, aliás, enfatizada por reiteradas vezes no voto. No parecer da togada, embora a censura não seja admissível em qualquer hipótese, naquele caso específico, a proibição de exibição do conteúdo até o dia subsequente ao da eleição é medida necessária à garantia da lisura na corrida, sendo, portanto, constitucional apenas até a referida data.
Curiosa a jurisprudência formada nessa terra estrangeira, cujos togados começam a criar a figura de uma constitucionalidade “provisória”, entendendo que, independentemente de seu teor, uma medida possa ou não ser compatível com a constituição, desde que restrita a um determinado período. Realmente, a lei maior daquele país deve diferir em essência da nossa, pois confesso jamais ter deparado, por aqui, com uma decisão análoga à da magistrada. Aliás, pelo que ouço, a juíza em questão parece ser uma alma muito piedosa e afeita a hábitos rígidos, de modo que talvez a pobre senhora, após votar, tenha perdido o sono e passado a noite em penitência por ter imposto a sua censura ma non troppo.
Logo no dia seguinte, e mais uma vez mediante requerimento da sigla da liderança oposicionista, foi uma emissora que se viu impedida de usar termos como “ladrão”, “corrupto”, “ex-condenado” e análogos em referência ao tal líder que, em um passado próximo, foi efetivamente condenado, por todos os tribunais do país, diante das evidências de que havia surrupiado dinheiro público e incorrido em corrupção. Para nós, brasileiros, tão precisos no uso da linguagem e aferrados à clareza dos conceitos, é inconcebível uma proibição que vede o emprego de substantivos e adjetivos indicativos do que a pessoa em questão de fato praticou, e de sua qualificação a partir daí. Porém, quem somos nós para julgarmos esquisitices e malabarismos linguísticos do povo de uma terra tão distante?
Igualmente inusitado foi o corte, ainda a pedido do partido do ex-condenado, de um depoimento trazido em uma peça de campanha eleitoral do atual presidente. No trecho censurado, aparecia um ex-ministro da suprema corte e da justiça eleitoral do país, afirmando apenas que o tal líder popular jamais havia sido absolvido. E não foi mesmo! Ora, se o tivesse sido, teria circulado mundo afora sua sentença de absolvição, e eu, interessada que sou nos principais assuntos judiciários do referido país, teria lido o documento em todas as suas vírgulas. Talvez poucos povos apresentem tamanha dificuldade em encarar a realidade quanto esses estrangeiros, sobretudo quando os fatos envolvem figuras quase míticas, que os locais se esmeram em venerar ou execrar.
Para coroar a semana bem tumultuada naquela terra árida e inóspita, bem diferente do nosso país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, a cúpula da justiça eleitoral local ainda emitiu uma resolução que autoriza o tribunal superior a proceder à pronta retirada de perfis, contas ou canais em mídias sociais, nas hipóteses de produção sistemática de desinformação. Assim, de uma única solapada, sem definir o conceito de “desinformação” ou sequer mencionar a necessidade de pedido de instauração de inquéritos por autoridades policiais ou do MP, a corte atribui a seus membros um indevido poder de polícia, lançando seus jurisdicionados na incerteza sobre quem será o próximo alvo dos togados eleitorais, e por qual motivo.
Porém, não prosseguirei, aqui, em comentários tão desairosos sobre a aludida República, e nem assumirei o risco de ser o estopim de uma eventual crise diplomática com uma nação estrangeira, cujos vícios e as bizarrices são amparados em sua soberania nacional. Afinal, se a população de lá estivesse tão insatisfeita diante da desordem generalizada, manifestaria seu repúdio em coro, e se mobilizaria para providenciar a remoção dos mais altos membros de seu estamento estatal! Pelo menos, assim creio eu, cidadã livre de um país onde funcionários são enxergados como servidores que têm de prestar contas de suas atitudes e de seus gastos junto ao povo que os sustenta.
Em terras onde falta liberdade, abundam narrativas fabulescas e receitas de bolo. Contudo, nada mais frágil e provisório que o próprio fenômeno do poder, sobretudo em regimes autocráticos, onde são os tiranos os que correm os maiores riscos, cercados pelo terror paranoico de destituições legítimas, golpes ou demais formas de substituição. Nada como um dia após o outro.
*A autora é advogada e MDA em Direito da Concorrência e do Consumidor pela FGV-RJ.
*Texto publicado originalmente no site Navegos, em https://www.navegos.com.br/ao-vencedor-as-batatas/
Onde foi que erramos? - 29/11/2022
Guilherme Baumhardt
Arrumar a casa agora exige esforço em dobro.
Deixando de lado a discussão sobre as urnas e seus possíveis desfechos, é espantoso que um sujeito que liderou o governo mais corrupto da história do Brasil tenha conquistado milhões de votos. É espantoso que ele tenha angariado o apoio que recebeu. Aliás, há um absurdo ainda maior: alguém com a ficha corrida de Lula participar da disputa. Não me refiro aqui às decisões do Supremo Tribunal Federal. Falo da falta de espanto da população ao não ficar indignada em ter o sujeito (cujos governos produziram uma tragédia sem precedentes) concorrendo à Presidência. Mergulhar nas entranhas deste fenômeno revela, no mínimo, uma profunda degradação moral, dentre aqueles que sabem distinguir o certo do errado e, mesmo assim, escolhem o erro.
Eu ainda era adolescente e lembro de professores entrando em sala de aula (escola pública) e fazendo campanha aberta para candidatos da esquerda, especialmente os do PT. Era um broche no peito, um adesivo na caixa de giz e, claro, uma verborragia doutrinária despejada nas cabeças de uma plateia cativa, sem o devido preparo para responder aos absurdos ditos por aqueles que estavam ali para ensinar. Quantos pais ficaram indignados com aquilo? Poucos. Quantos fizeram algo? Um número menor ainda.
Ouvi de professoras um festival de absurdos. “Gente, falam mal do comunismo, mas o comunismo é bom!”, disse uma delas, quando eu estava na 7ª série – ou algo assim. Claro, no momento ela sofreu uma brutal amnésia e esqueceu de citar o Holodomor, que dizimou milhões de ucranianos famintos, ou ainda os milhões de chineses mortos pela Grande Fome de Mao. Ela também esqueceu de citar os pelotões de fuzilamento e as perseguições políticas, em Cuba ou as mortes produzidas por Pol Pot. E o fenômeno ocorre ainda hoje, em escolas públicas e privadas.
Uma professora que adota tal conduta não tem condições de lecionar. Alguém que é pago para ensinar, mas sonega informações para os alunos merece um pé nos fundilhos. Estamos lidando com gente intelectualmente desonesta. Mas no Brasil permitimos que a legislação protegesse comportamentos assim – a famosa estabilidade, algo típico de república bananeira.
Um dos resultados é que não formamos empreendedores, gente que na vida adulta deseja ser dono do seu próprio nariz, abrir uma empresa, gerar empregos, ganhar dinheiro, constituir família e patrimônio. Os cursos superiores mais procurados (salvo exceções) são aqueles com promissoras carreiras públicas, com concursos que garantem estabilidade. Criamos uma nação de covardes (com as devidas exceções, de quem realmente tem vocação para servir ao público), com total aversão ao risco, que preferem o conforto da estabilidade financeira, mesmo que para isso passem a vida inteira fazendo algo que detestam. E eles são (geralmente) eleitores da esquerda, que prometem manter o status quo.
Paralelamente a isso, o empresário no Brasil foi habilmente transformado em um explorador, um bandido, e não alguém que montou um negócio, oportunizou empregos, salários e assumiu riscos (no caso brasileiro, o primeiro deles é justamente assinar uma carteira de trabalho). Não são raros os casos em que o empregado começa a trabalhar com um profundo sentimento de ódio do patrão (o vilão).
Deixamos que esta turma destruísse a família como instituição. As igrejas, com suas virtudes e defeitos, também não foram poupadas, porque representavam um inimigo a ser combatido (não é à toa que em países comunistas o culto religioso virou prática proibida, sendo visto apenas na clandestinidade).
Deixamos esta gente avançar sem resistência, durante muito tempo. E como eles foram longe demais, arrumar a casa agora exige esforço em dobro, preocupação em dose tripla e doses extras de coragem. É isso ou viramos uma Venezuela.
* Artigo publicado originalmente no Correio do Povo. O autor é jornalista..
Manifestações democráticas - a liberdade ainda pulsa. - 23/11/2022
Valterlucio Bessa Campelo
Outro dia, enquanto saía de uma dessas plataformas de streaming onde assisti novamente o excelente filme “A Sombra de Stálin” que, baseado em fatos, demonstra como a imprensa escondeu os horrores stalinistas, especialmente o genocídio na Ucrânia, me deparei num canal aberto, coisa que deixei de ver, com um jornalista denominando de golpistas as manifestações de rua que milhões de brasileiros, de todas as raças, credos, idades e níveis socioeconômicos realizam desde o resultado eleitoral informado pelo TSE. Desacostumado com o “noticiário” de TV, tive a impressão de que estava diante de um militante arrogante e privilegiado, que usa o tempo de que dispõe para reproduzir na telinha que ainda alcança um número considerável de pessoas, o discurso mentiroso da esquerda autoritária.
O sedizente jornalista aceita alegremente a CENSURA que o STF lhe enfia, suporta caladinho a perseguição, silenciamento e prisão de colegas que se atrevem a fugir do script progressista, morde a fronha vermelha de sangue do totalitarismo para, ao final, chamar de golpista o movimento mais legítimo, espontâneo, pacífico e sóbrio que esta nação já viveu.
Em primeiro lugar, é preciso saber que um golpe de estado pressupõe que o golpeado seja legitimo. É condição necessária. Vale dizer, sem ser legitimo, nenhum governo pode sofrer golpe, seria um contrassenso, uma contradição em termos. Em segundo, observe-se que a discussão é exatamente esta: Há legitimidade na eleição do ex-presidiário? Sim, dirão seus eleitores, já que o número de votos contados pelas urnas eletrônicas é superior ao do seu adversário. Não se garante, dirão os manifestantes, já que a caixa preta de contagem apresenta, segundo relatórios já espalhados aos montes, inúmeras inconsistências estatísticas e várias violabilidades. Há, portanto, incertezas justificáveis que devem ser resolvidas.
O cidadão que está na rua há mais de quinze dias, sob sol e chuva, não quer destituir nenhum governo legítimo, então não pode ser golpista, ele quer a chance de provar que o processo não foi legítimo e, para isto, basta que permitam o processo de auditagem integral. Pelo menos três elementos graves de suspeição foram apresentados pelo Ministério da Defesa: O código-fonte não foi disponibilizado; houve inserções não auditadas de bibliotecas de terceiros e não há garantias de que o programa disponibilizado corresponde ao efetivamente utilizado. Caso seja impossível a auditagem, fica desprovido de segurança o resultado proclamado e escassa a sua legitimidade já fragilizada por vários relatórios estatísticos ainda não contestados. O que os manifestantes não admitem é a concretização de um processo cuja lisura não possa ser absolutamente declarada. Queira ou não o Sistema e o jornalista militante, o direito à livre expressão está indelevelmente cravado na Constituição Federal brasileira, apesar dos constantes ataques que sofre de quem deveria protegê-la.
As gentes todas que o “jornalista” chama de golpistas, sem olhar para o próprio rabo onde estão atados regimes totalitários que prendem e matam por crime de opinião, tem todo o direito e o dever cívico de pedir ou lutar a favor ou em contrário do que quiserem e, neste caso, estão desconfiadas, amedrontadas e acuadas. Caminhoneiros não são vagabundos, eles não param no meio da estrada para tirar folga ou porque sejam criminosos golpistas, mas para avolumar e fortalecer a expressão de uma insatisfação legítima. Se há excessos, que sejam apurados e corrigidos na forma da lei, mas não criminalizados em uma espécie de sanção da censura. Penso que uma boa leitura de Ruy Barbosa lembraria ao militante que “Um país de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de ideias falsas e sentimentos pervertidos, um país que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os vícios que lhe exploram as instituições “.
Tomemos como exemplo a situação atual nos EUA, onde, após a retomada da maioria na Câmara, os republicanos pretendem levar adiante investigações sobre os podres do Joe Biden escondidos durante as eleições, com o já confessado acumpliciamento da imprensa para que ele fosse eleito. Lá aconteceu algo semelhante a “absolvição” do ex-presidiário pelo consórcio de cá, ou seja, esconderam os crimes do candidato. As acusações contra os Biden são severíssimas, ao ponto de incluir tráfico humano. Quem teve acesso ao conteúdo do computador de Hunter Biden (filho de Joe Biden) sabe a que me refiro.
Como costumava dizer Ulysses Guimarães, eterno ícone da redemocratização, nada é mais sanitário na política do que iluminar os fatos. O verdadeiro crime em curso é o de censura, praticado às escancaras de cima a baixo, do topo à planície, tendo como alvo uma visão conservadora do mundo, o respeito à vida, tradições, família, religião, propriedade e liberdade. O progressismo anda a passos largos, de mãos dadas com a censura calando os oponentes.
Parece que o autoritarismo que o combate à COVID acoitou não quer sair da sala. Não se podia dizer que a vacina era experimental, logo, um tanto insegura, e agora não se pode dizer que as urnas eletrônicas são passíveis de ataques à sua integridade. Mais tarde será proibido questionar o alarmismo climático e, de uma em uma, a censura se normalizará perante a sociedade. Você, leitor, dirá apenas o que eles permitirem que você diga. Infelizmente, a outrora nobre imprensa, cuja essência é a verdade, dá sobradas mostras de submissão, fazendo com que a mediação entre a realidade fática e o cidadão se mude em definitivo para as sinuosas plataformas e mídias sociais. Infelizmente, ao negar a verdade e se tornar militante de causas e projetos, a imprensa cava seu próprio sepulcro.
Valterlucio Bessa Campelo escreve todas as sextas-feiras no ac24 horas e, eventualmente, em seu blog e no site Conservadores e Liberais do jornalista Percival Puggina.
O Brasil está com hemorragia - 22/11/2022
Jorge Abeid, PhD
Um dos grandes problemas da sociedade brasileira, entre tantos outros, é não questionar e não analisar as coisas que dão errado. Afinal, como diz a minha Mônica, experiência é o nome bonito que damos aos nossos erros.
Segundo dados oficiais de 2022, nós, brasileiros que vivemos fora do Brasil, somos hoje 4,2 milhões. Este número é maior que a população do Distrito Federal e de outros 12 estados, como por exemplo Mato Grosso do Sul e Tocantins.
A situação piora quando se investiga onde vivemos:
USA 1,7 milhão; Portugal 276 mil e, em terceiro lugar, se não estiver sentado sente-se: Paraguai, com 260 mil brasileiros.
Será possível que para tanta gente, um quarto de milhão, viver no Paraguai seja melhor do que viver no Brasil?
Desse povo que vive nos USA, garanto-lhes: boa parte, pessoalmente conheço alguns, vive lá ilegalmente, será possível que viver com medo da polícia é melhor do que viver no Brasil?
Eu vivo aqui na América do Norte desde 1997, sendo quatro anos nos USA e os demais aqui em Ontario Canada. Acompanho esse número por curiosidade pessoal. Desde então, lembro que me assustei quando o número chegou a 1 milhão, número que não para de crescer e ninguém aí fala nisso. Não se menciona uma sangria desatada dessa magnitude.
Fernando Pereyron Mocellin foi um gaúcho que, na FAB, pilotou caças P47 em 59 missões de guerra nos céus da Itália durante a Segunda Guerra Mundial. No livro que escreveu – MISSÃO 60 – ele conta uma experiência que viveu na academia da Força Aérea dos USA quando os pilotos brasileiros do chamado “Senta a Pua” foram treinados naquele novo avião de caça, o então novíssimo Thunderbolt P47. No seu primeiro voo solo, ao aterrissar, ele espatifou o avião novinho na pista. A equipe de socorro ao chegar ao local, o encontrou em prantos, sentado sobre o que restava do avião. O comandante que acompanhava a equipe perguntou:
- Você está machucado?
- Não senhor, respondeu ele.
- E chora por quê?
- Eu destruí essa maravilha de avião que vocês me confiaram.
- Meu filho, um avião nós produzimos a cada quatro horas; um piloto, 20 anos.
Essa lição dos anos 40 ainda não foi aprendida no Brasil. Na multidão dos nossos imigrantes estão professores universitários como eu, cuja formação leva mais de 20 amos. Estão médicos, dentistas, enfermeiros, economistas e sabe-se lá mais quê.
A hemorragia de recursos humanos debilita o país.
O que é a Direita? - 21/11/2022
Gen. Antônio Hamilton Martins Mourão
Nota do editor: este artigo, de autoria do atual vice-presidente da República e senador eleito pelo RS, foi divulgado pelo Clube Militar e eu o estou reproduzindo do blog do ex-ministro da Educação, Prof. Ricardo Vélez.
O resultado dessa eleição presidencial foi um teste para a democracia no Brasil. Como aconteceu a tantos países na História contemporânea, das urnas emanou no último dia 30 de outubro, uma decisão cujos resultados só podem ser revertidos pela prática da democracia, a começar pelo respeito às manifestações ordeiras e pacíficas da população.
A palavra, distorcida pela grande imprensa e cerceada pelo Judiciário, venceu a razão, presente tanto nas reformas de que o País precisa quanto nos números irretorquíveis do trabalho do governo.
A amargura da tragédia da pandemia sobrepujou o muito que a administração federal fez e procurou fazer em prol da população, particularmente da mais pobre.
De uma eleição em que os meios se impuseram aos fins não há o que comemorar, apenas lições e responsabilidades a assumir.
A primeira delas é a de que, no Brasil, a Direita, aquela tendência do pensamento político caracterizada pelo conservadorismo de costumes, pelo estímulo à iniciativa privada e pela defesa da liberdade sob a égide da lei, é muito maior do que os votos que ela recebeu ou do que os votos que eram seus e deixou de receber, dissipados por meios, legítimos ou não, cuja legalidade a História julgará.
O eleitor de direita é a pessoa que acredita em Deus, ama a Pátria e defende a família, cada vez mais consciente de que vive em uma sociedade politicamente organizada no Estado Democrático de Direito, onde, entre outras premissas: todos são iguais perante a lei; onde é livre a manifestação do pensamento e de expressão, independentemente de censura ou licença; não há crime sem lei anterior que o defina…
Em português, como em outros idiomas, a Direita está associada ao agir direito, ao procedimento correto, acertado e apropriado. A Direita é razão e, por isso, mais uma vez, tem razão em abominar o que se afigura como possível de acontecer ao País pelo desrespeito ao que ele é e à democracia que ele segue construindo. A Direita respeita a lei, pratica a democracia e preza a verdade.
O que nos leva à segunda lição: a Direita vive da razão. Quem é de direita se sente responsável pelo que lhe acontece e ao País, é realista diante das dificuldades, pensa por si próprio e é capaz de criticar os erros dos seus representantes quando eles se afastam dos compromissos assumidos.
A Direita, por se orientar tanto por ideias quanto por ideais, se espraia por várias demandas, é pouco ideológica e dá espaço a novas lideranças, porque sabe que precisa delas. Sendo difícil de enquadrar por qualquer programa partidário único, o eleitor de direita é a antítese do súdito perfeito do autoritarismo e do totalitarismo. Na verdade, ele é a personificação impessoal da democracia.
Mas a grande lição deixada pelos dois turnos das eleições de 2022 foi a de que o Brasil é majoritariamente de direita, a Direita que, não obstante ter se dividido em distintas correntes de opinião, levantou bandeiras e se mobilizou em defesa do que acredita. A Direita que, pela primeira vez na História do País, está firmemente enraizada em todas as classes sociais.
De algumas lições evidentes emergem respostas a este momento de perplexidade que exige tomada de posição firme e clara.
Fui eleito pelo Rio Grande do Sul para o Senado da República, apresentando-me como o verdadeiro candidato da direita ao povo gaúcho que me escolheu para servi-lo e ao Brasil. Estou pronto para formar nas fileiras da oposição democrática ao lado de meus companheiros de partido e de convicção em um Brasil de progresso, de honestidade e de segurança para toda sua população, como sentinela atenta das liberdades e defensor intransigente dos valores e ideais que me elegeram, propugnando pelo resgate das prerrogativas e deveres do Senado Federal, cujo esquecimento levaram o País a situações inimagináveis e inaceitáveis.
Mas não posso deixar de me solidarizar com o profundo sentimento de inquietação e de inconformismo que vai tomando as ruas e praças do País. O Brasil não pode se permitir pensar fora da democracia. Mas ele precisa de respostas neste momento, não da fala de autoridades que não as oferecem e extrapolam de suas atribuições disparando ameaças e ofensas.
O acatamento a resultados de eleições caminha lado a lado com o respeito ao povo em suas legítimas manifestações.
Está na hora de o Brasil, pela inarredável confiança em seu futuro, lembrar a ele mesmo e mostrar ao mundo o que é a Direita, a prática e a tradição política do Ocidente que obteve os grandes triunfos da História.
Ei, isento! Preciso falar com você. - 23/10/2022
Valterlucio Bessa Campelo
No inferno, os lugares mais quentes são reservados àqueles que se omitem em tempos de crise.
(Frase atribuída a Dante Alighieri por John F.Kennedy)
Há poucos dias das eleições de 30 de outubro, quero dirigir-me aos nossos irmãos profissionais liberais, funcionários públicos, jornalistas, youtubers, empresários, influencers, terceirizados, autônomos, donas de casa, enfim, a todos os cidadãos ou cidadãs que a esta altura do campeonato ainda se colocam na posição de indecisos ou isentos, ou seja, “acima” da disputa entre Bolsonaro e Lula. Quero lhes dizer algumas coisas que talvez os faça refletir melhor sobre seu voto e o pleito. O texto é um pouquinho mais longo do que de costume, pelo que peço desculpas.
Não se trata, nessa quadra da vida brasileira, da escolha entre dois homens, não é falar de pessoas e das culpas ou acusações que carregam, mas do Brasil, do seu futuro que, aliás, já no presente, dá mostras inequívocas do rumo lastimoso que poderá seguir se o ex-presidiário voltar. Olhe bem para o que está acontecendo e verá os sinais da ditadura, expressos em decisões desarrazoadas, em prisões sem causa definida nem processo legal, em negação do direito de defesa, em cerceamento da livre expressão, em parcialidade fragorosa de decisões sobre o que pode e o que não pode ser dito em na campanha eleitoral, não apenas por um candidato, mas por jornalistas e por nós mesmos em nossas redes sociais.
Fatos provados e comprovados, cujos autores foram longamente processados, julgados e condenados estão proibidos de serem mencionados sob pena de ferirem a “ordem eleitoral” (na verdade, os interesses de um dos lados). No caso recente da empresa Brasil Paralelo, magnífica plataforma onde se pode ver filmes e documentários e cursos extraordinários, que anunciou para esta semana uma produção sobre a tentativa de assassinato sofrida pelo presidente Bolsonaro, chegaram ao cúmulo de fazerem censura PRÉVIA, quer dizer, antes de algo ser dito, os autores foram proibidos de dizê-lo. Ninguém, a não ser os autores sabem o que está dito no vídeo sobre a tentativa de assassinato (alguma dúvida de que é um fato?), mas ainda assim estão proibidos de dizê-lo. Calem-se! Disseram suas excelências antes que os autores abrissem a boca. A empresa se manifestou em nota e dezenas de jornalistas protestaram. Tá na rede.
No caso da Jovem Pan, uma empresa com 80 anos de serviços prestados à informação do povo brasileiro, a decisão emanada estabelece limites ao que o jornalista ou comentarista pode ou não referir em seu trabalho. Palavras que possam ser tidas como ofensivas por determinado candidato não podem ser pronunciadas. Genocida! Pode. Ditador! Pode. Negacionista! Pode. Mesmo sendo mentiras obvias, narrativas vãs, se for contra o Bolsonaro, pode. Ex-presididiário! Não pode. Corrupto! Não pode. Promotor do petrolão! Não pode. Mesmo sendo verdade, mesmo sendo resultado de anos de investigação e trocentas condenações, não pode porque é contra o Lula. O leitor está me entendendo? Tem a medida do que está acontecendo? Juristas do quilate de Ives Gandra Martins, Modesto Carvalhosa e o próprio ex-Presidente do STF Marco Aurélio de Mello se manifestaram publicamente contra essa obtusidade do TSE. É uma espécie de chicoteamento da Constituição Federal no que refere à liberdade de expressão. Neste caso até a ABERT, controlada pela velha mídia, se obrigou a contestar.
Quem pediu essa decisão judicial absurdamente autoritária foi um partido político, o PT, que usa o TSE como se fosse seu braço jurídico e demonstra já no pedido a sua natureza autoritária, controladora e afrontosa à liberdade de expressão. A esquerda mostra assim um pouco de sua face horrenda ao pretender tratar o TSE como um mamulengo, e ainda há quem tenha a desfaçatez de nomear “extremista de direita” quem clama por liberdade. É kafkiano que o censor seja “democrata” e o censurado seja um “autoritário”.
Pergunto ao senhor jornalista, senhor médico, senhora professora, senhor músico, senhora poeta, senhora dona de casa... vocês têm a dimensão da gravidade deste momento? Preciso lhes dizer? Pois digo. Significa que a representação do SEU pensamento através da linguagem está sob controle antes mesmo que seja expressa. Nem a ditadura militar foi capaz disso. Naquela época, ao menos o regime esperava conhecer a obra antes de censurá-la. Hoje estamos sendo forçados a segurarmos a “nossa língua” sobre fatos, fatos! O mensalão não existiu? O petrolão não existiu? A lavajato foi um sonho? Não há um ex-presidiário concorrendo às eleições? Sim, Existiram, tem culpados, mas a “justiça” proibiu que se falasse no assunto porque o chefe da organização criminosa não gosta.
O que estamos vendo agora com a possibilidade da eleição do ex-presidiário é a véspera do parto de um regime historicamente assassino e cruel. Nossas liberdades estão por um fiapo, com a conivência de congressistas, de OAB, de intelectuais e até de jornalistas que deveriam se rebelar contra essa ignomínia. Onde estão os milhares que assinaram a tal “carta pela democracia”? Cadê os artistas que tanto falam de liberdade? Eu sei. Estão cagando para a democracia, estão omissos achando que do regime autoritário vão tirar proveito, receber migalhas de poder.
E nós, os homens e mulheres livres, onde estamos? Eles estão nos calando e não estamos fazendo nada. Estão prendendo inocentes e não estamos fazendo nada, estão fraudando um processo que deveria ser livre, isonômico e imparcial. Estão rasgando a lei à nossa vista e não estamos fazendo nada. Os senhores todos acham que poderemos fazer algo depois? Pois lhes digo que não. Depois, será tarde e sangrento. A hora de fazer algo é no dia 30 de novembro. Se for preciso, tape o nariz, vire o rosto, mas vote na liberdade contra o autoritarismo.
Quer conhecer um cisco sobre o que significa o monstro que está sendo parido nessas eleições em que a justiça tem lado? Facilito. Numa tarefa simples, sem teorização de doutos, leia “O livro Negro do Comunismo”, de Stéphane Courtois, Nicolas Werth, Jean-Louis Panné e Andrzej Paczkowski. Recomendo também que conheça os discursos dos líderes socialistas no Foro de São Paulo, prometendo fazer da América Latina uma grande pátria, integrada politicamente, socialmente, economicamente, culturalmente, ou seja, com mais de cem anos de atraso, está para nascer no hemisfério sul uma espécie de União das Repúblicas Socialistas. É como se essa gente tivesse dormido antes da revolução russa e acordasse agora. Não viram, ou, não se importam com a tragédia de 100 milhões de mortos que pesam sobre os ombros do comunismo/socialismo, afinal, segundo Trotsky a moral que conhecemos é apenas a moral burguesa e não a moral revolucionária à qual TUDO é permitido.
Enquanto muitos estão sendo sacrificados e mortos em países socialistas na vizinhança, por aqui os “isentos” simplesmente pensam que “isso é lá com eles”. Não é não. É com você, é com seus filhos e netos. Outro dia, um jovem universitário me perguntou: “eles governaram durante 14 anos e não fizeram, por que fariam hoje?”. Inocente! Já estão fazendo. Um dos pilares da democracia já foi tomado. Vejam aqui o que disse o Lula ao seu amigo Boff e aqui, secundado pelo ex-presidiário Zé Dirceu recentemente. Experimente conversar com os venezuelanos que se mandaram de lá para cá, ouça suas histórias e chore se tiver um coração aí dentro.
Bastaria a censura que nos impuseram para denunciar o tipo de institucionalidade que pretendem implantar e, mesmo assim, você vai ficar de biquinho pelas frases ou gestos infelizes do Bolsonaro? Peço que não, amigo. Peço fraternalmente para você sair de casa no dia 30 e, pensando no Brasil de seus filhos e netos, votar em defesa da liberdade, ainda que ela não venha dourada de promessas “politicamente corretas” ou num prato de picanha fictícia. Liberdade apenas para ser livre e, creia, não há nada mais importante a perder.
Valterlucio Bessa Campelo escreve às sextas-feiras no site ac24horas e, eventualmente, no seu BLOG, no site Liberais e Conservadores do Puggina, na revista Navegos de Franklin Jorge e em outros sites.
Lula em estado puro - 12/10/2022
Guilherme Baumhardt
“Eles têm que saber que a morte de um combatente não para a revolução. Eles têm que saber que nós vamos fazer, definitivamente, uma regulação dos meios de comunicação, para que o povo não seja vítima das mentiras todo santo dia. E eles têm que saber que vocês, quem sabe, são até mais inteligentes do que eu. E poderão queimar os pneus que vocês tanto queimam, fazer as passeatas, fazer as ocupações, no campo e na cidade.” As frases acima, ditas alguns dias atrás, do alto de um caminhão de som, foram pronunciadas pelo sujeito que promete pacificar o país, pelo sujeito que fala em salvar e defender a democracia, que diz combater o “genocida”. Senhoras e senhores, este é Luiz Inácio Lula da Silva, em estado puro, sem travas. É o que ele pensa, é o que ele defende.
O Lula versão 2022 não está amarrado à Carta ao Povo Brasileiro, como estava em 2002. Na época, havia alguns compromissos: respeitar o Plano Real, a estabilidade da moeda, as metas de inflação, o superávit primário. A contragosto, Lula viu que era o único caminho para vencer a eleição. E venceu. O cenário, também, era outro. Os tucanos sucumbiram (ah, que novidade!) ao discurso surrado contra o neoliberalismo. “Venderam nossas riquezas”, diziam os petistas, em referência à privatização de meia dúzia de empresas durante o governo FHC. O brasileiro deixou de ser refém de companhias públicas, passou a ter telefone (celular, inclusive), sem precisar comprar ações de sucatas do Estado. E os tucanos ficaram com vergonha. Hoje, quando vemos FHC ao lado de Lula, fica fácil entender o porquê.
O Lula versão 2022 fala abertamente em revolução. Fala abertamente em queimar pneus. Fala abertamente em regular a mídia – leia-se censura. É o Lula que, anos atrás, ameaçou acionar o exército do Stédile (os bandoleiros do MST). É o sujeito que tempos atrás tentou implantar no país um conselho com o poder de cassar diploma de jornalista, com base no “crime de opinião”.
Se você ainda não acredita que isso pode acontecer, o que está faltando para perceber que propriedade privada será um detalhe? Não interessa o tamanho. Dos grandes aos pequenos. Será um detalhe. A estabilidade da moeda é o que dá segurança especialmente aos mais pobres. É o que permite que o crédito encontre a previsibilidade, conferindo segurança a quem contrata e a quem empresta o dinheiro.
Não estou falando da compra de um carro importado ou de uma cobertura. Estou falando de uma máquina de costura, de uma carrocinha de cachorro-quente ou de uma geladeira, o início de muita gente. Refiro-me à reforma de uma casa ou até mesmo à compra de uma moradia. Onde foi parar a estabilidade na Argentina, dos amigos de Lula? Foi embora. Ninguém sabe, ninguém viu. Os sinais estão postos. Lula até agora não apresentou seu plano de governo. Não disse quem será o titular do Ministério da Economia/Fazenda. E precisa? O modelo é o argentino, o venezuelano, aquele que assumiu recentemente o Chile.
Esta não é apenas uma eleição de direita versus esquerda. É uma disputa entre a sua liberdade e o que ainda existe de país por estas bandas, versus a barbárie e a balbúrdia. Liberdade de viver, de se expressar, de empreender. Liberdade religiosa, de conquistar algo que será seu, por mérito e esforço próprios. É o momento de tomar uma decisão. Você pretende deixar algo para seus filhos e netos? Ou vai iniciar a contagem regressiva para fugir daqui? E, se isso não for possível, prepare-se para comer o pão que o diabo amassou. Ou, quem sabe, comer o seu gato e depois o cachorro. Aliás, já identificou onde fica a picanha no Totó?
* O autor é jornalista
** Artigo publicado originalmente no Correio do Povo transcrito por necessidade cívica.
Bolsonaro presidente! - 29/09/2022
Ricardo Vélez Rodríguez
Torço para que o Presidente Bolsonaro seja reeleito no próximo dia 2 de outubro e nele votarei, ciente de que é a melhor opção para o Brasil neste momento. Voto em Bolsonaro, em primeiro lugar, porque o Brasil precisa consolidar o caminho da opção liberal/conservadora defendida por ele. Não quero que o nosso país se transforme em terra de ninguém posta a serviço de uma servidão global, que é o que a esquerda oferece. Quero que o nosso país respeite a diversidade das pessoas e as suas opções éticas. Não quero um mandatário que aja com critério totalitário, como se fôssemos uma manada de entes sem identidade pessoal, sem preferências, sem diversidade, sem valores. Quero um Presidente que represente dignamente o nosso país no conjunto das Nações.
Ora, Lula seria uma volta ao passado que queremos esconjurar. Mostrou, nos seus dois governos e nos governos da sua pupila, a que veio. Veio para roubar e se perpetuar no poder, aniquilando o que de mais prezado temos: família, religião, pátria, livre iniciativa, moral. Não quero esse tipo de trapaça para os meus filhos e netos.
Estou ciente de que o candidato Bolsonaro tem defeitos. Mas são falhas que ele poderá corrigir, com a ajuda de um Congresso que some com ele e com a participação de um Judiciário que não seja o superpoder que descamba pelo caminho incerto do “autoritarismo instrumental”, prometendo, com isso, revigorar a nossa democracia. Quero que floresça uma imprensa livre, digna, independente de radicalismos ideológicos, patriota e que cumpra com a sua missão cidadã de informar e de esclarecer tanto o governo quanto a sociedade.
Quero um Presidente que dê continuidade à retomada do crescimento econômico, combatendo a inflação e o desemprego, como até agora fez o Bolsonaro com a ajuda do Ministro Paulo Guedes. Quero que o governo continue aplainando o caminho para a participação da iniciativa privada, notadamente para as nossas médias e pequenas empresas, que são as que mais empregos oferecem. Quero alguém que continue fortalecendo o agronegócio e que não o ameace com uma intervenção fiscal desafortunada como a que o candidato Lula promete. Quero que Bolsonaro, no seu segundo mandato, enfrente com força o problema da desindustrialização, que nos afasta do mundo desenvolvido e que bloqueia, aos brasileiros, oportunidades de trabalho.
Espero sinceramente que o próximo Presidente torne realidade fazer, na educação, a definitiva aproximação entre o MEC e os brasileiros, fiel ao slogan de Bolsonaro em 2018: “Menos Brasília e mais Brasil”. Falta ainda muito para fazer nessa seara, notadamente no que tange à libertação do sistema de ensino, em todos os seus níveis, da ditadura dos sindicatos ligados à CUT, que terminou se tornando uma doença endêmica que infelizmente persiste. Neste terreno, ainda, contudo, prefiro Bolsonaro a Lula, que só acenou com um vergonhoso “revogaço” das medidas saneadoras efetivadas por este governo.
Por outra parte, não quero mais essa assombração do STF que faz pouco caso da nossa liberdade de escolha e da nossa inteligência, e que se incomoda com o exercício da liberdade cidadã, pretendendo sufocá-la, começando com a censura à liberdade de expressão. Não quero um corpo policial de togados que mande e intimide como se fosse o dono do mundo e da lei.
Pensei que já tinha terminado, no nevoeiro do nosso passado republicano, a época dos presos políticos. E vejo, com tristeza, que, nas sombras da alta burocracia do Estado, se instalou um grupelho de pretensos juízes alheios aos valores da liberdade e da cidadania, que passou a agir como autêntico ferrabrás da República, prendendo jornalistas e empresários.
É lamentável o caminho pelo qual se extraviou o STF. De alta Corte, que deveria zelar pela preservação da nossa Constituição, resvalou para o lamaçal pútrido das maquinações escusas em prol de resguardar os interesses da esquerda retardatária, que tornou o Supremo o seu despachante de plantão. A judicialização da política é um mal para o Brasil e nela terminou chafurdando, ignobilmente, o Supremo.
Fiquei emocionado com as multitudinárias manifestações que, pelo Brasil afora, os brasileiros fizeram no 7 de setembro. Nunca imaginei ver a Esplanada dos Ministérios tão repleta de famílias e das cores verde e amarela. Mais de um milhão de pessoas estavam presentes! Não foi uma encenação previamente ensaiada. Foi uma autêntica manifestação popular. E esse ato de civismo se repetiu por todo o nosso País, de Norte a Sul. Jamais tinha visto a Praia de Copacabana literalmente lotada por uma multidão que ultrapassou o milhão de pessoas. A mesma coisa pude observar na Avenida Paulista, com mais um milhão de brasileiros que homenageavam os duzentos anos da nossa Independência. Essas manifestações de civismo multiplicaram-se por todo o território nacional. Mais de trezentas cidades brasileiras somaram-se a essa prova de civismo. Ora, o que fazer diante disso? Somente podemos ter uma atitude: admirar o patriotismo da nossa sociedade e cumprir com a sua vontade: Bolsonaro Presidente!
* O autor é formado em Filosofia (licenciatura, mestrado e doutorado), pesquisa a história das ideias filosóficas e políticas no Brasil e na América Latina, e fez pós-doutorado em Paris sobre as ideias de Alexis de Tocqueville e os liberais doutrinários.
** Texto publicado originalmente no blog do autor, em https://www.ricardovelez.com.br/blog/bolsonaro-presidente
A batalha decisiva - 28/09/2022
José Maurício De Barcellos
Aproxima-se a hora da mais importante batalha deste povo contra os regimes totalitários de esquerda que já dominam uma parte significativa do planeta a qual, por sua vez, trama contra nossa liberdade.
É uma hora de muita aflição para os patriotas, mas vamos vencer porque, como se vê de Norte a Sul do País, finalmente a tal brava gente brasileira se levantou.
Tudo se iniciou quando as gerações dos anos 40 até as dos anos 70 se deram conta finalmente de que concorreram, ainda que involuntariamente, para coexistência de dois dramáticos fatores que gravaram a Nação Verde e Amarela, quase destruindo a vida nesta Terra de Santa Cruz: i) permitiram o avanço do social-comunismo ateu e assassino, bem como ii) consentiram que se desse início ao maior ultraje dos valores morais e cívicos de nossa sociedade, como antes jamais havia acontecido.
Dentro do peito de cada verdadeiro brasileiro daqueles tempos, uns mais outros nem tanto, mas com certeza de todos ainda que no limite de suas possibilidades, amarga um remorso por não ter combatido mais por seu País, até deixar a Pátria livre dos vermelhos. Nunca aquela escória da raça humana poderia ter nos alcançado, não neste País de meu DEUS!
Pois bem. São aqueles homens de honra que têm consciência de que nestas eleições, decisivas para o progresso e para liberdade de nossa gente, vão travar aquela que pode ser sua derradeira batalha para corrigir os erros do passado e para afirmar perante os que venham depois deles seu compromisso e seu legado de luta pelo Brasil nem que, se preciso for, venham a tombar neste derradeiro combate.
A turma da roubalheira sistêmica; a corja da banca usurpadora do suor de nossa gente; a horda de chupins da máquina aparelhada; a súcia dos vendidos e traíras da ecologia burra e atrasada; a malta da política suja e sem verniz; as quadrilhas do STF e do Parlamento; a matula da imprensa v.v. (venal e vendida), todos já sabem que suas chances de retomar ao poder são realmente mínimas, porém não vão desistir. O mal nunca deixa de existir e nunca desiste.
Eu pessoalmente, por formação e temperamento, auguro que não desistam, porque é exatamente por causa da insana e doentia insistência deles, que hoje estão nus à vista do povo trabalhador e apaixonado pelo Brasil da “Nova Ordem”. São visíveis a olho desarmado.
Quem vota no “Ogro Descondenado” é porque optou por consentir a volta da roubalheira dos cofres públicos e anseia por também se beneficiar, por si ou por algum dos seus, de uma vantagenzinha aqui ou acolá.
Quem apoia os “Contras” ou os “Terceirroviistas” é porque nutre a esperança de ter um Brasil cativo de determinadas classes privilegiadas, pois, cônscio de sua incompetência pessoal e funcional, almeja naquelas se abrigar.
Quem se agregou às quadrilhas daqueles que foram expulsos do Planalto como indecentes e más figuras é porque não se peja de se submeter ao jugo, às ordens e às propostas escusas dos chefões, a quem devem prestar vassalagem. Quantas graúdas excelências, doutores, dirigentes, chefes, chefetes e lambaios da máquina governamental se venderam por um cargo qualquer e ainda racharam seus ganhos com o PT? Conheço uns poucos. Tenho dó deles, mas nenhum respeito.
Quem não se importa de ver sua família violentada diariamente, suas crianças molestadas, seus templos invadidos, sua crença perseguida, seus bens confiscados, sua segurança comprometida e sua liberdade subtraída é porque há muito desistiu de sua honra e de seus princípios. É com estes que as quadrilhas de FHC a Temer contam para “venezuelizar” o Brasil.
É justo no ladro podre desta Nação em que aquela gente se homizia que a toda hora surge uma investida ou a emboscada mais terrível e perversa dos “Desonrados da Pátria”. Vou exemplificar, em rápidas pinceladas, o grau de sordidez e de maldade que se permitem contra o País em que nasceram.
Avaliem as razões pelas quais atacam ferozmente nosso agronegócio e logo este seguimento econômico que salvou o Brasil da terrível debacle ocorrida no mundo em virtude da pandemia do vírus vermelho e globalista. Vejam como se movimentam a indigitada canalhada e a “xiitalha” do meio ambiente, que venderam sua alma para a cobiça do estrangeiro, a ponto de pregar a relativização da soberania da nossa Amazônia.
Não vou trazer aqui à colação as risíveis declarações do “porco petista” que, prometendo entregar a Amazônia aos estrangeiros, tenta rotular o Agro como uma atividade fascista e direitista. Muito pior são as investidas e as tramas dos hipócritas ecológicos que, depois de se fartar com os alimentos vindos do campo querem ver o produtor prisioneiro apenas de seus abomináveis interesses pessoais ou dos países que lhes compraram.
No que diz respeito à produção de alimentos, tem-se que, se fosse viável a volta da esquerda delinquente, tudo que alcançamos iria por água abaixo. Tem-se, igualmente, que no fundo eles ainda constituem sim uma ameaça devastadora. Ainda que seja remota – muito remota mesmo – a volta do PT e dos seus malfeitores ao poder, se por “mala suerte” tal desgraça viesse a ocorrer o campo estaria na unha do capeta.
O Brasil dos dias que antecedem a grande e decisiva batalha conta aqueles que já o desgraçaram nas últimas três décadas, por hora ainda está com um barril de pólvora no colo e somente depois das eleições de outubro vindouro é que vamos saber realmente se vai explodir ou não.
O mais dramático de tudo isso é que o “Gigante das Américas” conta apenas com sua brava gente ordeira e trabalhadora, porque os países atingidos pela maior crise de alimentos que o mundo já viu na era contemporânea querem mesmo é dominar o homem do campo e a sua indústria para comprar alimento quase de graça deste País.
Considere-se, ademais, o grau de perda que se pode experimentar, pois, em verdade, tudo quanto até aqui este governo de gênios e de mãos limpas logrou conseguir com o Agro está apenas no início. Muito mais virá em curto prazo. A grande fase, no dizer de especialistas do quilate de Paulo Herrmann (um ícone do Agro), ainda está por vir.
Segundo esclareceu o ex- CEO da John Deere, a maior empresa fabricante de máquinas agrícolas do mundo – um engenheiro pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL) e MBA em Business Administration and General Management pela Universidade do Vale do Sinos (Unissinos) – em recente palestra na Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, o futuro do nosso agronegócio virá fortalecido por conta de dois fatores que já se firmam, sem oportunidade de retrocesso. O primeiro consiste em um flagrante rejuvenescimento do agricultor brasileiro, cuja idade média hoje é de 45 anos – contra a do USA que é de 58 anos e da Europa que é de 62 anos – que está caindo ainda mais. Tudo se refletirá diretamente na digitalização das práticas no campo e isto fará toda a diferença.
O segundo surgiu com a pandemia do corona vírus que produziu um êxodo reverso com a volta do jovem nascido no campo que estava na cidade. Vivemos um momento de inflexão com forças jovem e com alta tecnologia que trazem a oportunidade de se usar 4 ou 5 meses que estavam vagos, com sol disponível e muita água. Daí os 400 milhões de toneladas de grãos e os 300 milhões de cabeças de gado, disse Herrmann.
Um retrocesso no campo e o avanço dos assassinos do MST de Lula não podem acontecer e não acontecerão porque mesmo que as cidades capitulem o campo as vingará e, escutem bem, o campo tem uma força descomunal. Chegamos até aqui. Não há como voltar atrás. Vamos avançar neste segmento. Seria um desastre e uma perversidade, principalmente com aqueles que, de sol a sol, trabalharam para tirar o País do atoleiro em que foi jogado.
A importância deste novo Brasil, desta nova fronteira agrícola para si e para o planeta como o grande celeiro do mundo é uma das muitas motivações que nos impele a lutar nesta guerra até quando o espectro dos “ismos do mal” esteja erradicado sob a terra e, nestas eleições vindouras, travaremos uma batalha decisiva.
* José Maurício de Barcellos é ex-Consultor Jurídico da CPRM-MME , advogado.
** Artigo publicado originalmente no excelente Diário do Poder, em https://diariodopoder.com.br/opiniao/a-batalha-decisiva
Obras & obras - 27/09/2022
Gilberto Simões Pires
RESUMO COMPARATIVO
Na semana passada, eleitores que se identificam plenamente com os -PRINCIPIOS E PROPÓSITOS do PT-, e como tal agem e se manifestam sistematicamente como fiéis apaixonados pelo candidato LulaLadrão, usaram as redes sociais para -ironizar- e colocar em dúvida -eleitoral- as obras e realizações que marcaram -positivamente- este primeiro mandato do presidente Jair Bolsonaro. Pois, mesmo levando em conta os enormes obstáculos que foram impostos para dificultar as realizações, eis aí o RESUMO DAS OBRAS e/ou REALIZAÇÕES entregues (ao longo dos últimos 3 anos e meio) pelo governo presidido por JAIR BOLSONARO e compare com os (13 anos) repletos de ESCÂNDALOS entregues pelos governos Lula e Dilma petistas.
RESUMO DOS ESCÂNDALOS PETISTAS
Começando pelos governos petistas, eis aí um inquestionável e tenebroso RESUMO DE ESCÂNDALOS que marcaram os governos Lula/Dilma:
2001 - Assassinato de Toninho do PT
2002 - Assassinato de Celso Daniel
2002 - Assassinato de 2 envolvidos no caso Celso Daniel
2003 - Assassinato de 4 envolvidos no caso Celso Daniel
2003 - ONG Rede 13 é extinta após receber R$ 7,5 milhões
2004 - Caso GTech (Carlinhos Cachoeira)
2004 - Escândalo dos Bingos (Waldomiro Diniz)
2004 - 300 Medidas Provisórias de Lula
2004 - Morrem 3 da diretoria do Bancoop (OAS e o Triplex)
2005 - Assassinato do legista do caso Celso Daniel
2005- Escândalo dos Correios
2005 - República de Ribeirão (Antonio Palocci)
2005 - Escândalo do Mensalão - R$ 200 milhões em desvios
2005 - Escândalo dos Dólares na Cueca
2005 - Cassação de Zé Dirceu
2005 - Escândalo da Gamecorp-Telemar R$ 111 MI para Lulinha
2006 - Caso Francenildo dos Santos Costa (Antonio Palocci)
2006 - Escândalo da Refinaria de Pasadena (prejuízo de R$ 3 bilhões)
2006 - Escândalo dos Sanguessugas
2006 - Escândalo dos Aloprados
2006 - Escândalo do Corinthians - MSI
2006 - Mesadas de Antônio Palocci
2007 - Operação Navalha
2007 - BNDES e o etanol em Moçambique
2007 - R$ 111,4 bilhões da CPMF desviados da saúde
2008 - Dossiê contra FHC e Ruth Cardoso (Dilma e Erenice Guerra)
2008 - Caso Cartões Corporativos
2008 - Usina Hidrelétrica Jirau - Fraude no Leilão
2008 - Usina Hidrelétrica de Santo Antônio - Caixa dois
2009 - Caso Lina Vieira (Dilma e Gabrielli)
2009 - Refinaria Abreu e Lima - R$ 90 milhões em propinas
2009 - Propina na compra de submarinos e helicópteros franceses
2009 - Escândalo das montadoras - Medida Provisória 471
2010 - Caso Bancoop
2010 - Escândalo Novos Aloprados
2010 - R$ 1 MI de Alberto Youssef na campanha de Gleisi Hoffmann
2010 - BTG Pactual e as sondas do pré-sal
2010 - Erenice Guerra - Tráfico de influência
2010 - Governo Lula gasta R$ 88,2 milhões nos cartões corporativos
2011 - Caso Palocci Consultor
2011 - Escândalo nos Ministérios da Agricultura, Transportes e Cidades
2011 - Escândalo nos Ministérios do Turismo, Esporte e do Trabalho
2011 - Faxina Ética no Governo Dilma
2012 - Caso Cachoeira
2012 - Escândalo no Ministério da Pesca (Ideli Salvatti)
2012 - Rosemary Noronha e Lula e os 25 € milhões em Portugal
2012 - BNDES - Usina Metalúrgica na Venezuela
2012 - Operação Porto Seguro (Rosemary Noronha)
2012 - Prisão da cúpula do PT
2013 - Início das Pedaladas Fiscais
2013 - BNDES - Rodovia em Gana
2013 - Aeroporto em Guiné Equatorial
2013 - Arlindo Chinaglia - R$ 1 bilhão em fraudes de licitações
2013 - Dilma perdoa US$ 900 milhões em dívidas de ditaduras africanas
2014 - Assassinato de Paulo Malhães - Comissão da Verdade
2014 - BNDES - Porto Mariel em Cuba
2014 - Lava Jato - expectativa de recuperar R$ 40 bilhões
2014 - Superfaturamento de US$ 900 milhões caças Gripen
2015 - Prisão do ex-tesoureiro do PT
2015 – Ex-diretor da ANP cai do 11º andar
2015 - Caso LFT Marketing e Touchdown - R$ 12 MI para Luleco
2016 - R$ 131 bilhões de cortes na Saúde
2016 - Caso Exergia - R$ 20 MI para Taiguara dos Santos
2016 - Crime de responsabilidade fiscal de Dilma
2016 - Assassinato de Arthur Sendas (Compra de Pasadena)
2016 - Marqueteiro do PT é preso
2016 - Delcídio Amaral preso em flagrante
2016 - Governo Dilma gasta R$ 44,4 milhões nos cartões corporativos
2016 - Denúncias comprovadas já chegam a R$ 47 bilhões em desvios do PT
2016 - BNDES - US$ 788 milhões em propinas em 12 países
2018 - Assassinato de Roberto do PT (Queima de Arquivo)
2018 - Lula Preso - Primeiro de 8 Processos
2018 - Corrupção na usina de Belo Monte
2018 - Escândalo das agências de pesquisa na Campanha de Dilma
2018 - BNDES - Calote de Venezuela, Cuba e Moçambique (lavagem internacional)
2018 - Comperj - R$ 15 milhões de propina para o PT
2018 - Vice-presidente da Guiné Equatorial chega ao Brasil com US$ 16,4 milhões
2018 - Desvios de R$ 140 milhões nas obras da Torre Pituba
2018 - Caso Lulazord
2018 - Desvios de R$ 126 milhões nas obras a transposição do rio São Francisco
2019 - Fernando Pimentel e CEMIG
2019 - André Esteves, Lula e Graça Foster na PetroAfrica
2019 - Operação Vegatomia - R$ 500 milhões em fraudes no FIES
2019 - Delação de Palocci - R$ 270,5 milhões para o PT
2019 - R$ 1,1 milhão de mesada para Frei Chico (irmão de Lula) — em Edealina.
RESUMO DAS REALIZAÇÕES FEITAS POR BOLSONARO
Agora vejam, e comprovem, com o RESUMO DE REALIZAÇÕES feitas ao longo do governo Bolsonaro que os petistas apaixonados por Lula se recusam a admitir:
EMPREGOS
- 5,3 MILHÕES DE EMPREGOS GERADOS DESDE JUL/2020
- SALDO POSITIVO DE 1,3 MILHÃO DE EMPREGOS SOMENTE EM 2022
- MENOR ÍNDICE DE DESEMPREGO DESDE 2015 – 9,3%
ABERTURA DE EMPRESAS
- 8,1 MILHÕES DE EMPRESAS ABERTAS EM 3 ANOS (média de 2,7 milhões por ano)
- NOS GOVERNOS DO PT, FORAM 8 MILHÕES, EM 14 ANOS (média de 0,57 milhões por ano)
- PROGRAMAS DE PRESERVAÇÃO DE EMPREGO SALVARAM 10 MILHÕES DE EMPRESAS DA FALÊNCIA
REDUÇÃO DE IMPOSTOS
- TRIBUTOS FEDERAIS ZERADOS SOBRE A GASOLINA, ETANOL HIDRATADO E DIESEL
- LEI PARA REDUÇÃO OBRIGATÓRIA DO ICMS SOBRE COMBUSTÍVEIS, ELETRICIDADE E TELECOMUNICAÇÃO NOS ESTADOS REDUÇÃO DO IPI EM ATÉ 35% PARA A MAIORIA DOS PRODUTOS FABRICADOS NO BRASIL
- REDUÇÃO DO IPI PARA OS AUTOMÓVEIS PRESERVAÇÃO DA COMPETITIVIDADE NA ZONA FRANCA DE MANAUS
SAÚDE (antes da pandemia)
- CRIAÇÃO DA SECRETARIA DE ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE E DO DEPARTAMENTO DE SAÚDE DA FAMÍLIA
- PROGRAMA MÉDICOS PELO BRASIL INFORMATIZAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE COM O CONECTE SUS
- R$ 333 MILHÕES PARA CONTRATAÇÃO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE CONCLUSÃO DAS OBRAS DE UPAs QUE ESTAVAM PARADAS E TRANSFORMOU EM UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE (UBS) E CLÍNICAS DA FAMÍLIA
SAÚDE (durante a pandemia)
- R$ 28 BILHÕES PARA AQUISIÇÃO DE VACINAS CONTRA A COVID-19
- AQUISIÇÃO DE 600 MILHÕES DE DOSES DE VACINA CONTRA A COVID-19
- MAIS DE R$ 626,5 BILHÕES INVESTIDOS EXCLUSIVAMENTE NO COMBATE AO VÍRUS DA COVID-19, R$ 375 BILHÕES EM REPASSES GERAIS PARA ESTADOS E MUNICÍPIOS INVESTIREM EM SAÚDE
SAÚDE (durante e pós pandemia)
- PISO SALARIAL NACIONAL DA ENFERMAGEM (ENFERMEIROS, TÉCNICOS, AUXILIARES E PARTEIRAS)
- CONCESSÃO DE PENSÃO VITALÍCIA A CRIANÇAS VÍTIMAS DO ZIKA VÍRUS
- REDE DE ATENÇÃO MATERNA E INFANTIL PARA CUIDADO DE MULHERES E CRIANÇAS - CUIDA MAIS BRASIL - PROGRAMA MÃES DO BRASIL
EDUCAÇÃO
- REAJUSTE HISTÓRICO DE 33% PARA PROFESSORES DA EDUCAÇÃO BÁSICA
- MAIS DE R$ 275,9 BILHÕES REPASSADOS PARA ESCOLAS PÚBLICAS
- SÓ EM 2021, R$ 178 MILHÕES FORAM DESTINADOS PARA A FORMAÇÃO DE PROFESSORES, VIA CAPES
- R$ 13,1 BILHÕES REPASSADOS AO PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE)
- R$ 2,2 BILHÕES REPASSADOS AO PROGRAMA NACIONAL DE APOIO AO TRANSPORTE ESCOLAR
- R$ 6,8 BILHÕES REPASSADOS AO PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO (PNLD)
- PERDÃO DA DÍVIDA DO FIES ? DESCONTOS DE ATÉ 99% DO VALOR DA DÍVIDA BENEFICIANDO MAIS DE 1 MILHÃO DE ALUNOS
- R$ 24 BILHÕES INVESTIDOS NA EDUCAÇÃO BÁSICA ENTRE 2020 E 2022 - PRIORIDADE-
- MAIS DE 80 MIL ALUNOS MATRICULADOS EM ESCOLAS CÍVICO-MILITARES
SEGURANÇA PÚBLICA
- R$ 5,4 BILHÕES INVESTIDOS EM SEGURANÇA ENTRE 2019 E 2021
- MENOR NÚMERO DE ASSASSINATOS DESDE 2011. MAIOR REDUÇÃO NO NÚMERO DE HOMICÍDIOS DA HISTÓRIA RECENTE
- MAIS DE R$ 1,5 BILHÃO FORAM REPASSADOS PARA AS POLÍCIAS ESTADUAIS
- PREJUÍZO DE R$ 30,7 BILHÕES AO CRIME ORGANIZADO, INCLUINDO TRÁFICO DE DROGAS
- INTENSIFICAÇÃO DO NÚMERO DE OPERAÇÕES DA FORÇA NACIONAL DE 46 (2018 ) PARA 96 (2021)
- CRIAÇÃO DO PROGRAMA VIGIA, DESARTICULANDO O TRÁFICO NAS FRONTEIRAS
SEGURANÇA NO CAMPO
- PORTE DE ARMA PARA O PRODUTOR RURAL DEFENDER SUA FAMÍLIA E SUA PROPRIEDADE
- REDUÇÃO EXPRESSIVA DO NÚMERO DE INVASÕES À PROPRIEDADE RURAL
- NÚMERO 96% MENOR QUE NOS GOVERNOS DE ESQUERDA
AUXÍLIO BRASIL
- MAIOR PROGRAMA DE TRANSFERÊNCIA PERMANENTE DE RENDA DA HISTÓRIA DO BRASIL
- MAIOR E MAIS COMPLETO QUE O ANTIGO PROGRAMA PAGAMENTO MÍNIMO DE R$ 600 A PARTIR DE AGOSTO/22
- $ MÉDIO DO AUXÍLIO BRASIL ATÉ JUL/22: R$ 408
- $ MÉDIO DO AUXÍLIO BRASIL ATÉ DEZ/22: R$ 600
- $ MÉDIO DO BOLSA FAMÍLIA: R$ 190
AUXÍLIO EMERGENCIAL
- MAIOR PROGRAMA ASSISTENCIAL DO MUNDO - MAIS DE 68 MILHÕES DE BRASILEIROS BENEFICIADOS
- R$ 355 BILHÕES PAGOS DIRETAMENTE AOS CIDADÃOS
- SOMENTE EM 2020, OS VALORES PAGOS EQUIVALEM A 15 ANOS DO BOLSA FAMÍLIA
GOVERNANÇA DAS ESTATAIS
- COM BOA GESTÃO E HONESTIDADE, ESTATAIS VOLTARAM A DAR LUCRO DEPOIS DE ANOS DE PREJUÍZOS BILIONÁRIOS EM GOVERNOS DE ESQUERDA
- EM 2015: PREJUÍZO DE R$ 32 BILHÕES
- EM 2019: LUCRO DE R$ 109 BILHÕES
- EM 2020: LUCRO DE R$ 69 BILHÕES
- EM 2021: LUCRO DE R$ 188 BILHÕES
COMBATE À CORRUPÇÃO
- 202 OPERAÇÕES DA CGU(2019-2021)
- MÉDIA ANUAL DE OPERAÇÕES CONTRA CORRUPÇÃO GOVERNOS DE ESQUERDA: 22 GOVERNO BOLSONARO: 67
- R$ 15 BILHÕES DE VALORES ACORDADOS R$ 6 BILHÕES DE VALORES JÁ DEVOLVIDOS
MEIO AMBIENTE
- BRASIL É UMA SUPERPOTÊNCIA ECOLÓGICA E O PAÍS QUE MAIS PRESERVA NO MUNDO 66,3% DE TODO O TERRITÓRIO É PRESERVADO
- UM DOS CÓDIGOS FLORESTAIS MAIS RÍGIDOS DO MUNDO NA AMAZÔNIA, 80% DA PROPRIEDADE TEM DE SER PRESERVADA
- APENAS 30,2% DO NOSSO SOLO SÃO USADOS PARA PRODUÇÃO AGRÍCOLA E PECUÁRIA NOSSO PAÍS ALIMENTA UM BILHÃO DE PESSOAS NO MUNDO, ALÉM DOS PRÓPRIOS BRASILEIROS
- OPERAÇÃO VERDE BRASIL 1 (2019) APREENSÃO DE 23.491 M³ DE MADEIRA E DE UMA AERONAVE, 127 PRISÕES, MULTAS NO VALOR DE R$ 142 MILHÕES
- OPERAÇÃO BRASIL VERDE 2 (2021) APRENSÃO DE 506.136 M³ DE MADEIRA, 990 VEÍCULOS E TRATORES, 335 PRISÕES E MULTAS NO VALOR DE R$ 3 BILHÕES
TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO
- INICIADA EM 2007, RETOMADA EM 2019 E CONCLUÍDA EM 2021, COM 477 KM DE CANAIS
R$ 4,8 BILHÕES DE REAIS INVESTIDOS NESTE GOVERNO. 16 MILHÕES DE PESSOAS BENEFICIADAS (28% DA POPULAÇÃO DA REGIÃO NORDESTE)
- CONTRATAÇÃO DE OBRAS ACESSÓRIAS (NÃO PREVISTAS ANTES) COM CANAIS NOS ESTADOS DE ALAGOAS, PARAÍBA, REIO GRANDE DO NORTE, BAHIA, SERGIPE E CEARÁ
INFRAESTRUTURA (OBRAS FINALIZADAS)
- CONCLUSÃO DE OBRAS QUE ESTAVAM PARADAS HÁ MUITO TEMPO -
- NO RS, CONCLUSÃO DA PONTE DO GUAÍBA (APÓS 10 ANOS DO ANÚNCIO DA OBRA)
- BR-163: CONCLUSÃO DO TRECHO QUE LIGA O MATO GROSSO AO PARÁ (QUASE MEIO SÉCULO DE ESPERA POR ESSA OBRA) -
- TRANSPOSIÇÃO DO SÃO FRANCISCO: MAIS DE 13 ANOS PARADA (O SONHO VINHA DESDE O PERÍODO DO IMPÉRIO) - EM MG, PAVIMENTAÇÃO DE UM TRECHO DA BR-154, LIGA O CENTRO-OESTE E SUDESTE (50 ANOS DE ESPERA POR ESSA OBRA)
- CONCLUSÃO DA PONTE DO ABUNÃ (ACRE-RONDONIA) FIM DA INDÚSTRIA DAS BALSAS
- MAIS DE 40 OBRAS CONCLUÍDAS (MAIORIA ESTAVA PARADA EM GESTÕES ANTERIORES) MAIS DE R$ 179 BILHÕES DE INVESTIMENTOS EM RODOVIAS ATÉ 2023
- PROGRAMA PRO TRILHOS 76 REQUERIMENTOS PARA A CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO DE FERROVIAS MAIS DE R$ 224 BILHÕES EM INVESTIMENTOS
- MAIS 176 PROJETOS DE DESESTATIZAÇÃO NA CARTEIRA DE PROJETOS
AGRONEGÓCIO
+ DE 369 MIL TÍTULOS DE TERRAS ENTREGUES (VERDADEIRA REFORMA AGRÁRIA)
- A MÉDIA ANUAL DE VALOR PROGRAMADO NO PLANO SAFRA CRESCEU 21% NO PERÍODO DE 2019/20 A 2022/23 EM RELAÇÃO AO DE 2015/16 A 2018/19
- AS EXPORTAÇÕES PASSARAM DE R$ 68 BILHÕES EM 2018 PARA R$ 82 BILHÕES EM 2021 PLANO SAFRA (22/23) É 53% MAIOR QUE O VALOR DE 2018/19
- REALIZAÇÃO DE 148 LEILÕES ATÉ JUNHO/22 (35 PORTOS, 34 AEROPORTOS, 7 RODOVIAS, 6 FERROVIAS, 31 PROJETOS DE ENERGIA, ÓLEO, GÁS E MINERAÇÃO, 9 DE SANEAMENTO BÁSICO E MAIS 26 EM OUTRAS ÁREAS)
REDUÇÃO DE CARGOS, DE GASTOS E SUPERÁVIT DAS CONTAS
- ECONOMIA DE R$ 867 MILHÕES/ANO COM A REDUÇÃO DE CERCA DE 90 MIL CARGOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
+ DE R$ 14 BILHÕES DE SALDO (SUPERÁVIT PRIMÁRIO) EM JUNHO/22
- ECONOMIA DE R$ 644,5 MILHÕES EM GRANDES PATRICÍNIOS (SÓ COM CLUBES DE FUTEBOL A DESPESA ULTRAPASSAVA R$ 220 MILHÕES)
DESBUROCRATIZAÇÃO
- 7° PAÍS EM SERVIÇOS PÚBLICOS DIGITALIZADOS (BANCO MUNDIAL)
- 1° NAS AMÉRICAS (À FRENTE ATÉ DOS EUA E CANADÁ)
- MODERNIZAÇÃO DOS CARTÓRIOS – EMISSÃO DAS CERTIDÕES DIGITALIZADAS 75% DOS SERVIÇOS DO GOVERNO FEDERAL ESTÃO DIGITALIZADOS PARA ABRIR UMA EMPRESA HOJE, É NECESSÁRIO APENAS 1 DIA E MEIO.
Constituição federal brasileira: Carta Magna ou tapete de entrada? - 26/09/2022
Samir Keedi
Todos nós vivemos sabendo, ou acreditando, que uma Constituição era a Lei maior de um país. Aquela pela qual se guiam todas as demais Leis. E, claro, guiando governantes, governados, instituições, etc., para que um país seja governável e considerado civilizado.
Quando se olha para a Constituição dos Estados Unidos da América, cuja independência ocorreu em 1776, se vê que ainda é a única feita por eles. Sofreu algumas alterações, mas, poucas, e permanece única.
O Reino Unido nem tem uma constituição escrita. A sua Constituição é um conjunto de leis e princípios sob o qual o Reino é governado. Não é constituído de um único documento constitucional, como é normal. É, muitas vezes, dito que o país tem uma constituição "não escrita". A maior parte da constituição britânica existe na forma escrita de leis, jurisprudência, tratados e convenções.
E assim devem ou deveriam ser em todos os países. Mas, infelizmente, não é o que tem ocorrido no Brasil, que já teve várias Constituições. Sempre ao bel-prazer de governantes e congresso de plantão. Sempre sujeita a interesses individuais, quando deveria ser sobre interesses gerais, coletivos.
Pode-se dizer que aqui troca-se de Constituição como de camisa. Ou de governante. "Não gostei, vou trocar".
Já tivemos sete Constituições, começando com a de 1824. Depois, seguiram-se as de 1891, de 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988. Esta de 1988 está em morte lenta, ou já morreu.
No Império tivemos apenas uma, a de 1824. Depois, aos borbotões. A de 1891 foi uma troca justificável, já que houve mudança de sistema de governo, saindo do Império para República. Uma mudança lamentável, agravada também pela forma como se deu, pela tradição brasileira de fake news desde sempre.
Só no século XX tivemos cinco Constituições, sendo que de 1934 a 1946 tivemos três em 12 anos. Provavelmente um recorde mundial. Mais um recorde negativo, no qual somos pródigos.
E, agora, embora não convocada, nem tampouco anunciada ou discutida uma Assembleia Nacional Constituinte, já temos uma nova Constituição desde pelo menos 2016, a oitava. Que vem sendo criada aos poucos.
Todos agora se perguntarão, como assim, que Constituição é essa, quem a criou que ninguém conhece, a não ser este escritor?
Infelizmente todos conhecem, aceitaram, estão vivendo por ela, sem praticamente haver qualquer reclamação ou ação. A não ser simples reclamação de poucos dos 213 milhões de brasileiros. E, estranhamente, de poucos juristas, o que é, para dizer o mínimo, bem estranho.
Foi e está sendo criada pelo STF - Supremo Tribunal Federal, que com o impeachment da Presidente em 2016, começou a reescrever a de 1988. Começou fatiando-a, mantendo os direitos políticos que a Carta Magna, claramente, sem nenhuma possibilidade de interpretação diferente, manda cassar. Diferentemente do que ocorreu em 1992, em que o Presidente da época teve seus direitos políticos cassados por oito anos, como determinava a nossa ex-carta magna de 1988.
E, desde então, em que o STF se transformou no único poder no Brasil, legislando, executando e, até, nas horas vagas, "judiciando", já temos outra Constituição. E, em certos aspectos, lembrando a do Reino Unido, que não é escrita. Mas, esta, sem valor.
O STF está legislando a seu bel-prazer, reescrevendo, até por um único "juiz", nem sendo pelo colegiado. Ora um, ora outro. E, pior, que nem são juízes, pois sabemos que dos 11 ministros, apenas um realmente é juiz, tendo sido aprovado em concurso. Os demais, apenas advogados.
E, tudo isso, com o beneplácito do Congresso, que abdicou de seus deveres, amedrontado, em que agora, o que parece importar são apenas os cargo e salário. Concordando até com censura e prisões de seus pares, sem respeito pela livre expressão garantida pela Constituição anterior, a de 1988, que a maioria ainda acredita estar em vigor.
E esses privilegiados e ungidos, como acreditam, estão céleres, executando, determinando o que a figura maior do país, o Presidente da República, deve fazer ou não fazer. E, em prerrogativas exclusivas do presidente, como nomeações, política econômica, redução de impostos, execução da infraestrutura, viagens, reuniões, etc. etc. etc. E, também, da mesma forma, com o beneplácito do Congresso, juristas, povo brasileiro, etc. É bem verdade que o Presidente tem culpa. Não reagiu, deixou que o STF começasse a mandar, sem se impor, sendo ele a figura maior do País.
Assim, quem pode discordar de que há pelo menos seis anos está sendo reescrita esta nova Constituição? E apenas por uma ou poucas pessoas, que nem são representativas no país. Não foram eleitas, e cuja missão é única, constitucional, como foi desde 1824 até a Constituição de 1988, agonizando desde 2016. Apenas interpretar e julgar à Constituição.
Constituição já foi pisoteada de tudo quanto é maneira, inclusive com meios de comunicação oficiais e pessoais calados. Ou seja, a antiga constituição de 1988 e o que resta dela, foi e está sendo tratada como tapete de entrada, em que nela se limpa os pés.
Será que o Brasil acordará algum dia, ou continuará em seu sono profundo iniciado em 1492, ou 1822, ou 1989?
* O autor é jornalista (editor do blogdosamirkeedi.com.br) e empresário (ske consultoria ltda), titular da cadeira 4 da APH-Academia Paulista de História
ESG, sim, mas não esse - 22/09/2022
Alex Pipkin, PhD
Já escrevi bastante, inclusive sendo criticado por alguns (genuína liberdade de expressão!), referente à agenda do ESG - meio ambiente, social e de governança.
Evidente que não sou contrário a determinados temas dessa programática, no entanto, há muitos interesses de poucos envolvidos, muita ganância política e de grandes investidores, uma profusão de modismos contraproducentes e, especialmente, uma miscelânea de temáticas que, de fato, depõem contra a possibilidade de as empresas solucionarem os problemas efetivos dos consumidores e melhorarem, objetivamente, a vida das pessoas e das comunidades em que essas vivem.
É mais do que crucial enfatizar que a missão de uma organização é satisfazer os desejos e as necessidades dos consumidores, resolvendo seus problemas reais, o que em um mercado livre é sinalizado pelo alcance de uma lucratividade superior. O consumidor é o soberano.
Aliás, os velhinhos - e a velhinhas - investem suas aposentadorias na expectativa de ganharem dinheiro. Infelizmente, há muita manipulação ideológica por parte de intermediários, possuidores de interesses distintos dos poupadores. Para os pequenos investidores, sem retorno financeiro, “no dancing”! Eles ainda dançam?
O ESG, como muitos quiméricos e lúdicos aludem e confundem, não se trata exclusivamente de pautas relacionadas à sustentabilidade e as políticas de identidade, baseadas pesadamente no binômio raça e gênero. Vive-se a era “progressista” da sinalização de virtudes e dos esteriótipos! Crenças são crenças.
A preservação do meio ambiente é um imperativo. No entanto, sem meios financeiros agora, demandas utópicas em relação ao futuro podem ser desastrosas no tempo presente, trazendo pobreza, desemprego, fome e morte. A crise energética na Europa com a proximidade do inverno mandou para longe as metas relativas ao carbono. E as usinas termelétricas queimarão todo o carvão necessário.
Nesse quesito, é essencial lembrar que a vasta maioria do “bicho homem” pensa e factualmente necessita viver dentro de uma lógica de curto prazo.
No que se refere às políticas de raça/cor e gênero, evidentemente que essas foram apropriadas pela politicagem. Inclusão e diversidade tocam igualmente jovens da periferia, idosos, indivíduos de outras etnias, deficientes, enfim, algo para muito além da “indústria da diversidade”, que notadamente tem criado rachas sociais e preconceitos em relação aos “vilões racistas”, homens, brancos, heterossexuais…
O ativismo social, verdadeiramente político, pouco ou nada faz em relação a uma questão fundamental do ESG, ou seja, a criação de empregos, sobretudo, melhores e mais bem remunerados. A solução? Crescimento.
Não me parece que exista a pressão necessária para aliviar o peso do Estado das costas dos criadores de riqueza, as pessoas e as empresas.
Pelo contrário, a grita é por impostos corporativos mais altos, mais taxação ao empreendedorismo, mais intervencionismo e burocracia estatal, a fim de sustentar seus burocratas e o compadrio, e a sempre presente educação, quando se sabe, comprovadamente, que o problema não são os investimentos no ensino, mas o atual e fracassado modelo tupiniquim.
Qualquer discussão racional e não ideológica, contempla a ideia de que é vital o crescimento e o aumento da produtividade, até mesmo para que as pautas inteligentes do ESG avancem objetivamente.
Para gerar mais empregos, renda e riqueza, para as pessoas e para os pequenos acionistas, precisa-se de níveis justos de tributação, regulamentação sensata, e políticas que incentivem o empreendedorismo verde-amarelo.
Quase todos são dotados de altruísmo e de impulsos morais a fim de contribuir e criar um mundo melhor e/ou, se preferirem, de “salvar o mundo”. Porém, há uma linha lógica que separa o utópico da realidade.
Propósito empresarial é importante e edificante, com lucro.
As empresas existem, e se manterão no mercado de forma sustentável, com o atingimento de rentabilidade superior, por meio da satisfação das necessidades e da oferta da melhor - e inovadora - solução para os problemas das pessoas.
Portanto, para o bem da sociedade, penso que chegou a hora de ajustes finos e lúcidos nas pautas do ESG.
O que se vê e o que não se vê - 13/09/2022
Bruno Rigamonti Gomes
Uma teoria popular conhecida como efeito borboleta postula a ideia de que o simples bater de asas de uma borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, eventualmente, provocar um tufão do outro lado do mundo. Pode-se inferir, a partir desta teoria, que uma determinada ação possui efeitos de primeira ordem, que decorrem diretamente do nexo causal entre eles e, por conseguinte, que os efeitos tornam-se ações para consequências futuras de incontáveis ordens. Em resumo, ao tomar uma determinada ação, como resultado, existe o que se vê (manifesta-se imediatamente) e o que não se vê (desdobra-se em sucessão).
O autor Frédéric Bastiat discorre sobre as relações entre causas e efeitos no campo da economia de modo claro e objetivo à medida em que exemplifica, em diversos setores, como atos ditos benéficos para a sociedade, via de regra tomados por força de lei, possuem danos inimagináveis a médio e longo prazos. A incapacidade do ser humano de prever os possíveis cenários futuros faz com que se privilegie os impactos imediatos de suas atitudes, apenas o que é visível, sendo que os que são invisíveis à primeira vista podem ser devastadores no porvir.
A primeira demonstração feita por Bastiat nesta obra está no capítulo “a janela quebrada”. Imagine que o filho de um indivíduo, ao chutar uma bola, quebre a janela de vidro do vizinho. Certamente o pai não ficará muito feliz em ter que ressarcir o morador ao lado. Entretanto, neste contexto, pode surgir o seguinte levantamento: “há males que vêm para o bem. Todos vão viver e o que seria dos vidraceiros se painéis de vidros nunca fossem quebrados?”.
O questionamento acima é apenas um indício de algo muito profundo enraizado em nossa sociedade há alguns séculos: quebrar janelas, metaforicamente, seria uma forma de fazer circular dinheiro, e que o incentivo da indústria em geral será o resultado disso, logo, algo bom para todos.
Ocorre que, se pararmos nossa análise restritivamente ao que é visto, o vidraceiro faria uma nova venda e poderia girar a economia com o valor em questão, todavia, deixaríamos de lado tudo aquilo que não é visto. O dinheiro que o pai gastou para realizar o reparo da casa adjacente não poderá ser gasto em nenhuma outra coisa. Portanto, se ele quisesse comprar um novo par de sapatos ou um livro de sua preferência, agora já não poderia.
Supondo que a janela se quebrou e que a única quantia que o indivíduo possuía fosse apenas o suficiente para comprar um novo vidro, ele ficaria apenas com este objeto. Em um outro cenário com a janela intacta, o indivíduo teria o vidro e poderia gastar com quaisquer outros itens de sua escolha. Assim, podemos inferir que a sociedade perde o valor das coisas que são inutilmente destruídas.
Ao tratar sobre impostos, é interessante observar uma outra falácia comum em discussões sobre “dinheiro público”: o que é existe é o dinheiro do pagador de impostos.
Há quem diga que “impostos são o melhor investimento, e que sustenta diversas famílias, sendo, portanto, um fluxo inesgotável, sendo a própria vida”. Todavia, o que não se percebe é que,quando um funcionário público gasta o dinheiro captado pela via de impostos, o contribuinte deixa de gastar esta quantia porque foi impedido de manter em sua posse tal recurso.
Em seu livro intitulado “A Lei”, Bastiat traz um termo que se conecta diretamente com o capítulo em questão: a espoliação legalizada. Isso quer dizer que o cidadão comum que paga impostos, é espoliado legalmente à força, não havendo alternativas a não ser abdicar de parte de sua renda e patrimônio para financiar a máquina estatal. Dizer que isso é importante para manter os gastos que beneficiam o próprio cidadão somente faria sentido caso os serviços que retornassem para o indivíduo custassem exatamente o mesmo que custariam se ele os fosse contratar isoladamente. Entretanto, este cenário só seria favorável se o cidadão decidisse contratar estritamente os mesmos serviços ao qual teve acesso com o dito dinheiro público.
Essas premissas aplicam-se também para obras públicas, tema que o autor explora na sequência. Bastiat afirma, categoricamente, que mais vale a organização proativa de um grupo de indivíduos para construir estradas e edifícios com dinheiro próprio do que serem obrigados a contribuir na construção de pavimentos que ninguém quer passar ou palácios que ninguém irá habitar. O cerne da questão está na liberdade de decisão que cada cidadão deveria ter se, porventura, não fosse obrigado a custear as atividades de setores públicos.
Frédéric Bastiat afirma que “a sociedade é o total dos serviços forçados ou voluntários que os homens realizam uns pelos outros; isto é, de serviços públicos e serviços privados”. Observemos, assim, os desdobramentos dos serviços públicos: atualmente existem, no Brasil,diversos servidores públicos com cargos considerados obsoletos, cujas funções não agregam valor à sociedade e, muito menos, justificam a destinação de recursos auferidos dos contribuintes. Ora, legalmente, por conseguinte, há uma inutilização tamanha de riqueza que poderia ser empregada no setor privado com maior eficiência, o que geraria prosperidade para a sociedade. Desse modo, é possível dizer que essa transferência de recursos não é relevante para o bem comum, muito menos movimenta a economia, sendo, simplesmente, um deslocamento de bens para aqueles que não os produziram.
Em uma sociedade ideal, privilegia-se o livre mercado, a autonomia dos geradores de bens e serviços em decidirem a melhor alocação de seus lucros e a garantia da melhora do padrão médio de vida como resultado dessa abordagem de mercado. Aqueles que interagem em uma cadeia produtiva, por exemplo, desde o produtor rural, os transportadores, os armazenadores, os manuseadores e os consumidores, todos esses têm em vista o benefício individual, mantendo relações claras sobre os motivos para as realizações de trocas entre si, gerando valor em cada inter-relação dessa rede hipotética.
Similarmente, podemos trazer à tona o que o autor aborda sobre crédito. Quando há interferência do governo nos critérios utilizados para se fornecer crédito às pessoas, deixando de lado as características que garantiriam que a figura do emprestador conseguiria receber de volta os recursos emprestados a algum mutuário para passar a emprestar para pessoas sem histórico positivo, ou que estejam em dificuldades e não ofereçam quaisquer garantias de devolução dos recursos emprestados, há um grande risco de que haja um aumento considerável na inadimplência, fazendo com que haja o encarecimento das taxas para eventuais novas captações de recursos, o que prejudicaria todos os novos empreendimentos que adviriam do acesso a capital mais barato.
Intervir em quem pode ter acesso a capital para privilegiar quem não tem boa reputação é um grande risco de levar todo o sistema financeiro a um colapso, a considerar o que aconteceu com a crise dos subprimes nos EUA no ano de 2008, quando havia muita liquidez nos mercados sem as devidas garantias atreladas.
O que muito se vê, hoje em dia, são visões de curto prazo para medidas tomadas por pessoas que ocupam cargos de poder. O que não se vê são indivíduos com a capacidade de previdência para entender que, aquilo que decorre após as consequências imediatas de ações, muitas vezes criam um problema maior do que o existente inicialmente, gerando mais caos do que soluções definitivas. A obra de Bastiat, ainda que relativamente curta, tem a capacidade de trazer pontos de reflexão que vão muito além do que os olhos pouco treinados conseguem visualizar,sendo, assim, uma luz no fim do túnel para aqueles que enxergam que é possível transformar a realidade em que nos encontramos por meio de atitudes que levem em consideração o longo prazo, ainda que seja necessário ter um curto prazo mais restrito, mas que, por fim, se tenham bons resultados perenes para todos.
* Bruno Rigamonti Gomes é Associado II do Instituto Líderes do Amanhã.
** Reproduzido do site do Instituto Liberal, em https://www.institutoliberal.org.br/blog/o-que-se-ve-e-o-que-nao-se-ve-2/
Eleição pelas liberdades - 07/09/2022
Alex Pipkin, PhD
Por que o presidente Bolsonaro deveria ganhar as eleições?
Elementar, meu caro Watson, é a liberdade!
Muito embora desde o início de seu governo, como nunca antes visto na história desse país, a “grande mídia” o persiga, desejando estampá-lo no selo de autoritário, de racista, de misógino, e por aí afora, os fatos corroboram que o PR, de fato, é o único realmente defensor das liberdades, individual e econômica.
Vivemos tempos de exceção, em que semideuses do STF e outros politiqueiros interessados arrotam senhas, tais como “democracia e Estado de Direito”, quando genuinamente alguns tiranetes da Suprema Corte surrupiaram a liberdade de ir e vir e de trabalhar para sobreviver durante a pandemia, e mais aterrorizantemente, a essencial e libertadora liberdade de pensamento e expressão.
Sem o devido processo legal, com base em narrativas patéticas, empresários criadores de riqueza são investigados, parlamentares são presos, e jornalistas de um espectro ideológico são censurados e proibidos de exercerem suas profissões. Em que lugar chegamos?!
Atualmente, só existe a “verdade” decretada pelos ministros do STF, isso é democracia e Estado de Direito?
Pois distintamente do ex-presidiário, “descondenado” por essa mesma corte, o PR tem se insurgido contra tais notórios abusos, sendo ele taxado de antidemocrático e autoritário.
Na economia, enquanto a turma esquerdista do beautiful people quer o coletivismo, que não deu nem dará certo em lugar algum, com o correspondente aumento do já mastodôntico e ineficiente Estado brasileiro, embora ainda de forma tímida, o PR verbaliza e implementa iniciativas para tirar o Estado das costas dos criadores de riqueza: pessoas e empresas.
O que comprovadamente foi testado e traz a prosperidade, é deixar as pessoas produzirem, mais livres para criarem e inovarem, com menos intervencionismo estatal. Ideias - e interesses - impostas de cima, de “mentes superiores”, estão fadadas ao fracasso.
O crescimento econômico e social não pode ser decretado por meio de uma canetada, é somente com as liberdades individual e econômica que o real e sustentável crescimento acontece.
É transparente que o PR Bolsonaro tem lutado para que o setor privado lidere, por meio da criação de um ambiente econômico mais favorável, gerando mais empregos e riqueza para todos.
Mais uma vez, é necessário enfatizar que o Estado não cria riqueza, assim, somente com os indivíduos produzindo e pagando impostos é que é possível o fornecimento de serviços públicos - de qualidade.
Não é mais admissível o populismo e a procrastinação em políticas que sempre são malsucedidas, com o protagonismo do Estado em desfavor das pessoas.
O crescimento advém de deixar as pessoas mais livres, sendo tributadas de uma maneira menor e mais justa, com menos intervencionismo destruidor, e com políticas que incentivem o empreendedorismo e a atividade econômica.
Qualquer sujeito com discernimento e um pouco de conhecimento econômico sabe, com apoio em fatos e dados relativos ao conjunto da obra petista, em que situação o coletivismo e as políticas nacional-desenvolvimentistas irão desembocar.
Estado grande e ineficiente, intervencionismo gigantesco, compadrio e ativismo judicial e político são as verdadeiras pestes verde-amarelas.
Bolsonaro e sua equipe, mesmo com as limitações internas e impostas, sabem que a prosperidade do país depende da redução do nefasto intervencionismo estatal, e é uma consequência da redução dos decretos, em favor das liberdades econômica e individual. Na esfera econômica, a China comprovou isto.
A composição atual do STF, declaradamente, quer outra coisa. A turma da “justiça” deseja cercear o uso da bandeira verde-amarela, piada mais do que indigesta.
O ex-presidiário, por sua vez, quer mais estatais, banir o teto de gastos para a farra com o dinheiro público e, “democraticamente”, regular a mídia, não é preciso aprofundar…
Pelas VITAIS LIBERDADES que o “autoritário” Bolsonaro deveria ser reeleito, pela defesa da singularidade do indivíduo, ao invés do abstrato coletivo.
Deveria, porém, isso depende do voto popular, num país iletrado e afeito ao populismo.
Reflexões pós-modernas – o mundo insuportável de quem precisa de uma causa - 03/09/2022
Bernardo Guimarães Ribeiro
Essa semana, enquanto esperava os meninos na escola, ouvi no rádio uma música que me chamou a atenção, tanto pela linda voz, como pela melodia. Como gosto muito de Soul, acionei um app que tenho no celular de pesquisa musical e vi que se tratava de um dueto, sendo uma das cantoras a revelação Agnes Nunes. Rapidamente, então, fui ver de quem se tratava, qual minha surpresa em ler que a jovem cantora se declarava representante dos nordestinos e dos negros (https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/04/29/mulher-negra-e-nordestina-agnes-nunes-a-nova-xodo-da-musica-brasileira.htm). A outra cantora do dueto era nada menos que Ivete Sangalo, hoje uma notória militante do movimento LGBT (https://vejasp.abril.com.br/coluna/pop/ivete-sangalo-se-posiciona-sobre-criminalizacao-da-homofobia-e-divide-fas/), mas que não foi poupada pelos próprios fãs ao abster-se de posicionamento nas eleições presidenciais de 2018 (https://veja.abril.com.br/cultura/ivete-sangalo-fala-sobre-politica-e-famosos-e-um-direito-nao-um-dever/).
A recente morte de Marília Mendonça chocou o Brasil pela prematuridade e por ter ela deixado um filho pequeno, mas grande parte das informações noticiadas à época do acidente foram direcionadas para a explicação da sua importância para o empoderamento feminino e até contra a gordofobia!!! Não sei se de forma deliberada ou não, mas referida cantora foi identificada como representante feminista e de pessoas gordas. Como ela acabou encampando o ativismo, foi criticada ao perder peso (https://claudia.abril.com.br/famosos/marilia-mendonca-perda-peso-criticada/) e quase cancelada ao não se posicionar publicamente contra um participante do “erudito” BBB (https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2021/04/marilia-mendonca-apos-hate-na-web-por-bbb21-fazia-tempo-que-nao-chorava-tanto.html).
Num recente Miss Universo – o último que vi – as manifestações das modelos trilhavam sempre a lógica politicamente correta e o engajamento em alguma causa. A relevância atribuída à militância era nítida, tudo em detrimento do verdadeiro motivo do concurso, qual seja a beleza da mulher. Havia modelos feministas, ambientalistas, LGBTistas, antirracistas e tudo mais que pudesse gerar exibicionismo moral. Nada contra a que mulheres exibam todo o seu cardápio de militância política, mas talvez fosse mais razoável criar um Miss Politicamente Correta!
O saldo final desse caldeirão de excrescências é que a celebridade pós-moderna tanto capitaliza sobre as agendas de minorias, angariando novos admiradores, como delas também se torna refém. Ou seja, o exibicionismo moral agrega, mas cobra seu preço – o ídolo passa a ser pautado pelos seguidores, isto é, teleguiado por alguma minoria que representa. Assim, o artista não é mais um farol para a sociedade; ele é um mero vagão, cuja locomotiva implacável é guiada por seu público ativista. Um exemplo claro disso ocorre com a atriz Marina Ruy Barbosa, sempre obrigada a se explicar perante os fãs que a guiam como um timoneiro à embarcação. Mencionada atriz foi criticada por uma ONG ao aparecer numa fotografia com um cachorro da raça Beagle, o que fora enquadrado como uma espécie de racismo animal (???), tendo que se justificar pela falha (https://www.purepeople.com.br/noticia/marina-ruy-barbosa-posa-com-cachorro-de-raca-e-responde-critica-mais-amor_a155085/1) e, mais recentemente, precisou se explicar por ter feito uma festa de aniversário durante a pandemia (https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/07/4936029-marina-ruy-barbosa-sobre-festa-de-aniversario-eu-nao-sou-perfeita.html).
Em paralelo a isso, com o incremento das redes sociais, temos um novo fenômeno ao qual denomino de carteirada por prestígio. Celebridades – e subcelebridades com elevada autoestima – são instadas a manifestar-se sobre qualquer discussão do momento, mesmo que não tenham o menor conhecimento do objeto. O palpiteiro vê-se obrigado a opinar nos mais variados assuntos do momento, de atracamento de navio a acasalamento de muriçocas. Logicamente, o posicionamento segue sempre a manada, visando a fornecer àquela posição um ar de credibilidade com o repaginado “sabe com quem está falando?”. Recentemente, o deputado Alessandro Molón participou de uma live (https://www.youtube.com/watch?v=JCeDLBOFXH8) com a funkeira e especialista em todas especialidades, Anitta, que, dentre as inúmeras pérolas, disse estar surpresa por existir no Brasil “mais cabeça de gado que cabeça de pessoa”. A ideia subjacente de quem explora o prestígio alheio é a de que pessoas ignorantes pensem: “olha, você viu o que a Anitta disse sobre o peido das vacas ser muito poluente”? Anitta declarou recentemente que daria um tempo nos comentários políticos; nós agradecemos!
Como não há nada tão ruim que não possa piorar, os palpiteiros profissionais encontraram uma fórmula pra lá de criativa de constranger outras celebridades a opinarem no sentido do que desejam. Através do chamado desafio, um provoca o outro na intenção de engrossar o coro em direção a alguma opinião. O constrangimento é inexorável, pois eventual silêncio é sempre interpretado como a assunção de uma opinião contrária à finalidade da provocação, o que não pega tão bem para a opinião pública. Esse fenômeno sucedeu com a própria Ivete Sangalo e também com Cláudia Leitte, quando desafiadas por – de novo ela – Anitta (https://www.hypeness.com.br/2018/09/anitta-adere-ao-movimento-elenao-e-desafia-ivete-sangalo-e-clauda-leitte/).
A consequência da adoção obrigatória de uma causa como bengala moral é o paradoxo da desumanização a pretexto da exibição de virtudes humanitárias. Uma pessoa é sempre um ser humano único, com suas qualidades, mas também com inúmeras imperfeições. A obrigatoriedade de ter uma causa a tiracolo para chamar de sua desloca os holofotes do objeto para o sujeito. À condição de indivíduo foram adicionados anexos sem os quais ele não é mais nada. É sobretudo por isso que o status pessoal passou a ser condicionado à agenda dos fãs censores. O cantor não é mais reconhecido pela sua música ou letra, mas pelo trabalho social ou ativismo ideológico que porventura desenvolva. Ao atleta não basta ser bom no esporte; ele tem que ser engagé. O ator não presta se não for aquele enfronhado na militância de algum partido que se oponha ao mal, mesmo que sequer se saiba o que é isso. Até o programa televisivo mais culturalmente underground, como o BBB, hoje tem seus participantes como diletos representantes de algum grupo!
Na pós-modernidade, nem mesmo cidadãos comuns e anônimos escapam à força gravitacional da afetação de virtudes. Todos querem representar algo ou alguém e ninguém quer ser o patinho feio sem causa. Se você não tem algo genuíno que se identifique, não tem problema, pois há todo um mercado emergente de temas, principalmente de hiperestimulação de ressentimentos e de gênese de novas minorias “oprimidas”. Encerro, pois, parafraseando o comercial oitentista do Neston: “existem mil maneiras de ter uma causa, invente uma”.
* Maravilhoso, este artigo publicado originalmente pelo Burke Instituto Conservador.
** O autor é escritor, autor de várias obras, entre as quais “Nadando contra a corrente”, sócio fundador do Burke Instituto Conservador.
A Princesa Leopoldina e a Independência do Brasil - 02/09/2022
Manoel Soriano Neto
Salve 2 de setembro de 1822!
(Breves Considerações de Memorabília)
A Arquiduquesa de Áustria, Carolina Josefa Leopoldina Francisca Fernanda Beatriz de Habsburgo-Lorena, ou mais simplesmente, Princesa Maria Leopoldina, foi a primeira esposa de Dom Pedro I. O casal teve sete filhos, entre eles, Dom Pedro II. A Princesa, portanto, em linguagem moderna, seria a "primeira primeira-dama de nosso País" e, historicamente, a "Primeira Imperatriz do Novo Mundo"! Ela era filha do Imperador da Áustria, Francisco I, e aos 20 anos, em 1817 (já casada por procuração, desde maio, com Dom Pedro), veio para o Brasil, país que passou a amar, intensamente, como nos dão conta historiadores de tomo. Por relevante, diga-se que Francisco I foi quem negociou junto à coligação Portugal-Inglaterra, em 1825, os termos de nossa Independência, evitando, destarte, que esses dois países interviessem militarmente no Brasil recém-liberto, à custa, infelizmente, de muitas libras esterlinas que, para tal, tivemos de pagar; porém livramo-nos de uma guerra de consequências imprevisíveis, que já planejava a dita coligação. Aliás, Francisco I nada mais fez do que atender um pedido de sua filha, eis que a Princesa, em abril de 1823, escrevera uma carta a seu pai, em que declarava devotado amor pela nova Pátria, não mais Colônia portuguesa, e rogava o seu apoio, ou, pelo menos, a sua neutralidade, para com a nossa emancipação política...
E mais: Francisco I, atendendo a mais um pedido da filha, foi o grande fautor da vinda de alemães e austríacos para o Brasil – a primeira das grandes imigrações, ocorrida a partir de 1824 (o nome da colônia alemã de São Leopoldo, hoje cidade do RS, foi uma homenagem à Princesa). Já adiantamos que a cor heráldica da Casa dos Habsburgo-Lorena, uma das mais tradicionais dinastias europeias, era o amarelo-ouro, como o verde era a da Casa Portuguesa dos Bragança. Em face, pois, da união de Pedro e Leopoldina, as cores oficiais do Brasil, hoje, são o verde e o amarelo, sendo errônea, histórica e heraldicamente, a interpretação popular e lírica para elas, que evoca as nossas matas e as riquezas minerais, como o ouro: entretanto, mesmo equivocado, esse entendimento é válido também, em nosso sentir, pois robustece o sentimento patriótico. Anote-se que Dom Pedro era o Duque de Bragança, futuro Dom Pedro I, do Brasil, e futuro Dom Pedro IV, de Portugal, cognominado de "O Rei-Soldado". Desafortunadamente, máxime na atualidade, tais fatos são pouco conhecidos e divulgados. Mas quando se vê manifestações-monstro em que imensas quantidades de bandeiras nacionais são empunhadas; além de nas roupas de milhões de participantes predominarem as cores nacionais (concebidas por Debret, como abordaremos ao depois), assim como, de há muito, nas camisas "canarinho" de nossas seleções de futebol (penta campeã mundial), de voleibol, de basquetebol etc., deveríamos proceder a uma visada-a-ré, na relembrança da origem desse cromatismo histórico... Para tanto, é preciso aduzir-se, por ilustração e em apertada síntese, alguns registros básicos relativos a duas de nossas Bandeiras Históricas: a do 'Reino do Brasil' e a do 'Império do Brasil' e tecer sumárias considerações a respeito dos primitivos Lábaros e Bandeiras da humanidade.
Conta-nos a História da Antiguidade Clássica que o Imperador romano Constantino I, quando de uma de suas batalhas, viu no céu uma grande cruz com uma legenda "In Hoc Signo Vinces", cuja tradução vulgar é: "Com este sinal, vencerás". Daí para frente, as tropas das legiões romanas passaram a conduzir em seus estandartes ou bandeiras, o desenho da Cruz de Cristo. A esses estandartes (bandeiras ou lábaros) chamavam de "vexilos", sendo o seu condutor, o "vexilário" (porta-bandeira, hodiernamente). O costume foi transmitido às diversas tropas de todo o mundo, sendo a Bandeira, uma anímica motivação de estímulo, de incentivo, para os combatentes; era um gravíssimo ultraje ao pundonor militar, o inimigo capturá-la nos campos de batalha.
Segundo José Wasth Rodrigues, in "Dicionário Histórico-Militar" (são 86 volumes ilustrados!!), "vexilo", s. m., era a bandeira dos exércitos romanos e o pavilhão dos navios. Existiram entre os romanos, diversas insígnias deste gênero, que distinguiram a coorte, o manípulo etc., e que eram o "signum", a "flamula" e o "labarum". Quando do retorno vitorioso dos generais legionários à "Roma Quadrata", eles eram homenageados pelas multidões, com uma profusão de lábaros, pendões, flâmulas, guirlandas, guiões, estandartes, galhardetes, trombetas, cornetas, bombos e tambores, em indescritível espetáculo de exaltação patriótica. Contudo, enquanto os vitoriosos eram aclamados em apoteóticos desfiles, por determinação dos césares, um escravo os acompanhava, e, de tempos em tempos, lhes diziam: "Lembra-te de que és mortal"... Mas para concluir este já longo parêntese, não custa recordar, em relação à importância das bandeiras nacionais, de nosso 'Brasil real e profundo'. Quem já não ouviu, a velha e tradicional cantiga de roda, que vem dos tempos imperiais, "Marcha Soldado, Cabeça de Papel", que resistiu às brumas do esquecimento e nunca é demais rememorá-la:
"Marcha Soldado
Cabeça de Papel
Se não marchar direito
Vai preso no quartel.
O quartel pegou fogo
Pai Francisco deu sinal,
Acode, acode, acode,
A Bandeira Nacional!".
Entre 1820-1821, Dom João VI - "O Fundador do Brasil-Nação" – na iminência de ser destronado pelas Cortes de Portugal, com aguda sagacidade, imaginou criar uma Bandeira para o "Reino do Brasil", ainda integrante, desde 1815, do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Então, a encomendou ao notável pintor francês Jean Baptiste Debret. Eis a descrição heráldica do novo Pavilhão, segundo Gustavo Barroso: "Em campo verde, um losango amarelo, em cujo centro, um círculo de 19 estrelas sob uma coroa real, sendo maior a estrela logo abaixo desta; rodeia a esfera armilar com a cruz da Ordem de Cristo, sustida por dois ramos, um de cana e outro de fumo, unidos na parte inferior, por um dragão, tudo de verde". Eis a verdadeira origem de nossas cores - o verde e o amarelo - concepção, repetimos, de Debret.
Mas o Brasil se fez independente, em 1822, e urgia que fosse criada outra Bandeira Histórica - a do Império do Brasil. Então, o Príncipe Dom Pedro recorreu ao mesmo pintor Debret, já conhecido desde os tempos de Dom João VI, que confeccionou a nova Bandeira, com pequenas modificações em ao seu projeto anterior. Houve também a participação de outro pintor francês, Félix Emílio Taunay, da Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro. A cor do escudo, v.g., foi mudada de vermelho, que era a cor do brasão português, para verde. E tudo se compaginou, para felicidade nossa! Juntaram-se, no novel Pavilhão, as cores principais: o verde da Casa de Bragança, de Dom Pedro, e o amarelo, da Casa de Habsburgo-Lorena, da Princesa - depois Imperatriz Leopoldina, a partir de 1824, quando o Príncipe passou a ser o Imperador Dom Pedro I. Havia, como na Bandeira anterior, um losango de coloração dourada; e 'losango', nos Vocabulários Heráldicos, significa 'lisonja', ou seja, uma lisonja, uma honorificência, aos Habsburgos-Lorena, melhor especificando e consonante a interpretação de historiadores de nomeada, à Princesa Leopoldina! Uma curiosidade: em 10 de novembro de 1822, houve a Solenidade católica da bênção de vários exemplares da nova Bandeira, sendo o primeiro desses Símbolos Nacionais, entregue, com honras e circunstâncias, ao Alferes do Batalhão do Imperador, Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias e Patrono do Exército Brasileiro...
Leopoldina era uma mulher extraordinária! Era dotada de um sesquipedal repertório de poliédrica cultura. Poliglota, ela falava, lia, escrevia e traduzia várias línguas, como o alemão, o inglês, o francês, o italiano, o português e até o antigo latim (esse devotamento ao estudo de idiomas foi transmitido, por certo, como bagagem heredobiológica, para seu filho, o nosso Dom Pedro II). Dona Leopoldina era uma exímia pianista e também pintava, tendo trazido ao Brasil, em sua airosa comitiva, intelectuais, pintores, músicos, botânicos, médicos, cientistas etc., etc.
Em agosto de 1822, o Príncipe Regente se dirige à província de São Paulo, a fim de debelar uma rebelião e nomeia a Princesa, 'Regente-Interina do Brasil' e 'Chefe do Conselho de Estado'. À chegada de insolente correspondência das Cortes portuguesas informando que seriam enviadas tropas para forçar o retorno de Dom Pedro, a resoluta Princesa-Regente não trepida em convocar, em caráter de urgência, o Conselho de Estado. E na manhã de 2 de setembro assina um decreto em que declara a separação entre o Brasil e Portugal, que contou com o apoio do dito Conselho de Estado e de seu Ministro do Reino e Negócios Estrangeiros, José Bonifácio de Andrada e Silva ("O Patriarca da Independência"). E neste mesmo 2 de setembro, determina que o mensageiro Paulo Bregaro vá, a toda brida, para São Paulo, para entregar a Dom Pedro, uma carta de sua autoria e outra de José Bonifácio. Era 7 de setembro de 1822 e o Príncipe encontrava-se às margens do riacho Ipiranga, com uma indisposição intestinal. Sua Alteza ao ler as missivas, revoltado e furioso, as rasga, amarrota e pisoteia, rompendo, em definitivo, com Portugal. Realce-se que este ato foi apenas de coonestação do decreto de cinco dias antes, da Regente-Interina, a Princesa Leopoldina! Deram-lhe o cognome de "Madrinha da Independência do Brasil". Todavia, ela foi muito mais do que isso, porquanto o Brasil já estava, por ela, formalmente emancipado do jugo português, repita-se, em 2 de setembro de 1822. Leopoldina, por seu protagonismo, não foi, portanto, um personagem meramente coadjuvante, secundário, em nossa Independência, como preleciona uma mal concebida e contada historiografia nacional... A respeito do ato de Dom Pedro, seguido do "heroico brado retumbante" do Ipiranga, na tarde de 7 de setembro, cumpre citar o ministro do STF, José Antônio Dias Toffoli, em seu brilhante artigo "A mulher que decretou a Independência do Brasil" (Folha de São Paulo, 8 de março de 2020, "Dia da Mulher"): Citação - "Ato meramente declaratório. O decreto, ato formal, foi de Leopoldina, cinco dias antes". - Fim da Citação (o destaque é nosso).
Daí para frente, o Brasil se manteve uno, indivisível e monolítico, diferentemente dos países republicanos em seu derredor, pois manteve o projeto de Estado monárquico-constitucional, em vigor, desde Dom João VI. Quanto a isso, assim se manifestou o ministro Dias Toffoli, no artigo linhas atrás referenciado: "A Constituição Imperial, de 25 de março de 1824, manteve-se na linha da ruptura com continuidade. Inovou, acrescentando um quarto Poder, o Moderador, à tríplice repartição de Montesquieu.
Sou propenso a acreditar que esse quarto Poder, que assegurou um longo período de estabilidade institucional sob dom Pedro 2°, deveu-se à influência da imperatriz, que sabia conciliar modernidade com tradição, ruptura com continuidade".
Aqui cabe uma brevíssima abordagem acerca do episódio do "Grito do Ipiranga" - o "Independência ou Morte"! Tal episódio carece de estudos mais aprofundados quanto à realidade fática, o que certamente ocorrerá, à aproximação do bicentenário da Independência. Há três narrativas referentes às palavras de Dom Pedro, na memorável ocasião: a do padre Belchior Pinheiro, partícipe da comitiva; a do Capitão-Mor Manuel Marcondes, 2° comandante-interino da Guarda de Honra do Príncipe (os "Dragões da Independência") e a do tenente Canto e Melo, ajudante-de-ordens de Dom Pedro, declaração esta registrada bem mais tarde. Prevaleceu, "ad perpetuam rei memoriam", a versão do tenente, "ipsis litteris": "Após Dom Pedro ter lido a correspondência e após breve reflexão, bradou: É tempo! Independência ou Morte! Estamos separados de Portugal!" (demos destaque). Aduza-se que as duas outras versões não citam o brado de "Independência ou Morte!". E a gigantesca tela de Pedro Américo (que nem era nascido quando da proclamação da Independência), exposta na parede da primeira sala do Museu do Ipiranga (SP) e pintada em 1888, também é uma belíssima licença artística, fruto da imaginação criadora do grande pintor paraibano, eis que as cenas não ocorreram como constam na portentosa obra. Mas essas patrióticas e mesmo que romanceadas mitificações servem, até hoje, para exacerbar o patriotismo e a nossa brasilidade!! Hosanas!!
Dona Leopoldina (este era um dos vários nomes batismais por ela escolhido, para ser conhecida) acrescentou a 'Leopoldina', o prenome de 'Maria', passando a ser a Princesa, depois Imperatriz Maria Leopoldina do Brasil. Foi assim que ela assinou a nossa primeira Constituição, de 1824, sendo, para gáudio nosso, a "Primeira Imperatriz do Novo Mundo", o que tornamos a assinalar. Há algumas versões, uma delas popular, quiçá fantasiosa, quanto ao acréscimo 'Maria'. A propósito, afirmam conspícuos historiadores, que na viagem para o Brasil, ela já usava o citado prenome, no trato de negócios particulares. Porém, nos parece a mais razoável explicação, a de que isso ocorreu em vista de sua grande devoção à Virgem Maria; ou uma homenagem a Portugal, eis que todas as infantas portuguesas daquela época ostentavam o nome de 'Maria'.
A jovem Princesa foi infeliz em seu matrimônio, à exceção dos dois primeiros anos. O seu casamento passou a ser uma sensaboria só, devido, principalmente, à infidelidade de Dom Pedro I, amante da Marquesa de Santos. Mas este é um assunto assaz abordado por seus biógrafos e não é intuito deste escrevedor aprofundar-se no mesmo. O nosso trabalho é um simples e incompleto epítome acerca da fundamental atuação da Imperatriz Leopoldina com o processo da Independência da Pátria, conforme o seu título explicita, a par de enfoques ilustrativos e conexos ao tema.
Em 11 de dezembro de 1826, aos 29 anos, vem a falecer, em decorrência de complicações de um parto, a Imperatriz Maria Leopoldina. No venerável mausoléu do majestático "Monumento à Independência", também chamado de "Monumento do Ipiranga" ou "Altar da Pátria", no Parque da Independência, na Colina do Ipiranga, na cidade de São Paulo, encontram-se os restos mortais do Imperador Dom Pedro I, ladeados pelos de suas duas esposas: as Imperatrizes Maria Leopoldina e Amélia de Leuchtenberg.
Eia, pois!! Honra e Glória à excelsa Libertadora do Brasil, Imperatriz Dona Maria Leopoldina!!
* O autor, Manoel Soriano Neto, é Coronel Veterano de Infantaria e Estado-Maior e Historiador Militar.
Agora é fazer e acontecer - 01/09/2022
Gilberto Simões Pires
CUMPRIMENTOS À REDE BANDEIRANTES
Antes de tudo, da mesma forma como apoiei todas as NOTAS DE REPÚDIO contra as decisões TIRÂNICAS e/ou absolutamente ANTIDEMOCRÁTICAS do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sinto-me no dever de CUMPRIMENTAR a Rede Bandeirantes pelo EDITORIAL que foi lido ontem, 30, na abertura do Jornal da Band, no qual chama o ditador Moraes de MANDANTE FORA DA LEI E MINISTRO JUSTICEIRO. A Band até poderia ter ido mais fundo, mas o fato de ser a primeira emissora de rádio e televisão que resolveu sair do silêncio ensurdecedor, isto me agrada muito. Parabéns, Band!
NOTAS DE REPÚDIO
A rigor, as mais diversas NOTAS DE REPÚDIO que foram publicadas até agora, cuja primeira, vale ressaltar, foi emitida pelo CLUBE DE JORNALISTAS E EDITORES DE OPINIÃO DO RS, do qual orgulhosamente ocupo uma vice-presidência, não precisariam ter sido escritas e tornadas públicas caso o COLEGIADO do STF, atendendo apenas e tão somente o que manda a nossa Constituição, resolvesse frear os medonhos e insanos atos ANTIDEMOCRÁTICOS que, em série, passaram a ser tomados pelo tirano Alexandre de Moraes. Infelizmente, a instituição que deveria cumprir o efetivo papel de GUARDIÃO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, através de seu péssimo presidente, já declarou apoio irrestrito ao MOVIMENTO TIRÂNICO conduzido por Moraes, Facchin e Luiz Barroso.
PASSO SEGUINTE
Pois, na medida em que entidades e instituições começam, enfim, a SAIR DOS ARMÁRIOS, manifestando total REPÚDIO pelos INEQUÍVOCOS E NOJENTOS atos ANTIDEMOCRÁTICOS, o que a sociedade brasileira espera, com muita pressa, é que as NOTAS EMITIDAS produzam os necessários e devidos EFEITOS. Ou seja, se as INSTITUIÇÕES que foram criadas com o propósito de estabelecer e/ou garantir 1- a HARMONIA ENTRE OS PODERES e, 2- o devido CUMPRIMENTO DA CARTA CONSTITUCIONAL - não cumprirem com suas responsabilidades -, ninguém poderá se dizer surpreso se o POVO -SOBERANO- resolver assumir a encrenca. Resumindo: as NOTAS DE REPÚDIO indicam, com total clareza, que o próximo passo, que não pode demorar, é -FAZER ACONTECER-.
POVO INSATISFEITO COM O STF
De novo: quanto mais NOTAS E EDITORIAIS DE REPÚDIO, melhor para uma correta compreensão do que se passa no nosso país. Tais manifestações servem para esclarecer, de uma vez por todas, quem são os verdadeiros GOLPISTAS. O povo, graças às decisões monocráticas e estúpidas de alguns ministros do STF, começando pela DESCONDENAÇÃO DO PRESIDIÁRIO LULA, tirada da cartola pelo ministro -companheiro- Edson Facchin, passou a conhecer de perto o que realmente significa a prática da INJUSTIÇA. Não é à toa, portanto, o fato de que as pesquisas revelam que a maioria do povo brasileiro está muito INSATISFEITA COM O STF. Pudera...
Bolsonaro presidente! - 29/08/2022
Ricardo Vélez Rodríguez
Torço para que o Presidente Bolsonaro seja reeleito no próximo dia 2 de outubro e nele votarei, ciente de que é a melhor opção para o Brasil neste momento. Voto em Bolsonaro, em primeiro lugar, porque o Brasil precisa consolidar o caminho da opção liberal/conservadora defendida por ele. Não quero que o nosso país se transforme em terra de ninguém posta a serviço de uma servidão global, que é o que a esquerda oferece. Quero que o nosso país respeite a diversidade das pessoas e as suas opções éticas. Não quero um mandatário que aja com critério totalitário, como se fôssemos uma manada de entes sem identidade pessoal, sem preferências, sem diversidade, sem valores. Quero um Presidente que represente dignamente o nosso país no conjunto das Nações.
Ora, Lula seria uma volta ao passado que queremos esconjurar. Mostrou, nos seus dois governos e nos governos da sua pupila, a que veio. Veio para roubar e se perpetuar no poder, aniquilando o que de mais prezado temos: família, religião, pátria, livre iniciativa, moral. Não quero esse tipo de trapaça para os meus filhos e netos.
Estou ciente de que o candidato Bolsonaro tem defeitos. Mas são falhas que ele poderá corrigir, com a ajuda de um Congresso que some com ele e com a participação de um Judiciário que não seja o superpoder que descamba pelo caminho incerto do “autoritarismo instrumental”, prometendo, com isso, revigorar a nossa democracia. Quero que floresça uma imprensa livre, digna, independente de radicalismos ideológicos, patriota e que cumpra com a sua missão cidadã de informar e de esclarecer tanto o governo quanto a sociedade.
Quero um Presidente que dê continuidade à retomada do crescimento econômico, combatendo a inflação e o desemprego, como até agora fez o Bolsonaro com a ajuda do Ministro Paulo Guedes. Quero que o governo continue aplainando o caminho para a participação da iniciativa privada, notadamente para as nossas médias e pequenas empresas, que são as que mais empregos oferecem. Quero alguém que continue fortalecendo o agronegócio e que não o ameace com uma intervenção fiscal desafortunada como a que o candidato Lula promete. Quero que Bolsonaro, no seu segundo mandato, enfrente com força o problema da desindustrialização, que nos afasta do mundo desenvolvido e que bloqueia, aos brasileiros, oportunidades de trabalho.
Espero sinceramente que o próximo Presidente torne realidade fazer, na educação, a definitiva aproximação entre o MEC e os brasileiros, fiel ao slogan de Bolsonaro em 2018: “Menos Brasília e mais Brasil”. Falta ainda muito para fazer nessa seara, notadamente no que tange à libertação do sistema de ensino, em todos os seus níveis, da ditadura dos sindicatos ligados à CUT, que terminou se tornando uma doença endêmica que infelizmente persiste. Neste terreno, ainda, contudo, prefiro Bolsonaro a Lula, que só acenou com um vergonhoso “revogaço” das medidas saneadoras efetivadas por este governo.
Por outra parte, não quero mais essa assombração do STF que faz pouco caso da nossa liberdade de escolha e da nossa inteligência, e que se incomoda com o exercício da liberdade cidadã, pretendendo sufocá-la, começando com a censura à liberdade de expressão. Não quero um corpo policial de togados que mande e intimide como se fosse o dono do mundo e da lei.
Pensei que já tinha terminado, no nevoeiro do nosso passado republicano, a época dos presos políticos. E vejo, com tristeza, que, nas sombras da alta burocracia do Estado, se instalou um grupelho de pretensos juízes alheios aos valores da liberdade e da cidadania, que passou a agir como autêntico ferrabrás da República, prendendo jornalistas e empresários.
É lamentável o caminho pelo qual se extraviou o STF. De alta Corte, que deveria zelar pela preservação da nossa Constituição, resvalou para o lamaçal pútrido das maquinações escusas em prol de resguardar os interesses da esquerda retardatária, que tornou o Supremo o seu despachante de plantão. A judicialização da política é um mal para o Brasil e nela terminou chafurdando, ignobilmente, o Supremo.
Fiquei emocionado com as multitudinárias manifestações que, pelo Brasil afora, os brasileiros fizeram no 7 de setembro. Nunca imaginei ver a Esplanada dos Ministérios tão repleta de famílias e das cores verde e amarela. Mais de um milhão de pessoas estavam presentes! Não foi uma encenação previamente ensaiada. Foi uma autêntica manifestação popular. E esse ato de civismo se repetiu por todo o nosso País, de Norte a Sul. Jamais tinha visto a Praia de Copacabana literalmente lotada por uma multidão que ultrapassou o milhão de pessoas. A mesma coisa pude observar na Avenida Paulista, com mais um milhão de brasileiros que homenageavam os duzentos anos da nossa Independência. Essas manifestações de civismo multiplicaram-se por todo o território nacional. Mais de trezentas cidades brasileiras somaram-se a essa prova de civismo. Ora, o que fazer diante disso? Somente podemos ter uma atitude: admirar o patriotismo da nossa sociedade e cumprir com a sua vontade: Bolsonaro Presidente!
* O autor é formado em Filosofia (licenciatura, mestrado e doutorado), pesquisa a história das ideias filosóficas e políticas no Brasil e na América Latina, e fez pós-doutorado em Paris sobre as ideias de Alexis de Tocqueville e os liberais doutrinários.
** Texto publicado originalmente no blog do autor, em https://www.ricardovelez.com.br/blog/bolsonaro-presidente
O lulopetismo não quer a privatização de estatais brasileiras, ele quer um Brasil socialista - 23/08/2022
Juliano Roberto de Oliveira
Em recente ato público o descondenado e ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva prometeu à sua horda de ativistas que, se eleito, irá recuperar a indústria brasileira que, segundo ele mesmo e seus seguidores mais aguerridos, tem sido destruída pela ameaça da privatização. Nas palavras do meliante, "[...] a Petrobras não será mais privatizada. O Banco do Brasil não será privatizado. A Caixa Econômica não será privatizada. O BNDES não será privatizado. Esses bancos públicos estarão a serviço do desenvolvimento desse país. E os Correios também não serão privatizados".
Nada novo. O velho dirigismo estatal com a mesma roupagem. A mesma tara pelo estatismo, pela mão forte do estado em contraposição à mão invisível do mercado. Há quem acredite que Lula acredita (o jogo de palavras é quase inevitável, neste caso) que o Estado é a única instituição capaz de promover o desenvolvimento do país e de levar prosperidade às famílias mais pobres. Eu acredito que Lula não acredita em nada disso. Ele acredita, de fato, que a única forma de manter seu domínio sobre um povo e submetê-lo às vontades das ordens políticas é apostando no intervencionismo, no estatismo, no inchaço da máquina estatal. Se os recursos estão concentrados nas mãos do Estado, afinal, a socialização plena se torna uma meta facilmente alcançável.
Por isto, certamente, enquanto esteve no poder, Lula defendeu os interesses particulares em detrimento dos interesses coletivos. Calma, leitor! Não se trata de uma contradição. Os particulares de que falo não são as empresas privadas que nos premiam, por meio de disputas pacíficas que são comuns ao livre mercado, com os mais sofisticados tipos de produtos e serviços a preços cada vez menores. Os particulares de que falo são os amigos íntimos do rei. Os grandes empresários com alto poder de lobby. Os militantes afinados ideologicamente com as doutrinas e cartilhas do socialismo.
É por esta razão que, enquanto esteve na presidência, o BNDES foi utilizado como instrumento de poder e seus recursos (os quais são provenientes de encargos sociais que incidem sobre a folha de pagamento das empresas) foram direcionados para o financiamento de obras realizadas por empreiteiras bem conectadas. Estas obras, para adicionar ainda mais insulto à injúria, foram realizadas em outros países, maciçamente em países cujos governos também estavam alinhados com a ideologia petista. Este era o modus operandi do PT: impor cargas tributárias a pequenas empresas para financiar grandes empreiteiras bem conectadas. Em troca, claro, os caixas do partido eram irrigados com muita propina.
Até aqui, caro leitor, limitei-me apenas a descrever o esquema de corrupção de uma máfia que tomou de assalto empresas que, em tese, haviam sido criadas para o povo e em benefício do povo.
Para tornar o debate ainda mais sofisticado, no entanto, e apresentar objeções às argumentações dos que advogam em favor do dirigismo estatal lançando mão, para isso, da tese de que sem créditos subsidiados (a exemplo dos que a trupe petista defende) não haveria desenvolvimento econômico, quero fazer uso da boa teria econômica apresentada por Henry Hazlitt em seu livro “Economia numa única lição”.
No capítulo 6 da obra, o autor faz uma bela e irrefutável defesa da necessidade de que empréstimos sejam realizados apenas por instituições bancárias/financeiras privadas. Para demonstrar sua tese, o economista narra com riqueza de detalhes o processo por meio do qual ocorrem os empréstimos governamentais que são, conforme descreve, créditos de grande risco.
O apelo que leva os mais incautos a acreditarem que sem as mãos do estado produtores com grande potencial estariam completamente desassistidos é, de fato, muito convincente. Com o apoio de malabarismos macroeconômicos paridos pelas mentes de economistas desenvolvimentistas, ganha força a tese de que com subsídios governamentais famílias e produtores pobres seriam transformados em grandes geradores de riqueza para a sociedade. Basta dar às pessoas pobres algum crédito para que, magicamente, tornem-se produtivas e aditivem a riqueza nacional e/ou regional. Quem poderia se opor? Produtores com grande potencial receberiam créditos do governo, com eles produziriam riqueza, pagariam as dívidas contraídas e, a partir deste momento, tornar-se-iam homens dependentes de suas próprias habilidades laborais que, antes dos empréstimos concedidos por critérios políticos, estavam subaproveitadas. Toda a nação, supõe-se, estaria mais rica.
Ao analisarmos mais detidamente esta proposta, porém, se a submetermos aos ensinamentos de Bastiat, segundo o qual “Na esfera econômica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos. Dentre esses, só o primeiro efeito é imediato. Manifesta-se simultaneamente com a sua causa. É visível. Os outros só aparecem depois e não são visíveis. Podemo-nos dar por felizes se conseguirmos prevê-los”, veremos que se trata de uma proposta insustentável.
Hazlitt explica que o dinheiro emprestado pelo governo não é nada mais que um símbolo monetário. Quando o governo arroga a si a tarefa de promover o desenvolvimento econômico ele está, na prática, dando um duro golpe na produtividade e na capacidade empreendedora dos mais habilidosos homens de negócio. Quando uma instituição governamental empresta a uma pessoa que não possui crédito, está fazendo uma alocação equivocada de capital escasso. Os produtores mais habilidosos, que possuem crédito junto às instituições bancárias privadas deverão, devido à intervenção governamental no mercado de crédito, pagar mais caro pelo dinheiro disponível. Dado que bens de capital foram colocados em mãos erradas (uma vez que os critérios políticos de concessão de crédito não levam em consideração as habilidades de um produtor de contribuir com o incremento da riqueza nacional), os homens de negócio que poderiam fazer melhor aplicação dos recursos escassos existentes na sociedade estarão limitados agora a poucas opções de bens de capital que não foram ardilosamente ofertados aos empreendedores menos produtivos.
Noutras palavras, empréstimos privados estão invariavelmente concentrados em empreendedores que possuem forte compromisso com geração de riqueza. Os riscos assumidos pelos emprestadores que fazem empréstimo no mercado privado precisam ser muito bem compreendidos, razão pela qual os recursos que emprestam são direcionados aos mais promissores projetos. Com o governo, cujas normas observadas para a concessão de benefícios visam apenas o curto prazo, os riscos são levados ao extremo e toda a sociedade se torna mais pobre em decorrência de investimentos em projetos de má qualidade.
Embora esta seja uma sucinta explicação dos mecanismos dos empréstimos realizados pelo governo vis a vis dos empréstimos realizados pelas instituições bancárias privadas, acredito que tenha um grande potencial de explicar porque os subsídios governamentais ofertados com o dinheiro da viúva são sempre maléficos.
No paroxismo deste arranjo, ao financiar obras e empreendedores bem conectados, os políticos poderiam exigir que os lucros das empresas que financiam sejam socializados. Afinal, se o dinheiro destinado ao financiamento de um arranjo mercantilista é proveniente do pagador de impostos, por que não socializar os lucros? Eis aí uma defesa inquestionável para a pavimentação do comunopetismo. Eis aí a razão da defesa apaixonada que Lula faz das empresas estatais.
* O autor é Bacharel em Administração de Empresas – FAI; Especialista em Qualidade e Produtividade – UNIFEI e Mestre em Eng. da Produção - UNIFEI
Vou falar com propriedade: sobre Propriedade - 22/08/2022
Júnia Turra
Meu avô paterno trabalhou a vida inteira. Era veterinário e pesquisador: o responsável pelo Departamento da Universidade Federal onde se estudava as doenças caninas e o tratamento delas. Era de família portuguesa. Minha avó era professora. Tiveram três filhos. Duas mulheres e um homem.
Meu avô materno trabalhava no Banco Central no Rio de Janeiro. Ele era um dos responsáveis por assinar as notas de dinheiro.
Minha avó professora, depois funcionária da Rede Ferroviária Federal.
Meu avô levava no bonde do Centro do Rio para as Laranjeiras, onde morava, duas malas cheias todas as sextas-feiras para não deixar o trabalho acumular. Nunca foi roubado e nunca roubou.
Era um italiano-brasileiro que foi pai após os 40 anos. Teve uma filha só.
Meus avós pagavam impostos. Eram homens e mulheres íntegros. Quando eu era pequena, a minha avó mostrava anéis onde estava escrito "dei ouro para o bem do Brasil", lá dos tempos em que a minha mãe era criança.
Meus avós compraram imóveis, pagaram impostos corretamente para o Estado todos os meses, todos os anos. Taxas, impostos, sobretaxas.
Quando morreram, os filhos pagaram impostos de transmissão de propriedade e mais taxas, taxas e taxas e impostos e um valor que a cada ano se tornava mais absurdo e que ia para um 'grupo cartorário' e para o Estado.
E quando esse dinheiro entra nos cofres públicos, sabemos o que acontece...
E sabemos muto bem o agravamento do que passou a acontecer com o dinheiro público desde o início do revezamento no poder entre o grupo do "Boca de Godê Duplo" e "O Que Nunca Foi Retirante" .
Você tem Bens?
Eu herdei propriedade.
Paguei impostos altíssimos de transmissão.
Eu comprei imóveis.
Paguei impostos altíssimos de transmissão.
Todos os anos pago impostos pelo que possuo.
Impostos cada vez mais altos.
Independente da economia ir bem ou mal.
Sabemos...
Você pagou o IPTU esse ano?!
Em São Paulo, o valor das vagas na garagem é o equivalente ao IPTU de muito imóvel no interior por aí...
Mas o interior "por aí" colocou o valor na estratosfera. Logo, equivalente a muito imóvel da maior capital do país.
O "grandioso" Calça Enfiada nas Pregas e a turma dele coligada aquela outra e a mais outras (porque são inúmeras siglas partidárias para confundir o cidadão), jogou para a estratosfera o aumento de impostos, retirou o tombamento da maioria dos imóveis tombados (isso lá quando prefeito) e acelerou o esquema de enfiar gente pra morar na rua.
Espalhou a Cracolândia.
Com direito a banheiros públicos, local pra banho, para alimentação gratuita e ainda para receber o "up" de cada dia. E com barracas de marca numeradas.
Você conta ou eu conto o que essa turma política pretende?
Vão ocupar e invadir propriedades. Estão fazendo isso nos prédios públicos no centro das grandes cidades e na área rural.
E querem acabar com o direito de transmissão da propriedade e de possuir propriedade. Essa que nós pagamos para manter todos os meses a preços de arrancar o couro. Essa que nossos pais e avós pagaram tanto com suor do trabalho deles e dando até "ouro pelo bem do Brasil".
O Estado quer manter as mordomias para os funcionários do povo tirando tudo do povo.
O discurso de políticos da esquerda caviar tem por objetivo ter sem merecer, se apropriar do que é do outro, pago com o suor do outro.
É o mesmo modus operandi dos parentes picaretas que toda família tem e que querem se apropriar do alheio que nunca suaram para ter. Está na hora de mudar a lei também.
Nem o Estado e nem parente serpente deve ficar com o que não lhes pertence. Querem o ouro e o seu couro!
* Publicado originalmente na página da autora no Facebook
“Por que me ufano de meu país” - 11/08/2022
Leitura oportuníssima nestes dias cabulosos!
Afonso Celso
No trecho abaixo, extraído do livro com mesmo título (clássico de nossa literatura), o autor escreve, em 1900, sobre a Independência do Brasil.
Ao embarcar para a Europa, em Abril de 1821, confia D. João VI ao príncipe D. Pedro a administração e governo supremo e provisório do reino do Brasil. A 23 de Maio do mesmo ano, decreta D. Pedro a liberdade de imprensa, antecipando, por esta e outras medidas, o regime constitucional. A 9 de Janeiro de 1822, declara permanecer no Brasil, em desobediência formal à imposição das cortes portuguesas. A força armada de Portugal, existente no Rio, busca prender D. Pedro e embarcá-lo à força.
É D. Pedro quem, empregando máxima energia, disposto à luta material, constrange a divisão lusitana a render-se e a embarcar. A 16 de Fevereiro, convoca para se reunir no Rio um conselho de procuradores gerais de todas as províncias brasileiras. A 21 do mesmo mês, proíbe a execução no Brasil, sem a sua sanção, de ordens e leis daquelas cortes. A 3 de Junho, convoca uma assembleia legislativa e constituinte incumbida de organizar a constituição pela qual devesse reger-se o continente brasileiro. Finalmente, a 7 de Setembro, nas margens do Ipiranga, proclama a inteira separação da antiga metrópole. A separação foi, pois, o resultado de longa série de grandes atos, denotadores de energia, perseverança e civismo nada vulgares.
Não se ultimou essa separação sem luta e derramamento de sangue. O Brasil armou-se, formou exército e esquadra, contratou oficiais estrangeiros quais Cochrane, Mariath, Norton, Taylor, Greenfeld e Labatut. Feriram-se combates em terra e no mar. D. João VI envia emissários a D. Pedro que recusa recebê-los e os obriga a regressarem, devolvendo as cartas do pai. Portugal solicita a mediação inglesa, no intuito de terminar-se a guerra. Graças a essa mediação, celebra-se a convenção de 29 de Agosto de 1825, em virtude da qual Portugal reconhece a independência do Brasil. Fizeram-se concessões mútuas na convenção, cedendo o Brasil à vantagem de ser reconhecido por Portugal, a fim de que as mais nações da Europa também o reconhecessem. A prova de que o tratado não nos era infenso está na indignação pública que levantou em Portugal, obtendo a custo o gabinete inglês a ratificação.
Como o Brasil se obrigara a pagar dois milhões de libras esterlinas, ou melhor, assumira a responsabilidade de um empréstimo dessa quantia, contraído por Portugal em Londres, acoimaram alguns oposicionistas o tratado de carta de alforria, afirmando que compramos a nossa independência. Excessos de linguagem injustos e injustificados!
Proveio aquele compromisso de um ajuste de contas, tendo por fim extinguir reclamações de parte a parte. Representou o valor de palácios e outras propriedades particulares de D. João VI no Brasil. Com a separação, apoderara-se este de parte do patrimônio até então comum. Ficaram, demais, pertencendo ao Brasil, mediante a obrigação referida, mercadorias sequestradas, embarcações surtas nos portos, prédios rústicos e urbanos, navios apresados em alto mar, numerosos vasos de guerra. A continuação da campanha teria custado mais. Porém, objetar-se-á, poderia o Brasil vencer afinal e nada pagar.
É exato. Honra lhe seja, entretanto, ter preferido, no começo de sua existência nacional, não fazer questão de dinheiro, praticando para com a velha mãe pátria empobrecida e fraca um ato de honestidade ou cavalheirismo.
* Afonso Celso foi escritor, poeta, historiador e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, designado Conde de Afonso Celso pelo Papa Pio X.
Desprovido de orientação de longo prazo não avança - 08/08/2022
Alex Pipkin, PhD
Faz poucos dias, morreu João Paulo Diniz, filho do empresário Abílio Diniz.
João Paulo, segundo consta, era um esportista e possuía um estilo de vida bastante regrado, o que não foi suficiente para evitar uma morte aos 58 anos.
Logo após a notícia, comecei a ler uma série de posts e mensagens alertando e sugerindo que deveríamos “viver a vida”, gozando de seus prazeres imediatos, vinculados a comidas, bebidas, viagens e outros tipos de desejos. O “racional” é de que a morte está sempre à espreita.
Fiquei pensando que embora a mensagem seja sedutora, parece-me que esse é um dos grandes problemas do pensamento “pós-moderno e progressista” mundial.
No entanto, sob o ponto de vista histórico, não há dúvidas de que na América do Sul, vis a vis a Europa e aos EUA, a lógica curtoprazista sempre foi o “modus operandi”.
E aí é que sempre habitou o perigo! Não há crescimento e progresso sólido e sustentado sem a construção do futuro, que necessita ser realizado a partir do presente, o que implica em certa renúncia dos desejos presentes, a fim de construir e se beneficiar no longo prazo.
Em outras palavras, é preciso trabalhar, planejar, economizar, e edificar um futuro mais inovador e melhor.
Na inovação, raramente existe o “momento Eureka”, as inovações demandam várias tentativas e muita persistência.
Viver “loucamente” a vida no presente, é sensacional para livros e para roteiros de filmes.
Tanto no aspecto individual como no empresarial, é singelo perceber como a questão temporal importa e é decisiva.
Tristemente, não é a regra, mas quantas pessoas abandonam os prazeres imediatos da vida, para investirem numa formação universitária, por exemplo, visando obterem maiores benefícios futuros?
Quantos empresários investem os ganhos nos seus negócios, com o objetivo de gerar mais diferenciais competitivos para construir uma posição competitiva mais vantajosa no futuro?
Evidente que não é uma tarefa fácil. Confesso que por “n” motivos também fraquejei, em algumas situações, nessa questão. Penso que quanto mais jovens somos, em razão da pouca “janela” que possuímos, mais frágil é o nosso autocontrole e a nossa preocupação com o longo prazo. A cegueira se apossa de nós.
Como sempre os incentivos importam, e a própria “qualidade” de nossas instituições depende da orientação temporal, aqui sendo de pior qualidade justamente pela despreocupação com a construção de um futuro melhor para todos.
No país do carnaval, os incentivos são contrários ao investimento no futuro, aquele que induz as pessoas a trabalhar, economizar e investir numa vida melhor no futuro.
Nessa terra, a procrastinação na implementação de políticas públicas de sedimentação de um futuro promissor é fundamental para que os donos do poder e da democracia continuem explorando e se apropriando da riqueza gerada pelos seus reais criadores.
Nesse país, a orientação curto-prazista, similarmente, evoca a busca de “salvadores da pátria”, que compram a alma popular em troca de migalhas, mesmo que isso custe o futuro de gerações de brasileiros.
Até mesmo no país berço das liberdades individuais e econômicas, os valores virtuosos pilares do crescimento e do progresso, têm sido abdicamos em nome do total gozo do presente. Narrativas populistas, “progressistas” e insensatas alardeiam mensagens do tipo “você pode ser quem você quiser”, “viva somente o presente”, “faça tudo o que quiser agora”, entre outras, demonstram a ênfase na estipulação de um pensamento de curto prazo nas populações.
Na Terra do pau brasil, Macunaíma também era guiado pelo prazer e pelo oportunismo. Evidente que o medo imperava.
No conhecimento econômico lógico, a orientação de longo prazo também é um componente essencial para o desenvolvimento econômico e social.
Penso que se os incentivos não forem transformados para que as pessoas passem a ter a capacidade de pensar e de avaliar os impactos no longo prazo - ironicamente o ensino brasileiro valoriza e estimula o gozo no presente -, continuaremos sendo vítimas de populistas, corruptos, ladrões e despreparados, que não roubam apenas dos cofres públicos, mas que sequestram nossa felicidade e nosso futuro.
Homeschooling versus escola privada - 05/08/2022
Eduardo Lamas
A baixíssima qualidade da educação brasileira é de conhecimento geral, um problema que é agravado pelo pouco espaço de escolha que os pais têm. A mesma lei que obriga a matrícula na escola é absolutamente omissa em relação à qualidade do ensino: por exemplo, a lei não exige que as crianças estejam alfabetizadas ao final do primeiro ano do ensino fundamental. Dito de outra forma, os pais são obrigados a matricular seus filhos na escola, mas esta não tem a obrigação legal de alfabetizá-los no período correto! Obviamente, esta assimetria legal resultante dos mais óbvios interesses sindicais docentes, na prática, atinge os mais pobres, pois os pais de classe média ainda têm alguma escolha e dificilmente aceitam que seus filhos permaneçam numa escola na qual não aprendem o suficiente.
Até recentemente, o padrão de concorrência educacional se dava, num primeiro nível, entre escola pública e escola privada, onde as diferenças de qualidade cobravam um sacrifício financeiro dos pais. O marketing das escolas privadas se focou em aspectos bastante visíveis como limpeza, segurança ostensiva, prédios bem pintados etc., como sinalização de qualidade de ensino. Jamais a escola pública, por suas amarras burocráticas, poderia concorrer nestes aspectos.
O bom marketing acabou nivelando a concorrência entre as escolas privadas. Porém, não é preciso ser especialista em educação para saber que o principal recurso da educação de qualidade é a capacitação dos professores, onde o marketing é menos eficaz. Neste aspecto, o segundo nível de concorrência entre as escolas privadas tem se mostrado ainda pouco definido. Capacitação dos professores não é uma variável de fácil mensuração quantitativa; do contrário bastaria o marketing mostrar que determinada escola tem mais pontuação do que as demais. Capacitação docente pode ser difícil de definir, mas em geral sabe-se apontar quando ela existe. Além disso, há professores bem capacitados em número suficiente para que todas as escolas privadas os disponibilizassem?
Frequentemente, o homeschooling é definido de maneira distorcida, geralmente como um obstáculo à socialização. Deve ser esclarecido que homeschooling não é ato de isolamento social ou religioso. Há vários formatos possíveis, mas em boa parte do debate o homeschooling é tratado como sinônimo de ensino pelos pais em substituição aos professores. Talvez esse seja o formato menos demandado e necessário de homescooling. Pouco se fala no formato no qual o homeschooling se baseia numa conjunção de ensino à distância, aulas particulares e livre frequência de infra-estruturas educacionais (biblioteca, laboratórios, esportes). O perfil de demanda por este formato se concentra em pais que querem cumprir sua obrigação de dispor a melhor formação possível aos seus filhos, mas não encontraram qualidade suficiente, nem em escola pública e nem em escola privada. Pela legislação atual, aqueles pais que contratarem diretamente professores e infra-estrutura educacional para seus filhos sem os matricularem em escolas estarão incorrendo em conduta criminal.
Por ora, o homeschooling ainda não é uma realidade capaz de oferecer concorrência à escola privada. Porém, num futuro não muito distante, considerando inevitável sua legalização, significará um desafio concreto a esta, assim como ao mercado de trabalho dos professores e à sua respectiva sindicalização. Um professor especializado em homeschooling terá sua capacitação muito mais valorizada do que hoje. A tendência é que sua renda seja muito maior como “professor domiciliar” do que na realidade atual, na qual há restrições legais e especialmente ideológicas para pagar salários diferenciados. Assim, a tendência é que professores extraordinários se especializem no homeschooling e, por consequência, as escolas privadas tenham mais dificuldade para contratá-los. E com este mercado de trabalho mais segmentado, dificilmente haverá interesse dos professores em se sindicalizar na forma como se dá hoje, onde os sindicatos estão a serviço de interesses partidários.
Diante desses interesses, as posições contrárias à legalização do homeschooling não são gritadas apenas pelos movimentos de esquerda em nome da “socialização” das crianças e todas as habituais distorções daí decorrentes. O lobby da escola privada neste particular forma uma curiosa, embora politicamente compreensível, coalizão com a esquerda. A realidade legislativa brasileira mostra que o lobby classista, sutil e bom de barganha, pode ser extremamente lesivo ao interesse público, sobretudo quando unido aos gritos assembleístas habituais.
A verdadeira democracia educacional é aquela na qual há diferentes sistemas que atendem a diferentes expectativas, sujeitos a padrões mínimos de qualidade. Nunca é demais lembrar que o homeschooling será mais uma alternativa educacional e não uma obrigação!
* O autor é professor
Soberbos e Ingratos - 02/08/2022
Valdemar Munaro
Bicados pelo fascínio do poder, togados, governantes, homens que adquirem algum destaque, alguma função ou título, num relâmpago assumem postura curvada à mãe de todos os vícios: a soberba. Embriagados e cambaleantes, ridiculamente vaidosos, enfeitiçados pelas cimas em que se julgam estar, esses 'iluminados' olham com desdém, os que estão na 'planície', de quem sugam sustento e benesses. Esse modo de agir e de ser, reflete um esquecimento proposital da própria finitude e miséria, inchados de vanglórias demoníacas típicas de amnesiados e arrogantes.
Na roda natural das coisas humanas, dizia Antônio Vieira, "descobriu a sabedoria de Salomão dois espelhos recíprocos, que podemos chamar do tempo, em que se vê facilmente o que foi e o que há de ser... Que é o que foi? Aquilo mesmo que há de ser. Que é o que há de ser? Aquilo mesmo que foi. Ponde estes dois espelhos um defronte do outro, e assim como os raios do Ocaso ferem o Oriente, e os do Oriente o Ocaso; assim, por reverberação natural e recíproca, achareis que no espelho do passado se vê o que há de ser, e no do futuro o que foi. Se quereis ver o futuro, lede as histórias, e olhai para o passado: se quereis ver o passado, lede as profecias, e olhai para o futuro. E quem quiser ver o presente para onde há de olhar? Não o disse Salomão, mas eu o direi. Digo que olhe juntamente para um e para outro espelho. Olhai para o passado e para o futuro, e vereis o presente. A razão ou consequência é manifesta. Se no passado se vê o futuro, e no futuro se vê o passado, segue-se que no passado e no futuro se vê o presente, porque o presente é o futuro do passado e o mesmo presente é o passado do futuro... Roma, o que foste, isso hás de ser; e o que foste e o que há de ser, isso és. Vê-te bem nestes dois espelhos do tempo, e conhecer-te-ás. E se a verdade deste desengano tem lugar nas pedras, quanto mais nos homens! No passado foste pó? No futuro hás de ser pó? Logo no presente és pó: Pulvis es" (Do Sermão da Sexagésima).
Ora, se o que éramos, somos e seremos é essencialmente pulvis (pó), como diz a Escritura citada por Vieira, o pouco ou o muito de nosso ser e de nossas realizações, já é de grande monta. Nua e miserável começou nossa existência, nua e miserável terminará. Há uma condição patente de contingência que nos acompanha e ela nos convida à constante e visceral gratidão. Surpresos e gratos deveríamos ficar pelas riquezas conquistadas mais que pelas pobrezas lamentadas.
Soberba e ingratidão, porém, constituem vetores do insidioso dinamismo satânico que carcome os ninhos humildes e modestos nos quais nascemos e crescemos, inchados de arrogância e vaidade pelas pequenezes que nos amedrontam. Soberbas incensam ingratidões, ingratidões incensam soberbas. O soberbo é ingrato, o ingrato é soberbo. Reina a soberba onde viceja a ingratidão, viceja a ingratidão onde reina a soberba.
A criação, beijo de Deus no nada, segundo expressão de Sciacca, é mistério envolto na generosidade divina, ato sem 'cabimento' que deu origem e sustentação a tudo. Teorias do big bang e evolucionistas, interconectam-se, porém se enroscam quando tentam forçosamente explicar o inexplicável. 'Poderia existir o nada e não o mundo', afirma Schelling. Ao invés, maravilhosamente, existe o mundo e não o nada.
Incabíveis, pois, em nossas misérias, as verdades profundas que sustentam e fundam nossa vida se opõem diametralmente às vaidades e arrogâncias que cultivamos. Tudo o que existe se manifesta aos nossos olhos sob uma luz e uma gênesis de generosidade heteronômica sem tamanho. Nada existiria não fosse uma originante gratuidade divina que trouxesse à luz e ao ser tudo o que somos e temos. Inteiramente grátis e de modo incondicional. Quem, pois, ingrata e soberbamente poderia reivindicar grandezas e direitos ante tamanha generosidade? Qualquer instante e qualquer motivo podem ser propícios à nossa volta ao pó. A sã consciência reconhece a própria finitude e a graça de carregá-la. Tal estatuto metafísico constitui a raiz de nosso ser; aceitá-lo, o mais fundamental ato de liberdade.
Tudo o que somos e/ou podemos ontologicamente ser, portanto, não tem fonte no arbítrio humano. Sartre, filósofo francês, por não aceitar essa nua e crua verdade, fez de sua inteira filosofia um rosário de lamentos. Queria, em suma, tudo estivesse submetido à livre escolha, inclusive a capacidade de escolher. Não sendo artífice nem autor da própria existência, o homem tem liberdade limitada. O perfil se ajusta, pois, mais a uma administração do que a um senhorio e/ou uma apropriação. No dom, originalmente recebido, mora recôndito mistério que transcende o tempo e a história, o sentido último de tudo o que somos, sofremos e vivemos. Se a existência fosse invenção da humanidade, seu fim estaria atrelado às arbitrariedades dela. Mas, felizmente, não está.
Grandes pensadores, sobremaneira Aristóteles e Platão (este na sua obra maior, A República, 369a-370), entendiam que a causa fundamental do nascimento da vida social é justamente a incapacidade individual dos humanos de se bastarem a si mesmos. Carências e necessidades físicas e espirituais nos obrigam a praticarmos amparo e cuidado recíprocos.
Originariamente, pois, a 'polis' significou uma atividade de essência colaborativa, não primordialmente conflitiva, nem contratual (como pensavam os modernos). Mesmo acordos cívicos e convencionais estabelecidos entre os homens visando melhor convivência, terminam por ser excrescências, não fundamentos (como pensavam Maquiavel, Hobbes, Rousseau, Hegel, Marx e similares) da sociabilidade.
Nas fontes generosas e misteriosas da criação, contudo, houve (segundo imaginações teologais), um rebuliço. À criadora generosidade divina somou-se inimaginável bem-aventurança de muitos, mas também o empertigamento de outros. Estes últimos transmutaram-se em demônios. A demonização, portanto, não resultou de um destino traçado pelo Criador, mas de um ato imoral de seres empertigados, soberbos e ingratos.
Deus e as criaturas, disse bem Tomás de Aquino, não são iguais. A essência divina subsiste em si mesma, absoluta, a essência das criaturas não consegue nada a partir de si, porque subsiste unicamente por dependência e participação. Os demônios, sabiam, portanto, que igualar-se a Deus é coisa impossível; mesmo assim quiseram alterar essa verdade. "Se a natureza angélica, diz S. Agostinho, se voltar para dentro de si e se satisfizer de si mesma mais que Daquele por cuja participação é feliz, inchada de soberba cairá".
Assim, o pecado dos demônios não foi o desejo de ser feliz, anseio comum a todas as criaturas, mas o desprezo pela ordem e pela medida estabelecidas por Deus. Os demônios se malfadaram não por razões genéticas ou fatalistas, mas por desvio de vontade e desonestidade de inteligência. Se a avareza se define como pretensão de se ter mais do que licitamente se tem, a soberba se define como pretensão de se ser mais do que licitamente se é.
Desgraçadamente, aqueles desvios originais, se derramaram com cara de empáfia, contagiando a história humana. Soberbaços, soberbões e soberbetes atuam, desde então, nas surdinas e nas entranhas da política, da vida social, da economia, do judiciário, da educação, das relações intersubjetivas e até dos recintos religiosos. Destes últimos, tem-se o exemplo de um visitador apostólico que, sobre um convento jansenista, da França do século XVII, escreveu: 'as irmãs do convento de Port Royal são santas e perfeitas como anjos, mas orgulhosas e soberbas como demônios'.
Se a soberba se firmou como porta da ingratidão, a ingratidão se firmou como janela da soberba. A história repica e replica episódios desse pêndulo. Napoleão Bonaparte, como exemplo, foi grande estrategista, mas sobretudo assaltante e saqueador, símbolo da empáfia francesa. Boa parte das obras de arte depositadas, guardadas e expostas nos museus parisienses é fruto de roubo e saque. O célebre oficial e imperador sardo espoliou cidades e aldeias inteiras por onde passou saciando seu exército e seu país com riqueza alheia.
Entretanto, a impostura saqueadora de Napoleão pode ser vista também na vida de todos os revolucionários. Nenhum deles é generoso, nem agradecido. Todos são visceralmente espoliadores, saqueadores, soberbos e ingratos.
Itália, Grécia, Egito, Prússia, Rússia, entre outros lugares, lembram os roubos napoleônicos. Não fosse verdade, sobra a pergunta: de onde a França tirou aqueles sarcófagos egípcios expostos nas grandes e protegidas salas do Louvre? E todas aquelas esculturas gregas, majestosamente ali conservadas, a começar pela célebre Vitória de Samotrácia plantada nas escadarias do mesmo museu, de onde surgiram? Da mesma forma, as pinturas de artistas italianos, como peregrinaram até o solo francês para lá demorarem?
Os registros históricos daqueles furtos colhidos dos butins de Bonaparte deveriam fechar a boca do atual e soberbo presidente francês, Emanuel Macron, que, das supernas auréolas morais em que se julga estar, pretende salvar florestas amazônicas. Por que não se manifesta sobre os atuais incêndios florestais que ocorrem em solo europeu? Simples: porque é soberbo e vaidoso. Seu comportamento espelha a empáfia napoleônica que transformou grotescamente, como exemplo, a basílica de S. Francisco, em Assis, em estábulo equino.
Os mesmos vetores demoníacos que levaram Napoleão a ser grande, porém, também o engasgaram pelo inverno russo e pela derrota em Waterloo. O consolo é que demônios também caem e apodrecem. Os habitantes da ilha de Santa Helena que o digam, pois viram com seus olhos o soberbo Bonaparte amargar, velho e doente, sua falsa e grotesca grandeza.
Na França, aliás, nem tudo é bom exemplo. Seu território e sua história registram um escabroso fato de ingratidão e soberba. Refiro-me ao modo como o rei Carlos VII tratou a humilde súdita Joana D'Arc. Nascida a 6 de janeiro de 1412 na região leste da França, Joana era filha de camponeses. Infante, trabalhava na terra e vivia na simplicidade rude e desprotegida da época medieval enquanto seu país envolvia-se num conflito sem fim com a Inglaterra. A 'guerra dos cem anos' havia destronado o rei franco e submetido parte do território ao domínio britânico.
Ao completar 13 anos Joana começou a ouvir vozes que lhe pediam fosse libertar a França do jugo inglês e restaurasse a monarquia. Contrariando o próprio pai, Joana seguiu o chamado daquelas vozes: expôs seu plano ao Delfim, vestiu-se com roupas masculinas, arregimentou soldados, endossou armadura e liderou expedições que libertariam Orleans e outras cidades sitiadas. No curto espaço de tempo em que exerceu a missão, coisa inesperada, derrotou e afugentou o exército inimigo. Em 1429, numa cerimônia realizada na catedral de Reims, restabeleceu a monarquia francesa reconduzindo Carlos VII ao trono.
Apesar do heroísmo e da devoção dedicados à França e ao rei, em 1430, Joana d'Arc foi presa, literalmente vendida e trocada por moeda irrisória, aos ingleses. Estes, entregaram-na a inquisidores (boa parte deles, franceses), mesquinhos, invejosos e perversos. Acusaram-na de heresia e bruxaria e algozes juízes a condenaram ao rogo em 30 de maio de 1431. Suas cinzas martirizadas foram jogadas no rio Sena e desapareceram sem deixar rastro. Não há túmulo dedicado a Joana D'Arc na França. A injustiça praticada, porém, gritou aos céus e, não muito depois, em 1456, revendo os fatos, o papa Calixto III a proclamou inocente de todas as acusações. Mais tarde, a Igreja a beatificou e a canonizou.
Santa Joanna d'Arc, talvez a maior heroína da história política francesa, jamais suficientemente reconhecida por aquela sociedade, é retrato da ingratidão dos poderosos. Durante seu martírio e prisão, foi abandonada à própria sorte, despojada e desamparada em tudo, como Jesus na cruz. O rei Carlos VII, libertado e reconduzido ao poder por sua intercessão, não a protegeu, não a agradeceu, não a recompensou. Foi rei soberbo e ingrato. Arrogância e vaidade não dobraram sua vontade à verdade simples, heroica e santa de uma humilde e simples súdita camponesa.
Pouco além-mar, semelhante e clamorosa ingratidão se manifestou na mesquinha e desprezível conduta do rei Henrique VIII, soberbamente elevado ao trono da Inglaterra. O orgulho e a soberba desse rei sufocaram seu mais honrado e fiel servidor: Thomas Morus. Em tudo leal e submisso, Morus só discordou da pretensa e arrogante vontade do monarca de se tornar imperador e soberano em tudo, inclusive da Igreja. Tomás Morus, coração nobre, temente a Deus, incorrupto, chanceler único na história da monarquia inglesa, mesmo sem ter cometido crime, nem ofensa ao rei, foi decapitado no dia 6 de julho 1535. A soberba do monarca Henrique VIII vergou o corpo, mas não a alma de Morus. Rei sem piedade, sem remorso, nem agradecimento, nem reconhecimento, aproveitou-se do serviço, da fidelidade e do bem prestados por Morus, sem pestanejar. A soberba não desbloqueou a empáfia e a mesquinhez que macularam para sempre a vida e a obra do fundador do anglicanismo.
Soberba e ingratidão, infelizmente, não estão costuradas apenas nas vestes e na alma desses homens mencionados. Reverberam também em muitíssimos outros personagens e lugares da história. De Stálin, um biógrafo seu puxa-saco, escreveu a mentira: "Stálin nunca permitiu que seu trabalho fosse prejudicado pelo menor sinal de vaidade, presunção ou auto-adulação" (Leonov). Ora, não fosse presunçoso nem vaidoso, não teria praticado a crueldade demoníaca contra os seus contemporâneos. Vale o mesmo para todos os psicopatas que enchem as galerias criminosas: Hitler, Stalin, Lênin, Fidel Castro, o títere casal romeno Ceausescu, o revolucionário iugoslavo Tito, o chinês desalmado, Mao Tse Tung, o sanguinário cambojano, aluno de Sartre, Pol Pot, o lunático ugandês, Idi Amin Dada, o assassino Simón Bolívar, o comunista chileno Salvador Allende, o guerrilheiro argentino Che Guevara, o fanático líbio Kadafi e tantos outros. Arrogância e ingratidão germinam em todo lugar: basta esquecer que não se é Deus.
Também sabemos que o autor mais renomado das loucuras comunistas foi uma amostra de ingratidão e soberba. K. Marx, segundo biógrafos, era arrogante e 'seguro de si' na sua fala e nas suas ideias. Não revisava a própria filosofia nem suas atitudes. Sempre 'tinha razão'. Como Hegel, seu inspirador, quis dobrar a própria realidade a si ao invés de dobrar-se a ela. Praticou ingratidão com o próprio pai, com o sogro, com a esposa Jennifer, com a empregada doméstica, com o filho bastardo, com seu maior benfeitor, F. Engels, com os proprietários dos imóveis onde morou sem pagar, e assim por diante.
Os veios civilizacionais arrefecidos de arrogância e presunção adquirem contornos segundo os tempos e modas. Nos séculos recentes, mulheres e homens irreverentes e ressentidos ensinam novas gerações amaldiçoar mais que a bendizer, reivindicar mais que a agradecer, exigir mais que a retribuir, receber mais do que a dar, reclamar mais que a louvar e reconhecer. A existência e o mundo não mais são vistos e acolhidos como invenções da caridade divina, numa expressão de Blondel, mas como patrimônio agrilhoado à forma de usucapião.
Clamoroso exemplo do século XX foi o que ocorreu com membros da influente Escola de Frankfurt, na Alemanha. Todos eles, inglórios marxistas, teriam sido inteiramente mortos pelos nazistas não tivessem deixado aquele país para buscar refúgio em outro lugar. Buscaram-no, porém, não na Rússia comunista pela qual nutriam simpatia, mas contraditoriamente na nação à qual dirigiam sua mais contundente crítica cultural. Salvos da morte pela sociedade norte americana, receberam dela também trabalho, abrigo e riqueza. No final, retribuíram com bulimia e ingratidão.
Como se vê, muitos casos de fartura, abundância e generosidade fazem indivíduos beneficiados esquecerem suas miserabilidades originais para, inchados de soberba e dinheiro, imitarem demônios. Os intelectuais da Escola de Frankfurt eram tarimbados na 'dialética negativa' que os tornou irreconhecíveis no que diz respeito a gratidão e reconhecimento.
Verifica-se, paradoxalmente, que não só abundâncias, mas também assistencialismos produzem quase sempre efeito reverso. Os benefícios recebidos mesclam-se a novas exigências e reivindicações. Os destinatários de muitas generosidades se tornam em boa medida mais arrogantes, mais soberbos, mais 'bigornados' de ingratidão.
Nos tempos bíblicos era triste e maldita a condição da mulher incapaz de gerar filhos. Invertendo lógicas e valores surrupiados, feministas contemporâneas desprezam úteros que as geraram e amaldiçoam maternidades. Quanta distância, Santo Deus, dos sentimentos de gratidão dos lábios de Sara, mãe de Isaac, de Rebeca, mãe de Esaú e Jacó, de Ana, mãe de Samuel, de Maria, mãe de Jesus, mulheres que agradeciam a Deus pelos filhos e pela graça da maternidade!! Hoje muitas amaldiçoam úteros e filhos: o que foi graça e bênção virou fardo e maldição, o que foi fardo e maldição virou graça e bênção. Demônios atuais, valha-me Nossa Senhora, não são mais os mesmos: qualificaram-se em perversidade e loucura!! Assistimos, com assiduidade, faroestes de ingratidão e soberba nunca, antes vistos.
Raros acadêmicos de universidades públicas expressam gratidão pelo que recebem sem pagar dos que pagam sem receber. Juízes soberbos da nossa Suprema Corte, esquecem os pescadores de suas lagostas, os vinicultores de seus vinhos, os agricultores de seus alimentos, os padeiros de seus pães, os transportadores de suas benesses e, principalmente, os pagadores de seus salários. Empáfias demoníacas move-os mesmo ante a realidade dissonante de um povo pobre e sofrido, sem regalias como eles têm. Tamanha soberba se viu, por exemplo, no convite recente que alguns daqueles juízes receberam de ir a uma audiência no Senado. Para este último, declinaram, mas, para um outro, o de palestrar em Portugal, Inglaterra ou Estados Unidos, aceitaram. Tais togados, de empáfia duplicada, não promovem a justiça, mas a enterram.
Funcionários públicos, empresários e, sobremaneira, políticos sorrateiros enriquecidos pelas vias de dinheiro público roubado e corroído se postam do lado oposto ao da gratidão. 'Vivem, como diz Shakespeare, um paraíso que os levará ao inferno'. De fato, o rico epulão acabou na Geena não pela riqueza que possuía, mas pela forma desdenhosa e sem misericórdia com que tratou Lázaro.
A ingratidão, sabemos, se encontra incrustada também nas relações entre filhos e pais, empregadores e empregados, professores e alunos, políticos e seus eleitores, doentes e enfermeiros, médicos e pacientes, produtores de lixo e garis, clientes e garçons, passageiros e motoristas, homens e mulheres, gerações presentes e passadas. Onde moramos, houve antes quem construiu, onde plantamos, houve antes quem arou, onde colhemos, houve antes quem semeou.
Dolorosamente, porém, há doutrinas que nos ensinam a desprezar o passado, as tradições, o que nossos antepassados edificaram. Entre essas doutrinas, a maior de todas: o marxismo e suas derivadas. Por essa razão e por muitas outras devemos rejeitá-la e combatê-la. Candidatos a cargos públicos, artistas e intelectuais atrelados a ela não merecem nosso respeito, nem nossa consideração, muito menos nosso voto. Soberbos, dizia Dante Alighieri, não reconhecem seus erros, não se arrependem de seus pecados. Cuidemo-nos deles porque seu perfil é o dos demônios.
Empáfias e soberbas agem como ácidos corrosivos da vida moral e espiritual. Devemos, segundo Rubem Braga, cuidar particularmente daquela parcela de ouro que habita o coração. Numa crônica de 1951, o autor lembra o sino de ouro da igreja de Porangatu, no sertão de Goiás. O povoado é pequeno, diz Braga, de gente parada, indolente, pobre, semelhante à pobreza de suas casas.
Mas aqueles habitantes têm um orgulho sem igual: receber, todos os dias, doses de alegria vindas do som daquele sino como se 'cada homem, o mais pobre, o mais doente e humilde, o mais mesquinho e triste, tivesse dentro da alma um pequeno sino de ouro... A povoação é pequena, humilde e mansa, mas louva a Deus com o sino de ouro. Ouro que não serve para perverter, nem o homem nem a mulher, mas para louvar a Deus... Cada um de nós quando criança tem dentro da alma seu sino de ouro que depois, por nossa culpa e miséria e pecado e corrupção, vai virando ferro e chumbo, vai virando pedra e terra, e lama e podridão".
* Santa Maria, 02/08/2022
** O autor é professor de Filosofia
Orçamento Secreto, uma fake news criada pela mídia - 01/08/2022
Félix Maier
Em 2020, foi criada a Emenda do Relator, durante a presidência de Rodrigo Maia na Câmara dos Deputados, inimigo declarado do Presidente Jair Bolsonaro. Esse sistema tinha por objetivo tirar poder do Presidente, gatunando na mão grande uma parte do Orçamento da União que deveria ficar a cargo do Presidente, mas que passou a ser de competência do Parlamento, nas mãos do Relator do Orçamento.
A distribuição do Orçamento da União já tinha as jabuticabas de emendas individuais, emendas de bancada e emendas de comissões, dinheiro bilionário destinado legalmente aos senadores e deputados, para distribuição aos seus grotões eleitorais. Com as emendas de relator, ficou ainda mais precária a situação do Presidente da República, a quem cabia agora liberar um orçamento ainda mais restrito, tendo em vista também as liberações orçamentárias que são obrigatoriamente destinadas aos ministérios, pagamento de precatórios etc., por força legal.
Em 2021, o valor estimado dessa pedalada parlamentar, as tais "emendas de relator", foi de R$ 16 bilhões, valor similar projetado para 2022.
Como não existe transparência nesse tipo de liberação do Orçamento, como valor dos repasses e nomes dos parlamentares envolvidos, tal prática passou a ser chamada pela mídia como sendo um "Orçamento Secreto". Pior: passou a ser chamada de "Orçamento Secreto do Bolsonaro", como se tal prática fosse invenção sua. Pior ainda: Bolsonaro passou a ser acusado de favorecer parlamentares do "Centrão" com esse dinheiro "secreto", em nome da "governabilidade", como se estivesse repetindo o Mensalão do PT.
As emendas de relator foram criadas para tirar poder do Presidente da República, isso é fato, não há mais nada a acrescentar.
Se Bolsonaro tem influência sobre o Parlamento, principalmente sobre o Relator do Orçamento, de modo que a maior parte dessas liberações orçamentárias sejam feitas pelos seus aliados - como ele vem sendo acusado pela mídia e pela oposição -, parece ser o célebre caso em que o feitiço virou contra o feiticeiro.
Rodrigo Maia deve estar roendo a unha do dedão do pé de tanta raiva.
Análise: Agenda 2030 quer redução da produção de alimentos - 26/07/2022
Patrícia Lages, em R7
Obrigação de reduzir emissões de gases pode desorganizar a cadeia produtiva e dar início ao desabastecimento de comida no mundo
A Agenda 2030 que, para muitos, não passa de pura “teoria da conspiração”, avança a todo vapor. Trata-se de um plano global para que, na próxima década, tenhamos “um mundo melhor para todos os povos e nações”, segundo o documento.
Em setembro de 2015, a Assembleia Geral das Nações Unidas estabeleceu 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), com 169 metas a serem alcançadas. O evento, ocorrido em Nova York, teve a participação de 193 países.
Essa agenda tem como base “5 Ps”:
- Pessoas – erradicar a pobreza e a fome e garantir a dignidade e igualdade;
- Prosperidade – garantir vidas prósperas e plenas, em harmonia com a natureza;
- Paz – promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas
- Parcerias – implementar a agenda por meio de uma parceria global sólida;
- Planeta – proteger os recursos naturais e o clima do planeta para as gerações futuras.
Apesar de a agenda parecer excelente, há muita coisa por trás, nos bastidores, que jamais será exposta nos palcos para que todos vejam sob as luzes de holofotes. Para nos atermos apenas a uma das ações, a que diz respeito aos recursos naturais e ao clima, a Agenda 2030 quer uma redução acentuada nas emissões de óxido de nitrogênio e amônia em todo o mundo. Mas, vejamos o que isso representa na prática.
A Holanda, com seu atual governo progressista, está alinhada com as propostas da ONU e estuda implantar medidas de contenção que podem levar 30% das fazendas do país à falência. A Suprema Corte da Holanda quer uma redução de até 70% das emissões de gases, o que afetará drasticamente a quantidade de cabeças de gado.
Obviamente, a medida reduzirá – e muito – a quantidade de alimento disponível, elevando os preços e prejudicando justamente os mais pobres. Então, como erradicar a fome com menos comida no mundo? O combate severo ao agronegócio e à pecuária vem com um discurso tão romântico quando absurdo. Afinal de contas, não há como querer alimentar mais pessoas produzindo menos alimentos.
A agricultura 100% orgânica não é capaz de dar conta da demanda e o crescente combate ao consumo de carne deixa ainda menos opções. Ou seja, a conta não fecha. Ainda que o texto bem escrito da Agenda 2030 pareça bem intencionado o suficiente para cumprir tudo o que promete, há muito mais coisas sob a superfície do que as que nos foram apresentadas.
* Publicado originalmente em https://lifestyle.r7.com/patricia-lages/analise-agenda-2030-quer-reducao-da-producao-de-alimentos-23072022
Bom demais para acreditar - 16/07/2022
Gilberto Simões Pires
UMA NOVA PROPOSTA DE REFORMA TRIBUTÁRIA
Na semana passada, a Gazeta do Povo publicou uma ótima notícia, assinada pelo jornalista Celio Yano, dando conta da existência de uma nova proposta de REFORMA TRIBUTÁRIA, a qual prevê a EXTINÇÃO DE 15 IMPOSTOS, dando lugar a EXISTÊNCIA de apenas TRÊS. Que tal? Ora, só o fato de haver um PROJETO que propõe a EXTINÇÃO DE IMPOSTOS já me deixa extremamente satisfeito e feliz. Mais ainda, por mais que possa estar sendo enganado, quando vejo um PROJETO que prevê tamanha ELIMINAÇÃO DE TRIBUTOS. De novo: isto é bom demais para acreditar!
RENDA, CONSUMO E PROPRIEDADE
Mais do que sabido e lamentado, os nossos deputados e senadores não gostam de REFORMAS que tenham como propósito melhorar a vida do povo, dos consumidores, dos produtores e dos prestadores de serviços. Daí a razão para que a tramitação das REFORMAS -TRIBUTÁRIA E ADMINISTRATIVA - não avancem minimamente nas duas Casas. Pois em meio a tanta desfaçatez, no final de maio foi instalada, na Câmara Federal, uma COMISSÃO ESPECIAL para analisar a PEC 7/2020 (como se vê é do ano de 2020), que visa limitar a arrecadação do Estado a apenas TRÊS TRIBUTOS (RENDA, CONSUMO E PROPRIEDADE).
ANO DE ELEIÇÃO
A referida PEC, vale registrar, foi apresentada pelo deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL-SP), e teve admissibilidade aprovada pela Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara ainda em novembro de 2021, sob orientação favorável da bancada governista. Contudo, antes que a euforia ganhe proporções indevidas é importante reconhecer que é praticamente nula a possibilidade de haver a votação da PEC ainda em 2022, a considerar que estamos em ANO DE ELEIÇÃO. Mesmo assim, boa parte dos parlamentares admite - categoricamente - que essa é a REFORMA que melhor traduz os anseios da população, da sociedade, como bem disse, em fevereiro deste ano, a deputada-relatora Bia Kicis.
OS 15 IMPOSTOS A SEREM EXTINTOS
Pelo que propõe a PEC, trata-se da proposta mais radical na comparação com as alternativas que estão na mesa e, segundo Orleans e Bragança, é inspirada no modelo norte-americano. Sobre cada uma das três principais bases tributáveis –renda, consumo e propriedade– seria aplicado um ÚNICO IMPOSTO, que poderia ter alíquotas definidas nos níveis -federal, estadual e municipal-. Para tanto seriam extintos os seguintes 15 impostos e contribuições, que incidem hoje sobre propriedade e consumo nos três níveis de governo:
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS);
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS);
Contribuição ao Programa de Formação de Patrimônio do Servidor Público (Pasep);
Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins);
Imposto Sobre Serviços (ISS);
Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA);
Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doações (ITDMC)
Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR);
Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU);
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
Imposto de Exportação (IE);
Contribuições previdenciárias sobre folha de pagamento;
Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (Cide); e
Salário-Educação.
COMPETÊNCIA
Mediante convênios, a competência para arrecadação, fiscalização e cobrança seria: da União, para o Imposto de Renda (IR); dos estados, para o imposto sobre consumo de bens e serviços; e dos municípios, para o imposto sobre patrimônio.
Com a extinção das contribuições sociais, a seguridade social seria financiada por uma parcela da arrecadação dos impostos sobre consumo e sobre renda, além de recursos orçamentários. O porcentual mínimo dos tributos a ser destinado à área será definido em lei complementar, conforme o texto. Ainda segundo a proposta, seriam destinados à educação uma fatia mínima de 18% da receita da União e de 25% da receita dos estados e municípios. Já programas suplementares de alimentação e assistência à saúde seriam financiados com recursos provenientes de impostos sobre a renda e sobre consumo dos respectivos entes federativos.
SIMPLIFICAÇÃO
“Com somente duas medidas principais, faríamos uma reforma que atenderia o apelo pela simplificação tributária, eliminaria as resistências sobre as propostas em debate no Congresso Nacional, aumentaria a competitividade do sistema tributário, reduziria dependência sobre impostos regressivos de consumo e combateria a centralização excessiva no sistema tributário”, afirma Orleans e Bragança na justificativa do projeto. A primeira medida seria permitir que estados e municípios tributem as três bases de incidência de forma a equalizar suas contas da maneira que entenderem. “Alguns municípios sofrem de inadimplência recorde de pagamento de IPTU e passam a depender de taxas de serviço diretos pra manter serviços públicos”, explica. “Tendo mais instrumentos para alcançar o equilíbrio fiscal, a tarefa das prefeituras seria facilitada.”
MODELO AMERICANO
“No modelo norte americano, à exceção dos impostos federais, que são impositivos e irrevogáveis, estados e municípios definem quais tributos e com que alíquotas seus cidadãos serão taxados. Alguns estados dependem mais de tributos sobre a renda, outros dependem de tributos sobre a propriedade e outros de tributos sobre consumo e outros arrecadam sobre os três itens. Cada estado equilibra suas contas como bem entender”, afirma o parlamentar. A segunda mudança seria acabar com o chamado “efeito cascata”, ao se limitar a cobrança dos impostos sobre consumo somente à etapa de venda ao consumidor final, no estado de destino, desonerando a cadeia produtiva. O modelo é semelhante à ideia de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), já adotado em diversos outros países e que consta de propostas como a PEC 110.
“Com essa medida atenderíamos o principal benefício do IVA para o produtor, a não cumulatividade, desobrigando-o de manter notas fiscais e contas de conciliação para comprovar os créditos dos insumos”, diz Orleans e Bragança. Ficariam vedadas a cobrança do imposto sobre consumo nas operações entre empresas e a utilização da substituição tributária, o que eliminaria a necessidade de rastreamento de débitos e créditos fiscais.
O texto original previa ainda que passassem a ser voluntárias as contribuições ao Sistema “S”, que hoje variam de 0,2% a 2,5% em função do tipo de contribuinte, definido pelo enquadramento no código Fundo de Previdência e Assistência Social (FPAS). O dispositivo foi retirado no relatório apresentado na CCJC por Jordy, que alegou que a mudança “tende a abolir direitos e garantias individuais”. “Isso se dá porque o Sistema ‘S’ tem como principal objetivo beneficiar e ajudar os trabalhadores de diversas áreas do mercado”, explicou o deputado.
O Sistema S é composto hoje de sete instituições: Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai); Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Social da Indústria (Sesi), Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e Serviço Social de Transporte (Sest).
Diferentemente de outras propostas já apresentadas, a PEC 7 não prevê um mecanismo de transição entre o atual modelo e a nova ordem sugerida. A PEC 110, por exemplo, estabelece um prazo de 40 anos para a conclusão das mudanças.
Na comissão especial, não foram protocoladas emendas até o encerramento do prazo inicial de dez sessões, mas já há até agora 19 requerimentos de audiências públicas com representantes de diversos segmentos. Novas contribuições podem ser aceitas no caso da apresentação de um substitutivo pela relatora.
Caso a PEC não seja apreciada pela comissão até o fim da atual legislatura, que se encerra neste ano, a proposição será arquivada, podendo ser desarquivada por Orleans e Bragança caso seja reeleito, ou outro parlamentar que conquiste novo mandato e tenha o nome acrescido ao texto como autor.
O voto da sabedoria popular - 13/07/2022
Alex Pipkin, PhD
O eleitor brasileiro médio possui um nível de escolaridade que gira em torno do ensino fundamental e do ensino médio.
Como escrevi dias atrás, não resta dúvidas de que a grande massa do eleitorado “vota com a barriga”.
Por outro lado, parece impressionante como se conversa com determinadas pessoas com um certo grau de discernimento e se verifica certo nível de convergência no que se refere a políticas que deveriam ser adotadas no país.
Como nessas terras, seguramente, uma das palavras mais entoadas é democracia, reputam como algo positivo o rodízio do poder e de plataformas políticas diferentes.
Honestamente, faz muito mas muito tempo que não se vê nada diferente do que se passou a presenciar a partir da eleição do PR atual.
Apesar de se mostrarem como partidos e linhas ideológicas diferentes, o que sempre se presenciou na sociedade brasileira do “rent-seeking”, foi sua formatação, sendo administrada, adornada e bajulada pelo velho e sempre atual estamento burocrático.
A própria Constituição de 1988, reflete uma visão de mundo coletivista, que prevê direitos e mais direitos, mas ao mesmo tempo, não dá conta com os deveres dos cidadãos.
Diga-se de passagem, o quão estarrecedor é quando uma Suprema Corte, ativista e política, rasga sistematicamente à Constituição, e elimina os direitos e as liberdades individuais, a pretexto de estar zelando “pela democracia e pelo Estado de Direito”. Eles estão fazendo política partidária e desmantelando as preciosas liberdades individuais.
Oh, quão nobres são todos aqueles visionários que querem um mundo melhor e mais justo, matando a galinha dos ovos de ouro, ops, os empresários de verdade - não os do compadrio - e as pessoas, que criam empregos, renda e riqueza!
Oh, quão sábios são todos aqueles visionários que querem o protagonismo cada vez maior do Estado, frente a submissão contraprodutiva e ineficiente do mercado. Estado esse intervencionista, fechado, amarrado e capturado.
A turma que quer retomar ao poder, é aquela que deixou o país em frangalhos, que mentiu para o povo e cometeu o maior assalto aos cofres públicos da história mundial, com a corrupção - que o eleitor médio não tolera -, e que classifica o PR atual como uma ameaça à democracia, já que ele atua - no imaginário desses artistas - como racista, homofóbico, autoritário…
Essa turma quer o coletivismo igualitário para o povaréu, embora sua cúpula, como sempre se constatou - deseja continuar gozando dos prazeres que só a economia de mercado é capaz de produzir.
Muitos que penderão para a chapa rubra, tem ido às ruas e/ou se manifestado contra o tal capitalismo.
O capitalismo malvado, de acordo com esses, privilegia unicamente os resultados para os acionistas, mas eles são sabem o que dizem. O acionista e a sociedade somente se beneficiam porque no sistema capitalista o soberano, que é quem decide o que comprar e/ou não comprar, é o consumidor.
As narrativas e a nomenclatura são belas, agora tem que valer o capitalismo das partes interessadas, que na prática significa que o Estado decide ao invés dos consumidores, reformando o capitalismo para uma forma de coletivismo “mais igualitário”.
Um dos lados não é, não pode ser, e não foi perfeito, porém, mal ou bem, foi um importante divisor de águas.
Penso que o eleitor brasileiro médio não queira o socialismo.
Somente o desejam e o deferenciam os que estão a serviço do poder e da ambição.
Afora aqueles catequizados pela religião ideológica extremista de todos os lados - que as redes sociais jogam gasolina -, mesmo deixando a barriga escondida -, a opção parece ser facilitada:
Qual dos dois candidatos parece ser mais confiável e autêntico?
Qual dos dois candidatos não perverteu a linguagem e, portanto, fala a verdade?
Qual dos dois candidatos nomeou profissionais (não cabide de emprego e corrupção) para os ministérios e foi mais competente na gestão?
Qual dos dois candidatos, proporcionalmente, construiu as bases para um crescimento mais sólido e sustentável?
Qual dos dois candidatos fez - não só verbalizou - pelas liberdades individuais?
Com quem o povo gostaria de estar mais ao lado?
Reflita.
Brasil – pária internacional ou salvação mundial? - 17/06/2022
Samir Keedi
Já vimos mundo ruim. Ao longo da história já se viram períodos de incrível violência e de futuro absolutamente incerto. Daquele que se pensou que futuro teria a humanidade. Em que dezenas milhões de pessoas foram mortas por ideologias enviesadas. Milhões mortos por guerras inaceitáveis e inúteis, por psicopatas e gananciosos pelo poder.
Mas, o atual parece ser incrivelmente péssimo, em especial pela cegueira atual que não vê nada. Ops, erro nosso, realmente veem, mas apenas o que querem, e por interesses escusos.
E, no Brasil, em especial no mundo quanto ao Brasil, parece que chegamos ao fundo do poço. Quanto à Amazônia, o fundo do poço já não tem mais fundo. Mais um escândalo mundial em face de duas mortes na Amazônia. Um continente do tamanho ou maior que o europeu. São assassinados no Brasil mais de 40 mil pessoas por ano atualmente. Até pouquíssimos anos, eram mais de 60 mil pessoas por ano. No Rio de Janeiro o desastre humanitário é avassalador. Nenhuma dessas vidas importa? Apenas aquelas que aconteceram agora na Amazônia? Lamentável, claro, mas, só elas? Todas as vidas importam, e muito. Todas! Mas, é necessário selecionar para atacar?
Mas, claro, a da Amazônia é aquela que se usa para abater o gigante, e que, se deixado livre, seria o melhor país do mundo. De todos os tempos. Nunca mais largaria a rapadura. Mas, interessa? Claro que não.
Em especial aproveitando duas mortes na Amazônia num momento crucial para o país. Em que o culpado é, pessoalmente, o presidente da República. Como se fosse possível ele evitar isso, ou colocar um policial ao lado de cada habitante da Amazônia, numa floresta fechada. Assim como no país todo. Alguém faz isso no mundo? Temos 4 bilhões de policiais, protegendo os quatro bilhões restantes?
A morte de Dorothy Stang, a missionária de 73 anos, que foi assassinada em 2005 não importava? Jogaram a culpa no governo e no presidente da ocasião? Que todos sabem quem é, e que em seguida viria a destruir quase irremediavelmente o país, destruindo o futuro do Brasil e da sua juventude. O assassinato dela não importa? Ninguém vai citar e comparar?
Vamos ao fatos. No Rio de Janeiro a policia está impedida de agir. E impedida por quem? Sim, pelo STF. Por quê? Dispensa explicações. Todos sabem quem são os componentes e por quem foram nomeados.
Para 0,5% de população indígena no Brasil, temos 14% do território demarcado para eles. Algo de nossa parte contra os indígenas? Não, temos que respeitá-los, mas apenas constatação da incoerência. Se é para valorizar ao máximo, que se expulse do país todos os seus demais 99,5% da população, enviando-os para outros países, e que a terra seja só dos indígenas.
Indígenas são brasileiros, como todos os povos e países do mundo, ao longo de milênios, cujas fronteiras foram sendo mudadas e delimitadas constantemente. E, eles querem se desenvolver. Querem ter casas, carros, celulares, eletrônicos em geral. Assim como os têm, e em quantidade. Assim, portanto, por que a diferença? Não são brasileiros, aqui vivem, aqui trabalham?
Mas, interessa que os indígenas se desenvolvam? Certamente não. Muitos interesses seriam feridos. No Brasil e no exterior. O interesse é sua exploração. Tanto por brasileiros como por países e entidades internacionais. Por quê? Simples, a riqueza, a ganância, o anti-Brasil. Se deixarem transformar os indígenas, se os deixarem ter suas próprias vidas, deixarem de ser tutelados como se fossem débeis mentais e crianças, deixarem se desenvolverem, serão riquíssimos, vivendo numa das terras de mais recursos gerais do planeta.
O Macron, que não se sabe porque os franceses reelegeram, que nada sabe, e não sabe o que é uma floresta, afinal em seu país não há uma digna do nome, fala o que não sabe e apenas o que interessa. E por quê? Simples, se não proteger a sua incompetente agricultura, que mal alimenta seu país pela falta de competência e competitividade, estará acabado.
Onde estão os artistas, brasileiros e estrangeiros, especialmente hollywoodianos, que vivem na bolha lunar e saturniana, as ONGs, os governantes, a suequinha que mal sabe, provavelmente, arrumar seu quarto, diante da guerra da Ucrânia, em que a Rússia, país com o dobro to tamanho do Brasil, e quase o dobro da China, EUA e Canadá, e bem mais que o dobro da Austrália, está destruindo um país bonito?
Onde estão eles diante das atrocidades em Cuba, Venezuela, Nicarágua, Coréia do Norte, China? Ah! Esses países citados não existem, são apenas fantasias da nossa cabecinha que nada vale? Onde estão eles?
Todos querem ser donos da Amazônia, e perguntamos. Onde está a Amazônia deles? Ou uma simples floresta que os ajude? Destruíram-nas para seu desenvolvimento. Eles podiam? E agora tem inveja da nossa, que não tem sido destruída, está muito preservada, e ainda assim conseguimos ter a melhor agricultura do mundo, com o uso de apenas 7% do território brasileiro para isso?
Dependem do Brasil para se alimentar, e nos criticam? Querem nos destruir? Será que deveríamos super subsidiar nosso consumo interno, à custa de um preço elevado para eles? Afinal, não precisam de nossos alimentos? Que paguem?
Quando terão a devida vergonha na cara, cessarão as cretinices, e elogiarão o que temos feito? Em especial a recuperação do país, ocorrendo em menos de 4 anos, em que se tem feito igual a destruição de quase 40 anos, depois da terra arrasada?
*Enviado ao site pelo autor, que é diretor da Ske Consultoria Ltda
Assombros e escombros - 11/06/2022
Valdemar Munaro
Ruínas desenhadas pela destruição produzem em quem as contempla sentimentos de tristeza e nostalgia. Talvez porque seus fragmentos e destroços fazem inferir e entrever restos de um passado semelhante ao nosso.
Civilizações, aparentemente indestrutíveis e insuperáveis, jazem agora sob escombros e por suas fendas e arestas imaginamos antigos redutos de vida, beleza e esplendor.
Comunidades como a egípcia, a fenícia, a babilônica, a mesopotâmica, a persa, a grega, a romana, a inca, a maia, a asteca, a mongol, a bizantina e outras tantas, ruíram. Foram grandes, mas sobraram cacos que, simultaneamente, revelam grandeza e miséria, força e fraqueza, vida e morte dos seus construtores e artífices.
'Impérios eternos', incrivelmente poderosos, hoje soterrados, ensinam a efemeridade dos megalomaníacos projetos humanos e suas pretensas grandezas.
Perguntamo-nos, porém, por quais razões, 'inabaláveis' e seculares fundações, desmoronaram rolando de seus cumes para rastejarem com seus fundamentos. As causas das catástrofes de muitas civilizações, objeto de incontáveis estudos históricos de honestos pesquisadores, estão relacionadas, quase sempre e sobretudo, a síndromes morais, intelectuais e espirituais que corroeram os seus alicerces e não a avalanches externas ou forças implacáveis do tempo. Foram aquelas síndromes que colapsaram aqueles organismos. Eles cultivavam e albergavam no seu interior, ferrugem e corrosão morais. Enfermidades interiores, quase sempre, ferem mais os corpos do que suas doenças epidérmicas. Do mesmo modo, civilizações que hospedam corrupção e mentira não perdem por esperar e colher efeitos correlativos.
Quando, sobremaneira, detentores de poder, unem-se a comparsas populares na 'tarefa' de corroer fundamentos advindos de necessárias exigências éticas, acabam por dinamitar o próprio sustentáculo da vida social. Amostras históricas corroboram essa verdade. No ano 69 d. C., por exemplo, o general romano Vitélio, filho de progenitor assassino e depravado, assumiu o império romano. Era glutão, viciado em festas e comilanças. Na conjuntura da sua época, era glamour praticar bulimia: comer, beber (não a plebe, evidentemente) e vomitar para poder voltar a beber e comer. Inspirado nos malucos antecessores, Nero e Calígula, Vitélio, só em oito meses de reinado, gastou fortuna em comida e bebida. Por ocasião da sua posse, em Roma, promoveu prolongado banquete repleto de convivas glutões que consumiriam iguarias em profusão: duas mil espécies de peixes (entre elas, lulas e lagostas), sete mil aves e outras carnes, barris de vinho e cerveja aos cântaros.
Promoviam-se glutonarias, bebedeiras, orgias e festas nas quais se esbanjavam iníquos impostos. Os governantes e nobres exalavam desprezo e cinismo ante as necessidades do povo. Em suma, os detentores do poder político, econômico e militar viviam amalgamados a íncubos de morte, podridão e miséria morais, prefigurando, através de seus hábitos e comportamentos, o declínio futuro.
No tempo oportuno, como dissemos, mais por corrupção entranhada do que por ação de bárbaros, o império romano veio abaixo. Dos seus escombros emergiram o caos, a desordem, o gangsterismo, a violência dos fortes sobre fracos, a ruralização das cidades. No norte da África, Agostinho, bispo de Hipona (430 d. C.), e Gregório Magno, na Roma já arruinada (ano 590 d. C. e seguintes), testemunharam aqueles terríveis acontecimentos. O africano, rente à morte, viu pessoalmente sua cidade ser destruída pelo irromper de vândalos acomunados à lascívia dos romanos. Gregório, por sua vez, 'flagelo de Deus', contemplou a Roma vandalizada, o império em frangalhos. Seu trabalho, heroico e incansável, foi consolar e animar os habitantes desorientados. Terminou por chefiar e organizar a sociedade e a igreja exercendo as funções de prefeito, médico, músico, monge e papa. Assumindo todas aquelas responsabilidades, Gregório Magno cuidou de sobreviventes. Agostinho é testemunha do império desmoronando, Gregório, é testemunha do império desmoronado. O primeiro previu incêndios, o segundo recolheu cinzas. As civilizações, portanto, não se constroem, nem se destroem instantaneamente. Raízes e causas de sua edificação ou de sua destruição germinam escondidas nas premissas morais e espirituais cultivadas e escolhidas.
As sombras daqueles acontecimentos se projetam também sobre as adversidades dos nossos dias. Podemos estabelecer correlação, por exemplo, com as assustadoras e macabras características do terrorismo contemporâneo. As consequências têm semelhanças com a catástrofe romana. Se derrocadas políticas, econômicas e sociais não são mágicas nem imprevisíveis, também a capacidade criminosa adquirida por muitos homens dos nossos dias só foi possível pela 'arquitetura destrutiva' longamente planejada e posta em prática.
Nenhum comportamento terrorista, semelhante ao que vimos e vemos nos últimos tempos, encontra paralelo histórico. Ele se tornou possível depois do estraçalho daqueles pilares morais e espirituais que sustentavam pessoas e civilizações. Nem sanguinários homens envergados ao estilo Gengis Kan, Aníbal, Barrabás e/ou 'assassinos' do primordial islamismo atingiram as espantosas faces criminosas como as praticadas pelo terrorismo revolucionário contemporâneo. Essas características, consequência de ações e pensamentos psicopáticos, se tornaram viáveis e possíveis a partir do derretimento das camadas morais, intelectuais e espirituais que alimentavam vidas e dignidades envolvidas.
Com efeito, há uma 'conditio sine qua non' para o macabrismo: quebrar a espinha psicológica, moral e espiritual que sustenta a ordem psicológica. Não haveria terrorismo e/ou ação revolucionária, nos moldes ultimamente vistos, se não tivéssemos tido rupturas de sensibilidades, afetos, escrúpulos, bondades e sentimentos éticos que orientavam ações humanas. Os mentores do terrorismo revolucionário 'qualificado' e explícito dos 'tempos modernos' entenderam que a condição eficaz sem a qual não seria possível 'fabricar' homens cruéis e psicopatas, revolucionários enfim, era 'romper', eficazmente, com o fundamento basilar ontológico que a vida e a dignidade de seus protagonistas traziam. Não haveria, de modo algum, ações revolucionárias e terroristas sem a transformação das 'personalidades' envolvidas, em agentes quebradiços, empedernidos e moralmente frios e/ou gelados, pelados de moral.
Os inventores do terrorismo revolucionário conheciam essa prerrogativa, sabiam que, para se 'criar' homens perversos e psicopáticos é preciso despertar e alimentar o elemento demoníaco naturalmente adormecido e inexistente no coração humano. E puseram em prática seus projetos macabros arrebentando tradições, moralidades, heranças e princípios espirituais milenares. A filósofa Hanna Arendt afirmou lucidamente que os revolucionários totalitaristas nunca tiveram por objetivo a melhora real, econômica e social dos povos envolvidos, mas, antes, e só, modificar radicalmente a natureza dos humanos.
As escolas revolucionárias produziram terra arrasada, destruíram interioridades humanas. A 'morte de Deus' no coração dos homens escancarou o advento de demônios. Não nos enganemos com muitos que se apresentam como defensores de pobres e desvalidos. A perversidade mais perversa é, muitas vezes, exatamente aquela de rosto angelical. Para se chegar a tamanha perversão é preciso labor e inteligência, um trabalho destrutivo que fere o 'éden' de nossa alma.
O homem não é, nem está originariamente arruinado. Era esse o entendimento de Aristóteles e Tomás de Aquino. Somos potencialmente feitos para o bem e para o mal. Por isso, não há ação perversa, sem agente pervertido. Boa árvore, eventualmente, produz fruto ruim, mas árvore má não produz fruto bom. Em almas íntegras, o mal pode também ocorrer, mas em almas pervertidas, o mal é efetivo, mesmo quando parecer belo e bom. Na inexistência da piedade, do temor, da reverência, da gratidão, do remorso, do sentimento estético, da culpa, do arrependimento, do amor, inexistirá essencialmente a retidão. A psicopatia revolucionária, portanto, germina e cresce sobremaneira em mentes corroídas pela ausência, quando não, destruição de quaisquer sentimentos morais e espirituais.
Lênin, Stalin, Trotsky, Hitler, Himmler, Eichmann, Pol Pot, Mao Tse Tung, Fidel Castro, Che Guevara, Ceausescu e outros tantos líderes revolucionários do século XX estampam ações macabras e alucinantemente criminosas que podem ser bem observadas nos seus feitos históricos. Em suas estratégias diabólicas punham à frente das incursões não quaisquer cidadãos, mas, antes, assassinos contumazes, praticantes habituais de delitos, criminosos sem escrúpulo e sem remorsos, gente capaz de matar, sem medo e sem piedade, indefesos e inocentes.
Grupos terroristas como Setembro Negro, Ira, Al Qaeda, Farc e outros, ao recrutarem jovens para seus fins, submetia-os a experiências imorais a fim de que adquirissem capacidades assassinas. Só dessa forma estariam prontos às incursões guerrilheiras. Os vestígios morais, as afeições familiares, os resíduos psicológicos e espirituais que houvesse neles, deveriam ficar para trás, pois eles alimentariam e sustentariam consciências saudáveis. A alma guerrilheira e terrorista só emerge após o estraçalho do seu reduto moral e psicológico. 'Fabricar' criminosos e assassinos supõe, portanto, destruição de interioridades. Abuso de jovens, prática comum entre eles, visava extirpar sentimentos de bondade e afeto. Muitos grupos terroristas e/ou guerrilheiros, diz o historiador Paul Jonhson, estupravam mulheres recrutas para que nelas desaparecessem os níveis de sensibilidade, arrependimento e moralidade, empecilhos à atividade revolucionária. Mentores assassinos sabiam que um revolucionário é apto a matar somente quando adquirir coração gelado.
É bem possível que a mais chocante, triste e assustadora 'conquista' dos últimos séculos tenha sido a transformação de mulheres em assassinas e/ou terroristas. De todas as criaturas, o ser feminino é a mais parecido com Deus. A mulher, a mais amorosa, a mais propensa à proteção e defesa da vida, a mais sensível e afetuosa, a mais inclinada à compaixão, à justiça e à retidão, para nosso espanto, atingiu a diabólica proeza e condição de ser 'máquina' violenta e mortal. Nenhum outro período da história obteve tal façanha. Ao destruirmos a alma e o coração dos seres mais dignos e capazes de nos educar e de nos amar, de nos cuidar e de nos proteger (pensemos, como exemplo, em nossas mães), nos aproximamos da trincheira, a última, que nos impedirá mergulharmos nas trevas.
A índole assassina dos revolucionários contemporâneos foi capaz de matar sem remorsos, nem arrependimentos, pessoas indefesas e inocentes. Ela pode ser vista no comportamento de lideranças comunistas que, em geral, são frias e calculistas, rigidamente descordializadas, desmisericordializadas e imoralizadas. Maduro não sente remorso pelos refugiados que gerou. Fidel Castro foi enterrado sem pedir perdão pelos crimes que cometeu. O mesmo fazem todos os governantes responsáveis por misérias e confusão mundo afora.
Lênin apreciava a música, mas a considerava incompatível à revolução, pois, segundo ele, a arte pode amenizar ou adocicar a crueldade do guerrilheiro. Portanto, o revolucionário, por natureza, deve ser cruel e impassível, destituído de sentimentos que não sejam a da 'justiça e da vingança'. Os rostos de Ceausescu, Maduro, Daniel Ortega, Kadafi, Che Guevara, Stalin, Lênin, Trotsky, Camilo Torres, Camilo Cienfuegos, Mao Tse Tung, Hitler, Himmler, Eichmann, Pol Pot, Fidel Castro, Karl Marx, F. Engels, Robespierre, Símon Bolívar, Rosa de Luxemburgo, Luís Carlos Prestes, Marighella, José Dirceu e todos, sem exceção, cobrem-se de frieza e cinismo. Não tiveram, nem têm, de seus atos, remorsos e arrependimentos. O riso espontâneo desapareceu neles para dar lugar ao sarcasmo e à ironia. Nas esferas tiranas os comediantes também desapareceram e foram suplantados pelo deboche e pela cara de pau. Quem desejar ser guerrilheiro deve se despir de toda sensibilidade moral e espiritual, deve petrificar-se, sem o que, em guerrilheiro não se transformará.
Assim, como não nos estarrecermos ante psicopatias e pneumopatologias (segundo Voegelin) que nos assolam e nos amedrontam?! O massacre de Vendéia, na França (de pobres camponeses católicos e monarquistas), por si só, deveria encerrar toda e qualquer simpatia pelos ideais revolucionários franceses. O massacre dos pobres marujos e marinheiros em Kronstadt, no Golfo da Finlândia (impetrado por revolucionários russos) e o genocídio da fome em Holomodor, na Ucrânia (por sanguinários stalinistas), bastariam para não se ter mais nenhuma estima pela Revolução Russa. O Holocausto judeu impetrado pelos nazistas e o comportamento do comando 101 (treinado exclusivamente para matar crianças e mulheres judias indefesas) grita aos céus e denuncia a psicopatia absoluta daqueles governantes. Os fuzilamentos nos muros de Havana contrariam nuclearmente todos os ideais proclamados pelos guerrilheiros de Sierra Maestra. Os mortos do genocídio armeno desdizem os ideais de justiça muçulmanos proclamados pelos governantes turcos da época. O genocídio dos tutsis ruandeses proclama a insensatez e a loucura das lideranças e dos intelectuais hutus, 'amantes' da justiça. A lista dos paradoxos e contradições pode ser longa.
Como não nos assustar, então, ante mentes tresloucadas e assassinas que rondam e governam as nações?! Como não nos encolher ante figuras psicopáticas idolatradas e admiradas por esquerdistas do mundo e do Brasil, homens sem remorso, sem vergonha e sem escrúpulos? Como não ficarmos atônitos ante mulheres defensoras inescrupulosas de estupradores e assassinos e apoiadoras de qualquer pauta abortista?! Como não nos amedrontar ante governantes desviadores, sem pestanejo e sem rubor, de verbas públicas destinadas à saúde? Como não nos amedrontar ante juízes, deputados, governadores e senadores, alheios às esperanças de um povo, vivendo em bolhas, alardeando democracia vivendo de costas para ele? Como não nos envergonhar e não nos decepcionar ante mídias mentirosas e militantes?
O ataque ocorrido recentemente, em Uvalde, Texas, USA, perpetrado por psicopata, chocou o mundo. Não constitui, porém, comportamento distinto de outros praticados por revolucionários, terroristas e criminosos políticos, apoiadores de sanguinários inescrupulosos. A morte de 20 pessoas ou mais, na maior parte crianças, traz à ribalta a insanidade decorrente da ausência de estruturas afetivas, psicológicas e morais, ninho de criminosos. A maior parte da criminalidade provém de fontes preponderantemente quebradas. Paradoxalmente, contudo, intérpretes sociais e intelectuais, professores e especialistas da área, promovem agendas quebradiças, exatamente daqueles valores exigidos, sem os quais o crime e a violência não diminuirão. Os mesmos autores que vociferam explicações socialistas tentando justificar o incremento da criminalidade (pondo acento na educação, na responsabilidade das armas, no desemprego e na economia etc.), mostram incoerência e hipocrisia quando desprezam valores como família, propriedade, religião, moralidade e ordem, básicos à vida. Primeiro ensinam o desprezo pela moral e pela religião, depois fingem não ver o desastre que a ausência delas produz.
Causa, portanto, assombro ver feministas exaltando figuras como Simone de Beauvoir (abusadora de adolescentes), Madgalena Frida Kahlo (amante de revolucionário russo assassino e psicopata), Alexandra Kollantai (impiedosa com as russas), e outras tantas causadoras de sofrimento e dor alheios. Causa assombro ver padres, bispos, freiras e pastores evangélicos apoiarem lideranças e partidos políticos abertamente abortistas e defensores da liberação das drogas. Causa assombro ver ministros do STF proclamarem direito à liberdade de expressão e aprisionando pessoas que opinam contrariamente. Causa assombro homossexuais venerarem figuras algozes e assassinas de suas próprias causas. Causa assombro estudantes e intelectuais atenderem a textos de autores, cujas vidas desdizem o que os seus livros proclamam. Causa estonteante assombro ver o povo chileno escolher presidente um homem cujo currículo regista assédio sexual, consumo de drogas, internações psiquiátricas, apoio a protestos incendiários, amizade com assassinos de Jaime Gusman (ex-senador), defesa de tiranias venezuelana e cubana, aplausos a badernas estudantis em tempos universitários, inconclusão de curso superior, inexperiência administrativa, vida mimada e cômoda. Causa assombro a decadência do jornalismo calado ante a evidência dos fatos que testemunham aproximação do povo ao presidente da república contrastando declarações de candidato condenado e suas pesquisas. São muitos os assombros...
Não nos enganemos: muitos dos que se apresentam como amantes dos pobres, parecem cordeiros, mas são lobos, gente sem coração e sem alma, 'ladrões e salteadores' segundo Jesus. Theodore Dalrymple afirmou, categoricamente, sobre K. Marx, o pai do esquerdismo ocidental e contemporâneo: foi alguém que conseguiu a extraordinária proeza de amar a inteira humanidade, sem amar, absolutamente, ninguém. Tal é e será sempre o desastre da doutrina marxista.
Nossa liberdade fisga o infinito, futrica tudo, mas não pode tudo. Seu dinamismo se une à responsabilidade que nos dá o senso do limite e da modéstia. Há, porém, os que nos ensinam a desprezar pilares morais, empurrando-nos para o picadeiro das confusões e do caos. Propõem-nos liberdades irresponsáveis, ou melhor, responsabilidades anônimas e anonimatos irresponsáveis, felicidades imorais e imoralidades felizes. Terminaremos, por esse caminho, no suicídio civilizacional e na esquizofrenia.
* Em Santa Maria, 10/06/2022
** O autor é professor de Filosofia na UNIFRA
Caríssimas vidas - 11/06/2022
José Antônio Lemos dos Santos
Após as centenas de mortes causadas pelas chuvas em várias cidades brasileiras em fins do ano passado e começo deste, era de se esperar nas nossas demais cidades um mínimo de atenção às pessoas em áreas de risco em especial aquelas em ocupações de alto risco transferindo-as para lugares seguros, sem esperar que as chuvas aconteçam. Nestas duas últimas semanas, quase 130 óbitos a mais em Pernambuco, e Recife é uma das cidades que mais investe em obras preventivas. Em geral, temporais, deslizamentos, inundações matam porque as pessoas estavam por omissão administrativa onde não deveriam estar, expostas a grave insegurança geológica ou arquitetônica.
Antes de serem questões de obras, as tragédias urbanas em época de chuvas intensas são casos de gestão urbanística. É básico que as pessoas não ocupem os lugares impróprios estabelecidos nos Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano (PDDUs). Esta gestão cabe às prefeituras, em especial nas áreas de alto risco, de onde seus ocupantes precisam ser transferidos antes que as chuvas despenquem, mesmo que sem uma solução definitiva, uma transferência provisória digna para abrigos ou casas de familiares, a demolição das ocupações esvaziadas e a posterior construção de edificações seguras para esta população transferida. Os urbanistas são aptos a propor as soluções adequadas. Ainda que paliativas, salvariam vidas, reduzindo os números trágicos vividos por nossas cidades. E assim fazer todos os anos, sem prejuízo das obras de prevenção.
Há anos escrevo sobre o assunto cobrando a responsabilização a quem de direito nos moldes da Lei de Responsabilidade Fiscal. É claro que a solução permanente é assunto complexo pelo seu caráter nacional, pelas dificuldades metodológicas e de estruturas técnicas e legais que em grande parte terão que ser criadas em todos os níveis de governo. Assim não se imagina que qualquer iniciativa desse tipo decidida agora fique pronta amanhã. Também não se pensa, a não ser como instigante utopia, que as tragédias um dia deixarão de existir, mas que se restrinjam aos desastres naturais de fato imprevisíveis tecnicamente.
Imagino que os instrumentos básicos dessa legislação venham a ser os PDDUs com suas cartas de Uso do Solo e um cadastro nacional das ocupações em Áreas de Risco composto pelos cadastros municipais e estaduais, envolvendo os órgãos de Planejamento Urbano e Defesa Civil, amparados por um programa nacional específico destinado a viabilização técnica e financeira das transferências das populações envolvidas para soluções urbanísticas bem concebidas. Repito que não se trata de um projeto de curto prazo, nem barato. Por isso é urgente. A cada ano fica mais atrasado, mais caro e mortal. Seria um grande avanço se os próximos prefeitos já assumissem sob as novas regras e que ao final de seus mandatos, não alcançando as metas de melhorias estabelecidas em lei, sejam punidos na sua condição de elegibilidade, sem prejuízo de outras penalidades e do amplo direito de defesa.
Vozes poderosas, contudo, vão se somando. O CAU, em nível federal e regional, pensa o assunto há algum tempo, tendo produzido no início do ano um manifesto nacional com o mesmo sentido. Já no último dia 31 de maio, o jornalista Alexandre Garcia em seu comentário pendurou o guizo no gato, apontando na figura do prefeito municipal a responsabilidade pelas ocupações de risco e, assim, pelas tragédias vividas por nossas cidades todos os anos. Uma lei específica criaria critérios para as cobranças em julgamentos justos. Triste balanço: em 2022, só até 31 de maio, a irresponsabilidade pública já ceifou 457 caríssimas vidas brasileiras.
* O autor é arquiteto e urbanista, membro da AAU, é professor aposentado.
O Brasil está diante de uma oportunidade histórica - 10/06/2022
Gilberto Simões Pires
LEVAR ESCLARECIMENTOS
Com a aproximação das Eleições 2022 (faltam apenas quatro meses), o grande dever daqueles que têm por hábito fazer uso do raciocínio lógico é levar o máximo de esclarecimentos possíveis mostrando, insistentemente, de que o BRASIL ESTÁ DIANTE DE UMA NOVA OPORTUNIDADE HISTÓRICA. É importante observar que o sucesso desta trajetória, que já está em curso, depende apenas da reeleição de Jair Bolsonaro, que apesar das dificuldades impostas por boa parte do Legislativo e pela grande maioria do STF, vem conseguindo fazer valer os propósitos de uma MATRIZ ECONÔMICA MAIS LIBERALIZANTE.
REFORMAS E MARCOS REGULATÓRIOS
Hoje, bem diferente do que aconteceu na década dos anos 2000, quando o Brasil, por falta de REFORMAS, PRIVATIZAÇÕES e de outras medidas necessárias, assistiu o fantástico crescimento da economia da China, é preciso admitir que a situação é bem mais promissora. Além da REFORMA DA PREVIDÊNCIA, vários MARCOS REGULATÓRIOS (GÁS NATURAL, que abriu o setor; SETOR ELÉTRICO, que abriu o mercado livre de energia; CABOTAGEM, que criou novas regras para a chamada “BR do Mar”; e PETRÓLEO, que permite que as áreas do pré-sal sejam exploradas pelo regime de concessão, etc.) abriram as portas do Brasil para INVESTIDORES DO MUNDO TODO.
REVOGAÇÃO DAS BOAS MEDIDAS
Ora, diante das PROMESSAS AMEAÇADORAS que vários candidatos fazem a todo momento dizendo -explicitamente- que, caso venham a ocupar a cadeira presidencial, estas boas medidas serão imediatamente revogadas, isto por si só aumenta ainda mais a necessidade de REELEGER o candidato Jair Bolsonaro. De novo: o Brasil, mesmo deixando passar inúmeras boas OPORTUNIDADES, nunca esteve tão próximo de APROVEITAR O QUE A HISTÓRIA JAMAIS HAVIA CONFERIDO.
BOLA DA VEZ
Volto a repetir, à exaustão: aqueles que não aprovam certas atitudes do presidente Bolsonaro precisam levar em conta que na comparação com os demais candidatos ele é o ÚNICO que oferece reais condições para que, desta vez, o BRASIL NÃO PERCA A GRANDE OPORTUNIDADE QUE ESTÁ BATENDO NAS MAIS DIVERSAS PORTAS, onde o SETOR DE INFRAESTRUTURA desponta como a GRANDE BOLA DA VEZ.
MATRIZ ECONÔMICA BOLIVARIANA
Vejam que nesta ELEIÇÃO, pelo que informam todas as pesquisas de intenção de voto, simplesmente não existe TERCEIRA VIA. Assim, cabe ao eleitor escolher um de dois candidatos, sendo que um deles diz, de forma incansável, que se eleito voltará a emplacar a MATRIZ ECONÔMICA BOLIVARIANA, baseada na CARTILHA PRODUZIDA CUIDADOSAMENTE PELA ORGANIZAÇÃO COMUNISTA -FORO DE SÃO PAULO- que vigorou no desgraçado governo Dilma Petista e continua em pleno vigor na Venezuela, Cuba, Argentina...
A luta pelo gigantismo estatal - 06/06/2022
Alex Pipkin, PhD
Inexoravelmente, foi a economia de mercado a responsável por tirar milhões e milhões de pessoas da linha da miséria e da pobreza.
A divisão do trabalho, e a correspondente especialização, promoveram o incremento das trocas em nível mundial.
O foco na busca do aumento da lucratividade, fez com que as empresas impulsionassem as inovações, gerando mais empregos, mais renda e maior bem-estar para as populações.
O vínculo entre liberdade individual e liberdade econômica logrou produzir melhores empregos, maiores salários, um padrão de consumo infinitamente melhor do que se tinha até 1860 e, consequentemente, um maior crescimento econômico e social nas nações.
O capitalismo, ou o sistema de economia de mercado, arrefeceu inegavelmente a propalada luta de classes.
É interessante frisar que o entusiasmo pelas políticas coletivistas e pelo socialismo deixou de ser um movimento de baixo para cima, capitaneado pelo proletariado, ara ser vigorosamente empregado de cima para baixo, pelas elites de poder e influência, pelos intelectuais ungidos e por ativistas progressistas.
As utópicas ideologias coletivistas apoderaram-se das instituições, especialmente, das universidades, sendo suportadas e entoadas em coro pela "grande mídia".
O capitalismo aparenta estar no seu pior fogo cruzado e, de maneira importante, essa guerra também se realiza por meio do autoritarismo fantasiado de bom-mocismo, pela retirada das liberdades individuais, em especial, a de expressão, e sobretudo pelo intervencionismo econômico estatal.
A cruzada pelo coletivismo ou por um "novo tipo de capitalismo" nada tem a ver genuinamente com o desenvolvimento popular, pois trata-se da luta das elites pelo poder e pela influência, e pelo desejo de intelectuais interessados em posições estatais.
Muitos não percebem que a "mágica" da economia de livre mercado é dar mais liberdade, mais poder e capacidade para às pessoas realizarem seus planos individualmente e conjuntamente com os outros.
A coletivização almejada pelas elites tem como objetivos principais o aumento do tamanho do Estado e a intensificação do intervencionismo.
Exemplo mais emblemático dessa tentativa de acabar com a economia de mercado, disfarçado de remédio para os seus males, é o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
Klaus Schwab e seus colegas, com a entusiástica propagação de seus ideais coletivizantes, alcançaram o último reduto, ou seja, a empresa privada.
Atualmente, com determinadas políticas de ESG, presenciam-se líderes empresariais corporativistas brincando de governantes que aludem salvar o mundo e, ao mesmo tempo, governantes paramentados de generosos CEO's. O projeto é subverter a missão essencial de uma organização, que é de criar produtos e serviços que melhor atendam as necessidades dos consumidores, e os satisfaçam, portanto, alcançando uma maior lucratividade, para o propósito de fazer com que a empresa tenha como objetivo principal a inclusão social e a diversidade.
Verdadeiramente, o grande projeto desses líderes "benevolentes" é, indubitavelmente, intensificar o infausto intervencionismo estatal.
Pois a tropa de elite composta de burocratas estatais, de intelectuais e de empresários corporativistas intenciona mesmo implantar um franco coletivismo, operacionalizado por um Estado gigante e ainda mais intervencionista.
A campanha contra o "capitalismo selvagem", como sabemos, é anciã, capitaneada por demagogos e populistas, por intelectuais interessados e por corporativistas, entretanto, agora, já se encontra no seio empresarial, o centro criador de riqueza.
Portanto, a batalha pelo desenvolvimento econômico e social e pelo progresso, depende cada vez mais da divulgação e da defesa dos comprovados benefícios da redentora economia de mercado.
Esforço de guerra - 31/05/2022
José Maurício De Barcellos
Não se faz uma boa análise do cenário político nacional descurando de dois fatores externos que fortemente o influenciam, além da conjuntura interna naturalmente, mas que, em muitos aspectos, daqueles fatores decorrem, quais sejam estes: a Nova ordem Mundial (NOM) e o avanço da ideologia comunista sobre as Nações livres e em desenvolvimento, mormente as situadas no hemisfério sul.
Em rápidas pinceladas, como cabe no escopo deste artigo, cumpre dizer que a NOM ou a “Nova Ordem Geopolítica Mundial” designa o plano geopolítico internacional que surgiu para atacar a soberania dos Estados Unidos e do capitalismo, que praticamente se estendeu e se consolidou por todo mundo, com a queda do Muro de Berlim, em 1989 e o esfacelamento da União Soviética, em 1991.
Os poderios militar e econômico dos EUA, que se tornaram impossíveis de serem alcançados por qualquer outra nação do planeta, fizeram nascer frentes emergentes para rivalizá-los, a saber: o Japão e a União Europeia, inicialmente e, depois dos anos 2000, a China que de vez abandonou a ineficiência do comunismo pelo progresso do capitalismo, mas sem, contudo, libertar seu povo, que permanece subjugado por um regime assassino e escravagista.
Decorridas mais de três décadas, a NOM, aliada ao “globalismo” – uma nova proposta de domínio econômico universal, tão nociva quanto à do regime de esquerda mais feroz e àquele igualada por práticas totalitárias – entendeu que a América do Norte somente podia ser vencida infestando sua sociedade até fazê-la adoecer com o vírus do marxismo, porque acabou por compreender que, por enquanto, nenhuma Nação podia se atrever a guerrear contra o poderio norte-americano, até porque seria impossível para qualquer potência nuclear se valer das armas de destruição em massa.
No entanto, que ninguém se iluda. Aquele é ainda o real propósito dos “globalistas” e dos vermelhos. Neste diapasão, fico impressionado com o avanço alcançado. Impressiona como conseguiram ultrajar a mais expressiva manifestação da soberana vontade do povo da maior Nação democrática do mundo, elegendo mediante escancarada fraude eleitoral, um velho vigarista senil, lambaio do Partido Comunista Chinês.
Se fizeram isso com a Nação mais poderosa do mundo imaginem o que pretendem conosco?
O Brasil é o alvo da vez. Aqui eles já têm em suas algibeiras a vermelhada ladra e delinquente, a direita venal e corrupta, os “Contras” em geral e a molecada interesseira, preguiçosa e chupa-sangue das malogradas terceiras vias. Todos são identificáveis a olho nu. Uma força daquele tamanho não é com conversa fiada que se combate.
A serviço da NOM, comprados pelos poderosos magnatas do porte dos George Soros e dos Bill Gates da vida, estão Lula e as quadrilhas integradas pela classe política abjeta; estão também os lados podres do STF e do Congresso Nacional et caterva, sem falar da velha imprensa e da banca sanguessugas do suor de nossa gente. Alguém acha pouca coisa?
O pior cenário é aquele em que os patriotas possam se perder com as miuçalhas propagadas pela mídia, porca e rasteira, dos Barões das Comunicações e que, a rigor, não passam de meras manobras diversionistas para encobrir o avanço da NOM no Brasil e da vermelhada sem verniz.
A grande perda de tempo e de energia daqueles que vão lutar até a morte contra a “venezuelação” do País é dar valor às porcariadas do dia a dia, que vão desde a odiosa perseguição de um Mandarim do “Corrupto dos Porões do Jaburu” contra os homens livres que conhecem seu passado negro ou mesmo da campanha eleitoral, ilegal e fora de época, promovida pela mais alta Corte do Brasil contra quem aquele Tribunal elegeu como seu maior inimigo, o Presidente do Brasil, até à falácia de uma “gringa” vigarista que, a sorrelfa, sempre cuspiu nos pratos dos brasileiros que comiam em sua birosca e ninguém sabia.
A par de se exigir que o Chefe desta Nação, que também as Forças Armadas e as instituições republicanas que, porventura, ainda tenham um pouco de espírito público e alguns integrantes com um resto de vergonha na cara para se desincumbirem realmente de sua missão constitucional, cumpre ao patriota um esforço para evitar a volta ao poder daqueles que levaram o Brasil à beira do abismo social e econômico. É a hora do derradeiro esforço, de um verdadeiro esforço de guerra, tal qual, no passado, Nações inteiras fizeram para manter a sua terra e sua liberdade. Que outro jeito tiveram?
Quando guerras intestinas, como esta que nossa sociedade trava contra a vermelhada ateia e assassina, tomam proporções gigantescas, desagregadoras e desestabilizadoras, a atuação da sociedade civil passa a ser exigida com maior força, com todo empenho, formando assim os chamados esforços de guerra.
Podem-se entender os esforços de guerra como as mobilizações de recursos, tanto materiais como recursos humanos para dar auxílio e suporte às Forças Armadas, a quem cabe em derradeira medida, por força de preceito constitucional, recompor a lei e a ordem, justas estas e que no momento estão sendo achincalhadas e desafiadas por atores públicos que exorbitam de duas funções e competências.
O século XX foi marcado por duas grandes guerras mundiais. Com elas os esforços de guerra se intensificaram e foi a única solução possível diante da desgraça que se abateu sobre o mundo livre. Diversos são os exemplos de esforços de guerra, principalmente ao longo dos conflitos do século XX, tanto nas guerras mundiais, como no Brasil.
São inúmeros os exemplos dignificantes deste tempo de heroísmo e de entrega, mas nada comparável às participações femininas, sempre por mim compreendidas como o alicerce de tudo.
Sem dúvida que assim o é e há muito tempo. Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, se requereu um maior esforço de guerra, por parte das mulheres. Se na Primeira Guerra elas se voluntariaram ou foram recrutadas para o trabalho nas fábricas ou com a enfermagem, na Segunda Guerra passaram a operar máquinas, atuaram como engenheiras e exerceram as mais diversas funções. Tem-se um emblemático exemplo na atuação da então Princesa Elizabeth, hoje rainha Elizabeth II, que, durante a guerra contra a Alemanha de Hitler, se alistou no exército britânico como motorista de ambulância e mecânica nas oficinas das Forças Armadas inglesas.
Tenho fé nos patriotas e argumento apoiado nos inúmeros casos de valentes abnegados que já perderam até sua liberdade, mas que ainda permanecem, na trincheira, lutando como podem contra a canalha que, nos últimos 35 anos, ultrajou esta Terra de Santa Cruz.
Minha fé é maior ainda porque creio na força do caráter e no destemor das mulheres brasileiras, quer provenham elas dos cantões ou dos guetos deste imenso Brasil, quer dos condomínios mais luxuosos das nossas megalópoles, por isso que, na hora H, vão enfrentar o dragão vermelho dos traidores da Pátria, com invulgar coragem e desprendimento.
*Publicado originalmente no excelente Diário do Poder, em 28/05/2022.
Racismo: ensino versus doutrinação - 26/05/2022
Alex Pipkin, PhD
Acabo de ler notícia que apitou no meu celular, em que mais um jogador brasileiro negro foi chamado de macaco. Esse tipo de coisa é realmente deplorável!
Mas o futebol não vai parar...
Como judeu, conheço bem o preconceito e os costumeiros adjetivos do tipo "judeu", o que para mim é, de fato, um privilégio.
Evidente que existe preconceito racial e, verdadeiramente e de maneira triste, penso que esse persistirá.
No entanto, tenho convicção de que as formas de combate ao racismo estão muito equivocadas, na medida em que o preconceito, especialmente em relação aos negros, foi cooptado pela esquerda "bondosa", que o operacionaliza com fins claramente políticos, ou melhor, politiqueiros.
iscorda? Então vá investigar a fundo, profundamente, o que é o movimento Black Lives Matter.
Quando ouço as palavras racismo estrutural, algum tipo de processo químico se apossa do meu cérebro, causando-me uma sensação ruim, de forma semelhante ao que penso que aconteça com os próprios negros - evidente que nem todos - ou seja, age como um antídoto paralisante.
Toda vez que se parte de premissas absurdas, por exemplo, todos os seres humanos brancos são e atuam como racistas, e se opõe a esses de maneira preconceituosa e virulenta, faz-se um convite para o confronto com o "outro lado". Estabelece-se o conflito e a guerra social.
Políticas que buscam resolver a questão contemplando esse tipo de (má)estratégia, estão fadadas a um rotundo fracasso.
Uma dessas estratégias visa fazer com que crianças compreendam o preconceito dos brancos e, assim, passem a agir de maneira anti-racista.
Honestamente, não sei se professores estão educando ou doutrinando...
A grande política para diminuir as discrepâncias raciais é, no meu sentir e sem dúvida, a vigência de um ensino de qualidade (palavras repetitivas, hein?), nas áreas duras do português, da matemática, das ciências, da história e outras.
Seguramente não iremos evoluir, muito antes pelo contrário, com o mar de doutrinação em que o ensino escolar navega atualmente; são os fatos.
Sem falar na questão da educação, da formação familiar, que infelizmente é imensamente pior em relação as famílias negras.
O problema do racismo precisa ser atacado pedagogicamente, com um ensino de verdade, robusto nas escolas, para que elas aprendam a ler proficientemente, saibam ciências e história de verdade, a fim de que possam pensar criticamente - não em Teoria Crítica Racial -, e, consequentemente, consigam aumentar suas chances para abocanharem as oportunidades nos mercados e na vida real. Crianças mal formadas e informadas têm realmente suas oportunidades limitadas.
Racismo também se debela com aumento da concorrência.
Entretanto, vimos e vemos no nosso Brasil "educador e progressista", as crianças serem impedidas de frenquentar - e comer - as escolas, fruto do politizado "fiquem em casa", em razão das interrupções da Covid-19.
Que adoração, que doutrinação, que politização presenciamos no que se refere ao nobre comportamento de professores com alinhamento político à esquerda, não é mesmo?
Se a situação já não fosse ruim para todas as crianças, em especial, para as mais carentes, os seus impactos negativos incidirão sobre gerações de jovens brasileiros.
Sinto informar que não irá adiantar somente colocar faixas nos gramados de futebol e/ou propagandas na televisão, a fim de combater o "racismo estrutural".
Temos que botar o dedo, a mão, as mãos, e os cérebros pensantes, especializados e não doutrinados, na estrutura do ensino brasileiro, E PARA TRANSFORMAR FACTUALMENTE!
Papagaios na versão humana - 26/05/2022
Gilberto Simões Pires
ANIMAIS DOMÉSTICOS INTELIGENTES
Por mais que dentre os animais de estimação, os cães e os gatos sejam considerados como bichos -inteligentes-, o fato é que os PAPAGAIOS são aqueles que mais chamam a atenção graças a capacidade que têm para aprender e, principalmente, FALAR, coisa que a rigor só acontece com aves que possuem uma membrana chamada siringe, que fica entre os pulmões e a traqueia e permite a emissão de um número ilimitado de sons.
QUOCIENTE DE INTELIGÊNCIA
Mais: segundo pesquisas recentes, além de dotados de uma fantástica capacidade para IMITAR, de forma espontânea, membros de outras espécies, os papagaios possuem um -QI- QUOCIENTE DE INTELIGÊNCIA - que pode ser comparado ao de um ser humano aos CINCO ANOS DE IDADE.
QUALQUER IDADE
Se levarmos em conta o que dizem, imitam e repetem a todo momento os -seres humanos- que militam a favor do SOCIALISMO-COMUNISMO, aí o QI dos PAPAGAIOS dá um salto enorme, pois, independente da espécie podem ser comparados com humanos de qualquer idade. Notadamente aqueles que tem IDADE MAIS AVANÇADA.
EFEITO DA EDUCAÇÃO -PAULO FREIRE-
A rigor, o enorme contingente de ANALFABETOS FUNCIONAIS, que prosperou enormemente com a EDUCAÇÃO -PAULO FREIRE-, ganhou uma incrível capacidade para IMITAR E FALAR tudo aquilo que demonstra não ter a menor possibilidade para entender. De novo: através de um mau aprendizado, ou da total inexistência dele, a única coisa que os ANALFABETOS FUNCIONAIS são capazes de desenvolver é REPETIR, com sons muito claros, tudo aquilo que os DOUTRINADORES dizem e ensinam.
A grande mídia não consegue esconder sua predileção pelo engano - 19/05/2022
Juliano Oliveira
A nossa grande mídia e seus jornalistas, que há muito deixaram de ter qualquer compromisso com os fatos, podem ser comparados, respectivamente, a um parque de diversões e a crianças birrentas, mimadas que, submersas no mundo da fantasia, não sabem distinguir entre a razão e a emoção e partem para o grito quando não veem seus desejos sendo realizados.
A nossa grande mídia, a mídia mainstream, já não tem qualquer credibilidade (ao menos para quem se importa com os fatos). O pluralismo de que fala é, na verdade, uma farsa. Apenas mais um golpe na já combalida liberdade de expressão. As distorções e as meias verdades são ferramentas sutis de uma defesa velada de uma democracia que não existe. Seus objetivos? Os mais nefastos. Destruir aquilo que promete defender. Falsear os fatos. Ignorar as mensagens que não fazem parte de seu matiz ideológico. Expor seus inimigos ou, dito de outra forma, qualquer um que seja contrário à narrativa impressa em sua cartilha ideológica e relegá-los ao ostracismo.
É por isso que alguém como Luiz Inácio Lula da Silva, o descondenado, é declarado inocente. É por isso que alguém como Jair Messias Bolsonaro é rotulado de ditador quando, em completa oposição a uma postura ditatorial, defende que cidadãos de bem possam portar armas para defesa de suas próprias vidas (uma vez que o Estado, historicamente, não é capaz de atender à necessidade de segurança de seus cidadãos, mas, em contradição, é ele próprio o responsável pelo assassinato em massa de inocentes que antes desarmou por decreto). Contradições flagrantes!!
Atacar os adversários, desacreditar as mensagens que não são compatíveis com sua narrativa ideológica – este é o verdadeiro papel da grande imprensa esquerdista. O Ministério da Verdade Orwelliano tem a função de selecionar aquilo que deve ser entregue ao público leitor e, se não consegue convencê-lo por meio de seus discursos, deve tentar fazê-lo por meio de censura (ou o leitor nunca leu notícias que comemoravam com êxtase as sentenças proferidas no âmbito do inquérito das Fake News?).
O adversário da vez, no entanto, é ninguém menos que Adolfo Sachsida, o novo ministro de Minas e Energia do governo Bolsonaro. Por que motivo Sachsida seria o alvo da vez? Minha aposta está nesta resposta dada pelo economista a uma pergunta realizada pelo jornalista Lucas Berlanza em entrevista concedida em ocasião do lançamento de seu livro “Considerações econômicas, sociais e morais sobre a tributação”.
Vejamos qual foi a pergunta:
Como o senhor conceituaria a própria posição sócio-política? Quais são as suas principais referências e inspirações, que autores leu para formar suas opiniões e perspectivas?
A resposta:
“Sou um liberal clássico ou conservador. Tenho tremenda admiração por Hayek, que em minha opinião foi o maior economista do século XX. Também gostei muito de ter lido A Sociedade Aberta e seus Inimigos, de Karl Popper, e Liberalismo segundo a Tradição Clássica de Mises. Mais recentemente, gostei muito de ler Como ser um Conservador de Roger Scruton, e A Mentalidade Conservadora de Russell Kirk. Conheci a genialidade de David Hume ao ler seu impressionante Ensaios Morais, Políticos e Literários. Além disso, compreendi a dificuldade de se desmontarem certos argumentos lendo o excelente Dois Tratados Sobre o Governo, de John Locke. Por fim, aprendi muito lendo os diversos trabalhos do Professor Olavo de Carvalho”.
A esta altura, acredito, não precisaria tentar esmiuçar ao leitor a razão de tanta cólera por parte da mídia mainstream. É por isso que, um dia após ter sido nomeado para o cargo, chamadas como esta buscam desqualificar o novo ministro, reduzindo seus discursos, dotados de grande conteúdo econômico, a achismos e reducionismos que, por serem usados à exaustão pela esquerda despudorada (desculpem-me a tautologia), já estão batidos. Nesta chamada, e fiquemos apenas neste exemplo, a jornalista e colunista da Folha, Mônica Bérgamo, despreza toda a formação econômica, política e intelectual do ministro e diz que seus discursos econômicos são repletos de machismo. Para dar sustentação às suas argumentações, faz recortes de entrevistas e aulas em que o ministro faz considerações de cunho econômico às diferenças existentes entre mulheres e homens no que diz respeito às condições que encontram no mercado de trabalho.
Para qualquer pessoa que tenha lido ao menos algumas páginas do que diz a boa teoria econômica (teoria austríaca) e que as tenha entendido, está claro que as empresas não podem se dar ao luxo de discriminar negros, pobres, mulheres ou quaisquer outros indivíduos por questões que não sejam de ordem puramente econômica. Não ficou claro? Explico.
Digamos que minha empresa fictícia de sorvetes esteja ofertando uma vaga de atendente e que os únicos requisitos para o preenchimento da vaga sejam possuir uma boa comunicação oral e facilidade de trabalho em equipe. Digamos ainda que dois candidatos, um negro e um branco, tenham se apresentado para a vaga. Por meio de um processo seletivo rigoroso, descubro que o candidato negro é o mais habilitado para o cargo. Possui ampla experiência, excelente comunicação oral e enorme facilidade de trabalho em grupo. Não obstante, por pura birra e preconceito, resolvo contratar o candidato branco. Menos experiente, não possui as habilidades de que preciso, mas não é negro. Puro preconceito, concordam? Eu também.
Agora surge, no entanto, a leitura do que ocorrerá depois disto. Minha empresa será menos produtiva porque resolveu comprar algo (a mão de obra, neste caso) que não lhe trará o retorno esperado. Num mercado totalmente desimpedido, o outro candidato, o negro, será contratado pelo concorrente que irá se destacar por ter à sua disposição uma mão de obra mais produtiva. Daí conclui-se que o mercado não pode ser preconceituoso (e, de fato, não o é). O mercado é sempre aberto a receber todos os candidatos. Negros ou brancos, pardos ou amarelos, mulheres, homens e outros gêneros (até mesmo alguns vermelhos encontram seu lugar no mercado para, logo depois, associarem-se a sindicatos e desafiarem os patrões que lhes deram trabalho).
Sejamos sinceros, caro leitor. Não é difícil entender essa teoria básica de comportamento e incentivos, é? Até mesmo alguém que não tenha uma formação acadêmica tão respeitável e elogiosa como a do ministro seria capaz de entender isso.
Não os esquerdistas. Não os jornalistas que fazem parte da mídia militante, descolada dos fatos. Para eles, quanto pior, melhor. Apoiam-se no discurso de ódio (quando dizem que nós é que somos odiosos).
A propósito, o novo ministro já provocou a ira da esquerda ao mexer no vespeiro da Petrobras. Uma estatal que, há muito, devia ter sido privatizada. Algo alvissareiro para o Brasil.
Porte de voz proibido (para conservadores)... - 14/05/2022
Adriano Alves-Marreiros
Tolerância libertadora, então, significa intolerância com movimentos da Direita, e tolerância com movimentos da Esquerda.
Herbert Marcuse. (Escola de Frankfurt).
Porte de arma deveria ser proibido para pessoas de bem, até porque, segundo eles, pessoas de bem não existem. Existem e importam apenas aqueles que querem nos empurrar o “bem maior” que é algo que não deve ser questionado. Já para o pessoal ideológico, o porte de armas pode até ser ostensivo sem problemas: só eles precisam de segurança. Suas vidas valem mais que as nossas.
Mas esse porte já se discute há muito tempo e sempre há tendências totalitárias que querem desarmar o porco espinho para os leões poderem fazer a festa... Hoje estou falando de outro, que eles acham que é mais perigoso que pegar em armas: o porte de VOZ. O porte de uma opinião própria que contrarie quem determina o que é politicamente correto: a turminha da ideologia, da revolução, da transformação social, de um tal “mundo melhor”[1]...
Minhas crônicas são tradicionalmente curtas. Prefiro assim: é o meu estilo. Esta não será! Se não gosta de ler coisas maiores e mais densas que um tuíte, sugiro ir ler outra coisa. Esta será longa até para eu exercer o meu porte de voz o suficiente para me satisfazer... Tenho que curtir o máximo enquanto posso, enquanto não caçam o meu porte.
Critiquei ontem o famigerado “garantismo” penal[2], doutrina consolidada por Aquele Italiano que não Deve Ser Nomeado. Essa turma vive chamando os outros de “punitivistas” e, por vezes, até de “fascistas” (como ensinou o genocida Stalin), alegando que “punir não resolve”, “prender não resolve”. Mas... prossigamos...
É curioso que tem gente que acha que o grande problema do país é a corrupção. Besteira! Como já explicou algumas vezes meu amigo Motta, o maior problema do Brasil é a impunidade: a corrupção é só uma das decorrências dela...
E o Brasil é engraçado. “Em se plantando tudo dá”, segundo Pero Vaz. Mas o Brasil vai além da agricultura nesse quesito. Plantando-se uma ideia no solo correto, aquele que não oferece resistência ao arado, e por mais absurda que seja, você verá brotar uma colheita maldita sob aplausos, sorrisos e comemorações. Aqui nós vimos, deste a década de 80, o crime aumentar com o laxismo penal e a cada ano o que se propõe é mais molezinha pra bandido...
A Análise Comportamental e a Análise Econômica do Direito mostram bem isso[3]... A consequência punitiva sempre vai gerar uma menor probabilidade de repetição daquele padrão comportamental no futuro. E o que se faz por aqui??? Quanto mais crime menos se pune e mais se propõe punir menos e forma de evitar a prisão: e até o processo!!! Atribuem por vezes a Einstein, por vezes a outros gênios, uma frase que define a estupidez como continuar fazendo as mesmas coisas e esperar resultados diferentes. Mas não precisa ser gênio para entendê-la e concordar com ela. Não importa quem disse: isso é o básico de lógica...
E o pior é que a liderança dessa turminha sabe disso. Eles entendem bem que punir faz diminuir o comportamento do futuro: não só do punido (que recordará de sua história comportamental), como das demais pessoas (que perceberão um contexto de punição quando ocorre aquele comportamento). No Brasil, a história comportamental do bandido e o contexto geral são de impunidade. Mas essa turminha sabe, sim, que punir adianta: a questão é o QUE eles querem punir. Aliás, o que, não: QUEM, porque para o politicamente correto, não importa o que se diz, mas quem diz. E os conservadores devem ser calados, como ensinou, por exemplo, Marcuse: na frase que abre esta crônica...
Briguet avisou que o crime sem castigo levaria ao castigo sem crime. E hoje vemos isso: plantou-se a impunidade para crimes e colhemos a punição para quem não praticou crimes. E não só a punição com insegurança, medo, perda de propriedades, de sonhos, de pessoas queridas... Prisão mesmo: e longa!
Hoje vemos, cada vez mais, a punição pra quem não muda de pensamento adotando a narrativa politicamente correta e a submissão ao establishment. A punição para quem não esconde dentro de si as verdades proibidas pela narrativa. A punição para o dissidente. O crime de pensamento, crimidéia: como profetizado por Orwell. Hoje, nada é mais grave que discordar de ideologia extremista, e os extremistas (estes os reais), usando da falácia do espantalho, afirmam que os dissidentes são aquilo que não são, afirmam que os dissidentes fizeram o que não fizeram. Aí os criticam duramente pelo falso ser ou falso fazer que inventaram, repetem histrionicamente, como papagaios, palavras de ordem — que hoje são expressões como “discurso de ódio”, “extremistas”, “fascistas”, “liberdade de expressão não é para (...)”, sem sequer saberem o que significam – e querem punir os dissidentes por isso: puni-los com a cadeia da qual querem tirar traficantes, assaltantes, assassinos... Deve ser pra dar vaga pra isso como Pessi já explicou narrando fatos antigos[4] e mostrando quem eram os “fascistas” segundo os comunistas...
Não à toa tantos “garantistas” apoiam duras punições a crimes de opinião, mesmo que QUAISQUER deles não fossem puníveis em razão de dispositivos constitucionais expressos e autoexecutáveis.
Os malditos anos em que todos usaram máscaras foram justamente aqueles em que mais máscaras caíram: e só então percebemos quem já as usava muito antes da pandemia...
A corrupção do CP e do CPM nem é o pior tipo de corrupção. Nem é o pior mal que o corrupto pode praticar. O pior é quando ele se vale dela (ou até sem ela) para conseguir implantar a corrupção da inteligência de que bem fala o Gordon, que não é o Comissário amigo do Batman: muito embora até o Batman esteja correndo perigo de ser desconstruído, ou ser calado, se resistir à desconstrução...
“Assim é narrada por Aleksandr Soljenítsin a chegada de seu grupo de prisioneiros a um campo disciplinar -de “extermínio pelo trabalho” -da União Soviética, no dia 14 de agosto de 1945 (coincidentemente, a mesma data em que foi proclamada a rendição do Japão). A cena iria se repetir no final do Verão e no Outono daquele ano em todas as ilhas do “Arquipélago Gulag”, onde a chegada dos “fascistas” abriria caminho para a libertação dos presos comuns (o que incluía estupradores, assaltantes e traficantes e até mesmo desertores), anistiados por Stalin. Mas quem eram os fascistas, afinal? Eram os presos políticos enquadrados no artigo 58 do Código Penal de 1926. Segundo observou Soljenítsin, não havia debaixo da cúpula celeste conduta, desígnio, ação ou inação que não pudesse ser punido pela mão pesada do art. 58. De seus catorze parágrafos nenhum era interpretado “de maneira tão ampla e com tão ardente consciência revolucionária como o décimo –‘A propaganda ou agitação que contenham um apelo ao derrubamento ou enfraquecimento do Poder Soviético... e também a difusão, preparação ou conservação de literatura com esse mesmo conteúdo’” –, cuja pena não possuía limite máximo!
Diego Pessi
Crux Sacra Sit Mihi Lux / Non Draco Sit Mihi Dux
Vade Retro Satana / Nunquam Suade Mihi Vana
Sunt Mala Quae Libas / Ipse Venena Bibas
(Oração de São Bento cuja proteção eu suplico)
P.S. Agora o livro 2020 D.C. Esquerdistas Culposos e outras assombrações tem uma trilha sonora com canções e músicas de filmes citados:
P.S.2: Compre o livro de crônicas.
* Publicado originalmente no excelente portal Tribuna Diária.
A lógica econômica e Robin Hood - 12/05/2022
Alex Pipkin, PhD
Essa semana, participei de um programa na gloriosa Radio Guaíba, falando sobre política e economia, num belo estúdio envidraçado de frente para a calçada.
Enquanto falávamos, dois cidadãos lá fora gesticulavam com as mãos, sinalizando a letra "L" e, ao mesmo tempo, colocavam as mãos no estômago.
Evidente que cada ser humano deve ser livre para pensar e realizar suas escolhas, porém, lastimo muito a escassez de discernimento e o parco conhecimento econômico de alguns.
Tenho a nítida impressão de que alguns brasileiros, além de terem a conhecida memória curta, estão umbilicalmente presos ao pensamento "mágico" Robin Hoodiano, e/ou estão acometidos da Síndrome de Estocolmo.
Nesse país sempre à cata de um salvador da pátria, sedento por efeitos pragmáticos de curto prazo, endeusam-se picaretas e incompententes exclusivamente preocupados com seus interesses escusos e os de suas tribos, alijando-se o povo e as gerações futuras de melhores condições econômicas e sociais. Esses "semideuses" são tão populares que até se transformam em séries - hilárias - no Netflix.
Otimismo parece-me positivo, mas um otimismo baseado em falsas premissas e em comprovados equívocos tangencia o pensamento mágico e/ou a estupidez.
Longe de ser o dono da verdade, penso que existem "fatos econômicos" e eventos acontecidos em que sobram fatos e evidências robustas daquilo que dá certo e é o melhor para todos.
Pense bem!
Você acredita que o seu sustento e a realização de seus planos de vida são decorrentes da bondade celestial do Grande Estado provedor ou do seu esforço próprio fruto do seu trabalho? Crê no coletivo ou na capacidade do indivíduo?
Você acredita que o Estado é o criador de riquezas ou são as pessoas e as empresas que as criam, por meio da criatividade e da produção de bens e serviços alinhados as necessidades e desejos do consumidor?
Você se considera um patriota, que ama o seu país, ou é um nacionalista, do tipo que abomina o estrangeiro, ou talvez um nacionalista crítico?
Somos seres sociais, mas somos dotados da razão, e deveríamos compreender que toda ação humana é de responsabilidade do indivíduo. Nesta direção, somos responsáveis por nossas vidas e, consequentemente, por aquilo que planejamos e realizamos factualmente. Não há nada de errado em pensar e em buscar nossos interesses próprios dentro de princípios éticos. Dessa forma, estaremos, simultaneamente, colaborando de forma voluntária e beneficiando outros.
O Estado não cria riqueza, ele não pode dar sem receber os tributos - escorchantes - cobrados coercitivamente de indivíduos e de empresas. Sempre que se dá recursos para as pessoas, via programas sociais, por exemplo, está-se tirando recursos de outros indivíduos e de outras alocações.
Inexiste maná, não há nada gratuito, e os reais geradores de riqueza são as pessoas e as empresas, que por meio da liberdade e da oportunidade, põem em prática a criatividade humana.
Quase sempre que o governo intervêm na economia e na vida das pessoas, em nome do bem-estar da abstração "coletivo", os resultados são piores do que às intenções propaladas e, similarmente, os políticos preocupam-se com a estética imediatista, ou seja, com ações de curto prazo que aparentam ser benéficas, mas que no longo prazo trazem consequências terríveis para a população.
Quando o grande Estado nacional se intromete nos mercados, seja buscando controlar preços e salários, ou mantendo empresas estatais, ele inibe a atividade econômica e/ou impede/limita a concorrência, o que ocasiona em piores produtos e serviços e em preços mais altos, prejudicando os cidadãos, em especial, os mais pobres. É preciso lembrar que políticas econômicas destinadas a satisfazer reivindicações de grupos específicos acabam reduzindo o bem-estar da maioria da população.
Acredito que os indivíduos que gesticulavam a letra "L" estejam acometidos de um grave problema de memória e/ou da Síndrome de Estocolmo.
Políticos que assaltaram os cofres públicos do país, roubando saúde, educação, segurança e maior prosperidade para todos, continuam sendo acreditados por alguns. Foram justamente esses que irresponsavelmente criaram políticas de curto prazo insustentáveis, que geraram benefícios de curto prazo à custa de custos e de desastres futuros.
São esses demagogos populistas que querem regular a mídia e ceifar as liberdades individuais, especialmente a liberdade de expressão.
São esses que desejam a volta de políticas nacional-desenvolvimentistas contraproducentes, mais intervenção, e o nefasto nacionalismo para trancar ainda mais a fechadura da economia brasileira, o que traz no seu bojo abissais prejuízos a inovação, a produtividade, ao emprego e aos salários reais, e aos consumidores, acarretando no empobrecimento dos cidadãos que terão que pagar mais caro por piores produtos e serviços. O "requerido" protecionismo gera benefícios de curto prazo para os "empresários" amigos do rei, entretanto, grandes impactos negativos de longo prazo para todos.
São esses que ao invés de quererem ver os indivíduos e as empresas "engordarem", intencionam aumentar o tamanho do Estado e as respectivas benesses estatais, fazendo crescer o poder das "elites" em vez de dar mais liberdade, capacidade e oportunidade para que as pessoas possam prosperar de acordo com seus planos de vida.
Penso ser preciso muito mais liberdades individual e econômica para os cidadãos brasileiros progredirem, de fato.
Os dois senhores da vidraça provavelmente enxergam somente aquilo que se vê, mas tristemente não veem ou não querem ver as consequências mais longas e indiretas de supostas políticas "bondosas".
Não sei se o "L" que visualizei significava apoio a um tal plano de governo, que, genuinamente, é apenas receita desastrosa para intervenção estatal cada vez maior, ou representava a palavra "larápio".
O mundo insuportável de quem precisa de uma causa - 10/05/2022
Bernardo Guimarães Ribeiro
Essa semana, enquanto esperava os meninos na escola, ouvi no rádio uma música que me chamou a atenção, tanto pela linda voz, como pela melodia. Como gosto muito de Soul, acionei um app que tenho no celular de pesquisa musical e vi que se tratava de um dueto, sendo uma das cantoras a revelação Agnes Nunes. Rapidamente, então, fui ver de quem se tratava, qual minha surpresa em ler que a jovem cantora se declarava representante dos nordestinos e dos negros (https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/04/29/mulher-negra-e-nordestina-agnes-nunes-a-nova-xodo-da-musica-brasileira.htm). A outra cantora do dueto era nada menos que Ivete Sangalo, hoje uma notória militante do movimento LGBT (https://vejasp.abril.com.br/coluna/pop/ivete-sangalo-se-posiciona-sobre-criminalizacao-da-homofobia-e-divide-fas/), mas que não foi poupada pelos próprios fãs ao abster-se de posicionamento nas eleições presidenciais de 2018 (https://veja.abril.com.br/cultura/ivete-sangalo-fala-sobre-politica-e-famosos-e-um-direito-nao-um-dever/).
A recente morte de Marília Mendonça chocou o Brasil pela prematuridade e por ter ela deixado um filho pequeno, mas grande parte das informações noticiadas à época do acidente foram direcionadas para a explicação da sua importância para o empoderamento feminino e até contra a gordofobia!!! Não sei se de forma deliberada ou não, mas referida cantora foi identificada como representante feminista e de pessoas gordas. Como ela acabou encampando o ativismo, foi criticada ao perder peso (https://claudia.abril.com.br/famosos/marilia-mendonca-perda-peso-criticada/) e quase cancelada ao não se posicionar publicamente contra um participante do “erudito” BBB (https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2021/04/marilia-mendonca-apos-hate-na-web-por-bbb21-fazia-tempo-que-nao-chorava-tanto.html).
Num recente Miss Universo – o último que vi – as manifestações das modelos trilhavam sempre a lógica politicamente correta e o engajamento em alguma causa. A relevância atribuída à militância era nítida, tudo em detrimento do verdadeiro motivo do concurso, qual seja a beleza da mulher. Havia modelos feministas, ambientalistas, LGBTistas, antirracistas e tudo mais que pudesse gerar exibicionismo moral. Nada contra a que mulheres exibam todo o seu cardápio de militância política, mas talvez fosse mais razoável criar um Miss Politicamente Correta!
O saldo final desse caldeirão de excrescências é que a celebridade pós-moderna tanto capitaliza sobre as agendas de minorias, angariando novos admiradores, como delas também se torna refém. Ou seja, o exibicionismo moral agrega, mas cobra seu preço – o ídolo passa a ser pautado pelos seguidores, isto é, teleguiado por alguma minoria que representa. Assim, o artista não é mais um farol para a sociedade; ele é um mero vagão, cuja locomotiva implacável é guiada por seu público ativista. Um exemplo claro disso ocorre com a atriz Marina Ruy Barbosa, sempre obrigada a se explicar perante os fãs que a guiam como um timoneiro à embarcação. Mencionada atriz foi criticada por uma ONG ao aparecer numa fotografia com um cachorro da raça Beagle, o que fora enquadrado como uma espécie de racismo animal (???), tendo que se justificar pela falha (https://www.purepeople.com.br/noticia/marina-ruy-barbosa-posa-com-cachorro-de-raca-e-responde-critica-mais-amor_a155085/1) e, mais recentemente, precisou se explicar por ter feito uma festa de aniversário durante a pandemia (https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/07/4936029-marina-ruy-barbosa-sobre-festa-de-aniversario-eu-nao-sou-perfeita.html).
Em paralelo a isso, com o incremento das redes sociais, temos um novo fenômeno ao qual denomino de carteirada por prestígio. Celebridades – e subcelebridades com elevada autoestima – são instadas a manifestar-se sobre qualquer discussão do momento, mesmo que não tenham o menor conhecimento do objeto. O palpiteiro vê-se obrigado a opinar nos mais variados assuntos do momento, de atracamento de navio a acasalamento de muriçocas. Logicamente, o posicionamento segue sempre a manada, visando a fornecer àquela posição um ar de credibilidade com o repaginado “sabe com quem está falando?”. Recentemente, o deputado Alessandro Molón participou de uma live (https://www.youtube.com/watch?v=JCeDLBOFXH8) com a funkeira e especialista em todas especialidades, Anitta, que, dentre as inúmeras pérolas, disse estar surpresa por existir no Brasil “mais cabeça de gado que cabeça de pessoa”. A ideia subjacente de quem explora o prestígio alheio é a de que pessoas ignorantes pensem: “olha, você viu o que a Anitta disse sobre o peido das vacas ser muito poluente”? Anitta declarou recentemente que daria um tempo nos comentários políticos; nós agradecemos!
Como não há nada tão ruim que não possa piorar, os palpiteiros profissionais encontraram uma fórmula pra lá de criativa de constranger outras celebridades a opinarem no sentido do que desejam. Através do chamado desafio, um provoca o outro na intenção de engrossar o coro em direção a alguma opinião. O constrangimento é inexorável, pois eventual silêncio é sempre interpretado como a assunção de uma opinião contrária à finalidade da provocação, o que não pega tão bem para a opinião pública. Esse fenômeno sucedeu com a própria Ivete Sangalo e também com Cláudia Leitte, quando desafiadas por – de novo ela – Anitta (https://www.hypeness.com.br/2018/09/anitta-adere-ao-movimento-elenao-e-desafia-ivete-sangalo-e-clauda-leitte/).
A consequência da adoção obrigatória de uma causa como bengala moral é o paradoxo da desumanização a pretexto da exibição de virtudes humanitárias. Uma pessoa é sempre um ser humano único, com suas qualidades, mas também com inúmeras imperfeições. A obrigatoriedade de ter uma causa a tiracolo para chamar de sua desloca os holofotes do objeto para o sujeito. À condição de indivíduo foram adicionados anexos sem os quais ele não é mais nada. É sobretudo por isso que o status pessoal passou a ser condicionado à agenda dos fãs censores. O cantor não é mais reconhecido pela sua música ou letra, mas pelo trabalho social ou ativismo ideológico que porventura desenvolva. Ao atleta não basta ser bom no esporte; ele tem que ser engagé. O ator não presta se não for aquele enfronhado na militância de algum partido que se oponha ao mal, mesmo que sequer se saiba o que é isso. Até o programa televisivo mais culturalmente underground, como o BBB, hoje tem seus participantes como diletos representantes de algum grupo!
Na pós-modernidade, nem mesmo cidadãos comuns e anônimos escapam à força gravitacional da afetação de virtudes. Todos querem representar algo ou alguém e ninguém quer ser o patinho feio sem causa. Se você não tem algo genuíno que se identifique, não tem problema, pois há todo um mercado emergente de temas, principalmente de hiperestimulação de ressentimentos e de gênese de novas minorias “oprimidas”. Encerro, pois, parafraseando o comercial oitentista do Neston: “existem mil maneiras de ter uma causa, invente uma”
* Publicado originalmente no excelente BurkeInstituto.com em 28/03/2022
Advogados e juízes - 01/05/2022
João Baptista Herkenhoff
A advocacia e a magistratura têm códigos de ética diferentes.
Há deveres comuns aos dois encargos como, por exemplo, o amor ao trabalho, a pontualidade, a urbanidade, a honestidade.
Quanto à pontualidade, os advogados são ciosos de que não podem dormir no ponto. Sabem das consequências nefastas de eventuais atrasos. Os clientes podem ser condenados à revelia se os respectivos defensores não atendem ao pregão.
Já relativamente aos juízes, nem sempre compreendem que devem ser atentos aos prazos. Fazem tabula rasa da advertência de Rui Barbosa: “Justiça tardia não é Justiça, senão injustiça qualificada.”
Vamos agora aos pontos nos quais deveres de advogados e juízes não são coincidentes.
O juiz deve ser imparcial. É seu mais importante dever, pois é o fiel da balança. Se o juiz de futebol deve ser criterioso ao marcar faltas, ou anular gols (observe-se o que está acontecendo na Copa do Mundo), quão mais criterioso deve ser o Juiz de Direito que decide sobre vida, honra, família, bens.
Já o advogado é sempre parcial, daí que se chama “advogado da parte”. Deve ser fiel a seu cliente e leal na relação com o adversário.
O juiz deve ser humilde. A virtude da humildade só faz engrandecê-lo. Não é pela petulância que o juiz conquista o respeito da comunidade. Angaria respeito e estima na medida em que é digno, reto, probo. A toga tem um simbolismo, mas a toga, por si só, de nada vale. Uma toga moralmente manchada envergonha, em vez de enaltecer.
O juiz deve ser humano, cordial, fraterno. Deve compreender que a palavra pode mudar a rota de uma vida. Diante do juiz, o cidadão comum sente-se pequeno. O humanismo pode diminuir esse abismo, de modo que o cidadão se sinta pessoa, tão pessoa e ser humano quanto o próprio juiz.
A função de ser juiz não é um emprego. Julgar é missão, é empréstimo de um poder divino. Tenha o juiz consciência de sua pequenez diante da tarefa que lhe cabe. A rigor, o juiz deveria sentenciar de joelhos.
As decisões dos juízes devem ser compreendidas pelas partes e pela coletividade. É perfeitamente possível decidir as causas, por mais complexas que sejam, com um linguajar que não roube dos cidadãos o direito de compreender as razões que justificam as conclusões.
Juízes e advogados devem ser respeitosos no seu relacionamento. Compreendam os juízes que os advogados são indispensáveis à prática da Justiça. É totalmente inaceitável que um magistrado expulse da sala de julgamento um advogado, ainda que esse advogado seja impertinente nas suas alegações, desarrazoado nos seus pedidos. Quando um fato desta natureza ocorre no mais alto tribunal do país, não podemos omitir o protesto.
* João Baptista Herkenhoff, Juiz de Direito aposentado, Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo e escritor.
** E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br
*** CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2197242784380520
Quem ganha com a abstenção e o voto em branco - 23/04/2022
Gilberto Simões Pires
ROTA DO ATRASO
Na medida em que nos aproximamos das Eleições 2022, mais do que nunca é preciso ler, reler e compartilhar o oportuno texto -VINTE MOTIVOS PAR NÃO VOTAR EM BRANCO-, produzido pelo atento pensador Percival Puggina. Mais ainda aqueles que sabem, perfeitamente, que o PLANO DE GOVERNO DO PT, cuidadosamente elaborado pela organização comunista -Foro de São Paulo-, tem como escancarado e estudado propósito -RECOLOCAR O NOSSO BRASIL na conhecida -ROTA DO ATRASO-, para voltar, triunfante, a fazer companhia à Cuba, Venezuela e Argentina, por exemplo.
ABSTENÇÃO DE CULPA
Puggina inicia seu texto dizendo - Não sei onde andam os eleitores de Lula. Mas sei, com grande certeza, que no dia da eleição estarão todos formando fila nos seus locais de votação. Por outro lado, tenho encontrado eleitores, não de esquerda, que pretendem votar em branco, ou abster-se de votar. De algum modo, ASSOCIAM A ABSTENÇÃO À ABSOLVIÇÃO DE CULPA OU RESPONSABILIDADE pelo que acontecer ao país. Lavam e enxáguam as mãos na torneira do voto em branco sem perceber que ele é, também, uma posição política. Uma vez assumida, principalmente quando serve à estratégia da esquerda, tem gravíssimas consequências!
CEMITÉRIO DO REALISMO
O ÚLTIMO ANDAR DO IDEALISMO É O CEMITÉRIO DO REALISMO. Significa desconhecer a política real, aquela que manda no Estado, nas ruas e por várias frestas, invade a casa da gente. É a mesma que põe sob sigilo o que queremos saber e, de modo deslavado, mente sobre o que sabemos. É grave imprudência desconsiderar os conhecidos e onerosos flagelos causados pelo lulismo. O retorno do petismo ao poder produzirá tragédias ao país. Entre muitas outras, estas vinte:
MOTIVOS
1- reinserção de uma organização criminosa no quadro dirigente da República, atribuindo a essa organização o direito de nomear outros dois ministros do STF;
2- tomada do poder nos termos de José Dirceu;
3- reestatização do que tenha sido privatizado;
4- influência e interferência política no Conselho Nacional de Justiça e no Conselho Nacional do Ministério Público;
5- recrudescimento das ações terroristas dos movimentos sociais;
6- relativização, quando não supressão, do direito de propriedade;
7- restrições ainda maiores ao direito de defesa dos cidadãos;
8- apoio político à legalização do aborto;
9- incentivo ao aparelhamento partidário da burocracia federal;
10- manutenção do sequestro da Educação pelas organizações políticas de esquerda;
MAIS MOTIVOS
11- ampliação do poder da extrema imprensa em geral e da Globo em particular;
12- restrições mais severas à liberdade de opinião e expressão nas redes sociais;
13- aceleração do fracionamento identitário da sociedade brasileira;
14- combate crescente à instituição familiar como célula essencial da sociedade;
15- apoio estatal à erotização da infância e estímulo ao desenvolvimento confuso da sexualidade;
16- omissão perante a criminalidade de rua e o crime organizado;
17- uso do poder para garantia da impunidade;
18- extinção das escolas cívico-militares e - controle dos currículos de formação militar;
19- revisão das regras de promoção e venezuelização das Forças Armadas;
20- interpretação equivocada da laicidade do Estado.
VOTO EM BRANCO E VOTO NULO
O VOTO EM BRANCO, ante um perigo de tais proporções, é lamentável e estupendo favor prestado ao mal de todos. Por isso, é muito preocupante saber que enquanto os eleitores de esquerda são perfeitamente capazes de votar em alguém como Lula para que se cumpra a pauta acima, eleitores não de esquerda, optam por uma omissão que coloca toda a sociedade sob o risco de ficar a ela submetida.
E o VOTO NULO? Não representa protesto quantificável. Ele vai misturado com os votos dados por quem não sabe usar a maquininha.
A OTAN de Jens Stoltenberg e a Amazônia - 23/04/2022
Lorenzo Carrasco e Geraldo Luís Lino
"A crise climática de que o planeta padece é tão ou mais ameaçadora que Vladimir Putin. A invasão é um crime inaceitável, que não pode ser ignorado, e é preciso apoiar aqueles que enfrentam o tirano russo. Mas o mundo deve desenvolver capacidade para responder a mais de uma crise por vez. A Ucrânia não deve ser abandonada, mas a luta contra o aquecimento global também não. Esta última é muito difícil, mas agora sabemos que, agindo em conjunto, o mundo pode alcançar coisas difíceis.
Os líderes das democracias do mundo mostraram que, frente a uma ameaça existencial, as políticas as podem mudar decisiva e rapidamente. É hora de usarem com valentia o superpoder que a crise na Ucrânia lhes ajudou a descobrir para atacar a outra grande crise que a humanidade enfrenta."
A proposta, das mais insidiosas, é do economista venezuelano Moisés Naím, pesquisador da Fundação Carnegie para a Paz Internacional (Carnegie Endowment for International Peace) de Washington, feita em sua última coluna reproduzida em jornais de vários países, inclusive o brasileiro O Estado de S. Paulo de 7 de março ("União em torno da guerra na Ucrânia deve servir de exemplo contra a mudança climática").
Nela, Naím volta a ventilar uma ideia que circula há tempos nos altos escalões estratégicos da estrutura de poder hegemônico centrada nos EUA e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN): a inclusão de grandes temas ambientais, a exemplo das mudanças climáticas e da "proteção" do bioma Amazônia, em questões de segurança internacional, inclusive, com os correspondentes desdobramentos militares.
Recorde-se que, em 2020, o secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, defendeu explicitamente que a organização deve preparar-se para "combater as mudanças climáticas". Em um artigo publicado em vários jornais europeus, ele propôs:
"As mudanças climáticas ameaçam a nossa segurança. Então, a OTAN deve fazer mais para entender plenamente e integrar as mudanças climáticas em todos os aspectos do nosso trabalho, desde o nosso planejamento militar até à maneira como exercitamos e treinamos as nossas forças armadas... A OTAN também deve estar preparada para reagir a desastres relacionados ao clima, assim como fizemos durante a crise da Covid-19."
A adesão à agenda "verde" é um desdobramento do dilema existencial da Aliança Atlântica no mundo pós-1991, quando a implosão da União Soviética e a extinção do Pacto de Varsóvia lhe retiraram a justificativa oficial para a sua existência. Desde então, a OTAN foi convertida em uma "gendarmeria global" com uma agenda estreitamente alinhada aos interesses de Washington, incorporando às suas operações militares (com frequência, à revelia do Conselho de Segurança das Nações Unidas), ações humanitárias, combate ao terrorismo, narcotráfico e pirataria, "ameaças" antidemocráticas e problemas ambientais.
Como observou o então ministro da Defesa Nelson Jobim, em um seminário promovido pelo Instituto de Defesa Nacional de Portugal, em Lisboa, em 2010, o seu novo campo de operações passou a ser praticamente o mundo inteiro.
A rigor, as preocupações "verdes" da OTAN não constituem novidade, pois a organização teve um papel ativo na instrumentalização dos temas ambientais na pauta hegemônica, que remonta à década de 1960. Em maio de 1967, em Deauville, França, a Aliança promoveu a Conferência sobre Desequilíbrio e Colaboração Tecnológica Transatlântica, com a presença de alguns dos mentores da agenda ambientalista, entre eles o industrial italiano Aurelio Peccei, então presidente do Instituto Atlântico, o principal think-tank da OTAN, e Zbigniew Brzezisnki, do Conselho de Planejamento Político do Departamento de Estado dos EUA. No ano seguinte, Peccei seria um dos fundadores do Clube de Roma, uma das principais agências promotoras do malthusianismo/ambientalismo sob o disfarce dos "limites do crescimento". Brzezinski viria a tornar-se um dos principais estrategistas de política externa dos EUA.
As principais conclusões da conferência foram:
1. O progresso científico, definido pelo domínio sucessivo do homem sobre as leis universais, deveria ceder lugar a uma visão do homem reduzido a uma parte da natureza, cujas leis seriam imutáveis e incognoscíveis.
2. Os sistemas de governo baseados nos paradigmas industriais então predominantes não mais funcionariam na "nova era" pós-industrial em gestação. Os Estados nacionais se desagregariam, na medida em que o homem criasse novas maneiras mais "empáticas" de se relacionar com os seus semelhantes.
3. A promoção da contracultura do rock, drogas e "libertação sexual", em um período pouco superior a uma geração, a transformaria na cultura global dominante, o que significaria o fim da civilização ocidental judaico-cristã.
Em 1968, Brzezinski lançou o livro The Technetronic Age (no Brasil, América: laboratório do mundo), no qual argumentava que essa "nova era" lançaria as bases para uma ditadura benevolente por parte de uma elite "globalizada".
Sobre o nascente movimento ambientalista, escreveu: "A preocupação com a ideologia está cedendo vez à preocupação com a ecologia. Seus começos podem ser divisados na preocupação popular sem precedentes com assuntos como a poluição do ar, a fome, a superpopulação, a radiação e o controle de doenças, drogas e atmosfera... Existe já difundido o consenso de que é desejável o planejamento funcional como o único meio de enfrentar as diversas ameaças ecológicas."
Os desdobramentos de tais propostas, nas décadas seguintes, representam um caso padrão de profecia autocumprida.
Assim, não é casual que a menção de Stoltenberg à "segurança das futuras gerações" nos recorde o celebrado conceito de "desenvolvimento sustentável". O seu primeiro cargo público foi o de ministro do Meio Ambiente da Noruega (1990-91), na terceira gestão da primeira- ministra Gro-Harlem Brundtland, ex-coordenadora da Comissão Brundtland das Nações Unidas, cujo relatório Nosso futuro comum, de 1987, lançou o conceito e as diretrizes da agenda ambiental global para as décadas seguintes. Posteriormente, teve dois mandatos como primeiro-ministro, em 2000-2001 e 2005-2013. Durante este último, em 2008, participou ativamente da articulação do Fundo Amazônia, ao qual o governo norueguês doou a quase totalidade dos R$ 2,88 bilhões destinados a financiar a fundo perdido iniciativas ambientais no bioma Amazônia (os outros contribuintes foram o governo da Alemanha e a Petrobras), selecionadas por um conselho integrado por representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e de ONGs do aparato ambientalista-indigenista que opera no Brasil. O Fundo funcionou entre 2009 e 2019, quando os governos da Noruega e Alemanha suspenderam os repasses, por discordarem das mudanças determinadas pelo governo brasileiro na gestão dos repasses.
No artigo de 2020, Stoltenberg observa que a Aliança Atlântica não deveria atuar apenas passivamente em relação à questão climática, mas também "estar preparada para reagir a desastres relacionados ao clima, assim como fizemos durante a crise da Covid-19".
Embora Stoltenberg não tenha feito qualquer menção ao Brasil (ou a algum país em particular), não é difícil se discernir que o País ocupa lugar de destaque na pauta da "segurança ambiental" global, na visão de certos estrategistas euroatlânticos. Algumas semanas após o seu artigo, um até então pouco conhecido Conselho Militar Internacional sobre Clima e Segurança (IMCCS, sigla em inglês), divulgou um relatório intitulado "Clima e Segurança no Brasil", advertindo que o desmatamento da Amazônia seria uma ameaça à segurança brasileira.
Fundado em 2019, em seu sítio (https://imccs.org/), o IMCCS se apresenta como "um grupo de líderes militares seniores, especialistas em segurança e instituições de segurança de todo o mundo, dedicados a antecipar, analisar e enfrentar os riscos de segurança de um clima em mudança". De forma significativa, a maioria dos seus dirigentes provém de países membros da OTAN.
O "recado" principal do documento foi: "As decisões de ação climática tomadas nos próximos anos determinarão se os impactos climáticos das próximas décadas serão mais administráveis ou potencialmente catastróficos. Dada a importância da Amazônia para o sistema climático global, é do interesse estratégico e de segurança do Brasil retornar à sua política de liderança mundial de combate ao desmatamento. (...)
Com sua segurança e interesses nacionais em jogo, é vital que o governo brasileiro retorne a uma estratégia de longo prazo para conter o desmatamento. As críticas internacionais à postura do Brasil em relação à proteção florestal podem muito bem se intensificar, caso o Brasil não volte a uma trajetória que cumpra seus compromissos com o NDC [sigla em inglês de Contribuição Nacionalmente Determinada – n.e.].
A comunidade internacional também pode exercer pressão sobre o Brasil nesses assuntos, aumentando as consequências diplomáticas e comerciais da inação. Diante disso, também é do interesse do Brasil se engajar positivamente com os organismos nacionais e multilaterais que têm parceria com o Brasil nos esforços de preservação florestal; esses acordos forneceram centenas de milhões de dólares para uma série de esforços de preservação e serão necessários para sustentar uma campanha de contra-desmatamento de longo prazo."
O relatório do IMCCS foi um evidente complemento "militar" à campanha "civil" do aparato ambientalista-indigenista internacional contra o Brasil, em resposta às ações do governo do presidente Jair Bolsonaro para preencher o déficit de soberania do Estado sobre a Região Amazônica (como o definiu o ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas), após décadas de influência pouco contestada do aparato na formulação das políticas ambientais nacionais.
A novidade foi a presença de uma "ONG militar" na mesma trincheira com as ONGs ambientalistas- indigenistas e os fundos de ativos e de investimentos internacionais, que têm pressionado fortemente o País, para voltar enquadrá-lo plenamente na agenda "verde-indígena".
Em todo esse contexto, é da maior relevância ressaltar o veto da Federação Russa, em dezembro último, a uma resolução proposta pela Irlanda e pelo Níger, com apoio dos EUA, Reino Unido e França, propondo que as questões climáticas fossem integradas à agenda da segurança internacional. Em sua recente visita a Moscou, Bolsonaro ressaltou a relevância do fato para o Brasil.
A rigor, a Amazônia já vem experimentando uma intensa ofensiva de guerra híbrida desde o final da década de 1980, sob a ação de um exército irregular de organizações não-governamentais (ONGs), a grande maioria de países membros da OTAN, criando autênticas "zonas de exclusão econômica" e de soberania limitada na região mais carente de desenvolvimento do País.
Desafortunadamente, empresas e instituições que deveriam funcionar como sustentáculos da ação nacional na Amazônia, em iniciativas e projetos produtivos verdadeiramente capazes de levar a região a um patamar superior de desenvolvimento socioeconômico, têm contribuído para financiar tais forças irregulares de ocupação – casos da Petrobras, Vale, BNDES e outras, que têm aportado polpudas doações a ONGs engajadas nessa campanha antinacional. Em realidade, em vez da "desintrusão", termo pejorativo usado por aqueles combatentes irregulares para qualificar os residentes de terras reivindicadas para povos indígenas, o que se necessita é de uma "desorganização" da Amazônia.
* Reproduzido do excelente Defesa Net, onde foi publicado em 09/03/2022. https://www.defesanet.com.br/toa/noticia/43843/A-OTAN-de-Jens-Stoltenberg-e-a-Amazonia
Antes que os demônios voltem - 17/04/2022
Valdemar Munaro
Fatos e personagens que credenciam milhões de pessoas à fé e à tradição cristãs são celebrados e revividos particularmente nestes dias, os mais santos do ano. Decorridos dois mil anos, continuam a irradiar verdades e ensinamentos que não encontramos em outro tempo e lugar. Vívidos e densos, demarcam o antes e o depois da história, extrapolam veias teológicas e revelam conteúdos que transcendem o muro das igrejas. Roger Garaudy, intelectual marxista francês, lamentava esquisitamente o 'sequestro' do Galileu pelos cristãos e reivindicava sua devolução à inteira humanidade: "Homens de igreja, devolvei-nos o Cristo!'
Quem, com efeito, de coração simples e honesto, atender aos relatos da paixão do Nazareno não permanece indiferente. 'Divisor de águas', 'pedra de tropeço' no caminho das sabedorias humanas, Jesus de Nazaré é espinha dorsal do destino e sentido do mundo. Gente de toda estirpe, intelectual ou inculta, nobre ou plebeia, rica ou pobre se sente interpelada por aqueles acontecimentos bíblicos. Discorrer sobre 'Deus', segundo Dostoievski, tornou-se assunto manso e contornável se comparado ao 'fato' Cristo que, desde então, engarrafa e complica o emaranhado fluxo de argumentos e discursos que formulamos. Diante do crucificado, 'sábios' se tornam estultos, desprezados e humildes se erguem e são exaltados. Sem Cristo, as coisas teriam outra ordem e viveríamos marasmos existenciais infindáveis como num eterno retorno.
As narrativas relacionadas ao Servo de Javé levam-nos a uma cristologia repleta de abismos físicos, morais e espirituais. Ali se encontram realidades humanas e divinas amalgamadas a acontecimentos e palavras que dão novo significado ao que vivenciamos e fazemos. A cruz de Cristo não é só revelação do Divino antes desconhecido, mas é também revelação dos recônditos e sombrios mistérios que medram as subjetividades. O crucificado misturou-se à nossa condição de criaturas, retratou nossa miséria e/ou grandeza, quebrou o absurdo de nossos sofrimentos, orientou nossa parca e agudizada liberdade, purificou nossa porca, infeliz e anêmica justiça, iluminou nossa carunchada convivência cívica, corrigiu o sentido pálido e obscuro que dávamos à vida.
Embora fosse a encarnação do amor, da justiça e da vida, ele foi crucificado. "Fizemos pouco caso dele", diz Isaías (53). Foi tratado como um idiota e tresloucado quando, na verdade, "tomou sobre si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos; e nós o reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado. Ele foi castigado por nossos crimes e esmagado por nossas iniquidades; o castigo que nos salva pesou sobre ele; fomos curados graças às suas chagas" (Is 53).
O conhecido F. Nietzsche (1900), irreverente e alucinado, abriu as portas do século XX, supondo ser porta voz de uma sociedade em decomposição e pôs nos lábios de um louco a notícia do desaparecimento de Deus na alma contemporânea. Exaltando a morte de Deus, concluiu efeitos trágicos como se fossem vitoriosos no seu livro 'Assim Falou Zarathustra': "Como vamos confortar a nós mesmos, os assassinos de todos os assassinos? Aquilo que era mais sagrado e poderoso de tudo o que o mundo ainda possuíra sangrou até a morte sob nossas facas: quem vai enxugar esse sangue de nós? Que água existe para que nos limpemos? Que festivais de expiação, que jogos sagrados teremos de inventar? Será que a grandeza desse ato não é grande demais para nós? Será que nós mesmos não temos que nos tornar deuses apenas para parecer dignos dele? Nunca houve ato maior; e quem quer que nasça depois de nós – por causa desse ato pertencerá a uma história superior a toda história até então".
A 'morte de Deus' não tem lógica, nem é científica (se morrer, não é Deus e se for Deus, não morre), mas se, porventura, alguém conseguir extirpar Deus de sua vida, arcará com as consequências de um crime inexpiável. A mensagem nietzschiana pretende tirar consolação do ato deicida crendo atingir uma superioridade histórica.
É-nos permitido imaginar o esforço de muitos (que vieram antes de Cristo) para encontrar a sabedoria. O matemático Pitágoras (sec. VI a. C.), o 'iluminado' Buda (483 a. C.), o sábio Sócrates (399 a. C.), o filósofo Platão (347 a. c), o grande Aristóteles (322 a. C.), o poderoso Júlio César (44 a. C.) ou o célebre orador Cícero (43 a. C.) são alguns exemplos. Se tivessem encontrado O ressuscitado, provavelmente, descobririam Nele a convergência e a foz de suas buscas sapienciais. A história, porém, diferentemente de Nietzsche, não seria superior em razão do ato criminoso e assassino impetrado pelos homens, mas pelo poder do Crucificado que venceu a morte e o pecado.
Agnósticos e ateus, como podemos ver, sobremaneira entre modernos e contemporâneos, entre eles Kant, Nietzsche, Voltaire, Rousseau, David Hume, Schopenhauer, Hegel, K. Marx, L. Feuerbach, A. Comte, A. Gramsci, Sigmund Freud, Sartre, Marcuse, Camus e outros tantos, incomodaram-se com Cristo (sem conseguir ignorá-Lo ou destruí-Lo) e desprezaram sua herança. Suas posições racionais não os desobrigaram, porém, da insana tarefa de escavar, alhures, motivos que pudessem justificar o empenho humano pela construção das utopias e dos paraísos terrestres.
O que sobrou daquele esforço titânico em achar sentido para um mundo niilista e sem Deus, foi investir e esperar pelo futuro feito não por mãos divinas, mas por homens dotados de ciência e razão. O que esses profetas e cientistas sociais nos propuseram foi, no fim das contas, esperar a conquista ou a chegada de uma humanidade apocalíptica e trágica que se expressará no advento, pelas vias da seiva evolucionista darwinista, de uma raça super humana (na linguagem de Nietzche), espécie de gente potente, delirante e genial, situada acima do bem e do mal, ou, esperar dos mecanismos e segredos da psicanálise por uma civilização desneurotizada e sem traumas, ou, enfim, esperar da força revolucionária, lavada e lavrada na cartilha marxista, por um mundo comunista, sem classes e sem injustiças.
Contudo, paradoxalmente, tais catequeses transformadoras, com sua práxis secular, prometeica e anti-evangélica, ensinam que devemos aguardar os super humanos construídos e moldados por artífices, eles mesmos, quebradiços e doidos (como o próprio Nietzsche que morreu sifilítico e enlouquecido) ou o mundo libertado das neuroses por mãos neuróticas e charlatãs (como as de Freud e seu discípulo behaviorista, J. Watson) ou o mundo livre de injustiças por feitores e arquitetos sociais, injustíssimos, hipócritas e podres (como Marx, Engels, Lenin, Stalin, Che Guevara, Fidel e tutti quanti).
Se, por um lado, há os que rejeitam a 'pedra angular', por outro, há uma gama infindável de pessoas que, ao longo da história, bebeu das fontes cristãs encontrando ali não os fardos pesados, mas a senda do caminho, o bálsamo para suas feridas e tribulações. Não há, para quem quer ser cristão, diminuição alguma de sofrimentos ou dificuldades pelo fato de crer, mas o discípulo que peregrinar este mundo na fé, tem em sua alma a lâmpada que ilumina seus passos. Àquele que caminha na fé, não lhe será tirada, tampouco, qualquer porção de inteligência e liberdade.
F. Dostoievski (1881), romancista russo, concluiu que as tribulações de Cristo são também as tribulações dos cristãos. Não estamos sós, nem somos primogênitos no que fazemos e vivemos. No texto 'O Grande Inquisidor' (extraído de Os Irmãos Karamazov), o autor indica, com rara beleza e profundidade (não visto na teologia oficial) quão próximas são as tribulações de Cristo com as dos homens. Exemplo, são as tentações do deserto (Mt 4).
Com efeito, Cristo, muito antes de ser pregado ao madeiro na Sexta-Feira Santa, anteviu os sinais de sua paixão nas adversidades do deserto. O deserto, como sabemos, está, física e paradigmaticamente, situado em terra virgem ou prostituída. O início de tudo, ninho do big bang, devia ser alucinantemente árido e sem vida, mas, se imaginarmos um futuro totalmente contaminado e destruído, a mesma fisionomia encontraremos lá.
Entretanto, apesar da aridez e da secura, os desertos guardam sementes de vida. Neles moram demônios, mas também raízes de fé e liberdade. Abraão, 'pai dos crentes' peregrinou no deserto, Israel, sua descendência, aprendeu a obediência às Leis e o 'caminho' pascal em desertos. No deserto, bodes expiatórios eram sacrificados, João Batista, à semelhança dos profetas, anunciou a era messiânica e Judas, o traidor, serviu-se dele para expiar seu remorso e se suicidar.
Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas narram que Jesus, conduzido pelo Espírito, foi ao deserto. Lá, depois de jejuar e orar durante os dias que lembram a quaresma, sentiu fome. Do mesmo modo como odores de putrefação atiçam e instigam hienas e cães selvagens saírem de suas sombras para disputar carnes vivas ou em decomposição, a fome desperta e atrai demônios. O homem faminto (de pão e de Deus) se torna presa de satânicos à espreita. Os famintos constituem matéria incandescente à manipulação, à instrumentalização, ao servilismo. A fome e a miséria, postas aos pés de perversos sedentos de poder, tornam-se escabelo no qual quaisquer formas de escravidão se assentam.
Ao sentir fome, Jesus recebeu a visita do demônio que o incitou a fugir da cruz. Do grego diá+bolos, o termo significa 'aquele que divide ou separa'. Se, de um lado, o sym+bolos reúne, ilumina, congrega e une, de outro, o diá+bolos divide, desagrega, confunde. O espírito diabólico é a fonte de conflitos e divisões entre humanos. Onde reina o espírito simbólico tende-se à comunhão, à harmonia, à claridade, à paz. O diabo, ao invés, promotor de conflitos e desvios, não visita Cristo em seu estado confortável; visita-o oportunisticamente em situação 'desértica', de fome e desamparo. Revestido de sorrateira intenção só visa dividir o Filho do Pai e o Pai do Filho.
É em situação de 'deserto' que somos tentados, não inversamente. Sob vicissitudes de fraqueza o diabo tentou Jesus propondo-lhe o milagre, o espetáculo, a autoridade como doces soluções para sua amarga missão.
Propôs-lhe enganosas e fáceis vias de enfrentamento das inevitáveis dificuldades e sofrimentos que a vida contém. Proposta diabólica é vender com 'baixo custo' as plenitudes, as liberdades, a salvação. Todo ser humano, de qualquer época, lugar e condição, nesse quesito, é e será tentado tanto quanto o foi Jesus.
A tentação do milagre pretende que se transformem magicamente pedras em pão. No anseio de riqueza o homem a quer sem o concurso do trabalho. Almeja a colheita do trigo sem o seu plantio, deseja percorrer caminhos permanecendo sentado. É a tentação de ganhar grátis o que muito custa, ter vida cômoda com modos malandros, ter progresso econômico gangrenado com astúcias de corrupção e desonestidade, obter prêmios sem mérito, bônus sem ônus, benefícios sem sacrifícios, pão sem grãos esmagados, prazer sem consciência, amor sem renúncia, nem sofrimento.
O espetáculo, por sua vez, é tentação que pretende transformar o virtual em real, substituindo realismos de acontecimentos e pessoas com ideais desconectados e imaginários. O espetáculo tornou-se a excitante, atualíssima tentação que nos leva para fora do modesto mundo verdadeiro que vivemos, a fim de nos lançar na ilusória fascinação do que ocorre nos filmes, teatros e virtualidades. O tentáculo das realidades virtuais seduz do mesmo modo como Satanás tentou Jesus e os homens do seu tempo. Transformar realidades em sonhos e sonhos em realidades é especialidade do 'diábolos'. O historiador Paul Jonhson nos assegura: os que fustigam para que fujamos do mundo real para irmos ao mundo da imaginação, assemelham-se aos demônios do deserto, nossos inimigos.
A mais terrível e sedutora tentação, enfim, é a da autoridade. Nela se aninha a adaga que atinge o cerne de nossa dignidade. O diabo, levando Jesus para uma colina, lhe disse: "Tudo isso que vês pode ser teu se, prostrado, me adorares". Moral da história: a mais terrível, sutil e perigosa das tentações está aqui, no enxerto sorrateiro de astúcias que conduzem os homens à servidão. A liberdade negociada é o início escravagista. Escravizarmos ou sermos escravizados é ladeira fácil, muito fácil, basta pouco, muito pouco; é suficiente uma dose de beleza, riqueza, poder ou força, uma pitada de fraqueza física ou moral, alguma porção de pobreza, carência, dívida, fome, sede, desejo ou enfermidade. Num toque de magia e sedução nos tornamos sutilmente dominadores ou dominados, escravizadores ou escravizados. A escravidão, quase sempre vista sob óticas exteriores, na verdade, não é um problema apenas histórico, social e político. É também e, sobretudo, drama das interioridades em ação. Sutil e perversamente, o enredo das relações humanas pode nos submeter fácil e flacidissimamente ao domínio dos outros em razão de nossas fraquezas. Mas também, inversamente, podemos nos transformar em astutos manipuladores das vidas alheias em razão de suas fragilidades.
No picadeiro da vida política e social sempre albergamos a companhia de partidos políticos, universidades, escolas, agentes sociais, igrejas, organismos e indivíduos dispostos, com suas ideologias e estratégias, prontos à manipulação. Tais demônios à espreita rondam nossas frágeis e vulneráveis liberdades. Forças diabólicas continuamente regem a vida dos outros sob a alegação de, pela prostração, obter ou dar dignidades. Jesus ensina que rastejamentos não se ajustam à dignidade dos filhos de Deus.
Se a tentação da autoridade engole e cerceia o dom e a graça de nossa liberdade, aprendemos que a prostituição da alma se iguala à morte. A fé autêntica não estrangula liberdades, mas, como diz Dostoievski, dilata. E, no entender de Tomás de Aquino, a fé não nasce do medo, nem da escravidão, mas da confiança, do amor e da liberdade. Não há amor sem liberdade, não há liberdade sem amor. Por essa via, compreendemos que, nenhum outro mestre respeita e promove a dignidade humana quanto Jesus. Nada Ele fez para nos assustar ou seduzir, obrigando-nos a aceitá-lo.
O preço da liberdade, entretanto, se chama responsabilidade. Na vitrine dos tempos hodiernos estão expostos sintomas de uma geração que ama ser livre, mas detesta ser responsável. Naqueles sintomas se escondem as sombras diabólicas, promotoras e difusoras de síndromes como de Peter Pan: a criança que não quer crescer. Alimentada e corroborada por covardias educacionais e ideológicas a síndrome de Peter Pana advoga o direito de não ser adulto e faz crer ser possível a felicidade sem responsabilidade. Todas as reinvindicações em voga estão encharcadas da consciência pelos direitos, mas sofrem anemias quando se trata de deveres. Sovados por doutrinas esquerdopáticas essa síndrome nos persegue dia e noite.
"De todas as tiranias, escreveu o escritor C. S. Lewis, uma tirania exercida pelo bem de suas vítimas pode ser a mais opressiva. Pode ser melhor viver governado por milionários ladrões que por moralistas onipotentes. A crueldade dos milionários ladrões pode às vezes dormir, a cupidez deles pode em algum momento ser saciada; porém aqueles que nos atormentam para nosso próprio bem nos atormentarão indefinidamente, pois fazem isso com a aprovação de suas consciências".
O 'diábolos' nos atormenta a fim de esvaziarmos a consciência das exigências morais. Na esfera política o caso é mais grave. O autor inglês, Kenneth Francis diz: "Não há nada pior que um Estado com uma consciência hiperativa. Como um agricultor excessivamente cioso, que deseja o melhor para seu gado antes que ele seja morto no matadouro. (...)
O marxista italiano Antônio Gramsci (1891 – 1937) disse que a transformação da cultura era de suma importância para a obtenção do poder político. É por isso que países comunistas têm Ministérios da Cultura. E não há melhor jeito de transformar a cultura que com livros, mídia, música, TV, filmes e outros tipos de entretenimento".
Abalroados pelas sutilezas da malícia, somos tentados pelo demônio a buscar não a 'porta estreita', mas a 'larga' que nos levará ao inferno. Na frase dita por um brasileiro bem corroído e corrompido, segundo a qual 'Deus é petista', esconde-se o musgo blasfematório no qual estamos metidos e que nos conduzirá para o brejo. Socialistas como ele, selam esquizofrenias espirituais e morais quando propõem uma cruz sem Cristo e um Cristo sem cruz. É uma ignomínia romântica fazer de Cristo um revolucionário descrucificado, como Barrabás ou Che Guevara. É outra ignomínia abjeta descristificar a cruz pela qual desesperados e miseráveis se desesperam e se miserabilizam ainda mais.
Nos marxismos enrustidos ou proclamados habitam inimigos do Crucificado que, sendo inocente e justo, nenhuma facilitação encontrou (até fel bebeu quando suplicou água) no suplício da cruz. Porcos também comem ou engolem pérolas porque não sabem ou não reconhecem seu valor e seu custo. Ingratidão e orgulho são, portanto, asas morais que guiam essa gente. Em tudo se contrapõem ao crucificado, por isso, o Homem de Nazaré não se ajusta ao petismo e seus asseclas. Destes, livre-nos Deus. E antes que voltem, urge, como Jesus, afastá-los do nosso caminho.
Santa Maria, 14/04/2022
* O autor é professor de Filosofia na UNIFRA
Disney autodestrutiva encontra uma nova maneira (mais permanente) de aterrorizar crianças - 03/04/2022
Roger L. Simon
Lembra da Rainha Má no clássico animado da Disney “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937)? “Espelho, espelho, na parede...” e tudo mais. Ela era bem assustadora.
Mas não tão assustador quanto o que a Disney está fazendo hoje.
É difícil conceber o quão distorcido e imoral o Disney Studios – onde uma vez trabalhei em dois longas-metragens – se tornou, mas vou deixar o estimado Chris Rufo do City Journal explicar o que aconteceu em uma das reuniões da empresa, apelidada de “Reimagine Tomorrow Conversation Series”.
“Em uma apresentação em destaque na reunião, a produtora executiva Latoya Raveneau expôs a ideologia da Disney em termos contundentes. Ela disse que sua equipe estava implementando uma “agenda gay nada secreta” e regularmente “adicionando queerness” à programação infantil. Outro palestrante, o coordenador de produção Allen Martsch, disse que sua equipe criou um 'rastreador' para garantir que eles estejam criando 'personagens trans canônicos, personagens assexuais canônicos e personagens bissexuais canônicos' suficientes. muitos, muitos, muitos personagens LGBTQIA em nossas histórias e reafirmou a promessa da empresa de tornar pelo menos 50% de seus personagens na tela minorias sexuais e raciais”.
Ah, bom. E para que você não pense que os parques temáticos serão poupados, termos obscuros e discriminatórios como “senhoras”, “cavalheiros”, “meninos” e “meninas” devem ser eliminados em favor de excursões familiares a Anaheim e Orlando “mágicas e memoráveis para todos”, evidentemente incluindo transexuais de 4 anos.
Pode-se imaginar – “reimagine o amanhã”, em seu jargão – que a procissão noturna de Mickey, Minnie e Pateta, e outros, que tradicionalmente terminavam uma noite na Disneylândia, agora se assemelhará à Parada do Orgulho Gay anual em West Hollywood ou mesmo a Fulton Street Fair, que é o destaque da “Leather Pride Week” de São Francisco.
O que está acontecendo aqui – além da destruição da civilização ocidental como a conhecíamos, fermentada por uma quantidade bastante significativa de abuso infantil doentio?
Bem, parte disso é evidentemente raiva contra o novo projeto de lei de direitos dos pais na educação, do governador da Flórida Ron DeSantis, que é chamado de “Lei Anti-Gay” pelo coral morto na mídia convencional (até vi isso em uma manchete da AP supostamente neutra) , embora as palavras “gay” ou “homossexual” não sejam mencionadas nem uma vez no projeto cuja intenção óbvia é que as crianças só aprendam sobre sexualidade de qualquer tipo num modo apropriado à idade.
Podemos acrescentar que, enquanto isso, a educação em nosso país, em geral, é execrável. Nossos filhos podem estar sendo alimentados à força com alguma versão “woke” da sexualidade, mas com certeza não estão aprendendo muito sobre leitura e matemática.
Escolas em todos os lugares estão desistindo dos SATs. Eles também podem. Os testes já foram simplificados e reajustados significativamente cerca de 20 anos atrás, quando a pontuação média, que deveria ser de 500, caiu para 400.
Quanto à Disney, é importante lembrar que esta não é apenas uma coleção pontual de "wokes" aproveitando seu mínimo poder em uma reunião secreta (cujo conteúdo só é conhecido por causa de um vazamento, obviamente por medo de que seja descoberto e as pessoas parem de frequentar suas ofertas).
A Walt Disney Co. é, ao lado da Comcast, a maior empresa de entretenimento e comunicação do mundo. Eles possuem não apenas Walt Disney Studios, mas também Walt Disney Animation Studios, Pixar, Marvel Studios, Lucasfilm, 20th Century Studios, 20th Century Animation e Searchlight Pictures.
Além disso, da Wikipedia:
“As outras principais unidades de negócios da Disney incluem divisões em televisão, transmissão, mídia de streaming, resorts de parques temáticos, produtos de consumo, publicações e operações internacionais. Por meio desses vários segmentos, a Disney é proprietária e opera a rede de transmissão ABC; redes de televisão a cabo como Disney Channel, ESPN, Freeform, FX e National Geographic; divisões de publicação, merchandising, música e teatro; serviços de streaming direto ao consumidor, como Disney+, Star+, ESPN+, Hulu e Hotstar; e Disney Parks, Experiences and Products, um grupo de 14 parques temáticos, hotéis resort e linhas de cruzeiro em todo o mundo”.
Portanto, essa conversa na “Reimagine Tomorrow Conversation Series” tem ramificações para praticamente todos os cidadãos do planeta Terra, mais cedo ou mais tarde.
Só podemos esperar que seu conteúdo seja amplamente divulgado porque a maioria dos pais, podemos supor, ficaria chocada. A menos que a empresa seja verdadeiramente autodestrutiva, ela terá que parar.
Também nos perguntamos o que Xi Jinping pensa de tudo isso, se ele pensa, neste momento. (Existem Disneylândias em Xangai e Hong Kong.) Ele provavelmente já está rindo de toda essa bobagem acordada, assim como, sem dúvida, Vladimir Putin. Se alguma vez houve um sinal de fraqueza americana, é isso.
E, finalmente, nos perguntamos o que o velho Walt pensaria. Ele tinha seus problemas, como sabemos. Mas ele era criativo e original, muito mais criativo do que esses idiotas acordados. Eles não poderiam produzir um filme no nível de “Branca de Neve e os Sete Anões” ou, por falar nisso, escrever uma música tão otimista e bonita quanto “When You Wish Upon a Star” para salvar o que você sabe.
Na verdade, o que eles estão fazendo, o estrago que estão causando, pode ser motivado pela inveja daquela incrível arte de Hollywood e Disney que era.
As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.
* Publicado em Epoch Times em 1º de abril de 2022 Atualizado: 3 de abril de 2022
Roger L. Simon é um romancista premiado, roteirista indicado ao Oscar, cofundador da PJMedia e agora editor-geral do Epoch Times. Seus livros mais recentes são “The GOAT” (ficção) e “I Know Best: How Moral Narcissism Is Destroying Our Republic, If It Hasn’t already” (não-ficção). Ele pode ser encontrado no GETTR e Parler @rogerlsimon.
Bantustões brasileiros - 21/03/2022
Félix Maier
A África do Sul, durante os governos de Hendrik Vermwoerd (1958-66) e de B.J. Voster (1966-78), criou dez nações tribais independentes, instaladas em área correspondente a 13% do país, onde os negros foram confinados como bichos. Esses enclaves, chamados de bantustões, tinham por finalidade separar os negros dos brancos - a faceta mais hedionda do Apartheid. Assim, muito justamente, a maioria dos países passou a hostilizar o governo racista da África do Sul, com boicotes de toda ordem, tornando aquela nação um pária no meio da comunidade internacional.
Com a virada das páginas do tempo após a atenuação da guerra fria, advinda do colapso da antiga União Soviética, e com a ascensão de um novo poder mundial identificado como "sociedade civil" (1), observa-se que o antigo Apartheid da África do Sul, rechaçado anteriormente por muitos, extinto de fato durante o governo de Nélson Mandela, está se implantando no Brasil com grande êxito e sob os aplausos dos mesmos que anteriormente se posicionavam contra aquele tipo de discriminação.
Trata-se das demarcações das terras indígenas no Brasil. Um enclave enorme foi criado em nosso país com a demarcação da Área Indígena Yanomami, iniciada pelo então presidente Fernando Collor, sob pressão dos países ricos e inúmeras ONG que proliferam pelo mundo como geração espontânea. Além de colocar em risco nossa integridade terrritorial, criou-se uma "nação indígena" do tamanho de Portugal para enclausurar uma farsa, já que os yanomamis foram uma esperta criação das ONG, como denunciou um coronel do Exército Brasileiro (2) que serviu naquela região. Não se sabe ao certo se essas organizações estão realmente interessadas na preservação da cultura indígena ou se estão a serviço dos países ricos, tentando evitar que a região amazônica se desenvolva, para, assim, ficar mais à vontade para praticar a rapinagem de sua riquíssima biodiversidade e dos metais raros encontrados em seu subsolo. Um mapa elaborado pelo IBGE (3) mostra a Amazônia vestida com pele de onça, com manchas espalhadas em todo o seu território, enclaves que tentam confinar os índios em seu estado primitivo, enfim, que tentam fossilizá-los em bantustões, nos mesmos terríveis bantustões da África do Sul anteriormente condenados por toda a comunidade internacional.
Com respeito à África do Sul, a comunidade internacional sempre defendeu o acesso dos negros aos mesmos direitos que os brancos tinham no país. Muitos negros, apesar do Apartheid, conseguiram se tornar figuras proeminentes na política local, a exemplo de Mandela, que depois de amargar vinte e oito anos na prisão tornou-se presidente do país. Quem seria Mandela se ele tivesse sido confinado em algum bantustão? Apesar de ser um príncipe da etnia xhosa, com certeza ainda hoje estaria trocando flechadas e zarabatanadas com seu rival Buthelese, da etnia zulu, não teria se formado em Direito, nem governado o país. Por que, então, nós aqui no Brasil queremos excluir nossos índios de se tornarem figuras de destaque, quem sabe futuros senadores, governadores e até presidentes do Brasil?
Com a proliferação das ONG ecológicas em todo o mundo, a começar pela WWF, fazendo pressões de toda ordem, tenta-se manter os nossos índios, brasileiros legítimos, em seu estágio pré-histórico, sem direito ao ingresso paulatino à sociedade brasileira. À WWF credita-se a criação do "ongagotango", ou seja, o orangotango das ONG, um suposto primata indígena, fóssil vivo, petrificado, proibido de ter acesso à civilização, habitante de um propalado "quarto mundo", movimento que defende que grupos indígenas são os donos originais das reservas por eles habitadas. Apesar da textura esquerdista que orienta os trabalhos das atuais ONG, a práxis ou ação revolucionária de Marx é colocada para andar de ré, ou pior, ficar congelada e engessada, já que tentam absurdamente proibir que nossos índios sejam aos poucos absorvidos pelos demais integrantes da população brasileira. Embora quase todos os índios falem o português, gostem do esporte preferido do brasileiro - o futebol, tenham muitas de suas aspirações idênticas às nossas, comercializem com os brancos, vão às cidades, enfim, que de índios têm muito pouco, organismos religiosos e ONG indígenas tentam a todo custo engessá-los na Idade da Pedra, sem perspectiva de nenhum avanço civilizatório. Com isso, ficam à mercê de falsas lideranças que pregam o ódio ao homem branco, tolhendo, assim, seu próprio desenvolvimento e os condenando a ser confinados em imensos favelões, onde são entregues ao álcool e à prostituição, e onde ficam totalmente dependentes do poder público, seja na provisão de alimentos, seja no atendimento médico-hospitalar. Já disse um cacique indígena: "Índio não gosta de mato. Quem gosta de mato é bicho". A criação da Escola Indígena de Educação Básica Cacique Yanhkre, na reserva indígena Kaigang, onde vivem 4.800 índios, em Chapecó, SC, primeira escola de nível médio destinada a índios, é um bom início para reverter o atual processo de criação de bantustões no Brasil e, paulatinamente, incluir a vida indígena em nossa sociedade, Afinal, quem disse que índio não gosta de ver televisão, de ter geladeira, de falar ao celular, de dirigir uma picape?
São vários os motivos alegados para deixar que os índios continuem a viver como bichos. Sociólogos evocam a figura do "bom selvagem", aquele ser puro e implicitamente bondoso, que vive no paraíso das florestas, incapaz de cometer qualquer ato vil, como praticar o canibalismo, sacrificar crianças ao sol para ele não deixe de nascer de novo no dia seguinte ou enterrar vivas as crianças indesejadas... Assim, o indígena deveria ficar isolado na floresta, para não ser contaminado pelas nefastas idéias do homem branco. Embora os próprios organismos indigenistas não saibam o que é melhor para os índios, já que não perguntam isso aos índios, eles tiveram um bom motivo para levantar a questão indígena nas comemorações dos 500 anos do Brasil: creditar à Igreja Católica todos os males que se abateram sobre os indígenas. Ela, somente ela, é a culpada pela atual situação dos índios, que foram evangelizados à força e, por isso, totalmente descaracterizados para pior. Mais uma vez, na interpretação equivocada que se faz da História, olhando o passado com o olho vesgo da ideologia do presente, a linha esquerdista esquece o mote marxista, a práxis ou ação revolucionária, pela qual o homem passa à ação para modificar o mundo, não apenas para interpretá-lo.
Ora, durante toda a história humana, os povos conquistadores sempre impuseram seus costumes aos vencidos, os conquistados tiveram que se adaptar à nova situação para não desaparecer. Os jesuítas trouxeram a fé e a esperança cristã a novos povos, cumprindo uma determinação evangelizadora de Cristo: "Ide e pregai a todos os povos da terra". O espírito cristão, criticado ferozmente pelas correntes anticlericais, cristalizou-se exemplarmente na sociedade brasileira, de maioria cristã, onde coexistem religiões diversas, não há "guerras santas" devido ao credo religioso, a miscigenação está ocorrendo naturalmente, como já havia comprovado Gilberto Freire, estamos nos tornando uma grande nação, sem preconceitos, ainda que figuras soturnas de além e aquém-mar, como o escritor Saramago e as "libélulas" da USP (4), tentem menosprezar o mais rico legado que Portugal nos deixou: o espírito da solidariedade cristã que tanto identifica nosso povo. O ensinamento cristão não pode ser dado aos índios, segundo esses ideólogos rancorosos, porém o ódio e o preconceito marxista podem ser ministrados aos pobres índios, que foram insuflados por líderes extremistas do MST e pelo CIMI, para contestar as comemorações em Porto Seguro e Coroa Vermelha, em 2000.
Uma forma de desacreditar o cristianismo nesses tempos de comemorações é exatamente apresentá-lo como o grande vilão, responsável pelo massacre de nossos índios, o que é uma mentira, já que os jesuítas sempre foram defensores dos indígenas, construindo uma comunidade altamente organizada no sul do país, as missões jesuíticas, destruídas durante embates de espanhóis contra portugueses. O ódio destilado pelo pataxó durante a missa concelebrada por mais de 400 bispos em Coroa Vermelha, no dia 26 de abril de 2000, demonstra que nossos índios aprendem a cartilha "dialética" com muito denodo e muita rapidez, merecendo menção "A", com louvor, e muitas palmas, ainda que aquele texto cheio de ódio tenha sido redigido por algum representante de "pastoral" católica, pelo CIMI ou por algum frei-deputado, como aquele que coordenou o MST para o assalto a uma sede do INCRA na Paraíba, seqüestrando pessoas e as mantendo como reféns. Ainda que a réplica da nau de Cabral tivesse navegado, ainda que o governo não tivesse cometido uma série de fiascos, na verdade, o que estava em jogo não eram as comemorações dos 500 anos, mas a mesma anticomemoração que já marcara os 500 anos da descoberta da América, em 1992, quando a mesma turba rancorosa de agora já havia realçado as mesmas atrocidades cometidas contra os indígenas, creditando à mesma Geni outrora perseguida pelos romanos, jogando a própria bosta apanhada em seus penicos contra a Igreja Católica, sem fazer um balanço correto dos ganhos e perdas destes cinco séculos, muito mais ganhos do que perdas. Ora, a Alemanha, por exemplo, não deve ser lembrada somente pelo nazismo, mas também pelos grandes filósofos, escritores e músicos que gerou, e, o mais importante, pelo seu formidável povo, que depois de ver o país totalmente arrasado na II Guerra Mundial, rapidamente voltou a ser uma potência econômica. Sob a ótica derrotista ou masoquista dos eternos rancorosos que conseguiram anuviar as comemorações do nascimento de nossa nacionalidade, nada poderíamos comemorar, nem nosso aniversário, nem o nascimento de nosso filho, pois há sempre um parente idoso doente, um amigo que morreu de modo violento, enfim, nem sexo poderíamos fazer. Os antitudo numa festa não conseguem ouvir a alegria da música, sentir o perfume que paira no ar, apreciar o colorido das vestes femininas, mas apenas conseguem ver o próprio vômito no chão, cheio de ódio e fel, onde acabam escorregando e sujando o traseiro.
Essa perseguição contra a Igreja Católica remonta ao Iluminismo, culminando com a Revolução Francesa, quando se pretendia "enforcar o último burguês com as tripas do último padre". Durante o período conhecido como Terror, após a Revolução, foram cometidas as maiores arbitrariedades contra quem professasse a fé de Cristo. Padres eram obrigados a fazer sexo com freiras ou eram sumariamente executados. No curto período de sua existência, o Terror matou mais que a Inquisição católica havia matado durante séculos. Com o advento do marxismo, determinando a morte de Deus por escrito, apesar do DNA cristalizado em todos nós por nossos antepassados durante milhares de anos gritar o contrário, a perseguição contra os cristãos continuou ainda mais furiosa. Esquecem os inimigos do cristianismo essa magnífica obra no Ocidente que é a sociedade brasileira e toda a sociedade latino-americana moldada pela religião cristã, com sua doutrina de bons costumes, que dá extrema importância à família.
Sem constrangimento algum, os sociólogos da dialética marxista inventam números. Dizem que no Brasil havia em torno de 5 milhões de índios em 1500. Um número muito redondo e, portanto, bastante questionável, já que Cabral não trouxe nenhuma equipe para fazer o recenceamento. E como hoje estima-se que existam em torno de 300.000 índios nas reservas indígenas, a aritmética que tentam nos empurrar goela abaixo é que o restante foi sumariamente exterminado. Ora, Fafá de Belém, Luíza Brunet, Gilberto Mestrinho e milhões de brasileiros de origem mais do que indígena nos provam que o que houve de fato foi uma extraordinária miscigenação nestes trópicos, ainda que muitos índios tivessem perdido a vida no período da conquista portuguesa. E mesmo os atuais 300.000 índios são um número muito abaixo da realidade, já que não é computado o número de indígenas vivendo nas cidades e em muitas áreas rurais fora dos bantustões brasileiros. Pesquisa recente da UFMG (5) comprova que 45 milhões de brasileiros possuem sangue indígena, desmentindo categoricamente que houve um massacre sistemático de nossos índios. Houve massacres, sem dúvida, mas não na extensão em que é apresentada. Finalmente, convém lembrar que Rondon, descendente de índios terenas, não teria seguido sua brilhante carreira militar, culminando na promoção a marechal, caso estivesse confinado em algum bantustão.
Além da questão indígena acima abordada, há grupos fazendo de tudo para criar em nosso país outros bantustões, além dos bantustões indígenas. São movimentos que pregam a sua própria exclusão da sociedade brasileira, já que procuram se diferenciar das pessoas comuns e instituir um modus vivendi próprio, como se novas etnias estivessem surgindo do nada, como o movimento negro, o movimento de mulheres, o movimento dos sem-terra, o movimento de gays e outros, fomentados pelo rancor esquerdista e pelo modo "politicamente correto" de pensar dos americanos do norte.
Há movimentos tentando manter isolados, no interior do país, os negros descendentes de quilombos, desqualificando-os a se integrar à sociedade brasileira, ou impedir que a sociedade brasileira, branca e mestiça em sua maioria, se integre a eles. Os poucos casos de preconceito racial no Brasil são magnificados pelas lupas de organismos negros racistas, que, ao invés de solucionar a questão, apenas acirram os ânimos e a discriminação, ou, no mínimo, caem no ridículo, como foi o caso de uma ação movida por um grupo carioca contra o palhaço Tiririca, que havia escrito uma canção boba e ingênua "Olha os cabelos dela". O próprio governo federal é favorável a cotas para o ingresso de negros nas universidades, copiando a affirmative action dos americanos. Com essa "discriminação positiva" tupiniquim, quem seria considerado negro? Somente os pretos ou também cafuzos e mulatos? Seria inventado o "pigmentômetro", para medir a reflexão de luz (ou a falta de reflexão) da pele das pessoas? Não dá para acabar com o racismo propondo uma ação racista. No Brasil, não são os negros os únicos excluídos do sistema educacional superior, porém todas as pessoas pobres, independentemente do matiz de sua pele, para as quais o acesso a uma educação plena é um sonho que nunca será realizado. Movimento Negro Unificado, grupo musical Raça Negra e outros movimentos do mesmo teor apenas conseguem pregar ou sugerir a exclusão racial, pois abrem o precedente de serem criados no Brasil, por exemplo, o Movimento do Orgulho Branco ou algo como Camerata da Raça Ariana, com todos os seus integrantes sendo obrigatoriamente louros e de olhos azuis, descendentes da Renânia, tocando violino Stradivarius.
Ora, não existem ítalo-brasileiros, nipo-brasileiros, teuto-brasileiros nem afro-brasileiros. Apenas brasileiros. Pelé é brasileiro, apenas brasileiro, talvez o mais brasileiro de todos, uma marca registrada mundial, é reconhecido como brasileiro instantaneamente em todos os continentes, assim como são imediatamente identificadas a marca da coca-cola e a figura carismática do Papa João Paulo II. O "negão", como o chamavam e ainda o chamam com carinho seus companheiros de quatro campeonatos mundiais de futebol, com certeza não admite que seja apelidado de afro-brasileiro, uma invenção copiada dos norte-americanos para excluir o negro de sua sociedade, marcá-lo a ferro em brasa, para que seja, como gado, confinado em guetos, sejam eles territoriais ou culturais.
Uma das últimas sandices de que se tem notícia foi a obrigatoriedade dos proprietários do Dicionário inglês Webster de "raspar" algumas palavras consideradas "ofensivas" aos negros. Algo parecido foi tentado por uma deputada distrital do PT durante o governo de Cristovam Buarque no Distrito Federal (época em que foi rejeitada a concessão do título de cidadão honorário a Pelé). O coronel Guerra, por exemplo, teria seu nome mudado para coronel Paz. A polícia seria menos violenta... Energúmenos acreditam que a retirada do Aurélio de palavras como puta e crioulo iria diminuir a putaria e a discriminação. (A palavra "pederasta" será riscada do Código Penal Brasileiro, como se isso fosse diminuir o número de pedófilos da atualidade, a maioria composta por homossexuais, conforme denúncias recentes.) Os brasileiros livres de ódio e preconceito, que são a imensa maioria, estão cansados de ouvir tanta bobagem. Nada de negritude júnior ou branquelice sênior. Somos todos brasileiros e ponto final.
O MST, para não ficar atrás, também se desdobra por todos os meios para a criação de outros tipos de bantustões em todo o país. Há um sistema de ensino criminoso sendo ministrado em seus acampamentos, onde apenas os "militantes", formados em células socialistas do próprio movimento (6), são capacitados a ministrar aulas. O jornal O Estado de S. Paulo denunciou essa "pedagogia do gueto", onde as crianças, como os antigos balilas do fascismo italiano, são amestradas na doutrinação comunista. Nesses acampamentos, 7 de setembro não é Dia da Pátria, mas "dia dos excluídos". Os heróis nacionais não são Tiradentes, Caxias, Tamandaré, Santos Dumont, porém Antônio Conselheiro, Lampião, Lamarca, Luís Carlos Prestes, Marighela. As escolas têm nomes sugestivos como Che Guevara, Mao Tse Tung e outros assassinos compulsivos. Desde a mais tenra idade, as crianças são ensinadas a ter ódio de quem tem uma propriedade e a não respeitar as leis vigentes no país, já que "a lei é feita para atender aos interesses da minoria e não do povo", como prega a cartilha guerrilheira do MST, "A Vez dos Valores". Com o acovardamento dos governadores, receosos da ocorrência de outros "eldorados do carajás", e com a inoperância da justiça, que não garante o respeito à propriedade e não prende os criminosos que matam e destroem benfeitorias, o MST está se tornando um estado dentro do Estado brasileiro, em total desrespeito à Constituição. Ou seja, com a ajuda financeira de muitas entidades nacionais e internacionais, incluindo a CNBB, o CIMI e o próprio governo FHC, que financia o movimento via INCRA, o MST está criando centenas de bantustões no território brasileiro, sem nenhum questionamento de nossas autoridades. Com a técnica da plastinação (7), injetando o moderno silicone gramscista nos mofados esqueletos de líderes comunistas, untando-os com o velho formol da dialética marxista, o MST tenta ressuscitar figuras como Mao Tse Tung, Lênin, Che Guevara, Prestes, Lamarca, Marighela e outros, para reeditar as ações terroristas das VPR e ALN de outrora.
Os movimentos feministas, em franca decadência, graças aos avanços que conseguiram com respeito à igualdade entre os sexos, atualmente se prestam apenas a promover a prática do aborto, afirmando que têm total direito de decisão sobre seu corpo, e que, por isso, podem fazer o que bem entenderem. Ora, uma mulher tem direito sobre o próprio corpo no que concerne em melhorar sua saúde e sua beleza, em não se prostituir, nunca em tirar a vida do feto gerado em seu próprio ventre, que é um ser humano como ela, não um entulho indesejável. Elas têm todo o direito de fazer xixi agora ou daqui a cinco minutos, não de expelir um filho covardemente assassinado como se fosse um cocô.
Movimentos de meninos de rua, após as imagens geradas pela chacina da Candelária, no Rio de Janeiro, obtiveram amplo apoio da imprensa e de organismos internacionais, conseguindo fazer o milagre da multiplicação de ONG em todo o país, interessadas em passar a mão nos dólares enviados por bobões de todos os cantos do planeta. Embora essa nova "etnia" dos meninos de rua fosse apenas uma invenção fantasiosa, um grupo carioca conseguiu a proeza de receber o prêmio internacional Rei da Espanha, não se sabe até hoje por qual motivo, já que não havia retirado os meninos e as meninas das ruas, pelo contrário, fazia lobby para que os mesmos permanecessem nas ruas para concluir o doutorado com os bandidos. Pesquisadores sérios, após alguns cálculos simples, descobriram que no Rio de Janeiro havia mais ONG do que meninos de rua!... A partir de então não se fala mais do assunto.
Quanto aos representantes da "terceira via", que nos estádios de futebol são lembrados como bichas para xingamento do juiz ou de algum jogador, mas que se autodenominam "gays", também fazem de tudo para parecer uma nova etnia, mais colorida ainda do que as vestes africana ou do que o próprio arco-íris. Esquece essa turma "alegre" de que são apenas humanos, embora com outros desejos, "orientações" ou desvios de conduta, seja lá o que for, o que eu também tenho o direito de discordar, já que também tenho minha própria orientação, seja religiosa, seja moral, seja cultural. Não há dúvida de que os "gays" merecem respeito, como todo ser humano, porém não têm o direito de tentar nos dizer que casamento entre pessoas do mesmo sexo seja algo natural, porque natural é o casamento entre um homem e uma mulher, uma união consagrada em todas as culturas, abençoada por todas as religiões, base de toda estrutura familiar, que é a célula da sociedade humana desde tempos imemoriais. Que os "gays" tenham o gosto particular por pessoas do mesmo sexo é um assunto que diz respeito apenas a eles, conquanto não venham a praticar sexo com crianças e adolescentes, uma prática seguida por um grande número deles, que deve ser denunciada e punida com cadeia. A violência sexual contra crianças e adolescentes promovida por muitos homossexuais é bem maior do que se possa imaginar, embora a mídia e os institutos de pesquisa se calem a respeito. Nos EUA há um grupo, o Man-Boy Love Association, algo como "Associação dos Amantes de Meninos", que faz apologia ao crime ao pregar que a pedofilia é a coisa mais natural do mundo. No Brasil, talvez para dar um status acadêmico aos homossexuais, vamos dizer assim, as "libélulas" da USP sobrepujaram-se a si mesmas em matéria de estultice: criaram um curso pré-vestibular (8) voltado exclusivamente para "gays"!... Será que os "gays" realmente querem um terceiro banheiro, com bidê rosa, além de exigir que fichas de preenchimento de dados pessoais tenham três colunas para marcar o sexo? Não sei, mas que eles fazem um esforço enorme para criar seu bantustão "sui generis", isso eu não tenho dúvida.
Já está mais do que na hora de voltarmos a ter um pouco mais de racionalidade nesse assunto de inclusão e exclusão social. Incluir na vida brasileira todos os povos e todas as raças aqui existentes é acima de tudo uma mensagem cristã de amor ao próximo. A única exclusão que deveria ser pregada é aquela relacionada à estupidez de todos os radicais do momento, que apenas promovem tumultos e insegurança na sociedade brasileira e nada têm a oferecer a não ser ranger de dentes, pedradas, ovadas, pauladas e cusparadas de fel. Radicais de todos os matizes deveriam, estes sim, ser confinados em bantustões, bem longe da costa brasileira. Quem vota a favor de mandá-los, sem passagem de volta, para o paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha? Seria um preço muito alto, concordo, mas viveríamos um pouco mais sossegados.
P. S.: Um lembrete aos indígenas rancorosos em Coroa Vermelha por ocasião da missa do dia 26 de abril de 2000: pesquisas recentes comprovam que antes da chegada das civilizações indígenas conhecidas na ocasião da descoberta da América, havia civilizações indígenas anteriores, que foram totalmente dizimadas pelos ancestrais dos atuais indígenas. Portanto, não adianta pregar sermão contra os romanos sendo o Átila que os esmagou.
Notas
(1) Sociedade civil: denominação utilizada pela primeira vez por Adam Ferguson, em 1767, em seu "Ensaio sobre a história da sociedade civil", no qual discorre sobre as virtudes do homem na sociedade civil, ou seja, a "sociedade civilizada", em oposição ao homem isolado e bruto. O marxista francês L. Althusser, aplicando a dialética hegeliana, afirmou que em cada sociedade há embutidas duas sociedades diferentes e opostas: a sociedade política ou Estado (classe dominante) e a sociedade civil (sociedade dominada ou povo), denominações fartamente utilizadas por Antônio Gramsci, um dos fundadores do Partido Comunista Italiano. Atualmente, a sociedade civil compreende as ONG, organizações comunitárias, associações de moradores, organizações religiosas, partidos políticos, sindicatos, associações profissionais, corporações privadas sem finalidade lucrativa, organizações e instituições privadas, como fundações, escolas, universidades, centros de pesquisa e a organização material da cultura (revistas, jornais, editoras, emissoras de televisão, meios de comunicação de massa, etc.). Segundo Gramsci, é a sociedade civil, em sua "guerra de posição" nos Estados democráticos modernos, que irá levar esses países à conquista do socialismo, ao passo que a "guerra de movimento" ou revolução permanente, na acepção de Marx e Engels em 1850, será adotada contra os Estados absolutistas ou despóticos, ou contra Estados democraticamente fracos.
(2) O livro "A Farsa Yanomami", do coronel Menna Barreto, foi editado pela Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro, 1996.
(3) Veja mapa editado pela FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) e pelo ISA (Instituto Socioambiental), com apoio do MEC e do Pró-Nordeste, escala 1:800.000.
(4) "Libélulas" da USP: trocadilho de Libelu - Liberdade e Luta, movimento marxista-lambertista existente na USP durante os governos militares (Pierre Lambert foi um dos ideólogos da IV Internacional - Trotskista). Atualmente, as "libélulas" mais conhecidas que esvoaçam sobre o "campus" da USP são Emir Sader, Paul Singer, Marilena Chauí, Leandro Konder, entre outras, além daquelas que alçaram vôos "extramuros", como FHC. Mas há também as borboletas da UnB, as mariposas da UFF, as ... etc... Veja "As libélulas da USP", de minha autoria em www.usinadeletras.com.br.
(5) A pesquisa foi realizada por cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tendo à frente o professor e médico geneticista Sérgio Danilo Pena. A equipe concluiu, ainda, que "a contribuição européia na população brasileira se deu basicamente através dos homens, enquanto a ameríndia e a africana foi principalmente das mulheres (veja o artigo "Pé na Taba", da revista Istoé, edição número 1592, de 4/4/2000).
(6) Em Sidrolânda, MS, o MST e a Coordenadoria Latino-Americana de Organizações do Campo (CLOC) promoveram, em 1999, um Curso de Capacitação de Militantes do Cone Sul, para 44 brasileiros, 21 paraguaios, 17 argentinos, 6 bolivianos e 5 chilenos. O objetivo desse curso foi o de manter a "mística" do movimento, ao estudar a história do MST no Brasil e seus principais símbolos, além da formação específica de quadros para doutrinar e controlar as "massas", para atingir o objetivo final do movimento, a implantação do comunismo no país ("Hasta la victoria! Siempre!"): "... socialização dos bancos, dos meios de comunicação e do Estado"; "... as contradições serão cada vez maiores entre os trabalhadores e a burguesia e isso se resolve quando a luta adquire um caráter político e de classe"; "... a organização deve formular e seguir sempre a teoria revolucionária para ter condições de realizar a revolução" (veja o artigo "MST mostra que a meta é a tomada do poder", de Carlos Soulié do Amaral, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", nos dias 20 a 22 de junho de 1999).
(7) Plastinação: técnica que consiste em desidratar quimicamente os membros de um morto e depois preenchê-lo com silicone, epóxi ou poliéster, para utilização como prótese.
(8) CAHUSP: Centro Acadêmico de Estudos Homoeróticos da USP. ONG voltada ao exame pré-vestibular exclusivo para o grupo GLS (Gays, Lésbicas e Simpatizantes).
Fonte: https://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=556&titulo=Bantustoes_brasileiros
* Texto originalmente publicado em Usina de Letras - Bantustões Brasileiros -- 20/07/2000 - 17:57
** https://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=60468&cat=Ensaios
PCB: 100 anos de história e de muitos crimes - 18/03/2022
Félix Maier
Neste ano de 2022, comemoram-se vários centenários.
No dia 7 de setembro de 2022, comemora-se o bicentenário da Independência do Brasil. Há muitos anos, a data é contestada pelos partidos e movimentos de esquerda, que inventaram o “Dia dos Excluídos” para marcar posição contra o “poder burguês” e manter viva a chama da revolução socialista. Não será surpresa se nessa data a esquerda, com apoio maciço da “mídia antifa” (a que se diz antifascista, mas que é fascista por natureza), organize uma “anticomemoração”, como fizeram por ocasião dos 500 anos do Descobrimento do Brasil.
Outro evento importante a ser comemorado durante o ano de 2022 é o centenário da Semana de Arte Moderna, ocorrida no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 e 18 de fevereiro. Os objetivos e os principais atores desse movimento famoso, que pregava a ruptura de todos os movimentos anteriores, podem ser vistos em https://www.brasilparalelo.com.br/entrevistas/semana-de-arte-moderna?gclid=CjwKCAiA4KaRBhBdEiwAZi1zzr5C97Z5LkqFmA50q2ovh5M2XdGp3Mq1cKpiXBK4UQ_GkttmxVhFihoCubAQAvD_BwE. O livro “Pauliceia Desvairada”, de Mário de Andrade, também é de 1922, assim como o livro de Monteiro Lobato, “Fábulas”. A propósito, Lobato foi um dos mais ferozes críticos da Semana de Arte Moderna, em especial, de Anita Malfatti, cujas pinturas seriam como os “desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios”. Críticos acharam o máximo, um “provocador”, quando o maestro Heitor Villa-Lobos subiu ao palco do Teatro Municipal de São Paulo para reger uma orquestra vestindo chinelos, enquanto a plateia promoveu imensa vaia. O maestro apenas estava sofrendo do mal da gota e, assim, tinha dificuldade para calçar um par de sapatos.
O ano de 2022 marca também o centenário do lançamento do livro “Ulysses”, do irlandês James Joyce, que acarretou admiração e escândalo em todo o mundo. Utilizando neologismos quilométricos e escrevendo no livro 50 páginas sem pontuação, no processo literário conhecido como “fluxo de consciência”, Joyce exerceu grande influência sobre escritores brasileiros, como Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Um pouco dessa “epopeia popular” de Mr. Leopold Bloom, uma espécie de “volta ao dia em 80 mundos”, pode ser visto em um texto de minha autoria - cfr. http://felixmaier1950.blogspot.com/2022/03/ulysses-de-james-joyce-volta-ao-dia-em.html. O dia 16 de junho foi instituído na Irlanda como sendo o Bloomsday, para homenagear o personagem Bloom.
O ano de 2022 marca o centenário do medicamento Novalgina. Pode não ter resolvido nenhum problema humano sério, mas diminuiu a dor de cabeça de milhões, bilhões de pessoas nesses 100 anos.
Personalidades que fariam 100 anos em 2022: José Saramago, Tônia Carrero, Leonel Brizola, Paulo Autran, Bibi Ferreira, Doris Day, Pier Paolo Pasolini, Jack Kerovac, Alan Resnais, Dias Gomes, Darcy Ribeiro, Otto Lara Resende. O filme “Nosferatu”, de F. W. Murnau, foi lançado em 1922, assim como o filme “Doutor Mabuse, o Jogador”, de Fritz Lang.
Outro evento importante ocorrido em 1922, com a vitória dos bolcheviques na guerra civil que se seguiu à Revolução Russa de 1917, foi a formação da União Soviética, englobando a Rússia, a Ucrânia, a Bielorússia e a Transcaucásia. Nesse mesmo ano, ocorreu no Brasil a criação do Partido Comunista Brasileiro, no dia 25 de março. Fundado por nove comunistas, tinha a denominação de Partido Comunista-Seção Brasileira da Internacional Comunista (PC-SBIC). Colocado na ilegalidade no mesmo ano de fundação, o PC-SBIC voltou à legalidade em 1927.
Como o próprio nome diz, não se tratava de um partido político brasileiro, mas de um partido estrangeiro, apátrida, subversivo, dirigido e orientado pelo Komintern (Internacional Comunista), que foi criado em 1919 e encerrado em 1943, também conhecido como Terceira Internacional, para propagação do comunismo em todo o mundo.
O PC-SBIC tinha obrigação de seguir as “21 condições” para novos partidos comunistas ingressarem no Komintern, estabelecidas pelo II Congresso Mundial da Internacional Comunista, reunido em Moscou no período de 19 de julho a 7 de agosto de 1920:
1. A propaganda e a agitação cotidianas devem ter um caráter efetivamente comunista e corresponder ao programa e às resoluções da 3.ª Internacional. Os órgãos de imprensa controlados pelo Partido devem ter a redação a cargo de comunistas fiéis, provadamente devotados à causa proletária. A ditadura do proletariado não deve ser abordada como um simples chavão de uso corrente, mas preconizada de modo que todo operário, operária, soldado e camponês comum deduzam sua necessidade dos fatos da vida real, mencionados diariamente em nossa imprensa.
As editoras partidárias e a imprensa, periódica ou não, devem estar inteiramente submetidas ao Comitê Central, seja o Partido como um todo atualmente legal ou não. É inadmissível que as editoras abusem de sua autonomia e sigam uma política que não corresponda à do Partido.
Nas páginas dos jornais, nos comícios populares, nos sindicatos, nas cooperativas e onde quer que os partidários da 3.ª Internacional encontrem livre acesso, é indispensável atacar de modo sistemático e implacável não somente a burguesia, mas também seus cúmplices, os reformistas de todos os matizes.
2. As organizações que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem afastar de modo planejado e sistemático os reformistas e os “centristas” dos postos minimamente importantes no movimento operário (organizações partidárias, redações, sindicatos, bancadas parlamentares, cooperativas, municipalidades etc.) e substituí-los por comunistas fiéis, sem abalar-se com o fato de às vezes ser necessário, de início, trocar militantes “experientes” por operários comuns.
3. Em quase todos os países da Europa e da América, a luta de classes está entrando na fase da guerra civil. Em tais circunstâncias, os comunistas não podem confiar na legalidade burguesa e devem formar em toda parte um aparelho clandestino paralelo que possa, no momento decisivo, ajudar o Partido a cumprir seu dever perante a revolução. Nos países onde os comunistas, por conta do estado de sítio ou das leis de exceção, não possam atuar em total legalidade, é absolutamente indispensável combinar o trabalho legal e o clandestino.
4. O dever de propagar as ideias comunistas inclui a necessidade especial da propaganda persistente e sistemática nos exércitos. Nos lugares onde as leis de exceção proíbem essa agitação, ela deve ser realizada clandestinamente. Renunciar a essa tarefa equivale a trair o dever revolucionário e desmerecer a filiação à 3.ª Internacional.
5. É indispensável a agitação sistemática e planejada no campo. A classe operária não pode garantir sua vitória sem atrair ao menos uma parcela dos assalariados agrícolas e dos camponeses mais pobres e neutralizar com sua política uma parte dos setores rurais restantes. O trabalho comunista no campo está adquirindo atualmente a mais alta importância. Para realizá-lo, é especialmente indispensável o auxílio dos trabalhadores comunistas revolucionários da cidade e do campo ligados ao campesinato. Renunciar a essa tarefa ou delegá-la a semirreformistas duvidosos equivale a renunciar à própria revolução proletária.
6. Os Partidos que desejam filiar-se à 3.ª Internacional devem denunciar não somente o social-patriotismo aberto como também a falsidade e a hipocrisia do social-pacifismo, demonstrando sistematicamente aos trabalhadores que, sem a derrubada revolucionária do capitalismo, nenhuma corte internacional de arbitragem, nenhum tratado de redução de armamentos e nenhuma reorganização “democrática” da Liga das Nações livrará a humanidade de novas guerras imperialistas.
7. Os Partidos que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem reconhecer a necessidade da ruptura completa e definitiva com o reformismo e o “centrismo” e preconizá-la entre o grosso da militância. Sem isso, torna-se impossível realizar uma política comunista consequente.
A Internacional Comunista exige de modo incondicional e categórico que se realize essa ruptura o mais rápido possível. Não se pode admitir que oportunistas notórios como, por exemplo, Turati, Kautsky, Hilferding, Hillquit, Longuet, MacDonald, Modigliani e outros tenham o direito de considerarem-se membros da 3.ª Internacional, o que a levaria a equiparar-se fortemente à falida 2.ª Internacional.
8. Na questão colonial e das nações oprimidas, é indispensável que tenham uma linha particularmente clara e precisa os Partidos dos países cuja burguesia possui colônias e oprime outros povos. Os Partidos que desejam filiar-se à 3.ª Internacional devem denunciar implacavelmente as artimanhas de “seus” imperialistas nas colônias; apoiar os movimentos de libertação nas colônias não somente em palavras, mas também em atos; exigir a expulsão de seus compatriotas imperialistas das colônias; cultivar nos corações dos operários de seus países um sentimento fraternal sincero para com a população trabalhadora das colônias e das nações oprimidas; e realizar entre as tropas da metrópole uma agitação sistemática contra todo tipo de opressão dos povos coloniais.
9. Os Partidos que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem realizar uma atividade sistemática e persistente nos sindicatos, nos conselhos operários e industriais, nas cooperativas e em outras organizações de massas, onde é indispensável criar células que, após longo e persistente trabalho, ganhem-nas para a causa comunista. Inteiramente subordinadas ao conjunto do Partido, essas células devem, a cada passo de seu trabalho cotidiano, denunciar as traições dos sociais-patriotas e as hesitações dos “centristas”.
10. Os Partidos filiados à Internacional Comunista devem insistentemente lutar contra a “Internacional” Sindical Amarela de Amsterdã e preconizar entre os operários sindicalizados a necessidade de romper com ela. Esses Partidos devem apoiar, por todos os meios, a nascente unificação internacional dos sindicatos vermelhos que apoiam a Internacional Comunista.
11. Os Partidos que desejam filiar-se à 3.ª Internacional devem rever a composição de suas bancadas parlamentares, removendo os elementos desconfiáveis, submetendo-as ao Comitê Central do Partido não somente em palavras, mas também na prática, e exigindo que cada parlamentar comunista sujeite sua atuação aos interesses da propaganda e da agitação realmente revolucionárias.
12. Os partidos filiados à Internacional Comunista devem ser organizados segundo o princípio do “centralismo” democrático. No atual período de guerra civil encarniçada, um Partido Comunista só poderá cumprir seu dever se for organizado da maneira mais centralizada possível, se nele predominar uma disciplina férrea que beire a militar e se seu órgão central gozar de forte autoridade, de amplos poderes e da confiança unânime da militância.
13. Os Partidos Comunistas que atuam legalmente devem realizar depurações periódicas (recadastramentos) entre os efetivos de suas organizações para remover sistematicamente os inevitáveis elementos pequeno-burgueses.
14. Os Partidos que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem apoiar incondicionalmente cada República Soviética em seu combate às forças contrarrevolucionárias. Os Partidos Comunistas devem buscar continuamente convencer os trabalhadores a não transportar material bélico aos inimigos dessas Repúblicas, devem realizar uma propaganda legal ou clandestina entre as tropas enviadas para sufocar as repúblicas operárias etc.
15. Os Partidos que ainda mantêm seus velhos programas social-democratas devem revisá-los o mais rápido possível e elaborar um novo, afinado com as resoluções da Internacional Comunista e adaptado às particularidades nacionais. Como regra, os programas dos Partidos filiados devem ser aprovados pelo Congresso Mundial seguinte ou pelo Comitê Executivo da Internacional Comunista. Caso este não aprove determinado programa, o Partido tem o direito de recorrer ao Congresso Mundial.
16. Todas as resoluções dos congressos da Internacional Comunista, bem como as de seu Comitê Executivo, são obrigatórias para os Partidos a ela filiados. Atuando em meio à mais encarniçada guerra civil, a Internacional Comunista deve ser organizada de forma muito mais centralizada do que a 2.ª Internacional. Além disso, o trabalho da Internacional Comunista e de seu Comitê Executivo deve evidentemente levar em conta as diferentes circunstâncias em que luta e atua cada Partido e só tomar decisões de obrigação geral nas questões em que isso seja realmente possível.
17. Conforme tudo o que foi exposto acima, os Partidos que desejam filiar-se à Internacional Comunista devem mudar seu nome para Partido Comunista de tal país (Seção da 3.ª Internacional Comunista). A questão do nome não é meramente formal, mas possui grande importância. A Internacional Comunista declarou uma guerra decidida contra o mundo burguês e os partidos social-democratas amarelos. É indispensável deixar completamente clara a todo trabalhador comum a diferença entre os Partidos Comunistas e os velhos partidos “social-democratas” ou “socialistas” oficiais que traíram a bandeira da classe operária.
18. Os órgãos dirigentes da imprensa partidária de todos os países devem publicar todos os documentos oficiais importantes do Comitê Executivo da Internacional Comunista.
19. Os Partidos filiados à Internacional Comunista ou que solicitaram sua filiação devem convocar o mais rápido possível, mas até quatro meses após o 2.º Congresso Mundial, um congresso extraordinário para discutir internamente estas condições. Além disso, os Comitês Centrais devem cuidar para que todas as organizações de base conheçam as resoluções do 2.º Congresso da Internacional Comunista.
20. Os Partidos que gostariam de filiar-se agora à 3.ª Internacional, mas ainda não mudaram radicalmente sua antiga tática, devem cuidar para que, até sua filiação, não menos de 2/3 de seu Comitê Central e de seus principais órgãos centrais sejam compostos por camaradas que, antes do 2.º Congresso da Internacional Comunista, já tenham se manifestado de forma aberta e inequívoca a favor do ingresso de seu Partido. O Comitê Executivo da 3.ª Internacional tem o direito de admitir exceções, inclusive no caso dos representantes “centristas” mencionados na condição 7.
21. Devem ser expulsos do Partido os membros que rejeitarem por princípio as condições e teses apresentadas pela Internacional Comunista. O mesmo vale para os delegados do congresso extraordinário de cada Partido” (in “21 condições de admissão (Comintern)”, com tradução de Erick Fishuk - cfr. em http://www.fishuk.cc/2014/08/condicoes.html#volta30).
Luiz Carlos Prestes foi o mais famoso “militante” do PCB, ocupando o cargo de Secretário-Geral por 37 anos. Passou a ser membro do PC-SBIC em 1931.
Em 1934, o PC-SBIC passou a denominar-se Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Prestes, convertido ao comunismo após a dissolução da Coluna Miguel Costa-Prestes (que os gatunos comunistas conseguiram rebatizar como sendo a “Coluna Prestes”), realizou cursos em Moscou e, a soldo do Komintern, do PCB e da Aliança Nacional Libertadora (ANL), deflagrou a sangrenta Intentona Comunista, em 1935. Esse primeiro grande crime de lesa-pátria do PCB, ocorrido em Natal, Recife e Rio de Janeiro, ocasionou a morte de 34 militares (alguns friamente assassinados enquanto dormiam nos quartéis) e de mais de 1.000 civis. O jornal Inconfidência, no dia 27 de novembro de 2018, publicou uma edição histórica da Intentona Comunista - cfr. em http://www.grupoinconfidencia.org.br/sistema/images/pdf/jornaisanteriores/inconfidencia258.pdf.
Em 1935, antes do levante comunista, um “Tribunal Vermelho” do PCB promoveu o “justiçamento” (assassinato) de Bernardino Pinto de Almeida, o ”Dino Padeiro”, por crime de traição. Em 2 de dezembro de 1935, o PCB fez “justiçamento” de Afonso José dos Santos, cujo crime só foi elucidado em 1941.
Um dos crimes mais horrendos perpetrados pelo PCB foi o assassinato de Elvira Cupelo Colônio, a “Elza Fernandes” ou “Garota”, amante, desde os 16 anos, de Antônio Maciel Bonfim, o “Miranda”, na época secretário-geral do PCB. Presa junto com “Miranda” após a Intentona Comunista, no início de janeiro de 1936, a “Garota” foi solta e passou a ser considerada traidora junto à cúpula do PCB. Condenada à morte por Luís Carlos Prestes, escondido em sua casa no bairro do Méier, Rio de Janeiro, seus companheiros foram contra, levando reprimenda de Prestes, que assim se expressou em uma carta:
“Fui dolorosamente surpreendido falta de resolução e vacilação de vocês. Assim, não se pode dirigir o Partido do Proletariado, da classe e revolucionária. (...) Por que modificar a decisão a respeito da ‘garota’? Que tem a ver uma coisa com a outra? Há ou não há traição por parte dela? É ou não é ela perigosíssima para o Partido? (...) Com plena consciência de minha responsabilidade, desde os primeiros instantes tenho dado a vocês minha opinião quanto ao que fazer com ela. Em minha carta de 16, sou categórico e nada mais tenho a acrescentar. (...) Uma tal linguagem não é digna dos chefes do nosso Partido, porque é a linguagem dos medrosos, incapazes de uma decisão, temerosos ante a responsabilidade. Ou bem que vocês concordam com as medidas extremas, e neste caso já as deviam ter resolutamente posto em prática, ou então discordam mas não defendem como devem tal opinião”.
A “Garota” foi então estrangulada com uma corda em volta do pescoço e, como o corpo não coubesse em um saco, foi partido ao meio e enterrado nos fundos de uma casa, em Guadalupe, no Rio de Janeiro. Estava perpetrado um dos crimes mais hediondos cometidos pelo PCB.
A história do Partidão e “Os crimes do PCB”, incluindo outros “justiçamentos”, podem ser conferidos no “ORVIL” (https://www.averdadesufocada.com/images/orvil/orvil_completo.pdf).
Após esse levante militar, o PCB foi colocado na ilegalidade. Preso em 15 de março de 1936, Prestes foi anistiado pelo Presidente Getúlio Vargas, em 1945, ano em que o PCB retorna à legalidade e Prestes se elegeu senador pelo PCB, com 140 mil votos, até então a maior votação para o Senado.
A bancada comunista, em 1945, foi de 17 deputados federais, entre eles Jorge Amado, Carlos Marighella e Gregório Bezerra.
O PCB foi colocado novamente na ilegalidade em 1947 pelo Superior Tribunal Eleitoral, por ser um partido supranacional que defendia a ditadura do proletariado. Em 1948, os parlamentares do PCB foram cassados.
Em 1962, ocorre a primeira grande dissidência dentro do PCB, com a criação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Essa dissidência ocorreu após as denúncias dos crimes de Stálin apresentadas por Nikita Krutschev durante o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), em 1956. O PCdoB teria destaque, anos mais tarde, na Guerrilha do Araguaia (1967-1974).
O PCB conheceu seu mais longo período de clandestinidade durante o governo dos generais-presidentes, de 1964 a 1985. Diferente do PCdoB, o PCB não se envolveu diretamente na luta armada durante o “regime militar”, empunhando armas pela “redemocratização” do Brasil, mas na luta gramscista de “ocupação de espaços” em todos os setores nacionais, onde “Herbert Marcuse dava o pretexto ideológico e Antonio Gramsci a modalidade de organização partidária”, no dizer de Olavo de Carvalho.
Ainda na década de 1970, essa tomada de “ocupação de espaços” ocorreu especialmente nas redações de jornais e revistas, com destaque para a atuação de Frei Betto e frades dominicanos, que tinham contato com o Agrupamento Comunista de São Paulo (AC/SP), embrião da Ação Libertadora Nacional (ALN), fundado em 1968 por Carlos Marighella, por discordar do PCB quanto à luta armada após este participar da OLAS, em Cuba, em 1967. Marighella havia abandonado um curso de Engenharia para se filiar ao PCB em 1934. O AC/SP tinha assistência jurídica, composta de 3 advogados: Nina Carvalho, Modesto Souza Barros Carvalhosa e Raimundo Paschoal Barbosa. Quando procurado pela polícia, em São Paulo, Frei Beto, que havia ingressado no convento dos dominicanos, em São Paulo, em 1966, foi acobertado pelo Provincial da Ordem, Frei Domingos Maia Leite, e transferido para o seminário dominicano Christo Rei, em São Leopoldo, RS. Frei Beto foi preso no RS, onde atuava junto com a ALN para fuga de terroristas ao Uruguai.
Frei Betto, quando atuava como repórter na Folha da Tarde, recrutou os jornalistas Jorge Miranda Jordão (Diretor), Luiz Roberto Clauset, Rose Nogueira e Carlos Guilherme de Mendonça Penafiel. A “ocupação de espaços” incluía também a TV Cultura (Vladimir Herzog), as universidades (método Paulo Freire), as editoras de livros (Civilização Brasileira, de Ênio Silveira), o meio intelectual (Caio Prado), os centros de cultura popular e até as igrejas, especialmente a Igreja Católica dos “progressistas” Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Hélder Câmara e Frei Leonardo Boff.
Na Editora Abril, a base de apoio era de aproximadamente 20 pessoas, comandadas pelo jornalista Roger Karman, e composta por Karman, Raymond Cohen, Yara Forte, Paulo Viana, George Duque Estrada, Milton Severiano, Sérgio Capozzi e outros, que elaboraram um arquivo secreto sobre as organizações armadas (servia também como fonte de informações para organizações subversivas). O antigo membro do PCB, escritor e filósofo Olavo de Carvalho, em depoimento à “História Oral do Exército - 31 Março 1964”, descreve como ocorreu essa nova intentona comunista, cujas consequências permanecem até os dias atuais, com destaque para a predominância do ensino da ideologia comunista nas escolas e nas universidades (cfr. trechos da entrevista de Olavo em https://felixmaier1950.blogspot.com/2020/12/olavo-de-carvalho-na-historia-oral-do.html).
Assim, pode-se afirmar que tanto a ALN de Carlos Marighella, quanto a VPR de Carlos Lamarca, são filhos diletos do PCB. Durante o “regime militar”, mais de uma centena de “genéricos do PCB” foram criados no Brasil, para propagar o terrorismo e a subversão, com vistas a implantar uma ditadura comunista no País. Para isso, os terroristas fizeram cursos em Moscou, Pequim e em Cuba. Uma lista desses movimentos terroristas que infernizaram o Brasil nas décadas de 1960 e 1970 pode ser conferida no link https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/12/organizacoes-subversivas-brasileiras.html.
Com a Lei da Anistia, de 1979, muitos brasileiros voltaram do exílio e começaram a reorganizar partidos políticos, como Leonel Brizola.
Em maio de 1980, Prestes foi substituído na presidência do Partidão pelo cabo Giocondo Dias, por muitos anos seu motorista e guarda-costas.
Em 1985, com o fim do governo militar, tanto o PCB, quanto o PCdoB voltaram a funcionar como partidos políticos.
O Senador Roberto Freire foi o último comunista brasileiro a receber dinheiro da antiga URSS, o tal “ouro de Moscou”, por ocasião de sua campanha eleitoral à Presidência do Brasil, em 1989. Quem fez esta declaração foi o ex-diplomata da União Soviética no Brasil, Vladimir Novikov, coronel da KGB, que serviu em Brasília sob a fachada de Adido Cultural junto à Embaixada Soviética, nos anos de 1980.
O Ministro da Justiça do Presidente Fernando Henrique Cardoso, Aloysio Nunes Ferreira Filho, foi “militante” do PCB e da Aliança Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella, ocasião em que participou do assalto ao trem-pagador Santos-Jundiaí, em 1968.
Nesses 100 anos de história e inúmeros crimes praticados, o PCB teve três candidatos a Presidente da República: Minervino de Oliveira (1930), Yedo Fiúza (1945) e Roberto Freire (1989).
Em 1992, o PCB transformou-se em Partido Popular Socialista (PPS) após a dissolução da União Soviética, porém foi recriado em 1995 (bandeira com foice e martelo) por comunistas históricos, que não aceitaram a nova ordem mundial após o fim da URSS.
Ultimamente, voltou à baila a ideia de criminalizar também os símbolos comunistas, como já é feito, acertadamente, com os símbolos nazistas, como estabelece a Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989. Obviamente, essa Lei está incompleta, pois não pode um país democrata permitir que o símbolo da foice e do martelo seja tolerado. Assim, em 6 de junho de 2016, elaborei um abaixo-assinado, para que esse símbolo que promoveu a morte de mais de 100.000.000 de pessoas ao redor do mundo durante o século XX seja também criminalizado, e o PCB e o PCdoB proscritos definitivamente em nosso País - cfr. em https://felixmaier1950.blogspot.com/2021/07/pela-criminalizacao-dos-simbolos.html.
No livro do pensador francês Jean-François Revel, “A Grande Parada”, há um capítulo com o sugestivo nome de “Cláusula do totalitarismo preferido”. Nesse capítulo, uma passagem chama a atenção para descrever a diabolização dos totalitarismos ditos de direita e a santificação dos totalitarismos comunistas:
“Alguns diques se romperam, a linha fortificada da ideologia nem sempre conseguiu se manter intacta, mas o essencial, ou seja, o princípio da desigualdade de tratamento entre o totalitarismo dito de esquerda e o dito de direita permaneceu. A década de 1980-1990 foi marcada pelo reconhecido desmoronamento do socialismo democrático. A década de 1990-2000 foi marcada pelos esforços desenvolvidos, com grande sucesso, para obliterar os ensinamentos advindos dessas experiências históricas” (REVEL, 2001: 147).
Com referência ao projeto de criminalizar também os símbolos comunistas, Roberto Freire reclamou, no Twitter, que não poderia aceitar tal absurdo, porque ele seria classificado como “criminoso”. O velho comunista, hoje presidente do Cidadania, perdeu o Partidão, mas não o cinismo comunista, que é próprio de todo defensor da Peste Vermelha.
Roberto Freire retuitou várias mensagens da Fundação Astrogildo Pereira, referente ao “Seminário Internacional do PCB”, ocorrido no período de 8 a 10 de março de 2022, do qual foi um dos palestrantes do evento - cfr. em https://www.fundacaoastrojildo.org.br/seminario-internancional-destaca-os-100-anos-do-partido-comunista-brasileiro/. Como se pode comprovar, Roberto Freire pode não se apresentar mais como um comunista, mas sente uma grande nostalgia do PCB, a exemplo de um cara que teve no passado uma querida namorada ou esposa, e que a “desfruta” de vez em quando para matar a saudade.
No Twitter da Fundação Astrojildo Pereira, consta:
“Astrojildo Pereira @FAPAstrojildo 8 de mar
Confira a transmissão do primeiro dia do Seminário Internacional PCB 100 anos.
https://twitter.com/FAPAstrojildo/status/1501241346169917440?s=20&t=LUV3Z9n0a934qQlHPF1Zrw”
Como se pode observar, a “cláusula do totalitarismo preferido”, enunciado por Revel, referente aos partidos e ideólogos comunistas, continua sendo defendido no Brasil por uma multidão, com unhas e dentes na jugular, a mesma que defende os “bandidos de estimação” existentes no Brasil, a começar pelo maior ladravaz da história nacional, Lula da Silva.
POR QUE HÁ GAYS CONSERVADORES? - 17/03/2022
Bernardo Guimarães Ribeiro
Como se diz frequentemente, não há respostas simples para questões complexas. Por isso, talvez esse texto seja maior do que a maioria se disponha a ler. Por outro lado, aos que se dedicarem a avançar, as possíveis explicações ao menos terão o condão de gerar inquietação. E, se isso for feito, terei atingido um dos objetivos.
A primeira premissa que devemos ter bem assentada é a de que a sexualidade de um indivíduo representa apenas uma pequena parte do conjunto de valores que possui – trabalho, estudo, esporte, lazer, amizades, família, propósitos de vida, envolvimento em projetos sociais, religiosidade, tudo são circunstâncias que permeiam sua existência. Ademais, a história de vida de uma pessoa projeta-se sobre suas ações: “Eu sou eu e minha circunstância”, dizia Ortega y Gasset. Clodovil – que era gay – costumava referir-se à sua sexualidade como apenas uma nota de rodapé do livro da sua vida. Ele com certeza sabia o que estava dizendo: a vida tinha inúmeras outras condições mais importantes que a orientação sexual.
Do tempo de Clodovil para hoje, muita coisa mudou. A causa LGBT tornou-se uma pauta política, tendo a sexualidade e suas decorrências sido elevadas a um patamar prioritário no modus vivendi. Deixava de ser mais uma das circunstâncias humanas para ser a única, ao menos para a militância e para os divisionistas que exploram o ressentimento tribalista como mote para declarar guerra ao mundo. Esse turning point alterou a rota da humanidade, inaugurando mais um grupo identitário, a favor do qual todo e qualquer gay deveriam militar, sob pena de banimento do clã. A emergência desse fenômeno tribal, na medida em que condensou um movimento, excluiu dissidentes, sobretudo os gays que teimavam em permanecer com sua nota de rodapé em vez de delegar a faculdade de raciocinar à militância. Em que medida nasce essa dissidência é o que conjecturo a seguir.
Para compreender um pouco melhor, recorro ao método utilizado pelo psicólogo e professor norte-americano Jonathan Haidt[1], que, após muitos experimentos sociais e pesquisas, concluiu que a matriz moral humana se assenta basicamente em seis pilares: cuidado/dano; liberdade/opressão; justiça/trapaça; lealdade/traição; autoridade/subversão; e pureza/degradação. A partir desses alicerces, Haidt avaliou o grau de relevância de cada um em relação às ideologias. Gays ativistas (progressistas) normalmente são conectados de uma forma muito mais robusta com os pilares do cuidado/dano e da liberdade/opressão, ao passo que conferem menor importância aos demais esteios morais, até mesmo se contrapondo a alguns eles, como autoridade e lealdade. No entanto, há uma parcela considerável de homossexuais cujo padrão moral não é tão restrito e condensado, mostrando-se mais equitativo na atribuição de relevância. Haidt explica que a matriz moral conservadora encontra-se mais bem distribuída entre as diversas tipologias, contemplando as seis facetas de uma forma equivalente.
Posta essa premissa, já podemos extrair uma conclusão muito óbvia: uma pessoa que tenha consolidados valores morais das seis vertentes dificilmente será tragada para um grupo identitário. Logo, sua compreensão de mundo tende a ser ampla e menos tribal. Disso decorre que, ainda que se trate de um homossexual, não colocará sua sexualidade em primeiro plano, devendo identificar-se menos com pautas do endogrupo e mais com valores compartilhados com toda a sociedade – em suma, os seis tipos de moral. Um indivíduo assim pode ser patriota e nacionalista (alicerce da lealdade), contrária a qualquer política pública que privilegie minorias (alicerce da justiça), defensora de estruturas sociais rígidas (alicerce da autoridade) e extremamente tradicionalista, religiosa e defensora da família (alicerce da pureza). Por seu turno, indivíduos homossexuais demasiadamente envolvidos com a coesão do seu grupo, tendem a canalizar toda a sua base moral a favor, por exemplo, de agendas inclusivas (alicerce da liberdade). É desse entendimento – e apenas dele – que podemos, sem qualquer dúvida, depreender por que há gays conservadores.
Costuma-se afirmar serem os conservadores preconceituosos. Aceitamos a crítica em certa medida, uma vez que a aversão ao novo não deixa de representar certo preconceito. Por outro lado, não me consta que progressistas o sejam em menor medida. Em inúmeros debates que enfrentei em minha vida, foi com progressistas que tive as piores experiências em termos de preconceito: ser chamado de branco, heterossexual e representante do patriarcado é normalmente a fórmula de censura preferida, um artifício nada democrático eleito como meio de interditar o debate. “Lugar de fala”, dizem eles; eu chamo de “fascismo identitário”, parafraseando o conterrâneo Antônio Risério[2]. Falar sobre preconceito é sempre muito difícil devido ao tabu envolvido, mas o preconceito é apenas defesa e ele se estabelece em quaisquer dos lados de um debate moral.
Avancemos para uma segunda etapa de entendimento a respeito do conservadorismo gay. A terceira onda do feminismo, ocorrida já neste século, trouxe a noção de identidade de gênero para a mesa de debate. Se a primeira onda buscava a igualdade entre os sexos, a segunda tentou desconstruir os papéis sociais de cada sexo. Mas, percebam que, até então, falava-se em sexo. Como explicam Helen Pluckrose e James Lindsay[3], até a segunda onda do feminismo, o movimento preservava as “categorias estáveis”. Com a terceira onda, o caráter de gênero tornou fluidas as acepções estanques de sexo, promovendo uma verdadeira revolução conceitual – a última relação que tomei conhecimento já contava com mais de 80 categorias de gênero catalogadas. Mas o que isso tem a ver com o conservadorismo e os homossexuais?
Homossexualidade é uma condição humana. Ocorre que ela está, assim como a heterossexualidade, assentada em “categorias estáveis” do binômio homem/mulher. Isto é, o gay se vê como homem, assim como a lésbica se entende mulher. Nenhum dos dois nega a sua condição biofisiológica. A fluidez de gênero, por seu turno, destrói essas “categorias estáveis”, introduzindo elementos subjetivos que visam a alterar a realidade objetiva. Assim, mesmo o homossexual pode ter uma postura extremamente cética em relação aos novos arranjos sociais de gênero, justamente por abolirem a própria condição humana binária. Dessa forma, a utilização de banheiros, as disputas em competições esportivas e programas de inclusão para transsexuais constituem cenários de privilégio para certos grupos não extensíveis aos cidadãos em geral que podem contar com a resistência até mesmo dos homossexuais, numa postura nitidamente conservadora por colidir com seus valores.
Isto posto, a genealogia do conservadorismo entre homossexuais parece acomodar-se sobre essas duas conjecturas apresentadas: uma, ligada à matriz de valores morais e uma outra, mais posicional, que percebe com desconfiança e incerteza as tentativas de modificação da realidade objetiva por desejos unicamente pessoais. Seja por uma, seja por outra – moralidade ou ceticismo –, ambas laboram na linha conservadora, o que corrobora, ao cabo, dois postulados bastante esquecidos na atualidade: o de que, antes, somos todos humanos e a única minoria é mesmo o indivíduo.
[1]A Mente Moralista – Por que pessoas boas são segregadas por política e religião
[2]Sobre o Relativismo Pós-moderno e a Fantasia Fascista da Esquerda Identitária
[3]Teorias Cínicas Críticas – Como a Academia e o ativismo tornam raça, gênero e identidade o centro de tudo. E por que isso prejudica todos.
* Este e muitos outro conteúdos conservadores você encontra em https://www.burkeinstituto.com
DUAS FERRAMENTAS BÁSICAS DA DEMOCRACIA - 16/03/2022
Fernão Lara Mesquita
O confronto que está ocorrendo neste momento no campo da educação pública nos Estados Unidos envolve o cerne da definição de democracia que, ao contrário do que pensa a maioria dos brasileiros, não gira em torno da questão "o quê deve ser feito", mas sim de "quem tem o legitimo direito de determinar o que deve ser feito".
A instituição do school board, de par com a do júri, é seminal para o estabelecimento da soberania do povo nas democracias de DNA saxônico. Nem cultura, nem estágio de desenvolvimento econômico são obstáculos para a compreensão da sua importância a quem é oferecida a oportunidade de adotá-las. Elas existem, firmes e fortes, em todos os países de colonização inglesa, dos africanos aos asiáticos, passando pela India, pela Austrália e o mais.
Mas, como sói acontecer em tudo, deus ou o diabo estão é nos detalhes. A "democracia brasileira", aquela que parece mas não é, por exemplo, inclui um pedaço da instituição do júri, exclusivamente para processos criminais. Tocqueville, que mesmo antes de visitar os Estados Unidos em 1830, já louvava a importância da instituição do júri na educação do povo inglês para a democracia, conhecia bem a diferença.
O juri nos processos criminais só exige julgamentos sobre questões primárias, dizia. E, além do mais, quase todas as pessoas esperam passar a vida inteira sem sofrer um processo criminal. Quando no juri julgam "os outros". Nos julgamentos civis ocorre o contrário. Todo mundo espera, na vida, enfrentar processos civis. E eles envolvem conceitos muito mais sutis. O juri nesses julgamentos faz com que o direito privado tenha de ser expresso numa linguagem acessível a todos os mortais e que os advogados especializem-se em traduzir as nuances de cada caso para o jurado nas suas argumentações.
Assim, cada membro de cada júri considera, ao exercer esse papel, que amanhã pode estar ele sentado na cadeira de quem está julgando hoje. "O júri, e sobretudo o júri civil serve para dotar todo e qualquer cidadão da experiência de ser juiz, e essa experiência é a que melhor o prepara para ser livre. Ela reafirma, em todas as classes sociais, o respeito pela coisa julgada e pela idéia do Direito. É a maneira mais eficaz de, ao mesmo tempo, fazer o povo exercer o seu poder e aprender a exercer o seu poder numa democracia. Sem essas duas coisas, o amor pela independência transforma-se numa paixão destrutiva".
O juri, mais que uma ferramenta da Justiça, é portanto, para Tocqueville, sobretudo uma instituição política.
Cabe melhor ainda nessa categoria a instituição do school board. Ele é a representação eleita da menor célula do sistema de voto distrital puro, a única maneira de instituir a verdadeira democracia representativa, e a mais direta e explícita das ferramentas de submissão do Estado à vontade do povo. Refere-se a cada bairro que elege, obrigatoriamente entre seus residentes, os 7 membros do conselho de pais de alunos que controlará, pelos 4 anos seguintes, sempre sujeitos a recall, a escola pública nele instalada. É ele, e não o político de plantão ou o partido que "aparelhou" o sistema quem contrata e demite o diretor de cada escola, aprova ou não os seus orçamentos, os seus programas curriculares, as suas metas anuais e o desempenho de seus professores.
Neste particular momento a esfera dos school boards está francamente conflagrada nos Estados Unidos. A fronteira que separa os contendores é a dos que negociam suas questões com os professores através de sindicatos e os que não aceitam esse sistema e negociam diretamente com seus funcionários, professores incluídos.
Lá, como em toda parte o setor da educação é o primeiro dos alvos visados pela luta ideológica e os sindicatos de professores os mais abertamente comprometidos com partidos e movimentos radicais. Seu principal argumento de expansão como contrapartida dos school boards é o de toda entidade corporativa: a sua "especialização" em formular e fazer tramitar projetos de educação. O seu principal ponto fraco o de toda representação corporativa: a incoercível tendência de desviar-se da finalidade alegada para a satisfação dos interesses dos encarregados de atingi-la, que faz com que todo o sistema acabe "apropriado" pelos professores em detrimento dos alunos das escolas públicas.
A National School Board Association (NSBA), instituição criada em 1940 para zelar pela qualidade da educação pública transformou-se, com o tempo, na grande impulsionadora dos sindicatos de professores como contraparte dos school boards na gestão das escolas públicas. Suas bandeiras vão na linha de extrair salários e aposentadorias cada vez mais altos e menos dependentes de critérios de mérito e banir todas as tarefas paralelas impostas aos professores pelos school boards. Além desse viés para a "insustentabilidade", e do conflito subjacente à ação de sindicatos de funcionários públicos que disputam, com o concurso de outros funcionários públicos, fatias crescentes de dinheiro de impostos e não participações maiores em lucros que contribuíram para que fossem obtidos, seus antagonistas apontam, também, a crescente contaminação do currículo escolar por material e discursos ideológicos.
Nada, portanto, a que um ouvido brasileiro não esteja totalmente acostumado.
No ambiente de extrema polarização que desaguou na derrota de Donald Trump e na eleição de Joe Biden, entretanto, a NSBA cruzou, num rompante, a sagrada fronteira da soberania do povo. E foi só aí que quebrou fragorosamente a cara.
Enviou uma carta aberta ao presidente eleito em que, alegando "ameaças à segurança dos alunos e dos professores nas escolas públicas", afirmava que "alguns pais deveriam ser considerados como terroristas domésticos" e pedia "legislação federal e outras providências" para impor decisões a todas as escolas públicas independentemente do que pensassem os pais de alunos. O resultado foi que, mesmo tendo-se retratado do erro, e apesar das greves de professores em alguns locais, desde outubro de 2021 (a carta foi publicada em 29 de setembro daquele ano) 20 associações estaduais de school boards já romperam seus contratos de adesão à NSBA.
Por grave que seja a doença que a afeta a partir do âmbito federal, esta é uma importante medida da saude da democracia americana, essa ilustre desconhecida de populações isoladas pela língua e submetidas a séculos de "censura estrutural" como a brasileira. Suas raízes estão solidamente plantadas nos equipamentos de materialização dos poderes do povo nas instâncias estadual e municipal. São quase dois países. E pelo menos num deles o debate sobre o que fazer é livre, infindável, inconclusivo e sujeito às intempéries da conjuntura como deve ser em toda democracia. Mas o preceito de que só o povo tem o legitimo direito à decisão final é sagrado. Pela mesma razão que quem escolhe a comida é quem está pagando por ela e vai comê-la e não o garçom, quem escolhe o que as escolas públicas e o sistema judiciário vão servir, na democracia americana ainda são o júri popular e os pais dos alunos.
* Publicado originalmente em https://vespeiro.com/2022/03/16/duas-ferramentas-basicas-de-democracia/
PRECISAMOS FALAR SOBRE DEFESA - 13/03/2022
Ricardo Azeredo
Chega de tratar o assunto com mimimi, preconceitos e ignorância. Não há mais espaço para discussões estéreis forradas de ideologia, falta de conhecimento e visões românticas ou utópicas.
O Brasil está indefeso. Todos nós estamos.
A guerra na Ucrânia tem implicações muito além das violentas ambições totalitaristas e expansionistas do Putin e das quizilas históricas entre os dois países, rusgas com a OTAN, etc.
Outro dia escrevi nas redes sociais, com base nas informações que tenho do universo da defesa e geopolítica (como aficcionado pelo tema e não como especialista que não sou), que o mundo inteiro está se armando como não se via desde o fim da guerra fria.
E agora reforço este alerta, quando a invasão de Putin já tem duas semanas e se intensifica cada vez mais, para lembrar que o Brasil precisa estar preparado para esta "nova ordem mundial", que na real não é tão nova assim.
As ambições internacionais sobre o potencial de recursos naturais, capacidade de produção de alimentos e amplitude territorial de um país riquíssimo em tudo isso como o Brasil já vem desde a década de 80, pelo menos.
Por exemplo, toda a cantilena acerca da "destruição total" da Amazônia é uma narrativa calculada para reforçar ano após ano uma argumentação falaciosa de que não somos capazes de cuidar do que alguns cinicamente consideram "patrimônio de toda a humanidade", e não território dos brasileiros. Isso já foi afirmado claramente e até de forma oficial por líderes dos EUA e de países europeus.
A China, na ânsia de sustentar sua população gigantesca e suas ambições de um protagonismo internacional cada vez mais agressivo, está "invadindo" o Brasil através da compra desenfreada de grandes empresas brasileiras ligadas ao agronegócio e à exploração de recursos naturais, entre outros segmentos.
Isso tudo é estratégia de longo prazo que pode ganhar outros contornos mais imediatos conforme as circunstâncias.
A França já cogita reforçar bases militares na Guiana, de olho no que Macron vê como um pedaço da Amazônia brasileira que lhe afeta e que pode ser um alvo "necessário".
Entre as ONGs atuando na Amazônia, há dezenas ligadas a interesses internacionais.
Não é segredo para ninguém no planeta que a região guarda imensas reservas de cobiçados recursos minerais como paládio, grafeno, cádmio, níquel, ouro, potássio e muito mais, incluindo insumos fundamentais para a onipresente indústria farmacêutica mundial.
No nosso mar territorial, as reservas de petróleo do pré-sal são equivalentes ao que existe no oriente médio.
E não se iluda, o mundo ainda vai precisar muito de combustíveis fósseis. As alternativas limpas levarão décadas até serem viáveis para abastecer o planeta, que demanda cada vez mais energia.
Ou você acha que o gasoduto russo do qual a Europa depende é apenas um detalhe?
Ou que as operações Tempestades no Deserto 1 e 2 foram guerras justificáveis apenas por causa das nunca encontradas armas de destruição em massa do famigerado Saddam Hussein e de outros tiranetes do Oriente Médio?
Quer mais? Os dois maiores aqüíferos do mundo estão no subsolo brasileiro. Um deles na Amazônia.
É preciso cair na real, e não é alarmismo: não podemos achar impossível que nações mais poderosas queiram nossas riquezas e terras em nome de pretextos esdrúxulos ou mesmo sem pretexto algum.
Como se diz, o preço da paz é a eterna vigilância. E isso só se consegue com um poder considerável de dissuasão, capaz de fazer um potencial inimigo pensar duas vezes antes de cogitar um avanço sobre nós.
Precisamos sim, urgentemente, de defesas proporcionais ao tamanho de nosso território.
Precisamos de superioridade aérea absoluta para nosso imenso espaço aéreo (os 36 caças Grippen que estão chegando não são suficientes).
Precisamos de forças terrestres capazes de proteger com vigor nossas extensas e desprotegidas fronteiras.
Precisamos de presença militar ainda mais intensa na Amazônia, inclusive para combater os poderosos cartéis do narcotráfico colombiano e peruano, que tem grupos guerrilheiros mercenários como o Sendero Luminoso e outros guarnecendo as rotas e laboratórios dos traficantes na selva. Estes cartéis também servem, quando necessário, de apoio a iniciativas internacionais obscuras que os pagam.
Precisamos de uma marinha volumosa e moderna para cuidar do nosso mar, que além do petróleo, é dos mais ricos do mundo para pesca.
Não é à toa que flotilhas de pesqueiros chineses invadem todo dia nosso mar territorial, inclusive abalroando impunemente embarcações brasileiras que se encontrem no caminho.
É caro sustentar forças armadas bem equipadas e um contingente volumoso e bem treinado? Claro que é! Mas temos que pagar este preço, para não pagar um preço muito, muito maior.
Temos que encontrar maneiras de custear forças armadas à altura do que o país precisa.
Reduzir o tamanho da máquina pública hoje existente, no executivo, legislativo e judiciário é um bom começo. Fazer trocas de produtos com fornecedores internacionais também. Há vários caminhos.
Estimular a indústria nacional é um deles. O Brasil teve nos anos 80 uma das mais vigorosas indústrias de armamentos entre os países em desenvolvimento. Foi ela que produziu a maior parte dos equipamentos que nossas forças tem hoje, além de ter exportado blindados, aviões e outros equipamentos para vários países.
Mas decisões equivocadas dos governos desde então e a submissão à pressão de concorrentes internacionais levaram à derrocada do sistema, custando milhares de empregos e nossa própria segurança.
Ainda temos grandes indústrias no setor, mas é preciso reforçar o segmento e permitir que volte a ser um setor forte da economia como um dia foi, gerando milhares de empregos qualificados e receitas polpudas para o país.
Para isso, precisamos de um consistente, ambicioso, sustentável, transparente e perene plano nacional de defesa.
Precisamos, de uma vez por todas, encarar esta realidade.
* Ricardo Azeredo é jornalista.
** Publicado originalmente na página do autor no Facebook
O FUTURO QUE A RÚSSIA NOS PROMETE - 07/03/2022
Olavo de Carvalho (em 2011)
O prof. Alexandre Duguin, à testa da elite intelectual russa que hoje molda a política internacional do governo Putin, diz que o grande plano da sua nação é restaurar o sentido hierárquico dos valores espirituais que a modernidade soterrou. Para pessoas de mentalidade religiosa, chocadas com a vulgaridade brutal da vida moderna, a proposta pode soar bem atraente. Só que a realização da idéia passa por duas etapas. Primeiro é preciso destruir o Ocidente, pai de todos os males, mediante uma guerra mundial, fatalmente mais devastadora que as duas anteriores. Depois será instaurado o Império Mundial Eurasiano sob a liderança da Santa Mãe Rússia.
Quanto ao primeiro tópico: a “salvação pela destruição” é um dos chavões mais constantes do discurso revolucionário. A Revolução Francesa prometeu salvar a França pela destruição do Antigo Regime: trouxe-a de queda em queda até à condição de potência de segunda classe. A Revolução Mexicana prometeu salvar o México pela destruição da Igreja Católica: transformou-o num fornecedor de drogas para o mundo e de miseráveis para a assistência social americana. A Revolução Russa prometeu salvar a Rússia pela destruição do capitalismo: transformou-a num cemitério. A Revolução Chinesa prometeu salvar a China pela destruição da cultura burguesa: transformou-a num matadouro. A Revolução Cubana prometeu salvar Cuba pela destruição dos usurpadores imperialistas: transformou-a numa prisão de mendigos. Os positivistas brasileiros prometeram salvar o Brasil mediante a destruição da monarquia: acabaram com a única democracia que havia no continente e jogaram o país numa sucessão de golpes e ditaduras que só acabou em 1988 para dar lugar a uma ditadura modernizada com outro nome.
Agora o prof. Duguin promete salvar o mundo pela destruição do Ocidente. Sinceramente, prefiro não saber o que vem depois. A mentalidade revolucionária, com suas promessas auto-adiáveis, tão prontas a se transformar nas suas contrárias com a cara mais inocente do mundo, é o maior flagelo que já se abateu sobre a humanidade. Suas vítimas, de 1789 até hoje, não estão abaixo de trezentos milhões de pessoas – mais que todas as epidemias, catástrofes naturais e guerras entre nações mataram desde o início dos tempos. A essência do seu discurso, como creio já ter demonstrado, é a inversão do sentido do tempo: inventar um futuro e reinterpretar à luz dele, como se fosse premissa certa e arquiprovada, o presente e o passado. Inverter o processo normal do conhecimento, passando a entender o conhecido pelo desconhecido, o certo pelo duvidoso, o categórico pelo hipotético. É a falsificação estrutural, sistemática, obsediante, hipnótica. O prof. Duguin propõe o Império Eurasiano e reconstrói toda a história do mundo como se fosse a longa preparação para o advento dessa coisa linda. É um revolucionário como outro qualquer. Apenas, imensamente mais pretensioso.
Quanto ao Império Mundial Eurasiano, com um pólo oriental sustentado nos países islâmicos, no Japão e na China, e um pólo ocidental no eixo Paris-Berlim-Moscou, não é de maneira alguma uma idéia nova. Stalin acalentou esse projeto e fez tudo o que podia para realizá-lo, só fracassando porque não conseguiu, em tempo, criar uma frota marítima com as dimensões requeridas para realizá-lo. Ele errou no timing: dizia que os EUA não passariam dos anos 80. Quem não passou foi a URSS.
Como o prof. Duguin adorna o projeto com o apelo aos valores espirituais e religiosos, em lugar do internacionalismo proletário que legitimava as ambições de Stálin, parece lógico admitir que a nova versão do projeto imperial russo é algo como um stalinismo de direita.
Mas a coisa mais óbvia no governo russo é que seus ocupantes são os mesmos que dominavam o país no tempo do comunismo. Substancialmente, é o pessoal da KGB (ou FSB, que a mudança periódica de nomes jamais mudou a natureza dessa instituição). Pior ainda, é a KGB com poder brutalmente ampliado: de um lado, se no regime comunista havia um agente da polícia secreta para cada 400 cidadãos, hoje há um para cada 200, caracterizando a Rússia, inconfundivelmente, como Estado policial; de outro, o rateio das propriedades estatais entre agentes e colaboradores da polícia política, que se transformaram da noite para o dia em “oligarcas” sem perder seus vínculos de submissão à KGB, concede a esta entidade o privilégio de atuar no Ocidente, sob camadas e camadas de disfarces, com uma liberdade de movimentos que seria impensável no tempo de Stalin ou de Kruschev.
Ideologicamente, o eurasismo é diferente do comunismo. Mas ideologia, como definia o próprio Karl Marx, é apenas um “vestido de idéias” a encobrir um esquema de poder. O esquema de poder na Rússia trocou de vestido, mas continua o mesmo – com as mesmas pessoas nos mesmos lugares, exercendo as mesmas funções, com as mesmas ambições totalitárias de sempre.
O Império Eurasiano promete-nos uma guerra mundial e, como resultado dela, uma ditadura global. Alguns de seus adeptos chegam a chamá-lo “o Império do Fim”, uma evocação claramente apocalíptica. Só esquecem de observar que o último império antes do Juízo Final não será outra coisa senão o Império do Anticristo.
* Publicado no Diário do Comércio, em 23 de maio de 2011
APESAR DE VOCÊ, AMANHÃ É O POVO QUE DECIDE. - 18/02/2022
Valterlucio Bessa Campelo
Recebi nesta quarta-feira um pequeno vídeo, enviado por um amigo, no qual a bancada de jornalistas da ex-TV trata da tragédia de Petrópolis e, num esforço grotesco de jornalice politicamente engajada, praticamente atribui ao Governo Bolsonaro a culpa pelo desastre.
Tem horas que o gorgomilo não suporta a calhordice “jornalística”. A lógica do analista de araque é de que as inundações são causadas pelas mudanças climáticas e, sendo o Bolsonaro um “negacionista” climático, a culpa é dele. A imprensa putrefata consegue, desse modo, empilhar mais um tijolo no muro de mentiras que ergue desde que seus aliados e mantenedores obscuros deixaram o poder.
Em primeiro lugar, a premissa é falsa. As chuvas que resultaram na enchente em Petrópolis não são devidas às mudanças climáticas, elas são um evento climático, ou seja, a própria mudança climática e, obviamente, nenhum ser na terra pode ser responsabilizado por algo que acontece – a mudança climática, desde que o mundo é mundo. O que, em tese, poderia ser evitado ou minimizado é o estrago humano e material feito pela enchente se, por acaso, a linda cidade de Petrópolis não tivesse crescido morro acima e espremido a drenagem natural das águas pluviais. Planejamento urbano e investimentos ao longo do tempo certamente teriam mitigado as conseqüências da enxurrada que assistimos.
Em segundo lugar, como a esquerda apropriou o termo “negacionista”, dele se serve para qualquer negócio. Neste caso, o zumbi da Globo reforça-o como selo e atribui ao governo um “negacionismo ambiental” fantasioso, que não resiste a qualquer análise objetiva. O que o governo Bolsonaro nega não é a mudança climática, nem poderia, dado que é evidente e eterna, mas os meios financeiros de sustentação da canalhice que se nutria em volta do tema sem qualquer benefício para o Brasil, pelo contrário, ratificando a superação da soberania nacional sobre a Amazônia, e marchando rumo ao globalismo totalitário que não se efetivará sem uma correspondente tirania ambiental.
Com premissas falsas, a conclusão, nos ensina a lógica elementar, só pode ser falsa. É o caso. A tragédia de Petrópolis, considerada como os efeitos terríveis em mortes e perda de patrimônio público e privado, deve-se única e exclusivamente a quem, tendo mandato para tal, não cuidou de proteger a cidade contra essa possibilidade, o que, aliás, já aconteceu ali pertinho, em Teresópolis, no ano de 2011.
A rigor, neste caso, a canalhice da imprensa defunta apenas cumpre um rito que vem sendo adotado desde 2019, sem trégua nem descanso. Criaram um espantalho em torno do Bolsonaro e batem nele permanentemente como se fosse o próprio. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer explica isso como técnica da ampliação indevida para ganhar um debate.
Paralelamente, cuidaram de criar uma espiral do silêncio, contando para isso com a minimização ou supressão rasa de qualquer notícia favorável ao governo, com a justiça através de decisões esdrúxulas e ativismo judicial impróprio, para dizer o mínimo, e, ultimamente, com a investida sobre as redes sociais.
Em resumo, apenas o lado progressista tem voz, o outro é sempre “negacionista” de alguma coisa (selo de más lembranças) e emissor de fakenews. A justiça garante a operação tendo à mão as longas caudas de excelências importantes no Senado e na Câmara dos Deputados. Não bastasse o ataque diário ao governo, inclusive promovidos por ministros fascinados por microfones, e a espiral do silêncio imposta à sociedade, o Sistema possui o controle do processo eleitoral, diga-se, do TSE. Como se vê, o circo está armado para uma supostamente inescapável derrota do Bolsonaro.
Ao vermos, em declarações públicas, três ministros do STF juntarem-se como um triunvirato para proferir esquisitices contra a Rússia, ameaçar a liberdade de expressão e amedrontar a nação, é de se perguntar quais os limites da república. Basta ouvir as barrosidades proferidas nesta quinta-feira durante a posse do coleguinha no TSE, para perceber o ataque panfletário antibolsonarista de quem deveria guardar uma independência mínima, para se apresentar isento e merecer respeito. A militância política no nível do STF não é apenas indecente, é inaceitável.
Em absoluto, o que causa estranhamento não é a alternância do poder. É do jogo democrático que assim seja, que o poder político seja móvel em todas as direções. A questão que se apresenta é que da forma como está sendo tramada, essa possível alternância resultará da destruição de elementos básicos de uma democracia, a saber, a liberdade de informação, da qual decorre a livre escolha e a igualdade de tratamento entre os competidores.
Esperemos que não avance mais ainda a marcha da insensatez. Há limites que não podem ser ultrapassados sob pena de quebra dos laços que amarram as pontas desse tecido social. Toda vitória precisa ser limpa para SER. Do contrário, NÃO É e, não sendo, saindo por qualquer modo enlameada das urnas, não pode ser reconhecida.
ILUMINISTA OU ILUMINADO? - 05/02/2022
Alex Pipkin, PhD
O autodenominado “iluminista”, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, mais uma vez, proferiu opinião polêmica e imprópria.
Ele atribuiu o impeachment da ex-presidente Dilma à falta de apoio político, e disse que as “pedaladas fiscais” constituíram-se em uma “justificativa formal” para o processo.
Com base nos fatos, nas evidências e na verve do orador e artista Barroso, adorador dos holofotes, não tenho dúvida de que ele está muito mais para “o iluminado” do que “iluminista”.
Penso que esse cidadão está no lugar errado, tendo em vista que a Suprema Corte deveria ser o lugar dos guardiões da Constituição, ao invés de abrigar políticos e/ou superestrelas que vestem toga.
Sou da velha guarda, lembrei de um dos melhores filmes que assisti na minha vida.
“O iluminado”, conta a história de um ex-professor e aspirante a escritor, Jack Torrence - Jack Nicholson está espetacular no papel - que aceita o emprego de zelador no Hotel Overlook durante o período do inverno. Ele leva sua esposa e o filho pequeno com poderes espirituais, que de fato é “iluminado”.
Resumindo, Jack sucumbe a um estado mental atormentado, chegando à loucura.
Eu não sei… essa turma do STF, acha-se superior, mais iluminada do que os reles mortais, dotada de superpoderes, acima do bem e do mal.
Muitos nem em concurso público aprovam, mas talvez porque vivam numa torre de marfim, comam e bebam melhor que os comuns, e repletos de regalias, tenham oportunidades acadêmicas e culturais diferenciadas, acabam encarnando a figura de semideuses.
Um genuíno iluminista, é um ferrenho defensor das liberdades individuais, da ciência - de verdade - do conhecimento, por meio do uso da racionalidade, aspecto que passa longe das atitudes e das falas do Ministro Barroso.
Ademais, é inadmissível que um iluminista possa ser contra a liberdade de expressão que, sem dúvida, é geradora de novos conhecimentos e de diferentes perspectivas.
O Ministro Barroso e seus colegas já rasgaram à Constituição em várias ocasiões, e hoje representam a terrível insegurança jurídica que assola o país.
Ministros do STF deveriam julgar leis - não as inventar - de acordo com à Constituição, ou não?
Por que essa turma de “iluminados” continua fazendo política? Cruzes!
Ministro Barroso, por qué no te callas?
A VIDA REAL - 27/01/2022
Márcio de Carvalho Damin
“Uma vida não examinada não é digna de ser vivida”. (Sócrates)
Analisando as situações que vivo, aqueles que me cercam e o mundo no entorno, percebo nitidamente a confusão das pessoas perante a realidade. Não só da realidade política caótica em que o Brasil chafurda, mas a realidade das almas mesmas que estão inseridas neste contexto.
Pequeno exemplo. Ao assistir um vídeo em que cachaça era oferecida a cinco reais para os viciados da ‘’cracolândia’’ na cidade de São Paulo, me peguei a pensar sobre o mundo em que vivemos. Monta-se uma pequena tenda onde se vende pinga a seres que há muito tempo se tornaram escravos das drogas para lhes adicionar outro tipo de entorpecente. Os “comerciantes” que servem a bebida não avaliam a moralidade de sua ação. Não há explicação lógica para isso, exceto o embate entre o bem e o mal.
O problema maior que vejo é a interação dos pecados com a personalidade das pessoas de uma maneira harmônica. O cidadão imagina, por exemplo, que o lugar onde nasceu o faz superior a outros seres humanos, ou decide que sua conta bancária é a prova cabal de sua superioridade moral perante aqueles com menor poder econômico. No momento mesmo em que essas ideias surgem na cabeça do indivíduo elas ainda não fazem parte da personalidade, elas ainda não se mesclaram ao ser de forma peremptória. Todavia, ao não rechaçar de prontidão esses pensamentos que surgem para desviar o foco do individuo do supremo bem, que é o amor e por consequência o próprio Deus, o que surge na consciência como espúrio a natureza do ser vai gradualmente se mesclando a ele e, de modo triste e nefasto, convencendo-o de sua veracidade.
A santa missa nos diz claramente, no ato penitencial, para nos arrependermos dos ‘’pensamentos e palavras, atos e omissões’’, mas o que ocorre com a alma que se funde ao seu pecado de maneira a não mais percebê-lo? O que ocorre quando uma personalidade se deforma a tal ponto de não discernir mais o que é ela mesma e o que é o erro em sua vida?
Com alguma ironia eu poderia responder “bem, você se torna um político”. Mas é o que percebo, infelizmente, num grande número de pessoas com quem convivo. Já não há mais exame de consciência, tudo é relativo e por consequência permitido. E, se permitido é, a personalidade pode se amoldar a tudo de ruim que um dia pululou na mente não vigilante de uma inerme vítima de uma sociedade doente.
Os dramas de consciência que atormentaram os seres humanos ao longo dos séculos já não mais existem, e, como escreveu Sócrates “uma vida não examinada não é digna de ser vivida”.
Quando o amor e a verdade, e o amor à verdade se perdem numa busca de uma falsa sensação de paz e felicidade, tanto no indivíduo quanto na sociedade em geral o que se vê é uma lenta derrocada, uma desumanização, uma animalização do ser e do ambiente que o cerca.
Oro muito pela conversão das pessoas que me cercam, mas reconheço que tenho orado pouco pelas pessoas que não conheço, pelo nosso país e pelo mundo. Eis algo de que minha consciência me acusa neste exato momento.
* Márcio de Carvalho Damin é Músico
FAÇA O BÁSICO - E FUJA DOS MODISMOS - 24/01/2022
Alex Pipkin, PhD
Resolver problemas das pessoas é a atividade precípua do administrador. Como fazer?
Fazendo escolhas e tomando decisões direcionadas para entregar melhores soluções – produtos/serviços/experiências - para os consumidores.
Mas os dias da “empresa individual” se foram; é toda a cadeia de valor que conta para ganhar ou perder dinheiro.
Dentro do ambiente organizacional, tais decisões envolvem talentos humanos, suprimentos, operações, marketing, vendas, finanças, TI, engenharia, P&D, jurídico, entre outros processos.
O pilar da tomada de decisão é a informação.
Presenciamos uma nova revolução industrial trazida pelas tecnologias digitais. Embora incipiente - em algumas situações - já possibilitam extrema automatização e conectividade, mais ampla e mais rápida. Elas potencializam a colaboração!
Esta transformação traz uma infinidade de dados e informações que pode ser aplicada, por exemplo, para desenvolver produtos customizados e inovadores, ajustar operações de imediato, reduzir estoques, realizar investimentos rentáveis, acessar fornecedores mais competitivos, entre outras.
Digitalização virou um mantra. Todos verbalizam. Isomorfismo empresarial empurra a busca, muitas vezes equivocada de “respostas de TI” e obtenção de mais informação que levaria a decisões robustas e mais rápidas.
Mas calma lá! É imperativo respeitar o tempo e estágio organizacional individual e do setor envolvido. Claro que informação é vital, propicia visibilidade.
Visibilidade na cadeia é, sem sombra de dúvida, vital para se solucionar melhor os problemas dos clientes e ganhar mais dinheiro.
O problema é que muitas organizações sequer realizam o singelo básico, como por exemplo, integrar interna e externamente seus processos. Porém, impulsionadas por áreas de tecnologia e/ou consultores externos, desejam visibilidade em nível de comunicação, alardeando novas tecnologias - vide agora o metaverso -, por meio de projetos de marketing que são efêmeros e que não trazem resultados efetivos de longo prazo para as empresas.
Primeiro, indispensável transformar dados em informação acionável. Necessário integrar funcionalmente a organização e toda cadeia de valor para tal acesso.
Penso que uma empresa precisa se concentrar e focar naquelas tecnologias que são essenciais e de maior impacto para seus processos e seus negócios. Por foco considero um aprofundamento da aplicação, de utilização e de desenvolvimento de tecnologias (ex.: inteligência artificial), objetivamente acompanhando e analisando as novidades sob um olhar crítico.
Primordial, de posse de informação, ter habilidades e competências para utilizá-las no processo decisório. Além da retórica, procedimentos operacionais sólidos e cultura organizacional impactam rigorosamente para sua real utilização. Cultura genuína, ou seja, aquela que foi forjada ao longo dos tempos, relacionada com a missão e o negócio, não a acionada em razão de oportunidades de marketing, por vezes desvinculadas do real objetivo organizacional.
Como acadêmico, repito o mantra. A transformação digital irá disruptar todos os setores. Pela experiência executiva, alerto que informação é diferente de conhecimento, que conduz a tomada de decisões eficientes e eficazes.
Todas empresas, com a escala e barateamento, poderão acessar tecnologias e a respectiva visibilidade de dados. Somente algumas – maiores - já estão contratando especialistas de dados que, inexoravelmente, precisam buscar, a princípio, integração interna/funcional. Pari passu, integração externa com parceiros de negócios.
Sugiro iniciar pelo simples e prioritário. Integre internamente. De posse de informação, construa conhecimento, compartilhando-o em toda cadeia de valor. Parece-me essencial que haja uma cultura inspiradora de construção do conhecimento, por meio da aquisição e respectiva utilização dos dados, informações, fatos e relações sociais.
É a utilização da informação que gera o conhecimento através do desenvolvimento de novas habilidades, produtos e processos mais eficientes. Acessar informações é preciso, mas preferencialmente, integrar interna e externamente a fim de produzir conhecimento distinto.
Isoladamente, tecnologia de informação raramente será fonte de vantagem competitiva sustentável, uma vez que esta pode ser imitada pelos concorrentes. Somente o seu compartilhamento é que permitirá a geração de conhecimento para uma tomada de decisão mais efetiva e rápida.
Soa simplório, mas não é. Abandone as panaceias e, primeiro, integre dentro e fora com o “básico”.
Foque nas tecnologias que, de fato, possuem aplicações práticas para seus negócios, e acompanhe às inovações e as tendências de longo prazo com criticidade, para além dos modismos desmesurados.
Só a partir daí passe a pensar em tecnologias digitais revolucionárias. Prefiro as práticas e inovadoras.
INTERESSANTE CARTA DE UMA LEITORA BRASILEIRA NA EUROPA - 13/01/2022
Por Maria da Conceição.
Nota do editor: a autora do texto abaixo, Maria da Conceição, mora na Europa e deseja manter seu perfil oculto. O que relata corresponde, em muito, ao que descrevi no artigo “Aqui há resistência!”, publicado dia 09/01/2022. Diz ela:
Muito obrigado pelo artigo de Giulio Meotti sobre o 'suicídio multicultural da Alemanha', e sobre o seu recente 'statement' de que mesmo vacinado, não apoia a imposição do passaporte sanitário - o qual, independentemente de qualquer discurso sobre as vacinas, nada mais é do que um pretexto para a instalação do maior sistema de controle da população mundial já imaginado.
Meotti tem razão: este é o caminho que a Alemanha tem seguido e a agenda, para sua ('conspiração-teórica') Islamização. Algumas fontes estimam que até 2030, aproximadamente 70 milhões de imigrantes de países islâmicos estarão chegando à Europa para serem divididos entre Alemanha, Áustria, Itália, Holanda, França, Itália e Escandinávia... Curiosamente, são na maioria homens de idade militar. Os que têm chegado nas últimas semanas, apesar de todas as regras de higiene e sanitárias, são até isentos delas, não precisam de testes, nem de vacinas, recebendo imediatamente privilégios e liberdades que os europeus não têm há muito tempo. Na Holanda, por exemplo, já estão sendo empregados na polícia e força militar, exatamente para conter as crescentes manifestações da população contra os respectivos governos e contra o passaporte sanitário.
Convivo muito bem com muitos deles de modo pacífico e civilizado, muitos são educados e bem integrados na sociedade. Tento manter uma boa relação com todos, e não somente com os islâmicos, mas também com os imigrantes da comunidade 'Roma' - uma relação neutra e pacífica, diferente da postura dos partidos chamados de 'extrema direita' daqui . Enfim, essas pessoas que estão chegando nem sabem que estão sendo instrumentalizadas como massas de manobra.
Também tenho muitos colegas e amigos turcos - sobretudo artistas... Apesar da reputação de ' ditador ' que Erdogam tem mundo afora, muitos austríacos e alemães estão considerando seriamente imigrar para a Turquia neste momento - sendo lá um dos poucos países onde ainda há um pouco de liberdade (!!!).... E os turcos, diferentes dos islâmicos fundamentalistas, têm uma visão do mundo mais aberta e cosmopolita. Até a liberdade religiosa por lá é maior que na Alemanha e Áustria no momento (um paradoxo, quando a União Europeia considera até extinguir feriados cristãos como Páscoa e Natal !). Curiosamente, Erdogam (apesar de sua ditadura ...) parece ser um dos obstáculos no avanço do globalismo socialista ateu e mais tolerante que nossos ditadores de colarinho branco.
Concordo com Meotti não somente em respeito à Alemanha: a Europa está em colapso, assim como a forma institucional do cristianismo como o conhecíamos. Mas existe um fenômeno promissor acontecendo: várias figuras públicas e líderes religiosos - como recentemente arcebispos alemães (que foram imediatamente censurados e caluniados após expressarem suas análises da atual crise), nos EUA, junto com outros, o controverso Arcebispo Carlo Maria Viganò (uma sumidade que denuncia perfeitamente a agenda comunista que corrompe setores do clero desde o Concílio Vaticano II, entre outros escândalos), tem se manifestado, criando uma reflexão interna, que com certeza, está levando as pessoas a acordarem, separando o joio do trigo. E não só no campo religioso, é claro: conforme a agenda e ditadura global-comunista continua avançando violentamente por aqui, continua também avançando uma grande resistência - na verdade, o florescer de uma Renascença de pensadores, médicos, psicólogos, artistas, cientistas e poetas defensores da Liberdade. .. uma verdadeira Revolução Cultural que dificilmente poderá ser contida.
Espero que seja assim e que esta Renascença chegue logo ao Brasil - para acordar as pessoas para o fato de que não é 'culpa do Bolsonaro ‘gelocida’ ( está muito frio aqui, conforme NÃO profetizou a 'Grita'...) , mas de um fenômeno mundial de instalação da maior ditadura de todos os tempos, absolutamente sem precedentes... a qual, com Consciência e Providência, se Deus quiser, ainda podemos reverter.
Um grande abraço!
Maria da Conceição
Obra-prima da demagogia de esquerda - 13/01/2022
Alex Baur
Já havia sido anunciada a presença do ditador venezuelano Nicolás Maduro na posse de Lula. Oficialmente. O Brasil suspendeu a proibição de entrada do regime de tortura de esquerda, que obrigou sete milhões de pessoas a fugir, especialmente para a ocasião comemorativa.
Apenas Jorge Rodríguez, presidente do parlamento fantoche venezuelano, compareceu. Ele também é irmão de Delcy Rodríguez, vice-ditador de Maduro. Afinal.
Coincidentemente, a recepção oficial do emissário de Maduro na gigante da TV Globo, amiga de Lula, coincidiu com o intervalo comercial. Tanto que muitos brasileiros perderam a reabilitação da ditadura.
Lula deveria ter percebido que a presença de Maduro seria um pouco demais. Durante a campanha eleitoral, Lula se apresentou como o salvador da democracia. Teve proibida na Justiça a publicação de fotos que o mostrassem em um abraço íntimo com caudilhos de esquerda e velhos companheiros como Daniel Ortega, os irmãos Castro, Hugo Chávez ou, claro, Maduro.
A posse de Lula em 1º de janeiro teve como tema "União e Reconstrução" - unidade e reconstrução. Isso soa bem. Na verdade, seus discursos inaugurais foram puro veneno.
No mesmo fôlego em que o novo presidente do Brasil clamava por unidade e reconciliação nacional, ele literalmente acusou seu antecessor Jair Bolsonaro de "fascismo", "genocídio" e "terrorismo", "barbárie" e "estupidez", a "tirania " ou "mentiras" (notícias falsas).
Os discursos de uma hora de Lula podem ser reduzidos a uma mensagem central: o demagogo de direita Bolsonaro dividiu e destruiu o Brasil! É a mesma melodia que a esquerda global tem pregado em uníssono com a mídia nos últimos cinco anos.
Internacionalmente, essa retórica pode ter pegado. Mas cerca de metade dos brasileiros não caiu na desajeitada inversão da realidade de Lula. Eles votaram em Bolsonaro.
Lula também insulta metade das pessoas a quem se refere. Dificilmente alguém mudará de ideia por causa das tiradas de ódio. Na verdade, a maioria se sentirá justificada.
Para Lula e seus seguidores, isso não é uma contradição. De acordo com a compreensão marxista da democracia, somente o partido representa os interesses do povo. Quem se opõe ao partido é inimigo do povo - e, portanto, não pertence mais ao povo.
Em um primeiro ato oficial, Lula voltou a restringir a posse legal de armas liberalizada por Bolsonaro. Em segundo lugar, ele aumentou o número de ministérios por decreto de 23 para 37. Em terceiro lugar, ele quer reverter a privatização de estatais não lucrativas iniciada por Bolsonaro.
Além das razões ideológicas, há razões sólidas para isso: Lula só tem minoria no parlamento. Ele precisa desesperadamente de cargos estatais para recompensar os aliados e mantê-los felizes.
Claro, é um veneno para a economia. Mas se as coisas correrem mal, o culpado já está claro: foi seu antecessor que arruinou o Brasil.
Jair Bolsonaro se despediu dos Estados Unidos no réveillon. Supostamente apenas por trinta dias. Talvez para sempre. Na América do Sul, é apenas um pequeno passo entre insultar um oponente político e prendê-lo. No passado, o trabalho sujo era deixado para os militares. Hoje, os juízes politizadores são os responsáveis ??por isso. Eles já deram a Lula um valioso apoio durante a eleição.
*Alex Bauer é um jornalista e escritor Suíço. O artigo acima foi publicado no Die Welt Woche.
O QUE HA DE MAIS "FAKE" QUE AS "FAKE NEWS" - 10/01/2022
Fernão Lara Mesquita
O empreendedorismo é o domínio do instinto. Não é para quem quer é para quem é. A política e seu produto por excelência na democracia -- a lei -- é a superação da que rege o instinto e manda todo bicho "usar sua força para comer o mais possível sempre que a ocasião se apresentar", um movimento concertado de defesa das presas contra os predadores que acaba por ser acatado até por esses últimos quando a História os ensina a pensar adiante da próxima refeição.
A informática não mudou rigorosamente nada na essência das relações humanas que já foi bem precisamente sintetizada no adágio de que "o homem é o lobo do homem". Ela criou uma reprodução matemática do mundo real sujeita não mais às velocidades e multiplicações do universo da História e do mundo físico mas às próprias a essa ciência abstrata, o que subverteu violentamente as noções de espaço e tempo, fundamentos do conhecimento humano, com implicações altamente disruptivas nas aplicações que daí decorrem, especialmente as ligadas à produção e à transação de bens e riquezas e, mais que para todas as outras, para a capacidade de cada nação de impor leis precisas, estáveis e bem delimitadas como têm de ser as das raras democracias de fato existentes.
Como sempre, desde o controle do fogo, do arco e da roda e da domesticação dos animais, das plantas e dos metais, essa disrupção proporcionou aos "predadores alfa" da política e da economia explorar os vazios de regulamentação que se abriram com a violência e o oportunismo que o instinto lhes pede. Sob a bandeira da "reforma da humanidade" de sempre, o Google auto-atribuiu-se o direito de mudar as regras do ciclo de vida da informação espionando, indexando e tornando acessíveis para todo o sempre os pormenores das manifestações de preferência e trocas de informações entre cada um dos seres humanos sem pedir licença a ninguém, ato criminalizado em todas as legislações do mundo para todas as tecnologias não baseadas em bits.
Em paralelo, na melhor técnica do malandro que atrai a vítima sempre com a promessa de benefícios impagáveis, copiou e indexou a informação coletada e sistematizada por profissionais de todos os campos do saber em todos os tempos sem pagar direitos a quem trabalhou para produzi-la, outro crime tipificado para todos os meios anteriores, e entregou o produto desse saque planetário como um "presente grátis" a quem antes tinha de pagar por ele, "apenas" em troca da livre espionagem dos hábitos, preferências, intimidades e roteiros dos consumidores desse "serviço". E então amealhou uma fortuna indecente vendendo os segredos de cada eleitor e cada consumidor aos tubarões da política e da economia.
Escancarada a porta, por lá passaram as boiadas da Amazon e do Facebook, as "ferrovias" de hoje com seu séquito de robber barons de vida curta, comprados com baratos bilhões para colocarem-se à salvo sem incomodar ou concorrer, e todo o resto das mazelas que conhecemos, com as Apples no fim da fila, explorando nas chinas da vida o trabalho escravo pelo qual seriam presas em casa e arrastando todos os seus concorrentes para o mesmo atalho que matou, numa só cajadada, séculos de conquistas dos trabalhadores nas democracias, tudo sob o silêncio cúmplice da política podre que finge não entender a exata semelhança entre os crimes dos donos das big techs e seus caronas de hoje e os dos robber barons de ontem.
Agora, montados nos trilhões de dólares amealhados com esse tipo de "competência", já se sentem fortes o bastante para desafiar as maiorias de frente com a censura explícita e a incineração virtual dos "hereges" em autos-de-fé públicos mediante os quais ficam "cancelados" não só das tribunas a partir das quais a política captura os votos necessários para deter essa gigantesca falcatrua como também da vida econômica que migrou totalmente para a reprodução virtual do mundo real.
Em maio de 2014, depois que a Agência de Proteção de Dados da Espanha reassegurou a um professor o direito de ter o seu passado esquecido, a União Européia como um todo, mais "freguesa" que proprietária das mega multiplataformas da internet, restabeleceu o princípio de que o futuro da vida digital deve ser estabelecido pelas pessoas, suas leis e suas instituições democráticas e não por qualquer grupo de moleques montados numa tecnologia nova o bastante para não ser imediatamente compreendida, em seus meandros e processos, nem pelos seus usuários, nem muito menos pelos legisladores, o que recoloca nos seus devidos termos a questão decisiva deste início de 3º Milênio marcado pelo desvio do "capitalismo de espionagem" (surveillance capitalism) que só pode prosperar com a morte da democracia.
O atual impasse prende-se mais à corrupção que às dificuldades técnicas envolvidas. Não é preciso inventar nada de conceitual ou filosoficamente novo, como querem fazer crer os enganadores de sempre, apenas submeter as big techs e suas praças públicas virtuais às mesmas leis que enquadraram os robber barons do passado e garantem o exercício dos direitos fundamentais do homem nas praças públicas físicas (à propriedade, à sua intimidade #ownyourdata, à liberdade de crença e expressão, ao devido processo, etc.), impondo aos tecnólogos, como condição para operar seus aplicativos, plataformas e redes, a busca das soluções necessárias para implementar essas garantias.
Sim, conseguir são outros 500. Mas ser obrigado a tentar é tudo que sempre fez a humanidade andar para a frente...
Quanto ao gigantismo que desenvolveram violando as leis que todos os seus concorrentes eram obrigados a cumprir, vale o mesmo princípio. A democracia se reapresentou ao mundo em 1787 com a missão de evitar a criação de superpoderes no universo da política com a bandeira de que somente cada indivíduo tinha o direito de escolher o seu modo de alcançar a felicidade e definir o que era ou não "fake" para ele em matéria de pensamentos e crenças, o que lhe deu um impulso inicial brilhante mas não suficiente.
Na virada do século 19 para o 20, refém da corrupção gerada pelo seu principal "defeito de fabricação" que foi a blindagem, ainda que temporária, dos mandatos dos representantes eleitos contra seus eleitores, acrescentou à sua lista de objetivos prioritários, mediante o aparato antitruste que só pôde impor armando a mão do eleitor para dar a palavra final sobre cada ato dos seus representantes, a prevenção da criação de superpoderes também na economia privada, o que pôs em cena o único "estado de bem estar social" que jamais se materializou no mundo real: não o que o socialismo prometia autorizando o governante de plantão a distribuir dinheiro alheio entre seus amigos e correligionários mas aquele que Theodore Roosevelt dotou do moto continuo naturalmente invulnerável à politicagem da limitação da competência para açambarcar mercados pela manutenção obrigatória do grau mínimo de competição necessário em cada setor da economia para obrigar os empreendedores a disputar trabalhadores aumentando salários e consumidores reduzindo preços, com o Estado estritamente no papel de árbitro.
Foi esse o truque simples que fez dos Estados Unidos o que são (estes em que o PIB do estado de Nova York equivale ao do Brasil inteiro e o dos outros 49 estados é "lambuja" e não aquele que nossa imprensa mostra) e propiciou que arrastassem a humanidade inteira atras de si para patamares mais altos de liberdade, afluência e progresso da ciência ao longo de escassos ¾ do século 20 que os alcançados na soma de todas as centenas de séculos anteriores.
Agora quer a horda dos reacionários a volta ao padrão anterior a 1787, com sua igreja ditando o que é e o que não é "verdade" e calando quem discorda na marra em nome da "defesa da democracia".
"FAKE"!
A tergiversação em torno dessa empulhação, do gigantismo das big techs e de todos os seus nefandos corolários explica-se pelos trilhões acumulados pelos modernos robber barons, que engraxam tanto os que correm atras do poder de explorar o próximo pela via da economia quanto os especializados em faze-lo pela da política, muito mais que por qualquer dificuldade técnica para corrigir o rumo e aplicar a elas regulamentos honestos, democráticos e limpos.
* O autor é jornalista, ex-diretor do Jornal da Tarde e ex-diretor de opinião de O Estado de S. Paulo.
** Publicado originalmente em O Vespeiro, blog do autor.
SOBRE VACINAS. DATA VÊNIA, SOU LIVRE PARA DECIDIR. - 06/01/2022
Valterlucio Bessa CampeloObservando a movimentação recente em torno da vacinação de crianças e a exigência do passaporte sanitário, inclusive com audiência pública realizada pelo MS - Ministério da Saúde, na OPAS – Organização Pan-Americana de Saúde nesta terça-feira 04/01, além de manifestações de rua em todo o Brasil, resolvi dedicar esta primeira coluna de 2022 a um tema subjacente a tudo isso - a liberdade.
Pediria ao leitor que observasse a si mesmo e a sociedade comparando com 2019. Do que efetivamente sente falta? Sim, meu caro, embora trate-se de algo maior e de origem anterior, os dois últimos anos foram de aguda perda de liberdade. A peste deu pretexto a que, com nosso consentimento, diga-se, parte importante do nosso livre arbítrio fosse amputado e colocado à disposição do Estado. De tal modo, que seria quase um desvario dizer que vivemos ainda em uma sociedade livre.
Por que chegamos a este ponto? Basicamente porque sob ataque ou ameaça, somos naturalmente inclinados a trocar fatias de liberdade por alguma segurança e conforto. Eles sabem disso. À medida que cresce a ameaça, cresce também a nossa disposição a ceder. Ao ponto de entregarmos tudo e, voluntariamente, oferecermos nossa liberdade. O jovem Étienne de La Boétie tratou brilhantemente desse tema em seu livro publicado 1563, chamando-o de servidão voluntária. Algo que muito tempo depois, em 1930, o pai da psicanálise, Sigmund Freud, constatou: “a maioria das pessoas não quer realmente liberdade, porque liberdade envolve responsabilidade, e a maioria das pessoas tem medo de responsabilidade”.
No século passado, aconteceu profusamente durante a segunda guerra mundial, quando sob invasão nazista, em vários países, europeus se dividiram em colaboradores e colaboracionistas. Os primeiros demonstraram uma espécie de acovardamento simples, de consentimento envergonhado desde que seu habitual modo de vida fosse minimamente preservado. Intelectuais e artistas serviram à opressão, fazendo movimentar a indústria cultural. No livro “Paris – a festa continuou”, (2012), Alan Riding deixa isso claro.
Os segundos, encontraram na colaboração ostensiva uma chance de promoção de suas fraquezas morais às custas da própria nacionalidade e passaram a exercer, como se dominadores fossem, toda ordem de crueldade, perseguição, roubo, assassinato, estupro e deportações de judeus e opositores. Na França, por exemplo, existiram casos em que nacionais chegaram a postos do oficialato das SS e membros graduados da Gestapo. Muitos franceses, especialmente policiais e burocratas, atuaram como agentes do governo nazista que esfolou o país após a rendição covarde do General Petáin.
Em certa medida, é como vejo os dias de hoje. Diante do pavor disseminado a partir da peste chinesa, no Brasil, assim como nos outros países (nisto não há grande diferença), foram gerados colaboradores e colaboracionistas. Aqueles que normalizam a realidade cruel e agem porque não se importam com a perda de liberdade, desde que se sintam seguros e com baixas taxas de responsabilidade, e aqueles que servem incisivamente porque lucram e se promovem, seja financeira ou politicamente. Trocam de bom grado a própria liberdade por um punhado de poder ou dinheiro que lhes possibilitem os que realmente os possuem.
Algo necessário e que se impôs neste processo foi a anulação ou minimização da oportunidade ao dissenso. Disso cuidou a velha mídia através de um turbilhão incessante de notícias terríveis e da emblematização pejorativa dos contrários. Adjetivos do tipo “negacionista”, “terraplanista” e outros são títulos com que propositalmente encerram a discussão. Como uma estrela amarela pregada no peito de um judeu na Polônia em 1940, o termo fecha as portas ao debate. Ouvi recentemente de um deles: “não discuto com eleitor de Bolsonaro, é tudo negacionista”. Pensei imediatamente que se estivéssemos na França em 1942 ele não hesitaria em fuzilar-me. Como alterar pelo argumento lógico uma mente que se tranca? Como entrar naquela mente com uma verdade objetiva se foram eliminadas as condições do diálogo? Cria-se assim, uma sociedade mouca, cega, escrava e desumana, capaz de tudo.
Ocorre que liberdade não é uma mera abstração filosófica, um luxo do qual as pessoas se utilizam ocasionalmente. Ela diz respeito à ação e ao pensamento. É a forma como você decide sobre a sua vida, com quem se relaciona, o que faz, o que lê, aonde vai, o que possui. Liberdade são suas escolhas. Em última instância é o que você pensa, é o que você é. Entregaremos isso também em troca de uma suposta segurança provida pelos que criaram a insegurança?
Do meu canto longínquo, olho o mundo e vejo em todos os lugares fantasmas dos cães de Pavlov (1849-1936), babando a cada estímulo que recebem, este determinado de fora pra dentro por interesses globalistas de controle, aliás, amplamente confessados no Forum Econômico Mundial, nos livros de Klaus Schwab seu presidente e já experimentados na China. Jornalistas, articulistas, partidos políticos, juízes, artistas, médicos, universidades, associações etc., aceitaram vergonhosamente o papel de colaboracionistas de um sistema que viola frontalmente as nossas liberdades. Como se houvessem passado por uma lobotomia repetem à exaustão uma carga de mensagens cuja profundidade não se deram o trabalho de examinar.
Há, contudo, os que não se rendem. Independentemente do tamanho do engodo, é apenas um engodo e, como bem lembrou Étienne de La Boétie, basta não entregar o que eles querem e cai a tirania. As inúmeras audiências públicas havidas em estados, no distrito federal e em muitos municípios, demonstram que assim como colaboradores e colaboracionistas, nesta guerra há a resistência.
Refiro-me, por exemplo, a médicos da estirpe da Dra. Maria Emilia Gadelha, Dr. Roberto Zeballos, Dr. José Augusto Nasser, Dra. Roberta Lacerda e muitos outros contados aos milhares, que abdicando da frondosa árvore do politicamente correto, vão ao sol, expõem à luz seu entendimento e suas experiências. Sabem que enquanto a mão direita estende a agulha, a mão esquerda maneja um bisturi nos amputando a liberdade e instalando o controle social. Escudados em comitês, os colaboracionistas, muitas vezes associados e comissionados das big pharmas, se defendem desqualificando seus opositores, acusando-os de adotarem teorias conspiratórias.
A propósito, embora (por motivos óbvios) a mídia não propague, o sistema oficial americano VAERS, comunica que apenas nos EUA foram relatados mais de 1,5 milhões de efeitos adversos após a vacinação, com 14.817 eventos morte. São dados investigados e provados. Não, não são, nem serão. Não foram devidamente investigados. Por lá também o governo está de braços dados com as big pharmas. Mas deveriam ser suficientes para autorizar que cada cidadão faça a própria escolha ao invés de ser submetido e submeter suas crianças à vacinação forçada que, de modo cínico, aparece disfarçada de mero constrangimento documental.
Considero, pessoalmente, que ela pode ser adotada, propagada e recomendada massivamente, se for o caso, porém, em hipótese alguma, sob nenhum argumento, pode ser imposta direta ou indiretamente, pois nestes termos sempre constituirá flagrante ataque à liberdade do indivíduo nos termos da nossa lei maior e tantas outras. Este é o ponto.
COMPROMISSO COM A DESTRUIÇÃO - 06/01/2022
Gilberto Simões Pires
COISAS...
Dias atrás, mais precisamente no apagar das luzes de 2021 (29/12) escrevi um editorial no qual dei conta de algumas COISAS que, CERTAMENTE (não se trata, portanto, de vãs especulações), VOLTAM COM O PT NO GOVERNO, a saber:
1- IMPOSTO SINDICAL;
2- INVASÕES DO MST e/ou MTST;
3- INCHAÇO DO ESTADO;
4- CORRUPÇÃO INSTITUCIONAL; e,
5- ALIANÇAS COM DITADURAS.
A INTERROMPIDA OBRA DE DESTRUIÇÃO
Pois, ontem, 04, para não deixar a menor dúvida do quanto o PT está realmente disposto a dar continuidade à OBRA DE DESTRUIÇÃO do nosso empobrecido Brasil, que foi interrompida em 2016 com o impeachment da Dilma Petista Rousseff, a presidente do PT Gleisi Hoffmann postou uma clara mensagem nas redes sociais anunciando como -NOTÍCIA ALVISSAREIRA- a REVOGAÇÃO DA REFORMA TRABALHISTA DA ESPANHA. Feliz da vida, a petista aproveitou a deixa para DEFENDER A REVOGAÇÃO DA REFORMA TRABALHISTA em vigor no Brasil desde 2017. Que tal?
LULA GARANTIU
Extremamente entusiasmado com a iniciativa do presidente espanhol -o socialista Pedro Sanchez-, o candidato petista Lula da Silva não só aplaudiu como -GARANTIU- que fará o mesmo no Brasil, caso venha a ser o escolhido para presidir o Brasil. Mais: Lula e Gleisi estão convencidos de que a -reforma- sancionada, em 2017, pelo então presidente Michel Temer, precarizou trabalho e não criou empregos. Pode?
CAMINHO PARA O ABISMO
A propósito, na segunda-feira (3), Gleisi já havia postado um texto nas redes sociais no qual defende -a exaustão-, também como NOTÍCIA ALVISSAREIRA, a REVOGAÇÃO DA PRIVATIZAÇÃO DE EMPRESAS DE ENERGIA NA ARGENTINA. Com uma cajadada só, Gleisi aproveitou as DUAS NOTÍCIAS -espanhola e argentina- para INFORMAR, alto e bom som, que -JÁ TEMOS O CAMINHO-. Na mais pura realidade, o VERDADEIRO CAMINHO PARA O ABISMO!
MATRIZ ECONÔMICA BOLIVARIANA
Como se vê, com muita clareza, não são apenas CINCO COISAS QUE, CERTAMENTE, VOLTAM COM O PT NO GOVERNO. São, pelo visto, um número INCONTÁVEL de COISAS RUINS, todas elas de alto grau de DESTRUIÇÃO. Todas, vale lembrar, bem de acordo com o que reza na CARTILHA DO FORO DE SÃO PAULO e que foram religiosamente respeitadas e implementadas através da terrível MATRIZ ECONÔMICA BOLIVARIANA durante, principalmente, o governo Dilma.
NATAL – POR QUE CANCELARAM O ANIVERSARIANTE? - 26/12/2021
Samir Keedi
No terceiro capítulo do Especial de Natal 2020 da Brasil Paralelo, lançado em três capítulos em 14-15-16/12/2020, aliás, uma série espetacular de comemoração do Natal, foi feita a pergunta do título.
Pergunta com toda razão de ser. Chega o Natal e todos os anos é a mesma coisa. A mesma “comemoração”. Todos dando presentes a todos e, claro, muitos a si próprios. Tornou-se uma obrigação presentear. Não só adultos, mas, especialmente as crianças.
E o símbolo maior do Natal é o Papai-Noel. Aquele que todos vão aos mais diversos Shopping Centers para ver. Colocar crianças em seu colo. E elas a pedir presentes a ele, que os pais devem comprar. Podendo ou não.
Mas, e o aniversariante da data? Por que foi esquecido? Ou quase esquecido? Poucos vão às igrejas para as missas de Natal ou véspera. Poucos o evocam e/ou lembram-se dele em 25/12.
Por que o verdadeiro símbolo, motivo da existência do Natal desapareceu das comemorações, dos marketings? Por que não vemos o aniversariante nos Shopping Centers recebendo e abençoando as crianças, assim como os adultos, ao invés do Papai-Noel, ou apenas o Papai-Noel?
Por que com o tempo o Papai-Noel e os presentes assumiram o seu lugar? O que estamos fazendo? Se não os 7,8 bilhões de habitantes da terra redonda, pelo qual estão espalhados, simetricamente ou não, por que os 2 bilhões de Cristãos agem da mesma forma? São Cristãos ou não? Estão interessados na sua doutrina ou apenas em mais um feriado e mais um presente? Apenas movimentar a economia? Louvável, mas não suficiente. Será que ficamos tão egoístas a este ponto, e poucos percebem?
E isso pode ser visto em todas as partes e em todos os assuntos. Vide, por exemplo, a política brasileira. Assim como o aniversariante foi praticamente descartado, o Brasil também o foi. Nossos políticos e imprensa vêem os seus interesses e não os do país. Para isso usam de todas as armas destrutivas para prejudicar o país e o povo para seus próprios interesses. E muitos se dizem Cristãos. Onde está o Cristão em suas mentes e atos?
Não é exatamente a mesma coisa que acontece com o Natal? Cada um usando-o para seu próprio interesse?
Quando o aniversariante será resgatado e a sua data comemorada? Por que hoje não se comemora a sua data, mas o feriado e os presentes? Natal é apenas uma palavra para justificar.
Onde estará a fé que muitos dizem ter, mas que não praticam? E não adianta dizer que praticam se no Natal o que mais vale é o presente. Onde está a meditação?
Será que ainda voltaremos a entender que o Natal é a data de aniversário de Cristo? Se vamos dizer que o presente se justifica porque ele ganhou presentes no seu nascimento, então ok, vamos presentear. Mas, não a cada um de nós, como se fosse o nosso aniversário. Nosso presente deve ser a ele. Com fé, lealdade, amor e compaixão de cada um a cada um.
Então, para isso, repetimos a pergunta. Por que cancelaram o aniversariante?
AUTORIZAÇÃO: UMA PALAVRA MÁGICA - 11/12/2021
Gilberto Simões Pires
MODAL FERROVIÁRIO
Depois de mais de um século, o nosso empobrecido Brasil, graças à vontade do atual governo, está dando passos firmes, objetivos e determinados no sentido de ressuscitar o importante MODAL FERROVIÁRIO. O que mais chama a atenção, nesta gloriosa tarefa que rapidamente está tornando viável, real e promissor o crescimento e desenvolvimento da até então esquecida MALHA FERROVIÁRIA, é que o fantástico despertar do interesse deste esquecido setor decorre da PALAVRA MÁGICA chamada -AUTORIZAÇÃO-.
AUTORIZAÇÃO
Antes de tudo, AUTORIZAÇÃO significa -PERMITIR- que alguém faça alguma coisa. Algo que lembra muito a palavra LIBERDADE, que até pouco tempo atrás, em termos de INFRAESTRUTURA, era simplesmente impensável. Pois, ontem, 09, atendendo ao que estabelece o importante PROGRAMA PRÓ TRILHOS, o Ministério da Infraestrutura assinou os primeiros contratos que AUTORIZAM empresas privadas a investir -DO ZERO- NOVE TRECHOS ferroviários, cruzando DEZ ESTADOS em 3,5 mil quilômetros de trilhos. A previsão de investimentos é de mais de R$ 50 BILHÕES. É mole?
PRIMEIRO BOOM FERROVIÁRIO
Como bem destaca o Estadão, o movimento é considerado histórico porque RESGATA um formato responsável pelo PRIMEIRO BOOM FERROVIÁRIO do País. Entre o século 19 e o início do 20, as ferrovias foram erguidas no Brasil pelo interesse do setor privado. Os registros apontam que o último traçado construído nesse modelo foi da Estrada de Ferro Mamoré, conhecida como a “Ferrovia do Diabo”, autorizada em 1905, com obras iniciadas dois anos depois, ainda no ciclo da borracha. De lá até 1932, novos ramais foram implantados, mas todos por empresas que já atuavam no segmento.
A PREVISÃO É 40% DAS CARGAS
Mais: hoje, a malha ferroviária brasileira soma apenas 29,3 mil quilômetros de estradas de ferro. Com a novidade das FERROVIAS PRIVADAS e outros projetos de concessão em andamento, o Ministério de Infraestrutura acredita que o MODAL FERROVIÁRIO terá um novo boom. Atualmente, as ferrovias transportam cerca de 20% das cargas no País, e a expectativa é de que essa participação possa ultrapassar os 40%.
MODELO
Este modelo de AUTORIZAÇÕES é muito comum em países como EUA e Canadá, criado para atender a demandas específicas de transporte de cargas, identificadas pelos próprios produtores e empresas. Além disso, o fardo regulatório é mais leve, baseado nos princípios da livre concorrência e da liberdade de preços – ou seja, sem intervenção do poder público na definição das tarifas de transporte. Ontem, o governo liberou as autorizações solicitadas por seis empresas: Bracell, produtora de celulose; Ferroeste, empresa ferroviária estatal do Paraná; Grão Pará Multimodal, que tem autorização para operar um terminal portuário em Alcântara (MA); Petrocity, empresa do setor portuário; Macro Desenvolvimento Ltda; e Planalto Piauí Participações.
PAÍS FERROVIÁRIO
Tais projetos estão entre os 47 pedidos de requerimento de ferrovias que chegaram até o momento ao Ministério da Infraestrutura. Em relação a 36 desses requerimentos, o governo já tem estimativas de investimentos que alcançam R$ 150 bilhões.
“Estamos vendo agora o início da revolução que vai nos tornar novamente um PAÍS FERROVIÁRIO, disse o secretário nacional de Transportes Terrestres, Marcello Costa. “Não existe projeto nenhum na área de infraestrutura de transportes mais transformador do que esse”, afirmou o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.
SONS DA FLORESTA - 10/12/2021
Vitor Bertini
O comunicado era oficial.
O Conselho das Corujas, nos termos do Estatuto das Matas, convoca todos as criaturas desta floresta para a Assembleia Geral Extraordinária a ser realizada ainda hoje, ao pôr do sol, na Clareira do Lago.
– Qual é a pauta? – repetiam quase todas as vozes, em forma de pergunta.
– Melhor não faltar! Melhor não faltar! – Taramelavam os papagaios, emissários do Conselho, voando em bandos e espalhando ansiedade e suspense.
Os boatos sobre os motivos da convocação só não foram mais numerosos por falta de tempo. Falava-se de um novo recenseamento na floresta, na votação de um novo fundo eleitoral, na possível explicação sobre o desaparecimento global das abelhas e até na formação de um Superior Tribunal da Floresta, uma espécie de STF regular, há muito demandado.
– Corujas não se reúnem por pouca coisa – rugiram os leões, seguros de si.
– Vamos comparecer em paz – garantiram as leoas, respondendo aos olhares desconfiados das zebras.
– Iremos aos pulos – completaram os improváveis cangurus, certos de que viviam em uma floresta inclusiva.
Na hora do sol vermelho, com todos os bichos presentes e guardando silêncio, a coruja mais velha, Presidente do Conselho, tomou a palavra:
– Muito obrigado, pela presença de todos. Serei breve. Nos últimos dias o Conselho recebeu, preocupado, notícias dando conta de supostas proibições da emissão de alguns sons de nossa floresta, por parte de supostas autoridades. Como se nossos pios, mugidos, arrulhos ou cantos pudessem, de alguma forma, ser prejudiciais ao nosso conviver. Não sabemos se são verdadeiras as notícias, mas sabemos que são falsas estas autoridades – e concluiu, séria, de olhos arregalados: – aqui, falsos corvos não crocitarão. Aqui, livre falar, é falar com a voz que cada um tem. Salve a multiplicidade de sons da floresta!
Os urras e vivas só foram interrompidos quando a coruja Secretária Geral piou, pedindo mais um minuto de atenção:
– Só um lembrete. Nesta mata também se pode ir e vir, livremente. Nossa floresta não tem donos!
Diante de novo tumulto, as abelhas, que não tinham sido avisadas de seu próprio desaparecimento, preocupadas com o tempo de floração, saíram às pressas para fazer mel - e zunir como quisessem.
*Publicado originalmente em https://ahistoriadasexta.substack.com/ e https://vbertini.blogspot.com/
COMO SE FOSSE HOJE, A SERVIDÃO VOLUNTÁRIA, EM ÉTIENNE DE LA BOÉTIE - 09/12/2021
Valterlucio Bessa Campelo
A reflexão sobre os dias atuais me levou de volta a uma leitura antiga. Refiro-me ao “Discurso da Servidão Voluntária” do francês Étienne de La Boétie, escrito em 1549, quando o autor tinha apenas 18 anos, idade em que parte dos jovens atuais entram na faculdade com escassa capacidade de interpretar textos simples. O livro só foi publicado anos após sua morte prematura aos 33 anos.
O que disse o garoto Étienne, amigo do filósofo e jurista Michel de Moutaigne, que mereça a nossa atenção 470 anos depois? Ele aborda de modo singular e simples um tema eterno – a liberdade, fazendo com que revisemos, considerando os eventos atuais, a compreensão da natureza da tirania e do comportamento das massas escravizadas. Ele dava como certo que, mesmo sendo a “natureza do homem ser livre e desejar sê-lo”, à tirania corresponde um comportamento servil voluntário das massas. Eis um trecho:
“Diga-se, pois, que acaba por ser natural tudo o que o homem obtém pela educação e pelo costume; (...) assim, a primeira razão da servidão voluntária é o hábito: provam-no os cavalos sem rabo que no princípio mordem o freio e acabam depois por brincar com ele; e os mesmos que se rebelavam contra a sela acabam por aceitar a albarda e usam muito ufanos e vaidosos os arreios que os apertam”. Tomando como exemplo a domação de um animal, Étienne acusa a inação humana perante a tirania depois que o tempo a “naturaliza”, como se nesta condição houvesse um certo conforto inibidor da ação primordial de rebeldia contra o jugo.
Pergunto ao leitor se não se sente assim ao sair à rua com o rosto coberto por uma máscara que lhe esconde a própria identidade. De certo modo, concedemos à tirania sanitária que eclode na OMS, por exemplo, nossa representação mais pura e nos acostumamos a isto. Perdemos nossa distinção, estamos nos homogeneizando sob um pedaço de pano e já há quem dele não se desapegue.
Trato da relação do cidadão comum com tudo aquilo que lhe é imposto e com o que não deveria jamais ser negociado. O mesmo raciocínio se aplica, se preferirem, à tirania ambiental, cujos mandatos avançam aos poucos sobre o que se oponha à “urgência climática”, uma criação de ciência torta, jamais provada, mas que pelo medo induz à obediência. Desde os verdadeiros donos do poder global, emanam ordenamentos que estão léguas acima da compreensão da multidão ignara mas lhe alcançam por uma rede de tiranias/servidões chanceladas de cima a baixo por uma seqüência infindável de agentes de dentro e de fora do Estado.
Étienne, lembrando o império romano, esclarece os meios utilizados pelos tiranos. Um, é bastante conhecido como a política do pão e circo. Diz ele: “Atrair o pássaro com o apito ou o peixe com a isca do anzol é mais difícil que atrair o povo para a servidão, pois basta passar-lhes junto à boca um engodo insignificante. É espantoso como eles se deixam levar pelas cócegas. Os teatros, os jogos, as farsas, os espetáculos, as feras exóticas, as medalhas, os quadros e outras bugigangas eram para os povos antigos engodos da servidão, preço da liberdade, instrumentos da tirania”. Façamos um exercício simples. Olhemos hoje ao redor, consultemos nossos novos gostos, avaliemos novos costumes e respondamos sinceramente o que teria mudado de Julio César até aqui. Que bugigangas temos à mão, que circos nos oferecem e quanto de liberdade lhes damos em troca?
A outra forma Étienne, relaciona ao que atualmente chamamos de governança. Por que uma decisão opressora em um folha de papel assinada pela ONU alcança o município mais longínquo da Amazônia no dia seguinte? Por que uma mudança arbitrária num algoritmo inibe ou libera imediatamente a comunicação entre as pessoas nos confins da África? Étienne explica assim:
“Parece à primeira vista incrível, mas é a verdade. São sempre quatro ou cinco os que estão no segredo do tirano, são esses quatro ou cinco que sujeitam o povo à servidão. Sempre foi a uma escassa meia dúzia que o tirano deu ouvidos, foram sempre esses os que lograram aproximar-se dele ou ser por ele convocados, para serem cúmplices das suas crueldades, companheiros dos seus prazeres, alcoviteiros de suas lascívias e com ele beneficiários das rapinas. Tal é a influência deles sobre o caudilho que o povo tem de sofrer não só a maldade dele como também a deles. Essa meia dúzia tem ao seu serviço mais seiscentos que procedem com eles como eles procedem com o tirano. Abaixo destes seiscentos há seis mil devidamente ensinados a quem confiam ora o governo das províncias ora a administração do dinheiro, para que eles ocultem as suas avarezas e crueldades, para serem seus executores no momento combinado e praticarem tais malefícios que só à sombra deles podem sobreviver e não cair sob a alçada da lei e da justiça. E abaixo de todos estes vêm outros”. Vê-se que Étienne identifica a hierarquização da tirania e sua correia de transmissão. Alguma semelhança com as sinecuras e privilégios governamentais, ou com os cargos e representações das organizações internacionais e mega corporações de nosso dia a dia?
Parece claro que temos aí uma via de mão dupla. Se, de cima para baixo há uma tirania sendo exercida, obrigando crescentes concessões, de baixo para cima há uma servidão voluntária movida por também crescentes prêmios de poderes e privilégios. Eis, portanto, a chave para entender o totalitarismo pacificamente implantado em nossas vidas.
Paradoxalmente, para Étienne, os do mais baixo escalão são os mais livres e felizes, pois “embora servos, limitam-se a fazer o que lhes mandam e, feito isso, ficam quites. Os que giram em volta do tirano e mendigam seus favores, não se poderão limitar a fazer o que ele diz, têm de pensar o que ele deseja e, muitas vezes, para ele se dar por satisfeito, têm de lhe adivinhar os pensamentos. Não basta que lhe obedeçam, têm de lhe fazer todas as vontades, têm de se matar de trabalhar nos negócios dele, de ter os gostos que ele tem, de renunciar à sua própria pessoa e de se despojar do que a natureza lhes deu”.
Haveria uma saída para o ciclo de tirania? Segundo Étienne, sim. Bastaria que cada um se recusasse a servir. “Ele (o tirano) será destruído no dia em que o país se recuse a servi-lo. Não é necessário tirar-lhe nada, basta que ninguém lhe dê coisa alguma. Não é preciso que o país faça coisa alguma em favor de si próprio, basta que não faça nada contra si próprio. São, pois, os povos que se deixam oprimir, que tudo fazem para serem esmagados, pois deixariam de ser no dia em que deixassem de servir. É o povo que se escraviza, que se decapita, que, podendo escolher entre ser livre e ser escravo, se decide pela falta de liberdade e prefere o jugo, é ele que aceita o seu mal, que o procura por todos os meios”. Há, creio, também os que, vassalos, nem sequer reconhecem a própria vassalagem e julgam estúpidos os homens que lamentam a liberdade perdida.
É claro que em seu próprio benefício os tiranos não dispensariam as Leis, normas e regulamentos para sustentarem suas decisões. Disto, aliás, tratou Bastiat (A Lei - 1850), ao denominar de lei pervertida aquela que vai em sentido oposto ao que deveria ser – a proteção da liberdade, direito humano natural.
Então, se o leitor quer exercer plenamente a sua liberdade, renuncie à obediência compulsória, seja mouco ao mando arbitrário, meça seu comportamento permissivo ou omissivo em frações de liberdade e decida se vale a pena, vasculhe seu baú moral e tente nele encontrar coragem para enfrentar o monstro que já nem esconde o rosto.
Atenção! Klaus Schwab, o criador e chefão do Fórum Econômico Mundial não estava mentindo quando lançou “A Quarta Revolução Industrial” em 2016 e, menos ainda, em 2020, quando lançou COVID 19 – O GRANDE RESET. Pelo menos não em relação ao que significam.
E O RADICAL SOU EU? - 05/12/2021
Adriano Marreiros
Todo bandido deveria conhecer uma cadeia antes de cometer crimes.
Todo juiz deveria visitar os hospitais e cemitérios onde estão as vítimas dos bandidos.
Toda prisão deveria ter, na entrada, uma galeria com fotos dos criminosos presos e a descrição dos crimes que eles cometeram.
Um sistema de justiça criminal decente deveria proteger e beneficiar a vítima, não o criminoso."
Roberto Motta
Outro desenho que era muito legal e que não passa mais (sem propaganda infantil acabou tudo...) era “O Fantástico Mundo de Bob”. Podemos dizer que era algo que bem mostrava como uma criança via o mundo. Em certo episódio praticamente todos os adultos disseram alguma vez a ele: “se fulano se jogar da ponte você também vai se jogar?”. Sim, nossa mãe também já nos disse isso, nossa avó, nosso tio... Bob, no entanto, com sua lógica infantil que ainda não discernia o real da fantasia, e que não tinha a menor ideia de prioridade, respondia perguntando, sem entender a mensagem e cada vez mais exasperado: “mas que ponte?!!!”
Tenho visto muita gente se jogar infantilmente da ponte só porque outros o fizeram e eles também não têm a menor idéia de que ponte era essa. Sequer conseguem vê-la na sua frente, apesar de estarem nela há muito tempo, como se fora o Piu-piu mencionado na crônica passada. Bob não entendia a linguagem figurada: essa turma não entende linguagem nenhuma, apenas desprezam argumentos fortes, repetem frases prontas e não pensam nas consequências. Ainda mais que o papel aceita qualquer coisa e uma pena equilibrada sobre um papel pode resultar em algo de dar pena, algo muito feio, uma imagem lamentável. Algo que ajude a destruir o passado e condenar o futuro sem que o burocrata sem perspicácia sequer entenda o que fez.
Se não conseguem pensar por si próprios, se não conseguem perceber questões de causa e consequência, deveriam perceber o equívoco ao notarem a alegria daqueles que devíamos combater ou dos que os defendem. Toda vez que essa alegria é clara, é claro que vacilamos. E eles sabem, como Napoleão, que não devem interferir quando nós estamos errando. Quando estamos pulando da ponte, para imitar outros que já pularam e, com isso, estamos arremessando quem devemos defender. Eles ficam só acompanhando, batendo palmas, para depois colherem os frutos...
“Ah, Adriano, você está sendo muito radical!”. Estou? Não vou te responder com nada novo... Já falei isso, em crônica que está no livro 2020 d.C. Esquerdistas Culposos e outras assombrações ( < http://editoraarmada.com.br/produto/2020-d-c-esquerdistas-culposos-e-outras-assombracoes-colecao-tribuna-diaria-vol-iii/ >) e, e em vez ficar criando novidades, vou apenas repetir um trecho do que dissera naquele texto, parafraseando o Pessoa:
Nunca conheci quem tivesse sido radical
Todos que me cercam são moderados em tudo, isentos... isentões... modinhas[1]... “progressistas”...
E eu? Tantas vezes radical, tantas vezes fascista, tantas vezes ideológico...
Eu, tantas vezes tendencioso, parcial, miliciano digital
Que tenho espalhado “fake news” pelas redes mesmo quando digo verdades
Que tenho feito discursos de ódio apenas porque discordo de quem “eu não devia”...
Que tenho sofrido censura e calado
E que quando não tenho calado, tenho sido mais censurado ainda.
Eu que tenho sido cômico aos “garantistas” de plantão
Que tenho sentido o olhar blasé de bandidólatras e laxistas[2]
Eu que tenho me defendido com base nas liberdades da Constituição
E que quando a hora da mordaça chegou: as tenho tido negadas
Para fora da possibilidade da Constituição...
Eu que tenho sofrido a angústia da perda das coisas boas e belas do mundo
Verifico que quase não tenho pares nisto neste país.
Todo “progressista” que conheço, doloso ou culposo[3]
Nunca teve um ato radical, nunca assassinou reputações,
nunca atacou opositores, nunca criticou a imprensa,
nunca atacou argumentos com slogans e mantras,
nunca pregou intolerância com os conservadores,
nunca negou espaço a quem pensa diferente...
Nunca foram senão democratas nesta vida, grandes democratas...
Quem me dera ouvir uma voz franca que me confessasse não uma “firme” opinião, mas um duplipensar.
Que me dissesse uma palavra existente e não da novilíngua
Que assumisse uma usurpação e não uma interpretação...
Mas são todos, todos eles (com plural no masculino como manda a língua mãe do Fernando) todos democratas sem nódoa.
Quem, neste país, confessaria sua vocação totalitária, oh, democratas, meus irmãos!
Então só eu que sou odiento e radical nesta terra?
Poderão quebrar tudo, ameaçar idosos, avançar com violência sobre manifestantes pacíficos, execrar quem cumpre a Constituição, ofender quem aplica efetivamente a lei penal. Poderão censurar, cancelar e até cometer crimes e abusos às vistas de todos, mas são “antifascistas”[4], são democratas: radicais?! Nunca!!!
Podem ter sido militantes em ambiente virtual, mas milicianos digitais: nunca!
Podem ter inventado um “novo” passado para alguém, mas divulgar “fake news” : nunca!
Podem ter escrachado e destruído reputações de opositores, mas discurso de ódio: nunca!
Podem ter apoiado isso tudo ou se omitido quando devia agir, mas partícipes: nunca!
Podem ter agido sem qualquer escrúpulo, mas radicais: nunca!
E eu, que tenho sido miliciano sem estar em nenhuma organização, eu que tenho dito fake News ao divulgar verdades e opiniões, eu que tenho feito discurso de ódio por dar opinião fundamentada e fazer crítica de fatos reais...
Como poderei falar com esses meus iluminados superiores sem vacilar?
Eu que tenho sido radical, muito radical,
No sentido mais exagerado e infame do radicalismo!
Chega! Estou farto de “progressistas” dolosos e culposos, de isentões e de modinhas!
Chamam conservadores de radicais e ideológicos quando o conservadorismo é justamente contra revoluções e contra ideologias[5]. Acusam-me do que eles fazem, xingam-me do que eles são. E o radical sou eu?
Não conseguem enfrentar um bom argumento lógico, um argumento de realidade, um argumento de fatos, sem tentar distorcer, sem tentar desbordar, sem tentar ignorar e fingir que não foi dito, sem tentar tirar invenções ilógicas da cartola. Precisam negar o debate para manter a hegemonia, precisam amedrontar todos os públicos por medo de serem desmascarados, precisam manter todos às cegas para implantar suas ideologias liberticidas. E o radical sou eu?
Precisam distorcer os diplomas legais, exercer poderes que não possuem e negar o poder àqueles de quem ele emana, mas o radical sou... EU?
Argh, estou farto de iluminados, estou farto do ódio “do bem”, estou farto do ativismo e do “garantismo” bandidólatra que despreza as vítimas e nos fez campeões de homicídios e outros crimes.
Argh, onde há democratas no Brasil?
Continuemos procurando e buscando animá-los, porque já faz mais de um ano e nada melhorou...
O homem medíocre não acredita no que vê, mas no que aprende a dizer... (Olavo De Carvalho)
* Publicado originalmente em https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1238/e-o-radical-sou-eu.html
PRIMÁRIAS DO PSDB E OUTRAS CANDIDATURAS ÔCAS - 01/12/2021
Fernão Lara Mesquita, em O Vespeiro
Ainda que eleições primárias diretas tenham ocorrido aqui e ali nas colônias americanas tão cedo quanto 1840, o sistema só começou a se generalizar na virada para o século 20. A reforma para torná-las obrigatórias, uma batalha que de certa forma ainda está em curso nos Estados Unidos, foi extraída a fórceps dentro do movimento de resgate da democracia americana das garras da corrupção em que a tinha mergulhado a combinação do “pecado original” dos “fundadores” de blindar os mandatos dos políticos eleitos enquanto durassem (4 anos) com o advento das revoluções concomitantes industrial e gerencial numa sociedade agrária institucionalmente despreparada para enfrentar os novos desafios.
Os Estados Unidos eram ainda apenas as colônias da costa do Atlântico quando as ferrovias – como hoje a Amazon com relação ao mercado global – “abriram” todo o resto do continente até o Pacífico, tornando-se, no entanto o único canal de acesso a esse imenso cabedal de riquezas, assim como de escoamento para o mercado consumidor de tudo que nele pudesse ser produzido.
Isso propiciou que empresários inescrupulosos mancomunados com políticos mais inescrupulosos ainda, que elegiam e reelegiam com seus inesgotáveis rios de dinheiro, se unissem para esmagar e açambarcar concorrentes negando-lhes transporte e servindo-lhes leis de encomenda, criar monopólios e fortunas nunca antes sonhadas, maiores que o PIB da maioria dos países, história a que você, leitor, poderá ter acesso em detalhes inscrevendo os termos “Progressive Era”, “Theodore Roosevelt”, “democracia direta” ou “antitruste” na ferramenta de busca deste Vespeiro, no alto à direita desta mesma página.
Bebendo na fonte da democracia suíça que precedera a americana em quase meio milênio, a imprensa democrática e os reformadores da Progressive Era (1890-1920) importaram os remédios da democracia direta que lá se praticava. As ferramentas da iniciativa e do referendo popular de leis abriram a possibilidade de passar leis sem o concurso dos legislativos controlados pelas máfias partidárias corruptas e isso projetou a democracia moderna para um novo patamar.
O estado do Oregon foi o primeiro a conseguir implantar a iniciativa e o referendo em 1902 e, com eles nas mãos, impôs aos políticos também o recall em 1908. Com essa trinca poderosamente desinfectante nas mãos o povo do Oregon foi o primeiro a instituir eleições diretas para o Senado estadual, até então eleito indiretamente, e primárias diretas para presidente. A Califórnia logo copiou o “Oregon System” e abriu a corrida nacional para empurrar o povo mais para cima na hierarquia do poder.
Tão cedo quanto 1917 todos os estados menos quatro, onde a soberania do povo passara a ser cada vez mais direta e absoluta, já tinham adotado primárias diretas para todas as eleições estaduais e municipais. Não eram mais os donos dos partidos, eram diretamente os eleitores que decidiam quem podia ou não candidatar-se a qualquer cargo. É esse conjunto, que resultou no golpe de morte na espinha dorsal da cadeia de lealdades que sustentava a corrupção, que explica o enriquecimento exponencial do povo americano ao longo do século 20.
Para estender esse direito ao âmbito federal é que começou, no entanto, o braço de ferro com os partidos que escondiam-se atras da dupla soberania dos estados e da União e da omissão da constituição a esse respeito que continua a ser o diferencial que põe a democracia americana ainda para trás do seu modelo suíço.
A resistência – política e judiciária – foi feroz.
A primeira e maior das porteiras foi, no entanto, arrombada com a abertura às candidaturas independentes, algo impossível de contestar num regime que pretendesse continuar merecendo o qualificativo de “democracia representativa”. Com variações entre os estados, hoje qualquer cidadão americano pode candidatar-se a presidente – e daí para baixo a qualquer coisa – e ter seu nome figurando na cédula que chega ao eleitorado apenas colhendo assinaturas de eleitores (no limite mais alto, 1% dos votos necessários para eleger um deputado federal) sem ter de pedir licença a mais ninguém, ou montando um novo partido, operação ainda mais fácil desde que se tenha respaldo de eleitores.
Até os anos 1970s somente metade dos estados americanos tinha conseguido instituir primárias obrigatórias para presidente da república. Hoje elas acontecem em todos os estados mas cada partido, em cada estado, resolve como faz as suas. Ha “primárias fechadas” em 13 estados. São como as do PSDB. Só membros registrados do partido podem propor e votar em candidatos. Há “primárias semi-fechadas” em 15 estados, em que membros inscritos em cada partido podem votar só nos candidatos dos seus partidos mas o resto do eleitorado não filiado a partidos também pode votar nas primárias dos outros partidos. Somente 14 estados têm “primárias abertas” com todos os eleitores podendo votar em qualquer primária de qualquer partido. E ha ainda outras variações…
Assim, ainda que seja altamente improvável alguém conseguir eleger-se num pleito nacional sem apoiar-se na estrutura de um grande partido, não é impossível. E essa possibilidade torna todos os candidatos bem mais humildes e “client oriented“. E tudo, claro, sempre obedece rigorosamente ao sistema de eleição distrital pura. A proporção de votos recebidos por cada partido em cada distrito é obrigatoriamente reproduzida pelos delegados das convenções com direito a voto nas primárias partidárias.
Como já foi tantas vezes explicado neste site, a FIDELIDADE DA REPRESENTAÇÃO é a única coisa inegociável da democracia americana na qual todo poder DE FATO “emana do povo”. Tudo permanece, portanto, sempre em aberto, mudando ao sabor das leis de iniciativa dos eleitores que eventualmente forem aprovadas em cada estado a cada ano. O que é decisivo é que as alterações do modelo vêm sempre de baixo – dos eleitores – e são impostas partido acima – aos políticos – e não o contrário como acontece nesse nosso esdrúxulo sistema de “governo do povo” (“democracia”) sem povo.
Fica a seu critério, portanto, avaliar se as primárias para “escolher” o candidato a presidente do PSDB entre as opções previamente postas pelos “donos” do partido em disputa entre si têm, como as americanas, o sentido de livrar o partido dos seus caciques e submeter-se à vontade dos eleitores, ou se é apenas mais um expediente “murístico” dos “tucanos raiz” para não ter de afirmar em voz alta o seu horror a João Dória numa conjuntura de deserto de talentos em que fica muito difícil atacá-lo pelo, digamos, “excesso de competência” que justifica a figadal rejeição que ele sofre por parte de um enorme contingente do eleitorado nacional.
O que quer o PSDB, afinal, é o melhor presidente ou o melhor candidato para levá-lo de volta ao poder, qualquer que seja ele? Pôr o povo no poder ou manter o seu poder sobre o povo?
O que se pode saber com certeza desde já é que, como todos os outros ensaios de “3a via” que se insinuam por aí, nenhum dos quais tem qualquer proposta para desentortar o sistema político e eleitoral que aleija o Brasil, tudo que o PSDB oferece à consideração do eleitorado nacional é mais um entre três “eus” possíveis como única garantia dos resultados todos que só a democracia pode produzir mas que o PSDB, como todos os demais, promete entregar só pelos belos olhos do seu candidato, sem submeter-se à democracia.
Esta – que não haja mais enganos depois de tantos! – só se instala quando o povo manda no governo. E o povo só passa a mandar no governo quando conquista os poderes do recall, da iniciativa e do referendo de leis e se torna dono dos mandatos dos políticos revogáveis a qualquer momento.
Aí, sim, eles passam a trabalhar PARA O POVO. O resto é tapeação.
*Fernão Lara Mesquita em Vespeiro.com
DIVAGAÇÕES A RESPEITO DOS JOVENS - 30/11/2021
Gustavo Corção
Modéstia à parte, tenho sido ultimamente entrevistado, mas permanece inevitavelmente a mesma indagação fundamental: o que penso eu da juventude. Ora, devo confessar que não penso absolutamente nada da juventude. Por mais que me esforce e que esmiúce a pergunta, por mais que analise os conceitos envolvidos no inquérito, só consigo pensar que a juventude é a juventude. Que outro juízo esperam os colegas de mim? Não consigo, sinceramente, descobrir nenhum predicado que convenha a todos os jovens, a não ser a própria juventude. O jovem é jovem, eis aí o pensamento profundo atual, avançado, audacioso, que ofereço a todos os jornais e revistas. E desde já lanço o repto: a quem me provar que o jovem não é jovem entregarei minha casa e meus livros.
Outro dia, entretanto, ouvi alguém dizer, aliás pela milésima vez, que o “jovem é autêntico”, e que o jovem, pelo fato de ser jovem, sofre a pressão ou a colisão das inautenticidades dos velhos. O que quererá dizer isto? Receio que o pressuposto de tal afirmação, se algum existe, é o de só existir, em toda a vida humana, uma estreita faixa etária, como diria o Dr. Alceu Amoroso Lima, em que o mísero bípede implume se encontra consigo mesmo. Eu poderia invocar a longa experiência de vida e contestar o fenômeno. Sim, posso assegurar que já encontrei muitos jovens com todas as características do canalhismo; e até poderia acrescentar, com robusta convicção, que essa peculiaridade da alma humana está equitativamente distribuída por todas as idades. Lembro-me por exemplo dos moços da extinta UNE, ou entidade máxima estudantil: quase todos os dirigentes que conheci eram canalhas e demonstraram uma virtuosidade capaz de causar inveja a um velho crápula aposentado. Por dois desses fui enrolado apesar de toda a experiência da vida de que me gabei pouco atrás. Mas talvez esteja enganado: os sagazes observadores da eclesialização do mundo ou da secularização da Igreja, e sobretudo os sociólogos dessa índole dirão que observei mal e que confundi canalhismo com atitudes de protesto. Os jovens que praticam atos de canalhice, segundo os padrões tradicionais, não são canalhas porque são jovens e não são canalhas porque estão apenas replicando à deixa da falida geração que só legou taras e misérias. Sim. Um dos postulados que parece presente na base de tudo o que se diz hoje dos jovens é o da total falência do mundo anterior. E aí temos um estranho conflito e até se duvidarem uma estranha revolta: a de um ente de razão contra outro ente de razão, a de um ser abstrato contra outro ser abstrato.
Outra coisa que ainda não logrei entender é a ideia de apresentar o jovem como um vanguardista. Como assim? Vanguardista sou eu. Nasci antes dele, provavelmente morrerei antes dele, e assim se vê que estou sempre na frente. Com meus setenta e um estou na ponta onde já são escassos os companheiros, e quanto mais viver e mais envelhecer, mais na frente e distanciado estarei. Quando esse moço desordeiro da França nasceu, eu já sabia trigonometria esférica, cálculo diferencial e outras coisas. Estava até começando a ficar grisalho, tal era a imensa dianteira que levava sobre esse retardatário. Já fazia a barba quando nasceu o pai do moço desordeiro. Fui autêntico algum dia? Ai de mim, no tempo em que atravessei a faixa etária da autenticidade não haviam nascido os sociólogos para fazerem a frase que me pusesse em estado de graça em relação a mim mesmo. Vivi sem essa absolvição, ou tive minha mísera e estreita autenticidade obscuramente vivida sem que dela se apercebessem a família, a cidade e o país. Minto. Um ou outro amigo certamente me estimou como se sentiu estimado, mas éramos modestos a respeito desses atributos fascinantes que cobrem hoje multidões. Fascinantes? Pensando bem creio perceber que não há nada mais melancólico do que esse efêmero esplendor que inventaram hoje para ainda mais estreitar a pobre vida humana. Já sabíamos, pela experiência e pela revelação, que o tempo é breve e que a vida é curta. Encurtaram-na ainda mais os que exaltam a supracitada faixa etária. Pobres moços! Têm missa especial no Largo do Machado, têm diversas outras regalias, mas estão condenados à inautenticidade dentro de três ou quatro anos. É só casarem-se e terem filhos e estarão definitivamente expulsos do paraíso etário, e desenganados em matéria de autenticidade. Ontem uma jovem jornalista que me entrevistava teve de repente um calafrio de terror.
− Estou ficando velha! Estou ficando velha!
Pensei que fosse mirrar à minha vista, como a velha das Minas de Salomão, mas vi que permanecia com os mesmos vinte e tantos. Ela então explicou-me:
− Estou ficando velha porque estou começando a concordar com o senhor. O que vai ser de mim lá na redação? Estou perdida!
Sim, a pobre moça estava perdida porque começava a pensar nos filhos que iam crescer, e que daqui a poucos dias estarão dizendo que são autênticos. Num momento de silêncio pesado estivemos a medir a imensa responsabilidade de sermos pessoas sem idade definida, sim, pessoas vivas e dadas em espetáculo do mundo...
* Publicado originalmente em O Globo 6/6/68
** Reproduzido do excelente site Permanencia https://permanencia.org.br/drupal/node/5997
OS FASCISTAS, TODOS NÓS SABEMOS QUEM SÃO - 27/11/2021
Sabe o que é mais chato ao mundo político contemporâneo? A divisão ideológica e o avanço político sobre a vida comum; hoje não conseguimos mais nem comprar uma lata de leite condensado sem nos lembrarmos de Brasília ou das redações soviéticas que imperam em nosso mainstream. Semana passada, após escrever um texto para a Gazeta do Povo, um crítico perguntou-me qual era a minha qualificação para criticar Atila “Tamarindo”, o biólogo que clamou por um “Autoritarismo necessário”. Vendo que eu não era doutor de nada a não ser em Call of Duty, cuspiu em todo o meu texto e me disse: “nem intelectual esse rapaz é, ignoremos”. Fica o aprendizado; realmente não sabia que era preciso solicitar a permissão do MEC para criticar tiranetes.
Há dois anos eu escolhi ser pai e, após isso, ser intelectual é uma das últimas prioridades em minha vida, depois, por exemplo, de comprar um sofá novo para minha esposa, criar meu filho e enteado, além, é claro, de comprar uma garrafa térmica Stanley Hydration para levar à academia.
As pessoas extrapolam em suas paixões, as turbas exageraram na ânsia de serem progressistas ou conformistas, facilmente se lambuzaram na retórica oportunista de posição ou oposição e acabam, por fim, deitadas de conchinha com suas cartilhas ideológicas. Enquanto isso, os sãos tentam entender a realidade através de seus olhos e não a partir dos diversos “ministérios da verdade” que pululam por aí. É exatamente aqui que começa a “treta”: quando a realidade não se adequa à narrativa oficial da mídia e do mainstream em geral, como num passe de mágica ? ou como numa cirurgia de resignação sexual ?, você se torna um fascista oficial sem direito de defesa, um bolsonarista “passador de pano” abjeto, um “trumpista” da Ku Klux Klan e/ou um adorador de Hitler… tudo por tabela, sem demais análises ou debates.
Mas, vem cá, o progressismo consegue sempre ir além, né? Não demora muito e eles dão pinta de suas intenções, suas veias autoritárias saltam mesmo estando atrás de um sorriso sereno de “inclusão” amorosa. Logo eles dobram e guardam suas faces de “Teletubbies social” para assumir aquela feição de Stálin. Em um ano, relembremos, a turba que pede lockdown eterno conseguiu defender, justificar e aplaudir tudo aquilo que é danoso a uma sociedade sadia. Atualmente o progressismo sobrevive sob dois adjetivos determinantes: mediocridade moral e disposição tirânica. Da censura a conservadores, inquéritos de exceção contra jornalistas que não integram o mainstream tradicional, prisões de transeuntes em praças, restaurantes e praias, ao clamor por uma “ditadura necessária”, o pessoal que ama a humanidade conseguiu criar um sistema despótico de submissão àqueles que não concordavam com eles… tudo isso em meio a uma pandemia global. Olha, de certa maneira, é de admirar…
Se você guarda aquela mínima visão independente perante a realidade, não há como não perceber quem são aqueles que mais se afastam de uma visão liberal de existência social; já não está mais disfarçado quem são os que mais ameaçam a democracia ocidental. Pensem o seguinte, visualizando todo o panorama político atual: se homens como Adam Smith, Alexis de Tocqueville, Ludwig von Mises, Friedrich von Hayek, etc., se todos ainda vivessem, estariam mais assustados com Trump no poder ou com Biden? Se todos se encontrassem numa taverna qualquer nesse instante, eles estariam fortemente preocupados com a inclusão de transexuais nos esportes olímpicos, com a cor de pele de qualquer assistente do governo a fim de agradar o Black Lives Matter, ou com a censura descarada do Twitter aos que pensam diferente do establishment?
O pêndulo da liberdade e da dignidade individual que outrora Voltaire e Burke, apesar das premissas e ideias diferentes, defenderam e se ombrearam no intento de resguardar a todo custo, parece agora girar em seu eixo e parar na posição extremista de libertinagem no despotismo. Tem até “novos liberais” endossando essa velha cartilha despótica. Acreditam?
Nossa era parece aceitar com extrema parcimônia a ideia de que haja Big Tech’s que tenham, a um click de seus teclados, o poder de emudecer milhões de pessoas que não se adequam ou concordam com suas posições partidárias ou diretrizes ideológicas.
Como cético que sou, sempre estou pronto para que o feijão azede um pouco mais. A jornalista Maria Laura Assis denunciou que no estado de Formosa, na Argentina, há verdadeiros “campos de concentração” para infectados e suspeitos-de-estarem-infectados pelo coronavírus. Uma bizarrice que beira a sátira de South Park. Porém, é real. Pesquisando mais a fundo, não foi nada difícil encontrar vídeos, imagens e até coberturas jornalísticas de mídias mais independentes daquele país que mostram uma realidade bizarra, macabra, que não só lembra o nazismo, como o copia com certa lealdade.
No melhor estilo soviético denunciado por Alexander Soljenítsin em Arquipélago Gulag, as dezenas de denunciantes desse absurdo afirmam que os policiais argentinos invadiram as suas casas dizendo que os indivíduos e suas famílias teriam que acompanhá-los para os campos de isolamento forçado pois, ou estavam infectados, ou tiveram contato com infectados. Aqueles que se negam a ir por bem são levados à força.
Calma, tem como azedar mais. O canal argentino identificado com as letras “TN” entrevistou uma mãe, Monica, que foi presa nesse campo com sua filha de 4 anos. Isso mesmo, 4 anos. Ela relata o terror do confinamento, estando os campos em espaços ermos, os supostos médicos apenas mediam suas temperaturas e nada mais, sem se deixarem identificar de modo algum. As denúncias chegam ao patamar do absurdo quando se nota a precariedade dos locais; banheiros sujos, pessoas deitadas em colchões podres, ratos, cobras, janelas gradeadas.
Se um desavisado começar a leitura do parágrafo acima, poderia facilmente deduzir que estamos falando da Alemanha nazista e não da Argentina socialista de Alberto Fernández.
Na Saxônia, relatos da imprensa local acenam para a possibilidade de criar espaços para isolar à força infectados que se recusam a seguir a quarentena; isso, a meu ver, é errado em todo o mundo, mas na Alemanha soa ainda pior. E não, não estou “passando pano” para Bolsonaro ao dizer tudo isso; eu pouco me importo com governos, na realidade. Importo-me mais com a minha biblioteca e meu gato do que com Bolsonaro; ou até mesmo com a sua opinião sobre mim, ou com o sexo frágil de Fiuk e a militância da “Carol com K”.
Você pode estar de nariz torcido nesse instante, pensando: “por que estou lendo um texto desse?” Tá bom, já vou finalizar; mas antes entremos num campo da completa sinceridade. Fechamos este pacto aqui, sem ninguém ver.
Depois de um bom banho, no final de um dia estressante de trabalho, sentado na poltrona mais gostosa de sua casa, com um jazz de fundo e uma taça de vinho na mão, ali é, enfim, permitido sermos sinceros de verdade ante à realidade. Ninguém nos vê, ninguém nos escuta. Não precisamos mais fazer média para os grupos a que pertencemos; não precisamos nos portar galantes na frente da moça ou rapaz com que flertamos, e nem fingir que nos importamos com qualquer inclusão social ou com as girafas da Amazônia.
Ali, na poltrona da franqueza, está liberado falar e pensar asneiras ridículas, xingar a mãe, a ex e o Papa, podemos até assistir ao BBB para depois dizer que quem assiste é idiota útil. Ninguém julgará. Naquela poltrona, vertidos na sinceridade de um estado de natureza, afastados dos compromissos sociais, ideológicos e das amarras psicológicas, podemos então admitir o que todos nós sabemos: não são os ditos “conservadores” as reais ameaças às liberdades no Brasil e no Mundo. Não são os tios do zap os fascistas, nem o agora aleijado Oswaldo Eustáquio. O Tião e a Neide, o Joaquim e Chica, que compartilham vídeos do Bolsonaro levantando a lata de Leite Moça, não estão mancomunados numa rede subalterna de neonazistas de Jacareí ou de Osasco, definitivamente não estão programando um atentado a bomba aos sacrossantos juízes do STF.
Isso é narrativa midiática vadia, nós sabemos, todos sabemos; esse fascismo apregoado nos conservadores brasileiros é mentiroso. Hoje a ameaça ao modelo liberal de vida, duramente construído e maturado no Ocidente, é só uma: o progressismo. É ele que clama por um “autoritarismo necessário”, um fascismo de arco-íris e pôneis transexuais, uma ditadura psicopata pintada de marshmallows rosa. Podem me xingar nos comentários; me escrachem nos grupelhos de lacração; mas nós sabemos.
*O autor é filósofo, colunista do Instituto Liberal, ensaísta do Jornal Gazeta do Povo e editor na LVM Editora.
**Artigo publicado originalmente no site do IL em 12/02/2021.
O CONTO - 17/11/2021
Autor desconhecido
A burra da formiga trabalha duro o ano todo, constrói a sua casa e acumula provisões para o Inverno.
Enquanto isso, a cigarra passa os dias na academia, nas baladas ou se produzindo para passar as "nights" com as amigas #girlpower .
Chegado o inverno , a formiga refugia-se em casa onde tem tudo o que precisa até à primavera.
A cigarra, cheia de frio e de fome, vai ao programa da Fátima Bernardes queixar-se que não é justo que a formiga tenha direito a casa e comida enquanto outros, com menos sorte que ela, passem frio e fome. O Mion e o Hulk dizem que é uma vergonha. A Globo não perde a oportunidade e faz uma transmissão direta da porta de casa da formiga, passando imagens da formiga no quentinho, com a mesa cheia de comida.
O povo fica revoltado ao saber que o Brasil deixa a pobre cigarra sofrer enquanto outros vivem com fartura!
É organizada uma marcha de apoio à cigarra. #somostodoscigarra .
É feito um especial no Fantástico onde se questiona como é que a formiga enriqueceu às custas da cigarra. De um lado da bancada, os defensores da igualdade (pró-cigarra), do outro lado, os sem-coração (que defendem a egoísta e insensível formiga).
Em resposta às mais recentes sondagens, o STF se prepara para aprovar uma lei proposta pelo PSOL sobre a igualdade econômica com efeitos retroativos desde o verão passado.
Os impostos da formiga aumentam consideravelmente e ela ainda leva uma multa por não ter prestado assistência à cigarra. Os seus impostos do INSS também sobem, de modo a serem justamente partilhados com a cigarra. #rendimentominimo.
A casa da formiga é penhorada por ela não ter conseguido pagar os impostos.
A formiga, decepcionada, faz as malas e emigra para um país onde o seu esforço seja reconhecido e onde possa desfrutar dos resultados do seu trabalho árduo.
A antiga casa da formiga é convertida numa república para cigarras que, irresponsavelmente, não param de fazer filhos para que possam viver do Bolsa Inseto. O pouco que recebem dos descontos da formiga mal dá para os bens essenciais como, por exemplo, tênis da Nike, cerveja Heineken, unhas de porcelana, etc...
A casa deteriora-se por falta de cuidados.
O governo é fortemente criticado pela falta de subsídios colocados à disposição da cigarra, que agora vive em condições quase subumanas.
O PT propõe uma comissão de investigação multipartidária que custará milhões de Reais aos cofres públicos .
Entretanto a cigarra morre de overdose.
A mídia garante que a morte da cigarra deveu-se à COVID por falta de leitos de UTI e por falta de apoio social por parte do governo, que falhou em vacinar a populacao e em acabar com as desigualdades sociais e a injustiça econômica. Que nem migrar para as florestas a cigarra não pode porque o país foi todo desmatado.
A casa acaba por ser ocupada por uma família de aranhas imigrantes, traficantes de droga, que aterrorizam a vizinhança.
E a oposição felicita-se por ter contribuído para promover a diversidade cultural no país.
A LIBERDADE DE EXPRESSÃO ESTÁ SOB ATAQUE! - 10/11/2021
William Lago
A Liberdade de Expressão é um direito valioso e um dos pilares essenciais de convivência democrática num país livre. A defesa de tal garantia deve ser feita diariamente por todos, para se evitar a tentação de permitir apenas a manifestação daqueles que concordam com o pensamento do senso comum.
Ao olhar para a realidade vivida no Brasil, atualmente, tem-se motivos de sobra para se preocupar com a liberdade de expressão, haja vista que há tentativa diuturna de cerceá-la, por meios de grupos autoritários de extrema esquerda.
Um exemplo de atuação autoritária foi a grave perseguição ocorrida contra o jogador de Voleibol, Maurício Souza, que se manifestou acerca da nova orientação sexual do personagem “Superman” nas revistas em quadrinhos. Após a postagem no Instagram, de uma imagem do beijo entre o Superman e outro personagem masculino, com o comentário “A é só um desenho, não é nada demais. Vai nessa que vai ver onde vamos parar”, o jogador passou a receber inúmeros ataques e agressões, que culminaram na rescisão do seu contrato com o seu empregador, o Minas Tênis Clube. O motivo alegado para a demissão foi que o jogador teria praticado o crime de homofobia.
Cabe analisar, então, os fatos segundo a perspectiva do nosso direito: O inciso XXXIX, do artigo 5°, da Nossa Carta Magna, bem como o artigo 1º, do Código Penal estabelece que “não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”. Só há, então, crime no direito brasileiro, se a pessoa praticar um ato que esteja expressamente previsto como tal na legislação penal.
Lei, evidentemente, é aquela feita pelas casas Legislativas, por meio dos representantes eleitos pelo Povo, pois o parágrafo único, do artigo 1°, da Nossa Lei Maior diz expressamente que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
O alegado crime de homofobia nunca existiu em nossa lei penal. A despeito disso, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade por Omissão n°. 26, em notório ato de usurpação de funções do Poder Legislativo, entendeu por bem equiparar a prática de homofobia ao racismo, tornando aquela criminosa, segundo a Lei nº. 7.716/1989 (Lei de Crimes Discriminatórios). Os Ministros do STF, possivelmente, se esqueceram de ler o que diz o §2º, do artigo 103, da Constituição Federal, vez que este apenas autoriza o Poder Judiciário, ao declarar uma inconstitucionalidade por omissão, comunicar o Poder Legislativo e não invadir a competência deste criando a lei omissa.
Como as leis de um país devem ser aprovadas pelas maiorias dos representes eleitos das Casas Legislativas, tendo como base os costumes do Povo representado, uma lei, ainda mais de cunho penal, criada pelo Poder Judiciário, não só é manifestamente inconstitucional, tal como é substancialmente arbitrária.
Supondo que existisse uma lei, devidamente aprovada pelo Congresso, que tivesse validamente incluído a prática de homofobia dentro dos crimes de preconceito da Lei nº 7.716/1989, mesmo assim inexistiria o delito penal com a exposição de uma opinião, haja vista que são criminalizados os atos de impedir acesso a empregos, espaços públicos ou privados de acesso ao público ou mesmo progressão de carreira, por motivos resultantes de discriminação.
A liberdade de expor opinião sobre qualquer assunto, por sua vez, é direito natural e pedra angular de uma sociedade livre, além de ser, expressamente garantido pelo inciso IV, do artigo 5º, da Constituição Federal. O inciso II, do artigo 5º, da Carta Maior, oferece liberdade plena de ação e manifestação, garantindo que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Há que se somar a isso, também, que todos os direitos garantidos pela Constituição, quando baseadas em motivo de crença religiosa, convicção filosófica ou política, possuem uma proteção especial de nosso ordenamento jurídico (art. 5, inciso VIII, da CF).
Do ponto de vista jurídico, então, não existe qualquer dúvida de que o jogador de Voleibol, Maurício Souza, não só não praticou qualquer crime, bem como agiu dentro do mais pleno e claro exercício de sua liberdade de opinião. Por outro lado, os jornalistas e militantes, ambos de extrema esquerda, que agrediram Maurício, não só demonstraram crueldade e desumanidade, pois objetivaram condenar a reputação do jogador e tirar-lhe os meios de sustentar sua esposa e filhos, bem como praticaram crimes que podem ser enquadrados como calúnia ou difamação (art. 138 e 139 do Código Penal). Se os ataques contra a liberdade de expressão do jogador se motivaram por conta de discriminação contra opinião que tenha cunho religioso, há enquadramento no crime de discriminação religiosa, previsto no art. 20 da Lei nº 7.716/1989.
O que tem havido no Brasil, então, é uma clara tentativa, por parte de grupos autoritários de extrema esquerda, de tentar calar a liberdade de opinião de pessoas que divergem de suas pautas. Longe de tentar promover a aceitação, que poderia ser consagrada com a difusão do mandamento bíblico de “amar ao próximo como a si mesmo”, aqueles grupelhos só querem, autoritariamente, silenciar as vozes discordantes e fomentar intriga, ódio e rancor entre as pessoas. E para isso estão dispostos a tudo, inclusive a praticar crimes contra a honra, ataques à pessoas, violência física e discriminação religiosa, contando, inclusive, com o incentivo da larga maioria dos meios de comunicação tidos por “tradicionais”.
Há que se defender, então, com todas as forças, a liberdade de expressão, pois, uma vez abandonado o direto de defender os costumes e valores de nossa sociedade, a única alternativa que restará será acompanhar passivamente de camarote, enquanto os grupos de extrema esquerda destroem todas as coisas boas de nossa sociedade.
* O autor é advogado e fundador do Movimento Brasil Conservador
** Reproduzido do excelente Portal Tribuna Diária
BOICOTEM! O BOICOTE É A ARMA DA MAIORIA. - 03/11/2021
Adriano Marreiros
É a verdade o que assombra
O descaso que condena
A estupidez, o que destrói
Legião Urbana
E maioria.é conservadora!
Chego a achar engraçado ver amigos conservadores lamentando cancelamentos e o poder das grandes empresas para censurar e fechar portas: caramba, será que vocês não percebem que somos a maioria?! .
Se a maioria decidir boicotar as marcas que prejudicam a Sociedade, que apoiam censura, que aplaudem ataques às liberdades, que querem impor a linguagem, que só pregam ideologias totalitárias, que inventam narrativas e distorcem ou omitem a realidade, elas não vão aguentar muito tempo. Eu parei de assistir a certos canais de TV e de entrar em certos portais. Conheço vários que fizeram o mesmo. E o que vemos? Demissões anunciadas diariamente e “promoções” suplicantes para venda de jornais e assinaturas de notícias. Você entendeu?! Não compre mais carros daquela marca! Não use aqueles perfumes (cafonas, diga-se) daquela outra! Tire sua conta daquele banco!!! Não assista a filmes lacradores!!!
Nós, os conservadores, somos a maioria! Como nos deixamos acuar?! Como podemos estar com medo de cancelamentos?! Como podemos sentir medo da imposição crescente de novilíngua, de duplipensar, de narrativas mentirosas e mal intencionadas, de destruição de reputações de pessoas de bem, se nós somos a maioria?! Cancelamento não é nada: elas têm que temer é o nosso boicote!
Cada vez que uma marca resolver atacar pessoas de bem, cancelar instituições sérias, vedar o debate de temas importantes: BOICOTE! Não compre mais. Mesmo que elas recebam algum auxílio de certas fundações globalistas, mesmo que recebam dinheiro público, elas não conseguirão sobreviver com um boicote da MAIORIA aos seus produtos.
E o pior de tudo: a minoria de esquerda, apenas barulhenta e com algum patrocínio, consegue se organizar para cancelar o que a MAIORIA apóia... Será que a maioria não consegue um mínimo de organização e firmeza para boicotar e restabelecer o poder que emana do povo?! Veja: não é preciso a violência, o crime e a intimidação que muitas vezes ELES praticam nas ruas ou invadindo propriedades – isso é coisa do mal que não combina com conservadores – nós só precisamos de uma arma – o BOICOTE: VAMOS COMEÇAR A BOICOTAR?! Mude de canal AGORA: você vai ver que ele não fará falta. Não vá ao novo filme lacrador, você quer ver mesmo essa chatice?! Pare de se borrifar com aquele perfume: todos à sua volta agradecerão... Se você vai trocar de carro, não compre aquele: se você For Iludido Agora, pode ser Tarde!!!
Boicote! Boicote! Boicote! O Boicote é a arma da maioria e OS CONSERVADORES SÃO A MAIORIA... Seja paciente, elas vão ceder: e não vão resistir muito tempo...
Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então...
Legião Urbana
*Publicado originalmente no excelente Portal Tribuna Diária, em https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1200/boicotem-o-boicote-e-a-arma-da-maioria.html e enviado pelo autor
SEJA BEM-VINDO, NOVEMBRO! - 03/11/2021
MAQUIAGEM
É público e notório o quanto a MÍDIA ABUTRE, consórcio formado pelos veículos de comunicação que tem como compromisso publicar e/ou divulgar qualquer notícia que diga respeito ao que acontece no dia a dia do nosso empobrecido Brasil, só entra em campo depois de verificar, meticulosamente, se os fatos são capazes de produzir prejuízos gritantes ao atual governo. Mais: quando as propostas são benéficas e oportunas, a ordem é lançar mão de todos os tipos de maquiagem para esconder os bons efeitos que as mesmas podem proporcionar ao país.
BUTIM
Na real, tudo aquilo que esta FACÇÃO DO MAL faz, de forma absolutamente compromissada, nada mais é do que o velho e conhecido -TOMA LÁ DÁ CÁ-, que não raro acontece no ambiente do Poder Legislativo quando diante de Projetos de LEIS considerados importantes para o Poder Executivo. No caso da MÍDIA, o -TOMA LÁ DÁ CÁ- se dá em forma de VERBAS DE PUBLICIDADE, ou seja, quanto menor o BUTIM, mais a MÍDIA trata de produzir e/ou interpretar notícias e críticas prejudiciais aos governantes.
SILÊNCIO SEPULCRAL
Como neste mês de novembro, que está iniciando, estão previstos vários e importantes leilões de concessões, cujos interessados se comprometem a INVESTIR PESADAS SOMAS DE RECURSOS no nosso país, o que torna inútil o uso de disfarces e/ou maquiagem para tentar anular os bons efeitos, o que muito provavelmente vai acontecer é o sepulcral silêncio de parte da MÍDIA ABUTRE.
SONS DOS MARTELOS
Este expediente, no entanto, terá chance -zero- de êxito. Até porque os altos e ensurdecedores sons que serão produzidos pelas batidas dos martelos que serão utilizados pelo ótimo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, para confirmar os arremates nos LEILÕES DAS CONCESSÕES. Sugiro, inclusive, que melhorem a qualidade dos martelos, pois o ministro gosta de bater com força tal que represente o quanto é bom para o Brasil deixar a inciativa privada fazer aquilo que o Estado jamais deveria se meter.
R$ 1 TRILHÃO
A propósito, durante a sua recente apresentação no -Paving Hybrid-, o ministro Tarcísio informou que o programa de concessões de infraestrutura somará R$ 1 trilhão de investimentos até o final de 2022. O montante estimado representa os leilões já realizados e os novos pacotes que serão ofertados ainda em 2021 e no próximo ano.
Segundo ele, de 2019 até hoje já foram 115 leilões contratados, que totalizam R$ 550 bilhões em investimentos.
SUPER INFRA MONTH
Aliás, no planejamento do Governo, NOVEMBRO tem tudo para ser muito BEM-VINDO , pois estão reservados importantes leilões de novas concessões de infraestrutura pública. Além da Rodovia Presidente Dutra, que foi arrematada pela CCR no dia 29/10, com desconto de 35% na tarifa, teremos, a partir do dia 4/11, entre projetos que serão oferecidos à iniciativa privada está também o maior arrendamento portuário das últimas duas décadas, com sete terminais portuários em um único leilão e previsão de investimentos de 1 bilhão de reais. E a rodovia BR-381/262, nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, com investimentos previstos de 7,3 bilhões de reais. Ah, sem contar com o leilão de 5G, previsto para a próxima 6ª, feira, 5/11. Que tal?
CINDERELA PÓS MODERNA - 14/10/2021
Érika Figueiredo
É por essas e outras que estamos caminhando para um abismo como Civilização.
Assisti ao novo filme da Cinderela, que está sendo exibido na plataforma Amazon Prime Video. Confesso que fiquei horrorizada. O conto de fadas que atravessou os séculos e encantou milhões de crianças, foi transformado em uma grande propaganda ideológica, na qual nem a fada madrinha foi poupada.
Todos os elementos da anterior narrativa, repleta de símbolos virtuosos e que falava de amor, doação, renúncia, entrega, generosidade, fé e esperança, heroísmo e senso de dever, cavalheirismo e feminilidade, foram subtraídos da história.
Agora, Cinderela é uma jovem ambiciosa e feminista, que deseja vencer na vida a qualquer custo, como modista. É debochada, contestadora e impetuosa. Seu sonho é alugar a loja que se encontra vazia, e transformá-la em uma boutique de roupas, no vilarejo em que reside. Diz coisas do tipo: “se posso dar à luz e administrar um lar, por que não posso gerir um negócio próprio?”
A madrasta não é tão perversa assim... afinal, uma mulher que ficou viúva de dois maridos, e tem duas filhas e uma enteada para sustentar, precisa arranjar-lhes bons casamentos, a fim de que tenham o futuro garantido. Dá conselhos de sedução às jovens e flerta com o vizinho.
O príncipe é apresentado como um jovem idiotizado e totalmente alheio às funções que deve desempenhar, rodeado de amigos tão histriônicos quanto ele próprio. Questiona a sucessão, e dá ordens ao rei. Sente-se exausto pelo exercício de suas atribuições reais, e chega a dizer que Deus é injusto com ele, pois sua vida é muito difícil.
A rainha é fastiada e aborrecida com seu papel, ao mesmo tempo em que se mostra condescendente com a atitude descompromissada e mimada de seu filho. Desdenha do rei, a quem quer dominar. A princesa, irmã do príncipe, é petulante e autorreferente como o irmão, e o rei só ganha deles na base do grito e da ameaça.
As irmãs de Cinderela, ao menos, permanecem insuportáveis.
As músicas do filme trazem mensagens do tipo: “você pode fazer o que você quiser”, “você pode ser quem você sonhar”, “não deixe o mundo formatar você”, “o que vale é o que você pensa sobre si mesmo”. Ideologia pura, travestida de autoajuda.
A própria postura de Cinderela é insolente e desafiadora, e seu linguajar é chulo e repleto de gírias. Nada nesse filme é ofertado de graça, nenhum afeto é genuíno e desinteressado. Em todas as relações e cenas, as pessoas obtém algum ganho, que faz com que permaneçam onde estão.
Cinderela chega a vender um vestido para o príncipe, na aldeia, em uma ocasião em que ele está disfarçado de plebeu. Ao convidá-la para o baile, o rapaz precisa antes assegurar-lhe que lá haverá muitas clientes em potencial, para suas criações, a fim de que a mesma aceite o convite.
E o que dizer do “fado madrinho”? Uma drag queen, vestida de amarelo, que providencia um terninho azul para Cinderela ir ao baile, em um primeiro momento, já que ela quer ser “empresária”. Como ela discorda da vestimenta, coloca a moça em uma roupa de gala.
O discurso feminista prossegue, com Cinderela dizendo ao príncipe que não quer viver trancada em um palácio, que quer trabalhar fora, que esse papo de casar não está com nada, que quer ser independente... Totalmente Meghan e Harry, e o fim da história lá do Reino Unido nós já sabemos qual foi.
Os contos de fadas foram inventados como uma forma de transmissão de ensinamentos, de geração para geração, a respeito de valores e virtudes, para as crianças desde a mais tenra idade, de um modo compreensível para estas. Ao ouvirem sobre reinos, príncipes, princesas, heróis, bruxas, fadas, reis e rainhas, os pequenos vão decodificando o bem e o mal, o certo e o errado, na vida dos seres humanos.
Acontece que testemunhamos, hoje, com muita perplexidade, a total desvirtuação destas fábulas, as quais passaram a ser impregnadas das ideologias e dos discursos do momento. Se antes, estes permaneciam preservados em suas narrativas, atualmente, deixaram de servir de base para a formação, transformando-se em instrumentos de perversão do pensamento, desde a infância; nem as crianças são poupadas.
Pensemos o seguinte, por exemplo: se Cinderela não é necessariamente boa, o bem e o mal estão automaticamente relativizados. Assim, a madrasta também deixa de ser má, mesmo com todas as demonstrações de egoísmo, maledicência e inveja, e tudo está justificado pela vida difícil que leva.
Se o príncipe não é forte, viril e protetor, não é um homem ciente de suas obrigações, põe-se em xeque a masculinidade. Se a fada não é modelo de fé, esperança, generosidade e beleza, ela não representa nosso anjo da guarda. Logo, nossa capacidade de acreditar em Deus e na Humanidade começa a ruir.
Pouco a pouco, todos os critérios objetivos de avaliação de virtudes e de símbolos são diluídos, nessa versão bizarra de Cinderela. O mesmo aconteceu com versões recentes de Alladin e de A Bela e a Fera. Jordan Peterson, o famoso psicólogo canadense e autor de best sellers, costuma utilizar os símbolos extraídos dos contos de fadas, para exprimir virtudes, desde sempre almejadas pelos homens.
A civilização passava tais virtudes adiantes, por meio de seus mitos, fábulas, novelas e Histórias, tamanha a importância desses modelos, ali contidos, para toda a Humanidade. Infelizmente, a modernidade acabou com isso: não há mais modelos ou exemplos a serem seguidos, no campo da existência. Como diz a música do filme Cinderela – cada um pode ser o que quiser.
É por essas e outras que estamos caminhando para um abismo como Civilização, vivendo uma guerra espiritual entre o bem e o mal sem precedentes. Por mais que já tenha o mundo atravessado crises civilizacionais terríveis, os critérios do que seriam o bem e o mal estiveram sempre preservados e eram claros.
É preciso refletir muito sobre o que se passa com a Humanidade, e em que ponto o bem e o mal tornaram-se tão relativos, a ponto de comprometer-se até mesmo a narrativa de um singelo conto de fadas. Como nos dizia Eric Voegelin, ninguém é obrigado a participar da loucura da Civilização, mas todos somos obrigados a manter a ordem em nossas vidas, apesar do caos externo. Os contos de fadas, antigamente, sinalizavam-nos um caminho para chegarmos a esse fim.
* Publicado originalmente em Tribuna Diária -https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1161/cinderela-pos-moderna.html
** Erika Figueiredo é Promotora de Justiça, escritora, mãe, cristã e conservadora. Fala de história, filosofia, política e direito.
CPI COVID - MESES DE ATAQUES INFRUTÍFEROS E UMA NARRATIVA PELO RALO - 09/10/2021
Valterlucio Bessa Campelo
Desde que foi criada em 13 de abril deste ano, a CPI da COVID do Senado, liderada pela dupla Omar Aziz/Renan Calheiros, que dispensa apresentações, coadjuvada no que pode ser piorada pelo senador saltitante e outros da espécie vermelha, vem cumprindo o rito, previamente comprometido, de buscar por todos os meios incriminar o governo. Não havendo qualquer denúncia frontal contra o Presidente Jair Bolsonaro, se fez necessário através da uma Comissão Parlamentar de Inquérito, o mais poderoso instrumento de investigação do parlamento brasileiro, produzir molambos fáticos que preenchessem um boneco jurídico prévio, no caso, uma omissão ou algo que o valha em relação ao enfrentamento da peste chinesa.
Nos últimos meses, com direito a prorrogação, a sociedade brasileira foi diariamente afrontada com abusos cometidos contra depoentes que não deveriam estar ali e, nem de longe, poderiam esclarecer qualquer coisa a não ser as próprias percepções em relação à peste. Desde senhoras e senhores profissionais médicos renomados a empresários, qualquer depoente não alinhado com a frase mortal “fique em casa e espere a falta de ar” foi tratado como criminoso. Humilhar o cidadão ou cidadã em nível nacional, constranger, e impingir culpa sem razão seguiu um verdadeiro abecedário na CPI.
Já em vias de refinamento, a CPI de relatório de conclusões prontas antes de começar, obviamente vai incriminar o presidente. Também obviamente não há justa causa, mas não é de justiça que se trata, é de política. Pretendiam seus propositores e operadores atingir dois objetivos. O primeiro, desgastar o presidente no curso das investigações, fazer derreter sua popularidade com a assistência novelesca das TV’s e jornais, de modo que seu capital político sofresse danos relevantes. O segundo, pouco provável, mas em tese não impossível, seria arrancar algum elemento que desse base a um pedido consistente ao Ministério Público. Não conseguiram uma coisa nem outra, a popularidade do presidente continua alta e a credibilidade do governo permanece íntegra. Os senadores apenas mostraram a própria face.
É certo que a tarefa inglória somente poderia ser dada a certos agentes. Que outro grupo de senadores aceitaria uma missão dessas? É tarefa para Renans, Humbertos. Randolfes e Azizes e como tal foi cumprida. Cada imagem de pessoa decente e trabalhadora, flagrantemente desconfortável apenas em sentar-se perante suas excelências e ter que dar respostas que não lhes caberia, é reveladora da trama que se desenvolveu às nossas vistas.
O Brasil deve um enorme pedido de desculpas ao médicos e cientistas Dr.a Nise Yamaguchi, Dr.a Mayra Pinheiro, Dr. Paulo Zanoto, Dr. Mauro Ribeiro e muitos outros furiosamente questionados por aquela gente sem freios. Aliás, em sentido contrário, sempre que o/a depoente apresentava-se anti-governista, o tapete vermelho era desenrolado e as hienas se derramavam em cortesia e salamaleques. Simplesmente nojento.
Milhões de reais foram gastos no embuste para produzir um relatório definido ex-ante, pedindo o indiciamento do presidente Bolsonaro. Parece um escárnio, mas Renan Calheiros, o relator, aquele responsável pela peça resultante de meses de gastos e nojentezas públicas, tem um histórico em sua carreira política de mais de 25 processos no Supremo Tribunal Federal – STF. Corrupção, lavagem de dinheiro, distribuição de propina, tráfico de influência, venda de apoio parlamentar a projetos etc., são comuns em sua folha corrida. A maioria foi arquivada, diga-se, mas como se pode ver AQUI, Renan Calheiros é praticamente um freguês dos ministros “supremos”.
Omar Aziz, presidente da CPI, não fica muito atrás em matéria criminal. Reportagens AQUI e AQUI e AQUI dão uma pista dos antecedentes do senador amazonense e de sua família. O mais agressivo entre os interrogadores é um vezeiro em responder a acusações de crimes.
Outro integrante, o Senador Humberto Costa, do PT pernambucano, tem alcunha na lista de propinas apurada na lavajato. Ele teria, segundo o delator Paulo Roberto Costa, recebido uma grana (ver AQUI) do esquema para sua campanha em 2010.
O inquieto Randolfe Rodrigues, senador pelo Amapá, teria participado de um esquema chamado mensalão do Amapá, quando foi por lá deputado estadual. O governador Capiberibe teria copiado o Lula e distribuído mesadas mensais aos deputados da base em troca do sim em votações de seu interesse (ver AQUI).
Pode-se então afirmar, pelo noticiário acima referido, que as quatro mais estridentes vozes que se levantam contra senhoras e senhores depoentes são, sem exceção, indignas de partir para cima dos depoentes como tsunamis de pureza, intimidando, agredindo, ameaçando, calando e interrompendo quem deveria estar à vontade para falar.
Foi necessário que o empresário Luciano Hang, vestido de veio da HAVAN em ironia verde e amarela genial, lhes mostrasse como discernimento e lucidez é bastante para por ao chão narrativas prontas e afrontas desmedidas.
Valterlucio Bessa Campelo escreve no site ac24horas, em seu BLOG e, eventualmente, no site CONSERVADORES E LIBERAIS (puggina.org)
ENTENDA A FARSA DA 3ª VIA. - 02/10/2021
Gehrard Erich Boehme
A oposição está desesperada. E ensaia esta farsa para que possa viabilizar um candidato que saia como uma falsa opção de 3ª Via. Buscam assim explorar uma característica de muitos brasileiros, a turma do deixa disso ou que se empoleira no muro.
Os antigos donos do Triângulo de Ferro, em conjunto com a esquerda, incluindo parcela significativa do antigo centrão, tudo fizeram para soltar e tornar elegível o ex-presidiário da suíte no triplex da Federal e condenado Lula. Esta é a peça mais importante da farsa, e com ela a possibilidade de Lula ficar livre, é assim que fazem uso da imagem de Lula, não da pessoa, pois ele dificilmente sairá nas ruas ou fará campanha própria.
Criaram assim uma estratégia para com ele, com o PT e os demais partidos ligados ao Foro de São Paulo, partidos que compõem a extrema-esquerda, colocar o presidente Jair Messias Bolsonaro no imaginário popular na outra ponta do espectro político partidário, a que eles então passaram a denominar de extrema-direita, quando sabemos que ele, quando muito, é parte de uma direita adormecida que finalmente chegou ao poder, uma direita que soma democratas-cristãos; conservadores, no melhor estilo de Roger Scruton, ou no Brasil, de José Osvaldo de Meira Penna; liberais, libertários ou mesmo anarcocapitalistas. Embora saibamos que traga consigo um viés patrimonialista e de um coletivismo comtiano. Buscam assim, dentro desta estratégia, enganar os mais ingênuos e desinformados e criar um vácuo no centro ou centro-esquerda a ser ocupado por um potencial candidato vindo de uma fantasiosa 3ª Via e com ela recuperarem o poder político e por meio dele retomar o poder do Triângulo de Ferro e/ou a impunidade frente aos crimes cometidos.
A verdade é que, mesmo com pesquisas falsificadas ou realizadas nas portas de sindicatos, carceragens das delegacias, dos CDPs e dos presídios, assim como nas bocas de fumo e nos DCEs das universidades, e com ataques diários realizados pelas Big Tech, também conhecida como Tech Giants, Big Four ou Big Five, pelas Big Media, com a maior parte mídia mainstream nacional, que com a sua parcialidade – pior, a cumplicidade –encontra-se inteiramente subjugada, seja pela crise de abstinência de recursos oficiais, seja pela ideologia revolucionária retrógrada ou ainda devido serem de propriedade de parte de poderosos políticos, ou de seus familiares, que tomavam parte do Triângulo de Ferro e pela Big Farma, com as decisões absurdas do STF que exalam o mais cruel ativismo judiciário, a covardia e passividade do Congresso, em que vários de seus integrantes carregam nas costas bateladas de processos judiciais por motivos nada nobres.
Com esta estratégia, buscam cansar povo brasileiro, buscam deixá-lo exausto ou asfixiado, o fazem desrespeitando a Constituição, fazendo dela gato e sapato. Infelizmente formam a oposição ao presidente congressistas que só pensam, com raras exceções, em obter vantagens próprias; de tanta corrupção e a eles se somam parte do judiciário que nos tribunais não condenam; que criam uma insegurança generalizada — jurídica e física — obrigando os brasileiros conviverem com criminosos de todos os tipos que são postos em liberdade por meio de filigranas jurídicas grosseiras e ainda terem que presenciar a polícia ser proibida de combater o tráfico e o narcotráfico ligado ao Foro de São Paulo. E como se isso tudo não bastasse, estão promovendo o cerceamento da liberdade de expressão – ou seja, censura — a quem ousar divergir dos "donos da verdade" ou dos antigos donos do poder do Triângulo de Ferro.
Com esta estratégia para se criar um vácuo, e assim surgir um potencial candidato vindo com a farsa da 3ª Via, o que assistimos é a nossa democracia, e não a oclocracia deles, sendo dinamitada por quem, maliciosamente, vive eructando a pomposa expressão "Estado democrático de direito" que inclui também a oclocracia, ao mesmo tempo em que estupram a verdadeira democracia.
Esquecem eles que lutamos pelo verdadeiro Estado de Direito. O Estado de Direito teve início com o fim de regimes absolutistas e o início das monarquias constitucionais, com o melhor modelo para as sociedades até os dias atuais, tanto no que se refere à forma e sistema de governo. Foi também a razão de sucesso do Brasil no período do Império do Brasil. O fracasso veio com a quartelada que muitos ainda chamam de Proclamação da República.
O estado de direito veio com a perda do direito dos mandatários e do Estado de confiscar bens e condenar pessoas sem processo e sem o direito de defesa. O estado de direito veio com a submissão dos reis e governantes às leis votadas pela população representada, bem como a proteção judicial aos contratos juridicamente válidos. Foi o que tivemos durante todo o Império do Brasil, pois nosso país surgiu como uma das primeiras monarquias constitucionais.
O poder da lei deve vir com o entendimento básico para o que ela serve. E isso exige que se entenda a principal característica de um bem ou serviço público. E neste ponto os brasileiros falham, a começar pelos que se formam como bacharéis em Direito e, principalmente os que exercem a advocacia, passa pelos legisladores nas câmaras municipais, nas assembleias e no Congresso Nacional, e não fica de fora nem mesmo o presidente, seu vice e seus assessores. E a eles devemos somar os seus apoiadores. Aliás é para isso que são pagos. Para corrigir esta pequena falha, porém uma falha fundamental, basta lerem e relerem, entenderem, estudarem, debaterem, aplicarem e defenderem os conceitos trazidos por Frédéric Bastiat em seu livro "A Lei". E indo mais além, que entendam o que é o tal estado de direito.
Em seu pequeno livro "A Lei", Frédéric Bastiat conseguiu antever toda a sorte de equívocos que aquelas visões carregavam e criou este manifesto para desmascarar aqueles que defendem a ideia de dar mais poder ao Estado: os intervencionistas, os planejadores, os protecionistas e os socialistas.
Mas, o que vem a ser Estado de Direito?
Embora uma expressão comum, ela muitas vezes é usada para caracterizar uma sociedade como moderna. Muitas vezes Estado de Direito aparece como um desejo, o que as pessoas gostariam prevalecesse na sociedade em que vivem. Aparentemente, esse é o desejo expresso dos brasileiros e brasileiras, porquanto ele foi adotado em nossa Constituição. Mas não é observado pelos seus principais políticos.
Talvez o conceito mais claro de Estado de Direito seja o que permeia os trabalhos de Friedrich August von Hayek, Nobel Memorial Prize in Economic Sciences en (1974), em particular no seu Os Fundamentos da Liberdade (The Constitution of Liberty). Segundo Hayek, Estado de Direito caracteriza a universalidade de uma norma. Todos são iguais perante a lei e dela devem receber o mesmo tratamento.
E aqui vemos o primeiro abuso de autoridade, a prerrogativa de foro especial por prerrogativa de função - conhecido coloquialmente como foro privilegiado - é um dos modos de estabelecer-se a competência penal. Trazendo o conto de Eric Arthur Blair, mais conhecido pelo pseudónimo George Orwell, temos que no Brasil, muitos são mais iguais que os outros. E isso é próprio de ideologias coletivistas, seja do positivismo comtiano até o nacional-socialismo bolivariano, também chamado de luloPTismo.
Assim, pessoa ou grupo social algum deve ser privilegiado ou discriminado pela lei. Todos, absolutamente todos, numa sociedade de Estado de Direito, devem buscar seus próprios interesses sob as mesmas regras sociais.
O quinto artigo de nossa Constituição adota esse mesmo conceito de Estado de Direito: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, ... Em que pese esta afirmativa levar a uma interpretação no estilo de Paulo Reglus Neves Freire. O correto seria eliminar leis que geram privilégios ou se aplicam a grupos específicos.
A lei é igual para todos.
Parece-nos, entretanto, que Estado de Direito no Brasil é mais um desejo do que um princípio norteador de nosso Direito. Os antigos donos do poder do Triângulo de Ferro não querem isso. Estão desesperados.
Bolsonaro, sabemos bem, tem sido impedido de governar, os engavetamentos feitos por Maia e Alcolumbre, as restrições atuais no Congresso e as 123 medidas arbitrárias no STF ilustram isso muito bem e atrasaram enormemente o desenvolvimento do Brasil. O presidente com sua equipe tem feito um excelente governo, dentro das suas possibilidades. Basta ver o apoio que tem recebido da população de bem. Nunca tanta gente em todo o Brasil saiu às ruas para apoiá-lo e endossar muitas de nossas bandeiras.
Oito anos, ou seja, ainda mais cinco até o final de seu mandato, é muito tempo e isso deixa a oposição apavorada, sabe que não terão forças até 2026 sem poder praticar o esporte favorito que é o de desviar recursos, além de gozar de privilégios por conta do pagador de impostos.
Hoje temos somente o presidente Bolsonaro, praticamente sozinho, opondo-se ao Triângulo de Ferro, que é a forma que entendo como a mais correta de se chamar o Establishment; a Nomenklatura; a Dona Zelite da esquerda raivosa do PT - Partido dos Trabalhadores; o Deep State de Rodrigo Constantino; os Donos do Poder no Capitalismo de Laços de Sergio Lazzarini; a Estatocracia de Alexandre Garcia; os políticos e sindicalistas da Sociedade de Privilégios de Gustavo Franco; a base dos poderes constituídos; os capitalistas sem capital, mas só a "lista" como definiu Guilherme Afif, O sistema da Série da Rede Globo de Televisão, a Animal Farm de GeorgeOrwell...
O Triângulo de Ferro, ou como queiram chamar, é o termo que foi definido de forma brilhante por Afif e é a camada podre de políticos, de partidos, altos funcionários públicos com seus privilégios, empresários dependentes do Estado, banqueiros sem concorrentes e órgãos de mídia que se arrogam a dominar a governança do país — mas que, na verdade, chafurdam, como gordos leitões, na lama da pocilga em que transformaram o Brasil. Um país com enorme potencial, mas que por conta deste Triângulo de Ferro em conluio com a política de esquerda deixam um legado de dívidas, que na realidade são os impostos do futuro, de nossos filhos e netos, pois as dívidas um dia vencem, um legado de desempregados, que embora esteja em queda, porém representa 13,7% dos trabalhadores, isto é, ainda tem 14,1 milhões em busca de trabalho. Temos mais de 44% dos trabalhadores na informalidade e já ultrapassamos os dois milhões de NEET (Nem-Nem-Nem).
O “CALA BOCA” NÃO MORREU - 30/09/2021
Luiz Guedes da Luz Neto
Desde a faculdade de Direito escuto que o Brasil é um estado democrático de direito, conforme expresso no art. 1º, caput[1], da Constituição Federal de 1988; constituição essa denominada de “Constituição Cidadã” pelo falecido constituinte de nome Ulisses Guimarães. Ainda no mesmo artigo, há previsão, nos incisos II e V, dos seguintes fundamentos do estado democrático de direito: cidadania (II) e pluralismo político (V).
Em razão da positivação, no texto constitucional, das expressões “estado democrático de direito”, “cidadania” e “pluralismo político”, criou-se a ideia de que a liberdade estaria garantida no Brasil. Porém, com a instalação da pandemia do vírus SARS-COV-2, constatou-se, na prática, que não é suficiente a positivação de direitos no ordenamento jurídico brasileiro, quando grande parte das autoridades públicas estão dispostas a transformar o que era exceção em regra, em nome de um suposto “bem comum”.
E para ajudar as autoridades públicas com tendências autoritárias, estão as conhecidas big techs, que controlam o que pode ou não ser divulgado na rede mundial de computadores.
Talvez não se tenha percebido, até a popularização da internet e das redes sociais, com clareza, o aspecto de mera ilustração daqueles fundamentos do estado democrático de direito acima mencionados, pois até então os espaços para o “debate” de ideias eram restritos e controlados pelas grandes empresas de comunicação.
Infelizmente, mesmo que a internet tenha sido pensada para a liberdade das pessoas, as grandes empresas do setor controlam o que pode ser divulgado na rede mundial de computadores, em especial nas redes sociais e dos buscadores.
Desta forma, as big techs e grupos políticos (que englobam políticos e ativistas) escolhem os temas que podem ser abordados, tachando os demais de fake news ou de “discurso de ódio”. Não caia na balela de que é necessário o combate às fake news e ao discurso de ódio, pois essas premissas são utilizadas como cortina de fumaça para o que efetivamente almejam, a censura.
E a censura está sendo efetivada a cada dia, com mais intensidade, sob o argumento da “proteção da verdade”, em especial na internet, com o bloqueio de perfis, de publicações ditas inverídicas ou negacionistas. Com essa conduta, os controladores demonstram, sem sombra de dúvidas, de que há uma relação daquilo que pode ser livremente divulgado, ou não, na internet.
Isto é, você é livre para expressar, como sua opinião, apenas aquilo que alguém, ou algum grupo, permitiu. Caso contrário, o “Cala boca” está em pleno vigor, não só na rede mundial de computadores, mas também nas redes de televisão e rádio. Nessas últimas, isso já acontece há bastante tempo, pois poucos tiveram ou têm espaço para a manifestação das suas opiniões de forma livre.
Exemplo recente de censura à opinião aconteceu com o renomado jornalista Alexandre Garcia, que, ao expor a sua opinião em um programa de televisão, ironicamente intitulado de “Liberdade de Opinião”, foi punido, com rescisão contratual, justamente por ter exposto a sua opinião no programa do dia 24/09/2021.
A melhor forma de combater notícias falsas é a liberdade de expressão, pois os próprios usuários, confrontando todas as versões disponíveis, são capazes de identificar o que é verdadeiro ou não. Não caia na falácia de que um terceiro, seja ele uma pessoa ou uma empresa, possa fazer a melhor escolha por você.
Defende-se tanto nas escolas e universidades o olhar crítico, em não se acreditar em tudo que se vê ou lê, porém no dia a dia o que mais se vê são pessoas que não querem trazer para si a responsabilidade de pensar por si mesmas, e aceitam, de forma passiva e de bom grado, opiniões de terceiros, sem analisá-las, achando bom a realização da censura disfarçada de boas intenções, quando outros são calados por pensar de forma diferente.
Se você é uma dessas pessoas, ainda está na hora de acordar e de pensar por conta própria. Senão, terá de se contentar um “Cala Boca” em um futuro próximo quando você tentar opinar de forma independente e não tiver mais espaço no Brasil para isso, pois a liberdade de expressão será apenas um registro em um pedaço de papel que se chama constituição.
Duvida de tudo isso? Então espera e “cala boca”.
Trecho abaixo apenas para não perder o registro da ideia:
Vale lembrar que os canais de televisão e as estações de rádio dependem de concessão pública para funcionar e que o investimento nesse tipo de negócio demanda grande soma de capital financeiro, o que afasta a possibilidade de abertura de canais de televisão por quem não tenha acesso a recursos financeiros e aos contatos políticos necessários para a aquisição da concessão pública. Já para o lançamento de blog, vlogs, perfis em redes sociais e canais no Youtube, entre outras plataformas, o investimento é ínfimo.
[1] Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; (Vide Lei nº 13.874, de 2019)
V – o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
*Luiz Guedes da Luz Neto possui graduação em Direito pelo Centro Universitário de João Pessoa (2001). Mestre em Direito Econômico pela UFPB (2016). Aprovado no concurso de professor substituto do DCJ Santa Rita da UFPB (2018). Aprovado no Doutorado na Universidade do Minho/Portugal, na área de especialização: Ciências Jurídicas Públicas. Advogado.
CONSTITUIÇÃO DE 1988 - 22/09/2021
A socialista?...
Adriano Marreiros
Na verdade, seria incompreensível se a consciência de minha presença no mundo não significasse já a impossibilidade de minha ausência na construção da própria presença. (Paulo Freire)
Muitas vezes eu tentei fugir de mim, mas onde eu ia, eu tava... (Tiririca)
Tomo Tiririca, eu tentei fugir de mim, mas de tanto repetir a tentativa e me encontrar aonde quer que eu fosse, chego a pensar que devo ser um grande idiota. É, não vai adiantar... Ainda que O Corvo ainda ecoe em meus ouvidos, fui alfabetizado da forma correta e tive professores que sabiam muito mais que eu e que pouco teriam a aprender comigo...
Em consideração a eles, em memória de cada pessoa ou bicho que perdi, e para perpetuar a existência de quem esteve junto às mãos do antigo Adriano cronista, devo prosseguir escrevendo, mas como outro escritor: não um heterônomo, pois não sou Pessoa de tal nível, como já disse, mas um homônimo que soará falso: um impostor.
Talvez alienígenas tenham criado várias cópias minhas a serem seriamente debatidas: afinal, o Imperador conseguiu se clonar e: O Império Contra-ataca!
Vamos a mais um assunto jurídico, chato como todo assunto jurídico da era em que o Direito se confunde com o esquerdo... Falemos de constituição.
Altamente democrática, com múltiplas garantias de direitos e procedimentos democráticos. Defensores em todo o mundo saudaram-na como a constituição mais democrática que se poderia imaginar.
Constituição brasileira de 1988? Não. Não é dela que estão falando, e pesso, digo, peço (ora, fui corretamente alfabetizado e ensinado, tenho que escrever corretamente) que considerem aquele parágrafo todo como se estivesse entre aspas. É uma citação: é assim que a lamentável Wikipédia se refere à Constituição Stalinista da União Soviética, de 1936 e até mesmo ela a crítica...
Loucura (não repita 3 vezes, por favor!): vocês vão dizer. Devagar com andor porque, como certos ídolos com pés de barro, Daniel bem sabe, certas pessoas e conceitos são bem diferentes do que parecem... Falei sobre isso em curso no Burke Instituto Conservador[1] (inscreva-se). Vejamos um artigo dessa Constituição tão... democrática:
Artigo 125 — De acordo com os interesses dos trabalhadores, e a fim de reforçar o sistema socialista, a lei garante a todo o cidadão:
a) Liberdade de palavra;
b) Liberdade de imprensa;
c) Liberdade de assembléia ou reunião;
d) Liberdade de passeatas e demonstrações.
Essas liberdades são asseguradas por meio das facilidades que se lhes concede, pondo à disposição dos trabalhadores e de suas organizações, tipografias, material de impressão, edifícios públicos, ruas, meios de condução, etc., para o exercício desses direitos.
Olhem que belo artigo. É da Constituição Stalinista! Não tem algo parecido no quinto? Não, não o dos infernos. No 5º, artigo 5º da nossa Constituição? Tem. Prossigamos:
O Artigo 125 da constituição garantiu a liberdade de expressão da imprensa e da assembleia. No entanto, esses "direitos" foram circunscritos em outros lugares, de modo que a "liberdade de imprensa" ostensivamente garantida pelo Artigo 125 não tinha nenhuma consequência prática, já que a lei soviética considerava que "Antes que essas liberdades possam ser exercidas, qualquer proposta de redação ou reunião deve ser aprovada por um censor ou uma agência de licenciamento, para que os órgãos de censura possam exercer 'a liderança ideológica’.” (wikipedia, mas procure onde quiser...)
Até a esquerdíssima Wikipédia diz isso, criticando... No entanto, até professores, seus ídolos e suas bibliografias louvam sistemas assim até hoje.
Como pode se falar em Democracia se qualquer escrito ou reunião deve ser aprovada por um censor, por uma agência, pra que sempre esteja na linha de uma “liderança ideológica”. É claro que LÁ não havia democracia, a despeito do texto constitucional... Liberdade de expressão, de reunião, de manifestação e de imprensa não existem se estão sujeitas a censores ou dependem de permissões dadas por uns poucos editores que seguem uma liderança, como: o Pravda e o Granma, claro, estou falando de países distantes. “Adelante”:
Artigo 3.º — Todo o poder na URSS pertence ao povo, que trabalha nas cidades e no campo, e que é representado por Sovietes de deputados das classes trabalhadoras
Não preciso lembrar que, na nossa, esse poder emana do povo e em seu nome é exercido: e assim é! Já a URSS era governada de maneira muito contramajoritária, acho que para impedir uma ditadura da maioria, já que só se admitia a “ditadura do proletariado”... Por isso: todo o poder aos sovietes[2]... Essas instituições eram a própria democracia comunista: e tinham que ser respeitadas!!!
Mas: há diferenças. Voltemos à stalinista:
Artigo 133 — A defesa da Mãe Pátria é dever sagrado para todos os cidadãos da URSS. Traição à Pátria, violação aos juramentos prestados, deserção, enfraquecimento do poder militar do Estado, espionagem, serão punidos com toda a severidade da lei, considerados que são como os crimes mais graves.
Art 16 Código Penal: Quando algum fato perigoso não se ache expressamente previsto neste Código, o fundamento e a extensão de sua responsabilidade determinar-se-ão com atinência aos artigos desta lei que prevejam os delitos mais semelhantes".
Esses eles deixaram bem indefinidos. Ainda bem que, ao contrário de lá, a nossa Constituição garante que não há crime sem lei anterior que o defina nem pena sem prévia cominação legal... Ainda bem que, AQUI, só por Lei!!!
Enfim, podia me prolongar em várias outras comparações; mas, pra isso, seria melhor um artigo “científico” (direito lá é ciência?!) ou uma aula: e isso eu fiz nas aulas do curso do Burke Instituto Conservador (Inscreva-se!) É melhor, pois, encerrar por aqui, lembrando que, de boas falsas intenções, a constituição stalinista estava cheia. Por tal motivo, não vou concluir se nossa Constituição é socialista ou não. A soviética continha tantas garantias de liberdade e deu no que deu...
Mas não basta, pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo
Mostremos valor, constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
(Hino do Rio Grande do Sul,
que homenageio neste
20 de setembro,
Dia do Gaúcho, da
Revolução Farroupilha).
* Adriano Alves-Marreiros
Um homônimo de si mesmo (impostor), cansado de tudo e também de fugir de si, corretamente alfabetizado, consciente de que seus bons professores sabiam mais que ele e o carioca mais gaúcho do Brasil.
** Publicado originalmente no excelente Portal Tribuna Diária, em https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1128/constituicao-de-1988.html
MAIS UMA REFORMA REPLETA DE MUTILAÇÕES - 16/09/2021
Gilberto Simões Pires
MÉRITOS
No nosso empobrecido Brasil, quando o Congresso Nacional aprova um bom projeto do governo, na maioria das vezes quem fica com os méritos são os deputados e senadores. Já quando algum projeto é reprovado, ou acaba sendo aprovado com mutilações que simplesmente desfiguram a matéria original, aí o que mais se ouve e lê é que o governo, e não o povo brasileiro, foi DERROTADO.
REFORMAS
Vejam, por exemplo, o que aconteceu com a REFORMA DA PREVIDÊNCIA: o texto que resultou aprovado é um ARREMEDO daquilo que é necessário para a saúde financeira do país. Entretanto, como outras REFORMAS, notadamente a TRIBUTÁRIA e a ADMINISTRATIVA, estavam na fila, aguardando o desfecho da PREVIDENCIÁRIA, o governo, na tentativa de obter algo que se possa chamar de VITÓRIA PARA O BRASIL, tratou de elogiar o Congresso dizendo que o mesmo era REFORMISTA. Nada mais falso, infelizmente.
A PRIMEIRA CLASSE FALOU MAIS ALTO
Agora, como se sabe, o que está na pauta de discussões na Câmara Federal, é a eterna REFORMA ADMINISTRATIVA, cujo projeto enviado pelo governo mostra apenas e tão somente a corretíssima preocupação de dar aos funcionários públicos, ou PRIMEIRA CLASSE, um tratamento MAIS JUSTO em comparação ao que acontece com os cidadãos da iniciativa privada, ou SEGUNDA CLASSE. E, como já era esperado, o CORPORATIVISMO falou mais alto informando que ninguém tasca na PRIMEIRA CLASSE.
PRIVILÉGIOS
Para confirmar o quanto a PRIMEIRA CLASSE manda e desmanda no país, mesmo que as mudanças propostas na REFORMA ADMINISTRATIVA só poderão atingir os funcionários públicos contratados a partir da eventual aprovação, ontem, o deputado Arthur Maia, relator da PEC 32, entre várias MUTILAÇÕES NO TEXTO ORIGINAL tratou de promover a retirada da possibilidade de se diminuir a jornada de servidores em até 25%, com a redução proporcional do salário. O relatório anterior, vale registrar, autorizava a medida para todas as carreiras do funcionalismo que não fossem consideradas exclusivas do estado. Na comissão, o dispositivo gerou críticas de parlamentares da oposição, que representam os PRIVILEGIADOS DE SEMPRE.
CONGRESSO REFORMISTA?
Este, infelizmente, é o nosso CONGRESSO, QUE NADA TEM DE REFORMISTA. Quando muito, o que sai de lá não passam de verdadeiros MONSTRENGOS. Para piorar, a MÍDIA ABUTRE entende que tudo que resulta aprovado nas DUAS CASAS é a vontade do POVO. E tudo aquilo que é rejeitado, ou caducado, é uma flagrante DERROTA DO GOVERNO. Pode?
ECONOMISTA DE MÃO CHEIA
Pois, dentro deste clima pavoroso, onde as CONTAS PÚBLICAS crescem sem parar, principalmente as DESPESAS COM PESSOAL, no programa RODA VIVA, que foi ao ar nesta semana, o ex-ministro do STF, Ayres Britto, disse que NÃO DEVERIA HAVER TETO DE GASTOS. E, acredite, Ayres Britto justificou da seguinte maneira: - "Primeiro o governo tem que ver quanto precisa gastar, e depois arruma de onde arrecadar". Que tal?
OS PROTAGONISTAS - 12/09/2021
Roberto Motta
Primeiro criaram a “progressão de regime”, reduzindo as penas dos criminosos a 1/6 da sentença, e nós ficamos calados. Depois estenderam a “progressão de regime” aos crimes hediondos. Achamos estranho, mas continuamos em silêncio. Criaram a “visita íntima” para que os criminosos fizessem sexo na prisão, e ficamos quietos. “Eles também têm direito”, nos disseram. Até os estupradores. Criaram a “remissão de pena por leitura” para reduzir ainda mais a pena para cada livro “lido” pelo preso, e achamos interessante. Depois criaram as “saidinhas temporárias” em 7 feriados por ano, e nada dissemos. Criaram o “auxílio reclusão”, maior que um salário mínimo, a ser pago aos criminosos presos, e muitos de nós o defenderam como uma medida justa.
Quando o CNJ criou a “audiência de custódia”, com a única finalidade de verificar o bem-estar do preso e livrá-lo da cadeia em 24 horas, nem fomos informados. Depois criaram o ECA e a Lei do SINASE, garantindo a impunidade dos criminosos com menos de 18 anos. Nem ousamos sussurrar qualquer protesto, temendo ser acusados de querer “encarcerar nossas crianças”. As ONGs dos “Direitos Humanos” se uniram contra a construção de presídios. Depois, diante das celas superlotadas, pediram piedade para os criminosos. “O Brasil prende demais”, anunciaram em uma grande campanha. Acreditamos em tudo isso. Esquecemos das vítimas.
Demonizaram a polícia, e assistimos passivos à caça aos policiais. Ensinaram às nossas crianças, por todos os meios possíveis – até na escola – que drogas são inofensivas, e fazem parte de um estilo de vida descolado e moderno. Depois glamourizaram os traficantes – “meros comerciantes varejistas” – e continuamos assistindo às novelas, minisséries e filmes sem protestar. Proibiram o cidadão de portar armas, ao mesmo tempo em que facções passaram a portar armamento de guerra – e nos convenceram que assim estávamos mais seguros. Enquanto destruíam nosso sistema de justiça criminal estávamos ocupados trabalhando, criando nossos filhos e pagando boletos. Até que um dia percebemos que todo mundo já tinha sido assaltado. Até que passamos a viver com medo permanente. Até o dia em que o STF declarou que só vai ser preso quem não tem um bom advogado. Esse dia é hoje. E os protagonistas agora somos nós.
* Roberto Motta é Engenheiro Civil pela PUC-RJ, Mestre em Gestão pela FGV-RJ e tem cursos da George Washington University. Roberto tem mais de 30 anos de experiência executiva em empresas como Petrobras, Shell, HP e Oi, incluindo 5 anos como consultor do Banco Mundial nos EUA. Roberto também é jornalista, escritor e professor, suplente de deputado federal e de vereador, fundador e ex-membro do partido Novo.
** Este artigo foi publicado em 11 de novembro de 2019, no site do Instituto Milenium: https://www.institutomillenium.org.br/os-protagonistas/. Ganha atualidade quando tais medidas são comparadas à forma como o STF tem tratadocidadãos aos quais atribui atos “antidemocráticos” ou “fake news”.
FANATISMO RELIGIOSO E IDEOLÓGICO - 19/08/2021
Alex Pipkin, PhD
Nós, seres humanos, possuímos a capacidade imaginativa de nos colocarmos numa posição empática, simpática à la Adam Smith, e elaborar sentimentos de tristeza, de alegria, enfim, que outras pessoas possam estar sentindo.
Não, não é preciso ter o tal “lugar de fala”…
A tomada de Cabul pelo Talibã representa um retrocesso tão grande à barbárie, que basta ver as cenas deploráveis de indivíduos afegãos se grudando aos cascos de aviões para tentar escapar de uma realidade já vivida de violência e de totalitarismo. Puro horror.
Eles sabem bem que a mentira, a violência e a tirania são características de grupos extremistas. Sentiram na pele.
Na primeira coletiva de imprensa, um dos líderes do Talibã, desejou passar ao mundo uma mensagem de moderação, claro, desde que tudo se enquadre dentro das estruturas das leis islâmicas do próprio Talibã, ou seja, uma leitura ultraconservadora do Alcorão.
E quanto às mulheres? Para essa turma, mulheres são seres inferiores. Embora a retórica seja da moderação, o grupo extremista governou anteriormente impondo um reinado brutal e de misoginia.
Mulheres compulsoriamente deveriam estar cobertas com burcas e só podiam sair com a permissão por escrito de homens, seus donos.
Penso que a interpretação própria da doutrina islâmica não deve se alterar; os direitos e as liberdades individuais continuarão a não existir para esses extremistas.
Não acredito na transformação da espécie extremista.
Pois bem, o descrito acima me parece idêntico à situação e à sensação de homens e de mulheres que viviam uma vida digna, com paz e prosperidade em seus países, Venezuela e Argentina - e outros recantos - suportadas pelas liberdades individuais e econômicas, até a chegada de líderes autoritários e adeptos da ideologia coletivista da destruição e do fracasso, quando esses se apoderaram de suas nações e de seus sonhos.
O fanatismo religioso e ideológico são irmãos siameses, que torturam de maneiras distintas e, por vezes, iguais.
O mundo e os seres humanos não são perfeitos; vivemos guerras, exploração, fanatismo, racismo, escravidão de negros e de brancos, e muito mais.
Mas a história da humanidade atesta cabalmente que a paz, o progresso e o desenvolvimento econômico e social ocorrem fundamentalmente em ambientes que respeitam a dignidade humana, e operam com a liberdade econômica.
Se retrocedermos no tempo, e analisarmos os últimos 20 anos, constataremos que no mesmo Afeganistão, apesar de todos os pesares e a convivência com a pobreza, as pessoas lá viviam com relativa paz e relativa prosperidade. Muito triste…
A LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO PODE SER FILTRADA POR UMA SUPERESTRUTURA BUROCRÁTICA - 19/08/2021
Jay Goldberg, no Financial Post
A liberdade de expressão garante que os canadenses tenham o direito de dizer aos governos quando eles estão errados. Embora isso possa ser desagradável para os governos, é absolutamente vital em uma sociedade democrática.
Em vez de fortalecer os direitos dos canadenses, o governo Trudeau deseja filtrar a liberdade de expressão através das lentes de uma superestrutura burocrática. Não pode haver dúvida de que existem coisas ruins na internet. A pornografia infantil, o discurso de ódio e outros crimes semelhantes são detestáveis. Mas esses crimes já são rotulados como tal no código penal, com longas sentenças de prisão para os condenados.
Se o governo federal deseja revisar essas leis, vale a pena discutir essa questão. No entanto, é um problema totalmente separado.
O governo quer que você acredite que tem como alvo o discurso de ódio, quando na realidade o seu alvo é a liberdade de expressão. Especialistas dizem que a nova proposta de lei de danos on-line do governo de Trudeau enfraqueceria fundamentalmente a liberdade de expressão no Canadá e exigiria uma superestrutura burocrática dispendiosa para fazer cumprir todas as novas regras do governo.
Como disse o professor de direito da Universidade de Ottawa, Michael Geist, o governo parece tratar a “liberdade de expressão como um perigo a ser restringido”, em vez de um direito a ser defendido. A legislação planejada criaria quatro novos órgãos governamentais, que se tornariam a base de uma nova superestrutura burocrática dispendiosa.
Os novos órgãos incluem uma Comissão de Segurança Digital, liderada por um comissário nomeado pelo gabinete federal, e um conselho consultivo composto por sete membros escolhidos pelo Ministro do Patrimônio. O comissário e o conselho consultivo seriam encarregados de identificar o conteúdo que não deveria ser mantido online e encaminharia esse conteúdo a um novo tribunal.
Alguém realmente acredita que um comissário nomeado pelo gabinete e um conselho consultivo nomeado pelo ministro do patrimônio seria completamente imparcial ao identificar o que deve ser removido online?
Claro que não.
Se esses novos órgãos fossem criados hoje, todos os oito burocratas seriam nomeados pelo gabinete Trudeau. Isso soa justo, equilibrado e neutro? Alguns dos poderes que seriam entregues ao novo tribunal são uma reminiscência do Ministério da Verdade em George Orwell de 1984. O tribunal, agindo sob as recomendações do comissário, poderia ordenar que serviços de comunicação online como Facebook e Twitter retirassem qualquer conteúdo do o governo considera prejudicial.
Essas plataformas teriam que resolver qualquer reclamação dentro de 24 horas. Deixar de remover o conteúdo pode resultar em uma ofensa condenável e multas de até US $ 25 milhões. Essas propostas antidemocráticas parecem assustadoramente semelhantes àquelas apoiadas por regimes autoritários.
Os canadenses não deveriam ter que confiar na esperança e na oração de que burocratas nomeados por um governo partidário salvaguardem nosso direito de criticar esse mesmo governo. Para colocar a cereja no topo deste bolo desastroso, a nova superestrutura burocrática do governo Trudeau custaria aos contribuintes milhões de dólares por ano.
Os serviços de comunicação online enfrentariam encargos regulatórios para fazer negócios no Canadá, que sem dúvida serão repassados ??aos consumidores.
As novas propostas do governo representam uma mudança perigosa em direção à censura estatal. Os canadenses, e não os burocratas, devem ser capazes de determinar exatamente como e por que querem criticar o governo online. Faltando apenas algumas semanas para as eleições, agora é o momento perfeito para um vigoroso debate nacional sobre a censura governamental.
* Jay Goldberg é o Diretor Interino de Ontário da Federação Canadense de Contribuintes
A DEMOCRACIA NA UTI - 13/08/2021
Gilberto Simões Pires
PORÃO ÚMIDO, FRIO E FÉTIDO
A DEMOCRACIA BRASILEIRA, cuja saúde sempre inspirou muito cuidados, de uns tempos para cá, notadamente nesta semana que está findando, motivada por decisões absurdas, preocupantes e indesejáveis de ministros do STF, mais especificamente -Alexandre de Moraes e Roberto Barroso-, acabou sendo colocada abruptamente num pequeno porão úmido, frio e fétido, sem direito a um cobertor. Mais: no alto da grade de ferro que dá acesso ao porão há uma placa retangular onde está escrito: - UTI - UNIDADE DE TRATAMENTO INTENSIVO-.
FALECIMENTO SERÁ ANUNCIADO A QUALQUER MOMENTO
A considerar que além do visível estado agonizante da saúde da nossa pobre DEMOCRACIA, a mesma não para de ser atacada, sem dó nem piedade, por insaciáveis, poderosas e maldosas forças SOCIALISTAS/COMUNISTAS, tudo leva a crer que em breve ela sairá da UTI FÉTIDA e dará entrada em uma cova funda de algum CEMITÉRIO.
CAUSA MORTIS
Assim, para infelicidade de milhões de cidadãos de bem deste nosso complicado Brasil, nem mesmo a escancarada PASSIVIDADE daqueles que deveriam cuidar e DEFENDER a DEMOCRACIA BRASILEIRA será apontada como -CAUSA MORTIS-. O que vai prevalecer, e será noticiada com muita alegria pela MÍDIA ABUTRE, é que a MORTE DA DEMOCRACIA representa, enfim, a possibilidade do nosso empobrecido Brasil gozar das vantagens que, no entender das forças do mal, só o COMUNISMO é capaz.
ESPERANÇA É A ÚLTIMA A MORRER
Ora, diante de tudo isto que venho ouvindo, lendo e assistindo, onde os meus editoriais aí estão para comprovar o quanto nunca foi OMISSO, uma coisa os leitores podem ter total certeza: custe o que custar vou continuar lutando, através de esclarecimentos baseados na simples e correta relação -CAUSA/CONSEQUÊNCIA-. Mesmo consciente de que não terei forças suficientes para vencer as FORÇAS DO MAL nada me fará desistir da luta. A DEMOCRACIA, como tudo indica, até pode MORRER, mas a ESPERANÇA vai demorar um pouco mais para tanto.
JUSTIÇA E INJUSTIÇA
Para encerrar: como é possível não haver JUSTIÇA para os comprovados CRIMINOSOS e, com a mesma intensidade, haver declarada INJUSTIÇA contra aqueles que ousam defender a LIBERDADE e, por conseguinte, a DEMOCRACIA? Para espanto e indignação das pessoas honestas e de bem, aqueles que a CONSTITUIÇÃO diz, claramente, que DEVEM DEFENDER A DEMOCRACIA, simplesmente mostram que estão ao lado dos BANDIDOS. Pode?
A MISSÃO PRINCIPAL NO BRASIL DE HOJE É LUTAR PELA LIBERDADE - 03/08/2021
Roberto Motta
A missão principal no Brasil de hoje é lutar pela liberdade. A segunda é dar esperança.
Essa sensação de "fim de mundo", criada com a ajuda da pandemia, é pura jogada política.
Vejam o que aconteceu nos EUA: quando mudou o governo, a pandemia praticamente saiu da mídia.
No Brasil a mídia repete todos os dias, de todas as formas, que vamos todos morrer; que a vacina não vai dar pra todos; se vai dar, então não protege contra a cepa nova; se protege, então foi superfaturada.
Orçamento, voto auditável, fundo eleitoral, reforma tributária, privatizações, mudanças de ministros, "CPI" (entre aspas mesmo), meio ambiente: tudo é embolado e distorcido pela mídia e pelos "formadores de opinião" até ficar incompreensível.
É de propósito mesmo.
É um esforço gigantesco para manter a população mergulhada no medo, na insegurança e na desinformação até as eleições do ano que vem.
Nada de positivo pode acontecer. Se acontecer, não pode ser divulgado. Se for divulgado, tem que ser distorcido.
E que se dane o Brasil. E que se dane a realidade.
O importante é construir uma narrativa para o impeachment, ou pavimentar o caminho para uma derrota eleitoral A QUALQUER CUSTO.
E isso, meus amigos, é o inacreditável plano dos "democratas" da 3a via.
Não caiam nessa arapuca.
O Brasil está melhorando. Já varremos o lixo do PT do poder, agora temos que completar a limpeza.
Com instituições limpas e firmes, com o agronegócio e nossos empreendedores, com a fé e o trabalho dos cidadãos, seremos uma das nações mais ricas do mundo.
Livres dos pesadelos do esquerdismo, do crime e da corrupção, poderemos enfim usufruir dos frutos do nosso trabalho com segurança e liberdade, e ter a certeza de que nossos filhos terão uma vida melhor que a nossa.
Espalhem a esperança.
Desliguem a TV.
Acreditem.
Lutem.
FAMILIA PERFEITA - 30/07/2021
Érika Figueiredo
Tenha valores sólidos, e lute para preservá-los e perpetuá-los. O resto é narrativa.
Assisti ao filme O GUIA DA FAMÍLIA PERFEITA (Le Guide de La Famille Parfaite), na Netflix. Uma família de classe média canadense, que vive refém das redes sociais e dos conselhos de “especialistas”, depara-se com situações que a modernidade não resolve, e com a necessidade de reconhecer a falência da educação atual.
Louis Morissette vive o pai de meia idade, que está no segundo casamento, e tem dois filhos que residem consigo: uma mocinha de 16 anos (fruto da primeira união) e um menino de 5, nascido na constância do segundo matrimônio, com uma mulher mais jovem.
O protagonista é um tipo conservador, criado nas regras da educação convencional, que se horroriza com as novas formas de lidar com as questões adolescentes e com os jovens de hoje. Para ele, é como se estivesse eternamente em uma “festa estranha com gente esquisita”, definição essa na qual inclui-se sua atual esposa.
Quando sua filha mais velha começa a apresentar problemas na escola, os quais envolvem mau desempenho, venda e consumo de drogas e ausência de amigos, ele se desespera em busca de uma solução, não contando com o apoio da mãe da menina, que é bailarina em Barcelona e considera-o “muito severo e radical”.
Sentindo-se perdido e sem respostas, com vários “especialistas” ditando-lhe regras de ação e de comportamento, as quais não fazem qualquer sentido, ele parte em uma busca solitária por respostas, que inevitavelmente, leva-no à conclusão de que a sociedade está doente, vivendo de imagens e ilusões que não correspondem à realidade.
Quando tenta dialogar com a ex esposa e com a atual, sobre como os filhos reagem à estrutura em que estão inseridos, na qual as crianças têm seu “lugar de fala” (expressão da moda cultuada pelos moderninhos de plantão), é repelido de forma brusca, com frases de efeito do tipo: “se todos fazem, por que eles não podem fazer?”, “o mundo mudou”, “precisamos respeitar os desejos e sentimentos dos nossos filhos”, “a sociedade está obcecada pelo sucesso” e outras pérolas da modernidade.
Sempre fui uma mãe rigorosa, zelosa e ciente do meu papel. Não deleguei as responsabilidades de educar e dar exemplo, tampouco furtei-me a ensinar o que é certo e errado. Cobrei desempenho e corrigi atitudes, deixando claro para meus filhos que todas as nossas escolhas trazem consequências, e que meu objetivo primordial é formar homens preparados para a vida adulta.
Evidentemente, dentro da inversão de valores a que estamos submetidos diariamente, fui muito criticada, apontada como autoritária, insensível e vários outros adjetivos. Mantive-me firme no propósito de conduzi-los à maturidade e à realização de sua vocação, mesmo quando ouvi que o regime da minha casa era ditatorial. Não me arrependo.
Ao ver filhos mandando nos pais, que foram esvaziados de sua autoridade, como os do filme, agradeço a Deus, por ter-me intuído no caminho que escolhi seguir, na educação dos meus filhos.
No filme, o menino de cinco anos bate nas pessoas, joga-se no chão fazendo pirraça, não dorme sozinho no próprio quarto, não come o que lhe é servido, e ainda assim, os pais promovem uma festa por sua formatura na creche, com direito a beca e chapéu (oi?). Qualquer semelhança com as crianças que vemos por aí não é mera coincidência.
O que a estória da tela aponta é a falência do modelo aplaudido pela sociedade, por não dar limites às crianças e jovens, formando adultos confusos, perdidos em suas trajetórias, mimados, exaltados, egoístas e descompromissados com qualquer coisa, que não seja o próprio umbigo.
A esposa do protagonista passa as duas horas de filme filmando e fotografando todos os eventos do cotidiano, para postar no instagram com a hashtag #família perfeita#. Enquanto a vida doméstica desmorona, o que importa, para ela, é a forma pela qual ela é vista nas redes sociais.
Viciada em ginástica e dietas, vê-se comendo sozinha a comida que prepara em casa, pois ninguém suporta comer folhas e pão sem gluten as 24 horas do dia. Envolta em sua própria superficialidade, não enxerga um palmo à frente do nariz, e não percebe o mal que faz a si mesma e aos outros, tornando-se um peso a mais para o marido suportar.
A adolescente da trama, dividida entre uma mãe que se comporta como se tivesse a mesma idade dela, e um pai que tenta, desesperadamente, impor-lhe limites e rotina, oculta suas reprovações nas provas, fechando-se um um mundo particular, no qual oscila entre a aprovação e a reprovação do comportamento da mãe, que não assume qualquer responsabilidade por sua criação, sob o argumento de que “trabalha fora do país”.
Quando essa tese da mãe é confrontada pelo terapeuta da menina, que diz-lhe que ela “fez uma escolha, e que essa escolha não inclui a filha”, esta fica indignada, sentindo-se injustiçada e incompreendida. Leva a filha para passar uns dias consigo, arrasta-a para bares e boates, fica com homens na sua frente, dá-lhe bebidas, dorme fora de casa e acredita firmemente que está “ensinando-lhe a viver”.
Um acontecimento dramático chama todos à reflexão. E essa família precisará repensar seus valores e suas atitudes, para que consiga sobreviver à civilização moderna. Que saudades do tempo em que jovens de dezoito anos já eram homens feitos, preparados para a guerra ou para o trabalho, para o casamento e para a criação dos próprios filhos.
Vivemos num mundo de gente feita de geléia, que desmonta com um leve empurrão, busca aprovação e reconhecimento o tempo todo. Conduzem-se como se o mundo devesse-lhes alguma coisa, correndo das responsabilidades e tratando bichos de estimação como se filhos fossem.
É preciso acordar. Não há mais tempo para as esquisitices da atualidade. A vida não espera, e Deus deu a cada um de nós uma missão, que é necessário que identifiquemos, para podermos cumprir. Nenhuma vida pode ser em vão, ou baseada tão somente em prazer e hedonismo.
O homem moderno está cada vez mais perdido, esquizofrênico, egoísta, refém da aprovação pública e carente de limites. O que o filme que ora descrevo nos traz é , tão somente, um fiel e triste retrato do que nos tornamos.
Dá pra mudar isso? É claro que sim! Como sempre disse meu pai, “onde há vontade, há um caminho”. Não tema desagradar a audiência, ser julgado ou mal interpretado. Tenha valores sólidos, e lute para preservá-los e perpetuá-los. O resto é narrativa.
* Publicado originalmente em Tribuna Diária - https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/1040/familia-perfeita.html
** Erika Figueiredo é Promotora de Justiça, escritora, mãe, cristã e conservadora. Fala de história, filosofia, política e direito.
DE DOMINGO A SÁBADO, MINHA VIDA VIVIDA. - 26/07/2021
Valterlúcio Bessa Campelo
Em poucos minutos nasci. Me banharam com a água do poço, me deitaram em panos novos e me refrescaram com um abano de palha naquele calor de maio. Era tempo de chão esturricado no sertão nordestino. Não era tempo de nascer, era tempo de morrer, como os bois e os pés de feijão que viraram pó na caatinga. Nasci assim mesmo, de teimoso.
Meu pai tinha 30 anos e era um lavrador em terras áridas, puxava ervas daninhas pros pés com uma enxada que tinha o cabo alisado por suas mãos calejadas. Era também negociante das poucas cabeças de gado que os vizinhos punham à venda uma vez por ano. Dinheiro para comprar tecidos para minha mãe coser roupas novas e, talvez, um par de sapatos para ir à missa.
Minha mãe tinha 34 anos e já criava três dos cinco filhos que havia parido, dois viraram anjinhos, num lugar onde as incelências eram frequentes. “Será que ele se cria?” perguntavam os parentes uns aos outros. Me criei, mesmo lambido pela morte na forma de “doença de menino”. No céu, não me quiseram como anjo.
No domingo eu cresci, brinquei e aprendi. Já não foi na caatinga, foi na cidade, entre outras crianças, amparado por professores pacientes fazendo jogos e longas caminhadas ao meio dia, indo ou vindo do grupo escolar. Cresci bem nutrido, arengueiro e sabido. Força para lutar, arenga só pra arengar e esperteza para me safar.
Na segunda-feira eu cresci, sofri, me apaixonei e aprendi. Pela manhã, as dúvidas, os conflitos, os traumas. Durante a tarde, a paixão, o primeiro tocar, frêmitos no coração e um romantismo acanhado, inspirado nos livros que li. De noite, os prazeres do corpo e do copo, os mal feitos inconfessáveis e o penar pra aprender.
Na terça-feira eu me aventurei, lutei, amei e aprendi. Já não foi onde era, foi fora daquele mundo. Primeiro, sozinho, perdido em mim e na vida. Depois, com ela, que juntou-se ao devir, trazendo esperança, amor e certezas. Mais tarde, mudança, eu queria ser o que era, não bastava aprender.
A quarta-feira é tempo de luta, então lutei, lutei e lutei. Também mais amei, cristalizei o querer. O sentir que entreguei recebi em mais da medida, eu já não era eu, eu éramos nós. Renunciar ao ser para sermos é dobrar a cuia da porção divina. Pra não lutar por lutar, mais aprendi. A luta pode riscar na mente um novo saber.
Na quinta-feira alegrei-me como nunca antes nem depois. Veio do céu, em forma feminina, um presente de Deus. Imerecido, talvez, desejado é certo, necessário também. E mais lutei, amei e aprendi. Uma provação repentina, um recomeço, outro mundo a ver e entender. Saltei no escuro agarrado em seu braço. Éramos três e ela nos sustentava com uma força e um sorriso que nunca tive ou terei.
Na sexta-feira, de novo, a necessidade do recomeço. A vida é assim para quem não se rende, lutar é de lei, amar é só amar e aprender é preciso. Fiz uma volta ao passado, como se ele fosse um barco ancorado a nossa espera. Não era. O passado não estava no lugar onde deixei, não pudemos ficar. Sonhamos o sonho errado, tivemos que acordar.
Agora é sábado, ainda manhã. Voltei pro lugar onde vivi a terça-feira e a quarta-feira. Ainda posso lutar? Amar? Aprender? Lutei tanto e aqui estou, quase sem forças para continuar. Aprendo desde o domingo e nada sei. Coleciono dúvidas como se ainda fosse segunda-feira e as minhas certezas se desmancham no ar, não resistem à luz mais efêmera.
Não, isto não é um olhar para trás, não é um lamento, uma saudade, uma tristeza. É que à minha frente surgiu um enorme espelho e eu só vejo o que foi, o que fui e o que fiz, não consigo enxergar o que virá. Quando o sábado estiver chegando ao fim, o que restará? Um homem quebrantado, uma vida vivida e esquecida num canto da sala? Isso me enche de medo.
Me disseram que a noite do sábado pode ser tranquila, com tempo para observar os domingos dos que nascem e as segundas-feiras dos que aprendem. Mas, também pode ser longa e penosa. Como saber, com esse espelho atrapalhando a visão? É melhor aguardar. Ainda bem que tenho a graça de amar. Ela e ela.
* Publicado originalmente no blog do autor e enviado por ele a este site.
RESÍDUOS TROIANOS - 24/07/2021
Valdemar Munaro
As coisas no Brasil atual, vistas desde a ótica da política e da moralidade, se parecem muito a acontecimentos e personagens já encontrados nas poesias homéricas. Homero (que viveu entre os séculos IX e VIII a. c.), mestre da poesia, embora cego, via com sagacidade muitos segredos da alma humana. Sua obra, pilar da civilização grega e da cultura ocidental, narra mitos e heroísmos que prefiguram parte da saga em que nos metemos. Gerações de sua época conheciam inteiramente aquelas histórias e, mesmo sendo parte do imaginário popular, levavam-nas a sério, memorizando-as. Hesíodo (século VII a. C.), um poeta camponês posterior, declamava aqueles versos aos aldeões para instruí-los na seiva e na tradição das quais eram herdeiros. Prezava, porém, o heroísmo estampado no rosto do lavrador mais do que na força do guerreiro político.
Os poemas conhecidos como 'Odisseia' e 'Ilíada' se tornaram tesouros da literatura e trouxeram até nós uma parte daquele universo helênico. Lamentavelmente, essas obras não mais são conhecidas e amadas como outrora por nossos estudantes pelo fato de pretensos arautos da educação escolar e universitária, enfeitiçados que estão por ideais inovadores e progressistas, semearem desprezo e negação por tudo o que vem do passado. Com efeito, um novo hospedeiro ocupou o lugar da vida intelectual de nossa gente subvertendo o assento que a sabedoria antiga ocupava no reino da ciência na qual se dava primazia à contemplação sobre a ação. Os sábios de outrora não se esforçavam tanto por conhecer o mundo com vistas à sua transformação, mas, antes, para se compreenderem a si mesmos e se orientarem no curso da vida.
Naqueles homéricos poemas encontramos notas de humanismo e fina psicologia. Ulisses, protagonista da Odisseia, é herói sobrevivente da guerra de Troia, um exímio estrategista e enganador. A engenhoca do 'cavalo de Troia' foi sua inspiração. Contudo, Ulisses não enganou só troianos, enganou também o gigante da caverna, pondo-se sob o ventre das ovelhas, enganou sereias sedutoras tapando ouvidos para não as escutar, enganou rochedos mortais ao navegar equidistantes correntes. Sua saga é um heroísmo ante agruras terrestres e marítimas. Seu aprendizado lhe vem mais da lida com a natureza do que das batalhas políticas. A terra e o mar, em muitos casos, são para os humanos obstáculos superiores às lutas cívicas. O convívio de Ulisses com o meio ambiente nu e cru, ensina que a natureza, como diz Chesterton, nem sempre é mãe; por vezes é também madrasta cruel. Do mesmo modo como louvores a revoluções sangrentas em geral são feitos por homens que nunca delas participaram, assim também amores e afetos que normalmente dispensamos à mansa e bela 'natureza' (romantizada, como exemplo, pela floresta amazônica), quase sempre, nascem de mentes e corações situados em recintos aquecidos e varandados.
Admiro Odisseia, mas, permitam-me sublinhar 'Ilíada', a poesia épica troiana, de natureza fratricida. Encontramos ali o eco dos devastadores conflitos de povos gregos entre si. Ilíada é a poesia das cidades irmãs em litígio: está implícito nela o tema da guerra entre os próprios gregos, o símbolo de todos os atritos humanos. É claro que também a guerra contra os persas, registrada por Heródoto (484 - 430 a. C.), tem matizes de heroísmo e desgraça, mas o conflito dos gregos entre si, narrado inclusive por Tucídides (460 - 400 a. C.), na sua Peloponeso, é mais lamentável e mais triste porque é registro de guerras entre irmãos. Enfim, batalhas contra estranhos e batalhas entre irmãos terminam sendo faces de um mesmo e degradado convívio humano.
Em Troia, os personagens falam mesma língua, bebem mesma fonte, rezam mesmos deuses, manducam mesmo pão, mas a intriga termina em sangue de 'irmãos' derramado por 'irmãos'. Por que essa insensatez no interior das nações? Erasmo de Roterdã no seu 'Elogio' (1509), diz satiricamente que a loucura é a fonte e a causa das nossas invenções, da nossa arte, dos nossos amores e das nossas guerras. Ironias à parte, sabemos que nenhuma insensatez faz bem aos homens, muito embora haja os que a defendam e a promovam. Em jardins secretos de lacaios de ocasião crescem árvores mazelentas nutridas de perversas intenções que oportunisticamente se revelam. No sacrário humano parece haver uma misteriosa e maliciosa genética que a própria psicanálise (e suas doutrinas irmãs) não consegue visualizar, nem curar.
A guerra de Troia se assemelha a uma outra denominada Babel e descrita pela Bíblia. Também aqui se veem homens entoando mesmas canções, palrando mesmas línguas, bebendo mesmos vinhos, orando mesmo Deus. São gentes de igual estirpe e cultura, mas não se entendem. Vê-se que o problema não está na língua. Em Pentecostes, antítese de Babel, os homens falam línguas diversas e se entendem. Em Babel, antítese de Pentecostes, falam mesma língua, mas não se entendem. Nesta, fraternidades se tornam babilônia, naquela, babilônias se tornam fraternidades. O espírito que nutre e sustenta ambas as 'cidades' tem fontes distintas: numa, se cultiva o inferno, noutra, o paraíso. O diabólico, o espírito da divisão, é craque em encrencas. Seus frutos são premissas de babilônias que nos dividem e nos amedrontam.
O assunto se derramou por várias esferas, sobretudo para o campo das doutrinas e das relações humanas. Maquiavel (1469 – 1527), por exemplo, via a sociedade como junção de 'raposas e leões', por isso insistia numa vida política baseada na desconfiança, na malandragem, na tirania, no medo. O príncipe, segundo ele, não deve somente ser obedecido. Para subsistir, deve também ser temido. Thomas Hobbes (1588 – 1679) seguiu o mesmo caminho ao formular os fundamentos do seu 'Leviatã'. Depois vieram os revolucionários franceses impregnados de 'iluminismo' e terror. Charles Darwin (1882), racista, não perdeu por esperar: sua teoria afirma a lei da luta pela vida e da seleção natural pela qual o forte subjuga o fraco. Finalmente, quando o pai do marxismo, Karl Marx (1883), veio para nos ensinar o comunismo, a cama já estava arrumada para deitar nela a prática revolucionária, o ressentimento, a revolta, a quebradeira moral, o conflito histórico e social. Por isso, marxistas gostam de conflitos e o promovem. Foi de um famoso filósofo alemão, G. W. F. Hegel (1830), que Marx aprendeu quase tudo o que ensinou sobre luta e conflitos políticos. De fato, a filosofia de Hegel acreditou poder explicar tudo por meio de um princípio que recebeu o nome de dialética, mas que, na prática significa conflitualidade. É natural, portanto, que filosofias hegelianas e marxistas acariciem e alimentem conflitos e nunca a paz.
Ora, se a malícia e a corrupção medram e nutrem a alma do homem, não há língua nem atitude decorrentes dela que estejam livres dessa desgraça. O espírito de Babel se espraiou na seara política e em toda comunidade humana, especialmente no Brasil. Babilônia é nossa peste. Dá um nó na garganta ver o comportamento de muitos de nossos políticos e de nossas lideranças. É só conferir a atual CPI da Covid (conduzida pelo G7) de nossos senadores totalmente aninhados na sujeira e na corrupção (como Omar Aziz e Renan Calheiros). Definitivamente, esse pessoal não ama, nem respeita o Brasil e os brasileiros. Seguem institivamente instintos de poder e de conflito. Nas entranhas de muitas de nossas lideranças reside o germe que achincalha a comunhão, corrói a vida social e familiar, a justiça, a fraternidade, o amor. Primeiro rasgam a túnica inteiriça e depois se apresentam como seus costureiros. Primeiro instauram a quebradeira em todo tecido social (como exatamente fizeram e fazem os atuais governantes comunistas cubanos e o PT com toda sua turma) para depois se professarem arautos da paz e restauradores da democracia e da concórdia. Somos mesmo um povo sob lideranças carunchadas e enganadoras.
Dostoievski (1881) desconfiava que o inferno podia ser ou uma espécie de 'fraternidade' odiosa ou uma absoluta solidão. Estamos no caminho. O que é pior: uma convivência fundada sobre o ódio ou uma impossível convivência fundada sobre a ausência de pessoas para se amar? O que mais mata: um lar sem amor ou um amor sem lar? No fim, dá no mesmo: o amor que falta à solidão é o mesmo que falta às insuportáveis convivências. Até mesmo, no seio da nossa Igreja, aquela que deveria ser mãe zelosa de comunhão e de moralidade, também reina contaminações: o trigo travestiu-se de joio e o joio de trigo. Talvez, por isso, no coração de muitos cresce um sentimento de desamparo e solidão.
Voltemos à Ilíada. Nela, dois ilustres heróis, Aquiles e Heitor, indicam as coordenadas das intenções que motivam os que na vida devem lutar. Esses heróis são da mesma estirpe grega e urbana, mas o escopo de suas lutas, em cada um, é distinto. Em Aquiles há narcisismo e vaidade. Seu ego, coisa inusitada, tem o incenso da própria mãe. Como assim!? Mãe incentivando o próprio filho à guerra?! Sim, pois o que interessa nele não é a guerra em si, nem a pátria a ser defendida, mas é o peito inchado de narcisismo. Aquiles é o 'cara' da civilização helênica, o guerreiro por excelência, aquele que derruba adversários. A vaidade o conduz à guerra e seu gozo é ver inimigos se contorcendo. Não ama porque é mercenário e é mercenário porque não ama. Poderia lutar inclusive ao lado dos troianos se estes tivessem acariciado sua imagem e seu orgulho pessoal. Sua força guerreira não visa beneficiar nenhum povo, nenhuma cidade, mas só a si mesmo.
Heitor, ao invés, tem nobreza de alma. Vai à guerra para salvar sua gente, defender sua terra, sua casa, sua família. A guerra em Heitor tem um naco de justiça e honradez. Espelha as guerras que devemos travar quando precisamos conservar a retidão na nossa alma e a nossa alma na retidão. Por isso, nem todas as guerras são injustas. Muitas delas são necessárias e inevitáveis. Os grandes S. Agostinho e S. Tomás justificavam as guerras de defesas. Sabiam que não há vida honesta e justa sem batalhas e todo aquele que, de coração, amar o bem e a verdade sofrerá represálias, perseguições e sentirá frieza e força dos ventos contrários. Escolher o bem é também rejeitar e resistir ao mal.
Aquiles e Heitor não são apenas personagens míticos, são também o rosto e a personalidade de cada ser humano. Se nossa vida política se tornou um ninho de serpentes, com maior razão heitores devem despertar e se levantar. Nossa nação não pode ser refém de personagens aquileanos infiltrados no Congresso Nacional, no Judiciário e nos Estados. Os resíduos troianos estão à vista. Aquileanos estão a postos para abocanhar de novo o ubre em que mamavam. As eleições do próximo ano impõem-nos, portanto, uma urgente obrigação moral: escolhermos heitores ao invés de narcisistas aquileanos para nos legislar e nos governar. Cabe a todos nós discernirmos e julgarmos os que agem como Aquiles e os que agem como Heitor. Não há nem haverá uma terceira via. A luta será entre Aquiles e Heitor. Todo nosso apoio, portanto, neste momento, deve ser dado ao nosso presidente Jair M. Bolsonaro que já desceu ao campo de batalha e demonstrou ter alma e elmo de Heitor.
* O autor é professor de Filosofia na UNIFRA.
Santa Maria, 23/07/2021
SOBREVIVERÁ A LIBERDADE AOS GOVERNANTES DO SÉCULO XXI? - 22/07/2021
Luiz Guedes da Luz Neto
Acesso, em meados de julho de 2021, a internet e vejo nas redes sociais notícias de que alguns governantes na Europa avisam que implementarão condições especiais para circulação de pessoas em seus territórios e, quem não se enquadrar em tais condições, ficará impedido de livre circulação, de acesso a lojas, supermercados etc. Parece que há ainda a possibilidade de criação de espaços para essas pessoas que não se enquadram em tais exigências, como uma espécie de Gueto de Varsóvia.
Pensei que tivesse ingressado em uma máquina do tempo e desembarcado na Europa de 1942, governada em grande parte pelo ditador Hitler. Mas não, o ano é mesmo 2021 e o continente que se orgulha de ter sido o berço de vários movimentos em prol da liberdade está ameaçando entrar em novo período de perseguição aos direitos fundamentais dos indivíduos. Desta vez não é contra judeus, ciganos, deficientes físicos e mentais, mas sim contra as pessoas que ousam exercer a liberdade.
Entre os governantes europeus, estão o presidente da França, Macron, e a primeira ministra da Alemanha, Angela Merkel. Felizmente, uma grande parte da população da França, da Alemanha, da Inglaterra e da Grécia está se levantando contra a violência da implantação do denominado “passaporte sanitário”, que, na prática, caso seja implantado, aniquilará a liberdade de tal forma que dificilmente será possível restabelecê-la ainda no Século XXI, que ficará conhecido, no futuro, como o Século da Escuridão Pseudo-científica e da Perda da Liberdade.
A Idade Média verdadeiramente iniciará no Século XXI se os propósitos totalitários de vários governantes forem alcançados, com a anuência (intencional ou não) das classes médica e política, com o suporte midiático.
Um exemplo evidente de que as escolas realmente não prepararam as pessoas para a vida é o fato de você encontrar várias pessoas, algumas com curso superior completo, repetirem, como papagaios, que a única saída é através da Ciência (coloquei a primeira letra em maiúsculo para sinalizar que se trata de um deus para muitos) e que quem questiona a Ciência é um negacionista.
Está provado, com esse tipo de comportamento, que as escolas ensinam apenas a decorar o conteúdo para as provas e não a analisar a realidade e a buscar uma solução através da pesquisa honesta e criteriosa, aprendendo a usar a lógica. Quem quiser ser uma pessoa realmente pensante, precisa ir além do conteúdo exposto nas escolas, complementando a sua formação, em especial lendo os clássicos.
Não adianta o debate com essas pessoas, pois elas não sabem sequer o conceito de ciência e que, na ciência, ao contrário do que elas acreditam, o que menos existe é consenso e permanência das verdades, que são sempre transitórias. A única coisa permanente na ciência é a dúvida.
Antes que algum mentecapto[1] pergunte se eu sou contra vacina, respondo logo. Não sou contra vacina. Sou contrário à violência estatal e privada exercida contra as pessoas que querem exercer o direito à liberdade de escolha. Simples assim.
Para evitar a repetição dos horrores[2] perpetrados pelos cientistas do 3º Reich, alguns documentos internacionais foram elaborados após a II Grande Guerra. Entre eles podemos mencionar o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, de 1966, que no art. 7º, assegura que
Ninguém poderá ser submetido a tortura, nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes. Será proibido, sobretudo, submeter uma pessoa, sem seu livre consentimento, a experiências médicas ou científicas.
É proibido submeter uma pessoa, sem seu livre consentimento, a experiências médicas ou científicas. Para o exercício do livre consentimento é necessário que o paciente seja informado de forma honesta e precisa sobre todos os riscos, dos menores aos maiores. Porém, infelizmente, no caso das vacinas contra a COVID-19, não há nenhuma informação nos postos de vacinação (no Brasil não vi nenhuma informação, apenas pessoas da área da saúde perguntando se o vacinado queria tirar uma foto para postar nas redes sociais).
Somente há a veiculação de que as vacinas seriam seguras e eficazes, apesar de elaboradas em tempo recorde, pois, segundo os noticiantes, a Ciência teria evoluído bastante nos últimos anos.
Desta forma, milhões de pessoas foram vacinadas no Brasil sem ter acesso à informação clara e precisa. Ao contrário do noticiado nos canais de rádio e de televisão, os próprios fabricantes, em suas bulas, afirmam que ainda não há dados mais sólidos sobre eficácia e segurança, necessitando ainda de mais estudos e de mais tempo para a coleta de dados. Basta ler as bulas que estão disponíveis nos sites dos fabricantes.
Para o livre consentimento, além da informação correta, clara e precisa sobre os riscos e benefícios da vacinação no estágio atual das pesquisas, as pessoas não podem ser submetidas a qualquer intervenção de elementos de força, fraude, mentira, coação e/ou astúcia de ente estatal ou privado. Dessa forma, não basta afirmar que a vacinação é facultativa, precisa garantir o livre consentimento informado das pessoas e o direito de vacinar-se ou não. Condutas como a adoção de “passaporte sanitário”, de exigir a vacinação de determinadas categorias profissionais sob pena de demissão, entre outras violências, são contrárias à liberdade das pessoas, não permitindo que essas exerçam o direito ao livre consentimento informado sem sofrer qualquer penalidade por parte do Estado ou de particulares.
O Tribunal de Nuremberg, instalado após a Segunda Guerra Mundial para o julgamento dos crimes cometidos nos anos de 1939 a 1945, condenou 20 médicos por crimes de guerra por terem submetido prisioneiros a experimentos científicos. Desse julgamento resultou um documento com recomendações sobre aspectos éticos envolvidos na pesquisa científica em seres humanos. Vale a pena a leitura desse documento (clique aqui).
A Declaração de Helsinque, firmada em junho de 1964 com alterações posteriores, afirma, no item 17, que os pesquisadores devem interromper qualquer pesquisa se a relação risco/benefício tornar-se desfavorável ou se não houver provas conclusivas de resultado positivos e benéficos. No item 20 afirma que os sujeitos devem ser voluntários e participantes informados do projeto de pesquisa. O item 22 fala sobre o direito à informação sobre o estudo para que a pessoa possa decidir de forma consciente se participa ou não da pesquisa científica na qualidade de cobaia (consentimento informado).
A Declaração Universal do Genoma Humano e dos Direitos Humanos, no art. 5, alíneas “a” a “e”, afirma que as pessoas têm direito à informação necessária para o exercício do direito de livre consentimento informado.
A Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos, de 2005, no art. 6, fala que qualquer intervenção médica preventiva, diagnóstica e terapêutica, só deve ser realizada com o consentimento prévio, livre e esclarecido do indivíduo envolvido, baseado em informação adequada. O Art. 8 abarca o respeito pela vulnerabilidade humana e pela integridade individual, devendo os indivíduos e grupos vulneráveis ser protegidos e a integridade individual de cada um deve ser respeitada.
Constata-se que o ponto em comum de todos os documentos internacionais acima mencionados é o respeito à integridade individual e ao direito ao livre consentimento informado. Isso deve ser buscado por todos os indivíduos e respeitado pelos governos, posto que direitos inalienáveis.
Se os eventuais efeitos danosos das recentes vacinas contra a COVID-19 ainda não são plenamente conhecidos, pois há a necessidade de mais estudos, conforme reconhecido pelos fabricantes das vacinas, por questão de cautela e de honestidade científica, ainda devem ser encaradas como experimentais e, em razão disso, as ações humanas de vacinação devem ser exercidas com todo o cuidado necessário, em especial informando as pessoas dos riscos e benefícios (eventuais efeitos colaterais; que por serem ainda novas, não há o conhecimento amplo de efeitos adversos de curto, médio e longo prazos; etc.), bem como que não há ainda conhecimento pleno do comportamento da substância no corpo humano, por ser um fármaco recente, em observância ao Código de Nuremberg, ao Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, à Constituição Federal Brasileira (que assegura o direito à saúde, à dignidade da pessoa, à liberdade), entre outros documentos.
Um exemplo próximo do público brasileiro em questão de vacina que aparentava ser extremamente benéfica, porém que se provou o contrário, é a vacina contra a dengue, que foi suspensa a sua aplicação após se verificar que causava mais danos (e danos graves) do que benefícios aos seres humanos.
Desta forma, o direito do indivíduo à integridade física, à liberdade e ao consentimento informado deve ser garantido pelos Estados, e não violado por estes, como parece pretender os protoditadores da França, da Alemanha e da Inglaterra, entre outros que esperam a reação da população daqueles países para se manifestar de forma favorável à violência do “passaporte sanitário”.
É defeso aos Estados, aos governantes, à imprensa, aos entes privados, entre outros, de contribuir, de qualquer forma, para a supressão do direito ao livre consentimento informado do indivíduo e à liberdade de escolha de injetar, em seu corpo, qualquer tipo de substância.
Há documentos internacionais que respaldam, juridicamente, a liberdade do indivíduo de decidir se toma ou não a vacina contra a SARS-COV-2, ou qualquer outra. A manutenção da liberdade é responsabilidade dos indivíduos (de todos), que devem cobrar dos governantes o respeito a esse direito fundamental, sem o qual as pessoas deixam de ser cidadãos para se tornar escravos dos Estados e dos seus governantes.
[1] Mentecapto: que ou quem é mentalmente desordenado; que ou quem perdeu o juízo, o uso da razão; alienado, louco; que ou quem é destituído de inteligência, de bom senso; tolo, néscio, idiota. (https://www.dicio.com.br/mentecapto/)
[2] Experimentos com gêmeos, experimentos sobre congelamento, sobre malária, sobre gás mostarda, sobre Sulfonamida, sobre a água do mar, sobre esterilização, com tifóide, com venenos, com bombas incendiárias, experimentos de altas atitudes.
(http://cienciasecognicao.org/neuraventura/?page_id=1469)
* Publicado originalmente no blog Guedes & Braga.
** Luiz Guedes da Luz Neto é advogado no escritório de advocacia Guedes & Braga, em João Pessoa/PB.
HISTÓRIAS DE NINAR PARA FILHOS E NETOS - 18/07/2021
Gilberto Simões Pires
POVO NAS RUAS
Pelos vídeos que recebi nestes últimos dias, tudo leva a crer que o povo cubano está disposto a permanecer nas ruas até que o GOVERNO DITATORIAL entenda de uma vez por todas que não há mais espaço para o REGIME COMUNISTA, que simplesmente arrasou com a economia daquele que já foi considerado como um dos mais prósperos países da maravilhosa região caribenha.
PÉSSIMAS HISTÓRIAS
Como já tive a oportunidade de visitar, por duas vezes a Ilha de Cuba, ambas na condição de comunicador credenciado para participar de MISSÕES OFICIAIS DE GOVERNO tenho -péssimas- histórias para contar sobre o que vi e muito do que me foi contado nos mais variados ambientes que os turistas em geral não têm acesso.
GROSSA MENTIRA
A propósito, dentro do exemplar modelo que foi bastante utilizado pelo manipulador Joseph Goebbels, que afirmava sempre que MENTIRAS REPETIDAS VÁRIAS VEZES ACABAM SENDO VISTAS E ENTENDIDAS COMO VERDADES, não são poucos aqueles que ACREDITAM PIAMENTE que Cuba é uma referência mundial em SAÚDE E EDUCAÇÃO. Esta GROSSA MENTIRA eu vi nas VISITAS OFICIAIS, guiadas por funcionários destacados pelo governo.
SAÚDE PÚBLICA
Pois, para quem não sabe, em Cuba funciona o MÉDICO DE QUARTEIRÃO, que tem em mãos os prontuários de todos os habitantes da jurisdição que atende. Porém, quem procura o médico, é atendido num ambiente que fere completamente aquilo que significa SAÚDE. Todos os postos de saúde que visitei mostram o mesmo quadro fétido e sujo, muitas vezes sem água e energia.
EDUCAÇÃO
No que diz respeito à EDUCAÇÃO, na conversa que tive com professores, perguntei sobre os livros que os cubanos tinham acesso. A resposta, mais do que óbvia: quem decide o que o povo deve ou não ler é o governo. Isto comprovei - in loco- nas duas livrarias que existem na Calle Obispo, no centro de Havana. Ao perguntar, em ambas, se havia algum livro de economia do Milton Friedman, a resposta NÃO era enfática, como se o economista fosse o próprio demônio...
PEQUENA HISTÓRIA CUBANA
Como o título deste editorial faz referência a HISTÓRIAS DE NINAR PARA FILHOS E NETOS, aí vai uma que me foi contada ontem pelo renomado jornalista gaúcho Ricardo Azeredo:
PEQUENA HISTÓRIA CUBANA QUE EU VIVI
No final dos anos 90 eu tinha uma sobrinha estudando radiologia em Cuba. Os avós bancaram a viagem. Ela morava em Camaguey, um centro universitário.
Como eu era o único na família que falava bem espanhol, cabiam a mim os contatos com as centrais telefônicas cubanas e outros canais estatais obrigatórios pelos quais ela se comunicava comigo e a família.
Nas conversas, muito cuidado para evitar críticas à vida que levava por lá. Os e-mails, limitados, passavam por um endereço oficial e os conteúdos eram checados pelas autoridades. Telefonemas DDI eram monitorados e cartas postais abertas antes de chegarem ao destinatário.
Como todo cubano, ela tinha uma “caderneta” com a qual acessava uma quantidade de víveres determinada pelo governo. Enfrentava sempre longas filas para adquirir sua cota básica.
Periodicamente a família enviava do Brasil alguns itens que o governo cubano permitia. Eu tinha que negociar as remessas com as autoridades de lá. Algumas peças de roupa, algum enlatado. Ela me pedia: ”Tio, manda papel higiênico, por favor!”
E assim eu rompia o famigerado e impenetrável bloqueio imperialista apenas enviando a carga formalmente pelos meios postais regulares.
Durante o curso, ela casou com um cubano colega de faculdade. Tiveram um filho. O marido era filho de um economista com posição importante. Moravam numa casa muito simples, cheios de privações.
A grande diversão era alugar de vez em quando um aparelho de videocassete (o mundo há anos no DVD) e assistir os poucos filmes disponíveis nas raras locadoras. Era a única opção contra a programação da TV, tomada pelos discursos intermináveis do Fidel e outras “atrações” oficiais.
Os dois se formaram. Queriam morar no Brasil. Mas ele não tinha permissão para sair de Cuba, muito menos com o pequeno filho cubano. Ela veio na frente, mas tinham um plano: tentariam uma autorização especial para que ele visitasse a família dela no Brasil, com compromisso de voltar para Cuba em poucos dias.
Depois de muita peleia contra a burocracia cubana, conseguiram. Chegaram a Porto Alegre alguns meses depois. Nunca vou esquecer o olhar embasbacado do cubano ao sair do avião no Salgado Filho.
No começo passaram alguns dias na minha casa. O marido médico passava o dia no sofá, hipnotizado com o controle remoto na mão, zapeando maravilhado pelos canais da TV a cabo se lambuzando com milhares de conteúdos que na terra dele eram inimagináveis. Forno de micro-ondas? Parecia coisa de ficção científica. Geladeira cheia? A visão do paraíso!
Nunca mais voltaram para a “Ilha”. Com diplomas validados, os dois passaram a exercer a medicina por aqui e tiveram mais uma filha.
Daqueles tempos restou uma lembrança que ele me trouxe de Cuba: uma edição do Granma, o jurássico jornal símbolo do comunismo. O conteúdo nem preciso descrever.
OPERAÇÃO COMPROMISSADA - 26/06/2021
Gilberto Simões Pires
PREÇO COMBINADO
No MERCADO FINANCEIRO é comum a prática de OPERAÇÕES COMPROMISSADAS, onde o VENDEDOR de um ou mais títulos assume o firme COMPROMISSO de recomprá-lo em um prazo definido. Da mesma forma, o COMPRADOR também assume o COMPROMISSO firme de revender o(s) título(s), na data estabelecida e pelo preço combinado.
SEMELHANÇA
Pois, se for levado em conta as DECISÕES que vem sendo tomadas, sem o menor constrangimento pela maioria dos ministros do STF, a impressão que passa para a sociedade brasileira em geral é que a indicação de vários ministros para integrar a Suprema Corte guarda enorme semelhança com as OPERAÇÕES COMPROMISSADAS praticadas no dia a dia no MERCADO FINANCEIRO.
RECOMPRA
Neste caso, no entanto, a OPERAÇÃO COMPROMISSADA não têm como OBRIGAÇÃO a RECOMPRA DE TÍTULOS VENDIDOS, mas de FAVORES que devem ser pagos e/ou resgatados em algum momento, quando necessário for. Assim, a partir do momento em que o indicado é aprovado pelo plenário do Senado, o ministro se COMPROMETE a atender os desejos daquele que o indicou.
AGRADECIMENTO
Como o Brasil todo está assistindo, dia sim dia também, decisões que mundo afora são consideradas como inadmissíveis e/ou incompreensíveis por qualquer PODER JUDICIÁRIO, não há como condenar os cidadãos que manifestam uma clara percepção de que os julgamentos do STF são feitos em forma de AGRADECIMENTO pela indicação.
MORO SUSPEITO
A última, de tantas outras decisões que já foram tomadas, aconteceu nesta semana quando o STF declarou a suspeição do ex-juiz federal Sérgio Moro ao condenar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na ação do tríplex do Guarujá. Por SETE votos a QUATRO, os ministros confirmaram o entendimento de que Moro foi parcial ao condenar o petista. Que tal?
CHEIRO FORTE
O que resulta como um -FATO INDISCUTÍVEL- na cabeça de todos os BRASILEIROS DE BEM, que querem ver os CORRUPTOS NA CADEIA, é muito simples: o STF inverteu as decisões tomadas em todas as instâncias e, de pronto resolveu CONDENAR MORO E LIVRAR LULA. É muito difícil, portanto, não admitir a existência de um cheiro forte de OPERAÇÕES COMPROMISSADAS.
MAIS UM GOL DE PLACA DO REI PELÉ (Garotada, aprendam com o Maior) - 16/06/2021
Cel. Av.Jorge Schwerz
A polêmica da participação da Seleção Brasileira na Copa América deixou clara a hipocrisia de vários dos envolvidos, visto que a campanha contra o torneio foi iniciada pela empresa de televisão que não possui os direitos sobre a competição, enquanto se refestela com vários outros campeonatos jogados no Brasil e fora dele, demonstrando que os verdadeiros interesses são financeiros.
O envolvimento dos jogadores brasileiros nesta polêmica me fez lembrar dos ensinamentos que o maior deles, Pelé, deixou: jogue futebol, não se envolva em política!
E o seu último gol de placa me veio à mente quando assisti o documentário que a Netflix lançou este ano, chamado Pelé.
O Documentário cobre o período do Mundial da Suécia, em 1958, até o ápice de Pelé na Seleção brasileira de futebol, em 1970.
Vendo o documentário, tudo aquilo me pareceu uma grande partida de futebol, pois tinha firula, ataque, defesa, gol contra, lembrando os lances de uma partida de futebol.
Entretanto, neste caso, em vez de times de futebol, vemos de um lado Pelé, contando a sua história pessoal e em copas do mundo de futebol e, do outro, um time de canhotas, querendo marcar gols por intermédio da criação de narrativas, envolvendo a carreira de Pelé e a situação política do Brasil à época, tentando ligá-lo ao Governo Militar, ao mesmo tempo que martela as ladainhas de sempre.
E a partida começou com uma bela finta do Rei, pois logo aos três minutos de jogo, Pelé faz a primeira jogada para irritar o adversário, ao dizer: “O Brasil é o meu País, significa tudo para mim!”
Patriotismo sempre irritou a canhota brasileira.
Do outro lado, diálogos curtos, apresenta-se o time adversário. Esquerdistas notórios, inicialmente adulam Pelé, sem deixar de lado a mensagem sobre raça, condição social e a firula sobre o clima político da época.
Com a naturalidade das pessoas verdadeiras, Pelé lembra ter vindo de uma família pobre, mas que sempre trabalhou muito e que, quando o pai não pode trabalhar, saia cedo de casa para engraxar sapatos e ajudar a família.
Trabalho e família, coisas que sempre irritaram a esquerda.
A primeira das grandes ofensivas dos esquerdistas começa com Roberto Muylaert, jornalista, que declara que o medo do comunismo, em 1964, era infundado, tendo sido usado como desculpa para a instauração do Regime Militar.
E, ninguém mais que Gilberto Gil, fazendo-se de Professor de História, foi escalado para dizer que “havia um projeto americano de incentivar ditaduras nas Américas, para evitar, exatamente, a expansão do comunismo da União Soviética.”
Eles nem notaram que uma sentença contradiz a outra: se não havia comunismo, que comunismo era esse vindo da União Soviética?
E que, para lutar contra o comunismo não precisávamos de incentivos, o País lutaria por iniciativa própria, conforme vimos na Intentona Comunista de 1935. Eles sempre esquecem de 35!
O jogo fica pesado quando o entrevistador pergunta para Pelé se alguma coisa mudou para ele durante o Governo Militar. Ele diz que nada havia mudado no futebol e que ele não foi afetado em nada.
A cena segue com uma mistura de jogos do atleta e imagens de pessoas feridas em manifestações. Uma clara tentativa de atribuir a Pelé uma alienação sobre o clima político da época ou até uma insensibilidade com o que acontecia fora dos campos. Jogada desleal de todo esquerdista.
O tempo avança e chega o momento que os canhotas mais gostam: 1968 e o AI-5.
Como disse Muylaert, qualquer pessoa podia ser presa sem ter uma causa.
“Simplesmente sumiam com a pessoa!”
Naturalmente, esqueceram dos diversos ataques terroristas no País, em especial Marighela e o seu livrinho “Minimanual do Guerrilheiro Urbano”.
Paulo César Vasconcellos aproveita o clima e “entra de carrinho”, destacando o uso “político” do futebol, pois Médici assistia partidas de futebol todo domingo, no Maracanã, criando uma imagem de simpático, enquanto apresentam o corpo de Marighella, abatido em confronto com a polícia, sem esclarecer que se tratava do maior terrorista comunista brasileiro.
O contraponto dos esquerdistas de plantão, veio de Fernando Henrique Cardoso, marcando um gol contra, ao esclarecer que Pelé nunca foi figura identificada com o Estado. “Ele sempre foi muito mais do que isso. Países precisam de um herói para acreditar em alguma coisa. Os feitos de Pelé foram incorporados à glória nacional”.
Já a Deputada Petista Benedita da Silva, diz que a tristeza do brasileiro era extravasada no futebol. Sendo acompanhada em jogada combinada, por Gilberto Gil, que diz que Pelé era uma estrela brilhante que, de repente, fulgurava naquele céu negro da vida brasileira.
Como falei adulam e atacam.
Na sequência, o time de canhotas usa o gol 1.000 de Pelé e o seu encontro com o Presidente Médici, que o cumprimentou pelo excepcional feito, para o seu maior ataque: manchar a imagem de Pelé.
Ou, como disse Paulo César Vasconcellos, ecoando o pensamento esquerdista: “Pra muita gente, vai se olhar menos o que faz dentro do campo e mais o que fez fora. E fora é caracterizado por uma ausência de posicionamento político. Nesse momento da história isso vai pesar muito contra ele.”
O gol contra do lado de Pelé veio do jogador Paulo Cézar Lima (Caju), que replica a ideia da esquerda: “Eu achava que ele (Pelé) tinha um comportamento de nego sim-senhor, o negro que é submisso que aceita tudo, entendeu? Que não contesta, que não critica, que não julga. É uma das críticas que mantenho até hoje. Uma opinião dele relacionada a isso, mexeria muito, principalmente no Brasil”.
Mas é claro que ele mesmo não deixou de posar para a foto junto ao Presidente Médici, ao final da Copa. Na sua cabeça, só o Rei tinha que se posicionar.
E o ataque em massa continua com Juca Kfouri, que compara Pelé ao boxeador americano Muhammad Ali, o qual recusou-se a se alistar para lutar no Vietnam, insinuando ainda, o medo de Pelé, que se mostrasse revolta, não tinha certeza se seria ou não, maltratado ou torturado.
“Ditaduras são ditaduras!”
Daí o jogo começa a virar.
Pelé fala que acha que ajudou mais o Brasil com o futebol do que os políticos que ganham e trabalham para fazer isso.
O ápice de Pelé nesta partida é a Copa de 70, que a canhota apresenta como uma questão de estado e sugere que Pelé participou devido à pressão do governo.
Kfouri, para reforçar a sua tese, relembra que “foram criados slogans fascistóides: Brasil, ame-o ou deixe-o! Ninguém segura este País! Viveu-se uma euforia nacionalista no pior sentido do termo”. É a ladainha de sempre da esquerda, que afirma ser ruim amar o seu País.
Pelé confirma a pressão para jogar, mas ele não queria ir para a Copa de 70, devido aos insucessos pessoais em 62 e 66. A Copa de 70, antes de tudo, era um desafio pessoal para ele.
No começo da Copa de 70, o time brasileiro estava desacreditado, mesmo assim, cada vitória da seleção canarinho era uma vitória do povo brasileiro. Até os canhotas concordam.
Jairzinho serve Pelé, lembrando como ele liderou a vitória, sendo um incentivador que motivou a todos a serem grandes como ele. E conseguiu!
Zagalo sentencia ao final: “Tudo o que você possa imaginar, Pelé foi!”
O jornalista José Trajano admite que cobriu a copa e foi para o México no intuito de torcer contra a Ditadura, torcer contra o Brasil, mas que... “Chegamos lá, não tivemos coragem de torcer contra!”
O Rei do Futebol admitiu o nervosismo na final da Copa de 70, lembrando que teve um acesso de choro quando viu as bandeiras. Era o peso da responsabilidade do mais experiente do Brasil.
“Foi uma emoção, um desabafo”.
E descreve que orou pedindo a ajuda divina: “Meu Deus, essa para mim é a última copa. Eu quero a sua ajuda! Que Deus me ajude, que eu saia bem!” E se emociona com a recordação deste momento tocante. Pede desculpas por não controlar a emoção.
Nada enfurece mais a esquerda do que a presença de Deus.
A verdade é que todo o documentário foi uma surra na esquerda. Sei que eles não entendem assim e é por isso que não compreendem o Brasil e são sempre atropelados pela história.
Apesar de todo o esforço gasto para martelar velhas mentiras, o que sempre sobra do jogo esquerdista é a sua hipocrisia.
Tenho que admitir que, desta vez, Fernando Henrique Cardoso foi digno, quando cita ao final: “Pelé soldou a glória dele com a glória do Brasil. É como estar numa guerra e ter a bandeira do Brasil na mão. O mito dele é o nosso mito!”.
Pelé encerra: “A Copa de 70 foi o melhor momento da minha vida. Mas acho que foi mais importante para o País”.
É inegável o feito dos nossos atletas e, em especial, do Rei Pelé, em 1970, porém o gol de placa de que falo hoje, marcado do alto dos seus 80 anos, vem do exemplo sobre crenças e valores que fazem do Brasil um Gigante.
O amor e a importância da família, quando Pelé diz que tudo o que ele é, principalmente a humildade na sua formação, deve à família: “A base que me segurou e está me segurando até hoje. Nunca acho que sou melhor do que ninguém, nem mais do que ninguém. Graças a Deus essa foi a base e a educação que tive dos meus pais.”
O amor pelo País e ao seu pai, quando, em lágrimas relata a promessa que fez ao pai, na derrota do time brasileiro para o Uruguai, na Copa de 1950, prometendo que ganharia uma copa para o Brasil: “Não fica triste (Pai), eu vou ganhar a Copa do Mundo!” Ele tinha 9 anos de idade.
Relembra, aos 80 anos, o ensinamento do Pai para a sua primeira Copa, em 1958: “Confiança, pois dentro do campo são todos iguais. Isso me deu muita força!”
Deus sempre esteve presente no seu coração e o momento mais emocionante do documentário é quando descreve a oração, pedindo proteção divina, na final da Copa de 1970.
Esse documentário foi mais um golaço feito pelo Rei Pelé e uma surra em quem queria desvirtuar a sua imagem. Aprendam garotada!
Pra frente, Brasil! Salve a Seleção!
Que venha a Copa América!
*Jorge Schwerz é Coronel Aviador da Reserva da Força Aérea Brasileira; Mestre em Ciências pelo ITA; ex-Adido de Defesa e Aeronáutica na França e Bélgica; e Coordenador do Blog Ao Bom Combate!, no qual foi publicado originalmente em 12/06/2021..
TAMBÉM TENHO MEDO DOS JUÍZES - 16/06/2021
.Cel. Jorge Baptista Ribeiro
Caiu-me nas mãos um dos vinte e um livros de autoria do advogado, ex-ministro do STF e renomado jurista, Eros Roberto Grau, intitulado “Eu tenho medo dos juízes”. Eros Grau, por ser um profissional revolucionário do Partido Comunista Brasileiro, foi preso em 1972, época dos governos, decorrentes do Movimento Cívico Patriótico de1964. Entretanto, a todos surpreendendo, prolatou voto decisivo na apreciação pelo STF que aprovou a concessão da anistia, proposta pelo presidente João Figueiredo a fim de pacificar vencedores e vencidos no Movimento de 1964. A anistia foi concedida a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexos com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder revolucionário.
Defendendo o chamado Direito Moderno, Grau muito se inspirava em Jürgen Habermas, um filósofo e sociólogo alemão, marxista, vinculado à Teoria Crítica, corrente de pensamento desenvolvida pela Escola de Frankfurt.
Grau, foi consultor da Bancada Paulista na Assembleia Nacional Constituinte de 1988 e membro da Comissão Especial de Revisão Constitucional, nomeado pelo Presidente da República Itamar Franco, também comunista, em 1993, com a finalidade de identificar propostas de interesse fundamental para a Nação, no processo de revisão constitucional.
No Prefácio do seu livro, Eros Grau diz que a sua experiência, durante os seis anos que viveu como juiz do STF foi extremamente significativa, enquanto prática de interpretação/aplicação do direito. Sobretudo, porque acreditava que em sua acepção mais restrita, o direito, em seu sentido objetivo, é o sistema de normas que regula as condutas humanas por meio de direitos e deveres evolutivos e, portanto, haviam de serem revistos, atualizados. Além de tudo isto, complementou mencionando porque passou a realmente temer juízes que, usando e abusando dos princípios, lembravam-no da “Canção Amada Amante”, de Roberto Carlos: “sem saber o que é direito, fazem suas próprias leis”. No final da sua obra, Grau reafirma ter medo dos juízes, do mesmo modo que teme o direito alternativo, o direito achado na rua e, principalmente, o direito achado na imprensa. Tais considerações acima enunciadas visam mostrar como a banda toca nos tribunais e quem podem ser os instrumentistas, nos permitindo concluir que o Direito não é uma ciência rígida, matemática, podendo ser usado para atender conveniências políticas, ideologias, pessoais, financeiras e tudo mais que a imaginação criadora pode construir, sob a capa protetora da Hermenêutica etc.
Por outro lado, nem todo mundo sabe que, desde os albores da Nova República os comunistas pós-soviéticos adotaram a praxis gramsciana de domínio hegemônico das salas de aula, das cátedras, das letras, das artes, do jornalismo e dos tribunais, particularmente mobiliaram a Suprema Corte, onde a maioria dos ministros foi lá plantada por presidentes comunistas, para tergiversarem nas letras da lei e mistificarem entendimentos técnicos, burocráticos e jurídicos.
Finalizo, afirmando que pelo acima enunciado e também considerando as identidades das mãos dos autores da Constituição de 1988, seus modificadores posteriores e a composição do nosso atual Supremo Tribunal Federal, nos é permitida a afirmação de que nossa Suprema Corte personifica uma Organização de Frente da comunalha.
* Publicado originalmente no Portal Brasil Livre, em 30 de março de 2021
** O autor é Cel de Infantaria e Estado Maior, Reformado do Exército. É um estudioso da Guerra Revolucionária, possuindo o curso da Escola Nacional de Informações (EsNI) que, por óbvias razões de domínio público, foi extinta pelo presidente Fernando Collor. Bacharelou-se em Ciências Sociais na então Universidade do Estado da Guanabara, hoje UFRJ.
SAFETY CAR E ZIG ZAG NA RECUPERAÇÃO DA ECONOMIA - 16/05/2021
Gilberto Simões Pires
SAFETY CAR
Quem acompanha as competições automobilísticas tipo Fórmula 1, Stock Car, GP2, entre outras, certamente já viu a presença do Safety Car nas pistas. O acionamento deste veículo se dá sempre que a segurança dos pilotos fica em risco, como no caso de acidentes, de chuvas muito fortes e/ou quando detritos, óleo, areia ou pedaços de pneus ficam espalhados na pista, aumentando ainda mais a probabilidade de novos desastres.
ZIG-ZAG
Com o Safety Car na pista, os pilotos ficam obrigados a manter a posição anterior, quando as bandeiras vermelhas foram ativadas, sendo que os carros devem ficar em fila única, atrás do Safety Car, até a liberação total da pista. Assim, as distâncias entre um e outro simplesmente deixam de existir, o que pode dar mais emoção à competição. Mais: ao longo da permanência do Safety Car na pista, como a preocupação maior é com a temperatura dos pneus, os pilotos se veem obrigados a realizar um constante ZIG-ZAG com o propósito de mantê-los minimamente aquecidos.
COMPARAÇÃO
Pois, fazendo uma simples comparação entre o que acontece nas competições automobilísticas e a nossa economia, a situação que estamos vivendo dá a entender que estamos diante da presença de um Safety Car na pista, onde PRODUTORES, INVESTIDORES E CONSUMIDORES estão aguardando, ansiosamente, que a VACINAÇÃO atinja o patamar necessário para a liberação de todas as atividades. A partir daí a CORRIDA ECONÔMICA, graças à LIBERDADE, poderá recomeçar pra valer dando enormes emoções e motivação para que todos saiam vitoriosos.
ATIVIDADES SENDO AQUECIDAS
Por enquanto, felizmente, já se percebe que muitos agentes que participam da CORRIDA ECONÔMICA, para manter aquecidas as atividades (pneus), já estão fazendo o ZIG- ZAG necessário. Aliás, a rodada de bons balanços de empresas, referentes ao primeiro trimestre de 2021, é um indicador forte do quanto é promissor e possível um importante crescimento do PIB para este ano e seguintes.
NOVAS EMOÇÕES
Diante de tamanha disposição que vem sendo demonstrada pelos competidores da INICIATIVA PRIVADA, fico imaginando o quanto seria maravilhoso para todos, competidores e assistentes, se os PODERES LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO tratassem de ajudar na LIMPEZA DA PISTA, através da aprovação da longa pauta de projetos que fariam, indiscutivelmente, com que a CORRIDA ECONÔMICA pudesse recomeçar com as EMOÇÕES que só a LIBERDADE de poder fazer e acontecer é capaz de conferir e promover.
LIBERDADE
Resumo: Não precisamos de um NOVO NORMAL. Precisamos, apenas e tão somente, de LIBERDADE. Quanto mais LIBERDADE, maior o potencial para crescimento e desenvolvimento. O resto é só o resto.
INDUSTRIALIZAÇÃO DA IDEOLOGIA - 07/05/2021
Alex Pipkin, PhD
Hoje vivemos tempos - sombrios - da ditadura do pensamento esquerdizante.
Qualquer cego sente que o totalitarismo esquerdista se apossou de praticamente todas as instituições: no judiciário, com seu exacerbado ativismo, nas universidades que privilegiam a doutrinação ao invés do ensino técnico profissionalizante, nas empresas de tecnologia que censuram e cancelam e, especialmente, na grande mídia, que não informa os fatos, mas os distorce, denuncia enviezadamente e omite a realidade objetiva.
Exagero meu? Claro... Todos devem ter ficado com as bochechas rosadas, com a escassa “cobertura” da mídia às grandes manifestações de sábado passado em todo o país.
Propositadamente, fui assistir ao Jornal Covidal à noite, e o que vi foi a animada reunião “progressista”, com os ilustres e sábios participantes Lularápio, a senhora que estocava vento, o filósofo FHC, e Ciro, o sofista.
Ah, mas é “fato relevante”, tem que informar, dirão amigos “progressistas”. Sim, mas não na ênfase de um e na omissão de outro.
Aonde iremos chegar?
Essa turma toda está vencendo a batalha cultural que, objetivamente, começa nas ideias para alcançar o poder e, posteriormente, age para implementar o sonho coletivizante, logicamente acompanhado pelo umbilical totalitarismo.
As ideias e as ações “despertas” estão por toda parte. Antirracismo racista, diversidade e inclusão excludentes, equidade às cegas como a deusa Themis, alojaram-se nas empresas, com a grande - reset - novidade de tornar o capitalismo mais humano e igualitário, nomeado de capitalismo das partes interessadas.
A ideologia marxista da identidade - não mais da luta de classes - do “despertar”, de fato quer trocar a lógica dos mercados livres por uma economia planejada, com aumento do poder estatal e das grandes corporações, com a surpresa do Kinder Ovo; o totalitarismo.
Eles desejam que as autoridades estatais nos digam o que devemos fazer e/ou não fazer.
A verdade é que tanto o racismo como a diversidade e a inclusão viraram verdadeiros negócios e indústrias, e têm muita gente lucrando com isso.
Atualmente, somos todos racistas, sempre fomos; tudo é racismo e opressão! Só se fala disso!
Fiquei surpreso em constatar que Patrisse Khan-Cullors, uma das fundadoras do BLM, a guerreira contra o racismo, tornou-se multimilionária. É...
Essa neossegregação, contudo, já começou a ser notada e repudiada. Similarmente, algumas empresas já estão se dando conta do teatro envolvido, e estão começando a rever suas estratégias.
Há uma única esperança, já que alguns homens e mulheres racionais, genuinamente democratas e progressistas, perceberam que essa ideologia “desperta” é um abissal embuste, que na vida prática segrega, divide e inibe o desenvolvimento de todos.
Tomara que o tiro saia pela culatra.
GASTOS GOVERNAMENTAIS OU PRODUTIVIDADE E INVESTIMENTO? - 01/05/2021
Alex Pipkin, PhD
Acho lamentável o embuste que está ocorrendo hoje nos EUA, e a tendência é piorar.
Trabalhei 23 anos numa companhia americana, e mantenho contato com colegas e amigos que lá vivem.
Muitos deles têm a mesma percepção que eu: vai sobrar para eles. Como? Aumento de impostos e, logo mais, desemprego.
Um destes amigos, diplomado e com MBA no Brasil, também trabalhando com Uber por lá. Ele confessou-me que a grana jorra de maneira tão farta, que ele próprio preferiu não se apropriar do tal seguro desemprego. A bolha em algum momento vai estourar.
É pertinente que analisemos duas premissas que me parecem básicas.
A primeira delas é que uma economia cresce, tornando-se pujante, criando mais empregos e riqueza, com investimentos e com o aumento de produtividade, não com gastos do governo, muito menos com farra de gastos governamentais.
Tão básico, tão enganoso; o governo não cria riqueza, mas pode aniquilá-la com distribuição de renda de maneira irresponsável e populista.
As receitas do governo são provenientes da atividade econômica dos criadores de riquezas, ou seja, de empresas e de indivíduos que produzem e pagam impostos ao Estado.
Qualquer estudante da área de gestão e de economia sabe que quanto maior for a tributação, maior será o desincentivo a produção, a geração de postos de trabalho e a inovação.
Similarmente, quanto maiores forem as regulamentações e as exigências em relação as admissões e a outras questões trabalhistas, maior será o desincentivo à manutenção e a contratação de funcionários.
A segunda premissa, é a de que retirar dos ricos para dar para os mais necessitados - aquela que a galera do beautiful people vibra como um gol - é mesmo uma falácia. Na verdade, essa (des) política de taxar os ricos já foi tentada e fracassou em vários países. É surpreendente que não se perceba que são os empresários e os inovadores aqueles que empregam e que geram renda e riqueza.
Uma taxação deste tipo inibe o espírito empreendedor e a capacidade de investimento e de inovação, além de ser contraproducente já que as empresas e os inovadores podem se deslocar para outros lugares. Além disso, há um erro básico implícito aqui, uma vez que renda e riqueza não são estáticas no tempo.
Populistas irresponsáveis negam que o padrão de vida dos pobres melhore, factualmente, com o aumento da produtividade, das inovações e das trocas.
Com maior produtividade os mais carentes podem acessar produtos e serviços de melhor qualidade a preços mais baixos, e com o incremento desta, os trabalhadores passam a gozar de salários mais altos.
Eles não aprendem; que “doce ilusão”! Gastos não criam empregos, desviam e destroem a economia. Cientificamente, quem cria empregos são os processos econômicos produtivos e os investimentos; ponto final.
Tampouco aumento de impostos sobre os ricos para dar aos pobres. Essa turma do beautiful people não compreendeu nem a primeira nem a segunda lição em economia: recursos são escassos e as pessoas respondem aos incentivos, alterando comportamentos em razão destes.
Altos impostos inibem a atividade econômica e, sobretudo, os investimentos.
Infelizmente, esta onda populista coletivizante e seus mandatários demagogos não enxergam que o que faz aumentar a riqueza, o emprego e o investimento, é justamente a redução de impostos!
Toda essa farra vai acabar em pizza, melhor, pizza de limão.
A IMPRENSA ENCONTRA NA PANDEMIA O PRÓPRIO POÇO SEM FUNDO. - 27/04/2021
Valterlucio Bessa Campelo
Como não fazia há tempos, resolvi ver durante a última semana os jornais das TV’s, tentando responder a uma inquietação: “De que realmente está falando a grande imprensa?”. A percepção evidente é que está falando de COVID, responsabilizando o governo federal pelo contágio e mortes, insuflando cizânias políticas, gerando crises ilusórias, sustentando presepadas jurídicas das altas cortes e, no conjunto, promovendo a queda, por qualquer meio, do presidente Jair Bolsonaro. Ao modo do youtuber Felipe Neto, a imprensa manda a mensagem “primeiro a gente derruba, depois a gente vê”.
Não há muito mais do que isso. De cima a baixo, da maior à menor, de manhã à madrugada, como em um acordo obsceno com jornalões e jornalinhos, revistonas e revistinhas, os noticiosos e programas de debates e entrevistas macaqueiam-se uns aos outros, repetindo à exaustão as mesmas notícias, com praticamente o mesmo enfoque e os mesmos comentários de ataque ao governo. A parcela da mídia que, antes da internet, denominamos de imprensa brasileira, perdeu o compromisso e a conexão com os fatos e com a verdade, transformou-se em plataforma de ativismo político-ideológico. Não por acaso, a sua credibilidade vem caindo ano a ano conforme pesquisas publicadas. Atualmente, nos salvam os inúmeros sites de notícias e canais em diversas plataformas de fácil acesso.
Sumiram das TV’s também as crises internacionais. Dá-se a mínima ou nenhuma importância para as múltiplas tensões russas, para a miséria progressiva da Argentina, para a ditadura venezuelana, para a fome na África, para a perseguição de cristãos, para o acirramento da crise migratória na fronteira americana etc. Até a indefectível agenda verde deu uma folga e só apareceu com força nos últimas dias, para defenestrar o ministro Ricardo Salles e, como vimos nesta quinta-feira, 22/04, tentar impor uma narrativa que inviabilize o estabelecimento de relações profícuas do Brasil com parceiros na Europa e nos EUA. Os ditos especialistas se oferecem em baciadas aos holofotes com o mesmo intento, ainda que nos custe caro cada afirmação que fazem suas “excelências científicas”.
Toda essa militância é, aliás, muito semelhante à que aconteceu no ano passado contra o presidente Trump nos Estados Unidos. Sem saber que estava sendo gravado, recentemente o diretor técnico da CNN, uma das maiores redes americanas de TV, Charles Chester, declarou: “Olha o que nós fizemos, nós conseguimos tirar o Trump. Eu acredito 100% que se não fosse pela CNN eu não acho que o Trump teria perdido.”. A TV americana trabalhou duramente para beneficiar o candidato democrata (socialista) enquanto demonizava o republicano.
Pensando nisso e em como a nação se enfraquece quando a imprensa se transforma em samba de uma nota só, lembrei algo que li há alguns anos e, sugiro, seja lido ou relido especialmente por quem faz as notícias que nós, cidadãos comuns, consumimos diariamente. Refiro-me à conferência de Ruy Barbosa “A imprensa e o dever da verdade”, editada primeiramente em 1920, da qual recorto os trechos abaixo.
“A imprensa é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alveja, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça.”
“Já lhe não era pouco ser o órgão visual da nação. Mas a imprensa, entre os povos livres, não é só o instrumento da vista, não é unicamente o aparelho do ver, a serventia de um só sentido. Participa, nesses organismos coletivos, de quase todas as funções vitais. É, sobretudo, mediante a publicidade que os povos respiram.”
“Entre as sociedade modernas, esse grande aparelho de elaboração e depuração reside na publicidade organizada, universal e perene: a imprensa. Eliminai-a da economia desses seres morais, eliminai-a, ou envenenai-a, e será como se obstruísseis as vias respiratórias a um vivente, o pusésseis no vazio, ou o condenásseis à inspiração de gases letais. Tais são os que uma imprensa corrupta ministra aos espíritos, que lhe respiram as exalações perniciosas.”
“Um país de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de idéias falsas e sentimentos pervertidos, um país, que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os vícios, que lhe exploram as instituições.”
Vê-se aí quanto Ruy, uma das mais sábias mentes brasileiras considerou elevados os compromissos da imprensa com a sociedade. Em outra oportunidade, disse: “...jornalista é que eu nasci, jornalista é que sou, de jornalista é que não me hão de demitir, enquanto houver imprensa, a imprensa for livre e este resto de liberdade nos indicar que a pátria respira”. Era, pois, como todo jornalista verdadeiro, um jornalista de uma imprensa livre.
Eis que 101 anos antes, em um texto primoroso, o grande Ruy Barbosa parece dar um carão na imprensa que temos hoje, autoritária, corrompida por interesses antinacionais, que nega o contraditório e serve a uma banda exclusiva e minoritária da sociedade, oferecida como revolucionária com base em um ideário tão falso quanto desgraçado em todas as oportunidades que teve na história.
A corrupção da imprensa em sua finalidade e razão de ser, pondo-a em alinhamento político-ideológico extremado, funciona no caso da pandemia como força motriz de dissolução do sistema, ratificando Jane Fonda, ex-atriz, militante da esquerda americana que em videoconferência (AQUI) disse: “A COVID foi um presente de Deus para a esquerda”. Ou, se preferirem, é endosso ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (AQUI) que disse: “Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”. As duas celbridades, talvez sem querer, arreganharam a práxis socialista que não contabiliza mortes desde que sua marcha tenha avanços.
A conferência de Ruy Barbosa, cujos termos confrontavam a imprensa chapa-branca da época, faz todo o sentido hoje, mas em direção contrária, dado que temos uma espécie de imprensa chapa-preta, tipo CNN, para a qual não havendo convergência nem as costumeiras negociações com o governo, tudo pode ser feito para derrubá-lo.
*Enviado ao site pelo autor Valterlucio Bessa Campelo, que escreve contos e opiniões em seu próprio BLOG
UM DISCURSO DE 3 MINUTOS QUE SE TORNOU UM CLÁSSICO DA ORATÓRIA UNIVERSAL - 19/04/2021
Francisco Ferraz, em Política para Políticos
A política é sempre surpreendente. Nela as certezas costumam ser abaladas pelo imprevisível e as previsões frustradas pelos fatos não antecipados. Este foi o caso do discurso de Lincoln em Gettysburg.
É um discurso breve, no qual cada palavra escolhida preenche a sua função, para compor uma peça singular, que combina força com serenidade e sobriedade com esperança.
Este discurso extrapolou os limites da história americana, para constituir-se num dos marcos da história universal da luta pela liberdade. O discurso, instantaneamente célebre, tornou-se um dos mais citados de todos os tempos. Não obstante sua duração de 3 minutos...!
Mas tudo parecia conspirar para o discurso sair mal.
Para começar, Lincoln não deveria ter ido à cerimônia, Com o filho doente, sua mulher, num surto de histeria, exigia que ele ficasse em casa. Além disso, os organizadores do evento não estavam nem um pouco desejosos que Lincoln comparecesse, tanto que ele nem constava da lista dos oradores.
Concluída sua fala, Lincoln, decepcionado, comentou que o discurso tinha sido um rotundo fracasso.
O discurso
“Há 87 anos atrás, nossos pais criaram neste continente uma nova nação, concebida em liberdade e dedicada ao princípio de que todos os homens são criados iguais.
Agora estamos em plena guerra civil, sendo testados, se aquela nação, ou qualquer outra assim concebida e assim dedicada, é capaz de resistir e sobreviver.
Nós nos encontramos num dos grandes campos de batalha daquela guerra. Aqui estamos para dedicar uma parte deste campo como o repouso final daqueles que aqui deram a sua vida para que aquela nação possa sobreviver. (...)
O mundo não dará muita atenção, nem lembrará por muito tempo o que dissermos aqui hoje. Mas o mundo nunca esquecerá o que eles fizeram neste campo.
Somos nós, os que estamos vivos, que devemos dedicar-nos ao compromisso de completar a grande obra não concluída, que aqueles que aqui lutaram, com tanta nobreza fizeram avançar.
Somos nós que devemos dedicar-nos à grande tarefa que ainda está diante de nós, de que estamos resolvidos a não permitir que estes mortos tenham morrido em vão, e de garantir que esta nação sob Deus possa ter um novo nascimento de liberdade, e de que aquele governo do povo, pelo povo, e para o povo não desapareça da face da terra.”
* Francisco Ferraz é Professor de Ciência Política e Ex-Reitor da Ufrgs, Pós-Graduado em Princeton, É diretor do site politicaparapoliticos.com.br
O ÚLTIMO DESÍGNIO ALCANÇADO - 05/04/2021
Alex Pipkin, PhD
A ditadura do pensamento esquerdizante - explícita e/ou velada - vai adentrando ao último desígnio -, anteriormente muito difícil de imaginar.
Nas mídias, nas universidades, na política, na justiça, nos bares da moda, a ideologia disfarçada de bom-mocismo e de preocupação com o povo, é transparente para ?todos aqueles que enxergam, ou se preferirem, nem é preciso de óculos, basta não ser surdo.
Todo indivíduo que ousa discordar do coletivo e de suas vontades falaciosas, sejam essas econômicas, sociais, políticas, culturais, e de seus conceitos sobre racismo estrutural - evidente que racismo persiste - de políticas LGBTQIS e de diversidade - que, meu juízo, vai muito além de cor e de gênero -, enfim, de suas intolerantes posições referentes às políticas para esses e outros grupos minoritários, é automaticamente alçado a nobre designação de racista, autoritário, retrógrado, homofóbico, misógino; nazista eu não posso ser, pois sou judeu.
A sonhadora turma vermelha, devo admitir, fez um trabalho memorável.
A infiltração nas instituições seguiu ao pé da letra os ensinamentos gramscianos.
Embora a foto do dia seja a moderna turma de jovens que reprovou no Enem pela utilização do pronome neutro (28 candidatos alcançaram nota mil e 86 mil zeraram redação!), eles têm executado um trabalho magnífico quanto à novilíngua.
O objetivo não era trivialmente inverter o significado das palavras e fornecer uma forma de expressão ligada a uma única visão de mundo professada, mas, sobretudo, tornar outros modos de pensamento impossíveis. Principalmente os tenros idealistas não percebem que seus líderes conseguiram impedir que eles próprios pudessem exercer um pensamento autônomo.
Agora, o último desígnio foi atingido: as empresas.
A avalanche é real, o ataque é implacável ao lucro do malvado empresário - evidente que só se vê aqueles que conseguem ganhar dinheiro...
O objetivo empresarial agora não deve ser o lucro, mas a missão da empresa, que compulsoriamente deve estar ligada a inclusão social, disfarçada de diversidade.
É tragicômico o que vejo, leio e escuto, eles sequer sabem diferenciar diversidade de inclusão social.
No mundo empresarial competitivo - em que todas as empresas competem para alcançar lucratividade superior e sustentável - as marcas se posicionam para atingir um lugar privilegiado nos olhos, nas mentes e nos corações dos clientes, devendo expressar claramente os valores e os princípios que representam e em que a organização acredita.
Na verdade, sem entrar em detalhes, o posicionamento estratégico estabelece como a empresa alcança a satisfação de seus clientes: maior valor, baixo custo ou ambos.
Sim, em comunicação é evidente que o tema diversidade está em alta, não poderia ser diferente.
Ultimamente só se vê marcas com campanhas em torno de causas relacionadas aos negros, aos LGBTQIS e a outros grupos minoritários.
É evidente que esses temas devem ser discutidos racionalmente dentro das organizações, a fim de se apurar desvios e oportunidades de melhoria. Não acho que possa existir, nelas, discriminação e falta de respeito à dignidade humana.
Sem dúvida deve-se lutar pela igualdade de oportunidades, com a consideração de méritos e de possibilidades, o que é distinto de imposições pela aparência.
A atenção quanto ao racismo e ao preconceito racial, por exemplo, é muito distinta da narrativa de racismo estrutural.
Imaginem se todas as marcas, em todos os setores e em todos segmentos, utilizarem o mesmo posicionamento de marca relacionado a diversidade e a inclusão social, quem se diferenciará efetivamente? Todos os clientes estão mesmo interessados nesta narrativa?
Para alguns o “feijão com arroz” do preço, qualidade e utilidade não vale mais?
Não creio que falar de pautas minoritárias seja a estratégia adequada para TODAS AS EMPRESAS.
Pelo contrário, em alguns casos, como por exemplo, o do Burger King, isso seja encarado por clientes como eu, como uma forma oportunista e meramente mercadológica (comunicação) de se apropriar de demandas de minorias. Pode soar falso.
Para a ditadura do pensamento esquerdizante se completar, só faltava o “capitalismo das partes interessadas” - governo e corporativistas -; a dominação está completa.
Como eu ainda posso e me permito pensar fora da prisão cognitiva da novilíngua progressista, acho que quando os resultados empresariais metálicos começarem a emergir, tal qual as teorias de organização econômica que advogam o “bem da coletividade”, toda essa formosura teórica irá naufragar.
COMO LIDAR COM A CRISE DA CIVILIZAÇÃO - 02/04/2021
Érika Figueiredo
Tenho falado, nas inúmeras lives e entrevistas de que participo, acerca do lockdown e de seus efeitos danosos para a sociedade, a economia, as crianças, os assalariados, os empresários, pequenos empreendedores e comerciantes, e toda a gama de pessoas que são prejudicadas com a paralisação dos serviços e com o prejuízo daí advindo.
Sempre esclareço que, em um país com tamanha pobreza como o Brasil, as medidas isolacionistas promovidas na Europa, continente em que as dimensões populacionais e territoriais dos países são pequenas, são fadadas ao insucesso, e que mesmo que os governos se esforcem, os auxílios nunca atingirão a população toda, além de gerarem um déficit monstruoso para a nação, com um impacto que perdurará por anos.
Falo, também, do modo como os EUA conduziram a pandemia, esse sim um país gigantesco, e que agora estão com os casos em avançado declínio, mesmo sem a realização de lockdowns agressivos. Sei que o vírus existe, não sou negacionista ou coisa parecida, mas creio que há outras formas de se lidar com o seu avanço.
Vejo uma capitalização política enorme nos discursos públicos, e isso me deixa bastante preocupada com o futuro de nosso país. Afinal, a política era, segundo Platão, a arte de dar uma vida boa para a população, e deveria ser, segundo o filósofo, exercida pelos homens mais sábios, que apresentavam maior capacidade de lidar com as situações e tomar decisões. Infelizmente, não é isso que vemos por aqui.
Quando abordo tais temas, muitas pessoas me perguntam qual será o futuro que nos espera, se dizem angustiadas e me questionam sobre quais atitudes devem tomar, diante do quadro atual de coisas. Afinal, o mundo todo está em crise. A minha resposta, invariavelmente, é sempre a mesma: ordenem-se por dentro, cuidem de sua casa, de sua família, de seu trabalho, de seu entorno, pratiquem a religião.
Eric Voegelin, escritor alemão naturalizado americano, que fugiu de sua terra natal em 1938, para não ser preso pelo regime nazista, e tornou-se um professor, escritor e palestrante mundialmente famoso, foi quem primeiro tratou dessa ideia, do modo que a exponho aqui. Mergulhou fundo na corrupção da sociedade alemã, através da destruição dos símbolos humanos e divinos, pela linguagem, o que permitiu que Hitler fosse acolhido como um semideus.
Este grande analista da realidade vai explicando, em sua obra Hitler e os Alemães, que a miséria intelectual e moral que tomou conta da Alemanha após a 1ª Grande Guerra, foi um terreno fértil para a chegada de Hitler, que tratou de modificar a linguagem e derrubar a religião, para ter maior controle sobre os indivíduos e suas mentes, assim que ascendeu ao poder.
Voegelin foi o maior cientista político do século passado, e nunca deixou de ter os pés bem fincados no chão. Muito conhecido na Europa e nos EUA ( embora praticamente desconhecido no Brasil), era um profundo estudioso de Platão, Aristóteles, Max Weber, tendo sido aluno de Hans Kelsen. O professor Olavo de Carvalho , por ser um grande admirador de suas obras, tem sido um dos responsáveis por difundi-las por aqui.
Esclarecia Voegelin, em suas obras, que o mais importante, para o indivíduo ( e o mais difícil também), é a busca da ordem interna do ser. Estar em ordem interna, mesmo dentro do caos, conhecer a verdade e saber seu propósito de vida, tendo a certeza de que este é o desejo divino para os homens, deve ser a missão da vida de cada um.
Estamos atravessando tempos sombrios, loucos, nos quais o medo e a ignorância coletivas cegaram a humanidade. A miséria moral e intelectual a todos atingiu e contaminou. A linguagem foi corrompida, para que em seu lugar sejam inseridas as ideologias. A civilização vive uma grande crise espiritual e de símbolos. As crenças vêm sendo trocadas por ideologias que subvertem a ordem moderna.
Isso, historicamente, aconteceu em muitas nações. A Alemanha não foi a única. Temos como exemplo a Rússia de Stalin, a Venezuela, Cuba, a Coréia do Norte, a China e muitas outras, que se encantaram pelo canto da sereia de ditadores cruéis, travestidos de heróis, os quais foram modificando a linguagem e o sentido das palavras e dos símbolos, a fim de tornarem a sociedade uma massa de manobra rendida às suas vontades tirânicas.
Como digo insistentemente, a História é cíclica, ela se repete. Deveríamos aprender com as tragédias gregas, que eram escritas em forma de trilogia, e possuíam as seguintes etapas: o excesso, a transgressão; o sofrimento, a punição; a redenção, a transformação. O crescimento vem da dor, e é preciso sentir na pele o peso das escolhas, para que a mudança chegue.
As tragédias gregas eram escritas e encenadas com caráter educativo, e com a finalidade de mostrarem para o povo que era possível evitar o sofrimento e a punição, fazendo as escolhas certas. Nós, infelizmente, não conseguimos. Falimos como civilização, e agora vivemos uma profunda crise moral e espiritual. Vamos arcar com as consequências disso.
Assim são os ciclos sociais. Já desfrutamos dos excessos, como sociedade, desde a década de sessenta do século passado. Entramos em rota de colisão com os valores conservadores, dando de ombros para tudo que deu certo, ao longo das eras da civilização. Os excessos nos levaram ao caos. Agora, vivemos a ressaca desses excessos, nos encontramos perdidos, desorientados, e pagaremos um preço alto pelos símbolos e valores que fomos dispensando ao longo dessa trajetória, os quais nos escoravam como civilização.
Voegelin dizia que, enquanto isso, devemos aproveitar para nos conectar com a ordem interna que todo homem precisa ter, e que é obtida através da busca do divino, do estudo da filosofia, do resgate das virtudes. O indivíduo precisa investir nos cuidados com a família e com o lar, em sua mente, seu corpo e sua alma, para só então, em prefeita comunhão consigo, sair a lutar pelo mundo.
Isso lembra bastante o ensinamento do psicólogo canadense Jordan Peterson, sobre arrumar o próprio quarto, antes de sair por aí ditando as fórmulas para modificar o mundo. Eu, você, nossos familiares, pouco ou nada podemos fazer, para modificar a sociedade atual, corrompida por ideologias.
Mas podemos estudar os clássicos, praticar a religião, passar adiante valores morais sólidos, resgatar os símbolos e a linguagem, para que o mal não prevaleça sobre o bem, para que Deus retorne aos lares e aos corações da humanidade, e para que dias melhores cheguem para o nosso sofrido Brasil.
“Ninguém está obrigado a participar da crise espiritual de uma sociedade; ao contrário, todos estão obrigados a evitar a loucura e viver sua vida em ordem”. Eric Voegelin
*A autora é Promotora de Justiça junto ao MP/RJ
Publicado originalmente em https://www.tribunadiaria.com.br/ler-coluna/839/como-lidar-com-a-crise-da-civilizacao.html
PÁSCOA - 02/04/2021
Gustavo Corção
O sermão de São Gregório Nazianzeno começa numa espécie de jubilosa exclamação: «Páscoa, Páscoa, Páscoa, três vezes Páscoa, direi em honra da Santíssima Trindade. Esta é para nós a festa das festas, a solenidade das solenidades. Como o fulgor do sol apaga as estrelas, assim esta festividade excede a todas as outras, não só as humanas mas as do próprio Cristo e que por causa dele se celebra». Lembremos a instituição da Páscoa no Antigo Testamento, quando Deus encarregou Moisés de ensinar os israelitas que sofriam servidão no Egito: «No décimo-quarto dia desse mês, os filhos de Israel tomarão em cada família um cordeiro de um ano, sem mancha, o imolarão, e com o seu sangue marcarão os umbrais de suas portas, e nessa mesma noite comerão a carne do cordeiro com pão sem fermento e ervas amargas... E comerão com os cintos atados, as sandálias de viagem nos pés, e com o bastão na mão; porque é a Páscoa, isto é, a Passagem do Senhor». E agora nesta Páscoa do Novo Testamento, em que o próprio filho de Deus é imolado, procuremos compreender bem em toda a profundidade, o mistério desta solenidade três vezes bendita.
Páscoa, para nós quer dizer Passagem e faz-nos lembrar que somos peregrinos, que estamos em caminho da pátria como os israelitas estavam a caminho de Canaã, onde abundava o leite e o mel. Por isso, a nossa maior festa ainda é celebrada em marcha, às pressas, com o cinto apertado e a sandália de viajante nos pés. Ainda não chegamos, e por isso, à carne do cordeiro que comemos se misturam ervas amargas. Estamos no meio do Mar Vermelho. Em direção à Pátria, mas ainda no mundo. Estamos no deserto, vivendo da palavra de Deus.
Páscoa, para nós, quer dizer também Discriminação. É a festa da nitidez. Ou temos os umbrais de nossa alma marcados com o sangue do Cordeiro, ou pereceremos na Passagem do Anjo exterminador. Esta característica pascal parece contrária à anterior pois lá se falava de transição e aqui se fala de nitidez e essas duas idéias têm ressonâncias opostas. Convém portanto precisar melhor: A transição se refere à nossa condição exterior de peregrinos; a discriminação se refere à marca interior do Sangue de Cristo em nós. Estamos em trânsito, passando por estações intermediárias, vivendo dia a dia as gradações do mundo, mas nossa alma, por cima do mundo, está ancorada; e em contraste com o cinzento dos dias está nitidamente marcada com o rubro Sangue do Cordeiro.
A cruz que é para os gentios sinal de escândalo e de loucura, é para nós sinal de nitidez e de absoluta discriminação. Onde ela se planta desaparecem os meios-termos, os compromissos, as concordatas, e toda essa indecisão que fazia muitos israelitas no deserto suspirarem com saudades da servidão do Egito, porque lá, ao menos, tinham garantida a gamela de carne com cebolas. Para nós, a Cruz deve ser o sinal de um franco contraste. Ou somos marcados, ou não somos. Ou estamos com Cristo ou contra ele. Ou avançamos ou regredimos. Não há meio-termo à luz do círio pascal.
Apliquemos em nós, cada dia, cada hora, esse espírito discriminador da Páscoa, e saibamos imprimir em cada um de nossos atos o sinal da cruz. A tentativa mais insensata que fazemos é a de procurar um meio-termo entre Deus e o Mundo. Dizemo-nos católicos com uma terrível tranqüilidade e com uma impressionante inconseqüência. Dizemo-nos católicos e continuamos a viver as mesma infidelidades e a saborear as mesmas carnes e cebolas do faraó. Dizemo-nos cristãos, mas a marca do Sangue mais parece uma rosada aguadilha, mais parece um sinal de maquilagem do que uma infusão de incondicional amor.
Sejamos pascais, sejamos nítidos; ou não seremos Cristãos.
Páscoa, para nós, também quer dizer salvação. Se estamos em marcha, e se nitidamente optamos, já estamos salvos, salvos em Esperança. O mesmo Sangue que discrimina já tem a virtude salvífica, já opera o que significa e já nos dá direito de falarmos a Deus com a liberdade de filhos.
Terminemos com a leitura de São Gregório Nazianzeno:
«Hoje é o dia em que fugimos do poder egípcio, das mãos do odioso faraó e de seus cruéis ministros; dia em que nos libertamos da argila e das olarias. A festa do Êxodo já ninguém há que proíba celebrá-la com o Senhor nosso Deus, e não mais com o velho fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade, nada trazendo conosco do ímpio fermento egípcio. Ontem angustiava-me com o Cristo na Cruz, hoje sou também glorificado. Ontem com Ele morria, hoje com Ele sou vivificado. Ontem sepultava-me com Ele, hoje com Ele ressuscito».
GLOBO Sábado, 25/3/78
Reproduzido de https://permanencia.org.br/drupal/node/107
BREVE RELEITURA DE UMA “CARTA DE UM DIABO A SEU APRENDIZ” - 06/03/2021
Valterlucio Bessa Campelo
"O melhor método para expulsar um demônio, se ele não ceder aos textos das Escrituras, é ridicularizá-lo, zombar dele, pois ele não suporta o escárnio." LUTERO
Em 1942, C. S. Lewis (Clive Staples Lewis), ex-ateu convertido ao cristianismo em 1929 aos 31 anos, publicou o livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz”, em que Fitafuso, o protagonista, educa seu sobrinho Vermebile na arte de iludir e tentar as pessoas no sentido contrário ao cristianismo. Hoje em dia, certamente o autor é mais conhecido pela obra “O leão, a feiticeira e o guarda-roupas”, transformada há alguns anos em filme de sucesso estrondoso sob o título “As crônicas de Narnia”. Mesmo assim, as “Cartas” são fonte permanente de estudo e oferece uma leitura excepcional, repleta de sarcasmos em estilo que saltam do divertido para o profundo. Pensando sobre o momento que vivemos, lembrei do livro e, ao relê-lo, encontrei logo na primeira carta o que procurava. Vejamos no trecho abaixo, um alerta do diabo ao aprendiz.
“Parece que você vê a argumentação como o melhor método para mantê-lo afastado das garras do Inimigo. Talvez fosse esse o caso se ele tivesse vivido alguns séculos atrás. Naquela época, os humanos sabiam muito bem quando algo era provado logicamente ou não; em caso afirmativo, simplesmente acreditavam. Ainda não dissociavam seus pensamentos de suas ações. Estavam dispostos a mudar o modo como viviam a partir das conclusões tiradas de uma certa cadeia de raciocínio. Mas, com a imprensa semanal e outras armas semelhantes, conseguimos alterar tudo isso. O seu paciente sempre foi acostumado, desde criança, a ter uma dezena de filosofias incompatíveis dentro de sua cabeça. Ele não classifica doutrinas basicamente como ‘verdadeiras’ ou a ‘falsas’, e sim como ‘acadêmicas’ ou ‘praticas’, ‘antiquadas’ ou ‘contemporâneas’, ‘convencionais’ ou ‘cruéis’. O jargão, e não a argumentação, é o seu melhor aliado para afastá-lo da Igreja. Não desperdice seu tempo tentando fazê-lo pensar que o materialismo é verdadeiro. Faça-o pensar que é algo sólido, ou óbvio, ou audaz - enfim, que é a filosofia do futuro. É com esse tipo de coisa que ele se importa”.
Eis o ponto. Se fosse usual na época, seguramente Lewis teria empregado a palavra “narrativa” para sintetizar aquilo que Vermebile, o aprendiz, teria que dominar para atrair pro lado diabólico o seu paciente. Não é exatamente a superficialidade do raciocínio o que estamos assistindo no dia a dia? Quem se importa, principalmente entre os jovens, com a argumentação mesma que envolve qualquer teoria? Doutrinados por ideias contaminadas pela contemporaneidade rasa, pela fluidez de conceitos, pela subversão da lógica e pela ruptura com tudo que signifique tradição, o novo homem, como se influenciado por Vermebile não perde tempo com o aprofundamento de coisa nenhuma.
A geração “lacradora” aceita a “lacração” como fim de papo e o “cancelamento” como expulsão da contradita incômoda do território dialético. O tal “lugar de fala”, essa invenção fascista e torpe, limitou a liberdade do indivíduo que, se não pode se expressar, não tem motivos para pensar. Isso sem um segundo de reflexão, levada pela onda de bolhas, “tribos” e grupos identitários de toda espécie, que dominam a cena. Em decorrência, o debate fica tão consistente quanto as discussões do BBB que, aliás, apenas replicam as plenárias das universidades. Reduz-se as transformações sociais mais profundas a qualquer ideia que, mesmo de modo epidérmico, dê impulso ao progressismo globalista. Então, pelo menos aparentemente, o que verdadeiramente é submerge, dando lugar ao que mesmo não sendo se estabelece como se fosse. Vivemos, portanto, um mundo de mentiras e autoritarismo.
Veja-se na obra de C. S. Lewis que em seu aconselhamento ao sobrinho, o diabo já identifica como aliado a “imprensa semanal e outras armas semelhantes”. Alguma surpresa em relação ao que estamos vivendo? Os meios de comunicação de massa, não apenas no Brasil, estão a serviço permanente de uma transformação que, sem investigar as raízes dos problemas, sem considerar o pensamento médio da sociedade, afirma uma falsa ordem, incluindo neste processo a religião cristã em todas as suas formas. O anticristianismo atual é tão patente que o próprio Papa só aparece para emitir mensagens quando são de concessão ao “politicamente correto”. Neste ponto, é legítimo especular se o mesmo não estaria colaborando de boa vontade para o esquecimento da cultura tradicional e da própria religião.
Também pode-se perguntar a que se referia Fitafuso quando citou as “armas semelhantes” à imprensa, no conjunto de aliados do diabo na tarefa de retirar o homem do seu caminho cristão e da compreensão das coisas. Provavelmente tinha em vista os livros e teorias com as quais se debatia na época, mas, estivesse escrevendo em 2021, Lewis diria pelo diabo, com todas as letras, que Facebook, Twitter, Whatsapp, Instagram etc., atuam no mesmíssimo sentido de destruição da fé em Deus e da religião pelo selo ameaçador que possui sobre a liberdade de expressão. Vozes discordantes são canceladas, nenhuma oposição é permitida. Alguém garante que os textos bíblicos seriam publicados sem restrições em uma dessas plataformas? Sua excelência, o algoritmo, permitiria?
O forçamento e limitação da comunicação global às plataformas big tech’s atende plenamente outro conselho do diabo ao sobrinho. Disse o Fitafuso em certo trecho do livro que “o problema da argumentação é que ela leva a batalha para o campo do Inimigo. Ele também pode argumentar”. Com isso, o diabo requer um território no qual seja imbatível, um no qual o argumento não tenha espaço. Lembrou o “lugar de fala”? É um bom exemplo. Quando, em qualquer circunstância, ele for negado, estará em curso uma manifestação diabólica – de impedimento do argumento, nos termos de C. S. Lewis. O domínio da linguagem, ao modo sugerido pelo diabo distribui termos que dispensam qualquer elaboração acerca do seu significado. Outro exemplo é o “negacionismo”. Esta palavra, antes associada quase exclusivamente ao holocausto promovido pelo nazismo, foi primeiramente capturada pelos aquecimentistas climáticos e, agora, aproveitada pela “covideiros”, para interditarem um justo debate acerca de argumentos que podem ser tão somente carregados de ceticismo, de prudência, ou pertencerem ao senso comum.
Ouso dizer, em vista das transformações em curso, e da evidente subordinação humana a condições e regramentos dos quais não participa a não ser como plateia obediente, sem que possa pensar, expressar, agir e cumprir seu destino livremente, que este é um bom momento para levar a sério as “cartas do diabo”. Quem sabe, cada um de nós, que enxergamos o missivista, deva elaborar e realizar respostas à altura e, se possível, ridicularizá-lo, como recomendou Lutero.
*Conteúdo enviado pelo autor a Conservadores e Liberais.
Valterlucio Bessa Campelo escreve contos e opiniões em seu BLOG
CINZAS - 23/02/2021
Érika Figueiredo
Aproveite essa Quaresma para transformar seu modo de pensar e suas atitudes no mundo.
Carnaval significa “a festa da carne”. Originariamente, desde a idade média, significava três dias de celebração, que antecediam a Quaresma, uma época de recolhimento, oração, jejum e penitência, na qual mergulhava a Humanidade, em uma reflexão profunda sobre o sofrimento de Cristo, que morreu por nós.
A quarta feira de cinzas é, justamente, o marco do encerramento dessa euforia, nessa tradição que perdura ao longo dos séculos, nos mais distintos cantos do mundo, para um mergulho interior, que antecede a Páscoa, no período chamado de Quaresma, quando recordamos a morte e a ressurreição de Jesus.
A alusão às cinzas, no dia do término dos festejos, decorre dessa citação contida em Genesis, para que nos lembremos que do pó viemos e ao pó retornaremos, fazendo um balanço de nossas vidas e escolhas, de tudo que valorizamos e repelimos, a fim de buscarmos o sentido de nossa existência. Afinal, se o Cristo sacrificou-se por nós, temos que fazer por merecer...
Infelizmente, no mundo moderno, está fora de moda falar de religião, de Quaresma, e de qualquer outro tema que nos remeta ao senso de dever, ou a qualquer tipo de freio dos nossos instintos e prazeres. É antiquado ser cristão.
A urgência que impregna as relações, as atitudes, os pensamentos, os desejos e comportamentos, aliada à inconsequência e aos excessos de nosso tempo, transformaram os festejos de carnaval em um show de horror, obscenidade, vulgaridade e pecado, sem precedentes, aqui no Brasil, que duram por até duas semanas.
O país para, e todos se entorpecem, como se não houvesse amanhã, deixando as responsabilidades de lado, para cair na folia. É como se esse torpor fosse capaz de apagar os problemas, as tristezas, as dificuldades da vida, numa perda dos freios e dos limites, que naturalmente se impõem.
Não há como esquecer o que fizeram com a imagem do Cristo, na Marques de Sapucaí. Tampouco a perda do pudor e da lucidez, nos blocos que pipocam pelas cidades. O carnaval não é mais a celebração da vida, mas sim, uma visão do Apocalipse.
Do pó viemos e ao pó retornaremos...é preciso ter isso em mente, e não perder de vista essas palavrinhas que dizem tanto, sobre a vida e o memento mori (momento de nossa morte). Pois, se de nosso corpo só restarão cinzas, é preciso cuidar da alma, esta sim, imortal. E não é possível tirar férias da alma, nem no Carnaval...
Para que possamos fitar o rosto de Deus, na hora de nossa morte, necessário se torna viver uma vida que tenha sentido, evoluindo como seres humanos, cumprindo as missões que nos foram destinadas e buscando a paz que nos foi tirada. O compromisso é pessoal e intransferível. Não admite fugas nem adiamentos.
É, evidentemente, muito difícil. O caminho da porta estreita é para poucos. Vencer as más inclinações e buscar o bem, em um mundo repleto de tentações, é um desafio diário. É preciso ter muita disciplina e bastante equilíbrio, ante às facilidades que se apresentam, e as portas largas que se abrem.
Falar do Carnaval e da Quaresma é importante, porque é necessário fazer um balanço honesto da vida que se leva, o ano todo. Há, infelizmente, muitos de nós, que acreditam que todo dia seja dia de divertimento, prazer, loucura e excessos, mergulhando nos vícios, na promiscuidade, nas festas e bares, no culto excessivo do corpo e do sexo, sem limitação. Deixando responsabilidades, família, religião, trabalho em segundo plano. Vivendo uma falsa alegria que se repete infinitamente.
Essa porta da euforia, que é larga e fornece acesso a quem queira entrar nesse caminho, infelizmente não permite que se conheçam as três grandes maravilhas desta vida, que dão sentido a tudo que nos acontece, e nos fornecem força para superarmos os obstáculos: a verdade, o amor e Deus.
Apenas quem passa pela porta estreita da verdade, pode conhecer o que esta encerra- o amor verdadeiro e a fé plena e irrestrita em Deus. Sem estes, quando voltarmos a ser pó, não teremos aproveitado a nossa passagem por este mundo para evoluirmos, nos tornando seres humanos melhores. O que significa que, de nossas cinzas, nada restará, pois nossa alma não se elevará ao alto, já que não cuidamos dela, quando nos foi dada essa oportunidade.
É preciso entender que a vida não se esgota no prazer. Ela é muito mais do que isso. Vida é tarefa, é missão, é serviço ao próximo, é amor ao semelhante. Vida é o que acontece todos os dias, e dentro de nossas funções e responsabilidades, vamos dando sentido à nossa existência.
Ame a Deus, cuide dos seus, desempenhe suas tarefas sem reclamar, não culpe ninguém pelos seus infortúnios, goste da sua vida. Não amaldiçoe seus problemas. Não desista de caminhar. Você tem muito mais do que merece, e faz muito menos do que precisa. Não faça corpo mole.
E, como que por um milagre, você de repente verá as coisas se encaixando, o futuro se transformando em presente, bem à frente dos seus olhos, os seus projetos acontecendo. Porque, para quem busca a verdade, a recompensa sempre vem. De um modo ou de outro, ela chega. E você perceberá que o propósito de sua vida foi alcançado.
Aproveite essa Quaresma para transformar seu modo de pensar e suas atitudes no mundo. Escolha a porta estreita da verdade. Vai doer, no início. Mas vai te libertar.
“Fé é acreditarmos naquilo que não vemos, e a recompensa dessa fé, é vermos aquilo no que acreditamos”. Mahatma Gandhi.
“O propósito da vida é encontrar o fardo mais pesado que você pode carregar e carregá-lo”. Jordan B Peterson.
* Publicado originalmente no excelente Tribuna Diária, em 22 de fevereiro de 2021
** A Dra. Érika Figueiredo é Promotora de Justiça no MP/RJ
UMA BREVE ENTREVISTA NO FUTURO COM UM MORTO DE IDEIAS ATUAIS - 19/02/2021
Valterlucio Bessa Campelo
Ocorreu-me, depois de algumas leituras e confrontando-me com fatos recentes intensamente divulgados,ao invés de emitir uma opinião, como ouso frequentemente neste espaço, fazer uma rápida entrevista (rogo benevolência, dado que não sou jornalista) com um famoso escritor falecido, sim, falecido em 1950 aos 46 anos de idade. Ele será reconhecido por seus leitores pela foto acima ou nas primeiras linhas a seguir. Quem não o leu deveria correr pra livraria mais próxima. A entrevista se realiza em 2030e trata de nosso tempo. Ele responde em 1949. Calma, você entenderá.
Eu: Considerando o ano de 2021, você concordaria que a sociedade global perdeu a privacidade e o direito à livre expressão?
Ele: Claro, não havia como saber se você estava sendo observado num momento específico. Tentar adivinhar o sistema utilizado pela Polícia das Ideias para conectar-se a cada aparelho individual ou a frequência com que o fazia não passava de especulação. Era possível inclusive que ela controlasse todo mundo o tempo todo. Fosse como fosse, uma coisa era certa: tinha meios de conectar-se a seu aparelho sempre que quisesse. Você era obrigado a viver — e vivia, em decorrência do hábito transformado em instinto — acreditando que todo som que fizesse seria ouvido e, se a escuridão não fosse completa, todo movimento examinado meticulosamente.
Eu: Então se tratava de uma superestrutura que, provavelmente, gerava resistência. Havia na época algum adversário real? De que modo ele era conhecido?
Ele: Sim. Emmanuel Goldstein, era o Inimigo do Povo.(...). Diariamente havia a programação de Dois Minutos de Ódio e o principal personagem era sempre Goldstein. (...). Goldstein atacava o Grande Irmão, denunciava a ditadura do Partido, exigia a imediata celebração da paz com a Eurásia, defendia a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, a liberdade de reunião, a liberdade de pensamento. O mais horrível dos Dois Minutos de Ódio não era o fato de a pessoa ser obrigada a desempenhar um papel, mas de ser impossível manter-se à margem. Depois de trinta segundos, já não era preciso fingir. Um êxtase horrendo de medo e sentimento de vingança, um desejo de matar, de torturar, de afundar rostos com uma marreta, parecia circular pela plateia inteira como uma corrente elétrica, transformando as pessoas, mesmo contra sua vontade, em malucos a berrar, rostos deformados pela fúria. Mesmo assim, a raiva que as pessoas sentiam era uma emoção abstrata, sem direção, que podia ser transferida de um objeto para outro como a chama de um maçarico.(...). Em seu segundo minuto, o Ódio virou desvario. As pessoas pulavam em seus lugares, gritando com toda a força de seus pulmões no esforço de afogar a exasperante voz estertora que saía da tela. (...). Ao fim, todos gritavam, Big Brother! Big Brother!
Eu: Mas o pensar é livre. Devia haver um modo de pensar contra o sistema de repressão da liberdade de pensamento e de expressão, juntar essa massa crítica, criar uma resistência ao Big Brother. Ou não?
Ele: O pensamento-crime não era uma coisa que se pudesse disfarçar para sempre. Você até conseguia se esquivar durante algum tempo, às vezes durante anos, só que mais cedo ou mais tarde, com toda a certeza, eles o agarrariam.(...). O pensamento-crime não acarreta a morte: o pensamento-crime é a morte.
Eu: Historicamente, a juventude sempre se mostra disposta a revoluções, a mover o mundo a favor da liberdade. Como se comportava?
Ele:Quase todas as crianças eram horríveis atualmente. O pior de tudo era que, por meio de organizações como a dos Espiões, elas eram transformadas em selvagens incontroláveis de maneira sistemática — e nem assim mostravam a menor inclinação para rebelar-se contra a disciplina do Partido. Pelo contrário, adoravam o Partido e tudo que se relacionasse a ele. As canções, os desfiles, as bandeiras, as marchas, os exercícios com rifles de brinquedo, as palavras de ordem, o culto ao Grande Irmão —tudo isso, para elas, era uma espécie de jogo sensacional. Toda a sua ferocidade era voltada para fora, dirigida contra os inimigos do Estado, contra os estrangeiros, os traidores, os sabotadores, os criminosos do pensamento. Chegava a ser natural que as pessoas com mais de trinta anos temessem os próprios filhos.
Eu: Em que bases se sustentava essa tirania? Vê-se que não era apenas pela força.
Ele: Os sagrados princípios do Socing (Socialismo Inglês). Novilíngua, duplipensamento, a mutabilidade do passado.
Eu: Como funcionam esses princípios?
Ele: Apenas em sua própria consciência que, de todo modo, em breve seria aniquilada. E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido — se todos os registros contassem a mesma história —, a mentira tornava-se história e virava verdade. “Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, rezava o lema do Partido. E com tudo isso o passado, mesmo com sua natureza alterável, jamais fora alterado. Tudo o que fosse verdade agora fora verdade desde sempre, a vida toda. Muito simples. O indivíduo só precisava obter umasérie interminável de vitórias sobre a própria memória. “Controle da realidade”, era a designação adotada. Em Novilíngua: “duplipensamento”.
Saber e não saber, estar consciente de mostrar-se cem por cento confiável ao contar mentiras construídas laboriosamente, defender ao mesmo tempo duas opiniões que se anulam uma à outra, sabendo que são contraditórias e acreditando nas duas; recorrer à lógica para questionar a lógica, repudiar a moralidade dizendo-se um moralista, acreditar que a democracia era impossível e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo o que fosse preciso esquecer, depois reinstalar o esquecido na memória no momento em que ele se mostrasse necessário, depois esquecer tudo de novo sem o menor problema: e, acima de tudo, aplicar o mesmo processo ao processo em si. Esta, a última sutileza: induzir conscientemente a inconsciência e depois, mais uma vez, tornar-se inconsciente do ato de hipnose realizado pouco antes. Inclusive entender que o mundo em “duplipensamento” envolvia o uso do duplipensamento. (...).
Eu: Mas o passado existe, os fatos do passado determinaram o presente.
Ele: O passado não fora simplesmente alterado; na verdade fora destruído. Pois como fazer para verificar o mais óbvio dos fatos, quando o único registro de sua veracidade estava em sua memória?
Esse processo de alteração contínua valia não apenas para jornais como também para livros, periódicos, panfletos, cartazes, folhetos, filmes, trilhas sonoras, desenhos animados, fotos — enfim, para todo tipo de literatura ou documentação que pudesse vir a ter algum significado político ou ideológico. (...). A história não passava de um palimpsesto, raspado e reescrito tantas vezes quantas fosse necessário. Uma vez executado o serviço, era absolutamente impossível provar a ocorrência de qualquer tipo de falsificação. A maior seção do Departamento de Documentação, muito mais ampla do que aquela em que Winston trabalhava, era composta de pessoas cuja única obrigação era localizar e recolher todos os exemplares de livros, jornais e outros documentos que tivessem sido substituídos e precisavam ser eliminados.
Eu: Isso que você chama de Novilíngua, como funcionava em 2021?
Ele: Estamos dando os últimos retoques na língua — para que ela fique do jeito que há de ser quando ninguém mais falar outra coisa. Depois que acabarmos, pessoas como você serão obrigadas a aprender tudo de novo. Tenho a impressão de que você acha que nossa principal missão é inventar palavras novas. Nada disso! Estamos destruindo palavras — dezenas de palavras, centenas de palavras todos os dias. Estamos reduzindo a língua ao osso. (...). Se você tem uma palavra como “bom”, qual é a necessidade de uma palavra como “ruim”? “Desbom” dá conta perfeitamente do recado. (...). “Lá por 2050 —ou antes, talvez —todo conhecimento real de Velhalíngua terá desaparecido. Toda a literatura do passado terá sido destruída. Chaucer, Shakespeare, Milton, Byron existirão somente em suas versões em Novilíngua, emque, além de transformados em algo diferente, estarão transformados em algo contraditório com o que eram antes. A literatura do Partido será outra.
Eu: A quem se dirige as suas reflexões?
Ele: Ao futuro ou ao passado, a um tempo em que o pensamento seja livre, em que os homens sejam diferentes uns dos outros, em que não vivam sós — a um tempo em que a verdade exista e em que o que for feito não possa ser desfeito: Da era da uniformidade, da era da solidão, da era do Grande Irmão, da era do duplipensamento — saudações!
***
Voltei. Os textos-respostas foram recortados do livro 1984, de George Orwell.Sobre ele, Aldous Huxley, autor de “Admirável Mundo Novo”, lançado em 1932, disse em carta a Orwell: “Dentro da próxima geração, eu acredito que os governadores do mundo irão descobrir que o condicionamento infantil e a narco-hipnose são mais eficientes, como instrumentos de governança, do que porretes e prisões, e que a cobiça pelo poder pode ser completamente satisfeita ao sugerir que as pessoas amem a sua servidão, ao invés de chicoteá-las e chutá-las à obediência. Em outras palavras, eu sinto que o pesadelo de 1984 está destinado a ser modulado ao pesadelo de um mundo mais semelhante ao que eu imaginei em Admirável Mundo Novo”.
Em referência, sugiro ler/reler o livro. Se tiver mais um tempinho, veja AQUI a primeira adaptação do livro para o cinema, em 1956.
Valterlucio Bessa Campelo escreve opiniões e contos eventualmente em seu BLOG
* Enviado pelo autor para publicação em Conservadores e Liberais.
EMPATIA É FUNDAMENTAL PARA ENTENDER O FORA-BOLSONARO - 06/02/2021
Gilberto Simões Pires, em Ponto Crítico
A EMPATIA É O CAMINHO
Diante de tantos movimentos montados e organizados com o propósito de exigir o imediato AFASTAMENTO do presidente Jair Bolsonaro e, se possível, também do seu vice, Hamilton Mourão, todos devidamente apoiados pela MÍDIA ABUTRE, cujo poder de influência e/ou convencimento não pode ser ignorado, e muito menos desprezado se for levado em conta a forte doutrinação ideológica que foi injetada dia após dia na mente do povo brasileiro ao longo dos últimos 30 anos, entendo que só a EMPATIA é capaz de esclarecer quais as razões que estão levando tantos brasileiros a querer, o quanto antes, o FORA-BOLSONARO.
VANTAGENS E PRIVILÉGIOS
Como se sabe, a EMPATIA é a capacidade psicológica de você sentir o que uma outra pessoa sente caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela, ou seja, procurar experimentar de forma objetiva e racional o sentimento e as emoções que um outro está sentindo. Pronto. A partir daí já fica muito claro que o fato do governo atual mostrar disposição para diminuir, se possível acabar, com uma série de vantagens e privilégios -nojentos e injustos-, que foram se acumulando ao longo do tempo do nosso imenso Brasil, é mais do suficiente para entender o quanto os beneficiados precisam se organizar para brecar a necessária vontade do presidente.
O CASO DA MÍDIA
No caso da mídia, desde o momento em que Bolsonaro resolveu que daria um basta definitivo na FESTA DA PUBLICIDADE GOVERNAMENTAL, que transferia RECURSOS PÚBLICOS ESPETACULARES para os cofres das grandes emissoras de Rádio e TV, notadamente para a Rede Globo, que detém maior audiência nacional, aí foi deflagrada a maior batalha, cuja pretensão é expor, ao mundo todo, a bandeja com a cabeça do presidente.
O CASO DOS SERVIDORES PÚBLICOS
No caso dos SERVIDORES PÚBLICOS, tanto a REFORMA DA PREVIDÊNCIA quanto a REFORMA ADMINISTRATIVA (que propõe que os novos funcionários tenham menos privilégios) revoltou a categoria. Como a MÍDIA ABUTRE precisava de aliados para voltar a receber as fantásticas e já tradicionais verbas de publicidade, os anseios das CORPORAÇÕES foram muito bem recebidos para engrossar o movimento FORA BOLSONARO.
O CASO DO POVO MAL ESCLARECIDO
No caso do POVO EM GERAL, por força de uma inegável subtração do esclarecimento que a bem da verdade deveria ser o único propósito dos noticiários que vão ao ar na expressiva MÍDIA ABUTRE, o que se vê é uma triste DISTORÇÃO DA REALIDADE. Assim, grande parte do povo se torna vítima de uma MASSA DE MANOBRA que faz do presidente o ALGOZ DE TUDO E VÍTIMA DE NADA. Daí o fato de que muita gente acredita, piamente, que o presidente Bolsonaro é o grande e único responsável pela PANDEMIA, pelo DESEMPREGO, pelo DÉFICIT PÚBLICO, pelo NÃO ANDAMENTO DAS REFORMAS NO CONGRESSO, pelas DECISÕES ESTAPAFÚRDIAS DO STF, etc., etc...
LISTA DE PROJETOS
Pois, mesmo sabendo que as FORÇAS DO MAL vão continuar pressionando contra as ameaçadoras perdas de privilégios e/ou vantagens, o presidente Jair Bolsonaro fez, ontem, na abertura dos trabalhos do Congresso Nacional, um pronunciamento pra lá de correto:
Indicou aos novos presidentes da Câmara e do Senado 35 PROJETOS que gostaria de ver aprovados neste ano. Deste total, 20 projetos foram colocados na categoria de PRIORITÁRIOS e para outros 15 pediu agilidade no Senado.
O governo dividiu os projetos em grupos. Há uma lista de pautas com efeito no curto prazo, porque já estão em tramitação e só dependem neste momento da aprovação em uma das casas para que sejam sancionadas. Há nove projetos nessa categoria nas duas casas. Entram aí o projeto de AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL, A LEI DO GÁS e o PROJETO DE CABOTAGEM (conhecido como “BR do Mar”).
Eis aí a lista completa dos PROJETOS:
- Câmara dos Deputados
- Curto prazo
PLP 19/2019 – Autonomia do Banco Central
PL 4476/2020 - Lei do Gás (Marco regulatório do gás)
PL 3877/2020 - Depósitos voluntários (autoriza o acolhimento de depósitos voluntários de instituições financeiras pelo Banco Centra)
PL 6726/2016 - Teto Remuneratório (define quais pagamentos serão submetidos ao teto do funcionalismo)
PL 3515/2015 – Superendividamento (lei para aperfeiçoar a disciplina do crédito ao consumidor e dispor sobre a prevenção e o tratamento do superendividamento)
Retomada dos Investimentos
PEC 45/2019 - Reforma Tributária
PL 2646/20 - Debêntures (cria um novo instrumento financeiro, chamado de debêntures de infraestrutura, para financiar projetos nas áreas de infraestrutura)
PL 5877/2019 - Privatização da Eletrobras
PL 5387/2019 – Marco legal do mercado de câmbio
PL 191/2020 - Mineração em terras indígenas
Costumes
PL 6438/2019 - Posse de armas de fogo
PL 6125/2019 - Excludente de ilicitude
PL 3780/2020 - Aumento de pena para abuso sexual em menores
PL 6093/2019 - Documento único de transporte
PL 1776/2015 - Inclui pedofilia como crime hediondo
PL 2401/2019 - Ensino doméstico
Outras pautas
PEC 32/2020 - Reforma Administrativa
PL 3729/2004 - Licenciamento Ambiental
PL 5518/2020 - Concessões Florestais
PL 2633/2020 - Regularização Fundiária
Senado
Curto prazo
PL 4.199/2020 - Cabotagem (BR do Mar)
PLP 146/2019 – Marco legal das startups
PL 7.843/2017 - Eficiência Administrativa
PL 5191/2020 - Cria o Fundo de Investimento Agrícola (Fiagro)
Retomada de investimentos
PLS 261/2018 - Ferrovias
PL 3178/2019 – Modifica a partilha de petróleo e gás
PLS 232/16 - Modernização do setor elétrico
Pauta fiscal
PEC 186/20195 - PEC Emergencial
PEC 187/2019 - PEC dos Fundos
PEC 188/2019 - Pacto Federativo
PLP 137 - Uso de recursos de fundos para gastos da pandemia
Costumes
PL 3723/2019 - Ampliação da posse de armas
PLS 216/2017 - Revisão da lei de drogas
PLC 119/2015 - Altera o estatuto do índio em relação ao infanticídio
Outras pautas
PLC 8/2013 - Cobrança de pedágio (autoriza a implantação de sistema de livre passagem com identificação eletrônica em pedágios nas rodovias brasileiras, com cobrança proporcional ao trecho efetivamente percorrido pelo motorista)
ILUMINISTA OU ILUMINADO? - 05/02/2021
Alex Pipkin, PhD
O autodenominado “iluminista”, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, mais uma vez, proferiu opinião polêmica e imprópria.
Ele atribuiu o impeachment da ex-presidente Dilma à falta de apoio político, e disse que as “pedaladas fiscais” constituíram-se em uma “justificativa formal” para o processo.
Com base nos fatos, nas evidências e na verve do orador e artista Barroso, adorador dos holofotes, não tenho dúvida de que ele está muito mais para “o iluminado” do que “iluminista”.
Penso que esse cidadão está no lugar errado, tendo em vista que a Suprema Corte deveria ser o lugar dos guardiões da Constituição, ao invés de abrigar políticos e/ou superestrelas que vestem toga.
Sou da velha guarda, lembrei de um dos melhores filmes que assisti na minha vida.
“O iluminado”, conta a história de um ex-professor e aspirante a escritor, Jack Torrence - Jack Nicholson está espetacular no papel - que aceita o emprego de zelador no Hotel Overlook durante o período do inverno. Ele leva sua esposa e o filho pequeno com poderes espirituais, que de fato é “iluminado”.
Resumindo, Jack sucumbe a um estado mental atormentado, chegando à loucura.
Eu não sei… essa turma do STF, acha-se superior, mais iluminada do que os reles mortais, dotada de superpoderes, acima do bem e do mal.
Muitos nem em concurso público aprovam, mas talvez porque vivam numa torre de marfim, comam e bebam melhor que os comuns, e repletos de regalias, tenham oportunidades acadêmicas e culturais diferenciadas, acabam encarnando a figura de semideuses.
Um genuíno iluminista, é um ferrenho defensor das liberdades individuais, da ciência - de verdade - do conhecimento, por meio do uso da racionalidade, aspecto que passa longe das atitudes e das falas do Ministro Barroso.
Ademais, é inadmissível que um iluminista possa ser contra a liberdade de expressão que, sem dúvida, é geradora de novos conhecimentos e de diferentes perspectivas.
O Ministro Barroso e seus colegas já rasgaram à Constituição em várias ocasiões, e hoje representam a terrível insegurança jurídica que assola o país.
Ministros do STF deveriam julgar leis - não as inventar - de acordo com à Constituição, ou não?
Por que essa turma de “iluminados” continua fazendo política? Cruzes!
Ministro Barroso, por qué no te callas?
2020, O ANO QUE NÃO ACONTECEU? - 26/01/2021
Luiz Guedes da Luz Neto
Estamos ainda no início do ano de 2021 e muitas pessoas estão animadas com a perspectiva de um novo ano e com a possibilidade da realização dos seus planos. Quando se referem ao ano de 2020, tenho escutado de muitas que esse ano não teria acontecido. Como assim?
Quando pergunto por que elas afirmam que o ano passado não teria acontecido, costumo ouvir que o ano de 2020 foi muito ruim, que deveria ser riscado da vida delas.
Lamento dizer às pessoas que estão com o mesmo pensamento acima mencionado que o ano de 2020 aconteceu, independente de elas quererem ou não. Além disso, arrisco dizer que 2021 pode se tornar uma nova versão de 2020, uma espécie de 2020.2, se as pessoas não começarem a exigir o cumprimento dos seus direitos fundamentais de primeira geração, em especial os direitos relacionados à liberdade de ir e vir, à livre iniciativa, à liberdade de expressão, à propriedade privada etc.
Importante, para que 2020 não se repita, que a população combata efetivamente uma falácia muito alardeada no ano passado e que continua a ser em 2021: de que a economia pode ser deixada para depois. Com essa narrativa mentirosa e maliciosa, vários governantes promoveram uma das maiores quebras de empresas e aumento do desemprego no Brasil e no mundo, além da supressão dos direitos fundamentais supramencionados.
A quebra da economia (ou pelo menos um grande abalo) não é uma alternativa para as pessoas, pois todos estamos inseridos na economia, de alguma forma. Até mesmo o ente estatal está inserido nessa realidade, pois é, em regra, financiado pela arrecadação dos tributos (impostos + taxas + contribuições) e, a atividade econômica sofrendo uma diminuição, há reflexo direto também na arrecadação dos tributos, no financiamento da máquina pública. Então, antes de repetir slogans apresentados nas mídias, pense um pouco sobre.
Sem emprego e renda, as pessoas não têm como alimentar-se adequadamente, como tratar da saúde, como ter acesso a medicamentos, a atendimento médico-hospitalar, tratamento odontológico, entre outros.
Ademais, é importante, no ano de 2021, uma ampla auditoria nas contas públicas para verificar a legalidade e regularidade das compras ocorridas durante o período de pandemia, no qual houve uma frouxidão nas regras das compras realizadas pelos órgãos estatais. Como efetivamente o dinheiro público foi empregado nesse período? Essa pergunta precisa ser respondida adequadamente.
Medidas legais também podem e devem ser questionadas pela população, em especial quando são contrárias à lógica do bem comum. Um exemplo típico de conduta governamental, que apesar de legal, é contrária à população, foi o aumento descomunal da alíquota do ICMS no estado de São Paulo. Depois da pressão de vários grupos, o governo daquele estado publicou no dia 15/01/2021 decreto revogando os reajustes para insumos agropecuários, hortifrutigranjeiros, energia elétrica e medicamentos genéricos. Isso mesmo, o governo de São Paulo tentou aumentar o ICMS sobre medicamentos genéricos, não obstante ter sido o governador de São Paulo “eleito” por algumas revistas como o “grande benemérito” da vacina contra o Covid-19.
Afirmar que o ano de 2020 não aconteceu significa, na prática, anistiar os gestores públicos que tomaram medidas ilegais e abusivas contra a população, gerando milhares de desempregados e aumentando a dependência de auxílios governamentais, a exemplo do auxílio emergencial.
Lockdowns não serviram ao intento alardeado pelas autoridades públicas, que seria o controle da taxa de contágio do vírus e, com isso, menos mortes. Serviu apenas como um mecanismo de quebra dos empreendimentos, em especial dos pequenos e médios, que não têm caixa suficiente para sobreviver a um período longo de fechamento. E você sabe qual o custo do desemprego?
Um estudo interessante, realizado na crise do subprime (2008), abrangendo os anos de 2008 e 2009, publicado na revista Harvard Public Health, afirma que houve um aumento em 83% das chances de novos problemas de saúde, condições relacionadas ao estresse, como AVC, hipertensão, artrite, problemas emocionais, psiquiátricos, enfarto. Além disso, o risco de morte também aumentou consideravelmente. Vale a pena a leitura do estudo mencionado. Clique aqui para ler. As premissas do estudo são válidas para a crise criada pela resposta governamental ao COVID-19.
Ademais, é importante, no ano de 2021, uma ampla auditoria nas contas públicas para verificar a legalidade e regularidade das compras ocorridas durante o período de pandemia, no qual houve uma frouxidão nas regras das compras realizadas pelos órgãos estatais. Como efetivamente o dinheiro público foi empregado nesse período? Essa pergunta precisa ser respondida adequadamente.
O poder de polícia e o monopólio da força do estado não devem ser utilizados contra a população, especialmente quando fundados em medidas arbitrárias e, muitas vezes, contrárias às verdadeiras evidências científicas. E ciência não é um credo, que não pode ser contestado. Ao contrário, é da essência da ciência a contestação, a verificação dos dados e das hipóteses com o fim de responder, da melhor forma possível, ao problema de pesquisa.
Porém, vários governantes escolheram as suas “ciências” e, de forma arbitrária, submeteram a população a medidas sanitárias ineficazes (imposição de lockdowns, fechamento das atividades econômicas consideradas, pelo estado, como não essenciais – essa seleção em si mesma é extremamente arbitrária e autoritária), sem admitirem contestação, em flagrante desrespeito aos valores democráticos.
Espero que em 2021 as pessoas deixem de ser passivas e se tornem cidadãs. Cidadãos que reivindiquem os seus direitos e que saibam organizar grupos de pressão para pressionar os governos a adotar medidas razoáveis em prol da sociedade civil, e não apenas em favor dos seus credos científicos e desejo de mais poder. Caso contrário, outros 2020’s poderão se repetir.
*O autor é mestre em Direito Econômico pela UFPB e advogado.
O ALEATÓRIO E AS MENTES - 23/01/2021
Alex Pipkin, PhD
O economista Armen Alchian foi certeiro quando afirmou que o êxito ou o fracasso de um determinado projeto não dependem necessariamente de uma grande habilidade ou incompetência, e sim de “circunstâncias fortuitas”. Os processos aleatórios são onipresentes em todas as esferas da nossa existência.
Analisando os acontecimentos da minha vida, sem dúvida, eu consigo identificar alguns eventos aleatórios, aparentemente inconsequentes, que me conduziram a grandes mudanças na minha trajetória.
Assim acontece com países, empresas e indivíduos.
Contudo, é bom não dar sorte para o azar. Estudo, preparo, experiências pragmáticas, vontade de fazer acontecer e foco são essenciais.
Mas nesse mundo da disrupção tecnológica, das cadeias globais de valor, da colaboração, da necessidade de complementação de recursos e de capacidades com parceiros estratégicos, e sobretudo, do império das inovações, é fundamental olhar para além do foco, que em algumas situações pode ser estreito.
Tendo sido afirmado que ninguém é uma ilha! Países, empresas e indivíduos dependem de uma rede de conexões com terceiros (vide o tema atual das vacinas!).
Eu diria que a mais grandiosa missão estratégica para as organizações, hoje, é justamente integrar e coordenar as iniciativas estratégicas com todos os membros da cadeia de valor estendida. E neste sentido, há farta literatura suportando que as inovações emergem exatamente dos relacionamentos colaborativos com os parceiros de negócios.
Oportunidades de inovar também podem surgir de encontros aparentemente aleatórios, misturando o foco do negócio a maravilhosa abertura para o desconhecido, projetando e testando novas soluções para os mercados.
Estamos basicamente falando do conceito de serendipidade, ou seja, uma circunstância ou capacidade de descobrir coisas boas por mero acaso, sem previsão.
É muito salutar que empresas eficientes pensem e atuem desta maneira, afinal de contas, são os negócios e as empresas que farão a diferença mais fundamental para a sorte econômica de um determinado lugar.
Entretanto, para que essas oportunidades possam se materializar, é vital ter a mente aberta e receptiva ao “inesperado e diferente”.
E é aqui que eu começo a entristecer e ficar desesperançado com relação aos indivíduos “modernos”.
Nossos homens e mulheres solidificaram as mentes e os corações. Jovens não mais atentam para o fato de que o conhecimento e as experiências deveriam fazê-los refletir sobre suas posições.
Atualmente, todos parecem conhecer “a verdade”, sendo essa diferente dependendo de seus grupos de pertencimento.
O que mais se vê são intolerância e ilusão, que tecnicamente eu chamaria de viés de confirmação. Claro, tenta-se provar que as nossas crenças e ideias - equivocadas e isentas de evidências - é que são as corretas.
Aliás, nada novo. Em 1620, o filósofo Francis Bacon, afirmou que “a compreensão humana, após ter adotado uma opinião, coleciona quaisquer instâncias que a confirmem, e ainda que as instâncias contrárias possam ser muito mais numerosas e influentes, ela não as percebe, ou então as rejeita, de modo que sua opinião permaneça inabalada”.
As mentes se fecharam! Desconsideram-se opiniões alheias, e mais, condenam-se.
Esta é a razão da desesperança, pois se não há troca efetiva de ideias, não existe evolução de ideias e inovações; há apequenamento nas tocas e estagnação.
É o contraditório racional e factível que nos faz evoluir; o experimentar e o refletir sobre visões distintas nos fazem descobrir em quê de fato acreditamos.
A liberdade de expressão está indo para o ralo, especialmente, pela pura rejeição a ideias diferentes daquelas que um indivíduo professa.
Com esta indecente situação, não só se tem mais divisão social, como também se colocam antolhos que impedem aos indivíduos aproveitarem as oportunidades aleatórias que nos permitem inovar, crescer e melhorar nossas condições humanas.
MÍDIA, AYRES BRITO E SCHOPENHAUER – TUDO A VER - 22/01/2021
Valterlucio Bessa Campelo
Carlos Ayres Brito, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, hoje em dia superadvogado de supercausas junto aos supertribunais, disse em entrevista recente que, do ponto de vista jurídico, o presidente Jair Bolsonaro cometeu crimes de responsabilidade que justificariam um processo de impeachment contra ele. Abaixo alguns trechos da entrevista, retiradas do site da Folha de S. Paulo
“O povo diz ‘saúde é o que interessa, o resto não tem pressa’, a Constituição, que saúde é dever do Estado e direito de todos. Salta aos olhos: ele promove aglomerações, não tem usado máscara, não faz distanciamento social. Respostas como ‘e daí? ou, ‘não sou coveiro’ não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?”, questionou o ex-ministro do STF.
“Se o presidente não adota políticas de promoção da saúde, segmentos expressivos da sociedade —a imprensa à frente— passam a adverti-lo de que saúde é direito constitucional. Prioridades na Constituição não estão sendo observadas: demarcação de terra indígena, meio ambiente”, lembrou Ayres Brito.
Ainda de acordo com o ex-ministro do STF, o impeachment é a “mais severa sanção” e “tem explicação”. “Somente se aplica àquele presidente que adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição. É um mandato de costas para a Constituição, se torna uma ameaça a ela. E aí o país se vê numa encruzilhada. A nação diz, “olha, ou a Constituição ou o presidente. E a opção só pode ser pela Constituição’, disse. Em outro momento, o ex-ministro afirmou que Bolsonaro merece um processo de impeachment pelo “conjunto da obra”.
O que vemos acima, sabe muito bem o ex-ministro, figurinha fácil diante de holofotes e microfones da imprensa, pode ser facilmente classificado no item falácia da ampliação indevida, proposto pelo filósofo alemão Artur Schopenhauer em sua dialética erística, publicada postumamente e popularizada como “38 estratagemas para ganhar uma discussão sem ter razão”. A julgar por sua entrevista, Ayres Brito é um falacioso descarado, que conta com o favor da mídia militante para reverberar seus falsos argumentos como verdadeiros.
Neste caso, Ayres Brito usa o estratagema da ampliação indevida. Trata-se, em síntese, do seguinte: Quanto mais genérica for a acusação, maior será a possibilidade de ataques a ela, portanto, a tese mais genérica é, também, a mais indefesa porque admite um número bem maior de ataques.
Quando, Ayres Brito diz que o “conjunto da obra” faz razão de pedir o impeachment ele, voluntariamente, abre um leque quase infinito de ataques ao presidente. Ou seja, qualquer declaração ou ação do Presidente em dois anos de mandato, pode ser apresentada como “prego” na construção da bomba que derrubaria seu mandato, embora, em si mesma nenhuma delas seja de fato relevante. Obviamente, Ayres Brito não faz essa argumentação medonha como jurista respeitável, ele fala como se ainda fosse filiado ao PT, onde militou por 18 anos. Seus antigos companheiros agradecem.
Por outro lado, fica o alvo – Bolsonaro, obrigado a se defender de todos os “pregos” argumentativos lançados diariamente, sem trégua, pela imprensa e políticos adversários. Aí está a falácia da ampliação. Ou Brito acha que a frase “não sou coveiro” derruba um presidente democraticamente eleito? Quem sabe, o não uso de máscara vira crime de responsabilidade? Soaria ridículo, se não fosse trágico. Na falta de motivos, ele apela para o meio ambiente, política indígena etc., somando tudo como um saco de batatas a que dá o nome de conjunto da obra.
Bem sabe Ayres Brito que, a não ser por novo salto triplo hermenêutico no STF, os argumentos elencados por ele mesmo são ridículos e “conjunto da obra” não enseja impeachment. Do contrário, a extensa trama político-administrativa que envolveu o mensalão teria derrubado Lula e a Dilma nem teria sido reeleita. Aliás, fica ele devendo o artigo que estaria tipificado o “conjunto da obra”.
Ciente disso, em outra frente, mais pragmática, mas no mesmo sentido, labuta agora o Deputado Rodrigo Maia, também conhecido pela alcunha “botafogo” nas planilhas da ODEBRECHT. Sugere o filho de César Maia (outro enrolado com a Justiça), que “não há como o governo escapar de uma Comissão Parlamentar de Inquérito - CPI em razão da questão da falta de oxigênio em Manaus”. Maia, o novo/antigo aliado da extrema-esquerda quer criar o “fato determinado” que caracterize uma CPI, para que daí surja um eventual crime de responsabilidade capaz de motivar um pedido de impeachment. Se tudo sair como planejado, o Baleia Rossi estará a postos como presidente da Câmara dos Deputados para o serviço seboso.
Voltemos a Schopenhauer. Da falácia da ampliação indevida decorrem outras formas de ganhar o debate sem ter razão. Uma delas é a mudança de sentido de frases ou palavras. Tomemos a declaração do ex-ministro em forma de pergunta: “Respostas como ‘e daí?’ ou ‘não sou coveiro’ não sinalizam um caminhar na contramão da Constituição?” Ora, é obvio que as frases infelizes do Bolsonaro não são mais do que isso mesmo - infelizes. Vistas em seu contexto, cada uma das respostas dadas pelo Presidente foi, no máximo, indelicada. Que história é essa de “caminhar contra a constituição”? Neste caso, Brito altera o sentido da frase de Bolsonaro (Schopenhauer explica) e o ataca sem nenhuma lógica. Novamente, está sendo intelectualmente desonesto.
Em outro trecho, Ayres Brito insinua que o presidente “adota como estilo um ódio governamental de ser, uma incompatibilidade com a Constituição. É um mandato de costas para a Constituição, se torna uma ameaça a ela”. Notaram a palavra ódio colocada na frase sem cabimento? Ela apareceu aí do nada? Não. No melhor estilo descrito pelo filósofo alemão ela foi inserida como sinônimo de qualquer coisa que se queira, para que se possa atacar este “ódio” fantasioso. Que contorcionismo hermenêutico encontraria sentido neste “ódio governamental”? Entretanto, o sujeito – Bolsonaro, terá que se defender dessa sinonímia picareta criada apenas para atacá-lo.
Enfim, percebe-se ao olhar de modo um pouquinho mais apurado, que nos dias de hoje a “verdade” lida nos jornalões não existe. A grande mídia morreu. A imprensa mainstream renunciou ao seu melhor papel, o da informação, e dedica-se exclusivamente a militar por uma causa – o progressismo e a necessária eleição de governos de esquerda. Para isto, atrai, como vimos, uma autoridade do mundo jurídico, o que também já está em Schopenhauer (argumento da autoridade), que se presta ao serviço de construir em entrevista flagrantemente guiada, uma falácia ampliada indevidamente, visando sustentar a viabilidade jurídica de um impeachment contra o presidente que se elegeu e se sustenta contra todo o establishment.
Tristemente, aos 78 anos de idade, Ayres Brito empresta seu brilho e história como constitucionalista a este embuste que o conluio mídia-justiça-parlamento concerta contra o voto legitimo do povo brasileiro. Retorna sob aplausos às suas origens petistas.
Nós, pessoas comuns, precisamos atentar que a luta não é simplesmente entre a orfandade de Lula abrigada em siglas de esquerda e o Bolsonarismo confuso que tenta falar à sociedade pelas mídias alternativas, mas entre visões de mundo opostas. Uma, de ruptura coletivista, assassina, autoritária e globalista e, outra, de avanço reformista, liberal, democrático e nacional. Este é, afinal, o jogo que está sendo jogado no mundo inteiro. A escolha é de lado e não de personagens.
* Valterlucio Bessa Campelo escreve opiniões e contos em seu BLOG
** Enviado pelo autor
O RISCO DA MODA VEGANA NOS PRESÍDIOS - 19/01/2021
Leandro G.M. Govinda
Em decisão polêmica, uma juíza de Goiânia determinou a soltura de uma advogada que estava presa preventivamente por suspeita de envolvimento com uma organização criminosa. De acordo com a decisão, a detenta era vegana e supostamente não estava recebendo alimentação adequada no presídio, razão pela qual a juíza substituiu a prisão por medidas cautelares diversas.
Antes de mais nada, cumpre notar que as decisões judiciais, como qualquer ato público, estão sujeitas ao escrutínio popular, afinal o poder exercido por magistrados, como os demais poderes estatais, emana do povo. Os processos judiciais são, em regra, públicos justamente para permitir que o cidadão possa acompanhar o trabalho do Poder Judiciário. Agora, esse direito à critica não se confunde com ataques pessoais e ameaças dirigidas a quem que proferiu a decisão, o que é inadmissível em uma sociedade livre.
Sobre a decisão propriamente dita, de fato, não foi acertada. Aparentemente, a juíza entendeu que a advogada presa, por ser vegana, necessitava de um cardápio especial. Não há dúvidas de que o Estado deve prestar assistência às pessoas presas, o que inclui fornecer alimentação suficiente e suprir as suas necessidades pessoais (artigos 10, 12 e 41, I, da Lei de Execução Penal). Isso não significa que o preso tem direito de escolher o que vai comer, afinal o refeitório da prisão não é um restaurante cinco estrelas com serviços à la carte. Perceba-se que a lei empregou a expressão “necessidades” pessoais e não “preferências” pessoais. O dicionário Michaelis ensina que “necessário” é aquilo “impossível de ser dispensado; obrigado a ser cumprido, inevitável”, ou seja, algo imperioso, impositivo. No caso da alimentação, algumas pessoas têm alergia a determinados alimentos, como o glúten. Essas pessoas, quando ingerem esse componente, têm reações que vão desde um desconforto intestinal até vômitos e diarreia, o que certamente pode colocar em risco a sua saúde. Nesse caso, pode-se dizer que é necessário oferecer alimentação sem glúten para um detento com essa condição. Mas repare-se que a pessoa não escolhe ser alérgica ao glúten. Essa alergia é inerente a determinados organismos humanos.
Já ser vegano é uma opção para aqueles que acreditam que a alimentação baseada unicamente em recursos vegetais proporciona mais qualidade de vida, além de não agredir o bem-estar dos animais. Só que essa opção, como tantas outras na vida, é própria das pessoas livres. Os grupos defensores de direitos humanos precisam entender que a pessoa presa não tem apenas a sua liberdade cercada. Enquanto preso, o sujeito sofre restrições de todo tipo e precisa se adaptar. Por exemplo, um cidadão que estava acostumado a dormir em uma cama king, com colchão ortopédico e travesseiros com plumas de ganso certamente terá dificuldades para dormir em uma cama de presídio e, como se sabe, noites mal dormidas podem causar danos à saúde. Igualmente, um praticante assíduo de natação, enquanto estiver preso, não poderá exercitar o seu nado, ainda que natação seja um dos esportes mais benéficos para a saúde humana. Eu mesmo tenho o hábito de tomar todos os dias de manhã um suco composto por cerca de 30 ingredientes, entre frutas, legumes, verduras e sementes. Esse suco custa caro e dá um trabalho danado para preparar (escolher os ingredientes no supermercado, lavá-los cuidadosamente, cortá-los em pequenos pedaços, separá-los em porções, batê-los no liquidificador e depois limpar toda a sujeira na cozinha, sob os olhos vigilantes da minha esposa), mas o médico nutrólogo que consultei garante vida longa e saudável para quem tomar esse suco diariamente. Apesar disso, em uma prisão, dificilmente encontraria um carcereiro disposto a preparar todos os dias esse suco especialmente para mim.
Da mesma forma, um vegano não tem nenhuma legítima expectativa de ser alimentado com um cardápio cuidadosamente balanceado como estava acostumado fora do cárcere. Aliás, causa estranheza um vegano ter dificuldades para se adaptar à dieta na cadeia. Não sei como é o cardápio no sistema prisional em Goiás, mas é improvável que falte alimentos de origem vegetal. No começo da minha carreira como Promotor de Justiça, fiscalizei os presídios na região metropolitana de Florianópolis e nunca ouvi um preso reclamar da falta de arroz, feijão, pão ou batata. Os itens escassos eram carne, frango, peixe e musse de chocolate, mas isso não deveria ser um problema para um vegano. De qualquer maneira, a ausência de um cardápio especial não seria motivo para conceder liberdade ao preso, assim como também não seria lícito soltar um detento porque ele não consegue dormir na prisão ou porque ele não pode praticar o esporte como usualmente fazia fora da cadeia. Se a pessoa quer conservar os seus hábitos, isso é apenas mais um motivo para não cometer nenhum crime, a fim de evitar a clausura, porque, uma vez presa, o cidadão deixa de gozar de certos privilégios próprios das pessoas livres, entre os quais escolher a sua dieta.
A magistrada de Goiânia até poderia estar preocupada com a saúde da detenta. O que talvez lhe passou despercebido é que a deterioração da saúde da advogada presa não foi causada pelo Estado, já que, ao que tudo indica, não havia outros presos em estado famélico nesse estabelecimento prisional. A saúde dessa detenta pode ter se debilitado porque ela se recusou comer o que lhe era servido. Daí a concluir que o Estado deveria satisfazer o exigente paladar da presidiária é um perigoso salto de complacência com pessoas que nem de longe merecem tamanha distinção.
* Artigo enviado ao site pelo autor. Leandro G.M. Govinda é Promotor de Justiça em Santa Catarina e aluno do Mestrado em Direito na Universidade George Washington em Washington D.C. Formou-se em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina e especializou-se em Direito Tributário pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Foi pesquisador do CNPq, Técnico e Auditor-Fiscal da Receita Federal e Procurador da Fazenda Nacional. Ex-Professor da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e da Escola do Ministério Público. Escreveu artigos publicados na Revista Tributária e de Finanças Públicas, na Revista Fórum de Direito Tributário, na Revista dos Tribunais (RTSUL), na Revista Eletrônica “Jus Navigandi” e no portal “Meu Site Jurídico”.
ESTADO, INCENTIVOS E O COLETIVISMO - 11/01/2021
Alex Pipkin, PhD
Os tempos são virulentos, mas não há doença que não seja debelada, e as vacinas estão aí.
Porém, há uma paralisia cognitiva e uma pujança dos instintos sobre a lógica que não aparenta ter cura. Estamos na era da pós-verdade, em que os fatos são desconsiderados em prol de determinadas crenças e desejos de verdades que encobrem falsidades aberrantes, essas solicitadas e pressionadas por vários grupos sociais e identitários.
Não se quer enxergar o ululante: os fatos existem independentemente de nossas afirmações e crenças.
É mesmo surreal, somos simultaneamente atores e espectadores de um filme de ficção científica ou de uma comédia política de Woody Allen.
Pseudointelectuais e filósofos da justiça social - em especial, claro, os franceses - com suas falas e escritas rebuscadas, mas vazias, arrotam mentiras científicas e reais fórmulas para a destruição, ganhando aplausos da massa incauta e, ironicamente, da grande mídia e de seus “especialistas”. O nefasto politicamente correto é a regra neste imenso mar de ignorância e de inverdades, não a exceção.
Os guerreiros da justiça social não só derrubam estátuas, rasgam clássicos da literatura e se negam a cantar hinos; eles também rejeitam a ciência e a biologia; homem não nasce mais homem, tampouco a mulher nasce mulher!
A ideologização passa por cima de todos e destrói tudo o que vê pela frente.
Porém, a mentira terminal para a vida dos comuns, é aquela que decorre da omissão dos genuínos fundamentos econômicos condutores da prosperidade, fruto do viés ideológico coletivista e da respectiva ignorância econômica.
Meu Deus! Políticas econômicas sabidamente destrutivas são cada vez mais pressionadas pelos defensores do fim das desigualdades sociais e, surpreendentemente, essas têm ganhado mais apoio das instituições e do público em geral.
Um misto de populismo - já que alguns sabem que tais políticas governamentais especificamente coletivistas resultarão em consequências desastrosas - e de burrice econômica. Nesse mundo da pós-verdade, essas ideias equivocadas e perigosas não andam, elas correm!
Quem com um mínimo de discernimento não enxerga que a benevolência de políticos despreparados, indolentes quanto a gestão dos recursos públicos, tem sistematicamente acumulado dívidas que se tornarão impagáveis?
Sem dúvida, precisamos de governo, mas de um governo limitado; o necessário. O governo deve garantir a defesa nacional, assegurar a justiça e a proteção da propriedade e das liberdades individuais. É ele quem fornece os serviços públicos, coletivos, e que cria a estrutura para que os mercados livres possam operar eficientemente.
Entretanto, a democracia disfuncional brasileira, capturada pelo estamento burocrático, tem acentuado os apelos e os pleitos por mais politicas redistributivas de renda. Aparenta que a nossa Constituição de 1988 aprofundou o caos redistributivo do Estado, deixando este de se limitar às suas funções essenciais, como preconizado pelo liberalismo clássico.
Os mercados não são perfeitos, assim como o governo também não o é.
O governo deve zelar pelos excessos indesejados do mercado, podendo intervir pontualmente a fim de corrigi-los.
Porém, normalmente, a intervenção estatal piora os problemas cujos quais a ação do governo tem a intenção de resolver.
O grande Adam Smith já apontava a importância dos incentivos, como forma de estimular o comportamento virtuoso das pessoas.
E como os incentivos importam! Basta analisar como as pessoas se saem diferentemente, em função de incentivos diferentes, embutidos em diferentes políticas nacionais.
Análise, por exemplo, o desempenho econômico e a prosperidade na antiga Alemanha Ocidental versus a Oriental. Ou então nas atuais Coréia do Sul e do Norte.
Nesta ilha da fantasia da pós-verdade, os justiceiros sociais intolerantes, auxiliados pela mídia e pela ignorância econômica geral, alardeiam o fim do capitalismo opressor e aludido criador das desigualdades sociais. Puro ilusionismo motivado pelos sentimentos e pelas emoções puras.
Os verdadeiros problemas são exatamente a falta de disciplina dos legisladores contra as pressões de grupos econômicos, que desejam privilégios especiais, como já prescrevia Smith, e a pobreza criada justamente pelas benesses concedidas aos empresários (com “e” minúsculo) e aos agentes estatais, que drenam os recursos por meio de políticas extrativistas.
Adam Smith era cético em relação ao governo em função dos fenômenos do patrimonialismo e do compadrio.
Neste mundo das falácias, não se atenta para o comprovado fato de que, ainda que não seja perfeita, a economia de mercado é o meio mais eficiente e moralmente defensável de alocar recursos econômicos escassos.
Fecham-se os olhos e os ouvidos para o fato de que o comércio livre tem o propósito de enriquecer as pessoas como consumidores, e não o de garantir a renda dos produtores existentes. Produtores diariamente travam uma batalha para ganharem a preferência dos consumidores.
Os lucros são justamente a recompensa dos empresários por satisfazer com sucesso os desejos dos consumidores. O que não se vê, é que alguns empresários, nesta dinâmica competitiva, perdem dinheiro.
Portanto, os lucros não são nem roubados dos consumidores, tampouco extraídos dos trabalhadores. Esses dependem da satisfação - independentemente da classe social, cor, gênero - dos consumidores!
Neste mundo estilizado de Woody Allen, não se quer aceitar a realidade. Dinheiro não nasce em árvore; não existe maná, é preciso criar riqueza.
Toda vez que o governo taxa a sociedade, verdadeiramente, a empobrece.
Impostos mais altos sobre atividades geradoras de renda reduzem as atividades geradoras de renda, diminuindo empregos, renda, e o que é mais grave, penalizando a classe mais pobre.
Com o repasse dos impostos para os preços, aliado ao fechamento de negócios, o resultado efetivo é o aumento daquilo que realmente importa: a pobreza.
A razão, a ciência e as comprovadas práticas bem-sucedidas, daquilo que até aqui representa a verdade verdadeira, estão em coma.
Neste mundo pós-moderno da pós-verdade, valem mais as crenças, as falácias e os berros.
Enfim, o Estado ilimitado e a acirrada luta redistributiva nos encaminham para o terreno “igualitário” da pobreza da maioria, e as benesses para as elites extrativistas verde-amarelas.
VOCAÇÃO - 07/01/2021
Érika Figueiredo
É preciso tempo, calma, dedicação e autoconhecimento
A palavra vocação é derivada do latim vocare, que significa chamar. Vocação é uma tendência, uma inclinação, uma habilidade que o indivíduo tem. Toda pessoa é talentosa em alguma coisa, tem um talento especial, que é só seu, e poderá se manifestar , em algum momento da vida.
Essa vocação, no mundo atual, no qual não mais estamos acostumados a prestar atenção aos sinais, à natureza ou a voz de Deus, é mais difícil de ser identificada, e seja ela profissional, social, religiosa ou familiar, muitas vezes é desperdiçada, por seu portador, que não conseguiu percebê-la.
O vazio existencial que se observa nas pessoas, hoje, advém, em grande parte, do não desenvolvimento de suas habilidades individuais. Muito embora um dom seja algo tão único e importante, que transforma toda a nossa existência, quando extravasado, o ser humano não é mais direcionado para identifica-lo, o que gera dor, frustração, e a falta de sentido para a vida.
Acredito que a essência da palavra vocação, que seria um chamado irrefutável, algo do que não se conseguia fugir, na realização de um dom, perdeu-se nos dias atuais. Não há, nos indivíduos, uma percepção acerca de suas vocações, e o respeito a esse chamado que vem da alma. Todos estão tão preocupados com a realização de propósitos absolutamente afastados da essência do ser, como enriquecer, ter um corpo sarado, parecer mais jovem, etc, que não param para escutar esse apelo...
Acontece que Deus nos deu a vida para a realização de missões individualizadas, pessoais e intransferíveis. Apenas de posse desse entendimento, o ser humano é capaz de desenvolver-se plenamente, e sentir-se gratificado, realizado e especial, ao longo de sua existência, por meio do desenvolvimento dos talentos que recebeu.
Percebo esse como um dos maiores problemas da modernidade, e algo sobre o que, infelizmente, as pessoas sequer param para refletir. Mas como descobrir seu dom, sua vocação? Primeiramente, é preciso saber que os dons nem sempre vêm como um chamamento claro.
Os gregos sabiam disso. E tratavam de treinar seus jovens, a partir dos onze anos de idade, no desenvolvimento de suas habilidades, para que daí aflorassem os talentos de cada um. Eles tinham, como base da formação do ser, a filosofia, para o aprimoramento individual moral e a identificação do propósito de vida.
Essa educação inicial, a qual formava o caráter e desenvolvia a personalidade dos jovens, era fundamental para permitir que o indivíduo expandisse seus horizontes e para que se conduzisse no mundo. Uns seriam artistas, outros, guerreiros, outros tantos, negociantes, alguns, líderes, sacerdotes. Mas a vocação estava ali, a nortear as escolhas, fazendo um chamado, que eles estavam para ouvir.
Entretanto, as facilidades da vida moderna, o afastamento do ser humano da natureza e da religião, da família e da educação integral, tal qual aplicada pelos gregos, fez com que a busca do propósito de vida fosse negligenciada, geração após geração, e a ordem interna do homem fosse inexoravelmente corrompida, por meio dos pequenos prazeres, da satisfação imediata das necessidades, o que leva a um distanciamento cada vez maior de sua essência.
Mas afinal, como alguém pode descobrir os próprios talentos, desenvolver seus dons e habilidades, buscar o sentido de sua existência, nos dias de hoje? Já que somente para algumas poucas pessoas, o chamamento vem em alto e bom som, como o homem médio pode identifica-lo?
Acredito que a única forma é por meio da educação e da auto-contenção. Somente por meio do conhecimento ( de si mesmo e do mundo ao seu redor), e do refreamento dos instintos (tão exacerbados hoje em dia), de prazer imediato e satisfação garantida, poderá o indivíduo identificar talentos e inclinações, e com paciência e dedicação, desenvolvê-los.
O imediatismo e a urgência dos dias atuais, a fuga da frustração e a vida voltada para o mundo exterior, não permitem que se busque, com calma e cuidado, o que nos fala mais alto ao coração. É preciso tempo, calma, dedicação e autoconhecimento. Menos ansiedade. Mais silêncio.
Então, nesse ano de 2021, o que desejo aos meus leitores, é isso. Que descubram e desenvolvam seus dons, e assim concretizem a missão que Deus lhes destinou, aqui na Terra. Somente assim, é possível encontrar prazer, satisfação e realização na vida. Somente desse modo, pode-se servir a si, a Deus e aos outros, sem a sensação de inadequação, que hoje povoa as mentes e os corações aflitos das pessoas.
A paz advém da sensação de missão cumprida. Viver é melhor que sonhar. Decidir é melhor que se omitir. Realizar sua essência, sua vocação e seu propósito nessa vida é o que você deve almejar. E nada, absolutamente nada que seja feito, neste sentido, é desperdício de tempo.
Esteja certo de que muitos irão tentar te dissuadir! Mas a maior parte das pessoas que te critica, te boicota, te desencoraja e te aponta o dedo, não realizou, efetivamente, nada de que se orgulhe nessa vida. Siga seu dom, obedeça seus instintos, trabalhe duro e com afinco, para realizar seus talentos. Ouça a voz que grita para você, mas que o barulho do mundo silencia.
“Eu prefiro na chuva caminhar, do que nos dias tristes, de frio, em casa me esconder. Prefiro ser feliz, embora louco, do que em conformidade viver”. Martin Luther King
FELIZ ANO NOVO!
Publicado originalmente em Tribuna Diária (04/01/2021)
COMPROMISSO COM A DESTRUIÇÃO - 06/01/2021
Gilberto Simões Pires
COISAS...
Dias atrás, mais precisamente no apagar das luzes de 2021 (29/12) escrevi um editorial no qual dei conta de algumas COISAS que, CERTAMENTE (não se trata, portanto, de vãs especulações), VOLTAM COM O PT NO GOVERNO, a saber:
1- IMPOSTO SINDICAL;
2- INVASÕES DO MST e/ou MTST;
3- INCHAÇO DO ESTADO;
4- CORRUPÇÃO INSTITUCIONAL; e,
5- ALIANÇAS COM DITADURAS.
A INTERROMPIDA OBRA DE DESTRUIÇÃO
Pois, ontem, 04, para não deixar a menor dúvida do quanto o PT está realmente disposto a dar continuidade à OBRA DE DESTRUIÇÃO do nosso empobrecido Brasil, que foi interrompida em 2016 com o impeachment da Dilma Petista Rousseff, a presidente do PT Gleisi Hoffmann postou uma clara mensagem nas redes sociais anunciando como -NOTÍCIA ALVISSAREIRA- a REVOGAÇÃO DA REFORMA TRABALHISTA DA ESPANHA. Feliz da vida, a petista aproveitou a deixa para DEFENDER A REVOGAÇÃO DA REFORMA TRABALHISTA em vigor no Brasil desde 2017. Que tal?
LULA GARANTIU
Extremamente entusiasmado com a iniciativa do presidente espanhol -o socialista Pedro Sanchez-, o candidato petista Lula da Silva não só aplaudiu como -GARANTIU- que fará o mesmo no Brasil, caso venha a ser o escolhido para presidir o Brasil. Mais: Lula e Gleisi estão convencidos de que a -reforma- sancionada, em 2017, pelo então presidente Michel Temer, precarizou trabalho e não criou empregos. Pode?
CAMINHO PARA O ABISMO
A propósito, na segunda-feira (3), Gleisi já havia postado um texto nas redes sociais no qual defende -a exaustão-, também como NOTÍCIA ALVISSAREIRA, a REVOGAÇÃO DA PRIVATIZAÇÃO DE EMPRESAS DE ENERGIA NA ARGENTINA. Com uma cajadada só, Gleisi aproveitou as DUAS NOTÍCIAS -espanhola e argentina- para INFORMAR, alto e bom som, que -JÁ TEMOS O CAMINHO-. Na mais pura realidade, o VERDADEIRO CAMINHO PARA O ABISMO!
MATRIZ ECONÔMICA BOLIVARIANA
Como se vê, com muita clareza, não são apenas CINCO COISAS QUE, CERTAMENTE, VOLTAM COM O PT NO GOVERNO. São, pelo visto, um número INCONTÁVEL de COISAS RUINS, todas elas de alto grau de DESTRUIÇÃO. Todas, vale lembrar, bem de acordo com o que reza na CARTILHA DO FORO DE SÃO PAULO e que foram religiosamente respeitadas e implementadas através da terrível MATRIZ ECONÔMICA BOLIVARIANA durante, principalmente, o governo Dilma.
2021 - TODAS AS FICHAS NESTE NÚMERO - 30/12/2020
Gilberto Simões Pires
INÍCIO DE UMA NOVA DÉCADA
Segundo informa a Real Academia Espanhola, a entrada de 2021 marca o início de uma nova DÉCADA. Pois, sem entrar no mérito desta DISCUSSÃO CIENTÍFICA, desde já deixo bem claro que depois das agruras que marcaram o ano de 2020, muito me agrada a afirmação da RAE. Mais: confesso que estou colocando todas as FICHAS no ano de 2021, que inicia na próxima 6ª feira.
ESTRELA DE 2021
Se o ASTRO DE 2020, no mundo todo, foi o CORONAVÍRUS, a ESTRELA DE 2021, por antecipação, é a VACINAÇÃO EM MASSA, que ao ser concluída promete acabar de vez com os MITOS E VERDADES no que diz respeito ao uso obrigatório de máscaras, da obediência ao distanciamento individual (e não social) e ao uso demasiado do álcool em gel.
MARCOS REGULATÓRIOS
Sob o aspecto ECONÔMICO, se for levado em conta apenas os MARCOS REGULATÓRIOS - já aprovados e/ou que em breve serão aprovados- isto por si só garante que a NOVA DÉCADA será extremamente PROMISSORA. Algo, diga-se de passagem, jamais visto no nosso país, a considerar que em matéria de INFRAESTRUTURA falta quase tudo no nosso empobrecido Brasil.
BRASIL DO FUTURO
Mais: admitindo que os novos presidentes da Câmara e do Senado resolvam dar efetiva celeridade quanto 1- às REFORMAS TRIBUTÁRIA E ADMINISTRATIVA; 2- à privatização da Eletrobrás; 3- à independência do Banco Central; e, 3- aos marcos regulatórios do gás natural e da cabotagem (aprovados por uma das Casas Legislativas, mas ainda falta o aval da outra), aí já teremos uma base extraordinária de lançamento do BRASIL DO FUTURO .
LEILÕES JÁ AGENDADOS
Somando tudo isto com a fantástica AGENDA DE LEILÕES montada com muito afinco pelo ótimo ministro Tarcísio de Freitas, da INFRAESTRUTURA, a probabilidade de que o ano de 2021 venha a ser um GRANDE ANO para o nosso Brasil é simplesmente IMENSA. Portanto, sem medo de errar, aposto todas as FICHAS NESTA NOVA DÉCADA que se inicia.
*Publicado originamente em Ponto Crítico, edição de 28/12/2020
O DEUS DE NOSSA CONSTITUIÇÃO - 07/12/2020
Consta do preâmbulo de nossa Constituição Federal que o Poder Constituinte, quando em Assembleia Nacional Constituinte, ao promulgá-la, evocou a proteção de Deus para aquele momento tão importante para o povo brasileiro. Isso ficou escrito, como dito, na Carta Magna. De lá para cá (ela foi promulgada em outubro de 1988), grupos políticos contrários aos interesses dos brasileiros promoveram algumas tentativas de burla à compreensão clara e irrefutável de que o cristianismo, para além da religião, constitui a essência da cultura da maioria de nossa gente. Apesar de o Estado brasileiro ser leigo ou laico, não sendo subserviente a nenhuma religião oficial, existe a presença cultural e espiritual cristã num imaginário brasileiro que, apesar da hercúlea resistência, agoniza a via dolorosa rumo a uma nova crucificação. Luís Roberto Barroso, em obra de sua titularidade, lançada dia 03 de dezembro de 2020, reconhece a laicidade do Estado, porém, despreza o pensamento cristão brasileiro ao passar panos quentes ao sofrimento que a guerra cultural, e espiritual, do momento, impõe à referida religião. Para o referido ministro, que se autointitula "iluminista", a maioria da população ainda continua religiosa, segundo o senso do IBGE de 2010, não havendo que se falar em ataques contra o cristianismo.
Juridicamente, o preâmbulo constitucional não tem valor jurídico para além do interpretativo. Isso quer dizer que ele não é um artigo invocável para uma relação jurídica para conferir direito e dever. Serve para nortear a exegese do aplicador do direito, não como norma. Para Hans Kelsen, citado pelo professor de direito constitucional José Afonso da Silva, ele tem valor ideológico, moral ou filosófico.
Apesar de nosso Estado brasileiro hoje ser laico, não apoiando nenhum religião especificamente, o sentimento moral e religioso cristão sempre foi uma constante em quase todas as nossas constituições, que, ou oficializava o cristianismo como a religião oficial, ou o conferia um vetor exegético superior.
Na do Império, D. Pedro I invocou a graça de Deus e a unânime aclamação dos povos. A esse tempo a religião católica foi proclamada a oficial. A Carta de 1891 não invocou Deus, coisas de república, que nascia sob o signo da separação entre Estado e Igreja, por isso, sua Constituição não deveria invocar a divindade. A de 1934 firmara-se na confiança em Deus. A ditatorial de 1937 não fez qualquer menção à divindade. As subseqüentes Cartas Constitucionais de 1946, 1967 e 1969 clamaram pela proteção de Deus.
A manutenção da invocação divina no atual texto constitucional também teve a sua controvérsia. O deputado José Genoíno propôs retirar a expressão, que já constava do Substitutivo do Relator da Comissão de Sistematização. O professor José Afonso da Silva diz que ele só teve um voto a seu favor, que não foi o seu, porque não votava naquele momento. Curiosamente, naquela ocasião, o representante do Partido Comunista Brasileiro votou pela manutenção da invocação. Disse que, quando da Carta Política de 1946, seu partido tinha se pronunciado contra a inclusão da cláusula, mas, agora, em outubro de 1988, em nome da modernização das idéias partidárias, e em respeito ao sentimento religioso do povo brasileiro, apoiava sua manutenção no Preâmbulo. A invocação permaneceu no texto aprovado.
Os partidos políticos ou grupos marxistas e gramscianos que intentam sempre apagar o cristianismo do imaginário ou da cultura do povo brasileiro fundamentam esta loucura na laicidade do Estado, fazendo do sentimento ou do espírito brasileiro uma tábula rasa, um nada, como se ele não existisse. Porém, com algumas decisões infelizes (como a que permitiu Porta dos Fundos levar adiante a encenação natalina contra o cristianismo), o Supremo Tribunal Federal age como o anticristo na cultura brasileira. De outra parte, há que se firmar convicção de que afigura-se ilógico o ataque cultural e religioso ao cristianismo, principalmente por aqueles que se dizem ateus, já que indiferentes à presença de Cristo na sociedade.
Por fim, a decisão do poder constituinte é soberana. A menos que venha outra constituição ou se exclua o preâmbulo do texto constitucional, ele vigora como um genuíno representante de Deus na constituição.
ACRESCENTAR NOVOS IMPOSTOS É REFORMA FISCALISTA- - 05/12/2020
EMPENHO
Nem mesmo a estridente e inquestionável MÁ VONTADE do Poder Legislativo, comandado por Rodrigo Maia (Câmara) e Davi Alcolumbre (Senado), tem sido capaz de levar uma GRANDE PARTE DA POPULAÇÃO BRASILEIRA a entender o quanto o presidente Bolsonaro, assim como sua boa equipe de ministros, está empenhado em fazer com que o nosso empobrecido Brasil venha a ser um país mais justo, devidamente sustentável economicamente e francamente vocacionado para o desenvolvimento.
NOVOS IMPOSTOS
No tocante à REFORMA TRIBUTÁRIA, por exemplo, o que acontece no fétido ambiente do Congresso Nacional, ao invés de dar tratamento específico no sentido de uma necessária SIMPLIFICAÇÃO TRIBUTÁRIA, o que se vê é um CLARO INTERESSE em ACRESCENTAR MAIS IMPOSTOS ao nosso injusto e pra lá de lamentável SISTEMA TRUBUTÁRIO. Algo, aqui entre nós e o mundo, simplesmente surreal ou, no mínimo, criminoso.
IPVA E ITCMD
Vejam que ao invés de fazer algo no sentido de DIMINUIR A ELEVADÍSSIMA CARGA TRIBUTÁRIA, o relator da Comissão Mista da REFORMA -TRIBUTÁRIA- , deputado Aguinaldo Ribeiro, além de VER ESPAÇO para AUMENTAR o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD), tributo estadual que hoje tem alíquota máxima de 8%, também quer TRIBUTAR BARCOS E AERONAVES, como já acontece com o IPVA que atinge os veículos terrestres. Esta sugestão, inclusive, aparece em ao menos cinco propostas de emendas à PEC 45, que tramita na Câmara. Que tal?
IMPOSTO SOBRE DIVIDENDOS
Um outro nojento tributo que a Comissão Mista pretende -ACRESCENTAR- aos já existentes é o IMPOSTO SOBRE OS DIVIDENDOS. Neste particular, os membros da Comissão também têm mostrado preocupação estritamente FISCALISTA E/OU ARRECADATÓRIA. Vejam que antes de DISTRIBUIR DIVIDENDOS aos seus acionistas, as empresas já PAGARAM o IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO obtido no período. Com esta criminosa BITRIBUTAÇÃO, a estimativa é de aumentar em torno de R$ 60 bilhões a arrecadação anual.
SOU CONTRA!
Como se percebe, a Comissão Mista da REFORMA TRIBUTÁRIA, ainda que dê algumas pistas no sentido de que tenhamos alguma SIMPLIFICAÇÃO no terrível MANICÔMIO que representa a caríssima BUROCRACIA que os brasileiros enfrentam para pagar impostos, boa parte dos deputados que compõem a Comissão estão confundindo REFORMA TRIBUTÁRIA com REFORMA FISCAL, ou FISCALISTA. Nenhum deles, infelizmente, mostra a mínima preocupação com CORTE DE DESPESAS. Sou CONTRA!
O GLOBALISMO COMO RELIGIÃO CIVIL CONTEMPORÂNEA - 29/11/2020
RESUMO
Há uma relação entre a ruptura europeia com a doutrina agostiniana da separação dos poderes religioso e secular, no século XVI, e o crescente avanço do poder civil sobre a esfera privada da vida dos indivíduos ao longo dos últimos cinco séculos. A sistematização intelectual na qual esse avanço se insere é denominada religião civil, que é a busca pela concentração, nas mãos das autoridades seculares, de poder decisório sobre todos os aspectos da vida dos indivíduos. Na primeira metade do século XX, tal avanço foi viabilizado principalmente pela agência estatal, em particular nos países que adotaram alguma variedade de teologia civil revolucionária derivada do comunismo ou do nazi-fascismo. Desde o fim da II Guerra Mundial, e sobretudo a partir de 1990, o papel que desde o advento da Era Moderna coube ao Estado no avanço da religião civil e no cerceamento das liberdades civis tem sido paulatinamente transferido para burocracias internacionais, organizações não-governamentais e grupos difusos que têm por objetivo a imposição de um modelo autoritário de sociedade mediante a manipulação do discurso e do fluxo de ideias. Esse movimento, denominado globalismo, deriva do comunismo, é visceralmente anti-nacionalista e perfaz a representação contemporânea da ideia de religião civil.
Palavras-chave: Religião Civil; Teologia Agostiniana da História; Globalismo; Comunismo; Nacionalismo
1
A origem do conceito moderno de religião civil remonta ao início do século XVI, quando a consolidação das monarquias absolutistas europeias e as consequências políticas relacionadas à Reforma protestante levaram ao progressivo abandono da construção agostiniana das Duas Cidades - a de Deus e a dos homens - erigida por Santo AGOSTINHO n’A Cidade de Deus. Exercício intelectual sem par na história humana, essa obra é, entre outras coisas, a sistematização intelectual da separação entre o poder atemporal (a Cidade de Deus) e o poder temporal (a Cidade dos homens), substrato da cosmovisão cristã, cuja síntese está contida em excerto atribuído a Jesus Cristo pelos Evangelhos de Lucas, Marcos e Mateus: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
A separação entre Igreja e Estado não é uma contribuição iluminista, mas um elemento fundacional da visão de mundo cristã. Seu impacto na compreensão greco-romana das relações entre religião e política foi severo, pois nenhuma tradição intelectual da Antiguidade Clássica se ocupara de estabelecer separação entre o poder temporal e o atemporal em qualquer medida, muito menos da maneira binária anunciada pelo Cristianismo, que, ao reconhecer o Estado como entidade política, imediatamente o dessacraliza. É à luz da doutrina agostiniana das Duas Cidades, aliás, que podemos entender a ausência de teocracias – isto é, a subordinação do poder secular ao poder religioso, conceito que não tem nenhuma relação com o de Estado confessional – no Ocidente cristão, enquanto seu antípoda, o cesaropapismo – a subordinação do poder religioso ao poder secular – não é desconhecido, apesar de infrequente.
Não coube às denominações protestantes a responsabilidade pelo surgimento de uma religião e de uma teologia civis modernas: elas foram utilizadas como catalisadores pelos Estados europeus para romper em seu favor a relação medieval entre as potestades seculares e a Igreja Católica. Essa relação não foi, naturalmente, um fenômeno estático ao longo de quase 900 anos, mas uma acomodação de duas fontes de autoridade – uma atemporal e metafísica, a outra temporal e material – que, conquanto se reconhecessem mutuamente, não mantinham relações sempre harmônicas.
Tampouco foram somente os países que adotaram alguma denominação protestante como religião de Estado, tendo o soberano como chefe da Igreja Nacional, que se valeram das consequências da Reforma para submeter a autoridade atemporal ao poder do soberano secular. O aumento do poder civil e o esvaziamento das atribuições eclesiásticas na vida política e social europeia estiveram presentes no início da conversão dos Estados cujos soberanos adotaram denominações protestantes nos séculos XVI e XVII, mas a Europa católica emularia a experiência protestante a partir do século XVIII. Se Henrique VIII desmembrou a seção inglesa da Igreja Católica em 1534, denominou-a Anglicana e proclamou-se seu chefe, afastando a Inglaterra da órbita romana por intermédio de um ato formal, os monarcas franceses buscaram limitar a influência de Roma na vida social do país desde pelo menos a instrumentalização política dos huguenotes por Luís XIII e Luís XIV, num crescendo do poder secular que culminou na adoção do Estado laico durante a Revolução Francesa. Também em Portugal a influência católica na vida social declinou a partir do início do século XVIII, atingindo um ponto de inflexão com a expulsão dos jesuítas do país pelo Marquês de Pombal, em 1759. De modo e em momentos distintos, tanto o confessionalismo quanto o laicismo serviram ao propósito de inclinar a balança a favor do poder secular na Europa moderna.
2
A ruptura com a ordem agostiniana iniciada no século XVI e a consequente concentração no Estado de toda a fonte de autoridade ensejou a necessidade de justificar o que o filósofo brasileiro Nelson LEHMANN DA SILVA (1985) definiu como as “exigências absolutas” dos Estados absolutistas europeus, por meio da elaboração de uma teologia civil capaz de ressignificar a autoridade antes exercida pelo poder eclesiástico. A tarefa de sistematização intelectual dessa ordem pós-agostiniana foi realizada principalmente por Thomas HOBBES em seu Leviatã, obra publicada em 1651 na qual o autor substitui jusnaturalismo agostiniano-tomista pela lei positiva, que, segundo Hobbes, contém a íntegra da moralidade.
A leitura hobbesiana da ordem social sustenta que a legitimidade do poder estatal é função de sua habilidade de preservar a si próprio, não havendo, ademais, autoridade superior à do Estado, a cuja lei positiva cabe, em última instância, definir o que é justo e o que é injusto. No Leviatã, HOBBES expõe sua visão de como deve funcionar um Estado no qual não há separação prática entre autoridades civis e religiosas. Tal separação é veementemente criticada em De Cive, tratado publicado nove anos antes (1642) de sua obra mais conhecida. No tratado de 1651, o filósofo confronta a doutrina agostiniana ao afirmar que “o Reino de Deus é uma república civil” (capítulo XXXVIII) e estabelece identidade entre religião e Estado nacional ao vaticinar que “não existe, portanto, nenhum outro governo nesta vida, nem do Estado, nem da religião, senão o temporal.” (capítulo XXXIX).
Ambas as obras de HOBBES foram influenciadas pela conjuntura europeia do período, coincidente com a etapa final da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e com os tratados de Osnabrück e Münster. Tais instrumentos puseram fim ao conflito em outubro de 1648 e inauguraram um padrão informal de relações interestatais europeias baseadas no primado da soberania do Estado sobre seu território. A guerra, que devastou a Europa Central a dizimou entre 20% e 30% da população dos Estados alemães, constituiu o desenlace dos diferendos entre católicos e protestantes deflagrados pela Reforma no século anterior. Sua conclusão pela Paz de Westfália consagrou o princípio cuius regio, eius religio, segundo o qual os indivíduos de um Estado devem adotar a religião de seu soberano (ou praticar religião diferente da do soberano somente em ambientes privados).
A subordinação do indivíduo ao Estado também na esfera religiosa, pedra angular da teoria hobbesiana, indicou que o poder secular não estaria mais subordinado ao que LEHMANN DA SILVA define como uma “ordem moral abrangente” consubstanciado na Respublica Christiana. O Estado extraía sua legitimidade dessa ordem moral, da qual também derivava o princípio que estabelecia tanto a separação quanto a coexistência entre os poderes secular e religioso. Ao desfazer a distinção e transformar a coexistência entre ambos os poderes em identidade, a teologia civil hobbesiana entendeu desnecessária a ordem moral abrangente da doutrina agostiniana que atribuía legitimidade ao Estado, o qual passava, a partir da ruptura, a se legitimar pela própria força e a não mais ter sua esfera de atuação sobre a vida privada limitada por qualquer fonte de autoridade que lhe fosse externa.
O perigo subjacente a essa postulação essencial da filosofia hobbesiana fica claro na concepção da religião em função do Estado: a lei positiva do poder secular não teria mais quaisquer entraves que a impedissem de se imiscuir em domínios da vida privada do indivíduo. Na ordem agostiniana, a esfera privada individual estava sujeita a uma função de orientação, doutrinariamente não-coercitiva, exercida pelo poder religioso, que normalmente não recorria a expedientes de força para enquadrar os indivíduos nos preceitos de uma doutrina que era propositalmente vaga em diversos aspectos, à diferença do elevado grau de detalhe da legislação positiva. Essa concepção de religião civil defendida por Hobbes não era em nada inédita: havia sido contra ela que AGOSTINHO se levantara n’A Cidade de Deus, ao criticar a religião concebida em função do poder secular da Roma pré-cristã, desprovida de transcendência e característica das representações de religião civil da Antiguidade clássica.
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Essa ressacralização do Estado nos séculos XVI e XVII, que resgatou um aspecto significativo das cosmovisões pré-cristãs da Antiguidade, acomodou-se, sobretudo a partir da Revolução Francesa, com a ideia de sacralização do homem e da sociedade, conceito intrinsecamente secular, anti-religioso e cerne da narrativa contratualista de Jean-Jacques ROUSSEAU em seu Do Contrato Social. Também a ressacralização da sociedade não era inédita, o que não escapou a Eric VOEGELIN (2004), que enxergou nela a encarnação moderna do gnosticismo antigo. O gnosticismo moderno, em sua forma volitiva, resulta em experiências coletivas de substituição da fé religiosa pela fé dos partícipes em si mesmos. Essa percepção de autodivinização foi transplantada para a atuação institucionalizada da vontade geral de Rousseau.
O Iluminismo introduziu um conceito central antagônico à visão de mundo aristotélica da Antiguidade, mas não necessariamente incompatível com a ordem agostiniana ou com o neoplatonismo de Plotino que a informa em considerável medida (2) : a igualdade formal entre os indivíduos. O problema, como seria de esperar, residiu e continua residindo na sua aplicação e nas deturpações da proposta original: apesar de a igualdade formal ser uma ideia justa, nenhuma outra formulação foi tão deturpada na Era Contemporânea.
Foi nominalmente amparada pela ideia de igualdade formal que, na França revolucionária da última década do século XVIII, com particular ênfase ao período jacobino (1793-1794), materializou-se a vontade geral rousseauísta, que removeu da figura do monarca a legitimidade para depositá-la sobre uma minoria revolucionária. Tal minoria, conquanto reivindicasse falar em nome de uma coletividade, era brutal e respondia apenas a si própria. Como observado por HEGEL em seus Princípios da Filosofia do Direito, Rousseau não trata da substância das decisões que podem emanar da vontade geral: ele somente afirma que ela jamais se equivoca. O filósofo alemão também aduz a inevitabilidade de que dessa omissão associada à assunção de infalibilidade de um soberano coletivo (que por sua natureza difusa é irresponsável tanto no sentido jurídico quanto no prático) resultasse o terror jacobino.
Após 1848, a insuficiência da figura do monarca para encerrar em si a íntegra da legitimidade do poder foi acompanhada da paulatina substituição da teologia civil hobbesiana pelo positivismo lógico, sobretudo em sua manifestação como crença dogmática na autoridade do método científico para resolver todas as questões da realidade humana. Em um ambiente intelectual no qual a sacralização do homem e da sociedade delineava o gnosticismo moderno, o estabelecimento do positivismo lógico nos círculos intelectuais europeus do século XIX levou ao abandono do reconhecimento da metafísica como essencial à experiência humana, individual e coletiva, em benefício de materialismo em suas diversas expressões. Essa mudança de perspectiva que privilegiou o imanente em detrimento do transcendente está na raiz das convulsões autodestrutivas europeias na primeira metade do século XX.
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Há um fio condutor que vai da ruptura com a cosmovisão agostiniana na Europa do século XVI ao morticínio causado pelo comunismo e pelo nazi-fascismo no século XX? Há, mas dessa assunção não se deve inferir um passadismo simplista. Tanto a romantização quanto a demonização do passado resultam em uma compreensão deturpada de seu legado para o presente, e em nenhum outro período histórico esse reducionismo é tão prejudicial quanto na interpretação do significado da Idade Média, frequentemente associada às noções de trevas, brutalidade, estupidez e sofrimento humano desnecessário, ao ponto de o adjetivo “medieval” ser correntemente utilizado para definir um indivíduo ou um comportamento brutal, tacanho ou inculto. Associações do tipo frequentemente convivem com inverdades grotescas, manifestadas em declarações como “ciência e religião são incompatíveis”, “a Igreja Católica atrasou a humanidade em mais de mil anos” e “conservadores são terraplanistas”, entre outros comentários igualmente falsos. Reconhecer os benefícios de uma cosmovisão antiga não significa defender objetivamente sua restauração após meio milênio de transformações incompagináveis, mas expressa a intenção de identificar tanto seu legado de tradições e os vínculos de cultura e fé que atribuem sentido à vida da maior parte dos indivíduos nas sociedades ocidentais quanto algumas de suas características, artificialmente suprimidas, cujo resgate poderia concorrer para mitigar aspectos destrutivos da ordem vigente.
O principal desses aspectos, que sobreviveu ao nazi-fascismo e à forma soviética do comunismo, é o materialismo, do qual deriva o fascínio exclusivista dos intelectuais progressistas com aquilo que é imanente, empírico e sensível. O materialismo não apenas sobreviveu às ideologias revolucionárias que ele próprio engendrou, como também lançou a responsabilidade das atrocidades cometidas por regimes imbuídos de tais ideologias sobre o nacionalismo.
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Parte significativa dos equívocos contemporâneos a respeito da natureza do nacionalismo decorre de uma leitura enviesada da obra Nationalism: A Religion, do historiador norte-americano Carlton J. H. HAYES, publicada em 1960. Nela, o autor identifica as origens do nacionalismo na Reforma, que fragmentou a consciência europeia e erodiu tanto o universalismo católico quanto o localismo cultural consolidados na Idade Média. Como fenômeno moderno, contudo, o nacionalismo teria primeiro se manifestado durante a Revolução Francesa, já com características de religião civil, se propagado pela Europa no século XIX e atingido seu zênite na primeira metade do século XX, após causar duas guerras mundiais. A partir de 1945, teria entrado em declínio, sobretudo em razão do reconhecimento, pelas potências que emergiram vitoriosas da guerra contra o nazi-fascismo, de certa obsolescência dos Estados-Nações no que se refere ao tratamento dos temas político-econômicos mais relevantes do pós-guerra.
O problema da leitura isolada de Nationalism: A Religion é que ela desconsidera o fato de que a tese de HAYES segundo a qual o nacionalismo seria uma religião civil só adquire sentido à luz da tipologia elaborada pelo mesmo autor na obra The Historical Evolution of Modern Nationalism, publicada em 1931. Nela, HAYES identifica seis tipos de nacionalismo: humanitário, jacobino, tradicional, liberal, integral e econômico. A manifestação do nacionalismo como religião civil resulta de suas variações jacobina e integral, que corresponderam, respectivamente, às expressões nacionalistas na França revolucionária e aos regimes totalitários na União Soviética, na Alemanha hitlerista, na Itália fascista e em outros Estados europeus na primeira metade do século XX.
Os tipos jacobino e integral também são as variações mais diretamente contaminadas por ideologias revolucionárias de cariz totalitário e manifestações práticas expansionistas, apesar de o nacionalismo econômico também ter-se feito presente nos casos essencialmente integrais da primeira metade do século XX, quais sejam todos os Estados de ideologia nazi-fascista e a União Soviética stalinista. O nacionalismo tradicional, construção intelectual inglesa do século XVIII que teve no filósofo britânico Henry St. John Bolingbroke seu maior expoente, tem como um de seus principais fundamentos o diálogo diacrônico entre as gerações, sem que exista a necessidade de que a comunidade nacional se oponha por princípio ou se considere superior a outras comunidades similares. Ele é autorreferente no sentido de que não se define a partir da antagonização ou da hostilização dos que não pertencem à comunidade nacional, e serve de base à realidade organicista que o diplomata e escritor francês Alain PEYREFITTE (1995) define como sociedade de confiança, na qual a existência de um conjunto de referências e valores compartilhados permite, entre outros resultados possíveis, uma mobilização de recursos e capacidades cuja soma resulta superior ao total dos recursos e capacidades dos membros individuais da sociedade.
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As causas da I Guerra Mundial não podem sequer ser atribuídas ao nacionalismo integral, pois tratou-se de conflito em que um dos principais objetivos de pelo menos dois beligerantes (Áustria-Hungria e Rússia) era suprimir total ou parcialmente os incipientes nacionalismos da Europa Central e Oriental. As três potências mais diretamente envolvidas na crise de julho de 1914, na esteira do assassinato do arquiduque austríaco Franz Ferdinand, eram um império expansionista de unificação recente (Alemanha), uma monarquia absolutista com casa real de extração germânica, aristocracia majoritariamente galicizada e população de maioria eslava (Rússia) e um império plurinacional no qual uma nobreza predominantemente germânica buscava manter sob um soberano dezenas de nacionalidades da Europa Central e Oriental (Áustria-Hungria).
Essas três entidades foram à guerra em agosto de 1914, e menos de cinco anos depois nenhuma delas existia mais: no caso da Alemanha e da Áustria, o advento do Estado-Nação, que se tornaria uma (efêmera) realidade na Europa Central e Oriental somente após a I Guerra Mundial, fez de ambas campos de batalha para as ideologias revolucionárias representadas pelo comunismo soviético, pelo nacional-socialismo alemão e pelo austro-fascismo, e o empobrecimento de ambos os países na década de 1920 prepararia o terreno para o triunfo do nazismo na Alemanha e do fascismo na Áustria, no decênio seguinte. Na Rússia Soviética, a Guerra Civil iniciada em novembro de 1917 assinalaria o início de 35 anos de terror totalitário virtualmente ininterrupto, que só teria sua intensidade diminuída a partir da morte de Stalin, em 1953.
A eclosão da II Guerra Mundial remete ao nacionalismo integral, empregado pelas potências totalitárias cuja dinâmica de interação ora baseava-se na cooperação, ora na confrontação. A cooperação entre a então recém-formada União Soviética e o alto oficialato alemão insatisfeito com os termos do Tratado de Versailles (principalmente no que se referia à proibição de que a Alemanha mantivesse uma força aérea e unidades blindadas) começou ainda durante a Guerra Civil Russa: já em 1922, conforme relatado pelos historiadores russos Yuri DYAKOV e Tatiana BUSHUYEVA em The Red Army and The Wehrmacht: How the Soviets Militarized Germany, 1922-33, and Paved the Way for Fascism, as lideranças bolcheviques auxiliaram o oficialato alemão a burlar as provisões do Tratado, sobretudo por meio da permissão de uso de instalações em território soviético para desenvolvimento e testes de sistemas de armas. Essa cooperação documentada durou pelo menos até 1933, ano em que Hitler ascendeu ao poder.
O corolário da cooperação entre soviéticos e nazistas ocorreu em agosto de 1939, quando os ministros das relações exteriores dos dois países concluíram um pacto de não-agressão com validade de dez anos. O Pacto Molotov-Ribbentrop continha um protocolo secreto que viabilizava, entre outras provisões, o desmembramento de um Estado nacional independente (a Polônia) por um império transcontinental totalitário e expansionista composto por mais de cem nacionalidades e por uma potência racialista e igualmente totalitária e expansionista, cujo regime sustentava a narrativa pseudocientífica segundo a qual sua população era geneticamente superior a todas as demais.
A tipologia de HAYES, contudo, não investiga a possibilidade de que o nacionalismo integral tenha sido uma instrumentalização política e ideológica do nacionalismo tradicional, orgânico e originariamente apolítico, com o objetivo de colocar a ideia nacional a serviço do comunismo e do nazi-fascismo. No caso do comunismo, a apropriação de um discurso pseudonacionalista talhado segundo as necessidades da União Soviética stalinista é particularmente incoerente, pois toda a literatura socialista/comunista anterior à ascensão de Stalin ao poder é clara quanto à incompatibilidade entre comunismo e nacionalismo. A adaptação da variedade integral de nacionalismo à União Soviética sob Stalin foi, portanto, metodologicamente similar à instrumentalização de práticas capitalistas pontuais pela Nova Política Econômica de Lenin, no sentido de que ambas as apropriações atenderam a necessidades transitórias do regime soviético.
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A construção da narrativa difamatória do nacionalismo no pós-II Guerra Mundial pelo regime soviético e seus operadores nas democracias ocidentais só causa surpresa se ignorada a profusão de declarações da Internacional Comunista (COMINTERN, 1919-1943) que deixam clara a hostilidade do comunismo em relação ao nacionalismo. O programa de trabalho do VI Congresso da COMINTERN, em 1929, por exemplo, afirma, no capítulo que dispõe sobre o “período de transição do capitalismo para o socialismo e a ditadura do proletariado”:
A ditadura mundial somente será estabelecida quando a vitória do
socialismo tiver sido alcançada em certos países ou grupos de
países ... e quando essas federações de república tiverem finalmente
se tornado uma união mundial de Repúblicas Socialistas Soviéticas
compreendendo toda a humanidade sob a hegemonia do
proletariado internacional organizado como estado (3).
Tratava-se de uma estratégia adequada a um Estado marginal como a União Soviética de 1929, que atuava à margem formal da ordem internacional da época e cujas lideranças ainda acreditavam no triunfo do comunismo e na derradeira ditadura mundial do proletariado pela via armada. Em 1945, a União Soviética era um dos fundadores da nova ordem internacional erigida em torno da Organização das Nações Unidas, e em lugar da estratégia de concentrar todos os seus esforços no confronto direto com a ordem estabelecida nos países da Europa em reconstrução, Stalin adotou curso de ação híbrido, que incluiu desde o patrocínio soviético a grupos desestabilizadores em países da Europa mediterrânea à realização de fraudes nas eleições de países da Europa central e oriental na segunda metade da década de 1940.
Além do investimento representado pela infiltração de comunistas na gênese das organizações internacionais integrantes do sistema das Nações Unidas, sobretudo na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) (4) , os soviéticos contavam com uma rede de espiões que ocupavam posições-chave em agências governamentais de países ocidentais, nomeadamente os Estados Unidos e o Reino Unido. Numa emulação comunista do sistema de porta giratória, Alger Hiss, Diretor do Escritório de Assuntos Políticos Especiais do Departamento de Estado e Secretário-Executivo da Conferência de Dumbarton Oaks (1944), foi Secretário-Geral da Conferência de São Francisco, entre abril e junho de 1945, da qual resultou a Carta das Nações Unidas. Em 1948, foi revelado que Hiss espionava para a União Soviética desde 1935, tendo ele sido condenado a cinco anos de prisão em 1950, três anos e oito meses dos quais cumpridos numa penitenciária federal na Pensilvânia. Hiss e Harry Dexter White, funcionário do Departamento do Tesouro, chefe da delegação norte-americana à Conferência de Bretton Woods e um dos principais responsáveis pelo estabelecimento do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, foram somente dois dos mais célebres altos funcionários norte-americanos a serviço do governo soviético: o antropólogo brasileiro Flávio GORDON, em sua série de ensaios intitulada Globalismo e Comunismo, publicada em 2020, identifica nomes como Solomon Adler, Virginius Frank Coe, Lawrence Duggan, Noel Field, Harold Glasser e Nathan G. Silvermaster, entre outros.
A infiltração soviética no sistema de organizações internacionais do pós-II Guerra Mundial ocorreu concomitantemente à reavaliação da estratégia de conquista do poder pela via armada na Europa Ocidental. À luz da inviabilidade, ao menos no curto prazo, do triunfo da revolução socialista a oeste do rio Elba, os soviéticos se valeram de uma estratégia de aliciamento das elites acadêmicas, midiáticas e políticas sobretudo da Alemanha Ocidental, da França, do Reino Unido e da Itália, com graus variáveis de êxito ao longo de aproximadamente quatro décadas. Essa abordagem sub-reptícia, que também foi reproduzida nos Estados Unidos (onde as atividades de espionagem soviéticas tinham importância relativa maior do que na Europa, nomeadamente nas áreas de segurança e defesa), prenunciou, no final da década de 1940, o que Gordon define como “sofisticar o linguajar”, qual seja o abandono pelos comunistas, em meados da década de 1980, da terminologia de confrontação empregada pelas organizações do regime soviético em favor da instrumentalização do vocabulário abstrato e conciliador das organizações internacionais.
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Na segunda metade do século XX, o recurso soviético às armas para implementar a ditadura do proletariado ocorreu apenas na periferia do sistema internacional do pós-guerra: América Latina, Ásia e África. Essa opção pela confrontação indireta no campo da cultura por meio sequestro intelectual da academia, da mídia e das classes políticas das democracias ocidentais foi particularmente influenciada por dois eventos: a Guerra Civil Grega (1946-1949) e o Bloqueio de Berlim Ocidental (1948-1949). Ambos confirmariam a conclusão à qual Antonio Gramsci havia chegado na prisão romana onde fora encarcerado em 1926: os comunistas não chegariam ao poder nos Estados Unidos e na Europa Ocidental como haviam feito na Rússia, isto é, por meio de um golpe de Estado arquitetado pelas lideranças revolucionárias.
A atuação da União Soviética no conflito grego foi severamente limitada pela determinação ocidental, capitaneada sobretudo pelo Reino Unido, de impedir que o Mediterrâneo oriental se tornasse um mare nostrum socialista. Esse posicionamento foi influenciado pelo golpe de Estado comunista de fevereiro de 1948 na Checoslováquia e pela eliminação, em 1947, das lideranças não-comunistas da Polônia, ambos orquestrados por Stalin e em clara violação do que fora acordado na Conferência de Yalta, em fevereiro de 1945. Desse modo, os soviéticos atuaram como aliados putativos dos comunistas gregos, que em 1949 foram derrotados pelo exército regular do país. No mesmo ensejo, a ponte aérea anglo-franco-americana em reação ao bloqueio soviético de Berlim Ocidental, que resultou na interdição dos acessos rodoviários, ferroviário e hidroviário aos setores de ocupação britânico, francês e norte-americano da cidade, indicou a Moscou que as potências ocidentais não mais tolerariam as violações soviéticas dos entendimentos alcançados nas Conferências de Teerã (novembro-dezembro de 1943), Yalta e Potsdam (julho-agosto de 1945).
Esse ponto de inflexão marca o início do abandono, pelo regime soviético, da estratégia de expansionismo por meio da ocupação territorial disfarçada de autodeterminação, padrão comum nos países da Europa Central e Oriental onde a tomada do poder por facções pró-soviéticas ocorreu nos primeiros anos imediatamente posteriores ao fim da II Guerra Mundial. Não foram apenas o desfecho do conflito grego e a reação ao Bloqueio de Berlim Ocidental: não terá escapado às lideranças soviéticas o ensaio publicado pelo filósofo alemão Carl SCHMITT em 1942, Terra e Mar: Uma Observação da História Universal, em que o autor conclui que o projeto nazista de construção de um império fundado na ocupação territorial direta condenara a Alemanha à derrota desde pelo menos a conversão da Checoslováquia em protetorado do Reich.
À exceção do que havia sobrado do parque industrial alemão no setor de ocupação soviético e em partes da Checoslováquia e da Polônia, os demais países da Europa Central e Oriental ocupados e posteriormente convertidos em satélites de Moscou eram sorvedouros de recursos econômicos. Nesse contexto, ainda que a conquista do poder pela via eleitoral ou por golpes de Estado fosse viável em países da Europa Ocidental, ela não poderia ser mantida do mesmo modo que, por exemplo, o era na Hungria ou na Checoslováquia – isto é, uma manutenção garantida essencialmente por unidades blindadas soviéticas, como os húngaros descobririam em 1956 e os checoslovacos em 1968. Se o comunismo deveria continuar se expandindo, como acreditavam tanto os próceres soviéticos quanto os partidos comunistas aos quais o Partido Comunista da União Soviética (PCUS) se vinculava pela COMINTERN e posteriormente pelo COMINFORM, seria preciso conquistar a intelligentsia dos países ocidentais. Essa mudança estratégica é a gênese prática de um discurso que, conquanto tenha sido concebido pelo regime soviético, sobreviveu a ele e serviu de base ao globalismo.
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O fato de a estratégia soviética de sedução e aliciamento da intelligentsia ocidental ter sido a principal linha de ação do comunismo a partir do fim da década de 1940 não significa que sua origem remonte ao período posterior à II Guerra Mundial. Na década de 1930, com o poder de Stalin consolidado após o expurgo de 1929-1930, ela fora experimentada nos EUA e na Europa abalados pelos efeitos da Grande Depressão, mas acabou sendo relegada a um papel relativamente menor no âmbito da grande estratégia soviética a partir da eclosão da guerra na Europa em 1939. A preferência pelo termo sedução não é acidental: seduzir vem de sub ducere, conduzir por baixo, o que, parafraseando o filósofo brasileiro Olavo de CARVALHO (2000), quer dizer que a guerra cultural empreendida pelos soviéticos no Ocidente só poderia ser exitosa se apelasse aos sentimentos mais baixos, primeiro das elites e em seguida das massas, e também aos seus vícios, concomitantemente à legitimação da perda de autocontrole e a satisfação dos desejos humanos mais primitivos.
Por outro lado, não foi somente por meio desses expedientes sedutores que se buscou enfraquecer as sociedades ocidentais: muito do êxito soviético resultou da cumplicidade voluntária de acadêmicos, intelectuais públicos, empresários do setor de entretenimento e de outras áreas e mesmo de políticos e altos burocratas. Essa frente complementaria o trabalho realizado pela rede de inteligência soviética no Ocidente.
Em nenhuma área a estratégia soviética foi tão bem-sucedida no longo prazo quanto na destruição do sistema educacional das sociedades ocidentais. Esse sucesso extraordinário está relacionado ao fato de que o edifício intelectual no qual ela está contida, a teoria crítica da sociedade desenvolvida pelos acadêmicos da Escola de Frankfurt, nasceu quase que simultaneamente ao regime soviético, em 1920, em reunião à margem do 2º Congresso Mundial da Internacional Comunista, à qual estiveram presentes, entre outros, o comunista e aristocrata húngaro György Lukacs, o então chefe da polícia secreta soviética Felix Dzerzhinsky e o agitador comunista alemão Willi Münzenberg. Na ocasião, as lideranças socialistas subscreveram proposta visando a transformar em projeto global do movimento comunista as experiências implementadas por Lukacs na Hungria, quando fora Comissário do Povo para a Educação e a Cultura do efêmero regime comunista húngaro de Béla Kun (1919).
As políticas de Lukacs contemplaram um amplo plano de descristianização daquele país europeu por meio da degradação da cultura nacional, da desmoralização das denominações cristãs e da erosão da instituição familiar, de modo a permitir a reconfiguração das estruturas mentais individuais e dos padrões de interação social magiares. Esses objetivos só poderiam ser alcançados pela corrupção do sistema educacional herdado da estrutura imperial austro-húngara, mas a República Soviética da Hungria teve breve existência (de março a agosto de 1919) e Lukacs não pode prosseguir com suas políticas de degeneração cultural deliberada em seu país natal.
O catalisador dessa estratégia foi o Instituto para Pesquisa Social (IfS - Institut für Sozialforschung) da Universidade Goethe de Frankfurt, fundado em 1923 pelo mecenas marxista teuto-argentino Felix Weil e que teve o acadêmico austro-romeno Carl Grünberg, idealizador do austromarxismo, como seu primeiro diretor. De atuação relativamente inexpressiva ao longo de seu primeiro período na Alemanha, o Instituto foi transferido para Nova York em 1934, onde funcionou vinculado à Universidade Columbia, já sob a direção do sociólogo marxista alemão Max Horkheimer, até 1951, quando restabeleceu seu vínculo com a Universidade de Frankfurt.
Em 1936, a Revista para Pesquisa Social, vinculada ao IfS, publicou extenso ensaio de HORKHEIMER, Herbert MARCUSE e Erich FROMM intitulado Estudos sobre a Autoridade e a Família, no qual os autores defenderam a ideia de que a figura paterna nas sociedades ocidentais é essencialmente autoritária, sobretudo por ser um repositório de tradições milenares, e concluem que a família patriarcal é precursora do fascismo. No ano seguinte, HORKHEIMER publicou Teoria Tradicional e Teoria Crítica, cuja proposta fundamental é o descarte de milênios de conhecimentos, experiências e tradições acumulados pelas sociedades ocidentais em benefício de uma formulação imaginária capaz de unificar o conhecimento depurado da humanidade, após extirpar dela, naturalmente, o capitalismo, a religião, a instituição familiar e outras referências características da “teoria tradicional”.
Nesse contexto, os sistemas educacionais dos Estados Unidos e da Europa Ocidental do fim da década de 1940 já podiam ser instrumentalizados pelo movimento comunista a fim de promover a subversão endógena das respectivas sociedades. Ao aliciamento das elites acadêmicas se somou o da mídia, da indústria de entretenimento e de parcelas crescentes da burocracia estatal e da classe política, quando não menos porque, a partir da segunda metade da década de 1960, a maior parte dos quadros que viriam ocupar posições ascendentes na política, no funcionalismo público, na mídia e na indústria do entretenimento, entre outros, estavam se formando nas universidades europeias e norte-americanas que, desde a década de 1930, tinham seus espaços ocupados pelo ativismo ideológico disfarçado de investigação acadêmica realizada pelos teóricos da Escola de Frankfurt.
O êxito do marxismo cultural no Ocidente se tornaria mais evidente em 1968, quando estudantes nos Estados Unidos e na Europa Ocidental promoveram distúrbios cujas consequências extrapolaram os campi universitários. Nos EUA, a redução das relações humanas ao binômio opressor-oprimido propugnado pelos frankfurtianos perverteu até causas legítimas, como a luta pelos direitos civis da população negra. Em meados da década de 1960, a agenda anti-segregacionista foi sequestrada pelos Panteras Negras, que não buscavam mais somente o fim da segregação racial e do estatuto historicamente negligenciado dos negros nos Estados Unidos: era preciso substituir o capitalismo pelo socialismo e apresentar como desprovida de mérito não apenas a presença do escravismo na formação da sociedade norte-americana, mas também os princípios, tradições e vínculos de cultura e de fé que caracterizavam aquela sociedade. Além da luta pelos direitos civis da população negra, a agenda frankfurtiana sequestrou, outrossim, as reivindicações de outros grupos minoritários nos Estados Unidos, como indígenas e latinos, e instrumentalizou seus legítimos objetivos de tratamento formal igualitário para fins desagregação e destruição social.
Na França, estudantes universitários e agitadores comunistas aliciaram entidades classistas para protestar contra o capitalismo, apesar de as duas décadas anteriores aos protestos terem constituído o auge do período conhecido como “Trinta Gloriosos” (Trente Glorieuses) que se estendeu de 1945 a 1975 e apresentou o maior salto de qualidade material de vida na história do país. Na Alemanha Ocidental, a geração beneficiária da surpreendente reconstrução econômica do país após a II Guerra Mundial (Wirtschaftswunder, ou milagre econômico), protestou contra o “militarismo” de um país cujas forças armadas tinham sua atuação circunscrita ao enquadramento estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte e cujo território poderia ser submetido a até 300 detonações nucleares soviéticas nas doze primeiras horas de uma conflagração entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia.
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Um observador atento que houvesse acompanhado os acontecimentos nos Estados Unidos e na Europa Ocidental na segunda metade da década de 1960 poderia ter, em meados do decênio seguinte, dificuldades em enxergar no projeto mais que um expediente transitório do movimento comunista. Ainda que fosse versado nos conceitos do marxismo cultural, ele poderia cotejar a decadência econômica dos EUA posterior à Guerra do Vietnã, ao abandono definitivo do padrão-ouro em 1971 e ao choque do petróleo de 1973 com a propaganda comunista que alardeava a prosperidade econômica na União Soviética e em seus satélites na Europa Oriental, América Latina, Ásia e África.
Se considerado o recorte específico de meados da década de 1970, a propaganda não era inteiramente falsa. A economia soviética nunca havia sido tão próspera quanto nos três anos posteriores ao choque do petróleo (um dos principais itens de exportação do país, cuja majoração de preços propiciou uma fonte adicional de recursos ao regime e ao movimento comunista internacional), o envolvimento de Moscou nos conflitos da descolonização afro-asiática alçou a União Soviética a uma posição de influência planetária inigualada em qualquer outro período de sua existência e o poderio militar soviético aumentou vis-à-vis o dos Estados Unidos ante a debacle norte-americana no sudeste asiático. Essa conjuntura correspondente a um período muito curto poderia de fato levar nosso observador familiarizado com o marxismo cultural a imaginar que, no médio prazo, a economia da União Soviética superaria a dos Estados Unidos. Tratava-se, aliás, de uma projeção subscrita por medalhões acadêmicos: em 1967, o economista norte-americano de orientação keynesiana Paul SAMUELSON aduziu, na sétima edição de seu Economics: an Introductory Analysis, que o PIB soviético, naquele ano equivalente a cerca de metade do norte-americano, ultrapassaria o dos Estados Unidos entre 1984 e 1997.
Num tal contexto, seria compreensível, a partir de uma leitura predominantemente economicista, interpretar o marxismo cultural como um fenômeno de menor importância, ao qual estaria reservado um papel coadjuvante quando a produção econômica da massa eurasiática orbitando em torno de Moscou ultrapassasse aquela dos Estados Unidos e da Europa Ocidental. Além disso, a brutalidade da Revolução Cultural maoísta na China, entre 1966 e 1976, e o genocídio cambojano perpetrado pelo Khmer Vermelho entre 1975 e 1979 (ideologicamente inspirado e economicamente financiado pela China maoísta) concorreram para um entendimento equivocado do marxismo cultural, particularmente no que tange ao seu método de conquista das estruturas de poder.
Pol Pot e seu entourage haviam sido fortemente influenciados pela doutrina da violência necessária do filósofo francês Jean-Paul SARTRE, segundo a qual os movimentos de libertação nacional em colônias europeias na Ásia e na África deveriam necessariamente se valer de métodos violentos para combater as administrações coloniais, uma vez que a existência mesma destas perfazia uma violência que tornava necessária outra violência que se lhe opusesse. A apologia da doutrina foi amplificada pelo psiquiatra e filósofo marxista francês Frantz FANON, em alocução intitulada Porque usamos a violência, proferida durante a Conferência de Ação Positiva para a Paz e Segurança na África, realizada no ano de 1960 em Acra, evento de relevo no sequestro dos movimentos de libertação nacional africanos pelo regime soviético.
O barbarismo dos regimes comunistas de Pol Pot e Mao Tse Tung levou a uma indissociabilidade temporária entre a ideia de revolução cultural e a doutrina sartrista da violência necessária, de modo que as investigações superficiais sobre a relação entre comunismo e cultura extraíram conclusões baseadas em um período específico do maoísmo, vagamente compreendido entre a segunda metade da década de 1960 e o fim da de 1970, e do polpotismo, entre 1975 e 1979. Sem o verniz acadêmico e a “sofisticação do linguajar” respectivamente característicos dos teóricos da Escola de Frankfurt e da cúpula soviética a partir do fim da década de 1970, essa variedade de comunismo sem preocupação com a imagem pública e imbuído de um fervor destrutivo desbragadamente sincero tinha poucos atrativos diante de uma União Soviética em seu auge material relativo e um Ocidente economicamente fragilizado e socialmente fragmentado.
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Apesar dos testemunhos de Anatoliy GOLITSYN (1984) e Euvgeny NOVIKOV (1994), ambos desertores que sustentaram ter sido a dissolução da União Soviética um evento meticulosamente planejado pela liderança do regime, há lacunas na sequência de acontecimentos concluída em dezembro de 1991 que lançam dúvidas sobre a tese dos dois ex-funcionários da KGB. É mais razoável partir da premissa de que a crise na qual a economia soviética mergulhou no início dos anos 1980 ensejou um conjunto de reações da liderança política a fim de mitigar consequências em uma multiplicidade de cenários prospectivos, de modo a preservar o movimento comunista na eventualidade do fim do Estado soviético.
Convém, a essa luz, salientar um fato cuja importância é muito superior às postulações tanto sobre o desmantelamento planejado quanto acerca da dissolução não antecipada da União Soviética: o movimento comunista global sempre foi, por sua natureza difusa e por sua flexibilidade institucional, muito mais adaptável que o regime soviético. Compreender que o movimento comunista global e o Estado soviético sempre foram entidades distintas e que, portanto, o desaparecimento do segundo não implicou no desmantelamento do primeiro, é essencial ao entendimento do papel do globalismo no mundo atual. O comunismo não é uma ideologia econômica: ele é uma religião civil que tem por objetivo permitir o exercício de controle, ostensivo ou sub-reptício, difuso ou concentrado, de um grupo restrito de lideranças “ungidas” sobre a massa de indivíduos. O marxismo cultural é a interpretação corrente majoritária da teologia civil comunista, cuja plasticidade para transcender a dimensão puramente econômica das relações de poder foi intelectualmente sistematizada pelos teóricos da Escola de Frankfurt.
É, portanto, circunstancial que, na maior parte do século XX, a expansão e o exercício de tal controle tenham sido realizados por meio dos Estados comunistas e seus aparatos de forças de segurança, e que o meio divisado para a viabilização desse controle tenha sido a estatização da economia seguida do controle totalitário da esfera privada dos indivíduos por uma elite revolucionária. Se o comunismo não fosse flexível e difuso nos meios empregados para a obtenção de controle sobre a vida dos indivíduos, ele muito provavelmente teria tido o mesmo destino do nazi-fascismo, sua ideologia-irmã. Seu êxito e sua sobrevivência são funções de sua adaptabilidade.
Não causa nenhuma surpresa, a essa luz, que as correntes majoritárias do movimento comunista tenham abandonado, na década de 1980, o princípio da estatização econômica como meio para a sobrevivência e expansão da ideologia. Trata-se de fenômeno documentado: em 1989, Mikhail Gorbachev confidenciou ao então chanceler espanhol Francisco Fernández Ordóñez que
Hoje, a essência da revolução mundial é a comunidade
Internacional unificada. Devo dizer que, ao longo dos anos,
análises políticas e ideológicas confusas – pelas quais,
em alguma medida, somos todos responsáveis – fetichizaram
a oposição entre capitalismo e socialismo... Hoje, chego
a uma conclusão assaz estranha. Desde que chegamos ao
poder, tenho lutado com os meus camaradas de partido para
fazê-los entender que a economia de mercado é o melhor
instrumento para alcançarmos nossos principais objetivos (5).
O discurso de “liberalização” do regime compaginado na perestroika de GORBACHEV em momento algum indicou que o país abandonaria o socialismo: na obra Perestroika: New Thinking for our Country and the World, publicado em 1987, o então Secretário-Geral do PCUS já afirmara que
I would like to point out once again that we are conducting
all our reforms in accordance with the socialist choice.
We are looking within socialism, rather than outside it,
for the answers to all the questions that arise. We assess
our successes and errors alike by socialist standards.
Those who hope that we shall move from the socialist
path will be greatly disappointed (6).
A declaração de Gorbachev a Ordóñez em 1989 sobre o acolhimento da economia de mercado pelo comunismo não contém nenhum elemento inédito: como aponta GORDON (2020), as relações entre os grande capitalistas e o movimento comunista remontam pelo menos à Revolução Russa, entusiasticamente acolhida, em sua etapa inicial, por figuras de proa do capitalismo norte-americano e europeu, qual exposto pelo historiador e economista britânico Anthony SUTTON nas obras Wall Street and the Bolshevik Revolution (1974) e The Best Enemy Money Can Buy (1986). Sua existência era de amplo conhecimento, e sua exclusão da narrativa oficial comunista atesta mais um êxito do marxismo cultural no que Ernesto ARAÚJO (2020) define como a “batalha pela possibilidade de difundir palavras e ideias”, ou conflito logopolítico.
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A definição de globalismo proposta por Filipe MARTINS (2019), segundo a qual o fenômeno é
“a tentativa de instrumentalização política e ideológica da
globalização com o objetivo de transferir o poder decisório
da Nação para um corpo difuso de burocratas (...) que não
respondem às comunidades nacionais mas a grupos restritos (...)
com acesso privilegiado a tais burocratas.”(7)
permite entrever, em sua estrutura e modo de operação, características que, mesmo após mais de três décadas de aperfeiçoamento de uma nova roupagem, revelam a gênese comunista da ideologia. Em primeiro lugar, a preferência por “soluções globais”, centralizadas, preferencialmente adotadas de cima para baixo e em detrimento do localismo e da descentralização próprios das democracias liberais. Em segundo lugar, o antinacionalismo inerente ao objetivo de transferir o poder de decisão dos indivíduos de uma comunidade política para burocratas cujas decisões práticas não podem ser criteriosamente escrutinadas por lideranças políticas eleitas. Por fim, o processo decisório oligarquizado, sem participação direta dos cidadãos, no âmbito de instâncias integradas por quadros burocráticos e tecnocráticos que, ademais de terem uma agenda própria, creem que a legitimidade desse mesmo processo deriva da insuficiência e/ou da obsolescência do Estado-Nação e de suas formas tradicionais de cooperação mútua. O baixo coeficiente de acesso a tais instâncias, ao contrário de ser acidental, é indispensável ao êxito do projeto globalista. Não há uma tentativa direta dos defensores do globalismo no sentido de argumentar contra a acusação de que as instâncias transnacionais são menos auditáveis pelos mecanismos dos regimes democráticos liberais: esse aspecto é comumente ignorado pela literatura especializada produzida por autores globalistas. O cientista político norte-americano de orientação construtivista Alexander WENDT (2003) sintetiza o fatalismo globalista em um ensaio de 53 páginas, sugestivamente intitulado Why is a World State Inevitable, ao declarar que “...global monopoly on the legitimate use of organized violence – a world state – is inevitable”. Essa falsa inevitabilidade do avanço da ideologia é frequentemente utilizada por seus defensores para desqualificar a priori os argumentos de seus críticos, como se opor-se ao globalismo equivalesse negar a incidência da lei da gravitação universal ou da segunda lei da termodinâmica.
Expedientes desse tipo indicam a existência de uma estratégia logopolítica sofisticada, que só pode ser contra-arrestada mediante uma compreensão ao mesmo tempo analítica e comparativa de seus fundamentos e principais propostas, de modo a habilitar aos defensores das liberdades civis e do Estado-Nação a conter o avanço globalista.
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A classificação do globalismo como a representação contemporânea da ideia de religião civil deve ser entendida à luz da descaracterização do conceito de soberania proposta pelo historiador anglo-romeno David MITRANY, principal expoente da escola funcionalista das relações internacionais. Na obra A Working Peace System, publicada em 1943, o autor afirma que “sovereignty cannot... be transferred through a formula, only through a function”, o que poderia ser alcançado por meio da criação de agências especializadas dedicadas à resolução de questões que historicamente couberam aos Estados. O funcionalismo propugna a relativização da soberania estatal em razão do que MITRANY (1975) define como “the emergence for the first time of world problems and world activities which escape the range and control of any existing political sovereignities, or of any partial combination of them”.
A defesa da transferência da soberania estatal para agências especializadas foi açambarcada pelo globalismo, que desde a criação das organizações internacionais no período posterior à II Guerra Mundial tem defendido a expansão contínua das competências temáticas dessas entidades, a bem da verdade contemplando um escopo não divisado pelo historiador anglo-romeno ou pelos primeiros teóricos funcionalistas. Nesse contexto, a crescente ingerência na esfera privada dos indivíduos, que do século XVI até meados do século XX coube ao Estado, passou, a partir da ascensão do globalismo, a ter seu exercício compartilhado entre o Estado e as já mencionadas entidades supranacionais que não estão sujeitas aos mecanismos das sociedades democráticas.
Em diversos casos, operou-se uma inusitada inversão: acossadas pela ingerência de organizações transnacionais e comunitárias, as sociedades nacionais de muitos países depositaram em seus respectivos governos eleitos as derradeiras esperanças de conter a supressão e a dissolução de seu modo de vida pela religião civil globalista. Esse fenômeno pode ser observado em formas e intensidades distintas, a partir da segunda década do século XXI, no Brasil governado por Jair Bolsonaro, nos Estados Unidos governado por Donald Trump, na Áustria governada por Sebastian Kurz, na Hungria de Viktor Orbán, na Itália de Giuseppe Conte, na Polônia de Andrzej Duda e no Reino Unido de Boris Johnson e do Brexit. Apesar de diferentes em razão das distintas compleições sociais, os governos democráticos desses países têm em comum a defesa do conservadorismo e do nacionalismo tradicional não-agressivo, apolítico e inclusivo.
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No verão de 2002, o pesquisador norte-americano John FONTE, do think tank Hudson Institute, publicou ensaio intitulado Liberal Democracy vs. Transnational Progressivism: The Future of the Ideological Civil War Within the West, no qual discorre sobre a ação concertada de organizações não-governamentais e organismos internacionais com vistas a sequestrar a agenda política doméstica nos Estados Unidos. Essa linha de ação fora decidida após tais entidades não conseguirem viabilizar suas propostas pelas vias previstas na Constituição daquele país, quais sejam o legislativo e o executivo federais, os governos e legislaturas estaduais e os respectivos judiciários estaduais e federal.
O que o autor define como progressismo transnacional é a mais completa tipificação do globalismo disponível, realizada a partir de sete características: i) a primazia da identidade de grupo sobre o indivíduo; ii) a dicotomia entre “opressores contra grupos vitimizados”, com identidades de grupo teoricamente minoritárias na condição de vítimas; iii) o proporcionalismo de grupo como definição de justiça; iv) a defesa da transformação dos valores de todas as instituições a fim de refletir o que uma minoria não-eleita de “ungidos” definir como as perspectivas dos “grupos vitimizados”; v) a centralidade do “imperativo demográfico”, quais sejam as transformações demográficas numa sociedade (no caso ilustrado por Fonte, a dos Estados Unidos), como justificativa para abandonar o paradigma inspirado nas liberdades civis para favorecer um fundado no proporcionalismo de grupo; vi) a redefinição do conceito de democracia e dos ideais democráticos, que deixam de ser baseados na regra da maioria entre cidadãos iguais perante a lei para se transformar num condomínio de poder entre grupos estruturados segundo critérios étnicos e integrados tanto por cidadãos quanto por não-cidadãos; e vii) a desconstrução das narrativas e dos símbolos nacionais por meio do questionamento da legitimidade do Estado-Nação e da nacionalidade, qualificando como “racistas” (e, mais recentemente, como “fascistas”, “supremacistas” e outras injúrias afins) o que se opõem à vilanização da Nação.
Apesar de concebida tendo em conta a situação específica dos Estados Unidos no período que se estende da dissolução da União Soviética aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, a tipificação descreve com acuidade vários dos principais tópicos da agenda globalista no início da terceira década do século XXI. As características gerais identificadas por Fonte, ademais, não são aplicáveis somente ao conflito entre nacionalistas tradicionais e conservadores, de um lado, e globalistas e múltiplos grupos de esquerda, de outro, nos Estados Unidos. Elas estão presentes, com incidência e padrão distributivo estruturados segundo as características de cada sociedade nacional, no Brasil e em países da América Latina, da Europa, da África e da Ásia. Se elas são mais explícitas nos países com governos conservadores e simpáticos ao nacionalismo tradicional, isso ocorre porque tais governos dispõem dos meios para expor essa estratégia.
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As ideologias revolucionárias têm em comum uma dimensão propagandística que apresenta sua narrativa como inevitável e, por isso mesmo, invencível. Essa inevitabilidade pode ser inata ou adquirida.
No nazi-fascismo - intelectualmente muito menos sofisticado e versátil que o comunismo, sua ideologia-irmã -, esse traço foi adquirido e só se revelou na sequência de desafios não contra-arrestados ou exitosamente superados pelo regime ao longo da década de 1930 e início da de 1940. Tais desafios se inserem num continuum que estende vagamente da remilitarização da Renânia, em 1936, à ocupação da Europa Ocidental pelas forças alemãs, em 1940.
Até 1936, o nazismo tinha um nível de penetração relativamente incipiente junto ao alto oficialato alemão, e os êxitos alcançados ao longo da meia década seguinte só atribuíram um grau de adesão comezinho, frequentemente justificado por carreirismo, dos oficiais superiores mais influentes das forças armadas regulares (Wehrmacht) à figura de Hitler e aos princípios da ideologia. Essa adesão estava muito mais relacionada à superação temporária daquilo que o estamento militar alemão entendia como as humilhações impostas pelo Tratado de Versailles do que a um suposto fervor ideológico do oficialato regular, o que é comprovado pelo protagonismo crescente das SS Armadas (Waffen-SS) e das SS Gerais (Allgemeine SS) a partir de 1941, sobretudo na perpetração de crimes de guerra. À medida que foi se desvelando a impossibilidade de que a Alemanha vencesse o conflito, o regime nazista tornou-se cada vez mais dependente das forças paramilitares e ideologicamente fanáticas das SS, e a falácia da invencibilidade do nazismo foi se dissipando tanto para as forças regulares quanto para a população alemã. Esse fenômeno explica em considerável medida o sucesso e a celeridade da desnazificação da Alemanha no pós-guerra.
Em todas as manifestações do comunismo, a autopercepção do próprio triunfo como inevitável é inata, ao ponto de a ideologia acomodar sem maiores problemas contradições que só adquirem sentido à luz da ideia de um futuro etéreo que justifica todas as barbaridades cometidas em seu nome. Exemplos disso são a relação do comunismo com o grande capitalismo já no nascedouro da Revolução Bolchevique, o papel soviético no rearmamento da Alemanha das décadas de 1920 e 1930 e o pacto com o regime hitlerista em 1939, entre outras tantas circunstâncias que poderiam elas próprias ensejar um artigo.
O globalismo incorpora esse aspecto da narrativa ao discurso e o converte em um argumento que busca desqualificar os que se lhe opõem, manipulando o debate para transmitir a ideia de que a oposição às pautas globalistas são inválidas a priori, independentemente de seu conteúdo. A franja mais agressiva do movimento regularmente se vale de injúrias para vilipendiar os que discordam de sua agenda liberticida, tendência magnificada nos veículos de mídia e redes sociais onde se desdobra uma frente importante da disputa logopolítica travada entre conservadores e nacionalistas tradicionais, de um lado, e progressistas transnacionais/globalistas e esquerdistas de diversos matizes, de outro. Esses expedientes ofensivos e tentativamente desmoralizantes, antes de constituir um desvio, estão na raiz da ideia de religião civil, já que, como observado por ROUSSEAU, a intolerância é um dogma indispensável à religião civil (8) .
Essa dinâmica não irá mudar no curto ou no médio prazo. O que ARAÚJO (2020) define como “a batalha pela possibilidade de difundir palavras e ideias (...) controlar o fluxo do discurso” não terá um desenlace definitivo, e conquanto possa ser desejável que as duas visões de mundo cheguem a algum tipo de coexistência instável, elas não deixarão de ser essencialmente incompatíveis. O que convém aos defensores das liberdades civis, do Estado-Nação e do legado cultural e das tradições a ele associadas ter em mente é que o triunfo do globalismo, como não o foram o do império soviético na década de 1980 e o do nazi-fascismo na de 1940, não é inevitável.
NOTAS DE RODAPÉ
(1) Diplomata de carreira desde 2006. As opiniões expressas neste artigo são pessoais e não refletem necessariamente as posições do Ministério das Relações Exteriores (MRE).
(2) Não há, na obra de Santo Agostinho, elaboração que possa ser relacionada ao conceito iluminista de igualdade formal. No entanto, a doutrina agostiniana entende que a noção de justiça pode se manifestar de duas maneiras principais, a transcendente e a imanente, e nenhuma delas é necessariamente incompatível com a ideia de igualdade formal. Cf., para análises sobre o assunto e suas variações, as obras O Conceito de Amor em Santo Agostinho, de Hannah Arendt, Augustine and Social Justice, editada por Teresa Delgado, e A Short History of Distributive Justice, de Samuel Fleischacker.
(3) COMINTERN. The Programme of the Communist International. In Comintern Sixth Congress 1929.
(4) Cf. DORN, C.; GHODSEE, K. The Cold War Politicization of Literacy: Communism, UNESCO, and the World Bank. In The Journal of The Society for Historians of American Foreign Relations. April 2012.
(5) Apud GORDON, F. Globalismo e Comunismo (Parte 3). In Gazeta do Povo. 04/06/2020.
(6) GORBACHEV, M. Perestroika: New Thinking for our Country and the World. New York: Harper & Row, 1987. p. 36.
(7) MARTINS, F.G. Globalismo: teoria da conspiração ou fenômeno político observável?. In Seminário sobre Globalismo. Brasília: Ministério das Relações Exteriores/Fundação Alexandre de Gusmão, 10/06/2019.
(8) Do Contrato Social, Livro IV, Capítulo VIII.
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PANDEMIA DE HIPOCRISIA - 27/11/2020
Em agosto último escrevi o artigo "Hipocrisia em Tempos de Pandemia", um desabafo sobre o que eu vinha testemunhando, de seguidas tentativas da esquerda em usar a Covid-19 para desestabilizar o Governo Federal. Agora, o que percebo, é que existe uma pandemia de hipocrisia.
Como jornalista, não consigo ficar calado sobre o papel de parte de nossa imprensa. Foi triste assistir apresentadores de noticiários de grandes redes de TV comemorando o crescimento do número de mortos na pandemia, com seus sorrisos de Monalisa, sempre que algo de ruim era noticiado e que pudesse ser imputado à gestão Bolsonaro.
O número de casos de mortes tem despencado em todo o País, com oscilações e repiques pra cima e pra baixo nas últimas semanas, mas a imprensa ideologizada, sem recuar na sua postura de provocar o terror e o pânico entre a população e forçar o lockdown, repetindo o mantra do "fique em casa", alardeia sobre a existência de uma segunda onda de Covid-19 no Brasil. Essa imprensa funerária não admite imunização de rebanho e não aceita que a pandemia esteja controlada e sendo vencida. O jornalismo do terror persiste, mesmo que diversas vacinas já estejam em fase final de testes e logo estarão à disposição em todo o planeta. Ela sabe que sua narrativa vai desintegrar assim que a vacinação começar.
A esquerda aproveitadora, como sempre, chegou a denunciar Bolsonaro por crimes contra a humanidade e genocídio no Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda. O acusaram de ter negligenciado a doença. Na minha opinião, essa responsabilidade não é dele. Existem vários culpados.
Um deles é o Supremo Tribunal Federal, que tirou do Presidente da República o poder de coordenar os esforços de combate à Covid-19, transferindo essa responsabilidade a governadores e prefeitos, possibilitando, assim, todo tipo de desvios, fraudes e falcatruas com os recursos federais. Não satisfeito, o STF ainda impediu ações policiais e sobrevoos de helicópteros nas comunidades, dando sinal verde para a realização de pancadões e bailes funk, facilitando a disseminação da doença.
A culpa também é de alguns governadores e prefeitos, principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia, que convidaram o mundo para o carnaval, quando a pandemia já se fazia presente no Brasil. A folia aconteceu entre 21 e 26 de fevereiro de 2020, mesmo depois que Bolsonaro, no dia 4 daquele mês, já havia decretado estado de emergência em saúde pública no País. Lembro bem do doutor Dráuzio Varela afirmando na TV que a Covid-19 era só uma "gripezinha" e que o Carnaval "Globeleza" poderia acontecer sem risco para os foliões. Esses governadores e prefeitos também são culpados por impedir a população de usar o protocolo da hidroxicloroquina /Azitromicina /Ivermectina/Zinco para tratamento precoce. Optaram por seguir as orientações do ex-ministro da Saúde Henrique Mandetta, de mandar o paciente para casa tomando Paracetamol e Dipirona e só procurar a rede hospitalar se estivesse com falta de ar. Tal postura provocou a superlotação das UTIs e mortes que poderiam ter sido evitadas. Esses sim deveriam ter sido denunciados por genocídio no Tribunal Internacional de Haia.
A esquerda acusou Bolsonaro em Haia, mas foi justamente ele que defendeu o protocolo precoce de tratamento. Não tinha eficácia comprovada, é verdade, mas vinha salvando vidas em todo o mundo. Era a única opção disponível. Foi ele quem determinou a liberação de bilhões de Reais para que estados e municípios enfrentassem a pandemia, além de outros bilhões como auxílio emergencial para milhões de trabalhadores que perderam o emprego ou passaram dificuldades ao longo da pandemia. Isso é negligenciar a pandemia? Muito pelo contrário!
Não posso deixar de destacar que o governador de São Paulo, João Dória, foi um dos que mais criticou o protocolo de tratamento precoce. Ele questionou a eficácia e a segurança da hidroxicloroquina, um medicamento com mais de 70 anos de uso sem registros de efeitos colaterais. Mas, ao mesmo tempo, ampliou a quarentena no Estado e agora quer que a população seja obrigada a tomar a vacina chinesa, que só tem três meses de testes. É hipocrisia ou irresponsabilidade?! Provavelmente ele acha que a pessoa que não tomar a vacina vai contaminar a que tomou. É uma piada pronta!
A culpa também é do Congresso Nacional, que mais atrapalhou que ajudou durante a pandemia, ao deixar caducar inúmeras Medidas Provisórias. Elas perderam a validade porque os dirigentes da Câmara e do Senado não quiseram colocá-las em votação. O Legislativo, no meu entendimento, foi omisso!
A hipocrisia que reinou nesses tempos de pandemia foi assombrosa. Ainda em 2019 tentaram responsabilizar Jair Bolsonaro pelo derramamento de óleo nas praias do Nordeste e pelos incêndios florestais na Amazônia. Não satisfeitos, agora em 2020, também tentaram pintar Bolsonaro como o "Imperador Nero" do Pantanal.
Bolsonaro sempre pregou isolamento vertical, só para grupos de risco e idosos. Dizia que a economia precisava girar e que o confinamento de todos iria provocar desemprego e quebradeira e que a fome mataria mais gente que a Covid-19. As economias do mundo sofreram. A do Brasil teve retração de 9,7% e foi ultrajante ver parte da imprensa, mais uma vez, responsabilizar o Presidente. O PIB só não foi pior porque Bolsonaro agiu e fez a economia girar, com a liberação de crédito para empresas e auxílio emergencial. A imprensa politizada, que pregou o lockdown como um mantra, é que deveria pagar pelo rombo econômico do País. Até a Organização Mundial de Saúde já mudou o seu discurso. O responsável da OMS para a Covid-19 na Europa, David Nabarro, afirmou que "os confinamentos têm apenas uma consequência que nunca deve ser subestimada: tornar os pobres muito mais pobres".
Felizmente, a comunidade científica e médica mundial tem aprendido com a pandemia. E, aqui, no Brasil, a população está acordando e já não mais acredita nas narrativas terroristas e funerárias da imprensa e da esquerda hipócritas, que estão caindo por terra uma a uma. Os resultados das eleições municipais dão bem essa dimensão. A imprensa ideológica comemorou que dos treze candidatos a prefeito apoiados por Bolsonaro, nove não se elegeram, mas simplesmente ignoraram a surra que os partidos de esquerda, principalmente o PT, tomaram nas urnas. Com apenas 174 prefeitos eleitos, nenhum em capital estadual, o PT virou partido nanico.
* Fábio Paiva é jornalista, analista em marketing digital, designer gráfico e Diretor-Executivo da FStation Comunicação.
A ARMADILHA DA NETFLIX - 23/11/2020
O documentário da Netflix “O dilema das redes” parte de um fato verdadeiro, mas conduz o espectador para uma armadilha. Para quem ainda não percebeu, o documentário é apenas mais uma peça de propaganda dos grupos progressistas radicais contra o avanço do conservadorismo mundo afora. Os tons avermelhados do roteiro não passam despercebidos e revelam o comprometimento do filme com a nova obsessão progressista: controlar as redes sociais.
A peça parte de uma premissa verdadeira, que é o fato de as redes sociais ocuparem cada vez mais o tempo das pessoas, tornando-se uma espécie de vício para muitas delas (interessante notar que o documentário compara as Big Techs a traficantes de drogas, visto que também chamam os seus clientes de “usuários”). Estudos já mostram a relação entre o uso intensivo das redes e problemas como ansiedade, depressão, suicídio, entre outros males que afligem especialmente os mais jovens, inclusive crianças. Até aí o documentário funciona como um importante alerta, principalmente para os pais, no sentido de observarem o comportamento dos seus filhos e cuidarem para que não centrem as suas vidas em likes ou dislikes nas redes. Mas a partir desse ponto, o documentário sofre uma inflexão para se transformar em instrumento de propaganda política numa cruzada contra as redes sociais.
Para quem duvida, repare que o pano de fundo do roteiro se restringe a temas caros às ideologias mais à esquerda, como o meio ambiente, sugerindo-se serem fake news as informações que refutam, por exemplo, a tese do aquecimento global. O documentário também sugere que movimentos como os protestos em Hong Kong são fruto de uma manipulação orquestrada nas redes pela extrema direita, e não uma reação natural e espontânea de pessoas livres contra as investidas da ditadura comunista chinesa. O documentário também usa imagens dos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro para ilustrar a suposta interferência das redes sobre o resultado de eleições legítimas, deixando evidente que os diretores só consideram indevida a manipulação quando o escolhido do povo é um conservador.
Agora, a evidência mais eloquente do viés ideológico do documentário reside na afirmação de que as redes sociais manipulam as pessoas e, por isso, representam uma ameaça para a democracia, razão pela qual devem ser controladas pelo Estado.
Não se ignora que as redes sociais têm o poder de induzir os seus usuários, na medida em que os seus algorítimos controlam de certo modo o fluxo de informações. Isso, no entanto, não é nenhuma novidade. Desde que o mundo é mundo, pessoas, partidos e ideologias tentam manipular dados e informações para se beneficiarem. A propaganda comunista soviética é um exemplo bem sucedido de manipulação da opinião pública para esconder o genocídio experimentado pelo povo russo desde a implantação forçada do comunismo em 1917. O mesmo se pode afirmar da propaganda do regime totalitário chinês, disseminada até hoje por veículos de comunicação no ocidente para ocultar as violações às liberdades e aos direitos humanos perpetradas pela ditadura comunista. A chamada “grande mídia” até hoje publica apenas o que lhe convém, seja por motivações políticas ou econômicas. A diferença é que as redações dos noticiários dessa mídia tradicional são dominadas por jornalistas comprometidos não com fatos, mas com narrativas progressistas. Daí porque a manipulação da opinião pública nunca foi uma preocupação dos intelectuais esquerdistas. Essa preocupação somente surge no momento em que as redes sociais quebram o monopólio da difusão de (des)informações pela mídia tradicional. Muito conveniente, não?
Os diretores do documentário também acusam as redes de estimularem a polarização do debate político. A preocupação não é exatamente com a polarização, até porque há tempos os progressistas incitam a divisão da sociedade como estratégia para conquistar e manter o poder. É assim quando colocam patrões contra empregados, brancos contra negros, homens contra mulheres, heterossexuais contra homossexuais, filhos contra pais, jovens contra idosos e por aí vai. De novo, o que preocupa esses radicais é perda de espaço e de protagonismo político. De fato, antes das redes sociais, não havia polarização alguma, simplesmente porque o discurso progressista era hegemônico. As opções no cardápio político tinham uma cor só, mudando apenas a tonalidade. Com a quebra do monopólio das informações, as “tias do whatsapp” começaram a difundir ideias conservadoras e, para desespero dos radicais, as pessoas voltaram a valorizar instituições desprezadas pelo “progresso”, como a família, a religião e a educação tradicionais, pilares da nossa civilização. Portanto, aquilo que a Netflix chama de “polarização” nada mais é do que um contraponto ao um discurso totalitário que até bem pouco tempo atrás era difundido sem nenhuma crítica.
A questão do uso intensivo das redes sociais realmente é um problema sério e que merece ser discutido em sociedade. Porém, a Netflix não está preocupada com a saúde das pessoas. O objetivo do documentário é convencê-lo de que as redes sociais devem ser controladas pelo Estado a bem da democracia. Não se deixe iludir por essa falácia. Se o controle estatal sobre a internet, as redes sociais ou qualquer outra coisa fosse garantia de democracia, China, Cuba e Coréia do Norte seriam paraísos democráticos na terra, já que nesses países o Estado controla tudo com mãos de ferro, inclusive as redes sociais. O controle das redes pelo Estado é só mais uma medida totalitária para garantir que o controle sobre a opinião pública continue sendo um privilégio exclusivo dos progressistas. Não caia nessa armadilha.
Leandro G.M. Govinda é Promotor de Justiça em Santa Catarina e aluno do Mestrado em Direito na Universidade George Washington em Washington D.C. Formou-se em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina e especializou-se em Direito Tributário pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Foi pesquisador do CNPq, Técnico e Auditor-Fiscal da Receita Federal e Procurador da Fazenda Nacional. Ex-Professor da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e da Escola do Ministério Público.
DE VOLTA PARA O FUTURO. - 08/11/2020
“A tolerância moderna é, na verdade, uma tirania. É uma tirania, porque é um silêncio.” (G. K. Chesterton)
“A omissão não é uma opção a ser considerada por qualquer pessoa que pretenda viver a liberdade como valor, e a paz que dela emerge. Por este aspecto é que o ser humano omisso torna-se facilmente manipulado por qualquer força que a ele se imponha.
O omisso tem muita sorte quando encontra boas influências capazes de lhe ajudar a sair do estado de inércia para o de construção. Porém, a regra é que esta omissão trabalhe em favor daqueles que oprimem e se valem do silêncio dos inocentes.
Foi assim que a revolução cultural do século XX passou a disseminar fortes questionamentos a respeito das bases sólidas que instruíam a sociedade ocidental até então.
Como um truque de magia do relativismo moral, ético, jurídico e cultural, o certo passou a ser “errado”, e o errado, passou a ser “certo”. Vítimas passaram a ser “algozes”, e meliantes, as novas vítimas. Todo o inverso passou a ser tolerado, assim como intoleradas passaram a ser as condutas daqueles que, humildemente, gostariam de conservar os valores tradicionais passados por gerações.
Este é o contexto que vivemos: a ditadura do politicamente correto.”
O trecho acima transcrito foi extraído da sinopse de contracapa do livro Janelas da Alma - os escritos de um poeta politicamente incorreto, publicado em 2018, de minha autoria.
Retorno a estas palavras pois o senso não ficcional nos traz uma grata surpresa: Deus nos enviou, a cada um de nós, uma máquina do tempo capaz de promover nosso trânsito ilimitado pela linha do da vida. Por ela, um sábio tem tanto poder para edificar quanto um tolo para destruir, convindo, portanto, que a mantenhamos sob um iluminado equilíbrio.
Tomando posse da dádiva, e analisando tudo que vemos e vivemos, parece-me cada vez mais evidente que 2018 está no futuro, da mesma forma que 2020 mora no passado. Um passado tão remoto e arcaico que não nos permite a visionária atitude de acelerar o tempo para que tomemos ciência das lições que ainda nem chegaram, a partir dos erros que sequer recordaremos.
E como aprender com aquilo que nem se lembra?
Vivendo hoje, rogo para que aprendamos com os erros que cometemos e cometeremos. Só assim será atingido o futuro digno que Deus reserva àqueles que viverão o ano de 1776, quando a sociedade, enfim, alcançará um grau aceitável de maturidade.
Que venha o futuro! Com a força necessária para que possamos enfrentar o passado gravado nos anos que hão de vir.
Deus abençoe o ocidente!
God bless America!
Harley Wanzeller 08.11.2020
RODRIGO MAIA NÃO É FALSO. É VERDADEIRO! - 24/10/2020
MAU CARATISMO
A estranha e pouco sincera maneira de agir e falar utilizada de forma corriqueira pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, faz com que muita gente diga que a sua personalidade é típica de pessoas consideradas FALSAS. Pois, contrariando quem pensa assim, sem precisar da ajuda de qualquer profissional da área da PSICOLOGIA, afirmo com todas as letras e sons que Maia é um político VERDADEIRO. Ele simplesmente não esconde o quanto o conteúdo de seu MAU CARATISMO é capaz no sentido de atrasar, ou mesmo impedir, a aprovação das BOAS AÇÕES e/ou INTENÇÕES propostas pelo PODER EXECUTIVO.
LIBERAIS INDESEJADOS
Vejam que nem mesmo a PANDEMIA, que provocou uma queda brutal das atividades econômicas no nosso empobrecido Brasil, fez com que a Câmara dos Deputados, sob a sua péssima e interessada liderança, se preocupasse em analisar e/ou aprovar medidas importantes que poderiam diminuir o alto grau de sofrimento imposto pelo aumento dos GASTOS PÚBLICOS. Esta atitude, pensada e estudada com muito carinho, revela o quanto o VERDADEIRO MAIA odeia aqueles que se dizem CONSERVADORES e mais ainda os LIBERAIS. Estes, por sinal, Rodrigo Maia considera como -INDESEJADOS-.
PAUTAS INDESEJADAS
Pois, para confirmar tudo que penso a respeito do presidente da Câmara, hoje cedo li uma notícia no jornal -Gazeta do Povo- dando conta que "várias pautas enviadas à Câmara dos Deputados pelo governo Bolsonaro, as quais foram temas frequentes na campanha eleitoral - e com grande aceitação entre os apoiadores do governo federal - NÃO SAÍRAM DO PAPEL." Entre elas, FLEXIBILIZAÇÃO DO PORTE DE ARMAS, ENSINO DOMICILIAR (HOMESCHOOLING), AÇÕES PARA IMPEDIR A DOUTRINAÇÃO EM SALA DE AULA(ESCOLA SEM PARTIDO), MEDIDAS MAIS RESTRITIVAS AO ABORTO, FIM DO FORO PRVILEGIADO E PRISÃO APÓS CONDENAÇÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. Que tal?
MAIA, O VERDADEIRO, FAZ O QUE BEM ENTENDE
Uma coisa é praticamente certa: a probabilidade de que tais projetos sejam votados neste ano é praticamente nula. Até porque o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, de forma escancarada, quer distância de PAUTAS consideradas CONSERVADORAS. Como bem diz o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, deputado Diego Garcia, do Podemos PR: “Há grandes dificuldades quanto à forma com que o Rodrigo Maia vem conduzindo as coisas. Ele está alinhado aos PARTIDOS DE OPOSIÇÃO AO GOVERNO e não coloca os parlamentares para trabalhar; segura MEDIDAS PROVISÓRIAS, permitindo que elas caduquem; não autoriza o retorno das atividades nas comissões – mais de 80% de todos os projetos de lei são conclusivos nas comissões. Ou seja, está tudo parado”. Garcia conclui dizendo que o trabalho dos parlamentares de forma remota – uma realidade nas duas casas legislativas federais desde março – é outro obstáculo para que deputados governistas pressionem a presidência da Câmara. “Não tem ninguém em Brasília, está todo mundo fora, trabalhando de forma remota. Maia está num momento em que FAZ O QUE BEM ENTENDE e vai continuar fazendo o JOGO DA OPOSIÇÃO sem permitir que as matérias tenham andamento”.
BLOQUEIO
A deputada Caroline de Toni (PSL-SC), que também integra a BASE DO GOVERNO, endossa a análise de Garcia, e destaca "que a dificuldade em votar PAUTAS CONSERVADORAS é permanente desde o início do mandato de Bolsonaro. O Rodrigo Maia, infelizmente, não dá muito respaldo para as nossas pautas. Então, não temos expectativa nenhuma de aprovar matérias desse tipo até o final do ano. No ano que vem, com a eleição de um novo presidente, a gente acredita que possa ter andamento", avalia.
MAU COMPORTAMENTO
Fica claro, portanto, o sentimento de irritação que o ministro Paulo Guedes expõe quanto ao MAU COMPORTAMENTO do presidente da Câmara. Maia usa, constantemente, todos os motivos possíveis e imaginários para dar a impressão de que é maltratado por Guedes. Ora, na crua realidade, como se vê, Maia mostra o quanto não tem o menor interesse em ajudar o nosso entalado país. O caráter dele, portanto, nada tem de FALSO. Ao contrário, tem tudo de VERDADEIRO!
O SENADO E A LEI DO GÁS
Como se não bastasse a má vontade revelada pela Câmara, o Senado não fica atrás. Ontem, o seu presidente, senador Davi Alcolumbre, avisou ao governo que só aprovará a NOVA LEI DO GÁS caso haja o compromisso de garantir demanda, através da contratação do combustível pelas usinas térmicas. A exigência foi o bastante para que a importante votação deste projeto de lei, que estava prevista para hoje, 22, ficasse para uma data indefinida. Pode?
ACORDEM ALICES - 23/10/2020
"Se eu tivesse um mundo só meu, tudo seria bobagem. Nada seria o que é, porque tudo seria o que não é. E, ao contrário, o que é, não seria. E o que não seria, seria. Entende?" (Chapeleiro Maluco)
A frase acima é um dos trechos mais famosos extraídos do clássico livro "Alice no País das Maravilhas", escrito no século XIX pelo autor inglês conhecido pelo pseudônimo de Lewis Carroll, e reproduz um dos diálogos travados entre a personagem Alice, do título do livro e o personagem designado Chapeleiro Maluco. O nome desse último personagem vem da expressão inglesa "mad as a hatter" (louco como um chapeleiro, em tradução livre) fazendo referência à Síndrome do Chapeleiro Maluco.
Esse trecho genial e imortal me veio à cabeça lendo um Manifesto – mais um – perpetrado por várias pessoas do bem que se dizem "esquerdistas" e justificam o seu esquerdismo alinhavando uma série de conceitos ideais, limpos e bonitinhos, como sempre embalados ao som de "Imagine".
Que lindinho! Sério. É lindo mesmo. Nós também achamos.
Diferenças podem até existir. Afinal, nós não somos iguais. Mas, como dizem os portugueses, todas essas diferenças de fato são apenas "perfumaria".
Então provavelmente a única coisa de fato significativa que nos separa de vocês é que nós estamos despertos e vocês continuam sonhando.
Lamentavelmente, e é muito triste lhes antecipar isso, a realidade não é nem um pouco agradável, como vocês verão quando acordarem, e cheira mal paca, mas... fazer o quê? Precisamos de vocês despertas (os) e bem despertas (os). Desculpem o incômodo, então, tá?
Mas a gente precisa pedir com todo o carinho a todas (os) vocês: acordem Alices!
Tá mais do que na hora de acordarem desse sonho, pois o mundo das pessoas despertas não está questionando os valores que vocês defendem. Nunca esteve, pelo contrário. Ele os defende também.
Pois o problema verdadeiro é que, nesse mundo real – não no dos sonhos, entendam -, nesse mundinho velho, cruel e castigado em que nós que nada temos com essa confusão de termos que os parceiros de bandeira de vocês deliberadamente plantaram, nós, que não temos a sorte de viver no mundo onírico das Alices, nós estamos em guerra contra pessoas, também bem despertas – aliás, despertas até demais – que empunham a bandeira do Esquerdismo (a mesma bandeira bonitinha de vocês, olha só que grande chatice) e que querem destruir por completo todos os conceitos e valores que não apenas nós, mas também vocês dizem defender.
E nós estamos sozinhos defendendo o sonho de vocês, pelos vistos. Sozinhos, otários e sobrecarregados, portanto. Não é justo isso. Não mesmo.
Como fica então? Vocês vão pegar no pesado junto conosco? Não é lá muito honesto que apregoem uma coisa e nos deixem a nós nus e sozinhos nessa defesa, na prática, concordam? E ainda têm coragem de vir a público querendo angariar votos e curtidas no nosso lombo? Aí já é nos chamarem de macacos e pisarem no rabo, né?
Porque essa guerra está fraturando o mundo, enquanto vocês sonham. Essa guerra está trazendo o Caos e o sofrimento ao nosso cotidiano, enquanto vocês sonham. Porque o vosso sonho dá combustível a essas pessoas espertas. E que combustível! Pois elas se aproveitam do vosso sonho, como disfarce. E essas pessoas são reais neste mundo real. E muito, muito, muito perversas.
Então, acordem. Por favor!!!!!!!!!
Continuem defendendo os valores que dizem defender e continuem se dizendo esquerdistas, progressistas, comunistas, marxistas, socialistas, democratas, socialdemocratas, o que bem entenderem. Nada contra até então, enquanto não pretenderem destruir os nossos. Continuem com a vossa Filosofia de vida. Ninguém tem nada com isso. Nem precisam se dar ao trabalho de vir a público expô-la.
Mas não apoiem essas pessoas que se aproveitam do vosso estado sonambúlico para militando sob a bandeira do esquerdismo – a mesma de vocês, infelizmente – com o nome de PT, PSOL, PCdoB, adotando o vermelho ou o amarelo ou usando qualquer das cores do arco íris quando uma dessas cores já está com o filme suficientemente queimado e empunhando a bandeira do Partido Comunista Chinês, dos bolivarianistas, ou a da tal Nova Ordem (os espertos reais e pérfidos são muitos e adotam várias nomenclaturas) trazerem o incorreto, a bandidagem, a corrupção desenfreada, a perversão, a deturpação e o Crime ao nosso mundinho. Já é tão árduo manter um mínimo de Ordem nesse mundo desbotado do real em que vivemos. Nem precisávamos disso. Tenham dó!
E, para que fique bem claro: a omissão é a maior das escolhas. Não se esqueçam disso. Nem o fato de viverem no mundo dos sonhos justifica ou apaga isso. Sinto muito.
Ah! Mas nós não apoiamos isso. Pois é, né? Então gritem isso bem alto. Digam isso bem claro e nos apoiem quando os "outros esquerdistas" – os espertinhos, os perversos, aqueles que de fato aparecem no mundo real e desperto – usarem a mesma bandeira de vocês para praticarem o Mal e o Incorreto, o Crime e a Bandidagem.
Caso contrário, vocês incorrem no risco de cair num campo sagrado e imutável, aonde não existe espaço para palavrinhas bonitas e retóricas vazias, nem crenças ideológicas que as justifiquem. Nem espaço de manobra. Nesse terreno cristalino, o Bem é o Bem e o Mal é o Mal. E não tem Chapeleiro Maluco que desfaça ou conturbe isso. Ficará apenas a pergunta com toda a pureza de sua simplicidade: que forças de fato você defende?
Quando vocês começarem a fazer isso, ninguém mais vai questionar se vocês são de esquerda, da direita, do centro, do Leste, do Oeste ou do Baluquistão. Vocês nem precisam explicar o que isso significa, nem o que representa. Seria tão irrelevante como o fato de alguém se declarar publicamente fá da Madonna e outra pessoa confessar ser macaca do Chitãozinho & Xororó. Ninguém vai estar nem aí pra isso. Todos saberão quem está defendendo a Ordem, o Bem e o Correto. Porque será apenas isso que importa. Simples assim!
Porque, não tem jeito não: as bandeiras e disfarces são muitos, mas, no mundo real, neste mundo dos que estão de fato despertos, crime continua sendo crime, Bem continua sendo Bem e Mal continua sendo Mal!
E o problema, queridas Alices, é que eles todos – os que defendem o Crime e o Mal – optaram por adotar a bandeira do "esquerdismo" para agir dessa forma perversa. A mesma bandeira de vocês: a tal bandeira "esquerdista" bonitinha que vocês alegam seguir. Esse é o ponto!
E, olha só que má sorte essa de vocês, que são tão do Bem, tão boazinhas (os), mas nada fizeram na prática, até agora, para justificar os idealismos sonhados e honrar os valores que dizem defender. Tá mais do que na hora de acordar gente! Pois, apenas palavras e profissões de Fé bonitinhas não estão mais segurando a sanha destruidora desses comparsas de bandeira de vocês. Esses que estão despertos e agem em vosso nome, entendam.
Como pontificou manhosamente o falecido líder chinês, Deng XiaoPing, provavelmente não por acaso comunista – caramba! Que coincidência infeliz, meu -, que certamente deve ter decorado o livro de Carroll para cunhar a frase: "Não importa como se vai chamar o gato. O que importa é que caça ratos". Pois é! Precisa desenhar? Esse daí foi fã de carteirinha do Chapeleiro Maluco. Ele sabia que ia ter muito público pras artimanhas dele. Com certeza! Ele era oriental.
É só isso. Deu para entender o truque?
A essas pessoas que ainda estão adormecidas no palácio dos sonhos que um dia alimentaram, só me resta dizer-lhes, mais uma vez recorrendo ao livro de Lewis Carroll, mas desta vez reproduzindo um conselho dado a Alice por outro personagem da mesma fábula, o Gato de Cheshire:
"Minha querida Alice, nos jardins da memória, no palácio dos sonhos é lá que nos encontraremos".
Paulo Monteiro é amazonense, aposentado, formado em Administração de Empresas pela Univ. Federal do Amazonas e tem graduação em Psicanálise.
ACORDE, ESTAMOS EM GUERRA - 19/10/2020
No dia 4 de outubro de 2020, foi publicado um manifesto redigido por professores de Harvard, Oxford e Stanford e subscrito por mais de seis mil cientistas e médicos do mundo inteiro. Na carta, os jovens são conclamados a retomarem as suas rotinas com normalidade, a fim de induzir a chamada imunidade de rebanho, mecanismo que dificulta a propagação de qualquer vírus a medida que aumenta o número de pessoas que se contaminam e se tornam imunes naturalmente (The Great Barrington Declaration, disponível em https://gbdeclaration.org/).
Esse chamamento lembrou-me um dos episódios mais marcantes do século XX. No dia 6 de junho de 1944, que ficou conhecido com o Dia D, milhares de jovens também foram chamados para uma missão: desembarcar numa praia da Normandia para dar início a campanha dos Aliados para retomar o território francês ocupado pelos nazistas. Aqueles jovens sabiam que muitos deles morreriam antes mesmo de pisar nas areias da praia, pois seriam fuzilados pelos nazistas ainda dentro dos botes que os transportavam, como ilustrou muito bem as primeiras cenas do filme “O resgate do Soldado Ryan”. Apesar de a convocação ser praticamente uma sentença de morte, esses jovens não se acovardaram. Eles enfrentaram o medo de morrer e lutaram pela liberdade não apenas deles próprios, mas principalmente dos seus filhos e das futuras gerações. E graças a esses heróis anônimos atualmente desfrutamos dessas liberdades que os regimes nacional-socialistas queriam nos tolher.
Se você ainda não percebeu, estamos em guerra de novo. A diferença é que dessa vez não precisamos pegar em armas para vencer a luta e não estamos diante de uma morte quase certa no campo de batalha. Também não estamos sendo chamados a enfrentar o inimigo por governos ou malucos neonazitas ou supremacistas brancos. O chamamento foi feito por milhares de estudiosos e está baseado em evidências científicas de que a taxa de letalidade associada ao novo coronavírus entre a população jovem é baixíssima (mil vezes menor do que entre idosos). Os jovens precisam se expor a esse risco para livrar a humanidade da ameaça que esse vírus representa tanto para a nossa saúde quanto para as nossas liberdades.
Até quando vamos ignorar o alerta de milhares de médicos e cientistas e continuar seguindo blogueiros e artistas? Nem a OMS defende mais medidas como lockdown e quarentena, pois reconhece que foram um erro. Apesar disso, tem gente que continua acreditando no que diz esse tal de Felipe Neto, um sujeito incapaz de realizar qualquer atividade produtiva para a sociedade, porque o seu único “talento” é pintar o cabelo de azul e fazer lives para falar a respeito do seu próprio pênis. Por que diabos continuar obedecendo a cantora Anitta, que manda você ficar em casa, enquanto ela viaja para a Itália para curtir o verão Europeu e reunir multidões nos seus shows? Ainda não deu para perceber que essa galera está se lixando para a sua saúde? Enquanto você adoece e empobrece confinado entre quatro paredes, a turma do “fique em casa” enche os bolsos de dinheiro com os anúncios publicitários nos canais do YouTube onde eles veiculam o lixo que produzem. Não se engane: esse pessoal não quer o seu bem; eles estão do lado daqueles que querem aniquilar as suas liberdades.
A derrota do inimigo só depende da nossa atitude, mas é justamente essa atitude que está nos faltando. Claro que ninguém quer ser aquele jovem que entrará nas estatísticas de morte em decorrência da COVID. Não desejo isso nem para mim, nem para os meus familiares, nem para os meus amigos, nem para ninguém. Mas devemos assumir esse risco, que, repita-se, é insignificante, se comparado com o risco a que se expuseram tantos jovens nas guerras que hoje ilustram os livros de história. Precisamos assumir esse risco ínfimo não apenas para resgatar as nossas liberdades, mas também para salvar os nossos idosos, em memória daqueles que lutaram bravamente no passado para garantir o nosso bem-estar hoje. Precisamos assumir esse risco para salvar as nossas crianças que estão ficando doentes não de coronavírus, mas de depressão porque foram privadas da alegria de serem livres.
Se você também não quer bater continência para um ditador, acorde! A guerra está aí e temos que reagir logo. As nossas liberdades foram tomadas de assalto e não será fácil recuperá-las. Cancele esses blogueiros e artistas que se arrogam no direito de mandar você ficar em casa. Tire o pijama e retome as rédeas da sua vida. Faça isso pelo seu próprio bem e dos seus filhos. Faça isso agora, porque daqui a pouco já será tarde demais.
Leandro G.M. Govinda é Promotor de Justiça em Santa Catarina. Formou-se em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina e é especialista em Direito Tributário pela Universidade do Sul de Santa Catarina. Foi pesquisador do CNPq, Técnico e Auditor-Fiscal da Receita Federal e Procurador da Fazenda Nacional. Ex-Professor da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e da Escola do Ministério Público. Escreveu artigos publicados na Revista Tributária e de Finanças Públicas, na Revista Fórum de Direito Tributário, na Revista dos Tribunais (RTSUL), na Revista Eletrônica “Jus Navigandi” e no portal “Meu Site Jurídico”.
ANTIGAMENTE CALAVAM-SE... - 08/10/2020
Um amigo que se julga ateu ou não-católico telefonou-me outro dia, e logo me atirou pelos fios esta pergunta aflita: "Meu caro C. me diga uma coisa: a Igreja antigamente era ou não era uma coisa muito inteligente?"
Ia responder-lhe com ênfase: "Era!" Mas enquanto vacilei alguns segundos meu amigo desenvolveu a idéia: "Olhe aqui. Eu bem sei que antigamente existiam padres simplórios, freiras tapadíssimas, leigos ainda mais simplórios e tapados. A burrice não é novidade, é antiqüíssima. Garanto-lhe que ao lado do artista genial que pintava touros nas cavernas de Espanha, anunciando há quarenta mil anos a brava raça de toureiros, havia dois ou três idiotas a acharem mal feita a pintura.
— Mas, calavam-se, disse eu.
E logo o meu amigo uivou uma exclamação que trazia na composição harmônica de suas vibrações todas as explosões da alma: a alegria, a angústia, a aflição de convencer, a tristeza de um bem perdido e até a cólera...
— Pois é! CALAAAVAM-SE!!!
Contei-lhe então uma história de antigamente. Teria eu dezoito ou dezenove anos, e meu herói dezessete ou dezoito. Ele era o aluno repetente de uma escola qualquer, e eu seu "explicador" de matemática. Eu sentia a resistência tenaz que, dentro dele, se opunha às generalizações matemáticas. Ficava rubro, vexado e alagado de suor.
Recomeçava eu a explicar certo problema quando ele, numa decisão brusca, me deteve e suplicou:
— Explica devagar, devagarzinho, porque eu sou burro.
Na outra ponta do fio meu amigo de hoje explodiu:
— Que gênio! QUE GÊNIO!!
Era efetivamente genial aquele moço de antigamente. Não segui sua trajetória e não sei se ele hoje amadureceu e desabrochou aquele botão de sabedoria em flor, ou se virou idiota e portanto intelectual. O que pude garantir ao meu amigo não-católico é que antigamente a atitude média dos idiotas era tímida, modesta e respeitosa. E isto que se observava nas ruas, nas aulas particulares, nos salões de bilhar e nos clubes de xadrez, observava-se também na Igreja. De repente, em certo ângulo da história, mercê de algum gás novo na atmosfera, ou de algum fator ainda não deslindado, os idiotas amanheceram novos e confiantes. Já ouvi e li muitas vezes o termo "mutação" surrupiado das prateleiras da genética e aplicado à história, à Igreja, ao dogma e aos costumes. Dois ou três bispos franceses não sabem falar dez minutos sem usar o termo "um mundo em mutação".
Se mutação houve, estou inclinado a crer que foi naquele ponto a que atrás aludimos: os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação. O mundo é deles. Será genético o fenômeno e por conseguinte transmissível?
— "Receio muito", gemeu a voz de meu amigo, "você não leu os jornais da semana passada?"
— O quê? — perguntei com a aflição já engatilhada.
— A descoberta do capim!
Não tinha lido tão importante notícia, e o meu amigo explicou-me: um sábio, creio que dinamarquês, chegou à conclusão de que o capim é um dos melhores alimentos do homem. Meu amigo não me explicou que se tratava do Homo Sapiens, do Everlasting Man, de Chesterton, ou do Homo postconciliarius. Seja como for, dentro de quatro ou cinco anos teremos a humanidade de quatro e espalhada nos pastos.
* * *
Estas reflexões amaríssimas, como diria o "agregado" de Machado de Assis, vieram-me hoje ao espírito depois da leitura de La Documentation Catholique, e principalmente depois da casual leitura de um volume encontrado entre outros livros de vinte anos atrás: O personalismo, de Emmanuel Mounier.
Nunca lera nada desse personagem que fundou a revista Esprit e que fez escola. Abri a página 42 da tradução editada pela Livraria Duas Cidades e li: "O homem é um ser natural". Detenho-me nesta proposição seguida desta outra: "Será somente um ser natural?" E depois: "Será, inteiramente, um joguete da natureza?" Ora, é fácil de ver que nenhuma dessas proposições têm sentido, e nenhuma conexão se percebe entre elas. Ou então, se o leitor quiser ser mais exato, diremos que todo aquele fraseado joga com a polivalência te termos equívocos pretendendo com essa confusão transmitir ao desavisado adepto do "personalismo" um sentimento de profundidade ou de rara acuidade. O que quer dizer "um ser natural"? Dotado de natureza própria todos os seres o são, desde o átomo de hidrogênio até Deus. Tenho diante dos olhos o dorso de um livro de Garrigou-Lagrange: Dieu, son existance et sa nature. Logo, Deus é um ser natural. Se por natural se entende tudo o que pertence ao Universo criado, todos os seres, exceto o Incriado, serão seres naturais: a água, um gato, São Miguel Arcanjo. Se o termo natural se contrapõe a artificial, todos nós sabemos que um homem não é montado como um rádio de pilha, ou como uma máquina de costura. Logo, é um ser natural. Mas não se entende por que razão foi preciso fundar Esprit, lançar o progressismo, atirar-se nos braços do comunismo, comprometer Jacques Maritain, excitar tanta gente em torno de tão óbvia proposição.
Emmanuel Mounier já morreu coberto de glória há mais de dez anos. Podemos tranqüilamente dizer que era burro, apesar de tudo o que foi escrito em francês a seu respeito, como já podemos dizer tranqüilamente que Teilhard de Chardin era meio tantã. Dentro de cinqüenta anos ninguém mais saberá em que consistiu o "personalismo" de Mounier, ou o "phenomène humain" de Teilhard de Chardin. Essas obras foram o consolo e a volúpia de muitos leitores que, não entendendo nada do que liam, ao menos se aliviavam com este pensamento balsâmico: todos os livros são escritos para ninguém entender. E assim os idiotas do mundo tiveram um decênio ou dois de júbilo.
Passarão esses autores, mas se é verdadeira a descoberta das propriedades do capim, muitos novos autores surgirão a perguntar "se o homem é um ser natural". Já se houve o tropel... Mas — quem sabe — talvez o próprio capim, entre suas virtudes estudadas em Estocolmo ou Copenhague, entre duas Pornôs, traga uma espécie de calmante que nos devolva o genial tipo clássico do burro que se conhecia e que não fundava revistas católicas nem rasgava novos horizontes para a Igreja.
*Publicado originalmente em https://permanencia.org.br, verdadeira joalheria de textos desse grande autor
LIBERDADE DE OPINIÃO E EXPRESSÃO, SEM INTERFERÊNCIA - 01/10/2020
Querer ser livre, significa querer também livres os outros.
A liberdade de expressão é uma das virtudes máximas da democracia. Não se pode estabelecer a autoridade da “verdade”. Impraticável fazê-lo, pois o pensamento é livre!
Desse modo, alguns indivíduos sentem-se livres para falar uma série de inverdades.
Apesar disto, o ato mais violento e inadmissível, é cercear o direito e a liberdade das pessoas exporem suas posições. Caso contrário, retornaríamos ao tempo da barbárie, da falta de civilização.
A censura representa, exatamente, a falta de promoção do pensamento como um todo. Significa a tentativa de controlar os pensamentos e crenças dos outros.
No Brasil, infelizmente, escassa é a capacidade de as pessoas pensarem reflexiva e individualmente. O pensar envolve a competência de reconhecer e descartar más ideias, próprias e/ou más ideias dos outros. Nada surpreendente, visto que grande parte da população é desletrada. Resultado de políticas públicas, intencionalmente, equivocadas, que visavam manter o controle das elites. Com a ausência de compreensão mais profunda da realidade, indivíduos são mais facilmente manipulados por grupos de interesse, o famoso efeito manada.
Contudo, suportados pela razão, não podemos inventar aquilo que acontece na realidade!
O próprio indivíduo é quem deveria construir a sua lógica, por meio do seu aparato moral quanto ao que é certo e errado; a sua visão do mundo. A existência de determinadas regras sociais, leis e normais formais, são aquelas que permitem a convivência em sociedade.
Apologistas da visão de mundo “igualitária e libertária” do socialismo e do estatismo, pregam uma verdade que não é fruto da construção de pensamento individual, mas sim daquilo que um suposto líder impõe.
A leitura da realidade incontestável da história da humanidade demonstra que tal sistema socialista, redundou em um povo miserável e uma minoria enriquecida, que se serviu deste povo igual.
Pela liberdade, compulsório é ouvir as baboseiras de estatistas hipócritas e mentirosos. Porém, o fato de não gostar dessas ideias irracionais, não me faz irracional.
O que não me permito, pelas palavras, é deixar, passivamente (com base nas ideias e fatos), que tais sofismas sejam facilmente instaurados.
Os guerreiros da justiça social, comprovadamente, já fizeram coisas horríveis para as sociedades, desnecessário detalhar. A massa de manobra, de maneira eficiente, os acompanhou – ou mais precisamente para os grandes libertários – foi obrigada a segui-los.
Atualmente, não é nada difícil atestar que a imprensa e o mundo intelectual está dominado pelo pensamento esquerdista. O suposto pensamento “igualitário e libertário” do coletivismo e do estatismo, coloca grupos de interesse à frente do interesse de cada cidadão, de fato livre.
Defendo a liberdade individual e a realização das aspirações individuais, não àquelas retóricas.
A foto do dia estampa que todos aqueles que se opõem a esse sistema perverso, são taxados de fascistas e outros adjetivos não menos nobres. Esquerdistas se utilizam do termo – muitos sem entender – para ofender todos os ideologicamente contrários a essa visão de mundo (no meu entendimento, o fascismo vem do socialismo).
Entretanto, a grande ironia contemplada nos discursos dos guerreiros da liberdade, da igualdade e da justiça social, é que esses se alinham e defendem os maiores criminosos, intolerantes, misóginos, homofóbicos e racistas da história da humanidade (a saber, Revolução Russa, Cultural Chinesa, Alemanha nazista). Períodos de rotunda falta de liberdade e produção de violência e pobreza.
Sou ferrenho defensor da liberdade de expressão. Livre para pensar e criticar ideias deturpadas e falseadas da realidade e que servem à agenda de uma visão de mundo coletiva, estatizante e empobrecedora.
Assim, justamente pela minha razão e pelos meus valores, decidi posicionar-me livre e abertamente para combater tal visão de mundo que nunca trouxe prosperidade alguma para o verdadeiro povo e suas respectivas sociedades.
AMY: A BOMBA DE TRUMP - 29/09/2020
Era de se esperar. Mal iniciaram os rumores da possibilidade de nomeação da juíza Amy Coney Barret para a cadeira da Suprema Corte Norte-americana, a extrema mídia entrou em ação com suas adjetivações de praxe, sendo a mais previsível delas - e démodé se é que podemos assim dizer - a de "ultraconservadora". De fato, Amy é conservadora e esta foi, sem dúvida, a qualidade que definiu o perfil a ser eleito para compor o vazio deixado pela juíza Ruth Bader Ginsburg - progressista em atos, palavras e julgamentos. Numa coisa a mídia vermelha acertou: a vacância da juíza Ruth Ginsburg foi um terremoto. Uma bomba inesperada caída sobre seu colo, impossível de desarmar e que, nas mãos de um especialista do campo inimigo, poderia gerar danos incalculáveis e irreparáveis.
Para o azar da esquerda, essa foi a exata conjuntura que se desenhou. E para um conservador, que roga e prima pelo divino, coincidências não existem, mas providências sim.
O presidente Donald Trump tomou a decisão e mostrou a correção da medida, elegendo o que era necessário para a retomada do Estado de Direito na América, primando pela diretriz do rule of law. Mas a sagacidade e inteligência do mandatário americano não fica exposta somente pelas opções jurídicas, mas pela rapidez e precisão da ação em momentos de crise. Isso mostra que por trás de cada decisão, há trabalho de inteligência e planejamento estratégico com cenários muito bem definidos para qualquer situação que venha a ocorrer. E por isso, ele consegue sair bem das crises e, provavelmente, será reeleito.
Sobre a reeleição de Trump, me permito por um momento fazer um exercício de futurologia, com pitada de torcida. E creio, por tantas providências que têm ocorrido, que esta será mais uma. Por outro lado, gostaria de crer que, acompanhadas dessas providências, outras pudessem baixar os trópicos e desembarcar no Planalto Central. E quais providências seriam estas? Bom. Em minha opinião, uma delas seria receber o episódio como aprendizagem. Ainda há tempo.
Em meu tempo como magistrado, e apaixonado pelo tema constitucional, debrucei-me por alguns anos sobre o debate das reformas necessárias para a implantação do real Estado de Direito no Brasil, onde a lei seja, de fato, materializada na vida dos cidadãos e não venha como mera ficção jurídica quase antagônica à realidade, em certas circunstâncias. Na verdade, o relativismo jurídico proposto pelo ativismo exacerbado (entre eles, o judicial) acabou instalando um estado de insegurança jurídica tal que fica difícil para qualquer cidadão não constatar, a olho nu, o desrespeito à Constituição onde quer que possamos ir. Mas esse é um assunto para outro momento.
Chamo atenção aqui para um fato. Nesta caminhada, refleti que o presidente eleito em 2018, se reeleito, teria a oportunidade de mudar o cenário da Suprema Corte Brasileira. Isso porque, em um primeiro mandato, poderá indicar 02 ministros, e em eventual segundo mandato (caso reeleito) mais 02 ministros, se tivermos por base o critério de aposentação compulsória instituído pela Constituição. Em 08 anos, seriam 04 nomes de 11 indicados, potencialmente - em caso de reeleição - por um único presidente.
Assim, para que pudéssemos retomar o rumo do Estado de Direito, onde a letra da lei prevaleça sobre o ativismo, qual seria o perfil de ministro capaz de atingir aos anseios da população que clamou por mudança de rumos nas últimas eleições, inclusive lançando duras críticas ao sistema normativo? Em minha opinião, já dividida há anos com muitos dos colegas, seria este: 1- um (a) magistrado (a) de carreira; 2- um (a) magistrado (a) conservador (a), de hábitos e princípios provados; 3- um (a) magistrado (a) de pouca idade, que tenha perspectiva de longa vida na Suprema Corte. Entendo que estas três características somadas conseguiriam cumprir com o perfil ideal ao cargo, considerando que uma pessoa da carreira da magistratura tenha a vocação e aptidão natas ao julgamento, tendo sido testada em diversas ocasiões quanto à própria competência no exercício do ofício, e sendo ela conservadora provada em diversas ocasiões (a partir não só de trabalhos e opiniões públicas como de vivência também - pois lembrem-se: o conservador, antes do discurso, pratica o conservadorismo, sendo forjado na vida doméstica, laboral, religiosa, social, etc), bastaria ser de pouca idade para que pudesse ter tempo para realizar, junto às futuras gerações, um trabalho capaz de fincar raízes no sistema jurídico.
Nunca conversei com Trump. E como falamos em minha terra: "quem sou eu na fila do pão"? Mas o presidente americano fez exatamente isso!
Amy Coney Barret tem 48 anos, e serve como juíza na 7a Corte de Apelações. Poderia descrever aqui o currículo da nova Justice e ressaltar que além da formação jurídica extensa, sendo professora de matérias como direito processual civil e direito constitucional, ainda tem proficiência nas áreas de literatura inglesa e artes. Mas dois fatos especiais chamam a atenção. Amy trabalhou diretamente com ninguém menos que Justice Anthonin Scalia (conservador que deixa saudades) e é mãe de 07 filhos, que têm idades entre 08 e 19 anos. Inclusive, no discurso de apresentação da nova Justice, o Presidente Trump ressaltou este fato e lembrou que a Suprema Corte Americana recebia naquele momento a primeira mulher mãe de criança em idade escolar na história dos EUA. E agradeceu, gentilmente, aos filhos presentes por dividirem sua mãe com a América.
Em suas primeiras palavras, Amy foi econômica mas, como boa conservadora, foi grata a quem muito lhe ensinou - Antonin Scalia. Ressaltou o aprendizado que teve sobre a capacidade de divergir e, ao mesmo tempo, aproximar-se do outro, respeitando-o. Além disso, declarou paixão ao seu país e a Constituição Americana e, como era de se esperar, assumiu o compromisso público de primazia da lei e rechaço ao ativismo judicial, com a consequente retomada dos rumos do rule of law.
Bingo! A bomba explodiu. Seus efeitos serão sentidos por muito tempo e honrarão o trabalho dos founding fathers. Tudo porque o especialista estava preparado para a coincidência. Ou para a providência.
Que tenhamos especialistas. E se não tivermos, que ao menos tenhamos pessoas humildes para aprender com eles.
A receita está dada.
26/09/2020
Publicado no Jornal Tribuna Diária, em 27.09.2020.
*O autor é magistrado
A LIBERDADE DESCONECTADA - 27/09/2020
Com a crise do coronavírus, estamos vivenciando o resultado de todo um processo que, desde o início, teve a ambição de controlar a opinião pública e vigiar o comportamento das pessoas.
"Ser banido significa ir para longe, muito longe. Para um lugar onde as pessoas se tornaram conscientes demais." (Aldous Huxley)
No imaginário popular, a palavra totalitarismo costuma ser relacionada a regimes ditatoriais em que a liberdade só existe dentro de parâmetros muito restritos e, mesmo assim, apenas para aqueles que contribuem de alguma forma para a manutenção do poder. Regimes como o nazismo, o socialismo, o comunismo e o fascismo sempre apresentaram de forma clara e evidente as restrições aos direitos naturais e as limitações das liberdades individuais. A essência do totalitarismo, no entanto, pode existir em um simulacro de democracia, sem um aparato ostensivo de repressão, desde que use uma camuflagem cientificista revestida de boas intenções.
A liberdade de expressão, uma das bases da verdadeira democracia, sempre foi o maior obstáculo ao totalitarismo, e exatamente por isso costuma ser o alvo primordial dos totalitários, sejam aqueles que pretendem subjugar um povo colocando uma bota em seu pescoço, sejam os que se disfarçam de benfeitores e se apoiam em eufemismos para impor as regras que a população deve seguir. Em ambos os casos a mentalidade totalitária dá início à sua escalada criando limites para a livre manifestação. Melhor dizendo, omitir informações destoantes do discurso oficial e censurar opiniões contrárias são sempre os primeiros passos para o totalitarismo.
Os primeiros meses de 2020 entrarão para a história como um período sombrio. Não apenas pela pandemia que assolou o mundo e proporcionou uma crise generalizada, mas também porque mostrou que a mentalidade totalitária está enraizada em algumas camadas da sociedade. Desde o início do ano, intelectuais, artistas e jornalistas do mainstream desonraram suas posições ao se aliarem ao que existe de pior na política com o intuito de defender posições ideológicas ou partidárias.
Que políticos ambiciosos e burocratas busquem calar as vozes divergentes com o objetivo de ampliar o alcance do seu poder, nunca será uma surpresa. Que multidões de pessoas desinformadas passem não apenas a aceitar, mas a comemorar iniciativas que esmaguem seus direitos para controlar suas atitudes, também não é nenhuma novidade, pois o medo, instrumentalizado por objetivos inconfessáveis, tem a capacidade de alterar percepções e ativar um senso de sobrevivência que muitas vezes cega a análise dos desavisados. O que pode parecer surpreendente é ver a chamada classe pensante ajoelhar diante de atitudes totalitárias e, mais ainda, colaborar com elas. Foi usada a expressão "pode parecer" porque na verdade basta um recuo para entender, de fato, o que está acontecendo.
A pandemia chegou ao Brasil durante um governo odiado por essa casta acostumada a privilégios e ao protagonismo no debate público. Portanto, pretendem aproveitar tudo que possa prejudicar ou desgastar a administração atual, na esperança de um retorno àquilo que consideram "normalidade". Para alcançar esse objetivo, estão dispostos a abandonar os princípios democráticos que juram defender e a distorcer os parâmetros que definem o que vem a ser liberdade.
Na academia, essa omissão diante das afrontas aos direitos individuais que estão sendo cometidas em nome de uma suposta proteção contra o coronavírus são efeitos das décadas de aparelhamento que vem ocorrendo nas universidades. Muitos professores têm funcionado como instrumentos de formação ideológica, construindo as bases da hegemonia cultural conforme apregoava Antonio Gramsci. Como já se passaram algumas gerações desde o início do funcionamento desse mecanismo, os atuais agentes muitas vezes nem percebem que estão apenas repercutindo um molde cuja origem desconhecem, simplesmente porque lecionam aquilo que aprenderam.
Entre os artistas essa visão embaçada do que vem a ser democracia também pode ser observada. Além da óbvia questão financeira, consequência da reestruturação das leis de incentivos — a fonte que jorrava recursos para artistas engajados secou ou está apenas gotejando —, também existe um aspecto de ordem psicológica, devido a uma particularidade presente no imaginário da classe artística moderna, especialmente a brasileira. Acostumados a associar arte com subversão dos valores, acreditam que seu trabalho se resume a causar impacto e escândalo naquilo que eles imaginam ser o "conservadorismo". Pensando estar colaborando para o que chamam de "progressismo" de forma genérica, colaboram com o pensamento totalitário do establishment camuflado de insurgente, ou seja, respondem a estímulos de forma mecânica enquanto pensam estar agindo espontaneamente.
A grande imprensa, desesperada diante da perda de credibilidade e do protagonismo das redes sociais, carente das verbas de propaganda estatal que reduziram significativamente no governo atual, tem colaborado com o avanço dos objetivos totalitários preconizados pelos burocratas da velha política, inclusive e principalmente com a censura.
Como ficou evidente com o apoio incondicional à CPMI das Fake News, que mostrou-se um preparatório para que censores possam agir em nome de uma fraude descarada, a mídia, ou melhor, a parte visível do establishment, abandonou o disfarce que a escondeu durante muito tempo. A crise de 2020, que teve origem em uma doença e se alastrou por várias outras áreas da sociedade, também serviu para trazer à luz a verdadeira função da grande imprensa. Ao invés de se portar como defensora incondicional da liberdade de expressão, como repete demagogicamente em seu discurso oficial, a mídia brasileira está atuando como promotora do totalitarismo, ao relativizar e até mesmo justificar atos de censura que estão acontecendo às centenas, talvez milhares. Para qualquer um que esteja um pouco mais atento, foi descortinado o objetivo desta aparente incompatibilidade.
Por outro lado, embora tenham proporcionado uma oportunidade para que a voz popular tivesse maior alcance, as redes sociais foram paulatinamente fechando seus espaços para discursos e pensamentos discordantes daqueles adotados pelo establishment. Nos últimos anos esse processo foi ganhando corpo, com as empresas responsáveis pelos sites mais populares do mundo se aliando aos grandes órgãos de imprensa e seus satélites, as agências de checagem e os institutos de pesquisa. Junto a isso, conceitos como "pós-verdade[1]", "fatos alternativos" e outras formas de relativismo deixaram o ambiente acadêmico e a pauta de reuniões como as do Clube Bilderberg[2], ganharam repercussão e passaram a funcionar como argumentos para justificar a censura ou qualquer outra forma de restrição às liberdades. A própria disseminação da expressão fake news, que ganhou força com as acusações de Donald Trump aos conglomerados da mídia americana, agora passou a ser usada para acusar aqueles que discordam dos posicionamentos de um suposto consenso. Apesar de quebrar a hegemonia dos jornalistas, portanto, os recentes meios de comunicação representados pelas redes sociais passaram a ocupar a posição de novos censores, de novos mecanismos de controle da opinião pública. Mas para entender melhor como chegamos a esta nova forma de censura, que alcançou o seu ápice em 2020, com o Google confirmando a manipulação de pesquisas em seus algoritmos e empresas como Twitter e Facebook censurando um Chefe de Estado[3] em nome de uma suposta proteção à saúde coletiva, precisaremos fazer um novo recuo.
A Internet surgiu como um projeto do deep state americano, com o nome de Arpanet. Faziam parte desta iniciativa da ARPA[4], outros órgãos militares, os serviços de inteligência, corporações ligadas aos mercados de telecomunicações, armamentos, logística e alta tecnologia, além de cientistas e pesquisadores de Stanford, Massachusetts Institute of Technology (MIT) e outras universidades, pensadores de think tanks globalistas como Council on Foreign Relations (CFR) e Chatham House, e de algumas fundações bilionárias que financiaram projetos paralelos com interesse no conteúdo dessas ações. Inicialmente a idéia era criar uma forma de comunicação segura que interligasse os sistemas de informação destes players, e também os vários agentes geopolíticos comprometidos com o fortalecimento de um ambiente de governança global. Como o objetivo era proporcionar segurança aos dados que circulariam por essa rede, a "encomenda" deixou claro um ponto importante, que os protocolos exigissem o controle e o armazenamento sobre o fluxo destes dados, o que definiria a evolução da sua sucessora, a World Wide Web, como um depósito de informações que guarda todos os movimentos de todos os usuários, o tempo todo.
Obedecendo aos enunciados da Lei de Moore[5] e da Lei de Metcalfe[6], a década de 1990 foi responsável pela expansão radical da Internet e pelo aparecimento das tecnologias que iriam organizar o ambiente até então caótico da rede. Entre outras grandes inovações, a idéia de classificação baseada em um ranking que levava em conta o número de citações foi decisiva para permitir o manuseio dos dados coletados, tarefa que era pouco eficiente no início da operação. Essa idéia era a essência de uma tese de doutorado[7] defendida por dois jovens em 1998, e que logo em seguida formariam uma empresa chamada Google. Com os algoritmos de relevância, a rede permitiu o manuseio dos dados que antes pareciam dispersos e incompreensíveis e atiçou a mentalidade daqueles que desejavam controlar o fluxo de informações, dando corpo e funcionalidade a um projeto diabólico criado um ano antes pelo FBI, com apoio dos mesmos pioneiros da Arpanet/Internet, o Omnivore, mais tarde renomeado com o nome que ficou famoso, Carnivore, um misto de software espião, catálogo digital e classificador baseado em comportamento online. Após inúmeras controvérsias a tentativa foi oficialmente rejeitada pelo congresso americano, mas deu origem a outros projetos igualmente totalitários como DCS1000[8], NarusInsight[9], PRISM[10], JFCOM-9[11] etc.
Com a era da chamada Internet 2.0[12] ocorre uma mudança profunda na essência da Internet, com novas formas de interface, onde as informações passam a ser disponibilizadas pelos próprios usuários[13]. Surge nesse momento o conceito de redes sociais, facilitando o acesso aos dados privados sem necessidade de invasões clandestinas ou ilegais. Dispondo das possibilidades de armazenamento organizado, rastreio e classificação de montanhas de dados simultâneos, não tardou para que a mente totalitária mostrasse profundo interesse pelas novas ferramentas de vigilância e controle. Esse princípio de Consumer-Generated Media[14] prosperou e avançou com facilidade no mundo todo, até mesmo em países com rígido controle sobre a liberdade de expressão, pois tem a particularidade de acesso pontual e imediato a todo conteúdo dos usuários, além de permitir censura automática por tema, autor ou palavra-chave. Exatamente por esses motivos uma ditadura como a China, por exemplo, que sempre desprezou e oprimiu a opinião pública, vem investindo rios de dinheiro em tecnologia da informação, em softwares, hardwares e aplicativos de comunicação online, de localização e de controle, como o "Sistema de Crédito Social[15]", que pontua, pune ou oferece "benefícios" aos chineses de acordo com normas específicas de comportamento, cruzando várias fontes de dados e utilizando inclusive o GPS e o reconhecimento facial. Assim a Internet se tornou a "alma" dos projetos totalitários e principal ferramenta de implantação da Nova Ordem Mundial.
De volta ao presente, estamos vivenciando o resultado de todo um processo que, desde o início, teve a ambição de controlar a opinião pública e vigiar o comportamento das pessoas. A prova de que esse processo está acelerando são as inúmeras ações totalitárias que estão ocorrendo diariamente, sem resistência e em número cada vez maior nas redes sociais, nos buscadores e nos aplicativos. Tudo está ficando cada vez mais restrito, até mesmo as mensagens[16] privadas estão limitadas e controladas, e a crise atual está funcionando como combustível para o avanço do totalitarismo. Estas empresas se tornaram onipresentes, seu poder ultrapassa qualquer fronteira, criaram dependência nos hábitos e nos negócios e já dominam a maior fatia da publicidade mundial.
Se hoje vemos corporações do Vale do Silício utilizando a pandemia do coronavírus para classificar a relevância de resultados buscados, promover informações específicas e deletar notícias, banir opiniões ou mesmo vaporizar[17] perfis em desacordo com as recomendações estatais ou de organismos internacionais como OMS ou ONU, devemos perceber também que entregamos nossa soberania, nossa liberdade e nossa privacidade a um conjunto de empresas e burocratas sem qualquer compromisso com os nossos valores, um grupo restrito de bilionários e poderosos comprometidos até a medula com um projeto totalitário global.
Caso não ocorra um imediato levante de resistência contra as arbitrariedades que já estão se tornando cotidianas, seja por burocratas de todas as instâncias governamentais, inclusive internacionais, seja pelas empresas que controlam a circulação de informações, teremos implantações definitivas, mudanças permanentes de comportamento e dificilmente conseguiremos retomar as rédeas da nossa vida. Então, de certa forma, estaremos experimentando, na prática, as consequências de desprezar a verdade contida na famosa frase de Thomas Jefferson: "O preço da liberdade é a eterna vigilância".
Em 14 de Abril de 2020
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— Alexandre Costa é autor de "Introdução à Nova Ordem Mundial", "Bem-vindo ao Hospício", "O Brasil e a Nova Ordem Mundial", "Fazendo Livros" e "O Novato".
Site: www.escritoralexandrecosta.com.br
Canal: www.youtube.com/c/AlexandreCosta
[1] Word of the Year, Oxford, 2016.
[2] "O mundo pós-verdade" foi tema de uma reunião dos Bilderberg, em 2018, na Itália.
[3] Nos dias 29 e 30/03/2020, Twitter e Facebook removeram postagens do Presidente Jair Bolsonaro.
[4] ARPA, sigla para Advanced Research Projects Agency Network, mais tarde renomeada para DARPA, a agência atualmente responsável pelo desenvolvimento de robôs militares.
[5] O poder de processamento dos computadores deve dobrar a cada dois anos - Gordon Earle Moore
[6] "O valor de um sistema de comunicação cresce na razão do quadrado do número de usuários do sistema" - Robert Metcalfe.
[7] "Anatomy of a Large-Scale Hypertextual Web Search Engine" – Título da tese defendida por Sergey Brin e Larry Page.
[8] Digital Collection System.
[9] Projeto de cibervigilância da Narus, uma das pioneiras do Big Data.
[10] Programa da Special Source Operations, da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), criado em 2007 para coletar dados dos usuários da Internet, em parceria com grandes empresas de tecnologia como Apple, Microsoft, Google, Facebook e Yahoo.
[11] Simulador que reúne dados coletados de inúmeras fontes com o objetivo de criar um modelo global e prever tendências culturais e geopolíticas. Uma parceria da Simulex com a Lockheed Martin.
[12] Não existe consenso sobre esse termo, usado por Tim O'Reilly em 2004, mas acredito que ele serve para simples identificação.
[13] "O que tentamos fazer no Facebook foi mapear todas as relações que as pessoas têm" - Mark Elliot Zuckerberg
[14] Termo utilizado no livro "On the Way to the Web: The Secret History of the Internet and Its Founders", de Michael A. Banks.
[15] O Sistema de Crédito Social da China já existe desde 2018.
[16] Segundo informações do WhatsApp, o aplicativo pretende limitar ainda mais o reenvio de mensagens a vários destinatários. A restrição teve início em 2018, após pressão de agências de checagem e outros censores disfarçados de democratas.
[17] Em 1984, de George Orwell, os indivíduos que se indispunham com o Grande Irmão desapareciam e na Novilíngua eram chamados de "vaporizados".
IMPÉRIO DE RESPEITO E REPÚBLICA DO SASSARICO - 08/09/2020
"Já podeis, da Pátria filhos, ver contente a mãe gentil. Já raiou a liberdade no horizonte do Brasil". A música desta letra compôs o Príncipe que nos deu a liberdade. Sim, sou monarquista desde que me dou por gente. Já no primário minha admiração pela Casa Real de Orleans e Bragança ganhava força e hoje, estou convencido, tivesse o País permanecido no regime imperial e nossa evolução política teria outra cara. Às vezes me pergunto, por que o Exército teve que prestar este único desserviço à nação? Sim porque, com exceção desse desatino, não fosse a Força Terrestre, de quando em vez, cumprir sua missão de poder moderador, este que lhe foi outorgado pelos dois imperadores, e já teríamos soçobrado há muito tempo pelo despreparo, incapacidade e incúria da grande maioria da classe política republicana.
Ah, mas as elites seriam sempre do mesmo naipe. Por favor, não podemos comparar o patriotismo daqueles políticos que compunham os antigos partidos, conservador e liberal, que se notabilizaram a partir do Segundo Império, com o naipe "de segunda" da maioria dos congressistas que compuseram o poder legislativo a partir de 1889, desde há muito integrando agremiações sem nenhuma unidade de doutrina, fato que vem se agravando acentuadamente até os dias atuais. Isto sem falar nas benesses de um regime parlamentarista que estaria vigorando, semelhante ao britânico, em constante aperfeiçoamento, sem nenhuma solução de continuidade. Virou moda questionar o caráter do príncipe que proclamou a independência. Falam da sua virilidade intempestiva, nada a favor nem contra. Cada um com suas qualidades e defeitos. Kennedy também fez o que fez e nenhum americano deixou de admirá-lo pelo que representou para o país deles. Ora bolas! O filho de D. João VI nos declarou livres, leves e soltos. Por que não tê-lo em alta conta? É dele a canção de guerra que emoldura os versos sentidos de Evaristo da Veiga no Hino da independência: -"Brava gente brasileira! Longe vá... temor servil: ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil."
Que ninguém duvide, nosso príncipe morreria por nós. "Os grilhões que nos forjava da perfídia astuto ardil... Houve mão mais poderosa, zombou deles o Brasil." Na atualidade, aonde se escondeu a mão mais poderosa que poderia fazer o País zombar dos que nos ameaçam, dentro e fora do nosso território, valendo-se da máscara ardilosa de uma paranoia ecológico/climática selvagem, plena de astutas intenções? Aonde se escondeu a coragem, a força e a fé dos principais e maiores responsáveis pela forja de uma capacidade defensiva definitiva que trouxesse tranquilidade para o povo indefeso desta Terra de Santa Cruz? Aonde foi parar o nosso Imperador Dom Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim? Por que nos está a faltar o monarca de tantos nomes, patriota sem par dos dias de negros horizontes?
"Não temais ímpias falanges que apresentam face hostil. Vossos peitos, vossos braços são muralhas do Brasil." Mas, e o Duque de Caxias? Nosso condestável, o "pacificador" da gente brasileira, o general vitorioso na guerra e na paz, tem gente que o acusa de genocídio. Somos obrigados a conviver com esta desmistificação injusta, descabida, perversamente criminosa de alguns facínoras que se dizem intelectuais. É o cúmulo! Não fosse este lídimo representante da nobreza e teríamos sucumbido entre as "ímpias falanges que apresentavam a face hostil" do separatismo. E o grande Barão do Rio Branco que, mesmo como diplomata, sempre defendeu o sábio "princípio da nação armada? Sim, só Deus pode aquilatar o quanto a nacionalidade deve a estes varões do Império, verdadeiras muralhas de uma soberania plena que hoje não existe mais.
Mas a família real também nos deu o Conde D'EU, um príncipe consorte mal falado injustamente, mas que soube levar a bom termo a fase final da campanha no Paraguai. Nosso segundo imperador nos galardoou com uma princesa que assinou a "Lei Áurea" de emancipação dos escravos. Quanta nobreza, quanto amor por esta terra do Brasil, todavia, também, quanta injustiça, degredado que foi pelos seus súditos, mal agradecidos ante a grandeza de um império unitário, herdado e respeitado pela quantidade de pequenos países que nos rodeiam. Mas nosso monarca, ainda assim, fez questão de levar um travesseiro com terra brasileira para descansar sua real cabeça quando morresse.
"Parabéns, ó brasileiro, já com garbo varonil. Do universo entre as nações resplandece a do Brasil." Garbo que não se garante! Que ninguém duvide, estamos nos deixando ultrapassar pela chamada "nova ordem mundial". Será que nos dias atuais resplandece mesmo? Como se pode resplandecer no contexto das nações quando se abdica do legítimo pleno direito de defesa? Não, em absoluto, decididamente, não foi essa malfadada e indigna herança que nos legou a venerável Casa Real de Orleans e Bragança!
*O autor é Coronel de Infantaria e Estado-Maior
** Artigo publicado originalmente no "Jornal Diário de Petrópolis/RJ"
HEIN? “EDITAR” A SOCIEDADE? COMO ASSIM? - 30/08/2020
De uns tempos para cá vêm provocando perplexidade inquietante certos atos e declarações de alguns habitantes do Olimpo, aquele edifício de arquitetura moderna, bem ali na Praça dos Três Poderes, que tem na frente de sua fachada a estátua de Alfredo Ceschiatti – A Justiça – vazia de beleza, para o meu gosto um tanto arredio ao concretismo –, representada por uma mulher sentada, com os olhos vendados, com uma espada apoiada sobre as coxas e, intrigantemente, sem portar a balança da justiça que se espera deva trazer sempre consigo e, para maior espanto meu, com o pé esquerdo apoiado no chão, mas à frente do direito. Sim, pode ser coincidência, eu sei, mas é porque gosto de procurar pormenores em obras de arte e também porque, segundo rumores que circulam nos corredores do Google, Ceschiatti demitiu-se da Universidade de Brasília, onde lecionava escultura e desenho, em solidariedade a colegas esquerdistas envolvidos em problemas com o governo da época por razões políticas.
Mas vamos ao que interessa? Uma das insólitas atitudes das supremas onipotências deu-se no final de julho, quando o presidente da corte suprema, como em uma erupção de sarampo ou catapora, revelou marcas assustadoras de autoritarismo, ao proclamar - e quem tem ouvidos para ouvir ouviu e quem tem olhos para ver viu - que enxerga aquela corte como editora da opinião de todos os brasileiros. O que isso significa?
Ora, a origem da palavra “editor” vem do latim editio, que é o ato de trazer a público, entregar e que vem, por sua vez, de ex (para fora) e de edere (produzir, levar ao conhecimento). Um editor, então, é alguém que publica, ou corrige, ou adapta algo de acordo com certas regras e normas. O editor de um programa de rádio ou televisão ou de um jornal ou revista, portanto, é o jornalista responsável pela edição do programa, livro ou texto, com liberdade para formatar e alterar a matéria e fazer os ajustes finais, para que a mesma obedeça a normas e padrões estabelecidos pelo órgão responsável por ela.
Por sua vez, o vocábulo censura (do latim censura) expressa a desaprovação e consequente proibição (ou remoção, se for ocaso) da exposição pública de alguma informação, sob o pretexto de proteger interesses, seja de um estado, empresa ou cidadão. Na Constituição Federal de 1988 essa palavra aparece duas vezes. O Art. 5º, inciso IX, do Capítulo I, dispõe que “É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” e o § 2º do Art. 220, Capítulo V, estabelece que “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. Por conseguinte, nossa lei maior veta a censura, entendida como qualquer ato com o intento de abolir ou suspender a circulação de informações, opiniões ou expressões artísticas.
É óbvio - e do conhecimento até das dezenas de maritacas que diariamente passam voando em sua alacridade defronte à minha varanda, de manhã para o oeste e à tardinha para o leste -, que a Constituição Federal aplica-se igualmente a todos, sejam pessoas físicas, empresas privadas e públicas, autarquias, órgãos de Estado e, destarte – e não deveria nem ser necessário lembrar isso, tamanha a notoriedade –, à colenda e venerável corte que tem por missão precípua ser a garantia de que seja cumprida.
Não é difícil perceber os perigos a que os cidadãos ficam expostos quando a corte suprema do país e – o que realmente é difícil de crer - por intermédio da própria pessoa de quem a preside, arvora-se em editar a opinião de quem quer que seja. Primeiro, porque o direito a ter ideias próprias é intocável em qualquer democracia; depois, porque essa pretensão escapa totalmente à principal atribuição desse tribunal, razão até da sua existência, que é a de resguardar e garantir o respeito à Constituição e terceiro, porque não há como assegurar que os padrões e normas adotados pelos “editores” de plantão não espelhem valores de teor político, pessoais ou preferências ideológicas, o que é normal, pois estamos falando de indivíduos, ou – e neste caso não seria normal – não reflitam interesses partidários.
Cumpre salientar que opiniões, assim como ideias, podem ser boas e más, verdadeiras ou falsas, morais ou imorais, ilegais ou legais, mas, quando aquelas potencialmente causadoras de danos a terceiros permaneçam apenas como ideias nas cabeças de quem as hospeda, não existe crime. Um sujeito pode, por exemplo, planejar assaltar um banco, porém, se não o fizer, não terá cometido crime algum e, portanto, não poderá ser julgado e nem condenado.
É importante frisar que são os atos concretos, e não as intenções de praticá-los, que devem ser levados em conta. Mesmo assim, levá-los em conta, em qualquer regime democrático, não significa que sejam passíveis de “edição” e censura por parte de quem quer que seja. Com toda a franqueza, chega a ser revoltante quando se vê alguém cheio de pose e vazio de modéstia, repetir o chavão “estado democrático de direito” como uma espécie de senha para garantir sua beatificação. Em um estado de direito, estado democrático de direito ou, simplesmente, em uma democracia, ninguém tem o direito de editar a opinião de ninguém. Fazê-lo é censurar e ameaçar fazê-lo censurar ex ante. A Constituição proíbe. E quem tem o dever de zelar por ela jurou fazê-lo.
Por fim, tenho que escrever outra obviedade gritante: quando alguém se sente ofendido, lesado, prejudicado, agredido em sua honra, acusado injustamente, difamado ou ofendido por alguma pessoa, o que tem que fazer é procurar um advogado para resolver o problema.
Sim, um bom advogado, e não um editor, e não um censor. O Brasil cansa.
* Publicado originalmente em ubirataniorio.org
O PODER DA VOZ - 27/08/2020
Meu pai cuidava com carinho e ciúmes do seu velho radio Pilot, um monstrengo envernizado em tons escarlates. Sintonizado na Rádio Nacional ouviu os choros de Jacob do Bandolim; sambas do Bando da Lua e acompanhou as transmissões internacionais dos jogos das Copas de 58 e 62 na voz do locutor que oscilava em meio aos chiados da estática.
Pontualmente às 8 da noite ele postava-se ao lado do Pilot para escutar “o primeiro a dar as últimas”, o seu "Repórter Esso". Viajando pelo éter, desde os pampas até os cafundós da Amazônia, os quilohertz da Nacional atualizavam milhares de brasileiros com notícias do país e do mundo. O que chegava através do rádio no timbre potente e dramático de Heron Domingues era a verdade indiscutível – e estamos conversados.
- Ouvi ontem no "Repórter Esso"!
Com a expansão das TVs, novos porta-vozes assumiram os papéis de arautos das boas e más notícias. Durante décadas os programas jornalísticos vinham revestidos dessa estranha infalibilidade; recheados de sapiência; incontestáveis nas informações que espalhavam.
- É verdade; deu no "Jornal Nacional".
Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, ponderou que os cidadãos não dormiriam tranquilos se soubessem como são feitas as salsichas e as leis. Caso vivesse hoje, o prussiano certamente ampliaria seu mote inserindo ao final, após salsichas e leis, o complemento “...e as notícias”.
Além dessa pretensa primazia, protegida num pedestal soberano, a televisão ainda criou filhotes especializados em economia, esportes, sociologia, beleza, moda, gerenciamento de riscos, medicina, psicologia, acidentes aéreos, naufrágios, sobrevivência na selva, criação de cangurus e sabe-se lá mais o quê. Tais figuras pontificavam; mantinham-se firmes, serenas e, sobretudo, muito bem pagas pelas emissoras com contratos de exclusividade.
Daí, as redes sociais surgiram e bagunçaram tudo. Umberto Eco já alertara para os milhões de idiotas que ganhariam voz pela internet. Porém, não se pode negar o lado bom da coisa: a rede abriu canais de informação, comunicação e discussão até então inéditos. As emissoras levaram um susto, sentiram o golpe e continuam atordoadas até agora. De repente, não detinham mais a exclusividade da notícia, da interpretação conveniente do fato e – pior! - do viés político-ideológico com o qual manipulavam o conteúdo em função de seus próprios interesses e dos interesses de seus anunciantes. Perderam a valiosa exclusividade, milhões de telespectadores e patrocínios vultuosos.
Feito um petardo desorientado, o estrago alcançou de tabela os especialistas em assuntos diversos da TV. Antes, tinham as agendas cheias (e bolsos idem) como convidados de honra e palestrantes em seminários, congressos, encontros empresariais, universidades, eventos diversos. Emanavam confiança, orientação e sabedoria naquilo que diziam ao microfone para a plateia atenta. Uma dessas famosas jornalistas-especialistas chegava a atender a quatro ou cinco compromissos por semana, pelos quais recebia cachês na faixa de dezenas de milhares de reais.
Vários deles tentam se adaptar como podem ao modo “streaming” de viver. O problema é que, antes, gozavam da blindagem provida pela via de mão única da televisão: falou para a câmera, transmitiu, acabou. Já agora, pelas redes, se expuseram à realidade da interação imediata. Falam e são bombardeados em segundos por internautas; devem conviver com a crítica sem filtros, “haters”, anônimos e demais personagens. E mais: a cada dia perdem a concorrência para youtubers, influencers e novas celebridades reveladas no embalo caótico - mas democrático - da internet.
Agora, todo mundo tem um celular – esta pequena e fantástica emissora que levamos no bolso. Cada cidadão ganhou voz própria e virou testemunha ocular da história, como dizia o slogan do velho "Repórter Esso".
*Publicado originalmente em O Tempo, de BH, em 20/08/20
A MAÇÃ ENVENENADA DA IDEOLOGIA FEMINISTA - 21/08/2020
“Branca de Neve”, “Cinderela”, “A Pequena Sereia”, “Rapunzel”, “A Bela Adormecida” são histórias que povoam há séculos a imaginação das meninas. Popularizadas pelas produções da Disney, versões diferentes desses contos de fadas, particularmente da Cinderela, têm cruzado as divisas das culturas e do tempo.
Todas essas histórias fantásticas seguem um roteiro parecido. Geralmente há uma mulher mais velha — que pode ser uma mãe, uma bruxa ou uma rainha —, em uma posição confortavelmente superior, até alguém ameaçar o seu lugar por ser, por exemplo, “a mais bela de todas as mulheres” [1]. A jovem donzela precisa ser detida a qualquer custo. A partir disso, os contos de fadas se desenrolam rumo a um desfecho comum: as coisas não se dão bem para a bruxa má, e a jovem donzela e seu príncipe vivem felizes para sempre.
Há muitas lições que podem ser extraídas desses contos de fadas, mas a primeira delas diz respeito ao vício atemporal da inveja. Embora pareçam equivaler-se, ter inveja e sentir ciúmes são, na verdade, duas coisas bem diferentes uma da outra [2]. A inveja eleva o ciúme de uma pessoa a um novo patamar, como se quem possuísse o objeto de seus desejos, ou fosse um obstáculo para alcançá-lo, estivesse roubando algo dela. Não sem razão a palavra inveja vem do latim invidere, que significa, literalmente, olhar para o outro com um “olho mau”, cheio de ódio e de malícia. Ela alimenta o impulso de destruir o próximo.
Embora seja um pecado capital tanto para homens quanto para mulheres, a inveja parece estar profundamente enraizada no coração feminino, desde o tempo de Eva. Até mesmo no Jardim do Éden é possível ver a inveja em ação. A serpente, ao tentar a primeira mulher com o fruto da árvore do bem e do mal, procura ao mesmo tempo colocá-la contra Deus, como se Ele estivesse retendo algo bom e que certamente era de seu direito. “Oh, não! — tornou a serpente — vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal” (Gn 3, 4-5).
O que acontece, então, se tomarmos este vício atemporal da inveja e o aplicarmos a nossa própria cultura? Existe por acaso uma conexão?
Sim, ela existe, mas o lugar em que se sobressai pode parecer inesperado para muitos: trata-se do feminismo radical. A primeira e talvez a segunda onda do feminismo até podem ter sido construídas sobre ideias nobres, mas a corrente atual é movida por nada menos do que a inveja.
Um dia, a fantasia da ideologia feminista finalmente virá abaixo e será revelado, então, aquilo que ela realmente é: uma grande e espalhafatosa mentira.
Nós vemos a inveja atuando, primeiro e sobretudo, na relação que as mulheres chegam a manter com os próprios filhos. A ideologia por trás da liberação do aborto é de que “as mulheres precisam tocar suas vidas”. A vida de uma criança seria uma ameaça ao sucesso e à felicidade de sua mãe. Assim como em Branca de Neve, aqui também um ser humano a desabrochar é detido (literalmente envenenado, muitas vezes) e destinado a dormir um sono profundo (só que, desta vez, sem jamais poder acordar). Como as pessoas são capazes de exultar com um ato de tamanha destruição, ou chamar de “empoderamento” ao ato de contar a história dos próprios abortos na internet (como pretende um movimento recente nos Estados Unidos, chamado Shout Your Abortion)?
E quanto aos homens? Eles geralmente não são retratados como vilões nos contos de fadas, mas a versão contemporânea da trama tem os colocado no centro das atenções. As mulheres decretaram que só serão felizes se levarem a mesma vida que os homens levam. A atitude delas em relação a seus pares revelam as marcas destrutivas e depreciativas da inveja. As mulheres não abraçam mais o bem que os homens têm a oferecer à sociedade; antes, vêem-no como um mal que tem de ser eliminado. Os importantes instintos de proteção e responsabilidade que desde sempre impulsionaram os homens à grandeza foram reduzidos à categoria de “machismo”. O mantra feminista, nas entrelinhas, é: “Homens, ainda que nós queiramos ser como vocês, vocês devem mudar.” Todos os dias nós vemos o veneno da inveja sendo destilado em direção aos homens, particularmente nos comerciais ubíquos de TV, onde todos eles agem de modo atrapalhado, até que uma sábia mulher venha em socorro deles.
E como as feministas tratam aquelas mulheres que não abraçam seus ideais? Mulheres que escolheram ter muitos filhos e/ou preferiram a família à própria carreira são frequentemente tidas como idiotas, “parideiras”, pessoas que preferiram ficar “presas” em casa, ao invés de gozarem da liberdade que vem com a independência e autonomia financeiras. Assim o movimento feminista alimenta a “estranha ideia de que as mulheres são livres quando servem os seus empregadores, mas escravas quando ajudam os seus maridos” [3].
Infelizmente, as mulheres cristãs não estão imunes à destruição ideológica do feminismo radical, que está praticamente onipresente em nossa cultura. Ao longo dos anos, estas pelo menos têm mostrado possuir uma capacidade profunda de ajudar e encorajar outras mulheres — virtudes que são difíceis de viver e até mesmo de ter em alta conta, quando a cultura, de uma maneira geral, apresenta o ciúme e a inveja como “virtudes” indispensáveis para sobreviver econômica e socialmente.
A primeira e talvez a segunda onda do feminismo até podem ter sido construídas sobre ideias nobres, mas a corrente atual é movida por nada menos do que a inveja.
Mas como podemos combater este velho pecado de Eva?
Primeiro, é importante termos consciência da inveja e das múltiplas formas sob as quais ela se apresenta no mundo à nossa volta. O mais importante de tudo, porém, é olharmos para nossos próprios corações, onde este pecado muitas vezes se esconde, permeando nossas palavras, atos… e omissões.
Em segundo lugar, podemos consultar esses velhos contos de fadas à procura de ajuda. A mulher invejosa preza pelo próprio status, esteja ele em sua juventude, em sua riqueza, em seu poder ou em sua influência (ou mesmo em tudo isso junto). Todos esses aspectos materiais, no entanto, não cobrem por completo o que significa ser uma mulher de Deus. Há uma camada mais profunda de vida para as mulheres, camada a qual nós perdemos de vista em nossa própria cultura. Trata-se de maturidade e de sabedoria. Esses atributos não aparecem simplesmente com o passar dos anos, mas devem ser adquiridos por meio de atos deliberados de esforço para conquistar as virtudes da humildade, da paciência, da confiança, da pureza etc.
A chave para isso está na consciência profunda de que Deus é nosso Pai, cuida com carinho de cada um de nós e tudo o que nos acontece faz parte de sua vontade providente. Quando descobrimos que “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rm 8, 28) e rejeitamos a mentira de que estaríamos órfãos neste mundo, então a inveja passa a não ter mais lugar em nossas vidas. Um espírito de gratidão por esse relacionamento com nosso Criador e por todos os dons que recebemos, por mais pequenos e insignificantes que pareçam, é o que precisamos para dissipar o veneno da inveja.
Como todo bom conto de fadas, nós sabemos que, no fim, a beleza, o bem, a verdade e a honestidade verdadeiras não podem ser vencidos, mas tão somente escondidos ou desprezados. Um dia, a fantasia da ideologia feminista finalmente virá abaixo e será revelado, então, aquilo que ela realmente é: uma grande e espalhafatosa mentira.
Notas
1. A expressão “fairest of them all”, aqui traduzida ao pé da letra, faz referência à frase com que a personagem da madrasta má se dirigia ao espelho mágico na história da Branca de Neve: “Mirror, mirror on the wall, who’s the fairest of them all?” (“Espelho, espelho na parede, quem é a mais bela de todas?”, literalmente). Na versão portuguesa desse conto de fadas, a frase que ficou famosa e mais sonora em nosso idioma foi: “Espelho, espelho meu, existe alguém neste mundo mais bonita do que eu?”.
2. Essa diferença é cuidadosamente explicada na Suma Teológica: enquanto os ciúmes (zelus, em latim) são considerados pelo Aquinate simples efeitos do amor (cf. I-II, q. 28, a. 4), pelo que vão abordados no tratado sobre as paixões, a inveja é sempre má e pecaminosa (cf. II-II, q. 36, a. 2), constando da seção da Suma que trata sobre a moral.
3. Trata-se de uma frase, famosa, de G. K. Chesterton, já usada inúmeras vezes em outros textos nossos. Tomamos a liberdade de acrescentá-la aqui, a fim de enriquecer a matéria e completar a linha de raciocínio de sua autora.
* Publicado originalmente em https://padrepauloricardo.org/blog/a-maca-envenenada-da-ideologia-feminista, em 08/01/2018
VELHOS SOFISTAS, ESPERANÇA RENOVADA NO INDIVÍDUO. - 17/08/2020
Para começar a semana, e o sol vem trazendo a luz da esperança, uma recorrente notícia terrível e outra alvissareira.
A horrorosa, é que continuamos a ter parcela significativa de brasileiros que seguem acreditando tanto na ilusão da defesa dos interesses e do desenvolvimento do (farsante) coletivo, da massa etérea, abstrata e despersonalizada - em detrimento da menor minoria factual, o indivíduo - como também da capacidade do Estado e de seus tangíveis burocratas estatais de atenderem a tal utópico faz de conta.
Mesmo repaginado para a luta identitária - intolerante e segregadora - o bondoso sonho marxista que não pode (lógica e tecnicamente), nunca deu e nunca poderá ser realizado com resultado positivo concreto, persiste em dormir “de conchina” com muitos homens, mulheres e outra infinidade de possibilidades contemporâneas...
A falácia da retidão desses jovens governantes - genuinamente aspirantes a ditadores - reflete ipsis litteris seus atos benevolentes orientados para a salvação do coletivo, muito embora quase todos nós saibamos que os resultados objetivos, como apontam as evidências atuais e robustas, sejam devastadores para o efetivo todo social.
No RS e em POA, nos últimos cinco meses, nunca presenciei tantos abusos e cerceamento de liberdades individuais constitucionais, em nome de uma ciência SEM CIÊNCIA que fechou a economia e destruiu cadeias produtivas inteiras (interligadas à outras), trazendo a tragédia para os comuns e a carnificina de vidas econômicas humanas.
Vejam bem, interromperam a atividade econômica em março, com alguns “abre-fecha” ainda mais perniciosos, visto que sem previsibilidade não há como se ter negócios que possam sobreviver e prosperar, principalmente no horizonte de curto prazo!
Jovens políticos profissionais, que nunca foram além de visitas populistas de inaugurações de operações empresariais, sem qualquer visão e órfãos de experiências pragmáticas, colocaram aos seus pés aqueles que estudaram, empreenderam e correram riscos, a fim de criar empregos, renda e prosperidade real para todos.
O que se viu foi uma comédia dantesca de erros, de ignorância, em especial econômica, de ineptidão, e de estupidez autoritária. O rol é interminável...
De suas mentes brilhantes, ordenaram que grandes supermercados “essenciais” operassem com gigantescas aglomerações, enquanto que pequenos mercados, ESSENCIAIS para o sustento de pequenos empreendedores e de seus familiares, foram completamente impedidos de trabalhar. Nos parques, até cego embaixo d’água enxergou os abissais ajuntamentos. Com a “inteligente” decisão de reduzir o tráfego de ônibus, o bafo na nuca daquelas pessoas que transitavam nos ônibus foi inevitável.
Com o alvará da Covid-19, jovens delinquentes presos foram liberados da prisão, para livre e “levemente” cometerem mais crimes e assassinatos; liberou geral!
Carta branca foi dada para justiceiros sociais “antifascistas e racistas”, que se acumularam e se juntaram para a realização de protestos nas ruas, em que tais manifestantes foram calorosamente acompanhados pelas rédeas soltas da polícia militar e pela brilhante presença e cobertura midiática do nefasto partido da mídia, sensacionalista e parcial até os dentes.
Sem fôlego para prosseguir a missa...
Além de contraproducente, o isolamento social drástico foi a tatuagem da ineficiência, do despreparo, da politicagem, do abuso ditatorial, que ficará gravado nos corpos e nas vidas de milhões de brasileiros por décadas.
Esses jovens governantes não só usaram e abusaram da falácia das boas intenções, mas os sucessivos fracassos governamentais escancararam prepotência, inaptidão e desqualificação.
Não dá mais mesmo pra votar e suportar esses meninos sofistas, que falam de soluções e de supostas “inovações” que não têm o mínimo preparo e experiência para alcançar.
Saber fazer política é importante? Evidente que sim, saber articular, dialogar e negociar é vital, porém insuficiente, mas esses surdos-mudos nem isso conseguem realizar.
Nunca se viu um fracasso tão grande em termos de liderança política na verdadeira gestão do bem comum. Pelo menos eu nunca tinha presenciado.
E a boa notícia?! Maravilhosa, em tese!
As escolas estaduais começarão a incluir autores liberais em seus currículos. Onde há vida existe esperança... de que os jovens comecem a formar sua própria massa crítica e passem a concluir por eles próprios, que fora da valorização do indivíduo, para muito além da abstração coletiva, à liberdade, a felicidade e a genuína prosperidade desaparecem...
Como a foto do dia revela, instantaneamente!
Alguns têm me taxado de pessimista. Talvez; um pessimista racional.
Mas confesso que o andar e o conversar com os gaúchos tem me tornado mais confiante num futuro melhor para todos; a chave para as reformas liberalizantes e progressistas na mente juvenil aparenta-me que começou a girar, e para o lado certo!
Vamos meu vermelho do coração! Só no futebol e no vinho, é óbvio!
NÃO É O “NEGACIONISMO” CLIMÁTICO QUE CONTA, É O ALARMISMO. - 17/08/2020
Os autodenominados “salvadores da humanidade”, essa gente que vai da adolescente viking ao senil aposentado uspiano, passando por uma miríade de ongueiros, empresários, financistas e políticos oportunistas, estão sempre a apontar o dedo aos cientistas céticos como negacionistas, uma forma de, por indução, os assemelhar aos negadores do holocausto. Aviso que sempre que ler ou ouvir essa palavra (negacionista) fora de uma discussão sobre o nazismo ou no campo psicológico (negação da doença), você estará frente a uma desonestidade intelectual, pois há dezenas de palavras adequadas para designar qualquer discordância ou ceticismo.
Quero com isto dizer que não há negação alguma em relação às mudanças climáticas, nem nunca houve, aliás, nesta área, a única coisa permanente é a mudança, o que há é uma exigência de demonstração científica de que o alarmismo climático – este sim dominante no debate, tem razão de ser. Nenhuma das previsões de Al Gore, por exemplo, lá pelos idos e “esquecidos” anos 2005/2026, se confirmou. Aquele ursinho na geleira já deve ser trisavô e continua comendo peixinhos saudáveis em um frio de lascar.
De vez em quando o alarmismo climático sofre a deserção de cérebros honestos, enquanto são sucedidos por novos candidatos a salvar o mundo que nadam de braçadas em mar tranquilo sob aplauso da mídia engajada. É o caso de Michael Shellenberger, dado como “Herói do Meio Ambiente” em 2008 pela Revista Time, ano em que também ano ganhou o Green Book Award. O sujeito estava em tal escalada de prestígio que foi candidato a governador da Califórnia em 2018.
Até que “caiu a ficha” e o arrependimento e, e agora, em julho de 2020, ele escreveu “Apocalipse nunca – Por que o alarmismo ambientalista faz mal a todos” (“Apocalypse Never – Why environmental alarmism hurts us all”, Harper, New York, julho 2020), best-seller nos EUA, onde desmancha uma série de crendices que costumam se esconder sob aparência científica, mas não passam de propaganda ecoterrorista.
Em artigo publicado na Climate Changed Despatch (ver aqui), o renomado ambientalista inicia assim: “Em nome dos ambientalistas em todos os lugares, gostaria de pedir desculpas formalmente pelo medo climático que criamos nos últimos 30 anos. A mudança climática está acontecendo, mas não é o fim do mundo. Nem é o nosso problema ambiental mais sério”. Alguém viu na mídia brasileira alguma repercussão disto?
Confesso que ainda não li o livro, mas no artigo referido (imperdível) Michael Shellenberger praticamente se ajoelha e deslinda uma série de conclusões que sempre frequentaram as páginas dos céticos quanto ao alarmismo. Eis algumas:
a) Os humanos não estão causando uma "sexta extinção em massa";
b) A Amazônia não é “o pulmão do mundo”;
c) A mudança climática não está piorando os desastres naturais;
d) Os incêndios caíram 25% em todo o mundo desde 2003;
e) A quantidade de terra que usamos para carne - o maior uso da terra pela humanidade - diminuiu em uma área quase tão grande quanto o Alasca;
f) O acúmulo de lenha e mais casas perto das florestas, não as mudanças climáticas, explica por que há mais, e mais perigosos, incêndios na Austrália e na Califórnia;
g) As emissões de carbono vêm diminuindo nas nações ricas há décadas e atingiram o pico na Grã-Bretanha, Alemanha e França em meados dos anos 70;
h) A adaptação à vida abaixo do nível do mar tornou a Holanda rica, não pobre;
i) Produzimos 25% mais alimentos do que precisamos e os excedentes de alimentos continuarão a aumentar à medida que o mundo esquenta;
j) A perda de habitat e a morte direta de animais selvagens são ameaças maiores às espécies do que as mudanças climáticas;
k) O combustível de madeira é muito pior para as pessoas e a vida selvagem do que os combustíveis fósseis;
l) A prevenção de futuras pandemias requer mais e não menos agricultura "industrial".
E então, não parece um cientista cético falando? Parece, mas não é. Trata-se de um ambientalista de carteirinha carimbada há 30 anos, ex-extremista, que resolveu, conforme suas próprias palavras, falar a verdade. Nos termos do autor, convencido de que o alarmismo climático é fraudulento “...decidi que tinha que falar. Eu sabia que escrever alguns artigos não seria o suficiente. Eu precisava de um livro para expor adequadamente todas as evidências. E, assim, meu pedido formal de desculpas por nosso medo vem na forma de meu novo livro, Apocalypse Never: Why Environmental Alarmism Hurts Us All”. O livro, em mais de 400 páginas cobre questões como mudanças climáticas, desmatamento, resíduos plásticos, extinção de espécies, industrialização, carne, energia nuclear e renováveis.
Pois é. Há gente importante rompendo a bolha e questionando com firmeza e dados certas mentiras, slogans e dogmas climáticos, propagandeados à farta por gente que fatura alto em prestígio jornalístico, acadêmico e político, sem base verdadeira. Precisamos que mais pessoas como Shellemberg reconheçam que foram longe demais em sua estratégia de geração de pânico climático que, aliás, atinge psicologicamente um número enorme de crianças e jovens que se sentem sob ameaça de não envelhecerem, de não viverem, pois segundo a adolescente surtada na Suécia e mais uma embiricica de alarmistas, o mundo está às vésperas da extinção.
Infelizmente, a velha mídia foi inteiramente cooptada por esta manga podre chamada aquecimento global antropogênico e dificilmente dará voz a personagens antagonistas ao discurso politicamente correto, ainda que sejam cientistas do porte de Shelemberg, Richard Muller, Bjorn Lomborg e tantos outros como o próprio James Lovellock, criador da famosa hipótese Gaia, que nos últimos anos vem também reconhecendo os próprios erros.
Teremos, os não-alarmistas, que adotar na questão ambiental o mesmo tipo de estratégia que fazemos em relação à política, usando maximamente as mídias sociais até consolidarmos um anteparo à avalanche de sandices que deturpa o debate ambiental que, antes de tudo precisa ser honesto e verdadeiro.
* Valterlucio Bessa Campelo é Eng.° Agr.°. Mestre em Economia Rural.
AMAZÔNIA - Mitos, inverdades e omissões. - 14/08/2020
O mainstream (pensamento único) progressista, ambientalista e “politicamente correto” está dando amplo respaldo às matérias sobre a Amazônia.
Porém nas reportagens mass-mediatics não faltam informações equivocadas enquanto informações relevantes são omissas. Assim, no mundo inteiro (inclusive ONU e Vaticano) vêm colando o preconceito que o Brasil seria o vilão do planeta, agressor da “Mãe Terra” e desmatador da Amazônia, que é “ patrimônio da humanidade” e “pulmão do planeta”. Porem, várias noticias são apresentadas de forma equivocada.
A Amazônia é a maior floresta do planeta? Errado. A inteira Amazônia (6 milhões de km² em nove Países sul americanos) mal chega à metade da Taiga, a floresta de coníferas russo siberiana é, de longe, a maior área florestal do planeta. A Amazônia brasileira (4 milhões de km²) mal chega a um terço desta.
A Amazônia é “patrimônio da humanidade”? Sim e não.
Não, obviamente, no intuito de que todos os Estados interessados teriam direito aos recursos naturais do território amazônico. Sim, no sentido de que o oxigênio produzido pela floresta e lançado na atmosfera é um beneficio universal e indivisível. Neste sentido correto, são patrimônio da humanidade todas as florestas do planeta, inclusive a Taiga russo siberiana (é só combinar com os russos).
A Amazônia é “o” pulmão do planeta? Errado. O verdadeiro pulmão do planeta, muito mais que toda a vegetação terrestre, é o fitoplâncton que flutua nos oceanos produzindo 50% do oxigeno que é lançado na atmosfera.
A superfície da floresta amazônica brasileira, a partir da colonização, foi drasticamente reduzida pela intervenção humana?
Reduzida sim, drasticamente não. Dos originários 4 milhões de km², permanecem 3 milhões e 400 mil km² (85%), uma superfície maior que a da inteira Índia.
O desmatamento decorre do “incediamento” humano na região (estradas, vilarejos, cidades, agricultura, pastagem, exploração legal e ilegal de madeira), mas também é causado por incêndios naturais. Anualmente caem na floresta amazônica mais que 10 milhões de raios, a maior porcentagem dos cerca 50 milhões de raios que caem todo ano em todo o Brasil (isto sim é um primado mundial).
O desmatamento aumentou de forma exponencial? Errado.
Nas décadas dos anos 70 do século XX a média anual de desmatamento foi de cerca 20.000 km², nesta última década a média caiu para 7.000 km². É verdade que no ultimo ano houve um aumento (9.000 km², um sinal de alerta a ser considerado), porém em escala muito menor do que os 25.000-30.000 km² desmatados nos anos 2003-2004 (na época, quem estava no governo? Proibido falar.)
As reportagens politicamente orientadas para estigmatizar o desmatamento no Brasil simplesmente ignoram o que acontece no resto do mundo.
Não se registra que, na ultima década, a maior porcentagem mundial de desmatamento ocorreu no sudeste asiático (Malásia, Bornéu, Sumatra) com perda de cerca 70% da área florestal nativa substituída por lavouras destinadas à produção de óleo de palma.
Não são publicadas as imagens satelitares que mostram o impressionante aumento do desmatamento na África Subsaariana e principalmente na Republica Democrática do Congo (mas quem arisca ser rotulado de racista por mencionar criticamente um governo africano?).
Tampouco se fala do desmatamento na taiga russo siberiana (2,5 milhões de hectares entre julho e setembro 2019) para exploração legal e ilegal de madeira a ser exportada na China, o maior importador mundial de madeira.
(mas quem se atreve criticar a Rússia ou a China?)
Porém, as criticas mais ferrenhas, nacionais e internacionais, batem a vontade no governo brasileiro. Quem está atrás disso?
* O autor é italiano residente no Brasil, doutor em História e Filosofia.
CATÓLICOS NA PANDEMIA - 11/08/2020
Durante a bimilenária história da Igreja Católica, na ocorrência das inúmeras epidemias e pestilências, o povo cristão, guiado pelos Bispos e clero, saía em procissão para implorar a graça de Deus, expressando sem medo sua Fé na Providência.
Hoje em dia, a Igreja, ansiosa de “se abrir ao mundo”, fechou as portas dos templos durante vários meses considerando a participação à Missa muito menos importante que o lockdown. Agora, as igrejas abrem no domingo com restrição de horário e só para poucos fieis visando ao máximo distanciamento, enquanto lojas, bares, restaurantes e shoppings acolhem de braços abertos a maior clientela. Até os folhetos da Missa com as leituras bíblicas são proibidos na igreja sendo considerados contagiosos, enquanto os jornais são livremente expostos e vendidos nas bancas de revistas. Os Padres montam câmeras na igreja para gravar e transmitir a celebração da Missa nas redes sociais, esquecendo que a Missa postula a real participação comunitária, não é um mero espetáculo cinematográfico.
Enquanto o povo cristão ficou trancado em casa, abalado pelo terror da doença e da morte, os Pastores “politicamente corretos” surgiram para estigmatizar o desmatamento da Amazônia e, no que se refere à epidemia, simplesmente optaram para reverenciar os novos profetas (virólogos, “expertos científicos”, etc.) e os mandamentos deles.
S. Francisco de Assis abraçava os leprosos. Os frades franciscanos, durante a pestilência de Milão, confortavam a agonia dos doentes no Lazareto.
Hoje em dia, os Padres são afastados das agonizantes e das sepulturas. O bom Papa Francisco aparece rezando solitário na praça de S. Pedro deserta (a imagem desoladora corre pelo mundo) e, nas homilias, proclama que “Deus perdoa, a natureza não”, como se a natureza (Gaia na linguagem dos ambientalistas radicais, Mae Terra na linguagem dos teólogos da libertação) fosse uma entidade autônoma, independente de Deus, dotada do poder de castigar a humanidade agressora.
Durante a Revolução francesa foi proclamado o culto à “Deusa Razão”.
Será que hoje proclamaremos o culto à “Deusa Ciência”?
Mas a qual ciência? Aquela da OMS, que lança declarações heterogêneas a cada dia? Aquela dos virólogos e vários “espertos” que discordam entre eles e, quando são honestos, reconhecem que o nosso conhecimento cientifico é provisório e precário?
Mala tempora currunt, não só por causa da pandemia, pela insipiência também.
* O autor é italiano residente no Brasil, doutor em História e Filosofia.
SÓ PENSAM NAQUILO ... - 23/07/2020
CONGRESSO REFORMISTA?
No ano passado, tão logo foi aprovada a (MEIA) REFORMA DA PREVIDÊNCIA, a maioria dos brasileiros, inclusive eu, acreditou que, mesmo com flagrantes restrições, o CONGRESSO NACIONAL dava sinais de ser REFORMISTA, ou seja, muito comprometido com as velhas e sempre adiadas REFORMAS ADMINISTRATIVA, TRIBUÁRIA, POLÍTICA, etc...
FARSA
Entretanto, com o passar dos dias, semanas e meses, tudo aquilo que parecia ser um REAL E ENCANTADO COMPROMISSO foi ficando com cara de mais uma FARSA, do tipo MAIS DO MESMO. Para completar, o LEGISLATIVO ainda passou a contar com o apoio da instância máxima do PODER JUDICIÁRIO, que simplesmente resolveu desempenhar o papel que até então competia ao EXECUTIVO.
FUNDEB
Vejam, por exemplo, o caso FUNDEB, cuja PEC foi aprovada, na noite desta 3a feira na Câmara Federal, por 499 votos a favor e somente 7 votos contrários. Pois é, sem pensar minimamente na necessária DIMINUIÇÃO DE DESPESAS, 499 deputados resolveram criar mais uma brutal DEESPESA OBRIGATÓRIA, do tipo que nenhum santo é capaz de tornar DISCRICIONÁRIA.
ORÇAMENTO 100% ENGESSADO
Se for levado em importante consideração que o ORÇAMENTO FEDERAL já está 96% COMPROMETIDO, ou ENGESSADO, através de DESPESAS OBRIGATÓRIAS, caso a PEC do FUNDEB também venha a ser aprovada no Senado, aí não sobrará centavo algum para ser utilizado em qualquer outro tipo de gasto. Pode?
EXECUTIVO - UM PODER DESNECESSÁRIO
Ora, nem é preciso ser um bom entendedor para perceber que o PODER EXECUTIVO está se tornando totalmente DESNECESSÁRIO. Bastaria, como forma de economia, haver apenas um funcionário cuja única tarefa seria a de utilizar tudo que é arrecadado na forma de impostos e/ou endividamento público e, imediatamente, repassar para as contas que o CONGRESSO E O STF decidiram que devem ser pagas. Pronto.
PASMEM , É A CIÊNCIA ! - 23/07/2020
O planeta em geral e o RS , em particular, experimentam desde março um pânico imposto a população por muitos políticos , pela mídia em peso e por uma parte de médicos possivelmente bem intencionados em relação a pandemia do novo coronavírus. Nós médicos, quando prescrevemos uma conduta, sempre devemos avaliar riscos e benefícios do tratamento indicado. Não podemos prescrever um tratamento que reduza a mortalidade de uma dada doença ( um câncer , por exemplo) em talvez 30% ,se os tratados possam ter efeitos colaterais insuportáveis ou mesmo mortais em quantidade similar a essa.
Chegou-se ao ponto de leigos discutirem contra e a favor de tratamentos para a covid-19 e a conduta médica perante a pandemia passou a ser ideológica , assistindo-se médicos falsificarem pesquisas ( Lancet), administrar doses mastodônticas ( cavalares foi pouco) no intuito de “prejudicar” trabalhos com o uso de uma droga: a hidroxi-cloroquina (HCQ), As outras drogas que são prescritas pela ralé da Medicina (ivermectina e corticóide) são de “centro-direita” e admissíveis em alguns pacientes , menos , é claro, nos pacientes do SUS. No outro lado, há um grupo de médicos especialistas em cardiologia, bioestatística, AIDS, oncologia , professores de educação física etc.. que defendem a quarentena como a salvação de vidas. É a ciência, bradam! E os jornalistas os entrevistam e acreditam. Cheguei a “ver” um jornalista pedir desculpas aos ouvintes/leitores por entrevistar um médico e político que pensa diferente , pois tomar conhecimento de suas opiniões poderia colocar a população em risco. Afinal , “fique em casa” é cool e pela vida. Os que divergem dessa opinião devem ser calados e espezinhados a todo custo.
Nenhuma sociedade médica em suas diretrizes de tratamento para uma dada doença deve defender o uso de drogas com nível de evidência C. Traduzindo : “a melhor nota é A e a pior é D”) , apenas A. Como justamente é o caso da HCQ e da ivermectina no tratamento da COVID-19. O médico do paciente deve pesar os benefícios nos estudos que leu versus os baixíssimos riscos dessas drogas nas doses adequadas ( não mastodônticas ), uma vez que elas têm décadas de emprego clínico seguro. Sem dúvida , prescrevê-las não é cientificamente comprovado. Porém , Isso está longe de ser fake-news como querem muitos jornalistas e alguns médicos cool.
O RS em 15/3/2020 com NENHUMA morte por covid-19 optou pela quarentena/ distanciamento social horizontal seguindo conselhos cools., modernos , “científicos”, “em prol da vida” . Infelizmente , a conduta empregada de científica não tem nada e de medieval tem muito. Embora possa parecer lógico que se não entrarmos em contato com ninguém, a doença desaparecerá com os primeiros mortos, isso é impraticável pois profissionais de saúde, frentistas, vendedores e produtores de alimento entre outros não podem parar e de cada 10 infectados apenas um tem sintomas, o que mantem o ciclo da epidemia. Qualquer estudante de segundo ano de Medicina , mesmo EAD como os atuais, sabe que uma epidemia só acaba quando 20-60% da população tiver tido contato com o agente ou vacine-se a população contra o mesmo. No caso do coronavírus , essa chamada imunidade coletiva parece ser, a cada novo estudo publicado, inferior mesmo a esses 20%. A prestigiadíssima “Revisão Cochrane” sob encargo da OMS avaliou o valor da quarentena/distanciamento social horizontal/lockdown na pandemia de covid-19 e outras epidemias virais e concluiu que esta conduta é evidência D (“nota pior que a cloroquina”), com muito baixa evidência que funciona e que todos os estudos realizados até então eram de muito baixa qualidade não devendo jamais servir para diretrizes societárias. E agora, e a ciência ?
Segundo a Cochrane, o distanciamento social adotado no RS poderia reduzir a mortalidade da doença em 30% caso o vírus “precisasse “ contaminar 70% da população e tivesse uma “capacidade de transmissão” de 3. Por sorte nossa , talvez nem 20% precisem ser contaminados e a transmissão do vírus é muito provavelmente inferior a 2 na média.
Pasmem! Os “cientistas puros” (não terraplanistas!) nunca mencionaram que , se o distanciamento social funcionasse ( repito,caso funcionasse) sua grande função talvez não fosse reduzir o número de mortos pela doença , mas sim, distribui-los ao longo do tempo. E é exatamente isto que estamos assistindo em nosso país e estado. Nosso estado começou a quarentena em pleno verão (bactérias adoram verões, vírus são apaixonados por invernos) e o resultado do primeiro estudo de prevalência ( da UFPEL) mostrou que com mais de 20 dias de quarentena a doença praticamente inexistia no RS. 2/4000 ou 0,05% de positivos. Pasmem! Nesse momento foi mantida a quarentena o que poderia ter uma de duas explicações: preconceito (não acreditaram no próprio estudo), o que inicialmente é perdoável em ciência ou erro de interpretação dos resultados, o que é imperdoável em ciência, empurrando a epidemia para o inverno, o que indubitavelmente consistiu no maior erro de gestão de saúde da história do RS. Entre 15/3 e 31/5 , os médicos assistiram a maior epidemia de saúde de nossa história. Hospitais vazios UTIs vazias, ambulatórios despovoados. Os jornais assustavam a população com 70-80% de lotação de UTIs, quando a média histórica fora do inverno é superior a 95%. No inverno ultrapassa 100%. E a cada rodada de divulgação da “pesquisa de Pelotas” , é registrado uma redução de pessoas que cumprem o distanciamento social ( o censor do Pravda da quarentena não percebeu e divulgou esses dados !).É óbvio : são 4 meses e seguramente 2 deles desnecessários , mesmo para os que acreditam na Medicina Medieval! Fecharam-se escolas, quando comprovadamente crianças transmitem o vírus 10 vezes menos que adultos e a mortalidade entre elas é inferior a 1 para 1 milhão. Entre adultos provavelmente seja de 0,1% ( 1 em mil).
Mais grave ainda, o artigo da Cochrane enfatiza que não avaliou os efeitos colaterais (sociais, psicológicos, físicos, aumento de gravidade de outras doenças crônicas e agudas, desemprego etc...) da conduta tomada. Interessante que os muito preocupados com os efeitos adversos da HCQ, deveriam saber que de todas condutas existentes, a de longe mais carregada de efeitos colaterais, inclusive mortais, é a quarentena. É sabido com evidência grau A (“nota máxima” ) por estudos em vários países que quanto maior a taxa desemprego de uma dada população , maior a mortalidade em sua população economicamente ativa. No Brasil , estudo avaliando mais de 5000 municípios entre 2012 e 2017 , verificou que 30000 pessoas morriam a mais no ano seguinte a cada ponto percentual de aumento na taxa de desemprego. Os primeiros 2 meses ( até 15/5/20) de quarentena custarão a vida de aproximadamente 2800 gaúchos entre 18-60 anos até 15/5/2021, caso nosso estado mantenha a média nacional de desemprego. Isto é evidência grau A. É ciência.
Não entrarei no detalhe dos estimados 50.000/60.000 casos de câncer que terão retardado seu diagnóstico e, consequentemente, impedido sua cura em nosso País. Um determinado serviço privado de radiologia de Porto Alegre diagnosticava em média 14 casos por mês de câncer de mama. Em abril foi zero. em maio foram 2. Em 2021, teremos provavelmente 26 mulheres a mais com câncer de mama incurável diagnosticadas na nossa cidade. E a ciência? Não vou comentar o aumento nas taxas de femininicídio , depressão , suicídio e outros incontáveis danos psicológicos causados pelo medo dos políticos em lhes serem imputados mortes, da histeria da grande mídia (que tem, e muito, parcela de culpa) e da pseudo-ciência evidência D dos ouvidos por nossos governantes em Porto Alegre e RS.
Prof. Dr. Julio Pereira Lima , MD, PhD , FASGE.
Prof. Associado do Serviço de Gastroenterologia da UFCSPA/ Santa Casa de Porto Alegre.
Chefe do Serviço de Endoscopia Digestiva da UFCSPA/ Santa Casa de Porto Alegre.
Presidente da SIED (2016/2018).
2019 German Endoscopy Society Honour Award Carrier
2019 DGVS-Sektion Endoskopie Ehrenpreisträger
O MOMENTO DE REGOZIJO DOS COLETIVISTAS - 20/07/2020
O novo coronavírus, como inédito, traz uma série de desafios e de incertezas quanto ao seu enfrentamento e suas possibilidades de cura.
Contudo, pela objetiva constatação das evidências pragmáticas, é inquestionável que inexiste “ciência” genuína no que concerne aos tais picos e curvas da pandemia no país. Ou fechou-se a economia cedo ou tarde demais, e/ou o isolamento social drástico não funciona mesmo. Países como a Suécia, por exemplo, que não adotou o lockdown, tem curvas muito semelhantes aos EUA e a Itália, que entraram em lockdown.
Para mim, a grande questão refere-se a falta de apreensão da realidade da vida, ou seja, a vida humana é dependente da saúde física, claro, mas sem a economia girando para produzir e empregar gente, todos os indivíduos acabam perdendo seus negócios, seus empregos e a vital renda para comer e prosperar. Similarmente, como somos seres sociais, a escassez de vida social, acarreta em uma série de doenças psicossomáticas e outras ligadas ao aumento do consumo de drogas e de álcool para pessoas de todas as classes sociais e idades.
Justamente pela falta de comprovação científica do fechamento econômico como inibidor efetivo da propagação viral, e exatamente pela precisão científica da carnificina econômica de vidas humanas, é que tenho sido crítico severo das ações autoritárias e desproporcionais de governantes populistas, para dizer o mínimo.
De verdade, a pseudociência para proteger a “saúde pública”, tornou-se muito mais uma desculpa para jovens governantes aqui no RS, administrarem nossos modos de vida, para muito além de suas preocupações com o nosso bem-estar físico.
Não tenho constrangimento algum em afirmar que uma população de renda-média baixa como a brasileira, não consegue sobreviver com a economia num vai e vem faz mais de quatro meses. Todos nós conhecemos bem quem são os complacentes apologistas do “fiquem em casa”: castas e funcionários públicos do setor estatal, com seus salários desproporcionais garantidos, e jovens e velhos humanitários, escondidos de suas reais pretensões político-partidárias.
Todos aqueles que querem e precisam trabalhar para manterem seus negócios de pé, e seus empregos, são agora taxados de desumanos, materialistas, “capitalistas sem coração”, despreocupados com a vida dos outros, descompromissados com o coletivo.
Por detrás do véu da proteção à vida, exclusivamente da esfera da saúde física, encobrem-se sentimentos de ódio, de rancor e de ressentimentos àqueles que produzem e geram empregos, renda e riqueza!
Em tempos de crises, agigantam-se movimentos coletivistas desejosos pela imposição de “mais igualdade” e, assim, surgem apelos vitimistas e invejosos em relação aos que se destacam por seus esforços e empreendimentos individuais e colaborativos com outras pessoas nas comunidades, orientados para a criação de empregos e de riqueza.
Não parece haver momento mais apropriado do que o virótico, para alardear odiosa e invejosamente, a ânsia por erradicar sistemas econômicos e sociais baseados nas liberdades individual e econômica!
O autoritarismo e a repressão estatal são então efusivamente comemorados pela conhecida trupe do “quanto pior melhor e do mais Estado”.
Por aqui, os jovens governador e prefeito, passam por cima das recomendações do setor empresarial, gerador de empregos e riqueza, contrários ao lockdown, e até distorcem informações de representantes de hospitais e do próprio Conselho Regional de Medicina, a fim de justificarem suas medidas autoritárias e restritivas, aludindo a então questionável falta de profissionais médicos.
Anteriormente, quando o isolamento social parecia trazer bons resultados, os méritos eram desses tiranetes, agora que há um aumento do número de mortes, eles jogam a culpa para a sociedade! Bizarro!
Enfim, os fatos têm demonstrado pra quem quiser ver, que o isolamento social drástico não inibe a propagação do vírus, no entanto, mata a economia e ceifa um maior número de vidas econômicas humanas.
Exatamente por tudo isso, não negocio minhas liberdades individuais, e importo-me com minha vida econômica, que esses jovens burocratas estão destroçando; verdadeiramente da grande maioria dos gaúchos.
Ao mesmo tempo, claramente percebo outros interesses em jogo, além dos efetivos rancores e ressentimentos da turma do “fiquem em casa”, impulsionados muito mais pela inveja social de todos aqueles que produzem, inovam e crescem, trazendo prosperidade para toda a sociedade.
Aliás, são esses que, inclusive, criam os recursos que coercitivamente são empregados para que a sociedade dos trabalhadores comuns continue bancando privilégios imorais de castas e de funcionários públicos; os mesmos que podem se dar ao luxo de ficarem em suas casas.
Eles as possuem, e despreocupadamente conosco, continuam pagando em dia as devidas obrigações com suas moradias...
INSENSÍVEL, QUEM? EU? - 14/07/2020
Li comentário de um Sr., referente à artigo em que critico às decisões autoritárias de governantes, e o isolamento social drástico com fechamento da economia gaúcha imposto por eles, inferindo minha insensibilidade frente mais de 70 mil mortes.
Assim quero, mais uma vez, esclarecer minha visão sobre os fatos.
Esse Sr. chama-me de bolsonarista, e acusa-me de exagerado e “sonhador” em relação a minha preocupação com a perda de liberdades individuais.
Vou repetir: especificamente em relação ao RS, não tenho dúvidas de que as iniciativas implementadas pelo governador e pelo prefeito de POA em relação ao combate ao vírus, foram totalmente exageradas!
Não acredito na ciência sem evidências comprovadas; não acredito em previsões histéricas baseadas em análises estatísticas que partem de premissas equivocadas, e reitero que o isolamento social drástico, com a paralisação da economia, causará maiores males do que benefícios a SAÚDE INTEGRAL (física/econômica/social) da população gaúcha.
Os modelos epidemiológicos elaborados por médicos e cientistas, por si só, já apresentam algum tipo de viés de confirmação. (Honestamente, se fosse médico, creio que isoladamente cairia nesse mesmo "risco", pois a formação e a missão do médico é salvar vidas com base na saúde física!).
Mas os modelos empregados por eles assumem que todas as pessoas têm chances iguais de se infectar, além de desconsiderarem circunstâncias idiossincráticas de cada contexto econômico e social. Há, por exemplo, amplas evidências de que jovens dificilmente contraem a doença na mesma proporção e gravidade de idosos acima dos 60 anos, portadores de outras comorbidades.
Quando tais modelos (com dados incorretos e/ou mal calculados) são utilizados por políticos para atuar em meio a situações de crise, não hesito em afirmar que muitas vezes são utilizados de forma populista e eleitoreira.
Aqui no RS e em POA, ninguém vai me fazer não enxergar aquilo que transparentemente enxergo e repudio. A pretexto da saúde, esses jovens governantes estão exercendo suas amplas liberdades de capar nossas vitais e inegociáveis liberdades individuais.
Não consigo ver lógica e inteligência, por exemplo, em observar grandes supermercados superlotados operarem, enquanto se proibi que pequenos mercados possam trabalhar, a fim de garantir o sustento desse pequeno empresário e seus familiares. Nada mais ESSENCIAL para esses micro, pequenos e médios empreendedores que o trabalho que provê o pão de cada dia!
Se alguém conseguir explicar o "racional" dessa decisão, poderia repensar... impossível!
E tem gente que aprova atos ditatoriais e desproporcionais desses jovens burocratas, focados em mandar prender indivíduos que desejam - porque precisam comer! - simplesmente exercerem seus direitos de poderem trabalhar!
A grande verdade é que governantes tomam decisões sem atentar para as consequências não intencionais de tais deliberações. O planejador central não quer atentar para a total imprevisibilidade da distintiva ação humana! Mas eles, demagogicamente, insistem...
Não, caro Sr., não sou insensível, mas procuro recorrer a razão e a lógica do real conceito de vida, e de suas inseparáveis dimensões saúde e economia, não aos puros instintos, a fim de não me deixar abalar pelo viés da disponibilidade, julgando os perigos e os riscos da Covid-19, com base nas histórias sensacionalistas da mídia interessada. A realidade da vida econômica se impõe de forma inequívoca!
Não, meu caro Sr., não sou insensível. Pelo contrário, considero-me um humanista "racional”, pois penso que os governantes deveriam elaborar políticas e decidirem por aquelas que factualmente trazem as melhores consequências para todo o tecido social de uma determinada comunidade. Sim, consequências são resultados mais benéficos para toda a sociedade no presente e no futuro.
Embora o número de mortes da Covid-19 impressione o Sr., a mim causa pânico ver na capa de um "jornal" do RS, de 13/07/2020, que a economia do RS perde 123 mil empregos formais em três meses de pandemia!!
Aterroriza-me que empresas de todos os portes estejam fechando e quebrando, destruindo cadeias de suprimentos e indústrias, e solapando vidas e sobrevivência de vidas econômicas humanas de indivíduos e de grupos familiares.
Milhares de doentes de câncer deixaram de adotar tratamentos precoces; outras doenças respiratórias e enfermidades infantis não foram examinadas... Futuras mortes certas...
Muitas cirurgias foram adiadas, e o aumento das taxas de abuso de drogas, álcool e violência familiar são evidentes e claros. O acréscimo do número de suicídios é ainda espantoso.
Caro Sr., o que me pasma DE VERDADE, é a escassez de apreensão da realidade da vida e, portanto, da constatação de que as respostas dos governantes gaúchos a crise do coronavírus são ridículas, autoritárias e desproporcionais, com nocivas consequências para gerações de gaúchos e gaúchas.
Seria mesmo eu um insensível?!
CAMINHANDO - CEGOS - PARA O ABISMO! - 10/07/2020
Não adianta... quero ser otimista nessas manhãs gélidas, escuras e desérticas de Porto Alegre, mas não tenho evidências de que o Brasil conseguirá mudar de rota, rumo a estrada das genuínas liberdades individual e econômica. Na verdade, os fatos apontam na triste direção contrária.
É exatamente por isso que fico alarmado com a facilidade com que gente que reputava como racional e inteligente, deixou-se levar pelos apelos bondosos e humanitários de togados ativistas e de governadores e de prefeitos, tomadores de decisões objetivamente autoritárias e desproporcionais, que acabaram por decepar nossas ESSENCIAIS liberdades individuais, sob pretexto de combater a Covid-19.
Partindo-se da premissa que as medidas de isolamento social drástico fossem até bem-intencionadas, no sentido de preservar "100% vidas", faltam a essas autoridades a compreensão dos exemplos históricos e cabais de que toda e qualquer ação humana tem consequências intencionais e não intencionais.
Pessoalmente, como desacredito na "ciência do isolamento", acho que os governantes jogaram eleitoralmente para a torcida, pelo patente desconhecimento do real funcionamento de uma economia de mercado, e pela falta de uma apreensão mínima de que a vida, inevitavelmente, possui suas umbilicais e inseparáveis dimensões da saúde física, econômica e social. Também me parece transparente que algumas dessas autoridades tinham a intenção de paralisar a economia, forçando o seu respectivo colapso, a fim de colherem os frutos políticos de tal atrocidade.
Nunca é demais alertar que burocratas estatais tomam decisões críticas sobre a vida econômica e social dos indivíduos, sem sentir e responsabilizarem-se pelo resultado de seus autoritários decretos e escolhas equivocadas.
Na vida pragmática real, a ordem surge de movimentos espontâneos que ocorrem "desorganizada e imprevisivelmente" por meio da ação de distintos desejos e objetivos individuais de cada cidadão, sabedor de suas próprias circunstâncias e de seu contexto idiossincrático. Não é pela canetada de burocratas que as pessoas agem! Nós, seres humanos, factualmente reagimos a todas as regulamentações e ordens impostas pelos governos, e nossas reações resultam em resultados que podem ser bem diferentes dos resultados pretendidos pelos burocratas estatais.
Suportados pela heurística da disponibilidade e pelo terrorismo midiático, grande parte dos nativos tupiniquins aceitou passivamente a perda de suas liberdades de ir e vir, de trabalhar e de se expressar, mesmo que inequivocamente isso signifique a falta de dinheiro para, inclusive, alimentar a si próprio e prover o mínimo necessário para a sobrevivência de suas famílias, no presente e no futuro.
Em minha singela avaliação, grande parte dos brasileiros perdeu a noção de que suas vidas passaram a ser ditadas, ipsis litteris, segundo a vontade de governantes que, infeliz e frequentemente, não apresentam traços de prudência, conhecimento e sabedoria que devem reger a vida econômica e social individual.
Os tentáculos estatais, além de destruírem a vida econômica dos indivíduos, agora podem avançar ainda mais, pelo aumento da intervenção em nossas vidas, regulando mais - não menos! - a economia e desestimulando a atividade econômica e a correspondente geração de empregos.
Regras trabalhistas sobre a definição de tipos de atividades "essenciais", horários de trabalho, exigências aos empregadores, bem como o aumento de impostos, vão ao encontro dessas consequências não intencionais e que afetarão os setores empresariais da indústria, do comércio, dos serviços e de todos os setores da vida verde-amarela.
Regulamentos estatais e do Pequeno STF, tais como o esdrúxulo projeto de lei das fake news, capando nossas liberdades de opinião e expressão, por exemplo, matam profissionais jornalistas, privando-os da liberdade de escrever e expressarem suas opiniões, além de acabarem com suas preciosas fontes de subsistência! Não existe abissal ameaça tão real e presente nesse país do que aquela apontada para o setor de tecnologia da informação... meu D´EUS!
Verdadeiramente, todo esse gigantesco número de decretos econômicos sobre nossas vidas individuais - afora os que estão por vir! -, mesmo que "bem-intencionados", trarão resultados extremamente nefastos para às liberdades individual e econômica, pois tais regramentos negligenciam as consequências não intencionais das ações desses governantes despreparados e populistas.
Pois é! Muitos brasileiros não se deram conta, ou não se importam com o fato de que essas intenções estatais puritanas, ao invés de resultarem em consequências positivas, estão efetivamente nos levando para um Estado socializante!
Cada vez mais, judicializa, burocratiza e rouba-nos as essenciais liberdades, a fim de que escolhamos pelo nosso livre arbítrio, como queremos viver, desenvolver nossos planos de vida e sermos felizes a nossa própria maneira!
Eu não temo me manifestar e contrapor-me a esse trágico estado de coisas, pois não quero viver, e tampouco desejo que meus filhos vivam, num regime que inevitavelmente só tem um destino - e certeiro: o do autoritarismo, da escassez de liberdades, da miséria, da pobreza e, portanto, da falta da crucial prosperidade econômica e social.
Claro, não a de burocratas estatais, mas dos comuns como eu e a grande massa da população brasileira!
ANÁLISE: AS FALSAS INTENÇÕES DO PROJETO DE LEI DAS 'FAKE NEWS' - 06/07/2020
O projeto de lei que se apresenta como defensor da verdade e contra a disseminação de fake news na internet foi aprovado por 44 dos 81 senadores. E, para variar, alguns meios de comunicação noticiaram o fato de uma forma, no mínimo, curiosa, como é o caso da Folha de S. Paulo, que começa a matéria com a frase: “Em uma derrota para o governo Jair Bolsonaro, o Senado aprovou nesta terça-feira (30) o projeto de lei sobre fake news.”
O que importa para a Folha é ressaltar – e comemorar – que o governo foi derrotado, mas ao usar tudo e qualquer coisa para “provar” que o governo é antidemocrático, ocultaram o fato de que quem sofreu um forte golpe com essa aprovação foi a democracia. Afinal de contas, uma das premissas da verdadeira democracia – não da democracia fake – é o respeito à individualidade e à privacidade. São as ditaduras reais – não as que só existem na cabeça de alguns – que exercem controle sobre seus cidadãos, tirando deles até mesmo o direito à liberdade de expressão.
Ao longo dos anos, muita gente já vem abrindo mão de suas opiniões por conta do “politicamente correto”, que troca a verdade dos fatos por ilusões agradáveis, tudo em nome de um pseudo respeito ao próximo. Nas redes sociais não faltam pessoas que dizem preferir o tapa da verdade do que o beijo da mentira, mas isso é que não passa de fake news. Experimente dizer a verdade e você correrá o risco de ser “cancelado”.
E a verdade é que o projeto de lei das fake news esconde perigos reais, como a rastreabilidade, que acaba com o direito de sigilo nas conversas de qualquer pessoa. Mensagens privadas em aplicativos e redes sociais passarão pelo crivo de “checadores”, que poderão interpretar as conversas como desejarem, além de poderem usar os dados dos usuários como bem lhes convier. Sim, nós estaremos à mercê de “checadores”, enquanto muito adolescente que apoia o PL “em prol da verdade” acha que invasão de privacidade é quando os pais entram em seu quarto sem bater na porta...
Quem acha que isso não é nada porque “quem não deve não teme” e que, para não ter problemas, basta “dizer a verdade”, caiu direitinho na armadilha dos ditadores do judiciário. Afinal de contas, quem vai definir o que é verdade e o que é fake news? Quem vai fazer parte do “tribunal da verdade suprema”? Quem serão esses “checadores” das verdades absolutas?
Essa é mais uma distorção inexplicável que acontece em um país onde os cidadãos reclamam dia e noite dos desmandos dos políticos, mas, ao mesmo tempo, não percebem que, ao concordar – ou ficar inerte – com esse tipo de coisa, estão conferindo a eles cada vez mais poder. Além disso, ignoram completamente que a primeira função do Poder Judiciário é garantir os direitos individuais.
O governo brasileiro já nos cerca de todos os lados. Compre um carro, uma casa ou abra um negócio e o governo estará lá, levando sua parte, quer dizer, “fazendo sua parte”, que você já sabe bem qual é. Os governantes, por enquanto, só não têm acesso ao que fazemos dentro de nossas casas e é justamente aí que desejam entrar, afinal, essa lei esdrúxula poderá funcionar como uma escuta dentro da casa de cada um de nós, além de ser uma mordaça para que ninguém se atreva a dizer o que não convém às pessoas que terão o poder de decidir o que é verdade e o que é fake.
A Câmara dos Deputados tem o poder de engavetar esse absurdo e, em última instância, o presidente da República pode vetar um projeto de lei quando ele se opõe à Constituição ou contraria o interesse público. O presidente Jair Bolsonaro aventa a possibilidade de fazer uma consulta pública para que nós, o povo – de quem o poder emana em uma real democracia –, tenhamos a oportunidade de pôr fim a mais esta ideia delirante.
Por hora, aproveito meu direito à liberdade de expressão, pois, até onde sei, ainda é possível fazer isso sem sofrer represálias. Estejamos atentos ao que vem por aí.
Autora
Patricia Lages é autora de 5 best-sellers sobre finanças pessoais e empreendedorismo e do blog Bolsa Blindada. É palestrante internacional e comentarista do JR Dinheiro, no Jornal da Record.
PROGRESSISTAS RETRÓGRADOS E CONSERVADORES PROGRESSISTAS - 01/07/2020
O que é esquerda e direita? Em nossa modesta opinião, são conceitos totalmente ultrapassados. Que não dizem nada. Precisamos, de um lado, falar em liberais, capitalistas, democráticos, ou seja, desenvolvedores, que fazem países crescerem. De outro, comunistas, destruidores e empobrecedores. Os primeiros são aqueles preocupados com seus países, com seu povo. Com a possibilidade de terem países crescendo e criando o bem estar.
Os segundos, preocupados apenas com o poder, sem nenhum compromisso com o país, com seu povo, com bem estar. Pelo contrário, preocupados apenas consigo, desejosos do poder a todo custo. Portanto, em subjugar, estabelecer ditaduras para manter-se no poder. E, claro, enriquecerem, enquanto a população empobrece.
É isso que a história tem mostrado. O comunismo não fez sequer um único país decente até hoje. É só ver a história da União Soviética, sua cortina de ferro e fechamento das suas fronteiras. Em que criou ricos escondidos enquanto o povo passava fome. E era eliminado ao discordar.
Também Cuba, que já foi, segundo se cita com frequência, o país mais rico e desenvolvido da América Latina no século 19. Que há meio século vive na pobreza, no passado. Com as únicas coisas funcionando, como se diz, no esporte e na saúde. O que nos parece não ser mais também tão verdadeiro.
Vide a Venezuela, que era o melhor país do continente nos anos 1990, com petróleo abundante. Foi tornar-se comunista, com nome de república bolivariana, para se tornar mesmo mais pobre que Cuba.
Coréia do Norte é um exemplo marcante. Desde a guerra da Coréia, em que o país foi dividido entre norte e sul, a discrepância entre os dois é avassaladora. A Coréia do norte, comunista, tem renda per capita de US$ 1,100.00 com pobreza absoluta. E falta de liberdade total de ir e vir.
A Coréia do Sul, um dos países mais pobres do mundo nas décadas de 1960 e 1970, mudou sua história nos anos 1980 com o capitalismo. Com renda per capita de US$ 100.00 em 1963, tem hoje US$ 30,000.00 e com empresas mundiais, fantásticas.
Vide a China, muito pobre até 1978, e o que é hoje desde quando Deng Xiao Ping decidiu que o melhor sistema econômico é o capitalismo e não comunismo. O país que mais cresce no mundo há 40 anos.
Só o liberalismo e capitalismo fazem desenvolvimento. Vide o caminho dos Estados Unidos da América, em contraposição à União Soviética e, agora, a Rússia. A diferença é abissal. Bem como o Canadá e a Europa desenvolvida e outros países pelo mundo.
Com isso, como compreender as mentiras do comunismo ou socialismo, que se autodenominam progressistas? E, pior, aceito por todos. Progressistas do que, se só destroem e atrasam? Alguém tem que provar o termo e mostrar desenvolvimento no atraso.
Progressistas são os liberais e capitalistas. A menos que não saibamos mais qual o significado de progresso. Temos falado há anos que somos um país socialista, a caminho do desastre absoluto. Conforme denunciado há décadas em nossos artigos. Até quando aceitaremos isso? Até quando a imprensa e artistas, em geral comunistas vivendo do capitalismo com seu bem estar, falarão bobagens e ajudarão a atrasar mais ainda o país?
Se Marx jamais tivesse nascido, o mundo, certamente, seria muito melhor.
* Publicado originalmente no DCI. E, 18/09/2018
** Enviado pelo autor.
*** Disponível, também, em blogdosamirkeedi.com.br
ACORDE E VEJA O QUE O GLOBALISMO QUER FAZER COM VOCÊ - 30/06/2020
Imagine que você esteja em 2030, vivendo em um mundo já então completamente globalista, multilateral, politicamente correto, obediente à titia ONU e sob a tutela de uma Constituição Mundial, o Livro Vermelho do século XXI. Em outras palavras, suponha que você, mesmo tendo nascido em um país específico, seja agora um cidadão da nova ordem mundial, condição que lhe meteram goela abaixo. Que tal rascunhar como será a sua vida?
Se você é branco, saiba que já nasceu com uma baita dívida “histórica” que será forçado a pagar; se avistar uma mulher bonita vindo em sua direção e não desviar o olhar quando ela passar por você, muito possivelmente será acusado de crime de assédio; se, respeitosamente, apenas elogiar a sua beleza, provavelmente passará anos em uma prisão, condenado por assédio seguido de tentativa de estupro; se pedir um bife em um restaurante, hordas de lagartas ambientalistas na forma de seres humanos o denunciarão ao Ministério da Lagartização Mundial, cujo objetivo é forçar todo e qualquer ser humano a ser um vegetariano e, preferivelmente, um vegano; se arrancar a tiririca do seu jardim, será julgado, provavelmente por uma sueca feia e furiosa, agora na casa dos trinta que, bancada por George Soros e seus comparsas, ficou famosa em 2019, quando ainda era uma pirralha.
Além disso, se você for avesso a relacionar-se com pessoas do mesmo sexo, será autuado por homofobia e poderá amargar a pena de dividir uma cela com algum cuspidor; se for homossexual, negro, mulher ou índio, mas não for de esquerda, será tachado de traidor da causa; se beber um inocente copo de leite, vão meter o dedo em sua cara por ser um abominável supremacista branco; se afirmar que os culpados por crimes são os próprios criminosos e que eles devem ser punidos, quem vai ser apenado é você, por falta de sensibilidade social; se acender um inocente cigarro, ou uma simples fogueira para festejar São João na frente de alguém, vão acusá-lo de incendiário que deseja queimar a Amazônia e de assassino do meio ambiente; se tiver a petulância de fazer o sinal da cruz ao passar na frente de uma igreja, será acusado de intolerância religiosa e gritarão, com um megafone em seus ouvidos, que o Estado é laico e que esse seu gesto pode ofender quem não é católico; se for homem e discordar de alguma colega em um debate qualquer, atirarão em sua cara que é misógino; se seguir os princípios morais que seus pais e avós lhe ensinaram, que é uma criatura medieval: se comprar um berço cor de rosa para sua filha que vai nascer, dirão que é um patriarca ultrapassado... Mas, mesmo descontando esses exageros retóricos, cá entre nós, não é difícil imaginar que sua vida será bem parecida com toda essa doideira.
Voltando a 2020, chega a ser impressionante como muitos milhões de pessoas aceitam e sujeitam-se a essas imposições com a passividade de ovelhas, tamanho o choque subliminar de falsa cidadania a que foram submetidas! Mas, afinal, o que eles, os defensores da Nova Ordem, os globalistas pretendem? A resposta é tão simples quanto antiga e é a mesma dada para todos os totalitarismos, desde Adão e Eva: poder e riqueza à custa dos outros.
Em matéria de El País, de 4 de abril deste ano, intitulada Crises globais exigem soluções globais: é hora de criar uma Constituição mundial?, Braulio García Jaén relata a sugestão estapafúrdia de um grupo de filósofos e ativistas de criação de uma carta constitucional mundial, que acreditam terá o poder de servir de “bússola de todos os Governos, para o bom governo do mundo". Essa ideia não é de hoje, pois vem sendo forjada há anos, mas foi anunciada formalmente em Roma, em dezembro de 2019, quando o Covid 19 ainda era uma ameaça sem nome e sem reconhecimento oficial da elite do partido comunista que manda e desmanda na China há mais de 70 anos.
Os defensores da nova ordem não medem esforços para que seus reais intentos sejam vistos como bons para todos. Vejamos alguns desses exercícios.
Primeiro, segundo seu manual de engenharia social, é falso apresentar a catástrofe provocada pela pandemia como motivadora de um despertar para a realidade, em que, em meio ao caos, de maneira semelhante à imagem do pai como garantia de segurança, o Estado nacional é o garantidor último da sua população. Não, a solução dos juristas positivistas, filósofos materialistas e ativistas – todos esquerdistas – é bem diferente: uma Constituição da Terra como ferramenta de governança global. É o Direito como garantidor de seu globalismo autoritário.
Um dos principais nomes desse grupo internacional de insanos é o juspositivista florentino Luigi Ferrajoli (1940), tratado como uma grande referência teórica do chamado garantismo penal, para quem essa carta constitucional mundial não pode ser taxada como utópica: “Pelo contrário, é a única resposta racional e realista ao mesmo dilema que Thomas Hobbes enfrentou há quatro séculos: a insegurança geral da liberdade selvagem e o pacto de coexistência pacífica sobre a base da proibição da guerra e a garantia da vida”. Segundo esse semeador da visão autoritária do Direito como elemento de transformação social, “a Constituição do mundo não é o Governo do mundo, e sim a regra de compromisso e a bússola de todos os Governos para o bom governo do mundo”, em que o sujeito constituinte não é – vejam! - um novo Leviatã, mas todos os habitantes do planeta. Ele vai mais longe: “a unidade humana que alcança a existência política, estabelece as formas e os limites de sua soberania e a exerce com o propósito de continuar a história e salvar a Terra”,
A pandemia veio bem a calhar para assanhar os sábios que nos querem fazer felizes forçando-nos a nos comportar de acordo com o que o seu conceito peculiar de felicidade lhes dita. E, tirando proveito da situação excepcional que o mundo está experimentando, esses ventríloquos infundem em seus bonecos idiotizados que aceitar essa imposição é urgente.
“Há anos que se vem trabalhando em uma mesma direção, ainda que a partir de diferentes perspectivas, como a necessidade de um novo contrato social”, diz o ativista comunista Adolfo Pérez Esquivel, prêmio Nobel da Paz em 1980 e também proponente da aventura, afirmando que “agora, a necessidade é viral e vital”.
Querem juntar em um só papel as suas pautas politicamente corretas, como a salvação do meio ambiente, a Mãe Terra, a defesa dos “povos” indígenas, as variações climáticas, a obsessão pela Amazônia, a desigualdade, a religião única, a segurança dos imigrantes, a ideologia de gênero e o racismo, todas fantasiadas de solidariedade e bom-mocismo,
Globalistas menos insensatos opõem-se à ideia, como o jurista basco Josu de Miguel Bárcena, professor de Direito Constitucional da Universidade da Cantábria, que afirma que a Constituição da Terra já existe desde o fim da Segunda Guerra, com a carta das Nações Unidas, advertindo que, se já foi difícil afirmar uma noção básica de direito internacional para todos os povos, pretender implantar agora a Constituição da Terra é ingenuidade, acrescentando que o teor utópico dessa proposta é evidente.
Disso discordam os adeptos do constitucionalismo planetário, como Luis Arroyo Zapatero, professor de Direito Penal da Universidade de Castilla-La Mancha: “Se ao final da guerra nos falassem que hoje existiria uma Corte Penal Internacional, e que na Europa e América Latina a convenção dos direitos humanos iria se impor aos Estados, não teríamos acreditado”.
De Miguel rebate: “Os que idealizaram a Comunidade [Comunidade Econômica Europeia, embrião da UE] sempre evitaram a ingenuidade do momento utópico”, acrescentando que “Por isso pensaram no funcionalismo: começar com objetivos pequenos, consolidá-los, trabalhando pela integração e que a partir desses elementos a comunidade política seja criada”,
Ferrajoli, por sua vez, sustenta que “a Constituição Europeia fracassou pela “prevalência dos nacionalismos” e pelo “analfabetismo dos soberanistas”, como, segundo ele, Salvini na Itália e Orbán na Hungria, mas também pelos interesses dos “ricos” do norte. “Não há nenhum povo unitário, a vontade de povo é, por fim, a vontade do chefe”, diz, despudoradamente, Ferrajoli,
Esse expoente do garantismo penal (ou direito alternativo, ou direito relativista), que influencia fortemente a Justiça brasileira por meio de advogados, juízes, promotores, defensores e ministros de nossa corte suprema, vai mais longe. Para ele, as constituições não devem representar a vontade da maioria, mas assegurar a garantia de todos. E – vejam que tacada de engenharia social à custa da liberdade dos outros! - a Constituição Mundial seria o meio para obrigar a proteger o que afirma serem os “direitos fundamentais”, a saber, à igualdade, à garantia de não discriminação e à saúde, que não pertenceriam à “esfera do que não se pode decidir” e que não devem estar à mercê das maiorias. Porém, para não se dizer que está propondo uma ditadura mundial, assevera que está falando tão somente de um Estado mundial: “Cada país deverá poder continuar decidindo sobre o que se pode decidir”, ou seja, em sua magnanimidade, ele permite que todos os governos executem políticas que não violentam os “direitos fundamentais”. Em linguagem popular, é como se um censor estivesse dizendo para todos os músicos: vocês são livres para tocar qualquer música, desde que não seja do Ultraje a rigor, Barão Vermelho, Legião Urbana e Capital Inicial.
Com 3 bilhões de pessoas confinadas no mundo pela pandemia, na opinião desse senhor e seus macacos de auditório, somente “soluções globais” serão capazes de garantir nossa sobrevivência. E fulmina, tentando mostrar que é um campeão de boas intenções: “É absurdo que acumulemos armamentos para a guerra e que não acumulemos máscaras para uma pandemia”. Reconhece – e com que arrogância! - que a comunidade internacional ainda não está suficientemente madura para absorver os fluídos de sua genialidade, afirmando: “Não sou tão ingênuo, é um processo que levará muitos anos, mas é preciso lançar o debate público”. Vou ser bastante franco, como é meu hábito: não consigo enxergar um senhor com tais ideias como um professor respeitável de Direito, um jurista verdadeiro, vejo-o muito mais como um deputado do PSOL, do PCdoB ou do PT, daqueles acostumados a tumultuarem as sessões na Câmara.
Mas, infelizmente, a verdade é que o maldito vírus pode de fato contribuir para mudar fortemente a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra. Estamos assistindo a um cabo de guerra entre, de um lado, o multilaterismo da União Europeia (liderada pela Alemanha, porém enfraquecida pelo Brexit), da ONU e seus tentáculos vermelhos, como a OMS e o Comitê de Direitos Humanos, da cada vez mais assanhada China e, do outro lado, o unilateralismo liderado por Donald Trump e apoiado pela Grã-Bretanha, Rússia e governos do Brasil e de outros países não alinhados com a esquerda internacional.
A ditadura - camuflada de democracia - sediada naquele luxuoso prédio de Bruxelas vem experimentando dificuldades crescentes para sobrepor-se a Trump. O republicano, desde que assumiu o poder, em 2017, vem escorraçando vários redutos globalistas, como OTAN, OMC e os fanáticos das conferências climáticas e diversos fóruns, como o de São Paulo. Os globalistas, ardilosamente, vinham evitando entrar em choque aberto com Trump, tentando preservar o que lhes resta, na esperança de que a Casa Branca voltasse a ser ocupada por um fiel companheiro da linhagem dos Obama e Clinton. Por outro lado, tinham consciência de que o processo de implantação de uma Constituição Mundial exige a adesão dos Estados nacionais, ou seja, que é preciso, antes, ser combinado e aceito pelos russos...
Porém, não veio da Rússia o meio de que necessitavam para acelerar seu intento, mas da China, claramente, na forma da pandemia. Abstendo-nos de especular sobre a origem do vírus, ou seja, se foi casual, com uma simples e asquerosa sopa de morcegos, ou se foi criado deliberadamente em laboratório para ser espalhado pelo mundo e criar terror, pânico e terremotos econômicos, a verdade é que a balbúrdia veio bem a calhar para os globalistas e para o Partido Comunista Chinês.
Por tudo isso, momento é de alerta para todos os que prezam as liberdades individuais, os valores morais herdados dos antepassados e a livre iniciativa. O globalismo é uma verdadeira praga, uma peste de centralização política, em que todos os países e todos os cidadãos devem sujeitar-se a um governo mundial, um acordo não espontâneo e imposto de cima para baixo para servir aos interesses de políticos, ideólogos e burocratas.
A concentração de poder em mãos de políticos dentro de um país sempre foi, comprovadamente, desastrosa, mas o desastre será muito maior se aceitarmos que seja estendida aos cidadãos de todo o mundo, vergando-os aos ditames da chamada agenda politicamente correta de um pequeno grupo de privilegiados. A diferença do globalismo em relação a todos os regimes totalitários do século XX é que sua implantação não exigirá extinguir milhões de vidas, nem confiscar todas as propriedades, mas apenas ditar regras de conduta que assassinam a liberdade e punir os países que não as aceitarem.
Acorde, é a sua liberdade, bem como a sua própria dignidade como pessoa humana, que está ameaçada. Acorde, levante-se e ande, rejeitando a agenda globalista maldita.
Em junho 2020
*Originalmente publicado no excelente blog do autor: https://www.ubirataniorio.org/index.php/artigo-do-mes/396-jun-2020-acorde-veja-o-que-o-globalismo-quer-fazer-com-voce
EIS QUE A VERDADE SE TRANSFORMOU EM PÓ - 25/06/2020
Acho que nunca tivemos uma realidade tão "faz de conta" como a atual!
Porém, para explicar esse "faz de conta", é preciso mesmo recorrer à lógica e à razão.
Primeiro, pela falência da grande mídia, que por meio da omissão dos fatos como eles são, e pela desonesta divulgação sensacionalista do que lhe convém comercial e ideologicamente, faz com que os indivíduos sejam 24 h por dia, 7 vezes por semana, bombardeados incansavelmente pela distorção dos acontecimentos, criando pânico, medo e terror.
Esse nojento terrorismo permissivo, faz com que você enxergue uma pseudoverdade, graças às opiniões e aos medos motivados pelas crenças e visões que estão marteladamente fresquinhas na sua memória, facilmente acessíveis.
Segundo, por evidente, nossas crenças e expectativas ideológicas afetam nossa percepção da realidade. Ativa-se o tradicional viés de confirmação que, literalmente, cega-nos para os fatos objetivos. Pragmaticamente, a realidade está no olho de quem a vê!
Nesse mundo pandêmico, os apologistas da destruição alardeiam informações e achismos sobre o vírus, a "ciência", e a suposta realidade, contorcendo os dados que inquestionavelmente são ambíguos, ignorando características idiossincráticas e certos padrões, objetivamente enfatizando aqueles que os interessam e descartando os demais.
No mundo do faz de conta, os grupos de pertencimento se apoiam nesses dados ambíguos para justamente fazer o que mais gostam: polarizar por meio de falácias.
São as ideologias e as visões de mundo que decidem o que pode ou não ser observado como realidade. São essas que regularmente distorcem e embaralham a falta de reflexão, apontando em direção dos efeitos, escondendo as genuínas causas das "coisas".
Escrachadas mentiras que semideuses dogmáticos preconizam, transformam-se em certezas absolutas em mentes, corações e mãos de incautos e interesseiros, paladinos da moral superior!
Não, não tenho medo do patrulhamento ideológico. Minha consciência, meus estudos sérios e lógica FUNDAMENTADA, além dos fartos fatos comprovados, impelem-me a não acreditar nos poderes sobrenaturais de burocratas despreparados, principalmente virgens em termos de visão e de experiências pragmáticas de mercado.
Não confio nessa "inteligência central superior" desses meninos em definir aquilo que é certo e errado para decidir sobre a minha própria vida. Principalmente, porque não devo e não quero deixar escorrer por entre os dedos da minha mão meus cruciais direitos e liberdades constitucionais! A tirania pode ter vida longa... e sangrenta...
Enfim, eu continuando acreditando na razão, na CIÊNCIA e nos fatos objetivos!
Por isso estou realmente cansado e apavorado de que tanta gente (algumas que reputo inteligentes!) tenham abandonado os fatos e estejam acreditando nas verdades efêmeras de políticos despreparados e de seus especialistas do "beija-mão", e certamente, de órgãos tão políticos quanto eles, tais como a "científica" OMS! "S" de salada!
Esgotei desses falsos moralistas, puritanos de araque, e de uma mídia podre que trocou a simplicidade da objetividade real, pela corajosa, bestial e nefasta clareza e pureza moral que atende às suas parciais verdades e as suas narrativas ideologizadas e interesseiras.
Desisti desses "jornalistas" formados pelos irmãos do sangue vermelho, transformados em analistas políticos dos fatos da vida (exceto quando quero dar uma boa gargalhada!), leitores de duas páginas de "O Capital", e exclusivamente de algumas outras orelhas de livros encarnados, substituírem a informação dos fatos objetivos, por suas defeituosas e fanáticas interpretações subjetivas com base em suas supostas superioridades morais.
O achismo tomou conta do século XXI!! O falso moralismo quer se impor sobre a incontestável primazia dos fatos e do estudo e investigação genuínos!
Desculpe-me, rapazes! Mas objetivamente eu não quero abrir mão de uma verdade inquestionável: eu prefiro manter a minha liberdade de escolher do que ser guiado por suas bondosas subjetividades!
O STF E A QUEBRA DA ORDEM CONSTITUCIONAL - 21/06/2020
"Eu, e só eu, determino os direitos de vassalagem, entendeu? Você esquece que posso castigá-lo quando e quanto quiser?", dizia Llorenç de Bellera, um senhor feudal, personagem de Ildefonso Falcones no romance"A catedral do mar", que virou série na Netflix.
Mas a prepotência do personagem está em conformidade com a lei de seu tempo. Aliás, suas palavras foram pronunciadas depois de, com amparo da lei, ter desvirginado a noiva de um pobre camponês. Sim, no medievo, a lei legitimava o senhor feudal como potestade apta a acusar, julgar e castigar os "servos" do feudo, inclusive com a pena de morte.
Ambientada no século XIV, a obra de Falcones permite ao leitor um claro vislumbre do sistema feudal e da lei que regia a sociedade à época, ensejando-lhe reconhecer e valorizar esta inestimável conquista do processo civilizatório do ocidente: o "direito acusatório".
No "direito inquisitório" (idade média), uma única instituição (é o caso do senhor feudal), uma só cabeça concentra todos os papéis: de produzir provas, de acusar, de julgar e de executar a pena - o que torna inviável a defesa do acusado.
Mas a humanidade é a mesma. Foram as instituições que mudaram desde a idade média até hoje. Em boa parte do planeta, como concretização de uma visão moderna de democracia, vigora o "direito acusatório", em que, num processo criminal, são dados a órgãos diferentes os papéis de "investigar e produzir provas", "acusar", "defender" e "julgar".
Note-se que, sem essa separação de papéis, vira letra morta o que há na Constituição brasileira (art. 5º, LV), em que se prevê, para todo e qualquer acusado, direito ao "contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes".
Todo cidadão deveria não só conhecer, mas sempre ter presente a diferença entre "direito inquisitório" e "direito acusatório". Mas, se a maioria dos bacharéis em Direito desleixa esse conhecimento, tão caro à ordem democrática, será que se pode esperar mais dos outros?
O desleixo da maioria - ora por ignorância, ora por egoísmo – cria ambiente favorável para que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) tenham rompantes de senhores feudais. É como se conduz Alexandre de Moraes no inquérito das fake news em desbragada ilegalidade.
Em flagrante agressão à Constituição, com a conivência de outros nove ministros, Moraes age, a um só tempo, como delegado de polícia, Ministério Público e juiz, comportamento que levou a ex-procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a comparar o STF a um tribunal de exceção, característico de regimes totalitários.
Ou seja, o STF, em vez de zelar pela Constituição (sua tarefa precípua), está transformando-a num livrinho inútil: o que cada um pode dizer ou fazer, o direito, a lei, o rumo do país é ditado por senhores feudais togados. Haverá, neste momento, algo mais grave acontecendo no Brasil?
A Associação Nacional dos Membros do Ministério Público e a Associação Nacional dos Procuradores da República tiraram nota contra Alexandre de Moraes, que riscou o inciso I do art. 129 da Constituição e afirmou que todos os tribunais podem abrir investigações criminais. É falso!
O ministro do STF, Marco Aurélio Mello, foi voz isolada: "Inquérito das Fake News fere a Constituição. O Supremo não é absoluto", disse. E criticou Dias Toffoli, presidente do STF, pela instauração sigilosa do procedimento, sem conhecimento do colegiado, "em afronta à constituição e ao sistema acusatório". E refutou a designação de Alexandre de Moraes, para ele "escolhido a dedo e desrespeitando o sistema de distribuição automático, regra do Supremo."
E ainda tem outro pormenor: Alexandre de Moraes está investigando também pessoas cujo foro não é o STF, atropelando o princípio do juiz natural, o que configura abuso de poder e gera insegurança jurídica. E, para completar, há o covarde silêncio (ou calculada omissão?) dos presidentes do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia,
chancelando a quebra da ordem constitucional e a supressão do sistema acusatório, não ligando para a advertência de Rui Barbosa: "A pior ditadura é a do Poder Judiciário. Contra ela, não há a quem recorrer."
* Publicado originalmente em https://blogdopolibiobraga.blogspot.com/2020/06/artigo-renato-santanna-o-stf-e-quebra.html
GARANTIDOR, NÃO MODERADOR, MINISTRO FUX! - 16/06/2020
ARTIGO 142 DA CF
Antes de tudo, ainda que 95% dos jornalistas do nosso empobrecido Brasil, por questão de formação ideológica totalmente comprometida com o socialismo, jamais vão aceitar que qualquer presidente da nossa República ouse se valer do que determina o Artigo 142 da Constituição Federal.
GOLPISTAS
Vou mais além para que fique bem claro: a simples menção desta possibilidade já é o bastante para que todos os apoiadores deste -DEVER CONSTITUCIONAL- sejam chamados, inapelavelmente, de GOLPISTAS.
GARANTIDOR DA HARMONIA
Sei, perfeitamente, que de nada adianta ler em voz alta o que diz o Art. 142 da CF para aqueles que não suportam, em hipótese alguma, ouvir a expressão FORÇAS ARMADAS. Para esses, pouco ou nada importa o que está posto na Lei Maior, que diz, claramente, que as FFAA têm o DEVER de GARANTIR a HARMONIA ENTRE OS PODERES. Isto significa, gostem ou não, que cada um dos PODERES DA REPÚBLICA, qualquer que seja, não pode ir além de suas chinelas.
GARANTIA DA ORDEM
Recentemente, o ministro Fux afirmou que o poder de "CHEFIA DAS FORÇAS ARMADAS É LIMITADO" e que não há qualquer margem para interpretações que permitam sua utilização para "INDEVIDAS INTROMISSÕES" no funcionamento dos OUTROS PODERES. E arrematou: as FFAA não são "PODER MODERADOR".
Já o ex-presidente FHC, lembrando que art. 142 da CF foi redigido, conjuntamente, por ele e pelo senador Richa, disse que qualquer dos 3 PODERES pode requerer as FFAA na DEFESA da Constituição e da ORDEM. Mais: "Nada a ver com TUTELA, MODERAÇÃO OU INTERVENÇÃO MILITAR". Os 3 poderes são independentes e harmônicos, regulados pela Constituição.
ATÉ PARA OS MICRÓBIOS
Ora, basta estar vivo para saber, com a mais absoluta certeza, que o STF, quer pela nojenta forma monocrática, ou mesmo colegiada, ao invés de cuidar daquilo que lhe compete tem se intrometido de maneira impressionante e exacerbada em tudo que é proposto ou decidido pelo PODER EXECUTIVO. Isto é inegável até para os micróbios. E como tal, a HARMONIA ENTRE OS PODERES, definida pela CF, já foi pro brejo faz tempo.
FUX DEU A DICA CORRETA
Neste estado de coisas, com o firme propósito de enfraquecer ao máximo o presidente Bolsonaro, a mídia socialista prega, insistentemente, que é o Chefe do Executivo que vive ATACANDO as Instituições, quando, na mais pura realidade, ele apenas está tentando se DEFENDER DOS CONSTANTES ATAQUES QUE SOFRE.
Tem, portanto, total razão o ministro Fux ao afirmar que as FFAA não são PODER MODERADOR. Ele mesmo deu a dica perfeita e clara para que, de uma vez por todas, fique bem claro que as FFAA são GARANTIDORAS da ORDEM E DA HARMONIA ENTRE OS PODERES. Nada mais do que GARANTIDOR!
O ENGANO DE CELSO DE MELLO - 10/06/2020
"É preciso resistir à destruição da ordem democrática", diz Celso de Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Fora do contexto de sua pouco sensata manifestação, suas palavras são irrepreensíveis. Mas a totalidade do discurso desnuda um preocupante autoritarismo.
No ambiente insalubre da política brasileira, está difícil fazer a defesa dos valores mais caros, inclusive os fundamentos da democracia.
Basta, como convém, criticar o abusivo ativismo judicial do STF, para logo surgir alguém que desqualifica a crítica e exige que se "ataque", em igual medida, as manifestações toscas de Bolsonaro.
Pois bem, antes de examinar o que disse Celso de Mello, faço um obséquio aos isentinhos e declaro que não gosto da linguagem do presidente da República nem concordo com muitas de suas providências, percebendo lacunas em suas posições que poderão custar caro ao país. Hoje, porém, a questão inafastável e muito grave é outra.
Segundo Diego Escosteguy, matéria publicada em O Antagonista, Celso de Mello enviou mensagem aos demais ministros do STF, alertando para o risco de intervenção militar no país e afirmando que "bolsonaristas e outras lideranças autocráticas" pretendem "a instauração, no Brasil, de uma desprezível e abjeta ditadura militar".
Só que ele não explicita os pressupostos de seu libelo oposicionista. Qual foi a ação de governo que indicou pretensões de instaurar uma ditadura? Houve algum ato de cerceamento da liberdade de expressão?
Nossa agressiva imprensa esbarra nalgum impedimento para seguir com sua guerra ideológica? O governo impôs alguma medida inconstitucional? Nada! Nada! No entanto, Celso de Mello, com maliciosa retórica, acusa semelhança entre o governo Bolsonaro e a eclosão do Nazismo no entreguerras sob o comando de Hitler, que deletou a Constituição da Alemanha e implantou um "sistema totalitário de poder".
Claro, entre os apoiadores de Bolsonaro há de tudo, desde os que têm uma consistente formação democrática até aqueles desajustados que gostariam de disciplinar os abusos do STF por meio da força, ignorando as consequências de "repelir abuso com abuso". Porém, é um erro primário, julgar um governo pelo discurso de uma parcela de seus eleitores.
Aliás, foi o próprio Celso de Mello quem produziu prova contra a sua fala, quando mandou publicizar o famoso vídeo da reunião ministerial.
No vídeo, que vem despertando admiração mundo afora, é evidente que Bolsonaro não está "jogando pra torcida", mas sendo sincero. Em meio a uma profusão de palavrões, ele diz: "Por isso é que eu quero que o povo se arme, que é a garantia de que não vai aparecer um (...) e impor uma ditadura aqui! - Quero dar um puto dum recado pra esses (...), por que estou armando o povo. É que eu não quero uma ditadura!"
Mello erra por fazer proselitismo e pela incoerência. Quando foi que ele se manifestou sobre o Foro de São Paulo (FSP)? Criado em 1990 por Fidel Castro, Hugo Chaves e Lula numa estratégia para espalhar regimes totalitários na América Latina, o FSP é um "arranjo" internacional e congrega partidos de esquerda, movimentos terroristas e até representantes do narcotráfico. Em gravíssima afronta à Constituição, o FSP dava as cartas nos governos petistas. E Mello nunca falou.
Ainda, quando foi que ele se manifestou sobre o insidioso Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH), com que Lula quis fulminar o Brasil em 2009?
Para que se tenha ideia, com o PNDH implantado, um juiz não poderia devolver a quem de direito um imóvel invadido sem, antes, consultar os "movimentos sociais". Era a sovietização do Brasil! Totalitarismo!
E terá ele criticado o Decreto 8243/2014, versão repaginada do PNDH que, felizmente sem sucesso, Dilma Rousseff tentou emplacar? Houvesse ela conseguido, existiria hoje, entre outras degenerescências, o controle estatal da mídia no Brasil.
Em 2016, antes do impeachment, Dilma promoveu, dentro do Palácio do Planalto, vários atos com apoiadores, o que é ilegal. Num deles, o líder sindical Aristides Santos incitou o MST a invadir propriedades, casas, fazendas, enfrentar com violência quem fosse oposição a Dilma. Celso de Mello repeliu aquela manifestação notadamente fascista? E terá reagido, quando Lula ameaçou todo mundo com o "exército do Stédile"? Não! Nada!
Em suma, ao tempo dos governos petistas, em que era claro o objetivo de implantar um "sistema de poder totalitário", inclusive com a intromissão internacional do FSP (gravíssima afronta à Constituição), não consta que ele se tenha levantado contra a "destruição da ordem democrática".
E talvez lá tenha feito bem. Um ministro do STF deve ter recato, discrição e distanciamento das questões eminentemente políticas.
Errado está ele agora. Num manifesto "privado" (mas pronto para publicação), constelando com o que há de pior no país, Celso de Melo tenta, sem qualquer base fática, colar a imagem de nazista num governo que tem, sim, muitos defeitos, mas que, nem de longe, mimetiza o autoritarismo da suprema toga.
Resta uma inquietante dúvida: até onde Mello pensa que se pode esgarçar sem romper o delicado tecido da democracia? Ou pretende ele romper?
* Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
**Publicado originalmente em www.alertatotal.net
***Veja vídeo de El Toro TV da Espanha:
https://www.youtube.com/watch?v=bYytuImWWpQ
COVARDIA INSTITUCIONAL CONTRA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO - 01/06/2020
Um dos maiores perigos da criminalização do que uns ou outros consideram fake é que, muitas vezes, não há parâmetros objetivos para aferir com segurança o que é verdadeiro ou falso. Há todo um amplo espaço para divergências, e nesse espaço a certeza nos escapa. Estamos aí no âmbito das opiniões, e qualquer tentativa de controlar juridicamente a conduta de quem se situa nesse âmbito afronta a garantia constitucional da liberdade de expressão.
A rigor, mesmo o erro de fato objetivamente aferível está protegido pela ordem jurídica. Temos, digamos assim, o direito de errar. É evidente que há limites decorrentes da necessidade de proteger a honra e a imagem das pessoas contra a mentira deliberada, a acusação falsa e a agressão injusta. Mas é sempre bom lembrar que esses limites só podem recair sobre o que foi dito, jamais sobre a possibilidade de dizer, pois a Constituição resguarda a liberdade de expressão “independentemente de censura ou licença” e assevera que a manifestação do pensamento e a expressão, sob qualquer forma, “não sofrerão qualquer restrição” (art. 5º, IX , e 220, caput).
Há, portanto, um âmbito de liberdade dentro do qual podemos nos mover, e, certamente, nele se situa tudo que pertence ao domínio do opinável, daquilo que é incerto e passível de razoável divergência.
Esse espaço de liberdade deve, ainda, ser alargado tanto quanto possível para abarcar o direito de se insurgir contra o poder e o seu abuso. É condição para a manutenção de uma ordem democrática de direito que as autoridades estejam sujeitas à crítica pública e à censura popular. Os eventuais excessos e desvios dessas autoridades importam em restrições às nossas liberdades e podem, no limite, comprometer a própria ordem constitucional, já que deixam as instituições republicanas a mercê do uso político, da manipulação e até mesmo do crime. Então convém deixar o povo gritar contra as autoridades, mesmo que, como é natural, haja excessos aqui ou ali. É preferível que as autoridades fiquem sujeitas ao abuso da crítica do que o povo ao abuso do poder.
Em minha opinião, não deve haver nenhuma crítica que um cidadão não possa fazer a uma autoridade e, muito menos, a uma instituição. Dizer, assim, que um tribunal é antidemocrático ou que está sendo usado para fins de perseguição política não pode, jamais, configurar um ilícito. Até porque a imputação de uma ação a uma instituição é uma ficção jurídica que não pode obscurecer o fato de que uma crítica dessa índole só pode, verdadeiramente, ser voltada às pessoas que agem em seu nome.
É evidente que o que muitas pessoas têm dito e defendido acerca do Supremo Tribunal Federal não configura uma insurgência contra a instituição. Está muito claro, para quem queira ver, que a indignação advém do que pessoas de carne e osso têm feito ao abrigo da instituição, e não da existência em si ou da missão constitucional do próprio STF. Se isso é verdade, a mobilização institucional do aparato repressivo do Estado contra os críticos dos ministros configura um uso (ou abuso) da instituição, com o exclusivo objetivo de intimidar os críticos e proteger os criticados. Parece, então, um caso de covardia institucional. Escondem-se, alguns, detrás da instituição, e ainda usam todo o seu poderio para perseguir os detratores.
Isso esclarece um ponto que é da maior relevância. Numa ordem de direito as instituições têm, cada uma, a sua específica missão constitucional. Todas devem se submeter aos princípios daquela ordem e respeitar os limites funcionais que vêm da sua peculiar tarefa institucional. Se isso é assim, a crítica e a indignação contra a autoridade que abusa da instituição, desviando-a de sua missão e levando-a à extrapolação dos seus limites, constitui um importante meio de defesa da própria instituição.
É fundamental resguardar ou, no mínimo, tolerar as manifestações de indignação que chamam à responsabilidade as pessoas que exercem a autoridade, a fim de constrangê-las a respeitar os limites do poder que têm e proteger as instituições que representam.
O caso do STF é, quanto a isso, exemplar. A instituição encarregada pela Constituição de proteger o império do direito e as nossas liberdades está sendo usada, contra o direito, para coibir o exercício de algumas dessas liberdades. Um tribunal que deveria assegurar o respeito incondicional ao devido processo legal, ao juiz natural e à imparcialidade do juiz, rompe com isso tudo e instaura uma dinâmica processual que contraria a natureza mesma do que é ser juiz (um terceiro imparcial que julga em conformidade ao direito, sem olhar o próprio interesse). Ir contra um juiz que resvala em sua atuação e dá ensejo a isso não é ir contra o tribunal. É ir em defesa do direito e da instituição, para a preservação das suas competências constitucionais e o restabelecimento da normalidade da sua atuação.
E isso tudo vale para os dois lados. Permitir a perseguição institucional covarde de quem grita contra os excessos das autoridades é o mesmo que dar a todas elas um salvo-conduto para retaliar, com o poder que têm, todos aqueles que, imoderadamente ou não, se levantam contra o abuso e o arbítrio.
Hoje mesmo, tive notícia de dois diferentes manifestos de juristas. Um deles acusa o Presidente da República de usar o mandato para arruinar os alicerces do sistema democrático, atentando contra os demais poderes e o próprio Estado de Direito. Chega ao extremo de qualificar de “genocida” a sua atuação. O outro manifesto, pelo lado dos conservadores, defende a responsabilização penal de todos que, como aqueles, exacerbam no linguajar e chamam o Presidente de genocida, assassino, miliciano, terrorista, nazista, fascista etc.
Creio que os fatos conhecidos não suportam essas destemperadas acusações. As palavras, afinal, têm sentido e não podem desconsiderar os fatos. Mas tenho que reconhecer que não passam de gritos indignados de pessoas que, desprovidas do poder de um ministro ou de um presidente, acabam por exagerar nas palavras para extrapolar a revolta e se fazer ouvir como podem, em meio a uma tremenda gritaria.
Pela forma como vejo as coisas, alguns ministros do STF querem tirar dos outros a liberdade de dizer coisas que eles próprios se dão o direito de dizer, e existe sim toda uma movimentação deliberada para levar-nos a uma situação-limite e provocar a reação do Presidente, emplacando as acusações antecipadas e, com base nelas ou em qualquer outra que estiver à mão, mandá-lo para casa ou para a prisão. Mas essa é a minha opinião acerca dos fatos, porque é a opinião que me parece corresponder à verdade. Quero poder expressá-la ou descartá-la sem medo da polícia. E quero que outros tenham também as suas e possam expressá-las, com fúria e indignação se for o caso. Creio que essa é a atitude que deveriam ter todos que repudiam a perseguição política e a covardia institucional e, realmente, se preocupam com as liberdades, o império do direito e a preservação das instituições.
* O autor é doutor em Ciências Jurídico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra. Mestre em Direito pela UNISINOS. Professor da Escola de Direito da PUCRS. Advogado em Porto Alegre.
O CIGARRO E A MÍDIA - 27/05/2020
PARAR DE FUMAR
Há muitos anos, após decorridas as duas ou três primeiras semanas desde o momento em que decidi largar o cigarro, percebi que o hábito de fumar não havia se transformado num vício, mas apenas num capricho. Esta constatação se deu porque, felizmente não fui vítima da dependência do cigarro, coisa que assusta muito aqueles que, repentinamente, resolvem parar de fumar.
PARAR DE ASSISTIR A TV GLOBO
Pois, hoje, 27/5, depois de passados exatos 60 dias desde que, da mesma forma -repentina-, tomei a decisão de não mais assistir a TV Globo, percebi, já na primeira semana, que este hábito também não chegou a se constituir num vício, do tipo que gera dependência. Ou seja, acessar o canal da Globo na minha televisão não passava de mais um capricho.
A SAÚDE AGRADECE
O que posso afirmar, depois de passar pelas duas experiências, é que tanto a tarefa de ABANDONAR O CIGARRO quanto DEIXAR DE ASSISTIR A TV GLOBO foram altamente benéficas para a minha saúde física e, principalmente, mental. No caso da GLOBO, a considerar os efeitos, os ganhos foram ainda muito maiores e efetivos para o sistema nervoso e, por tabela, para oxigenar o RACIOCÍNIO LÓGICO, para melhorar o batimento cardíaco, para as unhas, dentes, diminuição de calos, etc...
ENCORAJAR AS VÍTIMAS
Conto esta pequena história para encorajar as vítimas destes VÍCIOS ou CAPRICHOS, que dizem ser dotadas de pouca força para abandonar certos hábitos, para que tomem, principalmente, a decisão de deixar de assistir os programas da TV GLOBO. Podem estar certos de que horas depois de tomarem tal decisão, a sensação de alívio será imediata. A cabeça ficará bem mais arejada, a irritação diminuirá bastante e a lógica do raciocínio voltará a brilhar no ambiente cerebral. Tudo sem qualquer efeito colateral. Experimente!
NARRAR CONCLUSÕES E NÃO OS FATOS
Se os -VICIADOS-, do tipo que ainda imaginam que o papel desempenhado pela mídia, é o de INFORMAR, a estas alturas dos acontecimentos já devem ter percebido que a IMPRENSA CONTEMPORÂNEA, ao invés de NARRAR OS FATOS para que o público interessado forme opinião e/ou tire suas próprias conclusões, o que estão fazendo, de forma criminosa, é NARRAR AS CONCLUSÕES em detrimento dos FATOS. E, neste particular, quem mais se destaca nesta ação midiática -criminosa- é a emissora GLOBO, que detém a maior audiência nacional.
NOTÍCIAS MAQUIAVÉLICAS
Mais: o importante crescimento das REDES SOCIAIS tem se mostrado como remédio para acabar com a DEPENDÊNCIA de NOTÍCIAS OU CONCLUSÕES MAQUIAVÉLICAS mostradas e/ou contadas a todo momento pelas emissoras de televisão e de rádio, que comungam da mesma forma criminosa de NARRAR CONCLUSÕES que nada têm de VERDADES.
CONVERSA DE VESTIÁRIO - 23/05/2020
REUNIÃO FECHADA
Partindo do pressuposto de que mais de 90% do povo brasileiro gosta de futebol e 99% manifestam clara preferência por algum time, achei que ficaria muito mais palatável para os brasileiros em geral comparar a reunião ministerial -FECHADA-, comandada pelo Presidente Bolsonaro, com as típicas e normais reuniões que acontecem nos vestiários, antes, durante e após os jogos que são disputados nos mais diversos torneios e campeonatos.
PALAVRÕES
Observem, primeiramente, que nas conversas -fechadas- que os técnicos fazem com seus atletas, o que mais se ouve são palavrões. Mais: como é uma questão de estilo pessoal, os criticados, salvo raríssimas exceções, aceitam com muita naturalidade esta forma usual de comportamento dos líderes.
STF
Pois, como os ministros do STF tem constantemente demonstrado, com indisfarçável nitidez, o quanto são torcedores de times adversários que não por coincidência jogam pelo lado esquerdo do campo, o decano Celso de Melo achou por bem tornar -PÚBLICA- a reunião -FECHADA- de vestiário comandado pelo técnico Jair Bolsonaro.
Sabe-se, por óbvio, que o intuito do péssimo ministro, e da mídia que não esconde o ódio que nutre pelo técnico do bom time, foi apenas tão somente mostrar o número de palavrões pronunciados na reunião de vestiário.
MÍDIA
Já no que diz respeito ao papel da mídia é sempre importante lembrar que o time comandado por Bolsonaro não aceitou a proposta da Rede Globo para transmissão de seus jogos, preferindo as redes sociais.
Sem contar com esta importante fonte de renda, a mídia esportiva, com o forte auxílio dos repórteres, dos quais muitos são torcedores de times adversários, deu início a uma forte campanha junto ao público com claro propósito de derrubar o técnico.
ARBITRAGEM
No tocante às arbitragens , por mais que boa parte dos profissionais do apito se esforcem para que a disputa seja dentro da regra, alguns se deixam levar pela mídia, pelos gritos das torcidas e pela paixão que nutrem pelos seus clubes do coração, tratam de anular as boas jogadas do time dirigido por Bolsonaro.
SUBSTITUIÇÕES ESTRATÉGICAS
Vendo que alguns de seus atletas (ministros) não estão jogando de acordo com o planejado, nos intervalos dos jogos, à portas FECHADAS, de forma totalmente privada, o técnico reúne o time, fala de estratégias e avisa que vai substituir quem não está cumprindo o que foi combinado. Simples assim.
FAKE NEWS PARA DESESTABILIZAR
Ora, sem qualquer informação sobre o que foi tratado na reunião -FECHADA- os inconformados repórteres, quer por serem torcedores do time adversário, quer por instruções das direções de suas respectivas empresas de comunicação, tratam de inventar o que podem para condenar as atitudes do líder, na tentativa de colocar a torcida contra o técnico e os jogadores.
EXEMPLO DO VÔLEI
Quem conhece minimamente o futebol, vôlei, basquete ou qualquer outro esporte coletivo, sabe muito bem que a linguagem adotada pelos técnicos não raro é recheada de palavrões. Os jogadores, as torcidas e a imprensa esportiva sabem que este comportamento é comum, normal e corriqueiro.
Todos os brasileiros sabem, por exemplo, que a cada dez palavras proferidas pelo excelente técnico Bernardinho, da Seleção de Vôlei, tanto nas preleções quanto durante os jogos, sete são palavrões. Pois mesmo assim nem torcida nem atletas se sentem ofendidos. Ambos sabem que este é o estilo do técnico. Mais: se os palavrões produzissem prejuízos ao time, o Brasil jamais seria campeão mundial de vôlei ou futebol.
LAVAGEM DE ROUPA SUJA
Portanto, o que o vídeo da REUNIÃO MINISTERIAL revelou foi uma autêntica CONVERSA DE VESTIÁRIO. De novo: CONVERSA FECHADA, com direito a lavagem de roupa suja no lugar certo, privado e adequado. Da mesma forma como acontece com as equipes de venda ou qualquer outra do meio empresarial competitivo. Quem quer ganhar faz isto.
ENFIM, UM LÍDER!
Ao mandar revelar a CONVERSA DE VESTIÁRIO, o ministro Celso de Melo, por linhas tortas, fez com que o povo brasileiro, inclusive seus adversários, vissem, com muita clareza, que o Brasil tem, na pessoa de Jair Bolsonaro, não apenas um presidente. Tem um LÍDER!, do time Brasil. LÍDER com FOCO NA VITÓRIA!
UMA LIÇÃO DE MASCULINIDADE PARA O NOSSO TEMPO - 20/05/2020
Os Founding Fathers amaram o próximo quando, primeiramente, amaram o "Juiz Supremo", amaram suas famílias, a natureza humana e seus direitos inalienáveis, e por tudo isso empenharam as próprias vidas.
4 de julho de 1776 é a data em que 13 colônias da América, chefiadas por homens dispostos a perder suas vidas, suas fortunas e sua sagrada honra, puseram fim à tirania de uma coroa corrupta e puderam dar um grito de liberdade e autonomia. A Independência dos Estados Unidos foi conquistada graças a esforços corajosos e viris, o que torna esse feriado americano algo emblemático não somente para os filhos do Tio Sam, mas também para todo o Ocidente — este cada vez mais calejado por causa da febre de pusilanimidade que invadiu a sua cultura.
É questionável se, nos dias de hoje, aqueles homens que assinaram a Declaração de Independência Americana — empenhando, para isso, seus bens mais preciosos — teriam a mesma coragem de lutar e sacrificar-se por um mesmo ideal. A completa ausência de personalidades viris na sociedade contemporânea é um fenômeno espantoso. A ojeriza contra virtudes como força e coragem impregnou-se tanto nos espíritos, que se tornou quase um pecado portar-se de maneira mais masculina. A própria opinião pública faz pressão sobre os jovens para que vivam mais o seu "lado feminino". E o resultado disso se reflete não somente no seu vestuário — cada vez mais fresco —, mas também — e mais gravemente — na sua maneira de lidar com conflitos e decisões sérias.
Vejam, por exemplo, o comportamento dos líderes políticos. Com raríssimas exceções, é praticamente impossível encontrar um que inspire segurança e paternidade. Ao contrário, a esmagadora maioria deles parece mais preocupada com a estética diante das câmeras, com o discurso ambíguo e a imagem de bom mocinho, do que com tomadas de decisões objetivas, ainda que estas venham a desagradar a algum grupo.
É claro que todo esse afrouxamento de caráter não se desenvolveu espontaneamente. Tratou-se de um grave equívoco filosófico e teológico, de cujos resultados muitos grupos sedentos por poder têm se aproveitado.
Em sua Análise sobre o homem, o psicólogo Erich Fromm explica que, no século XVIII, a filosofia de Immanuel Kant desenvolveu uma espécie de "consciência culpada". Esse filósofo alemão, piedoso e escrupuloso que era, retirou a moralidade da ordem do amor para colocá-la na ordem da justiça. E, nessa visão, toda ação humana deve ser absolutamente desinteressada; a moral torna-se um "imperativo categórico", ou seja, um dever social que está acima de qualquer direito: mesmo sob uma ditadura, nenhuma pessoa pode reivindicar algo para si. O que Kant conseguiu produzir, por conseguinte, foi "a mais glacial atmosfera ética jamais proposta ao homem" [2].
Notem: o que rege a coragem de um homem para defender sua vida e a de sua família é o amor e a ordem com que ele ama essas mesmas coisas. Mas Kant condenou o amor, chamando-o de interesseiro. Para ele, os homens devem defender suas famílias não porque as amam, mas porque é seu dever. O homem que defende sua família por amor é entendido pela filosofia kantiana como alguém egoísta. Enfim, Kant separou as virtudes da caridade e da fortaleza. E, como dizia Chesterton, as virtudes separadas umas das outras ficam loucas. Sem o motor do amor, na verdade, todas as demais virtudes, como a fortaleza e a justiça, perdem o seu elã e a covardia toma conta do espaço.
Em sua análise, Fromm adverte que essa condenação do amor em nome do puro dever foi assumida pela cultura ocidental, de modo que as pessoas facilmente deixaram de lutar para se submeterem a uma falsa autoridade superior:
"Não seja egoísta" é uma frase que foi usada para impressionar milhões de crianças, em gerações sucessivas. Seu significado é um tanto impreciso; a maioria das pessoas diria que não se deve ser egoísta, sem consideração ou preocupação com os outros. Na verdade, geralmente quer dizer mais do que isso. Não ser egoísta implica não se fazer o que se quer, desistir de suas próprias vontades em benefício dos que detêm autoridade. "Não seja egoísta", em última análise, tem a mesma ambiguidade que tem no calvinismo. Além de seu sentido óbvio, quer dizer "não ame a si mesmo", mas submeta-se a algo mais importante do que você, a um poder exterior ou à sua interiorização, o "dever". "Não seja egoísta" transforma-se em uma das mais poderosas ferramentas para suprimir a espontaneidade e o livre desenvolvimento da personalidade. Sob a pressão desse slogan, pede-se à gente todo sacrifício e submissão completa. [3]
Não há como ler essas linhas terríveis do psicólogo judeu sem pensar nos efeitos trágicos que essa propaganda demagoga teria causado àquelas 13 colônias americanas, caso seus homens tivessem sido contaminados por tal servilismo. Ao contrário, é porque eles nutriam um sadio amor de si mesmo que puderam defender seus compatriotas da opressão estrangeira. A cultura contemporânea, por outro lado, criou homens passivos e incapazes de qualquer reação viril, porque suas personalidades foram tomadas pelo "amolecimento", pela "docilidade sem virtude", pela "mansidão sem brio", pela "resignação sem mérito" [4]. Em poucas palavras: eles deixaram de ser homens.
A Independência dos Estados Unidos é, sem dúvida, uma lição de virilidade para o nosso tempo. Os Founding Fathers, sim, amaram verdadeiramente ao próximo quando, primeiramente, amaram o "Juiz Supremo" e a "Divina Providência", amaram suas famílias, a natureza humana e seus direitos inalienáveis, e por tudo isso empenharam suas vidas. A medida do amor ao próximo é, afinal, o amor de si mesmo: "Amarás o próximo como a ti mesmo" (Mc 12, 31). Os "pais fundadores" deste tolerante Ocidente, por sua vez, não amam nem o Juiz Supremo, nem suas famílias, nem a natureza humana e seus direitos inalienáveis. Exatamente por essa razão ele se encontra prostrado diante da ameaça terrorista e de tantos outros projetos megalomaníacos de poder global.
"Sê enérgico. — Sê viril. — Sê homem. — E depois... sê anjo" [5]. Talvez nunca esse conselho de São Josemaria Escrivá tenha valido tanto como nos dias de hoje.
Em 05/07/2017
**Publicado originalmente em https://padrepauloricardo.org/blog/uma-licao-de-masculinidade-para-o-nosso-tempo
CONSEQUÊNCIAS INVISÍVEIS DO DESARMAMENTO CIVIL - 20/05/2020
Tenho 56 anos, o oitavo filho de uma família de 10, e desde as primeiras memórias da infância, no pequeno sítio da família em Cafelândia, Paraná, a espingarda sempre fez parte dos instrumentos que meu pai manuseava. Inclusive em algumas oportunidades fiz uso dela atirando em pombas ou objetos como alvo.
Entrando na vida adulta, completando estudos longe daquela casa, trabalho, casamento, filhos, muito mais trabalho, nunca mais dei importância, de forma consciente, para a espingarda muito menos para a questão das armas.
Mais ou menos a partir de 2012, já com 48 anos, com o início da divulgação do livro Professor não é Educador, com muitas ações em vários níveis e organizações afrontando cidadãos, a propriedade privada e a família natural, com a internet e suas redes sociais, a consciência de quem eu era como cidadão, na comunidade e no país onde vivo, começou a clarear de uma forma como nunca tinha ocorrido.
E nessa tomada de consciência me dei conta de que, sem saber quando teve início, ao pensar em armas, um medo, um sentimento de perigo tomava conta. Arma não devia fazer parte da minha vida; ao contrário, quanto mais longe, melhor.
Início de 2017 li o livro “Mentiram para mim sobre o Desarmamento”, do Flávio Quintela e Bene Barbosa, e foi como se um sol inteiro iluminasse minha mente para o que de fato tinha ocorrido, comigo e, imagino, com milhões de brasileiros.
A parte visível das ações desarmamentistas – leis, campanhas, etc, -- são fáceis de ver, de virar notícia na grande mídia, que em geral, apoia tais medidas; porém o que não se vê e não vira notícia é a destruição psicológica que ocorre após décadas de constante publicidade contra a posse de armas. O que é muito, mas muito mais grave pois ela destrói uma força interior, algum sentimento, algum valor que é absolutamente necessário para ser uma pessoa forte, para construir uma nação forte.
“Quando o erro não é combatido, termina sendo aceito; quando a verdade não é defendida, termina sendo oprimida” * Papa São Félix III.
Ao negar ao cidadão o direito de defender-se com uma arma, o Estado (através dos governantes) está dizendo automaticamente ao cidadão que ele é um fraco, um incapaz, de defender-se a si, sua família, sua propriedade. E se o sujeito é fraco, incapaz, é porque ele precisa que alguém cuide dele, que faça por ele aquilo que ele não é capaz, pois ele é um coitado. E quem é este “outro alguém”? O Estado, com seus aparatos de segurança.
A destruição chega a tal ponto que perdemos a consciência de algo que deveria ser sagrado: LIBERDADES. E se os cidadãos não estão dispostos a lutar por suas liberdades, resultado da proposital mutilação mental, o caminho para opressão estatal está aberto. Exemplos disso estamos vivenciando nesta crise do coronavírus. Perda da liberdade religiosa, inclusive com proibição de transmissão de missas e cultos pela internet. Perda da liberdade de ir e vir; liberdade de expressão; liberdade de trabalhar, de abrir empresas.
Políticas de segurança pública – que é função do Estado – não devem confundir-se com o sagrado direito à liberdade de defender-se. Porém ao desarmar o cidadão, o Estado está deixando claro aos criminosos: podem agir, o caminho está livre. E por que? Porque é impossível a força policial estatal estar em todos os lugares, em todos momentos, ao mesmo tempo, dando proteção às pessoas.
E diante desta verdade incontestável, por que ainda assim tantos agem para desarmar o cidadão? A resposta vem do livro do Flávio Quintela e Bene Barbosa: “todos os governos totalitários que já existiram na História da humanidade tiveram e tem um traço em comum: desarmar a população para poder então dominá-la(...) e o resultado foi sempre o mesmo: perda das liberdades e muitos mortos”**. Claríssimo está, que é falsa, mentirosa, TODA a publicidade, TODA a opinião, a favor do desarmamento civil, dizendo que é para proteger o cidadão, que é para reduzir a criminalidade, etc.
De outro lado, quando não vemos ações que impeçam o cidadão de possuir uma arma, claro pode ficar para ele: você é o primeiro e maior responsável por sua vida, por sua família, por sua propriedade. Você é responsável por seu sustento, por suas escolhas e consequências, por sua comunidade. Bem à semelhança de um pai que educa um filho com esses valores, não há porque imaginar que uma nação formada e mantida sob estes princípios, não será mais forte e desenvolvida.
Em vista dessas reflexões, chegamos a uma conclusão que não pode ser ignorada por quem deseja cidadãos livres e conscientes de suas responsabilidades, por quem deseja um país soberano e desenvolvido: qualquer liderança, política, intelectual, empresarial, religiosa, da burocracia estatal, etc, que defender o desarmamento civil, merece total repúdio, desprezo, pois está defendendo o fim de liberdades, e isto é extremamente grave e não pode ser tolerado.
“Ninguém deve confiar em alguém que lhe queira tirar os meios de defesa própria”**
* Revista Catolicismo, n. 833, maio de 2020.
** Mentiram para mim sobre o Desarmamento, Vide Editorial, 2015.
APRENDENDO COM NAPOLEÃO: ESTUDE ANTES DE DECIDIR - 18/05/2020
“A guerra é o domínio da incerteza; os três quartos de elementos nos quais a ação se fundamenta permanecem nas brumas de uma incerteza mais ou menos grande. Mais do que em qualquer outro domínio, é necessário que uma inteligência sutil e penetrante saiba, instintivamente, discernir e apreciar a verdade”.[1]
A crise pandêmica do novo coronavírus tem lançado os líderes mundiais numa bruma de incerteza semelhante à guerra, e algumas das indagações dos nossos dias: cuidar da saúde ou da economia; isolamento vertical ou horizontal; têm sido, reiteradamente, debatidas pela sociedade.
A resposta mecânica tem sido: “Siga a ciência! Siga a ciência!” O que quer dizer: “lockdown”, quarentena ou qualquer coisa assim, que for indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O que Napoleão, gênio militar do seu tempo, pode nos ensinar para obtermos a vitória nessa guerra contra um inimigo invisível?
A primeira dica de Napoleão é estudar o conjunto de informações disponíveis, cuidadosamente.
“...Napoleão, quando indagado pelos seus generais sobre como ele adivinhava sempre as intenções do inimigo com tanta precisão, respondeu: eu não sabia antecipadamente os erros que o inimigo cometeria, e dos quais tirei vantagem: simplesmente estudei a minha carta (mapa). “[2]
Apesar de toda a politização que a pandemia tem recebido, há estudos que nos permitem avaliar o impacto da economia na saúde do povo, ratificando que são áreas interdependentes.
A Revista de Saúde Global Lancet, a qual é uma publicação que incorpora inúmeros artigos de estudos sobre saúde em diversos países do mundo, veicula estudo que, em tradução livre, tem como título: ”Efeito da recessão econômica e impacto das despesas com saúde e proteção social na mortalidade de adultos: uma análise longitudinal de 5565 municípios brasileiros”[3], elaborado por Thomas Hone e outros autores.
Apesar do viés progressista e globalista, o escrito traz luz para a importância da economia na condição de saúde das pessoas, estimando o aumento da mortalidade no Brasil, tendo como causa o desemprego gerado na crise econômica de 2014 a 2016.
A pesquisa analisa 6.621.347 mortes, que correspondem a 93,7% dos 7.069.242 de óbitos ocorridos no período de 2012 a 2017, em 5565 municípios brasileiros (total de 5570), em pessoas com 15 anos ou mais.
A análise utiliza métodos estatísticos que permitem inferir sobre as alterações no número de mortes em relação ao aumento do desemprego no período. A estimativa chegou ao número de 31.415 mortes do período de 2012 a 2017, devido à crise econômica ao qual o país foi submetido nesse intervalo de tempo.
Avaliando-se os motivos desse aumento, o artigo destaca os efeitos da recessão econômica sobre o sistema de saúde, devido à redução de receita do estado, implicando o aumento do tempo de espera para tratamentos de saúde, escassez de medicamentos e atrasos no pagamento a funcionários da área de saúde. Ressalta que, as pessoas economicamente mais vulneráveis, as quais são mais dependentes do sistema de saúde e de proteção social, são as que mais sofrem com o impacto da precarização do sistema de saúde no Brasil devido à crise econômica.
Não é difícil compreender que um Estado empobrecido significa uma saúde empobrecida.
O exemplo de Napoleão nos diz que as informações estão disponíveis para todos. Quem melhor estuda, obtém a vitória ou, no caso da pandemia, a menor perda de vidas humanas.
Ou seja, não há alternativa, saúde ou economia. Se a economia for destruída, a saúde também o será!
É por este motivo que seguir, cegamente, apenas uma visão sobre o problema pode impedir o acesso às informações estratégicas, que nos permitem enxergar a guerra como um todo e as suas consequências no médio e longo prazo.
Na aviação tem-se um efeito parecido e que leva a consequências, igualmente, desastrosas.
A visão em túnel acontece quando o piloto se prende a uma só informação, levando-o a decidir erroneamente sobre a condução da aeronave e a correção a ser feita. Para resolver algumas panes o piloto deve dirigir a atenção para certos instrumentos, mas também deve estar atento ao conjunto geral de informações e o que está acontecendo à sua volta.
Felizmente, já há no Brasil um movimento que se permite olhar com mais clareza a condução do combate à Covid-19. Temos Governadores que começaram a pensar pelos seus próprios estudos e não seguindo, roboticamente, a ordem de fechamento total proposto pela OMS.
O Governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, tem se esforçado para corrigir um erro cometido em março deste ano, momento em que ordenou a quarentena no Estado, sendo que somente 10 cidades, dos 497 municípios do RS, apresentavam casos do Covid-19.
Pressionado, seguiu a “grita” generalizada: “fecha tudo!” E, por intermédio de Decreto de Calamidade Pública, de 19 de março de 2020, pôs o Rio Grande do Sul em quarentena. O primeiro caso da doença foi registrado em 10 de março de 2020.
O primeiro movimento de reabertura foi em 16 de abril de 2020, quando permitiu que os Prefeitos decidissem sobre a quarentena, considerando-se a condição de contágio de cada localidade. Para tal, apresentou uma iniciativa simples e bem planejada que representa um esforço da ciência gaúcha em orientar as ações do Governador. Trata-se de um estudo estatístico conduzido pela Universidade Federal de Pelotas, em conjunto com outras 11 instituições de ensino, que tem como objetivo entender o contágio do Covid-19 no estado, em especial, a situação do contágio, velocidade de expansão e a letalidade da doença.
A pesquisa baseia-se na aplicação de exames para o Covid-19 e questionários para 4.500 pessoas, residentes em 9 cidades gaúchas, seguindo critérios do IBGE sobre o perfil populacional.
Em cada rodada são testadas 500 pessoas em 9 cidades representativas do estado, repetindo-se este procedimento em quatro etapas distintas (11-13/4; 25-27/4; 9-11/5 e 23-25/5).[4]
Mais do que ciência aplicada à realidade local, esse esforço significa, com muito orgulho, que os pesquisadores gaúchos estão pensando com a própria cabeça e não seguindo, cegamente, instituições estrangeiras burocráticas que não conhecem a realidade do povo e a propagação da doença no nosso país.
Para finalizar, um dos fatos que mais me impressionou na minha missão como Adido Militar na França decorreu de uma reunião com oficiais do exército francês.
Conversando sobre a instrução dos militares franceses, questionei se eles estudavam muito os ensinamentos de Napoleão e recebi a seguinte resposta: “Vocês devem estudar mais do que a gente. Na França ele é considerado um traidor e os seus ensinamentos não são estudados nas nossas escolas militares!”.
Desde aquele momento percebi que, em Paris, havia poucas referências a Napoleão I. Eu vi somente duas pequenas estátuas do imperador: na Praça Vendome e no Museu Militar dos Inválidos.
Se os franceses não querem aprender, problema deles! Aprendamos nós!
Estude antes de decidir!
* Jorge Schwerz é Coronel Aviador da Reserva da Força Aérea Brasileira; MsC pelo ITA; ex-Adido de Defesa e Aeronáutica na França e Bélgica; e Coordenador do Blog Ao Bom Combate!
** Publicado originalmente no blog Ao Bom Combate: https://www.aobomcombate.org/post/aprendendo-com-napole%C3%A3o-estude-antes-de-decidir
[1] VON CLAUSEWITZ, Carl. Da Guerra. São Paulo: Martins Fontes, 1986. p. 51;
[2] VON FREITAG-LORINGHOVEN, Hugo. O poder da personalidade da Guerra. Rio de Janeiro. Bibliex, ; p. 71;
[3] HONE ET AL.; Effect of economic recession and impact of health and social protection expenditures on adult mortality: a longitudinal analysis of 5565 Brazilian municipalities. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(19)30409-7/fulltext. Acesso em: 9 de maio de 2020; e
[4] RIO GRANDE DO SUL. Epidemiologia da Covid-19 no Rio Grande do Sul. Disponível em: 1ª etapa: https://www.estado.rs.gov.br/upload/arquivos//covid-19-estudo-versao-atualizada.pdf e 2ª etapa: https://www.estado.rs.gov.br/upload/arquivos//pesquisa-ufpel-fase2-20200428.pdf. Acesso em: 9 de maio de 2020.
O ABRAÇO DA MORTE À NOSSA SOCIEDADE - 16/05/2020
A cultura da morte e seus ataques internos e externos a todos os fundamentos da nossa civilização.
Inicialmente, quando se fala de cultura da morte, a primeira coisa que salta aos olhos de quem se defronta com tal expressão é o debate acerca da legalização do aborto, ou seja, o embate entre aqueles que são favoráveis à vida e aqueles que são favoráveis ao direito de decidir, como costumeiramente é conhecida a opção pelo aborto. A realidade, porém, é muito mais abrangente, pois as ações desencadeadas pela cultura que fomenta a morte não se restringem a este aspecto nefasto de suas atividades. Já há alguns anos, os reais objetivos de tal cultura têm assumido contornos cada vez mais claros diante de nossos olhos, pois parece haver um esforço contínuo para introduzir, de forma às vezes ostensiva às vezes amenizada, uma semente de destruição que acabaria por minar o edifício que sustenta a nossa civilização.
Identificar a cultura da morte com a "indústria" ou esforços para a disseminação do aborto e de todos os métodos contraceptivos não chega a ser um equívoco, mas, não é uma visão completa daquilo que ela verdadeiramente almeja. Quando se quer destruir um edifício para levantar uma nova construção, dois caminhos podem ser tomados: o da explosão, ou seja, algo que venha de fora e acabe por arrasar toda a estrutura existente; ou o da implosão, quando se destrói a construção antiga a partir de dentro, fazendo com que ela mesma venha abaixo porque perdeu a força para se sustentar.
A cultura da morte também age assim. Em alguns momentos parece desferir ataques explosivos, que são externos, ostensivos e bastante claros, pois têm o objetivo de chocar, de desestabilizar para que, por meio do alarde provocado, as situações por ela defendidas ganhem respaldo ou aceitação na sociedade. Tal é a tática que muitas vezes se utiliza para as questões relativas ao aborto, especialmente no que diz respeito a tratá-lo como se fosse simplesmente uma decisão entre ter ou não um filho, como se não houvesse outra realidade a ser implicada nesta situação a não ser o corpo da própria mulher e a decisão de fazer ou não algo com este corpo que lhe pertence, sem levar em consideração, em nenhum momento, a existência de mais uma vida, ainda no ventre materno, que deveria gozar de toda a proteção possível por parte da sociedade.
O outro caminho, não menos danoso, porém muito mais sutil e ardiloso, é o caminho da implosão, que consiste num ataque contínuo, sistemático, lento e progressivo contra tudo aquilo que se constituiu num alicerce para a nossa sociedade. Alvo deste movimento implosivo são os três pilares da civilização ocidental: a filosofia grega, o direito romano e a moral judaico-cristã. No prefácio do livro O Calvário e a Missa, o venerável Fulton J. Sheen salienta que a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo foi erigida num ponto de convergência, numa encruzilhada entre estas três grandes civilizações, para que seu gesto redentor estendesse a universalidade da Redenção também sobre essas esferas da sociedade.
Hoje, o alvo da cultura da morte é a tentativa de implodir, a partir de dentro, a estrutura que sustenta a sociedade humana, baseada nestes três alicerces: filosofia, direito e moral. A filosofia se torna cada vez mais instrumentalizada, como se fosse uma justificativa para determinados comportamentos ao invés de se constituir numa autêntica busca pela verdade, lançando suas artimanhas também numa nova abordagem do processo educacional, que não seria nada mais do que mera propaganda ideológica, esquecendo-se completamente de seu objetivo de ser um caminho para se alcançar a sabedoria; o direito, por meio da negação da existência de um direito natural e na sua utilização para legitimar novos comportamentos e criminalizar a oposição aos mesmos; a moral que, ao sofrer toda espécie de crítica e de racionalização, é substituída por um novo padrão no qual a família e toda a sociedade são vistas de uma maneira totalmente nova, numa inversão de valores e desprezo pelas instituições tradicionais.
A cultura da morte, a partir destas poucas constatações, não se refere simplesmente ao direito ou não ao aborto ou à militância para que o mesmo se constitua num direito. Ela tem um objetivo muito maior. Quer colocar abaixo toda a estrutura que sustenta a nossa civilização e não deixará de empreender esforços para destruir a filosofia, o direito e a moral, para então levantar o seu novo edifício, uma nova sociedade, verdadeira quimera que é uma prefiguração dos piores pesadelos que um homem poderia imaginar. O abraço a que ela convida o homem não é apenas dirigido a um aspecto de sua vida, isto é, a seu pensamento, seu comportamento, ou às relações que estabelece na sociedade e, principalmente, na família. A cultura da morte quer, na realidade, abraçar o homem todo, em todas as suas dimensões, e não somente a um indivíduo, mas a todos os homens.
Pe. Paulo Ricardo, em 22/04/2015
*Publicado originalmente em https://padrepauloricardo.org/blog/o-abraco-da-morte-a-nossa-sociedade
CARREATAS CONTRA O STF - 15/05/2020
No último final da semana, em Brasília, aconteceu mais uma carreata alvejando o Supremo Tribunal Federal. A terceira em duas semanas. Esse conjunto de carros identificados com bandeiras e pessoas verbalizando palavras de ordem, se submetido à ótica jurídica, vai revelar a ocorrência de um acontecimento dotado de inquestionável magnitude. Na prática, os enfileiramentos de carros que vêm acontecendo dão visibilidade ao exercício de duas das mais importantes liberdades públicas asseguradas pela Constituição Federal: a liberdade de expressão e a liberdade de reunião.
Embora um congressista tenha tentado barrar o seu acontecimento, esta manifestação outrora inimaginável contra o STF e seus ministros se desenvolveu de forma ordeira, na exata definição que a Carta Magna dispõe: “todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização”, conforme o inciso XVI do seu artigo 5º.
Reunidos a partir das redes sociais, os partícipes dão voz a milhões de outros brasileiros que não digerem mais, por exemplo, que o STF, um empregador obeso, disponha no seu quadro funcional, de 24 juízes convocados distribuídos entre 10 gabinetes, 798 funcionários em comissão ou funções de confiança, 340 estagiários (270 de nível superior e 70 de nível médio), 197 recepcionistas, 46 servidores sem vínculo efetivo, 65 servidores “cedidos a outros órgãos” (especialmente ao STJ, TSE, CNJ, Senado Federal e Câmara dos Deputados, entre outros) e 10 servidores “em outros órgãos”. Em verdade, os integrantes das carreatas dão sonoridade ao coro crescente de cidadãos que não toleram mais o excesso de individualismos onde cada ministro é um STF em si. Ou que alguns ministros contrariem a jurisprudência do próprio tribunal tornando-a sinuosa e insegura.
Isso, porém, não é o ponto central da ira. A maior inconformidade é aquela que diz respeito ao excesso de interferência do tribunal nos demais Poderes, sobretudo no Executivo. Segundo uma pesquisa nacional do instituto Paraná Pesquisas divulgada em maio de 2020 pelo site Diário do Poder, para 39% dos brasileiros, o STF “interfere muito” nas prerrogativas presidenciais. Neste sentido, chama a atenção o fato de que em relação ao período antes mencionado, foram concedidas 14 medidas liminares contra atos privativos do Poder Executivo Federal somente em 2020, o equivalente a 55% a mais que em 2019.
A reação social, cada vez mais eloquente e ruidosa, faz todo o sentido. Afinal, o Supremo jamais foi tão proeminente quanto hoje. Arvorou-se o papel de entidade. Tornou-se um fim em si mesmo. Porém, isso não significa um STF vigoroso. Pelo contrário. É um STF invasivo, propenso a confrontos externos e internos e que ultimamente não permite os conflitos esfriarem. Um ator político que se vale da prerrogativa da “última palavra” para vulnerar as prerrogativas dos demais Poderes. Um tribunal que vai fazendo o que bem entende através de protagonistas que não hesitam adjetivar pessoas e acontecimentos fora dos autos. Um pretório onde alguns ministros atuam em prol da consolidação de seus poderes individuais ao invés da soberania do plenário.
Consolidado, esse desapontamento crescente e ininterrupto que o STF vem irradiando desbordou as fronteiras da comunidade jurídica e comprometeu a sua credibilidade. Ao menos por ora. A sociedade, diversas instituições e entidades públicas ou privadas, meios de comunicação e integrantes de carreiras públicas passaram a nutrir um misto de decepção e desconfiança pelo órgão de cúpula do Judiciário brasileiro.
As carreatas são críticas diretas protagonizadas por contribuintes fartos de intermináveis e supremos conflitos.
*Antônio Augusto Mayer dos Santos - Advogado, Professor de Direito Eleitoral e Escritor.
A CHAMADA, A CANTADA E A PANCADA - 09/05/2020
Em meio a um turbilhão de problemas, preocupações e incertezas políticas e econômicas, um verdadeiro pandemônio alimentado pela saída do ministro da Saúde e, poucos dias depois, aquela saída nada cavalheiresca do ministro da Justiça e Segurança Pública, tudo isso em tendo como cortina a enorme tensão provocada por confinamentos, máscaras, estímulos ao pânico, prisões de senhoras por caminharem em praias e ataques incessantes ao governo por parte da velha mídia, volto a dizer, em meio a tudo isso e como se fosse pouco, eis que se passou uma cena inacreditável.
Segundo revelou em primeira mão o site Poder360, repercutido depois por diversos órgãos de imprensa e nas redes sociais, o governador de São Paulo, do PSDB, telefonou para o ministro da Economia pouco depois impacto provocado pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública ao demitir-se no dia 24 de abril. Até aí, nem o Neves tinha morrido.
Mas, quando o governador sugeriu ao ministro que desembarcasse do governo federal, pois assim fazendo estaria “salvando sua biografia”, a chamada revelou-se uma cantada. E a resposta do ministro foi uma verdadeira pancada, segundo relatou a matéria. Eis o diálogo em toda a sua bizarrice:
Governador – Paulo, estou te ligando não como governador, mas como amigo. Quem sustentava o governo era o Sergio Moro e você. Agora, sobrou você. Você é muito admirado. Em nome da sua biografia, quero te dar um conselho: desembarque do governo agora.
Ministro – João, eu agradeço sua ligação, mas não sou eu que sustento o governo Bolsonaro. Quem sustenta o governo é o povo que elegeu o presidente. Ele tem 1/3 de apoio. E outro 1/3 que fica no meio do caminho depois vai apoiá-lo. João, o país vive 1 momento democrático que é barulhento, mas virtuoso.
Sobre a gravidade desse episódio, recomendo vivamente os comentários de Guilherme Fiuza nesse vídeo com o sugestivo título O homem e o rato.
Francamente, essa atitude do governador do estado mais importante do país é inadmissível, vergonhosa, constrangedora, uma verdadeira traição ao povo que o colocou no palácio dos Bandeirantes e de resto a todos os brasileiros que têm amor ao país.
Primeiro, pela absoluta falta de ética. Como uma autoridade estadual pede a uma autoridade federal para entregar o cargo e abandonar o governo? Isso não tem nenhum cabimento moral e nem jurídico. É uma cantada imoral, de envergonhar até o mais tosco paquerador.
Segundo, pela total falta de patriotismo. Como um homem com tamanha responsabilidade, como sói ser a de governar o grande motor da economia do país, e sabendo que o ministro da Economia vem adotando uma política correta e que, portanto, sua saída, em meio a tantas incertezas provocadas pela pandemia, seria muito provavelmente a bomba que faltava para desestabilizar de vez a economia, o governo e o país?
A resposta do ministro da Economia foi uma pancada na imoralidade e uma formidável patada na ausência absoluta de patriotismo de seu interlocutor, que não mostrou qualquer escrúpulo em manchar o mandato que os paulistas lhe conferiram, em rasgar a ética e em tentar desestabilizar o país, tudo para semear uma ainda impalpável candidatura à presidência, que só acontecerá daqui a mais de dois anos. Não posso afirmar, mas acho que o autor dessa iniquidade possa ter se queimado de vez.
* Doutor em Economia (EPGE/Fundação Getulio Vargas, 1984); Presidente-Executivo do Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista (CIEEP); Diretor Acadêmico e Membro Honorário do Instituto von Mises Brasil (IMB); Editor-Chefe de MISES: Revista Interdisciplinar de Filosofia, Direito e Economia; Laureado com o Premio Intenazionale Liber@mente 2013, em Catanzaro, na região da Calábria (Itália)
Professor Visitante da Scuola di Liberalismo e Membro do Corpo Editorial da Rivista Liber@mente, da Fondazione Vincenzo Scoppa, de Catanzaro, Itália; Membro do Scientific Board da book chain "Il Liberalismo delle Regole", com Dario Antisseri, Flavio Felice e Francesco Forte, Roma, Itália
DEBAIXO DE VARA - 08/05/2020
DECISÃO LAMENTÁVEL
A lamentável, mas não impensada, decisão tomada pelo ministro do STF, Celso de Melo, de impor -CONDUÇÃO DEBAIXO DE VARA-, dos ministros Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, general Braga Neto, da Casa Civil, e do general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Nacional, para prestar depoimentos sobre a possível interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, como não podia deixar de ser, gerou enorme insatisfação em todos os meios e, principalmente, nas Forças Armadas.
CONDUÇÃO SOB VARA
Ora, como são muitos os brasileiros que além dos ministros que foram convocados e das Forças Armadas também não gostaram nem um pouco da forma -HOSTIL- utilizada por Celso de Melo para fazer a tal convocação, tratei, primeiramente, de entender o que significa a tal de CONDUÇÃO SOB VARA, ou DEBAIXO DE VARA.
EXPRESSÃO -CONDUÇÃO SOB VARA-
Pois, como bem informa o pensador e advogado Paulo Caliendo, a expressão -CONDUÇÃO SOB VARA , ou DEBAIXO DE VARA, indicava exatamente essa ação:
"OS MEIRINHOS, OU OFICIAIS DE JUSTIÇA, POR ORDEM DE UM JUIZ, PODERIAM BUSCAR OS RÉUS E AS TESTEMUNHAS RECALCITRANTES E TRAZÊ-LOS À SUA PRESENÇA CUTUCANDO OS INFELIZES COM ESSAS VARAS PELO CAMINHO PARA MOSTRAREM À POPULAÇÃO QUE ALI ESTAVA UM MAU SUJEITO, UM RENITENTE, UM CABRA TURRÃO, ARREDIO, INSUBMISSO, E QUE ELE, OFICIAL DE JUSTIÇA, ENVERGANDO AQUELA VARA, PERSONIFICAVA A PRÓPRIA AUTORIDADE DO JUIZ."
HUMILHAÇÃO
Uma vez esclarecida a expressão -CONDUÇÃO SOB VARA- vamos para a próxima indagação: - Qual o motivo que levou o provocador ministro Celso de Melo a usar este expediente? Pois, dentre aquelas que considero como mais possíveis, a que mais me chama a atenção e preenche melhor a minha dúvida é que Celso de Melo resolveu saber até que ponto as Forças Armadas estão dispostas a aceitar e/ou tolerar esta flagrante HUMILHAÇÃO a que estão sendo submetidos os ministros-generais.
DE JOELHOS
Como estou trilhando o caminho da mais pura especulação, pois não sei se os ministros estão dispostos a comparecer no dia e hora que o péssimo e provocador ministro Celso de Melo marcou para serem ouvidos, tudo leva a crer que, para evitar tamanha HUMILHAÇÃO, nenhum deles se mostra disposto a se AJOELHAR, publicamente, diante do Ser Supremo.
TAMANHO DA VARA
Mais: estou curioso para ver o TAMANHO DA VARA que o ministro Celso de Melo vai disponibilizar para que seus OFICIAIS DE JUSTIÇA CUTUQUEM OS INFELIZES, PARA MOSTRAREM À POPULAÇÃO QUE ALI NO CAMINHO ESTÃO CERTOS MAUS SUJEITOS, RENITENTES, ARREDIOS e INSUBMISSOS.
A ver...
07/05/2020
O PROTAGONISMO DEVE SEMPRE ESTAR NO TALENTO HUMANO EMPREENDEDOR - 07/05/2020
Deus é brasileiro! No Brasil de Alice tudo parece estar quase perfeito.
Tal qual a máxima comportamental “seja quem você quiser”, aqui e agora, a gratificação imediata continuará reinando soberanamente sobre a necessidade de sacrifício de evitar o consumo no presente.
Inexiste cultura de poupança a fim de se economizar e investir em empreendimentos e bens de capital - máquinas e equipamentos inovadores - que são aqueles que produzem novas soluções para as pessoas em nível de produtos e serviços melhores e/ou mais baratos.
Em tempos de coronavírus, no país de Alice, parcela significativa de pessoas está alegre como nunca.
Funcionários públicos, bondosos e receptivos ao “fiquem em casa”, regado a bons vinhos e queijos, na praia, ou talvez na serra, e muito Netflix. Só esperar o cheque no início do mês...
Muitos daqueles que não conseguem trabalhar, muitos que trabalham, mas não conseguem cumprir com seus compromissos financeiros, e muitos que não querem trabalhar, parecem satisfeitos em “ficar em casa” - aqueles que as têm - vivendo com o “auxílio governamental”.
Quiçá valha mais a pena receber do Estado do que trabalhar?!
O Estado realmente é o salvador da pátria!
A grande verdade é que nesse país, faz décadas, mergulhado em políticas econômicas keynesianas, estatistas e clientelistas, embaladas com muita corrupção, a figura menor, tristemente desimportante, é a do empresário, do real empreendedor.
No país de Alice o que menos importa é o empreendedor! Não é preciso! Basta que o Banco Central brasileiro continue imprimindo moeda; singelo e tranquilo!
Nesse cenário orwelliano, não se preocupem, o capital - que não é só papel impresso descomplicadamente - não é escasso! Não é?!
O que essa gente míope em terra tupiniquim não percebe, é que sendo o capital - máquinas e equipamentos, etc. - escasso, todos nós também necessitamos de pessoas que resistam as gratificações de curto prazo, e que economizem (processo de longo prazo) para poderem investir em bens tangíveis necessários a todos nós para produzir outros bens e serviços reais de consumo que obviamente também são escassos.
Meus senhores, não dá para imprimir - embora até seja possível (!) - bens de capital com as impressoras do Banco Central!
Bondosos e keynesianos se esquecem - propositalmente - que o capital é verdadeiramente escasso e requer sacrifício genuíno!
Humanistas e keynesianos negligenciam que o desenvolvimento de qualquer sociedade livre e próspera depende da capacidade empreendedora criativa e da quantidade de poupança de empreendedores, a fim de que se realizem investimentos produtivos capazes de provocar processos de destruição criativa.
Empreendedores poupam, sacrificam-se, na esperança de obtenção de lucro futuro.
Num Brasil de taxas de juros reais baixas, com um ambiente de negócios ainda complexo e burocrático, só mesmo corajosos e ousados empreendedores para correrem enormes riscos para investirem por aqui.
Parece que muitos não percebem que está todo mundo tomando dinheiro emprestado do Estado para sobreviver!
Evidente que nessa crise viral foi indispensável afrouxar a disciplina fiscal e prover ajuda para os indivíduos e as empresas por meio de mecanismos eficientes de auxílio, apoio e proteção.
Contudo, nunca convém esquecer que o Estado não produz nada! Pode mesmo até destruir riqueza.
Keynesianos e benevolentes brasileiros; são os indivíduos e as empresas que geram empregos e criam renda e riqueza! E quase todos esses estão impedidos de saírem de casa e de produzirem...
Quando eles saírem de casa, temo que a alegria do país de Alice comece a arrefecer...
Não há almoço grátis, não, não há, e “alguém” precisará pagar a enxurrada de dúvidas...
Pobre Alice...
O SENTIMENTO TRIBAL DA TRAIÇÃO - 30/04/2020
Bem, do episódio Moro-Bolsonaro, na sexta-feira passada, após o pedido "antecipado" de demissão do ex-juiz, da desconexa fala do presidente, e dos desdobramentos do final de semana, que envolveram prints do ex-ministro em relação a deputada Carla Zambelli e o seu respectivo posicionamento, de uma perspectiva meramente descritiva, NÃO "MORAL", como opinador dos acontecimentos, formei apenas uma opinião.
Pelo que tenho estudado sobre o comportamento humano - inclusive tema de minha tese de Doutorado - distintamente do que li de alguns analistas políticos, minha visão é de que as iniciativas de Moro podem, factualmente, fortalecer o comportamento de apoio ao presidente, mais do que o contrário. Claro que alguns, com base na suposta moralidade, apoiarão a saída de Moro do governo, mas esse não é o ponto que quero enfatizar.
Além disso, repito, não se trata daquilo que moralmente acredito ser certo ou errado, nem meu juízo de valor, mas efetivamente e apenas uma observação de como acredito que o comportamento humano funcione.
Seria singelo demais constatar que realmente nós, seres humanos, temos uma essência tribalista, valorizando os mais "próximos", no sentido de cooperar com todos aqueles com os quais temos ou desejamos ter semelhanças em termos de valores identitários.
Por natureza, o ser humano anseia pertencer a um determinado grupo social, quer pertencimento!
Definitivamente somos seres sociais! Por consequência, as pessoas presumivelmente rejeitarão aqueles que aparentam apresentarem diferenças relacionadas aos atributos que essas valorizam.
Qualquer um que estuda o comportamento humano ou o comportamento de consumo de marcas, sabe que os indivíduos exibem a virtude relacionada a lealdade e, ao mesmo tempo, naturalmente possuem disposições emocionais que os levam a punir atitudes não cooperativas, distintas do script grupal esperado, expressando assim sentimentos de vingança.
Embora o ex-ministro tenha apostado na sua reputação ilibada, o que de fato é muito valorizado pelas pessoas, a forma empregada no evento midiático da sexta passada (repito, não estou avaliando o mérito!), manifestando-se publicamente, inclusive num momento de grave crise viral no país, impingindo graves acusações ao presidente, soa para muitos como um ato de traição.
Similarmente, seus prints "delatando" a deputada Carla Zambelli, aparentam-me transmitirem uma correspondente simbologia de traição.
Digo isso porque acho que as pessoas esperam que os outros indivíduos das tribos - especialmente os "amigos" - comportem-se de maneira cooperativa. Na ausência dessa reciprocidade, elas naturalmente agem como punidores sociais daqueles que atuam distintamente desse comportamento esperado.
Seria conveniente lembrar o que aludiu o romancista e poeta Victor Hugo sobre a traição: “A metade de um amigo é a metade de um traidor”!
Novamente, trata-se aqui de uma singela opinião, baseada em uma observação descritiva, fruto de minha leitura dos fatos. Evidentemente que posso estar equivocado!
Portanto, minha opinião não retrata meu wishful thinking, muito menos julgamento do complexo mérito da questão, mas simplesmente a tentativa de decodificação do possível, intrincado, multifacetado e inquietante comportamento do bicho homem.
Adiante veremos como tal comportamento social responderá verazmente.
TRAPALHADAS COMUNISTAS - 24/04/2020
Assim como as vacinações obrigatórias na infância, acho que todos deveriam ler “A Revolução dos Bichos” de George Orwell antes da maioridade. Recomende-o a seus filhos adolescentes, tem PDF na internet. O livro provoca o surgimento de anticorpos ideológicos no organismo do leitor, prevenindo contra febres típicas da idade, uma vez que o esquerdismo radical é uma epidemia que esporadicamente grassa mundo afora nos grupos de risco dos jovens e ingênuos.
Quase todos recém-chegados ao planeta caem na sedução fantasiosa da sociedade perfeita, sem classes, feliz e saltitante. E aí, seus sonhos legítimos de um mundo mais justo são sugados pelo esquerdismo para fins escusos. Muitos superam a virose e saem imunes a futuras mutações. Outros, infelizmente, são infectados para sempre e terminam seus dias como blogueiros raivosos, ativistas-feicebuque ou ferrenhos militantes do atraso. Não têm cura.
Baseando-se no terror da União Soviética pós-guerra, Orwell descreveu o sistema tirânico onde “todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros”. Na analogia - simples, porém magistral - o autor denuncia e ironiza a clássica estrutura comunista, onde uma grande massa iludida (e invariavelmente faminta) sustenta uma gorda elite de mandatários, secretários, comissários, companheiros – esse tipo de gente que namora regimes opressores e a boa-vida às custas de dinheiro público.
Ao escrever sua obra, em 1945, George Orwell não imaginava que daí a quatro décadas a burocracia anacrônica ditatorial russa desencadearia o pior acidente nuclear da história. Os reatores do tipo RBMK de Chernobyl e de outras usinas soviéticas tinham um erro absurdo de projeto – todos sabiam, mas ninguém podia tocar no assunto. Ditadura é assim: abriu o bico, criticou? Sumiu. Quando explodiu o reator 4, o temor de assumir a culpa e a fuga de responsabilidades ao longo da escala hierárquica deu a dimensão da tragédia.
Ditaduras – cubanas, russas, chinesas, árabes, coreanas, tailandesas, sejam lá de onde forem, de esquerda ou direita - são idênticas na condução desses episódios de acidentes abafados. Há pouco, o Irã custou a admitir seu erro ao abater o avião ucraniano. Agora, na pandemia, a ditadura chinesa seguiu a mesma cartilha. Enrolaram para avisar sobre a nova peste, tiraram o corpo fora, despistaram. E quando finalmente deram explicações, surgiram controvérsias assustadoras.
O cientista francês Luc Montagnier, prêmio Nobel de Medicina de 2008, alertou que o novo coronavírus teria sido fabricado artificialmente num laboratório chinês no final de 2019. O Wuhan Institute of Virology abriga pesquisas de alta segurança em cepas de coronas. Montagnier supõe que os chineses trabalhavam numa vacina contra a Aids e empregaram o vírus num teste. Um acidente – talvez lambança do pesquisador-chefe sob as vistas do pesquisador-ajudante, que ficou caladinho de medo – fez a coisa se espalhar.
Envolvido que está com a pandemia e seus percalços, o mundo não pode ignorar estranhos acontecimentos simultâneos dos bastidores. A revista "Forbes" publicou semana passada uma extensa reportagem com alertas para a fúria desenfreada de aquisições de empresas ocidentais em apuros “com baldes e mais baldes de dinheiro chinês”. A China vem comprando corporações, portos, emissoras de TV, infraestruturas, participações acionárias, tudo que indique um bom negócio. E, sobretudo, vem comprando tecnologia.
Irônico, o jornalista Kenneth Rapoza, que assina a matéria da "Forbes", escreveu: “é um milagre que a Itália ainda produza máquinas de café expresso 100% italianas”. A invasão chinesa no país da moda e da beleza é uma das mais antigas e ostensivas. No caso do café, ao menos é um milagre bem-vindo. Ninguém gostaria de correr o risco de se expor a uma nova trapalhada ditatorial justamente nos pequenos prazeres da vida, como saborear um cappuccino.
* Publicado originalmente no jornal O Tempo de Belo Horizonte e enviado pelo autor.
** https://www.otempo.com.br/opiniao/fernando-fabbrini/trapalhadas-comunistas-1.2327872
ATITUDES ANTAGÔNICAS - 18/04/2020
AMESTRADOS
As VERDADES ditas e repetidas pelo presidente Jair Bolsonaro na entrevista que concedeu a emissora de televisão a cabo CNN, na noite de ontem, sem a menor surpresa foram, TODAS, -ENTENDIDAS e COMENTADAS- por parte do enorme exército de jornalistas/analistas AMESTRADOS, como mais um ato de destempero e agressividade do MALVADO Chefe do Executivo.
ABUTRES
Vejam que encerrada a entrevista, à exceção do comentarista político Caio Coppola, nenhum jornalista-abutre da CNN levou em CONTA JUSTA os pontos -corretamente- observados pelo presidente Bolsonaro.
Nem mesmo a parte na qual Bolsonaro se referiu à MALDOSA, CRIMINOSA E IRREPONSÁVEL DECISÃO dos 431 deputados, comandados pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que jogou no colo do já deficitário Tesouro Nacional a conta dos imensos DÉFICITS FISCAIS dos estados e municípios, sem a mínima contrapartida.
SENTIMENTO DE ÓDIO
Mais: fiquei por um bom tempo com a TV ligada na CNN, na vã expectativa de que em algum momento um ou outro comunicador deixasse de lado o sentimento de ódio que, constantemente precisa ser demonstrado, em bloco, e viesse a dizer, enfim, que as matérias que vem sendo aprovadas no Legislativo fogem completamente daquilo que é exigido para enfrentar a brutal RECESSÃO ECONÔMICA que já ARROMBOU AS PORTAS do nosso imenso Brasil.
CRISE E OPORTUNIDADE
Ora, a considerar o que a maioria destes maus deputados vêm fazendo, ou o que deixam de fazer, se realmente procede que, em chinês, a palavra CRISE é composta por dois caracteres, onde um representa PERIGO e o outro representa OPORTUNIDADE, este tratamento, infelizmente, é visto e operado no nosso empobrecido Brasil de forma ANTAGÔNICA pelo SETOR PRIVADO e PELO SETOR PÚBLICO (notadamente nesta lamentável legislatura).
TRATAMENTO ANTAGÔNICO
Enquanto o SETOR PRIVADO vê as CRISES como OPORTUNIDADES para resolver problemas e dar a volta por cima, o SETOR PÚBLICO, na cabeça e nas intenções dos atuais líderes da Câmara e do Senado, e de seus seguidores fiéis, vê as CRISES como grandes OPORTUNIDADES de CRIAR PROBLEMAS, sendo que muitos deles INSOLÚVEIS ou de aumento do PERIGO.
O CALOTE ESTÁ NO RADAR
Ora, não é necessário ser iniciado em ECONOMIA para entender, com absoluta clareza, que a PRODUÇÃO INDISCRIMINADA DE DÉFICITS PÚBLICOS, como quer e exige o imenso grupo de deputados, prejudica o país como um todo. Afinal, quanto mais endividado o país, maior a certeza de que em algum momento seus financiadores (compradores de títulos públicos) serão contemplados com um CALOTE.
Vide, a propósito o que acontece na nossa vizinha Argentina, onde o governo, sem outra saída, está propondo um desconto de 50% do valor de face dos seus títulos públicos. Com um detalhe: quem não aceitar corre o risco de ficar sem nada. Que tal?
MOÇA MORDE CACHORRO NO BOEING - 16/04/2020
Era só uma dica em forma de piada. No entanto, a recomendação dos jornalistas experientes aos repórteres calouros fez história: “cachorro morder a moça não é notícia. Mas, se a moça morder o cachorro, vira manchete”.
Me lembro dessa frase cada vez que leio matérias sobre a Covid-19 nos jornais e sites – coisa que faço cada vez menos. E me pergunto: até que ponto o exagero e o sensacionalismo ainda servem ao jornalismo de hoje? É uma questão delicada, sobretudo nesses tempos de fake news e sobrecarga de informações.
Sobre o assunto, venho trocando ideias com editores e repórteres de meu círculo de amizades. Como não sou jornalista - apenas um cidadão que gosta de escrever -, ouço deles análises mais precisas e confiáveis. Unânimes, afirmam que a notícia boa, a trivial, não chama atenção. O bicho homem definitivamente não valoriza o cotidiano banal, sem sobressaltos. Por outro lado, a versão alarmista arrepia a pele do leitor e gera uma pandemia de comentários.
No passado, o jornal “Notícias Populares” mantinha-se fiel à linha editorial assustadora e debochada, publicando manchetes que entraram para o anedotário. “Aluno é expulso por causa do chulé”; “Kombi era motel na escolinha do sexo”; “Mulher dá à luz a tartaruga”; “Exorcista tira cobra da barriga da velha"” são algumas do jornal do qual se dizia pingar sangue, se torcido. A notícia em si era vaga e o texto da matéria sempre amenizava o fato. Mas, missão cumprida: outro exemplar já fora vendido ao curioso transeunte.
Dias atrás um jornal publicou reportagem com uma intensivista do Hospital João XXIII, instituição de Belo Horizonte com louváveis serviços à comunidade. O repórter pinçou uma frase dita pela moça na entrevista: “mal consigo beber água”, referindo-se à rotina exaustiva no atendimento às vítimas da Covid-19. E usou-a no título.
Horas depois, a Fundação Hospitalar de Minas Gerais divulgou nota. Entre outras informações, ficamos sabendo que não havia, até aquele momento, nenhum paciente internado no João XXIII com suspeita de Covid-19. O acolhimento dos casos suspeitos, como de praxe, estava sendo feito em outra unidade da capital, preparada especialmente. A nota informava ainda sobre o número de leitos disponíveis e dados – estes sim - de interesse geral, além de esclarecer que “profissionais da rede que trabalham na linha de frente (...) são constantemente treinados, inclusive na paramentação e desparamentação. E mais: “os equipamentos da profissional que aparecem na foto da matéria não condizem com a orientação do Hospital (...) estabelecida pelo Ministério da Saúde”.
A notícia foi retirada do portal. Com certeza, reconheceram a lambança do repórter ao direcionar a reportagem - sabe-se lá com qual intenção. Faltou um pedido de desculpas aos leitores.
A internet e as redes mudaram tudo no acesso à informação. A ansiedade dos repórteres pelo “furo” pode ocultar a busca de visibilidade nesse novo cenário concorridíssimo ou a necessidade de aplausos da respectiva claque ideológica. Incapazes de se aterem ao fato principal, alguns afogam-se no redemoinho do supérfluo. Outro dia li num dos maiores sites de notícias do país: “Mortos nos EUA em 24h equivalem às vítimas de quedas de 10 Boeings”. Uau! Que criatividade! Imaginei o cara, afoito, pesquisando no Wikipedia sobre quantos passageiros cabem num Boeing, fazendo contas até chegar ao número comparativo.
Ah, é assim? Então, ficou incompleta a notícia. Faltou dizer, por exemplo, qual o modelo de Boeing: o novo 777? O tradicional 737? O antigo Jumbo? E também explicar qual fenômeno meteorológico devastador ou falhas mecânicas causariam os desastres simultâneos – no caso, informações jornalísticas imprescindíveis para esclarecimento do leitor e enriquecimento de sua cultura aeronáutica.
* Enviado pelo autor. Publicado originalmente em O Tempo de Belo Horizonte.
DECIFRA-ME OU TE DEVORO - 16/04/2020
Presidente em plena batalha contra o coronavírus considera seriamente demitir o médico comandante da batalha que tem sobrenome italiano e que, no julgamento de muitos, está fazendo um bom trabalho.
A oposição prepara-se para fazer um escândalo com a demissão do tal médico. O pomo da discórdia é reabrir ou não a atividade econômica do pais, levantando paulatinamente a quarentena de certas atividades em áreas do pais onde a pandemia não existe ou é muito pequena.
O governador do estado epicentro da pandemia, que faz oposição ferrenha ao Presidente, está de tocaia esperando o momento de dar-lhe o bote.
Em alguns estados, populares fazem protestos pelo fechamento da economia.
Se eu pedir a você leitor que ponha nomes nos protagonistas da história acima, seria assim:
Presidente : Bolsonaro
Médico comandante da batalha: Mandetta
Estado do epicentro: São Paulo
Governador do estado: João Doria
Beleza, mas se eu traduzir a história, palavra por palavra, para o Inglês, ou seja, exatamente a mesmíssima história e entregar o texto para um anglofônico, a resposta muda para:
Presidente : Trump
Médico comandante da batalha: Fauci
Estado do epicentro: N. York
Governador do estado: Andrew Cuomo
Como pode uma situação como essa colocar na mesma , na exatíssima mesma história dois países tão diferentes como Brasil e USA?
Mas essa pergunta se soma a muitas outras coincidências que se acumulam desde 2018.
Jorge Abeid, Ph.D.
ASCE member
DOMINGO NO CIRCO - 03/04/2020
Resolveu levar o neto ao circo, para que conhecesse a alegria pura e inocente, como aquela que tinha vivido na sua infância. A expectativa de ambos era enorme.
Chegando ao local quis comprar pipoca, mas foi informado que não era mais comercializada, pois a ANVISA não permitia a venda de alimentos com gordura trans. Também não encontrou algodão doce, pois a SMIC não liberara a carrocinha de venda da guloseima.
As frustrações estavam apenas começando.
Foi até a bilheteria e soube que não haveria espetáculo, o vendedor de ingressos começou a enumerar os motivos:
A bandinha fora proibida de tocar, pois deveria recolher uma taxa para o ECAD. O elefante fora afastado por ordem do IBAMA. O domador do leão havia ingressado com uma reclamatória trabalhista, alegando periculosidade. O picadeiro não podia ser montado, pois faltava areia, proibida pela FEPAM, e a serragem não era certificada, podendo configurar risco ambiental. O trapézio havia sido interditado pelo MPT, pois poderia oferecer risco aos acrobatas. A mulher barbada e o palhaço anão estavam processando o dono do circo por bullying, alegando dano moral. O mágico não poderia se apresentar, pois o PROCON entendia que o ilusionismo era uma forma de enganar o consumidor. O encarregado da limpeza forçou sua demissão para ficar no seguro desemprego. O engolidor de fogo não obteve PPCI do Corpo de Bombeiros para apresentar seu número. As duas ginastas oficializaram sua união e abandonaram o circo. As motocicletas do Globo da Morte foram apreendidas pela EPTC, pois estavam com a surdina incompleta. O equilibrista foi vetado pela DRT, pois não usava paraquedas. O fornecimento de energia foi cortado, pois o circo deveria instalar uma subestação, às suas expensas, para recebê-la. O homem bala não poderia ser arremessado pelo canhão, pois a arma não estava registrada na Polícia Federal. O apresentador era estrangeiro e não podia trabalhar, pois não era cubano. Os macacos estavam proibidos de atuar, por força de uma Ação Coletiva de uma ONG Darwinista. Foi ajuizada uma ACP pedindo a interdição do circo. Houve uma autuação fiscal cobrando ISS, o contador ficou com stress e entrou em licença saúde.
O dono do circo, que era o verdadeiro malabarista, pois tinha de pagar todos os impostos com uma receita insuficiente, tinha entrado em depressão.
Sentado num tamborete, viram um homem triste, com o rosto pintado e vestido de palhaço.
Então o menino perguntou:
“Vô, mas o palhaço não é alegre?”
E ele respondeu:
“Pois é, levaram embora a alegria dele. Acho que vais ter que voltar a brincar com teus videogames ou assistir desenhos na TV”.
SIR WINSTON CHURCHILL DIRIA... - 27/03/2020
Os dias atuais têm sido desafiadores para muitos, em especial aos brasileiros - povo pouco acostumado a lidar com a repercussão de guerras e conflitos internacionais, mas expert na lida com a guerra da sobrevivência diária. Basta perguntar a um só brasileiro se algo ruim pode ser tão nocivo a ponto de não ser suportado por um nativo, e a resposta será pronta: o brasileiro não sente nada, pois quem é acostumado a lidar com o crime organizado e sua glamourização em proporções indizíveis, e ainda desperta cedo em uma segunda-feira para defender seu pão honestamente, não merece outro adjetivo que não seja o de herói.
Esta é uma realidade. Estamos acostumados com dificuldades. Mas isso não nos torna imunes a todas as dificuldades, e muito menos nos defende delas. Muitas vezes desconsideramos um cenário geopolítico que nos apresenta uma guerra velada, por exemplo. Não nos damos conta que por trás das informações e dos discursos, há muito mais a ser analisado do que as próprias palavras trazidas pelos interlocutores.
Quero dizer com isso que a dor nos forja, mas nem sempre estamos aptos a aprender com a dor dos outros, pois nem sempre estamos em estado de sabedoria para discernir as lições que podem emanar da experiência alheia. Somos, sim, vividos. Mas será que somos sábios? Será que aprendemos com a guerra dos outros?
Minha experiência como brasileiro, enxergando tudo que posso por dentro e ao lado, me mostra que a guerra geopolítica - sob qualquer prisma - é tão íntima de nós quanto um boneco de neve no polo norte. Não estamos acostumados com o estrondo de bombas em nossos prédios, ou com a fila de ração semanal, ou mesmo com a convocatória de nossos jovens ao front de batalha contra uma nação estrangeira. Não sabemos qual a realidade de um preso de guerra em um campo de concentração. Não temos abrigos antiaéreos, ainda que seja nas casas antigas. Ouvimos falar de longe sobre personagens como Hitler, Mussolini, Mao Tse Tung e Stálin. E também de longe, repugnamos esses tipos.
Por isso, hoje em dia, os acontecimentos e movimentos geopolíticos que podem formar evidências de uma ameaça real para algumas nações, não passam de "teorias conspiratórias" para alguns brasileiros que fazem piada com coisa séria e não intuem que, na verdade, eles próprios são a piada.
Indo direito ao ponto, posso questionar: o que há de verdade na crise de saúde que vivemos no ano de 2020, não obstante toda tecnologia descoberta pelo homem? Será que poderíamos nos preparar para o vírus que nos confina?
Bem. A resposta ainda será confirmada no futuro. Mas temos, sim, vários indícios de que o vírus COVID-19 (que podemos com propriedade chamar de peste chinesa) veio para desordenar o mundo, representando mais um ataque a estabilidade econômica mundial e ao patrimônio cultural ocidental.
Vejamos.
O vírus surgiu na China, um país com povo sofrido sob a condução de um partido comunista há décadas. Por obra e incompetência (ou competência sob viés comunista), os chineses se viram obrigados a inserir em sua cultura o consumo de "animais exóticos" para driblar as dificuldades impostas pela escassez de alimentos (1). Além disso, quanto ao episódio em si (o comunavirus), o governo comunista resolveu de forma deliberada e criminosa esconder a gravidade do problema, pois apesar de terem registrado os primeiros casos da doença ainda em novembro de 2019 (2), decidiram ocultar informações relevantes a respeito do COVID-19 (3) (4), mesmo sabedores do potencial pandêmico.
Por mais que pareça piada, e depois desta "pataquada", a China ainda teve o seu governo citado como exemplo de "transparência" no combate a doença pela OMS (5), organização esta comandada por um moderno revolucionário da causa comunista (6), que habilmente usou a instituição para proferir sentença absolutória em favor da China, condenando os EUA por aquilo que não tinha culpa (7). Tal discrepância não fugiu aos olhos de intelectuais como Mario Vargas LLosa que, publicamente, resolveu manifestar sua visão a respeito dos fatos (8). Talvez o tenha feito, pois sabe muito bem, na pele, o que é ter um país governado por uma facção comunista e criminosa (perdão pela redundância) chamada "sendero luminoso".
Há muito mais escondido por baixo dos tapetes. E há perguntas a serem respondidas, como por exemplo: 1- por que o partido comunista chinês intensificou a limitação da imprensa em suas divisas, expulsando jornalistas em uma monta jamais vista desde a era Mao (9)? 2- Será que a peste chinesa não foi fabricada para gerar exatamente o que gerou - pânico e desestabilização da economia e cultura ocidentais? 3- Será que o COVID-19, doença que vem sendo chamada de "peste chinesa", ou "comunavirius" é uma arma biológica (10)? 4- Onde estão aqueles chineses que reportavam a situação desde o local dos acontecimentos, mas agora estão desaparecidos (11)?
As reflexões expostas, aliadas às informações oficiais que aqui reportamos, nos trazem evidências claras de que não estamos diante de uma fatalidade, e sim diante de um ataque. Enfrentamos uma guerra econômica e geopolítica na qual o ocidente foi golpeado duramente - seja pela ação, seja pela omissão do inimigo. Diante da histeria, nosso problema maior é encarar a realidade do trabalhador honesto que perderá seu emprego, e não terá como defender o seu pão, além de argumentar com o empregador honesto que tenta garantir o seu pão e de seu empregado, mas não consegue satisfazer qualquer dos lados e, diante disso, tem que fechar seu negócio, pois lhe faltam clientes e rotatividade econômica.
Eis o caos programado pela peste chinesa. Coitados de nós!
E aqui entra Winston Churchill.
Se pudesse recorrer ao mestre dos discursos, qual conselho receberia?
Bom. Farei um esforço retórico com certa pitada romancista, pois só nos melhores dos meus sonhos teria a oportunidade de tomar um conhaque com este nobre senhor. Mas creio que se Deus me desse essa única oportunidade, certamente ouviria:
"Não se pode dizer pelas aparências como as coisas vão andar. Algumas vezes, a imaginação faz as coisas parecerem muito piores do que são – ainda que, sem imaginação não se pode fazer muita coisa. As pessoas que são imaginativas veem mais perigos do que talvez existam, certamente sempre veem muito mais do que acontece e, assim, devem também rezar para que lhes seja dada coragem extra para lidar com toda essa imaginação. Mas para todos, certamente, pelo que atravessamos neste período – e eu estou me referindo à escola – certamente neste período de dez meses a lição é: jamais ceder, jamais ceder, jamais, jamais, jamais, jamais – em nada, seja grande, seja pequeno, amplo ou trivial – jamais ceder exceto a convicções de honra e de bom senso. Jamais ceder à força, ao aparentemente devastador poder do inimigo. Ficamos completamente sozinhos há um ano e para muitos países parecia que a nossa conta estava fechada, que estávamos acabados, todas as nossas tradições, as nossas canções, a história da escola, esta parte da história do país – tudo se fora, estava acabado e liquidado." (12)
Então, brasileiros. Se tivesse um humilde conselho, lhes diria: diante da peste chinesa, e da necessidade de seu sustento, jamais cedam! Jamais pensem em ceder espaço à fome, ao desemprego e ao declínio econômico que gerará o seu desemprego. Jamais pensem que todo um cenário montado para a sua destruição seja teoria de conspiração. Ele é real, e perigoso! Olhem este cenário como uma armadilha! Jamais deixem de olhar para o próprio espelho e invocar o ser humano (homem ou mulher) que existe em vocês, para enxergar um dia melhor no futuro a partir da luta por seus filhos. Não cedam ! Jamais cedam! Sejam Brasileiros! Guerreiros! Felizes!
E que uma segunda-feira normal possa mostrar a cada um de vocês que o medo e terror jamais reinarão na casa de um pai ou uma mãe de família que devem por no prato de seus filhos o sonho de um dia melhor.
Penso que Churchill falaria assim. E se não falasse, tiraria estas palavras de seu exemplo de vida.
(1) https://www.estudosnacionais.com/21092/culinaria-exotica-da-china-e-resultado-do-horror-comunista-que-matou-40-milhoes/
(2) https://www.msn.com/en-us/news/world/the-first-covid-19-case-originated-on-november-17-according-to-chinese-officials-searching-for-patient-zero/ar-BB119fWJ
(3) https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/prefeito-de-wuhan-admite-ter-omitido-informacoes-sobre-coronavirus-oferece-renuncia-24213420
(4) https://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2020-02-17/presidente-chines-escondeu-coronavirus-por-duas-semanas.html
(5) http://sensoincomum.org/2020/03/25/tedros-oms-xijiping/
(6) https://www.agoraparana.com.br/noticia/etiope-diretor-geral-da-oms-e-lider-comunista-radical-corrupto-e-garoto-propaganda-do-covid-19
(7) https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2020/02/14/interna_internacional,1121954/oms-defende-a-china-de-criticas-americanas.shtml
(8) https://glamurama.uol.com.br/em-artigo-mario-vargas-llosa-afirma-que-covid-19-nao-teria-gerado-pandemia-se-a-china-fosse-uma-democracia/?utm_source=facebook.com
(9) https://conexaopolitica.com.br/mundo/china/china-anuncia-maior-expulsao-de-jornalistas-desde-a-era-mao/
(10) https://youtu.be/-ewA-EpMAD0
(11) https://youtu.be/jzCniyH6LtI
(12) Churchill e a ciência por trás dos discursos: Como palavras se transformam em armas de Ricardo Sondermann. http://amz.onl/eCJMI7J
15 DE MARÇO, O DIA DA CORAGEM. - 18/03/2020
Em 17/03/2020.
O 15 de março ficará na história como símbolo da coragem de um povo. Coragem, porque a pandemia do coronavírus não impediu que milhares de brasileiros fossem às ruas para exercer sua cidadania.
Tudo começou há anos com uma manifestação difusa, mas que já demonstrava insatisfação popular com seus governantes. Tais atos se sucederam e culminaram com a grande manifestação que desencadeou o impeachment de Dilma Rousseff, a pior presidente de toda história brasileira, aquela que conduziu o Brasil a uma profunda e nefasta recessão. Como disse Ulysses Guimarães: "político só tem medo de povo na rua" e, foi assim, que o Congresso ouviu a vontade popular e a obedeceu.
Outras manifestações aconteceram. Todas pacíficas, ordeiras, organizadas não artificialmente com teor ideológico por partidos ou sindicatos, mas pelo que chamei de Quinto Poder, aquele que acontece através das redes sociais e que ainda não foi bem compreendido por grupos de chamados intelectuais ou da mídia.
Estes grupos disseram que a megamanifestação de 15 de março era inconstitucional. Creditaram ao presidente da República a convocação de tal movimento espontâneo e popular, como se o povo continuasse a mercê de um líder político. Depois, como de hábito criticaram o presidente.
É verdade que as imensas multidões se mostraram fiéis ao seu voto, depositado por quase 58 milhões de eleitores em Jair Bolsonaro. Mas, as manifestações teriam ocorrido de qualquer maneira, pois, inclusive, foi feito ouvidos moucos quando o presidente pediu que tais atos públicos fossem adiados. Não me lembro onde os defensores da Constituição estavam quando Lula da Silva convocou o "exército de Stédile", para defendê-lo.
Tampouco vi reclamação quando magistrados, entre eles o ministro Sergio Moro, foi e continua sendo ameaçado pelas hostes petistas ou quando José Dirceu, cujo lugar é na prisão junto com seu chefe, fez vídeos concitando a população a uma insurreição, como se o PT ainda tivesse capacidade de levar alguém às ruas, nem mesmo pagando a incautos participantes chamados jocosamente de "mortadelas".
Lula foi ingrato com a mídia que sempre o glorificou, na medida em que clamava diuturnamente contra os meios de comunicação e, inclusive, vinha há anos pedindo sua censura. Diante disso, silêncio total.
A estupenda manifestação de 15 de março não foi mostrada em jornais e TVs. Inútil omissão. Pelas redes sociais vídeos desfilaram a impressionante afluência de pessoas que lotaram as ruas de várias capitais, especialmente, em São Paulo, quando a Av. Paulista se tornou um mar de gente vestida de verde e amarelo a exercer sua liberdade de reunião, de expressão e de pensamento.
Certamente, não foi um bando gigantesco de fascistas a clamar de modo inconstitucional contra o STF e o Congresso, que desafiaram o coronavírus e se reuniu em espaços públicos.
Na verdade, não eram os Poderes constituídos em si o objeto do clamor popular, mas o que deles fazem seus componentes. O povo se cansou das traições à Constituição, da morosidade dos julgamentos, dos favorecimentos por interesses de amizade e outros mais, dos vaivéns do STF.
Quanto ao Congresso Nacional tem solapado necessidades e direitos sociais com suas pautas bomba, que retiram do Executivo a possibilidade de usar o orçamento em favor da nação. E ganância parece não ter fim quando suas excelências destinaram bilhões para o Fundo Eleitoral, a ser pago com o dinheiro do povo.
A reforma da Previdência, que nenhum governo fez, foi retalhada e longamente adiada em discussões estéreis, mas agora suas excelências pedem urgência no envio das reformas Tributária e Administrativa, como se tivessem pressa ou interesse em votá-las.
O projeto anticrime do ministro Sergio Moro foi deixado de lado, porém, foi criada a Lei do Abuso de Autoridade (leia-se é proibido prender) e, nesse caso é compreensível, porque vários parlamentares precisam se defender já que estão sendo processados por crimes como: falsificação de documentos, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa e passiva, concussão. Por tudo isso e muito mais, congressistas tem ido contra os interesses de quem os elegeu.
Desse modo, quando os presidentes do Senado e da Câmara aparecem com discurso de bom-moço, atribuindo ao presidente da República culpa pela falta de entendimento entre os Poderes, depois de sabotar as iniciativas governamentais e os interesses do povo, este entende e repudia.
Os mais exaltados pedem o fechamento do Congresso e do STF. Mas não foi isso que realmente levou milhares às ruas. Como escreveu o notável jornalista J.R. Guzzo: "Os congressistas brasileiros são, eles mesmos, uma dificuldade quase insuperável para quem, honestamente, quer defender o Poder Legislativo".
Portanto, o recado das ruas foi dado em 15 de março: comportem-se senhores legisladores, estamos cansados de sermos passados para trás e lembrem-se: eleições vão acontecer.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
FALSOS MODERNISMOS E MAQUIAGENS NÃO TRAZEM SAÚDE INSTITUCIONAL - 16/03/2020
Não adianta... Sou resiliente e, apesar dos 5.4, ainda tenho o tônus vital!
Creio ser pertinente esclarecer que quando aludo a questão das “instituições nacionais adoecidas”, não me refiro, exclusivamente, ao campo político, especialmente ao relacionado às decisões no Executivo, no Legislativo e no Judiciário.
O furo é bem mais em baixo, na base e na formação do tecido social e do pensamento nacional; passado, presente e futuro do nosso país.
Muito enfermos estão, nosso ensino, Universidades e mídia brasileiras!
Ressalto que outro aspecto frequentemente ignorado, é que a mudança não necessariamente conduz a uma melhor situação, e/ou contempla um desejado escopo ampliado. Falo aqui especificamente das Escolas de Administração e Negócios e da mídia verde-amarela.
Que tal darmos uma passadinha pelas Escolas de Negócios? No Brasil, visivelmente, tais escolas estão francamente desalinhadas com as verdadeiras aspirações e necessidades requeridas pela arena real - e global - das complexas operações empresariais. Basta realizar pequena amostragem junto aos executivos, para verificar in loco o nível de aderência e de utilidade efetiva de pesquisas acadêmicas na realidade empresarial.
Desculpem-me colegas professores, mas seguramente o respectivo uso é bem mais próximo do zero. Também coexistem problemas relacionados à atratividade do empresariado às referidas pesquisas acadêmicas.
Inquestionavelmente, a estrutura institucional e o conteúdo do que é “ensinado” por tais escolas, merecem passar pelo juízo de análise e, após, atentar-se para às abissais oportunidades de melhoria expostas a olhos nus.
Algumas até adotaram um processo de “mapeamento”, mas aquilo que consideram avanço, apesar do característico ritmo mais lento frente às mudanças no mercado, particularmente considero retrocesso e pirotecnia.
A tentativa “inclusiva” de reinventar a roda , ou mesmo de centrar na preocupação com todas as “partes interessadas”, é tão “inovadora e transformadora” como o trivial andar para frente!
Considerações relativas à “partes interessadas”, existem desde que o mundo é mundo.
No mercado real, aliás, indivíduos consumidores ainda são obrigados a comprar de determinados ofertantes, pois em não havendo situação de competição, inexistem alternativas que melhor resolvam suas necessidades funcionais, emocionais ou de autorrealização.
Na presença de genuína competição, os produtores, compulsoriamente, precisam inovar em todos seus processos, com a ambição de que o crivo democrático dos consumidores, reflita na livre escolha da “melhor opção”. O estabelecimento popular do sistema de preços - pela oferta e demanda real - assim, é fixado, exercendo pressão sobre os players no mercado, e sobre as forças competitivas que determinarão a entrada de novos ofertantes e/ou a saída de um determinado negócio.
“Grandes mestres dos livros” ainda não perceberam que nenhuma empresa vive ou sobrevive no mercado livre, sem o compulsório estabelecimento de relações colaborativas e integradoras com todos - todos! - os membros de uma determinada cadeia de criação de valor.
Tais acadêmicos inexperientes desconhecem que o mercado é, na verdade, um conjunto de redes, ecossistemas empresariais que colaboram e competem simultaneamente. Factualmente, colaboração e competição se efetivam nas cadeias globais de valor.
O capitalismo - economia de mercado -, agora eufemisticamente chamado de “capitalismo das partes interessadas”, é desde o glorioso Adam Smith (1776), um sistema econômico que permite que os indivíduos se especializem, colaborem e troquem mutuamente, por meio de relações cooperativas, de simpatia (artifício da empatia própria nos seres humanos!) e de solidariedade, acordadas com o consentimento de todas as partes envolvidas.
Em Teoria dos Sentimentos Morais (1759), Smith advoga por transações comerciais baseadas no interesse das comunidades, pactuadas através da confiança e do respeito mútuo.
É a pouca leitura! Smith, já naquela época, falava da fundamental importância da reputação do homem para o sucesso ou fracasso no sistema comercial. Preto no branco: no livre mercado, não pode haver competição sadia e produtiva (competição faz bem à saúde econômica e social), e determinadas empresas que vencem pelo “inovismo”, sem que exista - pragmaticamente - colaboração! Nunca ninguém, nenhuma organização, foi capaz de ser e/ou atuar em tudo competitivamente - projeto/inovação, suprimento, manufatura, distribuição, entrega, pós-venda, serviços e “retornos (reversos)” - isenta de interrelações comerciais com certos sócios e outros parceiros de negócios. Ninguém pode ser tudo para todos! Exemplo mais transparente refere-se ao desenvolvimento de novas tecnologias úteis e capazes de atender e fornecer preços adequados nos mercados.
No que diz respeito aos objetivos empresariais não econômicos (em tese!) envolvidos - ambientais e comunitários - as empresas que focam exclusivamente no retorno dos acionistas - como preferem alguns incautos - “despreocupadas” com o que o consumidor realmente deseja (ah, são mesmo distintos e diversos benefícios, inclusive para alguns, iniciativas empresariais filantrópicas) não logram criar, aos olhos, nas mentes e nos corações dos clientes, valor útil e percebido, sendo desse modo suplantadas por aquelas que conseguem fazê-lo.
Por isso, evidente que existem Conselhos de Administração sábios e profissionais, direcionando as organizações para uma estratégia competitiva criadora de valor percebido, esse sim habilitador do alcance de lucratividade para todos!
Pois bem, parece-me totalmente contraproducente que Escolas de Negócios, enxertem seus currículos com disciplinas, tais como economia inclusiva, empreendedorismo social, economia verde, etc., etc. e tal, como maneira de se endireitarem ao mercado.
Além dessa inquietação já existir, é preciso ter bem presente e convicção, de que qualquer objetivo ambiental e/ou social, obrigatoriamente, terá que ser gerador de lucratividade! No frigir dos ovos, conta mesmo o lucro! De nada adianta uma fidalga missão empresarial, se não houver o dinheirinho para mantê-la e pereniza-la!
Nenhuma empresa boa samaritana, sem saúde financeira e rentabilidade, por mais nobre que seja sua causa, consegue se manter no mercado, e continuar “fazendo o bem”, sem ganhar dinheiro! A forma de ganhar dinheiro é aquilo que pode ser distinta, pois clientes diferentes valorizam e compram distintas espécies de valor!
Ganhar dinheiro é, então, um compromisso moralmente benéfico e um imperativo para a construção de uma sociedade pujante.
Por favor, modismos e supostas reinvenções, mesmo com a intenção de mudança e/ou adição qualitativa nas Escolas de Negócios, não só não transformarão positivamente, como podem também deslocar o centro nas prioridades básicas, atrapalhando a permanente, a incessante e a crucial busca e o alcance da imperativa e - tradicional - destruição criativa, a fim de que as empresas ganhem mesmo dinheiro para suportarem o sistemático processo de reinvestimentos.
Que formosos neologismos para que jovens acadêmicos pós-modernos, com seus trajes hipsters, aura douta e palavras bondosas e “inovadoras”, doutrinem sobre empreendedorismo, ambientalismo, objetivos sociais, mascarando e desfocando, tristemente, daquilo que qualquer pessoa fazedora e com alguma experiência no mundo empresarial sabe: fora dos livros, no mundo real, ganhar dinheiro é aquilo que importa e que pode fazer a diferença em uma real economia de mercado!
Mas distintamente do que algumas Escolas de Negócios "bondosas" estão realizando, tentando idealisticamente tirar o foco do "acionista explorador que só quer lucrar", elas se esquecem que o lucro é o indutor das inovações de valor e, portanto, a motivação central para que os investidores continuem investindo, e as respectivas empresas, descobrindo novas e melhores soluções para a vida em sociedade.
Quanto a mídia e ao jornalismo, a visão crítica resistente e comprometida com “nobres”, mas falaciosas causas, distintas daquelas verdadeiras e benéficas para o crescimento econômico, possibilitador de melhoria social genuína, têm reforçado de fato, aquilo que em tese quer combater: o protagonismo dos poderosos, com seus enganadores, embora sedutores discursos de redução das desigualdades sociais, desejando a manutenção do pão e circo, ou tentando por todos os caminhos - tortuosos - retornar ao quente e acolhedor ninho do poder! Por essa razão, deixam de lado o anúncio e a visibilidade dos fatos como eles realmente acontecem e são!
Fundamental seria um jornalismo independente, comprometido com o noticiário dos fatos, e oportunizando diferentes perspectivas para que as pessoas tenham acesso a “verdade” dos acontecimentos e, portanto, possam elas próprias formarem seu juízo de valor.
Infelizmente, não tenho nenhuma dúvida de que a notícia transformou-se, nas mãos de jornalistas em grande parte interesseiros e partidários, numa “mercadoria vermelha”, ao invés da essencial informação de caráter público, indeclinável para a democracia! Mais pirotecnia e sensacionalismos baratos.
Bem, sem a cura do ensino e da imprensa, majoritariamente, marrom e rubra, mesmo com iniciativas governamentais na direção de maiores liberdades econômica e individual, essas não conseguirão ter capacidades resilientes.
Para a educação empresarial, que fique claro, a despeito de modismos, não existe cooperação empresarial que objetivamente não sirva e resulte em aumento de capacidades para a inevitável competição nos diferentes mercados.
Para a mídia tupiniquim, sem o apoio às reformas liberalizastes na economia, não só os capitalistas (sem coração!) sofrerão, padecerão toda “comunidade” brasileira pela extrema falta de empregos, de maiores oportunidades e da escassez do vital crescimento econômico.
Quem sabe não se passa dos puros desejos para a dura realidade da vida real?
“OU TE MANDAS, DEIXAS O PAÍS, OU SEREI TEU MAIOR PESADELO” - 12/03/2020
Havana, Cuba ( 11/03/2020). Usurpação de funções públicas, violação do Decreto-Lei 370, permanência ilegal em Havana, deportação para a Ilha da Juventude, acompanhamento por nove meses por "não trabalhar" e ser uma pessoa de interesse policial; o repressor Alejandro listou os "crimes" nos quais eu supostamente havia incorrido. Segundo ele, a lei estava sendo aplicada a mim.
“Você precisará ir mensalmente para se registrar no setor policial e, se nesses nove meses, continuares a te comportar como até agora, aplicaremos a você a periculosidade pré-criminal; Mas você não irá para a cadeia, porque queremos limpar as prisões; o que você precisará fazer é trabalho social sem internação, no que é mais necessário: limpar pisos ou áreas comuns”, acrescentou.
Ao ouvi-lo, pensei que ele estava certo: eles fizeram a lei em Cuba de tal maneira que aqueles que detêm o poder podem esmagar os cidadãos sempre que quiserem e com a maior impunidade.
Eu havia sido presa no mesmo dia, segunda-feira, 9 de março, quando estava cobrindo um protesto cívico pela liberdade do artista Luis Manuel Otero Alcántara, no cruzamento das ruas 23 e 12 do Vedado de Havana. Mal pode iniciar a apresentação porque os agentes das Brigadas de Segurança do Estado (SE) e de resposta rápida estavam estacionados no local, talvez já alertados para a iniciativa, e tentaram nos silenciar. Alguns se tornaram violentos, enquanto a maioria da população assistia e filmava, com certa prudência e medo, mas ao mesmo tempo consciente e admirada da bravura daqueles poucos conterrâneos. Vários até perguntaram quem era Luis Manuel Otero Alcántara.
Éramos apenas quatro pessoas, pois o resto não podia contornar as operações policiais para chegar ao compromisso: quatro pessoas armadas com pôsteres, nossas vozes pacíficas e nossos telefones: como capturar as evidências.
Pouco depois, quando nos retiramos do local, às 21 e 10, várias patrulhas policiais nos pararam. Abu Duyanah Tamayo, Omara Ruíz Urquiola e eu fomos presos. Iliana Hernández seria presa logo depois.
Uma vez na delegacia de Zapata e C, o de sempre: a busca, a masmorra e os interrogatórios. Embora seja necessário reconhecer que a polícia nos tratou com respeito e com óbvio desconforto; Eles sabiam que não éramos criminosos e que estavam negligenciando suas reais funções.
Conheci o major Alejandro por referência, pois, nos últimos meses, ele esteve na vanguarda da repressão às mulheres ativistas, principalmente em Havana. Uma vez na sala de interrogatório, ele reconheceu que. Há longo tempo queria me encontrar e que conseguiria o que os outros agentes não haviam conseguido anteriormente porque ninguém suportaria o assédio que estava disposto a aplicar.
“Não vou oferecer-te para colaborar conosco. Comigo você tem apenas duas opções: ou você se manda ou sai - ele retrucou. Subitamente, ofereceu-me um emprego no ICRT (Instituto Cubano de Rádio e Televisão); e "ah, quem mexe com Camila Acosta", nem mesmo o presidente do ICRT se atreverá a fazê-lo, disse ele. Caso contrário, "vou me tornar seu pior pesadelo".
O major Alejandro passou vários dias me localizando em Havana. Desde que fui expulsa da casa em que morava - devido às pressões do SE para os proprietários - em 20 de fevereiro, meu paradeiro era desconhecido. Nesta segunda-feira, começando pela manhã, eles até montaram uma grande operação policial para me prender. Eles queriam impedir-me de atender a um convite de Mara Tekach, encarregada de negócios dos Estados Unidos em Cuba, para comemorar o Dia Internacional da Mulher em sua residência.
Emtre Línea e 12, exatamente no ponto em que eu deveria encontrar Ángel Santiesteban, ele foi detido, mas deu-lhe tempo para me alertar para que me desviasse. Eles nem sequer o questionaram: "Até Camila não aparecer, não vamos deixar você ir." Horas depois, para surpresa do repressor, me detiveram.
Alejandro mostrou aborrecimento evidente durante seu interrogatório, embora fosse um monólogo, já que eu mal respondi ou até o atendi. Ele se alegrava com suas ameaças, com um cinismo arrepiante: "Tudo isso que vou aplicar a você a partir de agora é porque você está fazendo seu trabalho não apenas bem, mas muito bem seu trabalho" e "Estou louco para ver sobre o que você escreverá sobre isto ”.
Contraditório, ele esclareceu que eu estava cometendo o crime de "usurpação de funções públicas" porque o jornalismo independente não é reconhecido por nenhuma lei ou mesmo na Constituição. "E eu vou deportá-la para a Ilha da Juventude, porque você é ilegal em Havana", ele ameaçou constantemente. Eu tenho um endereço em Havana, moro aqui há mais de dez anos, mas isso não importava para ele: "você não mora no endereço que seu cartão de identidade diz e seu registro civil diz que você é da ilha". Claro, eu nasci lá. "Além disso, por qualquer motivo, eu vou deportar você, essa é a medida que você irá levar", disse ele, como se eu não fosse fazer jornalismo em lugar algum.
O capanga nem sequer hesitou em ameaçar minha família e que, é claro, tudo o que acontecesse seria minha culpa. Nas duas horas e meia que fiquei trancada na sala de interrogatório, senti medo, reconheço, mas, acima de tudo, senti raiva, desamparo.
Obviamente, eles farão qualquer coisa para me impedir de praticar jornalismo independente. Se uma coisa o repressor deixou claro, foi isso; eles também me temem, temem meu trabalho e os danos que jornalistas independentes estão causando à ditadura. Claro, para ele, só fazemos isso por dinheiro. Não conheço os outros, mas o faria de graça, apenas pela satisfação de me sentir realmente útil, orgulhosa da minha profissão, pelo prazer de exercer liberdade de expressão e opinião. Mas isso é algo que sua mediocridade impede de entender.
No final da noite, fui libertada, mas não antes de confiscarem meu telefone celular. Eles me deixaram em um corredor onde um oficial me disse que eu não podia estar, que eles já haviam terminado comigo e que eu poderia sair; Dito isto, me acompanhou até a saída.
Eu sabia que eles me seguiriam para saber onde eu estava hospedada, sabia que a melhor maneira de enganá-los era desaparecer de seus radares novamente. Tão rapidamente desapareci que eles me perderam de vista. Isso deve ter deixado Alexander muito desconfortável e talvez tenha merecido uma grande repreensão de seus superiores. Desde então, talvez tentando "salvar" sua posição e demonstrar sua "eficiência", ele liga para familiares e amigos, ameaçando "me explodir" e me condenar a um a três anos de prisão por "evasão". Segundo ele, fugi da delegacia. Como é possível escapar sozinho e desarmado de um quartel cheio de policiais? Deixar esse é algo que deve ser feito com uma permissão ou em companhia der um oficial.
Hoje, quarta-feira, 11 de março, irei à unidade policial para que possam ser cruéis comigo novamente, para enfrentar o "pesadelo".
Recuso-me a deixar de fazer jornalismo independente ou a deixar meu país; Mas se a comunidade internacional e o exílio cubano continuarem permitindo que a ditadura nos esmague com total impunidade, se não houver maior apoio à oposição interna cubana, em breve as vozes dissidentes dentro da ilha perecerão.
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* Camila Acosta é uma jornalista independente . Atua em Havana.
** Publicado originalmente em https://www.cubanet.org/destacados/cuba-quitas-te-vas-del-pais-o-me-convierto-en-tu-peor-pesadilla/
*** Traduzido para o português por Percival Puggina.
COMENTÁRIO DO EDITOR DO BLOG
Todo dissidente cubano, como descrevi em A tragédia da Utopia, está exposto a esse tipo de perseguição por vezes branda, por vezes verdadeiros pesadelos incidindo sobre a pessoa e seus familiares. Há muita gente no Brasil que considera tudo isso muito comum desde que seja para autoproteção de bandos comunistas no poder.
O “FAZER”, RETÓRICAS MIDIÁTICAS, LEMBRANÇAS E A CORRUPÇÃO - 19/02/2020
Não quero entrar profundamente no mérito de se o Partido Comunista Chinês escondeu e/ou demorou para divulgar ao mundo à epidemia causada pelo Coronavírus.
Como já vimos na própria China, com o Sars em 2003, e no caso Chernobyl, na extinta União Soviética, regimes comunistas autoritários e centralizados, sempre foram mestres em mentir, ludibriar e ocultar informações e dados sobre os horrores e os eventuais surtos que depõem contra a falsa competência e a transparência de uma gestão planificada.
Lavagem cerebral, incompetência e medo atuam fortemente na direção da omissão.
Interessante que o próprio Partido Comunista, agora, admitiu a necessidade de melhorar o gerenciamento do sistema de saúde de emergências.
Penso que num primeiro momento, o coronavírus é um problema de saúde pública chinesa que acaba se transformando, pelo eventual surto epidemiológico, num tema de saúde global.
Com o protagonismo da China no tabuleiro econômico global, evidente que os efeitos de uma desaceleração econômica na China, afetam os mercados internacionais, inclusive o Brasil, que tem junto a este país fortes relações comerciais.
Apesar do apreço que tenho por brilhantes jornalistas gaúchos e no país, seguramente parte de uma mídia sensacionalista e irresponsável, adora divulgar em artigos especulativos, boatos e mentiras, pregações de pessimismo e da proximidade do fim do mundo, gerando desinformação, pânico e confusão.
Precaução global sim, alarmismo e pânico global não. Na China, como é próprio em um país extenso e centralizado, a divulgação global pode até ter demorado, mas a China não perdeu o controle sobre o vírus.
O grande problema se concentra na cidade de Wuhan, que embora comentários em contrário por parte de “grandes progressistas”, o PCC acertou em bloquear a cidade e outras próximas.
Como de costume, os brasileiros gostam de apontar os problemas, adoram a retórica, contudo, são avessos ao “fazer acontecer” factualmente.
Lá, não apenas o prefeito de Wuhan foi demitido, como também pelo “fazer”, o governo construiu dois hospitais - um deles em 10 dias! -, além de outras instalações acessórias.
Lá, como os fatos não deixam mentir, as iniciativas liberais acontecem e salvam vidas. Imaginam construir um hospital no Brasil em 10 dias?! Só as exigências bur(R)ocráticas...
O fator da cultura milenar chinesa é avassalador. Surtos como esse ressoam para os chineses como que os deuses e os espíritos estivessem conspirando contra os maus líderes.
Também essa é razão (racional) pela qual o Partido, no intuito de não prejudicar sua “aura popular”, comprometeu-se em isolar e sacrificar as 60 milhões de pessoas da Província de Hubei, da qual Wuhan é a capital.
O que choca e assusta, é o fato de essa mesma mídia, por aqui, seja conivente com a maior corrupção mundial já presenciada pela humanidade, com o roubo descarado aos cofres públicos, que drena recursos e fomenta uma epidemia de mortes por falta de hospitais preparados e de qualidade e pela falta de segurança pública e justiça verdadeira.
Aqui, um STF aparelhado julga quase sempre, punindo “ladroes de galinha” e protegendo políticos ladrões e corruptos, além de empresários incompetentes amigos dos deuses togados e do poder.
A corrupção drenou recursos da saúde, da segurança e da educação. Apesar de que estivéssemos sob o manto da “Pátria Educadora”, o fazer e os dados fidedignos atestam o péssimo padrão de qualidade do ensino nacional.
Cerca de 100 milhões de brasileiros ainda não contam com coleta de esgoto e mais de 35 milhões não têm sequer acesso à água potável!
Por que o silêncio da grande mídia sobre a delação premiada e os respectivos fatos relatados pelo ex-irmão Palocci?
Por que as reviravoltas nos julgamentos no Supremo quanto a prisão em 2a. instância?
Por que agora incluir mais procedimentos e instâncias judiciais por meio do juiz de garantias?
Evidente que imprensa livre é fundamental para a construção de verdadeira democracia. Mas ela precisa informar os fatos como esses são, sem interpretações e manipulações criadas por interesses partidários.
Enfim, por que agora o abissal esquema de corrupção política iniciado em 2003 e que destruiu o país, descoberto pela operação Lava Jato, sumiu do cenário midiático, apesar da sociedade - não os criminosos - continuar pagando por ele?
Oi?! Parte da mídia nacional precisa atentar que a ausência de lembrança e informação fatual representa um risco para além da saúde brasileira.
Isso sim retrata a ameaça vigorosa contra à vida, à felicidade individual do brasileiro, e ao crescimento econômico e social de todos!
A cultura chinesa enaltece o passado e às tradicionais (boas e não tão boas...); já por aqui não lembramos o que comemos ontem...
O FIM DA LIBERDADE ESTUDANTIL - 13/02/2020
PERDA DA LIBERDADE
Nesta manhã (12//02), ao ler a Gazeta do Povo, fiquei sabendo que a Medida Provisória da -LIBERDADE ESTUDANTIL-, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro em 9 DE SETEMBRO DE 2019, a qual garantia a GRATUIDADE na obtenção -SEM CUSTOS- da CARTEIRA DE IDENTIFICAÇÃO ESTUDANTIL DIGITAL, infelizmente vai CADUCAR neste domingo, 16 de fevereiro.
PASSIVIDADE
O que mais me espanta é a total PASSIVIDADE dos estudantes deste nosso imenso e empobrecido Brasil. Mais: até agora não se tem conhecimento de nenhum PROTESTO quanto ao brutal descaso do Congresso Nacional, que em momento algum manifestou qualquer interesse pelo assunto e tampouco foi pressionado pelos até então beneficiados com a gratuidade imposta pela MP.
FIM DO MONOPÓLIO DA UNE
Só para refrescar a memória, em nenhum momento a Câmara e o Senado se mobilizaram para instalar a comissão especial para analisar o conteúdo da MP. Por ocasião da sua publicação o ministro Abraham Weintraub declarou que a GRATUIDADE DA CARTEIRINHA tinha como propósito a DEFESA DA LIBERDADE dos estudantes. E completou dizendo: - Estamos aumentando a liberdade com mais opções, mais concorrência, mais liberdade e o fim do monopólio da UNE.
MASSA DE MANOBRA
Mais do que sabido, a maioria dos estudantes são comumente usados, tanto pela UNE- União Nacional dos Estudantes quanto pela UBES -União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, como MASSA DE MANOBRA para defender os lamentáveis IDEAIS SOCIALISTAS/COMUNISTAS promovidos por estas entidades. Exemplo: os protestos para impedir o aumento do valor das tarifas de transporte coletivo.
Pois, quando o governo trata de emitir uma MP com o propósito de conceder a GRATUIDADE das Carteiras Estudantis, que dá por encerrada a nojenta cobrança das mesmas pela UNE e/ou pela UBES, aí nada acontece. Pode?
LAMENTÁVEL
Na reportagem, o jornalista Roger Pereira informa que a MP DA LIBERDADE ESTUDANTIL previa validade “enquanto o aluno permanecer matriculado” na instituição de ensino. Assim, as quase 300 mil carteirinhas digitais emitidas até domingo seguirão valendo em todo o território nacional. A partir desta 2ª feira, 17, as carteiras nacionais de identificação de estudante voltarão a ser emitidas apenas pelas entidades representantes das classes, que VOLTARÃO A COBRAR R$ 35,00 (ou mais) por ano. Que tal?
MERITOCRACIA E A CONVICÇÃO NA MOBILIDADE SOCIAL - 13/02/2020
Oh bondade suprema! Nada contra a bondade - voluntária -, mas é incrível e cômico constatar professores de negócios pregadores do socialismo! Tá certo. Muitos somente trabalharam em áreas funcionais de universidades, muitas dessas religiosas.
Um destes professores do tipo “justiceiro social”, adora colar e postar textos e imagens sobre desigualdades sociais, anticapitalismo, condenação do lucro e por aí afora.
Como todo esquerdista que se preza, cultua a novilingua orwelliana, a “arte” de inverter significados e/ou inventar palavras.
Tal professor de negócios (negócio deve ser filantropia!), agora colou e copiou um texto do professor italiano Stefano Zamagni. Título emocionante e atrativo! “Meritocracia, não. Meritoriedade, sim”.
Segundo o texto, a meritocracia é um mecanismo de poder e de reprodução das elites. Seria uma estratégia visando a preservação das desigualdades sociais por parte das “elites”. Já a novíssima meritoriedade - que nobre criação! - dependeria de um tratamento igualitário a todos os indivíduos, e esses não deveriam estar sujeitos às relações de poder.
Vamos lá. Evidente que as todas as pessoas devem ter igualdade perante a lei. Contudo, a verdadeira igualdade, creio que se refira à proibição de subordinação de um indivíduo a outro coercitivamente. Ninguém tem o poder de impor algo a outra pessoa por meio da coerção, contra a sua vontade! Todos os indivíduos têm os mesmos direitos e deveres, inclusive o direito de não se subordinar a ninguém. A premissa do mérito, genuinamente, diz respeito às liberdades individuais que precisam ser respeitadas e a liberdade de escolha individual. Quem, racionalmente, não sabe que os seres humanos são diferentes em nível de recursos, de capacidades, de habilidades, distintas formações, meios familiares e contextos sociais, etc...?
Meritoriedade parte da visão pueril de que seria possível inventar um novo mundo para que todas as pessoas saíssem do mesmo ponto de partida. Os contumazes engenheiros sociais creem ser possível criar um “novo” mundo ideal e igualitário! Mais uma utopia socializante.
A meritocracia, de fato, também é um modelo de gestão. Trata-se de um processo salutar de premiação pela agregação de valor útil para os clientes de uma organização, tanto em nível individual e/ou de equipes de trabalho. Esforço não é uma condição suficiente, é necessário criar valor sob a ótica do mercado.
Os critérios devem ser justos e iguais para todos os membros de uma hierarquia, empresarial ou estatal. O mérito é algo que deve ser definido e caraterizado de acordo com as características de cada contexto específico.
Ah, como faltam os fundamentos de mercado, aqueles que pelo crivo democrático do mercado são determinantes da oferta e da demanda e o estabelecimento real do sistema de preços. No livre mercado os sujeitos deveriam ser livres para escolherem, ou seja, o indivíduo deve ser livre para decidir o que fazer com sua própria vida.
Esses socialistas de IPhone, não se dão conta que a igualdade que desejam é aquela estabelecida a força pelo poder coercitivo do Estado, unicamente pela padronização de todos na pobreza.
A ajuda aos outros, se desejada, faz parte de uma escolha individual e voluntária!
O falacioso discurso vermelho quer impor aos outros o “auxílio forçado” para àqueles que se encontram numa situação reconhecida como “privilegiada”.
Esses professores do “copia e cola” desconhecem os exemplos de pessoas e grupos sociais que nasceram e ascenderam social e economicamente, ou através de esforço e mérito pessoal, ou de grupos sociais que migraram de estados socialistas e, assim, puderam colocar suas mentes empreendedoras livres em ação.
Na verdade, é justamente o aparato estatal que rouba a liberdade, as oportunidades e as possibilidades de mobilidade social proporcionadas pelos livres mercados.
Por favor! O ser humano responde, para o bem ou para o mal, aos incentivos.
Meritocracia, não a quimérica meritoriedade, é a recompensa natural daqueles homens e mulheres e grupos que acreditam no seu potencial, investem em si mesmos e em projetos, e agem para descobrir e materializar novas soluções criadoras de valor genuíno para suas empresas e seus contextos sociais.
Intenções benevolentes, mesmo que pretensamente positivas, mas sem fundamentação lógica, efetivamente confundem e atrapalham!
Nada mais saudável e moral do que a recompensa pelo progresso econômico e social, ou não?
DESINFORMAÇÃO E ASSASSINATO DE REPUTAÇÃO - 29/01/2020
Para quem quiser decifrar como funciona o processo de desinformação e assassinato de reputação por parte da Globo contra o atual governo, vou revelar para vocês algumas informações para que decifrem quando assistirem ao próximo Jornal Nacional:
1- Faz parte da estratégia de desinformação usar frases negativas de impacto, como: "Bolsonaro ataca," "declaração polêmica," "crise no governo," etc. Reparem que essas frases são ditas com muita ênfase, e sempre vem acompanhadas da palavra Bolsonaro... Isso cria no seu imaginário, a associação negativa, com o nome Bolsonaro. Isso é para que seu subconsciente se acostume com essa associação.
2- Sempre que houver uma notícia positiva, repare que a palavra Bolsonaro é omitida, e substituída pelas palavras "governo" ou "Brasil".
3- Quando Bolsonaro é associado inevitavelmente a algo positivo, repare que SEMPRE a matéria seguinte será desfavorável ao governo, sempre!
4- As reportagens desfavoráveis ao governo, são sempre feitas pelos mesmos repórteres, são aqueles que têm uma espécie de confiança da direção, e estão sempre fazendo as reportagens de interesse da emissora, como sobre adversários políticos da Globo, militância por Marielle, ou contra a Igreja Universal, ou a Record... São sempre os mesmos jornalistas que fazem esse tipo de reportagem.
5- Sempre que Bolsonaro viaja para algum lugar ou faz algum importante acordo comercial benéfico ao Brasil, o JN desvirtua o feito, maximizando polêmicas específicas durante a viagem, explorando a impulsividade de Bolsonaro ao dar entrevistas, fazendo perguntas específicas sem sentido, porque já possuem uma narrativa montada negativa e fazem a pergunta já com a matéria pronta, a fim de polemizar e tirar o foco da viagem, exemplo: "briga com Moro", "filhos que causam problemas", ou "opiniões polêmicas" aleatórias.
Nós somos animais linguísticos e não nos comunicamos apenas pelo QUE dizemos, mas também COMO dizemos e reagimos de modo diferente ao mesmo texto quando o ouvimos de forma diferente, especialmente quando isso ocorre visualizando imagens diferentes.
A forma como falamos, também implica na comunicação, então, reparem nas expressões dos jornalistas, na maneira deles falarem e comparem com a forma que falam sobre a tal de Greta ou da Marielle, no brilho no olhar, nas palavras e na expressão facial... Tudo isso é montado para alcançar um objetivo claro: convencer você de alguma coisa que não condiz com os fatos, mas com uma agenda específica.
Ora, existem muito mais aspectos dentro desse processo, mas seria muito complexo de explicar, mas eles seguem sempre o mesmo padrão... Tudo isso é psicologia e se chama desinformação. Funciona como um processo de lavagem cerebral. Eles fazem isso há muito tempo, e o tempo todo, transformam bandidos em mocinhos e vice versa. Dessa forma, conseguem fazer com que as pessoas tenham conclusões equivocadas, e acabam assassinando reputações e construindo um mundo irrealista, perverso e manipulador.
Não caia nessa!
*Publicado originalmente no Facebook do autor Lukas Hawks
CASUÍSMO DO SUPREMO - 28/01/2020
Durante minha campanha para o Senado, em 2014, prometi aos eleitores que, se fosse eleito, minha 1ª iniciativa seria dedicada à mudança na forma de escolha dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Como prometido, assim que cheguei ao Congresso apresentei a PEC 35/2015, para alterar seriamente a sistemática de composição da mais elevada corte do Judiciário, tornando-a transparente, imparcial e respeitada.
A proposta de emenda à Constituição refletia minha indignação, compartilhada pela maioria dos brasileiros, diante da escalada de descalabros cometidos por alguns dos ministros do STF, motivada justamente pela forma enviesada como se comportava parte de seus membros. Decisões contraditórias e estranhas no acompanhamento da sociedade e, muitas vezes, favoráveis a políticos e empresários poderosos evidenciando elevado grau de desprezo para com os princípios basilares da isenção e da independência.
Algo precisava ser feito de forma estrutural –clamava a sociedade– para colocar um ponto final na série de desmandos praticados por aqueles que deveriam zelar pela Constituição. Os indicados pelos presidentes da República, de Sarney a Dilma, fizeram parte de uma tradição que se revelou deletéria ao longo do tempo, agravada nos governos petistas e com desdobramentos catastróficos até bem recentemente, após alguns julgamentos estapafúrdios.
Minha PEC nasceu, pois, há 5 anos, quando o Brasil se revoltava em massa com decisões absurdas de ministros do STF, cada vez mais parecido com um foro político, distante da imagem de instituição que representa o mais alto grau do Judiciário. Por essas razões e entendendo que um poder dependente de indicações do chefe de outro poder não pode ser considerado autenticamente independente. A experiência tem provado isso.
O presidente da República de plantão, qualquer que seja, faz indicações de ministros ao Supremo conforme seu gosto pessoal, conforme identidade ideológica e até orientação partidária. Pior: o chefe do Executivo acaba criando compromissos de seus indicados, abrindo conveniências para si como até benefícios a integrantes do plenário do Senado. Não há melhor exemplo de simpatia, gratidão e compromissos manifestados como, por exemplo, no caso do ministro Dias Toffoli, por suas generosas decisões em favor dos seus ex-chefes José Dirceu e Lula.
Propus também acabar com a vitaliciedade do cargo de ministro do STF, criando mandato de 10 anos, como nas nações avançadas. Na Alemanha, Itália, Espanha, França e Suécia, por exemplo, esse prazo vai de 9 a 12 anos. A medida oxigena a jurisprudência nesta época de vertiginosas transformações sociais em todo o mundo.
Além disso, nem sempre os ministros do Brasil se caracterizam pelo requisito constitucional do “notável saber jurídico” ou pela notoriedade como magistrados, professores, advogados ou procuradores. O que se tem visto, com sabidas exceções, são indicações por afinidade ideológicas, amizades e “assessores” de antessalas.
Contra isso, propus a criação de um colégio de juristas notáveis encarregado de apontar 3 nomes para a decisão final do presidente da República. Minhas sugestões foram muito aplaudidas à época por movimentos sociais indignados com julgamentos inaceitáveis do Supremo. A proposta sofreu resistência de políticos com problemas na Justiça.
Diante da avalanche recente de impressões injustas e equivocadas que circulam na internet em relação aos fatos associados à PEC 35/2015, devo prestar esclarecimentos para rebater imprecisões, que podem desvirtuar o debate público em questão tão crucial quanto a Justiça. A motivação da proposta, ao encontro da vontade da maioria dos brasileiros, é acabar de vez com os casuísmos no Supremo.
O substitutivo do relator na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), acalma alguns protestos mais afoitos, o atual presidente da República, a exemplo de seus antecessores, também terá o direito de escolher seus indicados para o Supremo.
A PEC proposta, se aprovada, valerá só a partir da próxima legislatura e novo governo, precisando agora ir para o debate no Senado e depois na Câmara, desprovida de qualquer objetivo se não a recuperação do necessário respeito à Suprema Corte e por todos seus ministros, e não apenas respeito a alguns, como ocorre atualmente.
Mas o texto faz uma mudança em relação ao colegiado de juristas responsável por elaborar a lista tríplice a ser levada ao chefe do Executivo para dela tirar um nome a ser sabatinado pelo Senado. Em vez dos 7 membros que proponho, Anastasia destina essas indicações para os plenários do Supremo, da Procuradoria Geral da República e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Minha proposta amplia bem mais o leque de integrantes do grupo, sendo integrado pelos chefes do Supremo, STJ (Superior Tribuna de Justiça), TST (Tribunal Superior do Trabalho), STM (Superior Tribunal Militar), Defensoria Pública, PGR (Procuradoria Geral da República) e Conselho Federal da OAB.
Assim, não devem se preocupar os apressados. O relatório de Anastasia não impede a eventual indicação do atual ministro da Justiça, Sergio Moro, para a vaga a ser aberta em setembro com a aposentadoria compulsória do ministro Celso de Mello.
A PEC pretende, sim, aprimorar a instituição hoje tão criticada, motivo de desconfiança popular e de grandes manifestações de rua e redes sociais. Pode-se até continuar discutindo o modelo de escolha dos ministros, mas o que não pode é deixar tudo como está.
*O autor é Senador pelo Podemos-RS
ABUSADOS ATÉ ONDE CHEGA A PERMISSÃO DA INGENUIDADE... - 16/01/2020
A esquerda de Pindorama (alô, Oswald de Andrade, veja bem onde foi parar o seu 'engenhoso' Matriarcado), a mesma que se engraçou glamourosamente com Hugo Chávez, e agora, com Nicolás Maduro, ditadores de dar água na boca nessa gente que é aficionada de ditaduras, trabalha incansavelmente os seus propósitos, totalmente fora do terreno factível da realidade. Abusa da inteligência do seu público alvo. Ministra sessões para manter o seu rebanho na mais vil e destacada ignorância. De dar pena! Práticas, corajosamente, abjetas! No projeto de Reforma da Previdência, por exemplo, foi assim que tudo sucedeu. Invencionices e magias, a perder de vista... que esses "atores" pretendiam vender como verdade indemonstrável, sempre fugindo de provas e medidas, como o diabo foge da cruz. Agora, por exemplo, num gesto de puro sadismo, deram de postar nas redes sociais que os velhinhos pensionistas da previdência vão perder o mundo e o fundo, em face dos novos dispositivos que regem a matéria. Que perdas haverá, isso é indiscutível! Até porque não se faz omelete sem quebrar os ovos, como diria o Conselheiro Acácio, de Eça de Queiroz, símbolo antológico do lugar-comum cheio de recheios... Mas o que importa é que o sistema previdenciário ficou de pé, ao contrário do que desejavam. O novo apocalipse ficou para outra oportunidade... Sonhavam com a rejeição da PEC. Desdenhavam estatísticas. Pesquisa para essa gente, aliás, somente aquelas cujo objetivo é o de botar o resultado dentro das urnas.
Durante todo o tempo divulgaram que a Reforma não era necessária. Pobre dos aposentados se não tivesse havido o trabalho incansável de demonstração de dados atuariais de Paulo Guedes e Rogério Marinho, de modo a indicar a sua suprema necessidade e a convencer os parlamentares dotados de um mínimo de juízo... Essa gente não estava nem aí se haveria dinheiro ou não para pagar as aposentadorias e pensões. Melhor que não houvesse, é claro!
Vamos ver, logo em seguida, a contribuição da era Lula/Dilma para destacar a necessidade e a urgência da reforma...
Doze milhões de desempregados produzidos na era petista, oriundos da engenhosa política/econômica de Dilma Rousseff, os quais, juntamente com as empresas em tela, deixaram de contribuir com a Previdência Social. Na eleição da Dilma, a promessa de nos conduzir ao paraíso... achei meio estranho chegar até ele por meios das avenidas do Anacoluto... Já os seus marqueteiros de campanha, no encalce de Marina Silva, que crescia, desgarrada, nas pesquisas e admitia soluções civilizadas para o BC, arranjaram, às pressas, uma desconhecida função para o Banco Central Independente, até então desconhecida completamente: a de tirar a comida da mesa dos pobres... Registre-se que, ainda sob os ares seguintes ao "auspicioso" resultado das urnas eletrônicas, foi decretado o aumento do gás de cozinha, da gasolina e da energia elétrica.
Desastrosamente, a era petista pagou juros estratosféricos sobre a Taxa Selic, que, segundo eles mesmos, são utilizados para engordar o bolso dos banqueiros, com os quais se deram tão bem no exercício do poder, é bom dizer (sobre isso, basta conferir as contribuições dos períodos eleitorais da época). Mais uma falácia que divulgam sem constrangimento, pois, na verdade, 90% dos títulos vinculados à Taxa Selic pertencem às pessoas físicas e às empresas, e não aos bancos.
Por fim, e de quebra, uma dinheirama lascada foi repassada pelo BNDES para os amigões de ideologia na era Lula/Dilma. Tudo se fez com o endividamento público. Dinheiro que foi para a Venezuela (financiamento de viadutos), Cuba (construção do Porto de Mariel), África do Sul (a construção de aeroporto), e mais o financiamentos de obras públicas na Nicarágua e Moçambique. Já a Bolívia de Evo Morales foi aquinhoada com o perdão da dívida que tinha com a Petrobrás, concedido por um boom de samaritanismo de Lula... O Tesouro Nacional, pasmem, foi o avalista desses "empréstimos"! Na verdade, nunca mais vamos ver a cor desse dinheiro. É muita humilhação e escárnio pesando sobre todos os brasileiros...
Toda a grana que será economizada, nestes dez anos vindouros, com a Reforma da Previdência, exigindo dos aposentados e pensionistas um enorme esforço pessoal, ainda assim o dinheiro é menor do que a destinado a ditadores do exterior, amigos de Lula e de Dilma...
No presente momento, os então "instrutores" da Reforma Previdenciária estão por aí, lépidos e faceiros, retornando à histórica missão: a de vasculhar armários e guarda-roupas, à procura de fascistas...
A PERGUNTA TEMIDA PELOS ABORTISTAS - 11/01/2020
A fecundação é a fusão de um óvulo com um espermatozoide, e a célula resultante chama-se zigoto. No zigoto humano, já estão definidas todas as características biológicas de um ser humano único e irrepetível. Ora, podemos então perguntar: "Um óvulo humano fecundado é (1) um zigoto a caminho de se tornar uma pessoa, ou (2) uma pessoa no estágio de zigoto?"
Essa pergunta é muito temida por todos os grupos internacionais pró-aborto, pois deixa seus apoiadores desnorteados. Não é por menos: afinal, qualquer tentativa de justificar a resposta (1) entra em contradição com o conhecimento mais básico da biologia sobre o desenvolvimento do corpo humano.
Além de o zigoto já conter todas as características biológicas de um ser humano único e irrepetível, como antes mencionado, esta mesma célula tem potencial germinativo. Isto é: tem a capacidade de se desenvolver naturalmente e se tornar um ser humano adulto, caso não sofra impedimentos por decisão humana, até sua morte natural.
O mesmo potencial germinativo não está presente no óvulo ou no espermatozoide quando separados, ou em qualquer outra célula do corpo. O zigoto é, assim, a primeira célula de um novo organismo humano. Não estamos falando de um zigoto a caminho de ser pessoa, mas sim de uma pessoa no estágio de zigoto, assim como uma pessoa no estágio de idoso, no estágio de adulto, no estágio de adolescente, no estágio de criança, no estágio de recém-nascido, no estágio de feto, ou no estágio de embrião.
Posto isso, podemos nos perguntar: a capacidade do zigoto para se desenvolver até o estágio adulto já não deveria ser relevante o bastante para proteger esta primeira célula humana contra tentativas de impedir sua natural continuidade fisiológica?
Não se trata aqui de impor uma convenção particular para o início da vida humana. Trata-se, muito pelo contrário, de educar na realidade objetiva das coisas, afastando qualquer pretensão de definir o início de um novo indivíduo por meio uma convenção passível de mudar a cada local e a cada época.
De fato, para quem defende a legalização do aborto, a condição de "ser humano" é uma convenção que os já nascidos podem, a seu critério, aplicar ou deixar de aplicar aos que ainda não nasceram. Nos países onde o aborto é legalizado – e mesmo onde ele não é – quem decide se o zigoto pertence ou não à humanidade é um presumido consenso social daquele país, ao invés da origem da individualidade de cada pessoa, que está na fecundação. Porém, se a dignidade da pessoa humana é uma convenção social, nada impede que uma convenção posterior revogue a anterior, eventualmente negando a humanidade de qualquer não-nascido, de aleijados, de não-batizados, de judeus, de ateus, ou de quem quer que, segundo os caprichos do momento, pareça inconveniente.
Quando a racionalidade é rejeitada, disse o filósofo Bernard Williams [1], passa-se à empreitada de querer justificar – a qualquer custo – uma definição improvisada para o início da vida humana, abrindo a caixa de pandora para as mais excêntricas arbitrariedades. Realmente, conforme uma lei aprovada em janeiro de 2019 no estado norte-americano de Nova York, um bebê de nove meses que ainda não nasceu pode agora ser legalmente despedaçado com um fórceps dentro do ventre da mãe, pelo simples fato de ainda não ter respirado ar.
Há quem diga que o aborto é um problema de saúde pública. De certo modo, não podemos considerar isso um erro; afinal, não pode existir saúde ao se permitir procedimentos que ignoram completamente o conhecimento mais básico da Biologia humana. Não pode existir saúde ao conceder à mulher o direito de impedir o desenvolvimento natural de um ser humano único e irrepetível, pelo simples fato dele ser julgado inconveniente (aliás, a justificativa de qualquer assassinato). Sinal algum de saúde. É, sim, o ápice da covardia e da mais completa insanidade. Por não ser vista ou conhecida, a pessoa não nascida pode ser considerada hoje o ser humano mais excluído e discriminado do mundo. Inventam um critério qualquer para o início da vida humana... e pronto! Você já foi contaminado. Por esta perspectiva, da loucura, realmente é um problema de saúde pública.
Assim, os "direitos individuais da mulher", reivindicados em última instância para a legalização do aborto, se revelam como um esforço para que seja legalmente permitido ignorar a realidade de como cada ser humano tem origem, concedendo à mulher o direito de impedir o desenvolvimento natural daquele indivíduo em seu ventre, se ela julgá-lo inoportuno. Pode, porém, o início da vida humana ser relativizado? Pode a interrupção voluntária do seu desenvolvimento ser atribuída a uma decisão individual e particular?
Como disse o escritor colombiano Nicolás Gómez Dávila: "costuma-se pregar direitos para poder violar deveres". As leis não servem apenas para nos ajudar a atingir finalidades pessoais, nem tem como função tornar algo permitido pelo simples fato de já ser praticado. Se assim fosse, beber ao volante deveria ser uma prática legalmente admissível e regulamentada. A função primordial da lei é pedagógica: definem-se comportamentos que convém e não convém para uma sociedade pacífica e virtuosa, com um caráter educativo.
Em outras palavras, se eu não posso fazer algo, devo buscar compreender o motivo da restrição e, apenas então, julgar se este motivo é justo ou injusto, bom ou mau. E é muito simples, diz o filósofo Kant [2], diferenciar uma atitude boa de uma má, sem depender de qualquer lei ou princípio religioso. Funciona por meio de uma pergunta (outra, aliás, detestada pelos grupos abortistas): se todas as pessoas do mundo, sem exceções, fizerem aquilo, a humanidade cresce e prospera, em paz e felicidade? Se a resposta for não, então é má.
"O certo é certo, mesmo que ninguém o faça. O errado é errado, mesmo que todos se enganem sobre ele". (G. K. Chesterton)
Este texto contou com a revisão técnica dos seguintes profissionais: Dra. Dieine Maria Soares da Fontoura (Biomédica); Dr. Felipe Moraes (Médico); Dr. Luiz Eduardo Schmidt (Advogado); Dra. Angela Vidal Gandra Martins (Doutora em Filosofia do Direito)."
Referências:
[1] Angela Vidal Gandra Martins – Dar a cada um a vida que lhe é devida
[2] Imperativo categórico – Immanuel Kant. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. 1785
UM POUCO SOBRE A NOSSA PÉSSIMA CONSTITUIÇÃO - 08/01/2020
XIX - 061/19 - 08/ 01/ 2020
EDITORIAL DE ONTEM
Face ao grande interesse que despertou o editorial de ontem, no qual manifestei as imensas dificuldades que o presidente da República, não importa qual, enfrenta quando pretende mudar -LEIS CONSTITUCIONAIS-, volto ao tema no afã de esclarecer que só as CONSTITUIÇÕES MUITO MAL ESCRITAS são alvos de pretensas e necessárias alterações.
ARTIGO DO LUAN SPERANDIO
Para facilitar esta importante tarefa busco amparo no excelente artigo produzido pelo jurista e atual vice-presidente da Federação Capixaba de Jovens Empreendedores e colaborador do Instituto Liberal desde 2014, Luan Sperandio, publicado na Gazeta do Povo em 6/12/2019.
ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE
Naquele momento, vale lembrar, inúmeros brasileiros indignados com a decisão do pleno do STF, que jogou por terra a PRISÃO EM SEGUNDA INSTÂNCIA, voltaram a sugerir, pela enésima vez, a já eterna pretensão da CONVOCAÇÃO de uma ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE, com o propósito de escrever uma nova e correta Constituição Federal.
ULYSSES GUIMARÃES
Luan lembra, com muita precisão, que logo após a convocação da última Constituinte, pelo então presidente José Sarney, foi criada a Comissão Provisória de Estudos Constitucionais, composta por “JURISTAS NOTÁVEIS”, a qual, após quatro meses, apresentou um ANTEPROJETO para a CARTA MAGNA.
Entretanto, para desgraça geral, em fevereiro de 1987, quando iniciaram os trabalhos da Constituinte, o então presidente do Congresso e da Constituinte, Ulysses Guimarães, que se via com grande chance de se eleger presidente da República em 1989, decidiu, por vontade própria, IGNORAR o bom trabalho da Comissão.
Deu no que deu: Ulysses Guimarães ficou na 7ª colocação na corrida presidencial e o Brasil acabou vítima da lamentável Constituição de 1988.
GRUPOS DE PRESSÃO
A AUSÊNCIA DE UM ANTEPROJETO, a baixa aprovação do governo Sarney (que chegou a apenas 7%) e o panorama político conturbado e milhares de greves organizadas no período pela oposição tiveram consequências: a busca por governabilidade facilitou o trabalho de GRUPOS DE PRESSÃO (o cientista político Murillo de Aragão, à época, mapeou a participação de pelo menos 383 GRUPOS DE PRESSÃO. Este número, porém, pode ser ainda maior, já que não havia obrigatoriedade de identificação do grupo).
Todos os GRUPOS DE PRESSÃO pressionavam os parlamentares para GARANTIR PRIVILÉGIO. Havia lobistas em todos os gabinetes dos constituintes, mas o lobby não parava nos corredores do Congresso. Organizações da sociedade civil promoviam eventos em Brasília, incluindo jantares e festas luxuosas, para aproximar as relações com os constituintes.
Para Carlos Ary Sundfeld, jurista especializado em Direito Administrativo e que auxiliou na prestação de serviços técnicos na Constituinte, “foi uma CONSTITUIÇÃO CHAPA-BRANCA porque foi feita segundo os INTERESSES daquelas pessoas que faziam parte de organizações concretas, oficiais, e não exatamente o produto das demandas da sociedade como um todo”.
AMBIGUIDADES
Além disso, a maior parte das 1.020 votações da Constituinte foram resolvidas com poucos votos de diferença, com conchavos e muitas negociações. A resolução de impasses se dava, muitas vezes, de duas formas: a primeira era a inclusão dos termos "na forma da Lei". Eles aparecem 112 vezes na Constituição Federal porque, na prática, isso significava aprovar uma matéria sem efeito prático. Remeter a futuras regulamentações, por sua vez, significava impedir que absurdos vigorassem de imediato.
Para formar consenso entre os parlamentares, era comum a INSERÇÃO DE AMBIGUIDADES e PALAVRAS NEUTRAS. Dessa forma, os dois lados cantavam vitória, mas o significado daquela norma acabava carecendo de sentido, tendo de ser definido futuramente pelo STF. A estratégia ficou conhecida como “a TÉCNICA DAS AMBIGUIDADES”.
TUDO CONCHAVADO
Enfim, o que sobrou, de fato, foi uma legítima CONSTITUIÇÃO DE ACORDOS, de um MEIO-TERMO que satisfizesse todas as perspectivas. Às vezes, era questão de escolher uma palavra, ou outra, para que se pudesse chegar a uma forma de compromisso. A Constituição era votada pelos líderes partidários. Assim, quando ia a Plenário, já estava tudo CONCHAVADO, explica Miguel Reale Júnior, jurista e assessor da presidência da Constituinte.
Mais: de acordo com o Comparative Constitutions Project, a Constituição Brasileira de 1988 é a 3ª constituição mais longa do mundo.
CRISTÃOS DECAPITADOS NO NATAL, O OCIDENTE VIRA PARA O OUTRO LADO E DORME - 08/01/2020
Em, 8 de Janeiro de 2020
Até agora 900 igrejas foram destruídas no norte da Nigéria pelo Boko Haram. Pelo menos 16 mil cristãos foram assassinados no país desde 2015. Foto: Igreja First African Church Mission após ser incendiada em Jos, Nigéria em 6 de julho de 2015. (Foto by AFP via Getty Images)
Martha Bulus, uma católica nigeriana estava a caminho da sua festa de casamento quando foi sequestrada por extremistas islâmicos do Boko Haram. Martha e suas acompanhantes foram decapitadas, a decapitação foi gravada. O vídeo dos brutais assassinatos desses 11 cristãos foi divulgado em 26 de dezembro para coincidir com as festas natalinas. É uma reminiscência das imagens de outros cristãos vestidos com macacões laranja ajoelhados em uma praia, cada cristão nas mãos de um jihadista mascarado, vestido de preto, com uma faca próxima da garganta da vítima. Seus corpos foram descobertos em uma vala comum na Líbia.
Pelos padrões de perseguição de cristãos na Nigéria, Martha teve menos sorte do que outra menina sequestrada, de nome Leah Sharibu, que se encontra em cativeiro há quase dois anos e acaba de passar o segundo Natal nas mãos do Boko Haram. O motivo? Leah se recusou a se converter ao Islã e negar o cristianismo. Os líderes cristãos nigerianos também estão protestando o "contínuo sequestro de meninas cristãs menores de idade por jovens muçulmanos..." Essas meninas "são convertidas à força ao Islã e obrigadas a se casarem sem o consentimento dos pais".
A Nigéria está passando por uma guerra islâmica de extermínio de cristãos. Até agora 900 igrejas foram destruídas no norte da Nigéria pelo Boko Haram. O Presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, foi informado de que pelo menos 16 mil cristãos foram assassinados no país desde 2015. Na única diocese católica nigeriana, Maiduguri, 5 mil cristãos foram assassinados. Até que ponto terá que chegar essa guerra contra os cristãos para que o Ocidente a considere "genocídio" e tome as devidas providências preventivas?
No dia seguinte à decapitação dos cristãos nigerianos, o Papa Francisco repreendeu a sociedade ocidental. Em relação aos cristãos decapitados? Não. "Desliguem os celulares, conversem durante as refeições", salientou o papa. Nem um pio sobre a dantesca execução de seus irmãos cristãos. Poucos dias antes, o Papa Francisco pregou na parede uma cruz vestida com um colete salva-vidas em homenagem aos migrantes que perderam a vida no Mar Mediterrâneo. Em setembro passado, o Papa descerrou um monumento aos migrantes na Praça de São Pedro, contudo não homenageou os cristãos assassinados por extremistas islâmicos, nem uma palavrinha.
O cardeal Robert Sarah, um dos pouquíssimos líderes da Igreja Católica que mencionou o caráter islâmico desse massacre, escreveu: "na Nigéria, o assassinato de 11 cristãos por islamistas malucos é um lembrete de quantos de meus irmãos em Cristo africanos vivem a fé arriscando a própria vida".
Não é só o Vaticano que está calado. Nenhum governo ocidental teve tempo para expressar horror e indignação diante da decapitação dos cristãos. "Onde está a aversão moral a esta tragédia?", perguntou o bispo nigeriano Matthew Kukah após o massacre do Natal. "Isso faz parte de um drama muito mais amplo com o qual temos que conviver diariamente".
Os líderes europeus devem seguir o exemplo do primeiro-ministro britânico Boris Johnson que, em sua primeira mensagem de Natal à nação ressaltou:
"hoje, exatamente nesse dia, quero que lembremos os cristãos ao redor do mundo que estão diante da perseguição. Para eles o Dia de Natal será comemorado às escondidas, em segredo, talvez até em uma cela".
A chanceler alemã Angela Merkel assinalou que a sua prioridade é combater as mudanças climáticas. Ela não disse nada em relação aos cristãos perseguidos. O presidente francês Emmanuel Macron em seu discurso de solstício de inverno sequer conseguiu dizer "Feliz Natal".
Enquanto isso a revista The Economist adiantou que o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, apaixonado defensor dos cristãos perseguidos, "tira proveito" político do problema.
Os líderes da Europa erraram ao não condenarem a bárbara execução de cristãos no Natal: a correção política está corroendo por dentro a sociedade ocidental.
No início de dezembro, outro bispo africano, Justin Kientega de Burkina Faso, salientou: "ninguém nos dá ouvidos. Obviamente o Ocidente está mais preocupado com seus próprios interesses".
"Por que o mundo está calado enquanto cristãos são assassinados no Oriente Médio e na África?", escreveu Ronald S. Lauder, presidente do Congresso Judaico Mundial.
"Na Europa e nos Estados Unidos testemunhamos manifestações de protesto pelas trágicas mortes de palestinos usados como escudos humanos pelo Hamas, organização terrorista que controla a Faixa de Gaza. As Nações Unidas realizaram investigações e concentram sua fúria contra Israel por este se defender daquela mesma organização terrorista. Mas o massacre bárbaro de milhares e milhares de cristãos é tratado com relativa indiferença".
Onde estavam os governos ocidentais quando milhares de jovens muçulmanos entraram na Síria e no Iraque para caçar e assassinar cristãos e destruir igrejas e comunidades? O Ocidente não fez nada e pagou por não reagir. Os islamistas começaram com os cristãos no Oriente e continuaram com os "pós-cristãos" no Ocidente. Nas palavras do medievalista francês Rémi Brague: "as forças que querem expulsar os cristãos de suas terras ancestrais se perguntarão: por que não continuar no Ocidente uma causa que deu tão certo no Oriente?".
Não houve nenhuma indignação no Ocidente quanto às decapitações de cristãos, somente silêncio, interrompido por "Allahu Akbar", tiros e bombas. Os livros de história do futuro não verão com bons olhos essa traição do Ocidente, dependendo de quem os irá escrever. O fim dos cristãos do Oriente será um desastre para a Igreja do Ocidente. Não haverá mais ninguém no berço da sua própria civilização.
O que iríamos ler se, por exemplo, terroristas cristãos parassem um ônibus, separassem os passageiros segundo a fé de cada um, ordenassem aos muçulmanos a se converterem ao cristianismo e depois assassinassem onze? O oposto aconteceu no Quênia. O que lemos? Nada. Em 10 de dezembro, o grupo terrorista islâmico Al Shabaab parou um ônibus no norte do Quênia, assassinou somente os que não eram muçulmanos. Nós ocidentais, via de regra nos sensibilizamos quando da perseguição dessa ou daquela minoria, por que nunca pelos nossos cristãos?
A cristianofobia dos extremistas muçulmanos que massacram cristãos no Oriente Médio e na África está no cerne de uma ideologia totalitária cujo objetivo é unir os muçulmanos da ummah (nação muçulmana) em um califado, isso depois de destruir as fronteiras dos estados nacionais e liquidar com os "infiéis": judeus, cristãos e demais minorias, bem como com os "apóstatas muçulmanos". A Nigéria se encontra na dianteira desse drama.
"A Nigéria é hoje o lugar mais letal do planeta para os cristãos", observou o advogado cristão Emmanuel Ogebe.
"Estamos diante de um genocídio. Eles estão tentando expulsar os cristãos, eles estão tentando se apossar de suas terras e estão tentando impor sua religião aos assim chamados infiéis e pagãos, que segundo eles são os cristãos".
O Ocidente vira para o outro lado e dorme. "O Ocidente abriu suas fronteiras sem hesitar para os refugiados de países muçulmanos que fogem da guerra", escreveu a economista Nathalie Elgrably-Lévy. "Essa solidariedade ocidental aparentemente virtuosa é, no entanto, seletiva e discriminatória". Os cristãos perseguidos foram abandonados pelos governos ocidentais e pelo cenário público.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, foi recentemente cercado por muçulmanos que protestavam contra uma nova lei que dará cidadania aos não muçulmanos de países vizinhos que fogem da perseguição. Tarek Fatah explicou no Toronto Sun que a indignação muçulmana com respeito à nova lei indiana se origina do medo "segundo o qual dar cidadania a cristãos, hindus e siques paquistaneses perseguidos, aumentará a população não muçulmana do país diluindo assim seu poder de veto, o que eles vêm exercendo na Índia nos últimos 70 anos".
Onde estão as praças lotadas de londrinos e nova-iorquinos em nome dos refugiados cristãos discriminados pelo Ocidente? Nas regiões da Síria ocupadas pelos islamistas, os cristãos passaram apenas um "Natal especial" sem sinos nem luzes e com muitas de suas igrejas transformadas em estábulos.
Khabour, região da Síria onde os cristãos assírios viviam, agora é chamada de "vale da morte". O ex-arcebispo de Canterbury, George Carey, escreveu recentemente:
"a guerra na Síria recomeçou. Mais uma vez os refugiados lotam as estradas necessitando da nossa compaixão. No entanto, aqueles da 'fé errada' não a terão do governo britânico. O reassentamento do Reino Unido de 16 mil refugiados do conflito anterior não incluiu praticamente ninguém das minorias mais brutalizadas para que elas pudessem alcançar a segurança do nosso país. Dos refugiados que vieram para cá em 2015 sob a égide do Vulnerable Persons Scheme, somente 1,6% eram cristãos. Isso apesar do grupo contar com 10% da população síria".
Os muçulmanos lotam as praças do Ocidente em nome de seus patrícios, mas para os nossos irmãos cristãos perseguidos, essas praças permanecem vazias.
*Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.
**Original em inglês: Christians Beheaded for Christmas, The West Goes Back to Sleep
***Tradução: Joseph Skilnik
*Publicado originalmente por https://pt.gatestoneinstitute.org/15409/natal-cristaos-decapitados
AQUELE NATAL - 27/12/2019
“A cada dia fico mais seguro de que o verdadeiro espírito de Natal é rebelde, imprevisível, desconcertante.”
26/12/19
Amigos me confessam que sentem tremores, vertigens e suores aos primeiros acordes de “Jingle Bells” ou à visão de um sorridente Papai Noel temporão, já em novembro. Para muita gente, o final do ano marca a chegada da temida estação da ansiedade, das palpitações, das tristezas e dos humores oscilantes.
O mais estranho desse tempo é que ele conduz os incautos a um território imaginário de picos nevados e pinheiros românticos, onde cada um deve estar obrigatoriamente feliz e saltitante como uma rena ao primeiro tilintar dos sininhos. Que crueldade! Ora: quantas pessoas chegam ao final do ano com a alma leve, os afetos em dia e as mágoas sanadas? Infelizmente, nossos altos e baixos não estão sujeitos ao calendário gregoriano e pode acontecer, sim, de nossa voz desafinada soar atravessada em meio à harmonia do coral festivo. A realidade, a vida como ela é, contrasta com a ilusão desses dezembros, tromba de frente com a leviandade cosmética dos comerciais dos shoppings, se engasga com a farofa e o panetone obrigatórios.
Estamos ali reunidos, cercados de familiares, amigos, vinhos, pernis fatiados, crianças, luzinhas que piscam e mulheres de roupa nova. Mas... cadê a felicidade total? Ué? Não apareceu? Nós pagamos por ela, à vista e em três vezes no cartão! Ela existia, sim, nos comerciais da TV, no sorriso dos casais, nos abraços e nos beijos das propagandas de perfumes! Por que será que a felicidade total não saltou para nós precisamente à meia-noite, ereta e pontual como o termômetro do peru no forno?
Quantas bobagens! A cada dia fico mais seguro de que o verdadeiro espírito de Natal é rebelde, imprevisível, desconcertante. E que ele caminha ao lado do grande sentimento de fraternidade, uma entidade de aparições raras e inesquecíveis. Já passei por isso, de pura sorte.
Estávamos visitando uma catedral famosa pelos seus vitrais. Havia uma missa naquele momento, e a igreja estava repleta de fiéis e de turistas. Foi quando o padre convidou as pessoas a se darem as mãos para rezarem o pai-nosso. Obedecendo ao ritual, um pouco sem-graça pela intimidade súbita e forçada, nós, ovelhas desgarradas e pecadoras, seguramos as mãos vizinhas desconhecidas e começamos a rezar também.
Então, a magia aconteceu. O pai-nosso que ouvíamos não era balbuciado apenas no português-brasileiro, mas também em italiano, alemão, francês, chinês, espanhol – e tantas outras línguas que não consegui identificar. Estávamos ali, turistas vindos de toda parte, ignorantes como os pastores que seguiram a estrela, reunidos pelo acaso para rezar. Rezar, refletir e agradecer pelo pão diário, santificar a natureza, pedir perdão pelo nosso egoísmo eventual e, sobretudo, perdoar-nos e perdoar aqueles seres idênticos a nós, habitantes de um planeta azul errante.
Aposto que não fui o único a sentir o nó na goela ao ouvir nossas vozes ressoando nos mármores da igreja – um cântico confuso, descompassado e dissonante; porém, com o poder de fazer-nos flutuar. Era a voz da humanidade. Quando terminou a oração, soltamos as mãos alheias, sorrimos para nós mesmos e saímos cada qual para seu destino, fingindo que olhávamos interessados os detalhes renascentistas dos vitrais multicoloridos.
Lá fora não havia neve, renas, gnomos ou algum trenó estacionado. Um ônibus de turismo buzinava frenético, apressando os japoneses faltantes. A única música vinha de uma loja na praça em frente, tocando um reggae animadíssimo. E o sol estava bem quente para aquele dia da primavera europeia. Mas pensei comigo: isso era ou não era Natal?
NA DEMOCRACIA INSTITUIÇÕES NÃO MORREM, SUICIDAM-SE - 18/12/2019
Quando o nome dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é conhecido pelo povo em todo o País; quando se consegue antecipar o voto dos ministros sem errar; quando ministros se agridem oralmente, usando linguagem vulgar nas sessões; quando não hesitam em atropelar competências, a comprometer a segurança jurídica; isso só pode significar que o STF está numa trajetória equivocada de afirmar a sua superioridade política sobre os demais Poderes e está irreversivelmente enredado na política... É um desastre anunciado que já se instalou na Corte: a política está expulsando o Direito do tribunal.
O fato inegável é que o STF tem competências que o diferenciam do Executivo e do Legislativo. O poder de decretar a inconstitucionalidade de um diploma legal é exclusivo dele, afeta os outros dois Poderes sem ser por eles afetado. O STF não é um órgão eleito pelo povo, não está sujeito a mandato fixo, salvo por idade, e tem seus ministros indicados pelo Executivo e aprovados pelo Legislativo. Os freios da escolha popular ou do mandato com prazo fixo não o atingem. Por fim, é a última instância não só do Judiciário, como do sistema político em matéria jurídica.
Se o Judiciário tem esse poder que pode levá-lo a considerar-se superior aos outros dois, este também é o seu calcanhar de Aquiles.
Tribunais superiores, em regra, acautelam-se no exercício desses poderes. Não pretendem ser populares, detestam as especulações jornalísticas, proíbem fotografia, gravação ou filmagem de suas atividades, não dão entrevistas e evitam a todo o custo envolver-se na política. Preservam religiosamente sua discrição e sua independência, o mistério e a magia da instituição. Sabem que o maior inimigo da legitimidade da Corte é o envolvimento político. São 11 ministros que sabem qual o custo de tão elevada função: evitar a política, manter sob reserva suas características pessoais e evitar a popularidade, que gera expectativas e pressões.
Nosso Supremo, guardadas as diferenças entre os sistemas políticos de outras nações, tem se mantido dentro desses parâmetros comportamentais a maior parte do tempo.
Os casos desviantes sempre existiram, mas divisão por motivos políticos, com formação de blocos, controles de fidelidade e a ousadia de submeter a segurança jurídica a interesses políticos não faziam parte da história do STF.
Então, por que o STF cada vez mais se envolve em decisões políticas? Porque a política está expulsando o Direito do tribunal?
O próprio ex-presidente Lula respondeu a essa pergunta quando da divulgação dos telefonemas gravados pelo então juiz Sergio Moro. Neles o ex-presidente exigia de seus companheiros que “cobrassem” dos ministros o apoio de que estava necessitando, a revelar que a nomeação deles implicava a contrapartida em votos no plenário. Se a lógica do aparelhamento político precisava de confirmação, o ex-presidente encarregou-se de fornecê-la.
O ingresso da política no STF foi também coadjuvado pelo próprio tribunal quando liberou a transmissão das sessões pela TV. O público não acompanharia sessões técnicas, mas o faria nas sessões em que estavam em julgamento questões políticas.
Mas a TV no STF teve mais consequências. Ministros subitamente se tornaram figuras públicas. Seus acertos, como seus erros, passaram a ser vistos por todos, choveram convites para eventos, jornalistas estavam sempre em busca de entrevistas, sua presença nos noticiosos era frequente. Ministros, sendo 11, eram mais presentes na mídia do que as centenas de deputados e dezenas de senadores. Nem mesmo os presidentes das Casas Legislativas tinham cobertura de mídia tão intensa. Conflitos logo se tornaram públicos, o que exigia dos contendores coerência na continuidade da desarmonia.
A TV e a notoriedade pública envolveram os ministros do STF, atraindo-os para um protagonismo político para o qual não estavam preparados, mas cuja atração se revelou irresistível. Se a política entrou no STF, em boa parte foi porque a TV entrou na Corte.
Houve ainda um terceiro fator na politização da Corte. Como a ação da Lava Jato decorria numa comarca, sob a autoridade de um juiz singular, a investigação desembocava num processo e o processo conduzia ao julgamento, à sentença e, inevitavelmente, a recursos a instâncias superiores. A leitura dos que já estavam inoculados pela popularidade era de que um juiz de primeira instância havia aplicado uma capitis diminutio nos juízes do STF.
De início não se percebeu a desproporção que decorria da entrega do maior caso de corrupção da História do País a um jovem juiz singular. Não era uma ação de governo investigando suas entranhas, conduzida por autoridades de espectro nacional. Era uma ação em que o governo do País e suas autoridades surgiam como suspeitos e, como réus, ficaram sujeitos ao processo penal. Políticos, empresários e servidores da mais alta hierarquia acabaram submetidos à autoridade de um jovem juiz de subseção. Restaria ao STF, então, julgar recursos em matéria de Direito, porque em matéria de fato não havia mais o que fazer. E tudo o que surgia era resultado da ação de um juizado singular. Foi muito difícil para alguns ministros aceitar essa aparente humilhação.
Assim, Lava Jato e mensalão seguiram roteiros opostos quanto à sua origem: a Lava Jato deslocou-se de baixo para a cúpula do sistema político; o mensalão, ao contrário, nasceu e se extinguiu no STF.
Foi o mensalão televisionado, entretanto, que introduziu os ministros no mundo da política e do espetáculo, cujo ingresso ocorre com facilidade, até mesmo por descuido, mas cuja saída não se dá sem pagar um preço proibitivo na majestade institucional da Corte e naquele “terrível poder” dado ao homem para julgar o homem. Fácil é entrar no jogo político, difícil sair; impossível sair ileso e recuperar a pureza de outrora.
*PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA, PÓS-GRADUADO PELA UNIVERSIDADE PRINCETON, EX-REITOR DA UFRGS, É CRIADOR E DIRETOR DO SITE WWW.MUNDODAPOLITICA.COM
** Publicado originalmente em O Estado de São Paulo 17/12.
JUDEUS DE SEIS BRAÇOS - 22/11/2019
Segunda-feira à noite, em Barcelona. No restaurante, uma centena de advogados e juizes. Eles se encontraram para ouvir minhas opiniões sobre o conflito do Oriente Médio. Eles sabem que eu sou um barco heterodoxo, no naufrágio do pensamento único, que reina em meu país, sobre Israel. Eles querem me escutar. Alguém razoável como eu, dizem, por que se arrisca a perder a credibilidade, defendendo os maus, os culpados? Eu lhes falo que a verdade é um espelho quebrado, e que todos nós temos algum fragmento. E eu provoco sua reação: "todos vocês se sentem especialistas em política internacional, quando se fala de Israel, mas na realidade não sabem nada. Será que se atreveriam a falar do conflito de Ruanda, da Caxemira, da Chechenia?".
Não. São juristas, sua área de atuação não é a geopolítica. Mas com Israel se atrevem a dar opiniões. Todo mundo se atreve. Por quê? Porque Israel está sob a lupa midiática permanente e sua imagem distorcida contamina os cérebros do mundo. E, porque faz parte da coisa politicamente correta, porque parece solidariedade humana, porque é grátis falar contra Israel. E, deste modo, pessoas cultas, quando leem sobre Israel estão dispostas a acreditar que os judeus têm seis braços, como na Idade Média, elas acreditavam em todo tipo de barbaridades. Sobre os judeus do passado e os israelenses de hoje, vale tudo.
A primeira pergunta é, portanto, por que tanta gente inteligente, quando fala sobre Israel, se torna idiota. O problema que temos, nós que não demonizamos Israel, é que não existe debate sobre o conflito, existe rótulo; não se troca ideias, adere-se a slogans; não desfrutamos de informações sérias, nós sofremos de jornalismo tipo hambúrguer, fast food, cheio de preconceitos, propaganda e simplismo.
O pensamento intelectual e o jornalismo internacional renunciaram a Israel. Não existem. É por isso que, quando se tenta ir mais além do pensamento único, passa-se a ser o suspeito, o não solidário e o reacionário, e o imediatamente segregado. Por quê? Eu tento responder a esta pergunta há anos: por quê? Por que de todos os conflitos do mundo, só este interessa? Por que se criminaliza um pequeno país, que luta por sua sobrevivência? Por que triunfa a mentira e a manipulação informativa, com tanta facilidade? Por que tudo é reduzido a uma simples massa de imperialistas assassinos? Por que as razões de Israel nunca existem? Por que as culpas palestinas nunca existem? Por que Arafat é um herói e Sharon um monstro? Em definitivo, por que, sendo o único país do mundo ameaçado com a destruição é o único que ninguém considera como vítima?
Eu não acredito que exista uma única resposta a estas perguntas. Da mesma forma que é impossível explicar a maldade histórica do antissemitismo completamente, também não é possível explicar a imbecilidade atual do preconceito anti-Israel. Ambos bebem das fontes da intolerância, da mentira e do preconceito. Se, além disso, nós aceitarmos que ser anti-Israel é a nova forma de ser antissemita, concluímos que mudaram as circunstâncias, mas se mantiveram intactos os mitos mais profundos, tanto do antissemitismo cristão medieval, como do antissemitismo político moderno. E esses mitos desembocam no que se fala sobre Israel. Por exemplo, o judeu medieval que matava as crianças cristãs para beber seu sangue, se conecta diretamente com o judeu israelense que mata as crianças palestinas para ficar com suas terras. Sempre são crianças inocentes e judeus de intenções obscuras.
Por exemplo, a ideia de que os banqueiros judeus queriam dominar o mundo através dos bancos europeus, de acordo com o mito dos Protocolos (dos Sábios de Sião), conecta-se diretamente com a ideia de que os judeus de Wall Street dominam o mundo através da Casa Branca. O domínio da imprensa, o domínio das finanças, a conspiração universal, tudo aquilo que se configurou no ódio histórico aos judeus, desemboca hoje no ódio aos israelenses. No subconsciente, portanto, fala o DNA antissemita ocidental, que cria um eficaz caldo de cultura. Mas, o que fala o consciente? Por que hoje surge com tanta virulência uma intolerância renovada, agora centrada, não no povo judeu, mas no estado judeu? Do meu ponto de vista, há motivos históricos e geopolíticos, entre eles o sangrento papel soviético durante décadas, os interesses árabes, o antiamericanismo europeu, a dependência energética do Ocidente e o crescente fenômeno islâmico.
Mas também surge de um conjunto de derrotas que nós sofremos como sociedades livres e que desemboca em um forte relativismo ético. Derrota moral da esquerda. Durante décadas, a esquerda ergueu a bandeira da liberdade, onde houvesse injustiça, e foi a depositária das esperanças utópicas da sociedade. Foi a grande construtora do futuro. Apesar da maldade assassina do stalinismo ter afundado essas utopias e ter deixado a esquerda como o rei que estava nu, despojado de trajes, ela conservou intacta sua auréola de lutadora, e ainda dita as regras do que é bom e ruim no mundo. Até mesmo aqueles que nunca votariam em posições de esquerda, concedem um grande prestígio aos intelectuais de esquerda, e permitem que sejam eles os que monopolizam o conceito de solidariedade. Como fizeram sempre. Deste modo, os que lutavam contra Pinochet, eram os lutadores pela liberdade, mas as vítimas de Castro são expulsas do paraíso dos heróis e transformadas em agentes da CIA, ou em fascistas disfarçados.
Da mesma forma que é impossível explicar a maldade histórica do antissemitismo completamente, também não é possível explicar a imbecilidade atual do preconceito anti-Israel. Ambos bebem das fontes da intolerância, da mentira e do preconceito.
Eu me lembro, perfeitamente, como, quando era jovem, na Universidade combativa da Espanha de Franco, ler Solzhenitsyn era um horror! E deste modo, o homem que começou a gritar contra o buraco negro do Gulag stalinista, não pôde ser lido pelos lutadores antifranquistas, porque não existiam as ditaduras de esquerda, nem as vítimas que as combatiam.
Essa traição histórica da liberdade se reproduz no momento atual, com precisão matemática. Também hoje, como ontem, essa esquerda perdoa ideologias totalitárias, se apaixona por ditadores e, em sua ofensiva contra Israel, ignora a destruição de direitos fundamentais. Odeia os rabinos, mas se apaixona pelos imãs; grita contra o Tzahal (Exército israelense), mas aplaude os terroristas do Hamas; chora pelas vítimas palestinas, mas rejeita as vítimas judias; e, quando se comove pelas crianças palestinas, só o faz se puder acusar os israelenses. Nunca denunciará a cultura do ódio, ou sua preparação para a morte, ou a escravidão que suas mães sofrem. E enquanto iça a bandeira da Palestina, queima a bandeira de Israel.
Um ano atrás, eu fiz as seguintes perguntas no Congresso do AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel) em Washington: "Que profundas patologias alijam a esquerda de seu compromisso moral? Por que nós não vemos manifestações em Paris, ou em Barcelona, contra as ditaduras islâmicas? Por que não há manifestações contra a escravidão de milhões de mulheres muçulmanas? Por que eles não se manifestam contra o uso de crianças-bomba, nos conflitos onde o Islã está envolvido? Por que a esquerda só está obcecada em lutar contra duas das democracias mais sólidas do planeta, e as que sofreram os ataques mais sangrentos, os Estados Unidos e Israel?”
Porque a esquerda, que sonhou utopias, parou de sonhar, quebrada no muro de Berlim do seu próprio fracasso. Já não tem ideias, e sim slogans. Já não defende direitos, mas preconceitos. E o preconceito maior de todos é o que tem contra Israel. Eu acuso, portanto, de forma clara: a principal responsabilidade pelo novo ódio antissemita, disfarçada de posições anti-Israel, provém desses que deveriam defender a liberdade, a solidariedade e o progresso. Longe disto, eles defendem os déspotas, esquecem suas vítimas e permanecem calados perante as ideologias medievais que querem destruir a civilização. A traição da esquerda é uma autêntica traição à modernidade.
Derrota do jornalismo. Temos um mundo mais informado do que nunca, mas nós não temos um mundo melhor informado. Pelo contrário, os caminhos da informação mundial nos conectam com qualquer ponto do planeta, mas eles não nos conectam nem com a verdade, nem com os fatos. Os jornalistas atuais não precisam de mapas, porque têm o Google Earth, eles não precisam saber história, porque têm a Wikipedia. Os jornalistas históricos que conheciam as raízes de um conflito, ainda existem, mas são espécies em extinção, devorados por este jornalismo tipo hambúrguer, que oferece fast food de notícias, para leitores que querem fast food de informação.
Israel é o lugar mais vigiado do mundo e, ainda assim, o lugar menos compreendido do mundo. Claro que, também influencia a pressão dos grandes lobbys dos petrodólares, cuja influência no jornalismo é sutil, mas profunda. Qualquer mídia sabe que se falar contra Israel não terá problemas. Mas, o que acontecerá se criticar um país islâmico? Sem dúvida, então, sua vida ficará complicada. Não nos confundamos. Parte da imprensa, que escreve contra Israel, se veria refletida na frase afiada de Goethe: "Ninguém é mais escravo do que aquele que se acha livre, sem sê-lo". Ou também em outra, mais cínica de Mark Twain: "Conheça primeiro os fatos e logo os distorça quanto quiser".
Derrota do pensamento crítico. A tudo isto, é necessário somar o relativismo ético, que define o momento atual, e que é baseado, não na negação dos valores da civilização, mas na sua banalização. O que é a modernidade?
Pessoalmente a explico com este pequeno relato: se eu me perdesse em uma ilha deserta, e quisesse voltar a fundar uma sociedade democrática, só necessitaria de três livros: as Tábuas da Lei, que estabeleceram o primeiro código de comportamento da modernidade. "O não matarás, não roubarás", fundou a civilização moderna. O código penal romano. E a Declaração dos Direitos Humanos. E com estes três textos, começaríamos novamente. Estes princípios que nos endossam como sociedade, são relativizados, até mesmo por aqueles que dizem defendê-los. "Não matarás", depende de quem seja o objeto, pensam aqueles que, por exemplo, em Barcelona, se manifestam aos gritos a favor do Hamas.
"Vivam os direitos humanos", depende de a quem se aplica, e por isso milhões de mulheres escravas não preocupam. "Não mentirás", depende se a informação for uma arma de guerra a favor de uma causa. A massa crítica social se afinou e, ao mesmo tempo, o dogmatismo ideológico engordou. Nesta dupla mudança de direção, os fortes valores da modernidade foram substituídos por um pensamento fraco, vulnerável à manipulação e ao maniqueísmo.
Derrota da ONU. E com ela, uma firme derrota dos organismos internacionais, que deveriam cuidar dos direitos humanos, e que se tornaram bonecos destroçados nas mãos de déspotas. A ONU só serve para que islamofascistas, como Ahmadinejad, ou demagogos perigosos, como Hugo Chávez, tenham um palco planetário de onde cuspir seu ódio. E, claro, para atacar Israel sistematicamente. A ONU, também, vive melhor contra Israel.
Finalmente, derrota do Islã. O Islã das luzes sofre hoje o ataque violento de um vírus totalitário, que tenta frear seu desenvolvimento ético. Este vírus usa o nome de D'us para perpetrar os horrores mais inimagináveis: apedrejar mulheres escravizá-las, usar grávidas e jovens com atraso mental como bombas humanas, educar para o ódio, e declarar guerra à liberdade. Não esqueçamos, por exemplo, que nos matam com celulares conectados, via satélite, com a Idade Média. Se o stalinismo destruiu a esquerda, e o nazismo destruiu a Europa, o fundamentalismo islâmico está destruindo o Islã. E também tem, como as outras ideologias totalitárias, um DNA antissemita. Talvez o antissemitismo islâmico seja o fenômeno intolerante mais sério da atualidade, e não em vão afeta mais de 1,3 bilhões de pessoas educadas, maciçamente, no ódio ao judeu.
Na encruzilhada destas derrotas, se encontra Israel. Órfão de uma esquerda razoável, órfão de um jornalismo sério e de uma ONU digna, e órfão de um Islã tolerante, o Estado de Israel sofre com o paradigma violento do século XXI: a falta de compromisso sólido com os valores da liberdade. Nada é estranho. A cultura judaica encarna, como nenhuma outra, a metáfora de um conceito de civilização que hoje sofre ataques por todos os flancos. Vocês são o termômetro da saúde do mundo. Sempre que o mundo teve febre totalitária, vocês sofreram. Na Idade Média, o fascismo europeu, no fundamentalismo islâmico, sempre o primeiro inimigo é Israel, que encarna, na própria carne, o judeu de sempre.
Um pária de nação entre as nações, para um povo pária entre os povos. É por isso que o antissemitismo do século XXI foi vestido com o disfarce efetivo da crítica anti-Israel. Toda crítica contra Israel é antissemita? Não. Mas, todo o antissemitismo atual transformou-se no preconceito e na demonização contra o Estado Judeu. Um vestido novo para um ódio antigo.
Benjamim Franklin disse: "Onde mora a liberdade, lá é a minha pátria". E Albert Einstein acrescentou: "A vida é muito perigosa. Não pelas pessoas que fazem o mal, mas por aquelas que ficam sentadas vendo isso acontecer".
Este é o duplo compromisso aqui e hoje: nunca se sentar vendo o mal passar e defender sempre as pátrias da liberdade.
* Pilar Rahola é uma jornalista e colunista de perfil conservador, ex-parlamentar espanhola representando a Catalunha.
DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS NA GUERRA REVOLUCIONÁRIA QUE SE TRAVA NO BRASIL - 14/11/2019
Se qualquer pessoa disser que os “SEIS DO STF” são feios, muito provavelmente será processado. Eduardo Bolsonaro, deputado, com imunidade parlamentar que lhe concede o direito de emitir livremente opinião sobre quaisquer assuntos, desde que não ofensiva à moral e aos bons costumes, referiu-se “en passant” à possibilidade de aplicação do AI-5 como forma de conter as graves ameaças de subversão da ordem que pairam sobre o País. Foi o que bastou para que o mundo viesse abaixo, sendo levantada a hipótese até mesmo de ser-lhe imposta a pena de cassação do mandato!
Enquanto isso, o “demolidor do futuro de Garanhuns’’, recém solto da cadeia por decisão da maioria do STF, em comício no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, transmitido ao vivo e em cores, com toda a publicidade, pelas emissoras de televisão e meios de comunicação outros, chamou o Ministro Moro de “canalha”, os membros do Ministério Público da Operação Lava Jato, Dallagnol à frente, de “quadrilha”, o Presidente Bolsonaro de ‘’Presidente dos Milicianos”, além de incentivar seus seguidores a “passarem ao ataque” e a “seguirem o exemplo do que hoje ocorre no Chile’’ em nossa terra! E ‘’no pasó nada”, como se diz na língua dos hermanos Castro, de Chê Guevara, de Hugo Chávez, de Nicolás Maduro e de Evo Morales, ídolos da esquerda radical na América Latina e no Brasil, tudo sendo encarado até agora como se dentro da mais perfeita normalidade...
Os frutos plantados pelos idealizadores e condutores do processo da Constituição de 1988, predominantemente de esquerda, estão sendo colhidos nestes dias. Ao longo do período desde então, direitos tiveram primazia sobre deveres, estimularam-se as divisões na sociedade, os ódios e as lutas de classe, ganharam corpo e ampla difusão os conceitos gramscianos de quem combate o comunismo é “fascista”, quem se opõe à corrupção generalizada e pretende que os corruptos vermelhos e de todos os matizes sejam processados e presos é ‘’antidemocrático”, enquanto “democráticos e heróis da liberdade” são os que lutaram, de armas na mão, guerrilheiros e terroristas, para impor a tirania vermelha em nossa terra.
Os desafios a serem vencidos, para a implantação definitiva da Democracia e da Paz Social no Brasil, partem dos partidos e agrupamentos da esquerda radical de toda natureza, da infiltração planejada e programada de reitores, diretores, professores de orientação vermelha nas escolas de todos os níveis, e de caudatários da mesma perversa ideologia nas direções, redações, corpos de reportagem e de comentaristas dos órgãos de comunicação de massa, televisivos, radiofônicos, jornais, revistas e periódicos. Agravando sobremaneira a situação, tem-se a postura anti Operação Lava Jato, que pela vez primeira em nossa História levou os criminosos ricos e poderosos à beira dos tribunais e à prisão, de grande parte dos membros das Duas Casas do Congresso Federal, envolvidos em investigações, inquéritos e processos, daí a aprovação a toque de caixa da Lei do Abuso de Autoridade, tendendo a absolver culpados e a punir os agentes responsáveis funcionalmente pela defesa da ética e da moralidade no âmbito de todas as operações a cargo do Estado e no seu relacionamento com empresas e outros entes do direito privado e países e organizações estrangeiras.
A recentíssima decisão da maioria de 6x5 do STF, que foi elevada à condição de impor sua vontade à Nação, contrariando o que vigia até 2009 e a própria decisão do mesmo tribunal, prolatada em 2016 e seguida em sucessivos julgamentos naquela corte desde então, no sentido de mandar soltar os presos já condenados em segunda instância, para que ficassem em liberdade até o julgamento final da quarta instância, depois de esgotados todos os recursos possíveis, apresentados por advogados muito caros, é mais um fator retardador e eventualmente prescritor da vontade da maioria expressiva da Nação, e do conceito democrático basilar de que “todos são iguais perante a Lei”.
Não há como não se ficar preocupado quanto ao futuro. E agora? Será tudo absorvido passivamente? Tentarão os agentes do caos incendiar o País, “como ocorre no Chile”? Que rumos estão reservados ao Brasil, ao seu Povo e às suas Instituições?
AS PESSOAS PATRIOTAS E DE BEM TÊM DE SER FORTES, FIRMES, PERSEVERAR NO BOM COMBATE EM DEFESA DA PÁTRIA, COM CORAGEM, BRAVURA E DETERMINAÇÃO!
GUERRA CIVIL MOLECULAR - 13/11/2019
Em 1993 o poeta, ensaísta, escritor, editor e tradutor alemão HANS MAGNUS ENZENSBERGER, um dos filhos mais diletos da Escola de Frankfurt (1) , aluno preferido de Theodor Adorno, escreveu o ensaio PERSPECTIVA DE UMA GUERRA CIVIL.
No ensaio, HANZ MAGNUS introduz o conceito de Guerra Civil Molecular. Segundo ele, a Guerra Civil Molecular desenvolve-se em áreas urbanas e está ligada a subcultura marginal, sem qualquer objetivo político, possuindo alto grau de violência.
Diferentemente das guerras civis tradicionais, onde a violência é um meio para se atingir um fim, nas guerras moleculares não há qualquer fim a ser buscado ou inimigo certo a ser batido.
Não há, por igual, ideologias que legitimem os atos cruentos praticados. Há, por parte dos “guerreiros moleculares”, a perda da empatia, do altruísmo e da alteridade. É como se existisse um ódio contra tudo aquilo que funciona e que se expressa em “una furia destructora” (p. 48).
Ela começa aos poucos, de forma quase imperceptível. Instala-se no seio do contexto social através de pequenos atos de desordem. Estes, sem que o conjunto da população se aperceba, vão se avolumando, crescendo em número e complexidade, até o momento da total ruptura do tecido social, criando-se o caos.
Diz Hanz Magnus:
“El comienzo es incruento, los indícios son inofensivos. La guerra civil molecular se inicia de forma imperceptible, sin que medie una movilización general. Poco a poco, en la calle se van acumulando las basuras. En el parque aumenta el numero de jerinquillas y botellas de cervezas destrozadas. Por doquier las paredes se van cubriendo de graffiti monótonos cuyo único mensaje es el autismo: evocan um Yo que ya no existe. Los colégios aparecen com el mobiliário destrozado, los pátios apestan a mierda y orina, Nos hallamos ante unas declaraciones de guerra; aunque pequenas, mudas, el urbanita experimentado sabe interpretalas” (p. 47).
Este tipo de guerra é molecular por se manifestar em qualquer espaço, por menor que seja. Nesse sentido, mesmo um vagão de metrô pode ser o palco de uma guerra civil molecular: “De este modo cualquier vagón del metro pude convertirse en uma Bosnia em miniatura” (p. 28).
A Guerra Civil Molecular é como se fosse um vírus altamente contagioso, espalha-se rapidamente e com muita facilidade, contaminando, de forma letal, o seu hospedeiro, no caso a sociedade.
O “vírus” da guerra civil molecular, após instalado, muda o cenário urbano para pior. Passa imperar, em muitos sítios, a lei do mais forte. O Estado perde o controle destas regiões e a polícia não mais consegue impor a ordem. Aos moradores que lá residem resta, tão somente, duas opções, a submissão aos que se apossaram do território ou a mudança do local.
Sobre o assunto diz Magnus:
“En algunos barrios impera la ley del más flerte. La policia, que se siente inferior ya no se atreve a entrar allí, con lo cual se convierte tacitamente em cómplice, En todos estos casos puede hablarse em territorios liberados, em el sentido de que los criminales han conseguido liberarse de de la civilización y sus cargas” (p. 50).
De outro lado, nas regiões onde vivem os mais abastados, há uma mudança na estética nas casas, ruas e bairros. Muros altos, cercas, guardas armados, carros blindados e vídeomonitoramento passam a integrar a cena urbana. As residências tornam-se verdadeiros presídios, não para impedir a fuga de quem nelas estão, mas sim para impedir o ingresso de criminosos.
Com o recrudescimento da guerra civil molecular a polícia e a justiça perdem o controle da situação e as cadeias, ao revés de lugares onde as penas devem ser cumpridas, convertem-se em centros de recrutamento e treinamento de novos guerreiros (p. 52).
Os guerreiros moleculares não se escondem nas brumas do anonimato, publicam os seus feitos nas mídias sociais e buscam, assim, galgar prestígio junto a seus pares. É como se a guerra civil molecular ganhasse o “status” de série televisiva e os seus protagonistas de atores dos filmes sobre as suas próprias barbáries (2). Nas palavras de Hans Magnus, “La guerra civil se convierte en uma serie televisiva. Los combatientes muestran sus crimines ante las câmaras. Puede que piensen que así aumenta su prestígio.” (p. 67). É como se este tipo de guerra seguisse um roteiro que, ao final, termina com a ruína do contexto social como o conhecemos.
Vejamos o roteiro da Guerra Civil Molecular: normalidade, início da alteração do quadro de normalidade, a instalação da crise, sinais do começo da guerra civil molecular, a guerra civil molecular e, finalmente, o caos.
No primeiro estágio da guerra civil molecular prevalece um pretenso estado de normalidade. A vida em sociedade parece manter-se intacta e as instituições funcionam sem maiores sobressaltos. Eventuais conflitos ainda são resolvidos pelas vias normais, desde a autocomposição até a intervenção estatal. O monopólio do uso da força permanece nas mãos do Estado.
Quando a normalidade começa a sofrer alterações, o Estado não mais consegue dar resposta aos conflitos interpessoais, fazendo com que a confiança da população decaia. Há a baixa adesão às normas que regulam a vida em sociedade. Cria-se a cultura de transgressão das leis. De forma silenciosa a guerra civil molecular vai se instalando.
Na sequência, a crise começa a dar sinais de sua presença, tornando-se perceptível. Há a deterioração do aparato estatal destinado à imposição e manutenção da lei e da ordem. As instituições encarregadas da tarefa de dar segurança perdem muito de sua capacidade de agir e são detectados altíssimos índices de corrupção.
Com a escalada da crise, a guerra civil molecular encontra terreno fértil para se instalar e se sedimentar. Passa-se a perceber a multiplicação de inúmeros blackspots (3). O Estado perde a soberania sobre expressivas porções de seu território. Percebe-se a atomização das relações sociais, cada um cuidando apenas de sua própria segurança e de seus familiares. A empatia, a alteridade e a solidariedade cedem espaço ao egoísmo nas relações interpessoais.
Instalada a guerra civil molecular, há a proliferação de cartéis e organizações criminosas, cada uma delas buscando o seu quinhão. Os conflitos entre estas organizações tornam-se frequentes, para a manutenção e mesmo para a expansão de mercados e territórios. A autoridade estatal não mais se constitui em uma ameaça crível aos criminosos.
Finalmente, a guerra civil molecular se torna generalizada, deixando tal natureza e passa a se constituir em macroscópica. Instala-se o caos e o Estado se fragmenta. O fim que se prenunciava com a instalação da guerra civil molecular, passa a ganhar contornos concretos.
Eis que o fim chega e o Estado não mais é Estado.
* O autor é procurador de Justiça no MP/RS
[1] No artigo A Escola de Frankfurt, o marxismo cultural, e o politicamente correto como ferramenta de controle, CLAUDIO GRASS diz: "A Escola de Frankfurt professa que o homem, na condição de mamífero e sendo um mero produto da natureza, destituído de qualquer espiritualidade, é totalmente limitado em sua existência, sendo conduzido pelos seus mais básicos e primitivos instintos e guiado por suas necessidades básicas. Não há espaço para o livre arbítrio, não há capacidade de julgamento crítico e nem há a habilidade de distinguir o certo do errado. Não há presciência e não há racionalização. Essa posição tem suas raízes nas bases marxistas da Escola, uma vez que o marxismo afirma que o homem é um produto da sociedade: sua mente e seu espírito são determinados e moldados pelo mundo material. Por causa dessa vulnerabilidade aos fatores externos, a mente humana é vista como frágil e manipulável, de modo que, assim sendo, o homem não pode ser responsabilizado por suas próprias decisões. Essa ideia serviu como base para a "descriminalização do crime", que é uma das teses da Escola de Frankfurt. Segundo Habermas, dado que o homem é um produto da sociedade, é inevitável que ele ceda aos seus impulsos primitivos e às suas tendências criminosas, uma vez que ele foi criado sob o jugo da violência estrutural de um sistema capitalista criminoso." (Disponível em: https://www.mises.org.br/article/2401/a-escola-de-frankfurt-o-marxismo-cultural-e-o-politicamente-correto-como-ferramenta-de-controle. Recuperado em 12 de novembro de 2019).
[2] No Brasil, nos dias atuais e infelizmente, as organizações criminosas que usam a violência como instrumento de trabalho, tanto para conquistar e manter territórios, quanto para aterrorizar adversários e a população em geral, determinam aos seus "prepostos", em execuções de devedores e rivais, que filmem o ato de barbárie.
[3] Territórios dentro do território de dado Estado onde a soberania lhe é negada. Esta porção territorial passa a ser dominada por organizações criminosas ou terroristas. Há imposição de regras de convívio social próprias, draconianas em sua essência. E, à população que lá se encontra e está sob o jugo destes "invasores", é negada a incidência do ordenamento jurídico próprio de Estados Democráticos de Direito.
AGORA TUDO FICA PARA 2020 - 13/11/2019
MELHORAR? JAMAIS!
Dias atrás escrevi um editorial explicando que as vontades do PODER EXECUTIVO são, invariavelmente, diferentes das vontades do PODER LEGISLATIVO. Vejam que quando o Executivo propõe medidas que podem produzir crescimento e desenvolvimento econômico, o Legislativo, mesmo nos raros momentos que manifesta boa vontade, trata sempre de piorar alguma coisa. Melhorar? Jamais!
CASO EXEMPLAR
A REFORMA DA PREVIDÊNCIA, para ficar com o caso mais recente, é exemplar. Melhorar o projeto, no sentido de ampliar a economia de R$ 1,26 Trilhão, nem pensar. O resultado, como se sabe, foi um corte significativo, na ordem de 40%. E mesmo com o tamanho da mutilação ainda ficamos imensamente agradecidos ao Legislativo.
A ORDEM É MANTER O CORPO DOENTE
Partindo desta clara premissa, volto a afirmar: a maioria dos deputados e senadores, mesmo sabendo que o Brasil sofre de várias doenças gravíssimas, que levaram a uma paralisação brutal da economia, não admite, em hipótese alguma, tratamento que, comprovadamente, produz cura. A ordem, pasmem, é manter o corpo sempre doente.
PROMULGAÇÃO DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA
A propósito, hoje pela manhã a REFORMA DA PREVIDÊNCIA foi promulgada pelos presidentes da Câmara e do Senado. Em sessão solene os chefes do Poder Legislativo fizeram pronunciamentos do tipo que leva os ingênuos a acreditar que o prazo de nove meses foi curto e que o problema previdenciário está, enfim, resolvido.
CORREDORES POLONESES
Pois, passada esta fase, que durou praticamente o ano todo, agora chegou a hora de encarar a REFORMA TRIBUTÁRIA e a REFORMA ADMINISTRATIVA. E, como se sabe, se tudo der certo e à contento, ambas as PECs passarão pelos CORREDORES POLONESES onde, inevitavelmente, serão desfiguradas antes de serem votadas em plenário. Isto, obviamente, só lá em meados de 2020.
VELHA PERGUNTA
Enquanto isso alguns jornalistas, que pouco ou nada sabem, fazem sempre a mesma pergunta aos seus interlocutores: - Por que a economia e o emprego seguem em ritmo de baixa recuperação? A resposta, nem sempre obtida é mais do que simples: - Porque o Legislativo não admite o emprego de remédios com capacidade de cura. No máximo, só admite que o paciente respire.
O CORINGA QUE EU VI! - 05/11/2019
Fui assistir ontem o "Coringa". Gostei, especialmente se a proposta de valor do diretor Todd Phillips era deixar para o público assistente, a missão de construir teses e identificar as "reais" mensagens da película.
Saí do cinema pensando se a ficção dentro da ficção, não passou-se meramente de um sonho na cabeça - tresloucada e ressentida - do personagem Arthur Fleck, o coringa.
O diretor, a bem da verdade, deixa quase tudo em aberto. É possível interpretar e especular de várias maneiras sobre as mais diversas temáticas abordadas. Isso é legal?!
Prato cheio para psiquiatras, psicanalistas e assistentes sociais!
Se não me equivoco, é um filme muito mais psicológico do que relacionado com política. Tanto Arthur Fleck, como também o Joker, são dois em um de uma mente doentia, sofrida e ressentida com o seu notório fracasso; um criminoso doentio que se delicia com a crueldade e o sadismo de seus próprios atos.
Mas como o filme permite divagações-mil, especulo e opino sobre alguns pontos.
Arthur Fleck é alguém que não possui nenhuma referência moral, um tipo de niilista que não acredita em nada. Talvez tenha apenas alguma obrigação quanto ao cuidado de sua mãe, mas após descobrir que ele é adotado e sistematicamente espancado pelos namorados desta, mata-a "com grande prazer".
Diga-se de passagem, o diretor Todd Phillips incorre em "grave erro da verdade", quando tipifica o suposto pai de Arthur, Thomas Wayne, com um "capitalista sem escrúpulos", desprovido de virtudes morais - pelo menos em relação àquilo que se sabia sobre a família Wayne!
Na ficção, Arthur não se apega a necessária ficção para a vida na realidade, baseada em princípios religiosos, morais e/ou propósitos sociais. Enfim, não tem nada a perder!
A corrente do politicamente correto poderia interpretá-lo como uma vítima da sociedade, distintamente do indivíduo que utiliza tal narrativa do "tudo é permitido" para extravasar seu ódio, ressentimento e inveja, dando vazão as suas emoções, impulsos e reflexos de sua doença.
O problema é que, como quase todos sabemos, seus sentimentos desprovidos de qualquer tipo de princípios e moral, servem de sustentáculo para uma massa de irresponsáveis convulsionarem e explodirem uma espécie de revolução social.
A massa encontra uma face - doentia - para se apoiar e justificar o injustificável. Todos sentem-se literalmente no direito de agirem de forma inconsequente.
A tese é por demais conhecida: o mundo é injusto e perverso conosco e, por isso podemos, ao bel-prazer, rebelarmo-nos contra ele.
A linha divisória imaginária entre homens e crianças, parece-me, é aquela que está umbilicalmente ligada ao nosso ser racional, moral, social e relacional no sentido de respeitar e se ajustar ao comportamento aceitável e necessário para a vida em sociedade.
A capacidade de imaginar aquilo que os outros sentem e pensam, por meio do espectador imparcial, é o que impede que todos nós despejemos no contexto social a "loucura" que todos nós temos! Loucura e estupidez humana, como atesta a história da humanidade, existem de verdade!
O louco age como um louco desimpedido, em especial, após se auto reconhecer "fortalecido" com seus ataques mortais, e é seguido por uma manada na qual os membros do grupo se comportam criminosa e irresponsavelmente, transformando suas emoções e vontades em verdades absolutas.
Apesar disso, como não me considero cegado por crenças políticas...
Há uma passagem no filme que me fez pensar na importância do papel do Estado. Na verdade, essa cena evidencia a incompetência do Estado na gestão de serviços necessários para a estabilidade e a própria sobrevivência de uma vida "mais saudável" em sociedade.
A passagem demonstra visivelmente os organismos burocráticos de assistência social, que verdadeiramente não prestam o serviço de apoio e assistência adequados aos debilitados.
Sou crítico do Estado "provedor", contudo, o "Coringa" traz a tona a prudência e a importância do que chamo de Estado "necessário".
O desenvolvimento econômico, indutor do social, é alcançado no livre mercado, através da livre e sadia concorrência, premiando o mérito daqueles que alcançam os melhores resultados para a sociedade. É genuinamente por meio da eficiência econômica que se consegue gerar mais empregos, renda e riqueza, permitindo o aumento e a melhoria das condições sociais da população.
No entanto, o Estado desempenha um papel crucial no acolhimento fundamental via fornecimento de saúde, assistência, remédios e outras questões ligadas a construção de uma "rede de proteção mínima" para os comprovadamente mais carentes e necessitados, aqueles sujeitos a completa vulnerabilidade social e abandono. No Brasil, nem se fala...
Evidente que há formas muito mais profissionais e inteligentes de se ofertar tais serviços, distintas daquelas estatais e burocráticas evidenciadas na película.
Bem, após ver e refletir sobre o joker, ratifiquei minha costumeira visão de que na inexistência de uma "régua moral", sinalizadora dos limites da "liberdade" individual e grupal (apesar da estupidez de muitos), fica extremamente azeitado o caminho para todos os tipos de extremismos e imposições primitivas de crenças políticas tanto a esquerda quanto a direita! Minha leitura!
Alex Pipkin, PhD
SAINDO DA CAMISA DE FORÇA - 25/10/2019
BALANÇO DE 10 MESES
Com o encerramento da longa novela -REFORMA DA PREVIDÊNCIA-, projeto que praticamente consumiu o primeiro ano do, gostem ou não, exitoso governo Bolsonaro, antes de ajustar o foco na direção das necessárias REFORMAS -ADMINISTRATIVA e TRIBUTÁRIA- faço uma pausa para mostrar, com total isenção, o que aconteceu nesses 10 meses de 2019 no que diz respeito à recuperação do ânimo da nossa debilitada economia.
SINAIS DE MELHORA
É inegável, por exemplo, o que mostra a seguinte NOTA INFORMATIVA divulgada pela equipe econômica do governo:
1- O PIB do -SETOR PRIVADO- tem mostrado significativa recuperação, alcançando um crescimento de 1,7% no segundo trimestre com relação ao mesmo período do ano anterior;
2- O emprego tem apresentado substancial retomada, com um crescimento nas admissões em cerca de 5% nos últimos 12 meses (maior valor desde 2012);
3- O déficit primário está abaixo de R$ 100 bilhões em 2019 – melhor resultado desde 2015;
4- A economia alcançou a menor taxa de juros real da sua história de forma sustentável (taxa de juros estrutural em queda);
5- O risco-país apresentou trajetória descendente, atingindo valores próximos à época do INVESTMENT GRADE;
6- A inflação está abaixo da meta, com perspectiva descendente.
CAMISA DE FORÇA
É mais do que óbvio que as conquistas obtidas até agora estão muito longe daquilo que o país necessita para sair da CAMISA DE FORÇA que os governos anteriores, notadamente os dois mandatos petistas, atrofiaram por completo a ECONOMIA do Brasil.
FÔLEGO
Volto a afirmar: a REFORMA DA PREVIDÊNCIA, por mais que tenha sido mutilada, dará um fôlego (não a cura) importante para as deficitárias CONTAS PÚBLICAS. Da mesma forma, a REFORMA ADMINISTRATIVA, que se oferece como salutar para corrigir a nefasta relação DESPESAS OBRIGATÓRIAS x DESPESAS DISCRICIONÁRIAS, onde as OBRIGATÓRIAS engolem, literalmente, a RECEITA DE IMPOSTOS, tanto da União quanto dos Estados e Municípios.
REFORMA TRIBUTÁRIA
Já a REFORMA TRIBUTÁRIA, que precisa ter foco na SIMPLIFICAÇÃO e na EFICIÊNCIA, se aprovada com esta real intenção provocará um forte desenvolvimento ao SETOR PRIVADO, que poderá ECONOMIZAR mais de R$ 60 BILHÕES/ANO que gasta para administrar o pagamento de tributos. Mais: mesmo assim não tem certeza de que pagou corretamente.
PRIVATIZAÇÕES
Além das importantes e inadiáveis REFORMAS e da CONCESSÃO ONEROSA DO PETRÓLEO, marcada para o dia 6/11, o Brasil deve iniciar o ano de 2020 com uma agenda recheada de PRIVATIZAÇÕES. Além de diminuir a participação do ESTADO na formação do PIB brasileiro, as PRIVATIZAÇÕES proporcionam aumento do INVESTIMENTO e da CONCORRÊNCIA. Que tal?
O CÃO, O LOBO E O RATO - 25/10/2019
Diário do Comércio, 8 de maio de 2015
Giambattista Vico ensinava que nada conhecemos tão bem quanto aquilo que nós mesmos inventamos. O sr. Marco Antonio Villa ilustra essa regra com perfeição.
Após declarar, em artigo do Globo, que, "na política é indispensável, ao enfrentar um adversário, conhecê-lo" – abertura triunfal que realiza às mil maravilhas o ideal literário do Conselheiro Acácio -, ele inventa um PT à imagem e semelhança da sua própria estreiteza mental e o enfrenta até mesmo com certa bravura.
No seu entender, o PT nada tem de comunista. É apenas "um mix original que associa pitadas de caudilhismo, com resquícios da ideologia socialista no discurso — não na prática —, um partido centralizado e a velha desfaçatez tupiniquim no trato da coisa pública, tão brasileira como a caipirinha que seu líder tanto aprecia".
Desprovido de todo aparato marxista e de toda conexão com o movimento comunista mundial e suas tradições, reduzido a um fenômeno folclórico local sem nenhuma retaguarda estratégica, o partido governante está pronto para ser demolido na base de puras notícias de TV, sem o menor combate ideológico ou sondagem das suas conexões internacionais.
Foi nisso que se especializou o sr. Villa, e ele desempenha essa tarefa pelo menos tão bem quanto o faria qualquer aprendiz de jornalismo.
Dos que temem que na sua atitude haja um excesso de presunção otimista ele se livra com meia dúzia de petelecos, rotulando-os de "exaltados e néscios", proferidores de "puras e cristalinas bobagens", culpados de "absoluto desconhecimento político e histórico", de restaurar "o rancoroso discurso da Guerra Fria", de usar "conceituações primárias que não dão conta do objeto" e de retirar do baú da História o anticomunismo primário", isso quando alguns deles não chega mesmo a ser, como ele disse na TV, um "astrólogo fascista embusteiro metido a líder político".
Tendo assim alcançado um recorde jornalístico de insultos por centímetro de coluna, ele se sente preparado para provar cientificamente a ausência de comunismo no PT. E eis como ele se desincumbe da tarefa: "O petismo impôs seu 'projeto criminoso de poder'... sem que tivesse necessidade de tomar pela força o Estado. O processo clássico das revoluções socialistas do século XX não ocorreu. O 'assalto ao céu' preconizado por Marx foi transmutado numa operação paulatina de controle da máquina estatal no sentido mais amplo, o atrelamento da máquina sindical, dos movimentos sociais, dos artistas, intelectuais, jornalistas, funcionando como uma correia de transmissão do petismo."
Quem quer que tenha estudado o assunto, ao menos um pouquinho, entende, logo ao primeiro exame, que isso que o sr. Villa acaba de descrever é a aplicação fiel, milimetricamente exata, da estratégia de Antonio Gramsci para a conquista do poder pelos comunistas.
Nada de tomar o Estado pela força, nada de "assalto aos céus". Em vez disso, a lenta e quase imperceptível "ocupação de espaços", ou, nos termos do sr. Villa, "o atrelamento da máquina sindical, dos movimentos sociais, dos artistas, intelectuais, jornalistas".
Faz quase seis décadas que o movimento comunista internacional em peso adotou essa estratégia, por ser ela a única compatível com a política de "coexistência pacífica" entre a URSS e as potências ocidentais, preconizada por Nikita Kruschev no discurso que proferiu em 1956 no XX Congresso do Partido Comunista soviético.
Ou seja: a prova cabal de que o PT não é um partido comunista é que ele faz exatamente o que todos os partidos comunistas do Ocidente fazem há sessenta anos.
Não é de tapar a boca de qualquer astrólogo fascista embusteiro?
O sr. Villa mostra-nos um bicho de pele grossa, orelhas grandes, seis toneladas de peso e duas presas de marfim, mas se lhe dizemos que é um elefante ele sobe nas tamanquinhas e diz que são "conceituações primárias".
Como exemplo do que deveria ser uma conceituação mais sofisticada, ele reconhece que o PT é leninista, mas só "na estrutura, não na ação".
Precisamente: leninista na estrutura, gramsciano na ação. Como o próprio Gramsci recomendava. Mas pensar que isso é comunismo é "pura e cristalina bobagem", não é mesmo? Especialmente para quem, nada sabendo de Gramsci e muito menos das longas discussões entre intelectuais gramscianos que prepararam e preparam cada decisão do PT, descreve o gramscismo sem saber que é gramscismo e jura, de mãos postas, que o PT jamais teve outro estrategista senão Macunaíma, nem outra inspiração senão a caipirinha.
"Como falar em marxismo se Lula sequer leu uma página de Marx?", pergunta o sr. Villa. Bem, no tempo em que eu andava com os comunistas só vi dois deles lendo Marx. O terceiro era eu. Os outros liam exemplares de A Voz Operária e as resoluções do Comitê Central. O próprio Rui Falcão mal conhecia o Manifesto Comunista.
Mas isso é só uma curiosidade. O fato é que o sr. Lula não leu talvez uma só página de Marx, mas o sr. Frei Betto leu muitas, além de um bocado de Gramsci, e há décadas exerce as funções de cérebro do ex-presidente. Ou o sr. Frei Betto, coautor da Constituição cubana, co-fundador do Foro de São Paulo e mentor reconhecido de um gratíssimo sr. Lula, não é ele próprio comunista?
No entanto, se o argumento do sr. Villa não vale para o caso do sr. Lula, vale para o do próprio sr. Villa. Ele definitivamente não é comunista, já que não leu Marx. Se tivesse lido, não teria escrito esta lindeza: "Quando Lula chegou ao Palácio do Planalto, o partido só tinha de socialista o vermelho da bandeira e a estrela. A prática governamental foi de defesa e incentivo do capitalismo. Em momento algum se falou em socialização dos meios de produção."
Pois Marx ensinava, precisamente, que a socialização dos meios de produção não seria possível antes de totalmente desenvolvidas as forças produtivas do capitalismo.
O processo, dizia ele, poderia levar décadas ou até séculos. Para um partido comunista que chegue ao poder por via democrática, numa nação capitalista, o único caminho possível para o socialismo, sobretudo desde 1956, é desenvolver as forças produtivas do capitalismo ao mesmo tempo que as atrela ao Estado por meio de impostos e regulamentos e vai aos poucos – invisivelmente, dizia Antonio Gramsci – conquistando a hegemonia e neutralizando as oposições.
É precisamente o que o PT faz. Já me expliquei um pouco a esse respeito um ano atrás, neste mesmo jornal (leia aqui).
Mas nem o próprio Lênin, que subiu ao poder nas ondas de uma revolução armada e tinha todos os instrumentos para governar pelo terror, saiu logo falando em estatizar. Fez como o PT: deu um incentivo ao capitalismo enquanto montava o sistema de poder hegemônico, tomando gradativamente dos burgueses os meios de ação política enquanto os mantinha anestesiados por meio de vantagens financeiras imediatas.
Foi isso o que ele resumiu na máxima: "A burguesia nos venderá a corda com que a enforcaremos". Nem mesmo em teoria Lênin pensou em estatização imediata. Ao contrário. Dizia ele: "O meio para esmagar a burguesia é moê-la entre as pedras da inflação e do imposto."
Se o PT faz exatamente isso, é a prova cabal, segundo o sr. Villa, de que ele não é um partido comunista de maneira alguma.
O sr. Villa fala ainda contra o conceito de "bolivarianismo" quando aplicado ao PT.
Nisso ele tem razão, mas não pelos motivos que alega. Ele investe contra o termo "bolivarianismo", porque, no seu entender, Hugo Chávez só escolheu Simon Bolívar como símbolo da sua revolução por achar que "a crise do socialismo real tinha chegado ao seu ponto máximo e não havia mais nenhuma condição de ter como referência o velho marxismo-leninismo".
Isso é absolutamente falso.
Em primeiro lugar, adotar a máscara nacionalista, populista ou coisa que o valha não foi, como sugere o sr. Villa, um arranjo de última hora, uma alternativa de emergência adotada no ponto extremo de uma crise do marxismo, mas é um dos hábitos mais velhos e constantes do movimento comunista, que desde os anos 30 do século passado veio se camuflando como "progressismo", "terceiromundismo", "movimento dos não-alinhados", "antifascismo", "anticolonialismo", "teologia da libertação", "filosofia da libertação", "pan-africanismo" etc. etc. etc.
Segundo: O próprio sr. Villa qualifica o bolivarianismo de "fachada", mas parece ignorar que toda fachada é fachada de alguma coisa. Como em 2010 Hugo Chávez, reeditando a célebre confissão tardia de Fidel Castro, admitiu publicamente sua condição de marxista, já não é preciso nenhum esforço divinatório para saber o que se escondia por trás do "bolivarianismo".
Terceiro: No Brasil o termo "bolivarianismo" tem servido sobretudo como subterfúgio eufemístico para evitar a palavra proibida, "comunismo", que o sr. Villa quer proibir ainda mais.
Aliás esse é um dos fenômenos linguísticos mais lindos de todos os tempos, uma conspiração de duas forças antagônicas que colaboram para silenciar o óbvio.
Os comunistas não querem que ninguém fale de comunismo porque, na estratégia de Antonio Gramsci, a revolução comunista só pode prosperar sob o manto da mais confortável invisibilidade (exemplo, os dezesseis anos de silêncio geral sobre o Foro de São Paulo).
Os anticomunistas também não querem que se fale de comunismo porque precisam que todo mundo acredite que saíram vencedores na Guerra Fria, sepultando o comunismo de uma vez para sempre.
O sr. Villa alista-se decididamente nesta segunda facção: "Considerar o PT um partido comunista revela absoluto desconhecimento político e histórico... Não passa de conceder sentido histórico ao rançoso discurso da Guerra Fria. O Muro de Berlim caiu em 1989 mas tem gente em Pindorama que ainda não recebeu a notícia."Talvez o sr. Villa, que não chegou a 1956, tenha saltado direto para 1989, mas é seguro que não chegou a 2000, quando o filósofo Jean-François Revel, num livro de sucesso mundial (La Grande Parade, Paris, Plon, 2000), fez a pergunta decisiva: Como tinha sido possível que o movimento comunista, desmoralizado na URSS, em vez de desaparecer por completo, crescesse até proporções gigantescas na década seguinte?
As explicações eram muitas: adoção da estratégia gramsciana, troca da antiga estrutura hierárquica por uma organização mais flexível em "redes", fuga generalizada ante a responsabilidade pelas atrocidades do regime comunista etc. etc.
Mas essas respostas não vêm ao caso, já que o sr. Villa não percebeu nem a pergunta.
Não se vende remédio a quem não sabe que está doente.
Que o sr. Villa está doente, não se discute. A estreiteza do seu campo de visão é decididamente anormal. É um tipo de glaucoma intelectual. Só que o doente de glaucoma fisico se queixa quando o seu ângulo visual diminui, ao passo que o sr. Villa se gaba e se pavoneia.
"Estou pouco me lixando para o Foro de São Paulo", declarou ele na TV tempos atrás, mostrando que, do alto da sua infinita superioridade, uma coisinha de nada como a maior organização política que já existiu no continente não merecia o dispêndio de uma gota sequer dos seus prodigiosos dons intelectuais.
Nós, os primários, os embusteiros, os fascistas, admitimos que nada podemos compreender do PT se o encaramos como um fenômeno estritamente local, fazendo abstração tanto das suas raízes (que remontam à criação da "teologia da libertação" por Nikita Kruschev; leia aqui), quanto das verbas estrangeiras que o alimentaram por décadas ou dos compromissos e conexões internacionais que determinam cada passo na consecução da sua estratégia.
Mas essas coisas são grandes demais para o campo visual do sr. Villa. Ele simplesmente as suprime e, fingindo desprezo ao que ignora, despeja insultos sobre quem as conhece.
Não desejo mal ao sr. Villa. O PT minúsculo que ele enxerga é uma parte do PT real, e ele até que faz o possível para trazer algum dano a esse pedacinho.
O cão de pastor que em defesa do redil se atraca com o lobo não há de achar ruim se um rato, pisoteado por acaso na confusão da luta, inventa de roer o dedão do invasor.
A COSMOVISÃO DA LAGARTIXA - 15/10/2019
Hoje, para variar e para descansar o leitor, vamos falar da lagartixa. Antes disso, devo dizer que, nas meias horas de descanso depois das refeições receitadas pelo Dr. Stans Murad, costumo esticar-me num sofá, perdão, num sofanete, para ser mais exato, e então, sem saber como e quando começou, costumo deixar correr a lembrança dos dias idos e vividos ou das pessoas idas e mortas. Entrego a memória a seus caprichos e ponho-me de camarote a assistir às avessas, e de surpresa, às cenas desse teatro de amadores mal ensaiados que se chama vida. É o meu luxo, é o último regalo que os ferozes deveres de estado me concedem. Desta maneira, misturando à água da memória o vinho da ficção, invento a vida que não tive, viajo, vejo terras e mares que não vi, revivo amores que não vivi
Many and many years ago,
In a kingdom by the sea...
Nem sempre é ameno este exercício. Às vezes, como cobra escondida na moita, salta-me diante dos olhos um quadro vivíssimo que supunha morto ou dormido, ou vara-me o ouvido do coração uma palavra, um timbre, um grito, que me quebra o repouso com uma descarga elétrica de dor. Mas também muitas vezes logro repassar momentos de tão intensa doçura — ora no gosto fresco de um alvorecer, ora na suavidade silenciosa de um entardecer — que me dão esquecimento de todos os azedumes provados... Outras vezes, simplesmente cochilo até que toque um dos sete despertadores dos sete deveres de estado.
Ora, ontem, quando me punha no decúbito dorsal aconselhado pela sábia e amiga solicitude do Dr. Stans Murad, que é meu amigo pessoal, e declarado inimigo pessoal da morte, especialmente da morte súbita (A subitanea et improvisa morte libera nos, Domine), no momento em que me preparava para desatar as amarras da fantasia, vi no teto uma lagartixa a andar desembaraçadamente no seus afazeres de lagartixa, movendo-se ao arrepio das leis da gravitação, mas certamente ao saber de outras leis que desconheço, mas respeito.
Feliz animal! Lá no teto, com a maior naturalidade do mundo, a lagartixa vê tudo de pernas para o ar, vê pesados móveis grudados num teto sem nenhuma lei a favor de tal postura, e vê em decúbito dorsal uma grande pobre lagartixa humana, estendida no sofanete, imóvel, vivendo só pelo ardor dos olhos e pela angústia do semblante. Lacerta agilis, se tivesses nas tuas frias veias uma centelha daquilo que nos faz entender, e principalmente desentender, saberias lá no teu teto que o mundo cá embaixo anda ainda muito mais de pernas para o ar do que te parece. Tua tranqüilidade, ó Lacerta agilis, vem do fato de não seres absurda. És o que és, e moves-te em conformidade com o que és. Nós, não. Nós não sabemos exatamente o que somos, e quando o sabemos é para logo observarmos que certamente, certíssimamente, não vivemos segundo o que verdadeiramente somos.
Vou contar-te um segredo de homem, lagartixa, um segredo pesado. Um segredo triste. Muitos de nós, ó Lacerta, sem tua translúcida inocência, andam no teto deste século, nos seus ires e vires, sem se aperceberem que vivem num mundo de pernas para o ar. Sem sofrerem. Sem quererem trabalhar para viverem segundo o que principalmente são. Não desenvolvo esta parte de minhas meditações porque prometi hoje ao leitor um dia de descanso. E suponho que o leitor me permitiu que hoje só lhe falasse de lagartixa.
Feliz devorador de insetos, não invejo tua tranqüilidade nem tua dieta; mas devo dizer-te, ó animal inocentemente subversivo, que muito menos invejo os meus iguais que andam no teto do século, na cúpula da atualidade, alegres de viverem num mundo de pernas para o ar, e de se nutrirem de insetos. Aqui onde me vês, deitado por obediência, já que hoje nem a fantasia me deixaste, prefiro esta postura, esta consciência afrontada, esta dor: é o nosso quinhão, ó lagartixa.
O mesmo compassivo amigo que me receitou os descansos depois das refeições, por um dos muitos paradoxos da ciência, manda-me andar 2 a 3 quilômetros por dia. O remédio é barato e agradável, só tendo a desvantagem humilhante de estar na moda. Como porém não me apraz andar pelas ruas duma cidade invadida por misteriosos inimigos que vieram não sei de onde, e vão não sei aonde (parece-me que a lugar nenhum) com uma incompreensível velocidade, inventei um estratagema simples que me permite andar os três quilômetros sem o inconveniente de afastar-me demais de meu pequeno mundo. La bête blessée cherche son trou. Tenho ao lado de minha casa uma nesga de terreno com trinta metros de fundo. Indo e vindo cem vezes tenho meus três quilômetros percorridos sem sair de casa. O método parecerá insípido às pessoas que gostem de ver coisas novas, ilhas, cidades, vulcões, ruínas e gostam de correr mundo. Tenho a impressão que este é o parecer de meu cão, um quarto ou dezesseis avos de sangue de perdigueiro. Escolhi a hora matinal, antes da missa, para meu exercício. E o fiel pseudoperdigueiro, quando me vê abrir a porta dos fundos às seis da manhã, com um bengala que para seus cromossomos seria uma espingarda, deve latir consigo mesmo: — Vamos à caça! E põe-se alegremente a andar a meu lado, o que atravanca às vezes os passos mas não deixa de alegrar o exercício.
O que o pobre falso perdigueiro não pode compreender é a minha insólita atitude diante do portão. Em vez de abri-lo, e ganharmos a floresta próxima, eu volto à garagem, marco um ponto, e volto ao portão, para voltar à garagem, e assim por diante até cem. o pobre animal vai e vem, com entusiasmo decrescente. Mantém a fidelidade, uma fidelidade sem alegria, sem sonhos de tiros e perdizes caídas, e já lhe surpreendi mais de um olhar triste que parece falar: — Meu amo enlouqueceu.
E agora, amado leitor, cumprido o descanso sob os olhos da lagartixa, e completada a marcha na companhia do cão, voltemos aos homens, às conferências episcopais, à atividade da Editora Vozes, inimiga de Deus e do homem. Voltemos aos sete deveres de estado que o bom Dr. Stans Murad não vê como um bom regime para um velho baleado.
*Publicado em http://permanencia.org.br/drupal/node/529 e dali gentil e agradecidamente recolhido.
EM QUE LUGAR FOI PARAR A JUSTIÇA? E A HONRA? - 03/10/2019
Impressionante como autoridades estatais enchem a boca, utilizando-se de jargões e palavras rebuscadas para entonar, com peito estufado, mentiras transparentes, apoiando-se em palavras como justiça e democracia. Clichês são preferidos, já que para tais homens supremos, tudo é arquitetado e acionado de acordo com seus interesses escusos e ambição "negativa". Justiça e democracia são as senhas para o vale tudo!
Nenhuma novidade constatar que o excesso de leis causa a corrupção e a burla às mesmas. Afinal, dependendo do réu e de interesses próprios, a interpretação e a inovação estarão sempre à disposição do Supremo.
Para o conjunto de indivíduos, claramente, quando o Estado cria leis que não sejam para todos morais, ou que seu descumprimento não seja considerado imoral, tais leis serão inócuas ou passíveis de corrupção.
Cada vez que vejo ministros da Suprema Corte, com suas teses doutorescas e completamente fora da realidade, proferirem votos contrários àqueles já dados em outros casos de igual mérito, torno-me, cada vez mais, pessimista quanto ao futuro do país. A retórica - longa - e o juridiquês, na verdade, são palavras e histórias que contam e que servem a si próprios, a fim de caberem em suas esdrúxulas teses. Nem o rosto coram! Imagens e sons em tempo real tornam visíveis as gritantes divergências e interpretações sobre mesmas leis nos variados tribunais superiores. Os sintomas parecem manifestar, de maneira robusta, a doença. Mas certas decisões passam como os traços de uma nuvem, que se dissipam com o calor do sol. Lamentável.
Para esses togados, não é preciso comprovar notório saber, perder noites de estudo para passar em concursos, preocupar-se com aquilo que é considerado moral e ético pelo contexto social, ser tolerante com a liberdade de expressão, dar contas ao Estado de seus ganhos como qualquer cidadão comum, e mais importante ainda, ser cobrado por suas decisões e seus respectivos impactos no desenvolvimento econômico, político e social. Quem analisa e julga tais julgadores supremos? Pelo que entendo, o CNJ foi criado justamente com essa missão, entretanto, foi aparelhado pela intelligentsia que, obviamente, endossa qualquer tipo de decisão. Ninguém precisa se amargurar e pagar pelas consequências de suas próprias ações! Mentiras deslavadas, fisiologismo, patrimonialismo, compadrio e corrupção foram naturalizados e fazem parte do cenário da justiça nacional suprema.
Neste ambiente, o caminho para o crescimento econômico, político e social brasileiro assemelha-se a uma estrada sem fim, longa e pedregosa. A cultura e prática do "rent seeking" utiliza-se desses julgadores "isentos" e de tais regulamentos para reinar absoluta em terras verde amarelas.
No país da manufatura exagerada e equivocada de regulamentos - inibidores da ação individual e do empreendedorismo - parasitas se beneficiam desses para ganhar mais e mais dinheiro, por meio de regulamentos protetivos e imorais. Evidente, por aqui não se deseja compreender a essência e o espírito da lei, mas apenas a rigidez de sua letra. Assim "notáveis juízes" interpretam-a de acordo com seus interesses, e contra a própria consciência, uma vez que de antemão sabem que são decisões "motivadas". Costumeiramente, filtram a lei, selecionando partes do todo que restringe-se ao alvo objetivado.
Em que lugar foi parar a virtude da honra para o cargo supremo da justiça? E a ética e a moral? O ético sempre é e será mais robusto que o legal! Se a lei não serve mais, comprovadamente, que seja corrigida, deixando de servir a interesses ocultos. A virtude da honra não aceita nenhuma barganha faustiana.
Por essas bandas nem se corrige, e o que é pior, criam-se inovações aberrantes. Nosso mais nefasto inovador de regulamentos é o próprio STF! Não julga, legisla!
Fui rábula; não sou advogado. Mas dei-me o esforço de conversar com "especialistas da área" e ler sobre a recente inovação do Supremo quanto a polêmica questão "da ordem" dos réus, após encerrada a fase de julgamento do mérito. Qual a necessidade de tal inovação? A quem interessa? O que a sociedade ganha com isso? Duvido muito que mais justiça! Notoriamente há alvos específicos a beneficiar. Criminosamente, mira-se o alvo, mesmo que para tanto as consequências sejam desastrosas para todos os demais. Arruína-se a ordem e emerge o caos, obviamente, porque não compreendem - ou cegueira voluntária e interessada - que as consequências são dinâmicas!
Dentro do espírito genuinamente democrático, o mecanismo da mudança para melhor passa pela pressão popular. Talvez demorado, mas é o caminho...
Não tenho dúvida de que precisamos ser intolerantes com essa minoria - parte - intolerante de nosso Supremo Tribunal Federal. Afinal, a realidade ignorada tem trazido sofrimento e penúria para muitos cidadãos brasileiros, de todas as cores, sexos, idades, credos e classes!
Alex Pipkin, PhD
OS JALECOS BRANCOS DA INGERÊNCIA - 29/09/2019
Havana, Cuba, em 27/09/2019.
"Não permitirei que se interponham, entre meu dever e meu paciente, considerações pacientes de religião, nacionalidade, raça, partido ou classe". É o que diz o sexto voto do juramento de Hipócrates, modificado do original grego na Convenção de Genebra de 1948, e que cada graduado da carreira médica deve pronunciar antes de começar a exercer o trabalho humano de salvar vidas.
O caráter essencialmente ético do juramento constitui o pilar da confiança depositada nos médicos há séculos e deve acompanhar cada profissional de saúde, independentemente das circunstâncias em que seus serviços sejam necessários. Mas algo muito diferente aconteceu durante as missões médicas cubanas, terríveis exemplos dos perigos do totalitarismo e da fratura que causa na moral dos indivíduos.
Em uma conferência de imprensa organizada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e que a imprensa independente pôde acompanhar ao vivo da sede diplomática em Havana, quatro médicos cubanos que completaram várias missões em Belize, Bolívia, Venezuela e Brasil ofereceram valiosos testemunhos sobre a profunda corrupção que prevalece nesses programas; o assédio a que os médicos são submetidos por agentes de segurança do Estado enviados expressamente para monitorá-los e ameaçá-los; as condições em que foram forçados a trabalhar, com perigo até para suas próprias vidas; e as represálias que eles e seus entes queridos sofreram, por se recusarem a continuar sendo vítimas de um feroz sistema de escravidão moderna.
A natureza de pilhagem das “missões médicas” tem sido as manchetes há pelo menos alguns anos, embora tenha atingido maior estridência no processo de ação coletiva promovido por vários profissionais de saúde que trabalharam no Brasil como parte do programa “Mais Médicos”. Desde então, foram revelados detalhes sobre o objetivo sinistro desses projetos de cooperação, que serviram de mecanismo para tentar subverter a ordem política dos países latino-americanos, infiltrando os serviços de inteligência entre as populações mais desfavorecidas para influenciá-los, por pressão. psicológica e chantagem, a favor de governos relacionados com o regime cubano.
Tatiana Carballo, Ramona Matos, Fidel Cruz e Rusela Rivero, quatro médicos que partiram de suas respectivas missões e hoje sofrem as consequências daquilo que o regime descreve como “deserção”, não apenas põem em evidência uma ditadura que obriga seus médicos violar os princípios éticos de sua profissão. Eles tornaram públicos até que ponto chegou a prática corrupta que constitui escravidão moderna, tráfico de seres humanos e interferência nos assuntos internos de outras nações.
Os médicos cubanos foram forçados a falsificar as estatísticas, inventando a identidade e o diagnóstico de pelo menos trinta pacientes diariamente. Isso foi ordenado pelo "coordenador" - um agente de Segurança do Estado -, investido do poder de separar o médico da missão e enviá-lo a Cuba sem o direito de cobrar a parte do dinheiro acumulado durante o tempo de serviço, e que permaneceu congelado em uma conta na ilha.
Para garantir a obediência dos médicos, o regime pagou a eles uma parte muito pequena do salário acordado (aproximadamente 20%); colocando em suas mãos apenas o suficiente para cobrir as necessidades básicas e depositando nos bancos cubanos a maior parte dessa renda, que seria retirada assim que o especialista voltasse à Ilha. O "salário cativo" é um dos métodos usados para garantir que os médicos retornam assim que a missão termina. Caso contrário, o regime fica com o dinheiro em vez de entregá-lo à família.
A retaliação contra entes queridos e o castigo cruel por não poder viajar para Cuba por oito anos são outras variantes punitivas denunciadas pelos afetados. Segundo o testemunho da Dra. Gisela Rivero, seus dois filhos, também médicos de profissão, sofreram assédio pelo regime. O major foi retirado do consultório médico a que compareceu e relocado nas campanhas de fumigação contra o mosquito Aedes Aegypti. Quando ele tentou indagar sobre os motivos de tal procedimento, eles apenas disseram a ele: "Você sabe o que é". O filho mais novo, recém-formado, foi enviado sem explicação para praticar em uma cidade na Serra Maestra, enquanto seus companheiros continuavam trabalhando na cidade.
Tais são os mecanismos empregados por um regime que controla tudo (leis, saúde pública, educação) e se arroga o direito de usar esse poder para prejudicar cidadãos que estão em total desamparo.
Enquanto a imprensa oficial fala de missões médicas como "rotas de amor" e outras frases igualmente cursivas, esconde do povo de Cuba o inferno sofrido por médicos que trabalham em situações de risco e sob enorme estresse por causa do "compromisso" político-ideológico. Quem volta não fala sobre isso. Nada se sabe sobre os trabalhadores da saúde pública mortos por problemas cardíacos durante a missão na Bolívia, uma vez que eles não explicaram as condições climáticas das terras altas; nem da prisão não convencional que os médicos sofreram lá, forçados a entregar seu passaporte e trabalhar como não documentados, apesar do perigo que isso implicava.
Os cubanos também não sabem que o Dr. Fidel Cruz e muitos outros que participaram da missão na Venezuela foram obrigados a ligar de porta em porta chamando os eleitores e manipulando-os psicologicamente para votar em Nicolás Maduro. "Lembre-se de que você tem acesso à saúde graças a Maduro (...) sem ele você não teria atendimento médico ou remédios." Com esse tipo de frases coercitivas, eles convenceram o eleitorado e tiveram que enviar uma parte informando quantos eleitores haviam levado para as pesquisas e quantos haviam votado no Chavismo.
Os cubanos não sabem nada sobre remédios queimados ou enterrados, para que não haja pontas soltas nas estatísticas falsificadas. Medicamentos fornecidos parcial ou totalmente por Cuba e que foram destruídos enquanto eram escassas nas farmácias da Ilha.
Estima-se que cerca de 66 países recebam missões médicas cubanas, tornando-se cúmplices nesse tipo de exploração e tráfico de pessoas. O pior, no entanto, é que, para cada clínico que abandonou uma missão, retornaram centenas dos quais foi retirado o senso de ética inerente à sua profissão.
Cada médico que se prestou a falsificar estatísticas, mentir, intimidar, chantagear ou manipular ideologicamente seus pacientes, violou o juramento hipocrático que faz do médico o que ele realmente é: um ser humano dedicado à vocação de salvar vidas, sem outra prioridade além de oferecer ao seu paciente toda a ajuda possível.
O sistema político cubano é tão prejudicial que corrompe práticas e preceitos sagrados para todas as nações, existindo muito antes do stalinismo insular tornar o terror uma forma de governo. Não surpreende que, em Cuba, os médicos se recusem, sob um mínimo de pressão, a ajudar oponentes políticos. Eles simplesmente esqueceram o que são e, como os lacaios, imolam suas consciências no altar de um ideal imperfeito, que no final nada mais é do que egoísmo e medo, muito medo.
Sexta-feira, 27 de setembro de 2019
CAMPANHA DE ESCLARECIMENTO - CAPÍTULO 5 - 25/09/2019
TEXTO DO PENSADOR MATEUS BANDEIRA
Neste -CAPÍTULO 5- aproveito o texto enviado pelo pensador Mateus Bandeira (foi candidato -liberal- ao cargo de governador do RS na última eleição), com o título -O ESTADO DEVE SERVIR, NÃO SER SERVIDO-, como sugeri ao iniciar a série -CAMPANHA DE ESCLARECIMENTO. Eis:
PEDINTES CONTUMAZES
Recente manifestação dos sete governadores do Sul e Sudeste, em artigo na Folha de S. Paulo, revela que estes mandatários mantêm a mesma mentalidade econômica que QUEBROU AS FINANÇAS PÚBLICAS. Em vez de se unirem em torno do ajuste das contas públicas, choramingam por mais recursos da União. Pedintes contumazes, perdulários estatais, não perceberam que o Brasil está à beira do precipício. Que a quebradeira não é previsão catastrófica, mas realidade presente. Querem dinheiro novo para GASTAR MAL COMO SEMPRE.
TRAGÉDIA MAIOR
Os efeitos da ruína fiscal vão se fazer sentir cada vez com mais intensidade. Tragédia maior, porém, é a injusta distribuição desse fardo. Enquanto nichos privilegiados do serviço público vivem em isolamento, outros padecem as agruras da falta de recursos. Procuradores, juízes e deputados recebem vencimentos altos e em dia.
NO RIO GRANDE DO SUL
No Rio Grande do Sul, por exemplo, policiais e professores recebem pouco e com atraso há 45 meses. A iniquidade é maior quando constatamos que servidores dos tribunais e do Ministério Público são presenteados com penduricalhos como forma de ultrapassar o teto constitucional. De acordo com levantamento do CNJ, a média remuneratória do Judiciário em 2016 era de R$ 47,7 mil. À época, o teto era de R$ 33,7 mil. O CAOS ADMINISTRATIVO está conduzindo a máquina pública à paralisia, e não é fruto de momentânea escassez de recursos.
SOLUÇÕES ESTRUTURAIS E DURADOURAS
A CAUSA PRINCIPAL é um sistema que esgotou sua capacidade de cobrar impostos, mas não para de aumentar despesas. Enquanto isto, em vez de reduzir o tamanho do Estado, os mandatários querem, de novo, rolar dívidas e abocanhar mais recursos da União – que também está quebrada.
Ora, as dívidas foram renegociadas em 2016, com redução dos juros e recálculo do principal. ROLAGEM NÃO PASSA DE PROCRASTINAÇÃO, assim como, no RS, a VENDA PARCIAL DE AÇÕES DO BANRISUL. Falta ousadia e discernimento. Se querem começar a sanar a gravíssima crise, governadores e presidente da República devem aproveitar o momento e adotar SOLUÇÕES ESTRUTURAIS E DURADOURAS. E, para isto, todos os poderes devem contribuir. Começando pelo Legislativo, que ameaça alterar o teto de gastos.
QUEBRAR O PISO
Como disse o ministro Paulo Guedes, é preciso “QUEBRAR O PISO”, não o teto. O Estado brasileiro, ao INDEXAR e FICAR DESPESAS OBRIGATÓRIAS perdeu a capacidade de planejamento. Os legislativos devem retomar sua função mais importante, qual seja, debater e votar os orçamentos. Orçamentos carimbados não funcionam sequer numa família. O Judiciário, por seu turno, deve permitir a redução de salários e a demissão do funcionalismo, incentivando a meritocracia. Ao mesmo tempo, deve parar de se meter na administração pública ao obrigar reajustes salariais em detrimento do custeio da saúde e educação. O Executivo, enfim, deve assumir suas responsabilidades.
Junto à REFORMA DA PREVIDÊNCIA e a TRIBUTÁRIA, também urgente é a REFORMA ADMINISTRATIVA. As circunstâncias moldam a necessidade. As despesas de uma família mudam dependendo da renda de seus membros. A cada ano, o orçamento precisa ser refeito. O Brasil resolveu fixar regras perenes para os gastos sem levar em conta variáveis como demografia e o setor produtivo, cujo perfil vem mudando rapidamente. Somos mais velhos do que no passado recente; o setor de serviços superou à larga o industrial. Enquanto o mundo gira rapidamente, o Brasil patina. Não nos falta dinheiro, falta-nos discernimento e ousadia - fatores que impulsionaram países do leste asiático. HORA DE SERVIR À CIDADANIA.
ESTADO EFICIENTE
Felizmente, a leitura de artigos e editoriais na última semana representa um alento. Classificando o artigo dos governadores como “lamúrias estaduais”, a Folha pregou a revisão das despesas e a reforma administrativa. O Globo atacou os “gastos rígidos, grande entrave à economia”. O economista Affonso Pastore mostrou que mais gastos públicos não funcionam num Estado perdulário. Segundo ele, não há alternativa a não ser o controle de despesas. Para o pesquisador do Insper, Marcos Mendes, pedir mais dinheiro à União servirá apenas para reforçar o poder das corporações que se apoderaram do Estado.
Numa frase, O Estado de S. Paulo faz um diagnóstico abrangente. “UM ESTADO EFICIENTE está longe de ser sinônimo de ESTADO GRANDE”.
Os governadores devem decidir se vão passar mais três anos alimentando os sanguessugas da gulosa máquina estatal ou vão ter coragem de encarar a tarefa difícil de reformar o Estado em vez de concentrar riqueza. Nunca é demais repetir: EM VEZ DE SERVIR-SE DOS CIDADÃOS, O ESTADO DEVE SERVIR À CIDADANIA.
PROFETAS DE UM OLHO SÓ - 19/09/2019
Embora eu não aceite, eu até entendo a hipocrisia da esquerda política. Ela só tem demagogia e mais nada, ela só quer o poder e mais nada. Embora seja tão inclinada à corrupção como qualquer política, o elemento ideológico e totalitário a torna ainda mais falsa e perigosa. Se ela apoia a elite Venezuelana mesmo quando essa mata de fome e de tiro o seu povo, tudo bem. De onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Imaginar que ficassem ao lado do povo oprimido contra as elites opressoras, não seria imaginação, seria delírio.
Por outro lado, há uma “esquerda que se diz cristã”, se é que um quadrado redondo é possível. Esse grupo, quando fala contra opressão, contra as elites, em favor dos oprimidos, parece profeta de fato, proclamando no deserto a ira divina. Os poderosos são por eles denunciados e eles se proclamam a favor dos pobres, dos oprimidos e dos mais fracos, contra os capitalistas, os burgueses, os poderosos.
Isso somente se as elites não forem suas elites de estimação como acontece na Venezuela. Isso se os oprimidos não forem os oprimidos pelos seus opressores favoritos. Nesse caso, silêncio. E não apenas silêncio, mas também omissão. Nada falam, nada fazem, nada ajudam. Opressores no país dos outros é refresco, principalmente se esses opressores forem do seu partido, da sua ideologia, da sua fé, não a cristã, mas a política.
Gente está morrendo de fome na nação vizinha. Gente está sendo presa, massacrada, assassinada, tolhida em todas as suas liberdades. Estão fugindo sem rumo, sem futuro e sem parada certa. Fruto direto da ideologia destruidora e diabólica acalentada pelos profetas de um olho só, que enxergam alguns pecados e deixam outros andarem soltos. Que criticam legitimamente certos erros sociais, mas que não só toleram, mas defendem os mesmos erros e piores, quando cometidos por seus cúmplices ideológicos. Seu silêncio não os inocenta, antes os condena.
Quem está ajudando esta pobre turba sem esperança? Os profetas da solidariedade, do socialismo já, do anticapitalismo? De modo algum. Quem está ajudando é aquela igreja conservadora, aquela sociedade conservadora, aquele governo conservador. Os progressistas faladores desaparecem quando as ideias que eles tentam defender com uma Bíblia que as condena terminam em falência, fracasso, opressão e morte. Morte não para os seus comparsas ideológicos, mas para o povo que foi vítima deles.
Onde estão os Boffs, os Betos, os Ramos e todos os outros defensores de regimes fundados sobre as crenças anticristãs do marxismo? Que tentam casar luz com trevas e morte com vida, em um casamento impossível? Como disse Pondé (**), ninguém precisa de Nietzsche para matar Deus, basta chamar um teólogo da libertação . Que no final de contas nem é teologia e nem libertação. Não passa de um humanismo da escravidão, bem regado com os rios de sangue que as ideias de Marx e seus profetas sempre produziram.
O pior de tudo não é ser um falso profeta. É ser um falso profeta acreditando que se é verdadeiro, mas nunca assumindo a culpa pelos oráculos responsáveis pelo sofrimento de um povo. Pior que uma esquerda política que como sempre produz morte e nunca reconhece a tolice de seus conceitos é uma esquerda pseudocristã tentando maquiar e perfumar com expressões bíblicas um monstro ideológico grotesco e fétido que a tudo enfeia, contamina e mata. O pior cego é o que pensa que enxerga.
* Pastor, jornalista, professor de história e teologia, poeta, escritor e palestrante em várias áreas.
** PONDÉ, Luiz Felipe. Guia politicamente incorreto da filosofia. São Paulo: Leya, 2012, p. 154
REFORMA POLÍTICA: REFORMAR O QUÊ, QUANDO, PARA QUÊ? - 13/09/2019
Ao longo de sua história independente, o Brasil efetivou numerosas alterações em seu sistema políticoinstitucional, algumas muito positivas, outras nem tanto. Algumas em resposta a desafios bem definidos, outras na esteira de um “clima” reformista vagamente delineado.
Entre as reformas positivas, eu começaria por mencionar a própria Constituição de 1824, muitas vezes debatida em tom de chacota, mas que teve o mérito, nem mais nem menos, de encaminhar nossa evolução política na direção do moderno Estado constitucional, devendo-se também observar que os órgãos legislativos e judiciários que tal evolução pressupõe foram imediatamente instalados. Outra alteração notável foi a de 1840, que muitos historiadores, incorrendo mais uma vez no pecado do anacronismo, denominam “o golpe da maioridade”. Ao autorizar a ascensão ao trono de um adolescente de 15 anos, o referido “golpe” teve o condão de encerrar quase instantaneamente a onda de rebeliões e pequenas guerras civis regionais que se configurara durante o período regencial (18311840), cujo prosseguimento poderia pôr em risco nossa unidade territorial.
Entre as mudanças negativas, a pior foi, sem dúvida, o autogolpe desfechado por Getúlio Vargas no dia 10 de novembro de 1937, o famigerado Estado Novo, a única vez em que o regime representativo e os mecanismos institucionais que o legitimam foram inteiramente erradicados em nossa história.
No passado recente, a tentativa mais ambiciosa foi a do Congresso Constituinte de 19871988, precedida pelos estudos levados a cabo durante quase um ano pela Comissão Afonso Arinos (Comissão Provisória de Estudos Constitucionais), nomeada pelo presidente José Sarney. Tratava-se, na ocasião, de reorganizar constitucionalmente o País após 21 anos de governos militares, convocando toda a sociedade a participar do processo a fim de lhe conferir o máximo possível de legitimidade. Natural, portanto, que todo o leque de questões pertinentes fosse aberto, dando ensejo a um debate público que equivalia praticamente a um reexame de toda a experiência histórica iniciada em 1824. Do ponto de vista institucional, no entanto, uma preocupação – a da estabilidade do novo regime democrático – destacava-se claramente sobre as demais, e nem poderia ser diferente, uma vez que Brasil, Argentina e Chile mal saíam de interregnos autoritários. E que outras experiências desse tipo se insinuavam no cenário latino-americano – poucos anos depois, o Peru sucumbiria ao fujimorismo e a Venezuela, ao chavismo.
Esta breve evocação das preocupações daquela época se afigura imperativa neste momento, dado o sentimento generalizado de que cedo ou tarde teremos de encarar novamente o desafio da reforma política. Dados, também, os cenários doméstico e internacional que ora se descortinam, com referências quase diárias a um suposto “fim da democracia representativa” e com tendências de fato preocupantes em diversos países. Nos Estados Unidos, por exemplo, a disputa entre Donald Trump e Hilary Clinton configurou-se como um enfrentamento raivoso, bem o oposto da garantia que os estudiosos políticos daquele país sempre nos deram: a de que a eleição presidencial sempre favoreceria a moderação e a convergência, forçando os radicais e furibundos a se contentarem com o apoio de faixas minoritárias da sociedade.
No quadro atual, é indispensável considerar que uma reforma política que se preze deve levar em conta pelo menos três critérios, ou perspectivas, examinando meticulosamente as interligações e eventuais contradições que entre eles se estabelecem. Refiro-me, em primeiro lugar, ao já referido critério da estabilidade, vale dizer, ao imperativo de reduzir ao mínimo possível as chances de ruptura da ordem constitucional e a consequente imposição de fórmulas ditatoriais.
Segundo, o critério da governabilidade, vale dizer, o da eficácia do sistema político em seu conjunto na produção das políticas públicas e, principalmente, na efetivação de reformas estruturais, que de tempos em tempos se faz necessária.
Terceiro, o critério da representatividade, da identificação ou não do eleitorado com seus representantes, questão que remete invariavelmente ao debate sobre o voto distrital e à desproporcionalidade entre as populações de certos Estados e as respectivas bancadas na Câmara dos Deputados (agravada pela representação igual de três parlamentares por Estado no Senado Federal).
Retrocessos ditatoriais geralmente decorrem de uma combinação de fatores, como crises econômicas, acirramento do embate entre partidos ou grupos ideológicos, personalidades destemperadas ocupando posições elevadas na estrutura de poder e, por último, mas não menos importante, sistemas de governo propícios à instabilidade, como o é o sistema presidencial.
Nesse aspecto, a situação brasileira atual é profundamente diferente daquela que vivenciamos nos anos 80 do século passado. Hoje, o que nos preocupa não é apenas a memória de retrocessos passados, mas a alta probabilidade de que possamos sucumbir a situações ainda mais graves num futuro não muito distante. Somos, como é de conhecimento geral, um país enredado na “armadilha do baixo crescimento”, incapaz de elevar sua renda anual por habitante a um nível compatível com a assustadora acumulação de problemas na sociedade. Direta ou indiretamente, tudo isso tem que ver com a governabilidade, vale dizer, com a constatação de que o sistema político tem grande parte de seu potencial travado por acoplamentos disfuncionais de mecanismos institucionais específicos.
Nesse aspecto, como ninguém ignora, o Brasil é um caso de alto risco, na medida em que associa o regime presidencial, com sua característica rigidez, a um sistema de partidos que é sabidamente o mais fragmentado do mundo.
O Brasil é um caso de alto risco, por associar o regime presidencial a partidos fragmentados.
*Publicado originalmente no Estadão de 11/09
O BRASIL E A AGROPECUÁRIA SUSTENTÁVEL - 13/09/2019
Entre os dias 13 e 15 de setembro, faço minha primeira viagem ao Egito como ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, cargo que assumi em janeiro deste ano. Não poderia deixar de incluir o Egito em meu roteiro pelos países árabes, tendo em vista a importância histórica de nossas relações bilaterais e comerciais, relevantes sobretudo em matéria de agropecuária.
Desde dezembro de 2017, está em vigor o Acordo de Livre-Comércio entre o Mercosul e o Egito, que facilita as trocas de bens entre os países envolvidos e tem gerado aumento expressivo das exportações egípcias ao Brasil, que cresceu 64% em 2017, 73% em 2018 e 59% nos primeiros meses deste ano.
O Egito é um importante fornecedor de fertilizantes para o Brasil, enquanto o Brasil é o principal exportador de carne bovina aos egípcios. Nas últimas semanas, notícias alarmantes vêm sendo publicadas na mídia internacional que vinculam as queimadas na Amazônia à produção agropecuária brasileira. Há muitas informações distorcidas sobre o assunto. Por isso, durante minha visita, gostaria de apresentar à população egípcia algumas informações sobre a produção agrícola e as preocupações de sustentabilidade na Amazônia Legal brasileira.
A atividade agropecuária nessa região é antiga e extremamente diversificada. E não ocorre na floresta, mas em áreas licenciadas. Hoje, a Amazônia Legal (área que envolve toda a Região Norte do Brasil e parte dos Estados do Mato Grosso e Maranhão) produz, com práticas sustentáveis, para exportação e também para o mercado interno, sendo capaz de garantir boa parte da segurança alimentar da população local, que chega a 25 milhões de habitantes.
Em 2018, a Amazônia Legal (que representa 59% do território, enquanto o bioma Amazônico responde por pouco mais de 40%) arrecadou para o Brasil mais de US$ 22 bilhões em exportações. Muitos são os produtos agrícolas e originários da floresta legalmente certificados, como grãos, castanhas, cacau, frutas, bebidas, pescados e carnes.
A pecuária brasileira tem se pautado ao longo dos anos pela sustentabilidade em toda cadeia produtiva e pela qualidade e segurança dos alimentos. Na Amazônia Legal, os exportadores seguem, há dez anos, compromissos de conduta contra o desmatamento ilegal.
Nas últimas três décadas, investimentos em tecnologia e práticas mais modernas fizeram as áreas de pastagens recuarem em 15%, enquanto a produtividade cresceu 176%. A título de exemplo, no último semestre, quase 30% da carne bovina exportada para União Europeia (UE) foi produzida, sem qualquer problema, no Mato Grosso.
Hoje, nós não apenas cultivamos sobre pastagens degradadas. Fazemos melhor: no mesmo local, temos pastagem e lavoura. Do Acre ao Amapá isso acontece. Hoje, a Amazônia Legal produz cerca de 30% do abacaxi do Brasil, 15% da banana, 52% do cacau, 40% da mandioca, 10% do maracujá, quase ¼ da produção nacional de melancia e 50% da pimenta do reino. Em termos de grãos, a região produz 33% do milho, 14% do feijão e 31% da soja. Sempre com ganhos anuais de produtividade.
Nessa região, 88% dos produtores rurais são constituídos por pequenos agricultores. Eles precisam de assistência técnica e apoio para se capitalizar e ampliar sua produção. Uma ação permanente para cuidar desses locais envolve necessariamente a regularização fundiária – ou seja, a concessão de títulos definitivos aos legítimos proprietários das terras.
Com a terra regularizada, será possível obter crédito bancário para melhor desenvolver a bioeconomia local, com financiamento para o manejo correto da rica biodiversidade da região. Estamos empenhados em realizar este programa porque temos consciência de que onde há miséria não haverá preservação da natureza. A alternativa para a Amazônia Legal é a agricultura moderna, sempre apoiada em ciência e no respeito ao meio ambiente.
É preciso que todos saibam que o Brasil possui uma das mais rígidas e rigorosas legislações ambientais do mundo, que determina, entre outras normas, a obrigatoriedade de produtores rurais preservarem de 20% a 80% de matas nativas dentro de suas propriedades, dependendo do bioma. Na Amazônia Legal, o Código Florestal, que criou o Cadastro Ambiental Rural (CAR), determina a preservação de 80% das terras.
Hoje, 82% do bioma Amazônia é de vegetação nativa. Cerca de 41% já estão protegidos em Unidades de Conservação Integral. Nos últimos dez anos, segundo os dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), a porcentagem de desmatamento na Amazônia variou de 0,11% a 0,19% por ano. A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) já demonstrou que 24% do desmatado voltou a ser floresta, por regeneração.
O governo brasileiro repudia toda e qualquer prática que possa incorrer no desmatamento ilegal ou em queimadas criminosas no território nacional e, em especial, na Amazônia. Como em várias regiões do planeta, queimadas na Amazônia Legal acontecem todos os anos, seja pela seca, seja infelizmente por práticas primitivas, ainda que autorizadas, que precisam ser coibidas e substituídas.
Mas há também incêndios intencionais, provocados pela ação criminosa de grileiros e madeireiros, que estão sob investigação da Polícia Federal (PF). O governo brasileiro desencadeou, nas últimas semanas, uma inédita e bem sucedida operação, sob comando das Foças Armadas, para combater o fogo. Estamos vencendo as queimadas.
Todos sabemos que está previsto nos acordos internacionais o apoio financeiro para preservação desta que é a maior floresta tropical do planeta. Aceitamos a colaboração, mas, como todo país, não podemos ter a soberania sobre nosso território relativizada ou questionada. E temos de ter, é claro, liberdade para escolher como e onde aplicar recursos eventualmente doados.
É natural que nossos clientes e parceiros em todo o mundo tenham ficado apreensivos com as notícias sensacionalistas sobre a floresta da Amazônia. Há uma guerra comercial global que sempre tenta se aproveitar desses exageros. A verdade é que, até o momento, não houve danos às nossas exportações. Nós temos confiança de que estamos implementando, em parceria com os governadores da Amazônia Legal, medidas permanentes de combate a práticas ilegais de desmatamento e que os responsáveis por ações criminosas serão exemplarmente punidos. Não vacilaremos para defender a Amazônia e seu desenvolvimento sustentável nas áreas licenciadas, em benefício da população brasileira e mundial.
* A autora é Ministra da Agricultura do Brasil
A SINTONIA FINA (A CAIXA DE PANDORA DE JOHN MAYNARD KEYNES) - 12/09/2019
Nos últimos tempos, nas plagas latino-americanas, o que temos observado, com certa frequência, são governantes cujos compromissos estão pautados pela irracionalidade, culto à personalidade, autoritarismo ou pelo mais desbragado populismo. E, agora em anos mais recentes, alguns deles estão associados aos objetivos do Foro de São Paulo (as esquerdas da América Latina reunidas para transformar o nosso continente noutra União Soviética), incluído nesse projeto o apoio a Daniel Ortega, da Nicarágua, e ao proposto de Hugo Chávez, na Venezuela, Nicolás Maduro... Cidadãos que chegaram ao poder pela via democrática, cujos objetivos, entretanto, são o de detonar a Democracia em seus países. O que estão fazendo, sem se importar com os meios e os métodos de terror aplicados.
A bem da verdade, toda essa lambança teve origem na teoria econômica de John Maynard Keynes, na década de 30 do século passado, que abriu a Caixa de Pandora da Economia, com a sua engenhosa criação denominada "Sintonia Fina", por meio da qual eram manipuladas as políticas fiscal e monetária (os gastos públicos, no primeiro caso; e o crédito, a expansão do dinheiro, os juros, no segundo), abrindo historicamente, assim, as comportas do déficit público, e, por consequência, da inflação. Certamente, o precursor da teoria de livres mercados, o escocês Adam Smith, não se conformaria com esse Cavalo de Troia do capitalismo nas Américas, e diria com arguta propriedade: "Espera lá, vocês fabricaram a crise de 29, o crash da bolsa americana do século passado, primeiro injetando muito dinheiro na economia, depois enxugando demais, a par de buscarem solução no fechamento do seu mercado para outros países, por meio de tarifas alfandegárias estratosféricas, e querem atribuir esse abismo à teoria que iniciei, é muito desatino e lapidar injustiça!"
É bom dizer que, pela Sintonia Fina, o "gerenciamento" da economia é realizado para atender ao obstinado continuísmo, ao desejo de poder, atrelado a projetos bolivarianos ou não, na forma já relatada, e não para preservar os interesses gerais da sociedade. Essa é a leitura que podemos fazer da era petista (Lula e Dilma), na qual manipularam os agregados econômicos e o dinheiro do BNDES para fazer camaradagem com empresários amigos e com países identificados com a sua ideologia, os quais estão rodando o socialismo com muita dificuldade (Cuba, Venezuela, Nicarágua e Bolívia). Sem contar ainda países africanos que receberam dinheiro brasileiro para construir obras. Pasmem, prezados leitores! Essas práticas são dignas de fazer parte da coletânea de contos de Jorge Luis Borges, o argentino culto e inspirado, denominada "História Universal da Infâmia". A nossa gente sem hospitais e rede de esgoto, serviços públicos precários, e Lula e Dilma resolvem fazer caridade com outros países: porto de Mariel em Cuba, aeroporto na África do Sul, viadutos e metrôs na Venezuela, perdão da dívida da Bolívia. Quer dizer, vamos fazer um esforço sobre-humano para economizar 940 bilhões de reais, dinheiro a ser retirado das aposentadorias, num espaço de dez anos, quando esse senhor e essa senhora, representando a esquerda no poder, pelo que se tem notícia, remeteram, via BNDES, um bilhão de reais para as ditas repúblicas socialistas. A coisa funcionava do seguinte modo: o governo emitia títulos da dívida federal e repassava esse dinheiro arrecadado para a referida instituição financeira, e essa, por sua vez e sigilosamente, enchia o bolso de ditadores, tal qual o relatado. Isso tudo sem passar pela apreciação do Parlamento Brasileiro. Crime de lesa pátria! É o mínimo que se pode dizer...
Assim, políticos "obsequiosos" se apropriaram da "Sintonia Fina", que passou a ser eficiente instrumento das suas pretensões pessoais e ideológicas: "vamos continuar no poder nem que seja falindo as finanças públicas dos nossos países". A Dilma, mesmo sem ter recebido, provavelmente, muitas informações a respeito da semântica da "Sintonia Fina" (já pensaram na cidadã dando uma aula sobre Sintonia Fina em entrevista...), fez a lambança que todos nós conhecemos e que resultou em 12 milhões de desempregados e no desarranjo das finanças públicas.
A Argentina, por exemplo, com a aplicação da "Sintonia Fina" e com medidas heterodoxas na sua economia, aplicadas por políticos peronistas, perdeu o bonde da história...
Por tudo isso, é razoável dizer que é absolutamente necessário estabelecer limites percentuais para a dívida pública federal e proibir os governos de repassar dinheiro para o BNDES. Aliás, o que é absolutamente necessário é tirar o banco público de investimentos dessa jornada, de tal sorte que o mercado de capitais seja a grande fonte de financiamentos das nossas empresas. O ministro Paulo Guedes, cujas ideias estão na contramão da teoria de John Maynard Keynes, tem, sabiamente, trabalhado nessa direção, ao fomentar as reformas necessárias. Esperamos que continue firmemente no seu trajeto sem ser obstado (ele e a sua valorosa e competente equipe).
Sem esses dispositivos restritivos, nem mesmo um banco central independente seria capaz de executar o seu ofício com nobreza, qual seja, o de zelar, naquilo que lhe diz respeito, pela preservação do poder de compra da moeda, pois da forma como são constituídos, até mesmo nos EUA, são fonte de financiamento de governos gastadores, perdulários, que sobrevivem de déficits orçamentários rotineiros e crescentes, porque a dívida pública traz a exigência da emissão monetária em algum momento, e a emissão é sabidamente inflacionária, quando a quantidade de moeda excede as exigências da economia.
A CULTURA DO IMEDIATISMO AFETA TUDO E TODOS - 05/09/2019
A pós-modernidade brinda a vida com uma série de falácias, mentiras e mitos. Porém, traz algumas verdades: permissividade, deleite no curto prazo e a ditadura de direitos!
Inquestionavelmente, no mundo real, a criação humana do Estado é capaz de impulsionar - ou pelo menos não atrapalhar - ou barrar o desenvolvimento de organizações e pessoas. Políticas institucionais de estado, econômicas e sociais, moldam as preferências temporais de empresas e indivíduos.
Vejamos. Na vida empresarial, alguns decretaram o fim do compromisso da estratégia com o longo prazo. Outros, até mesmo o perecimento da estratégia, já que o foco tem que estar em sistemáticas inovações de curto prazo. Será mesmo?!
Frequentemente, vejo gente confundindo novas tecnologias e inovações incrementais com verdadeiras mudanças estratégicas! A tecnologia da informação é somente uma parte do negócio. Crítica, contudo, não exatamente altera o que é um determinado negócio, mas fundamentalmente o "como"; a proposta de valor - inovadora - da empresa deve ser entregue para consumidores e clientes (não apenas uma vantagem, mas múltiplas!). A digitalização deveria servir para um repensar sobre a validade e adequação de determinada estratégia e seu respectivo modelo de negócios. O digital não é uma panaceia.
Não, nem a estratégia, tampouco o longo prazo estão mortos. Muito antes pelo contrário.
A estratégia é uma estrutura robusta, com princípios fundamentais e orientadores para uma tomada de decisões eficiente e eficaz. Não é a longo ou a curto prazo, mas é sobre alocação de recursos referentes à fontes de criação de valor; diferenciadoras e de custos. Se não existe uma estratégia consistente, decisões inadequadas serão tomadas! Estratégia de fato, refere-se ao que precisa ser feito hoje para moldar e prosperar no futuro.
Pesquisas recentes têm demonstrado que empresas que gerenciam num horizonte de longo prazo, alcançam crescimento de margem sustentável e lucros maiores do que aquelas que administram no curto prazo. Os grandes movimentos estratégicos - para além de novidades incrementais e cortes de custos - tais como crescimento em novos produtos, serviços e mercados, dependem de foco no longo prazo! Evidente que as políticas governamentais influenciam, positiva e negativamente, a preferência temporal das organizações.
Já a vida em sociedade, num mundo pós-moderno, gestou a cultura (falta!) do tudo é permitido, do imediatismo, da escassez de conteúdo legítimo e dos "especialistas" - e celebridades - das redes sociais. Pessoas são encorajadas para a obtenção de prazer, da gratificação imediata, do curto prazo. Sobretudo, aqueles menos abastados trocam as possibilidades de um futuro melhor pelas benesses no presente.
Todos esperam ter seus "direitos" assegurados pelo estado grande. Desincentivo a capacidade de realização das pessoas, a autodisciplina suficiente para sacrificar satisfação presente por uma futura. Persistente desemprego e baixa renda não são causas, mas os efeitos dessa cultura imediatista em que tudo é permitido!
A cultura da libertinagem afasta indivíduos de valores fundamentais do trabalho árduo, contumaz e da necessidade de estudo e atualização permanente. Retira dos cidadãos o livre arbítrio na definição e perseguição de seus próprios objetivos de vida, principalmente aqueles mais distantes da escala de valores prazerosos de curto prazo.
O estado benfeitor infantiliza as pessoas, à medida em que essas passam a esperar do governo a solução de seus problemas econômicos e sociais e, assim, os induz para a satisfação imediata em detrimento de um planejamento e ação de mais longo prazos.
Parece-me que quanto menos liberdade e livre iniciativa se tem no contexto social, quanto mais o governo intervém e se apropria da renda dos cidadãos, por meio da cobrança de impostos, mais fortemente ele impacta nas preferências temporais de empresas e indivíduos. Infelizmente, prepondera o “curto-prazismo”!
Como resultado dessa cultura libertina e de iniciativas paternalistas e estatizantes, empresas reduzem investimentos, derrubando produtividade, lucratividade e diminuindo respectiva geração de empregos. Por sua vez, indivíduos são impulsionados a viver apenas o presente gratificador, aquele que inibe a busca de desenvolvimento individual, por meio do esforço próprio, da poupança e do mérito.
Enfim, esse estado paternalista, patrimonial, clientelista e intervencionista reduz a oferta de bens, serviços e recursos presentes para empresas e indivíduos, aumentando a preferência temporal e fomentando uma sociedade mais orientada para o presente.
Tristemente, o imediatismo afeta tudo e todos, perenizando uma falsa consciência de direitos ilimitados, de interesses clientelistas que, no longo prazo, entrava o indispensável processo civilizatório.
Pois é: as coisas boas vêm para aqueles que esperam, mas as melhores ainda para aqueles que vão buscá-las! Agora percebe-se que o governo quer ajudar!
Alex Pipkin, PhD
BOLSONARO, - 27/08/2019
E não é que é verdade? O cara atropela as palavras, engole outras, passa por cima de algumas regras gramaticais, solta palavrões.
Mas vamos dar uma olhada nos seus antecessores, que ainda estão vivos:
??SARNEY: um intelectual. Membro da ABL. Escritor e poeta. O multimilionário "dono" do Maranhão. Deixou o país quebrado, após sucessivos e mal sucedidos planos econômicos, e com uma inflação que, só no último mês do seu mandato (ampliado para 5 anos, sabe-se lá como) foi superior a 80%. Num mês!
??COLLOR: nascido em berço de ouro. Bom orador, teve educação de 1o. Mundo. Foi impichado por corrupção. Indiciado em vários processos, teve bens apreendidos. Não está preso graças à leniência do STF.
??FHC: Outro intelectual. Professor catedrático da USP. Professor visitante da Sorbonne. Ao cabo de seu segundo mandato (conseguido sabe-se lá como!) entregou a inflação sob controle, mas com o Brasil no FMI. Passou a faixa para Lula, seu velho companheiro de palanque e de ideias socializantes.
??LULA: Um farsante, semianalfabeto, comia os plurais com a mesma gula com que devorava dinheiro e amantes, como nunca antes na história deste país. Levou 8 anos enganando, trapaceando, roubando. Está preso, condenado em 2a. Instância, em vias de ser condenado também no TRF-4 num outro processo. E com uma outra condenação na 13a. Vara de Curitiba. É réu em mais um monte, no Rio e em Brasília.
??DILMA: A economista que não sabia nada de economia, a anta que não consegue construir uma frase com sujeito, verbo e predicado nos seus devidos lugares. Com a "expertise" de quebrar uma loja de 1,99, foi bem mais longe: quebrou um país inteiro. Foi impchimada. E acaba de ter prisão preventiva requerida, mas ainda não deferida pela Justiça.
??TEMER: A finesse em pessoa. Nunca elevou a voz. Nunca disse uma frase que não fosse rebuscada, com direito a mesóclises empoadas e gongóricas. Chefiou por décadas o MDB, um partido que saqueou o país também por décadas - e não por mera coincidência. Está em prisão domiciliar, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
??Aí Bolsonaro, menino pobre, estudante de Colégio Militar e Capitão reformado, sucede a essa súcia de letrados e iletrados, espertos e corruptos, carreiristas e punguistas (e até ex-terrorista!), quebra todas as regras sujas de se fazer política e é trucidado por ser tosco com as palavras? Por não ser politicamente correto? Por falar o que pensa, sem rodeios? Por corajosamente dar nome aos bois? Por enfrentar sem medo a mídia que o massacrou na campanha? E que continua massacrando um presidente legitimamente eleito?
Como deputado, estava no Congresso quando todos esses presidentes exerceram o poder roubando, ou aliciando partidos e deputados com ministérios, cargos e até dinheiro vivo, o Mensalão que o diga. O Petrolão também.
Mas ele nunca se deixou contaminar. Era uma voz isolada no Plenário e nas Comissões, e desprezado pelos colegas de tantas legislaturas, que nunca davam as assinaturas necessárias para que seus projetos andassem na Casa.
Ou então seus projetos eram engavetados pelos presidentes da Câmara - e muitos deles foram processados e/ou foram ou estão presos, como Ibsen Pinheiro, Severino Cavalcanti, João Paulo Cunha, Michel Temer, Eduardo Cunha.
??Ele sobreviveu incólume àquele antro!
Bolsonaro é uma total e absoluta exceção à regra de como se faz política no Brasil. Um alienígena completo. Que se elegeu sem partido importante, sem dinheiro, sem a mídia, sem as corporações, sem nada além de seu discurso conservador, que reverberou nas redes sociais por quem viu nele - com toda a razão - um político que iria fazer diferente de quem o antecedeu. E ele está fazendo.
??Tem a sutileza de um rinoceronte? Sim. Tem a coragem dos loucos? Também sim. Tem os cacoetes das raposas da política? Definitivamente não. E ainda bem que não, dados os exemplos acima.
Ele não é, nem nunca foi um RollsRoyce. Está mais pra um tanque de guerra, daqueles que passam por qualquer terreno para abrir caminho para a infantaria, que vem atrás. E a infantaria somos nós.
Para Bolsonaro, todo mato é caminho. E ele vai (vamos) chegar lá. Não interessa se o homem é um tosco, ante o quanto é verdadeiro. E comprovadamente honesto.
??O resto é choro de corruptos, mimimi de contrariados e o coro de mal informados pela mídia, que não engole o fato que um presidente se elegeu à sua revelia.
Reproduzido de Recanto das Letras: https://www.recantodasletras.com.br/cronicas/6720413
J.R. Guzzo - 23/08/2019
21/01/2019 - Nada é mais cômodo do que viver convencido de que certas coisas não podem ser discutidas, pois são a verdade em estado definitivo. É o que está acontecendo hoje com a questão a mbiental pelo mundo afora — especialmente no Brasil.
Ficou decidido pela opinião pública internacional e nacional que o Brasil destrói cada vez mais as suas florestas — por culpa da agropecuária, é claro. Terra que gera riqueza, renda e imposto é o inferno. Terra que não produz nada é o paraíso. Fim de conversa.
Os fatos mostram o contrário, mas e daí? Quanto menos fatos alguém tem a seu favor, mais fortes ficam as suas opiniões.
Ninguém imagina, pelo que se vê e lê todos os dias, que a área de matas preservadas no Brasil é mais do que o dobro da média mundial. Nenhum país do mundo tem tantas florestas quanto o Brasil — mais que a Rússia, que tem o dobro do seu tamanho, e mais que Canadá e Estados Unidos juntos. Só o Parque Estadual da Serra do Mar, em São Paulo, é duas vezes maior que a maior floresta primária da Europa, na Polônia.
Mais que tudo isso, a agricultura brasileira ocupa apenas 10%, se tanto, de todo o território nacional — e produz mais, hoje, do que produziu nos últimos 500 anos. Não cresce porque destrói a mata. Cresce por causa da tecnologia, da irrigação, do maquinário de ponta. Cresce pela competência de quem trabalha nela.
Como a agricultura poderia estar ameaçando as florestas se a área que cultiva cobre só 10% do país — ou tanto quanto as terras reservadas para os assentamentos da reforma agrária? Mais: os produtores conservam dentro de suas propriedades, sem nenhum subsídio do governo, áreas de vegetação nativa que equivalem a 20% da superfície total do Brasil. Não faz nenhum sentido.
Não se trata, aqui, de dados da "bancada ruralista" — foram levantados, computados e atualizados pela Embrapa, com base no Cadastro Ambiental Rural, durante o governo de Dilma . São mapas que resultam de fotos feitas por satélite. São também obrigatórios — os donos não podem vender suas terras se não estiverem com o mapeamento e o cadastro ambiental em ordem.
Do resto do território, cerca de 20% ficam com a pecuária, e o que sobra não pode ser tocado. Além das áreas de assentamentos, são parques e florestas sob controle do poder público, terras indígenas, áreas privadas onde é proibido desmatar etc. Resumo da ópera: mais de dois terços de toda a terra existente no Brasil são "áreas de preservação".
O fato, provado por fotografias, é que poucos países do mundo conseguem tirar tanto da terra e interferir tão pouco na natureza ao redor dela quanto o Brasil. Utilizando apenas um décimo do território, a agricultura brasileira de hoje é provavelmente o maior sucesso jamais registrado na história econômica do país.
A última safra de grãos chegou a cerca de 240 milhões de toneladas — oito vezes mais que os 30 milhões colhidos 45 anos atrás. Cada safra dá para alimentar cinco vezes a população brasileira; nossa agricultura produz, em um ano só, o suficiente para 1 bilhão de pessoas.
O Brasil é hoje o maior exportador mundial de soja, açúcar, suco de laranja, carne, frango e café. É o segundo maior em milho e está nas cinco primeiras posições em diversos outros produtos.
O cálculo do índice de inflação teve de ser mudado para refletir a queda no custo da alimentação no orçamento familiar, resultado do aumento na produção. A produtividade da soja brasileira é equivalente à dos Estados Unidos; são as campeãs mundiais.
Mais de 60% dos cereais brasileiros, graças a máquinas modernas e a tecnologias de tratamento do solo, são cultivados atualmente pelo sistema de "plantio direto", que reduz o uso de fertilizantes químicos, permite uma vasta economia no consumo de óleo diesel e resulta no contrário do que nos acusam dia e noite — diminui a emissão de carbono que causa tantas neuroses no Primeiro Mundo.
Tudo isso parece uma solução, mas no Brasil é um problema. Os países ricos defendem ferozmente seus agricultores. Mas acham, com o apoio das nossas classes artísticas, intelectuais, ambientais etc., que aqui eles são bandidos.
A consequência é que o brasileiro aprendeu a apanhar de graça. Veja-se o caso recente do presidente Michel Temer — submeteu-se à humilhação de ouvir um pito dado em público por uma primeira-ministra da Noruega, pela destruição das florestas no Brasil, e não foi capaz de citar os fatos mencionados acima para defender o país que preside. Não citou porque não sabia, como não sabem a primeira-ministra e a imensa maioria dos próprios brasileiros. Ninguém, aí, está interessado em informação.
Em matéria de Amazônia, "sustentabilidade" e o mundo verde em geral, prefere-se acreditar em Gisele Bündchen ou alguma artista de novela que não saberia dizer a diferença entre o Rio Xingu e a Serra da Mantiqueira. É automático. "Estrangeiro bateu no Brasil, nesse negócio de ecologia? Só pode ter razão. "
Nada explica melhor esse estado de desordem mental do que a organização "Farms Here, Forests There" (fazendas aqui, florestas lá) atualmente um dos mais ativos e poderosos lobbies na defesa dos interesses da agricultura americana Não tiveram nem a preocupação de adotar um nome menos agressivo — e não parecem preocupados em dar alguma coerência à sua missão de defender "fazendas aqui, florestas lá".
Sustentam com dinheiro e influência política os Green¬peaces deste mundo, inclusive no Brasil. Seu objetivo é claro. A agropecuária deve ser atividade privativa dos países ricos — ou então dos mais miseráveis, que jamais lhes farão concorrência e devem ser estimulados a manter uma agricultura "familiar" ou de subsistência, com dois pés de mandioca e uma bananeira, como querem os bispos da CNBB e os inimigos do "agronegócio".
Fundões como o Brasil não têm direito a criar progresso na terra. Devem limitar-se a ter florestas, não disputar mercados e não perturbar a tranquilidade moral das nações civilizadas, ecológicas e sustentáveis. E os brasileiros — vão comer o quê? Talvez estejam nos aconselhando, como Maria Antonieta na lenda dos brioches: "Comam açaí".
* Reproduzido da Revista Veja, 21 de janeiro de 2019
REFORMA TRIBUTÁRIA - A PROPOSTA HAULY - 21/08/2019
REFORMA TRIBUTÁRIA
Dias atrás publiquei a minuciosa análise feita pelo Instituto Atlântico, através do pensador Paulo Rabello de Castro, da PEC 45/2019 de REFORMA TRIBUTÁRIA, defendida pelo deputado Baleia Rossi. Agora, Rabello de Castro apresenta a análise da PEC 110/2019, defendida pelo ex-deputado Luiz Carlos Hauly, a qual, diga-se de passagem, esteve próxima de ser votada, em 2018, no governo Temer. Eis alguns tópicos:
PROPOSTA HAULY
No item que trata da -FINALIDADE E METAS DA REFORMA TRIBUTÁRIA -, no texto anterior definimos que a grande FINALIDADE de uma reforma tributária é DESTRAVAR E IMPULSIONAR A ECONOMIA BRASILEIRA. Neste ponto -comparativo- há consenso. Da mesma forma há razoável convergência quanto às METAS, que devem orientar o Congresso reformador do nosso sistema tributário capenga.
TRÊS METAS
As três METAS: SIMPLIFICAÇÃO, COMPETIÇÃO E DESONERAÇÃO. O objetivo da reforma é alcançar um sistema tributário que se possa reconhecer como SIMPLES (ai entendido o conceito arquitetônico de simplicidade, segundo Frank Lloyd Wright – arquiteto norte-americano -, de que simples é aquilo que obedece ao equilíbrio do conjunto), e também ser um sistema COMPETITIVO, ou seja, eleger um conjunto de tributos que não perturbe a vantagem competitiva de quem produz e a facilidade de quem investe, usa ou consome e, finalmente, é buscar se chegar a uma carga tributária DESONERADA, portanto suportável para quem paga, aplicando-se efetivamente o princípio da capacidade contributiva, equalizando os contribuintes segundo um sistema tributário progressivo, e não regressivo como hoje se apresenta.
Se nada disso for possível, melhor manter o manicômio tributário como está porque, com este, estamos acostumados.
GRANDE ARQUITETURA DA PROPOSTA HAULY
O relator Luiz Carlos Hauly fez questão de definir e abraçar a META DE SIMPLIFICAÇÃO e dela fazer sua bandeira maior na tarefa reformista. Ele aponta nada menos do que oito categorias tributárias, de âmbito federal, que pretende eliminar na reforma (IPI, IOF, CSLL, PIS e Pasep, Cofins, Salário-educação e CIDE-combustíveis). No âmbito estadual, propõe eliminar o ICMS e, no municipal, extingue o ISS, ambos por aglutinação ao novo IBS.
Hauly também dá à PLH uma orientação “ORGÂNICA”, ao almejar uma visão de conjunto da arquitetura tributária nacional, algo de que carece a versão PBR de reforma. Organicamente, lembra Hauly, a tributação da renda deve estar na órbita FEDERAL, assim como a do consumo ficará na órbita ESTADUAL, embora incorporando vários tributos federais e municipais com fatos geradores correlatos, como faturamento, fabricação e prestação onerosa e, finalmente, a propriedade, em suas diversas modalidades, terá sua tributação situada no âmbito local, portanto, MUNICIPAL.
O percuciente Relator propõe REALINHAR o monstrengo tributário atual aos princípios dos melhores sistemas em vigor no resto do mundo, nos países mais avançados; quer que o Brasil se alinhe competitivamente às nações mais eficientes e fique em paridade com países que arrecadam sem maltratar demais os contribuintes. Concordamos e aplaudimos a preocupação do Relator em “não criar novas jabuticabas”!
ESFERA FEDERAL
Na visão de Hauly, o imposto sobre a renda pertence sobretudo à esfera federal, pois o fato gerador “renda” é a manifestação máxima do resultado produtivo de cada pessoa e da Nação como um todo (daí o conceito de produção interna bruta, ou PIB). Ao governo federal cabe acompanhar a evolução da renda de todos e de cada um, seja nas pessoas física ou jurídica; transferir renda para quem dela, justificadamente, carece; reequilibrar as rendas capturadas por regiões e localidades distintas; e harmonizar o impacto do imposto entre os que têm mais e quem tem menos ou quase nada.
Por isso, a PLH propõe manter o IR no âmbito federal, embora com arrecadação compartilhada (aspecto de que, data venia, discordamos) e, assim também, deixar com a União as tarefas de pagamentos previdenciários e assistenciais do Estado brasileiro. Para simplificar mais, Hauly incorpora a CSLL ao IRPJ, sem maiores detalhes. A PLH também deixa para a legislação complementar definir se a receita antes oriunda da CSLL, que será parte do IR, será compartilhada com Estados e Municípios. Neste caso, a partilha deveria ser objeto de alguma compensação à União, embora tal não seja discutido na PLH. Essa omissão poderá gerar controvérsia futura, embora haja solução para isso no bojo de uma oportuna redistribuição de competências tributárias que comentaremos ao final.
ESFERA ESTADUAL
Prosseguindo, a PLH enfrenta com bastante atenção o clamor por simplificação do vasto excesso de tributação, sobretudo na indústria, onde uma enorme carga recai sobre o fabricante, mas também sobre o comerciante e o prestador de serviço.
Quem ainda ousa fabricar algo no Brasil é sobrecarregado por IPI, uma excrescência tributária de origem colonial, remontando ao tributo lusitano ao ouro e à açúcar da cana, de modo semelhante ao tributo inglês ao chá e ao tabaco, nas colônias britânicas da América.
Não faz sentido a oneração da produção, tomando a industrialização como fato gerador de um imposto. Deve-se tributar o resultado da produção, se e quando positivo.
Tributa-se também o consumo, derivado da produção efetivamente comercializada. Surge daí o novel tributo, IBS, que vem de se aplicar um imposto à aquisição final de um bem (tangível ou intangível) ou de um serviço, de modo transparente e simplificado, com alíquota, se possível, uniforme. O conceito do IBS se casa perfeitamente com a noção de um tributo incidente no destino final da mercadoria ou serviço, embora se admita um compartilhamento discreto com a origem da produção. As etapas intermediárias de incidência do IBS vão gerando créditos sucessivos a quem adquire o bem ou serviço, menos para quem é o consumidor final. Este é quem paga, conforme sua capacidade de consumo.
PARTILHA CRUZADA
Os três níveis de governo – federal, estadual e municipal – repartirão entre si a arrecadação do tributo IBS, que tem a nobre incumbência de financiar toda a máquina pública e seus encargos financeiros nas três esferas de governo.
Do ponto de vista de competência constitucional, contudo, Hauly preferiu manter o IBS na esfera estadual. Mas é um imposto, essencialmente, da Federação. Sua legislação não mais derivará de cada Estado, e sim, integralmente, do Congresso Nacional. E o IBS terá sua receita compartilhada (“a partilha cruzada”) entre a União, Estados, DF e Municípios.
A arrecadação do IBS será como a taxa de condomínio que todos os brasileiros – de acordo com sua capacidade de consumo - pagarão para financiar as despesas dos três “síndicos” do edifício Brasil: os governos federal, estadual e municipal. (E haja síndicos!)
Tal compartilhamento será, de longe, o mais difícil desafio de gestão na partilha de receitas pela reforma PLH, pois nenhum ente federativo vai querer perder (todos prefeririam ganhar...). As receitas de todos os tributos zumbis serão aglutinadas no IBS. Mas, afinal, qual será a repartição justa, que não vai tirar de uns para dar a outros, que não irá gerar perdas nem ganhos extras de arrecadação aos participantes e que, portanto, se pode dizer uma PARTILHA NEUTRA? A neutralidade na partilha, face às arrecadações do novo tributo, é condição fundamental para a aceitação política do IBS. Nenhum ente federativo pode estar sequer ameaçado de perdas de receita diante da crise fiscal enfrentada por Estados e Municípios. A PROPOSTA -HAULY- pretendeu dar uma resposta objetiva para tal questionamento mas, a nosso ver, ficou a meio caminho de gerar segurança sobre a Neutralidade na repartição do IBS.
No capítulo que trata da Transição do antigo para o novo sistema, a PROPOSTA -HAULY- revela que se imaginava calcular uma determinada participação de cada ente federativo, de modo a cada um manter seu “quinhão” na arrecadação “... nos mesmos moldes dos anos anteriores, evitando-se perdas com o novo modelo”. Só que este método de repartição não chega até o nível da extração de uma Nota Fiscal Eletrônica (NFE) por qualquer empresa localizada neste ou naquele Estado ou Município. O relator preferiu, então, adotar o modelo de “convivência” entre tributos novos e moribundos que é a mesma alternativa (duvidosa) oferecida no bojo de outra proposta, a PBR.
A integralidade da análise está disponível no site (https://www.atlantico.org.br/wp-content/uploads/2019/08/Luiz-C.-Hauly-Final-Total.pdf).
O ESPECTRO DA INGOVERNABILIDADE - 19/08/2019
A Argentina foi sempre um constante desafio para os estudiosos, pois não é fácil interpretar sua acidentada trajetória. O começo foi atribulado desde que Pedro de Mendoza, em 1536, estabeleceu na margem ocidental do rio da Prata o acampamento que denominou Puerto de Nuestra Señora Santa Maria del Buen Aire. O apogeu e glória se deu a partir de 1880, seguindo-se cinquenta anos aproximadamente do que se denominou de “Era do Ouro”. Depois o mergulho na decadência, na violência institucionalizada, a intermitência entre prosperidade e declínio.
Essa Argentina que já foi chamada de enigma, com suas marcas coloniais, seu estilo europeizado, seus acordes passionais de um nostálgico tango, também já foi considerada a vanguarda da América Latina por ser o lugar onde as coisas acontecem primeiro. E sendo um genuíno país latino-americano não se pode esquecer a tendência populista que se alternou em seus governos e aquele falso esquerdismo que sempre marcou os povos latinos. Tampouco não se olvide outra característica latino-americana: a ingovernabilidade.
Em um dos meus livros, América Latina – Em Busca do Paraíso Perdido, discorri longamente na segunda parte sobre a Argentina. Em um pequeno artigo isso é impossível por vou me referir aqui de modo bem resumido apenas a três governantes que demonstraram traços marcantes da cultura política argentina. São ele: Rosas, Sarmiento e Perón.
Juan Manuel de Rosas foi a essência do caudilhismo e tornou-se governador de Buenos Aires em fins de 1829. Segundo Carlos Rangel, na sua obra Do Bom Selvagem ao Bom Revolucionário:
"Rosas foi o mais centralizador de todos os chefes de governo na Argentina, porquanto seu pretenso federalismo como o de todos os dirigentes dos países da América Latina, só revelava, na realidade, a ambição egoísta de ser o senhor do seu feudo e, depois, quando o poder adquirido tivesse ultrapassado os dos outros feudais, obter a submissão ou aniquilá-los”.
Domingo Faustino Sarmiento foi um educador, um escritor e um político argentino. Ele governou a Argentina de 1868 a 1874 e esse verdadeiro liberal modernizou o país através de ampla reforma educacional, dos estímulos às liberdades civis, da construção de uma rede ferroviária, da expansão comercial, do incentivo à imigração.
Sua obra, Facundo: Civilização e Barbárie (1845) é uma das mais importantes da literatura latino-americana para se entender num sentido histórico, sociológico e político o que era e, portanto, o que vem a ser a terra da prata. Sarmiento foi o representante da civilização e sua grande admiração pelos Estados Unidos o levou a uma série de observações e análises como um Tocqueville à moda latino-americana.
Através do seu governo (1946-1955) Juan Domingo Perón foi odiado por uns, idolatrados por outros e isso acontece até hoje. Carlos Rangel, em sua obra aqui já citada afirmou que “Perón conseguiu reconduzir a Argentina ao obscurantismo autóctone de maneira evidente”. Atribuiu a ele ter arruinado o país política e economicamente conseguindo torná-lo quase ingovernável.
De todo modo, ficaram evidentes certos elementos marcantes da era peronista. Foram eles: a falsa democracia, o nacionalismo ultraxenófobo, a demagogia e o populismo exacerbado.
Recentemente, um fato aconteceu na Argentina que chamou atenção. Foram as prévias eleitorais nas quais a chapa Alberto Fernández para presidente tendo como vice-presidente Cristina Kirchner, ficou à frente do presidente Mauricio Macri que disputa a reeleição.
A eleição será em outubro e não existe como prever o que acontecerá, entretanto, o espectro da ingovernabilidade ronda a Argentina caso se confirme a vitória de Kirchner, na medida em que certamente ela terá ação decisiva nos destinos do país.
Vejamos o legado de Cristina Kirchner, que foi bem resumido no O Estado de S. Paulo (14/08/2019):
“O legado da ex-presidente é bem impressionante e, sob qualquer aspecto deveria representar o fim de sua carreira política. Além de ser processada por corrupção e de ter escapado da prisão em razão de sua imunidade parlamentar como senadora. Cristina arruinou os fundamentos econômicos da Argentina – obra que começou no governo de seu antecessor e marido, Néstor Kirchner."
A trajetória política da Argentina e esses fatos mais recentes, lembram um antigo comercial de vodca: “Eu sou você amanhã”. É como se a Argentina nos dissesse isso, pois seus acontecimentos políticos sempre antecederam os nossos de modo não exatamente igual, mas semelhante.
No momento, enquanto o presidente Bolsonaro vem sendo cerceado de várias maneiras para governar pelo Congresso e pelo STF e, esses Poderes têm desferidos golpes na Lava Jato através das pessoas do ministro Sergio Moro e do procurador Daltan Dallagnol, com o claro objetivo de soltar o presidiário Lula da Silva, se pode dizer que o espectro da ingovernabilidade ronda também o Brasil, como, aliás, sempre rondou a América Latina.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga
PGR: OS TUIUIÚS E A FARSA DA LISTA TRÍPLICE - 19/08/2019
1. Os Tuiuiús são procuradores esquerdistas que por 14 anos comandaram a Procuradoria-Geral da República (junho/2003 a setembro/2017). Eles acreditam que podem voltar ao comando, utilizando a mesma estratégia: a farsa da lista tríplice. Neste artigo falo da lista tríplice e do meu próximo livro (sou autor do livro autobiográfico De Faxineiro a Procurador da República).
2. Tuiuiú é uma ave desengonçada do Pantanal que tem dificuldade para voar. Antes de o PT chegar ao poder, havia uns procuradores de esquerda que se consideravam sem vez na cúpula da Procuradoria-Geral da República. Por causa dessa situação, eles criaram um grupo político autodenominado de Tuiuiú em alusão à ave pantaneira que tem dificuldade para voar, pois era assim, sem oportunidade para voo aos cargos mais altos, que eles se consideravam.
3. Todos os quatro procuradores-gerais nomeados nos governos Lula e Dilma pertenceram ao grupo Tuiuiú, que tem o seguinte lema secreto: Aos amigos, tudo; aos indiferentes, nada; aos inimigos, os rigores da lei e tudo de legal ou ilegal que possa ser utilizado como acusação. Houve um acordo tácito (presumido) de permanência recíproca no poder entre o grupo Tuiuiú e o governo petista. Para tanto, os tuiuiús utilizaram uma "eleição" denominada de "eleição da lista tríplice" para escolha do procurador-geral da República (PGR).
4. Nos termos da Constituição Federal, o PGR é nomeado pelo presidente da República, dentre integrantes do Ministério Público da União (MPU) maior de 35 anos.
Não há exigência legal de eleição para escolha do PGR, sendo que o escolhido pode ser integrante de qualquer um dos quatro ramos do MPU. A título informativo, o MPU é composto pelos seguintes ramos: Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho, Ministério Público Militar e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Portanto, o PGR pode ser membro de qualquer um desses ramos.
5. Mesmo sem que haja exigência de eleição para escolha do PGR, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) criou uma "eleição", denominada de "eleição da lista tríplice", na qual são escolhidos três nomes para "subsidiar" o presidente da República na escolha do PGR. Só podem participar da "eleição" como candidatos membros do Ministério Público Federal (MPF).
6. De outro giro, só podem participar como eleitores os associados da Associação Nacional dos Procuradores da República. Verifica-se, de plano, que tal "eleição" não tem nada de democrática, uma vez que limita os candidatos a somente membros do MPF, um dos quatro ramos do MPU. Em relação aos eleitores, a limitação é ainda maior, pois não são todos os procuradores do MPF que podem participar da "eleição", mas apenas os associados da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR). Ou seja, para ser eleitor, não basta ser membro do MPF, é preciso também ser associado da ANPR.
7. A "eleição" é tão corporativa que membros do MPF na ativa não podem participar do pleito, caso não sejam associados da ANPR. Por outro lado, membros aposentados do MPF, desde que sejam associados da ANPR, podem votar. Foi só na última "eleição", ocorrida no dia 18/06/2019, que procuradores aposentados não puderam mais participar como eleitores.
8. Sou membro do MPF na ativa (procurador regional da República, Segunda Instância), associado da ANPR, recebi a senha para votação em todas as "eleições", mas nunca votei. É que, se não bastasse a absoluta falta de finalidade e conteúdo democrático da "eleição", o resultado dela é absurdamente previsível: desde a primeira "eleição", em 2001, os três "eleitos" nas dez "eleições", que são feitas de dois em dois anos, foram todos tuiuiús, exceto em 2015, que Raquel Dodge ficou em terceiro lugar e em 2017, que Dodge ficou em segundo lugar e foi nomeada PGR pelo Michel Temer.
9. A propósito, é bem curiosa a previsibilidade desse pleito, por exemplo, na última "eleição", ocorrida em junho, Dodge não participou porque sabia que não ficaria entre os três mais votados. Em 2011, o ex-PGR Roberto Gurgel candidatou-se para concorrer à recondução. Todavia, entre outros problemas que ocorreram na última hora, ele foi flagrado se encontrando, às escondidas, com o ex-governador de Brasília, José Arruda, então investigado em inquérito policial.
10. Por essa e outras condutas, Gurgel foi muito criticado na rede eletrônica dos procuradores da República, espaço virtual onde se discute de tudo e mais alguma coisa. Assim, decerto ele não figuraria entre os "eleitos" na lista tríplice. Contudo, todavia, entretanto, bem ao estilo tuiuiú, cerca de uma semana antes da "eleição", Roberto Gurgel tirou um "Ás de Ouro" não sei de onde (sei sim...digo no livro) e mudou repentinamente o jogo: as críticas sumiram e ele conquistou o primeiro lugar na lista tríplice, sendo reconduzido por Dilma Rousseff.
11. O que aparenta ser uma "tradição democrática", inclusive, Lula e Dilma a utilizaram como propaganda em época eleitoral, dizendo que nomeavam PGR democraticamente escolhidos pelos próprios procuradores, não passou de uma farsa que custou caríssimo para a sociedade. É que, por um lado, houve custo alto para os tuiuiús ganharem as "eleições" de qualquer jeito e, por outro, houve custo altíssimo para que Lula e Dilma aceitassem o resultado, mesmo não estando obrigados legalmente. Em ambos os casos quem pagou o preço foi a sociedade.
12. "Ungidos pela eleição democrática" e nomeados por presidentes populistas, os procuradores-gerais tuiuiús sentiram-se imunes e fizeram o que deu na telha em prol do posicionamento ideológico esquerdista e no fortalecimento do acordo tácito de permanência recíproca no poder entre tuiuiús e petistas.
13. Para que a aliança fosse duradoura, o tuiuiú-mor Claudio Fonteles (criador do grupo Tuiuiú), primeiro PGR da era petista, aparelhou o MPF para proteger o PT. Para isso, ele criou um indisfarçável serviço de inteligência, apelidado de "Abinzinha" em alusão à ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), o chefe do tal serviço foi Rodrigo Janot, na época, secretário-geral do MPF. Além disso, "cassou" o mandato do então corregedor-geral Ednaldo de Holanda para colocar no lugar dele, como corregedor biônico, o tuiuiú roxo Wagner Gonçalves, que infernizou a vida de procuradores "rebeldes".
14. Após a aposentadoria, Fonteles foi nomeado presidente da "Comissão da Verdade" e Wagner Gonçalves, assessor da mesma "Comissão" (parece piada...). Mas o pior é que Claudio Lemos Fonteles, segundo ele mesmo registra no seu curriculum e pode ser conferido no Wikipédia, foi membro da "Ação Popular", movimento acusado de ter explodido sete bombas no aeroporto de Recife, matando dois e ferindo treze. Deixa eu repetir. Fonteles, o criador do Grupo Tuiuiú, primeiro PGR nomeado por Lula, presidente da "Comissão da Verdade", foi membro do grupo "Ação Popular", organização esquerdista acusada de ter explodido as bombas em Recife. Qual a isenção de Fonteles para apurar a verdade sobre os atos dos seus ex-companheiros?
15. Inicialmente, os tuiuiús protegeram os parceiros vermelhos, vigiando e perseguindo procuradores, cujas atuações atingissem os protegidos. Fui o mais perseguido, mas venci todas as perseguições e minha ficha funcional continua limpa como sempre. Entre os "graves crimes" que pratiquei está o fato de ter sido o autor da ação que resultou, pela primeira vez no país, na perda do mandato de um parlamentar federal do PT, no início do primeiro governo Lula.
16. Quando a imprensa começou a divulgar maciçamente atos de corrupção praticados por integrantes do governo petista, os tuiuiús mudaram a estratégia de proteção e, ao invés de perseguirem procuradores como fizeram no início, passaram a utilizar a atuação de faz de conta, que consistiu no manejo de investigações e/ou acusações com muito barulho na mídia, mas com o real objetivo de não dar em nada.
17. A denúncia do mensalão foi exemplo clássico da atuação de faz de conta. O tuiuiú Antonio Fernando, ex-procurador-geral, autor da denúncia do mensalão, fez grande estardalhaço denunciando "40 suspeitos" (deixou de fora o número um...). Ele consignou na peça acusatória que o PT havia constituído uma sofisticada organização criminosa para se perpetuar no poder. Isso fez muita gente acreditar que a atuação contra a organização criminosa seria real. Tudo não passou de encenação para disfarçar o fato de ele ter deixado de fora o principal suspeito de ser o chefe da societa sceleris (quadrilha), que sequer figurou como investigado. Prova inequívoco da atuação de faz de conta no mensalão foi o surgimento do petrolão logo em seguida.
18. Devido a essa proteção, a organização criminosa ficou por quase uma década e meia no comando do país e produziu dois esquemas criminosos gigantescos: o mensalão e o petrolão. Caso a organização não tivesse sido protegida, ela teria sucumbido no mensalão e não teria produzido o petrolão, maior esquema de corrupção do planeta, que só caiu por causa da Lava Jato, cujos corruptos, seus aliados, admiradores, bajuladores, aproveitadores de plantão e desinformados inocentes úteis tentam destruí-la.
19. Graças à Lava Jato, Lula está sendo responsabilizado por crimes praticados no varejo (pequenos crimes), pois foi protegido em relação aos crimes praticados no atacado (grandes crimes), no bojo do mensalão, quando sequer foi investigado. Caso Lula tivesse sido responsabilizado no mensalão, não teria havido o petrolão, que foi resultado da permanência da organização criminosa no poder.
20. Estou concluindo "o livro", cuja publicação pretendo fazer em breve (já poderia ter concluído, mas quero que seja "o livro" e não "um livro" rs...). A obra é de natureza técnica e realista na qual publico o que não saiu no Diário Oficial nem em órgão algum de comunicação. O trabalho é resultado da minha experiência no Serviço de Inteligência da Aeronáutica na década de 1980 e de 23 anos de atuação na área criminal do Ministério Público Federal.
21. Entre outros fatos e acontecimentos, exponho as atrocidades praticadas pelos tuiuiús para ganharem todas as "eleições da lista tríplice" e o que eles deram em troca para que o resultado da "eleição" fosse aceito por Lula e Dilma; relato como ocorreu a "traição" sofrida por Janot que o obrigou a lançar flechas contra "amigos", rompendo o acordo de permanência no poder, firmado tacitamente entre tuiuiús e petistas, o que levou à queda dos dois parceiros; relato também como ocorreu a gravação do ex-senador Delcídio do Amaral e a tentativa de derrubada do Temer da Presidência da República etc. etc. etc.
22. De outra banda, falo da relação entre o Judiciário e o Ministério público, mostrando que, na prática, quem manda é o Judiciário, mas quem comanda é o Ministério Público; digo como funcionou internamente a Lava Jato e por que a operação foi/é exitosa; analiso, com base em fatos, as palavras do presidente Bolsonaro que, no segundo dia de governo, em solenidade no Ministério da Defesa, assim se dirigiu ao ex-comandante do Exército: Meu muito obrigado, Comandante Villas Bôas, o que já conversamos morrerá entre nós, mas o senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui.
23. De mais a mais, como sou "especialista" em análise de condutas, explico, com base em fatos, por que o ex-procurador-geral Rodrigo Janot tem caráter semelhante ao do ex-presidente Lula (os dois parecem irmãos gêmeos). Janot é esquerdista, mas, dependendo do seu interesse pessoal, joga contra a esquerda, como o fez por ocasião do impeachment de Dilma. Luiz Inácio Lula da Silva teve comportamento análogo com a esquerda durante o governo militar.
24. Também explico no livro, com base em fatos, por que Bolsonaro é amado por milhões de pessoas, muitas que o chamam de "mito", enquanto outras o odeiam. Claro que não posso deixar de falar sobre as condutas de Moro e Deltan, pois os conheço profissionalmente desde o início de 2004, quando fui promovido à Segunda Instância e passei a oficiar junto ao Tribunal Regional da 4ª Região (TRF4), atuando em processos em grau de recurso, entre os quais os que vieram da 13ª VF de Curitiba, titularizada por Moro.
* O autor é Procurador Regional da Repúbica no TRF-4
MASOQUISMO LEGISLATIVO - 31/07/2019
IMPACIENTE E INDIGNADO
Se o leitor já estava impaciente com o atraso da REFORMA DA PREVIDÊNCIA (que ainda carece de aprovação em 2º turno na Câmara Federal), ao tomar conhecimento do acordo feito entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Simone Tebet, que concordaram em jogar a votação em plenário do Senado para o mês de OUTUBRO, aí é juntar IMPACIÊNCIA com INDIGNAÇÃO.
SEM SENSO DE URGÊNCIA
Ora, jogar o que é URGENTE para o final de 2019 (isto se a PEC não sofrer novas mutilações) é a demonstração clara de que a maioria dos nossos deputados e senadores tem enorme PRAZER em manter o DOENTE BRASIL (representado pelos pagadores de impostos) na UTI, em estado de penúria e grande sofrimento.
2019 ESTÁ PERDIDO
Este acordo, que muda o prazo anteriormente definido para SETEMBRO, faz com que o início do período que poderia melhorar a terrível situação FISCAL do nosso empobrecido Brasil fique para 2020. Ou seja, o que de fato resultou o acordo promovido por Alcolumbre e Simone é a PERDA DEFINITIVA do primeiro ano do atual governo, em termos de melhora das CONTAS PÚBLICAS.
SUPERÁVIT SÓ EM 2023 - SE TUDO DER CERTO
Aliás, nesta questão é importante levar em conta o que disse hoje, de forma correta e incontestável, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida: mesmo com “tudo dando certo” no AJUSTE FISCAL que o governo pretende fazer, Jair Bolsonaro deve terminar o mandato com DÉFICIT PRIMÁRIO. Mais: “Só devemos voltar a ter SUPERÁVIT EM 2023”.
PRÓXIMOS QUATRO ANOS SEM ECONOMIA
Só em 2019, com as regras atuais, a PREVIDÊNCIA já garante um ROMBO na ordem de R$ 309,4 bilhões. No ano passado (2018), o ROMBO foi de R$ 288,8 bilhões. Mais: mesmo aprovada, apenas a REFORMA DA PREVIDÊNCIA (que nada tem de NOVA PREVIDÊNCIA), não vai trazer economia por pelo menos os próximos QUATRO ANOS, arrematou Mansueto Almeida.
POUCO CASO
Ora, diante deste tenebroso diagnóstico, que exige cirurgias imediatas e precisas, o que estamos vendo, infelizmente, é, além de desidratações nos textos, muito pouco caso com o doente, cujos sintomas são pra lá de conhecidos: milhões de desempregados, elevada carga tributária, déficit fiscal crônico, enorme burocracia, muitos privilégios e, pasmem, pouca pressa. Pode?
RISCO-BRASIL - UMA MELHORA E TANTO - 26/07/2019
RISCO-PAÍS
Ontem, minutos depois que enviei ao pensador Gelson Castellan a cotação do CDS (Credit Default Swap), instrumento mundialmente preferido pelos agentes do mercado financeiro como forma de medição do RISCO PAÍS, ele retornou dizendo: - -esse dado deveria ser melhor divulgado, para que mais pessoas pudessem ter parâmetros para comparar-.
Então, vamos nessa.
TODOS OS PAÍSES TÊM DÍVIDA
Antes de tudo, portanto, é preciso ter em mente que TODOS OS PAÍSES têm dívida. Uns mais, outros menos, mas o fato é que isto só acontece porque, em geral, os governos gastam mais do que arrecadam. E, por consequência, precisam se financiar através da emissão de títulos públicos.
Como toda dívida precisa ser paga até o vencimento, ou rolada para um novo prazo futuro, como bem refere o economista Vinicius Alves em estudo publicado em 2018, a capacidade de ADIMPLÊNCIA de cada país é medida, mundialmente, pelos agentes financeiros, indicadores que atestam, numericamente, o RISCO-PAÍS.
INDICADORES DE VISUALIZAÇÃO ON-LINE
Para medir o -RISCO-PAÍS-, além dos relatórios produzidos pelas conhecidas -Agências de Classificação de Risco (RATING), as duas mais conhecidas formas de mensuração numérica, por ser -EM TEMPO REAL- (on-line), são:
o -CDS- (Credit Default Swap)- e
o EMBI+ (Emerging Market Bond Index Plus).
CDS
O mais conhecido e, portanto, aquele que têm maior preferência do mercado, é o CDS – Credit Default Swap – (swap de crédito contra um calote). De forma simples, o CDS é um tipo de -SEGURO- QUE REMUNERA O DETENTOR do título quando o país dá calote. O detentor do CDS está buscando proteção contra o calote da dívida do país.
Exemplo: se um investidor compra proteção contra um evento de crédito para US$ 100 milhões em ativos soberanos brasileiros por 5 ANOS (CDS 5Y do Brasil), com prêmio anual de 200 pontos-base, fará pagamentos periódicos de US$ 2 milhões ao vendedor da proteção.
Isso significa que QUANTO MAIOR O RISCO DE UM PAÍS DAR CALOTE, mais caro as pessoas aceitam pagar por um SEGURO contra esse RISCO. Ou seja, quanto maior o preço do CDS, maior o RISCO-PAÍS.
EMBI+
O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus), por sua vez, também muito utilizado no mercado financeiro, é calculado pelo banco de investimentos JP Morgan.
O EMBI+, no entanto, é diferente do CDS. O índice expõe a diferença entre os PRÊMIOS pagos pelos TÍTULOS BRASILEIROS em relação aos TÍTULOS AMERICANOS, tidos como os mais seguros do mundo.
Por serem os mais seguros do mundo, os títulos americanos sempre pagarão um MENOR PRÊMIO DE RISCO.
A lógica é que cada 100 pontos do EMBI+ representam o pagamento de 1% de juros dos títulos brasileiros a mais que os títulos dos Estados Unidos.
Exemplo: imagine que os títulos americanos tenham uma taxa de 3% e os títulos brasileiros de mesmo prazo oferecem uma taxa de 6%. O RISCO-PAÍS, ou RISCO-BRASIL será de 300 pontos ou de 3% (6% – 3%).
CDS 5 YEARS
Pois, o RISCO-BRASIL, medido pelo CDS -5 YEARS-, que no início de 2019, quando o governo Bolsonaro assumiu o país, registrava 187,1 pontos base, hoje, 26/7 está cotado 123,9 pb. Uma boa evolução de melhora, na ordem de 27,3%. Mais: de SETEMBRO/2018, quando a cotação era 307,2, até hoje, a melhora foi de 41,78%.
Detalhe: em 2008, quando o Brasil recebeu o selo de Investment Grade, a pontuação do CDS- era de 200 pb.
Comparando com outros países, vejam, por exemplo o seguinte quadro:
Itália: 153,60 pb
Turquia: 344,7 pb
Argentina: 956,63 pb
Venezuela: 72.150,20 pb
MAIS POLÍTICA CRIMINAL DE INCENTIVOS E ENCURTAMENTO DE PENA. O QUE É RUIM PODE SEMPRE PIORAR. - 21/07/2019
Uma coisa é o direito do apenado; outra, o seu mero interesse. O interesse público deveria sempre prevalecer na efetivação da pena, em detrimento do interesse individual do criminoso. Claro que não é isso que ocorre na vida real. Ouso a dizer com poucas chances de erro que acontece justamente o contrário; por óbvio , o interesse privado do preso é sempre apresentado como argumento de interesse público, mas não passa de ativismo, geralmente por intelectuais orgânicos, pessoas com influência na prática da execução penal. Pegam determinado instituto que querem ampliar, ou invenção de algum, e o fundamentam como ótima prática para a “ressocialização” de criminosos. A sociedade não se dá conta da agenda alternativa, garantista, libertária, abolicionista, ou o que seja, mas sempre nessa linha ligada ao marxismo cultural, à dominação da linguagem, à guerra de classes, para sempre, absolutamente sempre, beneficiar criminosos em detrimento da verdade e da justiça, criando a pior injustiça social: a mentira através do argumento desonesto. Não há mal maior, que corrói o homem que cumpre com seus deveres e paga impostos, do que sofrer injustiça com capa de Justiça. No momento em que se vitimiza o criminoso preso, sem contextualizá-lo na realidade ( país da impunidade, encarceramento muito baixo, nem todos os presídios são ruins, mas, mesmo os ruins, os bandidos que lá estão ficam absurdamente pouco tempo em proporção ao mal que causaram, a Lei de Execução Penal extremamente leniente – encontre outra no mundo semelhante sequer, profissionais que mesmo em cargos sensíveis à segurança pública e ao sistema de justiça são ativistas ideológicos), inverte-se toda a lógica da ética, do moral, do legal. Isso com o tempo, enlouquece as pessoas de bem, causando danos irreparáveis no tecido social.
Não é o tema deste escrito adentrar na função principal da pena, mas apenas para fixar essa premissa: não é e nunca foi a ressocialização, por mais que estrelas decadentes digam isso. Por mais que digam que “um dia ele voltará ao convívio social, precisamos melhorá-lo”! Mentira! Ele sempre volta, e rápido demais, e com todos os “avanços” criados pelas instituições nessa área, estão cada dia piores, embora o absurdo aumento de tratamentos e de benefícios previstos. Na melhor hipótese, pode-se falar em reabilitação. São conceitos diferentes, mas, de qualquer modo, também não é. A principal função da pena de prisão é prender! Sim. Simples assim. Ela já resolve quase tudo. Lembremos que o direito penal não é a palmatória do mundo, e dizer que ele não resolve o crime é um grande desconhecimento básico: ele jamais acabará com o crime. O crime é uma escolha pessoal, racional. A prisão existe para evitar que um indivíduo volte a delinquir pelo efeito dissuasório com relação aos que pensam em praticar crimes. Se houver prisão, talvez desistam ; e os que estão presos, enquanto estiverem, não delinquirão.
Nesse contexto, o que dizer da remição pela leitura? Aquela jabuticaba nacional que NÃO tem previsão legal, mas resolução do Conselho Nacional de Justiça , órgão sem nenhum poder para legislar, e que serve para antecipar a saída de presos perigosos, ou para diminuir o que já é irrisório? A remição de pena é uma forma de extinção da pena pelo cumprimento e só pode ser aplicada com alteração da lei de execução penal. A remição pela leitura para apenados num país onde a melhor universidade está entre as 250º e 300º no ranking mundial, um dos mais baixos índices no PISA e que o poder público, mantém cartazes dentro de estabelecimento penal gaúcho desse nível:
“ATENÇÃO! O PROJETO REMISSÃO PELA LEITURA VAI COMEÇAR! -VOCÊ LÊ UM LIVRO - FAZ UM RESUMO, POR ESCRITO, DO LIVRO PRA PROFESSORA – GANHA 4 DIAS DE REMISSÃO (POR LIVRO LIDO)
AS PROFESSORAS VEM DIVULGAR O PROJETO NA TERÇA DIA 23/7, AS 14HS
PESSOAL DO EXTERNO QUE TIVER INTERESSE DEIXE O NOME PRO PSICÓLOGO”.
Com os rankings nacionais e sem bola de cristal, sabe-se que os presos realmente irão beneficiar-se com o projeto, sim: literalmente remissão de pena, e não remição. Não se está aqui a criticar o estudo ou o trabalho, justamente o contrário: da forma como estão sendo oferecidos, causa justamente o efeito contrário: desvalia ao trabalho e ao estudo. Esses devem existir, sou favorável, mas como recompensa pelo mérito no cumprimento da pena e como oportunidade de crescimento pessoal o ato em si, não o desconto de pena, o quanto menos o não previsto em lei. Somente isso ressocializa aquele que realmente deseja. A chance de trabalhar, estudar ou ler é, por si, nova chance de recuperar ou construir uma dignidade pessoal, que faz o homem crescer. E não o estimulando para um projeto sem previsão legal, numa realidade que não há fiscalização e há fraudes e embutes nos legais, para o simples interesse pessoal de sair antes do tempo.
Essas considerações também vão no mesmo sentido de que o estado do Rio Grande do Sul, através da SUSEPE, antecipa-se a implantar um projeto – veja-se o nível do cartaz, sem o mínimo respeito ou cuidado ao idioma vernacular, emprestando mais descrédito ainda, – sem previsão legal, que é a mesma que não prima por apurar faltas graves, tendo os seus processos administrativos disciplinares baixíssima qualidade, e, aparentemente, sem interesse em fazer um mínimo aceitável a contribuir com a apuração e o devido encaminhamento às consequências de reconhecimento judicial de faltas graves. Para isso, poderia fazer esse importantíssimo ofício sem gastar um real a mais. Trocando em miúdos: contribui para a impunidade na medida em que deixa a desejar em uma das suas atividades mais importantes, que é fazer um procedimento administrativo disciplinar correto, que geraria consequências negativas para o apenado, e se adianta com uma velocidade exemplar (menos no idioma, mas mesmo assim querendo contribuir para a ressocialização através da leitura e da escrita) para um benefício sem lei, criado por resolução, que antecipa a saída dos presos ou o fim da “pena” dos que estão no semiaberto (a remição sem lei livra mais rápido o apenado; um procedimento para apurar falta feito corretamente prejudica os interesses pessoais do apenado). Não estou a dizer que não devam existir projetos nesse sentido, mas não é possível mais empurrar criminosos para as ruas com justificativas e projetos para inglês ver. Isso é mais uma faceta da dominação da linguagem e do politicamente correto. Quem de sã consciência não deseja que qualquer pessoa melhore? No entanto, isso é uma escolha pessoal. E isso pode desde já acontecer. Os presos têm ou podem ter acesso a livros, mas qual a necessidade de dar remição e sem lei? A sociedade tem interesse nisso? Os cartazes com erros crassos de Português mantidos pelo estabelecimento prisional não suprem a ausência de lei e a de credibilidade.
Infelizmente, não se aprendeu, ou é proposital ( creio que sim) , que a política criminal de incentivos e de excesso de benefícios e de tratamento penal em detrimento da disciplina e das sanções têm diminuído a já remota chance do despertar da crítica interna do criminoso. Um verdadeiro desastre nas últimas décadas e verdadeiras penas medievais, sim, mas para as vítimas e para a verdade.
Lembrei também do criminoso que foi preso por tentativa de estupro no início do mês de julho, logo após ter sido libertado pela justiça gaúcha, já que cumprira 30 anos em regime fechado (condenação próxima a 360 anos) e que se dizia resgatado pela leitura. Talvez culto, mas continua criminoso.
*Débora Balzan é Promotora de Justiça de Execução Criminal no MP/RS
O POVO E A RALÉ - 16/07/2019
Ao menos Marx qualificava de proletário quem trabalhava; depois da Escola de Frankfurt e do PT, surge a valorização dos desqualificados e da estética do nojo.
Karl Marx podia ter todos os defeitos do mundo, desde a vigarice intelectual até as hemorroidas, mas ele sabia que a palavra "proletário" significa "gente que trabalha" e não qualquer Zé-Mané.
Ele combatia o capitalismo porque achava que os ricos enriqueciam tomando o dinheiro dos pobres, o que é talvez a maior extravagância matemática que já passou por um cérebro humano, mas, reconheça-se o mérito, ele nunca confundiu trabalhador com vagabundo, povo com ralé.
Alguns discípulos bastardos do autor de "O Capital", uns riquinhos muito frescos e pedantes, fundaram um instituto em Frankfurt com o dinheiro de um milionário argentino e resolveram que valorizar antes o trabalho honesto do que os vícios e o crime era uma deplorável concessão de Marx ao espírito burguês.
Usando dos mais requintados instrumentos da dialética, começaram ponderando que o problema não era bem o capitalismo e sim a civilização, e terminaram tirando daí a conclusão lógica de que para destruir a civilização o negócio era dar força aos incivilizados contra os civilizados.
Os frankfurtianos não apostavam muito no paraíso socialista, mas acreditavam que a História era movida pela força do "negativo" (uma sugestão de Hegel que eles tomaram ao pé da letra), e que, portanto, o mais belo progresso consiste em destruir, destruir e depois destruir mais um pouco.
Tentar ser razoável era apenas "razão instrumental", artifício ideológico burguês. Séria mesmo, só a "lógica negativa".
A destruição era feita em dois planos.
Intelectualmente, consistia em pegar um a um todos os valores, símbolos, crenças e bens culturais milenares e dar um jeito de provar que no fundo era tudo trapaça e sacanagem, que só a Escola de Frankfurt era honesta, precisamente porque só acreditava em porcaria – coisa que seu presidente, Max Horkheimer, ilustrou didaticamente pagando salários de fome aos empregados que o ajudavam a denunciar a exploração burguesa dos pobres.
Isso levou o nome hegeliano de "trabalho do negativo". A premissa subjacente era:
- Se alguma coisa sobrar depois que a gente destruir tudo, talvez seja até um pouco boa. Não temos a menor ideia do que será e não temos tempo para pensar em tamanha bobagem. Estamos ocupados fazendo cocô no mundo.
No plano da atividade militante, tudo o que é bom deveria ser substituído pelo ruim, porque nada no mundo presta, e só a ruindade é boa. A norma foi seguida à risca pela indústria de artes e espetáculos. A música não podia ser melodiosa e harmônica, tinha de ser no mínimo dissonante, mas de preferência fazer um barulho dos diabos.
No cinema, as cenas românticas foram substituídas pelo sexo explícito. Quando todo mundo enjoou de sexo, vieram doses mastodônticas de sangue, feridas supuradas, pernas arrancadas, olhos furados, deformidades físicas de toda sorte – fruição estética digna de uma plateia high brow.
Nos filmes para crianças, os bichinhos foram substituídos por monstrengos disformes, para protegê-las da ideia perigosa de que existem coisas belas e pessoas boas. Na indumentária, mais elegante que uma barba de três dias, só mesmo vestir um smoking com sandálias havaianas -- com as unhas dos pés bem compridas e sujas, é claro.
A maquiagem das mulheres deveria sugerir que estavam mortas ou pelo menos com Aids. Quem, na nossa geração, não assistiu a essa radical inversão das aparências? Ela está por toda parte.
Logo esse princípio estético passou a ser também sociológico. O trabalhador honesto é uma fraude, só bandidos, drogados e doentes mentais têm dignidade. Abaixo o proletariado, viva a ralé. De todos os empreendimentos humanos, os mais dignos de respeito eram o sexo grupal e o consumo de drogas.
De Gyorgy Lukacs a Herbert Marcuse, a Escola de Frankfurt ilustrou seus próprios ensinamentos, descendo da mera revolta genérica contra a civilização à bajulação ostensiva da barbárie, da delinquência e da loucura.
Vocês podem imaginar o sucesso que essas ideias tiveram no meio universitário. Desde a revelação dos crimes de Stálin, em 1956, o marxismo ortodoxo estava em baixa, era considerado coisa de gente velha e careta.
A proposta de jogar às urtigas a disciplina proletária e fazer a revolução por meio da gostosa rendição aos instintos mais baixos, mesmo que para isso fosse preciso a imersão preliminar em algumas páginas indecifráveis de Theodor Adorno e Walter Benjamin, era praticamente irresistível às massas estudantis que assim podiam realizar a coincidentia oppositorum do sofisticado com o animalesco.
Com toda a certeza, a influência da Escola de Frankfurt, a partir dos anos 60 do século passado, foi muito maior sobre a esquerda nacional que a do marxismo-leninismo clássico.
Sem isso seria impossível entender o fenômeno de um partido governante que, acuado pela revolta de uma população inteira, e não tendo já o apoio senão da ralé lumpenproletária remunerada a pão com mortadela e 35 reais, ainda se fecha obstinadamente na ilusão de ser o heroico porta-voz do povão em luta contra a "elite".
Dois anos atrás, já expliquei neste mesmo jornal (leia aqui) que uma falha estrutural de percepção levava a esquerda nacional a confundir sistematicamente o povo com o lumpenproletariado, de tal modo que, favorecendo o banditismo e praticando-o ela própria em doses continentais, ela acreditava estar fazendo o bem às massas trabalhadoras, as quais, em justa retribuição de tamanha ofensa, hoje mostram detestá-la como à peste.
O Caderno de Teses do V Congresso do PT é um dos documentos mais reveladores que já li sobre o estado subgalináceo a que os ensinamentos de Frankfurt podem reduzir os cérebros humanos.
*Publicado originalmente no Diário do Comércio, em 17 de abril de 2015.
FORO DE SÃO PAULO EM CARACAS: O QUE VEM POR AÍ - 14/07/2019
Entre os dias 25 e 28 de julho de 2019 o Foro de São Paulo (FSP) realizará seu XXV Encontro anual, desta vez na cidade de Caracas, capital da Venezuela. O lema é: "Unidade, luta, batalha e vitória", com a finalidade de produzir um Plano Comum de Luta. Antes, porém, devemos retroceder ao início do mês de junho, quando fatos bizarros e criminosos começaram a ser articulados nos subterrâneos da nefasta organização, sem que nada do que estava sendo articulado viesse a público.
Em 4 de junho, uma delegação do PT, composta por Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann e Mônica Valente, Secretária Executiva do PT e do FSP, encontrou-se com o primeiro vice-presidente da Duma (Parlamento russo) Ivan Melnikov e o chefe do Parlamento russo Gennady Zyuganov, para tratar de "assuntos de cooperação bilateral dos Estados, inter-parlamentar e inter-partidária". Cabe notar que nenhuma dessas três criaturas tem poder para articular qualquer "projeto de cooperação entre Estados", pois nenhuma delas ocupa cargo de chanceler no atual governo e nem mesmo são chefes de Estado, o que evidencia que o objetivo era bem outro. Dona Gleisi comunicou à Câmara Federal, onde exerce o cargo de deputada, que autorizou a "missão", mas não revelou o teor e até onde se sabe não prestou contas do que fez lá. Mônica Valente sequer foi citada pelos sites que divulgaram o fato (O Antagonista e o site da Duma), mas a reconheci pela foto. Então, fica claro que a "missão" não foi parlamentar mas do Foro de São Paulo e o objetivo era conspirar contra o governo Bolsonaro e a democracia do nosso país.
No dia 7 desse mesmo mês, o número 2 do chavismo, o presidente da inconstitucional e ilegal Assembléia Nacional Constituinte e chefe do Cartel dos Sóis, Diosdado Cabello, esteve em Havana onde se encontrou com o Secretário-Geral do Partido Comunista Cubano (PCC) e ex-ditador Raúl Castro, o "presidente" Miguel Díaz-Canel e o segundo secretário do PCC, José Ramón Machado Ventura, segundo informavam os sites cubanos e venezuelanos, para "coordenar os detalhes" do Encontro do FSP em Caracas.
Ora, em países democráticos isso seria um fato estranhíssimo, uma vez que o anfitrião não busca ajuda de outros países para "assessorá-lo" em um evento internacional, por mais amigos que sejam. Cabello nunca foi muito bem visto pela ditadura cubana – e daí porquê, sendo o presidente da Assembléia Nacional, ele não assumiu como manda a lei, a presidência da Venezuela interinamente quando Chávez morreu -, entretanto, há muita coisa em jogo. Cabello afirmou nesse encontro que "Cuba e Venezuela vão como uma só equipe", ao que Díaz-Canel completou dizendo que "a traição não é uma opção" e que "seus 20.000 'colaboradores' permanecerão lá". Em resumo: Cuba entra com sua estratégia e recursos de inteligência, e Venezuela, através do Cartel dos Sóis, entra com os recursos financeiros para encontrar uma "fórmula" que preserve o ditador Maduro no poder.
Poucos dias depois desses dois eventos, que a princípio parecem casos isolados e até legítimos e inofensivos, a imprensa, através do site "The Intercept Brasil", estourou o escândalo das "conversas" havidas entre o então juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, sobre os destinos dos julgados na Operação Lava Jato. Não podemos fechar os olhos ao fato de que o proprietário do site, Glen Greenwald, diz ser marido do deputado Davi Miranda do PSOL, que ocupou a vaga do ex-deputado Jean Wyllys, e que entrevistou há nada menos que um mês, o presidiário Lula da Silva, na sede da Polícia Federal, que pede ao jornalista para investigar a Lava Jato e este lhe responde: "Já estamos investigando". (Ver denúncia feita pela deputada Carla Zambelli aqui:https://twitter.com/carlazambelli17/status/1142233673405743114?s=12).
Coincidências? Não; isso não existe. O que existem são articulações bem elaboradas para detonar a pretensão de re-eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, que tem agido com severidade contra as ditaduras da Venezuela, Cuba e Nicarágua, arruinar a reputação do ministro Sergio Moro afastando-o de seu cargo, acabar com a exitosa Operação Lava Jato, libertar Lula, destruir o governo Bolsonaro e abrigar em seu guarda-chuva delinqüentes candidatos presidenciais, como Evo Morales na Bolívia, Cristina Kirchner na Argentina e fortalecer o malfadado "acordo de paz" entre as FARC e Santos.
Segundo reza um ditado, "não está morto quem peleja" e o FSP está muito vivo, utilizando "todas as formas de luta" para reconquistar o terreno perdido. Não temos mais idade para ilusões e contos da carochinha.
*Via Observatório Latino
**Publicado originalmente em https://radiovox.org/foro-de-sao-paulo-em-caracas-o-que-vem-por-ai/
SETE REFORMAS NECESSÁRIAS - 10/07/2019
09/07
ONDA DE DESENVOLVIMENTO
Por tudo que leio, ouço e assisto, a impressão que está sendo passada para o mundo todo é que a CREDENCIAL para que o Brasil possa entrar, definitivamente, numa fantástica e promissora ONDA DE DESENVOLVIMENTO depende apenas da aprovação da REFORMA DA PREVIDÊNCIA. Até aí tudo bem.
CREDENCIAL E CAPACIDADE
No entanto, por mais que deva ser festejado aquilo que os deputados e senadores aprovarem, é sempre bom lembrar que apenas a REFORMA DA PREVIDÊNCIA não fará do nosso empobrecido Brasil um bom competidor. Uma coisa é CREDENCIAL, que dá o direito de competir; outra é a CAPACIDADE para fazer a economia crescer e se desenvolver.
REGIME E LIBERDADE
Sugiro, portanto, que não se empolguem além do que manda a prudência. Até porque, diante da inegável situação de penúria que se encontra a nossa paupérrima economia, a possibilidade de enfrentar os desafios, que a REFORMA DA PREVIDÊNCIA abre para um futuro realmente promissor, depende de 1- um poderoso regime (diminuição do peso do Estado); e 2- total liberdade para empreender.
DEVANEIO
Ainda que o REGIME, representado pela VENDA E/OU FECHAMENTO DE ESTATAIS e OFERTA DE CONCESSÕES À INICIATIVA PRIVADA, já esteja sendo operado, o fato é que enquanto o peso do Estado não atingir a medida necessária, as chances do Brasil vir a ser considerado como bom competidor não passam de um devaneio.
SETE REFORMAS
A propósito, a condição necessária para que o nosso Brasil se torne um país realmente saudável e sustentável economicamente, com efetivo reflexo no social, depende de -SETE REFORMAS-:
1- REFORMA DA PREVIDÊNCIA - pública e privada;
2-REFORMA TRIBUTÁRIA - com grande simplificação
3- PRIVATIZAÇÃO DE EMPRESAS E CONCESSÃO DE SERVIÇOS DE INFRAESTRUTURA;
4- REFORMA ADMINISTRATIVA - diminuição de burocracia;
5- REVISÃO E REDUÇÃO DE SUBSÍDIOS FISCAIS, CREDITÍCIOS E MONETÁRIOS;
6- AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL; e,
7- AMPLIAÇÃO DA LIBERDADE COMERCIAL, com maior abertura internacional.
ACOMPANHAMENTO
Aqueles que acompanham o que foi prometido com o que está sendo feito, aí está o resultado:
1- a REFORMA DA PREVIDÊNCIA (ainda que incompleta) está na reta final;
2- as PRIVATIZAÇÕES estão bem encaminhadas;
3- a AUTONOMIA DO BANCO CENTRAL, idem;
4- a REFORMA TRIBUTÁRIA é a próxima;
5- o ACORDO MERCOSUL -UNIÃO EUROPEIA foi lançado recentemente;
6- a MP 881, batizada de LIBERDADE ECONÔMICA, está em vigor, mas precisa do apoio URGENTE da sociedade para que vire lei; e,
7- na carona desta MP 881, a REFORMA ADMINISTRATIVA está sendo urdida.
BALANÇO DA CONSTITUINTE - 27/06/2019
Em 1985, a revista Convivium dedicou um número especial (nº 4 – 1985) aos problemas constitucionais, com estudos de diversos autores. Promulgada a Constituição, esses e outros pensadores analisam diversas questões que se põem a partir do texto da nova Carta. Há uma constatação inicial desconcertante. Promulgada a nova Constituição, longe de se ter tornado o instrumento de democratização e da modernização do país, tornou-se descartável. O Brasil não cabe dentro dos limites que lhe impuseram. Para poder viver e trabalhar o país se vê obrigado a ignorar seu principal instrumento jurídico. Ao que parece, a Constituição de 1988 foi um grande equívoco político.
O equívoco político tem diversas faces. O mais grave foi o de ignorar o país real para o qual estava sendo redigida. Somos um país que nunca levou muito a sério suas Constituições, muito mais em razão do irrealismo e inadequação das determinações constitucionais do que por obra de alguma disposição anticonstitucional ou propensão à ilegalidade. Mais que as anteriores, a Constituição de 1988 surgiu anacrônica e obsoleta. O conluio de interesses regionais, locais e individuais com ideologias ultrapassadas deu origem a um texto jurídico inviável e inútil. Muitos procuram amenizar o equívoco constitucional invocando as "coisas boas" que aparecem no novo texto. Na verdade, não se trata de saber se há ou não "coisas boas", avanços sociais, promessas de paz e de bem-estar. Trata-se da Constituição como um todo. Como tal, nasceu anacrônica e obsoleta, além de confusa, contraditória e, de fato, inviável.
A Constituição de 1988, com efeito, se levada a sério, obriga o país a permanecer dentro dos limites da pobreza no contexto de um mundo que avança para uma situação de riqueza e impensável bem-estar. Aceitou-se como fato fundamental que o país deve permanecer no âmbito de Terceiro Mundo – pobreza -, porque muitos outros são parte do Primeiro Mundo – riqueza. Para salvar a dialética e a ideologia é indispensável que os ricos explorem os pobres ou que os países do Terceiro Mundo – as novas colônias – garantam o bem-estar dos países ricos – as novas metrópoles.
O mundo de hoje vive uma época de prosperidade. O progresso no conhecimento científico e nas realizações tecnológicas determina uma alteração completa nas relações internacionais. Os "blocos econômicos" surgem não em obediência a teorias ou ideologias de cunho nacionalista ou de teor dialético, visando a algum futuro milênio paradisíaco, mas em razão das regras impostas pela realidade política e econômica do mundo. Somente para o Brasil, o que parecia impossível alguns anos atrás continuará impossível. Perguntaram-se muitos: como o Brasil, com seus recursos naturais e com inteligência de seus habitantes, consegue ser pobre? Seria tão difícil deixar de pensar no poder e na ganância dos outros e começar a pensar no que somos e no que podemos ser nas próximas décadas? A nossa crise cultural não vive dos detritos da transição política nem dos juros da dívida externa. A nossa crise alimenta-se em teses obsoletas e ultrapassadas e sobrevive pela ausência de ideais nacionais capazes de empolgar de maneira suficiente as vontades. Somos obsoletos e fazemos questão de permanecer assim. Permanecemos positivistas quando o mundo havia esquecido o prolixo e confuso escritor A. Comte. Buscamos ainda soluções marxistas quando o mundo inteiro abandonou a doutrina pré-industrial e pré-capitalista do escritor e revolucionário alemão K. Marx. Somos obsoletos.
Alguns de nossos dirigentes, que se julgam a consciência viva na nação, aceitam e impõem como modelo político e como receita econômica uma inqualificável mistura de nacionalismo e socialismo que jamais suscitou progresso e bem-estar em lugar algum do mundo. É difícil imaginar porque os derradeiros defensores dos erros do século XX – o nacionalismo e o socialismo – devessem sobreviver no Brasil. Mantivemos a reserva de mercado na era dos mercados integrados, preservamos nossos minerais na era da criação de novos materiais, defendemos uma quase inexistente tecnologia própria num mundo sem fronteiras! Parece óbvio que no mundo contemporâneo o sindicalismo dos "empregados" está sendo rapidamente ultrapassado pela automatização. Os operários sindicalizados serão rapidamente ultrapassados pelos "acionistas", como convém a um capitalismo moderno e popular. Na era da eletrônica, da informática, da biogenética e das intercomunicações, as relações sociais e econômicas entre os povos serão alteradas. Não haverá "trabalhadores explorados" nem patrões "exploradores". Haverá ciência, pesquisa, tecnologia e riqueza, independentemente de reclamos nacionalistas.
O fato histórico está aí a desafiar a perspicácia dos historiadores, analistas políticos e sociais. O país vive à margem da nova Constituição recém-promulgada. Nada menos que 330 preceitos constitucionais estão no aguardo de leis ordinárias ou complementares. O país continua vivendo, trabalhando e progredindo, com um governo sem orçamento, com o Congresso sem comissões, à mercê de medidas provisórias mensais, sem legislação eleitoral, sem um sistema tributário, sem uma adequada regulamentação do direito de greve e de diversos outros direitos. Conseguimos "preservar" as instituições com um Congresso parlamentarista e um Executivo presidencialista. Conseguimos sustentar uma burocracia inútil e ineficiente. Conseguimos pagar as contas das empresas estatais desnecessárias. Conseguimos sustentar com alegria as mais inacreditáveis falcatruas, garantindo privilégios inaceitáveis e negociatas inqualificáveis. Tudo em nome da República, do bem-estar do povo e da preservação das instituições democráticas!
A Constituição terceiro-mundista e socialista de que fala M. Reale, diretiva e detalhista (M. G. Ferreira Filho), anacrônica (P. Mercadante), assimétrica, normativa, redundante e casuística (N. Saldanha), estatizante (A. Paim) nasceu com data marcada para morrer. Infelizmente, teremos que começar a preparar uma nova Constituição antes mesmo de a atual ter sido lida e regulamentada. Os problemas suscitados pelo ministro do Supremo tribunal Federal José Carlos Moreira Alves, pelos professores R. Poletti, O.S. Ferreira. R.Lobo e Ives G. da Silva Martins oferecem a medida da gravidade dos problemas postos pelo novo texto constitucional. Com estes estudos, a Revista Convívium continua participando da análise e do debate dos problemas nacionais.
*O autor, Adolpho Crippa, licenciado em Filosofia, foi autor de vários livros, entre os quais Mito e Cultura, A universidade, A ideia de cultura em Vicente Ferreira, e diretor de Convivium Revista de Investigação e Cultura. Faleceu no ano 2000.
** Publicado originalmente em Convivium Revista Bimestral de Investigação e Cultura uma publicação da Editora Convívio, Novembro/Dezembro – 1988 ano XXVII – Vol 31 – Nº 6 Página 493 a 495
POR MAIS SENTIMENTOS MORAIS AUTÊNTICOS, MAIS JUSTIÇA SOCIAL E MUITO MENOS RETÓRICAS FALACIOSAS - 27/06/2019
Muita gente deveria ler, atentamente, "Teoria dos Sentimentos Morais", de Adam Smith. Cabe enfatizar sua anterioridade em relação a "A Riqueza das Nações"! Lá encontra-se claro que o sentimento moral deve - e faz - parte do homem e de suas ações, sendo um corolário da razão e do interesse próprio. Contudo, é anterior e independente desses. Nesta obra, compaixão, a empatia smithiana, aparece muito mais forte e genuinamente do que em páginas e aspirações rousseaunianas.
A "mão invisível" de Smith é aquela que assegura que distintos interesses individuais trabalhem juntos para o bem geral. Senso moral, a base das virtudes sociais, comum aos humanos, é propulsor do desejo de melhoria individual, do exercício dos interesses, paixões, virtudes, e do gozo da liberdade de que se tem direito como indivíduos livres e responsáveis numa sociedade.
Bondade e solidariedade humanas, para com a "comunidade", não podem ser fruto de mentes iluminadas pela profética razão, a partir de abstrações metafísicas de direitos e de interesses pessoais e corporativistas de políticos e intelectuais, dotados de "superioridade" moral. A história da humanidade demonstra cabalmente, ensina-nos e atesta, tristemente, os nefastos resultados da busca de pretensa igualdade e justiça social por meio de uma revolução a fórceps nos sentimentos morais! Oh racionalidade suprema, condutora da humanidade livre e igualitária! Filósofos franceses, surreais! Oh rotundas falácias!
A ética negativa de direitos humanos abstratos reina, entoada da garganta de "teóricos não praticantes", vaga, solta e distante da realidade e do empirismo do cotidiano real. Por isso, os fundadores da república mais democrática, liberal e livre do mundo, sabedores de que os homens não são anjos, tampouco demônios, preferiram confiar nas instituições políticas e sociais - inclusivas -, baseadas nas virtudes individuais e sociais, visando a formação dos ideais e costumes do povo americano. Viva a liberdade! O hábito tem o poder de reforçar virtudes. Todo o resto pode ser duvidoso, mas isso é certo!
O enfadonho discurso justiceiro da "política da compaixão", de emoções e boas intenções (populistas) frente os fins e resultados reais, ainda toca alguns "corações vermelhos", que esbravejam e pressionam pelo aumento da esfera de ação do Estado na vida dos indivíduos.
Jamais esqueçamos! Não é a retórica da bondade que move o mundo; são as ações humanas! A melhor forma de ajudar aos mais carentes, é fazendo com que a economia cresça! E para que isso de fato aconteça, as pessoas devem ser permitidas e impulsionadas a serem livres. Pressupõe-se então, uma limitação da intromissão estatal na vida dos indivíduos, não o contrário! O papel do Estado é o de proteger os direitos de propriedade, da liberdade e dos direitos próprios dos cidadãos (não da comunidade coletiva!).
Evidente que o desenvolvimento sustentado vai muito além de crescimento econômico. Demanda e exige o respeito e adoção de ações efetivas na direção da real valorização da dignidade humana. Neste sentido, provadamente, as pessoas vivem melhor naqueles países em que há liberdade nos mercados e verdadeira livre concorrência. Os fatos comprovam que nações mais livres economicamente, exibem melhores desempenhos relacionados ao desenvolvimento humano.
O canto da sereia dos engenheiros sociais racionais, referente a - impossível - igualdade econômica, segue sua senda no sentido de obscurecer a primordial necessidade - inclusive moral - da redução da pobreza e erradicação da miséria. Há, obviamente, um sentido ético e justo por maior justiça social. Mas será que essa turba ainda não entendeu (óbvio que não desejam!) que nós, reles mortais, não fomos agraciados com a bênção da certeza?!
As instituições políticas e sociais inclusivas trabalham intensivamente para o alcance de justiça social, o que não representa, estritamente, um receituário demagógico e populista de distribuição de riqueza; aquele que determina o empobrecimento geral de uma sociedade! No contexto tupiniquim, nunca é demais a preocupação com soluções mágicas, fáceis e imediatistas. Por aqui o viés de confirmação ideológico joga pesado. O país necessita mesmo, é de políticas públicas consistentes - embasadas em fatos e evidências fidedignas - para além dos costumeiros interesses eleitoreiros, e que muitas vezes produzem resultados concretos e benéficos no longo prazo.
Claro que as pessoas, em todos tipos de estratos sociais, ambicionam pelo reconhecimento de seus valores individuais. Mais do que diferenças econômicas, essas querem ter seus direitos, liberdades e mais oportunidades equitativas: almejam mesmo, respeito e pertencimento! Acima de tudo, pretendem ter sua identidade social reconhecida e considerada. Tarefa digna, porém hercúlea na medida em que todos querem mais e mais direitos...
Num país cooptado pelo estatismo, intervencionismo e patrimonialismo há, verdadeiramente, muito pouco espaço e ações para ampliar a necessária justiça social. Falta vergonha na cara de políticos demagogos e corruptos e de uma elite que, retoricamente, pronuncia o termo, mas não quer de jeito nenhum, abdicar de seus imorais direitos adquiridos. Ou nossa "elite" faz parte da festa Petit Comité ou é omissa (tristemente ambos os casos). O comportamento rentista encontra-se por demais entranhado nas veias nacionais. Suga-se ao máximo daquilo que, inclusive, inexiste, buscando-se benefícios próprios, mesmo que o resultado seja notoriamente prejudicial para toda a sociedade.
Senão vejamos: como falar - ou não falar - em justiça social - de verdade! - quanto a melhoria da dignidade e qualidade de vida dos cidadãos brasileiros mais pobres, se somos o país mais fechado do mundo, em que corporações privadas corrompem autoridades públicas, extraindo proteção em troca de propinas? Pagam os mais pobres, e todos nós que consumimos produtos e serviços de pior qualidade e preços mais altos.
Como falar em justiça social se inexiste educação básica de qualidade, universalizada, para todos os brasileiros. Obviamente, ensino que funcione efetivamente, desenvolvendo capacidades e competências, principalmente, em nível de português, matemática e, igualmente, permitindo ampliação da capacidade de abstração dos alunos. Acesso à educação fundamental define um elemento essencial na formação do ser humano total, exercendo inequívoco efeito igualitário. Igualmente, necessária e urgente reestruturação do ensino superior brasileiro. Gratuidade para todos?!
Como falar em justiça social e respeito ao ser humano se grande parte da população brasileira, sequer tem acesso a saneamento básico! Que horror; em pleno século XXI!
Como falar em justiça social, num país em que um cidadão, no setor privado, se aposenta com 35 anos de contribuição, recebendo em média R$ 1,1 mil, enquanto que um funcionário público do legislativo federal, que passou a vida toda ganhando quase R$ 30 mil, aposenta-se com esse mesmo salário, valor 24 vezes maior que o aposentado por idade do INSS? Como pensar e atuar em justiça social sem uma ampla e profunda reforma do Estado, limitando e eliminando privilégios imorais?
Como falar em justiça social, pretendendo uma sociedade mais justa, com igualdade perante a lei, se poderosos e "espertos", com dinheiro e contatos influentes, sujeitam-se a distintos tratamentos e aplicações dos regulamentos - vide caso Lula?
Enfim, como pensar em uma sociedade mais justa e igual se a confiança nas instituições brasileiras, encontra-se em frangalhos. Não sem justa razão! Perdeu-se a confiança e, nesta nefrálgica avenida, deteriorou-se o modo de relações sociais e o respeito mútuo essencial para a formação de normas sociais saudáveis e produtivas.
Não há como avançar sem uma mudança de comportamento e ações concretas. As pessoas comuns avaliam os valores morais vigentes e exigem mais eficiência econômica, justiça e equidade social. Tá passado da hora de assumirmos responsabilidades em nível individual e institucional: precisamos sim privilegiar a eficiência e o bom trabalho, afetando positivamente produtividade pessoal, empresarial e, mormente, nacional!
É urgente a necessidade e consecução de reformas estruturantes, todas elas vinculadas a aumentar a justiça social sem prejudicar as liberdades econômicas e individuais. Possível é! Sem tais transformações, envolvendo mudanças de comportamentos (corporativistas!), dificilmente conseguiremos melhorar e ampliar, significativamente, as oportunidades, em especial, para os mais necessitados. Quão fundamental é mudar, pra melhor! Isso, creio, impactará, primordialmente na mudança de mindset quanto a importância do valor moral, aquele em que cada pessoa passa a ser responsável por suas escolhas e vidas, com seus respectivos bônus e ônus. Interessantemente, alguns "empresários" precisam sair do "ninho protetor" estatal, é abraçar a legítima competição!
Programas tais como o Bolsa Família, ferramenta de justiça social "básico", responsável pela saída de muitas famílias da extrema pobreza, evidente que são benéficos (custos versus benefícios!), pois representam certas - mas insuficientes - medidas no sentido de possibilitar maior previsibilidade e, consequentemente, maior dignidade e autonomia para os mais pobres. Entretanto, é preciso motivar institucionalmente e "ensinar a pescar"! A partir daí, parece-me, que os indivíduos passarão a ter boas razões a fim de valorizar um tipo de "liberdade mais abrangente".
Lomansky (2005) afirma que a experiência histórica tem demonstrado que a liberdade tem melhores chances de prosperar numa ordem liberal que garanta a propriedade privada de bens produtivos do que numa ordem racional de controle por parte de burocratas do Estado. Poder-se-ia inferir que a "razão" resida nas alterações na estrutura do pensamento individual; o andar com as próprias pernas! Menos dependência, mais ação e responsabilização. E cada passo seguindo os próprios interesses - de vida - individuais.
Restam poucas dúvidas de que todos poderiam sair ganhando, na medida em que com mais liberdade, econômica e individual, com mais concorrência e eficiência de mercado e, por consequência, com a potencialização de mais talentos humanos, hoje desafortunadamente impedidos.
Será que conseguiremos dar os primeiros passos? Será que lograremos vencer a sisífica luta contra o estatismo e o enraizado corporativismo no conhecido capitalismo de compadrio verde amarelo? Poucos foram os eventos em que tivemos coragem e atitude para avançar, como aquele da estabilização da moeda.
Escolhas são fundamentais e trazem consequências para todos. Chegou a hora de apostar num futuro promissor, incerto, demandante de "duras" reformas, ou ficar como de costume, patinando no tempo com sucessivos prejuízos certos. Tomará que os sentimentos morais smithianos apareçam, para o bem de todos, em especial para a dignidade dos mais pobres!
Alex Pipkin, PhD
PELA EFICIÊNCIA, PARA O BEM DA PROSPERIDADE NACIONAL - 21/06/2019
Uma coisa é crescer no curto prazo, intervindo, manipulando preços de serviços públicos essenciais, expandindo consumo "artificialmente" e, literalmente, arrombando os cofres públicos, inescrupulosa e irresponsavelmente.
Ventos ajudam - podendo também atrapalhar! Ventos de feição impulsionaram fortemente o barco verde-amarelo, dotado de vocação exportadora baseada em commodities agrícolas e industriais (recursos naturais/trabalho), visto que entre 2002 e 2011, essas alcançaram alta total de inacreditáveis 163%! Qualquer criança sabe - e sente - que eles mudam de direção!
Outra coisa, completamente distinta, é criar bases sólidas para crescimento de longo prazo e desenvolvimento sustentado, embasado em investimentos produtivos e, principalmente, por meio de novas tecnologias e inovações, educação básica de qualidade genuína, criação de novas indústrias, melhoria do capital humano; enfim, alcance de maior produtividade. Evidente que para isso acontecer, necessita-se de ambiente de negócios favorável, políticas macroeconômicas inteligentes e, sobretudo, instituições políticas e sociais de qualidade, que funcionem bem!
Num país repleto de leis corporativistas e discriminatórias, de transferências de recursos da sociedade para cartéis e negócios patrimonialistas, de corrupção institucionalizada por políticos populistas que não representam seus eleitores, encontramos-nos, oceanicamente, muito longe da utilização eficiente dos recursos e potencial produtivo da sociedade brasileira. Será que nossos políticos saberiam diferenciar entre eficiência e eficácia?! Dúvidas abissais...
Por aqui, o Chernobil tropical da era lulopetista ainda emite seus efeitos devastadores; diferentemente da radiação, visíveis. As instituições foram e ainda continuam aparelhadas! STF, tribunais, universidades, entidades classistas, parte da mídia... Sistema de pesos e contrapesos notoriamente "apadrinhados" e, para o terror diário de comuns como nós, direitos de propriedade expropriados cotidianamente. Escandaloso!
Enquanto o mundo desenvolvido e emergentes, tais como China e Índia, focam em produtivas discussões e ações sobre Revolução 4.0 e avanços tecnológicos, o Brasil segue seu caminho improlífero, de profunda letargia e paralisia produtiva! Estamos agudamente atolados em disputas narrativas burras e estéreis (brasileiro adora retóricas refinadas e emocionais!), que proibi-nos de avançar!
A trupe "humanista" que botou o país no fundo (mesmo!) do poço, agora, no papel de oposição, de forma nefasta, usa de todas as artimanhas para barrar a execução de medidas estruturantes vitais para geração de emprego, renda e desenvolvimento. Num país de extrema complexidade territorial, fica muito mais facilitado atrapalhar, postergar e impedir a vitória da eficiência frente a conhecidas falácias. Estamos numa área delimitada geograficamente por um misto de surrealismo, populismo, despreparo e desonestidade. Ah como reinam! Aqui o surreal é real
Nossos grandes representantes políticos são craques, e estão de fato interessados em legislar sobre "sal em cima das mesas", promulgar leis sobre o Dia do Tomate, da Ressaca (baita importância e compromisso com escolhas eficientes!?) roubando, criminosamente, tempo e recursos de projetos e reformas modernizantes fundamentais para um futuro promissor. Não há como deixar de recordar o saudoso Roberto Campos: "A burrice - e a safadeza (grifo meu!) - no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor"!
Meu D´eus! Faz quanto tempo que se discutem no Parlamento e na mais alta Corte situações e processos do ex-presidente, agora presidiário, condenado em várias instâncias, sobre seus incontáveis recursos, saídas da prisão, entrevistas, tipos de regime, entre outros?! Faz sentido para a sociedade?! A olhos nus assistimos - e pagamos -, perplexos, o custo de tempo e recursos de parlamentares, ministros, assessores, e demais integrantes da máquina pública, priorizando "nobres crimes", ao invés de escolhas e caminhos críticos para a geração de real produtividade e prosperidade para todos cidadãos brasileiros!
Qualquer aluno de primeiro ou segundo ano da área de gestão e negócios já sabe bem o que significa custo de oportunidade! Surreal!! Rematado equívoco consciente! Quando esses senhores vão ter vergonha na cara e focar no aumento de eficiência, a começar por eles (reforma já!), a fim de melhorar a regulação para negócios em livre mercado, restringir o poder de monopólios ou oligopólios, reduzir burocracia e custos de se fazer negócios e, importantemente, criar medidas que resultem em melhor utilização e incentivo para geração de fatores de produção?! Tecnologia e inovação úteis, esses são os nomes do jogo no tabuleiro competitivo global.
Demagogia e populismo têm nos levado, como sempre, ao abismo! Só uma questão de profundidades distintas. O país não pode desperdiçar mais tempo, precioso! Sempre deveríamos ter uma visão comparativa das estratégias e avanços dos demais países! Precisamos de foco total em medidas positivas e urgentes, tais como a reforma da Previdência. Resistência insana! Ou ingenuidade minha? Como afirmam petistas e psolistas: "não exite déficit"; e Papai Noel, de carne e osso, vai aterrizar em Dezembro!
Sem racionalidade, para além de cegas paixões partidárias, não conseguiremos dar um passo além da esquina, desse povoado que nos tornamos. Não se trata de ser uma nação rica, mas de uma mentalidade moderna e transformadora. Enquanto China e Índia crescem aproximadamente 7% ao ano, preferimos crescer tal qual rabo de cavalo.
Optamos - afinal nós os colocamos lá - por discutir o sexo dos anjos, falácias sobre gênero, estratégias heterodoxas para crescer, comprovadamente equivocadas, como tornar a vida do cidadão mais burocratizada, custosa e controlada, como continuar gastando mais do que se arrecada (sabedoria machadiana: vocação da riqueza sem vocação do trabalho; dívidas!) e, sobremaneira, empregar tempo e recursos para livrar uma minoria de corruptos em desfavor da maioria da população brasileira de bem! Quando vai sobrar tempo para o inapelável, para o povo e o respectivo desenvolvimento nacional?!
Políticas públicas envolvem escolhas com benefícios e custos para todos. Como professor de estratégia empresarial, por experiência pragmática no mercado, além da acadêmica, encho meus pulmões para verbalizar aos jovens acadêmicos: mais importante do que escolhas estratégicas quanto ao que deve ser feito, são decisões sobre aquilo que não deve ser feito!
God be praised! Ajude-me, por favor!? Não seria melhor pra todos escolher na melhor e mais racional opção pelo aumento de eficiência?!
Alex Pipkin, PhD
DESARMANDO CONFUSÕES - 17/06/2019
Uma coisa é não gostar de armas. Outra é ser contra o direito de autodefesa daqueles que, aptos a fazê-lo, optam por ter uma arma. Você pode falar “jamais terei arma”, é seu direito de escolha. Nem por isso terá razão de querer que todos estejam obrigados a fazer o mesmo.
Está visto que o governo é muito competente para desarmar quem vive na legalidade, ao passo que simplesmente não consegue desarmar o crime. Quando, em 2005, a população honesta ficou proibida de se defender, o que o governo Lula fez foi dar, à bandidagem, o “monopólio das armas”, tornando o crime uma “profissão” de baixíssimo risco. Haverá dúvidas de que criminosos preferem manter a proibição?
O pessoalzinho do grêmio estudantil logo vai ironizar: “Ah, vamos dar uma arma pra cada um…” Não! Ninguém (ninguém!) está propondo uma irrestrita distribuição de armas. O que se pretende é, por um lado, que pessoas aptas, assim desejando, possam prover sua defesa. E, por outro, que os bandidos não tenham mais a segurança de saber que as vítimas estão desarmadas e vulneráveis.
De sã consciência, ninguém acredita que se ataca a complexidade da violência apenas armando os cidadãos. Entretanto, não há como negar que, por exemplo, assaltos e roubos a propriedades rurais (onde policiamento não há) vão diminuir drasticamente quando as vítimas potenciais recuperarem o direito de se defender.
O fato inelutável é que, hoje, assaltantes e ladrões em geral agem na presunção de que as vítimas estão indefesas e não oferecem risco, impedidas de reagir. Por enquanto, bandidos não têm muito a temer.
E como chegamos a isso? Em 2005, houve o Referendo Nacional Pelo Comércio de Armas e Munição. O povo votou contra o desarmamento (e a favor do direito de autodefesa). Mas o governo petista, como sempre, mandou o povo às favas, desarmou a população e fez do banditismo uma “profissão” de baixo risco.
E aqui está uma verdade que não aparece nos jornalões: o desarmamento de 2005 foi a aplicação de diretrizes de uma organização internacional, o nefasto Foro de São Paulo (FSP). Para que se tenha ideia, o mesmo ocorreu na Venezuela, onde, como aqui, contrariando o discurso dos governos bolivarianos, a violência só aumentou.
Na Venezuela, aliás, o projeto do FSP foi mais longe: hoje a população desarmada tem de suportar as “milícias chavistas”, militantes do partido governista, bandidos oficiais que, portando armas longas e pilotando motocicletas, controlam a população.
Felizmente, a venezuelização do Brasil ficou pela metade. Mas é fato que muitas pessoas de boa-fé e alheias ao FSP ainda alimentam crenças que a propaganda governista de 2005 lhes enfiou na cabeça.
Apesar disso, embora contra a proibição em vigor, a maior parte da população não pretende armar-se. E é bom que assim seja. Inadmissível é que, não havendo suficiente proteção estatal, as pessoas aptas não possam defender-se a si nem aos seus (com os bandidos sabendo disso!).
Mas convém, sim, que o assunto seja tratado com rigor: nem todo mundo tem condições de portar uma arma. O que é repudiável é a proibição indiscriminada, que, ao contrário do que afirma o esquerdismo, tornou o Brasil um dos países mais violentos.
* Renato Sant’Anna é psicólogo e advogado. Trabalha com vítimas de violência.
THE INTERCEPT E O DESMAME - 15/06/2019
Você já teve aquela sensação, quando criança, de ir todos os dias na geladeira e pegar um Danoninho? Você vai de novo e de novo e sempre quando abre a porta, seus olhos brilham diante do Danoninho em abundância. Então, algo incomum acontece, você abre o refrigerador com toda convicção e, pimba, não há mais Danoninho lá. A primeira sensação é de vazio, a próxima, de revolta. Ao ser informado que as coisas estão mudando dentro de casa e não haverá mais Danoninho porque a justiça, digo, seus pais interromperam seu “esquema” com o refrigerador, seu sentimento de revolta vai aumentar sob uma indignação inconsolável gerada pelo “desmame” de Danoninho. Afinal, ele sempre esteve lá, era tão natural e fazia parte do seu modus operandi desde sempre. Você, então, vai tentar qualquer coisa para reverter essa desconfortável condição.
Portanto, The Intercept representa toda essa gente abstinente de Danoninho, digo, de porcentagens, desvios, comissões e propinas. The Intercept são todas as “vítimas” do desmame que a lava Jato tem produzido nos últimos anos. Um autêntico exército de órfãos da velha corrupção sistêmica ainda incrédulos que seus naturais esquemas os estão levando em cana e, pior, fazendo devolver a grana. The Intercept são todos aqueles que apertam a teta que não dá mais leite. The intercept é o stablishment consolidado nos últimos trinta anos de “democracia madura”, The Intercept é o medo da cadeia, é o deputado que você votou, é o juiz de tribunal superior indicado pelo crime organizado, The Intercept é a grande mídia que viu seus recursos bilionários secarem em publicidade, The intercept são os lobistas, empresários, atravessadores, doleiros assistindo sua demanda suprimir, The intercept são todas as vítimas do desmame esperneando. Uma máfia interessada em enterrar a maior operação anticorrupção do mundo moderno.
Então, The Intercept é robusto e vai desde o vereador da sua cidade até os canalhas mais clássicos da república desejando o caos institucional a fim de reestabelecer seus cartéis lucrativos. Em contrapartida, The Intercept, não representa os milhões de pequenos e médios empresários, prestadores de serviço e trabalhadores que que funcionam 5 meses por ano pra manter a roda girando, temendo pela segurança e saúde de seus familiares. Mas se todos sabemos quem, de fato, é The Intercept, cabe saber se vamos permitir nos entregar de novo à nefasta “democracia de coalizão”, do toma lá cá, dos meios de comunicação cheios de verbas públicas propagandeando as “fake News” do governo, da indisciplina fiscal, de Lula, Temer, Cunha, Sarney, FHC, Aécio e quem mais quiserem.
Pare de protestar no seu grupo fechado de whattsapp, comece a pensar em expressar um apoio massivo ao combate à corrupção. Se você não gosta de se envolver, pelo menos, faça pelo seu filho antes que The Intercept lhe engula pela segunda vez. Pense sobre sair do casulo, pois, é isso que The Intercept mais teme...
* Cirurgião-Dentista e Professor.
** Publicado originalmente na Gazeta do Sul de Santa Cruz e no Facebook do autor.
A CAUDA - DAS TEORIAS POLÍTICAS - É REALMENTE LONGA. PROLIFERAM! - 10/06/2019
Dificilmente alguém no mundo dos negócios não tenha ouvido falar no físico e escritor americano Chris Anderson. Sua fama se deve em parte ao livro "A Cauda Longa: Do Mercado de Massa para o Mercado de Nicho". Nele Anderson analisa a questão da abundância de produtos e da criação de nichos de consumo. Há segundo ele, uma mudança significativa na direção de um grande número de nichos (produtos não "hits") na cauda longa; produtos mais específicos; produtos de baixa demanda ou com baixo volume de vendas, mas que, coletivamente, podem alcançar uma fatia de mercado que rivaliza ou excede os poucos mais vendidos. Esses são os "hits" (produtos que vendem muito no grande mercado) que se encontram no topo da curva de demanda – analogia com Pareto, ou seja, 80% das receitas da empresa provém de 20% de seus produtos.
Anderson, de fato, pode ser considerado um filósofo pós-contemporâneo. Atesta que o dilúvio de dados torna o método científico obsoleto, apregoando o fim da teoria! Será mesmo?! Se anteriormente, as teorias do comportamento humano pareciam explicar consistentemente hábitos e costumes, por exemplo, lançando mão da linguística, psicologia, sociologia e antropologia, atualmente, na era dos dados abundantes, inteligência artificial e algorítimos substituem tais teorias, na medida em que enormes bancos de dados se encarregam de estabelecer as correlações. A partir dessas, as respectivas causalidades. Desnecessário contestar os antigos "modelos errados", isto é, o velho método científico.
A capacidade humana de armazenar, processar e analisar dados está transformando a ciência, os negócios, a medicina, enfim, tudo.
Desse modo, tais números e fatos são capazes de trazer-nos as respostas adequadas para as questões mais fundamentais. Isso exige que as pessoas percam a "ligação" dos dados, já que esses podem ser visualizados em sua totalidade. Força-nos a ver os dados matematicamente primeiro e, após, a estabelecer um contexto para eles. Nenhuma análise semântica ou causal é necessária, sendo prescindível a criação de uma narrativa teórica. Não é preciso de modelos e análises de teste e erro. Não precisamos mais de hipóteses. Só de correlações, uma vez que os algorítimos estatísticos podem encontrar os padrões! A correlação substitui a causação, e a ciência pode avançar mesmo sem teorias unificadas. Os números falam por si. Temos fielmente o comportamento de grupos e mesmo de indivíduos específicos! Filosofar implica em identificar aqui a dessubjetivação do sujeito. Torna-se mera categoria. Positivamente, no mundo empresarial, facilidades para customizar ao "real gosto do freguês"!
Sem a pretensão de filósofo, contudo filosofando, no mundo da política, o governo deve tratar dos meios para preservar a paz, buscar a prosperidade e a estabilidade de todos. Não tem como missão precípua buscar a igualdade social, visto que esse é um objetivo impossível. Infelizmente, alguns o tentam fazer e, no processo, perturbam a ordem social. A política governa a ação humana, diferentemente do pensamento humano! Uma sociedade não pode se basear em direitos que só existem fora da sociedade. Uma economia é um mecanismo de geração de riqueza material para todos, que não uma recompensa retrospectiva pelo mérito, mas por um incentivo futuro pela contribuição para a produção. Pelos resultados de valor! Desse modo, fica evidente a impossibilidade da política como princípios abstratos, descobertos pela análise "racional", a fim de proteger as escolhas dos indivíduos e, soberbamente, decretar a supressão daquilo que foi acumulado sabiamente pela ordem espontânea do passado, determinando um novo recomeço integral e "mais adequado". O mundo real é o único modo confiável de compreender o ideal e buscar reformá-lo. Seria muita presunção particular de certos engenheiros sociais a sua total transformação!
Filosofando, creio que, distintamente de Chris Anderson, no mundo da política, algorítimos e estatísticas, não somente não decreta a morte das teorias, como também potencializa as possibilidades de surgimento de amplas teorias falaciosas. Toda falácia contém algo de verdadeiro, é plausível, mas contem somente parte da verdade! Isso rende apoio político e popular, uma vez que normalmente apela para as emoções e paixões das pessoas.
Mark Twain aponta que existem três tipos de mentiras - "as mentiras, as grandes mentiras e as estatísticas". Políticos e intelectuais demagogos, populistas e, sobretudo, interesseiros e/ou mal-intencionados,utilizam-se do cenário amplamente inundado de dados e estatísticas, ordenando-os de maneiras distintas para sugerir e propor conclusões e teorias perniciosas. Espécie de conta de chegada! Essas contemplam um abundante estoque de falácias sobre a realidade econômica e social. Políticos e pseudo-intelectuais partem de seus dados manipulados de grupos de pessoas, coletados por meio de contextos equivocados, a fim de teorizar sobre circunstâncias econômicas e sociais verdadeiramente errôneas. Por sua vez, criam, cada vez mais, teorias enganosas e tendenciosas ao bel prazer de seus interesses! Presunçosos que pensam ser superiores e dotados de mais conhecimento geral do que a maioria dos reles mortais. O conhecimento dos mortais é, efetivamente, mais específico e relevante para decisões fundamentais da vida econômica e social. Todos esses "deuses na terra" acreditam ter e conhecer as informações e o conhecimento - impossível - dos valores, preferências, prioridades, circunstâncias e limitações de forma melhor do que os próprios indivíduos. Claro, pressuposições normalmente morais, ao invés de realmente intelectuais.
Oh, D´eus! As novas velhas teorias econômicas e sociais! Com dados e estatísticas enganosas esses blasfemos proliferam falsas teorias e tentam nos ludibriar! Somente Ele conhece tudo e a todos! Crer que tais humanos mal-intencionados possam dispor de todas as informações e poder sobre os diferentes desejos e necessidades econômicas e sociais do conjunto de pessoas do todo no tecido social, em que o pensamento humano sobrepõe-se a realidade das ações humanas e da respectiva ordem espontânea nos mercados, é muita presunção. Mais do que isso, capacidade especulativa e teórica para um mundo político. Pura distorção malévola e interesseira por meio da formação de teorias falaciosas que exageram a natureza e o poder da razão!
Tal qual Adam Smith afirmou sobre o teórico doutrinário, "inteligente na própria presunção", acredita ele poder dispor dos membros de uma grande sociedade como, singelamente, pode dispor as diferentes peças por um tabuleiro de xadrez. Tristemente, as teorias - falsas - políticas não morreram!
RESPEITO AO DINHEIRO DO CONTRIBUINTE! IMPERATIVO REPENSAR O ENSINO SUPERIOR FEDERAL NO PAÍS. - 06/06/2019
Nas transações de mercado, em que existe concorrência, não há como deixar de solucionar efetivamente os problemas do cliente, caso contrário uma organização corre o risco de perdê-los para os concorrentes no mercado.
Será que os desejos dos contribuintes que financiam as universidades federais estão sendo, de fato, considerados e atendidos? Difícil e extremamente incomum! Raramente aqueles que fornecem o dinheiro, por meio dos impostos pagos (coercitivamente) estão numa posição que permita monitorar a eficiência de como esse dinheiro é realmente empregado.
As universidade federais são administradas por professores que possuem grande - se não total - autonomia na gestão de cursos e na designação de recursos. Diante deste quadro, caberia indagar se os membros da administração e do respectivo corpo docente buscam atender os objetivos dos alunos e da sociedade com a prestação de serviços de educação de qualidade ou se estão interessados nas diferentes oportunidades de atender a interesses próprios? Tristemente, a situação da educação no país serve de claro indicador orientativo para responder a essa pergunta.
Não é novidade para ninguém que desde muito tempo no Brasil, as universidades federais, e até mesmo as particulares, são majoritariamente dominadas por uma única visão ideológica; a ditadura do pensamento esquerdizante. Neste sentido, evidente que os planos de ensino, material didático, bibliografia e o pensamento do espírito dominante e segregador - de manada - esteja quase que totalmente confinado a esse espectro ideológico. É, desse modo, inegável que os interesses educacionais genuinamente de qualidade estão sendo relegados, uma vez que os alunos não são confrontados com uma visão de mundo diferente daquela expressada por seus doutrinadores. Fica óbvio que esses, assim, têm pouca oportunidade de desenvolver uma capacidade crítica de analisar argumentos conflitantes àqueles que serão expostos no mundo real. Embora a ênfase atualmente recaia sobre os cursos de ciências sociais, esse ambiente esquerdizante faz parte até mesmo de cursos relacionados a gestão e negócios. Cabe aqui por em relevo, por exemplo, a "nova onda" verbalizada em tom de sabedoria bondosa e superior sobre a mudança de consciência nas organizações. O que conta é a nobre missão e que, consequentemente, o mais importante para as organizações seria o cumprimento de sua missão. Não, não é nada disso! Papo e retórica falaciosa de intelectuais do ensino de administração! A empresa com fins lucrativos tem como objetivo principal lucrar, sempre! Somente por meio deste é que ela conseguirá sustentar seus objetivos ambientais - que remete a melhoria de reputação - e investir em suas respectivas metas sociais. O lucro é que paga, sustentavelmente, os salários dos "colaboradores" e que perpetua a organização nos mercados, cada vez mais, competitivos. É preciso lembrar a todos que uma organização dificilmente está sozinha no mercado! Ah, como acadêmicos e intelectuais "pós-modernos" querem disfarçar seus desejos próprios e suas falsas morais para a opinião pública! Notadamente, aspiram manter-se no poder de instituições acadêmicas ou quem sabe até galgar uma posição de destaque no grande Estado benfeitor brasileiro!
Bem, aqueles que conhecem apenas um lado do argumento - da moeda - genuinamente sabem pouca coisa. Não tenho dúvida que diante desse panorama, os alunos não estão sendo ensinados a pensar e, assim, interesses e idiossincrasias de professores interesseiros superam em muito as reais necessidades educacionais dos alunos.
Julga-se que a universidade federal é o lócus de onde saem as melhores pesquisas. É mesmo? Em que posição estamos nos fidedignos rankings mundiais que mensuram tais pesquisas? Qual o verdadeiro benefício utilitário que essas estão produzindo para a sociedade? Quais são os mecanismos que atestam que estão resultando em efeitos positivos? Claro, para além daqueles próprios de doutrinadores tupiniquins. Cabe lembrar que as próprias instituições que classificam a qualidade do ensino e pesquisa brasileiros, foram notadamente aparelhadas de igual maneira àquilo que aconteceu nos seus corpos acadêmicos. Tais organismos garantem a perpetuação das práticas e colaboram fortemente para a manutenção da ditadura do pensamento esquerdizante. Evidente que em algumas áreas específicas como nos cursos da saúde e engenharias, pesquisas acadêmicas agregam valor. Contudo, é vital identificar e mensurar os custos pagos com o dinheiro do contribuinte e contrapor com os reais benefícios produzidos pela pesquisa geral realizada no Brasil. A pesquisa produzida em áreas de gestão e negócios, por exemplo, com temáticas completamente fora da realidade do mercado e das necessidades de inovação e melhoria de processos nas organizações, conforme comprovado por instituições internacionais que atestam a qualidade do ensino e pesquisa nas universidades, aponta cabalmente que tais estudos sequer são conhecidos e empregados nas decisões empresarias no mundo real. Puro desperdício de tempo e recursos, evidente, nos famosos "clubes ingleses" de professores ansiosos por demonstrarem seus "conhecimentos" e terem seus egos enaltecidos unicamente por seus pares, com temas improdutivos e inúteis que ficam, como de costume, enclausurados nos campus universitários. Alguma dúvida de que essas pesquisas atendem interesses próprios - tais como quantidade de pesquisa (a despeito de qualidade e utilidade!) - para fins de promoção acadêmica, ao invés dos verdadeiros interesses acadêmicos e da sociedade?
Os custos das universidade federais são bancados por meio do dinheiro dos contribuintes. Notadamente os custos de um aluno numa universidade federal superam aqueles da média de universidades privadas. Nada extravagante, já que essas federais não precisam enfrentar a concorrência no mercado com outras instituições de ensino. Desconheço os custos daquilo que seria fundamental aos pagadores de impostos conhecerem de forma transparente, ou seja, quais são os custos específicos de aulas de graduação versus os custos incorridos com pesquisas? Ironicamente, a amplitude da pesquisa costuma ser confundida com a real qualidade "superior" do ensino no Brasil!
Todo o sistema está engendrado de tal forma que dificilmente conseguiremos avançar na educação na velocidade necessária para uma mudança efetiva e desenvolvimento. A estabilidade de professores concursados significa a garantia no emprego para professores que não necessariamente se mantem atualizados com os avanços nas suas áreas e nas realidades de mercado, e protege aqueles que se tornam "menos eficazes" com o passar do tempo.
Apesar de toda a gritaria - não poderia ser diferente - é urgente repensar a educação brasileira. Sem sombra de dúvida, inverter as prioridades nacionais e investir na educação de base. A mudança tem que começar por aí! Cabe uma pergunta: por que as limitações econômicas que às empresas precisam enfrentar na concorrência de mercado não servem para o mundo acadêmico? Pensemos!
Finalmente, chegou o momento para uma mensuração de qualidade - fora da tradicional retórica e paixões que contagiam professores interessados - quanto a eficiência e eficácia do ensino brasileiro. Neste sentido, o ambiente "conturbado" atual é bastante propício para uma honesta reflexão!
Vale enfatizar que quanto aos indicadores de qualidade do ensino superior brasileiro, são os mais ricos que conseguem ingressar em universidades federais gratuitas. Desse modo, não há como garantir que as maiores oportunidades no mercado são fruto do valor agregado da formação acadêmica recebida nestas instituições ou resultado do maior capital cultural e influências e conexões familiares dos envolvidos. Similarmente, as cotas raciais que agora discriminam outros estudantes, e que são pagas com o dinheiro do contribuinte, num futuro próximo mostrarão se temos eficiência ou, mais uma vez, mera retórica interesseira e ideológica por parte daqueles que sistemática e poderosamente tomam as decisões nas instituições de ensino estatal no país.
OS ON-LINE FORAM PARA AS RUAS - 02/06/2019
Em 2013, o protesto “passe-livre” apareceu na rua. De cunho esquerdista era composto por um grupo de jovens que tinham carro, mas reclamavam do aumento de vinte centavos no preço dos ônibus. A esquerda jamais poderia imaginar o que viria depois. De forma inédita começaram atos espontâneos, sem lideranças, de milhares de brasileiros de todas as classes sociais que foram para as ruas reivindicar qualidade de serviços públicos, especialmente os da Saúde e da Educação, clamar contra a corrupção, os gastos da Copa etc.
Como não podia deixar de ser, apareceram críticas de analistas, cientistas políticos, jornalistas. Diziam que os atos não tinham foco, que as aspirações eram difusas, que as manifestações eram passageiras.
Entretanto, apareceram resultados. Despencou a popularidade da presidente petista Dilma Rousseff, espantaram-se os políticos de todos os partidos e o Congresso aprovou a toque de caixa projetos parados ou esquecidos.
As manifestações não foram passageiras e seguiram retomadas nos anos seguintes com foco no “fora Lula”, “fora Dilma”, fora PT. O brado era entoado pelos milhões que foram às ruas protestar e pedir o impeachment da presidente. O Congresso entendeu o recado e obedeceu a vontade popular, pois políticos sobrevivem através da opinião pública onde buscam votos.
E o impeachment aconteceu. Ironicamente, o PT que tentara o impeachment de outros viu um dos seu ruir estrondosamente. Foi como um míssil no coração do partido que sempre se rotulou o maior de esquerda da América Latina. A partir dai o declínio foi se verificando. Isto significa que o movimento verde-amarelo das ruas deu resultado.
No ano passado impressionantes multidões foram para as ruas, desta vez pelo candidato Jair Messias Bolsonaro. Inclusive, foi em uma destas enormes aglomerações que um matador de aluguel, que não se sabe quem enviou, esfaqueou o candidato.
É bom frisar que nenhum candidato à presidência teve algo assim em termo de massas. Nem Lula nos seus melhores tempos. Aliás, as últimas caravanas do agora presidiário foram um completo fracasso. Quando espalharam que se Lula fosse preso haveria convulsão social, a prisão aconteceu sem que ninguém se atirasse no meio da rua rasgando as vestes e arrancando os cabelos. E nem mesmo a cena teatral da prisão quando Lula se acoitou no sindicato dos metalúrgicos em São Bernardo, fez multidões incalculáveis aparecerem para proteger o líder.
Uma vez empossado, Bolsonaro continua a ser atacado incessantemente por “milícias” da mídia e de entidades de esquerda. E quando foi anunciado corte na Educação, um contingenciamento que ainda não aconteceu, movimentos de esquerda, voltaram às ruas no dia 15 de maio com o aparente motivo de salvar a Educação. Nenhum protesto da UNE, das Centrais Sindicais e dos chamados Movimentos Sociais foi feito quando Lula e Rousseff, como afirmou em artigo Rapphael Curvo (Ao Som das Ferraduras, 1 de junho de 2019) “sacaram da Educação 30 bilhões.
Porém, agora existe de parte da sociedade respostas, reações, contestações ao que acontece. Um fenômeno pouco percebido, assim como o que chamo de Quinto Poder das redes sociais. Isso explica o porquê da resposta às manifestações do dia 15.
Anteriormente, o anúncio dos atos do dia 26 foi duramente criticado por cientistas políticos, analistas, jornalistas, partidos políticos e até por partidários do presidente da República. Dizia-se que era um tiro no pé, que seria um fiasco, que era precipitado.
Então, os on-line foram para as ruas e os atos foram um sucesso. Defendeu-se as reformas pelas as quais o Executivo luta no Congresso e se houve críticas ao Legislativo e ao STF não foram no sentido de acabar com esses Poderes, mas a certas atitudes de seus membros. Tudo correu de forma pacífica, democrática e sem queima de ônibus.
E deu resultado: a reforma administrativa foi aprovada no Senado. O presidente da Câmara falou em se afastar do “Centrão”. Foi feito um pacto entre os três Poderes pelas reformas. A força do presidente da República confirmou-se pelo apoio do povo sem que ele interferisse anteriormente ou participasse com seus ministros das manifestações.
No dia 30 de maio, em uma tréplica da esquerda uniram-se de novo a UNE, a CUT, as outras Centrais Sindicais, o MST, o MSTS. Foram liberados das aulas em todo país os estudantes universitários e os do segundo grau. Alguma coisa foi dita sobre educação, houve muitas faixas com o mote “Lula Livre”, palavras de ordem sindicais, queima de um boneco do presidente Bolsonaro e pedido do seu impeachment.
O resultado das manifestações da esquerda foram pífias e não produziram resultado, que é o que interessa. Portanto, ponto para o presidente Bolsonaro e para os 0n-line que foram para as ruas mostrar como funciona o Quinto Poder.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
DOMINGO NO CIRCO - 02/06/2019
Resolveu levar o neto ao circo, para que conhecesse a alegria pura e inocente, como aquela que tinha vivido na sua infância. A expectativa de ambos era enorme.
Chegando ao local quis comprar pipoca, mas foi informado que não era mais comercializada, pois a ANVISA não permitia a venda de alimentos com gordura trans. Também não encontrou algodão doce, pois a SMIC não liberara a carrocinha de venda da guloseima.
As frustrações estavam apenas começando.
Foi até a bilheteria e soube que não haveria espetáculo, o vendedor de ingressos começou a enumerar os motivos:
A bandinha fora proibida de tocar, pois deveria recolher uma taxa para o ECAD. O elefante fora afastado por ordem do IBAMA. O domador do leão havia ingressado com uma reclamatória trabalhista, alegando periculosidade. O picadeiro não podia ser montado, pois faltava areia, proibida pela FEPAM, e a serragem não era certificada, podendo configurar risco ambiental. O trapézio havia sido interditado pelo MPT, pois poderia oferecer risco aos acrobatas. A mulher barbada e o palhaço anão estavam processando o dono do circo por bullying, alegando dano moral. O mágico não poderia se apresentar, pois o PROCON entendia que o ilusionismo era uma forma de enganar o consumidor. O encarregado da limpeza forçou sua demissão para ficar no seguro desemprego. O engolidor de fogo não obteve PPCI do Corpo de Bombeiros para apresentar seu número. As duas ginastas oficializaram sua união e abandonaram o circo. As motocicletas do Globo da Morte foram apreendidas pela EPTC, pois estavam com a surdina incompleta. O equilibrista foi vetado pela DRT, pois não usava paraquedas. O fornecimento de energia foi cortado, pois o circo deveria instalar uma subestação, às suas expensas, para recebê-la. O homem bala não poderia ser arremessado pelo canhão, pois a arma não estava registrada na Polícia Federal. O apresentador era estrangeiro e não podia trabalhar, pois não era cubano. Os macacos estavam proibidos de atuar, por força de uma Ação Coletiva de uma ONG Darwinista. Foi ajuizada uma ACP pedindo a interdição do circo. Houve uma autuação fiscal cobrando ISS, o contador ficou com stress e entrou em licença saúde.
O dono do circo, que era o verdadeiro malabarista, pois tinha de pagar todos os impostos com uma receita insuficiente, tinha entrado em depressão.
Sentado num tamborete, viram um homem triste, com o rosto pintado e vestido de palhaço.
Então o menino perguntou:
“Vô, mas o palhaço não é alegre?”
E ele respondeu:
“Pois é, levaram embora a alegria dele. Acho que vais ter que voltar a brincar com teus videogames ou assistir desenhos na TV”.
CHEGOU A VEZ DO DARWINISMO DAS IDEIAS - LIBERALIZANTES - PROSPERAR! - 31/05/2019
Vai estourar! É só uma questão temporal - e é atemporal - como de costume! O Brasil é um veículo - de modelo não tão velho assim - rodando com quatro pneus bem carecas e extraviados. Os buracos com um pouco de asfalto também não ajudam! O problema maior e insolúvel em algum momento, é que os dois pneus dianteiros já adentraram aos arames de aço e, tristemente, só há um estepe, igualmente na mesma debilitada situação. Inexistem condições de continuar rodando sem uma reforma nos cinco pneus, e muito provavelmente, também em outras partes sistêmicas do veículo brasileiro.
O país depende de várias e novas edificações - dignas e não maquiagens - para continuar respirando sem tubos de oxigênio. A reforma da Previdência é apenas o começo de uma longa lista de mudanças que o país necessita para ser atrativo ao investimento - interno e externo - a fim de gerar empregos, renda e riqueza. Por óbvio, é preciso deixar os brasileiros mais livres e menos expropriados coercitivamente.
A realidade real torna proibitivo que se performe o tradicional papel de vítima dos yankees capitalistas exploradores! Adeus ao usual álibi! O ponto relevante, ou seja, a verdadeira culpa, é de nossa cultura entranhada e prática estatista, intervencionista e patrimonialista que se materializa por meio de políticas irresponsáveis e assistencialistas com o dinheiro público. Tal cultura e prática resulta que o rio corra para o mar: déficit crônico no orçamento da União! No país de Macunaíma, essa peça contábil é representada pela despesa; sinônimo de autorização para gastar, e receita, um número fictício com o qual não se têm nenhum compromisso efetivo, pois sempre há o famoso jeitinho brasileiro para identificar alguma brecha na monstrenga estrutura e legislação do gigante Estado verde-amarelo. Ademais, impostos são impessoais e anônimos (O pessoal não sente...). O político tupiniquim age e gasta eleitoreiramente como se o poço nunca tivesse fundo! Claro que tem, mas esse sempre só chegará no limite na próxima legislatura... Imoralmente, ano após ano, sabe-se que o orçamento brasileiro é "pra inglês ver"!
Os brasileiros de todas as estirpes, faz pouco, começaram a dar-se conta que o dinheiro que financia gastos públicos absurdos (vide STF e sua singela farra alimentar) e parasitismo estatal, além de programas assistencialistas, populistas e eleitoreiros, é subtraído do esforço e do trabalho popular, por meio de impostos aviltantes e de políticas clientelistas que inibem e obstaculizam à iniciativa privada a produzir eficientemente, gerando emprego e renda.
Cabe igualmente frisar que não se pode despejar a culpa no capitalismo - aquele "de verdade", embasado em genuíno livre mercado e concorrência, nunca passou por aqui, e tampouco ao liberalismo, que episodicamente tivemos, no tempo do Império e em algumas iniciativas no governo social-democrata de FHC.
O avanço no sentido liberalizante da economia é uma questão de sobrevivência! Claro que sempre existe uma força contrária da mesma intensidade, tentando barrar o processo de "modernização" brasileira. Embora a realidade pragmática da experiência mundial comprove a falácia de veias marxistas, é fácil jogar para a torcida, especialmente no meio político. O populismo é a conduta inconsistente e inconsequente a serviço da política eleitoreira. Por aqui, muito Estado para abancar uma minoria que se locupleta com as benesses do poder, juntamente com seus empresários "favoritos e especiais". O governo é campeão em eleger "seus campeões" (quais são as regras objetivas; reais determinantes e critérios?!) para exercer - como sempre - seus atos de bondade divina decorrentes de enormes privilégios para empresas que não deveriam depender de dinheiro público. Notadamente, por aqui há uma relação umbilical entre políticas industriais ativas e corrupção. Além disso, quanto mais bu(r)rocracia melhor, afinal existe muita gente no inchado Estado que têm que fazer - ou não fazer - muitas coisas improdutivas, sem nenhum sentido de real agregação de valor à vida dos indivíduos.
De fato, o Brasil precisa não só da reforma da Previdência, mas de uma reforma tributária que simplifique a selva de tributos, não penalize a produção, e que deixe transparente - e com vergonha - a tributação indireta e a voraz fome governamental para impor tributação escorchante que hoje passa quase que despercebida pelo cidadão comum. Igualmente, é imprescindível algum critério que premie o comportamento virtuoso e penalize a irresponsabilidade fiscal e gerencial de administradores estatais ineptos e/ou mal-intencionados.
Reformas nos "pneus" estatais previdenciário, tributário e administrativo são urgentes e vitais. Não há mais espaço para populismo e demagogia! O povo acordou! Reformas orçamentária e fiscal que simplifiquem, reduzam "direitos" anacrônicos e deem visibilidade àquilo que parlamentares populistas fazem com o dinheiro público, contrariamente a políticas saudáveis de sustentabilidade, simples conta entre receita e despesa.
Chegou a vez do darwinismo das ideias finalmente prosperar! De ideias e inciativas liberalizantes por meio de privatizações, com critérios objetivos que melhorem custos, preços e serviços a população - eliminando as graves e notórias fontes de corrupção. Da real abertura ao capital estrangeiro, que encontra-se bloqueado em setores protegidos para "empresários" nacionais, impedindo a concorrência e os ganhos em escala e a efetiva participação nacional nos fluxos tecnológicos e de inovação, em especial das grandes transnacionais. Além disso, faz-se necessário eliminar intervenções absurdas, tais como exigências de altos "conteúdo nacional" nos insumos, manifestação meramente populista e eleitoreira que inibe a participação de empresas nacionais nas cadeias globais de valor, reduzindo nossa produtividade e competitividade. Igualmente imperativo é a premência da desburocratização e agilização de processos relacionados a iniciativa privada - tais como abertura de firmas e documentos exigidos, por exemplo - a fim de criar um ambiente de negócios mais propício aos investimentos.
O povo saiu as ruas para protestar, espontaneamente! Foi as ruas para defender as inadiáveis reformas e mostrar sua indignação para com os políticos populistas, corporativistas e interesseiros, que enxergam mas se negam a ver a indeclinável e urgente necessidade de tais reformas estruturantes e fundamentais para o momento presente e para o futuro nacional. Mais um teste de força contra parlamentares preocupados em se servir da nação. O movimento pode até ter impacto franzino, pelo conhecido bunker parlamentar, mas a pressão social é, sem dúvida, o meio de causar um certo sobressalto na conduta e costumeiras iniciativas eleitoreiras e/ou interesseiras desses "políticos".
No Brasil, um dia quem sabe, haja verdadeiro temor do constrangimento social e/ou da potencial rejeição nas urnas. Esperemos. Tomará que antes de estourar, pelo menos, dois dos extraviados pneus brasileiros!
POR UM URBANISMO PROTAGONISTA - 22/05/2019
As cidades brasileiras pedem socorro. Enquanto vão morrendo como “locus” da civilização as nossas cidades matam ou mutilam nas mais diversas formas seus cidadãos, ao invés de evoluírem como ferramentas-mestra de promoção da qualidade de vida de seus habitantes. Na contramão do mundo civilizado a ciência do Urbanismo é desprezada bem como seus especialistas e suas normas integrantes dos Planos Diretores de Desenvolvimento Urbano exigidos pela Constituição Federal. Valem nada! Os cidadãos morrem em áreas de risco sob enormes pedras em clara iminência de quedas, em áreas inundáveis indispensáveis aos processos “respiratórios” dos corpos hídricos, em áreas em grande declividade ou outra condição geotécnica imprópria aos parcelamentos, sob barragens instaladas à montante e coladas a núcleos urbanos, ou em rodoanéis traçados desconsiderando seus possíveis impactos sobre a cidade circundada, casos configuradores de um quadro urbanístico trágico que infelizmente que só tende a piorar.
Como entidade que congrega os profissionais da arquitetura e do urbanismo com competência técnica e legal exclusiva na área do urbanismo no país, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), tanto em nível nacional como em nível das unidades federativas, tem entre suas preocupações principais a busca de maior eficiência e eficácia nas ações orientativas, punitivas e de fomento às boas práticas inovadoras em sua área de atuação conforme determina sua lei de criação. Nesse sentido mantem constante discussão sobre as diversas áreas da profissão e, diante do quadro urbano dramático vivido no país, muito em especial sobre as dificuldades enfrentadas pelo urbanismo em busca de sua afirmação como instrumento de ordenamento das cidades brasileiras e de melhoria na vida de seus habitantes.
Nesta semana o CAU/BR promove em Brasília o II Encontro Nacional das Comissões Especiais de Planejamento Urbano e Ambiental (CEPUAs) com extensa pauta de trabalho, onde o CAU/MT apresentará através de sua CEPUA propostas específicas de intervenção nesse quadro grave em que vive as cidades brasileiras, propostas desenvolvidas e aperfeiçoadas ao menos desde 2017 quando da realização do I Seminário Nacional de Política Urbana e Ambiental também realizada em Brasília. O objetivo destas propostas é resgatar para o urbanismo o protagonismo que lhe compete nas ações referentes ao desenvolvimento urbano no Brasil pois, apesar de se fazer presente em grande parte dos processos de planejamento das cidades brasileiras, é inegável que de um modo geral tem sido negligenciado durante a aplicação daquilo que planeja e regulamenta, bem como durante as apurações de responsabilidades sobre as sucessivas tragédias decorrentes dessa situação.
Trata-se de duas proposições. A primeira, trata de uma proposta de deliberação ao CAU/BR no sentido de que os CAU/UFs através de suas CEPUAs se apresentem de imediato nos locais de novas tragédias de caráter urbanístico (indesejáveis, mas, infelizmente muito prováveis), providenciando laudos próprios sobre suas causas e com indicação ao Ministério Público dos possíveis responsáveis. A outra é a proposta de uma lei de responsabilidade com a qual possam ser punidos os prefeitos em cujas administrações sejam descumpridas a legislação urbana repassando ao sucessor a cidade com indicadores básicos piores do que os recebidos. A ideia é que a punição implique na reprovação das contas públicas do mandatário e na sua consequente inelegibilidade. A ideia é que a categoria dos arquitetos e urbanistas não espere mais ser chamada, mas se antecipe assumindo sua grande e intransferível responsabilidade social.
*O autor é arquiteto e urbanista, conselheiro do CAU/MT, acadêmico da AAU/MT e professor universitário aposentado.
BENEFÍCIOS DA EDUCAÇÃO CLÁSSICA (5): HERANÇA GRECO-ROMANA - 07/05/2019
Já mencionamos de passagem em diversos artigos desta série sobre os oito benefícios fundamentais da Educação Clássica, a importância do reconhecimento da herança cultural greco-romana sobre o desenvolvimento da inteligência e do pertencimento a uma civilização. A influência greco-romana sobre o modo como vivemos em nosso país e nossa civilização é assunto para muitos milhares de páginas, estendendo-se, por exemplo, a Tecnologia (odômetro, a roda d’água e o relógio despertador), à Política (república, democracia, senado, eleições periódicas, voto), ao Direito (leis, procedimentos judiciais, terminologia jurídica), à Arte (conceitos de teoria musical, escultura, pintura), à Arquitetura e Engenharia (arcos, colunas, anfiteatros, estádios), à Literatura (poesia, narrativas, teatro), aos costumes (feriados, esportes e competições, jogos olímpicos, procissões religiosas, festas públicas, carnaval), à Ciência e à Filosofia (por herança direta), entre muitos outros.
Pela óbvia limitação de espaço e tempo, enfatizaremos neste artigo apenas um aspecto fundamental da Educação Clássica que, por si, já representa um inarredável compromisso com nossas origens: o estudo do latim.
Estudo do Latim e a formação da inteligência
O historiador argentino Rúben Calderón Bouchet (1918-2012) expôs de forma muito clara o modo como o latim é um elemento definidor de nossa civilização:
“O idioma latino, cunhado com justeza nas exigências da expressão jurídica, tem o privilégio de se adequar com precisão ao intercâmbio das ideias mais universais. É, provavelmente, a melhor língua feita para dizer tudo aquilo que os homens necessitam dizer quando se tratam de assuntos de interesse geral. Léxico de juristas, se converteu facilmente em veículo idôneo da filosofia grega e de tudo o que havia de radicalmente essencial nos helênicos. Ao ser expressado em fórmulas latinas, o pensamento grego ganhou em concisão e segurança denotativa o que perdeu, talvez, em riqueza expressiva”.
É fato que, sem conhecer a origem histórica das palavras que pronunciamos, é impossibilitada a compreensão mais profunda de seu sentido e, consequentemente, esteriliza-se toda a discussão em torno delas num oceano de confusões, ambiguidades, enganos e, no limite, engodos. Alceu Garcia, em elucidativo artigo, apresenta-nos alguns exemplos:
“JUSTIÇA SOCIAL – Justiça deriva do latim justitia, exprimindo conformidade com o Direito, não necessariamente o Direito Positivo, legislado, que pode ser, e frequentemente é, injusto (…), mas os princípios gerais derivados dos valores que formam a Ética de um determinado grupo, que antecedem e informam as leis objetivas e sua interpretação, consubstanciado no mister de dar a cada um aquilo que é seu, como diziam os juristas romanos. (…). Social vem de sociale, relativo à sociedade (do lat. societate), ou seja, uma coletividade humana. Ora, se justiça é dar a cada um o que é seu, infere-se necessariamente que a existência de mais de um indivíduo é sua condição sine qua non. (…) O adjetivo “social” é, pois, redundante e dispensável”.
O autor multiplica os exemplos, demonstrando como, a partir da origem grego-romana das palavras, expressões tão em voga nos debates públicos como “justiça social”, “política pública”, “direitos humanos”, “desigualdade social”, “lógica do capitalismo” e “direitos das minorias”, não passam de redundâncias destinadas a induzir o raciocínio a conclusões equivocadas.
Olavo de Carvalho observa que a degradação da herança linguística de um povo pode conduzir, no limite, ao seu desaparecimento:
“Mas o fato é que as nações nascem das línguas, e não estas daquelas. Por isto mesmo é impossível conservar um senso de identidade nacional quando, à força de conformar-nos a uma atualidade sociológica criada pela mídia e pelo imperialismo cultural, abdicamos de conservar o senso de unidade histórica da língua, o qual só pode ser sustentado com base na tradição literária perpetuamente revivificada pelo ensino. (…) Ora, se o ensino da gramática rompe com a tradição literária, adaptando-se ao fato consumado sociológico determinado por fatores extranacionais e antinacionais, a tradição mesma acaba sendo rompida, o gosto literário cai, a língua se torna confusa e tosca, os debates públicos caem para o nível dos slogans brutais, o próprio nacionalismo assume o sentido de uma revolta suicida”.
George Orwell, em seu célebre artigo “Politics and the English language” (A Política e a Língua Inglesa) explica como esse uso “ligeiro” da linguagem sem o domínio do real alcance e significado das palavras representa uma solução cômoda para quem deseja apenas escrever sem realmente pensar:
“Com o uso de metáforas, símiles e expressões idiomáticas requentadas, você poupa muito esforço mental ao custo de deixar vago o seu significado, não somente para seu leitor, como para si mesmo. (…) O único objetivo de uma metáfora é conjurar uma imagem. Quando essas imagens colidem – tal como em ‘O polvo fascista emitiu seu canto de cisne…’ – dê-se por certo de que o escritor não contempla uma imagem mental dos objetos que nomeia; em outras palavras, que, de fato, não está pensando”.
O Professor mestre Ricardo Santos David, em resumo bibliográfico simples e didático, reconhece o quanto o estudo do latim é necessário para um autêntico estudo da Gramática de nosso idioma. Um trecho de significado inequívoco:
“O latim é necessário nos estudos de gramática da língua portuguesa, uma vez que é necessário compreender o significado das palavras em sua origem e terminologia, e a partir disto melhor compreende também os significados do sistema linguístico cultural brasileiro”.
Para além do estudo da Gramática, Napoleão Mendes de Almeida1, no prefácio à sua “Gramática latina”, após afirmar enfaticamente e demonstrar com fatos que é totalmente falsa ideia de que o principal benefício do estudo do Latim seria a facilitação do aprendizado da Língua Portuguesa, explica porque é um desastroso equívoco uma concepção de Educação que exclua o estudo do Latim:
“Não encontra o pobre estudante brasileiro quem lhe prove ser o latim, dentre todas as disciplinas, a que mais favorece o desenvolvimento da inteligência. Talvez nem mesmo compreenda o significado de ‘desenvolver a inteligência’, tal a rudeza de sua mente, preocupada com outras coisas que não estudos.
O hábito da análise, o espírito de observação, a educação do raciocínio dificilmente podemos, pobres professores, conseguir de um estudante preocupado tão só com médias, com férias, com bolas, com revistas.
Muita gente há, alheia a assuntos de Educação, que se admira com ver o latim pleiteado no curso secundário, mal sabendo que ensinar não é ditar e educar não é ensinar. É ensinar dar independência de pensamento ao aluno, fazendo com que de per si progrida: o professor é guia. É educar incutir no estudante o espírito de análise, de observação, de raciocínio, capacitando-o a ir além da simples letra do texto”.
Sobre o papel do estudo do Latim no desenvolvimento da inteligência, Cheryl Lowe (1945-2017), fundadora da editora Memoria Press e da Highland Latin School, observa que os objetivos de uma disciplina estão muito além do seu conteúdo informativo, imprimindo seus princípios, métodos e fundamentos ao próprio funcionamento da mente do estudante:
“As disciplinas escolares fazem mais do que prover informação. Elas são formativas. As disciplinas formam a mente do estudante quando nela imprimem suas próprias qualidades. (…) Por exemplo, a disciplina de Literatura ensina a compreender, perceber e a compadecer-se da condição humana. A disciplina de História desenvolve o julgamento, o discernimento, o acume e a sabedoria; a disciplina de Matemática ensina a precisão e a Lógica. Analogamente, a mente do estudante educado em Latim assume as qualidades do Latim: lógica, ordem, disciplina, estrutura. O Latim exige e ensina a atenção aos detalhes, a acurácia, a paciência, a precisão e o trabalho completo e honesto”.
Esse ponto de vista é partilhado pelo Padre Milton Luís Valente, S.J.2, na introdução da obra “Ludus Primus”, onde disserta sobre o latim como requisito imperativo para estudo de uma Ciência:
“A Ciência jurídica baseia-se no Direito Romano. Estudar o Direito Romano sem conhecer o latim é absurdo.
A maioria dos termos da Medicina e de todas as Ciências Naturais é de origem latina, e decorar esses termos sem lhes penetrar a força íntima não é digno de um ser racional, muito menos de um cientista.
Por isso, costumava dizer Carlos de Laet: ‘Admitindo aos cursos superiores moços não devidamente preparados em Letras Clássicas, seria criar não médicos, mas curandeiros, ainda que peritos; não jurisconsultos, mas rábulas; não engenheiros ou arquitetos, mas simples mestres de obras’.
Mas o maior bem que vos ministra o Latim é a sólida formação preparatória para a Ciência. O que o ensino do Latim pretende em nosso ginásio é ainda aguçar a vossa inteligência, é fortalecer a vossa vontade, é desenvolver vosso espírito para, quando chegardes aos complexos problemas da Ciência, poderdes observar, raciocinar, discutir, julgar com critério e emitir com clareza vossa opinião. Assim formados, estareis aptos para seguir nas universidades os professores de qualquer Ciência em suas pesquisas e lucubrações”.
Observações finais
O estado de absoluta confusão que podemos testemunhar em todas as discussões públicas no Brasil de hoje e, especialmente, o baixíssimo nível das conversas entabuladas por brasileiros portadores de diploma de cursos superiores sobre todos os assuntos imagináveis nas redes sociais são um indício bastante claro da degradação coletiva, em massa, da inteligência em nosso país, como resultado do abandono dos estudos clássicos e do idioma Latim por nosso sistema educacional, indício ainda mais eloquente quando os comparamos com a situação de 50-60 anos atrás, quando nosso país ainda contava com excelentes escritores e oradores. A ausência das ferramentas essenciais do raciocínio impede a definição apropriada dos problemas nacionais; a ausência de definições precisas dos problemas impossibilita seu equacionamento; a falta de equacionamento reduz a uma quimera as expectativas de que um dia esses problemas verão a luz de uma solução. A esperança de melhorias efetivas em nosso país não deve recair neste ou naquele governante ou partido, cujo poder é sempre transitório, mas numa nova geração de homens e mulheres formados nos princípios da Educação Clássica, com raciocínio e inteligência refinadas, movidos por interesses muito mais elevados do que, no amargo dizer de Napoleão Mendes de Almeida, “médias, férias, bolas e revistas”. As crianças homeschoolers, educadas no amor do lar, com o coração enternecido pela fé cristã e com a inteligência forjada pela Educação Clássica representam uma grande fonte de esperança para que nosso país recupere a trilha da Verdade, da Beleza e da Justiça, com todas as consequências benéficas dela resultantes.
• Por Géssica Hellmann em Educação Clássica, Valorizando o conhecimento
1ALMEIDA, Napoleão Mendes de. Gramática latina. São Paulo: Saraiva, 2000, 29ª edição, p. 8.
2VALENTE, Pe. Milton Luís. Ludus Primus: 1ª série ginasial. Porto Alegre: Livraria Selbach, 1949, pp. 12-13.
UM RAIO DE LIBERDADE - 06/05/2019
Acabei de assistir a um vídeo que transita pelo território livre da Rede Mundial de Computadores, no qual o jovem jornalista Caio Copolla, na Rádio Jovem Pan de São Paulo, descreve com riquezas de detalhes o comportamento dos Deputados Federais da oposição na Comissão de Constituição de Justiça, durante a votação do projeto da nova previdência social. Citando nominalmente aquela gente da esquerda delinquente representada pelos Deputados Paulo Pimenta, Erica Kokai, Gleise Hoffmann, Clarissa Garotinho, Zeca Dirceu, Maria do Rosário e outros revela, então, o ousado teatro ou a encenação dos ordinários lutando desesperadamente para obstruir na CCJ a proposta da Reforma da Previdência. O que ele torna público em relação ao procedimento dos quadrilheiros (segundo a Operação Lava Jato) – tudo apoiado, insuflado e incensado pela extrema imprensa presente na ocasião – não constitui só mera oposição ideológica e, muito menos ainda, grave falta de decoro parlamentar. Ao contrário é, sem dúvida, uma afronta aos interesses da Nação e verdadeira violação à sobrevivência de sua sociedade. Concluiu ele, com outras palavras: “aqueles calhordas não estão nem aí para o Brasil. A obsessão deles é destruir Bolsonaro”.
Não estou falando aqui por conta de censura ou de cerceio à liberdade de expressão no Legislativo. Refiro-me ao desserviço e à trama insolente, vazia e inconsequente contra o País numa hora em que a população enfrenta um caos iminente que o levará à banca rota, caso medidas extremas não sejam urgentemente adotadas. A atitude é tão vil e criminosa que deveria estar tipificada na Lei de Segurança Nacional e é agravada sobremaneira por conta da circunstância de que aqueles servidores públicos estão se valendo do mandato popular, que o povo soberanamente a eles confiou, para traí-lo da forma mais soez e vil.
Certamente que ao caro leitor chegou a notícia que a min também foi transmitida dias atrás de que se teria visto um desses paus mandados cativos do Sistema Goebells dizer, em cadeia nacional, que ouviu numa dependência do próprio Congresso a conversa entre três parlamentares da esquerda maldita fechando questão entre eles no sentido de que trabalhariam diuturnamente objetivando não permitir que a reforma da previdência trouxesse uma economia maior que meio bilhão de reais, certos de que desta maneira Bolsonaro não se reelegeria, pois o Brasil não sairia do atoleiro em que eles mesmos o meteram. Solertemente combinavam isto e riam-se, riam-se a bandeiras despregadas. A situação é tão repugnante que o tal jornalista do telejornal, mesmo indo contra seu severo e exigente patrão não conseguiu deixar de vomitar a notícia. Depois deve ter levado uma boa reprimenda, mas já era tarde e as Redes Sociais espalharam para os quatros cantos da Nação.
Confesso que estou ficando um pouco cansado de bater firme na extrema imprensa, porém acompanho a mesma com muita atenção e estou convicto de sua má intenção e de sua falta de sinceridade de propósito. Diariamente, os doentes que a compõem dão motivo de sobra para apanhar ou para levar bordoada e o que mais me irrita é sua nojenta covardia. Nunca dizem realmente quais são suas verdadeiras intenções, isto é, a real causa de sua vindita e de seu ódio contra o Governo atual. Por que não declaram em alto e bom som seus motivos verdadeiros? Por quais razões não escrevem que nunca se conformam de estarem sendo-lhes arrancados os privilégios, as benesses e a grana que os governos civis de Sarney a Temer pagavam a todos os jornalistas, deformadores de opinião, colunistas, editores, diretores e, principalmente, aos donos dos Conglomerados das Comunicações? Por que escondem esta verdade? De sã consciência alguém acredita que se esses vermes não tivessem há mais de trinta anos sendo cevados, direta ou indiretamente, com o dinheiro público que a classe política canalha arranca dos nossos bolsos, qualquer daqueles patifes teria sobrevivido ou mesmo que viveriam como nababos, como hoje vivem? É claro que não.
Entretanto nem tudo está perdido. Como canta nosso Hino da Independência: Já raiou a liberdade, já raiou a liberdade no horizonte do Brasil! Isto mesmo! Desde outubro de 2018 e, em seguida, com a pose do novo Presidente da República e de sua equipe simplesmente surpreendentemente competente, honesta e Verde e Amarela até a medula, já podemos ver raiar um novo sol para esta “Terra Brasillis”. Percebam como a vermelhada que antes dominava livre, leve e solta e que mandava e roubava está agora acuada nos cantos dos locais aonde ainda conseguem entrar. Nada mais podem fazer senão dar vexame e se desmoralizar. O antigo establishement que a apoiava mergulhou e a imprensa hiena que deles se alimentava é sistematicamente desmentida e ridicularizada pelas “Lives” semanais do Capitão. Quem quiser se deleitar e ver esta corja do mal apanhar sem dó, basta ir para as Redes e acessar “Bolsonaro no Twitter”, toda quinta feira às 19 horas.
Além disso, nos conforta enxergar que os bons e os patriotas já têm voz. Por exemplo, é realmente reconfortante ver a independência e a coragem do jovem Caio Copolla antes mencionada, bem como as do nobre e competente jornalista Alexandre Garcia que bate sem dó nos capadócios da comunicação, muito mais do que faço e com maior autoridade também, sem falar que a todo instante nova revelação acerca de malversações ou sobre antigos ataques aos cofres públicos é por ele denunciada. No mínimo é instrutivo ouvir o que fala o velho ícone da boa imprensa. Ainda esta semana recebi um vídeo, pela Rede de Computadores, que traz seu comentário acerca da atual realidade do bando guerrilheiro que se intitula MST. Explicando que, em razão da chegada do Capitão bem como da prática de umas poucas medidas administrativas, disse que aquele movimento terrorista – com o qual o “Ogro Encarcerado” um dia bazofiou dizendo que enfrentaria até nossas Forças Armadas – em março do ano passado matou, assombrou, depredou e invadiu mais de quarenta propriedades e que nesta nova era só tentou contra uma e assim mesmo, como se sabe, de lá saiu com o rabo entre as pernas. Ouso recomendar que assistam com prazer ao vídeo que se encontra no endereço: https://www.youtube.com/watch?v=sHDQiXCU0Ok.
O Brasil se desmoralizou perante o mundo e chegou à beira do precipício por conta do domínio de uma esquerda, sobretudo incompetente e nociva. Todavia é justo por causa dessa incompetência e de sua consabida covardia que agora mais facilmente dela nos livraremos. A cada dia que passa a corda vai apertando no pescoço daquela gente do mal. A julgar pelos sinais que aqui revelo, já tenho até a esperança de ver em breve no Brasil uma nova imprensa, uma nova corrente de pensamento e, sobretudo de ver esta Nação voltar a seu berço esplendido e de ocupar o lugar de destaque que um dia teve na Comunidade de Nações Livres e Soberanas.
*Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado.
**Publicado originalmente no Diário do Poder
A ECONOMIA BRASILEIRA AGONIZA - 03/05/2019
POPULISTAS DA ESPÉCIE -SÁDICOS-
Depois de ter sido brutalmente saqueado, estuprado, agredido e enganado inúmeras vezes, por vários POPULISTAS da espécie -SÁDICOS-, o nosso empobrecido Brasil, já inconsciente e em péssimo estado de saúde ECONÔMICA E SOCIAL, foi jogado numa mal cheirosa e precária UTI.
VEIAS DA ECONOMIA
Sem forças para reagir, devido às múltiplas fraturas, o Brasil, desde o ano 2002, quando o PT assumiu o governo, segue na UTI, respirando com a ajuda de aparelhos, na esperança de que o Congresso Nacional aprove a REFORMA DA PREVIDÊNCIA, considerada como o primeiro e importante passo para que o sangue volte a correr nas veias que alimentam a nossa combalida economia.
CORREDORES CHEIOS DE DESOCUPADOS
Mesmo diante deste quadro dantesco e complicado, onde mais de 12,5 milhões de DESOCUPADOS ocupam os corredores que levam à UTI, clamando por urgência no tratamento, os sádicos deputados da Comissão Especial da Câmara, escolhidos com o propósito de dar vida ao doente em ESTADO TERMINAL, parecem felizes com o agravamento do sofrimento.
EXAMES DE LABORATÓRIO
Nem mesmo os péssimos resultados dos exames divulgados, constantemente, pelo laboratório oficial (IBGE) tem sido capazes de acelerar a tramitação da REFORMA DA PREVIDÊNCIA. Hoje, por exemplo, o instrumento que mede a PRODUÇÃO INDUSTRIAL apontou dramática queda 1,3% em março, o que elimina por completo o crescimento de 0,6% verificado no mês anterior. Que tal?
MAIS INTENSA DESDE MAIO 2018
Na comparação anual, a PRODUÇÃO INDUSTRIAL já recuou 6,1%, na queda mais intensa desde maio de 2018, mês considerado FATÍDICO por força da inesquecível greve dos caminhoneiros, movimento que simplesmente impediu, por vários dias, que o Brasil pudesse respirar, mesmo através dos aparelhos.
PASSO FIRME PARA VOLTAR À RECESSÃO
Aliás, a julgar pelo que revelam os tristes resultados dos exames que medem o desempenho da economia, a continuar nesta batida caracterizada pela irresponsabilidade dos nossos legisladores do atraso o Brasil está dando um passo firme e certeiro para entrar novamente no árido terreno da RECESSÃO, com início marcado para o segundo semestre deste ano.
ALAN GARCIA - 24/04/2019
Eu o conheci durante a campanha eleitoral de 1985, por intermédio de Manuel Checa Solari, um amigo em comum que havia se empenhado em nos apresentar e que nos deixou a sós a noite inteira. Era inteligente e simpático, mas algo nele me alarmou. No dia seguinte, eu disse na TV que não votaria em Alan García, mas em Luis Bedoya Reyes. Ele não era rancoroso, pois, eleito presidente, ofereceu-me a embaixada na Espanha, que não aceitei.
Seu primeiro Governo (1985-1990) foi um desastre econômico. A inflação chegou a 7.000%. Ele tentou nacionalizar os bancos, as companhias de seguro e todas as instituições financeiras, uma medida que teria não só acabado de arruinar o Peru, mas também eternizado no poder o seu partido, a Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA). Nós o impedimos com uma grande mobilização popular hostil à medida, que o obrigou a recuar. Seu apoio foi decisivo para que a eleição presidencial de 1990 fosse vencida por Alberto Fujimori, que dois anos depois deu um golpe de Estado. Alan García precisou se exilar. Seu Governo seguinte (2006-2011) foi muito melhor do que o primeiro, embora, infelizmente, deteriorado pela corrupção, sobretudo associada à construtora brasileira Odebrecht, que venceu licitações de obras públicas muito importantes, corrompendo altos funcionários. O Ministério Público justamente o investigava sobre esse assunto, e havia determinado sua prisão preventiva por dez dias, quando ele decidiu se suicidar.
Um tempo antes, García tentou pedir asilo no Uruguai, alegando ser vítima de uma perseguição injusta. Mas o Governo uruguaio negou o pedido por considerar – com toda justiça – que no Peru atual o Poder Judiciário é independente do Governo e que ninguém é assediado por suas ideias e convicções políticas.
Durante seu segundo Governo, eu o vi diversas vezes. A primeira foi quando o fujimorismo quis impedir a abertura do Lugar da Memória, que mostraria os seus vários crimes políticos cometidos sob o pretexto da luta antiterrorista. A seu pedido, aceitei presidir a comissão que implementou esse projeto, que hoje – felizmente – é uma realidade. Quando ganhei o Nobel de Literatura, ele telefonou para me parabenizar e me ofereceu um jantar no Palácio do Governo, no qual tentou me incentivar a ser candidato à Presidência. "Achei que tínhamos feito amizade", brinquei. Acredito que o vi pela última vez numa peça em que eu atuava, As Mil e Uma Noites.
Mas acompanhei bem de perto toda a sua trajetória política e o protagonismo que ele teve nos últimos 30 anos da vida pública do Peru. Era mais inteligente que a média dos que em meu país se dedicam a fazer política, com muitas leituras, e um orador fora do comum. Uma vez o ouvi dizer que era lamentável que a Academia de Letras só incorporasse escritores, fechando a porta aos "oradores", que segundo ele não eram menos originais e criadores do que os primeiros (imagino que o dizia seriamente).
Quando García assumiu a liderança da APRA, fundada por Haya de la Torre, o partido estava dividido e, provavelmente, em um longo processo de extinção. Ele o ressuscitou, tornou-o muito popular e o levou ao poder, algo nunca logrado por Haya, seu mestre e modelo. Um de seus maiores méritos foi ter aprendido a lição de seu desastroso primeiro Governo, no qual seus planos intervencionistas e de nacionalização destruíram a economia e deixaram o país muito mais pobre do que estava. Ele percebeu que o estatismo e o coletivismo eram absolutamente incompatíveis com o desenvolvimento econômico de um país. Em seu segundo mandato, estimulou o investimento estrangeiro, as empresas privadas e a economia de mercado. Se ele tivesse combatido a corrupção com a mesma energia, teria feito uma gestão magnífica. Mas nesse campo, ao invés de avançar, retrocedemos, embora certamente não com a intensidade vertiginosa dos roubos e saques de Fujimori e Montesinos que, acredito, estabeleceram um limite inalcançável para os Governos corruptos da América Latina.
Teria sido ele um político honesto, comparável a um José Luis Bustamante y Rivero ou a um Fernando Belaúnde Terry, dois presidentes que saíram do Palácio do Governo mais pobres do que entraram? Acredito sinceramente que não. E o digo com tristeza porque, embora tenhamos sido adversários, não há dúvida de que havia nele traços excepcionais, como o carisma e a energia inesgotável. Temo, contudo, que participasse dessa falta de escrúpulos, dessa tolerância aos abusos e excessos tão comuns entre os dirigentes políticos da América Latina que chegam ao poder e se sentem autorizados a dispor dos bens públicos como se fossem deles, ou, o que é muito pior, a fazer negócios privados ainda com isso que violem as leis e traiam a confiança dos eleitores.
Não é realmente escandaloso, uma vergonha sem desculpas, que os últimos cinco presidentes do Peru sejam investigados por supostos roubos, propinas e negócios ilícitos cometidos durante o exercício de seus mandatos? Essa tradição, que vem de longe, é um dos maiores obstáculos para que a democracia funcione na América Latina e os latino-americanos acreditem que as instituições estão ali para servi-los, não para que os altos funcionários encham o bolso saqueando-as.
O disparo efetuado por Alan García na cabeça poderia querer dizer que ele se sentia injustamente perseguido pela Justiça. Mas, também, que desejava que aquele estrondo e o sangue derramado corrigissem um passado que o atormentava e agora retornava para cobrar responsabilidades. Os indícios são sumamente inquietantes: as contas abertas em Andorra por seus colaboradores mais próximos, os milhões de dólares entregues pela Odebrecht ao então secretário-geral da Presidência, agora preso, e a outra pessoa muito próxima, seu próprio nível de vida tão acima do que afirmou ter, ao fazer a declaração de bens antes de assumir o primeiro mandato: "Meu patrimônio é este relógio."
No Peru, já faz tempo, há um grupo de juízes e promotores que surpreenderam a todos pela coragem que demonstram ao combater a corrupção, sem se deixarem amedrontar pela hostilidade desencadeada contra eles pela mesma esfera do poder que enfrentam, investigando, revelando os culpados, denunciando a má gestão dos poderosos. E, felizmente, apesar do silêncio covarde de tantos meios de comunicação, há também alguns jornalistas que apoiam o trabalho desses funcionários heroicos. Esse é um processo que não pode nem deve parar, pois o país depende dele para sair finalmente do subdesenvolvimento e fortalecer as bases da cultura democrática, para a qual a existência de um Judiciário independente e honesto é essencial. Seria trágico que, na compreensível emoção provocada pelo suicídio de Alan García, o trabalho desses juízes e promotores fosse interrompido ou sabotado, e que os poucos jornalistas que os apoiam fossem silenciados.
Madri, abril de 2019
ICONOCLASTAS DA NACIONALIDADE – II - 21/04/2019
Ao final de 1999, a revista “Dever de casa”, com a imagem Marechal Deodoro na capa, destaca em certo trecho: “O “herói” dos massacres, Luiz Alves de Lima e Silva, foi recompensado por matar rebeles do Norte e do Sul do país, recebendo os títulos de barão e em seguida de Duque de Caxias — ele é o patrono do Exército Brasileiro.”
A cada um cabe eleger os seus heróis. Mas, denegrir aqueles que lutaram na defesa dos interesses nacionais, que mantiveram esta Nação em berço esplêndido. Gigante pela própria natureza que não foi “de graça”, nem foi esfacelado como a América espanhola. Caxias é um dos baluartes da Unidade Nacional.
Sobre tal fato escrevemos texto contraditório à desconstrução tipicamente marxista, publicado n’O FAROL em junho de 2000, epigrafado, “Iconoclastas da nacionalidade”. Repulsa às cunhas que agridem a monolítica Nação forjada com luta, sangue, combatentes mortos, feridos e mutilados. Não podem ser esquecidos viúvas e órfãos.
Ainda que tirem as poeiras dos porões, abram alas e criem heróis dos barracões, não os façam gerar outras nações que dividam o Laço Verde-Amarelo. Não apelem pro nada. E a Nação, salve, salve, não vire pó, nem farelo.
Multidões vestem a camisa “canarinho” — pra frente Brasil — Salve a seleção! Multidões bradam, “a minha Bandeira jamais será vermelha”. Vestem verde-amarelo para extirpar comunistas corruptos do poder; aos milhões exigindo a prisão do pixuleco. Saúdam heróis que defenderam a Pátria nos campos de batalha.
Nem do inimigo “tem sangue retinto pisado”. Tem honra e glória atrás de tantos heróis emoldurados.
O Duque de Caxias, magnânimo e pacificador, foi um desses vencedores que expulsaram invasores. A eles a grandiosa Nação deve os louros das vitórias e a herança herdada que todos usufruem, inclusive os que conspurcam suas imagens na vida mundana que levam.
Nascido em 25 de agosto de 1803, o Duque teve o seu batismo de fogo na Guerra da Independência (Bahia/1823), com 20 anos incompletos. A seguir lutou na Guerra da Cisplatina (1825-1828).
Foi precursor do abolicionismo ao alforriar os negros — bravos lanceiros farrapos — integrando-os ao Exército, na pacificação do Sul; longa guerra fratricida de 1835 a 1845 que ameaçava fraturar a unidade territorial consolidada. Caxias deixa uma lição ao proferir emocionante proclamação de brasilidade aos gaúchos: "Abracemo-nos e unamo-nos para marcharmos não peito a peito, mas ombro a ombro, em defesa da Pátria que é a nossa mãe comum.”.
Coragem e bravura não faltaram a Caxias em defesa da Pátria; fiel juramento dos militares, se preciso for, com o sacrifício da própria vida.
A História do Patrono do Exército se passou em grande parte nas operações de guerra, em barracas de campanha com o desconforto para dormir, com frio ou calor, se alimentar quando possível, em marchas forçadas para o combate, atacar e defender, socorrer os feridos, enterrar os mortos com sofrimento, pesar e orações. Dia e noite sob as agruras da guerra.
Não se compara aos barracões do samba que tem seus méritos, reconhecimento artístico, estandarte de ouro, enredo nota 10. Cada um no seu quadrado.
Sambistas e jurados sem compromisso com a História, “Com versos que o livro apagou/ Desde 1500/ Tem mais invasão do que descobrimento/ Tem sangue.../ Mulheres, tamoios, mulatos/... Não veio do céu/ Nem das mãos de Isabel...”
“Quem foi de aço nos anos de chumbo”, padrão Marighela, abusou das práticas terroristas, carro-bomba, explodiu, assaltou e matou/mutilou inocentes, como Orlando Lovechio, Mário Kozel Filho e até “justiçamento” dos comparsas julgados “traíras”.
Em 9 de dezembro de 1868, Caxias tinha 65 anos, quando a cavalo e com a espada em riste, irrompeu sobre a Ponte de Itororó arrostando o ferrenho inimigo, vencendo-o a caminho da vitória final. (Vale citar que hoje se discute a idade de 65 anos para a aposentadoria).
Verso por verso, o Hino a Caxias (letra, D. Aquino Correa) diz tudo: Salve, Duque Glorioso e sagrado/ Ó Caxias invicto e gentil! Salve, flor de estadista e soldado!/ Salve, herói militar do Brasil./ Do teu gládio sem par, forte e brando,/ O arco de ouro da paz se forjou,/ Que as províncias do Império estreitando/ À unidade da Pátria salvou.
Mas, não é só com Caxias. É ampla a frente de desconstrução daqueles que fizeram História. “Gerar outros é preciso”. Cantores que morreram de overdose, políticos feitores dos “direitos humanos”. Enfumaçar a Princesa Isabel e iluminar Zumbi dos Palmares. Pior, ao invés de se homenagear o considerado líder combatente do escravismo, se cultiva uma consciência como parâmetro que vai se contrapor a outra e incentivar a contenda.
Dia desses, em canal a versar sobre história, apresentado por brasileiros, o alvo era Santos Dumont. A chacota prevaleceu nos comentários de que o avião de Dumont se deslocava aos saltos (1906), em posição contrária ao que se entendeu posteriormente como normal, enquanto os entrevistados norte-americanos justificavam a primazia da invenção aos irmãos Wright (1903), em vôo sigiloso porquanto pretendiam registrar o invento como propriedade.
Até a sexualidade do Pai da Aviação, brasileiro, foi comentada, como se trouxesse alguma contribuição ao debate. Isto, nesta época cujo tema ideologia de gênero perambula no topo.
Em suma, o que seríamos nós sem o descobrimento, denominação genérica e histórica? Seríamos ainda tribos com gente pelada, arco e flecha, comendo caça, aipim/mandioca? Cada uma com línguas e dialetos distintos? Sem a abominável escravidão, com as contribuições trazidas da África? Sem a migração de gente pobre de origem européia? Ainda japoneses, árabes, judeus, etc?
Seríamos esta Nação Mestiça, gigante pela própria natureza?
O problema não está no Cabral de 1.500, mas nos cabrais do ano 2.000, lulas, dirceus, pezões, garotinhos... e parceiros que fazem igual ou pior do que os genocidas históricos trotskistas ninando gente que se acha grande.
Meus heróis não morreram de overdose (Hamilton Mourão).
*Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior (reformado).
**Publicado originalmente em Alerta Total – www.alertatotal.net
IGREJA, NÃO MUSEU - 19/04/2019
Muito já se escreveu, horas após o fogo que devastou a Catedral de Notre-Dame de Paris, a respeito do "caráter emblemático" do edifício, do seu valor como patrimônio da humanidade e do fato, notado pelo Papa Francisco, de que o edifício constitui "um tesouro arquitetônico de memória coletiva". Foi necessário, no entanto, que o arcebispo de Paris, Michel Aupetit, um ex-médico — discreto, mas profundo —, viesse responder (com uma pergunta retórica) o porquê de o edifício ser um "tesouro".
Entrevistado pela TV francesa, Dom Aupetit disse simplesmente que a magnífica basílica foi construída por uma razão, e não era ser um "tesouro", nem mesmo abrigar a Coroa de Espinhos de Nosso Senhor; Notre-Dame existe para un morceau de pain, isto é, para "um pedaço de pão" — o pão que, ele explicou, os católicos acreditam ser o Corpo de Cristo.
Todas as igrejas católicas — desde a magnificência de uma Notre-Dame em Paris ou de uma Basílica de São Pedro em Roma, até uma igrejinha do interior ou uma cabana de barro em terra de missão —, estando nelas presente a Eucaristia, foram construídas para ser domus Dei, a "casa de Deus". Para um católico, a ausência real que sentimos na Sexta-feira Santa, quando o sacrário fica vazio e a sua luz se apaga, é uma confirmação palpável de que, em certo sentido, uma igreja onde não está presente o morceau de pain não passa de uma "igreja zumbi", aparentemente viva, mas na verdade morta.
Com razão o mundo, especialmente aquelas partes que se consideram civilizadas, horrorizou-se ao ver o Estado Islâmico destruindo antigos artefatos da civilização mesopotâmica e tentando destruir a cidade de Palmira, na Síria. Notre-Dame de Paris é um patrimônio da humanidade, uma obra de arte cuja beleza é apreciada por pessoas de todos os credos, e até pelas que não possuem credo nenhum. O edifício fala, entretanto, não apenas da massiva contribuição que a cultura cristã ofereceu para criar a civilização ocidental (contribuição ignorada pela Constituição da União Europeia), mas também da fé viva sem a qual a basílica seria apenas um museu.
A basílica de Nossa Senhora em Paris leva esse nome não para "honrar o edifício como se ele fosse uma mãe" (como disse um repórter na internet, ilustrando a crescente ignorância religiosa da mídia), mas porque foi dedicado à Mãe de Deus, o primeiro tabernáculo vivo da Palavra feito carne. Esse "ícone" aponta para algo maior do que o homem; sua verticalidade e visibilidade são sinais do transcendente; o que nele sobressai é a verdade da fé a partir da qual tantos trabalharam por mais de um século para construí-la.
Quando os monstros que tocaram o terror da Revolução Francesa profanaram a basílica, dando-lhe o nome de templo do "Culto da Razão", destruindo imagens de Nossa Senhora e substituindo-a pela "deusa da liberdade", em certo sentido a basílica deixou de existir. Mas, assim como, em países que saíram do comunismo, igrejas que haviam sido usadas como salões de esportes ou cinemas voltaram ao seu uso sagrado, também Notre-Dame retornou à sua antiga glória com os sacramentos sendo celebrados novamente em seu interior.
O Estado francês é proprietário de Notre-Dame de Paris, mas, de acordo com a lei de 1905, a Igreja Católica detém os "direitos exclusivos de usá-la para propósitos religiosos perpetuamente". O presidente Macron teria dito que a basílica será reconstruída "de uma maneira consistente com nossa nação moderna e cheia de diversidade". O que se espera é que, por "diversidade", ele queira se referir simplesmente à ampla variedade de artistas e habilidades que se unirão para restaurar o edifício ao longo dos anos.
Falando aos bispos franceses durante sua visita ad limina apostolorum em 1997, o Papa João Paulo II parabenizou o Estado francês pelo seu cuidado com tantas catedrais e igrejas católicas, mas — ele lembrou na ocasião — a liturgia "deve ser sempre a verdadeira raison d'etre (razão de ser) desses monumentos".
Notre-Dame, esta "casa do pão" — o morceau de pain que é o Corpo de Cristo — será reconstruída, e a basílica será igreja viva. Não deixará de ser um "tesouro arquitetônico de memória coletiva", mas não será nunca um museu.
* Tradução da equipe Christo Nihil Praeponere, publicada originalmente em https://padrepauloricardo.org/blog/igreja-nao-museu
O BOTO COR DE ROSA E A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO ESTUPRO NO STF - 19/04/2019
A maioria dos brasileiros já tem conhecimento da existência da ADPF – 442 - Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 442-, ajuizada pelo Partido Solidariedade e Liberdade, mais conhecido por PSOL, em tramitação no STF-Supremo Tribunal Federal, destinada a autorizar o homicídio intrauterino, eufemisticamente chamado de interrupção voluntária da gravidez ou descriminalização do aborto. O nascimento da vida humana tem o mesmo ciclo dos demais nascimentos da natureza. Semente plantada, ovo ou óvulos fecundados. Na data da fecundação inicia-se a vida de uma planta, de um animal ou de um ser humano. A partir da fecundação, podemos matar a vida humana nas fases: inicial, dentro do útero ou intrauterina, de bebê, de criança, pré-adolescência, adolescência, adulta ou velhice. Sempre estaremos matando um ser humano, ou no dizer do artigo 121 do Código Penal, matar alguém.
Na ADPF 442, há muitas entidades e pessoas querendo liberar o homicídio intrauterino, para eliminar os bebês em gestação originados de relações sexuais consentidas. Nessas relações, o homem e mulher a praticam com gozo e alegria, mas, em diversas oportunidades, surge a gravidez inesperada. Não é indesejada porque, se o fosse, o ato sexual seria forçado ou contrário à vontade da mulher, que caracteriza o tipo penal do estupro. No caso do estupro, a lei permite a eliminação do bebê, pela forma ordenada no artigo 128, inciso II, do Código Penal. Embora a lei não permita a aplicação de pena, não deixa de ser um homicídio intrauterino.
Os crimes contra a vida estão capitulados nos artigos 121 e seguintes do Código Penal. Nos artigos 124 e 126, estão previstos os homicídios intrauterinos: cometer em si mesma ou permitir que outro o pratique. Os crimes sexuais estão elencados no Capítulo dos Crimes contra a Liberdade Sexual, onde lemos: Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso; Art. 215.Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima. A gravidez somente será possível com a conjunção carnal, obtida pelo agente através de violência, ameaça, fraude ou outro meio que impeça a livre manifestação da vontade da vítima.
Dito isso, vamos às alegações que, em vez de proteger a menina ou a mulher dos agentes criminosos, em nossa opinião, as coloca diretamente sob a ganância sexual deles, por tempo indeterminado e com a possibilidade da institucionalização do estupro. Dentre tantas premissas e razões infundadas e improvadas presentes na ADPF 442,o Estado do Pará apresenta a ocorrência criminal e a espantosa solução:
“No cenário da Ilha do Marajó (onde situam-se sete dentre os vinte municípios com menor IDH do Brasil), no Baixo Amazonas (região de Santarém), nos garimpos da região dos Carajás e de Itaituba, nos grandes empreendimentos de Altamira, nas fazendas de soja e gado do Sul do Pará e na região metropolitana e central de Belém a violência contra a mulher não possui sequer estatísticas confiáveis, mas são amplamente conhecidas e aceitas pela cultura local. O corpo da mulher não lhe pertence, servindo apenas para satisfazer a lascívia dos genitores e demais parentes, para os garimpeiros e trabalhadores rurais, para os fazendeiros e para os peões.
A conhecida lenda amazônica do boto cor de rosa que se transforma num belo e elegante jovem nas noites de lua cheia e que conquista e engravida as mulheres, abandonando-as posteriormente, é somente a forma pitoresca que os moradores dessa região se utilizam para validar a lógica do estupro paterno que resulta em gravidez.
Em sua maioria, essas mulheres brancas, negras, pardas, ribeirinhas, quilombolas, indígenas e/ou pobres são mantidas dentro dessa cultura que seu corpo não lhe pertence, sofrendo as consequências de ser mulher em um mundo ainda rusticamente masculino, convivendo com diversas gravidezes indesejáveis, impossibilitadas de exercerem a opção do abortamento.”
As aberrações jurídicas existentes nas propostas do PSOL, dos Estados de São Paulo, Pará e das entidades e pessoas a favor da liberação do homicídio intrauterino são, em nosso entender, incomensuráveis. Analisemos o texto do Pará destinado a justificar a descriminalização do aborto ou da interrupção voluntária da gravidez: 1) o baixo IDH, ou seja, o Estado não cumpre sua obrigação de propiciar conhecimento ao povo; 2) em todo o Estado, inclusive no centro da capital Belém, a violência contra a mulher é conhecida, embora sem estatísticas, mostrando que o Estado não cumpre sua obrigação de proteger as vítimas e punir os criminosos; 3) O corpo da mulher não lhe pertence, servindo apenas para satisfazer a lascívia dos genitores e demais parentes, para os garimpeiros e trabalhadores rurais, para os fazendeiros e para os peões, ou seja, o Estado tem conhecimento de todas as violências e de todos os crimes, mas nada faz para punir os criminosos e 4) a lenda do boto cor de rosa é utilizada para validar a lógica do estupro paterno, ou seja, o crime tem autor conhecido que não é punido. O texto termina dizendo que as mulheres do Estado do Pará, diante dos estupros, rotineiros e de conhecimento público, precisam despenalizar os crimes cometidos e aplicar a pena de morte aos nascituros.
Além dos artigos do Código Penal, acima mencionados, a Lei Maria da Penha 11.340, de 7.8.2006, preceitua: Art. 3o Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. § 1o O poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
E a Constituição Federal, prescreve: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
As leis vigentes que protegem as mulheres contra a violência não são aplicadas. Os direitos constitucionais não são garantidos.
O Estado do Pará e todos o s demais defensores do homicídio intrauterino deveriam refletir nas consequências dessa insana proposta. No caso das mulheres do Pará e de todo o Brasil, temos a convicção de que a descriminalização do aborto ou interrupção voluntária da gravidez resultarão na institucionalização do estupro. Os estupros ocorrerão em massa contra as mulheres, diante da possibilidade de serem forçadas a se dirigir ao SUS e a cometer sucessivos homicídios intrauterinos.
Em nosso entender, a legislação vigente precisa ser cumprida, as mulheres precisam ser protegidas, os criminosos devem ser penalizados e as vidas dos inocentes bebês condenados à morte, futuros brasileirinhos e brasileirinhas, devem ser preservadas.
*João Carlos Biagini - Advogado na Advocacia Biagini, Coordenador do Departamento Jurídico da Diocese de
Guarulhos , membro do IDVF – Instituto de Defesa da Vida e da Família e seu procurador na ADPF 442-STF,
membro da Academia Guarulhense de Letras, diretor secretário da UJUCASP-União de Juristas Católicos de
São Paulo, coautor do livro "Imunidades das Instituições Religiosas", coordenado pelos Profs. Drs. Ives
Gandra da Silva Martins e Paulo de Barros Carvalho, Noeses, 2015, autor do livro "Aborto, cristãos e
ativismo do STF", AllPrint, 2017 e coautor do livro "Tratado Brasil Santa Sé", coordenado pelos Profs. Drs.
Ives Gandra da Silva Martins e Paulo de Barros Carvalho, Noeses, 2018. Email: joaobiagini@gmail.com
CHINA REPRIME OS CRISTÃOS - 14/04/2019
Uma nova era de perseguição religiosa chegou, em pleno século XXI.
A Igreja de Sião, em Pequim, é a maior igreja no crescente underground protestante Chinês. Em setembro, tal igreja foi fechada pelo governo.
Qual seu crime? O pastor da igreja, Dr. Ezra Mingri Jin, graduado no Seminário Teológico Fuller, em Pasadena, Califónia, rejetou uma intolerável diretriz do Partido Comunista Chinês, para montar câmeras de reconhecimento facial no púlpito, apontadas para a congregação. Por sua recusa, o pestor, e praticamente todos os 1.500 membros da Igreja de Sião foram detidos, revistados e interrogados pela segurança pública – alguns mais de uma vez.
E o pior ainda está por vir. Os registros policiais deles agora serão usados no novo sistema Orwelliano de crédito social para dificultar seu acesso a serviços públicos, como trens, aviões, escolas, pensões e outros benefícios.
Os mais de 100 milhões de protestantes e católicos chineses estão se preparando para ter sua fé severamente testada em uma firme e dura repressão geral.
A repressão do governo contra as igrejas está sendo feita em nome da campanha de “sinicização” do Presidente Xi Jinping, com objetivo de fortalecer a cultura chinesa. Porém, o que cada vez mais parece é que ela busca remover a Bíblia e seus ensinamentos do cristianismo chinês.
Mais cedo neste ano o presidente Xi emitiu novas e fortes regulamentações para questões religiosas e incumbiu o oficialmente ateu Partido Comunista para reforçá-las. Tecnologia sofisticada, combinada com um policiamento de punho de ferro, agora estão sendo usados para suprimir as crescentes igrejas protestantes e Católica.
Estima-se que o surpreendente número de 100.000 ou mais cristãos foram presos este ano, em contraste com 3.700 em 2017, de acordo com a ChinaAid, uma organização de direitos humanos que promove a liberdade religiosa e o Estado de Direito na China. Maioria destes casos, como na Igreja de Sião, envolvidos em detenções de curto prazo.
Particularmente perseguidas são as chamadas igrejas “underground”, que não estão registradas no governo chinês, principalmente porque tais cristãos não querem o controle e a vigilância que vêm com o registro. Enquanto escrevemos este artigo, surgiram rumores de que algo em torno de 100 cristãos do movimento underground da Igreja Aliancista da Chuva Serôdia, em Chengdu, foram reunidos e detidos. Alguns acusam “estupros e abusos” por parte da polícia.
O pastor Ezra é parte do underground protestante, que um notável expert sobre a China, da Universidade de Purdue, estima que seja a fé de nada menos do que 30 milhões dos 93 a 115 milhões de protestantes no país. Ele e mais de 400 outros pastores protestantes underground, assinaram uma declaração corajosa, publicada pela ChinaAid. Nela, eles afirmam sua resolução de enfrentar esta perseguição que se desenrola, com uma resistência pacífica e fiel, dizendo em parte: “pois quando igrejas se recusam a obedecer leis más, isto não ocorre por qualquer agenda política, nem por ressentimento ou hostilidade; isto é consequência apenas das demandas do Evangelho e do amor pela sociedade chinesa”.
Apesar do acordo entre Pequim e o Vaticano acerca do apontamento de bispos, em setembro deste ano, aproximadamente doze sacerdotes católicos foram presos desde sua assinatura. Em novembro, o bispo Peter Shao Zhumin, de Wenzhou, foi submetido a duas semanas de doutrinação e interrogação estatal – foi sua quinta detentenção em dois anos.
Alguns cristãos chineses passam anos na prisão. O bispo católico James Su Zhimin, de Boading, ficou preso por 20 anos, depois de conduzir uma missa sem permissão do governo, e o governo se recusa fornecer quaisquer informações sobre ele.
Um residente americano está entre os prisioneiros religiosos da China, o pastor John Sanqiang Cao, da Carolina do Norte, foi sentenciado em março, a sete anos de cadeia por “organizar travessias ilegais da fronteira” depois de abrir escolas e entregar auxílios humanitários em Burma. Notícias informam que ele compartilha a cama com 12 prisioneiros e perdeu 22 quilos.
Menores agora são proibidos de entrar qualquer igreja, vendas on-line de Bíblias são bloqueadas, o catecismo católico é censurado, as igrejas alegam que suas cruzes e outros símbolos cristãos foram derrubados e em vezes, trocados por imagens de nada menos do que o próprio presidente Xi.
Desde fevereiro, milhares de igrejas foram forçadas a fechar. É particularmente aterrorizante saber que muitas das 10.000 igrejas protestantes que fecharam em uma província eram aprovadas pelo governo. Ainda, agora em setembro, a Igreja Católica do Sagrado Coração, em Henan, aprovada pelo governo, viu seu padre ser detido e excomungado pela Associação Católica Patriótica, que recebe dinheiro do Estado, pelo que indicam fontes, por organizar grupos de comunhão para a juventude e para os anciãos.
Como mostram estes exemplos, a repressão não é limitada às igrejas underground. Estes incidentes sinalizam que o presidente Xi quer reduzir todas as várias comunidades cristãs da China, ou mesmo eliminá-las.
Basta olharmos para o sofrimento dos Muçulmanos Uighur chineses – dos quais um milhão foram confinados em campos de doutrinação – para que tenhamos certeza que o presidente Xi está, sem piedade, lançando uma nova era de intensa perseguição religiosa.
A eloquente afirmação da declaração dos pastores deveria ser, ao mesmo tempo, um aviso e uma inspiração para nós: “As igrejas cristãs da China estão ansiosas e determinadas a trilhar o caminho da Cruz de Cristo, e estão mais do que dispostas a imitar passadas gerações de santos que sofreram e foram martirizados por sua fé”.
Enquanto cristãos ao redor do mundo celebram o nascimento de Jesus Cristo dois mil anos atrás, estes novos cristãos e todos os outros, perseguidos por sua fé na China, não podem ser esquecidos.
Deveríamos influenciar nossos líderes políticos e religiosos a falar sobre eles urgentemente, e tenazmente pressionar o presidente Xi para que respeite a liberdade religiosa.
[*] Nina Shea & Bob Fu. “China cracks down on Christians — a new era of religious persecution has arrived”. Fox News, 12 de Dezembro de 2018.
Tradução: Samuel Kultz
Revisão: Andrey Costa
ANTIGAMENTE CALAVAM-SE... - 31/03/2019
Um amigo que se julga ateu ou não-católico telefonou-me outro dia, e logo me atirou pelos fios esta pergunta aflita: "Meu caro C. me diga uma coisa: a Igreja antigamente era ou não era uma coisa muito inteligente?"
Ia responder-lhe com ênfase: "Era!" Mas enquanto vacilei alguns segundos meu amigo desenvolveu a idéia: "Olhe aqui. Eu bem sei que antigamente existiam padres simplórios, freiras tapadíssimas, leigos ainda mais simplórios e tapados. A burrice não é novidade, é antiqüíssima. Garanto-lhe que ao lado do artista genial que pintava touros nas cavernas de Espanha, anunciando há quarenta mil anos a brava raça de toureiros, havia dois ou três idiotas a acharem mal feita a pintura.
— Mas, calavam-se, disse eu.
E logo o meu amigo uivou uma exclamação que trazia na composição harmônica de suas vibrações todas as explosões da alma: a alegria, a angústia, a aflição de convencer, a tristeza de um bem perdido e até a cólera...
— Pois é! CALAAAVAM-SE!!!
Contei-lhe então uma história de antigamente. Teria eu dezoito ou dezenove anos, e meu heróis dezessete ou dezoito. Ele era o aluno repetente de uma escola qualquer, e eu seu "explicador" de matemática. Eu sentia a resistência tenaz que, dentro dele, se opunha às generalizações matemáticas. Ficava rubro, vexado e alagado de suor.
Recomeçava eu a explicar certo problema quando ele, numa decisão brusca, me deteve e suplicou:
— Explica devagar, devagarzinho, porque eu sou burro.
Na outra ponta do fio meu amigo de hoje explodiu:
— Que gênio! QUE GÊNIO!!
Era efetivamente genial aquele moço de antigamente. Não segui sua trajetória e não sei se ele hoje amadureceu e desabrochou aquele botão de sabedoria em flor, ou se virou idiota e portanto intelectual. O que pude garantir ao meu amigo não-católico é que antigamente a atitude média dos idiotas era tímida, modesta e respeitosa. E isto que se observava nas ruas, nas aulas particulares, nos salões de bilhar e nos clubes de xadrez, observava-se também na Igreja. De repente, em certo ângulo da história, mercê de algum gás novo na atmosfera, ou de algum fator ainda não deslindado, os idiotas amanheceram novos e confiantes. Já ouvi e li muitas vezes o termo "mutação" surrupiado das prateleiras da genética e aplicado à história, à Igreja, ao dogma e aos costumes. Dois ou três bispos franceses não sabem falar dez minutos sem usar o termo "um mundo em mutação".
Se mutação houve, estou inclinado a crer que foi naquele ponto a que atrás aludimos: os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação. O mundo é deles. Será genético o fenômeno e por conseguinte transmissível?
— "Receio muito", gemeu a voz de meu amigo, "você não leu os jornais da semana passada?"
— O quê? — perguntei com a aflição já engatilhada.
— A descoberta do capim!
Não tinha lido tão importante notícia, e o meu amigo explicou-me: um sábio, creio que dinamarquês, chegou à conclusão de que o capim é um dos melhores alimentos do homem. Meu amigo não me explicou que se tratava do Homo Sapiens, do Everlasting Man, de Chesterton, ou do Homo postconciliarius. Seja como for, dentro de quatro ou cinco anos teremos a humanidade de quatro e espalhada nos pastos.
* * *
Estas reflexões amaríssimas, como diria o "agregado" de Machado de Assis, vieram-me hoje ao espírito depois da leitura de La Documentation Catholique, e principalmente depois da casual leitura de um volume encontrado entre outros livros de vinte anos atrás: O personalismo, de Emmanuel Mounier.
Nunca lera nada desse personagem que fundou a revista Esprit e que fez escola. Abri a página 42 da tradução editada pela Livraria Duas Cidades e li: "O homem é um ser natural". Detenho-me nesta proposição seguida desta outra: "Será somente um ser natural?" E depois: "Será, inteiramente, um joguete da natureza?" Ora, é fácil de ver que nenhuma dessas proposições têm sentido, e nenhuma conexão se percebe entre elas. Ou então, se o leitor quiser ser mais exato, diremos que todo aquele fraseado joga com a polivalência te termos equívocos pretendendo com essa confusão transmitir ao desavisado adepto do "personalismo" um sentimento de profundidade ou de rara acuidade. O que quer dizer "um ser natural"? Dotado de natureza própria todos os seres o são, desde o átomo de hidrogênio até Deus. Tenho diante dos olhos o dorso de um livro de Garrigou-Lagrange: Dieu, son existance et sa nature. Logo, Deus é um ser natural. Se por natural se entende tudo o que pertence ao Universo criado, todos os seres, exceto o Incriado, serão seres naturais: a água, um gato, São Miguel Arcanjo. Se o termo natural se contrapõe a artificial, todos nós sabemos que um homem não é montado como um rádio de pilha, ou como uma máquina de costura. Logo, é um ser natural. Mas não se entende por que razão foi preciso fundar Esprit, lançar o progressismo, atirar-se nos braços do comunismo, comprometer Jacques Maritain, excitar tanta gente em torno de tão óbvia proposição.
Emmanuel Mounier já morreu coberto de glória há mais de dez anos. Podemos tranqüilamente dizer que era burro, apesar de tudo o que foi escrito em francês a seu respeito, como já podemos dizer tranqüilamente que Teilhard de Chardin era meio tantã. Dentro de cinqüenta anos ninguém mais saberá em que consistiu o "personalismo" de Mounier, ou o "phenomène humain" de Teilhard de Chardin. Essas obras foram o consolo e a volúpia de muitos leitores que, não entendendo nada do que liam, ao menos se aliviavam com este pensamento balsâmico: todos os livros são escritos para ninguém entender. E assim os idiotas do mundo tiveram um decênio ou dois de júbilo.
Passarão esses autores, mas se é verdadeira a descoberta das propriedades do capim, muitos novos autores surgirão a perguntar "se o homem é um ser natural". Já se houve o tropel... Mas — quem sabe — talvez o próprio capim, entre suas virtudes estudadas em Estocolmo ou Copenhague, entre duas Pornôs, traga uma espécie de calmante que nos devolva o genial tipo clássico do burro que se conhecia e que não fundava revistas católicas nem rasgava novos horizontes para a Igreja.
*Publicado em O Globo, 22/08/70 e reproduzido de permanência.org.br/drupal/node/470
BEM-VINDOS AO MUNDO REAL - 22/03/2019
No mundo das ideias abstratas, da ideologia pela ideologia, da ausência de compromisso entre o que se pensa e o que se concretiza, a “lacração” intelectiva e libertária é a regra.
No mundo cor-de-rosa do puro dever ser, sem o ser concreto considerado, quanto mais fofa for a ideia e menor o compromisso de sua testagem no universo onde será empregada, tanto melhor.
Como escrevi em outros artigos, no onírico mundo dos unicórnios, em suas Campinas verdejantes, somos todos puros e plenos de boas intenções.
Qualquer desvio humano que possa advir do modelo mental onde os seres humanos são puros por essência, somente pode ser atribuído à sociedade e à degeneração provocada pelo capitalismo malvadão.
Daí que resulta o seguinte: se o verdadeiro ou verdadeiros culpados pela degradação humana não é o humano que cometeu a conduta desviante ou o Crime, quem deve ser punido é o seu verdadeiro autor. Portanto, a sociedade e o capitalismo.
Por esse motivo, punir não é a solução, a prisão não resolve e a criminalização de condutas um absurdo a ser banido do seio de uma sociedade que quer ser justa e feliz.
No entanto, basta que os defensores de tais ideias se deparem com a realidade e descerem para brincar no playground onde a vida realmente se desenrola, que tudo muda de figura.
Vou dar dois exemplos concretos: o lamentável assassinato da Vereadora Marielle (como também o são os assassinatos dos outros 63 mil brasileiros que também ocorreram no mesmo ano) e a criminalização da homofobia.
Em ambos os casos, os mesmos que defendiam e defendem que prender não resolve e criminalizar condutas não é a saída para a violência que impera no país, agora clamam, com todas as forças de seus pulmões, que se punam exemplarmente e se prendam todos os culpados.
A minha posição, nesse contexto, sempre foi mais linear e coerente. Entendia e entendo que punir e prender os culpados é uma eficaz forma de se proteger os inocentes e a sociedade.
Portanto, aos que carregam consigo esse duplipensar, apenas digo uma coisa: bem-vindos ao meu mundo!!
* O autor é Procurador de Justiça no MP/RS
** Do facebook do autor.
A TRAGÉDIA SOB CORTINA DE FUMAÇA - DA POLÍTICA DESARMAMENTISTA AO MASSACRE DE SUZANO. - 17/03/2019
Há muitos incautos reféns do politicamente correto. Todos nós já fomos vítimas disso em algum momento.
Cabe a nós a responsabilidade de aprofundar as avaliações e, a partir de então, formar nossos convencimentos. Assim, prezaremos pela honestidade intelectual na construção e difusão das percepções.
Recentemente, o primeiro passo que tomei foi extrair, dos meios de comunicação, apenas as notícias que apresentam o fato secamente, desprezando as pífias conclusões dos tais "especialistas de plantão".
Por isso parei de assistir algumas mídias que propagam verdadeiros lixos informativos, dignos de provocar vergonha em pasquins de quinta categoria pois deixam de noticiar fatos para usar o que chamam de jornalismo como meio puro e simples de criação dos fatos.
Existem meios de comunicação sérios e neles depositamos esperança, ainda que tenhamos que enfrentar o "lado negro da força", capitaneado por poderosas mídias capazes de transformar engodo em realidade para o consumo dos mais desavisados.
Pois bem.
De posse dos fatos, ainda assim não estamos preparados para formar nossos convencimentos. Somente estaremos prontos a partir de um estudo de base (com investigação própria) sobre aquilo que pretendemos opinar. Talvez, após estas fases de aquisição do conhecimento possamos atingir o preparo necessário para adentrar à realidade de maneira coerentemente real.
Fora disso, poderiam então questionar: o direito de opinião é reservado a todos?
Sem dúvida!
A todo e qualquer ser humano é garantida a expressão de opiniões, sendo este um direito natural corolário da necessidade de socialização própria do ser humano, já descrita por Aristóteles e, depois, corroborada especialmente por Tomás de Aquino, Voltaire (do qual indico a leitura da obra "Tratado sobre a Tolerância"), dentre muitos outros.
Não obstante a garantia natural do ser humano em opinar, creio ser devida uma ponderação: a opinião desprovida de fundamento deve ser considerada? Ou simplesmente descartada como uma conversa fiada de botequim?
Sob este problema, cheguei à conclusão: posso falar o que quiser, ainda que não saiba sobre o que esteja falando. Mas nesta hipótese me faltará algo que elimina completamente meu exercício retórico. Falo aqui, especificamente, sobre a razão.
Se não tiver subsídios, será que passarei vergonha por uma eventual posição infundada?
A cada um resta o questionamento, bem como as consequências dele.
Eu já o fiz. E, por isso (por pura ignorância), me limito a falar apenas sobre aquilo que já investiguei minimamente, tendo plena ciência de que, mesmo assim, ainda terei muito a investigar.
Feitas estas ponderações, passo ao difícil, porém necessário, exercício de reflexão.
Há um movimento de formação de opinião que está claramente pendendo à falácia quando propaga como realidade a intenção política de armamento da sociedade. E atribuem esta política ao governo atual, iniciado em Janeiro/2019.
Críticos se apressam em pregar que o desarmamento da população civil é a solução.
Casos como a recente tragédia ocorrida na escola de Suzano fervem o sangue dos "especialistas de plantão" e atiçam as garras de abutres progressistas. Estes, em pleno desprezo à memória de quem se foi, à dor das famílias envolvidas, e agindo sob completo descompromisso com a realidade, nem mesmo esperam o sangue das vítimas esfriar para darem início à panfletagem ideológica da causa desarmamentista, ignorando dados e fatos históricos que cercam o tema e comprovando, ao fim, nada além de suas próprias estirpes.
De início, devo registrar que eu, particularmente, não tenho qualquer evidência capaz de provar que o atual governo esteja promovendo uma política publica armamentista.
Política pública (tomando-se simploriamente, para fins didáticos, como aquela dirigida pelo governo), houve sim com a promoção do desarmamento da população civil. A prova disso é a própria materialização da Lei do Desarmamento, em vigência desde 2003 (lei n. 10.826/2003).
Vale dizer: o Brasil está sendo desarmado (por política pública) desde lá.
Não encontro, ainda que me valha do Sr. Google, qualquer projeto governamental tendente a subsidiar o armamento dos cidadãos brasileiros. E quando falo subsidiar, falo em ativamente promover este armamento com o fomento de todos os meios inerentes à facilitação da aquisição da arma de fogo.
Não podemos concluir que o governo esteja provendo (ou mesmo intencione prover) o armamento populacional tal como, por exemplo, proporciona a ajuda social através do bolsa-família (cito o benefício apenas por dever didático pois, com ele, atingimos a exata noção do que de fato seja uma política pública).
Isso, não há. E se alguém disse algo parecido a você, pondere. Pois o discurso não passa de pura falácia, ou conversa de botequim.
Intuo que se existisse esta possibilidade (a qual, friso, não enxergo), o governo talvez fosse movido pelos efeitos danosos do desarmamento provocado por uma malfadada lei (popular por mesma alcunha), tudo como uma reação ao atentado contra a vontade popular, expressamente manifesta a partir do Referendo ocorrido em Outubro de 2005, quando 63,94% da população (1) em pleno exercício do direito constitucionalmente conferido, disse não à proibição do comércio de arma de fogo, zelando, sabiamente, pela preservação do direito de autodefesa como garantia natural a qualquer ser vivo, inclusive o humano.
Neste passo, a própria "Lei do Desarmamento", em face da expressão da vontade popular consignada no Referendo, acaba revelando a existência de uma política pública desarmamentista executada até, pelo menos, Dezembro/2018, bem como o choque entre esta e a vontade do próprio povo brasileiro. Por isso, muitos juristas apresentam razões mais que suficientes para a declaração de inconstitucionalidade da norma. (2) (3)
Mesmo assim, e sob razoáveis dúvidas técnicas, a Lei do Desarmamento está em plena vigência. E, logicamente, os efeitos da política pública desarmamentista também.
Desde 2003, o número de mortes provocadas por homicídios vem crescendo exponencialmente, desmascarando o conto do desarmamento civil.
Apenas para citar alguns exemplos, após aproximadamente 09 anos de política em curso, o Brasil registrou oficialmente índices entre 20 e 30 homicídios a cada 100 mil habitantes (4), conforme os estudos desenvolvidos pelas Nações Unidas (5) já demonstrando, em relação a anos anteriores, a escalada da violência praticada, em regra, por bandidos que não precisam da licença do governo para matar e, por isso mesmo, usam armas frias (ilegais) e não possuem registro de habilitação para porte e posse dos artefatos.
Em 2014, o Brasil registrou oficialmente 59.627 homicídios, o que corresponde a 29,1 homicídios a cada 100 mil habitantes. Para se ter uma idéia, conforme atestou o IPEA, este montante corresponde a mais de 10% do total de homicídios cometidos no mundo inteiro. Isso tudo sob a égide da política desarmamentista.(6)
No ano de 2015 mantivemos a sorte. Ou a falta dela.
Neste período, o Brasil registrou oficialmente a ocorrência de 59.080 homicídios. Para se ter idéia, por comparação, a cada três semanas do ano de 2015 o "país do desarmamento" registrou oficialmente a quantidade equivalente ao total de homicídios registrados em todos os atentados terroristas deflagrados ao redor do planeta, durante os cinco primeiros meses de 2017 (7). Isso não é pouca coisa quando consideramos um universo de 207 milhões de habitantes.
A estatística chamou mais atenção pelo fato de, em mesmo levantamento, termos averiguado que no Brasil desarmado (segundo dados oficiais) mata-se muito mais do que na somatória de diversos outros países, incluindo aqueles que não retiraram do cidadão o direito da autodefesa, como por exemplo, os EUA, que conta com 322 milhões de habitantes, aproximadamente. (8)
No cotejo, extraímos que os norte-americanos registraram algo em torno de 4,8 mortes por 100 mil habitantes, enquanto o Brasil - o paraíso de "Alice" e do desarmamento - registrou no mesmo período aproximadas 29 mortes a cada 100 mil habitantes.
A estatística converte-se no absurdo total quando identificamos que, entre os países com índices somados, estão regiões protagonistas de guerras civis, como o caso do Líbia. (9)
Parece piada, mas não é.
Dormimos com um barulho desses, e ainda enchemos a boca para falar que "somos desarmados".
Até concordo parcialmente. Nós, cidadãos cumpridores de obrigações perante a lei e o Estado, sim! Estamos desarmados.
Mas os bandidos, não.
E nossa sorte, sob a égide do casto e puríssimo Estatuto do Desarmamento, só tende a piorar.
O Atlas da violência de 2018 (estudo promovido pelo IPEA) registrou que em 2016 fomos novamente campeões em violência mortal. Houve registro de, nada menos, 62.517 homicídios no ano, sendo que 44.475 (cerca de 71% do total) foram praticados com arma de fogo - justamente o artefato alvo da lei do desarmamento. (10)
Alerto, ainda, para mais um dado que torna pior um cenário já caótico. O caro leitor deve notar que as estatísticas dos homicídios ocorridos em território nacional levam em conta os dados obtidos a partir de registros oficiais perante os órgãos públicos. Não estão, portanto, computados nos números absolutos os homicídios efetivamente ocorridos e não registrados.
Em outras palavras, o crime que não foi sequer denunciado à autoridade policial, ou noticiado e não elucidado, está fora desta estatística.
O universo formal que compõe o levantamento decorre, pasmem, de uma ínfima taxa de elucidação de casos, que varia entre 5% a 8% das efetivas ocorrências.(11)
Disto concluímos que, não fosse suficiente o Brasil "desarmado" apresentar índice oficial de violência incompatível com um Estado Democrático de Direito, ainda temos que enfrentar a realidade de uma conta muito errada, e a menor.
Daria no mesmo afirmar que o quantitativo de homicídios apurados oficialmente a cada ano no Brasil representa, em verdade, o levantamento da quantidade mínima que se tem notícia quanto ao tipo penal.
O contexto acima apontado é extremamente propício à formação e desenvolvimento do grosso caldo da violência que experimentamos em nossa sociedade.
O índice de homicídios aliado ao baixo índice de resolução de casos define um país onde reina a impunidade. Onde um meliante transgride a lei como ato rotineiro, transformando a transgressão em um verdadeiro ofício por saber que se tiver o azar de ser enquadrado entre os 10% de criminosos que cumprem pena, ainda assim, não ficará em inatividade por muito tempo. O meliante sabe que pode contar com a permissividade de um sistema penal laxista para, enfim, não demorar-se na cadeia e pronto retornar às ruas, livre para a prática de novos crimes.
Não raro vemos homicidas com histórico extenso de ocorrências registradas, sem contar, obviamente, com as ocorrências que fugiram aos registros. (12)
E tudo isso sob a égide da política do desarmamento.
Quais conclusões podemos extrair quanto à efetividade da política do desarmamento?
Tomando por base os estudos citados, e fazendo um esforço hercúleo para considerar uma remota boa-fé por parte do agente desarmamentista (que adota este tipo de discurso, enfeitado moralmente com a justificativa da busca da melhora da segurança social), não há outra conclusão senão a da incompetência e total despreparo para o exercício da função pública. Isso para dizer o mínimo.
Os números não mentem e denotam um resultado catastrófico: desarma-se o cidadão cumpridor da lei, retirando-lhe o direito natural de autodefesa para, em contrapartida, deixar de desarmar o meliante contumaz descumpridor da norma.
Certamente, se no " mundo de Alice" avistássemos os criminosos cumprindo a lei, não teríamos o quantitativo absurdo de homicídios registrados. Mas, por lógica, até mesmo neste paraíso encantado, um "criminoso" que cumprisse a lei não seria, sequer, criminoso.
Retirar do cidadão o direito de autodefesa é um absurdo em si, que vem historicamente sendo utilizado como mecanismo prévio da promoção de genocídios.
Quando somamos esta circunstância a um sistema jurídico progressista-laxista, onde os direitos humanos são considerados a partir da premissa de ausência de deveres humanos, vejo que o objetivo da política desarmamentista acaba sendo um só: viabilizar o democídio.
Fica muito clara a percepção desta relação quando, de posse dos dados e dos efetivos resultados, constatamos que a relação Custo x Benefício do exercício da criminalidade é extremamente compensatória em favor do criminoso.
Por este ponto, citei antes um fator preponderante: a impunidade.
Se um criminoso sai às ruas certo de que não terá qualquer tipo de resistência e que estará impune, ele repetirá seus crimes quantas vezes pretender, de acordo, única e exclusivamente, com sua conveniência.
E aqui entra a política do desarmamento como efetiva garantia para o aumento da taxa de criminalidade pois, friso, retirando a possibilidade de autodefesa do cidadão cumpridor da lei, retira-se também a resistência ao cometimento do crime, o que traz ao palco social um verdadeiro conforto para que o delinquente ultime o delito.
Neste aspecto, o criminoso atravessa a fase de cogitação do crime sem muitas ponderações, pois não enxerga na sociedade resistência a sua intenção delituosa, seja por qualquer iniciativa do Estado no sentido de detê-lo, seja por incapacidade de resistência da própria vítima.
O cidadão estará desarmado, impotente e incapaz de exercer o que legalmente conceituamos como legítima defesa.
O criminoso, por seu turno, estará livre de qualquer amarra. E o histórico evidencia que o bandido, submetido a tanta permissividade, não pensa duas vezes em cometer os crimes, e repetí-los.
Por este mesmo raciocínio é que Estados totalitários, sobretudo no século XX, foram pródigos na adoção da política do desarmamento, tendo por objetivo viabilizar genocídios. E o fizeram de caso pensado, obtendo odioso sucesso.
Exemplos como o da Turquia em 1915 (entre 800.000 e 1,5 milhões de armênios mortos, antes desarmados) (13), da Rússia de Lenin (promotor do desarmamento civil) (14) e de Stalin (que dirigiu um dos maiores genocídios já registrados - 14,5 milhões de mortos Ucranianos, antes desarmados) (15), da Alemanha de Hitler (que antes de realizar o extermínio dos judeus, editou a Lei Nazista do Desarmamento, em 1938) (16), da China de Mao-Tse-Tung (estimativas apontam um genocídio calcado em 100 milhões de mortes) (17), do Camboja de Pol Pot (estimativa de 1,7 a 2 milhões de mortos) (18), sem falar na Cuba de Fidel (com números controvertidos, até hoje) (19) e atualmente, da Venezuela de Nicolás Maduro (com estimativa superior a 8.000 mortes por execução, sendo que as mazelas persistem com números, certamente, bem superiores) (20), além de outros, demonstram que a ligação entre a prática de genocídios e a política do desarmamento não andam juntas por coincidência. Na verdade, são siamesas inseparáveis.
Para isso serve o desarmamento da população civil - inviabilizar a autodefesa do cidadão que passará ao estado de plena vulnerabilidade diante de um agressor com plenos poderes para o aniquilar. Nada mais.
Eis aí a razão para que os Estados totalitários, após o desarmamento da sociedade civil, logrem êxito na opressão do povo e na execução de genocídio. Usar da violência contra quem não pode defender-se revela, para além da covardia, uma política clara de controle pleno da vida social e das liberdades individuais.
A partir da Venezuela de hoje, volto a exemplificar até onde um poder opressor pode chegar para garantir a eliminação de seus oponentes com a execução da política desarmamentista. Lá, na cidade de Alvarado - Vera Cruz, até mesmo a polícia foi desarmada. Retiraram as armas das corporações e, no lugar, ofereceram estilingues! (21)
Isso mesmo! Estilingues passaram a ser os artefatos utilizados por órgãos de segurança pública para a promoção da ordem e paz local.
Não precisamos fazer qualquer esforço de raciocínio para entender que, naquele local, todos os cidadãos (inclusive os agentes incumbidos da segurança pública) ficaram à mercê dos grupos que utilizam armas de fogo de pesado calibre para apoiar o governo totalitário de Nicolás Maduro.
Historicamente, a lógica desarmamentista encontra resistência coerente e natural de todos aqueles que lutam pela manutenção da ordem democrática e zelam pela liberdade dos indivíduos. Winston Churchill, em um dos memoráveis discursos proferidos na Câmara dos Comuns (1938), tentou dispersar a cortina de fumaça provocada pelo pacifismo politicamente correto com a seguinte reflexão: "a manutenção da paz depende da acumulação de instrumentos de dissuasão contra o agressor".(22) No entanto, e apesar de milenarmente alertados (23), vivemos até os dias atuais a névoa desta cortina de fumaça politicamente correta que turva nossa vista.
É exatamente este pacifismo falido que pretende, à fórceps, introduzir na sociedade um discurso politicamente correto eivado de inverdades extraídas de exercícios marxistas utópicos de adivinhações. Para os fiéis seguidores de Marx, Gramsci, Alinsky et caterva, fica o desafio: apontem uma nação ou território que tenha sobrevivido à alienação do direito de autodefesa.
Por isso que a retórica desarmamentista que se apoderou do sangue derramado no massacre de Suzano é, além de falaciosa, desrespeitosa.
Desrespeitosa pela ausência de respeito às vítimas e famílias sacrificadas, utilizadas nesse momento como simples peças retóricas para a difusão da causa politicamente correta a qual, na verdade, constitui um dos fatores determinantes para a ocorrência de genocídios ao redor do mundo.
Desrespeitosa pela ausência de respeito à inteligência alheia, ao tentar atribuir ao episódio fatídico a culpa por um elemento inexistente - a política armamentista.
Desrespeitosa pela ausência de respeito ao direito puro e simples do cidadão de bem praticar a legítima defesa, algo que só pode ser pensado se o mesmo detiver meios equivalentes de resistência ao agressor.
Desrespeitosa, enfim, pela ausência de respeito com a VERDADE.
Aos incautos que insistem no erro, e ainda debatem acerca do evento fatídico, lanço questionamentos:
1- Se no palco da tragédia existisse cidadão de bem armado (o que pressupõe o porte legal de arma de fogo devidamente registrada) e capacitado para intervir em legítima defesa a partir do uso de resistência equivalente à agressão perpetrada, haveria hipótese de evitar-se a tragédia? E se você ainda acha que mais alguém armado no ambiente do crime poderia causar um estrago ainda maior (um mero exercício de futurologia desprovido de qualquer fundamento lógico), o que você acha mais viável - ter ou não ter a possibilidade de resistência visando evitar-se um mal maior?
2- Na fase de cogitação do crime, será que os meliantes consideraram a resistência às suas atitudes ou tinham, pela política desarmamentista, certeza de que não encontrariam sequer uma barata capaz de os deter?
3- As armas utilizadas eram ou não registradas? Ou será que os meliantes tiveram acesso às armas da mesma forma que a grande maioria de criminosos responsáveis pelas estatísticas acima descritas - a maneira ilícita?
Jamais terei a intenção de responder estes questionamentos em substituição a qualquer ser humano, nem mesmo ser dono da verdade. Estas indagações constituem fundo para reflexões que formam o meu convencimento, cabendo a cada um buscar o mesmo.
Apesar disso, tomo a liberdade para expor um alerta aos incautos: cuidado com os olhos! Eles podem trair qualquer um que adote, como verdade, uma cortina de fumaça.
*Harley Wanzeller Couto da Rocha é Magistrado Federal do TRT-8; especialista em Economia do Trabalho e Relações Sindicais - UNICAMP - CESIT; membro do Movimento de Combate à Impunidade e do Instituto de Estudos para o Combate à Impunidade; membro-coordenador do Movimento Magistratura Independente; escritor e mantenedor do projeto literário Janelas da Alma (www.poesiajanelasdaalma.com.br); autor do livro "Janelas da Alma - Os escritos de um poeta politicamente incorreto"
Notas, Referências e Bibliografia:
1- https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Referendo_no_Brasil_em_2005
2- https://thaissacramento.jusbrasil.com.br/artigos/542307678/da-breve-analise-da-inconstitucionalidade-do-estatuto-do-desarmamento
3- https://jus.com.br/artigos/60410/da-inconstitucionalidade-do-estatuto-do-desarmamento-pela-omissao-do-estado-em-garantir-a-seguranca-publica-e-pela-ausencia-de-regulamentacao-do-comercio-de-armas-no-brasil
4- http://g1.globo.com/mundo/noticia/2014/04/em-2012-brasil-respondeu-por-11-dos-homicidios-no-mundo-diz-onu.html
5- http://www.unodc.org/documents/gsh/maps/Map_1.1.pdf
6- http://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/downloads/5531-8031-160322nt17atlasdaviolencia2016finalizado.pdf
7- http://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/downloads/8891-1250-170602atlasdaviolencia2017.pdf
8- No ano de 2015, o Brasil registrou o mesmo número de homicídios, levantado na somatória apurada nos seguintes países: EUA, Canadá, Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egito, China, Mongólia, Malásia, Indonésia, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Japão, Portugal, Espanha, Reino Unido, Irlanda, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Alemanha, Itália, Suíça, Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Áustria, Hungria, Belarus, Ucrânia, Romênia, Moldávia, Bulgária, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegóvina, Sérvia, Montenegro, Albânia, Grécia e Macedônia (https://super.abril.com.br/blog/contaoutra/o-brasil-tem-mais-assassinatos-do-que-todos-estes-paises-somados/)
9- Vide nota 8
10- http://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/download/9/atlas-2018
11- http://cnmp.mp.br/portal/images/stories/Enasp/relatorio_enasp_FINAL.pdf
12- Para leitura, indico o livro Bandidolatria e democídio: ensaios sobre o garantismo penal e a criminalidade no Brasil, na Parte I, item 1, págs. 25-37 (Souza, Leonardo Giardin de. Bandidolatria e democídio: ensaios sobre o tarantismo penal e a criminalidade no Brasil/Leonardo Giardin de Souza, Diego Péssimo. - 3. Ed. - Porto Algre: SV Editora, 2018.)
13- http://www.hri.org/docs/bryce/bryce2.htm
14- https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=1272846
15- https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1046
16- http://jpfo.org/filegen-a-m/GCA_68.htm
17- https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=94
18- https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Genoc%C3%ADdio_cambojano
19- https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2016/12/1837361-ditadura-cubana-e-a-mais-letal-das-americas.shtml
20- https://observador.pt/2018/09/20/estado-venezuelano-realizou-mais-de-8-200-execucoes-em-menos-de-dois-anos/
21- Veja matéria no vídeo: https://youtu.be/gx-h3vVqi0M
22- Citação do livro Bandidolatria e democídio: ensaios sobre o garantismo penal e a criminalidade no Brasil, pág. 117 (Souza, Leonardo Giardin de. Bandidolatria e democídio: ensaios sobre o tarantismo penal e a criminalidade no Brasil/Leonardo Giardin de Souza, Diego Péssimo. - 3. Ed. - Porto Algre: SV Editora, 2018.)
23- Si vis pacem, para bellum é um provérbio latino. Pode ser traduzido como: "se quer paz, prepare-se para a guerra" (geralmente interpretado como querendo dizer paz através da força — uma sociedade forte sendo menos apta a ser atacada por inimigos).[1] A frase é atribuída ao autor romano do quarto ou quinto século Flávio Vegécio. (Citação https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Si_vis_pacem,_para_bellum)
Harley Wanzeller
HÁ UMA TRAGÉDIA SILENCIOSA EM NOSSAS CASAS - 15/03/2019
Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador! Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas:
As estatísticas
• 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
• um aumento de 43% no TDAH foi observado;
• um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;
• um aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.
O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado?
As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como:
• pais emocionalmente disponíveis;
• limites claramente definidos;
• responsabilidades;
• nutrição equilibrada e sono adequado;
• movimento em geral, mas especialmente ao ar livre;
• jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio.
Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com:
• pais digitalmente distraídos;
• pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem quem estabeleça as regras;
• um sentido de direito, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por obtê-lo;
• sono inadequado e nutrição desequilibrada;
• um estilo de vida sedentário;
• estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.
O que fazer?
Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível!
Muitas famílias veem melhorias imediatas após semanas de implementar as seguintes recomendações:
• Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme.
• Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam.
• Fornecer alimentos nutritivos e limitar a comida lixo.
• Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos.
• Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-lo.
• Jogue jogos de tabuleiro como uma família ou, se as crianças são muito jovens para os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo.
• Envolva seus filhos em trabalhos de casa ou tarefas de acordo com sua idade (dobrar a roupa, arrumar brinquedos, dependurar roupas, colocar a mesa, alimentação do cachorro etc.)
• Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o suficiente. Os horários serão ainda mais importantes para crianças em idade escolar.
• Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente contra qualquer frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida.
• Não carregue a mochila dos seus filhos, não lhes leve a tarefa que esqueceram, não descasque as bananas ou descasque as laranjas se puderem fazê-lo por conta própria (4-5 anos). Em vez de dar-lhes o peixe, ensine-os a pescar.
• Ensine-os a esperar e atrasar a gratificação.
• Fornecer oportunidades para o “tédio”, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas.
• Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade.
• Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”.
• Ajude-os a criar uma “garrafa de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas.
• Estar emocionalmente disponível para se conectar com as crianças e ensinar-lhes autorregulação e habilidades sociais.
• Desligue os telefones à noite quando as crianças têm que ir para a cama para evitar a distração digital.
• Torne-se um regulador ou treinador emocional de seus filhos. Ensine-os a reconhecer e gerenciar suas próprias frustrações e raiva.
• Ensine-os a dizer “olá”, a se revezar, a compartilhar sem se esgotar de nada, a agradecer e agradecer, reconhecer o erro e pedir desculpas (não forçar), ser um modelo de todos esses valores.
• Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas. E compartilhe se você percebeu a importância desse texto!
* O autor é médico psiquiatra.
OS 60 DIAS DE BOLSONARO - 12/03/2019
Para fazer uma analise séria, sem histerismo e click bait dos primeiros 60 dias de governo Bolsonaro, é preciso separar o que é governo (administração pública) e o que é a visão construída. Em resumo, o que é identidade e o que é imagem.
Para isso, vou usar uma metáfora que considero bem apropriada, quem assistiu a série do NetFlix, Strangers Things, vai compreender ainda melhor.
Na série, existe o mundo real e o "up side down", que é o mundo invertido. O mundo invertido é sombrio e habitado por monstros, nele, a realidade é totalmente alterada.
Pois bem, o governo Bolsonaro nesses primeiros dois meses vive dois mundos: o real, e o mundo invertido.
No mundo real, o governo apresentou um plano para os 100 primeiros dias de governo, apresentou um pacote anti-crime, um projeto para a nova previdência, eliminou ministérios, cortou 21 mil CC's, cancelou licitações e contratos abusivos e está promovendo mecanismos de desburocratização, conceções e privatizações.
No mundo paralelo, há uma crise de governo por dia, a partir de declarações e pequenos atos de agentes do governo, que são transformados em "crises", gerando uma histeria na extrema-imprensa e redes sociai. Uma frase do Mourão: crise de pensamento entre Bolsonaro e Mourão. Moro é mal interpretado ou comete um ato administrativo condenável (nomeação da Ilona Szabó), crise no Ministério da Justiça causa mal estar, e por ai vai.
Que crises são estas? Crise que não interfere uma vírgula no andamento do governo e da administração não é crise, é histeria disfarçada de crise. É o "up side down" da extrema-imprensa.
Chegamos ao limite do ex-presidente FHC afirmar que nunca viu um governo tão desastrado e um início tão desequilibrado sendo levado a sério.
Posto minha visão dos dois mundos que envolvem o governo, quero pontuar duas questões essenciais que ancoram esses 60 dias e são pontos críticos na análise.
Sucessão presidencial: até hoje, desde a redemocratização, praticamente não houve sucessão presidencial, pois: o ministro FHC passou para o presidente FHC 1, que foi suscedido por FHC 2. Lula 1, recebeu de portas abertas do seu grande amigo FHC e, posteriormente entregou para Lula 2 e Dilma 1, que passou para Dilma 2 e teve continuidade com seu vice, Michel Temer. Ou seja, o atual governo Bolsonaro é o único que realmente é um novo governo, que vai totalmente de encontro aos governos passados.
Além disso, é uma equipe praticamente sem experiência no Planalto, pouquíssimos Ministros tiveram experiência em ministérios e apenas alguns em Secretarias estaduais (são apenas 6 ministros com voto).
Então, dentro de um quadro técnico, construído sem influência partidária ou de caciques, é normal que haja um período de adaptação, tanto administrativa quanto de conduta. O que justifica alguns exageros ou omissões.
Composições ministerial e maioria parlamentar: o ministério levou em consideração critérios técnicos e experiência nas áreas de atuação, prova disto, é ter 16 ministros que não possuem um voto sequer.
É importante frisar sobre a "falta de articulação política" do governo. Primeiro dizer que é uma bobagem afirmar que não existe articulação política, existe sim, e existe um novo entendimento de como fazer essa articulação. Deixe-me exemplificar brevemente:
No livro, Diários da Presidência, FHC desenha como foi composto seu ministério, levando em consideração: partidos, poder estadual de cada legenda, magnitude estadual, caciques locais grupos políticos, ou seja, uma sofisticada engenharia de arranjo e acomodação de peças para compor ministérios e maioria na Câmara e Senado, ao preço de espaços políticos, cargos e poder.
O governo Bolsonaro está propondo uma articulação em cima de ideias, temas e pautas, não vinculando as aprovações à cargos, emendas e estatais. Ou seja, se antes você comprava deputados e senadores e a partir dai fazia seu cálculo de votos, hoje o governo precisa trabalhar no varejo e no convencimento.
Resumindo, está em curso uma construção política completamente nova e diferente de tudo que foi visto até agora.
Um governo que toca em uma frequência diferente, com ministros preparados, que não aceitam o jogo da imprensa, invertem as armadilhas e desfilam conhecimento e números. Uma visão de gestão na administração pública, com a digitalização do governo, criação de uma central de compras (somente na saúde, se estima 14 bilhões em economia), redução dos níveis hierárquicos e diminuições de cargos comissionados (na era petista chegou próximo a 120 mil).
Dentro do Plano dos 100 dias, questões como:
Combate à fraudes no INSS com pagamento de bônus (meritocracia), podendo recuperar 10 bilhões.
Isolamento de líderes das facções criminosas nos presídios.
Reação imediata e eficiente no caso Brumadinho.
Revisão da Lei Rouanet e contratos publicitários.
Concessões e privatizações.
13º do Bolsa Família.
Decreto das armas.
Projeto piloto de dessanilização no nordeste entre outras.
Citei apenas alguns exemplos, envolvendo diferentes áreas do governo, para comprovar que no mundo real, no mundo administrativo, o governo vai muito bem, obrigado.
Outra questão posta nestes 60 dias, é o resultado da pesquisa de avalição do governo, amplamente divulgada como ruim para o Planalto. Contudo, observe a diferença entre o mundo invertido e o mundo real nesta narrativa.
Avaliação do governo, 38%.
Avaliação do presidente 57%.
Como pode o presidente ser bem avaliado e o governo não? Uma coisa é indissociável da outra.
Simples. Como a extrema-imprensa bate diariamente, 24 horas por dia no governo, gera na opinião pública uma sensação de que o governo não alinhou, mas que o presidente possui capacidade para ajustar.
Dessa forma, se a população tivesse acesso aos dados que trago neste texto, tivesse sido informada sem viés, ao longo desses dois meses, certamente a avaliação estaria acima dos 60, 70%.
Infelizmente, conviveremos 4 anos entre dois mundos. O mundo invertido da extrema imprensa e o mundo real do governo e dos brasileiros.
*Publicado originalmente em http://www.zewestphalen.com.br/?m=1
CUBA, VENEZUELA E SOCIALISMO DERROTADO - 11/03/2019
Se respira na América Latina um ar de liberdade, misturado com um forte cheiro de derrota do socialismo em suas duas manifestações mais nocivas: o socialismo do século XXI de Hugo Chávez e o socialismo castrista do século XX. Sucessivas vitórias da direita na Argentina, no Chile, no Peru, na Colômbia, no Equador e no Brasil constituem o pano de fundo do colapso na Venezuela, a quase rendição da Nicarágua e o desastre socioeconômico cubano.
Sabe-se que o castrismo tem sido a origem da fracassada ofensiva socializadora, que ao mesmo tempo conseguiu se instalar nos governos de muitas nações latino-americanas, com variados graus de submissão ao castrismo, sempre apoiada pelo dinheiro de Chávez. Hoje há muito pouco daquela era, derrotada em cada país pela própria ineficiência socialista em alguns casos, corrupção desenfreada em outro e malandragem política de esquerda no resto.
Na Cuba de Castro existe apenas uma caricatura, onde o rei está cada vez mais nu. O sucessor da dinastia dos irmãos Castro, Miguel Díaz Canel, cada vez é mais visto como o agente funerário do cadáver socialista, e não como um sucessor efetivo. Em um recente encontro com o setor gastronômico do estado, ele pediu aos administradores do estado que "copiassem os métodos dos restaurantes privados", admitindo sumariamente o fracasso dos padrões socialistas do Estado castrista.
É difícil para mim imaginar um Fidel Castro pedindo aos administradores do INIT de sua época que copiem os métodos dos restaurantes privados, como forma de serem eficientes em conformidade com a economia socialista. A admissão de Díaz Canel é um reflexo da profunda convicção subliminar de que somente a iniciativa privada é capaz de funcionar eficientemente.
A queda iminente de Maduro na Venezuela e o consequente colapso político e econômico que produzirá em Cuba acelerará a deterioração interna. Junta-se a isso a derrota ideológica mental dos novos líderes cubanos - como Diaz Canel - e a pressão exercida pela atual administração dos Estados Unidos. Temos aí o enquadramento adequado para um ponto de viragem definitiva na política interna de Cuba, que não pode mais continuar como hoje, com os caprichos do Raul, a herança de seu irmão Fidel, ou o eterno mandato do partido Comunista.
A posição da derrota virtual de Chavez-madurismo na Venezuela tem muitos componentes associados com a luta dos democratas venezuelanos no país, organizados em torno da oposição parlamentar democraticamente eleita, o que permitiu o apoio internacional, liderado pelos Estados Unidos. Dentro de Cuba não há nada semelhante; Não só nos falta um Parlamento eleito, como não há sequer uma única voz opositora a respaldar.
Não há dúvida de que a coalizão liderada pelos EUA que hoje rejeita Maduro, potencialmente também rejeita Diaz Canel. Além disso, sabe-se que o exército cubano sofreu uma grave deterioração em seu parque de armas, de modo que não representa um perigo militar para os EUA. No entanto, os americanos valorizam essa força para controlar os traficantes de drogas e não permitir uma séria desestabilização social dentro da ilha, o que os faz temer uma debandada de balseiros para a Flórida, medo permanente da administração americana. Tudo isto se articula para que, no caso de Cuba, os EUA venham a ter maior influência nas decisões internas com vista a uma transição para a democracia, mas é difícil prever qual o papel que irá desempenhar a oposição política cubana no potencial colapso do castrismo. Bem diferente do que se configura com clareza na Venezuela.
9 de março de 2019
* Artigos deste autor podem ser encontrados em http://www.cubalibredigital.com
** Original em espanhol, traduzido pelo editor do blog.
*** O autor é escritor e analista cubano exilado no Brasil.
BOM PARA O USUÁRIO, ÓTIMO PARA O TRAFICANTE - 18/02/2019
O Brasil é mesmo o país do “progresso”. A onda progressista da vez é o anteprojeto de atualização da lei de drogas apresentado por uma comissão de “juristas” e “especialistas” ao Congresso Nacional. A pretexto de descriminalizar o uso de drogas e dar um tratamento menos rigoroso para as “mulas” dos traficantes, o anteprojeto, de viés ideológico claramente esquerdista, na verdade visa estimular o consumo de drogas e facilitar a vida de quem vende. Vai ficar bom para os usuários e ótimo para os traficantes.
Os tons vermelhos do anteprojeto já aparecem nas primeiras linhas, quando propõe uma nova linguagem para o tratamento da questão. No primeiro artigo, a lei passa a qualificar o uso de drogas como “problemático” e não mais “indevido”. Claro, “indevido” soa muito proibitivo, e a moda agora não é mais proibir o consumo de drogas, mas apenas tratá-lo como algo problemático, ainda que não se saiba ao certo que diabos isso significa. A lei proposta também passa a definir drogas em associação com o adjetivo “ilícita”, ficando a impressão de que se quer isentar a expressão “droga” do seu caráter eminentemente pejorativo, transferindo essa carga de negatividade para o termo “ilícita”. A ideologia comunista é denunciada novamente pela exclusão sorrateira do rol de princípios da lei a promoção dos valores éticos e culturais do povo brasileiro, porque os autores sabem que esse povo possui uma ética e uma cultura fundadas na tradição judaico-cristã, a qual condena veementemente o uso de drogas. Como o intuito é estimular o consumo de drogas, essa ética e essa cultura só atrapalham, razão pela qual é preciso varrê-las para baixo do tapete. O anteprojeto escancara as más intenções ao propor como um dos objetivos do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas desenvolver pesquisas para facilitar o uso moderado e não problemático das drogas. É isso mesmo: a ideia é estabelecer uma política pública com o objetivo de facilitar a tomada de decisão das pessoas sobre usar ou não drogas. E mais: propõe-se que o estado ofereça gratuitamente testes laboratoriais para verificação da natureza e quantidade de drogas, seguida de recomendações quanto ao seu uso. Isso significa que o dinheiro dos impostos que você paga servirá para que o governo faça uma espécie de controle de qualidade dos baseados que o maconheiro vai fumar. Só faltou reservar cotas para drogados nas empresas e no serviço público. Parece piada, mas é sério e fica pior.
Enquanto os ministros do Supremo Tribunal Federal discutem timidamente sobre eventual liberação do consumo de maconha, a comissão propõe sem cerimônias a liberação do consumo generalizado de drogas: cocaína, crack, heroína, LSD, ectasy, lança-perfume e qualquer outra droga, inclusive as que ainda não foram inventadas. E não é só o uso. Também querem os homo sapiens da comissão liberar o compartilhamento dessas drogas. Assim, aquele jovem traficante que estuda com o seu filho ficará autorizado a levar balinhas de ecstasy, LSD ou lança-perfume para compartilhar com a turma na balada ou no churrasquinho do final de semana. Tem mais. A comissão propõe que consumir drogas dentro de escolas, creches, hospitais, em eventos esportivos e culturais ou mesmo na rua seja uma mera infração administrativa, sujeita apenas ao perdimento da droga e multa. Com esse tratamento tão benevolente, na prática, você será constrangido a conviver com gente cheirando pó na pracinha, enquanto o seu filho pequeno brinca no balanço.
Não bastasse estimular o consumo, o anteprojeto também é generoso com os traficantes, reduzindo as penas para o crime de tráfico. De acordo com a proposta, vender drogas continua com penas de cinco a quinze anos (regime inicial de cumprimento é o semi-aberto). Já guardar ou ter em depósito substância entorpecente seria punido com pena mínima de apenas três anos, o que significa regime inicial de cumprimento aberto. A alteração não é a toa. Os doutos da comissão sabem que é raro flagrar o traficante vendendo a droga. Em regra, os flagrantes ocorrem com a apreensão das drogas guardadas ou depositadas na residência do suspeito ou nas suas adjacências. Eis o pulo do gato: se o sujeito for flagrado vendendo um grama de maconha, o que quase nunca acontece, ganha cinco anos de cana; mas se for flagrado guardando cem quilos de cocaína no quintal da sua casa, sua punição será assinar presença no fórum uma vez por mês e olhe lá. Com base na minha experiência profissional, posso assegurar que, se o projeto de lei fosse aprovado, a maioria dos traficantes presos hoje seriam postos imediatamente em liberdade, porque foram denunciados por guardar drogas e não por vendê-las. Tem mais ainda: o anteprojeto estabelece que se presume para uso ou consumo pessoal a aquisição, a guarda, o depósito, o transporte ou o porte de até 10 (dez) doses de drogas. De novo, até os macacos da Amazônia sabem que uma das artimanhas dos traficantes é circular com pouca quantidade de drogas no bolso, justamente para parecerem usuários e não traficantes. Portanto, o que os integrantes da comissão estão propondo é blindar a malandragem dos traficantes com uma presunção legal.
Poder-se-ia escrever um tratado sobre outras tantas barbaridades propostas no anteprojeto, como transformar os crimes autônomos de associação e organização criminosa em meras causas de aumento de pena do tráfico ou permitir a concessão de graça, indulto e anistia para alguns traficantes, mas os exemplos citados são suficientes para evidenciar que a política de drogas proposta é paradoxal, porque, ao mesmo tempo em que mantém a repressão ao tráfico, ainda que suavizada, legaliza o consumo de todas as drogas. Ora, vender e comprar são faces da mesma moeda. Reprimir a venda de drogas e estimular o consumo é como combater o corruptor e incentivar o corrupto. As pessoas precisam parar de enxergar o usuário de drogas como um indivíduo “problemático”, uma vítima sabe-se lá do que. O usuário é a fonte primordial de todas as receitas do narcotráfico, logo é o dinheiro do usuário que sustenta o traficante e financia o terror necessário para manter esse negócio bilionário. Sem o usuário não existe o traficante. Simples assim! Então, das duas uma: ou se libera um e outro, o consumo e o comércio, ou se combate um e outro. Incentivar um e coibir o outro é enxugar gelo.
A política atual de repressão ao tráfico está longe do ideal e é preciso uma correção de rumos. Mas não será estimulando o consumo de drogas e aliviando as penas para os traficantes que se alcançará um resultado melhor do que esse que está aí. A tendência é tornar o negócio criminoso mais lucrativo e menos arriscado. Se usuários, traficantes e "progressistas" têm motivos para celebrar a proposta, é melhor a sociedade ficar alerta, porque boa coisa não pode ser.
* O autor é Promotor de Justiça no MP/SC
** Publicado originalmente em https://leandrogovinda.blogspot.com/2019/02/bom-para-o-usuario-otimo-para-o.html?m=1
PARA ARTICULADINHOS E FILHOS DOS OUTROS - 17/02/2019
Em Porto Alegre, um grupo de mães e pais articuladinhos convocou, para 18/02/19, a realização de um "café da manhã", nas lanchonetes de oito bons colégios, para recepcionar os alunos ao início do ano letivo. A malandragem é clara, um ato que obedece ao que ditou Guilherme Boulos horas após a eleição de Bolsonaro: "Seremos resistência".
É uma grande patuscada ideológica. Para começar, o que eles querem é fazer a cabeça dos filhos dos outros, que os seus próprios já estarão catequizados. O negócio é envolver os adolescentes ainda não doutrinados, arregimentando-os para infernizar o novo governo.
Aliás, há um aspecto que beira o cinismo. Ao que parece, o motor da iniciativa é uma tal Associação Pais & Mães pela Democracia. Mas o que entendem por democracia? As atitudes, os refrões, as ameaças, tudo o que expressaram depois do resultado das urnas em 2018, trombeteando uma "resistência", revela incapacidade de reconhecer a legitimidade do que o eleitor escolheu. É aquela mentalidade: "adversário é inimigo!" Isso é autoritarismo puro! Como falar em democracia?
A maioria até pode estar de boa-fé, mas muito desinformada. Vamos lá. Só duas questões para testificar a desinformação dos pressurosos pais: Quantos deles saberão o que é o Foro de S. Paulo? E quantos saberão no que teria dado o infame Plano Nacional de Direitos Humanos, que Lula, guiado pelo tal Foro, felizmente sem sucesso, tentou implantar em 2009?
Quem não consegue responder com clareza não compreende as maquinações subterrâneas do projeto de poder que, em 2018, foi representado por Boulos e Haddad, que dão as tintas para a tal "resistência". E quem compreende e apoia está de má-fé.
Na miopia desses alienados, que não entendem a democracia, é usurpação haver um governo que não siga o ideário da raivosa esquerda.
Pois que fique claro, nem mesmo a omissão dos demais pode legitimar essa investida ideológica. Erram no conteúdo, erram na forma. Não é democrático o propósito de arruinar o governo do Brasil para favorecer o projeto de poder da esquerda. E democrático não é arrogar-se o papel de fazer a cabeça dos filhos dos outros.
* Renato Sant'Ana é Psicólogo e Advogado.
** Publicado originalmente em www.alertatotal.net
Acrescento nota do jornalista Políbio Braga com novas informações sobre este assunto.
Mães e Pais lulopetistas saem derrotados no Colégio Rosário, Porto Alegre
Fracassou a tentativa lulopetista da Associação Mães & Pais pela Democracia, que queria abrir o ano letivo do Colégio Rosário, dia 18, com um café da manhã na lanchonete do educandário dos irmãos maristas, palco, ano passado, de manifestações de "resistência" de grupos de alunos, professores e mães, todos revoltados com a eleição do presidente Jair Bolsonaro.
Os pais que defendem a escola sem partido, protocolaram notificação extra-judicial junto à direção, advertindo que incidentes dentro da escola não seriam considerados acidentes.
Foi ontem.
Advertida, a direção mandou Mães & Pais lulopetistas cancelar o ato interno.
Não satisfeito, Mães & Pais transferiram tudo para a Praça Dom Sebastião, que fica em frente à escola, dia 18 também, as 18h30min.
O lulopetismo não falará sozinho na segunda-feira, porque pais, mães e alunos do Rosário prometem fazer barulho no local.
É isto.
A IMPRENSA NO BRASIL: EM QUEM ACREDITAR? - 13/02/2019
"Prevejo e prenuncio que a política de submissão irá carregar consigo restrições à liberdade de expressão e à de debate no Parlamento, em plataformas publicas e discussões na imprensa, pois alguém vai dizer – na verdade, de vez em quando já ouço dizerem – que não podemos permitir que a ditadura nazista seja criticada por políticos ingleses comuns e ordinários. Então, com uma imprensa sob controle direto (em parte) e indireto (em potencial), com todos os instrumentos de opinião pública dopados e anestesiados para o consentimento, nós seremos apenas conduzidos pelos próximos passos da nossa jornada. " (05.10.1938 – Winston Churchill, em discurso na Câmara dos Comuns após o retorno do primeiro-ministro Chamberlain de Munique, reduzindo a pó o acordo firmado com a Alemanha nazista em relação à Tchecoslováquia.)
Neste momento me encontro trabalhando na segunda edição do livro Churchill e a ciência por trás dos discursos. Peço desculpas ao leitor por minha insistência ao novamente citar as palavras de Winston Churchill e sem querer parecer repetitivo, mas por força desta tarefa, me vejo viajando entre os anos 1930 e este primeiro terço do século XXI. Ao me deparar com a citação uma imprensa sob controle direto (em parte) e indireto (em potencial), com todos os instrumentos de opinião pública dopados e anestesiados para o consentimento, não pude deixar de perceber a atualidade desta frase.
A hegemonia cultural, um dos pilares da estratégia de expansão do comunismo desenhada por Antonio Gramsci (1891-1937), alcançou todas as estruturas sociais do país. Nas universidades, nos colégios, no judiciário e na imprensa, a corrente ideológica dominante pertence ao pensamento social democrata, socialista ou comunista. Apenas recentemente, talvez de 5 anos para cá, o pensamento liberal começou a ocupar espaços, proporcionando uma ruptura no pensamento dominante.
Neste artigo não entrarei nos aspectos históricos de como chegamos até este ponto e dedicarei alguns comentários ao papel da imprensa atual e suas perspectivas futuras. Durante os últimos 40 anos, a imprensa brasileira foi um dos pilares fundamentais para o exercício e a própria existência da democracia no país. Essa base moral e verdadeira vem se decompondo rapidamente nos últimos 5 anos e em minha opinião, por três fatores: seu comprometimento ideológico com a esquerda, a dependência econômica das verbas de publicidade de governos, sindicatos e empresas públicas e pela subversão do conceito de democracia.
O comprometimento ideológico é um fenômeno que vem sendo construído ao longo das ultimas décadas e prevê a tomada do poder através das estruturas educacionais e jurídicas. Elaborada como estratégia do Foro de São Paulo para toda a América Latina, foi colocado em andamento e acelerado nos diversos governos esquerdistas em todo o continente. A academia brasileira, formada e formadora de professores em todos os níveis e em todas as áreas, tornou o pensamento socialista hegemônico. A própria essência da universidade hoje se encontra subvertida e o outrora ambiente livre para discussões passou a ser uma ditadura de pensamento. Resultado direto disso é que toda a formação do jornalismo brasileiro possui o viés socialista e uma novilíngua habita as redações. Atentados terroristas são noticiados como “carro avança sobre pessoas” de forma a aliviar a culpa do assassino. O desarmamento é mostrado como algo necessário quando a manchete diz que “arma mata pessoas…”. O próprio senso da justiça é subvertido quando o “criminoso” passa a ser chamado de “jovem” ou “suspeito”.
Este compromisso ideológico se traduz no apoio a partidos específicos, no nosso caso, PT, PSOL, PCdoB e seus aliados temporais. Para defendê-los basta não aplicar o mesmo peso às denuncias de corrupção, usar critérios incoerentes e dar a notícia para causar impacto, não para estabelecer verdades. No caso do agora senador Flávio Bolsonaro, relacionado em uma lista do COAF com outros vinte políticos por movimentações financeiras suspeitas, dezesseis nomes estão à sua frente, sendo que o líder, o deputado estadual do PT do Rio, André Ceciliano, teve uma movimentação financeira 38 vezes maior. Por sinal, Ceciliano foi reeleito e confirmado como presidente da ALERJ. Onde está a indignação dos meios de comunicação e da esquerda em geral? A propósito, se Flavio Bolsonaro for culpado, deverá perder seu mandato e deverá pagar por seus crimes.
Esse relacionamento ideológico promíscuo é a raiz da produção do que o presidente americano Donald Trump apelidou de fake news. Diga-se de passagem, a frase de Ésquilo (525 a.C-456 a.C.) “na guerra, a verdade é a primeira vítima” não é nova e a mentira fez e faz parte do mundo real. A guerra do século XXI, por enquanto, não é realizada com armas de forma generalizada, mas estamos vivendo uma guerra de ideias, de conquista do poder e de posições. O jogo da mentira tomou as redações e uma espécie de “vale-tudo” está em curso. Quando lemos algo, temos que relacionar vários veículos, checar as fontes e pesquisar, para depois poder estabelecer algum juízo minimamente razoável. É claro que grande parte das pessoas compra o que lhes dizem e agem como papagaios digitais, repartindo as fake news como se verdade fossem. A produção da mentira não é, infelizmente, exclusividade da esquerda.
Outro ponto importante que demonstra a decomposição da solidez da imprensa é a enorme transformação que a tecnologia produziu nos últimos anos e que segue em curso. Até pouco tempo a origem da notícia era o veículo de mídia que informava o mundo dos acontecimentos e eventualmente se posicionava. Hoje a mídia é produzida, divulgada, confirmada ou desmentida pelo público. O jornalista está completamente perdido neste universo e frequentemente, quando se posicionam, o fazem como se ainda estivessem naquele mundo anterior, deixando claro seu fracasso, sua arrogância, sua falta de compreensão e de atualização. O que se vê é uma massa de jornalistas que, para manterem seus empregos, informam e comentam sobre desastres ecológicos, crises financeiras, eleições e a moda em Paris da mesma forma. Provavelmente seu campo de conhecimento é o futebol (recuso-me a dizer esporte pois no Brasil o jornalismo esportivo só fala de futebol) e ele se arvora a ter de falar sobre o que não entende ou o que não gosta.
Consequentemente, temos análises e comentários rasos, com alto grau de desconhecimento e onde ele tecerá comentários baseados em seu ideário básico, frequentemente equivocado e ultrapassado. Isso quando não se utiliza de “especialistas”, termo genérico para alguém chamado às pressas para dar uma opinião sobre algo que entende superficialmente, momento em que este “especialista” terá seus 15 minutos de fama (que falta que faz o Andy Warhol).
A internet e o universo virtual são o novo mundo, muito real. O sustento financeiro da mídia, proveniente dos anúncios publicitários, diminuiu radicalmente. No Brasil, só o governo federal investiu, entre 2010 e 2017, a quantia de R$15,2 bilhões, uma média de R$ 1,9 bilhões por ano, sendo que entre 2010 e 2015 esta média era de R$ 2,04 bilhões. Somente a Rede Globo, campeã em verbas, recebeu entre 2000 e 2016 cerca de R$ 10,2 bilhões. Não estão contabilizados nesta conta os governos estaduais, as prefeituras e as estatais estaduais, todas em crise, nem os sindicatos de empregados e patronais, o sistema S e outros monstrengos paraestatais que vão diminuir de tamanho ou desaparecer. Fica evidente o esforço que a Rede Globo faz para desestabilizar o governo Bolsonaro em seu início, uma vez que a fonte, com certeza, vai diminuir radicalmente. Sendo assim, verbas em queda e um mundo em transformação estão fazendo com que a mídia tradicional tenha que ou mudar, ou diminuir de tamanho, ou desaparecer.
Por último, o resultado da soma de uma formação pobre e ideologicamente incorreta e um futuro econômico incerto colocaram os veículos num canto perigoso do ringue. “As piores batalhas em uma guerra são as últimas, quando o inimigo nada mais tem a perder”, já disse Churchill. Encurralado, o jornalismo tradicional já morreu e não sabe disso, não está sabendo se reinventar e não consegue enxergar um novo horizonte, em que pese alguns jornalistas já entendam a realidade em torno de si. No Brasil, alguns veículos tentam mudar o contexto do próprio país, procurando manter a nação e os brasileiros em um obscurantismo messiânico, em uma pocilga ética e em um mundo sem esperanças para que possam reinar absolutos, pautando a sociedade e impondo sua agenda, fazendo e desfazendo reis e rainhas.
O mundo mudou e o Brasil se deu conta disso. O momento está para realizarmos uma completa mudança de conceitos e de rumos. Tudo o que foi feito até agora nos trouxe aqui, com coisas boas e ruins. Temos um país relativamente desenvolvido e uma grande economia, mas um nível educacional pífio, corrupção desenfreada e valores éticos e morais invertidos e deturpados. A hora é de transformação e parte da imprensa, por motivos ideológicos, econômicos ou simples mesquinharia e preguiça mental, quer que nada mude para que possam sobreviver em um mundo que não existe mais.
Quando Churchill, em 1938, disse no parlamento inglês que “prevejo e prenuncio que a política de submissão irá carregar consigo restrições à liberdade de expressão e à de debate”, estava alertando a Inglaterra a entender a realidade: Hitler não iria honrar compromissos e a guerra era iminente. Estamos no meio de uma guerra de ideias e a hora é de compreender o momento como uma oportunidade de expor as ideias liberais, os conceitos da Escola Austríaca e da liberdade econômica, apresentar os diversos autores e pensadores liberais, sem deixar de analisar a realidade e sem nos transformarmos em tribos de zumbis amorfos como a esquerda costuma produzir. Afinal, somos indivíduos e não uma massa.
O jornalista húngaro Joseph Pulitzer (1847-1911), reconhecido pelo trabalho voltado a um jornalismo que tinha como tema central a corrupção política e questões relacionadas ao conflito capital e trabalho, disse certa vez que “com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”. Cabe a nós, liberais, o papel de lutar pela propagação e real compreensão das ideias liberais.
*O autor é empresário, formado em Administração e mestre em Comunicação pela PUCRS. Foi presidente do Instituto Liberdade, é membro do Instituto de Estudos Empresariais e autor do livro Churchill e a Ciência Por Trás dos Discursos - Como palavras se transformam em armas.
**Publicado originalmente em https://www.institutoliberal.org.br/blog/a-imprensa-no-brasil-em-quem-acreditar/
O CONSELHO DE SIMON BOLÍVAR PARA JEAN WYLLYS - 04/02/2019
Simon Bolívar, um dos ícones esquerdistas do século XIX, ao fugir da Colômbia, escreveu uma carta ao General Flores, governante do Equador, dizendo que, após 20 anos de governo, tinha algumas certezas, entre as quais a de que "a única coisa a se fazer na América é ir embora" (1). Atento a esse conselho e supostamente por sofrer ameaças de morte, o ex-deputado Jean Wyllys renunciou ao seu mandato e também fugiu. O parlamentar não revelou o seu destino, mas aposto que deve ser alguma nação civilizada, desenvolvida e, claro, capitalista, afinal não passa pela cabeça dos esquerdistas viverem em Cuba, Venezuela, Bolívia ou Coréia do Norte.
Particularmente, não condeno a opção de Jean. Trata-se de uma decisão inteligente e sensata e não oportunista. Acredito sinceramente que ele tenha mesmo receio de ser assassinado. Esse pesadelo é compartilhado por todos os brasileiros, pois vive-se num dos países mais violentos do mundo. São sessenta mil vidas ceifadas violentamente ano após ano no Brasil. Um cidadão por aqui tem mais chance de ser baleado ou esfaqueado do que um soldado em combate na Síria. Nesse contexto, a melhor saída para o Brasil é o mesmo aeroporto. Quem tem condições, pode e deve ir embora, como já o fizeram tantos artistas globais, modelos e empresários, que, por vezes, até conservam os seus negócios no Brasil, mas salvam as suas famílias da selvageria das metrópoles tupiniquins. A ponte aérea agora não é mais Rio-São Paulo, mas Rio-Miami, o destino preferido desses brasileiros afortunados, inclusive daqueles que, por aqui, vociferavam contra o imperialismo do Tio Sam.
O oportunismo de Jean consiste em explorar politicamente a sua opção pessoal de mudar de país para desfrutar de uma vida mais tranquila e segura. Só faltou combinar com os diretores da Vale. O plano do ex-deputado foi atropelado pela tragédia de Brumadinho. A lama da barragem da mineradora soterrou centenas de vidas e, por tabela, varreu o calor dos holofotes que Jean tanto ansiava. Que azar. Jean deveria ter a decência de admitir que está indo embora porque o seu projeto pessoal de poder naufragou e, diante do novo cenário político nacional, tem pouco ou nada para contribuir com a nação. É infantil e ridículo querer tratá-lo como um exilado político, como o fizeram os esquerdopatas em fase mais aguda das suas doenças mentais.
Se as ameaças sofridas são verdadeiras, a decisão de Jean, além de oportunista, é covarde, porque foge de uma violência que ele e seu partido cultivaram ao longo das últimas décadas. São os esquerdistas que tratam o policial como bandido, e os criminosos como vítimas da sociedade capitalista, lutam pelo desencarceramento em massa de condenados e cultuam vagabundos como ícones da resistência contra o estado opressor. A explosão da violência no Brasil é fruto direto da política de idolatria da bandidagem e demonização da atividade policial, com o consequente empoderamento (a esquerda adora essa expressão) das organizações criminosas. Essas políticas nefastas são inteiramente de responsabilidade dessa ideologia esquerdista que há anos domina os poderes constituídos e corrompe as mentes de administradores, legisladores, juízes e promotores de justiça.
Os criminosos que supostamente ameaçaram Jean são do mesmo tipo que matam, roubam, estupram, sequestram, traficam e ameaçam os brasileiros nas ruas e nas suas casas. Se Jean fosse coerente, não deveria ter medo do bandido que lhe ameaçou, mas sim compaixão. Não deveria empreender esforços para que esse bandido fosse investigado e punido segundo os ditames de um Código Penal reacionário, mas sim lutar para que lhe fosse conferido um tratamento progressista que preservasse a sua dignidade. Aliás, Jean poderia ter conservado o seu mandato para oferecer ao seu algoz um cargo comissionado em seu gabinete, livrando-o da pobreza, já que a justificativa número um da esquerda para o banditismo é a falta de oportunidades. Para ser coerente, Jean deveria ter ficado no Brasil e sofrer junto com todos os brasileiros as mazelas da violência que ele e seus companheiros promoveram nos últimos anos.
Pelo visto, o criador está com medo da criatura. Enquanto o bandido está solto na favela, a esquerda caviar reputa-o um pobre coitado e inofensivo. Mas quando o bandido bate na sua porta, daí nada melhor do que ligar para o 190.
(1) Narrado por Leandro Narloch e Duda Teixeira no genial "Guia politicamente incorreto da América Latina", p. 148.
*Publicado originalmente no blog do autor https://leandrogovinda.blogspot.com/2019/02/o-conselho-de-simon-bolivar-para-jean.html?m=1
OS CONSERVADORES ADVERTEM: NÃO VIERAM A PASSEIO - 03/02/2019
Pra quem achava que o governo estava derretendo; que sua base era incerta e iria se pulverizar etc; a derrota de Renan Calheiros foi um banho de água fria. Os métodos empregados mostram que a turma conservadora não veio pra brincadeira. Fizeram questão de passar o rodo em um poderoso político da República, símbolo do antigo estado de coisas contra o qual foram eleitos. Puseram abaixo um colosso da política profissional, contra todos os prognósticos da imprensa. Desejaram dar uma demonstração pública de que a república tem novos donos, e conseguiram.
E a julgar pelo discurso de posse do novo presidente do Senado, o STF que se cuide. Esse sujeito (Al Capone ou coisa parecida - ainda nem decorei o nome dele) já deu a entender que vai ignorar todas as decisões da suprema corte que julgue de competência exclusiva do Senado. Isso significa uma concepção de relação entre os poderes que exclui o judiciarismo e reafirma a autoridade do Senado, ou seja, dos políticos conservadores eleitos, contra os juízes de tipo Barroso. Mostra compromisso com uma concepção de relação entre os poderes mais próxima de juristas antijudiciaristas e antiliberais, como Ives Gandra Martins.
Não dá pra saber se vai dar certo. Mas os senadores conservadores mostraram que estão dispostos a suprir a falta de traquejo com voluntarismo e alguma brutalidade, se necessário. O novo establishment parece ter mais força do que a esquerda e a imprensa liberal estavam dispostos a admitir. Ou seja, não estão dispostos a admitir também que o escândalo do Flávio mele seus planos de poder. Aguardemos o Bolsonaro sair do hospital pra ver o que acontece.
* Extraído do Facebook do autor, em https://www.facebook.com/1004252267/posts/10215665564444522/
CRÍTICA OU GUERRA? - 28/01/2019
Na relação imprensa versus políticos, é imprescindível que governos sejam criticados e que governantes saibam responder às críticas com boas ações. Mas não se pode confundir “crítica” com “guerra ideológica”. Nem exigir passividade a quem é atacado com truculência.
O que grande parte da mídia vem fazendo nos primeiros dias do novo governo beira a infâmia, revelando um notado propósito de produzir crises e atingir a pessoa do presidente da República. A título de exemplo, faça-se a análise de um caso apenas.
Antes, porém, convém explicitar duas premissas. Uma é que o governo Bolsonaro tem, sim, pontos a serem criticados e, embora qualquer avaliação definitiva em tão curto tempo seja indevida, não é razoável pretender blindá-lo.
Outra é que cidadãos com clara noção de democracia não fazem apologia de governo algum, mas contribuem sempre que possível, inclusive com críticas, para que o governo realize o melhor, tenham ou não votado nele.
Posto isso, é abjeta a forma com que Igor Gielow, colunista da Folha de S. Paulo, se empenha em deslegitimar o governo Bolsonaro. Recorrendo à tática do “sem dizer, dizendo”, ele é só mais um a fazer um terceiro turno de 2018. Pretenderá deseleger o presidente?
Em 23/01/19, sua coluna começa pela desonestidade do título: “Marielle surge no caso Queiroz para assombrar começo do governo Bolsonaro”. Ora, uma afirmação categórica, usada como título, tende a fixar uma “verdade” para o leitor médio, que não se caracteriza pelo salutar cepticismo nem pelo hábito de pesquisar. É na cabeça desse leitor que Gielow se empenha em meter uma suposta ligação entre Bolsonaro e o “caso Marielle”.
E vai em frente: “É portanto irônico que a maior dor de cabeça dessa alvorada de governo (…) esteja se aproximando lentamente de um outro cadáver famoso [o de Marielle]”. Ah, mas ele depois até admite “total desconexão entre o papel dos protagonistas e o enredo”, isto é, entre quem matou Marielle e o entorno do presidente. Mas a ressalva vem só depois de instilar alta dose de veneno!
Ele cuida de teatralizar certa isenção, aludindo a que o espectro de Celso Daniel (morte até hoje não esclarecida) esteve presente durante o governo do PT (os 13 anos “com fracassos e sucessos”, faz ele questão de salientar). E logo diz (sem dizer) que o envolvimento do PT no assassinato de Daniel é “teoria conspiratória”. Será que ele, sobre esse caso, não leu o minucioso relato de José Nêumanne Pinto nem a análise do experiente policial Romeu Tuma Junior?
“Do ponto de vista de imagem”, prossegue Gielow, “a coisa fica particularmente complicada porque Marielle virou um símbolo, dentro e fora do Brasil, de vítima de um país truculento e autoritário que não dá certo, que não protege suas minorias.”
Gielow explora um panorama que a mídia, em vez de alimentar, deveria questionar e transformar, no qual a maior distinção de uma pessoa não é ter alta eficiência, não é a retidão de caráter, mas, isto sim, a qualidade de vítima. O esquerdismo investe nesse quadro, fomentando o vitimismo, dividindo a sociedade e atribuindo um estatuto e um discurso reivindicatório a cada nova categoria de vítima ou “minoria” credenciada (racial, etária, sexual, etc.).
A Marielle Franco que a mídia badala é um símbolo criado para esse fim ideológico e destoa da pessoa real. Marielle não é heroína. Mártir não é. Ela é só mais uma, entre milhares de vítimas. Merece compaixão e, sim, respeito. Só isso. Tudo mais é mistificação. Ao contrário do que a mídia insinua (sem dizer, dizendo), ela não serve de exemplo a ninguém. A Marielle Franco da mídia é ficção ideológica!
Ela é um ícone, um módulo imagético criado para substituir a explicitação de conceitos, driblar o discernimento dos simples e propagar preconceitos. Ao usar seu nome, Igor Gielow apresenta o ícone que, no computador mental dos desavisados, carrega o aplicativo da indignação e ativa sentimentos de injustiça, o que ele pretende colar na imagem do novo governo. Isso é crítica ou guerra ideológica?
Renato Sant’Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.
TRÓTSKY – QUEM DIRIGE A MÍDIA - 22/01/2019
Sobre o segundo episódio da série da Netflix sobre LeónTrótsky
A cena se desloca para um passeio coberto pela neblina onde conversam Alexander e o senhor Kobert.
- K. Como estão as cobranças?
- A. Tudo como planejado, Sr. Kobert. Ele está nos jornais.
- K. Muito bem.
- A. Eu organizei reuniões para ele discursar. Ele está ficando popular. Eu investi muito.
- K. Sem problema. Lembre-se: nós temos pouco tempo. Não se preocupe. Vou lhe enviar mais. O que está pensando em fazer?
O Sr. Kobert retira do casado um envelope e entrega a Alexander.
- A. Depois de falar no Congresso, ele ganhará poder de verdade.
- K. Mas não vão deixa-lo falar sem a permissão de Lenin.
- A. Eu já cuidei disso.
- K. Muito bem.
Podemos observar com esse diálogo, a fonte financeira que leva à imprensa a divulgar determinadas notícias e construírem narrativas de acordo com a vontade e interesse de quem a patrocina. Esse comportamento da mídia, sensível ao falseamento da verdade em troca de financiamento, é uma chaga que se encontra fortemente presente nas atividades políticas.
Colocarei abaixo um texto de Percival Puggina que coloca com clareza essa mesma situação que ocorre atualmente no Brasil.
A GRANDE IMPRENSA EM CRISE DE CONFIANÇA
Percival Puggina
Em 2015 compareci a um almoço dos colunistas de Zero Hora. Era um evento de confraternização com a direção da empresa. Mesmo sendo colunista da edição dominical havia nove anos, não tinha ideia de que fossem tantos os meus colegas naquele ofício de rechear com opiniões pessoais as edições do jornal. Eu fora contratado em substituição ao amigo Olavo de Carvalho imediatamente após seu rompimento com o veículo em 2006. Pois bem, ao término do almoço, iniciou-se uma brincadeira. Dois repórteres, de modo aparentemente aleatório, escolhiam colunistas para ouvi-los sobre assuntos variados. Fui um dos convocados e a pergunta me veio assim: "Puggina, Zero Hora é um jornal de esquerda ou de direita?". Todos riram, e eu também, pela oportunidade que a indagação me proporcionava. Respondi: "O jornal, diferentemente do Estadão e da Folha, por exemplo, não tem um alinhamento editorial nítido. No entanto, pelo somatório das opiniões dos colunistas, acaba sendo claramente de esquerda".
Era o que eu pensava e penso ainda hoje, quando não mais escrevo para ZH, ao ler cada exemplar do jornal. Na ocasião, após os risos e restabelecido o silêncio, continuei: "Essa, aliás, é a opinião do próprio jornal. Leitores me contam que ao telefonar para reclamar do viés esquerdista de ZH, ouvem da pessoa que os atende o esclarecimento:
– 'É, mas tem o Puggina'"... E completei: "Eu sou o pluralismo de Zero Hora".
Seguiram-se muitas gargalhadas entre as quais discerni alguns poucos aplausos. Menciono esse curioso episódio porque ele tem muito a ver com algo que já então fazia parte de minhas pautas preferidas: o uso da imprensa profissional, dos grandes órgãos de comunicação, para atender conveniências ideológicas e partidárias. E note-se, para atender menos às respectivas empresas e mais, muito mais, ao paladar político de seus redatores e colunistas permanentes. O resultado é uma perda de poder dos veículos, que veem reduzida sua credibilidade e influência. A posição unânime de todos os profissionais da RBS, em rádio, jornal e TV, a favor da manutenção da exposição do Queermuseu foi episódio paradigmático no Rio Grande do Sul. Lembro o modo vigoroso como se opuseram à imensa maioria da opinião pública que, pelas redes sociais, exigiu do Santander Cultural o fechamento da mostra.
Como exibiam tais conteúdos sem restrição de faixa etária? Ficou visível, ali, a estupefação. Foi como se, de um modo ou outro, os formadores de opinião exclamassem: "Que é isso? Não nos ouvem mais?". Não.
Recentemente, dois jornalistas pelos quais tenho admiração – J.R. Guzzo (Veja) e Carlos Alberto Di Franco (Estadão) - comentaram a cegueira da mídia convencional em relação ao que se passava na cabeça dos brasileiros durante o período eleitoral. A grande mídia estivera empenhada numa luta do bem contra o mal. Seus jornalistas sustentavam que Bolsonaro não teria a menor chance. Apoiados nas desacreditadas pesquisas, afirmavam que ele perderia para todos no segundo turno. Insistiam em apresentar Lula como um candidato imbatível, impedido por isso mesmo de concorrer. Calavam sobre sua condição de criminoso sentenciado, que usou o processo eleitoral para uma derradeira fraude. Segundo Guzzo, comunicadores brasileiros "tentaram provar no noticiário que coisas trágicas iriam acontecer no país se Bolsonaro continuasse indo adiante". E eu completo: dir-se-ia, ao lê-los, que ele ameaçava um seguro convívio social e um benemérito círculo de poder. "É preciso informar com objetividade. Esclarecer os fatos sem a distorção das preferências e dos filtros ideológicos", escreveu Di Franco em "Imprensa, autocrítica urgente e propositiva".
É o que também penso enquanto observo o crescimento vertiginoso da democratização da informação através das redes sociais. Tenho cá minhas dúvidas, muitas dúvidas, sobre se a perversão das fake news, recorrentes nessas novas mídias, é mais nociva do que a ocultação dos fatos, a maliciosa seleção das matérias e do vocabulário, e a distorção das análises, em tantos veículos da mídia tradicional. Ou fazem esse autoexame ou serão desbancados pelos alternativos, entre os quais grandes talentos pessoais e sucessos empresariais já se afirmam.
Esse comportamento manipulador da mídia termina por se defrontar com a inteligência de seus alvos. Podemos até sofrer algum tipo de efeito dessa manipulação, mas quando surge a verdade, e ela sempre surge, a coerência que domina a consciência do cidadão de bem, sempre exige uma retomada de posição. Isso foi o que aconteceu comigo, eleitor que fui do ex-presidente Lula na sua primeira eleição, possivelmente atingido pelo falseamento da mídia corrompida pelo vil metal, que considera o seu trabalho de falseamento da verdade um caminho justificado ética e moralmente. Quando o noticiário trouxe à tona, impossível de ocultar, do escândalo do mensalão, de imediato vi a farsa em que eu tinha me metido, e desisti do apoio que dava ao então presidente Lula, aquele que não sabia de nada, que protegia todos os corruptos e corruptores. A partir daí essa linguagem distorcida da mídia não mais me alcançou, como deve ter acontecido com milhares de cidadãos por este país afora.
*Texto enviado pelo autor, que é professor da UFRN. Originalmente publicado em http://www.siostiodelapa.net , cuja visitação recomendo.
O FORTE DESENTENDIMENTO DAS FUNÇÕES DOS TRIBUTOS NA ECONOMIA BRASILEIRA - 22/01/2019
É momento de lembrarmos a célebre frase de Mises: “O progresso é precisamente aquilo não previsto pelas regras e regulamentos governamentais”
O Presidente Jair Bolsonaro foi eleito com o compromisso de não haver, em seu governo, aumento da carga tributária. Mas no dia 4 de janeiro passado, ao sancionar a continuidade dos incentivos fiscais da SUDAM e SUDENE até 2023, orçados em algo próximo a R$ 10 bilhões, o presidente falou que a alta dos impostos só ocorrerá “se for necessária”, no caso, para cobrir tais despesas.
Mas o meu foco não é a ação do Presidente em si, ou seja, se ele vai acionar o aumento da carga tributária ou não. O foco é outro. Na verdade, a minha ideia é levar avante o debate sobre um assunto paralelo: o de haver a possibilidade de o governo conseguir aumentar a arrecadação orçamentária, de uma maneira sustentada, com a alta dos tributos.
Trago o assunto à baila, com receio de que a equipe econômica do governo possa não perceber a impossibilidade, no médio prazo, do aumento da carga tributária. A Economia é uma ciência da ação humana. Diferente das ciências físicas, em que os objetos de estudo permanecem fixos, ou seja, não se alteram nem reagem quando acionados, nas ciências humanas eles mudam ou resistem, e às vezes de maneira contundente, quando há uma ação que lhes impinja um custo financeiro.
Frédéric Bastiat ensina que há uma diferença entre o bom e o mau economista. O bom economista, segundo esse autor, analisa todos os efeitos de uma ação, os de curto prazo (ou os que se veem) e os de longo prazo (os que não se veem), enquanto o mau economista só se detém nos primeiros efeitos, os que se veem.
Embora não seja o caso da equipe do governo, que acho bem preparada, há vários exemplos que podem representar as ações de curto e de longo prazo enfocadas por Bastiat. Uma delas é quando a empresa aumenta, de uma hora para outra, o preço do produto que vende, sem perceber que isso pode levar à queda das quantidades vendidas, e às vezes em percentuais maiores dos que os da alta dos preços, situação em que ela terá perda de receita, e poderá vir a enfrentar dificuldades financeiras.
Da mesma forma, também há o bom e o mau agente do governo nos aspectos tributários. Praxeologicamente, há duas alíquotas de imposto em que a receita governamental é nula: a de zero por cento e a de 100 por cento. Isso implica que, partindo de uma alíquota tributária de zero por cento, na medida em que ela for aumentada pelo governo, a receita correspondente crescerá, porém proporcionalmente menos do que o crescimento anterior. E a cada novo incremento, torna-se cada vez menor, podendo tornar-se negativa, ocasião que em vez de ganhar com a alta do tributo, o governo perde receita.
Exemplificando: partindo de um PIB de 1000 unidades monetárias (UM) e de uma carga tributária de 10%, a receita do governo será, digamos, de 100 UM. Mas se o governo aumentá-la para 12%, a receita governamental não aumentará, provavelmente, para 120 UM, pois a alta do tributo causará uma queda da produção, representada aqui pelo PIB. Pressupondo que ele caia para 950 UM, a nova receita governamental será de 114 unidades monetárias (0.12*950). Semelhantemente, se o órgão público continuar aumentando a carga tributária, desta vez para 14%, e o PIB cair mais do que proporcionalmente, digamos para 800 UM, a nova receita governamental será de 112 UM (0,14*800), menor do que a de antes, com uma carga tributária de 12%.
O fato é que se o governo insistir em aumentar ainda mais os tributos, esperando um crescimento da arrecadação, ele vai se frustrar. O setor empresarial, diante dos crescentes custos tributários, começará a produzir cada vez menos, pois a ação estatal afetará as expectativas de lucro.
Não se tratam de meras elucubrações aritméticas ou argumentativas, mas do que pode ocorrer à realidade econômica, com possibilidade inclusive de bancarrota, quando o país é presidido por um déspota. Aliás, na América Latina temos um exemplo vivo, o do governo de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, onde o crescimento tributário mastodôntico, acoplado à megainflação — cujos jornais indicam que já alcançou a casa dos seis dígitos—, levou o país à calamidade econômica e social.
Felizmente, no Brasil há um comprometimento do presidente Bolsonaro de que, num prazo relativamente curto, a carga tributária deve voltar aos patamares do ano de 1995, de 26,0% — bem diferente dos de Lula e Dilma, em cujo governo a carga tributária média foi de 32,7%. Mas o mais estimulante, é que, num prazo mais longo, o presidente visa a uma carga tributária que considera ideal ao país, a de 20% do PIB.
Rezo que Bolsonaro tenha sucesso na redução da carga tributária para 20% do PIB, pois a produção, a renda, o emprego e os salários darão um grande salto no Brasil, sendo um exemplo para os países da América Latina, inclusive para a Venezuela, país que ainda pode soerguer a sua economia, desde que o seu tirano governo desista de intervir nas lides sociais, políticas e econômicas, e passe a acreditar nas ideias de Ludwig von Mises, de que “O progresso é precisamente aquilo não previsto pelas regras e regulamentos governamentais”.
*Economista, é autor de “Monetarismo vs keynesianismo vs estruturalismo – inflação, desemprego e taxas de Juros” (Editora Globo) e “Economia heterodoxa vs economia ortodoxa – Os planos econômicos brasileiros” (Editora Ortiz).
**Enviado pelo autor e publicado originamente em https://exame.abril.com.br/blog/instituto-millenium/alfredo-peringer-o-desentendimento-das-funcoes-dos-tributos-na-economia/
FIGURAS DE LINGUAGEM - 16/01/2019
Toda figura de linguagem expressa compactamente uma impressão sem indicar com clareza o fenômeno objetivo que a suscitou. Decomposta analiticamente, revela-se portadora de muitos significados possíveis, alguns contraditórios entre si, que podem corresponder à experiência em graus variados. No Brasil de hoje, todos os "formadores de opinião" mais salientes, sem exceção visível — comentaristas de mídia, acadêmicos, políticos, figuras do show business — pensam por figuras de linguagem, sem a mínima preocupação — ou capacidade — de distinguir entre a fórmula verbal e os dados da experiência. Impõem seus estados subjetivos ao leitor ou ouvinte de maneira direta, sem uma realidade mediadora que possa servir de critério de arbitragem entre emissor e receptor da mensagem. A discussão racional fica assim inviabilizada na base, sendo substituída pelo mero confronto entre modos de sentir, uma demonstração mútua de força psíquica bruta que dá a vitória, quase que necessariamente, ao lado mais barulhento, histriônico, fanático e intolerante. Como as pessoas pressentem de algum modo que essa situação ameaça descambar para a pura e simples troca de insultos, se não de tapas ou de tiros, o remédio que improvisam por mero automatismo é apegar-se às regras de polidez como símbolo convencional e sucedâneo da racionalidade faltante, como se um sujeito declarar calma e educadamente que os gatos são vegetais fosse mais racional do que berrar indignado que são animais. O resultado é que a linguagem dos debates públicos se torna ainda mais artificiosa e pedante, facilitando o trabalho dos demagogos e manipuladores.
É um ambiente de alucinação e farsa, no qual só o pior e mais vil pode prevalecer.
O cúmulo da devassidão mental se alcança quando as leis penais passam a ser redigidas dessa maneira. Se a definição de uma conduta delituosa é vaga e imprecisa, a tipificação do crime correspondente se torna pura matéria de preferência subjetiva do juiz ou de pressão política por parte de grupos interessados. Assim, por exemplo, o agitador que pregue abertamente a inferioridade da raça negra e o engraçadinho que faça uma piada ocasional sobre negros podem ser condenados à mesma pena por delito de "racismo".
Duas condutas qualitativamente incomparáveis são niveladas por baixo: não há mais diferença entre delito e aparência de delito. É a mulher de César às avessas: não é preciso ser criminoso, basta parecê-lo. Basta caber numa definição ilimitadamente elástica que inclui desde o uso impensado de certas palavras até a doutrinação genocida explícita e feroz. "Racismo" é uma figura de linguagem, não um conceito rigoroso correspondente a condutas determinadas. Uma lei que o criminalize é um jogo de azar no qual a justiça e a injustiça são distribuídas a esmo, por juízes que têm a consciência tranquila de estar agindo a serviço da liberdade e da democracia. É uma comédia. Quem se der o trabalho de distinguir analiticamente os vários sentidos com que a palavra "racismo" é usada em diversos contextos verificará que correspondem a condutas muito diferentes entre si, das quais algumas podem ser criminosas. Estas é que têm de ser objeto de lei, não o saco de gatos denominado "racismo". E "homofobia", então? Seu sentido abrange desde o impulso homicida até devoções religiosas, desde a discussão científica de uma classificação nosológica até a repulsa espontânea por certo tipo de carícias — tudo isso criminalizado por igual. Quem cria e redige essas leis são obviamente pessoas sem o mínimo senso de responsabilidade por seus atos: são adolescentes embriagados de um delírio de poder; são mentes disformes e antissociais, são sociopatas perigosos. Só eleitores totalmente ludibriados podem ter elevado esses indivíduos à condição de legisladores, dando realidade à fantasia macabra do Doutor Mabuse de Fritz Lang: a revolução dos loucos, tramada no hospício para subjugar a humanidade sã e impor a demência como regra. E não pensem que ao dizer isso esteja eu mesmo apelando a uma figura de linguagem, hiperbolizando os fatos para chamar a atenção sobre eles. A incapacidade de distinguir entre sentido literal e figurado, a perda da função denominativa da linguagem e a redução da fala a um jogo de intimidação e sedução sem satisfações a prestar à realidade são sintomas psiquiátricos característicos. Quando tomei conhecimento dos diagnósticos político-sociais elaborados pelos psiquiatras Joseph Gabel e Lyle H. Rossiter, Jr., que, indo além da concepção schellinguiana da "doença espiritual", classificavam as ideologias revolucionárias como patologias mentais em sentido estrito, achei que exageravam. Hoje sei que estavam certos.
As figuras de linguagem são instrumentos indispensáveis não só na comunicação como na aquisição de conhecimento. Quando não sabemos declarar exatamente o que é uma coisa, dizemos a impressão que ela nos causa.
Todo conhecimento começa assim. Benedetto Croce definia a poesia como "expressão de impressões". Toda incursão da mente humana num domínio novo e inexplorado é, nesse sentido, "poética". Começamos dizendo o que sentimos e imaginamos. É do confronto de muitas fantasias diversas, incongruentes e opostas que a realidade da coisa, do objeto, um dia chega a se desenhar diante dos nossos olhos, clara e distinta, como que aprisionada numa malha de fios imaginários — como a tridimensionalidade do espaço que emerge das linhas traçadas numa superfície plana. Suprimir as metáforas e metonímias, as analogias e as hipérboles, impor universalmente uma linguagem inteiramente exata, definida, "científica", como chegaram a ambicionar os filósofos da escola analítica, seria sufocar a capacidade humana de investigar e conjeturar. Seria matar a própria inventividade científica sob a desculpa de dar à ciência plenos poderes sobre as modalidades "pré-científicas" de conhecimento.
Mas, inversamente, encarcerar a mente humana numa trama indeslindável de figuras de linguagem rebeldes a toda análise, impor o jogo de impressões emotivas como substituto da discussão racional e fazer de simbolismos nebulosos a base de decisões práticas que afetarão milhões de pessoas é um crime ainda mais grave contra a inteligência humana; é escravizar toda uma sociedade — ou várias — à confusão interior de um grupo de psicopatas megalômanos.
* Publicado originalmente no Diário do Comércio, 11 de junho de 2007.
MUDANÇAS EM ANDAMENTO - 10/01/2019
Tudo se modifica lentamente através dos tempos. Surgem novas instituições, modas, artes, produtos e muito mais. Alternam-se ciclos de atraso e progresso ao longo da história o que, por sua vez, afeta a vida de cada ser humano. Como não poderia deixar de ser mudanças estão em andamento no Brasil e no mundo.
Observe-se que algumas coisas até pouco tempo inimagináveis têm acontecido no país e, para isso, recordemos 2013. Naquele ano, de forma inusitada multidões foram espontaneamente às ruas para mostrar seu inconformismo, ainda que de modo difuso. Ninguém entendeu que o “gigante adormecido” emitia sinais de que estava acordando.
31 de agosto de 2016. Os brados ecoados por milhões de brasileiros nas ruas de todo país culminaram no impeachment de Dilma Rousseff. Como pior presidente do Brasil, juntamente com seu criador político, ela nos conduziu a pior recessão de nossa história e não há governo que resista quando a economia vai mal.
O impeachment foi como um míssil disparado no peito da esquerda, especialmente do seu maior partido, o PT, que a partir daí iniciou sua decadência.
Muitos outros sinais aconteceram mostrando que alterações eram processadas no âmbito político, comportamental e cultural. Pairava no ar um cansaço cívico na esteira da corrupção institucionalizada pelo PT, que tinha à frente seu puxador de votos, Lula da Silva. Sofria a população com o desemprego, a violência urbana, o cruel sistema de saúde. Nesse contexto ilusões derretiam na percepção das mentiras e farsas do governo petista.
Simultaneamente, agia no nosso nada exemplar sistema judiciário, com competência, integridade, inteligência e, especialmente através da lei, o juiz Sérgio Moro. Desse modo, poderosos da esfera econômica e política foram parar na cadeia, em que pese ações de ministros do Supremo que soltaram muitos meliantes de colarinho branco, ladrões da coisa pública acostumados a delinquir no país da impunidade.
2018 foi um ano marcante. Mais uma vez o improvável aconteceu. Em 7 de abril Lula foi preso, não por ser um perseguido ou coitadinho inocente, mas por fartas provas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Outros processos pairam sobre ele e seus inúmeros advogados já bateram recordes em recursos, manhas e artimanhas para liberá-lo da cobertura da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Certamente continuarão se esmerando nessa azáfama. Afinal, nunca antes nesse país alguém teve tanto direito de defesa.
Porém, o grande fato histórico de 2018 foi a derrota da esquerda e a vitória de Jair Messias Bolsonaro. O candidato, que na versão de analistas e institutos de pesquisa não ganharia de modo algum, sendo derrotado no segundo turno se lá chegasse até por Marina Silva, foi eleito por quase 58 milhões de votos. Recorde-se que o PT não perdoa quem ganha dele.
A posse de Bolsonaro foi memorável. Assistida por milhões de telespectadores e em Brasília por centenas de milhares de pessoas. que para lá se deslocaram sem transporte pago ou mortadela, apenas com o fito de saudar o mito.
Rompendo o protocolo a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, discursou no parlatório em linguagem de libras cativando o enorme público com sua graciosidade, elegância, beleza e a promessa que continuará a se dedicar a projeto sociais.
Mudanças políticas, econômicas e sociais virão com o presidente Bolsonaro, o mais cobrado mesmo antes de assumir, o detestado pela mídia, o odiado pelo PT e suas hostes. Inclusive, ele continua sendo ameaçado de morte mesmo depois do fracasso do matador de aluguel que o esfaqueou.
Entrementes, mudanças estão em andamento no âmbito mundial e aqui. Nesse sentido merece ser citado o magistral artigo intitulado Outro ‘muro’ marxista que começa a ser derrubado, de autoria de Carlos Beltramo e Carlos Polo.
Mostram os autores, que “o ‘muro’ do marxismo cultural, não busca o controle dos meios de produção, como propunha Karl Marx, mas sim da forma de pensar das sociedades”. “O marxismo cultural foi se apoderando dos meios de comunicação e das universidades com esse propósito”. “Este autêntico ‘muro’ mental penetrou na cultura e nas instâncias de poder locais e internacionais, estendendo-se desde o público até os âmbitos mais privados, como a família e a sexualidade, com fim de controlar tudo e todos”.
Apesar de tal poderio que parece indestrutível, Beltramo e Polo entendem que este “muro” está começando a cair, como caiu o Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989. Eles apontam como sinais disto, entre outros, “o Brexit, a eleição de Donald Trump, o triunfo de Viktor Orban como primeiro ministro da Hungria e a exclusão dos ‘estudos de gênero’ nas universidades, a derrota da legalização do aborto na Argentina, a eleição de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil”.
Diante da magnitude de tal mudança se pode compreender o choro e o ranger de dentes do PT e de seus satélites. Contudo, os detratores do presidente Bolsonaro gritam em vão porque mudanças acontecem. Felizmente.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
NOSSOS CONGRESSISTAS DE VERÃO - 05/01/2019
Repudiada pela maioria da população e dos analistas, a convocação de suplentes de deputado federal e senador para o “exercício de mandatos” fadados a vaporizar pouco mais de 30 dias após a “posse” se tornou uma infâmia corriqueira. Justiça seja feita, um dos recentemente chamados pela Mesa da Câmara dos Deputados para representar um estado da Região Centro Oeste se negou a assumir. E o fez com toda a razão.
Afinal, durante o período de recesso, o parlamentar fica impossibilitado de apresentar projetos, discursar, participar de sessões, votações, etc. Na prática, que é o que realmente interessa, não há protocolo disponível, as comissões não se reúnem, o plenário está chaveado e os serviços do Congresso Nacional não funcionam. No entanto, para arrematar o disparate, uma vez empossados, a Constituição Federal lhes assegura o direito ao recebimento de salário, cota parlamentar e auxílio mudança, cujos valores, uma vez somados, chegam a aproximadamente R$ 105 mil, às vezes um pouco mais.
Diante de tamanho aviltamento, verdadeiro insulto à moralidade pública que onera inutilmente a União e vitamina a descrença do cidadão e da sociedade relativamente ao Legislativo Federal, tramitam algumas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) vedando a possibilidade da convocação de parlamentares para o exercício de inexpressiva fração de mandato no qual não podem desempenhar nenhuma atividade ou tampouco representar alguém, sequer a si próprios.
A ociosidade desses simulacros de representação se revela ainda mais ostensiva e induvidosa perante o §4º do art. 58 da mesma Carta Magna, a mesmo que foi denominada “Cidadã”. O dispositivo disciplina uma Comissão Representativa formada por membros das duas casas legislativas para atuar justamente no prazo da suspensão temporária das atividades congressuais. Aliás, a junta desse ano tem como integrante um deputado federal condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela prática de crimes de licitação e falsificação de documento público que cumpre pena no regime semiaberto junto ao Complexo Penitenciário da Papuda, na mesma Brasília.
É possível afirmar, sem maior risco de errar, que a efetivação desses substitutos de verão materializa a uma providência torpe e descartável porque a sua finalidade é completamente inútil. Enfim, sob todos os ângulos em que for examinado, tal absurdo precisa ser defenestrado. Até porque, se o massacrado contribuinte brasileiro fosse consultado, certamente reprovaria esse convescote patrocinado com o dinheiro recolhido dos seus impostos.
* Antônio Augusto Mayer dos Santos, advogado e professor de Direito Eleitoral.
RUMO AO CAPITALISMO! - 05/01/2019
DISCURSOS DOS MINISTROS
Depois de sorver, palavra por palavra, os discursos proferidos pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo seu vice, Hamilton Mourão, no dia 02/01, ontem foi a vez de me deliciar com os pronunciamentos (promessas de firmes mudanças) feitos pelos ministros que foram empossados.
PAULO GUEDES E SÉRGIO MORO
Ainda que todos os discursos de posse dos ministros de Bolsonaro soaram como música de alta qualidade nos meus ouvidos, considerando que a ECONOMIA e a POLÍTICA são os temas que gozam de maior preferência nos meus editoriais, sem prejuízo dos demais me proponho a tecer comentários sobre o que ouvi dos ministros Paulo Guedes (Economia) e Sérgio Moro (Justiça).
PAULO GUEDES
Começando por Paulo Guedes, gostei quando o ministro se referiu aos gastos da Previdência, dizendo que -a máquina do governo virou gigantesca engrenagem perversa de transferência de renda. Mais ainda quando se referiu aos bancos públicos, dizendo que PIRATAS PRIVADOS, BUROCRATAS POLÍTICOS E CRIATURAS DO PÂNTANO POLÍTICO se associaram para agir contra o povo brasileiro. Show!
VAMOS VENDER ATIVOS
Com muito foco e precisão Guedes disse muito mais no seu discurso - feito de improviso- que durou 55 minutos. Resumindo as tantas boas coisas que Guedes disse, gostei desta: -O Brasil foi corrompido e parou de crescer pelo excesso de gastos. A reforma do Estado é a CHAVE para corrigir esse fenômeno. E arrematou: "-Vamos vender ativos, desacelerar a dívida".
A MÃE DE TODAS AS REFORMAS
Enfim, com a sua habitual clareza, que lhe dava ares do saudoso liberal Milton Friedman, Guedes, em praticamente todas as frases não deixava de colocar a REFORMA DA PREVIDÊNCIA como a MÃE DE TODAS AS REFORMAS. Sem ela, repetiu várias vezes, o Brasil se mantém na ROTA DO IMENSO ABISMO FISCAL, que já colocou o Brasil na Lona.
SÉRGIO MORO
Quanto ao magnífico ministro da Justiça, Sérgio Moro, primeiro a ser empossado, gostei muito quando disse que a “missão prioritária” de sua gestão é “o fim da impunidade da grande corrupção, o combate ao crime organizado e a redução dos crimes violentos”.
Também citou exemplos de medidas “ainda em elaboração” que sua equipe vai propor ao Congresso, em fevereiro, como é o caso do “projeto anticrime” que já havia sido anunciado durante a transição de governo. Entre as mudanças “simples, mas eficazes” estarão a previsão de operações disfarçadas das polícias e a proibição de progressão de regime a membros de organizações criminosas.
O ápice, no meu entender, foi quando Moro falou que o governo pretende “deixar mais claro na lei” que réus CONDENADOS EM 2ª INSTÂNCIA em processos criminais podem ser presos para cumprir pena. Moro classificou as decisões do Supremo que permitem a execução de pena após sentença em segundo grau como “mais importante avanço institucional dos últimos anos”. Para completar, Moro disse que o "Brasil jamais será porto seguro para criminosos". DEZ!
*Publicado originalmente em www.pontocritico.com
TÁ COMEÇANDO A FICAR FEIO, LEONARDO GIARDIN - 03/01/2019
"Sintoma de demência cognitiva e desonestidade intelectual de uma pretensa elite intelectualmente corrompida e moralmente degenerada, que contamina com sua torpeza essencial uma civilização inteira que perde o rumo." (Leonardo Giardin de Souza)
No texto “Marxismo y Cuestión Criminal”, escrito por Luigi Ferrajoli e Danilo Zolo, percebe-se claramente a vinculação do autor do Garantismo Penal com o paradigma marxista e socialista, reinante no Brasil como dogma fundamental de uma epistemologia destinada à destruição da civilização ocidental.
Independentemente das questões de fé (discutir a relevância do cristianismo na formação ocidental é despicienda platitude neste momento), é certo que um dos fundamentos da civilização ocidental é a liberdade individual.
A questão da liberdade é frequentemente tratada no seu aspecto positivo (cada um fazer o que quiser), mas é normalmente esquecido que somente a liberdade, sem estar acompanhada da necessária responsabilidade, é mera arbitrariedade.
Por Aristóteles, a liberdade pode ser compreendida enquanto posse individual do princípio para agir, ou seja: pleno domínio da vontade à ação. Kant, abordando a liberdade prática, denomina-a como livre arbítrio, pressuposto da responsabilidade moral dos agentes.
Já Viktor Frankl traz um conceito melhor operacionalizável na sua obra “Em Busca de Sentido – Um Psicólogo no Campo de Concentração”. Mesmo diante das piores condições existenciais, onde não haja domínio das relações materiais externas, daquilo que chamamos de realidade, a liberdade ainda subsiste. Não importa o que o mundo nos traga, mesmo nas piores condições, a única coisa que resta é “a última liberdade humana” – a capacidade de escolher a atitude pessoal que se assume diante de determinado conjunto de circunstâncias”.
Em melhores termos:
Esta tentativa de descrição psicológica e explicação psicopatológica dos traços típicos com que a estada mais demorada no campo de concentração marca a pessoa parece dar a impressão de que, afinal de contas, a alma humana é clara e forçosamente condicionada pelo ambiente. Na psicologia do campo de concentração, é precisamente a vida ali imposta, e que constitui um ambiente social todo peculiar, que determina, ao que parece, o comportamento da pessoa. Com razão se poderão levantar objeções e fazer várias perguntas. Onde fica a liberdade humana? Não haveria ali um mínimo de liberdade interior (geistg) no comportamento, na atitude frente às condições ambientais ali encontradas? Será que a pessoa nada mais é que um resultado da sua constituição física, da sua disposição caracterológica e da sua situação social? E, mais particularmente, será que as reações anímicas da pessoa a esse ambiente socialmente condicionado do campo de concentração estariam de fato evidenciando que ela nem pode fugir às influências desta forma de existência às quais foi submetida à força? Precisa ela necessariamente sucumbir a essas influências? Será que ela não pode reagir de outro modo, “por força das circunstâncias”, por causa das condições de vida reinantes no campo de concentração? (FRANKL, op. cit.)
Não pretendo estragar a leitura dessa obra maravilhosa, mas a solução é apresentada nos termos da ressignificação do sofrimento, permitindo trazer ao indivíduo a capacidade de trazer um sentido, um valor, um significado ao seu sofrimento. Esta última liberdade humana, conforme nos lembra Frankl: “Sempre e em toda parte a pessoa está colocada diante da decisão de transformar a sua situação de mero sofrimento numa produção interior de valores.” (FRANKL, op. cit.)
Enfim, a liberdade humana é a própria condição de humanidade, mesmo se a pessoa estiver em condições inumanas. Ainda que apenas reste a liberdade de escolher o sentido axiológico de seu sofrimento, que poderá bestializar ou dignificar o homem, ainda assim existirá essa escolha, então haverá essa liberdade.
Mas a liberdade, vista exclusivamente no seu aspecto positivo, traz apenas metade da história. Se cabe a um indivíduo fazer o que quiser, alterando o mundo a sua volta, também cabe a este mesmo indivíduo responder por aquilo que fez. Ou seja, a cada ato livre, também o será responsável.
Novamente com Frankl:
A liberdade, no entanto, não é a última palavra. Não é mais que parte da história e metade da verdade. Liberdade é apenas o aspecto negativo do fenômeno integral cujo aspecto positivo é responsabilidade. Na verdade, a liberdade está em perigo de degenerar, transformando-se em mera arbitrariedade, a menos que seja vivida em termos de responsabilidade. É por este motivo que propus a construção de uma Estátua da Responsabilidade na Costa Oeste dos Estados Unidos, para complementar a Estátua da Liberdade na Costa Leste. (FRANKL, op. cit.)
O que Frankl nos ensina é simples: se o Ser Humano agir livremente, deverá responder por aquilo que fez.
Não é por outro motivo que a teoria analítica tripartida do crime (não podemos considerar a questão das teorias clássicas e neoclássicas, com a previsão finalista da culpabilidade na tipicidade, sob pena de desviarmos do assunto, além da teoria tripartide ser mais didática) aborda a possibilidade do ato criminoso em três aspectos: 1- quando houver um fato típico; 2- antijurídico; e 3- culpável.
1- Típico porque deverá estar previsto em lei. Garantia trazida pela certeza da limitação da atuação estatal contra o indivíduo, estabelece quais atos serão considerados criminosos, até para evitar-se uma stalinização do Direito Penal, fazendo-o mero instrumento de opressão do Estado.
2- Antijurídico porque não pode estar acobertado de suas excludentes de ilicitude (legítima defesa; estrito cumprimento de dever legal; e o estado de necessidade). Afinal, para a existência de um crime, a ação deve ter sido livre, não condicionada por elementos externos.Se a pessoa agiu para defender-se (ou a terceiros); ou em função do cumprimento de um dever legal (como um policial abatendo um criminoso); ou porque precisava salvar-se de um perigo atual, não teve uma ação livre. Não sendo livre a sua ação, por óbvio não poderá ser considerada criminosa.
3- Por último, é necessário ser culpável. Quer dizer, haver: potencial consciência da ilicitude; inexigibilidade de conduta diversa; e culpabilidade em sentido estrito.
Ou seja, o indivíduo sabe ou deveria saber que o ato era criminoso (daí a tipicidade); poderia ter agido de maneira diversa (daí a liberdade na ação ilícita); e teria condições de compreender que agiu de uma maneira criminosa (daí a idade mínima de dezoito anos).
Nesse sentido, a culpabilidade (mesma prevista na teoria bipartite) somente subsistirá se a pessoa souber (ou deveria saber), que aquele ato seria criminoso; teria a possibilidade de realizar um ato diferente (novamente, é importante frisar: a questão da liberdade); e possuir, de acordo com o critério cronológico nacional de culpabilidade, dezoito anos completos quando da realização do ato criminoso.
Dito isso, nota-se o quanto a questão da liberdade é fundamental para a existência de um crime. A pessoa tem fazer algo que já é previsto como criminoso (e ela sabia ou deveria saber disso), agir criminosamente quando poderia ter agido de modo diferente e, ainda, ter a capacidade cognitiva de reconhecer a realização desse ato criminoso.
Em suma, ao destruir-se a liberdade humana (conforme veremos no texto de Ferrajoli), num processo lididamente diabólico (posto ser simbólica a união da liberdade ao ser humano), consegue-se, numa só tacada, acabar com o Direito Penal e destruir a Civilização Ocidental, que ergue-se da premissa de existirem Seres Humanos porque existe a Liberdade.
Conhecido isso, voltamos ao texto de Ferrajoli (e outro), que abraça a teoria socialista-marxista não como condição suficiente, mas como condição necessária para a elaboração de um novo Direito Penal. Nos termos dos autores:
Es nuestra opinión que el análisis marxista de la sociedad burguesa ofrece elementos teóricos necesarios para una explicación científica de los fundamentos estructurales de la criminalidad moderna y de los actuales procesos institucionales de criminalización tal y como resultan determinados por el modo de producción capitalista. (FERRAJOLI, p. 59 e 60)
Las condiciones de vida de las modernas capas marginales, su ubicación político-ideológica, la variedad y el diverso grado de cohesión de las subculturasque en ellos se desarrollan, sus dinámicas internas y las de sus relaciones con la cultura dominante, constituyen una realidad bastante más compleja y mudable de lo que pueda hacer ver un análisis puramente estructural, el cual, precisamente por eso, no puede evitar la omisión de la amplia gama de los factores de orden sociológico, psicológico y cultural que están en el orígende la misma desviación criminal de tipo marginal y subproletario”. (FERRAJOLI, p. 76)
Ferrajoli ainda explicita que a causa da criminalidade é a existência da sociedade capitalista, trazendo a certeza de que o delírio comunista (por meio de uma revolução socialista) traria uma sociedade igualitária, então justa, onde não haveria espaço para a criminalidade. Justificando a sua doutrina, mesmo se houvesse atos desviantes, estes seriam tratados de forma pedagógica e educativa.
É a formação de uma nova humanidade regada a unicórnios cor-de-rosa e cornucópias de bens materiais à disposição do novo homem:
El advenimiento de la sociedad comunista, es decir, la desaparición por una parte del Estado y del derecho como superfluos, y por otra de la desviación y del conflicto, aparecen de esta manera confiados a un proceso de homogenizaciónética del cuerpo social y de socialización de la represión, que será tarea de la dictadura del proletariado imprimir y hacer cumplir. Una concepción de la revolución y del comunismo que innova profundamente la marxiana y que será restaurada y desarrollada por Gramsci en los Quaderni, donde la transición al socialismo aparece como transición hacia una sociedad “ética” o “regulada”,a la que la progresiva adecuación de todos los ciudadanos a los valores y normas del poder socialista hace perfectamente homogénea. […] En este sentido el “moderno Príncipe” está destinado a ocupar – en las conciencias, el puesto de la divinidad o del imperativo categórico” […] Y llega no sólo a enfatizar la función represiva del derecho penal socialista, sino a atribuir una específica función ética y “civilizadora” incluso a los aparatos penales del Estado. Para Gramsci la “misión educativa y formativa del Estado, que tiene siempre el fin de crear nuevos y más altos tipos de civilización, de adecuar la “civilización” y la moralidad de las más amplias masas populares a las necesidades del continuo desarrollo del aparato económico de producción, de elaborar, por consiguiente, incluso físicamente nuevos tipos de humanidad. […] El derecho es el aspecto represivo y negativo de toda la actividad positiva de civilización ejercida por el Estado. (FERRAJOLI, p. 70 e 71)
Claro que a linguagem empolada e vocabulário pretensiosamente afetado tentam disfarçar o ódio à ordem social e econômica da civilização ocidental, mas a malícia encontra limites na capacidade de transmitir a sua intenção, demonstrando que pretende-se retirar a responsabilidade individual em função das condições econômicas da sociedade. Afinal, como todo paradigma materialista, o Ser Humano é apenas uma peça, um joguete das forças históricas que determinam a existência civilizacional:
Sobre esta base (subemprego e força de trabalho como mercadoria) aparece claro cómo las subculturascriminales, y más en general las “culturas de la pobreza” que se desarrollan en las modernas capas marginales, no constituyen formaciones culturales autóctonas, sino fenómenos conexos a los procesos de marginación y disgregación social inducidos por el modo de producción capitalista. A su vez la criminalidad moderna (o mejor dicho la criminalidad – criminalizada- o- tratada- ),en la medida en que es un fenómeno subproletarioy marginal, no es una criminalidad genérica o ahistórica o natural, sino asimismo también ella una criminalidad específica, históricamente determinada y contraseñada, en sus procesos genéticos por las modernas causas estructurales de la marginalidad y la pauperización de tipo moderno. (FERRAJOLI, p. 74 e 75)
Obviamente, a tentativa de prestidigitação conceitual encontra seus limites na linguagem, devendo, em algum momento, o autor assumir que tudo o que existe é culpa do meio, do sistema, das coisas, da estrutura. Afinal, se o indivíduo não é responsável por nada, e tudo é responsabilidade do meio, em algum momento o texto deixará de esconder as próprias certezas:
Responsabilización y culpabilización de la persona y, por el contrario, desresponsabilización de la sociedad y desocializaciónde la culpa, operan en el moderno proceso de criminalización através de tres técnicas, que representan otras tantas creaciones del derecho penal burgués: a) la construcción de figuras abstractas de “delito” mediante las que se definen y seleccionan como antisociales conductas individuales imputables a (la conciencia y voluntad de) personas; y, correlativamente, se legitiman como normales y no-antisociables todas las lesiones y violencias no-antijurídicas (de la sociedad no desviada identificada como se ha visto antes); b) el proceso y la condena como momentos solemnes de identificación y culpabilizaciónpública del individuopersona, a través de la constatación de su “conciencia y voluntad” criminales”; la represión en forma de estigmatización y marginación social, por la reclusión y o la inscripción de la condena en el registro de antecedentes (y la consiguiente contituciónde status jurídico-sociales: delincuente, pendiente de juicio, reincidente, delincuente habitual, sujeto peligroso, etc.). (FERRAJOLI, p. 77 e 78)
Condenando o mundo, a vida, a economia, a propriedade, a moral cristã, a responsabilidade ética perante a realidade. Enfim, condenando tudo aquilo que cerca a existência humana, cria-se o Ser Humano lindo, perfeito e maravilhoso que fora estragado por uma sociedade má, mesquinha e maldita:
Si el hombre no goza de libertad en sentido materialista, es decir, si es libre, no por la fuerza negativa de poder evitar ésto y aquello, sino por el poder positivo de hacer valer su verdadera individualidad, no deberán castigarse los crímenes del individuo, sino destruírlas raíces antisociales del crimen y dar a cada cual el margen social necesario para exteriorizar de modo esencial su vida. Si el hombre es formado por las circunstancias, será necesario formar las circunstancias humanamente. (FERRAJOLI, p. 80)
Abraçando o paradigma materialista do socialismo marxista, não se basta em retirar a humanidade do Ser humano, tornando qualquer coisa que não seja livre, ainda tem que criticar qualquer tentativa que busque refrear o instinto revolucionário de desumanizar o Homem para transformá-lo num fantoche de mudanças sociais. Assim, toda a política será “libertária” ao libertar o Ser Humando de sua própria liberdade:
El primer presupuesto político de todo esto es la unificación política del proletariado y del subproletariado y el abandono, por parte del movimiento obrero, de su tradicional actitud moralista y discriminatoria frente a los sectores marginales. La segunda condición es una mayor autonomía de las masas y una más amplia libertad política. Sólo una ilimitada libertad política, y la práctica cotidiana de esta libertad en las luchas sociales, puede en efecto garantizar la activa participación de las masas populares en la vida política, su maduración intelectual y civil, la superación de la alienación política y el subdesarrollo cultural a que las mismas están destinadas por los mecanismos de la sociedad burguesa, desde este punto de vista, una política criminal socialista debería ser exactamente lo contrario de una política criminal burguesa: una política tendencialmente no represiva sino libertaria, no marginalizadora sino socializante, no terrorista y culpabilizadora sino promocional y, en fin, liberadora. (FERRAJOLI, p. 85)
Chegando próximo de suas conclusões, Ferrajoli (e outro), retiram qualquer possibilidade de dúvida razoável quanto à aderência aos pressupostos epistemológicos da doutrina socialista.
No indigitado artigo, Ferrajoli finalmente assume explicitamente, talvez cansado de tanto tentar esconder o óbvio, que o objetivo é a destruição do sistema econômico ocidental (que pela primeira vez na história da humanidade conseguiu deixar a probreza extrema abaixo dos 10% da população) e, inclusive, quiçá destruir o próprio Cristo, tratando a fé suprema em Deus como mera ideologia. Em suma, a explicitação diabólica (no sentido de aversão ao simbólico, conforme dito), não poderia ser mais clara. Destaca-se:
9- Así como una política criminal del movimiento obrero de carácter preventivo debe estar orientada a la socialización de los – espacios antisociales de nacimiento del delito” -bien por su destrucción a nivel estructural, o mediante su organización y emancipación en el político y cultural- del mismo modo una política socialista de intervención sobre la desviación criminal habrá de estar dirigida a la socialización de todo posible tratamiento penal. La primera hipótesis estratégica en esta dirección es de carácter negativo. Y consiste en la superación de la ideología cristiana y burguesa de la culpa y de la responsabilidad individual que, como liemos dicho, está en la base del proceso de criminalizaciónde tipo moderno. (FERRAJOLI, p. 85 e 86)
Una revisión de esta naturaleza mostraría claramente, a nuestro parecer, cómo en la mayor parte de los casos la protección de intereses primarios y colectivos requiere no tanto intervenciones penales de carácter represivo, es decir, dirigidas contra personas responsables de sus lesiones, cuanto transformaciones profundas de la organización social capitalista o cuando menos un distinto y bastante más complejo sistema de controles institucionales y sociales. (FERRAJOLI, p. 86 e 87)
Em qualquer leitura do citado texto, ainda que perfunctória, deixa extreme de qualquer incerteza ou vacilação que Ferrajoli não somente alimenta-se da doutrina marxista-materialista como propõe medidas para que ela seja aplicada, por ser “a única terapia eficaz” no combate ao crime, chegando a condenar a própria prisão do criminoso:
Las penas privativas de libertad son exactamente lo contrario de una terapia anticriminal; o, para decirlo mejor, corresponden a un modelo pedagógico de tipo expiatorio y penitencial que está en las antípodas de una “pedagogía socialista”. Si es cierto que el delito es siempre el síntoma y es producto de una laguna de sociabilidad en las condiciones de vida del delincuente, entonces la única terapia eficaz habrá de ser de tipo socializarte. (FERRAJOLI, p. 87)
Enfim, não restam dúvidas da aderência consciente e esclarecida (então livre) de Ferrajoli à doutrina marxista-materialista, ainda que não a considere suficiente, mas necessária.
Daí que Leonardo Giardin de Souza, autor (junto com Diego Pessi) do espetacular “Bandidolatria e Democídio”, no artigo intitulado “Luigi Ferrajoli destruiu o direito brasileiro”, comentando o indigitado texto de Ferrajoli, apresentou esta prosaica, simples, necessária e indiscutível conclusão:
porquanto o delito, segundo ele, “não nasce da consciência individual”, mas de “espaços sociais” que pululam em decorrência do maldito capitalismo. Para Ferrajoli, uma sociedade socialista é “menos criminógena” exatamente porque “reduz” esses espaços sociais onde “nascem” os delitos. (DE SOUZA, op. cit)
Uma afirmação absolutamente natural, decorrente da verdadeira idolatria conceitual que Ferrajoli apresentou do paradigma marxista-materialista no seu texto “Marxismo y Cuestión Criminal”:
Si, por consiguiente, se acepta la proposición marxiana conforme a la cual la raíz primera del delito debe buscarse en la carencia de un “espacio social” garantizado a cada uno para el ejercicio de una libertad no formal, entonces es claro que la socialización de los medios de producción, la superación del trabajo asalariado y la recomposición social del trabajo dividido, que son los ejes de todo proyecto de transformación revolucionaria de la sociedad burguesa digno de llamarse socialista, pueden entenderse también como elementos de una terapia estratégica contra el delito. (FERRAJOLI, p. 81)
Mas aquele trecho óbvio do De Souza foi contestado. Uma mera paráfrase, um pleonasmo enfático das ideias de Ferrajoli, que trouxe o Garantismo Penal apenas para assegurar a perpetuação do marxista-materialista intelectual orgânico na doutrina jurídica, foi impugnado nos seguintes termos:
Desconfiei das frases e termos entre aspas atribuidos ao pensamento de Ferrajoli. Fui as referências. A única delas, o texto: Marxismo y cuestión criminal, nâo é uma teoria proposta por Ferrajoli, mas sim, uma análise do pensamneto [sic] de marx em relação ao sistema penal. o Texto do ilustre Leonardo atribui as falas: ”não nasce da consciência individual mas sim de espaços sociais” ao pensamento de Jurista Italiano, o que é uma MENTIRA, no texto original Ferrajoli deixa CLARO que tal pensamento é de Marx. Com a questão da socialização dos meios de produção ocorre o mesmo, o referido pensamento é de Marx e é apenas exposto por Ferrajoli. TÁ COMEÇANDO A FICAR FEIO LEONARDO GIARDIN. (PEREIRA, comentário no texto “Luigi Ferrajoli destruiu o direito brasileiro”)
Assim, desconhecendo a paráfrase, também ignorando a função das aspas (que nem sempre significam ipsis literis), Pereira tenta shaming contra De Souza, realizando inimputável injúria ao tachá-lo de mentiroso.
Não, caro Pereira, De Souza não mentiu. Apenas fez uma paráfrase e destacou a questão do conceito de “espaços sociais” (por isso essas aspas no texto original), para lembrar que a teoria garantista penal é um blefe, um migué, uma “farsa teórica marxista” (perdão pelo pleonasmo vicioso), que busca, única e exclusivamente, retirar a humanidade do indivíduo, fazendo-o mísero e irresponsável marionete de condições sociais que, por fim, conforme duramente expendido, é apenas, nessa diabólica teorética marxista-materialista, um ser semiconsciente sem liberdade, um joguete ideológico nas mãos dos poderosos sistemas sem rostos.
Na franca falsidade de libertar o Ser Humano, a teoria marxista-materialista apenas deseja matar humanidade com fracas justificativas de ausência completa da liberdade, nada mais. De Souza apenas aclarou um fato notório.
Mas, conforme dito, essa injúria é inimputável.
Poderia o crítico ter agido de outra forma? Teria condições de possuir consciência de seu ato criminoso?
Perdido em teorias que desumanizam, dentro de um sistema educacional em que a katchanga é regra moral, quem grita mais alto, quem ofende mais, quem tenta ciscar um detalhe, acha que está mais certo.
Os tempos são outros, não vivemos apenas uma crise de racionalidade. O problema é profundo, intenso e quase irresistível. Mais que cientifico, epistemológico ou moral, é uma crise espiritual.
De Souza só poderia surpreender-se se Pereira conseguisse entendê-lo para criticá-lo.
Exigir algo que a pessoa não tem é desumano. De Souza: perdoa e esquece. Realmente “Tá começando a ficar feio”, mas dias piores virão.
Referências:
DE SOUZA, Leonardo Giardin. Luigi Ferrajoli destruiu o direito brasileiro. Disponível em: https://www.burkeinstituto.com/blog/direito/luigi-ferrajoli-destruiu-o-direito-brasileiro/
FERRAJOLI, Luigi; ZOLO, Danilo. Marxismo y Cuestión Criminal. Disponível em: http://www.proletarios.org/books/Ferrajoli_Zolo-Cuestion_Criminal.pdf
FRANKL, Viktor. Em Busca de Sentido – Um Psicólogo no Campo de Concentração. ISBN 9788523308865
* Publicado originalmente em https://www.burkeinstituto.com/blog/direito/ta-comecando-ficar-feio-leonardo-giardin/
ANTIGAMENTE CALAVAM-SE... - 23/12/2018
Um amigo que se julga ateu ou não-católico telefonou-me outro dia, e logo me atirou pelos fios esta pergunta aflita: "Meu caro C. me diga uma coisa: a Igreja antigamente era ou não era uma coisa muito inteligente?"
Ia responder-lhe com ênfase: "Era!" Mas enquanto vacilei alguns segundos meu amigo desenvolveu a idéia: "Olhe aqui. Eu bem sei que antigamente existiam padres simplórios, freiras tapadíssimas, leigos ainda mais simplórios e tapados. A burrice não é novidade, é antiqüíssima. Garanto-lhe que ao lado do artista genial que pintava touros nas cavernas de Espanha, anunciando há quarenta mil anos a brava raça de toureiros, havia dois ou três idiotas a acharem mal feita a pintura.
— Mas, calavam-se, disse eu.
E logo o meu amigo uivou uma exclamação que trazia na composição harmônica de suas vibrações todas as explosões da alma: a alegria, a angústia, a aflição de convencer, a tristeza de um bem perdido e até a cólera...
— Pois é! CALAAAVAM-SE!!!
Contei-lhe então uma história de antigamente. Teria eu dezoito ou dezenove anos, e meu heróis dezessete ou dezoito. Ele era o aluno repetente de uma escola qualquer, e eu seu "explicador" de matemática. Eu sentia a resistência tenaz que, dentro dele, se opunha às generalizações matemáticas. Ficava rubro, vexado e alagado de suor.
Recomeçava eu a explicar certo problema quando ele, numa decisão brusca, me deteve e suplicou:
— Explica devagar, devagarzinho, porque eu sou burro.
Na outra ponta do fio meu amigo de hoje explodiu:
— Que gênio! QUE GÊNIO!!
Era efetivamente genial aquele moço de antigamente. Não segui sua trajetória e não sei se ele hoje amadureceu e desabrochou aquele botão de sabedoria em flor, ou se virou idiota e portanto intelectual. O que pude garantir ao meu amigo não-católico é que antigamente a atitude média dos idiotas era tímida, modesta e respeitosa. E isto que se observava nas ruas, nas aulas particulares, nos salões de bilhar e nos clubes de xadrez, observava-se também na Igreja. De repente, em certo ângulo da história, mercê de algum gás novo na atmosfera, ou de algum fator ainda não deslindado, os idiotas amanheceram novos e confiantes. Já ouvi e li muitas vezes o termo "mutação" surrupiado das prateleiras da genética e aplicado à história, à Igreja, ao dogma e aos costumes. Dois ou três bispos franceses não sabem falar dez minutos sem usar o termo "um mundo em mutação".
Se mutação houve, estou inclinado a crer que foi naquele ponto a que atrás aludimos: os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação. O mundo é deles. Será genético o fenômeno e por conseguinte transmissível?
— "Receio muito", gemeu a voz de meu amigo, "você não leu os jornais da semana passada?"
— O quê? — perguntei com a aflição já engatilhada.
— A descoberta do capim!
Não tinha lido tão importante notícia, e o meu amigo explicou-me: um sábio, creio que dinamarquês, chegou à conclusão de que o capim é um dos melhores alimentos do homem. Meu amigo não me explicou que se tratava do Homo Sapiens, do Everlasting Man, de Chesterton, ou do Homo postconciliarius. Seja como for, dentro de quatro ou cinco anos teremos a humanidade de quatro e espalhada nos pastos.
* * *
Estas reflexões amaríssimas, como diria o "agregado" de Machado de Assis, vieram-me hoje ao espírito depois da leitura de La Documentation Catholique, e principalmente depois da casual leitura de um volume encontrado entre outros livros de vinte anos atrás: O personalismo, de Emmanuel Mounier.
Nunca lera nada desse personagem que fundou a revista Esprit e que fez escola. Abri a página 42 da tradução editada pela Livraria Duas Cidades e li: "O homem é um ser natural". Detenho-me nesta proposição seguida desta outra: "Será somente um ser natural?" E depois: "Será, inteiramente, um joguete da natureza?" Ora, é fácil de ver que nenhuma dessas proposições têm sentido, e nenhuma conexão se percebe entre elas. Ou então, se o leitor quiser ser mais exato, diremos que todo aquele fraseado joga com a polivalência te termos equívocos pretendendo com essa confusão transmitir ao desavisado adepto do "personalismo" um sentimento de profundidade ou de rara acuidade. O que quer dizer "um ser natural"? Dotado de natureza própria todos os seres o são, desde o átomo de hidrogênio até Deus. Tenho diante dos olhos o dorso de um livro de Garrigou-Lagrange: Dieu, son existance et sa nature. Logo, Deus é um ser natural. Se por natural se entende tudo o que pertence ao Universo criado, todos os seres, exceto o Incriado, serão seres naturais: a água, um gato, São Miguel Arcanjo. Se o termo natural se contrapõe a artificial, todos nós sabemos que um homem não é montado como um rádio de pilha, ou como uma máquina de costura. Logo, é um ser natural. Mas não se entende por que razão foi preciso fundar Esprit, lançar o progressismo, atirar-se nos braços do comunismo, comprometer Jacques Maritain, excitar tanta gente em torno de tão óbvia proposição.
Emmanuel Mounier já morreu coberto de glória há mais de dez anos. Podemos tranqüilamente dizer que era burro, apesar de tudo o que foi escrito em francês a seu respeito, como já podemos dizer tranqüilamente que Teilhard de Chardin era meio tantã. Dentro de cinqüenta anos ninguém mais saberá em que consistiu o "personalismo" de Mounier, ou o "phenomène humain" de Teilhard de Chardin. Essas obras foram o consolo e a volúpia de muitos leitores que, não entendendo nada do que liam, ao menos se aliviavam com este pensamento balsâmico: todos os livros são escritos para ninguém entender. E assim os idiotas do mundo tiveram um decênio ou dois de júbilo.
Passarão esses autores, mas se é verdadeira a descoberta das propriedades do capim, muitos novos autores surgirão a perguntar "se o homem é um ser natural". Já se houve o tropel... Mas — quem sabe — talvez o próprio capim, entre suas virtudes estudadas em Estocolmo ou Copenhague, entre duas Pornôs, traga uma espécie de calmante que nos devolva o genial tipo clássico do burro que se conhecia e que não fundava revistas católicas nem rasgava novos horizontes para a Igreja.
*Publicado originalmente em O Globo, 22/08/70
**Extraído do site https://permanencia.org.br/drupal/node/40 (uma coletânea de genialidades)
A INTERNET ESTÁ AMEAÇADA? - 14/12/2018
A propósito do art. 13 da Diretiva da União Europeia sobre Direitos Autorais.
Difícil imaginar a vida hoje sem a internet. Pessoas físicas e jurídicas estão conectadas a maior parte do tempo através de vários tipos de dispositivos. Modelos de negócios foram criados tomando por base a rede mundial de computadores e a possibilidade de se alcançar, potencialmente, qualquer pessoa conectada à rede em qualquer ponto do globo terrestre é um dos grandes diferenciais da rede, além da sua liberdade.
A internet foi pensada para ser um território livre, no qual as pessoas podem transitar sem limites geográficos ou políticos. Porém, a liberdade da rede vem sendo diminuída gradativamente ao longo dos anos em diversos pontos do planeta. A China tenta controlar o tráfego da internet em seu território. Cuba da mesma forma. Entre outros países.
Os países Europeus integrantes da União Europeia, em sua maioria conhecidos como países democráticos e que prezam pela liberdade, demonstraram, através do Parlamento Europeu, uma tendência que pode colocar em risco a internet como estamos acostumados a ter ou a imaginamos que ela seja.
Em diversos canais do Youtube e blogs surgiu nos últimos dias a polêmica gerada pelo artigo 13 aprovado (ou em vias de aprovação) pelo Parlamento da União Europeia. O que é esse artigo? Qual a repercussão para a Europa e para o mundo?
O documento sobre a Diretiva de Direitos Autorais do Parlamento Europeu, com a redação ora conhecida, foi aprovado em 12 de setembro de 2018 e ainda precisa ser internalizado nos ordenamentos jurídicos dos países membros (28 nações). A argumentação para a aprovação do projeto foi a modernização das regras de proteção ao direito autoral (copyright). Pelo menos essa é a motivação externa do projeto, motivação a ser exposta como argumento para o convencimento dos parlamentares e da população dos países membros.
O que preocupa os usuários e os produtores de conteúdo para a internet são as externalidades negativas desse tipo de regulação. Qual a consequência mais provável do referido projeto? Proteger os produtores de conteúdo fazendo com que eles recebam pelo que produzem? Ou isso irá inviabilizar a continuidade de modelos de negócios que foram formatados tendo como referência o modelo tradicional da internet? Ou o pior, tolherá a liberdade de expressão? Existirão mais externalidades positivas ou negativas?
É sempre um grande desafio elaborar uma regulação inteligente e efetiva que permita o desenvolvimento de novos projetos e a manutenção dos já existentes, que promova o desenvolvimento de riqueza para os empreendedores. Se pensarmos nos modelos das Agências Reguladoras, existentes em vários países, tais como Portugal, Espanha, França, Estados Unidos da América, Brasil, entre outros, há vários estudos [1] que comprovam que a regulação realizada pelas Agências Reguladoras tendem a beneficiar os players já existentes no mercado, mormente os grandes, dificultando ou impossibilitando o ingresso de novas empresas para aumentar a concorrência, criando, de fato, uma reserva de mercado. Reserva essa extremamente prejudicial para a coletividade.
Em carta aberta aos criadores de conteúdo, Susan Wojcicki, CEO do Youtube, explica os efeitos nefastos do art. 13, caso esse dispositivo legal seja internalizado nos países que compõem a União Europeia. Em um trecho de sua carta aberta, Susan alerta para o impacto negativo nos pequenos canais da plataforma.
Da diretiva de direitos autorais, o artigo mais polêmico e problemático é o 13. Este prevê que a plataforma que hospedar conteúdo que contenha áudio e/ou elementos visuais que não sejam de propriedade (ou que este tenha licença de uso) do produtor do vídeo, responderá por violação aos direitos autorais, podendo, inclusive, ser demandada judicialmente. Pode-se imaginar o impacto desse tipo de regulação nas plataformas de canais como o Youtube, o que impactará milhares de pessoas e empresas que tenham canais na referida plataforma. Alguns especialistas em internet chegam a afirmar que será o fim das redes sociais.
Em uma carta endereçada ao Parlamento da União Europeia sobre o art. 13 da Diretiva sobre Direitos Autorais da UE, Vint Cerf, pioneiro da internet, Tim Berners-Lee, inventor da WWW, entre outros ilustres assinantes da missiva, alertaram para o perigo da aludida diretiva, que, de acordo com os subscritores da carta, acabará com a liberdade pensada pelos criadores da rede mundial de computadores e defendida pelos usuários, pois obrigará as plataformas a filtrar os conteúdos antes da publicação do upload e, com isso, transformará a internet, pensada para ser uma plataforma aberta para compartilhamento e inovação, em uma ferramenta para a vigilância automática e de controle dos seus usuários.
Ainda de acordo com os autores da referida carta, serão prejudicados vários tipos de aplicação, entre os quais aqueles que compartilham fotos, textos, códigos de computador para plataformas abertas de colaboração como Wikipedia e GitHub.
Na prática, tomando como exemplo o Youtube, que de longe é a plataforma com maior alcance mundial, os vídeos que ali forem carregados passarão previamente por um filtro, obrigado os produtores dos vídeos a comprovarem se têm a licença daquele conteúdo, seja um logotipo que aparece ou uma música de fundo. Não se precisa conhecer muito de internet para imaginar o impacto dessa medida, que prejudicará milhões de pessoas e forçará empresas de internet a deixar de operar em território da União Europeia.
Então, por que uma regulação tão prejudicial aos usuários da internet foi aprovada pela União Europeia? Essa questão pode ser explicada através da atuação dos grupos de interesse que, através do exercício do lobbying, organizaram-se e juntos ao Parlamento da União Europeia fizeram pressão junto a cada parlamentar e setores técnicos do parlamento para viabilizar a aprovação da medida, por mais prejudicial que seja para a maioria da população, usuários, produtores de conteúdo, empreendedores e empresas daquele bloco. Geralmente essa é a dinâmica do lobby junto aos reguladores. Fenômeno esse, da captura do regulador, estudado pela academia mundo afora.
E quem é esse grupo de interesse ou quem são esses grupos de interesse? Até o presente momento não consegui identificar concretamente quem possam fazer parte desse grupo ou desses grupos de interesse. Porém, já se pode constatar um traço em comum entre eles: são pessoas físicas e/ou jurídicas que se sentem ameaçadas com a internet livre. Colocando de outra forma, são pessoas físicas e/ou jurídicas que ou se sentem ameaçadas ou que já sofreram algum dano nos seus interesses pelo formato atual da internet no território da União Europeia e que pretendem preservar o seu espaço de atuação e/ou recuperar o espaço já perdido.
Além desses traços semelhantes que podem ser utilizados para identificar os componentes do(s) grupo(s) de pressão ou de interesse, esse(s) grupo(s) de interesse detém força política e/ou econômica suficiente para conseguir exercer influência sobre o regulador, no caso deste artigo, sobre o Parlamento da União Europeia.
E essas características em comum dos componentes do(s) grupo(s) de interesse podem apontar para diversos setores, entre eles grandes conglomerados da mídia tradicional que perderam bastante espaço nos últimos anos para canais independentes criados e exibidos na internet; grupos políticos tradicionais, que perderam influência junto ao eleitorado enquanto que as pessoas que antes não tinham espaço para apresentar as suas propostas políticas, com a internet conseguiram esse locus com alcance praticamente ilimitado, mudando inclusive o resultado de eleições, antes dominadas pelos políticos tradicionais ou já instalados no poder há muitos anos.
Independente dos grupos de interesse que tenham atuado junto ao Parlamento da União Europeia, o resultado prático do artigo 13 da Diretiva de Direitos Autorais será a enorme limitação da liberdade da internet, desnaturando a própria rede mundial de computadores no território da União Europeia. E a limitação da liberdade, com a responsabilização das plataformas pelos direitos autorais eventualmente infringidos, acarretará o fechamento de vários empreendimentos naquele território, pois a mudança regulatória fere total e mortalmente a lógica dos negócios digitais, infligindo um ônus desproporcional às plataformas pelo controle e fiscalização de todo o conteúdo ali postado.
A legislação atual já responde bem ao propósito da proteção dos direitos autorais, pois é possível responsabilizar diretamente a pessoa que produziu o conteúdo disponibilizado na internet que eventualmente infrinja o direito autoral. Não há necessidade de infligir um ônus gigantesco às plataformas que hospedam os conteúdos produzidos pelos internautas. E esse ônus resultará, se o artigo 13 for incorporado aos ordenamentos jurídicos nacionais dos países membros da União Europeia, na extinção de vários negócios com a redução drástica de receita para indivíduos, empresas e, consequentemente, diminuição na arrecadação tributária incidente sobre os produtos digitais para os Estados nacionais.
Diante da preponderância das externalidades negativas sobre as positivas (arrisco afirmar que não há uma externalidade positiva), essa regulação não deveria ser aprovada pelo euro-parlamento e muito menos internalizada pelos 28 países membros da União Europeia. O art. 13 funcionará como o fundamento legal, na União Europeia, para uma grande censura na produção e divulgação de conteúdos pelas plataformas da internet, limitando sobremaneira (para não falar em eliminação mesmo) a liberdade individual de pessoas e empresas. E o pior, isso poderá contaminar toda a internet, globalmente, não apenas no território da União Europeia, bem como esse modelo de regulação pode ser copiado e replicado em outros blocos econômicos ao redor do mundo, o que poderá resultar em um retrocesso da liberdade de expressão ao período pré-internet, período esse no qual a mídia tradicional detinha o monopólio da informação e era grande influenciadora da dita opinião pública.
Somente a organização dos interessados, em grupos de pressão, pode vir a barrar a implementação do artigo 13 nos ordenamentos nacionais dos países membros da União Europeia. Apenas com ação estratégica, através do lobbying, que os interessados (produtores de conteúdo, usuários, consumidores, empresas e cidadãos) conseguirão fazer pressão efetiva, quer no parlamento da União Europeia, quer nos parlamentos locais, para, ou revogar a medida ainda no euro-parlamento, ou para evitar a internalização do referido diploma legal nos ordenamentos jurídicos de cada país. Hoje essa ameaça está na União Europeia, amanhã, se nada for feito de forma eficaz para barrar essa tentativa de censura, será em blocos de países de outros rincões do globo. O alerta está dado.
P.S.: Há uma página no Facebook de nome Embaixada da Resistência que formulou um texto sucinto dando uma explicação acerca do art. 13, bem como um vídeo (que consolida vários vídeos sobre o tema) que apresenta, de forma bastante didática, o mencionado dispositivo legal. Para assistir ao vídeo, clique aqui.
AFINAL, O PRESIDIÁRIO CURITIBANO É UMA CAUSA E UM MITO? - 14/12/2018
O ex-presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, durante a visita de uma comitiva petista à sua chácara, através de uma gravação disponível nas redes sociais, sentenciou solenemente: “Lula não é uma pessoa, é uma causa. Estão construindo um mito”.
Por incrível que pareça, o agricultor montevideano tem lá uma fração de acerto, diminuta, é verdade, mas tem. Contudo, para que possamos melhor elucidar esta sua digamos, profecia, alguns reparos se fazem necessários. Antes, porém, é necessário proceder numa correção.
O detento que desfruta de generosos 15 metros quadrados de cela com direito a banheiro privativo, acesso a livros, duas janelas e cama com colchão no quarto andar de um prédio da melhor alvenaria que dispõe de segurança 24 horas, portarias e é mantido bem vigiado junto à Rua Professora Sandália Monzon, número 210, na aprazível Curitiba, permanece uma pessoa. Tanto que “recebe visitas familiares e sociais semanais (inclusive de integrantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal), além de atendimento médico”, conforme assinalou a juíza Carolina Lebbos em recente e acertada decisão.
Procedida esta atualização, passamos aos pequenos ajustes iniciando por aquele que diz respeito à “causa”. Sem dúvida, o encarcerado curitibano materializa uma. Esta, a par de pública e notória, tem seus laços praticamente algemados a três importantes ramos do Direito Público, a conferir: Penal, Processual Penal e Penitenciário.
Acerca do primeiro, basta lembrar que a condenação de um ex-presidente pela prática criminosa de lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores é inédita na República. Em termos processuais, cabe enfatizar que todas as decisões desta ação, da sentença proferida pelo ex-juiz Sérgio Moro, passando pelo acórdão unânime do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e desaguando no despacho contundente do ministro alemão naturalizado brasileiro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), resultaram numa sólida jurisprudência. Por fim, na seara penitenciária, atualmente a mais badalada, o prontuário da “causa” registra desde visitas de familiares até “inspeções” por congressistas, aconselhamentos eleitorais e bilhetinhos manuscritos.
Para encerrar, no que concerne ao “mito”, trata-se mesmo de um, mas relacionado ao “mundo do crime”. Afinal, não é qualquer condenado que pode se jactar de possuir um veredicto de 560 laudas ornado com 65 referências aludindo “organização criminosa”, outras 145 com “corrupção passiva” e mais 78 por “esquema criminoso”. Isso, convenhamos, não é patamar para ladrão bissexto ou pé-de-chinelo. É uma deferência, uma pompa às inversas para quem prometeu solenemente "cumprir a Constituição e observar as leis" (art. 78 da Constituição Federal) e depois a traiu em troca de um apartamentão triplex.
INSPEÇÃO PRISIONAL? PARA QUÊ? - 12/12/2018
A juíza Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, indeferiu um pedido manifestamente infundado subscrito pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal para inspecionar, mais uma vez, a cela do ex-presidente encarcerado.
No seu despacho, a magistrada salientou que a pretensão de suas excelências aparentava “operar-se em desvio de finalidade, cuidando-se, em verdade, de visita meramente protocolar ou social”. Noutro trecho, a juíza referiu que na ausência de qualquer denúncia de ofensa a direitos humanos em relação ao condenado, o pedido causava “estranheza”. Por fim, para fulminar o convescote, a juíza salientou que “O único preso a ser avaliado já conta com defesa composta por grande número de advogados, com acesso bastante frequente ao local de custódia. O mesmo preso recebe visitas familiares e sociais semanais (inclusive de integrantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal), além de atendimento médico, não sendo reportada qualquer anormalidade”.
Foi o que bastou para uma turba de sites e blogueiros tatuados pelo déficit civilizatório irrogar ofensas à sentenciante. Incansáveis nas suas expressões de sarjeta, esses rebotalhos virtuais sistematicamente ignoram que o respeito ainda é uma premissa elementar de convivência humana. Não se contentando em perpetuar seu barulho digital enfadonho, infantilizado e quase sempre nocauteando o vernáculo, os ataques perpetrados mais uma vez trombetearam sandices e heresias jurídicas.
Sobre os parlamentares “indignados” pelos efeitos da irrepreensível decisão judicial, vale ressaltar que dois pontos comuns os identificam. O primeiro é que daqui a pouco mais de um mês a maioria integrará um pelotão de ex-senadores, sendo que alguns foram desterrados pelos eleitores, outros por seus próprios partidos e um punhado eleito para atuar em Executivos. O segundo é que o desempenho legislativo da maioria é de uma inexpressão aviltante capaz de indignar o mais humilde dos contribuintes.
Especificamente no que concerne à defenestrada “inspeção”, implicava a mesma numa afronta a diversos preceitos de ordem pública. Afinal, forçar comitivas inúteis, além de causar um tumulto sem precedentes na história do Direito Penitenciário brasileiro e na própria superintendência policial, é um desperdício de recursos públicos que, embora permanentemente escassos, seguem sendo financiados diuturnamente pelos trabalhadores e pela sociedade produtiva.
Resumo da ópera: um ato ocioso e impulsionado por subterfúgios restou legalmente frustrado. E o tom do recado dado foi certeiro: uma comissão do Senado Federal não pode superestimar seu poder de fiscalizar arvorando-se das competências do Poder Judiciário e dos órgãos dotados de atribuições para manter as garantias de presidiários. Em verdade, esta comissão fogo de palha seria útil ao país se se preocupasse em inspecionar a falta de tratamento sanitário ou as filas dos hospitais e postos de saúde, situações inocultáveis que infernizam parte da vida de milhões de brasileiros.
* *Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado e professor de Direito Eleitoral.
1o CONGRESSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO PRÓ-SOCIEDADE - 04/12/2018
NOTA DO EDITOR
É promissora para a sociedade a notícia de que membros do Ministério Público constituem associação para conceber formas de tornar mais efetivas suas atribuições constitucionais voltadas para a defesa e proteção da sociedade.
Os membros do Ministério Público brasileiro, reunidos no 1º Congresso do Ministério Público Pró-Sociedade, realizado na sede da Fundação Escola Superior do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, em Brasília, DF, nos dias 29 e 30 de dezembro de 2018,
CONSIDERANDO que, segundo a Constituição da República, o Ministério Público é função essencial à justiça, incumbe-lhe defender a ordem jurídica, o regime democrático e os direitos sociais e individuais indisponíveis dos brasileiros;
CONSIDERANDO que as funções do Ministério Público devem-se exercer em prol dos indivíduos, das famílias e da Sociedade;
CONSIDERANDO que o Ministério Público não deve ser "agente de transformação social", pois é a Sociedade que tem legitimidade para se transformar;
CONSIDERANDO que os representantes eleitos pelo povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte, instituíram um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma Sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgando, sob a proteção de Deus, a Constituição da República de 1988;
CONSIDERANDO que toda atuação do Ministério Público deve fundamentar-se na ordem, na liberdade e na justiça, conforme estabelecido pelos legítimos representantes eleitos pela Sociedade, desde a Constituição e até a legislação infraconstitucional;
CONSIDERANDO que as ideologias são dogmáticas que colocam objetivos e doutrinas seculares no lugar de objetivos e doutrinas religiosas; e que prometem derrubar “dominações presentes” para erigir novas formas de dominações;
CONSIDERANDO que as ideologias estão fundamentadas apenas em ideias, sonhos, abstrações em oposição à concretude dos fatos, da realidade, da verdade;
CONSIDERANDO que as ideologias buscam impor de formas variadas – derramamento de sangue, destruição da religião, da cultura, da moral, do direito etc. - revoluções que destroem a ordem, a liberdade e a justiça, para, sobe os seus escombros, construir Sociedades totalitárias; CONSIDERANDO que a “ideologia de gênero” é experimento totalitário de engenharia social que destrói a identidade natural do ser humano, usando as escolas como laboratórios e os estudantes (crianças e adolescentes) como cobaias;
CONSIDERANDO que, apesar de sua universalidade e oponibilidade, não apenas ao Estado, mas a qualquer pessoa ou entidade, os direitos humanos das vítimas têm sido relegados ao desprezo e ao esquecimento;
CONSIDERANDO a afirmação do psiquiatra Anthony Daniels, conhecido pelo pseudônimo Theodor Dalrymple, na obra “A pobreza do mal”, no sentido de que “a única causa inquestionável da violência, tanto política como criminosa, é a decisão pessoal de a cometer”;
CONSIDERANDO que conservadorismo não é ideologia, mas expressão da realidade pautada na ordem, na liberdade e na justiça; e
CONSIDERANDO que as Sociedades não desejam que a ordem, a liberdade e a justiça sejam destruídas para, sobre seus escombros, erigirem-se utopias ideológicas de qualquer natureza,
RESOLVEM aprovar e tornar público aos demais membros do Ministério Público e à Sociedade brasileira os seguintes enunciados:
Enunciado 1 – O Ministério Público deve zelar pelos fundamentos do Estado Democrático de Direito, instituído pela Constituição, notadamente: a soberania, a cidadania, a dignidade humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, o pluralismo político (art. 1º, caput, incisos I ao V, da Constituição).
Enunciado 2 – O Ministério Público deve promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, religião, filosofia, política, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. 3º, inciso III, da Constituição).
Enunciado 3 – O Ministério Público deve defender a inviolabilidade dos direitos à vida, desde a concepção, à liberdade, à igualdade, à propriedade, à segurança (art. 5º da Constituição).
Enunciado 4 – O Ministério Público deve proteger especialmente a família como base da Sociedade (art. 226 da Constituição).
Enunciado 5 – O Ministério Público deve garantir que a Constituição e as leis sejam aplicáveis também nas salas de aula de escolas e universidades.
Enunciado 6 – É dever do Ministério Público assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (art. 227 da Constituição).
Enunciado 7. O Ministério Público deve reconhecer que as crianças e os adolescentes são pessoas em desenvolvimento e lhes garantir que não sejam expostas a conteúdo pornográfico ou obsceno, a fim de lhes preservar a sua integridade e dignidade sexual, em todo o território nacional, inclusive em salas de aula, eventos artísticos etc. (art. 227 da Constituição).
Enunciado 8 – O Ministério Público deve reconhecer que, nas relações escolares e acadêmicas, os estudantes (crianças, adolescentes), por ser pessoas em desenvolvimento, estão em situação de vulnerabilidade diante de professores e autoridades.
Enunciado 9 – O Ministério Público deve garantir aos pais, e quando for o caso aos tutores, o direito a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja acorde com suas próprias convicções (art. 12, item 4, da Convenção Americana dos Direitos Humanos, incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto nº 678/1992).
Enunciado 10 – O Ministério Público deve garantir à criança e ao adolescente o direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-lhes a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; direito de ser respeitado por seus educadores; direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores; o direito de organização e participação em entidades estudantis; o acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência (art. 53, incisos I ao V, do Estatuto da Criança e do Adolescente).
Enunciado 11 – O Ministério Público deve garantir aos pais ou responsáveis por crianças e adolescentes o direito a ter ciência do processo pedagógico, bem como de participar da definição das propostas educacionais escolares (art. 53, parágrafo único, do Estatuto da Criança e do Adolescente).
Enunciado 12 – O Ministério Público deve proteger a dignidade da criança e do adolescente de “práticas pedagógicas” abusivas, entendidas, entre outras condutas, a estimulação sexual, a doutrinação ideológica, política ou partidária, ainda que a pretexto educacional, promovendo a responsabilização administrativa, cível e criminal dos atos abusivos (art. 1º, inciso III, da Constituição, 927 a 954 do Código Civil, 225 a 258-C do Estatuto da Criança e do Adolescente).
Enunciado 13 – O Ministério Público deve garantir aos pais ou responsáveis o acesso à informação e ciência do conteúdo das aulas ministradas aos seus filhos ou incapazes sob guarda, tutela ou curatela, inclusive mediante registro audiovisual, para cumprimento dos direitos e deveres inerentes ao poder familiar, guarda, tutela ou curatela (art. 5º, inciso XIV, da Constituição, 1.630 a 1.638, 1.728 a 1.783 do Código Civil, 33 a 38 do Estatuto da Criança e do Adolescente).
Enunciado 14 – O Ministério Público deve, perante a existência de indícios de que as escolas estão sendo usadas para fins de estimulação sexual, doutrinação ideológica, política ou partidária, adotar as medidas destinadas a prevenir e reprimir a ocorrência de lesão aos direitos da criança e do adolescente, no termos do Estatuto da Criança e do Adolescente (art. 70).
Enunciado 15 – O Ministério Público, diante de indícios de alienação parental com participação de professor ou autoridade escolar, deverá tomar as medidas adequadas à proteção dos direitos da criança e do adolescente e ao exercício do poder familiar, guarda ou tutela (art. 2º, caput, parágrafo único da Lei nº 12.318/2010).
Enunciado 16 – O Ministério Público deve reconhecer que as liberdades de informação, opinião e expressão nos meios de comunicação em geral, inclusive na internet, consubstanciam direito humano à comunicação, que não devem ser objeto de censura ilícita, a pretexto de combate, por exemplo, a “fake news” ou “notícias falsas”.
Enunciado 17 – O Ministério Público deve zelar pelo respeito dos poderes públicos e dos serviços de relevância às liberdades de informação, opinião e expressão, que consubstanciam direito humano à comunicação.
Enunciado 18 – O Ministério Público deve combater toda forma de censura ilícita às liberdades de informação, opinião e expressão nos meios de comunicação social, inclusive na internet.
Enunciado 19 – Os participantes do 1º Congresso do Ministério Público Pró-Sociedade solicitarão ao Conselho Nacional do Ministério Público, ao Conselho Nacional dos Procuradores-gerais de Justiça e aos Ministérios Públicos que instituam, nas suas respectivas estruturas, comissão de defesa dos direitos humanos das vítimas.
Enunciado 20 – Os participantes do 1º Congresso do Ministério Público Pró-Sociedade solicitarão que, nos eventos de qualificação profissional promovidos pelos ramos do Ministério Público, pelas suas escolas vinculadas e pelo Conselho Nacional do Ministério Público, deve-se garantir a pluralidade de informações, opiniões e ideias mediante incentivo do debate de diferentes visões de proteção da Sociedade.
Enunciado 21 – Os participantes do 1º Congresso do Ministério Público Pró-Sociedade apoiam o Efetivismo Penal, mediante implantação de novas políticas e alterações legislativas criminais que resultem no aumento da eficácia do sistema socioeducativo, dentre elas, a redução da maioridade penal para 16 anos e a definição dos tipos penais sobre os quais deve incidir a regra do aumento do tempo de cumprimento das medidas, cujos limites precisam ser debatidos.
Enunciado 22 – O Efetivismo Penal repudia a política de soltura indiscriminada de criminosos e recomenda a diminuição da lotação carcerária mediante criação de vagas no sistema prisional, com os recursos existentes no Fundo Penitenciário Nacional.
Enunciado 23 – O Ministério Público deve reconhecer que a prática do crime é, essencialmente, uma decisão pessoal.
Brasília, 30 de novembro de 2018.
Ailton Benedito de Souza
Procurador da República
Relator
Renato Barão Varalda
Promotor de Justiça – MPDFT
Coordenador do Congresso
Adriano Alves Marreiros
Promotor de Justiça
Coordenador do Congresso
INSULTO NATALINO - 01/12/2018
Indulto, do latim indultus, é sinônimo de perdão aos condenados. O bem lançado voto do ministro Luís Roberto Barroso na sessão de 28 de novembro do Supremo Tribunal Federal enfatizou que o decreto presidencial indultando malfeitores e facínoras de variados naipes “reduziu prazo de cumprimento de pena para ser beneficiado pelo indulto para apenas 1/5, onde tradicionalmente era 1/3, além de ter abolido o teto máximo de condenação para fins de indulto, o que nunca havia ocorrido". A tese do relator, contudo, não foi suficiente. Por 6 votos a 2, a maioria já estabelecida no STF está condescendendo libertar uma multidão de corruptos e assassinos.
O Executivo abreviar o período do cumprimento de pena estabelecido pelo Judiciário já é, por si só, uma modalidade de intromissão de um poder no outro. O que se dizer então quando a estrutura penitenciária e a justiça criminal de um país se mostram falidas? No mínimo, que o indulto é uma bofetada na sociedade, nas vítimas, em seus familiares, nos policiais e nas autoridades que cumpriram a lei, algumas delas inclusive arriscando suas vidas para prender, julgar e encarcerar seres abjetos e por vezes irrecuperáveis, incluídos nesta fauna os trancafiados por corrupção e crimes de colarinho branco.
De mais a mais, sendo o perdão das penas uma tradição que se tornou incongruente diante das estatísticas bélicas de violência, como tolerar esta aberração que é veiculada por meio de um benefício coletivo? Talvez os números oficiais possam auxiliar parte da resposta.
A edição do balanço Justiça em Números 2018 preparado pelo Conselho Nacional de Justiça informou que ao final de 2017, portanto um ano atrás, havia 1,4 milhão de execuções penais pendentes, sendo 358 mil delas iniciadas em 2017, e que mais da metade dessas execuções (232,5 mil, ou 65%) implicavam em pena privativa de liberdade (cadeia). Evidentemente que essas referências foram vitaminadas de lá para cá, inclusive, é óbvio, com a participação de muitos daqueles indultados anteriormente.
Também causa perplexidade, no momento de um julgamento desta magnitude, o fato daquela pomposa publicação não trazer nenhuma linha mais crua abordando os números de homicídios, latrocínios, tráfico de drogas, sequestros e pedófilos, os quais foram sutilmente diluídos numa rubrica geral. Aliás, a retórica insossa do documento do CNJ afirmando que “A eficiência do serviço prestado pelo Judiciário é exigência do cidadão e obrigação do Estado” (p. 5) sucumbe frente o insulto natalino ora em debate no STF.
Acerca dele, é oportuno sublinhar que além da maioria da população, uma respeitável parcela de juristas se manifestou no sentido de que o Poder Público não deveria indultar indiscriminadamente, muito menos com a aquiescência do Supremo Tribunal Federal. Porém, a folha corrida dos criminosos não parece preocupar o STF, tampouco o que eles representam de ruim para a ordem pública sendo soltos.
Sendo assim, e se é certo, de um lado, que as solturas não determinarão o aniquilamento do Brasil, não é menos exato, de outro, que as mesmas engrossarão não apenas os percentuais, mas também os gastos públicos em torno daqueles que, infelizmente, logo retornarão às atividades criminosas. Por conta disso, urge que o presidente eleito, uma vez empossado, modifique ou revogue este abominável decreto e o Congresso Nacional restrinja anistias, graças e indultos, excrescências datadas do Império que estimulam criminosos ante a certeza de que castigos legais serão abreviados.
• Advogado e professor de Direito Eleitoral.
POR QUE DESESTABILIZAR O NOVO GOVERNO - 01/12/2018
A "Via Pacífica" para a conquista do poder desmoronou, permanecendo, ainda, a opção de ser usada a aplicação da doutrina do Gene Sharp
CENÁRIO: "A esquerda foi derrotada nas eleições presidenciais de outubro 2018 e encontra-se dividida em função das ações políticas radicais do Partido dos Trabalhadores. A "Via Pacífica" para a conquista do poder desmoronou, permanecendo, ainda, a opção de ser usada a aplicação dadoutrina do Gene Sharp em uma primeira fase (Preparação) e/ou a guerra híbrida em seu modo soft (forma não violenta: protestos, manifestações sindicais, uso dos movimentos sociais) para a tomada do Poder, ou em seu modo hard (forma violenta para a tomada do Poder). Tudo indica já ter sido escolhido, no passado, o segundo estilo, devido a violência nas manifestações e protestos de 24 de maio de 2017 e as reações da militância à prisão de Lula.
HISTÓRIA: Para a revolução ser vitoriosa não bastam a indignação e a revolta popular. É preciso, antes de tudo, que o movimento de massas seja guiado por uma teoria revolucionária e dirigido por uma vanguarda organizada.
Em sua "teoria do murro no paralítico" Lenine prescreve a desagregação da máquina do Estado, antes do golpe de força. Trata-se de aumentar a indecisão governamental e de "apodrecer" as instituições e os grandes órgãos do Estado. "Todos os meios são bons, se conduzem ao fim"
REALIDADE- A situação vivida, na atual conjuntura brasileira, indica que estão acontecendo atividades de guerra híbrida no Brasil, visando a conquista do Poder, portanto, já não se trata de uma teoria, mas, sim de uma afirmação. Senão vejamos:
- "Um eventual governo Bolsonaro pode reagir mal a manifestações de oposição e ameaçar a democracia, por um processo que não sabemos onde pode terminar;"
- denúncias nos órgãos multilaterais (ONU, OEA, e etc.) denegrindo autoridades, propostas do novo governo, e as atividades do Poder Judiciário;
- uso das redes sociais para denegrir o país na área internacional;
- retirada abrupta dos médicos cubanos pelas autoridades de Havana, com a intenção de auxiliar a uma oposição radical na luta para desestabilizar o novo governo. "Ministro diz que retirar médicos cubanos do país foi "decisão hostil";
- ativismo de minorias (Quilombola, Indígenas, MST, o MTST - Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, LGBT);
- articulação na política internacional, como a retomada de Dilma de sua rotina de viagens internacionais para detonar o Brasil às custas do contribuinte;
- utilização violenta de paramilitares, táticas terroristas, conexões com traficantes de drogas e criminosos , insurgência urbana, com a intenção de desestabilizar o governo, de desmoralizar as autoridades constituídas, os órgãos de segurança pública, e atemorizar a população;
- possibilidade de ações de agroterrorismo, e,
- probabilidade de atentado contra o presidente eleito.
- Guerra Psicológica Midiática realizada pela grande mídia (Televisada e escrita). Esses experts se aproveitam do fato midiático, obtido por intermédio do emprego planejado da propaganda e da ação psicológica, para direcionar a conduta das pessoas contra o novo governo. Segundo J.R. GUZZO no artigo"Resistentes": "Não se trata simplesmente de fazer oposição. Trata-se de anunciar ao Brasil que os derrotados não aceitam o resultado estabelecido pelos eleitores; não valeu, dizem eles, porque só a gente tinha o direito de ganhar... pois não dá para ninguém pensar a sério, realmente, que o Sistema Lula-¬PT-Esquerda vá resistir a alguma coisa gritando "Bom dia, presidente Lula", na frente da cadeia de Curitiba... é como se Bolsonaro tivesse perdido as eleições e o PT tivesse ganhado... . Na mesma emissora, uma apresentadora subiu um degrau a mais no "nível de lutas", como se diz, e falou na necessidade de sabotagem. "Vamos sabotar as engrenagens deste sistema de opressão", pregou ela no ar. "Vamos sabotar este sistema homofóbico, racista, patriarcal, machista e misógino."
É impossível falar de desestabilização de governos e descrédito de autoridades sem mencionar o nome de Gene Sharp, e a teoria do caos.
O pensador estadunidense defende em sua obra a luta não violenta, travada em diversos campos como o social, político, econômico, psicológico e conduzida pelas camadas populares ou mesmo por instituições. O processo ocorre através de protestos, greves, boicotes e marchas. Com uma única meta: a subversão da ordem, a derrocada de determinado governo. ONGs insuflam a população contra o governo, que saem para a rua de forma "espontânea" e pelos valores "democráticos".
As revoluções coloridas na Ucrânia; na Eurásia, em países da antiga União Soviética; e a primavera Árabe consistem em grandes exemplos dos ensinamentos de Sharp. Essas "revoluções" sempre começam com os pretextos de combater a corrupção, a fraude eleitoral, a agressão ao meio ambiente e mesmo de pautas sociais, como aumento da passagem no transporte público.
No Brasil a existência de um partido de massas facilitaria a aplicação da doutrina de Gene Sharp, na primeira fase (Preparação) das atividades de Guerra Híbrida para a tomada do Poder.
"Especialistas ligados às ciências humanas, identificam o "dedo do caos" em revoluções políticas, em transformações econômicas e na modificação de costumes e regras morais."
As atividades de Guerra Híbrida, para a desestabilização de um governo, podem ser interpretadas como a utilização da teoria do caos, visando a tomada violenta do poder.
A Violência preparada para exercer um fim fundamentalmente político, ou qualquer tipo de agressão organizada que procura causar dano, visando a interesse político, leva a atividades de Guerra Híbrida, nova via violenta para a tomada do poder, cuja campanha de preparação (Resistência não violenta de acordo com os seus adeptos) articula-se em um processo que abrange da busca do apoio externo, "apoio à insurgência", ao "aumento da insatisfação por meio de propaganda e esforços políticos e psicológicos para desabonar o governo", destacando-se também o papel central de mobilização desempenhado por algumas ONGs, sindicatos, movimentos sociais, organizações estudantis e pela mídia. Conforme cresce a insurreição, cresce também a "intensificação da propaganda; e a preparação psicológica da população para aluta armada".
É imprescindível a atenção e a participação da sociedade no momento político e social que o Brasil está vivendo, para que as ações contra o novo governo não possam passar despercebidas na busca de seus objetivos, e provavelmente adquirir uma posição política vantajosa antes que as novas autoridades e a sociedade possam perceber a situação e reagir para se contrapor a essa atividade.
É de grande importância criar novas estratégias de Defesa do Estado Democrático de Direito, justamente porque a nova realidade da luta pelo Poder não se alinha com as antigas fronteiras de relacionamento de poder existente, alterada com a mudança de foco dos conflitos com o surgimento da Guerra Híbrida.
• General de Exército da reserva / Ex-comandante do Comando Militar do Oeste, do Comando Militar do Sul, do Comando de Operações Terrestres, Membro da Academia de Defesa e do CEBRES
BASTA DE TANTA INTOLERÂNCIA! - 21/11/2018
Após as agitações eleitorais, os novos governos – federal e estaduais – começam a colocar os times em campo, para enfrentarem desafios à frente.
Disse bem o ex-ministro e governador Ciro Gomes sobre o presidente Bolsonaro: “ele comanda o avião em que todos estamos como passageiros. Sou obrigado a desejar que dê tudo certo”.
Preocupam-me os resquícios do radicalismo político-ideológico, a característica marcante da eleição de 2018.
A polarização PT e anti-PT enlouqueceu a direita radical, que considerava “esquerdinha petista”, quem não pensasse como ela e extremistas de esquerda rotulavam de “golpistas fascistas”, os que deles discordassem.
Ficaram mais perto da sensatez, aqueles que receberam epítetos, de um lado e de outro.
A campanha passou.
De agora por diante, a palavra chave deverá ser “tolerância” com ideias e propostas com as quais não haja concordância, sem prejuízo da critica, quando considerada necessária.
O radicalismo ideológico, vetos prévios, o sectarismo, ações extremadas são exemplos de intolerância.
Afinal, o que distingue a democracia de uma ditadura é a liberdade dos que discordam poderem dizer “não”, desde que assumam as consequências.
A tolerância é necessária na política, por significar valor supremo e elemento essencial da Democracia.
No atual momento nacional, exemplo incontroverso de intolerância são as ácidas críticas ao embaixador Ernesto Araújo, indicado pelo Presidente Bolsonaro para o ministério das Relações Exteriores.
“Por que” a manifestação de tanta indignação do PT e aliados, quando se trata de Embaixador, considerado competente pelos próprios colegas, afável no trato, tendo sido promovido e exercido funções importantes em governos petistas?
O seu brilhante curriculum justifica a indicação, por ter exercido as chefias de Serviços, Investimentos e Assuntos Financeiros; Negociações Extra-Regionais do MERCOSUL; Ministro-Conselheiro no Canadá e em Washington; Vice-chefia de Missão diplomática nessas mesmas embaixadas, quando ficou à frente de negociações importantes, como da tarifa do etanol e o contencioso do algodão.
Serviu ainda em Berlim e Bonn (Alemanha), entre outras funções.
As restrições baseiam-se em posições pessoais assumidas pelo embaixador Ernesto Araújo, com base em divulgações distorcidas, contra a orientação política do PT, antiglobalização e simpatia pelo presidente Trump.
Não de trata de concordar ou não com essas ideias do novo ministro, mas sim repetir Voltaire: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que disser, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”.
Quando presidi o PARLATINO (Parlamento Latino Americano) e a Comissão Mista do MERCOSUL no Congresso Nacional testemunhei o eficiente trabalho do Embaixador Ernesto Araújo, no Ministério das Relações Exteriores.
Pela vivência parlamentar que tive, recordo que o PT adotou posições ultrarradicais na política externa brasileira, a partir de 2003.
O “guru” ideológico do Presidente Lula, professor Marco Aurélio Garcia, durante treze anos, exerceu de “fato” o cargo de Ministério das Relações Exteriores. O ministro Celso Amorim apenas “carimbava” as suas decisões.
Foi Marco Aurélio Garcia quem implantou a chamada diplomacia “ativa e altiva”, com apostas na América do Sul, África, palestinos e árabes, incluindo notórias ditaduras.
A política externa passou a ser “ideológica” e “partidarizada”. Sabe-se, inclusive, que existiam discordâncias internas no próprio governo.
Em entrevista ao professor Dawisson Belém Lopes (Estado), o professor Marco Aurélio revelou um fato, que aproxima as posições atuais do Embaixador Ernesto Araújo ao deputado José Dirceu, à época chefe da Casa Civil.
Disse Marco Aurélio, que Dirceu “era muito pró-americano no começo do governo Lula” e chegou a sugerir que o embaixador americanista Rubens Barbosa fosse o Ministro de Relações Exteriores de Lula.
Somaram-se desastres na política externa petista.
Um deles é a criação em 2008, da UNASUL (União de Nações Sul-Americanas) pelos ex-presidentes Lula, Hugo Chávez (Venezuela) e Nestor Kirchner (Argentina), com o único objetivo de “esvaziar” o PARLATINO (Parlamento Latino-Americano), que não “cheirava bem” ao governo petista.
Hoje restam escombros da tal UNASUL, além de vários escândalos, com a sede do Equador praticamente fechada.
O governo brasileiro paga uma cota de US$ 4 milhões por ano e, em agosto, devia US$ 12,5 milhões.
Enquanto isso, o PARLATINO, instituição referendada por todos os países latino-americanos e que mantém parceria com o Parlamento Europeu, funciona há mais de 50 anos, sem nunca ter ocorrido escândalo em suas gestões político-administrativa, incluindo-se o período exercido pelo autor do artigo.
Outra lamentável injustiça ocorreu com a demissão sumária do Ministério das Relações Exteriores, do embaixador Antonio Patriota, que foi vítima da “intolerante” política externa petista ao manifestar-se favorável ao asilo político do senador boliviano Roger Pinto.
Dilma demitiu o ministro Antonio Patriota, para satisfazer Evo Morales, o ditador boliviano.
Diante de tantos precedentes falta autoridade ao petismo para condenar a nomeação do embaixador Ernesto Araújo.
O PT, que fala tanto em democracia, precisa aprender que na política, jamais todos pensarão da mesma maneira e sempre existirá uma parte da verdade abrigada pela tolerância.
Para Gandhi “a lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua”.
Diante de tantos precedentes falta autoridade ao petismo para condenar a nomeação do embaixador Ernesto Araújo.
O PT, que fala tanto em democracia, precisa aprender que na política, jamais todos pensarão da mesma maneira e sempre existirá uma parte da verdade abrigada pela tolerância.
O Embaixador Ernesto Araújo exerce apenas o seu direito de pensar, como da mesma maneira no passado, o “conselheiro” Marco Aurélio Garcia, conduziu a nossa política externa, voltada para alianças consideradas suspeitas, em várias partes do mundo.
Será que o embaixador Ernesto Araújo está impossibilitado de ser ministro, apenas por discordar da orientação dos governos Lula-Dilma?
É o caso dizer: basta de tanta intolerância!
Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, procurador federal – nl@neylopes.com.br – blogdoneylopes.com.br
*Publicado originalmente no Diário do Poder.
DOS DELITOS E DAS PENAS - 19/11/2018
Dias atrás, numa entrevista coletiva, o futuro ministro da Justiça do governo Bolsonaro defendeu o "endurecimento" das regras para que o sistema prisional deixe de ser “leniente” com aqueles que foram condenados por crimes graves.
Sérgio Moro está corretíssimo. É necessário, absolutamente necessário, que o Parlamento promova uma alteração nos dispositivos legais relacionados às penas daqueles delitos mais cruéis. Nessa rubrica, entre outros, se enquadram os homicídios qualificados, o latrocínio, o tráfico de drogas, os sequestros, todas as formas de extorsão e a pedofilia, ou seja, as barbaridades que os brasileiros se acostumaram a ver, ler e ouvir diariamente nos jornais e noticiários.
Na prática, penas inconsistentes, benefícios paternalistas e o regime semiaberto, além de verdadeiros deboches em relação às vítimas, aos seus familiares e policiais que arriscaram suas vidas, são lirismos jurídicos que após ficarem praticamente inalterados por mais de quatro décadas, se esgotaram. Os tempos são outros. O Brasil do terceiro milênio é um país encurralado porque não reagiu à altura da evolução dos crimes e dos criminosos.
É exatamente por conta desta omissão dos poderes públicos que o país está entre os primeiros do mundo em índices de homicídio e roubo, sendo que determinadas cidades e regiões brasileiras registram o dobro de crimes da média nacional.
Vitaminado pela impunidade, o nível de ousadia e perversidade das práticas delituosas é crescente e vem aterrorizando estados e municípios de todos os portes. Esta violência intolerável e os índices bélicos de criminalidade que a acompanham inseriram o Brasil no rol dos países mais violentos do globo. Para ter uma ideia do quanto, a sua taxa endêmica de crimes supera em três vezes a média mundial (WHO, 2004).
Cesare Beccaria (1738-1794), autor de um clássico do Direito Penal cujo nome é o título deste artigo, já frisava que “o fim das penalidades não é torturar, nem desfazer um crime que já está praticado”, mas “não existe crime sem castigo, o castigo é o efeito necessário e inelutável”.
Os séculos passaram e as assertivas do conde milanês seguem certas. No entanto, é necessário admitir que o sistema penitenciário e a justiça criminal, nos moldes como estão funcionando, infelizmente não tem sido suficientes para conter a escalada de atrocidades praticadas ininterruptamente contra os brasileiros.
Ao contrário do que pregam os céticos, os teóricos “humanistas” que jamais pisaram num IML ou os filósofos que nunca estiveram frente a frente com um assassino, o Brasil se encontra na contramão ao manter o regime semiaberto, ao não reduzir a “maioridade penal”, ao limitar as penas em 30 anos (as quais, como se sabe, raramente chegam a ser integralmente cumpridas), ao não disciplinar uma jornada diária de trabalho para os presos, ao não privatizar (e, consequentemente, não adequar) os presídios por meio de Parcerias Público-Privadas e ao desconsiderar a prisão perpétua para os crimes hediondos.
A próxima composição do Congresso Nacional terá a possibilidade de debater profundamente essas questões, todas elas, aliás, aflitivas e já materializadas em dezenas de projetos legislativos. Algo precisa ser feito. Não se quer preso em masmorra ou submetido a maus tratos, mas que as penas previstas correspondam à gravidade dos delitos praticados e alguns benefícios extintos ou reduzidos.
QUERER GRANDEZA - 18/11/2018
!Uma equivocada interpretação das tradições diplomáticas brasileiras tenta impor-nos, há muitos anos, a visão de que o Brasil é simplesmente um país grande: desistimos de ser um grande país.
No universo da diplomacia pós-moderna, que infelizmente nos apressamos a copiar a partir de modelos externos, não existe grandeza. Não existe vontade ou paixão. Não existe orgulho.
O desejo de grandeza é o que de mais nobre pode haver numa nação que se coloca diante do mundo.
Mas alguém decidiu definir a presença do Brasil no mundo por sua adesão aos "regimes internacionais", por sua obediência à "ordem global baseada em regras". O Brasil assim concebido quer ser apenas um bom aluno na escola do globalismo. Não quer nem mesmo ser o melhor aluno, pois isso já seria destacar-se demais, já envolveria um componente de vontade e grandeza que repudiamos.
Quando eu era criança, pela metade dos anos 70, ficava horas folheando um livro chamado "Atlas das Potencialidades Brasileiras" cheio de mapas de reservas energéticas e minerais, produção industrial e agrícola, etc. O subtítulo do livro dizia: "Brasil Grande e Forte". Hoje, querem colocar nas mãos das crianças livros sobre sexo, mas se vissem uma criança lendo um livro chamado "Brasil Grande e Forte" prenderiam os pais e mandariam a criança para um campo de reeducação onde lhe ensinariam que o Brasil não é nem grande nem forte, mas apenas um país que busca a justiça social e os direitos das minorias.*
Antes fosse. Se houvesse uma alternativa excludente entre grandeza e força, de um lado, justiça social e direitos das minorias, de outro, seria até válido optar por estas últimas.
Mas não há excludência. O que há é uma ideologia manipuladora que cria uma histeria permanente sobre justiça social e minorias, sem fazer absolutamente nada concreto nem pelas minorias nem pela maioria, sem nenhum compromisso em melhorar a vida real de ninguém, e que veste o manto da justiça social para roubar e tentar sair com o produto do roubo, desrespeitando tanto a justiça social quanto a justiça propriamente dita. Essa ideologia faz de tudo para destruir qualquer poder mobilizador autêntico que ela não controle, e por isso dedica-se a sufocar o desejo de grandeza associado ao sentimento nacional.
A grandeza mobiliza e organiza um povo, sentido e gera energia humana, sabidamente a mais preciosa forma de energia. Nada pior para os planos da ideologia esquerdista. A esquerda não tem o menor interesse em justiça social, mas utiliza esse conceito para contaminar a água da nação, para criar pessoas raivosas e ignorantes e assim desmobilizar o povo, proibi-lo de ter ideais, separá-lo de si mesmo, desligar a energia criativa. Justiça social, direitos das minorias, tolerância, diversidade nas mãos da esquerda são apenas aparelhos verbais destinados a desligar a energia psíquica saudável do ser humano.
A aplicação dessa ideologia à diplomacia produz a obsessão em seguir os "regimes internacionais". Produz uma política externa onde não há amor à pátria, mas apenas apego à "ordem internacional baseada em regras". A esquerda globalista quer um bando de nações apáticas e domesticadas, e dentro de cada nação um bando de gente repetindo mecanicamente o jargão dos direitos e da justiça, formando assim um mundo onde nem as pessoas nem os povos sejam capazes de pensar ou agir por conta própria.
O remédio é voltar a querer grandeza.
Encha o peito e diga: Brasil Grande e Forte.
Milhares de pequenos esquerdistas imediatamente te atacarão como formigas quando você chuta o formigueiro, mas se você resistir e não recuar eles ficarão desorientados e se dispersarão na sua insignificância, deixando aberto o campo para construirmos um país de verdade.
* Ernesto Araujo é diplomata e próximo chanceler do Brasil
** Publicado originalmente no blog do autor: https://www.metapoliticabrasil.com/blog/querer-grandeza
UM BRASIL DO LADO DE LÁ DO ESPELHO - 17/11/2018
Pablo Vittar é cotado como "mulher" mais sexy, Thammy Gretchen é cotada como "homem" mais sexy e agora só falta o Tiririca ganhar um assento na Academia Brasileira de Letras e a Jojo Todynho ganhar o concurso de Miss Brasil. Isso não é nada para um país que tem um presidiário analfabeto como Doutor Honoris Causa e um Presidente da Suprema Corte que nunca foi Juiz.
Vivemos no país do espelho, onde as imagens são invertidas pela grande mídia comprometida com a esquerda. Uma parcela do povo idolatra e pede a liberdade de um corrupto que não só roubou dinheiro, mas também os sonhos das pessoas, e ainda chamam de "criminoso" o Juiz que o condenou pelos crimes.
Mulheres escrevem cartas de amor para um ex-goleiro matador de mulher; gays idolatram Che Guevara que matava gays e ativistas negros endeusam um líder de quilombo que mantinha escravos negros, mas esquecem de todos os brancos abolicionistas que lutaram pela liberdade dos escravos, sobretudo daquela que a assinou.
Aqui o Hino Nacional, em vez de ser um orgulho, para muitos é visto como símbolo de vergonha, e o funk, carregado de letras apelativas e que fazem referência a facções criminosas é considerado "cultura". Aqui uma parada gay reúne mais gente do que uma parada militar. Espera... quem é que defende a nossa soberania, afinal? Uma tropa de travestis ou de soldados?
Que maravilha de país! Guerrilheiros recebem pensão como prêmio por assaltos, assassinatos e sequestros e um fuzil nas mãos de um bandido não representa qualquer ameaça.
Enquanto isso nossos policiais são mortos aos borbotões. Mas o que esperar de uma gente que transformou Marielle em heroína, mas esqueceu da professorinha que morreu queimada depois de salvar várias crianças de um incêndio criminoso? Isso fora os que acharam um absurdo uma policial matar um bandido que ameaçava mães na porta de uma escola.
Invasores de terras matam gado, destroem laboratórios e queimam casas em nome da "justiça social", e manifestantes queimam carros, depredam patrimônio público e saqueiam lojas pedindo "ordem". Tempos atrás foi por causa de um aumento de vinte centavos nas passagens, mas são os mesmos que clamam pela liberdade de quem lhes roubou bilhões de reais, e quando roubou, ficaram calados.
Nas universidades, que deveriam ensinar os alunos a serem produtivos, doutrinam com base nas filosofias de um vagabundo improdutivo chamado Marx. Mulheres gritam contra o feminicídio, mas defendem a morte de inocentes no ventre. Feministas pedem respeito expondo as genitálias e expondo cartazes dizendo (SIC) "a buceta é minha". No Brasil padres defendem ideologias de ateus. Pode isso, Arnaldo?
No nordeste vota-se em massa em velhos coronéis que durante décadas prometem uma nova política, mas apenas renovam o atraso a cada mandato, e como solução promovem a continuação da falta de soluções para os seus problemas.
Aqui os militantes que pregam a paz são os que praticam o ódio e os políticos que falam em liberdade são os que aprisionam os humildes na ignorância. Até o que veio pedir o fim das "fake news" foi o que mais se utilizou de mentiras em sua campanha.
Aqui, meu filho, comunistas falam em igualdade morando em mansões, voando de primeira classe, comendo em restaurantes caros e com rolex no pulso. Lutam contra o capitalismo tirando férias na Disney ou Nova York, e fazendo discursos pelos bares da Praça São Salvador, em Laranjeiras, ou tomando um scotch 20 anos no baixo Leblon. É lá que fazem defesas apaixonadas da "democracia" de Cuba, onde não tem eleições desde 1959 e nem é permitido existir oposição. É onde empunham suas bandeiras contra a ditadura e defendem a liberdade de expressão, mas reverenciam Maduro, que condena seus opositores às masmorras, retira toda a liberdade de expressão e pune com a morte os manifestantes. Puxa... Que romântico!
Esse foi o legado deixado pela esquerda depois de longos 14 anos: Fazer do Brasil uma grande Asa Branca (cidade de Roque Santeiro), recriando várias viúvas Porcina - Aqueles que foram sem nunca terem sido. Nada original... Dias Gomes já havia pensado nisso em 1975, e depois, em 1986 a novela foi ao ar..
Quem acertou em quase tudo foi o Tim Maia, quando disse que "Aqui prostituta se apaixona, cafetão tem ciúme, traficante se vicia e pobre é de direita". Errou na última parte. Ainda bem que agora começou a ser de direita, porque enquanto foi de esquerda, continuou pobre e só carregou cangalha. E não é porque comprou uma geladeira em 30 vezes a juros abusivos ou fez uma viagem de avião que deixou de ser pobre e de carregar cangalha. Aliás, o peso da cangalha ficou ainda maior.
Só espero, sinceramente, que estejamos entrando numa nova fase, e que o Brasil comece a sair dessa inversão maldita, passando a trilhar por uma estrada reta e decente, porque nunca antes se viu um país pegando um atalho tão curto para a decadência.
Com todo o direito você pode concordar com tudo, com parte ou com nada.
Mas por mim... Chega de tanta inversão!
*Publicado originalmente em https://www.jornaldacidadeonline.com.br/noticias/12090/um-brasil-do-lado-de-la-do-espelho
A OPOSIÇÃO - 16/11/2018
Engana-se quem pensa que a oposição será o PT. Talvez seja apenas a oposição mais evidente, mais barulhenta, mais exposta com suas ameaças. Nisso, o PT parece que vai estar acompanhado pela PSOL e seus coadjuvantes do MST e MTST, e só. Pelo que se tem visto, o PDT, o PSB, o PC do B, o PTB, querem ficar um pouco distantes, porque perceberam o quanto as urnas revelaram de antipetismo – e não querem também ser alvo dessa onda. Pois bem; o PT vai fazer oposição, mas certamente não será essa a resistência que mais vai dar trabalho ao governo.
A mais forte oposição será silenciosa, sub-reptícia, forte, eficiente, de todos os que não querem perder privilégios, mamatas, garantias, direitos adquiridos mas não merecidos. É aquele pessoal convicto de que conquistou a boquinha e já tem estabilidade nela. Gente que está tanto dentro do estado como fora dele. São alguns poderosos, donos de parte do estado brasileiro; são partidos, que têm seus cartórios dentro de ministérios e estatais; são os milhares de comissionados que nunca prestaram concurso; são os que estão de olho em suas estabilidades, aposentadorias integrais, auxílios de todos os nomes. São os donos dos caminhos secretos do serviço público; são os cafetões e leões-de-chácara que vendem os prostituídos do estado brasileiro. Esses vão fingir que aplaudem o novo governo, pois é de sua essência aplaudir, mas o que querem é assegurar o botim.
Bolsonaro e seus auxiliares vão ter muito trabalho com essa oposição camuflada, blindada e bem armada. Paulo Guedes vai pegar uma pedreira com os subsídios, os favores fiscais, os protecionismos dos bem-aventurados protegidos do estado brasileiro. Sérgio Moro vai descobrir sujeitos do direito por toda a parte e poucos dispostos a cumprir antes seus deveres. Joaquim Levy vai ter que lidar com os apadrinhados do BNDES. Os líderes do governo na Câmara e no Senado vão penar com os aliados que apoiam o governo mas não apoiam as medidas necessárias que venham a ser propostas para que todos sejam iguais perante a lei, sem foros privilegiados e sem proteção para delinquir.
Quem vê o estado inchado, nos três poderes, voltado para si mesmo, no pedestal fora do alcance dos brasileiros comuns, com muita, muita gente, não tem como deixar de perguntar: produz o quê? Bons serviços públicos? Boas leis? Boa justiça? Ou tem por finalidade manter seus privilégios, servindo a si em lugar de servir ao povo brasileiro? Não estou inventando essas perguntas. Elas tem sido feitas nas redes sociais e nas ruas há cinco anos, e foram se tornando cada vez mais eloquentes, até que troaram nas urnas como um terremoto. Há pouco, quando o Senado, mostrando como funciona essa oposição, surpreendeu o país elevando o teto do Supremo e de todos no serviço público, os protestos voltaram à Avenida Paulista. Os 41 senadores que criaram o novo teto, não votaram contra Bolsonaro, que vai ter que pagar; votaram contra os brasileiros, que realmente pagarão. Esses é que são o alvo dessa oposição que quer manter o seu quinhão no Brasil que deveria ser de todos.
• Publicado originalmente em www.facebook.com/alexandregarciaoficial
POR QUE NÃO SOU UM FÃ DE CHARLES DARWIN - 11/11/2018
As festividades bilionárias em comemoração aos duzentos anos de nascimento de Charles Darwin tornam momentaneamente invisíveis alguns fatos essenciais da vida e da obra desse homem de ciência.
Desde logo, Darwin não inventou a teoria da evolução: encontrou-a pronta, sob a forma de doutrina esotérica, na obra do seu próprio avô, Erasmus Darwin, e como hipótese científica em menções inumeráveis espalhadas nos livros de Aristóteles, Sto. Agostinho, Sto. Tomás de Aquino e Goethe, entre outros.
Tudo o que ele fez foi arriscar uma nova explicação para essa teoria – e a explicação estava errada. Ninguém mais, entre os autoproclamados discípulos de Darwin, acredita em "seleção natural". A teoria da moda, o chamado "neodarwinismo", proclama que, em vez de uma seleção misteriosamente orientada ao melhoramento das espécies, tudo o que houve foram mudanças aleatórias. Que eu saiba, o mero acaso é precisamente o contrário de uma regularidade fundada em lei natural, racionalmente expressável. O darwinismo é uma idéia escorregadia e proteiforme, com a qual não se pode discutir seriamente: tão logo espremido contra a parede por uma nova objeção, ele não se defende – muda de identidade e sai cantando vitória. Muitas teorias idolatradas pelos modernos fazem isso, mas o darwinismo é a única que teve a cara de pau de transformar-se na sua contrária e continuar proclamando que ainda é a mesma.
Todos os celebrantes do ritual darwiniano, neodarwinistas inclusos, rejeitam como pseudocientífica a teoria do "design inteligente". Mas quem inventou essa teoria foi o próprio Charles Darwin. Isso fica muito claro nos parágrafos finais de A Origem das Espécies, que na minha remota adolescência li de cabo a rabo com um enorme encantamento e que fez de mim um darwinista, fanático ao ponto de colocar o retrato do autor na parede do meu quarto, rodeado de dinossauros (só agora compreendo que ele é um deles). Agora, graças à amabilidade de um leitor, tomei conhecimento dos estudos desenvolvidos por John Angus Campbell sobre a "retórica das ciências". Ele estuda os livros científicos sob o ponto de vista da sua estratégia de persuasão. Num vídeo fascinante que vocês podem ver em http://www.youtube.com/watch?v=_esXHcinOdA, ele demonstra que o "design inteligente" não é apenas um complemento final da teoria darwinista, mas a sua premissa fundamental, espalhada discretamente por todo edifício argumentativo de A Origem das Espécies. O "design inteligente" é, portanto, a única parcela da teoria darwiniana que ainda tem defensores: e estes são os piores inimigos do darwinismo.
É certamente um paradoxo que o inventor de uma explicação falsa para uma teoria preexistente seja celebrado como criador dessa teoria, porém um paradoxo ainda maior é que a premissa fundante da argumentação darwiniana seja repelida como a negação mesma do darwinismo.
Puramente farsesco, no entanto, é o esforço geral para camuflar a ideologia genocida que está embutida na própria lógica interna da teoria da evolução. Quando os apologistas do cientista britânico admitem a contragosto que a evolução "foi usada" para legitimar o racismo e os assassinatos em massa, eles o fazem com monstruosa hipocrisia. O darwinismo é genocida em si mesmo, desde a sua própria raiz. Ele não teve de ser deformado por discípulos infiéis para tornar-se algo que não era. Leiam estes parágrafos de Charles Darwin e digam com honestidade se o racismo e a apologia do genocídio tiveram de ser enxertados a posteriori numa teoria inocente:
"Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem vão certamente exterminar e substituir as raças selvagens em todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos... serão sem dúvida exterminados. A distância entre o homem e seus parceiros inferiores será maior, pois mediará entre o homem num estado ainda mais civilizado, esperamos, do que o caucasiano, e algum macaco tão baixo quanto o babuíno, em vez de, como agora, entre o negro ou o australiano e o gorila."
Imaginem, durante as eleições americanas, a campanha de John McCain proclamar que Barack Hussein Obama estava mais próximo do gorila do que o candidato republicano!
Tem mais: "Olhando o mundo numa data não muito distante, que incontável número de raças inferiores terá sido eliminado pelas raças civilizadas mais altas!"
Para completar, um apelo explícito à liquidação dos indesejáveis:
"Entre os selvagens, os fracos de corpo ou mente são logo eliminados; e os sobreviventes geralmente exibem um vigoroso estado de saúde. Nós, civilizados, por nosso lado, fazemos o melhor que podemos para deter o processo de eliminação: construímos asilos para os imbecis, os aleijados e os doentes; instituímos leis para proteger os pobres; e nossos médicos empenham o máximo da sua habilidade para salvar a vida de cada um até o último momento... Assim os membros fracos da sociedade civilizada propagam a sua espécie. Ninguém que tenha observado a criação de animais domésticos porá em dúvida que isso deve ser altamente prejudicial à raça humana. É surpreendente ver o quão rapidamente a falta de cuidados, ou os cuidados erroneamente conduzidos, levam à degenerescência de uma raça doméstica; mas, exceto no caso do próprio ser humano, ninguém jamais foi ignorante ao ponto de permitir que seus piores animais se reproduzissem."
Notem bem: não sou contra a hipótese evolucionista. Do que tenho observado até hoje, devo concluir que sou o único ser humano, no meu círculo de relações próximas e distantes, que não tem a menor idéia de se a evolução aconteceu ou não aconteceu. Todo mundo tem alguma crença a respeito, e parece disposto a matar e morrer por ela. Eu não tenho nenhuma.
No entanto, minha abstinência de opiniões a respeito de uma questão que considero insolúvel não me proíbe de notar a absurdidade das opiniões de quem tenha alguma. Há muito tempo já compreendi que os cientistas são ainda menos dignos de confiança do que os políticos, e os paradoxos da fama de Charles Darwin não fazem senão confirmá-lo. Meus instintos malignos impelem-me a pegar os darwinistas pela goela e perguntar-lhes:
– Por que tanta onda em torno de Charles Darwin? Ele inventou o "design inteligente", que vocês odeiam, e a seleção natural, que vocês dizem que é falsa. Ele pregou abertamente o racismo e o genocídio, que vocês dizem abominar. Para celebrá-lo, vocês têm de criar do nada um personagem fictício que é o contrário do que ele foi historicamente. Não vêem que tudo isso é uma palhaçada?
*Publicado originalmente no Diário do Comércio, em 20 de fevereiro de 2009
RELATIVISMO MORAL NAS ESCOLAS: ENSINAM AOS JOVENS QUE A CULPA É DA SOCIEDADE - 05/11/2018
Um dos pilares primevos do socialismo moderno é o relativismo moral no seu nível mais boçal. Seguindo os últimos apontamentos de Marx, no livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado, o marxismo moderno entendeu que a verdadeira luta não seria travada, de maneira essencial, no campo econômico ou militar, mas sim no campo cultural e moral. Em Autoridade e família de Max Horkheimer, já começa a guinada do comunismo para a batalha cultural; o que fundaria, logo após o entendimento dessa realidade, a Escola de Frankfurt e as demais agremiações acadêmicas dos neo-marxistas.
O marxismo passa, então, a vislumbrar o terreno moral como sendo o alvo de suas críticas e ataques; afinal, como bem entendeu Max Horkheimer, György Lukács, Antonio Gamsci, Willian Reich, Jacques Derrida, Judith Butler, entre outros: para que a revolução aconteça na economia e sociedade é necessário minar o campo moral que sustenta a cultura ocidental e as ações conservadoras dos indivíduos. Não quebrando a hegemonia moral da corrente judaico-cristã no ocidente, torna-se impossível esperar uma revolução socialista na sociedade enquanto tal; afinal, essa supraestruturamoral mantém a sociedade “entorpecida” numa mentalidade tipicamente tradicional e “burguesa”.
Uma das áreas vislumbradas por Max Horkheimer como sendo o ponto crucial que mantém em pé a sociedade “burguesa” é a escola, com todo o seu ensino tradicional baseado na estrutura de mundo ocidental judaico cristão: Filosofia Grega, Direito romano, Moral Cristã. Unido à escola, o filósofo marxista também via a família e as igrejas cristãs como sendo detentoras dos pilares do Ocidente burguês. Família, Igreja e Escola eram, em si, autônomas, instituições desvinculadas do Estado. Sendo assim, tomar o Estado antes de minar essas três áreas era uma estratégia equivocada, afinal, essencialmente dizendo, essas três instituições não responderiam livremente ao Estado e nem adotariam uma moral alternativa segundo apontamentos ideológicos do marxismo; a não ser, obviamente, pelo aparato ditatorial — o que já naquela época estava se mostrado uma via fracassada. Horkheimer entende que é preciso criar ideias, teorias e mitos para minar essa manta moral tradicional do Ocidente para que as ideias revolucionárias do socialismo vingassem de maneira homogênea.
Nessa missão silenciosa e bem entendida por parte dos teorizadores socialistas, décadas se passaram de um marxismo que corroía como cupim as estruturas da sociedade ocidental — baseando suas ações detratoras nesses três pilares acima citados: Família, Igreja e Escola.
Nas famílias nós vimos as inversões de paradigmas morais, as novas conceituações de famílias multiformes, poli-amor, teoria de gênero e toda sorte de discursos de amor livre foi criado para desmoralizar a família em seu seio — principalmente a partir do final da década de 60 até hoje. A dita “família tradicional” foi descartada como retrógrada, dona de uma mentalidade engessada, protetora de uma moral parva, patriarcalista e segregacionista; o homem foi posto como um mal em si, a paternidade vista como o estandarte do “patriarcalismo opressor”, ser hétero passa quase a ser sinônimo de estuprador. A mãe, dona de casa, passa a ser vista como o símbolo da mulher submissa, sem voz e escrava do homem, sujeita a toda sorte de abusos e violências. Mentalidade essa que criou mitos, como o de que famílias estruturadas são, em suma, raridades; enquanto que as “defeituosas” são a hegemonia.
No campo da Igreja, por sua vez, várias infiltrações pseudoteológicas aconteceram, como a teologia da libertação. O pensamento relativista figurou não somente entre assuntos mais fronteiriços, mas chegou ao âmago das crenças fundantes do cristianismo. Dogmas como o do valor da vida, a ressureição de Cristo, e sua deidade, a missão eclesial da Igreja, entre outras coisas foram colocadas em dúvida. Os homens da Igreja começam a repetir as teorias e propagandas tipicamente comunistas em seus sermões e passam a fazer dos púlpitos o pátio sindical. A Igreja Romana — nas vertentes contaminadas pela ideologia esquerdista — deixara a salvação das almas de lado para propor a salvação política e social; não lhe interessava mais a união sensata entre boa vivência virtuosa no imanente em direção ao transcendente, agora, talvez, o transcendente sequer exista ou nem seja importante tal plano. A Igreja, contaminada pelas batalhas ideológicas, passou a fazer comícios em seus altares e manifestos em seus documentos; da caridade evangélica passou a praticar discursos de proletário vs burgueses.
Na escola, por fim, arguiu-se que o docente deveria descer de seu lugar hierárquico e criar uma relação de igualdade com os alunos, ao ponto que não haveria distinção fundamental do conhecimento científico do professor e o conhecimento “prático” do aluno; como se saber soltar pipa demandasse o mesmo trabalho mental e investigações laboratoriais que se pede a um biólogo ao analisar células ou a um filósofo ao discursar sobre o Ser. Deram aos estudantes o direito de aprender — mais ou menos — segundo as suas supremas vontades, afinal, afirmar que o aluno deve saber calcular e ainda por cima usar a crase é deveras perturbador para a mente sensível do homem moderno. O aluno não deve mais arcar com a sua incompetência e seus desleixos frente aos estudos e tarefas, afinal, quantos problemas psicológicos e sociológicos surgiriam após uma nota 3 em geometria, ou um 4 em história, não é mesmo? E com isso a “progressão continuada” apareceu como um método de misericórdia sacrossanta no meio pedagógico, ceifando dos alunos a oportunidade mais rica que um homem pode ter na escola: a de arcar com as consequências de seus maus atos e displicências, a oportunidade de ele ser responsável e dono do próprio destino.
A escola é o lugar perfeito para propagar suas ideias como dogmas; entre os três pilares citados acima, onde o Estado consegue agir de maneira mais arguta e livre. Dessa maneira a pedagogia passa a ser o campo de ação principal do marxismo; incutir o relativismo moral frente ao ensino judaico-cristão ocidental, denegrindo assim as suas bases pedagógicas — hierarquia, honradez, respeito, organização espacial e prática das virtudes morais —, passa a ser o carro chefe do esquerdismo. Não à toa o marxismo reina soberano nas universidades atualmente, a moral judaico-cristã simplesmente foi destruída nesse meio. Recomendo a leitura de Radicais na universidade, de Roger Kimball, para melhor aprofundamento.
Na escola, o relativismo moral adquire contornos nefastos para a criança e o adolescente, pois, é na escola onde eles aprenderão como devem agir num convívio social real e como as balizas morais e éticas são importantes para a convivência minimamente ordenada no cosmo comunitário. Como argumenta Eric Voegelin, sem uma estrutura moral que transcende a sociedade é inútil falar em ordem ou ética.
Pois bem, mas já que a moral é sempre relativa, como arrogam os desconstrucionistas, não se pode afirmar nada com certeza — pois a certeza é, per se, intolerante — resta aos jovens elevarem os seus egos ao status de vontade divina, tornando os seus desejos o modelo supremo do que é certo e errado: jovem locuta, causa finita est. Se não há um conjunto de regras exteriores que a nos ordenam num impulso natural ao que é certo em retração ao que é errado, então será a nossa vontade que deve reger o ambiente no qual vivemos, será nosso ego a lei, nosso ego o Direito natural, e os demais que se adequem. Absolutamente todos os ditadores eram regidos por essa mentalidade.
O jovem moderno tornou-se um deus, foi incutido nele a mais tenra mentalidade egocêntrica que existe: o aluno que não conhece substancialmente nada e se acha bom o suficiente para revolucionar a terra; o jovem que não sabe sequer usar vírgulas quer mudar a história humana. Ele é um deus num trono de papel machê.
O aluno torna-se um escravo modelável perante as retóricas do professor-catequista que lhe transfere um conhecimento militante inócuo baseado somente numa visão diminuta de mundo; ao mesmo tempo em que cria no aluno a sensação de onipotência, onde seus atos, ainda que violentos e criminosos encontram-se amparados pelos afagos ideológicos que os sustentam perante a opinião pública. Para o socialismo, é bom lembrar, o que importa é o fim a ser alcançado e não a validade ética dos meios utilizados. Prova disso é a professora Marcia Friggi que foi agredida com socos em Santa Catarina por um de seus alunos; ela abertamente defendeu a atitude da estudante Alana Gabrielle de Oliveira que, poucos dias antes da agressão sofrida por ela, havia jogado um ovo no deputado federal, Jair Bolsonaro; obviamente que a ovada é bem diferente de um soco, e que, guardando devidamente a proporcionalidade dos casos, a ovada também é um tipo agressão. Se fosse a professora Marcia Friggi a levar a ovada não teria sido uma agressão? Longe de mim defender o deputado Bolsonaro, minhas opiniões sobre ele, aliás, são bem desfavoráveis; no entanto, a coerência ainda é um bem a ser preservado diante de minha consciência individual. E, antes que acusações me sobrevenham, eu não considero Marcia Friggi a culpada, óbvio que não é. Eu a considero tão vítima quanto um jovem islâmico que foi coaptado por uma mentalidade religiosa e política que o embebedou numa ideologia extremista e ilusória. Marcia Friggi só defende tal aparato ideológico, pois um dia ela mesma foi uma aluna doutrinada no sistema que acima denuncio.
Sob essa pedagogia amorfa, os docentes incutem nos jovens os anseios revolucionários que constantemente se transformam em ações violentas e criminosas; entretanto, quando um aluno joga um livro no rosto da professora e depois lhe soca o supercílio, ele está justamente exercendo seu dever de revolta contra o status quo que representa o docente dentro da sala de aula. É a prática daquilo que lhe é ensinado, é o estágio para os Black Blocs ou o MST.
Ou seja, reclamar do aluno agressor, sob a perspectiva revolucionária, é uma hipocrisia latente dos socialistas. Ora, a revolução sempre supõe a quebra de leis e destruição de certas propriedades e paradigmas; o aluno, instigado pelo impulso imoral que lhe foi transmitido, atacou a sua professora perante os aplausos da plateia revolucionária. Não à toa dizem que a revolução devora seus filhos.
Como se lia nos manifestos dos “black blocs” em 2013: “não se fazem omeletes sem quebrar ovos”, aludindo que a revolução requer que coisas sejam quebradas, como as vidraças na Av. Paulista ou faces de docentes. Dirão, porém, que o ato do aluno não foi revolucionário, mas criminoso; aí eu pergunto: qual exatamente é a diferença dos atos revolucionários dos socialistas e os atos tradicionalmente criminosos?
É deplorável a situação de uma professora ter seu supercílio aberto por um aluno criminoso; mas numa análise mais crítica e sincera, devemos ser frios e realistas, isso é consequência imediata de anos e mais anos de ideias parvas que relativizaram princípios basais da sociedade. Diariamente disseram aos jovens que a moral ocidental é uma opressão e um meio de escravidão, mas depois que eles agem de maneira rude e criminosa irão condená-los por não possuírem justamente a consciência moral que lhes fora negada? Relativizaram tudo, desde o valor intrínseco da vida fetal, até as bases hierárquicas de uma escola; agora se espantam com a ética imbecil que nutriram décadas a fio nas mentes juvenis?
O problema da retirada da hierarquia do meio social é esse: quando se quer evocar a posição e respeitabilidade de uma pessoa ou profissão, quando se quer proclamar uma injustiça ou uma imoralidade na sociedade, essa reivindicação encontra os risos irônicos daqueles jovens que aprenderam que nada está acima deles, que eles não devem satisfação a ninguém. Criamos uma geração que aprendeu que não há limites para seus apetites, desejos e vontades; que não são eles que devem arcar com as consequências de seus atos. Internalizaram nesses jovens a justificativa de seus fracassos. Eles agem de maneira parva por mil motivos: ambiente degradado, opressão capitalista, mau tratamento familiar, uma bronca que ele tomou aos 4 anos e internalizou no inconsciente, uma nota tacanha que lhe frustrou profundamente na 2ª série, um sorvete que lhe foi negado aos cinco anos; enfim, tudo justifica os seus atos vadios, menos os seus caracteres vazios e transviados, menos as suas inépcias em assumir os seus erros de maneira honrada. Aliás, o que seria a “honra” senão uma expressão moral da burguesia?
Os intelectuais ensinaram aos jovens que seus crimes não são culpa deles, e sim da sociedade que assim os formaram. Agora essa mesma corja de “inteligentinhos” se espanta com as barbáries advindas de suas teorias. Quem planta mandioca não colhe morangos.
*Texto publicado em 26/08/2017 por https://www.institutoliberal.org.br/blog/politica/relativismo-moral-nas-escolas-ensinam-aos-jovens-que-a-culpa-e-da-sociedade/
** O autor é filósofo formado pela Faculdade Dehoniana; escritor na coluna de política do Instituto Liberal de Minas Gerais; editor e escritor do Blog Do Contra; além de estudioso de filosofia política com ênfase em políticas totalitárias.
PADRÕES DE “EDUCAÇÃO SEXUAL” DA ONU FORÇAM AGENDA LGBT EM CRIANÇAS DE 5 ANOS DE IDADE. - 28/10/2018
Em mais uma tentativa das Nações Unidas de sexualizar e doutrinar nossos filhos em uma idade cada vez menor, a Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura das Nações Unidas (UNESCO) revelou um novo conjunto de padrões para uma “Educação Sexual Compreensiva” da humanidade. Dentre outras controvérsias, o esquema global de educação sexual da ONU, advoga a masturbação, aborto, confusão de gênero, homossexualidade, paternalidade homossexual, contracepção, fornicação e mais. O documento, que cita a gigante do aborto Planned Parenthoodquase 20 vezes, representa um descarado assalto aos direitos dos pais e moralidade tradicional, que críticos dizem que pode devastar toda uma geração de jovens. Mas a ONU quer que tais padrões sejam obrigatórios para cada criança do planeta, começando aos 5 anos.
O documento da ONU, apelidado de “Orientação técnica internacional sobre educação em sexualidade”, pretende fornecer uma “abordagem baseada em evidências” para ensinar tudo a crianças pequenas sobre sexo, homossexualidade, confusão de gênero e muito mais. Mas, como o próprio documento deixa claro, muitas das “evidências” vêm de organizações extremistas que promovem o aborto, a “liberação” sexual, a fornicação e muito mais. A Planned Parenthood, por exemplo, forneceu grande parte das alegadas “pesquisas” e “provas”. Isso apesar do fato de que o aborto subsidiado por impostos e a ONU tenham sido expostos no Congresso dos EUA por ajudar o regime comunista chinês em seus esquemas de controle populacionais coercitivos, incluindo abortos forçados. Outra equipe envolvida no esquema da ONU era o radical grupo de defesa LGBT, OutRight Action International.
Mesmo que o ministério da educação da UNESCO, pretenso e infestado de escândalos, tenha tido um lugar primaz no desenvolvimento do controverso novo padrão de educação sexual, ele dificilmente está sozinho, na verdade as novas diretrizes da “Educação Sexual Compreensiva” são publicamente apoiadas pela UNICEF, a agência da ONU ostensivamente responsável por “proteger“ as crianças do mundo; pela UNAIDS, que supostamente existe para proteger a humanidade de doenças sexualmente transmissíveis; ONU Mulheres, o disfarce radicalmente pró-aborto, que supostamente lidera a luta global pelos “direitos da mulher”. Mesmo a Organização Mundial da Saúde, uma organização cujos líderes estão cegos de tal maneira, que recentemente tentaram nomear um ditador genocida marxista como “embaixador da benevolência”, devido a um alegado sucesso em prover uma “assistência médica universal” às vítimas de sua tirania bárbara.
O próprio documento seria considerado chocante para qualquer um que tenha noções tradicionais de família e moralidade, sejam cristãos, judeus, muçulmanos ou virtualmente qualquer outra religião. Por exemplo, o documento promove “prazeres sexuais”, iniciando-se antes mesmo delas atingirem 10 anos de idade. Tendo 9 anos, as diretrizes da UNESCO pede que crianças “descrevam respostas masculinas e femininas a estímulos sexuais”. Também, aos nove anos, as crianças são ensinadas que “masturbação é normal, mas deve ser praticada de maneira privada. Os padrões também, descaradamente encorajam a fornicação (relações sexuais fora do casamento), inclusive entre crianças, tratando a moralidade tradicional como errada e retrógrada. Com nove anos de idade, os padrões dizem que as crianças devem “demonstrar respeito por diversas práticas relacionadas à sexualidade”. E aos 12 anos, se espera que as crianças acreditem que diversas formas de sodomia são “prazerosas” e pouco prováveis de trazer infecções. Também sendo ensinadas sobre utilização de camisinhas.
Sem dúvida, o documento da ONU, que distorce a educação da abstinência, está cheio da ideologia da revolução sexual, que ajudou a devastar famílias em todo o mundo Ocidental. Aos 12 anos, os “objetivos pedagógicos” da ONU, demandam que as crianças “apoiem os direitos de todos” para “expressar seus desejos sexuais”. E por “desejos sexuais”, a ONU se refere ao completo hedonismo, com o sexo totalmente divorciado da moralidade. No manual, que a UNESCO espera ser utilizado para doutrinar todas as crianças do planeta, fica claro que a ONU espera que todos apoiem a agenda “Lésbica, Gay, Bissexual, Transsexual, Queer e Intersex” (LGBTQI). Na verdade, o documento está cheio de referências à promoção de guerra contra a “homofobia” e “transfobia”, termos que rotineiramente são utilizados para descrever a oposição à redefinição (ou anti-definição) do casamento, que começou em anos recentes e culminou numa farsante decisão da Suprema Corte em criar o “direito” a algo chamado de “casamento homossexual”.
Os documentos ficam ainda piores, por exemplo, tendo nove anos de idade, as crianças devem ser capazes de “explicar como a identidade de gênero de uma pessoa pode não corresponder ao seu sexo biológico”. Em outras palavras, mesmo antes de atingir os dez anos de idade, elas devem não apenas aceitar, mas “respeitar” a confusão de gênero que é fortemente relacionada a dificuldades mentais, suicídio, dentre outros. Com cinco anos de idade, se espera que as crianças sejam capazes de “definir gênero e sexo biológico, e descrever como eles são diferentes”. Também se espera que “expressem respeito” pela paternidade homossexual, “todas as pessoas devem poder amar a quem quiser”, explica o documento da UNESCO, uma clara referência a normalizar e promover relações homossexuais.
O manual de educação sexual da ONU também doutrina as crianças para que lutem contra a “discriminação”, baseada na “identidade de gênero ou orientação sexual”, que é o mesmo mantra que é usado para prender pastores cristãos na Europa Ocidental que citam a Bíblia em assuntos de gênero ou homossexualidade, também para destruir as vidas de empresários americanos, que se recusam a celebrar “casamentos” homossexuais fazendo os bolos ou providenciando arranjos florais. As crianças também são ensinadas a rejeitar os valores e crenças de seus pais, no que tange sexo e casamento, ao ensinar às crianças que elas devem “reconhecer” que seus valores podem ser diferentes dos de seus pais e guardiões.
Também, sem ser algo surpreendente, considerando as visões da ONU e sua confiança em abortistas raivosos para prover “evidências” e “pesquisas”. O assassinato de crianças ainda não nascidas, no útero, é retratado como um “direito” de mulheres e meninas, o inalienável direito à vida dos bebês não é citado em momento algum no documento da ONU.
Em uma seção sobre como as escolas públicas devem lidar com pais ou comunidades indignadas que contestam a sexualização de seus inocentes filhos, a UNESCO tem tópicos argumentativos para tudo o que os críticos podem dizer. Por exemplo, em uma seção sobre como a Educação Sexual Compreensiva (ESC) priva as crianças de sua inocência, promotores da ESC da ONU são treinados para responder que: “Educação Sexual é sobre mais do que sexo, ela inclui informações sobre o corpo, puberdade, relacionamentos, habilidades para a vida, etc.”, e eles não estão brincando; de acordo com o documento, as diretrizes da ESC compreendem “emoções, auto-gestão, (i.e., sobre higiene, emoções, comportamento), consciência social (i.e., empatia), habilidades de relacionamentos (i.e., relacionamentos positivos, como lidar com conflitos) e tomada de decisões (i.e., escolhas construtivas de ética)”.
Mesmo as atitudes das crianças serão medidas e vigiadas para ter certeza de que todas as crianças têm as atitudes que a ONU (não os pais) quer que tenham. “A ESC inclui um número de resultados de educação, baseado em atitudes e habilidades”, diz o documento. Ele fala também que o “aprendizado” destas atitudes aprovadas pela ONU sobre sexo, aborto, homossexualidade, confusão de gênero, dentre outros, está “distribuído em uma gama de assuntos escolares”. Os valores devem mudar também, “é essencial incluir um foco em valores […] dentro de uma aproximação compreensiva da educação sobre sexualidade”, diz a ONU depois de repetidamente enfatizar que valores são subjetivos.
Basicamente, portanto, o documento é auto-evidente: A ONU gostaria de ver todas as mentes infantis saturadas de sexualização através de uma miríade de assuntos na escola. O objetivo é garantir que alcancem os “resultados de atitudes” e “valores” corretos. O documento então prossegue advogando que todo os esquemas de sexualização devem ser transmitidos “sem a criação de julgamentos sobre comportamento sexual, orientação sexual, identidade de gênero ou estado de saúde”. Portanto a ONU quer que nossos filhos desenvolvam valores aprovados por ela mesma, sobre sexualidade (mais conhecido como valores e atitudes LGBT), debaixo do disfarce do ensino de que não há valores. Reflita sobre isso.
Considere os problemas tratados pelo clube de ditadores: Aborto, globalismo, redistribuição de renda, controle de armamentos, liberdade de expressão, promoção LGBT, e mais, e veja se eles se alinham com os seus. Mas a ONU tem uma resposta a isso também. Quando alguém diz que é função dos pais ensinar estas coisas aos filhos e não a ONU ou as escolas públicas, a UNESCO oferece uma resposta altamente controversa: “o governo deveria dar suporte e complementar o papel desenvolvido pelos pais e a família, ao providenciar uma educação integral para todas as crianças e jovens em um ambiente de ensino apoiador.
O documento então procede, ridicularizando e desprezando as preocupações dos pais sobre a sexualização de crianças pequenas, por parte da ONU e do governo. “Objeções dos pais aos programas da ESC nas escolas comumente são baseadas em medo e falta de informação sobre a ESC e seu impacto”, diz a ONU, sugerindo que pais ignorantes aprovariam, caso soubessem o quão importante é que seus filhos de cinco anos, suportem a confusão de gêneros e homossexualidade. Os pais devem entender, continua a ONU, “que eles não serão completamente retirados de cena, a ONU somente quer entrar em uma “parceria com os pais”, e obviamente, em seu ponto de vista, a ONU é quem sabe das coisas.
Não fica claro de onde a ONU e seus governos-membros retiraram a ideia de que eles têm autoridade de relegar os pais como “parceiros” no processo de criar seus filhos. Foram citados vários esquemas globais no documento, mas analistas legais disseram que tal documento interpreta extremamente mal, acordos internacionais existentes; acordos que jamais teriam sido aprovado, caso os governos membros percebessem que seriam utilizados para promover a homossexualidade entre crianças de cinco anos e masturbação para crianças com nove anos.
A UNESCO também disse que deseja que a introdução das crianças ao sexo, seja um “processo cuidadosamente planejado”, que comece “no início da educação formal”, por isso temos os “resultados de educação” focados em crianças começando aos cinco anos. Porém não é suficiente que os estudantes sejam doutrinados na cosmovisão da ONU em todos estes assuntos, os professores também devem ser sujeitos a um rigoroso programa de doutrinação, de maneira que possam transmitir as visões e valores requeridos pela ONU, no que tange sexo e basicamente tudo mais, “este treinamento pode ser incluído como parte do currículo dos institutos de treinamento dos professores (antes da formação), ou em treinamento de professores já formados”, explica o documento da UNESCO.
Em uma resposta às recentes diretrizes da ESC, a presidente do Family Watch International, Sharon Slater não exitou: “Nós alertamos repetidamente os governantes, pais e outros líderes que a Educação Sexual Compreensiva (ESC) é uma aproximação radical, gráfica, baseada no prazer e nos direitos sexuais, que promove a promiscuidade, aborto e diversas práticas sexuais e identidades para crianças pequenas”, disse Slater em uma declaração por e-mail, “com esta nova diretriz técnica da UNESCO, nós temos agora evidências conclusivas para provar isto”.
Esta publicação recente da UNESCO, continua ela, “claramente revela a furtiva agenda global para manipular e sexualizar crianças através da educação sexual compreensiva”, como um exemplo, ela notou que o documento abertamente promove uma “ideologia não-científica, que pede às crianças que identifiquem as diferenças entre sexo biológico e gênero”, ela também ensina as crianças que elas “têm um direito às relações sexuais”, ela adiciona, citando o texto, “até mesmo pede que crianças de 9 anos demonstrem respeito por diversas práticas relacionadas à sexualidade e que identifiquem pessoas de ‘diversas orientações sexuais e de gênero’”. Slater também indagou sobre qual o propósito da ONU em pedir que crianças “descrevam as respostas masculinas e femininas ao estímulo sexual”, ou que “resuma os elementos principais do prazer sexual”.
“Os pais deveriam estar ultrajados pelo conteúdo da publicação da UNESCO, e os Estados-Membros da ONU deveriam exigir que suas agências patrocinadoras retirem seu suporte imediatamente”, adicionou Slater, cuja organização trabalha pela defesa do casamento e família no mundo. Notando a vasta gama de agências da ONU que estão avançando o plano, Slater ressalta o perigo: “este é um descarado e descoberto assalto na saúde e inocência das crianças do mundo, vindos de algumas das instituições mais poderosas e financeiramente poderosas, que estabelecem os padrões de saúde para mulheres e crianças no mundo”, disse ela.
O mantra do ESC é uma arma crucial na guerra contra a família. Slater concluiu: “A Educação Sexual Compreensiva é uma arma primária, usada para avançar a agenda global do aborto e dos direitos sexuais, e foi desenhada para mudar as normas tradicionais de gênero e sexo da sociedade pela mudança da visão de mundo das crianças”, ela explicou. Para mais informações sobre esta agenda perigosa, Slater recomendou um curto documentário em vídeo sobre o ESC, feito pelo Family Watch International, postado em WarOnChildren.org.
A administração de Trump, publicamente anunciou que os planos para retirar os EUA da UNESCO representam um bom começo, pois no fim, a organização, que que há tempos é dominada por comunistas, globalistas e outros extremistas, está em uma guerra contra a liberdade americana, sua moral, entre outros, há gerações. Como esta revista documentou repetidamente, esta agência da ONU está literalmente tentando padronizar a doutrinação no mundo, sob o disfarce de “educação”, não apenas sobre sexo, mas em tudo. De fato, os líderes da UNESCO abertamente demandam que a educação pública force mudanças drásticas nas visões, comportamentos, valores e ética das crianças em todo o mundo.
Porém, a UNESCO é só parte do problema. Como o The New American anunciou ano passado, a ONU designou um czar LGBT que disse que no que tange a lavagem cerebral de crianças para que suportem a agenda, “quanto mais novas forem, melhor”. Também, outras agências da ONU oprimem governos para que se submetam, mesmo a Declaração Universal dos Direitos Humanos serve para perverter o significado dos direitos, transformando-os em privilégios que podem ser revogados facilmente. Em anos recentes, a ONU também atacou liberdades fundamentais, desde liberdade de expressão e armamento, até processo devido e liberdade religiosa. Enquanto isso, oficiais da ONU foram expostos dando impunidade ao estupro de milhares de crianças ao redor do mundo.
Para lidar com a ameaça da ONU de uma maneira sensata, o congresso deve cortar os financiamentos e retirar-se por completo da ONU, utilizando o HR 193, o Ato de Restauração de Soberania, a legislação cortaria os laços dos EUA com o clube dos ditadores e retiraria sua sede do solo americano. Tal medida não protegeria todas as crianças do mundo da doutrinação nociva do clube de ditadores, mas, pelo menos ajudaria a proteger as crianças americanas da ideologia radical que etá sendo forçadas nas crianças do corpo global. E ainda, encorajaria outras nações a retomar sua soberania.
* Alex Newman. “UN “Sex Education” Standards Push LGBT Agenda on 5-Year-Olds”. The New American, 13 de Fevereiro de 2018.
** Tradução: Samuel Kultz
*** Traduzido e publicado por Tradutores de Direita: http://tradutoresdedireita.org/padroes-de-educacao-sexual-da-onu-forcam-agenda-lgbt-em-criancas-de-5-anos-de-idade/
QUEM USA FAKE NEWS? - 26/10/2018
Por que só o PT? É preciso saber! Quando, em 05/06/2018, o TSE propôs que os partidos políticos firmassem um compromisso de não propagar, mas combater "fake news", dos 35 partidos, com exceção de três nanicos, o único que não quis assinar foi o PT. Era o prenúncio de uma campanha sórdida, em que a mentira seria o meio de destruir a imagem do adversário perante eventuais eleitores ingênuos.
Algumas mentiras só não fazem rir porque são criminosas. Fernando Haddad explorou à exaustão o que disse abestadamente o cantor Geraldo Azevedo, que declarou ter sido torturado pelo General Mourão em 1969, quando Mourão tinha... só 16 anos! Azevedo teve que reconhecer a falsificação e pediu desculpas. Haddad se retratou? Óbvio que não!
Mas há mentiras que assustam pela truculência totalmente desprovida de escrúpulos: o PT criou uma personagem, produziu um fatoide e acusou "apoiadores de Bolsonaro".
Para constrangimento de homossexuais - cuja maioria é, sim, de pessoas íntegras -, a farsa contou com uma personagem que foi para os noticiários (e discursos de campanha) como "lésbica", porque era muito útil explorar o tema da "homofobia". A farsa foi garatujar uma cruz suática no ventre da "vítima" para, depois, atribuir a autoria do feito a "apoiadores de Bolsonaro".
Só que a investigação policial (inclui perícia técnica) foi conclusiva quanto a não haver ocorrido oposição da "vítima" a que o desenho fosse realizado, sendo possível que ela mesma o tenha feito. Uma farsa! Muito útil! Uma parcela da imprensa, sem uma pauta de responsabilidade, imprimiu um caráter emotivo nas matérias que trataram do caso. Fernando Haddad e demais membros da seita emitiram juízos condenatórios sobre Jair Bolsonaro. Será que alguém vai, como fez Geraldo Azevedo, pedir desculpas pelos exageros, assim como pelas calúnias desse caso? Claro que não!
Saliente-se, por fim, só um aspecto que pode ficar ofuscado nessa farsa. A esquerda, sendo o PT a sua frente mais avançada no Brasil, roubou a agenda dos homossexuais, assim como a dos negros, das mulheres, das pessoas com deficiência, de todos que possam ter algum desconforto social. Todas essas pessoas são catalogadas como vítimas, às quais a esquerda se apresenta com seu salvacionismo, adulando-as e as aprisionando numa teia de ilusões. Para quê? Para usá-las num projeto diabólico de poder que só garante conforto aos dirigentes da "revolução".
O positivo é que, entre os homossexuais, os negros, as mulheres e as pessoas com deficiência, o salvacionismo da esquerda já não cola:é muito ampla a rejeição ao projeto petista e sua bajulação descarada.
Comprovadamente há maioria nalguns casos - entre mulheres, por exemplo - votando em Bolsonaro. E é um tapa na cara da impostura que haja pessoas usando o Facebook para, declarando-se gays, repudiar a programada degradação dos valores (pauta esquerdista) e abrir voto para Bolsonaro.
O PT não contava com tamanha demonstração de dignidade!
*Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.
**Publicado Originalmente em www.alertatotal.net
TRES OPINIÕES - 22/10/2018
Em um espaço de pouco mais de hora e meia ouvi de pessoas do povo, que encontrei casualmente no centro do Rio de Janeiro, três observações ou simples opiniões que representam, com muita propriedade, a realidade em que vivemos e o sentimento da grande maioria de nossa gente, isto é, do homem comum. Primeiro foi a de um jovem funcionário terceirizado da Caixa Econômica Federal que me confidenciou desabafando: agente até queria votar no Bolsonaro, mas quem garante que ele não vai vender a Caixa ou mesmo reduzir nosso salário, que eu consegui, com muito custo através de um político do PT?
Adiante, falando com dois motoristas de táxi parados em um ponto onde embarquei em seguida, deles ouvi igual resposta à minha pergunta no sentido de saber em quem eles votariam em segundo turno destas eleições para Presidente da República: "senhor, sejam os taxistas ou quem quer que trabalhe direto nas ruas, se não votam no Bolsonaro, ou tão malucos ou tão ligados à bandidagem".
Ainda no caminho para meu destino parei para falar com um velho doceiro ambulante com quem habitualmente compro algo e converso um pouco. Com uma simplicidade comovente, o vendedor perguntou o seguinte: "o senhor que é um homem estudado e religioso pode me explicar como pode aqueles "anticristos do PT" entrar numa missa, tomar hóstia e ficar por isso mesmo"? O Papa num vai excomungar essa gente não?
Lembrando depois dessas pessoas me ocorreu o que disse o escritor espanhol do século XVIII, Tomás de Iriarte: "Opiniões e autoridades há muitas; mas a verdade é apenas uma". Tudo quanto disseram e têm alardeado a grande imprensa e seus deformadores de opinião, bem como vêm propagando os poderosos com suas abomináveis pesquisas de opinião a rigor não representam o sentimento da grande maioria da população. Tudo é muito diferente do que realmente ocorre, porque em tudo e por tudo entram os interesses espúrios do establishement que pugna pelo continuísmo dos seus privilégios e regalias.
Aquelas opiniões colhidas junto ao povo diretamente, desestimuladas ou sem induzimento, são muito mais confiáveis que os imperscrutáveis levantamentos e suas sofisticadas análises compradas a peso de ouro pelos poderosos.
Analisem e depois retenham algumas das simples e despretensiosas conclusões decorrentes daqueles encontros casuais aos quais me referi e que, certamente, serão confirmadas ao cabo destas eleições, quando a verdade surgir inapelavelmente: a) um em cada três brasileiros de diferentes seguimentos da sociedade, por mero instinto de sobrevivência, ainda se vê compelido a votar nos petralhas ou em membros das quadrilhas afins, pelo o que, então, o candidato líder nas pesquisas, provavelmente terá quase o dobro dos votos do "Lambaio de Lula"; b) o fator segurança, ou melhor, aquilo que a corja do PT fez com a segurança do nosso povo, principalmente em relação à classe média que produz e paga a conta, está sendo considerada a maior preocupação do cidadão comum; c) a tentativa da esquerda delinquente de destruir a família brasileira e a fé cristã calou tão fundo no sentimento deste País – ainda a maior Nação Católica do ocidente – que foram absolutamente ruinosas para ela os propósitos da abjeta classe política, bem como, também, dos poderosos encrostados nos três poderes da República visando conspurcar nossos princípios, valores e tradições.
A meu sentir, a incompetência da esquerda no Brasil impediu que fosse mais longe. Não conseguiram dar continuidade a seu projeto de poder que estava mesmo fadado ao insucesso por causa de sua incompatibilidade com a índole e a natureza do povo da Nação Verde e Amarela. Com ajuda das sanguessugas da sociedade tramaram muito, mentiram sempre e roubaram tudo para pagar seus desvarios, mas o povo até aqui votou em quem bem entendeu e agora votará também em que melhor lhe aprouver, dando um "adeus de mão fechada" para os partidos políticos, seus lideres e para os caciques da "calhordice" e da empulhação, que arrastaram o Brasil e sua gente desvalida para este caos moral, social e econômico em que nos encontramos. Foi uma delícia ver a faxina que resultou do primeiro turno das eleições no que tange aos patifes que sobraram e soçobraram por causa do vendaval que veio das urnas em 07 de outubro.
É pena que eu não seja um ser televisivo, porque segundo amigos, tem sido um verdadeiro deleite ver a "cara de tacho" de uns famosos "capachildos" de um jornalão noturno da Rede Goebells deixando transparecer, com seus trejeitos e salamaleques engraçados, não só sua enorme frustação porque a esquerda nociva está indo para o brejo com o PT e tudo, mas também o seu ódio doentio contra o candidato líder nas pesquisas.
Contudo, atenção! Não se pense que a luta vai ser fácil. As urnas já fizeram uma boa limpeza, colocando fora da vida pública um bom bocado de ladrões e velhacos, porém tem gente em penca pronta para solapar e destruir a nova ordem que virá inevitavelmente. Não nos esqueçamos de olhar para dentro desta doida máquina pública prenhe de Mandarins, Príncipes e Nababos com seus abomináveis códigos de vantagens. O desespero desses vendilhões da Pátria é manifesto e eles farão tudo que puderem para preservar a esquerda bandida, ladra e ineficiente.
Perigoso mesmo não é o jovem terceirizado da Caixa ao qual me referi, ele é apenas um pobre e pequeno exemplo de um grande universo de pessoas que aparelham a máquina governamental e que, para defender seus status ou suas gordas remunerações, são capazes de qualquer coisa ou dos atos mais vis para impedir que o Brasil tome o rumo certo. Esta gente, sim, pode muito. Vou dar um exemplo. Vários jornalões do País noticiam que o a PGR vai se opor ao projeto de Bolsonaro que salva a vidas dos policiais, hoje entregue à sanha dos criminosos que os calhordas dos "direitos dos manos" defendem e prestigiam. Então é assim, enquanto morreram pais de família e policiais corajosos e dedicados, nunca vi os Príncipes do "Mistério Público" se indignarem e por estes honrados brasileiros lutarem. Bastou alguém surgir e se apresentar para esta Sociedade enlutada pelas mãos do crime organizado como o líder que quer por fim a bandidagem, que a esquerda patife e sócia do narcotráfico infiltrada na máquina governamental, se põe a "berrar mais do que bode embarcado".
Em apoio àquela atitude desprezível e covarde, um deformador de opinião e antigo esquerdopata cativo de um jornalão do Rio de Janeiro, ainda outro dia, saiu de seus cuidados para tentar ridicularizar e deturpar o objetivo da visita do candidato líder nas pesquisas a um quartel do BOPE. No meu modesto entender nenhum desses privilegiados da máquina pública ou qualquer desses penas de aluguel vale a metade de um valente agente daquela corporação policial e pondere o caro leitor, qualquer um daqueles vermes fatura por mês dez vezes mais do que recebem os homens do valente Batalhão, que diariamente expõem suas vidas para nos salvar.
Em apoio, também, ao ladrãozinho de Lula, já pego pela Lava Jato, vi reunidos num hotel de luxo em São Paulo a nata dos advogados defensores de políticos bandidos, revelando em seus semblantes todo um pavor ante a possibilidade da chegada de novos tempos, que deles exijam que comprovem suas fortunas recebidas de seus execráveis clientes.
Pois bem, penso que agora não tem mais jeito. A alternância do poder acontecerá e como tudo indica, com a proteção de Deus, a escória da esquerda perversa acompanhada de todos seus asseclas estarão fora do governo central e, sendo assim, a profilaxia na gestão pública será inevitável.
Essa gente de Sarney a Temer, com destaque para FHC, Lula e Dilma, roubou muito, se aproveitou o quanto pôde, humilhou a Nação perante o Mundo e nos tornou uma terra de 25 milhões de desvalidos e desempregados. Tudo isso fizeram ao longo de 30 anos de governos civis, mas desgraçaram seu projeto de poder porque subestimaram a nós todos ao tentar destruir nossa essência ou, como se diz comumente, as células básicas da nossa sociedade: a família brasileira e nossa cultura judaico-cristã.
Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado
O ESQUADRÃO DO MAL, PARA OS ALIENADOS - 16/10/2018
O PT do Lula cresceu apontando culpados pelos problemas brasileiros.
Primeiro culpou José Sarney, depois Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.
Por mais de vinte anos, Lula e sua trupe gritaram que o Presidente da República e seu partido têm responsabilidade direta sobre tudo o que acontece no país.
Foi assim que o Partido dos Trabalhadores conquistou o apoio da imprensa, de artistas, dos "intelectuais", das representações estudantis, dos funcionários públicos, dos sindicatos e movimentos disso e daquilo.
Como solução, os petistas diziam que o Brasil precisava ser governado por pessoas abnegadas e comprometidas com os interesses dos mais pobres. Não por acaso, essas pessoas eram eles mesmos.
Com esse discurso, o PT chegou ao poder (do qual não queria nunca mais sair, por isso montou uma base aliada que custou a Petrobras, o BNDES, os Correios, o BB, a CEF e 2/3 do dinheiro dos cofres públicos).
Lula teve tudo para construir um país melhor, mais justo, fácil e seguro.
Teve apoio dentro e fora do Congresso.
Contava com aprovação popular na casa dos 80%.
Lula teve dinheiro público aos montes.
A arrecadação do governo federal duplicou em seu governo.
Nenhum outro presidente teve condições tão boas para fazer o melhor, fazer o certo, melhorar o Brasil.
Mas Lula não fez. Optou por chamar para junto de si todos os integrantes sujos da política nacional que ele tanto criticava, incluindo o PMDB. Lula Abraçou Sarney, Renan, Ciro, Maluf e Collor.
Repartiu a máquina pública entre (P)MDB e outros partidos aliados.
Para financiar suas campanhas eleitorais e seus militantes, o PT institucionalizou e expandiu a corrupção brasileira a níveis nunca vistos, segundo delatores da Lava Jato.
Lula é o PT. O PT é o Lula.
Foi Lula quem escolheu Dilma para sucedê-lo (uma analfabeta que nada entendia de nada, nem vereadora tinha sido antes).
Foi Lula que chamou Michel Temer para ser o vice dela.
Programas de crédito subsidiado pelo BNDES, emissão de títulos da dívida, Medidas Provisórias, nomeação de diretores em estatais...
Tudo isso depende da assinatura do Presidente da República.
O esquema entre Temer e a JBS foi iniciado e alimentado durante os governos Lula e Dilma.
Lula e Dilma fizeram campanha para Sérgio Cabral e Eduardo Paes.
Lula e Dilma nunca manifestaram interesse em acabar com o foro privilegiado, nem com os super salários e pensões que estão corroendo as contas públicas.
Foram Lula e Dilma que entupiram o estado com militantes e amigos deles.
Depois de 13 anos de PT, os jovens pobres continuam saindo das escolas mal sabendo escrever seus próprios nomes.
Cerca de 27% dos brasileiros são analfabetos funcionais e 30% dos brasileiros nunca leram um único livro na vida.
O PT recebeu um país com taxa de evasão escolar de 7,6% e entregou com 16,5%.
Quando Lula foi eleito, 9,5% dos jovens não trabalhavam.
Quando Dilma saiu, esse percentual estava em 25,8%.
Depois de 13 anos de PT, metade dos domicílios brasileiros continuam sem acesso a rede de esgoto e 30% não têm acesso a água tratada.
Depois de 13 anos de PT, metade dos trabalhadores continua ganhando menos de um salário mínimo por mês, 20 milhões de pessoas ganham menos de R$ 140 e quase 9 milhões de pessoas encontram-se na extrema pobreza com renda abaixo de 70 reais.
Depois de 13 anos de PT, metade dos nordestinos dependem do Bolsa Família para viver.
Depois de 13 anos de PT, mais de 60 mil pessoas são assassinadas por ano e a taxa de elucidação de homicídios chega a ser de 4% no Pará.
Outros 21 estados sequer sabem quantos homicídios são elucidados anualmente.
Nunca antes na história deste país os bancos lucraram tanto quanto nos governos Lula e Dilma.
Ambev, Eike Batista e suas empresas, JBS, Lojas Riachuelo, OAS, Odebrecht e tantas outras grandes empresas foram infladas com dinheiro que o PT roubou dos brasileiros.
O PT roubou mais de R$ 70 bilhões dos funcionários da Caixa Econômica, do Banco do Brasil, da Petrobrás e dos Correios.
Roubou mais de R$ 100 milhões de milhares de funcionários públicos.
Segundo o TCU, 578 mil contratos da Reforma Agrária e mais de 1,1 milhão de cadastros do Bolsa Família estavam irregulares.
Junto com outros partidos, o PT roubou R$ 42 bilhões da Petrobrás.
É preciso repetir: era o PT que ocupava a Presidência da República.
Era o PT que tinha o poder das decisões.
Antes de ser afastada, Dilma cortou bilhões de reais em verbas de todas as áreas.
Considerando que a esquerda acredita que uma pequena minoria da população enriquece às custas da pobreza da grande maioria, devemos concluir que o PT foi o maior vetor de desigualdade social da história desse país.
Pesquisa publicada pelo IPEA mostra que a única parcela da população que teve aumento de renda durante o segundo mandato de Dilma foi a dos super-ricos, pessoas com renda acima de R$ 150 mil por mês.
O restante da população teve redução na renda.
Os bancos, por exemplo, lucraram durante o governo Lula oito vezes mais do que no governo de FHC.
A intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro só está acontecendo porque durante 13 anos o PT ignorou a pauta, mantendo as fronteiras escancaradas para a entrada de armas compradas por criminosos e incentivando a delinquência.
Durante os governos do PT, a criminalidade explodiu nas regiões mais pobres do Brasil.
No Amazonas, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins, o número de homicídios aumentou 100%.
No Rio Grande do Norte, o aumento foi de 232%.
Como se fosse pouca culpa, Lula e o PT ainda se dedicam a atacar a Lava Jato, o que beneficia dezenas de políticos corruptos, incluindo o tucano Aécio Neves.
O PT tem culpa até no colapso econômico da Venezuela, uma ditadura socialista que foi financiada com empréstimos bilionários do BNDES.
O Partido dos Trabalhadores não promoveu "avanços sociais".
Os "milhões de brasileiros tirados da pobreza" são um golpe de marketing baseado na mudança dos critérios de identificação de classes sociais, a partir do qual só pode ser considerado pobre o cidadão com renda abaixo de R$ 291 por mês..
Acima disso, a pessoa já é "classe média".
Resumindo, o PT promoveu apenas corrupção e desperdício de dinheiro dos pagadores de impostos em larga escala, resultando na maior recessão da história do país e afetando principalmente os mais pobres..
Portanto, pode gritar: sim, é tudo culpa do PT!
E para finalizar, se você, depois de tudo isso ainda defende o Lula e seus crimes, vai embora desse país, você é um inimigo da Pátria e não merece viver no Brasil!
OU UM INCURÁVEL ALIENADO!
O PT INCOMPATÍVEL COM A DEMOCRACIA - 13/10/2018
NOTA DO EDITOR: Artigo publicado em O Globo dia 27/05/2016, duas semanas após a aprovação da instauração do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff e seu consequente afastamento provisório do cargo aguardando o julgamento final.
Li, com muita preocupação, a “Resolução sobre a conjuntura” do PT, análise ideológica, com nítido viés bolivariano, sobre os erros cometidos pelo partido por não ter implantado no Brasil uma “democracia cubana”.
Em determinado trecho, lê-se:
“Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação”.
De rigor, a ideia do partido era transformar o Estado brasileiro num feudo petista, com reforma do Estado pro domo sua e subordinação a seus interesses e correligionários, as Forças Armadas, o Ministério Público, a Polícia Federal e a imprensa.
O que mais impressiona é que o desventrar da podridão dos porões do governo petista deveu-se, fundamentalmente, às três instituições, ou seja, imprensa, Ministério Público e Polícia Federal, que, por sua autonomia, independência e seriedade, não estão sujeitos ao controle dos detentores do poder. Ao Ministério Público é outorgada total autonomia, pelos artigos 127 a 132 da Lei Suprema, e as polícias funcionam como órgãos de segurança do Estado e não são instrumentos ideológicos, conforme determina o artigo 144, da Carta da República. A Constituição Federal, por outro lado, no artigo 220, garante a absoluta liberdade aos meios de comunicação.
Por fim, as Forças Armadas, como instituição do Estado, e não do governo, só devem intervir, com base do artigo 142 da Constituição, em caso de conflito entre os poderes para restabelecimento da lei e da ordem. É de se lembrar que, tiveram, durante a crise política deflagrada pelo mar de lama que invadiu as estruturas do governo, comportamento exemplar, mantendo-se à distância como observadoras, permitindo o fluir dos instrumentos democráticos para estancarem a desfiguração crescente da República brasileira.
Controlar a Polícia Federal, que descobriu o assalto aos cofres públicos? Manietar o Ministério Público, que tem denunciado os saqueadores do dinheiro dos contribuintes? Calar a imprensa, que permitiu à sociedade conhecer os profundos desmandos do governo por 13 anos? É isto o compromisso “democrático e nacionalista” do PT?
Modificar os currículos das academias militares para formar oficiais com ideologia bolivariana, a fim de servir ao governo, e não ao Estado, seria transformar as Forças Armadas em órgão de repressão, como ocorre com os exércitos de Maduro ou dos Castros.
Embora tenha muitos amigos no PT, sempre divergi das convicções políticas dos governantes ora alijados da Presidência, mas sempre entendi que sua intenção era a de respeitar as regras democráticas. Desiludi-me, profundamente, ao constatar que os maiores defensores da ética, como se apresentavam quando na oposição, protagonizaram o governo mais corrupto da história do mundo.
Pretenderem agora, em mea-culpa, arrependerem-se por não terem transfigurado o Brasil numa Cuba ou numa Venezuela é ter a certeza de que nunca desejaram viver, no país, uma autêntica democracia. Penso mesmo que a presidente Dilma, que foi guerrilheira, como José Dirceu, intentando aqui implantar um regime marxista, durante o regime de exceção dos militares, jamais abandonou o objetivo daquela luta.
Após a leitura da “Resolução da Conjuntura”, minhas dúvidas foram dissipadas. A democracia verdadeira nunca foi um ideal petista.
* Ives Gandra da Silva Martins é jurista
** Publicado originalmente em https://oglobo.globo.com/opiniao/o-pt-incompativel-com-democracia-19378457
GRAMSCI E A COMUNIZAÇÃO DO BRASIL - 12/10/2018
Em lugar algum no mundo o pensamento de Gramsci foi tão disciplinadamente aplicado como está sendo no Brasil, agora pelo PT, cuja nomenklatura governamental segue com rigor as orientações emanadas dosintelectualóides uspianos que dirigem o Foro de São Paulo e que têm como cartilha os Cadernos do Cárcere, de Gramsci.
Quem não está familiarizado com as ideologias políticas, por certo estará perguntando: Quem foi Gramsci e qual sua relação com o comunismo brasileiro?
Antonio Gramsci (1891-1937), pensador e político foi um dos fundadores do Partido Comunista Italiano em 1921, e o primeiro teórico marxista a defender que a revolução na Europa Ocidental teria que se desviar muito do rumo seguido pelos bolcheviques russos, capitaneados por Vladimir Illitch Ulianov Lênin (1870-1924) e seguido por Iossif Vissirianovitch Djugatchvili Stalin (1879-1953).
Durante sua prisão na Itália em 1926, que se prolongou até 1935, escreveu inúmeros textos sobre o comunismo os quais começaram a ser publicados por partes na década de 30, e integralmente em 1975, sob o título Cadernos do Cárcere. Esta publicação, difundida em vários continentes, passou a ser o catecismo das esquerdas, que viram nela uma forma muito mais potente de realizar o velho sonho de implantar o totalitarismo, sem que fosse necessário o derramamento de sangue, como ocorreu na Rússia, na China, em Cuba, no Leste Europeu, na Coréia do Norte, no Camboja e no Vietnã do Norte, países que se tornaram vítimas da loucura coletiva detonada por ideólogos mentecaptos.
Gramsci professava que a implantação do comunismo não deve se dar pela força, como aconteceu na Rússia, mas de forma pacífica e sorrateira, infiltrando, lenta e gradualmente, a idéia revolucionária.
A estratégia é utilizar-se de diplomas legais e de ações políticas que sejam docilmente aceitas pelo povo, entorpecendo consciências e massificando a sociedade com uma propaganda subliminar, imperceptível aos mais incautos que, a priori, representam a grande maioria da população, de modo que, entorpecidos pelo melífluo discurso gramsciano, as consciências já não possam mais perceber o engodo em que estão sendo envolvidas.
A originalidade da tese de Gramsci reside na substituição da noção de "ditadura do proletariado" por "hegemonia do proletariado" e "ocupação de espaços", cuja classe, por sua vez, deveria ser, ao mesmo tempo, dirigente e dominante. Defendia que toda tomada de poder só pode ser feita com alianças e que o trabalho da classe revolucionária deve ser primeiramente, político e intelectual.
A doutora Marli Nogueira, juíza do trabalho em Brasília, e estudiosa do assunto, nos dá a seguinte explicação sobre a "hegemonia":
"A hegemonia consiste na criação de uma mentalidade uniforme em torno de determinadas questões, fazendo com que a população acredite ser correta esta ou aquela medida, este ou aquele critério, esta ou aquela ´análise da situação´, de modo que quando o comunismo tiver tomado o poder, já não haja qualquer resistência. Isto deve ser feito, segundo ensina Gramsci, a partir de diretrizes indicadas pelo ´intelectual coletivo´ (o partido), que as dissemina pelos ´intelectuais orgânicos´ (ou formadores de opinião), sendo estes constituídos de intelectualóides de toda sorte, como professores – principalmente universitários (porque o jovem é um caldo de cultura excelente para isso), a mídia (jornalistas também intelectualóides) e o mercado editorial (autores de igual espécie), os quais, então, se encarregam de distribuí-las pela população".
Quanto à "ocupação de espaços", pode ser claramente vislumbrada pela nomeação de mais de 20 mil cargos de confiança pelo PT em todo o território brasileiro, cujos detentores desses cargos, militantes congênitos, têm a missão de fazer a acontecer a "hegemonia".
Retornando a Gramsci e segundo ele, os principais objetivos de luta pela mudança são conquistar, um após outro, todos os instrumentos de difusão ideológica (escolas, universidades, editoras, meios de comunicação social, artistas, sindicatos etc.), uma vez que, os principais confrontos ocorrem na esfera cultural e não nas fábricas, nas ruas ou nos quartéis. O proletariado precisa transformar-se em força cultural e política, dirigente dentro de um sistema de alianças, antes de atrever-se a atacar o poder do Estado-burguês. E o partido deve adaptar sua tática a esses preceitos, sem receio de parecer que não é revolucionário. Isso o povo brasileiro não está percebendo, pois suas mentes já foram entorpecidas pelo governo revolucionário que está no poder.
Desta forma, Gramsci abandonou a generalizada tese marxista de uma crise catastrófica que permitiria, como um relâmpago, uma bem sucedida intervenção de uma vanguarda revolucionária organizada. Ou seja, uma intervenção do Partido. Para ele, nem a mais severa recessão do capitalismo levaria à revolução, como não a induziria nenhuma crise econômica, a menos que, antes, tenha havido uma preparação ideológica. É exatamente isto que está acontecendo no presente momento aqui no Brasil: A preparação ideológica. E está em fase muito adiantada, diga-se de passagem.
Segundo a doutora Marli Nogueira:
"Uma vez superada a opinião que essa mesma sociedade tinha a respeito de várias questões, atinge-se o que Gramsci denominava ´superação do senso-comum´, que outra coisa não é senão a hegemonia de pensamento. Cada um de nós passa, assim, a ser um ventríloquo a repetir, impensadamente, as opiniões que já vêm prontas do forno ideológico comunista. E quando chegar a hora de dizer ´agora estamos prontos para ter realmente uma ´democracia´ (que, na verdade, nada mais é do que a ditadura do partido), aceitaremos também qualquer medida que nos leve a esse rumo, seja ela a demolição de instituições, seja ela a abolição da propriedade privada, seja ela o fim mesmo da democracia como sempre a entendemos até então, acreditando que será muito normal que essa ´volta à democracia´ se faça por decretos, leis ou reformas constitucionais".
Lênin sustentava que a revolução deveria começar pela tomada do Estado para, a partir daí, transformar a sociedade. Gramsci inverteu esses termos: a revolução deveria começar pela transformação da sociedade, privando a classe dominante da direção da "sociedade civil" e, só então, atacar o poder do Estado. Sem essa prévia "revolução do espírito", toda e qualquer vitória comunista seria efêmera.
Para tanto, Gramsci definiu a sociedade como "um complexo sistema de relações ideais e culturais" onde a batalha deveria ser travada no plano das idéias religiosas, filosóficas, científicas, artísticas etc. Por essa razão, a caminhada ao socialismo proposta por Gramsci não passava pelos proletariados de Marx e Lênin e nem pelos camponeses de Mão Tse Tung, e sim pelos intelectuais, pela classe média, pelos estudantes, pela cultura, pela educação e pelo efeito multiplicador dos meios de comunicação social, buscando, por meio de métodos persuasivos, sugestivos ou compulsivos, mudar a mentalidade, desvinculando-a do sistema de valores tradicionais, para implantar os valores da ideologia comunista.
Fidel Castro, com certeza, foi o último dinossauro a adotar os métodos de Lênin. Poder-se-á dizer que Fidel é o último dos moicanos às avessas considerando que seus discípulos Lula, Morales, Kirchner, Vasquez e Zapatero, estão aplicando, com sucesso, as teses do Caderno do Cárcere, de Antônio Gramsci. Chávez, o troglodita venezuelano, optou pelo poder força bruta e fraudes eleitorais. No Brasil, por via das dúvidas, mantêm-se ativo e de prontidão o MST e a Via Campesina, como salvaguarda, caso tenham que optar pela revolução cruenta que é a estratégia leninista.
Todos os valores que a civilização ocidental construiu ao longo de milênios vêm sendo sistematicamente derrubados, sob o olhar complacente de todos os brasileiros, os quais, por uma inocência pueril, seja pelo resultado de uma proposital fraqueza do ensino, seja por uma ignorância dos reais intentos das esquerdas, nem mesmo se dão conta de que é a sobrevivência da própria sociedade que está sendo destruída.
Perdidos esses valores, não sobra sequer espaço para a indignação que, em outros tempos, brotaria instantaneamente do simples fato de se tomar conhecimento dos últimos acontecimentos envolvendo escancaradas corrupções em todos os níveis do Estado..
O entorpecimento da razão humana, com o conseqüente distanciamento entre governantes e governados, já atingiu um ponto tal que, se não impossibilitou, pelo menos tornou extremamente difícil qualquer tipo de reação por parte do povo.
Estando os órgãos responsáveis pela sua defesa – imprensa, associações civis, empresariado, clero, entre outros – totalmente dominados pelo sistema de governo gramsciano que há anos comanda o País, o resultado não poderia ser outro: a absoluta indefensabilidade do povo brasileiro. A este, alternativa não resta senão a de assistir, inerme e inerte, aos abusos e desmandos daqueles que, por dever de ofício, deveriam protegê-lo em todos os sentidos.
A verdade é que os velhos métodos para implantação do socialismo-comunismo foram definitivamente sepultados. Um novo paradigma está sendo adotado, cuja força avassaladora está sendo menosprezada, e o que é pior, nem percebido pelo povo brasileiro.
O Brasil está sendo transformado, pelas esquerdas, num laboratório político do pensamento de Gramsci sob a batuta de Lula, o aluno aplicado, e a tutela do Foro de São Paulo.
*Artigo publicado originalmente em blog.anatolli.com.br
NÃO AOS BRASIS QUE PODEM DERROTAR O BRASIL - 06/10/2018
O visitante que descer no Brasil hoje e tentar se informar sobre ele a partir das manifestações da maioria dos presidenciáveis, terá a impressão de estar num país onde a saúde pública é possível, onde a democracia atenuou a pobreza, onde o empresariado é tratado como aliado e não inimigo, onde policiais estão juridicamente amparados para reprimir a bandidagem e onde os indicadores econômicos e sociais necessitam de pequenos ajustes aqui ou acolá. Mas não é assim.
Há meses em pré-campanha e agora em campanha com o nosso dinheiro, alguns desses biltres invocam soluções mirabolantes para amparar as mentiras e tolices que bradam. Outros, sem nenhum rubor ou senso de decência, requentam as grosserias e assacadilhas de embates anteriores dos quais saíram nocauteados pelas urnas. Por fim, há um pelotão formado por personagens infantilizados que insistem naquelas tolices marxistas que jamais vingaram em algum canto, ilha, hospício ou cemitério do planeta. Portanto, o que é prometido dificilmente poderá ser cumprido.
1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014 e 2018. Governos entraram, governos saíram e governos foram saídos. Ao longo desse período, parâmetros de vida e de administração pública sofreram alterações ou foram banidos. Já a violência adquiriu contornos bélicos. A saúde gera estatísticas aterrorizantes. A previdência social é indecente e alvo de fraudes e incúrias.
Defenestrar tudo isso é inadiável. Era de se supor, portanto, que as pautas e visões do país por aqueles que se jactam capazes mas não mencionam seus fracassos em governos municipais, estaduais e ministérios, se direcionassem objetivamente. Mas o que predominou? O blá-blá-blá enfadonho de sempre. Sim, é triste, mas pouco mudou nos discursos das campanhas presidenciais brasileiras. Os vícios e cenários dos debates modulados por quase robôs (“seu tempo acabou, candidato”) permanecem praticamente intactos. As campanhas são bolorentas, enfadonhas e a maioria dos personagens ultrapassados, alguns verdadeiramente indecentes e hostis ao próprio Brasil que juram defender.
Se de um lado é certo que dois Impeachments em menos de um quarto de século foi estrago demais para uma geração zonza por tantos borrões políticos, não é menos exato de outro que não foi suficiente para a maioria dos pretendentes refletirem seriamente em torno desse feixe de erros acumulados e, a partir dele, retirar algum tipo de proveito útil.
Convenhamos: a maioria dos atuais candidatos ao Planalto, além de agredir o vernáculo a cada frase ou intervenção, desconhecer a história do seu próprio país e mentir deslavadamente em debates e entrevistas, não distingue uma duplicata de uma promissória, mas pretende chefiar o governo, o Estado, a administração pública e as Forças Armadas. Convenhamos: é muita cara-de-pau.
De outra parte, até as crianças sabem que o que não falta para uma campanha presidencial são temas-tabus e velhas polêmicas. Política incisiva de saúde pública. Aperfeiçoamento da legislação de empregos. Redução da maioridade penal. Reforço geral nas fronteiras secas. Extinção da maior parte das agências reguladoras e do Bolsa Família. Incentivos tributários e fiscais às empresas. Privatizações. Correção anual da tabela do Imposto de Renda. Obesidade infantil. Revisão de aposentadorias e pensões. Surto de saneamento básico. Direito de portar arma. Redução das áreas indígenas. Valorização do serviço e do servidor público. Reexame da legislação de cotas. Debate nacional sobre os cassinos. Incentivo à memória nacional e ao patrimônio público. Atualização da mobilidade urbana. Repressão intransigente à prostituição infantil. Atualização da Lei de Licitações. E há mais uma meia centena de temas que a maioria dos personagens não aborda.
Ao evitar temas densos e aflitivos como os que foram acima exemplificados, a maioria dos presidenciáveis mente descaradamente, trombeteia Brasis fictícios e traça fórmulas delirantes em torno de um país que existe apenas nos seus tablets e escassos neurônios. Sem pestanejar, alguns desses desajustados despejam propostas bizarras e inexecutáveis que flertam com a improbidade administrativa. A inconsistência que transmitem reforça o sentimento de “ineficácia da política” que predomina entre os eleitores.
Periféricos, a maior parte desses indecentes não tem compromisso com a realidade. Quando se postam diante das câmeras posando de sérios, debocham da inteligência média das pessoas. E o que é pior: sem corar. Sem jamais abdicar do papel de cínicos e dissimulados, hastearam uma bandeira branca encardida e posaram de solidários após o atentado sofrido por Jair Bolsonaro. No momento que o alvejado disparou nas pesquisas, revogaram a falsa paz e retomaram os ataques torpes e caluniosos. Mas a tática não deu certo. Justamente o candidato que não dispõe de horário de mídia, que não utiliza jatinhos particulares, que não recebe dinheiro público do orçamento para a campanha eleitoral e que nos últimos dias tem feito campanha eleitoral tomando remédios e usando pijama e uma bolsa de colostomia, lidera todas as pesquisas.
Votar bem em 7 de outubro é imperioso, tanto para você e para a sua família quanto para a higienização do país. Defenestrar de vez esta horda de mentirosos contumazes e ex-ministros de governos cínicos e criminalizados é um dever patriótico.
Há opção para o progresso. Esses Brasis de prancheta editados pelas propagandas de rádio e televisão não podem derrotar o Brasil novamente.
*Advogado e professor de Direito Eleitoral
UMA ELEIÇÃO QUE DERRUBOU TESES HISTÉRICAS, ALARMISTAS & CATASTROFISTAS - 04/10/2018
O andamento e o desfecho das mais importantes eleições da história recente do País irão jogar por terra muitas teses alarmistas e catastrofistas que foram sendo apresentadas ao público desde o ano passado. Teses essas que sempre foram contestadas pelo Crítica Nacional, pois todas elas sem exceção partiam de pressupostos errados de análise política e induziam o público a uma percepção errônea da realidade política brasileira de momento.
O principais propagadores dessas teses alarmistas e catastrofistas são figuras públicas conhecidas das redes sociais, e têm entre si um denominador comum: são todos adversários políticos medíocres de Jair Bolsonaro, caluniadores de Olavo de Carvalho e, mais recentemente, detratores do General Hamilton Mourão. Todos têm em comum também o fato de terem errado todas as previsões que fizeram sobre o cenário político nacional. Dentre as principais teses alarmistas e catastrofistas que foram derrubadas, estão:
a) O STF vai cassar o mandato de Bolsonaro e ele não poderá ser candidato
Sempre contestamos essa tese pelo simples fato ela ignorar o que a então pré-candidatura de Jair Bolsonaro representava e o que ela representa hoje.
b) Lula não vai ser preso nunca
Os catastrofistas supostamente de direita sempre fazem coro com os comunistas, atribuindo ao hoje presidiário petista um poder e uma força política que ele já há muito não tem, como sempre apontamos em nossos artigos e transmissões ao vivo, nos quais descrevemos o presidiário petista como um cachorro morto.
c) Lula vai ser solto
A hipotética soltura do chefe criminoso petista foi anunciada inúmeras vezes esse ano, especialmente durante os dias que antecediam o julgamento de recursos no STF. Nós sempre dissemos que isso jamais iria acontecer, como de fato nunca aconteceu.
d) Lula vai ser candidato
Também aqui os catastrofistas supostamente de direita repetiram o coro com os comunistas, anunciando a candidatura e a vitória inevitável do criminoso petista. E também aqui sempre dissemos que ele não seria candidato em hipótese alguma.
e) As Forças Armadas estão aparelhadas pelos comunistas e nada irão fazer
Afirmação recorrente e quase diária dos catastrofistas, demonstrando completa ignorância sobre o processo político em andamento no País. O Crítica Nacional, por sua vez, sempre afirmou e demonstrou que as Forças Armadas, sem arredar um milímetro de suas atribuições institucionais, têm sido as fiadoras da nossa ainda capenga democracia, bem como fiadoras do processo de transição gradual do poder político para a direita conservadora, que será concluído ano que vem com a posse de Jair Bolsonaro na presidência.
f) Jair Bolsonaro vai ser derrotado nos debates com os demais candidatos
Jamais endossamos essa tese, pois jamais subestimamos a inteligência e a capacidade política do líder incontestável da Nação, como mostramos no artigo Inteligência Política, publicado em fevereiro desse ano. E também sempre dissemos que estas eleições seriam marcadas pela quebra dos chamados paradigmas eleitorais até aqui tidos como absolutos, assim como ocorreu com Donald Trump nas eleições americanas. Jair Bolsonaro não apenas saiu-se bem nos debates em que pôde participar, como deixou de joelhos bancadas de jornalistas esquerdistas da Rede Globo e de outros veículos.
g) As eleições serão a fachada para um golpe comunista
Essa tolice foi repetida incessantemente por anões de uma pseudo-ciência política que usam unicamente seus devaneios como método e instrumento de análise. O único golpe comunista anunciado por desinformantes desse porte e estatura diminutas é aquele existente em seu arremedo de pensamento, e lá permanecerá.
h) As eleições serão fraudadas pelas urnas eletrônicas
Trata-se do erro que resume todos os erros anteriores, pois parte do pressuposto tolo e ingênuo de que a fraude depende unicamente do meio material para ser instrumentalizada, e ignora as circunstâncias e relações de força política que possibilitem ou não executá-la. São estas últimas que são determinantes para uma fraude, independentemente do meio material de votação. De nossa parte, sempre entendemos que as circunstâncias e relações de força política hoje dificultam enormemente a realização de uma fraude em escala nacional.
Por fim, recomendamos ao leitor do Crítica Nacional que ainda eventualmente acompanha e segue os proponentes desses teses catastrofistas derrotadas que pergunte a esses proponentes o que eles entendem por credibilidade e seriedade na análise e previsão de cenários políticos, uma vez que esses proponentes erraram tudo, sem exceção, que eles têm afirmado desde o ano passado. #CriticaNacional #TrueNews #RealNews
* Publicado originalmente no excelente www.criticanacional.com.br
FERNANDO HADDAD, UM AUTODECLARADO MARXISTA ADEPTO DA ESCOLA DE FRANKFURT - 29/09/2018
Muito se fala sobre o suposto perigo representando por Jair Bolsonaro, mas é praticamente inexistente na grande imprensa e televisão qualquer alerta sobre o risco para o país de um eventual governo de Fernando Haddad, candidato do PT à Presidência.
Se ele for eleito, será o primeiro intelectual declaradamente marxista a ser presidente do país. Antes dele, o mais próximo que tivemos foi Fernando Henrique Cardoso, que antes migrou das hostes do marxismo universitário para uma práxis política social-democrata.
Assim como FHC, Haddad é filho da Universidade de São Paulo (USP): foi na USP que ele se formou em Direito (1985), fez mestrado em Economia (1990) e doutorado em Filosofia (1996).
Assim como FHC, se tornou professor da instituição, mas na área de ciência política. Entrou para o PT em 1983, e em 1985 se elegeu presidente do centro acadêmico da Faculdade de Direito.
A partir do ano 2000, começou a trabalhar em governos petistas, primeiro na gestão de Marta Suplicy na prefeitura de São Paulo e, depois, no governo Lula. Exerceu cargos no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e no da Educação até se tornar titular da pasta em 2005.
Em 2012, se elegeu prefeito de São Paulo e fez uma administração desastrosa. Em 2016, quando estava no último ano de mandato e tentava a reeleição, o Datafolha divulgou pesquisa (ver link acima) em que Haddad tinha rejeição de 47%, a pior avaliação entre os prefeitos desde 2000, quando o então prefeito Celso Pitta disputou a reeleição e perdeu no primeiro turno. Haddad recebeu apenas 16,70% dos votos válidos (perdendo até para brancos e nulos) e foi derrotado por João Doria.
Formação
Se Lula se orgulhava de seu anti-intelectualismo, Haddad jamais escondeu seu gosto por ser identificado como intelectual, professor e político ilustrado.
Em um artigo para a revista esquerdista Piauí publicado em 2017, texto esclarecedor de suas posições e métodos, ele declarou as suas influências e compromisso ideológico:
Meus anos de universidade foram marcados pelo convívio com a nata da intelectualidade uspiana. Discutia filosofia com Paulo Arantes e Ruy Fausto, crítica literária com Roberto Schwarz, economia política com José Luís Fiori, história com Luiz Felipe de Alencastro, sociologia com Gabriel Cohn, direito com Dalmo Dallari e Fabio Comparato — e assim por diante. Estamos falando de grandes intelectuais a quem os jovens professores submetiam nossa produção acadêmica.
Em uma entrevista concedida cinco anos antes ao jornal O Estado de S. Paulo, Haddad revelou outras influências importantes para entendermos quem ele é e o que pensa:
Do ponto de vista do pensamento brasileiro, havia uma tradição que dialogava muito com a perspectiva marxista, que tem o Caio Prado, Fernando Novaes, Fernando Henrique Cardoso.
Depois, pensadores que não eram marxistas, mas que dialogavam com a tradição da esquerda radical, como por exemplo Antonio Candido, Luis Felipe de Alencastro, Chico de Oliveira, Paulo Arantes.
Todos esses, marxistas ou não, esquerdistas radicais, por assim dizer, moldaram a minha formação. Não escreveria essa interpretação do que foi o modelo soviético [mais sobre isso abaixo] sem a inspiração desses autores.
Evidente que o Marx é a inspiração longínqua, mais moderna. E não é mais possível falar em marxismo, são 'marxismos'. Eu me filio à tradição de Frankfurt, que tem no Adorno e no Marcuse as expressões mais vistosas.
A referência à Escola de Frankfurt é importante: seus integrantes criaram instrumentos intelectuais para tornar possível uma revolução cultural e política a partir do controle da linguagem e das ideias. O corolário desse empreendimento, alicerçado no marxismo, era a mudança de mentalidade e da própria política formal. Do politicamente correto à bandidolatria e antirreligiosidade, várias agendas ideológicas que hoje afetam o mundo ocidental são resultado direto da produção teórica da Escola de Frankfurt.
Com essas influências, Haddad escreveu os seguintes livros:
Escrito em 1989, ano da queda do Muro de Berlim, o livro O sistema soviético é uma tentativa de mostrar que a revolução de 1917 na Rússia não foi comunista, mas tão somente "anti-imperialista". Os revolucionários comunistas não conseguiram, segundo ele, criar o socialismo a partir de um Estado operário. Inauguraram, por outro lado, a fase de transição ao modo de produção asiático, que poderia ser identificado com o capitalismo de Estado.
O que Haddad fez nesse livro foi uma crítica aos erros do sistema soviético não pelo que a ideologia socialista/comunista representava ou pelo que o regime soviético produziu de infame, mas para tentar isentar o socialismo como ideia e projeto de toda a desgraça humanitáriacometida no século XX. Ele pretendia demonstrar teoricamente que o socialismo jamais foi realizado mesmo na Rússia comunista e na União Soviética. (Ou seja, trata-se da surrada e repetitiva tese de que o socialismo falhou porque não foi socialista de verdade).
Por analogia, não seria forçado pensar que a sua presidência representaria para o PT e para a ideologia que orienta a sua luta uma correção de rumo que os comunistas não conseguiram realizar a tempo de evitar a queda da União Soviética. Haddad e seu partido têm hoje uma chance que os comunistas russos não tiveram ou deixaram escapar com a abertura promovida por Mikhail Gorbachev.
O que esperar
Uma vez no comando do Poder Executivo federal, Haddad provavelmente fará o que Lula não tinha condições intelectuais de fazer e que o seu partido, o PT, não conseguiu realizar por inteiro: controlar o estado de uma maneira mais profissional e ideológica a partir de seu conhecimento teórico sobre o socialismo e com base na experiência (erros e acertos) de sua gestão na prefeitura de São Paulo e nos governos de Lula e Dilma.
Sendo Haddad um intelectual orgânico e político profissional com experiência no Poder Executivo, evitará cometer os erros de quando foi prefeito e os do seu partido, que está sedento por poder e vingança.
O que os governos Lula e Dilma fizeram na Presidência será pequeno diante do que está por vir numa eventual presidência de Fernando Haddad, o marxista frankfurtiano.
Haddad se expressa bem e tem formação teórica, o que significa que ele consegue se passar por moderado mesmo sem sê-lo; consegue se passar como alguém preocupado com a democracia, com a justiça social e com a igualdade, omitindo o que entende por essas expressões e tornando palatável a agenda radical que está por trás desse projeto.
É, portanto, um político perigoso pela capacidade de disfarçar aquilo que só se manifestará quando estiver no poder, e mesmo assim nem tudo será aparente no seu governo.
Em outro trecho daquele artigo para a Piauí, Haddad afirmou ter lido "praticamente todos os clássicos sobre a formação do Brasil" e que "conhecia teoricamente o nosso país". Escreveu isso para realçar logo em seguida que "a experiência prática" que vivenciou no exercício da política era insubstituível. "Vivi na pele o que li nos livros."
Pelo que escreveu, disse e tem dito, e com base na sua experiência e na do PT, Fernando Haddad é o candidato mais perigoso e que poderá infligir mais danos irreversíveis ao país caso seja eleito no próximo dia 7 de outubro.
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* Artigo originalmente publicado no jornal Gazeta do Povo
GOVERNANÇA GLOBAL & DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: O LADO NEGRO DO GLOBALISMO. - 26/09/2018
O globalismo tem muitas faces, muitos nomes, mas em todos os casos seu objetivo é apagar as fronteiras nacionais, eliminar a soberania nacional, reduzir as identidades nacionais e avançar para a governança global através das Nações Unidas.
A União Européia é o principal exemplo dos resultados do globalismo, onde nações antes orgulhosas abdicaram de moedas famosas como o marco alemão, o franco e a lira. É onde culturas antigas como a Grécia e Roma eliminaram suas fronteiras e sepultaram suas culturas, para serem lideradas por uma União de Socialistas comprometidos tão somente com a busca [desenfreada] por mais e mais poder.
No entanto, esta busca é feita em nome da igualdade, prosperidade econômica e integridade ecológica. O globalismo é vendido para o público desavisado com palavras como livre comércio, fronteiras abertas e proteção ambiental, mas se trata na verdade de redistribuição de riqueza; a riqueza dos outros.
Se trata de eliminar as fronteiras nacionais e a soberania nacional. Trata-se de controle absoluto, não necessariamente por autoridades eleitas, mas por interesses particulares conhecidos por organizações não-governamentais (ONGs), que são sancionadas apenas pelas Nações Unidas.
O globalismo reivindica uma transformação dolorosa de nossa sociedade, longe do governo representativo e de nações independentes, para o estabelecimento de uma aldeia global com cidadãos globais. Todo o plano é descrito em detalhes na Agenda 21 da ONU, um tratado assinado pelo então presidente George Bush na Cúpula da Terra da ONU em 1992.
Você já ouviu alguns dos termos usados para implementar esse tratado. O Projeto Wildlands é um deles. Crescimento Inteligente é outro. O Projeto Wildlands prevê a "restauração da natureza selvagem" de 50% de todas as terras em todos os estados, restaurando tudo de volta ao que era antes de Cristovão Colombo pisar no continente. Em outras palavras, a eliminação da presença humana em mais de 50% da paisagem americana.
Crescimento Inteligente é o plano para reunir todos nós em áreas de habitats humanos específicos, fora dos subúrbios e de nossos belos jardins, e em cidades populosas e arranha-céus. Como um defensor do Crescimento Inteligente disse alegremente: "Serão os humanos em gaiolas, com os animais a observá-los".
Ambos os esquemas fazem parte de uma agenda geral chamada "Desenvolvimento Sustentável". Se você não se lembrar de mais nada, lembre-se dessas palavras. Desenvolvimento sustentável. E lembre-se que o Desenvolvimento Sustentável é seu inimigo.
O que é isso? Imagine uma América na qual um "princípio diretor" específico é criado para decidir a conduta social apropriada para cada cidadão. Esse princípio seria usado para ponderar tudo o que você come, o que você veste, o tipo de casa em que você mora, a maneira como você trabalha, como descarta o lixo, o número de filhos que pode ter, até mesmo suas decisões sobre educação e emprego. Esse "princípio dominante" é o desenvolvimento sustentável.
O objetivo do Desenvolvimento Sustentável é transformar o mundo em um tipo de governança feudal, tornando a NATUREZA o princípio central de organização de nossa economia e sociedade.
É isso que defende a política de Desenvolvimento Sustentável: "A natureza tem um conjunto integral de valores diferentes (cultural, espiritual e material), onde os seres humanos são uma vertente na teia da natureza, e todas as criaturas vivas são consideradas iguais. Portanto, o caminho natural é o caminho certo, e as atividades humanas devem ser moldadas ao longo dos ritmos da natureza". Esta citação vem do Tratado de Biodiversidade da ONU.
Uma agenda internacional foi posta em marcha, começando com os tratados e acordos das Nações Unidas. Essa agenda está agora se encaminhando para as políticas federais, estaduais e municipais. Agora é a política oficial do governo dos Estados Unidos, e todas as cidades, pequenas cidades e pequenos burgueses deste país estão trabalhando em planos para implementá-lo. Não há exceções.
Onde quer que você viva, há uma média de 10 a 18 Organizações Não-Governamentais (ONGs) trabalhando diretamente com seus vereadores e conselheiros eleitos em planos para sua comunidade, para determinar:
• Como sua propriedade será usada;
• Como os negócios podem operar na comunidade (na verdade, quais empresas teriam permissão de operar);
• O tipo de habitação que pode ser construído;
• Onde as estradas podem ou não ser construídas;
• Como a comida deve ser cultivada;
• Como o trabalho deve ser realizado e como seus filhos devem ser educados.
O plano é mudar seu modo de vida para se encaixar na nova sociedade global. De acordo com as políticas de Desenvolvimento Sustentável, ar condicionado, alimentos pré-prontos, habitação unifamiliar e carros estão entre os produtos, habitats e meios de transporte que já foram determinados como "insustentáveis".
Acrescente a eles, pistas de esqui, pastoreio de gado, campos arados, exploração madeireira, represas e reservatórios, e construção de linhas de energia, conforme descrito no Tratado de Biodiversidade da ONU (também um produto da Cúpula da Terra) e você pode ter uma visão completa da América sob o desenvolvimento sustentável.
Em toda esta nação, as pessoas já estão sofrendo com as políticas de desenvolvimento sustentável, pois estão perdendo suas casas, seus empregos e, em alguns casos, comunidades inteiras, sob essa transformação dolorosa de nossa sociedade em nome da aldeia global.
Nunca houve um único voto no Congresso para criar o Desenvolvimento Sustentável. Tudo é feito através da redação inteligentemente adaptada de programas e orçamentos existentes, usando os tratados da ONU como diretrizes. Está tudo camuflado sorrateiramente.
O desenvolvimento sustentável é um direito contra a propriedade, contra o livre comércio, contra a liberdade individual, contra a soberania nacional e fronteiras nacionais, contra a cultura ocidental. Não pode haver esperança de se viver em uma nação de governo limitado em companhia do Desenvolvimento Sustentável como política oficial do governo, porque os dois são diametralmente opostos.
Os americanos nunca concederiam sua liberdade à suástica, nem a foice e martelo, mas a dobrariam em um cobertor verde para proteger o meio ambiente, e jogaríamos tudo no fogo, como em uma antiquada queima de livros.
Isso é sobre o totalitarismo. Trata-se de controlar todos os aspectos de nossas vidas com decisões tomadas por comitês não eleitos que se tornarão mais poderosos e mais opressivos a cada dia que passa e a cada novo regulamento proposto por grupos de interesses particulares recém-empoderados.
• Desenvolvimento Sustentável é contra a ciência.
• É contra o conhecimento.
• É desumano.
• É o credo do selvagem insensato, que utiliza força bruta em vez de pensamento racional.
E se não aprendermos sobre o seu mal agora, se não dermos atenção ao aviso, se não tirá-lo de todos os níveis da política governamental por suas raízes mais profundas, então a vida americana, de fato a existência humana, como a conhecemos, entrará em uma nova era negra de dor e miséria, diferente de qualquer outra que já tenha sido experimentada pela humanidade.
Há uma maneira certeira de impedir o desenvolvimento sustentável e o movimento globalista. Eu digo a todos que encontro todos os dias da minha vida. Eu digo a você agora. Tire os Estados Unidos das Nações Unidas.
[*] Tom DeWeese. "The Dark Side of Globalism". The Virginia Land Rights Coalition, 22 de Janeiro de 2004.
DIRETO DO INFERNO - 24/09/2018
O clamor obsessivo dos intelectuais, dos políticos e da mídia pela “supressão das desigualdades” e por uma “sociedade mais justa” pode não produzir, mesmo no longo prazo, nenhum desses dois resultados ou qualquer coisa que se pareça com eles. Mas, de imediato, produz ao menos um resultado infalível: faz as pessoas acreditarem que o predomínio da justiça e do bem depende da sociedade, do Estado, das leis, e não delas próprias. Quanto mais nos indignamos com a “sociedade injusta”, mais os nossos pecados pessoais parecem se dissolver na geral iniquidade e perder toda importância própria.
Que é uma mentira isolada, uma traição casual, uma deslealdade singular no quadro de universal safadeza que os jornais nos descrevem e a cólera dos demagogos verbera em palavras de fogo do alto dos palanques? É uma gota d’água no oceano, um grão de areia no deserto, uma partícula errante entre as galáxias, um infinitesimal ante o infinito. Ninguém vai ver. Pequemos, pois, com a consciência tranquila, e discursemos contra o mal do mundo.
Eliminemos do nosso coração todo sentimento de culpa, expelindo-o sobre as instituições, as leis, a injusta distribuição da renda, a alta taxa de juros e as hediondas privatizações.
Só há um problema: se todo mundo pensa assim, o mal se multiplica pelo número de palavras que o condenam. E, quanto mais maldoso cada um se torna, mais se inflama no coração de todos a indignação contra o mal genérico e sem autor do qual todos se sentem vítimas.
É preciso ser um cego, um idiota ou completo alienado da realidade para não notar que, na história dos últimos séculos, e sobretudo das últimas décadas, a expansão dos ideais sociais e da revolta contra a “sociedade injusta” vem junto com o rebaixamento do padrão moral dos indivíduos e com a conseqüente multiplicação do número de seus crimes. E é preciso ter uma mentalidade monstruosamente preconceituosa para recusar-se a ver o nexo causal que liga a demissão moral dos indivíduos a uma ética que os convida a aliviar-se de suas culpas lançando-as sobre as costas de um universal abstrato, “a sociedade”.
Se uma conexão tão óbvia escapa aos examinadores e estes se perdem na conjeturação evasiva de mil e uma outras causas possíveis, é por um motivo muito simples: a classe que promove a ética da irresponsabilidade pessoal e da inculpação de generalidades é a mesma classe incumbida de examinar a sociedade e dizer o que se passa. O inquérito está a cargo do criminoso. São os intelectuais que, primeiro, dissolvem o senso dos valores morais, jogam os filhos contra os pais, lisonjeiam a maldade individual e fazem de cada delinquente uma vítima habilitada a receber indenizações da sociedade má, e, depois, contemplando o panorama da delinquência geral resultante da assimilação dos novos valores, se recusam a assumir a responsabilidade pelos efeitos de suas palavras. Então têm de recorrer a subterfúgios cada vez mais artificiosos para conservar uma pose de autoridades isentas e cientificamente confiáveis.
Os cientistas sociais, os psicólogos, os jornalistas, os escritores, as “classes falantes”, como as chama Pierre Bourdieu, não são as testemunhas neutras e distantes que gostam de parecer em público (mesmo quando em família se confessam reformadores sociais ou revolucionários). São forças agentes da transformação social, as mais poderosas e eficazes, as únicas que têm uma ação direta sobre a imaginação, os sentimentos e a conduta das massas. O que quer que se degrade e apodreça na vida social pode ter centenas de outras causas concorrentes, predisponentes, associadas, remotas e indiretas; mas sua causa imediata e decisiva é a influência avassaladora e onipresente das classes falantes.
Debilitar a consciência moral dos indivíduos a pretexto de reformar a sociedade é tornar-se autor intelectual de todos os crimes – e depois, com redobrado cinismo, apagar todas as pistas. A culpa dos intelectuais ativistas na degradação da vida social, na desumanização das relações pessoais, na produção da criminalidade desenfreada é, no seu efeito conjunto, ilimitada e incalculável. É talvez por eles terem se sujado tanto que suas palavras de acusação contra a sociedade têm aquela ressonância profunda e atemorizante que ante a plateia ingênua lhes confere uma aparência de credibilidade. Ninguém fala com mais força e propriedade contra o pecador do que o demônio que o induziu ao pecado. O discurso dos intelectuais ativistas contra a sociedade vem direto do último círculo do inferno.
• Publicado originalmente no Jornal da Tarde, 13 de abril de 2000
E SE LULA GANHAR AS ELEIÇÕES EM 2018? - 24/09/2018
E se Lula ganhar as eleições em 2018? O Brasil terá um retrocesso ao paleolítico –sem querer ofender nossos ancestrais.
Sei que inteligentinhos dirão: pelo contrário, as populações mais pobres voltarão a comprar TVs e carros. E eu direi: a bolsa fome é a grande miséria que alimenta o PT e seus associados.
Nelson Rodrigues dizia que, no dia em que acabasse a pobreza do Nordeste, dom Helder, o arcebispo vermelho, perderia sua razão de existir. Por isso, ele e a miséria do Nordeste andavam de mãos dadas.
O truque do PT e associados é o mesmo: destruir a economia, acuar o mercado, alimentar uma parceria com os bilionários oligopolistas a fim de manter o país miserável e, assim, garantir seu curral eleitoral.
Como o velho coronelismo nordestino –conheço bem a região: sou nascido no Recife e vivi muitos anos na Bahia–, o PT e associados têm na miséria e na dependência da população seu capital.
Mas quero falar de outras dimensões da tragédia que nos cerca caso o PT retome o poder.
Desta vez, o projeto "a Venezuela é aqui" se organizará de forma mais concreta.
O Poder Judiciário, já em grande parte na mão da "malta" do PT, servirá ao partido de forma sincera e submissa, destruindo a autonomia da Justiça. Esse processo já está em curso, mas foi, temporariamente, barrado pelo percalço do impeachment e de alguns poucos setores não petistas do Poder Judiciário.
O Legislativo se acomodará, como sempre, a quem manda.
O mercado também se acomodará, servindo, de novo, ao coronel Lula ou a algum genérico que o represente. Eliminarão qualquer elo na sua cadeia produtiva que suje seu nome –da empresa, quero dizer– junto à Nomenclatura.
Quanto à inteligência pública, essa será devastada.
Perda de empregos, contratos, espaços nos veículos, com a bênção da quase totalidade das Redações e editorias. Se não apenas para eles mesmos não perderem empregos, contratos e espaços, também, e principalmente, porque a quase totalidade das Redações e editorias são petistas ou similares.
Nas universidades e nas escolas, a festa. Reforço absoluto da patrulha ideológica de forma orgânica, com apoio da Capes e de sua plataforma Sucupira.
As universidades, entidades quase absolutamente monolíticas e autoritárias, celebrarão a queima total de seus adversários internos e externos. Os alunos, coitados, ou aderirão à retomada vingativa do poder por parte do PT, ou perderão bolsas, vagas e carreiras.
E chegará a vez de as Forças Armadas também serem cooptadas pela hegemonia petista. Uma vez cooptada, como na Venezuela, a regressão ao paleolítico estará plenamente realizada.
O controle da mídia, em nome da "democracia", implicará o silêncio imposto a todos que quiserem pagar suas contas.
A classe artística fará festivais para comemorar o retorno ao poder dos "progressistas" que dão dinheiro para eles gastarem até acabar.
E, quando o dinheiro acabar, como acabou no Dilma 2, os "progressistas" sairão do poder, darão um tempo para os "conservadores" fazerem o trabalho sujo de reorganizar a economia e, quando a casa estiver um pouco mais organizada, voltarão ao poder para gastar tudo de novo.
Vivemos duas formas de hegemonia do PT e associados no Brasil: a hegemonia da miséria e do discurso populista de cuidado com ela e a hegemonia do pensamento público e de suas instituições.
A diferença entre o PT de antes do impeachment e o PT de agora será que antes ele ainda fazia pose de defensor das liberdades.
Agora, ele perderá a pose e destruirá todo o tecido de liberdade de expressão no país.
E mais: a vitória de Lula em 2018 será a prova definitiva de que os eleitores não estão nem aí para suspeita de corrupção pairando sobre qualquer que seja o candidato.
Todo esse mimimi ao redor da Lava Jato ficará claro como mimimi.
Dane-se a corrupção. Ninguém está nem aí para isso. A começar pelos intelectuais, professores, artistas e integrantes de grande parte do Poder Judiciário.
O combate à corrupção é (quase) uma farsa.
Depressão, ressentimento, medo e vingança serão os afetos que definirão 2019.
Publicado originalmente na Folha em 18/12/2017
UMA NOVA CONSTITUIÇÃO - COISAS A SEREM PENSADAS - 19/09/2018
O autor divergiu do entendimento que manifestei em “A Constituição ‘Cidadã’, a de Mourão e a Viável”. Por isso, escreveu-me a mensagem que aqui transcrevo por atribuir-lhe valor argumentativo num debate que, logo mais, estará aberto em nosso país.
Prezado Puggina
Há muito sigo seus artigos. Sempre muito ponderados, muito cheios de sabedoria e de lógica. Mas, pela primeira vez discordo de um artigo seu. E isto é um elogio ao seu trabalho, já que eu sou tido como um crítico impiedoso.....
Não vou me meter a discutir com o prezado amigo (acho que posso chama-lo assim, pelas afinidades de ideias), porque eu não tenho nenhuma veleidade de me achar mais bem informado, ou mais culto do que ninguém. O fato é que todos concordamos com o óbvio: a Constituição precisa ser mudada, porque está atrapalhando o desenvolvimento do país e criando condições para que a corrupção tome conta dos Três Poderes. O que deve ser mudado é assunto para inúmeros artigos e sugestões. Vou me ater somente ao ponto em que você tocou em seu artigo: Como mudar.
Assim, gostaria de lhe dar alguns tópicos para pensar, ou repensar, suas ideias a respeito de uma nova Constituição.
1 – A Constituição americana foi feita por uma comissão de notáveis. E que notáveis.... Thomas Jefferson, George Washington, Benjamin Franklin e os demais "Founding Fathers", eram a elite da época. Os tempos eram outros, eu sei. Os EUA tinham acabado de se tornar independentes e o povo os apoiava. Bem como não havia ninguém melhor do que eles para fazer o serviço. Fizeram uma Constituição enxuta, que vale até hoje, e que conduziu os EUA à situação de maior potência mundial. Mas também podemos considerar que, se Bolsonaro vencer, teremos vencido a nossa guerra da independência. A guerra contra os comunistas Bolivarianos, Venezuela e Cuba. E o povo vai estar do nosso lado. Difícil dizer se teremos outra oportunidade como esta. Entendo perfeitamente o seu medo de quem seriam os "notáveis" do nosso tempo. Estamos num deserto de homens e ideias, com raros "oásis" espalhados no mesmo. Mas precisamos correr o risco, e escolher bem quem serão os notáveis. Pelos motivos a seguir.
2 – Segundo um grande estudioso de organização, Peter Drucker, existem três modos de alterar as organizações: Reforma, Revolução e Inovação.
- A Reforma seria caracterizada por pequenas mudanças ao longo do tempo. O que ele considera que, na verdade, não mudaria muita coisa. Tudo continuaria como antes.
- A Revolução seria caracterizada pela total destruição de tudo que existia antes, e pela criação de tudo novo, a partir de zero. Seria como a revolução comunista, que pretende destruir a civilização ocidental, para implantar seu "Um mundo novo melhor". O que o professor também desaconselha, porque se jogaria fora toda a experiência acumulada.
- A Inovação, por ele recomendada, seria uma solução que, considerando toda a experiência adquirida previamente, criaria uma nova estrutura organizacional, a partir de zero.
E aqui eu me atrevo a dizer que concordo com ele. Todos os locais onde trabalhei ao longo da vida optaram pelas Reformas. Todos eles se tornaram ineficientes, e perderam suas oportunidades de construírem algo produtivo para si e para seus clientes. E o Brasil tem seguido esse caminho, com resultados bem ruins.
3 – Uma das coisas mais faladas, em Análise de Sistemas, é que, após um sistema receber uma certa quantidade de remendos, quem o projetou se perde no meio da confusão gerada. Portanto, periodicamente, o sistema tem que ser redesenhado a partir de zero, usando a experiência anteriormente adquirida. Como dizia Drucker, INOVAÇÂO. E a Constituição nada mais é do que a documentação que guia um grande Sistema, chamado Brasil.
4 – Temos a mesma idade aproximadamente, eu estou com 73 anos. Portanto, passamos pelas mesmas coisas no país, e temos muitas semelhanças no modo de pensar. Por isso, posso dizer, sem medo de criar melindres, que nós somos uma geração que já está passando o bastão. E é importante que passemos esse bastão em condições favoráveis ao progresso do país.
Uma vez li um livro que me deixou uma grande lição: O Zero e o Infinito, de Arthur Koestler. A lição? "Os jovens querem mudar o mundo, querem mudar tudo. Os velhos não querem mais mudar nada. Da interação do velho com o novo, sai o progresso da humanidade, na velocidade que ela pode suportar."
Não podemos abrir mão, nem do entusiasmo dos jovens, nem da experiência dos velhos. Mas acho que está na hora de mudar o paradigma das reformas progressivas. Estamos num ponto crucial de nossa História. Podemos optar pelas reformas, e manter tudo mais ou menos a mesma coisa, ou INOVAR.
Acredito que o Brasil já teve sua dose de Reformas, e nada me indica que foi uma boa solução.
Abraços do seu leitor e admirador
Francisco José Dominguez
ESPIRAL DO SILÊNCIO E VOTO FEMININO EM BOLSONARO - 17/09/2018
Os estudos contemporâneos em Teoria da Comunicação aventam três hipóteses explicativas que podem ajudar a entender como se "fabrica" uma suposta opinião pública nos dias de hoje. São elas as hipóteses da Newsmaking (fabricação de notícias); da Agenda Setting (agendamento de pautas na mídia), e da Espiral do Silêncio.
Sinteticamente e assumindo o risco da imprecisão, os estudos sustentam que hoje a produção e publicação de notícias passa por um processo de manufatura na "cozinha" das agências de notícias e veículos de imprensa, que padroniza e pasteuriza os conteúdos de modo em que se produz uma certa distorção entre o fato e a versão publicada. O repórter autor desapareceu.
Esse processo facilita o agendamento de pautas na mídia, pois os inputs de introdução de conteúdos nessa linha de produção de "notícias" não são aleatórios e casuais, mas controlados por canais determinados. O acesso a esses canais possibilita a certos agentes introduzir e massificar (agendar) pautas para o debate público.
Já a hipótese da Espiral do Silêncio constitui-se numa explicação sociológica para a formação da "opinião pública". Parte da constatação de que o ser humano é atavicamente impelido ao convívio social por necessidade de autodefesa e sobrevivência. Essa condição desenvolve no ser humano a necessidade de pertencimento e aceitação em grupos sociais. Temendo o isolamento e a exclusão ou bullying, a maioria dos indivíduos tende a se adaptar à conduta grupal, adaptando-se ao padrão de comportamento do grupo a que quer pertencer, ou calando-se (ainda que contrariado). Quem dita os padrões do grupo? Uma minoria de indivíduos com vocação para a liderança. Dessa forma, cria-se uma maioria artificial resultante do silêncio e submissão do grupo ao padrão da minoria que lidera e influencia.
Aplicando-se a teoria à prática temos no Brasil a seguinte situação. A minoria organizada e barulhenta da esquerda pauta a mídia com sua agenda: ideologia de gênero; política de cotas raciais, e, com a ideia de que Bolsonaro é um cara violento, machista, racista, misógino e homofóbico. Esse conteúdo é introduzido nos inputs das mídias tradicionais, tendo-se em conta que as redações de toda a grande mídia são dominadas por jornalistas de esquerda que selecionam as notícias, manufaturam os textos e definem as pautas. Paralelamente, esses grupos organizados atuam nas mídias sociais com as mesmas pautas, criando, por exemplo, o tal grupo de "Mulheres contra Bolsonaro", que, por sua vez vira notícia e retroalimenta o mecanismo.
Pronto; está fabricado o pano de fundo para as manchetes que estampam a "suposta" rejeição das mulheres ao Bolsonaro. Cria-se assim um clima coercitivo de opinião nos grupos sociais de convivência que constrange eventuais pessoas simpáticas a Bolsonaro a declarar o voto nele sob pena de "pegar mal" e de gerar a exclusão do grupo se as pessoas assumirem o que realmente pensam.
É possível romper e inverter a Espiral do Silêncio? Sim. Tivemos o caso do referendo das armas em 2005 e, mais recentemente, do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2005, no momento em que os defensores do direito de posse de armas legais tiveram direito ao horário de TV para defenderem seus argumentos e acertaram na comunicação, a espiral do silêncio se inverteu e os defensores da restrição às armas que lideravam as pesquisas com 80% de aprovação, perderam o referendo por 65% dos votos.
O impeachment da Dilma começou com grupos minoritários espontâneos atuando nas ruas e nas mídias sociais numa época em que havia mais liberdade e menos controles das empresas donas das mídias digitais. Éramos chamados de loucos e radicais. Na mídia tradicional e no meio político essa minoria atuando por fora do sistema virou o jogo e conquistou o impeachment da petista.
Como? Grupos sociais reais organizados e mobilizados atuando na sociedade e nas mídias sociais descobriram-se como maioria silenciosa a romperam a espiral do silêncio.
Minha hipótese, em consonância com a análise que fiz em outro artigo (A eleição 2018 e o efeito capote – http://emaconteudo.com.br/2018/08/29/a-eleicao-2018-e-o-efeito-capote/) é a de que podemos estar em vias de testemunhar outra ruptura da espiral do silêncio em torno do voto em Bolsonaro e que, boa parte dessa virada virá do voto feminino no candidato.
Digo isso pois nas últimas semanas tenho me dedicado a fazer um estudo qualitativo dos perfis das mulheres que apoiam Bolsonaro nas mídias sociais. O que constatei? Em primeiro lugar que são muitas. Em segundo lugar, que boa parte delas está organizada em grupos ativos nas mídias sociais e na sociedade real. Em terceiro lugar, que após o atentado à vida do candidato esse apoio cresceu e o apoio tornou-se mais ativo e explícito, fato aliás comprovado pelos cruzamentos de dados das pesquisas recém-publicadas.
Opinião pública não é estatística medida por pesquisa publicada. A opinião pública é um bicho vivo e que se mexe sob influência de lideranças e grupos sociais organizados e mobilizados para tornar a sua verdade predominante na sociedade, processo esse catalisado em situações de disputa eleitoral acirrada e polarizada como a que temos.
No artigo acima citado fiz referência ao fato de que hoje, no Brasil, há apenas dois polos sociais com poder de mobilizar pessoas; os apoiadores de Bolsonaro e os apoiadores do PT. Acrescento, a bem da precisão, que o poder mobilizador do bolsonarismo hoje é muito maior que o do PT. Basta ver a quantidade de gente que sai às ruas em defesa do mito e a quantidade de gente que a esquerda mobiliza em torno dos seus candidatos.
Bolsonaro tem, entre as mulheres, um grupo organizado e politicamente mobilizado nas ruas e nas mídias sociais respeitável tanto pelo número como pela qualidade das ativistas que têm se pronunciado em vídeos nas redes em defesa do seu candidato.
Assim como no comportamento de compra, as mulheres diferem dos homens na hora de definir suas escolhas políticas. Têm um estilo mais light, são menos impulsivas, mais cuidadosas e conservadoras, não são agressivas, argumentam racionalmente, analisam variáveis e possiblidades e pensam antes de escolher. Mas, no momento em que se decidem, passam a ser influenciadoras nos seus círculos de relacionamento.
Após o atentado as pesquisas revelam que Bolsonaro cresce sobre os demais concorrentes; inclusive lulistas, sobre o bloco do não voto (indefinidos), sobre extratos socioeconômicos mais amplos, e, também, sobre o eleitorado feminino. Esse crescimento sugere a possibilidade que o "efeito capote" pode estar se materializando em favor de Bolsonaro e que o crescimento do candidato entre as mulheres pode estar indicando o início da ruptura da espiral do silêncio que constrange o voto feminino no mito.
Qual o tamanho e a extensão dessa "onda"? Não é possível saber. Há um potencial de crescimento inercial em curso resultante do sentimento de solidariedade à vítima agregado ao enfraquecimento dos constrangimentos sociais impostos aos simpatizantes enrustidos de Bolsonaro.
Se os grupos que comandam a campanha de Bolsonaro chegarem a um acordo e pararem de bater cabeça em público e se acertarem no posicionamento estratégico a ser adotado no momento em que o candidato puder voltar a se pronunciar em vídeo pelas mídias sociais, há uma razoável chance de que se amplie esse crescimento. É precipitado afirmar hoje que possa vencer no primeiro turno. Mas, que essa possibilidade entrou no radar entrou.
O antipetismo é o maior partido do Brasil hoje e o crescimento de Haddad incentiva a migração do voto útil em Bolsonaro para impedir o perigo maior. Nessas horas quem quer tirar o PT busca o mais forte e capaz de fazer isso. Na guerra de rejeições a do Bolsonaro pode cair e a do PT, subir.
*Paulo Moura é cientista político.
DESCONSTRUCIONISMO - O CULTO DE HERMES PÓS-MODERNO - 10/09/2018
I. Introdução
A. O desconstrucionismo é um movimento pós-moderno poderoso, actualmente em voga nas universidades de maior expressão académica e junto da elite intelectual, e a sua influência permeia todas as áreas da nossa cultura. Este movimento deu origem ao tribalismo, ao politicamente correcto, à reconstrução da imagem, ao multiculturalismo e à guerra cultural, e tornou-se num martelo com o qual destruir os valores tradicionais.
B. O Pano de Fundo do Desconstrucionismo. De forma a que se possa entender o contexto do Desconstrucionismo, é importante seguir o desenvolvimento do pensamento intelectual da cultura Ocidental. É importante entender dois termos: o modernismo e o pós-modernismo. Ambos são termos com um entendimento bem amplo.
1. Definição do Modernismo: O Modernismo é outra palavra para o humanismo iluminista. O pensador evangélico Thomas Oden afirma que este período teve início com a queda da Bastilha em 1789 (Revolução Francesa), e terminou com o colapso do comunismo e a queda do muro de Berlim em 1989.
Este foi um período que afirmou a existência e a possibilidade de conhecer a verdade com base apenas na razão humana. E devido a isto, e num acto simbólico, a deusa Razão foi instalada na Catedral de Notre Dame, na França; a Razão tomou o lugar de Deus; o naturalismo substituiu o sobrenatural. O Modernismo afirmou a descoberta científica, a autonomia humana, o progresso linear, a verdade absoluta (ou a possibilidade de a conhecer), o planeamento racional da ordem social (isto é, socialismo). Este movimento começou com grande optimismo.
2. Definição do Pós-Modernismo: O Pós-modernismo é, de certa forma, uma reacção contra o Modernismo que tem estado em preparação desde o final do século 19.
Dentro do pós-modernismo o intelecto é substituído pela vontade, a razão pelas emoções, e a moralidade pelo relativismo. A realidade nada mais é que uma construção social; a verdade é igual ao poder. A tua identidade vem dum grupo.
O Pós-modernismo caracteriza-se pela fragmentação, indeterminação, e aversão às estruturas de poder universalizantes. É uma visão do mundo que rejeita todas as visões do mundo ("histórias"). De modo resumido, o Pós-modernismo defende que não existe verdades universais válidas para todas as pessoas. Em vez disso, os indivíduos encontram-se presos à perspectiva limitada da sua raça, sexo, ou grupo étnico. Isto é algo proveniente de Nietzsche em toda a sua força.
II. Definindo o Desconstrucionismo
(Nota: Os desconstrucionistas resistem a todas as tentativas de definição classificando-as de "tirânicas", mas eles são inconsistentes visto que os seus livros nada mais são que definições extensas dos seus métodos. De facto, pode-se acusar os desconstrucionistas de só definirem as coisas!)
A. O Desconstrucionismo é uma forma de ler um texto, originalmente um método de crítica literária e só aplicada a textos literários. No entanto, hoje os desconstrucionistas dizem que toda a existência é um livro a ser interpretado, quer em forma de poema, história, valores familiares, governos, religião, ciência, escada corporativa ou arquitectura. O ênfase desta foram de leitura nunca é para aprender o significado intencionado pelo autor, mas sim a interpretação subjectiva do leitor.
B. “Os desconstrucionistas alegam que toda a escrita é reduzível a uma sequência arbitrária de sinais linguísticos ou palavras cujos significados não têm qualquer relação com a intenção do autor ou com o mundo fora do texto.” NEWSWEEK, 6/22/81
C. “A abordagem desconstrutiva a um "texto" - que tanto pode ser uma série de televisão ou um sinal rodoviário tão facilmente como pode ser um poema épico - é a de o desmantelar, tomando especial atenção às suas pressuposições elitistas, anti-feministas e pouco chiques. O projecto é informado pela filosofia segundo a qual o mundo se encontra indefinido até que alguém - temporariamente e só segundo um estilo - o torna definido ao usar palavras para o descrever. Uma vez que (alegadamente) as palavras estão sempre a alterar de significado, nenhuma interpretação dessas palavras é mais correcta que qualquer outra. A função do criticismo é, portanto, expor a sua contradição inerente na própria ideia do "significado" ou veracidade dum texto.” THE ECONOMIST, 5/18/91, p. 95.
III. As Origens do Desconstrucionismo - As Suas Raízes Filosóficas
As origens do Desconstrucionismo remontam a alguns intelectuais franceses depois da 2ª Grande Guerra. O mais notável proponente e pai do movimento foi Jacques Derrida. O Desconstrucionismo era originalmente uma forma de crítica literária (como já mencionado previamente) mas rapidamente começou a ter outras aplicações.
Ela emergiu do meio filosófico que incluía, antes de tudo, o existencialismo, (...), o Romantismo, a filosofia de Kant, a psicanálise de Freud, o fascismo (eles gostariam de negar isto), a fenomenologia e o pragmatismo.
IV. Os Principais Pilares do Desconstrucionismo
A. A natureza da realidade: A realidade objectiva não pode ser conhecida. O transcendental não existe. O universo é um sistema fechado. A realidade é inteiramente subjectiva. Os grupos e a sua linguagem criam a sua própria realidade até que ela é substituída por um grupo mas poderoso. (Vemos aqui a influência de Kant, isto é, o fenómeno da vida nunca pode ser conhecido tal como ele é, mas é sempre interpretado segundo as categorias inatas do conhecedor.)
B. A possibilidade de conhecimento: Os desconstrucionistas são cépticos. Todo o conhecimento que temos não é directo mas indirecto. O mundo chega até nós através da linguagem e só através da linguagem, que por sua vez é uma construção social. Uma declaração é verdadeira se ela dá poder a um indivíduo ou a um grupo. Aqui nota-se a influência do pragmatismo.
C. A natureza do homem: A identidade individual é um mito. O homem só adquire a sua identidade através do seu grupo ou da sua cultura. Quando o indivíduo está descontente, ele tem o direito de criar o seu próprio significado. Neste ponto, os desconstrucionistas diferem dos existencialistas anteriores onde o individual é supremo. Os desconstrucionistas são semelhantes aos fascistas, neste ponto.
D. Tomada de Decisões Morais: Os desconstrucionistas ficam profundamente ofendidos com aquilo que eles chamam de "totalização". Com este termo, eles referem-se aos valores universais que são verdadeiros para todas as culturas e para todas as eras. Para os desconstrucionistas, o "verdadeiro" é o que um grupo decide ser a verdade para um dado momento. O verdadeiro emerge do poder adquirido.
Segundo os desconstrucionistas, só os mais fortes sobrevivem. Aqueles que podem lidar com a ausência dum propósito e podem criar a sua própria realidade contra todo o peso de toda a tradição Ocidental, provam o seu direito de existir. As leis e as tradições sociais provam o seu direito de existir. As leis e as convenções sociais nada mais são que máscaras para o poder. Julgamentos de valor [moral] são exercícios de poder.
E. A natureza da linguagem: A linguagem é um sistema construído sobre os fundamentos de símbolos arbitrários. Isto é, os textos são uma colecção de palavras e imagens ("significantes") que não têm qualquer significado inerente ou conexão com o mundo objectivo ("significado”). Uma vez que a linguagem é um meio de comunicação, e visto que os construtores da linguagem são instáveis, a interpretação é também incerta. Logo, o ênfase está sempre naquele que recebe a mensagem - isto é, o leitor ou o interpretador. Mais ainda, uma vez que o significado ("significados") deriva do contexto social de cada um, o significado fundamental nasce do contexto social de cada um. A língua só pode transmitir preconceitos culturais.
V. O Método do Desconstrucionismo
A. Desconstruir um texto é semelhante a desmantelar uma casa para ver quais foram os erros de construção que foram feitos. Quando um leitor desconstrói um texto, ele está a examiná-lo em busca do preconceito e da parcialidade que o autor pode ter usado com o propósito de controlar os outros. Por exemplo, uma leitura desconstrucionista da Declaração de Independência ressalvaria que a frase "todos os homens foram criados iguais" exclui as mulheres, e ao mesmo tempo que fala de liberdade, o mesmo foi escrito por um homem branco dono de escravos. O sexismo e a escravatura contradizem a retórica da liberdade.
Os desconstrucionistas buscam por decepções ou más intenções que, de modo consciente ou inconsciente (o elemento Freudiano), motivam um autor, artista ou político particular. Note-se que o que está ausente do texto (sexo ou grupo étnico) pode ser levado em elevado consideração na interpretação desconstrucionista dum texto. Eles chamam a isso "a presença da ausência".
B. O crítico pós-modernista Thomas Oden ressalva:
O desconstrucionimsmo . . está sempre a fazer as perguntas cépticas em relação ao texto, perguntando que auto-decepções ou más intenções podem de modo inconsciente motivar uma conceptualidade particular.(Thomas Oden. TWO WORLD: NOTES ON THE DEATH OF MODERNITY IN AMERICA AND RUSSIA, p.79.).
C. O objectivo do Desconstrucionismo, portanto, é o de descobrir as contradições, mostrar as intenções ocultas e os significados suprimidos que pertencem a um texto, quer seja uma obra literária ou uma instituição social. Visto que o significado oficial é determinado por aqueles que estão no "poder", os críticos pós-modernistas "desconstroem" esses significados como forma de descobrirem o que é que está oculto ou o que é que foi suprimido no texto, e, desde logo, desacreditando o establishment que se encontra por trás do texto e obtendo o "direito" de derrubar a sua autoridade.
D. O propósito final de uma interpretação é construir um significado que justifica a experiência pessoal ou a experiência desse grupo. Por exemplo, um historiador revisionista poderá escrever a história da descoberta do Novo Mundo por parte de Colombo de uma forma que beneficiará aqueles que foram oprimidos pelos Europeus Brancos. Da mesma forma que temos “spin doctors” na política e nos média, também temos “spin scholarship.”.
VI. A Influência do Desconstrucionismo
A influência do Desconstrucionismo nos EUA tem sido omnipresente. Ela pode ser encontrada nos filmes, nos vídeos de música rock, nos livros escolares de história, nas campanhas políticas, na teologia e nos assuntos religiosos, nas artes de representação, nos anúncios publicitários, nos estudos étnicos ou estudos sexuais, e especialmente na crítica literária onde ela surgiu. Eis aqui alguns exemplos:
A. Um desenho animado recente "desconstrói" a história de Pocahontas. O desenho animado artístico exibe ela a apaixonar-se pelo colono John Smith, a quem ela converte para a adoração de Gaia (Terra). Na verdade, ela nunca esteve romanticamente envolvida com John Smith; ela converteu-se ao Cristianismo, casou-se com John Wolfe e viveu o resto dos seus dias na Inglaterra.
B. Teologia Feminista. É a tentativa de reconstruir a história da salvação tal como revelada no Cristianismo em termos feministas. Outras tentativas de reconstrução são os Muçulmanos Negros com a sua "desconstrução" peculiar do islão.
C. Traduções inclusivas das Escrituras e a rescrição de hinos Cristãos antigos. O texto original é "desconstruído" de modo a que esteja de acordo com as sensibilidades étnicas e sensibilidades de grupo modernas.
D. Os livros escolares de História das escolas primárias. Num recente livro escolar sobre a história dos EUA George Washington mal recebe algum tipo de menção. Quando o autor foi questionado sobre a sua omissão num também recente programa televisivo, ele respondeu: "Ele era um dono de escravos, aristocrata e branco."
E. Ciência. A influência do pensamento desconstrucionista junto do establishment científico está a causar um alarme de proporções consideráveis. Os deconstrucionistas alegam que os cientistas mais não são que a elite sacerdotal do establishment que produz melhor tecnologia para a opressão. Para um excelente estudo da influência que o Desconstrucionismo tem na ciência, ver: "HIGHER SUPERSTITION: THE ACADEMIC LEFT AND ITS QUARRELS WITH SCIENCE" (por Paul R. Gross and Norman Levitt).
VII. Uma Crítica ao Desconstrucionismo
(Nota: O Desconstrucionismo pode parecer fácil de ser refutado para nós Cristãos visto que o mesmo está claramente contra o pensamento lógico. Isto é verdade, mas temos que nos lembrar que para os Desconstrucionistas, a controvérsia é primordialmente emocional. Os Cristãos são o pior pesadelo dos Desconstrucionistas visto que eles [os Cristãos] insistem na existem da Palavra Transcendental e na posição de que a realidade é inteligível.)
Os desconstrucionistas são relativistas mas os relativistas confessos não podem ser relativistas consistentes. Se a verdade não existe, o que é que nos impede de desconstruir o Desconstrucionismo? Se "nada é verdade", como eles defendem, porque é que deveríamos acreditar nessa proposição? Porque é que deveríamos associar alguma tipo de valor aos seus escritos? Por exemplo, os desconstrucionistas frequentemente lançam ofensivas contra o cânone ocidental (os grandes clássicos), mas depois viram o argumento e colocam no seu lugar os seus próprios "clássicos" e os seus "cânones". Uma professora rejeita os escritos de Shakespeare porque ele era "demasiado heterossexual", mas depois ela recomenda aos alunos a sua selecção de livros de estudo!
A moralidade é o calcanhar de Aquiles do Desconstrucionismo e o melhor que eles fariam era permanecer em silêncio; mas eles não permanecem em silêncio. Elas falam de um modo bem vocal sobre a opressão como se isso fosse um mal enorme. Segundo os seus próprios escritos, afirmar que algo está certo para outra pessoa ou para outro grupo seria "logocêntrico".
Os desconstrucionistas têm razão quando afirmam que a interpretação é de certa forma subjectiva e, quando se tenta apurar a mente do autor, limitada. No entanto, embora nós não saibamos de forma exaustiva, nós podemos saber de forma verdadeira. Se assim não fosse, a civilização seria impossível.
Na história da filosofia muito provavelmente não há um exemplo mais claro de solipsismo. Se nós formos ler os seus livros de forma séria (será que eles querem que os leiamos?), então a comunicação é impossível. (Solipsismo: “a inabilidade total se obter conhecimento para além da sua própria mente") O leitor passa a ser o artista, e o autor/actor já não tem o direito sobre o significado intencionado do seu trabalho. Toda a criatividade chega-nos através da interpretação dum texto.
Dentro do pensamento modernista, os desconstrucionistas correctamente rejeitam a razão como algo absoluto. No entanto, a razão é parte integrante da IMAGO DEI [Imagem de Deus]. A única forma consistente de dispensar a lei da não-contradição de todo o discurso é abolindo todo o discurso e todas as tentativas de comunicação que os deconstrucionistas não levam a cabo. A realidade dos factos é que eles escrevem dezenas de livros e são faladores incansáveis (circumloquacious). Isto até parece que o discurso (para aqueles que denigrem a linguagem) para os desconstrucionistas é uma forma de auto-afirmação, isto é, "Eu falo (escrevo), logo, eu existo."
Os desconstrucionistas vivem consumidos com uma animosidade dirigida a todos aqueles que são logocêntricos, modernistas e especialmente os Cristãos, e acreditam que estes últimos [os Cristãos] são a causa de todo o preconceito e toda a opressão que existe no mundo.
VIII. Conclusão
O Cristianismo acredita que o Logos é Transcendente em relação ao mundo, mas não imanente; o Logos não é subordinado, mas igual a Deus; pessoal, e não impessoal, reflectido em toda a criação, especialmente na humanidade. Os Absolutos existem devido à Palavra revelada. (Ver João 1:1-12)
"O autor tem que morrer para que o leitor possa viver" (citação desconstrucionista com origem desconhecida)
"...a guerra do descrente contra a Palavra (isto é, a sua guerra contra as Escrituras e contra Cristo) irá leva-lo para a guerra contra a palavra - toda a linguagem humana e todo o significado. Visto que eles rejeitam a Palavra de Deus Transcendental, que é a Verdade de Deus, eles são conduzidos no domínio imanente para rejeitar a ideia da palavra, o significado e também a lógica." Gregory L. Bahnsen (1948-1995).
* Publicado originalmente em https://omarxismocultural.blogspot.com/2014/01/desconstrucionismo-o-culto-de-hermes.html
Para estudo adicional:
1. Carson, D.A. and Woodbridge, John D. GOD AND CULTURE. Ver Capítulos 1 e 2.
2. Culler, Jonathan. ON DECONSTRUCTION.
3. Ellis, John M. AGAINST DECONSTRUCTIONISM.
4. Lehman, David. SIGNS OF THE TIMES: DECONSTRUCTION AND THE FALL OF PAUL DE MANN.
5. D'Souza, Dinesh. ILLIBERAL EDUCATION: THE POLITICS OF RACE AND SEX ON CAMPUS. Ver Chapter 6.
6. Lundin, Roger. THE CULTURE OF INTERPRETATION: CHRISTIAN FAITH IN A POSTMODERN WORLD.
7. Phillips, Timothy R. and Okholm, Dennis L. ed. CHRISTIAN APOLOGETICS IN THE POST MODERN WORLD.
8. Thiselton, Anthony C. NEW HORIZONS IN HERMENEUTICS.
9. Veith, Gene Edward, Jr. MODERN FASCISM: LIQUIDATING THE JUDEO- CHRISTIAN WORLDVIEW. Ver pp. 135-144.
10. Veith, Gene Edward, Jr. POSTMODERN TIMES: A CHRISTIAN GUIDE TO CONTEMPORARY THOUGHT AND CULTURE.
11. Walhout, Clarence, and Ryken, Leland. ed. CONTEMPORARY LITERARY THEORY: A CHRISTIAN APPRAISAL
LUIGI FERRAJOLI DESTRUIU O DIREITO BRASILEIRO - 01/09/2018
Ortega y Gasset, no prólogo à edição francesa de seu icônico “La Rebelion de las Masas”, antecipa a devastadora análise de Thomas Sowell a respeito do proselitismo político dos intelectuais engajados, trazendo a lume sua característica mais perniciosa: a irresponsabilidade fundamental com que se escudam de prestar contas dos resultados da aplicação prática das ideias de segunda mão que colocam em circulação. Eis personificado o que Antonio Gramsci chamava intelectual orgânico: o portador de uma “opinião” que não é sua, urdida prêt-à-porter por uma elite sem rosto, a contaminar a sociedade com um pensamento único – o do “intelectual coletivo”, espécie de instância (i)moral que define o que é politicamente correto -, para atingir, por óbvio, objetivos políticos. Trata-se, segundo o grande pensador madrileno, de um tipo de demagogia, característica de um perfil de ativismo perante a sociedade, tomado pelos intelectuais demagogos promovidos a regentes das massas, considerados “estranguladores de civilizações”, uma “fauna repugnante” que, segundo Macaulay, constitui exemplares dos mais vis da natureza humana[1].
O Direito:
Em relação especificamente ao campo do direito, é missão da fauna dos “juristas orgânicos” empreender o que constitui a tarefa fundamental do demagogo: a politização integral da realidade e do ser humano mesmo, esvaziado e amputado de suas múltiplas dimensões (espiritual, familiar, intelectual etc.) pela redução inexorável a seu aspecto político-social, com a pretensão de suplantar o conhecimento, a religião e a sabedoria – em suma, modificar essencialmente a natureza humana. Sob uma perspectiva gramsciano-marxista, à socialização dos meios de produção antecede a “socialização” da própria pessoa humana – que de titular de direitos, sujeito de obrigações e indivíduo livre para fazer suas próprias escolhas e arcar com as consequências – converte-se em instrumento de projetos de poder dos quais sequer tem, por vezes, a mais vaga notícia. Quando semelhante tragédia se abate sobre uma sociedade ou uma civilização, instaura-se uma guerra contra a verdade, em que a ideologia – compreendida na pior acepção do termo, ou seja, como um véu de ideias no mais das vezes falsas e descartáveis concebidas para atingir um objetivo de poder não revelado – é a arma por excelência do intelectual combatente. Caímos em pleno império da mentira e da manipulação como estratégia magna de larga escala. Lúcifer, com Alinsky e Gramsci no colo, exulta.
Estabelecendo o relativismo moral:
No âmbito do sistema de justiça criminal, os demagogos da vez são os soi disant “garantistas”. Não é por acaso que Germán Moldes chama a atenção, como característica do garantismo penal, para sua demagogia instrumental, geradora de ressentimento social. A anteceder a teoria sistematizada por Luigi Ferrajoli na Itália no final da década de 1980, o passado militante do jurista orgânico italiano não deixa dúvidas de que o herói de nove entre dez penalistas brasileiros serve a uma agenda de transformação da sociedade pela conversão do sistema de justiça criminal, considerado por ele “burguês” (e, portanto, “irracional” e “ilegítimo”), em instrumento para contribuir com o advento de uma sociedade “digna de chamar-se socialista”. Isso porque Ferrajoli considera a socialização dos meios de produção uma “terapia estratégica contra o delito”, porquanto o delito, segundo ele, “não nasce da consciência individual”, mas de “espaços sociais” que pululam em decorrência do maldito capitalismo. Para Ferrajoli, uma sociedade socialista é “menos criminógena” exatamente porque “reduz” esses espaços sociais onde “nascem” os delitos[2]. A afirmação, com toda a evidência, é oca e desprovida de qualquer comprovação empírica, e exatamente por isso é declarada em tom peremptório, dogmático, como verdade incontestável, pois somente bloqueando os questionamentos a tal pressuposto é que se evitará que ele seja desmoralizado pelos fatos. Por essas e outras, de acordo com Ferrajoli, é tarefa dos magistrados “democráticos” engajarem-se na luta de classes, dando como pressupostos os postulados da criminologia crítica marxista, que enxerga o sistema penal como uma técnica de controle social destinada a manter uma hegemonia de classe social. Se o sistema é considerado burguês, e serve para assegurar a hegemonia da classe burguesa, cabe aos juristas orgânicos, que se declaram comprometidos com os “oprimidos”, tomá-lo de assalto e convertê-lo em um sistema revolucionário – um contrassistema dentro do sistema -, dando curso ao inevitável progresso histórico rumo à ditadura do proletariado. Simples assim.
É desse modo que se estabelece o relativismo moral intrínseco à doutrina garantista e à política criminal da qual o garantismo – com seu espírito “crítico” amoral (positivista) cujos fundamentos se extraem de uma criminologia marxista que também se autodeclara “crítica”- se apresenta como fio condutor: se o sistema é opressor, o criminoso é o oprimido. Não um ladrão, um assaltante, um estuprador, um traficante de drogas, um corrupto ou um assassino, mas um dissidente político, quiçá um agente de desordem com a missão funcional de, a partir do caos, subverter a ordem social “injusta” e substituí-la por uma nova ordem supostamente superior à luz do materialismo histórico. O garantismo engajado, enquanto práxis política, recebe o influxo do amoralismo (ou, nas pegadas de Ortega y Gasset, imoralismo) que serve, em última instância, para combater a moral tradicional da civilização ocidental, de índole judaico-cristã. No breu da práxis política, todos os gatos são pardos: o aparato repressivo do estado não mais dá o troco ao mal praticado pelo criminoso, mas se torna “terrível” e “opressor”; a vítima pode ser responsabilizada pelo mal que sofreu nas mãos do delinquente; o bandido, por dissidente, luta pelos oprimidos e sua voz horrenda é o grito sufocado de um herói que, enquanto tal, tem carta branca inclusive para matar.
Por fim:
Mas, se o crime não mais é castigado, o castigo vem a cavalo, na forma de um direito penal simbólico, tirânico, pronto a criminalizar a vida normal. Para acabar com a violência e a tendência ao totalitarismo, Ferrajoli nos recomenda combater o cotidiano, anatematizado como “paleoliberalismo”, termo que mal disfarça uma condenação essencial à liberdade humana: é o exercício dos micropoderes “selvagens” extrajurídicos que deve ser controlado pelo Estado. Pais, maridos, patrões, superiores hierárquicos, professores, empresários, proprietários são a base de todas as “desigualdades” e fontes primordiais de uma “tendência” incoercível ao absolutismo e ao totalitarismo[3]. Para atingir o escopo de banir o cárcere, institui-se a estigmatização do reacionário, ostracizado por uma espécie de banimento moral, imposto por um estado totalitário, apto a controlar a vida pública e a vida privada de todos, anulando focos de autoridade singulares e intermediários, submetidos a um único, absoluto e totalitário Estado todo-poderoso. Todo poder é concentrado nas mãos de quem deve cumprir a excelsa missão de submeter qualquer poder e autoridade: tudo pelo Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado – mesmo que seja um Estado amalgamado com o crime organizado. Mussolini, Stalin, Hitler, Pancho Villa, Lampião, Lúcio Flávio e Don Corleone unem-se como justiceiros sociais para salvar o mundo do perigo representado por você, pai de família opressor. Para quem pretextava combater o absolutismo e o totalitarismo, convenhamos que a emenda deixou saudades eternas do soneto.
Que nossos scholars não tenham chamado a atenção ao paradoxo de que, a pretexto de evitar o totalitarismo, um gigantesco e incontrolado poder total, concentrado nas mãos de governantes e criminosos de alto escalão, submeta a um controle político coercitivo absoluto as mais elementares e naturais relações intersubjetivas difusas – tese sem qualquer comprovação empírica – é algo a ser estudado como sintoma de demência cognitiva e desonestidade intelectual de uma pretensa elite intelectualmente corrompida e moralmente degenerada, que contamina com sua torpeza essencial uma civilização inteira que perde o rumo. Por ora, basta verificar a relação de causa e efeito entre a aplicação prática dessas ideias e o estado de total desestabilização do tecido social dos países que, como o Brasil, embarcaram nessa canoa furada e – last but not least – imputar aos mentores e executores da política criminal democida resultante a responsabilidade da qual fazem qualquer esforço para se esquivar.
Referências:
[1] ORTEGA Y GASSET, Jose, La Rebelion de las Masas – prólogo para franceses, IV.
[2] FERRAJOLI, Luigi; ZOLO, Danilo. “Marxismo y cuestión criminal”. De Sociedad – Revista de Ciências Sociales, pp. 59-81.
[3] FERRAJOLI, Luigi, Derecho y Razón, Teoria del Garantismo Penal. Ed. Trotta: Madri, 1995, pp. 933-940.
*Publicado originalmente em https://www.burkeinstituto.com/blog/direito/luigi-ferrajoli-destruiu-o-direito-brasileiro/
** O autor é Promotor de Justiça no MP/RS
DA FANTASIA DEPRIMENTE À REALIDADE TEMÍVEL - 31/08/2018
[...] (O leitor) perceberá a loucura suicida que foi confiar os destinos do Brasil a uma corrente político-ideológica que, dos anos 70 até hoje, se empenhou sistematicamente em destruir a cultura superior do país e de modo especial a sua literatura, mediante a submissão de tudo às exigências estratégicas e táticas da "revolução cultural" de Antonio Gramsci.
O entorpecente gramsciano penetrou no cérebro nacional a partir da publicação das obras do ideólogo italiano pelo editor comunista Ênio Silveira logo depois do golpe de 1964. Na confusão geral que se apossou das esquerdas ante o fracasso de suas esperanças de cubanização rápida e indolor da sociedade brasileira, uma ala mergulhou na leitura das idiotices de Régis Débray e Che Guevara, torrando suas energias na "revolução impossível" das guerrilhas.
Outra, mais esperta, recuou e apostou na estratégia de longo prazo que propunha ir conquistando o universo inteiro das artes, do ensino, da cultura, do jornalismo – discretamente, como quem não quer nada – antes de arriscar a sorte na luta direta contra o inimigo político. O governo militar, obsediado pelo empenho de reprimir as guerrilhas, não ligou a mínima para esses empreendimentos pacíficos, aparentemente inofensivos. Fez vista grossa e até os apoiou como derivativo e alternativa aceitável à oposição violenta. A idéia gramsciana foi tão bem sucedida que, já em plena ditadura militar, a esquerda mandava nas redações, marginalizando os direitistas mais salientes — Gustavo Corção, Lenildo Tabosa Pessoa — até excluí-los totalmente das colunas de jornais. O esquerdismo controlava tão eficazmente o sistema de ensino, que a própria disciplina de Educação Moral e Cívica, timidamente instituída por um governo que se abstinha de estender ao campo cultural a autoridade de que desfrutava na área policial-militar, acabou fornecendo uma tribuna para a disseminação das concepções "politicamente corretas" que vieram a forjar a mentalidade das gerações seguintes. No teatro, no cinema e na TV, a autoridade da esquerda pode ser medida pelo poder inconteste de veto ideológico exercido, na seleção das novelas da Globo — o mais vasto aparato de formação do imaginário popular — pelo casal de militantes comunistas Dias Gomes e Janete Clair.
Idêntica filtragem aconteceu no movimento editorial. Aos poucos, todos os autores não aprovados pelo Partido Comunista desapareceram das livrarias, das bibliotecas escolares, dos programas universitários, e isto ainda na vigência de um regime cuja fama de anticomunista intolerante era apregoada aos quatro ventos pelos próprios comunistas que se beneficiavam de sua sonsa tolerância e omissão ideológica. Em toda a esfera cultural, artística, escolar e jornalística, a única diferença que se viu, com o fim da ditadura, foi a passagem da hegemonia tácita da esquerda ao domínio explícito e, agora sim, intolerante. A confortável hospitalidade com que, no tempo dos militares, esquerdistas notórios eram aceitos nos mais altos postos do jornalismo, do ensino e do show business contrasta de tal modo com a exclusão radical dos direitistas hoje em dia, que a aplicação do termo "ditadura" à primeira dessas épocas e "democracia" à segunda acaba soando singularmente irônica. Na época havia, é claro, o jornalismo "nanico", soi disant alternativo à grande mídia. Mas esta última estava quase que inteiramente nas mãos de esquerdistas como Cláudio Abramo, Luiz Alberto Bahia, Alberto Dines, Luiz Garcia e outros tantos, de modo que a diferença com os nanicos era antes de estilo que de conteúdo. Hoje, os jornalistas "de direita" estão todos na mídia nanica. Os poucos que ainda aparecem nas páginas dos grandes jornais são apenas colaboradores contratados. Nem entram nas redações.
O total domínio da cultura por uma corrente política, qualquer que seja, constitui já um mal em si. Mas o que aconteceu no Brasil foi muito mais grave:
1 Aquele domínio implicava, desde logo, o rebaixamento proposital do nível de exigência, em vista da ampliação semântica do termo "intelectual", que no contexto gramsciano abrange a totalidade dos indivíduos, com qualquer nível de instrução ou QI, que possam atuar na propaganda ideológica. Daí derivou a promoção de sambistas, roqueiros, publicitários e strip-teasers ao estatuto de "intelectuais", que resultou em última análise nesse descalabro da promoção do sr. Gilberto Gil ao cargo de ministro "da cultura".
2 O próprio termo "cultura" perdeu toda acepção qualitativa e pedagógica, reduzindo-se ao seu uso antropológico como denominação neutra e geral das "formas de expressão" populares.
Nesse sentido, o samba-de-roda do Recôncavo Baiano deve ser incluído, segundo aquele ministro, entre os grandes tesouros culturais da humanidade, junto com a filosofia de Aristóteles, a Catedral de Chartres e a mecânica quântica. Todo es igual, nada es mejor.
3 De maneira mais genérica, toda diferenciação do melhor e do pior, do mais alto e do mais baixo acabou sendo condenada como discriminatória e até racista. Milhares de livros e teses universitárias foram produzidos para consagrar como fundamento da cultura brasileira a proibição de distinguir (que não obstante continuou sendo usada contra "a direita").
4 Para legitimar o estado de total confusão mental daí decorrente, introduziram-se os princípios do relativismo e do desconstrucionismo, que, a pretexto de promover um pensamento supralógico, destroem nos estudantes até mesmo a capacidade de raciocínio lógico elementar, substituída por uma verborréia presunçosa que lhes dá uma ilusão de superioridade justamente no momento em que mergulham no mais fundo da estupidez.
5 Uma vez amortecida a capacidade de distinção, foi fácil disseminar por toda a sociedade os contravalores que deram forma ao Estatuto da Criança e a outros instrumentos legais que protegem os criminosos contra a sociedade, criando propositadamente o estado de violência, terror e anomia em que hoje vivemos, e do qual a própria esquerda se aproveita como atmosfera propícia para o comércio de novas propostas salvadoras.
Uma corrente política capaz de rebaixar a esse ponto a inteligência e a capacidade de discernimento de um povo não hesitará em destruir o país inteiro para conquistar mais poder e realizar os planos concebidos em encontros semi-secretos com movimentos revolucionários e organizações criminosas do exterior.
A esquerda brasileira — toda ela — é um bando de patifes ambiciosos, amorais, maquiavélicos, mentirosos e absolutamente incapazes de responder por seus atos ante o tribunal de uma consciência que não têm.
Está na hora de o país retirar de uma vez o voto de confiança que deu a essa gente num momento de fraqueza fabricado por ela própria.
*Publicado originalmente em Diário do Comércio, 11 de setembro de 2006.
O BRASIL E A BATALHA INVISÍVEL - 23/08/2018
Impressiona o alto grau de aparelhamento de todas as instituições brasileiras. O PT foi capaz de timbrar com a ideologia comunista, em alto relevo, todos os poderes públicos e privados estruturantes da nossa sociedade, em curto interregno temporal. Financiado por grupos progressistas internacionais e conluios espúrios com a elite política e empresarial nacional, ávidos por abduzir as riquezas do País, os que antes se autoproclamavam anti-imperialistas sucumbiram asquerosamente ao poder autoritário e aos bocadinhos de privilégios oferecidos pelo globalismo predatório. A ganância os cegou. Passaram, então, a laborar para os interesses de grupos radicais da nova ordem mundial de forma sorrateira, com o objetivo de subverter o ordenamento social/cultural da sociedade brasileira, defendendo valores insólitos como a ideologia de gênero, escola doutrinadora, Estado sem religião (diferente de Estado laico), racismo, feminismo, uso indiscriminado de drogas, famílias alternativas, fim das polícias, aborto, arte degenerada, migrações em massa, entre outras pautas estranhas ao nosso povo. Os intelectuais de esquerda, "acomunados" com Gramsci e Marcuse, foram os grandes propulsores desse discurso dominante, em especial nesta última década e meia no Brasil. Foi dentro das universidades que, usando o método do "adestramento do pensamento único" auxiliaram na administração dos "negócios estatais" com base na engenharia social. Todos os programas de inserção ( e não foram de inclusão) universitária visaram a este fim - formar um contingente máximo possível de militantes para o sistema. E foi assim, por exemplo, que os poderes judiciário, legislativo e executivo foram colonizados pelos Tribunais do Santo Ofício, digo, pelos mais diversos Conselhos e Comissões - compostos por olheiros do sistema que abortam qualquer tentativa de insubordinação aos ditames do Estado autocrático. Pense (...) quantos conselhos institucionais você conhece? Pois é, todos, mas todos mesmo, servem para conter qualquer tentativa da nossa parte de contestar a ordem autoritária vigente no Brasil. O discurso do "politicamente correto" e o ataque à honra são métodos usados de forma subliminar e corriqueira para intimidar e perseguir as vozes divergentes. Até 2016, era praticamente impossível se manifestar contra o governo "popular", inclusive nas redes sociais. Grandes sites de apoio à esquerda foram financiados para monopolizar as ideias comunistas/progressistas no nosso País, e eliminar as demais.
Do aparelhamento institucional, os exemplos são muitos. O sistema de saúde foi drasticamente atingido pela mudança de paradigma nos cursos acadêmicos da área da saúde. Considerada uma área estratégica, o governo preferiu "importar" mão de obra cubana em detrimento de melhorias na formação dos médicos brasileiros. O Programa "mais médicos", além de cooptar ideologicamente muitos profissionais de saúde nativos, rendeu uma transferência de mais de R$ 5 bilhões para a Ilha da família Castro. Recentemente, o médico Milton Pires, cardiologista gaúcho, veiculou um artigo na web denunciando a perseguição de médicos do serviço de saúde pública por posições políticas contrárias ao governo petista e o assombroso desmonte da rede hospitalar. Diz ele "toda a rede hospitalar brasileira foi destruída pelo Regime Petista. UPA'S são lugares criados para esconder a morte de pacientes que deveriam estar dentro de hospitais".
Também as universidades brasileiras, em especial as federais, se transformaram em incubadoras de parasitas partidários, com pouca ou nenhuma preocupação em produzir conhecimento filosófico ou científico, tão somente para engrossar o montante de militantes úteis ao governo, com uma formação pífia e comportamentos discutíveis que levaram muitos desses à desorientação psicológica. Não vou citar aqui as inúmeras operações da Polícia Federal dentro das universidades e as investigações sobre fraudes em concursos públicos, e a prática do compadrio nas instituições privadas. Porém, é notória a baixa qualidade da maioria das pesquisas e dos trabalhos acadêmicos e a constrangedora (des) qualificação dos egressos.
Importante frisar também que grande parte das quase 500 mil ONGs, aliada aos interesses políticos e econômicos de organismos internacionais, ocupa papel central na divulgação do ideário globalista, pressionando a aprovação de leis que beneficiam seus negócios, mas que nada tem a ver com o desenvolvimento da sociedade brasileira.
A forma como a cultura foi aliciada pelo PT causa perplexidade. Sabe-se que os artistas populares tiveram atribuição fundamental no golpe comunista de 1985. Todos muito bem recompensados "a posteriori" via Lei Rouanet, contratações superfaturadas e indenizações milionárias - tudo pago pelo pobre cidadão contribuinte que amarga desde sempre a falta de acesso a um judiciário neutro, à educação de qualidade, à saúde com dignidade e à segurança pública. A última totalmente sucateada, em vias de extinção. No Estado comunista são criadas as forças nacionais. Porém, elas não servem ao povo, são leais somente ao governo.
A arte, a mídia e a educação foram transformadas pela "intelligentsia esquerdista" em ferramentas altamente destrutivas da ordem moral no nosso País. Como aceitar o fato de um docente do ensino superior publicar um livro cujo título é "como conversar com um fascista" e declarar publicamente que o assalto tem uma função social, e mesmo assim ser lançado como candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PT? Como aceitar que o dinheiro público esteja sendo gasto para montar exposições "artísticas" que promovem o vilipêndio religioso e a pedofilia? Como aceitar que uma emissora de televisão, dependente de concessão pública, ajuíze uma ação judicial para minorar a classificação etária de uma novela vespertina que contém cenas de sexo e violência, de 12 para 10 anos de idade? Como aceitar o investimento publicitário em músicas populares como "arrasou "viado""; "que tiro foi esse" e "sentada diferente"? Lembremo-nos, a família é um impedimento para o monopólio do poder do Estado; deve ser destruída de acordo com o manual comunista.
Estamos vivendo em guerra. A destruição não é visível só pelo assombroso número de homicídios anuais, mas pelo ataque e aniquilamento das nossas normas sociais, da moral individual e coletiva, da ética humana e da espiritualidade. Para isso, usam uma das armas mais potentes e indignas de destruição em massa, a cultura da subversão pela violência, pela corrupção e pela libertinagem, embrulhada no dourado invólucro dos "direitos humanos". Em nome de tal "benevolência" autoproclamam-se humanistas e passam a exigir o "progresso" da civilização ocidental liberando o sujeito (na verdade, neste estágio não existe mais o indivíduo, aparece agora a criatura sujeitada) de todas as "opressões" da sociedade burguesa. Lutam, então, pelo total livramento dos impulsos sexuais, cujo objetivo, na verdade, é o de tornar a criatura submissa e improdutiva. Os estultos comunistas creem que liberando a sexualidade dos sujeitos, esses passariam a não se preocupar mais com as questões referentes à política e ao Estado, em face do seu estágio de letargia motivacional direcionada apenas aos prazeres carnais, deixando o caminho livre aos desmandos do poder instituído. Esse é o motivo da mesma forma para a defesa da liberação irrestrita de drogas. A estratégia da revolução cultural para a tomada do poder global não é cria de um só demônio - desde o século XIX essa teoria vem sendo desenvolvida pela "intelligentsia" da esquerda internacional, dentre ela, Marx, Lenin, Munzenberg, Lukacs, Mao Tse Tung, Gramsci, Horkheimer e Adorno. Theodor Adorno, sociólogo alemão e membro da primeira geração da Escola de Frankfurt, autor da obra "The Theory of Modern Music", propunha, por exemplo, usar a música como arma de destruição social. Segundo ele, músicas quanto mais degeneradas fossem, mais rapidamente promoveriam a desorientação mental, condição "sine qua non" para governar sem resistência. Sigmund Freud afirma que a integral recompensa dos desejos humanos é incompatível com a organização social humana. Assim, os pulhas comunistas pretendiam, com a desorganização geral da nossa sociedade, se oferecer "democraticamente" como "salvadores" para restabelecer a ordem e a moral, mas sob suas próprias regras.
Por essa razão, não por outras, a sociedade brasileira passou a ser "bombardeada" pela revolução cultural, mais perseverantemente a partir do final dos anos 1980 e, "coincidentemente", ao mesmo tempo do desmonte do comunismo no leste europeu.
Na sequência do término do regime cívico-militar e com a ascensão dos comunistas ao poder, lentamente todas as instituições foram cooptadas a fim de promoverem e defenderem as pautas progressistas mundiais como o feminismo (Malu Mulher, lembra da série?), erotização das crianças e dos jovens (filmes, séries e eventos para jovens ao ar livre onde drogas, bebidas alcoólicas e relações íntimas fortuitas passaram a ser a moda); letras de músicas incitando ao estupro e à violência fazem parte da degradação moral da sociedade; grupos socialmente vulneráveis como gays e negros são aliciados e usados para promover tão somente o apartheid social. Racismo é crime, cumpra-se a lei nesses casos, mas isso para eles não basta, o intuito é fazer com que negros odeiem os brancos. A mesma ideia serve de base para promover e manipular o ódio de mulheres contra os homens, gays contra héteros, filhos contra os seus pais, e o mais perverso dos desígnios: a perversão infantil através da já adiantada implantação da ideologia de gênero nas pré-escolas brasileiras. Sem dúvida, esse projeto que nega, entre outros, a diferença entre homens e mulheres, se obtiver êxito fará surgir um outro "ser vivente", nem homem nem mulher, mas "algo" que poderá a qualquer momento da vida se transmutar entre, pasme, em torno de 60 formas de definição de sexualidade. Evidente que o leitor atento percebeu que, ao questionar a criação divina, eles estão exterminando com as religiões criacionistas e a fé cristã. A ordem é corromper a sociedade até que, atormentada, ela aceite adorar somente o deus Estado e por ele ser tutelada.
Os brasileiros estão guerreando contra hostes invisíveis. O Brasil está em guerra, os estrangeiros olham boquiabertos para a sociedade brasileira, um verdadeiro laboratório de experiências de destruição moral e cultural. As trincheiras e os canhões foram cambiados por uma cortina de fumaça ideológica que, de tão embuçada, desorienta até que o beligerante se entrega voluntariamente sem alguma resistência. A subversão cultural/social da sociedade brasileira significa, para a esquerda nacional, a fase final de implantação da revolução comunista.
A trama é realmente complexa, infelizmente, muito maior do que esse espaço circunscrito permite desenvolver. No entanto, o curso da história é imprevisível e, tudo indica, os brasileiros estão prestes a mudar um futuro que já lhes parecia selado.
Bibliografia:
COSTA, Alexandre. Introdução à Nova Ordem Mundial. São Paulo: Vide Editorial, 2015.
ENGELS, Friedrich. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. São Paulo: Lafonte, 2017.
MARCUSE, Herbert. Eros e Civilização. Uma interpretação filosófica do pensamento de Freud. 8ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2015.
UMA VIRADA DE 180° OU DE 360°? - 21/08/2018
ELEITORES DIVIDIDOS
As últimas pesquisas de intenção de voto dão conta de que faltando menos de 50 dias para as Eleições, os brasileiros estão praticamente divididos: uma metade mostra preferência por candidatos REFORMISTAS; a outra, atestado preocupante deficiência cerebral, se mantem firme na preferência por POPULISTAS.
PONTO DA VIRADA
Ora, partindo do princípio da admissão generalizada, de que depois das inúmeras provas de absoluto DESGOVERNO somado à inúmeros e revoltantes casos de CORRUPÇÃO, tudo levava a crer que a grande maioria dos brasileiros via neste pleito de 2018 como o PONTO DA VIRADA.
VIRADA DOS REFORMISTAS
Entretanto, a considerar o que mostram, muito claramente, todas as pesquisas de intenção de voto, metade dos brasileiros tidos como REFORMISTAS entende, corretamente, que a tal VIRADA só é possível se a guinada for de 180 graus.
VIRADA DOS POPULISTAS
Já a outra metade, representada pelos fanáticos adoradores dos candidatos POPULISTAS, exige uma VIRADA -NULA-, de 360 graus. Melhor dizendo, 50% dos eleitores não quer mudança alguma. O país que querem para o futuro é um Brasil focado no abismo.
TRISTE ILUSÃO
Como se vê, aquilo que parecia impossível de acreditar, depois das descobertas de inúmeros casos de SAFADEZAS e DESPERDÍCIOS DE DINHEIRO PÚBLICO, não passou de uma triste ilusão: a verdade é que metade da população brasileira está pronta e disposta para recolocar os responsáveis diretos pelo CAOS para governar o país e os estados. Pode?
CALENDAS GREGAS
É verdade que ainda faltam 46 dias para as Eleições 2018, tempo capaz de produzir mudanças nas consciências de muitos eleitores. Entretanto, o fato de que o condenado Lula continua sendo o grande preferido para ocupar a presidência do Brasil, faz com que as esperanças de que tal de VIRADA DE 180 GRAUS vá para as CALENDAS GREGAS.
O QUINTO PODER - 18/08/2018
Em 1914, aparece referência ao quarto poder na obra La République des Camarades, de Robert de Jouvenel, no sentido de demonstrar a importância do jornal para políticos. Segundo o autor:
“No Palais-Bourbon, os políticos mais em evidência de vez em quando se detêm algum tempo na sala de espera para distribuir apertos de mão aos informantes parlamentares e para lhes explicar suas atividades. E quando um parlamentar conhecido se abstém durante muito tempo de frequentar essa pequena bolsa de confidências e difamações, sua pessoa pode ser vista a perambular tristemente de grupo em grupo, à cata de jornalista que se disponha a vir solicitar confidências destinadas ao grande público.”
Virá depois o rádio, com seu enorme poder de ampliar a voz. Como explicou Mac Luhan, “o rádio simplesmente permitiu a primeira experiência de massa da explosão eletrônica”. Não somente foi usado por líderes políticos, como permitiu o entretenimento, especialmente novelas, venda de produtos e, até fake news, como a transmissão nacional, em 1938, da adaptação da Guerra dos Mundos, de H. G, Wells, por Orson Welles. Os americanos entraram em pânico pensando que os marcianos tinham invadido o mundo.
Na década de 50 surge a televisão. Então, a palavra se fez imagem e habitou entre nós. Esse meio de comunicação contribuiu de forma marcante para influenciar costumes, atitudes, valores, assim como ampliou o espaço público para o poder dos políticos.
Além de fonte de lazer de entretenimento, a TV tornou-se o palanque eletrônico, termo que criei em um dos meus livros, O Voto da Pobreza e a Pobreza do Voto – a ética da malandragem. Serviu, pois, como palco para campanhas políticas, propagandas governamentais, promoção ou destruição de personalidade políticas. Como afirmou Roger-Gérard Schwartzenberg, na sua obra O Estado Espetáculo, “Associada ao rádio, atualmente a televisão se transformou no principal esteio da mediapolítica e do star system na vida pública”. Acrescento que a mídia se tornou o quarto poder ampliado.
Mas eis que outro poder se alevanta, graças a anotável invenção do computador. Então, os meios digitais se transformam nos palanques digitais da esfera política. Chega a Internet inaugurando o quinto poder com suas mídias interativas: WhatsApp, Twitter, Instagram... Nesse meio não apenas se recebe a informação, mas se repassa informação, discute, opina, polemiza, ama ou odeia, destrói ou constrói, como é próprio da humanidade. Uma interação muito acima do quarto poder. Nesse espaço livre não é preciso o conhecimento físico, pois o contato se faz de mentes para outras mentes e tudo se processa numa velocidade espantosa e instantânea através da Rede.
Se no início a Internet era pouco accessível, hoje grande população mundial pode navegar no mundo virtual. E quando alguém encontra um tema ou assunto que representa uma aspiração, uma ideia, algo que toque as emoções e as necessidades comuns, pode mobilizar multidões.
Um tema motivador/mobilizador pode trazer à tona outros temas mobilizadores. Por exemplo, em, 2013, a manifestação contra o aumento de vinte centavos no preço dos ônibus, encabeçado pelo grupo passe livre, culminou em um grande movimento popular baseado em insatisfações difusas, que acabaram focando no Fora Dilma, Fora Lula, fora PT. Milhões foram às ruas em todo Brasil, convocados por redes sociais e o resultado foi o impeachment de Dilma Rousseff.
Nesta eleição poderemos observar se o quinto poder se imporá ao quarto poder. Isto porquê, de um lado temos o candidato Jair Bolsonaro, filiado a um pequeno partido, sem recursos financeiros, com míseros segundos de televisão, mas apoiado pelas redes sociais a ponto de ser chamado de fenômeno.
De outro, um candidato como Geraldo Alckmin, pertencente a um grande e tradicional partido, apoiado por um grupo de partidos, com o maior tempo de televisão e de recursos financeiros partidários. Alckmin já profetizou que o segundo turno será disputado entre ele e o candidato do PT. Uma união que pode parecer de inimigos, mas que sempre teve o profundo amor do PSDB o qual pode ser ilustrado pela devoção de Fernando Henrique Cardoso a Lula. Quem sabe até, se Alckmin vencer, seu primeiro ato será conceder indulto ao presidiário.
Em todo caso, não só o PT e o PSDB, mas todos os candidatos já se uniram para destruir Bolsonaro, o chamado mito, usando para isso especialmente o palanque eletrônico. Será o embate tradicional da velha e carcomida política contra uma espécie de novidade política e meios ainda mais modernos de comunicação. Resta aguardar para poder avaliar quando as urnas forem abertas qual é a força do palanque digital.
*Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
PLANO FÊNIX - 15/08/2018
81 PÁGINAS
Ontem, o presidenciável Jair Bolsonaro divulgou o seu PLANO DE GOVERNO. Como o candidato se apresenta como um REFORMISTA, e, como eleitor, quero me decidir por alguém que tenha este compromisso, de imediato tratei de ler, com total e minuciosa atenção, as 81 páginas do -PLANO FÊNIX-, como está sendo anunciado.
LIMPEZA
Mais do que sabido, o nosso empobrecido país sofre de múltiplas doenças, todas elas concebidas ao longo de muitos anos de governos socialistas, com ênfase nas administrações petistas Lula/Dilma. Com isso, o interesse pela cura de tantos males passa por um EFETIVO E PENSADO TRATAMENTO que inicia com uma limpeza geral dos órgãos, mentes e tecidos do sofrido corpo Brasil.
CARTA DE PROPÓSITO
Pois, mesmo sabendo que o PLANO FÊNIX é uma -CARTA de PROPÓSITO- e/ou de -INTENÇÕES-, muito daquilo que ali está escrito ainda vai depender da vontade dos novos legisladores (deputados e senadores), caso o candidato Bolsonaro venha a ser eleito presidente. Entretanto, depois de ler as 81 páginas do PLANO FÊNIX fiquei convencido de que é por aí que passa a cura das nossas graves doenças.
A NOSSA BANDEIRA É VERDE-AMARELA
Um dos pontos importantes do Plano toca na necessária e efetiva limpeza do CORPO BRASIL. Lá diz o seguinte:
• Nos últimos 30 anos o marxismo cultural e suas derivações como o gramscismo, se uniu às oligarquias corruptas para minar os valores da Nação e da família brasileira.
• Queremos um Brasil com todas as cores: verde, amarelo, azul e branco.
LIBERAL DEMOCRATA
No que diz respeito a ORDEM E PRGRESSO, consta:
- Após 30 anos em que a esquerda corrompeu a democracia e estagnou a economia, faremos uma aliança da ordem com o progresso: um governo Liberal Democrata.
- Segurança, Saúde e Educação são nossas prioridades. Tolerância ZERO com o crime, com a corrupção e com os privilégios.
FORO DE SÃO PAULO
Mais: para ficar restrito apenas ao importante início do tratamento de limpeza da mente e corpo do empobreido Brasil, eis a abordagem quanto ao Foro de São Paulo:
-Nosso conjunto de Leis será o mapa e a BÚSSOLA serão os princípios liberais democratas para navegarmos no caminho da prosperidade. Enfrentaremos o viés totalitário do Foro de São Paulo, que desde 1990 tem enfraquecido nossas instituições democráticas.
"NE SUTOR ULTRA CREPIDAM", SRS. MINISTROS. - 13/08/2018
A Ministra Cármen Lúcia, em entrevista concedida recentemente a um periódico, afirmou ser absolutamente inaceitável o descumprimento de decisão judicial.
Discordo da Ministra, em boa medida.
Sou do tempo que ordem judicial deveria ser cumprida e não, discutida. Sou do tempo que decisão judicial era lei. Mas eu também sou do tempo que o juiz julgava a partir da lei. O juiz era o intérprete e o aplicador fiel da lei vigente no país. A justiça e a eqüidade da norma legal eram cuidadosamente sopesadas a partir dos ensinamentos doutrinários. Os princípios hermenêuticos, brilhantemente ensinados em obras de autores como Carlos Maximiliano e Eduardo Espínola, eram verdadeiros mananciais com os quais o juiz, na sua solitária e penosa função de julgar, ia buscar a melhor de todas as justiças; “dar a cada um o que lhe é devido”. O direito era arte do bom e do equitativo.
Em tempos recentes, no entanto, esse cenário mudou radicalmente. O Judiciário, a partir da Suprema Corte, deitou às ortigas dois mil anos de cultura jurídica para começar a introduzir no universo jurídico pátrio uma compreensão absolutamente inédita. Com base em um pressuposto que deita raízes em Auguste Comte, com elementos da pós-modernidade, em especial o desconstrucionismo de Derrida e o sociologismo de Foucault, o Supremo arvorou-se não apenas em defensor da Constituição, mas também em seu livre intérprete, para impingir a toda a nação que “a Constituição diz o que o Supremo diz que a Constituição diz”.
Na base dessa nova postura está o chamado ativismo, tão em voga no Supremo.
Desgraçadamente, a moda do ativismo judicial gerou uma certa miopia jurídica a partir da qual o ordenamento jurídico perdeu todos os parâmetros legais até então considerados. As vivandeiras do politicamente corretoassentaram praça nas searas da Justiça brasileira, ensejando o surgimento da mais inquietante geração de juristas ativistas. No entender de nossa Suprema Corte, não há preceito constitucional que não sirva aos propósitos da justiça social; não há dispositivo Constitucional que não tenha nascido pronto e acabado. Todo o ordena¬mento infraconstitucional é apenas de¬talhe menor, o Poder Legislativo é prescindível. A Constituição é a bíblia do ativismo judicial: nela todas as respostas estão dispostas e não há política social que não possa ser concretizada de chofre. A Cons¬tituição é o ma¬nual do politica¬mente correto, do qual são ex-traídos maniqueistamente os mais “panacéticos” preceitos.
É inadmissível, com efeito, pretender que o Judiciário, com base em princípios lacônicos, fluídos e difusos, crie direito subje¬tivo à margem da lei escrita e do direito natural, ao arrepio do bom senso. Não raro, os efeitos de sua decisão ultra¬pas¬sam os limites do caso concreto para repercutir nociva¬mente na economia da sociedade. É decorrido o tempo de o Judiciário atentar para o fato de que, ao se deixar seduzir pelo brilho fácil do ativismo ju¬dicial, a par de politizar o direito, finda por conferir caráter ideológico a suas sentenças. Certos juízes, muitos promotores, tocados pelos ventos da pós-modernidade, encarnam uma versão “bananeira” do Bom Juiz Magnaud (1889-1904), o juiz francês panfletário. O Bom Juiz, ensina Carlos Maximiliano, era imbuído de idéias humanitárias avançadas, redigia sentenças em estilo escorreito, lapidar, porém afastadas dos moldes comuns. Panfletário, empregava apenas argumentos humanos, sociais. Mostrava-se clemente e atencioso como os fracos e humildes, enérgico e severo com os opulentos. Destacava-se, o Bom Juiz, por exculpar pequenos furtos, amparar mulheres e os menores, profligar erros administrativos, atacar privilégios, proteger o plebeu contra o potentado. Nas suas mãos a lei variava segundo a classe, mentalidade religiosa ou inclinações políticas das pessoas submetidas à sua jurisdição.
O atual juiz ativista assim como o Bom Juiz Magnaud são representantes de uma mesma justiça panfletária e factóide. O nosso juiz ativista, contudo, tem a vantagem de contar com as franquias geradas por um certo fetiche constitucional que virou moda e que em tudo quer infundir, desbordando de suas naturais dimensões, para tudo constitucionalizar: o direito civil, o direito comercial, o direito do trabalho. Nada escapa ao ferrete do nosso bom juiz pós-modernista, que pisa e macera leis e códigos no almofariz dos direitos fundamentais (uma espécie de santo graal gramsciano), até conformá-los à cartilha do magistrado politicamente correto. Não contente com a nobre função de julgar, ele usurpa a função legislativa para inovar o ordenamento jurídico, criando direitos subjetivos a seu talante. Inebriado com um ilusório senso justiceiro e evocando “princípios” como quem entoa cânticos mântricos de alguma seita cabalística, o juiz ativista sucumbe ao sofisma da cultura protetora do mais fraco.
Sob a pena do juiz ativista, os pobres serão redimidos; os excluídos, reintegrados; os discriminados, reinseridos; os pre¬sidiários, libertados. Os ricos que por ventura lhe caírem sob o guante serão severa e exemplarmente punidos pelo mais mínimo desvio de conduta; seus estabelecimentos comerciais e suas residências serão tomados de assalto em episódios cinematográficos [mire-se o caso Daslu]; suas terras serão arrebatadas pelas mãos sujas e nojentas dos terroristas do MST. Não satisfeito, o juiz ativista irá imiscuir-se na economia interna das empresas privadas para impedi-las de demitir seus empregados (mire-se o caso Embraer). Por derradeiro, impingirá toque de recolher aos filhos de todos os pais e toque de silêncio aos pais de todos os filhos, e a toda gente não restará réstia de liberdade sequer. Sua encarniçada ânsia por justiça social [-ista] é tamanha que, caso não seja sofreado à mão-tenente, levará a Justiça ao descrédito, o erário à bancarrota e a economia à ruína.
Eis, aí, o retrato do Supremo Tribunal Federal. O Supremo Tribunal Federal está legislando: legislando, por vezes, contra a própria Constituição. O Supremo crê ser maior que o legislador constituinte.
Sendo assim, parece-me extremamente natural que, ao desertar de seu posto constitucional originário para invadir o terreno das atribuições dos demais Poderes, o Supremo Tribunal Federal tenha perdido completamente a autoridade de exigir que suas decisões sejam cumpridas e não, discutidas. Ao arvorar-se detentor do poder de ditar normas a seu alvedrio, ao invés de ser o guardião das leis vigentes, o Supremo desnatura-se, indo como o sapateiro que foi além das sandálias.
Ao assim proceder, torna caduco, de inhapa, o velho adágio jurídico e popular de que sentença judicial deve cumprida e não, discutida. Com o desvio de função, vem também o desviou de perspectiva para admitir que as sentenças judiciais, quando imbuídas de nítido caráter político-ideológico, agora também possam ser discutidas. Se o Supremo Tribunal Federal não cumpre a Constituição, porque diabos precisamos cumprir as suas decisões, máxime quando desrespeitam tudo aquilo que constitui a base de nossa estrutura social, em particular a separação dos poderes.
A revolução cultural, no Brasil, encontrou o caminho do Judiciário. Não se trata apenas de uma questão de simples ilegitimidade, o que está em jogo é o próprio Estado de Direito, pois caminhamos para a ditadura do judiciário. Isso é usurpação de poderes constitucionais. É golpe de estado, aos moldes gramsciano.
Já é passada a hora de dizer aos senhores Ministros: "Ne sutor ultra crepidam”.
*Procurador de Justiça MP/MG
MARIELLE , JULIANE E A INDIGNAÇÃO SELETIVA - 09/08/2018
Marielle e Juliane: por que a indignação seletiva por parte da grande mídia e de movimentos coletivistas?
Duas mulheres negras homossexuais abatidas por bandidos: uma é coberta de homenagens e motiva cobranças por investigação e punições; a outra merece mínimas notas de rodapé e o silêncio constrangedor de feministas e militantes LGBT e da "causa negra".
O motivo para este tratamento diferenciado seria, segundo alegam os revoltados de ocasião, é que a morte da vereadora consistiu em um CRIME POLÍTICO, o que não foi o caso da policial.
Ok. Vamos considerar que tal fato seja verdade, mesmo sem comprovação alguma - o que se tem são meros indícios até agora. Vamos também relevar a hipocrisia dessa ala do espectro político que não espumou de raiva ante ao assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel - este sim, uma clara queima de arquivo de delitos cometidos por petistas.
A pergunta que emerge é: POR QUE UM HOMICÍDIO COM MOTIVAÇÕES POLÍTICAS É MAIS GRAVE, DEVE SER TRATADO COM MAIS SERIEDADE, GERAR MAIS REPERCUSSÃO E EMOÇÃO EM RELAÇÃO AOS DEMAIS DEZENAS DE MILHARES DE BRASILEIROS QUE SÃO ANIQUILADOS FEITO MOSCAS ANUALMENTE?
A resposta foi dada há muitas décadas pelo comunista italiano Antonio Gramsci:
"Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que 'viver significa tomar partido'. Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes."
Traduzindo: você, cidadão comum, que trabalha para prover sua família, vive à margem das politicagens e espera do Estado somente os serviços básicos pelos quais pagou com impostos, é odiado pela esquerda, simplesmente por não tomar parte da empreitada revolucionária - um "alienado", por assim dizer.
Sim, a sua vida, leitor, vale menos do que a de qualquer pessoa que contribua, de alguma forma, para a expansão da máquina estatal e para aprofundar a intervenção dos burocratas em nossas vidas privadas.
O ideário defendido em vida por Marielle - cotas, privilégios, verbas e proteção estatal para grupos supostamente oprimidos pela sociedade - fomenta o assistencialismo governamental que turbina a classe política, conferindo-lhe mais poder decisório e provendo justificativas para extrair mais recursos do setor produtivo. Um tiro em sua direção, portanto, é um ataque desferido contra todos os que gravitam em torno do aparato estatal.
Juliane, coitada, era só uma "indiferente". Pior: era membro de uma corporação militar cuja missão precípua é combater as "vítimas do capitalismo cruel" que apontam fuzis em sua direção e que tanto ajudam a criar o ambiente de caos social onde o livre mercado não logra florescer - deixando o terreno fértil para líderes populistas implantarem o socialismo gradativamente.
Estes paladinos das "mortes políticas", todavia, não lamentariam nem por um segundo se o mal maior se abatesse sobre Jair Messias Bolsonaro, ou qualquer outro agente político cujos princípios contrariem sua agenda de dominação das instituições e submissão de todos ao pensamento unico. Esta é a prova de seu duplipensar doentio.
Descanse em paz, Juliane, apesar da indiferença dos que odeiam indiferentes...
* Extraído do Facebook do autor: https://www.facebook.com/search/str/bordin+burke/keywords_search
RAZÕES PARA JOGAR FORA TODO O MARXISMO II - 03/08/2018
Há uma lógica perversa e contínua na prática da persuasão comunista, desde o seu surgimento no século XIX, até hoje. O Manifesto Comunista de, 1848, a Mensagem da Direção Central à Liga dos Comunistas (1850), o panfleto leninista Que fazer? (1902), as atas dos atuais Foro de São Paulo e Forum Social Mundial, assim como os decretos da Venezuela, Bolívia e do Brasil na era petista, reproduzem o desejo de interferência e captura das relações humanas, em todos os níveis, do estado controlado pelo partido. Na esfera do controle estatal pela esquerda brasileira, sabemos o que isso representou: o Mensalão e o Petrolão, este um sistema de corrupção colossal, quase inédito na história humana, comandado por petistas com a finalidade de jamais deixarem o poder.
No Manifesto e na Mensagem, Marx e Engels partiam da noção logicamente insustentável de luta de classes. Hoje, nenhum marxista abertamente defende este espectro conceitual. Eles se transformaram em keinesianos, defensores do estado intervencionista na economia. A análise do marxismo, calcada na lucidez e no bom senso, muitas vezes instiga mugidos de altercação em hordas de ruminantes intelectuais da esquerda, mas não se deixa abater pela algaravia. Estamos vivendo um tempo de reafirmação do pensamento liberal e conservador. Assim, distantes do discernimento, imunizados contra o debate de ideias por uma crosta ideológica, aqueles que clamam pela salvação atual de certas clientelas eleitas – não mais os proletários, mas os pobres em geral, os drogados, os negros que eles dizem representar, os gays e as prostitutas – os marxistas que apregoam o fim da família tradicional e surgimento de novos tipos de uniões extravagantes e que elevam a degradação estética lumpemproletária, para usar um termo caro a eles, à condição de cultura, não são capazes, sequer, de encarar o fato de que o que se predica de um membro de uma classe não pode ser predicado da classe. Por exemplo, a classe dos proletários oprimidos não é oprimida, assim como a classe das mulheres vesgas não é vesga.
Qualquer tipo de realismo metafísico aplicados às classes produz paradoxos, para os quais Marx, Engels, Lênin e seus seguidores não atentaram porque não entediam nada de lógica formal e viviam, como vivem seus seguidores, de uma sentimentalidade pseudocientífica agarrada a abstrações desconectadas dos homens reais. Marx, que jamais entrou numa fábrica e que se deteve tanto na alegada crítica da economia de seu tempo, faz parte da pré-história em termos de lógica de primeira ordem e teoria econômica. Apenas um troglodita intelectual insiste em defender a existência de uma ideia de valor-trabalho, desprezando, por exemplo, a impositiva teoria da utilidade marginal.
Fossem os marxistas capazes de pequena dose de reflexão, dedicar-se-iam mais à análise de seu próprio cânone, daquele mesmo conjunto de textos da escola marxiana, cujo objetivo era analisar os fundamentos socioeconômicos da sociedade industrial do século XIX e projetar, ao modo historicista, as inevitáveis quedas do capitalismo e ascensão da sociedade sem classes dos produtores livres. Esta base milenarista ruiu, porque seus alicerces eram uma falsa economia e uma falsa sociologia.
É fato que a análise exigível da teoria marxiana revela que a ciência revolucionária dos comunistas é não apenas falível, como seria de se esperar de uma hipótese de economia política, mas insustentável. O conceito marxista de luta de classes é falso. E seu fundamento, a dialética, pode ser rastreado nas formulações de Maniqueu e dos primeiros gnósticos. A elevação hegeliana da dialética à dinâmica do ser-em-si-para-si e a sua entificação como movimento inerente à história, como logos encarnado nela, provoca a desestruturação da possibilidade de pensar, porque rompe com os compromissos com a lei da não-contradição e do terceiro excluído, como já demonstrei em artigo anterior. Além disso, ignora a realidade da mobilidade social, que nada mais é do que a possibilidade de que um membro de uma classe venha a transitar para outra, justamente por força da dinâmica das trocas do capitalismo.
Marx fazia o elogio do obscurantismo, na falsa crença de desvendar o mistério social da realidade. A ideia hegeliana das qual ele se utilizou, colocada no campo da "economia politica", era sentimentalista. Marx apegava-se a abstrações e desprezava os fatos ao ponto de alterá-los para que funcionassem como confirmações de suas previsões. A mais evidente demonstração de desonestidade intelectual dessas previsões é a afirmativa de que os operários ingleses estavam progressivamente empobrecendo, com base nos dados econômicos divulgados pelo primeiro-ministro Gladstone (O Capital). A realidade mostrava justamente o contrário. Mas o fetiche da luta de classes, ao qual ele recorreu para elaborar sua filosofia da história com base no materialismo que chamou de dialético não permitia que a realidade desmentisse suas predições. Por isso, que se inventassem os fatos apropriados. Em ciência, há um nome para este procedimento: fraude.
A implantação da utopia socialista, ainda tão esperada por comunistas de todos os matizes, no Brasil, inclusive, foi intentada mais do que uma vez no século XX e só resultou em desgraça. O Manifesto Comunista de Marx e Engels é um panfleto que convoca à realização da guerra total. O lema era estimular, junto aos trabalhadores, a união política em torno de luta de classes. Com olhar calmo, nos damos conta de que os espertos esbirros petistas da plataforma marxiana conduziram ao Mensalão e ao Petrolão, ao desastre econômico pela via do dirigismo centralista de partido e da corrupção sistêmica. Eles estavam comprometidos com uma modalidade de subtração de direitos democrático-constitucionais, que tem no respeito à propriedade privada, no princípio da representação, na transparência no trato com a coisa pública, na separação entre partido e estado, na preservação da liberdade individual e na proteção da autonomia dos indivíduos, os seus princípios fundantes. Ora, nenhum marxista pode conformar-se com uma declaração como essa, cujo conteúdo é incompatível com uma visão totalitária das relações humanas.
Para marxistas, o crime, tal como definido na lei das democracias constitucionais, não é, de fato, crime, mas, muitas vezes. forma de ação política revolucionária, um meio dos quais se utilizam quando lhes é conveniente e que se legitima na ideia de varrer da história a injustiça, para eles, inerente ao capitalismo. Uma perversão até hoje defendida por progressistas chiques.
* Possui graduação em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1982), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1989) e doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998).
LISTAS DE BONS CANDIDATOS - 31/07/2018
UM NOVO PAÍS
Por tudo que o povo brasileiro sofreu nestes últimos anos, quando veio à tona o fantástico e jamais visto esquema de corrupção, que colocou na prisão um ex-presidente da República além de vários políticos e dirigentes de estatais, o que muita gente espera é que a partir das Eleições 2018 o Brasil venha a ser, enfim, um novo e diferente país. Tomara!!!
COMEÇAM A DECIDIR
Como estamos nos aproximando do dia 2 de outubro, a partir de agora grande parte dos eleitores, notadamente os mais insatisfeitos que exigem um país melhor para viver, já começam a se preocupar em escolher aqueles que, a partir de 01/01/2019, vão dirigir o país e os estados.
PENSAR+
Como chegamos a um ponto tal em que cometer qualquer ERRO nas escolhas é algo simplesmente inadmissível, os integrantes do Pensar+, em reunião recente, decidiram oferecer uma boa ajuda aos eleitores mais indecisos e/ou com poucas condições de analisar e melhor avaliar quais candidatos são capazes de fazer a exigida -diferença para melhor-.
DENTRO DE POUCOS DIAS
Assim, dentro de poucos dias (bem antes do pleito) cada integrante do Pensar+ deverá disponibilizar e/ou publicar na sua rede social a sua lista contendo nomes de candidatos que, basicamente, vão concorrer a deputado federal e deputado estadual.
CAPACIDADE
Atenção: - só serão listados, sem prejuízo dos demais que não foram analisados, os nomes daqueles que mostram efetiva e comprovada capacidade para produzir e aprovar projetos que contribuam para fazer do Brasil um país melhor para todos.
ONDE MORA O PERIGO
Estou mais do que convencido de que, independente da importância da escolha de um bom nome para presidir o país e governar o estado, mais importante ainda são aqueles que vão ocupar o Legislativo. Maus deputados e senadores não aprovam reformas e bons projetos. Vale lembrar sempre: é ali que mora o grande perigo.
RAZÕES PARA JOGAR FORA TODO O MARXISMO - 30/07/2018
Desejo propor uma reflexão sobre o princípio da dialética hegeliana, que Marx e Engels importaram para o materialismo. Trata-se do princípio da irracionalidade, de acordo com uma análise que qualquer pessoa, mesmo não versada em lógica, pode entender sem muito esforço. Hegel e, sobremodo, Marx, seu seguidor materialista - não o único, mas aquele que produziu especulações mais arrogantes e danosas - montaram sistemas com base na negação dos princípios da não-contradição e do terceiro excluído. E, por isso, sustento que suas cosmovisões, termo que considero adequado para designar a síntese entre a pseudológica e a metafísica que erigiram, não passam de verborragia solene.
De uma sentença contraditória se segue qualquer outra sentença. Este é o chamado Princípio da Explosão. Se temos p e não p então temos c, seja qual for o c. É fácil demonstrar essa lei da lógica clássica, contra a qual Hegel investiu. Vejamos no exemplo: afirmo que serpentes são viscosas e não não são viscosas e, para efeito de raciocínio, considero que esta sentença é verdadeira. Com base no que considero, pretendo provar que a Terra é quadrada. Da afirmação de que serpentes são viscosas e não são viscosas, se segue que serpentes não são viscosas e quem não entender isto precisa urgentemente consultar-se com um psiquiatra, porque sofre de alguma disfunção cognitiva grave. Assim, Se está provado, pela aceitação da verdade da antinomia, que serpentes não são viscosas, podemos avançar para a prova terminal de que a Terra é quadrada, do seguinte modo: temos que serpentes não são viscosas. Desta forma, formulo nova sentença, desta feita, disjuntiva, a saber, ou serpentes são viscosas ou a Terra é quadrada. Daí se infere que a Terra é quadrada, porque, conforme demonstrado pela premissa que aceitamos, a saber, que serpentes não são viscosas, é impositivo concluir que a Terra é quadrada.
Ora, os defensores da dialética, como tenho afirmado, não entendem nada de lógica, porque esta singela Lei da não-contradição, se violada, trivializa qualquer teoria. O mesmo vale para o Princípio do Terceiro excluído, a saber, que uma sentença ou verdadeira ou é falsa, não havendo uma terceira opção para que compreendamos o que ela significa. Assim, a opção " a sentença s é verdadeira e falsa" é, do ponto de vista lógico, inaceitável. Por trivializar, por turno, entenda-se precisamente a consequência de que qualquer afirmativa pode ser resultante da aceitação de uma contradição. Uma teoria é dita trivializada se se depara com uma contradição. Isto a inutiliza. Mas, acentue-se bem: isto não quer dizer que todas as teorias, do ponto de vista da lógica matemática, estejam imunes a paradoxos. Não estão, como a história da ciência e da própria matemática comprovam. Se aceitamos o Princípio da Explosão, que se impõe a partir da Lei da não-contradição, não podemos, seja lá por qual motivo, continuar fazendo uso de uma teoria que implique uma contradição. Mas afirmar a imunidade à contradição é outra coisa. Ninguém pode fazer isto de forma antecipada, ou como Kant dizia, a priori. Autores contemporâneos como Quine e Popper montaram sistemas de compreensão de como funcionam as teorias com base justamente na sua característica falível; teorias são sistemas hipotético-dedutivos submetidos permanentemente a testes empíricos que podem torná-las falsas; e não podemos antever todas os possíveis desdobramentos lógicos de sua aplicação, porque não somos, ao contrário do que, acentuadamente, os senhores Hegel e Marx, pensavam, seres oniscientes que divisam, a um só tempo, todos os mundos possíveis ou todas as possíveis hipóteses que as ciências podem propor.
Não desconheço que alguns lógicos contemporâneos trabalham com o conceito de lógica paraconsistente, não-clássica. O mais destacado deles é o australiano Graham Priest. A lógica paraconsistente admite a existência de contradições, como as com que nos deparamos na linguagem corrente. Exemplos: "esta sentença é falsa" e "estou mentindo agora", que Priest chama de dialetéias. Entretanto, marxista algum pode fazer uso dos recursos conceituais desta lógica não-clássica para sustentar seu edifício de sandices. Uma coisa é admitir a existência de contradições e estabelecer parâmetros para um cálculo não-clássico. Outra, porém, é dizer que todo o ser é devir e na sua essencialidade está o conflito de opostos, como fazem os hegelianos e marxistas. Os defensores da lógica paraconsistente não afirmam que todas as coisas que dizemos ou que pensamos são contraditórias. Eles afirmam que algumas delas são. Já os dialéticos, se comprometem com um rendezvous trivialista, que pode ser resumido no seguinte antilema: tudo se segue de tudo e qualquer coisa decorre de qualquer outra coisa. O gênio de Jena, que pretendeu ter descoberto a lei motriz do Universo, na verdade desvelou uma senhora tolice. Dela partiram seguidores entusiasmados pela nova "lógica da revolução" (Engels), para cujo horizonte moral nada importava senão a higidez da totalidade em marcha incontida para sua consumação na sociedade sem classes. No caminho revolucionário, Marx e Engels já o diziam e está documentado, em correspondências e artigos na Gazeta Renana, soçobrariam pilhas de cadáveres, daqueles contra os quais era impositivo pegar em armas e daqueles outros, de nações pré-industriais, que seriam trazidos a fórceps para o seio da nova ordem comunista.
No início dos anos 60, ainda se recitava a cartilha marxiana com suas categorias não maquiladas. É certo que os partidos comunistas da época não estimulavam muito, junto aos jovens que iam buscar no movimento estudantil e nos operários, a discussão filosófica dos Manuscritos Econômico-filosóficos (1844) e de Para a Crítica da Economia Política (1859). Era mais apropriado esquematizar o pensamento marxiano em pontos-chave, por meio da pregação apostilhesca elaborada, entre outros, pela chilena Marta Harnecker (Os conceitos básicos do materialismo histórico), ela discípula de Louis Althusser e Alain Badiou. Pontos bem básicos mesmo. E tolos. Vejamos um sinal importante deles em Marx, quando este define, no Prefácio de Para a Crítica da Economia Política, as relações entre estrutura e superestrutura: "na produção social da sua vida os homens entram em determinadas relações necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada etapa de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se ergue uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas inversamente, seu ser social que determina a sua consciência."
Note-se que o modo como Marx caracteriza a consciência é reducionista. O ser social determina a consciência individual. Mas o que determina o ser social? O ser material, que é o homem (gênero aqui) na sua condição natural. A afirmativa apenas desnuda a tese materialista de que somos organismos fisiológicos, em primeiríssima instância, condicionados pelo invariante impulso da autopreservação, uma ideia que Darwin desenvolveu mais tarde. Em seu desenvolvimento, a vida salta para o estágio da produção social e, como Marx não está falando de lagostas, mas do homem, especulo: seu ponto de partida antropológico é a luta pela vida (alimentação, reprodução) dos agregados humanos para inicialmente manterem-se em estado de subsistência.
Percebe-se que nesta evolução, de uma etapa material, fisiológica, para uma social, a mente cumpre papel decisivo, mas não pode ser outra coisa que não o cérebro. Nos Manuscritos Econômico-Filosóficos, Marx apresentara sua crítica ao princípio de identidade de Hegel e desenvolvera a ideia segundo a qual os homens produzem a si mesmos mediante o trabalho, dali extraindo a conclusão de que é da práxis coletiva que resulta o ser humano.
Não são poucos marxistas que defendem, hoje ainda, a tese de que os Manuscritos são um texto humanista. Neste texto, ele apresenta o comunismo, como a "superação positiva da propriedade privada, enquanto auto-alienação do homem, e, por isso, como apropriação efetiva da essência humana através do homem e para ele; por isso, como retorno do homem a si mesmo enquanto homem social, isto é, humano; retorno acabado, consciente e que veio a ser no interior de toda a riqueza do desenvolvimento até o presente. Este comunismo é, como acabado naturalismo igual a humanismo, e como acabado humanismo igual a naturalismo; é a verdadeira solução do antagonismo entre o homem e a natureza, entre o homem e o homem, a resolução definitiva do conflito entre existência e essência, entre objetivação e auto-afirmação, entre liberdade e necessidade, entre indivíduo e gênero. É o enigma resolvido da história e se conhece como esta solução" (Karl Marx, Manuscritos, III, p. 8, Os Pensadores, Abril Cultural, São Paulo, 1978).
O livro é o primeiro da trilogia propriamente criítico-filosófica de Marx, que se completa com A Sagrada Família (1844) e a A ideologia Alemã (1845, ambos com Engels). Nos Manuscritos, o humanismo, que se identifica com o comunismo, é materialista, naturalista, se preferirem, e está circunscrito pela noção da dialética do trabalho alienado e de sua consequência, a propriedade privada, fonte, para Marx e Engels, de todos os males da civilização. Somente poderemos recuperar nossa condição humana depois da extinção da propriedade privada. Observo aqui, mais uma vez, que não estamos a tratar de um método de exposição de ideias, mas de uma descrição metafísica da dialética como movimento de contrários ativos na natureza e na sociedade. Marx cria, a partir da ideia de comunismo, sua própria filosofia da identidade, que ele contrapõe à de Hegel, tendo no comunismo a síntese de todas as realizações humanas ou, segundo seu léxico próprio, a superação da auto-alienação humana.
Convém destacar que, se considerarmos um espectro de discussão mais amplo, a hipótese que identifica mente e cérebro é ainda hoje muito poderosa. Poderosa, porque todos querem, em ciência, evitar lidar com entidades que não sejam materiais, ou seja, aquilo que, em última instância, nós podemos perceber pelos sentidos. Os empiristas ingleses diziam que nossas idéias, todas elas, provêm dos sentidos e que as mais abstratas delas são produtos de operações mentais. A atual escola materialista em filosofia da mente sustenta haver uma identidade entre fenômenos mentais e fenômenos neurofisiológicos, mas tem dificuldades em lidar com estas coisas que chamamos de ideias e estados mentais, como as crenças e os desejos, pela razão que apontarei logo a seguir.
Locke, que foi um grande filósofo do materialismo clássico, teve problemas ao tentar explicar a mente em seu funcionamento, porque, para isso, ele era obrigado a supor a própria mente em funcionamento, ou seja supor o que pretendia explicar. Bem lá no fundo de seus corações, os materialistas sabem, que estão errados, porque a mente não é algo que podemos simplesmente reduzir ao cérebro e este não pode simplesmente ser discernido pela neuroanatomia. Sua complexidade não é similar a de uma engenhoca sofisticada.
Teses materialistas esfarelam-se pelo reducionismo. Uma máquina fisiológica, que, por hipótese, funciona segundo o modelo conexionista neurológico-matematizável, não pode gerar a si mesma e, muito menos, pode gerar a matemática que a põe em operação. O problema da origem da máquina e da origem de seu programa é demasiado intrincado para ser abordado por um enfoque materialista, para o qual o surgimento da vida, é na mais branda das hipóteses, ocasional. Além disso, se pensarmos a vida como mera matéria, que razão haveria para nos preocuparmos com questões tais como o sentido da vida, o valor do humano, a beleza de uma paisagem ou a inefabilidade da angústia?
Marx não se deteve nestes aspectos, dando-os por inabordáveis. Ele era, segundo Eric Voegelin, um trapaceiro intelectual. O reino da necessidade é tudo para a crítica marxiana. O reino da liberdade não está aqui. Para ele, as relações inter-humanas (relações de produção), são necessárias e não dependem da vontade de ninguém em particular, mas das etapas em que as forças produtivas se encontram, estas moldando a consciência dos indivíduos. Ideias e estados mentais, como os estados conscientes - Marx chama tudo isto de consciência - no entanto, são, para dizer o mínimo, dificilmente redutíveis a estados materiais. Como os demais materialistas, Marx tem que lidar com alguns problemas. Exemplo: estados da mente são intangíveis, dificilmente pode-se alegar que estão situados no espaço físico. Além disto, possuem muita mobilidade, de modo que não há nada de implausível na hipótese de que duas ou n pessoas podem ser portadores da mesma crença, por exemplo, mesmo que se encontrem em distintos estados neurofisiológicos. No que se segue, mostrarei como certas características da mente fazem da tese materialista de Marx um rebotalho em termos metafísicos.
Força produtiva, para Marx, era trabalho e máquina ou, se quiserem hoje, aparato tecnológico. A roda, a máquina a vapor, o motor a combustão criam novas etapas das relações humanas. Para ele, tais relações eram necessariamente determinadas, significa dizer, involuntárias e se davam à revelia do indivíduo. Neste ponto, temos o problema: se a consciência do sujeito se define pelo papel que este cumpre no contexto das relações de produção de seu agrupamento ou agregado social, ele, em nível psicológico, não tem como se desvencilhar deste papel. Se é operário, suas ideias têm de ser as de um operário, se é burguês, as de um burguês. Da mistureba de antropologia, sociologia e materialismo fisiológico (que é uma premissa oculta no argumento), surge o problema: como Marx explica o seu próprio pensamento, aquele que ele diz ser determinado pelo modo de produção material?
Determinado é uma palavra forte. É o mesmo que forçado. Logo, Marx, que era um advogado e jornalista, filho de funcionário público e que nunca entrou numa fábrica, não poderia ter elaborado a ciência proletária. Não é, afinal, o ser social, subdeterminado pelo ser material, que determina a consciência? Não é a estrutura (a totalidade das relações de produção) que determina a superestrutura (o aparato político e jurídico da sociedade)? E onde estava o ser social de Marx, ou de Engels, que era endinheirado e que, como passatempo, tinha o hábito de caçar raposas? Marx travou na mobilidade das ideias, não se deu conta de que um sistema de crenças consistente, seja em termos de filosofia moral, seja em nível de ciência dura, ultrapassa o que ele chamou de ideologia e que proposições universalmente aceitas podem ser teoricamente elucidativas, independentemente da "condição de classe" de um indivíduo. Um argumentador marxista, para contraditar, poderia alegar, neste ponto, que o que vale para uma classe não vale para todos os membros desta classe. Marx era pequeno burguês de origem, mas tinha instrução suficiente para superar esta condição e deslindar a mentalidade obreira. É o enfoque de Gramsci sobre os intelectuais. Marx tinha os pés na burguesia, mas a cabeça no proletariado. Com isto, entretanto, o argumento, aquele segundo o qual as relações de produção determinam a consciência, se autodestrói. Elas não determinam mais, podem no máximo influenciar, mas não além disso. Assim, tudo desaba na hipótese da determinação. Se aduzirmos à análise deste ponto a crítica do materialismo, então torna-se sem dúvida inevitável jogar fora todo o marxismo.
As tentativas neomarxistas e freudomarxistas, a chamada Teoria Crítica da Escola de Frankfurt ou a hipótese dos aparelhos ideológicos de Althusser, são tentativas heroicas de sustentar a tese de que, em que pese a determinação, a superestrutura injeta valores e conceitos da classe dominante na classe dominada. Libertar a consciência do proletariado- e isto o próprio Marx dizia- exigiria não apenas uma crítica da superestrutura que o oprime, mas também a clarificação dos interesses e valores genuínos na classe operária. Tarefa político-revolucionária, difícil e jamais levada a cabo com êxito pelos marxistas no mundo real, porque a esmagadora maioria dos operários, ao longo da história, insiste em permanecer "acrítica" com relação àqueles que seriam, segundo Marx, seus legítimos interesses.
Em outras palavras, eles nunca estiveram nem aí para o palavrório revolucionário, para não falar do metafísico, este opaco para o leigo, quanto mais para o homem que vive, segundo Marx, sendo explorado no trabalho e que não tem tempo para instrução sofisticada. Gramsci tentou aqui fazer uma ponte entre esta instrução, que é típica dos intelectuais, e a "classe" operária. Um intelectual orgânico, que entende as contradições do capitalismo, deve poder ser capaz de ajudar "as massas" a entendê-las também. É preciso que estes intelectuais estejam presentes nas instituições existentes, na educação principalmente, para auxiliar a gente simples a ultrapassar a fase que ele chamava de "filosofia primitiva do senso comum". Gramsci é o autor que instrumentaliza o marxismo, a filsofia da práxis como ele o chamava, para os intelectuais petistas. O esforço dele, assim como o dos neomarxistas, está atado às amarras da dialética hegeliana e, por isso, descontado o fato de que se mantém no plano mental de um Tarso Genro ou de uma Marilena Chauí, nas democracias representativas, a tal praxiologia marxiana pariu apenas revoluções de rebeldia junto a estudantes europeus que misturaram, no final dos anos 60, elementos de rebeldia e utopia, sexo livre, drogas e rock and roll. Tudo se reduziu a um culto enfantiano. Mas, em favor dos insistentes marxistas, não se pode esquecer das qualquer coisa se segue de uma antinomia, inclusive o ser, por negação, do nada (é incrível isto, mas Hegel o disse). Assim, os hoje seguidores de Marx, dentro do PT e nos demais partidos de extrema esquerda, pulam por sobre as montanhas de mortos que suas idéias implantadas à força produziram.
Vejo nisso tudo mais um problema, um problemão em verdade, para eles, além do trivialismo, que é a desqualificada hipótese de que todas as teorias são antinômicas. E penso que é por este tipo de pregação, que ignora a mobilidade e a intangibilidade de estados mentais e que a todo instante mutila a si mesma, que nada no comunismo foi ou pode vir a ser experimentado com suavidade. Na história, só conhecemos comunismo empregado na base da força, mais anda, da força furiosa, da brutalidade opressiva.
* Possui graduação em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1982), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1989) e doutorado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998).
A DIFERENÇA ENTRE FALAR E FAZER - 27/07/2018
Uma famosa orientadora educacional tinha uma agenda tão apertada, que necessitou contratar três babás para os seus três filhos. Isso pode parecer uma piada, mas é fato que conhecemos pessoas que falam demais daquilo que nunca, ou pouco, praticaram. Geralmente, são pessoas com uma oratória perfeita e cativante, afetiva e emocional, com argumentações e respostas para todas as circunstâncias daqueles que seguem seus conselhos.
Se nos dedicamos demais a estudar e a ensinar o assunto, nos afastamos dos próprios filhos. Perdemos o contato com a realidade pessoal e assumimos o risco de verificarmos em nossos filhos erros que, insistentemente, procuramos prevenir nas outras famílias. Associar ao magistério do ensino a prática pessoal torna-se indispensável para que se verifiquem as dificuldades reais pelas quais passam muitos dos ouvintes. Isso exige uma dedicação pessoal extraordinária. É verdade que existem inúmeros professores e educadores que, sem filhos, dedicam-se a palestras e pesquisas sobre filhos. É diferente. Mas a convivência com famílias, para esses professores, é indispensável para que possam avaliar melhor suas teorias e orientações. Orientações nascidas em “gabinetes do conhecimento”, onde só entram teorias e sonhos, distantes da realidade, estão fadadas, na sua maioria, a se afastarem da verdade.
Nos “gabinetes do conhecimento”, pessoas fechadas em suas ideias e teorias ficam muito distantes do caso concreto. Na pesquisa científica, toda hipótese teórica deve emergir de uma questão, fruto da observação de um fenômeno ocorrido. É fundamental o contato com a realidade que nos desafia, mesmo com uma pesada carga de estudos, trabalhos, pesquisas, cursos e congressos. O mestre jamais deve esquecer da necessidade imprescindível de viver o real. Os pais com os filhos, os professores com estudantes, os médicos com pacientes, etc. Quando idealizamos teorias sem esse princípio, construímos ideologias, ou seja, uma teoria ideal para qual a realidade deve se adaptar. Não é difícil de se constatar isto atualmente.
Dentre os idealizadores e defensores da ideologia de gênero estão aqueles que imaginaram algo que não se faz evidente na história da humanidade e no mundo todo. E agora precisam colocar toda a história do mundo dentro da ideologia criada, distante da realidade. Busca-se hoje, com saudosismo, a humanização. O ser humano se desumanizou com a tecnologia, com a informática, e precisamos nos humanizar. Tamanha necessidade está levando o homem a gastar cada vez mais esforços e horas de trabalho em investimentos para confeccionar robôs humanizados. Incrível! Robôs humanizados que possam ser mais amigos, generosos, compreensíveis com os seres humanos que estão abandonados com seus milhares de amigos do Facebook, ou solitários cercados de inúmeros aparelhos de comunicação. É a fuga completa do conceito em presença de uma realidade concreta, de uma sociedade que não convive mais entre si humanamente.
É a diferença entre falar e fazer. Não nos ocupamos dos próprios filhos, mas aconselhamos o mundo todo. Não valorizamos a masculinidade e a feminilidade na constituição da família, e surgem aqueles que passam a falar de ideologias esdrúxulas para as questões de sexo. Não se tem mais tempo para um “bate-papo” descompromissado, uma conversa de amigos, uma boa discussão entre pais e filhos, porque se está trabalhando muito para criar robôs que sejam nossos amigos, virtuosos, que nos orientem com o rigor científico da certeza e uma inesgotável paciência de seus circuitos, devidamente escondidos em corpos plásticos feitos a imagem do homem.
Raríssimas vezes Santa Madre Teresa de Calcutá parou para falar. No seu curriculum não constam palestras, aulas ou participações em congressos sobre a importância da fraternidade e da generosidade. Não conheço um livro ou artigo escrito e publicado por ela que tenha tido essa finalidade. No entanto, estava presente na intimidade da realidade mais pobre do planeta. Trabalhava com aqueles que eram invisíveis ao mundo. Pessoas que mal tinham capacidade de ouvir, falar ou agradecer. Lá estava a sua autoridade, na ação silenciosa, eficaz e cativante, que, de fato, ajuda a transformar a miséria da humanidade em um mundo melhor.
*Médico de Família, professor da Escola Paulista de Medicina e Terapeuta Familiar
**Publicado originalmente em http://www.osaopaulo.org.br/colunas/a-diferenca-entre-falar-e-fazer
ABERRAÇÕES ECONÔMICAS DO BRASIL - 24/07/2018
A aberração da desumana e injusta forma de arrecadação da Carga Tributária Brasileira (Fonte MF)
A composição da Carga Tributária dos Estados Unidos tem como base 82,57% de sua arrecadação incidindo sobre a Renda, Lucro, Ganho de Capital, Folha Salarial e Propriedade (classes privilegiadas da nação americana) e apenas 17,43% incidindo sobre Bens e Serviços (arroz, feijão, remédios, transportes e educação). Com uma Carga Tributária total de apenas 26,4% do PIB em 2016. Sem dúvida o país mais socialista do mundo.
A composição da Carga Tributária média dos países da OCDE tem como base 66,76% de sua arrecadação incidindo sobre a Renda, Lucro, Ganho de Capital, Folha Salarial e Propriedade (classes privilegiadas das nações analisadas) e apenas 33,24% incidindo sobre Bens e Serviços (arroz, feijão, remédios, transportes e educação). Com uma Carga Tributária média de 35,2% do PIB.
A composição da Carga Tributária do Brasil tem como base 48,91% de sua arrecadação incidindo sobre a Renda, Lucro, Ganho de Capital, Folha Salarial e Propriedade (classes privilegiadas da nação brasileira) e 51,09% incidindo sobre Bens e Serviços (arroz, feijão, remédios transportes e educação). Com uma Carga Tributária total de 32,1% do PIB em 2016.
Conclusão:
Dentre os países analisados o Brasil é o que possui a mais injusta, imoral, criminosa, desumana e regressiva Carga Tributária. Uma vergonha internacional que certamente continuará tendo o silêncio de todos: por omissão, covardia ou conivência.
A aberração da concentração de renda entre os estados brasileiros (Fonte IBGE)
Em 2015 os cinco estados com a maior participação no PIB do país foram São Paulo (32,4%), Rio de Janeiro (11,0%), Minas Gerais (8,7%), Rio Grande do Sul (6,4%) e Paraná (6,3%) e concentravam 64,7% da economia brasileira. Uma aberração histórica do Brasil, jamais abordado nos meios acadêmicos, ou nos planos de governos. Uma imoralidade.
Em 2015 o PIB per capita do Brasil foi de R$ 29.326,33. O maior PIB per capita continua sendo o do Distrito Federal (R$ 73.971,05, cerca de 2,5 vezes maior que o PIB per capita do País). Os outros maiores PIB per capita são, na ordem, São Paulo (R$ 43.694,68), Rio de Janeiro (R$ 39.826,95), Santa Catarina (R$ 36.525,28), Rio Grande do Sul (R$ 33.960,60) e Paraná. (R$ 33.768,62).
Em 2015 por outro lado, o Maranhão (R$ 11.366,23) e Piauí (R$ 12.218,51) foram os menores. Ao longo da série, estes dois estados alternaram posições, mas nunca deixaram de ter os menores resultados. Porém, em 2002, o PIB per capita de ambos era cerca de 30% do PIB per capita do Brasil e, em 2015, alcançaram o patamar de 40%. Assim, Maranhão e Piauí conseguiram reduzir a distância entre seus PIB per capita e o nacional.
A aberração da concentração de renda entre os indivíduos
Em 2017, os 10% da população com os maiores rendimentos detinham 43,3% da massa de rendimentos do país, enquanto a parcela dos 10% com os menores rendimentos detinham 0,7% desta massa.
As pessoas que faziam parte do 1% da população brasileira com os maiores rendimentos recebiam, em média, R$ 27.213, em 2017. Esse valor é 36,1 vezes maior que o rendimento médio dos 50% da população com os menores rendimentos (R$ 754). Na região Nordeste essa razão foi de foi 44,9 vezes e na região sul, 25 vezes.
Os 10% melhor remunerados receberam 2/5 dos rendimentos do país.
A aberração dos créditos subsidiados da União para os estados mais ricos do país
Em 2017 os cinco estados mais ricos da federação (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná) são responsáveis por 92,51% da divida dos estados e municípios com União, pagando juros subsidiados respondem por 64,7% do PIB do país. Uma aberração histórica do Brasil, jamais abordado nos meios acadêmicos, nos planos de governos, nem na imprensa e internet. Uma imoralidade.
A aberração da Dívida dos Contribuintes com o INSS (Fonte MP)
Em 31 de dezembro de 2016 existia um estoque de dívidas dos contribuintes com a previdência de R$ 471,2 bilhões (7,52% do PIB).
A aberração da dívida em poder do Banco Central (Fonte MF)
A imprensa brasileira omite a informação do estoque da dívida pública em poder do Banco Central no montante de R$ 1.670,3 bilhões (25,28% do PIB) em janeiro de 2018, sendo essa a parte mais importante da dívida, visto que nada mais é do que uma “pedalada oficial” (aumento disfarçado de base monetária) que não existiria se o Banco Central fosse independente. Vejam que essa orgia saiu de 17,86% do PIB em 2010 para 25,28% do PIB em janeiro de 2018. Crescimento real em relação ao PIB de 41,70%. Uma imoralidade sem precedentes.
A aberração do emprego público federal (Fonte MP)
No período dos governos Lula e Dilma/Temer (2003/2017) houve um crescimento de pessoal na União (Executivo, Legislativo e Judiciário) de 313.420 servidores.
A aberração do crédito no Brasil (Fonte BCB)
Em janeiro de 2018 o volume de operações de crédito foi de R$ 3.066,0 bilhões (46,6% do PIB), sendo:
- 51,14% do total - R$ 1.568,0 bilhões com recursos livres com juro médio de 34,8% ao ano.
- 48,86% do total – R$ 1.498,0 bilhões com recursos direcionados concedidos por bancos públicos (CAIXA, BB, BNDES) com juro médio de 8,9% ao ano.
A aberração do emprego público no Brasil (Fonte IBGE)
Em relação aos recursos humanos, de 2005 para 2015, o percentual de servidores municipais passou de 2,6% para 3,2% da população do Brasil. O número de pessoas ocupadas na administração direta e indireta municipal era de 6.549.551 em 2015, o que corresponde a um crescimento de 37,4% em relação a 2005 (4.767.602). A parcela de servidores municipais na administração direta passou de 94,3% (4.494.154) em 2005 para 95,0% (6.224.235) em 2015. Na administração indireta, esse percentual passou de 5,7% (273.448) em 2005 para 5,0% (325.316) em 2015.
A aberração da concentração de renda entre os municípios brasileiros (Fonte IBGE)
Abaixo resumo do estudo mostrando a aberração econômica da concentração de renda entre os municípios chegando ao extremo de existir 56,9% de municípios, onde a sua principal atividade econômica seja a administração pública, já que vivem sem receitas próprias, dependente apenas das transferências da União para os municípios.
Em 2015, sete municípios (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Manaus) concentravam cerca de 25,0% do PIB do país. Juntos, eles abrigavam 14,3% da população. Os cinco primeiros mantêm a mesma posição no ranking desde 2010.
No Brasil, 25 municípios concentram 37,7% de participação no PIB do Brasil. No sentido contrário 5.545 repartem os 62,3% restantes. Este grupo dos 25 maiores PIB representam apenas 23,5% da população.
Em 2015, os 1.353 municípios do país com os menores PIB responderam por aproximadamente 1,0% do PIB nacional e concentraram 3,2% da população. Nessa faixa, estavam 73,2% dos municípios do Piauí, 59,6% dos municípios da Paraíba, 51,8% dos municípios do Tocantins e 48,5% dos municípios do Rio Grande do Norte.
Administração pública era a principal atividade econômica em 56,9% dos municípios.
Lamentável que vivemos em uma nação que a sociedade não tenha nenhum interesse nesse debate para propor politicas para reduzir tamanha aberração.
Aberração das receitas orçamentárias dos municípios
Em 2016 um total de 81,98% dos municípios brasileiros, as transferências – tanto federais quanto estaduais – responderam por mais de 75% da receita orçamentária total no ano passado. Essa razão de dependência era inferior a 50% em apenas 1,81% deles. Entre os Estados, apenas sete recebiam transferências inferiores a 25% de sua receita orçamentária total.
A aberração da orgia de gastos com pessoal no Brasil (Fonte MF)
Em 2002 os gastos com pessoal consolidado (união, estados e municípios) foi de 13,35% do PIB. Em 2017 foi de 15,90% do PIB. Crescimento real em relação ao PIB de 19,10% representando 49,20% da carga tributária de 2016 que foi de 32,38%. Para que se avalie a variação criminosa dos gastos reais com pessoal, cabe lembrar que nesse mesmo período houve um crescimento real do PIB Corrente de 36,10%, gerando um ganho real acima da inflação de 43,00% nesse período. Nenhuma nação do planeta conseguiria bancar tamanha orgia pública.
Um grupo de trabalhadores de primeira classe (servidores públicos) composto por 13,4 milhões de brasileiros (ativos, inativos, civis e militares) que representam apenas 6,44% da população brasileira, sendo 2,2 milhões federais, 4,7 milhões estaduais e 6,5 milhões de municipais gastaram em 2017 o correspondente a 15,90% do PIB. Esse percentual representou 49,20% da carga tributária que foi de 32,38% do PIB em 2016.
A aberração de um país sem passado, presente e futuro
No Brasil, em 2017, das 48,5 milhões de pessoas de 15 a 29 anos de idade, 23,0% (11,2 milhões) não estavam ocupadas nem estudando ou se qualificando. Em 2016, o percentual dos que não estudavam nem trabalhavam era de 21,8% (10,5 milhões). De um ano para o outro, houve um aumento de 5,9% nesse contingente, o que equivale a mais 619 mil pessoas nessa condição. Essa trajetória pode estar relacionada ao momento econômico vivido pelo país.
A aberração da Previdência Social do Brasil
Ricardo Bergamini
- Em 2017 o Regime Geral de Previdência Social (INSS) destinado aos trabalhadores de segunda classe (empresas privadas) com 101,3 milhões de participantes (66,8 milhões de contribuintes e 34,5 milhões de beneficiários) gerou um deficit previdenciário da ordem de R$ 182,4 bilhões (deficit per capita por participante de R$ 1.800,59).
- Em 2017 o Regime Próprio da Previdência Social destinado aos trabalhadores de primeira classe (servidores públicos) – União, 26 estados, DF e 2073 municípios mais ricos, com apenas 10,4 milhões de participantes (6,4 milhões de contribuintes e 4,0 milhões de beneficiários) gerou um deficit previdenciário da ordem de R$ 163,2 bilhões (deficit per capita por participante de R$ 15.692,30).
- Resumo do resultado previdenciário de 2017 do RPPS (servidores públicos): União (civis e militares) deficit previdenciário de R$ 86,3 bilhões; governos estaduais deficit previdenciário de R$ 73,6 bilhões e governos municipais deficit previdenciário de R$ 3,3 bilhões. Totalizando deficit previdenciário do RPPS da ordem de R$ 163,2 bilhões.
- Em 2017 a previdência social brasileira total (RGPS E RPPS) gerou um deficit previdenciário total de R$ 345,6 bilhões, cobertos com as fontes de financiamentos (COFI NS e CSSL, dentre outras pequenas fontes) que são uma das maiores aberrações e excrescências econômicas e desumanas já conhecidas, visto que essas contribuições atingem todos os brasileiros de forma generalizada, mesmos os que não fazem parte do grupo coberto pela previdência, tais como: os desempregados e os empregados informais sem carteira de trabalho assinada, contingente composto de quase a metade da população economicamente ativa. Esses grupos de excluídos estão pagando para uma festa da qual jamais serão convidados a participar.
- Cabe lembrar que no ano de 2017 houve uma renúncia previdenciária da ordem de R$ 43,7 bilhões com exportações, simples nacional e com entidades filantrópicas, dentre outras de menor significância.
Nota: Os resultados do RPPS dos estados e municípios são números de 2016.
A aberração do imoral déficit fiscal nominal do Brasil (Fonte BCB)
Segundo o Banco Central do Brasil o déficit fiscal nominal de 2015 foi de R$ 613,0 bilhões (10,38% do PIB). Esse déficit retrata uma apuração contábil em regime de competência, ou seja: todos os compromissos do governo, mesmo os não vencidos, bem como os refinanciados estão apurados da forma (pro-rata/ano) dentro desse resultado.
Segundo o Banco Central do Brasil o déficit fiscal nominal de 2016 foi de R$ 562,8 bilhões (8,93% do PIB). Esse déficit retrata uma apuração contábil em regime de competência, ou seja: todos os compromissos do governo, mesmo os não vencidos, bem como os refinanciados estão apurados da forma (pro-rata/ano) dentro desse resultado.
Segundo o Banco Central do Brasil o déficit fiscal nominal de 2017 foi de R$ 511,4 bilhões (7,80% do PIB). Esse déficit retrata uma apuração contábil em regime de competência, ou seja: todos os compromissos do governo, mesmo os não vencidos, bem como os refinanciados estão apurados da forma (pro-rata/ano) dentro desse resultado.
A aberração dos depósitos compulsórios e créditos direcionados no Brasil que geram um índice de multiplicador de base de apenas (1,28)
Sendo o multiplicador de base médio em 2017 de 1,2800, ou seja: 78,12% dos recursos disponíveis foram esterilizados pelo Banco Central, através dos depósitos compulsórios e dos créditos direcionados, o juro de mercado médio em 2017 foi de 10,34% ao ano x 4,5704 = 47,25% ao ano (3,1596% ao mês). Cabe lembrar que, como na nossa análise não consideramos que alguns depósitos compulsórios são remunerados, é óbvio que há uma pequena divergência entre a taxa apurada no estudo (47,25% ao ano) e a taxa média oficial apurada pelo Banco Central para os créditos livres que foi de 46,9% ao ano em 2017.
Cabe alertar que o depósito compulsório no Brasil é alto para lastrear a imoral e criminosa dívida da União carregada pelo Banco Central (pedalada oficial). Uma vergonha.
A aberração do subemprego no Brasil (Fonte IBGE)
No primeiro trimestre de 2018, a taxa de subutilização da força de trabalho (que agrega os desocupados, os subocupados por insuficiência de horas e a força de trabalho potencial) subiu para 24,7%, o que representa 27,7 milhões de pessoas. Essa é a maior taxa de subutilização na série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012. O contingente de subutilizados também é o maior da série histórica.
A aberração econômica dos gastos com pessoal militar federal
Em 2017, em função das pensões das filhas de militares, o Brasil gastou 36,2% com pessoal ativo e 63,18% com pessoal inativo (reserva, reforma e pensões).
A aberração econômica do Fundo Constitucional do Distrito Federal
Em 2017 a União destinou R$ 11,7 bilhões para o “Fundo Constitucional do Distrito Federal” para pagamento dos salários de 143.082 servidores (ativos e inativos) do Distrito Federal.
A aberração da carga tributária no Brasil
De 1990 até 2016 a carga tributária brasileira teve um aumento real em relação ao PIB de 36,57%.
Aumento da carga tributária federal no período – 37,76%.
Aumento da carga tributária estadual no período – 22,65%.
Aumento da carga tributária municipal no período – 114,73%.
Nota: devemos alertar que em 2016 o Brasil gerou um déficit fiscal nominal da ordem R$ 562,8 bilhões (8,93% do PIB) que nada mais é do que carga tributária diferida, assim sendo a carga tributária efetiva em 2016 foi 41,31% do PIB (32,38% do PIB cobrada no ano corrente mais 8,93% do PIB a ser cobrada no futuro).
A aberração da renúncia fiscal
Em 2006 o governo federal renunciou a R$ 65,4 bilhões (2,80% do PIB) em tributos, e em 2017, segundo previsão orçamentária, vai renunciar a R$ 284,8 bilhões (4,19% do PIB). Crescimento de bondades e caridades aos amigos e aliados da ordem de 49,64% em relação ao PIB.
* Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.
GOLPE COMUNISTA À VISTA - 23/07/2018
PRÓLOGO
Lula – ar professoral, pontificando entre pares da comunalha: – “Eu lembro quando tivemos a idéia de construir o Foro de São Paulo (com Fidel, em 1990). E uma das forças políticas que mais contribuiu para chegarmos a construir o que construímos foram os companheiros do PC cubano que sempre tiveram a paciência de nos ajudar”.
Boris Casoy – entrevistando o candidato Lula nas eleições de 2002: – “Fala-se, e eu não acredito nisso, numa aliança do eixo Chávez, Fidel e Lula”.
Lula: (entre cínico, acanalhado e ameaçador) – “Ô Boris, você sabe que isso é no mínimo uma piada de mau gosto. Eu te aconselho a não repetir isso no vídeo”
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O recente imbróglio tramado por Lula e sua tropa de choque no Spa da Polícia Federal, em Curitiba, a denunciar o charco jurídico em que submerge a nação, deve ser encarado tão somente como a ponta do iceberg de plano armado pelo Foro de São Paulo, organização comunista (ligada ao narcotráfico) que está reunida em Cuba (com a presença de Dilma Rousseff) e que tem como propósito tirar o criminoso Lula da cadeia. As deliberações do Foro de Cuba passam, é claro, pela ação paralela da mídia esquerdista amestrada, da igreja apóstata, dos intelectuais pendurados nas bocarras das universidades públicas e, last but not least, pelos chamados artistas de “miolo mole”.
O dia D para o provável desfecho da esculhambação assumida se dará quando da saída da ministra Carmen Lúcia da presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) e a ascensão ao posto, em setembro, do militante Dias Toffoli, durante anos advogado de Lula, da CUT, do PT e ex-assessor de José Dirceu quando chefe da Casa Civil do Governo corruptor, o mesmo Dirceu a quem, há pouco, como ministro do STF, em decisão monocrática, liberou da prisão e do uso da tornozeleira – o que não impede JD, se quiser, mesmo condenado, participar como mentor, via Internet, das decisões do famigerado Foro de São Paulo.
(Nota: o currículo de Dias Toffoli estarrece: em 1994/95 foi reprovado duas vezes em concurso para juiz substituto do Estado de São Paulo, segundo a banca examinadora “por falta de conhecimento gerais e noções básicas do direito”. Por sua vez, apesar do escasso saber, DT, devido ao ativismo político, fez carreira meteórica no desempenho de cargos jurídicos nos governos do PT até assumir, pela vontade pessoal de Lula, a Advocacia-Geral da União. Daí a chegar ao STF pelas mãos sujas do presidiário petista foi um passo).
Se o leitor deseja levantar dados mais cabeludos sobre o futuro presidente do STF, basta conectar sites especializados. Neles, saberá, por exemplo, que DF foi condenado pela Justiça do Amapá a devolver R$ 19.790 por conta de suposta licitação ilegal de prestação de serviços advocatícios. E saberá que, em 2006, foi condenado por ilícitos da mesma natureza, ocorrido em 2001, desta vez pela 2º Vara Cível do Amapá. Teria de devolver R$ 420 mil ao Estado – mas a ação foi julgada improcedente pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, presidida, então, por Demóstenes Torres (senador cassado por suas ligações com a máfia chefiada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira) quando da indicação de Toffoli para compor o STF.
(Detalhe: a festa de posse de Toffoli no STF, com patrocínio à época de R$ 40 mil pela Caixa Econômica Federal, foi considerado um escárnio – o que levou o senador Pedro Simon, por exemplo, a considerá-la um “absurdo total”).
Por ocasião do escândalo do mensalão, em 2002, advogados de movimentos sociais apresentaram duas denúncias por crime de responsabilidade contra Toffoli tendo em vista sua condição de assessor de Zé Dirceu na época em que os fatos ocorreram. O “ministro de Lula”, além de inocentar o mentor do mensalão pela compra de votos, considerou as penas impostas ao réu como da “inquisição de Torquemada”.
Em 1915, outro pedido de impeachment foi protocolado no Senado Federal pelo procurador da Fazenda Nacional Matheus Faria alegando crime de responsabilidade pela participação de Dias Toffoli em julgamento do Banco Mercantil sem que se declarasse sob suspeição. O procurador alegou que o ministro tinha contraído empréstimo no citado BM.
Outro fato singular na carreira do ministro militante é que ele se distingue por conceder liminares a bandidos condenados em primeira e segunda instâncias, entre eles, só para constar, Jorge Picciani, deputado condenado e preso por corrupção no Rio; o notório Paulo Salim Maluf; Zé Dirceu, condenado a mais de 30 anos de prisão; e ainda o senador cassado Demóstenes Torres, ficha suja a quem Toffoli suspendeu, moto-próprio, a inelegibilidade imposta pela lei da ficha limpa.
Observadores experientes entendem que Toffoli, adotando a prática de soltar corruptos e anular a lei da ficha limpa, quer formar uma nova jurisprudência, cujo objetivo é permitir condenado em segunda instância ser posto em liberdade e concorrer às eleições – caso, por exemplo, do condenado Lula da Silva.
O “ministro de Lula”, compondo a segunda turma (da pesada) deita e rola nas suas justificativas. Quando ele quer, decide sozinho e, pelo que se deduz, subordina o próprio STF, ou parte dele, à sua vontade. Assim, a pergunta que se impõe é a seguinte: Quem fiscalizará o engajamento político de Dias Toffoli e aliados? Quem tratará de declarar a sua suspeição e impedimento? A consciência do próprio? Algum outro membro da Suprema Corte? A sociedade atenta? Ninguém?
Enquanto o país perplexo protesta pelos jornais contra um judiciário em crise permanente, o noticiário dá conta de mais uma proeza do militante Toffoli: antes de assumir o lugar de Carmen Lúcia, se informa que ele está negociando com Franklin Martins – sequestrador acusado de receber caixa 2 em dinheiro vivo destinado ao financiamento da reeleição do ditador Chávez – para se aboletar no cargo de secretário de Comunicação do STF.
* Publicado originalmente no Diário do Poder
SERIA VERDADE SE NÃO HOUVESSE JUÍZES EM BERLIM - 22/07/2018
Após o gesto de arrogância do imperador Frederico II que exigia comprar o moinho de um camponês para ampliar seu castelo, ameaçando-o de tomar-lhe a propriedade diante da recusa, assim respondeu o camponês: “Isso seria verdade, se não houvesse juízes em Berlim!”.
Poucas expressões ilustram com igual força a esperança do cidadão comum na Justiça para protegê-lo da arbitrariedade. Sob a égide dessas esperanças o Poder Judiciário adquiriu uma autoridade moral e uma responsabilidade únicas na edificação do Estado de Direito.
Enquanto as autoridades de outros Poderes podem ser influenciadas por interesses pessoais, preconceitos e simpatias políticas, os juízes permanecem firmes, serenos, comprometidos com a Constituição e o Estado de Direito. Embora seja uma imagem fortemente idealizada, ela corresponde às expectativas da cidadania democrática e os juízes e ministros, como regra, zelam para não se afastar delas.
Ao STF, cúpula do Judiciário, sempre se reconheceu essa imagem de independência na defesa dos princípios democráticos e da Constituição, de preservação da segurança jurídica, além da óbvia coerência jurídica, da autêntica cortesia e do respeito mútuo entre seus pares e do indispensável equilíbrio pessoal. Hoje, infelizmente, o STF parece afastar-se desses princípios que o legislador constitucional lhe outorgou e a cultura cívica dos cidadãos consolidou.
Um órgão concebido para pronunciar-se primariamente por seu plenário está cada vez mais decidindo por suas turmas, quando não monocraticamente. Mais grave ainda, está incorrendo na perigosa prática de opor turma ao plenário, sempre que com esse expediente se contorne o problema da maioria.
Difícil entender como não percebem os ministros que, ao substituírem o pronunciamento do plenário pelo da turma ou pelo monocrático, a natureza suprema do STF se debilita; que a condição individual de ministro fica comprometida por não ter a autoridade moral que a de membro do plenário lhe confere.
Mais grave ainda é não estar consciente de que o conflito pessoal, público e agressivo entre ministros reduz mais ainda a legitimidade de um órgão que foi concebido para lidar com sabedoria, prudência e respeito com as inevitáveis divergências.
É também inconcebível permitir que divergências transformadas em conflitos com titulares de outras esferas judiciais comprometa a autoridade moral dos ministros, contribua para estimular dúvidas sobre sua isenção e enfraqueça a imagem do Poder Judiciário e da própria democracia para os cidadãos.
Mais lamentável, porém, é o fato de que o Poder Judiciário, não obstante suas imperfeições, era o que nos restara da tradição de racionalidade, independência, profissionalismo, competência e dedicação que originalmente formatou a natureza do serviço público, herdado da experiência europeia do século 19 e que, pelo abuso do casuísmo interesseiro e do aparelhamento partidário do Estado, destruímos ao longo dos séculos 20 e 21.
Uma tradição secular, cultivada na Corte por sucessivas gerações de juristas, ficou comprometida pela interferência política, pelos egos exacerbados, pelas antipatias pessoais, por uma desnecessária e exagerada presença na mídia, pela exibição descabida de erudição e pelo uso legitimador dos argumentos especiosos, falácias e até mesmo chicanas para obter maioria em decisões.
Pela anuência de seus ministros, questões políticas desgastantes que não se encontram taxativamente decididas nas leis, nos decretos, na tradição, nas regras morais, no bom senso são levadas a decisões da Suprema Corte, cuja pauta vem sendo ocupada por certos assuntos políticos que bem podiam ser decididos pelas Casas do Legislativo, pelos partidos, pelo governo federal e por órgãos de outras instâncias do Judiciário.
Essa abertura do STF para as questões políticas foi muito além do razoável por motivos procedimentais, como a pauta sobrecarregada de ações que exigem julgamento imediato; razões político-midiáticas decorrentes da transmissão das sessões pela TV e do tratamento dos ministros pela mídia como personagens políticos; pela ação dos advogados que, em razão de seus clientes, ganharam acesso privilegiado ao STF; e, principalmente, pela esperteza da classe política – do Legislativo e do Executivo –, que, ameaçada pela Operação Lava Jato, evita decisões impopulares, entregando de bom grado parte de suas responsabilidades ao Judiciário na sua esfera mais elevada.
O maior adversário do STF entretanto, a constranger sua liberdade, é a jurisprudência firmada. Há que contorná-la para ajustar a decisão às necessidades políticas. Nesse procedimento reside um dos maiores riscos para qualquer tribunal superior.
Nada é mais difícil para uma Corte de Justiça do que a fixação da jurisprudência firmada. Não por outra razão os ministros costumam ser avaros para exercer esse poder e mais avaros ainda para modificá-la.
Sabem que, ao fixá-la, estão assumindo a responsabilidade de decidir por antecipação, o que só pode ser feito transitando no limite de suas competências. Sabem que essa é uma competência que se legitima por sua permanência, no duplo sentido de duração temporal e resistência à mudança.
A história das instituições democráticas ensina que por vezes, em casos de graves crises, instituições podem perder sua capacidade de reagir aos desafios que enfrentam. Nessas situações por vezes ocorre o fenômeno da substituição institucional, isto é, outra instituição dilata suas competências para substituir na prática e transitoriamente a que foi paralisada pela crise. Infelizmente, na atual situação, quando Legislativo e Executivo evitam enfrentar a grave crise em que nos encontramos para se ocuparem das eleições, o Judiciário, pelo seu órgão supremo, perdeu as condições de assumir a função de substituição institucional, como uma reserva de emergência da democracia.
*Professor de Ciência Política e Ex-Reitor da UFRGS, é criador e diretor do site www.mundodapolitica.com.br
**Publicado originalmente no Estadão do dia 17/07/2018
A LACROSFERA ESTÁ TORCENDO CONTRA A CROÁCIA: IDI HRVATSKOJ NELES, ENTÃO! - 13/07/2018
Uma acusação de neonazismo aqui, uma crítica ao “nacionalismo exacerbado” ali, e pronto: a Croácia, finalista da copa do mundo de futebol a duras penas?—?sobreviveu a três prorrogações e venceu duas disputas de pênaltis?—?, virou a representante oficial da extrema-direta no torneio, em mais um episódio de pura distorção e omissão de fatos históricos que ajuda a entender porque a credibilidade da grande mídia despenca a cada dia.
Até 1991, quando recuperou sua condição de nação independente, a Croácia, juntamente com Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro, Sérvia e Eslovênia, fazia parte da República Socialista da Iugoslávia, um leviatã comunista formado logo após o desfecho da segunda guerra mundial. O povo croata reconquistou sua liberdade às custas de muito derramamento de sangue durante embates contra o governo central, e sua saída do bloco marxista-leninista seria o estopim para a total dissolução posterior, em 2003.
Imperdoável: os croatas foram responsáveis diretos pela queda de um regime coletivista, marcado pelo dirigismo estatal. Aqui já dá para começar a entender a ira da imprensa tradicional com o pequeno país do Leste Europeu.
Mas não é só isso.
Cerca de 87% dos croatas são católicos romanos batizados. Como em qualquer lugar tomado por comunistas, a fé cristã foi alvo de perseguições e restrições estatais durante quase meio século.
Em 1946, o ditador iugoslavo Josip Broz “Tito” introduziu a “Lei dos Livros de Registro do Estado”, que permitiu o confisco de registros da igreja e outros documentos similares. Em 1952, foi proibida toda a educação religiosa em escolas públicas. Naquele ano, o regime também expulsou a Faculdade Católica de Teologia da Universidade de Zagreb, o qual não foi restaurada até as mudanças democráticas no inícios da década de 1990.
E não é difícil de compreender este notável antagonismo: ora, o catolicismo representa um obstáculo à implantação da agenda revolucionária. A título de exemplo, 20 mil pessoas marcharam contra o aborto na Croácia em 2017, protestando contra uma lei que permite o assassinato de bebês no útero materno até a décima semana de gestação, a qual foi aprovada, vejam vocês, em 1978, pela ditadura comunista.
Mas tem mais caroço neste angu.
O adversário da Croácia na final do campeonato mundial é a “multicultural” França, uma equipe formada por um sem número de estrangeiros naturalizados?—?para delírio daqueles que defendem a total abertura das fronteiras nacionais.
Sabedora dos efeitos nefastos da imigração em massa?—?Suécia, Alemanha, Inglaterra e a própria França experimentam graves elevações em todos os índices de criminalidade e aumentaram substancialmente seus gastos com bem-estar social?—?, a Croácia, a seu turno, tem tomado precauções contra a entrada de imigrantes ilegais desde 2015.
Ou seja, a decisão da copa da FIFA será entre um time “fofo acolhedor de refugiados” contra um selecionado branco feito papel: tudo leva a crer que uma eventual vitória da Croácia será considerada “racista e xenófoba”, como ocorreu após a Inglaterra eliminar a Colômbia?—?sim, acredite; Paul Joseph Watson narrou a reação histérica da Europa na ocasião.
A corrupta FIFA, sob influência de entidades globalistas, não vai descansar enquanto um país sem tradição alguma no esporte ganhar a taça do mundo?—?já há propostas para incluir 48 seleções em 2026. Seria a criação de “cotas” nas finais o próximo passo para mudar esta realidade onde apenas “impérios colonialistas” decidem o torneio?
E não acabou por aí: Logo depois das quartas de final, o zagueiro Demogoj Vida e o assistente técnico Ognjen Vulkojevic apareceram em vídeos dizendo “Slava Ukraini”, expressão que pode ser traduzida como “Glória à Ucrânia”. É claro que o episódio foi suficiente para que militantes disfarçados de jornalistas caracterizassem a referência como “ultranacionalista”, e até mesmo punições e advertências foram aplicadas pela FIFA.
Ucrânia e Croácia viveram à sombra das dominações russa (na União Soviética) e sérvia (na Iugoslávia). A afinidade é, portanto, natural: os nacionalismos croata e ucraniano são uma questão de sobrevivência de suas culturas?—?idioma, costumes, referências históricas, e por aí vai.
Afirmação de identidade, aos olhos de quem “analisa” os fatos já com a pauta pronta, vira “fascismo”. Matérias com este teor servem ainda, por óbvio, como cutucadas indiretas em políticos como Donald Trump, Jair Bolsonaro ou qualquer outro agente político “ultraconservador” que cogite rejeitar a nova ordem mundial.
Para fechar com chave de ouro a opressão croata na Rússia, a presidente da Croácia é uma linda loira (para desespero das feministas cuja inveja da beleza alheia insuflou a organização da copa a proibir que mulheres bonitas sejam mostradas pela geração de imagens das partidas), que paga do próprio bolso seu ingresso para assistir aos jogos, banca suas próprias despesas e ainda abriu mão do salário durante o período?—?totalmente ao contrário de Dilma Roussef, que costumava hospedar-se em suítes presidenciais de hotéis caríssimos jogando a conta para os pagadores de impostos.
Ah, ela ainda presenteou Trump com uma camiseta personalizada da Croácia e tirou uma foto com ele. Só faltou perguntar aos esquerdistas de plantão: “como posso te irritar mais hoje?”.
Então ficamos assim: o ideal seria não misturar esporte e política, mas isso iria contra os princípios de ação da estratégia dos neomarxistas. Eles precisam problematizar tudo, dividir a sociedade a todo instante, e não nos deixam em paz nem na hora de ver um futebolzinho. Esta “copa da lacração”, onde até mesmo palhaçadas de turistas bêbados viraram crime e beijo na bochecha virou estupro, é um marco na história do movimento revolucionário, pois o entretenimento foi deixado de lado em nome da imposição de temas caros aos “progressistas”.
IDI HRVATSKOJ?—?VAI, CROÁCIA!!!!!!
O PLANTONISTA AMIGO - 12/07/2018
A tentativa de membros do PT de obter ilegalmente a soltura do seu cacique Lula da Silva evidenciou desespero e irresponsabilidade, além de completo menosprezo pelo Estado de Direito. Ao longo do domingo passado, os brasileiros observaram, atônitos, uma manobra canhestra que, não fossem a prudência da Polícia Federal, que não deu cumprimento a uma ordem manifestamente ilegal, e a prontidão de alguns membros do Judiciário, que afinal desfizeram os atos de um desembargador desatinado, poderia ter conduzido o País a uma confusão maior do que a já reinante.
Os três autores do pedido de habeas corpus, em seu açodamento, esqueceram-se de que o réu, noutro habeas corpus impetrado por terceiro, havia desautorizado “qualquer forma de representação judicial ou extrajudicial em seu nome, que não seja através de seus advogados legalmente constituídos para representá-lo e defender os seus interesses”. Não podiam, portanto, pedir a liberdade de Lula.
Mas o plano mequetrefe de soltar o ex-presidente petista, burlando o juiz natural do caso, foi adiante pois estava de plantão - grande coincidência, para quem acredita nisso - o desembargador Rogério Favreto. Com vínculos biográficos com o PT, ele teve o descaramento de expedir o ilegal alvará de soltura para Lula.
Como afirmou o presidente do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), Carlos Eduardo Thompson Flores, o desembargador plantonista não tinha competência para atuar no caso, pois não existia nenhum fato novo que pudesse, de alguma forma, justificar decisão de urgência. Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia concluído pela constitucionalidade da prisão de Lula. Após a condenação em segunda instância, não há impedimento para que o réu comece a cumprir a pena. Que um juiz petista, num domingo de manhã, pudesse desfazer tudo o que foi feito até aqui era um acinte à ordem institucional e a qualquer resquício de bom senso.
Sendo a ordem de soltura manifestamente ilegal - e para isso já havia alertado o juiz Sérgio Moro -, fizeram muito bem os agentes da Polícia Federal em averiguar se quem mandava soltar tinha, de fato e de direito, poderes para tanto. Cabe aos agentes da lei distinguir o que é ordem jurídica e o que é malandra carteirada, mesmo sendo de desembargador plantonista tentando soltar réu amigo.
Além de ser incompetente para interferir no processo de Lula e de desrespeitar decisão prévia do STF, o desembargador Favreto afrontou, como poucas vezes se viu, o bom Direito. Ao justificar a ordem de soltura de Lula da Silva pelo fato de o réu se apresentar como pré-candidato, o plantonista amigo do PT demonstrou a extensão de uma ignorância que só pode ser superada por má-fé. Em primeiro lugar, porque a tal pré-candidatura já é idosa. Em segundo lugar, porque pré-candidatura não é figura jurídica alguma e, se fosse, não constituiria motivo para a emissão de alvará de soltura para condenado que cumpre pena. Além disso, condenado em segunda instância por crime de corrupção não dispõe do exercício regular de seus direitos políticos, como determina a Lei da Ficha Limpa.
A manobra teve explícito caráter político. Nessa óptica enviesada, que faz troça da Justiça, os impetrantes do PT tentaram uma vez mais transformar o juiz Sérgio Moro no algoz de Lula. A burla, no entanto, é patética, sem apoio nos fatos. Como lembrou o Ministério Público, “não há ato ilegal que possa ser imputado ao Juízo da 13.ª Vara Federal de Curitiba, aqui apontado como coator, uma vez que o paciente está recolhido à prisão por determinação desse tribunal”. Novamente ficava explícita a ilegalidade da ordem do desembargador Favreto: um plantonista tentando monocraticamente reverter decisão colegial de seu próprio tribunal.
O golpe teve a exata dimensão moral, política e profissional de quem o engendrou: inábil, barulhento e incompetente. Frustrou-se diante da serenidade dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, que fizeram prevalecer o bom Direito. Em consequência, o sr. Lula da Silva continua preso. Ao contrário do que pretendiam os impetrantes do habeas corpus, o Poder Judiciário assegurou que as decisões judiciais são ainda cumpridas. Mas é preciso constante vigilância, pois sempre há aloprados dispostos a subverter o regime das leis.
O NOSSO DESÂNIMO - 10/07/2018
Milhões de brasileiros estão unidos por um pensamento. Deixar o país. Sair para viver e trabalhar, principalmente nos Estados Unidos e Portugal. É resultado de uma pesquisa do Datafolha, divulgada há poucos dias. A maior parte, jovens entre 16 e 24 anos. Nessa faixa etária, 60% dos jovens pesquisados gostariam de ir embora. Entre 25 e 34 anos, metade dos brasileiros ouvidos gostariam de abandonar o país. Entre 35 e 44 anos, 44% sonham em deixar o Brasil. De 45 a 59 anos, um em cada três pesquisados pensam em ir embora. Entre os acima de 60 anos, um em cada quatro. Como se nota, na medida em que a idade avança, em que as pessoas têm mais compromissos familiares, empresariais, laborais - raízes, enfim - o percentual diminui. Mas entre os jovens que buscam oportunidades, seis em cada dez gostariam de ir embora.
As razões dessa idéia de tanta gente são muitas. Jovens que já estudaram no exterior e experimentaram mais segurança, mais valorização ao conhecimento e a ciência, mais oportunidades de melhores salários, voltam e ficam chocados. Brasileiros que passaram a viajar mais para o exterior, ficaram conhecendo ambiente mais organizado, mais seguro, mais previsível. Os de mais idade fazem planos para uma aposentadoria longe de assaltos, balas perdidas, trânsito caótico; em lugares onde possam passear, sair à noite, ir a restaurantes e a espetáculos com mais frequência. Todos dizem que fora do Brasil e vida é mais barata e, óbvio, mais segura.
As gerações mais jovens são o maior patrimônio de uma nação; elas são a garantia de sobrevivência, de continuidade, de futuro. Por isso, uma país como Portugal, nossa matriz, abre as portas para jovens com conhecimento. Com 11 milhões de habitantes e natalidade baixa, Portugal incentiva a vinda de jovens bem formados, que vão ser cidadãos úteis e produtivos para o país. Nossa pátria-mãe tem noção de algo que o Brasil parece ter perdido. Interessante que haja milhares de brasileiros ilegais nos Estados Unidos - calculam em mais de 100 mil - que fugiram do país cheio de leis trabalhistas para buscarem emprego no país que não tem leis trabalhistas.
O que está havendo conosco? Que desânimo é esse? O que perdemos ou o que nos tiraram? Já que estamos em Copa do Mundo, lembro do tricampeonato no México, em 1970. Eu tinha quase 30 anos e testemunhei o entusiasmo do “Pra Frente Brasil”, do “80 Milhões em Ação”, que ajudou a fazer o Milagre Econômico: o país cresceu, por três anos consecutivos, à média de 11,2% ao ano - um crescimento chinês. Não havia desemprego. Atividade econômica plena. Por puro entusiasmo, que mandava os que pegaram em armas para implantar aqui uma ditadura socialista(como conta um deles, Fernando Gabeira), irem embora: “Brasil, ame-o ou deixe-o” dizia o plástico nos vidros de grande parte dos automóveis. Pois agora querem deixar o país aqueles que o amam. Uma tragédia.
* Publicado originalmente em http://www.sonoticias.com.br/coluna/o-nosso-desanimo
PARA QUE SERVE A ESCOLA? - 05/07/2018
É ponto pacífico, no Brasil, que a nossa educação escolar vai mal. Já estamos habituados a indicadores alarmantes. A cada três anos, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) nos informa que os alunos brasileiros estão entre os piores do mundo no desempenho de ciências, leitura e matemática. Confrontados com esses e outros resultados igualmente ruins, especialistas em políticas públicas educacionais apontam falhas de investimento, planejamento ou gestão.
Não restam dúvidas de que a educação escolar brasileira vem sendo, há muito tempo, mal planejada e mal gerida. Pouco se discute, porém, um outro fator, anterior, e de certo modo determinante de todos os outros. Como estabelecer metas, planejar e gerir na ausência de um consenso social a respeito do papel que o tempo passado na escola cumpre na formação de uma pessoa? Afinal, para que serve a escola? Enquanto a sociedade não for capaz de enfrentar essa questão, só conseguiremos estabelecer metas equivocadas e metodologias confusas.
Educar uma criança é criar condições para que ela desenvolva o seu potencial da maneira mais elevada possível, com autonomia e liberdade, sempre na direção do que é bom, justo e verdadeiro. Isso envolve oferecer-lhe recursos tanto para uma boa formação moral e ética, quanto para a aquisição de uma bagagem cultural e intelectual que lhe permita transcender a sua realidade imediata. A educação de princípios e valores é responsabilidade de quem participa integralmente da vida da criança, de quem a ama o suficiente para ser capaz de aceitar, com paciência, o seu temperamento, o seu ritmo pessoal, os seus limites. É em casa que a criança deve ser levada a distinguir entre o certo e o errado, a adquirir noções de respeito, a se comportar de maneira adequada e civilizada, a desenvolver capacidades como empatia, respeito pelo outro, autocontrole, disciplina. Também é função da família a orientação religiosa, quando é o caso, e a critério próprio, assim como a preparação para o exercício da vida sexual, conjugal e parental no futuro. Quando esse tipo de orientação é dado na escola, é preciso que a família esteja a par e de acordo.
A escola, por sua vez, deve garantir o acesso da criança ao conjunto de conhecimentos universais acumulados pelas gerações anteriores, e estimular o desenvolvimento de habilidades que permitam o seu manejo inteligente e pessoalizado. Esse saber está distribuído nas disciplinas que chamamos de matemática, gramática, arte, literatura, ciências, história, geografia. Desde a Antiguidade, várias gerações de gente criativa e sábia vêm se dando ao trabalho de produzí-lo e organizá-lo, para que ele possa ser transmitido aos mais jovens. É esta, portanto, a função essencial da escola: mediar o acesso do aluno a esse corpo de conhecimentos compartilhados, de modo a ampliar os seus meios de compreensão e ação no mundo. Numa perspectiva mais pragmática, a tarefa é ajudar o estudante a formar uma base intelectual sólida, a partir da qual, posteriormente, ele poderá se dedicar seja à aprendizagem de saberes técnicos avançados, seja ao estudo aprofundado das próprias disciplinas acadêmicas.
Haverá, evidentemente, contextos e situações em que as ações da família e da escola vão confluir e se sobrepor. Sendo a escola um ambiente de interação humana intensa e regulada, as relações e trocas ali ocorridas podem e devem ajudar a formar positivamente o caráter da pessoa. Por outro lado, a família também transmite, quase que naturalmente, os seus conhecimentos a respeito do mundo real e da cultura. Porém, de uma maneira geral, o que vem ocorrendo hoje em dia é uma dupla demissão. Os pais transferem à escola a responsabilidade de educar integralmente a criança. E a escola, por sua vez, vem se recusando a cumprir a sua missão tradicional de instruir.
É cada vez mais difícil encontrar uma escola efetiva e prioritariamente comprometida com o ensino das disciplinas acadêmicas. Esse problema tem uma origem. Por volta dos anos sessenta, a escola foi deixando de ser pensada como lugar de transmissão do patrimônio de conhecimentos acumulados pela nossa civilização, passando a instrumento de crítica e desconstrução de seus princípios e valores. Isso se deu como desdobramento de um movimento político e intelectual de crítica massiva aos cânones da cultura ocidental. Originado em boa parte no mundo acadêmico, esse movimento tomou forma nítida na Europa e nos Estados Unidos no final dos anos 60, com a afirmação de uma série de agendas sociais específicas como o feminismo, a liberação sexual e a exaltação das culturas minoritárias ou marginais. A maioria das pautas dessa contracultura estava ligada, de alguma forma, à Nova Esquerda.
Ao aderir ao programa da contracultura esquerdista, a escola passou então a ser compreendida mais como um espaço de questionamento e desconstrução do que de instrução. Novas gerações de educadores começaram a ser formadas não mais com o propósito de ensinar os saberes de suas áreas e sim de promover, nos alunos, por meio de uma versão politizada desses saberes, o senso de que a cultura ocidental é fonte de injustiças e precisa ser transformada. Ao mesmo tempo, a escola tornou-se um laboratório de práticas pedagógicas libertárias, que desvalorizam o rigor, o mérito, o esforço, e a autoridade do professor, princípios nos quais se assentavam os sistemas de ensino tradicionais. A crítica à escola tradicional era parte da crítica à civilização ocidental.
Da mesma forma que buscou desconstruir as balizas pedagógicas anteriores, a escola começou a avançar em domínios que sempre foram da alçada da família, como, por exemplo, a educação sexual, que se tornou matéria curricular. Nessa empreitada, porém, a escola não só não se preocupou em pedir autorização aos pais, como passou a atuar à sua revelia, não raro infantilizando-os e colocando-se frente a eles em posição de superioridade moral. Importante lembrar que a família também é um dos alvos principais do movimento de desconstrução da cultura ocidental. E que o questionamento da autoridade parental é um dos meios mais eficazes de promover o esgarçamento da estrutura familiar. Essa pressão sobre a família, que teve efeitos concretos na própria relação entre pais e filhos, pode explicar, em parte, porque tantos pais, atualmente, são incapazes de educar. E pode explicar também o fato do ambiente escolar ter se tornado tão inadequado à aprendizagem: alunos indisciplinados, irreverentes, e eventualmente agressivos, porém tratados com complacência.
A educação escolar “não-cognitiva”, como definem os próprios pedagogos, espalhou-se por todo o Ocidente. No livro “A Escola dos Bárbaros” (1987), Isabelle Stal & Françoise Thom descrevem com detalhes todos os estragos feitos pela contracultura educacional no ensino público francês. Porém, é provável que, pelo menos no que diz respeito à dimensão mais propriamente cognitiva, o estrago tenha sido menor ali do que aqui, pois a França já contava com uma tradição sólida de valorização e transmissão do conhecimento antes dos anos sessenta. A situação do Brasil é bem diferente. A escola nem bem havia se universalizado quando abraçou o ideário da desconstrução. Além disso, a cultura brasileira já apresentava traços de anti-intelectualismo bem anteriores à crise do ensino escolar. A aversão brasileira ao estudo e ao conhecimento foi brilhantemente satirizada em nossa melhor literatura. Veja-se, por exemplo, os contos “A Teoria do Medalhão” de Machado de Assis, e “A Biblioteca”, de Lima Barreto. Em resumo, o nosso anti-intelectualismo apenas se aprofundou. E, nas últimas duas décadas, drasticamente.
Nossa escola está hoje dominada por uma mentalidade que não diferencia qualitativamente um texto de Camões de uma letra de funk. Os alunos não são apresentados aos clássicos da literatura, nem encorajados a memorizar conteúdos. O mérito e o esforço não são valorizados. Mas nada disso deve nos soar estranho, se lembrarmos que a pessoa escolhida por nossos educadores influentes para ser o “patrono da educação brasileira”, nos deixou, como legado, frases do tipo: “quem aprende ensina ao aprender, quem ensina aprende ao ensinar”, ou, ainda, “não há saber de mais ou saber de menos: só há saberes diferentes”. Hoje apenas colhemos os resultados de décadas de celebração desse tipo de pensamento representado por Paulo Freire: universitários incapazes de fazer conta, interpretar um texto de mínima complexidade ou apontar a capital de um estado brasileiro. Numa escola em que aprender e ensinar são a mesma coisa, ninguém ensina e ninguém aprende.
Nos casos em que a escola consegue dar aos alunos uma boa formação intelectual, é porque ainda existem professores e diretores honestos e amantes do conhecimento. Mas uma andorinha só não faz verão, como sabemos. E as exceções, como sempre, só fazem confirmar a regra. Escolas que apostam todas as fichas na transmissão de conteúdos são, em geral, olhadas com desdém e chamadas de “conteudistas”, como se isso não fosse o esperado de uma escola. A verdade é que podemos contar nos dedos as que estão verdadeiramente empenhadas na missão de transmitir conhecimento acadêmico e estimular nos alunos o rigor e a disciplina intelectual. Na maioria das vezes, o que temos é mediocridade disfarçada sob o alegado pretexto de “formar cidadãos”. Sempre que ouço ou leio esse slogan, penso que, se um dia eu precisar da ajuda da escola para fazer de meus filhos cidadãos, terei chegado ao nível mais baixo de minha autoestima parental – e pessoal.
O fato é que as famílias das camadas médias e altas sempre podem escolher, fiscalizar, exigir conteúdo, e cobrar resultados das escolas que recolhem suas mensalidades, enquanto as de baixa renda ficam de pés e mãos atados, mesmo quando não gostam do que estão vendo. É do seu lado – ou seja, na escola pública – que a corda arrebenta. Se do ponto de vista cultural/civilizacional mais amplo a catástrofe é geral e irrestrita, no que se refere às trajetórias individuais, a demissão intelectual da escola afeta de maneira mais direta e irreversível os estudantes cujas perspectivas de vida já são, de saída, mais limitadas. Amplia-se a desvantagem dos mais pobres e aprofunda-se a desigualdade social. No momento em que a escola se recusa a cumprir a missão para a qual foi criada, perde a preciosa oportunidade de transformar justamente a vida de quem possui menos recursos para prescindir dela.
*Antropóloga, titular do excelente blog infanciabemcuidada.com
ANTIGAMENTE CALAVAM-SE... - 03/07/2018
Um amigo que se julga ateu ou não católico telefonou-me outro dia, e logo me atirou pelos fios esta pergunta aflita: "Meu caro C. me diga uma coisa: a Igreja antigamente era ou não era uma coisa muito inteligente?"
Ia responder-lhe com ênfase: "Era!" Mas enquanto vacilei alguns segundos meu amigo desenvolveu a idéia: "Olhe aqui. Eu bem sei que antigamente existiam padres simplórios, freiras tapadíssimas, leigos ainda mais simplórios e tapados. A burrice não é novidade, é antiqüíssima. Garanto-lhe que ao lado do artista genial que pintava touros nas cavernas de Espanha, anunciando há quarenta mil anos a brava raça de toureiros, havia dois ou três idiotas a acharem mal feita a pintura.
— Mas, calavam-se, disse eu.
E logo o meu amigo uivou uma exclamação que trazia na composição harmônica de suas vibrações todas as explosões da alma: a alegria, a angústia, a aflição de convencer, a tristeza de um bem perdido e até a cólera...
— Pois é! CALAAAVAM-SE!!!
Contei-lhe então uma história de antigamente. Teria eu dezoito ou dezenove anos, e meu heróis dezessete ou dezoito. Ele era o aluno repetente de uma escola qualquer, e eu seu "explicador" de matemática. Eu sentia a resistência tenaz que, dentro dele, se opunha às generalizações matemáticas. Ficava rubro, vexado e alagado de suor.
Recomeçava eu a explicar certo problema quando ele, numa decisão brusca, me deteve e suplicou:
— Explica devagar, devagarzinho, porque eu sou burro.
Na outra ponta do fio meu amigo de hoje explodiu:
— Que gênio! QUE GÊNIO!!
Era efetivamente genial aquele moço de antigamente. Não segui sua trajetória e não sei se ele hoje amadureceu e desabrochou aquele botão de sabedoria em flor, ou se virou idiota e portanto intelectual. O que pude garantir ao meu amigo não-católico é que antigamente a atitude média dos idiotas era tímida, modesta e respeitosa. E isto que se observava nas ruas, nas aulas particulares, nos salões de bilhar e nos clubes de xadrez, observava-se também na Igreja. De repente, em certo ângulo da história, mercê de algum gás novo na atmosfera, ou de algum fator ainda não deslindado, os idiotas amanheceram novos e confiantes. Já ouvi e li muitas vezes o termo "mutação" surrupiado das prateleiras da genética e aplicado à história, à Igreja, ao dogma e aos costumes. Dois ou três bispos franceses não sabem falar dez minutos sem usar o termo "um mundo em mutação".
Se mutação houve, estou inclinado a crer que foi naquele ponto a que atrás aludimos: os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação. O mundo é deles. Será genético o fenômeno e por conseguinte transmissível?
— "Receio muito", gemeu a voz de meu amigo, "você não leu os jornais da semana passada?"
— O quê? — perguntei com a aflição já engatilhada.
— A descoberta do capim!
Não tinha lido tão importante notícia, e o meu amigo explicou-me: um sábio, creio que dinamarquês, chegou à conclusão de que o capim é um dos melhores alimentos do homem. Meu amigo não me explicou que se tratava do Homo Sapiens, do Everlasting Man, de Chesterton, ou do Homo postconciliarius. Seja como for, dentro de quatro ou cinco anos teremos a humanidade de quatro e espalhada nos pastos.
* * *
Estas reflexões amaríssimas, como diria o "agregado" de Machado de Assis, vieram-me hoje ao espírito depois da leitura de La Documentation Catholique, e principalmente depois da casual leitura de um volume encontrado entre outros livros de vinte anos atrás: O personalismo, de Emmanuel Mounier.
Nunca lera nada desse personagem que fundou a revista Esprit e que fez escola. Abri a página 42 da tradução editada pela Livraria Duas Cidades e li: "O homem é um ser natural". Detenho-me nesta proposição seguida desta outra: "Será somente um ser natural?" E depois: "Será, inteiramente, um joguete da natureza?" Ora, é fácil de ver que nenhuma dessas proposições têm sentido, e nenhuma conexão se percebe entre elas. Ou então, se o leitor quiser ser mais exato, diremos que todo aquele fraseado joga com a polivalência te termos equívocos pretendendo com essa confusão transmitir ao desavisado adepto do "personalismo" um sentimento de profundidade ou de rara acuidade. O que quer dizer "um ser natural"? Dotado de natureza própria todos os seres o são, desde o átomo de hidrogênio até Deus. Tenho diante dos olhos o dorso de um livro de Garrigou-Lagrange: Dieu, son existance et sa nature. Logo, Deus é um ser natural. Se por natural se entende tudo o que pertence ao Universo criado, todos os seres, exceto o Incriado, serão seres naturais: a água, um gato, São Miguel Arcanjo. Se o termo natural se contrapõe a artificial, todos nós sabemos que um homem não é montado como um rádio de pilha, ou como uma máquina de costura. Logo, é um ser natural. Mas não se entende por que razão foi preciso fundar Esprit, lançar o progressismo, atirar-se nos braços do comunismo, comprometer Jacques Maritain, excitar tanta gente em torno de tão óbvia proposição.
Emmanuel Mounier já morreu coberto de glória há mais de dez anos. Podemos tranqüilamente dizer que era burro, apesar de tudo o que foi escrito em francês a seu respeito, como já podemos dizer tranqüilamente que Teilhard de Chardin era meio tantã. Dentro de cinqüenta anos ninguém mais saberá em que consistiu o "personalismo" de Mounier, ou o "phenomène humain" de Teilhard de Chardin. Essas obras foram o consolo e a volúpia de muitos leitores que, não entendendo nada do que liam, ao menos se aliviavam com este pensamento balsâmico: todos os livros são escritos para ninguém entender. E assim os idiotas do mundo tiveram um decênio ou dois de júbilo.
Passarão esses autores, mas se é verdadeira a descoberta das propriedades do capim, muitos novos autores surgirão a perguntar "se o homem é um ser natural". Já se houve o tropel... Mas — quem sabe — talvez o próprio capim, entre suas virtudes estudadas em Estocolmo ou Copenhague, entre duas Pornôs, traga uma espécie de calmante que nos devolva o genial tipo clássico do burro que se conhecia e que não fundava revistas católicas nem rasgava novos horizontes para a Igreja.
*Publicado em O Globo, 22/08/70 e em permanência.org
VIOLÊNCIA ASSOCIAL E PACIFISMO SUICIDA - 26/06/2018
De acordo com relatório recentemente divulgado pela organização civil mexicana Ordem, Justiça e Paz, 17 das 50 cidades mais violentas do mundo são brasileiras. O ranking, que leva em conta o índice de homicídios em municípios com mais de 300 mil habitantes, apresenta Natal (RN) em quarto lugar, com a impressionante taxa de 102,56 homicídios por 100 mil habitantes, seguida por Fortaleza (CE), em oitavo lugar, com 83,48/100 mil, e Belém (PA), em décimo lugar, com 71,38/100 mil. O protagonismo do Brasil nessa estatística macabra não pode ser recebido com surpresa: com mais de 60 mil mortes por ano, o país é campeão mundial em número absoluto de homicídios, ostentando uma média cinco vezes superior à mundial, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. Somam-se a essa cifra 71.796 “desaparecidos” (em dez anos houve mais de 694 mil registros de desaparecimento, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2017) e 2.666 latrocínios, crime cujo crescimento foi de 50% no período compreendido entre 2010 e 2016.
É claro que não faríamos feio caso o ranking em questão adotasse como critério outras espécies de crime que não o homicídio. Basta notar que no ano de 2016, somente nas capitais brasileiras, foram registrados mais de três assaltos por minuto, totalizando 1.726.757 roubos (quase o dobro dos 985.983 roubos registrados no ano de 2011). Vale dizer: a maioria de nossas grandes cidades é terrivelmente violenta, ainda que muitas delas não figurem na lista daquelas consideradas as mais violentas do mundo. A eleição do número de homicídios como critério de aferição da violência não se deve apenas à inquestionável primazia da vida em relação aos demais bens jurídicos, mas também a outro fator: o ato de “matar alguém” (tal é a descrição do Código Penal para o crime de homicídio) constitui a expressão mais pura, genuína e acachapante da chamada “violência associal”. E isso, caro leitor, é algo que nos assombra.
Tim Larkin, autor de When Violence is the Answer, reconhecidamente um dos maiores estudiosos da matéria no planeta, analisa o fenômeno da violência classificando-a em duas espécies: agressão social (“social agression”) e violência associal (“asocial violence”). A agressão social não visa à destruição de outra pessoa, mas, antes, à afirmação da condição dominante, à obtenção de vantagem ou elevação do status social. Um exemplo: nas brigas de escola, envolvendo bullying, que atraem a curiosidade de pessoas que instintivamente se reúnem para assisti-las, a excitação com a luta decorre da existência de informação social valiosa (ao menos na visão da plateia) a ser dali extraída: ela definirá a posição dos contendores na hierarquia da escola (o vencedor será carregado em glória e o derrotado reduzido à condição de pária). Esse tipo de agressão, observa Larkin, não é exatamente tolerado (em geral é punido), mas tampouco destrói a ordem social. Há, contudo, outro desfecho possível: a vítima do bullying já sofreu o bastante e mantém guardada para si a decisão de revidar. Não está interessada em brigar ou afirmar-se diante dos colegas. Ela simplesmente abre a mochila, saca um revólver e atira à queima-roupa na cabeça do agressor. Não há excitação ou gritos de incentivo na plateia. Há apenas pandemônio: todos fogem sem olhar para trás, pois inexiste qualquer informação social a ser buscada ali. Estamos diante da violência associal: ela nada tem a ver com comunicação ou remodelação das estruturas de ordem e poder. Pelo contrário: almeja a destruição da ordem. É o tipo de interação violenta da qual instintivamente fugimos, pois nela há apenas caos, horror e miséria. A morte, em vez de mero subproduto acidental, constitui seu único propósito.
A pedra de toque para distinguir as duas espécies de violência é a presença ou ausência de comunicação. Nos enfrentamentos que contemplam formas primitivas de comunicação social, os contendores procuram demonstrar como estão agitados, como são ameaçadores e o quanto estão dispostos a defender seu território (manifestações claras de dominância). Nessas situações de agressão social não há o desejo deliberado de mutilar, aleijar ou matar, enfim, de infligir um dano permanente ao adversário. O objetivo não é destruir, mas dominar. A violência associal, por sua vez, é de uma dinâmica brutal, silenciosa, súbita e inequívoca. É a agressão com uma barra de ferro até que a vítima pare de se mover, é a morte da vítima de um roubo já consumado pelo simples prazer de vê-la padecer. Nas palavras de Larkin, “se você é uma pessoa sã e sociável, pensamentos desse gênero podem deixá-lo fisicamente doente, pois você os reconhece por aquilo que são: o colapso de tudo aquilo que nós, como humanos, reputamos sagrado”.
Um caso que bem ilustra esse conceito é o assassinato do estudante Kaíque Abreu. Agredido quando voltava para casa após uma festa de carnaval em Salvador (BA), o jovem teve morte cerebral declarada em 14 de fevereiro deste ano, cinco dias após dar entrada no hospital. Imagens captadas por uma câmera de segurança mostram o ataque covarde, intempestivo e inapelável lançado pelo assassino Edson Rodrigues dos Santos, 24 anos, que afirmou à polícia haver desferido um soco e um chute na vítima para “descontar uma agressão” que sofrera de outra pessoa “na folia”. Esse fato – uma versão brasileira do famigerado “knockout game” existente na América – revela algo fundamental: enquanto a agressão social é evitável, podendo ser contornada com o emprego de nossas habilidades sociais, a violência associal nem sequer permite que nos expressemos. Dito de outro modo: quando não antevista de maneira a permitir a fuga, somente poderá ser contornada mediante incapacitação ou morte do agressor. Aqui desmorona nossa ilusão de que, mesmo cercados pela barbárie, estamos, de alguma forma, em segurança.
Como bem observou James Q. Wilson – um dos responsáveis pela revolução dos métodos de combate ao crime na América –, a criminalidade violenta (em especial aquela que envolve delitos cometidos por estranhos contra vítimas inocentes) é causa de atomização da sociedade, pois difunde o medo, isola as pessoas e impede a formação de comunidades humanas dotadas de significado. Há muito, no Brasil, deixamos de nos importar com isso. Abrimos mão de frequentar espaços públicos, obsequiando aos delinquentes o domínio de nossas ruas, praças e parques. Consentimos em viver confinados em casas e apartamentos com sistemas de segurança cada vez mais restritivos e dali saímos, confinados em nossos veículos (alguns blindados), para o confinamento de nossos locais de trabalho, permitindo-nos, eventualmente, a título de lazer, o confinamento no espaço asséptico de algum shopping center.
Isso, é claro, para os mais afortunados. O trabalhador que não dispõe de condições financeiras para transformar sua casa numa espécie de maquete de penitenciária (com cerca elétrica, arame farpado, alarme, câmeras e monitoramento) está condenado a viver em permanente sobressalto. Quando seu lar é furtado, não entende como a subtração de um botijão de gás cujo valor equivale a 20% de sua renda mensal possa ser considerada “insignificante” pela Justiça, mas sente-se grato pelo fato de não haver sofrido violência. Para ele, todo dia de pagamento é sinônimo de aventura, ante a probabilidade nada desprezível de ser vítima de um roubo à mão armada no caminho para casa (esteja a pé ou de ônibus). Após perder, numa fração de segundo, o fruto do trabalho de um mês inteiro, possivelmente ouvirá alguma sumidade sustentando a tese de que há “uma lógica no assalto”, de que aquela expropriação representa a luta dos excluídos contra a “desigualdade social”. Mais uma vez, embora não compreenda a preconceituosa associação entre pobreza e criminalidade – a exemplo do pai e do avô, tudo o que faz na vida é trabalhar –, ele se mostrará grato pela dádiva de haver sido apenas assaltado e não espancado ou morto, pois, como eu ia dizendo, o fato é que capitulamos incondicionalmente diante do crime e tudo cedemos em troca da promessa de que, ao menos, nossa vida seja preservada.
Até o dia em que, insensível à nossa submissão, a violência associal nos atropela. Implacável, inclemente e aterradora, desmantela a ilusão de segurança como o impacto de uma onda destroça um castelo de areia. Só então percebemos a inutilidade de nossas renúncias. Constatamos que a ingenuidade pueril do incauto que, em nome da “paz”, entregou ao Estado as armas que, legalmente, deram efetiva segurança à sua família por gerações a fio, é irmã gêmea do delírio ativista que prega a legalização das drogas como meio de reduzir a violência. Ou, ainda, que a parvoíce da autoridade que defende o desencarceramento de sociopatas, na crença de que a impunidade aplacará seu ímpeto sanguinário, é em tudo idêntica à estupidez presunçosa do “especialista” que sugere o desarmamento dos policiais fora do horário de expediente, não obstante os estudos da Comissão de Análise da Vitimização Policial da PMERJ indiquem que, entre janeiro de 2016 e fevereiro de 2017, 33% das mortes de policiais militares de folga decorreram de execuções!
“Si vis pacem, para bellum”. Em discurso memorável, proferido na Câmara dos Comuns no longínquo ano de 1938, Winston Churchill reverberava o provérbio latino, ao alertar para o fato de que “a manutenção da paz depende da acumulação de instrumentos de dissuasão contra o agressor”. Optamos por seguir o caminho contrário no combate ao crime. Abusando do direito de sermos pusilânimes, estimulamos a agressividade dos delinquentes. Agimos como o sujeito que alimenta um crocodilo na esperança de não ser por ele devorado. Os resultados dessa escolha falam por si. Se você ainda duvida, dê uma boa olhada em qualquer ranking de violência.
*Publicado originalmente na Gazeta do Povo, em 25/6/18.
**Promotor de Justiça MP/RS
UMA GERAÇÃO DE PREDADORES - 19/06/2018
Desde que me distanciei do Brasil, tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano. Não posso medi-la pela produção literária, que veio rareando até tornar-se praticamente inexistente num país que já teve alguns dos melhores escritores do mundo. Meço-a pelas teses universitárias que me chegam, cada vez mais repletas de solecismos e contrassensos grotescos, pelos comentários de jornal, pelos pronunciamentos das chamadas "autoridades" e, de modo geral, pelas discussões públicas. Em todo esse material, o que mais salta aos olhos não é o vazio de ideias, não é a estupidez dos raciocínios, não é nem mesmo a miséria da linguagem: é a incapacidade geral de distinguir entre o essencial e o acessório, o decisivo e o irrelevante. Não há problema, não há tema, não há assunto que, uma vez trazido ao palco – ou picadeiro –, não seja infindavelmente roído pelas beiradas, como se não tivesse um centro, um significado, um sentido em torno do qual articular uma discussão coerente. Cada um que abre a boca quer externar apenas algum sentimento subjetivo deslocado e extemporâneo, exibir bom-mocismo, angariar simpatias ou votos, como se se tratasse de uma rodada de apresentações pessoais num grupo de psicoterapia e não de uma conversa sensata sobre – digamos – alguma coisa. A coisa, o objeto, o fato, o tema, este, coitado, fica esquecido num canto, como se não existisse, e depois de algum tempo cessa mesmo de existir. A impressão que me sobra é a de que toda a população legente e escrevente está sofrendo de síndrome de déficit de atenção. Ninguém consegue fixar um objeto na mente por dez segundos, a imaginação sai logo voando para os lados e tecendo, embevecida, um rendilhado de frivolidades em torno do nada.
Se me perguntarem quais são os problemas essenciais do Brasil, responderei sem a menor dificuldade:
1) A matança de brasileiros, entre quarenta e cinquenta mil por ano.
2) O consumo de drogas, que aumenta mais do que em qualquer país vizinho, e que alguns celerados pretendem aumentar ainda mais mediante a liberação do narcotráfico – o maior prêmio que as Farc poderiam receber por décadas de morticínio.
3) A absoluta ausência de educação num país cujos estudantes tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais, concorrendo com crianças de nações bem mais pobres; num país, mais ainda, onde se aceita como ministro da Educação um sujeito que não aprendeu a soletrar a palavra "cabeçalho" porque jamais teve cabeça, e onde se entende que a maior urgência do sistema escolar é ensinar às crianças as delícias da sodomia – sem dúvida uma solução prática para estudantes e professores, já que o exercício dessa atividade não requer conhecimentos de português, de matemática ou de coisa nenhuma exceto a localização aproximada partes anatômicas envolvidas.
4) A falta cada vez maior de mão-de-obra qualificada de nível superior, que tem de ser trazida de fora porque das universidades não vem ninguém alfabetizado.
5) A dívida monstruosa acumulada por um governo criminoso que não se vexa de estrangular as gerações vindouras para conquistar os votos da presente, e que ainda é festejado, por isso, como o salvador da economia nacional.
6) A completa impossibilidade da concorrência democrática num quadro onde governo e oposição se aliaram, com o auxílio da grande mídia e a omissão cúmplice da classe rica, para censurar e proibir qualquer discurso político que defenda os ideais e valores majoritários da população, abomináveis ao paladar da elite.
7) A debilitação alarmante da soberania nacional, já condenada à morte pela burocracia internacional em ascensão e pelo cerco continental do Foro de São Paulo (aquela entidade que até ontem nem mesmo existia, não é?).
8) A destruição completa da alta cultura, num estado catastrófico de favelização intelectual onde a função de respiradouro para a grande circulação de ideias no mundo, que caberia à classe acadêmica como um todo, é exercida praticamente por um único indivíduo, um último sobrevivente, que em retribuição leva pedradas e cuspidas por todo lado, especialmente dos plagiários e usurpadores que vivem de parasitar o seu trabalho.
Se me perguntam a causa desses oito vexames colossais, digo que é a coisa mais óbvia do mundo: quarenta anos atrás, as instituições que se gabam de ser as maiores universidades brasileiras lançaram na praça uma geração de pseudointelectuais morbidamente presunçosos, que na juventude já se pavoneavam de ser "a parcela mais esclarecida da população". Hoje essas mentes iluminadas dominam tudo – sistema educacional, partidos políticos, burocracia estatal, o diabo –, moldando o país à sua imagem e semelhança. Matança, dívidas, emburrecimento geral, debacle do ensino, é tudo mérito de um reduzido grupo de cérebros de péssima qualidade intoxicados de idéias bestas e vaidade infernal. Dentre todas as gerações de intelectuais brasileiros, a pior, a mais predatória, a mais destrutiva.
Se querem saber agora por que os temas fundamentais não podem ser enxergados e discutidos na sua essência, por que as atenções são sempre desviadas para detalhes laterais e por que, em suma, nenhum problema neste país tem solução, a resposta também não é difícil: quem molda os debates públicos, por definição, é a elite dominante, e esta não permite que nada seja discutido exceto nos moldes do seu vocabulário, dos seus interesses, da sua agenda, da sua irresponsabilidade psicótica, da sua ambição megalômana, da sua autoadoração abjeta.
Enquanto vocês não perderem o respeito por essa gente, nada de sério se poderá discutir no Brasil.
*Publicado originalmente no Diário do Comércio, 3 de junho de 2011
**Publicado, também, em olavodecarvalho.org.
MUITO A FAZER - 17/06/2018
Os debates oficiais da campanha eleitoral de 2018 ainda não iniciaram, mas me pergunto se os candidatos e os eleitores têm real noção da dimensão dos desafios que se desenham para o Brasil nos próximos anos. Certamente iremos nos deparar com propostas para temas como violência, combate à corrupção, como ajustar a infraestrutura, dentre outros que sempre permeiam essas datas. Ou seja, nunca foram resolvidos.
Na verdade, no Brasil de hoje, não faltam problemas para que se apontem as soluções e, neste artigo, quero chamar atenção para um ponto central que precisa entrar nesse debate: a gestão das contas públicas. Desde o início da última década, vivemos uma pseudo lua de mel com o discurso do "nunca na história desse país". Parecia que tudo ia bem, da política econômica ao dia a dia das famílias, passando pelo crédito para comprar um carro 1.0 e a falsa impressão de que havíamos acabado com a desigualdade social.
Mas, como que em um passe de mágica, tudo o que envolve o Estado passou a apresentar déficit ou então prejuízo. A maior empresa do Brasil estava quebrada, as ruas cheias de buracos, governo e consumidores endividados, os indicadores de pobreza aumentaram, o país entrou em uma recessão profunda e até no futebol passamos vergonha.
Onde erramos? Em várias áreas e em vários momentos. Em apenas um texto é impossível mostrar todos os erros que cometemos no passado recente, principalmente no setor público. Eles vão desde a omissão em apresentar uma proposta para ajustar a Previdência, o que colocaria em risco a popularidade do presidente em exercício, até a aprovação de propostas e leis que só aumentaram gastos ou geraram prejuízos para o país como, por exemplo, os empréstimos obscuros do BNDES.
Ou seja, nossos governantes conseguiram a proeza de errar, nos últimos 20 anos, quando não fizeram e também quando fizeram. Em algum momento o sistema não aguentaria e aconteceu o que já se previa: a conta veio e é alta. Uma pequena parte dela já foi paga nesse período de déficit primário que resultou na maior crise econômica da nossa história. Mas ainda falta muito a pagar. As projeções da LDO de 2019 dão conta de que o próximo presidente assume flertando com, no mínimo, mais três anos de déficit primário, aumento da dívida pública interna, que pode ultrapassar facilmente os 80%, e elevados esqueletos para tirar do armário. Vai ter de ser muito bom gestor para que não passe os quatro anos apenas esquentando a cadeira no Planalto ou batendo fotos de inauguração de obras que já foram inauguradas várias vezes no passado.
Dentre os temas urgentes, impopulares e já bastante conhecido de todos nós, está a reforma da Previdência. Mas essa corre o risco de não sair da mesma retórica de sempre, exatamente pela falta de entendimento do seu real problema. Muito se fala dos aposentados do INSS, mas veja que o contingente de pessoas que teve tempo de contribuição suficiente para se aposentar, e realmente merece receber, é de apenas 6 milhões. Isso dá 17,5% de um total de 34,5 milhões que recebem algum dinheiro do INSS todo mês. Não é com esses aposentados que está o maior problema. E não será aumentando a idade mínima ou o tempo de contribuição que extinguiremos os déficits. O desequilíbrio está nos outros 28 milhões de beneficiários do INSS, dos quais 18 milhões não contribuíram pelo tempo mínimo exigido pela lei e mesmo assim se aposentaram.
Veja a distorção que criamos. Para cada um que cumpriu com o tempo mínimo de contribuição, há outros dois que não o fizeram. Além disso, há mais gente recebendo do INSS uma pensão por morte do que aposentados por tempo de contribuição. E o que dizer então dos mais de 6 milhões de pessoas que recebem algum benefício do INSS por ser inválido ou portador de deficiência? Isso dá 3% da população em um país que não está em guerra declarada.
O enfrentamento do problema do INSS passa por melhorar a gestão, treinando, equipando e criando regulamentos que permitam a instituição fazer um trabalho que elimine as fraudes, a evasão de divisas e as subjetividades nas concessões de benefícios. Uma boa sugestão seria implementar a tecnologia blockchain para registro dessas transações, o que criaria mais segurança, transparência, agilidade e eficiência para o órgão.
Mas a reforma da previdência tem de vir acompanhada de outra, a do servidor público. O próximo presidente vai precisar de coragem de enfrentar esse tema, que atinge as pessoas diretamente ligadas ao aparelho estatal. A diferença é que aqui não será difícil convencer a população, ou os congressistas, que essa reforma é importante. Basta mostrar que no INSS o aposentado por tempo de contribuição tira R$ 1,9 mil em média ao mês, enquanto no setor público esse valor vai a R$ 26,8 mil de média ao mês no caso do Legislativo. Além disso, a média de salário dos aposentados no Legislativo, Judiciário e Ministério Público é maior que o pessoal da ativa. Algo impensável para quem contribui para o INSS.
O que gera a desigualdade
Sem sombra de dúvida, o fator que mais gera desigualdade no Brasil atualmente é a diferença de tratamento na remuneração recebida entre os que estão nos regimes previdenciários do setor público e privado. Podemos começar a reduzir os indicadores de desigualdade no Brasil eliminando essa distorção. Nesse cenário traçado, nosso próximo presidente vai herdar um rombo conjunto de quase R$ 400 bilhões entre INSS (R$ 291 bilhões) e Previdência do setor público (R$ 80 bilhões). E não basta fazer uma reforma qualquer: o equilíbrio só virá se tivermos uma relação entre contribuição e despesas dos aposentados. Caso contrário, esperaremos pelo menos cinco décadas para equacionar essa questão.
Além desses já conhecidos problemas estruturais, há outros, relacionados à má gestão e interpretação das leis pelo próprio Estado que são menos discutidas e que consomem bilhões de reais do que pagamos de impostos. Todos os anos a União vira ré em ações movidas por empresas ou grupos sociais e econômicos que questionam a aplicação de uma lei ou regra que foi feita de maneira equivocada. Essas ações acabam ficando anos em discussão, mas inevitavelmente uma boa parte acaba tendo como desfecho uma despesa a ser paga.
A lista é grande e envolve questões tributárias, trabalhistas, previdenciárias e diversas outras que tiveram como origem uma ideia "mirabolante" que nos custou ou ainda vai custar muito dinheiro. O sinal de que estamos fazendo mal a gestão do setor público está no total pago de precatórios e sentenças judiciais, pelo Tesouro Nacional, que era nulo até 2004 e, desde então, não para de crescer, tendo atingido a cifra recorde de R$ 11 bilhões. E ainda há um estoque enorme de processos a serem julgados e que envolvem valores muito elevados, como os R$ 560 bilhões em ações tributárias e outros R$ 102 bilhões no Tesouro Nacional.
Em algum momento, o dinheiro dos nossos tributos que deveriam ser destinados para educação, saúde e segurança vai ser desviado para cobrir essa ineficiência. A solução para tantos problemas estruturais não será uma tarefa fácil para qualquer um que subir a rampa do Planalto no dia 1º de janeiro de 2019. A herança que duas décadas de má gestão, corrupção e descaso com o Estado deixa para todos nós é muito ruim. Será preciso ter uma combinação de boa vontade política, disposição para fazer diferente, compreensão para entender que os resultados positivos só devem aparecer no médio e longo prazo, mais independência das instituições de controle, como o Judiciário e tribunais de contas e muita capacidade técnica dos gestores que estarão à frente do Estado. Temos muito o que fazer para corrigir o Brasil.
*Economista
** Publicado originalmente na Revista Voto
O D. SEBASTIÃO DE CURITIBA - 11/06/2018
O PT anunciou o lançamento da pré-candidatura presidencial de Lula da Silva, como se fosse a volta de d. Sebastião – o rei português que desapareceu numa batalha em 1578 e cujo retorno era esperado para salvar o reino da crise que se estabeleceu após sua partida, “quer ele venha, quer não”. Mas o sebastianismo petista é uma deliberada tapeação. Enquanto o corpo de d. Sebastião nunca reapareceu, todo mundo sabe muito bem onde está Lula: numa cela em Curitiba, cumprindo pena por corrupção e lavagem de dinheiro.
A anunciada “candidatura” de Lula, portanto, precisa de aspas. A Lei da Ficha Limpa impede que o ex-presidente tenha sua postulação deferida pela Justiça Eleitoral. O PT insiste que seu chefão é preso político, pois nada teria sido provado contra ele, razão pela qual a defesa de Lula acredita que, no momento do registro, sua candidatura terá de ser aceita, ainda que em caráter liminar. O partido não esconde que pretende causar o máximo possível de confusão legal até a eleição para que o nome de Lula esteja na urna eletrônica, com consequências imprevisíveis para o resultado formal do pleito.
Enquanto isso, o PT preparou material de campanha no qual, além de insistir na libertação de Lula, explora a crise atual para dizer que somente com a eleição do ex-presidente “o Brasil vai ser feliz de novo”. Há até uma imagem em que alguém recoloca o retrato de Lula na parede, com faixa presidencial e tudo, lembrando a marchinha de 1950 cujo refrão “bota o retrato do velho outra vez” embalou a volta de Getúlio Vargas, o “pai dos pobres”, ao poder naquele ano.
No jingle lulopetista, o refrão é “chama que o homem dá jeito”, depois de imagens que retratam o desemprego e a greve dos caminhoneiros, embaladas por uma letra que diz: “Meu querido Brasil, o que fizeram com você?”. Nos “braços do povo”, Lula então se apresenta como o único capaz de enfrentar os “poderosos” e fazer “chegar a primavera”.
É evidente que, em campanhas eleitorais, não se deve esperar que partidos deixem de exaltar qualidades de seus candidatos, mas no caso da campanha de Lula o que há é pura e simples fraude.
A crise que os petistas dizem que Lula irá resolver foi causada pelo próprio Lula e por sua desengonçada criatura, Dilma Rousseff. Foram dois anos de uma recessão brutal, resultante de uma série de erros de política econômica causados por uma visão antediluviana do papel do Estado. O primeiro mandato de Lula na Presidência, entre 2003 e 2006, deu a falsa ilusão de que o ex-metalúrgico bravateiro havia aderido aos bons fundamentos da administração e da economia. No entanto, a partir do segundo mandato, decerto premido pela necessidade de se manter no poder em face do escândalo do mensalão, Lula adernou à esquerda populista, mandando às favas o compromisso com o equilíbrio das contas públicas e o controle da inflação. A gastança estatal resultou em crescimento tão exuberante quanto insustentável – mas suficiente para eleger o “poste” Dilma em 2010.
Com Dilma dobrando a aposta de Lula, as contas públicas foram destroçadas – mas o País demoraria a conhecer o tamanho do desastre graças à contabilidade criativa e às pedaladas. Felizmente, o impeachment de Dilma interrompeu a trajetória rumo ao abismo. Aos poucos, restabeleceu-se um mínimo de racionalidade na administração, e algumas medidas cruciais, como o teto dos gastos, indicavam que o País havia recobrado a sanidade.
Ainda falta muito a fazer, mas o principal obstáculo hoje nem é a dura conjuntura econômica, e sim uma nostalgia populista que embala uma parte considerável dos eleitores, convencida de que é possível “ser feliz de novo” se a Presidência for ocupada por Lula – ou, quem sabe, por alguém indicado por ele. E essa atmosfera passadista, que ignora totalmente o que foi a trevosa era lulopetista, é fruto direto da ruína da política em meio a uma campanha de descrédito poucas vezes vista na história nacional. Se esses são os políticos que temos, é o que devem pensar esses eleitores, melhor esperar mesmo pela volta do d. Sebastião de araque.
O ENTULHO PETISTA NA VIDA BRASILEIRA - 06/06/2018
Trecho de uma entrevista do professor Wilson Ferreira Cunha (PUC/GO) ao Jornal Opção, em 24 de setembro de 2016.
O entrevistado, antropólogo, com formação pela antiga União Soviética, cientista político e professor faz duras críticas à educação brasileira e diz que os 13 anos da era PT à frente do governo federal levaram a educação brasileira ao atraso. Segundo ele, o lulopetismo institucionalizou um patrulhamento na Educação brasileira que pode ser comparado ao que viu quando estudou na União Soviética durante o período de Leonid Ilitch Brejnev, último ditador soviético.
“Começa pelos reitores das instituições federais de ensino e até das universidades particulares, que são atrelados aos programas obsoletos do Ministério da Educação. Há um “puxa-saquismo” geral nos meios da Educação. É preciso tirar isso, o que será muito difícil, porque é um sistema orgânico inserido na Educação brasileira, que vai levar uns 50 anos”, diz.
O sr. é historiador, antropólogo, cientista político. Na sua avaliação, como ficará a imagem do PT na história?
Vai ficar muito ruim, será uma marca desastrosa. Com o PT erigiram-se alguns paradigmas na Educação brasileira que precisam ser destruídos. Por exemplo, criou-se o pensamento de que trabalho em grupo é que movimenta o ensino no País. Ora, trabalho em grupo justifica a imagem de que na universidade tudo se copia e nada se cria e isso se institucionalizou. Na verdade, um aluno faz o trabalho e os outros integrantes do grupo assinam. Então, isso precisa ser extirpado do ensino brasileiro.
Outro dano é a postura crítica, entre aspas, que se sobrepõe à absorção do conhecimento. A crítica é só para aquele que pensa o contrário, não é a crítica que constrói o conhecimento. Outro ponto é a frouxidão e a permissividade em vez da disciplina e da cobrança do aluno. Quer dizer, o aluno é um frequentador de aulas, sem nenhum compromisso, nenhuma responsabilidade. Veja que isso não existia nem na ditadura, época em que pelo menos os alunos procuravam adquirir conhecimento. Hoje, temos o analfabeto virtual dentro da universidade, que não sabe escrever nem falar direito.
Outros absurdos (Wilson consulta um texto que trouxe): a prioridade das atividades chamadas sociais; os trabalhos fora do estudo persistente, que é ajudar a incluir. Essa lengalenga de ajudar a justiça social, entre aspas, se tornou quase um padrão de direcionamento da política educacional brasileira. E, penúltimo, a valorização de pesquisadores de banalidades. Vê-se que as teses de mestrado e doutorado de excelência no Brasil não chegam a 2%, isso é constatado pelo próprio MEC. Gente que fez mestrado e doutorado por fazer, como se fosse uma indústria, sem nenhuma qualidade, sem resultado e sem nenhuma utilidade. É um autêntico besteirol, um festival de besteira nacional a nível de ensino.
Por último, a palavra metodologia virou assim um suprassumo da sapiência, um mantra. Fala-se de metodologia e está tudo resolvido, em detrimento dos conteúdos. Não se pode ter metodologia sem conteúdo, senão vai haver esse tipo de aluno que é o pior tipo de estudante não só no terceiro grau, mas também nos ensinos fundamental e médio. (enfático) Tanto que o MEC, agora sob nova gestão, dobrou a carga horária no ensino médio; de 800 passou para 1,6 mil horas e, nos três últimos anos, o aluno terá de escolher uma das áreas de interesse dele. Já é uma mudança positiva no ensino brasileiro.
Marcos Nunes Carreiro – O sr. diz que, no período petista, a educação brasileira foi posta a serviço do partido?
Educação deveria ser uma das políticas prioritárias de qualquer partido que chega ao poder, porque não se faz um país sem educação de qualidade. Aliás, a educação no Brasil virou uma massificação, principalmente no ensino universitário. Veja que o lulopetismo instalou, em 13 anos, praticamente o mesmo número de universidades federais no País que havia nos 100 anos anteriores. O resultado é baixa qualidade e o malefício maior se dá principalmente na área da saúde. Há diversas faculdades de medicina que não têm estrutura adequada para proporcionar um ensino de qualidade.
Nem precisa ir às universidades para ver, basta ir aos hospitais, ao SUS. Ao lulopetismo interessa aquele reitor alinhado e aliado ao governo federal. Na eleição de Dilma Rousseff, todos os reitores de universidades federais manifestaram apoio a ela. Isso despolitiza e deixa desânimo na população, que está percebendo isso no bolso, no dia a dia.
Euler de França Belém – Fala-se em “entulho autoritário” da ditadura. E esse “entulho petista” vai durar quanto tempo?
Na educação, deve durar cinco décadas, porque são novas gerações que terão de vir para limpar isso. Esse entulho autoritário pseudomarxista-socialista-comunista tornou de esquerda a esmagadora maioria dos professores de história. Os livros e até as questões do Enade são tendenciosas.
Cezar Santos – Sobre isso, há livros didáticos aprovados pelo MEC para alunos do ensino fundamental que trazem críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso e elogios à gestão de Lula.
Isso é uma estratégia política de permanência no poder a qualquer custo. A corrupção do PT veio para manter esse tipo de orientação ideológica.
Cezar Santos – A história desse período só vai poder ser lida com mais realidade quando historiadores não petistas começarem a escrever os livros de análise?
Claro, e observo que os não petistas hoje são perseguidos. Há uma patrulha enorme sobre as pessoas que contestam esse sistema de interesse político esquerdista, e são poucos historiadores e antropólogos que discutem isso abertamente. Quando fazem isso são imediatamente destroçados, alijados do processo. Para se ter uma ideia, o Departamento de História da PUC tirou do currículo a disciplina antropologia. E por quê? É uma postura ideológica, porque a antropologia não se filia a nenhuma corrente, é uma concorrente ao marxismo-leninismo, é uma disciplina que não interessa a isso. Aliás, não existe neutralidade em nenhuma disciplina. O grande historiador judeu francês Marc Bloch (1886-1944), que foi fuzilado pela Gestapo de Hitler, propõe uma história na busca de problemas, uma história problemática, digamos. Esse é o foco da história: levantar os problemas do passado para não repeti-los no presente. E esse pós-socialismo, principalmente no Brasil e em países latino-americanos, está querendo introduzir de novo ideias marxistas e socialistas que foram colocadas na prateleira. Hoje, nem os próprios russos as defendem, nem os chineses; sobram aí o Vietnam do Norte, a Coreia do Norte, Cuba e talvez Equador, Venezuela. Tudo isso querendo se contrapor a um movimento globalizante, capitalista, que é inexorável. Aliás, esses ditos esquerdistas adotam as benesses do capitalismo. Eu pergunto: por que eles não trazem os economistas desses países para instaurar um modelo deles? Mas é uma questão de estratégia usar o processo representativo democrático do Brasil e utilizar eleições, com falatório de inclusão, de justiça social, de igualdade, para espalhar ideias ultrapassadas e obsoletas.
AOS JOVENS, AGORA ÓRFÃOS, DA ESQUERDA - 23/05/2018
E agora, o que um jovem de esquerda deveria fazer? Sonhar?
90% de meus colegas da faculdade de Economia, pelo menos os que se achavam mais inteligentes, eram de esquerda.
Queriam mudar o mundo, salvar o Brasil, expulsar o FMI e acabar com a pobreza.
Cabulavam as aulas e viviam no centro acadêmico com pôsteres de Che Guevara discutindo como tomar o poder.
A ideia de ajudar os outros fazendo trabalho voluntário na periferia nem lhes passava pela cabeça.
O resto era de centro. Comunitários, liberais e libertários, mais preocupados em libertar o Brasil de uma ditadura do que em implantar outra, a do proletariado.
Para minha surpresa, quando fiz o mestrado em Harvard, a totalidade de meus colegas era apolítica.
Eles estavam lá para estudar.
Adquirir conhecimentos úteis à sociedade e talvez ficarem ricos.
Por isso estudavam, para meu enorme desespero, vinte horas por dia.
Mas, mesmo com essa carga de estudo, todos faziam trabalho voluntário, um dos requisitos inclusive para a admissão ao MBA.
Quarenta anos se passaram, e na última reunião quinquenal dos ex alunos de Harvard constatei que todos ficaram ricos como pretendiam.
Eu a única exceção, Prof. da USP que era.
Ricos, eles devotam a maior parte do tempo a causas sociais e doam bilhões ao terceiro setor.
Mesmo eu que não sou rico, pude com pouco dinheiro criar o primeiro site de voluntários, o www.voluntarios.com.br, criar o Prëmio Bem Eficiente para Entidades Beneficentes, que a velha esquerda nunca apoiou, porque eles estavam ocupados tentando se eleger.
A reunião com meus colegas da USP foi ainda mais surpreendente.
O mais engajado na época, o que mais pregava a luta de classes, é hoje o economista chefe de um grande banco.
João Sayad, meu colega socialista e portanto menos radical, é o dono de banco, junto com Philippe Reichstull, ex presidente da Petrobras.
"Cansei de ajudar os outros" (sic), "estou ficando velho, preciso me preocupar com minha aposentadoria".
"Quem não é de esquerda quando jovem não tem coração, quem continua quando velho perdeu a razão".
Desculpa esfarrapada e ofensiva para velhos como nós que temos ainda coração.
Um dos meus colegas, funcionário público tinha sonhos horríveis. "Sonhei que era um velho mendigo, dormindo na sarjeta".
Foi quando aderiu à corrupção.
Jovens de esquerda ouçam bem.
Vocês ainda não têm competência para mudar o mundo e acabar com a pobreza.
Falta-lhes conhecimento para tocar um botequim, como a Dilma, muito menos uma revolução.
Estudem. Sejam úteis à sociedade, em vez de sonhar com um emprego público porque é garantido e mais seguro.
Antes de mudarem o mundo, mudem primeiro o bairro via meu www.voluntarios.com.br, para depois mudar seu Estado e o país.
Percebam que Dilma, Nelson Barbosa, Luciano Countinho, Aloizio Mercadante, Guido Mantega, Sergio Gabrielli, João Stédile, todos economistas de esquerda, só pioraram o mundo com sua arrogância, autoritarismo e incompetência administrativa.
Sejam de direita pelos menos nos seus primeiros 20 anos, estudem, casem bem, criem filhos honestos, não traiam suas esposas por aí.
Sejam de esquerda dos 50 anos em diante, distribuindo a sua riqueza, trabalhando para os outros em vez de ficar cagando regras e cocô na Paulista, ou sendo procurados como terroristas.
NÓS TAMBÉM TEMOS HERÓIS - 20/05/2018
Quando uma amiga francesa me disse que tinha visto uma placa alusiva à participação dos brasileiros na Primeira Guerra Mundial no jardim do Hôpital de Vaugirard em Paris, franzi a testa e a corrigi com um sorriso condescendente: “Segunda Guerra”. Ela me sorriu de volta: “Não, Primeira. Me lembro de ter visto as datas 1914-1918. Tenho certeza.”
Oi? Como assim? Nós não participamos da Primeira Guerra Mundial! Ou participamos? Vasculhei todos os cantos da minha memória procurando uma referencia sobre isso e não encontrei nenhuma. Só encontrei o sorriso dela de certeza absoluta. Constrangida com minha ignorância, me fingi de morta mas registrei mentalmente que ia checar aquela informação.
Foi assim que desci na estação de metrô Convention (linha 12) e fui caminhando pela rue Vaugirad em direção à Porte de Versailles. Cinco minutos de caminhada e cheguei ao Jardim do Hôpital de Vaugirard. O lugar é um pequeno oásis verde com uma longa alameda ladeada por gramados verdinhos, muitos bancos e árvores. Flanei pelo lugar a procura da placa e depois de alguns minutos eu a encontrei. Sim, lá estava ela. Meu francês é bem meia-boca mas deu pra entender o que estava escrito: “Aqui se ergueu o hospital franco-brasileiro dos feridos de guerra criados e mantidos pela colônia brasileira de Paris como contribuição na causa aliada 1914-1918. Placa inaugurada por ocasião do 80° aniversário da presença da Missão Médica Brasileira Especial na França.”
Gelei. Uma Missão Médica Brasileira na França na Primeira Guerra Mundial? Como eu nunca ouvi falar sobre isso? Como é que eu conheço toda a história do American Field Service, uma organização voluntária de norte-americanos para tratar os feridos durante a Primeira Guerra e nunca sequer ouvi falar de uma Missão Médica do meu próprio país? Imperdoável!
Com a ajuda do meu incansável amigo google, sentei em um dos bancos e pesquisei sobre o assunto. Descobri uma história fantástica de coragem, sacrifício e competência quando um navio brasileiro (La Plata) saiu do porto do Rio de Janeiro em 1918 iniciando uma viagem que seria, difícil, perigosa e trágica.
O perigo rondava os mares com a presença dos famigerados U-boats alemães, submarinos de alta tecnologia que afundavam qualquer barco (política da Guerra Submarina Irrestrita) militar, mercante ou de passageiros, mesmo de países neutros. Inicialmente neutro, o Brasil só se declarou em estado de guerra em outubro de 1917 posicionando-se com os Aliados (EUA, França, Grã-Bretanha) por ter tido vários navios mercantes civis brasileiros afundados pelos alemães. Sem uma marinha ou exercito preparado para conflitos da envergadura de potências belicosas como Alemanha, Rússia, EUA e Grã-Bretanha, a ajuda do Brasil para o esforço de guerra foi muito mais voltada à causa humanitária. É aí que entra a Missão Médica Militar Brasileira (MMMB).
O La Plata levava a bordo 168 brasileiros entre médicos, cirurgiões, enfermeiros e farmacêuticos voluntariados para a missão, além de alguns oficiais da marinha e exército, cujo objetivo era chegar a Marsellha e de lá seguir para Paris para instalar e operar um hospital com capacidade para 500 leitos para cuidar dos feridos da guerra.
Os franceses cederam o belo prédio de um antigo convento jesuíta na rue Vaugirard e o hospital brasileiro foi instalado ali recebendo principalmente soldados franceses classificados como “grandes feridos”. Quando a Guerra terminou no final de 1918, o hospital, considerado pelos franceses como de ponta, ainda funcionou até 1919 atendendo a população civil francesa que ainda lutava contra a pandemia da gripe espanhola que varreu a Europa naquele ano. Com a desmobilização do hospital militar, alguns médicos foram convidados a permanecer na França, mas a maioria retornou ao Brasil.
Os franceses jamais se esqueceram desse ato fraterno dos brasileiros e alí estava eu diante da prova, em frente àquela placa. Fiquei envergonhada por desconhecer essa história, que é muito mais emocionante que vocês possam imaginar. Fiquei pensando: Por que não nos falam sobre isso na escola? Por que escondem de nós os nossos heróis? Por que nos autodenominamos “terra do samba e futebol” quando somos tão mais que isso?
Estou escrevendo esse post por duas razões: a primeira é para mostrar como os franceses são gratos por nossa ajuda; a segunda é para desafiar vc a ir além da nossa mediocridade escolar. Se estiver em Paris, visite o Jardin Hôspital Vaugirard (metrô Convention), mas antes, para dar significado à sua visita, conheça essa história em detalhes em http://www.revistanavigator.com.br/navig20/art/N20_art2.pdf e também no livro “O Brasil na Primeira Guerra” de Carlos Darós (ed. Contexto).
Sim, nós também temos nossos heróis... e não são aqueles que jogam bola ou participam de reality shows.
Extraído do Facebook da autora.
COMPROMISSOS PARA ERRADICAR A MISÉRIA - 09/05/2018
Um país que não assegure os bens materiais e serviços mínimos indispensáveis para uma vida digna de cada filho que se disponha a trabalhar e respeitar os direitos e a liberdade dos demais não é civilizado nem é um Estado de direito democrático, e para sê-lo basta cumprir três princípios de fácil percepção numa análise profunda por mentes não submissas ao corporativismo ou à paixão ideológica.
Mesmo tão óbvios e justos, esses princípios são combatidos porque têm sua eficácia e justiça contestadas por afirmações equivocadas ou falsas, travestidas do bem e sustentadas por ilusórios emocionantes discursos populistas de solidariedade humana que, sem se perceber, perpetuam a miséria.
É essencial demonstrar o fulminante potencial desses princípios para a erradicação da pobreza aviltante e escancarar os sofismas que escamoteiam essa verdade, sendo, pois, fundamental que na campanha se cobre do candidato o compromisso inarredável de:
• atrair, incentivar, respeitar e tratar com dignidade as empresas cumpridoras da lei, constituídas por empregados e empregadores que promovem o desenvolvimento produzindo os bens e prestando os serviços que tiram as pessoas da miséria e geram o posto de trabalho essencial à dignidade humana;
• eliminar exigências inúteis, burocracia, superposição de normas e fiscalizações contraditórias, insegurança jurídica, presença desnecessária e intervenção ruinosa do governo, que além do desperdício inibem o papel crucial das empresas;
• cuidar do equilíbrio fiscal e não gastar as receitas sem obedecer a judiciosas prioridades, nem malbaratá-las com as injustiças do empreguismo, das vantagens indevidas, das aposentadorias precoces, das obras suntuárias, dos órgãos inúteis, da corrupção e do prejuízo por má gestão, práticas atuais que geram a chaga da pobreza absoluta.
Essas medidas e uma efetiva prioridade à qualidade da educação é que são a essência de um programa de governo que honrará a nação. O resto são apenas o planejamento das ações para viabilizar o enfrentamento desses desafios e as decisões justas e racionais nas prioridades dos gastos, adaptadas às circunstâncias econômicas, políticas e sociais ocorrentes no mandato.
*Presidente da Sociedade de Engenharia do RS
O ESPLENDOR DO POLITICAMENTE IDIOTA - 07/05/2018
Pobre Fernando Medina, do que ele se foi lembrar: fazer um Museu das Descobertas, ou dos Descobrimentos, em Lisboa! Uma ideia que pareceria absolutamente consensual e necessária e que só pecava por tardia, parece que se transformou numa polémica que já suscitou a indignação de mais de uma centena de historiadores e “cientistas sociais”, trazida a público num abaixo-assinado de professores de diversas Universidades, portuguesas e estrangeiras — se bem que, para dizer a verdade, quase todas de segundo plano, as Universidades, e quase todos, portugueses, os professores, com excepção de alguns, que presumo brasileiros, em decorrência dos nomes que ostentam e que só podem ter origem em antepassados portugueses e não em avós balantas ou mesmo tupi-guaranis.
Antes de, com a devida vénia e indisfarçável terror, entrar na polémica, deixem-me confessar a minha ignorância preliminar relativamente a duas questões, seguramente menores: desconheço quase por completo, não só os nomes, mas, sobretudo, a importância dos ditos historiadores para o que, num português em voga mas não recomendável, chamam “a riqueza problematizante” do que ora os ocupa; e desconheço ainda mais o que faça ao certo um cientista social que o torne uma autoridade na matéria.
Isto posto, e indo ao fundo da controvérsia, estas cem excelentíssimas autoridades indignam-se, em suma, contra o maldito nome do nascituro museu. Porque a questão, dizem eles, é que chamar-lhe Museu das Descobertas ou dos Descobrimentos, “não é apenas um nome, é o que representa enquanto projecto ideológico”. Este, esclarecem, é o projecto ideológico do Estado Novo, “incompatível com o Portugal democrático”. Bravo, António Ferro, o SNI continua vivo, os Descobrimentos portugueses mais não foram do que a antecâmara do colonialismo e o Estado Novo o seu apogeu e desfecho natural! O “mar sem fim português”, de que falava Pessoa, outra coisa não era, afinal, do que o Portugal do Minho a Timor, de que falava Salazar.
Pois, bem, se a palavra “descobertas” envolve um “projecto ideológico” de conotações maléficas, isso significa que as excelentíssimas autoridades têm outro projecto ideológico que se opõe e resgata este. Qual seja, e abreviando, chamar a atenção, por exemplo, para que os povos alegadamente descobertos pelos portugueses não se terão sentido descobertos, porque, de facto, já lá estavam. É um argumento tão fantástico, que, de facto, é irrebatível. Mas, salvo desconhecida opinião, ninguém sustenta que Vasco da Gama criou do nada o samorim de Calicut, que os Jesuítas encontraram o Tibete despovoado ou que Pedro Álvares Cabral celebrou a primeira missa em Terras de Santa Cruz para uns fantasmas vestidos de índios. Não, o que eles fizeram foi encontrar as rotas, marítimas ou terrestres, que ligaram o Ocidente e a Europa ao Oriente e às Américas, pondo em contacto dois mundos até aí sem contacto algum (com a excepção parcial das viagens de Marco Polo, por via terrestre, e as viagens marítimas, sem sequência científica ou outra, dos vikings). O que se sustenta é que não foi o samorim que se deu ao trabalho de largar o seu luxuoso trono e apanhar uma low-cost para a Europa, mas o Gama que se arriscou a ir mar fora naquelas cascas de noz ao seu encontro. Na época, isso significou — em termos de navegação, de cartografia, de indústria naval, de rotas comerciais e de avanços científicos em todas as áreas — um pulo de uma dimensão nunca antes e raras vezes igualado depois, na história da Humanidade. Sem falar das terras virgens que descobrimos e dos que não descobriram povos, dos que navegaram em pleno desconhecido, movidos por um verdadeiro sentido de descoberta tão extremo e destemido que só poderemos classificar como quase demência: Bartolomeu Dias dobrando o Cabo da Boa Esperança sem saber o que iria encontrar do outro lado; Fernão de Magalhães procurando insanamente o Estreito que ainda hoje tem o seu nome, ligando o Atlântico ao Pacífico e provando que a terra era redonda e circum-navegável em toda a sua extensão; os irmãos Corte-Real desbravando o limite extremo do norte navegável. Todos eles em mar aberto e em terra de ninguém, onde seria impossível às excelentíssimas autoridades encontrarem forma práctica de dar execução a outro dos argumentos arrolados para o conceito ideológico do seu museu: “Valorizar as experiências de todos os povos que estiveram envolvidos neste processo”.
Enfim, e sempre resumindo, vem depois o argumento da escravatura. É incontornável e eu subscrevo-o: deve estar referenciado num museu sobre as Descobertas, e subsequente colonização portuguesa. Sem esquecer, porém, que não foram os portugueses que inventaram a escravatura, mas apenas aproveitaram o comércio de escravos que encontraram florescente nas costas oriental e ocidental de África. E sem esquecer também que, sem desculpar o que foi a tragédia da escravatura, não há erro mais simplista de cometer do que julgar a História pelos padrões éticos contemporâneos. E estou à vontade no assunto, pois escrevi um romance histórico cujo tema central era a escravatura em São Tomé e Príncipe e em que, apesar de ela ter durado até à primeira metade do século XX (!), não encontrei, curiosamente, entre tanta fonte pesquisada e tanto historiador preocupado, nenhum trabalho histórico de referência que a contemplasse.
Não resisto a uma palavra aos invocados historiadores brasileiros que assinam esta petição. Conheço muito, de ver e de ler, da herança história de Portugal no Brasil — e tenho um profundo orgulho nela. Todos os ciclos de prosperidade histórica do Brasil, ligados às riquezas naturais, tirando o primeiro — o do pau-brasil, irrelevante, em termos económicos — foram feitos graças a árvores levadas para lá pelos portugueses: a cana de açúcar, a borracha, o cafeeiro, até os coqueiros, que levámos da Índia. E o ouro, o célebre ouro, roubado pelo D. João V? Ah, o ouro do Brasil! Do célebre “quinto real” (tudo o que cabia à Coroa), nem um quinto cá chegou. O resto? Perguntem a todas as ‘Lava-Jato’ que saltearam o Brasil, desde 1822. Pedras, monumentos? Tudo o que ficou de pé é português: no Pará, em Pernambuco, em Salvador, em Minas, no Rio, em Paraty, onde quiserem. E o Amazonas, cujo desbravamento por Pedro Teixeira é uma aventura assombrosa de coragem e persistência e cuja colonização, que incluiu a construção dos sete fortes de fronteira, erguidos com pedras de granito levadas de Portugal a mando do marquês de Pombal, e a que o Brasil ficou a dever milhões de quilómetros quadrados de floresta virgem preciosa, e que foi, no dizer do grande historiador brasileiro Joaquim Nabuco, “talvez a maior extraordinária epopeia de todos os Descobrimentos portugueses”? É bem provável que os brasileiros não saibam nem queiram saber dessa história. Os portugueses não sabem com certeza. Mas deviam saber.
Que haja portugueses que tenham vergonha desta história e queiram reescrevê-la numa espécie de museu de autoflagelação é problema deles. Mas não pode ser problema dos outros. O dinheiro dos nossos impostos não pode servir para fazer um museu contra a nossa História, contra uma História que foi tão grandiosa que, se calhar por isso mesmo, nem a conseguimos entender, na nossa pequenez actual. Tudo isto me faz lembrar o que escreveu no início de um poema uma senhora que, por acaso, era minha mãe: “Navegavam sem o mapa que faziam/ Atrás deixando conluios e conversas/ Intrigas surdas de bordéis e paços…”.
Para terminar: já me tinha pronunciado sobre isto antes. Antes de esta irrepetível oportunidade para fazer uma coisa bem feita ter sido capturada pela intelligentsia ociosa dos abaixo-assinados. Mas volto ao que então escrevi: eu não queria apenas um Museu das Descobertas em Lisboa. Queria um Museu de Portugal e do Mar ou dos Portugueses e o Mar. Onde coubesse também a história de duas outras extraordinárias epopeias que o comum dos portugueses e dos estrangeiros que nos visitam desconhece: a nossa contribuição única e indispensável na história da pesca à baleia (juntamente com os cabo-verdianos), no Atlântico e Pacífico, e na história da pesca ao bacalhau à vela, na Gronelândia e norte do Canadá. Desse modo se tornaria patente que não foi por um simples acaso, nem para espalhar a fé e o império, ou apenas para trazer a pimenta e a canela da Índia, que este pequeníssimo povo, entalado entre o fim da Europa e o mar, escolheu o mar como destino. E, porque o espaço tem relação directa com isso, porque está miseravelmente desaproveitado, porque é lindo e porque sai mais barato aos contribuintes, queria vê-lo na Cordoaria Nacional.
*Miguel Sousa Tavares, jornalista e escritor português, ignora o Acordo. Escreve segundo a antiga ortografia.
**Publicado originalmente no jornal Expresso e reproduzido do blog A Estátua de Sal, pelo Diário do Poder.
SOCIALISMO DO SÉCULO XXI - A REALIDADE VENEZUELANA - 30/04/2018
A Venezuela foi o primeiro país sul-americano a conquistar sua independência da Espanha, em 1813, pelas mãos de Simon Bolívar. Em 1922, descobriu-se a primeira grande jazida de petróleo, na cidade de Zulia. Em seis anos, aquele país já era o segundo maior produtor de petróleo do mundo, atrás apenas dos EUA. Durante a segunda grande guerra, foi o maior fornecedor de óleo bruto aos americanos. Em 1945, produzia mais petróleo que todos os países do Oriente Médio juntos. Em 1950, apresentava o quarto maior PIB per capita do planeta. A Venezuela era duas vezes mais rica que o Chile, quatro vezes mais rica que o Japão e doze vezes mais que a China. Em 1960, junto com Arábia Saudita, Irã, Iraque e Kuwait, fundou a OPEP. Em 1990, os venezuelanos eram, na média, um povo rico. Contudo, bolsões de miséria ainda persistiam, como de resto em todos os países da América Latina.
Foi aí que, em 1998, surgia um "Salvador da Pátria" que iria acabar com a pobreza do povo: Hugo Chávez. A partir de 1999 e durante os próximos dez anos, os aumentos do preço mundial do petróleo fizeram de Hugo Chávez um homem muito poderoso e multibilionário, que chegou a influenciar diretamente vários países latino-americanos e até mesmo outros continentes, com suas doações de óleo em troca de "serviços" - apoio a sua revolução bolivariana. A PDVSA, estatal do petróleo venezuelana, foi precisamente o instrumento de que Chávez se utilizou para a construção do "seu mundo". Como uma "vaca leiteira", a empresa foi usada com propósitos político-ideológicos, mas também para o luxo e a riqueza do núcleo duro do chavismo.
Em 1999, Chavez e Fidel Castro assinaram um acordo, pelo qual a Venezuela remeteria 53 mil barris de petróleo diários para Cuba, em troca do envio de 12 mil "médicos" cubanos para a Venezuela. Essas remessas de petróleo chegaram a 100 mil barris diários, mais que o consumo de toda a ilha caribenha, sendo que Fidel vendia o excedente para outros países (atualmente há cerca de 60 mil cubanos na Venezuela, controlando desde a segurança do presidente Maduro, até as forças armadas e de inteligência). Chávez entregou aos cubanos toda a emissão de passaportes e demais documentos de identificação. Além disso, deixou de investir dinheiro no seu país, para comprar bilhões de dólares em títulos da dívida de países amigos, como Cuba, Argentina, Bolívia e Equador.
O ditador venezuelano, no seu delírio proto-comunista, estatizou todos os setores da agricultura, que foram relegados ao abandono, assim como fábricas de alimentos, supermercados, redes de rádio e TV. A maioria fechou. O resultado disso foi que, em menos de uma década de chavismo, a proporção de alimentos produzidos na Venezuela caiu mais de 60%. A partir de 2008, a importação de itens básicos, como remédios e alimentos, foi terceirizada para empresas estatais cubanas, como Alimport, CubaControl e Surimport, que cobram altas taxas de intermediação. Mais uma forma de financiar a ditadura cubana. No final de 2013, os preços do petróleo começaram a cair, levando a Venezuela a atrasar seus compromissos internacionais.
A partir de 2014, com a posse de Maduro em função da morte de Chávez, a destruição daquele país se acelerou. A inflação chegou a 700%, e o índice de desabastecimento chega a ser superior a 80%. Em 2017, a inflação chegou a 2.616%, a maior do planeta. Entre 2015 e 2016, 74% da população perdeu 8 quilos ou mais, em função da fome. No final de 2016, 93,3% dos venezuelanos não tinham como cobrir as despesas com alimentação para garantir uma dieta mínima de 2000 calorias. As pessoas passaram a abandonar seus animais de estimação nas ruas, porque não tinham mais como lhes comprar ração. Esses animais passaram a ser caçador e abatidos para servirem de alimento à população faminta. Nem os animais dos zoológicos foram poupados, bem como os famosos pombos que habitavam as centenas de praças chamadas Simon Bolívar em todo o país. Em 2017, a Venezuela teve de aumentar drasticamente sua importação de petróleo, devido ao sucateamento da PDVSA, cuja direção havia sido entregue aos "cumpanhêros" dos sindicatos.
Adivinhem qual é o maior fornecedor de óleo à Venezuela? Sim, o "grande satã" norte-americano. Segundo Ricardo Haussman, da Universidade de Harvard, a tragédia venezuelana eclipsa qualquer outra da história dos Estados Unidos, Europa Ocidental e do resto da América Latina. Isso sem contar que a Venezuela se tornou um narco-estado, sendo a maior exportadora da cocaína das FARC e da Bolívia para os cartéis de drogas mexicanos e do norte da África. Chávez (enquanto vivo), Maduro, Cabello e toda a cúpula militar venezuelana esteve ou está envolvida com o narcotráfico. Em 2015, dois sobrinhos de Maduro foram presos no Haiti por agentes da DEA americana quando tentavam vender 800 kg de cocaína. Essa é uma breve história de como um psicopata criminoso e seus asseclas conseguiram em menos de 20 anos arruinar um dos países mais promissores da América Latina, com sua utopia socialista.
P.S. Todas as informações acima foram retiradas do livro "HUGO CHÁVEZ, O ESPECTRO", do jornalista brasileiro Leonardo Coutinho, cuja leitura eu muito recomendo.
*Publicado originalmente no Facebook do autor.
A EDUCAÇÃO BRASILEIRA PRECISA DE MENOS PAULO FREIRE E MAIS PRÁTICAS CIENTÍFICAS - 22/04/2018
A grande mazela do ensino brasileiro é a sua falta de qualificação mínima na educação básica. O problema é grave, persistente e já começa na alfabetização das crianças. Alcançamos o fracasso fruto, dentre outros fatores, da aplicação hegemônica de metodologias de ensino chamadas de socioconstrutivismo ou linguagem global, e da implementação da pedagogia do oprimido na formação dos nossos docentes.
Segundo o MEC, por meio da Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA-2014), há presença endêmica de analfabetismo escolar no sistema de ensino nacional. O teste constatou que somente 11,2% dos estudantes brasileiros de 3º ano do ensino fundamental alcançaram uma proficiência adequada em leitura. Na região Norte, esse número é de apenas 5%; no Nordeste, de 6%; e no Centro-Oeste, de 10%. Até mesmo nas regiões mais desenvolvidas do país a situação é grave: no Sudeste, 17% dos alunos apresentaram um desempenho adequado no teste de leitura e no Sul do país, 14% das crianças foram alfabetizados adequadamente.
Há explicações sobre tal fracasso escolar. Segundo o excelente relatório de divulgação científica, produzido no âmbito da Comissão de Educação da Câmara Federal, em 2003, primeiro ano do governo Lula, intitulado Grupo de Trabalho Alfabetização Infantil: Os Novos Caminhos: “o problema é que uma postura eminentemente política ou ideológica levou, em diversos países, e continua levando, no Brasil, a uma rejeição de evidências objetivas e científicas sobre como as crianças aprendem a ler”.
O neurocientista americano Steven Pinker afirma, em seu livro Como a Mente Funciona, que “lamentavelmente, a mesma história está se repetindo no ensino de leitura nos Estados Unidos. Na técnica dominante, denominada ‘linguagem global’, a percepção de que a linguagem é um instinto humano que se desenvolve naturalmente foi deturpada, transformando-se na afirmação evolutivamente improvável de que a leitura é um instinto humano que se desenvolve naturalmente. A antiquada prática de ligar letras a sons é substituída por um ambiente social rico em textos, e as crianças não aprendem a ler.”
Não levar a sério recomendações científicas explica, em parte, as razões do nosso fracasso educacional. O método socioconstrutivista continua hegemônico e causando estragos. Associa-se ao problema, agravando-o, a forte presença de ideologias na formação dos professores. O maior exemplo é a utilização de Paulo Freire na formação do magistério. É um autor aclamado e idolatrado pela esquerda, mas pouco lido com isenção necessária.
Paulo Freire foi apenas um prosélito do movimento comunista/socialista latino-americano. Porém, foi incensado como o grande pedagogo brasileiro. Ele se preocupou, sobretudo, com o desenrolar de uma revolução socialista e não com uma pedagogia técnica ou científica. Via a escola e o povo, pobre e analfabeto, como instrumentos dessa revolução. Em sua Pedagogia da Autonomia, afirmou seus objetivos: “Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica. (…) A capacidade de penumbrar a realidade, de nos miopizar, de nos ensurdecer que tem a ideologia faz, por exemplo, a muitos de nós, aceitar docilmente o discurso cinicamente fatalista neo-liberal que proclama ser o desemprego no mundo uma desgraça do fim do século. Ou que os sonhos morreram e que o válido hoje é o pragmatismo pedagógico, é o treino técnico-científico do educando e não sua formação de que já não se fala.”
A confissão também é constatada em seu principal livro, A Pedagogia da Oprimido: “a nossa preocupação, neste trabalho, é apenas apresentar alguns aspectos do que nos parece constituir o que vimos chamando de Pedagogia do Oprimido: aquela que tem que ser forjada com ele e não para ele, enquanto homens ou povos, na luta incessante de recuperação de sua humanidade. Pedagogia que faça da opressão e de suas causas objeto de reflexão dos oprimidos, de que resultará o seu engajamento necessário na luta por sua libertação, em que esta pedagogia se fará e refará.”
A associação do método equivocado de alfabetização e ensino ao veneno ideologizante de Freire contaminou toda a formação dos professores no Brasil e está na raiz de nossos problemas de aprendizado. É condição sine qua non para haver um ensino minimamente eficiente superar as práticas não científicas e desideologizar a formação dos professores. A qualidade só será alcançada se dermos um basta no socioconstruvismo e afastarmos as ideologias meramente políticas da formação superior do magistério nacional. Sem isso, nada mudará o quadro lamentável do ensino brasileiro.
*Bacharel em economia pela Universidade Potiguar (UnP) e deputado federal pelo Rio Grande do Norte. Fez parte da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação e foi relator da Reforma Trabalhista na Câmara dos Deputados.
** Publicado originalmente no ILISP
A PATOLOGIA LULA - 15/04/2018
As romarias, os cânticos em seu nome, a louvação às suas palavras, tudo leva a crer que os adoradores de Lula já o colocaram em um pedestal de divindade, no qual nenhuma acusação de crime, nenhuma prova ou evidência pode alcançá-lo. Nem mesmo erros conhecidos, a clamorosa afronta às instituições, o descaso que demonstrou com a Lei e a ordem, a incitação à baderna – sugerindo aos seguidores “queimar pneus”, “fazer passeatas” e “ocupações no campo e na cidade” – serão capazes de denegri-lo. Não para esses fiéis, cegos na veneração. Não importa, não tem valor os desmandos, não maculem a imagem do protetor dos desassistidos – mesmo que ele tenha se locupletado com o dinheiro alheio, justamente daqueles a quem prometia a salvação. É perjúrio dizer isso, pecado capital. Bem-aventurados os que creem porque esses seguirão ao lado do todo-poderoso.
O próprio Lula, como diz na pregação que fez de autorreferência, nos momentos derradeiros do martírio rumo ao calabouço, descortinou o caminho da fé: “eu não sou mais um ser humano, sou uma ideia”. Talvez o grau etílico no momento da fala, naquele sábado de paixão petista, tenha contribuído para o delírio. Mas há de se supor que Lula acredita na própria profecia. A ascensão do mundo dos mortais à esfera dos deuses se dá com a sagração de seus apóstolos. Cada um deles, congressistas de carteirinha, tratou logo de pedir à plenária daquela casa de tolerância a inclusão da menção “Lula” em seus respectivos nomes parlamentares. Assim Gleisi “Lula” Hoffmann, Paulo “Lula” Pimenta e quetais, da noite para o dia, devotaram sua existência política ao redentor. Eis a mensagem da fé! Aleluia ao Senhor. Seria cômico, não fosse triste.
O Partido dos Trabalhadores agoniza engolfado pelo devaneio. Deixou de lado programas, bandeiras, a própria essência ideológica que dava corpo à agremiação, para virar seita. Tal qual a de reverendos suicidas que conclamam incautos para a reclusão e o fim trágico coletivo em nome de uma crença. A cúria petista, nos dias que se seguiram a prisão de seu líder maior, arrastou uma patológica massa de romeiros para Curitiba, sede da masmorra/recanto de seu mentor, e ali fincou acampamento, revezou hordas de peregrinos nos gritos de saudação “bom dia, Lula”, “boa noite, Lula” e maquinou a ressurreição do demiurgo. Levou governadores partidários para visitas improváveis, articulou comissões no Senado para a averiguação das condições da cadeia, promoveu algazarra e violência a intimidar os locais. Em suma, rezou conforme a cartilha de insanidades do lulopetismo. No enredo do calvário que culminou com a rendição midiática o ingrediente das vaias e fogos a comemorar o feito da Justiça não poderia faltar. Lula aquiesceu na última das quedas de sua paixão, em pleno heliporto da atual morada.
Horas antes, do palanque improvisado em um carro de som, como numa missa de corpo presente, exibiu-se à imagem e semelhança de um cadáver político. Dava para notar no tom soturno de suas imprecações, inconformado com o próprio fim, que rogava por uma plateia maior que a avistada ali de cima. Lula almejava a reencarnação em “um pedacinho de célula de cada um de vocês”. Pedia a militância de muitos “lulinhas”, dos “milhões e milhões de Lulas”. Já era o ente falando. Os exegetas bíblicos deveriam rapidamente rever as encíclicas para incluir o nome do novo santo. Lula tem certeza de seu direito divino a figurar nos versículos do livro sagrado. Disse em certa ocasião que “as pessoas deveriam ler mais a bíblia para não usar tanto meu nome em vão” e cravou a memorável lembrança de que “não existe uma viva alma mais honesta do que eu”.
A mística do Salvador da Pátria em pessoa deu o tom do desvario de lá para cá. Não há na política brasileira mais espaço para um messias oportunista. De mais a mais, as previsões apocalípticas não se confirmaram. O mundo não acabou com a sua prisão, como ele e a parolagem petista vaticinaram. Lula é agora apenas um número no Cadastro Nacional de Presos (CNP). Detento ficha 700004553820. Até ressuscitar vai uma penosa provação. Aleluia.
*Carlos Marques é diretor editorial da revista IstoÉ, onde este texto foi publicado originalmente.
O PAÍS QUE DESEDUCA - 10/04/2018
Acaba de ser divulgada uma pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria em parceria com o Todos pela Educação, mostrando que, de certa forma, uma preocupante parte dos 2 mil entrevistados está gostando dos resultados do ensino médio. Mais da metade, 54% acham que o ensino prepara bem ou razoavelmente para o mercado de trabalho. E apenas 74% concordam que ensino de baixa qualidade é prejudicial ao país - imagino que essa concordância deveria beirar os 100%. Quer dizer, muita gente não se dá conta da primordial importância da escola - e nós ficamos a culpar os políticos por darem pouca relevância a esse assunto. Na verdade, numa recente eleição presidencial, o candidato que tinha por plataforma a Educação, recebeu apenas 2,64% dos votos válidos.
Pela pesquisa, percebe-se que as pessoas veem como responsáveis pela educação, o Presidente da República, o Governador, o Prefeito, o diretor da escola, os professores e o material de ensino. Parece que os pais e a família nada têm a ver com isso. No entanto, a educação começa em casa. Só que... a maior parte das famílias brasileiras está com pai e mãe fora de casa para buscar o sustento. Mas do que isso, cerca de 15 milhões de lares só têm a mãe como chefe-de-família e provedora. Há também um numero considerável de crianças, cuja educação é entregue a governantas, a babás, a vizinhas, a irmãos mais velhos, a empregadas domésticas, a creches. Dependendo do poder aquisitivo, a maior influência na educação das crianças está nas redes sociais, nos filmes e na televisão. Pouco se controla sob que tipo de influência os filhos estão.
Depois os pais - ou a mãe solitária - se surpreendem com reações adultas dos filhos ainda em tenra idade, com sexo precoce, com álcool e com drogas. Filho criado solto como um filhote animal sem limites, sem freios, sem disciplina, sem ordem, sem princípios, sem noções de como é a vida em comunidade ou em uma empresa. Temerosa, a escola é cheia de cuidados, tão zelosa quanto os pais em só agradar o jovem, sem puni-lo, sem deixar de gratificá-lo ainda que não mereça. No espírito da destruidora ditadura do politicamente correto, só existem direitos e não deveres - mérito nem pensar. Nem igualdade, já que se premia o esperto, o que se diz oprimido, o que se diz vítima. A hipocrisia impera.
Assim, nesse país em que ninguém educa e não se identifica claramente os que deseducam, vamos afundando e nos tornando cada vez mais atrasados em relação ao mundo. Em leitura vamos levar 260 anos para recuperar o que já perdemos, calcula o Banco Mundial. “São as más companhias”, alegam pais que não sabem que seus filhos podem ser as más companhias dos filhos dos outros. Instalou-se um círculo vicioso, que começa em casa e termina em fracassos na vida prática. Ainda há quem se mantenha no bom combate pela formação dos filhos. Outro dia, na missa, uma menininha fazia algazarra e corria pelo altar sem parar. O sacerdote interrompeu a celebração para perguntar a uma senhora que estava nos primeiros bancos: “É sua filha?” E a senhora, imediatamente: “Não é. Se fosse, já teria levado umas palmadas.”
* Publicado originalmente em http://www.sonoticias.com.br/coluna/o-pais-que-deseduca
ONDE OS HERÓIS NÃO TÊM VEZ. - 02/04/2018
“Mas nas ruas sórdidas da cidade grande precisa andar um homem que não é sórdido, que não se deixa abater e que não tem medo. (...) Ele é o herói; ele é tudo. Ele deve ser um homem completo e um homem comum e, contudo, um homem fora do comum. Ele deve ser, para usar um clichê, um homem honrado – por instinto, por isto ser inevitável, sem que ele pare para pensar sobre isso, e certamente sem que ele o diga. Ele deve ser o melhor homem em seu mundo e um homem bom o suficiente para qualquer mundo”.
(Raymond Chandler)
O mundo da experiência humana possui como elementos fundamentais a ordem e o caos. Caos é o domínio da ignorância mesma, o território inexplorado e estranho. É o desespero e horror que sentimos quando profundamente traídos, o lugar onde os sonhos morrem e as coisas desmoronam; é “onde estamos quando não sabemos onde estamos e aquilo que fazemos quando não sabemos o que estamos fazendo”. Em suma: são todas as coisas e situações que não conhecemos nem entendemos. Ordem é o lugar onde o mundo preenche nossas expectativas e desejos, o lugar onde as coisas acontecem da forma que esperamos, onde tudo é certo e ordenado. Cada situação vivida ou concebível é composta por esses dois elementos, pois habitamos eternamente a ordem rodeada pelo caos. Manter um pé naquilo que dominamos e entendemos enquanto exploramos o desconhecido e aprendemos é a maneira de nos posicionarmos de forma segura diante da vida, controlando o terror da existência.
Dentro desse quadro, esboçado pelo Professor Jordan B. Peterson logo no início do estupendo “12 Rules for Life, An Antidote to Chaos”, há uma notável estirpe de indivíduos, que voluntária e corajosamente plantam os dois pés naquele tempo e lugar onde, nas palavras de Peterson, “a tragédia irrompe subitamente e a malevolência revela seu semblante paralisante”. Uma casta guerreira que faz do caos seu “habitat” natural e se dispõe a viver em permanente risco, não por temeridade ou em razão de alguma pulsão autodestrutiva, mas, antes, movida pela sublime vocação ao sacrifício. Refiro-me, obviamente, aos policiais.
Como observa Tim Larkin (“When Violence is the Answer”), “Numa sociedade civilizada, a violência raramente é a resposta. Mas quando ela é, é a única resposta”. Vivemos num mundo repleto de predadores brutais, impermeáveis à própria noção de civilização e capazes de perpetrar atrocidades que sequer são concebíveis para uma mente não criminosa. Tais atrocidades são definidas por Larkin como expressões de “violência associal”, que tem como marcas distintivas: 1) a impossibilidade insuperável de comunicação com o agressor (argumentar com um sociopata faz tanto sentido quanto “discutir com uma bala”); 2) o absoluto desprezo do agressor por qualquer regra de conduta ou consideração de ordem moral; 3) o fato de que o agressor só pode ser detido quando reduzido à incapacidade de agir. Como parar uma força que, investindo furiosamente contra tudo aquilo que represente as mais elementares noções de ordem, está disposta a destruir a própria sociedade, caso isso seja necessário para satisfação de seus apetites bárbaros? A resposta é uma só: lançando mão de uma força ainda maior, capaz de suplantá-la, inclusive pelo uso metódico e legal da violência, em nome da conservação de nosso legado civilizacional. Eis a função do policial, treinado para sobreviver onde reina o terror e diariamente submetido a ambientes hostis e situações violentas que destruiriam a maioria de nós (e que, não raro, custam-lhe a vida). Que tributos rendemos a esses guerreiros em troca de seu sacrifício e heroísmo? É importante que o façamos?
Em obra clássica e fundamental para compreensão da psicologia do combate (“On Killing, The Psychological Cost of Learning to Kill in War and Society”), o Tenente-Coronel Ranger Dave Grossman explica como o reconhecimento público, expresso em paradas, memoriais, condecorações e, principalmente, no suporte e afeto cotidianos da sociedade, é essencial para o combatente, pois sinaliza que o esforço por ele empreendido é valorizado por seus pares, reafirmando o sentido de um sacrifício que, afinal de contas, não foi em vão. Grossman aponta o trágico legado da guerra do Vietnã como um bom exemplo de quão cruel uma sociedade pode ser com seus heróis: os combatentes enviados ao sudeste asiático (a maioria pelo período de um ano) foram recebidos com uma hostilidade sem precedentes no retorno ao País pelo qual lutaram. A falta de suporte e o massacre psicológico infligido aos veteranos do Vietnã custaram a saúde mental de milhares de homens, cujo único crime foi servir à Pátria, fazendo aquilo para que foram treinados. O preço dessa terrível injustiça (apenas tardia e parcialmente reparada) levou o governo americano a rever sua doutrina estratégica, estabelecendo, entre outras premissas, que os Estados Unidos jamais deverão se comprometer numa guerra que não tencionem vencer.
Imagine agora uma guerra que não é travada em algum lugar remoto, mas a partir do quintal de sua casa. Uma guerra na qual você deverá se engajar não pelo período de um ano, mas por toda a vida. Uma guerra na qual não apenas você, mas seus familiares e amigos estarão permanentemente expostos à sanha assassina de um inimigo inescrupuloso, onipresente e invisível, que, ao contrário de você, não está sujeito a qualquer limitação de ordem legal, ética ou orçamentária. Um inimigo que conta com o apoio e simpatia de pessoas que, por obrigação legal, teoricamente deveriam estar a seu lado. Imagine que muitos daqueles por quem você luta não apenas apregoam que se trata de uma guerra perdida e sem sentido, como fazem questão de aviltar seu trabalho e cuspir no sacrifício de seus colegas, exigindo, em coro com o inimigo, nada menos que a extinção da força à qual você dedicou seus melhores esforços. Não é preciso imaginar: essa é a situação do policial no Brasil, dolorosamente simbolizada pelo martírio de Marcos Paulo da Cruz e Caroline Pletsch no último dia 26 de março.
O casal de policiais militares de Santa Catarina gozava férias na cidade de Natal. Identificados por delinquentes durante um assalto à pizzaria onde jantavam, foram sumariamente condenados, sem chance de recurso: Caroline, 32 anos de idade, teve a vida ceifada por um o disparo no peito e Marcos foi gravemente ferido. Uma família destruída. Sonhos esmagados. O futuro roubado, na irremediável perda de tudo aquilo que poderia ser e jamais será. Como de praxe, a execução de policiais não gerou veementes protestos da mídia, não ensejou manifestações histriônicas de celebridades comovidas, tampouco despertou a atenção dos organismos supostamente devotados à causa dos direitos humanos. Trata-se, afinal, de mais uma nota de rodapé, fadada ao ocaso, no interminável inventário da vergonha nacional. Caroline será apenas mais um número na estatística que contabiliza quase três mil policiais assassinados desde 2011 (437 apenas em 2016, contra 64 nos Estados Unidos no mesmo período). Os assassinos? Na improvável hipótese de que seu crime não venha a figurar entre os mais de 90% que sequer são denunciados, deverão responder ao processo em liberdade. Caso condenados, serão soltos após cumprimento de uns poucos anos de prisão (ou de no máximo 3 anos de internação, caso sejam menores de 18 anos), tudo isso, é claro, sob os veementes protestos de doutores e especialistas, que denunciarão esse arremedo de pena como genuína expressão do “punitivismo exarcebado” que assola o Brasil. Uma única certeza: em qualquer hipótese, os assassinos voltarão às ruas em busca de novas presas. Destruirão outras famílias, esmagarão outros sonhos e roubarão o futuro de outras vítimas.
O drama vivido pelas forças policiais brasileiras é um sintoma clamoroso do avançado estágio de degradação moral de nossa sociedade, que, não satisfeita em permitir a imolação dos cordeiros, agora chancela, com sua indiferença, o direito do lobo ao holocausto de seus pastores. Com pilhas de cadáveres e com o sangue dos mártires, pavimentamos a estrada que nos levará ao abismo onde os heróis não têm vez.
* Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul e co-autor do livro “Bandidolatria e Democídio, Ensaios Sobre Garantismo Penal e Criminalidade no Brasil”.
O STF E O TRIBUNAL DA OPINIÃO PÚBLICA - 31/03/2018
A situação política atual, após o julgamento em 22 de março no STF, revelou o desdobramento lógico da disposição de mudar a decisão do plenário sobre a prisão após decisão condenatória de segunda instância. Não que o STF estivesse proibido de mudar seu entendimento. Mas supõe-se que o Tribunal Supremo, quando decide uma matéria que terá repercussão geral, seja superiormente prudente para julgar antes se ela está madura para adquirir o poder que por sua aprovação passará a ter.
Imagina-se que, não estando suficientemente madura a matéria no entendimento dos juízes, o tribunal terá a sabedoria de evitar decidir ou, então, limitar-se a aprovar decisões aplicáveis exclusivamente aos casos concretos, diante de circunstâncias muito específicas. Assegura-se com esses cuidados que a inevitável turbação da ordem jurídica se encontra plenamente justificada; que suas consequências são necessárias, terapêuticas, virtuosas e que sua aplicabilidade exige repercussão geral.
O que não é aconselhável, do ponto de vista da prudência e legitimidade dos juízes e da instituição, é substituir o novo entendimento, recém-adotado, por outro que lhe é oposto, dentro de espaço de tempo reduzido. Nessas situações se estimulam cogitações que deveriam ser incogitáveis; questionam-se intenções; trazem-se para o plenário do Supremo suspeitas que não deviam transpor seus umbrais.
Como não imaginar que a decisão de revogação do entendimento vigente há menos de dois anos atenderia ao interesse político do ex-presidente Lula, quando se tratava de um habeas corpus preventivo por ele impetrado após condenação em primeira e segunda instâncias e eram de conhecimento público as declarações dele acusando os membros do tribunal de acovardados? Quando se referiu a uma ministra de maneira totalmente reprovável e desrespeitosa, como se fora uma devedora de quem se cobrava o voto pela indicação, como já o fizera com a referência igualmente reprovável ao ex-ministro Joaquim Barbosa, durante o mensalão?
Fragilizou-se assim a segurança jurídica, bem maior que a sociedade entrega ao Poder Judiciário para tutelar e que a previsibilidade dos comportamentos pretende agregar ao ordenamento jurídico. Como sói acontecer em decisões sob pressão, há erros que, uma vez cometidos, tendem a exigir outros para corrigi-los ou justificá-los, numa sequência entrópica de desfecho autodestrutivo para a instituição e seus titulares.
Para obviar a suspeita de que essa onerosa disposição ganhara corpo foi necessário recorrer a uma longa discussão sobre a preliminar de conhecimento. Quando o relator propôs uma decisão prévia sobre o conhecimento ou não do pedido de habeas corpus, a sessão arrastou-se numa atmosfera de absoluta serenidade, densa erudição e mútuos elogios, marchando ao passo de um bicho-preguiça cansado para um final sem julgamento do mérito.
Em má hora o ministro relator suscitara essa questão, supondo uma deliberação breve, como indicou seu voto sucinto e seu antecipado reconhecimento de que seria voto vencido. O que se seguiu foram longos votos que iam esgotando o tempo útil sem que nem ministros nem a presidente alertassem os colegas para – quando possível – reduzirem suas exposições e declarassem seus votos com economia de tempo. A comprovar que o tempo útil não era uma preocupação dos ministros, o próprio intervalo da sessão arrastou-se muito além do que a presidente anunciara.
Para corrigir, ou ao menos amenizar suspeitas quanto ao tempo dedicado a uma preliminar quase consensual, já mais bastava explicar-se, era agora necessário buscar a ajuda de expedientes administrativos para justificar um provável adiamento da decisão de mérito de um habeas corpus que “passara a perna” em vários outros que já poderiam ser julgados no plenário.
Comunicada a decisão majoritária de conhecimento do pedido e a convocação da próxima sessão para dia 4, o advogado de defesa solicitou um salvo-conduto para o paciente, já que o paciente não era responsável pela postergação por 13 dias do julgamento.
A solicitação foi imediatamente concedida, sem considerar o efeito cascata que tal exigência trará. Os habeas corpus a partir desta decisão ou serão negados de pronto pela autoridade judicial ou concedidos também de imediato, se por qualquer razão aquela exigência de instantaneidade não puder ser atendida. Cuidou-se assim do periculum in mora, mas foi-se leniente com o fumus boni juris.
Toda essa constrangedora trajetória ainda não se tinha esgotado, pois a presidente quis ouvir os ministros sobre a continuidade da sessão. Alguns ministros, sem hesitar, argumentaram que não seria possível, por esgotamento físico, continuar a sessão; outros tinham compromissos assumidos que, objetivamente, se revelaram mais importantes do que decidir a matéria pautada – um deles até tirou do bolso e expôs comprovante de voo que devia fazer, como se a palavra de um ministro do STF precisasse ser corroborada por um documento.
Esse o patético resultado de uma sessão do STF estigmatizada por um erro inicial e pelo séquito dos erros subsequentes. Não se tratou, contudo, de um erro jurídico. Foi um erro de descuido com a regra da prudência, aquela virtude que é chamada por Tomás de Aquino “a mãe de todas as virtudes”.
Foi a ausência da necessária prudência que empurrou o tribunal para a sucessão de erros. O resultado dessa histórica sessão se viu imediatamente nas as inúmeras manifestações de decepção, frustração e revolta que desencadeou na sociedade brasileira. Tais sentimentos abalam a confiança dos cidadãos no órgão supremo do Judiciário e na sua capacidade de garantir a previsibilidade na interpretação do ordenamento jurídico.
Dia 4 de abril o STF vai se pronunciar. Suas decisões terão força de lei. Resta saber como se comportará o sujeito oculto da oração, o novo personagem que Montesquieu não previu: a opinião pública.
*Professor de Ciência Política, Ex-Reitor da Ufrgs, É criador e diretor do site ‘Política Para Políticos’
**Publicado originalmente no Estadão.
TRAIDORES - 29/03/2018
Estamos a poucos dias do julgamento do derradeiro recurso interposto pelo condenado Lula da Silva, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região em Porto Alegre e, consequentemente, estávamos bem próximos de sua ordem de prisão. O Brasil e o mundo esperavam por este momento. Aguardavam pela a foto do mais audacioso patife sendo conduzido ao xilindró que é emblemática, na medida em que marca o fim de uma perversa era de incompetência e de malversação no trato da coisa pública sempre blindada com uma plena garantia da impunidade posta à disposição dos facínoras, principalmente por ignóbeis que traíram seu juramento de lutar pela lei e pela ordem, para enriquecer e enriquecer suas bancas onde se refugiam, além de outros bandidos, os criminosos de colarinho branco. Já não sei mais se a prisão vai acontecer.
Caso a prisão não venha a ocorrer, por qualquer razão, penso que o Brasil não dormirá em paz. Penso que o País não pode se conformar. Penso que não teremos porque esperar mais e que a vergonha e a humilhação impostas a esta Terra de Santa Cruz perante a comunidade das Nações livres serão tamanhas que, se não promovermos a ruptura com tudo que aí está tomando nas mãos o poder direto que ao povo concedeu a Constituição Federal, nenhum homem de bem terá mais o direito de caminhar de cabeça erguida. Que nos amaldiçoe, então, os que virão depois de nós, porque em verdade nos transformamos numa geração de covardes e renegados.
Esta situação revela fortes indícios no sentido de que a esquerda populista e delinquente, embora ferida de morte e estrebuchando nos estertores, está reunindo as últimas forças para estender as mãos ao demônio do continuísmo que, no momento, por uma face se traveste na figura de um “mandarim da república” e por outra na de um santo e puro defensor das minorias e dos “direitos dos manos”. Fiquemos espertos para o que está ocorrendo e para o que vem por aí.
Em primeiro lugar falo assim porque se costura uma solerte negociata para livrar o “Ogro” da cadeia. Toda a classe política abjeta, e em especial aqueles que estão nas malhas da Justiça, se movimentam naquela direção. Consta que o velho cacique do Maranhão e sua quadrilha, ambos pegos pela Operação Lava Jato, a despeito da resistência da Ministra Presidente do Supremo Tribunal Federal, vem tentando – e continuará a insistir - que aconteça uma reunião de todos os ministros, a portas fechadas, por sugestão de um antigo Membro da Corte. O plano já surtiu resultado.
Conquanto o Ministro não seja distinguível a olho desarmado – e nem se distinguirá - ele é uma espécie de líder da facção que defende no STF a revisão da regra que permite a prisão de condenados em segunda instância, tal como Lula. O referido magistrado, antiga cria de José Sarney, está empenhado em convencer a presidente do STF a colocar em julgamento duas ações sobre o tema e salvar Lula da prisão imediata. Ocorrendo ou não o convescote palaciano, ninguém ficará sabendo o que se dirá ou se decidirá nesta reunião nada republicana, mas as consequências dela oriundas sempre advirão e o povo as suportará com certeza.
Depois daquela tramoia a situação evoluiu. Os Ministros defensores do ex-presidente condenado, ainda que não tenham atingido seu objetivo final lograram, por enquanto, livrar o “Larápio de Garanhuns” da “tranca dura”, adiando o julgamento do injurídico e incabível “habeas corpus”, para 4 de abril próximo.
Agora vão continuar lutando para que a Ministra Carmem Lúcia, desdizendo tudo que garantiu ao povo, coloque em julgamento as tais ações indultando Lula, por assim dizer, e quem sabe adiante também autorizem que tente voltar à Presidência da República um condenado com mais de 30 anos de prisão a cumprir, se consideradas todas as ações penais que responde.
O plano diabólico tem muitos mentores, inclusive uma horda de operadores do direito defensores de bandidos, mas tudo indica que o principal executor seja o Ministro em questão, que não aparece. Para que se tenha uma ideia de quem seja este condestável da República (ou Calabar?) ao qual me refiro, basta que se conheça o que sobre ele disse e escreveu Dr. Saulo Ramos, ex-ministro da Justiça e o maior responsável pela nomeação do mesmo para o STF, no governo Sarney: “Entendi que você é um juiz de m....”.
A respectiva história está relatada, com todas as letras, no livro de memórias de Saulo Ramos, um dos maiores aliados de Sarney na vida pública, obra que ele intitulou de “Código da Vida” (Editora Saraiva) e, numa apertada síntese, destaco o que se segue, omitindo uma menção direta ao nome do cidadão em tela porque, ainda que tudo seja do domínio público, quero manter o princípio no sentido de que se deve combater ideias e não pessoas.
O Ministro em questão, que tinha sido secretário de Saulo Ramos na Consultoria Geral da República telefonou para o antigo chefe e se comprometeu a votar a favor de Sarney num processo do interesse deste. Realmente, “terminado seu mandato na presidência da república, Sarney resolveu candidatar-se a senador. O PMDB negou-lhe a legenda no Maranhão. Candidatou-se pelo Amapá. Houve impugnações fundadas em questão de domicílio, e o caso acabou no Supremo Tribunal Federal”, diz o Consultor em seu livro.
Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o indigitado ministro, que votou pela cassação da candidatura do Sarney, porém “Apressou-se ele próprio a me telefonar se explicando, relata Saulo Ramos: “— doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do presidente”. — claro! O que deu em você? — é que a folha de São Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles. Quando chegou minha vez de votar, o presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a folha de São. Paulo. Mas fique tranquilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do presidente. Nesta altura da narrativa Saulo Ramos diz: “Não acreditei no que estava ouvindo”. Recusei-me a engolir e perguntei: — espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de São Paulo noticiou que você votaria a favor? — sim. — e se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele? — exatamente. O senhor entendeu? — entendi. Entendi que você é um juiz de merda! Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”, dizem as memórias.
A vista deste antecedente concluo: um homem desse jaez é bem capaz de tramar contra o Brasil ou trair a esperança de sua gente sofrida só para atender ao pedido de seu padrinho, o mesmo antigo protetor que, tal como o larápio mor, está enrolado na Justiça. Por que não?
Em segundo lugar alerto para outro perigo que se aproxima. Posto que tenha caído inteiramente a máscara da esquerda ordinária que levou o Brasil a experimentar o maior roubo dos cofres públicos da história da humanidade e que colocou nua a podre aliança com o negocismo usurpador, todos seus integrantes (pegos ou não pelas malhas da lei) acabaram enlameados, como enlameados terminaram suas sociedades de celerados legalizadas como partidos políticos, mormente os chamados de esquerda, aqui inclusos os socialistas e os de centro esquerda, do PT ao PSOL, passando pelos PSDB, PMDB, PTB, PSB, para só citar os maiores, posto que o resto eu nem considero porque, no fundo, não passam de meras máquinas “caça-verbas” eleitorais.
Quanto mais à esquerda é o partido mais calhordas são seus filiados e correligionários porque, além de ladrões como os das demais agremiações (lembrem-se dos inúmeros esquerdistas denunciados na Lava Jato), ainda se apresentam como guardiães do povo humilde, bem como das minorias e dos vitimados, enquanto mantêm a todos em suas tristes indigências e submissos à bandidagem que eles protegem ferozmente. Agora que eles não têm mais as sórdidas bandeiras com as quais se camuflavam, estão desesperados no encalço de qualquer outra, nem que seja a de um cadáver de quem teve a vida ceifada, em última análise, por causa e consequência da vilania de suas ações partidárias. Não deviam estar alegando em seu proveito as próprias torpezas.
Aqui neste ponto revelo uma duvida. Porque será que a imprensa caçadora de audiência está promovendo no caso da partidária do PSOL, assassinada como milhares e milhares de outras pessoas no Brasil inteiro, uma enorme campanha midiática como poucas vezes desenvolveu? Conjecturando respondo que podemos encontrar uma resposta no quanto em dinheiro público que os grandes conglomerados de comunicação obtiveram durante os governos de esquerda nas últimas décadas e no perigo que correm agora se o povo apoiado pelas Forças Armadas ou liderado por alguém que não poderão cooptar, vier interromper o ciclo de roubalheira ao qual estão até hoje habituados.
Nos casos de que tanto a tentativa desesperada de livrar o maior ladrão dos cofres públicos da cadeia, quanto do show macabro em cima do cadáver da ativista do PSOL tenham, os dois, motivações semelhantes ou propósito iguais, somente uma explicação me ocorre: querem salvar as esquerdas brasileiras do lixão da história.
Contra a máquina pública que ainda eles dominam e contra esta imprensa covarde e proxeneta da ignorância e da indigência de nosso povo, os homens de bem têm agora a seu dispor a rede mundial de computadores. Ela e seus grupos sociais têm um poder inimaginável e está enlouquecendo os ricos donos da comunicação no mundo. Vamos através delas combater essa desprezível gente diariamente. Vamos todo santo dia desmascará-la e, quando a hora chegar, não vamos deixar que dentre ela reste algum nem para lembrar sua triste história de traição à Nação Brasileira.
* Jose Mauricio de Barcellos ex Consultor Jurídico da CPRM-MME é advogado. Email.: bppconsultores@uol.com.br).
** Publicado originalmente no Diário do Brasil
SÓ AS RUAS PODEM RECOLOCAR O BRASIL NO DEVIDO TRILHO CONSTITUCIONAL - 28/03/2018
(Com ligeiras alterações de forma feitas em 24/03)
A farsa encenada na noite de 14/03 pelos atuais integrantes do Supremo Tribunal Federal colocou o Brasil na iminência de uma grave crise constitucional. Tão grave é o quadro que não hesito em afirmar: neste momento, só as ruas têm o potencial de recolocar nosso país no devido leito constitucional.
No futuro, precisaremos de uma reforma constitucional abrangente, quanto a isso não há dúvida. Mas, no momento, temos no colo um coquetel altamente explosivo:
1) um STF faccioso, descomedido em seu ativismo político, que há tempos vinha perdendo estatura moral;
2) a encenação de ontem liquidou o pouco de seriedade que lhe restava;
3) embora despido das qualidades básicas que se requer de uma Suprema Corte, ele dá claras mostras de não haver compreendido o esvaziamento a que chegou e, em particular, o ridículo de sua pretensão de arbitrar os conflitos políticos que têm vindo à tona constantemente desde que a Lava-Jato desvendou a trama da megacorrupção que se apossou no país;
4) um sério complemento do ponto anterior é o fato de meia dúzia de empresas terem posto no bolso praticamente todos os partidos representados no Legislativo;
5) por cima de tudo isso, um corolário explosivo: as chamadas “cláusulas pétreas” da Constituição de 1988.
O Brasil é o único país do mundo que não admite a prisão de um condenado antes do “trânsito em julgado”, ou seja, antes de esgotados todos os recursos previstos na Constituição. No mundo inteiro, um condenado pode recorrer a instâncias superiores: isso é óbvio e não poderia ser diferente numa democracia. Mas, uma vez condenado na segunda instância (uma Corte de Apelação, instituição que no Brasil se corporifica nos Tribunais Regionais) estes podem determinar a reclusão. O condenado pode recorrer, mas a partir daí tem que fazê-lo atrás das grades.
Lula foi não só condenado pelo TRF-4, mas condenado por unanimidade e com agravamento da pena. Dá-se, porém, que, em nosso caso. a reclusão esbarra num obstáculo intransponível: o trânsito em julgado, que é uma cláusula pétrea. Essa é a razão pela qual o STF, na súmula 691, afirmou que o condenado “pode” ser preso, mas não disse expressa e imperativamente que DEVE sê-lo.
É fácil perceber que, num Supremo composto por personalidades como as que o integram, um condenado que disponha de recursos para pagar dezenas de milhões de reais em honorários advocatícios conseguirá postergar indefinidamente o processo, empurrá-lo com a barriga, até a prescrição.
Dessa combinação de fatores, uma conclusão se impõe inexoravelmente: o combate à grande corrupção de colarinho branco é uma miragem. Deixará de sê-lo se, por uma feliz conjunção de circunstâncias, um STF cônscio de seu papel, composto de juristas altivos e conscientes de sua missão, mantiver a autonomia implicitamente concedida aos TRFs para que a prisão em segunda instância se concretize. Isso obviamente não acontecerá se em determinado momento a composição do STF for desprovida de princípios, beirando a abjeção política e moral.
Mas o que acima foi dito ainda não exaure a questão. As chamadas “cláusulas pétreas” pairam acima de todas as instituições e instâncias políticas. Nem o Congresso pode alterá-las por meio de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional). A única possibilidade de alterá-las é a convocação de uma nova Assembleia Constituinte, hipótese que pressupõe a ruptura de todo o tecido institucional vigente. Não preciso ressaltar que essa aberração da Constituição de 1988 contradiz frontalmente o princípio da soberania popular, pilar inarredável da democracia representativa.
Dá-se, entretanto, que o poder político é como a natureza: abomina o vácuo. Diante de circunstâncias graves que soem ocorrer com frequência no processo político de qualquer país e inexistindo a possibilidade de convocar uma constituinte originária, a estultice de “petrificar” cláusulas importantes para a ordem democrática praticamente obriga os integrantes do STF a contornar as cláusulas pétreas, a despetrificá-las, ou seja, a apelar para o jeitinho e para a malandragem.
O resultado, então, é que o país, teoricamente democrático, passa a ser governado por 11 cavalheiros que não recolheram nas urnas um voto sequer. Na prática, esse minúsculo corpo não eletivo passa a encarnar (seria mais correto dizer usurpar) a soberania popular.
Salta aos olhos que essa série de aberrações politico-constitucionais deixará o país, como está deixando, no limiar de uma grave crise. Foi o que ocorreu no famigerado 22 de março. Os onze cavalheiros do apocalipse contrapuseram-se sem a menor cerimônia à vontade dos 150 milhões de cidadãos aptos a votar em nosso país. A contraposição que dessa forma se estabeleceu é frontal. A situação que assim se abriu é muito clara. Ou eles recuam moto próprio, alteram as decisões de ontem e restabelecem a autonomia da Corte de Apelação (o TRF-4) ou terão de ser levados a fazê-lo pela força das ruas. Alea jacta est.
SUPREMO PAPELÃO - 27/03/2018
O STF segue fazendo o que pode para ser um lugar ‘horrível, mistura do atraso com a maldade, com pitadas de psicopatia’, que nos ‘envergonha e desonra a todos’
O Supremo não falha. Passou a tarde inteira decidindo se ia decidir, decidiu deixar a decisão para depois, mas decidiu deixar Lula livre até lá. Parece o baiano da anedota, que diz que não há dia melhor do que hoje para deixar para amanhã o que não se vai fazer nunca.
Por que adiou? Porque já estava tarde, e ministro do Supremo não pode trabalhar de noite, vira uma espécie de abóbora togada.
Ficou para o dia seguinte? Não, Marco Aurélio tinha que viajar. Mas sexta é dia de expediente no STF, o ministro tinha que ir para onde, fazer o quê? Para o Rio, assumir a presidência do conselho consultivo da Academia Brasileira de Direito do Trabalho, compromisso tão relevante e inarredável que, ao ser anunciado, provocou frouxos de riso nos demais ministros. Será que paga bem, a ABDT?
Mais tarde, Marco Aurélio se queixaria de estar sendo “crucificado como culpado pelo adiamento do julgamento do habeas corpus do presidente Lula, porque sou um cumpridor de compromisso”. Excelência, o senhor foi crucificado por descumprir seu compromisso com a nação, que lhe dá um cargo vitalício com remuneração igual à do presidente da República, sem contar os penduricalhos. (A noção de compromisso e de espírito público de Marco Aurélio lembra a de alguns de nossos senadores, que, em vez de votar o destino de Aécio, foram passear nas rússias e nas arábias.)
A votação deveria ficar para hoje, mas não: como o feriado no STF começa na quarta (!), está na cara que não haverá ninguém lá nem hoje nem amanhã. É a suprema semana santa: vai da véspera do domingo de Ramos ao domingo de Páscoa. Um trabalhador normal seria descontado em nove dias, mas os ministros, que tanto se esfalfam, e têm apenas 94 dias de folga este ano, coitados, merecem um refresco. (Com um exemplo desses, não admira que os juízes federais façam greve para nos obrigar a lhes pagar o aluguel.)
Então ficou para segunda que vem? De novo, não. Só na quarta. O que os ministros têm para fazer na segunda e na terça? Vão estar se recuperando da esbórnia do superferiadão?
Muito bem. Diz que no dia 4, afinal, vão votar. Mas só dez deles, porque Gilmar deve estar em Portugal. Vai cuidar do 6º Fórum Jurídico de Lisboa, promovido pelo IDP, aquele instituto que criou já ministro, que recebe milhões de reais de empresas privadas e gera constrangimento para todo mundo menos para seu dono.
A tertúlia de Gilmar vai de terça a quinta da semana que vem, o que significa que, além desta semana, o ministro ia enforcar a próxima. Um dia de feriado, 16 dias corridos de ausência. Como é doce ser ministro.
Gilmar está pensando se interrompe seu colóquio para vir ajudar Lula. Em teoria, sua ausência é irrelevante: se Rosa votar contra o ex-presidente, nada o salvará; se votar a favor, Gilmar não é necessário, pois o empate beneficia o réu. Mas... vai que algum ministro viaja para dar uma palestra? Melhor não arriscar, Excelência.
Isso, claro, se houver mesmo votação, porque já estão dizendo que é capaz de alguém pedir vistas, e jogar a decisão para as calendas gregas.
O Supremo segue fazendo o que pode para ser um lugar “horrível, mistura do atraso com a maldade, com pitadas de psicopatia”, que nos “envergonha e desonra a todos”.
*Publicado originalmente em O GLOBO
BANDIDOS ARMADOS DEVEM SER NEUTRALIZADOS - 27/03/2018
O banditismo está progressivamente dominando expressivas áreas do território nacional aonde ninguém mais tem a tranquilidade de circular e a própria policia tem receio de entrar para coibir o crime. No caso do Rio de Janeiro tornou-se necessário intervir na segurança do estado destroçado, tal o nível de descontrole a que se chegou – uma antevisão do que poderá ocorrer com outros estados.
A gravidade desse fato social é uma ameaça à democracia, à paz das famílias, ao futuro do Brasil em termos sociais, políticos, juridicos e econômicos. Naturalmente chega-se a conclusão da necessidade de serem empreendidas, de imediato, ações justas, legais e eficazes de radical repressão ao crime.
A questão moral não está no uso da força necessária, matando se necessário, para que se restabeleça a ordem e o respeito às Leis – o estatuto jurídico da legitima defesa da vida e o princípio do bem comum e do bem comum maior, estão aí para sustentar as ações radicais que se fizerem necessárias. Os aspectos morais do problema da repressão encontram-se na continuada omissão das autoridades, da intelectualidade e de parcela da cidadania que se escondem por detrás de argumentações aparentemente acadêmicas, humanitárias e religiosas, como desculpas para a conivência com o crime, para com o despreparo das forças da lei, para com o oportunismo politico irresponsável e corrupto. Acusa-se de violência desnecessária, (algumas vezes com razão), quem reprime o crime, colocando em atitude de receio indevido as forças legais da ordem e da Lei, que passam a ser globalmente julgadas e condenadas pela opinião publica e pelas atuais “opiniões politicamente corretas”, desmoralizando e desestimulando quem está na linha de frente do combate aos bandidos, um expressivo majoritário numero de corajosos e honestos policiais.
O povo brasileiro precisa saber e entender que estamos numa guerra civil. O nosso ainda frágil Estado Democrático de Direito está correndo sério risco. Não há diálogo ou acordos com o mal.
O Brasil está se transformando no paraíso do crime organizado – um “narcoestado” – sejam os criminosos fazendo parte das classes econômicas, politicamente dominantes, sejam eles mais rústicos e truculentos espalhados por todo território nacional. Os primeiros estão sendo exemplarmente combatidos pela operação “Lava a Jato” e outras similares e os muitos envolvidos estão apavorados com as condenações e prisões que se sucedem. O povo apoia, entusiasmado, essas operações de limpeza dos altos escalões políticos e empresariais, mas se omite e se sobressalta quando acontecem tiros e mortes nas cidades.
A violência não se curvará a apelos morais ou religiosos de convivência. A sociedade não tem mais como esperar que politicas públicas, na linha da imprescindível educação de qualidade, da saúde publica e do emprego, venham fazer cessar a criminalidade. Politicas sociais levam, pelo menos, de cinco a sete anos para começarem a apresentar os primeiros resultados positivos.
Nas operações lava a jato encontramos um caminho de combater a corrupção na esfera politica e empresarial. Com o banditismo o caminho é, no curto prazo, a confrontação armada intensa e continuada. Os que sobreviverem certamente irão, depois de pouco tempo, se intimidar e recuar, possibilitando que as populações das cidades atemorizadas voltem a uma vida normal de poder sair para trabalhar, passear e se divertir com suas famílias, com tranquilidade e certeza de segurança publica.
As forças armadas e as policias não poderão, sozinhas, vencer esta guerra – nós o povo precisamos apoiar, pelo tempo que se fizer necessário, com a supervisão do Congresso Nacional a ser renovado, (a esperança que nos resta), agora em 2018.
*Eurico de Andrade Neves Borba, 77, aposentado, escritor, ex professor e Vice Reitor da PUC RIO, ex Presidente do IBGE, mora em Caxias do Sul.
** Publicado originalmente no Diário do Poder.
AO SOLTAR LULA STF CONFLAGRA O AMBIENTE ELEITORAL - 26/03/2018
O termo civilização é associado à ideia de abandono da violência e sua substituição por valores morais, regras de convivência e instituições de mediação dos conflitos entre integrantes de uma sociedade.
A civilização ocidental inventou a democracia liberal e a separação de poderes entre Executivo, Legislativo e Judiciário visando impedir a tirania dos governantes. Com todas as suas imperfeições a democracia liberal segue sendo a mais evoluída forma de processar decisões coletivas, governar a sociedade, criar leis e dirimir conflitos de forma pacífica e ordeira.
A Ordem Pública, a Paz Social e a correta administração da Justiça são os bens maiores de qualquer sociedade democrática. Sem Ordem, Paz e Justiça não há civilização. Há barbárie e violência; vigora lei do mais forte que impõe aos outros pela força a sua vontade e os seus interesses.
Em tese pelo menos, o papel das instituições jurídicas e políticas de uma democracia seria o de, em primeiro lugar, zelar por esses valores. Em se tratando de uma suprema corte então, mais ainda. Entretanto, não é o que se vê no Brasil.
A sociedade, em sua maioria, anseia por Ordem Pública, Paz e Justiça. Mas, o órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro caminha na direção oposta. É o mínimo que se pode dizer da postura adotada pelos ilustres juízes do STF após as manobras absurdas para deixar impune o chefão do maior esquema de corrupção de que se tem notícia na história da democracia, e o principal responsável pela mais dura e longa recessão pela qual o Brasil já passou.
Destaco aqui, três ingredientes da cena política brasileira dos últimos tempos:
1 – O mainstream da mídia, do estabilshment político e do mercado vinham, até a pouco, defendendo a necessidade de construção de uma candidatura de centro capaz de remover do tabuleiro político um cenário de polarização entre extremos;
2 – Satisfeitos com o impeachment de Dilma, o início da reorganização da economia e a perspectiva da condenação e prisão de Lula e demais corruptos envolvidos nos escândalos do mensalão e do petrolão, os milhões de brasileiros que foram às ruas lutar pelo impeachment de Dilma Rousseff se recolheram para seus lares e trabalho;
3 – Por outro lado, tanto mais quanto mais a Justiça se encaminhava para fazer Justiça, condenando Lula e mandando-o para a prisão assim como já foi feito com centenas de condenados da Lava Jato, mais os brasileiros recompunham sua esperança nas instituições e mais as lideranças do PT e da esquerda em geral ameaçavam-nos com a conflagração e o uso da violência caso a Lei fosse cumprida e Lula fosse preso.
Ninguém dava importância às bravatas petistas, pois, há muito se constata que o petismo perdeu bases sociais reais e hoje mobiliza apenas sua militância doentia e incapaz de aceitar a verdade dos fatos.
No sistema político ninguém, nem mesmo a esquerda que se dividiu em diversas candidaturas presidenciais, operava com a possibilidade de que um condenado em órgão colegiado pudesse vir a concorrer às eleições presidenciais que se avizinham.
Tudo isso até o STF tomar a mais grave e controvertida das suas tantas decisões graves e controvertidas: a ameaça de deixar Lula livre e impune por seus crimes.
Essa decisão mudou totalmente o cenário político do país, jogando gasolina no tabuleiro de uma disputa eleitoral que se encaminhava para ser pacífica e tranquila, apesar de imprevisível.
Talvez o cidadão comum, que não tem por prática profissional monitorar as mídias sociais e o humor político do ativismo virtual ainda não tenha percebido, mas o STF despertou de novo os brasileiros que foram às ruas pelo impeachment de Dilma e que haviam voltado para casa, terceirizando para o Judiciário a missão de zelar pela aplicação da Lei e da Justiça nesse país. Esse ativismo saiu das ruas, mas permaneceu vivo e ativo nas mídias sociais.
O prazo até 04 de abril que o STF se concedeu para livrar Lula da cadeia, talvez contando com o feriadão da Páscoa para acalmar os ânimos e desmobilizar a sociedade, de fato, foi o tempo que precisavam os movimentos cívicos para convocar novas manifestações de rua na tentativa de fazer valer a democracia sob pressão das ruas.
Já que as instituições jurídicas e políticas da nação parecem voltadas para proteger Lula, o PT e a casta de corruptos a eles associados – todos eles, em benefício próprio, contando com que a liberdade do chefão leve a liberdade de todas as quadrilhas -, não resta outra saída ao povo senão voltar às ruas para garantir que a democracia seja respeitada e Lei seja cumprida.
Não é possível saber se essas manifestações serão fortes o suficiente para botar medo nos juízes comprometidos com as quadrilhas no poder, mas, uma coisa é certa, se Lula ficar livre, impune e fazendo campanha eleitoral, o ativismo cívico que promoveu o impeachment de Dilma Rousseff não voltará para casa durante a eleição.
Os entreveros que envolveram a caravana no Lula pelo Rio Grande do Sul e seguem acontecendo em Santa Catarina e Paraná, são apenas uma pequena amostra do ambiente que o STF está incentivando para o próximo período com a ameaça que faz à nação de deixar impune um condenado dessa magnitude e periculosidade. Lula não passou incólume pelas cidades do Nordeste também.
Mesmo com seus comícios esvaziados o petista foi hostilizado em inúmeros lugares por onde passou.
Deixando Lula impune e livre para fazer política, o STF não estará apenas incentivando uma polarização eleitoral de tipo tradicional, com bate-bocas e discursos inflamados de parte a parte. Assim agindo a corte suprema estará jogando no descrédito total (se é que ainda resta algum crédito) a esperança dos brasileiros de bem na capacidade de suas instituições garantirem a Ordem Pública, a Paz Social e a aplicação da Lei.
A liberdade de Lula por decisão do STF será a liberdade de todos os criminosos comuns e do colarinho branco já condenados em segunda instância. Sinais de gente partindo para fazer justiça com as próprias mãos já há de sobra em se tratando de crimes comuns. Teremos o mesmo na política?
* Cientista Político
** Publicado originalmente em http://emaconteudo.com.br
GAME OVER PARA A DEMOCRACIA BRASILEIRA - 23/03/2018
Estava bom demais para ser verdade. Lula, para surpresa geral da nação habituada a ver poderosos se safarem de suas picaretagens, vinha sendo tratado pelo Judiciário como um réu ordinário?—?no bom e no mau sentido?—?no caso do Triplex recebido como propina do Petrolão. Primeira instância, com Moro e Deltan como protagonistas: condenado. Segundo grau, com direito a goleada de 3x0: confirmada a condenação e elevada a pena. Habeas Corpus preventivo impetrado no Superior Tribunal de Justiça: 5x0 fora o olé.
Mas todos suspeitavam que o salvo-conduto do Brahma poderia vir do Supremo Tribunal Federal?—?aquele dos guardiões dos interesses de quem os nomeou para o cargo?—?especialmente depois que Gilmar Mendes “mudou de opinião” um ano e meio depois quanto à execução de sentença penal condenatória confirmada por órgão colegiado.
Foram semanas de hashtags “não se dobre às pressões, Carmen Lúcia”, mas era óbvio que o HC para manter Lula livre até o esgotamento total de recursos cabíveis (mais uns cinco anos solto, no mínimo) iria acabar furando a fila na cara duríssima—?até porque o Ministro Fachin resolveu levá-lo a plenário após denegá-lo, ao melhor estilo “se é pra livrar a cara do padinho, que todos assinem embaixo juntos e vamos dividir a raiva do povo”.
Para quem perdeu o que aconteceu hoje em Brasília, o julgamento do bendito HC já começou atrasado; após a sustentação oral do procurador do réu e da Procuradora-geral, um intervalo de dez minutos virou cinquenta. Na sequência, as supostas onze maiores autoridades em Direito no país discutiram por horas a fio se um instrumento jurídico que existe praticamente sem alterações desde 1215 deveria ser acolhido ou não.
Resumo do teatro: quando o próximo passo era examinar o mérito da ação, eis que Marco Aurélio Melo revela que não pode ficar para fazer seu trabalho, remunerado a base de dezenas de milhares de reais do dinheiro dos pagadores de impostos, porque precisa pegar um avião para no dia seguinte tomar posse em um conselho sei lá do quê.
A partir dali, mais seis ministros, incluindo a presidentA, resolvem que talvez seja melhor iniciar o fim de semana logo de uma vez mesmo.
Só que há um problema: sessão suspensa significava Lula preso segunda-feira. Seu advogado, aproveitando uma brecha entre os incontáveis elogios que recebia dos membros da suprema corte, solicita então que seja expedida liminar impedindo o TRF4 de decretar ordem de prisão para Lula após a apreciação dos embargos em 26/03.
Bingo: Luiz Inácio está protegido até 04/04, para quando foi marcada a continuação da novela. Você entendeu bem, sim: como esse era um julgamento com efeitos inter partes?—?isso é, só valem para o requerente?—?, inúmeros criminosos seguirão sendo enjaulados após terem suas sentenças corroboradas pelos tribunais de justiça estaduais, mas Lula não: ele é mais bonito, é diferentão. Merece continuar impune por tempo indeterminado?—?afinal, quem garante que outros compromissos inadiáveis (ou cartas na manga) não surgirão em abril? Agora o jogo virou, e o tempo passou a ser amigo do Amigo da Odebrecht.
Lewandowski asseverou que “o paciente não poderia arcar com o ônus de nosso atraso em julgar”. Acabou a vergonha: em rede nacional, aquele que permitiu o fatiamento da votação do impeachment de Dilma, preservando seus direitos políticos e assegurando seu retorno à cena política ainda este ano, diz que o interessado não poderia ser prejudicado pela enrolação propositadamente encenada por ele e seus parceiros de toga!
Só para evitar maiores frustrações futuras, atentem para o discurso de Rosa Weber, a ministra que deve ter o voto de minerva na votação deste HC, no enrosco em comento: ela votou pelo adiamento do processo e pela concessão da cautelar nos exatos termos propostos pelo defensor do réu?—?que tem o hábito de citar frases em francês para encantar terceiro-mundistas cafonas. Quando desconfiou por um momento, logo após a manifestação contrária de Alexandre de Moraes, que o caldo poderia entornar, disparou: “se eu soubesse, ficaria até às duas da manhã votando”. Ora, é o óbvio ululante que o placar de 6x5 ou pior irá se repetir em favor de Lula no mês que vem ou quando esta ladainha seguir adiante.
E ainda somos obrigados a ouvir Gilmar Mendes falar que “ninguém pode desconfiar que eu queira ajudar o PT”, sendo que até os vegetais sabem que seu intento é gerar precedentes que possam eventualmente aliviar a barra de seus compadres tucanos e pemedebistas. Pisa mas não esculacha, meu!
Esqueçam. Foi bom enquanto durou. Mas este foi mesmo apenas um ensaio no esforço de deixarmos de ser um republiqueta de (cidadãos) bananas. Falta muito. Game over. We lose!
HOJE E ONTEM NA ESCOLA - 19/03/2018
Recebi de dois amigos um vídeo que dizem se passa em uma escola de Mato Grosso. Não sei se foi lá nem sei quando, mas o certo é que está bem audível a reprimenda que dois homens fazem a 17 alunos, adolescentes, postos de joelhos e cabisbaixos, enquanto ouvem a ameaça: “Hoje em dia a polícia não resolve mais nada, quem resolve é o Comando”. E outro completa: “Nóis é do CMT e tá dando um alerta; se tiver que vir pela segunda vez, vai ser no pau. Se pegar vocês fumando bagulho, vamos quebrar vocês no pau.” E avisam que se o guardinha avisar que estão fumando de novo, vai “ser daquele jeitão”. Inclusive se forem pegos com maconha na rua. E alertam que na escola há alunos com necessidades especiais e filhos de presos, que precisam ser respeidos.
Imagine se um professor pusesse de joelhos alunos fumadores de maconha na escola. O professor seria destituído, talvez preso, e apanharia dos alunos. O politicamente correto enfraqueceu a disciplina e com ela o professor. A droga invade escolas e, no caso, foi preciso pedir a proteção de traficantes, que impõem a disciplina do modo que alunos entendem. E eles avisam que estão com o guardinha e com a diretora. E eu vos digo: as diretoras que tentaram impor disciplina em suas escolas foram denunciadas por pais, foram expostas na mídia e acabaram desiludidas com a missão que escolheram por vocação. No caso do vídeo, o pessoal do tal Comando está à frente do politicamente correto no trato com droga - incrível!
Em Brasília, o legislativo local acaba de derrubar veto do governador contra a lei que cria a disciplina de moral e cívica nas escolas do Distrito Federal. O governador, certamente, ainda tem a síndrome do governo militar. Só que a matéria não é dos militares. Quando frequentei a escola pública, o grupo escolar, no primário, entre 1947 e 1951, tínhamos, em Estudos Sociais, o ensino da cidadania, da estrutura do estado brasileiro, das funções dos três poderes, os direitos e deveres do cidadão; aos sábados, tínhamos hora cívica, em que hasteávamos a bandeira cantando o Hino Nacional e depois líamos textos e poesias referentes aos vultos e episódios da História do Brasil comemorados na semana que findava. Ao final, arriávamos a bandeira cantando o Hino à Bandeira. E aprendíamos a interpretar textos, a fazer frases, a escrever trechos ditados, com a consciência de que a Língua Portuguesa é um dos patrimônios da nacionalidade.
Mais do que isso, antes de entrarmos no ensino fundamental e durante nossa infância, recebíamos em casa a educação de não mentir, de respeitar as leis e os outros, de respeitar o patrimônio público, de nos comportarmos em público com a educação recebida em casa. Eram tempos em que não havia droga “recreativa” - sabíamos que toda droga faz mal -, as brincadeiras não eram chamadas de “bullying”, meninos e meninas eram meninos e meninas; os namoricos precoces não eram “assédio” e os professores não tinham medo de ser processados quando caíamos de árvores ou de telhados. E nós tínhamos medo e respeito dos professores. Chegamos até aqui - com as exceções normais - ordeiros, disciplinados, felizes, vividos e, creio, bons cidadãos.
*Publicado originalmente em http://www.sonoticias.com.br/coluna/hoje-e-ontem-na-escola
VEDAÇÃO MACULADA - 06/03/2018
Durante os trabalhos para a elaboração da Constituição de 1988, participei de audiências públicas e fui consultado, repetidas vezes, por constituintes, pelo presidente e pelo relator daquela assembleia – presidida pelo ministro Moreira Alves, do Supremo Tribunal Federal (STF), na abertura –, a saber: o deputado Ulysses Guimarães e o senador Bernardo Cabral.
Saíra o País de um regime de exceção e a EC 26/86, proposta pelo presidente Sarney, objetivava permitir que a Nação voltasse a viver a plena democracia, com harmonia e independência de Poderes, enunciadas no artigo 2.º do texto resultante de quase dois anos de amplo debate entre os representantes do povo e a sociedade. Tão relevante se tornou a temática democrática que decidiram os constituintes ofertar a cada Poder ampla autonomia, sem direito à invasão de competências, e atribuindo às Forças Armadas o dever de repor a lei e a ordem – jamais rompê-las – se os Poderes em conflito solicitassem sua ação.
Pelo artigo 103, § 2.º, o Supremo Tribunal nem mesmo nas ações diretas de inconstitucionalidade por omissão do Congresso pode legislar. Pelo artigo 49, inciso XI, o Congresso Nacional tem a obrigação de zelar por sua competência normativa se outro Poder a invadir, e a advocacia e o Ministério Público são funções essenciais à administração da justiça, mas não são Poderes.
Por outro lado, a representação popular não existe no Poder técnico, que é o Judiciário – os ministros do STF são escolhidos por um homem só –, mas sim nos Poderes Executivo e Legislativo. Por isso os constituintes conformaram o direito da sociedade de eleger os seus membros, que são os seus verdadeiros mandatários.
Apesar de ser parlamentarista desde os bancos acadêmicos, isto é, desde a distante década de 1950, e apesar de a Constituinte ter procurado adotar tal sistema, alterado na undécima hora para o presidencial de governo, o certo é que o regime plasmado na Lei Suprema foi o de dar ao presidente da República a função maior, o topo da pirâmide governamental, com preservação de responsabilidade funcional durante o período para o qual foi conduzido. Essa é a razão pela qual o afastamento de um presidente (artigos 85 e 86 da Carta Magna) se reveste de todo um rito composto de freios e contrafreios e de garantia de defesa não extensível a todos os outros cargos da administração federal.
É que, devendo a vontade popular ser respeitada, só como exceção das exceções pode ser o presidente responsabilizado e afastado. Foi essa a origem do § 4.º do artigo 86 da Constituição federal, cuja dicção é a seguinte: “ O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”.
Por nenhum ato anterior ao seu mandato um presidente da República que chegar ao cargo pelos meios permitidos pela Constituição pode ser responsabilizado, visto que o que pretendeu o constituinte preservar foi a vontade popular, pressupondo que atos anteriores deveriam ter sido examinados previamente à eleição ou ser examinados após o fim do mandato.
A não responsabilização do presidente transcende a figura do próprio presidente, pois objetiva não permitir que a condução do governo – sempre presumivelmente a favor da sociedade – seja prejudicada por atos isolados, mesmo que graves, que pudessem vir a ser, pelos reflexos na cidadania, prejudiciais à própria cidadania.
Assim é que exatamente no artigo mais grave, que diz respeito ao afastamento do presidente da República, houve por bem o constituinte afastar a hipótese de atos fora do exercício do mandato como tema de responsabilização. Nesse particular, bem agiu o ex-procurador-geral Rodrigo Janot ao não permitir que houvesse investigação do presidente no concernente à contribuição da Odebrecht a campanha eleitoral do presidente da Fiesp em São Paulo.
A reabertura, pela atual procuradora-geral da República, de tal investigação, sob a justificativa de que “investigar” não é “responsabilizar”, com aval de eminente ministro da Suprema Corte, a meu ver, representa nítida violação do Texto Supremo. Uma investigação com claro intuito de responsabilização já macula a vedação constitucional.
Embora não tenha visto fato delituoso no episódio de contribuição à mencionada campanha – na época não era proibida a contribuição de empresas –, não entro no mérito de se ela corresponderia ou não a qualquer espécie de contrapartida (o atual presidente à época não comandava o País), visto que a questão é apenas jurídica e constitucional. Quem investiga quer responsabilizar e a responsabilização é vedada pela Lei Suprema, no § 4.º do artigo 86 da Constituição Federal. A Carta Magna não fala em ser denunciado, mas em ser responsabilizado, razão pela qual o preclaro ministro Edson Fachin não deveria ter aceitado o pedido da chefe do “parquet”.
Graças a denúncias mal elaboradas pelo antigo procurador-geral da República, rejeitadas pela Câmara dos Deputados duas vezes, o Brasil foi rebaixado três vezes pelas agências internacionais de rating, no momento em que estava o Congresso preparado para discutir algumas das mais essenciais reformas de que o nosso país necessita (a da Previdência e a tributária), pois ficou parado durante todo aquele período na expectativa da atuação congressual.
Com todo o respeito que sempre tenho pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público, tenho a impressão de que o combate à corrupção – que apoio, naturalmente – não pode sobrepor-se aos textos da Lei Suprema. O excessivo protagonismo de algumas autoridades, que ultrapassam os limites permitidos pela Carta da República, está se constituindo no grande obstáculo ao desenvolvimento do Brasil, apesar de algumas sinalizações de melhoria. E, o que é pior, causando profunda insegurança jurídica, visto que de há muito os três Poderes deixaram de ser harmônicos e independentes, desde que um Poder técnico assumiu funções políticas, que a Constituição não lhe outorgou.
* Presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomércio-Sp
** Publicado originalmente no Estadão
O ÚNICO MAL ABSOLUTO - 05/03/2018
Norman Cohn, em "The Pursuit of the Millenium", assinala uma característica proeminente de certas seitas gnósticas medievais: seus adeptos sentiam-se tão intimamente unidos a Deus que se imaginavam libertos da possibilidade de pecar. "Isto, por sua vez, os liberava de toda restrição. Cada impulso que sentiam era vivenciado como uma ordem divina. Então podiam mentir, roubar ou fornicar sem problemas de consciência."
A continuidade essencial da visão gnóstica do mundo nas ideologias messiânicas modernas — nazismo, fascismo, socialismo — é um dado histórico bem estabelecido pelos estudos de Cohn, Voegelin, Billington e tantos outros pioneiros que desbravaram o assunto desde a década de 30. É verdade que esses estudos continuam quase desconhecidos do nosso "establishment" universitário. Mas, quer o saiba ou não a elite intelectual de Catolé do Rocha, o fato é este: uma linha de sucessão perfeitamente nítida vem das heresias medievais aos revolucionários de 1789, a Marx, a Sorel, a Gramsci e a todos os seus sucessores na missão auto-atribuída de "transformar o mundo".
Ao longo dessa linha, a crença na própria impecância essencial, derivada da certeza de união íntima a Deus, ao sentido da História, aos ideais eternos de justiça e liberdade ou a qualquer outra autoridade legitimadora transcendente — pois esta varia conforme a moda cultural, sem mudar de função — é que lhes infunde, geração após geração, um sentimento perfeitamente sincero de honradez e santidade no instante mesmo em que mergulham no mais fundo da abominação e do crime.
Não se trata de vulgar hipocrisia, mas de uma efetiva ruptura da consciência, que, elevando a alturas inatingivelmente divinas as virtudes da sociedade futura que o indivíduo acredita representar desde já, o torna "ipso facto" incapaz de julgar suas próprias ações à luz da moralidade comum, ao mesmo tempo que o investe, a seus próprios olhos, da máxima autoridade moral para condenar os pecados do mundo. Eis como as mais baixas condutas podem coincidir com as mais altas alegações de nobreza e santidade.
Foi com perfeita sensação de idoneidade que, após o fim da II Guerra, os marxistas continuaram discursando retroativamente contra a tirania e o genocídio nazistas, ao mesmo tempo que superavam rapidamente esses seus antigos concorrentes na prática da tirania e do genocídio.
Nas democracias, qualquer político vulgar flagrado em delito menor perde a pose, entra em crise depressiva e faz deplorável figura ante o olhar da multidão. É que não se imunizou previamente, por imersão nas águas lustrais da autobeatificação ideológica, contra o sentimento de culpa. Acossado pelas denúncias, ouve brotar desde dentro o clamor da sua própria consciência moral que, longamente reprimida, retorna das sombras para condená-lo, justamente no momento em que ele mais precisaria reunir suas forças para defender-se dos adversários externos. Então ele vacila e cai. Foi assim que caiu Nixon. Foi assim que caiu Collor.
Já o revolucionário, o militante, o malfeitor ideológico, quando exposto às provas inumeráveis de seus crimes sangrentos e inumanos, se sente revigorado, fortalecido, enaltecido. Pois esses crimes, para ele, não são crimes: são sinais da bondade futura. Só assim se explica que homens que, por onde quer que tenham subido ao poder, só espalharam morte, miséria e sofrimentos incomparáveis, como fizeram no Leste Europeu, na China, no Vietnã, na Coréia do Norte, no Camboja e em Cuba, ainda se sintam com autoridade bastante para verberar os pecados das democracias capitalistas, como se estas não tivessem provado mil e uma vezes sua capacidade de corrigir-se a si mesmas e se encontrassem urgentemente necessitadas dos conselhos morais de revolucionários, narcoguerrilheiros e genocidas.
Não é necessário dizer que essa autodivinização, que preserva da consciência dos próprios pecados o apóstolo do "mundo melhor", corresponde literalmente à total rendição da alma ao pior dos pecados: a soberba demoníaca. "Todos os pecados se apegam ao mal, para que se realize", dizia Sto Agostinho: "Só a soberba se apega ao bem, para que pereça."
A destruição do bem por parasitagem interna é mais eficiente do que a simples acumulação de males. Reduzido a pretexto legitimador da violência, da crueldade e da desordem revolucionárias, o bem acaba por se identificar com elas, e qualquer tentativa de lhes opor resistência é que se torna um pecado nefando. Quando o encargo de julgar moralmente a sociedade recai precisamente sobre aqueles indivíduos que se tornaram os mais incapazes de julgar-se a si mesmos, o resultado é esse: uma moral invertida, uma antimoral de perversos e celerados afirma-se com a intransigência de um neomoralismo mais rígido e intolerante do que todos os moralismos conhecidos. Hoje em dia, em círculos letrados, já ninguém pode falar contra o consumo de drogas, contra a libertinagem, contra o aborto em massa ou contra certas formas de banditismo sem ver-se cercado de olhares de reprovação, como se tivesse dito algo de indecente.
Confundindo, rebaixando e prostituindo os padrões de julgamento, a simples presença, na vida intelectual e política, de um número suficiente de homens imbuídos dessa religiosidade às avessas já é um poderoso fator de deterioração moral da sociedade, inibindo a ação repressiva e infundindo nos delinqüentes uma autoconfiança ilimitada.
No fim, nada mais haverá a alegar contra um assalto, um homicídio, um estupro, exceto que, eventualmente, lhe faltou o devido "nihil obstat" ideológico. Tal é, por exemplo, o raciocínio do deputado Walter Pinheiro, líder do PT na Câmara Federal, ao pronunciar-se contra os seqüestradores de Washington Olivetto: "Eles seqüestram, torturam por dinheiro, não têm ética. Não são guerrilheiros, são bandidos." Que é que isso significa, senão que seqüestrar, torturar e matar em nome das crenças do deputado, à maneira de um Fidel Castro ou de um Pol-Pot, faria, dos delinqüentes, lindos exemplos de moral superior? E notem não há aí a simples diferença do "crime comum" para o "crime político". Pinochet também não matou por dinheiro. Matou por política, mas isto não basta para beatificá-lo aos olhos do deputado. Não é qualquer motivo político que serve. A esquerda tem, hoje como nos tempos de Stálin, não apenas o monopólio da licença para delinqüir, mas o monopólio do crime bondoso. Seqüestros, torturas, homicídios não são maus nem bons em si mesmos. São relativos. O único crime, o único pecado, o único mal absoluto, é estar contra o partido de S. Excia. Daí que sua correligionária, Heloísa Helena, se mostre menos indignada com a maré montante da criminalidade do que com a simples tentativa de investigar as ligações, mais que prováveis, entre seqüestros, narcotráfico e revolução continental. Crimes podem ser condenáveis ou louváveis, conforme a gradação de pureza de seus pretextos ideológicos. A investigação é má em absoluto, porque é coisa "da direita".
*Publicado originalmente em O Globo, 9 de fevereiro de 2002
** Publicado, também em http://www.olavodecarvalho.org/o-unico-mal-absoluto/
***Leia-o, também, em “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” Ed. Record.
O ESCOLA SEM PARTIDO É MAIS DO MESMO MAL QUE PRETENDE COMBATER: SERÁ MESMO? - 27/02/2018
Tudo por medo de um simples cartaz a ser fixado na parede da sala de aula, facilmente visível e disponível para constante consulta dos alunos: sim, esta é a única inovação no ordenamento jurídico nacional proposta pelo Escola Sem Partido (ESP), uma vez que todas as obrigações dos docentes a constarem deste lembrete aos estudantes já estão previstas na Constituição Federal e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.
Ainda assim, a gritaria dos contrários à iniciativa foi de ensurdecer desde o lançamento da campanha, e voltou a subir o volume semana passada em função do anúncio de um curso bastante inusitado ofertado pela UNB, referente ao “golpe” de 2016, e de toda a repercussão que se sucedeu.
Que o ideário socialista/progressista encanta ampla maioria dos professores dos ensinos médio, fundamental e superior não é novidade para ninguém; que muitos deles montam palanque diante da audiência cativa de suas turmas de jovens intelectualmente indefesos também é ponto patente; mas o que costuma dividir opiniões, mesmo entre aqueles que reconhecem o grave problema e concordam que algo precisa ser feito para brecar esta verdadeira produção em série de pessoas desorientadas e despreparadas para a vida adulta, é se o Escola Sem Partido não é mais do mesmo mal que pretende debelar.
Roberto Rachewsky, empresário e articulista, escreveu recentemente em artigo para o Instituto Liberal:
"Quando eu digo que o Escola sem Partido é um engodo por não atacar o problema educacional que temos no Brasil, mas por ajudar a perpetuá-lo, eu quero dizer que deveríamos partir para uma solução definitiva demandando o fim da interferência estatal na educação.
Governo é um órgão de coerção e todo tipo de arbitrariedade acaba sendo praticada por ele, inclusive a própria lavagem cerebral que o tal Escola sem Partido pretende paradoxalmente combater."
Basicamente, a discordância do escriba em relação ao ESP reside no método a ser empregado na resolução do conflito: em tese, o plano do advogado Miguel Nagib consiste em utilizar a repressão estatal para impedir um procedimento perverso que vem ocorrendo em instituições criadas e administradas pelo próprio Estado. Sendo assim, não seria mais fácil simplesmente transferir para o setor privado esta atividade econômica, provendo o governo, para situações de incapacidade financeira comprovada, vagas em colégios particulares (o denominado sistema de vouchers)?
Não há reparos a fazer na sugestão (em tese), com a qual um grande número de liberais concorda. Não faz muito sentido, de fato, lançar mão de uma “canetada mágica” do governo para remediar um distúrbio gerado por ele mesmo. Melhor cortar o mal pela raiz, sem dúvida. Neste cenário ideal, os pais e responsáveis matriculariam seus pupilos naqueles estabelecimentos educacionais cujos princípios de atuação fossem de seu agrado, gerando demanda por escolas com os mais variados perfis, conforme a procura.
Só que (na prática) o buraco é mais embaixo, por duas razões em especial.
1) Em primeiro lugar, privatização é palavra que, a despeito do esforço empreendido por diversos produtores independentes de conteúdo intelectual, ainda é tabu em nosso país. Privatizar mesmo estatais extremamente deficitárias e que foram palco de recentes escândalos de corrupção é sinônimo de desgaste político, protestos ruidosos e publicidade negativa para os governantes envolvidos.
Ora, se transferir refinarias de petróleo e agências de correios ou bancárias para empreendedores privados já é missão das mais ingratas, imagine então privatizar escolas públicas!
Ou seja, seria preciso, antes de tudo, suscitar, no imaginário popular, a noção de que quanto menos o Estado envolver-se em atividades não afeitas à sua tarefa original—?proteger a liberdade dos indivíduos, a propriedade privada e a vida?—?, melhor. E aí emerge a questão: com nossas crianças sendo catequizadas na cartilha comunista a todo momento, como este necessário ambiente favorável a privatizações poderia vingar eventualmente?
A dúvida neste caso, portanto, é como chegar lá?—?naquele dia em que um número suficiente de cidadãos prestará apoio à desestatização. É o imediatismo que leva alguns liberais a desprezar o ESP, passo intermediário sem o qual a jornada contra a doutrinação escolar tende a sucumbir miseravelmente.
Se podemos usar armas do adversário de encontro a ele mesmo, não vejo problema algum nisso. Gol contra também vale. Pensar diferente implica na busca pela pureza fatal que desconsidera qualquer retórica que não catapulte-nos diretamente ao objetivo final. E apressado come cru. Ou fica com fome…
2) A segunda razão é bem menos complexa do que a primeira: professores de escolas particulares, mesmo das mais caras, também praticam proselitismo político, aberto ou velado, durante as aulas. Quem não se lembra da agressão que sofreu o “fascista” Arthur do Val em frente à exposição Queermuseu em Porto Alegre, praticada por um professor dos quadros do Instituto Anglo? E não se enganem pensando que “ao menos ele foi demitido, coisa que dificilmente ocorreria em escola pública”: este foi um caso que ganhou publicidade; caso contrário, permaneceria tudo como estava.
Os cursos de graduação foram tomados quase que por completo pela ideologia revolucionária, e de lá saem todos os educadores para o mercado de trabalho. Não há porque imaginar que os mais competentes na arte de transmitir conhecimento (normalmente contratados pela rede privada) sejam menos nocivos do que aqueles menos versados no ofício (geralmente captados pela rede pública). Simplesmente não há para onde correr na conjuntura atual, considerando que nem mesmo o homeschooling é legalizado no Brasil.
Conclusão: será possível que exigir o fiel cumprimento de deveres funcionais de uma determinada categoria profissional, ainda que valendo-se do poder de coerção estatal se preciso for, é ideia tão tacanha ou contraproducente assim nesta empreitada contra a mentalidade anticapitalista disseminada? Há controvérsias. Cuidado para não fazer o jogo do adversário…
A MÃO DE STÁLIN ESTÁ SOBRE NÓS - 25/02/2018
NOTA: Este texto é de 2002 e a mesma roda segue girando para 2018
Neste país há três e não mais de três correntes políticas organizadas: o socialismo fabiano que nos governa, o socialismo marxista e o velho nacional-esquerdismo janguista.
O socialismo fabiano distingue-se do marxista porque forma quadros de elite para influenciar as coisas desde cima em vez de organizar movimentos de massa. Seu momento de glória veio com a administração keynesiana de Roosevelt, que, a pretexto de salvar o capitalismo, estrangulou a liberdade de mercado e criou uma burocracia estatal infestada de comunistas, só sendo salva do desastre pela eclosão da guerra. O think tank mundial do fabianismo é a London School of Economics, parteira da “terceira via”, uma proposta da década de 20, periodicamente requentada quando o socialismo revolucionário entra em crise e é preciso passar o trabalho pesado, temporariamente, para a mão direita da esquerda.
No poder, os fabianos dão uma maquiada na economia capitalista enquanto fomentam por canais aparentemente neutros a disseminação de idéias socialistas, promovem a intromissão da burocracia em todos os setores da vida (não necessariamente os econômicos) e subsidiam a recuperação do socialismo revolucionário. Quando este está de novo pronto para a briga, eles saem de cena envergando o rótulo de “direitistas”, que lhes permitirá um eventual retorno ao poder como salvadores da pátria se os capitalistas voltarem a achar que precisam deles para deter a ascensão do marxismo revolucionário. Então novamente eles fingirão salvar a pátria enquanto salvam, por baixo do pano, o socialismo.
Desde seus fundadores, Sidney e Beatrice Webb, o fabianismo nunca passou de um instrumento auxiliar da revolução marxista, incumbido de ganhar respeitabilidade nos círculos burgueses para destruir o capitalismo desde dentro. Os conservadores ingleses diziam isso e eram ridicularizados pela mídia, mas a abertura dos Arquivos de Moscou provou que o mais famoso livro do casal não foi escrito pelo marido nem pela esposa, mas veio pronto do governo soviético.
A articulação dos dois socialismos era chamada por Stalin de “estratégia das tesouras”: consiste em fazer com que a ala aparentemente inofensiva do movimento apareça como única alternativa à revolução marxista, ocupando o espaço da direita de modo que esta, picotada entre duas lâminas, acabe por desaparecer. A oposição tradicional de direita e esquerda é então substituída pela divisão interna da esquerda, de modo que a completa homogeneinização socialista da opinião pública é obtida sem nenhuma ruptura aparente da normalidade. A discussão da esquerda com a própria esquerda, sendo a única que resta, torna-se um simulacro verossímil da competição democrática e é exibida como prova de que tudo está na mais perfeita ordem.
No governo, nossos fabianos seguiram sua receita de praxe: administraram o capitalismo como se fossem capitalistas, ao mesmo tempo que espalhavam a doutrinação marxista nas escolas, demoliam as Forças Armadas, instituíam novas regras de moralidade pública inspiradas no marxismo cultural da Escola de Frankfurt, neutralizavam por meio da difamação midiática as lideranças direitistas, criavam um aparato de repressão fiscal destinado a colocar praticamente fora da lei a atividade capitalista e, last not least, subsidiavam com dinheiro público o crescimento do MST, a maior organização revolucionária que já existiu na América Latina.
Em suma: fingiam cuidar da saúde do capitalismo enquanto destruíam suas bases políticas, ideológicas, culturais, morais, administrativas e militares, deixando o leito preparado para o advento do socialismo. Fizeram tudo isso sob o aplauso de uma classe capitalista idiota, incapaz de enxergar no capitalismo nada além da sua superfície econômica e ignorante de tudo o que é preciso para sustentá-la. Agora podem ir para casa, seguros de ter um lugar ao sol no socialismo, se ele vier amanhã, assim como no capitalismo, se ele durar mais um pouco.
Se o socialismo marxista tinha sua encarnação oficial no Estado soviético, enquanto o fabianismo era o braço “light” da estratégia stalinista, o nacional-esquerdismo que brotou na década de 30 também foi substancialmente uma invenção de Stalin. A grande especialidade de “tio Josef” era justamente o problema das nacionalidades, ao qual ele dedicou um livro que se tornou clássico. Foi ele que criou a estratégia de fomentar ambições nacionalistas, quando podia usá-las contra as potências ocidentais, ou freá-las, quando se opunham ao “internacionalismo proletário”. É verdade que falhou em aplicá-la com os nazistas, que se voltaram contra a URSS, mas obteve sucesso nas nações atrasadas, onde xenófobos de todos os naipes -- getulistas, nasseristas, peronistas, africanistas e aiatolás variados -- acabaram se integrando nas tropas da revolução mundial, varrendo suas divergências ideológicas para baixo do tapete e transmitindo uma impressão de unidade a seus adeptos nos países ricos (donde o milagre de feministas e gays marcharem contra os EUA ao lado de machistas islâmicos). A multidão dos nacionalistas revoltados dá um reforço externo à estratégia das tesouras, seja como massa de manobra ou, quando fardada, como arma de guerra.
Stalin foi o maior estrategista revolucionário de todos os tempos. Os efeitos de sua ação criadora chegaram às terras tupiniquins e ainda estão entre nós.Todo o panorama político nacional está hoje montado segundo o esquema delineado por ele nos anos 30.
Mas, dos poucos que têm envergadura intelectual para enxergar isso, quantos têm interesse de discuti-lo em público?
*Publicado originalmente em O Globo, 03 de agosto de 2002
**Publicado, também, em www.olavodecarvalho.org/a-mao-de-stalin-esta-sobre-nos/
ASSINAR REVISTAS É COISA DO PASSADO: APOIE PROFISSIONAIS LIBERAIS DA INFORMAÇÃO - 21/02/2018
A virada do século trouxe consigo uma inovação tecnológica que viria, após muita polêmica sobre desrespeito à propriedade intelectual, a libertar os consumidores de música da obrigatoriedade de adquirir álbuns inteiros de seus cantores favoritos?—?sem possibilidade de pagar por cada faixa avulsa.
Tudo começou com o ilícito Napster, progrediu para o download legalizado de músicas “no varejo” e culminou nos dias atuais, quando já é possível pagar uma mensalidade e ouvir tudo o que queremos— praticamente um all you can eat da indústria fonográfica.
Toda essa evolução foi turbinada pela insatisfação das pessoas diante da impossibilidade absolutamente incontornável (sem apelar para a pirataria, ao menos) de comprar apenas trechos específicos de CDs ou fitas?—?o que permitiria, com o mesmo dinheiro, levar para casa apenas o melhor (na avaliação subjetiva de cada indivíduo) de cada artista.
A natureza sempre acha um jeito, e toda demanda tende a encontrar sua correspondente oferta cedo ou tarde. As novas gerações já estão crescendo sem saber que mundo era aquele onde a venda casada era a regra nas lojas de discos.
Aliás, elas sequer tiveram a chance de adentrar um estabelecimento do tipo?—?os que existem hoje procuram atender ao público saudosista.
Os músicos, a seu turno, adaptados ao novo cenário, dão preferência ao lançamento de singles e atingem um número de admiradores outrora inimaginável. E todo mundo, uma vez ultrapassados os solavancos típicos da assimilação, acabou saindo satisfeito do outro lado do túnel.
Pois estamos todos, neste momento, presenciando uma metamorfose do mesmo gênero tomando lugar, desta feita no mercado da comunicação: tudo leva a crer que vender informação e opinião em pacotes (jornais ou revistas) é atividade comercial que não deve acordar para ver a luz do dia por muito tempo?—?e a internet, uma vez mais, é a grande força motriz desta mudança de paradigmas.
Os principais periódicos brasileiros, seguindo uma tendência planetária, perderam assinantes ao milhões nos últimos anos. Entrementes, produtores independentes de conteúdo intelectual amealham novos fãs e seguidores incessantemente?—?muitos destes, aliás, dispostos a coçarem o bolso para ter acesso ao material por aqueles disponibilizado.
É a mesmíssima lógica que provocou um cataclismo no meio artístico há pouco tempo, e agora promete desafiar o jornalismo a seguir o mesmo rumo: ninguém quer mais bancar o salário daquele comunista, digo, colunista mala pra cacete, só para poder ler os artigos de seu escriba predileto que trabalha para a mesma publicação.
A relação custo-benefício é extremamente benéfica para os envolvidos na troca, mesmo neste estágio inicial do processo. Faça o teste: experimente cancelar a assinatura daquele folhetim (aproveitando que seu gato já aprendeu a usar a caixa de areia) e passe a apoiar alguns profissionais liberais do seu agrado neste ramo, por meio do Patreon ou outras plataformas de financiamento.
O resultado será o mesmo dispêndio de grana (ou menos) para patrocinar textos, vídeos ou podcasts que contribuem de fato com seu aprimoramento intelectivo, evitando desperdício de recursos com abobrinhas que costumavam vir de “brinde” das editoras.
O jornalismo tradicional, por óbvio, vai lutar com unhas e dentes até o último minuto contra esta onda dos novos tempos. Não não vender barato sua tão estimada reserva de mercado por décadas usufruída.
• Seus membros vão alegar que notícias que não contam com seu carimbo são fakenews?—?como se não fossem eles próprios os maiores propagadores de notícias falsas, muitas delas fabricadas sem contar uma única mentira (apenas omitindo, distorcendo ou torturando fatos até eles falarem o que corrobora suas narrativas);
• Vão alertar que, procedendo desta forma, selecionando cronistas e jornalistas a la carte, corremos o risco de isolarmo-nos em uma bolha onde apenas nossa visão de mundo é confirmada?—?como se essa não fosse a maior característica da maioria dos veículos de comunicação, os quais rezam sempre a mesma cartilha sem dela desviar-se uma única linha;
• Vão tentar limitar o alcance destes comunicadores da era moderna, instigando os gigantes do ciberespaço a suprimirem a veiculação de seu material?—?como fez o Facebook há algumas semanas quando alterou seu algoritmo para “ priorizar amigos e família”, e como Youtube, Google e Twitter, por meio de suspensões desarrazoadas e restrições de visualização impostas arbitrariamente, já deixaram claro que manobram.
Só que ninguém se importou se as gravadoras estavam felizes ou não com a revolução dos arquivos mp3. Da mesma forma, de pouco ou nada vai servir espernear contra esta nova maneira de saber e entender o que se passa no mundo. Aceitem que dói menos, como diz a sabedoria popular.
É claro que a maior prejudicada com este sinal dos tempos é a Esquerda, pois manter tudo como estava (leia-se: com repórteres doutrinados desde a faculdade monopolizando o setor) era de seu especial interesse no esforço de reescrever o passado, adulterar o presente e dominar o futuro.
Estranho, mas não muito: não são os marxistas aqueles que advogam a “socialização” dos meios de produção? Pois então: agora qualquer pessoa com um smartphone na mão pode virar empresário nesta área se assim decidir a audiência com sua preferência. Deveriam comemorar estes novos ventos, portanto. Mas algo me diz que a proposta de “regulação da mídia” do Luiz Inácio agrada bastante às redações Brasil afora.
Só que não tem jeito: quanto mais contribuições voluntárias os profissionais autônomos recebem, com mais independência passam a poder atuar, pois veem-se, gradativamente, livres dos grilhões do politicamente correto impostos pela turba “progressista” (mas reacionária quando lhe convém, como neste caso) cuja estrita observância costuma ser exigida por patrocinadores que ainda não entenderam que lucrar e lacrar até rimam, mas não combinam.
Não seria má ideia, portanto, se você decidisse, agora mesmo, tornar-se mecenas de, pelo menos, uma meia dúzia destes emissários e analistas emancipados. Aproveite enquanto está (muito) barato…
MEDO E DESTERRO - 16/02/2018
Parecia que era só uma tirada espirituosa do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA): com tantos venezuelanos fugindo para o Brasil, ele propôs que se mudassem para a Venezuela aqueles que defendem o cruel regime de Nicolás Maduro e, "em troca, receberíamos aqui as vítimas daquela ditadura". Mas ele não queria fazer graça.
Pouco a pouco, a omissa imprensa brasileira vai desvelando os fatos: a Venezuela vive uma crise humanitária sem precedentes. Aos milhares, todos os dias, venezuelanos atravessam a fronteira do Brasil, fugindo da fome, da falta de remédios, do desemprego, de uma inflação de quatro dígitos e da perseguição estatal. Apenas na cidade de Boa Vista, RR, há mais de 40 mil deles, desde pessoas com baixa instrução até profissionais de diferentes carreiras universitárias.
A maioria concentra-se nas diversas praças da cidade, sendo escassos os abrigos improvisados pelo poder público. Quem vê aquela multidão de miseráveis (famílias inteiras dormindo ao relento, sem um teto, sem um lar), não imagina que, em seu país, boa parte já teve casa própria e uma vida estável.
Tangidos pelo desespero, sem dinheiro para uma passagem de ônibus, a maioria aventurou-se por centenas e até milhares de quilômetros em território pátrio antes de alcançar a fronteira. E os 218 km da BR-174, da fronteira até Boa Vista, foram vencidos a pé ou, com sorte, de carona.
Por trás de tanto sofrimento, está o sórdido governo de Nicolás Maduro, que destruiu a economia do país, acabou com a liberdade de imprensa e cassou direitos individuais; que instituiu um Estado policial, multiplicando milicianos a seu serviço, praticando a "política do medo", prendendo e torturando opositores do regime.
E é vergonhoso e muito triste saber que, em tudo isso, há impressões digitais brasileiras. Lula e Dilma ajudaram o "projeto de poder" do chavismo, garantindo Nicolás Maduro no comando, um desqualificado em todos os aspectos imagináveis.
É horripilante pensar que a Venezuela está assim porque "avançou" na execução do projeto proposto pelo nefasto Foro de S. Paulo, exatamente o mesmo que o PT quis impor ao Brasil. Sim, não fosse o mensalão e, depois, a Lava Jato, a venezuelização do Brasil teria sido completa. O senador Flexa Ribeiro não estava caçoando.
* Publicado originalmente em www.alertatotal.net
** Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito
IDEOLOGIA DE GÊNERO: O QUE É, DE ONDE VEM, E POR QUE VOCÊ DEVE SE PREOCUPAR COM ELA - 15/02/2018
Já há algum tempo, no curso de um movimento iniciado no hemisfério norte, vem sendo disseminada nas escolas brasileiras a chamada “ideologia de gênero”. À revelia dos pais, crianças e adolescentes têm sido expostos a um discurso sobre os sexos que, além de os levar a interpretações errôneas da realidade, os torna confusos e vacilantes em relação à circunstância mais básica e evidente da existência humana: o fato de alguém ser homem ou mulher. O que vem ocorrendo é um verdadeiro abuso moral. Dada a importância do assunto, resolvi dedicar a ele uma série de artigos.
A “ideologia de gênero” é um emaranhado de postulados sem comprovação científica, desarticulados e muitas vezes contraditórios entre si, que transitam entre temas como “identidade de gênero”, “transgeneridade”, “orientação sexual” e “desigualdade de gênero”. Nesse artigo, vou tratar do primeiro tema, ou seja, da pressuposição de que ser homem ou ser mulher nada teria a ver com o fato de se nascer com um corpo masculino ou feminino, sendo antes matéria de decisão pessoal. Ou, alternativamente, de que uma pessoa pode “descobrir” que não é nem homem nem mulher, havendo um cardápio de mais de 50 gêneros já catalogados e disponíveis à escolha. O “gênero” seria não só algo descolado do sexo biológico, como teria o poder de anulá-lo.
É com base nessas ideias delirantes que os promotores da “ideologia de gênero” militam pela implementação de uma pedagogia escolar que estimula meninos e meninas a realizarem atividades, usarem roupas, e brincarem com objetos tradicionalmente associados ao sexo oposto. Em certas escolas, chega-se ao paroxismo de proibir o uso de pronomes distintivos de gênero, que são substituídos por um pronome “neutro” inventado artificialmente com esse fim. Segundo essa cartilha, as crianças devem ser educadas num ambiente de completa indistinção, alienadas, o máximo possível, de sua condição sexuada. Mas não nos deixemos iludir: essa ideologia é essencialmente política e nada tem de libertária.
Não se trata de dar liberdade para que as crianças sejam meninos ou meninas à sua própria maneira, e sim de fomentar dúvidas e questionamentos em relação à sua própria identidade. O objetivo não é combater discriminações e preconceitos, estimular o respeito às diferenças, etc, e sim planificar a visão de mundo das novas gerações, por meio da desconstrução do conceito tradicional de família e do ataque à heteronormatividade. Não por acaso, nas escolas cujos currículos já foram invadidos pela “ideologia de gênero”, os estudantes também são permanentemente expostos a um discurso de crítica ao modelo universal de família baseado na complementariedade entre marido e mulher.
De onde vem a “ideologia de gênero”? O que chega nas escolas é uma versão popularizada de ideias gestadas no contexto das disciplinas universitárias agrupadas sob o título de Humanidades, e posteriormente disseminadas com o auxílio da mídia. A partir da década de sessenta, essas disciplinas foram se tornando gradativamente comprometidas com a pauta da segunda onda feminista, focada na crítica aos fundamentos da cultura judaico-cristã, e na revolução dos costumes. Nos anos noventa, já haviam acolhido também os anseios da militância LGBT. Porém, apesar de sua origem acadêmica e de seu verniz pseudocientífico, a “ideologia de gênero” se baseia em formulações desprovidas de rigor intelectual e sem nenhum compromisso com a realidade dos fatos associados aos sexos. Vamos então aos fatos.
Meninos e meninas nascem diferentes, não só no que se refere à fisiologia genital e reprodutiva, mas também à composição hormonal e à estrutura psíquica. Numa visada geral, essas diferenças se refletem nos modos de se desenvolver e de se comportar, assim como em suas respectivas seleções recorrentes de interesses. A partir dos três anos de idade, quando as capacidades verbais e motoras já estão mais desenvolvidas e as crianças adquirem competência para expressar suas disposições e habilidades, alguns padrões se tornam evidentes.
Por exemplo, é fato notório que, em média, os meninos desenvolvem a coordenação ampla (relacionada aos atos de correr, pular, escalar, etc.) ligeiramente mais cedo, ao passo que as meninas se antecipam no desenvolvimento da coordenação fina (relacionada às habilidades de desenhar, escrever). A maioria dos meninos costuma vibrar com brincadeiras de lutar, escalar e deslizar pelo chão, ao passo que a maioria das meninas prefere movimentar-se de maneira mais estruturada, ou, pelo menos, não tão explosiva e arriscada. Do ponto de vista linguístico, é comum que as meninas falem e ampliem o vocabulário mais cedo, sendo também mais sensíveis aos sinais de comunicação não-verbal. Por fim, podemos citar ainda tendências diversas nas formas de sociabilidade, os meninos preferindo brincar em grupos maiores e mais erráticos, e as meninas sendo mais inclinadas a formar grupos coesos ou pares de afinidade.
Os promotores da “ideologia de gênero” alegam que esses padrões não seriam expressão de diferenças naturais entre os sexos, e sim resultado de um processo de socialização que induziria as crianças a se comportarem de acordo com os “estereótipos sexuais da sociedade ocidental”. Ora, ao defender essa ideia, eles fazem vista grossa para dois conjuntos de dados muito importantes. Por um lado, para toda a produção das neurociências a respeito das correlações entre o comportamento de homens e mulheres, e o modo como funcionam os seus respectivos sistemas hormonal e neuronal. Por outro lado, para o fato de que, a despeito de variações culturais de nível superficial, esses padrões se revelam histórica e etnograficamente recorrentes, estando longe de representar uma exclusividade da sociedade ocidental. Mas os promotores da “ideologia de gênero” não gostam de discutir dados que contrariem as suas teses e os seus projetos de engenharia social. Sendo assim, temos mais um motivo para impedi-los de participar da educação de nossas crianças, a saber, a sua desonestidade intelectual.
Educar uma criança consiste em oferecer-lhe os meios para que desenvolva, da maneira mais elevada possível, as suas potencialidades individuais, o que inclui dar plena expressão à sua condição sexuada. Nesse sentido, devemos ajudá-la a cultivar os seus melhores talentos não só para a vida em comunidade, mas também para a vida na intimidade da família que provavelmente irá formar. Nunca houve, em lugar ou tempo algum, exceto na mídia e nas universidades do Ocidente pós-moderno, quem deixasse de compreender o papel que as diferenças naturais entre homens e mulheres cumprem no sentido de prover a estrutura familiar com o máximo de recursos que concorram para o seu sucesso. Porém, para aqueles que desejam o esfacelamento da família tradicional, nada que propicie a complementariedade entre os sexos deve ser legitimado.
Isso explica, por exemplo, a aversão dos promotores da “ideologia de gênero” às clássicas brincadeiras de menina e menino, bem como a sua insistência em criticá-las. Para eles, uma menina pode brincar de ser médica, empresária, astronauta ou presidente de um país, mas a fantasia de ser mãe ou dona de casa precisa ser desconstruída. Melhor guardar a boneca e as panelinhas antes que ela tome gosto. Do mesmo modo, é preciso impedir que os meninos se percebam ágeis, fortes e resistentes. Urge proibir a brincadeira de luta e dar sumiço na capa de super-herói. Pois se um homem confiante e corajoso é um bem incalculável para uma família, para a ideologia de gênero ele representa um empecilho e tanto.
Mas o que dizer das meninas que não ligam para bonecas e dos meninos que não gostam de brincar de luta? Ora, não há absolutamente nada de errado com essas crianças. Evidentemente, não seria de se esperar que as diferenças naturais entre os sexos se atualizassem da mesma forma, e na mesma medida, nas predisposições e preferências individuais de todas os meninos e meninas. Escolhi citar tais brincadeiras menos por sua recorrência (que, no entanto, é real), e mais pelo fato de serem tão combatidas pelos promotores da “ideologia de gênero”. Mas deixo o assunto para o próximo artigo. Esse aqui já está muito longo e preciso finalizá-lo com um alerta.
Pais e mães, redobremos a nossa atenção. Não deixemos que os nossos filhos sejam usados como massa de manobra por pessoas que não hesitarão em se aproveitar de sua imaturidade intelectual e psicológica. Precisamos ficar de olho no modo como a escola lida com essas questões, e sempre atentos ao nível de transparência de suas ações pedagógicas. Não podemos abrir mão de nossas prerrogativas parentais, permitindo que crianças saudáveis e cheias de energia criativa sejam transformadas em pequenos militantes angustiados e ansiosos em relação ao seu próprio modo de ser. Seja ele qual for.
* Publicado originalmente em https://infanciabemcuidada.com/2017/09/
** Mestre e doutora em Antropologia, ex-professora universitária e pesquisadora acadêmica. Atualmente é proprietária e diretora de uma escola de educação infantil. Editora do blog infanciabemcuidada.com
LOUCOS VIRTUOSOS - 13/02/2018
Não é novidade a prática de rotular pejorativamente pessoas cujas opiniões e condutas destoam da cultura hegemônica em determinada época, independentemente da razoabilidade lógica ou legitimidade moral de suas motivações e argumentos. A etiqueta preferida é a que lhes imputa a condição de “loucas”.
Na história da humanidade sobejam exemplos de vítimas desse infame artifício. Gênios como Leonardo da Vinci (1452-1519), Isaac Newton (1643 a 1727), Alexander Graham Bell (1847 a 1922), Thomas Edison (1847 a 1931), Nikola Tesla (1856 a 1943), Albert Einstein (1879 a 1955) e tantos outros vultos da ciência e das artes foram classificados como “loucos” por seus contemporâneos, em razão de suas ideias e de seus comportamentos considerados excêntricos frente aos padrões tidos por “normais”. Muitos deles, enquanto não alcançaram reconhecimento por suas descobertas ou feitos extraordinários, foram perseguidos, ridicularizados, ofendidos e discriminados pela intelligentsia.
Mas ainda antes, entre 60 e 62 d.C., a narrativa constante do livro dos Atos dos Apóstolos, cuja autoria é atribuída ao evangelista Lucas (médico e historiador), dá conta de que o mesmo rótulo foi lançado sobre Paulo de Tarso (o Apóstolo dos gentios) quando exercia sua autodefesa de falsas acusações perante o Rei Herodes Agripa II e Pórcio Festo, Governador da Cesaréia, capital da província romana da Palestina (Capítulo 26, versos 1 a 23). Enquanto Paulo discursava, inclusive narrando as circunstâncias de sua repentina e surpreendente conversão de perseguidor implacável da Igreja Cristã à condição de pregador do cristianismo, Festo o interrompeu em alta voz, bradando: “Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar!” (verso 24). Paulo, por sua vez, replicou destemidamente, com autoridade de quem diz a verdade: “Não deliro, ó excelentíssimo Festo, antes digo palavras de verdade e de perfeito juízo.” (verso 25).
Ora, Paulo não era um plebeu iletrado. Tampouco padecia de doença mental. Ao contrário, era homem culto e erudito, poliglota (falava e escrevia em hebraico, aramaico, latim e grego), instruído segundo toda a lei judaica, em Jerusalém, pelo famoso Rabino Gamaliel (um dos maiores e mais ilustres doutores da Lei na época), além de ser conhecedor da cultura e filosofia greco-romana (vide Atos 5:34, 13: 17-41, 17:18, 22:2 e 3, 23:6; Filipenses 3:5; I Coríntios 14:18). Paulo fora alguém respeitado por seus concidadãos, tanto que merecera confiança e delegação de autoridade dos líderes judaicos para perseguir, prender e até matar cristãos, como o mártir Estevão (Atos 7:54 a 8:3). Mesmo assim e apesar de seu bem articulado e veemente discurso, que por pouco não convenceu o Rei (“E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!”
Atos 26:28), foi arbitrariamente interrompido e tachado de “louco” porque sua fala e conduta destoavam do padrão ditado pela hegemonia cultural vigente. Um raso e conhecido artifício da erística , para desacreditá-lo e desmoralizá-lo publicamente diante da autoridade e demais presentes, que o ouviam atenciosamente.
Guardadas as devidas proporções e circunstâncias, fato é que atualmente, neste mundo pós-moderno, em que importantes valores civilizatórios estão sendo questionados e postos “de ponta cabeça”, a infame etiquetagem continua “de vento em popa”. E com objetivo claro: humilhar, constranger, calar, isolar e lançar no ostracismo todos aqueles que ainda os defendem e cultivam, mantendo-os sob efeito da “espiral do silêncio”.
Nos dias que correm, para tornar-se potencialmente merecedor do rótulo de “louco” basta que o sujeito, por exemplo:
1) esteja casado com pessoa do sexo oposto há mais de 05 anos, valorize o casamento heterossexual monogâmico e se desvie deliberadamente das oportunidades de adultério;
2) priorize a vida familiar e a participação na educação dos filhos, abdicando de momentos de lazer com amigos e/ou da ascensão e fama profissional, se inconciliáveis estes com aqueles;
3) considere seu trabalho mais do que fonte de renda ou status, mas algo que lhe dá sentido à vida, uma vocação e uma oportunidade de servir ao próximo e promover o bem comum (alto risco de classificação como “megalomaníaco”);
4) creia em valores morais absolutos e imutáveis, busque viver de forma coerente com sua fé, participe de alguma igreja, contribuindo financeiramente e/ou prestando serviços voluntários nos finais de semana e horários de folga (alto risco de classificação como “fanático”, “fundamentalista religioso”, “radical”, “puritano” etc);
5) aprecie músicas eruditas ou populares de boa qualidade técnica, com letras que não exaltem a licenciosidade sexual, a objetificação do ser humano, a malandragem ou o banditismo (além da etiqueta de loucura, atrai classificação de “pedante”, “elitista”, “chato”, “moralista” etc.);
6) tenha aversão a pichações em locais públicos, exposições de “arte moderna” ou “queer”, considerando-as expressões de mau-gosto e/ou manifestações ofensivas (afora o label da insanidade, podem recair acusações de censura e preconceito, bem como adjetivações de “retrógrado”, “antiquado”, “reaça” etc);
7) acredite que a escola deve ensinar língua portuguesa (conforme a norma culta), matemática, biologia, física, química, geografia, história e outras matérias do currículo, com isenção político-ideológica, ao passo que à família compete educar crianças e adolescentes (inculcar-lhes valores éticos, morais, religiosos e a orientação sexual);
8) acredite no mérito e no esforço individual como meios para alcançar êxito na vida pessoal e profissional, enunciando ressalvas ao sistema de cotas raciais;
9) expresse sua indignação e intolerância à criminalidade, manifestando-se pelo direito à posse/porte de armas de fogo pelos cidadãos para exercício do direito de legítima defesa, pela maior severidade na aplicação das penas privativas de liberdade e rigor na execução penal, pela redução da maioridade penal, pela admissibilidade da prisão perpétua ou da pena de morte, preconizando defesa dos direitos humanos das vítimas;
10) enuncie opiniões contrárias ao aborto, à legalização das drogas, à pregação da ideologia de gênero nas escolas, à erotização infanto-juvenil, ao casamento homoafetivo e à participação de indivíduos transgênero em competições esportivas com indivíduos do sexo oposto , inclusive em lutas de MMA, em que indivíduos biológica e fisiologicamente do sexo masculino/homens - em evidente superioridade física - agridem violentamente e subjugam indivíduos do sexo feminino/mulheres! (estes posicionamentos ensejam, é claro, xingamentos clássicos como “machista”, “fascista” e “homofóbico”).
Veja-se que muitos desses comportamentos ou opiniões não causariam maior estranheza há alguns anos ou décadas. Contudo, a cultura da sociedade ocidental sofreu gradual subversão, sendo atacada por uma espécie de surto anticivilizacional. O que outrora revelava virtude e era incentivado como sendo bom e salutar, passou a ser apontado como sintoma de loucura, motivo de escândalo, xingamentos, quando não de imputações criminais!
Por outro lado, a promoção ostensiva de pautas ditas progressistas, como a liberação do aborto (“meu corpo, minhas regras”), a legalização das drogas, a volubilidade e descompromisso nas relações amorosas e sexuais, a ridicularização dos conceitos tradicionais de casamento e família e sua substituição por qualquer tipo de união afetiva, a doutrinação escolar acerca das questões de gênero (mesmo que em contrariedade à orientação sexual, moral e religiosa da família), a estimulação sexual prematura de crianças e adolescentes, a igualdade absoluta entre indivíduos transgêneros e aqueles com sexo biológico e “gênero” harmônicos, o desarmamento da população civil, a pregação da falência da pena de prisão e o desencarceramento em massa como medida necessária à tutela dos direitos humanos de criminosos, a glamourização destes como agentes revolucionários em luta contra injustiças sociais e a demonização das polícias (cujos agentes são presumidos arbitrários, torturadores e assassinos de inocentes), são tidas como provas cabais da mais absoluta sanidade mental, neutralidade, prudência e bom senso do indivíduo. E mais: sem qualquer risco de que a excessiva abertura da mente pudesse vir a ejetar seu cérebro, como advertia G. K. CHESTERTON.
Mas como se chegou a essa situação? FLÁVIO GORDON, Doutor em Antropologia Social pela UFRJ, observa que para determinar a média da opinião pública (na verdade, opinião publicada), fabricando um aparente consenso social, “Basta que a classe falante cole naqueles que destoam de seus valores rótulos tais como ‘fanáticos’, ‘extremistas’, ‘ultrarreligiosos’, ‘reacionários’ ou ‘polêmicos’, fazendo com que pareçam portar uma visão parcial e radical do mundo, alheia à racionalidade padrão da opinião pública. Assim, a excêntrica visão de mundo de uma casta social minoritária acaba fazendo as vezes da normalidade sadia, ao passo que valores da maioria são ridicularizados e desprezados como aberrações patológicas, furto de mentalidades pouco esclarecidas.”
Foi exatamente o que ocorreu no Brasil. A elite cultural brasileira, secularizada e contrária aos valores morais e sociais tradicionais, apregoados pelas religiões de matriz judaico-cristã, conseguiu dominar grandes setores da mídia, das artes e da academia, influenciando também as esferas político-administrativas do Estado. Assim, logrou inocular aos poucos na sociedade sua particular visão de mundo, impondo à população brasileira – ainda majoritariamente conservadora - um moralismo próprio, o politicamente correto. Os que ousam desviar-se dessa cartilha – mesmo em um Estado Democrático de Direito que tem no pluralismo político um de seus fundamentos (art. 1º da CF/88) e que reconhece como direitos fundamentais a liberdade da expressão do pensamento e de crença religiosa e convicção filosófica ou política (art. 5º, incisos IV, VI e VIII, da CF/88) – são rapidamente alcunhados “loucos”, “reacionários”, “radicais” e “extremistas”, passando a ser vistos com desconfiança, tornando-se motivo de escárnio e maledicência, pouco importando sua honradez pessoal, sua competência e qualificação intelectual ou profissional e a razoabilidade de seus argumentos. O resultado é que a maioria se cala, temendo a exposição ao ridículo ou mesmo sofrer represálias.
O mais incrível é que esses etiquetadores de plantão são os mesmos que enchem a boca para pregar tolerância, liberdade e democracia. Apenas discurso, todavia, pois o pensamento que lhes perpassa as mentes é similar àquele confessado pelo jornalista americano Nicholas Kristof, do New York Times: “Aceitamos muito bem as pessoas que não se parecem conosco, com a condição de que pensem como nós.”
Contudo, perseguições, ironias e zombarias à parte, os resultados desse pseudoprogressismo político-ideológico e cultural no Brasil são gritantes e falam por si: 61.619 assassinatos por ano (em 2016) ; 01 roubo ou furto de veículo por minuto (em 2017) ; 437 policiais civis e militares mortos (em 2016), um aumento de 17% em relação ao ano anterior (2015) ; 79º lugar no ranking de desenvolvimento humano da ONU ; 88º lugar do ranking de educação da UNESCO ; 7ª maior taxa de gravidez na adolescência na América do Sul (65 gestações para cada 1.000 meninas de 15 a 19 anos) ; 05 casos de exploração sexual de crianças ou adolescente por dia (entre 2003 e 2008) , alcançando o vergonhoso 1º lugar no ranking da exploração sexual infanto-juvenil na América Latina (em 2012) ; 23.973 crianças e adolescentes vivendo nas ruas de 75 cidades com mais de 300.000 habitantes e outras 47.000 crianças e adolescentes em abrigos ; índices de transmissão e contágio de doenças sexualmente transmissíveis em crescimento . E, como sabido, nada há que não possa piorar, em seguindo a carruagem nos mesmos trilhos em direção ao despenhadeiro.
Frente a essa realidade alarmante a conclusão não poderia ser outra: o País precisa de menos gente passiva seguindo a manada, sob a toada do politicamente correto, e de mais “loucos virtuosos”. A agonizante nação brasileira reclama homens e mulheres de coragem, que, a despeito de risinhos irônicos, chacotas, indiferença ou ira dos que se intitulam “normais” e “ponderados”, aceitem o desafio de viver e trabalhar arduamente para conservar e restaurar as tradições e valores que sempre e em qualquer lugar garantiram a harmonia, a estabilidade e a prosperidade da civilização humana, preservando-a dos efeitos nefastos da barbárie. Eis uma loucura sábia, pois como adverte THEODORE DALRYMPLE, “o sábio questiona apenas aquelas coisas que merecem questionamento.”
* Marcos Eduardo Rauber, Promotor de Justiça no RS
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O mesmo Paulo, em sua segunda Epístola aos Coríntios, deixou expressa sua plena devoção à verdade, ao sentenciar: “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade.” (2 Coríntios 13:8).
2 Como leciona OLAVO DE CARVALHO, em prefácio à obra Como vencer um debate sem precisar ter razão: em 38 estratagemas (Dialética Erística), de ARTHUR SCHOPENHAUER (Rio de Janeiro, Topbooks, 1997, pp. 40-41), “A erística, em suma, é uma arte da discussão contenciosa, que, utilizando os instrumentos da dialética, da sofística, da erística e da retórica aristotélicas, abrange também os aspectos psicológicos do duelo argumentativo, ao mesmo tempo em que deixa de lado as regras de ordem ética que faziam da dialética aristotélica um instrumento confiável de investigação.” No caso, o artifício utilizado é definido por SCHOPENHAUER como “rótulo odioso”, porquanto “Um modo rápido de eliminar ou, ao menos, de tornar suspeita uma afirmação do adversário é reduzi-la a uma categoria geralmente detestada, ainda que a relação seja pouco rigorosa e tão só de vaga semelhança.” (Op. cit. p. 174). Assim, afirmar arbitrariamente que as ideias do debatedor são “loucura” se enquadra no conceito dessa detestável técnica erística.
3 NOELLE-NEUMANN, Elisabeth. The Spiral ou Silence: Public Opinion, our Social Skin. Chicago & New York: University of Chicago Press, 1993.
4 https://www.gazetaesportiva.com/campeonatos/superliga-feminina-de-volei/fivb-ratifica-inclusao-de-transgeneros-no-volei/, e https://www.gazetaonline.com.br/esportes/mais_esportes/2018/02/desempenho-da-trans-tiffany-na-superliga-feminina-provoca-discussao-1014118430.html, acessados em 13.02.2018.
5 http://sportv.globo.com/site/combate/noticia/2013/05/lutadora-transexual-vence-luta-com-alanah-jones-por-finalizacao-no-cfa.html, e https://www.youtube.com/watch?v=f_SRrT00szI, acessados em 13.02.2018.
6 "O objetivo de abrir a mente, assim como o de abrir a boca, é fechá-la novamente com algo sólido dentro. (...) Não seja tão mente aberta que o cérebro caia para fora". (https://www.facebook.com/chestertonnobrasil/posts/716468081753047?comment_id=1290533637679819&comment_tracking=%7B%22tn%22%3A%22R2%22%7D, acessado em 13.02.2018); citado também por GORDON, Flávio, A Corrupção da Inteligência: Intelectuais e Poder no Brasil. 1. Ed. Rio de Janeiro: Record, 2017, p. 325.
7 GORDON, Flávio. A Corrupção da Inteligência: Intelectuais e Poder no Brasil. 1. Ed. Rio de Janeiro: Record, 2017, pp. 66-67.
8 https://exame.abril.com.br/geral/pesquisa-ibope-comprova-que-brasileiros-estao-mais-conservadores/ , acessado em 12.02.2018.
9 Citado por GORDON, Flávio, op. cit. p. 338.
10 https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/brasil-registra-o-maior-numero-de-homicidios-da-historia-em-2016-7-pessoas-foram-assassinadas-por-hora-no-pais.ghtml, acessado em 12.02.2018.
11 http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/10/1931061-brasil-tem-1-roubo-ou-furto-de-veiculo-a-cada-minuto-rio-lidera-o-ranking.shtml, acessado em 12.02.2018.
12 http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2017/10/saiba-em-que-estados-policia-mais-morre-e-em-quais-mais-mata-no-brasil.html, acessado em 13.02.2018.
13 https://g1.globo.com/mundo/noticia/em-79-lugar-brasil-estaciona-no-ranking-de-desenvolvimento-humano-da-onu.ghtml, acessado em 12.02.2018.
14 https://guiadoestudante.abril.com.br/universidades/brasil-fica-em-88o-lugar-em-ranking-de-educacao-da-unesco/, acessado em 12.02.2018.
15 https://nacoesunidas.org/brasil-tem-setima-maior-taxa-de-gravidez-adolescente-da-america-do-sul/
16 https://www.unicef.org/brazil/pt/media_13759.html, acessado em 13.02.2018.
17 https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2012/11/21/alfredo-nascimento-brasil-ocupa-topo-do-ranking-de-exploracao-sexual-infantil-na-al, acessado em 13.02.2018.
18 http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/23-mil-criancas-ainda-vivem-nas-ruas-no-brasil-epp6r1bvny1r1impam9dv7426 . acessado em 12.02.2018.
20 https://saude.abril.com.br/bem-estar/numero-de-infeccoes-sexualmente-transmissiveis-nao-para-de-crescer/, acessado em 12.02.2018.
ESCOLA DE FRANFKURT: SATANISMO, FEIÚRA E REVOLUÇÃO. - 10/02/2018
A mídia e a Escola de Frankfurt
Um dos grandes paradoxos da civilização moderna é a coexistência de uma prosperidade material desconhecida junto à crescente feiúra e brutalidade social. As antigas formas de convivência social foram completamente devastadas e trocadas por diversões alucinadas onde uma música fabricada em laboratório hipnotiza e brutaliza os participantes. Nas ocasiões mais calmas, inexiste a antiga arte da conversa, da música e da poesia: só o que vemos são zumbis grudados em suas TVs e celulares. Muitos consideram que isso é uma evolução cultural natural, e até mesmo algo desejável e “progressista”. Mas em uma perspectiva histórica mais ampla, essa tirania da feiúra se mostra completamente injustificada. No final do século e no começo do século 20, a humanidade talvez tenha passado por um de seus maiores períodos criativos, com desenvolvimentos magníficos na música clássica, na literatura, na filosofia e em vários outros campos, e, pelo menos até a Segunda Guerra Mundial, esses desenvolvimentos tinham ampla reverberação na cultura popular. Como se deu uma queda tão rápida? Como chegamos ao mundo em que tudo é cultura, em que os estudantes universitários desejam proibir os grandes clássicos da literatura por não se encaixarem nos ditames do politicamente correto? O centro de onde irradiou essa verdadeira conspiração foi o Instituto de Pesquisa Social, popularmente conhecido como a Escola de Frankfurt.
Após a Revolução Comunista na Rússia em 1917, a crença geral do comunismo internacional era de que a revolução se espalharia como fogo por todo o mundo. Como isso não aconteceu, a Internacional Comunista deu início a uma série de iniciativas que buscavam compreender os motivos. Uma delas era liderada por Georg Lukács, um aristocrata húngaro, filho de um dos maiores banqueiros do Império Austro-Húngaro. Como comissário de cultura do breve regime comunista de Budapeste em 1919, ele descobrira um interessante fenômeno em relação à doutrinação ideológica. Um de seus projetos consistia na doutrinação marxista das crianças e adolescentes dos bairros mais pobres de Budapeste. Apesar da pesada carga de aulas e estudos, ele percebia que os jovens, ao saírem das salas de aula logo retomavam seus terços e sua devoção aos sacerdotes. Inspirado no pansexualismo de Sigmund Freud, ele optou por uma abordagem diferente: começaria com cursos de educação sexual. À medida que os cursos se espalharam, e incitaram alguns jovens a relações extraconjugais ou ao mero desafio das normas morais tradicionais, Lukács percebeu que os que entravam em conflito com suas igrejas e famílias logo estavam dispostos a aceitar qualquer tipo de doutrina que lhes fosse ensinada. Um dos motivos que levou à rápida queda do regime foi implantação por Lukács da educação sexual obrigatória, do acesso à contracepção, e do relaxamento da lei do divórcio, o que enfureceu a população devotamente católica da Húngria.
Lukács foi enviado para a Alemanha em 1922, onde liderou um encontro de sociólogos e intelectuais comunistas que viria a se tornar o Instituto de Pesquisa Social, a maior arma de guerra psicológica já desenvolvida pelo comunismo internacional. Para Lukács, o comunismo só invadiria o Ocidente com um movimento de características demoníacas, que fizesse prevalecer o sentimento de que fomos abandonados por Deus. A revolução só ocorreu na Rússia porque o país era há muito dominado por uma versão gnóstica do Cristianismo, como aparece nos escritos de Dostoievski. O que diferenciava o Ocidente da Rússia era principalmente a crença na sacralidade do indivíduo e sua capacidade de discernir a vontade divina através do uso progressivo da razão e da inteligência. A tarefa da Escola de Frankfurt consistiria então em destruir o legado judaico-cristão, por meio de uma abolição da cultura e a criação de novas formas culturais que levariam a uma alienação crescente da população e um novo barbarismo. Num período de três décadas, o Instituto de Pesquisa Social conseguiria o patrocínio das seguintes instituições para sua “causa”: universidades americanas e alemãs, a Fundação Rockfeller, a CBS(canal de TV americano), o Comitê Judeu-Americano, vários serviços de inteligência americanos, a Organização Internacional do Trabalho, etc..
Logo Stálin, enfurecido com o caráter cosmopolita do Instituto, cortou todo o financiamento soviético, uma atitude que expressa a relação de amor e ódio entre o nascente marxismo cultural e a ortodoxia do comunismo-leninismo. Uma outra grande figura do Instituto era Herbert Marcuse. Ele começou como um comunista, tornou-se um protegido de Heidegger no exato momento em que este se tornava um nazista; na América serviu à OSS, o embrião da CIA, e se tornou o analista chefe de política soviética durante o período de Joseph McCarthy; na década de 60 houve uma nova virada, e ele se tornou o guru mais importante da Nova Esquerda, e terminou seus dias fundando o Partido Verde na Alemanha Ocidental. Em tudo isso só há uma tentativa de responder à pergunta: quem poderá nos salvar da civilização ocidental?
O empreendimento de maior sucesso da escola de Frankfurt foi a influência maciça sobre o desenvolvimento da programação de rádio e TV da modernidade. Isso se deu a partir dos trabalhos de Theodor Adorno e Walter Benjamin. Em 1924, Adorno se mudou para Viena, para estudar com os compositores atonais Alban Berg e Arnold Schonberg, e se associou ao círculo ocultista ao redor do marxista renegado Karl Kraus. Ali ele entrou em contato com as idéias de Otto Gross, um discípulo extremista de Freud. Gross, um viciado em cocaína, tinha desenvolvido a teoria de que a saúde mental só seria atingida no Ocidente através de uma renascença do antigo culto de Astarte, que destruiria o monoteísmo e a família burguesa.
Um dos primeiros problemas em que se engajaram Adorno e Benjamin foi o da criação de uma base materialista sólida para a estética. O inimigo de ambos era Gottfried Leibniz, que era acima de tudo um antidualista, um inimigo da divisão gnóstica de corpo e mente, e que também afirmara a liberdade criativa humana. Para o marxismo, que tudo enxerga como fruto de uma teia de relações sociais, essa perspectiva é claramente um problema. Benjamin afirma então que a preponderância da mente racional é um erro, um triste legado de Sócrates. De fato, na origem de tudo está a capacidade de dar nomes às coisas, tomada aqui como uma espécie de imposição linguístico-social que nunca pode ter certeza de sua base objetiva. A tentativa de expressar a realidade é completamente distorcida pela natureza das relações de classe. Ao historicizar e relativizar dessa forma a busca da verdade, o conceito antiquado de bem e mal também pode ser esquecido. Foi por isso que Benjamin defendeu o que chamou de “Satanismo” dos simbolistas e surrealistas franceses, pois considerava que o cerne do Satanismo é o culto do mal como instrumento político, como instrumento de combate contra o diletantismo moralizante da burguesia. O objetivo de uma elite cultural na sociedade capitalista moderna deve ser a destruição da concepção da arte como imitação consciente do Deus criador; é preciso mostrar que a iluminação religiosa é, na verdade, uma iluminação profana, uma inspiração materialista e antropológica que pode ser iniciada pela maconha, pelo ópio e outras drogas. É preciso também criar novas formas culturais que aumentem a alienação da população, pois o povo precisa entender o quão alienante é viver sem o socialismo. Na música, por exemplo, ninguém deve acreditar que é possível compor hoje como Mozart e Beethoven; a composição deve ser atonal, diz Adorno, pois a atonalidade é doentia, e “o caráter doentio, dialeticamente, é ao mesmo tempo a cura…”. O objetivo da arte moderna deve ser a destruição do caráter elevador da arte, para que o homem, privado de sua ligação com o divino, só enxergue a revolta política como opção criativa. Trata-se de fomentar e organizar o pessimismo com instrumento político. Benjamin colaborou com Bertold Bretcht nesse sentido, e as peças teatrais que daí surgiram buscam desmoralizar e deixar a platéia gratuitamente irritadiça.
A análise feita por Adorno e Benjamin também é a base teórica de quase todas as tendências estéticas politicamente corretas que dominam as universidades. O pós-estruturalismo de Roland Barthes, Michael Foucault, e Jacques Derrida, a semiótica de Umberto Eco e o Desconstrucionismo de Paul de Man têm todos como fonte o trabalho de Benjamin. A novela Em Nome da Rosa, de Umberto Eco, é , por exemplo, nada mais que uma ode a Benjamin. Atualmente todos já têm a experiência de universitários alucinados que dizem que Monteiro de Lobato, Shakesperare e Platão são racistas, machistas e homofóbicos, e que isso é a única coisa que importa em suas obras. Mas a origem profunda dessa loucura é a tese de Benjamin-Adorno de que o que importa na obra artística é o contexto inconsciente das relações e tensões sociais. O abandono dos clássicos em prol de autores negros e feministas é bom porque a tradição é somente um conglomerado de falsos nomes, um logocentrismo que reflete a dependência que a burguesia tem de suas palavras. Se essas palavras de ordem universitárias parecem retardadas, é porque foram calculadas para serem. Adorno acreditava que as gerações vindouras seriam receptivas a esse tipo de propaganda porque seriam completamente retardadas pela reprodução mecânica da arte.
Antes do século 20, a distinção entre arte e entretenimento era muito maior. A experiência artística poderia ser divertida, mas era fundamentalmente ativa e não passiva. Era preciso fazer a escolha consciente de ir a um concerto, comprar um livro ou ir a uma exibição de arte. Não havia um acesso facilitado e até forçado às grandes formas culturais. A grande arte exigia um poder de concentração máximo e amplo conhecimento do assunto tratado. Naqueles tempos, a memorização da poesia e de peças de teatro e a reunião da família para um recital caseiro de piano eram a norma até no campo. As pessoas não aprendiam a “apreciar” a música, mas sim a executá-la. No entanto, as novas tecnologias contêm um potencial dialético de manipulação das massas na perspectiva marxista. O fato de que uma sinfonia de Beethoven pode ser infinitamente reproduzível leva a uma dessacralização da experiência e uma alienação crescente. Segundo Adorno, trata-se de um processo de desmitologização. Esta nova passividade diante do que antes exigia um esforço monstruoso poderia levar ao fracionamento da composição musical em partes “divertidas”, que poderiam ser então “fetichizadas” na memória do ouvinte, enquanto as partes difíceis seriam esquecidas. O ouvinte atomístico e dissociado é infantilizado, só que seu primitivismo não é o dos primitivos, mas sim dos forçosamente retardados.
Esse retardo conceitual indicava que que a programação das rádios poderia determinar as preferências. Se você tocar Mozart e Caetano Veloso na mesma rádio, tudo acabará mesclado como “música de rádio” na cabeça do ouvinte. Idéias agressivas e novas também poderiam ser introduzidas através da homogeneização da indústria cultural, que seria assim explorada pelas forças “progressistas”. Foram estas percepções que provavelmente justificaram o apoio maçiço que o Instituto recebeu do establishment americano depois de sua transferência para os Eua em 1934. Em 1937, a Fundação Rockfeller começou a financiar uma pesquisa sobre os efeitos sociais das novas formas de mídia de massas, particularmente o rádio, que ficou popularmente conhecida como o “Projeto do Rádio”. O diretor do projeto era Paul Lazersfeld, o filho adotivo do economista austro-marxista Rudolph Hilferding, e antigo colaborador do Instituto de Pesquisas Sociais. Dentre os colaboradores estavam Frank Staton, um P.H.D em psicologia industrial que viria a se tornar presidente da CBS no cume de sua influência e auxiliar influente de Lyndon Johnson; Herta Herzog, que se casaria com Lazersfelz e se tornaria a primeira diretora de pesquisa da Voz da América; e Hazel Gaudet, um dos principais diretores de pesquisas políticas dos Eua. Theodor Adorno era o chefe da seção musical. O objetivo era testar a tese de Adorno-Benjamin e mensurar o potencial da grande mídia para a lavagem cerebral.
O sucesso foi estrondoso. Uma das primeiras descobertas foi a do formato seriado de programação de novelas. Antes se acreditava que o sucesso desse formato se restringia a mulheres das classes baixas, que precisavam de um escapismo para suas vidas entediantes. Herta Herzog descobriu que não havia a menor correlação com o status socioeconômico e nem mesmo com o conteúdo. O fator determinante era a forma seriada; as pessoas se viciavam no formato, no desejo de saber o que irá acontecer na próxima semana. Descobriu-se que era possível até dobrar a audiência de uma peça de rádio dividindo-a em fragmentos. Não é nem preciso dizer como a indústria do entretenimento se apropriou desse insight. O próximo estudo do projeto foi uma investigação do terror causado pela transmissão que Orson Welles fez de A Guerra dos Mundos em 1938. A despeito de vários alertas sobre o caráter fictício da peça, aproximadamente 25% dos ouvintes acreditaram que era um relato real. Os pesquisadores descobriram que a maioria dos que entraram em pânico não acreditaram que marcianos estavam invadindo e sim os alemães. Os ouvintes já estavam condicionados pelas outras notícias e pela quebra do noticiário em pequenos boletins alarmistas. Welles usou essa técnica em seu programa, simulando que se tratava de uma série de boletins urgentes no meio de uma programação musical. A técnica de seriação das novelas, transplantada para o noticiário, funcionava perfeitamente.
Adorno e o Projeto do Rádio chegaram à conclusão de que a repetição do formato era a chave para a popularidade. O sucesso era determinado pela escolha e o formato da programação. Se um contexto familiar fosse mantido, qualquer conteúdo poderia se tornar aceitável. E nós, que padecemos com o funk e o sertanejo universitário, podemos atestar esse diagnóstico. A maior descoberta do projeto foi “Little Annnie” o apelido dado ao sistema de análise programas de Stanton-Lazersfelz. Os métodos anteriores de pesquisa de audiência eram bastante ineficazes e se limitavam a perguntar ao fim de um programa se a audiência estava satisfeita ou não e pedir uma opinião sobre o conteúdo. Isso não levava em conta a percepção atomizada do sujeito moderno, e exigia a análise racional de uma experiência irracional. O Projeto desenvolveu então um aparelho em que a pessoa podia registrar a intensidade do seu gosto e desgosto a cada momento de um programa. Ao comparar os gráficos, os pesquisadores puderam avaliar quais situações ou personagens provocavam um estado momentâneo de prazer. Essa descoberta transformou toda a indústria do entretenimento; os resultados das análises de programação e a audiência têm uma correlação que se aproxima de 85%. É por isso que hoje temos uma sensação de dejá vu em qualquer programa de TV. São os mesmos personagens e situações que se repetem indefinidamente, e somente o cenário se altera, pouco importando se é a Idade Média ou o espaço sideral. E a grande verdade é que o conteúdo estúpido e erótico da indústria do entretenimento não é uma necessidade natural, mas algo que foi planejado.
Esses esforços de manipulação da população geraram a pseudociência da pesquisa de opinião pública. Atualmente, tudo na mídia é direcionado por pesquisas de opinião, mesmo quando os jornalistas e senhores da mídia juram desejar estimular a liberdade de opinião e pensamento. A idéia da opinião pública como corte julgadora de tudo e todos é ademais absurda e irracional, pois nega a idéia da mente racional individual. A verdade é fruto do pensamento correto, e não do fato que 50,1% das pessoas concordam ou não com determinada asserção.
As técnicas de manipulação das pesquisas de opinião são inteiramente baseadas na psicanálise e se tornaram padrão em todo o mundo. Tudo gira ao redor do projeto de estudo da personalidade autoritária desenvolvido por Max Horkheimer, diretor do Instituto de Pesquisa Social pelos idos de 1942. Segundo Horkheimer, o objetivo era entender o preconceito com o objetivo de erradicá-lo. Nova traços de personalidade foram mensurados, incluindo o grau de convencionalismo, de agressão autoritária a pessoas que violam valores convencionais, de projetividade sobre os perigos do mundo e de preocupação com a sexualidade. A partir dessas mensurações foram construídas várias escalas: a escala E de etnocentrismo, a escala PEC de conservadorismo político e econômico, a escala A-S de antissemitismo e a escala F de fascismo. Surge um novo tipo ideal weberiano: a personalidade autoritária. Um observador mais benigno diria que a pesquisa provou que a população americana era conservadora, mas os mestres da Escola de Frankfurt viram nos resultados a prova de um fascismo irredutível e perigoso, oriundo da própria civilização cristã. A pesquisa foi popularizada por Hanna Arendt no seu famoso livro As Origens do Totalitarismo: todo mundo é um fascista em potencial.
Esse método de interpretação de pesquisas de opinião e personalidade é dominante até hoje nas ciências sociais e também em todos os grandes institutos de pesquisa, que surgiram motivados exatamente por essas novas descobertas e projetos. É ele também que perpassa todo o marketing das campanhas políticas, e por isso o maior medo de um político moderno é o “extremismo”, ou o fascismo na linguagem frankfurtiana. E não para por aí: todo o desenvolvimento da propaganda e da televisão nas décadas de 50 e 60 foi iniciado por pessoas treinadas nas técnicas frankfurtianas de alienação em massa, incluindo os diretores das grandes redes de televisão. Essa popularidade da Escola de Frankfurt advém do fato incrível de que as teorias da escola foram oficialmente aceitas pelo governo americano durante a Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que este dizia combater a ameaça comunista. A OSS, o embrião da CIA, era basicamente composto de frankfurtianos, dentre eles: Carl Schorske, Franz Neumann, Herbert Marcuse, Paul Baran, Otto Kirchheimer, Leo Lowenthal, Sophie Marcuse, Siegfried Kracauer, Norman Brown, Barrington Moore Jr, Gregory Bateson e Arthur Schlesinger. Um dos primeiros projetos da OSS, liderado por Marcurse, foi o uso de técnicas de lavagem cerebral para desnazificação da Alemanha do pós-guerra. Horkheimer, que recebeu dupla nacionalidade, sendo naquele momento o único indivíduo que era ao mesmo tempo alemão e americano, foi enviado à Alemanha para reformar todo o sistema universitário, tendo como fruto toda uma geração de pensadores antiocidentais como Hans-Georg Gadamer e Jurgen Habermas. Nos Eua, a influência intelectual da Escola de Frankfurt se fez sentir no fato de que a sociologia se tornou o curso universitário mais procurado durante a década de 60 e nas revoltas estudantis que marcaram a época.
Um outro braço das operações frankfurtianas chegou até às experiências da CIA com drogas psicodélicas. O LSD se tornou a droga de uso da própria agência e dos antigos membros do Instituto de Pesquisa Social. Foi Gregory Bateson, por exemplo, que levou o poeta Allen Ginsberg a participar de um experimento da Marinha com o LSD em Palo Alto, California. Esses alucinógenos tornam a vítima completamente antissocial e autocentrada, preocupada somente com objetos, que ganham uma aura monstruosa e ilusiva. As drogas produzem instantaneamente o estado de espírito desejado e propagado pela Escola de Frankfurt. Os famosos protestos de 1968 foram simplesmente frutos de décadas de atividade frankfurtiana e muitas drogas, não espantando que ao fim Herbert Marcuse tivesse emergido como o grande líder da revolta dos loucos. O visual de cabelos longos, a comida macrobiótica, a libertação sexual: tudo já tinha sido testado em comunidades ocultistas relacionadas com a Escola de Frankfurt, como a comuna de Ascona antes de 1920. O documento fundador da contracultura da década de 60 foi o Eros e Civilização de Marcuse, publicado em 1955 e financiado pela Fundação Rockfeller. Para Marcuse, o homem ocidental é unidimensional, e a única salvação é a libertação absoluta do erotismo em uma rebelião contra a racionalidade tecnológica. Foi ele que criou, na nova edição de 1966, o famoso slogan “faça amor, não faça guerra”. O objetivo era propagar a perversidade polimórfica e o pansexualismo como ideal civilizacional. Wilhem Reich, um membro mais marginal e louco da Escola de Frankfurt, chegou a dizer que o Nazismo fora causado pela monogamia. A educação primária foi dominada por um seguidor de Reich, A.S Neill, um ateísta militante e membro da Sociedade Teosófica, cujas teorias pregavam a rebelião aberta dos alunos contra os professores. Seu livro Summerhill atingiu a marca de 2 milhões de unidades vendidas em 1970 e se tornou leitura obrigatória de mais de 600 cursos universitários, influência que permanece até hoje. A libertação sexual da Escola de Frankfurt sempre foi um instrumento de controle político que visava transformar as pessoas em categorias objetivas através da despersonalização sexual. A partir daí, não somos mais indivíduos, mas negros, mulheres ou homossexuais. Tudo o que hoje chamamos de ideologia de gênero tem sua raiz em Marcuse, Fromm, Reich e outros agregados da Escola de Frankfurt.
Essa popularização da vida como um ritual pessimista e erótico é base do horror da vida moderna. Os herdeiros de Frankfurt dominam completamente as universidades e treinam os alunos em seus rituais de purgação politicamente corretos. A intolerância universitária é uma implementação da tolerância libertadora de Marcuse: toda a tolerância com a esquerda, nenhuma com a direita. Toda a arte foi erotizada e brutalizada até o ponto em que é impossível assistir um concerto de Mozart sem indicações de um contexto erótico. Crianças de 5 anos assistem em casa a filmes de terror com imagens que petrificariam os mais entusiasmados frequentadores do Coliseu romano. Fica claro que sem a destruição dessa verdadeira abominação da desolação, não será possível qualquer ressurgência da civilização ocidental em sua tradição judaico-cristã.
• Aluno do Seminário Filosofia - Olavo de Carvalho desde 2009, Doutor em Economia pela FGV/EPGE e professor universitário.
• Publicado originalmente no blog do autor https://muriloresende.org (inclua nas suas preferências!)
Fontes
Minnicino, Michael. The Franfkurt School and Political Correctness. Disponível em: https://www.schillerinstitute.org/fid_91-96/921_frankfurt.html
PREVISÍVEL: HISTERIA DO ASSÉDIO SEXUAL VAI PREJUDICAR MULHERES EM BUSCA DE TRABALHO - 31/01/2018
A tônica da cerimônia de premiação dos melhores da música no ano, o Grammy, realizada domingo passado em Los Angeles, foi, a exemplo do que já ocorrera na entrega do Globo de Ouro recentemente, o combate ao assédio sexual perpetrado contra mulheres?—?mais ou menos como se Collor resolvesse nos passar um sermão contra a corrupção.
O“teste do sofá”, afinal de contas, sempre foi sabidamente uma prática corriqueira no meio artístico, solenemente tolerada durante décadas por aqueles expoentes da mídia que de tudo sabiam e poderiam, se assim quisessem, ter denunciado e revertido o quadro (como Oprah Winfrey e Meryl Streep, amigonas do peito do tarado produtor Harvey Weinste).
Sim, poderiam estas figuras proeminentes ter evitado o sofrimento de inúmeras vítimas, mas preferiram quedar-se caladas e seguir gozando de seus privilégios (para somente agora, depois de tudo vindo à tona, fingirem afetação e lucrarem chorando no púlpito).
Tudo foi temperado, claro, com uma generosa dose de ódio ao presidente Donald Trump, expressado das mais variadas e criativas formas (não que isto tenha sido bom para os negócios, visto que a audiência caiu 21% em relação ao ano anterior).
É claro que este evento não foi um ato isolado: ele está inserido em uma onda de acusações de sexual misconduct que vem tomando conta das capas de jornais na América. E a patrulha politicamente correta, como não poderia deixar de ser, já está fazendo de tudo para capitalizar em cima da dor alheia.
Nesta empreitada para amealhar poder, quanto mais melhor: já há casos de carreiras profissionais destruídas do dia para a noite por conta de revelações de abusos sexuais que teriam ocorrido há mais de trinta anos e muitas outras histórias de suposto machismo mal explicadas.
É o mesmo roteiro que observamos desenrolar-se sempre que a Esquerda resolve cooptar determinado segmento da sociedade como massa de manobra: queremos opor negros a brancos? Então qualquer traço de desigualdade será apontado como “racismo estrutural” a partir de agora, a fim de inflar o coro dos descontentes?—?prováveis eleitores, no caso; queremos opor homossexuais a heterossexuais? Então agora qualquer piadinha será vista como homofobia; e por aí vai o processo de dividir para conquistar.
Ou seja, aniquilar o senso de proporção das coisas é o primeiro passo desta estratégia de dominação, e não poderia ser diferente no caso do assédio sexual: se aqueles que se denominam “progressistas” querem chamar para si a defesa de um determinado grupo (e dele ganhar a simpatia e o apoio), quando mais elástico for o critério para fazer parte deste grupo, melhor para eles. Neste cenário, qualquer elogio, assobio, piscada ou até mesmo olhar pode virar atitude condenável típica do patriarcalismo.
O problema é que quando tudo é estupro, nada é estupro. O conceito resta banalizado de tal forma que sequer logra chamar mais a atenção do público em geral— exatamente como já ocorre com o racismo e a homofobia.
Há uma consequência não intencional deste movimento (conhecido na América como #MeToo), porém, que muito em breve se fará sentir no mercado de trabalho, e que consiste em (mais um) tiro no pé das mulheres disparado pelo movimento feminista: muitas empresas podem deixar de contratar empregadas por receio de processos por assédio sexual, como declarou o diretor de cinema Steven Soderbergh em entrevista recente.
Que dúvida que isso iria acontecer: já parou para pensar no tamanho da insegurança jurídica para um empregador se aceitarmos automaticamente como verdadeira qualquer acusação feita por ex-empregadas, décadas depois?, podendo resultar na ruína de seu empreendimento? Nem mesmo a Justiça do Trabalho representa risco tão grande, visto que o trabalhador tem até dois anos para acionar o Judiciário depois da rescisão contratual.
Existe, todavia, uma saída mais ou menos definitiva para este estado de coisas, mas ela não interessa muito àqueles tomados pela mentalidade anticapitalista: uma pessoa somente se submete a constrangimentos das mais diversas naturezas e a condições degradantes no ambiente de trabalho se não tiver outra opção para prover seu sustento.
Tipo assim: o que impede que a empregada que não aguenta mais o supervisor que a convida todo dia para ir ao motel simplesmente peça demissão e procure outro emprego? Simples: a incerteza diante da possibilidade de ficar desempregada.
A solução duradoura deste conflito, portanto, passa por estimular o empreendedorismo no país, especialmente cortando burocracias que travam investimentos e reduzindo impostos. Mais liberdade econômica implica em economia aquecida, que redunda em mais empregos, os quais consistem em mais oportunidades e opções de trabalho.
E é exatamente o que está começando a acontecer nos Estados Unidos sob a administração Trump: o desemprego da parcela feminina da população está no menor nível registrado nos últimos dezessete anos (a da parcela negra está no menor nível de todos os tempos).
Quer dizer, Trump está criando as condições econômicas necessárias para que mulheres, negros, gays, enfim, qualquer indivíduo que se sinta ofendido por seus colegas ou chefes possa conquistar sua alforria sem depender do governo, bastando partir para uma alternativa?—?e elas tanto existirão em bom número quanto mais o Estado eliminar barreiras ao setor privado.
A ironia das ironias: os apaniguados dos políticos Democratas, que tanto querem estrangular a iniciativa privada com dirigismo estatal e tributos escorchantes, vestindo preto em uma refinada festa, regada a muito luxo, para protestar pelas mulheres abusadas, sendo que as medidas governamentais que defendem só fazem expor essas mesmas mulheres ao primeiro emprego que milagrosamente lhes aparecer no horizonte— e daí aguente o que vier pela frente (na melhor das hipóteses) durante o expediente; ou isso, ou rua!
As protagonistas do #MeToo recentemente foram criticadas por artistas e intelectuais francesas. Essas alegaram, em seu manifesto, que aquelas deturparam por completo o movimento feminista de primeira onda. E não poderiam estar mais corretas: essas lutaram, em meados do século passado, pelo direito de trabalhar, dirigir e ter mais liberdade; aquelas só conseguem fazer as mulheres pagarem mais para entrar na balada, serem preteridas na entrevista de emprego e ficarem solteiras e depressivas por enxergarem nos homens inimigos mortais.
* Publicado originalmente em https://medium.com
O RIO DE JANEIRO CONTINUA SÓRDIDO - 30/01/2018
Ao contrário do que diz o sambinha baiano - de indisfarçável ranço demagógico - o Rio de Janeiro continua sór-di-do (e bota sordidez nisso). Ao vasto acervo de misérias que o degradam há mais de quatro décadas, ajunta-se agora o anúncio feito por Lula, no Teatro Casa Grande (velho terreiro da esquerda “festiva”), da candidatura de Celso Amorim, o “Celsinho da Embrafilme”, ao cargo de governo do Estado do Rio de Janeiro. É karma. Como já escrevi antes, Amorim é o anti-diplomata que o Brasil teria a obrigação de desterrar mas que nenhum país democrático do mundo poderia receber.
Falo adiante sobre o “desastre” Amorim mas, antes, devo informar ao leitor que atuo no Rio como jornalista desde os áureos tempos de Carlos Lacerda, governador excepcional, probo, corajoso e realizador que, no Rio Janeiro (à época, Estado da Guanabara), fez quase tudo que nele há de importante, ainda hoje, lá se vão quase 60 anos!
Embora sem a mesma grandeza de Lacerda, cito, de memória, alguns governadores corretos, entre eles, Negrão de Lima, ex-prefeito da antiga Capital Federal, que se interpôs à bagunça comunista; Floriano Faria Lima, administrador objetivo na integração da cidade ao interior do Estado, tarefa árdua, além de construir viadutos, obras do Metrô e, na base, as usinas nucleares de Angra dos Reis; e ainda Chagas Freitas, que durante dois mandatos dialogou com os militares e empreendeu milhares de obras – e que, por isso mesmo, era odiado por Ulysses Guimarães, múmia politiqueira que nos legou uma constituição de direitos sem haveres - vale dizer, uma mixórdia que tornou o país ingovernável.
Mas quem marcou fundo a esculhambação assumida que impera hoje no Rio foi, em definitivo, Leonel de Moura Brizola, o “Engenheiro do Caos”, caudilho rocambolesco que introduziu no pedaço o permissivo “socialismo moreno”, prática política que consolidou a transformação das favelas em território livre para a exploração do narcotráfico e do contrabando de armas – ambos oficialmente imunes ao combate policial. Seus acólitos iam do malandro Carlos Imperial ao folclórico Cacique Juruna, passando por Agnaldo Timóteo, César Maia e Garotinho até chegar a Darcy Ribeiro
(“louco de pedra”) e Saturnino Braga, economista da Cepal que, eleito prefeito, decretou a falência da cidade e em seguida, por incompetência, abandonou (chorando) o cargo.
Depois do caudilho Brizola vieram os socialistas Moreira Franco (apelidado de “Vira-Bosta”, pássaro dos pampas, pelo próprio Brizola); Marcelo “Velho Barreiro” Alencar; Anthony “Trêfego” Garotinho e a consorte Rosinha; Sérgio Cabral (formado pela Juventude Comunista na decoreba de “O Estado e a Revolução”, do também assaltante Vladimir Lenin) e Luiz Fernando Pezão, herdeiro de Cabral, conhecido intramuros como “Mãozão” – todos, sem exceção, investigados, processados e alguns até condenados por ladroagem, corrupção, falsidade ideológica, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e crimes de igual teor. O mais vil, Sérgio Cabral, mitificado pela mídia esquerdista enquanto candidato eleito (duas vezes), era o anfitrião de festas romanas rigorosamente “privês” oferecidas ao chefão Lula, o Chacal, no seu Taj Mahal de Mangaratiba.
No seu livro “Leviatã”, Thomas Hobbes, teórico político inglês do século XVIII, profetiza o advento de uma sociedade na qual prevaleceria a “guerra de todos contra todos”. Toucheé!
É exatamente o que se passa no Rio de Janeiro de hoje, desgovernado ao longo dos anos por mandatários socialistas absortos em propagar “direitos humanos, igualdade e justiça social”. De fato, fracionado em centenas de campos de batalha, a cada minuto policiais enfrentam bandidos bem armados, que, por sua vez, tocam fogo nas falidas UPPs (invenção e objeto de marketing cabralino) e matam militares aos magotes. Em meio a permanentes rajadas de metralhadoras, granadas e tiros de fuzil, morrem homens, mulheres, velhos e crianças vítimas de “balas perdidas” – que de perdidas não têm nada.
Por sua vez, com a mídia local voltada para a divinização de lésbicas, gays, bissexuais e travestis (LGBT) e a fervorosa campanha pela liberação da droga, o Rio aflito vive no sufoco vitimado por “sequestros relâmpago”, arrastões em praias e zonas comerciais, assaltos a restaurantes, bares, lojas e hotéis. Nos últimos tempos, intensificaram-se as explosões de caixas eletrônicos e os sequestros de caminhões transportadores de alimentos e produtos eletrônicos, embora o comunista Raul Jungmann, barbudinho ministro da Defesa, apareça toda hora nas TVs prometendo o controle dos assaltos e saques pelas tropas do Exército – saques que se sucedem, em rotina monótona, pelo menos seis vezes por dia.
Inútil assinalar ainda que o Rio, cidade de limpeza urbana ocasional, está catalogado pela Agência TripAdvisor International como “uma das dez cidades turísticas mais sujas do mundo”, ao lado de Bangkok e Bombaim, urbes 100% putrefatas. Nas suas calçadas e sob viadutos, vegetam cerca de 90 mil zumbis, alcoolizados ou maconhados e famintos, num vai e vem sem fim. Pior: nas regiões serranas, chuvas mais prolongadas colocam cidades como Petrópolis, Teresópolis e Friburgo à mercê de desabamentos fatais pelo deslizar de encostas sobre casas e barracos. Em geral, como as verbas oficiais são roubadas pelos prefeitos não há ação preventiva nem apoio aos deserdados da sorte.
Voltando ao “desastre” Amorim - o candidato do condenado Lula ao governo do Rio de Janeiro -, descobri que o espaço ficou exíguo para relatar parte mínima de suas “proezas”. Fica para o próximo artigo.
* Publicado originalmente no Mídia Sem Máscara.
* * Jornalista, cineasta e escritor.
COLOCANDO CHURCHILL NO SEU DEVIDO LUGAR - 28/01/2018
O recente filme de Joe Wright, “O destino de uma nação”, trouxe mais uma vez à baila a herança e as histórias de Winston Churchill. Sua grandiosidade como estadista e líder, especialmente construída após o termino da Segunda Guerra Mundial, inspira e motiva pessoas em todos o mundo, sejam políticos, empresários ou estudantes.
Mas no Brasil, diferentemente do resto do mundo, perdura uma indelicada e insensata necessidade de destruir tudo aquilo que porventura algum grupo ou indivíduo entenda que difira de seu modo de pensar. Churchill deveria estar acima deste tipo de mesquinharia, uma vez que foi sua ferrenha obstinação por salvar a sociedade ocidental que a democracia e a liberdade perduraram. Chamo a atenção para dois recentes artigos, um de Luis Fernando Veríssimo, publicado no jornal Zero Hora em 15 de janeiro de 2018 e outro de Ancelmo Gois, em sua coluna no Jornal O Globo em 24 de janeiro de 2018.
Veríssimo, em um artigo chamado “Cara de bebê”, alega que Churchill foi “um típico servidor do que o Império Britânico tinha de mais retrógrado e arrogante e um apologista do uso de gás venenoso contra seus inimigos... Churchill nunca mudou, mudou a sua circunstância”. Veríssimo continua dizendo que Churchill “valeu-se de outro mito, o da Inglaterra como uma ilha abençoada, descrita por Shakespeare”. Termina seu texto comentando que “Churchill foi endeusado como o salvador da pátria, com razão, mas os eleitores ingleses decidiram rebaixá-lo, de fazedor de História a herói desnecessário, no fim da guerra. Despacharam-no. Não se sabe se saiu de Downing Street desencantado”.
Churchill era um leitor inveterado e seus discursos comprovam isto. Por sinal, escrever era a forma pela qual ele garantia seu sustento e sua produção literária compreende mais de 40 volumes. Veríssimo sabe que para se escrever bem, deve-se ler em dobro. Diversos de seus discursos foram baseados em textos de terceiros como “Sangue, trabalho, lágrimas e suor”, de Giuseppe Garibaldi. Por que não beber na principal fonte da literatura inglesa e mundial? Por que não construir sobre a herança de William Shakespeare? Veríssimo sugere que Churchill plagiou o bardo. Sobre defender o uso de gás tóxico, gostaria saber a fonte da informação, ou seria mera suposição? E sim, Churchill perdeu a eleição de 1945 e a principal razão foi que ele desejava continuar a guerra e lutar contra a URSS para liberar Tchecoslováquia e Hungria. O motivo de sua derrota não foi o desencanto com seu líder, mas uma democrática mensagem do povo ao líder de que não desejavam mais guerrear. Churchill passa a partir deste momento a escrever as memórias da Guerra, seis volumes que lhe garantiram o prêmio Nobel de Literatura em 1953. Não obstante, Churchill é reeleito para um segundo mandato, entre outubro de 1951 até abril de 1955. Foi, na mesma linguagem de Veríssimo, “redespachado” para o antigo endereço em Downing street, nr. 10.
Já o texto de Ancelmo Goís é pura provocação. Baseado em uma citação proferida por Churchill em 1920 quando disse que “a política é quase tão excitante como a guerra, e quase tão perigosa. Na guerra, só se pode morrer uma vez; na política, muitas”, o jornalista faz uma tentativa de enquadrar o ex-presidente Lula nesta condição. Nada mais equivocado e distante da realidade. Tentar colocar o agora condenado Luís Inácio no mesmo patamar que Winston Churchill é de uma ingenuidade impressionante. As diferenças, citando algumas, são de escolaridade (embora muitos acreditem que ignorância é virtude, mas não é), caráter (ou se tem ou não se tem), personalidade (capacidade de aprender e exercer empatia), visão (de mundo versus de poder), respeito e dignidade (enorme versus nenhuma).
Destaco apenas uma: a capacidade de aprender com seus erros. Churchill cometeu diversos erros ao longo de sua vida política. A derrota da Armada Britânica em Gallipoli na Primeira Guerra Mundial, a adoção do padrão ouro antes da grande depressão, em que pese não poderia ter previsto a crise, duas trocas de partido (inadmissível para alguns ingleses) e a derrota na batalha da Noruega na Segunda Grande Guerra, foram alguns destes. Entre 1929 e 1939, Winston viveu no ostracismo político, não sendo convocado para nenhum cargo ou função em gabinetes.
O ex-presidente Lula cometeu grandes erros também, sendo que parte deles de forma deliberada. Aos erros “não forçados”, usando uma linguagem tenística, está a formação de um ministério gigante, a contratação em massa de funcionários públicos, a não realização de reformas estruturantes e a indicação da Sra. Dilma Rousseff para sua sucessão. Os erros deliberados foram a construção de uma estrutura política corrupta, em dimensões jamais vistas na política mundial e a tentativa de transformar o Brasil em uma “República Bolivariana”, com todas as consequências possíveis. Lula foi, e é, líder de uma quadrilha de bandidos e por conta disso já foi condenado em duas instâncias.
Se posso destacar apenas esta diferença entre Churchill e Lula é que erros são formas de aprendizado. Erros devem ser primeiro admitidos, demonstrando grandeza e humildade e depois, absorvidos e analisados, para que não se repitam. Churchill errou muitas vezes, portanto “morreu” na mesma quantidade. Suas “ressureições” devem-se a sua capacidade de gerar mais benefícios por suas ações positivas do que o contrário. O escritor Alvin Toffler comenta que “o analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender”. Sob este aspecto Churchill viveu no século XXI e Lula vive no século XIX.
As mortes políticas de Churchill serviram para modelar o homem. A morte política de Lula serve para que seus seguidores tentem criar um mártir. Quem sabe Lula possa aproveitar seu tempo na cadeia e ler, expandir seus horizontes e ampliar sua visão de mundo? SQN.
Uma das grandes lições de Churchill, que com certeza poderiam ser estudadas por Veríssimo, Góis e Lula, consta na introdução das “Memórias da Segunda Guerra Mundial” e consiste em uma síntese poderosa de sua personalidade e caráter, um resumo de sua forma de pensar e de agir.
Na Guerra: Determinação
Na Derrota: Insurgência
Na Vitória: Magnanimidade
Na Paz: Boa Vontade.
* Ricardo Sondermann é empresário e professor, autor da obra “Churchill e a Ciência por trás dos discursos: Como palavras se transformam em armas” em venda na Amazon.com.br e nas principais livrarias no país.
UMA NOVA GERAÇÃO DE MAGISTRADOS PEDE PASSAGEM - 26/01/2018
Desempenho impecável e encantador
A transmissão ao vivo do julgamento do TRF4 permitiu ao público compará-lo com os julgamentos que se tem visto no Supremo Tribunal Federal. A postura dos magistrados, raciocínio, método de análise, forma de se comunicar, tudo é diferente.
Não há competição pessoal ou ideológica entre eles. Nem elogios recíprocos. Cada um é si próprio. Não há troca de críticas veladas, ou aplausos desnecessários. Ou insinuações jogadas no ar. Mais ainda: não há exibicionismo.
Não querem mostrar cultura. Não discutem com jargões jurídicos. Não se valem de doutrinas exóticas plantadas e nascidas no além mar. Não é preciso, embora seja legitimo e, às vezes, indispensável buscar amparo em autores ou abstrações estrangeiras. Em geral ultrapassados.
A argumentação é toda fundamentada nos fatos. Vistos e provados. Não se baseia apenas em testemunhos ou denúncias. Fundamentam seu raciocínio no senso comum que emanam dos fatos. Provas materiais. Ou como diria Ulysses Guimaraes: com base em suas excelências, os fatos. Que de tão evidentes e intensamente descritos não deixam margem a qualquer dúvida razoável.
Não é preciso muita argumentação para dizer o que é simples. Ninguém manda mudar um apartamento, manda comprar utensílios, faz visitas com o construtor, não pergunta preço, e não paga – só o dono de um imóvel procede assim.
A prova da propriedade está no comportamento registrado ao vivo. E não no papel, na escritura A ou B. Simples assim. Os magistrados de maneira informal tentaram transmitir o que a linguagem jurídica, formal, muitas vezes oculta.
A transmissão ao vivo permitiu a cada um de nós formar a própria opinião. Escolher um lado. Quase pegar a justiça com as próprias mãos, com as mãos do seu próprio entendimento. Restou provado que o Tribunal Federal da 4ª Região pretendeu ir muito além de simplesmente julgar o ex-presidente.
Apresentou ao Brasil uma nova maneira de pensar, expressar e construir a justiça. Provavelmente a maneira de magistrados se comportarem na televisão, na internet e até nos julgamentos sem transmissão nunca mais será a mesma.
Uma nova geração pede passagem.
• Joaquim Falcão é professor da FGV Direito Rio. Seus artigos podem ser encontrados em www.joaquimfalcao.com.br
SÓ UM GOLPE SALVA O PT - 24/01/2018
Flagrados com a mão na cumbuca, os dirigentes do partido da moral e da ética ficaram sem argumentos fáticos para se defender perante o povo e a militância em geral. E agora, José? Façamos de conta que tudo é um sonho.
Conta-se o sonho de que os inimigos, não suportando o sucesso do maior partido de esquerda das Américas, montaram uma trama diabólica para criminalizar suas ações:
Para blindar os dirigentes como heróis e dar à militância um ar de guerrilheiros, para que suportem a vergonha de defender a corrupção e o assalto aos cofres públicos, quando até dia desses se vangloriavam de ser honestos e acusavam os adversários de ladrões, volta-se no tempo pré-1964, vislumbram golpes de estado, estados de sítio, baionetas escaladas, fuzis e metralhadoras:
Veremos como termina o sonho, após o julgamento no Tribunal Federal do Rio Grande do Sul. O Judiciário é fascista? Como fechá-lo? Chamem Lênin, Stálin, Polpot, Fidel, Che Guevara ou Hugo Chavez! Não, mais fácil seria com Kim Jong-un e Nicolás Maduro, que estão vivos.
Cadê o golpe que não vem para justificar o heroísmo do militante? Esse estado de direito é mesmo um horror! Como ousa julgar Lula?
• Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.
• Publicado originalmente no Diário do Poder
A FÓRMULA PARA ENLOUQUECER O MUNDO - 21/01/2018
Hipnotizada pela lógica do desejo, que não enxerga cura para os males senão na busca de mais satisfações e mais liberdade, como poderia ela descobrir que seu problema não é falta de bens ou prazeres, mas falta de deveres e sacrifícios que restaurem o sentido da vida e a integridade da alma? (Olavo de Carvalho)
Adam Smith observa que em toda sociedade coexistem dois sistemas morais: um, rigidamente conservador, para os pobres; outro, flexível e permissivo, para os ricos e elegantes. A história confirma abundantemente essa generalização, mas ainda podemos extrair dela muita substância que não existia no tempo de Adam Smith. O que aconteceu foi que o advento da moderna democracia modificou bastante a convivência entre os dois códigos. Primeiro elevou até à classe dominante o moralismo dos pobres: na América do século XIX vemos surgir pela primeira vez na História uma casta de governantes que admitem ser julgados pelas mesmas regras vigentes entre o resto da população. No século seguinte, as proporções se invertem: a permissividade não só se instala de novo entre a classe chique, mas daí desce e contamina o povão. É verdade que não o faz por completo: metade da nação americana ainda se compreende e se julga segundo os preceitos da Bíblia. Mas os efeitos da "revolução sexual" foram profundos, espalhando por toda parte o permissivismo e o deboche para muito além da esfera sexual. O episódio Clinton, perdoado pelo Parlamento após ter usado o Salão Oval da Casa Branca como quarto de motel, mostra que, para uma grande parcela da opinião pública, até as aparências de moralidade se tornaram dispensáveis. Um breve exame das estatísticas de gravidez infanto-juvenil e do uso de drogas mostra que idêntica transformação ocorreu nos países da Europa ocidental, onde a dissolução dos costumes já vinha desde o fim da I Guerra Mundial (v. Modris Eksteins, Rites of Spring ).
As conseqüências dessa transformação se ampliam para muito além do domínio "moral". Conforme vem demonstrando E. Michael Jones numa série memorável de estudos (Degenerate Moderns: Modernity as Rationalized Sexual Misbehavior , San Francisco, Ignatius Press, 1993, e volumes subseqüentes) , é aí mesmo que se deve procurar a causa do sucesso das ideologias totalitárias no século XX. Articulando o seu diagnóstico com o de Gertrude Himmelfarb em One Nation, Two Cultures: A Searching Examination of American Society in the Aftermath of Our Cultural Revolution (New York, Vintage Books, 1999), podemos chegar a algumas conclusões bem elucidativas.
O poeta Stephen Spender, após romper com o Partido Comunista, já havia admitido que o que conduzia os intelectuais ocidentais à paixão por ideologias contrárias à própria liberdade de que desfrutavam era o sentimento de culpa e o desejo de livrar-se dele a baixo preço. A origem dessa culpa reside no fato de que amplas faixas da classe média passaram a desfrutar de lazeres e prazeres praticamente ilimitados, sem ter de arcar com as responsabilidades políticas, militares e religiosas com que a antiga aristocracia pagava o preço moral dos seus desmandos sexuais e etílicos. Num tempo em que a França era o país mais cristão da Europa, Luís XIV tinha nada menos de 28 amantes, mas sua rotina de trabalho era mais pesada que a de qualquer executivo de multinacional, sem contar o fato, tão brilhantemente enfatizado por René Girard (Le Bouc Émissaire , Paris, Grasset, 1982), de que a função real trazia consigo a obrigação de servir de bode expiatório para os males nacionais: quando a cabeça de Luís XVI rolou em pagamento das dívidas de seu pai e de seu avô, isso não foi uma inovação revolucionária, mas o simples cumprimento de um acordo tácito vigente no cerne mesmo do sistema monárquico. Já na Idade Média, os encargos da defesa territorial incumbiam inteiramente à classe aristocrática: ninguém podia obrigar um camponês ou comerciante a ir para a guerra, mas o nobre que fugisse aos seus deveres bélicos seria instantaneamente executado pelos seus pares. Noblesse oblige : a classe aristocrática era liberada de parte dos rigores morais cristãos na mesma medida em que pagava pela sua liberdade com a permanente oferta da própria vida em sacrifício pelo bem de todos. A democratização da permissividade espalha os direitos da aristocracia por uma multidão de recém-chegados que de repente se vêem liberados da pressão religiosa sem ter de assumir por isso nenhum encargo extra, por mínimo que seja, capaz de restaurar o equilíbrio entre direitos e deveres. Ao contrário, junto com a liberdade vem o acesso a bens inumeráveis e a um padrão de vida que chega mesmo a ser superior ao da velha aristocracia – tudo isso a leite de pato. Ortega y Gasset notou, no seu clássico de 1928, La Rebelión de las Masas , que o típico representante da moderna classe média, o "homem massa", era realmente um filhinho-de-papai, um señorito satisfecho que se julgava herdeiro legítimo de todos os benefícios da civilização moderna para os quais não havia contribuído em absolutamente nada, pelos quais não tinha de pagar coisa nenhuma e dos quais, geralmente, ignorava tudo quanto aos sacrifícios que os produziram.
Por toda parte, nas civilizações anteriores, um certo equilíbrio entre custo e benefício, entre direitos e deveres, entre prazeres e sacrifícios, era reconhecido como o princípio central da sanidade humana. A liberação de massas imensas de população para o desfrute de prazeres e requintes gratuitos é uma das situações psicológicas mais ameaçadoras já vividas pela humanidade desde o tempo das cavernas. Para cada indivíduo engolfado nesse processo, o efeito mais direto e incontornável da experiência é um sentimento de culpa tanto mais profundo e avassalador quanto menos conscientizado. Mas como poderia ele ser conscientizado, se na mesma medida em que se abrem as portas do prazer se fecham as da consciência religiosa? O señorito satisfecho é corroído por um profundo ódio a si mesmo, mas está proibido, pela cultura vigente, de perceber a verdadeira natureza de suas culpas, e mais ainda de aliviá-las mediante a confissão religiosa e o cumprimento de deveres penitenciais. A culpa mal conscientizada, conforme a psicanálise demonstrou vezes sem conta, acaba sempre se exteriorizando como fantasia persecutória e acusatória projetada sobre os outros, sobre "o mundo" sobre "o sistema". O homem medianamente instruído do nosso tempo joga suas culpas sobre "o sistema", fingindo para si mesmo que está revoltado pelo que ele nega aos pobres, quando na realidade o odeia por aquilo que esse sistema lhe dá sem exigir nada em troca. Não que o sistema seja isento de culpas; mas a mesma prosperidade geral que espalha os benefícios da civilização entre massas crescentes que jamais poderiam sonhar com isso nos séculos anteriores mostra que essas culpas não são de ordem econômica, mas cultural: o capitalismo não cria miséria e sim riqueza; mas junto com ela espalha o laicismo e o permissivismo, rompendo o equilíbrio entre o prazer e o sacrifício, necessidade básica da psique humana. Daí o aparente paradoxo de que o ódio ao sistema se dissemine principalmente – ou exclusivamente – entre as classes que dele mais se beneficiam materialmente (lembre-se do que eu disse sobre o movimento gay no artigo da semana passada). A tentação socialista aparece aí como o canal mais fácil por onde as culpas do filhinho-de-papai são jogadas precisamente sobre as fontes do seu bem-estar e da sua liberdade.
Vejam essa meninada da USP, gente de classe média e alta, depredando uma universidade gratuita, e compreenderão do que estou falando: o que esses garotos precisam não é de mais benefícios; é de uma cobrança moral que restaure a sua sanidade. Mas, como os representantes do Estado são eles próprios señoritos satisfechos que também não compreendem a origem das suas próprias culpas, sua tendência é fazer dos jovens enragés um símbolo da sua própria consciência moral faltante; daí que lhes cedam tudo, num arremedo de penitência, corrompendo-os e corrompendo-se cada vez mais e precipitando uma acumulação de culpas que só pode culminar na suprema culpa da sangueira revolucionária. "Vivemos num mundo demente, e sabemos perfeitamente disso", dizia Jan Huizinga na década de 30, pouco antes que o desequilíbrio da alma européia desaguasse no morticínio geral. Transcorridas quase oito décadas, a humanidade ocidental nada aprendeu com a experiência e está pronta a repeti-la. Hipnotizada pela lógica do desejo, que não enxerga cura para os males senão na busca de mais satisfações e mais liberdade, como poderia ela descobrir que seu problema não é falta de bens ou prazeres, mas falta de deveres e sacrifícios que restaurem o sentido da vida e a integridade da alma?
Não é preciso dizer que a adesão ao Ersatz revolucionário e socialista, sendo na base uma farsa neurótica, não alivia as culpas de maneira alguma, mas as recalca ainda mais fundo no inconsciente, onde se tornam tanto mais explosivas e letais quanto mais encobertas por um discurso de autobeatificação ideológica (Marilena Chauí sonhava em "viver sem culpas"; o sr. Luís Inácio Lula da Silva admite modestamente ter realizado esse ideal). O ódio ao sistema – com sua expressão mais típica hoje em dia, o anti-americanismo — cresce na medida mesma em que a ilusão autolisonjeira da pureza de intenções induz cada um a sujar-se cada vez mais na cumplicidade com a corrupção e os crimes do partido revolucionário. Os capitalistas, os representantes do "sistema", por sua vez, aceitam passivamente ser objeto de ódio e até se regozijam nele, na vã esperança de assim purgar suas próprias culpas; mas, como estas não residem onde as aponta o discurso revolucionário, cada nova concessão ao clamor esquerdista os torna ainda mais culpados e vulneráveis.
Antecipando as análises de Jones e de Himmelfarb, Igor Caruso ( Psychanalyse pour la Personne , Paris, Le Seuil, 1962) localizava a origem das neuroses não na repressão do desejo sexual, mas na rejeição dos apelos da consciência moral. O abandono da consciência de culpa não pode trazer outro resultado senão a proliferação de culpas inconscientes. E as culpas inconscientes necessitam de novos e novos bodes expiatórios, cujo sacrifício só as torna ainda mais angustiantes e intoleráveis.
Diário do Comércio, 11 de junho de 2007
FAZENDO MINHA PARTE - 18/01/2018
Mesmo não sendo advogado, semana passada redigi e enviei uma representação à primeira instância do MPF aqui no RS, pedindo providências legais sobre o flagrante descumprimento, por Dilma e Lula, do disposto no Artigo 49 de nossa Constituição, quando governantes.
O Artigo 49 da CF determina como competência exclusiva do Congresso Nacional “resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional”.
A questão é elementar e pode ser compreendida com a resposta a três simples quesitos:
a) O Brasil emprestou dinheiro a países da África e América do Sul nos governos Dilma Vana Roussef e Luiz Inácio Lula da Silva? Sabe-se que a resposta é SIM.
b)Tais empréstimos a países estrangeiros foram submetidos e tiveram a aprovação do Congresso Nacional, conforme determina o Artigo 49 de nossa Constituição? Sabe-se que a reposta é NÃO.
c) Foi dada PUBLICIDADE dos CONTRATOS, de suas cláusulas até hoje secretas e detalhes, como taxas de juros subsidiadas, firmados pelos dois presidentes brasileiros, conforme determina nossa Legislação? Sabe-se que a resposta é NÃO.
Várias vezes foi noticiado que “investigações” estariam sendo feitas sobre este assunto gravíssimo, onde foram enterrados bilhões que estão nos fazendo falta agora. “Pedidos de explicações”, foram encaminhados, só resultaram em informações vagas e insuficientes. De concreto, até hoje, apenas a certeza que o Brasil jogou uma enorme quantia de dinheiro fora, por ordem de Dilma e Lula.
Moçambique é o primeiro de uma série de calotes que o BNDES levará, dentre todos os empréstimos ilegais concedidos nos governos Lula e Dilma a países da África e da América Latina sem as mínimas condições de honrarem os pagamentos.
Entre os países que dificilmente honrarão os pagamentos temos Argentina, Angola, Bolívia, Costa Rica, Equador, Gana, Honduras, Guatemala, Moçambique, Nicarágua, Panamá, Peru, República Dominicana, Venezuela, etc.
Por absurdo que possa parecer, não há informações precisas sobre o montante do abuso cometido. Consta que o valor médio de cada obra ficou em mais de um bilhão de reais e que vários dos países agraciados tiveram mais do que apenas uma intervenção.
A quantia final da orgia com o dinheiro do contribuinte brasileiro literalmente posto fora chega a muitos bilhões de reais.
Isto é muito grave, é ilegal e não pode ficar impune.
Quando receber resposta sobre o andamento da representação enviada, imediatamente informarei.
DIRETO DO INFERNO - 15/01/2018
O clamor obsessivo dos intelectuais, dos políticos e da mídia pela "supressão das desigualdades" e por uma "sociedade mais justa" pode não produzir, mesmo no longo prazo, nenhum desses dois resultados ou qualquer coisa que se pareça com eles. Mas, de imediato, produz ao menos um resultado infalível: faz as pessoas acreditarem que o predomínio da justiça e do bem depende da sociedade, do Estado, das leis, e não delas próprias. Quanto mais nos indignamos com a "sociedade injusta", mais os nossos pecados pessoais parecem se dissolver na geral iniquidade e perder toda importância própria.
Que é uma mentira isolada, uma traição casual, uma deslealdade singular no quadro de universal safadeza que os jornais nos descrevem e a cólera dos demagogos verbera em palavras de fogo do alto dos palanques? É uma gota d'água no oceano, um grão de areia no deserto, uma partícula errante entre as galáxias, um infinitesimal ante o infinito. Ninguém vai ver. Pequemos, pois, com a consciência tranquila, e discursemos contra o mal do mundo.
Eliminemos do nosso coração todo sentimento de culpa, expelindo-o sobre as instituições, as leis, a injusta distribuição da renda, a alta taxa de juros e as hediondas privatizações.
Só há um problema: se todo mundo pensa assim, o mal se multiplica pelo número de palavras que o condenam. E, quanto mais maldoso cada um se torna, mais se inflama no coração de todos a indignação contra o mal genérico e sem autor do qual todos se sentem vítimas.
É preciso ser um cego, um idiota ou completo alienado da realidade para não notar que, na história dos últimos séculos, e sobretudo das últimas décadas, a expansão dos ideais sociais e da revolta contra a "sociedade injusta" vem junto com o rebaixamento do padrão moral dos indivíduos e com a consequente multiplicação do número de seus crimes. E é preciso ter uma mentalidade monstruosamente preconceituosa para recusar-se a ver o nexo causal que liga a demissão moral dos indivíduos a uma ética que os convida a aliviar-se de suas culpas lançando-as sobre as costas de um universal abstrato, "a sociedade".
Se uma conexão tão óbvia escapa aos examinadores e estes se perdem na conjeturação evasiva de mil e uma outras causas possíveis, é por um motivo muito simples: a classe que promove a ética da irresponsabilidade pessoal e da inculpação de generalidades é a mesma classe incumbida de examinar a sociedade e dizer o que se passa. O inquérito está a cargo do criminoso. São os intelectuais que, primeiro, dissolvem o senso dos valores morais, jogam os filhos contra os pais, lisonjeiam a maldade individual e fazem de cada delinquente uma vítima habilitada a receber indenizações da sociedade má, e, depois, contemplando o panorama da delinquência geral resultante da assimilação dos novos valores, se recusam a assumir a responsabilidade pelos efeitos de suas palavras. Então têm de recorrer a subterfúgios cada vez mais artificiosos para conservar uma pose de autoridades isentas e cientificamente confiáveis.
Os cientistas sociais, os psicólogos, os jornalistas, os escritores, as "classes falantes", como as chama Pierre Bourdieu, não são as testemunhas neutras e distantes que gostam de parecer em público (mesmo quando em família se confessam reformadores sociais ou revolucionários). São forças agentes da transformação social, as mais poderosas e eficazes, as únicas que têm uma ação direta sobre a imaginação, os sentimentos e a conduta das massas. O que quer que se degrade e apodreça na vida social pode ter centenas de outras causas concorrentes, predisponentes, associadas, remotas e indiretas; mas sua causa imediata e decisiva é a influência avassaladora e onipresente das classes falantes.
Debilitar a consciência moral dos indivíduos a pretexto de reformar a sociedade é tornar-se autor intelectual de todos os crimes – e depois, com redobrado cinismo, apagar todas as pistas. A culpa dos intelectuais ativistas na degradação da vida social, na desumanização das relações pessoais, na produção da criminalidade desenfreada é, no seu efeito conjunto, ilimitada e incalculável. É talvez por eles terem se sujado tanto que suas palavras de acusação contra a sociedade têm aquela ressonância profunda e atemorizante que ante a platéia ingênua lhes confere uma aparência de credibilidade. Ninguém fala com mais força e propriedade contra o pecador do que o demônio que o induziu ao pecado. O discurso dos intelectuais ativistas contra a sociedade vem direto do último círculo do inferno.
* Publicado originalmente no Jornal da Tarde, 13 de abril de 2000
LIBERAR AS DROGAS E PROIBIR AS ARMAS - 08/01/2018
NOTA: Neste artigo o autor analisa os argumentos pró liberação das drogas e
faz analogias com o sistema de controle de armas existente no Brasil.
As duas tese mais queridas das ONGs que se auto intitulam dos “direitos humanos” são a liberação das drogas e a proibição das armas de fogo. Ao contrário do desarmamento civil, a questão da liberação das drogas nem sempre é assumida de forma tão explícita por todas elas.
Por exemplo, a postura da mais famosa organização desarmamentista brasileira, o Viva Rio, é bem mais discreta com relação a questão das drogas. É compreensível essa posição “low profile” diante de assunto tão polêmico. Afinal, o Viva Rio há muito deixou de ser uma Organização Não Governamental e hoje seria melhor definida como uma Organização Para-Governamental, haja visto os inúmeros encargos administrativos que assumiu no Estado do Rio de Janeiro e a presença de alguns de seus destacados membros em funções executivas nos governos estadual e federal.
Ambas as teses, do desarmamento civil e da liberação das drogas, são defendidas com argumentos falaciosos que não resistem a uma análise séria, mesmo que superficial. Na realidade, essas teses revelam mais um aspecto cultural de seus defensores que uma teoria social coerente. Não é de todo surpreendente que uma geração que cresceu nos tempos da chamada contra-cultura, da “Paz e Amor” e do “bicho grilo”, idolatrando Beatles e Jimmy Hendrix, possua entre seus membros pessoas com estas opiniões. Algumas pessoas demoram mais a amadurecer e outras nunca atingem a idade da razão.
Ambas as campanhas nunca explicitam de maneira clara seus propósitos. No caso das drogas dizem apenas que querem “descriminalizá-las” e no caso das armas dizem que querem apenas “controlá-las”. Como se ao “descriminalizar” as drogas não estivessem liberando-as para uso geral e como se já não houvesse controle suficiente sobre as armas.
Os argumentos
Os principais argumentos utilizados pelos defensores da liberação das drogas são os seguintes:
1) Cada um faz o que quer com o próprio corpo e o Estado não deve interferir nessa opção individual.
Esta postura é a síntese da ideologia liberal que muito nos agrada. Entretanto não pode ser aplicada às drogas pois estas possuem poder viciante. Ou seja: a liberdade para optar por uma droga suprime a liberdade de abandoná-la. Além disso, o dependente perde sua capacidade de discernimento e deixa de fazer o que é bom para si. Ao se tornar uma nulidade, o viciado passa a cometer crimes para sustentar o vício, desagregando a família e incomodando toda a sociedade. A experiência internacional comprova esta tese: quando o ópio foi liberado na China tornou-se um grave caso de saúde pública.
2) Muitas pessoas tomam drogas sem se viciar. Só se vicia quem quer.
De fato, algumas pessoas passam pela experiência das drogas sem se viciar. Mas mesmo essas pessoas são unânimes em afirmar que são exceção a regra. Imaginar que alguém possa passar pela experiência das drogas sem seqüelas é um grave erro. Estudos recentes mostram que a maconha vendida hoje no comércio tem dez vezes mais THC (o princípio ativo) que a erva vendida na década de 1960. Isto significa um poder viciante muito superior e indica que os traficantes executaram um eficiente trabalho de aprimoramento de seu produto. Quanto custaria aos contribuintes manter clínicas estatais gratuitas de desintoxicação para as pessoas sem recursos que sinceramente querem se livrar do vício?
3) A repressão ao uso de drogas é uma guerra impossível de ser vencida e só serve para criar novas gerações de criminosos além de custar muito caro ao Estado.
Este raciocínio apresenta duas graves falhas. Em primeiro lugar, criminosos sempre existiram e sempre foram atraídos pelas formas mais rentáveis de atividade criminosa. Imaginar que essas pessoas não seriam criminosas se não houvesse o tráfico de drogas é, no mínimo, uma doce ilusão. Isto significa que, se as drogas forem liberadas, simplesmente os traficantes irão procurar alguma outra atividade ilícita rentável o que pode ser até pior para a sociedade em geral. A segunda falha deste raciocínio é que, se ele for seguido à risca, devemos deixar de combater todos os crimes que forem difíceis (ou caros) de ser combatidos e legalizar inúmeras atividades ilícitas.
4) Morre mais gente pelo uso de drogas lícitas (tabaco e álcool) que por drogas ilícitas, por isso não há motivos para proibi-las.
Essa idéia é simplesmente ridícula. A sociedade tem feito um grande esforço para diminuir o consumo de tabaco e está sendo vitoriosa nessa luta. Devemos substituir o tabaco pela canabis? Estudos sérios mostram que a maconha possui seis vezes mais substâncias cancerígenas que o tabaco. Quanto ao álcool, como comparar bebidas milenares de alto grau de sofisticação palativa (como vinhos, conhaques e whiskys) com drogas totalmente desprovidas de outros atrativos que não sejam seus efeitos alucinógenos? E a causa de morrer menos gente com drogas ilícitas deve-se ao fato delas serem mais caras e difíceis de serem obtidas – portanto menos consumidas - duas limitações que são conseqüência da repressão e deixarão de existir com a descriminalização.
5) Descriminalizar as drogas não significa estimular seu uso.
É evidente que não. Quem estimula o uso de drogas não é o Estado ou a sociedade de um modo geral. Mas não há dúvida que a descriminalização permitirá a ídolos da contra cultura e outros usuários falarem abertamente do uso de drogas e exibir seu exemplo a milhões de jovens influenciáveis. Em outras palavras, não faltarão pessoas para estimular seu uso. Para evitar isso precisaríamos retornar com a censura aos meios de comunicação – e para censurar uma atividade agora lícita. Alguém acredita que isso seja exeqüível ou mesmo desejável?
É interessante observarmos que os mecanismos de controle sobre a venda e uso de drogas que os adeptos da descriminalização falam em adotar, são similares aos dispositivos que hoje existem para controlar a venda e uso de armas e que eles mesmos asseguram que não funcionam. Curioso, não?
Vamos agora analisar com mais detalhes os aspectos relativos ao controle do uso e venda das drogas, no caso hipotético da liberação das mesmas, e fazer uma comparação com o controle hoje existente sobre as armas de fogo.
Venda livre ou controlada?
Em primeiro lugar, todos concordam que as drogas não poderiam ser vendidas livremente (em supermercados, por exemplo) ou em qualquer quantidade. Isto implicaria no cadastramento e registro dos viciados e dos pontos de venda. Tal como é feito com as armas de fogo, o indivíduo precisaria se registrar numa delegacia especializada e obter a Certidão de Viciado (CV). Os pontos de venda também teriam que possuir um registro próprio, com mapa das vendas controlado mensalmente pela delegacia especializada.
No caso das armas, esta delegacia pertence à Polícia Civil estadual e é subordinada ao governo estadual, através da Secretaria de Segurança Pública e também aos Ministérios Justiça e da Defesa. No caso das drogas, provavelmente será utilizada a estrutura da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil, que receberia um nome mais adequado a sua nova função, tal como Delegacia de Fiscalização de Entorpecentes e Afins, que permanecerá subordinada diretamente a Secretaria de Segurança Pública, mas também será subordinada a Secretaria Estadual de Saúde e, a nível federal, ao Ministério da Saúde.
Da compra de drogas
Para a compra de uma arma de fogo legal o cidadão deve provar que tem bons antecedentes, está empregado e possui residência fixa. Acreditamos que para o indivíduo que quiser obter seu CV as exigências seriam menos rigorosas. Entretanto, de alguma forma ele deverá provar que é viciado, pois do contrário, outras pessoas se cadastrariam como toxicômanos apenas para adquirir as drogas legalmente e vendê-las no mercado negro.
A quantidade de tóxico vendida, evidentemente, deverá ter algum limite, do contrário mesmo o viciado registrado poderia adquirir uma quantidade acima de suas necessidades para comercializar entre os amigos. Isto implica em criar um cadastro em nível nacional, o SINATOX – Sistema Nacional de Tóxicos, nos mesmos moldes do SINARM – Sistema Nacional de Armas, de tal forma que um viciado não possa ir para outro estado adquirir uma quantidade de droga acima do permitido.
Tal como para a compra de munição, o viciado precisaria apresentar seu CV no ponto de venda para adquirir a droga legalmente. Tal como nas lojas de armas, o vendedor registraria a venda vinculada àquele CV específico em seu Mapa de Vendas que seria recolhido e verificado mensalmente pela Delegacia de Fiscalização de Entorpecentes e Afins. Esta delegacia emitiria um relatório mensal para a Secretaria Estadual de Saúde e para o Ministério da Saúde sobre a evolução do consumo de drogas no Estado.
No caso das armas de fogo, o cidadão pode adquirir até 50 cartuchos por mês e por arma para seu consumo. Esta quantidade é mais que suficiente para a quase totalidade dos proprietários de armas e muitos só compram esta quantia a cada 5 anos para substituir a munição velha.
Já no caso do toxicômano essa questão é mais problemática. Como é sabido, o viciado precisa a cada vez de uma quantidade maior de droga para obter o mesmo efeito. Isto exigiria alguma forma de acompanhamento da evolução (ou involução) do vício que não encontra paralelo no mundo das armas para podermos comentar.
Sobre o preço das drogas
Evidentemente todas as considerações acima partem do princípio que as drogas adquiridas legalmente serão mais baratas que as ilegais. Imaginar o contrário seria simplesmente manter a situação atual de comércio ilegal.
No caso das armas, seus preços são artificialmente inflados pelo governo para restringir seu consumo nas classes menos abastadas da sociedade (consideradas mais “problemáticas”). Assim, incidem sobre elas 81% de impostos diretos (IPI e ICMS) e a taxa de registro varia de R$36,00 a R$470,00 dependendo do estado da federação, o que faz a festa de traficantes e contrabandistas. O cidadão que resiste a tentação de comprar a mesma arma pela metade do preço (ou menos) no mercado negro, o faz porque deseja estar dentro da Lei.
Não é o caso dos toxicômanos. Uma das razões que os levam ao consumo de drogas é o impulso de rebeldia – algo que não combina com nenhuma forma de controle. Assim, é de se esperar que o indivíduo que se cadastre como dependente o fará unicamente por razões econômicas.
Da variedade de drogas.
Outra questão que deve ser objeto de estudo é a variedade de drogas que o dependente poderá adquirir. Poderá um indivíduo declarar-se viciado em cocaína, heroína, maconha e êxtase, e assim adquirir a quantidade regulamentar de cada uma delas? E as drogas terão gradação de seu princípio ativo (como os remédios)? Eventualmente o Estado poderá limitar a potência das drogas legais, o que manteria um certo número de traficantes em atividade para suprir os que desejam aquele “brilho extra”. Por outro lado, se não houver restrições, as drogas ficarão cada vez mais poderosas, pois a competição entre os fornecedores fará com que eles ofereçam produtos cada vez melhores ao mercado consumidor. Poderemos um dia ver uma propaganda deste tipo: “Fume Carioquinha Extra, agora com 100mg de THC”.
Uma solução para evitar esse desenvolvimento seria estatizar a produção e a comercialização de drogas no país através da criação da DROGABRÁS.
No caso das armas de fogo, vários tipos de armas são consideradas de “uso restrito”. Os civis não têm apenas limites na quantidade de armas e munições que podem possuir, mas também têm restrições de modelos, de calibres, de funcionamento, de comprimento de cano, de capacidade de munição e de aparelhos de pontaria, entre outras restrições. Os fabricantes são fiscalizados pelo Exército Brasileiro e não podem produzir nem comercializar no país (ou exterior) nenhum tipo de arma sem autorização do Ministério da Defesa. É claro que todas essas restrições não atingem aos fora-da-lei e o mercado negro se encarrega de fornecer “aquele calibre mais potente” ou aquela “metralhadora igualzinha a que vi no cinema” aos que sentem necessidade de possuí-las e estão dispostos a pagar por isso.
O porte de drogas
Outro aspecto interessante é o porte de drogas. Ao contrário das armas, que são vendidas exclusivamente para permanecerem nas residências ou local de trabalho, não se pode imaginar as drogas consumidas apenas domesticamente. Um dos prazeres dos viciados é drogarem-se coletivamente nas “festinhas de embalo” e isto implica em transporte ou porte de drogas. Qual a quantidade que será permitida a um viciado portar e acima da qual seria considerado tráfico de drogas?
Para autorizar o Porte de Arma, os estados fazem uma série de exigências, tais como: exame psicotécnico, exame de proficiência no manejo da arma e, principalmente, uma justificativa válida. É bom lembrar que ameaças de morte ou qualquer risco de vida não é considerado uma justificativa válida para a concessão do Porte de Arma. Na prática eles só são concedidos aos cidadãos que transportam valores de terceiros, o que é lógico numa sociedade onde os bens materiais valem mais que a vida humana.
Evidentemente que o porte de drogas será autorizado muito mais facilmente, mesmo que isso implique no risco de comércio ilegal e aliciamento de menores.
Apenas como exemplo, um professor que leciona numa escola localizada numa região perigosa não é autorizado a portar uma arma para sua defesa. Mas se ele for viciado em maconha, poderá portar uma pequena quantidade de “baseados” para fumar nos intervalos das aulas e aliviar o “estresse”.
Restrições ao consumo
No caso do tabaco, a fumaça exalada pelo fumante incomoda a terceiros e os torna fumantes involuntários. Por isso acreditamos que as restrições feitas ao tabaco em alguns locais (tal como em aviões) permanecerão para as drogas que fazem fumaça, tipo maconha ou crack.
Por outro lado, drogas que não se espalham pelo ambiente não precisam ter qualquer restrição. No futuro provavelmente ouviremos um passageiro de avião pedir algo assim: “Aeromoça, a Sra. poderia apertar meu torniquete enquanto me aplico uma dose de heroína? Sabe como é, assim viajo duplamente”.
As Casas de Ópio
Evidentemente que, mesmo com essa liberalidade, ainda será necessário a existência de locais para o consumo público de drogas, as velhas Casas de Ópio que, provavelmente retornarão com uma designação mais moderna e mais politicamente correta, tal como “drogódromo”.
Os drogódromos, para funcionar, precisariam de uma licença especial e fiscalização apropriada da Secretaria Estadual de Saúde. A prefeitura daria o alvará de funcionamento após a autorização da Secretaria de Saúde, o registro no SINATOX e o atendimento às normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.
Este modelo segue o existente para a instalação de estandes de tiro, que precisam de licença de funcionamento da Secretaria de Segurança do estado, autorização do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da Região Militar e atender as normas emitidas pelo Ministério da Defesa. Mesmo assim alguns municípios, tal como a cidade do Rio de Janeiro, negam-se a fornecer alvará de funcionamento para estandes de tiro alegando a necessidade de controlar a violência. (?!?)
Ao contrário das drogas, que podem ser consumidas em espaços confinados, as armas de fogo requerem muito espaço ou locais reforçados para serem usadas. A não existência de estandes de tiro públicos na cidade do Rio de Janeiro (e em outras) obriga os proprietários de armas a procurarem as regiões rurais infringindo duplamente a Lei: ao trafegar com a arma sem licença e ao dispará-las em local não autorizado. Como se vê, os cidadãos são obrigados a tornarem-se foras-da-lei para poderem manter um nível mínimo de proficiência no uso de uma arma.
É claro que, numa sociedade permissiva, não se esperam medidas tão arbitrárias para as instalações dos drogódromos.
Conclusões
Cremos que já ficou patente que qualquer sistema de controle de drogas não irá funcionar, tal como não funciona o controle de armas. A grande falha desses sistemas é que eles só funcionam com a anuência e colaboração dos controlados. Como vimos acima, não haverá viciados interessados em se submeter ao sistema se não for para obter drogas mais baratas, o que é um contra-senso pois o Estado não deve facilitar ou incentivar o uso de drogas.
No caso das armas de fogo, os cidadãos de bem preferem ficar dentro da Lei e voluntariamente se submetem a esta burocracia insana e custosa. As vendas no comércio legal mostram, entretanto, que este número é cada vez menor.
A Lei 9437 de 1997, tornou o ato de atirar uma atividade praticamente impossível de ser praticada sem incorrer em algum crime. Além disso, as autoridades tratam o proprietário legal de armas como se fosse bandido e seus amigos o chamam de otário. A “pá de cal” no Sistema Nacional de Armas foi lançada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, quando este falou que ia recolher todas as armas legais e indenizar com R$150,00 seus proprietários.
Deixando de lado os poucos “otários”, hoje em dia só compram armas no comércio legal aqueles cidadãos que por motivos profissionais precisam ter uma arma registrada (policiais, vigilantes, e uns poucos outros). Enquanto isso o comércio ilegal de armas prospera e à noite as quadrilhas organizadas dão espetáculos pirotécnicos disparando seus fuzis com balas traçantes por sobre a cidade do Rio de Janeiro.
Finalmente, gostaríamos de lembrar que armas salvam vidas. Conhecemos inúmeras pessoas que afirmam que escaparam de uma violência graças a presença providencial de uma arma de fogo. Todavia, não conhecemos ninguém que afirme que sua vida foi salva graças a um “baseado”.
* Leonardo Arruda, Diretor da Associação Nacional dos Proprietários e Comerciantes de Armas - ANPCA
** Publicado originalmente em "O Expressionista" edição de 15/abr/2003.
E SE O PT VOLTAR AO PODER EM 2018? - 08/01/2018
E se Lula ganhar as eleições em 2018? O Brasil terá um retrocesso ao paleolítico - sem querer ofender nossos ancestrais.
Sei que inteligentinhos dirão: pelo contrário, as populações mais pobres voltarão a comprar TVs e carros. E eu direi: a bolsa fome é a grande miséria que alimenta o PT e seus associados.
Nelson Rodrigues dizia que, no dia em que acabasse a pobreza do Nordeste, dom Helder, o arcebispo vermelho, perderia sua razão de existir. Por isso, ele e a miséria do Nordeste andavam de mãos dadas.
O truque do PT e associados é o mesmo: destruir a economia, acuar o mercado, alimentar uma parceria com os bilionários oligopolistas a fim de manter o país miserável e, assim, garantir seu curral eleitoral.
Como o velho coronelismo nordestino - conheço bem a região: sou nascido no Recife e vivi muitos anos na Bahia -, o PT e associados têm na miséria e na dependência da população seu capital.
Mas quero falar de outras dimensões da tragédia que nos cerca caso o PT retome o poder.
Desta vez, o projeto "a Venezuela é aqui" se organizará de forma mais concreta.
O Poder Judiciário, já em grande parte na mão da "malta" do PT, servirá ao partido de forma sincera e submissa, destruindo a autonomia da Justiça. Esse processo já está em curso, mas foi, temporariamente, barrado pelo percalço do impeachment e de alguns poucos setores não petistas do Poder Judiciário.
O Legislativo se acomodará, como sempre, a quem manda.
O mercado também se acomodará, servindo, de novo, ao coronel Lula ou a algum genérico que o represente. Eliminarão qualquer elo na sua cadeia produtiva que suje seu nome - da empresa, quero dizer, junto à Nomenclatura.
Quanto à inteligência pública, essa será devastada.
Perda de empregos, contratos, espaços nos veículos, com a bênção da quase totalidade das Redações e editorias. Se não apenas para eles mesmos não perderem empregos, contratos e espaços, também, e principalmente, porque a quase totalidade das Redações e editorias são petistas ou similares.
Nas universidades e nas escolas, a festa. Reforço absoluto da patrulha ideológica de forma orgânica, com apoio da Capes e de sua plataforma Sucupira.
As universidades, entidades quase absolutamente monolíticas e autoritárias, celebrarão a queima total de seus adversários internos e externos. Os alunos, coitados, ou aderirão à retomada vingativa do poder por parte do PT, ou perderão bolsas, vagas e carreiras.
E chegará a vez de as Forças Armadas também serem cooptadas pela hegemonia petista. Uma vez cooptada, como na Venezuela, a regressão ao paleolítico estará plenamente realizada.
O controle da mídia, em nome da "democracia", implicará o silêncio imposto a todos que quiserem pagar suas contas.
A classe artística fará festivais para comemorar o retorno ao poder dos "progressistas" que dão dinheiro para eles gastarem até acabar.
E, quando o dinheiro acabar, como acabou no Dilma 2, os "progressistas" sairão do poder, darão um tempo para os "conservadores" fazerem o trabalho sujo de reorganizar a economia e, quando a casa estiver um pouco mais organizada, voltarão ao poder para gastar tudo de novo.
Vivemos duas formas de hegemonia do PT e associados no Brasil: a hegemonia da miséria e do discurso populista de cuidado com ela e a hegemonia do pensamento público e de suas instituições.
A diferença entre o PT de antes do impeachment e o PT de agora será que antes ele ainda fazia pose de defensor das liberdades.
Agora, ele perderá a pose e destruirá todo o tecido de liberdade de expressão no país.
E mais: a vitória de Lula em 2018 será a prova definitiva de que os eleitores não estão nem aí para suspeita de corrupção pairando sobre qualquer que seja o candidato.
Todo esse mimimi ao redor da Lava Jato ficará claro como mimimi.
Dane-se a corrupção. Ninguém está nem aí para isso. A começar pelos intelectuais, professores, artistas e integrantes de grande parte do Poder Judiciário.
O combate à corrupção é (quase) uma farsa.
Depressão, ressentimento, medo e vingança serão os afetos que definirão 2019.
A NOÇÃO DOS VALORES EM UMA SOCIEDADE DESORGANIZADA - 05/01/2018
Gramsci escreveu mais de mil páginas filosofando sobre o neomarxismo e a importância da deformação das mentes de um povo para torná-lo vulnerável, e com isso transformá-lo em uma nação comunista. Era uma coisa surrealista para a época. Sua intenção maior estava em se contrapor a Stalin e Mao, que, para consolidar o comunismo na Rússia e na China usaram a força bruta, aterrorizando e matando mais de 100 milhões de pessoas.
Ele queria uma transição menos traumática e mais efetiva. Para implantar essa intenção em uma nação era necessário remoldar sua cultura através da arte, da musica, de seus hábitos, suas crenças e incentivar a libertinagem através de livros e filmes pornográficos com distorções éticas e morais e, com isso, enfraquecendo-a, tirando-lhe a dignidade e a vontade própria. Como instrumentos de trabalho usaria simplesmente os meios de comunicação de massa, controladores da cultura de um povo, moldando o pensamento das futuras gerações. Isso demandaria tempo, mais a consolidação seria perene.
Era preciso infiltrar comunistas marxistas leninistas nessas áreas sensíveis. Não para destruí-las, mas para transformá-las através de mudanças comportamentais. Para colocar em prática seus pensamentos seria necessário posicionar na linha de frente os grandes "formadores de opinião". São eles os propagadores da fé cristã através das igrejas de militantes então chamadas "progressistas" onde conseguem incutir em seus fieis uma nova "ordem religiosa"; as instituições de ensino, principalmente as universidades, pelo incentivo da liberdade total e da desobediência com um chamamento "democrático" onde o que vale é uma mudança anárquica de comportamento ético e moral; e a imprensa onde os padrões sociais podem ser massificados através de uma propaganda dirigida, uma constante "lavagem cerebral" para deturpar valores sociais já estabelecidos. Os chamados "intelectuais", boêmios, filósofos de botequim, onde o ego impera, são incentivados e valorizados para garantir um conceito libertador, com o propósito da difusão de uma democracia liberal exacerbada onde só existem direitos, mas não se fala em deveres.
È um processo que Incentiva uma luta de classes sociais onde, subliminarmente, coloca como pontos chaves as disputas patronais, o racismo, as opções sexuais, a desvalorização familiar e religiosa. A família seria o núcleo mais abalado e alterado em seus valores. Gramsci não queria uma revolução armada. Queria, e conseguiu em vários países como no Brasil, uma mudança comportamental a longo-prazo para que a sua revolução acontecesse sem que fosse percebida pelo povo. Sua ideologia seria implantada através da reestruturação da cultura original onde os valores morais e éticos voltados para a manutenção da dignidade da sociedade seriam alterados ou destruídos. Isso fragiliza o povo, tira a sua vontade, a sua dignidade e o confunde, tornando-o uma presa fácil para a implantação do marxismo-leninismo sem maiores problemas.
No Brasil sua tropa de choque já está formada. São professores, "educadores" transformadores das cabeças moldáveis dos jovens; jornalistas e artistas divulgadores das "novas ideias". Com uma grande penetração na população e distorcendo realidades juntamente com os autodenominados "intelectuais" elevados a "pensadores introdutores das novas filosofias socialistas" e os pregadores religiosos que se aproveitam dos menos favorecidos para induzi-los à "posse de direitos igualitários econômicos". Todos são recrutados para essa missão por comunistas marxistas leninistas natos. Priorizam somente os "direitos" sem cobrar os "deveres" de cidadão, induzindo-os a um caminho ilusório de liberdade, de igualdade e, sobretudo, de direitos.
Meditemos um pouco sobre os atuais acontecimentos no nosso país. Deixamos de lado a nossa dignidade ao aceitarmos a conivência, por indiferença com as distorções sociais, morais e éticas que nos atingem. Falta um rumo político; falta um Executivo "ético" e transparente; falta um Legislativo voltado para soluções através de "leis claras, simples e justas"; e falta um Judiciário "imparcial, eficiente e eficaz". Observem que a atual ordem do dia é a "anarquia generalizada". A desestruturação e desmoralização dos poderes constituídos tem sido uma tônica. É um prende e desprende onde ninguém entende mais nada. Ninguém sabe quem manda. Um deplorável "silêncio dos bons" faz crescer essa anarquia perniciosa, corrupta e assassina.
O país está sendo conduzido para uma trágica "guerra civil" iniciada pela criminalidade dominante. Os poderes constituídos perdem sua força de comando e se imiscuem numa promíscua troca-troca de favores para encobrir seus atos de corrupção. Prevalecem os "direitos humanos" dos "desumanos", dos "intocáveis". Na atual conjuntura nem "Pilatos" saberia como lavar suas mãos. Muita sujeira e pouco sabão. Até o Judiciário está esquecido do seu papel de ser o "pilar básico de uma democracia"! Esquecemos que corrupção com desvio de recursos dos órgãos públicos é o mesmo que assassinato cruel. Suas consequências nefastas são inimagináveis para uma sociedade. Perdemos o nível mínimo educacional padrão. Com a saúde publica esfacelada e com uma previdência social falida, tudo por corrupção e sem uma "justiça justa" estamos nos matando, cometendo um massacre social. Sofremos um processo de eliminação dos valores, tornando-nos uma Nação fragilizada e sem vontade própria para conduzir nossos destinos.
Uma Nação enfraquecida é uma presa fácil para a implantação de um regime "totalitário". Gostaria que refletíssemos sobre os acontecimentos atuais. Qual o porquê da existência desse nível de corrupção? Ora, essa resposta é fácil: - porque muitos dos que possuem condições de liderança são desonestos, achacam ou são achacados pelos gestores do poder público. Uma justiça lenta e parcial é o principal fator dessa anarquia desenfreada. Vinte anos para dar solução a um crime comprovado é sinônimo de impunidade. Se a transgressão da lei for por um "poderoso $$$", este poderá nunca ser julgado. Morre antes... São infindáveis recursos em cima de recursos prorrogando ou mantendo essa impunidade. Até a presidente do STF disse, em seu discurso de posse, que havia processos com infindáveis recursos só naquele tribunal! Processo com mais de trinta recursos no STF! O judiciário mostra-se fragilizado em sua ética, imparcialidade e morosidade. Permite que a corrupção se infiltre e dá aos criminosos a certeza da impunidade. Isso é determinante pelo fracasso das instituições. Isso desencadeou um processo criminoso, desordeiro e abrangente dentro de uma sociedade que se diz organizada. Quando um juiz corrupto é punido, é punido com uma bela aposentadoria! Institucionalizou-se a corrupção. Não precisa se dizer mais nada. A exceção de um momento incomum, temos que aplaudir a "Lava-Jato", e rezar para Deus não permitir que "outros" tipos de "justiceiros" se intrometam. Olhem para o nosso Legislativo. Promulgam "Leis", supostamente sociais, "pressionados apenas por interesses sociais". Balela e hipocrisia. Acreditaria se os congressistas fossem eleitos pelos seus méritos, "todos fossem fichas limpas" e os interesses principais fossem os da Pátria e não os dos seus próprios bolsos, os dos "chefes" de quadrilha, lobistas ou dos interesses partidários. Empreguismo de afilhados políticos, em todas as instituições publicas, é o mesmo que abolir a meritocracia e minar essas instituições, enfraquecendo-as e tornando-as facilmente sabotadas, corruptas e ineficientes. Que seja feita uma Reforma Política urgente e decente. Criem-se regras básicas para serem candidatos ao parlamento. Valorize a "Ficha Limpa", o valor intelectual e cultural. Acabem com a suplência dos Senadores. Promovam leis abolindo as excrescências da legislação atual como foro privilegiado e imunidade parlamentar. Leis contundentes onde o desvio de dinheiro público deveria ser considerado crime hediondo, pois roubar recursos destinados à saúde pública é o mesmo que assassinato doloso. Desviar verbas da educação é promover futuros bandidos aumentando a criminalidade. Manter a atual lei da maioridade penal em 18 anos é um enorme incentivo a menores serem envolvidos pelo crime na certeza dessa impunidade legal. Hoje todos os maiores de 12 anos têm consciência do certo e do errado e devem responder pelos seus atos.
O estímulo a essa desordem é promovida, não só pela imprensa infiltrada, como também pelo ensino de baixa qualidade, ignorando os valores básicos da educação, incutindo na nossa juventude que é válido tirar proveito de tudo, independente das suas consequências. Uma inversão de valores estimulando que tudo é permitido. Com isso os princípios éticos e morais se esvaem e a família, o núcleo básico de uma sociedade organizada, se esfacela. Vamos abrir nossos olhos, combater os malfeitos e começar a trabalhar voltados para um bem estar social, sem interesses, sem corrupção, com justiça e com alto nível de ética, moral e dignidade. Não vamos deixar os pensamentos de Gramsci dominar a nossa Pátria. Está na hora de um BASTA nessa anarquia. Lembrem-se, o mau se expande quando os bons se omitem.
• Alfredo Severo Luzardo é Cel Av Ref
O ETERNO RETORNO - 01/01/2018
Sabe aquele truque do punguista que bate a carteira do transeunte incauto e, antes que ele reaja, sai correndo e gritando “pega ladrão” pela rua acima? Pois é esse exatamente o golpe com que o Partido dos Trabalhadores (PT) enfrenta a pendenga judicial protagonizada pelo seu primeiro, único e eterno candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aiatolula para seus devotos, Lulinha paz e amor para os que por ele se deixam enganar. Primeiro, eles gritam “golpe!”, como gritaram quando Dilma Tatibitate Rousseff foi derrubada pelas próprias peraltices, anunciando que disputar voto sem ele na cédula não é eleição, é perseguição. Depois saem correndo atrás do prejuízo... dos outros.
A narrativa desse golpe, que eles tratam como se fosse um contragolpe, é a de que seu plano A a Z de poder tem sido acusado, denunciado e condenado e está agora à espera de uma provável, embora ainda eventual, confirmação da condenação em segunda instância. No caso, a Polícia Federal atuaria como se fosse um bate-pau de coronéis da política, que não querem ver o chefão de volta ao poder para desgraçar o Brasil de vez, depois do desastre que produziu a distribuição igualitária do desemprego dos trabalhadores e da quebradeira dos empresários, esta nossa isonomia cruel. O Ministério Público Federal seria um valhacouto de pistoleiros dos donos do poder. E os juízes que condenam, meros paus-mandados de imperialistas e entreguistas. Quem vai com a farinha da lógica volta com o pirão da mistificação: é tudo perseguição.
Talvez seja o caso, então, de lembrar que nem isso é original. Aqui mais uma vez o PT pavloviano que baba quando o padim fala recorre à filosofia do velho prussiano Friedrich Nietzsche proclamando o eterno retorno. Não queriam refundar o PT depois do assalto geral aos cofres da República? Pois muito bem, lá vão voltando os petistas às suas origens nos estertores da ditadura. Naquele tempo, os grupos fundidos hesitavam entre a revolução armada e a urna. Optaram pela paz e prosperaram.
Os guerrilheiros desarmados à custa de sangue, tortura e lágrimas voltaram do exílio convencidos de que só venceriam se assumissem o comando de um partido de massas. E o ideal para isso seria empregar o charme dos operários do moderno enclave metalúrgico do ABC. Lula, que desprezava os filhinhos de papai do estudantado e os clérigos progressistas, aceitou o papel que lhe cabia de chefe dos desunidos e então reagrupados. Afinal, sua resistência à volta dos ex-armados era só uma: queria dar ordens, nunca seguir instruções. E deixou isso claro a Cláudio Lembo, presidente do PDS paulista e emissário do general Golbery do Couto e Silva enviado a São Bernardo para convencê-lo a apoiar a anistia.
A conquista da máquina pública não derramou sangue dos militantes, que avançaram com sofreguidão sobre os cofres da viúva e os dilapidaram sem dó. Viraram pregoeiros do melhor e mais seguro negócio do mundo: ganhar bilhões sem arriscar a vida, como os traficantes do morro, demandando apenas os sufrágios dos iludidos. A desprezada e velha democracia burguesa virou um pregão de ocasião: só o voto vale. A eleição é a única fonte legítima do poder. Os outros pressupostos do Estado democrático – igualdade de direitos, equilíbrio e autonomia dos Poderes, impessoalidade das instituições – foram esmagados sob o neopragmatismo dos curandeiros de palanque.
A polícia, o Ministério Público e a Justiça tornaram-se meros (e nada míseros!) coadjuvantes da sociedade da imunidade que virou impunidade. A lei – ora, a lei... – é só pretexto. Agora, por exemplo, a Lei da Ficha Limpa, de iniciativa popular, é um obstáculo que, se condenado na segunda instância, Lula espera ultrapassar sem recorrer mais apenas às chicanas de hábito, mas também à guerrilha dos recursos. Estes abundam, garantem Joaquim Falcão e Luiz Flávio Gomes, respeitáveis especialistas.
Não importa que a alimária claudique, eles almejam mesmo é acicatá-la. Formados no desprezo à democracia dos barões sem terra e dos comerciantes sem títulos dos séculos 12 e 18, os lulistas contemporâneos consideram o voto, que apregoam como condão, apenas um instrumento da chegada ao poder e de sua manutenção – como a guilhotina e a Kalashnikov. José Dirceu, que não foi perdoado por ter delinquido cumprindo pena pelo mensalão, ganhou o direito de sambar de tornozeleira na mansão, conquistada com o suor de seus dedos, por três votos misericordiosos. Dias Toffoli fora seu subordinado. Ricardo Lewandowski criou a personagem Dilma Merendeira. E Gilmar Mendes entrou nessa associação de petistas juramentados como J. Pinto Fernandes, o fecho inesperado do poema Quadrilha, que não se perca pelo título, de Carlos Drummond de Andrade. Celso de Mello e Edson Fachin foram vencidos.
Na semana passada, o ex-guerrilheiro, ex-deputado e ex-ministro estreou coluna semanal no site Nocaute, pertencente ao escritor Fernando Moraes, conhecido beija-dólmã do comandante Castro. Na primeira colaboração, Dirceu convocou uma mobilização nacional no próximo dia 24 de janeiro, em defesa dos direitos do ex-presidente Lula, “seja diante do TRF-4, em Porto Alegre, seja nas sedes regionais do Tribunal Regional Federal” (sic). O post, com o perdão pelo anglicismo insubstituível, é a síntese da campanha que atropela o Código Penal e a Lei da Ficha Limpa, apelando para disparos retóricos e balbúrdia nas ruas, à falta de argumentos jurídicos respeitáveis. Nada que surpreenda no PT, cujo passado revolucionário sempre espreitou para ser usado na hora que lhe conviesse. E a hora é esta.
O voto é apenas lorota de acalentar bovino. Estamos com a lei e o voto, que já lhes faltou no ano passado e dificilmente será pródigo no ano que vem. Mas não podemos vivenciar a fábula A Revolução dos Bichos, de Orwell. Pois o papel de ruminantes é o que nos destinaram. Só nos resta recusá-lo.
*Jornalista
** Publicado originalmente no Estadão
PERSONAGENS DO ANO - 28/12/2017
Ao final de cada ano, como já virou uma praxe, é muito comum os meios de comunicação assim como as mais diversas entidades elegerem aqueles que mais se destacaram nas áreas em que atuam.
MINHA LISTA
Assim, antes que 2017 termine achei por bem divulgar a minha lista de nomes e instituições que na ótica liberal/conservadora, mais fizeram para mostrar que o único caminho capaz de levar o Brasil a ser um país melhor, mais decente e, certamente, promissor.
INSTITUIÇÃO
Na categoria -INSTITUIÇÃO-, mais uma vez o destaque, incomparável, vai para o PENSAR+, instituição -informal- desde a sua criação, em 2009, que reúne dezenas de pensadores dispostos a produzir conteúdos que levem o máximo de esclarecimento sobre a relação CAUSA/EFEITO de tudo que acontece ao nosso redor.
EMPRESARIAL
Na categoria EMPRESARIAL, por tudo que faz, notadamente ao sediar e organizar a realização dos Colóquios anuais do Pensar+, o troféu 2017 vai para a Florense, através dos incansáveis Gelson Castellan e Mateus Corradi. Um verdadeiro show que a família Florense apresenta a cada ano.
POLÍTICA ESTADUAL DO RS
Na categoria POLÍTICA ESTADUAL, nem precisei sair do ambiente do Pensar+. Na Assembleia Legislativa do RS, o pensador e deputado Marcel Van Hattem, por convicção e formação liberal, representou -ipsis literis- a vontade e os propósitos de seus eleitores. Nota DEZ.
Em tempo: fiquem de olho no pensador e pré-candidato ao Governo do RS, Mateus Bandeira, do partido NOVO. Certamente vai mostrar tudo aquilo que os demais pensadores vem apresentando.
POLÍTICA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE
Na categoria POLÍTICA MUNICIPAL, o destaque vai para três pensadores, não por acaso integrantes do Pensar+: os vereadores Ricardo Gomes e Felipe Camozzato e o Secretário Municipal de Serviços Urbanos, Ramiro Rosário (também eleito vereador em 2016) todos de Porto Alegre. Além de eficientes e corretos são aqueles que menos dão despesa aos eleitores. Nota 1000.
COMUNICAÇÃO
Ainda que atue na área da comunicação, manifestando opinião diária com ênfase no liberalismo, propondo uma decisiva diminuição do Estado na economia (que sufoca e mata diversas atividades), aqueles que, na minha ótica, se destacaram em defesa do liberalismo e, por consequência, da lógica do raciocínio jornalístico, foram o pensador e jornalista Diego Casagrande; o incansável Políbio Braga; e o jornalista Felipe Vieira. Pena que são poucos os comunicadores deste naipe.
ESCRITORES
Na categoria ESCRITORES, por mais que existam bons e excelentes destaques, não precisei pensar duas vezes para eleger três pensadores de primeira linha: Percival Puggina, Rodrigo Constantino e Roberto Rachewsky. Quem lê seus textos sabe o quanto eles são capazes de levar esclarecimento suficiente até para aqueles que têm alguma dificuldade para desenvolver o raciocínio lógico.
OUTROS DESTAQUES
Ah, nesta minha lista de destaques não podem faltar os seguintes pensadores: o jurista e pensador Ives Gandra Martins, o pensador e presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, o cientista político Paulo Moura, a combatente Fernanda Barth, esta, principalmente, por ter trazido ao RS a EXPOSIÇÃO HOLODOMOR – GENOCÍDIO UCRANIANO. Espero que em 2018 a lista seja ainda maior, pois os pensadores (entre os quais me incluo) estão prontos para fazer o máximo para tentar mudar o país.
MEIO SÉCULO DEPOIS - 26/12/2017
O deputado Paulo Maluf, uma das maiores celebridades políticas de sua geração, está encrencado com a Justiça brasileira há pelo menos 48 anos seguidos – desde que deu de presente para os jogadores da seleção brasileira de futebol que ganhou a Copa de 1970 no México 25 automóveis, comprados com dinheiro da Prefeitura de São Paulo. Deve ser algum recorde mundial. Quem conseguiria, no restante do planeta, passar 48 anos fugindo do Código Penal — e, ao mesmíssimo tempo, construir toda uma carreira de primeiro plano na vida pública nacional? Não é um período. É uma existência inteira. Dos processos de 1970, e até agora, Maluf passou por problemas que cobriram vastas e variadas áreas do território criminal. Corrupção passiva, superfaturamento de obras públicas, lavagem de dinheiro, delitos fiscais, contas não-declaradas no exterior (e de existência provada pela justiça internacional) e por aí se vai. Chegou a ficar preso por 40 dias, em 2005, numa cela da Polícia Federal de São Paulo. Em 2010 entrou na lista de “procurados” pela Interpol. Só podia viver livre num país do mundo: o Brasil. Enfim, como ele próprio gostava de dizer, o homem “estourou a boca do balão”.
Paulo Maluf, com tudo isso, sempre desfrutou de grande prosperidade política em nosso Brasil Brasileiro. Além de prefeito, foi governador do Estado de São Paulo, deputado federal com quatro mandatos, eleito com milhões de votos e chefe de cinco partidos políticos diferentes. Sua influência levou o ex-presidente Lula a ir até a sua casa, submeter-se a um dos mais embaraçosos atos de contrição já feitos por um político brasileiro: depois de passar anos a fio dirigindo os piores insultos a Maluf, Lula foi lhe prestar reverência em troca de apoio para o candidato do PT à Prefeitura de São Paulo. Nessa longa caminhada, Maluf pode aproveitar plenamente as maravilhas do “direito de defesa” à brasileira, com seu incomparável estoque de garantias para os acusados de crimes. Salvo seus 40 dias de xadrez em 2005, um ponto claramente “fora da curva”, ele jamais foi incomodado a sério pelo sistema judiciário do Brasil e, muito menos, por qualquer órgão político encarregado de questões éticas.
Agora, após quase meio século de acusações sem punição, quando já está com 86 anos de idade, problemas de saúde sérios e não manda nem influi em mais nada, Maluf enfim foi preso para cumprir pena. Um corajosíssimo ministro do Supremo Tribunal Federal, com a heroica valentia de quem espera a batalha acabar para vir fuzilar os feridos, mandou o cacique hoje inofensivo para a cadeia. Não foram ouvidas muitas palmas. O que ficou claro, acima de qualquer outra coisa, é a garantia de impunidade que nossos tribunais, leis, OAB, institutos de apoio ao “direito de defesa”, etc. oferecem a todo delinquente que tenha dinheiro sobrando para pagar advogados caríssimos e especializados em obter a negação de justiça para os seus clientes. Conseguiram segurar Maluf solto por quase cinquenta anos; são mesmo uns craques. É claro que não admitem que se mude um milímetro nas leis que permitem essa aberração. É claro que o ex-presidente Lula e o PT, diante de uma história dessas e indignados com a “rapidez” da justiça no seu caso, exigem tratamento igual.
* Publicado originalmente em veja.com
O PLANO DOS REFÉNS DE LULA - 23/12/2017
PT vê campanha sem Lula, intervém nos diretórios, planeja questionar legalidade da disputa, contestar a legitimidade do eleito e confrontar a ‘alternativa fascista’ nas ruas.
O Partido dos Trabalhadores definiu sua estratégia para a campanha presidencial de 2018: “Eleição sem Lula é fraude”. Com essas cinco palavras o PT traduz sua expectativa sobre a virtual interdição do ex-presidente, numa eventual condenação em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro. O julgamento da apelação de Lula contra a sentença do juiz Sergio Moro está marcado para 24 de janeiro, em Porto Alegre.
No último fim de semana, em São Paulo, dirigentes do PT traçaram um projeto para 2018 baseado na ratificação da condenação.
A premissa do plano é a construção da imagem de Lula na campanha como vítima de um sistema judicial manipulado pela “elite” para “impedir o povo de elegê-lo mais uma vez”, descrevem documentos internos.
Refém de Lula, o partido resolveu:
a) questionar a legalidade da disputa sem a eventual participação do ex-presidente;
b) contestar a legitimidade do presidente escolhido numa eleição sem o candidato petista;
c) estimular o “voto de protesto” em candidato indicado por Lula, seu principal cabo eleitoral.
Ontem, o PT anunciou uma virtual intervenção nos 26 diretórios estaduais e do Distrito Federal. O comunicado foi cristalino: “Fica desde já estabelecido que toda e qualquer definição de candidaturas e política de aliança nos estados terá que ser submetida antecipadamente à Comissão Executiva Nacional.”
Apostando num cenário eleitoral convulsionado, o alto-comando petista julga conveniente se preparar para a “crescente agressividade”, como define. Sob estímulo do ex-capitão de Lula, José Dirceu, recolhido em Brasília depois de condenado à prisão no mensalão e na Lava-Jato, abriu-se espaço até para formulações sobre confronto à “alternativa fascista” nas ruas.
Antes da reunião em São Paulo, Dirceu evocou o estilo retórico do movimento estudantil dos anos 60: “A hora é de ação não de palavras, transformar a fúria e revolta, a indignação e mesmo o ódio em energia, para a luta e o combate.” O PT vai realizar um “dia de revolta” em Porto Alegre.
Para a campanha, a radicalização teria como protagonistas grupos de “reação”, discretamente organizados. A iniciativa avança sob uma justificativa partidária oficial: a de que a eleição, sem Lula, “poderá resultar em rebeldia popular” e “desobediência civil”.
O plano dos generais petistas guarda alguma coerência com a necessidade de manter alinhados os grupos que fracionam o PT, o PCdoB e o PSOL, e os pragmáticos PDT e PSB.
Sob esse arco-íris encontra-se parte substantiva dos 34% do eleitorado que indica intenção de votar em Lula — principalmente, como reação aos que se mantêm no outro extremo, com Jair Bolsonaro, com 19% da preferência, segundo o Datafolha. As mesmas pesquisas indicam média de 40% de rejeição a Lula há 12 meses seguidos.
Entre o ex-metalúrgico e o ex-paraquedista prevalece a maioria de 47% de eleitores insatisfeita e em busca de alternativa. Sua fragmentação pode levar a uma situação semelhante à do Rio, como tem repetido o ex-ministro Nelson Jobim aos clientes do banco BTG Pactual. Em 2016, Marcelo Crivella, ex-senador do PRB e ex-bispo da Igreja Universal, venceu Marcelo Freixo, do PSOL, apoiado por uma frente autodenominada de esquerda.
Leia mais: https://oglobo.globo.com/opiniao/o-plano-dos-refens-de-lula-22208397#ixzz525C6IPFf
É HORA DE DRENAR O PÂNTANO - 22/12/2017
Os números da economia americana no último ano são impressionantes. A taxa de desemprego é a mais baixa em 17 anos e as bolsas batem recordes quase toda semana. Uma importante reforma tributária será finalizada esta semana e o crescimento dos já positivos índices econômicos pode ser ainda maior. Mas desde que Donald Trump foi eleito presidente dos EUA em 2016, o que mais se lê na imprensa é uma palavra só: Rússia.
Os Democratas juram por todos os santos que houve interferência da turma de Putin na eleição americana. Como e quando houve essa interferência são detalhes que ainda não foram descobertos, mesmo depois de um ano de investigações e de mais de 7 milhões de dólares gastos. Mas ainda há esperança para o partido de Hillary que, diante de um possível impeachment do bufão laranja, a esposa de Bill Clinton assuma a presidência.
Hillary Clinton, a esposa que acobertou vários casos de assédio sexual do marido ao longo dos anos, e a política queridinha das atrizes de Hollywood engajadas contra predadores sexuais, perdeu uma eleição histórica em 2016. Numa disputa que parecia ganha – algumas pesquisas davam 92% de chances de vitória para a democrata – Hillary teve uma derrota humilhante diante de um adversário polêmico, nada carismático e falastrão.
Mas o 7×1 do partido Democrata em 2016 (perderam a presidência, o Senado e a Câmara na pior derrota em 80 anos) não surpreendeu apenas o eleitorado da mulher de Bill. Mais de um ano depois do fatídico vexame eleitoral do partido de Barack Obama, impressionantes fatos começam a aparecer sobre o envolvimento do FBI com Hillary Clinton. Não veremos muitos detalhes dessa história na imprensa fã de Obama (no we can’t), mas você pode dar um Google em FBI/Robert Muller/Peter Strzok para entender a dobradinha FBI/Clinton. Enjoy! Para matar sua curiosidade, aqui o aperitivo: o FBI antes das eleições presidenciais de 2016 trabalhou para que Hillary vencesse a todo custo, blindando a ex-Secretária de Estado dos EUA das pesadas investigações sobre o famoso caso dos emails, além de alimentar a fogueira Rússia/Trump. Há companheiros ianques também, companheiros.
Pode ser que nós brasileiros estejamos acostumados com esses conluios e camaradagens, mas por aqui todos os dias vejo mais e mais americanos perplexos com a vergonhosa atuação do FBI, a mitológica polícia federal americana, na gestão do inacreditável James Comey. Está cada vez mais claro que havia uma orientação política para atenuar os crimes de Hillary Clinton enquanto se fazia investigações de araque para desgastar politicamente Donald Trump. Pense o que quiser de ambos, esta não é a função de uma instituição basilar da América como o FBI.
Um dos meus melhores amigos, um americano tão obamista que poderia até ser jornalista, está revoltadíssimo: “Detesto Trump, mas nada justifica o que foi feito com o FBI. É inaceitável um partido, qualquer um, estar acima de uma instituição que o país confiava de olhos fechados”. Assim como os milionários mimados da NFL ofenderam profundamente o povo americano com seu desrespeito explícito aos símbolos nacionais, o aparelhamento desta instituição para fins político-eleitorais tão explícitos é igualmente inaceitável para eles. Numa pesquisa recente de Harvard, 54% dos americanos disseram que há conflito de interesses no caso e que o FBI deve ser investigado. É hora de vigiar o vigilante.
Nós sabemos bem como a máquina pública pode ser usada para fins políticos bem particulares. Acabo de ler que o Ministério Público do Rio de Janeiro abriu investigação contra Bernardinho, meu ex-técnico, economista, homem sério e um patrimônio nacional. Se a acusação não causar revolta e incredulidade em você, leia novamente: campanha eleitoral antecipada por entrevistas e postagens em redes sociais que exaltam suas realizações e o que pensa sobre política e economia.
A coisa é tão surreal que esta é a primeira representação do tipo relacionada às eleições de 2018 pela PRE/RJ. A primeira! Parece que no balneário do PSOL a patrulha companheira marca homem a homem e está pronta para um ponto de bloqueio. Só de comentar o caso, vão dizer que esta coluna faz campanha antecipada também. Melhor fazer comício com a turma da MPB pra ficar livre da marcação.
Onde estavam os impolutos procuradores quando Lula, nosso flautista de Hamelin, tocava sua marcha fúnebre na UERJ no últimO dia 8? É segredo para alguém que ele está percorrendo o Brasil em campanha? Verdade seja dita, os dois líderes das pesquisas eleitorais no momento, Lula e Bolsonaro, são exatamente os dois que estão fazendo comícios quase diariamente pelo Brasil. Coincidência? Mas crime eleitoral é o post do Facebook do Bernardinho. Seria cômico se não fosse trágico um sinal destes tempos sombrios em que instituições são usadas escancaradamente para fins nada republicanos.
Enquanto pipocam manchetes pelos veículos de comunicação (mas podem chamar de caravana do Lula pelo Brasil) com apenas aspas do líder do partido que afundou o país em 13 anos, os textos esquecem de mencionar que o candidato que roda o Brasil já em campanha (TSE não curtiu essa frase) é réu em seis ações na justiça e já foi condenado em uma por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Um mal entendido, claro. Lula e seus advogados alegam que não há provas contra o ex-presidente e reclamam da rapidez da justiça, que marcou para 24 de janeiro de 2018 o julgamento em segunda instância no TRF-4. Lula é inocente mas não tem pressa em provar isso. Não se pode nem enrolar a justiça em paz mais neste país.
Como não queremos perturbar a caravana da alma mais honesta, será que podemos voltar a falar então das bombásticas declarações de Palocci, braço direito de Lula durante 30 anos, Mônica Moura, João Santana e de como fomos assaltados via empreiteiras para alimentar um projeto de poder? Sem querer incomodar, podemos mostrar José Dirceu livre, leve, solto e sambando em festas (e na nossa cara)? Já podemos voltar a falar da atuação de Rodrigo Janot, o ex-chefão da PGR (e rapaz dos olhos do PT criado com o meu e o seu dinheiro via BNDES)? Podemos voltar a mencionar o engavetamento da investigação sobre Pasadena ano passado até o finado acordo de delação premiada (ênfase no “premiada”) com Joesley Batista? Marcelo Miller, lembram? Quem está investigando o investigador?
Se o FBI teve seus dias de república das bananas ao tentar interferir nas eleições para beneficiar a poderosa máquina dos Clinton, ao menos há uma reação popular às revelações, apimentadas agora com a descoberta de que Robert Mueller, escolhido para investigar Trump de forma “independente”, montou uma equipe politicamente tão anti-Trump que até democratas começam a reconhecer sua inadequação ao cargo. Mais uma vez, o aparelhamento do Estado tenta interferir no país com uma agenda político-partidária inaceitável.
Uma das frases mais repetidas na campanha presidencial do ano passado aqui na América foi “drenar o pântano”, uma referência direta ao Estado dentro do Estado, à burocracia governamental e seus satélites que deveriam ter como missão servir o cidadão mas que, com o tempo, torna-se um monstro com vida própria, incontrolável e que um dia pode devorar o próprio país. De novo, uma realidade que sequer precisa ser explicada para um brasileiro, mas que está tirando o sono dos americanos que estão prestando atenção.
O maior desafio político das democracias atuais é, sem dúvida, parar de rodear o pântano e ignorar seus jacarés acreditando que eles só estão interessados em sapos e peixes. Crocodilos estão neste planeta há pelo menos 200 milhões de anos e não dão o menor sinal de que estão indo embora. A burocracia estatal tem a mesma capacidade de sobrevivência e uma boca ainda maior. Como ensinou Churchill, o apaziguador é aquele que alimenta o crocodilo na esperança de ser comido por último.
A excelência no esporte, como sempre aplicou Bernardinho na sua vitoriosa carreira (calma PRE/RJ, isso não é campanha, é fato), vem muito do foco e da disciplina em executar insistentemente uma ação correta mil vezes. A excelência no esporte não vem de imediatismos e soluções rápidas para problemas complexos. O Brasil está imerso num pântano há mais de 13 anos e não 13 meses como muitos querem colorir. Se quisermos sonhar com a excelência e um possível progresso para nosso país temos que primeiro nos livrar dos crocodilos do PT.
• Publicado originalmente no Estadão.
MISSA DO GALO - 22/12/2017
Dia destes ouvi muito ao longe, ecoando num sonho assombrado por reminiscências da infância, o cantar de um galo. Contraste com o urbano de asfalto e prédios, de trânsito e violência, aquela sonoridade foi acalanto que momentaneamente amorteceu os impactos da vida sofridos entre uma esperança e outra.
Percebi, então, com a nitidez que só os olhos do espírito possuem, que o canto do galo é evocação de algum momento do passado. Vem envolto em brumas do amanhecer para anunciar o dia, onde nunca sabemos o que sucederá. Tem uma intimidade esse som com quintais cheios de ciscares, de romãs pendendo de galhos para oferecer sua beleza rubra e apetitosa, de jabuticabeiras que serpenteiam em troncos retorcidos os negrores adocicados de suas uvas tropicais!
De novo cantou o galo em lonjuras que minhas sensações alcançaram. No sol que se elevava do horizonte aquela melodia combinou com uma expectativa alegre, um desabrochar de esperança desenhada nos labirintos do existir. Reconforto. Aconchego. Rede balançando. Risos perdidos no tempo das travessuras. Renascimento. Era isso que vinha marulhando pelo vento da aurora. Uma ternura estridente se expandia naquele ondear sonoro. Um chamamento para o mundo acordar. O galo, pensei, é o arauto da existência.
Nesta véspera de Natal, onde o verdadeiro conteúdo da comemoração se esvai, veio-me também, numa associação de ideias a Missa do Galo. Qual bispo teria batizado desse modo a missa, que no passado era celebrada à meia-noite com a solenidade de um ritual falado em latim? Naquele tempo que nem tão longe está, as mulheres cobriam a cabeça com véus rendados, o que as tornava bonitas e vaporosas para combinar com os mistérios do ritual. As casadas usavam mantilhas pretas, e as solteiras, brancas. Era um sinal de respeito ao local sagrado. Em algumas catedrais a música que vinha do órgão com toda a pompa do instrumento, intercalava-se com a angelical melodia dos corais que subia aos céus em espirais para louvar a Deus.
Depois da Missa do Galo, a ceia, a sobremesa da esplendorosa torta de frutas, o abrir dos presentes, a confraternização familiar. No presépio, o nascimento do Menino Jesus finalmente colocado na manjedoura entre Maria e José, em meio aos pastores e aos bichinhos de massa que olhavam espantados a estrela de papel dourado equilibrada por sobre a gruta.
Não se fazem mais Missas do Galo como as da minha meninice. Parece que agora sequer se chamam assim. Também não sei se são celebradas à meia-noite, porque há pressa para a ceia ou para a ida a algum baile. É cada vez mais difícil distinguir Natal de Réveillon, o que indica que o aniversariante anda esquecido. Portanto, prevalece uma festa profana sobre o ritual natalino, modificando-se a tradição para nela incorporar elementos de show. Desse modo, a liturgia alterada não favorece a introspecção que coloca o homem diante da divindade para com ela conversar.
Pois, bem, nesse Natal há algo estranho, como se perdida estivesse não só certo tipo de celebração como comportamentos e valores havidos nos confins de minha vida. Nem sequer sinto no ar aquele clima inconfundível, que envolvia as pessoas através de elos de solidariedade para tornar as atitudes mais amenas. Para falar a verdade, até Papai Noel está ficando cansativo. Há um em cada esquina, em cada loja, tentando vender.
Estes pensamentos são muito meus, e podem não ser compartilhados com quem lê neste instante estas linhas. Talvez, possam ter uma explicação. Errada sou eu que não sei mais brincar, pois é sabido que Natal é, definitivamente, uma festa de crianças. Não consigo ouvir os sinos que sempre me encantaram. Não capto a magia da Noite Feliz. Não estou vendo os milhares de pequenas lâmpadas chinesas que enfeitam prédios e casas. Não escuto as músicas natalinas. Só de memória consigo cantarolar: “Papai Noel, vê se você tem a felicidade para me dar”. Em vão busco, à meia-noite, a Missa do Galo que não existe mais.
Depois de muito esforço, de vagar por entre recordações e nostalgias, concluo que há um lugar seguro onde posso sempre encontrar o Natal. Basta seguir a estrela e olhar para a manjedoura. Ele está lá. Para que mais?
Então, pensei: não posso trair o Natal. Tenho sempre que reinventá-lo com as possibilidades da fé e com a beleza da esperança, porque o Natal está dentro da gente e não fora.
• Maria Lucia Victor Barbosa é escritora.
CICLOFAIXAS SÃO MAIS DO QUE IRRITANTES, ELAS ESTÃO PREJUDICANDO CIDADES, PESSOAS E NEGÓCIOS - 21/12/2017
Um importante ambientalista se opôs à acomodação dos ciclistas, alegando que promover o transporte cicloviário nas cidades é incrivelmente custoso, prejudica negócios locais e a renda da cidade, aumenta a poluição e o tráfego, e deixa os ciclistas com antracose pulmonar.
De acordo com Lawrence Solomon, diretor executivo da Urban Renaissance Institute e um dos ambientalistas mais importantes do Canadá, o transporte cicloviário trazia grandes benefícios para as cidades. Em uma peça para o Financial Post, Solomon afirma que nos anos 1980 a bicicleta “abençoou as cidades com benefícios econômicos e ambientais”, pois reduziu o número de carros nas estradas, o que por sua vez aliviou o tráfego.
Solomon escreve ainda que a bicicleta “reduziu o desgaste das estradas, aliviando os orçamentos municipais, reduziu emissões de automóveis, aliviando a poluição aérea, reduziu a necessidade de estacionamentos, aumentando a eficiência do aproveitamento da terra, e ajudou as pessoas a se manterem em forma também.
Hoje, porém, o transporte cicloviário é mais prejudicial do que benéfico.
Sem contar o problema óbvio da Lycra, Solomon explica que ciclofaixas “agora consomem mais espaço das estradas do que liberam, agregam tanta poluição quanto o que reduzem, prejudicam áreas residenciais e comerciais e se tornaram um sumidouro de dinheiro público.
No Reino Unido, Londres é um ótimo exemplo de como o transporte cicloviário se tornou prejudicial para as cidades.
O ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, criou uma “revolução ciclística” na forma de um sistema de aluguel de bicicletas públicas. O esquema fez com que bicicletas em estações de locação brotassem pela cidade. Embora o conceito tenha sido bem recebido, hoje está provado que ele é uma fonte de congestionamentos para os passageiros [de automóveis] devido às muitas ciclofaixas, as quais a autoridade de transporte público (Transport for London, TfL) chama de “superautoestradas cicloviárias”.
Essas ciclofaixas, que estão em sua maioria subutilizadas, forçaram o tráfego a se mover a passos de tartaruga já que os carros não podem utilizar toda a estrada para se deslocarem.
De acordo com um relatório da prefeitura de Londres citado por Solomon, “o impacto mais significativo sobre a malha viária da Cidade nos últimos 12 meses foi a construção e subsequente operação da superautoestrada cicloviária da TfL (…) áreas de congestionamento de tráfego podem ser vistos com frequência nessas vias.
O dano das ciclofaixas foi até mesmo trazido a um debate parlamentar quando o Lorde Nigel Lawson disse que elas prejudicaram Londres mais do que “quase qualquer outra coisa desde a Blitz [N.T.: bombardeios alemães na 2ª Guerra Mundial]”.
Devido à imensa quantidade de trafego provocada pelas ciclofaixas, os níveis de poluição da cidade se elevaram. As principais vítimas da poluição, ironicamente, são os ciclistas.
Solomon, citando um estudo da London School of Medicine, explica que ciclistas inalam 2,3 vezes mais fuligem do que pessoas que caminham. Isto porque ciclistas “respiram mais fundo e a uma taxa mais rápida do que os pedestres e estão mais próximos dos gases de exaustão dos carros (…) nossos dados sugerem fortemente que a exposição individual ao carbono negro deve ser levada em consideração ao planejar rotas ciclísticas”, sugere o relatório.
Não apenas as cidades estão desembolsando uma enorme quantidade de dinheiro em esquemas de ciclovias – Paris almeja se tornar a “capital ciclística do mundo” gastando 150 milhões de euros – ciclofaixas custam dinheiro aos negócios já que tipicamente elas substituem faixas que acomodavam estacionamentos de rua, o que pode impactar gravemente empresas que dependem de vagas de automóveis para operar.
Oregon, nos EUA, que tem um grande número de ciclistas, tentou consertar o problema implementando um imposto sobre as vendas de novas bicicletas. O senador estadual que redigiu a lei explicou que os legisladores “sentiram que as bicicletas deveriam contribuir para o sistema”.
“No Reino Unido, ciclistas são xingados de “mamils” [N.T.: acrônimo de middle aged men in Lycra, ou homens de meia idade em lycra]. Nas cidades do interior dos EUA as ciclofaixas são vistas como o território de “homens brancos com empregos de escritório aprofundando a gentrificação”, escreve Solomon. “Em quase todo lugar eles são vistos como rudes e como ameaças à segurança dos pedestres.”
Certamente, zombar de ciclistas é algo que todo motorista tem feito desde o primeiro Modelo T.
[*] Connor Chue-Sang. “Bike Lanes Are More Than Just Annoying, They’re Hurting Cities, People, and Businesses“. Danderous, 6 de Dezembro de 2017.
Tradução: dvgurjao
• Publicado originalmente por Tradutores de Direita
PAULO FREIRE: ANTÔNIMO DE AMOR - 14/12/2017
Os meus detratores não acreditam, mas li sem qualquer resultado prévio cada uma das sílabas do livro Paulo Freire: uma história de vida. Considerei as diferentes circunstâncias históricas vividas por Paulo Freire, respeitei muitas de suas cicatrizes emocionais e não ignoro a dificuldade em analisar esse tipo de obra biográfica, pois, como posso colocar em discussão uma experiência amorosa que não foi partilhada comigo intimamente? Mesmo que fique ostensivo, não tenho a presunção de questionar qualquer um dos afetos narrados. A minha (um tanto quanto singela) vontade é a de analisar a estrutura do texto, verificando de que forma a obra descreve o ambiente “freireano”, especificamente, a influência do trabalho do alfabetizador nas mais diversas áreas do saber.
A verdade assusta, caro leitor. Todavia, ainda que o prefácio escrito por Alípio Casali e Vera Barreto diga que “o leitor adentrará numa história envolvente, levado pelas mãos de quem percorreu muitos dos labirintos da vida profissional e pessoal de Freire”, anoto que não é este o maior mérito da obra – que, sim, tem momentos bem acertados, a começar por ser a mais completa biografia sobre a vida de Paulo Freire, escrita por uma testemunha ocular, sua viúva, Ana Maria Araújo Freire.
O fato de ser a mais completa não faz dela uma obra de respaldo técnico, mas, sim, a mais destacada entre as produções “apologéticas” de Freire. É estarrecedor raramente encontrar obras que não sejam cúmplices de Freire – ainda mais em um país como o nosso, em que todo mundo é doutor ou professor. Posso parecer implicante, mas é preciso chamar as coisas pelo nome verdadeiro. Assim, defino a publicação como um fiasco.
Contudo, ela retém outros aspectos meritórios, como as competentes descrições da pobreza vivida por Freire, um bom preâmbulo sobre a sua origem familiar, um conveniente desenvolvimento da conexão intelectual do pedagogo com outros nomes conceituados de nosso país e do mundo (com destaque às páginas 228 e 247), e explica satisfatoriamente como ocorreu a inclusão do petista no mundo escolar. Também merecem elogios o seu bom acervo documental (fotografias e cartas transcritas), a forma como a autora apresenta o cerne cronológico de seu relacionamento com o marido e a sugestão que fomenta – de maneira indireta – de que se faça uma investigação sobre o tratamento que a imprensa brasileira deu a Paulo Freire. Encerrando esse elenco de elogios, cabe uma referência aos pormenores destacados no livro – “Ora, esse é o nome da minha mulher. E é a primeira vez que eu escrevo. São esses pormenores, que são profundamente humanos, que não podem ser esquecidos por um revolucionário. Uma revolução que esquece que um homem ri nervosamente ao escrever o nome de sua mulher é uma revolução frustrada” – e também à sua explanação sobre o método “freireano”, em que esclarece alguns dos aspectos interpretados de maneira desonesta por seus adversários mais desqualificados – “Parece-me no mínimo estranho que livros sobre essa experiência de Angicos enfatizem as ‘40 horas’ no processo de alfabetização como foco do ‘método’, pois Paulo em momento algum fez tal afirmativa ou teve tal pretensão”.
Os apontamentos do parágrafo anterior são irrelevantes quando confrontamos o todo da obra. A começar por seu erro elementar, acólito de todos os capítulos, que é o de ter uma qualidade literária insuficiente, comprometida por um dedicado esforço de sobrepor à força as ideias neles discorridas. Mesmo com o honesto aviso inicial da autora – “Como autora desta biografia eu não desejo e nem quero a imparcialidade da falsa neutralidade” –, causou-me incômodo essa busca por uma cientificidade sem apuro técnico. Reconheço que a contextualização, quando se pensa na relação entre o texto e seu contexto, parece, à primeira vista, uma operação simples, de fácil empreendimento, contudo, princípios como intuição, bom senso e clareza passam apartados do relato. No que se refere à clareza, há um festival de falhas. A primeira é a desorientação temporal, dado que os episódios factuais ficam confusos, anárquicos. Citando casos análogos, a autora ora retoma um assunto que já tinha sido apresentado, alguns sem qualquer relação cíclica, ora comunica uma informação significativa que, no seu relato, já ambientava a descrição. Exemplo: depois de ter descrito a prisão e o exílio de Freire, ela reverbera ad nauseam as mesmas ocorrências, algumas vezes sem qualquer analogia. Outro exemplo vem da página 190, na qual ela expõe, sem uma adequada explicação prévia, a informação de que Paulo Freire tinha um contrato com a UNESCO – ela retomará o assunto posteriormente, porém, quando o fato é apresentado, não há qualquer preocupação cronológica, ele simplesmente aparece da seguinte forma: “Freire: Eu achei que aquele era o tempo do Chile, conversei com meus amigos e coincidiu também com a não renovação do meu contrato com a UNESCO”.
Além disso, há questões estéticas, como a escolha da autora em se apresentar na terceira pessoa em condições como esta: “Sua vida com Nita” – considerando que Nita é o apelido doméstico da autora. Não gosto dessa escolha estilística, em razão de que aduz um caráter artificial à obra. Digo o mesmo com relação às descrições de seus diálogos íntimos, dos quais, como já escrito, não tenho como dizer se são fabricados à obra, mas posso considerá-los apinhados de ênfases que os tornam enfadonhos:
Nita, casamos na terceira idade, quero viver o amor com você, quero viver e aproveitar momentos de tranquilidade com você, quero voltar a escrever, quero cumprir promessas de longa data de aceitar convites fora de São Paulo, mas não posso me furtar de aceitar este convite, se ele realmente vier. É um dever cívico e político que tenho diante de mim mesmo e para com o povo da cidade que me acolheu tão generosamente quando voltei do exílio. Será uma oportunidade importante de testar mais uma vez na prática, desta vez nesta imensa rede pública de ensino que é a cidade de São Paulo, a minha teoria. A minha compreensão de educação.
Nem a sua letra – que era, como a minha, um verdadeiro garrancho – escapou desse palavrório imposto: “Seus escritos são verdadeiros ‘desenhos’ feitos com uma caneta azul, com os destaques com tinta vermelha ou verde no papel branco. São a imagem criada na sua inteligência e sensibilidade, a linguagem criada no seu corpo consciente, no seu corpo inteiro”.
Há também ênfases narrativas em todas as suas ações, mínimas ou máximas, como se elas procedessem de uma fonte messiânica. No exemplo a seguir, veremos um realce verborrágico para algo que não passou de uma obrigação profissional e ética: “Paulo cumpriu cívica e eticamente o seu dever de cidadão: pediu demissão do seu cargo de professor da Unicamp para cumprir a lei”. Para situações como esta, aplico a frase de Albert Camus: “A verdade, como a luz, cega. A mentira, ao contrário, é um belo crepúsculo, que valoriza cada objeto”.
Também fiquei incomodado com o uso das exclamações. Até elas foram objetos para ressaltar generalidades: “Na verdade, o que determinou a recusa de Paulo de passar um semestre no Seminário Teológico foi, prioritariamente, por se sentir pouco competente para ensinar Teologia!”. Estilisticamente, o emprego dessa exclamação demonstra a perplexidade com o fato de que Paulo Freire se viu desprovido de capacidade para exercer a docência em outra área do conhecimento, algo normal, um tanto quanto elogiável, mas que para a autora foi inconcebível, visto que entendia o seu marido como o portador máximo da sabedoria infusa.
Convém dizer que ele foi um homem que não suportava certos tipos de sistemas e pessoas, mas, apesar disso, é apresentado como um arauto do amor, vetor de “uma imensa capacidade de amar”. Repetido excessivas vezes pela autora, esse chavão e os seus sinônimos regulam toda a obra. Destaquei dois exemplos: “Paulo desgastou-se no amor. Por tanto amar. De muito e intensamente amar. Por sua valentia de tanto amar” e “Esses são exemplos de como Paulo amou. Amou as pessoas independentes de sua raça, de seu gênero, de sua religião, de sua idade ou de sua opção ideológica. Amou a natureza”.
O discurso visguento da autora é incômodo. Em vez de palavreados, prefiro a máxima de Camus: “Em filosofia como em política, eu sou, portanto, a favor de qualquer teoria que recuse a inocência ao homem, e a favor de toda prática que o trate como culpado”. Compete dizer que estamos analisando uma obra cujo objeto não é um homem, sequer o falecido marido, mas, antes de tudo, trata-se, sob a ótica da autora, de um profeta: “Paulo, também nisso, foi adivinho, profético”. Ressalto que ao longo da obra encontramos, repetidamente, o uso do termo “profeta”, em virtude de Freire ser tido como um iluminado metafísico, o super-homem exposto pela pena do supracitado Camus: “Na verdade, à força de ser homem, com tanta plenitude e simplicidade, achava-me um pouco super-homem”.
Embasado no livro Paulo Freire: uma história de vida, concluí que o nosso patrono é o homem que a “peste” não adoentou, que indispôs o pecado original. Essa tentativa de salvar sua aparência externa é a desafinada cantiga de todo o alfarrábio.
O anacronismo é outro erro corriqueiro no livro. Afirmações que não se sustentam factualmente são frequentes ao longo do texto, em especial no capítulo cinco, em que a autora se propõe a analisar o contexto brasileiro de 1960: “Apresentarei um pequeno estudo por mim realizado sobre o conflito ideológico brasileiro dos anos 1960”. Porém, sem espantos, ela segue as mesmas repetições monossilábicas da esquerda maniqueísta, repetindo o discurso de que o outro lado hospeda, na totalidade, o mal: “Parte da Igreja Católica, a tradicional, conservadora, que não estava aliada aos interesses dos pobres e dos despossuídos, também se manifestava contra Paulo”.
Uma coisa é fazer a síntese de um período histórico, desse modo obviamente superficial. No entanto, o erro da autora foi definir teses coletivas sobre os agentes complexos de um período, ignorando aspectos prévios ao objeto pretensamente analisado, como por exemplo, ao omitir o caráter popular de 1964. Historiograficamente falando, os erros não param por aí. Afirmações sem qualquer validação dialética são jogadas ao vento: “Juscelino Kubitschek – a [experiência] mais democrática até então conhecida no Brasil”.
Se isso ocorre com os temas que não tangem diretamente a Paulo Freire, seguramente, encontramos a mesma ocorrência com os que constituem a essência de sua presença no nosso mundo das ideias: “Entretanto, não posso deixar de enfatizar que considero fato da maior relevância para a história da educação do Brasil o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA), concebido por Paulo Freire quando secretário de educação no Município de São Paulo, em 1989, e para o qual dediquei algumas palavras no Capítulo 11”. A liberdade da autora de achar o que quiser não me afeta, mas, por ossos do ofício, preciso dizer que essa consideração é embasada, muito provavelmente, na sua esmaltada crença de que o Brasil nasceu em 1964. Ainda que Pedro Álvares Cabral estivesse aqui na deposição de João Goulart, essa afirmação estaria equivocada.
De minha parte, como acredito que o Brasil tem mais de cinco séculos, posso expressar, sem qualquer ênfase doutoral, mas com dois apontamentos, que a declaração da autora está equivocada: primeiro, pela falta de investigação histórica e, segundo, por ignorar os testemunhos intelectuais de homens como José de Anchieta, Machado de Assis, Carlos Gomes, Capistrano de Abreu – estes, pedagogos por excelência.
A obra explora vivências de Freire, partilha algumas de suas emoções decorrentes de seu trabalho, explica a sua compreensão de educação e faz uma laudatória defesa de sua visão socialmente opressiva, não só por adotar o caminho da omissão e, com isso, o de não discutir as frases mais violentas que seus livros têm, mas por ratificar passagens insensatas:
Eu hoje continuo pensando que a democracia não significa o desaparecimento absoluto do direito de violência de quem está proibido de sobreviver… Se você me perguntar: entre os dois, para onde você marcha? Eu marcho para a diminuição do gasto humano, das vidas, por exemplo, mas entendo que elas também possam ser gastas, na medida em que você pretende manter a vida. O próprio da preservação da vida leva à perda de algumas vidas, às vezes, o que é doloroso. Agora, o que eu não acredito é na conscientização dos poderosos. Eu acredito na conversão de alguns poderosos, mas não enquanto classe que comanda, não enquanto classe que domina.
A obra tem uma involuntária entonação kafkiana. É paradoxal o encontro – borrifado de naturalidade discursiva – de trechos tão antônimos como a citação anterior e esta: “Paulo Freire: Eu gostaria de ser lembrado como um sujeito que amou profundamente o mundo e as pessoas, os bichos, as árvores, as águas, a vida”. Percebam, estamos no meio de um labirinto. De um lado, encontramos um homem que se apresentava como uma espécie de São Francisco do giz de cera, e, no outro extremo, um déspota.
Quem tem familiaridade com os textos de Freire sabe que as apologias dele aos seus massacres favoritos foram comuns, mesmo assim, cabe aqui expor o quanto é disforme esse discurso labiríntico, em que não há qualquer filtro moral em apresentar um homem sem o mínimo de clarividência humana como um sinônimo de amor. Não quero ser histérico, mas é que, simplesmente, não me habituei a ver uma pessoa ter a sua morte justificada por motivos tão pueris, e, naturalmente, refuto qualquer dor infligida a um inocente. Fundamentado na página 319, posso dizer que nem Paulo Freire, muito menos a autora consideraram “equívocos” os trechos perturbadores de obras como a A Pedagogia da Autonomia e A Pedagogia do Oprimido.
Paulo nunca teve, assim, medo de seus “resvalamentos”, enganos ou erros. Considerava-os parte da busca do saber, dos riscos inerentes à incompletude humana, da explicitação da Verdade que, sendo histórica, deve ir sendo atualizada constantemente. Igualmente, não desprezava serem possíveis os equívocos diante das contingências pessoais e sociais de quem, como ele, pensava e escrevia com ousadia. Reconhecer o erro não é um defeito, é uma virtude, para a qual ele esteve sempre atento e aberto, permanecer no erro sabendo de seu erro é que é uma atitude hipócrita, desonesta, antiética. Expõe vaidade, insegurança e prepotência de quem assim age. Por isso ele foi ousado, não teve medo de correr riscos ao criar e afirmar suas ideias.
Em harmonia com a passagem anterior, escrevo que não houve qualquer retratação do casal Freire. Compete dizer que, como muitos brasileiros das décadas de 1960 e 1970, Paulo Freire endossou o então novo sistema político cubano, instaurado no dia 1.º de janeiro de 1959. Enxergavam nele a realização de suas teorias. É possível conter a crítica por essa adesão nesse espaço de tempo; porém, o fato de Paulo Freire, diferentemente de parte considerável daqueles mesmos brasileiros, ter mantido suas convicções até o seu último suspiro – sendo um aluno bem aplicado de Fidel, ignorando as contrariedades da realidade – atesta seu desdém em relação às condições humanas, logo, uma contradição de sua essência pedagógica.
Justiça seja feita, o pedagogo nunca omitiu sua sede de sangue. Como todo tirano, Paulo Freire conhecia a realidade segundo seu vocabulário, e nunca segundo a História. Suas ações foram uma dedicada tomada de posição, legitimada pelas justificativas de que há diferentes tipos de homens e há um meio legítimo à realização humana na História. Parafraseando Camus, ele de novo: na realidade, um homem deve lutar pelas vítimas; mas, se deixa de gostar de todo o resto, de que serve lutar?
Como quis perturbar o jogo pedagógico brasileiro, discuti no meu livro Desconstruindo Paulo Freire que, por sua simbiose marxista, a teoria de Freire é impraticável sem a premissa de corrigir a lei de Deus ou da natureza (como vocês queiram). Nosso ainda patrono não foi o último homem a portar o “bacilo da peste”; contudo, analisando especificamente seu diagnóstico de intelectual traidor – na definição de Julien Benda –, posso dizer que ele foi mais um intelectual “tipicamente do século XX”, ou seja, um homem apaixonado por si, que acreditou que o seu fragmento da realidade era capaz de realinhar os princípios mais complexos da existência humana. Em seu parâmetro moral, os números de mortos dos regimes comunistas de todo o século XX pouco significaram.
Por fim, atesto que os propósitos da autora foram cumpridos: “Tenho certeza de que me empenharei em dizer tudo aquilo o [sic] que eu sei sobre Paulo, que o engrandece; tudo o que lhe faça justiça, tudo o que é verdadeiro sobre ele, e tudo sobre o que meu marido gostava e se orgulhava de ter feito e/ou pensado e dito”. Nesta biografia, fica claro que a obra de Paulo Freire transporta dois extremos: inquietação apocalíptica e esperança messiânica.
Resenha publicada na Revista Amálgama – https://www.revistaamalgama.com.br/11/2017/resenha-biografia-paulo-freire-historia-de-vida-ana-maria-araujo-freire/
• Reproduzido de http://historiaexpressa.com.br/paulo-freire-antonimo-de-amor/
O SURTO DO BOMBEIRO E A FALTA DE COMPAIXÃO - 08/12/2017
Uma nota, assinada pela Secretaria de Segurança Pública e comandantes das três forças (CBMDF, PMDF e PCDF), afastou indícios de terrorismo na conduta do sargento CBMDF Fabrício Santos, o qual, durante um surto psicótico ou algo parecido, tomou a direção de um caminhão de sua corporação e disparou rumo ao Congresso Nacional, altas horas da noite, quando os senhores parlamentares dormiam nos braços de Morfeu.
No entanto, os comandantes das forças informaram que o sargento responderá pelos crimes de furto qualificado, desobediência, danos ao material da administração militar e tentativa de dano.
O Judiciário, por sua vez, lastreado na lista de crimes, converteu a prisão em flagrante em preventiva, sem recorrer a nenhuma das medidas cautelares diversas da privação de liberdade previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal, como é, aliás, de costume nas audiências de custódia.
Não vejo como enquadrar a ação do sargento no artigo 155 do Código Penal, uma vez que, ao se apoderar do caminhão do Corpo de Bombeiros, ele não tinha a intenção de subtrair para si coisa alheia móvel. Acostumado a conduzir esse tipo de veículo durante 10 anos, Fabrício, durante o surto, tendo acesso às chaves, usou o caminhão para executar um gesto tresloucado.
A desobediência e o dano são apurados por meio de Termo Circunstanciado, caso em que, se estiver em pleno gozo de suas faculdades mentais, o autor do fato assina Termo de Compromisso de Comparecimento a Juízo e é liberado de imediato.
A análise das circunstâncias demonstra que o autor não estava em pleno gozo de suas faculdades mentais, deveria ter sido submetido a uma avaliação psiquiátrica e até internado por ordem judicial, ad cautelam, ou recolhido administrativamente pelo Corpo de Bombeiros Militar, com base no Código Penal Militar e Código de Processo Penal Militar, mas não ser trancafiado como um preso qualquer, quando, pela análise da situação, até um leigo perceberá que não é bem assim.
Por fim, lamenta-se que, na ânsia de aparecer, alguém teve a ideia de espalhar que se tratava de ato terrorista. Desmontada a versão, passaram a tratar o profissional como ladrão, numa prova de que uma grande parte da humanidade perdeu a compaixão e está muito longe de ser humana.
Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.
O QUE É O SOCIALISMO FABIANO - E POR QUE ELE IMPORTA - 07/12/2017
(Publicado originalmente em www.mises.org.br)
Antes da Revolução Russa, o Partido Comunista tinha duas alas: Bolchevique e Menchevique.
Os Bolcheviques acreditavam na imediata imposição do socialismo por meios violentos, com confisco armado das propriedades, das fábricas, e das fazendas, e o assassinato dos burgueses e reacionários que porventura oferecessem resistência.
Já os Mencheviques (que também se autorrotulavam social-democratas) defendiam uma abordagem mais gradual, não-violenta e não-revolucionária para o mesmo objetivo. Para estes, a liberdade e a propriedade deveriam ser abolidas pelo voto da maioria.
Os Bolcheviques venceram a Revolução Russa e implantaram o terror. No entanto, após cometerem crimes inimagináveis, eles praticamente desapareceram do cenário. Já os Mencheviques, no entanto, não apenas seguem vivos como também se fortaleceram e se expandiram, e estão no poder de boa parte dos países democráticos.
Os mencheviques modernos seguem, em sua essência, as mesmas táticas dos Mencheviques russos: em vez de abolirem a propriedade privada e a economia de mercado, como queriam os Bolcheviques, os atuais mencheviques entenderam ser muito melhor um arranjo em que a propriedade privada e o sistema de preços são mantidos, mas o estado mantém os capitalistas e uma truncada economia de mercado sob total controle, regulando, tributando, restringindo e submetendo todos os empreendedores às ordens do estado.
Para os mencheviques atuais, tradições burguesas como propriedade privada e economia de mercado devem ser toleradas, mas a economia tem de ser rigidamente regulada e tributada. Políticas redistributivistas são inegociáveis. Uma fatia da renda dos indivíduos produtivos da sociedade deve ser confiscada e redistribuída para os não-produtivos. Grandes empresários devem ser submissos aos interesses do regime e, em troca, devem ser beneficiados por subsídios e políticas industriais, e também protegidos por tarifas protecionistas.
Acima de tudo, cabe aos burocratas do governo — os próprios mencheviques — intervir no mercado para redistribuir toda a riqueza e manter a economia funcionando de acordo com seus desígnios.
No entanto, a estratégia menchevique não se resume à economia. A questão cultural é tão ou mais importante. Para os mencheviques atuais, a cultura burguesa deve ser substituída por uma nova mentalidade condicionada ao modo de pensar social-democrata, e a estratégia para isso consiste na imposição lenta e gradual de uma revolução cultural.
Os mencheviques, fiéis ao seu ideal "democrático", sempre se sentiram desconfortáveis com a ideia de revolução, preferindo muito mais a "evolução" gradual produzida pelas eleições democráticas. O estado deve ser totalmente aparelhado por intelectuais partidários e simpatizantes, de modo a garantir uma tomada hegemônica das instituições culturais e sociais do país. Daí a desconsideração pelos gulags e pela revolução armada.
Como tudo começou
As raízes do menchevismo atual não estão na Rússia de Lênin, mas sim na Londres de 1883, quando um grupo de socialistas adeptos do gradualismo fundou a Sociedade Fabiana. Liderada por um cidadão chamado Hubert Bland, os mais famosos membros da sociedade eram o dramaturgo George Bernard Shaw, os autores Sidney e Beatrice Webb, e o artista William Morris.
A Sociedade Fabiana tem este nome em homenagem a Quintus Fabius Maximus, político, ditador e general da República Romana (275-203 a.C.) que conseguiu derrotar Aníbal na Segunda Guerra Púnica adotando a estratégia de não fazer confrontos diretos e em larga escala (nos quais os romanos haviam sido derrotados contra Aníbal), mas sim de incorrer apenas em pequenas e graduais ações, as quais ele sabia que podia vencer, não importa o tanto que ele tivesse de esperar.
Em suma, Quintus Fabius Maximus era um estrategista militar que evitava qualquer confrontação aberta e decisiva; em vez disso, ele preferia fatigar seus oponentes com táticas procrastinadoras e cansativas, manobras enganadoras e assédios contínuos.
Fundada exatamente no ano da morte de Marx com o intuito de promover as idéias do filósofo alemão por meio do gradualismo, a Sociedade Fabiana almejava "condicionar" a sociedade, como disse a fabiana Margaret Cole, por meio de medidas socialistas disfarçadas. Ao atenuar e minimizar seus objetivos, a Sociedade Fabiana tinha o intuito de não incitar os inimigos do socialismo, tornando-os menos combativos.
Ao contrário dos revolucionários marxistas, os socialistas fabianos conheciam muito bem o funcionamento das políticas públicas britânicas. Sendo os especialistas originais, eles fizeram várias pesquisas, elaboraram planos, publicaram panfletos e livros, e criaram várias propostas legislativas, sempre contando com a ajuda de aliados nas universidades, igrejas e jornais. Eles também treinaram oradores, escritores e políticos. Sidney Webb foi além e fundou a London School of Economics em 1895 para ser o quartel-general desse trabalho.
Embora a Sociedade Fabiana jamais houvesse tido mais do que 4.000 membros, foram eles que criaram, promoveram e conduziram pelo Parlamento a maior parte das políticas sociais britânicas até o início da década de 1980. O resultado foi uma economia em frangalhos e uma sociedade esclerosada, situação esta que só começou a ser revertida quando Margaret Thatcher começou a "desfabianizar" a Inglaterra.
Os fabianos foram bem-sucedidos em seu objetivo de criar um "estado provedor", um estado assistencialista que cuidaria não apenas dos pobres, mas também da classe média, do berço ao túmulo.
Seja na forma de compensações trabalhistas, ou de pensões e aposentadorias, seguro-desemprego e medicina socializada, os fabianos sempre enfatizaram a "reforma social". Segundo o escritor John T. Flynn, os fabianos
Perceberam prematuramente o imenso valor das reformas sociais em acostumar os cidadãos a ver o estado como a ferramenta para curar todas as suas doenças e inquietudes. Eles viram que uma agitação em prol de um estado assistencialista poderia se tornar o veículo ideal para incutir idéias socialistas nas mentes do cidadão comum.
Outra inovação fabiana: reformas sociais invariavelmente envolviam algum tipo de "seguridade". As pessoas seriam induzidas a aceitar o socialismo caso este fosse apresentado por meio de modelos oriundos das ciências atuariais, tendo empresas de seguro como base.
Empresas de seguro genuínas, baseando-se em estatísticas de distribuição aleatória de acidentes, coletam dinheiro de seus segurados na forma de um consórcio e concentram-no em um fundo, desta forma tornando o mundo menos incerto para seus membros. Os fabianos, muito espertamente, pegaram esse modelo e disseram: concentremos a riqueza de todos nas mãos do estado e seremos felizes, saudáveis e teremos uma vida melhor.
Aneurin Bevan, o ministro da saúde fabiano do governo trabalhista dos pós-guerra, que criou o National Health Service — o sistema estatal de saúde britânico (veja algumas notícias recentes da saúde britânica estatal aqui, aqui, aqui e aqui) —, chegou realmente a argumentar que tal modelo iria drasticamente aumentar a expectativa de vida de todos, chegando ao ponto de postergar a morte indefinidamente.
Mas a verdadeira visão fabiana do estado foi mais bem explicitada no livro de Sidney e Beatrice Webb intitulado Soviet Communism: A New Civilization?, publicado em 1935 (o ponto de interrogação foi removido do título após a primeira edição). O livro glorificava a URSS de Stalin como se fosse virtualmente um paraíso na terra.
Como marxistas, embora de uma outra estirpe, os Webbs aprovavam o stalinismo — se não os meios, os fins. "Os fabianos eram, de uma certa forma, marxistas mais bem treinados do que o próprio Marx", disse Joseph Schumpeter. Que continuou:
Concentrar-se nos problemas que podem ser alterados por métodos políticos práticos, adaptar-se à evolução das questões sociais, e deixar o objetivo supremo ser alcançado automaticamente [por meio da alteração cultural das massas] é algo que está muito mais de acordo com a doutrina fundamental de Marx do que a ideologia revolucionária que ele próprio propôs.
Conclusão
No linguajar fabiano, impostos são "contribuições", gastos do governo são "investimentos", criticar o governo é "entreguismo" ou "falta de patriotismo", donos de propriedades são "elites", "reacionários" e "privilegiados", e "mudança" significa " socialismo".
Quando os atuais social-democratas pedem "sacrifícios" da população em prol dos "ajustes" do governo, tenha em mente que os fabianos diziam exatamente o mesmo, defendendo, segundo as próprias palavras de Beatrice Webb, a "transferência" da "emoção do serviço sacrificante" de Deus para o estado.
Para os fabianos, o estado (seus burocratas e toda a sua mentalidade) é o único deus por quem a população deve se sacrificar.
Por fim, vale ressaltar que o desaparecimento dos bolcheviques nunca foi lamentado pelos social-democratas fabianos. Muito pelo contrário: os social-democratas fabianos agora detêm o monopólio da marcha "progressista" da história rumo à Utopia.
A janela de vidro pintada que adorna a casa de Beatrice Webb em Surrey, Inglaterra, mostra George Bernard Shaw e Sidney Webb remodelando o mundo com uma bigorna, tendo ao fundo o brasão da Sociedade Fabiana: um lobo em pele de cordeiro. Aquele lobo está hoje entre nós.
* Lew Rockwell é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.
JUVENTUDE EM CUBA: A GERAÇÃO SEM FUTURO - 01/12/2017
HAVANA, Cuba.- Em meados de novembro, um artigo assinado pela Dra. Graziella Pogolotti intitulado "Como os jovens são hoje" foi publicado nos jornais oficiais Granma e Juventud Rebelde. A questão diz respeito a quase todos os cubanos, mas é impossível, como diz Pogolotti, estabelecer um molde ou conceito que se encaixe em toda a juventude. Por esta razão, CubaNet conversou com cidadãos de diferentes gerações, que deram suas opiniões sobre esse componente social que mudou drasticamente nos últimos anos.
Até recentemente, a falta de educação e as atitudes criminosas de adolescentes eram consideradas um problema endêmico em bairros marginais, com famílias disfuncionais e baixa renda. Hoje, a degradação se espalhou para áreas da capital tradicionalmente conhecidas como "de pessoas boas"; onde a mesma delinquência se manifesta, embora com maior sutileza e por trás das fachadas habilmente preparadas.
Os jovens hoje fazem parte da divisão social causada por uma crise econômica prolongada e o surgimento de novos padrões de vida que mudaram as prioridades, desejos e aspirações. Os tempos são diferentes e, apesar do fato de que o governo controla muitas liberdades individuais, não é tão fácil entrar, como dizem, "para o canal".
Se, como afirma Graziella Pogolotti, cada geração é portadora de uma marca de época, a juventude de hoje identifica os restos físicos, psicológicos e culturais do Período Especial; um momento em que os valores foram de repente interrompidos, e pensar em termos de uma nação não era mais importante.
Essa fraturada juventude teve que lidar com o início do declínio na educação escolar, um mal que piorou terrivelmente nos últimos quinze anos. Aqueles que não sofreram o impacto direto da crise foram afetados por suas conseqüências na esfera social.
Atualmente, em Cuba, ocorre uma estratificação em que são apreciadas as nuances; mas destaca a polarização extrema entre jovens que têm acesso a um grau de bem-estar muito maior e aqueles que "lutam" para sobreviver, tentando não deixar sua humanidade para trás.
Quando os jovens falam sobre si mesmos, eles não vão além da descrição epidérmica. Eles aspiram a ser "grandes" desde o banco de um parque, ancorados ao Wi-Fi (foto). Tal atitude é compreensível se você sabe que, para eles, ser excelente é equivalente a ter dinheiro e bens materiais, um objetivo que em Cuba não passa, necessariamente pela dedicação ao trabalho.
Os novos impedimentos à emigração, em vez de levá-los a considerar uma alternativa interna, parece havê-los mergulhado em um conformismo passivo, onde a palavra "futuro" está inextricavelmente ligada ao propósito abstrato de esperar que a oportunidade ideal se apresente. Poucos estão conscientes do que significa ser jovem em um país econômico e politicamente atrofiado; ou ser parte de uma sociedade envelhecida que os faz, a partir de agora, potenciais cuidadores.
As pessoas mais velhas não as criticam; eles apenas os observam com preocupação porque sabem que a continuidade não é garantida. Existe uma falta de senso de pertença e compromisso. A preparação técnica e profissional não corresponde às demandas dos tempos atuais e a frequência na escola não é garantia de que eles estão aprendendo o que é necessário para assumir o futuro da nação.
O discurso oficial não faz diferença nas novas gerações, embora marchas e desfiles lúgubres pretendam demonstrar o contrário. Todo mundo faz o jogo para poder evitar problemas. Os jovens gritam "Eu sou Fidel" e exaltam o socialismo até a náusea, enquanto, subrepticiamente, se dedicam a todos os tipos de ilegalidades para avançar, ou vivem graças ao dinheiro de um parente emigrado.
O exercício da mentira desde uma idade adiantada provoca um vício perigoso, o que torna ridículos os seus praticantes e o sistema político cubano. O fato de as eleições municipais terem ocorrido em 26 de novembro e vários adolescentes declararem ter votado em Fidel Castro, reflete um estado mental tão alienado que pode ser atribuído ao uso de substâncias psicotrópicas. Em Cuba, como em qualquer lugar, criminosos, hipócritas, fanáticos e dependentes de auxílio alheio, prejudicam qualquer projeto de uma nação que tenha como objetivo o desenvolvimento com base no esforço conjunto de seus cidadãos.
Bom e ruim, há em todos os lugares. Se Cuba pudesse se vangloriar de uma juventude abundante e empreendedora, os adolescentes mal intencionados só seriam "erros de um sistema aperfeiçoável". Mas no país mais idoso da América, com uma taxa de natalidade que tende a diminuir, cada jovem deveria ser um tesouro.
É verdade que há jovens promissores, empenhados na tarefa de empreender e superar-se; jovens ansiosos por uma Cuba de onde não se necessite sair fugindo da falta de oportunidades. Desgraçadamente, a virtude, quando não opera pelo bem comum é como se não existisse.
* Publicado originalmente em CubaNet.org
BUTLER EM RECUO ESTRATÉGICO - 30/11/2017
(Publicado originalmente em www.semprefamilia.com.br)
“Escrevi essas notas por ocasião da leitura do artigo de Judith Butler na Folha de São Paulo em 20 de novembro de 2017, numa breve meditação filosófica. O texto é maior que as postagens habituais, mas penso que valha a pena sua leitura atenta e reflexão”
I. RECUO ESTRATÉGICO
Professora do departamento de retórica e literatura comparada da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e diretora do Consórcio Internacional de Teoria Crítica, não é de se admirar que Judith Butler remodele seu discurso para torná-lo mais palatável ao ouvido sensível dos brasileiros, sobretudo após a onda de protestos causados por sua última vinda ao Brasil.
“Um passo em frente, dois pra trás”. Este é o título do livro que Vladimir Lênin publicou em 1904, e que, de certo modo, marcou sempre o modus procedendi de toda a esquerda quando pretende avançar por cima dos obstáculos.
Quando Fidel Castro assumiu o poder em Cuba em nome da democracia e contra a ditadura batistiana, em seguida, implantou a sua ditadura. Hugo Chávez fez a mesma coisa, apresentou um discurso democrático para, na sequência, impor seu totalitarismo.
Até mesmo o ex-presidente Lula fez isso. Quando tentava se eleger, nos anos 90, era rechaçado pela população. Então, com o auxílio do marqueteiro Duda Mendonça, repaginou-se, dando à luz o “Lulinha paz e amor”, que o elevou à presidência da república em 2002.
Agora, Butler segue a mesma estratégia. Reapresenta a sua teoria em recortes mais essencialistas e até moralistas, para fazê-la avançar.
II. A TEORIA DE GÊNERO BUTLERIANA
Apesar de aliviar as tintas em seu texto, qualquer pessoa que tenha tido um contato com a teoria de gênero sabe que esta transcende em muito o objetivo de atender os indivíduos que não correspondem às expectativas relativas ao seu gênero (segundo o artigo de Butler, “ao gênero atribuído no nascimento”).
Como ela mesma afirma, “meu trabalho consiste em delinear a última etapa da batalha filosófica contra a vida do impulso, o esforço filosófico de domesticar o desejo como uma instância de lugar metafísico, a luta por aceitar o desejo como princípio de deslocamento metafísico e dissonância psíquica e o esforço orientado por deslocar o desejo com o fim de derrotar a metafísica da identidade” (Subjects of desire, p. 15).
Obviamente, para ela, como o desejo não se realiza de acordo com um sujeito que lhe dê suporte, o “eu” seria apenas um discurso. Não haveria um ser por detrás da performance de gênero. Seriam estas performances, estas ações, que constituiriam a ficção do sujeito, pois esta ficção seria requerida pelo discurso que nós herdamos da metafísica da substância, discurso que, segundo ela, precisamos superar (Problemas de gênero, p. 56).
Masculinidade e feminilidade, portanto, para ela, são ações desligadas da biologia. Ela afirma, inclusive, que “a ‘presença’ das assim chamadas convenções heterossexuais nos contextos homossexuais, bem como a proliferação de discursos especificamente gays da diferença sexual, como no caso de buth (a lésbica masculinizada) e femme (a lésbica feminilizada) como identidades históricas de estilo sexual, não pode ser explicada como representação quimérica de identidades originalmente heterossexuais. E tampouco elas podem ser compreendidas como a insistência perniciosa de construtos heterossexistas na sexualidade e na identidade gays. A repetição de construtos heterossexuais nas culturas sexuais gay e hétero bem pode representar o lugar inevitável de desnaturalização das categorias de gênero” (Problemas de gênero, p. 66).
Ademais, em diálogo com Witting, ela afirma que “a tarefa das mulheres é assumir a posição do sujeito falante autorizado e derrubar tanto a categoria de sexo como o sistema da heterossexualidade compulsória que está em sua origem. Para ela, a linguagem é o conjunto de atos, repetidos ao longo do tempo, que produzem efeitos de realidade que acabam sendo percebidos como ‘fatos’. Considerada coletivamente, a prática repetida de nomear a diferença sexual criou essa aparência de divisão natural. A ‘nomeação’ do sexo é um ato de dominação e coerção, um ato performativo, institucionalizado que cria e legisla a realidade social pela exigência de uma construção discursiva/perceptiva dos corpos, segundo os princípios da diferença sexual” (Problemas de gênero, p. 200).
Diante disso, soa completamente retórica e maquiada a seguinte pergunta de Butler em seu artigo da Folha: “O livro (Problemas de gênero) negou a existência de uma diferença natural entre os sexos? De maneira alguma, embora destaque a existência de paradigmas científicos divergentes para determinar as diferenças entre os sexos e observe que alguns corpos possuem atributos mistos que dificultam sua classificação”.
Então, Butler admite que existe a possibilidade de uma classificação objetiva, baseada na diferença biológica dos corpos? Obviamente, trata-se, aqui, de uma ginástica retórica para desorientar os menos informados em sua teoria.
III. IDEOLOGIA? SIM.
Segundo Butler, “em geral, uma ideologia é entendida como um ponto de vista que é tanto ilusório quanto dogmático, algo que ‘tomou conta’ do pensamento das pessoas de uma maneira acrítica. Meu ponto de vista, entretanto, é crítico, pois questiona o tipo de premissa que as pessoas adotam como certas em seu cotidiano” (artigo para a Folha).
O conceito de gênero é crítico apenas no sentido da “teoria crítica”, quer dizer, enquanto instrumento para criticar a realidade inteira, como ela mesma reconhece neste seu texto.
Contudo, como de praxe na teoria crítica, deve-se criticar tudo, menos a metodologia crítica ou seus instrumentos metodológicos críticos como, no caso, o conceito de gênero.
Ela mesma afirma que “se a noção estável de gênero dá mostras de não mais servir como premissa básica da política feminista, talvez um novo tipo de política feminista seja agora desejável para contestar as próprias reificações do gênero e da identidade – isto é, uma política feminista que tome a construção variável da identidade como um PRÉ-REQUISITO METODOLÓGICO E NORMATIVO, senão como um OBJETIVO POLÍTICO” (Problemas de gênero, p. 25).
Em outras palavras, a noção de gênero como identidade variável deve ser uma PREMISSA, aliás, a qual ela não procura demonstrar, antes, apenas apresenta de modo dogmático. A práxis da militância de gênero, ademais, sempre foi a de fazer com que a teoria de gênero “tomasse de conta” da sociedade inteira sem que ninguém se desse conta disso, portanto, de modo acrítico.
Aliás, por que fazem tanta questão de ensinar gênero para as criancinhas? Será que não é justamente porque as mesmas não têm suficientemente desenvolvida a sua capacidade crítica?
Portanto, segundo as próprias determinações de Butler, a sua teoria de gênero cabe muito bem nos limites daquilo que ela entende por uma ideologia.
Não, quem criou a ideologia de gênero não foi Joseph Ratzinger nem muito menos Jorge Scala. O “pai” da “criança” é a Judith Butler, mesmo!
IV. ESSENCIALISMO E A FALÁCIA DA ARQUEOLOGIA FOUCAULTIANA
Segundo Butler, “a noção de paródia de gênero aqui definida não presume a existência de um original que essas identidades parodísticas imitem (ela está falando da própria identidade de gênero…) Esse deslocamento perpétuo constitui uma fluidez de identidades que sugere uma abertura à ressignificação e à recontextualização; a proliferação parodística priva a cultura hegemônica e seus críticos da reinvindicação de identidades de gênero naturalizadas ou essencializadas” (Problemas de gênero, p. 238).
Servindo-se da metodologia própria da teoria crítica, Butler cria uma caricatura discursiva e começa a desconstruí-la, como se estivesse desconstruindo a realidade. Na verdade, ela está tão absorvida por seu próprio discurso que crê firmemente nele, substituindo a realidade por ele.
Deste modo, atribui a homem e mulher, termos que aparecem para ela sempre entre aspas, status de identidade essencialista, naturalista, sexista, binária, heterossexista, heteronormativa, fálica, reificada etc.
Para comprovar a ficção da identidade, ela analisa os discursos sobre o masculino e o feminino como se os mesmos fossem o homem e a mulher em si.
Aqui, ela é epistemologicamente dependente da metodologia de Foucault, o qual, partindo do pressuposto que a verdade não existe, passa a rastrear a história das “verdades” para demonstrar que as mesmas são apenas a projeção de um determinado poder regulador. Isto é aquilo que ele chama de arqueologia do saber.
Ora, se quiséssemos, por exemplo, fazer a arqueologia da ideia de “lei da gravidade”, obteríamos uma infinidade de discursos contraditórios e facilmente chegaríamos à conclusão de que a “teoria da gravidade não existe, é apenas um discurso de poder”. No entanto, se você se jogar da janela, de qualquer modo, com ou sem Foucault, vai se espatifar do mesmo modo!
Em outras palavras, estamos diante de um jogo de palavras, de um embaralhamento de discursos, daquilo que a filosofia chama de falácia. A realidade continua intocada, apenas se dribla o interlocutor com um lance desconstrucionista. É aquilo que no futebol chama-se de pedalada.
Como é possível que este tipo de artifício possa convencer alguém? Bem… Como ensinou Aristóteles (tanto nos Analíticos quanto no Peri hermeneias), não é fácil conhecer a essência das coisas. Precisamos proceder a um processo abstrativo complexo, que supõe um trabalho mental consideravelmente sofisticado. A história dos discursos pode ser a história dos bem ou mal sucedidos, e dos mal ou bem intencionados, esforços por alcançar a quididade, a essência das coisas reais. Por isso, o método foucaultiano é sofístico e pode enganar.
V. SOFISTAS DE GÊNERO
Butler é adepta da subversão da identidade através de atos corporais subversivos, típicos do movimento queer, quer dizer, a atuação de performances revolucionárias que choquem aquilo que ela chama de heteronormatividade.
Outra autora americana de gênero, Joan Scott, é mais ortodoxa, do ponto de vista foucaultiano: ela pretende reescrever a história a partir da noção de gênero (Gender and the politics of history, Nova York, 1999).
Estas são as duas autoras principais. Digamos, as mais representativas dos estudos de gênero.
Contudo, existem mais de 40 teorias diferentes de gênero, todas em disputa entre si. São modos diferentes de apresentar a mesma ideia, a saber: o gênero é um construto desligado da identidade sexual, vale dizer, biológica.
Este também é um expediente da teoria crítica: colocar um grupo imenso de pessoas para criticar implacavelmente a realidade, metralhando-a em todos os sentidos possíveis, sem necessariamente preocupar-se em justificar a própria crítica.
Uma pessoa que quiser encarar toda a aquarela dos estudos de gênero poderá gastar toda a vida apenas ocupando-se de entender as picuinhas intelectuais que os diferentes ativistas nutrem dialeticamente entre si. Decerto ficará perdido nesse labirinto sem saída e, completamente intoxicado de informações contraditórias, acabará por adotar uma entre elas, trocando a realidade pelo discurso.
Isso também aconteceu nos tempos de Sócrates (cf. Platão, O Sofista). Os sofistas eram retóricos pagos pelos políticos da época para convencerem o povo das ideias destes últimos. Destruíam a base mesma do saber, negando a existência do ser e da verdade, e submetiam o povo às suas opiniões. Sócrates os resistiu, pagou o preço de sua vida por isso, mas ao fim e ao cabo, desapareceram os sofistas e prevaleceu a verdadeira filosofia.
Hoje, os críticos, os desconstrucionistas, os ideólogos de gênero são os novos sofistas, pagos pelas fundações internacionais para convencerem o povo de que não existe a verdade, o ser, a essência, e imporem o seu totalitarismo disfarçado de democracia.
Com efeito, Judith Butler veio ao Brasil financiada pela Fundação Mellon para falar de democracia em nome do Consórcio Internacional de Teoria Crítica, fundado no final do ano passado com uma verba doada pela mesma Fundação de 1,5 milhões de dólares (vide o site do próprio Consórcio).
Submetam os ideólogos de gênero à arqueologia de suas ideias e à genealogia dos poderes que estão por trás deles, rastreiem a rota do dinheiro e verão que isso nada tem de amor desinteressado à humanidade.
VI. PEDOFILIA
Butler alega que a Igreja está por trás da estigmatização social da sua teoria de gênero e se defende da acusação de corruptora de crianças acusando a Igreja Católica de ter perdido a sua autoridade moral por proteger pedófilos em seu seio.
A generalização precipitada é um tipo de falácia de que abusam estes ideólogos em sua aversão ao catolicismo. É verdade que alguns delinquentes se esconderam na Igreja e que houve quem se omitisse em sua acusação, mas a Igreja os puniu severissimamente e, sobretudo, nunca os respaldou, justificando doutrinalmente seu desvio de conduta.
Ao contrário, o movimento feminista tem expoentes que defenderam abertamente o sexo com menores, e este não é um privilégio de Shulamith Firestone (The dialetic of sex, p. 215). Há quem queira despatologizar a pedofilia ou transformá-la numa opção sexual respeitável.
Butler apela para a teoria da projeção, sugerindo que os que a acusam de favorecer a pedofilia estão apenas lançando sobre ela o próprio vexame. Na verdade, a generalização precipitada é uma falácia em qualquer direção que se a aplique e o uso deste tipo de sofisma apenas demonstra malícia ou despreparo filosófico.
VII. FILOSOFIA, VERDADE E DEMOCRACIA
Algumas pessoas que trabalham com comunicação vieram queixar-se de que os protestos contra a vinda de Butler ao Brasil apenas projetaram-na ainda mais.
Tenho a impressão de que isto, do ponto de vista filosófico, não é necessariamente assim. Quero dizer apenas que os ideólogos sempre se favoreceram do anonimato e da difusão de ideias não conferidas, exatamente como Butler diz em seu artigo.
Quem coloca a questão nestes termos assume sem percebê-lo a premissa de que a verdade e o erro são equivalentes. Acontece que a força do erro está na hegemonia. Por isso, eles necessitam impô-la para todo o mundo. Mas a força da verdade está nela mesma!
Hoje, a verdade precisa mais de homens com uma verdadeira mente filosófica que da propaganda, é ela que gera os propagandistas, os comunicadores, a cultura e tudo o mais. Foi sobre estes cânones que se erigiu a civilização ocidental e é contra eles que estes bárbaros a estão destruindo.
Uma democracia que se propusesse como alternativa à verdade, caricaturizando-a como autoritarismo, apenas seria uma ditadura disfarçada, a imposição de uma hegemonia.
Notem que a própria Butler defende a identidade de suas ideias e protesta contra falsificações. E com razão. Contudo, ela o faz apenas em benefício de sua crítica, sem submeter-se a uma autocrítica.
Como afirma Butler em seu artigo na Folha, “liberdade não é – nunca é – a liberdade de fazer o mal. Se uma ação faz mal a outra pessoa ou a priva de liberdade, essa ação não pode ser qualificada como livre – ela se torna uma ação lesiva”.
No caso, a ideologia de gênero não nos quer apenas privar da identidade, mas também da liberdade e da verdade. De fato, se ninguém é alguém, como pode ter direitos?
NO RUMO - 27/11/2017
(Artigo publicado na Folha, desistindo de disputar a presidência)
Como Ulisses em “A Odisseia”, nos últimos meses estive amarrado ao mastro, tentando escapar da sedução das sereias, cantando a pulmões plenos e por todos os lados, inclusive dentro de mim.
A tripulação, com seus ouvidos devidamente tapados com cera, esforçando-se em não deixar que eu me deixasse levar pelos sons dos chamados quase irresistíveis. São meus amores incondicionais. Meus pais, minha mulher, meus filhos, meus familiares e os amigos próximos que me querem bem.
Eles são unânimes: é fundamental o movimento de sair da proteção e do conforto das selfies no Instagram para somar forças na necessária renovação política brasileira. Mas daí a postular a candidatura a presidente da República há uma distância maior que os oceanos da jornada de Ulisses.
Há algum tempo me vejo diante desta pergunta: qual foi exatamente a trajetória, o fato e até mesmo o momento em que meu nome foi lançado entre os possíveis candidatos à Presidência do Brasil?
Eu mesmo demorei um pouco para encontrar a resposta. Mas depois de alguma reflexão, ela veio e me pareceu muito clara: minha exposição pública e, espero, meu jeito, minhas características, minha personalidade e a forma como vejo o mundo. As mesmas forças que me movem desde sempre me levaram a esse lugar.
Explicando em outras palavras, entre as centenas de defeitos que carrego, talvez eu tenha uma única virtude: carrego desde sempre, genuinamente, enorme paixão e curiosidade pelo outro.
Gosto muito de gente. Sempre gostei. De todo tipo, origem, tamanho, cor, posição na pirâmide. É só olhar para o que faço profissionalmente há mais de duas décadas. Não paro de procurar pelo diferente. E não falo de um olhar distante, acadêmico, teórico. Falo de andanças intermináveis por todos os quadrantes do Brasil e por vários do mundo atrás daquilo que não conheço. Ando há anos e anos por lugares ricos, paupérrimos, super ou subdesenvolvidos, em guerra, centros moderníssimos de saber, cantos absolutamente esquecidos pelo desenvolvimento. Sempre atrás da mesma coisa: gente boa.
E a sensação de “intimidade” que meus mais de 20 anos de televisão provocam nas pessoas possibilita conversas instantaneamente francas e verdadeiras.
Esse dia a dia me permitiu construir uma visão muito própria e ampla dos recortes, curvas e reentrâncias do país. Sinto na pele o pulso das ruas.
E foi essa permanente “bateção de perna”, sempre ” in loco”, que me tirou definitivamente da zona de conforto e me fez ver: O Brasil está sofrendo demais —especialmente os mais pobres, mas não apenas eles— para ficarmos passivos e reféns deste sistema político velho e corrupto. O que está aí jamais será empático, perceberá e muito menos traduzirá as reais necessidades da gente. Da nossa gente.
Vendo meu nome apontado, é muito importante frisar sempre, sem ter levantado a mão ou me oferecido para concorrer ao cargo mais importante na governança do país, minha reação natural foi tentar entender melhor do que se tratava. Gosto de aprender, de saber o que não sei e penso que cultivo um bom hábito desde muito cedo: tentar descobrir e encontrar quem sabe.
De forma intuitiva e quase caseira, fui procurando referências em pessoas que se dedicam de forma mais intensa a entender o Brasil; o sofrimento, as dificuldades e, principalmente, as soluções.
Acho também que sou meio obsessivo por fazer as coisas direito. Por isso, saí buscando e principalmente ouvindo dezenas de pessoas que admiro, que considero inteligentes, sensíveis, maduras e capacitadas, para que elas compartilhassem comigo suas visões. Foram meses que produziram em mim uma pequena revolução, um aprendizado enorme.
Tantas ideias, tanta gente interessada, brilhante e altamente capacitada, disposta a colocar energia a favor de uma transformação definitiva: De um país à deriva em uma nação de verdade, que possa de uma vez por todas refletir a qualidade indiscutível do seu povo.
Aqui é importante pontuar uma constatação que logo apontou no meu radar e que há tempos ecoa nele de maneira incômoda. Minha geração está trabalhando e inovando com vigor em muitas frentes. Há milhares de notáveis empreendedores, profissionais liberais, atletas, executivos, artistas, intelectuais, pensadores e por aí vai. Mas pela política, ela tem feito pouco.
Tenho dito sempre algo que me parece muito evidente, quase óbvio, mas assim mesmo um alerta necessário: se não nos aproximarmos de fato da política, se seguirmos negando esse universo e refratários ao seu ambiente, ele definitivamente não se reinventará por um passe de mágica.
Dito isso, sigo acreditando que o melhor caminho passa obrigatoriamente pelos movimentos cívicos, pela abertura de espaço na mídia para novas lideranças, por uma escuta dos anseios das pessoas, por reformas estruturais, muitas delas doloridas, por políticas públicas afetivas e efetivas, por políticas econômicas modernas e eficazes, pela educação levada a sério, pela saúde tratada com respeito, por tecnologia que alavanque as boas ideias e pela total transparência dos gastos públicos. Por menos politicagem e por mais e melhor representatividade. A lista é grande.
O momento de total frustração com a classe política e com as opções que se apresentam no panorama sucessório levou o meu nome a um lugar central na discussão sobre a cadeira mais importante na condução do país.
É claro que isso me trouxe a sensação boa de que uma parte razoável da população entende o que sou e faço como algo positivo. Evidente também que junto vieram uma pressão muito pesada e questionamentos de todos os tipos.
Já disse e escrevi antes, aqui neste mesmo espaço, mas tenho hoje uma convicção ainda mais vívida e forte de que serei muito mais útil e potente para ajudar meu país e o nosso povo a se mover para um lugar mais digno, ocupando outras posições no front nacional, não só fazendo aquilo que já faço mas ampliando meu raio de ação ainda mais.
Com a mesma certeza de que neste momento não vou pleitear espaço nesta eleição para a Presidência da República, quero registrar que vou continuar, modesta e firmemente, tentando contribuir de maneira ativa para melhorar o país. Vou bem além da voz amplificada enormemente pela televisão que amo fazer, do eco monumental das redes sociais que aprendi a tecer, do instituto que fundei há quase 15 anos e de todos os meios que o carinho das pessoas me proporcionou.
Vou também direcionar toda a energia de que disponho para outra coisa que acredito saber fazer: agregar.
Agregar as mentes sábias que fui encontrando em diferentes camadas da sociedade, dentro e fora do Brasil, pessoas extremamente capazes e dispostas de fato a conjugar o verbo servir no tempo e no sentido corretos. Vou trabalhar efetivamente para estruturar e me juntar a grupos que assumam a missão de ir fundo na elaboração de um pensamento e principalmente de um projeto de país para o Brasil.
E, para isso, não são necessários partidos, cargos, nem eleições.
Essa intenção já esta viva através dos movimentos cívicos dos quais me aproximei com bastante interesse e intensidade. E de outras iniciativas que estão por vir.
Quero registrar de novo que entre as percepções que confirmei nesses últimos meses está a convicção de que não há nada mais importante do que tomarmos consciência da importância da política e de que precisamos nos mover concretamente na direção da atuação incisiva, para que não sejamos mais vítimas passivas e manobráveis de gente desonesta, sem caráter, despreparada e incapaz de entender o conceito básico da interdependência ou de pensar no coletivo.
A hora é de trabalhar por soluções coletivas inteligentes e inovadoras para o país, e não de focar o próprio umbigo ou de alimentar polêmicas pueris e gritas sem sentido.
Quem se interessa pelo que sou e faço pode acreditar: vou atuar cada vez mais, sempre de acordo com minhas crenças, em especial com a fé enorme que tenho neste país.
Contem comigo. Mas não como candidato a presidente.
* Publicado originalmente na Folha de São Paulo
A DIFERENÇA BÁSICA ENTRE GLOBALISMO E GLOBALIZAÇÃO ECONÔMICA: UM É O OPOSTO DO OUTRO - 24/11/2017
(Publicado originalmente em www.mises.org.br)
Com a ascensão do populismo nos países desenvolvidos, a globalização econômica caiu em descrédito. Cada vez mais pessoas estão rejeitando a globalização com o argumento de que ela não apenas é injusta como também representa a fonte de todos os males — sendo inclusive a fonte de crises econômicas e imigrações em massa.
Esse tipo de condenação generalizada e abrangente da globalização, porém, apresenta dois erros graves: ela não só é factualmente errada — a globalização econômica comprovadamente aumentou o padrão de vida da população mundial — como também é conceitualmente errada.
Existe o globalismo e existe a globalização. O globalismo é um conceito político. Já a globalização é um conceito econômico.
Globalização econômica
A globalização econômica significa "divisão do trabalho em nível mundial".
A população de cada país se especializa naquilo em que é boa, adquirindo assim uma vantagem comparativa em relação às outras: faço aquilo em que sou melhor que os outros e vendo para eles; e compro dos outros aquilo que eles fazem melhor do que eu. Todas essas transações econômicas devem ser feitas o mais livremente possível, sem a intervenção de governos na forma de tarifas protecionistas e de outras barreiras alfandegárias. (Veja aqui um exemplo prático).
A consequência deste arranjo foi, é e sempre será um aumento no padrão de vida de todos os envolvidos.
Hoje, nenhum país é capaz de viver em autarquia, produzindo absolutamente tudo de que sua população necessita para viver decentemente. Caso um país realmente tentasse produzir tudo o que consome, isso não apenas seria um monumental desperdício de recursos escassos, como também levaria a custos de produção e, consequentemente, preços exorbitantes, afetando drasticamente o padrão de vida da população.
Pense em uma simples camisa. Fabricada na Malásia utilizando máquinas feitas na Alemanha, algodão proveniente da Índia, forros de colarinho do Brasil, e tecido de Portugal, em seguida sendo vendida no varejo em Sidney, em Montreal e em várias cidades dos países em desenvolvimento (ao menos naqueles que são mais abertos ao comércio exterior), a camisa típica da atualidade é o produto dos esforços de diversas pessoas ao redor do mundo. E, notavelmente, o custo de uma camisa típica é equivalente aos rendimentos de apenas umas poucas horas de trabalho de um cidadão comum do mundo industrializado.
Obviamente, o que é verdadeiro para uma camisa vale também para incontáveis produtos disponíveis à venda nos países capitalistas modernos.
Como é possível que, atualmente, um trabalhador comum seja capaz de adquirir facilmente uma ampla variedade de bens e serviços, cuja produção requer os esforços coordenados de milhões de trabalhadores? A resposta é que cada um desses trabalhadores faz parte de um mercado tão vasto e abrangente, que faz com que seja vantajoso para muitos empreendedores e investidores ao redor do mundo organizarem operações de produção altamente especializadas, as quais são lucrativas somente porque o mercado para seus produtos é de escala global.
Esta especialização tanto do trabalho quanto da produção, ao longo de diferentes setores industriais ao redor do mundo, é exatamente o fenômeno da globalização econômica.
(Recentemente, um homem resolveu fabricar, do zero, um simples sanduíche. Ele plantou o trigo para fazer o pão, retirou o sal da água do mar, ordenhou uma vaca para fazer o queijo e a manteiga, matou uma galinha para retirar o filé de frango, fez o próprio picles e teve até de extrair o mel do favo. Seis meses e US$ 1.500 depois, o sanduíche ficou pronto. E, a julgar pela reação dele próprio, a qualidade do produto final foi medíocre).
O fato é que, hoje, nenhum país produz apenas para satisfazer suas próprias necessidades, mas também para atender a produtores e consumidores de outros países. E cada país se especializa naquilo que sabe fazer melhor.
A globalização econômica, com o livre comércio sendo seu componente natural, aumenta a produtividade de todos os envolvidos. E, consequentemente, aumenta também o padrão de vida de todos. Sem a globalização econômica, a pobreza neste planeta não teria sido reduzida com a intensidade em que foi nas últimas décadas.
Por fim, vale ressaltar que todo e qualquer indivíduo é, em si mesmo, um defensor árduo da globalização econômica, mesmo que ele não saiba disso. As pessoas acordam cedo e vão trabalhar exatamente para ganhar dinheiro e, com isso, poderem consumir o que quiserem. As pessoas trabalham e produzem para poder consumir produtos bons e baratos, independentemente de sua procedência. Eles podem ser oriundos de qualquer parte do mundo; o que interessa é que sejam bons e baratos. Isso é globalização econômica.
Impor obstáculos a esse consumo — isto é, restringir a globalização econômica — significa restringir a maneira como as pessoas trabalhadoras podem usufruir os frutos do seu trabalho. No mínimo, isso é imoral e anti-humano.
Globalismo
Logo de início, é fácil ver que o globalismo — que também pode ser chamado de globalização política— não tem absolutamente nada a ver com a globalização econômica.
Globalização econômica significa livre comércio e livre mercado. Trata-se de um arranjo que não apenas não necessita da intervenção de governos e burocratas, como funciona muito melhor sem eles. Indo mais além, trata-se de um arranjo que surge naturalmente quando não há políticos e burocratas impondo obstáculos às transações humanas.
Já o globalismo é o exato oposto: trata-se de um arranjo que só existe por causa de políticos e burocratas. Seria impossível haver globalismo se não houvesse políticos e burocratas.
O globalismo é uma política internacionalista, implantada por burocratas, que vê o mundo inteiro como uma esfera propícia para sua influência política. O objetivo do globalismo é determinar, dirigir e controlar todas as relações entre os cidadãos de vários continentes por meio de intervenções e decretos autoritários.
Eis o argumento central do globalismo: lidar com os problemas cada vez mais complexos deste mundo — que vão desde crises econômicas até a proteção do ambiente — requer um processo centralizado de tomada de decisões, em nível mundial. Consequentemente, leis sociais e regulamentações econômicas devem ser "harmonizadas" ao redor do mundo por um corpo burocrático supranacional, com a imposição de legislações sociais uniformes e políticas específicas para cada setor da economia de cada país.
O estado-nação — na condição de representante soberano do povo — se tornou obsoleto e deve ser substituído por um poder político transnacional, globalmente ativo e imune aos desejos do povo.
Obviamente, a filosofia por trás dessa mentalidade é puramente socialista-coletivista.
Representa também o pilar da União Europeia (UE). Em última instância, o objetivo da UE é criar um super-estado europeu, no qual as nações-estado da Europa irão se dissolver como cubos de açúcar em uma xícara quente de chá. Foi majoritariamente disso que os britânicos quiseram fugir.
Ao menos para o futuro próximo, este sonho burocrático chegou ao fim. O desejo de impor uma uniformidade afundou em meio a uma dura e difícil realidade política e econômica. A UE está passando por mudanças radicais — culminando com a decisão dos britânicos de sair dela — e pode até mesmo entrar em colapso dependendo dos resultados eleitorais em alguns importantes países europeus (França, Holanda, Alemanha e possivelmente Itália) neste ano de 2017.
Com Donald Trump na presidência americana não há mais qualquer apoio intelectual dos EUA ao projeto de unificação européia. A mudança de poder e de direção em Washington diminuiu o poder de influência dos globalistas — o que permite alguma esperança de que a futura política externa americana seja menos agressiva em termos militares. Trump — ao contrário de seus antecessores — ao menos não parece querer impingir uma nova ordem mundial.
Por outro lado, os defensores da globalização econômica têm motivos para estar preocupados. O governo Trump vem ameaçando utilizar medidas protecionistas — majoritariamente na forma de tarifas de importação — para supostamente estimular o emprego e a produção nos EUA, mesmo com toda a teoria e realidade econômicas demonstrando que o efeito será o oposto.
Tamanha interferência na globalização econômica, o que representaria um retrocesso no tempo, não apenas seria um ataque à prosperidade, como também pode se degenerar em conflitos políticos, reacendendo antigas rixas e contendas. Não precisaria ser assim.
Para atacar e até mesmo aniquilar o globalismo não é necessário atacar e fazer retroceder a globalização econômica.
A globalização é Steve Jobs, Jeff Bezos e Michael Dell; o globalismo é George Soros, o CFR, a Comissão Trilateral, os Rockefeller, os Rothschilds e a ONU.
Conclusão
Ao passo que o globalismo representa o autoritarismo e a centralização do poder político em escala mundial, a globalização econômica — que nada mais é do que a divisão do trabalho e o livre comércio — representa a descentralização e a liberdade, promovendo uma produtiva e, ainda mais importante, pacífica cooperação além fronteiras.
A restrição à globalização econômica — ou seja, o protecionismo — nada mais é do que o medo dos incapazes perante a inteligência e as habilidades alheias. Tal postura, além de moralmente condenável, por ser covarde, é também extremamente perigosa. Como já alertava Bastiat, se, em vez de nos permitirmos os benefícios da livre concorrência e do livre comércio, começarmos a atuar incisivamente para impedir o progresso de outras nações, não deveríamos nos surpreender caso boa parte daquela inteligência e habilidade que combatemos por meio de tarifas e restrições de importações acabe se voltando contra nós no futuro, produzindo armas para guerras em vez de mais e melhores bens de consumo que eles querem e podem produzir, e os quais nós queremos voluntariamente consumir.
Como também disse Bastiat, quando bens param de cruzar fronteiras, os exércitos o fazem.
Por isso é de extrema importância preservarmos a globalização econômica.
* Economista-chefe da empresa Degussa e co-fundador da firma de investimentos Polleit & Riechert Investment Management LLP. Professor honorário da Frankfurt School of Finance & Management.
A SOCIEDADE FABIANA E O BILDEBERG GROUP - 21/11/2017
É interessante notar o que os principais membros da Bilderberg tiveram a dizer sobre o Grupo. David Rockefeller escreve que "as reuniões de Bilderberg devem induzir visões apocalípticas de banqueiros internacionais onipotentes que planejam com funcionários do governo sem escrúpulos para impor esquemas astutos em um mundo ignorante e desavisado" (Rockefeller, pp. 410-1). Denis Healey escreve que "na América foram atacados como um plano de esquerda para subverter os Estados Unidos, na Europa como um plano capitalista para minar o socialismo" (Healey, p.196).
Na verdade, todas as afirmações acima são corretas, com exceção da idéia estranha - sem dúvida o produto dos esforços de direção socialista - que as atividades do Grupo de alguma forma "prejudicam o socialismo". A verdade é que o Grupo Bilderberg foi uma operação socialista desde o início: de todas as contas, Bilderberg foi criada pelo socialista polonês Joseph Retinger, que foi um colaborador próximo da Fabian Society.
Com sede em Londres, Retinger havia se encarregado de coordenar os ministros estrangeiros de vários governos europeus - no exílio durante a guerra. Após a guerra, foi nomeado secretário-geral de várias organizações que promovem projetos socialistas como a Liga Independente para Cooperação Européia (ILEC) e a Liga Européia para Cooperação Econômica (ELEC). Essas organizações foram financiadas por David Astor e interesses associados e se tornaram a força motriz do movimento por uma Europa unida (Ratiu, 2012).
O envolvimento de figuras líderes do mundo financeiro mostra que Bilderberg foi de fato a criação de interesses financeiros. Só que esses interesses não eram "capitalistas" senão socialistas . David Astor, que se tornou um membro, era um líder do grupo pro-socialista Milner. Outros principais financiadores que participaram das reuniões de Bilderberg da primeira conferência (1954) foram os antigos socialistas de Fabiano David e Nelson Rockefeller; Joseph E. Johnson, presidente do Conselho de Relações Econômicas dos Rockefeller (CFR) e presidente da Fundação Carnegie Controlada pela Rockefeller para a Paz Internacional; e Dean Rusk, diretor da CFR, diretor da Fundação Rockefeller, co-presidente do Bilderberg e (desde 1961) secretário de Estado democrata. O único tipo de capitalista foi o presidente do Grupo, o Príncipe Bernhard dos Países Baixos. No entanto, ele foi controlado por Retinger que, como ex-membro dos serviços de inteligência, detinha informações sobre a vida privada de Bernhard (de Villemarest, p.15) e o escolheu claramente para cobrir a trilha socialista.
Do lado político, também, o Grupo era dominado por socialistas como Denis Healey e Hugh Gaitskell, da comissão executiva da Fabian Society. Healey também foi membro e mais tarde presidente do Comitê Consultivo do Gabinete Internacional Fabian, bem como o conselheiro da Casa Chatham (RIIA). Seu colega "conservador" no comitê de direção de Bilderberg foi Reginald ("Reggie") Maudling, Secretário Econômico do Tesouro de Churchill, que havia sido um dos principais defensores do programa de nacionalização do Trabalho. Os membros franceses incluíram Guy Mollet, vice-presidente da Internacional Socialista controlada por Fabian, líder da Secção Francesa do Partido Internacional Socialista (mais tarde socialista) (SFIO) que mais tarde se tornou primeiro-ministro da França e seu assistente Jacques Piette, da Comitê executivo da SFIO.
A Sociedade Fabiana ocupou uma posição dominante na cena socialista internacional, não só através de suas estreitas ligações com os Rockefeller e outros poderosos aliados americanos, mas também graças ao fato de que foi uma das poucas organizações socialistas na Europa a permanecerem intactas pela ocupação alemã . Esta posição única permitiu lançar a Internacional Socialista após a guerra e foi claramente refletida no Grupo Bilderberg.
Igualmente clara é a relação entre os principais socialistas fabianos e os interesses financeiros envolvidos. Enquanto Retinger estava no pagamento de David Astor, como já se observou, Healey e Gaitskell desfrutaram de favores, como excursões estrangeiras pagas por organizações controladas por Rockefeller (os associados de longa data da Astors), a saber, a Fundação Ford, a Fundação Rockefeller e a CIA . Os interesses de Rothschild também não foram ausentes do comitê de direção de Bilderberg. Eles foram fortemente representados por figuras como Sir Evelyn de Rothschild, do NM Rothschild & Sons, em Londres, e seu primo Edmond de Rothschild, chefe do grupo de banca privada Edmond de Rothschild Group com filiais em Paris e Genebra.
David Rockefeller afirma que o grupo Bilderberg discute questões importantes "sem chegar ao consenso". Healey, que achou as conferências de Bilderberg "mais valiosas", explica que o valor real de tais reuniões é "nos contatos pessoais fora da sala de conferências". os contatos levam a outros lugares onde o consenso é indiscutivelmente alcançado. Foi nas reuniões de Bilderberg que David Rockefeller conheceu o presidente do Royal Dutch Petroleum, John Loudon, que ele nomeou presidente do Comitê Consultivo Internacional do Chase Bank (IAC) no final da década de 1960. As oportunidades para chegar a um consenso também são fornecidas por reuniões anuais da Comissão Trilateral, outra operação de Rothschild-Rockefeller que, para o prazer expresso de Rockefeller, é um " colaborador vigoroso e efetivo na cena mundial " (Rockefeller, pág. 418, ênfase adicionada).
A principal função do Grupo Bilderberg, então, parece ser a de um fórum preliminar para reuniões trilaterais e eventos relacionados. No entanto, isso não quer dizer que as conferências de Bilderberg sejam meras conversas. Eles produziram projetos favorecidos pelos interesses financeiros internacionais acima mencionados, como o Tratado de Roma de 1957, que criou a Comunidade Econômica Européia (CEE) também conhecido como "Mercado Comum" (Aldrich, p.221) e continua a ser um importante local onde projetos similares levando ao governo mundial são discutidos sem a participação ou o conhecimento do público em geral.
O papel do Grupo Bilderberg no impulso do governo mundial foi confirmado pelo líder Fabian Healey, co-fundador da Internacional Socialista e Bilderberg, que admitiu que o grupo pretendia alcançar uma "governança global unida" (Birrell, 2013).
À luz dos fatos acima mencionados, a identidade dos objetivos da Sociedade Fabiana representada pela Internacional Socialista e partidos como o Trabalho, por um lado, e os objetivos dos interesses financeiros internacionais representados pela ONU e Bilderberg, por outro lado, se tornam indiscutível (Ratiu, 2012).
* Este artigo é baseado no Capítulo 2, "The Fabian Conspiracy", de The Milner-Fabian Conspiracy de Ioan Ratiu).
** Carlos I. S. Azambuja é Historiador
*** Publicado originalmente no Alerta Total
MST: A “NÃO NOTÍCIA” E O PERIGO REAL SOB UMA FALSA RETÓRICA - 19/11/2017
(Publicado originalmente em www.midiasemmascara.org)
Passado mais de um ano da realização do Jogos Olímpicos Rio 2016, faço um balanço do que vi e do que vejo hoje em dia, do tal celebrado “legado”. Abundam as reportagens sobre o abandono de instalações olímpicas, caos e corrupção na segurança pública do Rio de Janeiro, escândalos dentro e fora do comitê olímpico com a suspeita da compra de votos pelas cidades sede e as denúncias dos casos de doping da equipe russa desde os anos 60 (na época não apenas russa, mas soviética), manchando o espírito olímpico e colocando em cheque a integridade da instituição, seus membros e dos custos de produção do evento. Problemas que mais se parecem com um padrão infinito de geometria fractal ou com a Hidra de Lerna: corta-se uma cabeça, surgem duas novas em seu lugar. A mídia, principalmente a chamada mainstream, se farta e ordenha o quanto pode cada um dos tópicos acima. Minha indignação e estranhamento hoje em dia, como cidadão já anestesiado com tanta desgraça, vem não do que é noticiado, mas do que não o é.
Trabalhei durante o Revezamento da Tocha Olímpica Rio 2016, percorrendo o Brasil inteiro em uma caravana gigante com diferentes equipes dedicadas ao sucesso da missão de levar o fogo olímpico aos quatro cantos do país. Missão cumprida (e comprida!) e a tocha foi entregue sem nunca ter sido apagada, apesar das inúmeras tentativas em vários protestos ao longo da jornada. À noite, as equipes se encontravam durante o jantar, geralmente nos próprios hotéis onde estávamos hospedados. Era um momento de congraçamento e também de assistir os telejornais, arrancando gritos, gargalhadas e aplausos quando um de nós era flagrado nas matérias jornalísticas transmitidas para todo o Brasil e o mundo. Os meios de comunicação, dependendo de sua vertente política (declarada ou não), davam a ênfase que lhes convinham ao evento, muitos apoiando, outros detratando a passagem da tocha que indiscutivelmente despertava emoções variadas por onde percorreu.
Além das inúmeras amizades que se sedimentaram ou nasceram dentro das equipes que compunham o comboio (Patrocinadores, Cerimônias Cariocas, Polícias Militares Estaduais, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal, etc), ou das belezas naturais já alardeadas desde Pero Vaz de Caminha, algo que saltou aos olhos de vários companheiros de viagem foi a presença do MST – Movimento dos Sem-Terra – por todo o Brasil. Bandeiras vermelhas, algumas novas em folha, outras muitas vezes improvisadas com um pedaço de pau e camisetas velhas do MST, eram avistadas na beira da estrada. Gradualmente o número de bandeiras se intensificava, um sinal de que poucos quilômetros à frente havia algum acampamento.
O comboio passou por inúmeros acampamentos, todos praticamente vazios, invariavelmente com apenas dois ou três homens conversando entre si (nunca vi mulheres, crianças ou animais). Todos os acampamentos, pelo menos os que pude ver, têm uma disposição peculiar: não avançam mais que algo em torno de cinquenta metros adentro dos terrenos em que se encontram, sendo a aparente preferência deles construí-los ao longo de rodovias, margeando os dois lados da mesma por cinquenta, duzentos, trezentos metros, dependendo do tamanho do acampamento. Barracos, paupérrimos, muitas vezes feitos de lona e papelão, suscitavam comentários entristecidos em nossos veículos e nos rádios do comboio sobre as condições precárias em que era possível se viver, e sobre como isso é admissível em um país rico como o Brasil. Muitas vezes, a expressão no olhar de nossos companheiros de viagem e o silêncio dentro de nossos carros, micro-ônibus e caminhões era mais perturbador que qualquer comentário. O cenário era desolador, similar ou pior aos documentados em fotos e filmes da crise de 1929 ou da Segunda Guerra Mundial. O único fato que destoava da paisagem eram uma ou duas pick-ups razoavelmente novas (Hylux, Amarok e similares) frequentemente, mas não sempre, estacionadas em uma das extremidades dos acampamentos. Talvez de alguma forma as pick-ups fossem o ganha-pão deles. Ou como transportavam as pessoas, mesmo sendo uma infração no Código Nacional de Trânsito transportar pessoas em uma caçamba aberta, “quem liga para ‘pontos na carteira’ ou uma multa quando o que se está em jogo é a sobrevivência?” – ponderei.
Percorríamos quatro, cinco, seis cidades por dia em uma jornada que começava às 5 da manhã e se estendia por até dezoito horas. Muita adrenalina, mas muito cansaço. Ou melhor, muito cansaço, mas mais adrenalina ainda. Ao passar pelas primeiras cidades perto de acampamentos, muitas vezes indagávamos sobre os integrantes do MST. Afinal de contas, onde estavam aquelas pessoas sofridas que até então só conhecíamos pelo filtro da mídia? Mesmo na correria (literal) da tocha entrando e saindo das cidades, patrocinadores distribuindo brindes para a população que prestigiava o evento e nós de olho no GPS e no relógio, a curiosidade era grande e muitas vezes insistíamos para descobrir se estavam trabalhando em alguma fazenda que havia sido invadida. A resposta típica era uma risadinha, seguida de uma coçadinha na cabeça e desconversavam. Quando tive a sorte de encontrar alguém mais disposto a falar sobre o assunto rapidamente “aprendemos” que o termo certo não era “invadida” e sim “ocupada”. “É que falar ‘invadida’ pega mal, né?” – nas palavras do próprio homem. Revelou ainda, sem se aguentar e em meio a risadas, com uma inocência Mazzaropiana de um verdadeiro Jeca Tatu: “Ô, seus bobo [sic]! Aquilo lá é igual PROJAC, é tudo falso. Esse povo mora tudo [sic] no IBIS (cadeia de hotéis).” E continuou: “Dia de protesto, passa o ‘coordenador do protesto’ com alguns ônibus aqui, dá vinte ou trinta reais para cada um e a ordem é fechar a estrada até mandar parar [sic]”. Para quem não conhece a sigla, o PROJAC era o nome dado aos estúdios da Rede Globo de Televisão, onde são construídas cidades cenográficas. Não posso afirmar se o que foi dito é verdade ou não, mas posso afirmar que, a naturalidade daquele homem humilde descrevendo a situação era tão grande que a cara de duas gurias da equipe da tocha olímpica foi ao chão. Se aquilo era um teatro, sabe-se lá por que razão, o Jeca Tatu da vida real era tão convincente que colocaria Fernanda Montenegro ou Antônio Fagundes no chinelo na arte de representar.
A viagem continuou e as relações se estreitaram. Os homens e mulheres de uniforme das forças policiais tornaram-se amigos e revelaram-se bem mais humanos do que são retratados na maioria das coberturas jornalísticas. Durante as refeições, todas realizadas em grupo, ou reunidos para uma merecida cerveja após nosso extenuante expediente, ouvíamos suas aventuras, muitas perigosas, outras inusitadas e engraçadas. Ao passarmos por estados que fazem fronteira com os países vizinhos, o assunto envolvendo casos de tráfico de drogas e armas era recorrente. Além dos relatos policiais, a impressão que nossas fronteiras são mais furadas que um queijo suíço se confirmou na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Brasil, à Ciudad del Este, no Paraguai. Vários integrantes de nossa caravana olímpica se animaram a fazer compras e, dentre eletrônicos, perfumes e equipamento esportivo, alguns relatos de amigos me chamaram a atenção, quando mencionaram a facilidade em se adquirir armas de fogo, munição e acessórios bélicos. O que chocou os amigos, que creio eu não terem comprado nada do tipo, foi a ausência absoluta da exigência de documentação ou pré-requisitos para adquirir uma arma de fogo no país vizinho, bem como do trânsito livre sem a exigência de qualquer documento para deixar ou sair do país. A verdade é uma só: seria impossível, com base nos recursos e contingente observados na região e descritos pelos colegas de farda, revistar todos os veículos que atravessam a ponte. A pá de cal em qualquer ilusão de controle da entrada de armas no Brasil reside no fato dos próprios comerciantes do Paraguai oferecerem a “comodidade” de entregar armas, munições e acessórios no endereço do comprador, geralmente hotéis em Foz do Iguaçu. Dessa forma, o comprador não corre o risco, se é que há algum, de ser pego atravessando a fronteira e ser enquadrado como traficante internacional de armas de acordo com o Código Penal brasileiro.
Após tomar conhecimento do fato, averiguei junto a colegas das Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal se eles tinham conhecimento de tal situação. A resposta, além de afirmativa, foi mais longe. Relatos e intercâmbio entre as inteligências das polícias facilitados atualmente pelas redes sociais e aplicativos de mensagens como o whatsapp,indicam que caminhões com contrabando de madeira, motosserras, drogas, armas e munições entrando e saindo do Brasil são muito frequentes, e é impossível prever o volume do tráfico ilegal que tem sucesso com base no que é apreendido. Para cada caminhão apreendido com contrabando ilegal, quantos outros passam pelos postos de controle alfandegário ou da Polícia Rodoviária Federal sem serem sequer parados? 10? 100? 1000? Sabe-se, entretanto, que muitos caminhões com armas e drogas apreendidos tinham como destino acampamentos do MST. A aquisição e a posse de armas são, em termos práticos, proibidas no Brasil. Pode-se dizer, munido de malabarismo retórico, que não são “proibidas”, mas “proibitivas”. Ou seja, são acessíveis a quem é “amigo do Rei-Estado” que emite (ou não) as autorizações exigidas pela lei, e ainda deve-se ter recursos financeiros para pagar pela burocracia e pelo equipamento (arma e munição) em si, que por ser rara, é cara. A outra opção é a de quem se propõe a andar à margem da lei, seja tal indivíduo um bandido com óbvias intenções criminosas ou um pai de família, disposto a proteger sua família e propriedade, ainda que marginalizado pela lei.
O MST tem acampamentos estrategicamente posicionados como peças de xadrez por todo o Brasil, e por algumas vezes foi citado por lideranças políticas como sendo um “exército”. Qualquer site de buscas apontará matérias divulgadas na mídia com as palavras-chave “contrabando”, “armas” e “drogas” orbitando o MST. Contrabando é uma violação da lei. Drogas também, e convertem-se em dinheiro. Armas traduzem-se em poder. Uma tríade perigosa e nociva à sociedade.
Como diz o famoso adágio: Ter cérebro é obrigatório, usá-lo é opcional.
Convido-os à uma reflexão com base no que vi e no relato de amigos e do “povo de verdade”, não de pessoas fictícias que o marketing ou a mídia em geral, salvo raras exceções, colocam diante de vossos olhos. 2018 já bate à porta e a temperatura social e política tende a subir, e muito, com as eleições gerais. Meu legado olímpico foi o de retirar uma venda que me impedia de ver a realidade, ou ao menos um recorte dela, sem intermediários. Se tu, caro leitor, acompanhastes até aqui essa mera exposição de fatos que mais se parece um quadro surrealista de Dali com pitadas rodriguianas de um “Óbvio Ululante” mais contemporâneo que nunca, pergunto: a chama olímpica se apagou ao término dos jogos, como é de praxe, mas pode-se ignorar que o MST – Movimento dos Sem-Terra, em tese, pode ter o contingente e o poderio bélico para “colocar fogo” em todo o Brasil?
O MST e principalmente seus dirigentes são a “não-notícia” que só ganha o noticiário quando já é tarde demais para alguns. Ruim será quando for tarde demais para todos.
Esperemos o melhor, mas preparemo-nos para o pior.
O ESTADO PROÍBE VENDAS CASADAS MAS CRIA INÚMERAS DELAS COM SUAS REGULAÇÕES - 16/11/2017
A famigerada “venda casada”, prática vedada no Brasil pelo Código de Defesa do Consumidor (art. 39, I), constituindo inclusive crime contra as relações de consumo (art. 5º, II, da Lei n.º 8.137/90), é caracterizada quando um determinado bem ofertado aos consumidores só pode ser adquirido em conjunto com outro, do mesmo gênero ou não. Exposto a tal situação, o cliente, segundo reza a lenda, estaria sendo lesado por ser compelido a comprar algo que não deseja. Daí vem o Estado, do alto de sua magnificência, e obriga o comerciante a vender seus produtos ou serviços conforme os desígnios dos burocratas esclarecidos do turno.
A principal falha na lógica de quem apoia esta intervenção governamental nas trocas voluntárias reside na premissa de que os consumidores não possuiriam qualquer alternativa, diante de uma suposta oferta conjugada de mercadorias, senão adquiri-las de acordo com diretrizes empresariais que não sejam do seu agrado – ou ainda que desistir definitivamente de adquirir aquele bem não seja uma opção perfeitamente viável.
Caso concreto: o indivíduo chega com amigos naquele barzinho da moda e recebe o aviso, logo na entrada, de que terá de consumir no mínimo R$50. Consome, até a hora de ir embora, apenas R$25, e na saída o caixa cobra, portanto, o dobro. Pois saiba que esta cobrança de consumação mínima é tida como ilegal pelos órgãos de defesa do consumidor, os quais consideram tal prática abusiva.
Ora, alguém, por acaso, está obrigando o cidadão descontente a continuar frequentando o estabelecimento? Alguém lhe sonegou a informação sobre o gasto mínimo antes de sentar-se a mesa? Alguém exigiu que ficasse depois de chegar? Em sendo não a resposta para as três perguntas, não haveria que se falar em fraude ou logro por parte do empreendedor. A transação foi realizada às claras e sem coerção de espécie alguma.
Existem, via de regra, outras centenas de estabelecimentos do mesmo ramo que podem vir a atender à demanda do cliente que bebe ou come pouco quando sai com os amigos. Esta atividade econômica, afinal de contas, é pouco regulada pelo Estado (leia-se: não há muitas barreiras para a entrada de novos investidores no setor), o que proporciona concorrência e a decorrente necessidade constante de buscar a satisfação dos consumidores – ou encarar a bancarrota.
E o mesmo raciocínio pode (ou poderia) ser empregado para refutar a validade de proibir-se que agências de turismo vendam pacotes de viagens que incluam obrigatoriamente hospedagem, passagem aérea e outros serviços; que redes de fast-food vendam brinquedos juntamente com seus lanches; que empresas de cinema restrinjam a entrada de alimentos adquiridos em outros estabelecimentos; e por aí vai.
Mas a coisa muda bastante de figura, por exemplo, quando se trata de negociar condições junto a instituições financeiras em geral. É comum bancos condicionarem a concessão de cartões de crédito à contratação de seguros e títulos de capitalização, ou então que seja imposto, na concessão de empréstimo habitacional, a contratação de seguro da mesma natureza junto à mesma entidade que financia o imóvel ou à seguradora por ela indicada. E, neste caso, não costuma haver muito para onde correr.
Mas o que mudou daquele barzinho do exemplo para os bancos? Simples: no setor bancário, as regulamentações impostas pelo Banco Central impedem a vinda de bancos estrangeiros e o surgimento de bancos pequenos (gerando um mercado paralelo e ilegal de capital conhecido como agiotagem), ao mesmo tempo em que garantem uma reserva de mercado para os grandes bancos já estabelecidos.
Com a competição reduzida, não há muitas opções para o cliente insatisfeito com este tipo de venda casada – e aí o grande causador de tudo, o próprio Estado, é acionado, via Judiciário ou Procon, para sanar o problema, em um esquema esquizofrênico no qual o algoz é chamado para socorrer sua vítima como se herói fosse. Cenário semelhante é desenhado, por exemplo, quando a ANATEL protege o oligopólio das quatro maiores empresas de telecomunicação do país e elas, sem os estímulos naturais da disputa por espaço no livre mercado, oferecem combos de serviços pouco (ou nada) atraentes.
Mas o pior está por vir: existem determinados produtos que somos forçados a adquirir contra nossa vontade por culpa direta do Estado.
O exemplo clássico são os planos de saúde. A ANS, por meio de suas ações regulatórias, e a Justiça, por meio de sentenças atendendo a reivindicações de clientes que extrapolam a cobertura contratada, acabam por determinar que as operadoras empurrem goela abaixo de todos os consumidores um sem número de procedimentos médicos nos quais eles não estão nem um pouco interessados. Isto é uma venda casada imposta pelo Governo!
E esta reflexão pode ser aplicada, por analogia, a outros casos diversos:
-> empresas do ramo alimentício que em breve passarão a ser obrigadas pelo Legislativo a incluir, em sua produção, processos que reduzam os teores de gorduras trans e saturadas, açúcares e sódio nos alimentos (ainda que eu não esteja interessado em levar uma vida saudável);
-> montadoras de veículos que são compelidas pelo Executivo a oferecer automóveis dotados de um mínimo de “conteúdo nacional” (a despeito da vontade do consumidor, e contribuindo para encarecer os carros e para reduzir a competitividade no setor, afetando também a qualidade dos carros aqui comercializados);
-> empregadores que, ao comprarem a força de trabalho de um certo número de empregados, são forçados a contratar aprendizes e pessoas com deficiência, e a “contribuirem compulsoriamente” para várias entidades que pouco lhes retornam – suportando, assim, um encargo social que não lhes pertence, carregando uma cruz que não é sua, enquanto o governante da vez faz caridade com o caixa de suas empresas e os desempregados pagam o pato do alto custo da mão-de-obra;
E por aí vai.
Ou seja, a solução para este imbróglio das vendas casadas passa por corte de regulações estatais (em português claro: mais liberdade para empreender) e menos interferência governamental nas relações comerciais entre os indivíduos. Eu gosto de comprar cervejas que vem com copo personalizado de brinde e me amarrava nos brinquedos do Kinder Ovo. O que o Estado tem a ver com isso?
Para registro: o episódio mais traumático de venda casada registrado até hoje em nosso país ainda deixa petistas de cabelo em pé. Dizem que eles votaram em Dilma Rousseff e levaram o Temer junto, alegam desconhecimento da cláusula contratual e querem devolver o atual Presidente a todo custo. O combinado não sai caro, amiguinhos. Da próxima vez fiquem mais atentos…
* Publicado originalmente em https://bordinburke.wordpress.com/2017/11/13/o-estado-proibe-vendas-casadas-mas-cria-inumeras-delas-com-suas-regulacoes/
TERRORISMO E INTELIGÊNCIA - 12/11/2017
"Nenhum jogador de xadrez descobriu um meio seguro de ganhar a partida no primeiro lance, pois o jogo encerra um sem número de variáveis. A guerra, embora não seja um jogo de xadrez e sim um fenômeno social, possui um número de variáveis infinitamente maior. Algumas fogem a quaisquer análises, como, por exemplo, a sorte. Não obstante, o acúmulo de experiências e os estudos geraram livros e documentos que podem ser definidos como as Leis da Guerra, embora não possuam, como é natural, o mesmo valor das leis da Física" ("Como Combater na Guerra Revolucionária", Carlos I. S. Azambuja)
Na Guerra Revolucionária, assim como em uma Insurreição, o objetivo principal é a população; e as operações destinam-se a conquistá-la ou, pelo menos, a mantê-la passiva. Essas ações são essencialmente políticas. Daí que nesse tipo de guerra as ações políticas conservam a preponderância durante todo o tempo.
Uma insurreição poderá ser definida como um tipo de guerra direcionada a compensar a fraqueza relativa do grupo que assumiu a iniciativa. O insurgente, de início, não procura a vitória militar e sim abalar o moral, o desejo de resistir e a autoconfiança de seu adversário e empenha-se em fazer com que o oponente abandone a luta sem considerar a sua superioridade militar.
Já o terrorismo é uma forma de propaganda armada. É definido pela natureza do ato praticado e não pela identidade de seus autores ou pela natureza de sua causa. Suas ações são realizadas de forma a alcançar publicidade máxima, pois têm como objetivo produzir efeitos além dos danos físicos imediatos. Muito embora em toda a sua existência a ONU não tenha obtido consenso em encontrar uma definição para o terrorismo, ele poderá ser definido como o uso ilegal da força ou violência contra pessoas ou propriedades, objetivando influenciar uma audiência e coagir um governo e a população de um Estado em proveito de objetivos políticos ou sociais.
A principal característica que define o terrorismo moderno é a sua internacionalização, resultante de quatro fatores, até certo ponto complementares: a cooperação entre organizações terroristas de diversas regiões; o fato de muitos Estados nacionais apoiarem grupos terroristas e utilizarem o terror como meio de ação política; a crescente facilidade com que terroristas cruzam fronteiras para agir em outros países; e a rapidez no fluxo de informações propiciada pela Internet.
Tanto na Guerra Revolucionária como na Insurreição e no Terrorismo, a promoção da desordem é fundamental, pois desagrega a economia, causa insatisfação e serve para solapar a força e a autoridade do governo. A criação da desordem não é dispendiosa mas é de custosa prevenção. Ao ver explodir uma ponte ou uma torre de transmissão de energia, o governo vê-se obrigado a vigiar todas as demais; se uma bomba explode em um cinema, isso obriga a que todos os freqüentadores de todos os cinemas passem a ser submetidos a uma revista; quando uma fazenda é queimada, todos os fazendeiros passam a clamar por proteção e, se não a recebem, podem ser tentados a organizar milícias de defesa armada.
Também simples telefonemas anônimos, avisando sobre supostos artefatos colocados em terminais rodoviários, ferroviários ou aeroviários podem causar anarquia nos horários do sistema de transportes e afugentar turistas.
O governo, por sua vez, não pode fugir à responsabilidade de manter a ordem – pois para isso ele é governo -, o que causa uma desproporção elevada de despesas entre ele e os terroristas ou insurretos.
Atualmente, o fundamentalismo islâmico substituiu o marxismo-leninismo e o anarquismo como principal ideologia revolucionária utilizada para justificar, gerar e difundir o terrorismo em nível mundial.
Uma imensa variedade de organizações diferentes, com metas diferentes, táticas operacionais diferentes, com objetivos de ataque diferentes, está coberta pela expressão "guerra de insurreição". Nesse sentido, o planejamento das contramedidas deve ser adotado de forma também diferente para cada organização insurgente, de acordo com as suas características particulares, depois de analisadas pela Inteligência.
Todavia, nem todos os movimentos clandestinos optam, necessariamente, por um conflito violento. A atividade política clandestina pode ser não-violenta e a resistência passiva pode ser caracterizada simplesmente pela não-cooperação ou por manifestações não-violentas.
A busca do apoio da população aos insurgentes é fundamental quando se procura cobertura para as atividades clandestinas. Quanto mais brutais forem as represálias contra o apoio da população às atividades terroristas, menor será o apoio ao governo. Por outro lado, também é verdadeiro que as organizações que se valem da coerção e do terror para conseguirem o apoio da população colocam em risco os seus interesses de longo prazo e apresentam à Inteligência oportunidades para recrutar informantes e penetrar nas organizações terroristas ou insurgentes.
A insurreição e o terrorismo são a arma dos fracos. Existe, todavia, uma tendência nas sociedades ocidentais de identificar o "lado fraco" com o "lado justo". Essa tendência faz com que as organizações insurgentes ou terroristas, ou ainda de ideologias religiosas reacionárias, mesmo agindo contra a maioria da opinião pública, contra os desejos da maioria do povo, aproveitem-se dessa tendência – "lado fraco", "lado justo", e usem a mídia para tentar aumentar o apoio à sua causa, embora nas atividades terroristas os civis inocentes tornem-se o alvo principal.
Paradoxalmente, as organizações terroristas, cuja essência é lutar contra a lei e a ordem, são freqüentemente respaldadas por essas mesmas leis que almejam destruir: leis que garantem os direitos individuais e que buscam evitar que o governo penetre na privacidade das pessoas, que não permitem prisões indiscriminadas, que proíbem o uso de pressões durante interrogatórios e que determinam o seguimento estrito dos procedimentos legais.
Tais leis servem como um dispositivo importante na proteção aos insurgentes e aos terroristas. Além disso, em nome da democracia, as leis geralmente não se opõem a que as organizações levem a cabo operações abertas para organizar-se, recrutar novos membros, publicar jornais e panfletos.
É essencial que a organização de Inteligência que opera contra qualquer tipo de adversário tenha seus objetivos estratégicos claramente definidos. Esses objetivos podem ser diferentes: a) uma estratégia defensivo-passiva, cujo objetivo fundamental é gerar um aviso de alarme sobre o surgimento de uma ameaça terrorista clandestina antes mesmo que ela tenha começado a operar; b) ou uma estratégia ativa, com ações visando evitar a obtenção de infra-estrutura para treinamento e organização, bem como os esforços de recrutamento; c) uma variedade de operações de desinformação e de dissimulação; d) ações com o objetivo de fomentar intrigas, atritos e conflitos na organização ou entre organizações terroristas rivais.
Deve ser enfatizado que uma defesa puramente passiva – o Contraterrorismo – historicamente não tem constituído um obstáculo suficiente para conter o seu desenvolvimento. O Antiterrorismo, ao contrário, sugere uma estratégia ofensiva, uma luta global contra os inimigos da liberdade, a fim de impedir que atos terroristas sejam desencadeados, levando a guerra até eles próprios, aos terroristas. Ou seja, enfrentando-os decididamente ANTES que quaisquer ações terroristas sejam levadas a efeito.
Mais do que em qualquer outro tipo de guerra, a organização de Inteligência deverá encabeçar as operações militares e, freqüentemente, a fronteira entre o trabalho de Inteligência e a atividade de combate é nebulosa. Essa, todavia, não é uma tarefa simples. Exige Serviços de Inteligência altamente capacitados e governos determinados, com vontade política e com decisões que não temam riscos, pois o Antiterrorismo é uma resposta a algo que ainda não ocorreu. Foi por essa estratégia que a Primeira-Ministra Golda Meir e os Serviços de Inteligência de Israel se decidiram, após o assassinato de seus atletas nas Olimpíadas de Munique em setembro de 1972: levar o terror aos terroristas, fazendo com que passassem todo o tempo preocupados com sua própria segurança.
Uma das primeiras áreas que se constituem em alvo para as operações de Inteligência é descobrir o sistema ideológico e político da organização. Mesmo quando a ideologia parecer estranha, ininteligível ou repulsiva, ela existe e deve ser estudada com atenção. Entender a ideologia, monitorando de perto sua evolução, assim como o crescimento ou a diminuição de sua influência, é essencial para se entender a organização e lutar contra ela, pois não se pode lutar contra aquilo que se desconhece.
Há casos em que as lideranças políticas operam mais abertamente, tornando-se mais fácil identificar e alcançar os seus objetivos do que reconhecer os seus elementos operacionais. Entre os assuntos que demandam conhecimento mais profundo por parte dos analistas da Inteligência, requerendo um acompanhamento mais atento, destacam-se: a) as lideranças e sua hierarquia; b) publicações da organização; c) manifestações públicas de protesto que apóiem os objetivos da organização; e) vinculações com outras organizações, nacionais ou estrangeiras.
A infraestrutura organizacional-operacional dos terroristas ou insurgentes deve ser um dos alvos centrais, devendo receber especial atenção, entre outras, as seguintes facetas organizacionais: o processo de recrutamento, quem são os recrutados, a que extrato social e regiões pertencem, quais os métodos de recrutamento, quais as fontes de recursos financeiros da organização, quantas são e onde estão localizadas as instalações de treinamento e instrução, inclusive em outros países, qual a infra-estrutura logística, incluindo redes de comunicações, quais os serviços médicos, gráficas e "aparelhos" (casas de segurança) de que a organização dispõe.
Desnecessário assinalar que é desejável para a Inteligência penetrar nos vários "aparelhos" e, para isso, é fundamental uma infiltração nos grupos operacionais. Nesses casos, surgem problemas éticos e legais que devem ser solucionados de imediato, como, por exemplo: a Inteligência deve permitir que seus agentes infiltrados participem de ações que possam causar mortes ou prejuízos?
Um assunto que deve requerer considerável atenção é um sistema de comunicação rápido e confiável entre as fontes infiltradas na organização e a Inteligência, objetivando permitir a emissão de alertas para prevenir ataques e preparar ações de antiterrorismo.
É sabido que quase todas as agências de Inteligência participam da coleta de informes sobre organizações terroristas. A coleta em fontes abertas é a de menor importância, pois existem muito poucas organizações terroristas ou insurgentes que publiquem jornais ou revistas. Embora essas publicações, evidentemente, não divulguem ou exponham nada que faça referência à sua ação ou a seus planos operacionais, eventualmente poderão divulgar nomes, codinomes ou fotografias que ajudem na identificação de pessoas, instalações e suas localizações. A coleta em fontes abertas é muito importante para o estudo da ideologia da organização.
A mais importante fonte de informações sobre as atividades terroristas é conhecida como a Inteligência Humana (Human Intelligence – HUMINT). Essa é uma área onde a imaginação e a criatividade de uma organização de Inteligência em recrutar e manipular suas fontes tornam-se de máxima importância. Em alguns casos é bastante difícil para a Inteligência recrutar agentes diretamente em seu próprio nome. Pode ser menos difícil o recrutamento com alguma cobertura falsa, fingindo representar outra organização terrorista ou uma ideologia diferente. Por outro lado, pode ser mais fácil - embora nem sempre mais proveitoso - infiltrar novos membros que, desde o início, estejam a serviço da Inteligência.
Deve ser assinalado que os contatos, o agente infiltrado e os informantes são o maior capital de um Serviço de Inteligência e devem ser preservados a todo custo. Uma prova recente da importância desse capital foi o nível de informação que possibilitou aos EUA liquidar com Al Zarqawi, o segundo homem mais importante na hierarquia da Al-Qaeda, o que seria impensável sem esses recursos.[*]
Como escreveu John Keegan em seu livro A Inteligência na Guerra,"o clima criado pelos mestres da ficção de espionagem influenciou as reações populares em relação ao trabalho de coleta e análise dos informes. O fascínio despertado pelas técnicas reveladas na utilização da linguagem cifrada, caixas-postais secretas, o controle e a cooptação de agentes que se tornam 'duplos', a vigilância, a interceptação de correspondência e dezenas de outras práticas do mundo secreto lograram representar a técnica como um fim em si mesma. O 'espião' adquiriu o status de herói e, às vezes, de anti-herói, figura glamorosa que parecia ter importância pelo que era, e não pelo que fazia". Mas, na prática, não é isso que ocorre.
A seqüência das operações eficazes de Inteligência é corriqueira e burocrática, pouco apropriada para os mestres da ficção, mas essencial para que a Inteligência tenha utilidade. A informação de que se precisa pode ser encontrada facilmente em publicações, jornais ou em monografias acadêmicas. Todavia, é perecível e pode ser ultrapassada pelos acontecimentos e deteriorada pelo passar do tempo e, a menos que seja transmitida oportunamente para que possa ser utilizada, ela perde o seu valor. Devemos recordar que não existe uma informação que dissipe todas as dúvidas. Ela nunca é completamente exata e definitiva. Os chefes da Inteligência querem sempre mais.
"Existe a idéia de que a Inteligência é a chave necessária para o sucesso nas operações. Uma opinião mais sensata, todavia, é a de que ela, embora imprescindível, não constitui um meio suficiente para se chegar àe vitória. Em um combate, a força de vontade vale mais do que o conhecimento antecipado. Os que discordarem que demonstrem o contrário", escreveu John Keegan.
A menos custosa e mais simples fonte de informações é o interrogatório detalhado e sistemático de um terrorista recém-capturado, realizado imediatamente após a sua prisão. Nesse caso, existe uma corrida contra o tempo: entre a capacidade de conseguir uma vantagem imediata utilizando-se os informes obtidos no interrogatório, e as medidas de precaução e de retaliação tomadas pela organização terrorista imediatamente após se dar conta de que um de seus membros foi capturado. É fundamental que o interrogador mantenha um relógio adiantado duas ou três horas à vista do interrogado, a fim de que ele suponha que o tempo passou e ele já pode falar sem perigo de comprometer seus companheiros.
O interrogatório deverá ser feito por um experiente homem de Inteligência e jamais por civis, ou militares inativos terceirizados por empresas militares privadas, como ocorreu no Iraque, onde o Pentágono tercerizou milhares de postos de trabalho nos interrogatórios a suspeitos de terrorismo e na tradução de textos e – acreditem – até na elaboração de análises. Esse é um indiscutível fator de fraqueza da Inteligência, com reflexos altamente negativos no desenvolvimento das operações. Reflexos que estão aí, quase diariamente, nos jornais.
É também importante que se demore o máximo de tempo possível na divulgação da informação de que um membro da organização foi capturado.
Na guerra da Inteligência contra o terrorismo devem ser espalhados rumores e falsas histórias a respeito do destino daqueles que forem capturados, falando de traidores, espiões e informantes dentro da organização, a fim de minar a sua coesão interna; corroer a credibilidade da liderança e das medidas de segurança da organização; criar atritos e rivalidades entre os líderes; promover conflitos com outras organizações terroristas, e promover um rompimento entre a organização terrorista e sua infra-estrutura de apoio civil, objetivando afastar os aliados e simpatizantes.
Finalmente, deve ser assinalado que nenhuma organização clandestina tem condições de funcionar sem um mínimo de apoio externo, o que é um fator de vulnerabilidade que não deve ser relegado. O que os governos devem ter em mente – e muitos não têm - é que a resposta ao terrorismo não está nem na complacência e nem na histeria, mas em um modesto e contínuo investimento em esquemas e contramedidas realmente efetivas e, por uma questão de sobrevivência, na utilização de múltiplos meios de combate. Aliás, todos os meios são legítimos e devem ser utilizados na luta contra o terrorismo: os diplomáticos, os econômicos, os psicossociais e os políticos, e não apenas os militares.
Segundo Steven Metz, chefe do Departamento de Estratégia Regional e Planejamento da Escola de Guerra do Exército dos EUA,"o mundo chegou a um ponto onde pode-se ver o perigo do terrorismo, mas não a cura. Pior: esta pode nem existir".
Finalmente, é imperativo que aqueles que decidem expliquem claramente suas necessidades ao Serviço de Inteligência, a fim de que este possa definir, com objetividade, para seus agentes e analistas, os elementos essenciais de informações.
[*]Vejam a notícia veiculada na Folha de São Paulo de 9 de junho de 2006 sobre a morte de Al Zarqawi, no Iraque: "Segundo a CNN, que cita fontes do Exército dos EUA, um importante membro da Al Qaeda preso na Jordânia no mês passado e ao menos um 'espião' infiltrado na rede terrorista forneceram informação suficiente para que as tropas americanas no Iraque localizassem o esconderijo em que Al Zarqawi estava".
Carlos I. S. Azambuja é Historiador
* Publicado originalmente em http://www.alertatotal.net/
PREFÁCIO AO LIVRO DE MAURO ABRANCHES E VLADIMÍR PETRILÁK SOBRE A ATUAÇÃO DA KGB NO BRASIL - 10/11/2017
* Publicado originalmente em www.midiasemmascara.org
Condensando um zunzum que já circulava em jornais comunistas e em teses do Comitê Central do PCB, o livro do jornalista Edmar Morel, O Golpe começou em Washington, publicado pela Editora Civilização Brasileira em 1965, lançou, já no seu título, o mantra que desde então foi repetido incansavelmente em artigos, reportagens, livros, teses universitárias, filmes, especiais de TV e vídeos do YouTube: o movimento que removeu do cargo o então presidente João Goulart foi, no essencial, uma trama do governo americano, uma brutal intervenção estrangeira dos assuntos nacionais, uma manobra da CIA urdida para derrubar um governo nacionalista cujas reformas ameaçavam os interesses do capital imperialista.
A Civilização Brasileira era a maior editora comunista do país, dirigida pelo militante histórico Ênio Silveira, e Edmar Morel, tendo servido ao famigerado Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) da ditadura Vargas, soube adaptar-se rapidamente aos novos ares após a queda do ditador: ganhou do governo soviético uma viagem a Moscou, que relatou num livro de 1952. Ninguém ignora o que essas viagens significam na longa história das cooptações e recrutamentos.
Não é humanamente possível fazer a lista das publicações e produções que endossaram a tese de Edmar Morel. Praticamente nenhum jornal, canal de TV ou universidade no Brasil (e algumas no exterior) falhou em repeti-la com a constância de um devoto recitando preces jaculatórias. Mais recentemente, a tese ganhou o apoio de celebridades americanas, entre as quais Noam Chomsky, e, entre inumeráveis filmes que confirmavam a mesma versão dos acontecimentos, pelo menos um recebeu um prêmio nos EUA.
Tão vasta, contínua e prestigiosa unanimidade é de molde a desencorajar, no nascedouro, qualquer objeção que possa colocá-la em dúvida.[1]
No entanto, toda essa vistosa e idolatrada construção, em que se empenharam tantos cérebros, tantas verbas públicas e tantos patrocínios privados, é posta abaixo e reduzida a pó mediante uma simples pergunta: como é possível que a CIA tenha exercido tão profunda e avassaladora influência no curso da história nacional em 1964, se até agora não apareceu, na imensa bibliografia a respeito, o nome de um único agente daquela organização que estivesse lotado no Brasil na época? Nem unzinho só.
Como é possível tanta ação sem nenhum agente?
Inversa e complementarmente, a teoria moreliana do golpe de 1964 baseia-se na premissa — tão unânime e indiscutida quanto ela mesma — de que não havia nem séria infiltração comunista no governo João Goulart, nem o menor risco de uma revolução comunista, nem muito menos qualquer ingerência soviética nos assuntos nacionais.
A importância vital deste livro reside em que demole a porretadas esse mito, mostrando que, em contraste com a ausência total de homens da CIA operando no Brasil naquela ocasião, os agentes da KGB nas altas esferas da República eram, documentadamente, centenas, talvez milhares. O governo Goulart nunca foi senão uma ponta-de-lança do imperialismo soviético.
Mauro “Abranches” Kraenski, tradutor brasileiro residente na Polônia, que domina a língua polonesa e conhece suficientemente o idioma checo, e Vladimír Petrilák, colunista checo, não fazem aqui obra de polêmica, muito menos de acusação: lêem e resumem documentos de fontes primárias — sobretudo do serviço checo de inteligência, a StB — com extrema idoneidade científica e têm o cuidado de não sair carimbando ninguém de “agente da KGB”, nem mesmo quando há razões de sobra para fazê-lo, enfatizando, antes, que muitas pessoas mencionadas nesses documentos não passam de inocentes úteis, levados a colaborar com a subversão comunista sem seu pleno consentimento e às vezes sem clara consciência do que se passava. Ainda assim, o panorama que eles traçam da presença soviética no governo João Goulart ultrapassa as dimensões da mera “infiltração” e justifica falar, mesmo, de “ocupação”.
Sem nenhum exagero, a narrativa oficial de 1964 é uma inversão completa e cínica da realidade, dando foros de certeza ao que é mera conjetura, quando não invencionice, e ocultando montanhas de fatos decisivos.
Este livro, sozinho, vale mais do que toda a bibliografia consagrada sobre os acontecimentos de 1964. E uma pergunta que ele suscita inevitavelmente é: quanto dessa bibliografia não foi inspirado ou produzido, justamente, pelos mesmos agentes soviéticos aqui nomeados e fichados?
Antes mesmo das revelações aqui estampadas, os rombos da narrativa canônica já eram tão gigantescos que, para não vê-los, era preciso um considerável esforço de auto-hipnose.
Vinha, em primeiro lugar, a crença geral de que Goulart fora derrubado, não por ser um joguete nas mãos dos comunistas, mas por ser um patriota, um nacionalista, cujas “reformas de base” constituíam um acinte e uma ameaça aos interesses do capital imperialista.
Mas como podia ser isso, se o malfadado presidente jamais apresentou um único projeto de “reforma de base”, todas as iniciativas nesse sentido partindo do Congresso contra o qual ele tanto esbravejava?
Como observei em artigo de 25 de maio de 2014,
a lei mesma da remessa de lucros, que teria sido a “causa imediata” do golpe, só o que Goulart fez com ela foi sentar-se em cima do projeto, que acabou sendo aprovado por iniciativa do Congresso, sem nenhuma participação do presidente. Se a fúria do capital estrangeiro contra essa lei fosse a causa do golpe, este teria se voltado não contra Goulart e sim contra o Congresso — Congresso que, vejam só, aprovou o golpe e tomou, sem pressão militar alguma, a iniciativa de substituir Goulart por um presidente interino.[2]
Outro simulacro de prova em favor da tese da “intervenção imperialista” foi a ajuda que algumas entidades americanas — não a CIA — deram à resistência parlamentar e jornalística anti-Goulart. Ninguém, entre os que apelavam a esse argumento, fez jamais a seguinte pergunta: se os tais agentes do imperialismo ianque exerciam tanta influência sobre o Congresso e a grande mídia, reunindo condições para um impeachment do presidente, com uma transição legal e pacífica, por que iriam recorrer ao método traumático e desnecessário da intervenção militar?
Para sustentar que “o golpe começou em Washington” seria preciso provar, não que o governo americano ajudou a fomentar uma gritaria difusa contra a situação, mas que os agentes dele participaram ativa e materialmente da conspiração militar em si, entrando em reuniões secretas de generais e discutindo com eles os detalhes estratégicos e táticos da mobilização final. Mas, se não existe sequer indício da presença de um único agente da CIA no território nacional, como poderia haver provas de que essa criatura inexistente fez isso ou aquilo?
A tese consagrada mistura, numa síntese confusa mais conveniente aos objetivos da propaganda que aos da ciência histórica, a ação pública com a ação secreta, a atmosfera política geral com as iniciativas concretas dos militares e, fundindo tudo sob a mágica do símbolo “interesse imperialista”, enxerga uma autoria única e central por trás de processos não só diversos, como antagônicos.
De fato, quando o general Mourão partiu de Minas Gerais com suas tropas, ninguém, absolutamente ninguém num Congresso que estava ansioso para se livrar do incômodo presidente, tinha a menor idéia de que houvesse alguma iniciativa militar em andamento.
Longe de tramar o golpe, os americanos estavam, isto sim, apostando no que se destinava a ser e poderia ter sido uma alternativa parlamentar à intervenção militar.
No mesmo artigo citado, escrevi:
Todos os jornais do país, até hoje, usam como prova da cumplicidade americana (com o golpe) a gravação de uma conversa telefônica na qual o embaixador Lincoln Gordon pedia ao presidente Lyndon Johnson que tomasse alguma providência ante o risco iminente de uma guerra civil no Brasil. Johnson, em resposta, determinou que uma frota americana se deslocasse para o litoral brasileiro. Fica aí provado… que os americanos foram, se não os autores, ao menos cúmplices do golpe. Mas, para que essa prova funcione, é necessário escamotear quatro detalhes: (1) a conversa aconteceu no próprio dia 31 de março, quando os tanques do general Mourão Filho já estavam na rua e João Goulart já ia fazendo as malas. Não foi nenhuma participação em planos conspiratórios, mas a reação de emergência ante um fato consumado. (2) A frota americana estava destinada a chegar aos portos brasileiros só em 11 de abril. Ante a notícia de que não haveria guerra civil nenhuma, retornou aos EUA sem nunca ter chegado perto das nossas costas. (3) É obrigação constitucional do presidente dos EUA enviar tropas imediatamente para qualquer lugar do mundo onde uma ameaça de conflito armado ponha em risco os americanos ali residentes. Se Johnson não cumprisse essa obrigação, estaria sujeito a um impeachment. (4) As tropas enviadas não bastavam nem para ocupar a cidade do Rio de Janeiro, quanto mais para espalhar-se pelos quatro cantos do país onde houvesse resistência pró-Jango e dar a vitória aos golpistas.
A insistência obstinada numa tese impossível explica também o silêncio atordoante com que mídia e o establishment bem-pensante em geral receberam a revelação do então chefe da KGB no Brasil, Ladislav Bittman, de que essa mesma tese fora inventada pela própria espionagem soviética, mediante documento falso enviado a todos os jornais na ocasião.[3]De 2001 a 2014, várias vezes tentei, em vão, chamar a atenção da classe jornalística para o livro de memórias em que o agente checo[4] faz essa confissão explosiva.
O silêncio cúmplice, o comodismo, a mistura promíscua e obscena de jornalismo com militância esquerdista, conseguiram bloquear, por meio século, o acesso do povo brasileiro não só a fatos como a meras perguntas que pudessem abalar a mitologia dominante.
Mas agora a brincadeira acabou. Não só este livro memorável traz a prova cabal e definitiva do engodo, mas surge numa situação bem diversa daquela em que o país viveu nos últimos cinquenta e tantos anos. Hoje há um público mais consciente, que, desmoronada a farsa do comunopetismo, já não se verga, com mutismo servil, ante a opinião do beautiful people jornalístico e universitário.
O trabalho paciente e consciencioso de Vladimír Petrilák e Mauro “Abranches” Kraenski vai, com certeza, encontrar uma platéia atenta e sensível, madura para desprezar o argumentum auctoritatis e sobrepor, à lenda, a realidade.
Petersburg, VA, 25 de outubro de 2017.
Notas:
[1] Não preciso relembrar aqui os freqüentes e discretíssimos episódios de carreiras universitárias abruptamente encerradas pela ousadia de contestar esse ou qualquer outro dogma do credo esquerdista.
[2] V. www.olavodecarvalho.org/falsificacao-integral/.
[3] V. meu artigo “Sugestão aos colegas”, de 17 de fevereiro de 2001: www.olavodecarvalho.org/sugestao-aos-colegas/.
[4] Como se verá no presente livro, a KGB, nos países do Terceiro Mundo, não atuava diretamente, mas através dos serviços secretos dos países satélites; no Brasil, a StB, serviço de inteligência da Tchecoslováquia.
PRESTES E OUTROS MITOS - 09/11/2017
"Sou a favor da idéia socialista. Mas uma vez disse a meu pai: 'se isso é socialismo, eu sou contra o socialismo" (Yuri Ribeiro Prestes, historiador; filho de Luiz Carlos Prestes; viveu na Rússia de 1970 a 1994; jornal Folha de São Paulo de 2 de novembro de 1997)
A partir do momento em que, na ex-União Soviética os arquivos da 3ª Internacional foram abertos aos pesquisadores, vários mitos e lendas não mais se sustentam. Alguns livros, editados com base nesses arquivos, foram publicados, dando conta de detalhes inéditos do Movimento Comunista Internacional.
A 3ª Internacional, ou Komintern, do alemão "Komunistiche Internationale", foi uma entidade com sede em Moscou, criada por Lenin, que funcionou de 1919 a 1943.
O Komintern era dirigido pela "Uskaia Komissia", a "Pequena Comissão", responsável por todas as decisões relativas aos aspectos políticos, de inteligência e de ligação do Kominern com o Partido Comunista da União Soviética.
Desde a década de 20, o Komintern financiava e controlava os partidos comunistas de todo o mundo, com verbas fornecidas pelo Estado soviético. Essa prática permaneceu inalterada por mais de 70 anos. Quando o Komintern foi desativado, em 1943, o Departamento de Relações Internacionais do PCUS assumiu suas tarefas.
Ao final do ano de 1991, após o fim da União Soviética, foram encontrados na sede do Comitê Central do partido único documentos referentes à "ajuda financeira fraternal" aos demais partidos comunistas de todo o mundo Esses documentos, como é evidente, faziam menção ao Partido Comunista Brasileiro, e comprovam que já em 1935 Luiz Carlos Prestes era um assalariado do Komintern: No período de abril a setembro de 1935, US$ 1.714,00 foi a quantia destinada a Prestes.
Assinale-se que Luiz Carlos Prestes foi admitido como membro do Komintenr em 8 de junho de 1934. Antes, portanto, de sua filiação ao PCB, o que constituiu um fato inédito no comunismo internacional. Prestes só viria a ser admitido no PCB em setembro desse ano.
A alemã Olga Benário (que também utilizava os nomes de "Frida Leuschner", "Ana Baum de Revidor", "Olga Sinek", "Olga Bergner Vilar" e "Zarkovich" (casada em Moscou com B. P. Nikitin, aluno da Academia Militar Frunze) que pertencia ao IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho foi a pessoa designada para a missão de acompanhar Luiz Carlos Prestes em sua volta da União Soviética ao Brasil, em 1935.
Ao contrário do que afirma o historiador brasilianista Robert Levine, em seu livro O Regime de Vargas - 1935-1938, bem como diversas outras publicações nacionais e estrangeiras, Prestes nunca foi casado com Olga.
O clube de revolucionários profissionais a serviço do Komintern, tinha poderes praticamente ilimitados de intervenção nos diversos partidos comunistas, bem como instruções muito precisas sobre como levar adiante as planejadas ações revolucionárias.
O Partido Comunista Brasileiro jamais se libertou de sua subserviência a Moscou. O PCUS, até ser posto na ilegalidade por Boris Yeltsin, em 1991, sempre manteve sobre estreito controle a direção política do PCB, a forma como eram escolhidas suas lideranças, seus processos de formação ideológica, bem como aquilo que sempre foi o mais importante para o partido: o auxílio fraternal. Em 1990, último ano de ativo funcionamento do PCUS, essa ajuda fraternal ao Partido Comunista Brasileiro foi de US$ 400.000 conforme divulgado pelo Tribunal Constitucional Russo que, em 1992, julgou os crimes do PCUS (jornal "Konsomolskaya Pravda", Moscou, 8 de abril de 1992).
Prestes somente em setembro de 1934 seria admitido nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, conforme documento do Bureau Político do PCB, datado de 4 de setembro de 1934, publicado no jornal Sentinela Vermelha, nº 1, outubro de 1934, São Paulo. Segundo esse jornal, Prestes foi admitido no partido "por proposta da IC" e como "simples soldado da IC". No entanto, diz o jornal, "ao mesmo tempo que o BP aceita a adesão de Prestes, chama todo o partido para intensificar o fogo contra o prestismo dentro e fora de nossas fileiras, contra essa teoria e prática de conteúdo contra-revolucionário, pequeno-burguês, que consiste na subestimação das forças do proletariado como única classe revolucionária, nas ilusões em chefetes e caudilhos pequeno-burgueses, salvadores, cavaleiros da esperança, etc (...)".
A aceitação de Prestes como membro do PCB foi, portanto, decorrente não do reconhecimento de sua liderança ou de seus atributos de dedicação à causa comunista, mas sim uma imposição do aparato da IC, o que desfaz um outro mito.
Em 10 de abril de 1935 - às vésperas da chegada clandestina de Prestes ao Brasil -, referindo-se à primeira reunião pública da Aliança Nacional Libertadora (ANL), realizada dia 30 de março desse ano, no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, um documento do PCB, assinado por M ("Miranda"), codinome de Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral do partido, referia-se a Prestes, aclamado presidente da ANL, como "um grande lutador antiimperialista e antifeudal". Esse documento foi publicado no jornal A Classe Operária nº 178, de 10 de abril de 1935.
"Miranda", na "A Classe Operária" de 23 de abril de 1935, assinala: "(...) As massas populares aclamam espontaneamente Prestes como Presidente de Honra da Aliança Nacional Libertadora (...) Essa aclamação de Prestes significa que as massas populares reconhecem nele um grande lutador contra o imperialismo (...) um lutador conseqüente de há muitos anos (...)".
Em apenas 7 meses, portanto, Prestes passou de "caudilho pequeno-burguês" a "lutador conseqüente de há muitos anos".
Logo depois, Fernando Lacerda, membro do Comitê Central do PCB, delegado do partido ao VII Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou em julho de 1935, em seu discurso nesse evento, transcrito na revista da IC, "Correspondência Internacional" de 4 de dezembro de 1935, assinalou: "(...) Desde outubro de 1934, após a 3ª Conferência dos Partidos Comunistas dos Países da América Latina, conseguimos realizar uma reviravolta decisiva, tomando audaciosamente a iniciativa da organização de uma Aliança de Libertação Nacional (...) Entre seus organizadores e dirigentes destacava-se o nosso camarada Luiz Carlos Prestes (...) Já lançamos audaciosamente a palavra de ordem de 'todo poder à ANL'(...)". Observe-se que na data referida por Fernando Lacerda - outubro de 1934 - Prestes vivia, ainda, em Moscou.
Essa é outra lenda que desaba: a de que, quando criada, a ANL não tinha qualquer vinculação com o partido. Na verdade, desde o primeiro momento, foi uma organização de fachada do PCB, como centenas de outras durante toda a existência do partido.
Em 14 de julho de 1935 a Aliança Nacional Libertadora foi colocada fora da lei pelo governo e suas sedes fechadas.
O Comitê Central do PCB, reunido em fins de julho de 1935, tachou o fechamento da ANL de "arbitrário e violento" e concitou seus militantes a recrutar elementos e formar o partido no campo, "criando Ligas Camponesas" (documento apreendido em agosto de 1935 e integrante do processo nº 1, arquivado no STM).
Desfaz-se, portanto, outro mito: o de que foi Francisco Julião o inspirador e criador das "Ligas Camponesas", nos anos 50.
Em 15 de setembro de 1935, às vésperas, portanto, da deflagração da Intentona, o "BSA-Bureau Sul-Americano" do Komintern, que funcionava em Buenos Aires, recebeu do "EKKI" a determinação de passar a dirigir as atividades do PCB conjuntamente com Luiz Carlos Prestes e "Miranda"- Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral. Isso significou, na prática, que o "BSA", organismo do Komintern para a América Latina, passou a comandar (esse é o verbo correto) as atividades do Partido Comunista Brasileiro.
Logo depois, com data de 6 de outubro de 1935, "Indio Negro" remetia a "Américo" (um outro codinome de "Miranda") uma carta com a proposta "de cooptar 'Garoto' para membro do Comitê Central e elegê-lo para o Birô Político do CC". E determina: "Isso deve ser efetuado na próxima reunião do plenário do CC" (documento integrante do processo nº 1, arquivado no Superior Tribunal Militar). A pessoa referida como "Garoto" era Luiz Carlos Prestes.
Mas, quem é "Indio Negro" que dava ordens ao Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro?
Eram duas pessoas, segundo os dados obtidos nos arquivos da 3ª Internacional:
"Indio" – Rodolfo José Ghioldi, que também utilizava os codinome de "Autobelli", "Quiroga" e "Luciano Busteros"; argentino; membro do "Bureau Sul-Americano"; agente do Komintern deslocado da Argentina para o Brasil em dezembro de 1934, juntamente com sua mulher Carmen de Alfaya.
"Negro"- Arthur Ernst Ewert, que também usava os codinomes de "Albert", "Castro" e "Harry Berger"; alemão; agente do Komintern mandado para o Brasil em dezembro de 1934.
A lenda, já integrada à História, de que apenas os 9 estrangeiros presos após a Intentona integravam o aparato do Komintern no Brasil, revelou-se falsa. Os estrangeiros deslocados para o Brasil pelo Komintern, para fazer a Intentona, foram 23. Os nomes de todos podem ser encontrados no livro "Camaradas", do jornalista William Waak.
Desaba também um outro mito: o de que a Intentona Comunista tenha sido uma ação genuinamente brasileira, imaginada e levada a cabo pelo PCB.
Não foi.
A ordem para que a insurreição fosse deflagrada partiu de Moscou, em telegrama do Secretariado Político do "EKKI", dirigido a Ewert e a Prestes, nos seguintes termos: "A questão da ação (o levante) decidam vocês mesmos, quando acharem necessário. Assegurem apoio à ação do Exército pelo movimento operário e camponês. Tomem todas as medidas contra a prisão de Prestes. Enviamos 25.000 por telegrama. Mantenham-nos informados do rumo dos acontecimentos".
Esse telegrama, escrito em francês, foi encontrado nos arquivos do Komintern, e na página 128 do livro "Camaradas" está publicada uma cópia xerografada do mesmo.
No período pré e pós-Intentona o partido cometeu diversos assassinatos de seus próprios correligionários, a título de "justiçamentos", por suspeita de colaboração com o inimigo de classe.
Um deles foi o da jovem de 16 anos "Elza Fernandes" ou "Garota", como era conhecida no partido Elvira Cupelo Colônio, amante de "Miranda", Secretário-Geral do PCB - e que, devido a isso, conhecia todos os demais membros do Comitê Central, e outros, com atuação relevante na Intentona Comunista -, por suspeita de colaboração com a repressão. A decisão de eliminar "Garota" foi tomada por Luiz Carlos Prestes, conforme documentos que integram o processo nº 1, já referido. Nos autos desse processo está uma carta, de próprio punho de Prestes, com data de 16 de fevereiro de 1936, remetida a "Meu Caro Amigo" (não identificado), dizendo: "(...) Não podemos vacilar nessa questão (...) Tudo precisa ser preparado com o mais meticuloso cuidado, bem como estudado com atenção todo um plano de ação que nos permita dar ao adversário a culpabilidade (...) Ela já desapareceu há alguns dias e até agora não se diz nada (...)".
Em outra carta , dirigida ao Secretariado Nacional do PCB, datada de 19 de fevereiro de 1936 (apenas três dias depois), Prestes escreveu: "(...) Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilações de vocês (...) Companheiros, assim não se pode dirigir o partido do proletariado, da classe revolucionária conseqüente (...) Já em minha carta de ontem formulei minha opinião a respeito do que precisávamos fazer (...) Não é possível dirigir sem assumir responsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem respeito à defesa da própria organização (...)".
Cópia do original da carta acima, manuscrita por Prestes, está entre as páginas 33 e 34 do livreto "Os Crimes do Partido Comunista", de Pedro Lafayette, Editora Moderna, 1946, Rio de Janeiro.
"Miranda" e "Elza Fernandes" haviam sido presos em 13 de janeiro de 1936. A Polícia colocou "Elza Fernandes" em liberdade, pelo fato de ser menor de idade. Logo, a direção do partido colocou-a em cárcere privado, na residência do militante conhecido como "Tampinha" (Adelino Deycola dos Santos), na rua Maria Bastos nº 41-A, em Deodoro, subúrbio do Rio, sob a guarda dos militantes "Gaguinho" (Manoel Severino Cavalcanti) e "Cabeção" (Francisco Natividade Lira).
Nessa casa, em 20 de fevereiro de 1936 - um dia após a segunda carta de Prestes -, "Elza Fernandes" foi assassinada por enforcamento, por esses elementos, e sepultada no quintal da casa. Após terem sido presos, todos confessaram o assassinato, dando-o como um justiçamento, sendo o corpo de "Elza Fernandes" exumado pela polícia em 14 de abril de 1936.
Luiz Carlos Prestes, o mandante, e Olga Benário foram presos em 5 de março de 1936. Em 17 de abril de 1945, 9 anos depois, Prestes foi anistiado e em outubro desse mesmo ano eleito Senador da República. Em maio de 1946 o partido foi tornado ilegal pela Justiça Eleitoral e passou a funcionar na clandestinidade. A partir de 1971 Prestes passou a viver em Moscou, sendo novamente anistiado em 1979 e, por força da Constituição de 1988, reincluido no Exército, promovido e reformado.
Em 16 de agosto de 2006 Luiz Carlos Prestes foi promovido ao posto de Coronel, com os proventos de General de Brigada.
Muitos dirão, principalmente os mais jovens: Caramba, eu não sabia!
* Publicado originalmente em www.alertatotal.net.
PORTÕES SE FECHAM - 08/11/2017
Começou o exame nacional do ensino médio, conhecido como ENEM, que abre portas para a universidade. De 6 milhões 731 mil inscritos, uma multidão de 2 milhões não compareceu. Vergonha nacional: precisa da polícia e vigilância eletrônica para evitar fraudes. Domingo foi a prova de redação, antecedida por discussão na Justiça, sobre se havia ou não censura prévia sobre a opinião dos alunos. E, como sempre, o lugar-comum das reportagens na televisão, foram as cenas de fechamento dos portões com gente chegando atrasada, jogando-se pelas frestas entreabertas ou voltando em choro desesperado. Na lição da pontualidade, de planejamento, de compromisso, os atrasados receberam reprovação. Alguns foram vítimas de imprevistos, porque esqueceram de calcular o tempo que o acaso pode tomar.
A liminar da Presidente do Supremo foi fiel ao que está mais de uma vez na Constituição: "é livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato"(art. 5º, IV). Aproveito para perguntar: E o anonimato nas redes sociais? No mesmo artigo, logo adiante: "é inviolável da liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosas e garantida a proteção aos locais de culto e suas liturgias"(5º,VI). Aproveito para perguntar: E quem desenha, em exposição pública, a cabeça da ratinha Minnie em lugar do rosto da principal devoção católica?
Também no art. 5º "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença"(IX). Aí, pergunto: como poderia o ENEM ameaçar com anulação da prova o eventual autor do que for interpretado como agressão aos direitos humanos? Qual era a intenção? Impor a ditadura do politicamente correto?
E o que são, afinal, direitos humanos? O idoso doente teria o direito de ser atendido logo em vez de ficar na fila durante a madrugada em hospital público? Os brasileiros que são mortos à razão de 171 por dia teriam direito à vida? Os amontoados na condução diária teriam direito a transporte humanizado? As pessoas teriam o direito de não ter medo de sair de casa? O suor que os contribuintes vertem lhes daria o direito de não ver seus impostos saírem pelo ralo da corrupção?
Como se percebe, o respeito aos direitos humanos que agentes do estado querem impor aos jovens do ENEM, na verdade revela uma tremenda hipocrisia. O tema da redação foi "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil". Eu não saberia escrever sobre isso. Em 77 anos de vida, confesso que não reúno informações suficientes para desenvolver o tema. Aplaudo os estudantes que dispunham de conteúdo para a tarefa. Eu ficaria na superfície da questão, sem conseguir mergulhar.
Enfim, sabemos todos que a escolha de uma profissão não é questão de cor da pele, ou de currículo, mas de vocação. Será que o ENEM consegue sugerir a vocação com esses exames de múltipla escolha? Que poder tem o ENEM sobre milhões de brasileiros que querem galgar o curso superior! Apagam-se as idiossincrasias regionais, inserem-se as ideologias da moda - e depois ficamos nos últimos lugares nas classificações mundiais de ensino. Atrasados, os portões vão se fechando.
O STF ANTES E DEPOIS DA TV - 07/11/2017
(Pubicado originalmente no Diário do Poder)
“Não há terra mais dificultosa de governar que a pátria, nem há mando mais malsofrido, nem mais mal obedecido, que o dos iguais”. A frase é do Sermão da Dominga Vigésima Segunda depois de Pentecostes, pregado pelo padre Antonio Vieira “na ocasião em que o estado do Maranhão se repartiu em dois governos, e estes se deram a pessoas particulares moradoras da mesma terra” (Sermões, vol. VI, pág. 225).
Se não o foi, deve ser lido por Michel Temer e Carmen Lúcia, presidente da República e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), cujas dificuldades de presidir e de mandar saltam aos olhos de quem acompanha o que se passa em Brasília.
O Dr. Michel Temer é conhecido pelas versatilidades que o fizeram deputado federal, presidente da Câmara dos Deputados, vice-presidente e presidente da República. Logrou sobreviver à queda do governo Dilma Roussef, escapou de ser atingido pelo impeachment, e se safa das acusações do Dr. Rodrigo Janot, cuja aljava continha inesgotável número de flechas.
Pouco conhecida fora de Minas Gerais, a Dra. Carmen Lúcia chegou quase desapercebidamente à Alta Corte. Dedicada aos estudos, discretamente elegante, de poucas palavras, fala mansa, permaneceu longos anos protegida pelo anonimato. Tudo que se sabe dela é positivo, como o fato de ser exigente consigo e com os servidores que lhe prestam assistência. Superou galhardamente a sabatina a que se submeteu no Senado, graças à reputação ilibada e invejável saber jurídico.
A História recente do Supremo Tribunal Federal divide-se em dois períodos: antes e depois da transmissão das sessões, ao vivo, pela televisão. Confrontadas com o passado, a conduta dos novos ministros experimentou mudanças radicais. A modéstia deu lugar à vaidade, espartana simplicidade ao cuidado com a cabeleira e a gravata, o recato às explosões de temperamento, a economia de palavras à prolixidade, a cordialidade a pugilatos verbais como viram os brasileiros na sessão de 26 de outubro. De um lado iracundo ministro Gilmar Mendes e do outro o cordato, mas incisivo ministro Luís Roberto Barroso, tendo a presidente Carmen Lúcia ao centro impotente para contê-los. Foi deplorável. A televisão transmitia cenas inimagináveis no cenário da Alta Corte, com magistrados quase chegando ao desforço físico. Não foi a primeira vez que aconteceu e, pelo andar da carruagem, não será a última.
O Supremo e os Tribunais superiores estão acima de medidas corretivas. Quando exerci o cargo de Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho senti-me obrigado a afastar oito juízes (desembargadores) de determinado Tribunal Regional do Trabalho por quebra do decoro público. A medida foi referendada pelo Pleno do Tribunal Superior do Trabalho e restabeleceu a credibilidade da Corte perante os jurisdicionados.
Quem passou pela vida pública conhece o poder da televisão. Com a facilidade que tem para difundir boas imagens, poderá destruí-las. Não acreditem os senhores ministros que o STF conserva a credibilidade que mereceu em distante passado. Está prestes a igualar-se em descrédito ao Poder Executivo, à Câmara dos Deputados e ao Senado.
Pregava o mesmo padre Antonio Vieira que “o juízo dos homens é mais temeroso do que o juízo de Deus; porque Deus julga com o entendimento, os homens julgam com a vontade”. Recentes julgados do Supremo expressam julgamentos de vontade: vontade de absolver ou de procrastinar. “Quem julga com o entendimento pode julgar bem, e pode julgar mal; quem julga com a vontade nunca pode julgar bem”.
A presidente Carmen Lúcia carrega a responsabilidade de repor o Supremo no caminho de decisões fiéis ao espírito da Constituição, fundadas na ética e na moralidade, em harmonia com o anseio geral de combate à corrupção, que não cedam diante do nome, partido político e posição social dos acusados.
O destino do Estado de Direito democrático depende do STF. Não permita a Corte que o descrédito abra caminho para o retorno do regime autoritário, como aparentemente desejam os brasileiros revoltados contra a impunidade.
* Almir Pazzianotto Pinto é advogado; foi Ministro do Trabalho e presidente do Tribunal Superior do Trabalho. Autor do livro A Falsa República.
SALVEMOS A CULTURA OCIDENTAL. JOGUE NO LIXO A CARTILHA BUNDALELÊ IMORAL E MENTIROSA QUE A ESCOLA OBRIGA SEU FILHO A LER. - 03/11/2017
O vídeo da Prager University com tradução e legendas do sempre excelente site Tradutores de Direita, que você pode e deve assistir aqui, apresenta uma importante reflexão a respeito da influência britânica no mundo, coisa que a historiografia de viés esquerdista dominante no sistema de ensino descura, quando não reescreve a história adaptando-a a uma narrativa conveniente ao processo comunista dito 'revolucionário' cujo legado tem sido a opressão, a fome (vide a Venezuela e Ciuba) e os assassinatos em massa.
Portanto vale muito a pena ver este vídeo sintético mas que oferece de forma didática informações e reflexões fundamentais para entender os fundamentos da cultura ocidental que vêm sendo vilipendiados sobretudo no que diz respeito à questão moral. Aliás, uma velha tática da doutrinação comunista. Aliás, a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e eleição de Donald Trump nos Estados Unidos são dois eventos que se combinam e constituem os marcos fundamentais dessa batalha em defesa da civilização ocidental que postula manter seus fundamentos culturais, econômicos e políticos, justamente aqueles disseminados pelo velho Império Britânico.
Recomendo também que leiam o texto a seguir dos Tradutores de Direita comentando o conteúdo do vídeo. Informações como estas que jamais aparecerão na grande mídia, muito menos no deletério Fantástico, programa da Rede Globo especializado em promover a lavagem cerebral bundalelê imoral e pervertida. E não permitam que os cérebros de seus filhos sejam conspurcados pelo veneno esquerdista da mentira destilada pelas escolas. Leiam:
Um império surge quando uma nação domina várias outras. Muitas pessoas reagem imediatamente ao som desta palavra por associa-la a opressão, submissão, roubo, etc. A história revela que praticamente nenhum continente esteve imune ao surgimento dos império, nem mesmo a América, que conviveu com o Império Inca, Asteca e Maia. O tema deste vídeo da Prager University diz respeito a influência do Império Britânico e seu legado no mundo que, apesar das nuances, permitiu avanços extraordinários aos países que governou. Entender a influência do Império Britânico, que deixou suas impressões digitais nos territórios que controlou, decorre de entender a história da Inglaterra visto que tamanha influência e poder não poderiam ter existido se não fossem as sólidas raízes de sua cultura.
Talvez o primeiro grande marco para a liberdade tenha começado com a promulgação da Magna Carta, que conferia mais poderes aos aristocratas diante de um rei que tudo podia e que não pagava por seus erros. Mais tarde, na época da dinastia Tudor, o pais foi se consolidando religiosa e militarmente, atingindo por fim, o controle dos mares após derrotar a Incrível Armada espanhola, iniciando ai o seu período de colonização no além-mar. Um pouco mais adiante, as invasões napoleônicas que se alastraram ferozmente pela Europa foram barradas (por terra e mar) pelos ingleses, os únicos capazes de confrontar de igual para igual o exército francês. No entanto, na época, o ambiente cultural já criava raízes na Grã-Bretanha, garantindo o crescimento intelectual, que daria mais tarde origem a revolução industrial e a noção de livre mercado, fatores que mudaram não somente a história econômica do mundo mas também atingiram populações fora do âmbito do Império Britânico. Dentro deste período a veia abolicionista, cultivada por religiosos fervorosos, se tornou realidade, fazendo com que o Império Britânico fosse o primeiro no mundo a proibir a escravatura em seus territórios. A Inglaterra livrou tribos árabes do Império Otomano e acabou dando aval para a criação do moderno Estado de Israel. Lutou contra a opressão e teve um papel preponderante nas duas grandes guerras mundiais, acabando por ceder mais tarde a autonomia, ou liberdade, a vários de seus territórios pondo um ponto final a seu domínio imperial. Mesmo assim, alguns países preferiram permanecer debaixo do cetro da Inglaterra visto que o legado de liberdade já se fazia sentir, sem a necessidade de ressentimentos.
E quais foram essas impressões digitais que os britânicos deixaram por onde passaram? A construção de uma pesada infraestrutura (barragens, portos, estradas-de-ferro, rodovias, pontes, etc) que ainda hoje garantem o funcionamento de várias de suas ex-colônias. A influência da Common Law, cujo sistema permite uma mudança pratica e ativa da lei, que não fica somente nas mãos de reis ou parlamentos, mas também dos tribunais, cujo sistema de casos precedentes desburocratiza boa parte das decisões tomadas adiante. O legado político, filosófico e econômico, que se faz sentir ainda hoje, mesmo em países que estiveram fora de sua alçada. A noção de liberdade religiosa, individualismo e igualdade dos cidadãos perante a lei. A influência cientifica que abriu portas para uma revolução sem precedentes que ainda hoje nos tem guiado para novos mundos e ideias. E muito mais se pode dizer, visto que tentar encaixar séculos de contribuição em um pequeno post nunca fará justiça a rica história e o legado deixado pelos britânicos ao mundo. Não foi à toa que a língua inglesa se sobrepôs ao francês e ao latim com sua hegemonia cultural repercutindo no mundo até os dias de hoje e nesse vídeo, o historiador e autor H.W. Crocker III explica os motivos pelos quais devemos refletir sobre o que aprendemos a respeito do Império Britânico.
UM RÉQUIEM PARA AS BOAS MANEIRAS - 02/11/2017
Aos 9 de abril de 1865, o general Robert E. Lee encontrou o general Ulysses S. Grant na Casa McLean, em Appomattox, Virgínia, com o propósito de entregar a rendição do Exército da Virgínia Setentrional. Lee pedira pelo encontro e preparou-se endossando seu melhor uniforme: uma nova, longa casaca de colarinho alto, abotoada até o topo; um par de botas de cano longo com esporas; ao flanco, uma espada cravejada. Grant compareceu com seu traje rotineiro, o uniforme simples de um soldado comum: casaco curto e liso, botas sem esporas, todo salpicado de lama.
O contraste ao vestir acompanhou o contraste entre os homens: Lee era alto, de porte ereto e igual maneira. Barba e cabelos de um branco prateado circundavam sua face e perfilavam o vulto digno de um rei. Grant era mais jovem e dez centímetros mais baixo, algo encurvado e dotado de uma rala barba castanha. Ele estava claramente pouco à vontade na presença de Lee e, nervoso, tentou estabelecer uma conversação corriqueira. Grant disse lembrar-se ainda muito bem de Lee desde um seu encontro durante a Guerra Mexicana, quase duas décadas antes. Lee confessou não recordar coisa alguma da ocasião. Ouvir a resposta de Lee deve ter sido um momento embaraçoso para Grant.
Essa cena culminante da Guerra Civil Americana foi com frequência citada como o emblema de um divisor de águas históricas: a rendição alegórica do Velho Mundo, com suas personalidades régias, vínculos cavalheirescos e riquezas hereditárias, a um Novo Mundo personificado por Grant, um homem de origens humildes que repetidamente fracassara nos negócios e fez-se, finalmente, ao lutar na guerra (se bem que com esmagadoras vantagens em homens e materiais ao seu lado). E de fato foi assim.
Mas também foi mais. Menos notado é o descuidado desrespeito de Grant por Lee ao deixar de vestir-se apropriadamente para sua reunião. Escusas foram levantadas sobre Grant ter acorrido ao encontro às pressas, pressionado por negócios urgentes; por ter estado, naquela manhã, sofrendo há dias de enxaqueca, e que, consequentemente, “trivialidades” tais como uma própria vestimenta eram as coisas mais distantes de sua mente. Os admiradores de Grant chegam a apontar suas vestes rudes como uma insígnia de honra: aí estava o soldado duro na queda, o americano da fronteira, o verdadeiro democrata, cujo valor se encontrava em sua disposição interior, em sua perseverança, e não na superficialidade de seus trajes, preocupação efeminada de uma era afetada e decadente.
Mas as aparências importam. Quando estudante, o jovem George Washington certa vez realizou um exercício de cópia intitulado “Regras de Civilidade e Bom Comportamento em Companhia e Conversação”, baseando-o em um texto jesuíta do século XVI. No topo da lista de suas cento e dez regras, uma guia-mestra: “Cada ação feita em Companhia há de ser desempenhada com algum sinal de Respeito por aqueles que se encontram Presentes”. Essa máxima presidiu a cultura ocidental desde a Idade Média, exemplificada pelos modos corteses das classes elevadas, onde e quando quer que se encontrassem: dos cavaleiros do reino franco aos nobres elisabetanos, chegando à classe aristocrática do sul americano, por Lee e Washington representada. Aonde as classes altas conduzissem, as demais as seguiam. As boas maneiras comunicavam-se, de forma que o trabalhador comum, na Londres do século XIX, ao usar seus trajes de domingo, tentava emular os hábitos de seus melhores. Cartola e colete podiam ser batidos e de qualidade inferior, mas ele os portava altaneiro, nada obstante.
Hoje, a noção de que o cultivo de boas maneiras deveria ser parte essencial da educação pessoal foi perdida quase por completo. Ela parece ter morrido junto a sua maior defensora contemporânea, Emily Post. “As maneiras são a personalidade”, escreveu Post, “a manifestação aparente do caráter inato e da atitude que alguém tem perante a vida”. Provas de seu falecimento estão por toda a parte ao nosso redor: o uso aberto de linguagem chula pelas ruas, não apenas da parte de uma juventude desleixada e mal-educada, mas por bem-vestidos empresários de meia idade; a estridência em nossos ouvidos de algo equivocadamente tratado como música por seus adeptos desde as janelas dos automóveis; as curvas e mudanças de faixa por motoristas pouco afeitos à cortesia de dar sinal; a violação rotineira de nosso espaço pessoal por transeuntes sem qualquer pedido de desculpas, e, mais óbvio e espantoso, o horrível declínio nos padrões de vestimenta. Com efeito, camisetas, jeans e tênis tornaram-se indumentária padrão para adultos nas “sextas-feiras casuais” do mundo dos negócios, e, ainda mais sofrível, também nas missas de domingo. As pessoas se aventuram de suas casas, saindo a público em pijamas para seus afazeres das manhãs de sábado. Hoje é a classe mais baixa da sociedade a determinar os padrões dos trajes para todos os demais. Jovens adotaram versões exageradas de uniformes presidiários como roupa quotidiana, mormente calças por demais folgadas, vezes tantas usadas tão baixas que suas roupas íntimas (e mesmo o derrière) ficam expostos para todos verem.
A sociedade de boas maneiras começou sua agonia na América durante os anos 1960. O primeiro golpe letal foi-lhe desferido pela Esquerda radical, política e cultural, que pregava serem os paletós, os modos polidos e o asseio pessoal símbolos da opressão das classes médias burguesas. Por sua vez, trajar camisetas tingidas, jeans rasgados, chinelos de dedo, barba desgrenhada e cabelos despenteados sobre a face e a cabeça, ensinava a Esquerda, era a via para produzir a revolução igualitária que corrigiria as injustiças sociais.
A obra iniciada cinco décadas atrás pela Esquerda do espectro político foi exacerbada pela Direita anos depois. Grandemente em resposta às gélidas formas do que ficou conhecido como “politicamente correto”, imposto pelos radicais nos campi universitários, direitistas libertários, a partir dos anos 1990, adotaram o mantra de que “ninguém tem direito a não ser ofendido”. Em uma transformação decisiva do antigo adágio libertário sobre o direito de alguém terminar no direito de outrem, esses novos libertários alegavam que sua liberdade de expressão era completamente independente das sensibilidades religiosas alheias ou do apropriado senso de decoro. Portanto, pornografia, sátiras ultrajantes das crenças religiosas e linguagem grosseira eram aceitáveis em praça pública. A quem se ofendesse por tais coisas, esses libertários pregavam ser problema do ofendido, não do ofensor. Com efeito, os libertários arguiam que seu direito de vomitar o que quisessem pela palavra escrita e falada não era limitado pelos olhos e ouvidos alheios. Diziam aos ofendidos: “—Você que se vire!”
Assim os inimigos das maneiras, tanto à Esquerda quanto à Direita, juntos constituíram os Jacobinos de nossos dias, determinados não apenas a derrubar um sistema injusto de governo, mas a obliterar o próprio tecido social, destruindo para tanto todos os padrões de decoro. Este paralelo com a Revolução Francesa aproxima-nos ao pensamento do grande estadista anglo-irlandês Edmund Burke, para quem os Jacobinos da França estavam, acima de tudo, lançando um assalto às “maneiras”. Por “maneiras”, aqui, Burke entendia algo mais amplo que aquilo hoje entendido. Algo próximo ao costume. Para Burke, os costumes eram quase sinônimos de civilização. “As maneiras são mais importantes que as leis”, escreveu ele. “Maneiras são o que nos atormenta ou apazigua, corrompe ou purifica, exalta ou rebaixa, barbariza ou refina, por uma constante, determinada, uniforme, imperceptível operação, como aquela do ar que respiramos”.
Maneiras – e a própria civilização –, Burke sustentou, dependiam de duas coisas: a religião e o “espírito dos cavalheiros”. Robert E. Lee acreditava no mesmo. Como presidente do Washington College nos anos seguintes a Appomattox, ele reduziu as regras da escola a uma única frase: “Cada estudante deve ser um cavalheiro.” Para Lee e para Burke, um cavalheiro era aquele que demonstrasse virtude cristã, como a incorporada no código medieval de cavalaria, um elaborado sistema de comportamento adequado para com os outros – maneiras no sentido estrito do termo.
A qualidade da humildade cristã reside na raiz da cavalaria. Um cavaleiro cavalheiresco (a palavra “cavalheirismo” compartilhando com “cavaleiro” a mesma raiz, como no francês “chevalier”) humilha-se em sociedade perante todos os demais. Eis como estava vinculado por obrigações não apenas a seu senhor, seu superior, mas para com os mais fracos, especialmente as mulheres, cuja virtude inocente era sua missão proteger, e também para com os pobres, cuja frágil condição era obrigado a aliviar. Basta lembrar de São Martinho de Tours, que famosamente cortou metade de sua capa militar para dar de vestir a um homem que nada tinha. Adotar uma filosofia de individualismo, pela qual é rejeitado o zelo sobre os outros, teria sido inimaginável para o cavaleiro cristão.
É preciso ter em mente quão únicas foram a noção cristã de humildade e sua idéia correlata de cavalheirismo ao longo da história mundial. No antigo mundo pagão, por exemplo, a humildade era considerada um sinal de fraqueza. Igualmente, em muitas sociedades modernas não-cristãs, é esperado dos superiores que sejam rudes com seus subalternos, assim mantendo cada qual em seu devido lugar. Os poderosos, em muitos tempos e lugares, impuseram brutalmente seu jugo como forma de manter o status quo.
Mas o cavalheirismo cristão, Burke acreditava, “faz o poder gentil” e servia para “embelezar e amenizar a sociedade privada”. Ele harmonizava as relações humanas. Sem ele, a sociedade só poderia manter-se pela força bruta e pela racionalidade fria. Ido andaria o calor das corteses relações humanas, corrompida estaria a moral dos homens, e todos seriam reduzidos a escravos.
É claramente impossível delimitar o momento exato quando o declínio do cavalheirismo e das boas maneiras teve início no Ocidente. Burke por certo encontrou o processo bastante avançado na Europa aos tempos da Revolução. “A era do cavalheirismo é finda”, escreveu Burke nas suas Reflexões sobre a Revolução em França. “Aquela dos sofistas, economistas e calculistas há triunfado, e a glória da Europa foi extinta para sempre”. Talvez, na América, o brusco declínio das maneiras tenha começado mais tarde, em um humilde lar ao centro-sul da Virgínia, onde o último cavalheiro do Velho Mundo deitou sua espada em derrota, dando lugar à Nova Ordem Mundial de governo centralizado, capitalismo de compadres e de um narcisista Homem Novo, cuja preocupação principal viria a ser o lucro e a felicidade pessoal, não a piedade e a preocupação humilde pelos demais.
* Tradução de Leonardo Faccioni
** Publicado originalmente por The Imaginative Conservative
*** Reproduzido de http://www.leonardofaccioni.org/
O DONO DO MUNDO - 29/10/2017
No último post, eu citei um livro de David Horowitz lançado em 2010, One-Party Classroom, e também mencionei o maior financiador da esquerda mundial, inclusive da campanha pela legalização das drogas, George Soros, este aí da foto ao lado, de quem também falamos no nosso best seller O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota. Mas é preciso falar mais deles.
Em seu último livro, The New Leviathan, Horowitz mostra que as doações de empresas para os movimentos de esquerda nos EUA somam três bilhões de dólares; para a direita, 32 milhões. Como observou Olavo de Carvalho: “alguém tem alguma dúvida sobre de que lado está o poder econômico?”
Se você ainda tem, ou cai no engodo de que a esquerda é uma pobre coitadinha lutando contra os burgueses malvados de direita, nada melhor que conhecer abaixo a história de George Soros, no excelente resumo “O dono do mundo”, escrito pelo meu amigo e, assim como eu, autor contratado pela Editora Record, Alexandre Borges, publicado originalmente em seu blog no Facebook, no dia do aniversário de Soros, e depois no Mídia Sem Máscara, do qual é colaborador.
Leia e mostre este texto (com notas, links e grifos meus) para aqueles seus amigos que não têm a menor ideia de onde vêm e quem financia as ideias em que eles acreditam. Vale dizer que isto inclui não só os amigos de esquerda, mas também os daquela parte de uma autointitulada direita, que inadvertidamente pensa com a cabeça de Soros. [FMB]
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Há 84 anos, em 12 de agosto de 1930, nascia em Budapeste Schwartz György, depois renomeado George Soros, o mais bem-sucedido gestor de fundos multimercados da história.
Ele nasceu numa família de judeus não praticantes numa época conturbada em que a Hungria, durante a década de 30, tinha estreitas relações com a Alemanha nazista e a Itália fascista. Em 1940, o país entrou formalmente no Eixo, permanecendo até o fim da Segunda Guerra. Temendo que a família fosse perseguida e eventualmente morta, o pai de George Soros subornou um oficial húngaro para que ele hospedasse George dentro de sua casa e apresentasse o rapaz como seu afilhado cristão. A função deste funcionário do governo húngaro, de nome Baumbach, era encontrar judeus, denunciar para as autoridades responsáveis pelas deportações para campos de concentração e confiscar seus bens. Em muitas dessas ações, o jovem George, rebatizado como Sandor Kiss, acompanhava o padrinho. Sobre isso, numa entrevista para a CBS em 1998, Soros disse que era um mero espectador e não sentia qualquer remorso, além de revelar que foi o período mais feliz da sua vida porque, mesmo com tanto sofrimento em volta, ele se sentia protegido.
Com 17 anos, George Soros se muda para Londres e mais tarde nasce o financista. Em 1959, vai para Nova York e, dois anos depois, consegue a cidadania americana. Ele vive intensamente os anos 60 nos EUA e a contracultura, que marcaram sua visão de mundo para sempre. Nessa época, fica íntimo do autor socialista Michael Harrington e passa a frequentar seu círculo de amigos. O livro mais conhecido de Harrington, o libelo esquerdista The Other America, foi lido e elogiado publicamente pelo presidente democrata Lyndon Johnson, que ele dizia ter influenciado seu governo e suas ideias de redistribuição de renda via estado.
Em 1992, ficou mundialmente famoso por ter “quebrado” o Banco da Inglaterra, faturando na operação 1 bilhão de euros. Assim como sua carreira como financista é conhecida, sua influência política é ignorada ou abafada. Neste mesmo ano de 1992, Soros confessa que seus gastos com suas fundações para influenciar a política e a sociedade já ultrapassava US$ 300 milhões anuais.
Seu principal executivo na Soros Foundation Network era ninguém menos que Aryeh Neier, fundador da Students for a Democratic Society (SDS), o maior e mais radical grupo de esquerda dos EUA nos anos 60, do qual uma dissidência nasceu o Weather Underground, grupo terrorista de inspiração comunista liderado por Bill Ayers, o lançador da carreira política de Barack Obama. Atualmente, Ayers se tornou especialista em educação e suas idéias estão ajudando a implementar nos EUA o Common Core, o polêmico sistema integrado e unificado de padronização educacional do país comandado pelo governo federal. [Nota de FMB: ver meu artigo “A verdadeira insanidade“.]
Soros é, possivelmente, o indivíduo sem cargo eletivo mais influente do mundo. Possuidor de uma fortuna pessoal estimada em US$ 13 bilhões e administrando US$ 25 bilhões de terceiros, é tão poderoso no Partido Democrata americano que no programa humorístico Saturday Night Live foi chamado de “dono” do partido. E na prática não é nada muito diferente disso. Dentro do Partido Democrata, candidatos independentes, não ligados a Soros, são cada vez mais raros.
Rebuilding Economics: George Soros se vê como um missionário das próprias utopias e não conhece limites para usar sua fortuna quase sem paralelo para influenciar a política, a imprensa e a opinião pública em diversos países, especialmente os EUA. Como ele mesmo disse, “minha principal diferença de outros com uma quantidade de recursos acumulados parecida com a minha é que não tenho muito uso pessoal para o dinheiro, meu principal interesse é em ideias.” Soros também revelou que seu sonho era escrever um livro “que durasse o mesmo que nossa civilização” e que ele valorizaria isso mais do que qualquer sucesso financeiro. Ele já lamentou que mudar o mundo é muito mais difícil do que ganhar dinheiro.
Num livro de 1987, disse que já tinha se achado uma espécie de deus mas que depois se convenceu que seria mais como uma mistura de John Maynard Keynes com Albert Einstein.
Sua ideias políticas incluem uma oposição à supremacia política e econômica dos EUA, que ele considera um impeditivo para a criação de uma sociedade “global”, com interesses comuns e supranacional. Num livro de 2006, afirmou que os EUA são a grande fonte de instabilidade do mundo. Segundo ele, os americanos são nacionalistas demais e ignoram os principais problemas do planeta, que poderiam ser resolvidos com “cooperação internacional”. Para ele, se os EUA não forem o tipo “correto” de líder mundial, o país vai se autodestruir.
Não por acaso, Soros é um grande entusiasta da zona do Euro e sonha com uma integração política na Europa sucedendo a integração econômica, mesmo que sem acabar formalmente com os estados nacionais, mas transformando todos em satélites dessa “sociedade aberta”. Ele crê que as nações são fontes eternas de instabilidade e só a criação de instituições supranacionais poderá trazer equilíbrio ao mundo, o que ele chama de “aliança”. A ideia é um pesadelo para qualquer democrata, mas uma utopia desejável para mentes fanáticas. O pai de George Soros, Tivadar, era um entusiasta do Esperanto, uma risível tentativa de criação de um idioma global.
Soros defende também que, a despeito dos bons resultados econômicos do capitalismo, o sistema de livre mercado é incompetente para resolver desigualdades sociais, o que é uma mentira facilmente demonstrável. Não há um único ranking da The Heritage Foundation que não prove, ano após ano, que os países mais livres são não só os mais prósperos mas também os que provêm mais riqueza e mobilidade social para os cidadãos de baixa renda [Ver: http://www.heritage.org/index/].
Na visão de Soros, o empreendedorismo é algo falho e incompleto e que deveria ser substituído pela idéia de “empreendedorismo social”, uma mistura entre a busca de lucros e “justiça social”. Alguma diferença do que pensa Barack Obama? Não que eu saiba. Soros acredita também que o terrorismo deve ser combatido com mais diplomacia e medidas pontuais, que levem em consideração as motivações e reivindicações dos terroristas, e é radicalmente contra ações militares para o combate ao terror. Alguma diferença do que pensam vários bocós, inclusive da direita? Não que eu saiba.
Sobre Israel, ele diz que não é um sionista e que a questão palestina deveria ser resolvida também com mais diplomacia, citando as tentativas de Jimmy Carter e Bill Clinton, que teriam sido torpedeadas por conta de um lobby poderoso da American Israel Public Affairs Committee (AIPAC), a principal associação pró-Israel dos EUA. Alguma diferença do que pensam vários “analistas isentos” da imprensa que culpam Israel por tudo de ruim que acontece no Oriente Médio? Não que eu saiba.
[Nota de FMB: Em 2003, Soros culpou Israel e os EUA pelo “ressurgimento do antissemitismo na Europa”: “As políticas do governo Bush e da administração Sharon contribuem para isso. Se mudarmos essa direção, em seguida o antissemitismo também vai diminuir”. Agora, onze anos depois, o garoto de recados de Soros, Jeremy Ben Ami, da organização americana anti-Israel J Street, repetiu o discurso do patrão, dizendo que Israel estava “abanando chamas crescentes de antissemitismo”. Sobre esses embustes, ver o meu post “Por que a esquerda odeia Israel” e toda a minha cobertura do conflito em Gaza: aqui.]
Há 30 anos, Soros mantém a Open Society, nome tirado de um livro de Karl Popper. A Open Society é uma ONG bilionária destinada a influenciar a opinião pública e a política no mundo. Ela está presente em mais de 70 países é tão poderosa que, em alguns regimes, é considerada um “governo informal”.
Nos EUA, mantém o poderosíssimo Media Matters, que dá o tom de praticamente toda imprensa americana, além de ser o principal financiador do The Huffington Post, um ícone da esquerda mundial. A Open Society é inspirada pela idéia do filósofo francês Henri Louis Bergson que acreditava num mundo com valores morais “universais” e não de sociedades “fechadas”, o que influenciou vários pensadores que até hoje criticam os ideais do pais fundadores da nação americana e do “excepcionalismo americano”.
[Nota de FMB: Ver também no MSM o artigo sobre a Open Society e os planos de Soros para influenciar a opinião pública, “Project Syndicate: o oráculo de George Soros“; e na Folha, “Quem paga a conta“, sobre alguns dos tentáculos de Soros na América Latina, inclusive no Brasil.]
As agendas políticas promovidas e patrocinadas financeiramente por George Soros e suas fundações partem do princípio de que os EUA são uma nação opressora e violadora dos direitos humanos, que suas ações militares são fruto de racismo e intolerância com outros povos, o que seria, na avaliação de Soros, algo historicamente relacionado à sociedade americana. Muitas dessas fundações e ONGs constantemente pautam a imprensa com denúncias contra o governo dos EUA, muitas delas promovendo processos judiciais contra o país.
Soros financia também inúmeros grupos defensores de “valores progressistas”, de “redistribuição de renda”, o que inclui o recrutamento e treinamento massivo de candidatos a cargos eletivos, militantes, ativistas e lobistas. A ideia central é expandir ao máximo os programas assistencialistas e o welfare state para corrigir o que ele vê como “imperfeições” do capitalismo. Algumas dessas organizações miram diretamente na imprensa, no sistema judiciário, o que inclui a formação de juízes, e em instituições religiosas, treinando clérigos.
Outras agendas políticas importantes incluem a flexibilização das fronteiras dos EUA e facilitação das regras de imigração, além de oposição a toda ação militar americana (classificadas como “imorais” e desnecessárias), cortes no orçamento militar, ambientalismo e ativismo feminista radical, mais poder para organizações globais como a ONU, legalização das drogas e da eutanásia,“antissionismo”, além do financiamento bilionário de candidatos do partido democrata.
[Nota de FMB: Soros, como não poderia deixar de ser, também financia o movimento abortista. Sobre o tema, ver meus posts “O filme que o Bonequinho do Globo não quer que você veja“, “Vamos educar contra o aborto” e também o capítulo “Aborto” do nosso best seller.]
Ele também financiou vários movimentos revolucionários e insurgentes no mundo. Nos anos 90, se orgulhava de ter patrocinado a derrubada de governos como os de Vladimir Meciar, Franjo Tudjman e Slobodan Milosevic. Na Geórgia, ajudou a derrubar o governo de Eduard Shevardnadze. Na Ucrânica, é associado a grupos que lutam contra a dominação russa. Pode parecer um contra-senso, mas Soros é um opositor das nações “isoladas” e sonha com um mundo “aberto”, sem fronteiras, por isso apoia a esquerda no Ocidente e é opositor dela na Ásia.
Soros é tão próximo de Bill Clinton que alguns dos mais importantes ocupantes de cargos públicos no seu governo são considerados indicações diretas dele. Em 2004, gastou tudo que podia para tentar impedir a reeleição de George W. Bush mas não conseguiu.
Em dezembro de 2006, George Soros recebeu Barack Obama em seu escritório em Nova York. Duas semanas depois, Obama revelou que seria candidato a presidente dos EUA e, uma semana depois, George Soros anunciou publicamente que apoiava sua indicação nas primárias contra Hillary Clinton, o que parecia uma maluquice na época. O resto é história. Hoje ele apoia Hillarypara a próxima eleição presidencial.
O número de fundações, ONGs, sindicatos e veículos de comunicação que recebem dinheiro de George Soros ou de suas fundações é tão vasto que só um incansável pesquisador como David Horowitz para catalogar e publicar no seu portal “Discover the Networks”. Se você tiver curiosidade, é só clicar aqui.
[Alexandre Borges]
* Publicado originalmente em Veja.com no dia 17 ago 2014,
TEMPO DE DÚVIDAS - 25/10/2017
“A civilização brasileira, como a personagem de Machado de Assis, chama-se veleidade, sombra coada entre sombras, ser e não ser, ir e não ir, a indefinição das formas e da vontade criadora” - Raymundo Faoro.
Tudo indica que nossa veleidade se acentuou neste quase admirável mundo novo Ocidental, no qual o ser humano se desestabiliza, se angustia e se perde nas dúvidas. Prevalece a ditadura da esquerda, não a do proletariado porque essa não vingou, mas do politicamente correto através do qual ser tachado de intolerante, preconceituoso, conservador, estigmatiza quem ousa ostentar tais características.
Não é possível relembrar em um pequeno artigo as teorias de Marx e Engels, passando por Lenin e Stalin até chegar à Antonio Gramsci e Louis Althusser que enfatizaram a importância das superestruturas. Porém, há um pensamento comum entre eles que está sendo utilizado atualmente.
Marx e Engels enfatizarem a importância fundamental do que chamaram de infraestrutura (base econômica, modos de produção). Também pregaram o fim da propriedade burguesa, da liberdade e da individualidade burguesas, da família burguesa, da moral e da religião burguesas, que são as superestruturas, para que estas se harmonizassem com a infraestrutura.
Gramsci distinguiu na superestrutura a “sociedade política” e a “sociedade civil”, sendo que esta última se assenta na persuasão e diz respeito à ideologia em todos seus aspectos (religião, filosofia, direito, ciência, arte, cultura, etc.) e às instituições que as criam e difundem (escolas, igrejas, meios de comunicação). Como a sociedade civil, na visão do pensador é “primitiva e gelatinosa”, a revolução socialista pode se limitar ao essencial: apropriar-se do aparelho coercitivo do Estado e em seguida desenvolver uma verdadeira sociedade civil em harmonia com a infraestrutura.
Observe-se que Louis Althusser voltou ao tema e apresentou o problema da autonomia relativa das superestruturas, que chamou de aparelhos ideológicos do Estado (A.I.E), como o religioso (Igreja), o educacional (escolas, universidades), o familiar, o jurídico, os partidos políticos, o sindical, a mídia, o cultural (teatro, belas artes, literatura).
Destaca-se, segundo Althusser, a escola, que tem posição privilegiada por inculcar a ideologia dominante desde a infância. Donde se conclui, que será fundamental que o Aparelho repressivo do Estado domine completamente os Aparelhos ideológicos.
O que acontece hoje mostra que a esquerda não desapareceu sob o fracasso soviético ou debaixo dos escombros do Muro de Berlin. Revive através de táticas mais sutis, baseadas na superestrutura e a escola se torna o grande foco através do qual se pode despersonalizar a delicada mente em evolução de crianças e jovens através do ensino da permissividade, da amoralidade, da dúvida sobre o sexo.
Afrouxam-se, assim, normas sociais consensuais e intuições da consciência são neutralizadas para que não mais se distinga entre o certo e o errado. Abole-se diferenças entre os sexos e decreta-se que não existem mais meninos e meninas. Isso é ensinado em escolas “moderninhas” em obediência a diretrizes do MEC.
Imagine-se as futuras gerações que poderão advir desse processo, despersonalizadas, problemáticas, cheias de dúvidas, sem parâmetros morais em que possam se amparar. Entusiasmados, os sub-humanos servirão ao Estado totalitário comunista com fervor e sujeição. Será algo que nem Marx em toda sua imaginação poderia conceber. Especialmente, se a tecnologia e a ciência, que avançam com grande rapidez, forem apropriadas pelo partido único ou dominante, ou melhor, pela nomenclatura.
Alguns dirão que incursionei na ficção científica. Será? Especialmente durante o governo petista foi concreto e não ficcional o incessante trabalho feito nas escolas junto às crianças e jovens no tocante a chamada ideologia de gênero. Nisso se notabilizou o então ministro da Educação, o petista Fernando Haddad.
Nas universidades se acentuou a doutrinação de esquerda, feita não por “intelectuais orgânicos” oriundos do proletariado como profetizou Gramsci, mas por professores da classe média convertidos ao petismo ou docentes oportunistas que se intitulam petistas para obter os privilégios e regalias que só são dados aos companheiros.
No tocante a destruição da família composta por mãe, pai e filhos, impressiona a doutrinação homossexual feita através de novelas, revistas e jornais. Destaca-se a TV com sua poderosa influência sobre comportamentos, costumes e valores, que antes eram transmitidos pela família e pela religião, instituições que aos poucos vão perdendo a capacidade educativa e de influência.
E eis que surge uma especial “arte” com seu apelo à zoofilia, à pedofilia, à homossexualidade.
Nesse tempo de dúvidas, algo também se desenvolve sobre o que se denomina de esquerda e de direita. Permanece a dicotomia do “nós contra eles”, mas à luta de classes difícil de ser levada à efeito, foi substituída pela luta racial (negros contra brancos), pela luta de “gêneros” (heterossexuais contra homossexuais) e outras esquisitices, mantendo assim a chama do ódio entre os contendores.
Ser de esquerda, como reza o politicamente correto, é ser intrinsecamente bom, a favor do aborto, antissemita, contra os Estados Unidos, defensor de ditaturas venezuelana como a cubana, a venezuelana, etc. e ser amoral.
A direita é classificada sempre de radical, fascista, intolerante, preconceituosa, conservadora, atrasada.
Mas nem a esquerda nem a direita como são taxadas, existem. Quando pessoas se revoltam contra a manipulação mental de seus filhos ou da dita arte, não são de direita, mas expressam seus valores morais e religiosos.
No momento a esquerda brasileira conta com a volta de Lula da Silva para se consolidar. O futuro dirá se queremos ser escravos de nós mesmos.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
HISTÓRIAS DE PRESTES E MEMORIAL - 23/10/2017
Cogita-se agora de inaugurar em Porto Alegre um memorial ou monumento a Luiz Carlos Prestes, obedecendo a um projeto assinado pelo seu correligionário Oscar Niemeyer. Poucas vezes se viu ideia tão desarrazoada quanto essa, e mais afrontosa à grande maioria dos cidadãos porto-alegrenses. Salvo durante um triênio, entre 1924 e 1927, quando as guerrilhas de sua coluna rebelde geraram uma lenda de habilidade tática e de invencibilidade, Prestes nunca empolgou a opinião pública. Depois, no auge da fama de grande tático, quando dele se esperava que assumisse a chefia militar da revolução de 1930, defraudou as esperanças, desviou os mil contos de réis que recebera dos líderes do movimento e aderiu ao comunismo de Stálin.
As ferramentas do Partido Comunista, o culto à personalidade, mais o texto brilhante de Jorge Amado, criaram para ele a imagem do Cavaleiro da Esperança, que, por algum tempo, seduziu parcela da juventude e da intelectualidade brasileiras (inclusive este desavisado articulista, quando muito jovem). A condenação pelo Tribunal de Segurança Nacional e a entrega de sua mulher à Gestapo de Hitler alimentaram a infalível piedade vitimista, para orná-lo com uma auréola de mártir. Mas esse pseudomártir e herói fabricado nunca foi unanimidade e desde a década de 1930 sempre foi discutido, não apenas pelos conservadores, senão também pelos inúmeros dissidentes da esquerda, trotskistas, socialistas democráticos e trabalhistas.
Luiz Carlos Prestes não se trata, portanto, de um herói esquecido, de molde a justificar a ereção de um memorial. Mesmo que tenha subido por um momento aos altares da fama, logo caiu deles, causou graves prejuízos ao Brasil com o levante armado de 1935, dando forte pretexto para a implantação do Estado Novo de 1937 e, quando o Partido Comunista obteve sua legalização em 1945, logo deu mostras de total inabilidade política, arrastando o Partido outra vez para a clandestinidade e para a perda dos mandatos parlamentares que havia conquistado.
Colocando os pingos nos “is”, Prestes não passou de um produto perverso do tenentismo das décadas de 20 e 30, agravado pela adesão ao criminoso stalinismo, que ele jamais repudiou, mesmo depois de revelados todos os seus crimes. Nem ele nem seus parceiros da chamada Coluna Invicta jamais foram intérpretes ou mensageiros da democracia. Não se conhece dele um texto de discurso ou de manifesto que ficasse imune ao sectarismo, ou que trouxesse ideias originais para a solução dos problemas brasileiros. Foi sempre, e apenas, um porta-voz da Internacional ou do Cominform, obediente repetidor das fórmulas e ditames do partido soviético.
Talvez a melhor criação do líder comunista haja sido essa filha, Anita Leocádia, cuja entrevista apareceu na Zero Hora do dia 5 de janeiro. Embora fazendo, obviamente, a defesa do pai e de sua memória, não exagerou na dose e, como estudiosa de História, admitiu verdades que antes nenhum prestista admitia, como os homicídios ordenados pelo Comitê Central e referendados por Prestes. Na entrevista, a historiadora nos promete agora uma biografia política do pai, o que deve ser aguardado com algum interesse, apesar de sua natural suspeição.
* Historiador
* Publicado originalmente em Zero Hora do dia 11 de janeiro de 20143
OUTUBRO DE 2017. CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO BOLCHEVIQUE - 22/10/2017
Em outubro de 2017 a Revolução Bolchevique que introduziu o regime marxista na União Soviética completará cem anos. Não será uma data de celebração e sim de recordação da memória de como um punhado de fanáticos russos atropelou o recém-nascido projeto democrático em andamento implantado em março do mesmo ano.
Abrindo um parênteses explicativo, o termo ‘bolchevique’ significa ‘maioria’, em contraposição ao termo ‘menchevique’, que significa minoria. A partir de 30 de junho de 1903, quando o Partido Operário Social-Democrata (POSDR, na sigla russa), durante o seu segundo congresso, em Bruxelas, elegeu Georgi Plekhanov como seu presidente, o partido começou o processo de racha completado em 1907. O resultado foi a emergência de duas principais facções: a dos bolcheviques e a dos mencheviques. Embora mantivessem o denominador comum de derrubar o regime do czar e destruir o capitalismo, os mensheviques, liderados por Yuliy Osipovich Tsederbaum (1873-1923), conhecido como Julius Martov, eram bem mais moderados do que os bolcheviques, liderados por Vladimir Ilyich Ulyanov (1870-1924), conhecido como Lenin, pois pensavam democraticamente, tinham escrúpulos quanto ao uso de violência, e aceitavam negociar com os liberais.
Não foram os bolcheviques que derrubaram a monarquia russa e sim um grupo de descontentes que incluía liberais e mencheviques. O líder menchevique que teve um papel importante na Revolução de Março de 2017 era Nikolay Chkheidze (1864-1926), um professor que havia sido eleito para o Duma (o parlamento russo) durante a década de 1880s, e que ocupava o cargo de Presidente do Petrograd Soviet (Presidente da câmara de vereadores de Petrograd ou São Petersburgo).
Lenin encontrava-se hospedado numa pensão em Zurique quando ficou sabendo da queda do regime do czar. A fim de que ele, sua esposa e seus aliados mais chegados pudessem retornar à Rússia, era necessário cruzar a Alemanha, uma nação inimiga da Rússia. Como os seus pedidos de ajuda ao governo da Suíça e ao Governo Provisório da Rússia não deram resultados, Lenin então usou uma artimanha de influência e mentiras. Ele telegrafou a um amigo em Estocolmo pedindo ao mesmo que mandasse uma mensagem a Chkheidze, demandando a ajuda deste para o retorno de mencheviques exilados. O estratagema deu resultado. O embaixador da Alemanha na Suíça foi contatado, o qual conseguiu um salvo-conduto para que os exilados atravessassem a Alemanha, com a condição de que ninguém desembarcasse naquele país nem se comunicasse com ninguém de fora. Escoltados por um representante do governo suíço, Lenin, a esposa e cerca de trinta exilados russos, nenhum deles menchevique, partiram da Suíça no dia 8 de abril, chegando a Petrograd no dia 16 de abril.
Ao chegar a Petrograd, Lenin encontrou-se com Chkheidze dentro do antigo palácio do czar, quando este lhe disse:
“Camarada Lenin”, “em nome do Petrograd Soviet e de toda a revolução, seja bemvindo à Rússia… mas nós julgamos que levando em conta a situação presente, a principal tarefa da democracia revolucionária é defender a nossa revolução contra todo tipo de ataque, tanto de dentro quanto de fora… Nós esperamos que se junte a nós na luta por este objetivo”.
Lenin não respondeu a Chkheidze, mas caminhou na direção de uma janela e de lá ele falou para uma pequena multidão que se encontrava do lado de fora. No seu discurso ele afirmou que a revolução que haviam feito era apenas o primeiro passo de outra que estava por vir a fim de abrir as cortinas da nova época. E depois de sair do palácio, Lenin passou a atacar sem descanso o Governo Provisório.
O ocorrido acima é uma mostra das táticas de mentir, enganar e trair que caracterizaram o ethos dos revolucionários bolcheviques. Entretanto, muitos outros pormenores acerca de Lenin foram descobertas desde a que os arquivos soviéticos foram disponibilizados a partir da última década do século XX. Um dos fatos mais relevantes foi o fato de Lenin ter recebido dinheiro do inimigo (Alemanha), tornando-se de fato um traidor de seu próprio país.
Um dos autores que fez bom uso dos arquivos soviéticos disponibilizados é Sean McMeekin, um premiado historiador americano e professor da Universidade de Kok, na Turquia. Ele acaba de publicar ‘The Russian Revolution. A New History’, pela editora Profile. Segundo McMeekin, Lenin tido pouco impacto político na Rússia se não tivesse recebido ajuda financeira da Alemanha. Quando os bolcheviques retornaram do exílio eles compraram uma gráfica por 250 mil rublos (equivalente a cerca de 13 milhões de dólares em dinheiro de hoje), o que permitiu que imprimisse uma quantidade inimaginável de materiais de propaganda revolucionária. É óbvio que tal propaganda disseminou sedição entre a gentalha ignorante tanto da cidade quanto do campo. O dinheiro inimigo permitiu que os bolcheviques batessem de frente contra o Governo Provisório. Entretanto, o contrapeso que mudou o jogo a favor de Lenin foi a promessa bolchevique de acabar com a guerra já, mesmo passando por cima do interesse nacional da Rússia. Segundo McMeekin, Lenin sabia que não poderia vencer a eleição marcada para janeiro de 1918, e portanto planejou uma revolução para outubro de 1917. A Revolução de Outubro, como ficou chamada, derrubou o Governo Provisório do então Primeiro Ministro Alexander Fyodorovich Kerensky (1881-1970).
O historiador britânico Robert Service (1947-), um dos maiores especialistas da história da União Soviética e autor de extensas biografias de Vladimir Lenin, Joseph Stalin e Leon Trotsky. Conforme escrevi na minha resenha da trilogia de Service (PortVitoria 4, Jan-Jun 2012), a minha resenha da trilogia de Service):
“Dentro da característica humana de ‘querer melhorar o mundo’ há duas distintas predisposições, uma revolucionária e outra reformista. A predisposição revolucionária difere da predisposição reformista pelo fato de aceitar a violência como meio de se chegar ao fim desejado, e inclui valores totalmente alheios ao humanitarismo. Tal comprometimento cego com o fim faz da predisposição revolucionária um distúrbio de personalidade. Como mostra a psicologia, os distúrbios de personalidade são invariavelmente complexos, isto é, tendem a vir acompanhados de outros distúrbios. A predisposição revolucionária era denominador comum de Lênin, Stalin e Trotsky. Esta foi alimentada pelo Marxismo, doutrina que passou a dominar no meio intelectual da Rússia desde a década de 1890, apesar de que a Rússia daquela época, e mesmo a das duas primeiras décadas do início do século vinte, tinha uma economia medieval, bem diferente do sistema capitalista que segundo Marx incitaria a revolução dos trabalhadores. As três biografias estão lotadas de exemplos de comportamentos que evidenciam valores marginais e distúrbios psicológicos”.
Que o centenário da Revolução Bolchevique seja uma lição negativa de história para todos os que dão valor à democracia e à liberdade.
* Joaquina Pires-O’Brien é brasileira residente na Inglaterra e editora da revista PortVitoria, de generalidades, cultura e política (www.portvitoria.com). O seu e-book de ensaios O homem razoável (2016) encontra-se à venda na Amazon
A PRISÃO DA VERDADE - 19/10/2017
* O autor é Promotor de Justiça no RS
No dia 12 de setembro de 2017, o ex-diretor do Departamento Penitenciário Nacional, as três coordenadoras técnicas dos relatórios do Infopen e o Diretor-Presidente do Fórum de Segurança Pública publicaram artigo intitulado “A Fé no Encarceramento como Solução para a Violência e Criminalidade no País”, a fim de deslegitimar o artigo de minha autoria intitulado “O Mito do Encarceramento em Massa”.
Os autores da resposta afirmaram que o artigo desafiava a lógica, de modo a “querer legitimar a todo custo sua tese de que o aumento do encarceramento constitui a grande solução para o problema da violência e criminalidade”. Já nesse primeiro ponto, verifica-se a preocupação dos responsáveis pela coleta de dados prisionais em descaracterizar o estudo apresentado, utilizando-se de usual estratégia de atacar o autor, e não o conteúdo propriamente dito. Em vez de se debruçarem nos números trazidos, baseado em dados objetivos, demonstraram ao público seu viés ideológico: preocuparam-se em confirmar a qualquer custo a tese de hiperencarceramento no Brasil, negligenciando a análise aprofundada e isenta da situação prisional, inclusive, eximindo-se da obrigação de prestar contas acerca da omissão na coleta de dados sobre o tempo médio de prisão no regime fechado para cada preso brasileiro, denunciada em nosso estudo.
Após, afirmam os autores que “distancia-se do bom senso” a exclusão dos apenados em regime semiaberto, o qual “guarda características arquitetônicas e operacionais típicas do regime fechado”. Explica-se, em larga medida o caos nos presídios quando os responsáveis pelo Sistema Penitenciário Brasileiro afirmam categoricamente que os regimes fechado e semiaberto “possuem similaridade”, com o fito de corroborar a tese do encarceramento em massa. Ora, a realidade criada pelos autores é de que “os presos no semiaberto encontram-se em situação de confinamento e, apenas em pequena escala, são autorizados a ausentar-se da unidade penal para trabalhar”.
Dessa forma, pergunto: por que isso não foi confirmado em números? Por que continuarmos discutindo narrativas, em vez de dados objetivos? Por que o penúltimo relatório de junho de 2014 refere que 25% do total de presos (todos os regimes) exercem trabalho externo, sem demonstrar de forma individualizada o percentual dos apenados do regime semiaberto?
A resposta é encontrada através de uma leitura global do referido relatório. Ele aponta que apenas 15% dos apenados se encontravam em regime semiaberto e outros 3% em regime aberto; portanto, percentual menor do que o total de presos que exercem trabalho externo (25%). Ou o relatório novamente mostra falhas consideráveis, ou fica revelado que a maciça maioria dos apenados do regime semiaberto exerce trabalho externo, ao contrário do alegado pelos desencarceradores que formularam o próprio relatório. Afinal, o trabalho externo no regime fechado é praticamente inexistente em solo brasileiro (ante a notória falta de recursos humanos para a necessária fiscalização contra a fuga - art. 36 da Lei de Execuções Penais). Cumpre reafirmar, pois, a regra da liberdade para os apenados que disserem trabalhar ou estudar durante o dia (sem qualquer fiscalização), além do direito às saídas temporárias, gozado especialmente durante feriadões, em irrestrita liberdade. Quem desconhece o exemplo paradigmático de Suzane Richtofen, em gozo de saída temporária durante o dia das mães?
Realmente não há como discordar da afirmação dos autores: “Em estatística é comum a afirmação de que, sob tortura os números confessam qualquer crime”.
A fim de exemplificar a evidente falsa percepção da realidade, a Superintendência dos Serviços Penitenciários do Estado do Rio Grande do Sul, responsável administrativamente pelas prisões nessa unidade federativa, respondeu ao veículo de comunicação que não tinha “obrigação de fiscalizar presos do regime semiaberto, já que o entendimento é que eles estão a um passo da liberdade”. Na mesma reportagem, veiculada no ano de 2016, apurou-se que 27% das prisões nas Delegacias são provenientes de foragidos do semiaberto.¹
É espantoso que o Diretório Penitenciário Nacional tenha sido comandado por quem desconhecesse a realidade prisional, buscando apenas fomentar antidemocrática e ilegalmente o ativismo desencarcerador (hipótese não contemplada ao Departamento Penitenciário Nacional, nos termos do art. 72 da Lei de Execuções Penais). Lamenta-se, por conseguinte, as afirmações dos que outrora foram responsáveis por órgão tão relevante ao sistema prisional brasileiro. A Nação, especialmente as incontáveis vítimas (algumas que não se encontram mais entre nós) dos apenados do regime semiaberto, merecia pedidos sinceros de escusas pelo Ministério da Justiça e pela Presidência da República.
Ainda, os desencarceradores acusaram o autor de falta de bom senso, quando excluiu apenados do semiaberto na comparação em nível global.
Em verdade, a falta de bom senso advém de quem desconhece ou omite que o Brasil detém sistema progressivo leniente, o qual permite, por exemplo, que um assaltante portando arma de fogo (latrocida em potencial) inicie o cumprimento da pena em regime semiaberto e progrida de regime com apenas um sexto de pena cumprida. Por outro lado, na pesquisa dos poucos países do mundo civilizado que adotam o sistema progressivo, tal como o nosso vizinho Argentina, bem como a Espanha (penas maiores de 5 anos), é permitido o deferimento da semiliberdade somente após o cumprimento de metade da pena. Sem contar os países que não adotaram o sistema progressivo (maioria dos países europeus e dos de tradição anglo-saxônica). No próprio Mercosul, vizinhos de mesma tradição latina, tais como Chile e Uruguai, não adotaram o sistema progressivo e permitem o livramento condicional depois de cumprimento entre metade a dois terços da pena.
A título de observação, adotando-se o critério dos desencarceradores (englobando-se os apenados de todos os regimes), consoante dados do Conselho Nacional do Ministério Público, o Brasil figura em 42º lugar, com 274 presos a cada cem mil habitantes. Ou seja, taxa de encarceramento muito inferior ao número de 306 presos a cada cem mil habitantes, como afirmado no relatório do Infopen.
Quanto à questão dos presos provisórios, resta pouco a comentar, apenas reafirmar os índices e os comparativos trazidos pelo artigo “O Mito do Encarceramento em Massa”, que apenas reproduziu o comparativo global. Pontua-se apenas que, em vez de contrariar os apontamentos, os responsáveis anteriores pelo Infopen acabam por confessar que a estimativa de 40% de presos provisórios não passava de um palpite, sem qualquer referência real que lhes servisse de lastro.
Depois de confessar o palpite, surpreendentemente criticam os critérios adotados por este autor: “Para as edições de 2014, o formulário de coleta e toda a metodologia do estudo foram cuidadosamente discutidos com mais de uma dezena de pesquisadores da área. (...) A revisão metodológica realizada em 2014 buscou atender às regras de inferência científica para melhoria da confiabilidade, validade, rigor e integridade dos resultados através da transparência dos procedimentos de coleta e análise dos dados”. Não há dúvida, portanto, de que essa afirmação destina-se somente àqueles que ousam divergir dos ativistas do desenceraceramento, pois conforme consta na página oito do relatório do Infopen de junho de 2014: “Os diagnósticos realizados e divulgados nesse relatório não esgotam, de forma alguma, todas as possibilidades de análise. A publicação dos dados em formato aberto, pela primeira vez na história do Departamento Penitenciário Nacional, permitirá a livre interpretação dos dados a partir dos mais diversos olhares e perspectivas, com análises críticas que poderão somar à compreensão da realidade prisional brasileira”.
Salta aos olhos a inaptidão dos autores para analisar a grave questão criminal brasileira quando - para referendar a ineficácia da prisão – afirmam que “paira a certeza de que as velhas fórmulas utilizadas nos últimos 30 anos não têm se mostrado eficazes”, sem perceberem que “as velhas fórmulas” são justamente aquelas por eles defendidas de maneira hegemônica há cerca de 30 anos, período no qual o número de assassinatos no Brasil saltou de 11 para quase 30 por cem mil habitantes.
Os autores apenas referendam outro falso mantra: o do punitivismo penal. Ignoram, a toda evidência, estudos fundamentais como o exemplar trabalho acadêmico intitulado “O Caráter Polifuncional da Pena e os Institutos Despenalizadores: Em Busca da Política Criminal Do Legislador Brasileiro”, de Jônatas Kosmann, que mapeou os intervalos de penas previstos em 1050 tipos penais. Conclusão: 50,67% das penas no Brasil comportam transação penal, 24,10% comportam suspensão condicional do processo, outras 3,42% admitem a substituição por penas privativas de direito e apenas 2,67% (28 tipos penais) impõe que o juiz aplique o regime inicialmente fechado.
Sim, caros leitores, o ordenamento pátrio obriga o juiz a estipular a efetiva prisão (inicialmente fechada) em apenas 2,67% das penas criminais existentes e possibilita, com absoluta certeza, em mais de 75% das penas, que sequer HAJA CONDENAÇÃO a qualquer regime de pena privativa de liberdade. Dizer que o Brasil vive uma onda encarceradora e punitivista equivale a algo tão desproporcional e distante da realidade quanto a comparação entre um cavalo e um cavalo-marinho.
Chama a atenção também à falta de interesse na apuração de dados quanto à impunidade brasileira, uma vez que, desde 1998, o economista J.C. Fernandez referia que não existiam dados que estimassem a probabilidade de detenção de um indivíduo no Brasil. Contudo, supôs ser ainda menor que a verificada nos Estados Unidos, que é de apenas 5%. Isto implicaria dizer que no Brasil a probabilidade de sucesso no setor do crime pode ser maior do que 95%².
Os autores ainda buscam autor estrangeiro para comentar acerca das facções criminosas nos presídios norte-americanos, algo totalmente fora do contexto do artigo que contestavam. De qualquer forma, enquanto demonstram interesse na questão carcerária dos Estados Unidos da América, não explicam porque não buscaram se espelhar naquele país, que possui ampla gama de dados sobre crimes e prisões desde a década de 60.
Ainda, desconsideram vários estudos, como o do Doutor pelo MIT, Steven Levitt, co-autor do Best-seller “Freaknomics”, que afirma: “Cada criminoso preso gera uma redução de 15 crimes patrimoniais por ano e que os benefícios sociais da prisão são maiores que os custos”³. Ou de Thomas Sowell, renomado economista, que demonstra, com base em dados do Reino Unido, que um criminoso solto custa vinte vezes mais caro à sociedade4. Ou ainda, que o aumento de número de prisões, após acompanhar o aumento no número de crimes, possibilitou a diminuição no número de crimes violentos, retornando a índices da criminalidade do início da década de 70.
Por fim, pergunto: Por que os autores não coletaram dados quanto ao tempo médio de prisão dos apenados, pormenorizadamente, por regime? Por que não coletaram dados a fim de aferir a probabilidade de detenção de um criminoso no Brasil? Por que não coletaram dados a fim de aferir a quantidade de apenados que deveriam estar em cumprimento de regime semiaberto e aberto, mas que se encontram em recolhimento domiciliar, sem qualquer fiscalização? Por que não se interessaram em realizar uma radiografia completa do sistema prisional e denunciar o contingenciamento de valores do Fundo Penitenciário Nacional, que alcançaram o valor de 3,5 bilhões de reais no final do ano de 2016, enquanto a população era iludida sobre a inexistência de verbas públicas para construção de presídios?
Duvido sinceramente que o façam. O próprio título do artigo “Fé no Encarceramento em Massa” dá conta de que o jargão pseudocientífico e a montanha de clichês empregados pelos “especialistas” apenas escondem uma fé cega na “causa” da impunidade, que há de ser defendida a qualquer custo e por todos os meios.
Parafraseando Grouxo Marx, àqueles que não comungam dessa mesma fé, os especialistas parecem nos dizer: "Você prefere acreditar em mim ou em seus próprios olhos?".
¹ http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2016/07/semiaberto-origina-27-das-prisoes-da-delegacia-de-capturas-do-rs.html
² FERNANDEZ, J. C. A economia do crime revisitada. Economia & Tecnologia. Campinas, v. 1, n. 03, Jul.-Set./1998. p.36-44.
³ LEVITT, S. D. The effect of prison population size on crime rates: evidence from prison overcrowding litigation. The Quarterly Journal of Economics. vol. 111, n. 2, maio 1996, p.319-351.
4 Dados do Reino Unido. Fonte: Basic Economics, Thomas Sowell
OS NOVOS SANTOS E OS MASSACRES DE CUNHAÚ E URUAÇU - 17/10/2017
Nota do editor: Desde o dia 15 de outubro, a Igreja tem 35 novos santos, dos quais 30 são brasileiros. Foram vítimas de massacres ocorridos em 1645, no início da ocupação holandesa no Nordeste. (P.P.)
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O feriado do dia 3 de outubro, no Rio Grande do Norte, tem várias versões: históricas, econômica, religiosa, etc, o que leva a incompreensão dos fatos por boa parte da maioria dos moradores das terras potiguares, ocasionando uma certa desvalorização da importância de um dos maiores massacres na história imposta pela colonização, que o país viveu.
Católicos do Rio Grande do Norte recordam, nesta data, o massacre dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, mortos por holandeses no ano de 1645, por não aceitarem a imposição militar, cultural e da sua religião protestante calvinista, se tornando um momento ímpar da história potiguar de resistência, fé e de defesa dos princípios de liberdade. "Os mártires foram escolhidos como padroeiros do Rio Grande do Norte devido à importância do fato. Eles foram os primeiros mártires do Brasil, por isso o nome protomártires", explica Pe. Antônio Murilo de Paiva, capelão dos mártires.
Os episódios dos massacres de Cunhaú e Uruaçu ocorrem em meio a uma crise no mercado do açúcar, e ao levante de colonos portugueses e brasileiros contra o domínio holandês. Após tomarem a Fortaleza dos Reis Magos, em 1633, os holandeses passaram a chamar Natal de "Nova Amsterdã” e a Fortaleza de “Castelo Keulen”. O deslocamento das forças seguiu devastadora para o interior do estado.
Jacob Rabbi
Mas para contar essa trágica história, é preciso conhecer um personagem que tomou posição de destaque neste contexto: Jacob Rabbi. Ele era o comandante sanguinário da tropa de tapuias, potiguares e holandeses, inicialmente apontado como intérprete entre os holandeses e os tapuias.
Rabbi era alemão, natural do condado de Waldeck, emigrou para a Holanda onde foi contratado pela Companhia das Índias Ocidentais Holandesas. Quando veio para o Brasil permaneceu durante quatro anos vivendo entre aqueles indígenas e assimilou os costumes nativos, num verdadeiro processo “indianização”. Ele vivia com uma nativa Janduí de nome Domingas, num sítio de sua propriedade, chamado "Ceará".
Não demorou muito para que a história fosse testemunha da sua real função no país. Ele é considerado, pelos historiadores, como uma das figuras mais sinistra, abominável e hedionda do domínio holandês no Nordeste do Brasil. No comando das tropas de janduís e potiguares, Rabbi foi responsável por vários saques e chacinas em engenhos, entre as capitanias do Rio Grande, Paraíba e Pernambuco. Todos os assaltos, saques e morticínios dos índios janduís rendiam gado, roupa e jóias ao amigo Rabbi e como resultado, conseguiu acumular uma pequena fortuna.
Na noite de 4 de abril de 1646 Jacob Rabbi foi morto, em Natal, de modo violento a tiros e golpes de espada. A maioria dos historiadores defende que a morte de Jacob Rabbi foi planejada pela Companhia das Índias Ocidentais , com o intuito de dar um basta às atrocidades do alemão.
O Massacre de Cunhaú
Jacob Rabbi e um grupo de índios janduís e potiguares, além de soldados holandeses, chegaram ao engenho Cunhaú, atual município de Canguaretama, em 15 de julho de 1645. Ele se apresentou como emissário do Supremo Conselho Holandês de Recife e convocou a população para uma reunião, após a missa do dia seguinte, dia 16, um domingo, na capela de Nossa Senhora das Candeias. Conhecido dos moradores de Cunhaú, Rabbi era sinônimo de ódio e destruição por onde passava, provocando temores dos moradores.
Os historiadores estimam que 69 fiéis estavam presentes no lugar, cumprindo apenas o preceito religioso, não portando armas. Durante a celebração, após a elevação da hóstia, os soldados holandeses trancaram todas as portas da igreja. A um sinal de Rabbi, os índios invadiram o local e chacinaram os colonos.
Relatos posteriores, alguns deles de emissários do governo holandês que investigaram o episódio, descrevem cenas de violência, atrocidades e requintes de crueldade contra os fiéis. Desarmados, os colonos não tinham como resistir e se resignaram à morte. Atendendo a exortação do padre André de Soveral, que celebrava a missa, muito foram executados em meio as orações. O próprio padre foi morto a punhaladas. Antes de ser morto, ele ainda disse aos indígenas para não tocar nas pessoas ou nas imagens e objetos do altar, porque seriam cortadas as mãos e as partes do corpo de quem o fizessem. Com esta ameaça, os tapuias recuaram, mas os potiguares - menos supersticiosos e mais acostumados a religião dos portugueses - não se intimidaram e prosseguiram com o ataque.
Algumas pessoas se refugiaram na casa do engenho, mas tiveram um fim semelhante ao das que estavam na capela. Os flamengos e índios invadiram a casa. Houve certa resistência, três colonos conseguiram escapar pelo telhado, mas a superioridade numérica dos índios e dos holandeses acabou prevalecendo. Depois da chacina, o engenho foi saqueado.
Massacre de Uruaçu
As atrocidades continuaram no Rio Grande do Norte. Os acontecimentos de Cunhaú se espalharam rapidamente por toda a capitania do Rio Grande do Norte e capitanias vizinhas. A população ficou assustada e temia novos ataques dos tapuias e potiguares, instigados pelos holandeses.
O receio se confirmou. Três meses depois da tragédia de Cunhaú, no dia 03 de outubro, aconteceu o martírio de mais 80 pessoas, na Comunidade de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante, também sob o comando de Rabbi, ajudado pelo chefe da tribo potiguar Antônio Paraopaba, “educado” pelos holandeses.
Depois do massacre em Cunhaú alguns moradores influentes, liderados pelo padre Ambrósio Ferro, que exercia as funções de vigário de Natal, pediram abrigo no Castelo Keulen, nome dado a Fortaleza dos Três Reis Magos, em Natal. Os que não foram, construíram uma paliçada para proteger a localidade conhecida como Potengi. O número de moradores refugiados na paliçada é incerto. Para os cronistas portugueses eram 70 homens, mas documentos holandeses citam 232 pessoas.
Pesquisas em documentos holandeses e portugueses mostram que o cerco a paliçada do Potengi durou 16 dias. Foi iniciada em setembro pelo grupo de Jacob Rabbi e, depois, contou com reforços enviados pelo Castelo de Ceulen, incluindo duas peças de artilharia. O bombardeio forçou a rendição dos luso-brasileiros.
Ocupada a paliçada do Potengi, os holandeses levaram cinco reféns para o Castelo de Keulen. Os demais colonos ficaram confinados na paliçada. No dia 2 de outubro chegou a ordem do conselho holandês para executar os principais líderes dos colonos, desestimulando a revolta em terras do Rio Grande.
Não há comprovação dessa ordem, mas o fato é que no dia seguinte, 03 de outubro de 1645, foram levados para Uruaçu: Antônio Vilela, Cid, seu filho, Antônio Vilela Júnior, João Lostau Navarro, Francisco de Bastos, José do Porto, Diogo Pereira, Estevão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira, Simão Correia e o próprio padre Ambrósio Francisco Ferro, e foram todos executados.
Os relatos citam que ao chegar em Uruaçu, a tropa formou um quadrado e, no interior ficaram o sacerdote mais os colonos. Foi dada a ordem para que eles se despissem e se ajoelhassem. Jacob Rabbi chamou os nativos para que eles completassem o massacre. A crueldade foi ainda maior, braços e pernas foram decepadas, crianças foram partidas ao meio e grande parte dos corpos foram degolados.
À morte deles, segue-se a chacina dos que estavam refugiados em Potengi, depois de terem sido retirados da paliçada e levados para o mesmo porto.
O local exato do segundo massacre de colonos no Rio Grande do Norte, o antigo porto de Uruaçu, ainda é uma incógnita e motivo de controvérsias entre pesquisadores e historiadores. A dificuldade está no fato de que Uruaçu não tinha propriamente um local de moradia, como em Cunhaú. Era apenas um porto às margens do rio Potengi-Jundiaí, para quem ia ao engenho Potengi. Aponta-se que o lugar do morticínio ficava a aproximadamente 1 km de distância do povoado e era denominado “Tinguijada”, área onde hoje abriga o Monumento dos Mártires de Uruaçu.
Religiosidade
Em reconhecimento ao feito dos Mártires de Uruaçu, em 16 de junho de 1989 o processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé. Em 21 de dezembro de 1998 o papa João Paulo II assinou o decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos.
Em março de 2000, o papa João Paulo II beatificou os mártires de Cunhaú e Uruaçu como exemplos de fé cristã e defensores da Igreja Católica. Naquele ano, o Governo do Estado, em resposta à uma solicitação da Arquidiocese de Natal, decretou o feriado de 3 de outubro. A data é simbólica.
Atualmente, os mártires são lembrados em duas datas, no dia 16 de julho em Canguaretama, e dia 3 de outubro em São Gonçalo do Amarante.
São lugares de romarias e peregrinações a Capela dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu em São Gonçalo do Amarante; o Santuário dos Mártires, no bairro Nossa Senhora de Nazaré em Natal, e a capela de Nossa Senhora das Candeias no antigo engenho de Cunhaú.
A carta
As atrocidades dessa chacina foi narrada por diversos cronistas da época. Exemplo disso é a carta de Lopo Curaro Garro de 1645. Veja a descrição.
* Publicado originalmente no dia 03/10/2015 em http://clebiomedeiros.blogspot.com.br/
A FÁBULA - 17/10/2017
Muitas pessoas têm me perguntado se a recuperação de nossa economia, o controle da inflação e a trajetória descendente da taxa básica de juros, que vêm se verificando há três ou quatro meses, são permanentes ou estão condenadas a se transformarem em mais uma bolha. Para responder a essa importante dúvida, bem como comentar sobre as quase que eternas vicissitudes da economia brasileira, vou recorrer ao velho Esopo (620 a.C. – D 564 a.C.), considerado o pai da fábula como gênero literário, bem como, naturalmente, à boa teoria econômica. Isso me levou a escrever a pequena e despretensiosa fábula abaixo.
Trata-se de alegoria bastante conhecida entre economistas e jornalistas da área, incluindo tanto a parcela dos primeiros que brigaram com a boa teoria quanto a quase totalidade dos segundos.
A águia e a galinha
Era uma vez um rei bastante poderoso e mandão, que mantinha nos fundos de seu reluzente palácio, projetado por dois nobres famosos, o Barão Lúcio Costa e o festejado Visconde de Niemeyer, duas aves: uma galinha e uma águia. A galinha ele costumava deixar solta, ciscando no terreiro, e apenas uma vez ou outra aparava suas asas, pois temia que pudesse voar, mesmo que fosse para perto, em busca de liberdade, mas a águia ele fazia questão de manter presa em um grosso poleiro, com uma corrente muito curta, já que receava deixá-la alçar vôo, o que o levaria a perder totalmente seu controle sobre ela. Para reforçar sua segurança de que a águia não fugiria o monarca, periodicamente, além de mantê-la acorrentada, tosava suas asas com as tesouras enferrujadas da burocracia, do intervencionismo, da ingerência nas escolhas dos indivíduos e da proibição ao empreendedorismo.
A águia é um animal empreendedor, gosta de voar alto e percorrer grandes distâncias, de buscar a própria felicidade e o rei já tinha ouvido falar da mitológica Fênix e daquela outra lenda, a de que quando sente que é tempo de transformar-se (ou de reformar-se a si mesma), a ave se retiraria e se atiraria contra rochedos, em um doloroso processo de renovação do bico, garras e plumagem, porque saberia que isso seria para seu bem. Na dúvida sobre a veracidade do conto, Sua Majestade preferia aplicar sua máxima de que ‘é melhor uma águia presa do que a mesma águia livre’.
Já a penosa prefere viver ciscando em torno de seu dono, porque isso lhe garante as migalhas que este lhe oferece e, de quando em quando, uma ração bem mais saborosa, proveniente da proximidade com seu proprietário e das oportunidades de corrupção que essa vicinalidade sempre lhe proporciona, o que a mantém gorda e sem necessidade de correr riscos de qualquer espécie. O avô do rei, inclusive, tinha fundado nos anos 50 do século XX um banco voltado para o desenvolvimento econômico e social de todas as galinhas do reino, principalmente daquelas escolhidas para serem as ‘galinhas campeãs’.
O rei sabia que a águia é símbolo universal de poder, força, autoridade, vitória e até, segundo alguns, de proteção espiritual. Também era de seu conhecimento que, ágil e habilidosa, essa ave guerreira e predadora, conhecida como a ‘rainha das aves’, está relacionada com a realeza, pois o alcance e a sagacidade de seu olhar a fazem capaz de fitar o sol diretamente, o que representa simbolicamente a clarividência. Além da acuidade visual, mantém sempre o longo prazo em mente, pois sua expectativa de vida é de 30/40 anos, enquanto que a galinha vê apenas alguns metros à frente e segue os preceitos ‘keynesianos’ de agir sempre com vistas ao curto prazo, pois vive somente, de acordo com a raça, de 4 a 8 anos. Por essa razão, o soberano, que tinha verdadeiro pavor de tudo o que dissesse respeito ao longo prazo, à liberdade e à iniciativa de seus súditos – o que lhe diminuiria o poder - mantinha sempre a atitude de desconfiar das duas aves, acorrentando a águia e iludindo a galinha, fazendo-a acreditar que era livre. Em seus discursos, porém, sempre cobria a águia de elogios.
Toda e qualquer semelhança dessa inocente fábula com os fatos que observamos nos sistemas econômicos, políticos, éticos, morais e culturais do Brasil não tem nada de coincidência, pois se trata da verdade, da mais pura, lídima e cristalina verdade. Ou não?
Quando, após o impeachment da presidente que estocava ventos, Henrique Meirelles assumiu a Fazenda e anunciou a nova postura da equipe econômica, com ênfase no controle das contas públicas, o efeito sobre as expectativas foi quase que imediato. Como era de se esperar, os mercados reagiram bem aos anúncios de austeridade fiscal e de reformas nas áreas do trabalho e previdência. Cerca de ano e meio depois, a economia dá ligeiros sinais de recuperação e a inflação de preços já se situa em níveis razoáveis, comparativamente aos registrados no triste período ocorrido entre o segundo mandato da “alma mais honesta deste país” e a “Nova Matriz”.
Mas será essa recuperação transitória ou permanente? Um vôo de galinha ou de águia? Mais uma flutuação cíclica ou o crescimento auto-sustentado, tão desejado quanto postergado? O rei vai deixar de lado as galinhas e libertar as águias ou vai manter as últimas amarradas me limitar-se a “monitorar” as primeiras?
A meu ver, a aparente recuperação da economia e a queda da inflação devem mesmo ser comemoradas, mas com uma grande dose de cautela. O que aconteceu é que paramos de andar para trás e estamos ensaiando dois ou três passos à frente, todavia o caminho a ser percorrido é muito longo e exige muito esforço, virtude ausente, por definição, nos políticos. É evidente que até um mosquito chato, daqueles de lâmpada, sabia que o país precisava de uma guinada na política econômica! A trombeta do PT soava um som confuso, o que fazia o exército de empresas e consumidores, poupadores e investidores a ficar na dúvida se a ordem era atacar, recuar ou defender a posição. E, como São Paulo já alertara aos coríntios há 2.000 anos (1 Cor. 14:8), ‘se a trombeta emitir sonido incerto, quem se preparará para a batalha ?’
Por isso, com a equipe de Meirelles, o setor privado passou a ouvir alguns avisos claros emitidos pela trombeta diretamente de Brasília: que o governo não toleraria mais a inflação, que o Estado deveria fazer importantes reformas estruturais, que a política de campeões nacionais havia sido abolida, que a previdência estava quebrada, que a república sindical precisava ser desmontada, que muitas empresas estatais precisavam ser privatizadas, que a carga tributária e o peso do setor público na economia deviam ser drasticamente reduzidos, etc.
A boa notícia, então, é a da incipiente recuperação da economia e do emprego e a má é a de que, a meu ver, esses bons resultados podem não se transformar em mudança definitiva de rumos. Em termos da fábula, Meirelles deixou crescerem as asas da galinha e ela já está começando a voar alguns metros mais longe, mas a águia continua presa na angustiante espera da expedição do alvará de soltura anunciado – e ainda não despachado - pelo rei.
Essa tão esperada autorização, no entanto, não depende da equipe econômica. Está nas mãos do sistema político e este, além de ser sempre refratário à liberdade da águia, está atravessando uma das maiores crises de nossa história. Um terço de nossos parlamentares está com o nome envolvido em investigações e processos, incluindo senadores, ministros próximos ao presidente, ex-ministros e o próprio chefe de Estado.
Fazer reformas, em uma situação dessas, deixa de ser para os políticos apenas um conjunto de medidas aparentemente impopulares, mas passa a ser – sejamos claros – impossível! Como levá-las adiante, se o presidente, eleito pela atual oposição e, portanto, sem qualquer compromisso com as reformas que hoje diz desejar fazer, bem como seus acólitos mais próximos, todos envolvidos em graves denúncias, estão mais preocupados em se manterem no poder do que em governar?
Como avançá-las se ninguém sabe o que poderia atualmente no Congresso ser classificado como “situação”?
Como acreditar nelas no oceano de corrupção em que o país está mergulhado e em que o noticiário diário tem sido mais emocionante que qualquer filme policial que se possa imaginar?
Como levá-las a votação se a oposição esquerdista, como sempre, parece mais preocupada em estimular o caos em busca de uma eventual e improvável vitória em 2018, do que em cumprir seu papel legítimo de oposição construtiva?
E como ter confiança de que serão concretizadas se há sinais claros de crise institucional e desarmonia entre os três poderes, com evidentes exemplos de invasões de atribuição do Judiciário sobre os demais?
Adicionalmente, como esperar que possam vingar, se o ano de 2018 será de eleições e, portanto, de diversos tipos de incerteza e se já aparecem vários urubus agourentos e barulhentos, oportunistas e personalistas, enganadores e mistificadores se candidatando a presidente?
Por tudo isso, a resposta à pergunta que formulei no início é que, até segunda ordem, estou afirmando que as boas notícias ainda não passam de um vôo de galinha. E que, dependendo do desenrolar da crise política e institucional e de quem serão os vencedores – no Executivo e no Legislativo – no próximo ano, até mesmo essa simpática ave poderá ter como destino a panela.
* Publicado originalmente em https://www.ubirataniorio.org/
O “SUPREMO” TRIBUNAL - 13/10/2017
“A idéia de que o judiciário não possa exercer seu poder cautelar para impedir um crime que está em curso é a negação do Estado de Direito. Significa dizer que o crime é admissível para certas pessoas”. Ministro Luís Roberto Barroso
Foi um espetáculo deprimente o encerramento da sessão do ex Supremo. A ministra Carmen Lúcia, a presidente, tropeçava nas palavras e emitia frases confusas como se procurasse explicar o que não entendia; paralogia denunciadora. Acordara na véspera com o presidente do senado e provável réu na Lava Jato, uma solução “harmônica” para a crise dita institucional, solução sob medida aos pares na antevéspera de denúncias da PGR, pela qual o STF pode decretar o afastamento do parlamentar acusado de crime, e o colegiado dos colegas autorizados a rejeitar a sentença judicial. O “afastado” fica livre destruindo provas e obstruindo a justiça.
A solução jabuticaba da ministra e seu parceiro senador. Não há crise onde impera a lei e quando esta é interpretada pelo órgão supremo da justiça, cuja função e razão de ser é elidir desavenças constitucionais e emitir sentenças inapeláveis - o STF.
Lastimavelmente, no Brasil, esta corte fraquejou e humilhou a República. A hesitante e confusa fala da presidente pode se explicar, na injunção inarredável de manifestar-se após o voto do decano, sua argumentação demolidora contra o escapismo judicial dos parlamentares ameaçados pela Lava Jato.
Foi constrangedor. Esta senhora condenou-se à nódoa inapagável da suspeição. Mostrou-se frágil no desempenho onde se exigia coragem, não esteve à altura do tempo, da importância e da estatura republicana. Contemple-se a emblemática figura representativa da Justiça. Remonta à civilização egípcia, desenhada nos afrescos subterrâneos das pirâmides - a mulher imponente, ereta, vedada, empunhando a balança decisória à mão esquerda e a espada na destra, sagrou-se em simbolismo percuciente repaginado até hoje, repetindo-se há séculos na arte e nas estampas das casas judiciais de quase todas as nações, qual mais fidedigno simbolismo da Justiça: de pé, cega, impessoal, soberana, empunhando a balança da ponderação e a espada pesada da punição. Impoluta, respeitável.
Não deixa de ser um tanto ridícula a escultura de Ceschiatti à testa da arquitetura do nosso judiciário – a figura descansa inflexa no assento, a espada justiceira dormitando imprestável no colo. Poderia o grande escultor brasileiro, em maliciosa premonição, escandir na pedra o futuro da justiça cabocla, numa antevisão dolorosa da decrepitude da justiça brasileira? Quem decifrará? Sua obra veio de imprevisto imortalizar no granito um dia de vergonha da pátria.
O NÓ ESTÁ APERTANDO MAIS - 11/10/2017
Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba apresentaram um “incidente de falsidade”, relacionado aos 26 recibos dos aluguéis do apartamento vizinho ao de Lula em São Bernardo.
Pediram ao juiz Sério Moro uma perícia para apurar as circunstâncias de sua produção. Para eles, “sem margem de dúvida os recibos juntados pela defesa de Luiz Inácio Lula da Silva são ideologicamente falsos, visto que é simulada a relação locatícia representada pelo engendrado contrato de locação”, disseram. Inclusive, o MPF aponta que não houve movimentação financeira por parte de Lula que comprovasse os pagamento dos aluguéis como reais.
Tanto para o MPF, como para qualquer pessoa com raciocínio normal, Lula nunca pagou aluguel e o imóvel foi bancado pela Odebrecht como propina.
O suspeito de ser ‘laranja’ na operação, Glaucus da Costa Marques, disse em depoimento ao juiz Sérgio Moro que nunca recebeu qualquer valor no período indicado nos recibos e que não foi o responsável pela emissão deles. Segundo ele, os documentos foram fornecidos por um contador indicado por Roberto Teixeira, amigo de Lula, que pediu-lhe que os assinasse todos de uma só vez, em dezembro de 2015.
O juiz Moro deve decidir o caso nas próximas semanas, o que pode resultar na segunda condenação de Lula.
Isso foi o fato da quinta feira passada, dia 5. No dia seguinte, sexta, o MPF pediu aumento da pena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo sobre outro apartamento, aquele tríplex do Guarujá, no qual Lula já foi condenado em primeira instância a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O caso está sendo reexaminado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, sediado em Porto Alegre. Os procuradores acham que Lula deve responder por cada um dos três contratos fechados entre as empreiteiras e a Petrobras como crimes individuais, e nãocomo “crime continuado”, como na condenação da lavra do juiz Moro. Se o TRF 4 aceitar a tese dos procuradores, isso pode resultar em uma pena maior.
Não é fácil acompanhar o andamento de todas as falcatruas pelas quais Lula responde. Mas convenhamos, não conseguir explicar algo que deveria ser simples, um mero aluguel, é dose.
Apesar de ter adquirido o hábito de colocar a culpa de tudo o que não tem como explicar na falecida dona Marisa, o conteúdo do processo, os depoimentos dos delatores e agora mais recentemente, as revelações parciais de Palocci, deixam tão poucas dúvidas, que só mesmo aqueles “muito interessados” na pessoa de Lula consigam sustentar sua inocência.
*Publicado originalmente em https://eniomeneghetti.com
O SOCIALISMO NA CULTURA BRASILEIRA - 11/10/2017
A grande mídia tem um papel importante na sociedade atual, pois ainda é por ela que a maioria dos indivíduos se informam e tem parcelas de acesso ao entretenimento, independentemente do meio midiático, seja pela televisão, rádio, mídia impressa e internet. Autores "progressistas" como Antonio Gramsci, Walter Benjamin, Jürgen Habermas, Frederick Pollock e Jean Paul-Sartre atentaram para o poder da mídia para uso político, na busca da dominação das massas, culminando na revolução socialista. Andrew Fletcher, poeta e político escocês que viveu entre os séculos XVII e XVIII, em um dos seus discursos, dizia que "Me deixe fazer as canções de uma nação que eu não me preocupo com quem fará as leis". Com essa frase, o escocês atenta para a importância da cultura na formação política, mostrando que a política é o reflexo da cultura da população.
No Brasil, desde a fundação do Partido Comunista Brasileiro em 1922, há trabalho midiático para difusão de ideias socialistas e comunistas. Primeiramente com a formação intelectual que tem como marco a ascensão de Leônidas de Rezende, professor da Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ), defensor das ideias marxistas e importador das leituras de Marx para o ambiente acadêmico. Leônidas foi um dos fundadores do primeiro jornal declaradamente de esquerda do Brasil, o jornal "A Nação", no ano de 1923 que em 1927 tornou-se um órgão oficial dentro do Partidão, como também é chamada a legenda.
Posteriormente, formou-se uma nova geração de intelectuais socialistas com nomes como Roland Corbsier, Nelson Werneck Sodré, Álvaro Vieira Pinto, Fernando Henrique Cardoso, Francisco Weffort, Celso Furtado, Sérgio Buarque de Hollanda, Antônio Cândido e Ignácio Rangel. Uma parcela desses intelectuais usa, como exemplo de se levar o Brasil ao socialismo, o exemplo soviético, de criação da chamada intelligentzia, um grupo de pensadores que buscaria explicar o socialismo para a população.
No ano de 1952, é criado o Clube de Itatiaia, onde os pensadores debateriam o desenvolvimento nacional e as formas de como se atingir resultados. Do grupo, nasce o ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), órgão vinculado ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) criado pelo decreto No 37.608/1955, do então presidente Café Filho. O ISEB nasce com uma mescla de intelectuais das mais diversas correntes políticas, do comunista Nelson Werneck Sodré ao liberal Roberto Campos. Porém, os intelectuais ligados ao pensamento socialista foram hegemonizando o ISEB, sobretudo após o governo de Juscelino Kubitschek realizar a internacionalização da economia brasileira. E em 1958, o grupo liderado por Hélio Jaguaribe e Roberto Campos é expulso da composição do instituto, fazendo com que o corpo diretor tenha apenas pensadores de esquerda.
A partir da saída do grupo liderado por Hélio Jaguaribe, saem publicações do instituto com um viés marxista, como as coleções "Cadernos Brasileiros", "Revista Civilização Brasileira" e "História Nova", em parceria com o Centro de Popular de Cultura (CPC), criado pela União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1961. Tal grupo foi criado para divulgar a chamada arte popular revolucionária, promovendo o caráter didático e coletivo das artes, bem como o engajamento político do artista.
Entre os membros do CPC estavam Oduvaldo Vianna Filho, Dias Gomes, Cacá Diegues, Nara Leão e Geraldo Vandré, artistas que nunca esconderam suas posições políticas. As peças teatrais produzidas pelos membros da instituição fizeram muito sucesso nos anos 1960, catapultando tais nomes no cenário cultural brasileiro da época. No livro "Em Busca do Povo Brasileiro", de Marcelo Ridenti é mostrada toda a história do CPC e desses artistas de esquerda, na busca de conquistar as classes médias e populares para apoiarem o socialismo.
Com a tomada do poder pelos militares em 1964, o ISEB e o CPC foram fechados sob acusação de serem difusores do comunismo. Intelectuais ligados ao ISEB foram morar em outros países, como França e Chile. Mas muitos membros do CPC ficaram Brasil e conquistaram cada vez mais sucesso no meio cultural mesmo com a censura, como Dias Gomes e Oduvaldo Vianna Filho. E em 1969, Dias Gomes é convidado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, também conhecido como Boni, que a época era chefe de programação e produção da Rede Globo para escrever novelas para a emissora.
Da sua fundação em 1965 até 1969, a Rede Globo comprava folhetins colombianos, mexicanos, cubanos e argentinos para serem exibidos na emissora, porém a audiência era baixa e Boni tinha sido contratado pela emissora com a intenção de catapultar a audiência da emissora. O chefe de programação estabeleceu o atual modelo do horário nobre da emissora, com três novelas (18h, 19:30h e 21:00h), com um noticiário local e o Jornal Nacional intercalando as novelas.
A partir da chegada de Dias Gomes e Boni na emissora carioca, a Rede Globo passou a liderar nos índices de audiência em todo o país. E a novela "O Bem Amado", escrita por Dias Gomes em 1973 teve índices de audiência altíssimos no Brasil. O sucesso da novela foi tão estrondoso que abriu o mercado brasileiro de novelas para o exterior, com a exibição em 30 países do folhetim.
A novela é uma crítica a classe política da época, representado na figura do protagonista Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), que tentava inaugurar o cemitério da cidade fictícia de Sicupira de qualquer forma, criticando sobretudo as obras do chamado "Milagre Econômico", realizadas durante o governo Emílio Garraztazú Médici. As críticas militares vieram a direção da emissora da vênus platinada, mas o dono da emissora Roberto Marinho, não fez nenhuma resistência ao trabalho de seus dramaturgos. Marinho dizia em reuniões com lideranças governamentais que "dos meus comunistas, cuido eu".
Aliado a não-resistência dos veículos de mídia, havia também a chamada "estratégia da panela de pressão", criada pelo General Goldbery do Couto e Silva. O governo da época pautava-se em combater a esquerda revolucionária, representada pelas guerrilhas, deixando o debate de ideias em um segundo plano, entregando de bandeja toda a atividade intelectual para a esquerda brasileira.
Depois do sucesso de "O Bem Amado", outras novelas com mensagens de esquerda foram exibidas, como "O Espigão" (1974), "Roque Santeiro" (1985), "O Rei do Gado (1996)", "Mulheres Apaixonadas" (2003), "Avenida Brasil (2011)", "Babilônia" (2015), para dar alguns exemplos. Nas novelas da Globo, como mostra Leandro Narloch em artigo a Veja, observa que sempre os grandes vilões de novelas são pessoas de alto poder aquisitivo em uma grande sede pelo poder, na eterna busca da demonização da riqueza.
Para se entender o problema atual e para buscar a sua resolução, é necessário entender como chegamos até este estágio. A liberdade econômica e a liberdade individual tem sua importância em uma sociedade livre, mas a cultura tem a sua própria, pelo fato de moldar a classe política. Se estamos no estado atual no Brasil, muito se deve a hegemonia cultural de esquerda que predominou pelos últimos 50 anos, e teve como seu marco os governos do PT nos últimos 13 anos, governo que sofreu impeachment devido a conhecida incompetência das gestões socialistas. Está em jogo, agora, a guerra cultural, e, como Ludwig von Mises dizia: "Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão".
Referências bibliográficas
RIDENTI, Marcelo. Em Busca do Povo Brasileiro. São Paulo, UNESP, 2014.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do Cárcere. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1999.
PÉCAUT, Daniel. Os Intelectuais e a Política no Brasil: entre o povo e a nação. São Paulo, Ática, 1992.
NARLOCH, Leandro. Os ricos segundo as novelas e os intelectuais de esquerda. Disponível emhttp://veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/os-ricos-segundo-as-novelas-e-os-intelectuais-de-esquerda/.
QUINTELA, Flávio. Mentiram (e muito) pra mim. São Paulo, Vide Editorial, 2015.
MASSACRE DE LAS VEGAS: SOBRE ARMAS, LEIS E LOUCOS. - 03/10/2017
O terrível tiroteio ocorrido em Las Vegas, EUA, colorido com o sangue de dezenas de vítimas fatais e centenas de feridos aguçou os vampiros do desarmamento que saíram hoje pelas emissoras de rádios, TVs e jornais a propagar em transe jubiloso, que as leis permissivas para o porte e a posse de armas nos EUA são as responsáveis por esse massacre. Fazem questão, óbvio!, de esquecer dezenas de outros fatores e casos como o de Nice, na França, onde um caminhão foi usado para matar mais de 80 pessoas e que na mesma França, com seríssimas leis restritivas, houve em 2015 um ataque terrorista com mais de 180 mortos perpetrado por islâmicos armados de fuzis AK-47 contrabandeados e, portanto, ilegais. O assassino de Vegas, ao contrário do que afirmam na imprensa, desrespeitou pelo menos uma dúzia de leis estaduais e federais para planejar e executar o covarde ataque contra inocentes desarmados. A pergunta óbvia é: qual lei impediria o assassino? Nenhuma!
Enquanto isso, para tentar faturar em cima da desgraça, a Globo News – além de uma quantidade recorde de mentiras e bobagens sobre o assunto – colocou no ar uma enquete com uma pergunta claramente desonesta, tentando induzir um resultado adequado à sua ideologia. Bom, o tiro saiu pela culatra e o resultado parcial neste momento é de 95,47% para a opção de que qualquer pessoal deve ter o direito de portar armas!
Tempos atrás já falei sobre esse tipo de ocorrência em um artigo intitulado “Sobre armas, leis e loucos” que reproduzo na íntegra abaixo e que continua absolutamente atual uma vez que as mentiras, distorções e desonestidades continuam sendo repetidas.
“Como sempre acontece, o mais recente ataque contra um grupo de vítimas indefesas, desta vez em um cinema nos EUA, onde 12 pessoas foram mortas, reacende a sanha dos desarmamentistas americanos, dentre os quais o prefeito de Nova Iorque, Mike Bloomberg, um dos expoentes políticos americanos que acham terem nascido com o dom de saber o que é melhor para mundo todo.
No Brasil, via de regra, aqueles que pregam o desarmamento como forma de impedir tais massacres se assanham rapidamente ao sentirem o cheiro de sangue inocente, impelidos quase sempre pelo antiamericanismo tupiniquim, mas invariavelmente esquecendo - ou fazendo questão de esquecer - que tais acontecimentos não são, nem de longe, exclusividade norte-americana.
Em 1999, um louco invadiu um cinema de São Paulo e abriu fogo usando uma submetralhadora comprada poucos dias antes em uma favela da capital – arma ilegal, evidentemente. Matou três pessoas e feriu outras 5; e Só não houve mais vítimas porque um herói anônimo pulou sobre ele e o desarmou antes que recarregasse sua arma. Em 1997, Fernando Henrique Cardoso havia transformado o porte ilegal de armas em crime, aumentando muito as restrições relativas à posse e ao porte de armas no Brasil.
Japão, 2001. Um homem com problemas mentais invade uma escola, mata oito crianças e fere outras 13 usando uma faca. O massacre que assustou o Japão não foi o primeiro e não seria o último. A posse e o porte de armas para civis são proibidos no Japão desde o século XV.
Em 2010, em Naping (China), um desequilibrado mental invadiu uma escola primária e, também usando uma faca, matou oito crianças e feriu gravemente outras cinco. Entre 2010 e 2011, outras 116 crianças e adultos seriam vítimas de ataques semelhantes na China Comunista, fazendo com que o governo proibisse a divulgação de outros ataques para evitar os chamados “copiadores”. Na China, as armas de fogo são terminantemente proibidas para os cidadãos.
Cumbria, Inglaterra, 2010. Um homem, durante um surto psicótico, mata aleatoriamente 12 pessoas e fere outras 11. Foi acompanho por quilômetros por uma viatura de polícia, cujos policiais estavam também desarmados e não puderam fazer nada. Em 1997, a Inglaterra praticamente proibiu as armas particulares para seus cidadãos.
Em 2011, mais um massacre. Desta vez um louco invadiu uma escola no Rio de Janeiro e assassinou friamente 12 adolescentes. A carnificina só parou quando ele foi baleado por um policial que invadiu a escola. Sete anos antes era aprovado o chamado “Estatuto do Desarmamento”, que proibia o porte de armas e criava restrições quase intransponíveis à compra de uma arma legal.
Casos semelhantes aconteceram em diversos outros países, entre eles os pacíficos Canadá e Finlândia. Em todos, houve premeditação e, como autores, viram-se pessoas com distúrbios mentais, que utilizaram as armas que tinham à disposição ou foram capazes de colocar às mãos. Também em todos os casos, a lei, mais ou menos restritiva, de acesso às armas não foi capaz de impedir as mortes, simplesmente porque nenhuma das armas foi usada legalmente.
Recorrer ao desarmamento quando um caso assim acontece é fugir para o simplismo, é apelar, muitas vezes, para o confortável discurso fácil que joga nas armas o poder sobrenatural de agir por conta própria. Ao mesmo tempo, é enterrar a cabeça no chão e negar a existência de pessoas más e insanas, capazes de matar crianças inocentes sem qualquer remorso ou arrependimento. É negar a maldade, negar a existência de lobos no meio das pacatas ovelhas. É, em última análise, balir discursos pacifistas, na defesa pueril de leis restritivas, enquanto os lobos-loucos ignoram sua existência e se preparam para o banquete sangrento.
O primeiro ministro inglês, após o citado ataque de Cumbria, resumiu magistralmente sua posição ao ser inquirido sobre mais restrições às armas: “não é possível legislar sobre a loucura”. E não é, mesmo.”
Como podemos ver, enquanto esse pessoal engajadinho "da paz" segue mentindo, as pessoas seguem morrendo e os loucos, criminosos e terroristas vão muito bem, obrigado.
* Publicado originalmente em http://www.cadaminuto.com.br/noticia
A FALCATRUA PIKETTY - 02/10/2017
A moral de Piketty - por alguém que realmente leu todo o livro
Segundo a Amazon, fui um dos poucos compradores de O Capital do Século XXI, de Thomas Piketty, que realmente leram o livro.
Seu programa Kindle registra que, dos mais de 80 mil cópias vendidas, a grande maioria dos leitores não passa da página 26, considerando que o livro possui quase 700 páginas. Isso me lembra muitos socialistas que se dizem influenciados por Marx, apesar de nunca terem lido seus livros; e que também odeiam o liberalismo sem ter a menor noção do que se trata.
Um amigo, ao me flagrar com o tal livro, não vacilou em fazer piada: "Lendo a nova bíblia da esquerda?!". "Pois é... Sou liberal exatamente por saber o que os marxistas pensam", respondi.
Mesmo não sendo da área econômica, política ou do direito, sinto-me obrigado a ler essas "coisas", já que me interesso pelo assunto.
O Capital do Século XXI é apenas mais uma reedição de alguns devaneios marxistas, com o autor tentando relacionar dados selecionados com crendices ideológicas impregnadas com uma das piores fraquezas humanas: a inveja.
Entre tantos gráficos, Piketty não esconde sua interpretação moral sobre a riqueza e, principalmente, sobre a herança. Chega a ser engraçado suas recorrentes citações aos romances de Balzac para ilustrar e "comprovar" as distâncias entre trabalhadores e herdeiros.
Seu livro tem um único objetivo: julgar moralmente o direito de uma pessoa guardar para si o fruto de seu próprio trabalho e decidir, por si mesma, qual o destino desse fruto. A "moralidade" de Piketty chega ao nível de condenar os herdeiros pelo sucesso dos pais!
Seu raciocínio é muito simples: quanto mais rico, mais imoral. Exercendo a arrogância típica dos socialistas, Piketty ignora completamente a história, os esforços e os talentos de indivíduos, enlatando-os como se formassem uma única e homogênea massa de pessoas de caráter condenável pelo simples fato de terem enriquecido.
Piketty tenta inúmeras vezes nos fazer crer que questiona Marx, aquele que "...escreveu tomado por grande fervor político, o que muitas vezes o levou a se precipitar e a defender argumentos mal embasados", em suas palavras, mas em seguida enaltece a coerência de algumas ideias do pai do comunismo.
Logo no começo, o neomarxista francês dá o tom do livro:
"...o capitalismo produz automaticamente desigualdades insustentáveis, arbitrárias, que ameaçam de maneira radical os valores de meritocracia sobre os quais se fundam nossas sociedades democráticas".
Oi? Um socialista que defende taxações e confiscos dizendo que o sistema de trocas voluntárias entre indivíduos e empresas é arbitrário? Pois é... Ouço e leio coisas parecidas todos os dias no Facebook, ditas e escritas por pessoas que nunca leram nada além de panfletos da esquerda.
Piketty, em sua tentativa de desmerecer a melhoria na qualidade de vida da população mundial promovida pelo capitalismo, reduz o aumento da expectativa de vida a um... "fato biológico"! Insiste, o tempo todo, que a desigualdade é algo terrível por si mesma, ignorando, portanto, as diferenças entre os diversos países do mundo no que se refere a estas "desigualdades". Fica bem claro que sua preocupação não é com a pobreza, mas sim com a riqueza. Eis um socialista.
Em seu esforço para distorcer a realidade, Piketty chega a citar o caso chinês do que seria um exemplo de desenvolvimento social promovido pelo estado. Cita os investimentos em educação e em infraestrutura, mas se "esquece" de que nenhuma escola ou ponte é construída sem dinheiro, e que esse dinheiro vem da arrecadação de impostos, e que a quantidade de impostos arrecadada depende do poder e da liberdade econômica da sociedade como um todo.
Ou seja: ignora que centenas de milhões de chineses se livraram da extrema pobreza simplesmente porque o estado deu um passo para trás, lhes dando a liberdade para empreender negócios visando o lucro, com direito de propriedade e com a possibilidade de ficarem ricos.
Piketty se "esqueceu" de muitas coisas. Esqueceu-se de falar sobre o papel do estado nos problemas sociais e econômicos dos países atrasados. Esqueceu-se de falar sobre os desajustes fiscais, sobre a emissão irresponsável de moeda, sobre as arbitrariedades dos bancos centrais, sobre as concessões de créditos e de subsídios a determinados setores, empresas e até pessoas ligadas aos governos, o que sempre prejudica os mais pobres. Sua única referência pejorativa ao estado se dá ao afirmar que foi graças à corrupção do governo mexicano que Carlos Slim se tornou um dos homens mais ricos do mundo.
Sua facilidade em tecer julgamentos morais sobre a "riqueza excessiva" de empresários, executivos e herdeiros é proporcional à sua indiferença com o enriquecimento de políticos e ditadores mundo a fora.
Tentando desmoralizar a natureza do capitalismo, Piketty faz uma pergunta: "Podemos ter a certeza de que o 'livre' funcionamento de uma economia de mercado, fundamentado na propriedade privada, conduz sempre e por toda parte a esse nível ótimo, como que por magia?".
Pelo que sei, quem defende a "magia" nas soluções dos problemas do mundo são os socialistas, com seus planos sempre muito poéticos no púlpito e muito trágicos na realidade. Economistas liberais afirmam que todo e qualquer desenvolvimento depende de um longo período de liberdade econômica, o que possibilita o aperfeiçoamento espontâneo das interações entre mercado e sociedade, sem milagres.
A propósito, o mesmo Piketty que ignora os autores liberais mais importantes, tais como Milton Friedman, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Carl Menger, faz questão de enaltecer Paul Krugman, o pai da bolha imobiliária norte-americana, defensor da inflação como ferramenta de crescimento, palestrante em evento da revista Carta Capital.
essa altura do livro, não me surpreendeu ler que, na prática, a "mão invisível" descrita por Adam Smith não existe porque "o mercado sempre é representado por instituições específicas, como as hierarquias corporativas e os comitês de remuneração". De onde ele tirou isso?
Como todo "bom socialista", Piketty não deixaria de mirar seu furor ideológico na cultura norte-americana, citando meia dúzia de séries de TV como exemplos do culto à "desigualdade justa". O francês se empolga:
"A sociedade meritocrática moderna, sobretudo nos Estados Unidos, é muito mais dura com os perdedores, pois baseia a dominação sobre eles na justiça, na virtude e no mérito, e, portanto, na insuficiência de sua propriedade".
Isso é o que chamo de cretinice e desonestidade intelectual, por ignorar os mais estridentes dados de melhoria de qualidade de vida e de inclusão social registrados ao longo dos últimos 150 anos. Não por acaso, Cuba não é citada uma única vez no livro.
Também me provocou espécie alguns termos utilizados pelo economista, tais como "extremismo meritocrático", "fortunas indevidas" e "arbitrariedade do enriquecimento patrimonial".
Sua motivação ideológica, sempre ancorada em sua própria interpretação moral do mundo, nos oferece frases dignas de líderes estudantis:
"O problema é que a desigualdade (...) conduz frequentemente a uma concentração excessiva e perene da riqueza (...) as fortunas se multiplicam e se perpetuam sem limites e além de qualquer justificação racional possível em termos de utilidade social".
No mundo de Piketty, a maioria das fortunas de hoje estão nas mesmas famílias há séculos e continuarão assim para sempre caso o estado não intervenha taxando-as progressivamente, para que assim, só assim, prevaleça o "interesse geral em detrimento do interesse privado" — Luciana Genro diria o mesmo.
Todavia, nada me provocou mais espasmos do que ele confessando que não gosta do termo "ciência econômica" por lhe parecer "terrivelmente arrogante". Ele prefere a expressão "economia política". Acredito!
"Impostos não são uma questão técnica", afirma Piketty; "Impostos são, isso sim, uma questão proeminentemente política e filosófica, talvez a mais importante de todas as questões políticas." Piketty ignora completamente o que diz a história política da galáxia: taxações e confiscos beneficiam principalmente os burocratas que vivem de arbitrar essas mesmas taxações e esses mesmos confiscos. Piketty ignora também o resultado de todas as experiências socialistas: quanto mais se arbitra sobre a riqueza privada, mais se intimida o indivíduo comum a tentar enriquecer, provocando, assim, uma desmotivação coletiva. A produtividade cai.
De fato, a desigualdade diminui, afinal, a sociedade deixa de ser dividida entre ricos e pobres e passa a ser formada apenas por pobres, vide Cuba e Coreia do Norte, sociedades tragicamente igualitárias.
Piketty não aprendeu que, em vez de rechaçarmos os ricos, deveríamos tentar mantê-los voluntariamente junto de nós, para que eles possam gastar sua fortuna consumindo nossos produtos e serviços, não dos outros. Piketty parece que não enxergou sequer o que aconteceu em seu próprio país quando o governo decidiu sobretaxar as maiores fortunas: seus donos simplesmente foram embora, foram gastar seus bilhões noutros países.
O The Guardian referiu-se a Thomas Piketty como o "rock star da economia". O The Economist o chamou de "ícone pop". Bem coerente. Mas eu prefiro minha descrição: Piketty é o economista que faz os ignorantes se sentirem cultos, os idiotas se sentirem inteligentes e os socialistas se sentirem honestos.
SOCIALISMO, IMPRENSA E ESPANTALHOS - 29/09/2017
O Jornal das Dez, da Globo News, todas as sextas-feiras faz um “resumo da semana”, no qual elenca os assuntos mais importantes do período.
Na semana que passou, tivemos um ex-presidente da república se tornando réu pela 6° vez, o atual presidente da república sendo incriminado noutra delação premiada da Lava Jato, pequena melhora nos indicativos econômicos e a guerra entre facções criminosas no Rio de Janeiro.
A despeito disso, a Globo News elegeu a “liberação da cura gay” como o assunto mais importante da semana.
O escolhido para comentar o assunto, por meio de uma crônica, foi o jornalista Jorge Pontual, aquele que toda semana declama poemas lindos e que, ao falar sobre a morte do ditador assassino Fidel Castro, não conteve sua emoção e chorou de tristeza, ao vivo.
O Brasil está tentando sair de uma grave crise econômica provocada por um governo de esquerda, mas... “precisamos combater a homofobia”.
A Venezuela continua sendo afundada pelo socialismo, mas... “precisamos combater o aquecimento global”.
Uma ditadura comunista ameaça lançar mísseis nucleares contra seus vizinhos, mas... “precisamos combater o neonazismo”.
Por que fazem isso?
Uma das principais estratégias do movimento socialista é utilizar a imprensa para criar espantalhos midiáticos. Ela cria pautas a partir da distorção de fatos e lança massivamente para o público. Em seguida, promove debates entre seus “especialistas” de estimação, todos de esquerda. Por fim, conclui que o grande problema é o avanço da direita, o que precisa ser combatido.
Enxergando isso, entende-se porque a Rede Globo, desde o desmoronamento do petismo e do bolivarianismo, dispara as mais diversas matérias sobre homofobia, nazismo e aquecimento global.
Aos fatos:
O preconceito contra gays está longe de ser o maior absurdo desse país. Gays têm vidas normais, estudam, trabalham, se casam, estão na mídia o tempo todo. Não devemos negar a existência do preconceito, mas reconhecer que nossos reais problemas são muito, muito maiores do que esse.
O “movimento neonazista” está a uma galáxia de distância de ser um problema para a humanidade. Os insignificantes grupos que defendem isso não contam com apoio de ninguém. Se não fosse a imprensa, nenhum de nós teria visto ou ouvido falar sobre isso.
O tal “aquecimento global” já foi refutado por dezenas de cientistas independentes. O esforço da imprensa em nos fazer acreditar na eminente hecatombe climática tem o objetivo de criar o ambiente político para a criação de um trilionário fundo que seria administrado, claro, pela esquerda, que financiaria as milhares de células socialistas disfarçadas de organizações ambientais pelo mundo.
Mais:
Ao reproduzir sistematicamente o termo “extrema-direita” na cobertura das eleições na Alemanha, ontem, a intenção da Rede Globo foi fazer com que seus telespectadores vinculem tudo o que não é esquerda à Hitler – conservadores, liberais e libertários são todos nazistas.
Ao mesmo tempo em que joga tudo o que está à direita do socialismo na extremidade do mal, a Globo apresenta a esquerda como a guardiã da paz e da tolerância universal.
Afinal, qual a pauta defendida por essa “extrema-direita” europeia?
Controle de imigração num continente majoritariamente cristão onde ataques terroristas promovidos por muçulmanos se tornam cada vez mais frequentes. Que terrível!
Taxando Trump como um monstro, a imprensa tenta relacioná-lo a outro “monstro”, Jair Bolsonaro – dois representantes da “extrema-direita”! Esses são os grandes vilões da imprensa brasileira, a mesma que suspira de amor pela ditadura cubana e que dias atrás, por meio da ABI, promoveu um evento em homenagem ao assassino Che Guevara.
O show de horrores do jornalismo está, sem qualquer pudor, construindo a narrativa de que o ditador comunista norte-coreano apenas reage às ameaças do presidente americano.
Marcelo Lins, o especialista em todos os assuntos, da Globo News, se refere à horrenda ditadura norte-coreana como “regime polêmico”.
Resumo: A estratégia dos espantalhos é a tentativa da imprensa de impedir que a população enxergue que as maiores desgraças do mundo foram e continuam sendo promovidas pelo socialismo.
Qual foi a ideologia que matou mais de 100 milhões de pessoas no último século na União Soviética, no leste europeu, na China, na Alemanha, no Camboja e na América Latina?
Qual é a ideologia por trás das FARCs, grupo terrorista que sequestrou, torturou, assassinou dezenas de milhares de pessoas na Colômbia?
Qual é a ideologia por trás do regime que levou à miséria quase 90% da população da Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo do mundo?
Qual é a ideologia que mantém os cubanos escravizados há quase 60 anos?
Qual é a ideologia por trás da ditadura da Coreia do Norte, que está nesse momento ameaçando o mundo com ataques nucleares?
Qual a ideologia por trás dos governos petistas que afundaram o Brasil na maior recessão de sua história?
Qual a ideologia que argumenta as invasões de fazenda e os bloqueios de estradas promovidos por grupos como o MST?
Qual a ideologia das ONGs que se dedicam a defender a delinquência juvenil?
Qual a ideologia que diz que uma pessoa deve ter liberdade para sexo, drogas e aborto, mas não para negociar seu próprio trabalho e defender sua vida de agressões?
Qual a ideologia que inflama os ânimos dos vândalos de classe média que volta e meia promovem depredações nas cidades?
Qual a ideologia das pessoas que defendem o ex-presidente da república condenado por corrupção?
Qual é a ideologia que faz pulsar os corações da grande maioria dos jornalistas brasileiros?
Os espantalhos que a imprensa cria e apresenta todos os dias têm o objetivo de não deixar que as pessoas concluam que as perguntas acima têm uma única resposta: SOCIALISMO.
* Do Facebook do autor.
151 ESTATAIS CONSOMEM R$ 1,2 TRILHÃO POR ANO PARA SUSTENTAR OS PRIVILÉGIOS DE MAIS DE MEIO MILHÃO DE BUROCRATAS. - 28/09/2017
Enquanto os alegres rapazes e raparigas da grande mídia brasileira dedicam-se a produzir de forma insistente matérias sobre a tal diversidade bundalelê, os ‘gringos’ - sim eles sempre estiveram na nossa frente - decidiram levantar o véu da luxúria que cobre os marajás de 151 estatais que consomem R$ 1,2 trilhão por ano.
A proeza de revelar essa coisa brutal que foi elevada ao ápice pelos mais de 13 anos de desgoverno do PT coube ao site norte-americano Bloomberg e que pode ser lida no original em inglês aqui.
O site Jornal do Brasil , hospedado no portal Terra, postou uma versão em português do conteúdo dessa reportagem que transcrevo em seguida para que os leitores tenham uma ideia desse fabuloso oásis de uma casta de marajás sustentados com dinheiro dos contribuintes via uma miríade de impostos infernal.
Tudo isso revela-se como uma séria advertência: se a pilhagem dos cofres públicos não for estancada imediatamente o caminho rumo à venezuelização do Brasil continuará aberto. O começo para acabar com essa essa loucura comunista que castiga a Nação brasileira há décadas é a privatização desse paraíso dos marajás. Isso não é nenhuma novidade. Entretanto, a coisa foi transformada em tabu graças aos velhacos da grande mídia incluindo os jornalistas em sua maioria. Os proprietários de redes de televisão, jornais e revistas há décadas mamam dinheiro dessas estatais, como a Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal entre outras que são generosos anunciantes. Por isso jamais revelam a verdade dos fatos.
Dá para conceber que a Petrobras, que tem o monopólio da produção e distribuição de combustíveis, anuncie? Ora, quem anuncia é porque está dentro do jogo de mercado, da concorrência, o que não é o caso de uma empresa estatal que detém o monopólio. Isso é apenas um exemplo entre tantos outros.
Dito isso passo a transcrever a versão em português do Jornal do Brasil da matéria do site Bloomberg. Leiam:
Matéria publicada nesta terça-feira (26) pela Bloomberg afirma que o fim está próximo para a utopia burocrática do Brasil, com sua cultura de benefícios.
O texto lembra que há 57 anos foi fundada sob as bases da concessão de vantagens para atrair mão de obra qualificada do Rio de Janeiro para Brasília, a capital começa a ver desmoronar um sistema que tem como regra o acúmulo de benefícios.
Com o déficit fiscal e o consequente aumento da dívida pública, o governo Michel Temer colocou na pauta temas considerados tabus politicamente, relata Bloomberg: reforma da Previdência, privatizações, e corte de benefícios concedidos ao funcionalismo.
O Executivo anunciou em agosto pacote de privatizações de 57 estatais e bens públicos, como Eletrobras, Casa da Moeda, Lotex, aeroportos, portos e rodovias. As estatais que não entraram no portfólio de vendas devem apertar o cinto para reduzir ao máximo as despesas. Outras medidas divulgadas pelo governo são as reduções do auxílio-moradia, do salário inicial de todas as carreiras, além do adiamento por um ano de reajustes já aprovados para várias categorias. Há, ainda, a proposta de reforma da Previdência que prevê a equiparação de regimes de aposentadoria do servidor público ao da iniciativa privada, com um teto bem mais baixo ao que o funcionalismo tem direito hoje.
A nova realidade está levando pessoas a mudarem seus planos. As oportunidades historicamente oferecidas fizeram a estudante Mayara Destro, 24, a se dedicar aos estudos nos últimos dois anos para conseguir uma vaga no setor público.
“Essa decisão me preocupa. Não vejo que o pacote de privatizações vá beneficiar da forma como estão divulgando. Meu medo é que os direitos fiquem ainda mais limitados. Alguma coisa precisa ser feita, eu entendo, mas o governo está optando pelo caminho mais fácil, e não pelo melhor”, avaliou a estudante.
O noticiário destaca: "Brasília é o maior reduto nacional de servidores públicos, com 37 por cento da população ativa diretamente empregada na máquina estatal. Com isso, é uma cidade voltada aos concursos. Mais do que universidades, a capital federal tem centenas de cursos preparatórios para os mais variados tipos de empregos públicos, de auxiliar administrativo a diplomata. Isso porque estes cargos pagam, em média, 59 por cento a mais do que um emprego na iniciativa privada, segundo estudo deste ano publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística".
A máquina estatal oferece estabilidade no emprego e benefícios na maioria das vezes superiores aos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), legislação que rege os empregados da iniciativa privada.
O coordenador da Rede Educacional Alub, Franklin Andrejanini, voltada à preparação para concursos públicos, diz que desde o ano passado há uma queda considerável no número de matrículas.
“Quando Temer entra, instaura de cara um programa de demissões voluntárias em algumas estatais, então, você já começa a ver uma linha de concursos que começa a morrer, como é o caso dos bancos públicos”, afirmou Andrejanini.
De acordo com a Bloomberg o Brasil tem 151 estatais que empregam mais de meio milhão de pessoas, segundo a organização Contas Abertas, comandada pelo economista Gil Castelo Branco, um cão de guarda das contas do governo. De acordo com os cálculos da entidade, estas empresas têm orçamento de aproximadamente R$ 1,2 trilhão ao ano.
PARAÍSO DA CORRUPÇÃO
“Há sentido em ter 151 empresas estatais? Com o Estado grande, elas se tornam um paraíso para os corruptos. A solução para isso, sem dúvida nenhuma, é a privatização. O Estado brasileiro, e não me refiro só às estatais, é coorporativo e ineficiente”, afirmou Castelo Branco.
Há casos emblemáticos da cultura de benefícios concedidos aos servidores públicos. Na Empresa Brasil de Comunicação, a TV estatal, os funcionários recebem dois bônus extras de R$ 1.000 em julho, apelidado de “vale-canjica, e outro no mesmo valor em dezembro, o ‘‘vale-peru’’.
Na Infraero, servidores têm vale-alimentação e vale-refeição inclusive nas férias, dois planos de saúde, além de auxílios-babá e combustível.
A Casa da Moeda emprega dezenas de médicos, dentistas, nutricionistas e massagistas para seus 2.700 funcionários, além do plano de saúde a que os servidores têm direito. No ano passado, pela primeira vez desde o lançamento do Real em 1994, o Banco Central foi autorizado a importar notas de dinheiro porque as produzidas pela estatal estavam mais caras. A importação resultou em um desconto de quase 20 por cento em relação ao preço que a Casa da Moeda ofereceu, segundo a assessoria de imprensa do BC.
Outra empresa pública cujo corte de vantagens está em andamento é os Correios. Ao longo dos últimos 30 anos, a estatal garantiu a seus funcionários uma gama de benefícios muito além dos previstos na CLT, mas que hoje são responsáveis pelas dívidas da empresa. Dentre eles, estão vale-refeição durante as férias, adicional de 70% do salário neste mesmo período (na iniciativa privada este aporte é de 30%), e vale-cultura de R$ 50,00.
Os Correios estiveram na mira da gestão Michel Temer para serem privatizados, mas o quadro de pessoal inchado, os sucessivos déficits anuais, a dificuldade de reinventar a tarefa de uma estatal com monopólio de entrega de cartas – um mercado em queda -, e a alta despesa com o plano de saúde bancado pela empresa paralisaram a estratégia.
MAMATA VERGONHOSA
Bloomberg informa que a redução do benefício aos 141.872 funcionários ativos e aposentados está sendo mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho por falta de acordo. O plano é gratuito e estendido aos filhos, cônjuges e pais dos servidores, atingindo um total de 399.924 beneficiários. A conta para a empresa ao ano é de R$ 1,86 bilhão. A direção da estatal propôs a manutenção da gratuidade aos servidores, mas o pagamento de uma taxa para cada dependente.
O sindicato dos funcionários dos Correios reage à tentativa de modificar o plano de saúde, explica a Bloomberg. Argumenta que os empregados da empresa têm os salários mais baixos das estatais federais e que nas negociações coletivas de trabalho eles optam pela concessão de benefícios em troca de um reajuste salarial menor.
‘‘Entendemos a importância de se adotar medidas que preservem a sustentabilidade dos Correios, mas não serão aceitas redução de direitos para penalizar os trabalhadores’’, sustenta Suzy Cristiny, secretária de imprensa da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares.
O argumento dos salários mais baixos entre as estatais federais não sensibiliza o presidente dos Correios, Guilherme Campos, que assumiu a presidência no ano passado com a missão de acabar com o déficit da empresa.
‘‘Poderíamos simplesmente cortar todos os benefícios, mas não é correto agir desta forma. Estamos negociando, mas se não houver redução do custo da empresa, o futuro dela é fechar as portas’’, disse Campos à Bloomberg.
* Transcrito do http://www.jb.com.br/pais/noticias/2017/09/26/bloomberg-o-fim-da-cultura-de-beneficios-no-servico-publico-do-brasil/
JESUS E A POMBA DE STALIN - 28/09/2017
Quando Cristo disse: “Na verdade amais o que deveríeis odiar, e odiais o que deveríeis amar”, Ele ensinou da maneira mais explícita que os sentimentos não são guias confiáveis da conduta humana: antes de podermos usá-los como indicadores do certo e do errado, temos de lhes ensinar o que é certo e errado. Os sentimentos só valem quando subordinados à razão e ao espírito.
Razão não é só pensamento lógico: reduzi-la a isso é uma idolatria dos meios acima dos fins, que termina num fetichismo macabro. Razão é o senso da unidade do real, que se traduz na busca da coesão entre experiência e memória, percepções e pensamentos, atos e palavras etc. A capacidade lógica é uma expressão parcial e limitada desse senso. Também são expressões dele o senso estético e o senso ético: o primeiro anseia pela unidade das formas sensíveis, o segundo pela unidade entre saber e agir. Tudo isso é razão.
Espírito é aquilo que inspira a razão a buscar a chave da unidade da visão do mundo no supremo Bem de todas as coisas e não num detalhe acidental qualquer, tomado arbitrariamente como princípio de explicação universal, como algumas escolas filosóficas fazem com a linguagem, outras com a História, outras com o inconsciente etc. O espírito é o topo do edifício da razão, que por ele se abre para o sentido do Bem infinito, libertando-se da tentação de enrijecer-se num fetichismo trágico ou utópico.
Nem a razão nem o espírito se impõem. Só nos abrimos a eles por livre vontade. A abertura para a razão vem essencialmente da caridade, do amor ao próximo, pelo qual o homem renuncia a impor seu desejo e aceita submeter-se ao diálogo, à prova, ao senso das proporções e, em suma, ao primado da realidade. A abertura para a razão é educação. Educação vem de ex ducere, que significa levar para fora. Pela educação a alma se liberta da prisão subjetiva, do egocentrismo cognitivo próprio da infância, e se abre para a grandeza e a complexidade do real. A meta da educação é a conquista da maturidade. O homem maduro — o spoudaios de que fala Aristóteles — é aquele que tornou sua alma dócil à razão, fazendo da aceitação da realidade o seu estado de ânimo habitual e capacitando-se, por esse meio, a orientar sua comunidade para o bem. Este ponto é crucial: ninguém pode guiar a comunidade no caminho do bem antes de tornar-se maduro no sentido de Aristóteles. Líderes revolucionários e intelectuais ativistas são apenas homens imaturos que projetam sobre a comunidade seus desejos subjetivos, seus temores e suas ilusões pueris, produzindo o mal com o nome de bem.
A abertura ao espírito é um ato de confiança prévia no bem supremo da existência, ato sem o qual a razão perde o impulso ascendente que a anima e, fugindo do infinito, se aprisiona em alguma pseudototalidade, mais alienante ainda que o egoísmo subjetivo inicial. O nome religioso desse ato de confiança é fé, mas a confiança que eleva a razão à busca do infinito transcende o sentido da mera adesão a um credo em particular e tem antes uma dimensão antropológica: tudo o que o ser humano fez de bom, fez movido pela fé e por meio da razão.
O espírito e a razão educam os sentimentos. Os sentimentos do homem amadurecido pelo espírito e pela razão são diferentes dos do homem imaturo, porque aquele ama o que deve amar e odeia o que deve odiar, enquanto o segundo ama ou odeia às tontas, segundo as inclinações arbitrárias da sua subjetividade moldada pelas pressões e atrativos do meio social.
Mas o que atrai a alma para a abertura ao espírito e à razão é a esperança, e o despertar da esperança é um mistério. Homens submetidos à mais dura opressão e aos mais tormentosos sofrimentos conservam sua esperança, enquanto outros a perdem à primeira frustração de um desejo tolo. A esperança não está sob o nosso controle. Seu advento depende do espírito mesmo, que sopra onde quer. Todos os enredos humanos, da vida e da ficção, giram em torno do mistério da esperança.
A esperança, a fé e a caridade educam os sentimentos para o amor ao que deve ser amado. O culto idolátrico dos sentimentos é um egocentrismo cognitivo, um complexo de Peter Pan que recusa a maturidade. Quanto mais o homem busca afirmar sua liberdade por meio da adesão cega a seus sentimentos e desejos, mais se torna escravo da tagarelice ambiente. O caminho da liberdade é para cima, não para baixo. Libertar-se não é afirmar-se: é transcender-se.
Das várias formas de escravidão a que o homem se sujeita pelo culto dos sentimentos, a pior é a escravidão às palavras. Por meio do falatório em torno o homem pode ser adestrado para ter certos sentimentos e emoções à simples audição de determinadas palavras, independentemente dos fatos e do contexto. Paz e guerra, por exemplo, suscitam reações automáticas. Por isso as massas imaturas aceitam com a maior credulidade os novos regimes de governo que prometem acabar com as guerras e instaurar a paz. Mas é só nominalmente que guerra significa morticínio e paz significa tranqüilidade e segurança. As guerras, no século XX, mataram 70 milhões de pessoas. É muita gente. Mas 180 milhões, mais que o dobro disso, foram mortos por seus próprios governos, em tempo de paz e em nome da paz. O homem maduro sabe que as relações entre guerra e paz são ambíguas, que só um exame criterioso da situação concreta permite discernir a dosagem do bem e do mal misturados em cada uma delas a cada momento. Ele sabe que a Pomba da Paz, oferecida à adoração infantil nas escolas, foi um desenho encomendado a Pablo Picasso por Josef Stalin com o intuito de fazer com que o símbolo da Pax soviética — a ordem social totalitária construída sobre trabalho escravo, prisões em massa e genocídio — se sobrepusesse, na imaginação dos povos, ao símbolo cristão do Espírito Santo. O homem maduro sabe que, tanto quanto a Pomba da Paz, também manifestos pela paz, discursos pela paz e até missas pela paz são, muitas vezes, blasfêmias e armas de guerra. No dicionário, os sentidos da guerra e da paz estão nitidamente distintos, mas o homem maduro não se refugia da complexidade das coisas no apelo pueril a absolutos verbais.
Igualdade, liberdade, direito, ordem, segurança e milhares de outras palavras foram também incutidas na mente das massas como programas de computador para acionar nelas automaticamente as emoções desejadas pelo programador, fazendo com que amem o que deveriam odiar e odeiem o que deveriam amar. Até a esperança, chave da fé e da caridade, se torna aí uma arma contra o espírito, quando se coisifica na expectativa de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa ou, no fim das contas, de ganhar mais dinheiro. Jesus deixou claro que não era nenhuma dessas esperanças a que Ele trazia. Era a esperança de fazer de cada um de nós um novo Cristo, encarnação e testemunha do espírito. Quem aceitar menos que isso só ganhará, em vez da paz de Cristo, uma bandeirinha da ONU com a pomba de Stalin.
*Publicado originalmente em O Globo, 20 de outubro de 2001 e em http://www.olavodecarvalho.org/jesus-e-a-pomba-de-stalin/
SANTANDER E A LIÇÃO DAS PESSOAS COMUNS - 17/09/2017
(Publicado originalmente no Mídia Sem Máscara)
O banco Santander promoveu a exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, valendo-se do investimento de quase R$ 1 milhão com os benefícios fiscais da Lei Rouanet.
Rapidamente a exposição passou a ser alvo de protestos nas redes sociais, sob a alegação de que ela promoveria obras que incentivavam a pedofilia, a zoofilia e o escárnio ao cristianismo.
A repercussão foi tão negativa que o Santander decidiu encerrar a exposição um mês antes, não sem os gritos de “censura” e “conservadorismo” de alguns.
Como é praxe nesses casos, os “considerandos” da exposição foram tecidos com base na novilíngua de forma tão críptica que chega a descer inócua por quem se dispõe a ler. Mas vale sempre a máxima que qualquer sábio iletrado do nosso sertão conhece e que deveria ser ensinada desde o pré: a árvore se conhece pelos frutos.
Se a falta de glamour da fonte incomoda, recorde-se que Shakespeare disse a mesma coisa por intermédio de sua Julieta: "o que há num nome? aquilo a que chamamos rosa, por qualquer outra palavra, exalaria perfume igualmente doce” .
E qual o cheiro de algumas das obras da exposição em voga? Cada um decide.
A exposição é chocante? Nem um pouco. É só mais do mesmo: atacar o cristianismo, atacar valores caros para muitas pessoas, e sexo, muita exposição gratuita de sexo, inclusive com animais. É uma tentativa que está pelo menos trinta anos atrasada, porque me lembro de ver críticas mais inteligentes e chocantes na minha infância assistindo TV Pirata, quando meus pais tinham que inventar uma explicação para uma piada adulta que, obviamente, eu não entendera.
Ora, os apoiadores da Queermuseu deveriam estar satisfeitos. Se o objetivo da arte é suscitar o debate, ele foi alcançado. Agora, se o objetivo é conduzir a mentalidade das pessoas para caminhos pré-traçados por uma minoria, aí talvez não tenha funcionado mesmo.
Dessa vez não houve o monopólio do discurso. De forma espontânea, as pessoas entenderam que poderiam criticar a exposição, e, sim, crítica não é censura.
Mais ainda, elas perceberam que, se não gostavam de algo, não precisavam financiá-lo. Anos de aparelhamento intelectual parecem ruir lentamente quando o “homem comum” resolve dizer “não”, seja ao estado, seja às grandes corporações, seja às cartilhas ideológicas gestadas por seletos grupos.
Desnecessária nesse caso a intervenção de políticos ou o uso do Judiciário, este último símbolo do grande paternalismo nacional com seus 80 milhões de processos, considerando que a sociedade prefere judicializar qualquer questão, de briga de vizinho a eutanásia, e terceirizar o rumo de suas vidas a uma turma, a debater racionalmente o assunto.
Milhares de correntistas do banco disseram: “Ei, não queremos financiar isso. Vamos procurar algum outro banco”.
O Santander, instituição privada que é, percebeu que a ideia que parecia genial gestada no ar condicionado entre um cafezinho e outro, como qualquer flor de estufa, não resistiu ao primeiro vento de realidade.
Foi censura? Não. Censura é a análise da obra artística por um censor baseando-se em critérios morais e/ou políticos para a liberação ao público.
As obras podem ser expostas, só que os correntistas do Santander, e mais um monte de gente, não querem financiar isso. Os artistas podem usar seu próprio dinheiro e espaço para fazê-lo, ou achar quem queira. Ninguém irá impedi-los, isto é, censurá-los. As obras podem ser expostas.
Cada um é livre para expressar o que der vontade, dentro da lei, mas não pode obrigar ninguém a financiar ou assistir isso. Simples. Claro. Cartesiano.
A dificuldade em aceitar que o outro também pensa é fruto de décadas de grupos e cartilhas dominando o cenário “intelectual” da Terra de Santa Cruz.
Agora que as pessoas “comuns”, isto é, não dotadas do “gênio artístico” avalizado pela “consagrada crítica”, aprenderam a dizer “não”, aqueles que não conseguem disfarçar a sensação de superioridade que nutrem com relação ao resto da humanidade se indignam com a rebeldia da ralé que se recusa ser iluminada.
É um discurso esquizofrênico, porque as premissas sempre foram: a arte suscita a crítica, e a crítica está ocorrendo, e qualquer pessoa pode interpretar uma obra como quiser, o que tem sido feito, então por que a indignação?
A diferença entre o ocorrido no caso Santander fica bem clara quando comparado com o episódio em que tentaram censurar, e este é o termo, Monteiro Lobato, banindo suas obras das escolas públicas.
A pantomina chegou a tal nível de obra kafkiana que, não obstante a questão tenha sido discutida no âmbito do Ministério da Educação, que negou a censura, houve a propositura de uma ação no Supremo Tribunal Federal com a intenção de forçar o estado a impedir a leitura de tais livros.
Pode pesquisar no Google. Sério.
Admirável Mundo Novo, 1984 e Brazil, o Filme, mandaram lembranças saudosas.
De todo modo, o que se extrai de mais importante disso tudo é que nenhum de nós é irrelevante. Mesmo uma onda é formada por suas gotas.
Você só pode responder por suas ações, e não pelo outro, e entender isso aborta o germe de ditador e vítima dentro de você.
Vinte mil pessoas apagando as luzes ao saírem de um ambiente, fechando a torneira ao escovar os dentes, dizendo “obrigado”e “por favor”, não praticando pequenos atos de corrupção ou deixando de gastar o seu dinheiro nos lugares que vilipendiam seus valores: o mundo pode mudar.
E já que falamos de críticas à religião, é oportuno recordar que Buda lecionava que não se deve acreditar em algo porque alguém disse ou porque está num livro, mas somente após o escrutínio racional, livre das paixões e guiado pelo bem, deve-se chegar a uma conclusão.
Se, por sorte, você encontrar mais pessoas que compartilhem desses valores e decidam trocar discursos de ódio e vitimismo por ações de ética e compaixão… que mundo podemos ter?
Livros, filmes, peças de teatro, discursos… vê quem quer. Se ninguém quiser ver, que pena. Somente estados ditatoriais impõem ao seu povo uma cultura, uma cartilha e uma ideologia. Liberdade é poder escolher, ainda que as escolhas não agradem.
TOCAR UM TANGO ARGENTINO - 09/09/2017
Rodrigo Janot, nos seus 10 últimos dias como Procurador-Geral e na última sessão como Presidente do Conselho Federal do Ministério Publico, confessou que fizera o anúncio de véspera não por coragem, mas por medo de errar. Ele se referia à revelação, descoberta pela Polícia Federal em gravações telefônicas, de que seu auxiliar, o procurador Marcelo Miller, já orientava a JBS nos acordos de leniência e delação premiada, mesmo antes de se retirar para trabalhar no escritório que negociou esses instrumentos. Com isso, confirmou a ilação de Temer, de que Marcelo Miller saíra da PGR para ganhar um dinheirão e costurar o acordo com a empresa dos irmãos Batista. Janot deve ter tido medo de ser acusado de omissão pela nova equipe da Procuradoria-Geral, que assume dia 18. Fica melhor ter coragem de revelar tudo agora, enquanto é o chefe.
Marcelo Miller teria cometido o crime de improbidade, e isso seria descoberto mais cedo ou mais tarde. E Janot o de omissão, se deixasse o cargo sem denunciar isso. Ou foi ingênuo e agiu de boa-fé, o que é pecado para quem tem que ser um cético guardião da lei. O anúncio de Janot preveniu o que iria aparecer mais tarde, na administração de Raquel Dodge. Acordos de leniência e de colaboração premiada viciados, pelo jeito. E homologados pelo relator Ministro Fachin. Deixou mal o relator. Imagino Temer, lá na China, depois de declarar que recebe tudo “com serenidade”, subindo para o quarto do hotel, fechando-se no banheiro e dando barrigadas de tanto rir.
Fico imaginando o prejuízo causado ao país por esse apressado acordo de delação, movido pelo desejo de atirar flechas enquanto houver bambu. Em maio, quando a economia se recuperava, sado-masoquistas chamaram o Joesley e os números do PIB desandaram, assim como a confiança dos investidores. Agora se recupera de novo, de modo mais firme, com a bolsa, a queda de juros, os valores ainda decimais do PIB, a recuperação do emprego e a atlética balança comercial, mesmo sob a ameaça de mais flechas. Mas a corda do arco de Janot ficou frouxa e dificilmente suas flechas terão força nesses derradeiros dias. Quem paga o prejuízo econômico e do emprego, por atrapalhar a recuperação? E daqui a pouco ainda saberemos a real história da mala de Rocha Loures: para que existiu?
Por falar em mala, a Polícia Federal descobriu num apartamento usado por Geddel Vieira Lima em Salvador, um depósito de dinheiro que parece a sala de banho do Tio Patinhas. Sete malas e seis caixas de papelão abarrotados com notas de cem e cinquenta reais que, segundo a polícia, vieram dos tempos em que Geddel fora vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Com todas essas tristes surpresas diárias, fico comparando o Brasil com o enfermo Manuel Bandeira, em seu poema Pneumotórax”:
O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
DE PEDRA A VIDRAÇA - 08/09/2017
É o caso de perguntar: se não tivesse se sentido obrigado a levar a público a espantosa gravação, descoberta pela Polícia Federal, que expõe a conspirata de Joesley Batista para demolir os alicerces da República, livrando-se ao mesmo tempo dos muitos crimes que cometeu, teria Rodrigo Janot se decidido a apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF), no mesmíssimo dia, denúncia contra os dois ex-presidentes da República petistas? Com essa denúncia tão flagrantemente atrasada - pois se refere aos principais responsáveis pelos atos ilícitos que originaram as investigações da Operação Lava Jato - Rodrigo Janot provavelmente almeja deixar a cena pública sob a aura da coragem e da imparcialidade no desempenho de suas responsabilidades institucionais. Haverá quem compre essa versão. Mas nada evitará que essa triste figura venha a ser lembrada na história da República como a de um oportunista desastrado que não ficou conhecido pelo cuidado no manejo dos instrumentos legais a serviço de sua função de procurador-geral da República.
De qualquer modo, seja porque a falta de rigor jurídico na montagem de peças acusatórias é uma característica resultante das limitações profissionais de Janot, seja porque às vezes ele julgue ser capaz de calibrar os fatos para provocar sentenças de seu agrado, será necessário esperar a manifestação do STF sobre a denúncia contra a quadrilha de que Lula é o “grande idealizador”. Mas mesmo então não ficarão claras as razões, do ponto de vista exclusivamente jurídico, que levaram o procurador-geral da República a apresentar a peça acusatória contra Lula et caterva no exato momento em que a grande expectativa nos círculos políticos e na opinião pública girava em torno da desesperada defesa que fazia de si mesmo e de seus atos, depois de conhecida a última inconfidência do açougueiro de Anápolis.
A denúncia contra Lula e seus correligionários é a quarta a ser apresentada pela PGR ao STF tratando de “quadrilhas” montadas por políticos para assaltar os cofres públicos. As outras três investigam os políticos do PP, do PMDB do Senado e do PMDB da Câmara. A demora na apresentação da denúncia contra a “quadrilha” petista é estranha porque, como o próprio Rodrigo Janot reconhece, esse grupo criminoso atua desde que o PT chegou ao poder: “Lula foi o grande idealizador da constituição da presente organização criminosa”, diz a denúncia, “na medida em que negociou diretamente com empresas privadas o recebimento de valores para viabilizar sua campanha eleitoral à Presidência da República em 2002 mediante o compromisso de usar a máquina pública, caso eleito (como o foi), em favor dos interesses privados deste grupo de empresários. Durante sua gestão, não apenas cumpriu com os compromissos assumidos junto a estes, como atuou, diretamente e por intermédio de Palocci, para que novas negociações ilícitas fossem entabuladas como forma de gerar mais arrecadação de propina”.
A gravidade dos fatos denunciados pela PGR a respeito de Lula e seus comparsas só pode surpreender a quem não conhece ou prefere esquecer o julgamento do mensalão, que culminou em dezembro 2012, quando a presidente já era Dilma Rousseff, com a condenação dos “guerreiros do povo brasileiro”, a então cúpula petista, por crimes como lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, peculato e gestão fraudulenta. Esse escândalo foi então considerado “o maior da história” no gênero. Tratava-se apenas do início do assalto aos cofres públicos sob o comando do PT no governo, que se ampliou com o chamado petrolão e resultou na Operação Lava Jato.
Essa é a primeira denúncia de Janot atingindo Lula, numa ação penal que tramita no STF porque um dos réus, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), tem direito a foro privilegiado. Na primeira instância, no caso do triplex no Guarujá, Lula foi julgado e condenado 20 meses após a apresentação da denúncia. Mas só agora chega ao STF a acusação de que Lula chefia uma quadrilha. Até a terça-feira passada, Rodrigo Janot não teve pressa. A sangria desatada ocorreu quando o procurador-geral, objeto da incontinência verbal de Joesley Batista, de pedra virou vidraça.
A CARAVANA DO FARSANTE - 30/08/2017
Muito vem sendo comentado sobre a caravana de Lula pelo Nordeste. Já apareceu em Alagoas com Renan Calheiros e o filho governador e seguiu seu périplo pela região.
Vem sendo apresentados vídeos na internet como sendo de sua caravana que impressionam pela baixa afluência de público. Em um deles, filmado amadoristicamente por um popular, a caravana aparece em uma avenida, separada do cinegrafista por cem metros de terreno baldio cercado com arame. Na caravana, veem-se algumas carroças, um jegue, umas poucas motos e meia dúzia de carros seguindo o ônibus.
A pessoa que está filmando do telhado de uma casa modesta, em dado momento desvia a câmera e mostra uma mulher vestida com simplicidade, de chinelos, às gargalhadas para o cinegrafista, enquanto aponta a minguada caravana. O cinegrafista exclama, com acentuado sotaque nordestino: – Acabô! Acabô! – ante o fraco cortejo que não conseguiu arrastar quase ninguém para receber Lula.
Noutro vídeo, aparece o interior do ônibus de Lula chegando em outra cidade. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, está fazendo pelo celular uma transmissão ao vivo da chegada. Populares cercam o ônibus para ver Lula. O motorista pergunta:
– O presidente vai sair?
Lula faz menção de descer, mas recua. Irritado, responde em alto e bom som:
– Nesta porcaria aí não! – O assessor, visivelmente intimidado, intervém:
– A polícia federal tá… A polícia federal tá aí… – referindo-se a escolta que os acompanhava. Furioso, Lula passa uma carraspana repleta de palavrões no assessor, que estava gravando tudo com o celular. Resmunga, furioso:
– Eu queria ver você ter sensibilidade de ver a cara do povo de uma cidade que você não conhece e ter que encarar …- Quando repara que o assessor está gravando, irrita-se mais ainda e diz: – Você está aí na porra desse celular fazendo o que ?? Ah, ‘caraio’!!!
Enquanto isso, Gleise Hoffmann, que continuava fazendo sua transmissão ao vivo, tenta disfarçar mas atrapalha-se:
– O presidente … uma pessoa tava aqui, tentando mostrá… lá embaixo, …O pessoal ‘tava’ aqui esperando na entrada da cidade… – guagueja Grace em sua transmissão. Ouve-se Lula ao fundo, ainda resmungando:
– Não é possível, um povo insuportável, chato desse… Olha aí… o tanto de vagabundo… Dá uma olhada aí nesse povo aí dessa cidade… – Acha aí um… um véio nessa cidade, tira uma foto pra saí lá (nas redes sociais) e pronto.
Isso é fato. O vídeo é real e está disponível na internet. Um vexame.
Gleise continuava tentando sair de sua transmissão:
– Muita emoção, gente! Chegá aqui e vê o pessoal andando… andando a cidade inteira prá ver o presidente Lula. Muito legal isso! Muito bom! – diz ele, visivelmente embaraçada.
Patético. Seria risível se não fosse trágico. Mas isso não é nada, para quem já roubou até os aplausos de Kofi Annan em uma Assembleia da ONU.
Lula será sempre uma farsa.
(Publicado originalmente em https://eniomeneghetti.com/)
CITAÇÕES ELUCIDATIVAS - 29/08/2017
O comunismo pelos comunistas e pelos não comunistas
Como todos os maiores jornais, revistas, canais de TV e universidades deste país acham uma questão de honra não só tratar os comunistas como pessoas de bem, mas insistem sempre em contratar algumas dúzias deles, pagando-lhes altos salários para que adornem o comunismo e sua história com as cores das mais altas virtudes morais e teologais, julguei oportuno reproduzir aqui algumas declarações típicas do pensamento comunista, para que os leitores que ainda o ignoram saibam, afinal, do que se trata:
• "Precisamos odiar. O ódio é a base do comunismo. As crianças devem ser ensinadas a odiar seus pais se eles não são comunistas." (V. I. Lênin)
• "Somos favoráveis ao terror organizado – isto deve ser admitido francamente." (V. I. Lênin)
• "O comunismo não é amor. É o martelo com que esmagamos nossos inimigos." (Mao Dzedong)
• "O ódio intransigente ao inimigo, que impulsiona o revolucionário para além das limitações naturais do ser humano e o converte em uma efetiva, seletiva e fria máquina de matar: nossos soldados têm de ser assim." (Che Guevara)
• "Até agora os camponeses não foram mobilizados, mas, através do terrorismo e da intimidação, nós os conquistaremos." (Che Guevara)
• "Aos slogans sentimentalistas da fraternidade, opomos aquele ódio aos russos, que é a principal paixão revolucionária dos alemães. Só conseguiremos garantir a Revolução mediante a mais firme campanha de terror contra os povos eslavos." (Friedrich Engels)
• "A principal missão dos outros povos (exceto os alemães, os húngaros e os poloneses) é perecer no Holocausto revolucionário... Esse lixo étnico continuará sendo, até o seu completo extermínio ou desnacionalização, o mais fanático portador da contra-revolução." (Karl Marx)
Diante dos feitos dessas criaturas, nem todos os observadores tiraram conclusões simpáticas como aquelas que são diariamente repassadas ao nosso público como verdades de Evangelho pelo establishment jornalístico e educacional. Vejam aqui alguns exemplos:
• "Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade." (Fernando Pessoa)
• "Um comunista é como um crocodilo: quando ele abre a boca, você não sabe se ele está sorrindo ou preparando-se para devorar você." (Winston S. Churchill)
• "Ninguém pode ser comunista e preservar um pingo de integridade pessoal." (Milovan Djilas)
• "Comunismo é barbárie." (James Russell Lowell)
• "Eles (os comunistas) não precisavam refutar argumentos adversos: preferiam métodos que terminavam antes em morte do que em persuasão, que espalhavam antes o terror do que a convicção." (Hannah Arendt)
• "A política gnóstica (nazismo e comunismo) é autodestrutiva na medida em que seu desrespeito pela estrutura da realidade leva à guerra contínua: o sistema de guerras em cadeia só pode terminar de duas maneiras: ou resultará em horríveis destruições físicas e concomitantes mudanças revolucionárias da ordem social, ou, com a natural sucessão de gerações, levará ao abandono do sonho gnóstico antes que o pior tenha acontecido." (Eric Voegelin)
• "No meu estudo das sociedades comunistas, cheguei à conclusão de que o propósito da propaganda comunista não era persuadir, nem convencer, nem informar, mas humilhar e, para isso, quanto menos ela correspondesse à realidade, melhor. Quanto as pessoas são forçadas a ficar em silêncio enquanto ouvem as mais óbvias mentiras, ou, pior ainda, quando elas próprias são forçadas a repetir as mentiras, elas perdem de uma vez para sempre todo o seu senso de probidade... Uma sociedade de mentirosos castrados é fácil de controlar." (Theodore Dalrymple)
• "Chegamos ao extremo limite dos horrores com o comunismo, o socialismo, o niilismo, deformidades horríveis da sociedade civil e quase a sua ruína." (Leão XIII)
• "O comunismo destitui o homem da sua liberdade, rouba sua personalidade e dignidade e remove todas as travas morais que impedem as irrupções do instinto cego." (Pio XI)
12 de Fevereiro de 2009
AGRESSÃO DE ALUNOS CONTRA PROFESSORES: CAUSAS E RESPONSABILIDADES - 28/08/2017
Os últimos dias foram de intenso debate nas redes sociais, por conta da abominável agressão feita por um aluno à Professora Marcia Friggi, em Santa Catarina.
De tudo que ouvimos e lemos na mídia, praticamente ninguém foi aos pontos centrais da questão:
a) qual a causa principal de tantos alunos indisciplinados nas escolas?
b) quem são os verdadeiros responsáveis pela educação moral dos alunos?
c) como proceder nos casos de indisciplina grave ou agressões efetuadas pelos alunos?
No mundo do ensino temos há décadas uma monstruosa confusão que colabora para a causa principal do problema citado acima: é a ideia de que o Ministério Educa, a Secretaria Educa e o Professor educa.
Conforme o filósofo Armindo Moreira diz em seu livro Professor não é Educador: “qualquer atividade precisa de disciplina e respeito pelas pessoas, para que possa ser exercida. Quem não sabe disso? Por que confundir a disciplina e o respeito exigidos numa atividade com a missão de educar?” .
Ora, esta confusão, aliada a outras teorias postas em prática igualmente há décadas, acabaram por levar um expressivo número de pais a acreditar que eles não seriam mais os RESPONSÁVEIS pela educação moral dos filhos; que isto seriaresponsabilidade da escola. E, agora, quando um menor de idade não aprende as primeiras noções de respeito à autoridade dos pais dentro dafamília, muito provavelmente ele será mal-educado também na escola e um futuro adulto mal-educadotambém na sociedade.
Nossa legislação em vários níveis deixa claríssimo quem são os verdadeiros responsáveis pela educação moral dos alunos, quais sejam: os pais.
O novo Código Civil, diz isto claramente:
“Art. 1.634.Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos: (Redação dada pela Lei nº 13.058, de 2014)
I - dirigir-lhes a criação e a educação; (Redação dada pela Lei nº 13.058, de 2014)”
Obviamente, a EDUCAÇÃO a que esta lei se refere se trata da educação moral! E não da instrução formal da escola.
Já a Lei 8.069 de 13 de Julho de 1990 (Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA) diz:
“Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.
Parágrafo único. A mãe e o pai, ou os responsáveis, têm direitos iguais e deveres e responsabilidades compartilhados no cuidado e na educação da criança, devendo ser resguardado o direito de transmissão familiar de suas crenças e culturas, assegurados os direitos da criança estabelecidos nesta Lei” (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)..
Evidentemente, esta educação a que o ECA se refere é a moral, pois a instrução das disciplinas curriculares cabe à escola. Pois, se a autoridade natural que pais têm sobre os filhos não for exercida dentro de casa, o resultado será a criação de filhos mal-educados!
Assim sendo, quem responde pelos atos destes, enquanto menores, são os seus verdadeiros educadores: os pais.
“Pela ordem natural da vida, os pais são responsáveis por toda atuação danosa atribuída aos seus filhos menores de idade por meio de sua qualidade de autoridade parental. Para Sérgio Cavalieri Filho:
Essa espécie de responsabilidade tem por fundamento o vínculo jurídico legal existente entre pais e filhos menores, o poder familiar, que impõe aos pais obrigações várias, entre as quais a de assistência material e moral (alimentos, educação, instrução) e de vigilância, sendo esta nada mais que um comportamento da obra educativa. (CAVALIERI FILHO, 2014, p. 239).”
Quanto a isto, o STF (Supremo Tribunal Federal) é claro ao explicitar quem são os responsáveis pelos menores de idade - e, como consequência, pela educação moral destes:
“O artigo 112 da Lei 8.069 [ECA] estabelece as medidas que poderão ser aplicadas pela autoridade competente. Em seu inciso II, menciona a obrigação de reparar o dano, que não tem natureza penal, e é disciplinada pelo Código Civil, que assim dispõe:
Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
(...)
Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos.
Assim, na esfera cível, os pais são responsáveis pela obrigação de reparar o dano resultante da conduta do filho, ainda que não lhes seja atribuível culpa.”
Caso os professores fossem educadores, caberia a estes professores-educadores serem responsabilizado pelos atos ilícitos de seus pupilos! A teoria (de que caberia aos professores serem educadores) acaba “irresponsabilizando” os pais pela educação de seus filhos. E, a irresponsabilização dos pais pela educação dos seus filhos, acaba originando novos agressores!
A função dos professores é a de instruir, que significa“proporcionar conhecimentos e habilidades que permitam à pessoa ganhar seu pão e seu conforto com facilidade.
O professor não deve ser educador de seus alunos, pois a verdadeira função do professor é instruir. A missão de educar cabe à família.
Assim, cruzamos na vida com pessoas instruídas e mal educadas; e conhecemos analfabetos com esmerada educação.”
Portanto, como vimos na legislação e no parecer do renomado jurista supracitado (e há outros) cabe aos pais a educação dos filhos - e não aos professores!
Por conseguinte, a única defesa dos professores contra as agressões (físicas, morais ou patrimoniais) dos alunosé a responsabilização dos pais pela educação dos seus filhos.
Diante do exposto, os professores e diretores das escolas devem processar judicialmente aos verdadeiros educadores dos menores de idade mal-educados: pedindo a indenizações pelos danos (físicos, morais e patrimoniais) que os alunos venham a cometer.
A primeira providência, nestes acontecimentos, é fazer um Boletim de Ocorrência e coletar provas e testemunhas do ocorrido.
Essas provas e testemunhas, do ponto de vista de atos previsto no Código Penal, servem para que os juízes possam tomar medidas socioeducativas que digam respeito aos atos infracionais dos menores de idade mal-educados.
Do mesmo modo, quanto aos aspectos cíveis (que implicam indenizações), os professores e diretores também devem processar os educadores dos menores de idade (ou seja, os seus pais ou responsáveis) - pedindo reparações monetárias pelos danos causados pelos alunos mal-educados aos seus legítimos educadores!
Se assim não for, de que forma poderemos RESPONSABILIZAR os pais para que cumpram com suas obrigações na educação moral dos filhos?
RELATIVISMO MORAL NAS ESCOLAS: ENSINAM AOS JOVENS QUE A CULPA É DA SOCIEDADE - 27/08/2017
(Publicado originalmente em https://www.institutoliberal.org.br/)
Um dos pilares primevos do socialismo moderno é o relativismo moral no seu nível mais boçal. Seguindo os últimos apontamentos de Marx, no livro A origem da família, da propriedade privada e do Estado, o marxismo moderno entendeu que a verdadeira luta não seria travada, de maneira essencial, no campo econômico ou militar, mas sim no campo cultural e moral. Em Autoridade e família de Max Horkheimer, já começa a guinada do comunismo para a batalha cultural; o que fundaria, logo após o entendimento dessa realidade, a Escola de Frankfurt e as demais agremiações acadêmicas dos neo-marxistas.
O marxismo passa, então, a vislumbrar o terreno moral como sendo o alvo de suas críticas e ataques; afinal, como bem entendeu Max Horkheimer, György Lukács, Antonio Gamsci, Willian Reich, Jacques Derrida, Judith Butler, entre outros: para que a revolução aconteça na economia e sociedade é necessário minar o campo moral que sustenta a cultura ocidental e as ações conservadoras dos indivíduos. Não quebrando a hegemonia moral da corrente judaico-cristã no ocidente, torna-se impossível esperar uma revolução socialista na sociedade enquanto tal; afinal, essa supraestruturamoral mantém a sociedade “entorpecida” numa mentalidade tipicamente tradicional e “burguesa”.
Uma das áreas vislumbradas por Max Horkheimer como sendo o ponto crucial que mantém em pé a sociedade “burguesa” é a escola, com todo o seu ensino tradicional baseado na estrutura de mundo ocidental judaico cristão: Filosofia Grega, Direito romano, Moral Cristã. Unido à escola, o filósofo marxista também via a família e as igrejas cristãs como sendo detentoras dos pilares do Ocidente burguês. Família, Igreja e Escola eram, em si, autônomas, instituições desvinculadas do Estado. Sendo assim, tomar o Estado antes de minar essas três áreas era uma estratégia equivocada, afinal, essencialmente dizendo, essas três instituições não responderiam livremente ao Estado e nem adotariam uma moral alternativa segundo apontamentos ideológicos do marxismo; a não ser, obviamente, pelo aparato ditatorial — o que já naquela época estava se mostrado uma via fracassada. Horkheimer entende que é preciso criar ideias, teorias e mitos para minar essa manta moral tradicional do Ocidente para que as ideias revolucionárias do socialismo vingassem de maneira homogênea.
Nessa missão silenciosa e bem entendida por parte dos teorizadores socialistas, décadas se passaram de um marxismo que corroía como cupim as estruturas da sociedade ocidental — baseando suas ações detratoras nesses três pilares acima citados: Família, Igreja e Escola.
Nas famílias nós vimos as inversões de paradigmas morais, as novas conceituações de famílias multiformes, poli-amor, teoria de gênero e toda sorte de discursos de amor livre foi criado para desmoralizar a família em seu seio — principalmente a partir do final da década de 60 até hoje. A dita “família tradicional” foi descartada como retrógrada, dona de uma mentalidade engessada, protetora de uma moral parva, patriarcalista e segregacionista; o homem foi posto como um mal em si, a paternidade vista como o estandarte do “patriarcalismo opressor”, ser hétero passa quase a ser sinônimo de estuprador. A mãe, dona de casa, passa a ser vista como o símbolo da mulher submissa, sem voz e escrava do homem, sujeita a toda sorte de abusos e violências. Mentalidade essa que criou mitos, como o de que famílias estruturadas são, em suma, raridades; enquanto que as “defeituosas” são a hegemonia.
No campo da Igreja, por sua vez, várias infiltrações pseudoteológicas aconteceram, como a teologia da libertação. O pensamento relativista figurou não somente entre assuntos mais fronteiriços, mas chegou ao âmago das crenças fundantes do cristianismo. Dogmas como o do valor da vida, a ressureição de Cristo, e sua deidade, a missão eclesial da Igreja, entre outras coisas foram colocadas em dúvida. Os homens da Igreja começam a repetir as teorias e propagandas tipicamente comunistas em seus sermões e passam a fazer dos púlpitos o pátio sindical. A Igreja Romana — nas vertentes contaminadas pela ideologia esquerdista — deixara a salvação das almas de lado para propor a salvação política e social; não lhe interessava mais a união sensata entre boa vivência virtuosa no imanente em direção ao transcendente, agora, talvez, o transcendente sequer exista ou nem seja importante tal plano. A Igreja, contaminada pelas batalhas ideológicas, passou a fazer comícios em seus altares e manifestos em seus documentos; da caridade evangélica passou a praticar discursos de proletário vs burgueses.
Na escola, por fim, arguiu-se que o docente deveria descer de seu lugar hierárquico e criar uma relação de igualdade com os alunos, ao ponto que não haveria distinção fundamental do conhecimento científico do professor e o conhecimento “prático” do aluno; como se saber soltar pipa demandasse o mesmo trabalho mental e investigações laboratoriais que se pede a um biólogo ao analisar células ou a um filósofo ao discursar sobre o Ser. Deram aos estudantes o direito de aprender — mais ou menos — segundo as suas supremas vontades, afinal, afirmar que o aluno deve saber calcular e ainda por cima usar a crase é deveras perturbador para a mente sensível do homem moderno. O aluno não deve mais arcar com a sua incompetência e seus desleixos frente aos estudos e tarefas, afinal, quantos problemas psicológicos e sociológicos surgiriam após uma nota 3 em geometria, ou um 4 em história, não é mesmo? E com isso a “progressão continuada” apareceu como um método de misericórdia sacrossanta no meio pedagógico, ceifando dos alunos a oportunidade mais rica que um homem pode ter na escola: a de arcar com as consequências de seus maus atos e displicências, a oportunidade de ele ser responsável e dono do próprio destino.
A escola é o lugar perfeito para propagar suas ideias como dogmas; entre os três pilares citados acima, onde o Estado consegue agir de maneira mais arguta e livre. Dessa maneira a pedagogia passa a ser o campo de ação principal do marxismo; incutir o relativismo moral frente ao ensino judaico-cristão ocidental, denegrindo assim as suas bases pedagógicas — hierarquia, honradez, respeito, organização espacial e prática das virtudes morais —, passa a ser o carro chefe do esquerdismo. Não à toa o marxismo reina soberano nas universidades atualmente, a moral judaico-cristã simplesmente foi destruída nesse meio. Recomendo a leitura de Radicais na universidade, de Roger Kimball, para melhor aprofundamento.
Na escola, o relativismo moral adquire contornos nefastos para a criança e o adolescente, pois, é na escola onde eles aprenderão como devem agir num convívio social real e como as balizas morais e éticas são importantes para a convivência minimamente ordenada no cosmo comunitário. Como argumenta Eric Voegelin, sem uma estrutura moral que transcende a sociedade é inútil falar em ordem ou ética.
Pois bem, mas já que a moral é sempre relativa, como arrogam os desconstrucionistas, não se pode afirmar nada com certeza — pois a certeza é, per se, intolerante — resta aos jovens elevarem os seus egos ao status de vontade divina, tornando os seus desejos o modelo supremo do que é certo e errado: jovem locuta, causa finita est. Se não há um conjunto de regras exteriores que a nos ordenam num impulso natural ao que é certo em retração ao que é errado, então será a nossa vontade que deve reger o ambiente no qual vivemos, será nosso ego a lei, nosso ego o Direito natural, e os demais que se adequem. Absolutamente todos os ditadores eram regidos por essa mentalidade.
O jovem moderno tornou-se um deus, foi incutido nele a mais tenra mentalidade egocêntrica que existe: o aluno que não conhece substancialmente nada e se acha bom o suficiente para revolucionar a terra; o jovem que não sabe sequer usar vírgulas quer mudar a história humana. Ele é um deus num trono de papel machê.
O aluno torna-se um escravo modelável perante as retóricas do professor-catequista que lhe transfere um conhecimento militante inócuo baseado somente numa visão diminuta de mundo; ao mesmo tempo em que cria no aluno a sensação de onipotência, onde seus atos, ainda que violentos e criminosos encontram-se amparados pelos afagos ideológicos que os sustentam perante a opinião pública. Para o socialismo, é bom lembrar, o que importa é o fim a ser alcançado e não a validade ética dos meios utilizados. Prova disso é a professora Marcia Friggi que foi agredida com socos em Santa Catarina por um de seus alunos; ela abertamente defendeu a atitude da estudante Alana Gabrielle de Oliveira que, poucos dias antes da agressão sofrida por ela, havia jogado um ovo no deputado federal, Jair Bolsonaro; obviamente que a ovada é bem diferente de um soco, e que, guardando devidamente a proporcionalidade dos casos, a ovada também é um tipo agressão. Se fosse a professora Marcia Friggi a levar a ovada não teria sido uma agressão? Longe de mim defender o deputado Bolsonaro, minhas opiniões sobre ele, aliás, são bem desfavoráveis; no entanto, a coerência ainda é um bem a ser preservado diante de minha consciência individual. E, antes que acusações me sobrevenham, eu não considero Marcia Friggi a culpada, óbvio que não é. Eu a considero tão vítima quanto um jovem islâmico que foi coaptado por uma mentalidade religiosa e política que o embebedou numa ideologia extremista e ilusória. Marcia Friggi só defende tal aparato ideológico, pois um dia ela mesma foi uma aluna doutrinada no sistema que acima denuncio.
Sob essa pedagogia amorfa, os docentes incutem nos jovens os anseios revolucionários que constantemente se transformam em ações violentas e criminosas; entretanto, quando um aluno joga um livro no rosto da professora e depois lhe soca o supercílio, ele está justamente exercendo seu dever de revolta contra o status quo que representa o docente dentro da sala de aula. É a prática daquilo que lhe é ensinado, é o estágio para os Black Blocs ou o MST.
Ou seja, reclamar do aluno agressor, sob a perspectiva revolucionária, é uma hipocrisia latente dos socialistas. Ora, a revolução sempre supõe a quebra de leis e destruição de certas propriedades e paradigmas; o aluno, instigado pelo impulso imoral que lhe foi transmitido, atacou a sua professora perante os aplausos da plateia revolucionária. Não à toa dizem que a revolução devora seus filhos.
Como se lia nos manifestos dos “black blocs” em 2013: “não se fazem omeletes sem quebrar ovos”, aludindo que a revolução requer que coisas sejam quebradas, como as vidraças na Av. Paulista ou faces de docentes. Dirão, porém, que o ato do aluno não foi revolucionário, mas criminoso; aí eu pergunto: qual exatamente é a diferença dos atos revolucionários dos socialistas e os atos tradicionalmente criminosos?
É deplorável a situação de uma professora ter seu supercílio aberto por um aluno criminoso; mas numa análise mais crítica e sincera, devemos ser frios e realistas, isso é consequência imediata de anos e mais anos de ideias parvas que relativizaram princípios basais da sociedade. Diariamente disseram aos jovens que a moral ocidental é uma opressão e um meio de escravidão, mas depois que eles agem de maneira rude e criminosa irão condená-los por não possuírem justamente a consciência moral que lhe fora negada? Relativizaram tudo, desde o valor intrínseco da vida fetal, até as bases hierárquicas de uma escola; agora se espantam com a ética imbecil que nutriram décadas a fio nas mentes juvenis?
O problema da retirada da hierarquia do meio social é esse: quando se quer evocar a posição e respeitabilidade de uma pessoa ou profissão, quando se quer proclamar uma injustiça ou uma imoralidade na sociedade, essa reivindicação encontra os risos irônicos daqueles jovens que aprenderam que nada está acima deles, que eles não devem satisfação a ninguém. Criamos uma geração que aprendeu que não há limites para seus apetites, desejos e vontades; que não são eles que devem arcar com as consequências de seus atos. Internalizaram nesses jovens a justificativa de seus fracassos. Eles agem de maneira parva por mil motivos: ambiente degradado, opressão capitalista, mau tratamento familiar, uma bronca que ele tomou aos 4 anos e internalizou no inconsciente, uma nota tacanha que lhe frustrou profundamente na 2ª série, um sorvete que lhe foi negado aos cinco anos; enfim, tudo justifica os seus atos vadios, menos os seus caracteres vazios e transviados, menos as suas inépcias em assumir os seus erros de maneira honrada. Aliás, o que seria a “honra” senão uma expressão moral da burguesia?
Os intelectuais ensinaram aos jovens que seus crimes não são culpa deles, e sim da sociedade que assim os formaram. Agora essa mesma corja de “inteligentinhos” se espanta com as barbáries advindas de suas teorias. Quem planta mandioca não colhe morangos.
O GRANDE MENTIROSO: COMO THEODOR ADORNO REDEFINIU O FASCISMO - 26/08/2017
Tanto o fascismo quanto o nazismo são fenômenos da esquerda. Ideologicamente Isso faz sentido, porque na essência eles representam a ideologia do estado centralizado e todo-poderoso. Além disso, o fascismo surgiu do marxismo, e o fundador do fascismo, Benito Mussolini, era um marxista e socialista de longa data. Hitler também era um socialista que liderava o Partido Nacional Socialista e, de fato, mudou o nome do Partido dos Trabalhadores Alemães para torná-lo o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães.
Como, então, os progressistas americanos re-definem o fascismo e o nazismo como fenômenos de direita? Este passe de mágica ocorreu após a Segunda Guerra Mundial, uma vez que o fascismo e o nazismo perderam o prestígio com a reputação [de serem os responsáveis pelo] Holocausto. Então os progressistas reconheceram que era importante encobrir as raízes esquerdistas do fascismo e do nazismo e movê-las da coluna da esquerda para a coluna da direita.
O maior responsável pela redefinição do fascismo feita pelos progressistas é Theodor Adorno, um intelectual marxista alemão e membro do influente Instituto de Pesquisa Social, também conhecido como Escola de Frankfurt. Os estudiosos da Escola de Frankfurt eram esquerdistas e a maioria eram refugiados da Alemanha nazista. Alguns se instalaram na Europa; outros, como Adorno e Herbert Marcuse, vieram para os Estados Unidos.
A influência de Adorno em definir como o fascismo passaria a ser entendido na América não pode ser subestimada. Quando ele e Marcuse chegaram a América tinha acabado de travar a guerra contra os nazistas e, após a guerra, o nazismo tornou-se a própria medida do horror político e do mal. Não se sabia muito sobre fascismo e nazismo fora da cobertura superficial de jornal e de rádio. No meio acadêmico e na mídia havia uma curiosidade genuína sobre o que atraiu tantas pessoas para o fascismo, o nazismo e seu respectivo anti-semitismo.
Marcuse e Adorno eram judeus, logo era esperado que tivessem algum conhecimento sobre o anti-semitismo e o destino dos judeus. E eles eram refugiados dos nazistas, então eles tiham crédito para falar sobre o nazismo, por assim dizer, “como testemunha ocular”. O trabalho deles foi abraçado pelo Comitê Judaico Americano, o qual, naturalmente, sentiu que esses dois exilados alemães saberiam precisamente a natureza do nazismo, fascismo e anti-semitismo e como superá-los. Os dois estudiosos da Escola de Frankfurt formaram basicamente o que era considerado educação antifascista nos Estados Unidos.
Na realidade, o Comitê Judaico Americano não tinha ideia de que Adorno e Marcuse tivessem sua própria agenda: não lutar contra o fascismo per se, mas promover o marxismo e uma agenda política de esquerda. O marxismo e o fascismo são bastante próximos; são ideologias coletivistas semelhantes ao socialismo. Seus inimigos comuns são, é óbvio, o livre mercado e as diversas instituições do setor privado, incluindo a igreja e a família tradicional. O marxismo e o fascismo procuraram livrar-se do capitalismo e refazer a ordem social. Marcuse, Adorno e a Escola de Frankfurt também.
Adorno decidiu ressignificar o fascismo como uma forma de capitalismo e tradicionalismo moral. Com efeito, eles reinventaram o fascismo como um fenômeno da direita política. Nesta interpretação absurda, o fascismo foi transformado nas duas coisas que os fascistas reais desprezam: livre mercado e apoio a uma ordem moral tradicional. Com uma vingança que aparece apenas cômica em retrospectiva, a Escola de Frankfurt lançou um curso intensivo para erradicar o fascismo nascente nos Estados Unidos, tornando as pessoas menos apegadas às principais instituições econômicas e sociais da sociedade americana.
O documento clássico a respeito disso é a famosa Escala F de Adorno. O F significa fascismo. Adorno delineou a escala em seu livro de 1950, A Personalidade Autoritária. O argumento básico do livro foi que o fascismo é uma forma de autoritarismo e que a pior manifestação do autoritarismo é a repressão auto-imposta. O fascismo se desenvolve cedo, argumentou Adorno, e podemos localizá-lo nos apegos dos jovens à superstição religiosa e valores convencionais da classe média sobre família, sexo e sociedade.
Descaradamente, Adorno produziu uma lista de perguntas destinadas a detectar afinidades fascistas. “A obediência e o respeito pela autoridade são as virtudes mais importantes que as crianças devem aprender.” “A homossexualidade é uma forma particularmente doentia da delinquência.” “Nenhum insulto à nossa honra deve ficar impune”. “Não importa como ajam aparentemente, os homens estão interessados em mulheres por apenas um motivo.” Basicamente, uma resposta sim a estas perguntas mostraria que você era um fascista em ascensão.
A premissa fundamental da posição de Adorno era que o fascismo alemão e italiano eram, no seu cerne, caracterizados pela repressão psicológica e sexual interna. Um momento de reflexão, no entanto, mostra por que essa posição é sem sentido. De um modo geral, as atitudes sociais em relação à religião, à família e à sexualidade eram bastante semelhantes em todos esses países, permitindo algumas modestas variações. Pode-se argumentar que os alemães da época estavam mais tensos do que os franceses, mas quem argumentaria que os italianos estavam mais reprimidos do que, digamos, os ingleses?
Então, a Escala F de Adorno não tinha poder para explicar por que o fascismo se estabeleceu tão intensa e destrutivamente na Alemanha e na Itália, mas não em outros lugares. A maioria dos fascistas reais, como secamente observa o historiador A. James Gregor em The Ideology of Fascism, “não teria feito pontuações extraordinariamente altas”. No entanto, há uma questão que de fato teria descoberto afinidades fascistas: você apoia o aumento do poder do Estado centralizado sobre indivíduos, famílias, igrejas e setor privado? Significativamente, Adorno não incluiu essa questão na Escala F, presumivelmente porque teria trazido respostas entusiastas sim de progressistas e democratas.
Dado o absurdo patente do antifascismo de Adorno, com sua escala F obviamente fraudulenta e pseudocientífica, por que a elite do meio acadêmico americano se apaixonou por isso? Por que eles concordaram com Adorno e proclamaram o seu trabalho a base definitiva para a educação antifascista? A resposta curta é que desde aquele tempo o meio acadêmico já possuía um forte viés de esquerda, e os progressistas descobriram os benefícios de abraçar a tese de Adorno.
Aqui, afinal, estava um estudioso judeu alemão declarando o fascismo como um fenômeno da direita. Claramente, ele estava jogando o fascismo no colo dos conservadores que apoiavam o capitalismo e endossavam a religião e a família tradicional. Esta era uma mentira — os fascistas reais detestavam essas instituições e queriam destruí-las — mas era uma mentira politicamente conveniente. [N.T.: Ou seja, algo factualmente errado porém politicamente correto]
Assim, os progressistas entusiasticamente aderiram à onda e o ovacionaram, e os aplausos continuam. Em 2005, por exemplo, o sociólogo progressista Alan Wolfe admitiu falhas no trabalho de Adorno, mas elogiou A Personalidade Autoritária como “mais relevante agora”, porque “parece capturar a maneira como muitos políticos cristãos de direita vêem o mundo”.
O valor de Adorno para essas pessoas é que ele capacita-os a dizer: “Abaixo o fascismo! Agora vamos nos livrar do conservadorismo e expor essas pessoas malvadas à direita. “E hoje, o embuste de Adorno permite que a esquerda chame Trump de fascista e Republicanos de a encarnação moderna do Partido Nazista. Somente ao entender essa grande mentira podemos nos vacinar contra ela e colocar corretamente o fascismo e o nazismo no lugar a que eles sempre pertenceram — na esquerda política.
Tradução de Cassia H.
(Publicado originalmente por tradutoresdedireita.org)
MATEMÁTICA É RACISTA, DIZEM “EDUCADORES”. OU: VOCÊ VAI ACREDITAR EM MIM OU NOS SEUS OLHOS? - 26/08/2017
Organizações americanas de matemáticos concluíram que “o ensino da matemática é injusto e baseado em um legado de discriminação institucional”. Em uma nota oficial conjunta, a TODOS: Mathematics for All e a National Council of Supervisors of Mathematics (NCSM) declararam que “a justiça social é crucial para o acesso, o engajamento e o desenvolvimento no aprendizado de matemática da juventude”.
Afirmaram ainda que “a matemática ajudou a perpetuar a segregação racial, pelo fato de que o desempenho na matéria é normalmente medido por meio de testes padronizados que acabam por selecionar os estudantes em função de sua raça, classe social e gênero, desde a escola elementar”.
Lamentam também os referidos social justice warriors “a noção generalizada entre os profissionais da área de que é essencial que os alunos aprendam os elementos básicos antes de abordar problemas mais complexos”. Por fim, alegam que “predominam entre os professores de matemática brancos de classe média, o que destoa da diversidade racial de seus alunos“.
Eis aí mais um capítulo da saga coletivista: a desigualdade de notas oprime os alunos com menor rendimento em determinada disciplina. Na maioria dos campos de estudo, todavia, é perfeitamente possível que um professor relativize o conhecimento demonstrado em provas e trabalhos escolares e nivele (por baixo) a performance de todos.
Mas a matemática, como ciência exata que é, admite pouca ou nenhuma margem de manobra. Consciência social e senso crítico não se prestam a resolver cálculos e solucionar equações.
E isto, obviamente, é um grave entrave para o avanço da mentalidade socialista revolucionária, que vê na disparidade de mérito pessoal (habilidades naturais + esforço + legado cultural herdado), inerente a qualquer grupo de indivíduos, um pecado mortal. A miséria (intelectual, no caso) adora companhia, por certo.
Flertam eles até mesmo com o conceito de “progressão continuada” implementado no Brasil sob influência de Paulo Freire, o idealizador da “pedagogia do oprimido” (método este intrinsecamente ligado à queda acentuada de QI registrada em nosso país nas últimas décadas, conforme gráfico abaixo). É exatamente isso o que propõem eles quando dizem que seria descabido exigir a comprovação da assimilação dos conceitos básicos antes de passar para temas mais aprofundados.
O intento destes institutos constitui um verdadeiro crime contra a humanidade, na medida em que a matemática é a base da engenharia e da tecnologia da informação, duas atividades que permitiram o notável avanço dos índices de desenvolvimento humano registrado por todo o globo nos últimos dois séculos.
A evolução dos meios de transporte e de comunicação, bem como o incremento da produtividade das indústrias (que possibilitaram o acesso das massas a bens antes restritos a pessoas ricas), seriam feitos impensáveis sem a figura do nerd que fatura a olimpíada de matemática – independente de sua cor, credo e origem.
O racismo destes “educadores” pode, destarte, nos fazer retroceder no tempo e causar a degradação da qualidade de vida sem precedentes por todos usufruída nos dias atuais.
Mas a verdadeira meta destes acadêmicos tão indignados com a matemática vai bem além de meros muxoxos corporativistas, como de praxe se observa na rede pública brasileira de ensino. É consenso entre os esquerdistas que a realidade é sua principal inimiga no processo de submissão da sociedade ao Estado – e aos bilionários a ele conectados. Alguns minutos de observação honesta dos fatos e do mundo que nos cerca são suficientes para jogar por terra slogans marxistas. Entre a utopia igualitarista e os fatos, pior para os fatos, por assim dizer.
Convencer as pessoas de que uma parede azul é vermelha faz parte, portanto, da empreitada de doutrinação levada a cabo por aqueles premiados com a audiência cativa diária de nossos filhos. Como convencer alguém que Che era um sujeito humanitário sem distorcer a própria História? Como persuadir pessoas minimamente dotadas de inteligência de que o caos na Venezuela é culpa dos capitalistas gananciosos e dos imperialistas ianques sem adulterar aquilo que está diante de seus olhos?
O histórico do socialismo é, pois, péssimo para sua propaganda e disseminação, e então é preciso transformar, no imaginário popular, fome e genocídio em igualdade e harmonia, adulterando os sentidos do indivíduos e deturpando seu senso comum.
Boa parte do conteúdo programático da matemática, entretanto, não pode ser refutado sem que a própria realidade seja desafiada. São de fácil observação, e até mesmo experimentação em nosso cotidiano, as operações matemáticas em geral. Seja trabalhando, fazendo compras ou viajando, a validade dos preceitos matemáticos pode ser aferida a cada momento em que precisamos fazer contas, desde a divisão da despesa do churrasco até a realização de investimentos na bolsa de valores.
1 + 1 = qualquer resultado que não ofenda minorias e contribua para uma sociedade mais “justa e igual”? Não: a resposta é 2. E viva com isto. Às favas com o relativismo moral, que não tem vez aqui.
Aí está a característica desta ciência, exata por natureza, que tanto desagrada os “progressistas”. Contestar a matemática é tão complicado quanto negar que a liberdade econômica tirou de condições de vida deploráveis bilhões de habitantes deste planeta. A tal ponto que chegará o dia em que o professor, revoltado com a situação, precisará indagar aos seus alunos, com as veias do pescoço saltando: “vocês preferem acreditar em mim ou nos seus olhos?” Exatamente como descrito no vídeo Modern Education, produzido em 2015.
Idiotizar a todos, rebaixando a burros de carga alienados, desestimulados ao aprendizado e repetidores de mantras desconexos da vida real pessoas que poderiam, na idade adulta, vir a criar riqueza e melhorar as condições de vivência de seus concidadãos ao longo do processo: este o verdadeiro objetivo oculto destes agentes da revolução (alguns voluntários conscientes de sua missão, outros idiotas úteis). E a frieza dos números é um empecilho em seu caminho. Quem sabe uma boa e velha “ação afirmativa” não possa dar um jeito nisso…
(Publicado originalmente em https://bordinburke.wordpress.com/)
A VERDADEIRA CULTURA NEGRA - 16/08/2017
Quando ouço falar de "cultura negra", saco do meu exemplar da "História da Inteligência Brasileira", de Wilson Martins, e esfrego-o na cara do interlocutor:
"Cultura negra? Cultura negra para mim é o Aleijadinho, é Gonçalves Dias, é Machado de Assis, é Capistrano de Abreu, é Cruz e Sousa, é Lima Barreto. Quer Vossa Senhoria me explicar como esses negros e mulatos puderam subir tão alto, numa sociedade escravocrata, enquanto seus netos e bisnetos, desfrutando das liberdades republicanas, paparicados pela 'intelligentsia' universitária, não conseguem hoje produzir senão samba, funk e macumba e ainda se gabam de suas desprezíveis criações como se fossem elevadíssima cultura?"
O interlocutor, aterrorizado ante a perspectiva de ter de raciocinar por uns minutos fora da área de segurança dos chavões estabelecidos, fica mudo. Então, dou eu mesmo a resposta.
É que aqueles ilustres brasileiros não tinham bebido o veneno universitário norte-americano e conservavam seus cérebros em bom estado. Entendiam que suas remotas origens africanas tinham sido neutralizadas pela absorção na cultura ocidental, que sua condição de raça era apenas um fato biológico sem significação cultural por si, que a cultura a que tinham se integrado não era branca, mas universal, que era mais útil e mais honroso para o negro vencer individualmente no quadro da nova cultura mundial do que ficar choramingando coletivamente as saudades de culturas tribais extintas.
Ao afirmar-se como valores da cultura ocidental, esses homens ainda prestaram a ela o mais relevante serviço: cobraram dela o compromisso universalista firmado na cruz do Calvário, libertando-a das amarras do falso compromisso, acidental e transitório, que ela firmara mais tarde com a raça branca. Elevando-se, elevaram-na.
Quem eram, afinal, ante os negros, os portadores dessa cultura? Eram portugueses -uma raça céltica, tardiamente cristianizada por invasores imperialistas. E de onde vinha a força dos portugueses? Vinha da desenvoltura, do otimismo, da pujança com que, em vez de cair no ressentimento saudosista, em vez de revoltar-se contra a perda de suas "raízes" locais e raciais, em vez de buscar falsos consolos no ódio aos colonizadores, souberam se integrar criativamente no mundo cristão e tornar-se, mais que seus porta-vozes, seus soldados e seus poetas.
Coisas análogas podem dizer-se dos franceses, dos ingleses, dos dinamarqueses, dos suecos e, enfim, de todos os povos europeus: todos abandonaram seus cultos primitivos para integrar-se na nova cultura. Transfigurados pela cultura universalizante que os absorveu, puderam por isso mesmo tornar-se nações grandes e poderosas, ganhando com a renúncia e recuperando sua identidade num plano mais alto.
E de onde veio a tragédia cultural do povo alemão senão de sua cristianização imperfeita, de sua deficiente universalização, que, deixando à mostra as doloridas raízes da velha cultura bárbara, ocasionou a crise de regressão uterina que foi o nazismo?
É precisamente por não ter se libertado de seu apego a origens raciais e a cultos mitológicos que a Alemanha jamais alcançou, no mundo, o posto de liderança a que tão ardorosamente aspira: não há grandeza fora do senso de universalidade, que exclui por definição o apego atávico à comunidade de sangue. O destino da Alemanha é uma lição para os negros. E o anti-semitismo do sr. Louis Farrakhan não é, definitivamente, mera coincidência.
Se os portugueses, em vez de agir como agiram, tivessem dado ouvidos ao saudosismo rancoroso, apegando-se a cultos bárbaros e abominando o cristianismo como "religião dos dominadores", teriam sido varridos do cenário histórico e hoje teriam de viver da caridade dos museus de antropologia. A máxima expressão de sua cultura não seria Luís de Camões, mas alguma coisa como o sr. Pierre Verger.
E Portugal mesmo, mais tarde, ao abdicar da vocação universalista para cair no culto atávico do passado, saiu da história...
Os negros de gênio que se ocidentalizaram galhardamente, sem um gemido de rancor impotente, e que enriqueceram a cultura ocidental com suas criações imortais fizeram mais pelos seus irmãos -da sua e de todas as raças- do que os demagogos e palhaços que hoje querem não apenas escravizar os negros na adoração regressiva de cultos museológicos, mas africanizar todo o Brasil.
(Em 20 de novembro de 1997, há 20 anos, na Folha de São Paulo).
DOCENTES DA UERJ DESABAFAM DIANTE DA CRISE, MAS COLHERAM O QUE PLANTARAM - 13/08/2017
Desde o início de 2016, a Universidade do Estado do Rio (Uerj) se tornou o reflexo da derrocada do serviço público no estado. Não pelos servidores, mas pelas condições de trabalho imposta a eles. O EXTRA conversou com quatro docentes da universidade, que somam prêmios e titulações internacionais, para saber de cada um o sentimento frente ao atraso dos salários — maio e junho não foram pagos, além do 13º de 2016 —, os problemas estruturais da universidade e o futuro nada promissor. Nesta semana, por sinal, a reitoria da universidade suspendeu o ano letivo até o fim de 2017.
Diretor do instituto de Geografia Hindenburgo Francisco Pires, de 60 anos, 27 deles dedicados à Uerj, teme pela representatividade alcançada pela instituição ao longo dos últimos anos em função da dedicação dos servidores.
— A gente vê tudo o que construímos desmoronar. Os investimentos ao longo dos anos em pesquisa estão sucumbindo . A universidade conseguiu ser referência no país, e fora dele, pelo corpo acadêmico — lamentou o diretor.
Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação, Stela Guedes Caputo, de 50 anos, traduz o sentimento de muitos outros servidores.
— Sinto revolta. Trabalhamos muito para nos constituirmos professoras, uma formação que não é fácil, é longa e dispendiosa. Não podemos chegar agora, já nessa altura da vida e pensar como recomeçar — desabafou.
A primeira reação ao ler essa reportagem é sentir um misto de pena e revolta. Mas logo depois a razão vai dominando as emoções, quando lembramos que a Uerj tem sido um antro de doutrinação ideológica, ao lado de quase todas as federais e estaduais do Brasil. Tomadas por militantes esquerdistas disfarçados de professores, essas universidades se transformaram em palco para todo tipo de proselitismo ideológico e partidário, inclusive cometendo crimes para tanto.
Alguém poderia questionar: “Ok, entendo perfeitamente sua revolta, mas e os professores em particular, vão todos pagar pelos erros de alguns?” Pergunta legítima, claro. Não podemos generalizar. Ocorre que nesse ambiente só os que aceitam jogar o jogo avançam. É raríssimo ver professores de fora do “sistema” construindo carreiras promissoras, até porque os responsáveis pelas promoções são também marxistas em sua grande maioria.
E, surpresa!, parece ser justamente o caso dos quatro docentes entrevistados pelo jornal. Everton Rodrigues, do Students For Liberty Brasil, fez uma pesquisa pelos perfis deles, e eis o que encontrou:
O Jornal Extra fez essa matéria entrevistando 4 professores da UERJ, que estão em situação triste, sem salários e sem perspectiva de melhoras.
Aí eu fui procurar um por um esses professores no Facebook. Hindenburgo Francisco Pires, compartilha video do Jean Wyllys. Stella Guedes Caputo tem fotos em Cuba no monumento do Che Guevara. Bruno Sobral tem várias fotos em protestos de esquerda e compartilha postagem do sites aliados à esquerda. Inês Barbosa Oliveira tem foto da Dilma no perfil e logomarca do PSOL50, fora aquele papo todo de governo golpista.
Resumo da ópera: Não dá pra ter dó, não consigo. Passaram a vida toda pedindo Estado grande, intervencionismo, gastos exagerados em todos os setores do governo, militaram contra políticas de austeridade e responsabilidade financeira. Acharam lindo ver governos durante anos usando a máquina pública como bem queriam, sem limites, e ainda atacavam o capitalismo que é o grande meio de produção de riqueza, unico meio que sustenta um Estado.
Tudo o que é gasto eles apoiam freneticamente (SUS, PAC, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, FIES, ProUni, Ciências Sem Fronteiras, bolsa isso, bolsa aquilo, auxílio disso, auxílio daquilo, concurso desse, concurso daquele outro, Copa, Olimpíadas, etc etc) e na outra ponta tudo o que é meio de fazer economia ou gerar caixa eles são contra ( Reforma previdência, privatizações etc), e também nunca acharam grande problema os prejuízos recorrentes de estatais como a Petrobrás, Eletrobras e Correios. É como se o dinheiro caísse do céu.
Agora que tudo ruiu, que tudo veio abaixo, que o sistema faliu e sobrou dívida pra todo canto, agora ficam de choro com cara de criança que colocou o dedo na tomada e se arrependeu. Só que esses são adultos, acadêmicos, educadores… É triste, mas é bem feito. O pior de tudo é que nem assim aprendem, nem assim….
Ideias têm consequências. Quem planta vento colhe tempestade. Não dá para ficar pregando o socialismo a vida toda, aplaudindo aumento de gastos públicos, condenando privatizações, atacando o livre mercado, defendendo mais impostos, e depois reclamar quando a grana acaba. O socialismo dura até o dinheiro dos outros acabar. E ele sempre acaba sob tal mecanismo perverso de incentivos.
Já alertei aqui várias vezes que mesmo os funcionários públicos, da classe claramente privilegiada em nosso país, deveriam defender mais capitalismo, reformas estruturais e redução do estado, ainda que à custa de alguns benefícios. É que se o peso dos parasitas ficar demais para os hospedeiros, todos saem perdendo, eventualmente até os parasitas. Se matarem a galinha dos ovos de ouro (capitalismo), matam também os ladrões de ovos de fome (socialistas).
(Publicado originalmente em http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos)
UMA CRISE AINDA MAIS PROFUNDA - 05/08/2017
(Publicado originalmente em http://b-braga.blogspot.com.br/)
Com os sucessivos escândalos que diariamente chocam o país, o que escrevo aqui pode estar desatualizado ou fora do tempo. No entanto, mesmo com a avalanche de notícias e denúncias, é algo que não pode ficar para trás, soterrado: trata-se de um documento emitido pela CNBB sobre a grave crise política.
Não, o objetivo não é fazer um comentário exaustivo do documento. Não é tratar das atribuições específicas da CNBB nem da falta de legitimidade da Conferência dos Bispos para apresentar-se em nome da Igreja - como se fosse (a) Igreja Católica - em questões políticas. Não cabe falar sobre o tom de declarações do mesmo tipo, afinadas frequentemente com o esquerdismo. Não é o momento para narrar o aparelhamento da CNBB, que, como já é de conhecimento público, contribuiu de forma decisiva para a ascensão do criminoso esquema de poder comuno-petista. Não. O objetivo é considerar um ponto bem determinado do documento: a exigência de "um resgate da ética na política".
Parece um mau sinal o fato de uma declaração assinada por Bispos católicos não conter uma só menção a Nosso Senhor Jesus Cristo. Para pastores que se mostram tão preocupados com a corrupção da classe governante, é no mínimo estranho não trazerem à consciência das pessoas o temor e a justiça de Deus, e o próprio Jesus Cristo como modelo de conduta. Eles reivindicam e exigem a ética, mas se esquecem até mesmo da lei divina, que já determina: "não roubar", "não levantar falso testemunho", "não cobiçar as coisas alheias".
De qualquer maneira, o que é a tal ética? Os Bispos, aparentemente, fazem referência a uma "conduta íntegra" - por parte do servidor público - e aos "valores" da "honestidade" e da "justiça social" - exigidos para que se tenha um "novo modo de fazer política".
Claro, normas de conduta são importantes. Contudo, elas estabelecem compromissos na camada mais superficial da vida humana, no domínio estritamente mundano e material. Tais compromissos, para serem efetivos, precisam de outros ainda mais profundos, que sejam capazes de comprometer a pessoa inteira. Sim, pois a atividade - a política, especificamente - ocupa somente um período de tempo na vida diária, apenas uma parte da existência, enquanto a virtude precisa abarcar a pessoa como um todo, e não só no instante em que está dedicada ao serviço público, mas em todos os momentos e para além do tempo.
No âmbito mais profundo do ser, o que vem do exterior tem uma voz mais baixa e uma autoridade mais frágil, que precisa muitas vezes da vigilância, da correção e até mesmo de uma pena. Nesse domínio, é necessário estabelecer um compromisso do coração, que é mais dócil - não à letra, a uma norma de conduta - mas a outra pessoa. Talvez seja possível verificar isso na própria experiência, pois parece evidente que um compromisso com o pai, com a honra da mãe, ou uma palavra dada ao irmão, inflamam na pessoa uma seriedade e uma dedicação superiores aos apelos vindos de um código de postura no trabalho. Agora, e se essa pessoa for mais que o pai, a mãe e o irmão, uma vez que só ela tem acesso ao coração do indivíduo? Uma pessoa que é ela mesma o caminho, a verdade e a vida, e que ao encontrá-la se estabelece um compromisso com uma justiça que ultrapassa o tempo e que é para toda a eternidade. Pois foi justamente essa Pessoa que os Bispos esqueceram de mencionar no documento, embora eles mesmos tivessem o dever de representá-La.
Enfim, o documento da CNBB, longe de ser uma luz, é ele mesmo expressão de uma crise ainda mais profunda, pois mostra, infelizmente, a incapacidade dos Bispos para indicar o único antídoto contra o Mal, o apoio firme e sólido contra as incertezas e o caos político, o modelo a ser seguido e único capaz de possibilitar uma conduta efetivamente íntegra. Em vez de falarem ao coração, muitos deles cederam à tentação de politizar a fé. Aliás, tudo não começou com uma campanha comuno-petista pela ética na política, "abençoada" por "apóstolos" de uma teologia fraudulenta - a Teologia da Libertação? As consequências estão ai. No Centenário de Nossa Senhora de Fátima, é impossível não lembrar a sentença profética da Irmã Lúcia: "são cegos a guiar outros cegos".
O MELHOR POSSÍVEL - 04/08/2017
Pelo que revelam as pesquisas, a maioria do povo brasileiro desaprova o presidente Michel Temer e como tal quer vê-lo fora do cargo o quanto antes. Entretanto, uma minoria já se deu conta de que a situação do nosso sofrido Brasil pioraria ainda mais com o afastamento de Temer da presidência. Em suma: se já está difícil com Temer, mais difícil fica sem Temer. O melhor, portanto, neste grave momento, é que Temer fique no cargo até 01 de janeiro de 2019.
DIREITOS DE TRANSMISSÃO
É preciso sempre levar em conta que o nosso país foi vítima de enormes estragos gerados e nutridos com muito amor pelos governos Lula/Dilma. Pois, no exato momento (17 de maio) em que a nossa economia dava os primeiros sinais de vida, eis que a mídia brasileira, capitaneada pela Rede Globo e suas afiliadas Brasil afora, não só compraram os direitos de transmissão do FORA TEMER como resolveram patrocinar a atual crise política que agravou ainda mais o que já estava ruim.
VALE A PENA VER DE NOVO
Com os direitos de transmissão garantidos, a novela FORA TEMER se transformou no -blá, blá, blá- político mais cansativo de todos os tempos. A Rede Globo, com o propósito de influenciar os pobres brasileiros incautos, passou a mostrar, de forma repetitiva (mais de 40 vezes), em todos os telejornais, a mesma cena das gravações feitas por Joesley Batista no dia 17/05. Tal qual o -VALE A PENA VER DE NOVO-, que a emissora usa para exibir novelas antigas.
CARAS, BOCAS E OLHOS
O mais nojento é que na falta de notícias novas e/ou interessantes, os repórteres que cobrem a política nacional passaram a se portar como se fossem obrigados a cumprir uma cota diária de informações. Ou seja, na falta de um fato novo, a ordem era inventar alguma coisa para ser publicada e mostrada no Jornal Nacional. Mais: os âncoras, antes e depois de cada notícia, nunca poderiam esquecer de usar as expressões faciais, tipo -caras, bocas e olhos- que definem o interesse da emissora.
PANTOMIMA
Pois, com toda esta pantomima o resultado da votação, ontem, na Câmara dos Deputados, mostrou que ainda resta alguma dose de sensatez. Ainda assim é importante observar o quanto estamos rodeados de gente insensata. Vejam, por exemplo, o que a maioria dos deputados que votaram contra o relatório da CCJ (que manda arquivar as denúncias contra Michel Temer), disse ao se posicionar: - CONTRA A REFORMA TRABALHISTA; CONTRA A REFORMA DA PREVIDÊNCIA; CONTRA A CORRUPÇÃO; DIRETAS JÁ! LULA 2018. O meu voto é NÃO. Pode?
APOIADORES DA DITADURA
Não por acaso, este contingente de doentes mentais, cuja gravidade é imensa, é responsável direto pela situação terrível pela qual passa a nossa economia, com imensos respingos no social. Analisando friamente tudo que disseram antes de dar o voto, o que mais querem, como venho afirmando, é o FIM DAS REFORMAS e a VOLTA DO MAIOR CORRUPTO DO PLANETA. Só que desta vez, quem fez esta afirmação foram os próprios comunistas que, sem esconder, apoiam a DITATURA MADURO-VENEZUELANA.
ELEIÇÕES DE 2018
O que mais espero daqui para frente, é que o Brasil deixe de patinar e que as reformas finalmente aconteçam. Ontem, o Brasil que produz se viu livre de algumas amarras. Tomara que nossa economia encontre o caminho do crescimento; e que a pauta política esteja voltada apenas para as eleições de 2018.
GENOCÍDIO BRASILEIRO - 26/07/2017
O Brasil é o país do crime. Aqui há genocídio das pessoas, genocídio da economia e genocídio da inteligência.
(Publicado originalmente na Folha de Londrina)
Reza a lenda que na antiga corte do rei da França o jovem príncipe nunca apanhava se cometia alguma peraltice. Quando o herdeiro era pego em alguma falta, os tutores escolhiam algum dos amiguinhos do príncipe para apanhar no lugar dele. O objetivo desse estranho procedimento era impressionar e corrigir o herdeiro do trono com os gritos de uma criança inocente.
A história do príncipe que não apanhava foi contada pelo Padre José Kentenich aos seus alunos do Seminário Palotino de Vallendar (Alemanha), em 1912. Consta que os alunos ficaram escandalizados com o costume da antiga corte francesa, qualificando-o como ato bárbaro. Neste momento, Kentenich virou-se para os jovens e disse:
— Mas esta cena se repete todos os dias em nossa vida!
Na verdade, a situação na corte da França — explicou o mestre — era menos injusta. O príncipe ao menos ouvia os gritos do bode expiatório; nós somos surdos a eles. A cada vez que cometemos uma falta, uma negligência, uma mentira, uma omissão ou um pecado, alguém sofrerá em algum lugar do mundo. Mas nós muitas vezes ignoramos completamente a situação da vítima. São gritos silenciosos.
Nosso país está vivendo um pesadelo. O professor Olavo de Carvalho tem insistindo sobre isso há muitos anos, e poucos lhe dão ouvidos!
Um brasileiro é assassinado a cada nove minutos (são 70 mil mortes por ano, mais do que países em guerra declarada). Profissionais de categorias ideologicamente "incorretas", como policiais e agentes penitenciários, são mortos como moscas. Em 2017, só na cidade do Rio de Janeiro, foram assassinados 91 policiais, and counting. O número de roubos, assaltos e estupros é igualmente terrificante.
Quatorze milhões de nossos irmãos perambulam à procura de um emprego. Trabalhamos, todos nós, cinco meses do ano para financiar uma enorme máquina ineficiente, voraz e corrupta — e mesmo assim o governo temeroso ainda aumenta os impostos da gasolina.
O QI médio da população brasileira vem caindo progressivamente, em consequência das desastrosas políticas educacionais. Militantes universitários vêm produzindo, através da lavagem cerebral ideológica, uma legião de analfabetos politizados (algo jamais sonhado por Bertolt Brecht).
O nome disso é genocídio. Mas também pode ser chamado de democídio — o assassinato de um povo —, como o fizeram os promotores Diego Pessi e Leonardo Giardin de Souza no excelente livro "Bandidolatria e Democídio". Temos o genocídio propriamente dito, com os assassinatos; o genocídio econômico, com o desemprego e o estrangulamento da atividade empreendedora; e, por fim, o genocídio cultural e intelectual. Este último produz um exército de mortos-vivos prontos a falar, agir e votar conforme as ordens do Grande Companheiro. Mas, como já disse Olavo, o pior é o primeiro: pois, para deixar de ser pobre e burro, você precisa estar vivo.
As vítimas dos três democídios brasileiros estão gritando. Quando as ouviremos?
A OPÇÃO TOTALITÁRIA DE HISTORIADORES DA UEL - 19/07/2017
Mais uma evidência da adesão ao totalitarismo comunista que descrevi no artigo “Por que tantos professores de História são comunistas?”
(Publicado originalmente na Folha de Londrina, em 19/07/2017)
"Em meio aos debates acalorados fomentados pela indicação do vereador Filipe Barros para compor o Conselho Universitário da UEL, bem como os desdobramentos de tal indicação junto ao Departamento de História desta mesma universidade, me foi sugerida a leitura de um livro , publicado em 1979, intitulado ‘Liberdade Acadêmica e opção totalitária’. Não posso deixar de agradecer, por tão oportuna indicação, ao amigo Luke De Held. O livro, de imediato, atraiu minha atenção, ainda mais quando fui me informar sobre o caso nele narrado, qual seja:
O chefe do Departamento de Filosofia da PUC-Rio de Janeiro veta a inclusão de um artigo do professor Miguel Reale, numa coletânea de textos que seriam usados pelos alunos da disciplina ‘História do Pensamento’, alegando, para tanto, motivações ideológicas. Em solidariedade a Miguel Reale, a professora Anna Maria Moog Rodrigues pede demissão do quadro docente daquela instituição e envia uma carta à imprensa denunciando o caso. Abre-se, a partir daí, um debate na mídia da época, com participação decisiva do Jornal do Brasil e o Estado de São Paulo.
Quase quarenta anos nos separam daquele momento histórico e do episódio brevemente relatado acima. Em 1979 vivíamos um contexto de abertura política na vida nacional, batizada por Golbery do Couto e Silva de ‘distensão lenta e gradual’. Havia o retorno dos exilados recebidos como heróis nacionais, as rádios e tevês nos faziam ouvir ‘Geni e o Zepelim’ de Chico Buarque e ‘Super-homem’ de Gilberto Gil. Estudantes se uniam aos movimentos populares e saiam às ruas de um modo mais destemido. Mas, o episódio da PUC-RJ já chamava a atenção para dois perigos: o já conhecido perigo autoritário que vinha de fora da universidade e o perigo totalitário que vinha de dentro. Num dos artigos sobre o caso, publicado no Jornal do Brasil à época, o professor Luciano Zajdsznajder escreve:
"A querela que há pouco assistimos sobre os patrulheiros ideológicos e que agora se estende ao comportamento totalitário ou autoritário de marxistas no campo acadêmico é um fruto da abertura. Serve sem dúvida aos autoritários e totalitários do outro lado e este foi sempre o temor daqueles que quiseram denunciar imposturas. O fato de que os marxistas encontravam-se entre os principais atingidos pelas ações mais terríveis do sistema autoritário exigia solidariedade e misericórdia, e impedia a crítica necessária. Não é, porém, porque se foi perseguido e torturado, que se terá sempre razão. Esta é a tragédia da política: os perseguidos não têm na perseguição uma justificativa eterna para as suas decisões e para os seus desacertos."
Tantos anos depois daquele episódio podemos já reconhecer que o perigo externo foi superado, mas o interno se enraizou, prosperou, contaminou e se tornou o agente mais nefasto à democracia social e ao pluralismo acadêmico.
Transcorridas quase quatro décadas nos deparamos, aqui e acolá, com episódios de clara manifestação de intolerância. Todos devem se lembrar do recente caso em que um docente, do departamento de História da Universidade Estadual de Londrina, solicitou a abertura de sindicância junto à Ouvidoria da Universidade, alegando que um colega de trabalho havia faltado com a urbanidade, com o decoro, além de ter cometido assédio moral. Tudo por quê? Pelo fato do ‘acusado’ ter defendido a legitimidade democrática da indicação do vereador Filipe Barros como representante da Câmara Municipal de Londrina no Conselho Universitário da UEL. O caso se tornou de conhecimento público depois de ser veiculado nas mídias sociais.
Recentemente fui participar de uma reunião do departamento de História, a que pertenço, na qual o caso estava em pauta. Mais da metade dos professores daquele colegiado não compareceu à reunião. Grande parte dos que compareceram manteve-se calada. A agonia durou quase três horas. Durante este tempo ouvi represálias e censuras, que partiam da grande maioria dos professores que se manifestaram na ocasião. Esqueceram, muito providencialmente, os motivos geradores deste imbróglio, o pedido injustificado de abertura de sindicância, passando a me julgar e responsabilizar pelos seus desdobramentos. Condenavam-me por ter levado ao conhecimento público e num momento, segundo eles, inoportuno as feridas abertas do departamento.
Impressionante semelhança, este também era um argumento apresentado pelos professores da PUC-RJ contrários à exposição pública do caso. O que desejavam? Que eu permanecesse calado, mais uma vez, a lamber as próprias feridas? Que a sociedade, que é quem financia a estrutura pública de ensino, pesquisa e extensão, não fosse informada do que está a ocorrer intramuros? A clandestinidade é um terreno muito fértil para o desenvolvimento de doutrinas políticas e sociais perigosas. O que elas querem? O poder do partido único, do pensamento único. O que elas precisam? Tempo, o tempo necessário para conquistar a opinião pública...
"A conquista da sociedade de dentro para fora, proposta por Antonio Gramsci, tem conseguido o que Lênin nunca sonhou e Stálin desejou mas não obteve. A universidade é peça fundamental no processo paciente e diário de captura da opinião pública, a da classe média em particular. Não admira que os professores autores da denúncia na Pontifícia Universidade Católica do Rio tivessem merecido as atenções de professores, alunos, associações, notas e assembleias gerais. Aquelas denúncias atingiram precisamente a máquina de moer pensamentos que dirige a ação totalitária, e que se apresenta como aberta, flexível e democrática precisamente para, em nome da isenção, atuar como deve em termos de conquista ideológica e influência política." — escreveu o tradutor e jornalista Luiz Carlos Lisboa em texto publicado no Jornal O Estado de São Paulo em 24 de março de 1979.
Felizmente, hoje, as redes sociais nos permitem maior autonomia em relação à mídia tradicional. Pois o silêncio da mídia diante do caso é vergonhoso e ele só foi rompido graças à coluna independente ‘Avenida Paraná’, que o jornalista Paulo Briguet mantém junto ao jornal Folha de Londrina e ao pronunciamento do vereador Filipe Barros. A depender da voz corrente, não unânime, de parte dos meus colegas de trabalho e da imprensa tradicional eu deveria sofrer o processo resignando-me ao silêncio, bem ao gosto dos expurgos, perseguições e condenações que marcaram os históricos processos de Moscou. Guardadas as devidas proporções, o modus operandi é bastante comum aos casos.
Diferentemente dos chamados ‘anos de chumbo’ da ditadura militar, a crise e o perigo às liberdades acadêmicas vem mais de dentro que de fora da academia. Alguns departamentos universitários estão, há décadas, se transformando em blocos monolíticos de pensamento dogmático. Fechados ao diálogo e impermeável aos posicionamentos contrários ao novo status quo. Não quero aqui negar uma ideia, pela qual tenho imensa simpatia, a de que toda manifestação guarda uma posição ideológica. Em outras palavras não há narrativa isenta ou imparcial. O que nos salva do dogmatismo é o reconhecimento de que concorrendo com a minha narrativa há uma série de outras e nenhuma delas está em condições de garantir veracidade e universalidade:
"A liberdade acadêmica é um dos valores mais fortemente arraigados entre homens e mulheres de ciências, artes e letras. O direito de ter uma opinião, o direito de discordar, o direito de filiar-se a uma posição filosófica, o direito de apoiar-se em uma determinada teoria, o direito e o dever de apresentar aos alunos vários pontos-de-vista, em suma, o direito de pensar e de propiciar a opção livre, sempre foi a característica marcante do discurso acadêmico e motivo de orgulho e satisfação das comunidades universitárias."
Poderíamos tomar de empréstimo estas palavras escritas por Aroldo Rodrigues em 1979 e inscrevê-las no portal de entrada de todas as academias. Estimularíamos, com elas, a criação de um ambiente de tolerância de que se ressente o dogmatismo totalitário de alguns.
A reação visceral, audível e visível, de parte dos meus colegas de trabalho indica que a galinha dos ovos de ouro da propaganda totalitária foi atingida num de seus pontos mais sensíveis. Eles têm horror ao debate, a confrontação de perspectivas. Se encastelam em seus pequenos redutos de sapiência e do alto da sabedoria que professam alegam: ‘Eu? Com toda a minha formação, com os títulos que acumulei vou debater com este ‘zé ninguém’? ‘Não! Não vamos oferecer o palco da universidade para que um desqualificado se apresente nele’. Dos cumes da arrogância e intolerância promovem seu julgamento.
"Afinal de contas, que ciência é esta, na qual só se lê o que se concorda? O resto se vê condenado pela total e, portanto, totalitária ignorância" — escreveu o cientista político Vamireh Chacon, ainda sobre o caso PUC-RJ. Passados quase quarenta anos, o caso tem muito a nos dizer. "Além do mais", prossegue Chacon, "trata-se de um aberrante desconhecimento do próprio historicismo, do qual certos auto-intitulados marxistas se dizem partidários em determinada vertente hegeliana. Seria ótimo que eles se recordassem do próprio Hegel, que dizia inexistir lixo da História, porque mesmo que ele existisse, serviria de adubo."
Alguns colegas de trabalho consideraram a minha atitude cínica, cinismo que se deve ao fato de eu ter manifestado sincero agradecimento à proposta de sindicância encaminhada à Ouvidoria da UEL. Quem sabe, agora, estejam em condições de compreender meu argumento: mesmo o lixo da história pode ser útil e servir de algum modo como adubo do pensamento."
— Gabriel Giannattasio é professor do Departamento de História da UEL.
• Artigo publicado na Folha de Londrina e reproduzido pelo jornalista Paulo Antônio Briguet em sua página no Facebook.
A CONDENAÇÃO DE LULA I E II - 19/07/2017
Nada de surpreendente na condenação de Lula.
As primeiras reações indicam que se tratava de um fato esperado.
O juiz Sérgio Moro fez questão de proceder como é habitual em decisões judiciais: tornou público os termos da decisão e desapareceu do cenário. Lula, diz-se, que reagiu com serenidade. A mídia repercutiu sem sensacionalismo. Líderes do PT se pronunciaram reiterando as explicações que vinham oferecendo: que foi uma decisão parcial do juiz Sérgio Moro, que condenou Lula sem provas e, que deverá ser reformada pelo Tribunal da 4ª. Região.
Reações moderadas, repercussão previsível, explicações conhecidas.
Ao que tudo indica, a pauta política deve voltar a se ocupar das dificuldades do governo Temer, das votações sobre admissibilidade para processar o presidente e sobre a Previdência Social.
Não creio,entretanto, que este estado de espírito de moderação e de expectativa para o próximo “round” da batalha judicial no Tribunal, vá se manter. Tudo leva a crer que todas as partes envolvidas: Lula, PT, CUT e a esquerda em geral esperavam e contavam com este desfecho para desencadear a próxima fase: a campanha presidencial de 2018.
Se a decisão judicial de condenação em primeira instância era uma decisão contra um ex-presidente, a decisão judicial de segunda instância (Tribunal) deverá ser tomada em relação a um possível próximo presidente.
A CONDENAÇÃO DE LULA II
Francisco Ferraz
Um dia após a divulgação da sentença que condenou Lula os fatos confirmaram a análise de ontem (A condenação de Lula). A reação do PT e de Lula corresponderam ao que fora previsto naquele texto:
“Lula, PT, CUT e a esquerda em geral esperavam e contavam com este desfecho para desencadear a próxima fase: a campanha presidencial de 2018”.
Também a estratégia de campanha, implícita no seu discurso, ao menos para sua fase inicial foi claramente definida:
O inimigo
(1) A condenação foi política;
(2) O juiz Sérgio Moro condenou para inabilitar legalmente Lula na eleição de 2018;
(3) A Globo é a principal coadjuvante deste ‘golpe’;
(4) ‘República de Curitiba’:Procuradores e Polícia Federal;
(5) Léo Pinheiro;
(6) Os “senhores da Casa Grande”
A estratégia
(1) Anunciar candidatura e desencadear a campanha presidencial;
(2) Foco da candidatura: Perseguição política para anular o poder de quem luta pelos direitos da “Senzala”;
(3) Globo + Sergio Moro + República Curitiba + Leo Pinheiro mataram dona Mariza;
(4) Aproveitar momento em que não há ainda candidato contra ele com prestígio e potencial equivalente para crescer;
(5) Politizar totalmente a próxima fase deste processo e dos demais para buscar deslegitima-lo juridicamente;
(6) Buscar junto ao povo (Senzala) este apoio e respaldo;
(7) Antecipar-se ao julgamento do Tribunal ao ameaça-lo com a denúncia de uma decisão politica, em caso de sua condenação;
(8) Anunciar a condicionante da legitimidade da próxima eleição, a palavra de ordem: “Eleição sem Lula é fraude”
Possíveis efeitos não intencionados dessa estratégia
(1) A precipitação da candidatura Lula vai estimular uma outra que se oponha à dele e que com ela polarize;
(2) Sua defesa da ocupação da mesa do Senado e das ‘heróicas senadoras’(fato mais recente) mostra Lula continuando a falar para dentro do PT, caminho seguro para o fracasso, já testado várias vezes,inclusive com Dilma;
(3) Também a reiteração de sua estratégia “nós x eles” agora “Casa Grande x Senzala” também não corresponde a um Brasil com uma classe média grande e crescente que já mostrou não aceitar este enfoque;
(4) Analogamente, não se constatou que a vitimização da morte de Dona Mariza tivesse produzido o efeito que ele esperava. Seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, ao desviar responsabilidades para ela nas respostas às perguntas que poderiam comprometê-lo, anulava boa parte do que talvez conseguira de simpatia com a vitimização da esposa;
(5) Por fim a estratégia de ameaçar juízes, já tentada de forma infrutífera com Sérgio Moro, reiterada agora com os desembargadores do Tribunal Federal da 4ª. Região, também não deverá surtir os efeitos que ele desejaria. Lula ainda não entendeu o Poder Judiciário.Nem seus órgãos de cúpula nem seus juízes singulares. Salvo casos bem individualizados e desqualificados pela instituição, são pessoas que prezam muitíssimo sua independência e a qualidade do seu trabalho, que é sempre um trabalho intelectual.
Pressionado por ameaças ou as ignoram ou despertam nele o sentimento da preservação da sua independência.
(6) Sua provocação ao juiz Sérgio Moro, desafiando-o a vir disputar com ele a eleição, não chega a ser uma pilhéria nem tampouco uma declaração séria. É uma piada que só os militantes do PT acham graça.
Ela revela o quanto a personalidade do juiz o perturba.
Identificados os inimigos que Lula vai usar para iniciar sua campanha de 2018; desvelada a estratégia política que ele deverá adotar; e analisados os possíveis efeitos não intencionados de suas escolhas estratégicas, alguns dos elementos analíticos básicos da situação, envolvendo Lula e o judiciário, talvez possam ajudar para acompanhar o processo político que poderá desencadear a campanha presidencial a partir de agora.
*Professor de Ciência Política, ex-reitor da UFRGS, pós-graduado pela Universidade de Princeton, é criador e diretor do site Política para Políticos
MENTIRAS DO CÁRCERE - 15/07/2017
(Publicado originalmente na Gazeta do Povo)
A narrativa da moda nos debates sobre criminalidade no Brasil é baseada na proposição fundamental de que somos um país violento porque padecemos de um mal chamado “encarceramento em massa”. Essa é a base de um novo mantra: urge o desencarceramento de delinquentes, na realidade vítimas de um sistema injusto. Na mesma velocidade com que foi adotado como panaceia pela cúpula da Justiça brasileira (a começar pelo CNJ e pelo STF) – sem qualquer debate público digno do nome – o desencarceramento tornou-se objeto de feroz campanha publicitária que envolve, dentre outros grupos ativistas, uma tal “Rede Justiça Criminal”, ente fantasmagórico que diz reunir 8 ONGs “preocupadas com o sistema criminal brasileiro” (prisaonaoejustica.org). Dentre as reivindicações da abnegada militância, destaca-se a inarredável proibição de prender, pois cadeias superlotadas geram “mais violência”, sendo necessário apostar em mecanismos que dificultem a prisão ou induzam a soltura de criminosos. Afinal, no Brasil, prende-se demais. Será?
De acordo com Relatório do CNMP, em 2015 havia no Brasil 196.749 presos provisórios e 259.359 condenados submetidos ao regime fechado (num total de 456.108 indivíduos efetivamente presos). Proporcionalmente ao número de habitantes, ocupamos o 30° lugar no ranking mundial de população prisional (prisionstudies.org), caindo para 77° no que concerne ao número de presos provisórios. O raquitismo desses índices salta aos olhos quando cotejado com a cifra negra da criminalidade: o Brasil registra cerca de 60 mil mortes intencionais por ano (um brasileiro é morto a cada nove minutos).
Apenas entre 2000 e 2015 cerca de 800 mil brasileiros foram assassinados (número equivalente à população de João Pessoa-PB), com um percentual de elucidação que gira entre constrangedores 5 e 8%, segundo o Diagnóstico da Investigação de Homicídios da ENASP. Ou seja: no brevíssimo período de 15 anos, já deduzido o recorde de 19% de elucidação obtido nos 43.123 inquéritos finalizados pelo programa Meta 2, é possível estimar que mais de 700 mil homicídios cometidos no Brasil sequer tiveram a autoria apurada! Somam-se a isso os quase 600 mil mandados de prisão pendentes de cumprimento, os mais de 100 mil com prazo expirado (dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão) e o baixíssimo índice de elucidação verificado em relação a outros crimes graves (apenas um em cada 53 roubos registrados tem a autoria esclarecida no Rio de Janeiro). Eis uma boa noção de quão falaciosa é a narrativa do “encarceramento em massa”. Segundo a teoria da escolha racional, de Gary Stanley Becker – economista americano agraciado com o Prêmio Nobel em Ciências Econômicas –, a quantidade de crimes cometidos é determinada por um cálculo de risco e recompensa envolvidos na empreitada (a alta probabilidade de condenação é fator preponderante para inibir o criminoso). Os números acima apresentados são reveladores do estado de anomia a que foi reduzido o Brasil, que, não por acaso, é campeão mundial em número absoluto de homicídios (com 11% dos assassinatos do planeta).
Contando com 21 das 50 cidades mais violentas do mundo, o País que entre 2011 e 2015 registrou mais mortes violentas do que a guerra da Síria figura na vergonhosa 108ª posição do ranking de 162 países do Global Peace Index – 2017.
Ignorando os dados concretos, os apólogos do desencarceramento, como donos da verdade e da razão, exercem forte pressão para que todo o sistema penal se curve às suas prescrições, sem incluir entre elas nada que possa melhorar as condições dos sistemas penitenciário e de persecução criminal. Só há uma solução aceitável: manter assaltantes, homicidas, traficantes e estupradores longe das cadeias, mas no seio da sociedade cujas regras desprezam, em meio às suas vítimas atuais e potenciais. Mais vagas prisionais, mais polícia judiciária e policiamento ostensivo, e, sobretudo a retomada, pelo Estado, dos espaços prisionais dominados por criminosos, são vistas como indesejáveis medidas de afirmação de um sistema injusto. Preferindo uma verborragia falaz à realidade, refletem os postulados marxistas da criminologia crítica, baseada na premissa neurótica de que o sistema penal é apenas uma estrutura de controle de uma classe social, dominada por uma elite que busca manter sua hegemonia, reduzindo a problemática da criminalidade ao pauperismo fantasioso dos estereótipos da luta de classes. A união de 8 ONGs numa rede financiada por fundações como Open Society, OAK, Ford e outros braços da elite globalista – ramos artificiais de um único grupo de pressão, criados para simular uma pluralidade de manifestações independentes e espontâneas a reverberar a ideologia de que criminosos agem em nome dos pobres, mesmo que sejam exatamente os pobres as vítimas preferenciais do banditismo – explica porque o Brasil se comprometeu a reduzir em 10% seu contingente carcerário perante a ONU, que atualmente nada mais é que a estrutura burocrática do globalismo.
Transformar deliberadamente o sistema prisional num espantalho – no ano de 2013 o CNJ já sugeria a responsabilização das autoridades de 11 Estados, que deixaram de investir R$ 103,4 milhões destinados aos presídios – para em seguida denunciar-lhe a ineficácia e promover a agenda do desencarceramento é uma monstruosidade inominável. Ao eleger como prioridade a soltura de criminosos, o governo brasileiro reafirma o compromisso com a impunidade, cospe nas famílias enlutadas e escarnece de milhares de cadáveres, cujo sangue derramado clama aos céus por justiça.
* Diego Pessi e Leonardo Giardin de Souza são Promotores de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul e autores do livro Bandidolatria e Democídio, ensaios sobre garantismo penal e criminalidade no Brasil.
A VERDADE SOBRE O “14 DE JULHO”, A DATA NACIONAL DA FRANÇA - 14/07/2017
O feriado de “14 de Julho”, data nacional da França, é considerado, por muita gente, inclusive franceses, como a celebração da célebre Tomada da Bastilha – fato que marca, tradicionalmente, o início da Revolução Francesa, o fim do absolutismo monárquico. Certo? O fato sim, a data nacional não. Há dois “14 de Julho” na história da revolução e, por isso, a confusão com as datas.
Tomada da Bastilha, 14 de Julho de 1789
No dia 12 de Julho de 1789, Camille Desmoulins um advogado gago, mas brilhante orador, fez um inflamado discurso diante da multidão reunida nos jardins do Palais-Royal, em Paris. Anunciou que Necker, responsável pelas finanças da França, havia sido demitido e que isso era sinal de retrocesso da monarquia contra o povo. Enfiando duas pistolas no seu casaco, conclamou a todos formarem milícias para se defenderem do exército do rei. “Ás armas!”, ressoou seu grito por toda cidade. No dia seguinte, centenas de populares, investiram contra os Inválidos, um antigo hospital militar onde se concentrava um razoável arsenal. Saquearam 3 mil fuzis e 20 canhões. Mas não encontraram pólvora. Correu o boato de que a pólvora estava estocada na Bastilha, uma antiga fortaleza que servia de prisão. Com suas enormes muralhas de 25 metros de altura, a fortaleza era, para o povo, um símbolo do despotismo real. Dizia-se que, em suas masmorras, centenas de prisioneiros políticos apodreciam sob os olhos de soldados sanguinários, prontos para massacrar a população à ordem do rei. Invadir a fortaleza tornou-se, então, alvo da fúria popular contra toda exploração, miséria e injustiça sofrida.
Para lá seguiram cerca de mil pessoas armadas, na manhã do dia 14 de Julho. Ao ver a multidão furiosa às portas da Bastilha, o comandante Bernard de Launay tentou negociar: abriria os portões se fosse poupado. Ele não tinha alternativa, a fortaleza estava vulnerável, defendida por uma pequena guarnição de 110 soldados desmobilizados e somente três canhões em condições de uso.
Launay abriu os portões e logo foi agarrado e decapitado. Sua cabeça foi espetada em uma lança e carregada em macabro triunfo pelas ruas. Os demais soldados foram abatidos sem piedade e outros rapidamente passaram para o lado dos revoltosos.
A turba violenta invadiu as dependências da fortaleza e, para sua surpresa, não encontrou pólvora. Nas celas, havia apenas sete presos: 4 falsários, um aristocrata acusado de devassidão e dois loucos. Tamanho esforço para tão pouco resultado! Mas o fato tinha um forte significado: um símbolo da monarquia absolutista fora derrubado naquela manhã de verão. A tomada da Bastilha era apenas a ponta inicial de um rastilho de pólvora que incendiou Paris, depois a França e o resto do mundo ocidental. Portanto, o “14 de Julho” comemora a Tomada da Bastilha? Não. A história é mais complexa.
Festa da Federação, 14 de Julho de 1790
Um ano depois daquele verão violento, muita coisa havia acontecido: os bens do clero foram confiscados, os nobres perderam a maioria de seus privilégios e foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. A declaração assegurava, aos cidadãos, os direitos civis: liberdade de pensamento e expressão, igualdade perante a lei, defesa da propriedade, direito de se rebelar contra os abusos do governo. O rei Luis XVI e sua família não residiam mais na tranquila e distante Versalhes. Desde outubro de 1789, foram obrigados a se mudarem para Paris, no coração dos tumultos populares. Estava em andamento uma Assembleia Nacional Constituinte e o rei acenava que concordava com isso e iria obedecer as leis.
Diante desses acontecimentos, a cidade respirava otimismo, a revolução parecia caminhar para um final feliz. Era preciso comemorar as conquistas obtidas, a reconciliação do povo com a monarquia, esquecer e perdoar as violências e o sangue derramado. A festa ganhou o nome de Festa da Federação e a data escolhida foi o 14 de Julho, de 1790.
O festejo ocorreu no Campo de Marte, em Paris. Ali foi construída uma imensa arena para 100 mil pessoas. No centro, ergueu-se o Altar da Pátria, de 6 metros de altura. As obras foram realizadas em clima de fraternidade e entusiasmo. Deputados e nobres, de camisas arregaçadas, ajudaram nos preparativos. Conta-se que até o rei foi visto com uma enxada nas mãos. No Altar da Pátria, o bispo Talleyrand celebrou uma missa solene, com a presença de 300 padres e 400 coroinhas! No final da grande cerimônia, o rei vem para a frente e, na presença da rainha Maria Antonieta e do delfim (príncipe herdeiro) e, diante da multidão, jura fidelidade à Constituição (que só seria promulgada no ano seguinte). Gritos de “Viva o rei” e “Viva a Pátria” ecoaram entre a multidão.
A grande festa de unidade nacional, contudo, não sobreviveu por muito tempo. A revolução tinha apenas começado e muitas cabeças ainda rolariam, inclusive a do rei e da rainha, três anos depois. Viria Robespierre e o Terror, Napoleão Bonaparte etc.
A escolha da Data Nacional
Havia, na França, um consenso da importância do 14 de Julho. Mas qual deles? A tomada da Bastilha, um motim popular sangrento que desencadeou um processo revolucionário com todo tipo de excessos? A Festa da Federação, uma comemoração pacífica e reconciliadora? Em 1880, o governo francês proclamou o 14 de Julho como data nacional evocando a Festa da Federação que, para os deputados, representava mais o espírito nacional. Em uma época de agitações operárias e crescimento do movimento socialista não era prudente celebrar uma revolta popular. Era melhor uma data que evocasse uma festa pacífica do que um evento que insuflasse o povo contra o governo.
Assim, a cada 14 de Julho, a França comemora, oficialmente, uma antiga celebração patriótica, ocorrida em 1790, abençoada pela Igreja e dirigida por um governante . Na memória coletiva, contudo, a data continua sendo associada à tomada da Bastilha e é na atual Praça da Bastilha, em seus bares e restaurantes, que os franceses erguem brindes ao fim do despotismo e à soberania popular.
Fonte Le 14 Juillet, fête bourgeoise ou révolutionnaire? Le Point.
Site Camille Desmoullins.
SCHAMA, Simon. Cidadãos. Uma crônica da Revolução Francesa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
http://www.ensinarhistoriajoelza.com.br/14-de-julho-data-nacional-da-franca/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues
QUO VADIS, BRASIL? - 12/07/2017
E o Brasil segue na trilha dos "progressistas" como um sonâmbulo que sofre um pesadelo. Temer continua a governar sem deter o poder para tanto. E os que o detêm são os mesmos de antes, acobertados pela mídia que os torna invisíveis desde que a lei do silêncio, a princípio tímida, estrategicamente, depois desavergonhadamente entrou em vigor.
Com isso, o que os ingênuos acreditam ser nossa Constituição Federal é um diploma legal infraconstitucional, não a nossa Lei Fundamental. Acreditam mas desconfiam. "Emissário de um rei desconhecido/Cumpro informes instruções de além/ E as bruscas palavras que aos lábios me vêm/Soam-me a um outro e anômalo sentido." (Fernando Pessoa)
Então, vetustos guardiões paramentados para defender a Carta Magna em seus sodalícios, como doutos que não se iludem com as enganosas aparências, aplicam a verdadeira norma suprema emanada do poder desconhecido pelas massas, assim como se as sessões transcorressem num tribunal de além, muito além da lenda republicana que nossos olhos embaçam com a miragem de um reino de súditos desgovernados por fantoches.
Porque não há vácuo no poder, por mais que assim nos pareça a realidade que vivenciamos. O que há mesmo é essa anomalia encenada por ilusionistas no teatro continental da Pátria Grande projetada para ser uma província do Olimpo onde imperam os deuses malditos.
Quo vadis, Brasil? Por onde andam sua gente bronzeada, seu mulato inzoneiro, o bravo povo e seu brado retumbante? Em que nuvens do céu escondeu-se o seu brio? Até quando suportarás ouvir calado o alarido dos que clamam Fora, Brasil! agitando bandeiras e símbolos que ecoam palavras rudes deste sentido inconfundível? O que espera o gigante acormecido para despertar, ficar de pé, sacudir a poeira e dar a volta por cima?
ESTADO QUER INTERFERIR ATÉ NO PREÇO DA BALADA! - 26/06/2017
(Publicado originalmente em https://bordinburke.wordpress.com)
Eis um procedimento totalmente arraigado na cultura do brasileiro: está descontente com qualquer coisa em sua vida? Socorra-se do aparato estatal e de seu poder de intervir em nossas vidas, suplicando-lhe que dite nossos comportamentos e regulamente nossas condutas. Ou seja, ao menor sinal de conflito pela frente, nosso povo costuma agir feito Olívia Palito, gritando “Popeye, faça alguma coisa”, ao invés de procurar atingir um ponto de entendimento junto aos demais membros da sociedade.
O problema é que o espinafre deste suposto herói são os impostos extraídos do setor produtivo, e sua atuação, na vida real, costuma ser mais prejudicial à desamparada donzela do que a própria truculência do vilão Brutus.
Não haveria porque ser diferente, pois, quando um consumidor considerasse “injusto” que mulheres paguem menos do que homens na entrada de bares e casas noturnas afins. Foi o que ocorreu no Distro Federal, e pode acabar repercutindo em todo o país:
No início do mês, a juíza substituta do Juizado Especial Cível Caroline Lima disse considerar “ilegal e discriminatória” a cobrança dos valores diferenciados nos ingressos masculinos e femininos. Segundo ela, a prática fere o Código de Defesa do Consumidor. O processo julgado por Caroline foi movido por um cliente contra uma produtora de eventos, que vendia meia-entrada masculina a R$ 220 e feminina a R$ 170 para uma festa no DF.
Em vez disso, a juíza decidiu enviar o caso ao conhecimento do Ministério Público, que poderia analisar a abertura de uma ação coletiva. O inquérito aberto nesta semana é resultado deste procedimento. Como argumento, a juíza considerou que o livre mercado “não pode servir de escudo para justificar práticas abusivas”. “Não se trata de um salvo conduto para o estabelecimento de quaisquer critérios para a diferenciação de preços”, declarou.
Na decisão judicial emitida, Caroline também afirma que, ao adotar preço diferente, o empresário “usa a mulher como ‘insumo’ para atividade econômica, servindo como ‘isca’ para atrair clientes do sexo masculino para seu estabelecimento”.
A lógica (ou falta de) observada no imbróglio em questão baseia-se toda em uma único conceito (ou falácia): os empresários do ramo do entretenimento em questão cobram de forma diferenciada a fim de atrair um grande número de mulheres, as quais irão servir de chamariz para os homens, resultando num cenário machista e discriminatório.
Haja paciência. Mas senta que lá vem história.
1) Os donos de balada não cobram menos de mulheres porque querem ter menos lucro, e sim pelo fato de que as circunstâncias de um mercado pouco regulado e a própria natureza dos seres humanos os induziram a assim agir.
Primeiramente, é preciso estabelecer uma premissa básica: parcela bastante significativa dos clientes destes estabelecimentos são solteiros que buscam conhecer pessoas interessadas em sair desta condição, por assim dizer – ou, no mínimo, divertir-se com pessoas erradas antes de encontrar a pessoa certa para mudar seu status no Facebook.
Entrementes, a sanha igualitária em vigor nos meios de comunicação e nas mídias sociais quer incutir em nosso senso comum, a todo custo, que ambos os sexos tendem a partir em busca de parceiros com a mesma intensidade e interesse.
A realidade, todavia, esta opressora insensível, ensina o oposto: os homens é que, na maioria das vezes, tomam a iniciativa da conquista, da azaração, da paquera. Se alguém duvida, pesquise qual animal costuma proceder à dança do acasalamento na época da procriação: se o pavão macho ou fêmea. Não vou contar para não estragar a surpresa…
Como decorrência disto, qual era o cenário que costumava desenhar-se antes do advento da prática de discriminar os clientes de acordo com seu sexo na hora de cobrar-lhes pelo ingresso na casa? Os estabelecimentos eram frequentados por muito mais homens do que mulheres, obviamente. E por que isso seria prejudicial ao andamento dos negócios do empreendimento?
Ora, considerando que nossa moral concede às mulheres (felizmente) o direito de rejeitar quantas cantadas quiser, torna-se natural que inúmeras tentativas frustradas de galanteio sucedam-se até que uma bem sucedida sobrevenha – variando de acordo com a competência do sujeito, bom que se diga.
Os homens, portanto, chegam à conclusão de que quanto mais mulheres há em um recinto, mais provável torna-se um final feliz em sua empreitada orientada pelo instinto de preservação da espécie e pela testosterona. Quanta perspicácia da rapaziada.
Só que esta conjunção de fatores determinada pela fisiologia, conforme explicado, estimula que os homens frequentem as baladas com mais frequência e mais precocemente do que as mulheres, atraindo mais clientes do sexo masculino para as baladas. Mas tal ambiente, dominado por marmanjos, não constitui aquilo que os heterossexuais procuram. Se os gestores destas empresas de entretenimento não fizessem nada a respeito, a falência seria o destino certo.
E o que eles decidem fazer a respeito? Ora, atendem ao chamado da irrevogável lei natural que relaciona procura X oferta e transferem para os homens parte do custo que as mulheres teriam para entrar em suas casas, equilibrando sobremaneira a presença de pessoas dos dois sexos.
Atingem eles, assim, o legítimo panorama de ganha-ganha: os homens não se importam em pagar mais para não ficarem cercados só de barbados; as mulheres não acham nem um pouco ruim que lhes sobre mais dinheiro ao final da noite; e os empresários ficam satisfeitos por verem clientes satisfeitos (a única forma de enriquecer sem fazer conluio com o Estado) e seus bares e baladas cheios.
2) Ninguém obriga os homens insatisfeitos por pagarem mais a frequentar tais estabelecimentos nem tampouco os impede de abrirem bares que cobrem de forma isonômica.
Item autoexplicativo: ninguém é seguro pelo colarinho e arremessado para dentro da balada, e lá mantido à força. Todos vão e lá permanecem de livre alvitre. E se acharem os desgostosos que é o caso, não há barreiras para que novos empreendedores invistam no ramo – não se trata de um setor cartelizado, como o de telefonia, de transporte aéreo ou de planos de saúde. Basta que eles, portanto, inaugurem casas noturnas com sistemas de cobrança alternativos. Se houver mesmo um largo contingente de descontentes, os protagonistas de tal iniciativa vão se dar muito bem.
É assim, ao menos, que se deve buscar resolver este tipo de conflito, sem apelar para que o Estado ponha suas garras intervencionistas de fora. Há poucos meses, um caso na Itália chamou a atenção quando restaurantes daqueles país lidaram com crianças bagunceiras de formas distintas, oferecendo serviços e condições procurando atrair perfis específicos de clientela.
Mais uma curta historieta: um apart-hotel localizado no interior de Santa Catarina, localizado próximo a um campus de universidade estadual, contava com muitos estudantes moradores. O problema é que este povo provocava muita agitação altas horas da noite, e incomodava os demais hóspedes. As providências adotadas pelo proprietário: em um primeiro momento, passou a cobrar mais dos universitários, visto que eles espantavam clientes. A tendência natural foi seu êxodo do hotel. Em um segundo momento, passou a não mais acomodar novos estudantes em seu estabelecimento. Questione-me se os rejeitados precisaram dormir na rua ou simplesmente partiram em busca de outro hotel. Pois é.
Outro exemplo mais, digamos, exótico: as casas de swing visam oferecer um ambiente propício para pessoas que curtem troca de casais. Elas não impedem, a princípio, que solteiros entrem no estabelecimento, mas costumam cobrar-lhes em torno de 5 a 6 vezes o preço cobrado dos casais. Vai uma intervenção estatal aí, gente?
Porque, se for o caso, abre-se um leque quase infinito de possibilidades para a “criatividade” dos burocratas governamentais entrar em ação. Tabelamento de preços de entradas? Ou quem sabe, em nome do bem-estar social, o governo não deveria distribuir vale-balada por aí – ao melhor estilo Cristina Kirchner comprando, com dinheiro de impostos, os direitos de transmissão dos jogos do campeonato nacional de futebol (goste o pagador de tributos argentino do esporte ou não), garantido diversão “gratuita” para todos. Melhor: que tal baladas estatais? o problema seriam as greves intermináveis em pleno verão…e por aí vai.
Já virou moda, miseravelmente. Há projetos de lei no parlamento prevendo a limitação do número de farmácias por bairro, e discute-se no meio jurídico até mesmo se um prestador de serviços pode ou não cobrar pelo orçamento. Até o preço da pizza já entrou no radar dos “justiceiros sociais”. Na dúvida, chama o governo.
Não tem jeito: ou o brasileiro perde esta mania ridícula de clamar pelo Estado em vista de qualquer contratempo, ou bizarrices do gênero seguirão ocorrendo a torto e a direito – mais a torto, com certeza. Quando dois irmãos discutem em torno do videogame e um deles chama “paiêêêê” a cada cinco minutos, a chance do pai acabar com o jogo é muito grande. Será tão difícil assim aprender esta lição?
3) As feministas devem estar extremamente felizes com o episódio.
A próxima meta das companheiras em busca da igualdade é conseguir que mulheres aposentem-se com a mesma idade dos homens. Força, camaradas!
O PRIVILÉGIO DA RAIVA. OU: A BOA RAIVA É DE ESQUERDA, A MÁ RAIVA É DE DIREITA - 23/06/2017
(Reproduzido de http://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino)
Se você quiser saber quem tem privilégios em uma sociedade, vá atrás da raiva.
Há pessoas nos EUA que podem expressar a raiva com segurança. E há pessoas que não podem. Se você está com raiva porque Trump venceu, sua raiva é socialmente aceitável. Se você está com raiva porque Obama venceu, ela não é.
A raiva de James Hodgkinson era socialmente aceitável. Ela continuou sendo socialmente aceitável até ele extrapolar e chegar ao homicídio. E ele não está só. Existe Micah Xavier Johnson, o assassino de policial do Black Lives Matter de Dallas, e Gavin Long, o assassino de policiais do Black Lives Matter em Baton Rouge. Se você é negro e sente raiva da polícia, sua raiva é festejada. Se você é branco e sente raiva pelo bloqueio de viagens do Terror, pela rejeição ao tratado do clima de Paris, ou por qualquer causa da esquerda, você está do lado dos anjos raivosos.
Mas se você é branco e sente raiva porque seu emprego está indo para a China ou por ter escapado por um triz de ser morto por um muçulmano suicida com bombas, sua raiva é inaceitável.
Se você é um esquerdista raivoso, seu líder partidário, Tom Perez, vai gritar e xingar ao microfone, e sua aspirante a candidata à presidência, Kirsten Gillibrand, vai xingar junto, para canalizar a raiva da base. Mas se você é um conservador raivoso, então Trump canalizar sua raiva é “perigoso” porque você não tem permissão para sentir raiva.
Nem toda raiva é igual. Alguma raiva é raiva privilegiada.
A boa raiva consegue uma boquinha de comentarista na CNN. A má raiva faz você ser expulso do seu emprego. A boa raiva não é, de forma alguma, descrita como raiva. Em vez disso, ela é linguisticamente transformada em “passional” ou “corajosa”. A má raiva, entretanto, é “preocupante” e “perigosa”. Os militantes esquerdistas raivosos “clamam”; os militantes de direita raivosos “ameaçam”. A boa raiva é de esquerda. A má raiva é de direita.
Demonstrações de raiva socialmente aceitáveis, do Occupy Wall Street aos distúrbios do Black Lives Matter até as marchas contra Trump e os furiosos protestos nos campus universitários, são invariavelmente esquerdistas.
A raiva da esquerda pela eleição de Bush e de Trump foi santificada. A indignação da direita pela vitória de Obama foi demonizada. Agora, a raiva da esquerda levou um voluntário de Bernie Sanders a abrir fogo em um evento beneficente republicano, um treino de beisebol. E a mídia hesita em admitir que talvez os dois lados devam moderar a retórica. Antes de listar exemplos que tenham tendência à direita como o “Prende ela”.
Por que slogans como o “Prende ela” são desmedidos, mas os gritos de “o chefe na cadeia” da era Bush não são? Por que os comícios do Tea Party eram “ameaçadores”, mas a última marcha “Nós Odiamos Trump” é corajosa? Por que matar Trump no palco é a forma mais maneira de encenar Shakespeare enquanto um palhaço de rodeio que usou uma máscara de Obama foi massacrado por todos, do vice-governador do Missouri até a NAACP?
Nem toda raiva é igual. A raiva, como qualquer outra coisa, é ideologicamente codificada. A raiva esquerdista é boa porque os fundamentos ideológicos são bons. A raiva da direita é má porque a ideologia é má.
O que torna a raiva boa ou má não é o nível, a intensidade ou a natureza ameaçadora.
E é por isso que a esquerda recorre à violência com tanta facilidade. Todos os fins ideológicos dela são bons. Portanto, significa que desde fome maciça, gulags, distúrbios e tirania, tudo tem de ser bom. Se eu furar seus pneus por causa do seu adesivo favorável ao Obama, eu sou um monstro. Mas se você arranhar o meu carro por causa do meu adesivo favorável ao Trump, você está combatendo o racismo e o machismo. Suas táticas podem ser equivocadas, mas seu ponto de vista não é.
Não há padrões universais de comportamento. A civilidade, como tudo o mais, é limitada ideologicamente.
A teoria interseccional não desaprova a expectativa de comportamento civilizado vinda de manifestantes “oprimidos”. Pedir que os estridentes manifestantes dos campus não berrem ameaças na sua cara é “policiamento de tom”. A filha de um afro-americano milionário em Yale está lutando pela própria “existência”, diferente de um mineiro de carvão da Pensilvânia, do oficial de polícia de Baltimore e da florista cristã cujas existências estão realmente ameaçadas.
O policiamento de tom é o que protege a raiva dos esquerdistas privilegiados, enquanto a frustração das vítimas deles é suprimida. A existência do policiamento de tom como um termo específico de proteção das demonstrações de raiva da esquerda exibe o colapso da civilidade sugada pelo privilégio da raiva. A civilidade foi substituída por uma prerrogativa política à raiva.
A esquerda se orgulha de ter uma superioridade moral não conquistada (“Quando eles descem, nós subimos”) reforçada pela própria câmara de eco enquanto ela se torna incapaz de controlar os próprios acessos de raiva. O chilique nacional depois da vitória de Trump quase conseguiu calar o governo, transformou todos os veículos de mídia em alimento inesgotável de teorias de conspiração e disparou protestos que logo chegaram à violência urbana.
Mas a Síndrome da Irracionalidade de Trump é um sintoma de um problema da esquerda que existia desde antes de ele nascer. A esquerda é um movimento raivoso. Ela é animada por uma indignação pomposa cuja superioridade moral se desdobra em desumanização. E o maquinário cultural da esquerda dá glamour a essa raiva. A mídia enfeita a raiva borbulhante de modo a que a esquerda nunca tenha de encarar o próprio Hodgkinson no espelho.
A esquerda está mais raivosa do que nunca. Os distúrbios nos campus e os atentados contra políticos republicanos não são nenhuma novidade. O que está mudando é que os adversários estão começando a se igualar em raiva. A esquerda ainda se agarra à mesma raiva que tinha quando era um movimento teórico com planos, mas pouco impacto no país. A indignação contra a esquerda não é mais ideológica. Há milhões de pessoas cujos planos de saúde foram destruídos pelo Obamacare, cujo direito à livre expressão foi retirado, cuja terra foi confiscada, cujos filhos foram doutrinados contra eles e cujos meios de vida foram destruídos.
A esquerda raivosa ganhou muito poder. Ela usou esse poder para destroçar vidas. Ela está conspirando ansiosamente para privar cerca de 63 milhões de pessoas de seus votos pelo uso de seu poder entrincheirado no governo, da mídia e do terceiro setor. E ela está blindada demais pela própria raiva pelo resultado da eleição para reconhecer a raiva dos próprios abusos de poder no atacado e nos chiliques privilegiados.
Mas o monopólio da raiva só funciona em estados totalitários. Em uma sociedade livre, espera-se que os dois lados controlem a raiva e encontrem termos nos quais possam debater e resolver as questões. A esquerda rejeita a civilidade e se recusa a controlar a raiva. O único termo que ela vai aceitar é o poder absoluto. Se uma eleição não dá um resultado que lhe agrade, ela vai derrubar o resultado. Se alguém a ofende, tem de ser punido. Ou haverá raiva.
A esquerda raivosa exige que todos reconheçam a absoluta retidão da sua raiva como base do seu poder. Esse privilégio da raiva, como o policiamento de tom, é frequentemente apresentado em termos de grupos oprimidos. Mas a raiva da esquerda não desafia a opressão, ela busca a opressão.
O privilégio da raiva é usado para silenciar a oposição, para fazer cumprir postura ilegais e para tomar o poder. Mas o monopólio da raiva da esquerda é cultural, não político. A indústria do entretenimento e a mídia podem fazer cumprir as normas do privilégio da raiva através da humilhação pública, mas a difamação não pode deter as consequências do colapso da civilidade na vida pública. Não existe monopólio de emoção.
Quando a raiva se torna a base do poder politico, ela não vai parar com Howard Dean ou Bernie Sanders. Foi isso o que a esquerda descobriu na última eleição. O falso horror da esquerda foi uma reação às consequências da própria destruição da civilidade. A reação da esquerda à demonstração de raiva dos conservadores e dos independentes foi o agravamento do conflito. Em vez de se apresentar como oposição, a esquerda se tornou a “resistência”. Trump se tornou simultaneamente Hitler e traidor. Os republicanos se tornaram feras malignas.
James Hodgkinson absorveu tudo isso. A esquerda alimentou a raiva dele. E, finalmente, ele surtou.
A raiva tem de escoar.
A esquerda gosta de pensar que a própria raiva é boa raiva porque é raiva contra as tribulações de estrangeiros ilegais, terroristas muçulmanos, banheiros transgêneros, a falta de aborto na Carolina do Sul, o salário mínimo no Taco Bell, os cortes de orçamento, os cortes tributários, as prisões pela polícia, os ataques com drones e todos os outros modos em que a realidade seja diferente da utopia. Mas tanta raiva não leva a um mundo melhor, mas leva ao ódio e à violência.
Milhões de esquerdistas como Hodgkinson ouvem todo dia que os republicanos são responsáveis por tudo de errado na vida deles, no país e no planeta. Apesar de tudo o que eles fazem, de todas as petições que eles assinam, das marchas a que comparecem, dos donativos, das cartas raivosas, das arengas nas mídias sociais, os republicanos continuam a existir e até são eleitos para cargos públicos. Pra onde vai tanta raiva?
Ou nós temos um sistema politico baseado nas leis em vigor e nas normas de civilidade, ou teremos um baseado em golpes e na raiva populista da esquerda. E eles já existem aos montes ao sul das nossas fronteiras.
A raiva da esquerda é uma bolha privilegiada de arrogância que estoura eleição sim, eleição não. A opção é tentar entender o resto do país ou intimidar, censurar e oprimir, chegando, enfim, a matar os outros.
James Hodgkinson escolheu a segunda opção. A revolução esquerdista pessoal dele acabou, como todas as outras revoluções esquerdistas acabam, em sangue e violência. A esquerda pode se desfazer do próprio privilégio à raiva e examinar a própria arrogância.
Ou a violência que vem dela será o nosso futuro.
* Publicado originalmente no FrontPage Magazine, em tradução livre de Claudia Costa.
CASO RODRIGO HILBERT: ESTÁ PROIBIDO MATAR OVELHAS. SÓ SE PODE COMÊ-LAS VIVAS. - 22/06/2017
(Publicado originalmente em sensoincomum.org)
O apresentador Rodrigo Hilbert terá de depor por exibir o abatimento de uma ovelha. E se fosse um aborto? Ou o amor de Lula por cabritas?
O apresentador de programas de culinária Rodrigo Hilbert será intimado a prestar depoimento na 14ª Delegacia de Polícia, no Leblon, para se explicar por ter cometido o hediondo crime de… abater uma ovelha em seu programa, que, segundo o Estadão, “mostrava a realidade dos produtores rurais em Santa Catarina”.
A situação transita perigosamente entre a comicidade e a morbidez totalitária, ainda mais em se tratando de um programa que mostra, justamente, a realidade dos produtores rurais. Afinal, quanto ainda podemos punir as pessoas por se apegarem à realidade, ao invés de viver em um safe space protegido por uma bolha de vácuo?
O caso de Rodrigo Hilbert parece alguma piada a ser comentada rapidamente na internet, mas reflete uma tendência muito maior e perigosa no Brasil e no mundo: a proibição do que possa ser “ofensivo”. Como se estar ofendido fosse sinônimo de estar certo. Ou, ainda pior, de estar sofrendo uma injustiça – basta pensar no que qualquer político diz ao ser pego com a boca na botija para entender o tamanho do problema.
A idéia de levar às autoridades (gerando jurisprudência e, posteriormente, costumes e leis) qualquer “ofensa” esconde ainda um perigo ainda maior, e nem por isso mais lento: a contemporânea proibição de falar a verdade. Rodrigo Hilbert, ao mostrar justamente a realidade da vida e do trabalho de produtores rurais, que alimentam o país inteiro e põem mistura no prato de cada pobre que pode comer um bife no país. Como alguém precisa depor por mostrar como se abate uma ovelha?
O apresentador foi denunciado por uma ONG de defesa de “direitos dos animais”. Uma petição na internet pediu o cancelamento do programa, sob esta justificativa (e esta é uma citação verdadeira):
“Porque ele assassinou ao vivo uma ovelha filhote, assassinou sorrindo, mostrando como é psicopata, monstruoso. Relatos de crianças que assistiram e não param de chorar, e perderam o apetite, e adultos também.”
Alguém precisa estar realmente doente para chamar um abate de “assassinato”, ou achar que tornar um animal em alimento é psicopatia. Estas pessoas não teriam a comida que receberam amorosamente da vovó e a capacidade de fazer sinapses tão longes de um silogismo se seus antepassados não tivessem comido ovelhas abatidas e muita proteína animal em um mundo selvagem e hostil. E alimentar famílias certamente é um motivo para sorrir. Votar em quem faz suruba financeira com dinheiro alheio via Friboi e JBS é que não é.
E adultos chorando por que Rodrigo Hilbert mostrou como se mata uma ovelha antes de se ter costelinha no supermercado? Já sugerimos aqui neste Senso Incomum na época da transmissão: que tal filmar um aborto? Podemos apostar de 10 contra 1 que os hipersensíveis que mandarão o apresentador para a delegacia por fazer o que é preciso ser feito para alimentar este país certamente são favoráveis ao aborto. Vamos filmar um aborto para ver se as criancinhas e adultos sorriem? Ou isso não seria “psicopatia”?
Pessoas apregoam o aborto livremente, e ninguém é obrigado a depor em delegacias por psicopatia. Para não falar em Maria do Rosário. Bastaria um único vídeo mostrando um aborto, ainda que indiretamente, e a discussão acabaria no país. Ou mesmo os vídeos da Planned Parenthood, a instituição à qual Hillary Clinton prometia mais verbas do pagador de impostos americanos em seus debates, cujos funcionários negociavam abertamente partes de fetos abortados.
Mas se a ONG de “direitos dos animais” quer fazer Rodrigo Hilbert ir à delegacia por transformar uma ovelha em alimento, desfrutado por 99% dos brasileiros, poderia exigir que um outro cidadão tenha de enfrentar a força da lei pelos maus tratos aos animais. Trata-se de Luiz Inácio Lula da Silva, que em entrevista à Playboy em 1979 defendeu alguns hábitos sexuais que não citou em suas campanhas by Duda Mendonça:
Playboy – Com que idade você teve sua primeira experiência sexual?
Lula – Com 16 anos.
Playboy – Foi com mulher ou com homem
Lula (surpreso) – Com mulher, claro! Mas, naquele tempo, a sacanagem era muito maior do que hoje. Um moleque, naquele tempo, com 10, 12 anos, já tinha experiência sexual com animais… A gente fazia muito mais sacanagem do que a molecada faz hoje. O mundo era mais livre…
Hoje, só a surpresa em dizer que não é gay é que causaria asco à militância. Provavelmente sua defesa apaixonada, romântica e de bom selvagem pelo “mundo mais livre” da bestialidade fosse chamada de “transespecismo” ou algum outro nome acadêmico chic do gênero. E os críticos seriam pechados como transespeciofóbicos. Com hashtag e tudo.
Basta cotejá-la a uma notícia também curiosa: um restaurante vegano espanhol proibiu uma mãe de amamentar o filho com uma mamadeira por ser um produto de origem animal. Novamente, é o tipo de notícia na qual os Social Justice Warriors (SJW) não podem pensar por muito tempo ou tentar extrair um princípio, ou terão de escolher entre feministas e vegans, e sua noção de justiça é apenas a de que ambos estão sempre certos.
Além de exigir dispêndio com a lei por simplesmente filmar a realidade, proibir cada vez menos lentamente que se fale a verdade e criar busílis com algo inócuo (e mesmo necessário) em um país com problema de fome e 60 mil homicídios por ano (boa parte deles graças às políticas de Lula), a hipersensibilidade seletiva de nossos Social Justice Warriors só mostra o quanto estão afastados justamente da realidade que Rodrigo Hilbert mostrou in true colours. E do que preocupa de fato o brasileiro de carne e osso, assassinado por psicopatas e com horror ao genocídio infantil do aborto.
De fato, parece que o único jeito de lidar com ovelhas sem “ofender” nenhuma ONG na qual ninguém votou para definir o que deve ser proibido e o que deve ser livre é se as comermos vivas. Com amor e camisinha.
O QUE ESTOU FAZENDO AQUI - 15/06/2017
(Publicado em http://www.olavodecarvalho.org)
A característica fundamental das ideologias é o seu caráter normativo, a ênfase no dever ser. Todos os demais elementos do seu discurso, por mais denso ou mais ralo que pareça o seu conteúdo descritivo, analítico ou explicativo, concorrem a esse fim e são por ele determinados, ao ponto de que as normas e valores adotados decidem retroativamente o perfil da realidade descrita, e não ao inverso.
Isso não quer dizer que às ideologias falte racionalidade: ao contrário, elas são edifícios racionais, às vezes primores de argumentação lógica, mas construídos em cima de premissas valorativas e opções seletivas que jamais podem ser colocadas em questão.
Daí que, como diz A. James Gregor, o grande estudioso do fenômeno revolucionário moderno, o discurso ideológico seja enganosamente descritivo, quando parece estar falando da realidade, nada mais faz do que buscar superfícies de contraste e pontos de apoio para o mundo melhor, cuja realização é seu objetivo e sua razão de ser.
Se o cidadão optou pelo socialismo, ele descreverá o capitalismo como antecessor e adversário, suprimindo tudo aquilo que, na sociedade capitalista, não possa ser descrito nesses termos.
Se escolheu a visão iluminista da democracia como filha e culminação da razão científica, descreverá o fascismo como truculência irracional pura, suprimindo da História as décadas de argumentação fascista, tão racional quanto qualquer outro discurso ideológico que prepararam o advento de Mussolini ao poder.
Tendo isso em vista, a coisa mais óbvia do mundo é que nenhum dos meus escritos e nada do que eu tenha ensinado em aula tem caráter ideológico, e que descrever-me como “ideólogo da direita”, ou ideólogo do que quer que seja, só vale como pejorativo difamatório, tentativa de me reduzir à estatura mental do anão que assim me rotula.
Podem procurar nos meus livros, artigos e aulas. Não encontrarão qualquer especulação sobre a boa sociedade, muito menos um modelo dela.
Posso, no máximo, ter subscrito aqui ou ali, de passagem e sem lhe prestar grande atenção, este ou aquele preceito normativo menor em economia, em educação, em política eleitoral ou em qualquer outro domínio especializado, sem nenhuma tentativa de articulá-los e muito menos de sistematizá-los numa concepção geral, numa ideologia.
Isso deveria ser claro para qualquer pessoa que saiba ler, e de fato o seria se a fusão de analfabetismo funcional, malícia e medo caipira do desconhecido não formasse aquele composto indissolúvel e inalteravelmente fedorento que constitui a forma mentis dos nossos “formadores de opinião” hoje em dia (refiro-me, é claro, aos mais populares e vistosos e à sua vasta plateia de repetidores no universo bloguístico, não às exceções tão honrosas quanto obscuras, das quais encontro alguns exemplos neste mesmo Diário do Comércio).
É óbvio que essas pessoas são incapazes de raciocinar na clave do discurso descritivo. Não dizem uma palavra que não seja para ?tomar posição?, ou melhor, para ostentar uma auto-imagem lisonjeira perante os leitores, devendo, para isso, contrastá-la com algum antimodelo odioso que, se não for encontrado, tem de ser inventado com deboches, caricaturações pueris e retalhos de aparências.
A coisa mais importante na vida, para essas criaturas, é personificar ante os holofotes alguns valores tidos como bons e desejáveis, como por exemplo “a democracia”, “os direitos humanos”, “a ordem constitucional”, “a defesa das minorias”, etc. e tal, colocando nos antípodas dessas coisas excelentíssimas qualquer palavra que lhes desagrade.
Alguns desses indivíduos tiveram as suas personalidades tão completamente engolidas por esses símbolos convencionais do bem, que chegam a tomar qualquer reclamação, insulto ou crítica que se dirija às suas distintas pessoas como um atentado contra a democracia, um virtual golpe de Estado.
O desejo de personificar coisas bonitas como a democracia e a ordem constitucional é aí tão intenso que, no confronto entre esquerda e direita, os dois lados se acusam mutualmente de “golpistas” e “fascistas”. Melhor prova de que se trata de meros discursos ideológicos não se poderia exigir.
Da minha parte, meus escritos políticos dividem-se entre a busca de conceitos descritivos cientificamente fundados e a aplicação desses conceitos ao diagnóstico de situações concretas, complementado às vezes por prognósticos que, ao longo de mais de vinte anos, jamais deixaram de se cumprir.
Dessas duas partes, a primeira está documentada nas minhas apostilas de aulas (especialmente dos cursos que dei na PUC do Paraná), a segunda nos meus artigos de jornal.
Os leitores destes últimos não têm acesso direto à fundamentação teórica, mas encontram neles indicações suficientes de que ela existe, de que não se trata de opiniões soltas no ar, mas, como observou Martin Pagnan, de ciência política no sentido estrito em que a compreendia o seu mestre e amigo, Eric Voegelin.
Não há, entre os mais incensados “formadores de opinião” deste país – jornalísticos ou universitários –, um só que tenha a capacidade requerida, já não digo para discutir esse material, mas para apreendê-lo como conjunto.
Descrevo aí as coisas como as vejo por meio de instrumentos científicos de observação, pouco me importando se vou “dar a impressão” de ser democrata ou fascista, socialista, neocon, sionista, católico tradicionalista, gnóstico ou muçulmano.
Tanto que já fui chamado de todas essas coisas, o que por si já demonstra que os rotuladores não estão interessados em diagnósticos da realidade, mas apenas em inventar, naquilo que lêem, o perfil oculto do amigo ou do inimigo, para saber se, na luta ideológica, devem louvá-lo ou achincalhá-lo.
A variedade mesma das ideologias que me atribuem é a prova cabal de que não subscrevo nenhuma delas, mas falo numa clave cuja compreensão escapa ao estreito horizonte de consciência dos ideólogos que hoje ocupam o espaço inteiro da mídia e das cátedras universitárias.
Suas reações histéricas e odientas, suas poses fingidas de superioridade olímpica, sua invencionice entre maliciosa e pueril, seus afagos teatrais de condescendência paternalista entremeados de insinuações pérfidas, são os sintomas vivos de uma inépcia coletiva monstruosa, como jamais se viu antes em qualquer época ou nação.
O que neste país se chama de “debate político” é de uma miséria intelectual indescritível, que por si só já fornece a explicação suficiente do fracasso nacional em todos os domínios: economia, segurança pública, justiça, educação, saúde, relações internacionais etc.
Digo isso porque a intelectualidade falante demarca a envergadura e a altitude máximas da consciência de um povo. Sua incapacidade e sua baixeza, que venho documentando desde os tempos do Imbecil Coletivo (1996), mas que depois dessa época vieram saltando do alarmante ao calamitoso e daí ao catastrófico e ao infernal, refletem-se na degradação mental e moral da população inteira.
De todos os bens humanos, a inteligência – e inteligência não quer dizer senão consciência – se distingue dos demais por um traço distintivo peculiar: quanto mais a perdemos, menos damos pela sua falta. Aí as mais óbvias conexões de causa e efeito se tornam um mistério inacessível, um segredo esotérico impensável. A conduta desencontrada e absurda torna-se, então, a norma geral.
Durante quarenta anos, os brasileiros deixaram, sem reclamar, que seu país se transformasse no maior consumidor de drogas da América Latina; deixaram que suas escolas se tornassem centrais de propaganda comunista e bordéis para crianças; deixaram, sem reclamar, que sua cultura superior fosse substituída pelo império de farsantes semi-analfabetos; deixaram, sem reclamar, que sua religião tradicional se prostituísse no leito do comunismo, e correram para buscar abrigo fictício em pseudo-igrejas improvisadas onde se vendiam falsos milagres por alto preço; deixaram, sem reclamar, que seus irmãos fossem assassinados em quantidades cada vez maiores, até que toda a nação tivesse medo de sair às ruas e começasse a aprisionar-se a si própria atrás de grades impotentes para protegê-la; deixaram, sem reclamar, que o governo tomasse as suas armas, e até se apressaram em entregá-las, largando suas famílias desprotegidas, para mostrar o quanto eram bonzinhos e obedientes. Depois de tudo isso, descobriram que os políticos estavam desviando verbas do Estado, e aí explodiram num grito de revolta: “Não! No nosso rico e santo dinheirinho ninguém mexe!”
A rebelião popular contra os comunolarápios não nasce de nenhuma indignação moral legítima, mas emana da mesma mentalidade dinheirista que inspira os corruptos mais cínicos.
Não só o dinheiro é aí o valor mais alto, talvez o único, mas tudo parece inspirar-se na regra: “Eu também quero, senão eu conto para todo mundo”. É óbvio que, se essa mentalidade não prevalecesse no nosso meio social, jamais a corrupção teria subido aos níveis estratosféricos que alcançou com o Mensalão, o Petrolão etc.
O ódio ao mal não é sinal de bondade e honradez: faz parte da dialética do mal odiar-se a si mesmo, mover guerra a si mesmo e proliferar por cissiparidade.
O mais significativo de tudo é que fenômeno de teratologia moral tão patente, tão visível e tão escandaloso não mereça sequer um comentariozinho num jornal, quando deveria ser matéria de mil estudos sociológicos.
Querem maior prova de que os luminares da mídia e das universidades não têm o menor interesse em conhecer a realidade, mas somente em promover suas malditas agendas ideológicas?
Foi por isso que, mais de vinte anos atrás, cheguei à conclusão de que toda solução política para os males do país estava, desde a raiz, inviabilizada pelo caráter fútil e perverso das discussões públicas.
Só havia um meio – difícil e trabalhoso, mas realista – de mudar para melhor o curso das coisas neste país, e esse curso não passava pela ação político-eleitoral. Era preciso seguir, “sem parar, sem precipitar e sem retroceder”, como ensinava o Paulo Mercadante, as seguintes etapas:
1. Revigorar a cultura superior, treinando jovens para que pudessem produzir obras à altura daquilo que o Brasil tinha até os anos 50-60 do século passado.
2. Higienizar, assim, o mercado editorial e a mídia cultural, criando aos poucos um novo ambiente consumidor de alta cultura e saneando, dessa maneira, os debates públicos.
3. Sanear a grande mídia, mediante pressão, boicote e ocupação de espaços.
4. Sanear o ambiente religioso — católico e protestante.
5. Sanear, gradativamente, as instituições de ensino.
6. Por fim, elevar o nível do debate político, fazendo-o tocar nas realidades do país em vez de perder-se em chavões imateriais e tiradas de retórica vazia. Esta etapa não seria atingida em menos de vinte ou trinta anos, mas não existe ?caminho das pedras?, não há solução política, não há fórmula ideológica salvadora. Ou se percorrem todas essas etapas, com paciência, determinação e firmeza, ou tudo não passará de uma sucessão patética de ejaculações precoces.
Esse é o projeto a que dediquei minha vida, e do qual os artigos que publico na mídia não são senão uma amostra parcial e fragmentária. Imaginar que fiz tudo o que fiz só para criar um “movimento de direita” é, na mais generosa das hipóteses, uma estupidez intolerável.
Quanto ao ítem número um, não se impressionem com os apressadinhos que, tendo absorvido superficialmente alguns ensinamentos meus, já quiseram sair por aí, brilhando e pontificando, numa ânsia frenética de aparecer como substitutos melhorados do Olavo de Carvalho.
Esses são apenas a espuma, bolhas de sabão que o tempo se encarregará de desfazer. Tenho ainda uma boa quantidade de alunos sérios que continuam se preparando, em silêncio, para fazer o bom trabalho no tempo devido.
* Reproduzido, também, em Diário do Comércio, 8 de fevereiro de 2016
QUEM DEFENDER TEMER SONHANDO COM A RECUPERAÇÃO ECONÔMICA PODE ACORDAR COM KEYNES - 13/06/2017
(Publicado originalmente em https://bordinburke.wordpress.com)
As reações que se seguiram ao bizarro julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE, em sua maioria, revelaram indignação ante à omissão dos magistrados em seu dever de zelar pela correção do processo eleitoral, a tal ponto de se questionar a própria validade da existência do referido tribunal.
Uma determinada parcela de brasileiros, todavia, enveredou suas opiniões em sentido diverso, dando conta de que, mesmo diante das fartas evidências de que recursos captados junto ao BNDES alimentaram (via empreiteiras envolvidas no Petrolão) a campanha da coligação PT/PMDB em 2014, seria salutar indeferir as AIME e AIJE propostas, em nome, sobretudo, da preservação da ainda incipiente recuperação econômica do país.
Pois é. A melhora dos índices econômicos, ainda que tímida, já se fazia notar e sentir, de fato, após menos de um ano de troca de comando no Planalto. Mesmo que o prometido ajuste fiscal ainda não tivesse sido implementado (com o resultado das contas federais apenas suavizando o rombo herdado do governo anterior), a mera expectativa de políticas mais austeras já animava o setor produtivo, uma vez que o cenário alimentava a esperança de que aumentos de tributos seriam desnecessários no futuro.
Neste sentido, a limitação dos gatos da União aprovada no Congresso Nacional nos estertores de 2016 e a (outrora) iminente reforma da Previdência (ainda que por meio de uma proposta que mantém o insustentável esquema Ponzi) geravam algum alento para empreendedores que teimam em investir no Brasil.
Natural, nesta conjuntura, que indivíduos preocupados com a degradação das expectativas ante (mais uma) troca de chefia de Executivo posicionem-se contra a destituição de Michel Temer neste momento – muito embora seja questionável tal “vista grossa” em nome de uma suposta estabilidade governamental, e que assemelha-se, em boa parte, ao clássico “rouba mas faz” atribuído costumeiramente a Paulo Maluf.
Só que a coisa não é tão simples quanto parece. Se antes dos irmãos Batista fazerem da política nacional um verdadeiro matadouro havia motivos para crer que o vice de Dilma poderia conduzir o processo de restabelecimento financeiro do país, agora restam poucas dúvidas de que sua capacidade de governar tenha sido abalada a tal ponto que a ressurreição do setor produtivo será a última de suas preocupações.
O maior trunfo de Temer tão logo foi empossado no cargo era o amplo apoio no Parlamento angariado na esteira do longo procedimento de afastamento de sua ex-parceira de coligação eleitoral. Visando obter os 342 votos na Câmara e 54 no Senado necessários para emplacar sua ascensão à Presidência da República, ele acabou por lograr uma base de apoio de proporções animadoras, suficiente para legitimar qualquer projeto de lei por ele encaminhado.
Some-se isso ao fato de que ele, por não apresentar aspirações pela reeleição, podia dar-se ao luxo de encampar reformas estruturantes “impopulares” (por serem incompreendidas pelo grosso da população, tal qual as alterações na CLT), aliado, ainda, à ideologia peemedebista tipicamente camaleônica (a qual se adapta ao momento visando manter seu status), e temos que, diante da recessão que assola o país desde 2014, tudo levava a crer que o governo Temer estaria apto a dar a arrancada rumo à saída do atoleiro em que o lulopetismo nos meteu.
E tudo começou relativamente bem. Inflação e taxa básica de juros em franco declive, modestos sinais de retomada das contratações, previsões de PIB para 2017 mais acalentadoras, revisão vital nos benefícios estatais (como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e bolsa-família), dólar em queda, designação de diretores para BNDES e Petrobrás visando a condução mais responsável destas instituições (já que suas extinção e privatização, respectivamente, ainda não estão na pauta do dia), enfim: mesmo em meio às inúmeras concessões feitas à extrema-esquerda, ainda estava valendo bastante a pena aturar o vice de Dilma como mandatário máximo da administração pública.
Isso até 17/05/2017. Desta data em diante, a coisa mudou de figura, e a preocupação com a recuperação econômica deu lugar ao mais puro e simples instinto de sobrevivência dos palacianos. Pior: no afã de manterem-se agarrados aos postos (e ao foro privilegiado), uma guinada “desenvolvimentista” se avizinha.
Sim, exato: após a jornada exitosa no TSE, o próximo desafio do governo Temer é escapar da denúncia que nos próximos dias será apresentada pela PGR ao STF. Para que o Presidente possa responder pelos crimes apontados pelo Ministério Público (sendo afastado de suas funções, para tanto, por até seis meses), é necessário que a Casa Baixa referende com 2/3 de seus membros tal possibilidade. Será fundamental, portanto, que ao menos 172 Deputados votem contra, abstenham-se ou ausentem-se da sessão que tomará tal decisão.
E adivinhem como o governo atual, nesta situação, tentará salvar sua pele? Ora, da mesma forma que tentou Dilma Rousseff: “comprando” apoio junto aos parlamentares e à sociedade como um todo. E isto significa um sonoro adeus à austeridade fiscal.
Já foi noticiado que Michel Temer pretende dar a “áreas específicas” da economia estímulos econômicos diversos, objetivando, em tese, dar um “empurrãozinho” na produção e no comércio – tal qual John Maynard Keynes o aconselharia, por certo. Em outras palavras: destinar dinheiro dos pagadores de impostos a empresários amigos do Rei, escolhendo quem vai ficar rico e causando desordem no processo de trocas voluntárias. Ou seja, mais do mesmo do veneno que nos trouxe ao caos presente, indo na contramão da linha defendida (a maior parte do tempo) por Henrique Meirelles e sua equipe até aqui.
A pretexto de recuperar (momentaneamente) a renda média do brasileiro, o respaldo político é, quase literalmente, comprado – ao preço de comprometer seriamente nosso futuro. Após tanto desgaste junto à opinião pública, conseguir adesão para aprovar qualquer reforma estruturante, a partir de agora, exigirá novas rodadas de “toma lá, dá cá” junto a congressistas e seus patrocinadores (os mesmos capitalistas de compadrio de sempre), além de consentir com alterações nas redações originais (a fim de agradar as bancadas que eventualmente tenham lhe poupado o couro) que desfigurarão por completo estas propostas – e os benefícios delas advindos vão para o ralo (que o diga o esperado veto à derrubada do imposto sindical).
Até mesmo o “acordo do clima” de Paris, solenemente (e corretamente) ignorado por Donald Trump, foi referendado pelo governo brasileiro, em mais um exemplo de como este “pedágio ideológico” precisará ser pago regularmente como forma de acalmar a mídia e os movimentos barulhentos – comprometendo gravemente, neste caso concreto, a competitividade da indústria brasileira frente ao mercado internacional, gerando uma alta fatura a ser paga pelas próximas gerações de brasileiros.
Trocando em miúdos: quem defende a manutenção do atual governo no poder precisa encontrar outra justificativa que não seja a restauração dos índices econômicos, porque esta, infelizmente, ainda vai ter que esperar outro bonde passar – o próximo está previsto para 2018.
De qualquer forma, ressalte-se que Michel Temer só pode ser desalojado do cargo seguindo estritamente o que dispõe a lei. Se à presidenta deposta foram concedidas todas as oportunidades de contraditório em relação aos crimes de responsabilidade de que foi acusada, a seu substituto também não pode ser negado o devido processo legal. Ou isso, ou resignemo-nos com sua permanência até o final de seu mandato tampão. Paciência.
Resistir às tentações revolucionárias, pois, neste momento insólito de nossa história, é dever cívico dos mais relevantes. Nunca deram o poder absoluto a quem não prometia trocar o presente por completo, nem nunca houve totalitarismo sem um povo revoltado com “tudo que está aí” (créditos a Flávio Morgenstern). Se Keynes gostava de repetir que “há longo prazo, todos estaremos mortos”, façamos votos de que nossa claudicante democracia siga respirando em meio a tanto desarranjo institucional e social, ainda que por aparelhos.
Chama a atenção, aliás, que algo bastante curioso pode vir a desenrolar-se na casa legislativa dos representantes do povo muito em breve: caso Rodrigo Janot apresente, de fato, denúncia contra Michel Temer por crimes comuns cometidos no exercício do cargo, os partidos de extrema-esquerda poderão demonstrar se querem mesmo a queda do Presidente ou apenas almejam sustentar este discurso oposicionista até o próximo pleito, e dele colher dividendos eleitorais. A conferir…
A MANEIRA RUSSA DE MENTIR - 12/06/2017
(Publicado originalmente no www.midiasemmascara.org)
De 1918 a 1991, o Pravda (em russo, “verdade”) foi o principal jornal da União Soviética e órgão oficial do Comitê Central do PCUS, Partido Comunista da URSS.
Talvez o paradoxo mais famoso descoberto pelos filósofos gregos seja o do “mentiroso”. Um cretense diz que todos os cretenses são mentirosos: se o que ele diz é verdadeiro, então é falso. Simplificando, considere: “Esta frase é falsa.” Se for verdadeira é falsa, se falsa, verdadeira. Os antigos levavam a sério esse paradoxo, pois se o conceito de verdade é intrinsecamente contraditório, como o paradoxo implica, então todo o discurso, todo o argumento, toda a tomada de decisão racional ocorre em um vazio. Um filósofo antigo, Filitas de Cos, em seu desespero na busca de uma solução, cometeu suicídio. Mais recentemente, o grande lógico Alfred Tarski usou o paradoxo para argumentar que a verdade pode ser definida em uma linguagem somente através de uma “meta-linguagem” com um ponto de vista externo. Na visão de Tarski “Esta frase é falsa” não é uma frase possível. Mas eu acabei de escrevê-la!
Um filósofo sobressai-se como um traidor da tradição, Nietzsche, com a famosa declaração que não há verdades, apenas interpretações. A declaração de Nietzsche, se verdadeira, é falsa. Nietzsche, que era mais poeta do que filósofo, não era dissuadido por contradições: era mais importante em sua visão destruir o discurso ordinário do que resgatá-lo. Em seu rastro vieram as tropas de desconstrucionistas, pós-modernistas e relativistas, todos encantados com a idéia de que não há verdade. Que o que eu penso é tão bom quanto o que você pensa – de fato melhor, porque sou “eu” pensando. Se você me oferecer um cargo de professor apesar do fato de que minhas publicações não conterem nada que você reconheceria como verdadeiro ou significativo, então isso mostra que você é tão descolado quanto eu.
Não devemos nos surpreender assim se os nossos departamentos de humanas são agora preenchidos por “professores de pós-verdade”, que devem seu status intelectual às suas provas de que não há status intelectual a ser alcançado.
Tudo isso vem à mente ao refletir sobre o papel da verdade na diplomacia russa. A ideologia comunista descartou a idéia de verdade como se fosse uma construção burguesa. O que importava era poder — e você batizou como verdade aquelas doutrinas que o fornecem. Essa maneira invencível de marginalizar a realidade foi exposta para todos por Orwell, Koestler, Solzhenitsyn e, mais recentemente, Havel. Somente a educação em uma universidade moderna, com doses repetidas de Foucault, Deleuze e Vattimo, pode cegar para os perigos de uma filosofia que vê o poder como o verdadeiro objetivo do discurso. Infelizmente, essa educação existe, e temos que viver com o resultado disso.
Todos os que encontraram a máquina comunista estavam familiarizados com a abolição da distinção entre verdade e poder, incluindo companheiros de viagem como Eric Hobsbawm e Ralph Miliband, que aprovaram isso. O que importava ao Partido Comunista era a meta: a instalação do controle comunista sobre o máximo possível do mundo civilizado. O mito do “cerco capitalista” — a descrição da expansão militar soviética como uma “ofensiva de paz”, as invasões da Hungria, da Tchecoslováquia e do Afeganistão como “assistência fraterna”: tudo parte da diplomacia da pós-verdade. A falsificação do discurso político estendia-se às minúcias. Os judeus eram perseguidos não como judeus, mas como parte da conspiração burguesa-sionista-capitalista. Os católicos foram presos por “subversão da república em colaboração com uma potência estrangeira”. As tentativas da OTAN de instalar defesas antimísseis tornaram-se “atos de agressão que desestabilizavam a Europa”. E assim por diante. O resultado era uma espécie de discurso paranóico que não podia ser respondido com argumento racional, já que cada argumento era mais uma prova de que todos os que denunciavam as mentiras também as diziam. A máquina de propaganda soviética enfrentava todos os fatos gritando a plenos pulmões “mentiras!”, como um lógico louco que grita “essa frase é falsa!”
A paranóia institucionalizada não desapareceu com o colapso do comunismo. Poderá ser superada, mas apenas por uma imprensa livre, instituições livres e universidades que protegem a liberdade de expressão: coisas que estão sob ameaça em todo o mundo pós-verdade e que não existem na Rússia há cem anos. Quando foi mostrado que os mísseis russos derrubaram um avião civil malaio sobre a Ucrânia a resposta era outra vez “mentiras!” As acusações de doping de atletas russos, invasão de contas de e-mails dos EUA, mobilização de tropas na fronteira com a Polônia, movimentos de armamento para o enclave de Kaliningrado, constante violação do espaço aéreo da Suécia — todos encontraram a mesma resposta. A premissa da diplomacia russa é: “Não há verdade e portanto tudo o que você diz é uma mentira.” O que, se verdadeiro, é falso. Como foi demonstrado.
Roger Scruton, “The Russian way of lying”, The Spectator, 23 de Março de 2017.
Tradução: Guilherme Pradi Adam
Revisão: Rodrigo Carmo
http://tradutoresdedireita.org
A APOLOGIA DA BARBÁRIE - 11/06/2017
Acabo de ler na esgotosfera do facebook a seguinte pérola:
"Não é sem razão que o IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa) lançará no próximo dia 13/6 (terça-feira) a campanha “Encarceramento em massa não é Justiça”. De igual modo, o IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), a Pastoral Carcerária Nacional – CNBB, a Associação Juízes para a Democracia (AJD) e o Centro de Estudos em Desigualdade e Discriminação (CEED/UnB) elaboraram 16 (dezesseis) propostas legislativas que buscam impactar a dinâmica sistêmica do encarceramento em massa no país."
Entenderam?
• No Brasil, CAMPEÃO MUNDIAL em mortes, com seus 60 mil homicídios por ano (11% dos crimes no planeta);
• No Brasil onde se mata mais do que na guerra na Síria;
• No Brasil onde, apenas entre 2000 e 2014, foram praticados cerca de 740 MIL HOMICÍDIOS;
• No Brasil onde NO MÁXIMO 8% dos homicídios resultam em denúncias, e onde cerca de 600 mil mandados de prisão se encontram pendentes de cumprimento, os cardeais da extrema-esquerda escalam um estagiário para anunciar a "boa nova": ENCARCERAMENTO É O PROBLEMA! O lema da campanha bem poderia ser: "MORREU FOI POUCO!"
Com todo respeito... AJD? IBCCrim? CNBB? WTF?! O que mais falta? Nardoni pontificando sobre os direitos da criança? Tiririca escrevendo ensaios sobre Camões? Ou palestras de um ex-presidente sobre probidade administrativa?
Claro que não se trata de mera burrice. A estupidez tem limites, a loucura não. Repito aqui trecho de uma postagem por mim feita em relação a caso semelhante (pra não dizer idêntico), ocorrido há bem pouco tempo:
'O ARRAIAL DE CANUDOS À JUMENTOCRACIA
'Da mesma forma que o geólogo interpretando a inclinação e a orientação dos estratos truncados de antigas formações esboça o perfil de uma montanha extinta, o historiador só pode avaliar a altitude daquele homem, que por si nada valeu, considerando a psicologia da sociedade que o criou. Isolado, ele se perde na turba de nevróticos vulgares. Pode ser incluído numa modalidade qualquer de psicose progressiva. Mas posto em função do meio, assombra. É uma diátese e é uma síntese. As fases singulares da sua existência não são, talvez, períodos sucessivos de uma moléstia grave, mas são, com certeza, resumo abreviado dos aspectos predominantes de mal social gravíssimo. Por isto o infeliz destinado à solicitude dos médicos veio, impelido por uma potência superior, bater de encontro a uma civilização , indo para a história como poderia ter ido para o hospício'.
Assim Euclides da Cunha descreveu Antônio Conselheiro, líder messiânico do Arraial de Canudos, protagonista de uma das mais cruentas páginas da história da incipiente (e, diria eu, insipiente) república brasileira. Passado mais de um século desde a publicação do clássico "Os Sertões", sirvo-me da pena de seu autor ante a constatação de que nos dias de hoje, como então, o meio social brasileiro se presta ao florescimento de tipos caricatos (gnósticos broncos, na definição de Euclides), cuja degenerescência intelectual e fragilidade de consciência parecem nutrir-se da própria decomposição do ambiente cultural a que pertencem.
Personalidades saprófagas, de perfil paranoide, que desconhecem até mesmo as origens de suas próprias crenças e se apegam, com fervor religioso, a um pequeno punhado de certezas malformadas, rechaçando histericamente tudo aquilo que se lhes afigure uma ameaça. Por frágeis, cumprem à risca a máxima "Asinum asinus fricat", buscando na confirmação de seus pares aquilo que a razão lhes sonegou e apelando à própria ignorância como fonte insofismável de autoridade intelectual ("se eu não conheço, é porque não existe, é mentira ou está errado).
A esta altura você já deve ter notado que estamos descrevendo uma "jumentocracia": saber menos é mais, pois hão de triunfar todos aqueles cuja estreiteza mental não lhes permita divisar nada além de uma lista de dogmas introjetados em suas cabeças a golpes de formão e palavras de ordem. Se o Conselheiro trazia, num surrão de couro, "papel, pena e tinta, a Missão abreviada e as Horas marianas", os fanáticos de hoje trazem na ponta da língua um arsenal de palavras-gatilho ("punitivismo", "opressão" "desencarceramento", "senso comum", "estado de alarme", "seletividade", "populismo penal"), cuja simples menção - acreditam - lhes confere uma espécie de onisciência fácil, catapultando-os ao Olimpo da pureza espiritual e das boas intenções (são as Paquitas do garantismo penal).'
Acrescento: esse tipo de loucura (ideológica) é temível. Tão temível quanto a coalizão obscura entre padres de passeata, vampiros de honorários e apologistas da barbárie. Todos têm as mãos sujas de sangue inocente. Não merecem qualquer respeito. Quem viver (se viver) verá!
UM NOVO DESPERTAR DO CRISTIANISMO E O ALERTA DE CHESTERTON - 08/06/2017
(Publicado originalmente em http://www.gazetadopovo.com.br/)
Quando Mark Twain soube de um obituário seu precoce, ironizou: “Parece-me que as notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas”. Será que o mesmo pode ser dito acerca da Europa cristã hoje?
Que o continente, berço da civilização ocidental, está sob ataque, definhando numa crise de valores morais, mergulhado no caos do “welfare state” e do multiculturalismo politicamente correto, qualquer pessoa atenta pode perceber. O estrago do pós-modernismo materialista, niilista e hedonista salta aos olhos.
Mas será que, por conta disso, deve-se adotar uma postura pessimista e fatalista de que não há mais jeito, de que a islamização europeia é uma tendência inexorável, de que não haverá chance de reação? Será que a “profecia” do escritor francês Houellebecq em Submissão se realizará?
Talvez. Mas para dar um tom mais otimista, resgato um longo trecho do livro O homem eterno, de G.K. Chesterton, em que ele argumenta a favor da incrível força da boa-nova do cristianismo, cuja morte já foi prevista inúmeras vezes antes (assim como a do capitalismo desde Marx):
Mas o primeiro fato extraordinário que marca essa história é o seguinte: a Europa foi virada de cabeça para baixo muitas e muitas vezes, e no fim de cada uma dessas revoluções a mesma religião estava outra vez no topo.
[…] Todos os estágios comuns haviam sido vividos: o credo se tornara algo respeitável, tornara-se um ritual, depois havia sido modificado e racionalizado, e os racionalistas estavam dispostos a dissipar o que sobrara dele exatamente como fazem hoje em dia. Quando o cristianismo de repente ressurgiu e os surpreendeu, foi algo tão inesperado como Cristo ressuscitando dentre os mortos.
[…] Por que houve aquele intenso alarme entre algumas das autoridades acerca da versão racionalista de Aristóteles feita pelos árabes? As autoridades raramente se alarmam a não ser quando já é tarde demais. A resposta é que centenas de pessoas provavelmente acreditavam no fundo do coração que o islamismo conquistaria a cristandade; que Averroes era mais racional que Anselmo; que os sarracenos eram no fundo, como na superfície, uma cultura superior.
[…] O que de fato aconteceu foi um rugido feito um trovão de milhares e milhares de jovens jogando toda a sua juventude num exultante contra-ataque: as cruzadas. Eram os filhos de são Francisco, os malabaristas de Deus, que percorreram cantando todas as estradas do mundo; era o estilo gótico subindo como uma revoada de flechas; era o despertar do mundo.
[…] Resumindo: na medida em que é verdade que os séculos mais recentes têm testemunhado uma atenuação da doutrina cristã, eles apenas testemunharam o que testemunharam os séculos mais remotos. E até mesmo o exemplo moderno terminou exatamente como terminaram os exemplos medievais e premedievais.
[…] Se nossas relações e registros sociais mantiverem sua continuidade, se os homens realmente aprenderem a usar a razão para acumular os fatos de uma história tão esmagadora, a impressão é de que mais cedo ou mais tarde até seus inimigos aprenderão com suas incessantes e intermináveis decepções a não ir atrás de algo tão simples como a morte do cristianismo. Eles podem continuar a combatê-lo, mas será como um combate contra a natureza: um combate contra uma paisagem, um combate contra o horizonte. “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão.”
Quem me acompanha há tempos sabe que não sou exatamente um crente, e já fui até um ateu militante (fase da qual me envergonho um pouco). Mas isso não me impede de analisar a situação friamente, e concluir que o cristianismo, historicamente falando, tem profunda ligação com o relativo sucesso da civilização ocidental. Seu legado é positivo, apesar das falhas (e toda instituição humana será sempre imperfeita, algo que os utópicos não entendem).
Eis um trecho do livro Os caminhos para a modernidade, da historiadora Gertrude Himmelfarb, sobre o lado britânico do Iluminismo (ou melhor, dos Iluminismos), que é comumente ignorado pelos professores fãs da Revolução Francesa sangrenta:
Essa foi a Inglaterra que Montesquieu encontrou no início do século XVIII. O povo inglês, disse ele, “sabe melhor do que qualquer outro povo sobre a Terra como valorizar, ao mesmo tempo, estas três grandes vantagens – religião, comércio e liberdade”. E foi essa a Inglaterra que Tocqueville redescobriu mais de um século depois: “Eu desfrutei, na Inglaterra, do que há muito tempo eu estive privado – uma união entre os mundos religioso e político, entre a virtude pública e privada, entre o cristianismo e a liberdade”.
Acho que qualquer estudo sério e imparcial mostrará que não é tão fácil dissociar o legado da civilização ocidental daquele do cristianismo. Os grandes pensadores atribuíram importância enorme aos valores cristãos nesse avanço da liberdade e do conhecimento. Não é por acaso que existe um abismo quase intransponível entre países dominados pelo Islã e aqueles com origem cristã em termos de tolerância, liberdade individual etc.
Algumas pessoas acham que esse “liberalismo” degenerado de hoje não é capaz de enfrentar a ameaça islâmica. Que falta estamina, coragem, motivação, uma causa maior para lutar, resistir. Sem o patriotismo, por exemplo, quem vai arriscar a vida em nome de uma abstração universal, dos burocratas sem-rosto de Bruxelas? Sem a fé, a esperança no futuro, quem vai desafiar os invasores que demandam total submissão?
Há, até onde sei, um bom debate entre cristãos ocorrendo nos dias atuais. Uns acham que é preciso se reagrupar e lutar de forma mais aberta, mesmo numa sociedade “pós-cristã”, que rejeita seu legado; e outros pensam que a melhor forma de resistir é como na era medieval, encastelando-se em espécies de monastérios onde esse legado fique resguardado, protegido, até o dia em que a civilização resolva beber novamente desta rica fonte.
Como alguém de fora, não vou dar pitaco, não sei qual a melhor estratégia. Só sei que torço para um despertar, se não cristão, então ao menos ocidental, ou seja, o desejo de lutar para preservar tudo isso que herdamos de nossos antepassados, e que não foi pouca coisa (quem discorda que vá passar uma temporada no Irã ou na Arábia Saudita).
Após mais um atentado em Londres, parece que a ficha está caindo, que o povo está cansando. O discurso está endurecendo, finalmente. E sabemos que se alguma esperança há, ela vem da Inglaterra, não da França. Não é implicância; é que a França gosta de produzir ideias erradas mesmo.
Só sei que sem a determinação de manter os valores básicos que definem o Ocidente, nossa civilização sucumbirá, e seu futuro será irreconhecível para nós. É isso que queremos deixar para nossos filhos e netos? Burke falava de um contrato social entre gerações, daqueles que vivem com aqueles que já viveram e aqueles que ainda viverão. Está na hora de lembrar disso. Devemos aos nossos pais e avós, e também aos nossos filhos e netos.
Uma civilização não se sustenta num vácuo de valores. Alguns liberais acharam que tais valores não dependiam da religião. Há controvérsias. O presente mostrou que talvez não seja tão simples assim. E se Chesterton estiver certo, poderemos muito bem presenciar um novo despertar cristão, para combater o niilismo e a desesperança daqueles que aceitam passivamente a submissão e a morte, tudo em nome da “tolerância”, claro. Está na hora de dar um basta aos intolerantes!
CRACOLÂNDIA E URBANISMO - 08/06/2017
Uma das cenas mais grotescas e repugnantes estampadas na imprensa delata a decadência urbana brasileira – a cracolândia – este acampamento de drogados ambulantes pelo espaço público da mais rica cidade brasileira, qual senhores absolutos e paradoxalmente arrogantes e desvalidos da cidade.
A ralé soberana. A paisagem retrata com tons sombrios a destruição da cidade, refletindo neste escorço o relaxamento moral do país, subordinado ao vício das drogas. As pessoas sadias, operosas, contribuintes impositivos do Estado de direito, assistem impotentes aquele cancro inabalável do crime urbano. Desta tolerância oficial a se arrastar por anos, onde instituto oficializado de Direitos Humanos foi omisso e, na prática, coadjuvante da devassidão física e moral exposta em via pública, emerge surpreendente um personagem decidido a combater o mal explícito – o novo prefeito João Dória. Eis quando o imperativo da ordem social impõe varrer a mazela urbana, aquela instituição totalmente ausente de ação sanitária em todo correr do antanho, irrompe de sua inação para insurgir-se contra o prefeito; como se a cidadania produtiva, civilizada, apreciadora da ordem urbana, protetora da saúde pessoal e social do cidadão, agredida pelo quisto delinqüente invasor das vias públicas, não devesse ser o foco da proteção dos Direitos Humanos – o direito elementar de ir e vir, de usufruir as benesses de sua cidade para a qual destina seus impostos.
Ao enfrentar aquela autoridade que ousou corrigir a injustiça, Inverteu o objetivo legal e racional da saúde pública – ao invés de proteger a população dos ataques dos drogados, das cenas ofensivas por eles escancaradas aos olhos infantis. Quando Oswaldo Cruz estabeleceu a vacina condição obrigatória contra a varíola, Rio de Janeiro de 1904, encontrou violenta reação popular; a população a quem a vacina se destinava a defender preferia a varíola. A racionalidade se impôs felizmente. O mesmo se espera hoje das autoridades de São Paulo e do Brasil: encarar o urbanismo como intérprete dos Direitos Humanos.
• Arquiteto, urbanista, escritor.
PETISTAS: DUAS FALÁCIAS PARA JUSTIFICAR A CORRUPÇÃO - 05/06/2017
(Publicado originalmente em midiasemmascara.org)
Duas das falácias mais comuns utilizadas pelos esquerdistas são a tomada do todo pela parte ou o contrário. Chamo a estas falácias de estratégia da justificação defensiva – na literatura lógica são chamadas de falácias da divisão e da composição.
Na composição, o sofisma consiste em sustentar que o todo possui a mesma propriedade da parte. Você afirma neste caso, que existem padres pedófilos e conclui que todos os padres são pedófilos.
Na divisão, se dá o inverso. A falácia é apologética pelo seguinte motivo. Você diz que o PT é o partido mais corrupto da história moderna da humanidade – esta é uma verdade objetiva, é a parte que importa, no caso- e vem o esquerdista alegando que todos, de certo modo, somos corruptos, que a corrupção é um mal estrutural do capitalismo, em maior ou menor escala, que sempre esteve presente na nossa história e nas pequenas atitudes dos brasileiros, como dar um jeitinho nas coisas, tentar subornar um policial, colar nas provas e por aí vai ( o todo que justifica). O esquerdista avança o pseudoargumento segundo o qual a nação inteira é corrupta; assim não devemos nos indignar com o Petrolão, nem culpar o PT, por exemplo, porque somos, indiretamente, responsáveis pela corrupção – o todo que justifica-.
A falsa premissa de que todos somos desonestos se infere de uma outra, mais ampla, antiga e oculta no argumento comunista, a de que a sociedade, sob o domínio da burguesia, é corrupta de modo sistêmico. Não faz muito que a filósofa oficial do comunopetismo, Marilena Chauí, desandou a defender este estrupício conceitual e a vociferar contra a classe média, que ela diz ser criminosa. Como se nos regimes comunistas o signo principal, descontados as perseguições, as mortes, a opressão cotidiana e a miséria, não fosse, justamente, a corrupção. Já aos verdadeiros bandidos, Chauí empresta solidariedade.
Assim, como não podem negar que o PT roubou de forma inigualável, a estratégia é suavizar o crime, tornando-o difuso. No âmbito das ações da Lava Jato, não são apenas petistas que apareceram como ladrões, é verdade. Mas o PT, a nova oligarquia sindicalista liderada por Lula, assaltou o país em associação om oligarquias mais antigas, representadas pelo PMDB e PP, sobretudo e que há mais de cem anos dominam as estruturas partidárias brasileiras. Mas isso nada tem a ver com a seguinte verdade: a grande maioria, das pessoas, no mundo capitalista e democrático, são honradas e se comporta nos limites da moralidade e da legalidade e condena, desde os pequenos até os megadelitos. Acentue-se que as pessoas não são honestas e decentes porque existem leis que as proíbem de não sê-lo, e sim porque se comportam de acordo com regras de um direito natural que reconhecem como universalmente válido. A existência de leis positivas impõe limites e sanções apenas para infratores. Mais ainda: não há termo de comparação entre a alegada leniência com pequenos delitos, que a tigrada intelectual esquerdista, nos atribui, e a megacorrupção induzida politicamente pelo PT e seus consorciados . Este sim é uma organização criminosa que se intalou no estado, que inaugurou o Mensalão e o Petrolão, como continua a revelar a Lava-Jato.
Esquerdistas caras-de pau (isto é uma redundância) partem para explicar a parte (a corrupção petista) pelo todo (más condutas genéricas das pessoas num sistema econômico moralmente degenerado, o capitalismo) para justificar a roubalheira desbragada de um partido político revolucionário, uma organização criminosa, na ideologia e nos métodos, que tentou eternizar-se no poder minando toda a base moral das relações sociais, econômicas e políticas do país. As consequências do avanço petista sobre a sociedade brasileira se farão ainda sentir por décadas.
Luis Milman é jornalista e professor de filosofia.
A VIDA REAL - 01/06/2017
Analisando as situações que vivo, as pessoas que me cercam e o mundo macrocósmico que me rodeia, percebo nitidamente a confusão das pessoas perante a realidade. Não só da realidade política caótica em que o Brasil chafurda, mas a realidade das almas mesmas que estão inseridas neste contexto.
Ao assistir um vídeo em que pessoas serviam cachaça a cinco reais para os viciados da ‘’crackolandia’’ na cidade de São Paulo, me peguei a pensar o quão maniqueísta é o mundo que vivemos. Monta-se uma pequena tenda onde se vende pinga a pessoas que há muito tempo se tornaram escravas das drogas para lhes vender outro tipo de entorpecente. Os ‘’comerciantes’’ que servem a bebida julgam-se moralmente corretos e a serviço do bem-estar dos viciados. Não há explicação lógica para isso. A vida das pessoas e o mundo vivem um constante embate entre o bem e o mal.
O problema maior que vejo é a interação dos pecados com a personalidade das pessoas de uma maneira harmônica. O cidadão imagina, por exemplo, que o lugar onde ele nasceu o faz superior a outros seres humanos, ou decide que sua conta bancária é a prova cabal de sua superioridade moral perante pessoas com menor poder econômico. No momento mesmo em que essas ideias surgem na cabeça do indivíduo elas ainda não fazem parte da personalidade, elas ainda não se mesclaram ao ser de forma peremptória. Todavia, ao não rechaçar de prontidão esses pensamentos que surgem para desviar o foco do individuo do supremo bem, que é o amor e por consequência o próprio Deus, o que surge na consciência como espúrio a natureza do ser vai gradualmente se mesclando a ele e, triste e nefastamente, o convencendo de sua veracidade.
A santa missa nos diz claramente, no ato penitencial, para nos arrependermos dos ‘’pensamentos e palavras, atos e omissões’’, mas o que ocorre com a alma que se funde ao seu pecado de maneira a não mais percebe-lo? O que ocorre quando uma personalidade se deforma a tal ponto de não discernir mais o que é ela mesma e o que é o erro em sua vida?
Com alguma ironia eu poderia responder ‘’ bem, você se torna um político’’. Mas é o que percebo, infelizmente, num grande número de pessoas com quem convivo. Já não há mais exame de consciência, tudo é relativo e por consequência permitido. E, se permitido é, a personalidade pode se amoldar a tudo de ruim que um dia pululou na mente não vigilante de uma inerme vítima de uma sociedade doente.
Os dramas de consciência que atormentaram os seres humanos ao longo dos séculos já não mais existem, e, como escreveu Sócrates ‘’uma vida não examinada não é digna de ser vivida’’.
Quando o amor e a verdade, e o amor à verdade se perdem numa busca de uma falsa sensação de paz e felicidade, tanto no indivíduo quanto na sociedade em geral o que se vê é uma lenta derrocada, uma desumanização, uma animalização do ser e do ambiente que o cerca.
Oro muito pela conversão das pessoas que me cercam, mas reconheço que tenho orado pouco pelas pessoas que não conheço, pelo nosso país e pelo mundo. Eis algo que a consciência me acusa neste exato momento.
*Poeta
DAS DROGAS À LOUCURA; FOUCAULT INSPIRA O "POLITAMENTE CORRETO" - 27/05/2017
(Publicado originalmente por Terra)
De certo modo, tudo o que nos cerca hoje é subproduto da Revolução Cultural dos anos 1970, década de onde emergiu o "politicamente correto" e praticamente todas as políticas públicas que marcam a gestão social no Ocidente.
Um dos seus principais mentores ideológicos foi o filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) que fundiu numa extravagante doutrina inspirada no anarquismo com as concepções de Nietzsche.
Instituições: espaços de opressão
Para Foucault, as instituições que nos governam ou que nos assistem, sejam as dedicadas à saúde pública (hospitais, manicômios ou asilos), ao sistema prisional (casas de correção, reformatórios, presídios e cadeias), na recuperação de viciados (clinicas especializadas, ambulatórios de desintoxicação, etc.), ou voltadas para a educação (orfanatórios, seminários, escolas, universidades, centros técnicos, etc.) nada mais são do que "espaços de opressão" controlados por equipes dirigentes.
Para ele, o objetivo maior dessas instituições não é a defesa da sociedade, mas criar mecanismos que permitam exercícios do poder, o poder de humilhar, reduzir e oprimir o próximo que por uma desdita qualquer é obrigado a ficar confinado ou constrangido numa das suas edificações (o asilo, a prisão, clínica ou ginásio).
Deste modo, no entender dele, o quartel não existe para a defesa da pátria, mas para o oficialato exercer o mando sobre a tropa; o colégio não funciona para o ensino, mas para que o corpo docente sujeite os estudantes, e assim por diante. Da mesma maneira, o existir do hospício serve para que os clínicos psiquiátricos se excedam sobre os lunáticos e nos hospitais convencionais os médicos e enfermeiros se unam para dominar os corpos dos pacientes a pretexto de submetê-los a tratamentos. Não há boas intenções na sociedade que nos cerca. Nada mais é senão que uma questão de poder.
Com suas próprias palavras ele sintetizou o fenômeno: "os tribunais, as prisões, os hospitais psiquiátricos, a medicina do trabalho, as universidades, os órgãos de imprensa e de informação: através de todas estas instituições e sob diferentes máscaras se exprime uma opressão que no fundo é política", escreveu. Também concluiu que "os encarregados de distribuir justiça, saúde, saber, informação começam a sentir no que fazem a opressão de um poder político".(cit. Por Didier Eribon ¿ Michel Foucault, pág. 212)
Este sistema, ampla rede de corporações profissionais que cobre larga parte das sociedades atuais, emergiu na Idade da Razão (entre os séculos 17 e 18), quando a política iluminista gradativamente foi implementada no Ocidente.
O caso da loucura é um exemplo. Durante a Idade Média, os alienados conviviam com o restante da população, sendo inclusive, por vezes, considerados seres portadores de dons especiais quando não sagrados. Isto era assim porque eles eram participantes do poder da miséria, sendo amparados pela caridade medieval.
A razão contra a loucura
Todavia, essa situação se alterou com o desaparecimento da lepra que até então era o alvo da política medieval da exclusão. Sem muita demora fruto da emergência de uma nova sensibilidade, a sociedade criou outra forma de confinamento, escolhendo para tanto o lunático. A miséria deixou de ser percebida como algo pertinente à sociedade, e sim como castigo por deficiências e destemperos morais, consequentemente encerrou-se a indulgência para com a insânia.
Ora, a loucura ofendia a razão, era sua antítese. Precisava-se, pois, abandonar a condescendência e enclausurar os tresloucados em prédios especiais, surgindo assim o moderno manicômio ou hospital de alienados. Na transição dos séculos 17 e 18, época da consolidação do Estado Absolutista, todas as regras controladoras surgiram quase que ao mesmo tempo, sendo elas incrivelmente semelhantes, anunciando a emergência da sociedade disciplinar com a exigência primeira de por fim à ociosidade e ao parasitismo.
Na concepção de Michel Foucault não há necessariamente uma "classe dominante" ao estilo marxista. O que existe é um denominador comum que ele denomina como episteme, que perpassa por todas as instituições como uma espécie de "gênio maligno" que as orienta e modela. O poder não está concentrado nas mãos dos produtores e dos proprietários, mas acha-se difuso nas mãos das corporações profissionais que as controlam.
A escola, o orfanatório, a universidade, o sanatório, o hospital, a prisão e a caserna passaram a funcionar dentro da mesma dinâmica com praticamente os mesmos regimentos internos contendo objetivos de contenção e domesticação dos seres humanos, ainda que por vias diferentes. A vara, a palmatória, a camisa-de-força, o choque elétrico, a medicação, o castigo corporal, e os rigores da instrução militar,
formam uma constelação de instrumentos opressivos que estão à disposição das corporações dominantes e servem como afirmação do poder delas na tarefa de sujeição dos indivíduos.
O sistema prisional, por sua vez, reproduz a ideia da fiscalização permanente. O panóptico, excêntrico projeto de Jeremias Bentham, não era senão que o grande olho do poder atento 24 horas por dia na sua função de vigilância. O individuo tinha sua intimidade sistematicamente devassada, totalmente exposta ao carcereiro (invento que foi o precursor do que hoje encontramos nas ruas, lojas e nas praças vigiadas por atentas câmeras de controle 24 horas por dia).
Do alto da torre, o guarda controlava qualquer movimento ou gesto do prisioneiro. Para Foucault, este procedimento de patrulhamento sistemático engendrou o Estado Totalitário moderno, narrado ficcionalmente no livro de George Orwell 1984 , no qual Winston Smith, um cidadão comum, é controlado o tempo inteiro pela imagem do "Big Brother" na televisão.
A prisão, junto com o manicômio, formou os espaços mais extremistas e cruéis da opressão humana, servindo como modelo para as estruturas superautoritárias que surgiram ao longo do século 20. A partir desta constatação, Foucault enumerou então as instituições que considerava como "intoleráveis": "os tribunais; os policiais; os hospitais e asilos; a escola, o serviço militar, a imprensa, a televisão e o Estado" (ver Didier Eribbon ¿ Michel Foucault, pág.208).
A tolerância com a droga
Michel Foucault pertenceu a uma geração de intelectuais que demonstrou outra receptividade para com as drogas e o vício em geral. Em parte, inspirados na obra de Aldous Huxley, As portas da percepção ( The doors of perception , de 1954), que relata as experiências do escritor com a ingestão de mescalina, LSD, entre outras, e os efeitos que nele provocou, muitos escritores e ideólogos começaram a reverter as posições que os esquerdistas históricos tinham em relação ao problema das drogas.
Primeiramente criticadas como uma alienação, senão que uma filistina fuga da realidade, ou ainda algo de consumo restrito à boemia e aos parasitas sociais, elas passaram a ser entendidas tanto como um meio de exploração de outras amplitudes da mente - uma abertura do espírito a desconhecidas possibilidades de percepção - como um protesto individual à sociedade capitalista e burguesa com seus ditames regidos pelo lucro e pelo consumismo. Na sua versão mais radical, o consumidor de alucinógenos ou de heroína se furtava de servir "ao sistema".
Drogar-se, de alguma forma, passou a ser exaltado como uma reação individual e afirmativa de repulsa ao status quo, uma contestação, uma "transgressão positiva", senão que um ato "pré-revolucionário".
Essa situação consolidou-se durante a Era de Protestos, desencadeada nos Estados Unidos pela oposição à Guerra do Vietnã (1965-1975). No entendimento da Contracultura, movimento dos anos 1960 de aberta crítica aos valores tradicionais, recorrer aos estupefacientes era "quebrar os paradigmas". Significava simultaneamente opor-se à continuidade da guerra e desaforar o modo de vida americano (tido como o responsável maior pelo espírito agressivo e destrutivo das operações militares dos Estados Unidos no sudeste asiático).
Do mesmo modo que o jovem americano convocado negava-se a se apresentar às juntas de conscrição para cumprir o serviço militar, aquele que aderia às drogas (fosse maconha, cocaína, heroína ou qualquer outra do gênero) o irmanava no protesto.
Droga como contestação
Expoente desta adesão à toxicomania, particularmente ao LSD (Ácido Lisérgico Dietilamida), foram os psicólogos de Berkeley e Harvard (1959-1963), Timothy Leary e Richard Alpert, integrantes da elite acadêmica americana, que chegaram a criar um espaço especial no Instituto Castalia em Millbrook, em Nova York, atraindo para lá estudantes para suas experiências sensoriais com doses psicodélicas e cogumelos alucinógenos (prática importada dos costumes indígenas mexicanos).
Não tardou para que Leary e sua ¿Liga da Descoberta Espiritual¿ obtivesse a simpatia e aberto apoio do poeta Allen Ginsberg, que se tornou um dos arautos da contracultura, entendendo a recorrência às drogas como uma forma de "abrir" as pessoas para novas possibilidades que a moral convencional impedia de alcançar.
Outro o escritor, William Burroughs, definiu-o como "um verdadeiro visionário do potencial da mente humana e do espírito", enquanto o irreverente novelista Tom Robbins classificou-o como "O Galileu do nosso tempo".
O consumo de alucinógenos passou a ser visto entre os círculos requintados da inteligência americana como um traço de sofisticação intelectual, de desafio às convenções opressivas, um "ligar-se" a outro universo apartado das exigências da religião e do consenso comum e medíocre da sociedade capitalista.
Aquilo que até então estava associado aos socialmente decaídos, aos boêmios perdidos ou aos desgraçados de todas as procedências, viu-se "enobrecido" pela adesão de escritores, artistas, acadêmicos, personalidades do show business e líderes de movimentos de contestação. Consumir estupefacientes passou a ser "chique", "ousado", "avançado", "progressista", enquanto que criticá-los foi entendido como "reacionário", "atrasado", etc.
O mesmo foi estendido às questões do sexo. Michel Foucault saiu em busca de relações homo-sadomasoquistas, frequentando com desembaraço a Meca da Sodomia, que é a cidade de San Francisco, na Califórnia. Se a droga abria as mentes, a transgressão sexual foi percebida como a "liberação do corpo" das injunções da moral cristã repressora e da retórica conservadora da contenção. "Abrir o corpo" tornou-se comum a quem desejava romper com ou ignorar as fronteiras morais.
A reforma das instituições
Entrementes, no transcorrer das décadas de 1960 e 1970, as ideias dele de "desconstrução" das instituições formais ganharam adeptos no meio acadêmico americano. A nova geração que saiu dos bancos das faculdades de Direito, de Sociologia e de Psicologia, da Costa Leste ou da Califórnia, sofreu forte influencia doutrinaria dos professores seguidores de Michel Foucault, um pensador que não acreditava existir na sociedade instituição alguma que não estivesse à disposição da teia do jugo da coerção e da lógica do poder. Antes de se processar a "dissolução do homem" por ele anunciada era preciso desmantelar as instituições.
Na verdade, elas eram grandes máquinas de adestramento criadas para "vigiar e punir", para amansar e domesticar os seres humanos postos a serviço da "economia do poder". Aquilo que Louis Althusser veio a denominar de "aparelhos ideológicos do Estado". Assim, o louco, o drogado e o contestador social, formavam uma frente em comum de revolta e repudio à ordem vigente.
Gradativamente, o resultado disso se fez sentir no surgimento das leis antimanicomiais (com o fechamento dos hospícios e das clinicas psiquiátricas), da revisão das leis penais (com a gradativa abolição da pena de morte e a redução das sentenças mais severas, seguidas do embaraçamento da atividade policial), e da nova pedagogia que visou o constrangimento da competência disciplinar dos docentes.
Se as instituições serviam acima de tudo como "espaços da opressão" e afirmação do poder, era preciso alterar sua substância, esvaziando a sua razão de ser. O psiquiatra, o carcereiro, o policial e o professor, símbolos genéricos da autoridade, viram-se podados por múltiplos regulamentos aprovados em série e rapidamente difundidos em boa parte do Ocidente. Liberou-se o louco do manicômio, o drogado da clínica, o criminoso das longas penas, e o estudante da disciplina e do compromisso.
Com a abolição ou contenção da autoridade é possível que Michel Foucault pensasse abrir caminho para a verdadeira revolução que surgiria no porvir, liberando os seres humanos de qualquer amarra. Em termos freudianos, a neutralização do superego com seus rigores e impedimentos, proporcionaria aos indivíduos um novo horizonte de possibilidades não-repressivas.
Tudo isso foi acompanhado por uma radical mudança da linguagem com a adesão ao "politicamente correto". As palavras consideradas infamantes ou inadequadas pelas minorias (mulheres, homossexuais, negros, índios, deficientes mentais e físicos) foram substituídas por outras tidas como convenientes ou mais apropriadas (como por exemplo, pederasta por homossexual ou gay; negro por afro; aleijado por cadeirante; louco por deficiente mental; delinquente juvenil por jovem infrator; mongolóide por portador da síndrome de Down; pervertido por pedófilo; prostituta por garota programa; e assim por diante). É como se outro significado surgisse da desconstrução das antigas expressões e do vocabulário até então aceito.
Com isso, a esquerda não-comunista pensou em cumprir assim a sua missão histórica como emancipadora. Se não fora possível libertar o operário do poder do capital, como era a proposta do marxismo clássico, pelo menos, seguindo Michel Foucault, ela ajudaria a libertar milhões de indivíduos dos preconceitos, emancipando-os da moral convencional.
Bibliografia
ALTHUSSER, Louis - Aparelhos Ideológicos de Estado . Rio de Janeiro: Graal, 11 ª Ed.
Eribon, Didier - Michel Foucault , São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
FOUCAULT, Michel. A História da Loucura na Idade Clássica . São Paulo: Perspectiva, 1997. FOUCAULT, Michel - Vigiar e punir: História da Violência nas Prisões . Petrópolis: Editora Vozes, 2000.
FOUCAULT, Michel - O nascimento da clínica . Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária, 6ª Ed., 2004.
Gorffman, Erving - Manicômios, Prisões e Conventos . São Paulo: Editora Perspectiva.
Kremer-Marietti, Angèle - Introdução ao pensamento de Michel Foucault . Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1977.
LEARY, Timothy, Flashbacks - LSD: a experiência o que abalou sistema . São Paulo. Brasiliense, 1989.
LEARY, Thimoty - Jail Notes . Nova York, Douglas Corporation Book.
MARCUSE, Herbert - Eros e Civilização, uma interpretação filosófica do pensamento de Freud . Rio de janeiro, Jorge Zahar, 1978.
ROSZAK, Theodore. Contracultura: reflexões sobre a sociedade tecnocrática e a oposição juvenil . Petrópolis, Vozes, 1972.
Szasz, Thomas - Ideologia e doença mental . Rio de Janeiro: Editora Zahar, 1980.
POR QUE OS “IRMÃOS ESLEY” DA JBS PODEM SER PRESOS - 21/05/2017
(Publicado originalmente em http://opiniaolivre.com.br)
O verdadeiro terremoto causado pela delação da JBS possui várias particularidades, dignas dos melhores (ou piores) romances policiais, como se já não bastasse aquilo que foi revelado através do departamento de propinas da Odebrecht. Para engendrar plano tão sofisticado é necessário que se entenda que os envolvidos são pessoas extremamente capazes, inteligentes e com grande propensão para assumir riscos.
Para melhor compreender os movimentos adotados é necessário retroceder ao inicio dos anos 2000, quando desde a ascensão ao governo, o PT (Partido dos Trabalhadores) adotou como política de Estado o investimento maciço nos chamados campeões nacionais, cujo objetivo era, ao final, obter ganhos através do aumento de escala para competir internacionalmente. Como toda política engendrada dentro de gabinetes desconectados da realidade, todos os mais notórios ensinamentos gestados há décadas na teoria econômica foram solenemente ignorados, deixando um rastro de destruição e prejuízos sem precedentes da história do país.
Assim, para analisar a estratégia utilizada pelos “Esley Brothers” (Joesley e Wesley, donos da JBS) torna-se essencial entender um dos mecanismos fundamentais do campo da economia da informação que trata do risco moral, que se antecipa ao jogo perpetrado pela dupla de escroques internacionais, neste momento sediada em local seguro, fora da jurisdição criminal brasileira.
A política de campeões nacionais, inaugurada desde o início do governo Lula da Silva, cuja continuação nos governos Dilma foi ainda mais incrementada, ofereceu gigantescos recursos públicos, via BNDES, aos privilegiados com relações íntimas com os círculos do poder. O negócio comandado pela dupla de irmãos cresceu exponencialmente no mercado brasileiro, regado fartamente com recursos baratos e que, obviamente, serviam para alimentar a teia de propinas de políticos envolvidos nas operações criminosas da empresa.
Tudo ia bem até o momento em que a Lava-Jato chegou e começou a puxar o fio da corrupção de forma metódica e precisa, atingindo então o esquema montado pelos escroques da JBS.
Neste momento, quando se tornou evidente que as investigações chegariam inevitavelmente ao topo da administração do esquema, os irmãos “Esley”, de forma inteligente e estratégica, se anteciparam em anos para o advento desta possibilidade.
Antes de procurar as autoridades, utilizaram a montanha de dinheiro ofertado pelo BNDES para estabelecer solidamente suas operações em outras terras, assegurando assim, a continuidade e lucratividade dos negócios.
Os números das operações do grupo JBS não deixam dúvidas: mais de 80% de todo o seu negócio é gerado atualmente nos Estados Unidos, deixando o Brasil como moeda de troca neste jogo sujo. Este movimento de utilizar recursos públicos para financiar empregos e postos de trabalho no exterior é explicado pela atitude inadmissível, ou talvez criminosa, do BNDES, em conceder empréstimos sem garantias para evitar o risco moral, ou seja, o uso espúrio de cláusulas contratuais à revelia do interesse do órgão financiador.
Depois de feita esta engenharia corporativa, os “Esley Brothers” começaram a jogar com as autoridades acordos de cooperação, antevendo a possibilidade da investigação chegar no topo do comando da JBS, o que de fato veio a acontecer.
Aqui vem a novidade em termos de teoria dos jogos.
Os controladores da JBS não tinham e não têm nenhuma estratégia dominante. Ou seja, segundo as regras do jogo legal, leia-se colaboração premiada e acordo de leniência, eles não tinham nenhum poder de barganha para se livrar do inevitável fim. Só restava a estratégia minimax, ou seja, tentar minimizar as perdas inevitáveis usando um movimento suicida de colocar todos no mesmo saco e entregar todos os envolvidos, em face do conjunto de informações privilegiadas que dispunham.
Tal negociação foi feita com grande antecipação, quando as autoridades ainda não tinham a dimensão completa do descalabro, o que permitiu à empresa tempo suficiente para transferir quase a totalidade dos seus negócios para os Estados Unidos.
Como a literatura é farta neste tema, não existe crime perfeito.
Ao assumir riscos suicidas os Esley Brothers abriram a caixa de pandora das consequências imprevisíveis. Uma destas é não ter como controlar eventos fora do âmbito do jogo que estavam jogando na delação, como por exemplo, o uso criminoso de informação privilegiada para se beneficiar da flutuação do câmbio quando da divulgação dos termos da delação.
Pode-se prever que neste exato momento, as autoridades brasileiras, tendo conhecimento da vastidão de ilícitos cometidos pelos manos mafiosos, estão preparando o contra-ataque neste jogo que está longe de terminar. Podemos esperar que entre os próximos movimentos estará um mandato de prisão internacional em face dos crimes cometidos, ironicamente, fora do âmbito da delação, portanto, fora do manto protetor da imunidade.
* Luiz Marcelo Berger é doutor em administração e especialista em Teoria dos Jogos
LIBERANDO GERAL - 05/05/2017
Em 5 de dezembro de 2016, durante o 10º Encontro Nacional do Poder Judiciário, em Brasília, a presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Cármen Lúcia afirmou que “a sociedade precisa acreditar no Poder Judiciário para que não faça justiça com as próprias mãos”.
Seria ideal concordar com a ministra, mas a questão é que justiça se faz através do cumprimento das leis o que não é comum no Brasil. Geralmente ocorrem opiniões pessoais, interpretações esdrúxulas das leis, julgamentos políticos e sai livre quem tem recursos financeiros para pagar bons advogados. Acrescente-se a lentidão da justiça, notadamente do STF.
Exceção se faça ao juiz Sérgio Moro, que apoiado no trabalho de promotores e da Polícia Federal tem prendido provisoriamente e depois sentenciado donos das maiores empreiteiras do país, altos executivos dos governos petista, políticos, ou seja, “presos ilustres”, como disse o próprio juiz. Algo inédito no Brasil e sem alongamento de prazos que levam à prescrição dos crimes.
Depois do ministro Joaquim Barbosa, que pôs na cadeia figurões petistas e demais personagens ligadas ao “mensalão”, o juiz Moro faz de modo impressionante a diferença no país da impunidade, dos direitos humanos só para bandidos, que parece ainda seguir o costume do tempo das colônias espanholas quando se dizia: “La ley se acata, pero non se cumple”.
A atuação de Moro na operação Lava Jato não pode atingir o grande número de deputados e senadores envolvidos em crimes variados porque tais parlamentares desfrutam de foro privilegiado e só podem ser julgados pelo STF de conhecida morosidade, onde falta entrosamento entre os ministros e sobram atitudes incoerentes e impróprias a guardiães da Constituição. Nesse último caso recorde-se o espetáculo deprimente dos então presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-Al) e do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, quando estes rasgaram a Constituição para que os direitos políticos de Dilma Rousseff fossem preservados mesmo tendo sido ela cassada.
É verdade que uma comissão do Senado aprovou nesta semana uma emenda que põe fim ao foro privilegiado. Se depois de transitar nosplenários do Senado e da Câmara se tornar definitiva, políticos eleitos serão julgados por juízes de primeira instância e não pelo STF. Entretanto, já apareceu uma pegadinha: cogita-se no Congresso que o político só poderá ser julgado em seu domicílio eleitoral e não onde o crime ocorreu. Isso facilita as coisas, pois pode haver eventual pressão sobre o juiz local.
Realmente, há sempre a possibilidade de escapar quando se é poderoso. Afinal, no Brasil o crime compensa e os honestos é que são penalizados com a burocracia infernal, com cobranças absurdas e rigorosas, com dificuldades de toda espécie.
E falando em escapar, os ministros da 2ª Turma, Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski, contrariando o voto dos ministros Edson Fachin e Celso de Mello libertaram o grande amigo de Lula, José Carlos Bumlai e o ex-tesoureiro do PP, João Cláudio Genu, ambos condenados por Moro. Mantiveram em prisão domiciliar o lobista Fernando Moura e Eike Batista foi para casa com a ajuda providencial do ministro Gilmar Mendes.
A decisão dos três ministros, diferente do entendimento de seus pares da 1ª Turma, baseia-se na opinião de que a pena só pode começar a partir da condenação em segunda instância. Naturalmente, eles ignoram que 34% da população carcerária presa preventivamente apodrece em calabouços pelo país afora. Será que Toffoli, Mendes e Lewandowski pretendem também libertar tais encarcerados na medida em que todos são iguais perante a lei? Isso parece fora de cogitação na medida em que eles não são ilustres, não possuem um exército de advogados bem pagos nem influência política.
Contudo, um outro tipo de “igualdade” continua a favorecer figurões da Lava Jato e, assim, José Dirceu, outrora homem forte do governo Lula, inventor do mensalão, “capitão do time” de mafiosos, acusado de vários crimes foi solto no dia 2 de abril por decisão de Mendes, Toffoli e Lewandowski, que abriram caminho para o fim da Operação Lava Jato.
Na brecha do modus operandi liberou geral a defesa de Antonio Palocci enviou ao STF pedido de sua libertação, negado em decisão liminar – provisória – pelo ministro Edson Fachin, que decidiu enviar o parecer final para plenário do STF. Resta aguardar a deliberação dos 11 ministros a ser feita, não sabe quando, com longos discursos em “juridiquês” incompreensíveis ao comum dos mortais.
De todo modo, o que já ocorreu no STF indica a dificuldade de se aceitar a exortação da ministra Cármen Lúcia, pois não há como acreditar no Poder judiciário. Diante de tal insegurança jurídica não passamos de um país sem respeito às leis, portanto, sem futuro e sem esperança.
* Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.
ARQUIPÉLAGO GULAG - 01/05/2017
(Publicado originalmente em www.alertatotal.net)
Desde o início da ditadura bolchevique sabia-se da utilização de campos de prisioneiros. Nada de estranhar visto que a Rússia, entre 1918-1920, mergulhara numa violentíssima guerra civil entre vermelhos (os bolcheviques) e os brancos (as forças czaristas), ampliada ainda mais pela intervenção de diversas potências estrangeiras (alemães, ingleses, franceses, americanos, japoneses). Todavia verificou-se que, no pós-guerra, o regime soviético vitorioso resolveu intensificar sua política prisional.
Muitos dos primeiros campos visavam servir de laboratórios ideológicos, voltados a demonstrar a notável capacidade de regeneração desenvolvida pelo novo sistema, capaz de reinserir os criminosos, por meio do trabalho produtivo, na sociedade revolucionada. Stalin, inspirando-se no exemplo de Pedro, o Grande, que, a partir de 1703, lançara mão do trabalho forçado para construir São Petersburgo, não demorou em fazer o mesmo.
Milhares de presos foram então arrebanhados para cavarem o grande Canal do Mar Branco (1928-1932) que ligaria Leningrado ao Oceano Ártico, velho sonho dos mercadores russos, mas que logo se mostrou ultrapassado devido à possibilidade da utilização de caminhões. Todavia, o kamarada Stalin fez questão de usar a colossal obra para fins publicitários, para mostrar ao país como o regime soviético mobilizava o povo para empreender grandes feitos de engenharia.
Assim, toda a antiga política czarista dos trabalhos forçados coletivos foi ressuscitada pelo novo regime. só que reciclada e posta a serviço da Grande Causa. Resultou disso que, a partir de 1928, a Comissão Yanson, que transferira do Comissariado da Justiça para a OGPU (Polícia Secreta) a supervisão sobre o "degredo administrativo", decidiu batizar os campos como ITL (Ispravitelno trudovye lagerya), simplesmente campos de trabalho corretivo. As instalações existentes na ilha de Solovetsky, no Mar Branco, situado na região semi-polar da URSS, elogiadas por Máximo Gorki e por outros escritores soviéticos da época, foram então apontadas como um campo-modelo, arquétipos dos que, desde então, foram construídos no restante do país. Todo o Arquipélago Gulag surgiu dali, daquela célula prisional boiando num mar glacial.
Para justificar a lotação cada vez maior deles, Stalin apelou para a justificação ideológica de que conforme o socialismo avançava por todo o país, maior era a resistência das forças contrárias a ele. Situação que o obrigava a ser ainda mais duro do que comumente era. Uma curiosa operação matemática então se deu na década dos anos trinta: mais socialismo significava maior população encarcerada.
Uma enorme rede de "campos de reeducação" espalhou-se pela Rússia Soviética, alcançando inclusive as remotas áreas da Ásia Central, como os desertos do Cazaquistão. E, claro, pelas margens da imensa estrada de ferro que cortava a conhecida Sibéria, a velha pátria dos degredados russos, dos antigos condenados a katorgados tempos do czar (os condenados ao trabalho forçado).
Com as prisões em massa desencadeadas na época da Yezovchnina (as perseguições ao encargo de Nikolai Yezhov, comissário-chefe da então NKVD), quando Stalin determinou a prisão e encarceramento de milhares de suspeitos de "sabotagem" e atividades "anti-socialistas", em geral, ex-membros da elite soviética, e quadros médios do Partido Comunista, estima-se que o GULAG tenha abrigado, entre 1936-1940, dois milhões de prisioneiros.
O martírio de Soljenitsin
Oficial de artilharia durante a Segunda Guerra Mundial, Alexander Soljenitsin, foi condenado, no final do conflito, por um dos artigos do Código Penal soviético que lhe fixou inicialmente uma pena de dez anos. Cumpriu-a inicialmente numa das prisões de elite, situada ao redor de Moscou, antes de ser enviado para os sem-fins da Ásia Central.
A vida nesta primeira instalação é que o inspirou a escrever "O Primeiro Circulo", romance cujo titulo foi extraído do "Inferno" de Dante, espaço reservado aos sábios caídos em desgraça. Stalin, por sugestão do seu novo chefe da polícia política Laurenti Béria (1938-1953), havia concordado em erguer cárceres especiais para pesquisadores e homens de ciência denunciados como suspeitos para que eles pudessem trabalhar juntos nos projetos mais urgentes do regime. Para piorar mais as coisas para ele, foi atacado por um violento câncer no estomago, o que o levou a internar-se num hospital de presos (tema do "O Pavilhão dos Cancerosos").
Libertado após a morte de Stalin, miraculosamente vivo, aproveitando-se da moderada desestalinização que se seguiu, dedicou-se, a partir de 1957, a lecionar matemática em Riazan e a publicar suas novelas e contos que escondera com muito cuidado, muitas delas redigidas nas condições abomináveis da vida de um zek, um prisioneiro dos campos.
Soljenitsin dizia rir-se daqueles homens de letras, seus contemporâneos, que inventavam mil e umas manias, que só conseguiam pegar na pena em condições muito próprias, ideais. Ele aprendera a manejar o lápis ou a caneta ainda quando em marcha com os demais encarcerados, na hora do rancho ou nos intervalos do corte de lenha no mato. A paixão pela literatura fazia dele um obcecado registrador de palavras. Viu-se quase como um furioso enchendo um sem-fim de cadernos e resmas de papel, escritos sem margens e com o mínimo de espaço entre uma linha e outra, nas piores circunstâncias possíveis.
O Impacto do Arquipélago Gulag
Não que a opinião pública do Ocidente não soubesse dos campos de trabalho do regime soviético. Longe disso. Ainda após a Segunda Guerra Mundial, um trânsfuga do governo comunista que pedira asilo político no Canadá chamado Victor Kravchenko os denunciara num livro intitulado na sua edição em inglês como I choose Freedom ("Eu preferi a liberdade", 1947).
Além de afirmar que "a ditadura comunista na URSS não era exclusivamente um problema do povo russo, ou somente das democracias, senão que da humanidade inteira", ele revelara que os comunistas haviam erigido um Estado-Policial como poder discricionário sobre os cidadãos. Um ataque feroz que ele recebeu da imprensa comunista da França, que tentou desqualificá-lo, acusando-o de mentiroso, rendeu-lhe a vitória em dois processos nos tribunais de Paris, em abril de 1949.
O affair Kravchenko, todavia foi esquecido e muitos intelectuais entenderam que as denúncias dele ligavam-se às posições anticomunistas dos norte-americanos nos começos da Guerra Fria e, como conseqüência, deveriam ser um tanto exageradas, senão descabidas. Além disso, ele aparecera no cenário como um traidor da causa. Na memória de outros, todavia, pesava ainda o fato de que fora o regime stalinista quem impusera uma derrota definitiva ao nazismo. A Europa Ocidental ainda tinha na lembrança o sacrifício dos russos em Stalingrado para querer levar adiante um tema tão espinhoso como o levantado por Kravchenko.
Do livro dele, editado em 1947, ao "Arquipélago Gulag" de Soljenitsin, traduzido no Ocidente 27 anos depois, muita desilusão se dera em relação às grandes bandeiras do socialismo.
Os soviéticos haviam feito uma intervenção, com seus tanques, em Berlim, em 1953, em Budapeste, em 1956, e em Praga, em 1968. Em 1961, Kruschev, provocando um enorme estrago na imagem internacional do socialismo, determinara a construção do Muro de Berlim, com ordens de disparar em quem tentasse ultrapassá-lo para alcançar o Ocidente. De libertadores da Europa, os soviéticos passaram a ser vistos como seus mais recentes opressores. Desse modo criou-se um clima bem mais favorável ao acolhimento do relato sobre o Gulag.
Profeta da Rússia Ortodoxa
O livro em si, concluído em 1973, é caótico. Durante alguns anos, Soljenitsin, como se fora um cuidadoso colecionador, recolheu o mais variado número de relatos e depoimentos de gente que fora condenada aos trabalhos forçados, misturando-os com seus próprios registros. Não se trata, pois, da experiência prisional de um só homem, como, por lembrança, deu-se com "Recordações da Casa dos Mortos", de Dostoiévski, mas sim de uma coletânea de dolorosos e pungentes testemunhos daqueles que penaram por diversos anos dentro do Gulag.
O livro, traduzido para diversos idiomas ocidentais, teve o efeito de um tufão. Não se tratava de um fugitivo que saltara o muro ou um renegado do comunismo, mais sim alguém de dentro, que sabidamente trilhara pelo purgatório do stalinismo , e que sobrevivera, um respeitado escritor que atingira fama internacional e que fora indicado ao Prêmio Nobel, em 1970 (ele temia viajar para Estocolmo com receio que as autoridades soviéticas não o deixassem voltar).
Um homem de letras preso às raízes mais profundas da terra russa, um descendente das estepes da região de Rostov, que se negara a deixar o solo natal e só o fizera por motivo do decreto que o expulsou definitivamente do país, em 1974 (exilado nos Estados Unidos, em Vermont, somente retornou à URSS em 1994, durante o governo de Gorbatchov). Soljenitsin não podia ser difamado como um "agente do imperialismo" ou de estar a serviço dos interesses estadunidenses como costumeiramente ocorria nesses casos, quando os jornais esquerdistas ou pró-comunistas procuravam desqualificar uma testemunha que apontasse seu dedo acusador para a URSS ou o seu regime.
Com o tempo, Soljenitsin, como que desiludido das coisas do mundo, assumiu uma posição cada vez mais pessimista, quase de mensageiro apocalíptico. Alguém que, nos moldes dos Velhos Crentes (seita russa do século 19 que tinha ojeriza à ocidentalização e aos costumes modernos), começou a lançar anátemas ao Ocidente, lamentando a perda da originalidade da cultura russa, provocada pela Revolução de 1917 e pela obstinação dos stalinistas em industrializar o país.
Finalmente, para afirmar ainda mais sua aparência de Santo Inquisidor dostoievsquiano ou de profeta tolstoiano, cada vez mais misântropo, deixou que as barbas lhe tomassem inteiramente o rosto, assemelhando-se aos patriarcas mujiques ou aos monges ortodoxos, a quem ele via como as mais originais e representativas figuras da "verdadeira Rússia".
* Carlos I. S. Azambuja é Historiador.
BRASIL: UM PAÍS SEM DILEMAS - 27/04/2017
O Brasil, entre todos os países do mundo, é aquele onde não existe DILEMA. O povo, diante de uma situação difícil, na qual é preciso escolher entre duas alternativas contraditórias, antagônicas ou insatisfatórias, se atira de cabeça naquela que oferece maior probabilidade de sair mais prejudicado.
ESCOLHA
Esta conclusão, peço que os leitores entendam, não é fruto de uma manifestação irônica. Nada disso. Quem retrata fielmente esta triste realidade é o número imenso de ABERRAÇÕES, que só existem no nosso pobre país por exclusiva vontade do povo, que concede poderes ilimitados (através do voto) aos seus representantes, tanto profissionais (sindicatos e corporações) quanto políticos (em todos os níveis), para decidirem o que bem entendem.
CONJUNTO DA OBRA
Pelo conjunto da obra, ou do excessivo número de ABERRAÇÕES ECONÔMICAS, (apenas estas) se tem uma clara ideia do quanto o povo não diferencia CAUSA de EFEITO. Ou seja, quando o sapato aperta, o responsável é o fabricante, que produziu uma peça defeituosa, e não o crescimento do pé.
COMEMORANDO
Vejam, por exemplo, que o povo, fortemente influenciado pela mídia, está comemorando a queda da inflação sem dar importância devida para a brutal recessão, cujo resultado aí está: um cruel encolhimento de quase 9% do PIB brasileiro apenas nos últimos três anos (2014/2015 e 2016). De novo: enquanto as CAUSAS permanecem intactas, os representantes do povo atacam as CONSEQUÊNCIAS. Pode?
CARGA TRIBUTÁRIA
Como bem lembra o pensador Ricardo Bergamini, no Brasil a composição da Carga Tributária tem como base 48,46% de sua arrecadação incidindo sobre a Renda, Lucro, Ganho de Capital, Folha Salarial e Propriedade (classes privilegiadas da nação brasileira) e 51,54% incidindo sobre Bens e Serviços (arroz, feijão, remédios transportes e educação). Com uma Carga Tributária total de 32,4% do PIB.
OMISSÃO, COVARDIA OU CONIVÊNCIA
Observem que dentre os países analisados o Brasil é aquele que possui a mais INJUSTA, IMORAL, CRIMINOSA, DESUMANA e REGRESSIVA CARGA TRIBUTÁRIA. Uma vergonha internacional que certamente continuará tendo o silêncio de todos: por omissão, covardia ou conivência.
ABERRAÇÕES....
A aberração do emprego público no Brasil (Fonte IBGE)
Em relação aos recursos humanos, de 2005 para 2015, o percentual de servidores municipais passou de 2,6% para 3,2% da população do Brasil. O número de pessoas ocupadas na administração direta e indireta municipal era de 6.549.551 em 2015, o que corresponde a um crescimento de 37,4% em relação a 2005 (4.767.602). A parcela de servidores municipais na administração direta passou de 94,3% (4.494.154) em 2005 para 95,0% (6.224.235) em 2015. Na administração indireta, esse percentual passou de 5,7% (273.448) em 2005 para 5,0% (325.316) em 2015.
E MAIS ABERRAÇÕES...
A aberração da orgia de gastos com pessoal no Brasil (Fonte MF)
Em 2002 os gastos com pessoal consolidado (união, estados e municípios) foi de 13,35% do PIB. Em 2015 foi de 15,31% do PIB. Crescimento real em relação ao PIB de 14,68% representando 46,88% da carga tributária que foi de 32,66%. Para que se avalie a variação criminosa dos gastos reais com pessoal, cabe lembrar que nesse mesmo período houve um crescimento real do PIB Corrente de 37,80%, gerando um ganho real acima da inflação de 58,03% nesse período. Nenhuma nação do planeta conseguiria bancar tamanha orgia pública.
A aberração de um país sem passado, presente e futuro (Fonte IBGE)
Cerca de um em cada quatro (22,5%) jovens de 15 a 29 anos não frequentava escola nem trabalhava na semana de referência em 2015, os chamados “nem-nem”, sendo que essa proporção cresceu 2,8 pontos percentuais frente a 2005 (19,7%). O grupo de 18 a 24 anos apresentou o maior percentual de “nem-nem” em 2015, com 27,4%.
A aberração da imoral e desumana Previdência Social no Brasil (Fonte MF)
- Em 2016 o Regime Geral de Previdência Social (INSS) destinado aos trabalhadores de segunda classe (empresas privadas) com 100,6 milhões de participantes (70,1 milhões de contribuintes e 30,5 milhões de beneficiários) gerou um déficit previdenciário da ordem de R$ 149,7 bilhões (déficit per capita por participante de R$ 1.488,07).
- Em 2016 o Regime Próprio da Previdência Social destinado aos trabalhadores de primeira classe (servidores públicos) – União, 26 estados, DF e 2087 municípios mais ricos, com apenas 9,9 milhões de participantes (6,3 milhões de contribuintes e 3,6 milhões de beneficiários) gerou um déficit previdenciário da ordem de R$ 155,6 bilhões (déficit per capita por participante de R$ 15.717,17).
- Resumo do resultado previdenciário de 2016 do RPPS (servidores públicos): União (civis e militares) déficit previdenciário de R$ 77,1 bilhões; governos estaduais déficit previdenciário de R$ 89,6 bilhões e governos municipais superávit previdenciário de R$ 11,1 bilhões. Totalizando déficit previdenciário do RPPS da ordem de R$ 155,6 bilhões.
- Em 2016 a previdência social brasileira total (RGPS E RPPS) gerou um déficit previdenciário total de R$ 305,3 bilhões, cobertos com as fontes de financiamentos (COFINS e CSSL, dentre outras pequenas fontes) que são uma das maiores aberrações e excrescências econômicas e desumanas já conhecidas, visto que essas contribuições atingem todos os brasileiros de forma generalizada, mesmos os que não fazem parte do grupo coberto pela previdência, tais como: os desempregados e os empregados informais sem carteira de trabalho assinada, contingente composto de quase a metade da população economicamente ativa. Esses grupos de excluídos estão pagando para uma festa da qual jamais serão convidados a participar.
A aberração do imoral déficit fiscal nominal do Brasil (Fonte BCB)
Segundo o Banco Central do Brasil o déficit fiscal nominal de 2015 foi de R$ 613,0 bilhões (10,38% do PIB). Esse déficit retrata uma apuração contábil em regime de competência, ou seja: todos os compromissos do governo, mesmo os não vencidos, bem como os refinanciados estão apurados da forma (pro-rata/ano) dentro desse resultado.
Segundo o Banco Central do Brasil o déficit fiscal nominal de 2016 foi de R$ 562,8 bilhões (8,93% do PIB). Esse déficit retrata uma apuração contábil em regime de competência, ou seja: todos os compromissos do governo, mesmo os não vencidos, bem como os refinanciados estão apurados da forma (pro-rata/ano) dentro desse resultado.
A aberração do subemprego no Brasil (Fonte IBGE)
A taxa composta de subutilização da força de trabalho (que agrega a taxa de desocupação, taxa de subocupação por insuficiência de horas e da força de trabalho potencial) ficou em 22,2% no 4º trimestre de 2016.
A aberração da carga tributária no Brasil
De 1990 até 2015 a carga tributária brasileira teve um aumento real em relação ao PIB de 37,75%.
Aumento da carga tributária federal no período – 38,88%.
Aumento da carga tributária estadual no período – 23,40%.
Aumento da carga tributária municipal no período – 120,00%.
PRIMEIRAMENTE, FORA LULA! - 20/04/2017
(Publicado originalmente em O Globo)
Quem foi Marcelo Odebrecht? O mandachuva do país durante o reinado do PT? O chefe de uma sofisticada organização criminosa? Ou o “bobo da corte” afinal preso e forçado a delatar?
E Lula, quem foi? O primeiro operário a chegar ao poder? O maior líder popular da História? Ou o presidente que fez da corrupção uma política de Estado?
Marcelo será esquecido. Luiz Inácio Odebrecht da Silva, jamais.
Em dezembro de 1989, poucos dias após a eleição do presidente Fernando Collor de Melo, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP), ex-condestável do novo regime, almoçava no restaurante Piantella, em Brasília, quando entrou a cantora Fafá de Belém, amiga de Lula. “Como vai Lula?”, perguntou Ulysses. Fafá passara ao lado dele o domingo da sua derrota para Collor.
E contou: “Lula ficou muito chateado, mas começamos a beber e a comer, os meninos foram para a piscina e ele acabou relaxando”. Ulysses quis saber: “Tem piscina na casa de Lula?” Fafá explicou: “Tem, mas a casa é de um compadre dele, o advogado Roberto Teixeira”. Ulysses calou-se. Depois comentou com amigos: “O mal de Lula é que ele parece gostar de viver de obséquios”. Na mosca!
Lula viveu de obséquios. Vive. O dinheiro não o atrai. A rotina da política, tampouco. O conforto e as facilidades, sim. Terceiriza a missão de obtê-las.
O poder sempre o fascinou. E para conquistá-lo e mantê-lo, mandou às favas todos os escrúpulos que não tinha.
Os que o cercam em nada se surpreenderam com a figura que emerge das delações dos executivos da Odebrecht.
É um pragmático, oportunista, que se revelou um farsante. Emilio, o patriarca dos Odebrecht, decifrou Lula muito antes de ele subir a rampa do Palácio do Planalto. Conquistou-o com conselhos e dinheiro.
Perdeu nas vezes em que ele foi derrotado. Recuperou o que perdeu e saiu com os bolsos estufados quando Lula e Dilma governaram. Chamava-o de “chefe”. Emílio era o chefe.
Nos oito anos da presidência do ex-operário que detestava macacão e sonhava com gravatas caras, o país conviveu com o Lula que pensava conhecer e, sem o saber, também com Luiz Inácio Odebrecht da Silva, só conhecido por Emílio e alguns poucos.
“Cuide do meu filho”, um dia Lula pediu a Emílio. Que retrucou: “Cuide do meu também”. Emílio cuidou de Fábio. Lula, de Marcelo.
De Lula cuidaram Emílio e Marcelo, reservando-lhe uma montanha de dinheiro em conta especial para satisfazer-lhe todas as vontades. Lula retribuiu com decisões governamentais que fizeram a Odebrecht crescer muito mais do que a Microsoft em certo período.
A Odebrecht pagou a Lula, e Lula pagou a Odebrecht, com a mesma moeda – recursos públicos. Quem perdeu com isso?
A Odebrecht ganhou mais dinheiro à custa de Lula do que ele à custa dela, mas Lula foi mais esperto. Criou seu próprio banco, administrado pela empreiteira. E quando precisava sacar, outros o faziam em seu nome.
Imagina não ter deixado impressões digitais nas negociatas em que se meteu. A polícia já identificou muitas. E outras serão identificadas antes do seu depoimento em Curitiba.
Corrupção mata. Mata sonhos, esperanças, alucinações. Mata o passado, o presente e compromete o futuro. Mata também de morte morrida à falta de saneamento, hospitais, escolas, segurança pública. A impunidade mata tanto ou mais.
A hora e a vez são da Justiça. E ela será julgada pelo que fizer ou deixar de fazer.
SE MATAREM O UBER E O CABIFY, VÁ DE FLUBER OU CABIFLY - 16/04/2017
No começo dos anos 1990 eu atuava em uma emissora de rádio FM, e comecei a ler algumas coisas sobre um projeto para um futuro distante: um tal de MP3 – promessa de arquivos bem menores com qualidade de CD, que naquela época era uma grande novidade, de tal modo que o pessoal ia ao Paraguai para comprar ou trazia dos Estados Unidos.
Não demorou tanto tempo assim, e eu já estava pesquisando como o tal MP3 funcionava. Instalei o Winamp e baixei Losing My Religion, da banda REM.
O primeiro MP3 a gente nunca esquece!
Baixar aquele software demorou um tempão – linha discada, modem de 56k, aquele barulho lindo da conexão (escorreu até uma lágrima aqui).
Depois de pouco tempo, surgiu o Napster e, para desespero do Lars Ulrich - dinamarquês que é um dos fundadores e líder da banda de heavy metal Metallica -, o mundo da música nunca mais foi analógico.
Artistas e gravadoras até conseguiram barrar o "aplicativo", mas o estrago estava feito.
Quem realmente entendeu a coisa toda foi um tal de Steve Jobs (já ouviram falar neste cara?) – o iTunes chegou e, bem, hoje você consome música com mouse e fone de ouvido.
Eu nem sou tão velho (idoso, para os imbecis do politicamente corretos), mas já vi várias transformações como essa. Lembrem que o computador acabou com a máquina de escrever, com o fax, com as cartas e um monte de outras coisas. Só para lembrar de coisas jurássicas: fitas K7, VHS, CD, cartuchos de videogame, telegramas, calculadoras…
A Blockbuster virou o que, mesmo? E a Kodak, faz o que hoje em dia? Quantas pessoas andam com cheque nos bolsos? Até dinheiro caiu em desuso – “Pode pagar no débito?"
O novo sempre vem.
Assim como as gravadoras e o Metallica, os taxistas esperneiam à toa.Terão o mesmo sucesso de cocheiros que, em agosto de 1911, protestaram contra a chegada dos taxistas (eita, cavalo!) na Estação da Luz, em São Paulo
Mesmo que matem o Uber, Cabify ou outro aplicativo para transporte privado de pessoas, dando à estas a plena e total liberdade de escolha, que é o bem mais precioso de cada indivíduo e que é o principal alvo da caçada promovida pelos candidatos a ditadores, saibam todos: a brincadeira acabou.
Quando fui para os EUA primeira vez, logo que desembarquei em Atlanta, na Georgia (on my mind), lembro que gritei “táxi" para parar um carro amarelo. Foi divertido imitar cenas que vi em centenas de filmes ao longo da vida. No passado, peguei meu celular e aguardei o carro parar à minha frente.
A cidade de São Francisco discute sobre carros autônomos enquanto o legislativo brasileiro está "regulamentando" os aplicativos de transporte privado de livre escolha, tais como Uber e Cabify. Se acabarem com o Uber, em pouco tempo vem o Fluber, ou o Gluber; Se acabarem com o Cabify, teremos o Cabidry ou CabiFly.
Nesta mesma linha, o que dizer das operadoras de telefone? Ainda não se conformaram com o whatsapp. A cada hora tentam impedir a chamada de voz dentro do aplicativo. Mesmo que consigam, surgirá outro aplicativo, com outra solução.
Não gostou? Melhor ir brigar com Schumpeter. Apenas para ilustrar, Joseph Schumpeter é considerado um dos mais importantes economistas da primeira metade do século XX, e foi um dos primeiros a considerar as inovações tecnológicas como motor do desenvolvimento. Ah, sim. Ele faleceu em 1950.
E as TVs a cabo? Ainda não descobriram uma forma de conter o avanço da Netflix. A ideia brilhante foi tentar, em conjunto com as operadoras, limitar o consumo de dados para determinados aplicativos. Imagino que os diretores de Vivo, Sky, Net, Claro e Oi sejam extremamente bem remunerados.
É lamentável que a única saída encontrada pelos bem remunerados executivos e grupos de sindicalistas que não querem perder as "boquinhas livres e mamatas", e acabam por ter o mais absoluto apoio da classe política, seja por meio de tentar frear a inovação.
A má notícia para essa gente toda é que o melhor é se preparar para a mudança, não adianta nada brigar com novos modelos.
Isso vale para todos!
Podem até fazer barulho, mas não vão resolver a vida de ninguém, nem fazer o mundo parar de girar.
Lembrem que o CD matou o disquete, mas foi morto pelo pen drive.
Não sei muita coisa nem sou tão inteligente assim, mas o que eu sei é que neste novo mundo, não haverá espaço para taxistas, locadoras de DVD e o Netflix veio para ficar, nem que seja como modelo, e é loucura seguir olhando para o mundo como era antes.
Bons e verdadeiros profissionais se adaptam às mudanças.
Pessoas honestas a promovem.
A propósito: um conhecido me mostrou um "print screen" (fotografia da tela do computador ou smartphone) da tela de seu celular. Ele trabalha para o Cabify. Vejam só! A deputada federal Maria do Rosário votou a favor do projeto que acaba com os aplicativos de transporte privado, mas ela usa. A imagem que foi mostrada, apresentava a foto da política fazendo um chamadinho básico.
*Jornalista
ABUSANDO DAS MENTIRAS - 30/03/2017
(Publicado originalmente no Estadão)
Até quando interesses escusos abusarão da paciência do povo brasileiro? Por quanto tempo haverá tentativas de reduzir as relações espúrias entre políticos e empresários, colocadas a nu pela Lava Jato, a um compromisso sem consequências nefastas para nosso país?
Até quando zombarão de nós aqueles que afirmam que congressistas são apenas "despachantes de luxo", intermediários de inofensivos interesses das empresas?
Nunca antes ficaram tão evidentes as causas e as consequências da corrupção endêmica que nos afeta. Mas já intuíamos isso. Como entender que um país tão rico tenha uma população tão pobre?
Sabíamos que a corrupção desviava recursos públicos apenas para aumentar lucros de empresas e pagar propina. E esse "acarajé", esse suborno, chegava aos agentes públicos de diversas formas, desde o benefício indireto do uso de aviões, empregos para filhos e residências na praia até depósitos em contas no exterior, pagamentos em espécie e financiamento de caras campanhas eleitorais.
O câncer da corrupção corrói a própria democracia ao subverter as eleições. Dinheiro de corrupção irriga as campanhas políticas por meio de caixa um ou dois. Importa aqui a sua origem escusa. Proveniente de corrupção, esse valor não muda sua natureza pela aplicação posterior que lhe é dada. Mais que isso, tentar esconder sua gênese configura também o crime de lavagem de dinheiro.
E agora nem o temor da população impede mais as manobras. Políticos envolvidos no escândalo apresentam propostas para anistiar a prática ilícita e punir quem os investiga, processa e julga. Acham-se acima da lei só porque foram escolhidos para legislar. Não percebem que essa conspiração já é do conhecimento de todos.
Assim, apócrifos projetos de lei passeiam no Congresso com o objetivo de anistiar a corrupção, disfarçados como apenas uma anistia ao caixa dois. Afinal, por qual motivo os políticos deveriam temer ser acusados por esse tipo de crime?
Reportagem da rádio CBN de 2016 apontou que o TSE possui apenas uma única condenação criminal por caixa dois em sua história. Então, ainda que não anistiado de direito, há muito foi anistiado de fato.
Além desses projetos, outro tão nocivo já se encontra em tramitação acelerada no Senado. De autoria do senador Renan Calheiros, visa, sob a fachada de tratar do abuso de autoridade, apenas ameaçar aqueles que investigam, processam e julgam a corrupção.
Qual outro motivo para tanto açodamento, sem um debate amplo perante a sociedade? Por que não dão ouvidos à consulta pública feita pelo Senado em seu portal, em que 98% das respostas são contra o projeto como proposto?
Quem diz apoiar a anistia ao caixa dois deseja, na verdade, a anistia à corrupção, o fim das investigações da Lava Jato e a soltura dos condenados.
Mente, portanto, aquele que diz que o loteamento dos cargos públicos é o preço para governar o país, quando se sabe que dele resultam corrupção e falta de serviços públicos para a sociedade.
Torna-se um simples despachante a mando de criminosos aquele que defende interesses escusos na esperança de se manter na política. Por fim, abusa da autoridade aquele que a usa para criar leis com o objetivo tão somente de ameaçar procuradores e juízes.
Advogar essas ideias é desprezar a sociedade. Sabemos quem são e onde se encontram essas pessoas. Não ignoramos o que fizeram em noites passadas e que decisão tomaram.
São tempos difíceis, mas devemos, como povo, tomar os caminhos certos. O Brasil será, de fato, um país de trambiqueiros, condenado ao atraso e à pobreza, se perdoarmos a corrupção e deixarmos que intimidem as autoridades.
Carlos Fernando Dos Santos Lima, Júlio Carlos Motta Noronha e Roberson Henrique Pozzobon são procuradores da República e membros da força-tarefa da Lava Jato no Paraná
MEIRA PENNA E A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO - 17/03/2017
No centenário do embaixador Meira Penna, cabe refletir sobre um tema atual tão caro ao pensador: sua crítica à Teologia da Libertação.
(Publicado originalmente em http://sensoincomum.org)
No dia 14 de março de 1917, na cidade do Rio de Janeiro, nasceu José Osvaldo de Meira Penna, um dos mais importantes expoentes do liberalismo e do conservadorismo brasileiros no século XX, que, ainda vivo e morando em Brasília, completa hoje o seu centenário. Principalmente entre os anos de 1994 e de 2003, tive a imensa honra de conviver frequentemente com esse grande escritor e professor, por conta de meu envolvimento com o Instituto Liberal, tendo sido apresentado a ele por meu finado mentor Og Francisco Leme (1922-2004).
Em um momento em que muitos católicos se defrontam com diversas incertezas, por conta de certas ambiguidades no discurso e na postura do Papa Francisco, que, mesmo de modo involuntário, acabam fortalecendo os desvios propagados por adeptos da chamada Teologia da Libertação, relembrar algumas das análises de J. O. de Meira é um exercício propício para entender alguns dos motivos pelos quais tal doutrina foi severamente condenada tanto por João Paulo II quanto por Bento XVI. Antes de discutirmos essa questão, contudo, é necessário falarmos um pouco da biografia intelectual do autor homenageado.
Após ter obtido pela antiga Universidade do Brasil (UB), atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o título de Bacharel em Ciências Jurídicas, Meira Penna ingressou na carreira diplomática, no ano de 1938, por intermédio de concurso público para o Instituto Rio Branco. Como membro do corpo diplomático brasileiro ocupou diversos postos, entre 1940 e 1981, na China, na Turquia, na Suíça, na Nigéria, em Israel, na Noruega e na Islândia, no Peru e na Polônia. O diplomata fez cursos de especialização na Universidade de Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos, e no Instituto C. G. Jung de Zurique, na Suíça, tendo cursado, também, a Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro. Atuou como professor da Universidade de Brasília (UnB) e como conferencista em diversas instituições no Brasil e no exterior. Além de ser membro da prestigiosa Mont Pèlerin Society, fundada por F. A. Hayek, envolveu-se com o trabalho do Instituto Liberal e de diversas outras instituições liberais ou conservadoras nacionais e estrangeiras. É autor de mais de vinte livros, muitos ainda encontrados com facilidade nas livrarias, bem como de centenas de artigos publicados em diferentes órgãos da grande imprensa entre as décadas de 1970 e 2000.
De acordo com o ilustre diplomata, estadista e pensador liberal Roberto Campos (1917-2001), em um dos ensaios da obra Antologia do Bom Senso (Topbooks, 1996), “Meira Penna se entrega à tarefa crespa, porém urgente, de desmistificar mitos” (p. 162). No livro Liberalismo e Justiça Social (IBRASA, 1995), o meu saudoso mentor Ubiratan Borges de Macedo (1937-2007) afirmou que “Meira Penna está muito atento aos problemas colocados pala inserção do catolicismo na economia da modernidade, além de preocupado com a fundação de uma ética social” (p. 128). Nesse contexto se insere uma importante crítica do diplomata brasileiro ao conteúdo ideológico da Teologia da Libertação, tema principal do presente artigo.
A crítica à Teologia da Libertação desenvolvida por Meira Penna encontra-se de forma sistemática nas obras O Evangelho segundo Marx (Convívio, 1982) e Opção Preferencial pela Riqueza, (Instituto Liberal, 1991). Avaliações dispersas acerca da temática foram apresentadas pelo autor, também, em outros livros, bem como em diversos artigos para jornais e revistas.
Tais julgamentos de Meira Penna ao conteúdo ideológico, eminentemente marxista, da Teologia da Libertação surgiram a partir de uma polêmica, iniciada em dezembro de 1979 com a publicação de uma série de artigos, editoriais e cartas dos leitores no Jornal do Brasil. A controvérsia girava em torno do conteúdo da Teologia da Libertação e das ideias de uma de suas figuras centrais, o então frei franciscano Leonardo Boff. Sobre este incidente inédito no Brasil, Meira Penna afirma no prefácio de O Evangelho segundo Marx:
“O que era uma surpresa – o fato da teologia, assunto geralmente rebarbativo, se tornar tema de debate jornalístico – melhor se explicaria pela tonalidade essencialmente política da aludida Teologia. A política é, de fato, a religião do nosso século, de maneira que é bem compreensível queiram alguns agitados clérigos revitalizar o Catolicismo e novamente encher as Igrejas pela introdução das paixões políticas nos seus ensinamentos. Assim, o que entrou em debate, no fundo, não era Teologia, nem “opção pelos pobres”, mas Marxismo – este notoriamente infiltrado nos estabelecimentos de ensino e, em particular, na PUC. Isso esclarece o porque do tom um tanto ou quanto emocional da polêmica, em que acabou se envolvendo o próprio Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro” (p. XI).
O pensador liberal demonstra em sua análise o fato da Teologia da Libertação, embora proclame e insista em possuir um caráter especificamente latino-americano de sua doutrina, em verdade, se sustenta claramente na obra de teólogos europeus protestantes e católicos. Um fator não percebido por muitos é que, em essência, a Teologia da Libertação é uma variedade indígena da “Teologia Política”, da “Teologia da Secularização”, da “Teologia da Revolução” e mesmo da “Teologia da Morte de Deus” ou da “Teologia da Violência”, que tem assoberbado os jovens pensadores mais afoitos da Igreja europeia. Ainda em O Evangelho segundo Marx, o embaixador Meira Penna destacou que duas correntes principais, ambas em seu julgamento
“das mais desastrosas que hão afetado a filosofia e, através dela, a ciência política ocidental, se manifestam tanto no método e no vocabulário, quanto no espírito da Teologia da Libertação: a corrente historicista do idealismo alemão, na linha de Hegel, e sua semântica abstrusa, suspeita e imanentizante; e do romantismo francês na linha de Rousseau” (p. 9).
No livro O Espírito do Capitalismo Democrático (Nórdica, 1985), um amigo de Meira Penna e meu, recentemente falecido, o teólogo norte-americano Michael Novak (1933-2017), constata que a Teologia da Libertação, em sua hostilidade aos ideais e instituições do capitalismo democrático, é claramente socialista na inspiração, no vocabulário e nos métodos de análise. Novak afirma que a Teologia da Libertação
“é especialmente socialista naquilo que é contra. Não há dúvida que de que a teologia da libertação é vaga e sonhadora. Nós a lemos em vão, em busca de uma afirmação crítica sobre os experimentos socialistas na Europa, dos quais ela pretende se distinguir. Os teólogos da libertação proclamam originalidade de pensamento, mas não o mostram. Praticamente em todos os aspectos suas ideias derivam de ideias socialistas europeias” (p. 342).
O ensinamento oficial do Magistério Romano, tal como expresso na carta encíclica Sollicitudo rei Socialis, promulgada, em 30 de dezembro de 1987, por São João Paulo II (1920-2005) ressalta que “a Igreja sabe bem que nenhuma realização temporal se identifica com o Reino de Deus, mas que todas as realizações não deixam de refletir e, em certo sentido, antecipar a glória do Reino que esperamos no fim da história, quando o Senhor retornar” (VII, #48). Adotando uma postura diametralmente oposta à ortodoxia do cristianismo, os teólogos da libertação adotam uma postura eminentemente utópica.
Sobre a temática, em O Evangelho segundo Marx, é destacada por Meira Penna a ocorrência entre a maioria dos defensores da Teologia da Libertação em adotar uma postura próxima ao “verdadeiro repúdio da escatologia cristã. O Reino não é mais esperado no ‘final dos tempos’”. Esta errônea postura teológica levas os cristãos a
“insistir na ‘dimensão terrena, sócio-política do presente histórico’ das promessas escatológicas. Sua realização não pode ser mais adiada para o fim apocalíptico da história, com referência a um futuro misterioso e imprevisível. A promessa do Reino tem que assistir a uma realização imediata. O intuito profético desarvorado que é o teólogo da Libertação vê a realização da promessa como mediação da resposta livre do homem, no decurso do atual momento histórico” (p. 51).
Em suas investigações na mesma obra, Meira Penna, tenta fazer uma análise psicológica do marxismo infiltrado na Teologia da Libertação latino-americana. Para atingir tal finalidade, recorreu ao conceito de “Ressentimento”, a partir do qual infere a premissa segundo a qual
“na teoria da ‘dependência’, assim como nos protestos contra uma alegada ‘opressão’ e ‘dominação’ que estaríamos sofrendo, por parte dos Estados Unidos e dos países industrializados em geral, podermos efetivamente descobrir motivações psicológicas de índole ressentida. Motivações idênticas contaminam a denúncia generalizada dos ‘ricos’ e bem-sucedidos. Uma apreciação psicológica do ressentimento é assim susceptível de contribuir para um melhor esclarecimento do tema que tanto nos preocupa” (p. 79).
Dando prosseguimento a esta análise psicológica da temática, aprofundou a questão do ressentimento como um elemento derivado da inveja e do impulso de vingança. Acerca deste mesmo tópico, Meira Penna continua:
“Quando o desejo de adquirir o bem do outro (digamos o desejo do subdesenvolvimento de locupletar-se com o poder, a riqueza, o bem-estar, a renda per capita e a tecnologia americana ou europeia) fracassa diante de nossa própria inferioridade constitucional, a consciência difusa da impotência representa o que a escola de Jung compreende como o “reconhecimento da própria sombra” – o lado negativo, malicioso e “sombrio” do complexo psíquico. A sombra é então projetada sobre o objeto, ao qual é atribuída toda a mazela que, sem querer, reconhecemos em nós próprios” (p. 79).
A carta encíclica Rerum Novarum, promulgada em 15 de maio de 1891, pelo pontífice Leão XIII (1810-193), ao tratar do problema da miséria admoestou:
“Os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem, e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida, que os bens dum indivíduo qualquer devem ser comum a todos, e que a sua administração deve voltar para os Municípios ou para os Estado. Mediante esta transladação das propriedades e esta igual repartição das riquezas e das comodidades que elas proporcionam entre os cidadãos, lisonjeiam-se de aplicar um remédio eficaz aos males presentes. Mas semelhante teoria, longe de ser capaz de pôr termo ao conflito, prejudicaria o operário se fosse posta em prática. Outrossim, é sumamente injusta, por violar os direitos legítimos dos proprietários, viciar as funções do Estado e tender para a subversão completa do edifício social” (#3).
No livro Opção Preferencial pela Riqueza, a questão foi revisitada por Meira Pena ao ressaltar que “a revolta contra os ricos, o ressentimento pela própria pobreza, a condenação da prosperidade do próximo denunciam a cobiça e a inveja no coração revoltado” (p. 157). Na mesma obra o autor constata que “a hipocrisia social sempre procurou esconder o caráter egoísta, agressivo, pecaminoso e imperfeito da alma humana, atingida segundo pretendem as Escrituras, por uma espécie de Pecado Original” (p. 12). Continuando a reflexão, segue com a seguinte afirmativa:
“O homem acreditou que essas suas falhas não existem, ou são corrigíveis numa sociedade que se diz cristã e foi educada na ideia do amor, do altruísmo, da compaixão e da fraternidade. O mal do egoísmo, da agressividade, da inveja, da crueldade, da luxúria e da mentira certamente persiste, na sombra – mas pode ser perdoado pelo sacerdote, no confessionário, com um padre-nosso e três ave-marias e a promessas envergonhadas de não repetir… Uma solução melhor encontrada, quando começou a definhar a fé religiosa, consubstanciou o Mal romântico, perversa enfermidade coletiva que se apossou da mente ocidental a partir de fins do século XVIII. O Mal romântico procura encontrar álibis para a brutalidade da condição humana. Ele projeta nossa consciência de culpa sobre os famosos ‘cabides de sombra’ – que sempre são os de um outro no contexto do Mal romântico. Surgiu o cristianismo ersatz que é o Socialismo. O homem é basicamente bom, quem o corrompe é a sociedade capitalista. A culpa é das ‘estruturas’ sociais. Nelas é que se penduram os cabides. Não há pecado individual, há pecado ‘social’. Basta manipular adequadamente as estruturas e se alcançará a ‘justiça social’. O papel salvífico da Igreja deve ser entregue ao Estado, com a assistência de figuras messiânicas, carismáticas e soteriológicas, proliferando em nosso século como cogumelos em floresta úmida. O socialismo é o altruísmo imposto pela polícia” (p. 12-13).
A postura de Meira Penna, contraria a ideia absurda da perversa enfermidade do mal romântico, proposta por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), segundo a qual “o homem é basicamente bom, quem o corrompe é a sociedade”. Tal como expresso por Nosso Senhor Jesus Cristo no Evangelho Segundo São Mateus (15,10-20) e no Evangelho Segundo São Marcos (7,14-23), as coisas que vem de fora não podem tornar o homem impuro, mas apenas aquilo que sai de dentro dele. Logo, toda a maldade é fruto do coração do próprio homem.
Seguindo este raciocínio podemos concordar com o grande pensador liberal quando defende, em O Evangelho segundo Marx, que há uma dose de farisaísmo no posicionamento dos teólogos da libertação, ressaltando, deste modo, que toda a motivação da tese deste segmento da Igreja é essencialmente e fundamentalmente farisaica. O autor continua a análise afirmando que:
“O fariseu se define como aquele que se recusa a ver as suas próprias faltas, os seus próprios pecados – e projeta sobre o outro, o estranho, o mal que inconscientemente reconhece em si mesmo. Na época de Cristo, os escribas e fariseus denunciavam a corrupção dos gregos, a dominação dos romanos, a impureza dos samaritanos, a torpeza dos publicanos, coletores de impostos para César. O que não podiam era reconhecer a sua própria condição, que Cristo descrevia como a de sepulcros caiado de branco. A projeção da sombra de sua culpa sobre o estranho, o estrangeiro, o outro constitui a característica psicológica do fariseu” (p. 29).
Esta é a principal razão pela qual Meira Penna considera profundamente farisaico e anticristão todo o arrazoado da Teologia da Libertação. Partindo desta inferência, conclui, ainda na obra supracitada, que:
“Seu efeito prático – ao reconhecer as injustiças muito reais existentes em nosso meio – é o de pôr a culpa para cima dos americanos, o que nos exime naturalmente de procurá-la em nós mesmos, de examinarmos em nossa própria sociedade os erros que cometemos, as injustiças que deixamos que perdurem, os nossos pecados coletivos, as nossas falhas e inadequado talento de organização coletiva – em que sentido somos responsáveis pela pobreza e abandono das massas sertanejas porque nunca lhes fornecemos escolas suficientes, nunca tratamos suas endemias rurais, nunca estruturamos a nossa própria sociedade de maneira a permitir uma distribuição mais equitativa da renda nacional. O exame de consciência coletiva deve estender-se a um exame de consciência individual” (p. 29).
Mais adiante em O Evangelho segundo Marx, Meira Penna alerta que a verdadeira atitude cristã é:
“Aquela que não inveja o sucesso ou a riqueza do próximo, mas vira-se com compaixão para aquele que fracassou, para o doente e o pobre. Quando São Francisco proclama que é melhor dar do que receber está repetindo as próprias palavras do Senhor, registrada nos Atos dos Apóstolos (20,35). Essa indiferença pelas riquezas materiais, preocupação com as espirituais e sentimento de responsabilidade pela pobreza, sofrimento e insucesso alheio marcam o supremo comportamento do cristão autêntico” (p. 101).
Um cristão autêntico não pode ser, de modo algum, um socialista. O já citado papa Leão XIII ressaltou na Rerum Novarum que “substituindo a providência paterna pela providência do Estado, os socialistas vão contra a justiça natural e quebram os laços da família” (#8). Dando continuidade aos motivos pelos quais nenhum cristão, em especial os católicos, pode aceitar o socialismo, o Romano Pontífice alertou que:
“Além da injustiça do seu sistema, veem-se bem todas as suas funestas consequências, a perturbação em todas as classes da sociedade, uma odiosa e insuportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta a todas as invejas, a todos os descontentamentos, a todas as discórdias; o talento e a habilidade privados dos seus estímulos, e, como consequência necessária, as riquezas estancadas na sua fonte; enfim em lugar dessa igualdade tão sonhada, a igualdade na nudez, na indigência e na miséria. Por tudo que nós acabamos de dizer, compreende-se que a teoria socialista da propriedade coletiva deve absolutamente repudiar-se como prejudicial àqueles mesmos que se quer socorrer, contrária aos direitos naturais dos indivíduos, como desnaturando as funções do Estado e perturbando a tranquilidade pública. Fique, pois, bem assente que o primeiro fundamento a estabelecer para todos aqueles que querem sinceramente o bem do povo, e a inviolabilidade da propriedade particular” (#9).
Tal passagem de Leão XIII foi endossada na carta encíclica Centesimus Annus, promulgada no dia 1º de maio de 1991, por João Paulo II, quando afirma que “não se poderia indicar melhor os males derivados da instauração deste tipo de socialismo como sistema de Estado: aquele tomaria o nome de ‘socialismo real’” (#12).
Além de acentuar a diferença entre a verdadeira atitude de indiferença pelas riquezas materiais, pregada pela tradição cristianismo, da postura de negação das riquezas, tal como propostas por àqueles que foram de alguma maneira influenciados pela Teologia da Libertação, incluindo alguns segmentos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Meira Penna, também, destaca que não há contradições entre o ideal cristão e a prática de uma economia de mercado. Sobre a temática, apresenta uma correta visão seguinte passagem do livro Opção Preferencial pela Riqueza:
“Na sociedade universal moderna, composta de centenas de milhões, ou bilhões de indivíduos, é o relacionamento comercial, à base de dinheiro que melhor funciona. A ele chamamos capitalismo. O capitalismo é condenado como pecaminoso pelos clérigos da Esquerdigreja e pela intelectuária botocuda, entre os retomicturentes reacionários, porque parece exaltar o egoísmo do homem através do nexus monetário. A realidade é que tanto o capitalismo como o socialismo são meros instrumentos do homem. São meios. Meios para o alcance de seus fins materiais, sistemas moralmente neutros, despersonalizados, de relacionamento econômico entre grandes massas, em contatos que não afetam, de modo algum, nem o substrato fundamentalmente egoísta da humanidade, nem a presença de uma forte dose de simpatia em toda convivência social harmônica” (p. 41).
Tais vantagens da economia de mercado na preservação da liberdade e da dignidade da pessoa humana, tão enfatizadas por Meira Penna, está de acordo com os ensinamentos da Doutrina Social da Igreja, tal como apregoada por João Paulo II. Em um trecho da Centesimus Annus o Santo Padre afirmou que “tanto a nível de cada Nação, como no das relações internacionais, o livre mercado parece ser o instrumento mais eficaz para dinamizar os recursos e corresponder eficazmente às necessidades” (#34).
A crítica de Meira Penna não se limitou apenas ao caráter teórico da Teologia da Libertação, mas, também, às consequências da difusão desta na sociedade brasileira. O lúcido pensador liberal constatou, na coletânea Decência Já (Nórdica, 1992), que por causa desta infiltração marxista “a Igreja revelou-se irremediavelmente dividida entre romanos e seguidores do bofe messiânico Dom Leonardo Mártir” (p. 43). Analisando tal problemática, no livro O Dinossauro: Uma Pesquisa sobre o Estado, o Patrimonialismo Selvagem e a Nova Classe de Burocratas e Intelectuais, (T. A. Queiroz, 1988), ressaltou que:
“A introdução das Comunidades Eclesiais de Base; o aparecimento da CNBB como órgão de mobilização política na Igreja brasileira; as preocupações sociais oriundas do Concílio Vaticano II; a tradição tridentina de reforço do poder secular que, após o advento das famosas encíclicas “sociais”, tende a colocar-se numa posição social-estatizante e antiliberal; a criação do PT com o apoio ostensivo da ala “progressista” e a agitação demagógica de clérigos inquietos do tipo Helder Câmara, frei Beto, Leonardo Boff, Evaristo Ars e Pedro Casaldáliga, sugerem a possibilidade de muitos padres estarem cogitando da eventualidade de substituírem os militares como nova elite, os novos mentores, os novos Aiatolás da República. A CNBB, órgão espúrio na organização milenar da Igreja, permite a um grupo de militantes esquerdistas contornar o obstáculo levantado pelo relacionamento tradicional entre o papa e os bispos. Essa entidade comporta hoje, francamente, como um grupo de pressão político, para não dizer subversivo. O fenômeno ressuscitaria o papel que desempenharam os jesuítas nos dois primeiros séculos de nossa história” (p. 311).
Esta análise via de encontro às observações do jornalista e sociólogo francês Guy Sorman acerca da Igreja Católica no Brasil. No livro A Nova Riqueza das Nações (Nórdica, 1988), o referido autor destacou que o catolicismo brasileiro “parece ter deslizado do divino para o temporal. Suas profecias transformaram-se em projeto político meio-socialista meio-cristão, que veio a se tornar o discurso frequente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, dos sindicatos operários e dos partidos de esquerda” (p. 58).
Meira Penna em suas analises acerca da sociedade brasileira ressalta que a nacionalidade esta sob a inspiração dos clérigos da Teologia da Libertação, que satiricamente denominou de Teratologia da Opressão (Teratologia = Estudo das Monstruosidades). No livro O Dinossauro, o pensador liberal admirou-se com o fato de “nem Leonardo Boff, nem qualquer desses bispos alucinados não tenham descoberto a extraordinária avenida das urnas para galgar o poder messiânico que ambicionam. Sua ideologia totalitária nacional-socialista já está aí, prontinha: a chamada Teologia da Libertação. Com a vantagem sobre as outras ideologias leigas de poder imediatamente utilizar o imenso potencial místico de nosso povo” (p. 312).
Na coletânea Decência Já, constatou que nosso país é assolado por três males muito graves: “a patifaria, a burrice e a ideologia, de inspiração esquerdista, que se traduz em ímpetos nacional-socialistas, xenófobos, estatizantes e terceiro-mundistas” (p. 43). Sendo estes três males encontrados nestes alucinados clérigos de inspiração marxista que transformaram a “opção preferencial pelos pobres” em uma “opção preferencial pela pobreza”, um dos fatores que mantêm o Brasil no patrimonialismo selvagem.
A posição de Meira Penna em relação ao conteúdo ideológico da Teologia da Libertação pode ser ilustrada por sua afirmação, no livro O espírito das Revoluções: Da Revolução Gloriosa à Revolução Liberal, (Faculdade da Cidade, 1997), de acordo com a qual “a ‘opção preferencial pelos pobres’ serve a muito intelectual remediado como instrumento de opção preferencial pelo próprio enriquecimento e a muito clérigo da Igreja católica para promover-se em prestígio nos cenáculos da CNB do B…” (p. 304).
No período em que a CNBB promove a ideológica Campanha da Fraternidade, que no ano de 2017 apresenta o discurso verde do socialismo ecológico, no lugar de incentivar de modo mais profundo as importantes meditações do Tempo da Quaresma, reler os escritos do grande pensador liberal acerca da Teologia da Libertação é um alerta para os riscos da infiltração ideológica na fé católica. Poucos escritores foram tão lúcidos em descrever tais mazelas quanto José Osvaldo de Meira Penna, cuja a vida e a obra merece ser celebrada, principalmente, no dia em que este campeão na defesa da liberdade completa o centésimo aniversário.
O ISLÃ ESTÁ GANHANDO FORÇA NA EUROPA COM A BÊNÇÃO DA IGREJA - 04/03/2017
Original em inglês: "Islam Strengthening in Europe with the Blessing of the Church"
Tradução: Joseph Skilnik
? Já há inúmeros observadores católicos questionando a cegueira da Igreja em relação ao perigo que a Europa está enfrentando.
O Arcebispo Liberati pertence a uma crescente parcela de líderes católicos que se recusa a aceitar que o futuro irá pertencer ao Islã na Europa. Eles se manifestam abertamente contrários ao Papa Francisco, que não parece estar muito impactado com o colapso do cristianismo devido à queda na natalidade, acompanhada pela apatia religiosa e sua substituição pelo Islã.
A visão oficial do Papa Francisco é personificada pelo Bispo Nunzio Galantino que foi nomeado pelo Pontífice ao posto de Secretário Geral dos Bispos da Itália. Em dezembro passado Galantino concedeu uma entrevista à imprensa na qual ele descartou que qualquer motivação religiosa esteja por trás dos ataques jihadistas afirmando que na realidade eles estão atrás do "dinheiro".
Já há inúmeros observadores católicos questionando a cegueira da Igreja em relação ao perigo que a Europa está enfrentando. Um desses observadores é o editor cultural da revista francesa Valeurs Actuelles, Laurent Dandrieu, que salienta:
"O Islã conta com todas as oportunidades para fortalecer, de maneira expressiva, sua presença na Europa com a bênção da Igreja. A Igreja contempla o estabelecimento de milhões de muçulmanos na Europa... e o culto muçulmano em nosso continente como inevitável manifestação da liberdade religiosa. Mas simplesmente jamais se menciona a questão civilizacional... Ao se afastar dos povos autóctones da Europa e dos seus legítimos temores, a Igreja não só está conduzindo o continente a um impasse como também está dando um tiro no pé".
Dandrieu apresenta uma série de gestos e discursos do Papa Francisco a favor do Islã e dos migrantes:
"Em 01 de outubro de 2014 o Papa recebeu sobreviventes eritreus de um naufrágio ocorrido na costa de Lampedusa, em 8 de Fevereiro de 2015 ele fez uma visita surpresa a um campo de refugiados em Ponte Mammolo que fica na região nordeste de Roma, em 18 de abril ele aproveitou a primeira visita oficial do novo presidente italiano Sergio Mattarella para exigir "um comprometimento muito maior" no tocante aos migrantes, em 6 de Setembro de 2015 no final das orações do Angelus na Praça de São Pedro, ele conclamou cada paróquia, comunidade religiosa, mosteiro e santuário na Europa a acolher uma família de refugiados, em 24 de Março de 2016 ele escolheu um alojamento que abrigava 900 refugiados para celebrar a Quinta-Feira Santa e lavar os pés de doze candidatos a asilo, em 28 de maio ele recebeu crianças cujos pais tinham falecido em um barco que naufragou repleto de migrantes, durante a audiência geral de 22 de junho o Papa Francisco se misturou à multidão para resgatar quinze refugiados".
No entanto, conforme mostra o caso de Liberati, a resistência à visão do Papa Francisco em relação à Europa está aumentando dentro da Igreja Católica.
"É claro que os muçulmanos têm um objetivo final: conquistar o mundo", salientou o Cardeal Raymond Burke .
"O Islã, por intermédio da Lei Islâmica (Sharia), quer dominar o mundo, permitindo o uso da violência contra os infiéis, como por exemplo contra os cristãos. Mas achamos difícil reconhecer esta realidade e responder defendendo a fé cristã (...) Tenho escutado inúmeras vezes a seguinte ideia islâmica: 'o que não conseguimos fazer com as armas no passado, estamos fazendo hoje com a taxa de natalidade e imigração'. A população está mudando. Se continuar assim, em países como a Itália a maioria será muçulmana (...) O Islã alcança a sua meta na conquista. E qual é a conquista mais importante? Roma".
O primeiro a assinalar esse rumo dramático foi o missionário mais importante da Itália, Padre Piero Gheddo, ressaltando que devido à queda da fertilidade somada ao fervor muçulmano", o Islã irá, mais cedo do que se imagina, conquistar a maior parte da Europa". Esse temor não se restringe apenas à ala conservadora da Igreja Católica.
O Cardeal Christoph Schönborn, Arcebispo de Viena, cotado como candidato a ser o próximo papa, muito próximo do Papa Francisco, é um centrista. Em setembro passado, no aniversário do Cerco à Viena, quando tropas otomanas da Turquia por pouco não conquistaram a Europa, Schönborn emitiu um apelo dramático para salvar as raízes cristãs da Europa. "Muitos muçulmanos querem e dizem que a Europa está acabada", enfatizou o Cardeal Schönborn, em seguida acusou a Europa de "esquecer sua identidade cristã". Ele então alertou, de forma contundente, sobre a possibilidade da "conquista islâmica da Europa.
Depois que um tunisiano, que chegou em meio à avalanche de imigrantes à Alemanha, assassinou 12 pessoas em uma feira natalina em Berlim, o arcebispo católico da capital alemã Heiner Koch, outro líder católico "moderado" nomeado pelo Papa Francisco, também soou o alarme: "talvez nós nos ativemos demais em cima da imagem radiante da humanidade, no que é louvável. A esta altura, no último ano ou talvez também nos últimos anos, vimos que não, também há o perverso".
O chefe da Igreja Católica Romana Tcheca, Miloslav Vlk, também fez um alerta sobre a ameaça da islamização. "Os muçulmanos na Europa têm muito mais filhos do que as famílias cristãs, isso explica porque os demógrafos chegaram à conclusão de que em determinado momento a Europa se tornará muçulmana", segundo afirmou o Cardeal Vlk. Ele também culpou a própria Europa pela conquista islâmica:
"A Europa vai pagar muito caro por ter abandonado seus fundamentos espirituais, este é o último período que não irá continuar por décadas, quando ainda é possível fazer algo a respeito. A menos que os cristãos acordem, a vida será islamizada e o cristianismo não terá forças para marcar seu caráter na vida das pessoas, isso sem falar na sociedade".
O Cardeal Dominik Duka, Arcebispo de Praga e Primaz da Boêmia também questionou a "cultura de boas-vindas" do Papa Francisco.
No âmbito dos bispos católicos orientais há muitas vozes levantando temores quanto à revolução demográfica e religiosa na Europa. Uma dessas vozes é a do líder dos Católicos do Líbano, os quais pagaram um preço altíssimo em virtude da islamização de seu próprio país, incluindo assassinato e exílio e agora vê o mesmo perigo vindo para a Europa. "Tenho ouvido muitas vezes de muçulmanos que seu objetivo é conquistar a Europa com duas armas: a fé e a taxa de natalidade", ressaltou o Cardeal Bechara Rai.
Outra voz é a do Bispo Paul Desfarges, natural da França, que dirige a diocese de Constantine na Argélia: "não é de se admirar que o Islã assumiu uma importância dessa envergadura", salientou Desfarges. "É um problema que preocupa a Europa". O Cardeal de Sydney, George Pell, logo urgiu "um debate sobre as consequências da presença islâmica no mundo ocidental". Pell foi ecoado por Laszlo Beijo Rigo, chefe da comunidade católica do sul da Hungria, que afirmou: "eles não são refugiados, isso é uma invasão, eles vêm para cá com gritos de 'Allahu Akbar', eles querem assumir o poder".
Na esfera política há outra propensão, a de fortes líderes católicos que desafiam o Papa Francisco na questão islâmica e da imigração. O mais importante deles é o candidato à presidência da França François Fillon, um dos primeiros políticos que "não esconde o fato de ser católico". Fillon publicou um livro que leva o título: Conquistando o Totalitarismo Islâmico, ele subiu nas pesquisas por ter prometido controlar o Islã e a imigração: "temos que reduzir a imigração para o mínimo dos mínimos", salientou Fillon. "O nosso país não é uma soma de comunidades, é uma identidade"!
Estes políticos, bispos e cardeais podem convencer o Papa Francisco a não abandonar a Europa, o berço do cristianismo e da civilização ocidental a um iminente e sombrio destino tomando forma no horizonte. Michel Onfray escreveu no final de seu livro: "os valores judaico-cristãos governaram por dois milênios. Um período honroso para uma civilização. O barco está afundando neste momento: só nos resta afundar com elegância". É urgente evitar isso. Já!
Giulio Meotti, Editor Cultural do diário Il Foglio, é jornalista e escritor italiano.
FORA TEMER, QUEM MAIS OS PETISTAS ODEIAM? - 01/03/2017
Todo mundo que participa do seu governo (ilegítimo, inconstitucional, fisiológico, entreguista, feio, bobo, golpista etc).
Compactuo do horror que os petistas têm ao Temer, ao seu governo, aos seus ministros.
Com a ressalva de que eu não votei no Temer.
Eles, sim.
O Temer me caiu de paraquedas, me foi enfiado goela abaixo.
Os petistas, ao contrário, escolheram-no.
E não uma vez só, mas duas.
Aceito o Temer como quem aceita uma injeção de Benzetacil.
Não quero, não gosto, é horrível – mas ou é isso ou a infecção generalizada.
Respiro fundo, prendo o choro, xingo a mãe do moço da farmácia e toco o barco.
Como os petistas, não suporto olhar para a cara do Edison Lobão, nobre presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
Mas, ao contrário dos petistas, eu também não o suportava quando ele era Ministro de Minas e Energia de Lula e de Dilma.
Compartilho com os petistas uma profunda antipatia pelo Presidente do Senado, Eunício Oliveira.
Só que eles o achavam simpaticíssimo quando era Ministro das Comunicações de Lula.
Eliseu Padilha, braço direito do golpista, quem consegue confiar nesse sujeito?
Os petistas, certamente – pelo menos enquanto foi Ministro da Aviação Civil da finada Presidenta.
Como não me solidarizar com os petistas no asco pelo Geddel Viera Lima, o do apartamento com vista pro mar em Salvador?
Mas o asco deles é recente, só desabrochou depois que ele deixou de ser Ministro da Integração Nacional do viúvo de D. Marisa.
Ah, Romero Jucá, o surubático Romero Jucá...
Impossível não ser tomado de ojeriza ao vê-lo, ouvi-lo, imaginá-lo.
Exceto os petistas, que surubaram com ele sem pudor algum enquanto era Ministro da Previdência Social do Lula.
E Silas Rondeau, encalacrado na Lava Jato, indiciado por tráfico de influência?
Abominável, diriam os petistas - e eu concordo.
Mas os petistas só acham isso depois que ele deixou de ser Ministro de Minas e Energia.
De quem?
Ganha um sítio em Atibaia quem adivinhar.
E tem ainda Moreira Franco, estrategicamente nomeado pelo nefasto Temer apenas para adquirir foro privilegiado.
Se bem me lembro, ele teve o mesmo foro como Ministro de Assuntos Estratégicos de Dilma, e ninguém falou nada.
Eu não gosto do Temer, mas desde sempre.
Os petistas, esses só começaram a desgostar quando ele se cansou de ser um vice decorativo e resolveu partir para novos desafios e se reposicionar no mercado.
Por isso entendo quando entram transe (e em loop) com seu mantra “Fora, Temer”.
É que levaram cinco anos para perceber que ele existia (e que existiam Moreira Franco, Jucá, Eunício, Rondeau, Padilha, Geddel), e só aí começar a ladainha.
Sabe como é, ficha de petista demora um pouco a cair."
ABERRAÇÕES ECONÔMICAS DO BRASIL - 28/02/2017
Aberração da Carga Tributária Brasileira (Fonte MF)
A composição da Carga Tributária dos Estados Unidos tem como base 82,70% de sua arrecadação incidindo sobre a Renda, Lucro, Ganho de Capital, Folha Salarial e Propriedade (classes privilegiadas da nação americana) e apenas 17,30% incidindo sobre Bens e Serviços (arroz, feijão, remédios, transportes e educação). Com uma Carga Tributária total de apenas 26,0% do PIB.
A composição da Carga Tributária média dos países da OCDE tem como base 66,68% de sua arrecadação incidindo sobre a Renda, Lucro, Ganho de Capital, Folha Salarial e Propriedade (classes privilegiadas das nações analisadas) e apenas 33,14% incidindo sobre Bens e Serviços (arroz, feijão, remédios, transportes e educação). Com uma Carga Tributária média de 35,3% do PIB.
A composição da Carga Tributária do Brasil tem como base 48,46% de sua arrecadação incidindo sobre a Renda, Lucro, Ganho de Capital, Folha Salarial e Propriedade (classes privilegiadas da nação brasileira) e 51,54% incidindo sobre Bens e Serviços (arroz, feijão, remédios transportes e educação). Com uma Carga Tributária total de 32,4% do PIB.
Conclusão:
Dentre os países analisados o Brasil é o que possui a mais injusta, imoral, criminosa, desumana e regressiva Carga Tributária. Uma vergonha internacional que certamente continuará tendo o silêncio de todos: por omissão, covardia ou conivência.
A aberração da concentração de renda entre os estados brasileiros (Fonte IBGE)
Em 2014, cinco estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná) foram responsáveis por 64,9% do PIB do país. Uma aberração histórica do Brasil, jamais abordado nos meios acadêmicos, ou nos planos de governos. Uma imoralidade.
O PIB per capita do país em 2014 foi de R$ 28.500,24. Entre as 27 unidades da federação, o líder continua sendo o Distrito Federal (R$ 69.216,80), seguido por São Paulo (R$ 42.197,87) e Rio de Janeiro (R$ 40.767,26). O estado mais rico do Brasil é o DF com um PIB PER CAPITA 64% maior do que o do estado de São Paulo. Outra aberração econômica que não se debate no Brasil.
Em 2014, o maior PIB per capita foi o do Distrito Federal (R$ 69.216,80) e os últimos desse ranking eram Maranhão (R$ 11.216,37) e Piauí (R$ 11.808,08), ou seja: uma diferença de 83,80% menor entre o PIB PER CAPITA do DF e o pior que foi o Maranhão. Como o Brasil somente discute problemas de tesouraria essas aberrações jamais fazem parte de qualquer plano de governo, ou debates acadêmicos.
Sem dúvida que o Brasil é um “conjunto vazio”.
A aberração da Dívida dos Contribuintes com o INSS (Fonte MP)
Em 31 de dezembro de 2015 existia um estoque de dívidas dos contribuintes com a previdência de R$ 455,0 bilhões (7,71% do PIB).
A aberração da dívida em poder do Banco Central (Fonte MF)
A imprensa brasileira omite a informação do estoque da dívida em poder do Banco Central no montante de R$ 1.522,8 bilhões (24,16% do PIB) em dezembro de 2016, sendo essa a parte mais importante da dívida, visto que nada mais é do que uma “pedalada oficial” (aumento disfarçado de base monetária) que não existiria se o Banco Central fosse independente. Vejam que essa orgia saiu de 17,86% do PIB em 2010 para 24,16% do PIB em dezembro de 2016. Crescimento real em relação ao PIB de 35,27%. Uma imoralidade sem precedentes.
A aberração do emprego público federal (FONTE MP)
No período do governo do PT (2003/2015) houve um crescimento de pessoal na União (Executivo, Legislativo e Judiciário) de 305.316 servidores.
A aberração do crédito no Brasil (Fonte BCB)
- 50,11% do total - R$ 1.557,0 bilhões com recursos livres com juro médio de 52,0% ao ano.
- 49,89% do total – R$ 1.550,0 bilhões com recursos direcionados concedidos por bancos públicos (Caixa, BB, BNDES) com juro médio de 10,7% ao ano subsidiado pelo contribuinte.
Não há a menor dúvida que esse mecanismo de juro especial para os amigos e aliados dos governantes de plantão é uma fonte primária de corrupção e de propina. Alguém tem dúvida?
A aberração do emprego público no Brasil (Fonte IBGE)
Em relação aos recursos humanos, de 2005 para 2015, o percentual de servidores municipais passou de 2,6% para 3,2% da população do Brasil. O número de pessoas ocupadas na administração direta e indireta municipal era de 6.549.551 em 2015, o que corresponde a um crescimento de 37,4% em relação a 2005 (4.767.602). A parcela de servidores municipais na administração direta passou de 94,3% (4.494.154) em 2005 para 95,0% (6.224.235) em 2015. Na administração indireta, esse percentual passou de 5,7% (273.448) em 2005 para 5,0% (325.316) em 2015.
A aberração da concentração de renda entre os municípios brasileiros (Fonte IBGE)
Em 2014 dos 5.570 municípios existentes, apenas 62 respondiam por metade do PIB nacional, enquanto apenas 7 (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Manaus e Porto Alegre) respondiam por 25% do PIB nacional.
A aberração da orgia de gastos com pessoal no Brasil (Fonte MF)
Em 2002 os gastos com pessoal consolidado (união, estados e municípios) foi de 13,35% do PIB. Em 2015 foi de 15,31% do PIB. Crescimento real em relação ao PIB de 14,68%. Para que se avalie a variação criminosa dos gastos reais com pessoal, cabe lembrar que nesse mesmo período houve um crescimento real do PIB Corrente de 37,80%, gerando um ganho real acima da inflação de 58,03% nesse período. Nenhuma nação do planeta conseguiria bancar tamanha orgia pública.
Cerca de um em cada quatro (22,5%) jovens de 15 a 29 anos não frequentava escola nem trabalhava na semana de referência em 2015, os chamados “nem-nem”, sendo que essa proporção cresceu 2,8 pontos percentuais frente a 2005 (19,7%). O grupo de 18 a 24 anos apresentou o maior percentual de “nem-nem” em 2015, com 27,4%.
A aberração da imoral e desumana Previdência Social no Brasil (Fonte MF)
Em 2016 o Regime Geral de Previdência Social (INSS) destinado aos trabalhadores de segunda classe (empresas privadas) com 100,6 milhões de participantes (70,1 milhões de contribuintes e 30,5 milhões de beneficiários) gerou um déficit previdenciário da ordem de R$ 138,1 bilhões (déficit per capita por participante de R$ 1.372,76).
Em 2016 o Regime Próprio da Previdência Social destinado aos trabalhadores de primeira classe (servidores públicos) – União, 26 estados, DF e 2087 municípios mais ricos, com apenas 9,8 milhões de participantes (6,2 milhões de contribuintes e 3,6 milhões de beneficiários) gerou um déficit previdenciário da ordem de R$ 126,2 bilhões (déficit per capita por participante de R$ 12.877,55).
Em 2016 a previdência social brasileira total (RGPS E RPPS) gerou um déficit previdenciário total de R$ 264,3 bilhões, cobertos com as fontes de financiamentos (COFI NS e CSSL) que são uma das maiores aberrações e excrescências econômicas e desumanas já conhecidas, visto que essas contribuições atingem todos os brasileiros de forma generalizada, mesmos os que não fazem parte do grupo coberto pela previdência, tais como: os desempregados e os empregados informais sem carteira de trabalho assinada, contingente composto de quase a metade da população economicamente ativa. Esses grupos de excluídos estão pagando para uma festa da qual jamais serão convidados a participar.
A aberração do imoral déficit fiscal nominal do Brasil (Fonte BCB)
Segundo o Banco Central do Brasil o déficit fiscal nominal de 2015 foi de R$ 613,0 bilhões (10,38% do PIB). Esse déficit retrata uma apuração contábil em regime de competência, ou seja: todos os compromissos do governo, mesmo os não vencidos, bem como os refinanciados estão apurados da forma (pro-rata/ano) dentro desse resultado.
Segundo o Banco Central do Brasil o déficit fiscal nominal de 2016 foi de R$ 562,8 bilhões (10,38% do PIB). Esse déficit retrata uma apuração contábil em regime de competência, ou seja: todos os compromissos do governo, mesmo os não vencidos, bem como os refinanciados estão apurados da forma (pro-rata/ano) dentro desse resultado.
A aberração dos depósitos compulsórios e créditos direcionados no Brasil que geram um índice de multiplicador de base de apenas (1,28)
Sendo o multiplicador de base médio em 2016 de 1,2800, ou seja: 78,12% dos recursos disponíveis foram esterilizados pelo Banco Central, através dos depósitos compulsórios e dos créditos direcionados, o juro de mercado médio em 2016 foi de 13,00% ao ano x 4,6992 = 61,09% ao ano (4,0533% ao mês). Cabe lembrar que, como na nossa análise não consideramos que alguns depósitos compulsórios são remunerados, é óbvio que há uma pequena divergência entre a taxa apurada no estudo (61,09% ao ano) e a taxa oficial apurada pelo Banco Central para os créditos livres que foi de 52,00% ao ano em 2016.
Cabe alertar que o depósito compulsório no Brasil é alto para lastrear a imoral e criminosa dívida da União carregada pelo Banco Central (pedalada oficial). Uma vergonha.
A aberração do subemprego no Brasil (Fonte IBGE)
A taxa composta de subutilização da força de trabalho (que agrega a taxa de desocupação, taxa de subocupação por insuficiência de horas e da força de trabalho potencial) ficou em 22,2% no 4º trimestre de 2016,
Para encerrar devo comunicar que a partir do acima colocado somente me resta aguardar o costumeiro silêncio abissal e sepulcral de todos.
Não tenho culpa por Deus ter me concedido o saber e o conhecimento sobre o tema, mas ter me colocado num país desprezível como é o Brasil. Talvez no dia do meu retorno ao pai tenha conhecimento do motivo. Sou paciente!
Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.
A GUERRA DA GRANDE MÍDIA CONTRA VOCÊ - 27/02/2017
(Publicado originalmente em www.sensoincomum.org)
Para entender por que Donald Trump disse que a grande mídia é inimiga dos americanos é necessário entender qual é a agenda da velha imprensa e lembrar que o jornalismo, hoje, se resume à desinformação e à engenharia social
Na semana passada, o Presidente Donald Trump disse algo que é óbvio a qualquer pessoa que não esteja totalmente descolada da realidade: a grande mídia (que ele chama corretamente de fake news) é inimiga do povo americano.
Essa afirmação, evidentemente, não vale apenas para a mídia americana e tampouco significa que os povos de outros países estejam livres da desinformação e da engenharia social, que, como sabemos, formam a quase totalidade das atividades empreendidas hoje pelos grandes veículos de comunicação.
Os brasileiros médios, por exemplo, são sempre tratados e retratados pela nossa mídia como um populacho ignorante e fundamentalista, portador de valores e crenças que devem ser marginalizados e escorraçados do debate público, de modo que qualquer pessoa (pensem em políticos como Jair Bolsonaro ou Donald Trump, em jornalistas como Rachel Sheherazade ou Laura Ingraham, em escritores como Olavo de Carvalho ou David Horowitz) que ouse dar voz a eles seja vista como uma figura excêntrica, grotesca, execrável e autoritária — como se houvesse algo mais autoritário do que a missão que a mídia, em consonância com o resto do establishment, se atribuiu: a de substituir os valores e os costumes construídos por milhões e milhões de pessoas, ao longo de várias gerações, por valores e costumes fabricados a partir de construções mentais de uma pequena elite de iluminados que não sabem consertar uma torneira, assar um bolo ou trocar uma fralda.
O jornalismo hoje não é outra coisa senão um instrumento de engenharia social a serviço dos poderosos em sua cruzada contra tudo o que é caro ao ocidental médio: seu Deus, sua religião, sua cultura, seus costumes, sua família, sua pátria e todo o resto. Os jornalistas de hoje não se contentam em reportar os fatos, eles querem transformar o mundo. É verdade que há exceções — e Donald Trump nunca deixa de mencioná-las —, mas, via de regra, o que os jornalistas fazem hoje é utilizar a plataforma que possuem para impor de modo uniforme um novo conjunto de valores e um novo padrão comportamental à população, utilizando táticas de desinformação e de shaming para levar o americano médio (ou o brasileiro, o argentino, o inglês, o espanhol, o francês ou o gentílico genérico médio) a renegar seus valores e a louvar tudo o que repudia.
Não à toa afirmar que as opiniões de alguém estão alinhadas ao “senso comum” se tornou uma ofensa. Para a mídia, os valores de noventa e tantos por cento da população não servem e devem ser demolidos (ou desconstruídos) para dar lugar ao seu oposto. Os jornalistas engajados, que se acreditam ungidos para a mais nobre das missões, não descansarão enquanto você não enxergar no aborto uma expressão singular do amor à vida; enquanto você não considerar as relações entre pessoas do mesmo sexo mais nobres do que o matrimônio tradicional; enquanto você não entender como normal a sexualização precoce de seus filhos; enquanto você não perceber como banal o adultério e o divórcio; enquanto você não sentir mais pena de um bandido do que de sua vítima; enquanto você não for capaz de desprezar sua cultura e sua religião e de louvar todas as demais; e assim por diante…
A lista é interminável e, enquanto você não se adequar a ela, você estará destinado à marginalização e à exclusão da vida pública. Do mesmo modo, qualquer político que ousar falar em seu nome ou representar seus valores será chamado de populista (senão fascista) e atacado com mentiras sórdidas, especulações maliciosas e críticas disparatadas, além de ser comparado injustamente com os piores tiranos que a humanidade conheceu.
É por isso que quando o Steve Bannon, estrategista chefe da Casa Branca, diz que a imprensa é a verdadeira oposição ou quando Trump afirma que a grande mídia é inimiga do povo, longe de estarem minando a liberdade de imprensa, o que eles estão fazendo é utilizar sua própria liberdade de expressão para expor um dos mais graves (e menos discutidos) problemas contemporâneos: o que fazer diante de uma imprensa que se corrompeu e, por isso, trabalha para demolir os valores tradicionais e avançar uma agenda totalitária e não para informar a população?
Evidentemente, esta breve nota não tem por finalidade prescrever uma solução para esse problema. Sua finalidade, muito mais modesta, é a de contextualizar a afirmação feita pelo presidente americano e demonstrar a correção de seu diagnóstico. Isso é uma necessidade, dentre outros motivos, pela reação vista na própria mídia. Acostumados com o status de intocáveis de que gozam e convictos de que são semi-deuses, incriticáveis e inquestionáveis, muitos jornalistas viram nas palavras do presidente um atentado contra as liberdades civis, uma agressão ao Estado Democrático de Direito, e uma demonstração de desprezo contra a Constituição. Nada mais distante da realidade. Nada mais histérico. Nada mais típico.
A primeira emenda da Constituição Americana afirma o papel vital da imprensa para o funcionamento da república, mas não dá a ela qualquer imunidade contra críticas e questionamentos — pelo contrário, garante o direito de crítica a qualquer um na forma da liberdade de expressão, afirmada e protegida exatamente pela mesma emenda. Mas, se eles querem mesmo que esse raciocínio valha para eles, por que não começam por aplicá-lo ao Trump? Afinal, se fosse verdade que a imprensa não pode ser criticada porque seu papel é descrito na primeira emenda, também seria verdade que o Trump também não pode ser criticado, já que seu papel é descrito no segundo artigo da Constituição.
Dizer que a imprensa não pode ser alvo de críticas é tão ridículo quanto dizer que um presidente não pode ser criticado. Ninguém tem o direito de não ser ofendido (menos ainda de não ser criticado) e o fato de que representantes da grande mídia reivindicam para si tal privilégio enquanto criticam a tudo e a todos apenas demonstra seu caráter totalitário e, junto com a situação geral do jornalismo, prova que Trump está certo: os grande veículos de mídia estão em guerra contra você e não cessarão os ataques enquanto seus valores não forem destruídos.
20 FATOS QUE VOCÊ DESCONHECIA SOBRE A IMIGRAÇÃO AMERICANA - 18/02/2017
(Publicado originalmente em rodrigoconstantino.com)
A imigração foi “o” tema da eleição que levou Donald Trump ao poder. E se Trump acusa a mídia de desonestidade, não há tema em que isso fica mais escancarado do que nesse. São muitas inverdades, omissões e manipulações por parte da grande imprensa, que parece se recusar a lidar com o assunto com a honestidade que ele merece, dado o enorme potencial de mudança que ele tem na América que conhecemos hoje.
O livro mais influente sobre o assunto, que teve grande impacto nas urnas, foi Adios, America!, de Ann Coulter. Foi com base nele que escrevi a coluna da Gazeta do Povo desta semana. Mas, por falta de espaço, fiz apenas uma breve introdução, sem mergulhar a fundo nos inúmeros dados que a autora traz à tona e que o leitor, em geral, desconhece (por culpa da imprensa que não informa). Vamos, então, listar alguns desses fatos abaixo:
1. Falam em 11 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos hoje, mas estimativas mais realistas, e ainda assim conservadoras, apontam para 30 milhões, a imensa maioria de hispânicos. Os imigrantes hispânicos legais votam 8 para 2 em democratas contra republicanos. Alguma surpresa de a bandeira da “anistia” ser de esquerda?
2. A imprensa fala, como se fossem boas notícias, que os imigrantes usam “apenas” 18% mais de “welfare” estatal do que os nativos, mas imigrantes que imediatamente já precisam de esmolas estatais deveriam ser aceitos? Os pagadores de impostos não conseguem sustentar nem os locais, e vão receber mais gente dependente do governo? Em geral, 60% dos imigrantes – legais e ilegais – recebem assistência governamental, contra menos de 40% dos americanos. Se o fardo já está pesado para manter os próprios americanos nesse sistema paternalista, por que trazer ainda mais gente nessa condição.
3. Se no passado os imigrantes vinham em busca de oportunidades e respeitando os principais valores americanos, hoje muitos chegam dependendo do estado e ainda por cima cuspindo na América, tida como “racista, sexista, homofóbica e preconceituosa”. Em 1915, Louis Brandeis, que seria ministro da Suprema Corte depois, deu um discurso no 4 de julho alegando que o imigrante deveria abraçar os valores americanos. Em 2014, a Suprema Corte sustentou o direito de uma escola da Califórnia banir camisetas com a bandeira americana para não “ofender” imigrantes mexicanos celebrando o Cinco de Maio. Por que, então, os americanos deveriam abrir suas fronteiras para receber quem odeia tudo aquilo que a América representa historicamente?
4. Há uma campanha em curso, endossada pela esquerda e por libertários como Ron Paul, para substituir o termo “ilegal” por imigrante “não-documentado”, eufemismo tosco que serve para suavizar um crime no país que foi criado com base no império das leis. A justificativa é que usar o termo “ilegal” pode acabar “desumanizando” esses pobres indivíduos.
5. A mudança estrutural ocorreu na década de 1960, sob o comando de Teddy Kennedy, quando as fronteiras foram escancaradas. A regra do “anchor baby” permitiu que milhões de mexicanos atravessassem a fronteira apenas para ter filhos “americanos”, muitas vezes em hospitais públicos, com tudo pago pelo tax payer americano. Depois, em nome da “reunificação familiar”, parentes de todo tipo, como primos, avós e tios, foram aceitos no país. Não passa pela cabeça da esquerda que a reunião familiar poderia se dar… do outro lado da fronteira, em seu país de origem? O que um típico “jeitinho” desses acaba fazendo com um país acostumado a respeitar as regras?
6. Segundo um estudo de Robert Rector, da Heritage Foundation, o americano com terceiro grau completo paga $29 mil a mais de imposto todo ano do que recebe de volta em serviços do governo, enquanto os imigrantes legais com mesma formação, na média, recebem $4 mil a mais em serviços do que pagam em impostos. Os imigrantes com diploma de segundo grau recebem $15 mil a mais, e aqueles sem diploma coletam impressionantes $37 mil extras!
7. “A América é a terra dos imigrantes”, dizem os defensores da política atual. Mas ignoram que o grosso era formado por europeus em busca de trabalho, com forte predominância do que se chama WASP. Todos os presidentes eram protestantes, à exceção de JFK, católico. A descendência britânica, em parte, sempre esteve presente na Casa Branca de alguma forma. O respeitado professor de Harvard, Samuel Huntington, questiona: “A América seria a América de hoje se nos séculos 17 e 18 tivesse sido civilizada não por protestantes britânicos, mas por católicos franceses, espanhóis e portugueses?” E responde: “Certamente que não”. Edmund Burke, o “pai do conservadorismo”, destacou a influência britânica e a protestante como fatores fundamentais pela paixão dos americanos pela liberdade. Como negar, então, que a crescente latinização da América poderá torná-la mais parecida com os demais países latino-americanos? E isso não deveria preocupar aqueles que amam o que a América representa?
8. A esquerda fala muito em “diversidade” como sinônimo de força. Mas vejamos alguns casos em que a diversidade significou, na prática, o caos e até a guerra civil: a Irlanda com os católicos e os protestantes em constante guerra; Israel e palestinos na Cisjordânia; as facções em constante briga na Índia, no Sri Lanka, na China, no Iraque e na antiga Checoslováquia, nos Balcãs, na Chechênia. Vários países europeus estão com maior diversidade agora que muçulmanos dominaram bairros inteiros, adotando até a sharia. A Europa melhorou com esse fluxo dos países islâmicos? E claro: o Brasil costuma ser citado como o melhor exemplo de “melting pot”, uma completa mistureba, onde não poderia haver mais diversidade. E quem vai festejar o resultado? Será que “diversidade”, por si só, é algo positivo e que deve ser almejado como meta?
9. A América já absorveu mais de um quarto da população total mexicana, de acordo com o Pew Research Center. Os Estados Unidos possuem mais hispânicos do que qualquer outro país do mundo, exceto o próprio México. A população hispânica representa 47% do total em New Mexico, 39% do total na Califórnia, 38% no Texas, 30% no Arizona e 27% em Nevada. Trata-se de uma mudança impressionante e bem rápida: em 1980, quando a Califórnia ainda oferecia presidentes republicanos ao país, ela abrigava 4,5 milhões de hispânicos, contra 14 milhões hoje – oficialmente. Los Angeles sozinha gasta mais de $1,6 bilhão por ano com imigrantes ilegais. Será que o país terá que admitir todos os 120 milhões de mexicanos como imigrantes até que a esquerda pare de falar em “xenofobia”?
10. Antes da mudança com as leis de imigração ocorrida na década de 1960, sete países forneciam 5% ou mais do total de imigrantes, cada um: Itália, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Polônia, União Soviética e México. Em 2000, o México era o único país fornecendo mais de 5% do total de imigrantes, correspondendo a quase um terço do total! Isso é o que a esquerda entende por diversidade?
11. Em 1970, havia menos de 10 milhões de estrangeiros nos Estados Unidos, e 75% era da Europa; em 2010, havia 40 milhões, e apenas 13% da Europa.
12. Em poucos anos Minnesota deixou de ser 99% de alemães, holandeses, finlandeses, dinamarqueses e poloneses para ter 20% de africanos, incluindo ao menos cem mil “refugiados” da Somália. Os índices de criminalidade subiram no local, com relatos de tráfico humano, roubos, estupros, ataques com machados e prostituição infantil. O “multiculturalismo” pode não ser tão belo na prática. Mas o politicamente correto ainda fala mais alto: a Universidade Católica de St. Thomas instalou quartos para rezas islâmicas para demonstrar, de acordo com seu reitor, que a escola é “diversa”. A prefeita de Minneapolis, Betsy Hodges, apareceu vestindo um hijab completo em encontros com somalis. Quem precisa se adaptar, pelo visto, são os que recebem os imigrantes, não o contrário.
13. Inúmeros relatos de crimes envolvendo imigrantes são abafados pela imprensa. Ann Coulter mostra vários deles, e prova como os jornalistas fizeram de tudo para omitir a origem do criminoso quando imigrante. Em casos chocantes, não faltaram americanos de esquerda para “justificar” tais atos tenebrosos com base nas “diferenças culturais”, mesmo com as ocorrências em solo americano. Um professor de antropologia da State University of New York, por exemplo, testemunhou em defesa de pais muçulmanos que mataram a própria filha, por ela namorar um negro, alegando que “todos que cresceram no Oriente Médio sabem que morrer é uma consequência possível por desonrar a família”. Mas eles não estão no Oriente Médio!
14. As estatísticas sobre crimes cometidos por imigrantes são obscuras, o governo esconde muita coisa. Mas, em 2011, o Government Accountability Office reportou que a América tinha encarcerados ao menos 351 mil imigrantes criminosos. E essa estimativa ultraconservadora exclui todos aqueles em prisões locais estaduais, prisioneiros cujos certificados de nascimento não puderam ser determinados, imigrantes que foram naturalizados e crianças nascidas de imigrantes ilegais em solo americano. Os dados existentes sugerem que a taxa de criminalidade entre imigrantes é astronômica. O Department of Homeland Security lançou um relatório indicando que há ao menos o dobro de estrangeiros criminosos em relação à estimativa do GAO. Se essa estimativa do DHS estiver certa, então quase um terço dos 2 milhões de presos em cadeias americanas é de estrangeiros.
15. Em 1925, quando a população era de 100 milhões, havia cerca de cem mil pessoas na prisão; em 1970, quando a população americana dobrou para 200 milhões, a população carcerária também dobrou, para algo como 200 mil; aí, de repente, justo quando as leis de imigração mudaram, a população carcerária explodiu. Se a taxa se mantivesse constante, haveria umas 310 mil pessoas presas hoje, não mais de 2 milhões. Claro que a imigração sozinha não explica isso. Há a guerra contra as drogas, o “welfare state”, a degradação de valores morais. Mas como negar alguma influência da imigração descontrolada?
16. Outros indícios de elevada participação de imigrantes, especialmente hispânicos, na criminalidade podem ser obtidos com a lista de “mais procurados” de 2015 da LAPD (polícia de Los Angeles): Jesse Enrique Monarrez (assassinato); Cesar Augusto Nistal (abuso infantil); Jose Padilla (assassinato); Demecio Carlos Perez (assassinato); Ramon Reyes (roubo e assassinato); Victor Vargas (assassinato); Rubem Villa (assassinato); Antonio Villaraigosa (fraudes gerais). Algum denominador comum? Por que não há um Smith nessa lista? Metade dos nomes nas listas dos xerifes é de hispânicos. Em 2010, 1.258 de cada 100 mil hispânicos homens estavam na prisão, comparado a 459 de cada 100 mil homens brancos.
17. Se os hispânicos estão super-representados nas prisões americanas em termos de sua população, nas Forças Armadas eles estão sub-representados. A quantidade de recrutas por população é de 1,06 para brancos, 1,08 para negros, e apenas 0,65 para hispânicos. O patriotismo, um valor tão caro aos americanos, não parece despertar a mesma empolgação nos latinos.
18. A gravidez precoce é um convite a problemas sociais e criminais, como toda pesquisa aponta. Nos Estados Unidos, as hispânicas apresentam sete vezes mais chances de ter um filho entre as idades de 10 e 14 (1,4 por mil) do que as brancas (0,2 por mil), de acordo com o Centers for Disease Control. Há um fator cultural também. Gloria Trevi, a popstar conhecida como “Madonna mexicana”, afirmou que uma menor é uma menor nos Estados Unidos, mas no México é diferente, e o sexo com uma menor é aceito lá. De fato, em 32 estados mexicanos, a idade de consentimento para sexo é apenas 12 anos. Os americanos não devem se preocupar em importar tais “valores” para seu país?
19. O Pew Research Center estima que em 35 anos a população americana será de 438 milhões, sendo 100 milhões de imigrantes. Uma transformação tão abrupta não deveria suscitar um debate mais aberto e sincero, sem tantos rótulos de “xenofobia” e “preconceito” a quem tenta questionar certas coisas?
20. Um dos maiores jornais americanos, o NYT, é também um dos mais ativos na campanha pela imigração descontrolada. Mas nem sempre foi assim. Há editoriais de apenas poucos anos atrás pedindo cautela, alertando.O que mudou? Simples: em 2008, quando a crise quase levou o jornal à falência, Carlos Slim apareceu para salvá-lo, comprando seu controle. Slim é ninguém menos do que o sujeito mais rico do mundo e… mexicano! Sua fortuna vem do “capitalismo de laços” em seu país, dos esquemas monopolistas, dos conluios com o governo na privatização sem concorrência. Algo como 40% das empresas listadas na bolsa mexicana pertence ao magnata. E eis o que ajuda muito a aumentar sua fortuna: a quantidade enorme de imigrantes mexicanos nos Estados Unidos, mandando dinheiro de volta para os familiares, gerando consumo, fazendo ligações com taxas absurdas da Telmex. Por que ninguém questiona o claro conflito de interesses do NYT nessa questão tão fundamental para o futuro da América?
Como o leitor pode ver, há muito o que não é dito nos “debates” sobre imigração, pois a mídia faz de tudo para ocultar tais dados e rotular os críticos do modelo atual. Os ricaços de esquerda ganham babás e jardineiros com salários baixos, Carlos Slim ganha mais alguns bilhões, a elite culpada ganha a sensação de superioridade moral por defender a “diversidade” e os “oprimidos”, os democratas ganham votos, e quem paga a conta é o americano trabalhador de classe média.
35 PERGUNTAS QUE GOSTARIA DE FAZER A TODOS OS INTEGRANTES DA GLOBONEWS - 17/02/2017
(Publicado originalmente por www.ilisp.org)
Senhores(as) editores, jornalistas, apresentadores, comentaristas e diretores da GloboNews,
Consciente de que o canal representa uma empresa privada, reconheço que lhes é de direito ter qualquer posicionamento que achem conveniente. No entanto, vejo que estão em descompasso com o que os senhores(as) mesmos anunciam como “princípio” desta empresa, a isenção.
Dei-me ao trabalho de ler os “Princípios Editoriais do Grupo Globo”, o qual apresenta os quesitos necessários da informação de qualidade, descrevendo o que seria um jornalismo imparcial.
A GloboNews reconhece que é impossível ser completamente imparcial, porém, insiste que persegue esse ideal.
Diante dessa declaração, faço algumas perguntas:
1 – Por que a GloboNews, que sempre destaca o “avanço da extrema-direita”, se nega a pronunciar o termo “extrema-esquerda” ao se referir a grupos terroristas como MST e MTST, bem como a partidos como PSOL, PCdoB e parte do PT?
2 – Por que a GloboNews, que sempre nos alerta para os perigos do “totalitarismo da extrema-direita”, se nega a pronunciar o termo “ditadura socialista” ao se referir ao regime que impera em Cuba?
3 – Por que a GloboNews se mostrou completamente indiferente ao decreto de Barack Obama que acabou com a política de acolhimento de dissidentes cubanos, mas duas semanas depois passou a dedicar grande parte da programação a repudiar o decreto de Donald Trump que proíbe a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de sete países?
4 – Por que a GloboNews, na retrospectiva que fez do governo Obama, não lembrou do gigantesco sistema de espionagem denunciado por Edward Snowden, nem que o democrata foi o presidente americano que mais deportou imigrantes ilegais na história?
5 – Por que a GloboNews se nega a lembrar aos seus telespectadores que a ditadura socialista em vigor na Venezuela conta com o apoio de PT, PSOL e PCdoB?
6 – Por que os apresentadores, jornalistas e comentaristas nunca se deram ao trabalho de questionar o apoio do PCdoB à ditadura norte-coreana?
7 – Por que a GloboNews oferece grande espaço a pessoas que defendem a ditadura cubana que ocorre até os dias atuais?
8 – Por que a GloboNews nunca produziu uma única reportagem sobre as reais intenções e os verdadeiros financiadores dos grupos comunistas-terroristas que existiram durante a ditadura militar brasileira?
9 – Por que a GloboNews frequentemente coloca no ar programas sobre perseguições, torturas e assassinatos promovidos pela ditadura militar brasileira, mas nunca levou ao ar qualquer matéria sobre as perseguições, torturas e assassinatos promovidos pela ditadura socialista cubana?
10 – Por que todos os funcionários da GloboNews são incapazes de chamar Fidel Castro de ditador?
11 – Por que a GloboNews, no último aniversário de Fidel Castro e também na semana de seu falecimento, optou por veicular uma série de reportagens cobrindo-o de elogios e omitindo os absurdos que ele impôs ao povo cubano?
12 – Por que os repórteres da GloboNews que estiveram em Havana para cobrir o funeral do ditador preferiram reproduzir a propaganda oficial de que “o povo estava sofrendo a morte do grande líder”, quando isso não era realidade?
13 – Por que o “jornalismo investigativo” da GloboNews nunca se interessou em fazer reportagens sobre a falácia dos “avanços sociais” em Cuba ou sobre as expropriações e confiscos em massa que os socialistas impuseram aos cubanos?
14 – Por que a GloboNews nunca se deu ao trabalho de informar aos seus milhões de assinantes que o embargo americano nunca impediu que Cuba se relacionasse comercialmente com todos os outros países do planeta?
15 – Por que os tantos apresentadores, jornalistas e comentaristas do canal nunca acharam pertinente informar ao grande público que uma das principais promessas dos revolucionários cubanos era romper relações comerciais com os Estados Unidos?
16 – Por que a GloboNews dedica tanto espaço às manifestações dos insatisfeitos com o resultado das eleições nos Estados Unidos, mas não faz pelo menos uma reportagem sobre a população cubana que odeia a ditadura socialista que lhes escraviza há meio século?
17 – Por que a GloboNews é sempre muito solidária ao drama dos refugiados árabes que chegam em balsas à Europa, mas nunca teve o mesmo apreço pelos cubanos que chegavam em balsas aos Estados Unidos?
18 – Por que a GloboNews se nega a dizer que as FARCs formam um grupo socialista que tentou, por mais de 50 anos e por meio do terrorismo, implantar uma ditadura marxista na Colômbia?
19 – Por que a GloboNews coloca no ar, toda semana, uma reportagem criticando o capitalismo americano, mas nunca se interessou em informar que os Estados Unidos têm o maior nível de filantropia do mundo e os cidadãos considerados “pobres” do país têm rendas e desfrutam de uma infraestrutura urbana muito superior à classe média brasileira?
20 – Por que a GloboNews, que frequentemente critica o capitalismo, não coloca no ar programas que mostrem como este “sistema” tirou a humanidade da quase completa miséria para uma condição em que um pobre de nossos dias vive incomensuravelmente melhor do que um burguês do século XVIII?
21 – Por que os correspondentes da GloboNews em Nova York, que tanto criticam o porte de armas nos Estados Unidos, nunca se interessaram em informar aos telespectadores que a taxa de assassinatos naquele país é 6 vezes menor do que a registrada no Brasil, país com 120 milhões de habitantes a menos e 20 vezes menos armas nas mãos de civis?
22 – Por que no programa Estúdio I os “debates” acontecem apenas entre pessoas de posicionamento de esquerda?
23 – Por que, ao tratar de assuntos como porte de armas e imigração, a GloboNews consulta apenas “especialistas” alinhados à esquerda?
24 – Por que a GloboNews sempre relembra o nazismo alemão e nos alerta para as “ameaças do neonazismo” no Brasil e no mundo, mas nunca foi capaz de colocar no ar qualquer reportagem sobre os mais de 100 milhões de mortes promovidas pelos regimes comunistas/socialistas?
25 – Por que a GloboNews insiste em chamar de “movimentos sociais” os terroristas que bloqueiam estradas incendiando pneus?
26 – Por que a GloboNews insiste em chamar de “manifestantes” os vândalos e terroristas mascarados que depredam cidades?
27 – Por que a GloboNews chamou as invasões às escolas públicas de “ocupações”?
28 – Por que a equipe de jornalismo do canal que diz ter um “compromisso com a verdade” nunca se aprofundou para mostrar os partidos socialistas por trás dessas invasões?
29 – Por que a GloboNews destrata o cristianismo enquanto enaltece o islamismo?
30 – Por que a GloboNews, em consideração aos seus telespectadores católicos e protestantes, não faz reportagens sobre as perseguições que as comunidades cristãs no Oriente Médio sofrem todos os dias, vítimas de indescritíveis atrocidades promovidas por grupos muçulmanos?
31 – Por que a GloboNews, sempre tão preocupada com os direitos das mulheres e das crianças, não faz reportagens sobre as constantes violências que elas sofrem nos países islâmicos, de humilhações públicas à pedofilia consentida por famílias, líderes religiosos e governos?
32 – Por que a GloboNews, depois de cada atentado terrorista, se esforça tanto em mostrar que o islamismo, que não respeita nossa cultura, deve ser respeitado?
33 – Por que a GloboNews, depois de cada atentado terrorista, providencia um “especialista” para dizer que não podemos permitir que se alastre um sentimento “islamofóbico”?
34 – Por que a GloboNews, sempre tão solidária com a causa LGBT, não veicula matérias sobre a homofobia institucionalizada nos países islâmicos?
35 – Por que o canal que se diz democrático e aberto ao debate se recusa a dar voz aos grupos liberais que estão surgindo no Brasil?
Estas perguntas respondem a si mesmas; evidenciam que a GloboNews, em vez de perseguir o ideal de imparcialidade, opta pelo contrário.
O canal não se guia pela ética ao noticiar os absurdos que foram promovidos pelo PT e seus comparsas, investigados pela Lava Jato, os noticia apenas porque rende audiência, que rende anúncios, que rende dinheiro. A GloboNews dá a notícia, mas toma os devidos cuidados para não relacionar a roubalheira e a recessão provocadas pelo PT ao que acontece em todos os países que se deixam levar pela maré vermelha.
Não estou revelando nenhum segredo. Exponho o viés socialista do canal para sugerir a substituição de todos os itens do capítulo “A isenção” presentes nos princípios editoriais por apenas uma frase:
“A GloboNews, seguindo o princípio da Rede Globo, apresenta-se como um canal do movimento socialista brasileiro e não mede esforços em dar voz aos artistas, grupos, lideranças, partidos e governos de esquerda, lutando, assim, contra os pensamentos conservadores e liberais.”
A GloboNews não perderia ainda mais telespectadores, apenas deixaria claro para todos, de uma vez, quais são os princípios que norteiam o canal. Ou é melhor que suas convicções ideológicas continuem “escondidas”?
NA CASA DE NOCA - 15/02/2017
(Publicado originalmente no Estadão)
“Eu quero dizer que é constitucional a figura da anistia, qualquer que ela seja”, disse o mais novo Ruy Barbosa da praça. Trocando em miúdos essa frase cretina, pode-se chegar à conclusão de que, se todos os autores de crimes hediondos forem anistiados por uma benemerência de seus coleguinhas parlamentares, a decisão será fiel à Constituição da República?
Não o leve a mal, caro leitor. O entrevistado de sábado no Estadão quer apenas anistiar os partidos políticos que cometerem crimes fiscais em campanhas eleitorais. “Delação só deve ser admitida com delator solto”. Será que o distinto cavalheiro, que, por enquanto, está solto, se candidata à delação? Qual o quê! Quer apenas desmoralizar delações de criminosos confessos presos para livrar-se das acusações que pesam sobre seus ombros. A que a Operação Lava Jato poderá levar o Brasil, se não for contida sua natureza de “inquérito universal”? A resposta do distinto foi magnânima: “Não acho que deva ser extinta, mas conduzir ao ponto que (sic) estamos chegando da criminalização da vida pública, é o que nos envia para a tirania”. Ou seja, como já disse o padim Lula, político corrupto que ganha eleição deveria gozar de impunidade. E Papai Sarney fez tanto pelo Brasil que não deveria participar dessa tolice de igualdade de todos perante a lei. Com direito a estender a prerrogativa a seus apaniguados?
O autor dessas frases lapidares (são verdadeiras pedradas!) não tem autoridade nenhuma para proferi-las. Mas tem poder. Ah, isso, tem, sim! Pode crer, preclaro leitor. O cidadão chama-se Edison Lobão, tem 81 anos e é maranhense de Mirador. Adquiriu o conhecimento jurídico com que nos tenta impingir as pérolas reproduzidas no Estadão de sábado em entrevista que deu a Julia Lindner e Caio Junqueira, quando era jornalista (medíocre) de província ou carregando pasta de José Sarney, mercê de quem foi governador do Maranhão de de 1991 a 1994, é senador e fez o filho suplente e também titular, enquanto era ministro de Minas e Energia (de 21 de janeiro de 2008 a 31 de março de 2010), no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, depois, durante o primeiro mandato da presidente Dilma Roussef. No Senado, atuou no chamado “baixo clero” e, no Ministério, desempenhou o papel atribuído pela sabedoria popular a quadro de Cristo em prostíbulo: “a tudo assiste e nada fala”. Pois, sob sua carantonha de facínora de faroeste passou despercebido o maior escândalo de corrupção da História da humanidade: o propinoduto da Petrobrás. Por conta dessa distração, coitado, é investigado pela Polícia Federal (PF) e pela força-tarefa da Operação Lava Jato. É que é acusado de prática de corrupção passiva por delatores premiados, alguns dos quais, por sinal, estão soltos. Embora cumpram pena no conforto do lar, sem carregar as bolotas de ferro dos Irmãos Metralha de Walt Disney, mas tornozeleiras bem menos incômodas. Justiça seja feita a Lobão: ele não podia perceber a roubalheira da Petrobrás mesmo, pois, afinal, ocupava-se em não deixar pedra sobre pedra do setor mineral e energético nacional. Nisso, aliás, funcionou com perícia e astúcia.
O poder fica por conta do grupo do PMDB que, sob a liderança de Renan Calheiros, dá as ordens no Senado da República. A ponto de fazê-lo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com prerrogativa de pautar projetos que só serão votados em plenário após passarem por seu crivo. Seu saber jurídico, adquirido na condição de suspeito e acusado, determinará o destino de projetos dos sonhos dele e de mais uma dezena de coleguinhas que frequentam a referida comissão. Tais como a anistia para caixa 2 de partidos e políticos que desconhecem as leis fiscais que as instituições a que pertencem aprovaram por maioria, e o destino dos investigadores que, por ironia do destino, pisam nos seus calos.
A fotografia de André Dusek que ilustra a entrevista do indigitado Grão-Senhor do Norte poderia ser reproduzida e emoldurada na parede da CCJ e também servir de símbolo para a Casa de Noca na qual todos moramos neste país, cuja bandeira clama por “ordem e progresso”, mas onde os políticos preferem anistia só pra eles e instituições policiais e judiciárias amordaçadas e algemadas. Não se trata de uma exclusividade do Poder Legislativo, que tem a agravante de se dizer “representante da cidadania”. No Executivo, chefiado por jurista celebrado, o constitucionalista Michel Miguel Elias Lulia Temer, professor da PUC~SP, exerce-se a mesma caradura com idêntica sem-cerimônia.
Durante nove dias, 147 pessoas (os dados não são oficiais, ou seja, o Estado não os conhece, mas do Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo) morreram na Grande Vitória, desde que as esposas dos policiais militares, reivindicando aumento dos salários dos provedores de seus lares, passaram a ocupar calçadas à frente dos quartéis da PM para evitar que seus consortes saíssem para trabalhar. Desde então, a população capixaba teve interrompidas atividades comezinhas, como frequentar escolas, andar em transporte público e fazer compras. Nesse ínterim, Sua Excelência o constitucionalista-mor se preocupa em censurar veículos de comunicação que noticiam chantagem de hackers que invadiram a intimidade do WhatsApp da primeira-dama, Marcela Temer. E, principalmente, em liberar da enfadonha rotina do serviço o titular do Ministério da Justiça, o também constitucionalista Alexandre de Moraes, para simular sabatina na CCJ do compadre Lobão em madrugadas regadas à “champanhota” de Ibrahim Sued em luxuosas chalanas a deslizarem na superfície do Lago Paranoá.
O excelentíssimo causídico, com seu glabro crâneo à Mussolini, portanto, licenciou-se do cargo e não teve de viajar para cuidar da vida em risco de quem mora em Vitória ou das famílias de cariocas que tentaram assistir ao clássico entre Flamengo e Botafogo no Estádio Nilton Santos, no subúrbio do Rio, domingo à noitinha. Oito torcedores foram baleados (um morreu, outro está em estado gravíssimo) à porta do Engenhão, porque a polícia só foi para as redondezas da praça de esportes depois que o sol sumiu no horizonte e as praias não exigiam mais sua presença.
No lugar do ilustrado Cuca Lustrada, foi a Vitória, em nome do governo, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, que falou grosso, mas nada resolveu. O professor de Direito Modesto Carvalhosa até hoje não entendeu por que tantos constitucionalistas não percebem que, em vez de patrulhar ruas ou transportar meganhas de helicóptero para seus quartéis, o Exército, por ordem do comandante-chefe, poderia ocupar os quartéis, prender os amotinados e assumir o comando da situação. Acrescento que os praças poderiam aproveitar a viagem e retirar, se necessário for no colo, da frente dos portões as senhoras desocupadas que protagonizam um espetáculo grotesco e injustificável, que de tão mambembe nem sequer pode ser comparado ao circo, nobre atividade artística em que brilham bons e honestos palhaços profissionais e temerários e ágeis trapezistas.
Aliás, por falar em espetáculo, o que fazia o casal em prisão domiciliar portando tornozeleiras João Patinhas Santana e Mônica Moura na noite de sábado no show dos Novos Baianos na Concha Acústica do Tca, em Salvador? Será que a PF soteropolitana, responsável por seu isolamento da sociedade, estava cuidando de exigir do presidente a substituição do chefe, num dos maiores acintes corporativistas desde que o primeiro ministério, o da Justiça sem Cidadania nem Segurança Pública, foi criado?
Santo Deus! No fim deste conto de terror, o Lobão Mau vai matar o caçador antes que ele retire a vovozinha de sua pança empazinada?
*Jornalista, poeta e escritor
Foto: André Dusek/Estadão
STF E AS DROGAS - 13/02/2017
(Publicado originalmente no Estadão)
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, defendeu recentemente a legalização da maconha como forma de aliviar a crise do sistema penitenciário brasileiro. Segundo ele, a medida desmontaria o tráfico de drogas e, com isso, o número de condenados diminuiria. O ministro afirmou que, se a experiência desse certo com a maconha, seria o caso de legalizar também a cocaína.
Inacreditável a superficialidade da afirmação! Legalize-se o crime e está tudo resolvido.
Barroso, infelizmente, não se dá conta do peso da toga e do alcance das suas opiniões. Transmite o descompromisso de um comentário de mesa de bar. Conseguiu a manchete. Mas em nada contribuiu para uma discussão séria e construtiva.
Não existe região brasileira hoje que não esteja duramente marcada pela tragédia das drogas.
É uma rede complexa, que envolve desde uma dona de casa, um motorista de taxi, um usuário de drogas, resultando em um mercado cada vez mais intricado, com vários tipos de trocas, e envolvendo outras atividades legais como transporte, estocagem, aviação e até mesmo bancos.
A partir de 2006, com a Lei 11.343, nenhum usuário foi preso simplesmente pelo fato de consumir drogas. Essa mudança legal na época foi considerada boa até mesmo pelos setores da sociedade que defende a legalização das drogas.
Ela poderia ter sido um avanço se, com a despenalização do usuário, fosse acrescentado como alternativa o necessário encaminhamento para o tratamento e orientação, como uma das medidas para não só ajudar o usuário, mas também enfraquecer a rede do narcotráfico. Nada disso foi feito e o que aconteceu nesses últimos dez anos foi um contínuo aumento e a diversificação do tráfico e do consumo.
Os países que conseguiram combinar uma ação legal firme com uma estrutura de tratamento efetivo poderiam ser considerados paradigmas para o Brasil.
A Suécia, por exemplo, mudou sua atitude depois de reconhecer o impacto negativo das medidas mais “liberais”. Lá – onde o consumo de drogas voltou a ser ilegal após cerca de 30 anos de liberação - os dependentes surpreendidos por qualquer agente da lei, da segurança ou do serviço social devem ser encaminhados para tratamento.
Esse tipo de política, que é consensual na Suécia, leva os diferentes partidos a desejar que a próxima geração de suecos não faça uso de nenhuma droga.
Essas histórias de sucesso não são levadas em consideração pelos paladinos da legalização das drogas no Brasil.
Esse lobby está com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que pede a descriminalização do porte de drogas. O argumento falacioso é que o uso de drogas é um comportamento que afeta somente o indivíduo e que, portanto, seria inconstitucional uma lei cerceando esse direito.
Equívocos têm consequências e apresentam uma dura fatura humana. Não podemos deixar que minorias ativas e politicamente corretas tomem conta do nosso destino.
CONVULSÃO - 11/02/2017
(Publicado originalmente no Estadão)
É hora de alguém soprar um velho conselho ao ouvido do presidente Michel Temer: “Devagar com o andor que o santo é de barro”. Quando tudo parecia melhorar, com as presidências da Câmara e do Senado na mão, inflação e juros caindo, arrecadação subindo, o PMDB e Temer se animaram, superestimaram a própria força e passaram a agir como se não devessem satisfações a ninguém, nem à opinião pública. Errado.
Desprezando os outros 27 candidatos, Temer lançou o ministro tucano Alexandre de Moraes para julgar a Lava Jato no Supremo. Até aí, tudo bem, porque Fernando Henrique e Lula, por exemplo, indicaram ministros que tinham cargos em seus governos. Afora um muxoxo estudantil ou outro, Moraes vem sobrevivendo aos corredores poloneses: os futuros colegas, associações do mundo jurídico e os principais partidos assimilaram bem a escolha.
Temer, porém, errou duplamente com Moreira Franco: ao não nomeá-lo ministro no início do governo e ao nomeá-lo ministro três dias depois da homologação das delações da Odebrecht, em que é citado mais de 30 vezes. A dedução lógica é que foi para livrar Moreira do juiz Sérgio Moro e acomodá-lo no foro privilegiado, e mais confortável, do STF. Um juiz do DF suspendeu a nomeação, a Advocacia-Geral da União (AGU) suspendeu a suspensão, uma juíza suspendeu a suspensão da suspensão.
Resultado: Temer comprou uma briga com a Justiça, atraiu um desgaste político desnecessário e corre o risco de engolir uma doída derrota hoje, caso Celso de Mello vete a ascensão de Moreira a ministro, tanto quanto Gilmar Mendes impediu a posse de Lula na Casa Civil de Dilma para – como se imaginava – ganhar foro privilegiado. Ok, a AGU alega que, como Moreira já estava no governo, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Cola?
Para piorar, o PMDB indicou por aclamação o senador Edison Lobão para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que vai, entre tantas outras coisas, sabatinar Moraes para o STF. Lobão foi ministro de Minas e Energia de Lula e Dilma, exatamente quando a Petrobrás esfarelava, e é alvo de quatro inquéritos no STF, dois deles relacionados à Lava Jato.
É um escárnio o partido do presidente da República colocar alguém assim na CCJ, num momento explosivo. E mais: a vitória de Lobão confirma que Renan Calheiros continua mandando no Senado a partir da liderança do PMDB. O desgaste é do Congresso, mas respinga no Planalto. E, diferentemente de Renan, Temer tem muito a perder com lances audaciosos.
Para piorar, a PF apontou indício de corrupção do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM do Rio, personagem central para a aprovação de medidas essenciais na retomada do crescimento econômico, a começar da reforma da Previdência e da flexibilização trabalhista – que, aliás, ganhou impulso ontem na própria Câmara. Com a CCJ do Senado nas mãos de Lobão e a Câmara presidida por um alvo da PF, o que se esvai é a credibilidade dos agentes das reformas.
Por falar em Rio, que coisa, hein? Massacres em Manaus, Boa Vista e Natal, o colapso da segurança pública no Espírito Santo, a ruína do Rio, a prisão de dois ex-governadores do estado (Garotinho saiu, Cabral continua preso)... Não bastasse, a justiça eleitoral mandou cassar Luiz Fernando Pezão (do PMDB!) e seu vice, Francisco Dornelles, enquanto a PM e manifestantes transformam a Cidade Maravilhosa em campo de batalha.
A sensação geral é de desmando, de fim de uma era, e Temer deveria ser menos autoconfiante e concentrar energias na recuperação da economia e na escolha de um ministro da Justiça acima de qualquer suspeita, que não irrite ainda mais a opinião pública. Cuidado com o andor e com o santo. O momento não é de audácia, é de prudência.
ENQUANTO MENINAS YAZIDI SÃO VENDIDAS COMO ESCRAVAS SEXUAIS, FEMINISTAS MARCHAM CONTRA TRUMP - 09/02/2017
(Publicado originalmente em midiasemmascara.org)
Em 21 de janeiro, alguns grupos de direitos das mulheres organizaram "Marchas das Mulheres" em diversas cidades dos Estados Unidos e ao redor do mundo. Os comícios em grande medida direcionados ao recém-empossado presidente norte-americano Donald Trump.
Havia inúmeras oradoras e participantes. A atriz Ashley Judd, que também tomava parte, leu um poema em Washington D.C. que questionava porque os "absorventes femininos são tributados enquanto o Viagra e o Rogaine não".
Enquanto a Sra. Judd falava sobre a sua devastadora tragédia, milhares de crianças e mulheres yazidis estavam sendo forçadas a se tornarem escravas sexuais no Iraque e na Síria nas mãos do Estado Islâmico (ISIS) e estarem disponíveis para a compra em mercados de escravas sexuais.
O ISIS atacou a terra natal dos yazidis, Shingal no Iraque em 3 de agosto de 2014, mais de 9.000 yazidis foram assassinados, sequestrados ou sexualmente escravizados. Os yazidis são uma minoria religiosa historicamente perseguida no Oriente Médio.
O Estado Islâmico institucionalizou a cultura do estupro e da escravidão sexual. O ISIS está literalmente travando uma guerra contra as mulheres. O grupo terrorista chegou a publicar uma "tabela de preços" de meninas yazidis e cristãs - com idades que variam de um a nove anos de idade.
Raymond Ibrahim especialista em Oriente Médio assinalou o seguinte acerca de uma menina yazidi escravizada aos 15 anos de idade e sofrendo meses no cativeiro antes de conseguir fugir:
"Lembro de um homem, que parecia ter pelo menos 40 anos de idade, ter aparecido e levado uma menina de dez anos. Quando ela se recusou a ir ele a espancou brutalmente usando pedras e teria atirado nela se ela não tivesse aceito acompanhá-lo. Tudo isso, obviamente, contra a sua vontade. Eles normalmente vinham e compravam as meninas que não tinham preço estabelecido, melhor dizendo, eles costumavam dizer às meninas yazidi: vocês são sabiya (espólios de guerra, escravas sexuais), vocês são kuffar (incrédulas), vocês estão aí para serem vendidas a qualquer preço", querendo dizer que não havia nenhum valor de referência. Algumas meninas yazidis eram "vendidas" por míseros maços de cigarro.
"Todo dia eu morria 100 vezes. Não apenas uma vez. A cada hora eu morria, a cada hora. Pelos espancamentos, pela miséria, pela tortura", disse ela.
Mirza Ismail, fundador presidente da Organização Internacional de Direitos Humanos Yazidi, salientou em seu discurso no Congresso dos Estados Unidos:
"Segundo relatos de inúmeras mulheres e meninas que conseguiram fugir e com as quais conversei no Norte do Iraque, as yazidis sequestradas, em sua maioria mulheres e crianças, somam mais de 7.000.
"Algumas dessas mulheres e crianças foram obrigadas a assistirem, bem diante de seus olhos, enquanto crianças de 7, 8 e 9 anos de idade derramavam sangue até a morte depois de serem estupradas inúmeras vezes por dia pelas milícias do ISIS. As milícias do ISIS queimaram muitas meninas yazidis, vivas, por elas se recusarem a se converter e casar com homens do ISIS. Por que? Porque não somos muçulmanas e porque o nosso caminho é o caminho da paz. Por isso estamos sendo queimadas vivas: por vivermos como homens e mulheres de paz".
Em dezembro de 2015 informes divulgaram que o ISIS vendia mulheres e crianças yazidis na cidade de Gaziantep (ou Antep), no sudeste da Turquia. Gaziantep ficou conhecida pela proliferação generalizada das atividades do Estado Islâmico na cidade.
No entanto, esta e muitas outras ameaças não impediram defensores dos direitos das mulheres em Gaziantep de protestarem devido a inércia do governo turco em face das atividades do Estado Islâmico.
A ativista do grupo "Plataforma das Mulheres Democráticas de Gaziantep", Fatma Keskintimur, leu um comunicado à imprensa que dizia em parte o seguinte:
"O fato de gangues de jihadistas que lutam na Síria terem recebido o maior apoio da Turquia e a existência de esconderijos de células usadas por eles... não é segredo para ninguém. Dado a natureza do perigo que esta situação apresenta para os habitantes de Antep o mal-estar está se intensificando a cada dia que passa".
Mesmo nessas condições os defensores dos direitos das mulheres na Turquia - em particular os curdos - continuam lutando e protestando contra o governo.
No ano passado, por exemplo, a "Assembleia das Mulheres Yazidis" comemorou o dia 3 de agosto como o "dia de ação internacional contra massacres das mulheres e do genocídio". Os membros do partido pró-curdo Partido da Democracia Popular (HDP) organizou protestos em várias cidades por toda a Turquia para condenar o genocídio Yazidi e mostrar solidariedade para com as vítimas.
Safak Ozanli, ex-ministra do parlamento do HDP, assinalou que o ISIS ainda mantinha 3.000 mulheres yazidis como escravas sexuais: "o ISIS vê as mulheres em Shingal e Kobane como espólio de guerra. As mulheres que continuam vivas são vendidas para xeques árabes. Nós - como mulheres - permaneceremos unidas contra o ISIS e contra todos os ditadores".
Membros da minoria religiosa alevita também apoiaram o protesto em Mersin. Zeynep Kaya Cavus, uma líder ativista alevita, assinalou que as mulheres yazidis são "sequestradas e escravizadas como espólio de guerra e expostas a sistemáticas agressões sexuais e isto constitui um genocídio contra as mulheres".
Há também um número bem reduzido de americanas que está dando o melhor de si para ajudar os yazidis, como por exemplo Amy L. Beam, uma ativista de direitos humanos que vive juntamente com os yazidis e os defende em tempo integral desde 2014. Seu livro O Último Genocídio Yazidi deve ser publicado em breve. Ela é a diretora executiva da "Amy, Azadi and Jiyan" (AAJ -- "Friend, Freedom, and Life"), uma organização humanitária localizada no Curdistão iraquiano.
"Milhares de yazidis têm uma longa lista de familiares mortos ou desaparecidos em poder do ISIS no Iraque ou na Síria", ressaltou ela. "O estado de espírito deles é muito ruim por contarem com uma ajuda internacional muito tímida desde o primeiro aniversário do ataque."
"Meninas e mulheres yazidis juntamente com suas filhas... são submetidas a espancamentos e estupros por combatentes do ISIS. A cada combatente é dado uma menina como troféu de guerra. Mais de 1.000 dessas meninas e mulheres conseguiram fugir ou foram libertadas pelo ISIS".
Espera-se que as ativistas nos EUA façam com que suas vozes sejam ouvidas no tocante aos ataques genocidas contra mulheres e crianças yazidis. Mas elas nada fazem. "Grupos de direitos das mulheres nos EUA não têm dado apoio às mulheres do Iraque e da Síria que estão sendo oprimidas, sequestradas e estupradas" de verdade, ressaltou Beam ao Gatestone Institute.
Algumas das integrantes da marcha das mulheres em Washington afirmam que Trump irá tolher seus direitos - Acusação esta que muitas mulheres que sofrem debaixo de governos ou organizações islamistas achariam ridícula. Elas estão preocupadas em poder fazer um aborto e a preocupação é justificada. Mas não são os aiatolás que chegaram ao poder nos EUA. Além disso Trump parece determinado a combater o terrorismo islâmico radical, a maior ameaça à dignidade e liberdade das mulheres em todo o mundo. Isso por si só já mostra seu compromisso com a liberdade - especialmente a liberdade das mulheres.
A ideologia islâmica radical é uma ameaça universal. Onde quer que ela possa ser enfraquecida ou derrotada, também ajudará a libertar as vítimas em outras regiões do mundo.
Para os povos perseguidos do Oriente Médio, que são muitos, a presidência de Trump representa a esperança de uma mudança positiva.
Em 7 de Novembro, a Organização Internacional de Direitos Humanos Yazidi emitiu um comunicado público intitulado "Yazidis não veem a hora da presidência de Trump ajudá-los a acabar com o ISIS". Uma yazidi no Iraque, há pouco, deu o nome "Trump" ao seu bebê recém-nascido.
A marcha das mulheres, com todas as boas intenções por parte de muitas, violou o princípio fundamental dos direitos humanos: "O pior em primeiro lugar".
Lamentavelmente muitos dos organizadores e integrantes da marcha optaram por ficar em modo de espera ignorando as mulheres que estão sendo torturadas e exterminadas por terroristas islâmicos, optaram também por ignorar o que acontece em outras partes do mundo onde elas não podem frequentar uma escola nem sair de casa sem a permissão de um homem.
Se pelo menos essas mulheres se sentissem tão motivadas a protestar contra a escravidão, o estupro e a tortura de mulheres e crianças yazidis quanto estão em relação ao custo de absorventes femininos.
Agindo como fanáticas delirantes a serviço próprio, cujo ódio gratuito a um presidente eleito cega seus olhos aos verdadeiros problemas do mundo, não ajuda nada a ninguém. Já houve esse mesmo número de pessoas que odiaram outros presidentes.
Vamos por meio de nossas ações lembrar às mulheres do Oriente Médio que nós levamos seu sofrimento a sério.
Uzay Bulut, jornalista nascida e criada como muçulmana na Turquia, está atualmente radicada em Washington D.C.
Publicado no site do Gatestone Institute.
Tradução: Joseph Skilnik
A IDEOLOGIA DA DESTRUIÇÃO - 09/02/2017
As catástrofes políticas, sociais e econômicas que caracterizam todos os regimes comunistas estão delineadas nos escritos de Marx. Porém, o marxismo não é uma doutrina insepulta, mas uma forma de religião que provoca um pandemônio cognitivo, inviabiliza o senso crítico e devasta os padrões morais do sujeito que adere a ele. Para Marx, a força das ideias era puramente destrutiva e seus efeitos deveriam ser sentidos em todos os aspectos da vida: destruir a economia de trocas livres, devastar a noção de indivíduo, destroçar as formas de organização política e social, pulverizar os costumes e a religião. Tudo está ao alcance do devastador mainstream ideológico marxista, que o crente no materialismo dialético passa a professar depois de ter se convertido a esta confissão.
Os regimes marxistas ruíram na Europa depois de quase um século de opressão e miséria. Sua vertente catocomunista impregnou, no entanto, a Igreja da América Latina e penetrou na política partidária do continente, com a ajuda da Universidade e de intelectuais devotados à causa, como os frankfurteanos, os pós-modernistas e os descontrucionistas. E essa vertente culturalista foi bem sucedida. A percepção dominante no mundo ocidental tornou-se relativista e permissiva. Padrões estéticos foram redefinidos para dar abrigo à vulgaridade e à banalidade alegadamente de extração popular da arte pop e da indústria do entretenimento, cuja referência é a destruição de valores milenares. A alta cultura foi nivelada a um vale-tudo em nome da mitificação do espontaneísmo das massas.
A criminalidade, a depravação e a drogadição tornaram-se fetiches na música e nas artes cênicas. A família, que já havia sido alvo dos ataques de Marx, foi transformada em vilã num enredo que apregoa a sua substituição pela promiscuidade. A sexualidade foi transmutada em exercício de taras, em nome de uma liberação feminina e da luta contra a dominação do macho. Foi despida do pudor e do recato, passando a ser praticada como parte essencial da luta política contra a opressão que está, segundo a ideologia destrutiva, em todo lugar.
O resultado, no Ocidente pós-II Guerra, foi o surgimento de uma mentalidade emasculada em todos os setores da vida, delineada pela hipertrofia de comportamentos extravagantes e de super-direitos abstratos. Por outro lado, nada do que se alicerça nos valores judaico-cristãos pode dar, nesta perspectiva, origem ao belo ou ao justo. A naturalidade com que se reproduzem, na mídia e na escola, clichês infanto-juvenis sobre opressão, igualdade e diversidade infesta a concepção contemporânea de mundo com um cavalar complexo de culpabilização do ego e faz com que mesmo a forma mais inocente de se expressar seja alvo de autopoliciamento, Os neologismos formados com a palavra fobia injetam, na vida social, o sintagma de combate de estudantes profissionais e de seus modelos pré-moldados na psicose nihilista.
É preciso sempre opor-se a esse contra-Renascimento, a essa era de trevas na qual a maioria das pessoas é atraída, pela cultura degenerada difundida pela mídia, ao exercício da autopiedade e ao nihilismo. A resistência à hegemonia do obscurantismo materialista deve mobilizar todos os assuntos da vida, porque o marxismo é holista. A luta é pela reconquista da condição humana por quem ainda não se deixou contaminar pela ideologia da destruição.
*Professor de Filosofia.
FALÁCIA ESQUERDISTA DO TODO PELA PARTE - 27/01/2017
Uma das falácias mais comuns utilizadas pelos esquerdistas é a tomada do todo pela parte ou o contrário. Chamo a esta falácia de a estratégia da justificação defensiva, pelo seguinte motivo. Você diz que o PT é o partido mais corrupto da história moderna da humanidade - esta é uma verdade objetiva, é a parte que importa, no caso - e vem o esquerdista alegando que a corrupção é um mal estrutural do capitalismo, em maior ou menor escala, que sempre esteve presente na nossa história e nas pequenas atitudes dos brasileiros, como dar um jeitinho nas coisas, tentar subornar um policial, colar nas provas e por aí vai ( o todo que justifica).
É só ver o caso de Leandro Karnal, um charlatão que a mídia adora e que faz comentários, com cinismo falacioso, sobre notícias, no Jornal da Cultura. Para ele, a nação inteira é corrupta, assim não devemos nos indignar com o Petrolão, nem culpar o PT, por exemplo, porque somos, indiretamente, responsáveis pela corrupção - o todo que justifica-. A premissa de que todos somos desonestos se infere de uma outra, mais ampla, antiga e oculta no argumento comunista, a de que a sociedade, sob o domínio da burguesia, é corrupta de modo sistêmico.
Não faz muito que a filósofa oficial do comunopetismo, Marilena Chauí, desandou a defender este estrupício conceitual e a vociferar contra a classe média, que ela diz ser criminosa. Como se nos regimes comunistas o signo principal, descontados a opressão e a miséria, não fosse, justamente, a corrupção. Já aos verdadeiros bandidos, Chauí empresta solidariedade. Assim, como não podem negar que o PT roubou de forma inigualável, a estratégia é relativizar o crime. Mas a verdade é que a grande maioria das pessoas, no mundo capitalista e democrático, se comporta nos limites da moralidade e da legalidade e condena, desde os pequenos até os megadelitos.
Mais ainda: não há termo de comparação entre a alegada leniência com pequenos delitos, que Karnal, bem como a tigrada intelectual esquerdista, nos atribui, e a megacorrupção induzida politicamente pelo PT . Este sim é uma organização criminosa que se instalou no estado, que inaugurou o Mensalão e o Petrolão, como revelou a justiça.
Esquerdistas caras-de pau (isto é uma redundância) partem para explicar a parte (a corrupção petista) pelo todo (más condutas genéricas das pessoas) para justificar a roubalheira desbragada de um partido político revolucionário, uma organização criminosa, na ideologia e nos métodos, que tentou eternizar-se no poder minando toda a base moral das relações sociais, econômicas e políticas do país. As consequências do avanço petista sobre a sociedade brasileira se farão ainda sentir por décadas.
* Professor de Filosofia.
FALÁCIA ESQUERDISTA DO TODO PELA PARTE - 25/01/2017
Uma das falácias mais comuns utilizadas pelos esquerdistas é a tomada do todo pela parte ou o contrário. Chamo a esta falácia de a estratégia da justificação defensiva, pelo seguinte motivo. Você diz que o PT é o partido mais corrupto da história moderna da humanidade - esta é uma verdade objetiva, é a parte que importa, no caso - e vem o esquerdista alegando que a corrupção é um mal estrutural do capitalismo, em maior ou menor escala, que sempre esteve presente na nossa história e nas pequenas atitudes dos brasileiros, como dar um jeitinho nas coisas, tentar subornar um policial, colar nas provas e por aí vai ( o todo que justifica).
É só ver o caso de Leandro Karnal, um charlatão que a mídia adora e que faz comentários, com cinismo falacioso, sobre notícias, no Jornal da Cultura. Para ele, a nação inteira é corrupta, assim não devemos nos indignar com o Petrolão, nem culpar o PT, por exemplo, porque somos, indiretamente, responsáveis pela corrupção - o todo que justifica-. A premissa de que todos somos desonestos se infere de uma outra, mais ampla, antiga e oculta no argumento comunista, a de que a sociedade, sob o domínio da burguesia, é corrupta de modo sistêmico.
Não faz muito que a filósofa oficial do comunopetismo, Marilena Chauí, desandou a defender este estrupício conceitual e a vociferar contra a classe média, que ela diz ser criminosa. Como se nos regimes comunistas o signo principal, descontados a opressão e a miséria, não fosse, justamente, a corrupção. Já aos verdadeiros bandidos, Chauí empresta solidariedade. Assim, como não podem negar que o PT roubou de forma inigualável, a estratégia é relativizar o crime. Mas a verdade é que a grande maioria das pessoas, no mundo capitalista e democrático, se comporta nos limites da moralidade e da legalidade e condena, desde os pequenos até os megadelitos.
Mais ainda: não há termo de comparação entre a alegada leniência com pequenos delitos, que Karnal, bem como a tigrada intelectual esquerdista, nos atribui, e a megacorrupção induzida politicamente pelo PT . Este sim é uma organização criminosa que se instalou no estado, que inaugurou o Mensalão e o Petrolão, como revelou a justiça.
Esquerdistas caras-de pau (isto é uma redundância) partem para explicar a parte (a corrupção petista) pelo todo (más condutas genéricas das pessoas) para justificar a roubalheira desbragada de um partido político revolucionário, uma organização criminosa, na ideologia e nos métodos, que tentou eternizar-se no poder minando toda a base moral das relações sociais, econômicas e políticas do país. As consequências do avanço petista sobre a sociedade brasileira se farão ainda sentir por décadas.
* Professor de Filosofia.
IRRECUPERÁVEIS: GRANDE PARTE DOS PRESIDIÁRIOS ENVOLVIDOS NAS CHACINAS GOSTAM DE MATAR, MORRER E BRIGAR - 21/01/2017
(Publicado originalmente no Facebook do autor www.facebook.com/marcelo.caixeta.10)
Quem não aprendeu trabalhar não tem solução.
Uma análise psiquiátrica-forense.
Vou aqui repassar minha experiência de 35 anos em unidades psiquiátricas-forenses hospitalares.
Minha tese é de que , para deter as rebeliões/chacinas nos presídios, de nada adiantará “políticas de direitos humanos”, “recursos e mais recursos”, “comissões”, ou seja, o “blábláblá” de sempre… Atualmente dirijo uma unidade hospitalar psiquiátrica-forense destas, voltada para adolescentes. Tenho especialização em psiquiatria criminal ( forense ) e em psiquiatria do adolescente, pela Universidade de Paris.
Existe uma ciência chamada “etologia” que estuda o comportamento e desenvolvimento comportamental animal. Faz parte da biologia. A biologia mostra que, se você tampar os olhos de um gatinho, logo depois que ele nasce, por um pequeno período de tempo, depois, mesmo se você destampar os olhos dele, ele não vai voltar a enxergar, as células do cérebro dele responsáveis pela visão já “morreram”, não se desenvolvem mais. São os chamados “developmental tender points”, ou “pontos sensíveis do desenvolvimento”. Uma vez ultrapassados, não há mais volta…
Na psicologia infantil-juvenil há a mesma coisa : se você não aplicar a disciplina amorosa e o senso de responsabilidade/dever/trabalho, numa determinada fase, depois não se conserta mais. Isso está acontecendo com a juventude de hoje : não recebem disciplina, ocupação, responsabilidade, dever, na época certa. Não aprendem a trabalhar. Depois só irão “curtir os prazeres da vida”, não terão aprendido o “prazer do trabalho”. Irão transformar-se em animais, viver para o prazer das drogas, comida, sexo, o prazer da agressividade, lutas, guerras, etc. Isto é um problema da sociedade ocidental atual, que vive de “passar a mão na cabeça” da molecada, “a psicóloga disse que não pode bater”. Criança precisa, sim, ser contrariada, se necessário, precisa, sim, levar palmada. Não pode se julgar a dona do mundo, melhor do que todos, dona do próprio nariz, a “rainha do pedaço”, o “reizinho que tem de ser satisfeito em tudo”. O amor disciplinado tem de contrariar, tem de castrar. Na época certa tem de dar a tarefa, a responsabilidade, o estudo, o trabalho. Isso, na família de antigamente, ficava muito a cargo do pai. Mas a “função paterna”, hoje em dia , foi destruída, foi anulada. Colocaram a “psicologia” , os “direitos humanos”, os “meus direitos”, o prazer, as “garantias do Governo”, no seu lugar…
Resultado : depois que a pessoa não aprendeu a trabalhar, “ babau”… Não aprende mais; vai querer curtir a vida com outras coisas, que não o prazer da realização , do trabalho, da “coisa-bem-feita”. Vai ter prazer só nas coisas “biológicas”, inclusive na luta. Esse povo das gangues intra-penitenciária tem “prazer em brigar”, tem “prazer em matar”, e isso nossa “sociedade da psicologia”, dos “direitos humanos”, não quer aceitar. Eles estão superfelizes, estão se esbaldando, de tanto guerrear, matar, trucidar, esquartejar. É o prazer deles. Um prazer tanto maior porque turbinado, além dos fatores psicossociais acima, pela lesão cerebral produzida pelas drogas e pelas disfunções cerebrais produzidas pelas genéticas das quais muitos são portadores : hiperatividade, transtorno bipolar, distúrbio de personalidade psicopática, alterações cerebrolesionais do comportamento ( “impulsividade/agressividade orgânica”), etc. Então, com doença, com droga, com toda uma deformação social, psicológica, familiar, são praticamente incuráveis. Se há incurabilidade, têm, sim , de ficarem fechados, pois a sociedade precisa de paz para viver e trabalhar. Mas, mais uma vez, as políticas governamentais vão é na contramão disso tudo : “vamos soltar eles, gente”, “50% está preso injustamente”, “são criminosos de crimes pequenos”, etc.
Olhem, vou dizer prá vocês , após 35 anos lidando com esta população, nunca eu vi um “preso injustamente”, nunca vi um “anjinho na cadeia”. Pelo contrário, quando são presos é porque já é tarde demais, já cometeram crimes demais… Se nossa população carcerária cresce não é por causa de “falta de direitos humanos”, pelo contrário. Ela cresce porque o Brasil é o país mais permissivo , mais frouxo, do mundo, mais libertino do mundo, mais “pode-fazer-o-que-quiser” do mundo, mais sem regras e sem obediência do mundo . É claro que vai ter muito crime mesmo, muito homicídio, muita prisão …
Aqui pode tudo, esse povo faz de tudo, e quando é preso aí vem reclamar da “falta de liberdade”. Solução prá esse povo ? É reclusão mesmo, senão a sociedade não tem paz, como agora não vem tendo… É claro, que, ao meu ver, não é apenas “recluir por recluir”. No meu entender, prisões deveriam ser hospitais psiquiátricos, com tratamento, ocupação, psicoterapia, medicação que se fizer necessária. Avaliações periódicas para ver se há melhora. Se não há melhora, que continuem presos. Antes eles do que nós.
A REFORMA POLÍTICA É NECESSÁRIA - 14/01/2017
O Tribunal Superior do Trabalho comemora 70 anos de sua criação, num momento em que o desemprego atingiu proporções jamais imagináveis e o crescimento do país, pelo segundo ano consecutivo, é negativo, beirando a casa dos 10%, neste biênio. O Brasil voltou para trás nos últimos 13 anos.
Os princípios delineados na lei suprema de justiça social e liberdade de iniciativa, fundamentos de toda a ordem econômica, foram maculados, mas, particularmente, comprometido o futuro, por uma proposta equivocada dos últimos governos, ao desdenharem a evolução tecnológica, a competitividade internacional e o progresso econômico, que poderiam gerar empregos e desenvolvimento de que o Brasil necessitaria. Privilegiou-se o aparelhamento do Estado, em grande parte para “amigos do rei”, sem preparação real para o exercício de funções públicas e com base em ideologias ultrapassadas.
O próprio discurso do social –em orçamento de 1 trilhão e meio de reais da Federação, à época do início do desmoronamento da política econômica, o programa Bolsa Família representava menos de 20 bilhões — foi desmascarado pela má gestão e escolha dos beneficiados, muitos deles apenas partidários do governo e desnecessitados da ajuda. Dos supostos 13 milhões de atendidos, talvez apenas 11 milhões realmente estivessem na linha da miséria, não conseguindo esconder a chaga dos 12 milhões de desempregados.
A melhor justiça social é o emprego valorizado. Este só se obtém com desenvolvimento econômico. O Estado não tem recursos próprios. Tira-os da sociedade. E quando tira em demasia e não facilita a vida, a sociedade torna-se autofágica e a nação, como um todo, sofre além do suportável.
A escandalosa carga tributária para sustentar principalmente o aparelhamento do Estado e a máquina administrativa, tornou-se um dos maiores problemas dos governos dominados por uma burocracia esclerosada e constituída, em parte, por concursados e, em parte, por não concursados. Ora, o Estado é pior empreendedor que a iniciativa privada e, sempre que atua no setor empresarial, não é competitivo, sobre as empresas públicas estarem mais sujeitas à corrupção.
O Estado tira muito em tributos da sociedade e retorna pouco em serviços, pois grande parte deles é destinada a sustentar a adiposa máquina burocrática e as benesses do poder, atém da corrupção endêmica dos governos.
No meu livro “Uma breve teoria do poder”, mostro por que, em todos os períodos históricos e espaços geográficos, o exercício do poder esteve minado por corrupção, que absorveu recursos da sociedade.
É bom governo aquele que consegue reduzi-la a proporções mínimas.
Esta cultura de os detentores do poder se auto outorgarem supervencimentos e favores – a Senadora Kátia Abreu chama os supersalários também de corrupção – aliada a de privilegiar empresas que contribuem ilegalmente para os governantes, pouco se importando com os geradores de empregos, levou o país a esta situação de ruína, só menor do que aquela que o desastrado presidente Maduro está promovendo na Venezuela.
Ora, ao comemorar os 70 anos da criação do Tribunal, nada mais lógico que se pense na melhoria do sistema federativo e nas seis reformas essenciais de que o Brasil precisa.
A reforma política é necessária. Embora eu, pessoalmente, defenda o parlamentarismo desde os bancos acadêmicos, creio que o primeiro passo seria a adoção de cláusula de barreira, com avaliação da performance partidária para a manutenção dos partidos; voto distrital misto, ou seja, metade dos deputados sendo eleitos no distrito e metade por eleições proporcionais; financiamento de campanha sob rígido controle e eliminação de coligações partidárias. A reforma previdenciária, embora de impacto a mais longo prazo, é imprescindível. Se não vier, a população que trabalha não terá como sustentar uma população superior de aposentados, no futuro. A reforma trabalhista, no que concerne à terceirização e às convenções coletivas de trabalho, é relevante para reduzir o desemprego. Quanto à reforma burocrática, temos esperança de que o nosso anteprojeto, que surge de uma Comissão criada pelo próprio Senado com esta finalidade, possa ser aprovada. A reforma tributária não pode esperar mais. Eliminar a guerra fiscal do ICMS e ISS e simplificar a legislação são requisitos básicos, para começar. É de se lembrar que o STF sempre considerou inconstitucional tal prática, sem que os Estados se curvassem, pois editavam novas leis padecendo do mesmo vício, tão logo a lei anterior era declarada violadora da Carta da República. A reforma do Judiciário é importante, visto que a Lei Complementar 35 de 1975 está ultrapassada.
Nitidamente, vencer os anticorpos do atraso enquistados no poder e os privilégios que tornaram “direito adquirido” toda a espécie de benesses, é importante. Temos que ter condições de competir com os demais países, inclusive com aqueles do contexto latino-americanos. Trata-se de tarefa que exige uma cruzada cívica da sociedade em aceitar os sacrifícios necessários e dos governantes em abrir mão dos auto-outorgados benefícios, sobre reduzir o tamanho da máquina burocrática, nas mais de 5.500 entidades federativas.
Afinal, o servidor público deve servir à nação e não dela se servir, assim como o cidadão deve ser considerado como tal, não um objeto da administração, um escravo do poder, um cumpridor de inumeráveis obrigações burocráticas que se multiplicam para justificar a manutenção da máquina.
Quanto maior for a burocracia desnecessária, maior será a corrupção. Quanto maior o número de leis inúteis impostas aos novos escravos da gleba em que o povo se transformou, maior o acúmulo de processos penais, em que o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Polícia devem intervir, não poucas vezes, confundindo o abuso de autoridade com a busca de justiça.
O Brasil precisa ser passado a limpo. As reformas são necessárias, mas a cultura política e da cidadania têm que, de um lado, repelir a manutenção de uma máquina burocrática e esclerosada, e de outro, exercer o seu papel. O país depende não só desse respeito ao direito da cidadania, mas do compromisso dos diversos segmentos sociais para fugir a esta inércia.
Estamos em tempo de mudança. De mentalidade e de costumes, na busca de um país de que os nossos filhos possam vir a orgulhar-se no futuro.
É o que espero, como um velho advogado, que jamais perdeu a esperança de ver o Brasil como líder mundial, onde a justiça social e a livre iniciativa de braços dados tornem a vida de todos os brasileiros digna de ser admirada no concerto das nações.
FIDEL ‘PAREDÓN’ CASTRO - 06/01/2017
(Publicado originalmente no Estadão)
Passada a emoção da morte do mais sanguinário ditador das Américas, que provocou as mais variadas manifestações de tristeza dos decadentes movimentos da esquerda mundial, mister se faz uma análise fria sobre os anos de chumbo em que vivia e vive o povo cubano, os quais se vêm prolongando desde fins da década de 1950, quando Fidel Castro assumiu o poder na infeliz ilha caribenha.
O primeiro ponto a destacar é a falta de respeito aos direitos humanos. Brutalmente, foram fuzilados, ao estilo da era do Terror da Revolução Francesa, sem julgamento nem direito de defesa, milhares de cubanos, nos famosos paredóns. De 1792 a 1794, quando Robespierre assumiu o controle do governo francês, dezenas de milhares de pessoas foram guilhotinadas, condenadas por tribunais populares. Fidel substituiu as guilhotinas pelos paredóns e fuzilamentos em massa.
Naquela época, nos meus primeiros anos de advocacia, em que era ainda popular tomar a bebida denominada Cuba Libre, era hábito pedir nos bares “Cuba sem Fidel”, pois a ditadura lá se instalou desde os primeiros momentos.
Igor Gielow, comparando diversos arquivos de várias instituições e adotando o considerado mais conservador, apresenta 7.326 mortos ou desaparecidos nas prisões cubanas (quase 6 mil fuzilados em paredóns), não se incluindo nesse número os afogados nas tentativas de fuga da ilha, ou seja, 65 mortos por grupos de 100 mil habitantes. Pelos mesmos critérios, o Chile assassinou, sob Pinochet, 23,2 para cada 100 mil habitantes; o Paraguai, sob Stroessner, 10,4; o Uruguai, 7,6; a Argentina, 30,9, no regime militar; a Bolívia, 6,2; e o Brasil, 0,3. É de lembrar que no período militar brasileiro foram mencionados pela Comissão da Verdade 434 mortos ou desaparecidos, negando-se aquela comissão a apurar as 129 mortes provocadas pelos guerrilheiros, algumas em atentados terroristas em logradouros públicos. Por isso foi alcunhada de “Comissão da Meia Verdade”. É certo que, sob o domínio de Raúl Castro, a letalidade do governo cubano caiu, havendo registro de 264 vítimas de 2006 para cá (Folha de S.Paulo, 1.º/12/216).
O segundo aspecto a ser estudado é o da liberdade. Em artigo que publiquei, O neoescravagismo cubano (Folha, 17/2/2014), observei que, após ler o contrato dos médicos cubanos com o governo brasileiro, nele encontrei cláusulas de proibição de receberem no Brasil qualquer visita, mesmo de parentes, sem que houvesse antes autorização de autoridades cubanas. Eles também ficavam com apenas um quarto do salário e transferiam para o governo fidelista três quartos. Mantinha a ditadura, por garantia, seus familiares em Cuba, como reféns, para que voltassem à ilha, eliminando assim o eventual desejo de pedirem asilo às autoridades brasileiras. Talvez nenhum símbolo seja tão atentatório à dignidade da pessoa humana como os termos desse contrato, aceito pelo governo da presidente Dilma Rousseff sem discussão. Não sem razão, o ex-presidente Lula disse ter perdido, com a morte de Fidel, “um irmão mais velho”; José Dirceu declarou, no passado, “ser mais cubano que brasileiro”; e Marco Aurélio Garcia chegou a afirmar que havia “mais democracia em Cuba que nos Estados Unidos”, num de seus costumeiros arroubos.
Quanto à economia, conseguiram os Castros levar sua população à miséria, com salários inferiores à Bolsa Família para a esmagadora maioria dela, independentemente da qualificação profissional. No momento em que ruiu o império soviético e a ilha deixou de ser mantida economicamente pela Rússia, assim como quando desmoronou a equivocada economia Venezuelana, com a perda de apoio do regime chavista – talvez Hugo Chávez ainda estivesse vivo se tivesse ido se tratar em hospitais americanos, e não cubanos –, a economia do país, sem tecnologia, indústria de ponta e investimentos de expressão, viu-se e vê-se sem horizontes, implorando aos americanos apoio para sobreviver, num mundo cada vez mais competitivo.
Politicamente, em lugar de adotarem o modelo chinês, de uma esquerda política e uma direita econômica, o que permitiu à China pular de uma economia com PIB inferior ao do Brasil no início dos anos 1990 para a segunda economia do mundo 20 e poucos anos depois, continuaram, num estilo menos estridente que o do tiranete Nicolás Maduro, a defender o fracasso comprovado, em todos os espaços geográficos e períodos históricos, das teses marxistas, com o que o futuro da ilha está dependendo ou da abertura democrática ou do auxílio externo, pouco provável no mundo em que vivemos.
Fidel Castro instalou a mais longeva ditadura das Américas, só possível por ser pequena a população de seu país e rígido o controle das pessoas, sem liberdade para pensar algo diferente do que pensam as classes dominantes. E os saudosistas brasileiros de uma esquerda mergulhada no maior escândalo de corrupção da História do mundo lamentaram a perda do ditador, cujo irmão, no poder, vê seu mais forte aliado, o incompetente Maduro, verdadeiro exterminador do futuro imediato da Venezuela, mantendo-se à frente de seu governo graças às decisões de um Poder Judiciário escolhido por um Parlamento derrotado, às vésperas de ser substituído, e que se tornou capacho do Executivo.
Friamente examinando o período de domínio do tirano insular, há de se convir que sua figura, para os historiadores que virão, será a de líder cruel e sanguinário, cujo carisma oratório empolgou, todavia, toda uma geração de jovens, a qual acreditou que a melhor forma de combater as injustiças sociais não seria criar empregos e progresso, mas apropriar-se dos bens alheios, mesmo à custa da violência e da destruição dos valores democráticos. Felizmente, essa ilusão começa a ser desfeita, em todos os continentes, pois as ideologias, corruptelas das ideias, não produzem desenvolvimento, mas apenas decepção e sofrimento.
*Professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo e Unifmu, do CIEE/O Estado de S. Paulo, da Eceme, da ESG e da Escola da Magistratura do Tribunal Regional Federal-1ª região
MINHAS PREVISÕES IMPREVIDENTES PARA 2017 - 04/01/2017
(Publicado originalmente em www.pralmeida.org; http://diplomatizzando.blogspot.com)
Desde o início do milênio atual, com absoluta constância desde 2003, dei início a esta série que denominei, provocativamente, de “previsões imprevidentes”, ou seja, o contrário daqueles chutes bem informados que todo astrólogo amador, ou profissional, faz a cada final ou começo de ano. A diferença de minhas previsões, em relação a essas afirmações científicas dos adivinhos de plantão, é que as minhas não estão de modo algum destinadas a serem confirmadas pelo carro sempre balouçante da História: ao contrário, elas foram expressamente concebidas para, justamente, não se realizarem.
Devo dizer que desde o início da década passada, eu vinha sendo ajudado – e como! – pelos companheiros e suas políticas tresloucadas: cada vez que eles expunham um programa, uma nova política, uma medida macro ou setorial, eu sempre apostava exatamente o contrário. E pimba!: não hvia nenhuma chance das coisas acontecerem, da forma como eles queriam. Alto lá: corrijo imediatamente: a coisa sempre se desenvolvia de modo totalmente inverso ao pretendido. Os companheiros eram infalíveis nesse jogo.
Confesso que fiquei repentinamente órfão: com o afastamento totalmente injusto dos companheiros do poder, por meio desse golpe aplicado pela direita, pelos tucanos neoliberais, pela grande mídia, pelos capitalistas mancomunados com o perverso imperialismo, pelos banqueiros conspirando com o capital financeiro monopolista internacional – enfim, por todos aqueles que não são companheiros, ou pecedobistas, ou psolistas, ou gramscianos de academia, ou teólogos da libertação, ou saúvas freireanas e pedagogos da conscientização, os que não são progressistas, esquerdistas, modernistas, pós-modernos, partidários do politicamente corretos, enfim, toda essa fauna, que lutou bravamente contra os golpistas organizados por aquele ex-presidente da Câmara, ufa!, retomo –, com esse atentado fundamental contra a democracia companheira fiquei totalmente sem a ajuda dos ditos companheiros na minha elaboração regular, anual, destas previsões imprevidentes. Eu estava ameaçado de ficar agora sem previsões.
Estava até disposto a apoiar um movimento de novas eleições, só para ter um pequeno laivo de esperança no retorno dos companheiros ao poder, especialmente do chefão mafioso, e com isso poder voltar a elaborar minhas previsões com plena certeza de que nunca vou acertar, ou melhor, sabendo que vou acertar errando redondamente (ou quadradamente, como poderia ser o caso em se tratando desse pessoal de apoio).
Antes, porém, de me debruçar sobre minhas novas previsões imprevidentes e imprevisíveis para o ano da graça de 2017, vamos fazer um pequeno retrospecto. Aliás, que graça tem esse ano que começa? Depois de dois anos de recessão, vamos continuar recuando no poder de compra, pois o fraquíssimo crescimento da economia, previsto pelos gurus habituais, ficará bem abaixo da inflação, pela primeira vez, não dentro da meta, como andam anunciando, mas dentro da banda, que já é larga. Então, vamos ver o que é que eu que tinha previsto para este ano de 2016, nesta tresloucada profissão?
Previsões imprevidentes para 2016: pela primeira vez a imprevisão ganha da previsão (Brasília, 31 de dezembro de 2015)
1) Criação do programa Pedaladas Legais
2) Cristo Redentor entra no programa de concessões companheiras
3) Companheiros aderem ao livre comércio... de talentos
4) Protocolo aditivo à convenção da ONU sobre corrupção
5) O governo companheiro vai conseguir equilibrar as contas nacionais
6) Os companheiros renovam sua promessa de não mais roubar
7) A Justiça aumenta sua produtividade em 350%
8) Os industriais da FIESP param de reclamar do aumento de juros
9) O PSOL reconhece que Cuba pode não ser um modelo para o Brasil
Como todos podem constatar, eu errei todas, ou seja, acertei a totalidade das minhas previsões, sucesso a 100% portanto. (Quem quiser conferir o detalhe de cada uma dessas previsões destinadas fatalmente ao fracasso completo, pode ver neste link:http://www.diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/01/previsoes-imprevidentes-para-2016.html).
OK, chega da enrolação típica dos preguiçosos. Mesmo sem a contribuição que sempre considerei fundamental dos companheiros, vou tentar arriscar novas previsões imprevidentes para o ano que está começando. Fazer esse tipo de chute contra o futuro imediato apresenta um alto risco, pois nas condições surrealistas do Brasil atual – quando não se sabe quem é situação, quem é oposição, que deu golpe e quem o sofreu – as coisas mais surpreendentes podem ocorrer, até minhas previsões darem certo, ou melhor, errado, e tudo se realizar contra os prognósticos. Vamos portanto dar a partida nos chutes, em mais um exercício de surrealismo futurista na total irresponsabilidade dos adivinhadores improvisados, assim como quem faz esporte com uma bola de ferro amarrada numa das pernas, com uma mão amarrada nas costas, com um olho tapado.
1) Companheiros aderem definitivamente à honestidade teórica
Depois de tentar todas as demais maneiras ter sucesso no mundo da política e dos negócios em famiglia, os companheiros decidiram anunciar que estavam, formal e oficialmente, renunciando a qualquer intermediação escusa com grandes companhias estatais e privados, et pour cause: com todos os seus principais operadores e executivos temporariamente fora de combate – com uma única e grande exceção – e com todos eles colocados na mesa de escuta de companheiros outrora aliados na causa da justiça social, eles decidiram enveredar por novas formas de empreendedorismo político e social, caçando as sandálias da humildade, prometendo ir à missa todos os domingos e comer o pão bento da honestidade. Não sabemos ainda se eles conseguirão refrear seus instintos adquiridos ao longo de anos e anos de treinamento intenso nas artes que o Padre Vieira já encontrava insuperáveis nestas paragens de Pindorama, mas o fato é que eles parecem sinceramente engajados no novo jogo da castidade política. Vai ser difícil, sobretudo com respeito aos companheiros que ainda ocupam cargos públicos, e que podem, por isso mesmo, fazer um por fora), mas o comitê central (ops, a direção) já avisou que a ordem, por enquanto, é se mostrar bem comportado, pelo menos enquanto a República de Curitiba estiver alerta e lépida nos procedimentos. (Atenção: eu disse “teórica”.)
2) Governo golpista anuncia anistia preventiva, com validade de dez anos
Um imenso alívio ouviu-se nos mais diferentes recantos do país: do Oiapoque ao Chuí, a chusma respirou aliviada com essa promessa de cheque em branco, quero dizer, de vale habeas-corpus com prazo delongado de validade, até, pelo menos, que consigam aprovar a tal lei do “pega leve” no propinoduto. A medida (ainda provisória, mas que deve ser rapidamente aprovada pelos garotos em plenário) não concede total liberdade preventiva aos meliantes políticos, apenas alivia os processos, solicitando documentos em cartório, em três vias cada um, devidamente legalizados, antes de passar por três comissões parlamentares e obter pelo menos dois relatórios favoráveis, o que deve fazer com que cada processo demore três legislaturas, tempo suficiente para que cada um em perigo possa repousar na doce aposentadoria congressual. Estava sendo esperada essa medida, pois do contrário não seria possível votar mais nada na Santa Casa legislativa.
3) Odebrecht passa a operar unicamente com o banco do Vaticano
A caminho de uma difícil regeneração, com seu patrimônio diminuído em vários bilhões de dólares, e governos arredios a continuar operando com uma empresa que parece ter o DNA da malversação, ou seja, ser geneticamente corrupta, a outrora maior construtora do país liquidou todas as suas 3.547 contas em 189 bancos em 25 países, e anunciou solenemente que, doravante, e em conformidade com seu espírito cristão, vai trabalhar única e exclusivamente com o Istituto per le Opere dei Religione, mais vulgarmente conhecido como Banco do Vaticano (antigamente Ambrosiano, mais do que centenário), indiferente ao fato de que o banco já foi colhido mais de uma vez em lavagem de dinheiro pelo Fisco italiano. O que vale, no entanto, são as boas intenções: a Odebrecht e o IOR devem fazer uma bela dupla a caminho do paraíso fiscal. As duas empresas prometem se sustentar mutuamente, e até combinaram que vão fazer confissões conjuntas, desde que essas delações premiadas mereçam indulgência eterna, o que o papa peronista prometeu examinar. Como diria Santo Agostinho, “Uma virtude simulada é uma impiedade duplicada: à malícia une-se a falsidade.”(Quem duvidar da total correção e da fidelidade desta frase aparentemente debochada pode ver aqui:http://www.frasesfamosas.com.br/frases-de/agostinho/).
4) Teremos candidatos absolutamente honestos sendo preparados para 2018
A palavra do momento é aquela famosa frase – provavelmente mentirosa – sobre a “mulher de César” (quem era ela, mesmo?). Segundo essa hipocrisia cansativamente repetida por 11 jornalistas entre cada 10, ela deveria não só ser, como parecer honesta. Ninguém conferiu, no entanto, se era isso mesmo que ocorria naqueles tempos de traições e golpes baixos E alguém de fato acreditava nessa coisa? Repetida a frase, todo mundo seguia adiante, como se nada tivesse acontecido, e assim segue a vida. Em todo caso, já aquecendo os músculos para a maratona do ano seguinte, os principais candidatos a qualquer coisa, estão em busca de novos laranjas naquele cantinho da Ucrânia cuja soberania ainda permanece indeterminada, pelo menos enquanto durar o reinado do neoczar. Vão precisar de um dicionário de bolso russo-português, mas nada que a Amazon não possa encontrar, inclusive em formato Kindle, o que facilita um bocado os negócios. Estima-se novo equilíbrio no balanço de pagamentos da Ucrânia oriental, a ponto de poderem até emprestar para a pátria-mãe, caso as sanções se agravem no futuro imediato.
5) PEC dos Gastos ganha Emenda constitucional: banda da inflação
Com o agravamento da situação fiscal dos estados e municípios, e sem a possibilidade de criar novos ou amentar os impostos já existentes, os parlamentares resolvem fazer um favor a seus amigos governadores e aprovam uma emenda à emenda constitucional (de número 117, na sequência linear) sem mudar o vínculo dos gastos públicos à inflação, mas criando uma banda para o número, que deixa de ser um número e passa a ser um espaço flexível, com trezentos pontos-base para lá e mais trezentos para cá. Chamado de “nova banda diagonal endógena”, o sistema, engenhoso, como se vê, vai permitir salvar “gregos e goianos”, empurrando as obrigações futuras para os tataranetos dos atuais estudantes do ensino fundamental. Trata-se de um novo conceito de ajuste gradual e seguro, compatível com a qualidade reconhecida dos melhores economistas da UniCamp e adjacências. Os brasileiros, sobretudo os desempregados, podem dormir tranquilos: não há que os economista da UniCamp não imaginem que os bravos representantes do povo deixam de aproveitar em seus labores parlamentares.
6) Trump propõe um pacto de não agressão ao Estado Islâmico
Ops, esse tipo de previsão internacionalista não costuma fazer parte do menu habitual de previsões imprevidentes (e irresponsáveis) já tradicionais neste blog, mas como é preciso exercer todas as competências que a divina providência nos concedeu, aqui vamos nós pelos terrenos sempre pantanosos das relações internacionais. O fato é que o novo, imprevisível e imprevidente, presidente da maior potência planetária (depois da torcida do Barça, claro) ainda em estado de propor qualquer coisa fez uma oferta aparentemente irrecusável ao califa-chefe do Daesh, também conhecido como EI: parar com o mercado de escravas brancas em troca de deixar estacionados na Turquia os drones ditos inteligentes. O EI ficou de pensar, e ao que parece só vai parar com seu departamento de operações estruturadas se a OTAN enviar um suprimento adequado de garotas de programa, de maneira a aquietar os ardores belicistas dos seus combatentes do profeta. Não se sabe, no momento do fechamento destas previsões, se negociações sérias poderiam ser estabelecidas num terreno apropriado, em Genebra ou Viena, de preferência, com interrupções para algumas escapadas no Folies Bergères.
Voilà: é tudo que eu posso prometer para o novo ano que pronto se inicia, mesmo sabendo que minhas previsões imprevidentes são tudo, menos seguras. Não se pode oferecer certezas num país no qual sequer sabe se vamos terminar o ano com o mesmo governo. Em todo caso, eu desejo a todos e a todas (ou a todxs, como quer certo pessoal chatérrimo), um feliz início, um ótimo desenvolvimento e uma excepcional finalização de um ano altamente incerto, como são, aliás, estas minhas previsões imprevidentes. Nisso 2017 também me ajuda, já que nem toda bola de cristal funciona.
Numa coisa, portanto, estou alinhado com eles: sem os companheiros eu estava me sentindo, como direi?, órfão, sem qualquer indício de que poderia contar com eles para errar em toda a linha (ou seja, acertando 100% dos chutes formulados ao longo dos últimos treze anos durante os quais fui por eles maltratado). Eu lhes sou, de verdade, devotamente reconhecido: sem sua proverbial inépcia, sua incompetência, aa tradicional improvisação, a tremenda burrice, a estupidez contumaz e a sua ignorância crassa, eu teria corrido o risco de acertar algumas, pelo menos, de minhas previsões ao longo de todo este milênio tão rico de babaquices por eles perpetradas. Se vocês duvidam do que estou dizendo, basta conferir a série completa:
Previsões anteriores:
2016:
2912. “Previsões imprevidentes para 2016: pela primeira vez a imprevisão ganha da previsão”, Brasília, 31 dezembro 2015, 5 p. Continuidade do exercício, com apenas quatro previsões imprevisíveis. Postado no blog Diplomatizzando (link: http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2015/12/previsoes-imprevidentes-para-2015-pela.html), e disseminado no Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/1061451080585008). Revisão ampliada, 14 de janeiro de 2016, 8 p. Postado novamente no Diplomatizzando (link: http://www.diplomatizzando.blogspot.com.br/2016/01/previsoes-imprevidentes-para-2016.html) e no Facebook (https://www.facebook.com/paulobooks/posts/1069196793143770).
Para as previsões anteriores a 2016, ver estas duas postagens:
Preparando as previsões imprevidentes para 2016: conferindo as de 2015:
http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2015/12/preparando-as-previsoes-imprevidentes.html
e
Preparando as previsões de 2016: algum retrospecto pode ser útil:
http://diplomatizzando.blogspot.com.br/2015/12/preparando-as-previsoes-imprevisiveis.html
A despeito de tudo, e desculpando qualquer erro de previsão, feliz 2017 a todos!
Paulo Roberto de Almeida
* Doutor em Ciências Sociais e diplomata de carreira.
NOVO INSULTO AOS BRASILEIROS - 30/12/2016
No momento em que as enormes dificuldades e incertezas da conjuntura política, econômica e social do País não encorajam previsões auspiciosas de um Feliz Ano Novo, soa como escárnio a desfaçatez com que o Partido dos Trabalhadores vem a público para confirmar a intenção de lançar a pré-candidatura de Lula à Presidência da República “com um programa de reconstrução da economia nacional”. Porque assim, afirma o presidente nacional do partido, Rui Falcão, “ficará muito claro para a população qual o objetivo dessa perseguição”, de que seu líder é “vítima”.
É um desafio estimulante imaginar qual possa ser o “programa de recuperação da economia” a que se refere o alto comissário petista. O País tem um governo em exercício há menos de oito meses, encabeçado por Michel Temer, cuja prioridade tem sido criar condições exatamente para resgatar dos escombros o que sobrou da economia nacional, varrida pela “nova matriz econômica” que Dilma Rousseff tirou da manga do colete. Talvez os petistas tenham em mente agora uma “novíssima matriz econômica”, já que nem mesmo um surto de insanidade poderia justificar a repetição de um erro pelo qual pagam hoje, de modo muito especial, mais de 12 milhões de brasileiros desempregados.
Em resumo: qual a credibilidade do PT para propor qualquer coisa na área econômica depois de ter praticamente destruído o mercado brasileiro com sua obstinação pela concentração de poderes nas mãos de um governo que prometia “distribuir” a riqueza mas acabou dizimando o que compartilhar? Pior: um governo que liberou os cofres públicos a políticos e empresários corruptos, todos eles beneficiários de uma promiscuidade que, a partir do Palácio do Planalto, alastrou-se como nunca antes na história deste país por todos os desvãos da administração federal direta e indireta.
O lançamento da pré-candidatura presidencial de Lula, na verdade, é o derradeiro recurso do PT para garantir a sobrevivência política de ambos: o partido e seu líder maior. Do ponto de vista eleitoral, até onde a vista alcança deverá prevalecer o veredicto selado nas urnas municipais de outubro, que transformou o PT exatamente naquilo que sempre usou para desqualificar as legendas concorrentes: um partido sem votos. A pré-candidatura presidencial de Lula – cuja imagem, como sempre, sobrepaira à de seu partido – serviria, pelo menos, para lembrar à militância que o PT ainda existe.
Ocorre que é no mínimo improvável que Lula consiga sobreviver ileso à Lava Jato. Foi-se o tempo em que os figurões da República estavam fora do alcance da Justiça. Hoje as cadeias estão abarrotadas de vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores, juízes, executivos, donos de grandes corporações privadas e criminosos do colarinho branco das mais variadas extrações, a maior parte lá colocados a partir do advento da Operação Lava Jato.
Mas, de acordo com o que deixou claro Rui Falcão, é necessário fazer uma distinção entre os petistas e os demais investigados e condenados pela Lava Jato. Os episódios de corrupção que envolvem correligionários de Lula, segundo Falcão, “nós vamos avaliá-los a nosso próprio juízo, dado o processo de parcialidade que tem na Justiça brasileira”. Quer dizer, quanto à condenação de um Eduardo Cunha ou de um Sergio Cabral, ambos do PMDB, nada a opor. Mas, quando se trata de petistas acusados, “temos mecanismos internos, comissão de ética, uma corregedoria, para avaliar comportamentos de filiados dentro de nossas regras, com direito de defesa, contraditório, no devido processo legal do PT”. Ou seja, a Justiça que vale, para os petistas, é a do PT. O que não é novidade, pois já no julgamento do mensalão os dirigentes petistas condenados foram imediatamente glorificados, pela direção partidária, com a honrosa condição de “guerreiros do povo brasileiro”.
Em resumo, Lula e o PT continuam exatamente os mesmos. Haverá quem caia de novo nessa esparrela?
O BRASIL TEM SAÍDA: A DE SEMPRE - 20/12/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
Tem sido um linchamento. Cada vez que estremece e esboça uma reação, cai com mais fúria a chuva de pauladas sobre o corpo moído da Nação.
No País sem voz é a guerra; 60 mil mortos por ano, 12 milhões de famílias não sabem se comem amanhã. Daí para cima, ou é prostração, ou um mal contido pânico travestido de “fervor cívico” sem propósito definido nem pontaria certa. Nesse segmento “mobilizado” a ordem cronológica está subvertida. Posto diante das entranhas daquilo a que sempre esteve acomodado, esse Brasil não se admite mais como o que é. Projeta como realidade vivida aquilo que deveria ter sido. Todos cobram “dos outros” o que cada um se recusa a entregar de seu. Ninguém se assume como parte constitutiva de um organismo doente e isso tira de cena a ideia de buscarmos juntos uma cura. A conflagração ocupa todos os espaços. O passado transformou-se em arma de destruição do futuro.
Quem “ganha”, quem “perde” com cada golpe desferido? O dano infligido ao País nunca entra em consideração. O interessado em reformas “é o governo”, não o País. A imprensa não cobre o Brasil, a imprensa cobre a disputa de Brasília pela carniça do Brasil. Lá, sim, são “impopulares” as medidas de salvação nacional. Não há desempregados discutindo a crise na televisão. Tudo é filtrado pela óptica do poder e é isso que alimenta esse pandemônio.
Não tem nada a ver com jornalismo trombetear aquilo a que facções em luta “lhe dão acesso” na hora e no lugar que elas escolherem. Isso não é informar, é tornar-se parte. A garantia de sigilo para alardear “furos” que não são “furos” contrata os próximos atentados contra a Nação. De prático ela só fica com a retaliação da retaliação da retaliação. O Judiciário ataca Renan porque Renan desafiou os privilégios do Judiciário. E Renan só desafia os privilégios do Judiciário porque o Judiciário atacou Renan. Não tem nada a ver com justiça nem com zelo pela austeridade.
Essa briga só acaba se for “narrada” como o que é. Nesse filme a sequência é que é o fato, não cada factoide tomado isoladamente. A quebra da impunidade dos corruptos arrombou a porta, mas a luta pelo poder montou nas costas dela. Doze milhões de empregos morreram quase ignorados. Mas então a gangrena da arrecadação cessante tomou o Rio Grande do Sul e subiu para o Rio de Janeiro. Agora é em Minas Gerais que o sangue deixou de circular. Não vai parar por aí. Com o naufrágio do Estado seguindo o da Nação com três anos de atraso e a súbita virada dos ventos do sacrifício, a luta tornou-se, de repente, feroz. Exumam-se velhos cadáveres e cobram-se dívidas há muito acochambradas numa sequência frenética, mas não há rigorosamente nada que já não se soubesse ou não tivesse sido extensamente publicado. É impossível ignorar em boa-fé a relação de causa e efeito entre esses requentamentos e cada tentativa esboçada de impor limites ou recuos aos privilégios de corporações poderosas. Prender e soltar pessoas de forma seletiva e arbitrária sob o pretexto de crimes de todos conhecidos, mas sempre relevados, não são vitórias da justiça, são só expedientes para impedir que o ajuste das contas públicas avance pelo único caminho pelo qual ele pode de fato se dar.
Nesse lado do problema os dados são claríssimos. Não há preço, na arena global, que comporte os privilégios das corporações que se nutrem de quem produz no Brasil. Essa referência é inamovível. Não há liminar, falcatrua regimental, “acordão”, “movimento social” ou estelionato inflacionário suicida que consiga tirá-la de onde está. As coisas terão obrigatoriamente de ser arrumadas desse marco para trás ou permaneceremos expulsos do mundo.
A PEC do Teto de gastos (que está na Constituição, mas ninguém cumpre), a reforma da Previdência e os ajustes microeconômicos, todos imprescindíveis, só põem dinheiro no caixa lá adiante, mas o País está falido aqui e agora. Não há como escapar. Vai ser preciso mexer no “imexível”. Carros, frotas de jatos, mordomias e “auxílios” obscenos, isenções, acumulações, viagens, supersalários, superaposentadorias, tudo isso vai ter de sair da conta para que possam voltar a caber nela os salários e aposentadorias sem mais adjetivos dos funcionários que não entraram no serviço público pela janela e mais a saúde e a segurança pública que se requer. O mínimo fora do qual é o caos.
Parece impossível hoje, mas as prerrogativas medievais dessa casta são biodegradáveis. Dissolvem-se no escândalo das proporções indecentes que tomaram assim que forem expostas ao sol. Eis aí um bom papel para a imprensa. Apressar o inevitável é um meio certo e seguro de evitar o desperdício de mais uma geração e salvar milhões de famílias das tragédias que vêm vindo a galope. Mas mesmo que ela persevere na omissão de fazer da denúncia desses privilégios a sua obsessão, a agonia do funcionalismo desadjetivado vai produzir o milagre. E logo. Só que aí o preço será dobrado...
O Brasil precisa estar vivo para chegar ao fim desta travessia. E é com os políticos que temos que teremos de fazê-la. Seguir olhando só para trás é mergulhar inevitavelmente na conflagração. O Brasil não tem conserto dentro do que é hoje. O remédio para a doença que nos aflige é conhecido desde 1776. Chama-se igualdade perante a lei. Não existe outro. Consiste em reestruturar o Estado e a Nação segundo o princípio de que tudo o que não vale para todo mundo tem de deixar de valer para quem quer que seja. E sendo os operadores da República no Judiciário e no Legislativo os principais beneficiários da situação que exige reforma, estender os direitos dos eleitores para depois das eleições com a instituição do “recall” dos representantes e do “referendo” das leis dos Legislativos por iniciativa popular tem sido, historicamente, o instrumento que, ao transferir o poder de decisão final das mãos dos “contribuídos” para as dos contribuintes, inicia esse tipo de revolução pacífica e a torna irreversível.
*Jornalista, escreve em www.vespeiro.com
JUÍZES QUE FAZEM AS SUAS PRÓPRIAS LEIS - 12/12/2016
A Constituição do Brasil afirma, em seu artigo 2º, a independência e harmonia entre Legislativo, Executivo e Judiciário, o que supõe que cada um dos Três Poderes se limite a exercer as funções que lhe cabem. Daí que o Judiciário não pode legislar. Essa é uma prerrogativa do Legislativo.
Não obstante seja assim, a invasão da competência do Legislativo pelo Judiciário é, atualmente, alarmante. Passamos a viver não mais sob um Estado de direito, porém submissos a um Estado de juízes. A absurda apropriação, pelo Judiciário, do poder de fazer leis e alterá-las é estarrecedora. Ninguém nega que os juízes devem ser independentes, mas — em uma democracia — hão de ser submissos às leis, garantindo sua aplicação. A Constituição lhes impõe o dever de declarar sua eventual inconstitucionalidade, mas a substituição dos preceitos declarados inconstitucionais por outros incumbe exclusivamente ao Legislativo.
Desafortunadamente, no entanto, juízes de primeira instância — e, sobretudo, os tribunais — em nossos dias seguidamente se apropriam da função de legislar. Glosando uma canção de Roberto Carlos, os juízes de hoje em dia, sem saber o que é Direito, fazem suas próprias leis! Isto se torna evidente quando nos damos conta, por exemplo, de que o Supremo Tribunal Federal (STF) vem tomando decisões no sentido de descriminalizar o aborto.
O artigo 128 do Código Penal não o pune, se praticado por médico, quando não houver outro meio de salvar a vida da gestante, e se a gravidez resultar de estupro e o aborto for precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. Fora dessas hipóteses, é crime. Isso diz a lei, com todas as letras.
Não obstante, em abril de 2012, o STF declarou, na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54, a inconstitucionalidade da interpretação segundo a qual a interrupção da gravidez de feto anencéfalo é criminosa. Dizendo-o em outros termos, declarou que, embora a lei estipule que o aborto de anencéfalo é crime, nós (o STF) achamos e decidimos que não é!
Agora vai além. Alegando que a criminalização do aborto no primeiro trimestre de gravidez viola os direitos fundamentais da mulher, descriminalizou-o também. Em outros termos, a interrupção da gravidez até o terceiro mês de gestação deixa de ser crime!
Essa decisão do Supremo consubstancia uma agressão à Constituição, pois ele (o STF) se arroga poder de legislar. Na ADPF 54 acrescentou mais uma hipótese ao artigo 128 do Código Penal — o aborto de anencéfalo — e agora outra mais, a do aborto praticado nos três primeiros meses de gestação.
Ora, o nascituro é não apenas protegido pela ordem jurídica — sua dignidade humana preexistindo ao fato do nascimento —, mas titular de direitos adquiridos. No intervalo entre a concepção e o nascimento, os direitos que se constituíram têm sujeito, apenas não se sabe qual seja. O artigo 2° do Código Civil hoje vigente entre nós afirma, com todas as letras, que “a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”.
Fetos são seres humanos que podem receber doações, figurar em disposições testamentárias e ser adotados, de modo que a frustração da sua existência fora do útero materno merece repulsa. Fazem parte do gênero humano, são parcelas da humanidade. Há, neles, processo vital em curso.
A proteção da sua dignidade é garantida pela Constituição, aborto é destruição da vida, homicídio.
Uma breve história, por fim. Um homem simples, do campo, ouvindo algumas pessoas discutirem em torno de ser ou não perigosa, para a mãe, a interrupção da gravidez no segundo e no terceiro mês de gestação, perguntou-lhes, ingenuamente, se não seria então melhor deixar nascer a criança e matá-la no primeiro momento de vida...
Um horror! Desgraçadamente, hoje em dia, juízes sem preconceitos, sem saberem o que é o Direito, fazem suas próprias leis...
* Eros Roberto Grau é ministro aposentado do STF
O POVO NÃO É GOLPISTA - 07/12/2016
(Publicado no Estadão)
Ora, direis, a multidão que foi à rua manifestar-se, em plena ordem e sem quebra-quebra, não se compara em volume com as das jornadas de 2013, queixando-se da gestão pública em geral, ou as mais recentes, exigindo o impeachment de Dilma Rousseff. É útil constatá-lo, não apenas para ser realista, mas também para reconhecer que vai ser difícil mobilizar massas empenhadas em livrar-se de um atrapalho de vida pior do que aquela senhora que, para não perder o costume de mentir, atende ao telefone da própria casa dizendo ser uma tal de Janete. Por incrível que pareça, ainda há militantes nostálgicos da maré mansa dos tempos da adesão paga em moeda circulante ou sanduíches de mortadela, que tentam desmoralizar a vontade popular atribuindo-a a “golpismo”. E mais: nem esta mera constatação os convencerá do contrário.
Seja como for, será sempre útil lembrar que os cidadãos vestiram camisetas verdes e amarelas e saíram de casa só para cantar o Hino Nacional, gritar “Força Moro” e “Fora Réunan” (uma cedilha e uma vogal no meio fazendo a diferença). E para mostrar que a maioria silenciosa não perdeu a voz nem o juízo. Mas resolveu deixar a toca para falar. A consoante apoiando o juiz e negada ao nada nobre parlamentar diz respeito a uma cena específica que os manifestantes não admitem omitir ou relegar. Aquela em que o presidente do Congresso, ou seja, do Poder que legisla na República, expôs o agente da lei às contrariedades do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Tal fato se tornou ainda mais sintomático quando este deixou a cumbuca emborcada do Senado para proferir um dos três votos, vencidos por oito, da egrégia Corte. Esta, simultaneamente, tornou réu o presidente da sessão em que, em tese, se debatia uma lei de iniciativa dele para punir abuso de autoridade.
Nessa sessão, o ministro do STF reclamou do relatório aprovado por 450 votos a 1 e 3 abstenções por achar inadmissível reduzir os efeitos do habeas corpus, criar um informante profissional, exigir teste de probidade de servidores públicos e/ou admitir provas ilícitas produzidas de boa-fé (good will). Dessa forma, faltou com o dever de dizer a verdade: as quatro novidades impróprias citadas já haviam sido amputadas do relatório, quando este fora aprovado por unanimidade na Comissão Especial da lei batizada de “10 Medidas Contra a Corrupção”. E dele não constavam mais quando nove emendas o adaptaram à operação “Menas Lava Jato”.
Sérgio Moro ainda teve de enfrentar o ataque histérico do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que o acusou de haver violado a lei ao mandar conduzir coercitivamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor em processo na Polícia Federal. Na sessão, o juiz federal cunhou a expressão “emendas da meia-noite” para definir as alterações que inverteram o sentido da proposta apresentada pelos procuradores federais com o aval de 2 milhões 400 mil assinaturas de cidadãos, tendo cinco delas sido patrocinadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em que pesem as evidências de que nada que ingressa na Câmara é infenso a mudanças pelos deputados, talvez fosse o caso de acrescentar que a aprovação das modificações, embora tendo obtido maiorias significativas, não foi discutida previamente. O que vale é a votação, não a discussão, é claro. Mas será conveniente dispensar o debate?
É pouco provável que os embandeirados, mas não empoderados, das ruas tenham atentado para tantas firulas. Mas ninguém lhes pode negar razões para reclamarem alto e bom som, sem nada quebrar, mais protagonismo de representados em decisões dos soit-disant representantes. Daí, o ritmo das panelas à noite e o ronco nas ruas sob chuva ou sob sol.
De posse da sanidade mental e da pré-racionalidade das multidões, que o relator da lei do abuso de autoridade (apud Réunan), Roberto Requião, tentou negar-lhes, os cidadãos não consumiram alfafa, mamona (oleaginosa venenosa) nem Rivotril, como o grosseiro senador afirmou no Twitter. Nem precisaram do ranchinho da militância. Expuseram-se ao verão e manifestaram sua sensibilidade, ao contrário do parlamentar, notório pelo hábito de latir ante o computador, mas não morder ao relento.
Nisso ele empatou com seu correligionário de partido e adversário ideológico Michel Temer, investido da Presidência da República pela absoluta falta de predicados da titular da chapa com quem venceu dois pleitos seguidos. Enquanto, no sábado, seus antecessores Lula e Dilma homenageavam as cinzas do mais bárbaro e longevo tirano da travessia do século 20 para o 21 em Cuba, Temer prestou homenagens póstumas às vítimas da picaretagem da LaMia e da Conmebol em Chapecó. E expôs-se às vaias ao comparecer (sem falar) ao velório no estádio. Foi obsequiado pelo silêncio das arquibancadas, em que não se ouviu um pio, palma, berro ou apupo. E também saiu ileso dos protestos de domingo, em que, ao contrário do que seu grupo íntimo no Planalto previra, conforme noticiado no Estadão, ninguém se lembrou dele. Para o bem ou para o mal.
Como de hábito, a maioria silenciosa deu uma lição de sabedoria às elites incautas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que havia chamado o governo Temer de “pinguela”, ainda desfrutando a condição de hóspede de um almoço em palácio, clamou por eleição direta no caso de o governo não sobreviver à pressão da crise econômica. E o povo na rua mostrou que sabe que o presidente não é o ideal para a angústia do momento. Mas é o viável. O príncipe dos sociólogos não atentou para o fato de a eleição direta para presidente só ser prevista na Constituição até o fim do mês. Depois do réveillon, ela terá de ser indireta, no Legislativo.
O silêncio dos enlutados na Arena Condá sob a chuva de sábado e a omissão dos embandeirados nas ruas do Brasil à sombra do domingo ensolarado na maior parte delas não absolveram Temer de suas hesitações, mancadas e fraquezas. Apenas reconheceram em suas eloquência e queixa pelo avesso que nada pode ser pior para o Brasil agora do que uma – aí, sim – ruptura institucional, qualquer que seja ela. Definitivamente, o povo não é golpista.
PERGUNTE AOS UNIVERSITÁRIOS - 07/12/2016
(Publicado originalmente na Folha de Londrina)
Na vida do militante esquerdista, há quase sempre um momento decisivo: o momento em que exigem que ele deixe de ser apenas um bocó para se tornar um canalha. Para o escritor americano David Horowitz, um dos expoentes da chamada "Nova Esquerda" nos anos 60, esse ponto fulcral foi o assassinato de sua amiga Betty van Patter, em 1974. Indicada por Horowitz para ser guarda-livros do movimento radical Panteras Negras, Betty entrou em conflito com o grupo e seu corpo apareceu boiando na baía de São Francisco. Todas as evidências colocavam os Panteras Negras em primeiríssimo lugar entre os suspeitos do crime, mas os militantes radicais conseguiram abafar o caso.
David Horowitz decidiu não ser um canalha. Inconformado com a morte da amiga, passou a questionar o movimento radical e a cumplicidade da esquerda com uma série de crimes, dentro e fora dos Estados Unidos. Apontado como "traidor da causa" e "vira-casaca", abandonado por quase todos os antigos companheiros, Horowitz tornou-se um dos principais nomes do conservadorismo americano. Sua trajetória pode ser conhecida na autobiografia "O Filho Radical — A Odisseia de uma Geração". Há excelentes vídeos de suas palestras na Internet, os quais recomendo fortemente aos sete leitores desta coluna.
A operação-abafa no caso Betty van Patter guarda impressionantes semelhanças com o que se seguiu à morte de Celso Daniel, há 15 anos, naquele que considero o marco inicial da era petista. Mas hoje gostaria de destacar uma passagem de "O Filho Radical" em que Horowitz fala do aparelhamento ideológico das universidades americanas nos anos 90, por se tratar de um fenômeno muito semelhante ao que acontece hoje nas universidades brasileiras, sobretudo nos cursos de humanas:
"Os marxistas e socialistas que tiveram a credibilidade abalada pelos últimos acontecimentos na política mundial agora ocupavam cargos efetivos nas universidades. O marxismo produziu os regimes mais tirânicos e mais sangrentos da história da humanidade. Porém, depois da queda, havia mais marxistas nos departamentos das universidades americanas do que em todo o bloco comunista. (...) Os cursos são quase sempre descaradamente ideológicos. Vários professores de esquerda ensinam as matérias de maneira parcial, esperando que os alunos reproduzam essas mesmas opiniões nas provas e nos trabalhos. Os alunos recebem notas segundo parâmetros políticos. Além disso, estes são frequentemente intimidados para não manifestarem as suas próprias perspectivas."
É nosso dever lutar para que essa atmosfera de intimidação ideológica não acabe com as nossas escolas e universidades públicas. Se concordarmos em agir como bocós agora, estaremos, na melhor das hipóteses, sendo omissos; na pior, sendo canalhas. Lembrem-se das duras palavras de Horowitz: "Na nossa geração, ninguém refletiu sobre o apoio dado à quadrilha de bandidos que fizemos passar por vanguarda moral".
Talvez seja a hora de fazer como Silvio Santos e perguntar aos universitários.
Fale com o colunista: avenidaparana @ folhadelondrina.com.br
por Paulo Briguet
SINOPSE CRIMINAL DE FIDEL CASTRO - 01/12/2016
(Publicado originalmente em midiasemmascara.org)
Sua morte não deve significar esquecimento, ao contrário, um firme e exultante jamais deixaremos de ser cidadãos, devemos clamar um e todos os cubanos.
Seu legado, do qual não se pode excluir seu irmão Raúl porque seus aportes foram essenciais para a sobrevivência do regime, é um prontuário delitivo que apequena o de qualquer outro ditador do hemisfério.
Castro irrompeu na política através do bandoleirismo universitário. Não pôde aceder à liderança da Federação Estudantil Universitária, e se associou com os dois grupos mais violentos que operavam na década de 40 na Universidade de Havana.
Sua capacidade para sobreviver se desenvolveu entre aquelas famílias mafiosas. Lá aprendeu a misturar o assassinato com a adulação. Audaz, inteligente e manipulador, se rodeou de um grupo de incondicionais que lhe foram fiéis por décadas.
Mais tarde, um inimigo sem convicções lastreado pela corrupção, lhe permitiu converter umas escaramuças rurais em uma epopéia digna de Homero. A classe dirigente cubana e a imprensa nacional, salvo honrosas exceções, fizeram deixação de sua soberania. O populacho foi consumido por um novo César que desde o princípio lhes deu circo e pouco a pouco lhes roubou o pão.
O totalitarismo se deu novas leis. As paródias de processos legais permitiam assassinatos públicos. Fuzilou-se em parques, cemitérios e detrás das escolas. Militarizou-se a sociedade. Implantou-se o terror. Impôs-se um paradigma que promovia o ódio e o estalido das metralhadoras para resolver as diferenças. As bases culturais e morais da nação, como parte de um Plano Nacional que pretendia recriar a consciência cidadã, foram quebradas para introduzir novos valores e dogmas.
A escola foi quartel e centro de doutrinação, as gerações emergentes cresceram em um ambiente de triunfalismo no qual a fronteira era definida pela frase: “Com a Revolução tudo, contra a Revolução nada”.
Dezenas de milhares de pessoas foram para a prisão. Milhares mais partiram para o exílio. A liberdade intelectual desapareceu. Estabeleceu-se um estrito controle dos meios informativos. As religiões foram enclausuradas em seus templos. Uma espécie de nova devoção impôs sus próprias tradições, cultos, lutos e festas.
Paradoxalmente, o chauvinismo que o oficialismo impulsionou de que Cuba e o cubano era melhor e superior, foi se transformando em um profundo sentimento de frustração, segundo o indivíduo foi vivendo os fracassos e padecendo as contradições do regime.
O “companheiro” ficou de imediato sem os suportes teóricos que por décadas lhe haviam sido insuflados. Ele deu-se conta de que havia se formado em um ambiente no qual as palavras de ordem substituíam os pensamentos e a mentira se convertia em verdade e em pouco tempo voltava a ser mentira, que a fraude procedia desde as mais altas esferas e que a igualdade era outro grande estelionato.
O medo e a conveniência substituíram o conceito do direito pessoal. Um amplo setor do país se conduz com feroz individualismo, pratica o cinismo mais grosseiro e conforma uma massa coloidal que se adapta à situação que demande menos esforço.
Os promovidos progressos cubanos, esporte, educação e saúde, foram outra decepção. Acabaram-se as contribuições estrangeiras e o milagre social desabou.
Na ilha estabeleceu-se uma nomenklatura que desfrutou sem interrupção do poder absoluto. Instituiu-se uma aristocracia artística, desportiva e intelectual, subordinadas ao compromisso político. As Forças Armadas serviram como exércitos mercenários, e hoje são geradoras de fortunas para seus generais. O movimento operário é outra empresa do Estado.
A extorsão, a vulgarização da linguagem e dos costumes, a massificação do cidadão fizeram desaparecer o indivíduo e, por conseguinte, a privacidade.
O pudor escorregou para a promiscuidade e a prostituição, presentes em toda a sociedade, porém sempre questionadas, se reconciliaram com a comunidade para ser aceitas como práticas comuns, porque a primeira coisa era “resolver”, sem se importar como.
A corrupção, o abuso de poder e o cisma provocado pelo sectarismo moral e ideológico de uma nação, alcançaram níveis nunca imaginados. Décadas de castrismo espargiram uma dolorosa sombra no presente e prometem um angustioso alumbramento de futuro.
O castrismo é o principal responsável pela corrosão moral que ameaça se estender a toda a Nação.
Atualmente a economia é parasita, mendiga, dependente da generosidade de outros países como Venezuela e China. Fala-se de reformas econômicas, porém não se pode negar que o regime reprimiu o desenvolvimento de uma economia independente por décadas.
Fidel deixa uma herança penosa. Os números estão em vermelho, não só porque a economia está destruída, senão pela frustração de milhões de pessoas que compraram o sonho que lhes foi roubado, pela amargura dos que enfrentaram o sistema sem êxitos e por uma sociedade que, salvo exceções, perdeu as esperanças.
Tradução: Graça Salgueiro
IMPORTANTE DENÚNCIA AOS PAIS DOS MEUS ALUNOS! - 01/12/2016
O Conselho Superior do Instituto Federal de Brasília -- instituição onde trabalho -- autorizou que uma comissão formada por grevistas, alunos e diretores de ensino definisse a programação de uma "semana de estudos e discussões". Comunicaram a nós professores que os eventos da tal semana seriam atividades letivas, portanto, caso algum aluno quisesse participar, não poderia receber falta nas aulas regulares. Bem, se os eventos se resumissem a palestras e apresentações artísticas, a determinação do Conselho Superior não seria tão absurda. Porém, o evento do último dia foi um claro convite às manifestações de hoje na Esplanada dos Ministérios.
A decisão do Conselho Superior foi totalmente irresponsável! Quer dizer que eu deveria dar presença para um aluno que estivesse na esplanada em pleno confronto com a Polícia Militar? É brincadeira! Palhaçada! E se um aluno menor de idade tivesse sido ferido? Irresponsáveis! Mil vezes irresponsáveis!
Colocaram na programação de uma semana de “estudos e discussões” uma manifestação na qual as chances de tumulto eram altíssimas! É surreal gestores do IFB tentarem nos vender a ideia de que a instituição não está tomando partido, que está apenas promovendo o “debate”. Quer fazer greve, faça! Mas que não se instrumentalizem as instituições públicas para tanto. Evento de greve é evento de greve. Atividade letiva é atividade letiva. Que não se misturem as coisas!
Prof. Eduardo Federizzi Sallenave
QUEM QUER SALVAR O PAÍS TEM DE CUIDAR DO GOVERNO - 27/11/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
Se o presidente Michel Temer for incapaz de cuidar do próprio governo, poderá resgatar o Brasil da pior crise econômica em muitas décadas, talvez a maior da História da República? Ele demorou perigosamente para demitir o ministro Geddel Vieira Lima e liquidar o impasse mais grave, até agora, de seu mandato. A demissão diminui o risco de avançar qualquer ação legal contra o presidente, mas ele obviamente incorreu em alguns erros de avaliação. Subestimou a importância política do escândalo, superestimou a importância de um auxiliar perigoso e deu pouco peso à imagem de um governo supostamente empenhado na recuperação dos padrões da administração. Pode-se esperar, com algum otimismo, um efeito positivo do susto, mas qualquer correção dependerá de um balanço realista dos erros cometidos no Palácio do Planalto. Alguns são graves e, se repetidos, poderão comprometer os objetivos mais importantes do governo.
Bom senso e competência são pelo menos tão importantes quanto a moralidade, quando se trata de governar. Mesmo sem roubalheira, a administração da presidente Dilma Rousseff teria enterrado o País apenas por sua coleção de erros. Equívocos fatais podem ser técnicos ou políticos. Há poucos dias o presidente Michel Temer foi acusado de uma bobagem quase inimaginável: ter pressionado o ministro da Cultura, Marcelo Calero, em favor do interesse do secretário de Governo, ministro Geddel Vieira Lima. Verdadeira ou falsa, essa acusação foi a pior notícia da semana – mais assustadora que a perda de 74.748 empregos formais em outubro ou que o desperdício de 22,9 milhões de trabalhadores por desemprego ou subutilização. Muito mais afetados que o Brasil pela crise de 2008, outros países voltaram a crescer, já há alguns anos, com geração de postos de trabalho. Houve erros e ainda há insegurança, mas em nenhum desses países o governo ficou tropeçando nos próprios pés.
O presidente Michel Temer talvez nunca tenha cometido uma tolice tão grande quanto a citada na imprensa – a tal interferência a favor de um interesse particular. Mas, apesar de sua fama de astuto e prudente, deixou-se envolver num escândalo tão evitável quanto grotesco, desperdiçando energia e capital político essenciais para a nova estratégia econômica.
Nem seria preciso saber, para condená-lo, se o ministro Vieira Lima de fato pressionou seu colega da Cultura para liberar a construção de um edifício em Salvador. A mera conversa sobre um negócio particular já seria, como ensinavam as mães em outros tempos, muito inconveniente. Mas o presidente preferiu preservar seu secretário, considerado indispensável, segundo os aliados, como articulador e negociador político. É difícil, para quem vive fora das jogadas de Brasília, entender a importância de um negociador capaz de expor o governo a uma situação tão constrangedora. Para ser, apesar de tudo, indispensável, uma figura desse tipo deve ter talentos extraordinários.
Também esse ponto é inquietante. Será tão difícil, para o presidente Michel Temer, encontrar e recrutar negociadores competentes e preocupados com o decoro? A qualidade de seu Ministério, desde a interinidade, sempre foi preocupante. Com exceção de uns poucos nomes, na maior parte ligados a assuntos econômicos, a equipe tropeçou desde o começo. Alguns ministros ainda se notabilizaram por fazer declarações inconvenientes e, além disso, por escolherem os piores momentos para se manifestar. Tentando aparecer em lances individuais, logo evidenciaram a dificuldade do presidente para montar e conduzir um jogo de equipe.
Como a agenda econômica é a mais complicada, bastaria ao governo, conforme muitos devem ter imaginado, uma equipe qualificada para cuidar das contas públicas, da inflação, do investimento oficial e do programa de reformas. Quem fez essa avaliação errou.
Todos esses temas envolvem muito mais que desafios técnicos e administrativos. Muitas ações, como a criação de um teto para despesa pública, dependem do Legislativo. Algumas, como a reforma da Previdência e as mudanças trabalhistas, forçarão o governo a se entender também com sindicatos e outras organizações. Qualquer reforma tributária mais ou menos séria terá de passar por um difícil entendimento com os 27 governadores. Se o governo cumprir com sucesso, até 2018, apenas uma parte dessa pauta, com prioridade para a arrumação fiscal, terá realizado um belo trabalho e deixará aberto o caminho para a etapa seguinte.
Para isso um apoio seguro no Parlamento é uma necessidade evidente. Competência jurídica para evitar tropeços legais tem sido e continuará sendo indispensável. Mas também é muito importante a presença de um bom articulador político, no mínimo para garantir os votos necessários no Congresso. Até agora, curiosamente, o político Michel Temer tem mostrado mais discernimento na agenda econômica do que na avaliação dos desafios e riscos políticos.
De toda forma, a semana terminou com duas notícias positivas. Uma delas foi o afastamento, depois de um perigoso atraso, do ministro Geddel Vieira Lima. A outra foi a edição da Medida Provisória (MP) 752/2016, para reativação do programa de concessões. Polêmica em alguns pontos, a MP abre espaço para a renovação antecipada de algumas concessões na área de transportes e para a relicitação de outras. Houve críticas e o governo terá de enfrentar a resistência de concessionários encrencados. Mas foi consumado o lance inicial para reativação do programa de infraestrutura, e esse é um dado animador.
Se der tudo certo, disso poderá surgir o empurrão inicial para a retomada do investimento e a reanimação da economia, depois de uma longa e profunda recessão. Além disso, os cidadãos têm o direito de esperar um presidente, a partir de agora, menos leniente em suas avaliações políticas.
TRUMP E A CANALHICE MIDIÁTICA - 25/11/2016
(Publicado originalmente em www.midiasemmascara.org)
A calhordice da mídia amestrada pelo ativismo esquerdista não se mede aos palmos: incomensurável, ela não pode ser medida por número inteiro ou fracionário. Para se ter uma idéia do abismo, nos Estados Unidos jornais como o New York Times e o Washington Post, manipulados por profissionais da empulhação engajada, há décadas distorcem os fatos mais evidentes ao sabor de suas taras ideológicas, na pretensão mórbida de transformar a verdade na deslavada mentira, e a mentira deslavada, na paralaxe dos homens.
O ativismo roxo que se aboletou nas redações é formado por exércitos de fanáticos que operam noite e dia na distorção criminosa dos fatos, fazendo do ato de informar um instrumento da desinformação (ou contra-informação, conforme o caso) em escala estratosférica. Na prática, para subverter a realidade e construir um “novo senso comum”, a corja ativista batalha na tarefa doidivanas de pensar, sentir e falar pelo leitor, tratando-o como simples cobaia ou manuseável massa de manobra. Um horror.
(Se quer saber, essa canalha não faz jornalismo, faz militância rasteira e, como tal, deveria ser execrada em praça pública ou multada e presa por fraude, sonegação da verdade e propaganda enganosa).
Em âmbito interno, Folha de São Paulo e O Globo, notadamente, lideram o rol de jornalões e jornalecos que procuram embotar a cabeça do leitor, na corrida frenética pela distorção preconcebida dos fatos.
Neste ano de 2016, entretanto, eles estão se ferrando de verde-amarelo, a começar pela cobertura do referendo que tratava da permanência - ou não - do Reino Unido na União Européia, entidade parasitária da burocracia socialista que levou o “velho mundo” ao atual quadro de insolvência. Suas redações torceram adoidadas pelo “sim” – e deu, como previsível, um rotundo “não”, o voto pelo Brexit.
Outra derrota contundente da mídia militante se deu com o famigerado “acordo de paz” tramado em Havana pelos irmãos Castro para livrar a cara das Farc, braço armado do Partido Comunista que há mais de cinco décadas explora o narcotráfico, sequestra, mata, rouba, ocupa terras, cobra pedágio e aterroriza o povo colombiano. Que, naturalmente, em resposta, votou pelo “não” no plebiscito arranjado, pois ele, como sabem todos, guarda fundo horror aos comunistas e seus asseclas narcotraficantes.
Fato também vergonhoso se deu na cobertura tendenciosa dos veículos da Globo durante as eleições para a prefeitura do Rio de Janeiro. Nela, a militância global resolveu demonizar o candidato Crivella e promover o psolista Freixo, profissional da parolagem revolucionária, referência número um entre integrantes dos black blocs, bando encapuzado que leva o terror às ruas do Rio, responsável, entre inúmeros delitos, pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes. Para influenciar o eleitor, O Globo, no dia da votação, tascou em manchete: “Crivella cai e Freixo sobe nas intenções de voto”.
Resultado: o pastor desmoralizou o ativismo global e ganhou as eleições por mais de meio milhão de votos.
O ativismo da mídia esquerdista atingiu o paroxismo, aqui e lá fora, no embate eleitoral dos Estados Unidos. Numa campanha sórdida, em favor da pusilânime Hillary Clinton (uma Dilma Rousseff de 5ª categoria), a “cumpanheirada de viagem” vendeu ao leitor indefeso a imagem de Trump como um racista xenófobo, populista misógino e isolacionista que poria em risco a estabilidade do mundo (imaginado por ela, claro).
Resultado: deu Trump na cabeça, conforme esperado por qualquer mente livre que se preze. A grande imprensa – televisões, jornais e seus institutos de pesquisas fajutos - foi fragorosamente derrotados pelo misógino que recebeu 66% dos votos femininos e o xenófobo maçiçamente votado por mexicanos, mulçumanos e minorias raciais.
Agora, após a derrota, temerosa de que Trump esvazie o corrupto welfare state dos obamacares eleitoreiros (fonte do pior populismo) e isole os EUA da praga social-democrata representada por tipos funestos como François Hollande ou confronte o terceiromundismo da falida ONU e detone, entre outras mazelas, o terrorismo islâmico financiado pelo petróleo asiático, a camarilha midiática pretende acuar o novo presidente. Histérica, quer que Trump traia o seu vitorioso eleitorado e adote a agenda “politicamente correta” da derrotada Hillary – vale dizer, a liberação da droga, a descriminalização do aborto, a permissividade gay e a avalanche do multiculturalismo para triturar os princípios da civilização ocidental e cristã inspirados nos conceitos de Deus, pátria e família.
Só no inferno!
Ipojuca Pontes cineasta, jornalista, e autor de livros como 'A Era Lula', 'Cultura e Desenvolvimento' e 'Politicamente Corretíssimos', é um dos mais antigos colunistas do Mídia Sem Máscara. Também é conferencista e foi secretário Nacional da Cultura.
O ROMBO E A PROPINA - 21/11/2016
Custo da corrupção é muito maior do que o valor desviado. Nos cofres públicos do Rio estão faltando R$ 17 bilhões para que haja equilíbrio. O esquema de corrupção revelado pela Operação Calicute fala em R$ 224 milhões desviados.
A ordem de grandeza é diferente e pode-se pensar que é exagerada a afirmação de que há relação entre o rombo e a propina. O elo existe porque o ambiente de corrupção leva à má gestão e exaure os recursos públicos.
Os milhões da corrupção produzem os bilhões dos desequilíbrios fiscais porque toda a administração passa a girar em torno da lógica do crime. Para que o esquema funcione, é preciso retirar transparência, não prestar contas, tornar todos os números opacos. As decisões passam a ser determinadas pela corrupção.
Qual empreendimento deve ser beneficiado com redução de impostos? Deveria ser o que mais empregos cria, mais aderência tem às vantagens competitivas do estado, mais retorno trará no futuro. Mas acaba sendo aquele que aceita pagar propina. O resto não é levado em consideração porque o importante é se enquadrar na lógica do suborno que passa a dominar a gestão. As empresas que farão as obras não são escolhidas pela eficiência ou pelo melhor custo/ benefício do projeto, mas porque são as que já combinaram tudo previamente e fazem parte do cartel. Em cada obra começa a haver sobrepreço e isso se espalha pelos fornecedores dos fornecedores. O custo vai inchando no ritmo da ganância de todos.
Os cofres públicos vão sendo minados por obras com custo muito mais alto do que seria o normal. E a própria noção de preço se perde porque o cartel domina as obras do estado e as empresas vencedoras das licitações vão se alternando em uma escala que elas mesmas fazem e trabalham com valores que elas escolhem. Depois que o esquema está montado no estado, a conversa passa a ser entre as empresas sobre que preços e que comissões são convenientes para aquele grupo de cúmplices.
No Rio, houve uma farra de benefícios fiscais a empresas por critérios que até agora os governantes não conseguiram explicar, mas se sabe que elas também participavam desse propinoduto, ou dando dinheiro diretamente para o esquema ou indiretamente através do contrato de serviços em empresas de participantes. A existência dos incentivos fiscais é uma porta aberta para a corrupção porque só algumas são beneficiadas enquanto o resto das empresas instaladas no estado continua pagando os mesmos impostos. Ainda que não haja cobrança de propina, o sistema gera distorções na economia. Em um momento como este, em que faltam recursos públicos, como é possível justificar que o governo abra mão de recolher impostos?
Quem acompanhou os relatos feitos pelos policiais e investigadores da Operação Calicute viu a repetição dos mesmos esquemas revelados em outros casos. As autoridades usam pessoas próximas, e de confiança, como operadores para cobrar as comissões, que podem se chamar pixuleco, contribuição, doações para campanha, ou oxigênio. As empresas pagam um percentual para o grupo e têm lucros exorbitantes com a cobrança de um preço muito maior pelas obras. O roteiro é tão conhecido que é até espantoso que ele seja sempre repetido. Há alguns que são mais explícitos. Se ficar comprovado o que foi dito, esse é o caso do ex-governador Sérgio Cabral, que cobraria propina com parcelas mensais altas e crescentes.
Cabral cultivou a imagem de bom administrador e durante algum tempo houve muita esperança. A Secretaria da Fazenda esteve sob o comando de Joaquim Levy. O Rio tinha um projeto de combate ao crime com a Secretaria da Segurança controlada por José Mariano Beltrame e conseguiu um salto no desempenho das escolas com a Secretaria da Educação nas mãos de Wilson Risolia. Não foi sem razão que seu nome passou a ser cotado até para projetos mais altos.
A conta tem que somar perdas tangíveis e intangíveis. O sobrepreço de cada obra, o custo das propinas pagas aos governantes e seus operadores, o descuido com as contas públicas, a perda de bons projetos na área da educação e segurança. O Rio está agora em situação de calamidade. Quanto disso resulta da corrupção? Difícil o cálculo exato, mas a corrupção deixa por onde passa um rastro de destruição. Seu custo nunca é apenas o valor do que foi desviado.
*Publicado originalmente em O Globo (20/01/2016)
RECONSTRUÇÃO DE UMA NAÇÃO ARRASADA - 21/11/2016
Corrupção, protagonismo excessivo, reformas e desenvolvimento – embora pareça contraditório, esse é o retrato do momento brasileiro. Luta-se contra a corrupção, há excesso de protagonismo das autoridades – apesar de idôneas – no seu combate, as reformas são necessárias, mas atingem interesses burocráticos, políticos e de grupos, e o desenvolvimento só se fará se o País voltar a ter paz para que o governo, com corretas sinalizações, venha a implementá-las.
De que o juiz Sergio Moro com a colaboração do Ministério Público (MP) e da Polícia Federal passarão à História, pois representam um verdadeiro divisor de águas entre o Brasil antes e depois da Operação Lava Jato, não tenho a menor dúvida. Conscientizaram o País de que a corrupção nos meios políticos tem de ser combatida e os novos políticos – São Paulo, nas eleições municipais, deu um exemplo – terão de ter, antes de tudo, perfil ético. O povo não aceita mais governos corruptos.
Nem por isso sua ação deixou de ultrapassar, por vezes, os limites estabelecidos para autoridades de seu nível. Os crimes investigados têm mais o perfil de “concussão”, imposição pelos governantes de condições para que empresas contratassem com o Estado – sem o que teriam de paralisar suas atividades –, do que “corrupção”, em que empresários corrompem autoridades. Por outro lado, a midiática atuação do MP para acusar não condiz com a serenidade necessária que o parquet deve ter, para dar densidade a suas acusações.
O próprio Supremo Tribunal Federal (STF), constituído de 11 excelentes juristas, na onda de um protagonismo no passado inconcebível se tornou legislador constituinte, sobrepondo-se ao poder do Congresso de criar normas, superando disposições constitucionais e causando turbulências no processo legislativo. Basta, por exemplo, verificar a postura do Pretório Excelso ao modificar o regimento interno do Senado, impondo novas regras para o impeachment. No impedimento do presidente Collor, dois dias após a decisão da Câmara, o Senado determinou sua destituição, enquanto no da presidente Dilma, levou quase um mês, em que o País ficou praticamente sem governo. Dilma não era presidente senão formalmente e Michel Temer não podia governar, nada obstante a certeza do afastamento, aprovado pela Câmara dos Deputados.
O Brasil, todavia, precisa de maior serenidade agora que é apresentado um projeto coerente de reconstrução de uma nação arrasada, com seus alicerces passando a ser reconstruídos a partir da PEC do Teto de gastos públicos.
O primeiro passo é controlar as despesas de uma burocracia esclerosada. Na comissão do Senado de que participo, presidida pelo ministro Mauro Campbell e com relatoria do ministro Dias Toffoli, temos, elaborado por Aristóteles Queiroz, um anteprojeto de desburocratização que deverá em breve ser levado à Casa da República. A PEC do Teto está nesse caminho.
Há, porém, algumas reformas fundamentais que devem ser promovidas para que um novo edifício institucional seja construído.
A reforma política é necessária. Embora eu defenda o parlamentarismo desde os bancos acadêmicos (poderá o leitor acessar o e-book que coordenei, sob o título Parlamentarismo, utopia ou realidade?, com 24 ínclitos juristas de reconhecimento nacional e internacional, em www.gandramartins.adv.br ou no meu e-mail ivesgandra@gandramartins.adv.br), creio que o primeiro passo será a adoção de cláusula de barreira, com avaliação de desempenho partidário para a manutenção dos partidos; voto distrital misto, ou seja, metade dos deputados sendo eleitos no distrito e metade em eleições proporcionais; financiamento de campanha sob rígido controle e eliminação de coligações partidárias.
A reforma previdenciária, embora de impacto em mais longo prazo, é imprescindível. Se não vier, a população que trabalha não terá como sustentar uma população superior aposentada, no futuro. A reforma trabalhista, no que concerne à terceirização e às convenções coletivas de trabalho, é relevante para reduzir o desemprego, que a CLT, de 1943 (verdadeira “vaca sagrada”), de longe não protege.
Quanto à reforma burocrática, temos esperança de que o nosso anteprojeto, que surge de uma comissão criada pelo próprio Senado com essa finalidade, possa ser aprovado.
A reforma tributária não pode esperar mais. Reclamam os governantes dos Estados, que embarcaram na guerra fiscal inconstitucional (assim a definiu o STF), que não têm dinheiro. Mas foram os responsáveis por uma irracional política de incentivos, tendo deixado de cobrar ICMS de grupos que se instalavam em seus territórios, até causando descompetitividade no próprio Estado. É de lembrar que o STF sempre considerou inconstitucional tal prática, sem que os Estados se curvassem, pois editavam novas leis padecendo do mesmo vício tão logo a lei anterior era declarada violadora da Carta da República.
A reforma do Judiciário é importante. A Constituição federal sinalizou a necessidade de uma nova Lei Orgânica da Magistratura. Como a iniciativa é do próprio Judiciário, até hoje não houve nenhuma proposta nesse sentido, continuando a velha e ultrapassada lei complementar de 1975 (LC 35) a reger um Poder que, de longe, nada obstante ser o melhor dos três Poderes, não atende mais à necessidade dos jurisdicionados.
Enfim, poderá o presidente Michel Temer, hábil político e excelente constitucionalista, com sua capacidade reconhecida de articulação e serenidade de pronunciamentos não demagógicos, dar início a essa árdua empreitada, para que o País saia de uma crise sem precedentes em sua História, construída pelos desastrosos governos dos últimos 13 anos.
É o que os brasileiros esperam, para que as potencialidades do País permitam à sua gente o crescimento que merece.
*Professor emérito das Universidades Mackenzie, Unip, Unifieo e Unifmu, do CIEE/O Estado de S. Paulo, da Eceme, da ESG e da Escola da Magistratura do Tribunal Regional Federal - 1ª região
NÃO HÁ A TAL COISA DO ALMOÇO DE GRAÇA - 19/11/2016
A frase acima ganhou notoriedade em 1975, com o lançamento do livro de Milton Friedman, "There's no such thing as a free lunch". Mas há indícios de que ela tenha sido usada bem antes, nas décadas finais do Século XIX, por comerciantes do velho oeste americano que, precisando atrair clientes, ofereciam comida de graça aos fregueses, desde que consumissem bebidas alcoólicas. Como era de se esperar, o custo da refeição ficava oculto no preço das bebidas, não se confirmando a tal promessa do almoço gratuito. É compreensível! Um empreendimento, para sobreviver, tem que ser lucrativo ou, no mínimo, não gerar prejuízo.
Hoje em dia é na administração pública que se revelam os mais altos custos ocultos. Inobstante esteja escrito que o sistema é regido por princípios constitucionais da eficiência, trata-se de uma apreciação formal. É praticamente impossível dar eficiência a uma empresa controlada por decisões políticas e burocráticas, salvo uma ou outra honrosa exceção. Isso fica evidente quando abrimos o campo de atuação pública à iniciativa privada. A abertura faz com que surjam novos bens, novas tecnologias e novas formas de se fazer as coisas, aumentando a produtividade e deixando transparecer os custos ocultos.
No livro citado, Friedman mostra que o melhor desempenho do setor privado, em relação ao público, pode ser explicado de quatro maneiras: a) quando a pessoa gasta o próprio dinheiro, consigo mesma; b) quando ela gasta o próprio dinheiro, com outras pessoas; c) quando a pessoa gasta o dinheiro de terceiros, consigo mesma; e d) quando ela gasta o dinheiro de terceiros, com outras pessoas. E a forma mais produtiva, em termos de custo-benefício, é quando a pessoa gasta o próprio dinheiro, com ela mesma; e a menos produtiva, é a usada pelo governo, ao gastar o dinheiro de terceiros, com outras pessoas.
Aristóteles, o filósofo grego, prefere ajuizar de maneira mais simples as vantagens de se lidar com o que é próprio, vis-à-vis o que é comum a todos, considerando, apenas, que os indivíduos cuidam melhor do que é seu, do que aquilo que é comunitário. Curiosamente, vai além, ao fazer referência a outra superioridade moral da propriedade privada: a oportunidade de se poder praticar a verdadeira benevolência e filantropia, refletindo que não há nenhum mérito quando se distribui o que é dos outros.
A reflexão tem mais valor se for contextualizada ao cenário atual de crise da economia brasileira. Exigir mais "almoços" do setor produtivo neste momento pode nos impelir a uma situação semelhante à batalha de Pirro, onde não há ganhador, seja empresário, consumidor, contribuinte ou fiscalista.
* Economista (UFRGS); grau MBA, conferido pela Michigan State University –USA, especialização em Finanças; e membro Especialista do Instituto Millenium - IMIL
SOCIEDADE DA TRANSPARÊNCIA: COMO A EXCESSIVA EXPOSIÇÃO VOLUNTÁRIA REPRESENTA UMA NOVA FORMA DE PRISÃO - 15/11/2016
(Publicado originalmente em rodrigoconstantino.com)
Bentham imaginou o famoso panóptico, uma penitenciária ideal em que um único vigilante conseguiria observar todos os prisioneiros, sem que estes conseguissem ver seu observador. Mas o mundo atual não se parece tanto com esse Big Brother, e sim com uma prisão transparente, em que todos vigiam todos, e se expõem de forma voluntária a esta “penitenciária”.
Essa é a tese do filósofo coreano Byung-Chul Han, professor em Berlim e autor de The Transparency Society, livro pequeno de tamanho, mas profundo de mensagem. Soube dele pela coluna de João Pereira Coutinho. Em que pesem nossas diferenças sobre a eleição americana, continuo admirando bastante o gajo, e suas recomendações são sempre imperdíveis. Comprei o livro, devorei cada página neste domingo, e são mesmo reflexões bem interessantes provocadas pelo autor.
O exemplo utilizado por Coutinho em sua resenha foi a de um shopping center asiático com um banheiro transparente. Que tipo de gente pode desejar voluntariamente se expor desse jeito, escolher a vida de um BBB? Enquanto eu lia as páginas, outro caso me veio à mente. Vi recentemente um vídeo que circulou bastante pelas redes sociais de uma mãe exasperada ao saber que a filha adolescente era lésbica.
Era tudo uma “pegadinha”, uma brincadeira. A mãe, descontrolada, chegou a pegar uma faca nas mãos. Eis o que chamou a minha atenção, e pelo visto só a minha: enquanto todos comentavam sobre o absurdo da reação preconceituosa dessa mãe, eu pensava em que tipo de gente resolve expor a própria mãe dessa forma. Que família desestruturada pode querer tornar público um momento reservado desses?
O simples fato de eu ter sido aparentemente o único a pensar nisso demonstra como vivemos mesmo na era da “transparência”, e como ela realmente pode ter efeitos nefastos. A tese de Han é que o capitalismo neoliberal foi o responsável por transformar tudo em commodities, em mercadorias para exposição. Não creio ser necessário aceitar totalmente sua premissa para concordar que os excessos dessa sociedade moderna são perigosos.
Informação virou commodity hoje em dia, mas isso não significa uma geração mais sábia. Sabedoria demanda reflexão, algo que está em falta. Para Han, sempre que a informação se torna fácil de obter, o sistema social muda da confiança para o controle. Isso não é saudável. Vivemos um verdadeiro culto da transparência, só que o próprio planejamento de longo prazo se torna inviável em meio à temporalidade que essa transparência “plena” impõe. Tudo é para consumo imediato.
Nesse mundo transparente, tudo é voltado para a produtividade e a aceleração. Os indivíduos se oferecem voluntariamente para esse espetáculo, expondo-se mais e mais num panóptico digital que representa uma forma de prisão, de controle. Se em doses saudáveis a transparência é uma vantagem, quando vira ideologia totalitária ela pode levar ao terror.
Uma característica comum nesse mundo moderno é seu lado superficial, em que tudo precisa ser “positivo”. As “curtidas” cada vez mais rápidas substituem qualquer reflexão mais profunda, que demanda tempo e afastamento, e também o aspecto crítico da vida em sociedade, ou seja, as reações negativas que nos ajudam a amadurecer. A complexidade demanda uma comunicação mais lenta, enquanto a superficialidade é veloz.
A alteridade se transforma num fardo, e a resistência ao Outro fica cada vez maior. Tudo aquilo que perturba ou atrasa a comunicação do Mesmo é deixado de lado, ignorado, e o resultado é uma uniformização maior. A ditadura do politicamente correto ilustra bem esse fenômeno.
Máquinas podem ser totalmente transparentes; não seres humanos. Ao menos não humanos livres. A liberdade pressupõe um grau razoável de opacidade, de privacidade, até mesmo de máscaras no baile da sociedade, no teatro da vida. O amor, por exemplo, exige o desconhecido, o obscuro, o inalcançável e inacessível. Amor sem absolutamente nada a esconder é pornografia.
No mundo das “curtidas”, o valor de culto é substituído pelo valor de exibição. A compulsão por expor, que faz com que tudo se torne visível, faz também com que a “aura” – a “aparência de distância” – desapareça completamente. Nessa sociedade, todo sujeito é também seu próprio objeto de propaganda. Tudo deve ser desnudado, exposto, colocado na vitrine, num show.
Do erotismo acabamos na pornografia. O segredo dá lugar ao obsceno. O sagrado, ao profano. A beleza precisa de segredo. O pudor é gerado pela vergonha da nudez, da exposição excessiva. No mundo moderno, isso está desaparecendo. Não pode haver erotismo na transparência plena; é simples pornografia. As intimidades são expostas, vendidas no mercado, consumidas. As pessoas buscam a “transparência” expondo voluntariamente suas intimidades perante o público. Mas a sociabilidade exige certa distância, até mesmo entre amigos e amantes.
Aqui, como alhures, podemos encontrar Rousseau como o pai do totalitarismo moderno. O filósofo escreveu em suas Confissões que ninguém mais foi tão transparente como ele, que seu coração era cristalino, não escondia nada do que se passava dentro dele. Rousseau clamava por essa abertura do coração, onde todos os pensamentos e sentimentos puros fossem compartilhados, cada um mostrando ao mundo como realmente é.
Claro que o “filósofo da vaidade” foi um hipócrita nisso também, como em tudo mais. Suas “confissões” eram falsas, seletivas, deturpadas, como aquelas que vemos no Facebook, das famílias sempre “felizes”, dos sorrisos, dos bons sentimentos. A transparência real já seria terrível; aquela manipulada e falsa consegue ser ainda pior.
Rousseau pregava uma ditadura do coração, pois acreditava no “bom selvagem”. Mas seu modelo de “hipertransparência” leva apenas a uma tirania. Ele mesmo assumia que preferia cidades pequenas, pois cada um poderia ser o censor do outro, e a polícia de todos, e era contra os teatros, a arte de enganar e simular. Para ele, o romano que desejava construir uma casa transparente, onde tudo que se passava dentro dela pudesse ser conhecido, era o exemplo a ser seguido.
Estamos chegando perto desse “paraíso”, ou, para muitos outros, um verdadeiro inferno. No panóptico digital de hoje temos um exibicionismo crescente, um voyeurismo doentio, e um controle asfixiante de todos por todos. E pior: chamam a isso de liberdade! Sem direito ou desejo por privacidade alguma. Sem mistério, sem distanciamento saudável, sem reservas. Ninguém mais quer ser contido; é preciso ser “autêntico”, “genuíno”, e dar vazão a todos os apetites sem freios, e ainda por cima expor isso ao mundo!
Confiança, para existir, pressupõe desconhecimento. Não confia quem sabe tudo do outro, quem contrata um detetive particular. Isso é controle. Quanto menos confiança houver, maior a necessidade de controle. Vivemos na era da desconfiança, do cinismo, e como efeito disso, temos mais controles. Nada pode ficar de fora. A demanda estridente por mais transparência geral pode ser o sintoma do declínio de valores morais como a honestidade, pilar da confiança. Estamos cada vez mais expostos, e confiamos cada vez menos nos outros, em meio a toda essa transparência.
AOS SEM-VOTO, RESTA A MAZORCA - 13/11/2016
Bem que Guilherme Boulos, o notório líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), avisou que iriam “virar rotina” os bloqueios de avenidas e estradas como forma de protesto por parte dos “movimentos sociais” que perderam seus privilégios depois do impeachment da petista Dilma Rousseff.
É espantoso que sobre esses grupelhos, que agem evidentemente como marginais, ainda não tenha recaído o peso da lei. Em países onde vigora o Estado de Direito, o direito à manifestação é respeitado, mas a baderna e a desordem, não. A falta de pulso para lidar com delinquentes que decidem infernizar a vida dos cidadãos comuns quando lhes dá na veneta, sem que por isso sejam devida e legalmente reprimidos, alimenta a sensação de que tudo podem.
Portanto, o que aconteceu ontem em São Paulo e em diversas cidades do País, onde manifestantes impediram milhares de pessoas de chegar aonde pretendiam e atender a seus compromissos diários, vai mesmo “virar rotina” – pelo menos até que o poder público resolva cumprir seu papel de guardião da segurança e dos direitos de todos, sem concessões.
O mote do tumulto de ontem foi a chamada PEC do Teto, a Proposta de Emenda Constitucional que visa a colocar um fim na gastança desenfreada que quebrou o País durante o mandarinato lulopetista. O motivo, claro, é o de menos. Para a tigrada, o que importa é criar problemas para o governo de Michel Temer, na presunção de que, se as medidas tomadas pelo presidente fracassarem e se for criado um clima de confronto social, o eleitor voltará para os braços do PT e seus associados.
Feitas as contas, é apenas isso o que restou aos petistas e companhia: promover a mazorca. De uma hora para outra, o outrora robusto capital eleitoral do PT derreteu, em meio às evidências de envolvimento de seus principais dirigentes em cabeludos escândalos de corrupção e depois que o País afundou numa brutal crise econômica causada pelas irresponsabilidades de Dilma Rousseff, criatura inventada pela soberba do chefão Lula da Silva. O eleitor, enfim, cansou-se do engodo petista, negando-lhe os votos de que o partido se julgava dono e que pareciam lhe garantir o poder eterno.
É claro que, por não terem nenhuma vocação democrática, os petistas, em lugar de admitir seus erros, preferiram criar toda sorte de teorias para justificar sua queda. A principal delas é a de que existe um complô – ou um “pacto diabólico”, conforme definiu Lula – das “elites” para erradicar o PT e acabar com os direitos dos trabalhadores. Para denunciar essa tal conspiração, os petistas resolveram colocar a tropa na rua, prejudicando principalmente os trabalhadores que eles dizem defender.
O movimento de ontem, chamado de Dia Nacional de Greves e Paralisações, foi liderado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pela Frente Povo Sem Medo, pela Frente Brasil Popular e outros tantos grupelhos inconformados com a democracia. Sem representarem nada além de seus chefetes e privados do acesso às tetas estatais em que mamaram durante os anos de bonança lulopetista, eles investem na confusão. Apresentam-se como defensores dos trabalhadores e atribuem ao governo Temer a pretensão de fazer o ajuste fiscal à custa dos mais pobres, o que tornaria legítimo o movimento paredista.
No entanto, como os eleitores deixaram claro nas urnas, essa patranha não cola mais. Mesmo os antigos simpatizantes do PT perceberam que a atual aflição dos trabalhadores resultou da funesta experiência desse partido no poder federal, replicada em maior ou menor grau em quase todos os Estados. Foi o gasto público irresponsável que condenou o País à recessão, ao desemprego e, pior, à falta de perspectiva. O mínimo a fazer, como esperam todos aqueles que têm de trabalhar para viver, é interromper essa sangria e recuperar as contas públicas, de cujo equilíbrio dependem a manutenção dos serviços essenciais para os mais pobres e a retomada da geração de empregos. E, não menos importante, é também obrigação dos governos, em todos os níveis, não permitir que os derrotados nas urnas se tornem senhores das ruas.
SUBMISSÃO DA ESQUERDA: PROTEÇÃO AO ISLÃ, DIFAMAÇÃO AO CRISTIANISMO - 11/11/2016
(Reproduzido a partir do midiasemmascara.org)
Amazon, o maior portal de compras do mundo, vende muitas fantasias de Halloween. Uma das novidades de 2016 é a "Burca Sexy", manto típico obscurantista que os talibãs e o Estado Islâmico impõem às mulheres. Mas a burca sexy, que na Amazon UK, foi lançada a £18,99, não durou muito no portal.
O colosso comercial de Jeff Bezos removeu o item do website, depois que a Amazon foi inundada com acusações de "racismo" e "islamofobia" por comercializar uma vestimenta islâmica com o rosto branco de uma modelo usando "um artigo de vestuário religioso para fins comerciais". "Vocês são nojentos, minha cultura não é moda feminina", salientaram muitos clientes da fé islâmica. Outros fizeram uso de um tom menos simpático: "sejam vocês quem forem, vocês devem temer Alá. Isto não é brincadeira".
O porta-voz da Amazon se pronunciou de imediato: "todos os vendedores no mercado devem seguir nossas diretrizes de vendas e aqueles que não as acatarem estarão sujeitos a tomada de sérias providências, incluindo possibilidade da remoção de nossa lista de clientes. O produto em questão não está mais disponível ao público".
De modo que essa paródia do símbolo global da opressão feminina de Halloween foi censurada. Isto porque os véus islâmicos contradizem os valores ocidentais de liberdade, igualdade e dignidade humana de forma tão abrangente que essa mentalidade progressista relativista defende esses véus islâmicos, como o faz com o burquíni, de forma resoluta.
Estamos aqui portanto diante do padrão de dois pesos e duas medidas. E quanto ao traje de Halloween da "Freira Sexy", traje este que zomba da Igreja Católica? Apesar dos protestos de um grande número de clientes católicos, a "Freira Sexy" continua à venda na Amazon. Neste caso não se trata de uma forma de "cristianofobia"? Além disso, a freira é uma figura religiosa, ao passo que a burca é uma mera tira de tecido.
Tomemos o The Guardian, o mais famoso jornal britânico da esquerda liberal. Quando os artistas do Pussy Riot colocaram em cena o show supostamente ofensivo de 3 minutos na Catedral do Cristo Salvador em Moscou, pelo qual dois dos três artistas preferiram ficar na prisão em vez de repudiar o texto (o terceiro pediu desculpas para evitar o xilindró), o jornal os defendeu como "pura poesia de protesto." Quando o grupo político PEGIDA conclamou a realização de protestos contra a islamização da Alemanha, o mesmo jornal o detonou como "um vampiro que deve ser morto." O mesmo padrão de dois pesos e duas medidas também emergiu durante a briga em torno da construção de uma Mesquita perto do Marco Zero, quando a mídia de esquerda tomou partido da comunidade muçulmana.
Em janeiro de 2006, o mais famoso cartunista da Noruega, Finn Graff, anunciou que estava se autocensurando em relação a Maomé. Graff nunca teve problemas em fazer brincadeiras com os cristãos, os quais ele retratou vestidos com camisas marrons e suásticas. Graff também desenhou uma série de representações gráficas controversas contra Israel, uma delas retratando o primeiro-ministro israelense Menachem Begin como comandante de um campo de concentração nazista.
O mesmo aconteceu com o cineasta alemão-americano Roland Emmerich, diretor de muitos filmes de catástrofes. Ele abandonou um projeto de destruir o local mais sagrado do Islã na tela de cinema por medo de atrair contra si uma fatwa (decreto religioso) decretando sua morte. Em seu filme, "2012", Emmerich planejava demolir a Caaba, a icônica estrutura em forma de cubo na Grande Mesquita de Meca. "É perfeitamente aceitável detonar símbolos cristãos, mas se fizer o mesmo com um símbolo árabe, a consequência será uma fatwa", ressaltou Emmerich. Pelo menos ele foi sincero.
Após o massacre da maioria do staff da revista satírica francesa Charlie Hebdo, todos os principais jornais liberais da esquerda Ocidental, redes de televisão e agências de fotojornalismo, começando com os "Big Three" (MSNBC, CNN e AP), que competiam entre si para justificar a decisão vergonhosa de censurar a capa da Charlie Hebdo, na qual o profeta islâmico Maomé diz "está tudo perdoado." A CNN emitiu um comunicado dizendo que a reprodução da capa poderia ofender "as suscetibilidades do público muçulmano". Um ano mais tarde, quando o Charlie Hebdo publicou uma nova capa, representando um judeu-cristão "assassino de Deus" em vez do profeta islâmico, a CNN a reproduziu.
Em 2015, a BBC descreveu a capa da Charlie Hebdo sem mostrá-la, a rede britânica não repetiu aquela forma de apresentação um ano mais tarde, quando a Charlie Hebdo lançou a nova capa anticristã. O mesmo padrão de dois pesos e duas medidas foi adotado pelo jornal conservador britânico, Daily Telegraph,que cortou a capa com a caricatura de Maomé, mas publicou a outra, com o Deus de Abraão.
Em 2015 a Associated Press também censurou as charges islâmicas da Charlie Hebdo. O motivo? "Deliberadamente afrontoso." Em 2016 a agência não teve nenhum problema em mostrar a nova capa retratando não Maomé e sim o Deus judaico-cristão.
Esse duplo padrão moral da elite de esquerda também apareceu no New York Times, que em nome do "respeito" em relação à fé muçulmana censurou as caricaturas de Maomé da Charlie Hebdo - para depois decidir, em total desrespeito, que a Gray Lady (The New York Times) poderia e deveria publicar a obra "Eggs Benedict" de Nikki Johnson, exibida no Milwaukee Art Museum, na qual preservativos de diversas cores formam o rosto do Papa Bento XVI.
O "Califa" do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, ridicularizado pela revista Charlie Hebdo, desencadeou a autocensura por causa do "discurso de incitamento ao ódio," ao passo que o trabalho de Chris Ofili "A Santa Virgem Maria," na qual a mãe de Jesus é coberta de fezes e imagens de órgãos genitais, foi defendido pelo New York Times como "liberdade de expressão". Isso significa que algumas religiões são mais iguais do que outras?
Se um imã protesta veementemente contra algo, a elite de esquerda sempre apoia a falsa acusação de "islamofobia". Se um protesto pacífico é liderado por um bispo católico, a mesma elite invariavelmente o rejeita em nome da "liberdade de expressão".
Esqueça a "Burca Sexy"". Na noite de Halloween, somente a "Freira Sexy" estará disponível, enquanto o "Califa" Baghdadi poderá estuprar suas escravas sexuais yazidis e cristãs com total impunidade.
DETURPARAM MARX: MILÉSIMA EDIÇÃO - 07/11/2016
(Publicado originalmente em sensoincomum.org)
"O PT nunca foi de esquerda" - A esquerda, agora, tenta atribuir à direita os resultados catastróficos de suas ideias e práticas.
As eleições municipais de 2016 no Brasil sinalizaram um evidente enfraquecimento da esquerda. Significativo quanto a isso foi o colapso eleitoral do PT, que, no segundo turno, foi derrotado em todas as capitais onde disputava prefeitura, inclusive na região que foi o berço do partido – o ABC paulista.
Diante da perda de poder, e quebrada a hegemonia com a qual se acostumara desde os anos 1960 (como já assinalara à época Roberto Schwarz), a esquerda brasileira, com notável capacidade de resposta, já se articula como no passado em torno de seu esporte predileto: a auto-crítica. Mas que o leitor não se deixe confundir por homonímias. No vocabulário esquerdista, a expressão tem um significado bem específico, distinto daquele, habitual e senso-comum, que envolve noções como arrependimento moral, culpa, peso na consciência etc.
Desprezando aquele conjunto de idéias, expressões do que Trotsky ridicularizou como “catecismo burguês” – enfatizando suas origens cristãs –, a esquerda entrega-se à auto-crítica num único e exclusivo sentido, um sentido, por assim dizer, metodológico, jamais ético. Tudo o que busca avaliar são as razões de sua perda de poder.
Eis o critério orientador da auto-crítica de esquerda: o poder. Ter o seu poder político limitado é a única coisa capaz de revolver o espírito do esquerdista a ponto de nele suscitar um simulacro de indignação moral sincera, ainda que pervertida. Nada poderia exemplificá-lo melhor que as maquiavélicas palavras de Gramsci acerca do moderno príncipe, isto é, o partido de esquerda:
“O moderno príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, na medida em que o seu desenvolvimento significa de fato que cada ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, mas só na medida em que tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe e serve para acentuar o seu poder, ou contrastá-lo”.
É nesse contexto que surgem agora dois movimentos simultâneos e complementares no seio do esquerdismo brasileiro, ambos os quais buscando juntar os cacos com vistas a uma futura retomada do poder.
O primeiro é aquele que poderíamos chamar de ortodoxia petista, representado intelectualmente por nomes como Marilena Chauí, Emir Sader, Renato Janine Ribeiro, André Singer, entre outros. Seu método é reafirmar obstinadamente, a despeito dos fatos, o caráter popular e democrático do projeto petista, cujo fracasso, portanto, deve ser todo posto na conta de uma ‘elite’ (termo que incluiria a maior parte da população brasileira, a oposição, a Polícia Federal, o Ministério Público, o STF e sabe-se lá mais o que) em tese refratária à ascensão social dos mais pobres.
É, em suma, a tese do golpe de 2016, veiculada numa série de novos livros conjunta e emergencialmente editados – o que revela ainda a força da extrema-esquerda no campo da circulação de idéias – com o fito exclusivo de emplacar a delirante narrativa dos vencidos.
O segundo, que poderíamos chamar de reformismo pós-PT, é usualmente representado por apóstatas do petismo (figuras como César Benjamin, Luiz Eduardo Soares, José de Souza Martins, entre outros), e seu argumento central, mais sorrateiro, consiste na afirmação de que o PT nunca foi de esquerda. Segundo essa perspectiva – reforçada recentemente pelo marxista italiano Antonio Negri (ver aqui) –, nunca se é de esquerda o bastante.
Trata-se do apelo à velha estratégia do “deturparam Marx” – pela qual a esquerda mundial procurou justificar os crimes contra a humanidade cometidos por regimes comunistas – ou, na formulação do filósofo Gilles Deleuze, “não há governo de esquerda” (ver aqui). A esquerda estaria sempre em oposição ao poder, não passando de uma idéia bonita, uma virtualidade jamais atualizada. Para quem não deseja assumir a responsabilidade pelas consequências de suas idéias, eis a receita ideal. A esquerda seria sempre pedra, jamais vidraça.
Embora pareçam divergir, os dois movimentos opõem-se apenas na superfície. Encontram-se, no máximo, em oposição dialética. Nos termos de uma clássica definição de György Lukács, dir-se-ia que são “momentos dialético-dinâmicos de um todo que, ele próprio, também é dialético-dinâmico”. Trata-se de uma divisão que apenas impulsiona a esquerda para mais perto de seus objetivos, sendo o primeiro deles, tradicionalmente, o livrar-se do peso de seus fracassos e crimes.
Este texto é uma tentativa retardatária de resposta a um artigo bastante representativo do reformismo pós-PT, publicado já há quase um ano, e pouco notado no campo liberal-conservador. Intitulado “Por que a esquerda tem mais razões do que a direita para ser a favor do impedimento de Dilma e da punição de Lula?”, seu autor é o economista Reinaldo Gonçalves, professor titular da UFRJ.
O artigo de Gonçalves, um dos raros esquerdistas a se manifestar à época favoravelmente ao impeachment de Dilma Rousseff, tem como objetivo purificar a esquerda brasileira, apagando para isso os seus laços de cumplicidade com o falido projeto lulo-petista. A estratégia tem tudo para dar certo, por conta do mau uso que, em geral, a classe falante brasileira faz dos conceitos de “esquerda” e “direita”.
Que o governo do PT não tenha sido de esquerda foi sugerido até mesmo pela experiente jornalista Dora Kramer (ver aqui). E não teria como ser de outro modo: quando se parte de um conceito meramente idealizado de esquerda – e num país como o nosso, carente nas últimas décadas de um pensamento conservador, esse conceito é adotado inclusive por anti-esquerdistas –, torna-se obviamente impossível apreender essa esquerda na realidade política.
De resto, devo dizer que concordo parcialmente com o diagnóstico geral do autor, por sinal muito bem exposto. E também, é claro, com o remédio então sugerido: impeachment da Dilma (já concretizado) e prisão de Lula (estamos todos no aguardo!). Mas, por partir de uma perspectiva intelectual e política diversa, eu não posso endossar a sua razão pragmática, que é fazer com que a esquerda reassuma, como se nada houvera acontecido, o controle das ruas e o monopólio sobre a interpretação dos acontecimentos, que ela recentemente perdeu – e, graças à internet, perdeu feio.
Reinaldo Gonçalves foi filiado ao PT durante 20 anos, tendo rompido com o partido em 2005, dizendo-se cada vez mais arrependido e envergonhado por essa longa filiação. Hoje, apesar de anti-petista, segue sendo um homem de esquerda (um social-democrata tendendo ao socialismo, parece-me).
Eu, que já fui de esquerda (de vertente mais soixante-huitardista que marxista), já há muito deixei de sê-lo. Poderia dizer-me de direita, mas com a condição de ressalvar: uma direita ainda politicamente inexpressiva no Brasil, e que, nos últimos anos apenas, começou a ganhar terreno na esfera cultural, posto que de maneira incipiente. Logo, a distância enunciativa, por assim dizer, entre mim e o autor, deve fatalmente produzir curtos-circuitos classificatórios e enganosas homonímias.
Adotarei aqui a perspectiva de um emergente pensamento neoconservador brasileiro, sem pretensão de representá-lo exaustivamente, é claro. Não falo em nome do conservadorismo nacional como um todo, tampouco ousarei defini-lo de forma precisa. Há gente mais gabaritada para fazê-lo. O que o leitor verá aqui é o meu entendimento particular do conservadorismo, e como ele serve de base para a minha crítica. Longe de encará-lo como uma doutrina passível de ser coerente e sinteticamente exposta, vejo-o mais como um antídoto anti-doutrinário, uma certa disposição do espírito.
Sem querer pregar apenas para convertidos, dirijo-me também a uma eventual esquerda republicana sobrevivente ao colapso do lulo-petismo, uma esquerda imaginária, livre do ranço totalitário e patrimonialista daquele modelo. De boa vontade, tomo o economista Reinaldo Gonçalves por representante metonímico dessa nova esquerda virtual. Mas observo que, apesar de sua manifesta intenção de abertura intelectual e renovação, parece-me que também essa variante da esquerda continua refém de certos vícios adquiridos, os quais, se não corrigidos, tendem a inviabilizar um debate político honesto. Eis o cerne do meu comentário.
Dos procedimentos adotados por Gonçalves com vistas à obtenção de precisão conceitual acerca da dicotomia esquerda versus direita, eu não faria qualquer objeção relevante ao primeiro – “hipóteses simplificadoras”, que circunscrevem a discussão aos limites da democracia capitalista – e terceiro – “tipologia flexível”, que determina como campos políticos a esquerda, a centro-esquerda, o centro, o centro-direita e a direita. Já quanto ao segundo, que o autor denomina “marcadores”, gostaria de pontuar algumas coisas.
Os principais marcadores utilizados pelo autor são o mercado e o Estado. Essas instituições, diz ele, “são fundamentais para se configurar os campos da esquerda e da direita”. Digo eu, no entanto, que essa é uma meia-verdade.
Sim. É fato que a oposição mercado versus Estado define basicamente a divergência entre liberais e esquerdistas (social-democratas e/ou socialistas). O problema começa quando o autor opta por tratar liberais e conservadores como um bloco homogêneo (“direita”), incorrendo num equívoco teórico típico da esquerda, que, de partida, distorce consideravelmente o debate político. O ponto é que a oposição “Estado vs. mercado” não contempla exatamente o campo conservador, para o qual seria preciso inserir aí, no mínimo, dois outros marcadores fundamentais: a família e a comunidade (moral e/ou religiosa).
E então teríamos os conservadores abrindo duas frentes de divergência, uma com a esquerda (Estadovs. família ou comunidade), outra com os liberais (mercado vs. família ou comunidade). É um erro conceitual equacionar conservadorismo com mercado auto-regulado, como propõe o quadro 1 do artigo de Gonçalves:
Porque, para o conservadorismo (e aqui penso sobretudo em sua vertente anglo-americana), o mercado também deve ser, de certa maneira, ‘regulado’. Não, é claro, pelo Estado – que, de acordo com certa filosofia política conservadora (ver, por exemplo, a de Bertrand de Jouvenel), tende ‘naturalmente’ a um temível agigantamento –, mas pelos valores morais e religiosos compartilhados pela comunidade, e sedimentados no seio da família.
E sim, a família aqui é a família monogâmica tradicional. Embora o conservador possa reconhecer a legitimidade (civil, legal, afetiva) dos novos arranjos familiares surgidos nas sociedades contemporâneas, ele repudia o combate ideológico (revolucionário) contra o conceito de família tradicional, que resulta em aberrações politicamente corretas tais como, entre outras, a abolição do Dia dos Pais e do Dia das Mães em algumas escolas contemporâneas. O conservador tem apego à realidade acima das idéias, e repugna-lhe a hipótese de supressão de porções da realidade e de tradições histórico-culturais na base da canetada de algum engenheiro social auto-proclamado progressista.
Os conservadores são, sem dúvida, favoráveis ao capitalismo e à liberdade de mercado. Mas a liberdade não deve ser absoluta, não podendo o capitalismo estar dissociado da consolidação cultural de uma determinada antropologia filosófica, ou concepção de homem, notadamente a judaico-cristã. Sem isso, pensa o conservador, corre-se o risco de descambarmos para as formas mais cruas e selvagens de materialismo e consumismo hedonista, justamente daquele tipo previsto por Marx em sua profecia auto-realizável.
Uma das grandes brigas entre conservadores e ultra-liberais (por vezes chamados “libertários”) é que, para os primeiros, nem tudo tem preço e nem tudo passa pela liberdade individual de escolha. As escolhas dos indivíduos devem basear-se num senso de responsabilidade para com o próximo, sendo inseparáveis de um correto discernimento moral.
Acerca da divergência entre a defesa liberal da “liberdade” e o apreço conservador pela “ordem” (condição, segundo essa filosofia, tanto das liberdades concretas quanto da propriedade privada), recomendo o primeiro capítulo de O Que é Conservadorismo?, do filósofo britânico Roger Scruton, recentemente lançado no Brasil pela É Realizações. O filósofo Olavo de Carvalho também escreveu pelo menos três artigos muito elucidativos sobre o tema (ver aqui, aqui e aqui).
Penso que qualquer conservador endossaria a caracterização jocosa de Gonçalves acerca dos “meninos afoitos da ortodoxia”, isto é, os liberais. Os conservadores, se são fundamentalmente anti-coletivistas, tampouco endossam aquele individualismo de cunho utilitarista quase sempre subjacente ao pensamento liberal. Para o conservador, a liberdade não pode ser um princípio auto-fundante, caso em que degenerar-se-ia no seu exato contrário: a liberdade de escravizar, por exemplo, incluindo a auto-escravização por apetites irrefreados.
A liberdade deve vir temperada com a ordem, não apenas civil e estatal, mas, sobretudo, a ordem interna da alma, conceito tradicional da antropologia filosófica clássica e judaico-cristã, que depois caiu em desuso com a emergência da antropologia filosófica moderna (iluminista, materialista, secularista e imanentista). “A pólis é o homem escrito em letras maiúsculas”, ensina Platão na República (368 c-d), lição que Eric Voegelin, expoente do conservadorismo no século XX, chamou de princípio antropológico. Esse me parece um axioma da filosofia conservadora.
John Adams, segundo presidente americano, e o mais conservador dos “Founding Fathers”, ilustrou-o bem, ao escrever em 1798 sobre a Constituição Americana:
“Não há governos capazes de lidar com paixões humanas desenfreadas, imunes à moralidade e à religião. A avareza, a ambição, o desejo de vingança ou a luxúria poderiam romper as sólidas amarras de nossa Constituição qual uma baleia através de uma rede de pesca. A nossa Constituição foi feita exclusivamente para um povo moral e religioso. Ela é totalmente inadequada para qualquer outro”.
Trocando em miúdos, Adams está dizendo que governos e códigos de leis não são formas puras e autônomas, aplicáveis sobre qualquer “substância” social. O mesmo vale para sistemas econômicos, acrescento eu. Nessa perspectiva, uma comunidade moralmente sã e ordenada, formada por homens maduros e responsáveis (spoudaios, na terminologia de Aristóteles), é a precondição essencial para o bom funcionamento de sistemas políticos e econômicos. Há aí a intuição fundamental de que, aquém da política e do progresso tecnocientífico, existe uma ordem moral permanente e eterna que preside as mudanças sociais.
É o apego fundamental àquela ordem – que Edmund Burke chamava de “o contrato da sociedade eterna”, G. K. Chesterton, de “democracia dos mortos”, e T. S. Eliot, de “estrato pré-político” – que gera o tradicional ceticismo conservador em face da ação política. Não que ele não reconheça a sua importância, assim como a importância crucial da autoridade, mas ele tende a olhar a política de maneira pragmática e circunstancial, jamais doutrinária e fundada sobre princípios abstratos ou declarações grandiloquentes de intenções (“justiça”, “liberdade”, “igualdade”, “um país sem miséria” etc.). Contra a política ideológica, a política conservadora é a política da prudência, para citar o conhecido título de Russell Kirk, um dos maiores conservadores americanos do século XX.
Na famosa definição de Michael Oakeshott:
“Ser conservador é preferir o familiar ao desconhecido, preferir o tentado ao não tentado, o facto ao mistério, o real ao possível, o limitado ao ilimitado, o próximo ao distante, o suficiente ao superabundante, o conveniente ao perfeito, a felicidade presente à utópica. As relações e lealdades familiares serão preferíveis ao fascínio de vínculos mais proveitosos; comprar e expandir será menos importante que conservar, cultivar e desfrutar; a dor da perda será maior que a excitação da novidade ou da promessa. É ser igual ao nosso próprio destino, é viver ao nível dos meios, contentar-se com a necessidade de maior perfeição pessoal como com as circunstâncias que nos rodeiam”.
Portanto, é impossível falar de conservadorismo sem levar em conta a importância da dimensão religiosa para essa filosofia. Nesse sentido, liberais e esquerdistas estão bem mais próximos entre si, ambos herdeiros confessos, mais ou menos orgulhosos, da antropologia filosófica secularista e da filosofia hegeliana da história.
A tradição conservadora, por outro lado, vê nestas antropologia e filosofia da história bases nocivas para a vida política. (O leitor encontrará uma boa exposição crítica da antropologia filosófica secularista, do ponto de vista conservador, no livro O Drama do Humanismo Ateísta, do filósofo jesuíta Henri de Lubac).
Com tudo isso, não pretendo dizer que todo conservador seja, necessariamente, religioso. Há conservadores agnósticos e ateus tanto quanto religiosos. O britânico Theodore Dalrymple, por exemplo, que esteve recentemente no Brasil, é um bom representante do conservadorismo secular. Mas é difícil encontrar conservadores que não atentem para a importância do resgate dos valores clássicos e judaico-cristãos como força cultural e civilizacional. Não só judaico-cristãos, a bem da verdade.
Muitos conservadores dirigiram sua sede de eternidade e transcendência a outros sistemas filosóficos ou religiosos. Sabe-se que o católico T. S. Eliot, por exemplo, explorou a fundo a metafísica hindu e a filosofia budista. Sem falar em toda a tradição perenialista de René Guénon, Ananda Coomaraswamy, Frithjof Schuon ou Julius Evola.
É importante enfatizar que, ao contrário dos liberais e dos esquerdistas, o conservador entende a religião, não como questão meramente privada, mas como uma conquista cultural que deve influir na esfera pública. Isso não se confunde, em hipótese alguma, com negar a laicidade do Estado. Trata-se precisamente do contrário. O conservador crê na separação essencial entre Estado e sociedade civil, e rejeita qualquer mistura entre religião e política, sobretudo aquela que, seguindo a profecia (ou maldição) de Ludwig Feuerbach no século XIX, resultaria na atribuição de um caráter sagrado à ação política.
O conservador afirma, aliás, e com razão, que a separação entre religião e política é uma herança da matriz cultural cristã, virtualmente inaplicável fora dela. A política como a “arte do possível” (sensuRussell Kirk) seria um antídodo para toda sorte de “messianismo político” (sensu Jacob L. Talmon).
Enfim, depois dessa resumida (muitos dirão grosseira) apresentação da direita conservadora, que a análise de Gonçalves, restrita à problemática econômica, não teria como contemplar, gostaria de analisar alguns trechos pontuais de seu artigo que me parecem substancialmente equivocados. Vou numerá-los e comentá-los pontualmente.
1) “A direita rotula o governo do PT como sendo de esquerda porque adota o programa Bolsa Família”.
Não é verdade. Qualquer direitista minimamente letrado sabe aquilo que o próprio autor informa no texto: que programas do tipo “Bolsa-Família” são uma invenção liberal, tendo brotado da cachola de homens como Milton Friedman. Portanto, não é isso que faz com que o PT seja de esquerda. Políticas assistencialistas podem ser – e são – utilizadas por governos de direita, de esquerda e de centro, de maneira mais ou menos eleitoreira, mais ou menos viciosa.
A crítica específica ao Bolsa-Família do PT volta-se ao seu uso escancaradamente – dir-se-ia, grotescamente – eleitoreiro, com emprego de chantagem e ameaça aos beneficiados que não votem no partido, e com uso abusivo da máquina pública nesse mister. Trata-se, sobretudo, de denunciar a ausência de qualquer política estável de melhoria de renda, que pudesse pouco a pouco tornar autônomo o beneficiário de programas sociais.
O PT, contrariando todo o bom-senso, jactou-se do aumento da quantidade de dependentes dos programas, quando um sinal de desenvolvimento do país seria o número de pessoas que já não precisassem deles. “O melhor programa social é um emprego”, bem dizia Ronald Reagan.
Logo, ninguém diz que o PT é de esquerda por causa do Bolsa-Família. O PT é de esquerda por toda a sua cultura política, pelo simbolismo que orienta os seus militantes, pela biografia de seus quadros, as suas alianças objetivas com regimes socialistas etc. Poder-se-ia, enfim, citar inúmeras evidências do esquerdismo do PT, recorrendo sobretudo aos documentos do partido e às idéias defendidas por seus adeptos, mas isso tomaria muito espaço neste artigo. Ademais, o ônus da prova cabe a quem defende a excêntrica tese do não-esquerdismo do PT.
A situação é, de fato, bem diversa daquela descrita por Gonçalves. Foi a esquerda que, agora, com o barco naufragando, decidiu rotular o PT como sendo de “direita”, apenas porque o partido seguiu por um tempo uma agenda relativamente neo-liberal (categoria distorcida e mistificada pela esquerda, como bem explica o diplomata Paulo Roberto de Almeida neste artigo). Por ter governado em conluio com os grandes bancos e as grandes empreiteiras, o PT vem sendo chamado de “direita” pela esquerda não-petista, como se a aliança entre partidos socialistas e banqueiros fosse coisa inédita e intrinsecamente contraditória. Ora, tal contradição só existe nas enciclopédias, dicionários e manuais de auto-convencimento da esquerda.
Quem conhece, entre outros, os trabalhos do historiador britânico Anthony Sutton, em especial os livros The Best Enemy Money Can Buy e Wall Street and the Bolshevik Revolution, sabe que a revolução bolchevique de 1917 foi, em parte, patrocinada por grandes financistas de Wall Street interessados na queda do czar por motivos mercadológicos. Há fortes indícios de que a própria viagem de Trotsky de Nova York até a Rússia tenha sido pessoalmente bancada por Jacob Schiff, do banco Kuhn, Loeb & Co. Em 1911, o cartunista Robert Minor, ele próprio bolchevique, publicou no St. Louis Dispatch um cartoon significativo a esse respeito. Nele, Karl Marx em pessoa, chegando em Wall Street com um livro intitulado “Socialismo” embaixo do braço, é saudado com entusiasmo por financistas tais como John D. Rockefeller, J. P. Morgan, John D. Ryan e George W. Perkins, além de Teddy Roosevelt.
A simbiose, em tese paradoxal, entre o grande capital e o comunismo fora notada também pelo romancista britânico H. G. Wells em seu livro Rússia nas Sombras: “O grande negócio não é de forma alguma antipático ao comunismo. Quanto mais ele cresce, mais se aproxima do coletivismo”.
Um dos sinais mais evidentes disso talvez seja o artigo elogioso que, em 10 de agosto de 1973, David Rockefeller dedicou a Mao Tse-tung no New York Times, dizendo-se particularmente bem impressionado com o “senso de harmonia nacional” e o sucesso da revolução em “não apenas produzir uma administração mais eficiente e dedicada, como também incutir na população um moral elevado e uma comunhão de propósitos” (sic).
O tipo de capitalismo monopolista de Estado praticado pelo PT e os seus “companheiros” foi muito similar ao que vicejava clandestinamente na própria URSS, dando origem efetivamente a duas “classes” distintas: de um lado, a população comum, vítima da catástrofe econômica do sistema e refém da escassez de bens e produtos; de outro, a Nomenklatura, desfrutando de um rico e vasto mercado negro, e consumindo os melhores e mais finos produtos vindos do estrangeiro.
A situação é explicada em detalhes no livro URSS: The Corrupt Society – The Secret World of Soviet Capitalism, de Konstantin Simis. Criou-se na URSS dois mundos paralelos e incomunicáveis: o mundo rico e luxuoso da elite partidária, do governo, dos burocratas e funcionários públicos (e, assim como no Brasil, todos ali queriam ser funcionários públicos!); e o mundo famélico e miserável da população ordinária. Nada era comum aos dois mundos: havia o sabonete da elite dirigente (macio e cremoso) e o sabonete comum (seco e sem espuma); o pente dos burocratas (de matéria nobre e resistente) e o pente do resto (que quebrava em uma semana); o tecido dos apparatchik (finos e importados) e o tecido das demais pessoas (roto e áspero), e assim com toda e qualquer mercadoria.
Aquele tipo de capitalismo oligárquico e concentrado é pura esquerda. Não se trata de nenhuma invenção petista, muito menos de uma guinada à direita. Ele é resultado da própria lógica da esquerda revolucionária: para se distribuir igualmente a riqueza, é preciso um poder gigantesco que se erga acima das classes existentes e, na base da força, tome a riqueza de uma e a transfira para a outra. Esse poder gigantesco concentra-se fatalmente no partido.
Como já explicou Olavo de Carvalho, a “ditadura do proletariado” é, pois, uma impossibilidade prática; o que existe e existiu em todos os regimes socialistas foi a ditadura do partido. Para se manter no poder e realizar o objetivo declarado no início da revolução, o partido precisa concentrá-lo cada vez mais, a fim de vencer as forças contra-revolucionárias (ou “reacionárias”) – em primeiro lugar, as externas; e, num segundo momento, as de dentro do partido, quando chega então o momento da depuração, dos expurgos, dos rituais de auto-humilhação – em suma, a especialidade de Stalin.
Para o exercício do poder – como já explicou, entre outros, Napoleão Bonaparte –, todo partido precisa de três coisas fundamentais: dinheiro, dinheiro e dinheiro. Agora, qual o único sistema econômico no mundo a criar dinheiro? Resposta: o capitalista. Só ele. Não existe economia socialista. Isso é uma contradição em termos. O próprio Lênin reconheceu a impossibilidade prática de uma economia inteiramente estatizada. E Ludwig von Mises, como Gonçalves deve saber melhor que eu, demonstrou-o teoricamente de maneira inapelável na década de 1920. Logo, mesmo na URSS, sempre houve um misto de economia estatal e economia privada. O fato de comunistas se renderem, a contragosto, à imperiosa necessidade de alguma economia de mercado não os transforma automaticamente em “direitistas”.
Logo, o fato de que o PT tenha feito o jogo dos bancos e das empreiteiras não significa nenhuma concessão à direita ou ao liberalismo. Tanto quanto qualquer partido totalitário, o PT precisava de dinheiro para a sua política de aparelhamento e compra de consciências. Ademais, coube a ele, via empréstimos sigilosos do BNDES, o papel de grande financiador dos regimes socialistas e bolivarianos vizinhos, parceiros de Foro de São Paulo.
O partido não podia se dar ao luxo de quebrar o país cedo demais, venezuelanizando-o de saída. Havia todo um esquema continental de poder que cabia ao PT, com o dinheiro tungado do contribuinte brasileiro, bancar. Seria tão absurdo afirmar que, ao seguir o modelo econômico mezzo liberal (que Gonçalves chama de “liberal periférico”), o PT inclinou-se à direita, quanto dizer que Lênin virou direitista ao lançar a sua Nova Política Econômica.
2) “Certamente, os marcos do Lulismo agridem mais os valores e interesses da esquerda do que valores e os interesses da direita”.
Talvez o lulismo agrida parte da esquerda brasileira, mas é preciso não esquecer um pequeno detalhe: o lulismo é de esquerda. Não é justo empurrar esse Mateus para o colo da direita. Quem o pariu que o embale! Não há porque acreditar que ele seja mais nocivo à esquerda do que à direita.
Durante muito tempo, a esquerda amparou o lulopetismo, sendo a direita (digo, uns poucos gatos-pingados auto-identificados como conservadores ou liberais) o único vetor de crítica àquele projeto. Quando teve chance de demonizar os críticos de direita do Lula e do PT, tachando-os de “elitistas”, “preconceituosos”, “racistas contra nordestinos” etc., a esquerda brasileira em peso nunca se vexou de fazê-lo.
Parte dela pode ter rompido com o PT, uns há mais tempo, outros há menos. Mas foi a direita a pioneira no combate frontal ao esquema lulopetista, e, portanto, este continua sendo-lhe mais anátema do que o é para a esquerda. Na luta política, como em tudo o mais, antiguidade é posto. A esquerda deve entrar na fila do anti-petismo. Afinal, como questionaria um grande filósofo popular “Chegou agora e já quer sentar na janelinha?”.
O que a esquerda brasileira anti-petista tenta agora fazer com o PT é o mesmo que a esquerda ocidental pós-soviética tentou fazer com o bolchevismo: limpar-se nas máculas do próprio passado, ou seja, monopolizar oportunistamente a crítica ao petismo. Em La Grande Parade, seu grande livro sobre a estranha sobrevivência da utopia socialista após o fim da URSS, Jean-François Revel descreveu bem a estratégia:
“A esquerda não se equivoca jamais ou, quando muito, se equivoca apenas em relação a si própria, em seu próprio seio, de um modo indigno de ser discutido senão pelos pares que a compõem, jamais sob condições que pudessem levá-la a dar razão, ou mesmo a palavra, aos seus adversários”.
A esquerda no poder nunca é a “verdadeira” esquerda. A “verdadeira” esquerda é sempre aquela que anda virá a assumir o poder. Stálin foi o primeiro grande representante dessa “esquerda falsa” na qual a “esquerda verdadeira” tentou se limpar. E aqui vale lembrar que um esquerdista brasileiro como o Mino Carta já tentou, sem ruborizar, empurrá-lo para a direita. Depois de Stálin, a esquerda gritou: “Agora vai”. E o que veio foi Mao Tse-tung; depois, Fidel, Pol Pot, Ho Chi Minh, Hugo Chávez, todos com o mesmo resultado catastrófico… Hoje é o Lula quem faz as vezes de papel-higiênico, roto e esfarrapado, quando já no horizonte surgem os “novos” candidatos a ícones da “verdadeira” esquerda (Mujica? Bachelet? Pablo Iglesias Turrión? Tsipras? Bernie Sanders? Marcelo Freixo?).
Em resumo, tanto quanto os seus antecessores, Lula também não foi a “verdadeira” esquerda. Porque a “verdadeira” esquerda não se equivoca, não peca, não comete crimes. O equívoco, o pecado e o crime são atributos da “falsa” esquerda – ou seja, a direita. A “verdadeira” esquerda nunca pode ser julgada por parâmetros atuais, porque o seu projeto não está no presente, sendo indefinidamente adiado para um futuro desconhecido. A “verdadeira” esquerda só poderia governar o Paraíso. Cito Revel mais uma vez:
“Segundo essa argumentação, o horror das consequências provaria a excelência do princípio (…) Pois, ao se avaliar os zeladores de um modelo ideal, não são os atos que deveriam servir de critério, mas as intenções. No fundo, o reino do comunismo não é deste mundo, e seu fracasso aqui em baixo é imputado ao mundo, não ao comunismo enquanto conceito”.
A esquerda é como o marido traído: sempre a última a saber. O que Alain Besançon escreveu sobre o comunismo em A Infelicidade do Século vale para a esquerda em geral: “Cada experiência comunista é recomeçada na inocência”. Parte da esquerda nacional pretende agir agora como se nunca vira o Lula mais gordo. Mais um pouco e o homem vira ícone do conservadorismo…
Parece-me que Gonçalves tenta encapsular a crítica dentro do campo da esquerda, deslegitimando previamente toda oposição não-esquerdista ao PT. Ele busca aproximar o PT da direita a fim de isolar uma esquerda pura como portadora única da virtude política. Se é mesmo assim, como vimos, seria a milésima vez na história que a esquerda tenta a mesmíssima estratégia.
Não acho que Gonçalves o tenha feito por maquiavelismo, sequer mesmo intencionalmente, mas por puro vício de raciocínio. Como se sabe, é tradição da esquerda raciocinar dialeticamente, assumindo o controle tanto da tese quando da antítese, com vistas a uma síntese superior. Mas acho sinceramente que, dessa vez, a esquerda terá um pouco mais de dificuldade para impor tal narrativa, pois que já há um número suficiente de opinadores liberais e conservadores para contestá-la e refrescar a memória nacional.
Em política, não existem soluções definitivas e sínteses superiores. A política é um diálogo interminável num mesmo plano, uma dialética sem síntese, por assim dizer, exercício de convivência dos heterogênos e contrários. É um campo de perpétua coetaneidade, sem Aufhebung. A direita brasileira não vai entregar a antítese assim de bandeja ao adversário. Daqui em diante, não convém à esquerda querer superá-la. Será preciso, em vez disso, tolerá-la. Será preciso, enfim, negociar. E não seria essa a essência mesma da dinâmica política dentro de um estado democrático de direito?
3) “O apoio das forças políticas de centro e de direita para essa agenda não é razão para se tentar desqualificar ou rejeitar os protestos pacíficos, populares e democráticos. O argumento de que essa agenda é promovida pelos conservadores ou pela direita é, na melhor das hipóteses, um erro analítico que pode ser um erro histórico. A esquerda deve participar dos protestos”.
Falso. As três grandes manifestações populares de 2015, bem como a de março de 2016, simplesmente a maior da história nacional, foram, sim, promovidas por grupos e pessoas de tendência conservadora e liberal. Eu estive nas quatro ocorridas no Rio de Janeiro, em Copacabana. Conheço alguns dos organizadores e suas referências intelectuais e políticas. Muitos fazem parte dessa “nova direita” que ora começa a ganhar terreno no mercado editorial (basta a ver a lista de mais vendidos de não-ficção para conhecer-lhes os nomes) e na cultura de maneira mais ampla, ameaçando a histórica hegemonia cultural da esquerda. Eu vi in loco os cartazes dos manifestantes, ouvi seus gritos de guerra, senti o clima. As manifestações foram, sem dúvida, para além de anti-petistas, visivelmente anti-esquerdistas.
Convém lembrar que quase toda a esquerda brasileira, incluindo sua parcela mais crítica ao PT, jogou contra as manifestações, justamente por considerá-las de direita, como Gonçalves reconhece. De maneira quase unânime, a esquerda tentou antes de tudo esvaziá-las. Depois, fracassado esse objetivo, a estratégia foi desqualificá-las como coisa de “coxinha”, “elite branca”, “eleitores do Aécio”. Resta mais do que claro que as manifestações não partiram da elite, porque a elite do país (empreiteiras, bancos, Organizações Globo etc.) esteve com Dilma, em favor da “governabilidade”, até os últimos momentos.
As manifestações – como de hábito no mundo contemporâneo – foram coisa da classe média, a mais explorada por aquele capitalismo de compadrio que une o Estado e as mega-empresas. Suas pautas foram claramente conservadoras e liberais – “burguesas”, poder-se-ia dizer: defesa da constituição, dos valores republicanos, da isonomia, da ordem, da família, das cores nacionais, tendo sempre a rede-PT(PT, PCdoB, PSOL, UNE, CUT, MST, MTST, CNBB et caterva) como anátema.
A esquerda, se quisesse, poderia e deveria ter participado dos protestos. Mas, para isso, seria preciso ter a humildade de reconhecer que a sua agenda está desgastada, e que ela deve fazer um exame de consciência verdadeiro, respeitando a natureza das manifestações, sem tentar apropriar-se delas para fins particulares.
Afinal, ao lado dos pedidos de impeachment e da prisão do Lula, havia por todo o país centenas de cartazes com dizeres tais como “Olavo [de Carvalho] tem razão”, “Mais Mises, menos Marx”, “Abaixo o Foro de São Paulo” e “A nossa bandeira jamais será vermelha”. Não se viu nenhum cartaz em que se lesse “Zizek tem razão”, “Vladimir Safatle tem razão”, “Marcelo Freixo tem razão” e, muito menos, “Abaixo o capitalismo!”.
Embora eu desconfie que o seu poder de mobilização popular tenha se esgotado, a esquerda, repito, pode e deve voltar às ruas. Mas, ao longo dos próximos anos, ela terá que aprender a conviver com uma direita política emergente, que não tem qualquer relação com o regime militar, e contra a qual os clichês stalinistas habituais – “fascistas”, “elitistas”, “inimigos do povo” – serão impotentes. É uma direita com gente preparada, que tem lido e estudado muito, e que provavelmente conhece a esquerda mais do que esta conhece a direita. E, sobretudo, formada por intelectuais e aspirantes a intelectuais que desenvolvem suas atividades à margem da universidade, livres, portanto, de seus formalismos e sinecuras. Escrevendo, ademais, num português mais clássico, sem os maneirismos acadêmicos à la“penteadeira de velha” (na feliz expressão do poeta Bruno Tolentino), esses intelectuais da nova direita estão destinados a atingir um público bem mais vasto.
Dos anos 1960 para cá, a intelligentsia de esquerda optou por enfrentar o pensamento de direita mediante a difamação ou o boicote silencioso: isso ocorreu com Gustavo Corção, Roberto Campos, José Guilherme Merquior, Mário Ferreira dos Santos, José Osvaldo de Meira Penna, Nélson Rodrigues, Paulo Francis, Bruno Tolentino, Olavo de Carvalho e até mesmo, em alguma medida, com Gilberto Freyre. Em relação à tradição conservadora européia e americana, a coisa é ainda mais espantosa.
Em uma rápida consulta ao banco de teses da CAPES e do CNPq, eu pude constatar a quase ausência de referências aos maiores expoentes do pensamento conservador mundial: Irving Babbit, Richard M. Weaver, Erik von Kuehnelt-Leddihn, Eric Voegelin, Thomas Sowell, Eugen Rosenstock-Huessy, Theodore Dalrymple, Irving Kristol, John Kekes, Kenneth Minogue, Jean-François Revel, David Horowitz, Roger Kimball, Russell Kirk, Michael Oakeshott, Roger Scruton… Todos esses nomes, ou não constam, ou constam de maneira esporádica nos bancos de dados. É provável que a imensa maioria dos universitários brasileiros contemporâneos nunca tenha sequer ouvido o nome desses autores, quanto mais as suas idéias. Para a esquerda brasileira da Nova República, a “direita” é, em larga medida, uma fantasmagoria, um espantalho, um vetor dos próprios traumas e preconceitos históricos.
Saltará a esquerda brasileira para fora do trem-fantasma? Estará a esquerda pós-PT preparada para abandonar o modelo gramsciano de hegemonia cultural e ocupação de espaços? Estará ela disposta a um debate franco de idéias e propostas para o país, com um adversário real e auto-consciente? Saberá a esquerda nacional compreender a direita como substantivo, não apenas como adjetivo de desqualificação a priori? Abrirá mão a nova esquerda da monopolização das virtudes e da eterna postura acusatória? Aceitará disputar honrosamente com a direita um espaço no coração e nas mentes dos brasileiros?
Seria bom, mas eu duvido. A nova esquerda nacional parece-me familiar, prematuramente senil e cansada, pronta a, ao primeiro sinal de embate com um adversário de carne-e-osso, aconchegar-se no conforto psicológico das categorias políticas de 1968, o ano que nunca termina.
4) “O ponto central é que a esquerda tem muito mais razões para apoiar a agenda popular do que a direita”.
Não é verdade. Como vêm demonstrando pesquisas de opinião recentes, a “agenda popular” no Brasil tende a ser predominantemente conservadora e de direita, sobretudo no que diz respeito a costumes e valores – aborto, legalização das drogas, desarmamento, redução da maioridade penal, novos arranjos familiares, políticas de identidade sexual e de gênero etc. Em quase todos esses temas, a elite cultural de esquerda vai para um lado; a população em geral, para o outro. Com exceção do apego ao Estado forte e ao assistencialismo, a agenda da esquerda está quase sempre em desacordo com a dita “agenda popular”.
A afirmação de que a esquerda tem mais razões para apoiar a “agenda popular” não passa de wishful thinking, talvez auto-lisonjeiro, mas objetivamente equivocado. Se pensamos nos valores do brasileiro médio, especialmente dos mais pobres, é fácil constatar que a esquerda já não tem muito o que lhes dizer.
Grosso modo, a esquerda ama tudo o que o povão odeia (legalização das drogas e do aborto; estatuto do desarmamento; beijo lésbico idoso na novela; manutenção da maioridade penal aos 18 anos; fim do capitalismo, revolução social e Marcha das Vadias; patrulhas politicamente corretas da linguagem; desmilitarização da PM; Canal Futura; comida vegetariana; ciclovias; Tropa de Elite II) e odeia tudo o que o povão ama (religião cristã, em geral; pastores evangélicos, em particular; ordem; família tradicional; “bandido bom é bandido morto”; programa do Datena; piada da bichinha contada pelo Costinha; o Papa; o programa Patrulha da Cidade, da rádio Tupi; churrasco na laje; carros possantes; Tropa de Elite I).
Se a sociedade está relativamente dividida, deveria caber aos intelectuais, como de costume, a responsabilidade de organizar e dar expressão simbólica a essa divisão, para que ela possa fluir, através dos canais legítimos e institucionais do debate público, até desaguar na disputa política formal. Sem radicalismos, sem traumas, sem rupturas revolucionárias. Em suma, à moda conservadora…
A SOCIEDADE DAS IDÉIAS MORTAS - 30/10/2016
(Publicado originalmente na revista Vila Nova)
Esqueça o que disse aquele programa do SBT, Pedro II foi o maior brasileiro de todos os tempos.
Em 58 anos como imperador, desde a abrupta renúncia do pai quando tinha apenas 5 anos de idade até a destituição em 1889, Pedro II transformou um amontoado de vilarejos numa nação livre, próspera e exuberante. Sob qualquer ponto de vista, o Brasil parecia destinado a ser uma das principais nações do mundo ao final do séc. XIX. Pouco mais de cem anos depois, fica claro que o país saltou na estação errada do trem da história e não dá sinais de que tem qualquer idéia do que aconteceu e, principalmente, de como embarcar de novo.
O improvável imperador que foi admirado por Graham Bell, Charles Darwin, Victor Hugo e Friedrich Nietzsche, além de amigo de Richard Wagner e Louis Pasteur, era herdeiro do mulherengo e brigão Pedro I, que frequentava tabernas como o Henrique V de Shakespeare (havia até um Falstaff real, o Chalaça). Pedro II era o oposto do pai e, ao que tudo indica, uma cópia fiel da sua sofisticada e elegante mãe, a austríaca Maria Leopoldina, da casa dos Habsburgo, a família imperial que reinou por 700 anos na Áustria, o que incluiu o Sacro Império Romano-Germânico e o Império Austro-Húngaro. Maria Leopoldina foi também cunhada de Napoleão Bonaparte.
Maria Leopoldina foi desprezada por Pedro I e a causa da morte desta culta e cosmopolita imperatriz de uma das mais importantes famílias reais da Europa, grávida e aos 29 anos, ainda é controversa. Depois de 200 anos de rumores e polêmicas, seu corpo foi exumado por legistas da USP e o homicídio culposo, devido a uma agressão física atribuída ao imperador, foi descartado pelos legistas.
Mesmo que a causa direta da morte de Maria Leopoldina seja uma doença, o tratamento brutal e o assédio moral constante de Pedro I, as agressões verbais e as humilhações públicas com certeza não ajudaram seu estado de saúde. Durante as poucas semanas em que tivemos uma Habsburgo regendo o país, o Brasil se tornou independente de Portugal por um decreto assinado por ela em 2 de setembro de 1822. O marido foi avisado por carta em viagem à São Paulo e proclamou a independência cinco dias depois.
Pedro II foi um monarca que deu uma amostra do que o país poderia ser se tivéssemos instituições e governança de inspiração conservadora ou liberal como as principais civilizações do Ocidente. Sob qualquer aspecto, seu longo mandato não deixa a desejar a qualquer um dos grandes estadistas do mundo contemporâneo e é uma lástima as escolas não darem ênfase suficiente a um dos poucos acertos da história do Brasil.
Preparado para governar desde a primeira infância, Pedro II pegou uma nação em frangalhos e devolveu uma das mais vibrantes, prósperas e livres do planeta. Cento e vinte e cinco anos depois da sua deposição, é preciso entender o que deu tão errado para que o Brasil se tornasse o constrangimento político, econômico e social que é hoje.
Os EUA enfrentam sérios problemas econômicos, mas a nação mais próspera e livre que a humanidade conheceu ainda não tem do que se envergonhar quando comparada às outras. Um americano que nasce hoje entre os 20% mais pobres do país tem mais chances de terminar entre os 20% mais ricos do que se manter onde está. Se um americano tem pelo menos o segundo grau, é casado e teve o primeiro filho dentro do casamento, sua chance de ser pobre é de apenas de 2%. Com apenas 5% da população do planeta, os EUA produzem mais de 20% do PIB mundial. Depois de mais de trinta anos importando princípios econômicos ocidentais e com mais de um quinto da população do mundo, a China não chega a produzir 10% da sua riqueza. É uma diferença abismal e que ainda não dá motivos para que os antiamericanos comemorem o fim da civilização ocidental.
Com três mandatos presidenciais consecutivos do PT, o Brasil está numa situação pouco invejável. Nos últimos quinze anos, o país despencou no índice de competitividade global da 34a posição para a 51aentre 60 países avaliados pelo Institute for Management Development (IMD), uma vergonha. No mais importante ranking de liberdade econômica que existe, da Heritage Foundation com o The Wall Street Journal, o Brasil está na 100a posição entre 177 nações medidas e foi classificado como “majoritariamente sem liberdade”, a segunda pior classificação possível.
É desnecessário repetir a relação entre liberdade econômica e prosperidade, basta consultar a própria pesquisa anual da Heritage Foundation para ver a razão direta e auto-evidente entre a lista dos países mais livres economicamente, com ênfase no império das leis, combate à corrupção, menos gastos governamentais e respeito aos direitos de propriedade, com o crescimento do poder de compra dos cidadãos, PIB per capita, investimentos externos e erradicação da pobreza.
Há explicações para todos os gostos sobre o que faz uma nação prosperar. Para o historiador escocês Niall Ferguson, seriam seis fatores: livre concorrência, compromisso com a inovação e a pesquisa científica, respeito à propriedade privada, medicina de ponta, economia estimulada pelo consumo e ética “protestante”, na visão weberiana, do trabalho. Para o escritor indiano Ibn Warraq, o que viabizou a supremacia e o sucesso da sociedade ocidental foram idéias revolucionárias como o racionalismo, a autocrítica, a busca desinteressada da verdade, o estado laico, o império da lei e a igualdade do cidadão perante o judiciário, a liberdade individual, os diretos humanos e a democracia liberal. Com a devida vênia aos especialistas que trataram do tema, fico com George Gilder, o autor preferido de Ronald Reagan. Segundo Gilder, em seu recente livro “Knowledge and Power”, para uma nação prosperar é preciso liberdade, compromisso com a inovação e previsibilidade institucional.
Além de liberdade e inovação, itens óbvios e sempre presentes nas listas de pré-requisitos para o desenvolvimento, a previsibilidade institucional é um item lamentavelmente subestimado. Sem regras claras e instituições sólidas e perenes, não por coincidência as bases do conservadorismo político, o desenvolvimento econômico pleno é quase impossível no longo prazo. Não custa lembra que o esporte mais popular do mundo, o futebol, tem um conjunto simples e inteligível de regras que quase não mudaram em 150 anos.
O Brasil republicano atacou a liberdade política sempre que pode, desde a destituição de um imperador popular e incomparavelmente bem sucedido, até as diversas revoluções e golpes de estado que criaram um ambiente de instabilidade institucional que afugenta investimentos privados de médio e longo prazos.
Quando um estadista, depois de quase seis décadas no poder, deixa o país mais rico, livre e próspero, como nunca se viu antes ou depois, é importante que o Brasil aprenda, de uma vez por todas, para que serve o estado: garantir a segurança dos seus cidadãos, os respeito às leis e aos contratos, para deixar que a sociedade possa, com liberdade e trabalho duro, inovar e atrair os investimentos produtivos.
O público do SBT elegeu Chico Xavier como o maior brasileiro de todos os tempos e deixou Pedro II em vigésimo sétimo. O programa original, “The Greatests”, foi criado pela BBC e, na sua versão original, o povo britânico elegeu Winston Churchill. Faz sentido. Os ingleses escolheram um estadista conservador, já o Brasil vai ficando para trás enquanto conversa com fantasmas à espera de um milagre.
Publicado originalmente na revista Vila Nova
MONTESQUIEU COMANDA O CANGAÇO - 26/10/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
Renan apela para autonomia dos Poderes para defender abuso de autoridade de arapongas sob suas ordens.
Na sexta-feira 21 de outubro, cumprindo ordens do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Criminal Federal de Brasília, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), agentes da Polícia Federal (PF) prenderam o diretor da Polícia Legislativa (PL), Pedro Ricardo de Araújo Carvalho, vulgo Pedrão, e mais três subordinados dele. A ação deu início à Operação Métis, palavra grega que significa habilidades e deu nome à deusa da prudência, saúde, proteção, astúcia e virtudes, chamada pelos romanos de Minerva. O objetivo é buscar e apreender provas de um crime grave do qual eles passaram a ser acusados. Segundo o ex-agente da mesma instituição Paulo Igor Bosco da Silva, o órgão estaria sendo usado para fazer varredura de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça em dependências particulares de nobres varões e damas da República.
A acusação é pesada e tornou-se ainda mais grave depois que o colaborador da Justiça acima citado denunciou, em entrevista exclusiva ao Estadão da segunda-feira 24, uma varredura de grampos em telefones do ex-presidente da República e do Senado José Sarney (PMDB-AP) em Brasília. Para piorar, segundo ele garantiu ao repórter Erich Decat, a missão, realizada em julho de 2015, partiu de uma ordem oculta, "não numerada". Se isso for verdade, ela revela a reprise do escárnio dos 300 atos administrativos sigilosos que favoreciam os próprios parlamentares e vários de seus parentes, contrariando o preceito constitucional de publicidade das resoluções do Congresso. Entre estes, a exoneração de um neto do então presidente da Casa, o mesmo José Sarney, tornada secreta para a sociedade não tomar conhecimento do descumprimento de regras contra o nepotismo postas em vigor no ano anterior pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Da tribuna o venerado chefe político garantiu que não sabia "o que é ato secreto". Mas dois meses depois foi obrigado a admitir que sabia, sim, ao reagir à confirmação da informação, publicada no Estadão (que valeu um Prêmio Esso), pelo ex-diretor da Casa Ralph Siqueira.
Ao novo escândalo o sucessor do maranhense na presidência da Mesa da Casa, à qual cabe dirigir os atos da dita PL, Renan Calheiros (PMDB-AL), reagiu com ferocidade. A pretexto de defender a autonomia do Poder Legislativo, "ultrajado" pelos outros dois – o Executivo, ao qual é subordinada a PF, e o Judiciário, a que pertence o juiz federal, sem contar ainda o procurador-geral da República, Rodrigo Janot –, Calheiros soltou os cachorros em nota oficial. "A Polícia Legislativa exerce atividades dentro do que preceitua a Constituição, as normas legais e o regulamento do Senado", disparou. Mas omitiu quais dispositivos dão aos agentes, tratados como capangas, autorização para atuar na prática como operadores de "contrainteligência", usando o palavrão mais adequado para definir a lambança à qual respondem agora os ditos cujos perante a lei.
Pouco se sabe da Polícia Legislativa e serão bem-vindas as informações que a PF, o MPF e a Justiça Federal vierem a obter na investigação da Operação Métis. O que já se sabe, aliás, não aparenta corroborar a função de guarda pretoriana das prerrogativas de suas nobres excelências legisladoras. Por exemplo, uma tentativa de impedir uma ação de busca e apreensão empreendida pela PF na Casa da Dinda, residência do ex-presidente deposto e atual senador Fernando Collor de Mello, que a usou como quartel-general no período em que ficou afastado da Presidência até o Congresso aprovar seu impeachment. Nela um confronto entre PF e PL quase acabou em desforço físico ou coisa pior.
Criada em 1950 como secretaria, esta incorporou departamentos que vão além da função original de proteger o patrimônio da Casa, ganhando atribuições extraordinárias principalmente sob o comando de Sarney e Renan, ambos do PMDB. O salário inicial de um agente é de R$ 16 mil, mais do que o dobro de um policial federal (R$ 7 mil), quatro vezes o de um PM (R$ 4 mil) ou o triplo de um membro da Polícia Civil estadual (variável por Estado, mas no máximo R$ 6 mil). Para prover a proteção pessoal do presidente do Senado ela adquiriu recentemente 31 equipamentos de "contrainteligência". Entre eles, duas maletas Oscor Green, que custam mais de R$ 100 mil cada, e mais dois aparelhos de reconhecimento de espionagem telefônica, a R$ 60 mil a unidade. Conforme um especialista, tais utensílios servem para grampear, não para fazer varredura, que é muito mais simples. Segundo o depoimento desse usuário de aparelhos do gênero (a serviço da lei), a chamada espionagem ambiental pode ser feita com eficácia por aparelhos minúsculos colocados no ambiente, em canetas, chaveiros ou numa caixa de fósforos. Estes custam cerca de R$ 600 cada, podem ser encontrados em lojas de equipamentos eletrônicos e vendidos sem necessidade de registro. As maletas, usadas por detetives particulares ou em espionagem industrial, são aptas a grampear telefones celulares ou mensagens, além de gerenciar escutas ambientais.
As observações acima servem apenas para mostrar que medidas como tetos de gastos não impedem que o dinheiro público seja usado com prodigalidade incomum quando se trata de blindar a imagem pública e o sigilo telefônico de senadores, acima ou abaixo de qualquer suspeita. Por mais que se queira configurar como arbitrárias a busca e a apreensão feitas por autorização de um juiz de primeira instância em escritórios de parlamentares, a Operação Métis flagrou, no mínimo, o uso abusivo da obra de Montesquieu. O teórico da independência dos poderes republicanos como forma de exercer freios e balanços foi usado como pretexto para justificar a ação do cangaço, exercida por arapongas (ou capangas) de Sarney, Renan e Lobão e da patota deles na Câmara dita Alta.
Este episódio já permitiu que se revelasse o cinismo supremo que paira sobre o Legislativo: a nota oficial exarada por Gleisi Hoffmann para reconhecer um pedido de arapongagem explícita, dirigido ao presidente da Mesa da Casa e assinado pela própria papisa da prerrogativa de foro. "Logo após a operação de busca e apreensão realizada em minha casa (sic) em Brasília e em Curitiba, com a prisão de meu marido, Paulo Bernardo, solicitei ao Senado que a Polícia Legislativa, dentro de suas atribuições legais, fizesse uma verificação e uma varredura eletrônica nas residências. Fiz o pedido formalmente. Tem (sic) processo no Senado com autorização formal pra isso", ela escreveu em vernáculo deplorável. Inócuo dizer que, tal como a autoridade que mandou fazer, em sigilo, a varredura pedida, ela não se deu ao trabalho de relacionar os dispositivos constitucionais, legais e regimentais que a autorizam a usar dinheiro público cobrado em impostos de pobres cidadãos, mais empobrecidos pela ação solerte e predadora dos políticos profissionais que se protegem da lei usando o erário, que eles mesmos têm ajudado a dilapidar em proveito próprio. A tentativa de documentar o delito assemelha-se à de um arrombador que reclamasse de sua inocência apresentando à autoridade a nota fiscal do pé de cabra usado no arrombamento. Ou à de um pistoleiro que exigisse ser inocentado por ter autorização para portar arma.
E Michel Temer, que nem para apoiar as justas posições a respeito do imbróglio assumidas por seu ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e pelo diretor da PF, Leandro Daiello, deu, como seria dever de ofício, o ar da graça de uma fala sua direto do trono? Faz como quadro de Cristo em prostíbulo: a tudo assiste e nada fala.
O QUE ESTÁ ACONTECENDO - 21/10/2016
(Publicado no Diário do Comércio, 29 de agosto de 2012, mas atualíssimo)
A mitologia infantil que a população consome sob o nome de “jornalismo” ensina que o Leitmotiv da história mundial desde o começo do século XX foi o conflito entre “socialismo” e “capitalismo”; conflito que teria chegado a um desenlace em 1990 com a queda da URSS. Desde então, reza a lenda, vivemos no “império do livre mercado” sob a hegemonia de um “poder unipolar”, a maldita civilização judaico-cristã personificada na aliança EUA-Israel, contra a qual se levantam todos os amantes da liberdade: Vladimir Putin, Fidel Castro, Hugo Chávez, Mahmud Ahmadinejad, a Fraternidade Muçulmana, o Partido dos Trabalhadores, a Marcha das Vadias e o Grupo Gay da Bahia.
A dose de burrice necessária para acreditar nessa coisa não é mensurável por nenhum padrão humano. No entanto, não conheço um só jornal, noticiário de TV ou curso universitário, no Brasil, que transmita ao seu público alguma versão diferente. A história da carochinha tornou-se obrigatória não só como expressão da verdade dos fatos mas como medida de aferição da sanidade mental: contrariá-la é ser diagnosticado, no ato, como louco paranóico e “teórico da conspiração”.
Como já me acostumei com esses rótulos e começo até a gostar deles, tomo a liberdade de passar ao leitor, em versão horrivelmente compacta, algumas informações básicas e arquiprovadas, mas, reconheço, difíceis de acomodar num cérebro preguiçoso:
A suprema elite capitalista do Ocidente – os Morgans, os Rockefellers, gente desse calibre – jamais moveu uma palha em favor do “capitalismo liberal”. Ao contrário: tudo fez para promover três tipos de socialismo: o socialismo fabiano na Europa Ocidental e nos EUA, o socialismo marxista na URSS, na Europa Oriental e na China e o nacional-socialismo na Europa central. Gastou, nisso, rios de dinheiro. Criou o parque industrial soviético no tempo de Stálin, a indústria bélica do Führer e, mais recentemente, a potência econômico-militar da China. Nos conflitos entre os três socialismos, o fabiano saiu sempre ganhando, porque é o único que tem a seu serviço a tecnologia mais avançada, uma estratégia flexível para todas as situações e, melhor ainda, todo o tempo do mundo (o símbolo do fabianismo é uma tartaruga). O nazismo, cumprida sua missão de liquidar as potências europeias e dividir o mundo entre a elite ocidental e o movimento comunista (precisamente segundo o plano de Stálin), foi jogado na lata do lixo da História; do fim da II Guerra até o término da década de 80, só subsistiu sob a forma evanescente de “neonazismo”, um fantasma acionado pelos governos comunistas para assustar criancinhas e desviar atenções.
O fabianismo nunca foi inimigo do socialismo marxista: adora-o e cultiva-o, porque a economia marxista, incapaz de progresso tecnológico, lhe garante mercados cativos, e também porque sempre considerou o comunismo um instrumento da sua estratégia global. Os comunistas, é claro, respondem na mesma moeda, tentando usar o socialismo fabiano para seus próprios fins e infiltrando-se em todos os partidos socialistas democráticos do Ocidente. Os pontos de atrito inevitáveis são debitados na conta da “cobiça capitalista”, fortalecendo a autoridade moral dos comunistas ante os idiotas do Terceiro Mundo e, ao mesmo tempo, ajudando os fabianos a apertar os controles estatais sobre as economias do Ocidente, estrangulando o capitalismo a pretexto de salvá-lo. Os “verdadeiros crentes” do liberalismo econômico é que pagam o pato: sem poder suficiente para interferir nas grandes decisões mundiais, tornaram-se mera força auxiliar do socialismo fabiano e, em geral, nem mesmo o percebem, tão horrível é essa perspectiva para as suas almas sinceras.
Mas às vezes a concorrência fraterna entre fabianos e comunistas desanda: com a queda da URSS, aqueles acharam que tinha chegado a hora de colher os lucros da sua longa colaboração com o comunismo, e caíram sobre a Rússia como abutres, comprando tudo a preço vil, inclusive as consciências dos velhos comunistas. O núcleo da elite soviética, porém, a KGB, não consentiu em amoldar-se ao papel secundário que agora lhe era destinado na nova etapa da revolução mundial. Admitiu a derrota do comunismo, mas não a sua própria. Levantou a cabeça, reagiu e criou do nada uma nova estratégia independente, o eurasianismo, mais hostil a todo o Ocidente do que o comunismo jamais foi. O fabianismo, que nunca foi de brigar com ninguém e sempre resolveu tudo na base da sedução e da acomodação (inclusive com Stálin e Mao), finalmente encontrou um oponente que não aceita negociar. A “Guerra Fria” foi, em grande parte, puro fingimento: a elite Ocidental concorria com o comunismo sem nada fazer para destruí-lo. Ao contrário, ajudava-o substancialmente. Putin não é um concorrente: é um inimigo de verdade, cheio de rancor e sonhos de vingança. A verdadeira “Guerra Fria” só agora está começando, e aliás já veio quente. A concorrência entre “capitalismo” e “socialismo” foi um véu ideológico para uso das multidões, mas a luta entre Oriente e Ocidente é para valer. Não por coincidência, o fiel da balança é o Oriente Médio, a meio caminho entre os dois blocos. Ali as nações muçulmanas terão de decidir se continuam servindo de instrumento dócil nas mãos dos russos, se aceitam a acomodação com a elite fabiana ou se querem mesmo fazer do mundo um vasto Califado. A elite Ocidental, que fala pela boca do sr. Barack Hussein Obama, parece decidida a fazê-las pender nesta última direção, por motivos que, de tão malignos e imbecis, escapam ao meu desejo de compreendê-los. Isso, caros leitores, é o que está acontecendo, e nada disso você lerá na Folha nem no Globo.
NUNCA ANTES NA HISTÓRIA DESTE E DE PAÍS NENHUM - 20/10/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
A manchete do Estadão de domingo – Dezoito ex-ministros de Lula e Dilma são alvo de investigação por desvios – é a constatação factual do principal pecado do chamado "presidencialismo de coalizão" e da distinção entre a corrupção corriqueira de antes e o saque sistemático e completo de todos os cofres disponíveis da República.
O pacto da "governabilidade", eufemismo caridoso para justificar a ocupação dos ministérios por grupos de políticos profissionais que controlam o Congresso Nacional, não resulta de uma parceria de programas partidários para uma gestão de qualidade, atendendo a interesses republicanos, mero pretexto retórico. Mas, sim, da divisão de verbas orçamentárias para subvencionar interesses grupais e paroquiais de chefões de legendas, interessados apenas na permanência no poder, nos melhores casos, ou no enriquecimento pessoal, nos mais deletérios deles.
Na embriaguez da popularidade inesperada, o primeiro presidente eleito pelo povo depois da ditadura, Fernando Collor, confrontou esse paradigma e deu com os burros n'água por não aceitar dividir com os dirigentes partidários o butim dos cofres da "viúva", chegando a perder a Presidência na metade do mandato. Seu vice e sucessor, Itamar Franco, beneficiário de um acordão multipartidário, saiu de seu mandato-tampão ileso e ilibado, já que impôs a um Gabinete dos que apoiaram o impeachment do titular da chapa a execução de uma gestão austera dos negócios de Estado. Se não o fizesse, não teria deixado para a posteridade a maior revolução social da História, o Plano Real, baseado na responsabilidade fiscal. Esta não resistiria à dilapidação patrimonial da poupança pública, lema que elegeu o ministro da Fazenda que a planejou e realizou, Fernando Henrique Cardoso, para dois mandatos, legitimados por vitórias no primeiro turno. Mas ele perdeu a legitimidade ao forçar a barra da aliança parlamentar formada para gerir a gestão compartilhada na luta, eivada de suspeitas de corrupção, para obter a reeleição.
O desgaste causado pelas dúvidas sobre o segundo mandato ajudou a alçar o Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder. Nele ex-dirigentes sindicais, "padres de passeata", "freiras de minissaia" (apud Nelson Rodrigues) e ex-guerrilheiros, doutrinados por Marx a desafiar a ganância capitalista, justificando a "apropriação" da "mais-valia", aproveitaram-se das vantagens do acesso aos cofres da República. A propina dos corruptos de antanho foi, então, substituída pelo método do saque, mais premeditado e planejado do que propriamente organizado, do patrimônio público. Para realizar essa mudança contaram com uma oposição omissa, a prerrogativa de foro e a camaradagem no Supremo Tribunal Federal.
Nenhum tipo de corrupção deve ser perdoado. Se a denúncia do empreiteiro da Engevix José Antunes Sobrinho à Advocacia-Geral da União (AGU) for comprovada, os receptadores de comissões nas gestões estaduais paulistas dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin receberão com justiça tratamento penal igual ao dado a réus da Lava Jato. A notícia, publicada pela revista Época, revela o acerto da distinção feita no parágrafo anterior e põe por terra o mantra, exaurido pela esquerda pilhada em flagrante delito de furto, de que há delação premiada seletiva contra seus larápios de estimação. Da mesma forma, se não é aceitável a ladainha usada pelo PT e seus aliados de que as gorjetas dadas aos partidos configuram doações legais consignadas na lei eleitoral, idêntica desculpa amarelada não serve para tucanos de mãos leves pilhados.
Como também as citações de dirigentes do PSDB (o morto Sérgio Guerra e o vivo Aécio Neves) na Lava Jato não podem servir de pretexto para a fanfarra parlamentar, militante ou acadêmica da esquerda "delinquentófila" usá-las como justificativa para a ação deletéria de seus ícones do socialismo, cujos delitos causaram a maior crise da História do País.
Há defensores de pobres e oprimidos que falam e agem como cúmplices dos gatunos. A Associação dos Engenheiros da Petrobrás e os sindicatos do setor nada disseramcontra o desmanche da estatal pelo superfaturamento de contratos em troca de "adjutórios" para petroleiros, políticos e legendas receptadoras de doações.
Nenhum sindicato de bancários cobrou explicações sobre os financiamentos bilionários, investigados na brasileira Lava Jato e na Operação Marquês, portuguesa, para a obra da hidrelétrica de Cambambe, na Angola do ditador comunista José Eduardo dos Santos, pai de Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África. Aliás, a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga, da 4.ª Vara Criminal paulista, processou o ex-presidente da cooperativa dos bancários (Bancoop) João Vaccari Neto por ter usado o patrimônio da entidade para financiar o PT e bancar apartamentos na praia para petistas ilustres, entre eles Lula. E a Central Única dos Trabalhadores (CUT) não deu um pio em contrário.
Dos 18 ex-ministros de Lula e Dilma citados neste jornal no domingo, dois foram da Fazenda. Um, Guido Mantega, é acusado de ter achacado empresários no gabinete. E Paulo Bernardo responde por ter cobrado propina de servidores do Ministério do Planejamento, sob seu comando, que pediram empréstimos consignados. Algum socialista reclamou?
Que nada! O PT, a defesa de Lula e parte daintelligentsia comparam Sergio Moro, da Lava Jato, ao dominicano Savonarola e dizem que, por ser moralista e intolerante, ele "persegue" o três vezes réu. Só que este também responde por corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa, e não por crime político, a outro juiz, Vallisney Oliveira, de Brasília.
Nunca antes na História houve nada igual. É hora de aceitar a realidade, processar e punir os responsáveis. E sanar as distorções que desempregaram ou subocuparam 16,4 milhões de brasileiros (16% da força de trabalho). Não dá mais para perdoar ignomínias desse jaez.
O ROUBO DO SÉCULO SEGUE EM CURSO E NINGUÉM VÊ? - 14/10/2016
O assalto à Petrobrás é o maior escândalo de corrupção da história. Graça Foster, pressionada a avaliar o prejuízo da empresa para fechamento do balanço apontou, à época, a cifra de R$ 88,6 bilhões de prejuízo. E foi demitida. Em seguida a Petrobrás publicou balanço estimando o prejuízo em R$ 6 bilhões. Algum tempo depois a Polícia Federal revelou a estimativa de R$ 20 bilhões, ainda assim, uma diferença considerável em relação ao valor apontado por Foster.
O que está por trás dessa diferença? Fórmulas de cálculo? Informações imprecisas? Ignorância?
De fato, o montante do prejuízo somente poderá ser calculado após o encerramento das investigações, inclusive nos setores governamentais que recém começam a ser alcançados pelas investigações (Eletrobrás, BNDES, Saúde).
Os fatos desnudados pela Lava Jato sugerem que por trás de todas (ou de quase todas) as decisões sobre investimentos públicos nacionais e internacionais dos governos Lula e Dilma (obras públicas, obras internacionais financiadas pelo BNDES, investimentos de fundos de pensão das estatais, perdão de dívidas internacionais de ditaduras “amigas”, financiamento público para empresários “amigos”, desonerações tributárias e edição de MPs, havia assalto aos cofres públicos. Tudo isso, desde 2003.
Qual o peso da corrupção na construção da crise em curso, a mais grave da nossa história?
O cálculo do prejuízo precisa considerar, em primeiro lugar, a avaliação dos custos do impacto desse escândalo sobre a captação (ou impossibilidade de) de financiamentos internacionais pelo governo e empreendedores privados. Empresas brasileiras perderam valor de mercado e viram encarecer ou ser negado seu acesso ao crédito. Os investimentos em infraestrutura no país, em curso e futuros estão ameaçados, assim como estão sob suspeita as obras das Olimpíadas de 2016, tocadas por empreiteiras envolvidas na Lava Jato. Os prejuízos, nesse caso, atingem também a imagem internacional do Brasil.
Agregue-se à conta o cálculo dos prejuízos dos acionistas internacionais da Petrobrás a ser adotado pela Justiça dos EUA e da Europa, cuja cobrança, estimada em US$ 98 bilhões, será lançada contra os cofres das estatais brasileiras com ações em bolsa. Esse prejuízo, em última instância, recairá sobre o pagador de impostos brasileiro dado que a Petrobrás e demais estatais quebradas não dispõem dos recursos para essas indenizações.
Dito isso, observemos a forma como os envolvidos estão sendo cobrados: a) devolução das propinas; b) multas; c) acordos de leniência com cálculo de prejuízo sob circunstâncias, no mínimo, controvertidas e valores para lá de duvidosos.
Informação recente sobre a delação do Marcelo Odebrecht dá conta de que o MPF lhe pediu R$ 7 bilhões de indenização. Marcelo Odebrecht, em resposta, aceitaria pagar R$ 5 bilhões parcelados. Ora convenhamos, chancelar um acordo desse tipo ignorando os fatores de cálculo aqui sugeridos é, no mínimo, ingenuidade.
Um dos argumentos para justificar esses acordos é o de que é preciso salvar as empresas e punir os indivíduos, alegando que não podemos levar as empresas à falência. Pois bem, admitindo-se como plausível esse argumento, qual deveria ser a forma justa de punir os verdadeiros responsáveis?
Na nossa maneira de entender esse cálculo deveria considerar:
1 – Qual o sobrepreço das licitações fraudadas em cada contrato cartelizado à época de sua pactuação, comparado ao preço de mercado de obras similares (TCU)? (Obs.: pela Lei da Corrupção essa diferença seria de 20%).
2 – Quanto os acionistas nacionais e internacionais investiram em ações, tomando por base as informações fornecidas ao mercado pela Petrobrás (e demais estatais e bancos públicos nos casos correlatos), e quanto perderam com a descoberta da verdade?
3 - Qual o montante desse prejuízo em valores atualizados monetariamente, considerando juros, inflação e câmbio?
Tendo-se em conta esses critérios, não seria despropositado imaginar que os R$ 88,6 bilhões que causaram a demissão de Graça Foster estejam mais próximos da verdade. Quiçá subestimados.
Diante disso, por mais que os valores até agora recuperados pareçam impressionantes, eles são, de fato, uma pequena parte dos valores devidos.
Qual é, então, o roubo do século que segue ocorrendo e ninguém vê?
É a propina cobrada pelos ex-diretores presos da Petrobrás?
São os bônus por resultado pagos aos executivos das empreiteiras?
É a propina cobrada pelo PT, PP e PMDB para financiamento eleitoral ou enriquecimento pessoal de seus dirigentes?
São os valores destinados ao Lula em forma de pagamentos de palestras, ocultação de patrimônio ou financiamento de seu instituto?
Não! Isso seriam meros pixulecos ou acarajés!
Quem são os verdadeiros responsáveis pelas decisões estratégicas das empreiteiras?
Para executar que função eram remunerados os executivos presos?
Ora, para permitir que se roubassem bilhões nas licitações cartelizadas e fraudadas, cujos montantes envolvem sobrepreço de 20%, 30% ou mais!
Onde está esse dinheiro?
Essa riqueza, óbvio, foi transferida para o patrimônio pessoal dos acionistas desses conglomerados empresariais. Exceto Marcelo Odebrecht, o único acionista preso, os demais estão todos soltos e impunes.
A Odebrecht possuía 60% das ações da Brasken. Essas ações deveriam ser repassadas à Petrobrás (ou ao Estado brasileiro) antes que sejam transferidos para novos financiadores da Odebrecht como está ocorrendo. Isso pagaria o prejuízo? Não? Quanto valem as ações da Odebrecht Ambiental (que também está à venda) e quem são os acionistas dessa empresa? A Andrade Gutierrez é dona da Light e da CCR. A Camargo Correia é dona da CPFL (também à venda) e sócia da CCR. A OAS é dona do grupo INVEPAR em parceira com os fundos de pensão das estatais, também fraudados pelo mesmo esquema. Os acionistas dessas e das demais empresas de seus respectivos grupos, todos, possuem sim patrimônio para ressarcir as vítimas.
As vítimas somos nós, pagadores de impostos e demais acionistas das estatais saqueadas.
Porque o silêncio em torno dessa questão?
DEZOITO MEDIDAS POLITICAMENTE VIÁVEIS QUE TEMER DEVERIA PÔR EM PRÁTICA - 12/10/2016
(Publicado originalmente em www.institutoliberal.org.br)
Sejamos francos: Você não terá o apoio do meio cultural. Não terá o apoio dos professores universitários. Não terá o apoio dos funcionários públicos. Não terá o apoio dos sindicatos, nem dos movimentos sociais e estudantis. As viúvas do PT irão te caçar, irão te caluniar, irão tentar te sabotar de todas as maneiras até o último dos seus dias no governo. Diante disso, você pode sair do jeito que entrou ou plantar a semente de um futuro que o distinguirá dos demais presidentes. Para isso, contará com apenas alguns meses de apoio da imprensa e do congresso.
Meu consciente libertário fica tentado a sugerir a completa dissolução do estado para se conceder a justa alforria aos municípios, no entanto, rebaixo-me ao espírito democrático federativo para sugerir medidas politicamente viáveis.
A primeira coisa que deve ser feita é se cobrir com certo populismo para ganhar a confiança do povão. Anuncie que doará metade de seu salário a instituições privadas de caridade. Vá todos os meses a um orfanato, asilo ou ONG de ação social diferente, em cada canto do Brasil, e faça sua doação. Ao final, chame os jornalistas e diga: Pessoas é que devem ajudar pessoas. A sociedade precisa parar de acreditar que o estado resolverá todos os problemas. O estado não é a solução. O estado é o problema. Repita isso mil vezes.
No mesmo dia em que anunciar seu programa pessoal de caridade, risque um enorme X num mapa do Brasil representando as duas linhas ferroviárias que construirá ligando os extremos do país. O povo adora essas coisas. Tenha isso como sua obsessão. Dê um jeito de começar a obra no mês seguinte. Vá aos canteiros de obras toda semana. Almoce com os trabalhadores. Ande de bicicleta com as crianças. Isso lhe dará lastro popular para adotar as medidas que listo abaixo.
1 – Ciente de que o congresso não permitiria que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica sejam vendidos, acredito que você poderia pelo menos propor a extinção do BNDES e a venda da Petrobrás, da Eletrobrás, dos Correios e de todas as mais de 140 empresas que estão sob o comando do governo; e também todas as participações minoritárias noutras empresas. Justificativa: Isso será a maior ação anti-corrupção da história do Brasil, além de uma boa fonte de dinheiro para tapar o rombo deixado pelo PT.
Fazendo isso ou não, a extrema-esquerda vai te chamar “entreguista”. Então, faça!
2 – Cortar completamente a destinação de verbas para movimentos sociais e ONGs. Justificativa: Se movimentos sociais e ONGs não conseguem captar recursos na sociedade, é porque a sociedade não os reconhece, portanto, não há razão de existirem.
Fazendo isso ou não, a extrema-esquerda vai te chamar de “fascista”. Então, faça!
Aproveite o embalo e acabe com o imposto sindical sob a mesma justificativa.
3 – O congresso também não aprovaria privatizar todo o ensino que hoje se encontra sob o controle do estado, mas você poderia pelo menos propor a privatização da administração das escolas técnicas e das universidades. Justificativa: Porque a gestão das universidades precisa se desligar da política para se dedicar a formação profissional e a produção científica. Permita que sejam cobradas mensalidades dos alunos e ofereça vouchers aos mais pobres.
4 – No ensino fundamental e médio, elimine todo e qualquer viés comunista do currículo, substituindo Paulo Freire por métodos que priorizem o cálculo e a língua portuguesa. Justificativa: A ideia de mesclar “consciência política” com o ensino tradicional é um eufemismo para doutrinação ideológica, método que já foi utilizado tanto nas ditaduras comunistas quanto no fascismo italiano e no nazismo alemão.
5 – Acabar com o patrocínio a todo tipo de projeto cultural fora do âmbito educacional. Justificativa: Todos os artistas que hoje têm projetos viabilizados com dinheiro público poderiam viabilizá-los captando recursos diretamente na sociedade através de campanhas de crowd funding. Leis como a Rouanetbeneficiam apenas um pequeno grupo de artistas que tem o suporte de produtoras que, juntos, compõem uma verdadeira classe de privilegiados a custa do dinheiro público.
Lembre-se: Fazendo isso ou não, os artistas irão te odiar, afinal, você não é comunista. Então, faça!
6 – Não vou te pedir para reduzir o número de ministérios para três ou quatro, afinal, você precisará agradar os partidos de alguma forma. Porém, você pode acabar com 2/3 do funcionalismo público lançando um programa de demissão voluntária. Pague para as pessoas largarem a teta do governo. Justificativa: Além de redução de gastos, minimiza-se o ambiente de criação de dificuldades para se vender facilidades. Seus netos serão gratos.
7 – Lançar um programa radical de redução da burocracia, começando pela extinção dos cartórios. Justificativa: Tornar a vida do cidadão e do pequeno empresário mais fácil e barata, acabando com a necessidade de se contratar despachantes.
8 – Lançar um programa de reforma tributária gradual, triplicando o teto de renda para isentos do imposto de renda, zerando os impostos sobre produtos e serviços básicos, cortando pela metade e unificando os impostos sobre produção. Justificativa: Fazer com que a maior parte da renda circule no mercado em vez de se perder nos labirintos do governo.
9 – Lançar um programa de abertura da economia, acabando com todas as regulações e barreiras, incluindo o setor de telecomunicações. Justificativa: A economia brasileira só se fortalecerá quando aprender a conviver com a concorrência internacional.
10 – Acabar com todo tipo de empréstimos e subsídios às grandes empresas. Justificativa: Elas precisam aprender a viver sozinhas, se tornar eficientes para lucrar e se autofinanciarem. Deixe quebrar quem tiver que quebrar.
11 – Substituição de todos os programas sociais que destinam dinheiro aos beneficiários por um sistema devouchers para alimentação e moradia. Justificativa: Se o objetivo dos programas sociais é acabar com a pobreza, então, dê comida e moradia aos necessitados, não renda a quem não produz.
12 – Lançar um programa de privatização gradual do sistema de saúde mesclando a venda de hospitais com a concessão de vouchers aos mais pobres. Justificativa: Já que toda pessoa, assim que se vê em condição, contrata um plano de saúde particular por enxergar sua qualidade, então, que o governo torne isso mais acessível a um maior número de pessoas.
13 – Transferir a toda a previdência social para o setor privado. Justificativa: Para que as pessoas mais pobres também tenham a liberdade de escolher qual programa de aposentadoria lhes convém.
14 – A saída do PT do governo e sua consequente desmoralização já é uma grande reforma política, mas precisa-se fazer mais: Acabar com o fundo partidário, permitir que apenas pessoas físicas doem dinheiro para campanhas eleitorais, implantar o voto distrital misto, acabar com as coligações regionais e proporcionais, acabar com a reeleição no poder executivo. Justificativas: Assim como deve ocorrer com sindicatos e movimentos sociais, os partidos têm que aprender a captar recursos diretamente de seus eleitores, o que certamente criaria um compromisso entre as partes que hoje praticamente não existe. Quanto ao voto e as coligações, serviria para tornar o pleito mais claro e objetivo. Por fim, numa cultura patrimonialista como a brasileira, não se pode criar a oportunidade de uma pessoa utilizar da máquina estatal para se manter no poder. Faça-se o exemplo, retirando de si mesmo o direito de tentar se reeleger.
Aproveite o embalo e acabe com a ridícula formalidade do “vossa excelência” no tratamento entre parlamentares e com foro privilegiado para políticos. Não custa nada tentar.
15 – Criação de mecanismos constitucionais que impeçam que o estado ou qualquer pessoa do governo identifique cidadãos ou grupos deles a partir da religião, da raça, do gênero ou da inclinação sexual. Justificativa: Não cabe ao estado fazer essas avaliações porque, uma vez com esse poder, o próprio estado pode se tornar um agente segregador em função do perfil cultural e religioso de seus governantes.
16 – Liberação do porte de armas: Justificativa: A liberação do porte de armas não é uma ação de combate à violência, mas apenas a concessão do direito das pessoas defenderem a si mesmas, suas famílias e suas propriedades.
17 – Acabar com todo tipo de publicidade estatal, permitindo apenas uma placa nas obras e a promoção de campanhas de utilidade pública, como as de vacinação. Justificativa: A sociedade precisa julgar as ações do governo pelo que vê em seu dia a dia, não pelo que é transmitido na televisão em campanhas de marketing; e também porque, sem os anúncios do governo, os grandes jornais seriam obrigados a cativar o público pelo quanto infernizam a vida dos políticos, não pelo tanto que os protege.
18 – Proibição do uso de rojões. Pena de 30 anos de cadeia aos infratores. Justificativa: Porque o autor desse texto odeia rojões. Esse é o preço cobrado pelas sugestões acima.
Faça isso, Temer. Faça! Lance tudo isso de uma só vez, num único pacotão. Faça isso no primeiro dia de governo. Mesmo que algumas coisas sejam cortadas, se conseguir aprovar pelo menos a metade dessas medidas, com toda certeza você será lembrado como o presidente que fez as loucuras que o Brasil precisavae sua esposa bela, recatada e do lar terá muito orgulho de você.
* Artista plástico formado em arquitetura e urbanismo. Estuda e escreve sobre filosofia política e econômica porque gosta. Libertário, sente-se muito bem entre liberais e conservadores. Ateu, defende com segurança a cultura judaico-cristã.
VITÓRIA LOCAL, DERROTA GLOBAL - 07/10/2016
(Publicado originalmente em midiasemmascara.org)
Ainda estamos celebrando as pequenas vitórias eleitorais conquistadas no último domingo contra o PT e lamentando a ida do PSOL para o segundo turno do pleito carioca. Mas, longe das prefeituras e das câmaras municipais brasileiras, uma outra disputa eleitoral — infinitamente mais importante — está sendo concluída em Manhattan, onde o Conselho de Segurança das Nações Unidas chegou a um consenso e formalizou a indicação do português Antônio Guterres para o cargo de Secretário Geral da ONU.
Poderia ser pior. Mas não muito. Guterres tem um longo histórico de serviço à causa revolucionária. Membro do Partido Socialista Português desde sua fundação em 1973, foi secretário-geral deste mesmo partido de 1992 a 2002, período em que também fez parte da cúpula da Internacional Socialista, primeiro como vice-presidente e depois como presidente. Durante sete anos, ele também esteve à frente do governo de Portugal, oportunidade que ele aproveitou para demonstrar toda sua habilidade como interventor obsessivo e péssimo gestor, um sujeito tão ávido em desperdiçar o dinheiro público quanto em promover a agenda dos engenheiros sociais globalistas — o Nimrod ideal para essa torre de babel moderna que é a organização das nações unidas.
Evidentemente, não é isso que você está lendo na grande mídia, onde a escolha de Guterres está sendo celebrada em textos que mais parecem transposições, quase literais, do material de relações públicas da ONU e do Partido Socialista Português.
Além dos aplausos dos jornalistas, o português foi elogiado simultaneamente pelos representantes da Rússia e da China e pela embaixadora americana (e obamista) Samantha Power. Mas o que exatamente fez com que o candidato português encantasse igualmente os representantes do Putin, do Xi Jinping e do Obama? Além do longo rol de serviços prestados à esquerda, Guterres também atuou, durante os últimos dez anos, como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, sendo um dos responsáveis pela desordem causada pela atual crise dos refugiados e um dos principais promotores das políticas de fronteiras abertas, que são apoiadas com igual entusiasmo pelos três esquemas globalistas e que comprometem as soberanias nacionais e colocam em risco a preservação de comunidades locais européias e americanas; e, junto com elas, todo o Ocidente.
Nas próximas semanas, a indicação do Conselho de Segurança será ratificada pela Assembléia Geral da ONU e, em janeiro de 2017, Guterres assumirá a liderança das Nações Unidas. E então teremos um comunista histórico, com ampla experiência em guerra cultural e engenharia social, liderando uma organização multi-bilionária, sem transparência e ávida por promover uma agenda que vai do aborto à eutanásia, passando pela ideologia de gênero e pelo desarmamento civil. O que pode dar errado?
(Foto: Ricardo Stuckert)
OITO PASSOS IMPORTANTES PARA DESINTOXICAR-SE DO MARXISMO CULTURAL - 07/10/2016
(Publicado originalmente no www.institutoliberal.org)
Na esteira do artigo publicado por Rodrigo Constantino na revista Istoé desta semana, no qual ele narra duas histórias fictícias em que Liberais e Conservadores perdem a vergonha de assumirem suas convicções (relatos do gênero, na vida real, estão se tornando bastante comuns), proponho debater o caminho que precisa ser trilhado por um Esquerdista no esforço de clarear sua mente e livrar-se do jugo do politicamente correto, do ideário “progressista” e da cultura de dependência do Estado. Tal atividade consiste em traçar um “caminho da servidão” às avessas, através do qual o outrora inocente útil logrará livrar-se dessa ideologia que está mais para uma patologia – como bem explicado por Tom Martins.
Parcela significativa de minhas sugestões parte da experiência própria (fui “isentão” por bastante tempo), de maneira que posso atestar sua eficácia. E prestar auxílio aos afetados por essa esquizofrenia é tarefa que ganha relevo na medida em que, desde a revolução cultural de maio de 1968, a população inteira do país consome os princípios desta doutrina sem nem mesmo dar-se conta, de forma congênere e na mesma proporção com que ingere Iodo no sal de cozinha – precisamente como almejava Antonio Gramsci.
Novelas, filmes, seriados, livros de ficção, aulas de História, de Geografia (e mais recentemente Filosofia e Sociologia), músicas, tudo sempre esteve carregado pelo marxismo cultural e sua subversão aos valores que constituem a base da sociedade ocidental, como a família, a religião, a prosperidade, e, inclusive, a arte e o bom gosto estético.
Momento mais propício para esta expurgação do que o atual nunca houve, considerando-se que a Internet propiciou a disseminação dos princípios contrários ao propagandeados pelo jornalismo como um todo (categoria profissional das mais contaminadas pelo vírus esquerdista).
Vamos, então, ao roteiro que pode ser denominado de “oito passos do membro do CA (comunas anônimos)”, e o primeiro cobaia será ZÉ COMUNA, o qual é usuário deste entorpecente há 10 anos e ofereceu-se para participar do programa, com especial incentivo de seus pais e demais familiares:
1. Procurar voluntariamente o tratamento: Zé Comuna não pode, simplesmente, ser conduzido pelo colarinho até uma aula sobre a teoria dos ciclos econômicos de Mises, sob o risco de ele levantar-se durante a preleção do instrutor e gritar “Fora, Temer”, com direito à cusparada nos colegas. É necessário, com calma e persistência, mostrar-lhe as contradições da Esquerda, as incongruências do Feminismo, a situação dos pobres nos países com governos socialistas (se possível, leve-o para um passeio em Caracas, mas procure levar marmita de casa), a condição dos “pobres” nas nações com economias liberalizadas, enfim, jogue diante dos seus olhos as evidências, e direcione suas preces para que ele recobre os sentidos. Se tudo der certo, Zé Comuna irá experimentar uma epifania, e partirá para o segundo passo;
2. Admitir o problema: Não há como estabelecer algo mais básico neste processo de depuração: encarar a realidade e reconhecer que enveredou pela direção errada. Enquanto o indivíduo seguir buscando formas de justificar suas atrofiadas crenças em detrimento dos fatos que observa (ou, pior ainda, desprezando os fatos), prosseguirá achando que Hitler era um extrema-direita, que Che Guevara é um herói da humanidade, que Stalin só queria melhorar a vida do proletariado russo. Zé Comuna, então, em sua primeira sessão no grupo de apoio, deve levantar-se em meio a todos, dizer seu nome, e declarar: “eu sou um idiota útil da Esquerda”, ao que todos os presentes devem responder: “bem-vindo, Zé Comuna”;
3. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará (João 8:32)”: Após interromper o deslocamento à Esquerda, nada mais natural que o peregrino passe a rumar em direção ao Conservadorismo e ao Liberalismo Clássico, no intuito de recuperar o tempo perdido no DCE (e demais antros do gênero) e nos protestos com a galera do PSOL. E, nesta empreitada, é fundamental que ele procure preencher todos os vácuos deixados por seus professores e pela mídia durante sua vida inteira.
Zé Comuna deve perguntar-se por que ele nunca havia ouvido falar que o Comunismo deixou um rastro de mais de 100 milhões de mortos por onde passou; por que ele achava que a crise financeira de 2008 foi causada pelo Capitalismo, e não pela intervenção indevida dos bancos centrais na economia; por que lhe disseram que a igualdade total era o objetivo primeiro a ser buscado em um país; por que havia se deixado convencer que o sexo do indivíduo é determinado pela sociedade?
Zé Comuna, neste período, precisa receber ajuda externa, pois não é moleza encontrar fontes de informação esterilizadas e com garantia de procedência conservadora ou liberal – momento em que ganha especial relevância o trabalho de todos aqueles comunicadores da grande rede, protagonistas em websites, canais do Youtube e podcasts, bem como de escritores da nova geração, que difundem o contraponto a tudo aquilo que ele considerava como verdadeiros dogmas até então;
4. A Busca deve ser Racional, e não Emocional: Que tristeza ver tanta injustiça com os pobres trabalhadores retratados no livro “OS Miseráveis”, de Vitor Hugo; que tocante ver Adam Sandler morrer dizendo que se arrepende de ter trabalhado tanto e construído a maior empresa de construção civil do país, no filme “Click”; que empolgante cantar, ao final de “Faroeste Caboclo”, que João de Santo Cristo só queria pedir para o Presidente ajudar os sofredores; e que divertido deixar a vida nos levar, como sugere Zeca Pagodinho.
Mas chega de emoções por hoje, né, Zé Comuna? A partir de agora, busque sentido no que lê, assiste e escuta. Empregados da revolução industrial trabalhavam como burros de carga? Sim, mas somente aqueles que escaparam da inanição e da altíssima mortalidade anteriores a esse período; a empresa de Michael Newman empregaria milhares de pessoas, não fosse apenas um filme de comédia; João de Santo Cristo não era vítima do “injusto” sistema capitalista, como Renato Russo (filhinho de papai entediado) te quis fazer crer, mas sim um traficante vagabundo – não tivesse saído da carpintaria, quem sabe ainda estivesse vivo e com netos; e não deixe o acaso determinar seus rumos em hipótese alguma, pois o planejamento vai fazer toda a diferença na sua vida. Enfim, Zé Comuna: fuja da armadilha sentimentalóide, respire fundo e não deixe a mensagem subliminar entrar. E, neste intuito, dois minutos raciocinando de forma honesta são suficientes;
5. Tenha Paciência consigo mesmo: O processo de descompressão pós-esquerdismo é lento e, por vezes, dolorido. Olhar para trás e perceber a quantidade de disparates repetidos à exaustão e a estultícia da maioria dos posicionamentos outrora adotados pode mexer com a autoestima facilmente. Extrair um tumor maligno costuma ser bastante traumático. Por isso, Zé comuna não pode ter pressa. É um dia depois do outro, como bem sabem os dependentes de narcóticos que frequentam clínicas de reabilitação. A cada novo encontro no grupo, ele precisa relatar cada pequena vitória e as dificuldades enfrentadas. Quando ele completar um ano sem dizer “não vai ter golpe”, deve ser agraciado com aquelas medalhinhas comemorativas. E assim ele vai em direção à cura, mas sem perder de vista que jamais estará 100% livre da ameaça: qualquer relaxamento e a tentação de posar de bom moço anticapitalista para compensar problemas emotivos, sentir-se benquisto pelos professores ou pegar aquela colega de faculdade bicho-grilo pode bater forte. Cochilou, o cachimbo cai – e a foice e o martelo sobem;
6. Pratique os novos aprendizados: Nada trará mais ânimo para Zé Comuna em sua saga do que constatar, em sua própria vida, quão benéficas serão as transformações por ele sofridas. A pessoa mais rica da cidade tem 500 vezes mais dinheiro que ele? Certamente este Tio Patinhas não ingere 500 vezes mais calorias, ou atinge uma longevidade 500 vezes maior; sem problema então, desde que sua fortuna tenha sido erigida honestamente – neste caso, ele gerou valor para todos ao seu redor. Seu pai chamou-lhe a atenção porque não está estudando o suficiente? Não se trata de um patriarca opressor que deseja vê-lo inserido em um sistema cruel, mas sim alguém preocupado com seu futuro. Tomou bronca do chefe que lhe pediu mais esforço? Nada de pedir indenização por assédio moral na Justiça; partiu mostrar serviço. A língua inglesa está em todo lugar? Nada de chamar britânicos e americanos de “malditos imperialistas”, e sim agradecê-los por nos terem fornecido uma linguagem universal, coisa que a humanidade tentou implantar por muito tempo sem sucesso (vide o fracassado Esperanto). Que coisa boa ver o ressentimento e a inveja esvaecerem, né, Zé Comuna? Dizem que é bom até para a pele;
7. Substitua sua Fé no Igualitarismo por Outra: Abandonar uma “religião secular” como a Esquerda pode provocar no aluno do programa de desintoxicação ideológica uma perigosa sensação de abstinência. Afinal, era com muita paixão que Zé Comuna devotava seu tempo à missão de “construir um mundo melhor” – antes de arrumar o próprio quarto, claro. É necessário, portanto, que sua energia outrora voltada para eleger Luciana Genro seja canalizada para outras direções, tais como um culto religioso, um esporte, uma nova profissão, uma atividade filantrópica, uma esposa, um filho, um cachorro. Enfim, o importante é ele trocar o anseio por “mudar a humanidade” (para o lamento de Pol Pot e Cia) e passar a buscar, justamente em outros seres humanos, até mesmo em suas imperfeições e falhas, motivações para acordar todo dia e seguir em sua jornada diária;
8. Não abandone os círculos de amizade: Após tanto tempo convivendo com os mais diversos estereótipos da Esquerda, desde os veganos inveterados, passando pelos pichadores do Monumento às Bandeiras, até os ditos socialistas que curtem tomar café na Champs Elysées, Zé Comuna ficará sem nenhum amigo caso simplesmente dê as costas a seus antigos “camaradas”. Ao invés de desdenhar daqueles que não tiveram a mesma sorte, ele deve procurar direcioná-los para o mesmo caminho por ele trilhado – mas sem esquecer-se do 1º passo, ou ele será simplesmente ejetado dessas turmas (tratamento destinado a todo coxinha/fascista/nazista/machista/homofóbico).
Se tudo tiver dado certo, Zé Comuna precisará de um novo apelido após concluído o programa. Mas acredito que seus pais, irmãos e amigos resolverão este problema facilmente, radiantes de poder contar com uma pessoa totalmente renovada em seu cotidiano. Hélio bicudo (um dos fundadores do PT e subscritor do pedido de Impeachment de Dilma Rousseff) e o cantor Lobão (que chegou a pedir votos para Lula ao vivo no Faustão e hoje apoio o livre mercado e a redução do tamanho do Estado) são casos bem sucedidos desta aconselhável transmutação do caráter do indivíduo.
Não se pode perder de vista que a intenção da maioria dessas pessoas comprometidas pelo esquerdismo é louvável. Certa feita um amigo meu, capturado ainda na década de 1990, perguntou-me: “caso Liberais clássicos e Conservadores passem a ser maioria no país, quem irá cuidar da escumalha(sic)?”. Naquele momento, percebi que sua preocupação era digna de elogio, mas suas ações esbarravam no eternomonopólio da virtude, o qual o leva a crer que, se há desamparados, a culpa é da Direita, e só quem pode resgatá-los é a Esquerda. Não se discute que os fins são nobres, mas o debate sobre os meios para alcançá-los precisa acontecer. Se os farrapos da cracolândia merecem nossa solidariedade, também os esquerdistas fazem jus ao nosso apoio e suporte – até mesmo porque nenhum deles pediu para estar em tal situação degradante. Foram abduzidos desavisadamente, e não sairão dessa sem nosso amparo.
Em uma parábola do livro de Mateus, os fariseus indignam-se porque Jesus Cristo mostra misericórdia aos cobradores de impostos e pecadores. Ele demonstra, em verdade, ser capaz de ajudar todos os que estão doentes em sentido espiritual. Eis aí um ótimo exemplo do pretendido com o programa de oito passos do CA: em vez de cortar relações com “progressistas”, mostre-lhes de onde vem o verdadeiro progresso da humanidade.
Um abraço a todos, independente de suas concepções ideológicas, mesmo para os Leninistas, Frankfurtianos e Fabianos – e, claro, para aqueles que nem sabem do que estou falando, mas sustentam a tese de que “empregado não vota em patrão”. Talvez possamos compartilhar os mesmos pontos de vista em um futuro próximo, e quem sabe hoje não seja um bom dia para aderir ao 1º passo do programa, não é? A não ser, claro, que você seja daqueles que ganham muito dinheiro bancando o defensor dos fracos e oprimidos, ou desempenhando papel de guru da Esquerda. Esses vão é remar contra a recuperação do Zé Comuna.
Opa, Zé Comuna não. Agora ele prefere ser chamado por seu verdadeiro nome. Respeitemos sua vontade, pois atravessar uma selva de volta à civilização foi tarefa árdua. Ademais, ninguém está livre: você pode ainda ver um filho ou outro ente querido passar por este calvário, e precisará saber como guiá-lo até a luz. Desejemos muita força para quem está passando por esta situação neste exato momento…
Sobre o autor: Atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Formado na Escola de Especialistas de Aeronáutica (EEAR) como Profissional do Tráfego Aéreo e Bacharel em Letras Português/Inglês pela UFPR. Também publica artigos em seu site: https://bordinburke.wordpress.com/https://bordinburke.wordpress.com/
SAINDO DO ARMÁRIO - 03/10/2016
(Publicado originalmente em IstoÉ)
João era um aluno exemplar. Não matava aula para fumar maconha, não fazia bagunça, não desrespeitava o professor, nem mesmo quando ele aparecia com um broche do seu partido na escola, o que é proibido. Sentava na primeira fila e tirava notas boas. Mas João tinha um “problema”, e por isso sofria bullying dos colegas, era alvo do escárnio de seus pares, e até o professor o intimidava.
Pedro queria muito ser um cineasta. Desde cedo via tudo que era filme, adorava os melhores diretores, lia sobre o assunto, era muito esforçado. Acabou acumulando um vasto conhecimento na área, de dar inveja aos melhores profissionais do ramo. Mas Pedro tinha um “defeito”, e por isso era constantemente boicotado, não recebia um só centavo da Lei Rouanet.
Mariana era uma boa menina. Numa vizinhança dominada pelo tráfico, ela fazia questão de usar uma roupa decente, de falar um português correto, gostava de música clássica e lia Shakespeare, além de cuidar da avó. Ela namorava firme e frequentava a missa aos domingos. Mas Mariana tinha um grave “ponto fraco”, e por isso era ameaçada pelos vizinhos.
Tanto João como Pedro e Mariana eram liberais com viés conservador. Eram, portanto, a menor minoria de todas em seus respectivos ambientes. Na escola de João, a maioria era socialista, inclusive o professor, que bancava o militante em sala de aula e escrevia “Fora, Temer” no quadro. Havia adesivos do PSOL no mural, e o grande “problema” de João era não aderir ao politicamente correto, preferir ler os clássicos em vez de repetir slogans marxistas. Sofria represália por isso.
Já Pedro tinha excelentes ideias de filmes, queria falar sobre o amor entre um homem e uma mulher, sobre virtudes como o heroísmo individual, a coragem, a determinação. Coitado! Era ridicularizado por todos, alvo dos mais duros ataques daqueles que recebiam polpudas verbas públicas e faziam filmes elogiando comunistas. Pedro era um estranho naquele ninho, uma minoria punida por seu “defeito”: a ideologia errada.
Mariana, por sua vez, só queria ser feliz com seu namorado, absorver as lições bíblicas aos domingos, mergulhar nas incríveis histórias shakespearianas sobre a natureza humana, imutável ao longo dos séculos. Mas não a deixavam em paz. Ela era vítima dos mais sujos rótulos, pois não simpatizava com o movimento feminista, não era da turma LGBT, não achava que banalizar o aborto era algo legal.
Por muito tempo os três sofreram calados a condição de minorias atormentadas. Não mais! Agora eles decidiram sair de vez do armário. Resolveram se assumir pelo que são: liberais clássicos e conservadores, fãs de Reagan e Thatcher, ou “coxinhas reacionários” pela ótica de seus detratores. Passara da hora de reagir…
MARILENA CHAUÍ E O CASO DAS BESTAS - 01/10/2016
A "filósofa" marxista Marilena Chauí disse no Colégio Oswald, aqui em São Paulo, que "a família é uma invenção do final do século XVIII" e, conclui: "quem sai às ruas defendendo a família é uma besta".
Pois bem, Aristóteles, 21 séculos antes do século XVIII, dizia que "essas duas primeiras associações, a do senhor e do escravo, a do esposo e da mulher, são as bases da família, e Hesíodo disse muito bem este verso: 'a casa, depois a mulher e o boi arador', porque o pobre não tem outro escravo que o boi. Assim, pois, a associação natural e permanente é a família, e Corondas pôde dizer dos membros que a compõem 'que comiam à mesma mesa', e Epimênides de Creta 'que se aqueciam no mesmo lar'".
[A Política, Livro I, Capítulo I]
-- Entenda-se "escravo", no texto de Aristóteles, como aquele que desempenha serviços inferiores de ajuda à mulher da casa. Hoje, que não precisamos mais nos servir nem de animais, esses "serviços" são muito bem desenvolvidos pelos eletrodomésticos, dos quais deve estar cheia a casa da Sra. Chauí, fanaticamente anti-capitalista.
Pois bem, vê-se que a "filósofa" não leu direito nem o início de "A Política" e, apressando-se em xingar os outros de "besta", acaba por mostrar-se ela mesma como tal.
Como dizia São Tomás de Aquino, é a família que educa o homem para a virtude, e o Estado constringe apenas aqueles que não aprenderam na educação doméstica a que aprendam por força da lei, pois, "como, dizia Aristóteles (Política, Livro I), 'embora o homem exercitado na virtude seja o melhor dos animais, quando se afasta da lei torna-se pior que todos eles'… É que, para satisfazer suas concupiscências e iras, o homem conta com a arma da inteligência, que não possuem as bestas" (Suma Teológica, I-II, q. 95, a. 1, Resposta).
É impressionante como a Sra. Chauí, num colégio de adolescentes, confessa publicamente seu ódio à família, respaldada nos mesmos argumentos de Marx, de que esta é uma invenção burguesa, a transmissora da psicologia mesma do poder.
Desde então, pessoas como ela não param de atacar a instituição familiar servindo-se de invencionices como a "Teoria Crítica" de Horkheimer, o "Desconstrucionismo" de Derrida, o "Pós-estruturalismo" de Foucault, a "Ideologia de gênero" de Butler ou qualquer outra estupidez que possa inventar uma mente perversa, enchendo a cabeça dos desavisados com os sofismas mais alucinantes, que seriam capazes de causar vertigens e náuseas até mesmo em Sócrates.
Por isso, precisamos defender a família e, para defendê-la, apontar o erro. Ei-lo.
Em certo sentido, tem razão a Sra. Chauí, mas recai nas mesmíssimas metonímias de seu Padroeiro, Marx. A Revolução Industrial criou sobre a estrutura da sociedade fundada sobre a família uma superestrutura: o sistema financeiro.
Marx, porém, inverteu a realidade: considerava a economia como estrutura e a família como superestrutura. Não deu-se conta de que foi justamente o sistema financeiro que começou a desarraigar as famílias do campo e, transferindo-as para a cidade, torná-las cada vez mais fracas, nucleares, doentes e inexpressivas, destruindo-as… E, isso, por um motivo: para fortalecer o mercado de trabalho.
Sim, a FAMÍLIA MODERNA é uma invenção do século XVIII, uma invenção artificial, criada para ser destruída.
Foi o capital que destruiu a família! Mas Marx considerava que é destruindo a família que se destruiria o capital, não percebendo que este é o caminho mais fácil para fortalecê-lo.
De fato, está provado: os marxistas são umas bestas!
E nós, todavia, defendemos a família não por sermos bestas, mas para não nos tornarmos piores que elas, incluídos aí os marxistas.
A VERGONHOSA DOUTRINAÇÃO NAS ESCOLAS: MAIS UM VÍDEO DE PROFESSOR DOUTRINADOR - 28/09/2016
(Publicado originalmente em www.institutoliberal.org.br)
Há dois dias circula nas redes sociais um vídeo com a fala de um professor doutrinador. O vídeo foi publicado por uma estudante e reforça o debate em torno da doutrinação em sala de aula que, apesar de cansativo, é profundamente necessário, dado que existem sujeitos mentindo sobre sua existência. Tal como escrevi em um texto anterior, só os doutrinadores negam a doutrinação e aqueles que de fato não enxergam são os mais aguerridos. Assista aqui ao vídeo.
Segue a transcrição do que o professor diz:
“Da mesma maneira que aconteceu em 37, a classe trabalhadora, no caso, vocês, né, estão completamente alijados e alienados do que aconteceu. Apenas a classe média, branca, é quem foi à rua vestido de camisa do Brasil querendo que o governo fosse deposto. Mas é porque a classe média que foi à rua, galera, tava insatisfeita com o fato de pobre tá pegando avião no aeroporto […] com o fato de ter mais negro e gente de periferia dentro de universidade. Gente da origem de vocês. A classe média que foi à rua […] tava insatisfeita porque pobre tava financiando carro. Infelizmente, como a gente tem uma sociedade de analfabetos políticos, as pessoas não se deram conta disso[…] devidamente manipuladas pela Globo.”
Que discurso clichê! É precisamente a pregação da esquerda que quer injetar ódio classista nas mentes dos alunos. Antes que um “pedagogo freireano” venha dizer que os estudantes não são recipientes vazios que devam ser preenchidos, respondo: eu sei! Todavia, negar a influência dos professores na formação dos estudantes, para o bem ou para o mal, é pura falsidade e dissimulação de quem pretende doutriná-los.
Mas analisemos mais pormenorizadamente a fala do professor militante.
Ele diz que somente a classe média branca foi às ruas pedir o Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e que seus alunos pertencem à classe trabalhadora que está alienada do que realmente acontece. Assim, se levarmos em consideração que a aluna, que não é branca e que, para o professor, faz parte da “classe trabalhadora alienada”, está filmando e ri do que ouve, ela deve ter ido às ruas ou apoiado as manifestações. Logo, o argumento dele é falacioso.
Além disso, ele alega que a classe média estaria insatisfeita com o fato de “pobre tá pegando avião no aeroporto”, “de ter mais negro e gente de periferia dentro de universidade” e “financiando carro”. Diz também que essa gente é “da origem de vocês”, isto é, dos estudantes. Portanto, se pessoas da “origem deles” são aquelas “odiadas” pela classe média, os alunos devem ser contrários a ela e odiá-la. Isto nada mais é do que a preparação do terreno para o cultivo da mentalidade esquerdista.
Por fim, o doutrinador diz: “Infelizmente, como a gente tem uma sociedade de analfabetos políticos, as pessoas não se deram conta disso […] devidamente manipuladas pela Globo.” Novamente um clichê de causar espanto. Primeiro que ele, como todo militante esquerdista, acredita que todos aqueles que não concordam com a esquerda são “analfabetos políticos”, menos eles e sua classe de bolcheviques modernos e covardes. Esse pessoal sempre se julga clarividente e capaz de mudar o mundo a partir de suas teorias e frases de efeito. Por último, outro chavão da militância: falar mal da Globo.
Todos sabem que insultar esta emissora, falar mal dos Estados Unidos e do capitalismo é lugar-comum do catecismo marxista. Aliás, pergunte ao professor doutrinador do vídeo o que ele pensa sobre o projeto Escola Sem Partido. Já sabemos a resposta. Não seria nenhuma novidade.
Em suma, o que é isso tudo senão uma pregação da luta de classes? É sempre a mesma coisa, o mesmo mantra esquerdista repetido para fins de lavagem cerebral e criação de autômatos. Felizmente isso tem mudado e, diferentemente do que o professor doutrinador acredita, negros e moradores de periferia também raciocinam e sabem quando estão perante um demagogo barato.
Tenho o compromisso de fazer tais denúncias enquanto houver hipócritas de toda sorte negando que a doutrinação seja real.
FMI: A VOLTA DO FILHO PRÓDIGO - 26/09/2016
Com o fim da ilusão monetária que induziu o Brasil num falso crescimento econômico, baseado apenas no aumento irresponsável das operações de crédito, promovido nos governos petistas, fazendo com que as operações de crédito migrassem de 25,39% do PIB em 2002 para 54,48% do PIB em 2015 (aumento real de 114,57% em relação ao PIB), provocando um esgotamento da capacidade de endividamento das empresas e das famílias, com isso o falso circulo virtuoso de crescimento, lastreado em premissas falsas, fez com que o castelo virasse pó. Foi um castelo construído na areia e não na rocha.
Outra mentira vendida ao povo, com o apoio da imprensa, foi a de que o Brasil havia pagado a dívida externa, e Deus e meus leitores de longa data sabem a minha luta para desmentir essa falácia, mas sendo um ilustre desconhecido fui derrotado na empreitada. Apesar de ainda ter muitos doutos que citam como base para o crescimento futuro a segurança de termos um saldo em reservas de US$ 369,3 bilhões, omitindo os deveres do Banco Central de uma dívida (pública e privada) da ordem de US$ 675,8 bilhões. Gerando um saldo devedor da ordem US$ 306,5 bilhões.
Além do acima colocado devemos lembrar que as agências de classificação de risco rebaixaram as notas do Brasil (passando para grau especulativo), e hoje somos um país classificado como de alto risco para investidores institucionais, sendo um verdadeiro paraíso financeiro para os especuladores.
De longa data já tinha previsto que o Brasil não sairia do atoleiro sem a austeridade e o aval do FMI que, felizmente, está de volta para por ordem na “casa da mãe Joana”, em que se transformou o Brasil.
Óbvio e ululante que não bastaria os falsos discursos do senhor Temer(ário), com a sua constante cara de paisagem, para colocar o Brasil nos trilhos.
Agora os vermelhos terão o seu novo grito de guerra: “FORA FMI”.
E o Brasil na sua eterna mesmice histórica. Haja saco.
Um museu de grandes novidades (CAZUZA).
OS CATÓLICOS IDIOTAS ÚTEIS DE GEORGE SOROS - 26/09/2016
(Publicado no Washigton Times 30/ago e traduzido para o MSM)
Uma série de documentos notáveis foram vazados pela Wikileaks recentemente. A “sociedade aberta” de George Soros (Open Society Policy Center), ao que parece, fez doações de 650 mil dólares a duas organizações religiosas ou “baseadas na fé”. Inicialmente, isso pode se assemelhar a uma conversão religiosa de Soros. Mas não é. Indo mais fundo, essa motivação filatrópica possui um motivo bem mais banal: a política.
No entanto, havia uma dimensão bastante interessante para as doações a esses dois grupos – “PICO” e “Fé na Vida Pública” (Faith in public life, FPL) - que, além de serem “baseadas na fé", gerenciam redes de ativistas “grass roots” (grass roots em inglês significa “pessoas separadas da elite” ou “gente comum”). Soros estava contribuindo para recrutar 10 mil voluntários, enquanto treinava outros 3.500 para uma mobilização, a fim de influenciar a Igreja Católica em 2015 durante a visita do Papa Francisco aos Estados Unidos.
Num primeiro momento, as doações parecem benignas. Como presidente de um grupo não-partidário, eu entendo que é preciso dinheiro para disseminar as ideias de uma organização às pessoas religosas. O que é desconcertante, no entanto, é a intenção política (muito óbvia pelos documentos) para manipular os líderes da Igreja Católica. Tem-se a impressão de que Soros e seus companheiros de viagem enxergam as lideranças das comunidades religiosas em geral e, principalmente da Igreja Católica, como meros idiotas úteis a serem manipulados para promoção de suas agendas políticas e secularistas.
Apesar disso, os “justiceiros sociais” dessas duas organizações beneficiadas por Soros (PICO e FPL) aparentemente não possuem nenhum escrúpulo moral sobre o recebimento de dinheiro de fontes que, a julgar por várias “empresas” de caridade de George Soros, veem a Igreja Católica e outros grupos religiosos tradicionais como uma grande parte dos problema sociais que procuram erradicar. De acordo com os documentos vazados, uma parte das doações monetárias de Soros foi gasta promovendo John Gehring, um ex-assistente de diretor de mídia, na Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, como comentarista dos meios de comunicação nacionais de mídia.
Gehring entrou em conflito com os bispos católicos em 2012 após a emissão de uma nota que fornecia aos jornalistas perguntas antagônicas para confrontarem os bispos sobre a Quinzena da Liberdade religiosa daquele ano. Ele também encorajou os jornalistas a desafiarem qualquer alegação de que a Primeira Emenda de garantias de liberdade religiosa estava sob ataque.
A visita do Papa Francisco aos Estados Unidos, em 2015, seguiu o lançamento, no início do ano, de sua encíclica “Laudato Si”. Ambas definiram não apenas o cenário da Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, em Paris, mas um amplo debate religioso e político sobre essas questões, precisamente o que o Santo Padre pretendia. Os documentos vazados revelam, entretanto, que o FPL e a PICO tinham muito mais que um debate como seu objetivo.
Eles queriam, por exemplo, “arregimentar bispos para mais expressar publicamente mensagens de justiça econômica e racial, a fim de criar uma massa crítica de bispos que estejam alinhados com o Papa”. Eles também relatam que “os grupos locais de PICO estão capitalizando a dinâmica da visita do Papa, como planejado, para pressionar por uma série de reformas políticas estaduais e locais, inclusive em Minnesota, um estado com população católica significativa nas regiões suburbanas e rurais, onde dezenove paróquias e, distritos-chave legislativos estão prontas a apoiar campanhas legislativas para obter carteiras de motorista para imigrantes, regular empréstimos individuais, e aumentar, em todo o estado, licenças familiares pagas. Os 650 mil dólares também ajudaram a lançar as sementes para os esforços de PICO e FPL para “mudar as prioridades da Igreja Católica nos Estados Unidos para se concentrar em questões de injustiça e opressão".
Outros detalhes dos múltiplos vazamentos de minutas de reuniões da Open Society revelam o trabalho de uma rede política “progressista” que se estende para além da PICO e da FPL nos corredores do próprio Vaticano.
“A fim de aproveitar este momento, vamos apoiar as atividades organizadas pela PICO para envolver o Papa em questões de justiça econômica e racial, usando inclusive a influência do Cardeal Oscar Rodriguez Maradiaga, assessor do Papa, e enviar uma delegação para visitar o Vaticano na primavera ou no verão, para permitir a ele ouvir diretamente os católicos de baixa renda da América”.
As minutas continuam: “ao aproveitar a visita papal para mostrar a crítica ao que o Papa chama de “uma economia de exclusão e desigualdade” e sua rejeição às teorias de redistribuição, PICO e FPL vão trabalhar para construir uma ponte visando maior conversa sobre as preocupações econômicas básicas e mudar paradigmas e prioridades nacionais na preparação para a campanha presidencial de 2016”. Tendo em conta os esforços evidentes contra alguns grupos de ativistas de base religiosa, que essencialmente parecem perto de influenciar a atual campanha presidencial e até mesmo levantar dinheiro usando a imagem do Papa Francisco, eu acredito que o investimento do sr. Soros foi bem sucedido.
Isso não é educação. Isso é manipulação política, a fim de colocar a Igreja Católica na agenda política do sr. Soros; um esforço cínico, bem financiado, para explorar os fiéis e atingir fins morais e políticos duvidosos.
O Sr. Soros deveria ser condenado por usar seu dinheiro dessa forma, e as organizações baseadas na fé que o aceitaram deveriam ter vergonha.
O padre Robert A. Sirico é presidente do Acton Institute em Grand Rapids, Michigan.
Tradução: Dayane Mota e Milena Popovic
A VERDADE NÃO REVELADA SOBRE GUIDO MANTEGA E O CAPITALISMO DE LAÇOS - 23/09/2016
(Publicado originalmente em https://www.institutoliberal.org.br)
Lá vai ele: o pai afetivo da “nova matriz macroeconômica”, a “Mãe Dinah” do crescimento do PIB, aquele que ajudava a escolher quem ficaria rico (quem ficaria pobre era desnecessário escolher: o povo brasileiro), braço direito de Lula e Dilma, aquele que fez o Cristo Redentor decolar e, em seguida, espatifar-se, rumando para o cárcere!
Guido Mantega sempre representou, desde a vitória do PT na corrida ao Planalto em 2002, um elo entre o Estado brasileiro (seus cofres, no caso) e empresários que não curtem muito o sistema de concorrência. Livre mercado no dos outros é refresco. Melhor conversar de perto com o responsável por tornar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social o carro-chefe do modelo de desenvolvimento nacional, eleito pelo governo populista dos “companheiros” como ferramenta para superar a crise financeira de 2008 – a qual foi gerada, justamente, por intervenção estatal indevida do FED no sistema de preços do mercado (juros, no caso).
O Ex-ministro da Fazenda, durante um longo período, transformou o banco de fomento em uma perversa máquina de distribuição de renda às avessas, especialmente após 2009, quando a União passou a ser autorizada, por lei, a conceder empréstimos ao BNDES, até o modesto limite de R$378 bilhões. Ou seja, o dinheiro que irrigou as empresas de Eike Batista e demais “campeões nacionais” (como BRF, Oi e JBS) era oriundo do Tesouro Nacional – ou, pior ainda, era advindo da emissão de títulos da dívida, medida que aumenta as taxas de juros praticadas e dificulta a vida dos demais empreendedores do país, gera inflação e deteriora a situação fiscal do governo federal.
Mas é claro que quem quer rir, tem que fazer rir. Empréstimos subsidiados (concedidos a juros de 2,5% ao ano, sob uma inflação de 10%) com recursos extraídos de todos os demais pagadores de impostos não são para qualquer um. E agora vêm à tona os bastidores destes acordos espúrios, quando o “senhor X”, por exemplo, declara em depoimento à PF que Mantega pediu repasse de cinco milhões de reais ao PT em 2012. Nada mais “justo”, levando-se em conta a contrapartida obtida. Segundo nota da Polícia Federal, “utilizando-se de expedientes já revelados no bojo da Operação Lava Jato, fraude do processo licitatório, corrupção de agentes públicos e repasses de recursos a agentes e partidos políticos responsáveis pelas indicações de cargos importantes da estatal, empresas se associaram na forma de consórcio para obter os contratos de construção das duas plataformas muito embora não possuíssem experiência, estrutura ou preparo para tanto”. E estes eram expedientes corriqueiros.
Mantega sempre se manteve alinhado com a teoria econômica keynesiana, que defende uma maior intervenção estatal na economia, especialmente em tempos de recessão. Ora, para que justificativa melhor do que essa para endividar o Estado no intuito de agradar os camaradas que costumeiramente fazem doações às campanhas eleitorais do partido? Políticos corruptos e empresários corruptores agradecem, Lord Keynes. A cartilha desenvolvimentista serviu como uma luva nos planos do PT de colocar o mercado financeiro a seus pés, e assim eternizar-se no poder. Só que não estava no script a operação Lava-jato, esta pedra no sapato do esquema que pretendia debulhar todas as estatais brasileiras, sendo a Petrobrás apenas a mais visível delas neste momento.
Guido Mantega terá bastante tempo para ler Hayek (o antagonista de Keynes) na prisão, e, quem sabe, mudar sua visão sobre a condução dos mercados – na verdade, ele vai aprender que os agentes econômicos devem operar livremente, em benefício dos próprios consumidores e cidadãos. Pinçar privilegiados é coisa do passado (e de corrupto).
* * Editado: Guido Mantega acaba de ter sua prisão provisória revogada por Sérgio Moro, sob o argumento de que o estado de saúde de sua esposa gera certeza razoável de que ele não irá evadir-se da Justiça. É indiferente: os envolvidos no esquema serão punidos ao final do processo.”
Sobre o autor: Atua como Auditor-Fiscal do Trabalho, e no exercício da profissão constatou que, ao contrário do que poderia imaginar o senso comum, os verdadeiros exploradores da população humilde NÃO são os empreendedores. Também publica artigos em seu site: https://bordinburke.wordpress.com/
UM TIRO NOS PÉS... DE LULA - 23/09/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
Do alto de sua empáfia, o decano dos suspeitos submetidos a investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) e auxiliar de fatiador da Constituição Renan Calheiros, presidente do Senado, disse: "O exibicionismo da Lava Jato tira prestígio do Ministério Público". Agora cessa o que a antiga musa canta, pois um poder mais justo se alevanta: o juiz federal Sergio Moro calou os críticos da força-tarefa da "república de Curitiba" ao aceitar a denúncia dela contra Lula.
Ainda é difícil saber se, mesmo não estando mais incólume, o teflon que protegia Lula perdeu a capacidade de lhe manter o carisma. Antes de Renan, outros críticos desdenharam do pedido de sua prisão pelo promotor paulista Cássio Conserino. Tal impressão foi desfeita pela juíza Maria Priscila Ernandes Veiga Oliveira, da 4.ª Vara Criminal de São Paulo, que não achou a acusação tão imprestável assim: afinal, não a arquivou e, sim, a encaminhou para o citado Sérgio Moro, titular da 13.ª Vara Federal do Paraná e responsável pela Operação Lava Jato, decidir. E as mesmas vozes ecoam esgares e esperneio da defesa de Lula contra o show de lógica clara dos "meninos de Curitiba".
Acontece que em nada o dito espetáculo de uma semana atrás diferiu das coletivas anteriores, realizadas para a força-tarefa da Lava Jato comunicar à população, o que é necessário nesses casos pela gravidade dos crimes investigados e pela importância dos acusados sobre os quais recaem as acusações. À exposição sobre o cartel de empresas compareceram os mesmos procuradores, foi apresentado um libelo acusatório mais copioso (de quase 400 páginas à época e de 149 agora) e também se utilizaram recursos visuais (powerpoints) para ilustrar informações e explicações. Ainda como em todas as vezes anteriores, nesta a defesa do Lula respondeu apelando para recursos idênticos, e agora com uma agravante: a insistência numa frase para desmoralizar os procuradores, mas que não foi dita por nenhum deles: "Não temos provas, temos convicções".
Em parte por nostalgia de suas ilusões, como milhões de brasileiros encantados com o coaxar rouco do líder que Brizola chamou de "sapo barbudo pra burguesia engolir", em parte por medo da vingança do ex-ídolo, se lhe forem devolvidas as chaves dos cofres da viúva, os neocríticos crédulos perdem o sono. O pavor do chororô da jararaca que vira crocodilo é antigo. Em 2012, a delação proposta por Marcos Valério Fernandes, que cumpre pena pelo mensalão, sobre a compra do silêncio de um chantagista que ameaçava comprometer Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho na morte de Celso Daniel, sucumbiu à omissão do então procurador-geral, Roberto Gurgel, e do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa.
O episódio acima foi narrado ao juiz Sergio Moro por Marcos Valério Fernandes, cuja versão não foi levada em conta porque seria um "bandido apenado", ao contrário dos cúmplices com mandato, indultados no Natal pela mui compassiva companheira Dilma Rousseff. Deles só José Dirceu e Pedro Corrêa ainda moram na cadeia, acusados de terem delinquido direto das dependências do presídio da Papuda.
A versão de Valério, no depoimento repetido quatro anos depois, coincide com outra, que não deveria ser desqualificada, de vez que foi narrada pela voz autorizadíssima do ex-líder dos governos petistas no Senado Delcídio do Amaral (sem partido-MS). Nos autos do processo criminal, Sua Ex-excelência contou que, no início do primeiro mandato, o governo Lula era "hermético" e dele só participavam aliados tradicionais. Disso Dirceu discordava, pois já tinha combinado com o presidente do PMDB, Michel Temer, a continuação da "governabilidade" gozada pelo antecessor tucano, Fernando Henrique. Ante a perspectiva do impeachment, contudo, o chefão constatou: "Ou abraço o PMDB ou eu vou morrer". Eis aí a lápide que faltava no quebra-cabeças.
Esta explica por que a bem pensante intelligentsia brasileira cantou em coro com os advogados dos empreiteiros nababos condenados por corrupção e a tigrada petralha o refrão "Valério bandido jamais será ouvido", que manteve Lula fora do mensalão. E esclarece futricas da República de Florença em Brasília que põem o PMDB de Temer e Calheiros a salvo da luminosidade dos holofotes da História. Assim, enquanto acompanha Gil e Caetano entoando em uníssono "eu te odeio, Temer", a esquerda vadia e erudita se acumplicia ao direito ao esquecimento que têm desfrutado o atual presidente e seus devotos do maquiavelismo no Cerrado seco.
Sabe por que esses celebrados "formadores de opinião" rejeitam a "nova ordem mundial" (apud Caetano Veloso, promovido sem méritos à companhia de Cecília, Drummond e Rosa, citados pela presidente do STF, Cármen Lúcia, em sua posse)? É que agora a corrupção não fica impune como dantes. E a maior evidência de que o velho truque de esconder castelos de areia sob tapetes palacianos escorre nos esgotos das prisões é o fato de os empreiteiros Marcelo Odebrecht e Léo Pinheiro optarem entre colaborar com a Justiça ou mofar na cadeia, por mais caros e bem relacionados que sejam seus causídicos. Só ficaram soltos os felizes mandatários que gozam de prerrogativa de foro. A patota desfruta o privilégio de não responder pelos próprios crimes e modificar as leis para moldá-las à sua feição.
É por isso que, enquanto faz juras públicas de amor à Lava Jato, o alto comando do Planalto planta suas "preocupações" com a excessiva vaidade ostensiva, capaz de, cuidado, comprometer o "digno" trabalho da força-tarefa. Pois saibam todos que estas linhas leem que a fraude Lula não engana mais a grande maioria, como já enganou um dia. E que, ao contrário de antes, ele vai desmoronar, mercê do combate mundial à formação de quadrilhas que usam a Justiça Eleitoral para lavar dinheiro sujo. De fato, Dallagnol e Pozzobon atiraram nos pés. Nos de Lula...
*Jornalista
POLÍTICA x JUSTIÇA - 19/09/2016
Nihil novi sub sole, já diziam os romanos, reverentes à condição humana que deixou de ser essencial desde que ela foi sequestrada por ideologias que submeteram o homem às circunstâncias que o renovariam num ser modelado pelo intelecto à imagem e semelhança sabe-se lá de quem ou do quê, não importa. Importa que venha a ser tutti novi sub sole. O homem seria a soberano absoluto do seu reino e senhor incontrastável de seu destino.
Que promessa poderia ser mais sedutora do que essa utopia? Avante, mísero pó que ao pó voltará. Deixe de rastejar sobre a terra, humilde e submisso, e erga sua cabeça, imponente, para reconstruir a Torre de Babel. Reconquiste o paraíso que perdeu e tome posse do seu trono por toda a eternidade.
Esses dois parágrafos são introdutórios ao tema enunciado pelo título deste artigo porque vivemos num capítulo da história que nos desafia a enfrentar o que faz das circunstâncias uma contradição a sua essência.
Fiat justitia pereat mundus – justiça seja feita, mesmo que o mundo pereça – Fiat justitia ne pereat mundus – justiça seja feita, mas que o mundo não pereça.
Como o palmilhar do homem em sua história não costuma “dar um passo à frente dos bois”, tudo de novo que ele experimenta reflete a essência de seus antepassados aos desafios das novas circunstâncias. Assim procedendo, o homem sempre foi um vencedor, o promotor de uma civilização superior à que herdou de seus antepassados. A arte da política e a ciência do direito foram duas culminâncias de sua sabedoria e criatividade legada à posteridade.
Ambas, política e justiça, conquanto elas sejam parâmetros fundamentais de uma sociedade civilizada, uma sendo arte e, a outra, ciência, distinguem-se entre si pela raiz. E quando acontece, circunstancialmente, que seus ramos divirjam um do outro, o ponto de convergência só poderá alcançado numa interseção abstrata acima de suas recíprocas e subjetivas estranhezas. “Quando nós nos elevamos, nós nos encontramos.” (Teilhard de Chardin)
Esta é a razão pela qual o tribunal constitucional – o STF – pode e deve recepcionar membros de “notório saber jurídico e reputação ilibada”, na dicção do legislador constituinte, o que implica que não serão, necessariamente, advogados, promotores de justiça ou juízes. Basta que sejam juristas de idônea conduta pessoal.
Esse tribunal, guardião dos princípios formadores do estado como substrato jurídico da consciência de uma nação, vale dizer, como a mais alta instância da cidadania, tem preservado sua dignidade mais pelas togas que vestem seus pares do que pelas decisões que eles exaram, seja para se examinarem na legislação vigente, seja para conciliarem a política com o direito, “para que não pereça o mundo”.
O STF tem aplicado a lei para que pereça o mundo, sem nenhum constrangimento ou contingência de fazer justiça custe a quem custar. Ao invés de ser o guardião da Constituição, ele tem se esmerado em ser o principal protagonista da insegurança jurídica e de nossa perplexidade política.
Neste contexto custa crer, custa muito mesmo crer que dessa deusa mitológica de espada em riste, vendada para não sucumbir às fraquezas que lhe retirariam a isenção, e a equilibrar os pratos de sua balança transcenda as esferas da política e da justiça a visar ao bem comum.
Aliás, não pode ter sido por mera excentricidade que a nova presidente daquele excelso sodalício convidou para a cerimônia de sua posse o pior tipo de facínora que existe – o criminoso social. Concedo-lhe, no entanto, o benefício da ignorância política.
Mas é assustador que o nosso país, passando por esse torvelinho que carece de uma equação moral para debelar sua pior e mais aguda crise econômica e social, cultural e institucional não possa contar com lideranças à altura de seus desafios em nenhum dos poderes constituídos com o fim de proteger nossa integridade física, nossa consciência cívica, nossos valores morais e credos religiosos, numa palavra, nossas vidas.
O que descortino nas fímbrias das montanhas que adivinham um novo dia na eterna aurora de nossa democracia não é uma ruptura dramática que esgarce de vez nosso tecido social. O que vislumbro é um esquartejamento da lei, servido à guisa de se preservar o livre convencimento dos julgadores e o devido processo legal, pela edição de uma norma que venha a vetar qualquer execução penal antes de uma condenação definitiva dos tribunais em última instância. Aí sim, a emenda ficaria pior do que o conserto.
Por isso eu rezo para que Lula seja recebido em Cuba como perseguido político e herói do povo brasileiro. Com honras de estadista: passarela de tapete vermelho, salva de canhões, desfile militar e foguetório. Rezo todos os dias para que ele seja feliz para sempre na ilha do paraíso socialista caribenho. Que sua casa seja um destino místico de peregrinação rival de Jerusalém e Meca. Fiéis que ele será obrigado a saudar todos os domingos da sacada de seus aposentos. Noblesse oblige. Mas rezo, mais devotamente e piamente, para que o Brasil aprenda a fazer da política uma aliada da justiça. Que essas duas ilustres e vetustas senhoras, malgrado suas diferenças, fiem nosso tecido social como se fossem duas avozinhas, cada uma com suas agulhas de tricô, confeccionando os agasalhos de lã dos netinhos que ainda haverão de nascer.
ANTIAMERICANISMO PATOLÓGICO: 15 ANOS DO ATENTADO QUE CHOCOU O MUNDO CIVILIZADO - 13/09/2016
(Publicado originalmente em rodrigoconstantino.com, em 11/09)
11 de setembro de 2016: 15 anos do atentado terrível que chocou o mundo civilizado, mas levou ao orgasmo os doentes mentais que alimentam um antiamericanismo patológico. Em homenagem a todos que morreram naquele dia terrível, segue um texto meu antigo sobre essa patologia que assola tantos “intelectuais” e artistas engajados na América Latina: Antiamericanismo patológico
“Para os latino-americanos é um escândalo insuportável que um punhado de anglo-saxãos, chegados ao hemisfério muito depois dos espanhóis, tenham se tornado a primeira potência do mundo”. (Carlos Rangel)
O povo brasileiro, segundo algumas pesquisas apontam, é um dos que têm maior sentimento negativo em relação aos Estados Unidos. A grande causa, creio, está na ignorância alimentada pela inveja. A falta de conhecimento acerca de inúmeros fatos, junto com décadas de lavagem cerebral ideológica, transformou a nação do norte num demônio, assim como no perfeito bode expiatório para nossos problemas.
Não será meu objetivo aqui esgotar o assunto, pois seria necessário, para tanto, um livro inteiro. Sugiro então a leitura de A Obsessão Antiamericana, do francês Jean-François Revel. Ou, para quem preferir um estilo mais irônico, Manual do Perfeito Idiota Latinoamericano, o qual tem, entre os autores, Álvaro Vargas Llosa. Nesse artigo irei tratar do tema de forma sucinta.
Uma das principais acusações contra os Estados Unidos diz respeito ao seu poderio militar e seu aspecto belicoso. Muitos chegam ao absurdo de afirmar que é o poder americano que representa a maior ameaça à paz mundial, não a corrida armamentista de Irã, Coreia do Norte ou China. Chamam o país de “império”, e acham que sua força inigualável gera instabilidade no mundo. Não param para refletir que, mesmo com tanto poder, os Estados Unidos jamais foram conquistadores.
Ignoram que entraram em várias guerras apenas de forma reativa, defendendo sempre o lado correto. Até mesmo a mais fracassada de todas as guerras, com o Vietnã, costuma gerar muito calor nos debates, mas pouca luz. Esquecem o contexto, e ignoram que o regime de Ho Chi Min, depois da partida americana, matou em poucos anos cerca de três vezes mais que as duas décadas de guerra com os Estados Unidos.
Não citam Camboja, que não teve intervenção americana, e por isso mesmo viu o Khmer Vermelho, do comunista Pol-Pot, trucidar algo como 30% de sua população. Não pensam que a ajuda americana na Coreia foi o que possibilitou a sulista ser próspera e livre hoje, e não como sua irmã do norte. Mas ainda tem gente que pensa que o mundo seria mais calmo se o Irã tivesse o mesmo poder bélico dos Estados Unidos.
Durante a Guerra Fria, havia uma divisão mais igual de forças, com o império soviético dividindo com os Estados Unidos a hegemonia. Alguém por acaso acha que o mundo era mais seguro? A hegemonia unilateral dos americanos hoje é bem mais tranquilizadora que a situação anterior, com um império maligno, que objetivava a exportação do terror mundo afora, ameaçando a paz e a liberdade dos povos.
Graças ao poder americano o mundo não caiu nas garras comunistas. Não fossem os americanos e seu poder bélico, talvez boa parte do mundo hoje falasse russo e obedeceria a uma nomenklatura ditatorial, com os dissidentes jogados num campo de concentração qualquer da Sibéria. Se Hitler fracassou, devemos isso aos americanos, e se Stalin e seus seguidores também fracassaram, novamente devemos isso ao poder dos americanos. Todos que defendem a liberdade, ou seja, repudiam o nazismo e o socialismo, deveriam agradecer esta força militar americana que hoje tanto condenam, sem reflexão alguma.
Os Estados Unidos nunca conquistaram nações. Foram atacados tanto pelo Japão como pela Alemanha, reagiram, venceram, e garantiram a liberdade nesses países, que hoje desfrutam das maiores economias do globo. Sobre o Islã, é relevante destacar que nas intervenções na Somália, Bósnia ou Kosovo, assim como pressões sobre o governo macedônio, tiveram por objetivo defender as minorias islâmicas. Quem ataca de facto os muçulmanos são os próprios muçulmanos, como no caso do Iraque no Kwait, que foi defendido pelos americanos, ou na Argélia, onde o próprio povo que se massacra sozinho.
Como que tamanha contradição pode passar despercebida? Em 1956, foram os americanos que detiveram a ofensiva militar anglo-francesa-israelense contra o Egito, na chamada “Expedição Suez”. Nada disso é relevante para os povos obstinados e imbuídos de fé cega, assim como pesada lavagem cerebral de seus líderes, que utilizam os Estados Unidos como perfeito bode expiatório para justificar suas atrocidades domésticas.
Há muito mais o que se falar no campo militar, mas podemos partir para o caso econômico também. Os Estados Unidos são acusados de exploradores comerciais, mas ignoram que o país possui um déficit com praticamente todas as demais nações. São mais de US$ 700 bilhões importados todo ano a mais do que exportam. Em outras palavras, os consumidores americanos garantem o emprego de milhões de pessoas mundo afora, e ainda são acusados de exploradores e “consumistas”. Dependem do consumo dos americanos, mas vivem condenando-o.
Criticam o embargo a Cuba, esquecendo que este país apontou mísseis para a Flórida e tomou na marra as empresas americanas na ilha, sem notar ainda a contradição de que culpam a ausência do comércio com os Estados Unidos pelos males do país comunista ao mesmo tempo que culpam o comércio pela pobreza de outros países. É preciso decidir se ser parceiro comercial dos americanos é solução para a miséria ou exploração que leva à miséria!
Enfim, a lista de acusações infundadas seria infindável. Claro que existe muito o que se criticar nos Estados Unidos, não há dúvida. Mas está muito evidente que estas pessoas não estão utilizando a razão para tanto. Não são críticas racionais, mas sim passionais, totalmente desprovidas de lógica. Não é razoável alguém bradar contra os Estados Unidos ao lado de Chávez, por exemplo. Não há um pingo de lógica em alguém que justifica um Bin Laden, achando causas para seu terrorismo nos próprios Estados Unidos, por exemplo.
Na verdade, esse antiamericanismo, em grau impressionante no Brasil, é totalmente patológico. É uma doença mesmo, fruto de uma inveja indomável. Certas pessoas jamais irão perdoar o fato desses “broncos” americanos terem criado em poucos séculos a nação mais próspera do mundo, com base em ampla liberdade individual. Não vão perdoar também o fato deles não terem deixado os soviéticos acabarem com a liberdade no mundo. A patologia é tanta, em alguns casos, que gostariam que a Al Qaeda conseguisse aquilo que os comunistas não conseguiram: a destruição dos americanos. Caso para a psiquiatria mesmo…
QUEM DIZ QUE NÃO EXISTE PREGAÇÃO SOCIALISTA NAS ESCOLAS MENTE OU É DESINFORMADO - 13/09/2016
(Publicado originalmente na Folha de São Paulo)
Quem disser que não existe pregação política socialista ou afins nas escolas e nas universidades mente ou é, simplesmente, desinformado. Chega-se ao cúmulo do ridículo quando se nega isso em público. Só se repete essa mentira em público porque a maior parte da audiência –feita de professores, alunos e gente "do ramo"– concorda com a pregação petista.
Já disse isso aqui, mas, como num mundo ruidoso como o nosso sempre precisamos repetir o óbvio, vamos lá: quase todo professor de humanas prega descaradamente em sala de aula a cartilha marxista, requentada ou não. E, assim, formará outros professores, artistas, cineastas, profissionais de TV e rádio, publicitários, advogados, jornalistas, enfim, um monte de gente que será massa de manobra de partidos como o PT e PSOL.
Entretanto, não sou a favor de uma lei que crie espaço para ainda mais censura na sala de aula. Por outro lado, se pais, professores menos alienados na cartilha marxista e alunos menos manipulados por essa cartilha não botarem a boca no trombone, continuaremos a ter a reprodução infinita de esquemas de "bullying" intelectual e institucional contra professores e alunos que se distanciarem desse quadro de "comissários petistas do povo".
Nesta semana recebi de uma leitora uma foto de uma lousa numa sala de aula de uma dessas escolas caras da zona oeste de São Paulo, que prima por ser a mais rica da cidade e com mais gente 'mimimi', na qual o professor ou professora pedia um trabalho cujo tema era "Fora Temer, golpista" (sei qual é a escola, mas não vou dar o nome dela aqui para poupá-la da saia justa).
A foto foi tirada por uma aluna, como é de hábito hoje em dia fazer quando o professor escreve algo na lousa, em vez de copiar no caderno. A intenção da atividade didática era levar os alunos a pesquisar e refletir sobre o "golpe" e as formas de enfrentamento dele.
"Et voilà", diriam os franceses quando mostram algo óbvio. Poderíamos acrescentar que, na pós-graduação, professores dedicam parte de suas aulas para falar mal de vídeos e textos de colegas que criticam seu "ópio" mais amado: o caminho da roça conhecido como crença marxista.
Mas, como toda gente militante acaba por ficar meio "tosca", ao fazer isso eles provam a tese de quem os acusa de pregar o "ópio do intelectuais" em sala de aula.
Sobre isso, aliás, indicaria o grande clássico recém lançado no Brasil pelo selo Três Estrelas, "O Ópio dos Intelectuais" do filósofo e sociólogo francês Raymond Aron (1905 - 1983). O livro foi lançado nos anos 1950 e de lá para cá nada mudou: os intelectuais e associados continuam a viver dos mesmos mitos políticos do socialismo.
E nada vai mudar se você não se mexer (claro, se você não for um dos integrantes da seita retrógrada): seus filhos serão petistas e dirão que, sim, "podemos roubar e calar a boca dos outros, em nome da revolução". A ideia de uma lei contra a escola com partido não vai adiantar nada, vai apenas criar condições para os "pastores do ópio dos intelectuais" continuarem sua pregação, com a cara mais lavada do planeta. Usarão de recursos retóricos do tipo "queremos apenas formar alunos críticos", ou a "direita quer censurar o pensamento na sala de aula". Risadas? Esse papinho só cola para os ouvidos mal informados.
Já existe censura na sala de aula. Recebo continuamente e-mails de professores e alunos em papos de aranha porque não rezam na cartilha dos "pastores do ópio dos intelectuais".
Em escolas como a daquela lousa petista, mesmo se os alunos quiserem convidar os professores ou intelectuais que não rezam na cartilha do "ópio dos intelectuais", terão sua iniciativa negada.
Isso acontece da forma mais descarada que você pode imaginar. Portanto, não acredite quando ouvir muitos desses intelectuais ou professores (não são todos, mas, sim, são a maioria) dizerem que são a favor do "diálogo" ou do "debate". É uma piada. Não existe diálogo ou debate na universidade ou na escola. É mais fácil você achar diálogo e debate numa igreja evangélica. Juro por Deus! Aleluia, irmãos!
SÓ SE FOR A PAU, JUVENAL - 08/09/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
Coube a presidentes do Supremo Tribunal Federal (STF) comandar os julgamentos de impeachment dos ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff por um motivo que não tem mais nenhuma razão de ser. O afastamento definitivo de um chefe do Executivo que viole a Lei de Responsabilidade Fiscal, tendo cometido, portanto, um crime funcional (contra a sociedade, e não contra pessoa ou patrimônio individual), é feito conforme lei de 1950, aprovada sob a égide da Constituição de 1946, que tomou emprestado um princípio do ordenamento jurídico dos EUA. Isso porque o maior beneficiário do processo, o vice-presidente que assume o posto vago, presidia o Senado. Se não houve nos últimos 38 anos nenhuma razão para reformular o dispositivo, pois não existe mais esse tipo de suspeição, agora há.
Não pairam dúvidas sobre as decisões tomadas por Sydney Sanches, presidente do STF em 1992, no primeiro impeachment. Mas não dá para dizer o mesmo de Ricardo Lewandowski nos 101 dias que se passaram do afastamento da presidente Dilma Rousseff, em 12 de maio, a 31 de agosto último, quando a ré foi condenada à perda definitiva do cargo. Ao contrário do julgamento de 24 anos atrás, o mais recente foi pródigo em decisões parciais de seu presidente, manifestadas em pequenos gestos que passaram despercebidos por sua inutilidade. Mas vieram à tona por ter ele permitido riscarem o texto constitucional na sessão final do processo.
Entre várias demonstrações públicas de preferência pela defesa, o juiz supremo qualificou o advogado da presidente, José Eduardo Martins Cardozo, como “nosso”, aparentemente um ato falho, definido por Sigmund Freud como lapsus linguae em sua obra clássica Psicopatologia da Vida Cotidiana. Quem quiser saber o que causa o lapso está convidado a ler o belo texto do pai da psicanálise. O mesmo descuido não pode, contudo, atenuar o agradecimento ao senador Aécio “Néscio” (estúpido, incapaz, inepto), que parece não ter percebido a graçola ofensiva.
A ágil desqualificação dos testemunhos do procurador Júlio Marcelo de Oliveira e do auditor Antônio Carlos Costa Dávila Carvalho, do Tribunal de Contas da União (TCU), foi outra interferência vã de Lewandowski, cuja inutilidade não o abrigará sob o cobertor da imparcialidade. O rebaixamento de testemunhas a informantes por motivos fúteis não bastou para desqualificar a evidência do dolo da ré em seu enquadramento na violação dos preceitos legais, pela qual foi acusada e condenada. A permissividade gozada pela “bancada do chororô” e pelo deputado José Nobre Guimarães, que se manifestaram histericamente contra posições adversas, foi negada a Magno Malta, pelo “crime” de cantarolar.
Nada disso, contudo, impediu que fossem negados ao ministro atributos de excelência imparcial e serena de poderoso chefão da Corte por senadores insuspeitos de serem beneficiados por suas farpas venenosas. Como o próprio Aécio, que é Neves, como de conhecimento geral, sendo como é neto de Tancredo Neves, e não “Néscio”, e o líder do PSDB na Casa, Cássio Cunha Lima.
Este protagonizou com o chefe do julgamento debate sobre a canetada inesperada que alterou a Constituição, mercê da qual o presidente do Supremo (até segunda-feira, dia 12, quando passará o cargo à ministra Cármen Lúcia) permitiu a um terço dos senadores dispensar a condenada de cumprir pena. Quando Lewandowski acolheu o destaque proposto por um representante do Rede de Marina Silva, Randolfe Rodrigues, para aleijar o parágrafo único do artigo 52 da Constituição, Cássio Cunha Lima advertiu que os líderes haviam combinado que a votação não seria “fatiada”. Reza o artigo: “(...) limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública”. Há dúvidas?
Ao fazê-lo, Lewandowski rasgou o acordo com as lideranças e permitiu-se ler um longo arrazoado previamente preparado, em que cometeu a heresia de sobrepor à Constituição artigos de uma lei anterior a ela e os regimentos do Senado e da Câmara – e o papel desta no impeachment terminou quando autorizou aquele a cumprir sua função julgadora. Nunca antes na História o guardião-mor da Carta Magna a rasurou de forma tão cabal. Com isso mudou o sentido da preposição com, definida na página 765 do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa como algo que “relaciona por subordinação”.
Convém ainda lembrar que Sua Excelência empreendeu essa desmoralização do Estado de Direito e da gramática após advertir que qualquer decisão dependia dos senadores, e não dele. Só que para configurar isso teria de ter posto em votação (por maioria simples) se a maior parte deles seria ou não cúmplice dele no “fatiamento” do presunto jurídico. Assim, a maioria qualificada de dois terços passou a ser exigida dos julgadores que lutavam para manter íntegra a norma máxima, que só pode ser mudada por três quintos dos congressistas. Isso não foi discutido, embora Cássio tenha lembrado que a Constituição seria reformada por apenas um terço dos senadores. O resultado – 42 a 36 – incluiu na matemática das reformas da Lei Suprema a paródia pelo avesso do anúncio de uma marca de embutidos: “só se for a pau, Juvenal”.
A adoção do lema com que Jarbas Passarinho saudou o AI-5 no auge autoritário da ditadura civil-militar de 1964 – “às favas com os escrúpulos”, título de comédia de Juca de Oliveira – foi reprovada pelo decano do STF, Celso de Mello, e pelo ministro Gilmar Mendes, que a chamou de “bizarra”. O capitão do time constrangeu seus dez colegas a confirmarem seu deslize, esclarecendo que o pressuposto da condenação só vale para impeachment de presidente, sob pena de criarem precedente que beneficiaria astutos inspiradores dessa manobra espertinha. Ou jogarão o País no pré-sal da crise fatal.
*Jornalista, poeta e escritor
OLIMPÍADA - DE KEYNES A DEATON - 15/08/2016
John Maynard Keynes irrompeu na filosofia política no limiar do século XX. E ganhou notoriedade ao final da II Guerra Mundial em 45, sobre as ruínas materiais e sociais que engoliam o continente europeu na fome e desemprego. O liberalismo do laisser faire reduzia-se impotente e frágil diante do desafio catastrófico de reerguer a economia. Neste cenário apontou Keynes propugnando ao Estado, aos governos o papel de conduzir a economia, naquilo que o empreendedorismo individual mostrava-se incapaz de cumpri-lo. Tese que Franklin Roosevelt levou à prática nos EUA de 39 a 45. Funcionou.
Guardando as devidas proporções, nossa Olimpíada pautou-se por um keynesismo sem fundos. Governos federal, estadual e municipal inadimplentes investiram maciçamente na festa esportiva mundial na esperança de que sobrasse algum proveito à cidade. Dos delírios demagógicos restaram as contas milionárias. E mais, a imposição inarredável de conservar o capital imobilizado ou abandoná-lo à ruína. Compromisso assumido por um estado incapaz de pagar os salários do funcionalismo. O governo olímpico do Rio, no auge da crise hospitalar, foi socorrido por três bilhões do governo deficitário Federal, cujo orçamento grava 170 bi negativos em 2016.
O economista Angus Deaton, prêmio Nobel de 2015, destacou-se nos estudos da micro-economia - a demanda e opção do comprador, o trivial comportamento popular exibido na feira diária. Pode servir à vista da Olimpíada. Afirma Deaton: aumentar apenas a renda dos mais pobres não reduz a pobreza se não for acompanhada do acesso à saúde e educação; mais importante que estimular o consumo é estimular a poupança para reduzir a pobreza. Deaton condenou a doação monetária e outras formas de assistencialismo aos governos africanos no combate à pobreza.
O crescimento econômico é que reduz a pobreza; não as doações. Deste confronto imaginário, ergue-se desafiadora a apolínea questão: pode um país endividado ao horizonte imprevisível, numa capital em guerra cercada de favelas, bancar uma Olimpíada?
A OLIMPÍADA DOS GLOBALISTAS INTERNACIONAIS - 09/08/2016
Os símbolos transmitem o intransmissível.
A abertura das Olimpíadas primou pela excelência tecnológica, de primeiro mundo, impecável, lindíssima. No entanto, concerne considerar que: 1) o projeto foi montado para que Dilma Rousseff abrisse o evento; 2) a ideologia globalista, comunista, por trás da tecnologia foi funesta, macabra; 3) a Agenda defendida pelos organizadores foi ABSOLUTAMENTE FIEL ao projeto globalista da NOVA ORDEM MUNDIAL. Vejamos alguns pontos que são símbolos:
1) Os diretores do espetáculo do marketing Olímpico são: Fernando Meirelles (diretor da companha de Marina Silva e dono da O2), Andrucha (sócio da Conspiração Filmes) e Daniela Thomas (filha de Ziraldo). O currículos dos diretores falam por si só.
2) TODOS os músicos e apresentadores do evento são COMUNISTAS. As músicas que não são COMUNISTAS são apologia pura ao submundo do crime. Os diretores acham que a bossa nova de Tom Jobim é MÚSICA CLÁSSICA. Villa-Lobos e Hekel Tavares é que vão para os infernos. Acham que funk de traficantes é MÚSICA POPULAR. Ou seja, Pena Branca e Xavantinho, Sá e Guarabira, Vicente Celestino, Alceu Valença, Altemar Dutra, Clara Nunes, Elis Regina que vão também para o inferno. Nem a beleza e a classe internacional de Gisele Bündchen pode mentir sobre essa farsa grotesca.
3) O excesso de cor VERMELHA nas luzes e fogos não é um chamado ao "calor" do momento, à "paixão" pelo esporte. É a cor COMUNISTA para agradar Dilma Rousseff, Pezão e Paes e os SENHORES a quem devem reverência e obediência.
4) A quantidade de vermelho nas roupas das delegações foi sugestiva. A quantidade de roupas VERDE E AMARELO dos países africanos ultrapassou o mais do que sugestivo. Curiosamente, tais cores praticamente inexistem na bandeira nacional desses países. A roupa da delegação do Brasil longe de ser VERDE e AMARELA adotou o tom escuro, quase NEGRO, com alguma papagaiada que fazia menção ridícula a floresta tropical. TODAS as roupas foram desenhadas por estilistas "internacionais", inclusive a de Cuba.
5) Na segunda parte, a apresentação "recuperou" da história do desenvolvimento econômico e cultural do Brasil do seguinte modo: 1)de um mundo de micróbios, unicelulares, surge a vida e a floresta; 2) em seguida, aparecem os índios emergidos dos micróbios e grandes ocas; 3) portugueses INVADEM com navios as ocas simples destruindo a cultura nativa ( o narrador fala isso expressamente); 3) a aparição dos negros transforma o solo do Brasil em um celeiro de cultivo, dando a entender que a agricultura é resultante do trabalho escravo. Nesse quesito, os indígenas que juntos com os portugueses durante séculos cultivaram o Brasil ( e não como escravos) também são lançados ao limbo da história porque o que vale é a mentira. Esqueceram de contar que os negros foram trazidos para lugares pontuais do Brasil e ligados diretamente ao período da mineração e cana-de-açúcar, com atuação presente e quase restrita à MG, BA, PE, e parte do RJ; 4) apresentam os árabes em primeiro lugar depois os chamando de Libaneses (como se fossem a mesma coisa e, pior, como se os Libaneses fossem árabes e não cristãos). A emigração de libaneses para o Brasil, como se observa, é antiga e se intensificou na segunda metade do século 19. Durante o domínio otomano, especialmente após o massacre de 1860, ocorreu uma emigração em massa para a América do Sul. Em que livro de história inventaram que a imigração libanesa ajudou a construir o poderio do Brasil a ponto de equipará-los com os PORTUGUESES, ÍNDIOS e NEGROS? a verdadeira união das três raças que construiu o Brasil e o consolidou como Pátria?; 5) lança os japoneses nesse bojo, certamente se esquecendo dos seguintes detalhes: o Japão, que só tinha se aberto para o comércio mundial em 1846.
O primeiro Tratado da Amizade, Comércio e Navegação entre Brasil e Japão foi assinado apenas em 5 de novembro de 1895. A assinatura desse tratado marcou o início das relações que persistem até os dias de hoje. Além disto, a política de imigração brasileira era executada não só como um meio de colonizar e desenvolver o Brasil, mas também de "civilizar" e "branquear" o país com população europeia, segundo o projeto EUGENISTA inglês do banqueiros Rotschild. Mas, os japoneses não eram brancos e TODOS os asiáticos eram considerados RAÇA INFERIOR. Assim, a imigração de asiáticos foi praticamente proibida em 1890. Neste ano, o decreto nº 528 assinado pelo presidente Deodoro da Fonseca e pelo ministro da Agricultura Francisco Glicério determinava que a entrada de imigrantes da África e da Ásia seria permitida apenas com autorização do Congresso Nacional. Foi, precisamente este fortíssimo preconceito contra o recebimento de imigrantes asiáticos que obrigou a colônia japonesa a fechar-se em copas, a viver isolada por décadas na zona rural de São Paulo. Aonde os japoneses entram na história cultural do Brasil? Só nos livros do PT que junto com o MEC inventou que os portugueses invadiram o Brasil e que a grande ligação histórica e civilizacional do Brasil é com a África e os árabes. A cultura Ocidental cristã que vá para os infernos.
6) A farsa do discurso comprovadamente MENTIROSO da ONU do aquecimento global teve assento. Parecia o palanque da Marina Silva, a NOVA VOZ DA ESQUERDA NACIONAL.
7) A linha de horizonte do Maracanã tinha como cenário "celeste" a favela, o funk, a periferia, o banditismo, como sendo a cara do Rio de Janeiro e de do Brasil. O resto do cenário do evento, ficava sempre "abaixo" dessa linha, na várzea, no limbo, grotesco onde as transformações se operavam rapidamente. O "céu do Olimpo do crime" tinha o cenário maravilhosamente ESTÁTICO, imutável, como sendo quase ETERNO. Eis o Brasil atual mesmo, o Brasil criado pela República golpista e criminosa que é COMUNISTA.
Bastam esses pontos.
Quem gostou da abertura da OLIMPÍADA GLOBALISTA? Aqueles que são a reencarnação da política do PÃO e do CIRCO da Roma Imperial.
UMA HOMENAGEM AO BOM SENSO - 08/08/2016
Instituto Ludwig von Mises Brasil - Nota do editor
Walter Williams é reconhecidamente um dos maiores economistas vivos da atualidade. Autor de sete livros, suas colunas são publicadas nos principais jornais americanos. Negro e de origem humilde, cresceu pelo próprio esforço. Isso o tornou um crítico mordaz das políticas da ação afirmativa e do assistencialismo.
A seguir, um apanhado de suas melhores frases.
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Como pode algo que é considerado imoral quando feito individualmente se tornar moral quando feito coletivamente? Será que a simples legalização basta para estabelecer a moralidade? A escravidão era legal; os confiscos stalinistas e maoístas eram legais; a perseguição dos nazistas aos judeus era legal; o apartheid na África do Sul era legal. A legalidade tornava esses atos morais? Claramente, a estipulação da legalidade não justifica esses crimes. A legalidade, por si só, não pode ser o talismã das pessoas morais.
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No infindável debate sobre "justiça social", a definição de "justo" tem sido debatida por séculos. No entanto, permita-me oferecer a minha definição de justiça social: eu mantenho tudo aquilo que eu ganho com o meu trabalho e você mantém tudo aquilo que você ganha com o seu trabalho. Discorda? Então diga-me: qual porcentagem daquilo que eu ganho "pertence" a você? Por quê?
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Talvez o seu professor de história tenha ensinado a você que o legado do colonialismo explica a pobreza do Terceiro Mundo. Lamento, mas você foi enganado. O Canadá foi uma colônia. Austrália, Nova Zelândia e Hong Kong também foram colônias. Aliás, o país mais rico do mundo, os Estados Unidos, também foi colônia. Por outro lado, Etiópia, Libéria, Tibete, Nepal e Butão jamais foram colônias, mas hoje abrigam as pessoas mais pobres do mundo.
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Faça o seguinte experimento mental. Imagine que você é um tirano. Dentre suas metas para destruir a liberdade estão o extermínio de negros, judeus e católicos. Que tipo de país você preferiria gerir: a) um país no qual os estados são submissos ao governo federal e no qual todo o poder está centralizado em uma capital, repleta de poderosas agências governamentais com poderes decisórios e com detalhadas informações sobre os cidadãos do país, ou b) um país em que o poder está amplamente disperso por vários estados e milhares de jurisdições locais, e cujo governo federal é limitado?
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A estrada que estamos trilhando, em nome do bem comum, é muito familiar. Os inenarráveis horrores do nazismo, do stalinismo e do maoísmo não foram originalmente criados nas décadas de 1930 e 1940 pelos homens associados a tais rótulos. Aqueles horrores foram simplesmente o resultado final de uma longa evolução de ideias que levaram à consolidação do poder nas mãos de um governo central, e tudo em nome da "justiça social". Foram alemães decentes, porém mal informados — e os quais teriam tido espasmos de horror à simples ideia de extermínio e genocídio —, que construíram o Cavalo de Tróia que levou Hitler ao poder.
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Se eu vir uma pessoa com fome e então decidir abordar violentamente uma terceira pessoa com o intuito de, por meio de ameaças, intimidação e coerção, tomar o dinheiro dela para repassar ao faminto, o que você pensaria de mim? Creio e espero que a maioria de nós veria tal ato como roubo.
Será que tal conclusão muda se nós coletivamente concordarmos em tomar o dinheiro de uma pessoa para alimentar o necessitado? O ato ainda assim seria roubo. Atos imorais como roubo, estupro e assassinato não se tornam morais quando feitos coletivamente por meio de uma decisão majoritária.
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Democracia e liberdade não são sinônimos. A democracia é apenas a irracionalidade das multidões; a liberdade é a soberania do indivíduo.
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Os especialistas da elite intelectual substituíram aquilo que funcionava por aquilo que "soava bonito". A sociedade era muito mais civilizada antes de os intelectuais assumirem o controle de nossas escolas, de nossas universidades, de nossos programas sociais, de nossas polícias, e de nossos tribunais. Já passou da hora de colocarmos essas pessoas para correr e retornarmos ao bom senso.
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Uma vez que você aceita o princípio de que você é dono de si próprio, aquilo que é moral e aquilo que é imoral se tornam auto-evidentes. Assassinato é imoral porque viola a propriedade privada. Estupro e roubo também são imorais porque também violam a propriedade privada.
E aí vai uma pergunta importante: o estupro se tornaria moralmente aceitável se o governo aprovasse uma lei legalizando o ato?
Você provavelmente está pensando: "Qual o seu problema, Williams? Estupro é pura e simplesmente imoral, não importa o que o governo diga ou faça!"
Se você assumir essa posição, não seria igualmente imoral quando o governo legaliza o confisco de uma fatia da renda de um indivíduo para distribuir para outro indivíduo? Se um cidadão toma o dinheiro de uma pessoa e o repassa para outra pessoa, todos nós consideraríamos tal ato um roubo, pura e simplesmente. E, como tal, um ato imoral.
Será que o mesmo ato se torna moral quando o governo toma o dinheiro de determinadas pessoas e o repassa para grandes empresas, funcionários públicos, artistas e famílias pobres?
Ainda continua sendo roubo, pura e simplesmente. Só que com uma importante diferença: o ato é considerado legal, e quem o pratica não vai para a cadeia.
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Dado que o governo não possui recursos próprios, e dado que não existe nenhuma fada munida de uma varinha mágica entregando ao governo os fundos para bancar os programas que ele próprio cria, somos forçados a reconhecer que os gastos governamentais nada mais são do que o confisco da propriedade de um indivíduo e seu subsequente repasse para outro, a quem o dinheiro não pertence — ou seja, roubo legalizado.
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Os beneficiários de políticas protecionistas e de políticas de subsídios sempre são muito visíveis. Já suas vítimas são invisíveis. Os políticos adoram esse arranjo. E o motivo é simples: os beneficiados sabem em quem devem votar em agradecimento ao arranjo; já as vítimas não sabem quem culpar pelo desastre.
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Para os adeptos do multiculturalismo e da diversidade, coisas como cultura, ideias, costumes, artes e habilidades são uma questão racial, e são determinadas pelo grupo ao qual você pertence. Para tais pessoas, assim como um indivíduo não tem controle sobre a raça a que pertence, ele também não tem controle sobre sua cultura. Essa é uma ideia racista, mas é um racismo politicamente correto. Ela diz que as convicções, os valores e o caráter não são determinados pelo discernimento pessoal e pelas escolhas feitas, mas sim determinados geneticamente. Em outras palavras, como os racistas de outrora afirmavam: a raça determina a identidade.
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Um estabelecimento que proíbe a entrada de negros é tão válido quanto um que proíbe a entrada de brancos. Um estabelecimento que proíbe a entrada de homossexuais é tão válido quanto um que proíbe a entrada de heterossexuais. Um estabelecimento que proíbe a entrada de judeus é tão válido quanto um que proíbe a entrada de neonazistas. O verdadeiro teste para determinar se um indivíduo é sinceramente comprometido com a defesa da liberdade de associação não está em ele permitir que as pessoas se associem de uma maneira que ele aprova. O verdadeiro teste ocorre quando ele permite às pessoas serem livres para se associar voluntariamente de maneiras que ele considera desprezíveis. Associação forçada não é liberdade de associação.
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O poder que presidentes, deputados e senadores têm de fazer bem para a economia é extremamente limitado; o poder que eles têm de fazer o mal é devastador. A melhor coisa que políticos podem fazer para a economia é parar de fazer mal. Em parte, isso pode ser alcançado por meio da redução de impostos e da redução de regulamentações. Acima de tudo, eles deveriam parar de querer controlar nossas vidas.
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Em que sentido as mulheres são iguais aos homens? As próprias feministas não querem que os esportes deixem de ser segregados por gênero. Elas não defendem que haja lutas de boxe entre um homem e uma mulher; tampouco querem que haja jogos de futebol, vôlei, basquete e beisebol entre equipes masculinas e femininas. As consequências desastrosas desse arranjo seriam óbvias para todos. Feministas sabem que a política de igualdade de gêneros devem ser implantadas em áreas cujos efeitos são menos visíveis.
O fato é que nós humanos não somos iguais. Alguns são homens, outros são mulheres. Alguns são inteligentes e outros não são tão inteligentes. Alguns são negros, outros são brancos. Alguns são altos, outros são baixos. Alguns são pobres, outros são ricos. As diferenças — desigualdades — são infinitas. A igualdade perante os princípios gerais da lei é o único tipo de igualdade propícia à liberdade; é o único tipo de igualdade que pode ser impingida sem destruir a liberdade. Trata-se de uma igualdade que não requer — e nem pressupõe — que as pessoas sejam iguais.
Tentativas de tornar as pessoas iguais por meio de alterações nas leis produzem resultados que destroem a civilidade e o respeito pela lei. O governo só pode criar uma vantagem para uma pessoa se, ao mesmo tempo, ele criar uma desvantagem para outra pessoa.
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Pelo bem da argumentação, suponha que, sem a presença de uma empresa multinacional, o melhor emprego que um ugandense pobre e sem instrução fosse capaz de conseguir lhe pagasse US$ 2 por dia. E então vem uma empresa multinacional, constrói uma fábrica em Uganda e contrata esse ugandense por US$ 4 por dia, um salário muito abaixo daquele que ela paga aos seus empregados nos EUA. Uma simples questão de bom senso diria que esse ugandense ficou em melhor situação em decorrência da presença de uma empresa multinacional. E esse mesmo bom senso diria que ele estaria em pior situação caso essa multinacional fosse politicamente pressionada para sair do país. Faz algum sentido dizer que uma ação que melhora a situação de um ugandense é uma "exploração"?
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Todos nós somos tremendamente ignorantes a respeito da maioria das coisas que utilizamos e com as quais lidamos em nosso dia a dia. Mas cada um de nós é versado em coisas ínfimas e que podem ser consideradas relativamente insignificantes.
Por exemplo, um padeiro pode ser o melhor padeiro da cidade. Mas ele é tremendamente ignorante sobre praticamente todos os insumos que permitem a ele ser o melhor padeiro da cidade. Qual é a probabilidade de ele entender sobre todo o processamento do gás que ele utiliza em seu forno? Aliás, o que será que ele entende sobre a fabricação de fornos? E o que dizer sobre todos os ingredientes que ele usa: farinha, açúcar, levedura, baunilha e leite?
Qual é a probabilidade de ele saber como cultivar trigo e açúcar, e como proteger a plantação de doenças e pestes? O que ele sabe sobre a extração da baunilha e da produção de fermento? Será que ele tem a mais mínima ideia de como tudo isso é feito?
Tão importante quanto tudo isso é a questão de como todas as pessoas que produzem e distribuem todos esses itens sabem quem necessita deles e para quando.
Há literalmente milhões de pessoas cooperando entre si, por meio do sistema de preços e da busca pelo lucro, para garantir que o padeiro tenha todos os insumos necessários. Esse é o milagre do mercado. É o milagre do mercado e do sistema de preços que faz com que todo esse trabalho de coordenação seja feito de maneira tão eficiente. Aquilo que é chamado de mercado é simplesmente uma coleção de milhões e milhões de decisões individuais independentes tomadas diariamente não apenas em um país, mas em todo o mundo.
E quem coordena todas as atividades de todas essas pessoas? Tenha a certeza de que não existe nenhum comitê central planejando a produção e a distribuição de pão.
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Qual motivação humana foi a responsável por criar as coisas mais fabulosas que existem? Eu diria que foi a ganância. Quando uso o termo ganância, não me refiro a trapaças, roubos, fraudes e outros atos de desonestidade. Refiro-me apenas ao ato de indivíduos quererem melhorar ao máximo suas próprias vidas. Alguns preferem utilizar o termo "interesse próprio", "egoísmo racional" ou "ambição iluminada". Eu prefiro o termo ganância. Infelizmente, muitas pessoas são ingênuas o bastante ao ponto de acreditar que compaixão, preocupação e "entender a dor do outro" são atos moralmente superiores. Agindo assim, elas se tornam vítimas fáceis de charlatães, impostores, escroques e vigaristas.
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O capitalismo de livre mercado foi a melhor coisa que já aconteceu para o cidadão comum. Os ricos sempre tiveram acesso ao entretenimento, e quase sempre podiam fazê-lo do conforto de seus palácios e mansões. Os ricos nunca tiveram de vivenciar o trabalho extenuante e maçante de limpar seu próprio carpete, passar a própria roupa, ou passar o dia todo mourejando em um forno quente para ter um jantar decente. Eles sempre puderam pagar pessoas para fazer isso para eles. Já a produção em massa possibilitada pelo capitalismo fez com que rádios e televisores, aspiradores de pó, máquinas de lavar e de costurar, e fornos microondas estivessem amplamente disponíveis e ao alcance do cidadão comum, poupando-o dos estafantes e monótonos trabalhos pesados do passado. Hoje, o cidadão comum tem o poder de usufruir muito mais tempo livre, e com mais qualidade de vida, do que os ricos do passado podiam.
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Sempre que as pessoas utilizam o termo "exploração" em referência a uma transação voluntária, elas estão simplesmente discordando do preço. Só que, se partirmos do princípio de que discordância do preço é exploração, então a exploração está por todos os lados. Por exemplo, eu não apenas discordo do meu salário, como também discordo dos preços de um jatinho Gulfstream.
De maneira alguma estou sugerindo que você retire o termo "exploração" do seu vocabulário. Trata-se de um termo emocionalmente valioso, que tem grandes poderes enganadores quando empregado corretamente. No início de meus 44 anos de casado, minha mulher frequentemente me fazia acusações de a estar explorando. Ela costumava esbravejar: "Walter, você está me usando!" Isso durou um tempo. Até que, em um determinado dia, respondi: "Querida, é claro que estou usando você. Se você não tivesse nenhum proveito para mim, eu simplesmente não teria me casado com você".
Quantos de nós nos casaríamos com uma pessoa que não tivesse proveito nenhum para nós? Com efeito, o principal problema dos solitários deprimidos é que eles simplesmente não conseguem encontrar alguém que tenha interesse em usá-los.
Walter Williams é professor honorário de economia da George Mason University e autor de sete livros. Suas colunas semanais são publicadas em mais de 140 jornais americanos.
A ESQUERDA BRASILEIRA E A VENEZUELA - 06/08/2016
(Sob o título "Por que é tao difícil ára a esquerda brasileira reconhecer que errou em relação à Venezuela", o jornalista Rodrigo Silva, do Spotniks, nos brinda com a seguinte análise)
Ao longo dos últimos anos, não foram poucas as vezes em que representantes da esquerda brasileira lançaram apoio ao governo de Nicolás Maduro.
O PSOL apoiou a eleição de Maduro em 2013, “por expressar a continuidade dos valores da Revolução Socialista Bolivariana”. O PCdoB lançou nota na época comemorando sua vitória, que permitiria “à Revolução Bolivariana entrar numa nova fase, renovando seus objetivos e desafios”. Lula gravou um vídeo de apoio à sua candidatura, que foi utilizando durante a campanha de Maduro, dizendo que o líder do PSUV “se destacou brilhantemente na luta para projetar a Venezuela no mundo e na construção de uma América Latina mais democrática e solidária” (para Maduro, Lula é “como um pai dos homens e mulheres de esquerda na América do Sul”). Luciana Genro se encontrou com Maduro e o apoiou pessoalmente na Venezuela. João Pedro Stédile, o líder do Movimento Sem Terra, foi até Caracas mandar a direita venezuelana “de volta pra Miami” num palanque:
“Lhes trago o abraço de nosso companheiro Lula a cada um de vocês e ao comandante Maduro. Viemos aqui para lhes dizer que nos orgulha o fato de sempre que temos dúvidas recorrermos aos pensamentos, ao exemplo e aos ideais do comandante Chavez. Porque Chavez não foi somente da Venezuela, ele foi do povo latino americano. Chavez era brasileiro, e inclusive nos ensinou a reconhecer o valor de Abreu e Lima que nem sequer nós brasileiros conhecemos. Por isso, viemos aqui para nos abastecer dos ideais e pensamentos do comandante Chavez.”
E o MST não foi o único movimento social ligado ao PT a apoiar o regime. O Levante Popular da Juventude fez o mesmo. Carina Vitral, presidente da União Nacional dos Estudantes, publicou uma foto ao lado do presidente venezuelano declarando apoio nas redes sociais (a UNE, que se diz apartidária, também lançou nota apoiando Maduro em 2014, dizendo que “apoia o processo de revolução bolivariana para que ele não ceda às pressões da direita golpista”).
Na votação que elegeu Maduro, toda a esquerda brasileira se uniu para apoiá-lo. No Brasil, um ato chamado “Brasil com Chávez Está com Maduro” foi realizado em São Paulo. Contou com a presença do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MTST), do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), do Partido Socialista Brasileiro (PSB), da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Levante Popular da Juventude, da Via Campesina, da União da Juventude Socialista (UJS), do Cebrapaz, do Foro de São Paulo, do Consulta Popular, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (Feab), da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), da Central de Movimentos Populares do Brasil (CMP), do Movimento de Moradia da Cidade de São Paulo (MMC), do Partido Comunista Revolucionário (PCR), do Partido Comunista Brasileiro (PCB), da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e do Partido Pátria Livre (PPL).
E se já em 2013, o fato da Venezuela apresentar sinais de deterioração do seu tecido social e da sua economia, graças aos equívocos grosseiros provocados pela revolução, não ser suficiente para afastar o apoio de toda esquerda institucional do país, ainda em 2016, com a Venezuela liderando a produção global de pobreza, o cenário se mantém no mesmo lugar. Se há os que fingem, no entanto, que a revolução assumidamente socialista, apoiada por diversos partidos e organizações socialistas ao redor do mundo, nunca foi socialista de fato (como se a falência fosse um critério que automaticamente desaprovasse o ideal socialista), há os que tentam parecer que não é papel do Brasil se meter nas questões domésticas de um país soberano como a Venezuela, ainda que esse seja um país sob o jugo de uma ditadura perversa – o que apenas soa estupidamente cínico quando essas pessoas passaram a última década se metendo nas discussões venezuelanas, fazendo campanha, construindo palanques, financiando o partido e o governo e usando de seus ativos políticos, como no caso de Lula e Luciana Genro, para influenciar diretamente os resultados eleitorais.
O fato é que a imensa maioria dos grupos ligados à esquerda brasileira, não apenas não admitem o fracasso triunfal do socialismo venezuelano, como vivem no mais profundo silêncio em torno dessa discussão (ao menos enquanto Maduro permanecer no poder). Por que é tão difícil a esses grupos assumirem que erraram em relação à Venezuela? Qual a razão para manter uma posição política mesmo quando ela se torna a falência materializada?
O fato é que para esses grupos todos, desde que o governo venezuelano esteja em sintonia com seus discursos político-partidários, não importa o quanto a pobreza aumente, a fome mate e a democracia seja perseguida (com a prisão injustificada de políticos de oposição, as ameças de dissolução da Assembleia Nacional, o Estado de exceção declarado por Maduro e os superpoderes permitidos ao presidente, para governar como queira, pisando em qualquer ideal republicano) – esse mesmo grupo, aliás, que finge lutar por democracia no Brasil, quando o único ideal democrata que lhe importa é ter seus próprios representantes no poder, mesmo que eleitos com desvio de dinheiro público ou sustentados através do peso de uma ditadura.
Abaixo, selecionei cinco pontos que escancaram o quão estúpida é a relação da esquerda com o governo venezuelano, que segue com afinco uma cartilha que, não por acaso, gera resultados absolutamente opostos àquilo que essa mesma esquerda diz defender no Brasil. Caso você ainda não tenha se convencido de rechaçar a ditadura bolivariana (e as suas políticas econômicas equivocadas), essa é a hora. Não há mais como disfarçar: ou você está junto Maduro, ou você está ao lado do povo.
1. MADURO É PROVAVELMENTE O PRESIDENTE MAIS HOMOFÓBICO DA AMÉRICA LATINA.
Você não viu ninguém do PSOL comentar a respeito, mas Nicolás Maduro é provavelmente o presidente mais homofóbico da América Latina. E nada disso começou agora, do dia pra noite. Pelo contrário. Não é como se figuras como Luciana Genro pudessem ser pegas de surpresa. Muito antes de seu partido anunciar apoio à reeleição de Maduro, o líder venezuelano já havia entupido microfones com declarações rasteiras contra a comunidade LGBT.
Nas eleições de 2013, quando ainda era treinado por João Santana, o mesmo marqueteiro de Lula e Dilma, enquanto o PSOL escrevia notas de apoio por sua candidatura, Maduro insinuava que seu adversário, Henrique Capriles, fosse gay.
“Eu, sim, tenho mulher, escutaram? Eu gosto de mulheres”, provocou num comício, antes de beijar sua esposa, Cília Flores.
Capriles, que já havia sido xingado de maricón um ano antes pelo mesmo Maduro, rechaçou a acusação poucas horas depois.
“Quero enviar uma palavra de rechaço às declarações homofóbicas de Maduro. Não é a primeira vez. Creio numa sociedade sem exclusão, na qual ninguém se sinta excluído por sua forma de pensar, seu credo, sua orientação sexual.”
Poucos meses após o incidente, ainda em 2013, Maduro o acusou de ter um “esquema de prostituição gay e de transformistas” no estado de Miranda (a acusação jamais seria provada). Na ocasião, parlamentares chavistas cobraram o opositor na Assembleia Nacional aos gritos. Pedro Carreño, do PSUV (Partido Socialista Unido de Venezuela), foi um deles:
“Responda, homossexual! Aceite o desafio, bicha.”
Nada disso era novidade no PSUV. Em 2015, Freddy Bernal, comissário para a Reforma Policial do país, ao responder o jornalista Vladimir Villegas, da Globovisión, sobre a presença de policiais homossexuais na corporação, resolveu aplicar o mesmo conceito que Ford havia imortalizado um século antes sobre seus automóveis – o de que o cliente pode ter o carro da cor que quiser, contanto que seja preto.
“Um homossexual pode ser funcionário policial, desde que não manifeste publicamente sua orientação sexual.”
Para Bernal, esse seria um motivo de profunda vergonha.
“Imagine um oficial da polícia que queira usar uma camisa rosa, ou pintar os lábios…”
Parece difícil? Imagine algo muito mais extraordinário do que isso, Bernal: o fim da indignação seletiva da esquerda brasileira.
2. HÁ MAIS POBRES HOJE DO QUE ANTES DE HUGO CHÁVEZ ASSUMIR. E ELES PASSAM AINDA MAIS DIFICULDADE.
Segundo os dados da última Encuesta sobre Condiciones de Vida en Venezuela (Encovi), 81% dos venezuelanos são hoje considerados pobres. Houve um aumento de cinco pontos percentuais em relação à pesquisa do ano passado. Do total, 87% dos venezuelanos possui dificuldades em encontrar alimentos necessários para uma nutrição adequada (adquirem alimentos para no máximo quinze dias). De acordo com a pesquisa, apenas 19% da população não é considerada pobre: 28% (8,4 milhões de pessoas) vive no limiar da pobreza extrema; 19% (5,7 milhões) é considerada extremamente pobre e 34% (10,2 milhões de pessoas) atingiu a pobreza recentemente. A classe média foi praticamente aniquilada.
Segundo o Censo de 1998, ano em que Hugo Chávez foi eleito, a extrema pobreza atingia 18,7% da população, número quase três vezes menor do que hoje, passados 18 anos de socialismo.
O desemprego agora atinge 26% dos jovens venezuelanos e o país detém o título de economia mais miserável do mundo, segundo o Índice de Miséria 2015, organizado pela Bloomberg.
Em 2014, 5% da população venezuelana não se alimentava três vezes ao dia. Segundo a última pesquisa, esse número aumentou para 20%. E a tendência é de piora, com as medidas adotadas pelo governo para combater a crise hídrica – a produção dos principais alimentos no paíscaiu 87% no último ano, forçando a Assembleia Nacional a decretar emergência alimentar e convocar a Organização para Alimentação e Agricultura da ONU (a FAO) para enviar uma missão de especialistas ao país e avaliar os riscos à segurança alimentar da população.
Só tem um problema nessa história: a FAO é atualmente dirigida pelo brasileiro José Graziano, ligado ao PT, que atuou no gabinete do presidente Lula como seu assessor especial. Há menos de um ano, Graziano utilizou a organização que dirige para fazer proselitismo político e condecorou Nicolás Maduro com um prêmio. A razão? Sua “luta” pelo combate à fome na Venezuela.
3. AS CONDIÇÕES DE TRABALHO PIORARAM. E A ESCRAVIDÃO É LITERALMENTE A SOLUÇÃO ENCONTRADA PELO GOVERNO PARA COMBATER A FOME.
E como Maduro decidiu combater a fome? Com uma velha ideia que você conhece muito bem dos livros de história, chamada escravidão.
Há poucos dias, o líder venezuelano determinou a todas as empresas do país, sejam elas públicas ou privadas, que coloquem seus funcionários à disposição do Estado para aquilo que ele entende como trabalho de desenvolvimento agroalimentar do país. O tempo disponível para o trabalho agrário? 60 dias, prazo que pode ser prolongado por outros 60 dias, segundo o decreto publicado nesta semana.
Qualquer um pode ser sorteado para trabalhar no campo: engenheiros, médicos, professores. A única condição é de que os funcionários designados tenham as condições físicas e técnicas para exercer as funções necessárias. Funcionários da Polar, uma fabricante de alimentos e de bebidas, foram os primeiros designados para o trabalho, segundo alguns empresários do setor.
A diretora da Anistia Internacional para as Américas, Erika Guevara-Rosas, combateu o decreto, afirmando que “tentar abordar a severa falta de alimentos na Venezuela forçando o povo a trabalhar no campo é como tentar curar uma perna quebrada com um curativo”.
“O novo decreto é completamente inútil em termos de encontrar formas para que a Venezuela saia da crise em que ficou imersa por anos. As autoridades venezuelanas devem focar em pedir e levar de maneira urgente a ajuda humanitária que milhões de pessoas necessitam em todo o país e desenvolver um projeto efetivo a longo prazo para solucionar esta crise”, disse.
Trabalhos forçados determinaram um padrão laboral no último século em países socialistas como a União Soviética, Cuba, China, Coreia do Norte e Romênia. A Venezuela segue apenas seu script inevitável.
4. OS ANIMAIS ESTÃO MORRENDO DE FOME.
Ainda não está convencido da tragédia que assola a população venezuelana a partir da ótica dos direitos humanos? Encare o cenário pela perspectiva dos direitos dos animais.
Nos últimos seis meses, o zoológico público de Caricuao, o maior de Caracas, já contabilizou a morte de pelo menos 50 animais (entre eles porcos vietnamitas, antas, coelhos e aves). Com a escassez de alimentos, o cenário é caótico. Tigres e leões vêm sendo alimentados com abóbora e manga para compensar a falta de carne disponível. Um elefante come frutas tropicais em vez do bom e velho feno. A situação é tão precária que há poucos dias um cavalo foi tomado pela população e a sua carne desmembrada para consumo humano, como se a Venezuela fosse acossada por uma espécie de apocalipse zumbi.
E não se engane, quando se trata de sofrimento, não são apenas os animais nos zoológicos que padecem; os de estimação também. Um pacote de ração para cachorro, fabricado na própria Venezuela, quando disponível nas prateleiras, chega a custar 13 mil bolívares. O valor é equivalente a cerca de 11 dias de trabalho de um venezuelano que ganha um salário mínimo. Ou seja, quase uma quinzena dos salários no país. E isso para não falar das rações para gato, que alcançam os 20 mil bolívares. Não é difícil imaginar qual caminho esses animais seguem: o abandono.
Segundo a Asociación Venezolana de la Industria de Salud Animal o número de animais abandonados no país aumentou 30% nos últimos meses. E a escassez de ração é apenas parte dessa história. A falta de material de esterilização, de vacinas e medicamentos, também vem contribuindo para o cenário. Segundo a Fundación Amigos Protectores de los Animales, a crise econômica cria ainda um outro problema: a fuga em massa da classe média do país que, ao abandonar seus pertences, também abre mão dos seus próprios animais de estimação.
No ano passado, a Red de Apoyo Canino diz ter conseguido achar um lar para 600 animais. Até a metade deste ano, apenas seis tiveram a mesma sorte.
A chance de um animal de estimação abandonado sobreviver é mínima, haja vista a dificuldade de conseguir alimentos. A maior parte acaba morrendo atropelado.
5. A SAÚDE PÚBLICA ESTÁ COMPLETAMENTE ABANDONADA. E A EDUCAÇÃO CAMINHA PARA O MESMO BURACO.
A crise hídrica, associada à falta de remédios e a escassez de produtos básicos de higiene levaram a Venezuela a testemunhar nos últimos meses uma explosão de doenças como sarna, diarreia, malária e disenteria. O cenário é caótico. Os banhos são cada vez mais raros e as pessoas são obrigadas a armazenar água para administrar a escassez, infestando o país de criadouros de Aedes aegypti. As ocorrências de dengue, zika e chikungunya, não por acaso, explodiram recentemente.
Segundo um relatório da Secretaria de Saúde do Estado de Miranda, houve um aumento de 58,5% dos casos de sarna no estado no primeiro trimestre desse ano.
“O pico dos casos de sarna em Miranda coincide com o mês de recomeço das aulas, onde as crianças não são mais obrigadas a se lavar e trocar de roupas”, diz o relatório. “Embora o Estado tente manter o nível de abastecimento na capital, é possível supor, a nível nacional, que a situação seja mais grave no interior das províncias.”
Segundo o estudo, Miranda registra o maior número de casos de Malária nos últimos 50 anos. Já não há mais remédios para diarreia ou doenças hepáticas no país, além do tratamento de outras tantas doenças.
Há poucos meses, a Federación Médica Venezolana denunciou aquilo que se entende como um verdadeiro “holocausto da saúde”. De acordo com Douglas Leon, presidente da federação, “é aterrorizante trabalhar nos hospitais” venezuelanos que sofrem com “mais de 95% de falta de medicamentos”, enquanto “nas prateleiras das farmácias” a escassez é de 85%.
Os hospitais faliram completamente. Luvas e sabão desapareceram em alguns deles. Há pouquíssima eletricidade disponível para operações. Medicamentos usados no tratamento de doenças como o câncer muitas vezes só são encontrados no mercado negro. Em alguns hospitais, não há água suficiente sequer para lavar o sangue da mesa de cirurgias.
Para driblar o cenário, os médicos improvisam como podem. Muitos usam garrafas de água com gás para lavar as mãos. Outros passam horas bombeando ar manualmente nos pulmões dos bebês doentes.
“Parece que estamos no século 19”, disse o cirurgião Christian Pino, do hospital da Universidad de los Andes, ao The New York Times.
Nos últimos anos, o índice de mortalidade de bebês com menos de um mês de idade multiplicou-se mais de cem vezes nos hospitais públicos (e o de mães que faleceram ao dar à luz nesses lugares se multiplicou por quase cinco vezes no mesmo período).
A educação também não escapa. Com a crise no abastecimento de energia, algo próximo de 40% das aulas já são perdidas e cerca de 40% dos professores não comparecem nas escolas por estarem nas filas de supermercados em busca de alimentos, de acordo com a Federación de Maestros de Venezuela. Salas de aula com poças são usados como banheiros de emergência, porque não há água nos banheiros.
Na prática é inescapável dizer que, passado quase duas décadas da revolução bolivariana, isso é tudo que o governo venezuelano tem a oferecer: o mais completo caos social e econômico. E com o apoio, claro, da velha esquerda tupiniquim, que agora finge que não tem nada a ver com essa história. Pior para o povo venezuelano.
TREZE FATOS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE A CRIMINALIDADE RACIAL AMERICANA - 02/08/2016
(Publicado originalmente em rodrigoconstantino.com)
No que depender da nossa imprensa e de boa parte da americana, quase toda com viés de esquerda, as informações que chegam sobre criminalidade nos Estados Unidos pintarão a polícia como racista e as armas como responsáveis pelos crimes. Pouco ou nada será dito sobre a proporção muito maior dos negros nos crimes e daquela que parece ser a principal causa essencial por trás disso: a desestrutura familiar deles.
Colocar o dedo nessa ferida foi o que Heather Mac Donald fez em War on Cops, livro em que disseca a narrativa oca “progressista” sobre a criminalidade, com base nas falácias do Black Lives Matter, movimento que tem instigado a tensão racial no país e que faz “demandas” típicas de um PSOL para resolver os problemas. A seguir, 13 fatos que a autora destaca na obra e que você não verá na grande imprensa:
1. Os negros corresponderam a 60,5% de todas as prisões por assassinato no Missouri em 2012 e 58% das prisões por roubos, apesar de representarem apenas 12% da população do estado;
2. Em Nova York, os negros são apenas 23% da população, mas cometem cerca de 75% dos crimes envolvendo tiroteio na cidade, enquanto os brancos, que são um terço da população, praticam 2% dos crimes com tiroteio;
3. Em Los Angeles, os negros praticam 42% dos roubos, mas são 10% da população;
4. Os negros corresponderam a 78% das prisões juvenis entre 2003 e 2008 em Chicago, contra 18% dos hispânicos e 3,5% dos brancos;
5. Homens negros entre 14 e 17 anos têm até 6 vezes mais chances de morrer em tiroteios do que adolescentes brancos e hispânicos juntos, graças a uma taxa dez vezes maior de assassinatos cometidos por adolescentes negros;
6. Em 2013, os negros foram responsáveis por 43% dos assassinatos de policiais, nos casos cuja “raça” era conhecida, apesar de os negros corresponderam a somente 13% da população americana;
7. Os negros foram acusados por 62% dos roubos, 57% dos assassinatos, e 45% dos assaltos nos 75 maiores condados americanos em 2009, apesar de representarem aproximadamente 15% da população nesses locais;
8. Somente 4% dos homicídios de negros são pela polícia, comparados a 12% das vítimas brancas e hispânicas;
9. A taxa per capita de policiais mortos por negros é 45 vezes maior do que a de negros “desarmados” mortos por policiais, mesmo considerando a valor de face o conceito de “vítima desarmada” da imprensa, já que várias dessas vítimas tentavam agredir o policial em questão e roubar sua arma;
10. Em 2006, os negros eram 37,5% da população carcerária estadual e federal, apesar de representarem 13% da população total: um em cada 33 negros estava na prisão na época, ou 11% de todos os homens negros entre 20 e 34 anos;
11. De 1976 a 2005, os negros foram responsáveis por 52% de todos os assassinatos na América;
12. Em 2006, os negros eram 37,5% dos 1.274.600 presos estaduais do país, e se forem retirados os presos por drogas, essa taxa cai apenas 0,5 ponto, para 37% do total;
13. Mais de 72% dos negros americanos nascem de mães solteiras, fora do casamento, uma taxa três vezes maior do que uma análise feita em 1965, antes da “guerra contra a pobreza” dos democratas “progressistas”, que já gastou mais de $20 trilhões em 80 diferentes programas de welfare state voltados para resolver o problema. Em Chicago, essa taxa chega a 80% das crianças nascidas!
Diante desses fatos, o leitor pode fazer como um típico “progressista”, e ignorar o problema essencial, preferindo atacar as “desigualdades”, as armas ou a polícia “racista”. Mas em nada vai ajudar fechar os olhos para a verdade, principalmente os que mais sofrem com essa triste realidade: os negros jovens e mais pobres, em famílias destruídas.
Não é culpa da “guerra às drogas”, como mostra a autora. Não é um problema de viés policial. Tampouco é algo que pode ser resolvido com cheques estatais e assistentes sociais. Esse remédio fracassou. Ou pior: ampliou o problema!
Negros são presos em proporção maior do que hispânicos, brancos e asiáticos, e sofrem uma abordagem policial maior pelo mesmo motivo: praticam mais crimes. Eis o fato inegável. Resta encontrar as causas disso. E as famílias sem estrutura dão uma boa dica do caminho.
Obama foi um “ativista social” em Chicago, e toda a sua narrativa era coletivista, isentando o indivíduo de responsabilidade por seus atos, culpando bodes expiatórios e delegando ao estado a capacidade de resolver tudo. Não funcionou. O Black Lives Matter foi mais longe, com o endosso do próprio presidente, e passou a condenar o suposto racismo da polícia, em vez de falar da maior criminalidade dos negros.
Um movimento que efetivamente se importasse com esses negros deveria ensinar que a polícia deve ser respeitada, que suas ordens devem ser obedecidas, que resistir é um ato irresponsável e perigoso e, acima de tudo, que os jovens precisam de boas referências e limites em suas vidas, ou seja, de bons pais. Mas se fossem nessa linha seriam conservadores, não “progressistas”. E isso é inaceitável para essa turma. Melhor continuar ignorando os fatos… e os negros vítimas desse descaso todo.
ESCOLA SEM CENSURA - 31/07/2016
(Publicado originalmente no Diário do Comércio)
No imaginário popular, criado e alimentado por essas três classes de vendedores de drogas que são os jornalistas, os professores e o pessoal do show business, o termo “universidade medieval” evoca imediatamente um ambiente mental opressivo e rigidamente dogmático, hostil à linda “liberdade de discussão” que a modernidade viria a inaugurar para a felicidade e conforto do gênero humano.
Como praticamente tudo o que vem dessas três fontes, isso é a exata inversão da realidade.
Nas universidades medievais, o principal método de ensino, ao lado da lectio ou comentário de texto, era adisputatio, ou debate organizado, que, dada uma questão, começava justamente pelo levantamento de todas as opiniões pró e contra disponíveis e em seguida prosseguia pela confrontação sistemática dos argumentos que as sustentavam.
O aluno que desejasse defender alguma ideia era convidado primeiro a reproduzi-la fielmente e argumentar contra ela, da maneira mais eficiente que pudesse, levando em conta todos os argumentos preexistentes, para ter a certeza de que se movia em terreno firme.
Ao contestar uma opinião, devia, antes, anunciar se negava alguma das suas premissas, o desenvolvimento lógico do argumento ou a sua concordância com os fatos conhecidos.
Em nenhuma universidade do mundo, nos dias que correm, vigora tamanho respeito pela liberdade de opinião e pela honestidade do debate. Nem mesmo no campo das ciências naturais, onde a distribuição das verbas de pesquisa, a mando de governos, de grupos bilionários e de interesses corporativos, já bloqueia in limine a mera possibilidade de discussão das teorias julgadas inconvenientes.
Mas, se isso é assim em praticamente todas as universidades do mundo, no Brasil a seletividade autoritária é ainda agravada até à demência pelo império dos professores ineptos –cinqüenta por cento deles, entre os recém-formados, analfabetos funcionais –, que defendem ferozmente os seus privilégios grupais e os seus interesses partidários contra o risco de discussões abertas que terminariam inevitavelmente pela sua desmoralização pública.
É esse estado de coisas que seus criadores e mantenedores descrevem, cinicamente, como “pluralismo”, “liberdade democrática” e “respeito pelas diferenças”.
O fenômeno do Dicionário Crítico do Pensamento da Direita (leiam aqui), em que cento e vinte professores universitários, subsidiados por verbas oficiais e privadas, prometiam um vasto panorama dessa corrente de opinião e em lugar dela promoviam a sua ocultação sistemática, ludibriando desavergonhadamente seus alunos e os leitores em geral, já bastava para ilustrar no ano de 2000, com amostragem estatística mais que suficiente, um estado de controle ditatorial que desde essa época não cessou de se ampliar formidavelmente e que seus beneficiários defendem com a bravura de militantes fanatizados e a mendacidade de criminosos psicopáticos contra a intrusão do “Escola Sem Partido”.
Há alguma coisa errada com o "Escola Sem Partido"? Há. O nome. Deveria chamar-se "Escola Sem Censura", porque a parte mais decisiva da dominação comunista na educação brasileira não consiste na propaganda ativa, que pode ser eficiente mesmo quando em doses mínimas, e sim na exclusão sistemática de tudo o que a contraria.
A mente do estudante pode se defender do que lhe dizem, mas fica impotente quando os meios de reagir lhe permanecem totalmente desconhecidos.
O nome "Escola Sem Partido" evoca o isentismo hipócrita que os jornais brasileiros encarnam tão bem, que só serve à esquerda e que ainda dá a ela a chance de acusar os adversários de querer praticá-lo.
Outro erro é a insistência na palavra “doutrinação”. Doutrinação é a inculcação sistemática de um corpo de sentenças ou teorias, de uma visão da realidade, que não pode nem mesmo ser compreendida sem alguma confrontação, por modesta que seja, com hipóteses adversas ou alternativas.
Como dizia Benedetto Croce, “é impossível compreender um filósofo sem saber contra quem ele se levantou polemicamente”. E Julián Marías explicava que a fórmula de qualquer tese filosófica não é simplesmente “A é C”, mas “A não é B e sim C”.
de nível superior, a quantidade de doutrinação é mínima.
Pascal Bernardin demonstrou, no já clássico Maquiavel Pedagogo, que as técnicas pedagógicas, algumas velhas de muitas décadas, utilizadas hoje em dia para escravizar mentalmente a população estudantil, do primário à universidade, são ardis psicológicos calculados para produzir mudanças de comportamento sem passar pelos processos normais de formação de opiniões, isto é, subtraindo-se não somente à confrontação crítica mas a qualquer exame consciente do que está sendo ensinado.
Freqüentemente as condutas induzidas permanecem no nível pré-verbal, como por exemplo no caso do menininho que, em vez de ouvir uma apologia ao homossexualismo, é convidado – por experiência, só por experiência – a dar um beijo sensual na boca do seu coleguinha.
Ou, na universidade, o aluno que, antes de ter ouvido dois minutos de teoria marxista, é liberado da aula para juntar-se a uma assembléia “contra o golpe”, tendo de escolher entre curvar-se à pressão dos pares ou tornar-se um réprobo, um excluído, um maldito fascista, sem ter tido ao menos a oportunidade de esboçar mentalmente alguma objeção formal à conduta pretendida.
A indução de comportamentos, a engenharia social, a pressão dos pares, a chantagem psicológica e a intimidação velada ou aberta são os procedimentos usuais empregados em praticamente todas as universidades brasileiras para manter a população estudantil obediente a padrões de conduta cujo alcance ideológico ela pode permanecer até mesmo incapaz de formular verbalmente.
Desde os estudos de Kurt Lewin, nos anos 40 do século passado, está demonstrado que procedimentos desse tipo são muito mais eficientes do que qualquer propaganda ou “doutrinação” explícita. E hoje em dia é notório que o emprego maciço desses recursos psicológicos é recomendado e imposto até mesmo pelos organismos internacionais.
O professor que aplique essas técnicas até transformar os seus alunos no mais obediente dos rebanhos pode mesmo reagir com indignação ante a sugestão de que os esteja “doutrinando”. E não é impossível que em alguns casos ele esteja mesmo sendo “sincero”, no sentido da autopersuasão histérica que se apega a uma auto-imagem grupal defensiva para não precisar julgar moralmente o que faz na realidade.
Esses dois pontos fracos deram aos inimigos do “Escola Sem Partido” , de mão beijada, a oportunidade de ouro de inverter o quadro todo da situação, apresentando as reivindicações do movimento como se fossem as deles próprios e atribuindo a ele as propostas simetricamente inversas.
Os cinco pontos fundamentais do "Escola Sem Partido" são tão obviamente justos e tão solidamente amparados na Constituição Federal, que os inimigos do movimento, para combatê-lo, não tiveram outro remédio senão roubá-los e fingir que o movimento defendia as propostas contrárias.
Isso não é discussão, é difamação proposital, ardilosa, dolosa no mais alto grau.
O "DAESH" PÕE O BRASIL NA BERLINDA - 30/07/2016
E chegou a vez do Brasil. Apesar de ser o refúgio preferido de terroristas durante a malfadada era PT, nunca antes tivemos notícia do terrorismo islâmico por nossas plagas. Mas o Daesh, ou Estado Islâmico (EI), liberou seus "soldados" para agirem também aqui, uma vez que entre os dias 5 e 21 de agosto receberemos milhares de europeus de países considerados inimigos, para a realização das Olimpíadas.
Desde o fim do ano pasado o EI vem intensificando seus ataques bestiais na Europa, sendo nos últimos meses a França e a Alemanha seus alvos preferidos. O ataque ocorrido em Nice, que deixou um saldo de 84 mortos (a maioria crianças) e mais de 200 feridos, seguido do ataque na Alemanha, vem sendo tratado pela imprensa com um misto de parcimônia, covardia e omissão em relação aos atacantes, uma vez que temos observado um cuidado excessivo em rotular como "doentes mentais" que faziam tratamento psiquiátrico, para encobrir quem eram, na verdade, muçulmanos convictos cumprindo sua missão, terroristas que não agiram sozinhos mas orientado pelas lideranças do bando terrorista.
No dia 26 de julho dois terroristas invadiram uma igreja em Rouen, França, com o objetivo de assassinar os "infiéis" que lá estavam. Um padre de 84 anos que celebrava a Missa, duas freiras e dois fiéis foram feitos de reféns. Sob gritos de "Allahu Akbar!", os dois renderam os fiéis e enquanto um falava coisas em árabe em volta do altar, o outro mandava o padre Jacques Hamel se ajoelhar e o decapitava. Outra pessoa teve igualmente a garganta cortada e foi levada ao hospital, graças a uma freira que conseguiu fugir e avisou pessoas que passavam na rua. Os terroristas foram abatidos.
Congressistas franceses culpam o presidente socialista François Hollande pela intensificação dos ataques, pois eles apresentaram uma série de medidas preventivas e de proteção ao país antes mesmo do atentado em Nice, mas o presidente e seu primeiro-ministro, Manuel Valls, ignoraram solenemente.
Quando era presidente do Uruguai, o terrorista José Mujica cometeu a insensatez de trazer para o país 5 terroristas que estavam detidos da base de Guantánamo, Cuba, o que na época causou muita revolta na população. Desses, o sírio nascido na Líbia, Jihaj Ahmad Diyab, sempre causou problemas, apesar das mordomias que recebiam do governo uruguaio e, tão-logo chegaram, Mujica disse que eles eram livres para ir a qualquer país, "desde que fossem aceitos". Três meses depois de chegar ao Uruguai Diyab foi para a Argentina, acompanhado de uma argentina "defensora dos direitos humanos" cujo nome se desconhece, e lá afirmou ser filho de mãe argentina e vinha advogar pela libertação de todos os presos de Guantánamo, embora não falasse nada em espanhol.
Consultando a ficha dele em Guantánamo, verificou-se que era mentira, que sua mãe era líbia, que sua especialidade era "falsificação de documentos", e que ele pertencia a Al-Qaeda no chamado "Grupo Sírio". Em junho as autoridades uruguaias informam que Diyab saiu do país, entretanto, não há qualquer registro de passagem dele pelos postos de fronteira, o que leva a crer que saiu com documentos falsos, afinal, essa é sua especialidade. A Polícia Federal (PF) e os ministros da Defesa e da Justiça brasileiros informam que ele nunca pôs os pés aqui, mas ontem (27.07) ele apareceu em Caracas, alegando que viajou até lá de ônibus, tendo passado inclusive pelo Brasil. Lá ele procurou a embaixada do Uruguai para pedir que tragam sua família da Síria mas teve seu pedido recusado, inclusive pela Cruz Vermelha, pois saiu do país ilegalmente.
Há pouco mais de duas semanas de se iniciar as Olimpíadas, a PF deteve 12 "supostos" terroristas brasileiros que se articulavam para cometer atentados durante os jogos. Apesar de detidos e de não se ter informações posteriores aos interrogatórios, as autoridades brasileiras enfatizam que se tratava de elementos "primários", "sem experiência nem preparo", mas não é prudente subestimar o que as aparências demonstram. Sabemos que, tanto quanto os comunistas, os chefões do EI já deram a ordem para fazer uso da "combinação de todas as formas de luta", o que ficou provado com o atentado de Nice cuja "arma" foi um caminhão.
É óbvio que, mesmo utilizando redes privadas como o Telegram ou o Nashir Português, as mensagens são cifradas, passadas em código e os atacantes têm que manter um baixo perfil para não levantar suspeitas. Poucos cumprirão o Ramadan, freqüentarão mesquitas ou demonstrarão comportamento agressivo, como foi o caso dos últimos que atacaram na França e Alemanha.
Nesta quinta-feira 28 a PF prendeu mais um suspeito, brasileiro descendente de libanês, e um dos refugiados do Uruguai, o iraniano Pouria Paykani, foi visto pela última vez no aeroporto Salgado Filho de Porto Alegre.
Deus permita que nada aconteça no Brasil e que não passemos a entrar nas estatísticas do terror do Daesh, e que as autoridades envolvidas na segurança tenham a clareza e a perspicácia de ver nas entrelinhas e não se fiar apenas em bombas e armas de fogo. O inimigo é astuto como as serpentes e até uma caneta pode se tornar uma arma letal.
ADEUS ÀS ILUSÕES - 29/07/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
Em matéria de cinismo, marqueteiro e "presidenta" se equivalem.
Dilma, quem diria, logo dará adeus às ilusões. Nas campanhas eleitorais em que se elegeu e reelegeu graças aos préstimos de João Santana, inventor de patranhas, foi vendida por ele como a "gerentona" mais habilitada a pôr o País nos eixos e guiar a classe operária ao paraíso. Acusada de ter cometido crimes funcionais, o que está para interromper seu mandato, responde pela irresponsabilidade de, por culpa da roubalheira do partido que a adotou, o PT, ter gerado a quebradeira e o desemprego generalizados que condenaram a Nação às piores crises ética, econômica e política da História. E ela ainda se agarra à imagem de ser "pessoalmente honesta", que começa a desabar.
Por ironia da História, uma grave acusação foi feita por esse gênio da lorota de fancaria, cujo depoimento ao juiz Sergio Moro, da Operação Lava Jato, deu mais uma pista concreta de que, de fato, a campanha dela, que ele criou, produziu e dirigiu, foi financiada por dinheiro roubado, de propina de fornecedores da Petrobrás. A iminente homologação da delação premiada do mágico do marketing, de sua mulher, contadora e sócia, Mônica Moura, e de muitos executivos da empreiteira Odebrecht, entre os quais o presidente, Marcelo, prenuncia o fim do refrão com que Dilma enfrenta o impeachment: não levou vantagem financeira em nada nem tem conta em banco no exterior.
Para convencer policiais, procuradores e juiz, o marqueteiro, chamado de Patinhas na juventude pela fértil originalidade de letrista de música popular, na passagem de sucesso pelo jornalismo e na maturidade de publicitário milionário, decidiu abrir o bico como um "canário" da Máfia da Sicília em Chicago. E o faz de maneira cínica, idêntica à usada para inventar a torpe falsidade de um Brasil irreal de pleno emprego, redução da pobreza crônica e competente e honesta gestão dos recursos públicos. Tudo isso foi pago com o fruto do maior assalto desarmado aos cofres públicos da História, que levou à beira da falência a maior estatal do País.
Joãozinho Patinhas teve o desplante de confessar ao juiz que mentiu em depoimento anterior, após se entregar desembarcando do Caribe, "para não destruir a Presidência", uma aparente expressão de lealdade. Mas que, na verdade, continha, de um lado, o compromisso com a força-tarefa de comprometê-la. E, de outro, a ameaça de que se dispunha a "cantar", como um vil delator mafioso, que Dilma disse desprezar. "Eu, que ajudei de certa maneira a eleição dela, não seria a pessoa que iria destruir a Presidência, trazer um problema. Nessa época já iniciava o processo de impeachment, mas ainda não havia nada aberto, e sabia que isso poderia gerar um grave problema até para o próprio Brasil", depôs.
A primeira versão de "Tucano" (nome da cidade baiana onde ele nasceu, adotado como codinome nas planilhas do banco de propinas da Odebrecht) não se sustentava nas próprias pernas: segundo a narrativa, o dinheiro depositado em suas contas teria sido ganho em campanhas no exterior e o pago pelo PT foi sempre legal.
A história atual, endossada por Mônica Moura, é mais lógica: em 21 de julho, o casal admitiu ter recebido no caixa 2 US$ 4,5 milhões para quitar uma dívida da campanha de Dilma em 2010. Naquela mesma quinta-feira, o engenheiro Zwi Skornicki, tido pela força-tarefa da Lava Jato como operador de propina do esquema da Petrobrás (dito petrolão), contou ao juiz Sergio Moro ter depositado, de 2013 a 2014, em conta do casal no exterior US$ 4,5 milhões para saldar parte de uma dívida que o PT lhe ficou devendo durante a campanha.
O valor coincide, mas não o recurso ao "caixa 2", conversa mole de estelionatário confesso, que sempre doura a pílula, tentando desviar a acusação para alguma infração menor. Assim fazem quaisquer flagrados em crime mais grave. Deixo ao atento leitor a decisão sobre a quem dar fé: quem pagou ou quem recebeu a bolada?
Em matéria de cinismo, marqueteiro e "presidenta" se equivalem. O "Feira" dos registros da propina da Odebrecht se arvorou a dar lições de contabilidade fora da lei ao maior especialista em lavagem de dinheiro da Justiça brasileira. Ele disse que milhares, quiçá milhões, de políticos não prestam contas de campanhas corretamente à Justiça Eleitoral. Recorreu a metáforas dignas de sua imaginação: fariam uma fila de Brasília a Manaus, equivalente à Muralha da China, ficando aptos a ser fotografados por satélite. Seria mais persuasivo se delatasse pelo menos uma centena dentre os "98%" dos candidatos, que ele considera trapaceiros como ele.
Os exageros de João do milhão o qualificam como mestre da patroa em desfaçatez. Terá sido de sua lavra a explicação que Dilma deu para o fato de, como presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, ter autorizado a compra da refinaria de Pasadena à Astra Oil? Por que não ocorreu a ela, a conselho de sua protegida Graça Forster, exigir do ex-diretor internacional, Nestor Cerveró, relatório mais detalhado tecnicamente do que o que ela definiu como incompleto, antes de autorizar negócio lesivo ao patrimônio nacional?
Agora recorreu ao estilo de Lula, ao assegurar no Twitter: "Não autorizei pagamento de caixa 2 a ninguém. Se houve pagamento, não foi com meu conhecimento". Esse argumento é fátuo. O professor José Eduardo Martins Cardozo devia ter-lhe ensinado que, no caso, ela será acusada de ter-se beneficiado do dinheiro ilegal na campanha. À Rádio França Internacional, Dilma disse que, feito dois anos após o pleito, o repasse não a atinge, omitindo que a propina pagou dívida contraída para a própria eleição.
A confissão de Santana, Mônica e Skornicki revela que o mantra profano dos partidos acusados – o de terem recebido doações legais e aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – é mentiroso. Parte dessas doações se originou de propinas e as tidas como legais podem ter usado o TSE como lavanderia de dinheiro do furto.
UM DIÁLOGO SOCRÁTICO SOBRE AS CAUSAS DA CORRUPÇÃO - 21/07/2016
(Publicado originalmente em http://www.mises.org.br/)
Certo dia, um conhecido me revelou, com um ar de superioridade, que a solução para acabar com a corrupção era "criar novas leis".
Imediatamente espantei-me com seu desconhecimento da máxima de Tácito, que já dizia que "quanto mais corrupto o estado, maior o número de leis". Mas decidi entender melhor seu raciocínio.
Perguntei a ele onde ocorria a corrupção, se na esfera estatal ou na iniciativa privada? Triunfantemente, ele soltou a resposta que julgava definitiva: "acontece dentro da esfera estatal, mas quem corrompe é sempre a iniciativa privada".
Foi então que decidi vestir uma daquelas ridículas roupas gregas da época, colocar uma barba postiça, pegar no braço de meu interlocutor, e levá-lo para uma caminhada regada por um diálogo baseado no método socrático.
E comecei as perguntas:
— Qual origem da corrupção?
— O capitalismo.
— Quem corrompe?
— Os empresários que querem assaltar o dinheiro público.
— Quem são os corrompidos?
— Os corruptos que trabalham para ou dentro do estado.
— Quem são esses corruptos passivos?
— Políticos, membros do governo, servidores, membros do partido no poder nomeados para cargos comissionados, integrantes do judiciário etc.
— Quer dizer então que os corruptos passivos estão entranhados na estrutura do estado, dificultando a sua identificação individual, ao passo que os corruptores são perfeitamente identificáveis?
— Sim.
— E quer dizer que os corruptos entranhados na estrutura do estado, além da dificuldade de serem identificados, ainda contam com a estrutura do próprio estado para não serem identificados? E, caso sejam identificados, provavelmente conseguirão a proteção daqueles a que estão vinculados?
— Sim, mas, veja bem ...
— Então quer dizer que você considera mais perniciosos os corruptores ativos, os quais podem ser facilmente identificados, e que só conseguem agir assim por causa dos incentivos formais e informais decorrentes da ação daqueles corruptos passivos entranhados na estrutura do estado, os quais são responsáveis diretos por construir esse ambiente que estimula e potencializa a corrupção e do qual são beneficiários?
— Sim, mas, veja bem...
— Então quer dizer que, sob o aspecto moral, você hierarquiza aqueles que criam o ambiente institucional e legal para dele se beneficiarem e coloca no topo da sordidez aqueles que agem como corruptos ativos porque se aproveitam desse ambiente criado pelos corruptores?
— O assunto é bem mais complexo do que você quer fazer parecer...
— Diga-me como é possível, se é possível, você defender o combate à corrupção ao mesmo tempo em que defende mais poderes para aqueles mesmos agentes que operam dentro do estado e que constroem todo um ambiente legal e institucional que os beneficia e que os permite transferir a responsabilidade da corrupção aos agentes artificialmente ativos da corrupção?
— É tudo uma questão de elegermos as pessoas certas...
— Volto a perguntar: por que há corrupção?
— Por causa da ganância dos empresários e dos maus agentes políticos.
— Bom, agora, além dos empresários, você responsabiliza os agentes políticos qualificados de forma negativa?
— Sim. Eles também são culpados.
— Vamos então partir para um exemplo prático: o que foi o Petrolão?
— Um grupo de empreiteiros pagou propina para políticos para serem eles, os empreiteiros, os escolhidos para fazer obras superfaturadas para a Petrobras.
— E de onde veio o dinheiro da propina paga pelos empreiteiros aos políticos?
— Da própria Petrobras, que, ao pagar pelas obras superfaturadas, garantiu um trocado extra para os empreiteiros, os quais então utilizaram esse trocado extra para "agradecer" aos políticos, que são conhecidos como seus "operadores".
— Ou seja, na prática, todo o dinheiro era da estatal, por isso a Petrobras ficou descapitalizada.
— É...
— Então você próprio admite que o que está dando sustento à corrupção é o dinheiro de uma estatal.
— Sim, mas, veja bem...
— Permita-me outra pergunta: você concorda que só há corrupção porque há uma entidade com o poder de decidir e de escolher ganhadores e perdedores, e que essa entidade, por ter dinheiro em abundância (dinheiro esse expropriado das riquezas produzidas por essa sociedade), se torna um verdadeiro pote de ouro?
— Sim, mas, veja bem...
— Permita-me interrompê-lo para seguirmos adiante. Você diria que uma entidade que concentra o poder de escolher ganhadores e perdedores, que possui o poder final de decisão sobre aquilo que se pode ou não fazer, e que obtém uma fonte intermitente de dinheiro porque expropria riquezas da sociedade, é uma entidade extremamente visada?
— Sim, mas é possível limitar o acesso a essa entidade.
— Como?
— Votando nas pessoas certas.
— Tá, permita-me prosseguir: você diria que aqueles agentes privados que são, de uma forma ou de outra, seduzidos por esse poder descomunal e se tornam agentes ativos da corrupção, são mais ou menos nefastos do que os próprios políticos corruptos?
— Mais nefastos.
— Como é possível estabelecer uma hierarquia que determine que estes entes são mais nefastos do que aqueles que estão dentro do estado?
— É possível sim porque o estado nos representa! E aqueles que trabalham para o estado defendem a sociedade, a coisa pública!
— Mas se o estado nos representa e aqueles que trabalham para o estado defendem a sociedade e a coisa pública, como é que podem estimular a corrupção, serem dela beneficiários e assim serem menos nefastos?
— Ah, estou sacando o seu jogo. Você está querendo me confundir e fazer sua propaganda anti-estado!
— Não quero lhe confundir nem nada. Quero entender como funciona uma mentalidade estatista.
— Você está me ofendendo...
— Imagina!
— Afinal, qual é o seu ponto?
— Meu ponto é que, quanto maior e mais poderoso um governo, quanto mais leis e regulamentações ele cria e quanto mais obras públicas ele faz, mais os empresários poderosos e com boas conexões políticas irão se aglomerar em torno dele para obter privilégios à custa dos concorrentes e da população como um todo.
Por meio de favores pessoais ou de propinas, estes empresários não apenas conseguirão licitações favoráveis (sendo pagos com dinheiro público), como também conseguirão se isentar de seguir as leis e regulamentações criadas pelo estado ao mesmo tempo em que defenderão a imposição destas leis e regulamentações sobre seus concorrentes.
— Sim, mas esse jogo sujo é a essência do capitalismo!
— Não, esse arranjo é a essência do mercantilismo, do "privilegismo", do compadrio. Aliás, esta é exatamente a característica precípua de um regime fascista, no qual tudo deve estar dentro do estado e nada deve estar fora do estado. Desnecessário dizer que essa é a antítese do livre mercado.
— Bruno, afinal, o que você defende?
— A redução máxima do estado, deixando de lhe reconhecer autoridade política sobre várias atividades que hoje ele exerce. Esse é o caminho para se lutar contra a corrupção, contra os grupos de interesse e contra os lobbies empresariais. Por outro lado, com um estado grande, intervencionista e ultra-regulador como esse que temos, lobbies, grupos de interesse e subornos empresariais sempre serão a regra. E isso não será mudado apenas "elegendo as pessoas certas".
— Bruno, você é um reacionário neoliberal fascista!
O WHATSAPP E A JUSTIÇA - 21/07/2016
(Publicado originalmente em nivaldocordeiro.net/blog)
De novo uma juíza do Rio de Janeiro, do alto de sua autoridade, determinou a suspensão dos serviços do aplicativo WhatsApp, um dos mais populares em uso para trocas de mensagens. De novo Sua Excelência, como os pares anteriores, preferiu castigar os usuários da ferramenta, o povo em geral, ao invés dos executivos da empresa dela proprietária. Teria ela ficado irritada com a negativa de quebra do sigilo das mensagens e também com uma resposta em inglês que teria recebido. Óbvio que nenhum desses fatos justificaria a violência legal determinada pela magistrada, que obviamente foi além dos seus sapatos. Em boa hora o STF corrigiu a anomalia.
Sabemos que não é apenas o aparelho policial e judicial nacional que tem olhado com ira para os fabricantes de ferramentas de comunicação. Recentemente criou-se polêmica nos EUA no caso da quebra de sigilo de um fabricante de aparelhos celulares. Um terrorista investigado teria usado um deles para troca de mensagens e polícia queria a quebra do código para acessa-las. Exorbitou também: nada justifica que uma empresa privada traia sua legião de consumidores, que nela depositam sua confiança, por submissão a um capricho judicial ou policial. Os direitos da maioria não podem ser atropelados pelo viés do delegado de polícia. O Estado que arrume meios eficazes de fazer investigação sem ter que apelar para violências desse naipe.
A lógica dos criminosos e dos seus perseguidores não pode se sobrepor ao direito da maioria à privacidade. A privacidade talvez seja o maior bem que a cidadania conquistou diante do Estado todo poderoso e ela está sempre ausente nos regimes totalitários. O Estado tem obsessão por coletar, colecionar e analisar informações sempre usando ou a lógica da investigação criminal ou a lógica da guerra (lembro aqui os grampos sobre diversos governantes que os EUA fizeram sem a menor cerimônia, inclusive da então presidente do Brasil, Dilma Rousseff). É preciso que prevaleça a lógica da paz e da honestidade e não a lógica das exceções, do crime e da guerra.
Obviamente que a senhora juíza exorbitou e foi corrigida tempestivamente pela autoridade superior. O fato notável aqui não é que houve a correção, é que tem havido sucessão de medidas atrabiliárias da Justiça em primeira instância contra o público em geral, usuário satisfeito que é dessas maravilhosas ferramentas. Os fabricantes sabem que, se trair a confiança dos muitos, matarão seu mercado. O que está em jogo aqui, todavia, é menos uma questão de mercado e mais uma questão de cidadania.
Estamos vendo em toda parte a integração dos sistemas de polícia e Justiça dos países. Não louvo isso, abomino. Não há mais agora nenhum lugar de refúgio para um indivíduo escapar das aberrações do Estado todo poderoso. Um judeu poderia se proteger dos nazistas pelo simples cruzar da fronteira (a certa, a ocidental, claro), mas hoje em dia teria dificuldade para tal. Problemas políticos podem levar pessoas à miséria pela simples decisão de seu governo determinar o congelamento ou a expropriação dos seus bens, sob qualquer pretexto. Não me falem de Lava Jato, porque não estou tratando de criminosos, mas da hipótese de alguém decidir não concordar com seus governantes. Simplesmente agora não é mais possível escapar aos mecanismos de perseguição legal, numa ordem jurídica que está singularizada por leis arbitrária e contrárias ao direito natural.
É o caso da hostilidade crescente entre os cristãos e os defensores do aborto e do gaysismo. A inclinação dos governantes é pelo vício, fazem leis contrárias à natureza e as cortes têm tomados posições “avançadas”, contrariando o sentimento da maioria. Durante o governo do PT por pouco a vida banal de um cristão no Brasil não foi integralmente criminalizada. Esse perigo é permanente.
Esse é um exemplo. O outro é a anulação prática do direito das pessoas não terem que dar satisfação dos seus bens ao Estado e sua vasta burocracia. Cada vez mais esse se fez sócio da renda e da propriedade dos particulares e, a partir dessa violência originária, criminalizou quem quer ter sua vida financeira inteiramente privada. Exemplo aqui de acúmulo de leis injustas que apenas amparam o arbítrio estatal contra as pessoas. Tudo pelo social.
Outro exemplo ainda é a legislação que regula a posse e o porte de armas. Ora, estamos vendo em toda parte o terrorismo prosperar precisamente porque os civis foram completamente desarmados, estando à mercê de qualquer um que eleve uma machadinha homicida contra si. No ataque de Nice vimos as pessoas mais desamparadas do que galinhas atacadas por raposas, sem meios de defesa. Agora, ter uma arma de defesa pessoal é um falso crime que tem posto muita gente na cadeia no Brasil. Se não temos tecnicamente terroristas atuando por aqui, temos o crime que mata 60 mil pessoas todos os anos, exatamente porque as vítimas estão inermes, sem meios de defesa. Um exemplo alucinado da falácia do Estado protetor, que faz da vítima o seu oposto, um criminoso, se do crime tentar escapar mediante o exercício natural do direito de defesa.
O sigilo da comunicação e o direito de fazer o que se quiser com os próprios bens estão intimamente associados, bem como a capacidade de autodefesa e de se praticar os valores superiores da civilização, evitando os vícios. Resistir ao arbítrio do Estado gigante e invasor é mais que um dever, é um instrumento para se viver em liberdade. O moderno Baal se tornou uma força avassaladora contra seus próprios cidadãos. A cada polícia criada, a cada regulamento promulgado, a cada burocracia que se agiganta sobre o particular vemos parte da liberdade morrer. O caso do WhatsApp é exemplar e deve ser levado às últimas consequências. Se o meganha que investiga crimes, falsos ou verdadeiros, quer arrumar provas que se vire. Não venha arranhar a liberdade de todos. Que vá para as ruas investigar e colher evidências.
A VERDADE SOBRE O ESCOLA SEM PARTIDO - 20/07/2016
(Publicado originalmente pelo Instituto Liberal)
Resolvi escrever esse texto devido às inúmeras mentiras que tenho visto circular na internet sobre o Projeto Escola Sem Partido. É o desespero dos doutrinadores. Alguns, apenas distorcem as palavras do projeto e divulgam. Outros, nem o leram e passam as mentiras adiante. Típico de internet.
Estudei em colégio particular e público, universidade particular e pública também, e durante minha vida acadêmica, os professores só me mostraram um lado da moeda. Aquele clássico: o capitalismo é malvado, o socialismo é bonzinho, a necessidade da luta de classes, e o sócio-construtivismo. E por isso, durante grande parte da minha vida, eu odiava os Estados Unidos sem saber o porquê, também achava que o capitalismo era a raiz de todos os males e, quando entrei na universidade, comecei a achar que a religião, inclusive a minha, era o ópio do povo.
Como aluna de pedagogia, fui muito criticada quando defendi o ensino tradicional, pois todos os professores só concordavam e aceitavam a abordagem construtivista. Sabendo dessa lavagem cerebral que acontece dentro das salas de aula é que o projeto Escola sem Partido afirma que deve haver “o reconhecimento da vulnerabilidade do educando como parte mais fraca na relação de aprendizado”. Afinal, o aluno ainda está formando seu caráter, e o professor não pode se “aproveitar da audiência cativa dos alunos para promover seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias.”
Sei que a maioria dos brasileiros, apesar de gostar de discutir sobre política, não tem o hábito de ler leis, a maioria nunca nem tocou na constituição, e existem alunos de Direito que não sabem em que ano ela foi escrita. Mas, diante da minha indignação, venho aqui para mostrar a verdade sobre o Projeto.
Eu, como participante da faculdade de educação da UERJ, já presenciei dos meus colegas argumentos como: “o projeto ameaça nossa profissão”, “é a lei da mordaça”, “não tem como lecionar sem apresentar ideologias”. Mas o que é ideologia, afinal? Ideologia é a reunião das certezas pessoais de um indivíduo, de um grupo de pessoas e de suas percepções culturais, sociais, políticas, etc. Então, de acordo com o projeto, eu, como professora cristã, não poderei ensinar a um aluno espírita que minha religião é melhor que a dele, por exemplo. E isso é errado? Claro que não! Meu dever não é de evangelizar em sala de aula, não é de converter o aluno a um lado ou outro. Esse é um papel da família.
Outro argumento que ouvi foi: “O projeto é contra o senso crítico e debates de assuntos polêmicos.” O Projeto defende a neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado, neutralidade política não significa que o projeto é contra o senso crítico; pelo contrário, ele quer que seja apresentado e discutido os dois lados da moeda: “ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade – as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito da matéria.” O professor pode ser de esquerda ou de direita, mas não pode impor o que ele pensa como verdade absoluta, nem prejudicar o aluno caso ele não concorde com sua posição política: “o professor não favorecerá, não prejudicará e não constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.”
Afinal, o que tem de tão assustador no projeto para ter tanta mobilização contra ele?
A resposta está no livro Maquiavel Pedagogo de Pascal Bernardin. O autor reúne documentos e pesquisas que mostram que a doutrinação que acontece na educação atual é decorrente de uma revolução pedagógica proposital com a finalidade de mudar os valores das pessoas e implantar uma nova sociedade.
No livro, é apresentado o documento publicado pela UNESCO com o nome A Modificação das Atitudes. Nele estão listados os seguintes objetivos: realizar uma transformação profunda na sociedade, modificar as atitudes na educação para conseguir uma reconversão ou uma reeducação dos valores, manipular a cultura, entre outros, ou seja, é uma reforma cultural. E para conseguir chegar nesses objetivos, os métodos que a UNESCO descreve ser necessário usar são:
– Buscar auxilio político, midiáticos dos formadores de opiniões, ou seja, usar blogueiros, artistas, políticos;
– Ampliar o poder e influência de ação de grupos, pois grupos separados são vistos como algo bom para a revolução cultural enquanto que a família é vista com efeito negativo sobre a criança;
– Programas de ações desenvolvidas para os pais, para conseguir que eles façam parte da revolução e não atrapalhem o trabalho da escola;
– Formação ativa e direcionada para os professores, para que os professores aprendam a doutrinar.
A UNESCO afirma que para que essas mudanças sejam implantadas na sociedade é preciso bloquear outros canais de transmissão de valores, como a família, ou seja, segundo eles, deve-se tirar o poder de educar dos pais e transferir para o Estado. E perceba que é exatamente contra isso que o Escola Sem Partido está lutando quando afirma: “O professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.”
A revolução busca submeter o indivíduo ao Estado tanto em seu comportamento quanto em seu psiquismo e ser, ou seja, aumentando a permanência da criança na escola, a influência do professor e o poder do Estado sobre a escola, o Estado conseguirá controlar os valores das pessoas e seus comportamentos. É o admirável mundo novo de Aldous Huxley.
O Escola Sem Partido, como o nome mesmo diz, é apartidário e por isso causa tanto medo naqueles que tem como objetivo de transmitir somente suas ideias políticas e doutrinadoras aos alunos. Você não precisa ser de direita para concordar com o projeto, precisa apenas ser honesto.
*Jenifer Castilho é estudante de Pedagogia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
O PARTIDO COMUNISTA E O INDIVÍDUO - 20/07/2016
(Publicado originalmente em www.alertatotal.net)
Quando alguém examina livros, revistas e folhetos comunistas verifica m fato surpreendente. Em nenhuma parte da interminável verborréia que pretende abordar o político-social, se encontra qualquer referência ao indivíduo. Página após página, encontramos os termos massas, proletariado, burguesia, mercenários do capitalismo, reformistas, revisionistas, renegados, e sempre, em toda parte, referências à vanguarda revolucionária. Isto é, ao Partido (com maiúscula).
Sempre que se refere a qualquer membro do Partido, ele é esterilizado psicologicamente e tirada sua individualidade. É convertido no kamarada ou quadro.
Não é por acidente que o ser humano está ausente dos escritos dos comunistas. O indivíduo não tem cabimento na teoria e no programa dos partidos comunistas. A ideologia só se interessa pelo homem como membro de uma classe e, no que se refere ao programa, os indivíduos são manejados como massa.
Na medida em que o indivíduo siga sendo ele mesmo, diz-se que está animado por esperanças e interesses pessoais; é sensível às dúvidas e ao otimismo; é capaz de ser tocado pelo mistério da vida; é imprevisível e capaz de ater-se às suas próprias opiniões.
As mesmas qualidades que fazem dele um indivíduo o desqualificam para os fins partidários. Tende demasiado a não ser facilmente convencido, a mostrar-se cético, a aborrecer-se pelas reiteradas abstrações próprias da ideologia comunista, a duvidar do método, a manter uma opinião ainda mesmo depois de ter sido convertido alinha partidária e a simpatizar ou antipatizar com seus semelhantes sem permissão do Comitê Central. Em conseqüência, não é confiável. Necessita ser desenvolvido e integrado à massa, a fim de que o Partido cumpra sua missão histórica.
De conformidade com a doutrina comunista, todos os aspectos do ser humano que não se prestem à sua politização são burgueses.
*Historiador
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O texto acima foi transcrito de um dos capítulos do livro "A Hidra Vermelha", editado em 1985, e reeditado em 2016 por um grupo de amigos.
O MONOPÓLIO DAS BOAS INTENÇÕES - 18/07/2016
Estava eu passando de canais na TV, quando me deparei com um programa na Globo News que discutia a saída de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. Nele participavam Manuel Galdino, diretor-executivo da Transparência Brasil, e Roberto Romano, professor da Unicamp. Depois de alguns pontos colocados por ambas as partes, Roberto Romano diz que sua maior preocupação com o atual cenário político é a radicalização do Congresso, alertando para um possível regime autoritário.
Não é de se espantar para ninguém que a Unicamp é infestada de esquerdistas. Mas me espanta como a esquerda considera qualquer discurso diferente que não reza a sua cartilha como algo radical. Já perceberam isso?
Se alguém apresenta uma pauta voltada para o mercado, com menos impostos, menos burocracia e com um Estado mais enxuto, a esquerda o acusa de ultraliberal a favor dos empresários que quer destruir as "conquistas" dos trabalhadores. Se alguém defende valores tradicionais da família e da religião, a esquerda o acusa de conservador retrógrado que é contra as minorias. Se alguém defende o fortalecimento das fronteiras – uma das funções clássicas do Estado - visando proteger e dar segurança aos cidadãos do país, então a esquerda o acusa de xenófobo de extrema direita. Tudo isso é radicalismo para a esquerda. Mas os radicais populistas, os radicais oprimidos e os radicais anti-imperialistas, esses a esquerda não fala nada. Já que é assim, vamos um breve retrospecto comparativo entre as alas radicais.
A América Latina viveu uma verdadeira farra populista desde o início do século, com Lula, Hugo Chávez, Evo Morales e os Kirchners. O Brasil e a Venezuela vivem a pior crise econômica das suas histórias; a Bolívia continua como um dos países mais miseráveis do mundo; e a Argentina ainda está tentando se recuperar da desgraça deixada pela casal K. Em contrapartida, Chile, Colômbia, Peru e México, que foram na contramão dos países do Mercosul, adotando uma postura mais voltada para o mercado, vão muito bem, obrigado.
Na Europa, Grécia, França, Espanha e Inglaterra, seguiram a linha populista europeia, que eles chamam de progressismo. O resultado foi uma crise sem tamanho, uma das piores da história. Os dois últimos países alteraram suas pautas e se recuperaram muito bem da crise. Já os dois primeiros dobraram a aposta. A Grécia vive em uma crise profunda, e a França só não tem mais greve do que o Brasil. Ah sim, quase ia me esquecendo. A Alemanha, com sua austeridade criticada pelos progressistas, foi o país da União Europeia mais imune a crise de 2008. Crise essa causada pela bolha imobiliária americana que foi iniciada pelo progressista Bill Clinton ainda na década de 1990. Mas isso é só um detalhe. Vamos adiante.
Falando nos EUA, os americanos estão vivendo um verdadeiro inferno devido a questões raciais. A turminha do beautiful people de Hollywood, juntamente com o New York Times, passaram anos acusando os brancos, sobretudo os policiais, de fascistas e racistas (soa familiar?). Com dados distorcidos e estatísticas mentirosas – algo muito comum da esquerda, como dissecou George Orwell em "A Revolução dos Bichos" -, os progressistas inflaram a população negra a ponto da Miss Alabama, uma negra, considerar o homem, também negro, que matou cinco policiais a sangue frio em Dallas um mártir! Lembrando que o presidente dos EUA há oito anos é negro. Adiantou alguma coisa? Será que essa velha postura marxista de considerar os brancos opressores e os negros oprimidos, colocando uns contra os outros deu certo? E no Brasil? Deu certo proteger os pequenos e grandes marginais oprimidos contra a opressora sociedade burguesa? A criminalidade certamente não diminuiu. O Rio de Janeiro, cidade das Olimpíadas, é terra de ninguém. Esta semana uma menina de sete anos viu a mãe morrer na sua frente após ter sido esfaqueada no pescoço. Mas a esquerda defende esses oprimidos da sociedade.
E o que falar da postura da esquerda quando se trata de combater os anti-imperialistas? Para eles, basta que algum grupo grite "morte a América" para que eles relativizem qualquer atrocidade. Os "revolucionários" decapitam, matam a sangue frio, e tudo que a esquerda faz é pedir respeito as diferenças culturais. A França, como sempre, é porta voz desse discurso. Até porque a França é muito cool para entrar em uma guerra; os franceses são intelectuais demais para lutarem. O resultado disso é que a França sofreu três grandes atentados terroristas nos últimos dois anos! Será que é xenofobia mesmo querer proteger fronteiras e lutar contra terroristas muçulmanos? Os EUA, por sua vez, após ficarem 15 anos sem um ataque terrorista, graças ao trabalho dos "fascistas" da CIA, voltaram a sofrer um ataque dentro de suas terras. Aparentemente, a postura pusilânime do esquerdista Obama de praticamente passar todo seu mandato pedindo perdão pela "opressão" americana ao Oriente - como se eles já não vivessem em guerra centenas de anos antes dos EUA mesmo existirem -, e de fazer acordos com países como o Irã, não adiantou muito.
Enfim, a esquerda vestiu uma nova roupa, adaptou o seu discurso e recebeu uma nova chance, após o colapso da União Soviética. E o resultado foi igual ao de sempre – crises econômicas, autoritarismos, e caos civil. Em outras palavras, o mundo governado pela esquerda está de cabeça para baixo, como sempre. E porque eles continuarão recebendo novas chances? Pelo fato deles continuarem colocando na cabeça da sociedade que há uma ameaça totalitária nos "discursos radicais" da direita. É assim que a esquerda cria um monopólio das boas intenções. Só cai nessa quem quer.
* MBA, PMP
QUE DROGA DE GOVERNO É ESTE? - 18/07/2016
O site O ANTAGONISTA publicou, há poucos dias, uma nota sobre a missão de um diplomata encarregado pelo Itamaraty. O emissário diplomático teria ido a Havana para explicar a Raul Castro, ditador cubano, a deposição lenta e gradual da "presidenta" pelo povo e o Congresso Nacional, com a supervisão do Poder Judiciário, na forma prevista pela Constituição e legislação infraconstitucional.
Sinto uma pena enorme desse diplomata enviado para cumprir uma missão impossível. Ao retornar, ele deveria ser agraciado com a comenda do Cruzeiro do Sul. Um herói.
Que droga de governo é este? Rebaixar-se a um ditadura sanguinária e cinquentenária porque seu tirano nos acusa de golpistas? Que escândalo mais ignominioso!
Esse episódio vergonhoso deve servir de advertência para uma realidade que engana pelas aparências: ainda há muito chão pela frente. Chão que precisamos palmilhar com determinação e humildade.
Em 1964, com a deposição de João Goulart na esteira de uma crise política e institucional, o novo governo apressou-se a enviar embaixadores para justificar, perante as democracias da Europa e dos Estados Unidos, aquela ruptura constitucional com o argumento de que ela não fora ensejada por militares sequiosos de instalar um regime ditatorial. Mas que seria, ao contrário, a última instância para preservar nossa democracia ameaçada por um governo populista que traria de volta a ditadura varguista fincada em nosso solo pátrio sob uma inspiração fascista. Et non plus ultra - (E nada além disso).
Era compreensível. Todo país que se preza quer e precisa ser aceito no concerto da civilização. Esta é uma imposição que transcende em muito os interesses comerciais e a confiabilidade imprescindível às relações internacionais. Vão além da moeda sólida e da segurança jurídica a estabilidade política e institucional fundamentada na legitimidade dos governos e o caráter nacional. Pois estes são a base daquelas.
E tudo isso os governos do PT quiseram roubar de nós, muito mais do que os cofres onde eles meteram sua gazua ideológica.
Pergunte a si mesmo, você que me leia, suposto leitor. Terá sido por incompetência, por irresponsabilidade fiscal, por desonestidade que os governos do PT, em apenas treze anos, sem construir nenhuma Brasília, nenhuma Itaipu, nenhuma ponte Rio-Niterói, nenhuma rodovia Transamazônica ou mesmo um novo aeroporto internacional afundaram o Brasil na pior crise econômica de sua história? Ou será que essa crise foi deliberada para reduzir nosso país a uma Venezuela, que possui a maior reserva petrolífera do mundo, uma riqueza que faz os países árabes esbanjar fortunas incomensuráveis?
Pense mais um pouco. Será que Cuba, Nicarágua, El Salvador, Bolívia, Coreia do Norte, dentre outros correlatos, países governados por "progressistas" como Lula e companheiros, derraparam em algum "ponto fora da curva" para um destino ignorado e indesejável por seus governantes? Ou seria mais razoável conjecturar que esse destino era o sonhado por esses revolucionários?
Se convergimos na mesma conclusão, que me parece óbvia demais, então eu retorno à pergunta: Que droga de governo é este? Que antes de pedir a bênção de um ditador não repele sua acusação desonesta, infundada e estapafúrdia de que cumprir a Constituição do Brasil é dar um golpe de estado? Que o diabo o carregue.
Concluindo: Nenhuma democracia nos cobrou explicação para o processo legítimo de impeachment de Dilma Rousseff. Por que nos justificarmos com uma ditadura como Cuba?
Logo o Brasil, que tem um presidente interino professor e autor de livros de Direito Constitucional?
Como diz o senador Magno Malta: "Mamãe, me acuda. Aqui só falta chover pra cima.".
A RESSURREIÇÃO DA POLÍTICA - 17/07/2016
Há outra política dentro dessa em que o lulismo transformou a nossa. O Brasil que não se alinha ao crime volta a ter no que se agarrar e isso faz muita diferença.
(Publicado originalmente no Vespeiro.com)
Lula matou a política, Eduardo Cunha tratava de enterrá-la. Um era a exata contrapartida do outro e a remoção do último, na sequência da quase remoção do primeiro, completa a reversão do desvio mortal em que o Brasil entrou. Está reaberto o caminho para a volta da política sem a qual não se vai a lugar nenhum.
Essas mudanças são como as manobras dos grandes navios. O acionamento dos comandos não vence imediatamente a inércia. Está aí, ainda, o cirquinho "silogístico" de tortura ao senso comum e escárnio à inteligência nacional do PT sob a batuta de José Eduardo Cardozo, Gleisi Hoffmann e cia., par perfeito do "regimentismo" bandalho de Eduardo Cunha; está aí, ainda, aquele STF que solta e arrebenta legalizando para si mesmo, em plena Lava Jato, o duto das "palestras" para partes nos litígios que julga, como as de Lula à Odebrecht, e garantia de segredo para o valor do mimo recebido. Mas tudo isso, depois da votação de quinta-feira, deslocou-se para mais perto da porta do passado.
Entrou ar. E onde entra ar qualquer infecção volta a ter chance de cura. Há outro STF dentro daquele STF; há outra política dentro dessa em que o lulismo transformou a nossa. O Brasil que não se alinha ao crime volta a ter no que se agarrar e isso faz muita diferença.
Sem ilusões, porém.
Há uma dimensão percebida dos nossos vícios, e outra que já é cultura e nos move por baixo do nível da consciência. Para a primeira tornam-se mais favoráveis as perspectivas. Antes de mais nada, porque não há alternativa para o caminho certo. É agir ou morrer. E logo. Rodrigo Maia tem formação econômica. Sabe que a alternativa fácil não dobra a esquina. É o homem certo no lugar certo para reger esse debate. Michel Temer, que se apruma com essa vitória, também passa a poder, mais que antes, agir certo, em vez de apenas falar certo. Assim alterado o clima, o comando da Comissão de Impeachment bem pode, também, passar a olhar antes para o Brasil que se esvai manietado e a resistir com alguma galhardia às manobras espúrias que vem engolindo sem engasgar, pois até para o STF será mais complicado, agora, dançar fora da nova batida do bumbo. Se o Brasil deixar claro que é o que quer, todo mundo se afina, ao menos no discurso. Ou não foi assim que o País inteiro virou "Lava Jato desde criancinha" e a votação de quinta-feira deu no que deu?
A outra dimensão é que é mais difícil de lidar. O lulismo foi a chegada do primeiro produto P.O. ("puro de origem") do peleguismo getulista ao posto mais alto da Nação. Ao fim de quase 80 anos de uso contínuo dessa droga de tão potente efeito necrosante não há brasileiro que, direta ou indiretamente, não tenha sido mutilado por ela. A maioria de nós – o próprio Lula notoriamente – nem sequer tem consciência de como foi afetada. Simplesmente não sabe como é viver de outro jeito.
É juntar três ou quatro amigos, fundar um "sindicato" que o Estado se encarregará de impor a um dos lotes do condomínio nacional do trabalho onde não se entra sem alvará e fincar na veia o cateter do imposto sindical. Para o resto da vida, tudo o que há a fazer depois disso é não permitir que algum aventureiro o arranque do seu braço, o que é fácil de garantir desde que as "eleições" se deem por "aclamação", sempre arrancável pela intimidação, seja pela negação de trabalho, seja pela violência física. Daí para a política. É essa a escola.
Para esmagar resistências ao longo do caminho, para garantir esse "eu sou, mas quem não é?" em que tudo se dissolve sempre no debate político nacional desde o "mensalão", acrescentou-se à receita a socialização da corrupção por essa "justiça trabalhista" que sustenta a legião de profissionais do achaque encarregada de moer a consciência da Nação soprando diuturnamente, de ouvido em ouvido, o mantra sinistro: "Minta, traia, falseie que o governo garante"...
E lá se foi o Brasil se dessensibilizando até admitir que o método fosse estendido a todos os níveis do seu sistema representativo – partidos políticos, associações de classe, ONGs, etc. – e parecesse nada mais que lógico e natural impô-lo, afinal, como o regime político mesmo da Nação à força de decretos presidenciais e remendos judicantes sob a égide do "excesso de democracia" à venezuelana.
É essa a feição "moderna" que assumiu o absolutismo monárquico à brasileira que a Republica nunca superou depois que entregou intactos os poderes do Imperador sem mandato aos novos imperadores com mandato. O abacaxi que Michel Temer e o Congresso de Rodrigo Maia têm de descascar é velho como o Brasil de dom João VI e os miasmas que dele emanam são fortes o bastante para levar até o "dream team", em questão de semanas, a passar das juras de amor eterno ao controle dos gastos públicos ao namoro com mais um porre de impostos, só que sorvido aos "golinhos". É que, por baixo das diferenças manifestas nos extremos mais distorcidos do "Sistema" derrotados quinta-feira, eles continuam sendo, antes e acima de tudo, "A Corte"; uma casta para a qual há leis especiais, tribunais especiais, regimes de trabalho, salários e aposentadorias especiais, até juros bancários especiais extensíveis a quem quer que um de seus "excelentes" pares houver por bem resgatar deste vale de lágrimas. E, de cunhas a grazziotins, "A Corte" reage sempre com unanimidade monolítica quando o que está em jogo é montar nas nossas costas para aliviar as próprias.
É disso que se trata mais uma vez agora. Tornar as suas prerrogativas um pouco menos "especiais" para que, explorados e exploradores, sigamos todos com os narizes 1 cm acima da linha d'água é o melhor que, em sã consciência, se pode esperar desses brasileiros dispensados de viver no Brasil que eles próprios criam. Mais só quando o Brasil se der conta de que é ele que manda e adotar finalmente a democracia, obrigando-os a viver no mesmo país em que vivemos nós, sujeitos às mesmas leis, aos mesmos ventos e às mesmas tempestades. Aí, sim, eles tratarão de consertá-lo.
O CÉU IMORAL - 13/07/2016
Se Eduardo Cunha prestou valioso serviço ao país – e ele prestou um valioso serviço ao país –, isso não o absolve de nenhum dos crimes que cometeu e ajudou a cometer contra esse mesmo país. Da mesma forma, se Cunha acatou o pedido de impeachment por vingança – e ele acatou o pedido de impeachment por vingança –, isso não absolve Dilma Rousseff de nenhum dos crimes que cometeu e ajudou a cometer sempre contra esse mesmo país. Sim, o ex-presidente da Câmara contribuiu para nos livrarmos da parva gerenta de névoas espertalhona genitora de um regime sórdido em que nem o céu imoral era o limite, mas é exatamente essa sordidez o que forneceu os nutrientes de que o gângster precisava para gozar naquele mesmo céu com família, seguidores, capangas e comparsas.
Quando o lulopetismo desfalcou o Brasil do exercício da política para a tornar um exercício de mera pilhagem do nosso futuro, da nossa grana, nossos valores e instituições; quando a oposição oficial degenerou na omissão, cumplicidade ou covardia (e diferencio as três mais por respeito à precisão linguística e menos pelo efeito prático que teve o comportamento criminoso também de quem deveria se opor e não o fez); quando o debate público trocou os projetos e os interesses do país para se ocupar de questões falsas ou inúteis como a polarização extemporânea entre esquerda e direita ou, pior, entre os extremistas de um lado e outro, unindo-se no mesmo lado da estupidez, eis que Eduardo Cunha, empossado presidente da Câmara, desponta como político no sentido substantivo do termo.
O homem fazia política, esgrima os legítimos e lícitos instrumentos dela com inteligência e firmeza, opunha-se ao PT deixando os governistas zonzos, furiosos e desesperados. A partir daí, os incapazes capazes de tudo – na expressão de Roberto Campos que o deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP) lembrou para definir os lulopetistas – partiram para as manobras mais irracionais em que, pela primeira vez desde 2003, era a política e não a polícia que os encurralava. Foi música para nossos olhos contemplar o despreparo vil do PT para a política, a democracia e a gestão pública, um partido que se manteve no poder porque arrastando a nação para o nível dele de primitivismo enquanto a transformava num boteco de cafajestes que a parva veio sucatear.
Mas, ao mesmo tempo, foi melancólico assistir à nudez da realidade inexplicável de que foi a bandidos que tremiam diante de um homem só que, por mais de uma década, quase todos os políticos, quase toda a academia, quase toda a sociedade se submeteu. Também eu respeitava Cunha e quase lhe tinha gratidão, como toda a nação farta do império dos pervertidos, até saber que o deputado era um deles. Claro que não é o principal, mas o Brasil tem convivido tempo demais com delinquentes no comando da política, talvez isso o tenha levado a um tipo de apego aos que, mesmo delinquentes, beneficiam-no.
Ressalvo apenas que o benefício é obrigação pela qual foram eleitos, não escolha; a delinquência é escolha, não obrigação. Ah, mas outros nem a obrigação fizeram. E daí? Desapega, Brasil. Dizem que os opostos se atraem, pode ser, mas são as afinidades que mantêm uma união; Cunha e Dilma, unidos pelo ódio, aproximaram-se pelas afinidades delinquentes e as incompatibilidades compartilhadas na disputa pelo poder livraram o país de ambos.
Eu seria grata a Eduardo Cunha se as inegáveis inteligência e têmpera para a política não perdessem para o mau-caratismo. Além disso, ele é que deveria ser grato à nação que propiciou a desejada vingança pessoal que era, sobretudo, direito pleno dele. Se o deputado quer saborear mais do que o delicioso prato frio, que faça uma delação premiada e conceda à nação, às custas da qual ele gozou num céu imoral, algo mais do que ela tem como legítimo direito.
O ESTADO PROTEGE O ESTADO - 08/07/2016
O Estado é uma ficção jurídica que retirou dos monarcas, patriarcas, triunfantes chefes guerreiros e líderes religiosos a hegemonia do poder. A autoridade para legislar, executar suas normas e julgar aqueles que as violam transferiu-se com a criação do Estado para uma esfera impessoal: a lei.
Não há dúvida, portanto, que a criação do Estado foi uma conquista histórica da humanidade. Que deu razão ao grego Aristóteles, filósofo que a defendia.
Mas o Estado não é uma pessoa natural. Ele é uma pessoa jurídica, vale dizer, uma ficção concebida para que uma nação se libertasse do poder pessoal de seus governantes. Que se subordinariam, igualmente, à lei comum. E igualmente seriam julgados, como seus governados, pelos atos ou omissões que a infringissem.
Moisés, ao perceber que os hebreus que ele havia libertado da escravidão se rebelavam contra ele, subiu o monte Sinai e de lá trouxe duas tábuas com os dez mandamentos invocando Jeová como seu legislador. Pois é claro que se sentia descredenciado como líder daquela gente que se exasperava no deserto a caminho da Terra Prometida. (O maravilhoso é que aqueles dez preceitos não foram insculpidos para acudir àquela situação dramática de um líder angustiado, mas como paradigmas para o ser humano. O que confirma sua inspiração divina.)
Não é o caso do Estado. Este é um produto histórico, mas do intelecto. Da razão, da qual é sempre prudente nós duvidarmos. (Segundo o poeta Trilussa: "Os racionalistas ensinam que nós devemos duvidar de tudo. Então eu comecei por duvidar da razão".)
O que dizer do Estado, essa figura jurídica que nada tem de mistério, de divina? Mas que é um produto histórico do nosso intelecto?
Direi que sua autoridade, não sendo inefável, sempre estará submetida à crítica que dele fazemos quanto a suas leis, sua execução e o julgamento que delas faz afronta os princípios que Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, inscreveu em cada um de nós: a ética.
Precisamos colocar o Estado em seu devido lugar. Claro que ele não é religioso. Assim como não é gremista, não torce pelo Internacional, não gosta de chuva nem gosta de sol. Nunca foi à missa nem mandou oferenda a Iemanjá numa praia baiana ou carioca. O homem que o criou não foi capaz de soprar nenhum espírito em suas narinas. (Só os marxistas lhe atribuem uma vida própria. E o transformaram num Frankenstein.)
Quem existe, em carne, osso e alma é a nação. Que o Estado precisa refletir por aqueles que legislam, executam suas leis e julgam segundo seus preceitos que normatizam a vida em sociedade. E faça tudo isso segundo critérios isonômicos.
E o nome disso é democracia.
Mas o que vemos é que o Estado nunca refletiu a nação brasileira. Que vive uma crise cíclica, interminável, em intervalos tão curtos que nem esperam o fim de uma geração para se repetirem, cada vez mais intensamente.
Como é que o Estado sempre se preserva dessas intempéries da política?
Ele se preserva por seus agentes porque nós somos muitíssimo emotivos e muito pouco racionais. Como se diz que é próprio dos latinos.
Por exemplo: Eduardo Cunha renunciou ao mandado de presidente da Câmara dos Deputados. E o fez em grande estilo, com a leitura de um simulacro de carta-testamento em que denuncia seus perseguidores políticos, mantendo o privilégio de manter o foro privilegiado para entrar na História, segundo a promessa que lhe fizeram os atuais ocupantes do poder. O impeachment de Dilma seria um protagonismo dele. Não é bonito demais?
E justificou sua renúncia com o bem que ela faria ao Brasil, já que a Câmara dos Deputados estaria "acéfala". Bonito é pouco, isso é lindo demais!
Mas é, também, sintomático de que o governo interino está fazendo o que o governo suspenso tentou fazer, mas não foi capaz de providenciar. Por absoluta ingovernabilidade: preservar o poder. O que é muito diferente, e frequentemente contraditório com manter-se, indefinidamente, no poder. Como quis o PT.
O Estado se preserva. E é necessário que assim o faça. Mesmo que à custa de certo sacrifício de nossas expectativas. Ilegítimo, inaceitável é o Estado governado pr quem não se espelhe numa nação.
Como foi o Estado que até há pouco tempo o PT dele se apropriou para nos extinguir como nação.
A TÁTICA DE DILMA REFORÇA A PERMANÊNCIA DE TEMER! - 06/07/2016
1. Os representantes de Dilma na comissão especial do Senado que analisa o impeachment adotaram a tática de quanto mais retardar a votação final melhor. Contam reverter votos de senadores ou fatos novos que possam desmoralizar o presidente Temer. Essa é uma tática suicida.
2. Temer governa como presidente efetivo olhando os dois anos e meio que tem à frente. Com isso, aprova leis, aplica políticas, introduz ações, reconstrói a máquina federal, os cargos em todos os escalões e empresas, redireciona a execução orçamentária...
3. Estabelece-se cada dia mais o consenso que a equipe econômico-financeira –liberal- de Temer é uma esperança das coisas mudarem. Mesmo setores de centro e centro-esquerda têm essa percepção. Nesse sentido, o governo Temer –por enquanto- não tem oposição "interna", seja política, seja social.
4. A oposição de fato se dedica a denunciar um suposto "golpe", se organiza e se mobiliza em função disso. Ou seja, a oposição de fato radicalizou à esquerda sua postura. Com isso, ela se torna antípoda às medidas e ações do governo Temer.
5. Ou de outra forma: a hipótese do retorno de Dilma – com a base que lhe dá sustentação no PT, PCdoB, CUT, MST, et caterva e suas palavras de ordem - cria a certeza que aquele hipotético retorno de Dilma significará uma implosão da situação atual: remudarão tudo. Ou seja, o poço das crises política, econômica, social será muito mais profundo que hoje. Será como a ação de uma perfuradora de poços de petróleo do pré-sal.
6. Esse é um quadro que apavora as empresas, os investidores internacionais, os desempregados, os governos estaduais e municipais, os governos que interagem com o Brasil, os empregados, os sindicatos fora da CUT/MST. Essa percepção crítica chega a cada dia mais e mais aos Senadores que votarão o impeachment em 2 meses ou pouco menos.
Pesquisa e Edição: JCM do Ex-Blog do Cesar Maia , 06.07.16
ASSIM CHICAGO NÃO AGUENTA - 02/07/2016
(Publicado iriginalmente em O Globo)
É claro que não aparece assinatura da companheira afastada mandando pedalar porque pedalada é justamente não assinar.
O enredo do impeachment da companheira afastada está cada vez mais, por assim dizer, ridículo. Quanto mais aparece a floresta de crimes perpetrados pelo imaculado governo petista, mais surgem almas bondosas denunciando um golpe de Estado. A resistência democrática em favor da quadrilha é uma coisa comovente. Nunca antes.
A defesa daquele governo probo e injustiçado encomendou uma perícia para analisar o processo de impeachment. Desde o caso PC Farias o país não tinha uma perícia tão comentada. Na época, a pirueta espetacular foi a tese de que o assassinato do operador de Collor fora crime passional. O Brasil acreditou por um bom tempo nesse delírio, porque o Brasil acredita. Agora, a pirueta é a alegação de que Dilma não pedalou.
Vai ver foram pedaladas passionais — coisa de coração valente. É chato contrariar as almas penadas que amam a historinha do golpe — porque ela lhes permite tirar para dançar o fantasma da ditadura de 64, a assombração mais lucrativa do Brasil. Mas é preciso informar que a tal perícia é mais uma malandragem rebuscada, como aquelas que o companheiro Barroso produz no STF. É claro que não aparece uma assinatura da companheira afastada mandando pedalar, porque a pedalada é justamente não assinar nada — não pagar uma dívida.
Foi assim que Dilma Rousseff tomou o seu dinheiro na marra, prezado leitor, deixando de repassar algumas dezenas de bilhões de reais, segundo o Tribunal de Contas, do Tesouro para o Banco do Brasil, o BNDES e a Caixa. Ou seja: o governo imaculado e golpeado da companheira presidenta forçou instituições controladas por ele a lhe conceder crédito (em quantias monumentais) — e isso é crime fiscal.
Vai ver a perícia realizada no processo de impeachment no Senado esperava encontrar um ato da Sra. Rousseff do tipo "Autorizo meus capangas no Tesouro Nacional a pedalar as dívidas com os bancos públicos". Ou, quem sabe, a premissa fosse de que, num governo à deriva, ninguém é responsável por nada. Os peritos tiveram um trabalhão para embelezar esse cadáver.
Ainda assim, os legistas coreográficos confirmaram o crime de Dilma na edição dos decretos de crédito suplementar, não autorizados pelo Congresso Nacional. "Ah, então foi só isso?!", pergunta a claque do golpe. Notem a malandragem intelectual (os malandros do intelecto são um sucesso): um governo delinquente de cabo a rabo, que inventou a contabilidade criativa para ludibriar o contribuinte e detonar a economia popular, vira o autor de uma infração reles — um trombadinha simpático.
Para os impressionantes arautos do golpe, o governo criminoso de Dilma Rousseff é vítima.
A estratégia de reduzir a roubalheira a um soluço contábil serve também para dizer que, se for assim, todos os presidentes sofreriam impeachment. Compreensível. Lula também disse, no mensalão, que caixa dois todo mundo faz. É o mesmo jeitinho de relativizar a trampolinagem. Mas é mentira. Depois de instituída a Lei de Responsabilidade Fiscal, só o governo do PT cometeu esse crime. Até porque, antes dele, o Tesouro Nacional ainda não havia sido promovido a casa da mãe Joana.
E o mais chocante nem é isso. Observe a quantidade de anestésico que um arauto do golpe precisa aplicar em sua própria consciência. O sujeito faz uma acrobacia retórica descomunal para defender a legitimidade de um governo em que todos — todos — os principais integrantes estão na mira da polícia. Por uma manobra de Eduardo Cunha, os crimes da Lava-Jato não entraram no processo de afastamento da pobre companheira golpeada — mas estão todos lá, muito bem expostos no pedido de impeachment.
Ou seja: Eduardo Cunha é o maior aliado da lenda do golpe. Agradeçam de joelhos a esse grande brasileiro, nobres camelôs da mística revolucionária.
Até na abertura da Flip o pós-Dilma foi tratado como uma conjuntura monstruosa. Como dito acima, os malandros do intelecto são um sucesso. Vamos então prestar solidariedade a esses bravos plantonistas da bondade, lembrando a eles que seu querido PT não está sozinho na história. O companheiro Al Capone passou pelo mesmíssimo problema.
Eliot Ness, o golpista da época, pegou o mafioso, gângster, assassino e facínora de Chicago por uma fraude contra o Imposto de Renda. No Brasil de hoje, enquanto os heróis da resistência tentam fazer a fraude das pedaladas sair na urina, seus protegidos vão acrescentando sordidez a um escândalo que parecia já insuperável.
Num surpreendente ramal da Lava-Jato, surge a operação Custo Brasil — e eis que desponta Paulo Bernardo, ministro de Lula e de Dilma, preso pela Polícia Federal. Esse expoente do pobre petismo golpeado pelas elites é acusado de roubar R$ 100 milhões de servidores públicos necessitados. Mas tudo bem: o companheiro Dias Toffoli, que também é um gladiador da justiça social, já providenciou a soltura de mais este guerreiro golpeado pela direita.
Se citarmos toda a coleção de crimes do governo imaculado da Sra. Rousseff, Chicago não aguenta. Mas os arautos do golpe não se abalam. Essa lenda vale ouro.
Guilherme Fiuza é jornalista
VERÍSSIMO E A LAVA JATO - 28/06/2016
Publicado originalmente em www.alertatotal.net
Na crônica intitulada "Impaciência" (Estadão de 19/06/16) Luis Fernando Veríssimo - não sei se com malícia ou não - traz uma eficaz armadilha para capturar a consciência dos ingênuos. Veja-se o ardil.
Ele começa evocando o cinema americano, lembrando as artificiais cenas de pancadaria que iludem a percepção dos expectadores. A alusão produz imagens mentais, estratagema útil para ativar, no leitor, a "percepção estética", que é uma das formas de enxergar o mundo - ao lado da percepção empírica, filosófica, científica, etc. (A "percepção estética", aliás, é a que prevalece em adolescentes e artistas; embora imprescindível, longe está de ser a mais importante.) Delimitado esse território para os movimentos da reflexão do leitor, ele passa a um paralelo: coloca de um lado, a "justiça" exibida nos filmes americanos (de soluções rápidas, como gostariam todos os indignados, mas tão ilusória quanto as cenas de pancadaria); de outro, a "justiça" brasileira, tida por morosa e desigual. "Mas a expectativa mais irreal que o cinema americano nos legou foi a da justiça rápida", diz ele.
E ainda faz algumas ponderações elegantes, o que enseja ao leitor desavisado tomá-lo por isento: "A impaciência com a morosidade da Justiça é compreensível mas nem sempre é cabível. A demora não é uma peculiaridade brasileira, e é antiga."
Depois, deixa mais claro a que vem: "(...) as idas e vindas de um processo judicial existem para prevenir o erro, proteger do arbítrio e garantir os direitos de todos até o último recurso (...) a Justiça americana, além de também não ser de cinema, peca tanto pela ausência de instâncias e trâmites quanto a nossa pelo excesso. Com o agravante que lá erros judiciais muitas vezes não recorridos podem resultar em sentenças de morte." É verdade. Mas a sua omissão de algumas pertinentes ressalvas deixa o argumento incompleto, impreciso e adaptável a qualquer causa. E aqui vai uma pista: a turma do Veríssimo só resolveu valorizar a complexidade processual (muitos recursos!) depois da recente decisão do STF que autoriza cumprimento de pena já a partir da condenação em segundo grau, levando os "companheiros " condenados na Lava Jato a perder a possibilidade de enrolar indefinidamente o judiciário.
Veríssimo critica o que chama de "sistema judicial esclerosado", mas pondera - quem quiser que o tome por imparcial - que as "delongas", causadoras de impaciência, "são o que nos protege de uma Justiça, digamos, cinematográfica demais [de respostas rápidas]."
E na preparação do seu "gran finale", o veneno vem de carona, à semelhança daqueles alimentos apetitosos sobre os quais, uma vez que decidimos comer, é melhor não pensar - gordura trans, sódio, muito açúcar branco e farinha refinada... Ele oferece uma ilação bem ao gosto do leitor médio, adicionando a gordurinha que vai obstruir as artérias do pensamento: "Talvez a impaciência com a demora do processo judicial no Brasil tenha se agravado com o novo protagonismo do Supremo, instigado a se agilizar para acompanhar o açodamento da Lava Jato e da Polícia Federal, e não perder sua relevância no vertiginoso jogo político brasileiro."
Belo truque. Na literalidade do texto, o "açodamento da Lava Jato e da Polícia Federal" tem status de ideia acessória, enquanto a ideia principal é o "agravamento da impaciência com a demora do processo judicial". Mas é principal só na literalidade, porque o que interessa mesmo ao propósito da crônica é o acessório, isto é, que o leitor fixe , residualmente, a imagem de uma Polícia Federal (e toda a Lava Jato) "açodada" e disposta a atropelar a lei para ficar mais cinematográfica. O cérebro do leitor, concentrado no principal, não critica o acessório, que vai grudando nos vasos da consciência.
Agora, em que se baseia Luis Fernando Veríssimo para acusar a Polícia Federal e a Força-Tarefa da Lava Jato de açodamento? Ele não explicita os pressupostos. Ah, mas é só uma crônica! Sim, um bom subterfúgio para difundir sem responsabilidade uma ideia. É o colesterol que vai esclerosar o discernimento do leitor ingênuo. Há outros resíduos ideológicos dos quais não me ocuparei.
No fim ele escancara: "Já temos o nosso justiceiro galã, o Moro, falta americanizar o resto." É o clímax. Eis um "argumento de erosão: ele não faz ataque frontal a Sergio Moro, o que poderia suscitar reação de quem tem um conceito bom do juiz. Mas se refere a Moro com expressões que o depreciam e o equiparam a personagem de um filme barato, encobrindo-o numa pátina de vulgaridade, erodindo a imagem que dele projeta na tela mental do leitor. Ora, chamar moro de "justiceiro" é reduzir a sua importância como magistrado. Chamá-lo de "galã" é introduzir, driblando a vigilância crítica do leitor médio, um estigma de vulgaridade na imagem do juiz. O que pretende Luis Fernando Veríssimo, quando insinua que a alta produção da Lava Jato iguala nossa justiça à caricata irresponsabilidade forense dos filmes americanos?
Ele está por completar 80 anos, motivo para ter-lhe respeito. E não quero me sentir minimamente parecido àqueles cretinos de esquerda que atacam com virulência o octogenário Ferreira Gullar, apenas porque o poeta (ex comunista) teve a grandeza, a honestidade intelectual, teve independência de caráter para fazer uma autocrítica e romper com a dogmática do socialismo. Assim, não vou adjetivar o cronista. Limito-me a lamentar que ele sirva a um projeto partidário que ataca a democracia.
E o faz, desta vez, erodindo a imagem de Moro e da Lava Jato.
QUEM É QUEM NO DRAMA BRASILEIRO? - 15/06/2016
(Publicado originalmente em O Estado de S. Paulo de 14/6/2016)
Como uma trovoada distante o aumento de R$ 59 bi do funcionalismo relampejou no céu do "jornalismo de acesso" e logo se apagou quase sem ruído. Não se sobrepôs sequer à "propina" do dia esse prêmio aos culpados que aumentou em 1/3 a pena de quase 200 milhões de inocentes. Lindbergh Farias, Fernando Collor, Vanessa Graziotin, Eduardo Cunha e sua gangue, Jandira Feghali, Sérgio Machado, todos suspenderam por um minuto as hostilidades para apertar juntos o "sim". E o "dream team" engoliu com casca e tudo essa terça parte do maior déficit de todos os tempos na largada da missão impossível para deter a mais desenfreada corrida de volta à miséria da história deste país. Tudo tão discreto que a manobra mal foi percebida na fila de seis meses de espera pelo exame de câncer do SUS, que é onde se "zera" esse tipo de fatura.
Quantos serão, dentre os 11,1 milhões de funcionários que comem 45% do PIB, aqueles que Ricardo Paes de Barros afirma que pesam o bastante para distorcer a média nacional de desigualdade de renda? Quanto custam os "auxílios" todos que o Imposto de Renda lhes perdoa? E os "comissionados" que mais que dobraram o gasto público sem que mudasse um milímetro a quase miséria dos médicos e professores concursados? Como vivem os aposentados e pensionistas sem cabelos brancos que, 900 mil apenas, pesam mais que os outros 32 milhões que pagaram Previdência a vida inteira somados?
Quanto, afinal de contas, o Brasil com "lobby" suga do Brasil sem "lobby"? A esta altura do desastre todo debate que se desvia dessa pergunta é enganação; toda pauta que não se oriente por essa baliza da desigualdade perante a lei é uma traição aos miseráveis do Brasil.
O mais é circo. Eduardo Cunha e o PT nos provam, acinte por acinte, o quão livre e indefinidamente se pode escarnecer da lei neste país desde que se esteja posicionado na altura certa da hierarquia corporativista. Variam as razões alegadas para se locupletar mas ninguém nega que é disso mesmo que se trata. São meses, são anos – são séculos, considerado o Sistema desde o nascimento – desse joguinho de sinuca silogística invocando pedaços de fatos para negar os fatos, meias verdades para servir à mentira, cacos de leis para legalizar o crime e o país inteiro esperando pra ver o que vai sobrar.
O jogo é esse porque nós o aceitamos. Não faz muito o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação fez a compilação: até 2014, já tinham sido editadas 4.960.610 leis e variações de leis para enquadrar nossa vida do berço ao túmulo desde que a Constituição foi promulgada em 1988. 522 a cada 24 horas destes 27 anos. 320.343 eram normas tributárias, 46 novas a cada dia útil!
É esse o truque: quem pode estar em dia com tudo isso no país onde a única função discernível do aparato legal é tornar impossível cumpri-lo?
Não fazer sentido é o elemento essencial do Sistema. Daí a palavrosidade ôca valer mais que os fatos nos nossos plenários e nos nossos tribunais. Se houvesse um meio racional de escapar, uma forma segura de se prevenir, uma regra que pudesse ser cumprida perdia-se o caráter de onipotência da autoridade constituída. Tem de ser irracional. Tem de ser impossível escapar deste "vale de lágrimas" a não ser pela unção dos "excelentes" com ou sem batina, ou toda essa indústria se esboroa. É ao que sempre estivemos acostumados...
Esboça-se uma resistência mas ela é isolada. Só vai até onde pode ir o pedacinho são da 1º Instância do Judiciário. E quem mais a saúda é quem mais a apunhala. Até agora, nem de leve foi arranhada a isenção a essa condição de permanente exposição à chantagem em que vivemos para os que a desfrutam por pertencer a corporações privilegiadas. A "lista de Teori" continua trancada e secreta. Foram afastados, sujeitos a confirmação, os que destruiram a obra de toda uma geração, mas não por isso; porque ficou claro que sua permanência implicaria a morte da galinha-dos-ovos-de-ouro. Mesmo assim, vultos sinistros nadam por baixo da decisão final do Senado. Só quem desafia a hierarquia do Sistema está sob ameaça real de remoção. Até Teori é objeto de chantagem. Mas o Sistema mesmo nunca esteve em causa.
Os "grandes empresários"? Estes jamais estiveram realmente isentos. "Culpados" por definição como somos todos e eles mais que os que jogaram menos, são os "hereges" da vez. Festeje-se com realismo, portanto. Nesse nosso modelo lusitano o Tesouro Real sempre saiu dos seus apertos com grandes Autos-de-Fé em que re-devora as "nobrezas" que fabrica.
"Eles", os "nós" dos comícios do Lula, estes sim, continuam sem crise como sempre. São regidos por leis e julgados por tribunais que só valem para eles. Têm regimes de trabalho, remuneração e aposentadorias só seus. Entram no seu bolso a qualquer hora e sem pedir licença.
Dessa casta fazem parte réus e juízes da presente refrega. Desde que a corte de d. João VI desembarcou no Rio de Janeiro chutando os brasileiros para fora de suas casas seguem, todos, deitados no berço esplêndido da inadmissibilidade para todo o sempre que se auto-outorgaram, tão "blindados" que já nem uns conseguem expulsar os outros quando a disputa pelos nossos ossos os leva a considerar exceções à sua regra de ouro. Reagem com fúria se alguém tenta devassar-lhes os segredos, vide Gazeta do Povo x Judiciário; Estadão x Sarney.
O "ajuste" começa pelo ajuste do foco. Por mais heróico que seja o esforço não se porá o país na reta correndo atrás de tudo que essa máquina de entortar fabrica em série. Deixada como está, fará do herói de hoje o bandido de amanhã, sejam quantas forem as voltas no mesmo círculo. É preciso rever a conta que está aí pela ótica da igualdade perante a lei e, a partir daí, inverter, de negativo para positivo, o vetor primário das forças que atuam sobre o Sistema. O voto distrital com "recall" acaba com essa inadmissibilidade e, com isso, põe o poder nas mãos do povo. Daí por diante tudo passa a ser feito pelo povo para o povo.
Aí sim, funciona.
CARTA AOS COVARDES - 15/06/2016
A imprensa internacional precisa tomar um pouco de vergonha na cara, dear fellows
O New York Times disse que o governo Temer soluça de crise em crise. Será que o jornal americano também está na folha dos companheiros? Estaria o NYT precisando também da mesada que nossos bilionários heróis progressistas pagam aos bravos e incorruptíveis jornalistas de aluguel deste país?
A imprensa internacional precisa tomar um pouco de vergonha na cara. Só um pouco. Sabem por que, dear fellows? Porque o Brasil não tem a menor importância para vocês, e tudo certo que assim seja, mas vocês têm de poder voltar para casa e se olhar no espelho do mesmo jeito, entendem?
A mídia tradicional ("tradicional" não é pejorativo, queridos moderninhos, pode ser ótimo) europeia e americana parece ter comprado a versão do golpe de Estado no Brasil. A maior parte dela andou "denunciando" o fato, ou flertando com a tese vagabunda – espalhada pelos parasitas que sugaram o Brasil por 13 anos sem dó nem piedade, e agora são apoiados pela MPB, intelectuais patéticos e artistas lunáticos (ou bem pagos).
Prezados correspondentes internacionais, façam o seu trabalho direito. Isso aqui não é brincadeira, embora pareça. Esses "progressistas" que vocês preguiçosamente adotaram como fonte, reproduzindo o discurso que a inacreditável Dilma Rousseff anda repetindo por aí, como alma penada, são nada menos que delinquentes, caros colegas gringos. Vocês estão dando voz a uma "narrativa" de quem roubou o Brasil – e está desesperada para continuar roubando.
Não é bom generalizar, mas as exceções compreenderão. A palhaçada passou do ponto. Ladies and gentlemen, tomem o caminho da roça. Vão à luta. Se mandem para a Venezuela, que tal? Vocês saberão puxar o saco do sanguinário Nicolás Maduro, que destruiu um país com o mesmo chavismo com que a picaretagem petista – suas adoradas fontes – jogou o Brasil em dois anos seguidos de recessão, que se completam agora.
Publiquem aí, seus irresponsáveis: dois anos de recessão no Brasil são culpa de Michel Temer, que não botou mulher no ministério. Vocês são umas crianças patéticas com seu proselitismo politicamente correto. Essa corrente "progressista" – nacional, internacional ou sideral – que resolveu se pendurar em dogmas vagabundos para sabotar tudo que não seja o PT no poder é criminosa. Não há outra definição. Vamos explicar às crianças trapalhonas: o governo podre que arrebentou com o Brasil se fazendo de coitado (há algo mais humilhante?) foi deposto por um, apenas e tão somente um, dos crimes que cometeu – e foi uma floresta de crimes, queridos siderais.
Bem antes do petrolão – esquema que vicejou graças a esse mesmíssimo discurso de vítima que agora vocês repetem em defesa de Dilma e Lula, vá entender –, aqui neste mesmo espaço, criticávamos (sem efeito nenhum, é bem verdade) a chamada "contabilidade criativa". Era outro nome para as pedaladas, que se mostraram um apelido mais eficiente para ensinar ao jardim de infância que o Tesouro Nacional estava sendo roubado pela malandragem fiscal – o crime que derrubou Rousseff, queridos heróis da resistência democrática.
Ainda não havia Sergio Moro nem Joaquim Barbosa, portanto Lula, Dirceu e sua camarilha ainda eram santos – e não foram poucas as "sugestões" para este colunista mudar de assunto: "Vai perder a coluna", alertavam. Este signatário respondia que preferia perder a coluna a perder o juízo. Continua preferindo. Mas isso não é fácil de entender para os que veem a vida como uma vaga no curralzinho VIP da revolução fisiológica. A coreografia de um esganado para não largar seu osso é um espetáculo ornamental.
Prezado Michel Temer, diante deste show avassalador de desonestidade intelectual, charme parasitário e bravura cafajeste, você só tem uma saída: governar. Essa é a sua missão na Terra. Cumpra-a até o fim, custe o que custar. Você teve a coragem de demitir os suspeitos – o que o PT jamais fez, a não ser quando estavam na porta da cadeia – e mais que isso: a coragem de trocar os simpáticos pilantras no topo do governo pelos melhores – que aqui da planície achávamos até que não topariam a encrenca. Toparam. E os melhores vão melhorar a vida inclusive dos canastrões que os atacam impiedosamente. Não espere por essa piedade. Ela não vale nada.
OS INIMIGOS DO REI - 12/06/2016
Há um preço a pagar por este governo ser formado de uma “costela de Adão” daquele outro anterior e parece que a “vontade soberana do povo” vem sendo ameaçada justamente neste quesito. Não devemos esquecer que lulão e sua gangue de ladrõezinhos amestrados só chegaram onde chegaram com a cumplicidade, o alinhamento, a omissão calhorda e a covardia explícita de quem de direito.
É essa classe política que aí está – toda ela – a responsável pela falência deste país. Só isso já seria suficiente para colocar todos os cargos públicos à disposição de uma faxina cívica. Não é o que estamos vendo. Por trás dos golpes da “eleição geral”, “constituinte”, “república de mulheres” e “culturas do estupro”, o que vemos mesmo é mais do mesmo, tentando pautar as militâncias para desestabilizar o governo interino mal nascido.
Do outro lado, uma fauna de Janots, Teoris e companhia seguram pelos bracinhos as prisões iminentes dos chefes dessa quadrilha que nos desgovernou, na canhestra tentativa de virar o jogo. Para isso precisam de um país em greve, em convulsão, “dividido”, como se a divisão real não fosse entre os com e os sem mortadela – estes representando a imensa maioria do povo extorquido até o talo por uma gangue de vagabundos aboletada no poder.
Não sei, não. Os cretinos de sempre aproveitam que o povão não está na ruas para colocar em andamento seus planos de alcova. Entre eles, estariam a remoção de Eduardo Cunha e Renan Calheiros de suas respectivas presidências, não para fazer justiça, mas para colocar um Maranhão e um petralha de alto costado nos mesmos postos de comando e de lá capitanear a volta da criatura que veio com o desgoverno. É impressionante como são golpistas. Como gritam seus gritinhos histéricos, confundindo a sociedade, enquanto planejam voltar ao ataque ao cofres públicos, dessa vez sem direito a Lava Jatos para desnudar de que são feitos os nossos governantes.
Há uma coisa que fica transparente diante dessa confusão toda que é a espinha dorsal de toda a nossa crise política: parece não haver políticos que se elejam sem propina. Sendo assim, isto explicaria o silêncio quase sepulcral das oposições, dos “grandes cidadãos públicos” aboletados nesse Congresso de freiras e da “imprensa da forma geral”, cada um preocupado com seu próprio feudo, enquanto o país que os elege vai se danando lentamente. Já está claro que será um showzinho as prisões dos caciques peemedebistas. E os petralhas? Por que estão todos soltinhos e nos ameaçando com greves e paralisações, enquanto o supremo de frango esfria e não serve o prato principal, que é a prisão do vagabundo-chefe?
Tempos estranhos estes, meus caros. Acho que não fui chamado de “estuprador por tabela” à toa. Eles sabem quem são os inimigos deles. Nós sabemos quem são os nossos?
MILITÂNCIA PETISTA: DOENÇA EM PERVERSÃO? - 10/06/2016
(Publicado originalmente em http://www.institutoliberal.org.br)
Ignorando os alertas feitos por economistas, por aliados e pelo TCU, Dilma assinou a política econômica que causou um rombo de mais de R$ 170 bilhões, gerando a maior recessão da história, duplicando os índices de desemprego, fazendo até o número de pobres aumentar no Brasil. Apesar disso, assistimos todos os dias um exército de pessoas pedindo que Dilma volte à presidência.
No dia seguinte ao afastamento de Dilma, Nelson Motta escreveu no O Globo: “Será honesto mentir, esconder dívidas, prometer o que não poderia cumprir, acusar os adversários do que depois ela faria, permitir que uma organização criminosa tomasse a Petrobras e outras estatais para financiar um projeto de poder?”. Sim. Eleitores do PT, do PSOL, do PCdoB e da Rede acreditam que pelo simples fato de Dilma representar a extrema-esquerda, ela está acima de quaisquer julgamentos e críticas. Dilma tem o direito de mentir, fraudar e acolher corruptos aliados.
Notícias apenas entre os dias 2 e 3 de junho:
1 – Em depoimento à justiça, o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró reafirma que Dilma, quando presidia o conselho administrativo da estatal, sabia de todos os detalhes da compra da refinaria de Pasadena. Sabia que o valor estava muito acima do mercado. Sabia dos esquemas de propina que o negócio viabilizaria.
2 – Documentos indicam que Dilma teve gastos pessoais pagos com dinheiro roubado da Petrobrás. Cabelereiro ao custo de R$ 5 mil por sessão, pago com dinheiro roubado.
3 – O empresário Marcelo Odebrecht afirmará, em depoimento de delação premiada, que Dilma em pessoa pediu a ele R$ 12 milhões “por fora” para sua campanha de 2014.
4 – Bené, o operador do PT, afirma que o então assessor direto de Dilma, Giles Azevedo, forjou contratos da Presidência da República para pagar contas do partido.
Soma-se a isso as gravações das conversas de Delcídio do Amaral e de Aloisio Mercadante, ambos agindo em nome da presidente para obstruir a Lava Jato. Soma-se também as delações que afirmam que Dilma nomeou Marcelo Navarro como ministro do STJ com a missão de soltar Marcelo Odebrecht, evitando assim sua delação premiada. Anteontem, o executivo Zwi Skornicki, também em depoimento à justiça, afirmou que pagou R$ 4,5 milhões à campanha de Dilma em 2014, dinheiro de propina oriundo de contas na Suíça.
Nada disso sequer constrange os eleitores de partidos de extrema-esquerda - Dilma mentiu, mas é mulher; Dilma foi irresponsável, mas é guerreira; Dilma foi complacente com a corrupção; mas é comunista. Dilma é inocente e ponto final.
Foram centenas de milhões de reais desviados da Petrobrás para bancar as campanhas de Dilma. Quem se importa?
Antes de ser afastada, Dilma cortou verbas de programas sociais, da saúde, da educação e da Polícia Federal, mas o que se escuta é: “Temer está destruindo os avanços sociais promovidos pelo PT, está acabando com a educação, com a saúde e até com a Lava Jato. Fora Temer!”.
Três delatores diferentes informaram em depoimento que Dilma nomeou Marcelo Navarro para o STJ com o objetivo de mandar soltar Marcelo Odebrecht, mas o que se escuta? “Fora Temer! Fora Temer! Fora Temer!”.
Desde o afastamento de Dilma, toda manifestação, sobre qualquer assunto, leva consigo os gritos de “Fora Temer”.
Dois dias atrás, os professores da UNB aprovaram um indicativo de greve dizendo que só voltarão a trabalhar quando Dilma voltar à presidência.
A economia foi dilapidada ao longo de 13 anos sob total complacência dos eleitores de partidos de extrema-esquerda, mas essas mesmas pessoas condenam Michel Temer - que ainda não completou um mês no cargo - por não ter resolvido todos os problemas do Brasil de forma imediata e indolor.
Depois de 13 anos de tantos absurdos, muitas pessoas ainda defendem Lula e Dilma por livre e espontânea vontade.
Qual o nome disso? Doença? Perversão?
O atual momento brasileiro comprova definitivamente a razão de a esquerda sempre ser a pior alternativa. Quanto mais à esquerda é um governo, maior é o exército de militantes prontos para defendê-lo, a despeito de qualquer absurdo que cometa. O país pode desmoronar, as pessoas podem ser reduzidas à miséria, que a grande maioria dos artistas, dos estudantes, dos sindicalistas e dos intelectuais estarão firmes e fortes em defesa do governo socialista. Seja lá o que um governo socialista faça de errado, a grande mídia sempre terá extrema cuidado ao criticá-lo.
Os venezuelanos estão passando fome, sofrendo com falta de energia e com a epidemia de sarna que se alastra por falta de produtos de higiene pessoal. A despeito disso, Nicolás Maduro conta com um exército de militantes profissionais e voluntários fazendo plantão em sua defesa. Indiferente ao sofrimento da população, a quase totalidade dos jornais mais importantes do mundo ainda reluta em dizer com clareza e objetividade que o socialismo destruiu a Venezuela.
O Brasil estava ótimo até o dia 12 de maio de 2016. Então as elites deram um golpe, depuseram a presidenta eleita democraticamente e destruíram todos os avanços sociais, levando milhões de brasileiros ao desemprego, à fome e o Brasil a maior crise econômica de sua história.
Eis a narrativa que ouviremos pelos próximos 50 anos.
NÃO SE GOVERNA COM MEDO - 07/06/2016
(Publicado originalmente na Folha)
A ação intensiva dos grupos de pressão, que se autointitulam "movimentos sociais" –MST, MTST, CUT, UNE etc.–, evidencia a tentativa de preservar, na contramão dos interesses da maioria absoluta da população, a agenda política do governo anterior.
Getúlio Vargas dizia que "o tambor faz muito barulho, mas é oco por dentro". Referia-se exatamente à ação de grupos como esses, que se arvoram em porta-vozes da sociedade, mas falam apenas em nome deles próprios. É preciso enfrentá-los.
Viveram até aqui graças às verbas governamentais; aparelharam a máquina administrativa, impuseram suas prioridades e estão determinados a criar um clima de ingovernabilidade. São tentáculos de um partido predador, que levou o país à falência.
O governo Temer não pode ceder e dispõe de amplo lastro na sociedade –e no Congresso– para impugná-los. Basta que não perca de vista a agenda das ruas, feche as torneiras das verbas públicas e reprima seus atos criminosos, submetendo-os à lei.
Não basta que técnicos qualificados diagnostiquem a situação da economia e indiquem os remédios para que o país saia da UTI. É preciso deixar claro que esses remédios, sem dúvida amargos, são para todos. É mais que justo o pedido de reajuste de funcionários públicos, mas o momento requer extrema cautela e não se mostra o ideal para isso.
Numa conjuntura de 11 milhões de desempregados, é preciso atuar primeiramente para recuperar a economia e criar vagas de trabalho. O Brasil está em queda livre. Os pacientes mais graves devem ser tratados, pois a crise recai ainda mais implacável sobre essas famílias que ficaram sem renda. Os brasileiros foram às ruas exigir o impeachment da presidente Dilma, apoiar a Lava Jato, exigir a moralidade na vida pública.
Faz menos de uma semana que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, informou que o deficit orçamentário não é o admitido pela presidente anterior, de R$ 96 bilhões. É quase o dobro: R$ 170 bilhões. Como encaixar aí um aumento que fará a folha de pagamentos do serviço público (ativos e inativos) saltar dos já inimagináveis R$ 255 bilhões atuais para mais de R$ 300 bilhões em quatro anos?
Com que discurso se explica isso? A autoridade de um governo –qualquer governo– depende de uma premissa básica: coerência.
Não há como continuar cedendo às pressões corporativistas. O aparelhamento da máquina gerou situações absurdas, que precisam ser saneadas. Somente o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, dispunha de 1.400 funcionários comissionados.
Segundo o site Contas Abertas, cargos, funções de confiança e gratificações, em julho de 2015, chegaram a 100.313. Representam 16% dos 618.466 mil servidores do Poder Executivo –mais de 7.000 apenas na Presidência da República. Se todos comparecem, não cabem no Palácio.
Para que se tenha uma base de comparação, basta dizer que a Casa Branca tem 456 funcionários comissionados –e os servidores fora da carreira pública naquele país são 8.000. Na França, são 4.800.
Esse é apenas um retrato superficial do aparelhamento, que submete o chefe do Executivo a pressões que o levam a gestos despropositados, como o de dar audiência a um condenado a 32 anos de prisão, em liberdade condicional (um absurdo!), José Rainha, do MST, com reivindicações de que se julga credor.
Uma coisa é recuar diante de um equívoco, o que é louvável; outra é ceder a pressões de conteúdo indefensável, na suposição de algum ganho político. Engano: nessas circunstâncias, quanto mais se cede, mais se perde. Não se governa com medo.
DILMA ROUSSEFF E O PT EM PLENO VENDAVAL - 07/06/2016
Opinião de um excelente analista franco-colombiano que conhece bem a América Ibérica: "Dilma não suporta a realidade..."
(Publicado originamente no midiasemmascara.org)
Dilma Rousseff não suporta a realidade de seu processo de destituição. Não admite que tenha sido suspensa de funções legitimamente pelo poder legislativo de seu país. Não concebe que esse poder lhe reprove haver cometido graves delitos. Não aceita outra condição diferente à de vítima inocente. Não agüenta que lhe provem que foi posta fora do jogo por falsificar as contas do Estado, em uma tentativa para fazer os brasileiros acreditarem que sua gestão econômica era impecável. Não tolera que lhe cobrem ter encoberto os déficits orçamentários de seu país e ter dissimulado a crise criada por seu falso "Estado de bem-estar" levando às arcas públicas, sem permissão do Congresso, dinheiros emprestados pelos bancos estatais.
Dilma Rousseff, de 68 anos, não admite que foi defenestrada (embora seja provisoriamente e por até 180 dias, enquanto é julgada definitivamente pela Câmara Alta), e que perdeu a confiança dos brasileiros, por ter também jogado provavelmente um papel central no tremendo caso da Petrobras, que a imprensa internacional descreve como "o maior escândalo de corrupção político-econômico da história da América Latina". Trata-se, com efeito, de um affaire descoberto há dois anos. Seu montante poderia ser de mais de 2.000 milhões de dólares. Este processo dará muito o que falar pois, além disso, o Supremo Tribunal Federal acusa a presidente suspensa de obstrução da justiça por sua atitude ante o assunto. O índice atual de favorabilidade de Rousseff, segundo as pesquisas, é de apenas 10%.
Para esquivar a humilhação de se ver destituída por essas razões, por ter faltado com seu dever de chefe de Estado, Dilma Rousseff monta um show patético. Ameaça o país com seis meses de tumultos e violências de rua: "A população saberá dizer não ao golpe". Ela acusa os outros, seus ex-aliados, e cospe sobre seu juiz natural, o poder legislativo. Diz que eles, o Senado e a Câmara dos Deputados, orquestraram "um golpe" [de Estado] contra ela, um "golpe moderno" e"inconstitucional" destinado, diz, a satisfazer os mais baixos instintos "da direita" e do "fascismo", pois querem tirar ela e o Partido dos Trabalhadores do poder para matar o povo de fome: "O que está em jogo são as conquistas dos últimos 13 anos, os ganhos das pessoas mais pobres e da classe média".
A responsável pela atual recessão econômica diz que os delinqüentes são os outros. Ela é inocente e as maiorias que a destituíram são vis "inimigos do povo". E reitera: "O que está em jogo é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição".
Dilma não quer aceitar que a esquerda que ela representa no continente pode cair na lama da grande desonestidade, que pode ser corrompida e corruptora e que pode ser ladra. Essa esquerda é, segundo ela, sempre límpida, honesta, pacífica e desinteressada. É o que quer que acreditemos. Na realidade, o que os congressistas brasileiros estão provando é que, pelo contrário, essa esquerda é lamentável, e pior, é depravada, sem coragem e sem valores. A credibilidade da esquerda latino-americana cai de novo pelo caso de Rousseff.
O processo de impeachment em curso prova que ter levado a presidência de um grande país uma ex-guerrilheira que nunca se arrependeu de seus crimes, não é jamais um ato banal, que pode acabar de forma satisfatória para as maiorias, para a economia e para as instituições democráticas. Essa é uma lição importante que deve ser aprendida sobretudo pelos colombianos, no momento em que desde a cúpula do governo se quer impor ao país, arbitrariamente, a impunidade e a liderança política de criminosos endurecidos, os chefes das FARC.
Certos analistas pró-PT sugerem que o processo de impeachment foi uma conspiração de uns poucos. Na verdade, foi o resultado de mobilizações populares de grande amplitude contra o governo. As maiorias respaldam de fato esse processo. 61% dos brasileiros é a favor do impeachment de Rousseff. Sem esse apoio massivo tal evolução não teria sido possível.
Os treze anos do PT no poder terminam assim, com essa espetacular queda de Rousseff (e, portanto, de seu mentor Luiz Inácio 'Lula' da Silva) e em uma perda enorme de adeptos. Salvo um espetacular retorno à situação anterior, esse experimento termina com o fracasso do capítulo melhor obtido até agora na longa aventura da esquerda continental. O do PT foi muito mais importante do que a catástrofe violenta e depredadora do castrismo em Cuba, mais que o convulsivo governo de Salvador Allende, mais do que a dramática destruição da Venezuela, vítima de um Chávez que acabou com as liberdades e saqueou os recursos de seu próprio país para sustentar, por razões ideológicas, a ditadura agônica de Cuba.
Os governos de Lula e de Rousseff foram o máximo êxito da esquerda do hemisfério. Nunca antes essa corrente havia chegado tão longe. O de Cuba é apenas um avatar, sangrento e expansionista, mas de pouco valor estratégico por aparecer como um regime detestável e não viável. A chegada ao poder do lulo-petismo no Brasil, e sua permanência no Palácio do Planalto durante 13 anos, foi o autêntico triunfo, se tem-se em conta o grande peso demográfico, econômico e geo-político do Brasil.
A plataforma assim montada nesse país reforçou todos os grupos e projetos anti-liberais das diferentes frações de esquerdas do hemisfério, desde as mais moderadas até as mais violentas, como a das FARC na Colômbia. Não é por casualidade que a seita internacional subversiva mais perigosa do continente, o Foro de São Paulo, tenha sido fundada no Brasil por Lula e Fidel Castro.
Esses bandos, grupos e partidos foram nutridos pelas estruturas de corrupção do PT, onde se cruzam dinheiros opacos dos governos chavistas, junto com dinheiros mal havidos do PT. Tudo isso, no episódio da Lava Jato está sendo investigado. Para tratar de frear tal dinâmica, o PT acode aos organismos "amigos", inventados pelo chavismo como UNASUL, MERCOSUL, PARLASUL e TELESUL. Todos estão iracundos e no plano de luta para salvar o que resta.
O que se joga hoje no Brasil é de importância capital para a democracia representativa não só do Brasil, senão do continente americano e do mundo. Em seis meses saberemos se o horrível pesadelo criado pelo castro-comunismo no continente perde realmente terreno em benefício da economia de mercado e das idéias democráticas tão atacadas hoje.
Tradução: Graça Salgueiro
Eduardo Mackenzie é um jornalista e escritor franco-colombiano que trabalha em Paris. É investigador associado do Institut d'Histoire Sociale (Nanterre, França). Seus dois mais recentes livros são "As FARC, fracasso de um terrorismo" (Random House Mondadori, Bogotá, 2007) e "O enigma IB" (Random House Mondadori, Bogotá, 2008) . É co-autor, com Alain Delpirou, de "Les cartels criminels, cocaïne et heroïne, une industrie lourde en Amérique Latine" (Presses Universitaires de France, Paris, 2000).
OPERAÇÃO SUJA A JATO - 30/05/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
Na mais recente turbulência política provocada pela divulgação de conversas para lá de embaraçosas de três "capas-pretas" do PMDB, um detalhe chama especial atenção: nenhum dos personagens estimulados a dizer o que não deveriam ao gravador de Sérgio Machado se animou a reclamar em público pelo fato de terem servido de cobaias na coleta de material para uma delação premiada.
Romero Jucá, José Sarney e Renan Calheiros aludiram à inadequação do "contexto" dos trechos divulgados, negaram intenções escusas por trás das palavras obscuras, mas não impuseram reparos nem qualificaram como traiçoeiro o ato do ex-presidente da Transpetro ali sustentado pelo partido por 12 anos consecutivos. Com a anuência e o aval do PT, o dono da bola nesse período.
Ao menos os três tiveram o bom senso de não invocar o argumento da perseguição política, da conspiração ou coisa que valha. Escolados e escaldados preferiram por ora aguardar os acontecimentos sem maiores precipitações. Não cutucaram a fera ferida nem fizeram acusações aos investigadores, aos promotores que negociaram a troca de informações ou ao ministro Teori Zavascki que homologou a delação.
Nisso, se diferenciaram (sem ilações de que nisso resida mérito, por favor) dos petistas, cuja prática de atacar o mensageiro equivale a sistemáticas assinaturas de recibos, além de levá-los a desmentir as próprias versões. Um exemplo foi a reação de Dilma Rousseff à conversa em que Romero Jucá sugere que o impeachment da presidente daria conta de "estancar essa sangria".
Dilma e os companheiros de partido de imediato atribuíram ao diálogo a condição de "prova" da conspiração para derrubá-la, que nada teria a ver com o crime de responsabilidade ora em exame na comissão especial do Senado. Quer dizer, a mandatária afastada não respeita delator, mas tem o maior respeito pelas gravações feitas por Sérgio Machado na busca de sua delação. Do mesmo modo, o PT desqualifica o teor de gravações e depoimentos que implicam seus correligionários, mas qualifica o método quando o atingido é o adversário.
E cessam por aí as diferenças, pois algo mais forte os iguala: o desejo de que a operação fosse lavada da face da terra. O pitoresco da história é que as urdiduras dos referidos poderosos resultam em rigorosamente nada. Tão influentes e, ao mesmo tempo tão impotentes diante de um cenário que desconheciam, embora já tivessem tido dele uma amostra na CPI dos Correios que sustentou a denúncia da Procuradoria-Geral da República, que virou processo no Supremo Tribunal Federal e resultou na condenação de gente que se imaginava diferenciada.
Desde então, e agora mais do que nunca, o ambiente exige respeito, já dizia Billy Blanco em seu Estatuto da Gafieira. As gravações, por enquanto, não expuseram crimes. Não foram, porém, sem efeito. Mostraram ao país a discrepância entre o que dizem em público nossas autoridades e o que falam no recôndito da privacidade. Oficialmente todos eles são defensores da Lava Jato. No paralelo, contudo, revelam horror ao cumprimento da lei e à independência dos Poderes. Nutrem especial repúdio à conduta correta de servidores. Ao ponto de um ex-presidente da República, como José Sarney, considerar que o Brasil vive uma "ditadura da Justiça". No mínimo uma contradição em termos.
Ainda que as inconfidências de suas excelências não venham a lhes render punições mais graves, já serviram para pôr abaixo a pose de distinção que assumem diante de um microfone e a inconsistência das bravatas cometidas nos conchavos. E de novo recorrendo a Billy Blanco, desta vez com A Banca do Distinto, encerremos: A vaidade é assim/ põe o bobo no alto e retira a escada/ mas fica por perto esperando sentada/ mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão.
O PT INCOMPATÍVEL COM A DEMOCRACIA - 29/05/2016
(Publicado originalmente em O Globo)
Li, com muita preocupação, a "Resolução sobre a conjuntura" do PT, análise ideológica, com nítido viés bolivariano, sobre os erros cometidos pelo partido por não ter implantado no Brasil uma "democracia cubana".
Em determinado trecho, lê-se:
"Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação".
De rigor, a ideia do partido era transformar o Estado brasileiro num feudo petista, com reforma do Estado pro domo sua e subordinação a seus interesses e correligionários, as Forças Armadas, o Ministério Público, a Polícia Federal e a imprensa.
O que mais impressiona é que o desventrar da podridão dos porões do governo petista deveu-se, fundamentalmente, às três instituições, ou seja, imprensa, Ministério Público e Polícia Federal, que, por sua autonomia, independência e seriedade, não estão sujeitos ao controle dos detentores do poder.
Ao Ministério Público é outorgada total autonomia, pelos artigos 127 a 132 da Lei Suprema, e as polícias funcionam como órgãos de segurança do Estado e não são instrumentos ideológicos, conforme determina o artigo 144, da Carta da República. A Constituição Federal, por outro lado, no artigo 220, garante a absoluta liberdade aos meios de comunicação.
Por fim, as Forças Armadas, como instituição do Estado, e não do governo, só devem intervir, com base do artigo 142 da Constituição, em caso de conflito entre os poderes para restabelecimento da lei e da ordem.
É de se lembrar que, tiveram, durante a crise política deflagrada pelo mar de lama que invadiu as estruturas do governo, comportamento exemplar, mantendo-se à distância como observadoras, permitindo o fluir dos instrumentos democráticos para estancarem a desfiguração crescente da República brasileira.
Controlar a Polícia Federal, que descobriu o assalto aos cofres públicos? Manietar o Ministério Público, que tem denunciado os saqueadores do dinheiro dos contribuintes? Calar a imprensa, que permitiu à sociedade conhecer os profundos desmandos do governo por 13 anos? É isto o compromisso "democrático e nacionalista" do PT?
Modificar os currículos das academias militares para formar oficiais com ideologia bolivariana, a fim de servir ao governo, e não ao Estado, seria transformar as Forças Armadas em órgão de repressão, como ocorre com os exércitos de Maduro ou dos Castros.
Embora tenha muitos amigos no PT, sempre divergi das convicções políticas dos governantes ora alijados da Presidência, mas sempre entendi que sua intenção era a de respeitar as regras democráticas. Desiludi-me, profundamente, ao constatar que os maiores defensores da ética, como se apresentavam quando na oposição, protagonizaram o governo mais corrupto da história do mundo.
Pretenderem agora, em mea-culpa, arrependerem-se por não terem transfigurado o Brasil numa Cuba ou numa Venezuela é ter a certeza de que nunca desejaram viver, no país, uma autêntica democracia.
Penso mesmo que a presidente Dilma, que foi guerrilheira, como José Dirceu, intentando aqui implantar um regime marxista, durante o regime de exceção dos militares, jamais abandonou o objetivo daquela luta.
Após a leitura da "Resolução da Conjuntura", minhas dúvidas foram dissipadas. A democracia verdadeira nunca foi um ideal petista.
Ives Gandra da Silva Martins é Professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo e Unifmu, do CIEE/'O Estado de S. Paulo, da Eceme, da ESG e da Escola da Magistratura do Tribunal Regional Federal - 1ª região
Artigo publiucado originalmente no jornal O Globo.
A TRAGÉDIA DO DESEMPREGO - 22/05/2016
(Publicado originalmente em Diário do Poder)
O tumultuado e inconcluso processo de impeachment da presidente Dilma Roussef remeteu ao segundo plano campanhas municipais prestes a serem colocadas nas ruas, em 5.570 municípios, envolvendo mais de 142 milhões de eleitores.
Sem desmerecer os demais estados, São Paulo é que atrai as atenções do País. Considera-se o prefeito paulistano o terceiro político de maior importância no Brasil, superado pelo governador do Estado e pelo presidente da República.
O diferencial da disputa, em 2016, residirá na escassez de dinheiro. Quem não dispuser de recursos estará em posição de inferioridade, salvo se compensar a falta de meios próprios com excesso de popularidade. Mesmo quem dispõe de caixa não poderá gastar além dos limites, para não ser acusado de abuso de poder econômico.
Refletindo sobre o cenário que se aproxima, percebemos que o Partido dos Trabalhadores, após anos de hegemonia se esfarelou atingido por ações penais que enviaram à prisão alguns dos principais quadros. Luís Inácio Lula da Silva perdeu a liderança que infundia temor aos adversários. Voltou a ser a pessoa comum que se tornou conhecida na década de 70, mas hoje acossado por graves acusações. O apoio que eventualmente oferecer aos candidatos do PT provavelmente surtirá efeito adverso. Dilma Roussef, a presidente afastada pelo Senado, não tem como fazer campanha. Empregará o tempo que lhe resta para se defender.
O PMDB, com o Dr. Michel Temer na presidência da República e importantes ministérios, dependerá das medidas que adotar na esfera social, onde se encaixam questões de previdência, saúde, educação, desemprego. Tornou-se, por vontade própria, herdeiro de trágica realidade. Se nos próximos dias a economia não der sinais claros de reaquecimento, e a falta de trabalho persistir, com 12 milhões de desesperados nas ruas, o discurso peemedebista terá dificuldades para angariar o apoio das urnas. Não há nada tão leviano quanto o voto. Quem vive de salários mudará de rumo de acordo com as condições do bolso, e a eloquência de algum demagogo.
O PSDB é o que já se conhece. Adquiriu a fama de elitista. Jamais buscou popularidade e, aparentemente, nunca se preocupou com isso. Acredita no capital eleitoral dos integrantes da cúpula. Reside aí, entretanto, seriíssimo problema, pois pelo menos três aspiram a candidatura à presidência em 2018, e lutarão para consegui-la. Veja-se o acontecido em São Paulo, onde os tucanos mais uma vez se encontram divididos.
As demais legendas pouco acrescentam. Algumas são idôneas, dirigidas por pessoas sérias, mas sem recursos e compactas massas eleitorais, que lhes permitam ir à luta de maneira independente. Dependem de precárias alianças. Outras são casas comerciais. Vendem a quem pagar mais. A ruidosa extrema esquerda mais uma vez concorrerá sem chance de vitória. É vítima de teimosia que a impede de entender que pertence a passado morto e sepultado.
As campanhas municipais se desenvolverão em torno de dois eixos: o compromisso de combate à corrupção que tomou conta do País, e a luta contra o desemprego. Conforme alguém escreveu, “Os trabalhadores têm que comer tenham ou não colocação. Há a alternativa de deixar morrer de fome os desempregados, mas isto é mais duro do que tolerariam os propugnadores de finanças seguras, portanto advogam que se sustentem os desempregados mediante subsídios, em que eles não produzem nada, em vez de lhes dar uma ocupação profícua em que acrescentarão diretamente ao rendimento nacional. É a divergência entre os princípios da economia social e particular que fornece a chave das inconsistências das finanças ditas seguras”.
O presidente Michel Temer está no comando. A escolha de banqueiros para a recuperação das finanças tem algum significado. Espero que a questão do desemprego seja encarada como tragédia social, e não mera estatística divulgada pelo IBGE. Afinal, o desempregado deve comer diariamente, e prover o sustento da família. São necessidades que não podem esperar. A miséria, como se sabe, não é a melhor conselheira.
DESEJOS RECÔNDITOS - 20/05/2016
(Publicado originalmente em O Globo de 20/15/2016)
Nada como uma derrota para revelar as verdades escondidas do poder que predominou nos últimos 13 anos. Além dos imensos buracos na contabilidade pública que serão denunciados pelo próprio presidente Temer, temos agora revelados em nota oficial alguns objetivos prioritários do partido.
Aproveitando-se da democracia, o partido sempre tentou avançar em decisões autoritárias para controlar setores fundamentais do Estado. Quando denunciado, recuava e negava segundas intenções, como nas inúmeras vezes em que tentou aprovar projetos de controle dos meios de comunicação, com diversos nomes e variadas desculpas.
Agora, afinal, o próprio Diretório Nacional do PT solta uma nota oficial, à guisa de autocrítica, que revela os planos mais recônditos. Esses comentários irritaram setores das Forças Armadas, por exemplo, e confirmam que o partido sempre pensou em controlar o Ministério Público e a Polícia Federal, além de reafirmar o objetivo de controlar os meios de comunicação através da manipulação das verbas publicitárias.
Diz a certa altura o documento do PT: "Fomos igualmente descuidados com a necessidade de reformar o Estado, o que implicaria impedir a sabotagem conservadora nas estruturas de mando da Polícia Federal e do Ministério Público Federal; modificar os currículos das academias militares; promover oficiais com compromisso democrático e nacionalista; fortalecer a ala mais avançada do Itamaraty e redimensionar sensivelmente a distribuição de verbas publicitárias para os monopólios da informação."
O comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, segundo a jornalista Eliane Cantanhede do Estado de S. Paulo, reagiu com irritação à Resolução do Diretório Nacional do PT sobre Conjuntura. "Com esse tipo de coisa, estão plantando um forte antipetismo no Exército", disse o comandante, considerando que os termos da resolução petista de maneira geral "remetem para as décadas de 1960 e de 1970? e têm um tom "bolivariano", ou seja, semelhante ao usado pelos regimes de Hugo Chávez e agora de Nicolás Maduro na Venezuela e também por outros países da América do Sul, como Bolívia e Equador.
Segundo Cantanhede, o general Villas Boas disse que as Forças Armadas, "atravessaram todo esse momento de crises cumprindo estritamente seu papel constitucional e profissional, sem se manifestar e muito menos sem tentar interferir na vida política do país" e esperam, no mínimo, reciprocidade.
Já o General Rego Barros, do Centro de Comunicação Social do Exército, me enviou uma mensagem em que afirma que "a recente resolução sobre conjuntura do PT apresenta alguns percepções equivocadas e ideologizadas sobre as Forças Armadas e a destinação das instituições que servem de esteio ao Estado".
Para Rego Barros, "a nossa postura, sempre equilibrada, mostra porque é essencial continuarmos balizando nossas ações com base nos três pilares defendidos pelo comandante: estabilidade - legalidade – legitimidade".
A questão mais sensível do ponto de vista das Forças Armadas é a interferência nos currículos das escolas militares, tema que já deu problemas anteriormente. A presidente Dilma assinou um decreto em setembro de 2015 transferindo para o ministério da Defesa poderes dos comandantes militares, aparentemente apenas burocráticos, mas que dariam margem justamente à interferência nos currículos das escolas militares.
Quem levou o decreto à presidente foi a secretária-geral do ministério, a petista Eva Maria Chiavon, sem consultar o ministro interino, o Comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira, que apareceu no Diário Oficial como tendo assinado o decreto, mas garantiu que nunca o fez.
Eva Maria Chiavon é casada com Francisco Dalchiavon, o principal executivo do MST, número 2 de João Pedro Stedile, encarregado de negociar a produção das cooperativas. O Art. 4º do decreto revoga o Decreto nº 62.104, de 11 de janeiro de 1968, que delegava "competência aos ministros de Estado da Marinha, do Exército e da Aeronáutica para aprovar, em caráter final, os regulamentos das escolas e centros de formação e aperfeiçoamento respectivamente da Marinha de Guerra, do Exército e da Aeronáutica militar".
Ao revogar o decreto de 1968, essa função passaria automaticamente para o ministério da Defesa. Ao identificar que o ensino e a formação dos militares poderiam ser enfeixados nas mãos do ministro da Defesa, começou a paranóia de que a esquerda petista estaria tentando avançar sobre a formação de oficiais. O decreto foi neutralizado por outro, mas a nota do Diretório Nacional do PT mostra que realmente o partido tinha entre suas prioridades o aparelhamento do ensino nas escolas e centros de formação militares.
A ÚNICA SOLUÇÃO PARA A MISÉRIA - 13/05/2016
Toda ação de governo exige disponibilidade de recursos financeiros, sem os quais ele não pode cumprir qualquer das suas responsabilidades. Prometer fazer sem ter os recursos para cumprir é a matriz dos desmoralizados compromissos de campanha, de que a sociedade não suporta mais nem ouvir falar. O objetivo derradeiro de um governo responsável é viabilizar a todas as pessoas um posto de trabalho e os bens indispensáveis à dignidade humana, ambos somente gerados de forma sustentável através do desenvolvimento econômico, para o qual os governantes deveriam concentrar suas maiores energias. O elemento básico do desenvolvimento econômico é o empreendedor, utilizando-se do lucro digno advindo do seu trabalho. As empresas, criadas pelos empreendedores, são a fonte da geração dos postos de trabalho, essa dádiva que é o maior fator da elevação da dignidade humana, no dizer de Getulio Vargas. São elas, mediante o esforço e a dedicação dos que as comandam e dos demais trabalhadores, que produzem os bens indispensáveis à erradicação da miséria.
É com os impostos cobrados sobre o lucro que obtêm, o trabalho que geram e os bens que produzem, que o governo pode cumprir suas obrigações de assegurar à população segurança, tratamento da doença e educação. A sociedade precisa urgentemente perceber quem, de fato, ajuda a eliminar as carências que atormentam os desvalidos. Não são os que fazem discursos comoventes a favor dos pobres; nem os que propugnam pela ampliação dos empregos públicos desnecessários; nem os que lutam por aposentadorias precoces; nem os que denunciam o lucro e a riqueza dos empresários como a causa das carências sociais; nem os que impedem as pessoas que nada têm a ver com suas pertinentes ou indevidas reivindicações de irem às emergências hospitalares e aos locais do trabalho; nem os que paralisam a prestação de serviços essenciais para reivindicar melhorias salariais já reconhecidas como justas pelo governo, que não as atendem por absoluta impossibilidade. Não são os que supõem que as carências de uma sociedade se extinguem com apenas vontade e decisões políticas, como a multiplicação das pedaladas, a tomada ilimitada de empréstimos ou o calote naqueles já vencidos e nos fornecedores do Estado, a paralisação das obras públicas necessárias, o uso permanente dos depósitos judiciais.
A revisão da ideia, predominante no pensamento da esquerda, de que o lucro e o empresário são a causa da pobreza, quando, ao revés, são eles a única possibilidade da sua superação, será a maneira mais eficaz de reverter a estagnação da atividade econômica, aliás, dificultada por regras e ações governamentais inspiradas nesse pensamento ideológico impregnado de equívocos.
* Empresário
O OCASO DE UM MITO CHAMADO LULA - 12/05/2016
(Publicado originalmente no blog do Noblat)
Neste momento em que a Operação Lava Jato desconstrói a imagem de Lula, depurando-a de todos os artifícios, instala-se uma espécie de assombro geral nos meios intelectuais e artísticos do país, onde ainda reina forte resistência aos fatos.
Tal depuração baseia-se em alentados registros – e o mais eloquente vem da própria voz de Lula, captada nos recentes grampos telefônicos, autorizados pela Justiça, em que exibe solene desprezo pelas instituições, em especial o Judiciário.
Não se deve apenas aos truques do marketing político-eleitoral a construção da imagem do falso herói. Bem antes do advento dos Duda Mendonça e João Santana, hoje às voltas com a Justiça, Lula já desfrutava de altíssimo conceito redentor, esculpido no âmbito universitário, onde o projeto do PT foi engendrado.
E aqui cabe repetir o bordão lulista: nunca antes neste país, um presidente da República foi brindado com tantos títulos honoris causa por parte de universidades, mesmo sem ter dado – ou talvez por isso mesmo - qualquer contribuição à atividade intelectual.
Ao contrário: Lula e seus artífices difundiram o culto à ignorância e ao improviso, submetendo a atividade intelectual à condição subalterna de mera assessora de um projeto populista.
A epopeia de alguém que veio de baixo e galgou o mais alto cargo da República fascinou e comoveu a intelligentsia brasileira, que o transfigurou em gênio da raça. Pouco interessava o como e o quê fez no poder – questões que agora se colocam de maneira implacável -, mas o simples fato de que a ele chegou.
O símbolo falsificava o ser humano por trás dele. E o país embarcou numa ilusão de que agora, dolorosamente – e ainda com espantosas resistências, – começa a desembarcar.
Fernando Henrique Cardoso, símbolo da nata acadêmica nacional, deixou suas digitais nesse processo. A eleição de Lula, em 2002, contou com sua colaboração. Como se recorda, FHC desengajou-se da campanha presidencial de José Serra, dizendo a quem quisesse ouvi-lo: “Agora, é a vez de Lula”.
Conta-se que, naquela ocasião, ao recebê-lo em Palácio, chegou a oferecer-lhe antecipadamente a cadeira presidencial. Era o sociólogo sucedido pelo operário, ofício que Lula já não exercia há mais de duas décadas. As cenas da transmissão da faixa presidencial, encontráveis no Youtube, mostram um Fernando Henrique ainda mais deslumbrado que seu sucessor.
Lula, na ocasião, disse-lhe: “Fernando, aqui você terá sempre um amigo”. No dia seguinte, cessou o entusiasmo: o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, em sua primeira entrevista, mencionava a “herança maldita” do governo anterior, frase repetida como mantra até os dias de hoje.
E o “amigo” não mais pouparia seu antecessor, por quem cultiva freudiana hostilidade. A erudição, ao que parece, o incomoda, embora a vida lhe tenha proporcionado meios bem mais abundantes de obtê-la que a outros grandes personagens da cultura brasileira, de origem tão modesta quanto a sua, como Machado de Assis, Gonçalves Dias e Cruz e Souza, mestiços que, em plena escravidão, ascenderam ao topo da vida intelectual do país.
O mito Lula começou ainda na década dos 70, em pleno governo militar – e contou com a cumplicidade do próprio regime, que, por ironia, o viu como peça útil na desconstrução da esquerda, abrigada no velho MDB e em vias de defenestrar eleitoralmente o partido governista, a Arena. O regime extinguiu casuisticamente o bipartidarismo, de modo a esvaziar a frente oposicionista.
A frente, em que a esquerda tinha protagonismo, entendia que não era oportuno o surgimento de um partido de base sindical, que a esvaziaria, diluindo os votos contrários ao regime. Lula foi peça-chave nesse processo, concebido pelo general Golbery do Couto e Silva, estrategista político do governo militar.
Há detalhes reveladores em pelo menos dois livros recentes: “O que sei de Lula”, de José Nêumanne Pinto, que cobriu as greves do ABC pelo Jornal do Brasil naquele período, e com ele conviveu; e “Assassinato de Reputações”, de Romeu Tuma Jr., cujo pai, o falecido delegado Romeu Tuma, então chefe do Dops, foi carcereiro de Lula, no curto período em que esteve preso.
Tuma e Nêumanne convergem num ponto: Lula foi informante do DOPS, o que lhe facilitou a construção do PT, a cujo projeto se agregariam duas vertentes fundamentais - a esquerda universitária paulista e o clero católico da Teologia da Libertação.
Essa gênese explica a trajetória vitoriosa do partido: o clero proporcionou-lhe a capilaridade das comunidades eclesiais de base e os acadêmicos prestígio e acesso à grande mídia.
A ambos, o PT retribuiu com Lula, o símbolo proletário de que careciam para forjar o primeiro líder de massas que a esquerda brasileira produziu e que a levaria, enfim, a vencer eleições presidenciais. Deu certo – e deu errado.
Lula chegou lá, mas corre o risco de concluir sua trajetória na cadeia. Os acertos de seu primeiro governo derivam da rara conjunção de uma bonança econômica internacional com os ajustes decorrentes do Plano Real. Finda a bonança e desfeitos os ajustes, restou a evidência de que não havia (nunca houve) um projeto de governo – e tão somente um projeto de poder.
A Lava Jato, ao tempo em que reduz Lula a seu exato tamanho, político e moral – e, ao que se sabe, há ainda muito a vir à tona -, mostra o que fez, à frente do PT e do país, para que esse projeto se consolidasse e o eternizasse como pai dos pobres – uma caricatura de Vargas, com mais dinheiro e menos ideias.
De gênio político, beneficiário de uma conjuntura que desperdiçou, lega à posteridade sua grande obra: Dilma Rousseff, personagem patética que tirou do anonimato para compor um dos momentos mais trágicos da história da República.
O historiador do futuro terá o desafio de decifrar o que levou a inteligência do país – cujo dever de ofício é antever e evitar tais desvios - a embarcar num projeto suicida, a serviço da estupidez, não hesitando em satanizar os que a ele se opõem.
*Jornalista
CRIME SEM IMPEACHMENT. EIS O GOLPE DOS GOLPES - 12/05/2016
(Publicado originalmente em http://www.josepedriali.com.br/)
“Impeachment sem crime é golpe”. Este é o novo – e surrado - mantra do PT & Cia. Ltda. para se passar por vítima de uma conspiração da Justiça, Legislativo e “imprensa monopolizada”.
O novo slogan substitui o fraquinho “impeachment é golpe”, impossível de se sustentar já que o afastamento de ocupantes de cargos do Executivo é previsto na Constituição. E o PT e seu líder Lula foram ardorosos defensores de seu emprego no governo Collor e nos sucessores Itamar Franco e FHC.
O partido e seus sócios no maior butim da história brasileira não admitem que a presidente@ Dilma tenha cometido crime de responsabilidade ao recorrer a empréstimos de bancos públicos para financiar atividades de seu desgoverno e fazer alterações no Orçamento sem o aval do Congresso. Feriu, com esses procedimentos, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Constituição.
Os crimes foram tão ostensivos que o TCU apontou 15 circunstâncias em que ele foi praticado por Dilma em 2014 e repetidos em 2015.
O processo de impeachment em tramitação no Congresso – e que hoje terá um dia decisivo, com a votação da comissão especial sobre o acolhimento ou não da denúncia - refere-se a esses crimes. Outros poderão ser juntados – e certamente serão – quando e se o processo for analisado pelo Senado.
O PT é um partido embusteiro. Já deu “n” demonstrações desse procedimento coletivo. Fiquemos nos mais relevantes – e repugnantes: o mensalão e o PeTrolão.
O PT negou que tenha usado dinheiro público para corromper deputados da base aliada, cravando que a condenação no mensalão foi um ato de uma “corte de exceção” e que o crime pelo qual foi condenado tratou-se de mero caixa dois utilizado para cobrir despesas de campanhas de aliados. Repete até hoje essa mentira, apesar das provas robustas de uso de dinheiro público e empréstimos fraudulentos que levaram à condenação de próceres do partido.
O PT não admite, apesar de provas e delações em abundância, que tenha organizado, gerenciado e se beneficiado do PeTrolão – o maior butim dos cofres públicos da nossa história. Seu tesoureiro João Vaccari já foi condenado em vários processos e José Dirceu, “guerreiro do povo brasileiro”, o mais ilustre petista condenado no mensalão, acaba de ser denunciado pelo MP por formação de quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica (esqueci alguma coisa?)
E temos ainda o ex-presidente Lula, investigado pela Lava Jato por conluio com as empreiteiras que se beneficiaram do PeTrolão...
Voltemos ao caso do impeachment. O mesmo procedimento fraudulento se repete em relação aos motivos do processo de impeachment. O PT nega mais este crime, ao qual outros irão se juntar em breve. Entre eles a obstrução da Justiça por Dilma ao nomear Lula chefe da Casa Civil. O crime foi anotado pelo procurador Rodrigo Janot em seu novo parecer sobre a posse de Lula, no qual recomenda ao STF que seja anulada.
Tantos crimes imputados à president@, responsável ainda por um calote eleitoral gigantesco e pela maior crise econômica da história, pelo desmantelamento da Petrobras, pelo endividamento de empresas públicas como a Eletrobrás – e cujo partido chefiou o esquema criminoso do PeTrolão -, não permitem outro destino senão a abreviação de seu mandato.
Poupá-la equivale a condenar o Brasil à ruína e zombar da Justiça.
Crime sem impeachment, isto sim é golpe. O golpe dos golpes!
O PÓS DILMA E O QUE ESPERAR DO GOVERNO TEMER - 11/05/2016
(Texto publicado originalmente em pontocritico.com. O autor é membro do grupo Pensar +)
Apesar de termos chegado muito perto do colapso financeiro provocado pela gastança desenfreada e irresponsável durante os governos Dilma, podemos acreditar que já o seu afastamento servirá para marcar o início do fim da onda de descrédito que se abateu sobre o país.
Algumas medidas iniciais de ordem administrativa poderiam ajudar bastante a manobra de recolocar o Brasil nos trilhos.
Uma demonstração clara de que a orgia de gastos públicos terminou. A redução efetiva no número de ministérios; demonstração cabal e visível do desaparelhamento da máquina, com o afastamento sumário dos (seriam 40 mil?) cargos em comissão alocados no governo; a abertura da caixa preta dos cartões corporativos. Quem usava. Quanto custavam. Como e para que eram usados; a abertura da destinação de gastos para entidades auxiliares do governo como MST e certas ONGs; auditorias no BNDES; auditoria no BB, auditoria na CEF, etc. sem falar na devida exposição, ressalvada a segurança das instituições.
São providências que, além de seus fins implícitos, serviriam com demonstração cabal de que não haveriam - sequer seriam aceitas - ingerências indevidas quanto ao andamento das apurações relativas a eventuais erros cometidos pelo governo afastado.
Afora o exposto e as iniciais medidas econômicas ortodoxas, bastaria o novo governo apoiar as apurações da Lava Jato, impedindo, no âmbito do Executivo, que ninguém indevidamente atrapalhe seus trabalhos.
Fundamental seria garantir a transparência em todas as apurações feitas e buscar junto às autoridades competentes, o fim do sigilo nas delações premiadas de executivos das empreiteiras.
Garantir que a opinião pública nacional e a imprensa mundial tenham o devido acesso a todas as apurações, dentro do direito de saber o que – de fato – derrubou um governo de esquerda no Brasil.
Este breve roteiro seria a forma mais fácil que o novo governo teria para livrar-se dos incômodos que os correligionários do governo deposto prometem trazer.
Isto feito, poderíamos tranquilamente aprovar as verdadeiras e inadiáveis reformas que o Brasil necessita.
MARXISMO CULTURAL - 09/05/2016
Os americanos subscrevem, atualmente, duas concepções equivocadas: a primeira é a ideia de que o comunismo deixou de ser uma ameaça quando a União Soviética implodiu; a segunda é a crença de que a Nova Esquerda dos anos sessenta entrou em colapso e desapareceu também. "Os Anos Sessenta Estão Mortos," escreveu George Will ("Slamming the Doors," Newsweek, Mar. 25, 1991).
Uma vez que, como movimento político, a Nova Esquerda não tinha coesão, ela desmoronou. No entanto os seus seguidores reorganizaram-se e formaram um sem número de grupos dedicados a um só tópico. É devido a isso que hoje temos as feministas radicais, os extremistas dos movimentos negros, os ativistas "pela paz", os grupos dedicados aos "direitos" dos animais, os ambientalistas radicais, e os ativistas homossexuais.
Todos estes grupos perseguem a sua parte da agenda radical através duma complexa rede de organizações tais como a "Gay Straight Lesbian Educators Network" (GSLEN), a "American Civil Liberties Union" (ACLU), "People for the American Way", "United for Peace and Justice", "Planned Parenthood", "Sexuality Information and Education Council of the United States" (SIECUS), e a "Code Pink for Peace".
Tanto o comunismo como a Nova Esquerda encontram-se vivos e com boa saúde, aqui na América, preferindo usar palavras de código tais como: tolerância, justiça social, justiça econômica, paz, direitos reprodutivos, educação sexual e sexo seguro, escolas seguras, inclusão, diversidade e sensibilidade. Tudo junto, isto é marxismo cultural mascarado de multiculturalismo.
O nascimento do multiculturalismo
Antecipando a tempestade revolucionária que iria transformar o mundo num inferno de terror vermelho, levando ao nascimento da terra prometida de justiça social e igualdade proletária, Frederick Engels escreveu: Todas as (...) grandes e pequenas nacionalidades estão destinadas a desaparecer (...) na tempestade revolucionária mundial (...). (Uma guerra global) limpará todas (...) as nações, até os seus nomes. A próxima guerra mundial resultará no desaparecimento da face da Terra não só das classes reacionárias (...) mas (...) também dos povos reacionários. ("The Magyar Struggle," Neue Rheinische Zeitung, Jan. 13, 1849).
Quando a Primeira Grande Guerra terminou, os socialistas perceberam que algo não havia corrido bem, uma vez que os proletários do mundo não haviam prestado atenção ao apelo de Marx de se insurgirem em oposição ao capitalismo abraçando, no seu lugar, o comunismo. Devido a isto, começaram a investigar o que havia acontecido errado.
Separadamente, dois teóricos marxistas, Antonio Gramsci (Itália) e Georg Lukacs (Hungria), concluíram que o Ocidente cristianizado era o obstáculo que impedia a chegada da nova ordem mundial comunista.
Devido a isto, eles concluíram que, antes da revolução ter sucesso, o Ocidente teria que ser conquistado. Gramsci alegou que, uma vez que o Cristianismo já dominava o Ocidente há mais de dois mil anos, não só esta ideologia estava fundida com a civilização ocidental como ela havia 'corrompido' a classe operária.
Devido a isto, afirmou Gramsci, o Ocidente teria que ser previamente descristianizado através duma "longa marcha através da cultura". Adicionalmente, uma nova classe proletária teria que ser criada. No seu livro "Cadernos do Cárcere," Gramsci sugeriu que o novo proletariado fosse composto por criminosos, mulheres, e minorias raciais. Segundo Gramsci, a nova frente de batalha deveria ser a cultura, começando pela família tradicional e absorvendo por completo as igrejas, as escolas, a grande mídia, o entretenimento, as organizações civis, a literatura, a ciência e a história. Todas estas instituições teriam de ser transformadas radicalmente e a ordem social e cultural teria que ser gradualmente subvertida de modo a colocar o novo proletariado no topo.
O protótipo
Em 1919, Georg Lukacs tornou-se vice-comissário para a Cultura do regime bolchevique de curta duração de Bela Kun, na Hungria. Imediatamente ele colocou em marcha planos para descristianizar a Hungria, raciocinando que, se a ética sexual cristã pudesse ser fragilizada junto às crianças, o odiado patriarcado e a Igreja sofreriam um duro golpe.
Lukacs instalou um programa de educação sexual radical e palestras sexuais foram organizadas; foi distribuída literatura contendo imagens que instruíam graficamente os jovens a enveredar pelo "amor livre" e pela intimidade sexual (ao mesmo tempo a mesma literatura os encorajava a ridicularizar e a rejeitar a ética moral cristã, a monogamia e a autoridade da igreja). Tudo isso foi acompanhado por um reinado de terror cultural perpetrado contra os pais, sacerdotes e dissidentes.
Os jovens da Hungria, alimentados com uma dieta constante de neutralidade de valores (ateísmo) e uma educação sexual radical, ao mesmo tempo em que eram encorajados a revoltar-se contra toda a autoridade, facilmente se transformaram em delinquentes que variavam de intimidadores e ladrões menores, a predadores sexuais, assassinos e sociopatas. A prescrição de Gramsci e os planos de Lukacs foram os precursores do que o marxismo cultural, mascarado de SIECUS, GSLEN, e a ACLU - agindo como executores da lei judicialmente aprovados - mais tarde trouxe às escolas americanas.
Construindo uma base
No ano de 1923 foi fundada na Alemanha de Weimar a Escola de Frankfurt - um grupo de reflexão marxista. Entre os fundadores encontravam-se Georg Lukacs, Herbert Marcuse, e Theodor Adorno. A escola era um esforço multidisciplinar que incluía sociólogos, sexólogos e psicólogos. O objetivo primário da Escola de Frankfurt era o de traduzir o marxismo econômico para termos culturais.
A escola disponibilizaria as ideias sobre as quais se fundamentaria uma nova teoria política de revolução, aproveitando o novo grupo "oprimido" no lugar do proletariado infiel. Esmagando a religião e a moralidade, a escola construiria também um eleitorado junto aos acadêmicos que fariam carreiras profissionais estudando e escrevendo sobre a nova opressão.
Mais para o final, Herbert Marcuse - que favorecia a perversão polimorfa - expandiu o número do novo proletariado de Gramsci de modo a que se incluíssem os homossexuais, as lésbicas e os transexuais. A isto se juntou a educação sexual radical de Lukacs e as táticas de terrorismo cultural. A "longa marcha" de Gramsci foi também adicionada à mistura, sendo ela casada à psicanálise freudiana e às técnicas de condicionamento psicológico. O produto final foi o marxismo cultural, hoje em dia conhecido no Ocidente como multiculturalismo.
Apesar disso tudo, era necessário mais poder de fogo intelectual, uma teoria que patologizasse o que teria que ser destruído. Nos anos 50, a Escola de Frankfurt expandiu o marxismo cultural de modo a incluir a ideia da "Personalidade Autoritária" de Theodor Adorno. Tal ideia tem, como premissa, a noção de que o Cristianismo, o capitalismo e a família tradicional geram um tipo de caráter inclinado ao racismo e ao fascismo.
Logo, qualquer pessoa que defenda os valores morais tradicionais da América, bem como as suas instituições, é ao mesmo tempo um racista e um fascista.
O conceito da "Personalidade Autoritária" defende também que as crianças criadas segundo os valores tradicionais dos pais irão tornar invariavelmente racistas e fascistas. Como consequência, se o fascismo e o racismo fazem parte da cultura tradicional da América, então qualquer pessoa educada segundo os conceitos de Deus, família, patriotismo, direito ao porte de armas ou mercados livres precisa de ajuda psicológica.
A influência perniciosa da ideia da "Personalidade Autoritária" de Adorno pode ser claramente vista no tipo de pesquisas que recebem financiamento através dos impostos dos contribuintes.
Em agosto de 2003, a "National Institute of Mental Health" (NIMH) e a "National Science Foundation" (NSF) anunciaram os resultados do seu estudo financiado com 1.2 milhões de dólares, dinheiro dos contribuintes. Essencialmente, esse estudo declarou que os tradicionalistas são mentalmente perturbados. Estudiosos das Universidades de Maryland, Califórnia (Berkeley), e Stanford haviam determinado que os conservadores sociais... sofrem de "rigidez mental", "dogmatismo", e "aversão à incerteza", tudo com indicadores associados à doença mental. (http://www.edwatch.org/ - 'Social and Emotional Learning" Jan. 26, 2005)
O elenco orwelliano de patologias demonstra o quão longe a longa marcha de Gramsci já nos levou.
Uma ideia correspondente e diabolicamente construída é o conceito do "politicamente correto". A sugestão forte aqui é que, para que uma pessoa não seja considerada "racista" e/ou "fascista", não só essa pessoa deve suspender o julgamento moral, como deve abraçar os "novos" absolutos morais: diversidade, escolha, sensibilidade, orientação sexual, e a tolerância. O "politicamente correto" é um maquiavélico engenho de "comando e controle" e o seu propósito é a imposição de uma uniformidade de pensamento, discurso e comportamento.
A Teoria Crítica é outro engenho psicológico de "comando e controle". Como declarado por Daniel J. Flynn, "a Teoria Crítica, tal como o nome indica, só critica. O que a desconstrução faz à literatura, a Teoria Crítica faz às sociedades." (Intellectual Morons, p. 15-16). A Teoria Crítica é um permanente e brutal ataque, através da crítica viciosa, aos cristãos, ao Natal, aos Escoteiros, aos Dez Mandamentos, às nossas forças militares, e à todos os outros aspectos da sociedade e cultura americana.
Tanto o "politicamente correto" como a Teoria Crítica são, na sua essência, intimidações psicológicas. Ambas são maços de calceteiros psicopolíticos através dos quais os discípulos da Escola de Frankfurt - tais como a ACLU - estão procurando forçar os americanos a se submeterem e a obedecerem aos desejos e planos da esquerda. Estes processos desonestos não são mais do que versões psicológicas das táticas de "terrorismo cultural" de Georg Lukacs e Laurenti Beria.
Nas palavras de Beria: A obediência é o resultado do uso da força (...). A força é a antítese das ações humanizantes. Na mente humana isto é tão sinônimo de selvageria, ilegalidade, brutalidade e barbarismo, que é apenas necessário exibir uma atitude desumana em relação às pessoas para receber delas obediência. (The Russian Manual on Psychopolitics: Obedience, por Laurenti Beria, chefe da Polícia Secreta Soviética e braço direito de Stalin.).
Pessoas com pensamento contraditório, pessoas que se encontram "em cima do muro", também conhecidos como "moderados", centristas e RINOs (ed: RINO= Republicans In Name Only, isto é, falsos republicanos), carregam consigo a marca dessas técnicas psicológicas de "obediência". De uma forma ou outra, tais pessoas - que em casos literais se encontram com medo de serem vítimas dos agentes de imposição de obediência - decidiram ficar em cima do muro sob pena de serem consideradas culpadas de terem uma opinião.
Ao mínimo sinal de desagrado dos agentes de imposição da obediência (isto é, polícias do pensamento), estas pessoas içam logo a bandeira amarela de rendição onde está escrito de forma bem visível: "Eu não acredito em nada e eu tolero tudo!".
Determinismo cultural
A cavilha da roda [inglês: "linchpin"] do marxismo cultural é o determinismo cultural, parente da política de identidade e da solidariedade de grupo. Por sua vez, o determinismo cultural foi gerado pela ideia darwiniana de que o homem mais não é que um animal sem alma e que, portanto, a sua identidade - a sua pele, as suas preferências sexuais e/ou as suas preferências eróticas - é determinada pelo exemplo.
Esta proposição rejeita o conceito do espírito humano, da individualidade, do livre arbítrio e de uma consciência moralmente informada (associada à culpabilidade pessoal e à responsabilidade) uma vez que ela nega a existência do Deus da Bíblia.
Consequentemente, e por extensão, ela rejeita também os primeiros princípios da liberdade americana enumeradas na Declaração de Independência. Estes são os nossos "direitos inalienáveis, entre os quais se encontram a vida, a liberdade e a busca da felicidade." O marxismo cultural deve rejeitar todos estes princípios porque eles "foram doados pelo nosso Criador" que fez o homem à Sua Imagem.
Para David Horowitz, o determinismo cultural é... política de identidade - a política do feminismo radical, da revolução queer e do afro-centrismo - que formam a base do multiculturalismo acadêmico (...) uma forma de fascismo acadêmico e (...) de fascismo político também. (Mussolini and Neo-Fascist Tribalism: Up from Multiculturalism, by David Horowitz, Jan. 1998)
É dito que a coragem é a primeira das virtudes porque sem ela o medo paralisa o homem, impedindo-o de agir segundo as suas convicções morais e de falar a verdade. Assim, trazer um estado geral de medo paralisante, apatia e submissão às correntes da tirania, é o propósito final do terrorismo cultural psico-político, uma vez que a agenda revolucionária da esquerda comunista deve, a qualquer preço, estar envolta em secretismo.
O antídoto para o terrorismo cultural é a coragem e a luz da verdade. Se nós queremos vencer esta guerra cultural, reclamando e reconstruindo nosso país de modo que os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos possam viver numa "Cidade Resplandescente situada na Colina", onde a liberdade, as famílias, as oportunidades, o mercado livre e a decência florescem, temos que reunir a coragem de, sem medo, expor a agenda revolucionária da esquerda comunista à Luz da Verdade. A verdade e a coragem de declará-la nos libertará.
Linda Kimball é autora de diversos artigos e ensaios sobre cultura e política. Publicado no American Thinker - http://www.americanthinker.com
Tradução: Blog O Marxismo Cultural
SEXTA 13, DIA SEM BRUXA - 08/05/2016
(Publicado originalmente em O Globo)
Os democratas que defendem Dilma e a quadrilha do petrolão contra o golpe de Sérgio Moro estão discretamente eufóricos. Os tanques da direita, que vieram arrancar a presidenta mulher à força do palácio, resolverão todos os seus problemas. Estava desconfortável (e, o que é mais grave, trabalhoso) esse negócio de ser governo.
Foram anos de sofrimento para continuar do contra, sendo a favor. Foi preciso instaurar o primeiro governo de oposição da história — e não pensem que isso é fácil. Aumentar os juros e gritar contra os juros altos, roubar o Estado e denunciar a corrupção, devastar a economia popular e defender o povo... Isso cansa uma pessoa.
Mas deu tudo certo: após 13 anos e meio de poupança ortodoxa, com propinas por fora e por dentro, valerioduto e pixulecos garantindo o formidável abastecimento do caixa partidário, chegou a hora de desfrutar. A elite vermelha volta para o presépio dos oprimidos, gorda e rica, só para jogar pedras — o que faz um bem danado à alma progressista e quase não suja as mãos. Mas eis que surge o revés inesperado.
Quando os professores de História já abrilhantavam suas aulas-comício, inserindo o golpe contra os imaculados parasitas para entregar o Brasil ao PMDB de Eduardo Cunha, viraram a mesa. Num ato sem precedentes, o Supremo Tribunal Federal destituiu o presidente da Câmara dos Deputados. Cunha caiu. E agora?
Foi um golpe duro demais para os democratas. É verdade que eles ainda têm o Bolsonaro, a PM de São Paulo, o Trump e a Guerra do Vietnã, mas a perda de um Eduardo Cunha não se repõe facilmente. Quem o STF pensa que é para cometer uma arbitrariedade dessas? Como os homens de bem farão, a partir de agora, para defender Lula — e todos os seus crimes progressistas denunciados pelo procurador-geral — sem poder gritar que bandido é o Cunha? A Anistia Internacional não está vendo isso?
O Prêmio Nobel da Paz está. Pelo menos um dos seus detentores, o escritor argentino Adolfo Pérez Esquivel, parceiro de Cristina Kirchner, Nicolás Maduro e toda essa turma boa que ama a democracia (amor infelizmente não correspondido). Pérez Esquivel fez história no Senado brasileiro ao denunciar o golpe de Estado contra Dilma Rousseff. E atenção: o golpe foi executado por Eduardo Cunha, o mau. Quem sabe até o seu afastamento agora não foi uma espécie de queima de arquivo?
Aí vem o relator da comissão do impeachment, naquela mesma bancada onde um Nobel da Paz fez história, e expõe de forma monótona, sem um pingo de glamour, todos os crimes cometidos por Dilma Rousseff no exercício da Presidência da República. Esse aí nunca vai ganhar um Nobel. Além de tudo, é estraga-prazeres: mostrou de forma absolutamente desagradável que Eduardo Cunha não tem nada a ver com o impeachment — apenas o colocou em votação. A Anistia Internacional não está vendo isso?
Nos dois anos de literatura da Lava-Jato, entende-se de onde vieram os bilhões de reais que bancam há anos os advogados mais caros do país para os guerreiros do povo brasileiro; que bancam há anos as campanhas eleitorais nababescas pelas quais o PT se tornou o feliz proprietário dos Três Poderes; que compraram movimentos sociais (sic), entidades de classe, jornalistas com indignação tabelada, espalhadores de boatos e manifestantes profissionais. Mas nada é tão poético quanto um pedido de propinas retroativas — atribuído ao companheiro Ricardo Berzoini pelo ex-presidente da Andrade Gutierrez.
Segundo Otavio Azevedo, o então presidente do PT e atual ministro da golpeada e oprimida Dilma avisou, em 2008, que a empreiteira deveria pagar propinas sobre as obras feitas desde 2003 (ano em que o Brasil foi redescoberto). O apetite dos representantes desse governo progressista é conhecido, vide seus tesoureiros presos e o envolvimento de todos — todos — os seus principais líderes em negociatas democráticas e revolucionárias. A conta é a seguinte: quem foi mais importante na construção heroica da atual pindaíba nacional? A gangue do Lula ou a do Eduardo Cunha?
Quem acertar ganha um Nobel da Paz e meio quilo de mortadela.
Da última vez em que o Brasil viveu um impeachment, o governo passou às mãos de um presidente filiado ao PMDB. O que se impôs, então, não foi uma orgia fisiológica — foi o Plano Real. Itamar Franco foi obrigado pela ruína política e econômica a dar poder ao Brasil que trabalha. Michel Temer está na mesma situação.
Os prognósticos apontam para a sexta-feira 13 o fim da agonia. Descerá a rampa, então, a criatura que Lula inventou para tomar conta da porta, enquanto eles limpavam a casa. Uma criatura que os brasileiros incrivelmente engoliram — mesmo que, diante dela, um Tiririca seja praticamente um Churchill. Tchau, querida.
A parada agora é entre o Brasil que trabalha e o Brasil que atrapalha.
Guilherme Fiuza é jornalista
DO RUY AO CUNHA - 07/05/2016
Em tempos de mentiras, me sinto saudoso dos grandes mestres. Daqueles em quem só percebíamos verdades, ainda que eles, na sua sabedoria, por vezes delas duvidassem. E que num passado não tão distante povoaram as nossas cátedras acadêmicas.
Falo daqueles de quem transbordava muito de honestidade intelectual pelo compromisso de suas consciências com a busca da verdade, e aos quais retribuíamos em respeito, com a certeza de ganhar segurança, no mínimo para o exercício do bem pensar. E, mesmo que algo permanecesse não entendido, tal era a intensidade daquela empatia que lá adiante – neurônios mais amadurecidos-, por certo que as dúvidas se dissipariam.
Pois dentre muitas que tive, uma delas recentemente se esclareceu. Lembro de ter ouvido do mestre de Direito Administrativo Ruy Cirne Lima, há 50 anos, mais ou menos isso: “ ... o interesse público, e não a vontade do administrador, domina todas as formas de administração”. Não havendo isso ocorre o “desvio de finalidade” que a lei coíbe. Na época tal distinção me pareceu pura teoria, distante da prática possível. Ele separava, numa mesma pessoa, o “querer do homem comum” e o “querer do agente público”, coisas distintas. E uma luz acendeu quando ouvi um representante do estado a que chegamos bradar: “... o processo de impeachment é nulo por vício de origem, pois foi aberto por Eduardo Cunha, agora afastado por corrupção”. O que diria o velho Ruy? Que não foi o “querer do Cunha”, mas sim o interesse público contido na “vontade do presidente da Câmara dos Deputados” que abriu o processo de impedimento. O “homem” corrupto até pode ter agido com o sentimento pessoal de vingança, mas o “agente público” procedeu conforme o interesse público expresso na lei que o autorizava a abrir o processo. Ao contrário da nomeação de Lula para ministro, em que o “desvio de finalidade” ficou escancarado, pois o sentimento de proteção foi a determinante exclusiva do “interesse pessoal de Dilma”, inexistente o mínimo vestígio de “interesse público da presidente da República”. Na época em que ouvi a lição, senti dificuldade em entender ,mas na prática ficou mais fácil. Enfim, aprendi com o Cunha o que na teoria o professor Ruy tentava me ensinar.
O SUPREMO NÃO VAI ANULAR O IMPEACHMENT, NEM ADIANTA TENTAR - 07/05/2016
(Publicado originalmente na Tribuna da Internet)
Em seu artigo de hoje (sábado, 7/5/2016) no O Globo, o festejado, respeitabilíssimo, culto e imortal Merval Pereira (Merval é, merecidamente, membro da Academia Brasileira de Letras, ABL) demonstra que eventual recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obter a anulação do processo de Impeachment será inócuo. E Merval alinha os motivos, aqui reproduzidos em síntese: a) a tese de que o impeachment foi instaurado por vingança de Cunha contra o PT não tem serventia, a não ser na luta política; b) os governistas convalidaram todos os passos do processo, após o julgamento da Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) do PCdoB, ao disciplinar a Suprema Corte o rito para a regular tramitação do processo; c) que o senador Raimundo Lira, que presidiu a Comissão no Senado “deu um nó nos governistas, permitindo que usassem e abusassem de questões de ordens. Deu a palavra a todos eles mesmo quando o regimento não permitia, e o que parecia uma leniência mostrou-se sabedoria, pois ficou impossível à oposição aguerrida alegar cerceamento de defesa e outros pretextos”.
As razões apresentadas por Merval são sólidas. Sólidas e jurídicas. Mas existe uma outra — mais a seguir exposta —de igual ou maior peso, que inviabiliza qualquer tentativa de se buscar no STF a anulação deste processo que tramita de forma regular e imparcial.
VOTOS FOLCLÓRICOS
Nem mesmo aqueles votos dos deputados que na sessão plenária aprovaram a abertura do processo e enviá-lo ao Senado, com votos carregados de dedicatórias e exaltações pessoais, justificam e são argumentos com vista a anulação do processo. Prova disso está no voto do ministro Barroso.
Na sessão do STF que suspendeu, por 11 X 0, o mandato de Cunha, Barroso, antes de dizer “acompanho o relator”, gastou menos de meio minuto para justificar seu voto. E não foi justificação jurídica. Foi metafórica. E emocionada, também. Com o seu doce e meigo tom de voz registrou o ministro Barroso: “Senhor Presidente, uma pessoa me disse assim, ministro, eu não quero trocar o Brasil por outro pais. Eu quero é um outro Brasil”.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA
Há no Direito três institutos que são implacáveis e intransponíveis, que são: prescrição, decadência e preclusão. Todos dizem respeito a tempo e inércia do titular de um Direito. Se a lei estabelece prazo para exercitá-lo e o titular não recorre a Justiça dentro daquele prazo, a lei considera sua pretensão prescrita.
O mesmo acontece com a decadência. No prazo que a lei estipula, a ação deve dar entrada na Justiça. Caso contrário, a pretensão permanece, mas o Direito é fulminado pela decadência. Exemplo: contrato de locação comercial dá ao inquilino o prazo de 6 meses antes do término do contrato par ir à Justiça e renová-lo. É a chamada Ação Renovatória. Se perder o prazo, o inquilino fica na mão do senhorio, que faz dele (do contrato e do inquilino) o que bem entender: despeja ou impõe o valor que o senhorio quiser.
O terceiro e último instituto é o que interessa ao Impeachment e que aqui vai indicado como suplemento às jurídicas fundamentações do nobilíssimo Merval Pereira.
DA PRECLUSÃO
Até Aqui ninguém falou ou escreveu sobre ela, a preclusão, no tocante ao processo do Impeachment. Então, fala-se agora, pela primeira vez. Desde aquele dia do mês de dezembro de 2015 que Eduardo Cunha recebeu a denúncia subscrita por Hélio Bicudo e mais dois outros juristas, começou a contar prazo para que fosse arguída a hoje alegada nulidade por parcialidade de Eduardo Cunha .
E toda e qualquer arguição de nulidade deve ser levantada (apresentada) logo na primeira vez que a parte, a quem a nulidade beneficia, falar nos autos. Caso contrário, a preclusão se consuma e nunca mais pode ser objeto de argüição.
“A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos, sob pena de preclusão“, previa o artigo 245 do Código de Processo Civil (CPC) de 1973 e vigente em Dezembro de 2015.
Este novo CPC de 2016 também dispõe no mesmo sentido e com a mesmíssima redação (Artigo 278, CPC/2016). E Dilma, por seu Advogado-Geral da União falou — e como falou!! — nos autos muitas e muitas vezes, da tribuna do STF, da Câmara e do Senado. Neles interveio, de viva voz e por escrito e jamais alegou nulidade.
SEM ALEGAR NULIDADE
E se alegou, era obrigação de alegá-la na primeira oportunidade em que Dilma falou no processo. Na segunda e nas vezes seguintes não poderia mais.
Logo e consequentemente, eventual alegação de nulidade, nesta avançada fase em que se encontra o processo de Impeachment, nem será examinada, por que se trata de matéria preclusa.”Dormientibus Non Sucurrit Jus” ( O Direito não socorre os que dormem no processo), como nos ensinaram os Romanos.
E como é de trivial conhecimento no mundo jurídico, não se pode esquecer que os dispositivos previstos no Código de Processo Civil podem e devem ser aplicados, por analogia, a todos os procedimentos judiciais, administrativos e políticos instaurados no cenário jurídico nacional.
Além disso, prevê o artigo 3º do Código de Processo Penal Brasileiro que “a lei processual penal admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento dos princípios gerais de direito”. Portanto, prescrição, decadência e preclusão são princípios cardeais do Direito pátrio, seja qual for a sua especialidade ou ramo.
TEMER E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS: OU, A LUA DE MEL DE MOTEL - 05/05/2016
(O autor é membro do grupo Pensar+. O texto foi publicado originalmente em pontocritico.com).
Na política, a expressão “lua de mel” caracteriza o período imediatamente após a eleição de um governante, momento em que as expectativas do eleitorado, mesmo da fatia que não votou no eleito, focam-se no desejo de que o governo dê certo, pois isso viria em benefício de todos. Assim, o eleito ganha um “crédito” para tomar as medidas sem ser cobrado por resultados imediatos, permanecendo um tempo em “estado de observação”.
A duração desse clima varia conforme a capacidade de o governante acertar, produzindo resultados positivos que correspondam à expectativa gerada. Se errar encurta ou interrompe a lua de mel e começa a sofrer adversidades políticas. No caso de Temer, fatais. Daí o título: Lua de Mel de Motel.
As circunstâncias que limitam de forma extrema a latitude e o tempo de Temer para agir sem espaço para errar são de natureza política e econômica.
Do ponto de vista político é inescapável constatar que o PMDB é sócio do desastre produzido pelo PT. Além disso, Temer, vice de Dilma, tem o nome citado em delações da lava jato e herda significativas desconfianças. Inevitável desconhecer, também, o processo que tramita no TSE contra a chapa Dilma/Temer, que, se prosperar, terá o poder de abreviar seu já breve mandato. Pobre Brasil.
Convém ter em conta que boa parte das medidas necessárias para correção estrutural da economia têm potencial de municiar a oposição de esquerda recém desalojado do governo, com um discurso e com um poder de mobilização que, se não forem neutralizados, liquidam Temer na largada.
Do ponto de vista econômico as dificuldades não são menores. Segundo o especialista em contas públicas, Mansueto Almeida no Painel Globonews desse fim de semana, nosso rombo fiscal é de R$ 120 bilhões sem considerar-se os juros da dívida, e de R$ 640 bilhões se incluído esse custo. Para ele, será necessário reduzir o custo da dívida em cerca de R$ 250 bilhões em cerca de dois anos e meio para voltarmos a ter sustentabilidade.
Nessa conta, não estão incluídos os aportes de capital do Tesouro nas estatais. No caso da Petrobrás o aporte poderá girar acima de R$ 70 bilhões, sem considerar o impacto das condenações da petrolífera na Justiça dos EUA, estimados em US$ 98 bilhões a serem desembolsados em cerca de dois anos. Há rombos ainda não estimados na Eletrobrás, na CEF, no BB e no BNDES, que somente serão conhecidos após auditoria que Temer vem anunciando.
Mansueto Almeida sustenta que não vê como inverter esses números apenas cortando gastos e sem aumentar a carga tributária. Eduardo Gianetti alegou que não temos fôlego para mais impostos. Zeina Latif contestou Mansueto. Ela acha que se Temer conseguir criar expectativas positivas invertendo a direção do vento na largada, cria-se um cenário de curto prazo capaz de ampliar a latitude de jogo e dilatar o espaço de tempo que Temer teria para sua lua de mel com o eleitorado. Concordo. Essa equação é política, portanto. Sem sintonia fina com a opinião pública e o mercado nada dará certo. A condução que Temer está dando ao processo revela que ele tem consciência disso e condições de acertar.
A primeira decisão a tomar é com relação à equação do ajuste, com ou sem aumento de impostos. Mansueto alega que mesmo com aumento, se conseguirmos reequilibrar as contas, chegaremos em 2018 no patamar em que estávamos em 2011. Bem, a pergunta que não lhe foi feita é: dada a asfixia fiscal atual dos pagadores de impostos e conhecido o impacto da chamada curva de Laffer, extorquir ainda mais os produtores de riqueza aumentará a arrecadação? Intuo que o resultado será o inverso.
Não sou economista, mas, acrescento que um eventual aumento de impostos também tirará de Temer apoios imprescindíveis (da classe média que foi às ruas e da FIESP, por exemplo), já na largada. Se eu fosse conselheiro do rei, diria: não faça! Sua credibilidade e seu apoio popular atuais não comportariam essa perda imediata, cujos ganhos de médio prazo são, no mínimo, duvidosos.
Onde há oxigênio? Na atração de capitais externos. Exceto pelo petismo, que não conta, parece haver consenso sobre essa alternativa: privatizar e flexibilizar os marcos regulatórios tornando as concessões de portos, aeroportos, estradas, ferrovias, energia, exploração de petróleo e tudo o que puder atrair investidores de forma agressiva. Em sentido oposto às concessões tardias e fracassadas de Dilma, é preciso acenar com rentabilidade e segurança jurídica aos investidores, mesmo que o Brasil esteja barato.
O caso do petróleo é emblemático dado o prazo de validade dessa matriz na economia mundial e a queda do preço que tornou os investimentos menos interessantes. Além de desfazer o que o PT fez no pré-sal, talvez seja necessário flexibilizar mais, até mesmo o marco regulatório tucano para as demais áreas de exploração, tornando o investimento atraente ao pondo de interessar potenciais investidores que já perdemos para outros competidores (México, por exemplo).
O agronegócio, maltratado pelo petismo, é outro setor que demanda um carinho especial e que, pela competitividade combinada ao real desvalorizado, se incentivado com medidas corretas, pode atrair divisas com rapidez.
Medidas como essas, mesmo que anunciadas e implementadas em curtíssimo prazo, requerem algum tempo para produzir efeitos, ainda que na frente externa já estejamos colhendo os frutos da desvalorização do real. Mais uma vez, o que se espera desse tipo de medida não é o resultado econômico imediato, mas sim a reversão de expectativas visando reconstituir o otimismo.
Conviria a Temer fazer acompanhar essas medidas de máxima publicidade às descobertas que virão à tona sobre o descalabro da gestão pública sob desmando petista. O objetivo aqui seria mais o rebaixamento de expectativas visando ampliar o crédito para aceitação de medidas incontornáveis como corte de gastos. A virtual sensação de alívio posterior, ainda que psicológica, seria mais facilmente sentida pela população quando o resultado positivo começar a acontecer, tanto mais quanto mais grave for percebida, agora, a herança maldita do PT.
Supondo-se o sucesso inicial na direção aqui apontada e tirado o paciente da UTI para a sala de recuperação, haveria condições para avançar medidas estruturais incontornáveis como a Reforma da Previdência? No curto prazo? Nem pensar! Se não vejo como aumentar impostos sem atrair a ira das ruas, muito menos mexer nas aposentadorias. Nesse terreno, o máximo que dá para fazer é aprofundar o debate sobre a gravidade da situação, preparando o terreno para medidas futuras. Não esqueçamos que Temer já é acusado de querer cortar os gastos sociais que Dilma está cortando. Esse ônus já está precificado e é inescapável.
Onde antevejo margem para alguma alteração estrutural capaz de ser assimilada sem maiores resistências e com potencial sobre a geração de empregos é na medida que prevê a sobreposição à Lei dos acordos trabalhistas entre empregados em empregadores, trocando preservação ou geração de empregos por redução de custos de contratação e demissão. A Justiça Trabalhista (absurdo!), tem anulado esse tipo de acordo alegando desrespeito à legislação. Dado o cenário de recessão e desemprego, há espaço para avanços nessa área, sem que o debate se perca na chicana das desonerações seletivas implementadas pelo PT e anuladas pela própria ineficácia e obtusidade da ótica econômica petista.
Assim, passo a passo, testando cada possibilidade antes de agir, medindo no milímetro o eventual avanço e o microcrédito político conquistado junto à opinião pública e o mercado no curtíssimo prazo, Temer poderia ir criando as condições para algumas ousadias moderadas à medida em que, se acertar mão, o povo for lhe concedendo a possibilidade de curtir mais algumas noites no motel. O povo, em seu próprio benefício, deseja que Temer acerte. O Brasil precisa que Temer acerte.
Assim agindo fecharemos as contas das planilhas de Mansueto Almeida? Não sei. Mas, a Economia e a Política são ciências do comportamento. E, para fechar as contas nessa matemática política, impõe-se criar um ambiente favorável para que os especialistas em planilhas trabalhem em condições de conduzir os números ao devido lugar.
ENFRENTANDO A CRISE - 05/05/2016
(Publicado originalmente no Diário do Poder)
O governo de Michel Temer enfrentará grandes turbulências, enquanto perdurar o julgamento do impeachment no Senado.
Qualquer erro será fatal, tendo em vista que, a despeito do afastamento da Presidente Dilma, os partidos que a apoiam e suas linhas auxiliares farão uso de qualquer meio, sem nenhum limite, para incomodar a interinidade de Temer.
Algumas sugestões ao novo governo: a) é indispensável a consciência que se trata de uma transição, sob pena de não conseguir aglutinar o indispensável apoio político; b) as ações devem, em primeiro plano, ter em conta a superação dos grandes problemas conjunturais e somente tratar das questões estruturais, quando reunir suficientes credibilidade popular e apoio político, ainda assim sem pretensões megalomaníacas que podem suscitar conflitos de razão; c) apoiar ostensivamente a Operação Lava-Jato, sem dispensar iniciativas próprias de investigação de outros focos de corrupção; d) anunciar disposição de colaborar na resolução da crise fiscal dos Estados e Municípios, cuja dramaticidade é tamanha que tem sido capaz de interromper o pagamento dos aposentados e o funcionamento da rede pública de saúde; e) ampla divulgação dessas medidas, com absoluta transparência.
A transição não será bem-sucedida, entretanto, sem o imediato enfrentamento da crise fiscal, cuja verdadeira dimensão somente será conhecida depois de contabilizadas as medidas irresponsáveis, adotadas nos estertores atual governo, e identificados os esqueletos fiscais espalhados nos bancos oficiais e empresas estatais.
Nesse enfrentamento, há os que se apressam em proclamar a inevitabilidade do aumento de tributos, no pressuposto de que gastos obrigatórios inviabilizam a redução de despesas.
A obrigatoriedade das despesas, entretanto, não decorre de édito divino ou de cláusula pétrea constitucional, mas de normas sujeitas à revisão.
Alega-se que é difícil, politicamente, proceder-se à revisão da obrigatoriedade. Retruco dizendo que essa dificuldade política também se aplica à elevação de tributos.
A Desvinculação de Receitas da União (DRU), como prevê emenda constitucional prestes a ser promulgada, é um exemplo de que é possível afastar-se a obrigatoriedade.
Outra providência recomendável seria a vedação à indexação de gastos sociais ao salário mínimo, o que facultaria uma maior focalização na atenção à pobreza.
Há, além disso, gastos não obrigatórios que poderiam ser reduzidos ou eliminados, a exemplo das verbas de publicidade, subsídios a forças auxiliares de partidos políticos - autodesignadas "movimentos sociais" -, cancelamento de restos a pagar de despesas não executadas, fechamento de representações diplomáticas sem relevância política ou econômica, etc.
Ainda com o objetivo de reduzir despesas, deveria ser implementado um programa de eficiência na administração pública, tendo como símbolo inicial a redução do número de ministérios.
A alienação de participações acionárias em empresas públicas, a intensificação das concessões e permissões em projetos de infraestrutura, e a revisão das regras de exploração do pré-sal são medidas que produzem receitas e dinamizam a economia.
Os incentivos fiscais devem ser reavaliados, inclusive para detectar os previsíveis casos de corrupção.
Na União, os créditos inscritos em dívida ativa se elevam a R$ 1,4 trilhão, aos quais se acrescentam R$ 590 bilhões em discussão administrativa.
Não parece crível que não se possa conferir liquidez a 10% desse montante, o que implicaria resolver o déficit fiscal deste ano. Para isso é necessário recorrer a soluções não convencionais, como transações que envolvam a construção de regimes tributários de transição ou o perdão de multas, condicionado a um bom comportamento fiscal futuro.
A lei relativa à regularização de ativos no Exterior é complexa, tem vícios de inconstitucionalidade e traz insegurança para os virtuais destinatários, em desfavor da expectativa de receitas extraordinárias. Não hesitaria em refazê-la integralmente, em regime de urgência.
Everardo Maciel foi secretário da Receita Federal.
A GLOBONEWS E O NAZISMO - 02/05/2016
(Publicado originalmente em www.alertatotal.net)
Todos os dias, assistimos diversos grupos ostentando símbolos e reverenciando ditaduras comunistas, invadindo e depredando propriedade privada, bloqueando estradas e ameaçando tocar fogo no país caso Dilma seja afastada, mas a preocupação da Globo News é com o avanço do nazismo no Brasil.
Por toda a semana, o principal canal de notícias da TV fechada veiculou a chamada para uma reportagem sobre o assunto, terminando com a seguinte frase: "Algo precisa ser feito". É verdade. Algo precisa ser feito.
O apoio que a imprensa brasileira vem dando ao processo de impeachment não representa uma guinada a direita. Está apenas tentando salvar a si mesma, seus negócios. Ela sabe que o PT quebrou o Brasil e que Dilma não tem interesse nem condições de resolver os problemas. Sabe que um novo governo reanimará o mercado e fará pelo menos alguns ajustes. A grande mídia precisa de uma economia saudável tanto quanto qualquer pequena empresa. No entanto, ainda não será desta vez que veremos o jornalismo brasileiro realmente comprometido com a verdade e respeitando a sociedade. Os grandes jornais e telejornais continuarão sendo os principais apoiadores no comunismo.
Na semana passada, Gregório Duvivier disse ao jornal Folha de São Paulo o que faria para resolver a crise brasileira: Dissolveria o congresso para impor expropriações e que só convocaria novas eleições quando julgasse que suas medidas já estivessem bem consolidadas. Traduzindo: Uma clássica revolução comunista. Qual a repercussão de suas palavras? Nenhuma. Lembrando: Duvivier é um dos principais nomes do meio cultural "contra o golpe e a favor da democracia".
A deputada Jandira Feghali, que na câmara liderou a mesma campanha "contra o golpe e a favor da democracia" é filiada ao PCdoB, partido que apoia formalmente a ditadura da Coreia do Norte. Alguma vez a Rede Globo questionou isso? Nunca. Jandira Feghali continua tendo acesso aos microfones da maior emissora do país como se fosse a mais nobre defensora da liberdade.
Um dos fundadores do PSOL, Achile Lollo, pertenceu a um grupo terrorista na Itália, onde o próprio incendiou a casa de um adversário, causando a morte de duas pessoas, entre elas, uma criança.
O deputado estadual Marcelo Freixo, do mesmo PSOL, financiou e deu suporte jurídico a black blocs durante a onda de protestos em 2013.
No ano de 2014, o PSOL recebeu pouco mais de R$ 3 milhões do fundo partidário. No ano seguinte, o valor saltou para R$ 16 milhões. O PCdoB recebeu R$ 17 milhões para defender o comunismo. O PT recebeu R$ 116 milhões para destruir a economia brasileira. Partidos como PCO, PSTU e PCB, inexpressivos no congresso, mas com grande influência nos movimentos estudantis, receberam em 2015 mais de R$ 6,5 milhões de reais do governo para lutar contra a propriedade privada.
O Instituto Paulo Freire recebeu quase R$ 600 mil para difundir o marxismo na educação. O MST, movimento não tem sequer um CNPJ, recebeu R$ 1,6 milhões para invadir fazendas e destruir centros de pesquisa. A UNE recebeu quase R$ 1 milhão pelo seu trabalho de recrutamento de comunistas. O governo petista já enviou mais de US$ 6 bilhões para regimes comunistas por meio de financiamentos obscuros. Os assassinos Che Guevara, Fidel Castro, Lamarca e Mariguela são homenageados com frequência dentro do congresso, nas universidades e em diversos eventos oficiais, sob total complacência da Rede Globo.
Pergunto:
Qual a intenção da Rede Globo ao santificar os terroristas que tentaram derrubar a ditadura militar para implantar uma ditadura comunista?
Em que sentido a ditadura militar brasileira foi pior do que os regimes comunistas da época?
Por qual razão a Rede Globo nunca se aprofundou sobre o grupo terrorista do qual participava a atual presidente da república a alguns de seus companheiros que vieram a ocupar e ainda ocupam altos cargos no governo?
Existe um bilhão de livros para compor uma cena romântica de novela. Sendo assim, por qual razão o livro escolhido pela Globo para uma cena estrelada pela queridinha Marjorie Estiano na novela Amor a Vida foi Meus Treze Dias com Che Guevara? A intenção era mostrar o lado poético da vida de um assassino? "É muito legal saber um pouco mais do Che, o que ele pensava...", comenta a personagem Natasha, suspirando de admiração.
Que compromisso com a verdade é esse que não permite informar o cidadão comum sobre a verdadeira biografia dos líderes de movimentos e de partidos de extrema-esquerda e a afinidade deles com ditaduras e com autores que fundamentaram a teoria do totalitarismo comunista?
Que compromisso com a verdade é esse que não permite informar o brasileiro sobre a perseguição sofrida pelos cristãos em Cuba?
Que compromisso com a verdade é esse que não permite informar a população sobre a miséria generalizada que foi imposta pelos comunistas em TODOS os países que dominaram?
Que compromisso com a verdade é esse que chama de "manifestações populares" os eventos organizados por sindicatos e partidos comunistas que pagam pela presença dos participantes?
Na reportagem sobre o nazismo que foi ao ar hoje, a Globo News fez entrevistas com vítimas, identificou células do movimento, destacou os horrores dos campos de concentração mas... quando a emissora fez algo parecido sobre os horrores do comunismo? Nunca.
Insisto:
Como devemos julgar uma emissora que, a despeito dos tantos movimentos comunistas que nos ameaçam cotidianamente, ocupa seu horário nobre com uma reportagem sobre a "ameaça neonazista"? Quem já viu uma suástica sendo exibida na rua? Qual partido político defende as ideias nazistas? Será mesmo que o movimento neonazista que ninguém vê merece, no atual momento do Brasil, uma reportagem especial da Globo News? Não deveríamos suspeitar da intenção de se levar ao ar tal reportagem justamente no momento em que os grupos que defendem o PT acusam a oposição de ser golpista, fascista e... nazista?
Contra o nazismo, existem leis e o repúdio da mídia e da sociedade. E contra o comunismo?
Algo precisa ser feito.
Até quando estaremos reféns de uma mídia que dá voz a pessoas, grupos e partidos que lutam contra a iniciativa e a propriedade privada? Até quando seremos obrigados a ver grandes veículos de comunicação tratando como celebridades artistas e intelectuais que defendem ditaduras?
Algo precisa ser feito e eu digo o quê: Acabar com a legislação que impede o surgimento de novos canais de televisão.
João Cesar de Melo é membro do Instituto Liberal.
SOU CANDIDATO A MINISTRO DA JUSTIÇA, TENHO ATÉ EQUIPE FORMADA - 28/04/2016
(Publicado originalmente na Tribuna da Internet)
A notícia do O Globo de hoje, com destaque (“Há Vaga. Procura-se um ministro da Justiça. Tratar no Jaburu”), lida na página 7 e assinada por Paulo Celso Pereira, tocou meus brios e a vocação inata de servir ao próximo. Nem a idade (70, alcançada sábado passado, 23 de abril), nem a condição de aposentado e a mudança para Brasília me levam ao desânimo. E o incentivo maior é estar investido dos poderes, atribuições e competência que a Constituição Federal outorga aos ministros de Estado e desempenhá-los da forma mais ética, inteligente e com a máxima isenção, sem partidarismo, negociata ou conchavo. E com isenção, sabedoria e arte, tocar o país para frente.
O que de certa forma me acanha, no entanto, é o oferecimento. Acho feio ser oferecido. Mas a situação do país é de tamanha indigência moral e de escancarada escassez de brasileiros e brasileiras, metidos na política, capazes de ocupar e exercer cargo público, sem qualquer outro interesse que não seja o de servir ao país, que supero o acanhamento e digo ao futuro presidente Temer: Me chame que aceito.
OS COMPROMISSOS
Me comprometo a exercer a orientação, coordenação e supervisão de todos os órgãos, instituições e entidades submetidas ao Ministério da Justiça com o máximo zelo e presença constante. Mas referendar atos e decretos assinados pelo Presidente da República — e esta é uma das atribuições que a Constituição confere aos Ministros de Estado — tanto somente farei se estiverem induvidosamente de acordo com a lei e se forem para o bem do povo e felicidade geral da Nação. Caso contrário, primeiro vou convencer o presidente da República a desistir da prática que identifico ilegal e/ou danosa. E se não conseguir êxito, renuncio.
Igual comportamento terei no que se refere à prática de atos e ordens emanados do presidente, por outorga ou delegação. Se os objetivos não forem cem por cento honestos, altaneiros, legais e de acordo com a Constituição e o Estado Democrático de Direito, deixo o cargo, deixo Brasilia e nunca mais coloco os pés lá.
Não me servirei a defender presidente da República submetido a impeachment, seja qual for o motivo. Ministro da Justiça não se presta para tal missão. Nem mesmo outro servidor ou agente público qualquer. Para tanto deve o presidente constituir advogado particular. Afinal, não se pode servir a dois senhores: a quem lesou o erário nacional e à União lesada.
Me comprometo a apresentar ao Presidente da República relatório semestral (a CF determina relatório anual) da minha gestão, seja no trato e administração da coisa pública, dos encontros e tratativas que tenham sido indispensáveis à boa marcha do ministério e fundamentalmente dos dinheiros recebidos e gastos.
SIMPLICIDADE
Um servidor ou agente público tem o imperioso dever de viver e conviver na mais modesta forma vida. E quanto maior for o destaque e a importância do cargo, maior ainda deve ser a simplicidade, não é mesmo José Mujica? Nada de ostentação, de soberba, luxo, mordomias, palácios… vida fácil e nababesca. A todos receber será a regra número 1. Afinal, como diz o próprio nome da profissão, servidor público presta serviços públicos e ao público, à população. E população, ao lado do território e governo, é o mais importante dos três elementos que dão existência a uma nação. Sem população não existe nação alguma.O povo, a população, de tudo são os destinatários principais e finais. E até mesmo únicos, por que não?
REUNIÕES PÚBLICAS
Não se pode gerir e administrar o bem público como se fosse próprio e privado. Daí o motivo que me levará a instituir reuniões ministeriais públicas, com a presença da imprensa, entre colegas ministros, com as chefias de órgãos, instituições e entidades subordinadas ao Ministério da Justiça e com o próprio presidente da República.
O que é público não pode ser ocultado, nem sigiloso. Tudo é para ser feito e tratado às claras, na presença e com o conhecimento do povo, salvo raríssimas exceções que recomendem o sigilo desde que em benefício da ordem e das garantias constitucionais e a bem do Estado Brasileiro.
MAIS COMPROMISSOS
Assumo o compromisso de priorizar, revitalizar e proporcionar todos os meios necessários para o bom e fiel desempenho e atuação da Defensoria Pública da União, do Departamento de Polícia Federal, das Policias Rodoviária, Ferroviária, Marítima, Aérea e de Fronteiras. De defender, intransigentemente, a Ordem Jurídica, os Direitos Civis e Políticos, os Direitos dos Indígenas e dos Consumidores e dos bens e dos próprios da União. Da prevenção e repressão, ininterruptas e com os melhores aparelhamentos, materiais e humanos, ao contrabando, aos entorpecentes, à lavagem de dinheiro, à cooperação jurídica internacional. Garantir a Segurança Pública, dia e noite, de forma preventiva e repressiva.
Planejar, coordenar e administrar o sistema penitenciário nacional, mas para valer, de forma concreta e eficaz, para que esse ideal deixe de constar apenas nas leis e nas intenções dos governantes e ministros da Justiça que até hoje pontificaram no nosso país. Serei rigoroso com a determinação inscrita no artigo 221 da Constituição Federal que obriga que a produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atendam aos princípios da preferência e finalidade educativas, artísticas, culturais e informativas e aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
REPRESENTAÇÃO E O GABINETE
Face à dimensão do território brasileiro, em cada Estado haverá um gabinete de representação do Ministério da Justiça para que a população possa a ele se dirigir, sem necessitar de longos deslocamentos, para reivindicar e/ou denunciar o que entenda necessário e preciso.
Meu gabinete em Brasília terá mobiliário modesto e quem lá for será recebido — e muito bem recebido — independentemente de agendamento. Desnecessárias tantas assessorias, que nada mais são do que cabides de emprego. Bastam a Chefia de Gabinete e a assessoria de comunicação social e as consultorias jurídicas, para as quais, convoco desde logo e na ordem aqui apresentada: Walter Maierovitch, Carlos Newton Leitão de Azevedo, Newton Doreste Baptista, Antonio Sebastião de Lima, Carlos David Santos Aarão Reis (estes três últimos magistrados no Rio de Janeiro, aposentados e que no exercício da magistratura se mostraram exemplares juízes brasileiros) e ainda Janaína Conceição Paschoal e Miguel Reale Junior, pelos méritos do elevado saber jurídico e da altivez que tiveram ao fazer disparar o processo que afasta Dilma e o PT na presidência do país.
A PALAVRA-GATILHO - 25/04/2016
(Publicado originalmente no Diário do Comércio, em 8 de junho de 2012)
No artigo anterior, mencionei alguns termos da “língua de pau” que domina hoje o debate público no Brasil, inclusive e sobretudo entre intelectuais que teriam como obrigação primeira analisar a linguagem usual, libertando-a do poder hipnótico dos chavões e restaurando o trânsito normal entre língua, percepção e realidade.
Mas estou longe de pensar que os chavões são inúteis. Para o demagogo e charlatão, eles servem para despertar na platéia, por força do mero automatismo semântico decorrente do uso repetitivo, as emoções e reações desejadas. Para o estudioso, são a pedra-de-toque para distinguir entre o discurso da demagogia e o discurso do conhecimento. Sem essa distinção, qualquer análise científica da sociedade e da política seria impossível.
A linguagem dos chavões caracteriza-se por três traços inconfundíveis:
1) Aposta no efeito emocional imediato das palavras, contornando o exame dos objetos e experiências correspondentes.
2) Procura dar a impressão de que as palavras são um traslado direto da realidade, escamoteando a história de como seus significados presentes se formaram pelo uso repetido, expressão de preferências e escolhas humanas. Confundindo propositadamente palavras e coisas, o agente político dissimula sua própria ação e induz a platéia a crer que decide livremente com base numa visão direta da realidade.
3) Confere a autoridade de verdades absolutas a afirmações que, na melhor das hipóteses, têm uma validade relativa.
Um exemplo é o uso que os nazistas faziam do termo “raça”. É um conceito complexo e ambíguo, onde se misturam elementos de anatomia, de antropologia física, de genética, de etnologia, de geografia humana, de política e até de religião. A eficácia do termo na propaganda dependia precisamente de que esses elementos permanecessem mesclados e indistintos, formando uma síntese confusa capaz de evocar um sentimento de identidade grupal. Eis por que a Gestapo mandou apreender o livro de Eric Voegelin, História da Idéia de Raça (1933), um estudo científico sem qualquer apelo político: para funcionar como símbolo motivador da união nacional, o termo tinha de aparecer como a tradução imediata de uma realidade visível, não como aquilo que realmente era – o produto histórico de uma longa acumulação de pressupostos altamente questionáveis.
Do mesmo modo, o termo “fascismo”, que cientificamente compreendido se aplica com bastante propriedade a muitos governos esquerdistas do Terceiro Mundo (v. A. James Gregor,The Ideology of Fascism, 1969, e Interpretations of Fascism, 1997), é usado pela esquerda como rótulo infamante para denegrir idéias tão estranhas ao fascismo como a liberdade de mercado, o anti-abortismo ou o ódio popular ao Mensalão. Certa vez, num debate, ouvi um ilustre professor da USP exclamar “Liberalismo é fascismo!” Gentilmente pedi que a criatura citasse um exemplo – unzinho só – de governo fascista que não praticasse um rígido controle estatal da economia. Não veio nenhum, é claro. A palavra “fascismo”, na boca do distinto, não era o signo de uma idéia ou coisa: era uma palavra-gatilho, fabricada para despertar reações automáticas.
Deveria ser evidente à primeira vista que os termos usados no debate político e cultural raramente denotam coisas, objetos do mundo exterior, mas sim um amálgama de conjeturas, expectativas e preferências humanas; que, portanto, nenhum deles tem qualquer significado além do feixe de contradições e dificuldades que encerra, através das quais, e só através das quais, chegam a designar algo do mundo real. Você pode saber o que é um gato simplesmente olhando para um gato, mas “democracia”, “liberdade”, “direitos humanos”, “igualdade”, “reacionário”, “preconceito”, “discriminação”, “extremismo” etc. são entidades que só existem na confrontação dialética de idéias, valores e atitudes. Quem quer que use essas palavras dando a impressão de que refletem realidades imediatas, improblemáticas, reconhecíveis à primeira vista, é um demagogo e charlatão. Aquele que assim escreve ou fala não quer despertar em você a consciência de como as coisas se passam, mas apenas uma reação emocional favorável à pessoa dele, ao partido dele, aos interesses dele. É um traficante de entorpecentes posando de intelectual e professor.
A freqüência com que as palavras-gatilho são usadas no debate nacional como símbolos de premissas autoprobantes, valores inquestionáveis e critérios infalíveis do certo e do errado já mostra que o mero conceito da atividade intelectual responsável desapareceu do horizonte mental das nossas “classes falantes”, sendo substituído por sua caricatura publicitária e demagógica.
Como chegamos a esse estado de coisas? Investigá-lo é trabalhoso, mas não substancialmente complicado. É só rastrear o processo da “ocupação de espaços” na mídia, no ensino e nas instituições de cultura, que foi, pelo uso obsessivamente repetitivo de chavões, uniformizando a linguagem dos debates públicos e imantando de valores positivos ou negativos, atraentes ou repulsivos, um certo repertório de palavras que então passaram a ser utilizadas como gatilhos de reações automatizadas, uniformes, completamente predizíveis.
Se você é treinado para ter sempre as mesmas reações diante das mesmas palavras, acaba enxergando somente o que é capaz de dizer, e dificilmente consegue pensar diferente do que os donos do vocabulário o mandaram pensar. Esse foi um dos principais mecanismos pelos quais a festiva “democratização” do Brasil acabou extinguindo, na prática, a possibilidade de qualquer debate substantivo sobre o que quer que seja.
HITLER, O PT E AS SEREIAS PROBLEMATIZADORAS - 16/04/2016
(Publicado originalmente em http://colombomendes.blogspot.com.br/)
Se tem algo que sempre me impressionou, que não cessa de me causar assombro (e, decerto, impressiona e assombra a qualquer um que pense no assunto), é o fato de nações inteiras[1] se prostrarem perante evidentes psicopatas e seguir-lhes cegamente. Como pode uma Alemanha inteira seguir um lunático como Hitler, aceitando que é preciso eliminar todo o resto do mundo, segundo um critério biológico? Como pode uma Rússia inteira seguir um lunático como Lenin, aceitando que é preciso eliminar todo o resto do mundo, segundo um critério social? Como pode, em ambos os casos, pai se voltar contra filho, filho denunciar mãe, mãe entregar marido, todos renunciarem à vida, à liberdade, à capacidade de discernimento e decisão, tudo para a força estatal e pela força estatal?
Em Hitler e os alemães, o filósofo Eric Voegelin, estudioso e inimigo declarado das ideologias, explica que as condições à aceitação do “führer” foram criadas por um processo de deterioração da linguagem, dos conceitos, das formas de estabilizar as percepções da realidade, a partir de concepções materialistas e pseudocientíficas, capazes de embrutecer as gentes e instaurar o reino da mesquinharia na nação. Os capitães desse processo foram os jornalistas e os intelectuais; ou melhor, cada jornalista e cada intelectual alemão de então, porque Voegelin não os aponta como categorias, grupos abstratos, mas como indivíduos específicos (de fato, culpar a todos, coletivamente, seria o mesmo que culpar a ninguém).
O resumo que ofereço no parágrafo acima decerto não dá a dimensão da excelência da obra de Voegelin, mas oferece uma pista para entendermos de que forma é possível a obtenção de sucesso pelos fenômenos fascistas, como o nazismo e o socialismo. Entretanto, mesmo compreendendo Voegelin e sua análise sem par, tais fenômenos não deixavam de me impressionar. As explicações do filósofo alemão jogavam forte luz sobre o problema; mas a luminosidade voegeliana era ofuscada logo em seguida pelo assombro que me causava a contemplação das histórias e das imagens legadas pelo nazismo e pelo comunismo (ainda que estas confirmassem perfeitamente as teses de Voegelin). Contudo, minha perplexidade acabou, graças ao petismo.
Contemple a imagem abaixo. Vemos um pequeno grupo bloqueando uma rodovia. São 28 pessoas a bloquear um lado de uma estrada, interrompendo o trânsito e atrapalhando o dia de milhares de pessoas – com pneus queimados e sua própria presença na via. Considerando a fumaça na extremidade direita da fotografia e o fato de o outro lado da rodovia estar vazio, concluímos que há lá outro pequeno grupo a obstruir a passagem de outros milhares de pessoas. A imagem é de 15 de abril de 2016, sexta-feira, dois dias antes da votação do impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados. Imagens semelhantes a essa surgiram por todo o Brasil, sempre com pequenos grupos de militantes pagos e treinados por PT, PC do B, PSOL, CUT, MST e outras associações de esquerda parando estradas e grandes cidades, em um dia útil, em horário de expediente.
Essa imagem poderia estar no livro de Eric Voegelin, acompanhada de notícias de jornais e análises acadêmicas seu contexto. Voegelin diria: “Vemos na imagem e em suas repercussões jornalísticas e acadêmicas exemplos perfeitos de distorções da realidade estabilizadas na linguagem, condições indispensáveis ao surgimento de fenômenos como Adolf Hitler e o nazismo.” Pois, o que a imagem mostra objetivamente e representa na conjuntura atual são pequenos grupos improdutivos atrapalhando a vida de milhões de brasileiros, de forma violenta e intransigente, a mando e a soldo de uma elite política e econômica, defendendo a permanência dessa elite no poder, a despeito da vontade da imensa maioria da população, ignorando o desejo do povo brasileiro – tudo isso sob o subterfúgio da defesa da “democracia”, da soberania do... povo. Ou seja, são empregados da elite atrapalhando a vida do povo, defendendo a elite e contrariando o povo, dizendo que assim procedem em favor do povo.
Não, eles não são hipócritas; ao contrário: são absolutamente coerentes. Eles têm certeza de que defendem o povo de si mesmo, de sua ignorância. Por isso sentem-se grandes democratas, verdadeiros justiceiros, indispensáveis libertadores. Contudo, nada mais são, em verdade, que o resultado da deterioração da percepção da realidade oferecida pela intelectualidade e sedimentada pelo jornalismo; são, enfim, condições vivas à ascensão ao poder de figuras autoritárias, opressoras e psicóticas, com perigosos projetos de concentração de poder. Vejam como isso está escancarado na linguagem das faixas, em sua semântica, em sua retórica. Percebam a inversão dos predicáveis: o anseio do povo brasileiro é chamado de “golpe”; a manutenção do poder de uma elite corrupta e corruptora é chamada de “democracia”; e os termos são articulados de forma imperativa, inflexível, imposta, em um cenário de belicosidade, com direito a pneus queimados, bandeira vermelha, direito de ir e vir cerceado e punhos cerrados. É como se dissessem: “Não adianta vocês reclamarem, vocês não podem sequer locomover-se sem nossa autorização. E isso que vocês querem, não terão; imperará o que nós queremos.”
Não ignoremos que a ação vista na imagem pode ser lícita, justa, necessária. Em um contexto de real opressão, é legítimo que o povo se levante, normalmente, aos poucos, em pequenas minorias, para combater a repressão estatal, causando incômodo na maioria silente. Mas sabemos que não é o caso brasileiro. Aqui, temos o absurdo de um protesto a favor, com uma minoria favorecida defendendo uma minoria poderosa e ignorando os anseios da quase totalidade da nação.
As condições para os atuais absurdos brasileiros, representados pela fotografia acima, são semelhantes aos absurdos que permitiram a tomada e a manutenção do poder por fascistas, nazistas e comunistas – e foram igualmente gestados no ventre do jornalismo e do intelectualismo local. Há décadas, intelectuais formam e orientam e se associam a grupos como o da fotografia. Há décadas, jornalistas legitimam esses grupos, chamando-os de movimentos sociais. Esses movimentos sociais sustentam bandeiras que todo o restante da sociedade abomina: da prática corriqueira do aborto à expropriação violenta de rendas e propriedades, passando pela legalização de drogas entorpecentes e pelo desarmamento de civis. Ou seja, esses movimentos são qualquer coisa, menos sociais. Esses grupos se identificam como movimentos democráticos, a favor do povo e contra as elites, mas têm ditaduras como modelos de poder e defendem políticos que enriqueceram de forma impressionante desde que assumiram o governo. Esses grupos chamam seus inimigos de “fascistas”, mas exigem a estatização de todas as forças produtivas e o controle e o juízo estatal sobre as relações sociais, exatamente como propugna o ideário fascista. Enfim, esses grupos não percebem tampouco descrevem a realidade como ela é, com os termos apropriados; ao contrário, utilizam-se dos termos para alterar a realidade, para re-significá-la. Olham para si mesmos, uma minoria truculenta e defensora da elite, e, em vez de descreverem-se com os termos corretos, descrevem-se com os termos que imaginam merecer, projetando no restolho uma miríade de rótulos descolados da realidade. São, então, os democratas, os progressistas, os trabalhadores, os engajados, os iluminados. Nós, que não concordamos com eles, somos os fascistas, os alienados, os golpistas.
O fato é que observamos nessa pequena parcela da população brasileira o processo de imbecilização verificado na Alemanha nazista como um todo. Cabe, então, o questionamento:
Por que no Brasil o processo de estupidificação através da deterioração da linguagem, da percepção da realidade, conduzido por jornalistas e intelectuais, atingiu somente pequena parcela da população?
Acontece que, por aqui, esse processo se manteve restrito a grupos porque não possuíamos uma tradição acadêmica solidificada. Aqui, o sistema de ensino, em todos seus níveis, é precário, de modo que a imensa maioria da população sempre esteve alijada dos benefícios de uma educação de qualidade e, ao mesmo tempo, imune aos possíveis malefícios dessa educação em seu modo mais perigoso, o academicismo ressentido, engajado e revolucionário. Não por acaso, os governos do PT não se dedicaram a quase nada da forma como se dedicaram a criar, artificialmente, uma penetração do ambiente universitário e supostamente intelectual em todo o território.
Não foi por acaso que, em seus 13 anos de governo, o PT investiu pesado em programas de acesso ao ensino superior, negligenciando criminosamente a educação básica. Os governos de Lula e Dilma esbanjaram o dinheiro recolhido do povo para levar exércitos de ignorantes despreparados aos bancos universitários. Milhões de pessoas que não tiveram seu processo de alfabetização plenamente ou mesmo minimamente concluído foram lisonjeados com diplomas de graduação e bolsas de estudo. Toda essa gente foi submetida a anos de intensas distorções e incompreensões da realidade e a currículos fundamentados em marxismo, desconstrucionismo e outras pseudociências. Toda essa gente tem saído das universidades com a arrogância típica ao ignorante, com uma dívida de gratidão para com o governo que lhe permitiu a realização de um sonho [o sonho de receber um papel pintado e carimbado, dizendo “Você é dotô!”] e com a mente preparada para dizer que um mais um não dá dois, que defender uma elite política e econômica e contrariar o povo é democracia, que oferecer privilégios a pequenos grupos de pressão em detrimento de todo o restante da população é ação afirmativa, que concentrar poder na mão do Estado é progressismo democrático e ser contrário a isso é fascismo.
Não, não estou dizendo que a ignorância não é uma bênção. Mas, sim, é preferível ser iletrado a ser mal-formado. O iletrado conta “apenas” com suas percepções diretas da realidade. Coloquei o “apenas” entre aspas porque isso – as percepções diretas – é tudo de que se precisa para entender a realidade. Os estudos servem à compreensão e a estabilização dessas percepções, para que possamos dizê-las de formas minimamente inteligíveis (mas sempre muito distante de sua substância real) e, no caso das técnicas e tecnologias, evoluir em sua utilização. Historicamente, os homens viviam a realidade; depois, perceberam as realidades e passaram a estabilizá-las e comunicá-las. Contudo, em vez de avançar nesse processo, aperfeiçoando a percepção e mesmo a realidade, parte dos estudiosos passou a “problematizar” a realidade, a duvidar do que é certo e a considerar o duvidoso. Por exemplo: este homem produzia lanças, aquele produzia machados, mas ambos precisavam de lanças e machados, de modo que passaram a trocar o que lhes era excedente. Isso é a realidade das relações comerciais, que depois foi percebida, estabilizada e aperfeiçoada. Muito tempo depois, vieram as problematizações, os desconstrucionismos e as inversões psicóticas que nos levaram a conceber que pode ser uma boa idéia concentrar todo o poder econômico na mão da burocracia estatal.
Ora, alguém discorda de que é mais prudente ouvir os conselhos de umavô iletrado que sustentou uma família com trabalho honesto, vivendo as referidas relações naturais de troca de fato, do que seguir as concepções distorcidas de um mestre revolucionário que jamais produziu algo de fato e vive de dar opiniões sobre algo que desconhece na prática, inspirado por uma ideologia totalmente descolada da realidade?
O ideal é que este avô iletrado fique culto, evolua em suas compreensões, estabilizando suas percepções com base na realidade. Na Alemanha pré-nazismo, contava-se – na imprensa, nas universidades, no empresariado, em casa, em todos os ambientes – com avós cultos e com mestres revolucionários. Já sabemos quem fez o estrago. No Brasil, dispomos apenas dos conselhos do avô iletrado (que está em todos os ambientes) ou das orientações do mestre revolucionário (limitado às universidades e redações). As pessoas da fotografia que ilustra este texto fizeram sua escolha; o restante da população não está representado na fotografia porque teve de viver a vida real.[2]
A esquerda não conseguiu concluir o processo que iniciou nos anos 1960 e que foi potencializado nos governos do PT – falo do processo de espalhar o veneno da educação afetada, ressentida e revolucionária a tempo de anestesiar por completo o país. Quase conseguiram. A missão desta nação, portanto, após derrubar o esquema petista, será a de espalhar o antídoto da simples percepção da realidade. Em primeiro lugar, teremos de reafirmar que um mais um dá dois, que a grama é verde, que a água molha. Cabe a nós – que, como nação, na melhor das hipóteses, somos experientes e justos avós iletrados – transformarmo-nos em avós cultos ou ouvir aqueles que assim se formarem, para que o canto da sereia problematizadora e ressentida seja inaudito, para que osmestres revolucionários não consigam mais fomentar ódio e destruição “por um mundo melhor” e sejam colocados em seu devido lugar: num canto, babando na gravata, sem se atrever a mover uma palha[3].
[1] Figura de linguagem; é claro que não foram “nações inteiras” que seguiram Hitler, Lenin, Stalin, Fidel etc., mas maiorias, enormes porções, grandes o suficiente para garantir a vitória dos fascínoras.
[2] No Brasil, além dos iletrados imunes à idiotia academicista e dos estúpidos adestrados, sobram ainda aqueles poucos que, como eu, passaram pelo ambiente universitário e não sucumbiram ao canto da sereia problematizadora. Pois, afirmo com toda a certeza que os indivíduos desse terceiro grupo (o menor de todos), enquanto estiveram expostos à mentalidade revolucionária universitária, não raro duvidaram da realidade, das verdades dos fatos, dos limites entre o certo e o errado.
[3] << Até o século XIX o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os “melhores” pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas. >> Nelson Rodrigues
SEGUNDA CARTA ABERTA A CAETANO, GIL E CHICO - 14/04/2016
Caros amigos.
Há uma semana escrevi uma carta aberta a vocês e ,como já poderia prever, não houve nenhum sinal significativo de resposta .
Saliento comovido e contente o meigo e solitário depoimento de Gil ao aceitar as minhas desculpas. Contudo, se Gil se dispusesse a ler o texto com atenção constataria que o cerne da questão gira em torno de um outro intento: uma convocação.
Chico deixou bem claro que sequer se interessara em ler a mensagem quanto mais respondê-la e Caetano adotou uma atitude evasiva eximindo-se de qualquer manifestação a respeito.
Pois bem, apesar desse comportamento um tanto lacônico por parte de vocês três, sou forçado a constatar que a carta causou um forte impacto entre oposicionistas , governistas , populares , isentões e intelectuais dos mais variados sexos, feitios e tamanhos. Reações que variaram entre o rejúbilo, o amor, a compreensão do meu gesto (era essa a minha meta) ,e o repúdio, a indignação e o desprezo( para o meu espanto!) sendo que nessa segunda categoria de reações descontroladamente apaixonadas , expressaram seu veemente protesto , tanto alguns muitos oposicionistas me criticando por ter "amarelado " diante de "artistas vendidos", como governistas explodindo de indignação por acharem o cúmulo dos cúmulos um nada como eu pleitear uma conversa com o Olimpo "da nossa MPB.
A que ponto chegamos, não é verdade? Entretanto, nutrido pelos sinceros sentimentos que me guiam somados a uma necessidade premente de esclarecimentos e mudanças, não somente na mentalidade como também nos desígnios políticos em que se enredou a nossa classe, retorno ao teclado do computador para redigir-vos mais um insistente apelo.
Optarei , como recurso didático e adequado para essa ocasião , adotar a abstrata condição de nada. Portanto, a partir de agora , me apresentarei assim: Muito prazer, meu nome é Nada .
Ser Nada muito me convém para que meus motivos se ergam das névoas da dúvida. Ser o Sub do Mundo é uma condição que muito me convém para ser mais bem sucedido em mostrar a vocês três os absurdos , discrepâncias e cacoetes comportamentais que doravante exporei.
Vou dividir meu carinhoso pito em duas partes: A primeira caberá a Caetano e Gil , a segunda a Chico. Prossigamos.
Querido Gil , você ocupou o cargo de ministro da Cultura durante os oito anos da administração Lula e prossegue , na administração Dilma com forte penetração no ministério , pois o atual ministro Juca Ferreira é homem de sua inteira confiança tendo atuado como seu subordinado no tempo em que você foi o titular da pasta. Não sei se é apenas uma estranha coincidência, mas foi exatamente durante todo esse período que as perversidades e aberrações da Lei Rouanet começaram a pulular em total descontrole. Foi aí inaugurada a era em que artistas consagrados com grande nicho de público e mercado , começaram a pautar seus eventos , shows , projetos , discos e DVD por intermédio de subvenção de incentivos hospedados no bojo dessa lei , transformando o mainstream cultural num antro de parasitas , chapas-brancas e castrados de opiniões confiáveis.
Essa lei proporcionou que a criação artística decrescesse a níveis alarmantes pois os tais editais dos quais se extrai a grana dos medalhões privilegiam as enfadonhas comemorações de aniversários de carreira , reuniões insólitas entre aristas improváveis , homenagens pouco sinceras a astros falecidos , festas sem algum sentido real de se comemorar e outras chicanas lamentáveis para justificar o uso do dinheiro público.
Para piorar a situação , como se isso só não bastasse, esse grupo de parasitas passa a atuar como um grupo de ardentes defensores do governo. É a Era do Artista Chapa-Branca. Uma era a ser esquecida.
Imagine você , Gil, faça um exercício de alteridade e experimente o meu espanto em saber um ministro da Cultura ter um camarote no carnaval de Bahia subvencionado com uma grana possante da lei Rouanet ! Isso , definitivamente não é bonito . E para agravar a situação , é de se prever que artistas periféricos sem a metade de seu talento se estimulem e muito em se lambuzar nesse mesmo estilo sem o menor prurido de consciência , não é mesmo?
Quanto a você , Caetano , pilotando uma outra desastrosa escaramuça temos o Procure Saber capitaneado por sua esposa , arregimentando algumas dezenas de artistas a impor goela abaixo , a toque de caixa , uma lei absurda que estatiza os direitos autorais aprovada com uma celeridade inexplicável extraída dos parlamentares diante daquele decadente espetáculo no Congresso Nacional protagonizado por nada mais nada menos que Roberto Carlos cercado de uma plêiade de artistas circunstantes . Roberto que aceitou ser anexado ao grupo em troca de vossas presenças , Caetano Gil e Chico na defesa a censura das biografias não autorizadas .
Isso também não é bonito.
E o resultado disso? Se vocês ainda não sabem, procurem saber! A lei que estatiza os direitos autorais designando ao ministério da Cultura o controle das entidades de arrecadação, provocou uma decréscimo dramático na arrecadação de mais de 350mil autores, compositores e músicos em todo o Brasil. Sem falar das demissões em massa de funcionários no ECAD e nas Associações de músicos e compositores.
Eu tenho aqui comigo os dados e se vocês tiverem maior interesse, posso mostrá-los com mais detalhes assim que vocês o desejarem.
E é como Nada que me dirijo a vocês, como um anônimo entre esses autores e músicos que tocam nos bares , botequins , churrascarias , quermesses , puteiros e coretos , como par desses artistas que estão apartados de grandes eventos , que não têm acesso a leis de incentivos , que não são residentes de trilhas de novelas de grande emissoras , que não contam com o beneplácito dos editorias de cultura dos jornais...É como um Nada amalgamado àqueles que não fazem parte de cortes de subservientes a posar como um entorno cenográfico de coronéis da canção que profiro um apelo angustiado : Seria plausível vocês reverem suas posições quanto a essa lei de direitos autorais e nos ajudar a revogá-la? Ainda é tempo . O STF está analisando nosso pedido de revisão e o relator é o Ministro Fux . Seria lindo nos aliarmos nesse momento de tamanha gravidade . Seria mais lindo ainda derrubar a Lei Rouanet como vigora e tentarmos direcionar seus benefícios àqueles que realmente dela precisam(Sou o Nada mas , mesmo nessa hipótese continuaria a não me incluir como beneficiário).
Seria muito triste vocês , que tanto fizeram pela música e a cultura brasileiras , se resumissem , se reduzissem já entrados nos seus setenta anos , como ícones de uma era vergonhosa , como defensores de um governo execrável , incompetente, corrupto , criminoso . É disso que estou falando . Ainda há tempo ! Só o perdão liberta ! Posso dizer de coração , uma vez que vim a público vos pedir o meu . O arrependimento lhes concederá uma verdadeira bênção , podem crer.
Chico , te deixei por último , longe de ser o menos , pois hei de fazer aqui uma ressalva em sua defesa por ter sabido através de uma amiga em comum ser você contrário a utilizar pessoalmente da Lei Rouanet e perceber , até onde posso conceber o que é justiça , não ser você responsável por aparentados seus nem mesmo o diretor que fez um filme sobre sua obra , todos estes , maiores de idade , serem beneficiários dos incentivos da dita-cuja. Se isso realmente procede , preciso de dar-lhe meus parabéns "localizados".
Localizados sim , pois gostaria muito de ampliá-los ao resto de sua conduta , no entanto é na clave da tristeza e da angústia o diapasão que domina todo o restante da minha mensagem .
Caro Chico , você já tem 50 anos de vida pública , pelo menos . Com a sua inteligência e talento é de assustar sua impermeabilidade diante da falência absoluta de suas crenças ideológicas . E por isso mesmo , um exemplo vivo do modelo do intelectual brasileiro a viver na infâmia da delinquência intelectual .
Se todos nós concordamos que toda a ditadura é algo injustificável , mais injustificável ainda atacar uma ditadura defendendo outra e é exatamente assim que você agiu no período da ditadura militar e vem assim se jactando imune a dúvidas no transcorrer de todas essas décadas .
Para deixar escancarada a minha angústia , gostaria de invocar um Nelson Rodrigues descendo do céu em que atualmente habita , com seu olhar sampaco , suas bochechas ondulantes , com as mãos apoiadas nos cotovelos a dirigir-lhe entre baforadas de Caporal Amarelinho uma súplica daquelas , rodrigueanas...algo como : Chico Buarque , só o perdão liberta ! Encha de ar vossos pulmões e brade forte e alto como jamais outrora ousara bradar dirigindo-se contrito ao povo brasileiro : Povo brasileiro , me perdoe. Me perdoe por ignorar seu descontentamento , suas desgraças e sua legitimidade em protestar contra esse governo criminoso. Me perdoe por aviltá-lo chamando de golpista toda uma nação genuinamente enfurecida.
Me perdoe povo brasileiro por ser um charlatão em posar contra uma ditadura militar e ser amigo durante todos esses anos de um dos maiores ditadores genocidas da história , Fidel Castro.
Me perdoe , povo brasileiro por defender o indefensável , por interferir com o meu prestígio logrando a confiança que milhões de brasileiros depositaram em meu chamado , por defender uma presidente que beira a demência , por defender um psicopata que anseia se perpetuar no poder através do crime , do suborno e da falcatrua. Me perdoe , povo brasileiro por defender uma organização criminosa como nunca dantes na história da humanidade ocorreu aqui em terras brasileiras e que é dirigida pelo Foro de SP tendo como os irmãos Castro centro de todas as ações criminosas perpetradas em toda América Latina. Me perdoe por ser leniente com narco ditaduras como a Venezuela e a Bolívia , com seus milhares de assassinatos e presos políticos , por esse regime brega , retrógrado , autoritário e cafona que é o bolivarianismo.
Me perdoe , povo brasileiro por ser cúmplice de toda essa ignonímia , e por isso mesmo , carregar minhas mãos respingadas com o sangue desses incontáveis que tombaram sob o jugo de assassinos . Me perdoe , povo brasileiro por ser eu , um mimado por uma corte de intelectuais flácidos ao meu redor me tornando imune a qualquer drama de consciência e insistir em subscrever um ideário comunista que tem sob seu manto a opacidade dos medíocres , cujo o único brilho que emana de seus anseios é o da inveja , da revanche e do ódio . Enfim , povo brasileiro, me perdoe por te trair."
Desincorporando Nelson e retornando a minha condição de Nada , de Sub-do-Mundo quero terminar essa carta ressaltando mais uma vez esse momento terrível que o Brasil está passando , as nossas responsabilidades diante desse momento e de nossa boa vontade independente de quais lados nos posicionemos , esperando que as linhas desse Nada que vos escreve possam fazer alguma diferença (para melhor) nesse impasse a nos envolver. E que elas tenham alguma chance real com a vossa determinante ajuda , em contribuir para um Brasil mais adulto , mais justo e mais unido.
Um forte abraço. LOVE , LOVE , LOVE
Lobão (SP, 3 de abril de 2016)
TREZE RAZÕES PARA DESEJAR UM GOVERNO DE ESQUERDA - 13/04/2016
(Publicado originalmente em http://www.institutoliberal.org.br/)
Uma das piores coisas do sistema capitalista é a imposição de que temos que estudar, trabalhar e assumir responsabilidades para talvez conseguirmos usufruir de certos confortos e prazeres. Talvez! O capitalismo nunca nos garante nada.
O capitalismo diz que precisamos estar sempre nos aperfeiçoando, combinando talentos à dedicação e à sabedoria na tomada de decisões cotidianas, porém, nada nem ninguém nos garante que isso nos renderá apartamentos em bairros descolados, viagens ao exterior, atendimento médico nos melhores hospitais privados e dinheiro suficiente para cervejas artesanais, roupas de grifes e jantares bacanas – coisas que todas as pessoas deveriam ter acesso.
Pergunto: Não há outra forma de se conquistar essas coisas?
Respondo: Sim. Através do socialismo.
Primeiramente, é importante compreender que o socialismo amadureceu muito, está mais moderno, ajustado às mudanças globais. O socialismo não quer mais acabar com o mercado. Hoje, o socialismo quer apenas fazer o mercado trabalhar em função dos socialistas.
Abaixo, enumero treze razões para se desejar viver num país governado por partidos de esquerda.
1 – Escolas sem opressão.
Lembrando que todo sucesso profissional depende de uma boa educação fundamental, os governos socialistas garantem que as escolas não sejam ambientes opressores. Os jovens não precisam cumprir metas de rendimento. Ninguém passa por constrangimentos. Ninguém precisa tirar boas notas. Todos os alunos são aprovados porque todos são seres humanos. Todos recebem diplomas para que todos tenham as mesmas oportunidades no mercado.
2 – Livre acesso as universidades.
Comprovando que o socialismo é o sistema da igualdade de oportunidades, o ingresso na universidade não é condicionado ao histórico escolar do estudante. Quem conseguir ser aceito a partir de suas notas, tudo bem. Quem não conseguir, deve apenas procurar o governo, se apresentar como membro desse ou daquele grupo e pedir para ser incluído em algum programa de cotas.
Obs: Recomenda-se cursos da área de humanas, já que nas áreas de exatas e de biomédicas há uma obsessão por resultados, o que oprime qualquer ser humano com ideais progressistas no coração. Os cursos de artes e de ciências sociais são perfeitos para quem deseja conquistar os confortos e prazeres da vida moderna construindo um mundo melhor, gratuito e de qualidade para todas as pessoas.
3 – Liberdade.
Na universidade pública, gratuita e de qualidade, o jovem terá acesso à total liberdade para sexo, drogas e doideiras de todos os tipos, o que será primordial para o amadurecimento de sua consciência política. Terá acesso também a viagens organizadas pelos centros acadêmicos e por outras representações socialistas. Tudo de graça!
4 – Carreira acadêmica.
O jovem universitário que manifesta o pensamento progressista contará com a atenção especial dos professores, que irão conduzi-lo de um período ao outro sem pressões. Ao se formar, conseguirá também um tratamento diferenciado na recomendação e na seleção para bolsas de mestrado e também na admissão na própria universidade, o que lhe renderá um bom salário, muitos benefícios e a tão merecida estabilidade de emprego. Poderá dar aulas apenas nas horas vagas!
5 – Carreira no governo.
Caso não queira seguir a carreira acadêmica, o jovem progressista poderia se utilizar dos contatos feitos na faculdade para conseguir um bom emprego no governo ou em alguma empresa estatal, o que também lhe renderia um bom salário, muitos benefícios e a tão merecida estabilidade de emprego. Poderia trabalhar na batida do humor de casa dia!
6 – Valorização do engajamento.
Governos de esquerda também facilitam a vida de quem quer criar uma organização não-governamental financiada pelo governo. São várias possibilidades. Pode-se criar uma ONG que lida com a causa gay, ou com a causa negra, ou com a causa indígena, ambiental, social etc, qualquer coisa que tenha viés progressista, ou seja, que cobre a intervenção do estado. Isso garante o acesso a grandes doações do governo, o que lhe renderá tudo do bom e do melhor sem que tenha que se submeter à competição do sistema capitalista.
7 – Carreira intelectual.
Governos de esquerda são muito generosos com quem escreve livros e dá palestras enaltecendo as maravilhas do socialismo e denunciando as desgraças que o capitalismo trouxe a humanidade.
8 – Jornalismo independente e progressista.
Governos de esquerda também são muito generosos com os jornalistas e com quaisquer pessoas que se utilizam da mídia para distorcer a realidade e difamar os adversários em nome da defesa de um mundo mais tolerante, justo e sem desigualdades.
9 – Arte.
A combinação de arte como engajamento socialista sempre é devidamente recompensada. Tendo ou não tendo talento, basta ao jovem se apresentar como artista crítico do capitalismo e militante de partidos de esquerda para ter acesso a patrocínios estatais de todos os tipos.
Esta opção oferece grandes vantagens, já que na medida em que se faz sucesso, menos se tem a necessidade de produzir. Cantores famosos só precisam fazer meia dúzia de shows por ano. Artistas plásticos não precisam vender muitos trabalhos. Ninguém precisa se render ao capitalismo para ter uma vida recheada de prazeres.
10 – Sindicalismo.
Caso o jovem não queira ingressar na universidade nem desenvolver uma carreira artística, ele pode tapear o capitalismo ao se permitir ser contratado por alguma empresa para, no dia seguinte, entrar para o sindicato. De acordo com sua performance na mobilização das massas contra a exploração dos patrões, ele pode galgar diversas posições no movimento sindical que lhe renderá muitos benefícios, viagens e convites para cargos no governo.
11 – Carreira política.
Os próprios partidos de esquerda se encarregarão de selecionar e financiar as campanhas daqueles que se destacam no movimento sindical. Eleito, o companheiro de movimento será abraçado por um conjunto de benefícios que o tornará uma pessoa acima da lei que rege a vida daqueles que precisam trabalhar duro todos os dias. Além de estabilidade financeira, o parlamentar ou governante de esquerda contará com amplos poderes para se promover a justiça social, incluindo a liberdade para intermediar as relações entre estado e empresas capitalistas, o que também rende bons dividendos.
12 – Agente de justiça social.
Caso uma pessoa não queira seguir nenhuma das alternativas listadas, pode se apropriar das posses dos mais ricos sob a justificativa de estar fazendo justiça social para si mesmo. O que os capitalistas chamam de “roubo”, governos socialistas chamam de reparação.
O problema dessa opção é que algumas pessoas, tomadas de egoísmo, se negam a entregar suas posses e até reagem com violência. Corre-se o risco de levar uma surra.
13 – Ser uma pessoa de boa.
Caso uma pessoa não queria nada além de ter uma vida tranquila, caminhando e cantando pelas ruas, praias e praças fazendo artesanato e falando sobre a beleza do amor e da natureza, ela pode procurar um órgão competente do governo e preencher um formulário para ter acesso a um dinheirinho que garantirá pelo menos o baseado de cada dia.
Em resumo, só se rendem ao sistema opressor e injusto do capitalismo os idiotas, aqueles que acreditam que um ser humano deve trabalhar duro para ter as coisas que deseja.
A DEMOCRACIA DO GRITO - 10/04/2016
Está em marcha um golpe de Estado no Brasil. A elite branca e reacionária quer cassar o legítimo direito de Dilma, Lula, PT e seus amigos continuarem desfalcando o país honestamente. Não passarão!
A resistência heroica já começou. Durante um espetáculo teatral em Belo Horizonte, o ator Claudio Botelho fez uma ironia com a lama que envolve presidente e ex-presidente – um “caco” no texto. O teatro desabou sobre o artista.
Boa parte da plateia passou a gritar o novo slogan das almas mais honestas do mundo (que por acaso vivem no Brasil): “Não vai ter golpe!”. No caso, nem golpe, nem peça. O elenco teve de sair de cena, expulso no grito. Claudio Botelho é um artista consagrado, produtor de alguns dos melhores musicais montados no país nas últimas décadas, e nunca tinha passado por isso.
Ato contínuo, o compositor Chico Buarque proibiu Botelho de usar suas músicas, neste e em qualquer outro trabalho futuro – isto é, se a resistência democrática permitir que haja futuro. A razão desse cataclismo foi simples: mexeu com Lula, mexeu com a patrulha do Lula. Aí os democratas prendem e arrebentam, como diria o general Figueiredo.
Perplexo, o herege Claudio Botelho declarou: “A gente conquistou a liberdade a duras penas. Já acabou?”.
Já, companheiro. A não ser que você seja bonzinho e não atrapalhe o conto de fadas do oprimido, que infla tantas reputações heroicas. Aí você pode falar o que quiser. Por que, em vez dessas citações subversivas, você não monta uma ópera sobre o maior palestrante do mundo? Que personagem épico da história universal já faturou quase R$ 30 milhões em palestras em pouco mais de três anos, estando os principais pagadores dessas palestras todos presos? O pagador de palestras – eis um bom título para a continuação de sua ópera.
Os democratas que estão defendendo com unhas e dentes o mandato limpo e exemplar de Dilma Rousseff são assim mesmo – gostam de ajudar o próximo a entender o que ele pode falar. Quando Cuba ainda não servia cafezinho para Obama, uma oposicionista do regime de Fidel esteve no Brasil para expor suas ideias. Mas precisou voltar à ditadura cubana para continuar a expô-las, porque no Brasil a democracia companheira não permitiu. Yoani Sánchez sabe bem o que Claudio Botelho passou, porque a claque democrata também a colocou no paredão – garantindo que ninguém pudesse ouvir sua voz, nem ela mesma.
Esse tipo de ação democrática é muito comum em regimes livres e humanitários como o Taleban e o Estado Islâmico. Botelho, por favor, mantenha a cabeça no lugar.
A democracia do cala a boca está lutando bravamente contra o golpe preparado pelo juiz Sergio Moro. Tudo estava funcionando muito bem, com as comissões sendo pagas em dia e ninguém roubando o pixuleco de ninguém, até que o juiz golpista apareceu. Os democratas não se conformam. O departamento de operações estruturadas da Odebrecht, em perfeita afinação com o filho do Brasil, distribuía renda farta aos brasileiros cadastrados. Como reagiu Renato Duque ao ser preso, “que país é este” onde a maior empresa nacional não pode encher de felicidade as almas mais honestas?
Moro é um invejoso. Provavelmente não se conforma por não ser dele a obra mais espetacular dos últimos 50 anos – a transformação do melhor ciclo econômico do país na mais grave recessão de sua história. Por isso esse juiz autoritário fica bisbilhotando as conversas de Lula: quer aprender como se monta uma ruína nacional.
Aí Sergio Moro suspende o sigilo das escutas que mostram “o Lula como ele é”, e todo um Brasil culto e republicano pula nos tamancos: não pode! Mas... Não pode por que, mesmo? Bem, pela lei, pode. O juiz criminal que identificar na difusão pública o meio de evitar uma manobra de obstrução de Justiça (Lula como ele é) pode, sim, suspender o sigilo das escutas por ele decretadas. Eis, então, o erro elementar desta interpretação: o que é a lei, diante dos direitos sagrados dos pobres milionários que mandam no Brasil?
Não é nada, de acordo com o primeiro mandamento da elite vermelha: quem não chora não mama. Aí é preciso concordar com os democratas de butique: se eles tiverem mesmo de parar de mamar, será um duro golpe. Deve ser desse golpe que eles andam reclamando por aí
O PAÍS QUE SE EXPLODA - 08/04/2016
(Publicado originalmente em Zero Hora)
Toda vez que a presidente se dirige à nação, informa que não renunciará e não permitirá que haja golpe. Fala com aquele seu jeito de quem manda no pedaço e não tem nenhuma obrigação para com o país. Fala em retomada do crescimento, sem mencionar que durante seu governo destruiu a economia, matou a Petrobras e promoveu o maior rombo de toda a história das contas públicas. Para ela, tudo normal, fruto de circunstâncias que passam longe de sua desastrada incompetência.
Sabe muito bem que não conta com o apoio da população, mas chuta que isto é fruto da manipulação da mídia comprometida e de setores reacionários que não aceitam sua vitória nas eleições passadas. Golpistas! A presidente segue o que Lenin ensinou — "chame seus adversários daquilo que você é".
A pau e corda, num auxílio manifestação turbinado com cachê e mortadela, junta contingente inexpressivo de pessoas que dão a exata proporção do apoio e da rejeição que tem nas ruas. Também isso não a abala, porém.
Apela a seu criador para poder sair do buraco onde se meteu e promove um comício permanente nas dependências do palácio do governo onde figuras inexpressivas e bizarras ameaçam os demais brasileiros com guerra nas ruas e invasões de propriedades. Tudo sob o olhar benevolente de quem deveria preservar as instituições e garantir a segurança da população. Como chegamos a este descalabro? Como um partido se adona do Estado e ameaça a população? Que desvario é esse que põe sob suspeita até a mais alta corte da nação?
A encruzilhada onde nos encontramos vai definir que país seremos a partir de agora. Se os políticos não tiverem seu momento de grandeza e compromisso com o futuro das pessoas que nasceram aqui e amam o Brasil, tudo estará perdido. Um Venezuelão cubano é o que estará no horizonte próximo e não haverá volta. Iremos para a rabeira da civilização, fazer companhia às mais atrasadas sociedades.
Não merecemos.
* Empresário de Turismo
AUTORA DO PEDIDO DE IMPEACHMENT DE DILMA: "DIZIAM QUE EU ESTAVA LOUCA". - 01/04/2016
Aos 41 anos, a advogada Janaína Paschoal vive momentos de celebridade: "Me param muito para tirar selfies na rua. No mercado, na feira, no elevador, em todo lugar. Recebi muitas cartas, até de brasileiros que vivem no exterior", conta.
Professora livre docente da Faculdade de Direito da USP, onde entrou como aluna aos 17 anos, ela é uma das autoras do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff em tramitação na Câmara. A recepção calorosa pelos defensores do afastamento da presidente, opina, tem motivo: "Acho que as pessoas estavam com isso engasgado".
Com um perfil conservador, Janaína se define como uma "canceriana romântica" que espera poder "mudar o mundo". Diz ser politicamente liberal, mas contra a legalização do aborto e das drogas, e a favor das cotas para negros nas universidades.
Em entrevista à BBC Brasil, ela falou sobre a crise política, o relacionamento com petistas e o que vê como o desfecho ideal para o atual impasse. "É um momento de passar o país a limpo, caia quem tiver que cair, doa a quem doer, inclusive se for do PSDB, do PMDB e de todos os outros partidos", afirma.
Ela defende todos os argumentos do pedido de impeachment, assinado com os juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr. Confira os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil - O que a levou a redigir o pedido de impeachment?
Janaína Paschoal - Foi uma ideia que passou por um processo demorado de maturação. Entre a primeira intenção e a conversa com o Hélio Bicudo foram três meses, depois de falar com muita gente. Falei sobre o tema na OAB de São Paulo, onde sou conselheira, e também com professores de direito e colegas advogados. Até o PSDB eu procurei, mas ninguém se habilitava. Muitos temiam que suas carreiras ou escritórios fossem prejudicados. Nas manifestações antigoverno eu via uma frustração muito grande. Ficava muito triste ao ver que não davam em nada, e comecei a perceber a população desanimada. Em agosto do ano passado houve um protesto em que me convidaram a subir num carro do (movimento) Vem Pra Rua, e acabei fazendo um discurso. E aí tudo aconteceu em uma semana. Me apresentaram ao Hélio Bicudo dias depois e ele foi o primeiro a realmente acreditar em mim. Quando penso neste dia tenho vontade de chorar, porque os outros me olhavam como se eu fosse louca, mas com ele foi um encontro de almas. O Miguel Reale Jr. já tinha feito pareceres a respeito, havia sido meu orientador na USP, e também nos ajudou.
A senhora entrou na Faculdade de Direito da USP, a tradicional São Francisco, com 17 anos. Como tem sido a convivência com professores e alunos com perfil de esquerda na instituição?
O Largo São Francisco é a minha casa. Na graduação não tive problemas, mas, assim que eu entrei como professora, sim. Me sinto como um peixe fora d'água, e não só nas questões político-partidárias. É uma mentalidade muito diferente, como um todo. É quase verdade absoluta lá que você tem que legalizar todas as drogas. Também acham que temos que legalizar o aborto e a exploração da prostituição. Eu não concordo com nada disso. Sou o que a gente pode chamar de liberal, no sentido inglês, e lá é um espaço muito marxista.
A senhora diz ter muitos amigos petistas. Como tem sido a convivência com eles?
Tenho vários amigos petistas. Não toco no assunto com eles, porque não aguentam. Muitos falam "e o PSDB?". E aí eu digo: o que eu tenho a ver com isso? Eu não sou do PSDB. Se eles devem, que paguem. Até agora não houve rompimento de relações com ninguém, mas no começo foi muito difícil. Tive dificuldades com alguns parentes, mas acho que agora já conseguimos superar. A verdade é que o petista não tem liberdade de pensamento. Para eles o Lula é Deus. É intocável e está acima da lei. Não vou endeusar ninguém. Eles acreditam que, pela história dele, ele pode tudo, e infelizmente ele também acreditou nisso, e a presidente também.
Como vê as acusações de que o governo está sendo vítima de um golpe, que o impeachment é mais baseado em posições políticas do que em evidências de irregularidades?
Estou tão cansada de repetir a mesma coisa. Está tudo escrito no pedido. Os documentos estão lá, todo o processo do Tribunal de Contas da União, todas as delações do petrolão. Perto do que vemos hoje, o Collor era brincadeira. Essa acusação de golpe é chavão, é discurso de petista.
Por essa lógica, podemos dizer então que os gritos de "Fora Dilma, Fora PT" também são chavões? Não seria a mesma coisa?
Não gosto de chavão, mas é "Fora PT" mesmo, eu quero que saia mesmo. Agora, por que é golpe? Por que eles não explicam? Por que não entram no mérito, nos detalhes das coisas?
Como avalia a participação de grupos que defendem a intervenção militar nos protestos antigoverno?
Acho que é falta de perceber que, de todos os regimes, o melhor é a democracia, e que defender uma ditadura é uma visão estreita. Não gosto de ditadura, nem de direita e nem de esquerda, nem militar nem civil. Não é um discurso que me agrada, assim como não me agrada o discurso marxista de querer também fechar aqui, e virar uma Cuba. Defendo o direito de as pessoas falarem o que quiserem. Não é porque não concordo que vou condenar.
Grupos e até juristas que apoiam o governo dizem que não houve comprovação de crime de responsabilidade em nenhum dos elementos elencados no pedido de impeachment e na Lava Jato. Como a senhora responde?
Ou as pessoas não estão acompanhando o que está acontecendo no país, ou não sei mais o que é necessário, porque ter responsabilidade implica em tomar providências para fazer a situação cessar e responsabilizar subalternos pelas irregularidades, mas a presidente simplesmente nega os fatos com relação a isso. Todo esse pessoal que está preso ou esteve preso era próximo a ela. Ela era avisada de que as coisas não estavam bem. E o que ela fazia? Subia no palanque e dizia que era tudo armação, que era golpe, que era mentira, e que a Petrobras estava maravilhosa. Isso não é um comportamento condigno com o cargo de presidente.
As pessoas confundem corrupção com crime de responsabilidade. Em nenhum lugar eu escrevi que a presidente pegou dinheiro para ela. O que eu escrevi é que ela não tomou as providências inerentes ao
cargo. Disseram que Edinho Silva fez negociações e abrem um inquérito. Ela põe o homem como ministro (da Secretaria de Comunicação Social). O Lula está sendo investigado, e ela põe o homem como ministro.
O Nestor Cerveró foi ela quem indicou e todo mundo sabe que ele operava tudo aquilo ali. O Paulo Roberto Costa foi até no casamento da filha dela, e, apesar de todos os indícios vindo à tona, ela seguia negando e não afastava as pessoas. Crime de responsabilidade não está ligado necessariamente a pegar dinheiro para si. Ela tem responsabilidade de zelar pela gestão, pela coisa pública, e afastar quem está sendo investigado, ou quando já há elementos suficientes, mudar diretores. Ela não fez nada disso. Não é negligência, é dolo mesmo. Houve intenção. Ela se omitiu dolosamente. Ela sabia, e o senador Delcídio do Amaral acabou de falar na delação premiada que ela sabia.
Como vê o fato de a Comissão Especial ter retirado a delação do Delcídio do pedido de impeachment?
A delação confirmou tudo que a gente escreveu no pedido. É apenas uma prova a mais de que a gente estava com a razão lá atrás. Acho que estão sobrando elementos para esse impeachment. Se ele vai ocorrer ou não, é outra história. Mas, do ponto de vista técnico jurídico, digo que tem que sair. Anexei a delação do Delcídio como prova, mas ela foi desanexada a pedido dos deputados, inclusive da oposição. Não consigo entender.
Também há críticas quanto às pedaladas fiscais. A imprensa relatou que elas foram utilizadas nos municípios e Estados, e que se o Brasil destituir uma presidente com base nisso, ao menos 16 governadores também poderiam ter o mesmo fim.
Sobre isso há documento que não acaba mais. Foram muitos anos. Isso ocorreu em 2013, 2014 e 2015, pegando dinheiro dos bancos públicos sem contabilizar, e não só para programas sociais, mas também para passar para empresários, quebrando os bancos públicos, fazendo uma contabilidade fictícia, de fachada, dizendo que nós tínhamos superavit quando na verdade estávamos com um rombo bilionário.
Sobre os governadores, que tirem, que saiam todos, chega.
A senhora diz que outro motivo forte para a queda do governo são os indícios de uma corrupção sistemática, que permeia o Executivo, congressistas e estatais. Como avalia as acusações, em delações premiadas, de que a República vem funcionando assim há décadas, incluindo governos anteriores?
Eu acho que o PT abraçou a corrupção como um método de governo. Vejo uma diferença entre o PT e os governos anteriores. Isso significa que as corrupções anteriores tenham que ficar impunes? Não. Todos devem ser punidos. Mas houve um salto no PT em termos de valores. Não vou pôr a mão no fogo e dizer que não aconteceu (antes), mas não acho que era um método, como os petistas têm, com esquemas desenhados e estruturados.
Como a senhora avalia a decisão, do juiz Sergio Moro de divulgar o grampo da conversa entre Lula e Dilma? Na sua visão, o diálogo configura tentativa de obstrução da Justiça?
O Moro não é da oposição. Ele é um juiz independente e sério, que está fazendo um trabalho pelo país merecedor de uma medalha, e não esse monte de pedidos para ele ser preso. Sobre a retirada do sigilo, eu particularmente não vejo nenhuma ilegalidade. Ninguém está falando, por enquanto, que a presidente cometeu um crime ali, naquele fato. Ele poderia ter sido mais cauteloso e perguntar (ao Supremo Tribunal Federal)? Talvez. Mas talvez tenha pensado que, se demorasse, o fato iria se concretizar e Lula viraria ministro. Sobre o diálogo, entendi a mesma coisa que todo mundo entendeu. Vai ter que ter uma investigação, claro, mas para mim ela estava dando um salvo-conduto para que, se viessem prendê-lo, ele pudesse dizer que já era ministro. Não quero entrar no mérito se trata-se de obstrução da Justiça, mas creio que no mínimo é uma imoralidade.
Como vê a possibilidade de o vice-presidente Michel Temer ser implicado devido ao processo que tramita no TSE, relacionado ao financiamento da campanha de 2014, e as acusações e o pedido de cassação que pairam sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, respectivamente segundo e terceiro na linha de sucessão?
Veja, a situação do país é complicada. Mas agora por isso vou deixar no cargo alguém que não tem condições de permanecer? Acho que a gente precisa começa a enfrentar essa situação, porque não dá mais para jogar a sujeira para baixo do tapete.
Como imagina um Brasil pós-impeachment, e como acha que seu nome será lembrado no futuro?
Imagino um Brasil onde as crianças realmente vejam que vale a pena ser correto, ser honesto e fazer o bem. Preferiria que o vice assumisse e terminasse o mandato e que a eleição acontecesse no momento adequado, que é 2018. Acho que para o país isso é melhor. E não é porque eu ame o Temer, é porque é questão institucional, acho que é melhor que a eleição aconteça na data certa. Sobre o meu nome, não sei. De verdade eu não sei. A história pertence aos homens, e o meu compromisso é com Deus, apesar de não ter uma religião específica. O meu compromisso é com o que eu acho que é justo. Como a história vai escrever, se é que vai escrever, não me pertence.
A PÁSCOA DE PILATOS - 29/03/2016
Em plena Sexta-feira Santa, deparei-me com uma postagem nas redes sociais que comparava a Paixão de Cristo a um caso de “delação premiada”. Poderia ser apenas mais um entre os incontáveis rompantes juvenis de analfabetismo presunçoso que infestam o ambiente virtual. Mas não havia nada de juvenil nesse caso: o autor da peça era um festejado juiz de direito, desses que a mídia e o “beautiful people” do meio acadêmico adoram incensar. Ou seja: um autêntico representante da “vanguarda”.
De acordo com o mote proposto, nosso Salvador seria uma espécie de chefe de quadrilha, capturado através do maldito expediente da “delação” e imolado sob o clamorexpiatório de uma turba ignara. Pode-se inferir que o teólogo diletante não crê no Messias (muito provavelmente creia no Bessias), pois do contrário teria percebido quão ofensiva aos cristãos soa uma comparação desse gênero (grupos de auto vitimização, militantes profissionais e professores salta-pocinhas não hesitariam em classificar ofensa semelhante como “crime de ódio”).
Não é meu objetivo refutar, nos planos jurídico, filosófico e teológico uma analogia tão simplória e imperfeita (coisa quequalquer criança com um mês de aprendizado de artes liberais poderia fazer). Isso seria conferir à postagem analisada uma dignidade que ela absolutamente não possui. Pretendo apenas utilizar o episódio como matéria-prima para o enfrentamento de questões que já há algum tempo despertam minha atenção. A exemplo dolaboratorista, que vasculha nas fezes a presença de parasitas, chafurdarei no produto final das sinapses neuronais do magistrado em busca de um diagnóstico preciso, vale dizer, de uma resposta àseguinte pergunta: o que leva alguém,encarregado da grave função de julgar, aapresentar tamanha inépcia ao cotejar dados da realidade, ignorando suas nuances e tensões dialéticas?
Dito de outro modo: qual a causa eficiente responsável pela transmutação do senso comum em certos julgadores? Qual a origem da conversão do criminoso em mártir, da vítima em mera estatística e da sociedade em malfeitora, nos cânones de boa parte da jurisprudência brasileira?Em suma: de onde vem tamanha falta de discernimento?
Não tenho dúvida de que amentalidade que trata o Cristo como chefe de quadrilha e eleva um chefe de quadrilha à condição de redentor (alijada, portanto do sensode transcendência e de valores transcendentes) é forjada num bem elaborado processo, que compreende a perda do domínio da linguagem e corrupção ideológica, mediante apropriação do conteúdo de seus símbolos (manipulação semântica).
Em suas monumentais “Reflexões Autobiográficas”, Eric Voegelin observa que não haveria ideias se antes não houvesse símbolos de experiências imediatas. Ou seja, a realidade da experiência é auto-evidente e os homens “valem-se de símbolos para expressar suas experiências”. Logo, os símbolos são a chave para compreender as experiências e, uma vez assimilados, servem de base ao raciocínio e à formulação de ideias (sem necessidade de reviver a experiência imediata), dada a fantástica capacidade de abstração do cérebro humano.
Se você alguma vez teve os dedos esmagados ao fechar a porta do carro, deve entender que não é necessário repetir fisicamentea experiência para dela deduzir as dolorosas consequências. Ocorre que nem todos os símbolos derivam de experiências tão elementares quanto essa. Muitas vezes é necessário “escavar” ideias e símbolos de modo a reviver a experiência real (compactada) que lhes deu origem, sob pena de reduzir a linguagem a uma troca de impressões subjetivas que jamais remetem a qualquer referente.
Nesse processo, Voegelin percebe que “a transformação das experiências e simbolizações originais em doutrinas podia conduzir a uma deformação da existência, caso o contato com a realidade tal como experienciada fosse perdido e o uso dos símbolos de linguagem engendrados pelas experiências e simbolizações originais degenerasse em um jogo mais ou menos vazio”(grifei).
Terrivelmente familiar, não? Afinal, o universo das ciências jurídicas e sociais é pródigo em signos de difícil diferenciação, cujo significado não é apreensível “primo ictu oculi”, mas, antes, depende de profundo esforço para rememoração (anamnese) e compreensão do contexto da experiência real que lhe deu origem. A perda de contato com a realidade e a atribuição de significados puramente subjetivos a conceitos jurídicos (que outrora tiveram um referente) leva aos absurdos jurisprudenciais testemunhados diariamente por aqueles que militam na área criminal.
Esse verdadeiro estelionato é cometido com a melhor das consciências, sob o manto de discursos pedantes, nos quais afloram aos borbotões conceitos esvaziados do conteúdooriginal e preenchidos com geléia ideológica. Não raro, princípios são empregados para justificar aquelas atrocidades que, na origem, visavam a evitar (em regra, quanto mais empolado o fundamento, maior a teratologia da decisão). É assim que a impunidade se converte num direito fundamental.
Os autointitulados guardiões dasgarantias fundamentais são facilmente identificáveis, pois parecem saídos de uma linha de montagem. Não há espaço para dissensões nesse grupo, que alguém muito espirituosamente batizou como “confraria de aplausos mútuos”. Isso se explica porque “tendo perdido o contato com a realidade, o pensador ideológico passa a construir símbolos não mais para expressá-la, mas para expressar sua alienação em relação a ela” (grifei). Em outras palavras, a perda de contato com a realidade é invariavelmente suprida pela inserção do indivíduo em uma “segunda realidade”, marcada pela “recusa de perceber”(expressões de Doderer, apud, Hitler and the Germans – The Collected Works of Eric Voegelin, volume 31, pp.108/9, University of Missouri Press). A complexidade do mundo é substituída por um sistema ideológico que reduz as possibilidades do real aos seus próprios limites e horizontes.
É justamente aqui que a coisa ganha contornos dramáticos. O sistema ideológicoadotado pela vanguarda tupiniquim é uma caricatura daquele concebido pela Escola de Frankfurt - em suas formulações mais tardias,rastaqueras e de fácil assimilação - combinadocom as lições de Antonio Gramsci (troca da retórica das armas pelas armas da retórica).Consiste, basicamente, na utilização da teoria crítica como espada e do politicamente corretocomo escudo. A aplicação da teoria crítica, em apertada síntese, equivale à tentativa de demolição dos pilares da civilização ocidental (moral judaico-cristã, filosofia grega e direito romano). Remete à ideia gnóstica de que atravésdo caos e da desordem algo de bom deverá surgir (sem definir exatamente o quê). O politicamente correto, por seu turno, cumpre a missão deneutralizar qualquer reação daqueles que possam se opor à teoria crítica (e defender os valores que são caros à civilização). Isso é feito mediante expedientes de difamação preventiva e atribuiçãode rótulos odiosos ( técnicas especialmente eficazes no meio universitário) para intimidaçãodos possíveis dissidentes, que optarão por sufocar suas opiniões numa espiral de silêncio, a fim de evitar a execração por seus pares.
Dentro do sistema de manipulação semântica, ou seja, na “novilíngua” dos doutos, uma criança pode ser esquartejada no ventre materno em nome da “dignidade da pessoa humana” ou dos “direitos da mulher”. Um latrocida sanguinário, com folha de antecedentes semelhante a um guia telefônico, pode ser solto em nome da “presunção de inocência”. Usar e vender drogas passam a ser direitos sacrossantos,e uma vítima pode ser obrigada a encarar seu estuprador durante o depoimento para preservação das “garantias fundamentais” do acusado. Por outro lado, o policial que arrisca a vida, recebendo salário de fome, deve ser considerado a própria encarnação do mal, a exemplo de qualquer agente do estado que ouse defender a punição severa dos delinquentes. Essa inversão de mentalidade foi magistralmente captada pelo filósofo Olavo de Carvalho no (cada vez mais atual) artigo Bandidos & Letrados (Jornal do Brasil,26/12/1994):
“(...) Humanizar a imagem do delinqüente, deformar, caricaturar até os limites do grotesco e da animalidade o cidadão de classe média e alta, ou mesmo o homem pobre quando religioso e cumpridor dos seus deveres — que neste caso aparece como conformista desprezível e virtual traidor da classe —, eis o mandamento que uma parcela significativa dos nossos artistas tem seguido fielmente, e a que um exército de sociólogos, psicólogos e cientistas políticos dá discretamente, na retaguarda, um simulacro de respaldo ‘científico’".
À luz da "ética" daí resultante, não existe mal no mundo senão a "moral conservadora". Que é um assalto, um estupro, um homicídio, perto da maldade satânica que se oculta no coração de um pai de família que, educando seus filhos no respeito à lei e à ordem, ajuda a manter o status quo? O banditismo é em suma, nessa cultura, ou o reflexo passivo e inocente de uma sociedade injusta, ou a expressão ativa de uma revolta popular fundamentalmente justa. Pouco importa que o homicídio e o assalto sejam atos intencionais, que a manutenção da ordem injusta não esteja nem de longe nos cálculos do pai de família e só resulte como somatória indesejada de milhões de ações e omissões automatizadas da massa anônima. A conexão universalmente admitida entre intenção e culpa está revogada entre nós por um atavismo marxista erigido em lei: pelo critério "ético" da nossa intelectualidade, um homem é menos culpado pelos seus atos pessoais que pelos da classe a que pertence (...)”.
O problema é que, como dizia John Adams, “fatos são persistentes”. A primeira realidade (à qual nós mortais estamos sujeitos) acaba sempre se impondo de forma brutal ao “mundo-cor-de-rosa-com-Papai-Noel-chapado-de-prozac-na-Disney”, que só existe na cabeça da vanguarda judicial tupiniquim graças à sua pertinaz “recusa em perceber” os fatos do mundo circundante. Na segunda realidade, onde vivem esses seres iluminados, delinquentes da estirpe doo famoso “Champinha” podem ser consideradosheróis do lumpemproletariado em luta contra o sistema opressor. No mundo real, continuamsendo feras assassinas, que enxergam a sociedade como um grande parque de diversões para vazão de seus instintos animalescos.
Jamais me ocuparia do assunto, caso ele se limitasse ao usual e soporífero onanismo acadêmico. Ocorre que, no presente momento, toda essa brincadeira custa ao país 60 mil homicídios por ano (treze por cento dos assassinatos do planeta, segundo publicação recente). Para que não se diga que fico apenas com a frieza dos números, evoco o testemunho de todos os colegas que atuam ou atuaram em Varas Criminais, e, mais especialmente, perante o Tribunal do Júri: há algo mais desolador do queuma família enlutada, de quem tudo já foi tirado, ser condenada a ver seu clamor por justiça sacrificado no altar da bandidolatria?
Nesse leito de Procusto, em que se converteu boa parte da jurisprudência, quem deita é sempre o cidadão pacato e ordeiro, que teima em viver honestamente (afinal, se a teoria não se conforma à realidade, dane-se a realidade!). O sangue alheio não terá sido derramado em vão enquanto servir para ilustrar uma bela tese, vender livros ou proporcionar palestras para “confraria de aplausos mútuos”. A definição de comunista do saudoso Millôr Fernandes cai como uma luva para essa grei de magistrados: “São como alfaiates, que, vendo que a roupa não serve, fazem ajustes no modelo”. Não merecem qualquer respeito ou deferência. São impostores que deveriam ser vomitados pela toga e escorraçados do debate intelectual sério. Um Pilatos foi o bastante. Não somos obrigados a tolerar seus discípulos.
* O autor é promotor de Justiça junto ao Ministério Público Estadual do RS
A LÁBIA DO MACHO ALFA - 26/03/2016
(Publicado originalmente no Alerta Total - www.alertatotal.net)
"Um dia pretendo /Tentar descobrir /Por que é mais forte /Quem sabe mentir" (Renato Russo).
Intelectualmente limitado, com pouca ou nenhuma leitura, o sujeito era peitudo o suficiente para topar discutir qualquer assunto. Uma ocasião, observei-o interagir num grupo com pessoas notadamente cultas. Sem qualquer constrangimento, intrometeu-se no debate que travavam dois homens de letras sobre Borges e Sábato (e uma alegada rivalidade deste em relação àquele). O magano, cujas limitações eu conhecia bem, tomou a palavra para discordar de um dos debatedores. E se expressou sem inibição, com a técnica intuitiva de falar, falar, falar até aturdir o interlocutor e lhe despertar um desejo difuso de passar adiante.
Incrível! Se alguém lhe perguntasse: quem é Borges? Quem é Sábato? Sem dúvidas ele não teria a menor ideia! Apesar disso, provavelmente por um certo decoro que acaba emergindo nas pessoas decentes por reflexo condicionado, os outros não arrancaram a máscara do impostor, o que teria sido fácil. Pelo contrário, pareciam compelidos a corresponder ao seu irresistível imã de simpatia.
Naquele Macunaíma bem vestido não se percebia autocrítica. E qualquer expressão de modéstia era, nele, sempre tão-somente ardil retórico. Amoral, foi ele mesmo que se definiu como "cafajeste", numa fanfarronice perante amigos mais próximos. Embora não se destacasse pela beleza, pela cultura nem pela estatura moral, exercia considerável atração sobre as mulheres e liderança entre os homens.
Certamente a antropologia e a psicanálise têm subsídios teóricos para quem quiser decifrar o fenômeno desse que é um estilo de "macho dominante": cafajeste, mentiroso, sedutor, inconsequente (indiferente ao sofrimento que possa causar) e com um sutil e quase inexorável dom de envolver o próximo com sua lábia - ao ponto de neutralizar, no caráter comum, a capacidade de indignação. Em suma, alguém com a maior desenvoltura no jogo da sedução e da manipulação.
Sobrevém o curioso resultado: pessoas desprovidas de uma capacidade crítica razoavelmente autônoma (quer dizer, a maioria) não resistem à simpatia aliciante desse personagem; e, num processo inconsciente de negar a realidade, tornam-se alheias ao fato de estarem diante de um espécime visceral, egocêntrico e exclusivamente dedicado ao seu próprio interesse. Trata-se, como se vê, de um tipo humano notadamente egoísta, mas, ao mesmo tempo, dado a demonstrações de generosidade; abominável, mas capaz de enternecer com suas exibições afetivas e fazer-se o mais atraente dos indivíduos.
Aliás, guardada a rudeza das palavras, é preciso dizer: quer num rebanho, alcateia ou matilha, quer num grupo de primatas ou de humanos pseudopolitizados, não haverá macho dominante se não houver fêmeas submissas nem machos subalternos.
Pois bem. Em jornais e revistas dos últimos dias é possível encontrar-se a transcrição do depoimento à Polícia Federal de certo fulano investigado na Operação Lava-Jato, em que se vê, de corpo inteiro (com o acréscimo de uma ofensiva vulgaridade), um exemplar do tipo acima descrito.
É oportuno dizer que, quando a política é regida pelas pulsões mais primitivas da espécie humana (que são praticamente as mesmas de qualquer primata), o resultado é uma sociedade a cabresto, um Estado vicioso e o futuro riscado da agenda.
* Psicólogo e Bacharel em Direito
CAMPANHA LEGALISTA PELO PROJETO CRIMINOSO DE PODER - 25/03/2016
No dia 17 de março de 2016 professores de Direito ,advogados, juristas, estudantes e militantes se reuniram no salão nobre da Faculdade de Direito da USP no ato pelo legalidade e democracia .
O primeiro a discursar foi o jurista Fábio Konder Comparato. “Se persistir a rejeição em qualquer esfera política, o próximo presidente da República será infelizmente o juiz Sérgio Moro”. “Temos que começar a criar um controle popular”. "Estamos às vésperas de um caos político”. Depois foi o professor Sérgio Salomão Shecari que cunhou lema: “Moro na cadeia” e foi ovacionado.
E depois foi o Marcelo Semer e disse: “A gente vestia camiseta amarela para confrontar os militares, não para tirar selfie com eles” E para finalizar tivemos o discurso do professor Gilberto Bercovici: “O que vimos na Avenida Paulista domingo é uma sociedade racista, preconceituosa”, “Querem repetir 64. Só que desta vez não vão conseguir”. O professor Dalmo Dallari não pode estar presente mas expressou o seu total apoio ao evento.
E posteriormente na terça-feira dia 22 de março de 2016 a presidente Dilma os ministros José Eduardo Cardozo (AdvocaciaGeral da União), Eugênio Aragão (Justiça), Edinho Silva (Comunicação Social) e Jaques Wagner ( chefe de gabinete) junto com Juristas, advogados, promotores e defensores públicos, organizaram no Palácio do Planalto o Encontro com Juristas pela Legalidade e em Defesa da Democracia . O evento foi organizado para demonstrar contrariedade das ações do juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jata, com o objetivo de colocar na ilegalidade não só os grampos telefônicos e as conduções coercitivas, mas de impedir o andamento da Lava Jato e do Impeachment.
Na condição de expresidente da Associação Nacional de Juízes Federais (Ajufe), o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), foi o primeiro a discursar neste evento e disse: “Estamos assistindo a um crescimento dramático de posições de porte fascista representadas pela violência cometida por grupos inorgânicos sem líderes e em busca de um fuhrer, de um protetor. Ontem, as Forças Armadas. Hoje, a toga supostamente imparcial e democrática (Sérgio Moro)” E continua: “se um juiz (Sérgio Moro) quiser fazer passeata, basta pedir demissão do cargo”. E ainda falou que Dilma tem “autoridade, como poucos no país”, porque “sacrificou a vida”, e “pôs em risco a integridade física”, entenda guerrilheira, para defender o “regime democrático”, compreenda regime comunista.
A presença de advogados, juristas, professores e estudantes de Direito nestes eventos não se resume apenas na necessidade de buscar algum dispositivo legal para prender o Juiz Sérgio Moro” e impedir o andamento da Lava Jata e do Impeachment, mas significa sobretudo, a necessidade blindar o projeto criminoso de poder atribuindo a elite política de cleptocratas uma aparente legalidade.
Balzac (1799-1850) em sua obra o Código dos homens honestos, ou, A arte de não se deixar enganar pelos larápios (1825) que foi escrita com o objetivo de ajudar o homem honesto a conservar os seus bens explica que os ladrões está perigosa peste social é um ser que procura conhecer a natureza dos homens, o seu temperamento e paixões para assim poder fazer vítimas e prever os acontecimentos. Com o seu espirito ágil e agudo como um punhal sabe encontrar boas saídas além de ser um grande simulador, simula ser ético, banqueiro, general e até mesmo magistrado para conseguir os seus objetivos, sendo a classe mais inteligente da sociedade, sempre procura oportunidades para além das circunstâncias. Balzac a grosso modo enumera três categorias de ladrões que se diferem em relação a gravidade e sofisticação do crime.
Primeiro os ladrões de galinha ou pé de chinelo, segundo os ladrões truculentos são os que roubam utilizando de armas e arrombamentos de propriedade para obter o bem alheio. São pessoas violentas e muitas vezes fácil de serem percebidas devido as efrações e o seu modo explícito de roubar. E em terceiro lugar vêm a classe mais alta, os ladrões estelionatários ou escroques, aqueles se apoderam do bem alheio de forma ardilosa e fraudulenta se utilizando de trapaças e artimanhas com intuído de obter vantagens ilícitas para sí. Geralmente são pessoas que se vestem bem, têm boas maneiras e linguajar estudado. Mas se Balzac estivesse vivo hoje para descrever o projeto criminoso de poder ele incluiria uma quarta classe de ladrões, aqueles que ocupam o cume da pirâmide social, os cleptocratas ou simplesmente os Donos do poder. É fato que todo crime é danoso, mas o dano de uma casta cleptocrática à sociedade é de uma gravidade sem parâmetros.
A cleptocracia significa a fase superior do banditismo, ou seja, quando ele deixa de ser poder paralelo em conflito com as autoridades jurídicas, e passa a ser o poder legal da própria sociedade, ou seja, o crime feito Lei e Ordem. Isto significa dar aos criminosos não só o poder mas autoridade, portanto o direito de enriquecer através da violência e de golpes engenhosos, se antigamente exigiam nossa bolsa ou nossa vida com brutalidade, hoje exigem a nossa própria liberdade em prol da liberdade de uma elite de delinquentes para fazer o que quiserem, está tudo na Lei.
Os cleptocratas diferente dos criminosos não pretendem se escamotear da Lei, mas fazerem do seu crime a própria Lei, como bem pontua Balzac.
“O verdadeiro talento consiste em ocultar o roubo sob uma aparência de legalidade [...] os ladrões espertos são recebidos pela sociedade, passam por pessoas de bem. Se, por acaso, descobre um malandro que se apossou do outro que não lhe pertencia, manda-se o sujeito para as galeras: esse é um degenerado, um bandido. Mas, se houver um processo judicial, o homem impecável que roubou a viúva e os órfãos encontrará nessa mesma sociedade mil advogados para defendê-lo” [BALZAC, 2005, p.19]
O objetivo dos cleptocratas e da sua corja pomposa de “legalistas” é fazer com que os meios de adquirir a propriedade de outrem se multipliquem e se tornem legais. O regime cleptocrático se apoia na demagógica ética de Robin Hood cujo fundamento é roubar dos ricos para dar aos pobres, que em suma é a legitimação do poder político pelo roubo em prol de justiça social. É isto que faz com que o projeto criminoso de poder prospere, já que a ideia de justiça social confere um verniz de legitimidade ao roubo. E os intelectuais ligados umbilicalmente aos Donos do Poder se comportam como corsários refinados e autorizados pelo governo a atacar os direitos e opiniões.
Esta casta cleptocrática quer viver legalmente à custa da pilhagem social.
BALZAC, Honoré de. Código dos homens honestos, ou, A arte de não se deixar enganar pelos larápios. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 2005
PONHAM BARBAS E BATONS DE MOLHO - 24/03/2016
(Publicado originalmente na Folha de São Paulo)
Hoje quero pensar, com você, em duas questões relacionadas ao tema da corrupção da política no Brasil. Uma primeira, fruto de uma pergunta que ouço muitas vezes das pessoas, e uma outra, sobre a aposta do PT que Lulinha resolverá o problema do governo salvando todo o sistema político corrupto brasileiro, aniquilando a Lava Jato com a discreta aceitação de grande parte dos setores da oposição e do alto clero jurídico do país. Vamos por partes.
Vamos à primeira questão. Muitos se perguntam a razão da maioria esmagadora dos intelectuais, artistas e estudantes de humanas ser tão caninamente a favor do PT. Na semana passada, nesta coluna, me referi à seita da jararaca (o PT) como uma "religião". Hoje, vamos olhar de outra forma esse fenômeno que é espantoso para muita gente, mas que, na realidade, pode até ser visto de forma "filosófica".
Caros, prestem atenção: verdade seja dita, muita gente da academia é caninamente fiel ao PT, mesmo sendo evidente que ele participa profundamente do esquema de corrupção da política brasileira.
É claro que, praticamente, todos os partidos também o fazem, e isso é fundamental pra você entender a segunda questão que tratarei abaixo. Muitos jovens aderem de forma impensada e estimulada por professores que construíram e constroem suas vidas intelectuais e institucionais em cima da seita marxista e associadas.
Essa adesão significa poder nos departamentos, órgãos colegiados e instituições que financiam pesquisas. Entendeu? Grana e poder localizado dentro do espaço institucional acadêmico. O mesmo serve para os editais de cultura dos artistas que vivem do governo.
Muitos alunos são tragados, em seu impulso de querer mudar o mundo(muitas vezes, em detrimento de arrumar o próprio quarto), por essa máquina de corrupção interna ao mundo intelectual institucional. De um ponto de vista da carreira, essa adesão pode, inclusive, garantir concursos e parcerias interessantes.
Mas existe uma causa mais "metafísica" ou mais sofisticada para gente "inteligente" apoiar caninamente e violentamente o PT e associados, em sua saga pela corrupção ideologicamente justificada.
Eis a causa: para a moçada "inteligente", o horror à corrupção é coisa do humanismo burguês ("coxinha", numa linguagem mais atual).
Para esses "inteligentes", se a corrupção, o crime, a mentira, a violência, forem em nome da "causa", tá valendo. É isso que grande parte das pessoas não entende quando se choca com o fato que a universidade, a "arte" e a "cultura", em grande parte, apoia caninamente corruptos com metafísica, como a tropa de choque do PT e associados.
Marx (1818-1883), Bakunin (1814-1876) e Nechayev (1847-1882), para ficar apenas em três grandes estrelas desse mundo, pensavam exatamente assim. Portanto, caros, para os "inteligentes", a corrupção tem "metafísica": essa metafísica é a justificativa de que ela é parte das ferramentas necessárias para a luta. Você, burguês, coxinha, na sua ingenuidade, pensa que sendo eles "cultos", pensariam de forma "simplista" como você?
Agora vamos à segunda questão de hoje. Por que Lula foi indicado para o ministério? Não, não estou me referindo à forte indicação de que isso foi um truque para tirá-lo das mãos do algoz Moro. Refiro-me à sua missão "superior" de salvar o sistema corrupto inteiro que a Lava Jato pode vir a engolfar em seu processo "pós-PT". E aí, caros irmãos, a coisa pega.
O PT, caso confirme seu superministro, aposta no medo do alto clero jurídico e da "oposição" como apoio ao aniquilamento institucional e burocrático da Lava Jato.
É um papinho aqui, uma leizinha ali, um parecerzinho acolá, e pronto: a Lava Jato vira pizza, como as Mãos Limpas viraram na Itália graças a Berlusconi (e Moro sabe muito bem dessa história). Nosso Berlusconi é o Lula. Não é o Moro que é o Berlusconi (como muitos desavisados pensam), é o Lula. O Moro tá mais pra Batman do que pra Berlusconi.
Portanto, ponham suas barbas e batons de molho.
Lulinha paz e amor da manifestação da última sexta veio pra salvar a corrupção de todos.
O CHEIRO COMO MÉTODO - 24/03/2016
Se para punir suspeitos bastasse o "cheiro" de ilegalidade, sem necessidade de provas, Luiz Inácio Lula da Silva já estaria há algum tempo convivendo atrás das grades com os grandes empreiteiros de obras públicas com os quais, durante e após seus dois mandatos presidenciais, manteve relações ostensivamente promíscuas. Para Lula, porém, é auspicioso que o novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, se declare franco adepto do método olfativo: "Cheirou vazamento de investigação por um agente nosso, a equipe será trocada, toda. Cheirou. Eu não preciso ter prova".
Só não é totalmente inacreditável que o ministro da Justiça tenha feito essa declaração, em entrevista à Folha, porque cheira forte que alguém com a truculência sob medida tenha sido colocado na importante pasta por imposição de Lula e do PT exatamente para criar obstáculos à Operação Lava Jato. Como primeira consequência da posse do ministro que confia no próprio olfato para cumprir a missão que lhe foi confiada pelo lulopetismo, já no fim de semana passou a impregnar o ambiente político em Brasília o forte odor de que a intervenção na Lava Jato começaria pela troca do diretor da Polícia Federal (PF). Ontem, o Ministério da Justiça divulgou nota desmentindo que o chefe da PF, Leandro Daiello, esteja ameaçado de demissão, mas apurou-se que o Planalto teria estabelecido um prazo de 30 dias para sua substituição.
Daiello comanda a PF desde 2011, escolhido pelo então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Este deixou de ser ministro porque Lula e toda a tigrada petista o acusavam de não ter "pulso forte" para impedir as "arbitrariedades e injustiças" cometidas pela PF, principalmente a partir do momento em que o ex-presidente passou a ser alvo de investigações. Se a presidente Dilma Rousseff não teve força política para manter no cargo um ministro de sua estrita confiança, o que dizer do chefe da PF? A bombástica declaração de Eugênio Aragão logo após sua posse soa como destinada a tranquilizar os responsáveis por sua nomeação. Resta saber até que ponto ele está realmente disposto, para agradar a seus padrinhos, a intervir na Lava Jato, que a maioria absoluta dos brasileiros enxerga como um símbolo intocável da luta contra a impunidade dos poderosos e que, dessa perspectiva, passou a ser forte elemento de aglutinação das manifestações populares contra o governo.
Dilma e Lula sabem o risco político que representa, pela forte e inevitável repercussão nas ruas, mexer com a Lava Jato. Mas aparentemente o ex-presidente, que hoje tem sob seu comando as articulações políticas do governo, considera mais urgentes e prioritárias as medidas destinadas a impedir que a PF bata à sua porta com um mandado de prisão. Essa, aliás, é a principal razão, comprovada pelas gravações divulgadas pela PF, da tentativa de nomeação do ex-presidente para a chefia da Casa Civil, cargo que o deixaria a salvo da "perseguição" do juiz Sergio Moro.
Pelo que se viu até agora, Eugênio Aragão na Justiça pode ser o homem certo no lugar certo para blindar Lula da ação da Polícia Federal. Mas mesmo para ele essa será uma tarefa ingrata do ponto de vista legal, dado o acúmulo de evidências e provas contra Lula em relação ao patrimônio material que acumulou a partir de suas notórias relações com os maiores empreiteiros de obras públicas do país, das quais teriam resultado, como a Operação Zelotes investiga, benefícios mútuos. "Controlar" essas investigações exige botar freio na autonomia funcional que a Constituição garante aos policiais federais, independentemente de sua subordinação hierárquica ao ministro da Justiça. A este cabe apenas, segundo a Constituição, determinar as diretrizes e o orçamento das operações policiais.
Pois Aragão, na mencionada entrevista, deixou claro que vai impor "diretrizes" que, em última análise, significariam pura e simplesmente o cerceamento das investigações. Fez isso ao manifestar desconfiança sobre a maneira como o instituto da delação premiada é aplicado em Curitiba: "Na medida em que decretamos prisão preventiva ou temporária em relação a suspeitos para que venham a delatar, essa voluntariedade pode ser colocada em dúvida. Porque estamos em situação muito próxima de extorsão. Não quero nem falar em tortura". Definitivamente, não cheira bem.
ERROS QUE CONSTRANGEM: A INCONTINÊNCIA VERBAL DE LULA - 21/03/2016
Na dinâmica do jogo político todos os atores cometem erros. O problema mais sério dos erros políticos é que são públicos nas suas causas e consequências. Há erros de toda ordem; na escolha dos auxiliares de confiança, nas decisões equivocadas, na formulação da estratégia e, lastbutnotleast, nas declarações e pronunciamentos.
Esses últimos são alguns dos erros mais graves que Lula vem praticando, neste momento decisivo e crítico para o governo de Dilma para o qual foi convocado com a missão de salvá-lo do impeachment.
São erros provindos da incontinência verbal, que é uma das características do político Lula.
São, contudo, erros boomerang: ele os atira contra seus alvos, mas o boomerang faz a volta e retorna para atingi-lo.
Curiosamente são agressões expressas em linguagem chula, baixa e grosseira a que recorre quando enfrenta uma situação que o ameaça e o assusta. São declarações autodestrutivas que provocam estragos na sua imagem e criam constrangimento (quando não revolta) naqueles a que são dirigidos.
Lula parece ter escolhido para agredir com uma linguagem muito ofensiva todos os que ou vão julgá-lo ou aqueles de cuja boa vontade vai depender.
Assim, além do Juiz Sérgio Moro, ele ofendeu o Procurador Geral da República, o Supremo Tribunal Federal, o Ministério Público, a Receita Federal, a Polícia Federal, atacou as redes de TV, Presidente da OAB, Presidente do Senado.
Para eles, Lula, implícita ou explicitamente acrescenta, com termos e expressões estranhos à política civilizada, a acusação de traição, de ingratidão e de falta de reconhecimento, como se a indicação ou nomeação de uma autoridade trouxesse consigo a obrigação da submissão aos seus desejos e interesses.
Não haverá tempo suficiente para Lula reatar suas relações com a realidade o que, até agora, era um dos traços mais fortes da sua personalidade política.
O FIM DO CAMINHO - 18/03/2016
(Publicado originalmente em O Globo)
O governo tinha expectativa de que a nomeação do ex-presidente Lula fosse reduzir a crise e ela atingiu o seu ponto máximo com o conhecimento dado à opinião pública do teor das conversas do agora ministro Lula. No diálogo com a presidente Dilma ela diz o oposto do que havia dito à tarde para os jornalistas e ficou claro que o cargo era um salvo-conduto para Lula.
O termo de posse era tão urgente que precisou deste telefonema de Dilma, mostrando a presidente dentro do esforço de proteger Lula de qualquer ação da Justiça e do Ministério Público do Paraná, o que Lula chama de a “República de Curitiba”.
As manifestações que cercaram o Palácio e atingiram outras capitais mostraram a intensidade do sentimento do país de repúdio às manobras e tentativas de acobertamento que estão sendo reveladas. O governo calculou que tinha feito a manobra perfeita e a divulgação dos áudios mostrou que os reis estão nus.
Durante a tarde, na entrevista, a presidente Dilma chamou o ministro Lula de “presidente” na primeira entrevista depois que ele virou chefe da Casa Civil. Não era um ato falho. Foi talvez o momento em que ela acertou no que disse. O governo estava criando naquele momento algo novo: um sistema em que um ministro é mais forte do que a chefe do governo. Uma presidente enfraquecida, chama um ex-presidente encurralado para que ambos se protejam. O que Lula mostra nas suas conversas era que a proteção era contra as instituições brasileiras. Dilma perguntou aos jornalistas “a troco de que eu vou achar que a investigação do juiz Moro é melhor do que a investigação do Supremo?”. A propósito: quem investiga é o Ministério Público e a Polícia Federal. A Justiça julga. Mas a presidente disse isso e horas antes havia tido aquele diálogo com Lula sobre mandar o termo de posse para ele usar “em caso de necessidade”.
Depois de tudo o que foi divulgado, o ex-presidente não tem mais condições de permanecer no cargo para o qual acaba de ser nomeado. Mas se ele for chefe da Casa Civil dificilmente dará certo o arriscado plano dos dois. Lula pela sua personalidade, história e liderança é maior que Dilma. Até porque eles são criador e criatura. Ele, porém, não é tão forte quanto pensa. Os diálogos mostram uma pessoa inteiramente desnorteada e capaz de definir com impropérios os líderes com os quais ele se propõe a negociar. Ele, de fora do governo, já achava que poderia dar ordens ao novo ministro da Justiça que acaba de ser nomeado, para que ele fosse “homem”. E o Supremo, seu foro privilegiado, é uma corte “acovardada”, segundo ele.
O plano para fugir do juiz Sérgio Moro esbarra agora mais do que nunca na crueza das revelações de ontem. A Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal não poderão fechar os olhos e os ouvidos para o que está exposto, do contrário ficará claro que lá funciona um forno de pizza.
Dentro do governo, se essa situação durar, o relacionamento não será fácil. Lula é acostumado a mandar e não ser contestado. Dilma é turrona e irritadiça. Os dois têm maus modos no trato com subordinados. A relação de subordinação não está clara. Lula é boquirroto, costuma dizer o que pensa e a tentação será compartilhar com seus interlocutores as críticas que costuma fazer ao modo de Dilma governar. O campo é fértil para as intrigas palacianas. Ele, contudo, não será demissível. O PT interpretou a ida de Lula como uma forma de salvar o governo que está de fato em apuros, e Dilma está entendendo que concedeu um salvo-conduto contra o que ela chamou ontem, na entrevista, de “critérios de investigação estranhos”.
Lula pretende mudar a economia e queria levar Antonio Palocci de volta, derrubando Nelson Barbosa, que ele mesmo havia nomeado. E uma de suas ideias é usar as reservas para abater a dívida que subiu de forma espantosa. O problema é que quem está endividado é o Tesouro e quem administra as reservas é o Banco Central. Pela Constituição o Banco Central não pode financiar o Tesouro. Eles podem dar um jeito nessa proibição. Será uma nova pedalada.
O governo está moribundo e ontem sua situação piorou mais. As respostas que alguns dos seus integrantes ensaiaram não conseguem convencer ninguém. Não há saída boa para a presidente Dilma.
(com Marcelo Loureiro, interino)
3 DE MARÇO DE 2016: QUEM FOI FEZ HISTÓRIA! - 14/03/2016
(Originalmente publicado em http://rodrigoconstantino.com/)
O que dizer? Apenas que era preciso ter estado lá, com o povo brasileiro, reunido por um país melhor, contra o governo mais incompetente e corrupto de nossa história. Não tinha como ficar de fora disso, e estou muito feliz por ter vindo direto da Flórida “só” para essa manifestação. Foi incrível. Foi fantástico. Foi lindo de ver.
A energia nas ruas, a esperança renovada, famílias inteiras, crianças, idosos, jovens, todos juntos num protesto apartidário e pacífico, o que dá um nó na cabeça dos petistas. Eles não sabem o que é isso. Nunca entenderam o conceito de patriotismo e de civilidade. Não é de sua natureza golpista e revolucionária.
Carlos Andreazza, editor da Record, resumiu bem a situação de perplexidade dos petistas:
Para quem sempre teve o domínio dos protestos de rua, compreendo que seja difícil assimilar a derrota monumental de ontem. Foi golpe mesmo. A maior manifestação pública da história do Brasil não foi sua. É duro. É um tremendo baque narrativo. Mas é do jogo.
Sei que o repúdio à figura do político tradicional de qualquer partido – Aécio e Alckmin foram hostilizados, entre outros – causa-lhe curto-circuito. Mas é o que é: quem foi às ruas ontem não tem compromisso seletivo; não tem compromisso de defender Fulano, Sicrano ou Beltrano. Este compromisso – eletivo – é seu. Vire-se com ele. Cada um tem a jararaca que merece. Enrole-se com ela.
Tenho clareza sobre o fato de que a exploração cafajeste da imagem de uma família com babá – trabalho regulamentado e recolhedor de impostos como o meu e (espero) o seu – é reação representativa do desespero de uma constatação: você sabe que elite nenhuma no mundo reúne milhões de pessoas nas ruas; você sabe que a conta não fecha.
Você sabe…
Foi o povo brasileiro.
O povo brasileiro, esse ilustre desconhecido dos petistas, que transita apenas em seus discursos, nada mais. Algo mudou: o PT não tem mais as ruas, não tem mais nada além dos vendidos, da gangue da mortadela. Até a classe artística, que outrora fez tanta campanha pelo “partido”, mudou. Suzana Vieira estava lá, eu vi, assim como Márcio Garcia, entre outros. No passado, vejam quantos deram seu apoio a essa ilusão furada chamada Lula:
Muitos ainda continuam defendendo o indefensável, ou calados, com vergonha. Mas não é mais algo “descolado” defender Lula, uma “estrela que brilha”. O que brilha em Lula é todo o ouro que ele roubou. E não venham dizer que ele mudou no poder; ali ele foi apenas revelado. Seus defensores é que se iludiram e quiseram acreditar numa farsa, pois era charmoso, romântico ter o ex-metalúrgico com discurso populista como mascote. São os que defendem o PSOL hoje.
O PT joga tão baixo que até no horóscopo da Folha de domingo ele se meteu, por meio de Bárbara Abramo (o nome diz tudo, o mesmo da fundação do partido). Foi algo tão escancarado que impressiona. Todos os signos tinham como recomendação afastar o leitor das manifestações, incentivando os leitores a permanecer em casa, no campo, no cinema, longe de emoções e gente.
Vão todos na mesma linha de desincentivar “atividades improvisadas”, de evitar o “emocional coletivo” que “anda teimoso” com “fantasias”. É simplesmente absurdo! Parece até que Verissimo voltou a escrever horóscopos. Essa Falha de SP…
Por falar no maior jornal do país, “golpista” segundo o PT, seu instituto de pesquisas, Datafalha, cometeu genocídio: eliminou um milhão de brasileiros! Diz que foram 500 mil na Av. Paulista, e basta olhar a capa do Estadão para ver o absurdo:
Um mar de gente! Uma multidão impressionante! O MBL contratou empresa israelense especialista no assunto e sua contagem deu 1,4 milhão. Ou seja, o Datafolha sumiu com um milhão de paulistas patriotas! A revolta do povo com a classe política está evidente, e a imprensa será a próxima vítima, se continuar assim.
POR QUE ESTAREI NA RUA (13/03/2016)- UMA ANALOGIA COM A MEDICINA - 13/03/2016
(Publicado originalmente em http://lavafabio.tumblr.com/)
Gosto muito de utilizar premissas médicas/biológicas/cientificas para me posicionar frente a situações controversas e dilemas. O “senso comum” científico ajuda muito pois mesmo os fenômenos sociais e políticos muitas vezes se comportam de forma análoga aos fenômenos patológicos.
Muitos argumentam que ir amanhã é inócuo pois o que vivemos é uma crise total na classe política e na relação desta com o dinheiro público. Que a corrupção é sistêmica e que vivemos em um oceano de incompetência que transcende partidos e aflige municípios e estados tanto quanto a federação.
Concordo.
O Brasil sofre de uma neoplasia político-administrativa. Um câncer que vige há séculos após uma monarquia e um período colonial malfadado cujos paradigmas não se dissiparam com a Republica. A mentalidade de monarquia ibérica- espoliação, aristocracia, burocracia, foco na regulação e não na produção, aversão a competição e ao resultado, cultura de impostos brutais, corte mancomunada com coronéis e com a indústria mamando na classe média- continuam. O PT realmente não inventou.
O PT aprimorou de forma exponencial nossas mazelas estruturais e criou mecanismos de auto sobrevivência com políticas aparentemente positivas, mas que foram cabalmente utilizadas como cabresto e imortalização do poder. Ou seja, um câncer de crescimento lento se transformou em um câncer maligno e agressivo. E assim como o câncer maligno que ao focar na sua própria sobrevivência deixa o corpo astênico, gera metástases e acaba matando o indivíduo, o PT no governo Dilma adquiriu este tipo de atitude.
Mas então, por que ir se manifestar se o câncer de hoje é o mesmo daquele da época Tiradentes, por que só contra o PT?
A resposta é simples. O governo Dilma é um choque. Choque no sentido médico da palavra. O Brasil foi pra UTI com pressão arterial 0/0. Aqueles mecanismos que seguravam o organismo ,mesmo que cancerígeno, funcionante no governo Lula foram quebrados por uma hemorragia potencialmente fatal.
A hemorragia se dá com um PIB negativo mesmo com supersafra, com evasão de capitais pois todo o mundo enxerga o Brasil como uma loja de carros usados picareta, com deterioração de todos os indicadores econômicos e consequentemente de todos os indicadores sociais. Nos últimos 3 anos a nova classe C empobreceu e os parâmetros para classe média foram reduzidos a 50 dólares/mês (!!!).
O Brasil precisa de químio e radioterapia. Precisa revolucionar e reformar a política nos três poderes. Precisa acabar com esse federalismo onde Brasília é metrópole e os estados são as colônias. Precisa revolucionar as relações com os entes privados e encerrar a promiscuidade entre ente público e privado. Muitas vezes essa promiscuidade é fantasiada de vaca sagrada econômica gerando barreiras à competição e àquilo que parece público é fruto de uma paracutaca de cartas marcadas onde todos ganham.
O Brasil precisa de uma revolução na educação. Não só na alfabetização, mas também na mentalidade. As pessoas têm que saber empreender, criar, ser diferentes, aprimorar seus talentos. A educação que coloca todos na mesma panela e tira o MMC dos alunos é cômoda e politicamente correta. Mas ela cria uma massa de improdutivos e de analfabetos funcionais. E estes improdutivos e analfabetos são a massa de manobra mais fácil de cooptar e de alinharem a quadros onde a MILITANTOCRACIA é a métrica de sucesso.
O Brasil precisa de quimio e radioterapia. Porém o Brasil precisa sobreviver ao CHOQUE HIPOVOLÊMICO (perda de sangue) causado pelo governo Dilma. E para encerrar essa hemorragia deve se cauterizar a causadora dela- GOVERNO DILMA ROUSSEF. O pior governo da história do Brasil.
Em nome do pedido de renúncia de DILMA e do fim desta sangria desatada em nossas entranhas eu ESTAREI NA RUA AMANHÃ mesmo que discordando de muitas das bandeiras que serão levantadas lá.
Primeiro salvar a vida do paciente em morte iminente, depois tratar a patologia de base gravíssima. Simples assim.
* Médico
13 DE MARÇO - TERRA À VISTA! - 12/03/2016
São quase 200 milhões de mareados viajando no “navio fantasma” perdido no oceano da corrupção do Governo. Que se travestiu de Estado para se apropriar de suas instituições e através delas subsidiar a ilusão dos miseráveis, ao gosto do demiurgo de Garanhuns. Nisso, cavou o abismo da recessão e da inflação, fazendo soar o alarme do desemprego e das consequências do desamparo oficial à saúde, à educação, à segurança e o mais que se possa desamparar. Tudo para que se mantenha e acentue a desigualdade que justifica o cinismo de conveniência do mantra “nós e eles”.
A comandante resiste ao motim generalizado que de há muito contaminou sua própria tripulação, mesmo que supere a todos quantos a sucederam, em incompetência para chefiar, inaptidão para articular e cegueira estratégica para não enxergar a delinquência que a sustenta. Comporta-se como um náufrago que com uma das mãos se agarra ao timão transformado em biruta descontrolada, e com a outra tateia na escuridão à procura de objetos flutuantes lançados pelo “fogo amigo” e pelos bucaneiros-congressistas dos navios de abordagem.
Num deles (na Câmara), o comandante dissimula a condição de cadáver insepulto que se mantém de pé pela negação patológica de todas as evidências de sua morte política. Seu “fantasma”, subsidiado pelo deus de sua assembléia, se esmera na orquestração das patranhas de seus acólitos e aterroriza os inimigos pela chantagem, porque em sua maioria vulnerados ou pela corrupção, ou pela conivência com os corruptos que frequentam a Casa do Povo que mal preside.
No outro (no Senado), reina um “macunaíma” de Maceió que carrega nas costas um número de processos por crimes contra a Administração Pública jamais atingido pela mais corrupta alma – deste ou do outro mundo - que, por infelicidade geral, já tenha assombrado a Casa do Poder que mal dirige.
A esta, o terceiro poder (STF), transformado em “Supremo Constituinte”, recentemente subtraiu da outra, da do povo - embora dele devesse emanar todo o poder- o de decidir, com exclusividade, pela admissão do processo de “impeachment”. Na metáfora do navio, a tripulação suprema acredita haver fornecido ao comandante a rota “segura” na direção dos rochedos, onde só escapam do desastre os poucos que detém o uso exclusivo dos botes salva-vidas.
Por isso, neste 13 de março, abandone a acomodação do convés sinistro, vá às ruas para gritar: TERRA À VISTA !
* Ex-subprocurador-geral da República
CAIU O ÚNICO MINISTRO DE DILMA - 09/03/2016
(Publicado originalmente na revista Época)
O primeiro problema causado pela prisão do marqueteiro João Santana se deu em menos de 24 horas. O programa do PT na TV foi saudado praticamente em todo o território nacional com um panelaço retumbante. O que significou esse panelaço? Aí é a falta que João Santana faz: normalmente, o Partido dos Trabalhadores surgiria prontamente com sua "interpretação" dos fatos – alguma coisa como "as pessoas estão protestando contra a perseguição ao presidente Lula" ou "a elite branca agora deu para frequentar a cozinha".
Como todo mundo agora já sabe, pobre que é pobre não se mete em cozinha: manda a empreiteira. E pobre que tem sítio e tríplex não bate panela, porque está feliz da vida. O que será de toda essa narrativa coitada depois da prisão do mago João Santana?
A queda do ministro mais importante de Dilma e de Lula – ou talvez o único, apesar de não ter cargo no ministério – é a primeira ameaça real à governabilidade petista. O líder do governo no Senado foi preso e o Planalto nem notou. Delcídio do Amaral não fez a menor falta. Tanto que, nesse caso, o PT soltou logo uma nota oficial (com a grife do ministro Santana) jogando o senador às feras, praticamente dizendo que a lambança era problema dele, ele que se virasse.
Aí a mulher do senador começou a reclamar, dando a entender que Delcídio não ia apodrecer sozinho. Viu-se então como o governo Santana trabalha bem: fica quietinha aí, companheira, que daqui a pouco a opinião pública esquece seu marido irrelevante e o companheiro Teori Zavascki solta ele.
Não deu outra: passado o Carnaval – cálculo bem feito para não gritarem que Delcídio seria liberado para a folia –, o senador saiu do xadrez. É claro que o Brasil, coitado, curando a ressaca do porre carnavalesco, não se lembra mais por que o eminente parlamentar havia sido preso. Mas a mídia golpista está aqui para ficar martelando esses detalhes desagradáveis: Delcídio do Amaral foi preso pela Lava Jato por ter sido flagrado tentando obstruir a investigação dos crimes do petrolão.
Vamos recitar direito o samba-enredo, para facilitar a compreensão pelo país do Carnaval: o líder do governo no Senado, isto é, o representante do palácio de Dilma Rousseff no Congresso Nacional, foi surpreendido e gravado planejando a fuga para o exterior do excelentíssimo prisioneiro Nestor Cerveró, condenado no escândalo de corrupção da Petrobras – no qual o próprio Delcídio já era suspeito, assim como o governo por ele representado.
Fica assim, então, o refrão do samba: Delcídio do Amaral está livre para voltar a trabalhar (sic) no Senado Federal, e livre também, portanto, para dar prosseguimento ao seu patriótico esforço de melar a Operação Lava Jato. O companheiro Teori Zavascki, goleiro inexpugnável do STF que não deixa passar uma bola sequer contra a companheira presidenta – em dupla afinada com o zagueirão Janot, que rebate tudo sem despentear a franja –, achou que não havia mais razão para manter Delcídio preso. Qual terá sido a sua premissa? Provavelmente, apostou que as pilhas do gravador do filho de Cerveró acabaram.
Realmente, se o rapaz não gravar mais nada, a ameaça cessa: a quadrilha do petrolão poderá voltar a desfalcar o Brasil honestamente, como aconteceu por mais de dez anos sem ninguém se incomodar. Como disse João Santana ao receber a ordem de prisão, o país mergulhou num "clima de perseguição". Lula teve de interromper sua lua de mel com a Odebrecht, Renato Duque foi caçado e encarcerado gritando "que país é este?", Delcídio do Amaral foi capturado indagando aos policiais "como assim, um Senador da República?". Como se vê, o país foi arrancado de seu clima de normalidade venal.
Nada disso seria problema sem a prisão do ministro João Santana. Antes, se o povo saía às ruas de verde e amarelo, lá vinha a genialidade canalha: "Essa gente está protestando contra a corrupção com a camisa da CBF?". Agora a pergunta é outra: "Esses malandros estão parindo slogans de vítimas com dinheiro do petrolão?".
Vamos ver se o novo samba cai na boca do povo: Dilma Rousseff foi eleita com dinheiro roubado da Petrobras – como sustentam os fundamentos da prisão de seu marqueteiro pago por fora (do país e da lei). Chegou a hora de a mulher sapiens sambar
EXCELENTE TEXTO DE UMA JORNALISTA SOBRE DISCURSO DE LULA - 07/03/2016
(Publicado originalmente em soniazaghetto.wordpress.com)
Assisti ao discurso do ex-presidente Lula da forma o mais isenta possível e mente aberta. Obviamente não esperei grandes mudanças, mas imaginei que haveria um pouco de autocontrole como demonstração de inteligência. Aguardei alguma demonstração de contenção, se não por gestão de imagem, mas como medida destinada a não aumentar a grande fogueira dos ódios deste país. Imaginei que, dado o momento inédito em sua vida, manifestaria algum respeito aos milhões de brasileiros cujas mentes não se curvam à retórica barata. Em vão: palavras vazias, em uma fala recheada de clichês e tolices, plena de auto louvação, piadas grosseiras, delírios narcisistas e frases piegas que comoveriam apenas pré-adolescentes ou amigos encharcados de boa vontade.
Houve, ainda, uma revisita a dois clássicos: a velha estratégia vitimista sobre a perseguição movida pelas elites por ser o redentor dos pobres; e o desejo sádico de alimentar um pouco mais o ódio que hoje divide seus compatriotas. Observei-lhe o rosto contorcido, a expressão raivosa, a incapacidade de se reconhecer como cidadão comum, submetido às leis do país. E entendi: Lula hoje acredita piamente na imagem que ele e seus aduladores criaram. Para ele, é inadmissível que seja investigado, ou conduzido a depor: trata-se de falta de respeito. Logo ele, tão grandioso, dotado de tal inteligência que chega a mencionar com desprezo os que dedicam longos anos ao estudo.
Atrás dele, uma multidão aplaudia, mesmerizada. E me veio à memória uma história que se conta sobre Julio Cesar. Ao entrar triunfante em Roma, quase semideus em sua dourada carruagem, trazia consigo um escravo que o prevenia contra os excessos da vaidade, lembrando-o, de tempos em tempos: “Memento mori!” (Lembra-te que és mortal!).
É uma pena que Lula não tenha entre os seus quem o alerte para os excessos intoxicantes da vaidade que cega.
É uma pena que Lula ame apenas a si mesmo e não ao país, transformando uma parte significativa de nossa população em inimigos sobre quem açula seus cães.
É uma pena que ninguém lhe diga, francamente, que o rei está nu – que sua habilidade de comunicação só funciona para dois segmentos: os que se renderam a essa nova forma de fanatismo criada por seu partido; e a parcela da população cuja ausência de educação é louvada como vantagem e não como vergonha.
Despido de riquezas morais, passará à história como fanfarrão histriônico.
Órfão de qualidades éticas, não consegue reconhecer que ultrapassou todos os limites.
Desabituado à reflexão, não vê além dos limites das necessidades básicas.
Embriagado pela bajulação, não consegue ver nas críticas de milhões de brasileiros a advertência severa para seus excessos.
Tudo isso, Lula já havia demonstrado sobejamente em ocasiões anteriores. Hoje apenas reafirmou, em rede nacional, que desconhece o significado da palavra grandeza.
BRASIL – UMA FÁBULA - 04/03/2016
Quando um ministro da Justiça é trocado por um afilhado do ministro da Casa Civil e por pressão política de um ex-presidente, ambos investigados por supostos crimes de improbidade pela Polícia Federal, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, não há como não vislumbrar nessa manobra um golpe capaz de infirmar o último esteio sobre o qual se funda uma democracia.
Tenho lido, aqui e ali, censuras de jornalistas sérios que, no entanto, parecem ignorar os fundamentos do Direito Administrativo, e por isso mesmo consideram essa questão de um modo epidérmico, superficial, divorciado das consequências que ela implica para a sobrevivência do Estado de Direito, numa palavra, a Democracia.
A um servidor, agente público, seja ele nomeado por força da qualificação em concurso público ou por comissão - caso em que o critério para a sua nomeação não se sujeita a nenhuma regra objetiva - não cabe o direito discricionário. Um servidor público não essa liberdade de escolher sequer a oportunidade que lhe parecer mais propícia para fazer o que a lei lhe determina.
Este é o caso de um delegado da Polícia Federal, por exemplo, que é nomeado pelo Ministro da Justiça, mas não é subordinado a ele senão que cumpra suas funções conforme a norma objetiva e nos limites de sua competência legal.
Este é o traço distintivo entre um policial e um jagunço.
Se um policial tiver que obedecer às ordens de quem o nomeia e, não, à lei, então estará instalada a insegurança de um regime no qual o governante é o Estado, portanto, a lei. L’État c’est moi, como proclamou o rei francês Louis XIV.
Ora, não é este o Estado, mutatis mutandis, ou seja, com os apetrechos da coroa e cetro substituídos por um quepe militar e a batuta de um ditador que os “democratas populares” se empenham para estabelecer aqui?
É claro que sim. E nada poderá demovê-los de buscar, devotamente, esse reino aqui na terra. Um reino onde todos serão dignamente miseráveis, porque ignaros e alienados, e os eleitos, os ungidos pela fé inquebrantável na utopia socialista os governarão dos templos jacobinos da deusa da Razão.
Parece uma fábula? Não duvide. É uma fábula mesmo. Um país no qual o maior líder político não tem a menor cerimônia de dizer que tem preguiça de ler até jornal, muda o figurino para ficar parecido com a elite econômica que ele diz detestar e fez, premido por contingências insuperáveis, uma sucessora que, apesar de ter nascido e estudado aqui, nunca aprendeu alíngua que lhe seria nativa, se não for uma fábula será o quê? Um filme de ficção científica?
SEMPRE CABE MAIS UM NA PEC “REXONA” - 03/03/2016
(Publicado originalmente no site fernandabarth.com.br)
Recebi, uns dias atrás, a mensagem do colega do grupo Pensar +, Ricardo Bergamini, dando conta de mais um absurdo que tentam emplacar no Congresso, que parece a própria Ilha da Fantasia, onde medidas absurdas são propostas e tomadas, sem avaliar as consequências econômicas, baseadas unicamente no pensamento mágico de que o dinheiro público nunca se esgotará.
Enquanto a sociedade está preocupada com a crise econômica e política que assola o país, o senador Romero Jucá (PMDB de Roraima), com a anuência e aprovação do senador Randolfe (Amapá), da recém formada REDE, tentam emplacar uma PEC que emprega, de uma só vez, 10 mil novos funcionários públicos federais – SEM CONCURSO – e pagos com o nosso dinheiro. Meu colega Bergamini a apelidou de “PEC Rexona”, pois “sempre cabe mais 10 mil funcionários quando o dinheiro é público”. O projeto (PEC 03/2016) deve ser votado na Comissão de Constituição e Justiça esta semana.
Já temos uma quantidade absurda de servidores no Congresso Nacional, para atender 81 senadores e 513 deputados federais. Bergamini lembrou que, conforme relatório de outubro de 2016 do Ministério do Planejamento, hoje temos 35.256 servidores públicos (24.896 Ativos e 10.360 inativos). Os 24.896 servidores ativos não caberiam no estádio Mané Garrincha em Brasília.
PROJETO NÃO PREVÊ IMPACTO FINANCEIRO
Estes 10 mil novos servidores eram antigos Cargos de Comissão (de livre nomeação pelos políticos), trabalhadores em cooperativas contratadas pela administração pública e até quem tem apenas um recibo ou comprovante de depósito para comprovar o vínculo de serviço prestado. A maioria contratados para serviços diversos pelos próprios senadores, em seus estados de origem, Roraima e Amapá. Não há, em ambos as redações, qualquer menção ao impacto financeiro extra que a proposição acarretará. Segundo estimativa do Ministério do Planejamento, que é contra a PEC, o custo adicional aos cofres públicos pode variar entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões ao mês. Isto poderia chegar a R$ 1,2 bilhões por ano.
“FAZENDO JUSTIÇA” CONTRA A LEI
Nos termos em que tramita no Senado, a proposta contraria um dos pilares da Constituição de 1988: o concurso público como forma prioritária de ingresso no serviço público e a única que permite ao servidor adquirir estabilidade.
Nos anos finais do regime militar (1964-1985), quando a ditadura resolveu dar autonomia política ao território de Rondônia, os trabalhadores que prestaram serviços ao território foram incorporados pela União, mesmo sem ter realizado concurso público. Mas na época, tal possibilidade não era vedada pela Constituição – a restrição foi imposta a partir de 1988, com a promulgação do texto constitucional em vigor.
Para Randolfe, é preciso agora “fazer justiça” e garantir o vínculo funcional dos servidores dos ex-territórios, pois a relação trabalhista teria sido estabelecida antes da vigência da atual Constituição. Para Jucá também e uma questão de “justiça” e reconhecimento pelo trabalho dos que “contribuíram […] principalmente, para que Roraima e o Amapá se erguessem como unidade da Federação”. Segundo o peemedebista, o grupo foi importante inclusive para a implantação do “poder público local”. Deve estar falando dele mesmo e do IMPÉRIO que construiu no Estado. Se estes servidores não foram incorporados na época do governo Fernando Henrique Cardoso, agora precisam ser apenas por concurso público. Abrir uma exceção à regra, apenas para fazer “justiça” é na verdade politicagem.
GARANTINDO VOTOS ETERNOS
Roraima e Amapá, somados, respondem por menos 0,5% do PIB nacional – os estados não possuem indústrias e nem são grandes produtores de alimentos ou matérias primas, portanto, totalmente dependentes dos recursos da União. De acordo com dados referentes a 2014 e reunidos nos portais da Transparência da União e do Governo do Estado, Roraima, por exemplo, tem cerca de 85 mil servidores federais, estaduais e municipais, para uma população de apenas 505 mil habitantes – média de um servidor para cada seis pessoas. Estive em Roraima em 2014 e 2015 e pude atestar que o funcionalismo público é o maior setor da economia, depois vem o Bolsa Família. Isto favorece o coronelismo político vigente nestes estados, onde todos que querem trabalhar e viver, devem favores a algum político poderoso.
Os respectivos senadores estão nomeando suas bases eleitorais, garantindo-lhes renda e voto eterno. Enquanto em São Paulo um senador se elege com 11 milhões de votos, em Roraima e no Amapá bastam em torno de 100 mil votos. Em ano de eleições municipais e grave crise financeira, estes 10 mil soldados políticos, cheios de gratidão, serão poderosos cabos eleitorais para eleger os prefeitos e vereadores apoiados pelos senadores Jucá e Randolfe. Esperamos que a CCJ do Senado não aprove este Projeto.
É ÉTICO USAR A SALA DE AULA PRA - 02/03/2016
(Publicado originalmente na revista Época)
As aulas voltaram, por essas semanas, e decidi tirar a limpo uma velha questão: há ou não doutrinação ideológica em nossos livros didáticos? Pra responder à pergunta, fui direto na fonte: analisei alguns dos livros de história e sociologia mais adotados no país. Pesquisei nas editoras, encontrei uma livraria que dispunha de todos os exemplares e pus mãos à obra. Já li muita coisa na vida, mas não foram fáceis as horas que passei tentando entender o que se dizia em todos aqueles livros. No fim, acho que entendi.
O resultado é o seguinte: dos dez livros que analisei, 100% tem um claro viés ideológico. Não encontrei, infelizmente, nenhum livro “pluralista” ou particularmente cuidadoso ao tratar de temas de natureza política ou econômica. Talvez livros assim existam, e gostaria muito de conhecê-los. Falo apenas dos que me chegaram às mãos. Tudo livro “manco”. E sempre para o mesmo lado.
Com um adendo: vale o mesmo para escolas públicas e privadas. Imagino não serem poucos os sujeitos que jantam à noite, com os amigos, e reclamam do viés “anticapitalista” da sociedade brasileira. Sem desconfiar que anticapitalista mesmo é o discurso que seu filho adolescente vai engolir na manhã seguinte, sem chance de reação, no colégio.
O viés politico surge no recorte dos fatos, na seleção das imagens, nas indicações de leitura, na recomendação de filmes e links culturais. A coisa toda opera à moda Star Wars: o lado negro da força é a “globalização neoliberal” e coisas afins; o lado bom é a “resistência” do Fórum Social Mundial, de Porto Alegre, e dos “movimentos sociais”, MST à frente. Tudo parece rudimentar demais para ser verdade. Mas está lá, nos livros em que nossos adolescentes estudarão.
No Brasil contemporâneo, chega a ser engraçado. FHC é Darth Wader; Lula é Luke Skywalker. Pra ser sincero, a saga de George Lucas me parece bem mais sofisticada do que o roteiro seguido pelos nossos livros didáticos. Em particular, quando tratam de nossa história recente.
No livro Estudos de História, da Editora FTD, por exemplo, nossos alunos adolescentes aprenderão o seguinte sobre o governo de Fernando Henrique: era neoliberal (apesar de “tentar negar”) e seguiu a cartilha de Collor de Melo; os “resultados dessas políticas foram desastrosos”. Na sua época, havia “denúncias de escândalos, subornos, favorecimentos e corrupção” por todos os lados, mas “pouca coisa se investigou”.
Nossos alunos saberão que “as privatizações produziram desemprego”, e que o país assistia, naqueles tempos, ao aumento da violência urbana e da concentração de renda e à “diminuição dos investimentos”. E que, de quebra, o MST pressionava pela reforma agrária, “sem sucesso”.
Na página seguinte, vem a luz. Ilustrado com o decalco vermelho da campanha “Lula Rede Brasil Popular”, o texto ensina que, em 2002, “pela primeira vez” na história brasileira, alguém que “não era da elite” é eleito presidente. E que, graças à “política social do governo Lula”, 20 milhões de pessoas saíram da miséria. Isso tudo faz a economia crescer e, como resultado: “telefones celulares, eletrodomésticos sofisticados e computadores passaram a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas, que antes estavam à margem desse perfil de consumo”.
Lendo isto, me perguntei se João Santana, o marqueteiro do PT, por ora preso em Curitiba, escreveria coisa melhor, caso decidisse publicar um livro didático. E fui em frente.
Na leitura seguinte, do livro História Geral e do Brasil, da Editora Spicione, o quadro era o mesmo. O PSDB é um partido “supostamente ético e ideológico” e os anos de Fernando Henrique são o cão da peste. Foram tempos de desemprego crescente, de “compromissos com as finanças internacionais”, em que “o crime organizado expandiu-se em torno do tráfico de drogas, convertendo-se em verdadeiro poder paralelo nas favelas”. E mesmo “dentro das prisões”, transformadas em “centros de gerenciamento do tráfico e do crime organizado”, acrescentam os autores.
Com o Governo Lula, tudo muda, ainda que com alguns senões. Numa curiosa aula de economia, os autores tentam explicar por que a “expansão econômica” foi “limitada”, naqueles anos: a adoção de uma “politica amigável aos interesses estrangeiros, simbolizada pela liberdade ao capital especulativo”; pela “manutenção, até 2005, dos acordos com o FMI” e dos “pagamentos da dívida externa”.
O livro termina apresentando a tensão entre o Brasil “pessimista”, dos anos FH, com os anos “otimistas” do lulismo, e conclui com um prognóstico: “as boas notícias nos últimos anos indicavam que talvez os anos do pessimismo a toda prova já tenham passado e, nesse caso, pode ser o momento do não negativo como um novo paradigma para o Brasil”.
O livro História conecte, da Editora Saraiva, segue o mesmo roteiro. O governo FHC é “neoliberal”. Privatizou “a maioria das empresas estatais” e os U$ 30 bilhões arrecadados “não foram investidos em saúde e educação, mas em lucros aos investidores e especuladores, com altas taxas de juros”. A frase mais curiosa vem no final: em seu segundo mandato, FH não fez “nenhuma reforma”, nem tomou “nenhuma medida importante”. Imaginei o presidente deitado em uma rede, no quarto andar do Palácio do Planalto, enquanto o país aprovava a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000), o fator previdenciário (1999) ou o bolsa escola (2001).
FHC manteve o país “alinhado” e “basicamente dependente dos EUA”, enquanto Lula aumentou as relações diplomáticas e comerciais com a “União Europeia e vários países africanos, asiáticos e sul-americanos”. FH havia beneficiado os especuladores; Lula beneficiou os “trabalhadores” e as “camadas mais pobres”. De quebra, “apoiou as indústrias de exportação” e “incentivou muitas empresas a se internacionalizarem”. Lendo isso, tive ganas de sair pelas ruas, com uma bandeira vermelha. Mas me contive.
O padrão “João Santana” se repete no livro História para o ensino médio, da Atual Editora. É curioso o tratamento dado ao caso do “mensalão”. Alguma menção ao julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal? Não. Nossos alunos saberão apenas que houve “denúncias de corrupção” contra o governo Lula, incluindo-se um caso conhecido como mensalão, “amplamente explorado pela imprensa liberal de oposição ao petismo”.
No livro da Atual Editora, é interessante perceber o tratamento dado à América Latina. A tensão política surge, como de regra, a partir da clivagem “contra ou a favor do neoliberalismo”. Nossos alunos serão instruídos sobre a resistência oferecida “à globalização capitalista neoliberal” pelo Fórum Social Mundial, de Porto Alegre, e poderão saborear, sob o rótulo de “fonte histórica”, um trecho do “manifesto de Porto Alegre”.
Sobre o Mercosul, nossos alunos aprenderão que o Paraguai foi excluído do bloco em 2012, em função do “golpe de Estado” que tirou do poder o presidente Fernando Lugo. Saberão que, com a eleição de Hugo Chávez, a Venezuela torna-se o “centro de contestação à política de globalização capitalista liderada pelos Estados Unidos”. Que “a classe média e as elites conservadoras” não aceitaram as transformações produzidas pelo chavismo, mas que, mesmo assim, o comandante “conseguiu se consolidar”. Sobre a situação econômica da Venezuela, alguma informação? Alguma opinião crítica para dar uma equilibrada no jogo e permitir que os alunos formem uma opinião? Nada, por óbvio.
Interessante é o tratamento dado às ditaduras na América Latina. Para os casos da Argentina, Uruguai e Chile, um capítulo (merecido) mostrando, no detalhe, os horrores do autoritarismo e seus heróis: extratos de As veias abertas da América Latina, de Eduardo Galeano; as mães da Praça de Maio, na Argentina; o músico Victor Jara, executado pelo regime de Pinochet, e uma sequência de indicações de filmes sobre a “resistência” e a luta pelos direitos humanos, no continente. Tudo perfeito.
Quando, porém, se trata de Cuba, a algumas páginas de distância, a conversa é inteiramente diferente. A única ditadura que aparece é a de Fulgêncio Batista. Em vez de filmes como Antes do anoitecer, sobre a repressão cubana ao escritor e homossexual Reynaldo Arenas, nossos estudantes são orientados a assistir Diários de motocicleta, Che, e Personal Che.
Não deixa de ser engraçado. Quando fala da Argentina, o livro sugere uma “Visita ao patrimônio” no “Parque da Memória”, uma (justa) homenagem às vitimas do terrorismo de Estado, em Buenos Aires. Quando trata de Cuba, a “visita ao patrimônio” sugerida pelos nossos isentos autores é ao “Museu da Revolução”, com especial recomendação para observar o “pequeno iate” em que Fidel e Che aportaram para a gloriosa revolução. E, imperdível: uma salinha, o rincón de los cretinos, feita para ridicularizar tipos como Batista, Reagan e Bush.
As restrições do castrismo à “liberdade de pensamento” surgem como “contradições” da revolução. Alguma palavra sobre os balseros cubanos? São milhares, neste mais de meio século. Alguma fotografia, sugestão de filme ou “link cultural”? Alguma coisa sobre o paredón cubano? Há fotos muito boas sobre estes temas, mas nenhuma aparece em livro nenhum.
Alguma coisa sobre Oswaldo Payá, Orlando Zapata, Yoani Sánchez e a luta pelos direitos humanos na Ilha? Alguma coisa sobre as “Damas de Blanco”? Zero. Nossos estudantes não saberão nada sobre isto. Não terão essa informação para que possam produzir seu próprio juízo. É precisamente isso que se chama ideologização.
A doutrinação torna-se ainda mais aguda quando passamos dos livros de história para os manuais de sociologia. Em plena era das sociedades de rede, da revolução maker, da explosão dos coworkingse da economia colaborativa, nossos jovens aprendem uma rudimentar visão binária de mundo, feita de capitalistas malvados x heróis da “resistência”. Em vez de encarar de frente o século XXI e suas incríveis perspectivas, são conduzidos de volta a Manchester do século XIX.
Não acho que superar esse problema seja uma tarefa trivial. A leitura desses livros me fez perceber que há um “mercado” de produtores em série de livros didáticos muito bem estabelecido no país, agindo sob a inércia de nossas editoras e a passividade de pais, professores, diretores de escolas e autoridades de educação. Pessoas comprometidas com uma visão política de mundo e dispostas a subordinar o ensino das ciências humanas a essa visão. Sob o argumento malandro de que “tudo é ideologia”, elas prejudicam o desenvolvimento do espírito crítico de nossos alunos. E com isso fazem muito mal à educação brasileira.
*Doutor em Filosofia (UFRGS) e Professor do Insper. É titular da Cátedra Insper Palavra Aberta e curador do Projeto Fronteiras do Pensamento.
UM ESTADO QUE DESTRÓI A NAÇÃO - 01/03/2016
(Publicado originalmente no Jornal do Comércio)
O estado voltado para si próprio, despreparado para bem administrar o País, corporativo, preguiçoso, corrupto e distante da sociedade... Estado aqui entenda-se os poderes públicos em todas suas instancias, dos municípios até Brasília. Estado, segundo o Dicionário Houaiss (século XIII) é designado com simplicidade como "conjunto das instituições que controlam e administram uma nação".
A deterioração da situação fiscal brasileira e dos "nossos" políticos é gritante e, desde muito, é o fator que arrasta a nação para os porões da mal cheirosa moralidade pública... Um estado patrimonialista incapaz de observar seus limites e cumprir seus deveres para com a sociedade que sustenta sua preguiça e descompromisso com sua finalidade. O Brasil quer e precisa avançar. Mas, o estado é o maior obstáculo a ser vencido. Minado por corporações fétidas protegidas por uma legislação benevolente para com os "servidores públicos"...
Um estado autoritário e patrimonialista, demagogo e de aparência democrática, onde as contas públicas se deterioram cada vez com maior velocidade. Um estado onde ninguém é responsável por erros e roubos... Mas todos se inserem nos louros de conquistas. É preciso um estado competente, que custe o mínimo necessário e invista com parcimônia, propiciando uma vida digna para a população.
Nossos partidos e seus líderes pouco contribuem para que ocorram mudanças. Definem seus grupos e tratam primeiro de cuidar de si e de sua turma. Como já afirmara Frédéric Bastiat, economista francês falecido em 1850, "O estado é a grande ficção em que todos esperam viver às custas de alguém mais". O universo dos que produzem e geram riquezas cada vez mais é exaurido por aquele que abriga as ervas daninhas que sugam a seiva de uma árvore frondosa chamada Brasil. E nós, brasileiros, que com nosso trabalho e suor geramos emprego, renda, riquezas e impostos? O que será de nós?
* Empresário
A CORRUPÇÃO NA CORTE DO KAMARADA STALIN - 21/02/2016
(Publicado originalmente no Alerta Total – www.alertatotal.net)Tovarich Stalin, Garotão, em 1902
A corrupção é uma história não contada do terror stalinista do pós-guerra, mas essa história consta do livro Stalin, a Corte do Czar Vermelho, onde constam os dados que compõem este texto.
Os magnatas – como eram denominados os homens do círculo de Stalin – e marechais saquearam a Europa com muito mais justificativa depois do que os alemães haviam feito com a Rússia. Essa verdadeira elite imperial deixou de lado sua antiga "modéstia bolchevique". Embora aos visitantes do exterior sempre fosse dito que o kamarada Stalin "não suporta a imoralidade", ele ria dos luxos de seus generais com suas cortesãs, porém seus arquivos transbordavam de denúncias de corrupção que ele deixava de lado "para mais tarde".
Jukov – marechal Gueorgi Konstantinovic Jukov – que chegou a ser imaginado por Stalin como seu possível sucessor, logo após a derrota da Alemanha em 1945, montou em sua datcha, em Moscou, uma espécie de museu de ouro e pinturas. Os marechais se beneficiaram da etiqueta feudal de pilhar pela qual os oficiais roubavam seu butim e depois pagavam uma espécie de tributo a seus superiores. Alguns, todavia, não precisavam dessa ajuda: o marechal do ar Golovánov, um dos favoritos de Stalin, desmontou a casa de campo de Paul Josef Goebbels (ministro da Propaganda da Alemanha hitlerista) e levou-a de avião para Moscou, uma façanha que iria arruinar sua carreira.
Os soldados chegavam em primeiro lugar aos tesouros, mas eram os membros do NKVD ((Narodny Komissariat Vnutrennikh Del), que ficavam com a melhor fatia. Em Gagra, Laurenti Beria (chefe do NKVD) perseguia e impressionava atletas femininas numa frota de lanchas pilhadas. Abakúmov (Victor Abakúmov, chefe do Departamento Especial do NKVD) que andava por Moscou em carros esportivos italianos, saqueou a Alemanha com uma extravagância digna de Goring (Hermann Wilhelm Göring, general alemão, comandante da Luftwaffe), mandava aviões a Berlim para trazer grandes quantidades de roupas íntimas, montando um tesouro de antiguidades como se fosse uma loja de departamentos. Trouxe de avião da Alemanha a estrela do cinema alemão e mulher misteriosa internacional Olga Tchekhova, para ter um caso com ela. Quando a atriz Tatiana Okuniévskaia – já estuprada por Beria – o recusou, ganhou sete anos nos Gulags.
O staff de Stalin estava atolado na corrupção. Vlassik (general; chefe da Segurança do Kremlin) mantinha suas cortesãs em casas de repouso oficiais, com uma tripulação de pintores vulgares, chekistas (como eram denominados os membros da NKVD) sanguinários e burocratas sibaritas. Limousines faziam a entrega de concubinas, que ganhavam apartamentos, caviar, entradas para as paradas na Praça Vermelha e jogos de futebol. Vlassik seduzia as esposas de seus amigos mostrando-lhes fotografias de Stalin e mapas de Potsdam. Chegou mesmo a roubar das casas de Stalin, saqueando a vila de Potsdam, subtraindo peças de porcelana, três touros e dois cavalos, levados para sua casa em trens e aviões do MGB (Serviço Federal de Proteção). Ele passou boa parte da conferência de Potsdam bebendo, fornicando ou roubando.
Havia também um imenso desperdício de comida nasdatchas de Stalin. Vlassik logo foi denunciado por vender as sobras de caviar, provavelmente por Beria, a quem ele, por sua vez, denunciara. Recorde-se que Vlassik e Beria, mais tarde, foram presos, condenados e mortos.
As amantes de Vlassik, tal como os alcoviteiros de Beria, deram informações sobre eles a Abakúmov (outro que posteriormente foi preso, condenado e morto), o qual, por sua vez, foi denunciado por seu rival no MGB, o general Serov (Ivan Serov, um dos principais dirigentes da polícia política de Stalin na Polônia), que escreveu a Stalin sobre a corrupção e a libertinagem de Abakúmov. Stalin guardou as cartas para uso posterior. Comentava-se que o próprio Serov teria roubado a coroa do rei da Bélgica. Cortesãs, alcoviteiros e generais do MGB informavam a Stalin uns sobre os outros, num carrossel de favores sexuais e traições.
Os potentados de Stalin passaram a viver em escritórios forrados por tapetes persas e grandes pinturas a óleo. Suas casas eram palácios: o chefão de Moscou ocupava agora todo o palácio do /grão-duque Serguei Alexandrovitch. O próprio Stalin fomentou essa nova era imperial quando, depois de Yalta, encantou-se com os palácios Livadia, de Nicolau II, e Alupka, do príncipe Vorontsov. "Ponha esses palácios em ordem", escreveu a Beria em 27 de feverereiro de 1945. Ele gostou tanto do palácio de Alexandre III em Sosnovka, na Criméia, que mandou construir uma datcha lá. A partir de então, os magnatas e seus filhos reservaram esses palácios por meio do 9º Departamento do MGB. Stepan Mikoian, piloto da Força Aérea. Filho de Sergo Mikoian, um proeminente membro do Politburo, passou a lua de mel no palácio Vorontsov. Stalin passou férias no Livadia. As famílias iam de avião para o Sul numa ala especial da linha aérea estatal.
Os filhos gozavam de privilégios, mas tinham que dar o exemplo e seguir os ditames do partido. Quando Jdanov (Andrei Alexandrovitch Jdanov, político soviético e organizador do Kominform em 1947. Um de seus filhos casou-se com uma das filhas de Stalin. Morreu em 1948 aparentemente de causas naturais) denunciou o jazz, Nikita Kruschev quebrou os adorados discos de jazz de seu filho.
Svetlana Stalin, filha de Stalin, notou como as datchasdas famílias Mikoian, Molotov (Vyacheslav Mikhailovich Molotov, político soviético) e Vorochilov (Kliment Vorochilov, militar e dirigente político soviético) estavam cheias de "presentes dos trabalhadores", tapetes, armas de ouro caucasiano, porcelanas. Os magnatas viajavam em limousines ZIS blindadas, baseadas no Packard americano, por ordem de Stalin, seguidos por uma cauda de chekistas com as sirenes abertas. Os moscovitas chamavam esse desfile de "casamento de cachorro".
Um destacamento inteiro, comandado por um general era designado para cada líder. Havia tantos deles que cada membro do Politburo podia formar um time de volei, com os Beria jogando contra os Kaganovitch (Lazare Moïsseïevitch Kaganovitch, dirigente político). Na linguagem do MGB, o magnata era chamado de "sujeito", suas casas de "objeto" e os guardas de "acessórios do sujeito". As crianças costumavam rir quando escutavam dizer que "o sujeito está a caminho do objeto". Malenkov (Gueórgui Maximiliánovitch Malenkov, político, membro do Politburo, expulso do partido em 1961) ia da rua Granovski para o Kremlin cercado por uma falange de "acessórios".
As senhoras dos membros do Politburo tinham seu designer de alta costura controlado por um departamento do MGB. Desenhavam os ternos dos homens e os vestidos das mulheres. Donjat Ignatovitsh Abram, um alfaiate judeu criava uniformes, inclusive o do generalíssimo Stalin. Era o Dior do Politburo e Nina Adjubei, baixa, redonda, muito forte e nariz chato, era sua Chanel. Viam-se por toda a parte pilhas de Harper's Bazaar e Vogue. Ela copiava dessas revistas, de Dior, ou fazia criações próprias. Polina Molotov (mulher deVyacheslav Mikhailovich Molotov) nem sempre pagava e essa prática foi denunciada a Stalin, que passou uma reprimenda ao Politburo.
Stalin mantinha o controle sobre todos esses privilégios, continuando a escolher os carros para cada líder. De tal forma que Jdánov ganhou um Packard blindado, um Packard normal e um ZIS 110, Beria, um Packard blindado, um ZIS e um Mercedes, enquanto outros ficavam com Cadillac e Buick. Stalin concedeu à viúva de Alexander Scherbakov, um dos magnatas do Kremlin, que morreu vítima de alcoolismo, uma pensão de 2 mil rublos por mês, mil rublos a seus filhos até a formatura, 700 rublos para sua mãe e 300 para sua irmã. A viúva recebeu também uma quantia bruta de 200 mil rublos e sua mãe 50 mil, uma prodigalidade impensável para o trabalhador médio.
Foi essa a nova ordem imperial na corte do kamarada Stalin, o Czar Vermelho, após o final da II Guerra Mundial, uma época que, segundo diria Nikita Kruschev após ser entronizado como Secretário-Geral do PCUS, "deixou a todos com sangue até os cotovelos".
TERRORISMO TRIBUTÁRIO CAUSA PREJUÍZOS AO POVO E AO PAÍS - 19/02/2016
(Publicado originalmente em www.conjur.com.br)
Segundo noticiou a imprensa, o ministro da Defesa comparou a epidemia de zika com o terrorismo, e a presidente adiou o anúncio de cortes de despesas previstas no orçamento. Enquanto isso, governos estaduais aumentam o ICMS, e municípios querem cobrar IPTU acima do valor real dos imóveis. Tudo isso leva-nos a concluir que estamos vivendo sob um regime de terrorismo tributário que causa prejuízos ao povo e ao país.
A cobrança excessiva de impostos e a insegurança jurídica na legislação aplicável não são novidades. Em 12 de novembro de 2010, durante o XXI Simpósio Nacional de Estudos Tributários, Ellen Gracie, então ministra do Supremo Tribunal Federal, afirmou:
“Neste país, nunca se sabe quanto tem que se pagar de impostos. E isso causa infelicidade nos cidadãos e atrapalha o crescimento”.
Terrorismo, como o dicionário define, é o “sistema governamental que impõe, por meio de terror, os processos administrativos sem respeito aos direitos e às regalias dos cidadãos”.
Em diversas oportunidades, já comentamos os atos que bem representam a definição, tais como o protesto das dívidas de tributos, a criação de cadastro de inadimplentes, a proibição de emissão de notas fiscais, a aplicação de regimes especiais abusivos etc.
Agora pretendem os governos aumentar a carga tributária ainda mais. A nível federal surge a proposta de ressuscitar a CPMF, aprova-se a possibilidade de quebra de sigilo bancário como instrumento de arrecadação, limitam-se deduções do Imposto de Renda sem considerar a variação real da moeda nacional etc.
Tais atos constituem uma série de tentativas de transferir para os contribuintes a responsabilidade de cobrir o rombo financeiro causado pela incompetência gerencial, pela irresponsabilidade das autoridades maiores e por inúmeros atos ilícitos.
Os estados, por sua vez, fizeram aprovar no famigerado Confaz um convênio que aterroriza as empresas que fazem operações interestaduais, obrigando-as ao pagamento de valores de duvidosa legalidade, por meio de um mecanismo burocrático impraticável, em especial para as empresas de pequeno porte e microempresas, que a Constituição Federal no artigo 179 garante que merecem proteção e incentivos.
Além disso, o Fisco estadual cria toda espécie de atos de terror, criando processos administrativos sem respeito aos direitos e às regalias dos cidadãos. Isso acontece, por exemplo, quando são criadas dificuldades para a abertura de novas empresas, muitas vezes com o uso da presunção de que todos são sonegadores até que provem o contrário.
Autos de infração abusivos, com aplicação de multas confiscatórias e juros extorsivos (assim já julgados pelo Judiciário) servem para assassinar empresas, na medida em que inviabilizam suas atividades ou as obrigam a despesas volumosas com suas defesas. Estas, na esfera administrativa, na esmagadora maioria dos casos ali decididos, não servem para nada ante a inexistência de órgãos julgadores imparciais, posto que seus integrantes são nomeados de forma desequilibrada, sem qualquer possibilidade de paridade de julgamento.
Nos municípios, a forma de proceder face aos contribuintes é a mesma. Os processos administrativos são desenvolvidos sem respeito aos direitos dos contribuintes. Cobram-se tributos indevidos, multas confiscatórias e juros extorsivos, aprovados por leis que ignoram todas as regras constitucionais.
Por outro lado, todos os níveis de governo esmeram-se no desperdício do nosso dinheiro e na absoluta irresponsabilidade fiscal.
O governo federal aplica bilhões em obras que nunca terminam e que muitas vezes não servem para nada. Estradas sem conservação, prédios abandonados, planos mirabolantes que servem apenas para enganar incautos, enfim, um estelionato generalizado.
Nos estados não é diferente. Cabides de emprego proliferam para gáudio de apadrinhados incompetentes, verbas de propaganda são usadas para anunciar serviços que não possuem concorrência e são essenciais etc.
Enquanto isso, municípios usam impostos em festas inúteis, obras ridículas e superfaturadas e, para variar, arranjar empregos para os cúmplices do prefeito nos tais atos de terrorismo.
Os princípios de legalidade e moralidade do artigo 37 da Constituição jamais são aplicados. Até mesmo o inciso II do artigo 5º da Lei Maior deixa de ser aplicado neste país onde portarias, resoluções, instruções e outros atos administrativos que possam surgir na mente tresloucada de servidores megalomaníacos são colocados como atos divinos, acima de tudo e de todos!
O artigo 145 da Constituição parece que não vale nada quando determina que “§ 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte”.
Nossa carga tributária atual já ultrapassa 40% do PIB, embora as duvidosas estatísticas baseadas em índices oficiais assinalem que estaria por volta de 36%. A soma de tributos que incidem até mesmo nos produtos básicos onera toda a população e de forma mais prejudicial os que ganham menos e os assalariados, ou seja, aqueles que possuem poucas possibilidades de defesa diante dessa verdadeira roubalheira oficial, dessa sucessão de atos de terrorismo.
Diante desse quadro, recusam-se nossas autoridades em todos os níveis a adotar as medidas necessárias para reduzir seus gastos.
Aqueles que detenham alguma parcela de poder procuram ampliar seus privilégios: aposentadorias precoces e nababescas, carros e motoristas oficiais, auxílio moradia até para quem tem casa própria e outras tantas coisas que deveriam envergonhar seus beneficiários diante das dificuldades dos demais contribuintes.
Aquela norma constitucional de que todos são iguais perante a lei não serve na prática para muita coisa. Afinal, muitos são mais iguais que os outros.
Não parece que tal quadro mude a curto ou médio prazo. Num país em que analfabeto vota em troca de esmolas ou pequenos favores e onde criam-se partidos em cada esquina para que espertalhões possam mudar de sigla a qualquer momento para se beneficiar de alguma forma, mudanças não ocorrem com a presteza necessária.
Resta-nos invocar o que disse Margareth Tatcher em 1983, na Convenção do Partidor Conservador: “Nenhuma nação jamais se tornou próspera por tributar seus cidadãos além de sua capacidade de pagar”.
Abaixo o confisco, e Justiça Tributária ainda que tardia!
*Advogado tributarista
CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2016, UM DESABAFO SACERDOTAL - 14/02/2016
Um texto longo, mas necessário. Peço que ninguém o mutile, nem o altere:Algumas notas sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016: “Casa comum nossa responsabilidade”. (Pe Cleber, a propósito deste texto).
Portanto, escrevo aos leitores, certo de que entre eles, alguns de nossos bispos também o lerão. Já aviso de antemão que qualquer comentário pejorativo aos Senhores Bispos será sumariamente apagado, não porque alguns não o mereçam, mas porque o meu perfil não é um lugar para bate-bocas de comadres de vila. Uma coisa é discordar, outra fazer estrepolias de moleques. Quem discorda do que escrevo ou vê de forma diferente tenha a hombridade de o fazê-lo dentro da educação e polidez de gente civilizada e de usar seu nome próprio. Se discorda, coloque seus argumentos e iniciemos um debate.
Centenas de católicos escrevem-me diariamente sobre sua inquietação e perplexidade com mais uma Campanha da Fraternidade (CF). Discutir saneamento básico, esgoto e políticas da água dentro das igrejas parece-lhes – e parece-me – totalmente fora da realidade. Dentre as dezenas de razões para o rechaço a mais ouvida é que a CF tem o intuito de desviar o espírito da Quaresma para ocupar cátedras e púlpitos para uma pregação meramente social e política, quase sempre alinhada ao bom-mocismo do politicamente correto transformando a Igreja Católica em mais um ONG “engajada”. Atitude esta condenada pelo Papa Francisco….
Dizem os perplexos e inquietos que, para os promotores da CF 2016, é mais importante discutir sobre esgoto e água que tratar sobre a proteção da vida nascente e o pecado hediondo do aborto, mais importante cuidar do córrego sujo que do manancial de sangue dos milhares de cristãos, católicos ou não, perseguidos não só na Síria pelos muçulmanos, mais importante que banir e entregar à justiça canônica e civil sacerdotes pedófilos, mais importante que cuidar dos inúmeros casos e denúncias sobre a péssima formação sacerdotal e a corrompida doutrina instilada nalguns seminários e servida à mão-cheia nos púlpitos, mais importante que suspender sacerdotes que não temem desfilar com bandeiras partidárias e bonezinhos de sindicatos, partidos políticos e do MST, mais importante que se levantar contra a eugenia que se instala contra os prováveis e futuros microcéfalos, mais importante que limpar e sanear a PJ de todo a doutrina marxista que está às claras.
Quando um padre se levanta contra estas questões candentes ele é tachado de “não está em comunhão com a Igreja” ou, “não está em comunhão com a Diocese” ou “não está em comunhão com o presbitério”. Conversa fiada de que detêm o poder, mas não detêm a razão. Senhores… o mal e o pecado continuam ser mal e pecado mesmo que todos digam que não.
O que ocorre com tal padre, na melhor das hipóteses é ostracizado pelos colegas, na pior é suspenso do uso de ordens. VEREMOS o que lá vem para mim. Só não sei porque tantas pessoas falam dos padres e bispos bons que se calam… terão medo de quais represálias os assim chamados “bons” bispos? A não promoção à uma diocese “melhor”, à não promoção a algum arcebispado, um título cardinalício? Consultando minha consciência e os ditames da Santa Igreja a quem sirvo vejo-me na obrigação de esclarecer aos fiéis algumas coisas:
– Há uma dezena de anos atrás constatou-se que quem comandava as cordinhas da CNBB eram seus assessores, todos sem exceção alinhados ao socialismo- comuno-psolista-petista.
– Nos dias atuais já não se pode culpar os assessores uma vez que, com a clareza do sol do meio dia, até um cego vê o alinhamento majoritário dos bispos a todo esquerdismo militante. Basta recordar o episódio no ano de 2014 da morte do líder do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, pranteado na página da CNBB pelo então Secretário Geral da CNBB, Dom Leonardo U. Steiner, como “Exemplo de cristão na política”. Para quem acompanhou o desenrolar do caso nas redes sociais viu as milhares de mensagens condenando tal pranto por defunto tão vil.
Era muita vela pra pouco defunto. Plínio de Arruda Sampaio era defensor aguerrido do Aborto, do coletivismo, do estatismo comunista e de todas as mazelas intrínsecas ao comunismo já condenado pela Igreja. Para Dom Steiner era um modelo de cristão. Para os demais bispos… ficaram todos caladinhos e acovardados ou compactuaram com o cristianíssimo Dom Steiner, cuja noção de cristão deve ser algo sui generis. Dom Steiner, como todo bom democrata socialista mandou apagar das redes sociais todos as centenas de comentários que o denunciavam….A título de exemplo, a nota pranteadora de Dom Steiner ainda está lá no site da CNBB, limpinha de comentários (http://www.cnbb.org.br/index.php…).
Em a grande maioria das paróquias os católicos ouvirão disparates na Oração dos Fiéis como: “Rezemos para que o poder público dê os devidos cuidados ao saneamento… etc… etc”. Ora, ora, ora…os dirigentes da CNBB sabem muito bem que os atuais mandatários e a mandatária maior do país só foi eleita com sua ajuda…. se não se recordam, refresco-lhes a memória… quando da necessidade da fundação do partido no poder usou-se o povo católico como massa de manobra para colher assinaturas, sabem muito bem que têm um canal privilegiado junto ao famoso Gilberto de Carvalho direto com a Presidência da República, vulgo “seminarista”. Bastaria agora, na questão do saneamento público, do acesso à agua, da situação calamitosa e indigna dos hospitais e da roubalheira generalizada, colher assinaturas citando e cobrando quais inicitivas e entregar aos poderes públicos. Não creio que um só católico que seja não aceitaria assinar. o próprio volume de assinaturas poderia ser levado ao Congresso para propor e agilizar pautas verdadeiramente sociais.
Quando foi pra conseguir assinaturas para a Reforma Política proposta por entidades de esquerda e ONGS esquerdistas patrocinadas com dinheiro público a CNBB não teve vergonha nenhuma de fazer correr nas paróquias as listas para as assinatura e em quantas missas os senhores párocos fizeram verdadeira campanha pela tal Reforma Política. Baste o gesto lacaio e subserviente da visita da presidência da CNBB à Presidente num sinal de “estamos juntos, companheira!”. Da mesma CNBB não se vê uma linha de apóio explícto ao Judiciário que tenta desmantelar a quadrilha que se instalou e só lá está por apoio implícito e explícito de tal entidade.
Voltemos ao nosso… quais os limites da acção da CNBB e de aceitação da CF?
Recordo a todos que:
1) A CF é uma iniciativa anual da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB).
2) A CNBB como qualquer Conferência de Bispos no mundo inteiro não é orgão da Igreja Católica, não a dirige. Os dirigentes da Igreja Católica são respectivamente cada um dos Bispos diocesanos em suas dioceses. O Arcebispo Primaz do Brasil que é o Arcebispo de São Salvador da Bahia detêm o título honorífico e pode sim convocar um Concílio Plenário para sanar as mazelas, incluindo as da CNBB. Em cada Província Eclesiástica o arcebispo detêm o poder de convocar os bispos das dioceses sufragâneas e presidir o Concílio Regional para sanar as mazelas locais. Por os senhores Primazes e Arcebispos faltarem com seu papel é que a CNBB tomou para si suas funções.
3) A CF é uma proposta, não uma imposição. Para que algo que ela tenha decidido se torne obrigatório a todos os católicos é necessário que todos estes pontos sejam observados:
a) Aconteça uma Assembléia Geral na qual a questão é decidida e não seja a decisão de uma comissão delegada,
b) haja o consentimento de todos os bispos (não tem nenhum valor a decisão de uma comissão ou de um grupo restrito,
c) seja redigida uma Ata na qual conste o conteúdo e o consentimento de todos os bispos,
d) Tal Ata seja enviada ao Papa que a aprova ou não,
e) Somente então a decisão passa ter valor de lei.
4) Portanto nenhum presbítero (padre), diácono, leigo e até mesmo bispo, se não concorda, tem de dar seu assentimento e implantação em sua paróquia ou diocese da CF se antes ela não seguiu os trâmites para se tornar lei geral e comum. E isto não significa que não se está em comunhão com a Igreja, apenas que não se concorda com uma proposta da CNBB que é um orgão de reunião de bispos, não da Igreja.
5) Minha opinião particular, resguarda pela Constituição Federal e pelo Código de Direito canônico: Qualquer bispo com o mínimo de noção e conhecimento deveria dizer “aqui em minha diocese não haverá CF este ano”. Qualquer padre, com as mesmas condições, também. Os leigos já não suportam mais tal situação e dizem: “CNBB: Devolva-nos a nossa Quaresma”. Se os pastores não ouvem e não cuidam do rebanho vão acabar por perdê-lo… CNBB..Senhores Bispos, Senhores padres… não dá mais! Até quando irão tapar o sol com a peneira? Até quando iremos fazer de conta que a CF está aí e só afasta cada vez mais os fiéis? Vamos ficar ainda mais em cima do muro? Digamos as coisas às claras, sejamos homens não subservientes e rastejantes ao erro.
6) Os católicos deveriam também pedir uma auditoria de todas as entradas financeiras às coletas nacionais e, maximamente, do chamado Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) cujos próprios relatórios demonstram que o dinheiro dos fiéis, salvo honrosas e diminutas somas, é injetado em ONGs e sindicatos. Não se trata de algo interno, o FNS recebe uma contrapartida do BNDES… portanto passível de uma séria investigação do Ministério Público.
7) Por último, cuidar sim da nossa casa comum, cuidar do meio ambiente, sim, lutar por vida digna e qualidade de vida dos mais pobres, sim; mas não antepôr questões temporais àquelas que dizem respeito à salvação. A figura deste mundo passa (1Cor 7, 31) e o que vale ao homem ganhar o mundo e perder a sua vida? (Marcos 8, 36). Não devemos nos conformar com este mundo, mas renovarmo-nos pela conversão a Deus e não às criaturas (Romanos 12, 2), pois são os pagãos que se preocupam com as coisas deste mundo: ” Não vos aflijais, nem digais: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? São os pagãos que se preocupam com tudo isso. Ora, vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso.” (Mateus 6, 31-32)
Padre Cléber
Fonte: http://fratresinunum.com/2016/02/12/campanha-da-fraternidade-um-desabafo-sacerdotal/
MORO NOS CALCANHARES DE LULA - 14/02/2016
Se o juiz Sérgio Moro, comandante da Operação Lava Jato, pretende chegar até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua estratégia para alcançar o objetivo está sendo perfeita.
Ele colocou na cadeia amigos do ex-presidente, jogou o novelo de lã na sala, e está deixando o rato, que pensa ser gato com suas sete vidas, se embaralhar.
Hoje, a equipe de defesa de Lula não faz outra coisa a não ser responder e tentar evitar que ele preste depoimentos que possam comprometê-lo como no caso do Sítio de Atibaia e do Triplex na praia. Moro, em silêncio, está chegando perto e se “pegar” o ex-presidente, vai faltar espaço na cadeia da Polícia Federal em Curitiba.
O efeito dominó derrubará meio Congresso Nacional e a Operação Lava Jato, enfim, mostrará à população que vale a pena investir em ações para combater a corrupção no Brasil que roubou os sonhos da juventude, o remédio dos doentes e a comida dos mais pobres, além de começar a roubar os empregos de todos.
São mais de R$ 200 bilhões por ano, desviados pela corrupção.
Em editorial, o Estadão diz que Lula passa a ser um peso para o PT.
Leia: “Há quem diga que o maior problema do PT é o governo que reelegeu em outubro de 2014.”
Não é mais.
Os petistas já desistiram de Dilma Rousseff. Mantêm as aparências, até porque ninguém lá quer abrir mão das boquinhas conquistadas. Mas o PT deixou de ser o partido do governo a partir do instante em que recusou apoio a medidas consideradas essenciais pelo Planalto para enfrentar a crise econômica. A conclusão do processo de ajuste fiscal e a reforma da Previdência são dois exemplos relevantes.
Ao deixar Dilma ao relento, o PT contava com o bônus Lula. Mas o bônus virou ônus. Hoje, o PT é obrigado a carregar o peso político e moral em que se transformou o seu principal líder: Luiz Inácio Lula da Silva.
A concretização daquilo que todo mundo sempre soube que mais cedo ou mais tarde aconteceria – o envolvimento cada vez maior e mais profundo de Lula nas investigações de corrupção – obriga o PT a defender o seu cacique a qualquer custo. O articulador formal dessa ingrata missão é um pau-mandado de Lula, o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Na segunda-feira passada, ele divulgou uma das peças fundamentais de sua estratégia no site “Agência PT de Notícias”.
O texto é uma impressionante peça de ficção que começa fazendo aquilo em que o PT é insuperável: atacar.
Escreve Rui Falcão: “Nunca antes neste país um ex-presidente da República foi tão caluniado, difamado, injuriado como o companheiro Lula. Inconformado com sua aprovação inédita ao deixar o governo, o consórcio entre a oposição reacionária, a mídia monopolizada e setores do aparelho de Estado capturados pela direita quer convertê-lo em vilão”.
Lula deixou o governo com uma aprovação inédita, há mais de cinco anos. Desde então, seu prestígio despencou, junto com o de Dilma e o do PT, e não foi por culpa da “oposição reacionária”, da “mídia monopolizada” – seja lá que bobagem se pretenda dizer com isso – ou de “setores do aparelho de Estado capturados pela direita”. Faltou coragem a Falcão para nomear claramente os “capturados”: a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e setores do Judiciário, como a 13.ª Vara Criminal Federal, do juiz Sergio Moro.
O grande lance de ilusionismo de Falcão, porém, é a tentativa de apagar da memória dos brasileiros cinco anos de governo Dilma, o que, por si só, deixa claro que o PT abandonou de vez a soçobrante nau governista. Agora, aposta no futuro: “O legado de realizações a favor dos mais pobres, a elevação do Brasil no cenário mundial, os sucessos na educação, na saúde, nos programas sociais, na área da infraestrutura, em seus oito anos na Presidência, precisa ser destruído para que Lula não possa retornar em 2018”.
Ora, o “legado de realizações” já está sendo destruído. São as realizações que, na verdade, Lula herdou, ampliou e aprofundou, só negligenciando a necessidade de dar-lhes sustentabilidade na área econômica e institucional por meio de reformas estruturantes do Estado. A destruição desse legado, de que os indicadores econômicos e sociais dão notícia diariamente, é a obra-prima de Dilma Rousseff. Não é por outra razão que o PT quer distância dela.
Se tivesse realmente um mínimo de comprometimento com o verdadeiro interesse social, o PT teria tido a coragem de apoiar as medidas impopulares indispensáveis ao saneamento das contas públicas e à criação de condições para que o governo assuma a responsabilidade não de impor, mas de coordenar um amplo e eficiente programa de recuperação econômica e retomada do crescimento.
Mas o PT acha que pode se salvar, como sempre, iludindo os brasileiros, agora combatendo “a escalada golpista” e o “cerco criminoso ao Lula”. Este, aliás, está envolvido em novo inquérito policial, de caráter sigiloso, no âmbito da Operação Lava Jato, a respeito do já famoso sítio em Atibaia que amigos generosos e desinteressados “disponibilizam” para recreio do clã Da Silva. O “criminoso” responsável por mais esse ato de “linchamento político e moral” de Lula, baseado em “denúncias sem provas”, é, claro, o juiz Sergio Moro.
*jornalista
CÃES DE PAVLOV - 13/02/2016
(Publicado originalmente em http://www.heitordepaola.com)
A maior perda do Homo Sovieticus é sua separação do coletivo. (...) Sua alma está na sua participação na vida coletiva (...). Até mesmo a rebelião contra a sociedade Soviética ocorre dentro de uma perspectiva coletiva (...). A ideologia unifica a consciência individual e une milhões de pequenos “Eus” num imenso “Nós”. ALEXANDER ZINOVIEV, em Homo Sovieticus
Podemos ver esta característica descrita no romance satírico de Zinoviev em qualquer grupo de esquerdistas na atualidade, como também foi mostrado por Olavo de Carvalho (1), ressaltando, mais recentemente, que ‘(a) característica fundamental das ideologias é o seu caráter normativo, a ênfase no dever ser’”.
Os grupos ideológicos funcionam exatamente como um bando de cães de Pavlov, não por acaso o inventor da reflexologia, base da pseudo-psicologia que formou o Homo Sovieticus e por tabela os grupelhos comunistófilos que abundam (com trocadilho, please!) no Ocidente: basta alguém soar a campainha e todos começam a salivar selvagemente!
Eu poderia comentar sobre o re-lançamento do livro Mein Kampf que suscitou dramas esquizóides terríveis numa esquerda que apoia a selvagem e assassina censura comunista, mas abomina a suavíssima censura da “ditadura militar” dos “anos de chumbo” – tão suave que fez a fortuna de alguns “artistas” e poetinhas de meia tigela. De tanto defenderem falsamente a liberdade de expressão ficam sem saber o que fazer, pois ninguém toca a campainha para saberem quando salivar. Quase 77 anos depois do Pacto Molotov-Ribbentrop – que mostrou a irmandade entre comunistas e nazistas, causando imensas desagregações coletivas e individuais no seio das esquerdas - estas ainda tremem de pavor de tudo que se relaciona àquela época. O único que tentou romper o silêncio coletivo foi o indefectível Veríssimo dizendo que a obra deveria ser obrigatoriamente vendida com um DVD que mostrasse a selvageria que gerou. Mas ninguém do “coletivo” o acompanhou! Vá que alguém da terrível “direita” sugerisse o mesmo para as obras de Lenin, Trotsky, Mao, Guevara e outros!
Já o aborto os une, o imenso “Nós” que absolve de tudo os pequenos “Eus” permitindo que defendam o maior genocídio da história da humanidade sem culpa e com a empáfia de quem pontifica sobre uma verdade maior, divina e incontestável.
Assim Cora Rónai (O Globo, 04-02-2016, Segundo Caderno) ordena: “com a epidemia de zika e o aumento explosivo de microcefalia, o aborto tem que voltar a ser discutido! Quem sabe agora, diante do desastre e da gritaria tomem vergonha e tenência”, se referindo a “uma das classes políticas mais cínica e calhorda do mundo” que “foge de qualquer tema que possa desagradar aos religiosos”.
No dia seguinte (notem a sequência) abre-se a ação coletiva no mesmo jornal. Em editorial intitulado “Microcefalia põe o aborto na agenda de debates” (O Globo, 05-02-2016) chega a inovar sugerindo um “aborto preventivo”, pois o prazo concedido pelo Conselho Federal de Medicina para a anencefalia – 12ª semana – é pequeno para a microcefalia que pode ser diagnosticada tardiamente, com o feto mais desenvolvido. Então, segundo o editorialista deste pasquim poder-se-ia “dar à gestante a opção de, tendo contraído a zika, decidir pelo aborto”. E termina, reconhecendo que a interrupção da gravidez é um tema “que suscita paixões”: “O país está diante de um drama explosivo, que afetará um grupo potencialmente grande de pessoas, e precisa lhe dar uma resposta à altura”.
Sempre que esta gente fala de “discutir”, leia-se impor decisões segundo sua excelsa onisciência, a tal “resposta à altura”: abaixo o feto!
Ah, a zika e a microcefalia, mesmo sem segura comprovação científica da relação entre elas, são as atuais campainhas que fazem os cães de Pavlov salivarem sangue de ódio! Todo o pretexto é válido para “discutir o aborto”. Dona Cora, de modo professoral, diz que “Interromper uma gravidez, em qualquer situação, é prerrogativa da mulher”. A ênfase é minha para mostrar que Dona Cora mente! Somente usa a zika e a microcefalia como pretextos para defender o que defende em qualquer caso: o “direito” da mulher sobre seu corpo! Garrincha perguntaria: já combinaram com os fetos?
Antes de prosseguir é preciso dizer que concordo com ela num ponto: a lei “permite aborto por estupro: não vem contradição nenhuma em defender o aborto em caso de estupro e em gritar que toda vida é sagrada. Mas, se é, que diferença há entre os fetos gerados por estupro e os fetos gerados por amor”? No meu entender, nenhuma! Este é um aspecto hipócrita da lei. Muitas mulheres não abortam após serem estupradas e cuidam seus filhos com amor. Esta hipocrisia abre esta chance para críticas. O aborto só deveria ser permitido se houver risco de morte da mão. Mesmo assim, ela deveria ter o direito de optar sobre qual vida salvar.
Sua mentira fica clara quando defende que “A maioria do dos países do Primeiro Mundo – aqueles que melhor resolveram as suas desigualdades econômicas e sociais – já reconheceu isso. O aborto é legal em toda a América do Norte, na Europa (com as significativas exceções da Polônia e da Irlanda)...”. Serão apenas estes os critérios para galhardear aqueles países com maiúsculas ou existe outro critério oculto?
Qual gato escondido com rabo de fora ela cita as significativas exceções dos raros países europeus onde a religião ainda tem papel significativo nas decisões. Este é o critério oculto: a falta de religião onde impera o laicismo pós-Jacobino. Este é o Primeiro Mundo de Cora Rónai. Mas será que ela não vê que este mundo está desmoronando com a invasão muçulmana? E está desmoronando exatamente porque, tendo jogado no lixo o Cristianismo, sequer é capaz de perceber que está sofrendo uma invasão que se pretende religiosa (2), mas apenas uma “migração” de pobres refugiados das guerras do leste. Pois são estes invasores que fazem “todo o tipo de chicana moral e religiosa para continuar mantendo as mulheres na posição de submissão em foram mantidas ao longo dos séculos” para citar Dona Cora. Pior ainda, pois as mulheres que não tem o pacto dos Dhimmi (3) podem ser estupradas e escravizadas pelos invasores. O cativeiro e a escravização das mulheres dos infiéis que guerreiam o Islam só podem ocorrer na jihad e elas são consideradas sabaya (prisioneiras de guerra). Caso não haja uma guerra declarada contra o Islam qualquer coisa pode ser definida como “islamofobia”.
É isto que vai ocorrer em breve no tão decantado “primeiro mundo” da Dona Cora, porque não há mais homens Cristãos para defenderem suas mulheres e a sociedade. Os valores da masculinidade, incluindo o da defesa da mulher e da prole, são valores Cristãos, portanto, quase inexistentes por lá. Não foi um homem de minissaia nem palhaços de nenhum hebdo que há 1300 anos derrotou os Muçulmanos na França. Charles Martel não portava um cartaz com os dizeres Bienvenue a Poitiers, mas guerreiros com lanças e espadas. Nem El Campeador (el-Cid para os Mouros) expulsou os muçulmanos de Espanha com belas frases, carinho e tolerância!
A ONU, A ZIKA E O ABORTO
A súcia de comunistófilos só se manifesta quando sabe que tem apoio potente de fora. E a ONU – o ramo aparente do governo mundial - só se manifesta depois que seus porta-vozes (jornalistas, editorialistas, ONGs, blogueiros, etc.) já falaram. Assim, apenas um dia depois (notem ainda uma vez a sequência) ela falou: os governos que ainda (notem o ainda!) não liberaram o aborto, devem fazê-lo agora! Embora seu próprio órgão técnico (ma non troppo!), a OMS, ainda não tenha identificado as reais causas da microcefalia – há somente uma suspeita não confirmada ainda de ser causada pelo vírus zika – já impõe o aborto aos países que ainda o proíbem em alguns casos.
A sequência:
1. Um dos membros do coletivo se manifesta (geralmente alguém muito conhecido e respeitado em algum setor, não necessariamente naquele – Cora Rónai é respeitada como especialista em informática)
2. Outro membro, mais representativo do coletivo (os editorialistas do Globo) apoia
3. O órgão máximo – aparente – do coletivo mundial, caso se aplique, fecha a comunicação
O ainda:
É fundamental estabelecer o objetivo final, pois é a régua pela qual se medirá os ”avanços” e “retrocessos”. No caso em questão qualquer medida que facilite o aborto é um avanço e quem o apoia é lúcido e entende das necessidades do mundo moderno, do “empoderamento” da mulher (que raios é isto? Mais um anglicismo idiota, derivado de empowerment? O corretor do Word me diz que nem está dicionarizado) e dos “direitos” sobre seu corpo. Quem é contra o aborto e a favor da vida de todos os seres, inclusive dos fetos, é retrógrado, favorece os retrocessos¸ reacionário, pela opressão das mulheres (será desempoderamento?), religioso – que coisa horrível!! - quando não um canalha, corrupto, cínico e hipócrita, pois não obedece ao “deve ser”!
O Príncipe jordaniano Zeid Ra’ad Al Hussein, ele mesmo suspeito de impedir o direito humano básico à livre expressão, Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos clama pela revogação de leis e políticas que restringem o acesso aos serviços de saúde sexual e reprodução que não estejam em desacordo com os standards internacionais (leiam-se aborto e devem ser). “Certamente a expansão do zika é o maior desafio para os governos da América Latina”. “Os serviços de saúde devem ser claros de modo a informar as mulheres a respeito de sua dignidade, garantia de sua privacidade e que forneçam respostas às suas necessidades e perspectivas”. “Leis e políticas que restringem seu acesso a estes serviços devem ser (lembram do Olavo?) urgentemente revistos, seguindo as obrigações de direitos humanos, assegurando o direito à saúde e sua prática (leiam: direito ao aborto)”. Nos países afetados pela zika que têm leis restritivas aos direitos reprodutivos da mulher (ufa, não aguento mais: aborto!) tais leis devem ser revistas.
As organizações internacionais que controlam a ONU, o Council on Foreign Relations e o Interamerican Dialogue, também já se manisfestaram na mesma linha (poderia ser diferente?). O primeiro publicou um artigo com o título Zika Virus and Reproductive Health Access in Latin América.
O Dialogue republicou um artigo de uma de suas mais importantes membros, Jacqueline Pitanguy, Zika and the Right to Abortion: "Brazil has some of the most restrictive abortion laws in the world. (...) The common denominator of those laws is the recognition that women have the right to the respect and protection of their physical and emotional integrity, and that the rights of the unborn are not absolute and do not supersede the fundamental rights of the woman.If Brazilian law followed the example of countries with more liberal abortion laws, women who are in a panic over carrying a fetus with microcephaly would, based on their right to reproductive autonomy and the emotional integrity of themselves and their families, be able to decide whether to carry or interrupt their pregnancy. Such decisions should be made outside the parameters of moral and criminal condemnation and in the context of respect for human dignity". (A publicação original no Globo é um pouco diferente).
A verdadeira razão para estas organizações serem a favor do aborto - assim como da agenda gay - é diminuir o crescimento populacional. Mas isto fica para um próximo artigo.
NOTAS:
(1) A Nova Era e a Revolução Cultural
(2) Já deixei claro em outras oportunidades que não considero o Islam uma religião, mas uma ideologia totalitária e coletivista.
(3) Dhimmi: status de minorias não-islâmicas vivendo na Ummah (Dar al-Islam, Terra da submissão a Allah), submetidas à shari’a e pagando impostos elevados. O infiéis que não são dhimmi são os que vivem na Terra dos Infiéis (Dar al-Kufr), a Europa, a América, etc., todos os lugares onde não há Islam ou este é minoritário. (Mais informações em Subsídios para entender o Islam.)
TRANSPORTE DE AUTORIDADES - 10/02/2016
Dentro da estrutura da FAB (Força Aérea Brasileira) existe, em Brasília, um grupo chamado GTE (Grupo de Transporte Especial), que é o responsável pelo transporte aéreo do Presidente da República, Ministros e demais autoridades. Fora o avião presidencial, essa frota dispõe de 15 aviões, desde jatos executivos até aviões com capacidade de, aproximadamente, 50 passageiros. Alguns modelos tiveram seus interiores modificados e transformados em salas VIPs, garantindo o máximo de conforto para seus usuários.
Em geral, o custo dessas aeronaves para deslocar autoridades chega a custar 20 a 50 vezes mais do que o valor das passagens aéreas em voos comerciais, mesmo considerando viagens em primeira classe. No caso de viajar somente um ou dois passageiros, o valor por passageiro fica astronômico. Um avião pequeno custa, aproximadamente, R$ 150 mil para ir de Brasília ao Rio de Janeiro; se forem 03 passageiros, significa um custo de R$ 50 mil por passageiro. A conta da gastança é simples.
Um levantamento efetuado de janeiro a setembro do ano passado mostrou um total de 2.206 voos para atender aos políticos, o que dá mais de 08 voos por dia. É um desperdício imenso de dinheiro público, enquanto o povo não tem moradia decente, saneamento básico, segurança, saúde, transporte, etc..
Por outro lado, a FAB efetuou somente 42 missões de transporte de pacientes e órgãos para transplantes nesse mesmo período, causando sérios problemas à população. Só o Ministério das Cidades fez 187 viagens; o deputado Eduardo Cunha usou a FAB por 110 vezes, e assim por diante. Em contraponto, no início do ano um menino de 12 anos não conseguiu receber um transplante de coração e morreu em Brasília pela falta de aeronave para transportar um órgão que estava disponível em Itajubá, no estado de Minas Gerais.
A FAB simplesmente alegou que não podia atender ao pedido de transporte por "questões operacionais". Uma frase simples que causou a morte de uma criança. Vale lembrar que existe um decreto de 2002 que disciplina o uso de aviões da FAB e diz que seus jatos podem ser requisitados quando houver motivo de emergência médica, o que obviamente não foi considerado nesse caso.
Renan Calheiros usou jato da FAB para ir de Maceió até Porto Seguro para assistir ao casamento do senador Eduardo Braga. Sua assessoria disse, na época, que Renan participou do compromisso como presidente do Senado e que tem direito ao uso de aeronave oficial, mesmo que a viagem não seja oficial. Existem casos de políticos que viajaram para ver jogos da seleção, casos em que foram para Fernando de Noronha, mas que usaram aviões da FAB por questões de segurança e por aí vai.
O fato é que o desperdício do nosso dinheiro continua enorme, apesar dos discursos de muitos "representantes do povo". Para todos os lados que olharmos com atenção, vamos verificar essa prática. Até quando? Essa é a pergunta que continua sem uma resposta. Bem, agora é Carnaval e não podemos nos preocupar com esses detalhes. Devemos nos preocupar com os blocos carnavalescos, com as marchinhas de alto padrão e com o desfile das escolas de samba. Até quando?
* Célio Pezza é colunista, escritor e autor de diversos livros, entre eles: As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e o seu mais recente A Tumba do Apóstolo.
SOLUÇÃO OU ENGODO - 07/02/2016
(Publicado originalmente no Alerta Total)
A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) enviou ofício a Dilma Rousseff pedindo a federalização da segurança pública e a criação de um ministério para fazer frente à violência no País.[1] Mais um ministério! Mais CENTRALIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, MAIS CONCENTRAÇÃO DE PODER EM BRASÍLIA, mais gastos com a burocracia, mais "cargos comissionados" para militantes, a ampliação da máquina estatal, quando já temos um Estado mastodôntico.
A OAB tenta enfiar na cabeça dos incautos um raciocínio malicioso: "se é a União que tem dinheiro, é ela que deve resolver o problema." Pior, muitos cairão nessa!
A armadilha da OAB parte de um fato: a arrecadação de impostos no Brasil ultrapassou folgadamente DOIS TRILHÕES de Reais em 2015.[2] Dessa fabulosa montanha de dinheiro, em torno de 70% fica para a União. Apenas cerca de 30% são divididos entre Estados e municípios. Em suma, por uma aberração na distribuição dos tributos (apenas por isso), é a União que acumula dinheiro. E a OAB tentando piorar as coisas...
Brasileiros acuados
O temor é generalizado, eis que generalizada e crescente é a violência no país. Aí, a OAB mira no pavor dos brasileiros e dispara o seu raciocínio: "se é a União que tem dinheiro, é ela que deve resolver o problema." Uma armadilha! Como em histórias de bruxas, a OAB oferece um chá com veneno: o PRETEXTO é solucionar o problema da violência, mas o real PROPÓSITO é centralizar o poder e potencializar o controle estatal, o que significa, entre outros, fracasso econômico e ameaça às liberdades individuais. É o modelito venezuelano, se alguém não percebeu!
Macabra estratégia
Concentrar tudo em Brasília e acabar com a configuração federativa é um projeto de poder conforme as diretrizes do nefasto Foro de S. Paulo. A iniciativa da OAB é apenas parte de uma orquestração. Dou apenas mais três exemplos.
1. O Sen. Cristovam Buarque, que enfeitiça os desavisados com seu blá-blá-blá sobre educação, propõe a federalização do ensino fundamental. Belo projeto de ditadura! "Áh, mas ele é defensor da educação..." Bem se vê! Ele imagina que, de um mundo de fantasia, perdulário e fora da realidade, isto é, de Brasília, sairão ideias iluminadas para conduzir a educação em todo o território nacional, como se acúmulo de dinheiro garantisse lucidez e respeito.
2. Tramita no Congresso o Projeto de Lei 186/14, que legaliza o jogo no Brasil, dando, à União, o monopólio para credenciar, outorgar e, óbvio, arrecadar com os jogos legalizados. Os Estados ficam apenas com o ônus e o custo da fiscalização. Sérgio Ricardo de Almeida, presidente da Loterj (loteria do RJ), recentemente advertiu que aqueles Estados que têm loterias estaduais, se aprovada a lei, deixarão de arrecadar bilhões.[3] Só mais um artifício para Brasília sugar dinheiro!
3. Em janeiro de 2007 Lula sancionou a Lei do Saneamento Básico. Aproveitou para fazer seu discurso populista e chamar de irresponsável a administração de FHC. Passados nove anos, Brasília não fez avançar um milímetro sequer no saneamento básico.[4] O Aedes Aegypti agradece...
O grande imbróglio
Por comodismo, ignorância ou má-fé, a maioria dos brasileiros ajuda a manter este modelo de Estado paternalista - que arrecada uma fábula em impostos e não dá solução satisfatória a coisa alguma. Tudo está montado para que, aqueles que chegam ao poder, lá se perpetuem. Entende-se, pois, por que são raros os que têm a grandeza de pensar no melhor para o país: é difícil renunciar a privilégios legalmente instituídos.
A OAB, o Sen. Cristóvam Buarque, os 513 deputados federais, os 81 senadores e todos os brasileiros decentes, em vez de suplicar a tutela da União para problemas locais, deveriam empenhar-se em restaurar o pacto federativo, garantindo maior grau de autonomia aos entes federados, reduzindo a concentração de poder e de dinheiro em Brasília, ou seja, deveriam reformar o Estado. Mas quem se dispõe a fazê-lo?
Uma certeza há: se os cidadãos comuns (contribuintes escorchados, mas eleitores de cujo voto políticos dependem) não buscarem um mínimo de esclarecimento e compreensão do quadro atual, nada vai mudar. Contrário senso, se a sociedade tiver esclarecimento e consciência da própria legitimidade para exigir mudanças, então o Brasil começará a aprumar-se. Ainda vivemos num regime em que a opinião pública é levada em consideração.
* Psicólogo e Bacharel em Direito.
CRISTÃOS: CASO DE POLÍCIA? - 06/02/2016
Publicado originalmente em [http://b-braga.blogspot.com.br/]
No dia 21 de janeiro, o governador de Brasília criou uma delegacia especial para apurar crimes de "intolerância religiosa". Na cerimônia que a instituiu, Rodrigo Rollemberg, do PSB (Partido Socialista Brasileiro) - partido que pertence ao Foro de São Paulo - acolheu as protagonistas do evento: representantes de "religiões de matriz africana" [1].
Falou-se ali em incêndio contra um "terreiro de candomblé", contudo, sem que fosse apresentado qualquer esclarecimento sobre as motivações do crime - elemento necessário para saber se de fato estaria caracterizada a tal "intolerância religiosa". O promotor que acompanha as investigações não tem ainda uma conclusão definitiva a respeito do caso: “É possível que tenha sido acidental, pois havia uma fiação elétrica no local que podia gerar um curto-circuito. Mas também é possível que seja criminoso. O que a gente tem recomendado é que não se afaste qualquer possibilidade” [2]. De qualquer maneira, na reportagem de referência para este texto - e em outras utilizadas para pesquisar o tema - não havia qualquer menção a crimes cometidos contra cristãos, nem mesmo às frequentes ridicularizações que "colorem" as Paradas Gay na capital do país - crime previsto no Código Penal (Cf. art. 208). Bom, a omissão não é por acaso, pois os cristãos são o alvo.
A delegacia não tem nada a ver com "intolerância religiosa". A propósito, qual será o padrão estabelecido para o "tolerável"? É um despropósito criar toda uma estrutura - sendo que policiais, na própria cerimônia de sua criação, protestavam por condições mínimas de trabalho [3] - para cuidar de crimes e condutas já contemplados de forma eficiente na legislação penal e que não têm número de ocorrências significativo que justifique tratamento "especial".
O teatrinho montado serve a interesses políticos, e é peça de uma disparatada engenharia social. Uma imagem traduz muito bem o que se passa por trás das cortinas. Recentemente, Porto Alegre (RS) sediou o Fórum Social Temático - evento do Fórum Social Mundial, criado pelo Foro de São Paulo. No dia 19 de janeiro, na marcha que deu início ao encontro comunista, macumbeiros levantaram a mesma bandeira dos "povos de matriz africana". Mas, logo atrás deles, um grupo carregava o seguinte estandarte: "Busque à [sic] Jesus, NENHUMA 'IGREJA'" (Cf. Imagem).
Não é interessante identificar agentes do mesmo tipo e grupos com os mesmos propósitos políticos marchando em fóruns comunistas e celebrando a criação de "delegacias especiais" contra a "intolerância religiosa"? Não é curioso notar que os cristãos têm sido o maior estorvo para as suas ambições? Afinal, não são os cristãos que começam a se dar conta do totalitarismo comuno-petista que tomou de assalto o Brasil e até as suas igrejas e templos? Não são eles que, na tentativa rasteira de amordaçá-los, são acusados de "fundamentalistas", que ouvem gritos histéricos contra uma tal "teocracia" e reivindicações estapafúrdias por um "estado laico"? Não são os cristãos que têm frustrado a sanha assassina dos abortistas, que se opuseram à engenharia social da união entre pessoas do mesmo sexo, lutaram nas câmaras legislativas de todo o país contra a ideologia de gênero gayzista nas escolas?
Para implantar um projeto totalitário de poder - que abarque não só instituições políticas, mas as dimensões sociais e culturais - é necessário "domesticar" os cristãos. Não se trata aqui de formular uma tese conspiratória, basta recorrer à história dos regimes totalitários ou estudar os propósitos e efeitos da Teologia da Libertação dentro da Igreja Católica. Mas, para os cristãos "raivosos" e "indomáveis", que não seguem o "catecismo" do "politicamente correto" - ou que não se adequam ao padrão do "tolerável" - resta a força: eles são transformados em caso de polícia, sob o pretexto de se estar combatendo a "intolerância religiosa".
ADENDO.
O Fórum Social Temático de Porto Alegre contou com uma seita comuno-ecumenista para celebrar a "paz" e a "tolerância religiosa" [4]. No entanto, na marcha de abertura do evento comunista, havia bandeiras pontificando: "Tem que buscar a Jesus, não as igrejas"; "As 'igrejas' são uma fraude, por favor, busque a Jesus apenas por si mesmo" (Cf. imagens). Contradição? Expressão de "pluralismo"? Não. Nada disso tem a ver com "religião". É o vale tudo, tudo que possa beneficiar a revolução comunista.
REFERÊNCIAS.
[1]. Cf. "Brasília cria Delegacia de Repressão aos Crimes de Discriminação", Agência Brasil, EBC, 21 de janeiro de 2016 [http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-01/brasilia-cria-delegacia-de-repressao-aos-crimes-de-discriminacao].
[2]. Cf. "Governo cria delegacia de combate à intolerância religiosa", Jornal de Brasília, 21 de janeiro de 2016 [http://jornaldebrasilia.com.br/noticias/cidades/663601/governo-cria-delegacia-de-combate-a-intolerancia-religiosa/].
[3]. Cf. [1].
[4]. Cf. "Fórum Social Comunista 2016", V [http://b-braga.blogspot.com.br/2016/01/forum-social-comunista-2016.html].
A SENHORA DE UM TRILHÃO - 03/02/2016
(Publicado originalmente no Estadão)
Despertam curiosidade popular as listas de bilionários. Gente que se deu bem, pelos muitos milhões que amealhou no caminho da vida, quer por talento excepcional no esporte, nas artes, nos negócios, nas ciências (aqui, raramente), ou por pura esperteza e, no limite, por banditismo em nível corporativo, como são exemplos "El Chapo" e seu mestre, Pablo Escobar. Santos ou pecadores, são indivíduos fazedores, com grande poder de realização e liderança. O ponto comum entre todos é a enorme capacidade de criar e acumular ativos. São "realizadores", para o bem ou para o mal.
Pouco se ouve falar, contudo, de outra lista, semelhante à primeira, só que com sinal trocado. Em vez de serem acumuladores de ativos, há também os acumuladores de passivos ?" referência aos indivíduos produtores de guerras, de moléstias ou, simplesmente, detonadores de riqueza, aqueles capazes de agir só para erodir, derrubar, solapar e deletar a riqueza e a capacidade de crescer de uma empresa, comunidade ou país. Alguns desses seres especiais têm custado caro à humanidade inteira. Outros, ao seu próprio país.
Em recente artigo, Monica de Bolle levantou a pergunta incômoda, mas necessária: quanto nos custou Dilma? E deu números ao debate: "? o Brasil perdeu R$ 300 bilhões de renda e de riqueza nos últimos quatro anos?". Economistas podem fazer essa conta de "prejuízo bruto" de várias maneiras, todas válidas. Monica optou por olhar pelo lado da poupança, parcialmente destruída no período Dilma Rousseff. A poupança de famílias e empresas teria recuado ?" como ocorreu de fato ?" do patamar de 20% para 15% de um produto interno bruto (PIB) anual de cerca de R$ 6 trilhões. Perdemos, assim, cinco pontos porcentuais do PIB. Daí a conta de uma dilapidação de riqueza da ordem de 5% de R$ 6 trilhões, igual a R$ 300 bilhões. Será mesmo?
Estou disposto a colocar Dilma no Livro Guinness dos Recordes. Acho que Monica fez cálculo conservador da contribuição da nossa presidente para a destruição da riqueza nacional. Dilma seria a senhora de um trilhão de reais! Negativos, é verdade, mas ninguém pode ameaçar-lhe o troféu.
E por que um trilhão?
Pensem no quanto o Brasil teria crescido, a mais, se Dilma não tivesse feito nada (grande contribuição já seria!). A poupança referida por Monica ficaria nos 20% desde 2011, acarretando correspondentes investimentos, palavra-chave sem a qual não criamos riqueza nova alguma. Com 20% do PIB aplicado em investimentos (quem se lembra do PAC?) o país teria exibido um crescimento mais próximo do seu potencial, com ou sem a tal "crise mundial". O "potencial" do PIB é conceito usado pelos economistas para calcular quanto um país é capaz de fazer, ano a ano. No Brasil, tal potencial já foi de 7% ao ano (que saudade!); caiu para 5% no fim dos anos 1970, depois para 3% nas décadas perdidas de 1980 e 1990; ameaçou pequena melhora para 3,5% com o milagreiro Lula e, finalmente, recuou para 2,5% na era Dilma. Se ela nada houvesse feito para atrapalhar, ainda assim o país do juro alto e da carga tributária de manicômio poderia ter crescido uns 2,5% ao ano.
Dilma conseguiu, no entanto, perpetrar um estrago sobre o qual falarão para sempre nossos livros de História. Estimando as perdas de PIB, ano a ano, desde que Dilma se aboletou na cadeira presidencial, e supondo que a ela seja concedido completar a façanha, teremos esbanjado uns 15% do PIB ao longo do octênio dilmista, que, em valores de hoje, correspondem à estonteante marca de um trilhão de reais!
Mas tem gente querendo impedir Dilma de atingir seu recorde. Quanta maldade!
Outra maneira de garantir o recorde é pelo método da acumulação de passivos. É aquela roubada coletiva que ocorre quando metem a mão grande no nosso bolso enquanto cantamos marchinhas carnavalescas sem ira nem birra. É preciso, às vezes, um rio inteiro de lama ?" no sentido literal ?" para despertar o raquítico instinto de interesse coletivo do nosso povo. Acumulação de prejuízos, entretanto, não figura no Direito brasileiro como responsabilidade direta de um mau gestor público. A imputação se atém a atos administrativos, como apontados no "Relatório Nardes" sobre as pedaladas de R$ 40 bilhões, que Dilma se apressou a "pagar".
Mas pagar o quê, se a perda de riqueza permaneceu, como bem mostrou Monica? A omissão do dever de bem administrar gerou acumulação de passivos também pelo lado financeiro, pelos juros anormais que o Brasil vem pagando, e que pagará, pelo despautério da gestão dilmista ?" outro modo de se chegar ao mesmo trilhão de reais.
É o governo que nos avisou, na semana passada, quanto custou o encargo de rolar a dívida pública de R$ 3,9 trilhões: a bagatela de R$ 502 bilhões, apenas em 2015, entre juros e prejuízos de câmbio, os famigerados swaps inventados para segurar o câmbio antes do pleito de 2014. Este ano, mesmo com o Banco Central mantendo a taxa Selic onde está, a absurda conta do juro deve se repetir. Então, pelo lado do custo financeiro, Dilma também é a senhora de um trilhão de reais.
Os encargos dantescos elevaram a dívida pública de 51% do PIB, em 2011, para 66% ao final do ano passado. Bingo! São 15 pontos porcentuais do PIB acrescidos ao nosso passivo financeiro, portanto, mais um trilhão de reais acumulado à dívida dos brasileiros, pedágio ruinoso que todos pagamos para o mercado continuar "confiando" nas autoridades econômicas.
Um trilhão, essa é a conta. Juros a mais, PIB a menos, empregos eliminados, capital evaporado, confiança desfeita, futuro destroçado. Para tal crime, espantosamente, não parece haver remédio legal em nosso Direito positivo. Por isso a década "esbanjada" será concluída com êxito! Ninguém, afinal, conseguirá roubar essa Olimpíada de Dilma.
NOTAS SOBRE O FÓRUM SOCIAL COMUNISTA 2016. - 01/02/2016
Notas publicadas no Facebook sobre o Fórum Social Temático - evento que é parte do Fórum Social Mundial -, realizado em Porto Alegre (RS) entre os dias 19 e 23 de janeiro de 2016.
(As imagens estão registradas na minha página no Facebook ou na página do autor. Bruno Braga).
I.
Começou o "Fórum Social Temático". O evento comemora os 15 anos do Fórum Social Mundial (FSM) em Porto Alegre (RS), onde aconteceu o seu primeiro encontro, e é uma preparação para a próxima edição do próprio Fórum Social Mundial, que será realizado em agosto, no Canadá.
O FSM apresenta-se como um "contraponto" ao Fórum Econômico Mundial. Mero disfarce. É um produto do Foro de São Paulo, e tem o mesmo propósito: transformar a América Latina na "Patria Grande" comunista.
As atividades do Fórum Social Mundial vão até o dia 23. O evento comunista tem a participação do Governo Federal e é patrocinado com dinheiro público, pela Petrobrás e pela "Patria Educadora" proclamada por Dilma Rousseff - Presidente petista e títere do Foro de São Paulo (Cf. imagem - e programação: [http://forumsocialportoalegre.org.br/files/2016/01/PROGRAMACAO-VERSAO-DIA-18-JAN-2016-23H.pdf]) [1].
(*) Foto. Comunistas na marcha que deu início ao Forum Social Temático. 19 de Janeiro de 2016.
II.
"Patria Grande" comunista: Fórum Social Mundial e Teologia da Libertação.
Nas duas últimas notas publicadas aqui, tratei do Fórum Social Mundial e da Teologia da Libertação [2]. É importante destacar um elo que foi estabelecido entre os dois. O Fórum Social tornou-se referência para a realização do Fórum Mundial de Teologia da Libertação. Quem conta é Leonardo, ou melhor, Genézio Boff, um dos principais "apóstolos" daquele simulacro de teologia criado para distorcer a fé e enganar os católicos, para instrumentalizar a Igreja na promoção do projeto de poder comuno-petista:
[...] "Nos anos 70 se organizaram os primeiros Fóruns Mundiais de Teologia da Libertação" [...] "Com o surgimento dos Fóruns Sociais Mundiais a partir de 2001 encontrou-se o espaço público para a continuação destes encontros globais" (Cf. imagem).
A declaração está em um artigo que foi transcrito pelo deputado federal Chico Alencar, do PSOL - partido socialista da linha auxiliar do PT - na Câmara dos Deputados (Cf. imagem) [3].
Não é preciso ser muito perspicaz para reconhecer que o Fórum Social Mundial - enquanto braço do Foro de São Paulo - e a Teologia da Libertação convergem para uma mesma linha de ação: construir a "Patria Grande" comunista na América Latina.
III.
Tico "bandido".
O Fórum Social Temático - parte do Fórum Social Mundial - está sendo realizado em Porto Alegre (RS). Ontem, 20 de novembro, em uma de suas tendas, Tico Santa Cruz denunciou: "a onda conservadora está associando a esquerda à criminalidade" [4].
Muito bem. Associação com grupos guerrilheiros, narco-terroristas e com o crime organizado. Assalto dos cofres públicos e aparelhamento das instituições para estabelecer e alimentar o projeto de poder totalitário comunista. Defesa da legalização das drogas e apologia delas por meio de um alucinado ideal de "liberdade" - estímulo do consumo e, consequentemente, movimentação do tráfico. Reivindicação de um suposto "direito" de assassinar crianças inocentes no ventre de suas mães - aborto. Doutrinação comunista nas escolas e a sexualização de crianças com a ideologia de gênero gayzista. Romantização do banditismo e vitimização dos criminosos. Promoção de protestos públicos que incluem atos de vandalismo, depredação do patrimônio público e privado - com a participação de uma tropa de mascarados e de Black Blocs. Enfim, basta.
Não é uma "associação" da "onda conservadora" (e sabe-se lá o que isso significa). É uma constatação: o crime faz parte da natureza da esquerda - da esquerda, não em abstrato, mas dos próprios agentes que assim se identificam - e é um dos seus meios de ação. O vocalista da banda Detonautas nega um fato. Mas, na medida em que, não só apóia, mas se associa a grupos que integram a própria organização criminosa, e que trabalham para o projeto de poder comunista, Tico Santa Cruz torna-se ele mesmo um "bandido" - ou por compromisso efetivo ou como um verdadeiro "idiota útil".
IV.
Pastoral da Juventude (PJ) de Vicariato de Canoas (RS) - vinculada à CNBB - marca presença no Fórum Social Temático 2016, realizado em Porto Alegre. O evento é parte do Fórum Social Mundial, uma criação do Foro de São Paulo - organização fundada por Lula e por Fidel Castro para transformar a América Latina na "Patria Grande" comunista.
Na imagem abaixo, os "pejoteiros" participam da marcha de abertura do Fórum, que aconteceu no dia 19 de janeiro. Marcham por "um mundo melhor" - um mundo comunista, contrário a todos os princípios e orientações da Igreja Católica.
V.
O Fórum Social Mundial e a seita comuno-ecumenista.
O Fórum Social Temático - que terminou no último sábado, 23 de janeiro - contou com um ato pela "paz" e pela "tolerância religiosa". Um ritual dito "ecumênico", realizado no dia 19 de janeiro, com representantes religiosos na Assembléia Legislativa de Porto Alegre (RS). O "Grupo de Diálogo Inter-religioso" da capital gaúcha participou da "celebração", fazendo presente ali o "representante" da Igreja Católica, o padre Luis Carlos de Almeida (Cf. imagem).
Não custa repetir: o Fórum Social Temático é parte do Fórum Social Mundial, uma criação do Foro de São Paulo - organização fundada por Lula e por Fidel Castro para transformar a América Latina na "Patria Grande" comunista. Sendo assim, o padre Luis Carlos participou - não de um ato pela "paz" e pela "tolerância religiosa" - mas de uma seita comuno-ecumenista comprometida com um projeto de poder, com uma engenharia social e comportamental que contrariam integralmente os princípios e orientações da Igreja Católica. A prova encarnada disso estava ao lado do padre, na mesa do ritual: Mauri Cruz, representante da ABONG (Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais) [5] - uma associação que está empenhada na legalização do aborto, do assassinato de crianças inocentes [6].
VI.
Juventude petista grita por um mundo socialista.
Vídeo gravado no dia 19 de janeiro, durante a marcha que determinou o início do Fórum Social Temático. O evento, realizado em Porto Alegre (RS), é parte do Fórum Social Mundial, uma criação do Foro de São Paulo - organização fundada por Lula e por Fidel Castro para transformar a América Latina na "Patria Grande" comunista.
***
Juventude do PT marcha "por um mundo socialista".
Imagem registrada durante a marcha inaugural do Fórum Social Temático (19 de janeiro). O evento, realizado em Porto Alegre (RS), é parte do Fórum Social Mundial, uma criação do Foro de São Paulo - organização fundada por Lula e por Fidel Castro para transformar a América Latina na "Patria Grande" comunista.
VII.
Um Ministro no meio da militância comunista.
Na imagem abaixo, Miguel Rossetto aparece na marcha que, no dia 19 de janeiro, abriu o Fórum Social Temático. O evento, realizado em Porto Alegre (RS), é parte do Fórum Social Mundial, uma criação do Foro de São Paulo - organização fundada por Lula e por Fidel Castro para transformar a América Latina na imensa "Patria Grande" comunista.
Mas, Rossetto não é Ministro do Trabalho? O que um Ministro de Estado fazia em um evento de militância comunista?
Bom, primeiro: trata-se de um Ministro, sim, mas não de um simples governo, como qualquer outro; é um governo comuno-petista, para o qual vale tudo pelo poder. Depois, a pessoa em destaque é o senhor Rossetto. Para os que não conhecem o histórico de atividades ministeriais do petista, ligado à ala trotskista do PT:
Rossetto foi Ministro do Desenvolvimento Agrário do governo Lula. Em 2004, ele participou das comemorações dos 20 anos do MST - grupo de guerrilha rural do PT e do Foro de São Paulo. Discursou e viu crianças cantarem o hino da Internacional Socialista com os punhos cerrados. Em 2005, na mesma pasta, Rossetto esteve na fundação da Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF) - a escola de formação de militantes dos sem terra - e da Escola Latino-americana de Agroecologia - que também é uma iniciativa do MST [7].
Em 2014, no Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas agora no governo da Presidente Dilma Rousseff, Rossetto foi questionado na Câmara dos Deputados sobre um acordo entre o MST e o regime bolivariano da Venezuela, que se comprometia com a doutrinação comunista dos sem terra e com o treinamento deles em técnicas de guerrilha [8]. Ele teve a cara de pau de jurar - do alto de sua posição de Ministro e de militante - que desconhecia o "pacto" criminoso.
Portanto, sendo quem é, o governo para o qual trabalha e o evento que prestigia, não é surpresa que o senhor Rossetto marche - junto com o MST - no Fórum Social Temático. Ele luta por um "mundo novo", pelo totalitarismo comuno-petista.
REFERÊNCIAS.
[1]. Cf. "O decreto do Foro de São Paulo" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/06/o-decreto-do-foro-de-sao-paulo.html]; "O Foro de São Paulo governa o Brasil" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/03/o-foro-de-sao-paulo-governa-o-brasil.html].
[2]. Cf. "Fórum Social Comunista" [https://www.facebook.com/blogbbraga/photos/a.190586071090013.1073741828.184797238335563/576140212534595/?type=3&theater] e "Teologia da Libertação: Uma Ferramenta do Kremlin" [https://www.facebook.com/blogbbraga/posts/576324435849506].
[3]. Cf. [http://www.camara.gov.br/sileg/integras/632556.doc].
[4]. Cf. [http://www.sul21.com.br/jornal/a-onda-conservadora-esta-associando-a-esquerda-a-criminalidade-diz-tico-santa-cruz-aos-jovens-no-forum-de-porto-alegre/].
[5]. Cf. [http://forumsocialportoalegre.org.br/2016/01/19/mesa-de-autoridades-marca-inicio-de-atividades-do-forum-pedindo-mais-tolerancia/].
[6]. Cf. "'Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil' para legalizar o ASSASSINATO DE CRIANÇAS" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/08/marco-regulatorio-das-organizacoes-da.html].
[7]. Cf. "Não sabe de nada, inocente?" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/11/nao-sabe-de-nada-inocente.html].
[8]. Cf. Idem. Ler também: "O Foro de São Paulo, o MST e a revolução "comuno-bolivariana" no Brasil. Fraudes, suicídios, recrutamento de jovens e crianças, e eleições presidenciais" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/12/o-foro-de-sao-paulo-o-mst-e-revolucao.html]; "MST - acordo bolivariano, doutrinação e guerrilha" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/11/mst-acordo-bolivariano-doutrinacao-e.html]; "A Escola do MST, o acordo bolivariano e o treinamento dos sem-terra" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/11/a-escola-do-mst-o-acordo-bolivariano-e.html].
ARTIGOS RECOMENDADOS.
BRAGA, Bruno. "A 'prestação de contas' do ex-Secretário do Foro de São Paulo" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/05/a-prestacao-de-contas-do-ex-secretario.html].
KINCAID, Cliff. "Grupo católico revela influência vermelha no Vaticano" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/06/grupo-catolico-revela-influencia.html].
LÓGICA DO ABORTISMO - 01/02/2016
(Publicado originalmente no DC de 24/10/2010)
O aborto só é uma questão moral porque ninguém conseguiu jamais provar, com certeza absoluta, que um feto é mera extensão do corpo da mãe ou um ser humano de pleno direito. A existência mesma da discussão interminável mostra que os argumentos de parte a parte soam inconvincentes a quem os ouve, se não também a quem os emite. Existe aí portanto uma dúvida legítima, que nenhuma resposta tem podido aplacar. Transposta ao plano das decisões práticas, essa dúvida transforma-se na escolha entre proibir ou autorizar um ato que tem cinqüenta por cento de chances de ser uma inocente operação cirúrgica como qualquer outra, ou de ser, em vez disso, um homicídio premeditado. Nessas condições, a única opção moralmente justificada é, com toda a evidência, abster-se de praticá-lo. À luz da razão, nenhum ser humano pode arrogar-se o direito de cometer livremente um ato que ele próprio não sabe dizer, com segurança, se é ou não um homicídio. Mais ainda: entre a prudência que evita correr o risco desse homicídio e a afoiteza que se apressa em cometê-lo em nome de tais ou quais benefícios sociais hipotéticos, o ônus da prova cabe, decerto, aos defensores da segunda alternativa. Jamais tendo havido um abortista capaz de provar com razões cabais a inumanidade dos fetos, seus adversários têm todo o direito, e até o dever indeclinável, de exigir que ele se abstenha de praticar uma ação cuja inocência é matéria de incerteza até para ele próprio.
Se esse argumento é evidente por si mesmo, é também manifesto que a quase totalidade dos abortistas opinantes hoje em dia não logra perceber o seu alcance, pela simples razão de que a opção pelo aborto supõe a incapacidade – ou, em certos casos, a má vontade criminosa – de apreender a noção de "espécie". Espécie é um conjunto de traços comuns, inatos e inseparáveis, cuja presença enquadra um indivíduo, de uma vez para sempre, numa natureza que ele compartilha com outros tantos indivíduos. Pertencem à mesma espécie, eternamente, até mesmo os seus membros ainda não nascidos, inclusive os não gerados, que quando gerados e nascidos vierem a portar os mesmos traços comuns. Não é difícil compreender que os gatos do século XXIII, quando nascerem, serão gatos e não tomates.
A opção pelo abortismo exige, como condição prévia, a incapacidade ou recusa de apreender essa noção. Para o abortista, a condição de "ser humano" não é uma qualidade inata definidora dos membros da espécie, mas uma convenção que os já nascidos podem, a seu talante, aplicar ou deixar de aplicar aos que ainda não nasceram. Quem decide se o feto em gestação pertence ou não à humanidade é um consenso social, não a natureza das coisas.
O grau de confusão mental necessário para acreditar nessa idéia não é pequeno. Tanto que raramente os abortistas alegam de maneira clara e explícita essa premissa fundante dos seus argumentos. Em geral mantêm-na oculta, entre névoas (até para si próprios), porque pressentem que enunciá-la em voz alta seria desmascará-la, no ato, como presunção antropológica sem qualquer fundamento possível e, aliás, de aplicação catastrófica: se a condição de ser humano é uma convenção social, nada impede que uma convenção posterior a revogue, negando a humanidade de retardados mentais, de aleijados, de homossexuais, de negros, de judeus, de ciganos ou de quem quer que, segundo os caprichos do momento, pareça inconveniente.
Com toda a clareza que se poderia exigir, a opção pelo abortismo repousa no apelo irracional à inexistente autoridade de conferir ou negar, a quem bem se entenda, o estatuto de ser humano, de bicho, de coisa ou de pedaço de coisa.
Não espanta que pessoas capazes de tamanho barbarismo mental sejam também imunes a outras imposições da consciência moral comum, como por exemplo o dever que um político tem de prestar contas dos compromissos assumidos por ele ou por seu partido. É com insensibilidade moral verdadeiramente sociopática que o sr. Lula da Silva e sua querida Dona Dilma, após terem subscrito o programa de um partido que ama e venera o aborto ao ponto de expulsar quem se oponha a essa idéia, saem ostentando inocência de qualquer cumplicidade com a proposta abortista.
Seria tolice esperar coerência moral de indivíduos que não respeitam nem mesmo o compromisso de reconhecer que as demais pessoas humanas pertencem à mesma espécie deles por natureza e não por uma generosa – e altamente revogável – concessão da sua parte.
Também não é de espantar que, na ânsia de impor sua vontade de poder, mintam como demônios. Vejam os números de mulheres supostamente vítimas anuais do aborto ilegal, que eles alegam para enaltecer as virtudes sociais imaginárias do aborto legalizado. Eram milhões, baixaram para milhares, depois viraram algumas centenas. Agora parece que fecharam negócio em 180, quando o próprio SUS já admitiu que não passam de oito ou nove. É claro: se você não apreende ou não respeita nem mesmo a distinção entre espécies, como não seria também indiferente à exatidão das quantidades? Uma deformidade mental traz a outra embutida.
Aristóteles aconselhava evitar o debate com adversários incapazes de reconhecer ou de obedecer as regras elementares da busca da verdade. Se algum abortista desejasse a verdade, teria de reconhecer que é incapaz de provar a inumanidade dos fetos e admitir que, no fundo, eles serem humanos ou não é coisa que não interfere, no mais mínimo que seja, na sua decisão de matá-los. Mas confessar isso seria exibir um crachá de sociopata. E sociopatas, por definição e fatalidade intrínseca, vivem de parecer que não o são.
A MENTALIDADE DA ESQUERDA E SEUS ESTRAGOS SOBRE OS MAIS POBRES - 27/01/2016
(Publicado originamente em www.midiasemmascara.org)
Quando adolescentes criminosos e assassinos são rotulados de "jovens problemáticos" por pessoas que se identificam como sendo de esquerda, isso nos diz mais sobre a mentalidade da própria esquerda do que sobre esses criminosos violentos propriamente ditos.
Raramente há alguma evidência de que os criminosos sejam meramente 'problemáticos', e frequentemente abundam evidências de que eles na realidade estão apenas se divertindo enormemente ao cometer seus atos criminosos sobre terceiros.
Por que então essa desculpa já arraigada? Por que rotular adolescentes criminosos de "jovens problemáticos" e supor que maníacos homicidas são meros "doentes"?
Pelo menos desde o século XVIII a esquerda vem se esforçando para não lidar com o simples fato de que a maldade existe — que algumas pessoas simplesmente optam por fazer coisas que elas sabem de antemão serem erradas. Todo o tipo de desculpa, desde pobreza até adolescência infeliz, é utilizada pela esquerda para explicar, justificar e isentar a maldade.
Todas as pessoas que saíram da pobreza ou que tiveram uma infância infeliz, ou ambas, e que se tornaram seres humanos decentes e produtivos, sem jamais praticarem atos violentos, são ignoradas pela esquerda, que também ignora o fato de que a maldade independe da renda e das origens, uma vez que ela também é cometida por gente criada na riqueza e no privilégio, como reis, conquistadores e escravocratas.
Logo, por que a existência do mal sempre foi um conceito tão difícil para ser aceito por muitos da esquerda? O objetivo básico da esquerda sempre foi o de mudar as condições externas da humanidade. Mas e se o problema for interno? E se o verdadeiro problema for a perversidade dos seres humanos?
Rousseau negou esta hipótese no século XVIII e a esquerda a vem negando desde então. Por quê? Autopreservação. Afinal, se as coisas que a esquerda quer controlar — instituições e políticas governamentais — não são os fatores definidores dos problemas do mundo, então qual função restaria à esquerda?
E se fatores como a família, a cultura e as tradições exercerem mais influência positiva do que as novas e iluminadas "soluções" governamentais que a esquerda está constantemente inventando? E se a busca pelas "raízes da criminalidade" não for nem minimamente tão eficaz quanto retirar criminosos de circulação?
As estatísticas ao redor do mundo mostram que as taxas de homicídio estavam em declínio durante as décadas em que vigoravam as velhas e tradicionais práticas tão desdenhadas pela intelligentsia esquerdista. Já quando as novas e brilhantes ideias da esquerda ganharam influência, no final da década de 1960, a criminalidade e violência urbana dispararam.
O que houve quando ideias antiquadas sobre sexo foram substituídas, ainda na década de 1960, pelas novas e brilhantes ideias da esquerda, as quais foram introduzidas nas escolas sob a alcunha de "educação sexual" e que supostamente deveriam reduzir a gravidez na adolescência e as doenças sexualmente transmissíveis? Tanto a gravidez na adolescência quanto as doenças sexualmente transmissíveis vinham caindo havia anos. No entanto, esta tendência foi subitamente revertida na década de 1960 e atingiu recordes históricos.
Desarmamento
Uma das mais antigas e mais dogmáticas cruzadas da esquerda é aquela em prol do desarmamento. Aqui, novamente, o enfoque está nas questões externas — no caso, nas armas.
Se as armas de fato fossem o problema, então leis de controle de armas poderiam ser a resposta. Mas se o verdadeiro problema são aquelas pessoas malvadas que não se importam com a vida de outras pessoas — e nem muito menos para as leis —, então o desarmamento, na prática, fará apenas com que pessoas decentes e cumpridoras da lei se tornem ainda mais vulneráveis perante pessoas perversas.
Dado que a crença no desarmamento sempre foi uma grande característica da esquerda desde o século XVIII, em todos os países ao redor do mundo, seria de se imaginar que, a esta altura, já haveria incontáveis evidências dando sustentação a esta crença. No entanto, evidências de que o desarmamento de fato não reduz as taxas de criminalidade em geral, ou as taxas de homicídio em particular, raramente são mencionadas por defensores do controle de armas. Simplesmente se pressupõe, de passagem, que é óbvio que leis mais rigorosas de controle de armas irão reduzir os homicídios e a criminalidade.
No entanto, a crua realidade não dá sustento a esta pressuposição. É por isso que são os críticos do desarmamento que se baseiam em evidências empíricas, todas elas magnificamente coletadas nos livros "More Guns, Less Crime", de John Lott, e "Guns and Violence", de Joyce Lee Malcolm. [Veja nossos artigos sobre desarmamento]. Mas que importância têm os fatos perante a visão inebriante e emotiva da esquerda?
Pobres
A esquerda sempre se arrogou a função de protetora dos "pobres". Esta é uma de suas principais reivindicações morais para adquirir poder político. Porém, qual a real veracidade desta alegação?
É verdade que líderes de esquerda em vários países adotaram políticas assistencialistas que permitem aos pobres viverem mais confortavelmente em sua pobreza. Mas isso nos leva a uma questão fundamental: quem realmente são "os pobres"?
Se você se baseia em uma definição de pobreza inventada por burocratas, como aquela que inclui um número de indivíduos ou de famílias abaixo de algum nível de renda arbitrariamente estipulado pelo governo, então realmente é fácil conseguir estatísticas sobre "os pobres". Elas são rotineiramente divulgadas pela mídia e gostosamente adotadas por políticos. Mas será que tais estatísticas têm muita relação com a realidade?
Houve um tempo em que "pobreza" tinha um significado concreto — uma quantidade insuficiente de comida para se manter vivo, ou roupas e abrigos incapazes de proteger um indivíduo dos elementos da natureza. Hoje, "pobreza" significa qualquer coisa que os burocratas do governo, que inventam os critérios estatísticos, queiram que signifique. E eles têm todos os incentivos para definir pobreza de uma maneira que abranja um número suficientemente alto de pessoas, pois isso justifica mais gastos assistencialistas e, consequentemente, mais votos e mais poder político.
Em vários países do mundo, não são poucas as pessoas que são consideradas pobres, mas que, além de terem acesso a vários bens de consumo que outrora seriam considerados luxuosos — como televisão, computador e carro —, são também muito bem alimentadas (em alguns casos, até mesmo apresentam sobrepeso). No entanto, uma definição arbitrária de palavras e números concede a essas pessoas livre acesso ao dinheiro dos pagadores de impostos.
Esse tipo de "pobreza" pode facilmente vir a se tornar um modo de vida, não apenas para os "pobres" de hoje, mas também para seus filhos e netos.
Mesmo quando esses indivíduos classificados como "pobres" têm o potencial de se tornar membros produtivos da sociedade, a simples ameaça de perder os benefícios assistencialistas caso consigam um emprego funciona como uma espécie de "imposto implícito" sobre sua renda futura, imposto este que, em termos relativos, seria maior do que o imposto explícito que incide sobre o aumento da renda de um milionário.
Em suma, as políticas assistencialistas defendidas pela esquerda tornam a pobreza mais confortável ao mesmo tempo em que penalizam tentativas de se sair da pobreza. Exceto para aqueles que acreditam que algumas pessoas nascem predestinadas a serem pobres para sempre, o fato é que a agenda da esquerda é um desserviço para os mais pobres, bem como para toda a sociedade. Ao contrário do que outros dizem, a enorme quantia de dinheiro desperdiçada no aparato burocrático necessário para gerenciar todas as políticas sociais não é nem de longe o pior problema dessa questão.
Se o objetivo é retirar pessoas da pobreza, há vários exemplos encorajadores de indivíduos e de grupos que lograram este feito, e nos mais diferentes países do mundo.
Milhões de "chineses expatriados" emigraram da China completamente destituídos e quase sempre iletrados. E isso ocorreu ao longo dos séculos. Independentemente de para onde tenham ido — se para outros países do Sudeste Asiático ou para os EUA —, eles sempre começaram lá embaixo, aceitando empregos duros, sujos e frequentemente perigosos.
Mesmo sendo frequentemente mal pagos, estes chineses expatriados sempre trabalhavam duro e poupavam o pouco que recebiam. Era uma questão cultural. Vários deles conseguiram, com sua poupança, abrir pequenos empreendimentos comerciais. Por trabalharem longas horas e viverem frugalmente, eles foram capazes de transformar pequenos negócios em empreendimentos maiores e mais prósperos. Eles se esforçaram para dar a seus filhos a educação que eles próprios não conseguiram obter.
Já em 1994, os 57 milhões de chineses expatriados haviam criado praticamente a mesma riqueza que o bilhão de pessoas que viviam na China.
Variações deste padrão social podem ser encontradas nas histórias de judeus, armênios, libaneses e outros emigrantes que se estabeleceram em vários países ao redor do mundo — inicialmente pobres, foram crescendo ao longo de gerações até atingirem a prosperidade. Raramente recorreram ao governo, e quase sempre evitaram a política ao longo de sua ascensão social.
Tais grupos se concentraram em desenvolver aquilo que economistas chamam de "capital humano" — seus talentos, habilidades, aptidões e disciplina. Seus êxitos frequentemente ocorreram em decorrência daquela palavra que a esquerda raramente utiliza em seus círculos refinados: "trabalho".
Em praticamente todos os grupos sociais e étnicos, existem indivíduos que seguem padrões similares para ascenderem da pobreza à prosperidade. Mas o número desses indivíduos em cada grupo faz uma grande diferença para a prosperidade ou a pobreza destes grupos como um todo.
A agenda da esquerda — promover a inveja e o ressentimento ao mesmo tempo em que vocifera exigindo ter "direitos" sobre o que outras pessoas produziram — é um padrão que tem se difundido em vários países ao redor do mundo.
Esta agenda raramente teve êxito em retirar os pobres da pobreza. O que ela de fato logrou foi elevar a esquerda a cargos de poder e a posições de autoexaltação — ao mesmo tempo em que promovem políticas com resultados socialmente contraproducentes.
A arrogância
É difícil encontrar um esquerdista que ainda não tenha inventado uma nova "solução" para os "problemas" da sociedade. Com frequência, tem-se a impressão de que existem mais soluções do que problemas. A realidade, no entanto, é que vários dos problemas de hoje são resultado das soluções de ontem.
No cerne da visão de mundo da esquerda jaz a tácita presunção de que pessoas imbuídas de elevados ideais e princípios morais — como os esquerdistas — sabem como tomar decisões para outras pessoas de forma melhor e mais eficaz do que estas próprias pessoas.
Esta presunção arbitrária e infundada pode ser encontrada em praticamente todas as políticas e regulamentações criadas ao longo dos anos, desde renovação urbana até serviços de saúde. Pessoas que nunca gerenciaram nem sequer uma pequena farmácia — muito menos um hospital — saem por aí jubilosamente prescrevendo regras sobre como deve funcionar o sistema de saúde, impondo arbitrariamente seus caprichos e especificidades a médicos, hospitais, empresas farmacêuticas e planos de saúde.
Uma das várias cruzadas internacionais empreendidas por intrometidos de esquerda é a tentativa de limitar as horas de trabalho de pessoas de outros países — especialmente países pobres — em empresas operadas por corporações multinacionais. Um grupo de monitoramento internacional se autoatribuiu a tarefa de garantir que as pessoas na China não trabalhem mais do que as legalmente determinadas 49 horas por semana.
Por que grupos de monitoramento internacional, liderados por americanos e europeus abastados, imaginam ser capazes de saber o que é melhor para pessoas que são muito mais pobres do que eles, e que possuem muito menos opções, é um daqueles insondáveis mistérios que permeiam a intelligentsia.
Na condição de alguém que saiu de casa aos 17 anos de idade, sem ter se formado no colégio, sem experiência no mercado de trabalho, e sem habilidades específicas, passei vários anos de minha vida aprendendo da maneira mais difícil o que realmente é a pobreza. Um dos momentos mais felizes durante aqueles anos ocorreu durante um breve período em que trabalhei 60 horas por semana — 40 horas entregando telegramas durante o dia e 20 horas trabalhando meio período em uma oficina de usinagem à noite.
Por que eu estava feliz? Porque antes de encontrar estes dois empregos eu havia gasto semanas procurando desesperadamente qualquer emprego. Minha escassa poupança já havia evaporado e chegado literalmente ao meu último dólar quando finalmente encontrei o emprego de meio período à noite em uma oficina de usinagem.
Passei vários dias tendo de caminhar vários quilômetros da pensão em que morava no Harlem até a oficina de usinagem, que ficava imediatamente abaixo da Ponte do Brooklyn, e tudo para poupar este último dólar para poder comprar pão até finalmente chegar o dia de receber meu primeiro salário.
Quando então encontrei um emprego de período integral — entregar telegramas durante o dia —, o salário somado dos dois empregos era mais do que tudo que eu já havia ganhado antes. Foi só então que pude pagar a pensão, comer e utilizar o metrô para ir ao trabalho e voltar.
Além de tudo isso, ainda conseguia poupar um pouco para eventuais momentos difíceis. Ter me tornado capaz de fazer isso era, para mim, o mais próximo do nirvana a que já havia chegado. Para a minha sorte, naquela época não havia nenhum intrometido de esquerda querendo me impedir de trabalhar mais horas do que eu gostaria.
Havia um salário mínimo, mas, como o valor deste havia sido estipulado em 1938, e estávamos em 1949, seu valor já havia se tornado insignificante em decorrência da inflação. Por causa desta ausência de um salário mínimo efetivo, o desemprego entre adolescentes negros no ano de 1949, que foi um ano de recessão, era apenas uma fração do que viria a ser até mesmo durante os anos mais prósperos desde a década de 1960 até hoje.
À medida que os moralmente ungidos passaram a elevar o salário mínimo, a partir da década de 1950, o desemprego entre os adolescentes negros disparou. Hoje, já estamos tão acostumados a taxas tragicamente altas de desemprego neste grupo, que várias pessoas não fazem a mais mínima ideia de que as coisas nem sempre foram assim — e muito menos que foram as políticas da esquerda intrometida que geraram tais consequências catastróficas.
Não sei o que teria sido de mim caso tais políticas já estivessem em efeito em 1949 e houvessem me impedido de encontrar um emprego antes de meu último dólar ser gasto.
Minha experiência pessoal é apenas um pequeno exemplo do que ocorre quando suas opções são bastante limitadas. Os prósperos intrometidos da esquerda estão constantemente promovendo políticas — como encargos sociais e trabalhistas — que reduzem ainda mais as poucas opções existentes para os pobres. Quando não reduzem empregos, tais políticas afetam sobremaneira seus salários.
Parece que simplesmente não ocorre aos intrometidos que as corporações multinacionais estão expandindo as opções para os pobres dos países do terceiro mundo, ao passo que as políticas defendidas pela esquerda estão reduzindo suas opções.
Os salários pagos pelas multinacionais nos países pobres normalmente são muito mais altos do que os salários pagos pelos empregadores locais. Ademais, a experiência que os empregados ganham ao trabalhar em empresas modernas transforma-os em mão-de-obra mais valiosa, e fez com que na China, por exemplo, os salários passassem a subir a porcentagens de dois dígitos anualmente.
Nada é mais fácil para pessoas diplomadas do que imaginar que elas sabem mais do que os pobres sobre o que é melhor para eles próprios. Porém, como alguém certa vez disse, "um tolo pode vestir seu casaco com mais facilidade do que se pedisse a ajuda de um homem sábio para fazer isso por ele".
Thomas Sowell , um dos mais influentes economistas americanos, é membro sênior da Hoover Institution da Universidade de Stanford. Seu website: www.tsowell.com.
O DESPERDÍCIO NOSSO DE CADA DIA - 19/01/2016
A folhinha nos oferece o custo médio do Estado brasileiro por mês (R$ 223 bilhões ), e por dia (R$ 7,3 bilhões). O cronômetro, por hora (R$ 306 milhões)
A astronomia desconhece unidades de medidas cotidianas, como metro e quilômetro. Tudo é, no mínimo, bilhão. São 5,9 bilhões de quilômetros da Terra a Plutão, e 263 bilhões da Terra ao centro da Via Láctea. Assimilá-las não é trivial. Acontece o mesmo com as despesas do Estado, listadas em bilhão, dezenas de bilhão, centenas de bilhão de reais, tudo astronômico e desafiador como as distâncias cósmicas. Em 2015, as pastas da Educação e da Saúde receberam dotação de mais de R$ 100 bilhões cada uma. Ainda assim, faltou dinheiro. O gasto com o pagamento dos servidores federais superou os R$ 280 bilhões. A Previdência custou mais de meio trilhão. O Orçamento Geral da União foi de R$ 2,68 trilhões de reais. Números siderais, com tantos zeros, são alcançados pelas calculadoras. Mas deixam as pessoas um pouco confusas. Uma forma de trazer o debate a um patamar mais terreno é realizar os cálculos com apoio do calendário (a boa e velha folhinha) e do cronômetro. Pode parecer estranho, mas faz sentido. Acompanhe.
A folhinha nos oferece o custo médio do Estado brasileiro por mês (R$ 223 bilhões ), e por dia (R$ 7,3 bilhões). O cronômetro, por hora (R$ 306 milhões) e por minuto (R$ 5 milhões). Com estes novos fatiamentos, podemos executar cálculos mais palpáveis. Para melhorar o saneamento, por exemplo, um dos grandes flagelos nacionais, o Estado reserva, por ano, apenas nove horas das despesas globais. O Congresso Nacional custa, anualmente, um dia e seis horas de orçamento. O Bolsa Família, três dias e 19 horas. O Ministério da Defesa, 11 dias, Saúde e a Educação, cerca de 15 dias cada.
Além de dimensionar as despesas no tempo, o método revela que certas economias apresentadas pelas autoridades como fruto de um admirável esforço fiscal são mais modestas do que parecem. Em setembro do ano passado, o Ministério do Planejamento divulgou um pacote de cortes que incluía extinção de ministérios, eliminação de cargos de confiança e reduções variadas de gastos administrativos. Total da economia do pacote: R$ 2 bilhões no ano. Pelo cronômetro, o Estado comprometeu-se a enxugar seis horas e 34 minutos do bolo anual. Pouco, já que o ano tem 8.760 horas. No caso de 2016, bissexto, 24 horas a mais.
O Orçamento de 2015, que deveria apresentar superávit, fechou com déficit de R$ 118,6 bilhões. Zerá-lo significaria um esforço fiscal semelhante a 16 dias da despesa anual. Equivaleria a cortar, em cada mês, um dia e oito horas de custos. Mas as autoridades não conseguiram, e isso nos rendeu a perda do grau de investimento. A folhinha e o cronômetro escancaram o tipo de país que estamos construindo. Em 2015, o Estado reservou aos investimentos, base para o futuro, apenas dez dias de recursos — e executou cinco. Investimento é infraestrutura. São obras necessárias para tornar o país socialmente mais justo e economicamente mais competitivo. Já as despesas referentes aos compromissos assumidos no passado consomem quase cinco meses do Orçamento. São dois meses e sete dias do ano para os serviços da dívida pública e outros dois meses e 12 dias para o pagamento da Previdência.
Como o Brasil vai progredir destinando cinco dias do ano ao futuro e quase cinco meses ao passado? Parar de pagar a dívida não é opção, mas conter seu avanço vertiginoso, uma obrigação. O mesmo vale para a Previdência, um sistema que só para em pé se guiado pela lógica atuarial, não por conceitos subjetivos e discutíveis de justiça. Se o método do cronômetro e da folhinha não ajudar os governantes a compreender o tamanho do desafio, restará o método da moedinha. Cara, o Brasil vira um país insignificante; coroa, ele quebra.
* Eduardo Oinegue é jornalista
NOTAS DE UMA CÚMPLICE - 16/01/2016
(Publicado originalmente por Carlos I.S. Azambuja em www.alertatotal.net)
Despedimo-nos dos tempos soviéticos. Dessa nossa vida. Tentarei escutar honestamente todos os participantes do drama socialista.
O comunismo tinha um plano louco — transformar o homem "antigo", o vetusto Adão. E isso foi conseguido; foi talvez a única coisa que se conseguiu. Em pouco mais de setenta anos, no laboratório do marxismo-leninismo criou-se um tipo humano especial — oHomo Sovieticus. Há quem considere que esse é um personagem trágico; outros chamam-no de sovok¹. Eu acho que conheço esse homem, que o conheço muito bem, estou ao lado dele, vivi muitos anos ombro a ombro com ele. Ele sou eu. São os meus conhecidos, os meus amigos, os meus progenitores. Durante alguns anos viajei por toda a anterior União Soviética, porque o Homo Sovieticus não são apenas os Russos, são também os Bielorrussos, os Turcomanos, os Ucranianos, os Cazaques... Agora vivemos em Estados distintos, falamos línguas diferentes, mas somos inconfundíveis.
Imediatamente reconhecíveis! Todos nós, gente do socialismo, somos parecidos com as outras pessoas e diferentes delas — temos o nosso dicionário, a nossa compreensão do bem e do mal, dos heróis e dos mártires. Temos uma relação especial com a morte. Nas histórias que eu escrevo, há palavras que ferem constantemente o ouvido: "disparar", "fuzilar", "liquidar", "pôr em circulação" ou variantes soviéticas de "desaparecimento" como: "detenção", "dez anos sem direito de correspondência", "emigração".
Quanto pode valer uma vida humana, se nos lembramos de que ainda há pouco morreram milhões? Estamos cheios de ódio e de preconceitos. Tudo vem de lá, de onde havia o GULAG² e a guerra medonha. Coletivização, deskulakização, deslocação das populações.
Isto era o socialismo e era simplesmente a nossa vida. Nesse tempo pouco falávamos dela. Mas agora, que o mundo mudou irrevogavelmente, essa nossa vida tornou-se interessante para todos —não importa como ela fosse, era a nossa vida. Escrevo, procuro nos grãozinhos, nas migalhas da história do socialismo "doméstico" "interior". A maneira como ele vivia na alma humana. Atrai-me sempre esse pequeno espaço — a pessoa, uma pessoa. Na verdade, é aí que tudo acontece.
Porque é que há no livro tantos relatos de suicídios, e não dos soviéticos comuns, com biografias soviéticas comuns? Afinal de contas as pessoas também se suicidam por amor, por velhice, sem mais nem menos, por interesse, pelo desejo de descobrir o segredo da morte... Procurei aqueles em quem cresceu firmemente a idéia, que a interiorizaram de um modo impossível de erradicar — o Estado tornou-se o seu cosmos, substituiu tudo, até a sua própria vida. Não conseguiam sair da grande história, despedir-se dela, ser felizes de outro modo. Mergulhar... Perder-se na existência privada, como acontece atualmente, em que o pequeno se tornou grande. O homem quer apenas viver, sem uma grande idéia. Isso nunca aconteceu na vida russa, nem a literatura russa conhece isso. Em geral nós somos gente guerreira.
Ou combatíamos, ou preparávamo-nos para a guerra. Nunca vivemos de outro modo. Daí a psicologia militar. E mesmo na vida de paz tudo acontecia de um modo militar. Soava o tambor, soltavam-se as bandeiras o coração saltava do peito, o homem não notava a sua escravidão, até gostava dela. Também eu me lembro: depois da escola, toda a classe se reunia para ir para as terras virgens, desprezávamos aqueles que se recusavam, lamentávamos até às lágrimas que a revolução, a guerra civil — tudo acontecesse sem a nossa participação. Olhamos para trás: será possível que fôssemos nós? Que fosse eu? E recordei tudo isso juntamente com os meus heróis. Um deles disse: "Só o homem soviético pode compreender o homem soviético". Éramos pessoas que só tínhamos memória comunista. Vizinhos pela memória.
O meu pai recordava que pessoalmente passou a acreditar no comunismo depois do vôo de Gagárin. Somos os primeiros! Podemos fazer tudo! Era assim que ele e a minha mãe nos educavam. Eu fui outubrista³, usava o emblema com o menino de cabelos frisados, fui pioneira, komsomolka. A desilusão veio mais tarde.
Depois da perestroika esperávamos que abrissem os arquivos. Abriram-os. Ficamos sabendo a história que escondiam de nós.
"Devemos atrair para nós noventa ou cem milhões que povoam a Rússia Soviética. Com os restantes não devemos falar — é preciso , exterminá-los" (Zinóviev, 1918).
"Enforcar (sem falta, enforcar, para que o povo veja) não menos de mil kulaks presos, que enriquecem, e tirar-lhe todos os cereais, designar reféns... De tal modo que a cem quilômetros em redor o povo veja e trema" (Lênin, 1918).
"Moscou está literalmente a morrer de fome" (professor Kuznetsov para Trotski). "Isso não é fome. Quando Tito ocupou Jerusalém, as mães judias comiam os seus filhos. Quando eu forçar as vossas mães a comerem os seus filhos, então pode vir ter comigo e dizer: 'Temos fome'" (Trotski, 1919).
As pessoas liam os jornais e as revistas e calavam-se. Sobre elas caiu um horror insuportável! Como viver com isto? Muitos receberam a verdade como uma inimiga. E a liberdade também. "Não conhecemos o nosso país. Não sabemos em que pensa a maioria das pessoas, vemo-las, encontramo-las todos os dias, mas não sabemos em que pensam, nem o que querem. Mas temos a ousadia de lhes ensinar. Depressa saberemos tudo, e ficaremos horrorizados", dizia um conhecido meu, com quem muitas vezes me sentava a conversar na minha cozinha. Eu discutia com ele. Isto acontecia em 1991... Tempo feliz! Acreditávamos que no dia seguinte, literalmente amanhã, começaria a liberdade. Começaria do nada, dos nossos desejos.
Dos Cadernos de Apontamentos de Chalámov: "Participei de uma grande batalha perdida por uma verdadeira atualização da vida". Isto foi escrito por um homem que passou 17 anos de detenção nos campos stalinistas.
A nostalgia do ideal manteve-se... Eu dividiria as pessoas soviéticas em quatro gerações: stalinista, khruschovista, brejnevista e gorbatchovista. Pessoalmente, pertenço à última. Para nós era mais fácil aceitar o colapso da idéia comunista, porque não vivemos no tempo em que a idéia era jovem, forte, sem a perdida magia do romantismo fatal e das esperanças utópicas. Crescemos no tempo dos velhos do Kremlin. Nos magros tempos vegetarianos. O grande sangue do comunismo já estava esquecido. O entusiasmo continuava os seus desmandos, mas conservava-se o conhecimento de que não era possível aplicar a utopia na vida.
Isto aconteceu durante a Primeira Guerra da Chechênia... Conheci em Moscou, numa estação de caminho de ferro, uma mulher que era das proximidades de Tambov e estava de partida para a Chechênia, com o objetivo de tirar o filho da guerra: "Não quero que ele morra. Não quero que ele mate." O Estado já não dominava a alma dela. Era uma pessoa livre. Eram poucas as pessoas assim. A maioria eram aqueles a quem a liberdade irritava: "Comprei quatro jornais e cada um deles tem a sua verdade. Onde está então a verdade? Dantes líamos de manhã o jornal Pravda e sabíamos tudo. Compreendíamos tudo." As idéias saíam lentamente de sob a narcose. Se eu iniciava uma conversa acerca do arrependimento, ouvia em resposta:
"De que devo eu arrepender-me?" Cada qual se considerava vítima, mas não participante. Um dizia: "Eu também estive preso." O segundo dizia: "Eu combati." E um terceiro: "Levantei a minha cidade das ruínas, acartava tijolos dia e noite". Isto era completamente inesperado: todos bêbados de liberdade, mas não preparados para a liberdade. E onde estava ela, a liberdade? Só na cozinha, onde por hábito continuavam a criticar o Poder. Criticavam Yeltsin e Gorbatchov. Yeltsin porque traíra a Rússia. E Gorbatchov? Gorbatchov porque traíra tudo. Todo o Século 20. E agora, o nosso país será igual aos outros. Será como todos. Pensavam que desta vez se conseguiria.
A Rússia mudara e odiava-se a si mesma por ter mudado. "O Mongol imóvel", escreveu Marx acerca da Rússia.
Civilização soviética... Apresso-me a registrar os seus vestígios. As caras conhecidas. Interrogo não acerca do socialismo, mas acerca do amor, do ciúme, da infância, da velhice. Sobre a música, as danças, os penteados. Sobre os mil pormenores da vida que desaparecia. Este é o único meio de dirigir a catástrofe para o quadro do habitual e tentar contar alguma coisa. Adivinhar alguma coisa. Não paro de me espantar com a maneira como a vida humana comum é interessante. Com a interminável quantidade das verdades humanas.
A história interessa-se apenas pelos fatos, e as emoções ficam fora de bordo. Não é costume admití-las na história. Mas eu olho para o mundo com os olhos de uma humanista e não de uma historiadora. Fico surpreendida com a pessoa...
O meu pai já não é deste mundo. E eu não posso terminar uma das nossas conversas... Dizia que morrer na guerra era mais fácil para ele do que para os rapazes que agora morrem na Chechênia. Nos anos 1940, iam de um inferno para outro inferno. Antes da guerra, o meu pai estudou em Minsk, no Instituto de Jornalismo. Lembrava-se de que quando voltavam das férias, muitas vezes já não encontravam um único professor conhecido, estavam todos presos. Eles não compreendiam o que se passava, mas era horrível. Horrível, como na guerra.
Tive poucas conversas francas com o meu pai. Ele tinha pena de mim. E eu, tinha pena dele? Tenho dificuldade em responder a esta pergunta... Éramos implacáveis com os nossos pais. Parecia-nos que a liberdade era uma coisa muito simples. Passou algum tempo, e nós próprios nos curvamos sob o peso dela, porque ninguém nos ensinou a liberdade. Ensinaram-nos apenas como morrer pela liberdade.
Ei-la, a liberdade! É como a esperávamos? Estávamos prontos para morrer pelos nossos ideais, para combater na batalha. Mas começou uma vida . Sem história. Ruíram todos os valores, menos o valor da vida. Da vida em geral. Novos sonhos: construir uma casa, comprar um bom carro, plantar uma groselheira... A liberdade revelou-se a reabilitação da pequena burguesia, habitualmente maltratada na vida russa. Liberdade de Sua Majestade o Consumo. Majestade das trevas. Trevas dos desejos, dos instintos — da vida humana oculta, da qual fazíamos uma idéia aproximada. A toda a história sobrevivemos, mas não vivemos.
E agora a experiência militar já não era necessária, era preciso esquecê-la. Milhares de novas emoções, estados, reações De súbito tudo em redor como que se tornou diferente: as tabuletas, as coisas, o dinheiro, a bandeira E até o próprio homem. Tornou-se mais colorido, solto, explodiram o monólito, e a vida espalhou-se em ilhas, átomos, células. Como em Dalh: liberdade-vontade, liberdadezinha ampla vastidão. O grande mal tornou-se uma lenda distante, um romance de suspense político. Já ninguém falava de idéias, falavam de créditos, de juros, de letras, não ganhavam dinheiro a trabalhar, mas "faziam-no" em "jogadas".
Seria por muito tempo? "A mentira do dinheiro na alma russa impoluta", escreveu Marina Tsvetáeva. Mas parece que os heróis de Ostrovski e de Saltikov-Schedrin ganharam vida e se passeiam pelas nossas ruas.
A todas as pessoas com quem me encontrei, perguntava: "O que é a liberdade?" Pais e filhos respondiam de modos diferentes. Aqueles que nasceram na URSS e os que já não nasceram na URSS têm experiências distintas. São pessoas de planetas diferentes.
Os pais: a liberdade é a ausência de medo; três dias em agosto, quando vencemos o golpe; uma pessoa que escolhe numa loja entre cem variedades de salame é mais livre do que a pessoa que escolhe entre dez variedades; não ser espancado, mas nunca chegaremos às gerações não espancadas; o homem russo não compreende a liberdade, precisa do cossaco e do látego.
Os filhos: a liberdade é o amor; a liberdade interior, um valor absoluto; quando não temos medo dos nossos desejos; ter muito dinheiro, e nesse caso teremos tudo; quando se pode viver de tal maneira que não se pensa na liberdade. A liberdade é o normal.
Procuro uma linguagem. O homem tem muitas linguagens: a linguagem que usa com os filhos, e mais uma, a do amor Há ainda a linguagem a que recorremos quando falamos conosco mesmos, quando travamos diálogos interiores. Na rua, no trabalho, nas viagens — por todo o lado se ouve qualquer coisa diferente, mudam não apenas as palavras, mas qualquer coisa mais. Uma pessoa até de manhã e à tarde fala de modos diferentes. E aquilo que acontece durante a noite entre duas pessoas desaparece por completo da história. Tratamos apenas da história do homem diurno. O suicídio é um tema noturno, a pessoa encontra-se no limite da existência e da não existência. Do sono.
Quero entender isto com a precisão da pessoa diurna.
Disseram-me: "Não tem medo de que isso lhe agrade?"
Seguimos pela estrada de Smolensk. Paramos numa aldeia ao lado de uma loja. Uns conhecidos (eu própria cresci nesta aldeia), uns rostos bonitos, bondosos, e em redor uma vida humilhante, pobre. Conversamos acerca da vida.
"Pergunta-me sobre a liberdade? Entre na nossa loja: vodca, há toda a que se queira: Standart, Gorbatchov Putinka, salame à farta, e queijo, e peixe. Até há bananas. De que outra liberdade precisa? Esta para nós é suficiente." "E deram-lhes terra?" "Quem é que vai mourejar nela? Se a queres, toma-a. Aqui só o Vaska Krutoi aceitou. O filho mais novo tem oito anos e anda atrás do arado ao lado do pai. Se fores trabalhar para ele, não penses em juntar algum dinheiro, ele nem dorme. É um fascista!"
Na "Lenda do Grande Inquisidor" de Dostoiévski há uma discussão sobre a liberdade. Diz-se que o caminho da liberdade é difícil, sofrido, trágico "Para que conhecer esse diabo desse bem e desse mal, se isso custa tanto?" O homem tem sempre que escolher: a liberdade ou o bem-estar e a organização da sua vida, a liberdade com sofrimento ou a felicidade sem liberdade. E a maioria das pessoas segue por esse segundo caminho.
O Grande Inquisidor diz a Cristo, que voltou à Terra:
"Porque vieste cá incomodar-nos? Porque tu vieste incomodar-nos e sabes isso muito bem".
"Ao respeitá-lo [ao homem], tu procedeste como se tivesses deixado de sentir compaixão por ele, porque exigiste demasiado dele Ao respeitá-lo menos, exigias-lhe menos, e isso estaria mais perto do amor, pois o fardo dele seria mais leve. Ele é fraco e vil Que culpa tem a alma fraca, se é incapaz de juntar em si tão terríveis dons?"
"Não há preocupação mais constante e torturante para o homem do que, ao ficar livre, procurar depressa alguém diante de quem se inclinar a quem transmitir depressa o dom da liberdade com que esse ser infeliz nasce".
Nos anos 1990 sim, éramos felizes, e essa nossa ingenuidade já nunca mais volta. Parecia-nos que a escolha estava feita, que o comunismo tinha perdido sem apelo. Mas tudo estava apenas a começar.
Passaram-se vinte anos... "Não nos assustem com o socialismo", dizem os filhos aos pais.
De uma conversa com um professor universitário meu conhecido:
"No final dos anos noventa os estudantes riam-se quando eu recordava a União Soviética; estavam confiantes de que à sua frente se abria um novo futuro. Agora o quadro é diferente Os estudantes de hoje já descobriram, já sentiram o que é o capitalismo — a desigualdade, a pobreza, a riqueza descarada, têm diante dos olhos a vida dos pais para quem nada restou do país saqueado. Sonham com a sua revolução. Usam camisolas vermelhas com retratos de Lênin e de 'Che' Guevara."
Cresceu na sociedade o interesse pela União Soviética. Pelo culto de Stálin. Metade dos jovens dos 19 aos 30 anos consideram Stálin "o maior dirigente político". Num país em que Stálin liquidou tantas pessoas como Hitler, um novo culto de Stálin?! Tudo o que é soviético está outra vez na moda. Por exemplo, os cafés "soviéticos" — com nomes soviéticos e pratos soviéticos. Surgiram os bombons "soviéticos" e o salame "soviético" — com o cheiro e o sabor nossos conhecidos desde a infância. E, é claro, a vodca "soviética". Na televisão há dezenas de transmissões e na Internet dezenas de sites nostálgicos "soviéticos".
Podem fazer-se visitas turísticas aos campos stalinistas — em Solovka, em Magadan. O anúncio promete que para mais completa sensação fornecem um fato do campo e uma picareta. Mostram os barracões restaurados. E no final organizam uma pescaria.
Renascem idéias antiquadas: sobre o Grande Império, sobre a "mão de ferro", "sobre a via russa especial" Reapareceu o hino soviético, há o Komsomol, mas chama-se simplesmente "Nachi" (os "Nossos"), há o partido do Poder, que copia o Partido Comunista. O presidente tem um poder como o do secretário-geral. Absoluto. Em vez do marxismo-leninismo, a religião ortodoxa.
Antes da revolução de 1917, Aleksandr Grin escreveu: "E o futuro parece ter deixado de estar no seu lugar." Passaram cem anos, e de novo o futuro não está no seu lugar. Chegou um tempo em segunda mão. A barricada é um lugar perigoso para um artista. Uma armadilha. Ali estraga-se a vista, obscurece a íris, o mundo perde a cor. Na barricada, o mundo é preto e branco. Dali já não se distingue o homem, vê-se apenas um ponto negro — um alvo. Passei toda a vida nas barricadas e queria sair delas. Aprender a alegrar-me com a vida. Recuperar a visão normal. Mas dezenas de milhares de pessoas saem de novo para as ruas. Dão-se as mãos, trazem fitas brancas nos blusões, símbolo do renascimento. Há cor. E eu estou com elas.
Encontrei nas ruas jovens com a foice e o martelo e o retrato de Lênin nas camisolas. Saberão eles o que é o comunismo?
1 Designação depreciativa do regime soviético e de tudo o que com ele se relaciona. (N. do T.)
2 Ou simplesmente Gulag. Acrónimo da designação russa: Glavnoe Upravlénie Ispravi- telno-trudovikh Laguerei (Direção Central dos Campos de Trabalho Correcional). 3 Outubrista: primeira forma de organização das crianças, que a seguir entravam para os pioneiros e mais tarde para o Komsomol, a juventude comunista.
ESTADOS UNIDOS E ISLÃ: PEQUENA AULA DE HISTÓRIA - 15/01/2016
(Conheça a página de Alexandre Borges no Facebook)
A última de Barack Obama foi dizer que os muçulmanos ajudaram a construir os EUA, que a história do país está entrelaçada com a história dos muçulmanos que estavam lá desde o começo.
Pelo jeito, Obama andou pulando algumas aulas de história. Vamos lá:
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- Quando os EUA nasceram, no final do séc. XVIII, havia uma grave crise com os muçulmanos do norte da África. Eram povos oficialmente muçulmanos, que viviam sob as leis do Corão.
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- Estes islâmicos atacavam os navios que passavam pelo Mediterrâneo, incluindo americanos, sequestrando, escravizando e matando ocupantes, além de saquear a carga. Os navios americanos eram normalmente protegidos pela marinha inglesa antes da independência mas depois de 1776 era cada um por si.
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- Os piratas muçulmanos cobravam fortunas como resgate dos reféns e os preços sempre subiam a cada sequestro bem sucedido. Thomas Jefferson se opôs veementemente aos pagamentos mas foi voto vencido, os EUA e as outras nações com navios sequestrados estavam aceitando pagar os resgates e subornar os piratas. O presidente americano era George Washington.
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- Por volta de 1783, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e John Adams vão para a Europa como embaixadores para negociar tratados de paz e cooperação. Os EUA nasceram em 1776 e estavam mergulhados até então na Guerra de Independência. Assim que a situação acalmou, essas três figuras icônicas saem em missão diplomática para representar o país.
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- Em 1786, depois de dois anos de conversas diplomáticas com os islâmicos, Thomas Jefferson e John Adams encontraram com o embaixador dos povos que ficavam na região de Trípoli, na atual Líbia, chamado Sidi Haji Abdul Rahman Adja. Jefferson estava incomodado por conta dos ataques que não acabavam mesmo com todos os esforços de paz e quis saber com que direito os muçulmanos sequestravam e matavam americanos daquele jeito.
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- A resposta que ouviu marcou Jefferson para sempre: "o islã foi fundado nas Leis do Profeta, que estão escritas no Corão, e diz que todas as nações que não aceitarem a sua autoridade são pecadoras, que é direito e dever declarar guerra contra seus cidadãos onde puderem ser encontrados e fazer deles escravos e que todo muçulmano que for morto na batalha irá com certeza para o Paraíso." Jefferson ficou chocado, ele não queria acreditar que uma religião literalmente mandava matar todos os infiéis e que quem morresse na batalha iria para o paraíso.
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- Durante 15 anos, o governo americano pagou os subornos para poder passar com seus navios na região. Foram milhões de dólares, uma quantia que representava 16% de todo orçamento do governo federal. O primeiro presidente do país, George Washington, não queria ter forças armadas permanentes por não ver riscos de ataques ao país, mas os muçulmanos mudaram esta idéia. Os subornos serviriam para evitar a necessidade de ter forças militares mas não estavam funcionando porque os ataques continuavam. Quando John Adams assume, o segundo presidente, as despesas sobem para 20% do orçamento federal.
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- Em 1801, Jefferson se torna o terceiro presidente americano e, mal tinha esquentado a cadeira, recebe uma carta dos piratas aumentando o butim. Ele fica louco e, agora como presidente, diz que não vai pagar nada.
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- Com a recusa de Jefferson, os muçulmanos de Trípoli tomaram conta da embaixada americana e declararam guerra aos EUA. Foi a primeira guerra da América após a independência, a marinha americana foi criada exatamente para esse conflito. As regiões das atuais Tunísia, Marrocos e Argélia se juntaram aos líbios na guerra, o que representava praticamente todo norte da África com exceção do Egito.
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- Jefferson não estava para brincadeira. Mandou seus navios para a região e o conflito durou até 1805, com vitória americana. O presidente americano ainda colocou tropas ocupando no norte da África para manter a situação sob controle.
Thomas Jefferson ficou realmente impressionado com o que aconteceu. Ele era contra guerras e escreveu pessoalmente as leis de liberdade e tolerância religiosa que estão na origem da Constituição americana, mas ele entendeu que o Islã é totalmente diferente, era uma religião imperialista, expansionista e violenta.
Jefferson mandou publicar o Corão em inglês em 1806, lançando a primeira edição americana. Ele queria que seu povo conhecesse o Corão e entendesse aquele pessoal do norte da África que roubava, saqueava e matava, cobrava resgates e que declarou guerra quando os pagamentos cessaram.
Durante 15 anos, um diplomata de Jefferson chegou a dizer, os americanos eram atacados porque não atacavam de volta e eram vistos como fracos. A fraqueza americana foi um convite para os muçulmanos daquela época como é para o ISIS hoje. Só houve paz na região quando Jefferson atacou e venceu a guerra, depois ocupando o território. Não tem mágica, é assim que se faz.
Barack Obama quer saber como os muçulmanos estão na história americana? Eles estão como os motivadores da primeira guerra, eles forçaram a criação das forças armadas que nem existiam e fazem parte até do hino dos marines que começa com "From the Halls of Montezuma / To the shores of Tripoli".
30 de novembro de 2015
* Publicitário e diretor do Instituto Liberal.
AVALANCHE DE MELADO - 13/01/2016
Nos noticiários as TVs apresentam amenidades, acidentes, notícias do exterior, poucas notas políticas. Tudo repetido à exaustão. O Brasil de férias quase não toma conhecimento dos recorrentes assaltos à coisa pública, que vão sendo descortinados por delatores loucos para salvar a pele. Eles vendaram a alma ao "diabo" do PT e agora estão pagando com juros e correção monetária.
Enquanto isto o melado com o qual o PT se lambuzou continua a percorrer distâncias e vai envolvendo figuras do alto escalão governamental. Parece a lama sinistra que se abateu sobre o distrito de Mariana soterrando tudo, matando gente, invadindo lonjuras, contaminando rios, confiscando o azul dos mares. Foi a maior catástrofe ambiental já havida no País, assim como a avalanche de melado da corrupção da era PT não tem comparação com as roubalheiras do passado, tal seu grau de institucionalização e volume.
Interessante é que o autor da frase, "o PT se lambuzou", ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, agora se encontra lambuzado, sendo que outros ministros comeram também bastante do melado. Pelo menos é o que se lê no O Estado de S. Paulo, de 8 de janeiro de 2016:
"Lava Jato – Além de Jaques Wagner, Edinho Silva (Comunicação) e Henrique Alves (Turismo) são citados em diálogos do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, condenado a 16 anos de prisão".
Também é mencionado no respectivo jornal o atual presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. Ao mesmo tempo, o notório Cerveró, ex-diretor da Petrobras, menciona Jaques Wagner em algumas grossas, como diria Lula da Silva, maracutaias.
Nada acontece com o presidente de fato, que depôs pela quarta vez na Polícia Federal sobre uma generosa medida provisória que beneficiou um de seus filhos. E enquanto seus outrora "amigos íntimos", aqueles que privaram de sua intimidade, que festejaram juntos em magníficos banquetes, que se divertiram com Brahma em suntuosas viagens estão vendo o sol nascer quadrado, "o pobre operário" segue indiferente à desdita dos companheiros de partido e "das zelites". Não sei se esse traço de personalidade é próprio da humanidade como um todo ou mais acentuado em certos indivíduos sem caráter.
Em todo caso, o espertíssimo ex-presidente da República, grande beneficiado da locupletação geral não sabe de nada, não viu nada e, se duvidar, não conhece nenhum imbecil que caiu na esparrela, conforme taxou o senador petista e ora detento, Delcídio Amaral.
Lula da Silva foge dos "imbecis" como o diabo da cruz. Eles podem contaminar seu projeto de poder. Afogá-lo no pote de melado. No momento vislumbra-se apenas um fiozinho de melado a lhe escorrer pela barba. Foi posto por Cerveró que o mencionou quase que de passagem, a lembrar de que até a sorte acaba um dia nesse mundo de finitudes. Nada, porém, de previsões açodadas porque Brahma ou Boi até agora escapou. Ele conta com proteções internas e possivelmente externas, como as do Foro de São Paulo.
Há de se convir que o PT ainda detém força suficiente para evitar males piores. Exemplo disto foi o anteparo do STF que evitou por duas vezes o impeachment de Rousseff, com evidente e indevida intromissão no Legislativo. Ela ficará por mais três anos sem nenhuma condição de governabilidade, fazendo discursos que são peças de propaganda enganosa a se desmanchar na primeira ida das donas de casa ao supermercado. Enquanto isso o País afundará cada vez mais na recessão e na sua insignificância de potência regional sul-americana, a ser suplantada pela Argentina sob a presidência de Mauricio Macri.
Seguem-se outros exemplos do poder petista, como aqueles que tentam torpedear a extraordinária e inédita Operação Lava-Jato. É o caso do chamado desmonte da PF através do corte de R$ 133 milhões no seu orçamento. Foi votado no Congresso, mas tem evidente dedo do Executivo. Outro exemplo foi o da medida provisória assinada por Rousseff, que altera as bases da Lei Anticorrupção. Desse modo, se aprovada no Congresso empresas corruptas poderão fazer acordos de leniência com a CGU sem precisar colaborar com as investigações nem prestar contas ao TCU. Também poderão fechar contratos com o governo e receber verbas públicas. Não faltam também investidas do ministério da Justiça contra o competente e ilibado juiz Sérgio Moro.
Sem dúvida, o PT resiste diante do mar de melado que o submerge. Seu grande teste, porém, será nas eleições municipais desse ano. Se o povo achar que são lícitas as doçuras corruptas do poder, enquanto amarga a inflação, o desemprego, a inadimplência, ótimo para os petistas. Se não Lula terá, em 2018, que pensar em outro plano B.
No passado escolheu José Dirceu, depois Antonio Palocci e deu no que deu. Agora Jaques Wagner era (ou é?) o plano B, mas comeu muito melado. Dilma, a "faxineira", vai mantê-lo no cargo? Certamente, mas nem tomando banho de ervas e sal grosso, Jaques Wagner, codinome compositor, se livrará do melado.
* Socióloga.
Ó AS IDEIA, Ó AS IDEIA! - 09/01/2016
(Publicado originalmente em http://www.gazetadopovo.com.br)
Perdoem-me os leitores por escolher um título tão ao gosto dos paulofreirianos. Sim, eu sei que não é elegante estropiar o verbo e muito menos utilizar um substantivo no singular depois do artigo definido “as”. Acontece que não consigo fazer outro comentário diante da ideologia esquerdista predominante nas universidades, na mídia nacional e, lamento dizer, em amplos setores da própria Igreja Católica. Tudo que eu consigo fazer, tantas vezes, é pôr as mãos no rosto e dizer baixinho: “Ó as ideia”.
Dos mais velhos eu já desisti, mas devo confessar que ainda acompanho com apreensão o percurso de alguns jovens seduzidos pela militância esquerdista, incapazes de ver o estrago que a ideologia poderá fazer em suas vidas pessoais e na vida do país como um todo. Nesta semana, por exemplo, li o comentário de um destes jovens face ao desemprego causado pela política econômica do Partido dos Trabalhadores. O referido jovem milita em um partido nanico à esquerda de qualquer vestígio de lucidez, mas eu ainda alimentava alguma esperança quanto a ele. Esperança desfeita quando ele afirmou, ao comentar a demissão de colegas: “Os burgueses são descartáveis, nós não”.
Quer dizer: se você pertence à classe proprietária dos meios de produção, mesmo que esse meio de produção seja uma banquinha de sanduíches no centro da cidade, você pode perder sua renda, sua família, sua liberdade e até sua vida – que esse jovem e os companheiros de seu partido não darão a mínima. É assim que o Brasil está indo para o abismo enquanto eles gritam para redobrar os esforços que o levaram até lá. Não vê que o empresário é a solução, não o problema, criatura?
Existe um momento em que o esquerdista deixa de ser um bocó para se tornar um canalha. Com o coração nas mãos, tenho visto muitos jovens cruzando esse limiar nos últimos anos. O totalitarismo faz sempre o mesmo com seus entusiastas: depois que você cruzou determinado ponto, perde a categoria de idiota útil para ganhar a de cúmplice. É o preço cobrado por uma ideologia cuja essência é a mentira e a corrupção. Foi basicamente isso que permitiu a morte de 100 milhões de pessoas ao longo do último século. Foi basicamente isso que permitiu ao PT destruir a economia brasileira.
Costumo dizer, parafraseando Churchill, que há militantes esquerdistas honestos e inteligentes: o problema é que os honestos não são inteligentes e os inteligentes não são honestos. Chega um tempo em que a mínima dose de honestidade intelectual para manter uma pessoa viva sobre duas pernas faz o bobo se transformar em pulha. Se existe algum líder da organização criminosa que alguma vez esteve ao lado dos bocós, já cruzou essa fronteira há muitos anos. Pessoalmente acredito que os graúdos sempre souberam o que faziam.
Tempos atrás, muitos amigos ficaram assustados com as citações sanguinárias de um poema de Bertolt Brecht por um professor esquerdista e ex-candidato presidencial de um desses partidos nanicos. Eu não me assustei e não me surpreendi nem um pouco. Brecht, um pulha talentoso, vivia pregando a morte de seus adversários. Minha citação preferida de Brecht é uma fala da peça didática A medida punitiva: “Quem luta pelo comunismo tem de poder lutar e não lutar; dizer a verdade e não dizer a verdade; prestar serviços e negar serviços; manter a palavra e não cumprir a palavra; enfrentar o perigo e evitar o perigo; identificar-se e não se identificar. Quem luta pelo comunismo tem, de todas as virtudes, apenas uma: a de lutar pelo comunismo”.
Como é possível construir uma sociedade justa a partir desse relativismo demoníaco? A perversidade, disse o crítico marxista Georg Lukács, não passa de uma “concepção burguesa”. Se é burguesa – como lembrou aquele jovem –, é descartável. “A ética comunista toma como seu dever maior a aceitação da necessidade de agir perversamente”, diz o mesmo Lukács, citado por Roger Scruton no excelente livro Pensadores da nova esquerda. Afinal, como o mesmo Lukács já havia afirmado em seu clássico História e consciência de classe, “não é possível ser humano na sociedade burguesa”. Esses descartáveis burgueses, segundo o autor húngaro, possuem somente a aparência da existência humana. São sombras – e qual o problema em fuzilar uma sombra?
Nada disso seria revelante se personagens como Marx, Lênin, Trotsky, Mao, Brecht, Lukács, Gramsci, Prestes, Che Guevara, Marighella e outros não fossem considerados exemplos de retidão moral e honestidade intelectual em nossos meios acadêmicos e midiáticos. Mas, na atual situação, é necessário dizer com Roger Scruton: “A teoria é espantosa, os pressupostos são falsos e o resultado é abominável”. Ou, em português claro: “Ó as ideia, ó as ideia!”
* Jornalista
SINISTRO CURRÍCULO - 07/01/2016
Quando elaborei meu parecer sobre a improbidade administrativa no governo Dilma, em 26 de janeiro, entendi haver fundamentos para o impeachment por culpa grave. A lei dos crimes contra a responsabilidade administrativa admite a culpa como crime (omissão), assim como há decisões do STJ (Superior Tribunal de Justiça) nessa linha.
Concluí o documento, todavia, dizendo que o julgamento na Câmara e no Senado, se aberto o processo, seria exclusivamente político.
No referido parecer, comentei que, no regime de governo da "responsabilidade a prazo incerto", que é o parlamentarismo, todas as falhas detectadas já teriam permitido o afastamento da presidente sem traumas, pelo voto de desconfiança, e a eleição de um novo condutor, indicado pelo Parlamento.
No regime de "irresponsabilidade a prazo certo", que é o presidencialismo, só o traumático processo de impeachment leva à destituição do primeiro mandatário.
Não há dúvida de que todos os ingredientes do julgamento político estão presentes no curso do pedido de impeachment..
Não cuidarei, neste artigo, dos argumentos jurídicos –violação ao artigo 3º, inciso 3, da Lei do Impeachment (nº 1.079/50) e ao artigo 11 da lei dos crimes contra a probidade da administração (nº 8.429/92)– nem das "pedaladas" violentadoras da Lei de Responsabilidade Fiscal, ou seja, culpa nas primeiras e dolo na segunda. Servem apenas para embasar o julgamento político.
Para este artigo é de se lembrar que a presidente foi alertada por técnicos do Tesouro Nacional de que as "pedaladas" maculariam o diploma legislativo, podendo tirar do Brasil o grau de investimento das agências de "rating", o que, efetivamente, aconteceu. Outros elementos econômicos e políticos foram, também, deletérios e corrosivos.
O governo congelou preços, prejudicando a Petrobras e as produtoras de energia elétrica e etanol, o que terminou por gerar, em 2015, inflação reprimida pela técnica de controle de preços, que desde o Código de Hamurabi, há 3.800 anos, não é bem sucedida. Diocleciano, em 301, no Império Romano, e os planos Cruzado, Bresser e Primavera também fracassaram nisso.
A presidente mentiu, quando da campanha, ao afirmar que as finanças públicas estavam bem, em momento em que já se encontravam corroídas por péssima administração e por empréstimos ilegais junto a bancos oficiais.
O governo gerou uma inflação de dois dígitos. Viu o país rebaixado de grau de investimento para grau especulativo, perdendo os investimentos dos fundos de pensão dos países desenvolvidos. Fez o PIB recuar em 3%, com perspectivas de recuos ainda maiores neste ano.
Cortou o Fies, deixando uma legião de alunos universitários sem financiamento. Elevou os juros para 14,25% (taxa Selic), com o que passou, o governo, a pagar em torno de R$ 500 bilhões por ano para rolar a dívida. Nem por isto segurou a brutal desvalorização do real.
O governo perdeu o diálogo com o Congresso, com empresários, com estudantes e com o povo. Foi desventrada, no seio dele, a maior rede de corrupção de nossa história.
São esses os fatos que serão analisados pelo Congresso, para saber se um governo com tal sinistro currículo pode continuar a dirigir o Brasil por mais três anos.
O Congresso, como caixa de ressonância dos 140 milhões de eleitores brasileiros, deverá decidir, sem desconhecer os fundamentos jurídicos, mas exclusivamente pelo prisma político, se a presidente Dilma poderá continuar a conduzir o governo com a pior performance econômica entre os países americanos, excetuando-se a Venezuela, deste desastrado aprendiz de ditador que é Nicolás Maduro.
FRAUDE NO SUPREMO: BARROSO SE DEFENDE, MAS CONTINUA MENTINDO - 29/12/2015
(Publicado originalmente na tribunadainternet.com.br)
Autor do voto que foi seguido pela maioria dos integrantes do Supremo Tribunal Federal, o ministro Luís Roberto Barroso enfim deu entrevista (somente ao Valor Econômico), para se defender das acusações que políticos e a mídia têm feito de sua postura no julgamento das liminares sobre o rito do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o entendimento da corte 'não mudou uma linha sequer' do processo contra o ex-presidente Fernando Collor de Melo.
"Nós seguimos de ponta a ponta o rito do caso Collor. De modo que a reação de que o Supremo interveio é simplesmente não factual. O voto do relator originário [o ministro Edson Fachin] é que mudava muito o que foi feito no impeachment de Collor. Seguimos o caso Collor da primeira à ultima linha, sem nenhum desvio. Agora o país está dividido, as paixões estão mais exacerbadas e com mais razão nós temos que seguir a jurisprudência e os ritos que já foram adotados, sem mudar nada. É o que nos liberta", afirmou Barroso ao Valor Econômico.
CHAPA AVULSA E VOTO SECRETO
O ministro tentou explicar por que o Supremo derrubou a comissão especial criada na Câmara para analisar o impeachment, a partir de chapa avulsa prevista no Regimento. Disse ele:
"O regimento da Câmara é expresso. Juridicamente funciona assim: o artigo 58, parágrafo 1º da Constituição diz que as comissões permanentes e temporárias serão constituídas na forma do regimento interno. E vem o regimento interno e prevê, de modo expresso, no artigo 33, parágrafo primeiro, que as comissões temporárias são compostas por membros indicados pelos líderes. Textual. A Constituição de 88 diz que é o regimento interno que cuida; o regimento interno diz que são os líderes que indicam".
"O voto para eleição da comissão especial tem que ser aberto, como foi no caso Collor, e indicação dos líderes [para integrar a comissão especial], como foi no caso Collor. Então nós seguimos de ponta a ponta o rito do caso Collor. De modo que a reação de que o Supremo interveio é simplesmente não factual. O voto do relator originário [o ministro do STF Edson Fachin] é que mudava muito o que foi feito no impeachment de Collor", acrescentou Barroso.
ENTENDA AS MENTIRAS DE BARROSO
Para se defender, o ministro Luís Roberto Barroso arranjou uma entrevista tipo vôlei, em que o jornalista apenas levanta a bola para o entrevistado cortar, sem fazer a ele as perguntas mais pertinentes e embaraçosas.
O fato é que Barroso, no julgamento, mentiu nas argumentações de seu voto, conduzindo a erro outros ministros, e agora continua faltando com a verdade ao tentar se defender. Na questão da Comissão Especial, por exemplo, ele adota a tese de que o regimento da Câmara tem de ser obedecido, como determina a Constituição, e por isso os membros da Comissão teriam de ser indicados pelos líderes dos partidos.
Ou seja, citou o Regimento pela metade, esquecido de que, na Câmara, em nome da democracia, não há eleição de chapa única, nem mesmo para escolher o presidente da Casa. Ao contrário, o Regimento determina que pode haver chapa avulsa em qualquer eleição, o que inclui a Comissão Especial do Impeachment. Mas Barroso esqueceu esta parte do Regimento, assim como também esqueceu que a chapa avulsa foi formada pelos líderes dos blocos partidários, que têm mais representatividade do que os líderes dos partidos.
VOTO SECRETO
Neste caso da chapa avulsa, a manipulação do raciocínio de Barroso foi até amena, ao citar apenas as partes do Regimento que lhe interessavam. Mas no caso do voto secreto, por exemplo, ele teve de pegar pesado. Não existe justificativa para seu voto, porque o Regimento determina que toda eleição seja por voto secreto, justamente para evitar pressões indevidas do Executivo, como está ocorrendo agora.
E o que fez Barroso na entrevista-vôlei? Simplesmente, abordou o importante assunto "en passant", dizendo apenas: "O voto para eleição da comissão especial tem que ser aberto, como foi no caso Collor, e indicação dos líderes [para integrar a comissão especial], como foi no caso Collor", disse Barroso, acrescentando: "O voto do relator originário é que mudava muito o que foi feito no impeachment de Collor", insistiu Barroso em culpar Fachin.
Como se vê, para defender seu voto abjeto, Barroso não tem dúvida em criticar o ministro Edson Fachin, que simplesmente votou na forma da lei e não tentou mudar nada no Regimento da Câmara.
E acontece que Barroso mentiu de novo, porque a eleição da Comissão Especial que cassou Collor não foi pelo voto aberto. Na ocasião, não houve interesse em formar chapa avulsa, o voto foi por aclamação. Quer dizer, Barroso falseou a verdade, mais uma vez.
REPÓRTER DISTRAÍDO
Na entrevista-vôlei, o repórter do Valor esqueceu de perguntar por que Barroso omitiu no julgamento a expressão "e nas demais eleições", mudando todo o sentido do Regimento da Câmara. Não perguntou também por que Barroso, que tanto diz conhecer o Regimento da Câmara, não se importou de se equivocar no julgamento ao afirmar, peremptoriamente: - "Considero, portanto, que o voto secreto foi instituído por uma deliberação unipessoal e discricionária do presidente da Câmara no meio do jogo".
Aliás, foi esta frase vigorosa que convenceu outros ministros a acompanharem o ardiloso voto de Barroso, levando o Supremo a cometer um brutal erro judiciário, numa causa importantíssima que o ilustre ministro considera apenas um "jogo".
*Jornalista
JORNAL NACIONAL CONTRA O BRASIL - 26/12/2015
(Publicado originalmente em www.institutoliberal.org.br)
O povão não lê a Folha de São Paulo, nem o Estadão, nem o Globo porque cada exemplar custa o preço de uma passagem de ônibus. Se não tem dinheiro para jornal, obviamente não tem dinheiro para assinar a Veja, ou a Época, ou a Isto É, ou a Piauí. O povão não lê os tantos blogs sobre política e economia que excitam a classe média porque não têm tempo para isso. Não acompanha a Globo News ou a Band News porque trabalha o dia todo. Não assiste o Willian Waack no Jornal da Globo porque o programa vai ao ar tarde demais. O povão tira suas conclusões a partir do que assiste no Jornal Nacional. O Jornal Nacional é a principal fonte de informação da maioria dos brasileiros.
Por muito tempo, não me deixei contaminar pelo frenesi anti-Globo porque sempre respeitei que os meios de comunicação privados tivessem seus posicionamentos em relação aos mais diversos temas. Não me deixava contaminar pelo frenesi anti-Globo porque, mesmo discordando da maioria de suas inclinações, eu reconhecia que a emissora prestava algum serviço público em suas novelas ao abordar temas como transplante de órgãos, câncer de mama, síndrome de down, autismo, racismo, homofobia, religião etc. A verdade é que a Globo contribuiu mais para algumas causas do que todas as iniciativas do governo até hoje. Porém, por trás dessa verdade existe outra verdade. Uma verdade dolorosa. Uma verdade vergonhosa. Uma verdade que vem se transformando num imenso absurdo através do Jornal Nacional.
Estamos num dos momentos mais delicados da história do Brasil. Excluo, só por um momento, a degradação da política brasileira. Refiro-me, nesse texto, apenas ao eminente colapso econômico. Uma situação que interfere diretamente na vida de todo cidadão, principalmente na vida dos mais pobres. Pessoas comuns estão perdendo empregos. Pessoas comuns estão perdendo clientes. Pessoas comuns estão perdendo suas únicas fontes de renda. Os salários de pessoas comuns estão sendo corroídos por uma inflação que sabemos que é muito maior do que o anunciado.
Até uma semana atrás, o Jornal Nacional noticiava tudo isso. Noticiava a duplicação do índice de desemprego e da inflação em um ano. Noticiava que o Brasil perdeu 3% de seu PIB no mesmo período. Noticiava o resultado das pesquisas que indicam o pessimismo do comércio, da indústria, do mercado financeiro e até da dona de casa. Até uma semana atrás, o Jornal Nacional noticiava o desmoronamento da economia brasileira. Parou de noticiar desde quando foi aceito o processo de impeachment contra Dilma.
Desde então, o Jornal Nacional atua como advogado de defesa do atual governo. Reproduz os discursos de Dilma até três vezes num mesmo noticiário. Destaca os aplausos dos militantes petistas, as desculpas esfarrapadas de seus líderes e as falas ultrajantes de Lula. Ontem a noite, o telejornal noticiou que uma manifestação da CUT em favor de Dilma, no Rio de Janeiro, contou com 10 mil pessoas, sendo que as imagens aéreas mostravam que não havia nem um décimo desse número.
As poucas entrevistas com pessoas que pedem o afastamento de Dilma foram editadas com o cuidado necessário para que nenhum argumento fosse exposto de tal forma que um telespectador mais humilde pudesse compreendê-lo. Não foi feita uma única entrevista com os Juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal, autores do pedido de impeachment. O Jornal Nacional não mede esforços para fazer o povão acreditar que o processo de impeachment é obra de Eduardo Cunha, cria situações para mostrar os membros do governo dizendo que tudo não passa de um golpe do PSDB, "inconformado com o resultado das urnas", oferece todo o espaço necessário para o governo dizer que Dilma resolverá a crise que ela mesma criou.
Desde que o pedido de afastamento de Dilma foi aceito, o maior telejornal brasileiro não se deu trabalho de explicar a relação entre a irresponsabilidade fiscal dos últimos anos com a atual crise econômica. Se o Jornal Nacional tivesse um mínimo de honestidade jornalística, repetiria todos os dias o seguinte: O desrespeito da Lei de Responsabilidade Fiscal pode levar o governo a ficar sem dinheiro para pagar os salários de servidores e pensionistas. Não diz isso porque sabe que, dessa forma, o povão entenderia perfeitamente os crimes que recaem sobre Dilma.
O Jornal Nacional não se importa que um possível arquivamento do pedido de impeachment significaria um duro golpe na moral dos brasileiros – o povo que grita "Fora Dilma" sendo obrigado a ver o desejo dos partidos da extrema-esquerda brasileira prevalecer.
Então, eu me lembro de que, dois dias atrás, num mesmo bloco foi noticiada a "vitória da oposição" na Venezuela e a vitória da "extrema-direita" na França, com direito a carinha de nojo do Willian Bonner. Isso é a Globo. Isso é o Jornal Nacional. Sempre dando conotação pejorativa a tudo o que não é esquerda. Evitando ao máximo relacionar o chavismo com extrema-esquerda. Esforçando-se ao máximo em impedir que as pessoas correlacionem o colapso econômico na Venezuela com as ideias socialistas. Fazendo o diabo para que o telespectador não se dê conta de que o PT é um partido de extrema-esquerda e que desde que assumiu o poder tenta impor sua própria revolução bolivariana.
A verdade: A Rede Globo se tornou o maior veículo de publicidade do socialismo.
Continuo defendendo que todas as empresas privadas de comunicação tenham liberdade para tomar partido sobre qualquer assunto, mas espero que os brasileiros um dia enxerguem a cumplicidade do Jornal Nacional no verdadeiro golpe que está em curso, o golpe do PT contra o Brasil.
A Rede Globo, através do Jornal Nacional, está ajudando o PT a rasgar a Constituição do Brasil. Está tentando tirar de 200 milhões de cidadãos o direito de punir um partido que vem a 13 anos dilapidando a economia do país.
FAZENDO GIRAR AS CABEÇAS INFANTIS - 21/12/2015
Vai mar alto a investida para desvirtuar as mentes das crianças e adolescentes em idade escolar. Não bastasse a execranda Ideologia de Gênero, que busca fazer com que os alunos passem a acreditar que não existe a realidade que lhes entra olhos adentro (a diferença entre os sexos) e que cada um pode compor seu sexo como quiser, surge agora outro despautério — desculpem-me a palavra arcaica, mas fala pelo som.
Importante artigo publicado no jornal "O Globo" em 8 de outubro último (*) informa: "A História foi abolida das escolas. No seu lugar, emerge uma sociologia do multiculturalismo".
Sem concordarmos com todas as posições dos autores do artigo, é fora de dúvida que ele traz um contributo importante para o conhecimento do que está sendo tramado nos arraiais do Ministério da Educação (MEC).
Primeira Missa no Brasil – Victor Meirelles de Lima, 1860. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.
Não é brincadeira de mau gosto. O MEC lançou uma proposta de "Base Nacional Comum (BNC), que equivale a um decreto ideológico de refundação do Brasil". Contém as noções históricas básicas que o MEC quer implantar nas cabeças dos alunos.
Nas escolas, não se falará mais em Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna, Idade Contemporânea. "No ensino médio, aquilo que se chamava História Geral surgirá sob a forma fragmentária do estudo dos 'mundos ameríndios, africanos e afro-brasileiros' (1º ano), dos 'mundos americanos' (2º ano) e dos 'mundos europeus e asiáticos' (3º ano)".
A BNC inaugura "o ensino de histórias paralelas de povos separados pela muralha da 'cultura' [...] A ordem do dia é esculpir um Brasil descontaminado de heranças europeias".
Segundo essa concepção tresloucada, "o Brasil situa-se na intersecção dos 'mundos ameríndios' com os 'mundos afro-brasileiros'". Ou seja, o descobrimento e a posterior evangelização-colonização seriam "exclusivamente, uma irrupção genocida contra os povos autóctones e os povos africanos deslocados para a América Portuguesa".
As aberrações não param por aí: "O conceito de nação deve ser derrubado para ceder espaço a uma história de grupos étnicos e culturais".
Os professores seriam assim convertidos em doutrinadores multiculturais! Dentro dessa ideologia, como não poderia deixar de ser, o ódio à Cristandade medieval, tão presente nas correntes marxistas e quejandas, se faz sentir com força, desta vez por omissão. No BNC "inexistem referências sobre o medievo das catedrais, das cidades e do comércio".
"A partir de agora, em linha com o decreto firmado pelo ministro os professores devem curvar-se a autores obscuros, que ganharão selos de autenticidade política emitidos pelo MEC. Não é incompetência, mas projeto político [...] Doutrinação escolar? A intenção é essa".
Talvez as reações a essas monstruosidades, por parte de pais de família, professores e pessoas de bom senso em geral, venham a dificultar que tal projeto seja imediatamente aplicado.
Mas isso não significa que se deva abaixar a guarda, pois os ideólogos do bolivarianismo, do marxismo, do petismo e outros que tais, aboletados em situações de mando, não desistem. Querem absolutamente mudar as mentalidades, especialmente das crianças e adolescentes, para conformá-las às utopias que tramam em seus antros ideológicos. Na primeira ocasião que julgarem favorável darão o bote.
RUPTURA INSTITUCIONAL - 21/12/2015
As maravilhas da corte são tão inebriantes, as alegrias da boa vida são tão plenas, as facilidades em se apoderar da coisa pública são tão corriqueiras, que uma vez lá a classe dirigente inventa meios de não sair do Olimpo onde se instalou o que pode ser feito através de eleições ou golpes de Estado.
Assim sendo, o PT não pretende apear do poder tão cedo. Seria inadmissível para Lula e sua família retroceder à vida mais simples sem os luxos, privilégios e confortos que a evolução da riqueza obtida de modo acelerado lhes proporcionou. E Lula, é o poderoso chefão do PT, o garantidor dos "mandarins" de sua grei para que estes também desfrutem da doce vida de defensores dos oprimidos. Portanto, deve ser preservado faça o que fizer, porque sem ele o partido não se sustenta. É bem verdade que Lula tem tido seus revezes, mas justamente estes que a outros teriam aniquilado o mantém incólume e á espera de voltar em 2018.
Foi, portanto, inoportuna para Lula e o PT a ideia de impeachment de Rousseff, única mulher presidente da República e a pior de todos os presidentes de nossa história. Se bem que foi Lula quem governou o tempo todo como presidente de fato, recaiu sobre sua criatura a culpa pelo descalabro da economia que penaliza e envergonha os brasileiros de todas as classes sociais. Tivesse outro candidato ganho a eleição já teria sido defenestrado pelo PT. Ela, não. E nem tanto por Rousseff, mas pela preservação do projeto de poder petista, que foi acionado com força máxima desta vez no STF.
O que se assistiu, então, foi uma ruptura institucional. No dia 16 deste agitado dezembro o ministro Fachin, defensor dos sem-terra, do Paraguai contra o Brasil e ardoroso eleitor de Rousseff, deu um show inusitado: defendeu os procedimentos da Câmara com relação ao rito do impeachment, emergindo como juiz imparcial e respeitador do outro Poder.
Era como um milagre. Mas milagres não existem na política. No dia seguinte tudo parecia ser sido combinado para invalidar, de novo, os procedimentos da Câmara. O que serviu para o impeachment do ex-presidente Collor não servia para esse. Os votos da comissão não podiam ser secretos, como os são os do STF em seus procedimentos internos e todo poder foi dado ao Senado, onde o colaborador, Renan Calheiros, está a postos para salvar, primeiro a si, depois a governanta.
Desse modo, está encerrada, pelo menos por enquanto, a possibilidade do impeachment e todas as pedaladas, as irresponsabilidades fiscais, os gastos exorbitantes, os prejuízos dados a Nação serão todos perdoados ao governo petista.
O STF de tal modo interferiu no Legislativo, trazendo à lembrança vislumbres bolivarianos, que se Rousseff sempre repetiu que impeachment é golpe, o golpe se formalizou de outra maneira via Executivo e por intermédio do Judiciário. Se de agora em diante o STF legisla e impõe o regulamento interno do Congresso, o Legislativo pode fechar as portas, pois se tornou um penduricalho inútil na República das Bananas.
Falar democracia no Brasil, portanto, é algo ilusório. Como disse Rui Barbosa: "A pior ditadura é do Judiciário, porque contra ela não há quem possa recorrer". E o judiciário autorizou buscas e apreensões somente em casas e escritórios de peemedebistas, salvando providencialmente o ajudante Renan Calheiros. Reclamar para quem?
O Judiciário ao voltar do recesso em fevereiro poderá afastar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, cujos crimes principais e mais graves foram: ganhar a eleição da casa derrotando um petista, tornar o Congresso independente do Executivo, romper com o PT.
FLAVIO TAVARES E O MANIQUEÍSMO - 20/12/2015
O escritor e jornalista Flávio Tavares adota um instrumento simples de análise política e social: direita e esquerda. Serve pra explicar tudo. Será ? Seu último texto dominical encerra taxativo sobre a maior crise econômica da história republicana: ”o esdrúxulo pedido e impeachment”. Em sua convicção subtende-se que a reação popular pela defenestração da presidente trata-se de coisa de “direita”. O verbete de origem italiana abriga o sentido “fora do comum, esquisito”.
O pedido constitucional formulado pelo jurista Hélio Bicudo se ampara em crime de responsabilidade da presidente nas chamadas pedaladas fiscais – gastos governamentais sem dinheiro em caixa. Uma violência contábil explicita na carta constitucional como crime. Crime já autenticado e medido pelo Tribunal de Contas da União. Fato. Dispensáveis quaisquer outros argumentos técnicos. Mas...lembre-se: a “direita” é diabólica em corroborar com o impeachment. A presidente, pela primeira vez na história brasileira, apresenta ao congresso um orçamento com déficit de 60 bilhões! Prevê-se que vai chegar ao dobro. A retração econômica será em 2016 de 4%! O desemprego11%; empresas de avaliação de risco colocam o Brasil em situação de mau pagador; o dólar vai ultrapassar o câmbio de quatro reais. A Previdência vai precisar de mais aporte governamental da ordem de 25 bilhões. A Petrobrás dirigida pela presidente arca com prejuízo estimado em 40 bilhões. Está quebrada.
O fabuloso ministro MANTEGA e seu assessor direto na bagunça geral das contas públicas sob a batuta da presidente, fabricaram esta masorca. Solução da presidente : Nelson Barbosa ministro da Fazenda, com a missão de resolver o imbróglio que eles mesmos fabricaram em oito anos. É a persistência no erro. Eis que emergem das sombras da intimidade do comandante Lula da Silva, puxados pela operação Lavajato, o senador Delcídio e o pecuarista que tratava de petróleo na Petrobras, José Bumlai. Amigos e parceiros à esquerda e à direita do comandante. Esteios da presidente Dilma, gritando ”impeachment é golpe”. Acho que Flávio escreve direita pelas linhas tortas.
O NATAL DO GOLPE - 19/12/2015
(Publicado originalmente em O Globo)
O mensalão e o petrolão não levaram Dilma e Lula ao banco dos réus porque este é um país sério, que está ocupado bloqueando o WhatsApp.
Os brasileiros progressistas e bondosos decidiram proteger Dilma Rousseff de um golpe. Com toda a bravura cívica necessária hoje para lutar pelo poder do Partido dos Trabalhadores, resolveram reeditar a cadeia da legalidade — o movimento em defesa de Jango contra os militares. Para essa nova versão, será preciso apenas dar uma checada na lotação da Papuda. Cada tempo com sua cadeia.
O paralelo com Jango é muito útil, porque ressuscita os arquétipos da direita malévola (milicos, polícia, yankees) contra os da esquerda heroica e solidária. Sem querer estragar o conto de fadas, o paralelo mais correto para Dilma seria com Collor — ainda assim injusto: o Esquema PC era um anexo do governo; o Esquema PT é o coração.
Mas dá-se um jeito em tudo: Dilma Rousseff, a representante legal (sic) do maior assalto da República, virou vítima de um golpe de Eduardo Cunha. O pedido de impeachment foi feito pelo respeitável doutor Hélio Bicudo, mas esse tipo de detalhe só serve para atrapalhar a narrativa progressista.
Outro fato que não interessa a ninguém é que o crime de responsabilidade apontado no pedido é só uma fração da história: a vítima levou 50 tiros de fuzil, e a pedalada fiscal foi o chute no traseiro. Mas foi o Cunha quem autorizou a investigação do criminoso. Golpe.
O que ameaça a democracia brasileira neste momento são as represálias de Eduardo Cunha contra o governo do PT, que não fez nada de mais: só regeu um esquema de assalto ao Estado para enriquecer o partido — e assim financiar eleições, aliados fiéis, votos no Congresso, imprensa de aluguel (que reproduzirá este artigo tomada de indignação progressista) e bons advogados para defender as trampolinagens dos guerreiros do povo brasileiro. Enfim, coisas que todo mundo faz.
O mensalão e o petrolão não levaram Dilma e Lula ao banco dos réus porque este é um país sério, que está ocupado bloqueando o WhatsApp.
Pois bem: enquanto a corrente da bondade lutava contra o golpe do Cunha, deu-se o golpe da Dilma. Numa manobra tipicamente republicana, que só um país capaz de bloquear o WhatsApp com uma canetada de São Bernardo do Campo sabe realizar, o Supremo Tribunal companheiro enfiou seu bisturi no Poder Legislativo (com todo o carinho) e operou o processo do impeachment.
Com a habitual coreografia de interpretações providenciais, decidiu até como se elege uma comissão de deputados para analisar o impedimento da companheira presidenta — seguindo o mais elevado preceito constitucional de melar o quadro que estava feio para ela.
O ministro Gilmar Mendes disse que esse STF é bolivariano. Maldade dele. Esse STF é valente. Repare só: três semanas antes, a Corte autorizou a prisão do líder do governo no Senado com brados em defesa da Justiça brasileira — depois que uma gravação mostrou ao país um senador dizendo que ia combinar com os juízes do Supremo uma ajudinha a um condenado.
Nunca se viu suas excelências tão austeras e obstinadas no cumprimento cego da lei. Agora, com o vilão Eduardo Cunha na parada — e sem o gravador do filho do Cerveró —, os supremos companheiros sabiam que, com qualquer decisão contrária ao lobo mau da Câmara, era correr para a galera. Aí foi aquele festival de piruetas jurídicas e togas esvoaçantes que tanto alegram os patrões. É ou não é valente esse STF?
Não vamos cansar o leitor convidando-o a comparar os prejuízos causados à sua vida pelo lobo mau e pela loba boa. Vamos só lembrar que o país acaba de perder o selo de bom pagador, o que vai derrubar ainda mais os investimentos e agravar a recessão (exclusividade companheira no continente, ao lado da Venezuela).
E que a maior empresa nacional foi depenada pelo partido governante, com um bando de heróis progressistas na cadeia (da ilegalidade), incluindo o tesoureiro desse partido (mais um). Que a fraude se estendeu à maquiagem das contas públicas, terminando de esculhambar as finanças nacionais — o que trouxe para o Natal (este e os próximos) a volta do desemprego e a maior inflação em 12 anos.
Com todo o respeito ao lobo mau, essas façanhas são obra da loba boa e de sua matilha (o ministro Barroso ensinou que não é quadrilha).
Se você quer apoiar Dilma para se sentir de esquerda, vá em frente. Só não vale levantar a bandeira e esconder o legado (lembre-se: Lula é o único que não sabia). Mas se o seu interesse é por solidariedade, opte pelas legítimas que não soltam as tiras: Zilda Arns, Ruth Cardoso, Betinho (sem o contrabando ideológico) e outros que ainda estão por aí, como José Júnior e AfroReggae (leia "No fio da navalha", de Luis Erlanger, e entenda o que é arriscar a vida pela sua gente).
Se é para defender Dilma na mesa de bar, seja gentil e puxe cadeiras para Bumlai, Lula, Cerveró, Vaccari, Duque, Erenice, Delcídio, Pimentel, Dirceu e quantos mais couberem na confraternização.
Sem essa rede de amigos, você nem saberia quem é Dilma Rousseff. Ao final, pague a conta deles, como você tem feito nos últimos 13 anos — e faz questão de continuar fazendo nos próximos três.
Guilherme Fiuza é jornalista
A HISTÓRIA OCULTA DAS PEDALADAS FISCAIS - 14/12/2015
(Transcrito de vespeiro.com)
"Dilma Rousseff é um perigo para a sociedade e uma ameaça à segurança pública que não apenas tem de ser apeada do poder o quanto antes num ato de legitima defesa da sociedade brasileira como também, de ser impedida pela polícia de causar mais danos posto que, mesmo diante do tamanho do desastre que produziu, mostra sinais claros de psicopatia prometendo reiteradamente reincidir nos seus crimes"
A reportagem de Leandra Peres no Valor Econômico de hoje – “A história oculta das pedaladas fiscais” (aqui) – recompõe passo a passo a história do que se pode chamar sem medo de exagero, do assasssinato triplamente qualificado da economia brasileira. Peço perdão por ser tão enfático mas é absolutamente disso que se tratou.
A reportagem, que só li pelo meio do dia depois de ter escrito o primeiro artigo publicado hoje, é jornalismo da melhor qualidade, raríssimo hoje em dia. Não ha nenhum “especialista” dando interpretações; ha apenas fatos que contam como, passo a passo, Dilma Rousseff foi cavando o rombo de mais de 100 bilhões de reais que ameaça destruir a economia brasileira, sustentando na base do terrorismo o rumo de desastre apesar de todos os alertas que recebeu de sua própria equipe técnica, numa história apurada dentro da melhor técnica jornalística em meses seguidos de trabalho paciente de garimpo e aferição de fatos e coleta e depuração de informações para contextualiza-los.
Baseia-se em relatórios elaborados por técnicos do Tesouro e em relatos impressionantes do ambiente de terror que se foi instalando dentro do núcleo central das manipulações que levaram este governo até as portas do impeachment em função da truculência com que Arno Agustin, o “soldado” ou “tarefeiro” do partido a quem ela entregou o Tesouro Nacional para manipula-lo a ponto de por tudo que os 204 milhões de brasileiros construíram com o suor de seus rostos à mercê dos seus absurdos delírios ideológicos, primeiro, e das subsequentes maquinações criminosamente irresponsáveis para que as consequências deles não a levassem a perder o poder, que agravaram o problema até muito além do limite da perda de controle.
O principal desses relatórios já alertava o governo em julho de 2013 de que o país estava caminhando para uma desclassificação de rating certa “num prazo máximo de dois anos” em função do desastre fiscal de grandes proporções que se estava configurando. A reação de Dilma e Agustin foi de ameaças contra esses profissionais, tratados como “traidores”, e o redobrar das ações desviantes por eles apontadas. Uma nova versão do documento foi feita em setembro de 2013 mostrando o agravamento da situação, mas tudo foi tratado por Dilma e seu agente dentro do Tesouro Nacional como “atos de rebelião” dos escalões inferiores.
Antes disso, desde as primeiras manobras de “contabilidade criativa” do ministro Mantega em 2012, que já respondiam à recusa reiterada de corrigi-los, os desvios vinham sendo sucessivamente apontados pelos técnicos do Tesouro e dos bancos estatais envolvidos nas manobras. Essas falsificações foram, portanto, assumidas dolosamente, enquanto qualquer tentativa de dete-las era recebida como “traição”, como “tentativa de prejudicar os pobres” e por essa picada afora. O terrorismo chegou a tal ponto que os técnicos criaram uma comissão para tratar do “problema de relacionamento humano” criado dentro do Tesouro Nacional para reunir coragem para levar a reclamação, em nome de todos, ao foco emissor desse “problema de relacionamento”: Arno Agustin em pessoa, o homem a quem a “presidenta“, como ele gostava de chama-la com marcado sotaque gaúcho, ligava frequentemente mais de 15 vezes seguidas.
O resumo é que as pedaladas fiscais não configuram apenas “crime de responsabilidade” punível com impeachment, conforme inscrito na lei e no pedido de abertura do processo feito pelo fundador do PT, Helio Bicudo, e pelo jurista Miguel Reale Junior. O que ha de mais impressionante nesta reportagem, acompanhada da íntegra de todos os documentos a que se refere, é a riqueza dos detalhes que iluminam profusamente o tipo de desvio de personalidade e comportamento que criou a sequência de acontecimentos que, sem medo de imprecisão na comparação retórica, resultaram em nada menos que o assassinato triplamente qualificado da economia brasileira, vitimada sem possibilidade de defesa e por motivo torpe conscientemente assumido pelos autores do crime.
Se ainda havia quem alimentasse dúvidas honestas sobre a extensão e a qualidade dos crimes deste governo, os pormenores revelados por Leandra Peres neste trabalho de profundidade excepcional e qualidade jornalística impecável, acaba com todas elas. É uma peça que tem valor histórico, além de valor jurídico.
Dilma Rousseff é um perigo para a sociedade e uma ameaça à segurança pública que não apenas tem de ser apeada do poder o quanto antes num ato de legitima defesa da sociedade brasileira como também, de ser impedida pela polícia de causar mais danos posto que, mesmo diante do tamanho do desastre que produziu, mostra sinais claros de psicopatia prometendo reiteradamente reincidir nos seus crimes.
E para chegar a ela com toda a carga de energia que a ocasião pede, não deixe de ler e de fazer circular a matéria de Leandra Peres.
A história oculta das “pedaladas fiscais”
ESTOU DE OLHO EM LUIZ EDSON FACHIN - 11/12/2015
(Do blog do autor em veja.abril.com.br/blog/reinaldo)
Estava antes mesmo de ele ser candidato ao Supremo. Sua proximidade com o MST o tornava, a meus olhos, suspeito. Coube a ele a relatoria das ações movidas pelo PCdoB contra o rito do impeachment: uma ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental), à qual se agregou incidentalmente pedido de liminar contra a votação secreta para a escolha da comissão do impeachment — liminar que ele concedeu. No dia 16, as questões vão a plenário, e os 11 ministros poderão se manifestar.
Na ADPF, o PCdoB aponta o que considera incompatibilidades entre o rito do impeachment estabelecido na Lei 1.079 e a Constituição de 1988. Há, sim, uma que é flagrante: o texto menor prevê que o presidente se afaste tão logo a Câmara admita, por maioria de dois terços, a denúncia — foi o que aconteceu com Fernando Collor, já na vigência desta Constituição, que prevê o afastamento só depois que o Senado dá início ao processo. A diferença é pequena, de dias. As demais reclamações do PCdoB não passam de conversa procrastinatória.
Cito um caso: o partido alega que o direito à ampla defesa obrigaria o presidente da Câmara a ouvir o da República antes de dar início à tramitação. É papo pra boi dormir. Desde a aceitação, o Regimento Interno da Casa estabelece até 10 sessões para que a defesa se manifeste. A Lei 1.079 garante amplo direito de defesa ao acusado no Senado, que é quem processa e julga o supremo mandatário da nação, sob o comando do presidente do STF.
Pois é... Fachin suspendeu o rito do impeachment porque entendeu que o voto secreto para eleger a comissão pode não estar de acordo, vamos dizer, com o espírito da Constituição — ainda que nenhum dispositivo preveja o voto aberto. Mas, já escrevi aqui, rende um bom debate. Será que o princípio da publicidade, conforme estabelece o Artigo 37, impõe o voto aberto quando a própria Carta é omissa a respeito, uma vez que ela é explícita quando quer voto fechado?
O conjunto dos ministros vai dizer.
O que me incomoda na fala de Fachin é outra coisa. Consta que ele vai propor um rito novo para o impeachment, do começo ao fim — isto é, desde o início da tramitação da denúncia, na Câmara, ao julgamento propriamente, no Senado.
É mesmo, é?
Tenho boa memória. Fachin fez a defesa solene da independência dos Três Poderes na sabatina de que participou na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Um de seus compromissos foi respeitar a autonomia do Poder Legislativo, deixando claro que não cabe ao Supremo fazer leis.
Respondendo a uma questão do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), disse que as respostas que dava na sabatina tinham um valor vinculante — vale dizer: ele poderia, depois, ser cobrado por elas caso não as cumprisse. Transcrevo literalmente o que disse:
"O que estou a dizer aqui tem um sentido vinculante do que penso e do que será a minha conduta. Sei que isso constitui objeto não só do registro da minha e da vossa consciência, mas isso constitui também objeto dos registros que esta Comissão terá caso eu venha, eventualmente, a ser aprovado para colocar em prática os compromissos que estou assumindo, que não são compromissos meramente retóricos".
Não sei que "rito" doutor Fachin pretende sugerir — e este só vai prosperar com a concordância da maioria dos ministros, mas me vejo obrigado a lembrar que não cabe ao Supremo legislar.
Mais: parece-me que não honra a boa tradição jurídica — não é mesmo, ministro? — criar regras novas depois de começado o jogo, mormente quando outro presidente da República já foi deposto com esse arcabouço legal que aí está. Tecnicamente, Collor primeiro renunciou e só depois foi impichado pelo Senado, quando já não tinha mandato...
Julgar uma ADPF, entre outras ações, é tarefa do Supremo. Fazer leis, bem..., aí não é. Uma coisa é definir que determinada lei, há muito em vigência, entrou em desacordo com uma Constituição que lhe é posterior; outra, muito distinta, é legislar abertamente sob o pretexto da harmonização dos textos constitucional e legal.
Pode até ser que precisemos de uma nova lei para definir os crimes de responsabilidade. Caberá ao Congresso redigi-la. A Fachin e aos demais ministros cumpre apenas zelar para a que a aplicação das leis que temos se faça de acordo com os princípios da Constituição que também temos.
Se Fachin quer fazer leis, ele tem de estar abrigado sob uma daquelas duas conchas da Praça dos Três Poderes.
Espero que o ministro não proponha um rito que, como vou dizer?, leve à conclusão de que a deposição de Collor, em 1992, foi inconstitucional. Afinal, as leis eram as mesmas. A Constituição é a mesma.
Ou é privilégio de um presidente de esquerda ser maior do que as leis e a Constituição?
IMPÉRIO DA CHINELAGEM - 10/12/2015
O Brasil assistiu, incrédulo e assustado, o show de chinelagem explícita que os nossos parlamentares deram, ontem (08/12), no Congresso Nacional.
Alguns eufóricos com a demonstração de fraqueza dos governistas, outros desesperados com o crescimento repentino das forças oposicionistas, os deputados e senadores eleitos demonstraram à nação como um bando de incivilizados se comporta sob a menor pressão.
O que se viu foi lamentável. Homens e mulheres que, teoricamente deveriam dar o exemplo de respeito e educação, batiam boca, trocando insultos e safanões como moleques no recreio de uma escola.
Até parecia reunião de condomínio em prédio de fim de linha. Não! Nestas, com certeza, há mais respeito e educação. Por mais ogros que sejam os moradores.
Sem comando, o que se viu foi o ocaso de um poder da República.
A histeria e o descontrole grassavam nas dependências do Congresso, sem dar importância – os mais exaltados – sequer à transmissão das imagens e do áudio das galerias.
Para fazer valer o que “acham seu direito”, comportaram-se como um grupo de desordeiros em um jogo de futebol, festejando a conquista de qualquer objetivo como se estivessem comemorando um gol de seu time na final do campeonato.
Que vergonha!
Chefes de família; pessoas que receberam a confiança de milhares (quiçá milhões) de eleitores; agindo como uma horda de bárbaros sem controle.
E, o pior: enquanto muitos se vangloriavam dos “feitos” desavergonhados, outros – que matreiramente ficam insuflando rebeliões sem mostrar a cara – assumiam o papel de indignados com o resultado do show.
Fala-se em uma necessária “faxina” no Congresso. Com certeza ela urge. Mas, juntamente com os acusados da hora, há que se incluir nesta “limpeza” muito mais gente que gosta de posar de vítima.Mas, em nada colabora para demonstrar um mínimo de equilíbrio, educação, e seriedade.
Pobre Brasil. Está nas mãos deste tipo de gente...
Que chinelagem!
Marcelo Aiquel - advogado
NO PARLAMENTARISMO, GOVERNOS QUE NÃO GOVERNAM ACABAM CAINDO - 10/12/2015
(Publicado originalmente em http://www.institutoliberal.org.br)
A insatisfação de todo o Brasil com o Governo é visível e indiscutível. A esquerda que hoje ainda tenta defender o Governo Dilma do impeachment, através do frame político “impeachment é golpe”, não está interessado em outra coisa senão em cargos, comissões e negócios. Dentro da visão esquerdista pragmática, mas ética, o PT também não os representa, afinal, não faz gestão participativa, cria corporocracia, faz negócios obscuros e se interessa pouco por gestão microeconômica (nesse caso, graças a Deus). Em suma, ninguém sério, seja de que espectro político for, defende essa gangue.
No entanto, cada vez mais os principais apaniguados do Governo continuam reverberando com certo sucesso o frame político supra citado. Primeiro porque a classe artística e esportiva brasileira é abastecida por recursos da população, e depois porque o PT realmente possui uma militância muito aguerrida.
Não creio que esse discurso vai colar, mas a resistência à queda do Governo petista está realmente atrasando o trabalho de recuperação do país. Essa resistência é economicamente irracional.
O plano de governo do Vice-Presidente, apresentado pela Fundação Ulisses Guimarães, chamado “Ponte para o Futuro”, de cunho liberal, já é um sucesso entre o empresariado nacional. Cada vez que qualquer movimentação pró-impeachment é bem sucedida, a bolsa sobe, o dólar desce e os mercados se estabilizam. Não há mais freio para a gastança pública, com projeção de déficit nominal, apenas em 2015, de meio trilhão de reais. Inflação em dois dígitos. Aumentos da carga tributária para além de 40% do PIB. Exportações estagnadas mesmo com desvalorização cambial extrema. Economia deixando o patamar da recessão e entrando em depressão. Se fôssemos listar os problemas econômicos, faltaria espaço no blog.
Sobre a ótica jurídica, a Operação Lava-Jato já enviou ao TSE provas de que dinheiro público sustentou a campanha presidencial da Dilma em 2014. O TCU já declarou que a presidente, com as pedaladas fiscais, cometeu crime de responsabilidade.
Do ponto de vista político, resta claro que não existe mais sustentação no Congresso. O Governo perde votações simples, e o Dep. Ricardo Berzoini, quando da questão da votação das chapas que conduziriam o processo de impeachment, declarou que se o Governo não conseguisse aprovar a sua chapa, era sinal de que, mesmo que não ocorresse o impeachment, não haveria mais clima institucional de continuação do Governo.
Então por que a demora para se resolver, de uma vez por todas, essa questão que tem implicações políticas, econômicas e jurídicas que lastreiam uma decisão pró-impeachment?
Porque as instituições políticas brasileiras tem uma lógica burocrática, fruto da escolha do presidencialismo como sistema de governo.
O presidencialismo é um sistema de governo onde o Presidente exerce o poder executivo e o parlamento o poder legislativo, de maneira separada (o grau de separação depende do país). Nesse tipo de sistema, um Presidente possui, em regra, um grande poder administrativo, e há uma clara escolha pela estabilidade dos processos políticos, só havendo a possibilidade de destituição do Presidente em casos extremos.
No parlamentarismo, o poder executivo também é exercido pelo parlamento, através de um gabinete liderado pelo Primeiro-Ministro. Como ele é intrinsecamente ligado à sua base política, caso o gabinete já não seja mais apto a exercer a liderança nacional, vota-se uma moção de desconfiança simples, e o gabinete é afastado. Convoca-se novas eleições e o povo escolhe novos representantes. O processo político é mais instável, no entanto, os maus governos podem ser destituídos com maior rapidez e eficiência, quando já não mais traduzem a vontade popular.
Ironia das ironias, em um país como o Brasil, onde quase 90% da população já deixou claro em pesquisa que não quer mais ver Dilma Presidente do Brasil, continuamos aturando a nossa estocadora de ventos particular, fazendo com que o presidencialismo, que é um sistema que supostamente traz mais estabilidade política, se torne o causador direto da manutenção dessa intolerável instabilidade.
Precisamos, após essa tempestade e a queda do PT, refletir se o sistema presidencialista de coalizão do Brasil, sustentado por mensalões, petrolões e jetons, deve ser mantido, ou se poderemos finalmente mudar para o sistema político que efetivamente funciona em mais de 90% do mundo civilizado. E que não venham falar que, nesse modelo, Cunha seria o chefe da nação, pois é justamente em presidencialismos de coalizão, que figuras que negociam com cargos e influência chegam a esse nível de poder.
* Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.
É HORA DE VOLTAR ÀS RUAS - 06/12/2015
Democracia não é paz de cemitério. A movimentação política que se segue após o anúncio de abertura do impeachment da presidente Dilma Rousseff é saudável, republicana e segura diante da fortaleza de nossas instituições. A abertura de uma comissão especial na Câmara deve escancarar os crimes fiscais cometidos pela nossa chefe de Estado e fundamentar as bases para seu afastamento.
Um dia após o anúncio, na Convenção Nacional do Democratas, em Brasília, pudemos divulgar manifesto com uma mensagem bem clara: é hora de sair às ruas novamente pelo impeachment. Já há todas as condições legais e políticas para a conclusão do processo. Se os brasileiros, como um todo, manifestarem sua decisão pela mudança, o Parlamento seguirá sua voz e seu comando.
Lembro-me de que foi por meio do mesmo recurso –um manifesto– que a então Frente Liberal, comandada pelos saudosos Aureliano Chaves e Marco Maciel, apresentou à nação, em 1984, os pilares de uma insurgência que viria a possibilitar o fim do regime militar e a volta da normalidade política ao país. Orgulho-me em afirmar que esse partido tem história, tem referência e tem a honradez de ter se mantido fiel aos princípios democráticos durante toda a sua trajetória. Não poderia ser diferente agora.
No momento dos grandes protestos que mobilizaram milhões em todo o país neste ano, quando muitos se mostraram desiludidos por não verem uma resposta satisfatória do Congresso, tivemos a coragem de solicitar a antecipação das eleições. Eu fui à tribuna defender a renúncia geral do Parlamento como forma de resgatarmos a credibilidade com a população. Estamos agora colhendo os frutos de nossa coerência. A população reconhece todo esse esforço e confia em nossa atuação.
A partir de agora, uma vez instalada a comissão especial na Câmara que deve analisar o pedido, minha agenda e a de todos que querem tirar o Brasil dessa crise deve ser uma só: caminhar por todos os Estados em prol desse objetivo. É mostrar que o Brasil tem solução rápida, basta tirar o PT do poder que a credibilidade e a esperança voltarão a florescer. Esses são os dois maiores fundamentos que faltam –e o comportamento positivo do mercado um dia após a abertura já deu essa sinalização. Todos anseiam por mudança.
É preciso rapidez. É desesperador saber que 6.000 pessoas perdem o emprego diariamente no país, gerando um cenário de aumento da miséria e da violência. Prolongar esse problema até 2018 significaria mais três anos de recessão, empobrecimento e inflação. Significaria também contribuir para um processo crescente de desobediência civil. O cidadão já reclama que, mesmo com apoio popular, dentro das regras democráticas, com denúncias embasadas, o impeachment não avança.
Por tudo isso tenho trabalhado para derrubar o recesso parlamentar neste final de ano. Não há como explicar à população que, uma vez diagnosticado o mal maior, vamos interromper por um mês o tratamento recém iniciado. Isso é jogar contra, é prejudicar ainda mais a já combalida imagem do Congresso junto à opinião pública. Vou lutar para uma convocação extraordinária que dê condições para a comissão analisar o processo de impeachment com celeridade e que ainda em dezembro se conclua esse primeiro momento.
Aí sim, uma vez conhecido o seu parecer, que o povo possa acompanhar na Esplanada dos Ministérios, um a um, o voto aberto de cada deputado em plenário e depois o julgamento no Senado. De forma democrática o país vai tirar a crise do gabinete presidencial e vislumbrar um novo país, com as instituições ainda mais fortalecidas.
ESTADOS UNIDOS E ISLÃ – PEQUENA AULA DE HISTÓRIA - 28/11/2015
A última de Barack Obama foi dizer que os muçulmanos ajudaram a construir os EUA, que a história do país está entrelaçada com a história dos muçulmanos que estavam lá desde o começo.
Pelo jeito, Obama andou pulando algumas aulas de história. Vamos lá:
- Quando os EUA nasceram, no final do séc. XVIII, havia uma grave crise com os muçulmanos do norte da África. Eram povos oficialmente muçulmanos, que viviam sob as leis do Corão.
- Estes islâmicos atacavam os navios que passavam pelo Mediterrâneo, incluindo americanos, sequestrando, escravizando e matando ocupantes, além de saquear a carga. Os navios americanos eram normalmente protegidos pela marinha inglesa antes da independência mas depois de 1776 era cada um por si.
- Os piratas muçulmanos cobravam fortunas como resgate dos reféns e os preços sempre subiam a cada sequestro bem sucedido. Thomas Jefferson se opôs veementemente aos pagamentos mas foi voto vencido, os EUA e as outras nações com navios sequestrados estavam aceitando pagar os resgates e subornar os piratas. O presidente americano era George Washington.
- Por volta de 1783, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e John Adams vão para a Europa como embaixadores para negociar tratados de paz e cooperação. Os EUA nasceram em 1776 e estavam mergulhados até então na Guerra de Independência. Assim que a situação acalmou, essas três figuras icônicas saem em missão diplomática para representar o país.
- Em 1786, depois de dois anos de conversas diplomáticas com os islâmicos, Thomas Jefferson e John Adams encontraram com o embaixador dos povos que ficavam na região de Trípoli, na atual Líbia, chamado Sidi Haji Abdul Rahman Adja. Jefferson estava incomodado por conta dos ataques que não acabavam mesmo com todos os esforços de paz e quis saber com que direito os muçulmanos sequestravam e matavam americanos daquele jeito.
- A resposta que ouviu marcou Jefferson para sempre: "o islã foi fundado nas Leis do Profeta, que estão escritas no Corão, e diz que todas as nações que não aceitarem a sua autoridade são pecadoras, que é direito e dever declarar guerra contra seus cidadãos onde puderem ser encontrados e fazer deles escravos e que todo muçulmano que for morto na batalha irá com certeza para o Paraíso." Jefferson ficou chocado, ele não queria acreditar que uma religião literalmente mandava matar todos os infiéis e que quem morresse na batalha iria para o paraíso.
- Durante 15 anos, o governo americano pagou os subornos para poder passar com seus navios na região. Foram milhões de dólares, uma quantia que representava 16% de todo orçamento do governo federal. O primeiro presidente do país, George Washington, não queria ter forças armadas permanentes por não ver riscos de ataques ao país, mas os muçulmanos mudaram esta idéia. Os subornos serviriam para evitar a necessidade de ter forças militares mas não estavam funcionando porque os ataques continuavam. Quando John Adams assume, o segundo presidente, as despesas sobem para 20% do orçamento federal.
- Em 1801, Jefferson se torna o terceiro presidente americano e, mal tinha esquentado a cadeira, recebe uma carta dos piratas aumentando o butim. Ele fica louco e, agora como presidente, diz que não vai pagar nada.
- Com a recusa de Jefferson, os muçulmanos de Trípoli tomaram conta da embaixada americana e declararam guerra aos EUA. Foi a primeira guerra da América após a independência, a marinha americana foi criada exatamente para esse conflito. As regiões das atuais Tunísia, Marrocos e Argélia se juntaram aos líbios na guerra, o que representava praticamente todo norte da África com exceção do Egito.
- Jefferson não estava para brincadeira. Mandou seus navios para a região e o conflito durou até 1805, com vitória americana. O presidente americano ainda colocou tropas ocupando no norte da África para manter a situação sob controle.
Thomas Jefferson ficou realmente impressionado com o que aconteceu. Ele era contra guerras e escreveu pessoalmente as leis de liberdade e tolerância religiosa que estão na origem da Constituição americana, mas ele entendeu que o Islã é totalmente diferente, era uma religião imperialista, expansionista e violenta.
Jefferson mandou publicar o Corão em inglês em 1806, lançando a primeira edição americana. Ele queria que seu povo conhecesse o Corão e entendesse aquele pessoal do norte da África que roubava, saqueava e matava, cobrava resgates e que declarou guerra quando os pagamentos cessaram.
Durante 15 anos, um diplomata de Jefferson chegou a dizer, os americanos eram atacados porque não atacavam de volta e eram vistos como fracos. A fraqueza americana foi um convite para os muçulmanos daquela época como é para o ISIS hoje. Só houve paz na região quando Jefferson atacou e venceu a guerra, depois ocupando o território. Não tem mágica, é assim que se faz.
Barack Obama quer saber como os muçulmanos estão na história americana? Eles estão como os motivadores da primeira guerra, eles forçaram a criação das forças armadas que nem existiam e fazem parte até do hino dos marines que começa com "From the Halls of Montezuma / To the shores of Tripoli".
POR QUE O MARXISMO ODEIA O CRISTIANISMO - 24/11/2015
O marxismo autêntico sempre odiou e sempre odiará o cristianismo autêntico. Se não puder pervertê-lo, então terá que matá-lo. Sempre foi assim e sempre será assim.
E por que essa oposição manifestada ao cristianismo por parte do marxismo? Por que o ódio filosófico, a política anticristã, a ação assassina direcionada aos cristãos? Por que o país número um em perseguição ao cristianismo não é muçulmano e sim a comunista Coréia do Norte?
As pessoas se iludem quando pensam no marxismo como doutrina econômica ou política. Economia e política são meros pontos. Marx não acreditava ter apenas as resposta para os problemas econômicos. Acreditava ter todas as respostas para todos os problemas.
Marxismo na verdade é uma crença, uma visão de mundo, uma fé. O socialismo nada mais é do que a aplicação dessa fé por um governo totalitário. O comunismo, por sua vez, é apenas a escatologia marxista, o suposto mundo paradisíaco que brotaria de suas profecias.
E esta fé não apresenta o caráter relativista de um hinduísmo ou de um budismo. Tendo nascido dos pressupostos cristãos, o marxismo roubou seus absolutos e se apresenta como a verdade absoluta, como o único caminho para redenção da humanidade. E ainda que tenha se apossado dos pressupostos cristãos, inverteu tais pressupostos tornando-se uma heresia anticristã.
No lugar do teísmo o ateísmo, no lugar da Providência Divina o materialismo dialético. Ao invés de um ser criado à imagem e semelhança de Deus, um primata evoluído cuja essência é o trabalho, o homo economicus. O pecado é a propriedade privada, o efeito do pecado, simplesmente a opressão social. O instrumento coletivo para aplicar a redenção não é a Igreja, mas o proletariado, que através da ditadura de um Estado “redentor” conduziria o mundo a uma sociedade sem classes. E o resultado seria não os novos céus e a nova terra criados por Deus, mas o mundo comunista futuro, onde o Estado desaparecerá, as injustiças desaparecerão e todo conflito se transformará em harmonia. Está é a fé marxista, um evangelho que não admite rival, pois assim como dois corpos não ocupam o mesmo espaço, duas crenças igualmente salvadoras não podem ocupar o mesmo mundo, segundo o marxismo real.
Sim, o comunismo de Marx era um evangelho, a salvação para todos os conflitos da existência, fosse o conflito entre homem e homem, homem e natureza, nações e nações. Assim lemos em seus Manuscritos de Paris:
“O comunismo é a abolição positiva da propriedade privada e por conseguinte da auto-alienação humana e, portanto, a reapropriação real da essência humana pelo e para o homem… É a solução genuína do antagonismo entre homem e natureza e entre homem e homem. Ele é a solução verdadeira da luta entre existência e essência, entre objetivação e auto-afirmação, entre liberdade e necessidade, entre indivíduo e espécie. É a solução do enigma da história e sabe que há de ser esta solução”.
E como o marxismo nega qualquer transcendência, qualquer realidade além desta realidade, seu “paraíso” deve se realizar neste mundo por meio do controle total. Não apenas o controle político e econômico, mas o controle social, ideológico, religioso. Não pode haver rivais. Não pode haver cristãos dizendo que há um Deus nos céus a quem pertencem todas as coisas e que realizou a salvação através da morte e ressurreição de Cristo. Não pode haver outra visão de mundo que não a marxista, não pode haver outra redenção senão aquela que será trazida pelo comunismo. O choque é inevitável.
Está é a raiz do ódio marxista ao cristianismo. Seu absolutismo não permite concorrência.
David H. Adeney foi alguém que viveu dentro da revolução maoísta (comunista) na China. Ele era um missionário britânico e pode ver bem de perto o choque entre marxismo e cristianismo no meio universitário, onde trabalhou. Chung Chi Pang, que prefaciou sua obra escreveu:
“(…) a fé cristã e o comunismo são ideologicamente incompatíveis. Assim, quando alguém chega a uma crise vital de decisão entre os dois, é inevitavelmente uma questão de um ou outro (…) [o autor] tem experimentado pessoalmente o que é viver sob um sistema político com uma filosofia básica diametralmente oposta à fé cristã”
Os marxistas convictos sabem da incompatibilidade entre sua crença e a fé cristã. Os cristãos ainda se iludem com uma possível amizade entre ambos. “… para Marx, de qualquer forma, a religião cristã é uma das mais imorais que há”. (Mclellan, op. Cit., p.54). E Lenin, que transformou a teoria marxista em política real, apenas seguiu seu guru:
“A guerra contra quaisquer cristãos é para nós lei inabalável. Não cremos em postulados eternos de moral, e haveremos de desmascarar o embuste. A moral comunista é sinônimo de luta pelo robustecimento da ditadura proletária”
Assim foi na China, na Rússia, na Coreia do Norte e onde quer que a fé marxista tenha chegado. Ela não tolerará o cristianismo, senão o suficiente para conquistar a hegemonia. Depois que a pena marxista apossar-se da espada, então essa espada se voltará contra qualquer pena que não reze conforme sua cartilha.
Os ataques aos valores cristãos em nosso país não são fruto de um acidente de percurso. É apenas o velho ódio marxista ao cristianismo, manifestando-se no terreno das ideias e das discussões, e avançando no terreno da legislação e do discurso. O próximo passo pode ser a violência física simples e pura. Os métodos podem ter mudado, mas sua natureza é a mesma e, portanto, as conseqüências serão as mesmas.
Se nós, cristãos, não fizermos nada, a história se repetirá, pois como alguém já disse, quem não conhece a história tende a repeti-la. E parece que mesmo quem a conhece tende a repeti-la quando foi sendo anestesiado pouco a pouco pelo monóxido de carbono marxista.
Será que confirmaremos a máxima de Hegel, que afirmou que a “história ensina que não se aprende nada com ela”?
ROMPIMENTO DAS BARRAGENS: POR QUE NINGUÉM SERÁ PUNIDO - 24/11/2015
O rompimento das barragens em Minas Gerais provocou uma avalanche de publicações no sentido de tentar fazer a sociedade ver a tragédia como resultado do capitalismo, já que a Vale, controladora da Samarco, é apresentada como uma empresa privada - privatizada por FHC!
Se considerarmos que um partido político é uma instituição privada, sim, a Vale foi privatizada. A Vale é do PT. A Samarco também.
O processo de tomada do controle da Vale pelo PT é muito bem descrito num dos capítulos do livro Reinventando o Capitalismo de Estado, de Aldo Musacchio e Sergio Lazzarini.
Um resumo:
A privatização da Vale promovida por Fernando Henrique Cardoso em 1997 foi parcial. O governo vendeu pouco mais de 41% das ações da empresa para a Valepar, holding que na época era liderada pelo empresário Benjamin Steinbruck. Porém, o governo manteve o controle das golden shares, ações que lhe dava poder de decisão em vários assuntos, por exemplo, sobre os objetivos da empresa.
No ano de 2001, o conselho de administração da Vale aprovou a nomeação de Roger Agnelli como CEO da empresa. Um ano depois, a privatização foi concretizada com o BNDES vendendo 31,5% de sua participação. No entanto, no ano seguinte, 2003, início do governo Lula, o mesmo BNDES recomprou 1,5 bilhão em ações da empresa. Nesse mesmo ano, Lula apadrinhou a nomeação do ex-sindicalista e ex-vereador petista Sergio Rosa (hoje investigado pela Operação Lava Jato) como CEO do Previ, o fundo de pensão do Banco do Brasil.
Sob a liderança de Agnelli, a Vale deu um salto de produtividade, de rentabilidade, de admissão de funcionários e de pagamento de impostos e de royalties.
A partir de 2009, o grupo que reúne fundos de pensão de empresas estatais controlados pelo PT (Previ, Petros e Funcef) se utilizou da Litel, holding criada por eles mesmos, para assumir o controle da Valepar e por meio dela obter 49% das ações da Vale, o que somados aos 11,5% que já estavam nas mãos do BNDESPAR, braço de investimentos do BNDES, deu ao PT o controle sobre mais de 60% das ações da empresa.
Começou, então, a pressão de Lula sobre Agnelli para que a Vale fizesse mais investimentos no Brasil, principalmente na aquisição de siderúrgicas e na encomenda de navios, mesmo que os similares estrangeiros custassem a metade do preço.
Lula também tentou fazer um certo Eike Batista chegar à presidência da Vale. Não conseguindo, tentou substituir Agnelli por Sergio Rosa. Também não conseguiu.
A despeito das pressões, Agnelli continuou seus projetos na Vale, incluindo a encomenda de navios na China e na Coreia do Sul, o que enfureceu Lula. Em 2011, logo após a Vale registrar um lucro trimestral quase 300% acima do trimestre anterior, Agnelli foi demitido. Seu sucessor e atual presidente, Murillo Ferreira, foi indicado por Lula – e até dois meses atrás, Ferreira também ocupava uma cadeira no conselho de administração da Petrobrás. Desde então, os rumos da Vale são ditados pelos interesses PT.
Ignorando normas de licitação e do TCU, a mineradora firmou diversos contratos com empresas beneficiadas pelo programa de proteção e de incentivo à indústria nacional iniciado por Lula e que, obviamente, formava o grupo de financiadores (Odebrecht, por exemplo) de seu partido e de todos os movimentos que o apoiavam.
Não por acaso, desde então a Vale vem registrando perdas. Hoje, a Litel tem, sozinha, 52,5% das ações da Vale.
Em tempo: Todos os setores que foram beneficiados pelo protecionismo do PT estão hoje em colapso e todos os fundos de pensão de empresas estatais controlados por petistas estão deficitários.
Três perguntas:
O grupo que detém o controle acionário da Vale não seria o maior responsável pelos projetos de suas empresas?
O governo não foi negligente na concessão de alvarás e na fiscalização?
O PT, que controla a Vale, que governa Minas Gerais e o Brasil não tem nada, absolutamente nada a ver com isso?
E assim, mais uma vez nos deparamos com a razão do estado não poder participar do mercado. Quando participa, o próprio estado se torna o mais interessado em abafar as responsabilidades em caso de incompetência e de negligencia, deixando a sociedade completamente desamparada institucionalmente. As pessoas que perderam suas casas, suas fontes de renda e familiares na tragédia com toda certeza ouvirão muitas promessas do governo e talvez recebam algum dinheiro, mas a probabilidade é de que não verão ninguém sendo punido.
A realidade que deveria ser vista pela sociedade é que a maioria das grandes empresas brasileiras estão sob influência direta ou indireta do governo, estão sujeitas aos interesses de militantes do PT e de políticos de sua base aliada que geram lucros para si mesmos e prejuízos para a sociedade. Os bancos, os fundos de pensão e as agências regulatórias do estado não passam de instrumentos políticos. Para saber quais são as empresas que estão sob o controle do PT, basta checar seus quadros acionários, os benefícios fiscais, a quantidade de dinheiro que receberam do BNDES e os valores que doaram aos partidos nos últimos anos.
Se estivéssemos num país regido pelo livre mercado, a Samarco e a Vale seriam empresas realmente privadas e suas responsabilidades nesse acidente seriam realmente levantadas, julgadas e punidas, já que o governo não teria interesse em livrá-las do peso da justiça. Se fossem privadas, o estado iria com toda sua força contra as empresas. Se fossem privadas, alguém iria para a cadeia.
Como se fosse pouco as mortes e os prejuízos ambientais, a tragédia também levará consigo muitos bilhões de reais investidos pelos fundos de pensão que controlam as duas empresas, ou seja: Os prejuízos serão estendidos aos funcionários da Caixa, da Petrobrás e do Banco do Brasil.
Um acidente como o ocorrido em Minas poderia ter acontecido com qualquer empresa e em qualquer lugar do mundo, como já ocorreu tantas vezes, porém, o caso em questão evidencia mais uma vez que a participação do estado na economia potencializa a impunidade. Ninguém será punido pela tragédia em Minas, assim como ninguém foi punido pelos acidentes nas plataformas da Petrobrás nem pelos prejuízos sociais e ambientais provocados pela falência das empresas de Eike Batista, o ilustre filho bastardo das políticas “desenvolvimentistas” do PT.
Para evitar problemas, dias depois da tragédia em Minas, Dilma assinou o decreto 8572 que diz que “…considera-se também como natural o desastre decorrente do rompimento ou colapso de barragens que ocasione movimento de massa, com danos a unidades residenciais”. Com uma simples canetada, Dilma tirou da Samarco e da Vale toda a responsabilidade sobre a tragédia.
ESQUEÇA A SEXTA-FEIRA 13 - 22/11/2015
(Publicado originalmente em O Globo de 21/11/2015)
A presidente, que foi guerrilheira e declarou horror à censura, acaba de aprovar lei apunhalando liberdade de expressão.
O massacre de Paris levou a Europa ao estado de guerra, e o mundo ao estado de alerta. Mas o Brasil só pode se indignar com um dos mais graves atentados terroristas da história da humanidade se lamentar primeiro a ruptura da barragem em Minas Gerais. Esse incrível dilema parece coisa do demônio, porque, como dizia Hélio Pellegrino, o demônio é burro. Só ele poderia, em meio ao sangue e à dor, sacar a calculadora.
O ser humano se choca e se revolta com o que quiser. O ser desumano decide o que deve chocar e revoltar os outros. Ele é imune ao sentimento. Perplexidade, medo e morte não atrapalham seus cálculos politicamente corretos. Sua bondade e seu altruísmo estão à venda na feira por 1,99. E acabam de produzir uma façanha: o país voltou a ter uma Lei de Imprensa igualzinha à da ditadura militar. Sancionada pelo governo da esquerda bondosa (1,99).
A presidente da República, que foi guerrilheira e declarou seu horror à censura, acaba de aprovar uma lei apunhalando a liberdade de expressão. Não deve ter ligado o nome à pessoa. A nova Lei do Direito de Resposta impõe aos veículos de comunicação prazos e ritos sumários para defender-se dos supostos ofendidos — uma mordaça, dado o risco de jornais e TVs terem que passar a veicular editoriais dos picaretas do petrolão, por exemplo. Este é, e sempre foi, o plano dos petistas amigos do povo em defesa da verdade: falar sozinhos.
É uma lei inconstitucional, e o Supremo Tribunal Federal terá que se manifestar sobre isso. Claro que a independência do Supremo vem sendo operada pelo governo popular segundo a mesmíssima tática progressista — onde progresso é você assinar embaixo do que eu disser. A democracia brasileira está, portanto, numa encruzilhada — e só Carolina não viu.
Carolina e os convertidos, que não são necessariamente comprados. Fora as entidades e cabeças de aluguel, existe a catequização sem recibo. Estudantes de escolas públicas e privadas do país inteiro enfrentam provas — vestibular inclusive — onde a resposta certa é aquela em que o governo do PT é virtuoso e os antecessores são perversos. O nome disso é lavagem cerebral, e os resultados estão aí: em qualquer cidade brasileira há estudantes sofrendo bullying ideológico da maioria catequizada. Essa é a verdadeira tropa de choque (ou exército chinês) dos companheiros que afundaram o Brasil sem perder a ternura.
Pense duas vezes, portanto, antes de se horrorizar com a carnificina da sexta-feira 13 em Paris. Sempre haverá alguém ao seu lado, ou na sua tela, para denunciar o seu elitismo. E para te perguntar por que você não se choca com a violência em Beirute. E para te ensinar que os próprios europeus são os culpados de tudo. Não adianta discutir — como já foi dito, o demônio é burro. Mas se você achar que isso é cerceamento da liberdade, não conte para ninguém: é mesmo. Trata-se da censura cultural, uma prima dissimulada da censura estatal (a da Lei de Imprensa).
A censura cultural se alimenta desses dilemas estúpidos — sempre buscando um jeito de colar no inimigo o selo de “conservador”, palavra mágica. No Brasil, quem é contra a indústria de boquinhas estatais do PT é conservador — e os que conservam as boquinhas são progressistas. Quem era contra o monopólio estatal da telefonia era conservador (neoliberal, elitista etc.). O monopólio foi quebrado, gerou um salto histórico de inclusão social, mas o sindicalismo petista que tentou conservar esse monopólio é que é progressista. Conservadores são os que acabaram com a conservação.
Jornalistas que criticam as malandragens fisiológicas da esquerda são conservadores — e para realçar o maniqueísmo, claro, vale inventar. O perfil de Carlos Alberto Sardenberg na Wikipédia, por exemplo, foi reescrito com algumas barbaridades por um computador progressista do Palácio do Planalto. O perfil do signatário deste artigo também foi enriquecido com algumas monstruosidades. Depois de retiradas, surgiu ali um editorial sobre “polêmicas” com o PT (que continua lá). Cita um vice-presidente do partido que acusou este signatário de maldizer os pobres e sua presença nos shoppings e aeroportos. Naturalmente, é o partido dele quem ameaça a presença dos pobres nos shoppings e nos aeroportos, com a pior crise econômica das últimas décadas — e com seu tesoureiro preso por desviar dinheiro do povo. Mas esses detalhes conservadores não estão no verbete.
Como se vê, a verdade tem dono. Se você não quer problema com a patrulha, leia a cartilha direito. E, se possível, diga que os 130 mortos pelo Estado Islâmico em Paris não são nada perto da matança nas periferias brasileiras (use à vontade a calculadora do demônio). Pronto, você está dentro. Aí, pode falar de tudo. Lula, por exemplo, disse a Roberto D’Ávila que passou cinco anos sem dar entrevista para não interferir no governo. Procede. Esse que você ouviu falando pelos cotovelos devia ser o palestrante da Odebrecht.
* Jornalista
NOTA À REVISTA - 19/11/2015
Estou disposto a encaminhar uma reclamação à Revista "Fortune", pois me fez vítima de inexplicável omissão. Acontece que ela publicou a lista dos homens mais ricos do planeta e nela eu não apareço!
Aparecem, o sultão de Brunei e também os herdeiros de Sam Walton e Takichiro Mori. Figuram aí personalidades como a Rainha da Inglaterra, Stavros Niarkos e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcárraga.
No entanto, a mim não me mencionam na "Fortune". E eu sou um homem imensamente rico. Vejam vocês:
• tenho vida que recebi não sei por que e saúde que conservo não sei como;
• tenho uma família. Esposa adorável que, ao entregar-me sua vida, me deu o melhor da minha; filhos maravilhosos dos quais não recebi senão felicidade; netos com os quais exerço uma nova e gostosa paternidade;
• tenho irmãos, que são como meus amigos e tenho amigos que são como meus irmãos;
• tenho gente que me ama com sinceridade apesar dos meus defeitos e a quem amo com sinceridade apesar dos meus defeitos;
• tenho quatro leitores aos quais, cada dia, dou graças porque leem bem o que eu escrevo mal;
• tenho uma casa e nela muitos livros (minha esposa diria que tenho muitos livros e, entre eles, uma casa);
• possuo um pedacinho do mundo na forma de um pomar que, a cada ano, me dá maçãs que teriam encurtado ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso;
• Tenho um cão que não vai dormir enquanto não chego e me recebe como se fosse o dono dos céus e da terra;
• tenho olhos que veem e ouvidos que ouvem; pés que caminham e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas já ocorridas a outros, mas que a mim nunca me haviam ocorrido;
• sou dono da herança comum dos homens: alegrias desfrutadas e penas para irmanar-me aos que sofrem.
Tenho fé em Deus, que guarda para mim infinito amor.
Podem existir riquezas maiores do que as minhas? Por que, então, a revista "Fortune" não me pôs na lista dos homens mais ricos do planeta?
E a ti, como te consideram? Rico ou pobre?
Há gente pobre, mas tão pobre, que a única coisa que tem é dinheiro...
* Jornalista mexicano
(A tradução do original em espanhol para o português foi cometida por Percival Puggina, sem autorização alguma, mas ele espera ter feito o melhor possível...)
DÊ PRESENTE A UM ADULTO NESTE NATAL - 17/11/2015
Faz mais de dez anos que eu vou à agência central dos correios para bancar o Papai Noel. Pego ali, aleatoriamente, umas cinco cartas que levo para casa e, no dia seguinte, lá me vou comprar o presente que aquela criança anônima da periferia pediu para alegrar seu Natal.
Que tolice! Volta e meia nós caímos nessa ratoeira: "Ouro para o bem do Brasil"; "Orós precisa de nós"; "Criança esperança"; "Dedico meu milésimo gol às criancinha pobres do Brasil" (Pelé). Explode coração! Quantas emoções!
Agora que eu entrei para o clube do cotonete - só entra quem tiver a cabeça branca - tudo vai ser diferente. Vou dar meu Natal para os pobres. Isso mesmo, o Natal inteiro. Desde a árvore, as bolas douradas, os sinos, até o anjo que anuncia com uma flauta a esperança de um futuro melhor. Como fez Dilma na campanha eleitoral do ano passado.
Vou radicalizar minha solidariedade. Nada de enviar um presentinho, menos para o menino inocente do que para mim mesmo. Para lavar as mãos de minha consciência.
Darei um telefonema a esses promotores de campanhas tão meritórias para pedir que me informem o endereço da sede do PT. Não quero constranger nenhuma família de "excluídos" com um presente dado por um burguês, reacionário, fascista. Conservador. Não vou mais me intrometer, inadvertidamente, nessa seara que é um monopólio do PT. Esse partido que é tão apaixonado pelos pobres que os multiplica. Quanto mais pobres, melhor.
Minha única dúvida - já que eu sou um cara muito desconfiado - é se o PT será capaz de distribuir tantos presentes até o Natal. Mesmo convocando sua militância. Os voluntários da pátria. E que os comissários, diante dessa avalanche de tantos outros que pensem como eu, acabem se aturdindo. Recusem os presentes como uma tentativa de suborno, coisa que repelem veementemente, devolvendo o agrado com um bilhete malcriado ao benfeitor. E me chamem de golpista imperdoável. Lá vou para o paredón dos infames, erguido pela diligente patrulha ideológica.
Não, pensando bem, neste Natal, eu vou presentear com meu coração os adultos que vivem nas ruas, sem título de eleitor nem filiação sindical. Os esquecidos. Com um copo de café com leite, um sanduíche de queijo e presunto e um abraço, agachado na calçada para me nivelar a eles, lembrando que o Menino nasceu numa manjedoura para nos igualar como filhos de Deus. E nos elevar no mistério que reflete a semelhança da imagem humana de Deus na imagem divina do homem: Cristo.
ABORTO: DIREITO DA MULHER? - 15/11/2015
(Publicado originalmente em www.criticapoliticabrasil.com.br)
O tema aborto vem, nos meses mais recentes, sendo noticiado de maneira mais abrangente pelos canais de comunicação (rádio, jornais, canais de TV, revistas, mídias sociais), embora sem o aprofundamento que a complexidade do tema requer. A cobertura midiática sobre o tema tornou-se mais rotineira após aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados de Projeto de Lei que dificulta, leia-se bem, dificulta a possibilidade da prática de aborto, permanecendo intactos os casos de aborto permitidos em Lei.
Antes de tudo, é imprescindível anotar que o enfrentamento do tema em questão pode (e deve!) ser realizado sem desbancar-se para o aspecto religioso. Não que a religião, seja esta qual for, deixe de tangenciar o tema em questão. Pelo contrário: abre-se mão dos fundamentos religiosos para que a discussão prossiga, sem o corte inicial extremista dos que costumam desacreditar determinada opinião de terceiro, sem antes apreciá-la e mesmo que esta sobreponha a própria opinião vencida, tanto em fundamentos, como em argumentos e fatos comprovados.
Isto posto, deve-se iniciar a abordagem do tema sob aspecto basilar e fundamental para o entendimento do todo: a cientificidade do aborto.
Qualquer estudante do ensino médio e, sem superiores capacidades cognitivas ao esperado para sua idade, consegue discernir e entender que numa gravidez a mulher contempla uma outra vida em seu interior, isto é, um ser vivo em formação, desde a concepção. Este ser vivo, o feto, é tese fundamental da questão científica em torno do aborto: na gravidez não há apenas um corpo em questão, mas sim, dois: o da mãe e o do feto que nela se desenvolve.
Premissa esclarecida, começa-se a vislumbrar quão falacioso e desinformativo é o discurso dos pró-abortistas sobre a necessidade da mulher utilizar-se de sua gestação da forma que lhe convier, sob a alegação de que “o corpo é meu, faço dele o que bem entendo”. Como afirmado, no processo de gravidez, há dois corpos em destaque. Se dois corpos coexistem (mãe e feto), qual direito resta exclusivo à mulher em, abertamente, suscitar que pode de seu corpo usufruir sem limitações? Não há “um” corpo. Há dois corpos e, um deles, o feto, deve ser protegido pelo Estado, o qual limita a atuação irrestrita e livre da mulher sob aquele. Então, a cantiga estridente feminista do “útero livre” é insustentável, inconcebível, desarrazoada e ilegal, pelo rápido e certeiro argumento exposto.
Outrossim, a própria ONU, em sua Declaração dos Direitos da Criança, de 1959, afirma que “a criança, em decorrência de sua imaturidade física e mental, precisa de proteção e cuidados especiais, inclusive proteção legal apropriada, antes e depois do nascimento”. Vejam então que ANTES mesmo do nascimento a criança deve ser protegida pelo Estado, o que atualmente se faz em nosso país por diversos normativos jurídicos.
No aspecto jurídico, outra alegação descabida dos pró-abortistas refere-se ao fato que a mulher estuprada (caso o Projeto de Lei converta-se em Lei sancionada) não mais poderá abortar. Essa afirmação é desprovida de qualquer veracidade. A prática de aborto conhecida como legal, pois oriunda de Lei e contemplada no art. 128, I e II do Código Penal, permanecerá intacta na nova Lei proposta. A exigência de atestado de óbito proposta inicialmente pelo Projeto de Lei foi retirada do corpo deste. Assim, esvazia-se de fundamento, mais uma vez, o discurso pró-abortista.
Assim sendo, as questões jurídicas relevantes permanecerão inalteradas, ou seja, a mulher cuja gravidez originou-se em aborto ou que ponha em risco sua vida, poderá realizar o aborto, pois protegida estará pelo Código Penal vigente.
Outro aspecto interessante que se nota no discurso das pessoas favoráveis ao aborto – sejam elas intelectuais que direcionam e elaboram os discursos pró-abortistas, ou os meros propagadores deste discurso –, é que o tema aborto é tratado pelo termo composto “interrupção da gravidez”. Notem que nestes discursos não se vincula o tema aborto ao bebê em formação; à criança indefesa no útero; à morte cruel deste ser vivo sem direito defesa; ao sofrimento brutal durante seu assassinato etc. Estes discursos privilegiam o ângulo apenas da mulher, não sendo propagados ao acaso.
A metodologia engendrada pelos que propõem o discurso pró-aborto foi elaborada para que a discussão do tema aborto torne-se natural e aceitável na sociedade, que passa a percebê-lo como decorrente do avanço e da modernidade social, passando até a defendê-lo como “direito da mulher”. O que não se elenca é que o aborto nada mais é do que por fim à vida de um ser indefeso, assassinando-o.
Na mesma linha discursiva, quando se analisa o tema aborto, costuma-se destacar, sobremaneira, que a gestante é a única e exclusiva vítima do preconceito social (quando do estupro decorrente de aborto) ou da incompreensão de seu companheiro por sua gravidez, que a faz indesejar o ser vivo fruto do relacionamento.
A mulher, nessas circunstâncias, é percebida como a única que sofre quando da gravidez indesejada e da prática de aborto, pois rejeitada socialmente pela prática do ato. E o sofrimento incomensurável do feto que será assassinado? Você, cidadã de bem, mãe ou não, se declara a favor do assassinato de um outro indivíduo? Provavelmente não, mas talvez se declare a favor do aborto.
Por fim, embora não menos importante, o tema aborto é discutido há mais de 50 anos nos EUA, país que legalizou a prática deste ato no ano de 1973. Deste ano até o início dos anos 2000, mais de 63 milhões de fetos foram assassinados nos EUA via prática do aborto e em clínicas legalizadas. Isso mesmo: mais de 63 milhões de vidas indefesas foram extirpadas, pelos 5 (cinco) métodos abortivos mais conhecidos e praticados naquele país. Este número de assassinatos é maior que as mortes causadas por todas as guerras já ocorridas no planeta. E aqui não se fala apenas das Grandes Guerras Mundiais: contempla-se TODAS as guerras ocorridas até a atualidade. Em suma: mata-se mais crianças indefesas nos EUA, via procedimento abortivo, dos que todas as guerras ocorridas no mundo.
Alegar-se também que o aborto é questão de saúde pública, pois milhares de mulheres perecem em clínicas clandestinas anualmente é uma tentativa desenfreada dos pró-abortistas em sensibilizar os duvidosos sobre o tema, novamente utilizando-se do utilitarista discurso do sofrimento único e exclusivo da mulher.
A implantação legalizada de clínicas de aborto além de aumentar a quantidade de assassinatos de fetos, em nada obstará que algumas mulheres continuem procurando clínicas clandestinas para praticarem o aborto, pois as clínicas legalizadas deverão conter registros formais da abortante, o que não é desejado por esta, que almeja a furtividade, a clandestinidade na prática deste ato.
Há diversas outras formas de se precaver de uma gravidez, seja através de contraceptivos ou outros meios educacionais. Mas não há outra forma de salvar a vida do feto que não a proibição do aborto. A mulher, diga-se, deve ser protegida pelo Estado, devendo receber todo o apoio deste durante sua gravidez, de modo que todo o processo transcorra da melhor maneira possível.
Isto posto, questiona-se: o aborto é “direito” único e exclusivo da mulher ou deve ser tratado pelo ângulo da proteção do Estado em resguardar a vida do ser mais indefeso e desprotegido que se pode conceber na natureza humana: o feto?
* Mestre em Direito
ESTADO ISLÂMICO – DESVENDANDO O EXÉRCITO DO TERROR - 14/11/2015
(Publicado originalmente no Alerta Total - www.alertatotal.net)
Cristãos, yazidis e turcos estão entre os mais perseguidos pelo Estado Islâmico, grupo dissidente da Al Qaeda que ocupou grandes partes do território do Iraque e da Síria. Eles estão mirando sistematicamente homens, mulheres e crianças baseados em sua filiação religiosa ou étnica e estão realizando impiedosamente uma limpeza étnica e religiosa generalizada nas áreas sob seu controle.
O Estado Islâmico surgiu em 2006, depois da invasão dos EUA e seus aliados ao Iraque, com sobreviventes da Al Qaeda no país, e ganhou força entre 2011 e 2013 quando teve início a rebelião na Síria. Seu atual comandante é Abu Bakr al-Baghdad.
Quando o EI invadiu a cidade de Mosul, capital da província de Ninewah, no Iraque – conquistando uma extensão de terras equivalente ao tamanho da Grã Bretanha –, o EI possuía apenas 800 combatentes. Hoje seu efetivo é estimado pela CIA entre 20 mil e 40 mil combatentes com acesso a recursos de 2 bilhões de dólares oriundos de fontes diversas, entre as quais seqüestros, roubos e, principalmente, a exploração e venda de petróleo da refinaria de Beiji, no norte do Iraque. Segundo experts, o Estado Islâmico controla 12 campos de petróleo no Iraque e na Síria, com capacidade de produzir 150 mil barris por dia, com receitas diárias estimadas em até 3 milhões de dólares.
Cinco meses antes da queda de Mosul o presidente Barak Obama havia menosprezado o EI, tachando-o de “um bando inexperiente de terroristas”.
De onde veio o Estado Islâmico e como ele conseguiu fazer tanto estrago em tão pouco tempo?
Os Estados Unidos estiveram em guerra contra o EI por quase uma década, incluindo aí suas várias encarnações, como a Al-Qaeda no Iraque, depois como Conselho Consultivo Mujahidin e, por fim, Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
Muita coisa relativa a esse inimigo totalitário e teocrático permanece esquecida ou simplesmente pouco investigada. Debates a respeito de sua ideologia, estratégia de guerra e dinâmica interna persistem em todos os países comprometidos com a sua derrota. O EI é, na realidade, o último front em uma culminação sangrenta de uma longa disputa dentro da hierarquia do jihadismo internacional.
Examinando o EI como ele é hoje em dia, com base em entrevistas com militantes ativos (alguns já falecidos), espiões, agentes adormecidos e também suas vítimas, chega-se à conclusão de que um dos principais centros de recrutamento de militantes foram os presídios, especialmente no Oriente Médio, que serviram, por anos, como academias do terror, onde extremistas conhecidos puderam congregar, tramar e desenvolver suas habilidades de convencimento e liderança, recrutando uma nova geração de combatentes.
O EI é uma organização terrorista, mas não é apenas uma organização terrorista. É também uma máfia adepta em explorar mercados obscuros internacionais que existem há décadas para o tráfico de petróleo e armas. É um completo aparato de Inteligência que se infiltra em organizações rivais e recruta silenciosamente membros ativos antes do controle total dessas organizações, derrotando-as no campo de batalha ou tomando suas terras. É uma máquina de propaganda eficiente e hábil na disseminação de suas mensagens e no recrutamento de novos membros através das mídias sociais. A maioria dos seus principais comandantes serviu no exército ou nos serviços de segurança de Saddam Hussein.
O EI apresenta-se para uma minoria sunita no Iraque e uma maioria sunita mais perseguida e vitimada na Síria como a última linha de defesa da seita contra uma série de inimigos – os “infiéis” Estados Unidos, os Estados “apóstatas” do Golfo Pérsico, a ditadura alauita ”Nusayri” na Síria, a unidade “rafida” e de resistência no Irã e a última satrápia de Bagdá -. Estima-se que além do Estado Islâmico existam outros 450 grupos rebeldes operando na Síria.
O EI, de forma brutal e inteligente, destruiu as fronteiras dos Estados-Nação da Síria e do Iraque e proclamou-se o restaurador de um império islâmico. Tem como capital a cidade de Mosul, seu idioma oficial é o árabe, o governo é um Califado Islâmico, declarado em 29 de junho de 2014; possui uma bandeira e um brasão de armas. Já criou seus próprios tribunais, ministérios, passaportes e até placas de carros. Em novembro de 2014 criou a sua própria moeda, parte de um plano para restaurar o Califado que dominou o Oriente Médio a mais de 1.300 anos.
Abu Bakr al-Baghdadi – ungido Califa Ibraim – proclamou o fim do ISIS (em inglês Islamic State of Iraq and al-Sham) e o nascimento do Estado Islâmico no dia 28 de junho de 2014, o primeiro dia do Ramadã. A partir de então, apenas o Estado Islâmico passaria a existir, dividindo a humanidade em dois campos. O primeiro seria “o campo dos muçulmanos e dos mujahidin (guerreiros sagrados) por toda a parte”; o segundo “o campo dos judeus, dos Cruzados e seus aliados”.
O campo de treinamento do EI e de seus antecessores, na fronteira do Afeganistão com o Paquistão, que treinou os idealizadores dos ataques ao World Trade Center, tem três fases distintas de treinamento e doutrinação. A primeira consiste em “dias de experimentação”, com a duração de 15 dias, durante os quais um recruta é sujeito à “exaustão psicológica e moral” – para separar os fracos dos verdadeiros guerreiros. A segunda é o “período de preparação militar”, com a duração de 45 dias, durante os quais um recruta aprende como empunhar armas leves, evolui para o lançamento de mísseis portáteis superfície-ar e cursos de cartografia. A terceira e última fase é o “curso de táticas de guerra de guerrilhas”, no qual é ensinada a teoria militar de Von Clausewitz para terroristas.
Em março de 2009, o Departamento de Defesa dos EUA mudou oficialmente o nome das operações contra o EI de “Guerra Global Contra o Terror” para “Operações Contingenciais Externas” e em maio de 2013 o presidente Obama declarou que a “guerra ao terror” havia terminado.
Sete meses depois, em janeiro de 2014, em uma entrevista à revista “The New Yorker” Obama minimizou o poder do Estado Islâmico comparando-o a um “jayvee” (equipe de esportes de estudantes terceiranistas).
Se os EUA quisessem fazer uma demonstração de força no Iraque e na Síria, poderiam expulsar rapidamente o EI de seus esconderijos. Porém, o difícil viria depois, com a provável onda de atentados e guerra assimétrica que certamente duraria anos e teria custos enormes. Obama, dezoito meses depois, em 8 de junho de 2015, disse que sua administração “ainda não tinha nenhuma estratégia” para lidar com o Estado Islâmico. Ao que tudo indica sua administração continua “sem estratégia até hoje”. Pelo que se observa, o Estado Islâmico sim, tem uma estratégia, pois a guerra jihadista contra o Ocidente e seus aliados continua crescendo, como se viu ontem, 13/11/2015, em Paris.
m agosto de 2014, Obama declarou que a estratégia dos EUA no combate ao EI está amparada em quatro pilares: ataques aéreos, apoio aos aliados locais, esforços de contraterrorismo para prevenir ataques, e assistência humanitária contínua a civis.
Em setembro de 2014 o presidente Barak Obama em uma sessão na ONU declarou que “os países devem evitar o recrutamento e o financiamento de combatentes estrangeiros”. Segundo ele, “os EUA irão trabalhar para destruir essa rede da morte”, em alusão ao Estado Islâmico. E prosseguiu: “Nós vamos apoiar a luta dos iraquianos e dos sírios para proteger suas comunidades. Vamos treinar e equipar as forças que estão lutando contra esses terroristas em solo. Vamos trabalhar para acabar com o financiamento deles e parar o fluxo de combatentes que se juntam ao grupo. Eu peço ao mundo que se junte a nós nessa missão”. E concluiu fazendo um apelo aos muçulmanos para rejeitarem a ideologia do Estado Islâmico. Obama encerrou seu discurso dizendo que “as palavras que dissemos aqui precisam ser transformadas em ação...com os países e entre eles, não apenas nos dias que se seguem, mas nos anos que virão”. Uma Resolução proposta pelos EUA foi aprovada por unanimidade no Conselho de Segurança da ONU. Ao final, mais de 40 países se ofereceram para fazer parte da coalizão “anti-EI”, liderada pelos EUA.
Em junho de 2015 Obama voltou a referir-se ao EI declarando que “falta recrutar e treinar mais militares iraquianos dispostos a combater o Estado Islâmico. Não temos ainda uma estratégia completa, pois faltam compromissos dos iraquianos no que diz respeito a como é feito o recrutamento e como é que as tropas serão treinadas”.
Os EUA gastam, em média, cerca de 9 milhões de dólares por dia para combater o Estado Islâmico, e os custos totais já passam de 2,7 bilhões desde o início da campanha de bombardeios contra o EI.
Em qualquer atividade – passando pela organização e pela hierarquia -, o EI está anos-luz à frente das demais facções que atuam na região. Apresenta o que parece ser o início da estrutura de um semi-Estado – ministérios, tribunais e até mesmo um sistema tributário rudimentar -.
Nos campos de treinamento cerca de 300 crianças com idades até 16 anos recebem instrução como combatentes e terroristas suicidas no EI. Aprendem a ideologia fundamentalista e a manusear armas pesadas. Esses campos são anunciados como “Clubes de Escoteiros”.
Uma revista editada pelo Estado Islâmico, intitulada “DABIQ”, que já está na sua terceira edição, publicada em várias línguas, inclusive o inglês, apresenta o EI como a única voz muçulmana no mundo, na tentativa de cooptar estrangeiros para lutarem pelo Califado no Iraque e na Síria. Segundo o Conselho de Segurança da ONU, somente no ano de 2014 cerca de 15 mil estrangeiros de mais de 80 países, viajaram à Síria e ao Iraque a fim de lutarem ao lado do EI e grupos terroristas semelhantes. A ONU ressaltou que o aumento nesse número ocorre em uma escala “sem precedentes”. Segundo a União Européia, mais de 5 mil europeus se uniram à jihad na Síria e no Iraque, mas segundo a Comissária Européia de Justiça, esse número “é muito subestimado”.
O Estado Islâmico foi designado como organização terrorista pelos seguintes países: EUA em 17/12/2004, Austrália em 2/3/2005, Canadá em 20/8/2012, Arábia Saudita em 7/3/2014, Inglaterra em 20/6/2014, Indonésia em 1/8/2014 e Alemanha em 12/9/2014. A França absteve-se...
Os cristãos que vivem nas áreas dominadas pelo Estado Islâmico têm apenas três opções: converterem-se ao islamismo; pagar um imposto religioso (o jizya); ou morrer.
Militantes do Estado Islâmico estariam sendo contrabandeados para a Europa pelas gangues que operam no Mar Mediterrâneo, segundo uma fonte do governo líbio declarou à BBC. Os extremistas são misturados aos migrantes que viajam nos barcos desde a costa africana em direção ao continente europeu, porque a Polícia não sabe quem é refugiado e quem é militante do EI, pois isso é extremamente difícil.
Em setembro de 2015, a Polícia Federal descobriu uma rede de apoiadores do Estado Islâmico em São Paulo. A descoberta assusta, ainda mais porque TERRORISMO NÃO É CONSIDERADO CRIME NO BRASIL.
Para concluir, uma análise do general Álvaro Pinheiro, em abril de 2015:
“A possibilidade do Estado Islâmico/ISIS desencadear o terrorismo nos cinco continentes, corroborada pelos recentes atentados na Bélgica, Canadá, Austrália, França e Tunísia, é encarada em todo o mundo ocidental com a máxima responsabilidade. Nesse contexto, a infiltração do EI/ISIS na área da Tríplice Fronteira no Cone Sul da América do Sul é absolutamente consensual no âmbito da Comunidade de Inteligência Internacional. Não encarar esse indício com a devida responsabilidade é mais um verdadeiro CRIME DE LESA PÁTRIA”.
* Historiador
CÍRCULOS BOLIVARIANOS - 31/10/2015
(Publicado originalmente em www.alertatotal.net)
Um artigo intitulado “Ameaça à Soberania”, publicado em 14 de outubro de 2007 pelo Correio Braziliense, assinalou que o governo venezuelano, através de um grupo de diplomatas, municia uma organização – Círculos Bolivarianos - para transformar o Brasil em uma democracia socialista. Todavia, a infiltração ideológica do então presidente Hugo Chávez no Brasil vai muito além do lançamento e distribuição às universidades e escolas do livro “Simon Bolívar – o Libertador”. Ele é apenas a ponta do iceberg do projeto político de Chávez.
O trabalho de campo foi articulado pelo venezuelano Maximilian Arvelaiz, assessor de política internacional de Chávez. Arvelaiz. no segundo semestre de 2007 percorreu várias capitais brasileiras, com a missão de coordenar os Círculos Bolivarianos, o que culminaria com a realização da I Assembléia Bolivariana Nacional.
O Movimento Bolivariano tem um hino, um símbolo e uma bandeira. “Ousar Lutar, Ousar Vencer. Pátria Socialismo ou Morte! Venceremos!” Essas são as palavras de ordem utilizadas.
Aurélio Fernandes, militante do PDT, conseguiu unificar todas as organizações similares existentes no Rio, como o Círculo Bolivariano Che Guevara, que reúne universitários. Para isso, teria recebido o apoio do Cônsul da Venezuela, embaixador Mario Guglielmelli Vera.
O Rio é o Estado com maior número de unidades bolivarianas: 7. O DF, PE, SC, SP, BA e AM também possuem unidades bolivarianas. A Casa Bolivariana, no Rio, funciona na Praça da República 25-3º andar (prédio da Federação das Associações de Favelas do Rio de Janeiro), local onde, em novembro de 2006 foram realizadas diversas conferências bem como um ato público em favor da reeleição de Hugo Chávez.
Os chavistas brasileiros se aproximaram da Federação das Favelas e fazem palestras para líderes comunitários locais. Nesses encontros foi exibido o documentário “A Revolução não Será Televisionada”, que mostra os bastidores do golpe que tentou tirar Chávez do Poder.
João Claudio Pitillo, líder do Círculo Bolivariano Che Guevara, estudante de História na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, era o encarregado da ligação do Movimento com as favelas, segundo reportagem da revista Época de 11 de dezembro de 2007.
Antes disso, em outubro de 2003, foi realizada em São Paulo uma reunião de um Grupo de Trabalho, preparatória para o Congresso Bolivariano dos Povos, realizado em Caracas em 20/23 de novembro de 2003. Esse Congresso foi antecedido por uma outra reunião do Grupo de Trabalho, em Caracas, dias 28 a 30 de agosto de 2003, que aprovou a criação de uma Secretaria Provisional do Congresso e de Comitês Nacionais, em um encontro preparatório para a realização do Congresso, em novembro de 2004.
Para implementar as propostas acima foram aprovadas por unanimidade e decidido designar os integrantes da Secretaria Provisional: Círculos Bolivarianos, da Venezuela; Comitês de Defesa da Revolução, de Cuba; FMLN, de El Salvador; Movimiento al Socialismo, da Bolívia, Movimiento Piquetero Bairros de Pie, da Argentina, e MST, do Brasil.
Participaram do Congresso Bolivariano dos Povos: MST, Instituto de Estudos Políticos Mario Alves, do PCBR, representando por Bruno Costa de Albuquerque Maranhão, coordenador do MLST e do Grupo Brasil Socialista (que atua dentro do PT), além de representantes da UNE e MR8.
Em dezembro de 2006 foi fundado no Rio o Partido da Revolução Bolivariana do Brasil, com 109 assinaturas de eleitores de 11 Estados. O PRBN diz-se nacionalista e defensor da economia de mercado “com presença forte do Estado”.
Em setembro de 2007, integrantes do IV Seminário Internacional de Luta contra o Neoliberalismo, realizado na sede do jornal Inverta, editado pelo Partido Comunista Marxista-Leninista (PCML), decidiram lançar, no Rio de Janeiro, o Capítulo Brasil da Coordenadora Continental Bolivariana, um espaço de coordenação progressista que projeta sua atividade face a consolidação de uma estrutura ampla e democrática. Estiveram presentes ao evento 59 pessoas, a maioria absoluta militantes do PCML.
Finalmente, a Coordenadora Continental Bolivariana realizou seu II Congresso entre os dias 23 e 27 de fevereiro de 2008, em Quito com a presença de militantes do PCML representando a Coordenadora Continental Bolivariana – Capítulo Luiz Carlos Prestes.
Segundo a devassa que vem sendo feita nos computadores de “Raúl Reyes” (terrorista morto no Equador em março de 2008), um correio de 7 de fevereiro de 2007, de “Ivan Márquez Rios” (Luciano Marin Arango) – membro do Comando das FARC – dava detalhes sobre esse Congresso. Segundo esse correio, a Coordenadora foi criada em 2003 pela guerrilha e é controlada por ela em detalhes. Essa nota de “Ivan Márquez Ríos” revelava o local e o programa do II Congresso que viria a ser realizado em Quito em 23 de fevereiro. Esse fato revela a influência das FARC na organização da Coordenadora Continental Bolivariana.
Mensagem de 14 de novembro de 2007, de “Ivan Márquez”, localizada no computador de “Raúl Reyes”,morto em março de 2008 nas selvas do Equador, revela que não apenas os movimentos radicais se aproximaram das FARC. Esse documento indica que o Ministro do Interior da Venezuela, Ramon Rodríguez Chacin, “se interessou sobre possibilidades de que lhes transmitamos nossa experiência em guerra de guerrilhas, a qual eles chamam de guerra assimétrica”. Os e-mails encontrados no computador de “Raúl Reyes” revelam que desde 2002, quando o presidente Uribe assumiu o Poder, as FARC vêm lançando mão de militantes, supostamente refugiados, para montar núcleos de apoio ideológico, financeiro e logístico.
Esse esquema teria propiciado às FARC a montagem de uma rede de cerca de 400 organizações no continente, desde partidos políticos legais até organizações revolucionárias clandestinas.
Observe-se que os computadores de “Raúl Reyes” continham cerca de 600 gigabytes de dados, entre os quais 37.872 documentos escritos, 451 folhas de cálculo, 210.888 imagens, 22.481 páginas web, 7.989 endereços eletrônicos, 10.537 arquivos multimídia (de som e vídeos) e 983 fichários cifrados. Algumas mensagens:
“Osvaldo, chefe do Partido Pátria Livre [do Paraguai] informa de 300 mil dólares nossos em seu poder, cobrados em um resgate em trabalho conjunto FARC-PL (...) No Paraguai existem boas condições para trabalhos financeiros conjuntos”.
Recordamos que no Brasil também foi constituído o Partido Pátria Livre, em 21 de abril de 2009, tornado legal pela Justiça Eleitoral em 3 de outubro de 2011, que não passa da nova denominação do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR8). Seu presidente é Sérgio Rubens de Araujo Torres, militante do MR8 durante a luta armada, participante de várias ações armadas.
Dois membros da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional de El Salvador pedem ajuda para sua campanha em 2003. “Podemos pedir que eles façam a inteligência sobre um alvo econômico de 10 ou 20 milhões no Panamá para fazê-lo em conjunto e dividir as utilidades em partes iguais”.
Segundo outros correios eletrônicos, encontrados no computador de um guerrilheiro preso na Colômbia (Gustavo Arbelaiz – “Santiago”),as FARC receberam em 2007, armas procedentes da Nicarágua. Treze mensagens do computador informavam sobre esse envio de armas e munições. Essas mensagens foram expedidas entre 8 de janeiro e 28 de abril de 2008. Em outra mensagem, “Santiago” informa que chegaram 15 mil tiros de AK-47 e 300 de ponto 50. Algumas mensagens falam do “justiçamento” de guerrilheiros por temor que entreguem seus chefes.
“Santiago”, um dos mais importantes chefes da guerrilha, foi detido em abril de 2008 em Buenaventura, Pacífico colombiano. “Santiago” responde a 27 processos, entre os quais o seqüestro de 11 deputados posteriormente assassinados pelas FARC, como aconteceu com “Ivan Ríos” (Luciano Marín Arango), morto por seus homens.
* Historiador.
CRÔNICAS DO SÍNODO – UMA QUESTÃO DE MÉTODO - 28/10/2015
(Publicado originalmente em FratresInUnum.com)
“O mandato vem de Cristo, as incumbências e os deveres vêm de Cristo, as chaves foram entregues por Cristo e não pelo povo. Aí está o engano, o perigo, a ilusão da chamada ‘descentralização’. O caminho da Igreja começa por escutar a Cristo e não o povo. A missão de Pedro vem de Cristo e não do povo. Cristo é o que está ‘elevado, acima de todos’, pois ‘nada podereis fazer sem Mim’”.
De volta a Roma, ainda uma semana antes de encerrar o Sínodo da Família, o clima constatado era de apreensão, especialmente entre os bispos e cardeais, que se empenharam na defesa da sã doutrina sobre matrimônio e família, conforme o ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, coerentemente defendido pelo Magistério da Igreja, ao longo dos séculos. Tendo estado com D. Robert Sarah, um dos signatários da carta ao papa Francisco, sabíamos da necessidade de mais vozes se somarem em favor da sã doutrina católica. Por mais que muitos dissessem que a doutrina não será alterada, a preocupação era patente após o pronunciamento de Francisco, na Sala Paulo VI, no sábado, 17 de outubro, quando explicitou categoricamente sua disposição por uma “conversão do papado”, dizendo sentir a necessidade da “descentralização”.
Caminhando com um prelado pelas colunas da Praça de São Pedro, à noite, vimos a Basílica toda iluminada, cuja majestade encanta os olhos, especialmente com as fontes também acesas, com águas em profusão. Ao longe, avistamos a loggia de onde Francisco apareceu pela primeira vez ao mundo, em 13 de março de 2013, curvando-se ao povo, naquele gesto inusitado e impactante, indicando logo naquele início todo o propósito do seu pontificado. “Começamos aqui um novo caminho”, proferiu à multidão de fiéis na Praça, naquela noite fria e chuvosa.
“Não se trata de alterar a doutrina” – explicou-me o prelado, enquanto avistava o Palácio Apostólico desocupado, lembrando-me ainda antes que nem Bento XVI nem Francisco ocupam os aposentos papais, pois o primeiro está recluso no Matter Eclesia, o segundo, ativíssimo na Casa de Santa Marta, junto aos demais bispos e cardeais.
“Eles não teriam como alterar a doutrina”, repetiu, voltando-se em direção ao outro lado, à Porta de S. Ufficio, pela entrada de acesso à Congregação para a Doutrina da Fé. E continuou em sua análise, enquanto seguimos pela Via della Conciliazione.
“Mas poderão recorrer à retórica, às sutilezas semânticas e subterfúgios sofisticados para dubiedades e ambigüidades que permitam afrouxar as exigências da fé, e então o rebanho poderá ficar confuso, especialmente se os conteúdos da fé forem diluídos pelo relativismo. Não irão alterar a doutrina, estamos todos certos disso, mas os problemas começam quando os pastores passam a dizer meias-verdades, a minimizar os efeitos do pecado, a olhar demais somente para a humanidade, deixando de lado a dimensão soteriológica.”
Da Via della Conciliazione era possível ver, ao longe, o castelo de Santo Angelo, com a imagem de São Miguel Arcanjo, no cume da histórica edificação.
“Eles não teriam como fazer isso, ao menos como muitos querem, há décadas. Então, se utilizam de artifícios e estratégias, muito bem calculadas, como num jogo político. Enquanto muitos dizem que não irão alterar a doutrina, abrem brechas para flexibilizações e permissividades, muitas delas justificando aceitar o que era até então inimaginável. ‘Mas os tempos mudaram, as coisas evoluem, e a Igreja não é museu’, repetem com empolgação. Antes, o relativismo não tinha como avançar, quando o sim era sim, e o não era não, com inteira clareza. Agora, os tempos são outros, mais leves, com ‘o espírito e o método’ de um Igreja mais horizontal e igualitária.”
Passamos pela embaixada do Brasil, onde paramos e de onde podíamos ainda avistar a Basílica de São Pedro, ao fundo, iluminada.
E prosseguiu o prelado com as suas considerações:
“O que se teme não é isso, mas a abordagem e a metodologia utilizada, recorrendo também à retórica e ao eufemismo para que muitos desinformados não se dêem conta das brechas que poderão abrir com a estratégia usada. Trata-se de uma questão de método, de um método revolucionário. E Bergoglio confirmou, em sua fala, estar mesmo disposto a fazer tal revolução”.
Lembrei-me do que Elizabetta Piqué conta o que disseram dele: “além de pastor, é um homem de mando, muito capaz, tecnicamente, um animal político”. E mais: “os dois aspectos fortes da sua personalidade são, por um lado, sua proximidade, seu interesse pelos outros, e, ao mesmo tempo, é um homem de condução, de mando. Isso percebe-se mesmo na sua relação com o clero”. Aos sacerdotes de Buenos Aires, Piqué ressalta o que diz Poirier sobre Bergoglio: ele “sempre deixava bem claro quem mandava”, mencionando ainda o que disse José Ignácio Lopez: “além de despojado e de vida espiritual, o cardeal é um homem do poder, que sabia onde colocar suas fichas”.
As fichas agora foram colocadas em seu desejo de “descentralização”, que havia sido acenado na exortação apostólica Evangelii Gaudium, mas afirmado com veemência no pronunciamento de 17 de outubro, como que determinando o tom e a saída política que parece pretender oferecer aos impasses que não pôde resolver durante os dois Sínodos (tanto do ano passado, quanto deste ano). Então, a solução seria mesmo política, bem ao gosto do estilo descrito por Piqué, delegando tão graves decisões, num primeiro nível, às igrejas particulares e, num segundo nível, de modo especial, às conferências episcopais.
Ainda próximo de mais algumas Pontifícias Academias, que ficam quase ao início da Via della Conciliazione, prosseguimos na reflexão:
“É isso que tememos” – completou o prelado – “pois sabemos que muitos organismos das igrejas particulares estão aparelhados, muitos deles ideologizados e serão instrumentalizados para favorecer o relativismo. Com isso, a doutrina corre o risco de ser interpretada ao gosto da base, na conveniência dos interesses locais, sem que Roma possa intervir para salvaguardar os desvios.” E continuou: “Isso, de uma certa forma, já ocorre, em muitos casos e em muitas regiões, mas não com o beneplácito explícito de quem deve ser o primeiro e principal guardião da fé. Isso realmente preocupa”.
Tendo chegado ao início da Via della Conciliazone, quase à esquina da Via S. Pio X, entrando no lungotevere, com vista do rio Tibre, continuamos a conversar.
Lembrei a ele que no Brasil, por exemplo, isso já ocorre, tendo em vista que muitos conselhos paroquiais e diocesanos estão aparelhados ideologicamente, tendentes às muitas expressões da Teologia da Libertação, com padres que apoiam descaradamente partidos políticos abortistas, etc., e, de fato, por estarem aparelhados muitos desses conselhos, a fé ideologizada passa a desconsiderar muitos aspectos essenciais da sã doutrina.
“É preciso reconhecer que há um grave equívoco nesta questão de método, pois trata-se de um método revolucionário, que se volta contra a sã doutrina, contra a identidade católica, contra a própria instituição do papado, diluída e totalmente enfraquecida e, portanto, destituída de suas prerrogativas no cumprimento da sua missão na defesa da Igreja. A descentralização atinge em cheio as prerrogativas do ministério petrino, que foram dadas pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo [Tú és Pedro…] , pois é o mandato que vem de Cristo, as incumbências e os deveres vêm de Cristo, as chaves foram entregues por Cristo e não pelo povo. Aí está o engano, o perigo, a ilusão da chamada ‘descentralização’. O caminho da Igreja começa por escutar a Cristo e não o povo. A missão de Pedro vem de Cristo e não do povo. Cristo é o que está ‘elevado, acima de todos’, pois ‘nada podereis fazer sem Mim’, Ele dissera, como ainda sabemos por Ele, que os ramos que não estiverem enxertados na Videira não produzirão bons frutos”.
Na questão de método, na lógica das sutilezas semânticas e da retórica, um “mas” torna-se bem perigoso, no desvio do que se diz inicialmente, a exemplo do que foi afirmado no pronunciamento de 17 de outubro, quando se disse que “Jesus constituiu a Igreja, colocando no seu vértice o Colégio Apostólico, no qual o apóstolo Pedro é a ‘rocha’ (cf. Mt 16, 18), aquele que deve ‘confirmar’ os irmãos na fé (cf. Lc 22, 32). Mas nesta Igreja, como numa pirâmide invertida, o vértice encontra-se abaixo da base.” O prelado chamou-me a atenção sobre isso, de que aqui havia o problema, a lógica da “pirâmide invertida” que coloca a instituição do papado “abaixo da base”, em que “só na medida em que estes organismos permanecerem ligados a ‘baixo’ e partirem do povo, dos problemas do dia-a-dia, é que pode começar a tomar forma uma Igreja sinodal”.
“É o próprio Rousseau que ressoa naquele discurso – continuou observando – e sabemos no que deu Rousseau.” E acrescentou: “Mais enfático Francisco não poderia ter sido quando afirmou: ‘não convém que o Papa substitua os episcopados locais no discernimento de todas as problemáticas que sobressaem nos seus territórios. Neste sentido, sinto a necessidade de proceder a uma salutar ‘descentralização’”. Agora, é aguardar a exortação pós-sinodal, pois esta é a hora em que Francisco poderá usar sua força de mando para impor a todos o que quer, o programa que deseja desde o primeiro instante, quando propôs a todos um caminho novo, na loggia da Basílica, ao lado de Cláudio Hummes e Godfried Daneels.
“Com a descentralização, estará desferindo assim um duro golpe à instituição do papado, com consequências bastante imprevisíveis. É isso o que tememos, pois não sabemos até que ponto ele está ou não disposto, e em que proporções. Ele próprio disse sentir a necessidade disso. Portanto, agora é aguardar e rezar”.
HÁ ALGO DE PODRE NO REINO PETISTA - 24/10/2015
Enquanto exige que os brasileiros façam sacrifícios em meio a uma das maiores crises econômicas de nossa história, Dilma Rousseff não parece se importar com gastos elevados ou desperdício de dinheiro público em seu governo. O escandaloso aparelhamento do Estado pelo PT mereceu destaque em reportagem de “O Globo”, a partir da abertura de uma investigação do Ministério Público Federal que analisa suposto conflito de interesses e manipulação de informações privilegiadas na distribuição de cargos-chave na Esplanada dos Ministérios e em empresas estatais como Eletrobras, Petrobras e Banco do Brasil.
A farra petista, como já se poderia imaginar, teve início ainda sob Lula na Presidência da República. Nos oito anos em que comandou o país, segundo dados do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (Siape), mantido pelo Ministério do Planejamento, o chefão do PT criou nada menos que 18,3 mil cargos de confiança. Apesar de se apresentar como uma líder austera que está disposta a cortar até o próprio salário, Dilma instituiu mais de 16,3 mil nos quatro anos de seu primeiro mandato – na média, os governos petistas criaram oito novos postos por dia na já inchada máquina estatal. Em um novo capítulo do estelionato eleitoral que vem protagonizando diariamente, é bom lembrar que a presidente da República descumpriu mais uma de suas promessas ao desistir do corte de 3 mil cargos comissionados que chegou a anunciar publicamente na tal reforma administrativa.
Com 618 mil funcionários na ativa, Dilma conta com uma força de trabalho que supera em 26% a que Lula tinha à disposição - o chamado custo de pessoal deve ultrapassar R$ 100 bilhões neste ano, o que corresponde a um aumento de 58% desde janeiro de 2003. Há casos emblemáticos e acintosos, entre os quais o de um funcionário da endividada Eletronorte, do grupo Eletrobrás, que embolsou R$ 152 mil em apenas um mês – um terço desse valor somente como participação nos resultados da estatal.
A redução em 10% do salário da presidente, do vice e dos 31 ministros a partir de novembro, anunciada com toda a pompa como se representasse algo substancial, não esconde a escalada dos gastos do atual governo. No ano passado, a Presidência custou aos cofres nacionais R$ 9,3 bilhões, 210% a mais do que em 2005. Em 2014, as despesas administrativas diretamente vinculadas a Dilma alcançaram extraordinários R$ 747,6 milhões, recorde no primeiro mandato.
De acordo com dados fornecidos pela própria Secretaria de Administração da Presidência ao Portal da Transparência, pouco mais da metade desse montante (R$ 390,3 milhões) serviu para pagar assessoria e serviços prestados a Dilma nos palácios onde reside e trabalha e também durante as viagens. No mesmo ano, a rainha Elizabeth II, chefe da monarquia britânica, teve um gasto equivalente a R$ 196,3 milhões, segundo relatório da Casa Real. Ou seja, Dilma Rousseff custa mais para os brasileiros do que a família real para os britânicos – o que, evidentemente, é um absurdo completo, um verdadeiro deboche contra a nação, tão vilipendiada pela corrupção do lulopetismo.
Os abusos indesculpáveis no gasto do dinheiro público contrastam com a defesa intransigente do famigerado ajuste fiscal, que, na prática, não representa nada de significativo. O governo só quer aumentar a carga tributária, penalizando o cidadão com mais impostos, ao invés de cortar na própria carne. Diante de tamanho desmantelo, precisamos ter a consciência de que o país só conseguirá superar a crise com um novo governo – mais eficiente, mais transparente e que conte com a confiança da população. Há algo de podre no reino de Dilma Rousseff, que cairá de maduro mais cedo ou mais tarde. A farra do PT, para desalento daqueles que tomaram de assalto o Estado brasileiro e se locupletam das benesses do poder, está com os dias contados. Impeachment já!
CRISE BRASILEIRA: O MELHOR MOMENTO! - 21/10/2015
1. Há um consenso que se constrói a cada dia entre os analistas econômicos e políticos. Olhando para frente, o momento em que o Brasil se encontra é o melhor momento da crise.
2. A crise política ainda está em seu início. Dilma teve uma recaída esquerdoide e partiu para o confronto com a oposição. Quando muitos entendiam que seria um momento de conciliação, Dilma nomeou um ministério na expectativa de comprar o parlamento. Foi para a CUT radicalizar o confronto e na Suécia decidiu agredir o presidente da Câmara como se fosse apenas pessoa física.
3. Lula, a cada dia, está mais na oposição à Dilma e quer a demissão de Joaquim Levy. Levou o ministro do planejamento Nelson Barbosa para fazer palestra no Instituto Lula, estimulando o confronto entre este e o ministro da fazenda. A CUT e outras organizações ditas de representação social estão abertamente no governo (pelo dinheiro que recebem) e na oposição (pelos ataques sem pejo) à política econômica proposta.
4. O desgaste do presidente da Câmara criou um vácuo quanto ao futuro desta, tanto em relação ao tempo de sua resistência, como às reações que adotará, quanto, no caso de sua saída, que grupo assumiria a direção da casa. A única coisa certa é que não haveria maioria definida e as votações flutuarão ao sabor das pressões das ruas, do momento, do pragmatismo e do oportunismo.
5. O pacote fiscal naufragou de véspera. Ninguém mais acredita que seus vetores vertebrais passarão no Congresso nos próximos meses. O pacote fiscal integral ficou para depois do carnaval, ou da semana santa, ou das festas juninas, ou dos jogos olímpicos, ou das eleições municipais... Ou até mudanças políticas substantivas.
6. Os indicadores econômicos não apenas estão nos piores níveis dos últimos anos, como todos eles, sem exceção, apontam para curvas de tendência negativa. E no centro deles a relação entre Dívida e PIB, referência para as avaliações das agências qualificadoras de risco, como para o BCE, FED, FMI, BIRD, BID..., que aponta para 80% em alguns meses.
7. E a capacidade de gestão da presidenta num regime de presidencialismo vertical esvaiu-se. Se antes os analistas e a opinião pública falavam em perda de autoridade, agora têm a convicção de que o que há é desintegração da capacidade de governar.
8. A lei 1079/1950, que o STF usou para impedir mudança na tramitação dos pedidos de impeachment, reforçou a autoridade do presidente da câmara para decidir a favor do impeachment. E mais, essa mesma lei contempla a possibilidade de impedimento da/do presidente da república quando se demonstre sua incapacidade de governar. Aquilo que Dilma cita como golpismo paraguaio é, na verdade, mandamento legal há 65 anos no Brasil.
9. Mantida a atual dialética entre presidenta, congresso e sociedade civil, em pouco tempo teremos saudades de outubro de 2015.
UM PAÍS PERDIDO NO FUTURO - 20/10/2015
"Eu sei, não, eu sinto que Deus existe."
(Jorge Luis Borges)
O que nós sabemos, não, sentimos é que o nosso país está deixando de existir. Não aquele que se indignou por Marta Rocha, por causa de duas polegadas a mais na cintura, não ter sido eleita Miss Universo. Que projetou seu orgulho nos campeões Eder Jofre, Garrincha, Pelé e Maria Ester Bueno. Que construiu Brasília e conquistou o mundo com os acordes e o ritmo da bossa nova e sua poesia intimista, sofisticada na fusão de Debussy com o jazz, assim promovendo o samba que descia do morro a uma expressão musical universal.
Não, aquele país fincou suas raízes numa geração que não existe mais. Dela só restou a lembrança que vai se apagando com o tempo. E se esvai a cada mito que Deus seja servido de convocar para o infinito. E com eles nos também morremos um pouco. C'est la vie!
Quem dera nosso país também deixasse de existir assim, naturalmente, como a aurora de nossa vida na infância e juventude! E hoje debruçasse sobre o peitoril de uma janela que descortina o passado a esperança que nos consola em nossos filhos, netos e nos que ainda haverão deles descender, herdando a pátria e a civilização que para eles edificamos. Mas o país que está deixando de existir não é o nosso. É o deles. Não é o que o tempo levou, mas o que ele não poderá trazer. Porque hoje estão no poder aqueles que não suportam a realidade. Que é feita de passado, presente e perspectiva de futuro. Uma contingência com a qual eles, sendo revolucionários, não podem se conformar. Seu tempo só se conjuga no futuro. Sempre. Somente nele seu ideal de abolir o passado e exterminar o presente poderá ser julgado. Conceito este que os redime eternamente de qualquer crime que tenham cometido, pois o futuro sempre andará um passo à frente da justiça, que só examina o pretérito ou o presente.
Genial, não?
É claro que esse absurdo só pode ser encenado na mente de um psicopata. Ou de um belo cafajeste que não perderia essa oportunidade de se livrar do que ainda lhe possa pesar o que restou da sua consciência. O cidadão comum, que é honesto desde o camponês, o operário, o comerciário, o autônomo, até o agricultor, o industrial, o comerciante e o profissional liberal não cuida que está sendo vítima do sequestro da sua dignidade. Sem a qual ele será órfão da sua origem e natureza divina.
Mais, muitíssimo mais do que o assalto praticado nestes treze anos do PT no poder, a pátria comum e tudo que nos identificava como um povo, a partir do amor que nosso lar nos infundiu e dos primeiros passos de nossa catequese cristã, o que nós perdemos foi o Brasil. Um país perdido no futuro. Talvez para sempre.
ELUCUBRANDO SOBRE A LINGUAGEM E UM POUCO MAIS - 20/10/2015
Os Americanos têm o péssimo costume de não adotar a Língua Portuguesa como idioma oficial. Como podem preterir a magnífica musicalidade da ‘última flor do Lácio, inculta e bela’, em favor de uma mistura de onomatopéias, guturalismos e atualmente açodada com mais acronismos derivados da linguagem das redes sociais, emboraexista o precedente de que os americanos já adotassem muitas siglas para tornar a comunicação mais prática. Sim, prática, rápida, eficiente e pobre.
Bem, este último aspecto não empobrece somente o verbo shakespeariano, posto que seja este um fenômeno de ocorrência mundial, são diversos idiomas sujeitos a isto. A propósito, algo de muito estranho e mais grave está ocorrendo, posto que frases completas estejam a ser substituídas por figurinhas e animações oriundas da comunicação nas ‘redes sociais’; o que enseja uma conclusão pesarosa: o espírito das pinturas rupestres das eras ancestrais à escrita está de volta, permeando as telinhas dos smartphones e congêneres, caracterizando um fenômeno involucionário.
A humanidade levou milhares de anos para criar códigos visuais e fonéticos, de modo a melhor estabelecer a comunicação entre, ao menos, dois interlocutores e, em pouquíssimo tempo, está ela a render-se às carinhas e figurinhas ‘Emoticons’ para fazer-se entender. As tais figurinhas são até mesmo simpáticas e ajudam a enfeitar ou emprestar humor a uma mensagem descompromissada, mas não têm estofo para substituírem a linguagem ou provocarem a interpretação de um texto... Texto? Ora, mas nem texto são!
Paradoxo outro: nunca antes na história se registrou tanta facilidade na troca de informação e esta jamais foi tão parca ou até mesmo dispensável. O discurso final de ‘O GRANDE DITADOR’tornou-se anacrônico, aquele no qual Charles Chaplin discorre sobre rádios, aviões, pessoas que se aproximam, mas abandonam a sensibilidade, abusando do racionalismo. Fosse tal peça escrita novamente, para manter sua linha axial certamente ao texto caberia abordar que o sentimento está ainda em declínio, mas há o gravame de que o pensamento caminha à inexistência.
Outra para pensar: a letra cursiva foi abolida em vários rincões. O teclado sobrepujou o papel e a pena... O discurso politicamente correto domarketing ecológico talvez use isto como trunfo: paperless, o futuro chegou; as árvores estarão preservadas dos escribas, os machados estarão banidos; papiro, nunca mais... Gutenberg, aquieta-te e guarda tua prensa! Apenas por exercício de pensamento, lembremo-nos de que a caligrafia também se presta ao estímulo dos movimentos delicados das mãos, refiro-me à precisão dos gestos obtida pela derivação da estrutura que opõe o polegar aos outros dedos da mesma mão, coisa ausente na natureza dos demais primatas. Ah, sim, a robótica, a cibernética e a mecatrônica já resolveram a questão por intermédio de joysticks... Está cada vez mais difícil ser apenas humano.
Que confusão! Estamos vivendo tempos em que colocamos a perder a humanidade, arrogantemente brincamos de divindade e tornamo-nos cada vez mais vazios, distantes do nosso próximo e, por conseguinte, afastamo-nos de Deus.
No dia de hoje, ao completar minha quinquagésima-primeira volta em torno do Sol, fluiu assim esta breve digressão, sem expressão maior, tão somente um flatus animae, um brainstorm de quem dobrou o Cabo da Boa Esperança e muitas vezes não gosta do que vê no espelho, seja a imagem exterior ou a interior.
PROXIMIDADES VENEZUELANAS - 18/10/2015
Quem pensa que o PT acabou está muito enganado. Quem subestima o inimigo perde a guerra. E não é impróprio usar o termo inimigo para classificar o partido que arruinou a economia, corrompeu as instituições, falsificou dados financeiros, mentiu aos eleitores, aniquilou valores e fez a opção pelo atraso que se evidencia na quebradeira da indústria, no descalabro da Saúde, na ruina da educação, na trava do comércio internacional com países que trariam vantagens e progresso ao País.
O mal foi entronizado pelos eleitores e está disseminado, empesteando a máquina administrativa com incompetentes que se agarram aos cargos com unhas e dentes. E o mal se avantajou e se fortificou pela inexistência de oposições, notadamente do PSDB sempre pronto a apoiar o PT, além da idolatria tucana por Lula da Silva.
Em outra vertente, na tentativa de recompor a fracassada experiência soviética e a derrocada do comunismo no mundo foi constituído o Foro de São Paulo, que congrega organizações de esquerda e dá diretrizes para a América Latina onde o atraso e a desigualdade social é terreno propício para as pregações de ditadorezinhos travestidos de socialistas, mas que vivem como nababos usufruindo das delicias do capitalismo.
Para exemplificar o caminho traçado pelo Foro de São Paulo tomemos a Venezuela ainda sob o comando de Hugo Chávez, outro que destruiu seu país e que mesmo morto continua a governar através de seu genérico, Nicolás Maduro. Chávez primeiro tentou um golpe. Não deu certo. Em outra etapa logrou se eleger. Posteriormente dominou o Legislativo, o Judiciário e as Forças Armadas. A partir daí fez uma constituição á sua imagem e semelhança e governou despoticamente até morrer, chamando-se de democrata.
Voltemos ao Brasil. No mensalão ficou evidente como é fácil comprar o Legislativo. E não só com dinheiro se adquire uma base para o PT chamar de sua. Cargos também servem. Rousseff tentou agora salvar-se do impeachment com sua desastrada reforma ministerial.
O Judiciário surpreendeu com o ministro Joaquim Barbosa, que logrou por na cadeia figurões do PT e pessoas endinheiradas. Outro destaque foi o juiz Sérgio Moro que desbaratou o cartel de empreiteiros e desmascarou diretores da Petrobras que recolhiam propinas para irrigar campanhas, notadamente as do PT. Eles foram presos e condenados pelo juiz.
Moro, porém, teve suas asas cortadas quando o Ministro do STF, Teori Zavascki, decidiu que ele só poderia atuar no âmbito da Petrobras, em que pese as mesmas quadrilhas agirem em outras entidades estatais.
No momento, as delações premiadas apontam para os crimes de várias autoridades do Executivo e do Legislativo, além Lula da Silva e sua família, mas parece haver só um grande corrupto da República: o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Só ele tem contas na Suíça. Só ele recebeu propina. Destaque na imprensa que devassa suas contas e documentos ele está sob ataque seletivo do Procurador-Geral da República. O PSDB pede seu afastamento. Deputados valentes pedem sua cassação e já se falou até em prisão.
Por que só ele? Porque o presidente da Câmara é quem abre o processo de impeachment. E ele o fez. Contudo, os ministros Teori Zavascki e Rosa Weber, a pedido de fiéis emissários do PT, muito oportunamente concederam três liminares que suspenderam as regras de tramitação determinadas por Cunha e Rosa Weber, em “juridiquês”, impediu através de uma dessas liminares que o presidente da Câmara retomasse o rito do impeachment. Com isto o governo ganhou um tempo precioso para acabar com Eduardo Cunha. Sem ele cessa o perigo do impeachment, pois não se pode esperar nada da chamada oposição. Terá, então, havido uma ingerência entre Poderes? Um fato muito grave como o é um rompimento institucional?
Outro acontecimento dá o que pensar: Os comandantes das Forças Armadas tiveram seus poderes subtraídos e passados para o Ministro da Defesa. Isso foi feito por um decreto, cuja iniciativa partiu de uma senhora que é secretária geral do ministério da Defesa e que vem a ser mulher do segundo na hierarquia do MST. O atual ministro é o comunista Aldo Rebelo. Dizem que quando precisam de alguém muito incompetente o chamam.
Em recente declaração à Folha de S. Paulo, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, disse ver risco de a atual crise virar uma “crise social” que afetaria a estabilidade do País. Segundo o general isso diria respeito ás Forças Armadas e cita a Constituição mostrando que as FFAA “destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos Poderes constitucionais e, por inciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”, sob autoridade presidencial. Fiquei na dúvida se o general se preocupa em defender o povo ou a autoridade presidencial, em caso de crise social.
Com tanto poder o PT pode salvar Rousseff. Ela continuaria até fim do mandato ensacando vento e conduzindo o País ao agravamento da crise econômica, cujas dimensões dão medo aquilatar.
* Socióloga.
CHAVÕES E REALIDADE - 18/10/2015
(Publicado originalmente no Diario do Comércio)
Chavões, frases-feitas, clichês, estereótipos ou como se queira chamá-los existem para que o sujeito que não pensou num assunto possa obter a concordância imediata de outro que também não pensou. Onde quer que você ouça ou leia um desses maravilhosos substitutivos do pensamento, pode ter a certeza de que está assistindo a um encontro de dois corações que se apóiam e se reforçam mutuamente sem nenhuma interferência do objeto sobre o qual fingem estar conversando.
Por exemplo, quando um cidadão afirma: “Esquerda e direita são conceitos superados”, o que ele quer dizer é: “Eu sou superior a essas coisas.” O ouvinte, mais que depressa, responde: “Eu também.” E saem os dois muito contentes da sua superioridade, enquanto as duas forças inexistentes continuam a disputar o governo, xingar-se uma à outra, boicotar-se mutuamente e até trocar tiros, como se existissem.
A verdade é que nenhum fato ou coisa deste mundo, por pequeno e modesto que seja, se deixa apreender na linguagem dos chavões. Estes não têm nada a ver com a descrição de realidades, mas apenas, na mais bem sucedida das hipóteses, com a expressão da harmonia ou desarmonia entre as almas do falante e do ouvinte. Isso é assim pela simples razão de que nenhuma realidade vem junto com a linguagem pronta que a expressa, mas em cada caso a sua descoberta requer a invenção da linguagem apropriada para expressá-la. É por isso que os autores de grandes descobertas na filosofia são também inventores de linguagens originais. Conforme o talento literário de cada um, elas podem ser límpidas e claras como as de Platão ou Leibniz, ou então abstrusas e indecifráveis como as de Kant ou Heidegger, mas sempre originais, únicas e adequadas aos seus fins.
O chavão é, por excelência, a linguagem do auto-engano que busca transmutar-se em engano alheio, se possível em engano geral. É a linguagem de quem fecha os olhos ao objeto e os arregala para ver a reação do ouvinte. O pobre do objeto, do assunto, da questão, fica fora da conversa como um mendigo que espia pela janela do Ritz.
Se voltamos ao exemplo acima e, em vez de participar da deliciosa harmonia entre o falante e o ouvinte, voltamos os nossos olhos ao objeto da conversa, em cem por cento dos casos notamos que ele é bem diferente do que o imaginam aqueles que nem mesmo tentaram imaginá-lo, mas se limitaram a usá-lo como pretexto de um intercâmbio social.
Desde logo, se há pessoas que se dizem de esquerda ou de direita e que agem politicamente sob essas bandeiras, é evidente que esquerda e direita existem como agrupamentos políticos reais que sob esses nomes se reconhecem e por eles distinguem os “de dentro” e os “de fora”. Se suprimimos os nomes teremos de designá-los por outros da nossa própria invenção, nos quais os dois grupos não se reconhecerão e que só servirão para complicar o vocabulário.
Como autodenominações de grupos políticos e símbolos da sua identidade, os termos “esquerda” e “direita” não estão superados de maneira alguma. Expressam uma realidade sociológica inegável.
Faz um pouco mais de sentido dizer que seus respectivos discursos ideológicos foram ultrapassados pelo desenvolvimento crescentemente complexo do estado de coisas, que nenhum deles expressa corretamente. Teremos, com isso “superado os conceitos” de esquerda e direita? De maneira alguma, pois essa acusação é a mesma que a esquerda e a direita se fazem mutuamente, e, se não percebemos nem mesmo isso, é que ignoramos o estado de coisas ainda mais profundamente do que as duas juntas, e nós é que estamos superados. O sapientíssimo se revela um bobo na hora mesma em que tenta posar de superior.
Deveria ser óbvio para todo mundo, mas para muitos é quase um segredo esotérico inacessível, que a qualidade boa ou má, a veracidade ou falsidade das idéias de um grupo não tem nada a ver com a sua existência ou inexistência como grupo. Argumentar que duendes não existem não prova que inexistam grupos que acreditam em duendes.
Ainda mais bobo é aquele que afirma desprezar toda “retórica ideológica” e, em vez disso, examinar somente os interesses materiais malignos por trás da aparente disputa de ideologias, acreditando com isso estar firmemente assentado no terreno dos fatos e a salvo de idéias ilusórias. Mas, em primeiro lugar, apontar interesses materiais por trás de um discurso ideológico é precisamente o que as ideologias inimigas fazem umas com as outras. E o fazem quase sempre com razão, porque toda ideologia, como já a definia Karl Marx, é um “vestido de idéias” (Ideenkleid) costurado para encobrir um interesse material, um projeto de poder, uma ambição mundana. Por outro lado, é certo que, se esses interesses se apresentassem nus e crus, sem a embalagem ideológica, seriam imediatamente desmoralizados e não enganariam a ninguém. A ideologia, portanto, é parte integrante do projeto maligno, que não pode ser compreendido sem referência a ela. Por fim, também é certo que, se um discurso ideológico, uma vez formulado, serve de símbolo verbal da identidade de um grupo, o qual sem essa identidade estaria privado da possibilidade de agir em conjunto, o conteúdo desse discurso não será nunca totalmente alheio à conduta real do grupo, que em certa medida será obrigado a ajustar suas ambições de poder às promessas e valores do discurso. A tensão entre a identidade do grupo e os interesses materiais em jogo é um elemento permanente da vida político-ideológica, e fazer abstração da ideologia para enfocar somente os interesses materiais isolados é condenar-se a não compreendê-los de maneira alguma.
Um exemplo característico é o chavão mais em moda hoje em dia, segundo o qual o sr. Lula não é comunista nem esquerdista, apenas um político sem filiação ideológica que enriqueceu ilicitamente. Esse chavão soa agradável em diferentes áreas do espectro ideológico. Para o esquerdista, ele é a fórmula mágica para isentar de toda culpa pelos crimes do PT a corrente política que o criou, que o incensou, que lhe deu a hegemonia e que, se ele for para o buraco, pretende continuar no poder sob outros nomes quaisquer. Para o direitista, fornece um poderoso argumento retórico: “Estão vendo como na esquerda ninguém presta, como são todos uns ladrões e salafrários?” E, para o homem “superior a ideologias”, é mais uma prova da sua superioridade sublime. Todos os pretextos servem, portanto, para o interessado se fazer de bonito mediante a supressão de pelo menos duas perguntas:
1) Se o Lula é apenas um ladrãozinho sem compromisso com o comunismo, por que distribuiu tanto dinheiro a ditaduras e partidos comunistas, quando podia guardá-lo para si mesmo?
2) Por que as FARC o homenagearam por ter salvado in extremis o comunismo continental, em vez de acusá-lo de usar o comunismo em benefício próprio?
Que o sr. Lula seja apenas um ladrãozinho egoísta sem vínculo ou compromisso com o comunismo internacional é uma das idéias mais estúpidas e indefensáveis que já passaram por um cérebro humano. De um lado, há o fato incontestável de que ele é aceito e celebrado por todos os governos e partidos comunistas do mundo não só como um parceiro e irmão leal, mas até como uma espécie de herói, de salvador providencial. Se ele alcançou essa posição sem nada fazer pelo comunismo e agindo sempre somente no interesse próprio, então ele enganou a todos os líderes e governos comunistas do universo, incluindo os serviços secretos de Cuba e da China, tidos como extraordinariamente eficientes e maliciosos, só não logrando tapear o tirocínio superior dos comentaristas brasileiros de mídia. De outro lado, resta o fato igualmente incontestável de que nenhum espertalhão logrou jamais utilizar-se do comunismo em benefício próprio sem beneficiar ainda mais algum governo ou partido comunista -- pelo menos não logrou fazê-lo sem pagar com a vida. Willi Münzenberg, que era um milhão de vezes mais esperto que Lula, foi simplesmente acusado de tentar fazer isso, e já o assassinaram antes que alguém pudesse verificar se fez ou não. Não é humanamente concebível que um movimento que condenou à morte cem milhões de pessoas pudesse poupar generosamente a vida de um vigarista que o ludibriasse de forma tão humilhante ante os olhos da humanidade inteira. Muito menos concebível é que depois disso continuasse a aplaudi-lo e paparicá-lo como o fazem os governos de Cuba, da China, da Venezuela etc. Essa hipótese é tão absurda, tão monstruosamente inverossímil, que acreditar nela mesmo por um minuto e em segredo já seria prova de uma imbecilidade descomunal. A desenvoltura ingênua com que tantos no Brasil a alardeiam sem a menor inibição é a prova definitiva de que algo no cérebro nacional não vai bem.
Erros monumentais como esse não aparecem sozinhos. Provêm de uma ignorância estrutural, profunda e dificilmente reversível, quanto à natureza e função das ideologias em geral. Os palpiteiros que superlotam a mídia e as cátedras imaginam que ideologia seja algo como uma crença religiosa, que exija a adesão profunda e sincera das almas. Nessa perspectiva, um comunista, por exemplo, poderia ser um “verdadeiro crente” ou um mero oportunista sem crença nenhuma. Essa diferença pode ter existido em outras épocas, quando a URSS baixava as Tábuas da Lei e condenava como heréticos os trotskistas, os revisionistas etc. De fato, não pode existir “verdadeiro crente” sem um texto canônico obrigatório para todos. Mas já faz três décadas, pelo menos, que nada disso existe no movimento comunista. A concepção eclesiástica do Partido como guardião da doutrina infalível foi substituída pela flexibilidade de um pluralismo ilimitado onde todos os discursos ideológicos são bons, desde que seus adeptos consintam em agir segundo uma estratégica unificada. Concomitantemente, a antiga hierarquia vertical foi trocada por uma organização mais flexível sob a forma de “redes”, onde as palavras-de-ordem não despencam das alturas olímpicas de um Comitê Central mas se espalham quase anonimamente, como se fossem meras exigências do senso comum em vez de ordens do Camarada Fulano ou Beltrano. A substituição da unidade ideológica pela unidade puramente estratégica, concebida nos anos 80 do século passado e testada com sucesso espetacular na guerrilha de Chiapas, México, em 1994 – chamada por isso “guerrilha pós-moderna”--, permitiu que o movimento comunista não somente sobrevivesse incólume à queda da URSS, mas multiplicasse sua força e capacidade de ação. A esquerda mundial está hoje muito mais unificada e organizada do que sessenta ou setenta anos atrás. Ganhou em força de atuação conjunta o que perdeu no debate ideológico. Quem não percebe isso não merece ser ouvido em matéria de política.
Para tornar as coisas ainda mais incompreensíveis aos sábios iluminados, resta o fato de que “esquerda” e “direita” só são entidades simetricamente opostas nos dicionários. Na vida real, “esquerda”, hoje, não é um “rótulo ideológico” e sim um movimento unificado e organizadíssimo sem nenhuma ideologia definida, ao passo que “direita” é na melhor das hipóteses o nome de um amálgama confuso de discursos ideológicos inconexos, ao qual não corresponde nenhuma organização ou movimento unificado nem mesmo em escala nacional, quanto mais mundial. Não são espécies do mesmo gênero. Aquele que assim as concebe para fazer-se de superior a ambas, como um domador que cavalga simetricamente dois cavalos com um pé em cada um, é na verdade um acrobata impossível com um pé num cavalo de carne e osso e o outro no conceito abstrato de um cavalo hipotético.
COMO A AL-QAEDA FOI DESCOBERTA - 04/10/2015
(Publicado origialmente em www.alertatotal.net)
Os terroristas são como baratas. Para cada uma encontrada existem centenas escondidas.
Desde o primeiro atentado ao World Trade Center em 1993, passando por um tiroteio diante da sede da CIA, até à bomba nos Jogos Olímpicos de Atlanta, entre outros, nenhum desses acontecimentos havia sido imputado pela CIA ou pelo FBI a algum organismo denominado Al Qaeda.
No dia 11 de setembro de 2001, os EUA e o resto do mundo puderam ver que um pseudo-financista excêntrico havia sido associado, de modo distante e especulativo, a um ou dois eventos mas não responsabilizado por eles. Segundo a CIA, talvez ele estivesse ligado ao fracassado atentado a americanos no Iêmen, em 1992, e provavelmente houvesse certa conexão entre ele e Ramzi Youssef, que praticara o atentado ao World Trade Center em 1993 e fugira para as Filipinas. Supostamente conhecidos, os responsáveis pelos atentados terroristas discutidos pela mídia formavam um conjunto desconexo, com ameaças aparentemente controláveis: à Inteligência iraquiana, pelo atentado ao ex-presidente Bush; à Inteligência iraniana, pelo atentado à Força Aérea Americana nas Torres de Khobar, na Arábia Saudita; dois americanos excêntricos, pela bomba de Oklahoma; um clérigo egípcio, pelo plano para explodir os túneis da cidade de Nova York; um aspirante a policial, atuando como guarda de segurança, pela bomba nas Olimpíadas de Atlanta; um grupo de sauditas, logo decapitados pelas forças de segurança, pelo atentado à bomba contra a missão norte-americana em Riad; e um atentado à bala matando dois agentes da CIA, nas portas da Agência, praticado por Rim Amal Kansi, que quatro anos depois seria capturado no Paquistão por uma equipe da CIA.
Esse padrão regular de destruição e mortes fez com que a administração Clinton iniciasse uma escalada de verbas destinadas ao antiterrorismo. Paralelamente, Clinton enfocou o terrorismo em uma série de discursos importantes: na Academia da Força Aérea, em Oklahoma, na Universidade George Washington, em Annapolis, duas vezes nas Nações Unidas, duas vezes no Monumento aos Mortos do vôo Panam 103, na Casa Branca, em Lyon, França e em Sharm e-Sheik, no Egito. No entanto, a maior parte da mídia ignorou essas advertências.
Enquanto alguns funcionários federais encontravam-se alarmados diante da ascensão do terrorismo e trabalhavam diligentemente contra ele, outros, inclusive no FBI e na CIA, davam mostras de não terem percebido ainda a urgência do assunto. É isso que nos dizem os livros que resgatam esse passado.
Hoje sabe-se que o atentado ao World Trade Center, em 1993, fora uma operação da Al-Qaeda. Na ocasião, todavia, esse evento foi atribuído pela CIA e pelo FBI a Ramzi Youssef e ao xeque cego Omar Abdel al-Rahman, ambos presos em 1995, e mais Muhammad Sadiq Awda. Todos condenados pelos tribunais norte-americanos. Circulavam rumores de envolvimento árabe nos incidentes contra as tropas norte-americanas na Somália, mas a CIA não conseguiu confirmá-los.
Os detalhes do atentado à missão americana de treinamento militar em Riad não foram bem esclarecidos devido à falta de cooperação saudita. O atentado a Khobar, na Arábia Saudita, foi praticado pelo Hezbollah saudita, sob a estreita supervisão da Guarda Revolucionária do Irã. O Irã organizara também atentados terroristas em Israel, Bharein e Argentina.
Os atentados de Oklahoma e Atlanta haviam sido realizados por americanos ligados a milícias de origem local e a extremistas religiosos. Outro atentado, potencialmente devastador, havia envolvido também milícias americanas, que pretendiam explodir uma instalação de armazenamento de gás. A vigilância do FBI sobre essas milícias evitou uma calamidade.
Apesar da falta de provas de uma participação de Osama Bin Laden nessa série de eventos terroristas, membros importantes da comunidade de Inteligência dos EUA, em 1993 e 1994 continuaram a solicitar que se descobrisse mais sobre o homem cujo nome parecia soterrado nos relatórios da CIA como “o financista terrorista Osama Bin Laden”, pois parecia improvável que esse homem, que tinha um dedo em tantas organizações aparentemente desconexas, fosse apenas um doador, um filantropo do terror. Tais organizações pareciam ter um poder centralizador e esse centro talvez fosse ele, que constituía o único elo conhecido entre os vários grupos terroristas.
Em 1991, o governo da Arábia Saudita desistira de tentar persuadir Osama Bin Laden a cessar suas críticas à família real, que havia permitido a presença de tropas dos EUA no país após a Guerra do Golfo e à aliança militar do país com os EUA, determinando que ele deixasse o país. Bin Laden decidiu ir para o Sudão, que na época era o supra-sumo do porto seguro para terroristas de todos os matizes. O governo do Sudão era dominado pela Frente Islâmica Nacional, chefiada por Hassan al-Turabi, um suposto líder religioso. Bin Laden chegou com seu dinheiro e seus homens, árabes veteranos da guerra no Afeganistão contra os russos. A maioria desses veteranos seria presa caso voltasse para o Egito, Kuwait, Argélia ou Marrocos.
Para entender Osama Bin-Laden é preciso entender o mundo em que ele operava: foi o ator principal de uma emaranhada e sinistra teia de Estados patrocinadores do terrorismo, chefões de serviços de Inteligência, como o ISI-Serviço Interno de Inteligência do Paquistão, o VEVAK-Serviço de Inteligência do Irã, e terroristas experientes. Há que entender também que nenhum sistema de defesa resiste à determinação de alguém que quer tornar-se um mártir.
Como hoje se sabe, Bin Laden e al-Turabi estabeleceram vários projetos conjuntos: uma nova companhia de construção, uma empresa de investimentos, controle dos mercados sudaneses de commodities, um novo aeroporto, uma estrada entre as duas maiores cidades, novos acampamentos para treinamento de terroristas, uma fábrica de couro, residências para veteranos árabes da guerra afegã, remessas de armas para a Bósnia, apoio a terroristas egípcios em complôs para derrubar o presidente Mubarak e desenvolvimento de uma indústria nacional de armas (incluindo armas químicas). Os dois fundamentalistas eram almas gêmeas, compartilhando a visão de uma batalha mundial para estabelecer um Califado puro.
Nas sombras e utilizando suas empresas, Bin Laden coordenou uma vasta operação para introduzir na Somália e em Cartum, no Sudão, em 1993, cerca de 3 mil terroristas de vários países, a maioria dos quais que havia lutado no Afeganistão contra a invasão soviética, bem como grandes quantidades de armas e equipamentos, além de 900 combatentes do Hezbollah.
Desde Cartum, organizou um conjunto de linhas de comunicação e sistemas de apoio logístico, principalmente através da Etiópia e Eritréia. Em 26 de setembro de 1993, uma emboscada abateu um helicóptero Blackhawk em Mogadício, capital da Somália, e as imagens na TV mostraram uma turba arrastando os corpos dos militares americanos pelas ruas. Pode ser dito que esse foi o início da luta contra as tropas norte-americanas e da ONU que se encontravam na Somália e em 1º de março de 1994 grande parte das forças norte-americanas já havia deixado esse país.
Bin Laden, que já mantinha contatos com o Serviço de Inteligência paquistanês, nessa época estabeleceu relações com os Serviços de Inteligência do Irã (VEVAK) e do Iraque, que viriam a se mostrar úteis em seu caminho para o alto. Os acontecimentos na Somália podem ser considerados um marco em sua evolução, por ter sido a primeira vez que liderou um empreendimento de vulto, com complexas tomadas de decisões e formulações políticas.
Paralelamente, os muçulmanos aproveitaram o colapso da União Soviética para buscar independência para a província da Chechênia. Bin Laden enviou veteranos árabes afegãos, dinheiro e armas para o conterrâneo saudita Ibs Khatab, na Chechênia, que parecia um cenário perfeito para a jihad (guerra santa).
Também a Bósnia parecia se qualificar para uma jihad. A queda do comunismo na Iugoslávia fez com que as repúblicas étnicas naquela união artificial passassem a girar em torno de suas próprias órbitas. A província predominantemente muçulmana da Bósnia por muito tempo havia sido discriminada pelo centro cristão, e sua tentativa de independência em 1991 havia sido brutalmente reprimida pelo governo de dominação sérvia de Belgrado.
Ao contrário da jihad na Chechênia, que a Rússia tentou manter longe dos olhos do mundo, a Bósnia tornou-se o centro das atenções durante sua luta com a Sérvia. A partir de 1992, os árabes que anteriormente haviam sido mujahidins (aqueles que travam a jihad) afegãos, começaram a chegar. Com eles vieram os coordenadores, os homens do dinheiro, da logística e dos fundos de “caridade”. Organizaram empresas e redes bancárias de fachada, tudo sob a coordenação direta de Bin Laden. Tal como haviam feito no Afeganistão, os árabes criaram sua própria brigada, supostamente parte do exército bósnio mas que operava por conta própria. Os mujs, como se tornaram conhecidos, eram ferozes lutadores contra os sérvios, se envolviam em horríveis torturas, assassinatos e mutilações que pareciam excessivas até para os padrões balcânicos.
O presidente bósnio, Alija Izetbegovic, decidiu aceitar toda espécie de ajuda que aparecesse. O Irã enviou armas. A Al-Qaeda fez melhor: enviou combatentes, homens treinados e durões. Os serviços de Inteligência europeus e americano começaram a rastrear o financiamento e apoio aos mujs, chegando até Bin Laden, no Sudão, e até às instalações que já haviam sido estabelecidas pelos mujs na própria Europa Ocidental.
Essas ligações levaram à Mesquita do Parque Finsbury, em Londres, ao Centro Cultural Islâmico, em Milão, e à Agência de Auxílio ao Terceiro Mundo, em Viena. Também levaram à Fundação Internacional de Benevolência, em Chicago, e à Organização Internacional de Auxílio Islâmico, na Arábia Saudita. Essas instituições de caridade estavam fornecendo fundos, empregos, documentos de identificação, vistos de viagens, escritórios e outros apoios à brigada internacional de combatentes árabes dentro e ao redor da Bósnia. Antes do 11 de Setembro, os governos ocidentais, entre os quais o norte-americano, não encontraram justificativa legal adequada para fechar essas organizações.
O dinheiro fluía através de um sistema financeiro imaginado e montado por Bin Laden. A princípio (meados dos anos 80) esse sistema foi organizado na então existente Fundação Al-Qaeda, uma instituição de caridade que Bin Laden criara para dar respaldo ao treinamento de guerrilheiros islamitas no Paquistão. Esse sistema semi-legal multiplicou-se rapidamente por todo o mundo em uma miríade de contas bancárias e obras de caridade aparentemente sem conexão e em organizações multifacetadas que interagiam e enviavam pessoas e fundos.
Não existe nenhuma Osama Bin Laden Inc. Em vez disso uma rede de companhias, empresas, parcerias e entidades em nome de outras pessoas, que interagem entre si e, por fim, encontram-se ocultas em outra camadas de entidades financeiras internacionais maiores, de modo que seu envolvimento em quaisquer desses investimentos não possa ser descoberto. Essas empresas administram investimentos, holdings imobiliárias, transporte marítimo, empresas comerciais, projetos de obras públicas, empresas de construção, locação de aeronaves, importação e exportação, empresas de contratação e empresas agrícolas. Esses empreendimentos possuem negócios na Ásia, África, Europa e América Latina. Com o seu envolvimento direto e o seu profundo conhecimento dos negócios internacionais na era da informática, solucionou os problemas relativos à movimentação clandestina e à lavagem de grandes somas necessárias para dar suporte ao terrorismo e à subversão em todo o mundo.
Além disso, Bin Laden mantinha participação em negócios politicamente corretos, que ajudam a sustentar o Sudão, o Iêmen e o Afeganistão, numa ampla variedade de empresas e negócios locais. Eis o resultado dos investimentos do Sudão no terrorismo internacional: em novembro de 2004, segundo as Nações Unidas, 1,6 milhão de pessoas passam fome em Darfur, no Sudão, mas esse número pode aumentar para 2 milhões no próximo ano.
Enquanto isso os organismos de Inteligência do Ocidente lutavam para deslindar a rede e concluíram, em meados de 1993, que na ex-Iugoslávia, especialmente na Bósnia, a maioria dos fundos para essas obras de caridade era coordenado pela Fundação Mostazafin, uma fachada da Inteligência iraniana, que mantinha de 4 a 6 mil terroristas islamitas em operação na Bósnia, sob a proteção de cerca de 20 “obras de caridade” ou “projetos humanitários”.
Desde então, a situação não mudou muito.
No verão de 1995, a CIA passou a desenvolver planos para uma equipe exclusivamente destinada a investigar o que agora concordavam ser uma “rede Bin Laden”. E, finalmente, em 1996, duas peças se moveram no tabuleiro: Bin Laden dirigiu-se ao Afeganistão, fechando algumas de suas empresas em Cartum, Sudão, e Jamal Al-Fadl, que tinha informações secretas sobre grande parte da “rede Bin Laden” baseada no Sudão, procurou proteção americana, pois vinha desviando fundos e receava que a Al-Qaeda o eliminasse.
O interrogatório de Fadl ajudou na descoberta do tamanho e forma da rede. Foi descoberto que ela era generalizada e ativa em mais de 50 países e dela faziam parte o xeque cego Omar Abdel al-Rahman e Ramzi Youssef. Bin Laden não era apenas seu financiador e mentor intelectual. Foi descoberto que a rede também tinha um nome. Osama Bin Laden, filho de um empreiteiro da construção, chamara sua rede terrorista pela palavra árabe Al-Qaeda (“A Fundação” ou “A Base”), uma primeira peça, a base necessária para o edifício que seria uma teocracia global, o grande Califado.
Muitos dos nomes encontrados na Bósnia, mais tarde, revelaram-se vinculados à Al-Qaeda. Entre os principais estavam Abu Sulaiman Al-Makki, que mais tarde apareceria ao lado de Bin Laden, em dezembro de 2001, quando o líder da Al-Qaeda elogiou os atentados de 11 de setembro; Abu Zubair Al-Haili, que seria preso no Marrocos, em 2002, num complô para atacar navios norte-americanos no Estreito de Gibraltar; Ali Ayed Al-Shamrani, que foi preso, em 1995, pela polícia saudita e rapidamente decapitado por envolvimento no atentado à missão americana de ajuda militar na Arábia Saudita; Khalil Deek, que seria detido em dezembro de 1999, por seu envolvimento no planejamento de atentados a bases americanas na Jordânia; e Fateh Kamel, que seria delatado como integrante da célula “Conspiração do Milênio”, no Canadá. Embora as agências de Inteligência ocidentais nunca rotulassem a atividade dos mujs na Bósnia como uma jihad da Al-Qaeda, está claro agora que era exatamente isso que ocorria.
O governo dos EUA fez da cessação da guerra nos Bálcãs a sua mais alta prioridade de política externa, introduzindo tropas americanas e elaborando a duras penas o Acordo de Dayton. Uma parte desse Acordo previa a expulsão dos mujs da Bósnia após o fim dos combates. Ainda não se sabia que eles eram da Al-Qaeda, mas sabia-se que eram terroristas internacionais.
Em 1998, na medida em que ficava claro que a diplomacia não estava funcionando inteiramente, tropas francesas invadiram uma das bases mujs restantes, que ainda operavam na Bósnia, em violação ao Acordo de Dayton. Prenderam onze deles, entre os quais dois diplomatas iranianos e nove mujs. A base estava cheia de explosivos, armas e planos para atentados terroristas a tropas americanas e outras tropas ocidentais. Ainda em 1998, um carregamento de explosivos plásticos C-4 foi interceptado, na Alemanha, a caminho de uma célula terrorista da Jihad Islâmica Egípcia. Havia indícios de que os explosivos destinavam-se a uma rodada de atentados a bases militares americanas no país.
Os EUA ameaçaram o presidente Izetbegovic com uma interrupção da ajuda militar e, depois, de uma cessação de qualquer ajuda, se ele não implementasse integral e fielmente o Acordo de Dayton, mediante a expulsão dos mujs.
Ainda em 1998, em maio, no Afeganistão, Osama Bin Laden, já então um dos dirigentes da Frente Islâmica Mundial para a Jihad (luta) contra Judeus e Cruzados – constituída em março desse ano, agrupando terroristas de organizações de diversos países - declarou “que as fronteiras geográficas não têm importância para nós. Somos muçulmanos e desejamos o martírio. Não temos preconceito de cor ou raça. Apoiamos cada muçulmano oprimido e pedimos a Deus que nos ajude e nos faça capazes de ajudar cada muçulmano oprimido”. Essa declaração antecedeu os atentados terroristas simultâneos, organizados por essa Frente Islâmica, em 7 de agosto de 1998, uma sexta-feira, contra as embaixadas dos EUA em Nairóbi, Quênia e Dar-es-Salaam, Tanzânia, que causaram 224 mortes e centenas de feridos. Esses atos terroristas foram assumidos oficialmente pelo Exército Islâmico para a Libertação de Lugares Sagrados, entidade até então desconhecida, e patrocinados por um Estado terrorista: o Irã. Dez dias depois, em 17 de agosto, a Frente Islâmica Mundial emitiu uma Declaração endossando e elogiando as operações do Exército Islâmico, sendo que essa Declaração foi divulgada praticamente ao mesmo tempo em que as mensagens do Exército Islâmico sobre os atentados, não deixando dúvidas sobre suas ligações.
O fato de Bin Laden não receber créditos pelas operações, mas antes encorajar as entidades locais a fazê-lo, identificando-se por nomes fictícios, tais como esse “Exército Islâmico”, atraíram para ele a estima dos comandantes locais, que não o viam como uma ameaça às suas posições pessoais.
Nesse mesmo ano de 1998, em outubro, um alto funcionário de um Serviço de Inteligência árabe afirmou que Osama Bin Laden havia adquirido armas nucleares táticas das repúblicas islâmicas da Ásia Central criadas após o colapso da União Soviética. Evidências do número de armas nucleares adquiridas pelos chechenos para Bin Laden variavam de “algumas” (Inteligência russa) a “mais de vinte” (Serviços de Inteligência de países árabes conservadores). A maior parte das armas foi comprada em quatro dos antigos Estados soviéticos: Ucrânia, Cazaquistão, Turcomenistão e Rússia. Os preparativos para a utilização dessas armas constituem um grande segredo.
Voltando à antiga Iugoslávia, somente no ano de 2000, em sua última semana no cargo, Izetbegovic expulsou o líder muj remanescente, Abu Al-Ma’ali, que foi acolhido pela Holanda. No entanto, Izetbegovic nunca chegou a expulsar todos. Células da Al-Qaeda na Bósnia foram identificadas e desmanteladas pela polícia bósnia até o ano de 2002.
Finalmente, analistas internacionais apontam três fatores como tendência regional em favor do Islamismo: 1) É a única ideologia crescente e verdadeiramente popular no Oriente Médio. Muitas pessoas acreditam genuinamente que “o Islã é a solução”, mesmo que variem as idéias do que possa ser esse “Islã”; 2) Os regimes conservadores pró-Ocidente estão perto do colapso, mais por autodestruição do que por qualquer outro fator, especialmente a Arábia Saudita; 3) A tendência histórica dominante na região é a inflexível oposição à mera existência de Israel.
Em uma conferência realizada com os chefes dos 56 escritórios regionais do FBI, antes de setembro de 2001, Richard Clarke, Coordenador Nacional para Segurança, Proteção de Infraestrutura e Antiterrorismo nos governos de George Bush, Bill Clinton e George W. Bush assim definiu a Al-Qaeda:
“A Al-Qaeda é uma conspiração política maquiada de seita religiosa. Ela comete o assassinato de inocentes para chamar a atenção. Seu objetivo é uma teocracia à moda do Século XIV no qual mulheres não têm direitos, todos são forçados a serem muçulmanos e a Sharia (Lei de Deus) é o sistema legal, que corta mãos e apedreja pessoas até a morte. Ela usa um sistema financeiro global para financiar suas atividades. Essas pessoas são inteligentes, muitas estudaram em nossas universidades e têm visão em longo prazo. Eles acreditam que pode levar um século até que alcancem seus objetivos, um dos quais é a destruição dos EUA. Eles têm uma rede eficiente de espiões e formam células e grupos de ataque que planejam suas ações anos antes de agir. Eles são o nosso inimigo número um e estão entre nós. Achem eles!”.
Dados Bibliográficos:
“Bin Laden – O Homem que Declarou Guerra à América”, Editoral Prestígio, 2002
“Contra Todos os Inimigos”, Richard A. Clarke, Editora Francis, 2004
REFUGIADA NO PALÁCIO - 03/10/2015
Dilma Rousseff afirmou que o Brasil está “de braços abertos” para receber refugiados de outros países. Coração de mãe é uma bênção. Chefiando um governo que não tem onde cair morto, fazendo a população de seu país comer o pão que o diabo amassou numa crise hedionda, a presidenta-mulher encontrou forças para seu aceno solidário ao mundo. A geopolítica das migrações não será mais a mesma depois do brado retumbante de Dilma. A sorte é que o mundo não sabe distinguir solidariedade de pedalada verbal.
Para os não iniciados, vale o esclarecimento: pedalada verbal é quando alguém fala alguma coisa para desviar a atenção de outra. A esperança da presidenta-mulher e de seus mandantes é que a plateia abobada se distraia mais um pouquinho com aquela conversa de coração valente, dando-lhes algum oxigênio extra para a sobrevida no palácio. Dilma discursou sobre os refugiados no 7 de Setembro, escreveu sobre os refugiados em artigo na imprensa, usou seu posto de chefe de Estado na Semana da Pátria para tratar dos refugiados no Oriente Médio. Se alguém na Síria ouviu esse apelo dramático, é capaz de atravessar o Mediterrâneo e o Atlântico a nado para alcançar a salvação petista. Chegando à praia, levará logo uma cravada da CPMF para saber onde está pisando.
Isso é tudo o que restou a Dilma e seu governo moribundo: demagogia sentimental e chantagem emocional. Mas não custa mandar o aviso aos refugiados de todo o planeta: o PT não é solidário nem com a mãe gentil. Depenou a economia popular sugando o patrimônio público e se refugiou no palácio. Quem tentou tirá-los de lá pelas vias normais (o voto) teve seus botes postos a pique por uma artilharia pesada – incluindo roubo da maior empresa nacional para financiar os truques eleitorais, segundo investigação da Operação Lava Jato. Tesoureiros e financiadores da Miss Solidariedade, prezados refugiados, já foram investigados e presos por tirar do povo para dar ao partido. O Brasil está de braços abertos e os brasileiros estão de mãos ao alto.
A crise dos refugiados é terrível, e é terrível a carona que os humanistas de butique pegam nela. A solução entoada pelos traficantes de bondade é fácil: Europa, abra as portas para todo mundo que quiser entrar! Deixe de ser egoísta e xenófoba, socorra os migrantes que estão morrendo no mar! Aliás, por que o mundo não pensou nisso antes? Todo ser humano que vive em dificuldade em seu país pobre e violento deveria se mudar para um país rico e pacífico. Pronto, tudo resolvido! E como fazer para que os mercados e as cidades europeias absorvam as populações deslocadas e a conta continue fechando, com bem-estar social para todos? Ora, se vira, seu capitalista selvagem!
Um dos primeiros países não europeus a anunciar que estava de portas abertas para os refugiados foi a... Venezuela. O companheiro Maduro talvez só fique devendo aos hóspedes o luxo de usar papel higiênico, mas essas necessidades primárias são facilmente substituíveis por uma boa cantilena chavista. Tanto na Venezuela quanto no Brasil, na Argentina, na Bolívia e em todos os países bonzinhos com o chapéu alheio, não existe esse problema neoliberal de fazer a conta fechar. A conta foi privatizada pelos companheiros, eles pedalam quanto quiserem para deixar os números lindos de morrer – e dessa cartola sem fundo fazem aparecer o que quiserem. Até bolsa refugiado.
Foi assim que o Brasil mandou pelos ares o tal grau de investimento, que os petistas informam que não tem a menor importância. Afinal, quem está preocupado com selo de bom pagador? O que importa é o selo de bom falador – capaz até de falar aos corações dos refugiados d’além-mar. Se faltar dinheiro, é só pedir para o Vaccari, ou para o Delúbio, ou para algum ajudante deles que não esteja em situação de xadrez. E, se ainda assim continuar faltando, não tem problema: é só meter a mão no bolso do brasileiro, esse ser pacato e compreensivo.
“As pessoas nem sentem”, comentou o petista José Guimarães, líder do governo na Câmara, sobre a recriação da CPMF. Mão leve é isso aí. E, se o Brasil não se importa com o bolso, melhor entregar logo as calças aos companheiros. Se mudar de ideia, a única saída é não aceitar mais mulher sapiens refugiada em palácio.
PROPOSTA INCONSTITUCIONAL - 03/10/2015
(Publicado originamente em O Globo)
À falta de um projeto real de cortes de despesas, o Governo Federal tem, repetidas vezes, declarado que só lhe resta aumentar tributos. Apesar de reconhecer que a carga tributária é elevada –quando era menor o exMinistro Galvêas já a chamava de “indecente”--, pois superior –e muito— a dos Estados Unidos, China e Japão, as três maiores economias do mundo, assim como da Coréia do Sul, Suíça, México, todos abaixo de 30% do PIB, pretende elevá-la ainda mais sobre cidadãos de uma economia combalida, rebaixada de grau de investimento, com inflação elevada e desemprego crescente.
A economia brasileira é um doente na UTI a quem em vez de receitar-se transfusão de sangue, pretende-se dele tirar mais sangue. As extensas benesses não cortadas do Poder Público, mordomias das quais não se encontra paralelo em outros países e vencimentos com aumentos permanentes acima da inflação, como se reivindica e se tem obtido em pleno ano de falência administrativa e gerencial, as esclerosadas estruturas administrativas, os inadmissíveis, inchados e inúmeros ministérios, o infindável número de departamentos, projetos e programas paralisados ou em marcha lenta, quase não são tocados.
O chamado ajuste fiscal tem sido realizado sobre a sociedade (corte de FIES para estudantes, de direitos para trabalhadores e aumento de impostos para empresas). O pacote proposto apenas prevê segurar futuros ajustes de servidores, com modestos e cosméticos arranjos no quadro burocrático.
Mesmo com esta fantástica incapacidade de cortar na própria carne e a manutenção de juros elevadíssimos numa economia já de há muito sem inflação de demanda, mas com inflação de custos privados e de gastos oficiais, pretende agora uma nova leva de elevação de tributos diretos e indiretos. Entre as ideias descompassadas estaria a de destinar 30% da contribuição ao sistema “S” para as burras sem fundo do Governo. Ora, tal pretensão é de fantástica inconstitucionalidade.
Reza o artigo 240 da CF que: “Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.” (grifos meus). Qualquer operador de Direito ---até mesmo estreantes ou profissionais menos brilhantes— sabe o sentido ôntico do vocábulo “destinados”. Destinados quer dizer que deverão tais contribuições ser entregues ao “serviço social” e ao “serviço de formação profissional” que estejam “vinculados ao sistema sindical”. O texto é de uma clareza impactante. APENAS AS “ENTIDADES PRIVADAS” que estejam vinculadas ao “SISTEMA SINDICAL” e que atuam no “SERVIÇO SOCIAL” e “DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL” podem receber tais “CONTRIBUIÇÕES”.
É de se perguntar, como podem os áulicos governamentais que estão transformando os cidadãos brasileiros em autênticos “escravos da gleba” medievais, que forneciam quase todos os seus recursos de trabalho para os senhores feudais na Idade Média, entendem que esta destinação NÃO PERMITIDA PELA LEI SUPREMA PARA O PODER PÚBLICO seja desviada, para não utilizarmos a expressão do poeta parnasiano Emílio de Menezes (“surrupiada de mansinho”) para os cofres sem fundos do Governo. Na década de 50, um filme de muito sucesso, creio que estrelado por Spencer Tracy, ficou meses em cartaz em quase todas as capitais do Brasil. Intitulava-se “Deu a louca no mundo”. Às vezes, tenho a impressão que “Deu a louca no Brasil”
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SOCIALISMO DE PORTA DE CADEIA - 28/09/2015
O dólar e os termômetros andam apostando corrida para ver quem derrete o Brasil primeiro. Os dois vão perder, porque vilão aqui não tem vez. O país já está sendo desmilinguido pelos heróis do povo. Veja a cena: João Vaccari, o tesoureiro da revolução, é condenado a 15 anos de prisão na Operação Lava-Jato; ao mesmo tempo e no mesmo planeta, o PT vira líder da proibição de doações eleitorais por empresas — exatamente onde Vaccari fez a festa para abarrotar os cofres do partido. Enquanto você olhava para esta cena de moralização explícita, os companheiros no STF enfiavam a faca na Operação Lava-Jato — em mais uma ação heroica para salvar o Brasil da gangue de Sergio Moro.
O Supremo Tribunal companheiro só vai conseguir cozinhar a Lava-Jato se você continuar olhando para a cena errada. Caso contrário, a operação prosseguirá mais abrangente e infernal que um arrastão no Arpoador. Podem fatiar à vontade, podem mandar processo até para o quintal do Sarney, que a maior investigação da história da República haverá de varrer inexoravelmente tudo, como água morro abaixo e fogo morro acima. Mas se você zapear para o Discovery Channel, onde a reforma política do PT está salvando a democracia das garras do capitalismo selvagem, a Lava-Jato poderá virar um retrato na parede de um triplex no Guarujá.
Quem achava que tinha chegado ao fim a capacidade do brasileiro de ser ludibriado pela demagogia coitada, errou feio. Eis que surge o Partido dos Trabalhadores, todo melecado de pixulecos de variados calibres, no centro de uma orgia bilionária onde inventou a propina oficial com doações eleitorais de empresas, propondo o fim das... doações eleitorais de empresas. Você teve que ouvir: o PT quer purificar o processo eleitoral brasileiro, protegendo-o da influência do poder econômico. É o socialismo de porta de cadeia.
O Brasil cai em todas, e não deixaria de cair em mais essa. O companheiro monta em cima, rouba, estupra, enfia a mão na bolsa da vítima tentando arrancar mais uma CPMF, e ao ser pego em flagrante, grita: vamos discutir a relação! A vítima se senta, acende um cigarro, faz um ar inteligente e começa a debater o celibato das empresas no bordel eleitoral. Contando, ninguém acredita.
Boa parte das democracias no mundo permite a doação eleitoral de empresas. E também há várias que não permitem. Evidentemente, o problema não é esse. Os tesoureiros do PT ordenharam todo tipo de empresa no caixa dois do mensalão, no caixa um do petrolão, e saberão atualizar seu manual de extorsão de acordo com qualquer nova legislação vigente. Bandido é bandido — e não é para eles que se legisla. O problema é que o Brasil tem bandidos do bem, progressistas e humanitários. E quando eles gritam contra o poder econômico — mesmo já sendo podres de ricos — os brasileiros se comovem.
Com a missão cumprida, tendo colado o selo oficial de caloteiro na testa do Brasil após 12 anos de pilhagem, o governo popular voltou-se para seu hobby predileto — a “construção de narrativas”, como definiu o filósofo Gilberto Carvalho. Como a narrativa em curso é a de um governo prestes a ser posto na rua, fez-se necessário recorrer aos efeitos especiais. Os companheiros devem ter se perguntado se ainda havia algum otário capaz de embarcar nas suas fantasias de esquerda, e a resposta provavelmente foi: sempre há! Resposta certeira. Com um trabalho impecável da co-irmã OAB (apelidada injustamente de Ordem dos Aloprados do Brasil) e do companheiro Luis Roberto Barroso (o que decidiu que a quadrilha não era quadrilha) o disco voador da moralização eleitoral petista pousou no Supremo.
Como todo disco voador que se preze, ele trazia uma mensagem dos ETs — tornando sumariamente inconstitucionais as doações eleitorais de empresas. Perfeitamente sintonizado com o mundo da Lua (e da estrela), o STF do companheiro Lewandowski assinou embaixo. Spielberg talvez achasse um pouco forte, mas dane-se o Spielberg. Ele entende de ET, não de PT — ou seja: em termos de truques, é uma criança.
E foi assim que o Brasil inteiro se viu de repente coçando a cabeça, como num arrastão de piolhos, tentando entender o que vale e o que não vale nos mandatos vigentes e vindouros. Dá até para imaginar os heróis da luta contra o capitalismo fumando seus charutos diante da TV e fazendo o célebre top-top de Marco Aurélio Garcia: delícia de lambança. Do alto de sua narrativa surrealista, Dilma Rousseff, a presidenta mulher, confirma a manobra do STF e salva a democracia nacional do capitalismo selvagem.
Aí só fica faltando narrar um capítulo da história: os capitalistas selvagens foram assaltados pelos oprimidos e o produto do roubo elegeu Dilma Rousseff, conforme indica a Operação Lava-Jato. A não ser que queira se refundar como cleptocracia, o Brasil terá que mandar os oprimidos selvagens procurar seu final feliz na suíte do companheiro Vaccari.
• Jornalista
RAÚL CASTRO DÁ AO PAPA UMA - 26/09/2015
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Francisco deixou Cuba no dia 22 de Setembro. A visita do Papa à ilha caribenha era aguardada com expectativa, e não só pelo objetivo apostólico, mas por ter sido o Pontífice uma espécie de "intermediário" na tão propagandeada "aproximação" entre Cuba e os Estados Unidos.
Raúl Castro deu a "más calurosa bienvenida" a Francisco [1]. Mas, diante do Papa, o Presidente cubano - para contrariar os que ainda creem numa "abertura" do regime totalitário - reafirmou o compromisso com a ditadura comunista:
"Avançamos resolutamente na ATUALIZAÇÃO de nosso modelo econômico e social para construir um SOCIALISMO próspero e sustentável" [...] "PRESERVAR O SOCIALISMO é garantir a independência, soberania, desenvolvimento e bem-estar da Nação" [2].
O irmão de Fidel ainda fez uma alusão importante:
"Os povos da América Latina e do Caribe avançam até sua INTEGRAÇÃO" [...] "A unidade, identidade e INTEGRAÇÃO REGIONAL devem ser defendidas" [3].
"Integração" é uma referência ao processo estratégico de transformar a América Latina na imensa "Patria Grande" comunista. Um projeto de poder totalitário e criminoso, traçado e promovido pelo Foro de São Paulo - organização fundada por Lula e por Fidel Castro - e por outras instâncias associadas, como a UNASUL, CELAC, ALBA, o BRICS [4].
Na presença do Papa, Raúl Castro reafirmou a "devoção" ao totalitarismo comunista. E mais. Mentiu na cara do Pontífice para maquiar o caráter opressor do regime cubano: "Exercemos a liberdade religiosa como direito consagrado em nossa Constituição" [5].
A Constituição de Cuba reza:
Art. 55. O Estado, que reconhece, respeita e garante a liberdade de consciência e de religião, reconhece, respeita e garante ao mesmo tempo a liberdade de cada cidadão para mudar de crença religiosa ou não ter nenhuma, e a professar, dentro do respeito à lei, o culto religioso de sua preferência [6].
No entanto, a própria Constituição adverte:
Art. 62. Nenhuma das liberdades reconhecidas aos cidadãos [o que inclui a suposta "liberdade religiosa"] pode ser exercida contra o estabelecido na Constituição e nas leis, NEM CONTRA A EXISTÊNCIA E FINS DO ESTADO SOCIALISTA, nem contra a decisão do povo cubano de CONSTRUIR O SOCIALISMO E O COMUNISMO.
A infração deste princípio é punível [7].
Na visita do Papa, o regime cubano tratou de cumprir à risca o que está estabelecido na sua Constituição. Os opositores foram vigiados, receberam ameaças e - com Francisco na ilha - foram presos. A denúncia é do "Movimiento Cristiano Liberación":
"Rosa María Rodriguez, membro do Conselho Coordenador do 'Movimiento Cristiano Liberación' foi detida hoje, 20 de Setembro, às 7 da manhã, em Havana, QUANDO SE DIRIGIA À MISSA QUE O PAPA IA CELEBRAR na Praça José Martí da capital cubana".
[...]
"Muitos são os dissidentes PRESOS, AMEAÇADOS ou IMPEDIDOS de ASSISTIR AOS ENCONTROS E MISSAS QUE O PAPA FRANCISCO ESTÁ REALIZANDO EM CUBA, e se espera que essa escalada repressiva continue" [8].
Carlos Payá, do "Movimiento Cristiano de Liberación", fala sobre as detenções dos opositores durante a visita do Papa Francisco a Cuba. Cf. [http://www.rtve.es/alacarta/videos/los-desayunos-de-tve/desayunos-200915-0830/3293424/] - a partir do tempo [44:25] [9].
"Liberdade religiosa", portanto, apenas para os que fecham os olhos ou se calam diante da opressão do regime comunista. Ou para os que se "convertem" a uma "fé" corrompida e desfigurada pela Teologia da Libertação [10]. Não a da Santa Igreja Católica, mas a que respeita o artigo 62 da "tábua da lei" cubana e o seu "mandamento": "construir o socialismo e o comunismo". Tudo pela imposição de um "reino" totalitário na Terra, com o sangue dos cristãos fuzilados no paredão, com a falsificação e a intrumentalização da fé e da própria Igreja.
O que Francisco pensou ao ouvir o discurso de Raúl Castro? Somente o Papa pode revelar. No entanto, é inegável que recebeu a "más calurosa bienvenida" de um farsante, que confessa o compromisso com a preservação de um regime totalitário e opressor, que finge a existência de "liberdade religiosa" em Cuba para promover a sua verdadeira "profissão de fé": transformar a América Latina na imensa "Patria Grande" comunista [11].
REFERÊNCIAS.
[1]. Cf. "En nombre de este noble pueblo, le doy la más calurosa bienvenida". Granma, 19 de Setembro de 2015 [http://www.granma.cu/papa-francisco-en-cuba/2015-09-19/raul-castro-en-nombre-de-este-noble-pueblo-le-doy-la-mas-calurosa-bienvenida].
[2]. Idem.
[3]. Idem.
[4]. Cf. "Foro de São Paulo: a confabulação comunista no México" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/08/foro-de-sao-paulo-confabulacao.html]; "A 'prestação de contas" do ex-Secretário do Foro de São Paulo" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/05/a-prestacao-de-contas-do-ex-secretario.html]; "Foro de São Paulo: a gênese criminosa da 'Patria Grande' comunista" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/08/foro-de-sao-paulo-genese-criminosa-da.html].
[5]. Idem.
[6]. Cf. "Constitución de la Republica de Cuba" [http://www.cuba.cu/gobierno/cuba.htm].
[7]. Idem. A observação entre colchetes é minha.
[8]. Cf. "Comunicado de Prensa del Movimiento Cristiano Liberación" [http://www.oswaldopaya.org/es/2015/09/21/comunicado-de-prensa-del-movimiento-cristiano-liberacion/].
[9]. RTVE - Espanha. apud. "Movimiento Cristiano Liberación" [http://www.oswaldopaya.org/es/2015/09/21/television-espanola-carlos-paya-mcl-detenciones-durante-visita-del-papa/] (Fonte da imagem utilizada na publicação).
[10]. Cf. "Francisco: Fidel e a Religião" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/09/francisco-fidel-e-religiao.html].
[11]. Cf. "Foro de São Paulo: a gênese criminosa da 'Patria Grande' comunista" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/08/foro-de-sao-paulo-genese-criminosa-da.html].
LEITURA RECOMENDADA.
BRAGA, Bruno. "Quem é Raúl Castro?" [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/01/quem-e-raul-castro-bruno-braga.html].
O ARQUIPÉLAGO CUBANO - 24/09/2015
Uma reflexão sobre o sofrimento do povo cubano sob uma cruel tirania comunista.
21/09/2015
Nota do Editor de TruthRevolt: a polícia cubana prendeu líderes dos dissidentes cubanos no domingo, numa tentativa de impedi-los de encontrar o Papa Francisco enquanto ele estava celebrando sua primeira missa em Havana. Nesta ocasião, TruthRevolt está re-publicando abaixo o artigo de Jamie Glazov de nossa edição de 26 de dezembro de 2014, pois, fornece uma análise aprofundada da brutalidade cruel e sádica do regime de Fidel Castro.
* * *
Louco de raiva eu vou manchar meu rifle de vermelho, abatendo qualquer inimigo que cair em minhas mãos! Minhas narinas se dilatam, enquanto saboreiam o cheiro acre da pólvora e de sangue. Com a morte de meus inimigos preparo meu ser para a luta sagrada e juntar-me ao proletariado triunfante com um uivo bestial.
-Che Guevara, Diários de Motocicleta
A recente decisão do Presidente Obama de agradar a Cuba comunista é um momento crucial de importância não apenas diplomaticamente, mas como uma questão moral em relação aos direitos humanos, dignidade e justiça. Porque nós testemunhamos um Radical-in-Chief (radical no comando) [RADICAL-IN-CHIEF Barack Obama and the untold story of American Socialism, de Stanley Kurtz] lançando uma tábua de salvação econômica para uma tirania bárbara, é nosso dever e obrigação acender uma luz sobre a tragédia obscura do Gulag cubano – e refletir sobre o sofrimento indizível que os cubanos têm passado sob regime fascista de Castro.
Até 26 de julho de 2008, Fidel Castro tinha governado Cuba com punho de ferro durante quase cinco décadas. Naquela data de Julho, em 2008, ele ficou de lado por causa de problemas de saúde e fez de seu irmão, Raul, governante de fato. Raul substituiu oficialmente seu irmão como ditador em 24 de fevereiro de 2008 o regime manteve-se tão totalitário como antes e pode, por razões óbvias, continuar a ser considerado e rotulado como regime "de Fidel Castro".
Tendo tomado o poder em 1º de janeiro de 1959, Fidel Castro seguiu a tradição de Vladimir Lenin e imediatamente transformou seu país em um campo de escravos. Desde então, Cuba tem se destacado como um dos mais monstruosos violadores dos direitos humanos no mundo.
Meio milhão de seres humanos passaram pelo Gulag de Cuba. Como a população total de Cuba é de apenas cerca de onze milhões, isso dá ao despotismo de Castro a maior taxa de encarceramento político per capita na terra. Houve mais de quinze mil execuções por fuzilamento. A tortura foi institucionalizada numerosas organizações de direitos humanos documentaram o uso de choque elétrico, celas de isolamento escuras do tamanho de um caixão mortuário, e espancamentos para punir os "elementos anti-socialistas." A barbárie do regime de Castro é melhor resumida pelo plano de Camilo Cienfuegos, o programa de horrores seguido no campo de trabalho forçado na Ilha de Pinos. Forçados a trabalhar quase nus, os prisioneiros forçados a cortar grama com os dentes e a sentar-se em valetas de latrinas por longos períodos de tempo. A tortura é rotina. [1]
A experiência horrível de Armando Valladares, um poeta cubano que suportou vinte e dois anos de tortura e prisão apenas por ter levantando a questão da liberdade, é um testemunho da barbárie do regime. As Memórias de Valladares, Against All Hope (Contra Toda a Esperança), servem como a versão de Cuba do Arquipélago Gulag de Solzhenitsyn. Valladares conta como prisioneiros eram espancados com baionetas, cabos elétricos, e cassetetes. Ele conta como ele e outros prisioneiros foram forçados a tomar "banhos" em fezes humanas e urina. [2]
Típico do horror no Gulag de Castro foi a experiência de Roberto López Chávez, um dos amigos de prisão de Valladares. Quando López iniciou uma greve de fome para protestar contra os abusos na prisão, os guardas o privaram de água até que ele começou a delirar, se contorcendo no chão e implorando por algo para beber. Os guardas, então, urinaram em sua boca. Ele morreu no dia seguinte. [3]
O culto da morte, por Castro, como outras ideologias de esquerda, acredita que o sangue humano purifica a Terra – e, como manifestações de pesar afirmam a realidade do indivíduo e, portanto, são um anátema para a totalidade – o luto pelos que partiram tornou-se um tabu. Assim, tal como na China de Mao e no Camboja de Pol Pot, [4] também a Cuba de Castro advertia os familiares de dissidentes assassinados para não chorarem em seus funerais. [5]
O regime de Castro também tem um histórico longo, grotesco de torturar e assassinar americanos. Durante a Guerra do Vietnã, Castro enviou alguns de seus capangas para executar o "Programa cubano" no campo de prisioneiros Cu Loc em Hanói, que ficou conhecido como "o Zoológico". Seu principal objetivo foi determinar o quanto de agonia física e psicológica um ser humano poderia suportar. Os cubanos selecionavam prisioneiros de guerra americanos como suas cobaias. Um cubano apelidado de "Fidel," o principal torturador no Zoológico, iniciou seu próprio reino pessoal de terror. [6]
A provação do tenente-coronel Earl Cobeil, um piloto de F-105, ilustra a natureza Nazista da experiência. Entre as técnicas de tortura de Fidel haviam espancamentos e chicotadas sobre cada parte do corpo de sua vítima, sem perdão [7] O ex-prisioneiro de guerra John Hubbell descreve a cena quando Fidel empurrou Cobeil na célula do companheiro POW Col. Jack Bomar.:
O homem [Cobeil] mal conseguia andar Ele se arrastou lentamente, dolorosamente. Suas roupas estavam rasgadas em pedaços. Ele estava sangrando em toda parte, terrivelmente inchado, e sujo, amarelado preto e roxo da cabeça aos pés. A cabeça do homem estava baixa ele não fez nenhuma tentativa de olhar para ninguém. . . . Ele ficou imóvel, com a cabeça baixa. Fidel amassou um punho no rosto do homem, levando-o contra a parede. Em seguida, ele foi levado para o centro da sala e fez descer sobre os joelhos. Gritando em fúria, Fidel pegou um pedaço de mangueira de borracha preta de um guarda e atacou-o tão duramente o quanto podia o rosto do homem. O prisioneiro não reagia não gritava nem mesmo piscava um olho. Sua incapacidade de reagir parecia alimentar a ira de Fidel e de novo ele chicoteava a mangueira de borracha no rosto do homem. . . . Uma e outra vez e outra vez, uma dúzia de vezes, Fidel esmagou o rosto do homem com a mangueira. Nem uma vez que o abuso temível suscitou a menor resposta do prisioneiro. . . . Seu corpo foi rasgado e quebrado em toda parte as algemas pareciam quase ter cortado os pulsos, as marcas de fita ainda enrolados em torno dos braços todo o caminho até os ombros, lascas de bambu foram embutidos nas canelas ensanguentadas e havia o que parecia ser marcas de pneus da mangueira no peito, nas costas e pernas. [8]
Earl Cobeil morreu como resultado da tortura de Fidel.
O Maj James Kasler foi outra das vítimas de Fidel, embora ele tenha sobrevivido ao tratamento:
Ele [Fidel] privou Kasler de água, amarrou com fio seus polegares juntos, e o flagelou até que suas "nádegas, costas e pernas ficaram penduradas em pedaços." Durante um trecho da barbárie ele revezou com Cedric [outro torturador] por três dias com um chicote de borracha. . . . o prisioneiro estava em semi-coma e sangrando profusamente com um tímpano perfurado, costela fraturada, com o rosto inchado e os dentes quebrados, de modo que ele não podia abrir a boca, e sua perna novamente ferida de atacantes chutando-o repetidamente. [ 9]
O reinado de terror contra prisioneiros de guerra americanos no Vietnã foi apenas um reflexo do tratamento de Castro ao seu próprio povo. Além de dificuldades físicas, mesmo para aqueles que não iam acabar na prisão ou no campo de trabalho, o estado policial de Cuba negou aos cubanos qualquer liberdade. Os cubanos não têm o direito de viajar para fora do seu país. Eles não têm o direito de livre associação ou o direito de formar partidos políticos, sindicatos independentes, ou organizações religiosas ou culturais. O regime proibiu a liberdade de expressão tem constantemente censurado publicações, rádio, televisão e cinema. Há um Comitê de Defesa da Revolução Cubana (CDR) para cada quarteirão da cidade e cada unidade de produção agrícola. O objetivo do CDR é monitorar os assuntos de cada família e para relatar qualquer coisa suspeita. Uma vida inteira cubana é passada sob a vigilância de seu CDR, que controla tudo, desde as suas rações de comida para seu trabalho, à sua utilização do tempo livre. Um cruel racismo contra os negros acompanha esta repressão. Na Cuba pré-Castro, os negros desfrutavam de mobilidade social ascendente e servido em muitas posições governamentais. Na Cuba de Fidel Castro, a população carcerária é de 80 por cento de negros, enquanto a hierarquia governamental é 100 por cento branca. [10]
O comunismo cubano segue idéia de “igualdade” de Lênin e Stálin, em que os membros da nomenklatura vivem como milionários, enquanto os cubanos comuns vivem na pobreza absoluta. As prateleiras das lojas estão vazias, e os alimentos são racionados firmemente para o cidadão médio. Professores e médicos dirigem táxis ou trabalham como garçons para sustentar suas famílias. Sob o sistema de apartheid turístico, os cubanos comuns não são admitidos nos hotéis designados para os turistas e funcionários do partido. Há, é claro, a polícia dentro de cada tal hotel para prender qualquer cidadão cubano não autorizado que se atreva a entrar.
O subsídio soviético de US $ 5 bilhões por ano que mal mantinha a economia cubana durante a Guerra Fria há muito tempo acabou. E, não obstante, os $ 110 bilhões que os soviéticos bombearam ao longo de décadas, Cuba tornou-se uma das nações mais pobres do mundo. Suas indústrias de açúcar, fumo e gado eram todas as principais fontes de exportação na era pré-Castro. Castro destruiu todas. [11] Por causa de sua crença no "socialismo ou morte", Cuba é hoje uma nação pedinte. Mesmo os refugiados haitianos evitam Cuba.
Negado o direito de voto sob Castro, os cubanos votaram com os pés. Cuba Pré-Castro tinha a maior taxa de imigração per-capita no hemisfério ocidental. Sob Castro, aproximadamente dois milhões de cidadãos cubanos (de onze milhões) escaparam de seu país. Muitos o fizeram, flutuando em jangadas ou câmaras de ar em águas infestadas de tubarões. Estima-se que 50.000-87.000 perderam suas vidas. [12]
Não contente em confiar nos tubarões, Castro envia helicópteros para soltar sacos de areia nas jangadas daqueles que tentam fugir, ou simplesmente dispara sobre todos eles. Uma síntese desta barbárie foi o Massacre do Rebocador, de 13 de julho de 1994, em que Castro ordenou que barcos de patrulha cubanos matassem quarenta e um civis desarmados – dez deles crianças – que estavam usando um velho rebocador de madeira em sua tentativa de fugir de Cuba cubano. [13 ]
Estas são as histórias de partir o coração, e apenas algumas entre muitas, do povo cubano que tem sofrido dor excruciante e agonia sob uma tirania do mal que agora, como está nas últimas, está tendo sua vida prolongada por um presidente americano .
É alimento para o pensamento.
Notas:
[1] Para conhecer um dos melhores relatos da brutalidade do regime de Fidel Castro, consulte Pascal Fontaine, “Cuba: Interminable Totalitarianism in the Tropics” (Cuba: Totalitarismo Interminável nos Trópicos), in Courtois et al, O Livro Negro do Comunismo, pp 647-665...
[2] Armando Valladares, Against All Hope: A Memoir of Life no Gulag de Castro, trans. Andrew Hurley (San Francisco: Encounter Books, 2001), p. 137.
[3] ibid., P. 379.
[4] Para o caso da China, veja o capítulo 7 do meu livro, United in Hate: The Left’s Romance With Tyranny and Terror (Unidos no ódio Romance da esquerda com a tirania e terror) para o Camboja, ver John Perazzo, “Left-Wing Monster: Pol Pot” (Mostro da esquerda: Pol Pot," FrontPageMag.com, 08 agosto de 2005.
[5] Valladares, Against All Hopes (Contra toda a esperança), p. 378.
[6] Stuart I. Rochester e Frederick Kiley, capítulo 19, "The Zoo, 1967-1969: The Cuban Program and Other Atrocities” (O Programa cubano e outras atrocidades", em homenagem aos prisioneiros de guerra americanos no Sudeste Asiático 1.961-1.973 (Annapolis: Naval Institute Press , 1999).
[7] Humberto Fontova, Fidel: Hollywood’s FavoriteTyrant (Fidel: o tirano favorite de Hollywood), (Regnery, 2005). pp. 141-142.
[8] Rochester e Kiley, Honor Bound, p. 400.
[9] ibid., P. 404.
[10] Fontova, Fidel, p. 88.
[11] Ibid., Pp. 14-15 e 49.
[12] Ibid., 8 pp. 56-57 e.
[13] ibid., Pp. 157-163.
Para obter toda a história sobre por que os esquerdistas veneram a tirania de Castro, solicitar de Jamie Glazov: United in Hate: The Left Romance With Tyranny and Terror (Unidos no ódio: o Romance da esquerda com a tirania e o Terror).
Tradução: William Uchoa
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FRANCISCO EM CUBA: BLOQUEIO INTERNO E RECONCILIAÇÃO COM OS LOBOS - 22/09/2015
O ditador Raúl Castro, em suas palavras de boas-vindas ao pontífice Francisco, traçou de maneira arrogante as regras do jogo para a visita papal, reafirmando, diante do ilustre visitante, o literal bloqueio interno em que os cubanos vivem há quase seis décadas.
Antes que Francisco tivesse oportunidade de oferecer sua proposta de “reconciliação” e “diálogo” para Cuba, o ditador Castro lhe recordou que a meta prioritária do regime continua sendo a de preservar o socialismo, que a “liberdade religiosa” já seria um direito “consagrado” na constituição, e que o regime não admite interferências, sequer “indiretamente”, no que considera “assuntos internos” da ilha-cárcere (leia-se liberdade e direitos humanos).
O recado estava transmitido e as regras do jogo desse brutal bloqueio interno castrista ficaram reafirmadas, não só ante o pontífice Francisco, senão, também, indiretamente, ante o presidente Obama. Ambos são seus grandes aliados neste momento em que estão respaldando, no plano internacional, o regime comunista e impedindo sua derrubada.
Boa parte dos desdobramentos da visita papal busca sentido e pode ser analisada do ponto de vista desse bloqueio imposto pelas regras do jogo do Lobo.
O recado recebido de um oficial da polícia política por Martha Beatriz Roque, uma destacada dirigente opositora que foi proibida pelo regime de encontrar-se com Francisco no jardim da Nunciatura, para onde havia sido convidada, é suficientemente expressivo e fala por si mesmo. “Se você tem algo que dizer ao papa, diga-o a nós, que o transmitiremos. Também é expressivo e fala por si o comentário balbuciante do porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, na reunião de imprensa posterior à missa em Holguín, sobre a detenção de dissidentes, conforme reproduzido pelo jornalista Jesús Bastante, responsável pelos assuntos religiosos na ABC de Madrid, no artigo para a agência espanhola Religión Digital (21 de setembro de 2015): Por que o papa Francisco não criticou a ditadura cubana? Por que não se encontrou com os dissidentes dos Castro?
O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, teve que lançar mão de toda a diplomacia da Santa Sé para responder às insistentes perguntas da imprensa internacional durante a rodada de entrevistas posterior à missa papal em Honguín.
“Não estava nem está prevista uma reunião, em sentido estrito”, com a dissidência, admitiu o porta-voz, que reconheceu ter havido uma tentativa “falida” para que alguns dissidentes pudessem saudar o papa “de passagem”. Alguns deles, como Martha Roque, foram detidos no sábado, quando se dirigiam à Nunciatura para saudar o papa em sua chegada e, posteriormente, participar da Liturgia das Horas (Vésperas) na catedral de Havana.
Sabia Francisco, que essas detenções haviam acontecido? Lombardi não soube responder. “Não tenho nenhuma resposta… de parte da Santa Sé, sussurou o porta-voz, que tampouco quis esclarecer se o papa se referia ao regime quando pediu, na missa de Holguín para superar “nossas resistências a mudança” (até aqui a versão textual do jornalista espanhol Jesús Bastante). Ao mesmo tempo, dezenas de opositores políticos foram detidos à saída de seus domicílios e nas ruas para evitar que com suas eventuais reclamações empanassem o clima de suposta “liberdade religiosa” que se vivia na ilha-cárcere das Antilhas.
O Partido Comunista de Cuba (PCC) exigiu receber as listas com os nomes dos fiéis católicos que precisaram dirigir-se em grupos à missa papal em Havana. E os bispos colaboracionistas consentiram. Mais ainda. Militantes comunistas viajaram em cada ônibus com os fiéis católicos que se dirigiram à missa. E o PCC controlou, com seus militantes, todo o trajeto de Francisco pelas ruas de Havana.
Alguns gestos, sussuros e palavras soltas de Francisco, que poderiam ser interpretados como uma tentativa de quebrar o bloqueio interno castrista, foram anulados pela horrorosa visita de Francisco ao ex-ditador Fidel Castro, solicitada pela Santa Sé. A julgar pelas fotos difundidas no periódico Granma, Francisco contemplava o sanguinário ex-ditador e estreitava suas mãos como se fosse um santo e não o homem responsável pelo fuzilamento de jovens mártires católicos que morreram no paredón exclamando “Viva Cristo Rei, abaixo o comunismo!”. Fidel foi, também, o artífice da estratégia posterior de criar apóstatas e não mártires, reconhecida em discurso na Universidade de Havana. Ele é o maior responsável, enfim, pela destruição de Cuba.
Nessa perspectiva, a viagem papal a Cuba contribuiu, decisivamente, para manter o bloqueio interno que asfixia os cubanos e a empurrar os católicos para uma “reconciliação” com os Lobos comunistas. São estas algumas primeiras reflexões, sem dúvida esquemáticas, nos momentos em que termina a visita de Francisco à ilha-cárcere de Cuba.
Juan Habanero Cubano, 21 de setembro de 2015.
FRANCISCO: FIDEL E A RELIGIÃO. - 22/09/2015
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Em visita a Cuba, Francisco se encontrou com Fidel Castro. No domingo, 20 de Setembro, após a celebração da Missa na Praça da Revolução, em Havana, o ditador cubano abriu as portas de sua casa para receber o Papa. Eles conversaram - segundo o Diretor da Sala de Imprensa do Vaticano - sobre o meio ambiente e a atual situação do mundo. Na protocolar troca de presentes, Francisco recebeu o livro "Fydel y la Religión: conversaciones con Frei Betto" [1].
Publicado em 1985 [2], o livro é mais que a reprodução das entrevistas que Fidel Castro concedeu a Betto para falar sobre religião. Nele, o líder da revolução cubana "canoniza" o psicopata sanguinário que ordenava o fuzilamento de cristãos: "Se Che fosse católico, se Che pertencesse à Igreja, teria todas as virtudes para que fizessem dele um santo" (p. 376) - trata-se do mesmo Che Guevara, que ostentava: "Não sou Cristo nem filantropo. Sou totalmente o contrário de um Cristo" [...] "Um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar movida apenas pelo ódio". "Fydel y la Religión" reune um mostruário de disparates e absurdos com estratégias práticas para, sorrateiramente, tomar de assalto a Igreja Católica e utilizá-la na promoção da revolução comunista. É o que o próprio Betto afirma nas páginas do livro:
"Então, hoje há um número infinito de Comunidades Eclesiais de Base em toda a América Latina; no Brasil existem cerca de 100 mil Comunidades Eclesiais de Base, que são grupos de cristãos, operários, campesinos, marginalizados, nas quais se reúne perto de três milhões de pessoas" [...] "Não é fácil convencer um operário, ou um campesino, de que deve lutar pelo socialismo, mas é muito fácil dizer o seguinte: 'Olha, homem, nós cremos em um só Deus'" [...] (pp. 282-283).
Betto confessa publicamente o plano de manipular a fé - de fraudá-la - para ludibriar os fiéis e conduzir o engajamento deles no ativismo revolucionário. O instrumento para estabelecer a manipulação é a Teologia da Libertação, definida por Betto no livro oferecido ao Papa como "um reencontro do cristianismo com suas raízes" (p. 291). Uma farsa, pois a Teologia da Libertação - de acordo com as revelações de Ion Mihai Pacepa, o ex-agente do serviço secreto da Romênia comunista que participou diretamente da execução do plano - foi concebida pela KGB para instrumentalizar a Igreja Católica, utilizando justamente Cuba como plataforma para disseminá-la [3].
O resultado da ação ardilosa pode ser avaliado pelo mapa político. A Teologia da Libertação contribuiu de forma efetiva para a ascensão do projeto de poder comunista na América Latina, sobretudo na ampliação e no fortalecimento do Foro de São Paulo, a organização criada por Lula e por Fidel Castro - e com a participação direta de Betto, ele mesmo um "apóstolo" da teologia revolucionária que utiliza o disfarce de "frei" [4] - para estabelecer no continente a imensa "Patria Grande" comunista. Um sucesso reconhecido pelo ex-Presidente do Paraguai, Fernando Lugo [5], e pelo próprio ex-Presidente Luiz Inácio:
"Mas por que é que eu cheguei aonde cheguei? Porque eu tenho por detrás de mim UM MOVIMENTO. Eu tenho por detrás de mim uma grande parte dos estudantes, do PT, a CUT, a "base da Igreja Católica" [quer dizer, a TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO] [...] EU ERA FRUTO DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO" [6].
Em sua viagem apostólica à Bolívia, Francisco recebeu de Evo Morales um crucifixo talhado sobre o símbolo comunista da foice e do martelo. Um escândalo e uma afronta [7]. Mas, o presente de Fidel Castro não é menos ofensivo. Nele, o martírio dos católicos não está visível, como na peça oferecida pelo cocaleiro, e nas suas linhas o ditador cubano trata de negar a tortura e o fuzilamento dos que morreram no paredão gritando "Viva Cristo Rey!" (p. 221). Um cinismo malígno para conseguir estabelecer - por meio da fraude, do engano, da Teologia da Libertação - uma aliança inconcebível entre cristãos e comunistas, e com ela promover um projeto de poder totalitário e criminoso. No exemplar de "Fidel y la Religión", o ditador cubano escreveu uma dedicatória: "Para o Papa Francisco, por ocasião da sua visita a Cuba com admiração e respeito do povo cubano". Na dedicatória original do livro, porém, Betto expressa, com mais uma falsificação, qual é de fato o real objetivo do livro: "A todos os cristãos latino-americanos que, entre incompreensões e na bem-aventurança da sede de justiça, preparam, à maneira de João Batista, OS CAMINHOS DO SENHOR NO SOCIALISMO" (p. 14).
REFERÊNCIAS.
[1]. "Francisco encontra Fidel Castro". Rádio Vaticano, 20 de Setembro de 2015 [http://br.radiovaticana.va/news/2015/09/20/francisco_encontra_fidel_castro/1173396].
[2]. "Fidel y la Religión". Conversaciones com Frei Betto. Oficina de Publicaciones del Consejo de Estado: La Havana (1985).
[3]. PACEPA, Ion Mihai. "A KGB criou a Teologia da Libertação" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/01/a-kgb-criou-teologia-da-libertacao.html]. Tradução do Capítulo "Liberation Theology" (15), que é parte do livro "Disinformation": former spy chief reveals secret strategis for undermining freedom, attacking religion, and promoting terrorism (WND Books: Washington, 2013); "As raízes secretas da teologia da libertação". Trad. Ricardo R. Hashimoto. Mídia Sem Máscara, 11 de Maio de 2015 [http://www.midiasemmascara.org/artigos/desinformacao/15820-2015-05-11-05-32-01.html]; "A Cruzada religiosa do Kremlin". Trad. Bruno Braga [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/04/a-cruzada-religiosa-do-kremlin.html]; "Ex-espião da União Soviética: Nós criamos a Teologia da Libertação". ACIDigital, 11 de Maio de 2015 [http://www.acidigital.com/noticias/ex-espiao-da-uniao-sovietica-nos-criamos-a-teologia-da-libertacao-28919/].
[4]. Sobre Betto: "A promoção efetiva da Teologia "Socialista-Comunista" da Libertação" [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/05/a-promocao-efetiva-da-teologia.html]; "Sob a ´benção´ do ´Comandante´" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/02/sob-bencao-do-comandante.html]; "Um EXCOMUNGADO sem vergonha" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/04/um-excomungado-sem-vergonha.html]; "A 'profissão de fé' de Betto" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/08/a-profissao-de-fe-de-betto.html]; "A 'pedagogia' do Foro de São Paulo" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/04/a-pedagogia-do-foro-de-sao-paulo.html].
[5]. Cf. "O engodo da libertação e o poder" [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/10/o-engodo-da-libertacao-e-o-poder.html].
[6]. Cf. "Não, a guerra não acabou", apenso III, vídeo - tempo: [01:39].
[7]. Cf. "Francisco: a cruz, a foice e o martelo" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/07/francisco-cruz-foice-e-o-martelo.html].
EM LOUVOR DE LULA - 20/09/2015
Na peça teatral Processo e Morte de Stalin, de Eugenio Corti – escritor da estatura de um Manzoni ou de um Tolstoi --, o ditador soviético convida alguns de seus ministros e assessores para um jantar na sua casa de campo, na intenção de prendê-los e sacrificá-los num dos seus célebres “expurgos”. Eles descobrem o plano e decidem virar o jogo. Desarmam os guardas da casa e já estão quase liquidando com um tiro na nuca o velho companheiro, quando surge a idéia de lhe dar uma última oportunidade de se explicar perante o tribunal do materialismo histórico. O que se segue é uma obra-prima de argumentação dialética, na qual Stalin logra demonstrar, ante os olhos estupefatos de seus executores, que os crimes que perpetrou não foram jamais traições aos ideais revolucionários, mas sim a realização fiel, exata e genial dos princípios do marxismo-leninismo nas circunstâncias históricas dadas. Os conspiradores admitem que ele tem razão, mas resolvem matá-lo mesmo assim.
Para confirmar o dito de Karl Marx de que as tragédias históricas se repetem como farsas, alguém deveria escrever uma peça similar sobre o sr. Luiz Inácio Lula da Silva. Qualquer estudioso de marxismo que tenha feito a sua lição de casa – um tipo que, admito, é uma raridade absoluta tanto na esquerda quanto na direita hoje em dia --, tem a obrigação de perceber que, do ponto de vista da estratégia revolucionária, Lula nada fez de errado. Ao contrário. Seguiu a receita fielmente, com um fino senso dialético das condições objetivas, dos momentos e das oportunidades, logrando realizar o quase impossível: salvar da extinção o movimento comunista latino-americano e colocá-lo no poder em uma dúzia de países. Fidel e Raul Castro jamais puseram isso em dúvida. As próprias Farc reconheceram-no enfaticamente, na carta de agradecimento que enviaram ao XV aniversário do Foro de São Paulo. Mais ainda: no seu próprio país, Lula foi o líder e símbolo aglutinador da “revolução cultural” que deu aos esquerdistas o completo controle hegemônico das discussões públicas, ao ponto de que praticamente toda oposição ideológica desapareceu do cenário, sobrando, no máximo, as críticas administrativas e legalísticas que em nada se opunham à substância dos planos revolucionários. Isso nunca tinha acontecido antes em país nenhum. O próprio Lula, consciente da obra realizada, chegou a celebrar a mais espetacular vitória ideológica de todos os tempos ao declarar que, na eleição presidencial de 2002, o Brasil havia alcançado a perfeição da democracia: todos os candidatos eram de esquerda.
É fácil chamá-lo de ladrão, de vigarista, do diabo. Mas o fato é que essas críticas se baseiam num critério de idoneidade administrativa que só vale no quadro da “moral burguesa” e que, em toda a literatura marxista, não passa de objeto de zombaria. O que aconteceu foi apenas que Lula, como todo agente do movimento comunista internacional que não chega ao poder por meio de uma insurreição armada e sim por via eleitoral, como foi também o caso de Allende no Chile, teve de fazer alianças e concessões – inclusive e principalmente ao vocabulário da “honestidade burguesa”—com a firme intenção de jogá-las fora tão logo começassem a atrapalhar em vez de ajudar. Tanto ele quanto seu fiel escudeiro Marco Aurélio Garcia foram muito explícitos quanto a esse ponto: ele, em entrevista a Le Monde; Garcia, a La Nación. Mover-se no meio das ambigüidades de uma conciliação oportunista entre as exigências estratégicas do movimento revolucionário e os interesses objetivos dos aliados capitalistas de ocasião é uma das operações mais delicadas e complexas em que um líder comunista pode se meter. Mas, pelo critério dos resultados obtidos – o único que vale na luta política --, o sucesso do Foro de São Paulo é a prova cabal de que Lênin, Stálin ou Fidel Castro, no lugar de Lula, não teriam feito melhor.
Nem mesmo o enriquecimento pessoal ilícito pode ser alegado seriamente contra ele, pelos cânones da moral revolucionária. De um lado, em todos os clássicos da literatura comunista não se encontrará uma única palavra que sugira, nem mesmo de longe, que o compromisso de fachada com a “moral burguesa” deva ser cumprido literalmente como guiamento moral da pessoa do líder, ou mesmo do menor dos militantes. De outro lado, é fato histórico arquicomprovado que todas as estrelas maiores do cast comunista enriqueceram ilicitamente – Stalin, Mao, Fidel Castro, Pol-Pot, Allende, Ceaucescu --, sendo uma norma tácita que tinham até a obrigação de fazê-lo, de preferência com contas na Suíça, para ter os meios de resguardar-se e reiniciar a revolução no exterior em caso de fracasso do projeto local. O próprio Lênin só não chegou a poder desfrutar do estatuto de nababo porque semanas após a vitória da Revolução a sífilis terciária, cumprindo seu prazo fatal, o reduziu a um farrapo humano. Como dizia Yakov Stanislavovich Ganetsky (também chamado Hanecki), o mentor financeiro de Lênin, “a melhor maneira de destruirmos o capitalismo é nós mesmos nos tornarmos capitalistas”.
O movimento revolucionário sempre viveu do roubo, da fraude, do contrabando, dos seqüestros, do narcotráfico e, nos países democráticos onde chegou ao poder, do assalto aos cofres públicos. Lula não inventou nada, não inovou em nada, não alterou nada, apenas demonstrou uma habilidade extraordinária em aplicar truques tão velhos quanto o próprio comunismo.
No tribunal da ética revolucionária, portanto, nem uma palavra se pode dizer contra ele. As críticas só podem provir de três fontes:
a) Reacionários empedernidos, frios, desumanos e incompreensivos como o autor destas linhas, que não condenam Lula por desviar-se do movimento revolucionário e sim por permanecer fiel ao esquema de destruição civilizacional mais cínico e diabólico que o mundo já conheceu.
b) Aliados burgueses insatisfeitos de que ele viole de maneira demasiado ostensiva as regras da moral capitalista, sujando a reputação de quem só quer ajudá-lo.
c) Esquerdistas com precária formação marxista, que não entendem a natureza puramente tática da retórica burguesa de idoneidade administrativa e imaginam – ou se esforçam para imaginar diante do espelho -- que a roubalheira seja uma traição aos ideais revolucionários.
Os primeiros são os únicos que dizem o português claro: a roubalheira petista não é um caso de “corrupção” igual a tantos outros que a antecederam, mas é um plano gigantesco de apropriação do dinheiro público para dar ao movimento comunista o poder total sobre o continente.
Os segundos, ideologicamente castrados, imaginam poder vencer ou controlar o comunopetismo mediante simples acusações de “corrupção” desligadas e isoladas de qualquer exame da sua retaguarda estratégica. Inclui-se aí toda a grande mídia brasileira, com a exceção de alguns colunistas mais ousados como Reinaldo Azevedo, Percival Puggina e Felipe Moura Brasil.
Os terceiros macaqueiam o discurso dos segundos na esperança de salvar a reputação do movimento revolucionário mediante o sacrifício de uns quantos “corruptos” mais visíveis. Nas suas mentes misturam-se, em doses iguais, a falsa consciência, o fingimento histérico de intenções angélicas e o desejo intenso de limpar com duas palavrinhas tardias uma vida inteira de serviços prestados ao mal.
Não espanta a pressa obscena dos segundos em celebrar estes últimos como heróis nacionais. Vêem neles uma ajuda providencial para tomar do parceiro incômodo o controle da aliança sem ter de passar por anticomunistas, uma perspectiva que os horroriza mais que o risco do paredón.
Publicado no Diário do Comércio.
http://olavodecarvalho.org
BLOQUEANDO UM NOVO EIXO DO MAL - 19/09/2015
O ARTIGO QUE DEU ORIGEM AO TÍTULO DO LIVRO “O EIXO DO MAL LATINO-AMERICANO E A NOVA ORDEM MUNDIAL”
7 de Agosto de 2002
Uma nova ameaça que inclui terrorismo e armas e mísseis balísticos pode surgir de um novo eixo incluindo Fidel Castro, de Cuba, o regime de Chávez na Venezuela e o candidato radical a Presidente do Brasil, todos ligados ao Iraque, Irã e China. Ao visitar o Irã no ano passado, Mr. Castro disse: “Irã e Cuba podem colocar os Estados Unidos de joelhos”, e expressou sua admiração por Saddam Hussein quando visitou o Iraque.
O novo eixo ainda pode ser evitado, mas se o candidato pró-Castro for eleito Presidente do Brasil, o resultado pode incluir um regime radical que restabeleça o programa de armas nucleares e o de mísseis balísticos (1) e o incremento dos laços com os países que promovem o terrorismo, como Cuba, Iraque e Irã, e ainda podendo apoiar a desestabilização das frágeis democracias vizinhas. Isto poderia levar a que 300 milhões de pessoas em seis países se submetessem ao controle de regimes radicalmente anti-Americanos e à possibilidade de doutrinação de milhares de novos terroristas que poderiam atacar os Estados Unidos a partir da América Latina. No entanto, a administração em Washington parece não estar dando a devida atenção.
O Brasil terá eleições presidenciais em outubro e, se as atuais pesquisas forem confiáveis, o vencedor será um radical pró-Castro com profundas ligações ao terrorismo internacional. Seu nome é Luís Ignácio Lula da Silva, o candidato do Partido dos Trabalhadores que conta com aproximadamente 40% nas pesquisas. O candidato Comunista está em segundo lugar com 25% e o concorrente democrata em torno de 14% (2).
Mr. da Silva não faz segredo de suas simpatias. Foi aliado de Mr. Castro por mais de 25 anos e com seu apoio fundou o Foro de São Paulo em 1990, uma reunião anual de comunistas e outras organizações políticas e terroristas da América Latina, Europa e Oriente Médio. (O Foro) foi utilizado para coordenar e planejar atividades políticas e terroristas em todo o mundo, contra os Estados Unidos. O último encontro foi em Havana, Cuba, em Dezembro de 2001. Envolveu terroristas da América Latina, Europa e Oriente Médio e condenou fortemente a administração Bush e suas ações contra o terrorismo internacional.
Como Mr. Castro, Mr. da Silva culpa os Estados Unidos e o neo-liberalismo por todos os reais problemas sociais e econômicos com que se defrontam o Brasil e a América Latina. Mr. Da Silva chamou o Free Trade Area of the Americas (3) de uma conspiração dos Estados Unidos para “anexar” o Brasil e acusou todos os credores internacionais que esperam o pagamento de $250 milhões em empréstimos de “terroristas econômicos”. Também afirmou que todos os que estavam retirando seu dinheiro do Brasil, o faziam por temerem seu regime, e também acusou-os de “terroristas econômicos”. Isto nos dá uma pista sobre o tipo de “guerra contra o terrorismo” que será conduzido em seu governo.
O Brasil é um País ricamente dotado, quase do tamanho dos Estados Unidos, com uma população de 180 milhões de habitantes e a oitava economia mundial (com um PIB de mais de $ 1.1 trilhão de dólares). Poderia em curto prazo se tornar uma das potência nucleares. Entre 1965 e 1994 os militares trabalharam para desenvolver armas nucleares, conseguiram projetar duas bombas atômicas e estavam a ponto de testar um artefato nuclear quando um novo governo democrático e uma investigação legislativa encerraram o projeto.
Aquela investigação revelou, no entanto, que os militares haviam vendido oito toneladas de urânio ao Iraque em 1981. Também foi relatado que após o bem sucedido programa de mísseis balísticos ter sido fechado, o General (4) e 24 cientistas que lá trabalhavam foram para o Iraque. Existem relatórios revelando que, com financiamento iraquiano, a capacidade em armas nucleares foi desenvolvida em segredo, contrariando as diretivas dos líderes civis democratas.
Mr. da Silva declarou que o Brasil deveria possuir armas nucleares e aproximar-se da China, que vinha ativamente cortejando os militares brasileiros. A China vendeu ao Brasil urânio enriquecido e investiu na indústria aeroespacial brasileira, tendo como resultado um satélite conjunto de observação e reconhecimento.
O Brasil tem fronteira com outros dez países na América do Sul, o que ajudaria da Silva a incrementar, como disse que faria, uma política exterior mais próxima do regime pro-Castro e pro-Iraque de Chávez na Venezuela que apoia a guerrilha narco-terrorista das FARC colombianas, assim como outros grupos anti-democráticos da América do Sul. Hugo Chávez trabalhou com Mr. Castro para temporariamente desestabilizar a frágil democracia no Equador há dois anos. No momento, ambos apoiam o líder socialista dos cocaleiros, Evo Morales, que espera tornar-se Presidente da Bolívia em agosto próximo.
Além de ajudar as guerrilhas comunistas a tomarem o poder na conturbada democracia colombiana, um regime de Mr. Da Silva no Brasil estaria muito bem situado para auxiliar os narco-terroristas e outros grupos antidemocráticos a desestabilizar as frágeis democracias da Bolívia, do Equador e do Peru, além de explorar as profundas crises econômicas na Argentina e no Paraguai.
Ainda mais, um governo de Mr. Da Silva tenderia a não pagar sua dívida, levando a uma aguda crise econômica em toda a América Latina, com isso aumentando a vulnerabilidade das democracias da região. Poderia desencadear uma segunda crise econômica nos Estados Unidos com a contração dos mercados exportadores.
Um eixo Castro-Chávez-da Silva significaria a união da guerra política de Castro contra os Estados Unidos que já dura 43 anos com a riqueza petrolífera da Venezuela e o potencial econômico do Brasil, além da possível construção de mísseis balísticos.
Nas nossas eleições de 2004 os Americanos podem perguntar: quem perdeu a América do Sul? Os Estados Unidos permaneceram passivos durante a administração Clinton, ignorando os pedidos de ajuda dos líderes democráticos da Venezuela para se opor às ações anticonstitucionais e ilegais de Mr. Chávez e também ignoraram suas óbvias alianças com países patrocinadores do terrorismo. Por que a administração Bush não poderia agir frente a 20 anos de ganhos democráticos na América Latina que estavam ameaçados de serem revertidos? Por que não poderia fazer alguma coisa frente à abertura de nosso flanco sul às ameaças terroristas e ver nossa nação ameaçada por mais um regime anti-americano radical com intenções de adquirir armas nucleares e mísseis balísticos?
Este desastre para a segurança nacional dos Estados Unidos e para o povo da América Latina deve e pode ser evitado se os elaboradores de nossas políticas agirem rápida e decisivamente, mas isto deve ser feito já. Uma oportuna atenção e ação políticas por parte dos Estados Unidos e outras democracias deveria incluir o encorajamento para os partidos políticos pro-democráticos do Brasil se unirem e apoiarem um líder honesto e capaz que represente as esperanças da maioria dos brasileiros por uma genuína democracia e que possua os recursos de montar uma campanha nacional efetiva.
(1) Refere-se ao programa nuclear encerrado por Collor na Serra do Cachimbo e à produção de foguetes em Alcântara, MA
(2) Menges provavelmente se referia a José Serra (comunista) e Anthony Garotinho (democrata). O resultado foi: Lula (PT) 39.455.233, 46,44%, José Serra (PSDB) 19.705.445, 23,19% e Anthony Garotinho (PSB) 15.180.097, 17,86%
(3) Área de Livre Comércio das Américas [ALCA] uma proposta em 11 de dezembro de 1994 como acordo para eliminar ou reduzir as barreiras tarifárias entre todos os países das Américas, com exceção de Cuba.
(4) Provável referência ao Brigadeiro Hugo de Oliveira Piva, exageradamente chamado de “Von Braun brasileiro”. Ver entrevista do mesmo ao Reservaer (http://www.reservaer.com.br/gblrnew/texto.php?pSerial=10665) , onde mostra simpatias por Saddam Hussein e hostilidade em relação a GeorgeW. Bush.
Constantine C. Menges, quando escreveu este artigo era um senior fellow do Hudson Institute e ex membro do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos. Nasceu em Ancara, Turquia, a 1º de setembro de 1939 e faleceu em Washington, D.C., 11 de julho de 2004. Chegou aos Estados Unidos com a família em 1943. Bacharel em Física. Foi diretor para assuntos latino-americanos do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, nomeado por Ronald Reagan em 1983. Anteriormente, entre 1981 e 1983, foi analista de informações da Central Intelligence Agency (CIA) para a América Latina. Desde esta época já pertencia ao Hudson Institute, think tank sediado em Washington, D.C. que reúne a nata do conservadorismo estadunidense. Foi doutor em Ciência Política pela Universidade Columbia.
Artigos selecionados sobre o Autor
http://michellemalkin.com/2004/07/12/constantine-menges-rip/
http://www.washingtontimes.com/news/2004/jul/15/20040715-082645-4699r/
http://themengesproject.blogspot.com.br/
Troca de cartas com Olavo de Carvalho e outros artigos:
http://www.olavodecarvalho.org/semana/040717globo.htm
http://www.olavodecarvalho.org/english/texts/menges_letter_en.htm
http://www.olavodecarvalho.org/semana/070718dc.html
http://www.olavodecarvalho.org/english/texts/menges_letter_en.htm
http://www.olavodecarvalho.org/traducoes/carta_menges.htm
Tradução: Heitor De Paola
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They who can give up essential liberty to obtain a little temporary safety deserve neither liberty nor safety. Benjamin Franklin
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They who can give up essential liberty to obtain a little temporary safety deserve neither liberty nor safety. Benjamin Franklin
O IMPÉRIO DA IGNORÂNCIA - 14/09/2015
Só pessoas prodigiosamente incultas podem ter alguma dificuldade de compreender que uma eleição presidencial com apuração secreta, sem transparência nenhuma, é inválida em si mesma.
Vamos falar o português claro: Aquele que não dá o melhor de si para adquirir conhecimento e aprimorar-se intelectualmente não tem nenhum direito de opinar em público sobre o que quer que seja. Nem sua fé religiosa, nem suas virtudes morais, se existem, nem os cargos que porventura ocupe, nem o prestígio de que talvez desfrute em tais ou quais ambientes lhe conferem esse direito. Discussão pública não é mera troca de opiniões pessoais, nem torneio de auto-imagens embelezadas: é eminentemente intercâmbio de altos valores culturais válidos para toda uma comunidade humana considerada na totalidade da sua herança histórica e não só num momento e lugar. O direito de cada um à atenção pública é proporcional ao seu esforço de dialogar com essa herança, de falar em nome dela e de lhe acrescentar, com as palavras que dirige à audiência, alguma contribuição significativa. O resto, por "bem intencionado" que pareça, é presunção vaidosa e vigarice. Todos os males do Brasil provêm da ignorância desses princípios. Políticos, empresários, juízes, generais e clérigos incultos, desprezadores do conhecimento e usurpadores do seu prestígio, são os culpados de tudo o que está acontecendo de mau neste país, e que, se esses charlatães não forem expelidos da vida pública, continuarão aumentando, com ou sem PT, com ou sem "impeachment", com ou sem "intervenção militar", com ou sem Smartmatic, com ou sem Mensalão e Petrolão. Desprezo pelo conhecimento e amor à fama que dele usurpa mediante o uso de chavões e macaquices são os pecados originais da "classe falante" no Brasil.
Só o homem de cultura pode julgar as coisas na escala da humanidade, da História, da civilização. Os outros seguem apenas a moda do momento, criada ela própria por jornalistas incultos e professores analfabetos, e destinada a desfazer-se em pó à primeira mudança da direção do vento. A cultura pessoal é a condição primeira e indispensável do julgamento objetivo. A incultura aprisiona as almas na subjetividade do grupo, a forma mais extrema do provincianismo mental.
Vou lhes dar alguns exemplos de desastres nacionais causados diretamente pela incultura dos personagens envolvidos.
Só pessoas prodigiosamente incultas podem ter alguma dificuldade de compreender que uma eleição presidencial com apuração secreta, sem transparência nenhuma, é inválida em si mesma, independentemente de fraudes pontuais terem ocorrido ou não. O número de jumentos togados e cretinos de cinco estrelas que, mesmo opondo-se ao governo, raciocinam segundo a premissa de que a Sra. Dilma Rousseff foi eleita democraticamente em eleições legítimas, premissa que lhes parece tão auto-evidente que não precisa sequer ser discutida, basta para mostrar que o estado de calamidade política e econômica em que se encontra o país vem precedido de uma calamidade intelectual indescritível, abjeta, inaceitável sob todos os aspectos.
Quando na década de 90 os militares aceitaram e até pediram a criação do “Ministério da Defesa”, foi sob a alegação de que nas grandes democracias era assim, de que só republiquetas tinham ministérios militares. Respondi várias vezes que isso era raciocinar com base no desejo de fazer boa figura, e não no exame sério da situação local, onde a criação desse órgão maldito só serviria para aumentar o poder dos comunistas. Mil vezes o Brasil já pagou caro pela mania de macaquear as bonitezas estrangeiras em vez de fazer o que a situação objetiva exige. Esse caso foi só mais um da longa série. Mesmo agora, quando a minha previsão se cumpriu da maneira mais patente e ostensiva, ainda não apareceu nenhum militar honrado o bastante para confessar sua incapacidade de relacionar a estrutura administrativa do Estado com a disputa política substantiva. Continuam teimando que a idéia foi boa, apenas, infelizmente, estragada pelo advento dos comunistas ao poder – como se uma coisa não tivesse nada a ver com a outra, como se fosse tudo uma soma fortuita de coincidências, como se a demolição do prestígio militar não fosse um item constante e fundamental da política esquerdista no país e como se, já no governo FHC, a criação do Ministério não fosse concebida como um santo remédio, com aparência legalíssima, para quebrar a espinha dos militares. Um dos traços mais característicos da incultura brasileira, já assinalado por escritores e cientistas políticos desde a fundação da República pelo menos, é a subserviência mecânica a modelos estrangeiros copiados sem nenhum critério.
Numa sociedade culturalmente atrofiada, a coisa mais inevitável é que todas as correntes de opinião que aparecem na discussão pública sejam apenas cópias ou reflexos de modelos impostos, desde o exterior, por lobbies e grupos de pressão que têm seus próprios objetivos globais e não estão nem um pouco interessados no bem-estar do nosso povo. Cada “formador de opinião” é aí um boneco de ventríloquo, repetidor de slogans e chavões que não traduzem em nada os problemas reais do país e que, no fim das contas, só servem para aumentar prodigiosamente a confusão mental reinante.
Como é possível que, num país onde cinqüenta por cento dos universitários são reconhecidamente analfabetos funcionais e os alunos dos cursos secundários tiram sistematicamente os últimos lugares nos testes internacionais, o currículo acadêmico de um professor continue sendo aceito como prova inquestionável de competência? Não deveria ser justamente o oposto? Não deveria ser um indício quase infalível de que, ressalvadas umas poucas exceções, o portador dessa folha de realizações é muito provavelmente, por média estatística, apenas um incompetente protegido por interesses corporativos? Terá sido revogado o “pelos frutos os conhecereis”? A interproteção mafiosa de carreiristas semi-analfabetos unidos por ambições grupais e partidárias tornou-se critério de qualificação intelectual?
Não é mesmo um sinal, já não digo de mera incultura, mas de positiva debilidade mental, que os mesmos apologistas do establishment universitário fossem os primeiros a apontar como mérito imarcessível do candidato Luís Ignácio Lula da Silva, em duas eleições, a sua total carência de quaisquer estudos formais ou informais? Não chegava a prodigiosa incultura do personagem a ser louvada como sinal de alguma sabedoria infusa? Todo sujeito que, à exigência de conhecimento, opõe o louvor evangélico aos “simples”, é um charlatão. Jesus prometeu aos “simples” um lugar no paraíso, não um palanque ou uma cátedra na Terra.
Publicado no Diário do Comércio.
http://olavodecarvalho.org
O (DES)GOVERNO E A(RE)CONSTRUÇÃODA BASTILHA NO BRASIL - 13/09/2015
Mais uma vez, uma medida do atual (des)governo federal marcou a história do país. Lamentavelmente, mas é fato. Fruto de um atavismo intelectual e moral sem precedentes foi determinada a (re)construção dos “muros” da vergonha, nas imediações do Palácio do Planalto, para separar o povo, de sua principal mandatária, a Presidenta da República.Com isso, desfez-se, por si só, um autofágico discurso de que era possível reunificar o Brasil e haver uma reunificação. O (des)governo que tanto se dizia popular expôs a céu aberto sua total impopularidade.
É uma constatação: o nível deste atavismo intelectual e moral desafia senão a história do Brasil, a história de um dos países mais civilizados do primeiro mundo. Se em 1789 a França derrubou os muros da Bastilha do Ancien Régime, através do que representou (e ainda representa) o movimento intelectual da Revolução Francesa, o (des)governo federal do Brasil, na contramão da história e da evolução, determinou a (re)construção destes“muros”, de modo a transformaro habitatdo Palácio do Planalto, numa verdadeira Bastilha.Uma espécie de ode intempestivo ao absolutismo. Algumas diferenças são visíveis neste retrocesso,com mais de 225 anos, é claro. A primeira é que naBastilha brasileiranão se encontram intelectuais aprisionados para serem salvos, tal como havia na Bastilha francesa. Pelo contrário, os intelectuais brasileiros estão, aos milhões, do lado de fora, e clamam pela salvação, mesmo queem liberdade. Um paradoxo. A segunda é que as armas existentes dentro da Bastilha brasileirasão, consideravelmente, mais levese mais letais que as encontradas na Bastilha francesa do século XVIII. Vai ver são os sinais dos tempos. Em vez de pólvora, fuzise canhões, simplesmente as armas brasileiras são canetas utilizadas para “dar canetaços”, por dezenas de mãos que detém o poder e que estão manchadas de tinta,pelaprática reiterada, ao longo de 12 anos, de toda espécie de crimes, seja por ação, seja por omissão, seja com intenção ou culpa, destaco, contra asoberania do país, contra o povo brasileiro ou contra a Administração Pública.
No papel, consta que somos uma república federativa e que vivemos em uma democracia, “só que não”. Isso foi tornado visível com claridade solar, através da maior estrela, a Soberana Dilma Rousseff, a qual fez questão de registrar na íris dos cidadãos brasileiros a existência de um gigantesco hiato entre o discurso e a prática.Hiato este bem traduzido pela distância imposta acada brasileiro,do Rolls-Royce presidencial,do qual aSoberana acenava, não se sabe para quem, como se nada estivesse acontecendo ou por acontecer.Eis o retrato do desfile da Independência: um (des)governo manifesto, isolado, distante, incapaz,apático, esfacelado,sitiadodentro de si mesmo e completamente dependente de tudo que engendrou. A(re)construção dos“muros”da vergonha é o símbolo desta ideologia.Sobrou até para os militares, que no dia seguinte, tiveram de engolirum “canetaçoDilmático”, qual seja, o Decreto nº. 8.515/15. Em síntese, com tal ordem,as Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica)foram tratadas como aspirantes aescoteirosdo Ministro da Defesa. Sim, pasmem,este mesmo que usa boné vermelho do MST.
São milhares de outros “muros” já instalados pelo (des)governo federal.“Muros” que representam a existência de uma verdadeira fábricafederalpara instalaçãoem série,de tudo que se tenha por inefetivo,em termos de gestão. Contanto que na gestão ocorra o locupletamento ilícito de verbas públicas, a fábrica federal de “muros” não apenas possuiexpertise, como é horsconcurs.“Muros” simbolizados pelo tamanho de tantas mentiras contadas e concretizadas pelas autoridades, das quais se infere que informações oficiais, hoje, se tornaramapenas a acepção do que se concebe como pífio. “Muros” de uma organização criminosa travestida de ParTidoPolíTico.“Muros” de corrupção, de improbidades, de imoralidades, de fraudes, de ilegalidades das mais diversas. “Muros” que ao serem instalados em série afetaram a geografia do território brasileiro, ensejando em um passe de mágica, a construção de mansões ou de castelos e de novos xeiques. A altura e extensão destes “muros” faz a muralha da China passar vergonha, quando vista do espaço sideral. “Muros” para delimitar as plantações de “laranjas” que frutificaram de norte a sul, como seus “empresários bem sucedidos”, ou “doutores com trânsito político”;ilustres desconhecidos que viraram celebridades, do dia para a noite, ostentandopatrimônios completamente incompatíveis com seus vencimentos. Ummisancene dailicitude ou da volatilidade de suas vidas, uma e outra dissolvidas logo na próxima investigação policial ou no próximo processo, tal como se dissolve um monte de açúcar,com oprimeiro jarro de água. Milhares de famílias se beneficiaram (e ainda se beneficiam) direta ou indiretamente deste “negócio” imoral e criminoso, às custas de milhões de brasileiros, através de um engodo apresentado ao mundo, com ares de nobreza ou como produto de um exemplar processo democrático, como se todos fossemos milhões de Cândidos. Só o Brasil mesmopara se tornar uma universidade de autoridades Panglossianas.Autoridades estas, das mais diversas, agraciadas como as respectivas moedas de trocas, de modo que cada uma, tal como quem se vende, certamente, recebeu mais do que realmente vale. Ministros se reunindo a portas fechadas com lobistas e empreiteiros que eram investigados e réus em processos. Quanta deferência para alguns, não é Excelências!
Até percentuais foram fixados, conforme o vulto de cada “negócio”, nos contratos da Petrobrás, para este ou para aquele partido, como propina.E quando tudo veio à tona, fomos “bombardeados” com propagandas em horário nobre, tentando nos fazer crer, que o sentimento que embalou os sonhos de gerações de umpaís, quando a referida Estatal foi fundada, nas promessas de uma nação com futuro próspero, é o mesmo que está nos corações de todos que agora. Uma manobra midiática, a duros golpes televisivos, tentando causar nos brasileiros um ufanismo, do inufanável, como se não soubéssemosdiscernir a mentira, da verdade. Os coraçõessabem ter pagado tributos por muito tempo, mais do que podiam e, por nada, porque os gestores do (des)governo foram os próprios usurpadoresdo poder. Não fosse isso, por que se cogita ainda novos tributos? Por que (re)implementar a CPMF? Por que aumentar a carga tributária? E por que não reduzir a carga atual?E os “muros” seguiram sendo construídos e sustentados não por nós brasileiros, porque nós jamais saberemos,com exatidão, as cifras do que revelou seja o mensalão ou a operação lava-jato. Não porque elas são imensuráveis, mas porque em se tratando de absolutismo, ou seja, de Brasil, somos inigualáveis na aplicação da Lei... a Lei do laissezfaire, laissezaller, laissezpasser (deixar fazer, deixar ir, deixar passar). Uma panaceia da irresponsabilidade das autoridades constituídas.
Se nos reportarmos ao período eleitoral, quando a Soberana postulava a reeleição, o povo já tinha ficadoatônito ao assistir o conselho dado a uma economista (com MBA)que para se recolocar no mercado de trabalho e ter um emprego deveria fazer os cursos do Senai ou do Pronatec. Não bastasse isso, o povo sabe e sente na carne imperara falta de empregos no Brasil, a despeito da Soberana ter afirmado não existir desemprego no país, em plena campanha de reeleição.O povo já sentia náuseas da Soberana ter posado com ares de indiferença, quando soube do agradecimento pelos “relevantes serviços prestados à nação”, a quem estava no Conselho de Administração da Hidrelétrica de Itaipú, sendo que este cidadão ao deixar o cargo,o fez sob as mais pesadas investigações da operação lava-jato. Que serviços foram estes eque nação foi esta é que gostaríamos de saber. Certo que não eram serviços recomendáveis. Mais certo ainda que a nação não pode tersidoo Brasil. Aliás, também é certo que este “companheiro de alguns” foi reconhecidopor muitos dos investigados na referida operação, como “Moch”, dada a perfeita identidade com os traços e as funções do carregador de... tcham, tcham, tcham...mochilas de dinheiro ilícito, para todos os cantos do país. Como se se já não bastasse seu antecessor na tesouraria do ParTidoter sido condenado, pelos mesmos crimes em que é investigado. O povo,até hoje não entende como ficava sabendo de tudo pelos meios de comunicação de massae a Soberana, mesmo sendo detentora do poder e de todas informações da Administração Pública, inclusive as reservadas, as restritas, as confidenciais, as sigilosas, e as de segredos de estado,alegavalevianamente, ou melhor, de forma trêfega, que não sabia de nada, seguindo a descompostura exemplar deseu antecessor, com “auréola de santo”, em outros tempos. O povo não tem mais condicionamento físico, para suportar as tantas “pedaladas fiscais”. Sente-se traído, quando dia a dia, desembrulha o pacote das promessas de campanha, todas sem exceção, reveladas como mentiras eprovas cabais da violação axiológica do teor de cada voto computado. Se é que houve lisura no processo eleitoral, pois o sistema adotado pelo Brasil foi rejeitado pelo Paraguai, pasmem, por falta de segurança e credibilidade. Pelo Paraguai! É dose! O povo foi subestimado com as tentativas do (des)governode tentar proibir a CPI do BNDES, para que não viessem à tonanegócios escusos, a exemplo dos feitos com o governo de Cuba, bem como diante da prevaricação e da omissão daSoberana,dado o “êxito dos negócios” de um comerciante que,em um ano, não passava de alguém que atuava no ramo de fechamento de varandas e, do dia para noite, apareceu com duas empresas de engenharia (mesmo sem ser engenheiro)estabelecidas em Angola, só que agora,seusnegócios eram enlaçados com a Odebrecht, via BNDES, simplesmente,por ser conhecido na Corte, como “sobrinho de Lula”. Não cabe mais a Soberana culpar o tomate da sexta básica pela inflação, nem saudar a mandioca, como uma das maiores conquistas do Brasil. Verdade seja dita, não cabe mais muita coisa.E o que principalmente não cabe mais é esperar, porque se tudo continuar como está, não restará mas Brasil dentro de poucos meses.
“Muros” que pareciam muralhas. Aos olhos de quem os construiu e de quem os permitiu construir, pareciam intransponíveis. Aos olhos de quem sentiu na carne, realmente, o impacto da construção de cada um, seus construtores sempre foram pequenos, muito pequenos.“Muros” que não servem para edificar um país. Estes “muros” nos separam e nos destroem e não podem ser tratados como uma empreitada que nos enriquece.
Impõe-se cassar as canetas deste absolutismo e defenestrar, pelas vias constitucionais, democráticas e republicanas, estas autoridades da vida pública brasileira.
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Dr. Pedro Lagomarcino
OAB/RS 63.784
* Especialista em Direito da Propriedade Intelectual - FADERGS
* Especialista em Gestão Estratégica de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual - AVM/Cândido Mendes
* Especialista em Gestão Estratégica, Inovação e Conhecimento - ESAB
UM MOMENTO CRÍTICO DA NOSSA HISTÓRIA - 13/09/2015
(Publicado originalmente no blog Diário do Poder, (Brasília), em 12/09/2015.)
Pretendo abordar um assunto prioritário que precisa ser resolvido nestes próximos dias, sob pena da história do Brasil ficar de tal forma maculada que as possíveis ações políticas futuras, redentoras da atual anarquia, serão comprometidas. Trata-se de homenagear uma virtude: a honra de um povo. Tal constatação é fato determinante para a vida de cada um em particular e para a sociedade brasileira como um todo, a não ser que aceitemos a possibilidade de viver numa sociedade de canalhas, amoral por definição.
A constância do deboche e da ofensa ética perversa não podem mais continuar a passar despercebidas da população sem que surjam gestos legais, efetivos e radicais, de repudio à atual conjuntura.
Não podemos aceitar cidadãos e cidadãs, com problemas a serem resolvidos pela justiça, já indiciados e denunciados, na direção do país à frente dos poderes da Republica. É impensável e inaceitável. Não há como ser condescendente com estes fatos. Acredito que o que nos resta, como um farol indicando o rumo a ser seguido para a preservação da democracia, é o Poder Judiciário.
Não há mais duvidas de que a Presidente vai ter de deixar o cargo em breve: ou pela ação do Superior Tribunal Eleitoral, ou pelo esperado parecer do TCU a ser apreciado pela Câmara Federal.
No entanto, o que não pode acontecer é que o processo legal, na Câmara dos Deputados, seja conduzido pelo Deputado Cunha, Presidente da Casa, já denunciado pelo Poder Judiciário. Seria um escárnio para com a nação: – um suspeito de corrupção presidir o julgamento de outra pessoa também suspeita de corrupção administrativa e de ter faltado com a verdade para com o povo que a elegeu. Isto não existe, é demais, não pode acontecer – e os parlamentares, irresponsáveis e incompetentes na sua maioria, não se movimentam sequer para protegerem a honra e a dignidade da Pátria, constantemente ultrajada, impedindo este inaceitável procedimento.
Todos os denunciados que ocupam cargos como o de Presidente da Câmara de Deputados e do Senado Federal, Deputados e Senadores, Ministros, por uma questão de simples decência, de dignidade, devem, (já deviam ter feito), se licenciar até que sejam julgados. Se forem absolvidos voltam.
Não é possível aceitar que a atual dramática crise política, seja conduzida por conchavos, compromissos de apoio futuros, numa nojenta articulação de mentes canalhas e amorais, se sobrepondo aos interesses da pátria que exige que a honra seja a primeira virtude a ser cortejada por todos, em quaisquer situações. A grave e complicada crise econômica e social não encontrará solução com a participação deste bando de suspeitos, de denunciados, de idiotas e irresponsáveis.
Nós, cidadãos e cidadãs, honrados, pacientes e ordeiros, exigimos que isto aconteça já. As próximas eleições estão muito distantes no tempo - não há como esperar em face da gravidade da crise que nos assola. Esperamos que os parlamentares providenciem, de imediato, o que for necessário para que as leis e os valores morais da nação prevaleçam.
Nós, o povo, não agüentamos mais tanto desrespeito e deboche. Basta. Parem de nos ofender e provocar.
Eurico de Andrade Neves Borba, 75, aposentado, escritor, ex professor e ex Vice Reitor da PUC RIO, ex Presidente do IBGE, um dos fundadores do PSDB em 1988, mora em Ana Rech, Caxias do Sul.
ESCOLA DE DEFESA SUL-AMERICANA - 11/09/2015
(Publicado originalmente em O Estado de São Paulo de 08/09)
A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) foi constituída dentro dos princípios de integração da América do Sul, com a fusão das duas grandes uniões existentes no continente: o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Comunidade Andina de Nações. No início de suas atividades com uma visão mercadológica e aduaneira, a Unasul vem-se transformando numa instituição intergovernamental que atua nos campos político e social dos países que a integram.
Ao final de 2008, em cúpula extraordinária da Unasul, foi instituído, por iniciativa do governo brasileiro, um Conselho de Defesa, composto pelos ministros de Defesa dos países integrantes. O conselho é o componente militar da Unasul, cabendo-lhe prioritariamente a criação conjunta de políticas de defesa. Outras missões recomendadas, como intercâmbio de pessoal militar, exercícios operacionais conjuntos, Forças de Paz da ONU e integração de indústrias de defesa, vinham sendo realizadas desde a década de 1980.
Entretanto, quanto à citada criação conjunta – anseio de lideranças que governam a maioria dos países sul-americanos, especialmente os ditos “bolivarianos” –, não existia um órgão específico para os estudos e propostas para tal finalidade. No início do corrente ano, a imprensa brasileira informou o início das atividades da Escola Sul-Americana de Defesa (Esude), com sede em Quito, um centro de estudos que representa, em última análise, um passo efetivo para o pretendido órgão de elaboração de políticas de defesa e, também, a capacitação de civis e militares nos assuntos de defesa e segurança regionais.
No período anterior à criação da Esude não foi observado nenhum debate em nossa sociedade, em nossas Casas Legislativas e muito menos na área militar. Um processo feito no mais alto nível governamental, porém às escuras, com deliberações impostas de cima para baixo, bem à feição das lideranças que nos governam, o que, sem dúvida, identifica o modus operandi gramscista do Foro de São Paulo. O escopo estratégico desse foro é intervir na área militar – principalmente a brasileira –, o que se está consumando de modo flagrante e abre caminho para o seu objetivo maior: a América Vermelha.
Segundo assessores do Ministério da Defesa (MD), a Esud vai gerar uma “confiança mútua” entre os membros da Unasul. Em bancos e currículos escolares será possível, mas, por certo, na prática isso não se dará. As nações ibero-americanas convivem, até os dias atuais, com atritos oriundos de suas respectivas formações. São conflitos que ainda deixam marcas em suas sociedades e, aliados ao forte componente emocional ibérico, poderão ressurgir. Um deles poderá ser o “imperialismo brasileiro”, ainda latente em alguns países fronteiriços. É bom lembrar que Simón Bolívar, o líder maior do “bolivarianismo”, como forma de confrontar o citado imperialismo pregava a integração da América espanhola. O Mercosul é um exemplo. A preocupação dos países integrantes é que o “irmão maior” se vai beneficiar das tratativas comerciais. Talvez o BNDES, com seus expressivos apoios financeiros aos países latinos, possa reduzir essa imagem imperialista.
Assessores do MD ainda informam que a frequência de militares brasileiros em cursos nos Estados Unidos será reduzida. Uma medida incompreensível e preconceituosa. Parece que tal redução advém de uma possível doutrinação americana favorável ao seu regime democrático, diferente da bolivariana a ser ministrada na Esude, que, por seu turno, não vê com bons olhos o “Satã do Norte”, como diria Hugo Chávez. Esse é um sinal claro de como essa escola estará comprometida com a ideologia bolivariana.
A par desse comprometimento ideológico, temas curriculares deverão ser considerados, e um deles será o estudo das personalidades que expressarão simbolicamente a pretendida integração. Simón Bolívar encabeçará a lista por sua capital importância para os países de origem espanhola. Estarão tais temas, sem dúvida, em consonância com a ideologia a adotar nomes como Fidel Castro, Hugo Chávez, Che Guevara, líderes indígenas andinos e outros. Não se tem conhecimento de personalidades históricas brasileiras que apoiaram uma integração latina.
O governo, para demonstrar coerência, deveria indicar como personalidade marcante o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, o sr. Marco Aurélio Garcia, um dos fundadores do Foro de São Paulo, ideólogo confesso das esquerdas e o maior orientador do PT em integração latina, com liberdade para agir superior à do Itamaraty – nesse caso, então, um simples coadjuvante.
Segundo ainda assessores do MD, a Esude terá um desafio para atingir um “consenso sobre uma Estratégia de Defesa comum”. Um desafio esdrúxulo e inexequível, que repercutirá nas doutrinas das Forças Armadas sul-americanas e em sua soberania. Política Nacional de Defesa e Estratégia de Defesa são documentos abertos só no Brasil, país de índole pacifista. Em outros países são documentos reservados por conterem em grande parte hipóteses de conflitos.
No Brasil, por sinal, os documentos teóricos em vigor apresentam um enorme hiato entre as teorias expostas e a prática no preparo e no emprego de suas Forças Armadas. Elas não poderão cumprir adequadamente a sua missão constitucional de defesa territorial e salvaguarda da soberania nacional. O seu poder de dissuasão é limitado e, ano a ano, seus orçamentos diminuem. Esta situação em que se encontram poderia ser reduzida por uma ação efetiva do MD, órgão político de convencimento das autoridades constituídas e do Legislativo quanto à função e relevância da missão constitucional das Forças Armadas brasileiras, bem como da cultura dos necessários e impreteríveis investimentos. Infelizmente, o MD preocupa-se muito mais em complexas, ineficientes e ideológicas ações, como a criação de uma Escola de Defesa Sul-Americana, do que se engajar na solução dos graves problemas que afligem as Forças Armadas nacionais.
*Rômulo Bini Pereira GEN EX R/1, foi chefe EM/MD
LENIN, STALIN, CEAUSESCU, OBAMA: COMO LÍDERES MARXISTAS ESCONDEM SEU PASSADO - 11/09/2015
(PJ Media em Mundo - Internacional - Este artigo foi publicado originalmente em 13/11/2013, mas permanece atual e de leitura necessária)
Estive ausente destas páginas por um tempo. O meu novo livro Disinformation, escrito em coautoria com o professor Ronald Rychlak, e o documentário nele baseado monopolizaram o meu tempo. Mas, uma nauseante operação estiloglasnost em andamento nos Estados Unidos me faz sentir como se estivesse assistindo a uma reencenação da imensa glasnost que eu costumava conduzir durante a minha época como conselheiro do presidente da Romênia comunista, Nicolae Ceausescu.
Não, glasnost não é um erro de impressão ou digitação. Durante os meus anos no topo da comunidade KGB, glasnost era o codinome de uma ferramenta de inteligência ultrassecreta da ultrassecreta “ciência” negra de desinformação da KGB. A sua missão era transformar o país num monumento a seu líder e retratá-lo como o próprio Deus. Isto me trouxe de volta ao JP Media e aos seus leitores, pois a glasnost só funciona para quem não sabe o que ela realmente significa.
Se você pensa que Gorbachev inventou a palavra glasnost para descrever os seus esforços na condução da União Soviética “para longe do estado totalitário e na direção da democracia, liberdade e abertura”, você não está sozinho. Toda a mídia ocidental e a maioria dos especialistas ocidentais, até mesmo os de órgãos de inteligência e defesa, acreditam nisto também – como o comitê que deu a Gorbachev o Prêmio Nobel da Paz. A venerável Enciclopédia Britânica defineglasnost como “Política soviética de discussão aberta sobre questões políticas e sociais. Foi instituída por Mikhail Gorbachev no fim da década de 1980 e deu início à democratização da União Soviética” (1). E o American Heritage Dictionary define glasnost como uma política oficial do antigo governo soviético enfatizando a sinceridade na discussão de problemas e fraquezas sociais (2).
Mas glasnost é, na verdade, um velho termo russo cujo significado é dar brilho à imagem do ditador. Em meados da década de 1930 – meio século antes daglasnost de Gorbachev – a enciclopédia oficial soviética definiu a palavra glasnostcomo uma interpretação particular nas notícias liberadas para o público: “Dostupnost obshchestvennomy obsuzhdeniyu, kontrolyu; publichnost“, significando a qualidade da informação disponibilizada para o controle ou para a discussão pública (3). Em outras palavras, glasnost significa, literalmente, fazer propaganda, ou seja, autopromoção. Desde o século XVI, desde Ivan, o Terrível, o primeiro ditador a se tornar o czar de todos os russos, todos os líderes daquela nação têm usado a glasnost para se promover dentro e fora do país. Os czares comunistas adaptaram aos nossos dias a longa tradição da glasnost. A cidade de Tsaritsyn foi renomeada para Stalingrado – como São Petersburgo, assim chamada para homenagear Pedro, o Grande, foi renomeada para Leningrado para glorificar Lenin. O corpo embalsamado do mais novo santo da Rússia, Lenin, foi colocado em exibição em Moscou como uma relíquia sagrada para a adoração pública.
Como era de se esperar nos Balcãs, a glasnost romena tomou uma coloração gloriosamente bizantina. Praticamente todas as cidades tinham o seu Boulevard Gheorghiu-Dej, a sua Praça Gheorghiu-Dej, o seu Largo Gheorghiu-Dej. O retrato do seu sucessor, Nicolae Ceausescu, estava pendurado nas paredes de todos os escritórios romenos – como o busto de Putin hoje ornamenta todos os prédios da imensa burocracia russa.
Durante as eleições de 2008, quando o Partido Democrata proclamou o senador Barack Obama como um messias americano, eu desconfiei que a glasnost havia começado a infectar os Estados Unidos. O senador concordou. Em 8 de junho de 2008, durante um discurso em New Hampshire, ele disse que o início do seu mandato presidencial seria “o momento em que a elevação dos oceanos começaria a diminuir e o nosso planeta começaria a ser curado” (4). Uma sequência indiscreta no YouTube exibida na Fox TV revelou a imagem do ídolo comunista Che Guevara pendurada na parede do escritório de campanha do senador Obama em Houston (5). Logo em seguida, as assembleias eleitorais do Partido Democrata começaram a se parecer com as reuniões de despertar religioso de Ceausescu – mais de oitenta mil pessoas reunidas em frente do agora famoso templo grego semelhante à Casa Branca erguido em Denver para a aclamação do novo messias americano.
Muitos poucos americanos consideraram esta retórica como uma nova expressão de democracia. Para mim, foi uma repetição da glasnost de Ceausescu, concebida para transformar a Romênia num monumento a ele. “Um homem como eu só nasce a cada quinhentos anos”, dizia ele sem cessar.
Estaria o senador Obama usando uma glasnost ao estilo Ceausescu? Bem, eu duvido que ele tivesse uma ideia do real significado da glasnost. Ele estava usando calças curtas – na Indonésia comunista – quando a glasnost estava na moda. Mas, quando comparo algumas das coisas que o senador, e mais tarde presidente, Obama fez, ao lado dos seus pronunciamentos públicos, com o modus operandi e a história da glasnost, eu me vejo terrivelmente perto de uma glasnost real.
Vamos fazer o exercício juntos para você julgar por si mesmo.
Em 2008, o agora falecido veterano jornalista David S. Broder comparou as táticas do senador Obama para esconder o seu passado socialista às táticas de proteção usadas pelos pilotos militares ao sobrevoar um alvo fortemente defendido por armas antiaéreas: “Eles liberam uma nuvem de fragmentos metálicos leves na esperança de confundir a mira dos projéteis ou mísseis lançados na sua direção” (6). Eis uma boa definição de glasnost.
Toda glasnost que eu conheci tinha como tarefa prioritária apagar o passado do ditador dando-lhe uma nova identidade política. A glasnost de Stalin apagou o seu horrível passado de assassino de cerca de 24 milhões de pessoas retratando-o como um deus na terra, com o seu ícone exibido proeminentemente por todo o país. A glasnost de Khruschev visava construir uma fachada internacional de paz para o homem responsável por trazer para o Ocidente os assassinatos políticos da KGB. Isto foi provado pela Suprema Corte da Alemanha Ocidental em outubro de 1962, durante o julgamento público de Bogdan Stashinsky, oficial da KGB condecorado pelo próprio Khrushchev por ter assassinado inimigos da Rússia residentes no Ocidente (7). Gorbachev, informante da KGB quando estudante da Moscow State University (8) incumbiu a sua glasnost de tirar a atenção do seu passado na KGB retratando-o como um prestidigitador que exibia uma galanteadora “Miss KGB” para os correspondentes ocidentais e era o responsável pela transformação da União Soviética numa “sociedade marxista de pessoas livres” (9).
Em 2008, quando o senador Obama concorria para presidente, as suas políticas de tributos e o seu histórico de votos mostravam-no como “o candidato mais à esquerda jamais nomeado para presidente dos Estados Unidos” (10). Você se lembra? Concorrer como socialista, entretanto, significava navegar por águas desconhecidas, e o senador decidiu dissimular a sua imagem socialista apresentando-se como um Reagan contemporâneo (11). Após ser eleito, o presidente Obama foi mais longe, exibindo-se como um Lincoln dos dias de hoje (12) ou como um novo Teddy Roosevelt (13).
Os discursos de autopromoção foram outra arma da glasnost. Os discursos daglasnost de Lenin mudaram tanto o marxismo que os seus seguidores acabaram por chamá-lo de “leninismo”. Stalin colocou o marxismo, o leninismo, a dialética de Hegel e o materialismo de Feuerbach num mesmo balaio de glasnost e criou o seu próprio “marxismo-leninismo-stalinismo”.
Os discursos da glasnost de Ceausescu eram uma ridícula mistura de marxismo, nacionalismo e adulação bizantina chamada ceausismo. Todos os seus discursos eram focados em Ceausescu, e todos eram tão escorregadios, indefinidos e inconstantes que ele encheu 24 volumes dos seus trabalhos reunidos sem ser capaz de descrever o real significado do ceausismo. Em 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlin caiu, sinalizando o fim do Império Soviético. No dia 14 de novembro, Ceausescu convocou o XIV Congresso do Partido Comunista no qual fez um discurso de glasnost de quatro horas que convenceu os participantes a reelegerem-no e a sua iletrada esposa como líderes da Romênia.
Os discursos de glasnost funcionam para quem não sabe o que ela realmente significa. Eles também funcionaram para o presidente Obama. Nos seus primeiros 231 dias na Casa Branca, ele fez 263 discursos (14). Todos eram, basicamente, sobre ele mesmo (15). O seu discurso State of Union de 2010 exibiu a palavra “eu” 76 vezes. Em 2011, quando anunciou a morte de Osama bin Laden pelas forças americanas, o presidente Obama usou as palavras “eu”, “mim” e “meu” 13 vezes combinadas num discurso de apenas 1300 palavras (16).
“Eu mandei o diretor da CIA… Eu me reuni repetidamente com a minha equipe de segurança nacional… Eu determinei que tínhamos inteligência suficiente para agir… Sob a minha direção, os Estados Unidos lançaram uma operação contra o Complexo de Abbottabad, no Paquistão” (17).
O discurso State of Union de 2012 do presidente Obama continha a palavra “eu” 45 vezes, e a palavra “mim” 13 vezes. Na ocasião, ele estava na Casa Branca fazia 1080 dias, e havia feito 726 discursos (18).
Em 2011, quando a agência S&P rebaixou a taxa de crédito dos Estados Unidos pela primeira vez na história do nosso país, o presidente Obama fez outro discurso. Foi um bom discurso, tão bom quanto um discurso pode ser – ele é um excelente orador. Mas aquele discurso foi tudo o que o presidente Obama fez. Por isso, o débito nacional aumentou, e o custo de garantia contra a inadimplência aumentou de uma base de 25 para 55 pontos.
Logo após o bárbaro assassinato do embaixador J. Christopher Stevens e três dos seus subordinados dentro do nosso posto diplomático em Benghazi, cometido na emblemática data de 11 de setembro por terroristas islâmicos assumidos, o presidente Obama fez outro discurso. Foi outro bom discurso, mas discursos não detêm o terrorismo. O subsequente ataque terrorista de 2013 na Maratona de Boston foi seguido por mais um discurso presidencial. “Extremistas domésticos. Este é o futuro do terrorismo”, proclamou o presidente. Tudo o que tínhamos a fazer era fechar Guantánamo e realizar uma ligeira alteração no modo como os drones eram usados.
Poucos meses atrás, quando o governo terrorista da Síria matou cerca de 1.300 pessoas com armas químicas, o presidente Obama fez diversos discursos. Mas discursar foi a sua única atitude, e isto permitiu à KGB de Putin, agora instalada no Kremlin, assumir o controle da nossa política em relação à Síria. Poucos dias atrás, quando o website do Obamacare fechou, o presidente reagiu com mais um discurso, garantindo ao país que o Obamacare “está funcionando excelentemente. Em alguns casos, na verdade, supera as expectativas.” Na opinião do jornalista do Washington Post, Ezra Klein, o discurso era quase idêntico ao que ele poderia ter feito se o lançamento de um produto tivesse ocorrido sem problemas. Ele estava certo. Foi apenas outro discurso à glasnost.
Por fim, há a tendência atual de transformar os EUA num monumento estiloglasnost ao seu líder. Mostro abaixo uma lista de instituições e locais já nomeados em homenagem ao presidente Obama:
Califórnia: President Barack Obama Parkway, Orlando; Obama Way, Seaside; Barack Obama Charter School, Compton; Barack Obama Global Preparation Academy, Los Angeles; Barack Obama Academy, Oakland.
Flórida: Barack Obama Avenue, Opa-loka; Barack Obama Boulevard, West Park.
Maryland: Barack Obama Elementary School, Upper Marlboro.
Missouri: Barack Obama Elementary School, Pine Lawn.
Minnesota: Barack and Michelle Obama Service Learning Elementary, Saint Paul.
Nova Jersey: Barack Obama Academy, Plainfield; Barack Obama Green Charter High School, Plainfield.
Nova York: Barack Obama Elementary School, Hempstead.
Pensilvânia: Obama High School, Pittsburgh.
Texas: Barack Obama Male Leadership Academy, Dallas.
Não quero dizer que o presidente Obama seja um Putin ou Ceausescu. O presidente é certamente ele mesmo – bem educado, bem falante, carismático e agradável. Pertence a uma minoria, como eu também pertenço a outra minoria. Mas ele aparentemente caiu no canto da sereia socialista e da glasnost, como eu mesmo e milhões de outros como eu em todo o mundo também caímos naquela idade da vida.
Os Estados Unidos venceram a Guerra Fria porque Ronald Reagan foi eleito presidente bem depois de ter se purgado de uma passageira paixão socialista. Foi então capaz de identificar a glasnost de Gorbachev como a fraude política que realmente era, e assim conseguiu vencê-la. Vamos torcer para que o presidente Obama faça o mesmo.
Em novembro de 2014 enfrentaremos, em minha opinião, as mais importantes eleições da história americana. Aparentemente, os eleitores decidirão quais dos dois principais partidos políticos controlará o Congresso dos EUA. Na realidade, o eleitor decidirá entre manter o nosso país como o líder do mundo livre ou transformá-lo numa irrelevância glasnost.
O PJ Media está unindo forças com o WND (o editor de Disinformation) para ajudar os seus leitores a adquirir o conhecimento para falar franca e abertamente – os inimigos a serem derrotados são o socialismo e a glasnost.
Fontes:
1 – Glasnost, Britannica Concise.
2 – http://dictionary.reference.com/browser/glasnost
3 – Tolkovyy Slovar Russkogo Yazyka (Explanatory Dictionary of the Russian Language), ed. D.N. Ushakov (Moscow: “Soviet Encyclopedia” State Institute, 1935), Vol. I, p. 570.
4 – http://www.youtube.com/watch?v=oQNkVmdicvA
5 – James Joyner, “Obama Che Guevara Flag Scandal“, Outside the Beltway, February 12, 2008.
6 – David S. Broder, “Obama’s Enigma”, The Washington Post, July 13, 2008, p. B7.
7 – John Barron, “KGB: The Secret Work of Soviet Secret Agents”. New York: Reader’s Digest Books, 1974, reprinted by Bantam Books, p. 429.
8 – Zhores Medvedev, “Gorbachev”. New York: Norton, 1987, p. 37.
9 – Mikhail Gorbachev, “Perestroika: New Thinking for Our Country and the World”. New York: Harper & Row, 1987; passim.
10 – Peter Kinder, “Missourians Reject Obama”.
11 – Jonathon M. Seidl, “Obama Compares Himself Tom Reagan: Republicans Aren’t Accusing Him Of ‘Being Socialist’”, The Blaze, October 5, 2011.
12 – Alexandra Petri, “Obama is up there with Lincoln, Roosevelt, and Johnson”, The Washington Post, December 12, 2011, PostOpinions.
13 – David Nakamura, “Obama invokes Teddy Roosevelt in speech attacking GOP policies”, The Washington Post, December 6, 2011.
14 – “How Many Speeches Did Obama Give“, Newswine.com, July 16, 2010.
15 – Thomas Lifson, “Obama’s troop withdrawal speech: when politics triumphs victory”, American Thinker, June 23, 2011.
16 – “Right-Wing Media Fixated On Obama’s ‘Shamless’ Bin Laden Speech“, Mediamatters, May 3, 2011.
17 – George Landrith, “The ‘it’s all about me’ president“, The Daily Caller, May 5, 2011.
18 – http://wiki.answer.com/Q/How_many_speeches_did_Obama_give (as searched in January.)
Esta matéria foi originalmente publicada pela PJ Media (via Mídia Sem Máscara)
A CRISE - 07/09/2015
(Publicado originalmente no Estado de São Paulo )
“Uma casa dividida contra si mesma não subsiste” - Abraham Lincoln, junho 16, 1858
Concordo que a atual crise é a mais grave que já tivemos. E vou além ao afirmar que o Brasil, por sua cultura e estrutura política, não está preparado para administrar uma crise dessas proporções. Isso porque para enfrentá-la e resolvê-la seria necessário construir uma resposta sistêmica que unificasse os principais atores políticos num projeto de ação dotado de lucidez, vontade política e audácia.
Houve uma grande oportunidade de preparar o Brasil para enfrentar o enorme desafio que se anunciava: a eleição presidencial de 2014. Mas o PT não podia perdê-la, pois precisava de mais um mandato para completar seu domínio e controle sobre o sistema político. Em seus três mandatos o PT teve condições legais e recursos para iniciar e dar curso à implantação do seu projeto de poder, mas não teve tempo para concluí-lo.
Enquanto era um partido pequeno, que se auto-exilava politicamente pelo radicalismo, as crises eram resolvidas por negociações entre os partidos tradicionais. Diante da crise, a resposta era o “pacote” e o apelo à união nacional, um guarda-chuva conceitual aceito por todos e que a todos retribuía. Assim foi com o Plano Cruzado, com o governo Itamar e, em 1994, com o Plano Real. Totalmente diferente é a situação atual.
Enquanto esteve fora do poder o problema político típico desta crise não se apresentava nem para ele nem para o País. Com o PT no poder essa união nacional se tornou muito difícil. Ela é importante para os empresários e partidos tradicionais. Não tem a mesma importância para o PT.
Com a crise o PT perdeu o rumo: não pode mais praticar a única forma de governar que conhece e aceita e é forçado a engolir um remédio amargo, na menor porção que lhe for possível, sem deixar de lembrar ao povo que assim que a situação melhorar voltará a fazer mais do mesmo.
Conquistou o poder, na eleição de 2002, quando e porque Lula promoveu o encontro da esquerda com o marketing político e tranquilizou o eleitorado com a Carta aos Brasileiros. Só agora, passados 13 anos, está sendo cobrada do PT a promissória que Lula entregou em 2002. A Carta era uma forma de abrir a porta do sistema político para o PT, não uma “tocante” conversão ao mercado, à globalização pós-socialista e à democracia representativa, como muitos entenderam.
Logo após a eleição de 2014 as nuvens de tempestade começaram a se juntar. À crise moral – de dimensão até então insuspeitada – somaram-se a crise resultante do descontrole econômico, a crise política, a crise nas relações sociais e a decorrente do grau de desconfiança na solidez das instituições e na racionalidade das decisões. Ao agregar tantas dimensões, a crise aumentou incrivelmente o número e a diversidade dos seus protagonistas (players) e a gravidade dos problemas e desafios a resolver.
O PT está imobilizado diante da crise porque a solução que se propõe para ela colide com seu projeto político, é radicalmente diferente dos projetos de PMDB e PSDB, por implicar mudanças substanciais e radicais no sistema político – na Constituição, nas relações sociais, econômicas e políticas do País.
Esse projeto se propõe a emascular a democracia representativa, fragilizando-a com organizações com funções representativas, aparelhadas e politicamente alinhadas ao governo e ao partido (projeto de decreto presidencial 8.243/14); a controlar os veículos de comunicação social (projeto de regulamentação das comunicações); a fazer alterações constitucionais como reeleições sucessivas; a regulamentar espaços privados dos cidadãos com imposição de valores, interferência nas funções da família e controle político da educação; criar o financiamento público exclusivo das eleições.
Que o plano político do PT segue essas linhas atestam os projetos com que mais se identifica. Nenhum deles, entretanto, poderá ser desenvolvido sem o controle do Estado. Não será recuperando a economia nos marcos do capitalismo e pelas regras do mercado que esses objetivos serão atingidos.
O próprio comportamento não comprometido da presidente com as medidas ortodoxas necessárias; sua evidente má vontade com o ministro da Fazenda; sua pressa em reafirmar que a crise não passa de dificuldade passageira; sua absoluta negativa em cortar despesas públicas; sua insistência em acenar não para o aperto, e sim para a retomada do crescimento (sic) e dos projetos sociais indica claramente que o projeto de poder não foi engavetado.
Apesar dos índices recordes de rejeição, o governo ainda tem fichas para permanecer na mesa de jogo. Se até agora não pôde recuperar as condições que teve e perdeu, consegue ao menos usar seu “poder de veto” e a caneta das nomeações para conquistar apoios, bloquear jogadas adversárias, interferir no timing do processo, ao mesmo tempo que resiste furiosamente a reduzir despesas.
A crise econômica não leva o PT a repensar criticamente seu modelo e a crise venezuelana, como horizonte possível, ao que tudo indica, não o assusta. O que está em jogo é um conflito político que o PT evita revelar: a disputa entre uma política nos marcos da Constituição e dos avanços econômicos obtidos na gestão do presidente FHC e uma política de natureza socializante, pós-URSS, nos moldes do que ocorre em vários países da América Latina.
Não há, pois, entre o PT e a classe política dos partidos tradicionais um valor compartilhado e de maior hierarquia que pudesse estabelecer a base para um acordo de alto nível ante a crise. Quando se expurgam as ingenuidades e ilusões, o que há são duas visões de País e da crise que se excluem mutuamente.
Por essas razões acredito que a crise é maior do que a capacidade de nosso sistema político instável resolvê-la satisfatória e tempestivamente. Entre a pressão das ruas e o salve-se quem puder da classe política, não encontraremos o caminho para sair bem dessa crise.
*Francisco Ferraz é professor de ciência política e ex-reitor da UFRGS
ESTADO ISLÂMICO - DESVENDANDO O EXÉRCITO DO TERROR - 06/09/2015
Cristãos, yazidis e turcos estão entre os mais perseguidos pelo Estado Islâmico, grupo dissidente da Al Qaeda que ocupou grandes partes do território do Iraque e da Síria. Eles estão mirando sistematicamente homens, mulheres e crianças baseados em sua filiação religiosa ou étnica e estão realizando impiedosamente uma limpeza étnica e religiosa generalizada nas áreas sob seu controle.
O Estado Islâmico surgiu em 2006 depois da invasão dos EUA e seus aliados ao Iraque, com sobreviventes da Al Qaeda no país, e ganhou força entre 2011 e 2013 quando teve início a rebelião na Síria. Seu atual comandante é Abu Bakr al-Baghdad.
Quando o EI invadiu a cidade de Mosul, capital da província de Ninewah, no Iraque – conquistando uma extensão de terras equivalente ao tamanho da Grã Bretanha –, o EI possuía apenas 800 combatentes. Hoje seu efetivo é estimado pela CIA entre 20 mil e 40 mil combatentes com acesso a recursos de 2 bilhões de dólares oriundos de fontes diversas, entre as quais seqüestros, roubos e, principalmente, a exploração e venda de petróleo da refinaria de Beiji, no norte do Iraque. Segundo experts, o Estado Islâmico controla 12 campos de petróleo no Iraque e na Síria, com capacidade de produzir 150 mil barris por dia, com receitas diárias estimadas em até 3 milhões de dólares.
Cinco meses antes da queda de Mosul o presidente Barak Obama havia menosprezado o EI, tachando-o de “um bando inexperiente de terroristas”.
De onde veio o Estado Islâmico e como ele conseguiu fazer tanto estrago em tão pouco tempo?
Os Estados Unidos estiveram em guerra contra o EI por quase uma década, incluindo aí suas várias encarnações, como a Al-Qaeda no Iraq ue, depois como Conselho Consultivo Mujahidin e, por fim, Estado Islâmico do Iraque e do Levante.
Muita coisa relativa a esse inimigo totalitário e teocrático permanece esquecida ou simplesmente pouco investigada. Debates a respeito de sua ideologia, estratégia de guerra e dinâmica interna persistem em todos os países comprometidos com a sua derrota. O EI é, na realidade, o último front em uma culminação sangrenta de uma longa disputa dentro da hierarquia do jihadismo internacional.
Examinando o EI como ele é hoje em dia, com base em entrevistas com militantes ativos (alguns já falecidos), espiões, agentes adormecidos e também suas vítimas, chega-se à conclusão de que um dos principais centros de recrutamento de militantes foram os presídios, especialmente no Oriente Médio, que serviram, por anos, como academias do terror, onde extremistas conhecidos puderam congregar, tramar e desenvolver suas habilidades de convencimento e liderança, recrutando uma nova geração de combatentes.
O EI é uma organização terrorista, mas não é apenas uma organização terrorista. É também uma máfia adepta em explorar mercados obscuros internacionais que existem há décadas para o tráfico de petróleo e armas. É um completo aparato de Inteligência que se infiltra em organizações rivais e recruta silenciosamente membros ativos antes do controle total dessas organizações, derrotando-as no campo de batalha ou tomando suas terras. É uma máquina de propaganda eficiente e hábil na disseminação de suas mensagens e no recrutamento de novos membros através das mídias sociais. A maioria dos seus principais comandantes serviu no exército ou nos serviços de segurança de Saddam Hussein.
O EI apresenta-se para uma minoria sunita no Iraque e uma maioria sunita mais perseguida e vitimada na Síria como a última linha de defesa da seita contra uma série de inimigos – os “infiéis” Estados Unidos, os Estados “apóstatas” do Golfo Pérsico, a ditadura alauita ”Nusayri” na Síria, a unidade “rafida” e de resistência no Irã e a última satrápia de Bagdá.
Estima-se que além do Estado Islâmico existam outros 450 grupos rebeldes operando na Síria.
O EI, de forma brutal e inteligente, destruiu as fronteiras dos Estados-Nação da Síria e do Iraque e proclamou-se o restaurador de um império islâmico. Tem como capital a cidade de Mosul, seu idioma oficial é o árabe, o governo é um Califado Islâmico, declarado em 29 de junho de 2014; possui uma bandeira e um brasão de armas. Já criou sua própria bandeira, tribunais, ministérios, passaportes e até placas de carros. Em novembro de 2014 criou a sua própria moeda, parte de um plano para restaurar o Califado que dominou o Oriente Médio a mais de 1.300 anos.
Abu Bakr al-Baghdadi – ungido Califa Ibraim – proclamou o fim do ISIS (em inglês Islamic State of Iraq and al-Sham) e o nascimento do Estado Islâmico no dia 28 de junho de 2014, o primeiro dia do Ramadã. A partir de então, apenas o Estado Islâmico passaria a existir, dividindo a humanidade em dois campos. O primeiro era “o campo dos muçulmanos e dos mujahidin (guerreiros sagrados) por toda a parte”; o segundo era “o campo dos judeus, dos Cruzados e seus aliados”.
O campo de treinamento do EI e de seus antecessores, na fronteira do Afeganistão com o Paquistão, que treinou os idealizadores dos ataques ao World Trade Center, tem três fases distintas de treinamento e doutrinação. A primeira consiste em “dias de experimentação”, com a duração de 15 dias, durante os quais um recruta é sujeito à “exaustão psicológica e moral” – para separar os fracos dos verdadeiros guerreiros. A segunda é o “período de preparação militar”, com a duração de 45 dias, durante os quais um recruta aprende como empunhar armas leves, evolui para o lançamento de mísseis portáteis superfície-ar e cursos de cartografia. A terceira e última fase é o “curso de táticas de guerra de guerrilhas”, no qual é ensinada a teoria militar de Von Clausewitz para terroristas.
Em março de 2009, o Departamento de Defesa dos EUA mudou oficialmente o nome das operações contra o EI de “Guerra Global Contra o Terror” para “Operações Contingenciais Externas” e em maio de 2013 o presidente Obama declarou que a “guerra ao terror” havia terminado.
Sete meses depois, em janeiro de 2014, em uma entrevista à revista “The New Yorker” Obama minimizou o poder do Estado Islâmico comparando-o a um “jayvee” (equipe de esportes de estudantes terceiranistas).
Se os EUA quisessem fazer uma demonstração de força no Iraque e na Síria, poderiam expulsar rapidamente o EI de seus esconderijos. Porém, o difícil viria depois, com a provável onda de atentados e guerra assimétrica que certamente duraria anos e teria custos enormes
Obama, dezoito meses depois, em 8 de junho de 2015, disse que sua administração “ainda não tinha nenhuma estratégia” para lidar com o Estado Islâmico. Ao que tudo indica sua administração continua “sem estratégia até hoje”.
Pelo que se observa, o Estado Islâmico sim, tem uma estratégia, pois a guerra jihadista contra o Ocidente e seus aliados continua crescendo.
Em agosto de 2014, Obama declarou que a estratégia dos EUA no combate ao EI está amparada em quatro pilares: ataques aéreos, apoio aos aliados locais, esforços de contraterrorismo para prevenir ataques, e assistência humanitária contínua a civís.
Em setembro de 2014 o presidente Barak Obama em uma sessão na ONU declarou que “os países devem evitar o recrutamento e o financiamento de combatentes estrangeiros”. Segundo ele, “os EUA irão trabalhar para destruir essa rede da morte”, em alusão ao Estado Islâmico. E prosseguiu: “Nós vamos apoiar a luta dos iraquianos e dos sírios para proteger suas comunidades. Vamos treinar e equipar as forças que estão lutando contra esses terroristas em solo. Vamos trabalhar para acabar com o financiamento deles e parar o fluxo de combatentes que se juntam ao grupo. Eu peço ao mundo que se junte a nós nessa missão”. E concluiu fazendo um apelo aos muçulmanos para rejeitarem a ideologia do Estado Islâmico. Obama encerrou seu discurso dizendo que “as palavras que dissemos aqui precisam ser transformadas em ação...com os países e entre eles, não apenas nos dias que se seguem, mas nos anos que virão”.
Uma Resolução proposta pelos EUA foi aprovada por unanimidade no Conselho de Segurança da ONU. Ao final, mais de 40 países se ofereceram para fazer parte da coalizão “anti-EI”, liderada pelos EUA.
Em junho de 2015 Obama voltou a referir-se ao EI declarando que “falta recrutar e treinar mais militares iraquianos dispostos a combater o Estado Islâmico. Não temos ainda uma estratégia completa, pois faltam compromissos dos iraquianos no que diz respeito a como é feito o recrutamento e como é que as tropas serão treinadas”.
Os EUA gastam, em média, cerca de 9 milhões de dólares por dia para combater o Estado Islâmico, e os custos totais já passam de 2,7 bilhões desde o início da campanha de bombardeios contra o EI.
Em qualquer atividade – passando pela organização e pela hierarquia -, o EI está anos-luz à frente das demais facções que atuam na região. Apresenta o que parece ser o início da estrutura de um semi-Estado – ministérios, tribunais e até mesmo um sistema tributário rudimentar -.
Nos campos de treinamento cerca de 300 crianças com idades até 16 anos recebem instrução como combatentes e terroristas suicidas no EI. Aprendem a ideologia fundamentalista e a manusear armas pesadas. Esses campos são anunciados como “Clubes de Escoteiros”,
Uma revista editada pelo Estado Islâmico, intitulada “DABIQ”, que já está na sua terceira edição, publicada em várias línguas, inclusive o inglês, apresenta o EI como a única voz muçulmana no mundo, na tentativa de cooptar estrangeiros para lutarem pelo Califado no Iraque e na Síria. Segundo o Conselho de Segurança da ONU, somente no ano de 2014 cerca de 15 mil estrangeiros de mais de 80 países, viajaram à Síria e ao Iraque a fim de lutarem ao lado do EI e grupos terroristas semelhantes. A ONU ressaltou que o aumento nesse número ocorre em uma escala “sem precedentes”. Segundo a União Européia, mais de 5 mil europeus se uniram à jihad na Síria e no Iraque, mas segundo a Comissária Européia de Justiça, esse número “é muito subestimado”.
O Estado Islâmico foi designado como organização terrorista pelos seguintes países: EUA em 17/12/2004, Austrália em 2/3/2005, Canadá em 20/8/2012, Arábia Saudita em 7/3/2014, Inglaterra em 20/6/2014, Indonésia em 1/8/2014 e Alemanha em 12/9/2014.
Os cristãos que vivem nas áreas dominadas pelo Estado Islâmico têm apenas três opções: se converterem ao islamismo; pagar um imposto religioso (o jizya); ou morrer.
Militantes do Estado Islâmico estariam sendo contrabandeados para a Europa pelas gangues que operam no Mar Mediterrâneo, segundo um fonte do governo líbio declarou à BBC. Os extremistas são misturados aos migrantes que viajam nos barcos desde a costa africana em direção ao continente europeu, porque a Polícia não sabe quem é refugiado e quem é militante do EI, pois isso é extremamente difícil.
Em setembro de 2015, a Polícia Federal descobriu uma rede de apoiadores do Estado Islâmico em São Paulo. A descoberta assusta, ainda mais porque TERRORISMO NÃO É CONSIDERADO CRIME NO BRASIL.
Para concluir, uma análise do general Álvaro Pinheiro, em abril de 2015:
“A possibilidade do Estado Islâmico/ISIS desencadear o terrorismo nos cinco continentes, corroborada pelos recentes atentados na Bélgica, Canadá, Austrália, França e Tunísia, é encarada em todo o mundo ocidental com a máxima responsabilidade. Nesse contexto, a infiltração do EI/ISIS na área da Tríplice Fronteira no Cone Sul da América do Sul é absolutamente consensual no âmbito da Comunidade de Inteligência Internacional. Não encarar esse indício com a devida responsabilidade é mais um verdadeiro CRIME DE LESA PÁTRIA”.
* Historiador
TCU EXIBE A BALA DE PRATA QUE JUSTIFICA O IMPEACHMENT DE DILMA - 05/09/2015
(www.tribunadainternet.com.br)
Foi um dos depoimentos mais importantes da história do Congresso Nacional, concedido esta terça-feira pelo procurador Julio Marcelo de Oliveira, representante do Ministério Público Federal no Tribunal de Contas da União. Falando na Comissão de Economia do Senado, Oliveira surpreendeu os parlamentares ao revelar que as pedaladas no decorrer de 2014 não foram meramente fiscais, mas tiveram o objetivo claro de influir no resultado das eleições.
Segundo o repórter Dimmi Amora, da Folha, que acompanhou a sessão, o procurador revelou em detalhes como ocorreu a manobra eleitoral. Explicou didaticamente que o governo tem programas obrigatórios a cumprir no orçamento. Por isso, quando há queda na arrecadação ou déficit fiscal, é preciso fazer cortes nas despesas não obrigatórias. Mas no ano da sucessão, o governo Dilma não respeitou esta regra e armou flagrantes manobras eleitorais, disfarçadas em pedaladas meramente fiscais.
O governo deixou livres para execução despesas não obrigatórias, que teria que cortar [devido à queda na arrecadação]. O que ocorreu em 2014 é que o governo federal aumentou programas não obrigatórios que têm forte impacto eleitoral", disse o procurador aos senadores.
FIZERAM O DIABO...
Como se sabe,a presidente Dilma avisou que iria fazer o diabo para ganhar a eleição, e cumpriu esta promessa.
O procurador do TCU mostrou que, para se eleger, Dilma aumentou irregularmente os gastos do Fies, programa de bolsas para universitários, que não eram despesas obrigatórias e aumentaram de R$ 5 bilhões para R$ 12 bilhões, graças a essas manobras ilegais que ficaram conhecidas como pedaladas.
Segundo o repórter Dimmi Amora, o procurador fez questão de lembrar aos parlamentares que a Lei de Responsabilidade Fiscal tem preocupação específica com o ano eleitoral porque foi criada para acabar com a "farra" de gastos públicos que ocorria nesses anos, mas Dilma nem se importou com esta norma legal.
FOI TUDO PROPOSITAL
Salientou o procurador Julio Marcelo de Oliveira que desde o início de 2014 o governo já sabia que não teria recursos para seus programas eleitorais, mas seguiu em frente, aumentando as despesas.
"Até agosto, o governo não se comportou de maneira coerente com a realidade. Viveu uma fantasia. Após a eleição, veio a realidade", disse Oliveira, acrescentando que o dolo, que seria a culpa da presidente, "grita nos autos" devido ao fato do governo ter aumentado despesas até agosto e mantido a informação de que faria um superávit fiscal de R$ 80 bilhões, e só após as eleições ter admitido que teria um déficit de R$ 20 bilhões. Ou seja, cometeu um erro de cálculo no valor de R$ 100 bilhões.
"DOLO EVIDENTE"
"Essa mudança de panorama de agosto para outubro, na opinião do Ministério Público, caracteriza um dolo evidente de manifestar uma situação fiscal irreal no período pré-eleitoral e só trazer a realidade após o período eleitoral", afirmou o procurador.
Segundo o repórter Dimmi Amora, da Folha, o procurador do TCU também fez questão de contestar colocações do senador Fernando Bezerra (PSB-PE) de que o uso dos bancos públicos para pagar despesas é prática comum e antiga. Segundo ele, jamais os saldos do governo federal com os bancos públicos para pagar despesas ficaram deficitários por praticamente um ano, dia após dia. Ou seja, não há comparação com o que ocorreu nos governos passados.
15 IRREGULARIDADES
Os representantes do TCU então explicaram aos senadores quais são as 15 irregularidades que foram apontadas pelo tribunal nas contas de 2014 e que a presidente Dilma terá que apresentar defesa nos próximos 10 dias.
O assunto é importantíssimo e explosivo. Caso os ministros do tribunal entendam que a presidente Dilma não cumpriu itens das leis de Responsabilidade Fiscal e Orçamentária e da Constituição, as contas terão parecer do TCU pela reprovação, configurando o crime de responsabilidade que pode levar ao impeachment da presidente Dilma no Congresso, que dá a palavra final sobre as contas públicas.
PEDIDO DE IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DA REPÚBLICA - 02/09/2015
EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA DOS
DEPUTADOS FEDERAIS DO BRASIL
“O princípio geral a se observar é que ‘(...) não se
deve proceder contra a perversidade do tirano
por iniciativa privada, mas sim pela autoridade
pública’, dito isto, reitera-se a tese de que,
cabendo à multidão prover-se de um rei, cabe-lhe
também depô-lo, caso se torne tirano...” (Santo
Tomás de Aquino. Escritos Políticos. Petrópolis:
Vozes, 2001. p. 25).
“Em todo país civilizado, há duas necessidades
fundamentais: que o poder legislativo represente
o povo, isto é que a eleição não seja falsificada, e
que o povo influa efetivamente sobre os seus
representantes.” (Rui Barbosa. Migalhas de Rui
Barbosa, org.Miguel Matos).
HÉLIO PEREIRA BICUDO, brasileiro, casado, Procurador de
Justiça Aposentado, portador da Cédula Identidade RG n. 5888644, CPF n. 005.121418-
00, Título de Eleitor n. 148.181.900.124, com endereço na Rua José Maria Lisboa,
1356, apto 31, Jardim Paulista, São Paulo-SP; e JANAINA CONCEIÇÃO
PASCHOAL, brasileira, casada, advogada, portadora da Cédula de Identidade RG n.
24.130.055-1, CPF n. 195.295.878-48, Título de Eleitor n. 252.385.180.175, com
endereço na Rua Pamplona, 1.119, cj. 41, Jardim Paulista, São Paulo-SP; ambos
cidadãos brasileiros, como comprovam as certidões anexas, com fundamento nos
artigos 51, inciso I, e 85, incisos V, VI e VII, da Constituição Federal; nos artigos 4º.,
2
incisos V e VI; 9º. números 3 e 7; 10, números 6, 7, 8 e 9; e 11, número 3, da Lei
1.079/50; bem como no artigo 218 do Regimento Interno desta Egrégia Casa, vêm
apresentar DENÚNCIA em face da Presidente da República, Sra. DILMA VANA
ROUSSEFF, haja vista a prática de crime de responsabilidade, conforme as razões de
fato e direito a seguir descritas, requerendo seja decretada a perda de seu cargo, bem
como a inabilitação para exercer função pública, pelo prazo de oito anos.
I- Dos fatos:
O Brasil está mergulhado em profunda crise. Muito embora o
Governo Federal insista que se trata de crise exclusivamente econômica, na verdade, a
crise é política e, sobretudo, MORAL.
O Governo Federal também tenta fazer crer que tal crise pode se
tornar institucional; sugere que se arrefeçam os ânimos, admitindo-se o quadro de
horror que se estabeleceu no país; porém, não há que se falar em crise institucional. As
instituições estão funcionando bem e, por conseguinte, possibilitam sejam desvendados
todos os crimes perpetrados no coração do Poder.
O Tribunal Superior Eleitoral, em longo e minucioso processo,
tem apurado inúmeras fraudes, verdadeiros estelionatos, encetados para garantir a
reeleição da Presidente da República, tendo o Ministro Gilmar Mendes aduzido que, se
soubesse, anteriormente, do que sabe na atualidade, não estariam aprovadas as contas de
campanha da Presidente. Também o Ministro João Otávio de Noronha defendeu a
abertura de investigação referente à campanha da denunciada1.
Foi assim que, no último dia 26 de agosto, o Tribunal Superior
Eleitoral decidiu reabrir o julgamento sobre as contas da Presidente2.
1 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/08/1668174-ministros-defendem-investigacao-no-tsesobre-
campanha-de-dilma.shtmlhttp
2 - conferir em:http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/08/tse-vota-para-reabrir-acao-sobrecontas-
da-campanha-de-dilma.html
3
Em paralelo, o Tribunal de Contas da União (TCU) assinalou
flagrantes violações à Lei de Responsabilidade Fiscal, as quais ensejaram
Representação Criminal à Procuradoria Geral da República, em petição elaborada pelo
Eminente Jurista Miguel Reale Júnior.
Essa notitia criminis demonstra que a Presidente, que sempre se
apresentou como valorosa economista, pessoalmente responsável pelas finanças
públicas, deixou de contabilizar empréstimos tomados de Instituições Financeiras
públicas (Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil), contrariando, a um só tempo, a
proibição de fazer referidos empréstimos e o dever de transparência quanto à situação
financeira do país. Em suma, houve uma maquiagem deliberadamente orientada a
passar para a nação (e também aos investidores internacionais) a sensação de que o
Brasil estaria economicamente saudável e, portanto, teria condições de manter os
programas em favor das classes mais vulneráveis3.
Em 26 de agosto do corrente ano, Ministro do TCU noticiou à
BBC que alertara a Presidente acerca das irregularidades em torno das chamadas
pedaladas fiscais4.
Na esteira do histórico processo do Mensalão, Ação Penal
Originária 470, em que restaram expostos os planos de perpetuação no poder por parte
do Partido Político ao qual a Presidente da República é filiada, foi deflagrada a
Operação Lava Jato, que em cada uma de suas várias fases colhe pessoas próximas à
Presidente, desconstruindo a aura de profissional competente e ilibada, criada por
marqueteiros muito bem pagos.
Com efeito, a máscara da competência fora primeiramente
arranhada no episódio envolvendo a compra da Refinaria em Pasadena pela Petrobrás.
Por todos os ângulos pelos quais se analise, impossível deixar de reconhecer que o
3 - íntegra da representação, disponível em: http://veja.abril.com.br/complemento/pdf/peticao.pdf
4 - http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2015/08/26/presidente-se-assustou-com-crise-por-faltade-
contato-com-a-sociedade-diz-ministro-do-tcu.htm
4
negócio, mesmo à época, se revelava extremamente prejudicial ao Brasil. Segundo
consta, as perdas foram superiores a setecentos milhões de reais5.
Na oportunidade, a Presidente da República era presidente do
Conselho da Estatal e deu como desculpa um equívoco relativo a uma cláusula
contratual. À época, muitos indagaram se essa suposta falha não infirmaria a fama de
competência e expertise na seara de energia, porém, ninguém teve a audácia de
desconfiar da probidade da Presidente.
Mas, como se diz popularmente, Pasadena foi apenas a ponta do
“iceberg”, pois a Operação Lava Jato realizou verdadeira devassa em todos os negócios
feitos pela Petrobrás, constatando, a partir de colaborações premiadas intentadas por
Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, que as obras e realizações propaladas como
grandes conquistas do Governo Dilma não passavam de meio para sangrar a promissora
estatal que, atualmente, encontra-se completamente descapitalizada e desacreditada,
inclusive internacionalmente. Nas palavras de um dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, comparado à Lava Jato, o Mensalão se transformou em feito passível de ser
julgado por Juizado de Pequenas Causas6.
Vale destacar que Paulo Roberto Costa era pessoa muito próxima
à Presidente da República, ao lado de quem posou para várias fotografias em eventos
públicos, tendo sido convidado para o casamento da filha da Presidente, em cerimônia
bastante reservada7.
Para a infelicidade do país, os prejuízos havidos com Pasadena
ficaram pequenos diante do quadro de descalabro que se descortinou. Reforça-se, a cada
dia, a convicção de que algumas empresas foram escolhidas para serem promovidas
internacionalmente e, a partir de então, participando de irreais licitações, drenar a
estatal, devolvendo grande parte dos valores por meio de propinas, ou de doações
aparentemente lícitas.
5 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/02/1584966gracafostereoutroscincodiretoresdapetrobrasrenunciam.
shtml
6 - ver: http://adaorochas.jusbrasil.com.br/noticias/152845121/gilmarmendesdizmensalaoepequenascausasfrentealavajato
7 - http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/brasil/veja-como-dilma-rousseff-e-paulo-roberto-costaeram-
proximos-ha-seis-anos/
5
Em outubro de 2014, ao prestar seu segundo depoimento em
colaboração, Alberto Youssef asseverou que, dentre outras autoridades, a Presidente da
República tinha ciência do que acontecia na Petrobrás8. Em 25 de agosto do ano
corrente, Youssef reafirmou que Lula e Dilma sabiam do esquema de propinas, na
Petrobrás9. Em acórdão da lavra do Ministro Dias Toffoli, exarado no Habeas Corpus de
número 127.483/PR, o Egrégio Supremo Tribunal Federal confirmou a validade da
colaboração premiada realizada com Youssef10.
Por força das constatações da Operação Lava Jato, foram presos o
ex- Ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o ex-dirigente da
Petrobrás Nestor Cerveró, pessoas que a Presidente fazia questão de reverenciar, até que
negar os descalabros ficasse impossível.
Apesar das investigações em andamento e diante de fortes
indícios de que muitas irregularidades haviam sido praticadas, a denunciada seguiu
discursando pelo Brasil, reforçando a confiança nos dirigentes da estatal, como a
presidente Graça Foster11. Aliás, durante todo o processo eleitoral, a denunciada negou
que a situação da Petrobrás, seja sob o ponto de vista moral, seja sob o ponto de vista
econômico, era muito grave12.
Com efeito, mesmo com todas as notícias veiculadas, a
denunciada insistiu na estapafúrdia tese de que as denúncias seriam uma espécie de
golpe, mera tentativa de fragilizar a Petrobrás, sempre destacando sua expertise na área
de economia e energia, ou seja, a Presidente dava sua palavra acerca da higidez da
empresa! Vale lembrar que a presidente da Petrobrás deixou o cargo apenas em
fevereiro de 2015, quando a situação já era insustentável13.
8 - http://media.folha.uol.com.br/poder/2015/03/12/youssef-termo-de-colaboracao-002.pdf
9 - http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,youssef-diz-que-ouviu-de-janene-que-lula-ficoucontrariado-
com-nomeacao-de-costa,1750446
10 - http://s.conjur.com.br/dl/leia-voto-toffoli-reconhecendo-hc.pdf
11 - ver: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/04/14/dilma-diz-que-petrobras-ja-einvestigada-
e-nada-vai-destruir-a-empresa.htm
12 - ver: http://www.cartacapital.com.br/politica/em-ultimo-ato-de-campanha-dilma-faz-caminhada-emporto-
alegre-5180.html
13 - http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/02/1584966gracafostereoutroscincodiretoresdapetrobrasrenunciam.
shtml
6
Mas o quadro é ainda pior. A Operação Lava Jato jogou luz sobre
a promíscua relação havida entre o ex- Presidente Lula e a maior empreiteira envolvida
no escândalo, cujo presidente já está preso, há um bom tempo. Não há mais como negar
que o ex- Presidente se transformou em verdadeiro operador da empreiteira,
intermediando seus negócios junto a órgãos públicos, em troca de pagamentos
milionários por supostas palestras, dentre outras vantagens econômicas.
Em julho de 2015, o Ministério Público Federal do Distrito
Federal, por força do trabalho do Núcleo de Combate à Corrupção, iniciou investigação
pela suposta prática de tráfico de influência, por parte do ex-presidente Lula, a fim de
apurar favorecimento ao grupo Odebrecht, no exterior14.
Recentemente, o Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª.
Região, por meio de acórdão prolatado pelo Desembargador Federal João Pedro Gebran
Neto, nos autos do Habeas Corpus de número 503125866.2015.4.04.0000/PR,
impetrado em benefício do presidente da Odebrecht, denegou a ordem, aduzindo que os
fatos envolvendo a Petrobrás são notórios.
“O histórico do processo é extenso, não sendo possível tal
conclusão da análise crítica e exclusiva do decreto
prisional ora impugnado. Há critérios para a decretação
das prisões, os quais se fundam no art. 312 do Código de
Processo Penal, reservadas, como já ressaltado pela 8ª
Turma deste Tribunal, aos principais atores da empreitada
criminosa. Assim, 'em um grupo criminoso complexo e de
grandes dimensões, a prisão cautelar deve ser reservada
aos investigados que, pelos indícios colhidos, possuem o
domínio do fato como os representantes das empresas
envolvidas no esquema de cartelização ou que exercem
papel importante na engrenagem criminosa'. (HC nº
501676317.2015.404.0000). Ademais, a realidade
14 - http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/07/mpf-abre-inquerito-contra-ex-presidente-lula-portrafico-
de-influencia-internacional.html
7
processual contradiz qualquer assertiva em sentido
contrário. Há delatores presos e não delatores em
liberdade. Bom exemplo é o caso do investigado e réu
Ricardo Ribeiro Pessoa, Diretor da UTC, que, mesmo
após a obtenção da liberdade provisória, decidiu, por
iniciativa própria, celebrar acordo de delação premiada.
Gerson de Mello Almada, dirigente da Engevix, mesmo
sem recorrer ao acordo de colaboração, admitiu a
existência de cartel, do pagamento de propinas e indicou a
participação da Odebrecht no esquema. 3.4. Assim,
presentes os pressupostos para decretação da prisão
preventiva, seja por força do risco à instrução processual,
dada a existência de indicativos que o paciente pretendeu
destruir provas, seja à ordem pública, ante a reiterada e
multiplicidade de condutas ilícitas praticadas por meio de
pessoas jurídicas, as quais até hoje mantém contratos com
a administração pública, atuando de modo organizado e
cooperado para fraudar licitações, aferir ganhos
extraordinários, bem como risco à ordem econômica.
Sobre este último aspecto, desnecessário gastar tinta,
porquanto basta abrir qualquer jornal para verificar
os prejuízos causados à Petrobrás, à economia nacional
e as severas consequências internacionais que a
empresa e o Estado estão na iminência de sofrer”15.
Os contornos de crime de responsabilidade ficam mais salientes,
quando se verifica que Lula é muito mais do que um ex- Presidente, mas alguém que,
segundo a própria denunciada, lhe é indissociável e NUNCA SAIU DO PODER.
15 - íntegra do acórdão disponível em http://www.migalhas.com.br/arquivos/2015/8/art20150826-04.pdf
(destacamos)
8
De fato, antes de o candidato do PT para a eleição de 2014 estar
definido, quando perguntada acerca da possibilidade de o ex- Presidente voltar, a atual
Presidente respondeu que ele (Lula) não iria voltar porque nunca havia saído, frisando
que ambos seriam indissociáveis16.
Ora, se a Presidente era (e é) indissociável de Lula, muito
provavelmente, sabia que ele estava viajando o mundo por conta da Construtora
Odebrecht, que coincidentemente sagrou-se vencedora para realizar muitas obras
públicas, no Brasil e no exterior! Aliás, não se podem desconsiderar as fortes acusações
feitas pelo empresário gaúcho Caio Gorentzvaig17.
Recentemente, houve o vazamento de um relatório do COAF,
dando conta de que o ex- Presidente Lula teria recebido quase TRINTA MILHÕES DE
REAIS, boa parte de empresas que contratam com o Governo Federal, por supostas
palestras. Pois bem, ao invés de mandar investigar os estranhos recebimentos, a
Presidente da República, por meio de seu Ministro mais próximo, mandou apurar o
vazamento da informação, em mais um sinal de que está disposta a tudo para proteger
seu antecessor18.
A esse respeito, cumpre ressaltar a constante defesa que a
denunciada faz da figura do ex-presidente Lula. Mesmo presentemente, objetivando lhe
conferir certa imunidade, estuda elevá-lo à condição de Ministro. Elevar à condição de
Ministro quem pode ter funcionado como operador da empreiteira que desfalcou a
Petrobrás?!
Independentemente de qualquer antecipação de juízo sobre culpa,
estando o presidente da Odebrecht preso, sendo fato notório que o Presidente Lula lhe
prestava assessoria nos contratos firmados e mantidos com o Poder Público, não seria
caso, no mínimo, de a Presidente Dilma Rousseff afastar-se, ao menos
institucionalmente, de seu antecessor?
16 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/07/1317930-lula-nao-vai-voltar-porque-ele-nao-saiuafirma-
dilma.shtml
17 - conferir em: http://www.diariosp.com.br/mobile/noticia/detalhe/84897/empresariodenunciaesquemanaodebrecht
18 - ver: http://www.blogdokennedy.com.br/pf-vai-apurar-vazamento-de-dados-bancarios-de-lula/ e
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/tag/lula/
9
Necessário apontar que, apesar da edição da Lei de Acesso à
Informação, os montantes enviados para Cuba e Angola receberam a chancela de
sigilosos. Estranhamente, as empresas tão bem representadas pelo ex- Presidente,
indissociável da atual Presidente, segundo consta, conduziram obras nesses países!19.
Durante muitos anos, todos os brasileiros foram iludidos com o
discurso de que o ex- Presidente Lula seria um verdadeiro promotor do Brasil, no
exterior, um propagandista que estaria prospectando negócios para as empresas
nacionais, no estrangeiro. No entanto, conforme foram se descortinando os achados da
Operação Lava Jato, restou nítido que todo esse cenário serviu, única e exclusivamente,
para sangrar os cofres públicos.
Existe a tese de que nada haveria contra a Presidente da
República. No entanto, os escândalos que se sucedem, de há muito, passam próximos a
ela, não sendo possível falar em mera coincidência, ou falta de sorte. A Presidente da
República faz parte desse plano de poder. E os Poderes constituídos precisam, nos
termos da Constituição Federal, agir.
Não é exagero lembrar que, quando ainda era Ministra da Casa
Civil, a Presidente tinha como seu braço forte a ex-ministra Erenice Guerra, que sempre
se encontra em situações questionáveis, sendo certo que, mais recentemente, envolveuse
na Operação Zelotes, referente à corrupção no Carf20.
Como de costume, seja com relação a Erenice Guerra, seja com
relação a Graça Foster, seja com relação a Nestor Cerveró, ou Jorge Zelada, a
Presidente agiu como se nada soubesse, como se nada tivesse ocorrido, mantendo seus
assistentes intocáveis e operantes na máquina de poder instituída, à revelia da lei e da
Constituição Federal.
19 - conferir em: http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2015/08/documentos-secretos-mostram-como-lulaintermediou-
negocios-da-odebrecht-em-cuba.html
20 - ver: http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/04/03/erenice-sera-investigada-na-operacaozelotes/
e http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/na-casa-civil-na-gestao-dilma-a-metros-dogabinete-
de-lula-caraca-que-dinheiro-e-esse-isso-aqui-e-meu-mesmo-eram-r-200-mil-em-dinheiro-vivo/
10
Para espanto de todos, Edinho Silva, tesoureiro da campanha da
Presidente, apontado como receptor de quase quatorze milhões de reais, é mantido no
Governo, no importante cargo de Ministro de Comunicação Social21. A situação é tão
gritante, que Ministro do Supremo Tribunal Federal determinou que o Ministro Edinho
Silva seja investigado22.
Poder-se-ia aduzir que fatos anteriores ao exercício da Presidência
da República seriam irrelevantes, como, por exemplo, a compra da Refinaria em
Pasadena, enquanto Dilma Rousseff era Presidente do Conselho da Petrobrás. Todavia,
fazer referência a esses acontecimentos se revela preciso, não com o fim de obter
responsabilização por eles, mas com o intuito de evidenciar que a tese do suposto
desconhecimento se mostra insustentável. Fosse um único fato, até se poderia admitir
tratar-se de um descuido, ou coincidência; porém, estando-se diante de uma verdadeira
continuidade delitiva, impossível crer que a Presidente da República não soubesse o que
estava passando a sua volta.
Em outras palavras, antes do descortinar dos fatos apurados na
Lava Jato, até era crível que a compra de Pasadena se tivesse dado por um erro relativo
a uma cláusula contratual; entretanto, passado todo esse tempo, com todos os
escândalos que vieram à tona, tem-se que Pasadena foi apenas mais um episódio e a
estratégia de “não sei, não vi” se revela modus operandi.
Em interceptação telefônica feita pela Polícia Federal, o ex-
Presidente Lula já evidenciou seu temor para com as apurações relativas ao BNDES.
Esse temor se justifica, pois os investimentos feitos pelo BNDES não serviram ao
desenvolvimento do país, mas à confecção de empresários subalternos, que traíram os
ditames da livre iniciativa, curvando-se aos detentores do poder, transformando-se em
meios para drenar o dinheiro público.
21 - ver: http://www.oantagonista.com/posts/investigando-dilma
22 - ver: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/berreiro-do-pt-nao-intimida-as-instituicoes-gilmarmendes-
manda-janot-que-ate-agora-ignorou-edinho-silva-e-dilma-na-lava-jato-investigar-contas-dacampanha-
da-presid/ e http://eclipping.
imprensaoficial.com.br/pg.aspx?pg=NmVpbHpnL3ZwUWNXNWs3NTRkT0pXdz09
11
Renomados juristas proferiram pareceres favoráveis à instalação
do Processo de Impeachment e à perda do cargo da Presidente da República, sugerindo,
no entanto, que seus crimes de responsabilidade seriam de natureza culposa. Ao ver
desses dignos estudiosos, a governante máxima teria sido apenas negligente ao não
responsabilizar seus subalternos.
Com todo respeito a esses nobres pareceristas, com os quais ora
se concorda acerca do cabimento e procedência do Impeachment, nesta oportunidade,
afirma-se que tudo indica ter a denunciada agido com dolo, pois a reiteração dos fatos,
sua magnitude e o comportamento adotado, mesmo depois de avisada por várias fontes,
não são compatíveis com mera negligência.
Reforça o entendimento de que a Presidente da República agiu
com dolo o fato de ela sempre se mostrar muito consciente de todas as questões afetas
ao setor de energia, bem como aquelas relacionadas à área econômica e financeira.
Ademais, além de ser economista por formação, a dirigente máxima do país ocupou
cargos umbilicalmente relacionados ao setor de energia, não sendo possível negar sua
personalidade centralizadora. Em análise bastante minuciosa, o jornalista, escritor e
político Fernando Gabeira, mostra bem que só pode alegar falta de elementos para o
Impeachment quem não concatena os fatos23.
O caso é grave e, por isso, lança-se mão de medida drástica,
extrema, porém, CONSTITUCIONAL. Apresentar esta denúncia constitui verdadeiro
dever de quem estudou minimamente o Direito, sobretudo em seus ramos
Constitucional, Administrativo e Penal. Golpe será permitir que o estado de coisas
vigente se perpetue. Como bem ensinara o saudoso Ministro Paulo Brossard:
“O sujeito passivo do impeachment é a pessoa investida de
autoridade, como e enquanto tal. Só aquele que pode
malfazer ao Estado, como agente seu, está em condições
subjetivas de sofrer a acusação parlamentar, cujo escopo é
afastar do governo a autoridade que o exerceu mal, de
23 - disponível em http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral.banqueiros--empresarios-ecolunistas,
1752007
12
forma negligente, caprichosa, abusiva, ilegal ou facciosa,
de modo incompatível com a honra, a dignidade e o
decoro do cargo” (O Impeachment. 3ª. ed. São Paulo:
Saraiva, 1992. p. 134).
Se esta Casa não tomar as providências cabíveis, a tendência é
realmente este terrível quadro se acirrar, pois o Governo Federal já está movendo seus
tentáculos com o fim de mitigar a Lei Anticorrupção, objetivando, novamente, favorecer
as empresas que se encontram no centro dos escândalos que assolam o país, como bem
diagnosticado pelo Eminente Jurista Modesto Carvalhosa, em recente artigo24. Aliás, o
mesmo Professor denunciou a condescendência criminosa da Presidente da República,
já em dezembro de 201425.
Parte dos fatos objeto do presente feito pode constituir, além de
crimes de responsabilidade, crimes comuns. A Procuradoria Geral da República já está
de posse de representação pelos crimes comuns contrários à fé pública e às finanças
públicas. Por razões desconhecidas dos ora subscritores, a representação ainda não foi
avaliada pelo Procurador Geral da República, Dr. Rodrigo Janot, recém-reconduzido ao
cargo26.
Todavia, a possível ocorrência de crime comum não inviabiliza o
processo por crime de responsabilidade. Muito ao contrário, a existência de crimes
comuns apenas reforça a necessidade de se punir a irresponsabilidade. Em primeiro
lugar, tem-se que a Constituição Federal, a lei e a doutrina não afastam a possibilidade
de dupla punição (por infração política e também penal) e, em segundo lugar, diante da
inércia da autoridade competente para fazer apurar o crime comum, ainda mais legítimo
rogar a esta Egrégia Casa que assuma seu papel constitucional. É o que ora se requer!
24 - ver: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,a-petrobras-e-sua--dependencia-dacorrupcao,
1745833
25 - ver: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,o-crime-consumado-de-responsabilidade-imp-
,1610758
26 - íntegra da representação disponível em: http://veja.abril.com.br/complemento/pdf/peticao.pdf
13
Centenas de juristas reunidos em tradicional comemoração do dia
“XI de Agôsto” externaram sua indignação ao apoiar manifesto da lavra do Eminente
Jurisconsulto Flávio Flores da Cunha Bierrenbach27.
Em 2015, em diversas oportunidades, a população foi
maciçamente às ruas, em números muito superiores ao contingente de pessoas que se
mobilizou em 1992. Pouco antes da manifestação do dia 16 de agosto, ao lado de outros
tantos brasileiros, os denunciantes gravaram vídeo para o Movimento Vem pra Rua,
convidando a população a se mobilizar.
O vídeo feito com o primeiro signatário, bem como carta de sua
autoria, lida por Rogério Chequer, um dos líderes de tal Movimento, evidencia que, de
há muito, estamos vivendo em uma falsa Democracia, sendo certo que o resgate da
verdadeira se faz necessário.
O processo de Impeachment visa à verdade real, os fatos ora
narrados não limitam a atuação desta Câmara e do Senado Federal, por conseguinte,
desde logo, pleiteia-se que sejam levadas em consideração as revelações que ainda estão
por vir. De todo modo, o que já há apurado resta suficiente para deflagrar este processo.
II- Do Direito:
1. Da possibilidade jurídica do Impeachment por ato praticado no mandato
anterior:
“Embora não haja faltado quem alegasse que eleição
popular tem a virtude de apagar as faltas pretéritas, a
verdade é que infrações cometidas antes da investidura
no cargo, estranhas ao seu exercício ou relacionadas
com anterior desempenho, têm motivado o
impeachment, desde que a autoridade seja reinvestida
em função suscetível de acusação parlamentar. Estas
27 - conferir em: https://youtu.be/UPmelFZFnjc
14
dimensões, atribuídas ao impeachment, pela doutrina e
experiência americanas, condizentes, aliás, com as
características do instituto, não as ignora a literatura
brasileira. Maximiliano, a propósito, doutrinou: ‘só se
processa perante o Senado quem ainda é funcionário,
embora as faltas tenham sido cometidas no exercício de
mandato anterior’... Enfim, se infrações recentes ou
antigas podem motivar a apuração da
responsabilidade, a pena não vai além da destituição
do cargo, com inabilitação para o exercício de outro...”
(Paulo Brossard. O Impeachment. São Paulo: Saraiva,
3ª. ed. 1992. p. 137).
Em parecer apresentado ao Instituto dos Advogados de São Paulo
(IASP), o Eminente Jurista Adilson Abreu Dallari, quando questionado se “na hipótese
de reeleição do Presidente da República para mandato subsequente, pode haver
responsabilização por ato praticado no exercício da função em mandato anterior?”
respondeu: “Sim. No caso de reeleição, o Presidente da República estará no
exercício das funções, inerentes ao cargo, pelo período de oito anos, e pode ser
responsabilizado por atos e omissões que configurem crime de responsabilidade,
ocorridos durante todo esse período. A norma constitucional superveniente,
possibilitando o alargamento do período de exercício das funções inerentes ao
cargo, determina que a interpretação de normas, anteriormente existentes,
instituindo a responsabilidade com regra ampla e geral, seja feita de maneira
evolutiva, em conformidade com os princípios fundamentais da Constituição
Federal”28.
Ainda que indiretamente, também o Eminente Jurista Ives Gandra
Martins respondeu sim a este questionamento, na medida em que foi o primeiro a
publicamente sustentar a possibilidade e até a necessidade de cassar-se o mandato da
Presidente da República. E especificamente sobre o tema, aduziu: “Parece-me, pois, que
não se trata, no que diz respeito ao novo mandato, em que se mantém a mesma direção
28 - disponível em: http://s.conjur.com.br/dl/parecer-iasp-adilson-dallari-possivel.pdf
15
continuada da instituição do 1º mandato, se não de um mandato continuado, o que
levaria a possibilidade de considerar crime continuado contra a probidade da
administração, por falta das medidas necessárias de afastamento imediato de quem
dirigiu a estatal em setores estratégicos e agora na presidência da empresa, durante o
período de assalto a estatal (Presidente Lula e Presidente Dilma)”29.
Em maio de 2015, no Jornal do Advogado de São Paulo, Janaina
Conceição Paschoal, professora associada de Direito Penal na USP, subscritora da
presente, também respondeu sim, ao participar de debate referente ao cabimento de
Impeachment, por crime praticado no mandato anterior30. O professor associado de
Direito Processual Penal na USP, Gustavo Badaró, corroborou este entendimento31.
A esta altura, portanto, parece superada a exegese de que a
reeleição constituiria verdadeira anistia aos crimes perpetrados no primeiro mandato,
muitos dos quais, há que se dizer, intentados com o fim de garantir a reeleição.
Importante deixar bem claro que esta convicção não se deve apenas a uma vontade
política, decorrendo da análise sistemática da ordem jurídica. Vejamos.
A Constituição Federal, em seu artigo 85, diz que compete à lei
federal disciplinar os crimes de responsabilidade do Presidente da República, inclusive
no que concerne ao processo de Impeachment e a seu julgamento. Esses crimes são
previstos na Lei 1.079/50, que foi recepcionada pela Constituição Federal de 88; tanto
que sofreu posteriores alterações por parte da Lei 10.028/2000.
Em seu artigo 15, a Lei 1.079/50 estatui que “a denúncia só
poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo,
deixado definitivamente o cargo”.
Em virtude da possibilidade de reeleição, houve manifestações no
sentido de que referido dispositivo impediria a perda do segundo mandato, em
decorrência de crime de responsabilidade praticado durante o primeiro.
29 - disponível em:
http://www.gandramartins.adv.br/parecer/detalhe/id/988010d8d9a94a46fb428519a0c3eaa7
30 - disponível em: http://www.hkl.com.br/oab_flip/default_novo.asp
31 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/08/1672125-presidente-reeleito-pode-sofrerimpeachment-
por-ato-realizado-em-mandato-anterior-sim.shtml
16
No entanto, impossível conferir tamanha amplitude para o artigo
15 da Lei 1.079/50. Referido dispositivo constitui apenas uma condição de
procedibilidade, como resta cristalino no acórdão prolatado pelo Egrégio Supremo
Tribunal Federal, no Mandado de Segurança n. 21.689/DF, impetrado em benefício do
ex- Presidente Fernando Collor de Mello.
Com efeito, na medida em que o fim primordial do processo de
Impeachment é a perda do cargo, a ação somente terá legitimidade para se iniciar, na
hipótese de o imputado estar no cargo a ser perdido. Daí a exigência de que não o tenha
deixado definitivamente.
Poder-se-ia pretender objetar, aduzindo que, na verdade, o artigo
15 implicaria uma condição de punibilidade, uma vez que está diretamente relacionado
à possibilidade de punição para o crime de responsabilidade. No entanto, uma vez
recebida a denúncia, se o acusado renunciar, objetivando se eximir do processo, tem-se
que, conforme ocorrera com o ex- Presidente Fernando Collor de Mello, o feito terá
seguimento, para a aplicação da sanção de inabilitação para função pública.
Nota-se, portanto, que a exigência de que o acusado esteja no
cargo para a recepção da denúncia funciona como a representação, nos crimes de ação
penal pública condicionada; ou seja, condição de procedibilidade.
Cumpre lembrar que, por não estar obrigado a se
desincompatibilizar para concorrer à reeleição, a bem da verdade, o Presidente da
República, sendo reeleito, nunca terá deixado definitivamente o cargo. Tanto é assim
que, durante a campanha, em regra, é tratado como Presidente/candidato, participando
de eventos de campanha e de compromissos oficiais. Esse é exatamente o caso da
Presidente Dilma Rousseff, ora denunciada, que não se licenciou do cargo de Presidente
por nenhum dia sequer. Em outras palavras, desde que eleita para seu primeiro mandato,
a denunciada jamais deixou definitivamente o cargo.
Em suma, desde a posse no primeiro mandato, não houve um só
momento em que o país tenha ficado sem sua Presidente. Não se pode, portanto, alegar
impossibilidade de Impeachment, por ter a denunciada deixado definitivamente o cargo.
17
Como se depreende da doutrina predominante, o processo de
Impeachment possui natureza político-administrativa; visa preservar a probidade
administrativa e o respeito para com o eleitorado.
Não é exagero destacar que o crime de responsabilidade pode se
verificar, independentemente de caracterizar-se também um crime comum. Por outro
lado, caso haja a dupla tipificação, os processos poderão coexistir, sendo certo que, na
eventualidade de o Procurador Geral da República não iniciar a ação por crime comum,
nos termos do artigo 33 da Lei 1.079/50, o próprio Senado Federal poderá suscitar a
questão perante o Supremo Tribunal Federal, caso entenda ter havido dupla tipificação.
Quando da narração dos fatos, acima, aduziu-se que, por força da
flagrante afronta à Lei de Responsabilidade Fiscal e da suposta prática dos crimes
capitulados no artigo 359-A e 359-C do Código Penal, além do delito de falsidade
ideológica, foi feita representação ao Procurador Geral da República. Os fatos agora
trazidos à apreciação desta Egrégia Câmara Federal extrapolam o objeto da mencionada
representação, caracterizando, extreme de dúvidas, crime de responsabilidade, como
mais adiante restará evidenciado.
Dizer que o processo de Impeachment tem natureza política não
liberta a acusação de evidenciar a tipicidade dos fatos. Ao contrário, no próximo item,
os ora denunciantes demonstrarão que todos os requisitos materiais estão presentes para
o início do processo e para a perda do cargo da denunciada ao final.
Não obstante, cumpre relembrar a natureza política do processo
de Impeachment, para que os membros desta Casa saibam que, embora vinculados pelos
estritos termos da Lei e da Constituição Federal, diversamente do juiz criminal, têm o
poder e o dever de analisar todo o contexto fático e não apenas os elementos
objetivamente trazidos à apreciação, na denúncia. Até por isso, o Professor Adilson
Abreu Dallari, no parecer antes mencionado, aduziu que eventuais falhas técnicas
podem ser a todo tempo sanadas, pois o fulcro não é meramente a verdade formal, mas a
verdade material, pelo bem do Brasil!
18
“Por ser um processo punitivo, o processo de cassação do mandato, para
apuração de infração político administrativa, deve observar as garantias
constitucionais decorrentes dos incisos LIV e LV do Art. 5º, de maneira a
assegurar sua eficácia, mas sem o rigorismo da legislação, da jurisprudência
e da doutrina do direito penal e do direito processual penal. Numa visão
estritamente jurídica, é preciso salientar que, enquanto o processo penal
busca a verdade processual, o processo administrativo está totalmente
dirigido à busca da verdade material. A tábua de salvação dos penalmente
acusados costuma ser alguma nulidade formal ou a insuficiência de provas.
No processo administrativo, entretanto, eventuais vícios podem ser
relevados, corrigidos ou convalidados, e é dever da autoridade processante
buscar provas para chegar à verdade material. Com muito maior razão estas
características devem estar presentes no processo político administrativo
voltado para a apuração de crime de responsabilidade”32.
Resta também imperioso que se tenha nítido que, em nenhuma
medida, considerar a possibilidade de Impeachment representa golpe. Muito ao
contrário, o que uma verdadeira República não pode admitir é que o governante lance
mão de todo tipo de desmando, até com o fim de garantir sua reeleição, ficando
blindado à devida ação dos demais poderes.
Ao concorrer à reeleição, o Presidente da República detém a
máquina estatal e, nem sempre, seus crimes de responsabilidade são conhecidos antes
do pleito eleitoral. Não é raro que tais crimes venham a ser desvendados apenas no
decorrer do segundo mandato. Inconstitucional é negar aos representantes de um povo
enganado o poder/dever de zelar pelo bom exercício do Poder Executivo.
Nesse sentido, resta absolutamente pertinente recorrer às lições do
Constitucionalista José Afonso da Silva que, em artigo recente, consignou que a perda
da legitimidade da atual Presidente da República é inegável, sendo certo que,
independentemente da ideologia adotada, o atual estado de coisas não pode persistir. Em
suas ponderações, o Eminente Jurista até admitiu que as alternativas disponíveis não são
32 - disponível em: http://s.conjur.com.br/dl/parecer-iasp-adilson-dallari-possivel.pdf
19
alvissareiras; entretanto, deixar de tomar as medidas cabíveis e necessárias não ajudará
a acomodar a situação33.
É bem verdade que vários formadores de opinião têm insistido no
pleito de que a Presidente da República, ora denunciada, renuncie, até com o objetivo de
não vitimar, ainda mais, a República. Compreendem-se as razões desses intelectuais;
porém, a nação não pode esperar. O histórico antes narrado e a sucessão de fatos
escabrosos que se desvelam indicam que a denunciada não está disposta a abandonar o
poder.
Imperioso, portanto, fazer cumprir a Constituição Federal, a lei
vigente e os princípios norteadores de uma verdadeira República. A Presidente está no
cargo. Desde que o assumiu, em 2011, jamais o deixou, ainda que provisoriamente. Não
existem óbices para o recebimento desta denúncia. Em nenhuma norma está escrito que
não cabe Impeachment, por crime de responsabilidade perpetrado no mandato anterior.
De todo modo, não resta excessivo lembrar que, muito embora a
grande maioria dos atos criminosos tenha ocorrido no primeiro mandato, já no curso do
segundo mandato, houve desrespeito para com a Lei de Responsabilidade Fiscal,
mediante a prática das chamadas pedaladas fiscais; sendo certo que, por um bom tempo,
a denunciada insistiu em defender e manter a diretoria da Petrobrás, apegando-se à tese,
sempre revisitada, de perseguição.
No que tange aos descalabros na Petrobrás, a continuidade
delitiva resta muito evidenciada nas fortes manifestações dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal, Celso de Mello e Carmen Lúcia, quando do julgamento de Habeas
Corpus impetrado em benefício de um dos imputados na Lava Jato. Na oportunidade, os
Ministros, mostrando-se impressionados, apontaram verdadeira “delinquência
institucional”!34.
33 - ver: http://www1.folha.uol.com.br/paywall/logincolunista.
shtml?http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/08/1671516-renuncia-e-legitimidade.shtml
34 - http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,delinquenciainstitucional,1747326
20
Não só não há óbices ao recebimento desta denúncia, como a
autorização para que a Presidente seja processada com o fim de ser condenada à perda
do cargo é de rigor! A seguir, evidenciar-se-á que restaram caracterizados crimes de
responsabilidade.
2. Da caracterização de crime de responsabilidade:
A Constituição Federal, em seu artigo 85, preceitua que:
Art. 85. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República
que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra:
I - a existência da União;
II - o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do
Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação;
III - o exercício dos direitos políticos, individuais e sociais;
IV - a segurança interna do País;
V - a probidade na administração;
VI - a lei orçamentária;
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
Parágrafo único. Esses crimes serão definidos em lei especial, que
estabelecerá as normas de processo e julgamento.
A Lei 1.079/50 confere concretude material e formal a esse
dispositivo constitucional, estatuindo, em seu artigo 4º. que:
Art. 4º São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República
que atentarem contra a Constituição Federal, e, especialmente, contra:
I - A existência da União:
II - O livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e dos
poderes constitucionais dos Estados;
21
III - O exercício dos direitos políticos, individuais e sociais:
IV - A segurança interna do país:
V - A probidade na administração;
VI - A lei orçamentária;
VII - A guarda e o legal emprego dos dinheiros públicos;
VIII - O cumprimento das decisões judiciárias (Constituição, artigo 89).
Desde logo, nota-se que os fatos que assolam a nação atentam
flagrantemente contra a probidade na administração e contra a lei orçamentária. Mas a
Lei 1.079/50 não se contentou em disciplinar a matéria assim tão genericamente,
cuidando de destrinçar os contornos das afrontas que efetivamente caracterizam crime
de responsabilidade. Com tal finalidade, em seus artigos 9, 10 e 11, aduziu que:
Art. 9º São crimes de responsabilidade contra a probidade
na administração:
1) omitir ou retardar dolosamente a publicação das leis e
resoluções do Poder Legislativo ou dos atos do Poder
Executivo;
2) não prestar ao Congresso Nacional dentro de sessenta
dias após a abertura da sessão legislativa, as contas
relativas ao exercício anterior;
3) não tornar efetiva a responsabilidade dos seus
subordinados, quando manifesta em delitos funcionais
ou na prática de atos contrários à Constituição;
4) expedir ordens ou fazer requisição de forma contrária às
disposições expressas da Constituição;
5) infringir no provimento dos cargos públicos, as normas
legais;
6) usar de violência ou ameaça contra funcionário público
para coagi-lo a proceder ilegalmente, bem como utilizar-se
22
de suborno ou de qualquer outra forma de corrupção para
o mesmo fim;
7) proceder de modo incompatível com a dignidade, a
honra e o decoro do cargo.
Art. 10. São crimes de responsabilidade contra a lei
orçamentária:
1- Não apresentar ao Congresso Nacional a proposta do
orçamento da República dentro dos primeiros dois meses
de cada sessão legislativa;
2 - Exceder ou transportar, sem autorização legal, as
verbas do orçamento;
3 - Realizar o estorno de verbas;
4 - Infringir, patentemente, e de qualquer modo,
dispositivo da lei orçamentária;
5) deixar de ordenar a redução do montante da dívida
consolidada, nos prazos estabelecidos em lei, quando o
montante ultrapassar o valor resultante da aplicação do
limite máximo fixado pelo Senado Federal; (Incluído pela
Lei nº 10.028, de 2000)
6) ordenar ou autorizar a abertura de crédito em
desacordo com os limites estabelecidos pelo Senado
Federal, sem fundamento na lei orçamentária ou na de
crédito adicional ou com inobservância de prescrição
legal; (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
7) deixar de promover ou de ordenar na forma da lei, o
cancelamento, a amortização ou a constituição de
reserva para anular os efeitos de operação de crédito
realizada com inobservância de limite, condição ou
montante estabelecido em lei; (Incluído pela Lei nº
10.028, de 2000)
8) deixar de promover ou de ordenar a liquidação
integral de operação de crédito por antecipação de
receita orçamentária, inclusive os respectivos juros e
demais encargos, até o encerramento do exercício
financeiro; (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
23
9) ordenar ou autorizar, em desacordo com a lei, a
realização de operação de crédito com qualquer um
dos demais entes da Federação, inclusive suas
entidades da administração indireta, ainda que na
forma de novação, refinanciamento ou postergação de
dívida contraída anteriormente; (Incluído pela Lei nº
10.028, de 2000)
10) captar recursos a título de antecipação de receita de
tributo ou contribuição cujo fato gerador ainda não tenha
ocorrido; (Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
11) ordenar ou autorizar a destinação de recursos
provenientes da emissão de títulos para finalidade diversa
da prevista na lei que a autorizou; (Incluído pela Lei nº
10.028, de 2000)
12) realizar ou receber transferência voluntária em
desacordo com limite ou condição estabelecida em
lei;(Incluído pela Lei nº 10.028, de 2000)
Art. 11. São crimes de responsabilidade contra a guarda e
o legal emprego dos dinheiros públicos:
1) ordenar despesas não autorizadas por lei ou sem
observância das prescrições legais relativas às mesmas;
2) abrir crédito sem fundamento em lei ou sem as
formalidades legais;
3) contrair empréstimo, emitir moeda corrente ou
apólices, ou efetuar operação de crédito sem
autorização legal;
4) alienar imóveis nacionais ou empenhar rendas públicas
sem autorização em lei;
5) negligenciar a arrecadação das rendas, impostos e taxas,
bem como a conservação do patrimônio nacional.
À luz da legislação vigente, entende-se que a Presidente da
República atentou contra a probidade administrativa, primeiro, por “não tornar efetiva
a responsabilidade dos seus subordinados” e, em segundo lugar, por “proceder de
modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo”.
A sucessão de escândalos envolvendo pessoas tão próximas à
Presidente da República, que não foram por ela sequer afastadas, leva a crer que
também a Presidente participara dos conluios necessários ao desfalque da Petrobrás e,
como mais recentemente se constatou, da Eletrobrás.
24
A insistência em manter sigilosos os “investimentos” do BNDES
e as verbas enviadas a Cuba e a Angola, países em que, apenas posteriormente se soube,
as construtoras implicadas na Lava Jato realizaram obras pagas, a peso de ouro, também
permite inferir que a Presidente conhecia o esquema sofisticadamente criado para drenar
os recursos do país. Tudo com o fim de perpetuar seu grupo no poder.
Quando questionada acerca dos valores estranhamente
direcionados para o exterior, a Presidente sempre respondera firmemente que se tratava
de maneira de fortalecer as empresas brasileiras, que participavam das obras naquelas
localidades. O que o povo não sabia era que muitas dessas empresas eram alimentadas
com financiamentos públicos, que participavam de licitações fictícias e que o dinheiro a
elas pago (muito acima do valor de mercado) voltava para os detentores do poder, seja
por meio de propinas, seja por meio de doações às milionárias campanhas.
A relação íntima entre a denunciada e o ex-presidente Lula e entre
este e a principal construtora envolvida no esquema, cujo presidente está preso, indica
que a Presidente da República sempre soube. Ainda que assim não fosse, a probidade
teria restado lesada por meio de seu comportamento condescendente para com aqueles
que eram (e continuam sendo) alcançados pela Operação Lava Jato e seus
desdobramentos.
Como já dito, jamais a Presidente tomou a iniciativa de afastar
quem quer que fosse, ainda que provisoriamente, para fins de averiguação; para
preservar a coisa pública. O princípio da presunção de inocência se aplica na seara
penal, não na administrativa, onde deve preponderar o interesse público.
Diante do escândalo que recaiu sobre a Petrobrás, a Presidente
haveria de ter, de imediato, tomado a iniciativa de afastar a diretoria e não insistir na
tese fantasiosa de que a Petrobrás seria um exemplo e estava sendo vítima de detratores,
com finalidade eleitoreira.
Mesmo no presente, a denunciada alardeia que não respeita
delatores, adotando comportamento incompatível com o decoro de uma Chefe de
25
Estado, sobretudo por ter ela própria sancionado a Lei referente às organizações
criminosas e à colaboração premiada. Talvez não imaginasse que referido diploma seria
aplicado à Organização Criminosa que tomou conta do país.
A par de todos os problemas pertinentes à Petrobrás, ao que tudo
indica, a denunciada maquiou as contas públicas, deixando de lançar débitos referentes
aos empréstimos que o Tesouro fez junto ao Banco do Brasil e a Caixa Econômica
Federal, empréstimos vedados que levaram, no ano eleitoral, a população a crer estarem
as contas públicas equilibradas e que os programas sociais teriam continuidade.
Por meio de tal expediente, a Presidente da República,
novamente, feriu a honorabilidade do cargo e, pode-se, sem exagero, dizer: assassinou a
Lei de Responsabilidade Fiscal, a duras penas conquistada. Como consequência,
cometeu crime de responsabilidade, dentre outras condutas, por “ordenar ou autorizar,
em desacordo com a lei, a realização de operação de crédito com qualquer um dos
demais entes da Federação, inclusive suas entidades da administração indireta,
ainda que na forma de novação, refinanciamento ou postergação de dívida
contraída anteriormente”, bem como por “efetuar operação de crédito sem
autorização legal”.
Na Representação Criminal entregue à Procuradoria Geral da
República, o Professor Miguel Reale Júnior mostra bem que a Presidente não pode
alegar desconhecimento quanto às pedaladas fiscais, pois se reunia diariamente com
Arno Augustin, então Secretário do Tesouro Nacional, com quem era considerada unha
e carne.
Os atentados ao orçamento e à probidade administrativa são
tantos que resta impossível, em uma única denúncia, narrar todos. Cumpre, de todo
modo, chamar atenção para o discurso presidencial sempre objetivando iludir o público,
seja pela maquiagem das contas públicas, seja pelos disfarces acerca das obras públicas
feitas, no Brasil e no exterior. Com certeza, para o pesar da nação, a Comissão
Parlamentar de Inquérito do BNDES trará mais fatos a reforçar o quadro de atrocidades
a que o país se reduziu.
26
A toda evidência, a Presidente da República não só não procedeu
como deveria, como se valeu da grande fraude perpetrada para fazer palanque em sua
campanha, bradando os programas sociais que, na verdade, eram pagos pela Caixa
Econômica Federal, ilegalmente e, o que é pior, alardeando um superávit inexistente,
conferindo uma falsa sensação de estabilidade. Passada a eleição, os programas
começaram a ser cortados e, hoje, a juventude simples, a qual foram abertas as portas da
universidade, vê essas portas se cerrarem, quando estão no segundo, ou terceiro, anos da
faculdade. Verdadeira crueldade!
Em seu clássico Origens do Totalitarismo, Hannah Arendt bem
mostra que, nas tiranias, ocorre uma estranha desorganização da oposição, apesar do
descontentamento generalizado, sendo certo que todos os dados, sobretudo os
estatísticos, são fictícios, criando-se a verdade oficial de que aquilo que não corrobora
as mentiras do detentor do poder constitui inverdade (São Paulo: Companhia das Letras,
1989. p. 346).
O expediente conhecido por pedaladas seria mais do que
suficiente para ensejar o impedimento da Presidente da República. No entanto, a
sucessão de escândalos e o comportamento por ela reiteradamente adotado revelam
dolo, consubstanciado na adoção, no mínimo, da chamada cegueira deliberada.
De fato, a Presidente da República era Presidente do Conselho da
Petrobrás, quando ocorreram as fraudes na aquisição de Pasadena; a Presidente já era
Presidente da República, quando uma quadrilha se instalou na Petrobrás, drenando a
empresa que sempre foi conhecida como orgulho da Pátria e, durante muito tempo,
negou os crimes perpetrados e também se negou a afastar pessoas visivelmente
envolvidas, seja por ação seja por omissão.
A Presidente já era Presidente da República quando um executivo
holandês procurou a Controladoria Geral da União, reportando outras fraudes
envolvendo a Petrobrás. Consta que aquele órgão deixou de tomar as medidas cabíveis,
por se estar em período eleitoral.
27
A Presidente é diretamente responsável pelos investimentos
feitos, em prejuízo do povo brasileiro, em países que constituem cruéis ditaduras, como
é o caso de Cuba e Angola e, para agravar o quadro, faz tais investimentos sob a
chancela de sigilosos, traindo, uma vez mais, a transparência que deve nortear os gastos
públicos.
Em um primeiro momento, acreditava-se que a Presidente
utilizava o dinheiro do povo brasileiro em projetos que atendem mais à sua ideologia
pessoal que aos altos interesses da nação. No entanto, as revelações da Lava Jato
mostram que, a bem da verdade, a situação pode ser ainda pior, pois esses investimentos
servem apenas para que aqueles governos tenham dinheiro para pagar obras feitas com
empresas brasileiras parceiras de Dilma e Lula.
Se se conduzisse com probidade e respeitasse o orçamento, a
Presidente da República não precisaria fazer empréstimos vedados dos bancos públicos,
bem como maquiar as contas públicas, como fizera e, por tudo isso, há de ser impedida
de continuar em tão elevado cargo.
III- Do Pedido:
Os ora denunciantes, por óbvio, prefeririam que a Presidente da
República tivesse condições de levar seu mandato a termo. No entanto, a situação se
revela tão drástica e o comportamento da Chefe da nação se revela tão
inadmissível, que alternativa não resta além de pedir a esta Câmara dos Deputados
que autorize seja ela processada pelos crimes de responsabilidade previstos no
artigo 85, incisos V, VI e VII, da Constituição Federal; nos artigos 4º., incisos V e
VI; 9º. números 3 e 7; 10 números 6, 7, 8 e 9; e 11, número 3, da Lei 1.079/1950.
Alguns analistas têm advertido que o processo de Impeachment
seria muito custoso à nação. Não há dúvida de que será. No entanto, a sanha de poder
que orienta o grupo da denunciada, a qual se torna mais clara a cada dia, certamente se
revela ainda mais deletéria.
28
Imperioso, por outro lado, lembrar que o processo de
Impeachment tem previsão constitucional e os remédios, por mais que tenham efeitos
colaterais, devem ser ministrados, quando necessários e cabíveis. No caso de que ora se
trata, esta Egrégia Casa tem a missão de resgatar a legalidade, como, aliás, já fizera, sem
nenhuma consequência deletéria à nação.
A corrupção, a não observância de promessas, a ideia de que o
público, no lugar de ser de todos, não é de ninguém, infelizmente, sempre permeou a
mentalidade nacional, como ensina a Professora Denise Ramos35.
No entanto, nestes últimos anos, o sentimento de que, no Brasil,
toda sorte de desfaçatez é permitida popularizou-se. Tanto é assim que ex-detentores de
cargos públicos, e até mesmo atuais detentores de cargos públicos, não têm nenhum
pudor em dizer que recebem milhões a título de consultoria.
A moralidade precisa ser resgatada para que o cidadão que paga
seus impostos, que luta para educar e alimentar seus filhos, não sinta vergonha de ser
brasileiro.
“De pouco valerá falar ao menino em reverência,
justiça, probidade, veracidade, se essas leis se não
praticarem diante dele: é unicamente por atos que lhas
ensinaremos a conhecer.” (Rui Barbosa. Migalhas de Rui
Barbosa – org. Miguel Matos).
No teatro sem fim em que vivem engendrados a Presidente da
República e seus consortes, insiste-se que apenas a elite está descontente, supostamente
com a elevação das classes menos favorecidas.
Trata-se de mais uma falácia. A população, cansada, indignada,
mas ainda esperançosa na devida separação dos poderes, tem saído às ruas, para pedir o
básico: observância à lei e à Constituição Federal; como ocorrera, aliás, em 1992,
35
- “Symptom of a cultural complex in Brasil?”, In: Singer, T, and Kimbles, S. The Cultural Complex.
London: Brunner-Routledge, 2004, p 103- 123
29
quando Barbosa Lima Sobrinho e Marcelo Lavenère pleiteram o Impeachment do então
Presidente Fernando Collor de Mello36.
Somos negros e brancos, jovens e idosos, homens e mulheres de
várias orientações sexuais, nordestinos e sulistas, somos brasileiros querendo resgatar a
honra que ainda resta para este país. Os tiranos que dele se apoderaram construíram um
discurso de cisão, objetivando nos enfraquecer, para se perpetuarem. A simples adoção
de tal discurso já denotaria a inadmissível imprudência denunciada por Aristóteles, em
sua célebre obra A Política (Bauru: EDIPRO, 1995. p. 94); porém todos os atos,
recentemente trazidos à luz, levam à convicção de que houve crimes de
responsabilidade de várias ordens.
À Câmara dos Deputados Federais rogamos que coloque um
fim nesta situação, autorizando que a Presidente da República seja processada
pelos delitos perpetrados, encaminhando-se, por conseguinte, os autos ao Senado
Federal, onde será julgada para, ao final, ser condenada à perda do mandato, bem
como à inabilitação para exercer cargo público pelo prazo de oito anos, nos termos
do artigo 52, parágrafo único, da Constituição Federal. É o que ora se requer!
A presente denúncia segue instruída com notícias jornalísticas,
das mais diversificadas fontes, pareceres, representação e acórdãos, antes mencionados.
Os fatos são de conhecimento notório, de forma que os denunciantes entendem serem
suficientes à deflagração do processo de Impeachment.
No entanto, caso V. Exa. pense de modo diverso, em nome da
verdade real, que deve ser buscada em prol do país, desde logo, postula-se sejam
notificados o TCU, TSE, o STF, o TRF da 4ª. Região e a 13ª. Vara Federal Criminal de
Curitiba-PR, para que enviem a íntegra dos procedimentos referentes, respectivamente,
às pedaladas fiscais, às contas de campanha da denunciada e à Operação Lava Jato.
Por certo, os documentos são suficientes a instruir o feito; porém,
na eventualidade de a Câmara e o Senado entenderem pela necessidade de ouvir
36 - denúncia disponível em: http://imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/DCD03SET1992SUP.pdf
30
testemunhas, desde logo, arrolam-se aquelas cuja colaboração fora essencial para o
desvendar de toda essa terrível situação, em especial: Paulo Roberto Costa, Alberto
Youssef, Ricardo Pessoa e Milton Pascowitch, além de Nestor Cerveró e Caio
Gorentzvaig.
Por derradeiro, cumpre lembrar frase central em nosso Hino
Nacional: VERÁS QUE UM FILHO TEU NÃO FOGE A LUTA! Munidos da
Constituição Federal, estes dois filhos do Brasil vêm pedir ao Congresso Nacional que
tenha a CORAGEM necessária para fazer a devida JUSTIÇA!
Brasil, 31 de Agosto de 2015.
HÉLIO PEREIRA BICUDO JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL
POPULISMO AGONIZANTE - 02/09/2015
30 Agosto 2015 | 02h 30
É da natureza do populismo partir do princípio de que o povo é ignorante e acrítico, incapaz de discernir o falso do verdadeiro em matéria de política. O populismo prospera onde a ignorância impera. Os populistas, portanto, cultivam a ignorância. Um de seus truques é repetir mentiras incansavelmente até que sejam aceitas como verdades. É o que estão fazendo Lula, Dilma e o PT, no desespero de sobreviverem no fundo do poço em que foram colocados pelo descrédito popular. Para eles, tudo o que não convém ao populismo petista é “golpe”. Principalmente fazer oposição ao governo.
Diante de uma plateia de mais de 2 mil pessoas em Montes Claros, Minas Gerais, Luiz Inácio Lula da Silva não fez cerimônia: “Eu gostaria que todos aqueles que todo santo dia inventam um golpe para tirar Dilma aprendessem a respeitar a democracia (...). Se eles querem o poder, que esperem 2018. Mas não venham com golpe”. A presidente Dilma foi mais sutil – imaginem só – falando a atletas em solenidade no Palácio do Planalto: “É possível sofrer derrotas, dificuldades no caminho, mas todo atleta levanta e segue em frente. Muitas vezes não ganha na primeira, na segunda ou na terceira. E segue lutando para ganhar. E respeita o resultado do outro atleta, que é o vencedor”. Por sua vez, o presidente do PT, Rui Falcão, em reunião com lideranças petistas em São Paulo, queixou-se de que a oposição tenta “enfraquecer a presidente”. Esperava o quê?
A regra de ouro que o lulopetismo quer ver aplicada – aos outros, é claro – é a seguinte: quem perde uma eleição, como aconteceu com Aécio Neves e Marina Silva em outubro do ano passado, tem de se recolher à condição de derrotado e “respeitar a democracia”. Qualquer iniciativa para “enfraquecer a presidente” é tentativa de promover “terceiro turno”. Exigir que eventuais ilicitudes cometidas na campanha presidencial de Dilma sejam investigadas é “golpe”. Falar em impeachment da chefe do governo – recurso constitucional que o PT defendeu contra seu hoje aliado Fernando Collor – é “atentado à democracia”. Em resumo: está proibido fazer oposição.
A soberba é desde sempre uma forte característica do PT. O partido nasceu predestinado a mudar “tudo isso que está aí” e ainda hoje muitos petistas se consideram ungidos para essa missão divina. Como autoproclamados salvadores da pátria, sempre olharam os não petistas com enorme desdém. Dividiram o País entre “nós” e “eles” e decidiram que na luta sem tréguas contra a perversa “elite” não existem adversários, mas inimigos. Finalmente descobriram que, quando não se consegue derrotar o inimigo, a solução é aliar-se a ele. Assim, aqueles que eram antes os mais legítimos representantes da perversa “elite”, os grandes banqueiros e homens de negócio, passaram a ser cortejados para que apoiassem o PT, dando a seu governo “estabilidade política” e “equilíbrio institucional”.
A partir do momento em que chegaram ao poder, os petistas se deram conta de que seu grande problema passava a ser como nele se manter. A solução era óbvia: fazer alianças, não importa com quem nem a que custo. É verdade que nos primeiros anos o panorama social melhorou. E não se deve desmerecer essa importante conquista. Mas, se nessa questão há mérito, sobra demérito na igualmente fundamental questão moral. A crônica policial e forense dos últimos anos demonstra que a corrupção tomou conta da política e da administração pública em níveis sem precedentes. Como temos repetido neste espaço, Lula e o PT não inventaram a corrupção, mas tornaram-na prática generalizada, endêmica. E beneficiaram-se disso, tanto no plano político quanto no material, como se constata pelo elenco de endinheirados petistas encarcerados – ou ainda em liberdade.
Sobraram para o PT o discurso – o que não representa nenhuma dificuldade para políticos que, como Lula, nunca desceram do palanque – e a esperança de que, por força da repetição, suas patranhas se tornem verdades. Mas é uma esperança vã. O brasileiro não é idiota. Nem um competente encantador de multidões como Lula consegue enganar todo mundo, todo o tempo. O “terceiro turno” das pesquisas de opinião demonstra que o Brasil repudia categoricamente o populismo lulopetista.
Sr. JANOT; Srs. DO TCU, DO STF E DO TSE: LULA, DILMA E O PT PASSARÃO. VOSSAS EXCELÊNCIAS PASSARINHO… - 28/08/2015
Sr. JANOT; Srs. DO TCU, DO STF E DO TSE: LULA, DILMA E O PT PASSARÃO. VOSSAS EXCELÊNCIAS PASSARINHO…
http://professorpaulomoura.com.br/
Se há uma qualidade admirável nos petistas essa é a capacidade de se agarrarem ao poder sem nunca jogar a toalha; sem nunca antes tentarem o diabo para preservarem seu acesso aos cofres públicos. Quando se trata de lutar pelo poder, seja para conquistá-lo, seja para preservá-lo, jamais estranhe se encontrar um petista de canivete em punho lutando contra mísseis nucleares.
Nenhum partido brasileiro sobreviveria tanto no poder, ainda mais com uma presidente com as “qualidades” de Dilma Rousseff, e no cenário que hoje ela enfrenta no quarto mandato petista na Presidência da República, sem essa garra. Se o PSDB tivesse 10% da fibra dos petistas o PT já estaria proscrito há muito tempo.
Mas, convenhamos, o PT forçou a mão. Do alto da sua arrogância, o petismo tentou tomar o Estado de assalto (no sentido literal e figurado) antes de completar a conquista dos corações e mentes da maioria dos brasileiros e antes de completar a conquista bolivariana (leia-se: usar a democracia para destruir a democracia) das instituições.
Mesmo assim, o petismo avançou, é preciso reconhecer. Quando vemos essa “juíza” do TSE (Luciana Lóssio); ex-advogada do PT, sentar-se em cima do processo de investigação das contas de campanha de 2014 de Dilma Rousseff para impedir sua condenação após seus pares votarem por maioria pela continuidade do processo, tem-se uma leve noção de até onde chegaram. E o quão urgente é retirá-los do poder. Mas, tudo indica, parece, não avançaram o insuficiente para impedir que o estouro da represa de escândalos de corrupção os leve ao colapso.
Há um “gap” entre as lideranças que mobilizam o povo nas ruas contra o petismo e seus cúmplices, e as lideranças políticas tradicionais que comandam os partidos e os poderes constituídos da República. Para o azar do PT, há hoje, entre as centenas de grupos autônomos que convocam as mobilizações de rua e disputam a opinião nas mídias sociais, milhões de brasileiros que têm a garra que falta ao PSDB para derrotar o PT.
Há uma conexão “espiritual” entre o povo que vai as ruas por um Brasil decente e o juiz Sérgio Moro, os procuradores e delegados da PF que investigam a Lava Jato. Eles não foram eleitos para nos representar, mas, pelos mecanismos republicanos que os colocaram nas posições que ocupam para exercer o dever que exercem com dignidade, eles nos representam mais do que nenhuma autoridade sufragada nas urnas.
Para que a vontade legítima do povo de remover o petismo e seus cúmplices do poder (expressa nas pesquisas de opinião e nas ruas) seja correspondida pelas atitudes dos líderes da oposição, pelas autoridades do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, há obstáculos a transpor.
E os primeiros estão dentro da oposição. É inadmissível que o senhor Geraldo Alckmin, diante da falência do Estado brasileiro e do sacrifício cobrado das futuras gerações em função dos governos petistas, se dê ao luxo de impedir a unidade do PSDB com as oposições e com o PMDB, em torno do impeachment, movido apenas pelo calculismo desprezível de alguém que coloca suas ambições pessoais acima dos interesses de toda uma nação. Para quem já foi visto como uma liderança promissora; um eventual presidente mais qualificado que outros líderes do PSDB, Alckmin hoje é percebido como um TRAIDOR! Como um estadista para Pindamonhangaba, pois, para ser presidente dos brasileiros, não serve!
Felizmente, Alckmin sozinho não tem poder de impedir que deputados e senadores do PSDB se unam ao PMDB para selar o acordo capaz de abreviar, com a benção da cúpula das Forças Armadas, o mais rápido possível, dentro das regras da democracia, e passagem do petismo pelo poder. Mas, isso não basta.
Apesar do pessimismo de muitos diante das manobras desesperadas do petismo para sobreviver (mais um adiamento no TCU, mais um adiamento no TSE), o fato é que que a trajetória da cassação do mandado de Dilma, seja pelo TSE, seja pelo impeachment no Congresso, segue avançando.
A confirmação desses avanços está nas mãos dos ministros do Tribunal de Contas da União; do presidente da Câmara dos Deputados e seus liderados, do presidente do Senado e dos seus liderados, do Procurador Geral da República, dos ministros do TSE e dos ministros do STF.
Jogo duro? Sim, duríssimo. Sem pressão do povo nas ruas, não avançaremos.
Dispo-me, nesse momento, da minha condição de analista político e invisto-me da condição de cidadão e pai de um brasileiro de dezesseis anos de idade.
Há mais de trinta anos rompi com o Partido dos Trabalhadores e me converti em seu crítico contumaz ao descobrir em estado larvar o verme da corrupção e do autoritarismo que hoje ameaça nossas liberdades, nossa democracia e o futuro da nação.
Há muito perdi as ilusões ingênuas que nutrimos na juventude com relação à natureza humana nas relações de poder e interesse. Agradeço ao PT pela lição. Por isso, não vou apelar ao espírito altruísta e republicano de vossas excelências. Vou apelar aos interesses pessoais de cada um dos senhores e senhoras que, no TCU, no TSE, no STF e no Congresso Nacional, têm o poder de tomar decisões em consonância com a vontade do povo. Por instinto de sobrevivência.
Não nos façam perder a paciência (que já está no limite). Não nos façam perder a fé e a confiança numa solução democrática e institucional para a situação em que o petismo meteu o Brasil que vamos entregar aos nossos filhos. Os senhores estão abusando. Isso não é ameaça. É alerta!
Sim; sei, aprendi com Maquiavel e os pensadores liberais. O auto interesse é o motor do ser humano e a mola do progresso. Por isso, sei que os senhores não são capazes de ouvir a vontade das ruas. Sei que os gabinetes herméticos de Brasília, nos quais os senhores tramam as estratégias de suas carreiras movidos por ambições desmesuradas, os impedem de se conectarem aos sentimentos mais puros e profundos do povo que os colocou no topo das instituições desse arremedo de “república” que construímos.
Por isso, vou apelar ao sentimento mais nobre e autêntico que move o ser humano; o egoísmo, o auto interesse que, a despeito das vontades individuais, gera o interesse coletivo em colaborar para a estabilidade social.
Sem estabilidade social não há paz, não há bem-estar material, não há progresso. Sem esse equilíbrio gerado pelo interesse de todos na paz social e na segurança pública, não há civilização e nem autoridades constituídas. Há a guerra de todos contra todos.
Sr. PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA; Srs. MINISTROS DO TCU, DO STF E DO TSE: LULA, DILMA E O PT PASSARÃO. VOSSAS EXCELÊNCIAS PASSARINHO…
(Membro do Grupo Pensar+)
MERQUIOR PARA IDIOTAS - 28/08/2015
O repórter, antes de escrever essa coisa, me enviou sete perguntas, de cujas respostas, num total de três páginas, ele aproveitou exatamente duas linhas, tendo-me feito trabalhar para o sr. Frias não somente de graça, mas em vão.
Reproduzo aqui essas respostas, na íntegra.
Sempre que aparece algum intelectual conservador ou liberal, a Folha de S. Paulo se apressa a infundir nos seus leitores a impressão de que se trata de fenômeno inusitado, anormal, necessitado de explicação. Nisso consiste uma das principais missões das suas páginas ditas “culturais”: alimentar a crença de que as pessoas inteligentes e cultas são normalmente de esquerda. A premissa subjacente, sem a qual essa idiotice não teria a menor credibilidade, é que os diretores e redatores da porcaria são, eles próprios, não apenas inteligentes e cultos, mas o padrão e medida da cultura e inteligência alheias.
Só que para acreditar nessa premissa é preciso ser inculto e burro.
Numa era que produziu Chesterton e Yeats, Bernanos e Mauriac, Eliot e Hopkins, Borges e Lawrence, Papini e D’Annunzio, Faulkner e Céline, Broch, Hofmannsthal, George, Soljenítsin e uma infinidade de outros gênios reacionários, acreditar que a alta cultura vem predominantemente da esquerda só pode ser coisa de consumidores de literatura lowbrow – exatamente como a platéia de estudantes e professores universitários brasileiros a que se dirige a Folha de S. Paulo.
A Folha não é um caso isolado: praticamente toda a “grande mídia” brasileira é cúmplice dessa palhaçada. O jornal do sr. Frias apenas capricha mais na performance.
Mas, quando a superioridade intelectual de um autor direitista é visível demais, ou quando ele faz mais sucesso do que o padrão da decência esquerdista pode admitir, então é preciso apelar a um de dois remédios desesperados. O primeiro é suprimir totalmente o nome da criatura, na esperança de que desapareça da memória popular. Adotaram esse tratamento com pelo menos quatro dos maiores escritores brasileiros: Gustavo Corção, Antônio Olinto, João Camilo de Oliveira Torres e o embaixador J. O. de Meira Penna. Quando o procedimento falha, não logrando fazer com que ao sumiço do nome se siga a desaparição das obras nas prateleiras das livrarias, então a única saída é o gerenciamento de danos: proclamar que o cidadão, sendo tão manifestamente genial, não podia ser, no fundo, bem no fundo, tão reacionário quanto parecia. Talvez fosse até um pouquinho esquerdista.
O caso mais extremo e mais significativo é José Guilherme Merquior. Decorrido quase um quarto de século da sua morte, ainda é preciso recorrer a esse expediente para atenuar o desconforto sem fim que sua existência provoca nas almas sensíveis da esquerda chique.
A isso dedicou-se o repórter Marco Antônio Almeida na edição do último dia 23, concedendo ao escritor, com generosidade olímpica, o estatuto de “conservador civilizado”, e separando-o, mediante essa idiossincrasia sublime, da horda de bárbaros e trogloditas onde avultam os nomes de Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Oliveira Lima, Ruy Barbosa, Eduardo Prado, Gilberto Freyre, Guimarães Rosa, Nelson Rodrigues, João Camilo, Gustavo Corção e tantos outros, dos quais o autor destas linhas é com certeza o menor e o mais canibal.
Por desencargo de consciência, o repórter, antes de escrever essa coisa, me enviou sete perguntas, de cujas respostas, num total de três páginas, ele aproveitou exatamente duas linhas, tendo-me feito trabalhar para o sr. Frias não somente de graça, mas em vão.
Reproduzo aqui essas respostas, na íntegra, para que o leitor confirme por si mesmo que elas já neutralizavam antecipadamente a trapaça autolisonjeira do esquerdismo folhístico, motivo aliás perfeitamente razoável para que não fossem publicadas.
1) Como o senhor avalia o legado da obra de Merquior hoje? É um nome importante na história do pensamento liberal brasileiro?
-- Fundamental sob todos os aspectos. Ninguém no Brasil sintetizou melhor a essência do “argumento liberal” -- como ele mesmo intitulou um dos seus livros -- nem mostrou mais claramente o antagonismo que existe entre os ideais liberais e as modas intelectuais “pós-modernas”.
2) Merquior escreveu no prefácio de um de “As Ideias e as Formas”: “é possível atacar o marxismo, a psicanálise e a arte de vanguarda sem ser reacionário em política, ciências humanas e estética?”. Você acha que ele conseguiu equilibrar esses fatores?
-- Críticas ao marxismo, à psicanálise e à arte de vanguarda são, quase que por definição, independentes de qualquer tomada de posição ante as correntes políticas do dia. Não vejo a menor necessidade de “equilibrar” uma coisa com a outra.
Por outro lado, é certo que, na sua fase “liberal” ele não escreveu nada de tão bom quanto Saudades do Carnaval, produto ainda da sua formação esquerdista.
3) Podemos, talvez com alguma simplificação, dividir a obra de Merquior em dois grupos – os livros de crítica literária e os livros de crítica cultural/filosofia/política. Hoje, qual desses grupos teria mais relevância?
-- Os dois. Tudo o que o Merquior escreveu é indispensável à formação de um brasileiro que se pretenda letrado.
4) Como você situa “De Anchieta a Euclides” em relação a outras histórias clássicas de nossa literatura (Candido, Bosi, Wilson Martins, por exemplo)?
-- É, de longe, a melhor de todas. Foi uma desgraça que o Merquior não tivesse concluído o segundo volume.
5) Merquior recebeu muitas críticas também. Alguns acusações feitas a ele por alguns críticos e acadêmicos, em uma breve pesquisa que fiz:
– excesso de citações (para alguns ele seria autor não de ensaios, mais de notas de leitura, tamanha a quantidade de notas em seus textos);
- ausência de ideias originais;
- estilo burocrático e árido, vulgar em certos aspectos (como ao usar o termo "lacanagem").
O que acha disso?
-- A primeira dessas três críticas é coisa de caipira. O quadro de referências do Merquior é o universo da erudição acadêmica, onde a citação meticulosa de fontes é obrigação elementar. Ademais, quando um escritor cita autores e livros que desconheço, agradeço-lhe a gentileza e imediatamente vou comprar os livros. Os que, em vez disso, o criticam pelo benefício que receberam, são ingratos, preguiçosos e invejosos. Non raggionam di lor...
A ausência de idéias originais é um fato, mas não vale como crítica. Não se critica um autor por não ser algo que ele nunca quis ser. O Merquior nunca foi um filósofo. Foi um historiador, crítico, erudito e ensaísta. Sua esfera preferencial de ação era a interpretação das obras alheias, do pensamento alheio. Que é que há de errado nisso? Além do mais, que idéias seus críticos produziram, além de idéias de jerico?
O terceiro ponto é interessante. O estilo do Merquior era eminentemente acadêmico, e ele procurava aliviá-lo introduzindo aqui e ali alguns arranjos do sermo vulgaris, mas são elementos soltos, que não se integram no todo por um esforço de síntese estilística. É só por isso que dão má impressão, embora alguns sejam de uma comicidade notável. O melhor, no meu entender, é “derrida ou desce”.
O verdadeiro ponto fraco do Merquior, do ponto de vista político, foi que, rompendo ideologicamente com a esquerda, ele continuou psicologicamente dependente de seus antigos companheiros de esquerdismo, aos quais cortejava com delicadezas de namorado enquanto eles o achincalhavam e difamavam. Ele queria convencê-los, não vencê-los, enquanto eles só queriam destrui-lo. Ele nunca percebeu a diferença.
?6) Outra crítica contundente diz que a visão de Merquior tendia ao conformismo, ao reacionário. Isso por conta da defesa que ele fazia da sociedade moderna. De acordo com essa visão, Merquior, em sua defesa da sociedade racional, capitalista, liberal e cientificista, não via razão para repulsa ou condenação diante do mundo atual. Ou seja, Merquior contesta a arte modernista, de vanguarda, mas não a sociedade que a produz. Indo até mesmo contra seus preceitos de interação entre arte e contexto histórico, ele dissociava a estética e produção vanguardista do meio que a produziu. O que você acha desta crítica feita a ele?
-- Em primeiro lugar, quem disse que o reacionarismo é um defeito? Os críticos do Merquior partem dessa premissa como se fosse uma verdade auto-evidente, o que só mostra que são bocós deslumbrados, “verdadeiros crentes” desprovidos de espírito crítico. Quase todos os grandes escritores e pensadores, de Homero a Shakespeare, Goethe e Dostoievski, de Platão e Aristóteles a Leibniz e Schelling, foram reacionários. Devemos jogar tudo isso fora só para agradar a algum semi-analfabeto esquerdista que se acha intelectual?
É verdade que a argumentação do Merquior em defesa do liberal-cientificismo está cheia de erros, eu mesmo já assinalei alguns, mas aqui não é o lugar de discutir isso.
Em segundo lugar, associar os desvarios da vanguarda ao “capitalismo tardio” é uma bobagem descomunal inventada por Gyorgy Lukacs só para bajular o governo soviético. “A sociedade”, como tal, não produz arte nenhuma. Quem a produz são indivíduos autônomos, no mais das vezes pensando contra a sociedade. Só os medíocres e conformistas são “filhos do seu tempo”. Os gênios criadores são pais dele.
7) A identificação de Merquior como um liberal, um intelectual de direita, e a participação no governo Figueiredo prejudicaram a recepção da obra dele?
-- Certamente. O Merquior tinha essa fraqueza de querer subir na hierarquia do funcionalismo público, e com freqüência era um pouco puxa-saco de seus superiores. Isso pode ter queimado a sua reputação e até feito mal à sua saúde, mas não prejudicou em nada a sua produção intelectual. E não creio que aparatchniks, servidores profissionais de totalitarismos sangrentos, tenham a menor autoridade moral para criticar o Merquior nesse ponto.
A GRÉCIA ILUSTRA 150 ANOS DE FRACASSO DO SOCIALISMO NA EUROPA - 21/08/2015
(Publicado originalmente em www.mises.org.br)
A Grécia deu o calote em sua dívida com o Fundo Monetário Internacional, tornando-se assim o primeiro país "desenvolvido" a fazê-lo.
Após passar os últimos cinco anos sobrevivendo pendurada a empréstimos "de emergência", uma dívida de 1,6 bilhão de euros, cujo prazo expirou à meia-noite de terça-feira, 30 de junho, não foi quitada. Esse foi o maior calote já vivenciado pelo FMI em todos os seus 71 anos de vida.
De forma reveladora, o FMI se recusa a rotular o que houve pelo nome correto ("calote"), preferindo recorrer ao eufemismo "em atraso" (o qual, para os não-iniciados, é um termo financeiro complexo e altamente técnico que significa 'calote').
Após o calote, a Grécia agora está em companhia de países como Sudão, Zimbábue, Afeganistão, Haiti, Iugoslávia e Somália.
A dor grega já vinha se avolumando há um bom tempo, já que o país começou a depender de empréstimos de emergência há cinco anos. Consequentemente, o calote de agora — embora tenha gerado ondas de choque em todo o mercado financeiro — foi quase que anti-climático. No entanto, as linhas irregulares dos gráficos do mercado financeiro não mostram nada da carnificina que está acontecendo — ou que está por acontecer — na economia real.
Os problemas que a Grécia e o mundo enfrentam hoje são vários e diversos. Para os gregos, a imposição de controle de capitais e de feriados bancários deixou a população sem acesso ao dinheiro de suas contas bancárias. [N. do E.: em uma trágica reedição do Plano Collor e do Corralito argentino].
Enormes filas se formam nos caixas eletrônicos dos bancos durante todas as horas do dia, mesmo que os saques permitidos tenham sido limitados a 60 euros por dia. A próxima arma a ser utilizada na guerrilha financeira: confisco de depósitos (mais especificamente, o governo irá utilizar o dinheiro que os cidadãos têm nos bancos para recapitalizar estes bancos, o que significa que o dinheiro será tomado dos cidadãos e entregue aos bancos, sem retorno).
Quando a Grécia recorreu aos financiamentos emergenciais, a Troika (o coletivo pejorativa utilizado para se referir à trinca formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) autorizou um pacote de ajuda de €110 bilhões de euros, em troca de promessas vagas e não-quantificadas de "austeridade". Os empréstimos mais recentes foram, na realidade, uma mera reutilização dos juros que a Grécia pagou aos outros países da zona do euro: os juros que a Grécia pagou foram emprestados novamente para o país.
Mesmo agora, após o calote, há poucas dúvidas no mercado financeiro de que a solução para essa crise da dívida será mais endividamento.
Como os gregos estão aprendendo, o FMI não irá aceitar calotes. Nunca aceitou e nunca aceitará. Dizer que a Grécia está "em atraso" não melhorará as coisas. A mensagem é clara: os gregos pagarão. Embora a Grécia tenha vivido confortavelmente por algum tempo, com um padrão de vida muito acima de suas reais posses, chegou a hora de pagar a fatura.
O fracasso socialista
No entanto, a Grécia não conseguirá pagar suas dívidas. Jamais. Na mesma situação estão vários outros países da União Europeia. É por isso que as elites financeiras europeias estão fazendo de tudo, inclusive jogo semântico, para não classificar oficialmente a Grécia como 'caloteira'. Afinal, se a Grécia revogar sua dívida, por que os outros países da União Europeia (Portugal, Espanha, Itália e até mesmo França) deveriam pagar as suas?
As consequências financeiras de calotes maciços da maioria dos membros da União Europeia é difícil de prever, mas não serão belas. A Europa, financeiramente, construiu um castelo de cartas, e a mais mínima perda de confiança bastará para desmoroná-lo.
No cerne dessa tragédia europeia está o ideal socialista. A Europa vem flertando com o socialismo desde o final do século XIX. O socialismo bismarckiano, que começou no final daquele século, produziu duas guerras mundiais. O socialismo leninista, até o seu eventual colapso, dizimou e escravizou centenas de milhões de indivíduos. Sem se sentirem afetados, tão logo a Segunda Guerra Mundial terminou, os socialistas europeus embarcaram em um novo sonho socialista. Afinal, se o socialismo havia fracassado em um país, certamente ele funcionaria em outros. E, se ele fracassasse em outros, então certamente ele funcionaria se toda a Europa fosse arregimentada sob uma organização socialista supra-nacional.
É claro que eles não chamam de "socialismo" o arranjo que surgiu desse sonho, mas é um socialismo ainda assim.
O socialismo jamais irá funcionar, seja em um único país, seja em uma região formada por vários países, como a Europa, ou até mesmo no mundo como um todo. Ludwig von Mises, ainda em 1920, já explicou por que o socialismo não é um sistema econômico alternativo. O socialismo nada mais é do que um programa de consumo. O socialismo nada diz sobre a produção. O socialismo não tem uma teoria sobre a produção econômica.
Dado que, no socialismo, a produção de cada indivíduo será redistribuída para toda a humanidade, não há incentivo econômico para se produzir nada. Por outro lado, haverá vários incentivos para a coerção, para ameaças de violência e, em última instância, para a escravização completa.
Inversamente, o capitalismo de livre mercado é um sistema econômico voltado para a produção, no qual cada indivíduo é o proprietário dos frutos do seu trabalho e, consequentemente, possui grandes incentivos econômicos para produzir tanto para si próprio e sua família quanto para trocar seus bens excedentes pelos bens excedentes produzidos por terceiros.
Já sob um arranjo socialista, tanto o trabalhador quanto seu supervisor, mesmo sob constantes ameaças de morte, jamais saberiam o que produzir, como produzir, em que quantidade produzir e com que qualidade. Essas direções econômicas são produtos do capitalismo de livre mercado e do sistema de preços, ambos abolidos sob o socialismo.
Sob o capitalismo, o indivíduo se especializa em produzir bens que podem ser livremente trocados pelos bens produzidos por terceiros. Essa é apenas uma maneira de ilustrar a Lei de Say: a produção tem necessariamente de anteceder o consumo, e a própria produção cria uma demanda por outros produtos.
Por exemplo, um agricultor pode cultivar milho para a sua própria família ou para alimentar seu rebanho, mas ele irá vender a maior parte do seu milho no mercado em troca de dinheiro. E ele utilizará esse dinheiro para satisfazer todas as suas necessidades e desejos. Sua plantação de milho, portanto, representou sua demanda por outros bens e serviços, e o dinheiro foi simplesmente o meio de troca que ele utilizou para satisfazer sua demanda.
Keynes tentou refutar a Lei de Say alegando que a demanda, por si só — criada artificialmente por meio da impressão de dinheiro pelo Banco Central —, iria estimular a produção. Ele tentou, de maneira ilógica e sem êxito, colocar o consumo antes da produção [N. do E.: exatamente como fez o governo brasileiro ao adotar a Nova Matriz Econômica]. Isso gera apenas inflação de preços e endividamento.
Até hoje, Keynes é extremamente popular entre políticos adeptos da gastança, aos quais ele concedeu a teoria intelectual e o imperativo moral de gastar o dinheiro que não têm.
Estamos testemunhando hoje, em tempo real, o resultado de 150 anos de socialismo europeu chegando ao seu estágio final na Grécia. Os cidadãos europeus dos países produtores de riqueza — e que sustentam todo o arranjo da União Europeia por meio de seus impostos — estão começando a perceber que foram, todo esse tempo, espoliados pela UE, que, ao garantir explicitamente não deixaria nenhum governo quebrar, criou um risco moral irreversível: qual governo adotaria uma política fiscal cautelosa sabendo de antemão que, se quebrasse, seria socorrido pelos pagadores de impostos de outros países?
A Grécia simplesmente acreditou piamente nessa garantia, e adotou políticas fiscais expansionistas que levaram o país à falência. Outros países da UE não estão muito atrás.
Passou de hora de dar uma chance ao capitalismo de livre mercado na Europa: ele funcionou todas as vezes em que foi adotado.
____________________________
Autores:
Patrick Barron, consultor privado da indústria bancária. Leciona na pós-graduação da Universidade de Winsconsin, Madison, na área de sistema bancário, além de ensinar economia austríaca na Universidade de Iowa, onde vive com sua mulher. Já fez diversas apresentações para o Parlamento Europeu.
Ian Daily, graduando em direita pela UCLA, estudou economia e ciência política na Universidade do Sul da Califórnia (USC). É também veterano da Marinha.
O RABO DE GRAMSCI - 20/08/2015
(Publicado originalmente em www.vespeiro.com)
O Brasil que sobrou é Gramsci mordendo o próprio rabo. O certo virou errado e o errado virou certo. O “senso comum está organicamente superado” e já ninguém diz coisa com coisa. Mas se tudo começou como uma conspiração racional para demolir a base cultural da “democracia burguesa” e substituí-la pela “hegemonia do discurso ideológico da classe trabalhadora”, o local de destino – o “paraíso socialista” – desapareceu de cena depois que a primeira parte da obra estava pronta. A meio do caminho “O Muro” caiu, o sonho acabou, o “intelectual coletivo” vendeu-se ao capitalismo pistoleiro e os “intelectuais orgânicos” que realmente serviam uma causa morreram de overdose ou de vergonha. Os que sobraram são as criaturas de Gramsci; a segunda geração que pensa, sim, pelo avesso, mas já involuntariamente, sem saber exatamente por quê ou para quê.
Foi-se o que haveria de ser; já não ha para onde voltar. E nesse grande “Nada”, a corrupção é que tornou-se “orgânica”; instrumento por excelência de “reprodução da hegemonia da nova classe dominante”.
E cá estamos, ao fim de mais uma “temporada” do dramalhão com que o Brasil imita a arte, onde a cada capítulo os heróis viram bandidos e vice-versa, com o flagrado “dono” da Transpetro alçado de volta à condição de “interessado no Brasil” – com possíveis repercussões nessa Lava-Jato já tão cheia de figurinhas das empreiteiras e estatais e vazia dos figurões da politica para quem e graças a quem eles operam e podem operar – ao fazer-se porta-voz da “agenda” com que Dilma trata de safar-se do impeachment a que poderá levá-la esta paralisia econômica verborrágico-induzida a que chegamos.
O nó a desatar é a desarticulada dispersão do “lado de cá” depois de décadas desse trabalho de desconstrução.
Brasilia, onde não ha crise nem pressa, trabalha coesa como sempre. Tudo segue sendo decidido nos bastidores do “quem indica quem para roubar onde”; só a narrativa aqui para fora é que varia. Agora querem vender como atos politicamente orientados de um único indivíduo a enxurrada anual de pornografia remuneratória da corte. Como há uma disputa de poder entre a nova e a velha guarda de comerciantes de governabilidade, foi cunhada a expressão “pautas-bombas” para designar a fila dos aumentos auto-atribuidos do funcionalismo puxados, como é tradição, pelo do Judiciário que, neste ano de penúria, abocanhou retumbantes 78% quase no mesmo dia em que o governo “dos trabalhadores” confiscava o abono de quem ganha dois salários mínimos. No vácuo dessa “conquista” veio o escárnio da multiplicação por três do Fundo Partidário. Agora é a vez da nobreza menor, auditores da Receita à frente. As tais “pautas-bombas” não passam, portanto, da obra coletiva de parasitose de sempre que resulta na progressiva pauperização do resto do Brasil.
A relação de causa e efeito entre esses fatos — assunto “tabu” na academia e na imprensa brasileiras — quase chegou a ser afirmada recentemente. De tanto demonstrar em suas reuniões quantas gerações de brasileiros entram para a lista dos sem futuro a cada semana de atraso no que terá um dia de ser feito, o dr. Levy conseguiu levar até profissionais calejados como Michael Temer a sentir pena do Brasil. O vice-presidente “pediu água”. Até Aloizio Mercadante “pediu água”. Dilma mesmo animou-se a fazer uma tímida menção à idéia de reduzir o numero de ministérios…
A obscena montanha de gordura, afinal de contas, está onde sempre esteve e quanto mais tudo ao redor vai sendo reduzido a pele e ossos, mais escandalosamente visível ela se torna. Mas como a metástese do Estado que sufoca o país, a ser amputada se não se quiser matá-lo, corresponde à exata soma de todos quantos decidem se haverá ou não impeachment e suas cortes, a represália dos bastidores veio implacável. Tanto Dilma quanto o PT passaram, então, a negar nas mesmas frases em que a pediam a necessidade de uma “união nacional” para fazer frente “a crise tão pouca” – o tipo de tapa na cara da realidade que configura a “indução verborrágica” da paralisia econômica e da disparada do dólar – enquanto Temer e Mercadante, embora sustentando ainda a sua necessidade, davam o dito por não dito ao declinar especificar para quê a queriam.
Agora “a lista de Renan” vem, de novo, tirar a solução de onde o problema está e apaziguar os ânimos no rico condomínio dos Três Poderes.
Aqui fora, nesse meio tempo, o Quarto Poder, cuja função já foi a de captar pleitos difusos da cidadania, formatá-los referenciado-os às melhores práticas internacionais e empurrá-los para dentro do “Sistema” na forma de campanhas por reformas, passou a ter outro tipo de preocupação depois que o comando de empresas jornalísticas e redações passou das mãos de jornalistas às de empresários e gerentes administrativos que nunca leram Gramsci.
Assim chegamos a este Brasil reduzido a dois tipos de “discursos inarticulados“: o do dinheiro e o do coração.
Nem o consumo subsidiado de “espelhinhos e missangas” de véspera de eleição, nem os impeachments das ressacas de estelionato eleitoral, se houverem, vão alterar essencialmente, porém, a desordem institucional que nos mantem na montanha russa. Instituições são tecnologias que — bons ou ruins — produzem resultados inexoráveis. E nesse campo, ha um nítido divisor de águas no mundo. De um lado estão os que distribuem mandatos como se fossem capitanias hereditárias, dão a seus detentores poderes absolutos para definir a pauta política da Nação e, com eles, a prerrogativa de transformar impunemente as vidas de seus representados num inferno. Do outro os povos que, armando-se do poder de retomar a qualquer momento os mandatos que concedem usando, entre outros, o instrumento do recall, mantêm o estrito comando da pauta política dos seus representantes e assim põem o governo a serviço do pais e o país a serviço de seu povo.
Este é o caminho.
*Jornalista
“A DOUTRINAÇÃO É UMA PRÁTICA ANTIÉTICA E ILÍCITA QUE SE DISSEMINOU POR TODO O SISTEMA DE ENSINO NOS ÚLTIMOS 30 ANOS” - 20/08/2015
Entrevista com Miguel Nagib, advogado e fundador do Projeto Escola Sem Partido
Por Fabiano Farias de Medeiros
Horizonte, 19 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)
“O que pretendemos é assegurar que a Constituição Federal seja respeitada dentro dessas pequenas frações do território nacional que são as salas de aula”, afirma Miguel Nagib, advogado e fundador e coordenador do Projeto Escola Sem Partido, uma associação informal, independente, sem fins lucrativos e sem qualquer espécie de vinculação política, ideológica ou partidária que tem por finalidade combater o uso do sistema educacional para fins políticos, ideológicos e partidários; e defender o direito dos pais dos alunos sobre a educação moral dos seus filhos.
“A doutrinação é uma prática que se desenvolve no segredo das salas de aula, e tem como vítimas indivíduos vulneráveis, em processo de formação” alerta Miguel Nagib sobre a realidade que hoje permeia as escolas do país. Este tema e outros aspectos você confere na entrevista a seguir:
***
ZENIT: Como surgiu o movimento Escola Sem Partido?
Miguel Nagib: O Escola Sem Partido surgiu em 2004, como reação de alguns pais e estudantes contra a doutrinação política, ideológica e partidária nas salas de aula e nos livros didáticos. A doutrinação é uma prática antiética e ilícita que se disseminou por todo o sistema de ensino nos últimos 30 anos.
ZENIT: Quais os objetivos do movimento Escola sem Partido?
Miguel Nagib: Nosso movimento tem, basicamente, dois objetivos: combater o uso do sistema educacional para fins políticos, ideológicos e partidários; e defender o direito dos pais dos alunos sobre a educação moral dos seus filhos. O que pretendemos é assegurar que a Constituição Federal seja respeitada dentro dessas pequenas frações do território nacional que são as salas de aula.
ZENIT: A doutrinação hoje presente nas escolas é um grande fator de relativização intelectual, moral e ética. Como o movimento tem enxergado isso e quais ações promove para combater este quadro?
Miguel Nagib: O que está acontecendo nas escolas -- refiro-me a todas as instituições de ensino, sejam públicas ou particulares, leigas ou confessionais, da educação infantil ao ensino superior -- é muito grave e preocupante. De acordo com uma pesquisa realizada em 2008 pelo Instituto Sensus, 80% dos professores reconhecem que seu discurso em sala de aula é “politicamente engajado”. São professores que usam, mais ou menos intensamente, a sala de aula, para “fazer a cabeça” dos alunos sobre questões de natureza política, ideológica e moral.
Ora, nenhum professor pode se aproveitar da presença obrigatória dos alunos dentro da sala de aula para promover suas próprias concepções políticas, ideológicas e morais. Além de violar os princípios mais elementares da ética do magistério, essa prática ofende a liberdade de consciência e de crença dos alunos, uma liberdade que é garantida pela Constituição Federal.
Por outro lado, a Constituição não permite que a máquina do Estado – suas instalações, equipamentos e pessoal – seja utilizada em benefício desse ou daquele governo, partido ou ideologia. Esse uso – vulgarmente chamado de “aparelhamento” – ofende o princípio constitucional da neutralidade política e ideológica do Estado.
Além disso, a Constituição Brasileira estabelece que o Estado deve ser laico, isto é, neutro em relação a todas as religiões. Ora, as religiões têm a sua moralidade, não é mesmo? Portanto, o Estado não pode usar o sistema de ensino para promover concepções e valores que sejam hostis à moralidade de uma determinada religião. Se ele fizer isso, deixará de ser neutro em relação a essa religião (é o que está acontecendo, por exemplo, com a chamada “ideologia de gênero”: ao adotar e promover os postulados dessa ideologia -- que são claramente hostis à moral sexual da religião cristã --, as escolas e os professores estão hostilizando a própria religião cristã, e violando, portanto, o princípio constitucional da laicidade).
Finalmente, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos – que tem no Brasil hierarquia supralegal, segundo o entendimento do STF – assegura aos pais o direito “a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”. Sendo assim, nem o governo, nem a escola, nem os professores podem se aproveitar do fato de os pais serem obrigados a mandar seus filhos para a escola, para veicular conteúdos morais que possam estar em conflito com as suas convicções.
Em suma, o professor que usa a sala de aula para “fazer a cabeça” dos seus alunos está violando esses princípios e dispositivos da Constituição Federal e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos.
Para combater esses abusos e ilegalidades, o movimento Escola sem Partido vem atuando em três frentes: legislativa, judicial e extrajudicial.
Na frente legislativa, estamos promovendo o “Programa Escola sem Partido”. Trata-se de um anteprojeto de lei, elaborado pelo nosso movimento, que prevê, entre outras medidas, a afixação em todas as salas de aula do ensino fundamental e médio de um cartaz com os seguintes deveres do professor:
I - O Professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos, com o objetivo de cooptá-los para esta ou aquela corrente política, ideológica ou partidária.
II - O Professor não favorecerá, não prejudicará e não constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.
III - O Professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas.
IV - Ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade –, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito.
V - O Professor respeitará o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.
VI - O Professor não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de terceiros, dentro da sala de aula.
Projetos de lei baseados no nosso anteprojeto já foram apresentados no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas de SP, RJ, RS, AL, CE, ES, GO e DF, e em diversas Câmaras de Vereadores.
Na frente judicial, estamos orientando os estudantes e os pais que se sentirem lesados pela prática da doutrinação política, ideológica e moral em sala de aula, a buscar na Justiça a reparação dos danos materiais ou morais porventura sofridos. De acordo com o Código Civil (art. 927), “aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”. E a doutrinação, como eu disse, é inequivocamente uma prática ilícita.
Agora, é preciso deixar claro que as escolas particulares -- não as públicas! -- têm todo direito de adotar uma determinada orientação em matéria de moral. E as famílias têm todo direito de escolher essas escolas para os seus filhos. Desde que a família esteja de acordo com os valores adotados pela escola -- e desde que esses valores não violem as normas legais protetivas da infância e da juventude -- ninguém tem nada com isso. Por exemplo: se a escola deixa claro, no contrato de prestação de serviços assinado com os pais do aluno, que está comprometida com os postulados da ideologia de gênero e com a desconstrução da heteronormatividade, os pais não poderão reclamar na Justiça, se o seu filho chegar em casa com batom nos lábios e fita cor-de-rosa no cabelo... Mas, se isso não estiver no contrato, tanto a escola, como o professor, poderão ser processados por danos morais.
Por fim, na frente extrajudicial, estamos realizando palestras e seminários, com o objetivo de esclarecer as partes envolvidas na relação de aprendizado -- escolas, professores, estudantes e pais -- sobre os aspectos éticos e jurídicos da doutrinação política, ideológica e moral em sala de aula (quem tiver interesse, escreva para contato@escolasempartido.org).
Nessa frente, temos encontrado grande resistência por parte dos professores. A maioria, infelizmente, não parece muito inclinada a refrear o ímpeto de “fazer a cabeça” dos alunos. Diante dessa atitude, elaboramos um modelo de notificação extrajudicial para ser utilizado pelos pais dos alunos. Por meio dessa notificação, o professor é cientificado de que poderá vir a responder civilmente pelos danos que causar, caso não respeite a liberdade de consciência e de crença do estudante e o direito dos seus pais de dar a ele a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções. O modelo de notificação extrajudicial está disponível no seguinte endereço: http://escolasempartido.org/artigos-top/552-modelo-de-notificacao-extrajudicial-a-professores
Chamo a atenção para a absoluta transcendência dos valores que estão em jogo nessa matéria. Os danos causados pela doutrinação em sala de aula não se limitam ao plano do conhecimento e das escolhas políticas e ideológicas que serão feitas pelo indivíduo ao longo desta vida (o que não é pouca coisa, diga-se). Infinitamente mais graves são os efeitos que se projetam sobre a vida eterna. Refiro-me, por exemplo, ao jovem cristão que vem a perder a fé por influência de algum professor marxista. E não é segredo para ninguém que as instituições de ensino estão infestadas de ateus militantes. Por isso, os pais devem estar atentos e agir prontamente, ao menor sinal de que estejam ocorrendo abusos por parte dos professores ou das escolas. É melhor prevenir do que remediar.
As escolas particulares também podem (e devem) se prevenir. De que forma? Afixando nas salas de aula o cartaz com os Deveres do Professor. É importante observar que esses deveres já existem, independentemente da aprovação dos projetos de lei que estão tramitando pelo país. Eles existem porque decorrem, necessariamente, da Constituição Federal e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Além disso, as escolas devem orientar seus professores sobre os limites éticos e jurídicos da atividade docente.
ZENIT: Como identificar que esta doutrinação está acontecendo?
Miguel Nagib: A doutrinação é uma prática que se desenvolve no segredo das salas de aula, e tem como vítimas indivíduos vulneráveis, em processo de formação.
Assim, ao mesmo tempo em que não é possível saber o que está acontecendo, a cada momento, no interior das salas de aula, os estudantes, na sua inexperiência e falta de conhecimento, muitas vezes não conseguem perceber que estão sendo vítimas de doutrinação.
Por isso, é preciso informar e educar os estudantes sobre o direito que eles têm de não ser doutrinados por seus professores. Ou seja, é preciso dar a eles os meios de que eles necessitam para se defender do assédio ideológico e moral eventualmente praticado por seus professores, já que dentro da sala de aula ninguém mais vai poder fazer isso por eles.
É esse o objetivo da afixação do cartaz com os deveres do professor dentro das salas de aula.
Além disso, é preciso informar e educar os próprios professores sobre os limites éticos e jurídicos da atividade docente. A propósito, é quase inacreditável que não exista uma disciplina obrigatória de ética do magistério nos cursos de formação de professores.
ZENIT: Vimos recentemente o caso da escola no Distrito Federal que foi condenada a pagar indenização por danos morais ao aluno que se deparou com livro de conteúdo pornográfico. Quais os meios legais que pais e alunos podem utilizar para defender seus filhos?
Miguel Nagib: Muito bem lembrado: um colégio de Brasília acaba de ser condenado a pagar uma indenização de R$ 30 mil aos pais de uma aluna de 11 anos, que teve acesso, na biblioteca da escola, a um livro infantil de “iniciação sexual”, considerado impróprio pela família e pelo juiz.
Essa condenação deve servir de alerta para que as escolas e os professores se abstenham de transmitir aos estudantes conteúdos morais que possam ser considerados “impróprios” pelos pais dos alunos. Afinal, se a escola foi condenada por manter no acervo da biblioteca um livro infantil de “iniciação sexual”, com muito mais razão ela poderia ser condenada, se esse tipo de conteúdo fosse veiculado por um professor em suas aulas. A escola responde pelos danos causados pelo professor no exercício das suas funções, mas o professor também pode ser chamado a responder pessoalmente pela reparação do dano causado. Os pais decidem se querem mover a ação apenas contra a escola, apenas contra o professor ou contra ambos.
A lei facilita enormemente a propositura dessas ações de reparação de dano. As causas cujo valor não exceda 40 salários mínimos, podem ser ajuizadas perante os juizados especiais cíveis; nessas ações, não é necessário estar assistido por advogado (se o valor da indenização pleiteada for igual ou inferior a 20 salários mínimos - R$ 15.760,00); não há cobrança de custas judiciais nem, se a demanda for julgada improcedente, condenação ao pagamento de honorários ao advogado da parte contrária (a não ser que o juiz reconheça a litigância de má-fé). Caso haja recurso da sentença, aí sim, a parte vencida será condenada a pagar custas e honorários advocatícios.
Mas, como eu disse, o ideal é prevenir a ocorrência desses fatos.
ZENIT: O Deputado Izalci (PSDB/DF) apresentou, em março deste ano o Projeto de Lei nº 867/2015, que inclui entre as diretrizes e bases da educação nacional o "Programa Escola sem Partido". Como está a tramitação deste Projeto, as expectativas e a aplicação que ele terá?
Miguel Nagib: O PL 867/2015, do Deputado Izalci, está na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, com parecer do Deputado Diego Garcia (PHS/PR) pela sua aprovação. O parecer ainda não foi votado. Tenho esperança de que o projeto será aprovado, mas não será fácil, pois existem muitos deputados de esquerda na Comissão de Educação, e os partidos de esquerda, como se sabe, são os grandes promotores e beneficiários da doutrinação política e ideológica nas escolas e universidades. Portanto, não tenho dúvida de que esses deputados farão o possível para enterrar o projeto. Por isso, é importante que a sociedade e as famílias se mobilizem, a exemplo do que fizeram e vêm fazendo com relação à introdução da ideologia de gênero nos planos nacional, estaduais e municipais de educação.
ZENIT: O país iniciou as votações do Planos Estaduais de Educação, ainda com forte apelo à inclusão da Ideologia de Gênero. O que a aprovação do Plano contendo tal conteúdo significaria para a educação de nossos filhos no país?
Miguel Nagib: A aprovação do plano com esse conteúdo -- isto é, contemplando a ideologia de gênero -- conferiria ares de legalidade a uma prática que está sendo adotada amplamente nas salas de aula das escolas brasileiras, apesar da sua inconstitucionalidade. Apenas isso.
É uma ingenuidade acreditar que os professores estavam esperando a aprovação dos Planos para aplicar em sala de aula os postulados da ideologia de gênero. Ora, eles estão fazendo isso há anos! Nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que foram aprovados durante o governo FHC (1997/1998), existe um capítulo inteiro dedicado às “questões de gênero”. Depois de dizer que “a construção do que é pertencer a um ou outro sexo se dá pelo tratamento diferenciado para meninos e meninas, inclusive nas expressões diretamente ligadas à sexualidade e pelos padrões socialmente estabelecidos de feminino e masculino”, os PCNs estabelecem que, até o fim do ensino fundamental, os alunos devem ser capazes de “reconhecer como determinações culturais as características socialmente atribuídas ao masculino e ao feminino”. Alguma dúvida?
Portanto, é preciso entender que o fato de a palavra “gênero” não ser mencionada nos planos de educação não vai impedir que os professores adotem, ou melhor, continuem a adotar, nas suas aulas, práticas pedagógicas inspiradas na ideologia de gênero.
Para impedir essas práticas, é necessário proibi-las expressamente, e é isso o que prescreve o art. 1º, parágrafo único, do nosso anteprojeto de lei:
Parágrafo único. O Poder Público não se imiscuirá na orientação sexual dos alunos nem permitirá qualquer prática capaz de comprometer ou direcionar o natural desenvolvimento de sua personalidade, em harmonia com a respectiva identidade biológica de sexo, sendo vedada, especialmente, a aplicação dos postulados da ideologia de gênero.
Além de proporcionar às famílias, às escolas e aos professores uma compreensão mais exata sobre os limites da ação do Estado em matéria de moral -- limites que decorrem, como vimos, do princípio constitucional da laicidade, e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos --, a aprovação desse dispositivo estreitaria drasticamente a margem de manobra do ministério e das secretarias de educação; dos autores de livros didáticos e dos professores, dentro das salas de aula.
ZENIT: Onde conhecer mais sobre o Projeto Escola sem Partido?
Miguel Nagib: Para saber mais sobre o nosso projeto, visite o site: www.programaescolasempartido.org.
FORO DE SÃO PAULO: CONFABULAÇÃO COMUNISTA NO MÉXICO - 17/08/2015
(Para a íntegra do estudo, com todos os seus adendos e imagens, acesse o blog do autor: http://b-braga.blogspot.com.br/2015/08/foro-de-sao-paulo-confabulacao.html
O México foi o palco do XXI Encontro do Foro de São Paulo. O evento, que celebrava os vinte e cinco anos da organização criada por Lula e por Fidel Castro, aconteceu entre os dias 29 de Julho e 01 de Agosto, e reafirmou o propósito de seus fundadores: transformar a América Latina na imensa "Patria Grande" comunista.
A "Declaração final" do encontro enaltece as conquistas do projeto de poder, que atingiram dimensões continentais:
"Quando foi criado o FSP, apenas um país desta região, Cuba, estava governado por um partido pertencente ao Foro, e hoje, além de Cuba, estamos nos governos da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, El Salvador, Nicarágua, Uruguai e Venezuela, aos quais devemos somar centenas de governos subnacionais" (p. 01) [1].
Para ampliar e fortalecer o consórcio comunista repete-se a fórmula de outros encontros: "aprofundar a integração regional" por meio de uma "unidade na diversidade" com a "construção de blocos amplos em torno de um PROJETO POLÍTICO COMUM" (p. 02) - estratégia que deve ser concretizada com o Mercosul, a Alba, Celac, a UNASUL e o BRICS (p. 10).
Em um combate quixotesco, o Foro de São Paulo diz lutar contra um "inimigo principal": o "imperialismo" e a "direita oligárquica" (p. 01). É o adversário imaginário criado para justificar iniciativas e ações, ou para esconder os próprios malfeitos e crimes. É o caso, por exemplo, quando o assunto é o Brasil. O PT - e o Foro de São Paulo - assaltaram, saquearam o país. Mas, para a organização comunista, as denúncias e investigações são "ofensivas das forças de direta e conservadoras", de "forças neoliberais" (p. 09). Ora, se isso não for a expressão do mais puro cinismo, é patologia aguda.
No México, o Foro de São Paulo tratou de temas que servem - apesar da aparência de legitimidade - como instrumento para a promoção do seu objetivo primordial: a acumulação de forças e de poder. Encontro de "juventude", que reune militantes dos partidos membros, e de "afrodescendentes", que não passa de racialismo; migração; ambientalismo radical; controle dos meios de comunicação; indigenismo; "agenda feminista", que contém o compromisso expresso com a "ideologia de gênero" (p. 02).
É importante destacar que, no ano passado, a "ideologia de gênero" foi banida do Plano Nacional de Educação (PNE). No entanto, em 2015, os brasileiros foram surpreendidos com a tentativa ardilosa de incluir esta disparatada proposta de engenharia social e comportamental nos planos municipais e estaduais de educação - tentativa patrocinada pelo governo federal petista. É - no mínimo - curioso notar que o Foro de São Paulo incluiu entre as suas conquistas, "centenas de governos subnacionais" (p. 01) - isto é, prefeituras e governos estaduais. No México, inclusive, houve um encontro de "Autoridades Locales y Sub-nacionales" (31 de Julho). Por isso, é necessário reforçar a vigilância. Porque os projetos e iniciativas que geram reações contrárias sob o destaque dos holofotes nacionais, o Foro de São Paulo pode - por uma tática sorrateira - tentar passar na penumbra da administração pública municipal e estadual, sem muita resistência.
Enfim, no curto espaço de um texto não é possível abordar todos os temas, pautas e "análises de conjuntura" do XXI Encontro do Foro de São Paulo. De qualquer maneira, tudo está reduzido - em última instância - a um só propósito: promover o projeto de poder comunista na América Latina.
PS. Como "adendos", as notas que eu publiquei no Facebook sobre o evento estão reproduzidas logo abaixo.
REFERÊNCIAS.
[1]. "Declaración Final del XXI Encuentro del Foro de São Paulo, en la Ciudad de México DF" [http://forodesaopaulo.org/wp-content/uploads/2015/08/Declaracion-final-2015.pdf].
ADENDOS.
I.
Ex-Presidente Luiz Inácio envia mensagem para o XXI Encontro do Foro de São Paulo, que está sendo realizado na Cidade do México - e termina amanhã, 01 de Agosto (Cf. vídeo).
https://youtu.be/I1zgGA9KPn4
Lula relembra o início da organização fundada por ele e por Fidel Castro. Ressalta as conquistas do projeto de transformar a América Latina na imensa "Patria Grande" comunista - não só com mandatários e tiranetes em postos de poder, mas com a criação da CELAC, da UNASUL, do Banco do Sul - e observa: [...] "a luta continua, ainda temos muita coisa pra fazer no nosso continente, afinal de contas, estamos apenas começando" [...]
II.
"El Pepe" saúda o Foro de São Paulo.
José Mujica envia mensagem para o XXI Encontro da organização fundada por Lula e por Fidel Castro, realizado na Cidade do México entre os dias 29 de Julho e 01 de Agosto. O ex-Presidente do Uruguai - terrorista tupamaro e maconheiro - é parte ativa do projeto de fazer da América Latina a "Patria Grande" comunista.
A "Patria Grande" comunista e drogada.
Foro de São Paulo é plataforma para "grupo de jovens" empenhar-se na legalização das drogas. No XXI Encontro da organização, realizado na Cidade do México entre os dias 29 de Julho e 01 de Agosto, os militantes das "Juventudes de Izquierda" - ligada ao Partido de la Revolutión Democrática (PRD), do país anfitrião - indicaram a elaboração de um projeto de lei para legalizar a maconha e criar "clubes canábicos" (Cf. imagem. Fonte [http://www.prd.org.mx/portal/index.php/prdinforma/boletines/1506-las-juventudes-de-izquierda-impulsaran-paquete-de-iniciativas-para-iniciar-debate-sobre-regulacion-del-cannabis]).
É preciso ressaltar que outros partidos membros do Foro de São Paulo advogam a "causa" dos maconheiros por meio de seus grupos de "juventude" - como o PT e o PCdoB, no Brasil - , disfarçados em ONG's, "movimentos" ditos "sociais" e "estudantis". E o próprio Documento Base do encontro do Foro realizado no México determina entre os eixos do "plano de ação imediato": "Debatir políticas de drogas" (Cf. [http://forodesaopaulo.org/wp-content/uploads/2015/06/Documento-Base-Final.pdf], p. 27, 6) - "políticas" que, consequentemente, incluem, pelo contexto e agentes envolvidos, a legalização da maconha.
Não é segredo para mais ninguém: o Foro de São Paulo abriga grupos narco-terroristas que exploram o mercado de drogas e partidos que contam com a colaboração do crime organizado e de quadrilhas de traficantes. No entanto, é preciso lembrar também o que revelou Ion Mihai Pacepa. Em 1972 - note bem, em 1972 -, o ex-agente de inteligência da Romênia comunista visitou Cuba para estabelecer uma parceria entre o governo romeno e os irmãos Castro: investir no tráfico de drogas. Fidel Castro - fundador, junto com Lula, do Foro de São Paulo - dizia: "as drogas poderiam causar mais danos ao imperialismo do que as armas nucleares". Raúl - o irmão que atualmente tiraniza a ilha caribenha - dava o seu consentimento: "As drogas irão corroer o capitalismo desde dentro" (Cf. "Quem é Raúl Castro?" [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/01/quem-e-raul-castro-bruno-braga.html]).
Pois bem. O Foro de São Paulo é uma organização comprometida com a promoção de um projeto de poder, e tudo o que nele é decido e acertado está, em última instância, ligado a este objetivo. O compromisso dos seus "jovens" com a legalização da maconha, portanto, mostra que, para construir a "Patria Grande" comunista vale até mesmo drogar toda a América Latina.
V.
Deputada do PCdoB no Foro de São Paulo: a defesa do governo Dilma como parte da "Patria Grande" comunista.
Alice Portugal participou do XXI Encontro do Foro de São Paulo, realizado na Cidade do México. No dia 31 de Julho, ela, que é Deputada Federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB-BA), apresentou no Senado Nacional do país anfitrião - no "Encuentro Parlamentario" promovido pelo próprio Foro - uma defesa destrambelhada do governo petista de Dilma Rousseff. Os velhos chavões alucinatórios, pronunciados em um portunhol de doer os ouvidos, na tentativa de preservar um aliado - uma peça fundamental - da organização criada por Lula e por Fidel Castro para transformar a América Latina na "Patria Grande" comunista. Propósito declarado na conclusão do pronunciamento: [...] "É a mensagem do PCdoB, de maneira rápida, mas de maneira profunda, aliados aos interesses dos povos da América Latina, PARA QUE FORTALEÇAMOS ESTA AMPLA ALIANÇA, QUE NOS UNE EM DIREÇÃO AO SOCIALISMO" (Cf. vídeo).
A presença de Alice Portugal no encontro do Foro de São Paulo compromete ainda o PCdoB e o próprio mandato da Deputada Federal. A Constituição brasileira e a legislação eleitoral vedam a vinculação e subordinação de partidos políticos a organizações internacionais (Cf. Constituição Federal, art. 17 e Lei 9.096-95, art. 28). E mais. A deputada comunista descumpre o primeiro dever fundamental do parlamentar: "promover a defesa do interesse público e da soberania nacional" (Cf. Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, art. 3, I) - o que é suficiente para a abertura imediata de um processo para a cassação do seu mandato.
Disinformation": former spy chief reveals secret strategis for undermining freedom, attacking religion, and promoting terrorism. WND Books: Washington, 2013. Cap. 37. A KGB Empire (Tradução do trecho citado: Bruno Braga).
[2]. Cf. Declaração final, p. 03.
VII.
O Foro de São Paulo e o terrorismo basco.
?O Foro de São Paulo denunciou a "deportação" de dois integrantes do SORTU - partido político espanhol socialista que reivindica a independência basca - que participariam do seu vigésimo primeiro encontro, realizado recentemente no México. Os dirigentes da organização comunista fundada por Lula e por Fidel Castro solicitaram explicações às autoridades - que, parece, até o momento não se manifestaram.
De qualquer forma, a declaração de Carlos Navarrete sobre o episódio é curiosa. Ele é presidente nacional do PRD, um dos anfitriões do encontro do Foro de São Paulo: "O tema mais delicado é o dos dois bascos, QUE NÃO TÍNHAMOS CONHECIMENTO DE QUE IRIAM CHEGAR, NÃO SE TOMARAM MEDIDAS PREVENTIVAS e o Governo mexicano decidiu não deixá-los entrar no país" (Cf. [http://latino.foxnews.com/latino/espanol/2015/08/01/izquierda-latinoamericana-busca-reforzar-dialogo-al-cierre-del-foro-sao-paulo/]).
Ora, os integrantes do SORTU resolveram de última hora participar do evento comunista? Não deu tempo sequer de avisar o anfitrião? Ou eles tentaram entrar no México de forma "discreta", de modo que não chamassem a atenção? Quais "medidas preventivas" seriam necessárias para a entrada deles no país? E por quais motivos deveriam ser tomadas?
É importante observar que - independentemente de uma explicação oficial do governo Mexicano - a legalização do SORTU esteve cercada de polêmicas, inclusive por causa de vínculos com o ETA. Asier Altuna e Floren Aoiz - os dois "companheiros" que foram "deportados" pelas autoridades mexicanas - têm um histórico de relações e condenações penais por colaborarem com o grupo terrorista. Altuna, que já participou de outros encontros do Foro de São Paulo, foi preso em 2001 - ele guardava na garagem de sua casa um carro bomba (Cf. [http://www.elmundo.es/elmundo/2001/10/17/espana/1003299032.html]).
LEITURA RECOMENDADA.
BRAGA, Bruno. "Foro de São Paulo: a gênese criminosa da 'Patria Grande' comunista" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/08/foro-de-sao-paulo-genese-criminosa-da.html].
QUE DIREMOS NO FUTURO SOBRE O 16/08? - 15/08/2015
No futuro, próximo ou distante, este momento da vida nacional ressurgirá em nossa consciência. Consciência de homens livres ou, ao contrário, oprimidos. De cidadãos ou de escravos, conforme o caminho que tomarmos nesta encruzilhada da história.
Então naquele instante a consciência nos orgulhará ou pelo menos nos absolverá por termos feito o que nos cumpria fazer. E vai nos humilhar ou condenar nossa omissão.
Sei que nossa mente reluta em nos fazer acreditar nas monstruosidades que os olhos e ouvidos veem e escutam, dessa forma anulando o instinto de sobrevivência à catástrofe que se anuncia iminente. Inconscientemente nos desprotegemos e assim nos tornamos vítimas indefesas daqueles que pretendem suprimir nossa liberdade. E nos lançar nas masmorras de uma ditadura.
Outros povos precisaram pegar em armas em seu próprio país ou no estrangeiro. Nós, graças a Deus, só precisamos sair e nos juntarmos a milhões de brasileiros nas ruas para protestar contra o governo de tiranos que estão fazendo da imensa maioria da população desta nação um fator irrelevante. Eles se consideram iluminados. Donos da verdade e senhores do nosso destino. E nós só precisar protestar e dizer que eles estão muito enganados?
É pedir muito? Não se deve esperar tanto do nosso povo? Quem somos nós? Quem é você? Um preguiçoso incurável ou um cretino? Que país é este que não se levanta do sofá para se defender do assalto de um bando de ladrões e psicopatas?
Se a nossa consciência não nos interpelar com essas indagações no futuro, certamente nossos filhos e netos o farão. Mentiremos para eles? Preserve-se dessa covardia que vai lhe envergonhar e participe, agora que ainda é tempo, da manifestação cívica deste domingo.
Seja um cidadão, não um poltrão na memória que levará deste momento por toda a sua vida.
HABEMUS PAPAM ECOLOGISTUM - 07/08/2015
(Publicado originalmente em O Estado de São Paulo de 25/07/2015)
A encíclica Laudato Si, do papa Francisco, emprega 74 vezes a palavra “natureza”, 55 vezes “meio ambiente” e uma só vez a expressão “Jesus Cristo”, aquela que designa a segunda pessoa da Santíssima Trindade. Já o mestre, não divinizado, chamado apenas de Jesus, aparece 22 vezes, o mesmo número de citações de “tecnologia” e menos de metade da “ciência”, evocada 55 vezes. Contudo, a Academia Pontifícia de Ciências, com mais de uma dezena de Prêmios Nobel, parece não ter contribuído muito e não é evocada. A palavra democracia não existe no texto.
A encíclica é densa. A questão ecológica é abordada não apenas em sua dimensão “natural”, mas no contexto humano, social, político, religioso e cultural. Fato raro, o papa fala na primeira pessoa do singular e deixa de lado o “nós”, característico de pronunciamentos pontifícios. Ele se dirige a crentes e não crentes e evoca a responsabilidade de todos em gerir a Terra: nossa casa comum. E defende um crescimento econômico com temperança e sobriedade, fundado em mudanças de comportamentos.
A encíclica não usa uma única vez as palavras capitalismo e socialismo. Já alguns “ismos” são de uso amplo: consumismo, individualismo, relativismo, antropocentrismo, ceticismo. Sobre um documento que coloca muitos questionamentos, cabem algumas questões.
Ciente da complexidade do tema, o papa reitera: “Há discussões sobre problemas relativos ao meio ambiente, onde é difícil chegar a um consenso. Repito uma vez mais que a Igreja não pretende definir as questões científicas nem substituir-se à política, mas convido a um debate honesto e transparente, para que as necessidades particulares ou as ideologias não lesem o bem comum” (188). Pode-se indagar: os homens e as sociedades podem ser geridos por consenso? Quais ideologias lesam o bem comum? Quem pode identificá-las? Qual a diferença entre necessidades (termo da encíclica) e interesses (termo na mídia) particulares na temática ambiental?
O balanço ecológico do progresso planetário, logo no primeiro capítulo, é negativo, pessimista e pouco equilibrado. Ele fala de poluição generalizada provocando milhares de mortes prematuras. Contudo, mais generalizado ainda foi o aumento da esperança de vida e da educação em todo o planeta, acompanhando o crescimento industrial e a tecnificação da agricultura. Nunca se viveu tanto, nunca se comeu tanto nem se estudou e se votou tanto em todo o planeta.
Problemas de poluição não existiam em sociedades pré-históricas. Se eles são concomitantes ao desenvolvimento, também foram e são resolvidos pelos avanços da ciência e da tecnologia. O desenvolvimento econômico é essencial para generalizar essas soluções e não transferir problemas. A exportação de indústrias poluidoras para países periféricos, estratégia de limpeza ambiental praticada há décadas por nações desenvolvidas, não foi lembrada na encíclica.
“Em muitos lugares do planeta, os idosos recordam com saudade as paisagens de outrora, que agora veem submersas de lixo” (21). Essa afirmação parece um pouco reducionista quando consideradas as condições insalubres nas quais se vivia até o começo do século 20 na Europa e nas quais ainda vive grande parte da população mundial. Não há razão para não investir numa gestão mais eficiente dos resíduos e na redução de sua produção, mas as paisagens de outrora, mesmo na Europa, sem drenagem ou barragens, eram marcadas por enchentes, epidemias, doenças crônicas, períodos de fome, com pessoas subnutridas em hábitats insalubres, sem aquecimento ou energia elétrica.
Sociedades economicamente desenvolvidas têm meios para cuidar de sua biodiversidade, reduzir a poluição, proteger e manter limpos mares e rios. Elas universalizaram o saneamento básico com tecnologias avançadas de gestão de efluentes. Em países ricos, o ciclo de vida das mercadorias é planejado; o lixo é classificado e reciclado; ecossistemas são preservados e desfrutados por uma população com amplas garantias sociais e acesso a intensa vida cultural.
Ao associar o uso de insumos modernos na agricultura apenas a seus possíveis efeitos tóxicos, a encíclica não faz justiça à segurança alimentar conquistada por recordes de produção. Nem aos ganhos de qualidade nutritiva e sanitária e à queda no preço dos alimentos que esses mesmos insumos, frutos de ciência e tecnologia, permitiram obter, beneficiando, sobretudo, os mais pobres. Unilaterais, os oráculos consultados pelo papa não tiveram aqui e alhures o justo equilíbrio. “Para os países pobres, as prioridades devem ser a erradicação da miséria e o desenvolvimento social dos seus habitantes” (172), diz o papa. Como atingir esses objetivos sem crescimento econômico e novas técnicas e tecnologias? Por consenso?
O papa Paulo VI já evocara o tema ambiental, em 1971, na Pacem in terris. S. João Paulo II foi o primeiro a convidar para uma conversão ecológica, apesar de a mídia tratar a ideia como novidade da Laudato Si. Ele o fez em 2002, com o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, numa declaração comum pela salvaguarda da Criação, em Veneza.
Bento XVI tratou de ecologia ao longo de todo o pontificado. Graças a ele, o menor Estado do planeta tornou-se neutro em emissão de carbono e adotou metas ambientais ambiciosas. Não há indústria poluidora em seus 44 hectares (só faltava!). O papamóvel foi transformado em veículo flex. Painéis solares fornecem energia para a sala de audiências ao lado da Basílica de S. Pedro. Bento XVI também plantou uma floresta de 7 mil hectares na Hungria, destinada a compensar as emissões de gases de efeito estufa do Vaticano. Se o papa Francisco pode dirigir injunções ambientais aos outros países, é porque também, de certa forma, o Vaticano fez sua lição de casa.
*Evaristo E. De Miranda é pesquisador da Embrapa, doutor em Ecologia, é diretor do Instituto Ciência e Fé.
OBAMA SACRAMENTA O IMPÉRIO CASTRO-COMUNISTA - 06/08/2015
(Publicado originalmente em www.midiasemmascara.org)
Embaixada dos EUA é reaberta em Cuba no mesmo prédio onde deixou de funcionar, há mais de 50 anos.
No dia 20 de julho o presidente Obama selou com o ditador Raúl Castro o fim das hostilidades entre os dois países, reabrindo suas antigas embaixadas nos mesmos edifícios onde funcionavam antes. Da noite para o dia, Cuba foi cirurgicamente higienizada dos cartazes que antes xingavam e mandavam àquele lugar o país do Tio Sam. Nas ruas uns comemoravam, enquanto outros, lúcidos, diziam não acreditar em mudança real e benéfica para o povão, o cubano “a pé”. E estavam cobertos de razão.
Antes da reabertura das embaixadas Obama já havia retirado Cuba da lista de países que colaboram com o terrorismo internacional, fechando os olhos para os incontáveis terroristas, de todas as nações, que buscam abrigo na ilha caribenha por saber que lá não existe acordo de extradição com nenhum outro país do mundo. As FARC estão em Havana desde setembro de 2012, fingindo querer selar um acordo de paz com o governo colombiano, mas é desde lá, com o apoio irrestrito e orientações dos irmãos Castro, que o grupo narco-comunista faz negócios de armas e drogas, planeja novos ataques terroristas e elabora novas formas de tomada do poder, e a tudo isso o presidente apátrida Juan Manuel Santos diz amén.
No dia 26 de julho, a ditadura cubana comemorou o 62º aniversário do assalto ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, a segunda fortaleza militar do país, cujo feito acabou num rotundo fracasso, e a centena de seguidores de Fidel Castro acabou morta ou na prisão, entre os quais o próprio Fidel. Em Las Tunas, junto à Praça da Revolução, o Ministério do Interior instalou um posto de “inspeção” para controlar possíveis manifestações contrárias à ditadura. A sala de navegação de internet não funcionou, e o empresa de telecomunicações informou com candura: “não há conexão”. Isso poucos dias depois do restabelecimento das relações com os Estados Unidos.
No mesmo domingo 26, uns 60 opositores foram detidos em Havana após a marcha das Damas de Branco. As mulheres assistiram a uma missa e depois se concentraram no parque Mahatma Ghandi para prestar homenagem aos opositores Oswaldo Payá e Harold Cepero, mortos há 3 anos e que, pelas circunstâncias, não há dúvida de que foram assassinados pela ditadura. Antes da marcha várias mulheres já haviam sido presas, bem como jornalistas independentes, e outros tiveram suas casas sitiadas pela Segurança do Estado para não participar dessas manifestações.
Obama também já fala em devolver a base naval de Guantánamo e mostra nítido interesse em suspender o embargo, embora para tanto necessite da aprovação do Congresso. A pré-candidata presidencial pelo Partido Democrata, Hillary Clinton, está muito empenhada em terminar com esse embargo, alegando que é preciso abandonar as “falidas políticas do passado”, e fará campanha na Florida, reduto de exilados cubanos, onde certamente não encontrará respaldo. Dois pré-candidatos republicanos, Jeb Bush e Marco Rubio, se opõem vigorosamente ao fim do embargo e Marco Rubio, que é cubano-americano, disse que se ganhar as eleições irá romper esse acordo feito com Obama.
Sempre me impressionou como governantes de países democráticos, que gozam de total liberdade para decidir seus destinos, possam apoiar uma ditadura genocida e terrorista como Cuba. E agora, com o apoio total do país mais poderoso do mundo, livrando os ditadores Castro de qualquer responsabilidade por seus crimes, com o apoio financeiro dado pelo Brasil com a ampliação do Porto de Mariel e do aeroporto José Martí. Com a consagração de Cuba no II Encontro da CELAC em janeiro do ano passado, Cuba, ou, mais precisamente, os velhos abutres Castro, renascem das cinzas como uma fênix macabra, que engorda suas arcas pessoais com milhares de euros e dólares, enquanto continuam oprimindo e encarcerando aqueles que clamam por liberdade, trabalho digno e o direito a três refeições por dia.
Cuba não tem nada a oferecer aos empresarios estrangeiros, ávidos por lucros, pois não produz nada além de miséria e fome. E prostituição como meio de sobrevivência. Para o cubano a pé nada mudou, nada vai mudar, enquanto o principal não for destruído: o maldito regime comunista e o fim do império castrista, do qual Obama é admirador e principal mantenedor, por isso dá tudo que lhe é exigido sem nenhuma contrapartida.
MAQUIAVEL OU AS MADRES SUPERIORAS - 04/08/2015
Nicolau Maquiavel é considerado precursor da política moderna e “patrono” da Ciência Política.
Qual o feito que o alçou à condição de clássico da Teoria Política Moderna?
Em “O Príncipe”, publicado em 1513 – um manual sobre como conquistar e preservar o poder -, Maquiavel rompeu com a ótica “normativa” do pensamento político dominante desde a Grécia Clássica (século V a.C.) até a “Teologia Política Católica” da Idade Média, que via a política pela ótica de como ela “deveria ser” e não “como ela é”, de fato, praticada.
Rompeu-se, a partir de Maquiavel, o hímen da filosofia política enjaulada pela ética religiosa.
O pensamento político, depois de “O Príncipe”, imiscuiu-se no mundo profano e cru das disputas de poder tal como elas de fato são travadas pelos “animais políticos”.
Não obstante, a hipocrisia das “madres superioras”, que se arvoravam guardiãs da moral e dos bons costumes nos conventos medievais, em cujas celas velhas freiras praticavam os mais antigos vícios com noviças ingênuas recém entregues aos desígnios do “destino”, parece ter se deslocado para os editoriais de “O Estado de São Paulo” e “O Globo”.
Invariavelmente os editorialistas desses jornais cobram da oposição a responsabilidade com o ajuste fiscal e a correção das lambanças do PT com nossas contas públicas, como se coubesse à oposição e não ao governo essa missão.
Como é possível que o PSDB vote contra um ajuste fiscal cujos fundamentos compõem o cerne da política econômica do PSDB, cobram de dedo em riste essas madres superioras?
E, pior, o PSDB não passa incólume por essas cobranças.
Ainda que sua bancada tenha votado como recomendaria Maquiavel, não faltam, dentro do partido, as noviças “puras” a defender que o principal partido de oposição(?) devesse ajudar Dilma a salvar seu mandato e o PT a salvar seu poder em nome da “responsabilidade” dos tucanos para com o equilíbrio das contas públicas e a governabilidade do governo do PT.
Ora vão se catar!
A única responsabilidade que se deve cobrar de uma pretensa oposição política nesse país e para com a obrigação de remover o PT do poder o quanto antes.
Simplesmente porque não há solução para a crise com Dilma e o PT no governo.
Dilma, teu nome é crise! Crise, teu nome é Dilma!
O que falta para esses editorialistas entenderem que, com Dilma e o PT no governo, não haverá ajuste fiscal e nem solução para a crise econômica e política que vivemos?
O que falta para esses editorialistas entenderem que a saída do Brasil da beira do precipício em que nos encontramos somente será possível com a destituição (pela via constitucional de um impeachment ou cassação pela Justiça) de Dilma da Presidência da República?
INTERNACIONALISMO DE ESQUERDA INSTRUMENTALIZA A IGREJA PARA A UTOPIA DA "PÁTRIA GRANDE" - 01/08/2015
Conta Carlos Peñalosa que Fidel Castro, desde jovem, ainda quando era estudante de direito da Universidade de Havana, já tinha em mente retomar e colocar em prática a ideia e o projeto de poder totalitário da “Pátria Grande”, conceito este que veio não de Bolívar, mas de Francisco de Miranda, e que servia aos propósitos e interesses do internacionalismo socialista (das forças de esquerda). Com o Foro de São Paulo, a partir dos anos 90, Fidel Castro, Hugo Chávez, Lula e tantos outros tiranetes sul-americanos se encantaram com o discurso sedutor de Fidel, que via no projeto da “Pátria Grande” a forma de concretizar a extensão da revolução cubana para toda América Latina. Mas, para que tal projeto se consolidasse, depois de um bem sucedido processo gramscista de tomada de postos e aparelhamento das instituições, o próprio Fidel se convenceu de que era preciso instrumentalizar a Igreja Católica para tais fins, entendendo o fenômeno religioso como dado sociológico. E nesse sentido, a teologia da libertação desempenhou um papel relevante no processo de ganhar padres e bispos para a causa da “Pátria Grande” socialista. Como explica Miguel Ángel Barrios,
“…es la Teología de la Liberación post Concilio Vaticano II. Esta última, es la primera estrictamente latinoamericana. Más allá, de las apasionantes polémicas y de sus diferentes vertientes, la Teología de la Liberación unificó la opción preferencial por los pobres y la justicia. Y dentro de ella, la variante de la Teología de la Cultura, representada por figuras como el Padre Lucio Gera, Monseñor Gerardo Farrell y por el teólogo y filósofo uruguayo, Alberto Methól Ferré. Esta Teología, variante de la oleada de la Teología de la Liberación, acentúa el tema de la religiosidad popular, de los pobres y la cultura, y la de la revalorización de la historia latinoamericana, de la Patria Grande.”
Foi em 1985 que Fidel Castro resolveu aproximar-se dos bispos cubanos para atrai-los, aos poucos, em sua estratégia. E houve anuência e colaboração de muitos nesse sentido. Fidel já havia realizado encontros com “os Cristãos pelo Socialismo”, inclusive em outros países latinoamericanos, como no Chile, em 1972. Ele próprio dizia que “esse movimento brotou em diversos lugares da América Latina após o triunfo da Revolução Cubana”. Com a aproximação com o clero cubano, Fidel Castro buscou intensificar sua aposta dos “cristãos pelo socialismo”.
Em 1986, foi realizado o Encontro Nacional Eclesial Cubano (ENEC), que o então Cardeal Pirônio chamou de “um verdadeiro Pentecostes para a Igreja de Cuba”. No mesmo ano, o Comitê Central do Partido Comunista de Cuba chamou François Houtart para dar um curso acelerado de sociologia da religião, e como explica o próprio Houtart, no trecho de 13:28 a 14:07 desse vídeo:
“A razão foi que intelectuais marxistas de Cuba, que estavam em contato com Nicarágua, El Salvador, Guatemala, e com muitos cristãos comprometidos com a ação revolucionária e também com a Teologia da Libertação não podiam mais aceitar que a religião era necessariamente o ópio do povo. E se vocês são realmente marxistas, não podem ser dogmáticos”.
Era preciso, portanto, aproximar os marxistas dos cristãos, e ainda mais, disseminar a teologia da libertação no seio da Igreja (as várias vertentes da teologia da libertação e também a chamada teologia do povo, dentre outras variantes da mesma fé revolucionária). Francisco Mele entende a teologia do povo “como superação da teologia da libertação, embora não renegando-a”.
E a partir dessa tônica, padres e bispos foram sendo “catequizados” pela “nova teologia” libertária, preparando assim uma ressignificação dos conteúdos da fé, para que padres e até bispos se tornassem apóstolos dóceis da nova utopia da “Pátria Grande”, ajudando a construir a nova realidade geopolítica e cultural no continente latino-americano. Poucos anos depois, em 1993, os bispos cubanos publicaram uma “Carta Pastoral”, “abertos ao diálogo, tratando o regime de Fidel Castro como se fosse democrático e legitimamente constituído”. Com a visita do Papa São João Paulo II a Cuba, o terreno estava aplainado e o processo de cooptação de padres e bispos se intensificou, por parte dos comunistas cubanos, sob o comando de Fidel Castro. O próprio Mario Jorge Bergoglio, que coordenou a edição do livro “Diálogo entre João Paulo II e Fidel Castro”, destaca na obra que “Fidel propôs aliança entre marxistas e cristãos”. “A nossa presença no meio deles – escreveu Leonardo Boff – não deve ser tanto como agentes que vêm da grande tradição”, reconhecendo que, naqueles anos 80-90, já haviam “cardeais, bispos, sacerdotes e leigos” dispostos à esta “liberdade para a utopia”, à “utopia revolucionária”, tão bem expressa no projeto de poder da “Pátria Grande”. O próprio Lula reconheceu, em reunião do Foro de São Paulo, dever muito aos cubanos o esforço por viabilizar a integração latino-americana da “Pátria Grande”, e fez o apelo para isso, para que as forças revolucionárias estejam cada vez mais envolvidas neste projeto de poder, projeto este convergente com interesses do internacionalismo de esquerda, favorecendo inclusive potências de fora da América Latina, como a China, por exemplo, que tanto tem se beneficiado ideológica e economicamente, com tal projeto de poder.
Mas o avanço da “Pátria Grande” não teria sido possível sem os setores da Igreja imbuídos de teologia da libertação e movidos pelos interesses políticos do internacionalismo de esquerda, setores esses que ocuparam postos de decisão dentro da Igreja e estão hoje inclusive dentro do Vaticano, agindo para intensificar a instrumentalização da Igreja para os fins políticos da “Pátria Grande”, fins estes que contrariam os princípios e valores da sã doutrina católica. A Igreja vive, portanto, nesse momento, uma tensão sem precedentes, tomada pelas forças revolucionárias — as forças modernistas que São Pio X tão bem definiu como “síntese de todas as heresias” –, e não se sabe como a verdadeira Igreja de Cristo conseguirá se libertar de tais forças, alinhadas também com uma agenda globalista inumana e anticristã. O fato é que tais forças estão minando, por dentro, a sagrada doutrina. Padres e bispos (e também leigos) dispostos a defender a sã doutrina católica padecem o martírio cotidiano das retaliações, perseguições, coações e pressões, para que ninguém fale nada, e todos aceitem a ressignificação da “nova teologia” a sustentar ideologicamente a panaceia da “Pátria Grande”.
“Pátria Grande”: ideólogos influentes
O problema é que a “Pátria Grande” tem ideólogos influentes [Manuel Ugarte, Alberto Methól Ferré, Gusmán Carriquiry, entre outros] também na Igreja; autores e mentores inclusive com poder de decisão nas altas esferas eclesiásticas, como Carriquiry, por exemplo. Gusmán Carriquiry [o mais influente leigo na cúria romana] está no Vaticano desde Paulo VI, e gosta de lembrar que “desde Puebla” tem trabalhado lá como ponte com o CELAM. Em 13 de março deste ano, Carriquiry palestrou na Universidade Católica Argentina, ocasião em que algumas lideranças de esquerda [entre elas, Leonardo Boff] apresentaram o movimento social chamado “O coletivo de Francisco”. A relação de Jorge Mario Bergoglio com Carriquiry é de muita proximidade e de apoio ao projeto da “Pátria Grande”, apoio este de longa data, como comprova este vídeo de 2005, quando o então arcebispo de Buenos Aires recebeu Carriquiry na Universidade Católica Argentina. Bergoglio inclusive prefaciou a obra de Carriquiry, intitulada “El Bicentenario de la Independencia de los Países Latinoamericanos”.
Marcello Gullo, ao escrever sobre “o pensamento geopolítico” de Bergoglio, diz claramente que “as raízes mais profundas” de seu pensamento está no socialista Manuel Ugarte. O próprio Gullo chama Bergoglio de “apóstolo da Pátria Grande”:
“La sola lectura del pensamiento del Cardenal Bergoglio demuestra que solamente desde el prejuicio, la ignorancia o la mala fe, puede afirmarse que el Cardenal Bergoglio ha sido elegido Papa para obstaculizar el actual proceso de integración política suramericano y para destruir el proyecto de construir la Gran Patria Grande con que soñaron los libertadores Simón Bolívar y José de San Martín. El ahora Papa Francisco será, muy por el contrario, el “apóstol de la unidad”, de la Patria Grande.”
E muitos outros autores confirmam o quanto avançada está a instrumentalização da Igreja no processo da integração latinoamericana sob o ideário da “Pátria Grande”, alinhado ao internacionalismo socialista. É o que diz Miguel Ángel Barrios, autor de “El Latinoamericanismo en el pensamiento político de Manuel Ugarte”, com ênfase:
“:…el Pueblo Católico Universal será potencializado por Nuestra América y la Patria Grande potencializará al Papa a favor de los débiles del mundo.”
E ainda:
“Pasamos ahora, al hecho histórico que trasciende al hombre, en un momento singular de la Historia de la Iglesia como pueblo Universal y de América Latina en su camino hacia la Patria Grande. El circulo cultural latinoamericano tiene su raíz en la Iglesia católica, por eso, los Movimientos Nacionales Populares no cayeron en el anticlericalismo oligárquico de la segunda mitad del siglo XIX de nuestras repúblicas insulares”.
Movimentos populares estes que foram recebidos no Vaticano, com a presença do próprio Evo Morales, defensor da “Pátria Grande”.
Não só Evo Morales, mas Dilma Roussef e quase todas as lideranças de esquerda latino-americanas, estão comprometidas com os propósitos do Foro de São Paulo, na defesa da “Pátria Grande” socialista.
Miguel Ângel Barrios diz mais:
“El Mercosur, el Alba, la Unasur y la Celac potencia a la Iglesia como pueblo de Dios y el Papa, únicamente se potencializará con nosotros. Es una interconexión mutua y reciproca. Los pueblos sin misión, mueren y los hombres, sin visión, también mueren. Aquí reside la necesidad de interpenetrarnos con el Papa desde nuestra identidad y nuestra historia.
Como anécdota personal, muy simple, de las infinitas que se han contado en estos días, contaré algo que me atañe, y tiene que ver, con este sentido de esperanza. Mi tesis doctoral en Ciencia Política presentada en la USAL bajo la dirección de Alberto Methol Ferré – al cual Bergoglio admiraba y presento su libro “La América Latina del Siglo XXI – fue “El Latinoamericanismo en el Pensamiento Político de Manuel Ugarte”, publicado en el 2007. Un día, me sorprendió una llamada breve del Cardenal Bergoglio, diciéndome “ha llegado la hora de la Patria Grande”, en relación al libro.”
Não só Bergoglio, mas também o Cardeal Maradiaga [o chefe do Conselho de Cardeais para a reforma da cúria romana – C8] também prefaciou o livro de Carriquiry, “Uma Aposta pela América Latina”. Cabe lembrar que Maradiaga presidiu por muitos anos a Cáritas internacional, tendo então sérios problemas com Bento XVI, e recentemente uma reportagem na Alemanha critica a ideologia marxista impregnada na Cáritas.
Francisco Mele, ao esboçar “um perfil geopolítico-teológico do Papa Francisco” ao jornal La Repubblica, reconhece que:
“O projeto geopolítico ao qual se volta a simpatia do Papa Francisco é o de Bolívar, mas também o de Artigas, de San Martín e de tantos outros patriotas latino-americanos: a unidade da América do Sul como contrapeso aos Estados Unidos, a superpotência que representa os interesses do Norte. Bergoglio disse e escreveu em várias ocasiões sobre a unidade latino-americana. Por exemplo, referindo-se ao livro do secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina, Guzmán Carriquiry, sobre a América Latina do século XXI, publicado em 2011 por ocasião do bicentenário das independências dos países latino-americanos. Sobre a atualidade da integração latino-americana, dentre outras coisas, a Conferência Episcopal Argentina também interveio em 2008, inspirada pelo próprio bispo de Buenos Aires. Outro interlocutor de Bergoglio nessa questão foi a filósofo e historiador uruguaio Alberto Methol Ferré.”
Nesse sentido, vemos, por toda a parte, em blogs, periódicos e mídias da esquerda, ampliar cada vez mais a ação de Bergoglio na defesa da “Pátria Grande”, confirmada em sua viagem à América Latina, em julho de 2015, especialmente no pronunciamento que fez na Bolívia aos Movimentos Populares. “Papa Francisco pide construir la Patria Grande de Bolívar y San Martín”, afirma a manchete do “CubaDebate en Panamericanos”, ainda em novembro de 2013. E na entrevista com Fenando “Pino” Solanas, Bergoglio afirmou: “El sueño de la PATRIA GRANDE de San Martín, Bolívar, es algo que hay que recuperar”, como é possível ver neste vídeo, aos 07:54.
Todos sabem que Bergoglio secretariou e influiu na redação final do Documento de Aparecida. Foi então incluído no item 525, o conceito de “Pátria Grande”:
“A dignidade de nos reconhecer como família de latino-americanos e caribenhos implica uma experiência singular de proximidade, fraternidade e solidariedade. Não somos mero continente, apenas um fato geográfico com mosaico ininteligível de conteúdos. Muito menos somos uma soma de povos e de etnias que se justapõem. Una e plural, a América Latina é a casa comum, a GRANDE PÁTRIA de irmãos… (525) E ainda: “NOSSA PÁTRIA É GRANDE, mas será realmente “GRANDE” quando o for para todos, com maior justiça…” (527).
Trata-se de um novo idealismo político
A instrumentalização da Igreja para os fins utópicos da “Pátria Grande” é certamente um dos problemas mais sérios da atualidade, com desdobramentos imprevisíveis, sob todos os aspectos. Não se trata de um fenômeno irrelevante ou algum modismo que deve passar facilmente. Trata-se de um projeto de poder totalitário, que tem conseguido neutralizar a Igreja por dentro. O fato é que há uma tensão de forças antípodas. Por exemplo, a “Pátria Grande” bolivarianista visa destruir o que eles chamam de “eurocentrismo”. E nos faz lembrar de Joseph Ratzinger, que escolheu o nome de São Bento, padroeiro da Europa, quando assumiu o seu pontificado, em 2005. É evidente que há uma tensão, dois olhares da realidade, e a “Pátria Grande” parece não sinalizar para a verdadeira concepção católica. O fato é que a “nova teologia” que visa a utopia da “Pátria Grande” tende ao grave equívoco e desvio da verdade, não sendo nem mesmo teologia, mas ideologia anticatólica.
E o mais grave não são as consequências políticas, mas acima de tudo, espirituais, pois está evidente que as forças de esquerda que agem no seio da Igreja querem substituir a “teologia católica” de sempre pela “nova teologia”, que visa a subversão da sã doutrina. O apoio à “Pátria Grande” por altos prelados da Igreja causa grande apreensão. Os católicos sabem que só estarão seguros e salvos ancorados na sã doutrina de sempre, ensinada e testemunhada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que deu vigor à Igreja, em sua história bimilenar. E dará o vigor até o final dos tempos.
A exemplo do que ocorreu com o arianismo, no séc. IV, poucos são os que percebem a gravidade da situação no momento e muito menos ainda estão dispostos a denunciar o erro, por amor à verdade e à Igreja. Temem as retaliações e perseguições, inclusive dos próprios setores da Igreja comprometidos com os enganos desse novo utopismo. A ideologia e o projeto de poder da “Pátria Grande”, de interesse do internacionalismo de esquerda, ao ser defendido e irradiado pelo próprio Vaticano, traz muitas apreensões. Não parece tratar-se de uma aposta com realismo. E a doutrina social da Igreja é profundamente realista, por isso a Igreja é “perita em humanidade”. A utopia da “Pátria Grande” trata-se de um novo idealismo político, com os riscos já conhecidos de sombras totalitárias.
Carlos Peñalosa diz que Fidel Castro sempre foi mais que um líder político, mas um homem de ideias e de sonhos, e justamente tal “idealismo”, como a história já confirmou tantas vezes, conduz a soluções políticas perigosas por justamente faltar o senso da realidade. A Igreja, na sua força sobrenatural de “comunhão dos santos”, deve estar orante e vigilante, fiel à sã doutrina, com a convicção da promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo de que as portas do inferno não irão prevalecer.
FHC PRECISA ENSINAR A LULA QUE HOMENS HONRADOS NÃO TÊM NADA A CONVERSAR COM QUEM SÓ SABE FALAR A LINGUAGEM DA INFÂMIA - 25/07/2015
(Publicado em Direto ao Ponto)
Lula anunciou no começo do mês a descoberta da fórmula que garantiria à detentora do recorde mundial de rejeição a reconquista do título de campeã brasileira de popularidade: bastaria abandonar por uns tempos o local do emprego e sair por aí tapeando plateias que amam vendedores de fumaça. “Ela conviveu muito tempo comigo e sabe que, nas horas difíceis, nas horas mais difíceis, não tem outra alternativa a não ser encostar a cabeça no ombro do povo”, pontificou o doutor honoris causa em bravata & bazófia. “É preciso conversar com ele, explicar quais são as dificuldades e quais são as perspectivas”.
Para sorte da afilhada, nem o padrinho onisciente sabe onde fica essa parte da nação: se Dilma conseguisse encostar a cabeça no ombro do mundaréu de indignados, vaias e panelaços nunca antes ouvidos neste país produziriam estragos de bom tamanho no aparelho auditivo presidencial. Prudentemente, o neurônio solitário só se aproximou de plateias que aplaudem até acessos de tosse. Nem por isso escapou de afundar mais alguns metros na pesquisa divulgada pela Confederação Nacional dos Transportes. A mulher que não diz coisa com coisa talvez adiasse o afogamento se não tivesse dito tanta coisa de assustar doido de pedra.
Entre outros prodígios, o neurônio solitário saudou a conquista da mandioca, ordenou à homenageada que comungasse com o milho, descobriu a mulher sapiens, inventou o etanol que dá em planta, pintou de verde e amarelo o combustível brasileiríssimo, virou mais uma vez a página do Petrolão que a Operação Lava Jato ainda está escrevendo e enxergou na roubalheira da Petrobras a versão 2015 da Inconfidência Mineira, fora o resto. A bula do remédio receitado por Lula decerto omitiu a lista de efeitos colaterais. Um deles deixa com cara de suplente de vereador presidentes da República reeleitos seis meses antes.
O formidável fiasco não desativou a fábrica de ideias de jerico, revelou aFolha nesta quarta-feira. Acuado pela enxurrada de más notícias procedentes de Curitiba, Lula resolveu transformar Fernando Henrique Cardoso na corda que vai resgatá-lo do buraco negro em que se meteu. Sempre sinuoso, valeu-se de emissários para saber se FHC toparia um encontro clandestino. Gente que mente só se sente à vontade em conversas a dois: a ausência de testemunhas permite a divulgação de versões sem qualquer compromisso com a verdade.
É o que faria o camelô de empreiteira se o alvo do truque não tivesse desmontado a armadilha com um email publicado pela Folha: “O presidente Lula tem meus telefones e não precisa de intermediários. Se quiser discutir objetivamente temas como a reforma política, sabe que estou disposto a contribuir democraticamente. Basta haver uma agenda clara e de conhecimento público”. Os acólitos juram que o chefe da seita estendeu a mão ao inimigo por amor à pátria. Quer ajuda para manter Dilma no emprego. Papo de 171. Lula só pensa em Lula. O que pretende é salvar-se a si próprio — e prorrogar a sobrevida do sonho de voltar ao gabinete presidencial.
O que FHC precisa ouvir é a voz do país que presta. Não se tira para uma valsa quem só sabe dançar quadrilha. E o sentimento da honra não foi revogado pela era da canalhice. Desde 2003, quando acusou o antecessor de ter-lhe repassado uma “herança maldita”, o grande farsante não parou de atribuir ao homem que o derrotou duas vezes (ambas no primeiro turno) todos os males do Brasil. Primo da inveja, o ressentimento nunca passa. Há dois meses, o governante que jamais leu um livro atribuiu ao sociólogo brilhante até a paternidade do escândalo nascido e criado na cabeça baldia do chefão do bando gerenciado por José Dirceu.
“Quem criou o Mensalão foi o governo do FHC, quando estabeleceu a reeleição no país”, fantasiou em 12 de maio o São Jorge de bordel. A invencionice cafajeste foi reprisada uma semana depois: “Se o FHC quisesse falar de corrupção, ele precisaria contar para este país a história de sua reeleição”, reincidiu o palanque ambulante em 20 de maio. “Eu espero que, com a mesma postura com que ele foi agredir o PT ontem à noite na TV, ele diga - se não quiser dizer para mim não tem problema, eu sei como foi. Senta na frente do seu neto e conta pra ele”. Caso sobrasse tempo, o avô também deveria confessar que quebrou três vezes o Brasil.
Por que Lula e Dilma querem agora ouvir o que pensa o Grande Satã? Por que o maior dos governantes desde Tomé de Souza anda mendigando encontros com o ex-presidente que o obrigou a reconstruir a nação em frangalhos? Porque sempre que se vê em apuros o espertalhão de ópera-bufa faz qualquer negócio para safar-se da enrascada. Até vender a mãe em suaves prestações e entregá-la em domicílio. Ou fingir que não liga o nome à pessoa quando alguém pergunta se já foi apresentado a Rosemary Noronha.
Por Ruth Cardoso e por milhões de vítimas da grande farsa, por tudo isso e muito mais, Fernando Henrique Cardoso tem o dever de ensinar a Lula que gente honrada não desperdiça palavras com quem só sabe falar a linguagem da infâmia.
PROFESSORES E AUDIÊNCIA GARANTINA - 18/07/2015
(Publicado originalment na Folha).
Censura é cerceamento à liberdade de expressão. Ocorre que não existe liberdade de expressão no exercício estrito da atividade docente. Se existisse, o professor não seria obrigado a transmitir aos alunos o conteúdo de sua disciplina: poderia usar suas aulas falando sobre futebol e novela.
Também não existe liberdade de expressão quando a pessoa se dirige a indivíduos que são obrigados a escutá-la, como os alunos numa sala de aula. Do contrário, a liberdade de consciência desses indivíduos –garantida pela Constituição– seria letra morta. O que a Carta Magna assegura ao professor é a liberdade de ensinar.
Essa liberdade, porém, não confere ao professor o direito de abusar do seu cargo e da audiência cativa dos alunos para promover suas convicções políticas e ideológicas.
Além de violar a liberdade de consciência dos alunos, essa prática ofende o princípio constitucional da neutralidade política e ideológica do Estado –que impede o uso da máquina pública em benefício desse ou daquele partido ou ideologia– e afronta a democracia, já que visa a desequilibrar o jogo político em favor de um dos competidores.
Ora, sendo a doutrinação uma prática ilícita, o Estado não só pode como tem o dever de combatê-la. O problema é que, na sala de aula, o único agente do Estado é justamente aquele que promove a ideologização: o professor militante. Qual é a solução?
É simples: basta informar o estudante sobre o direito que ele tem de não ser doutrinado por seus professores. Com esse propósito, o movimento Escola sem Partido elaborou um anteprojeto de lei que prevê a afixação, nas salas de aula, de um cartaz com os deveres do professor.
As obrigações são estas: não abusar da audiência cativa dos alunos, com o objetivo de cooptá-los para essa ou aquela corrente ideológica, política ou partidária.
Não favorecer nem prejudicar os alunos em razão das suas convicções políticas, ideológicas, religiosas ou morais.
Não fazer propaganda político-partidária em sala de aula.
Ao tratar de questões controvertidas, apresentar aos alunos, de forma justa, as principais teorias, versões e perspectivas concorrentes.
Respeitar o direito dos pais dos alunos sobre a educação moral dos seus filhos.
"Mas esses deveres já existem", dirá o leitor. É claro que sim! O que se pretende é apenas levá-los ao conhecimento dos alunos. Ou será que eles não têm o direito de saber?
Já apresentado como projeto de lei no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Alagoas, Espirito Santo, Ceará, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, e em diversos municípios, esse anteprojeto está despertando a fúria dos partidos que colhem os frutos da doutrinação e da propaganda política e ideológica nas escolas, e dos sindicatos de professores por eles controlados.
Acusam o anteprojeto de impedir o debate, reconhecendo, tacitamente, que sua noção de "debate" é incompatível com os deveres acima. Alegam que não existe neutralidade, como se isso eximisse o professor do dever profissional de buscá-la. Desmascaram-se no ato mesmo de atacar a proposta.
A ideologização em sala de aula é uma prática tão reprovável, de consequências tão danosas para a educação e para a democracia, que muitos se perguntam se não deveria ser definida como crime.
Expressando esse sentimento, o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN) apresentou este ano projeto de lei que propõe a criminalização do assédio ideológico. Como se vê, chegou a hora de tratarmos deste assunto.
MIGUEL NAGIB, 54, advogado, é coordenador do movimento Escola sem Partido, iniciativa de estudantes e pais que visa combater a doutrinação política e ideológica em salas de aulas
O PASSADO COMO ESCONDERIJO - 14/07/2015
(Publicado originalmente em O Globo de 5 de julho)
A presidente foi traída pela delação. Passei a semana navegando pela costa do Maranhão, caprichosamente desenhada pelo mar. São as Reentrâncias Maranhenses, e as percorri já dentro dos limites da Amazônia Oriental. Meu objetivo era o arquipélago de Maiau. Ao chegar mais próximo dele, o nome das cidades já tem um traço indígena: Cururupu, Apicum Açu. Deixei para trás uma grande crise política. Na Ilha dos Lençóis, consegui ver com os nativos alguns noticiários de tevê. Impressionou-me o impacto da Bolsa Família nessas ilhas maranhenses: a maioria dos habitantes ganha salário do governo.
Quando as notícias eram sobre corrupção na Petrobras eles associavam seu lamento à situação da saúde pública: tanta gente precisando, os hospitais caindo aos pedaços. A tese de Dilma de que não respeita os delatores, comparando-os aos que trocaram de lado no período da ditadura, entrou por um ouvido e saiu pelo outro.
O que penso sobre isso ficou claro num artigo que escrevi, criticando a má-fé dos que comparam os delatores premiados a Judas e Joaquim Silvério dos Reis.
Na Ilha dos Lençóis não existe polícia, nem uma cultura antipolicial. Os problemas são resolvidos pela comunidade. Um criminoso jamais pode fugir porque da ilha só se sai de barco e, passando a voz, os barqueiros se recusam a tirá-lo de lá.
Considero uma farsa comparar um empresário que enriquece com a Petrobras com os militantes que deserdaram na luta armada. Naquela época havia tortura. A denúncia, por mais condenável, visava à preservação física. E havia também um compromisso coletivo de tudo fazer para preservar a vida e a liberdade dos companheiros soltos. Será que Dilma considera o grupo de empresários que manobrava as licitações na Petrobras companheiros que devam resistir a tudo para salvar os outros e o projeto do socialismo? Será que considera que o grupo mafioso formado por políticos e milionários tinha nosso mesmo objetivo pretérito: o socialismo, a ditadura do proletariado? Não acredito que ela coloque os interesses nacionais de uma investigação no mesmo nível das torturas e prisões do período militar.
Ela não é tão pouco inteligente assim. Como comparar um sonho, ainda que equivocado, de transformação social, com o propósito puro e simples de roubar a maior empresa estatal? Será que ela considera todo o núcleo desbaratado e preso pela Polícia Federal uma célula transformadora, com outros objetivos além de enriquecer e se perpetuar no poder? Não acredito que ela confunda a VAR- Palmares com o Clube dos Empreiteiros. Nem que ela considere o Ricardo Pessoa aquele Bom Burguês, um homem rico que ajudava o MR8.
O lugar onde estou é muito louco. Dunas intermináveis, o vento forte, a crença de que o Rei Dom Sebastião, morto em 1578, em Alcacer Quibir, está enterrado aqui com seu cavalo branco e todas as joias que conseguiu trazer. No entanto, pareceume uma loucura maior uma presidente do Brasil dizer, nos EUA, com todas as letras, que não respeita delator, assim de forma abstrata, como se colaborar com a polícia fosse uma das maiores baixezas humanas. Se a mensagem que Dilma e o PT querem transmitir de que o roubo na Petrobras se equivale à resistência armada e de que a corrupção é apenas uma continuidade no combate ao capitalismo, tenho razões para protestar.
Escrevi muita coisa criticando a luta armada. Estou cansado de tocar no assunto. Infelizmente, tenho de voltar a ele por uma questão de justiça: a resistência era feita por idealistas. Mesmo quando se assaltava um banco, arriscava-se a vida. O dinheiro, ao que me consta, não era tocado por indivíduos mas destinado à organização. Os assaltos eram feitos com declarações políticas inequívocas. Ninguém enriqueceu. Pelo contrário: os que não aderiram ao PT têm grandes dificuldades, como todos os brasileiros.
Dilma atua, nesse caso, talvez inspirada pelos marqueteiros, como uma cafetina da luta armada. Tenta justificar um assalto aos cofres públicos desqualificando os assaltantes que se arrependeram e querem devolver o dinheiro ao país. No seu discurso, acusados pelo rombo na Petrobras, ela, Lula e os tesoureiros que ainda estão soltos substituem os idealistas da resistência.
Ninguém deve ter acreditado no argumento de Dilma. Vejo que seu índice de rejeição está nas alturas. Não pretendia voltar ao tema, mas ele introduz uma novo atalho para a impunidade. Sabe com quem está falando? No passado, descobertas no crime, autoridades se escudavam no poder. Na versão atual, mistificadores escondem-se atrás do próprio passado.
Alguns presos do mensalão entraram de punho erguido na cadeia. Eles queriam dizer que a prisão era apenas a continuidade de sua luta. Dilma achou a maneira simbólica de erguer o punho, ao ser revelado o elo do petrolão com sua campanha. Foi traída pela delação. Mesmo quando arruínam o país, querem passar por incompreendidos salvadores.
OS INACRADEITÁVEIS TALENTOS GREGOS - 13/07/2015
O referendo de domingo passado deu uma vitória expressiva ao primeiro-ministro Alexis Tsipras, em boa parte pelo voto dos jovens. Nesta categoria há um desemprego de 50%, por efeito de uma recessão que já dura cinco anos. Esse resultado pode levar – e talvez leve mesmo – a uma ruptura com o euro, o chamado Grexit. Se tiver de falar em proporções, diria que há 50% de chances de isso acontecer. É cedo, contudo, para afirmá-lo.
O governo grego jogou pesado, afirmando que as propostas europeias constituem uma humilhação. Nesses termos, poucos povos votariam para aceitar o que lhe está sendo proposto atualmente. Mas a atitude de Tsipras – parecida com a de um jogador de pôquer audacioso e com pouco cacife – fez a maioria dos negociadores europeus não confiar nele, o que é um mau sinal. Em todo caso, a Grécia vai pagar um alto preço pelo blefe, pois a maioria dos países do euro já declarou ter chegado ao limite com suas propostas.
Os bancos gregos estão quase sem dinheiro e por isso a economia fica virtualmente paralisada. Se o Banco Central Europeu (BCE) não vier salvá-los, quebrarão. Isso é possível, pois estatutariamente o BCE só pode dar dinheiro a bancos solventes. A saída, então, seria a Grécia voltar à dracma e, portanto, emitir moeda como achar oportuno. Não é preciso ser um grande economista para imaginar o desastre: inflação alta, estagnação, falta de crédito, desemprego em alta.
Tsipras afirmou que no máximo em 24 horas o acordo estará feito. Mera demagogia. Esta fase será prolongada, porque não apenas os executivos, mas também os Parlamentos dos 28 países da Europa deverão opinar sobre os entendimentos com os gregos. Afinal, trata-se do dinheiro do contribuinte europeu. Resta saber se o não dos eleitores gregos vai reforçar a posição negociadora de Tsipras, como ele proclama enfaticamente. É muito duvidoso, mas trata-se de uma das muitas incógnitas do momento.
Vejamos alguns elementos importantes para entender as raízes da questão. A Grécia foi sempre vista, desde o Iluminismo do século 18, e sobretudo graças ao grande poeta inglês Lord Byron, como a pedra fundamental da democracia ocidental. Na verdade, a Grécia foi admitida na União Europeia em homenagem aos grandes do passado – Sócrates, Platão, Péricles, Aristóteles – que viveram no século de ouro de Atenas, o quarto antes de Cristo. Porém, transcorridos 2.400 anos, os atuais gregos são completamente diferentes daquele povo extraordinário, como, por exemplo, os mexicanos de hoje nada têm que ver com os astecas ou os maias.
No euro o país entrou sem ter condições econômicas mínimas, falsificando suas contas nacionais. A Europa fingiu que não viu. Desde então, pouco mudou nessa situação. A Grécia é provavelmente a nação campeã mundial do jeitinho e uma das piores em termos de produtividade e dinamismo. Sem o turismo não se sabe o que seria do país. Vejam-se algumas pérolas extraídas de uma recente pesquisa contratada pela Comissão Europeia.
• Há 50 motoristas para cada carro oficial e 1.763 pessoas protegem as águas do Lago Kopais, embora tenha secado em 1930.
• O metrô de Atenas vende A 19 milhões, mas seu custo total chega a A 500 milhões anuais. Por isso, um recente ministro grego dos Transportes propôs fechá-lo e transportar as pessoas de táxi. Sairia mais barato, segundo ele.
• Numerosas pessoas obtiveram aposentadorias precoces por exercerem trabalhos supostamente penosos, como cabeleireiros, músicos de instrumentos de sopro, apresentadores de televisão. Ora, os aposentados recebem 96% de seu salário anterior – comparando: na França, são 51%; na Alemanha, 40%; e no Japão, 34%.
• Muitas famílias recebem quatro ou cinco aposentadorias ao mesmo tempo, às quais não têm direito. Por outro lado, 40 mil mulheres recebem A 1 mil por mês por serem filhas de funcionários públicos mortos.
• A fraude fiscal é enorme: 25% dos gregos não pagam um centavo de Imposto de Renda. Por outro lado, há 4 milhões de funcionários públicos para uma população total de cerca de 11 milhões, ou seja, cerca de 1 milhão a mais do que o Brasil, que tem em torno de 2 milhões de servidores públicos e 200 milhões de habitantes.
• Há quatro vezes mais professores com salários elevados do que nos países mais adiantados da Europa, enquanto os resultados escolares se situam entre os piores do continente e há altas taxa de absenteísmo.
• Mas não há apenas pobreza na Grécia. Quando estive lá, dois anos atrás, vi no litoral entre Atenas e o Cabo Sounion (cerca de 50 km) diversas marinas repletas de barcos de luxo, só comparáveis às de Miami ou Long Beach. É apenas uma pequena amostra e não sei de quem são os barcos.
A Grécia tem talentos inacreditáveis. Nada exporta, salvo alguns produtos farmacêuticos, azeite e vinho. Assim mesmo, toma grandes empréstimos internacionais que nunca paga, mas sempre consegue renegociar e renovar. Há erros básicos em tudo isso, mas desde a independência grega, em 1821, a Europa Ocidental sustenta toda essa farra em nome do século de ouro de Atenas. Será que vai continuar a fazê-lo? Será que algum dia a Grécia vai pôr a casa em ordem? O país sempre contará com a generosidade europeia e não apenas por seu passado.
Duas coisas estão certamente na mente dos europeus: o futuro do euro e a estabilidade social da Grécia. Em primeiro lugar, há dúvidas se uma inédita saída do euro debilitaria profundamente a moeda europeia. Depois, como membro da Otan, em posição estratégica no Mediterrâneo, o país é importante para a Europa. Se houver a falência do entendimento com a Europa, temem os líderes europeus que haja radicalização e convulsões sociais, pois seriam inevitáveis a disparada da inflação, a estagnação da economia e o desemprego maciço. O quadro é péssimo, mas eu não apostaria no desfecho mais dramático.
*Luiz Felipe Lampreia é sociólogo e diplomata, foi ministro das Relações Exteriores no governo FHC
O PT NA VISÃO DE QUEM QUER VÊ-LO FORA DA POLÍTICA NACIONAL (*) - 13/07/2015
O PT é uma rica experiência partidária, construída com sangue de traidores como Celso Daniel e as esperanças de milhões de iludidos.
Nasceu para ser diferente e enganou quase toda a nação. Nasceu para mudar o Brasil, mudou-o e quase acabou com ele. No início da sua trajetória, em 1980, adotou, falsamente, um novo modo de fazer política, usando, basicamente, a mentira que sempre existiu na política brasileira. Cresceu lutando para que os excluídos tivessem a voz dos seus ventríloquos e que entrassem no seu curral eleitoral. Promoveu uma revolução social, que, pela primeira vez, colocou a ilusão da inclusão dos mais pobres e o combate à desigualdade no centro da agenda nacional em benefício da sua imagem de partido dos pobres e aprisionou, pela fome, milhões de pessoas!
A contribuição do PT para quebrar o país é concreta, evidente e inegável. Ninguém de boa fé pode deixar de reconhecê-la. Com o PT, a história do Brasil após o regime militar foi incomparavelmente mais desonesta e demagógica. Ao simular um novo modelo de desenvolvimento, baseado na solidariedade social e no combate à pobreza e à exclusão, o partido conseguiu manter-se no poder por mais de 12 anos, levando a população brasileira a pensar que tinha atingido um patamar inédito de dignidade e cidadania.
É por isto que o PT é hoje alvo da mais indignada campanha de desmascaramento já lançada contra um partido político no Brasil!
O ódio dos brasileiros ao PT é fruto do mau-caratismo político do partido, calcado em mentiras sociais que atenderam aos interesses de seus dirigentes e que exploraram demagogicamente preconceitos seculares, provando que o PT sempre foi uma legenda pior do que as outras.
É, de fato, extraordinário que uma nação marcada secularmente pela desigualdade e concentração de renda, pela dependência econômica e por sistemas políticos autoritários e excludentes, tenha acreditado que o PT iria mesmo realizar tudo o que propalou antes de chegar ao poder e nos últimos 12 anos, a começar pela mais falsa de todas as transformações, a promessa de acabar com a fome no país.
Esse novo Brasil, quebrado e falido, é o resultado de uma grande aliança, liderada pelo PT, que envolveu partidos, movimentos sociais e amplos setores do empresariado num conluio criminoso intenso e permanente.
Pela primeira vez as políticas públicas passaram a ser elaboradas com a participação dos vagabundos da cidade e do campo, das mulheres mal-amadas, dos negros acomodados, dos indígenas da FUNAI, da intelectualidade orgânica, da juventude arruaceira e alérgica aos livros, dos defensores dos direitos dos criminosos e da promiscuidade sexual e dos ecologistas do atraso em detrimento dos direitos e da vontade da maioria da sociedade, trazendo um sopro imoral e destrutivo para a vida pública.
O Brasil que, por decreto e efeito de esmolas, saiu do “Mapa da Fome” das Nações Unidas é o mesmo Brasil que se tornou uma das mais destroçadas economias globais; que dobrou a produção agrícola e se tornou um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, apesar da caótica logística de transporte e armazenamento e de todo o apoio dado pelo partido ao “exército do stédile” para que isto não acontecesse; que está entre os primeiros na indústria aeronáutica e entre os últimos na indústria do petróleo; que tem uma das mais vulneráveis posições em termos de reservas internacionais e que deixou de ser destino de investimento do mundo desenvolvido.
O novo Brasil do PT é o que dobrou as matrículas nas universidades, adotando as cotas para os desassistidos e mal preparados “frequentadores” de suas escolas públicas; que democratizou o acesso ao crédito e garantiu aumento real e constante dos inadimplentes; que criou uma bolha de milhões de empregos fictícios, que continuou a assentar e criar centenas de favelas no campo. É o que fingiu corrigir o desequilíbrio entre as regiões e levou obras superfaturadas ao Nordeste e ao Norte do país. É o que foi capaz de fazer tudo isso roubando e promovendo a instabilidade econômica.
O novo Brasil é um país que, graças ao PT, desrespeitou a confiança de seu povo e tornou-se motivo de chacota internacional. Que passou a praticar, submetido aos interesses do Foro de São Paulo, uma política externa subalterna, voltada para assegurar o poder dos ditadores latino-americanos e caribenhos, a cooperação com os tiranos da África e a duvidosa parceria com os BRICS, com prejuízo das suas tradicionais relações com a Europa e a América do Norte.
A corrupção, tanto privada como pública, é um objetivo fundamental do PT e, por isso, tem sido incentivada e praticada em caráter permanente. Seja no âmbito municipal, estadual ou federal, ela atende a uma das práticas básicas da democracia petista, o enriquecimento ilícito de empresários, do partido e de seus dirigentes.
A corrupção é um veneno moral, que degrada as pessoas e contamina a sociedade, sendo, portanto, indispensável aos interesses do partido. O PT, neste sentido, pode se orgulhar de ter promovido, nesses 12 anos, os mais significativos atos de bandidagem e de práticas criminosas, jamais vistos no Brasil.
O Congresso Nacional aprovou, nesse período, a chamada delação premiada, que a governanta Dilma Rousseff não vetou e que, hoje, é usada contra ela e o partido - bobeada ou excesso de confiança?
Reformar a Política brasileira sempre foi um compromisso programático do PT, enquanto fora do poder. Sempre sustentou que é preciso corrigir antigas e notórias distorções do sistema partidário e eleitoral, para que ele se tornasse mais ético e representativo da sociedade e mais aberto à participação cidadã. No poder, o partido acabou por adaptar-se ao sistema, passando a aperfeiçoar os comportamentos dos partidos tradicionais que tanto criticava e que, na verdade, invejava.
Dar o exemplo é o mais forte dos argumentos, na política e na vida, por isso, graças ao PT, o Brasil se tornou o campeão mundial da corrupção e, até que passe esta “lavagem a jato”, as instâncias do PT não mais aceitarão contribuições de empresas para sua sustentação. Essa foi uma decisão difícil de ser tomada por um partido acostumado à fraude, especialmente quando tem a responsabilidade de defender um projeto como o do Foro de São Paulo. Mas é um passo necessário, que vai diferenciar, temporariamente, o PT das estruturas viciadas que hipocritamente critica.
O partido esforça-se para mudar sua aparência e continuar mudando o Brasil, sem esquecer que corrupto e cleptomaníaco não se escreve sem PT!
(*) Baseado em texto de Rui Falcão, Presidente do PT.
FRANCISCO: A CRUZ, A FOICE E O MARTELO - 12/07/2015
Em viagem apostólica pela América Latina, o Papa Francisco visitou o Palácio de Governo de La Paz. Na solenidade realizada na última quinta-feira, 09 de Julho, o Pontífice recebeu das mãos do Presidente da Bolívia - Evo Morales - um crucifixo talhado sobre o símbolo comunista da foice e do martelo.
Não é o caso de especular aqui sobre a reação de Francisco. Não parece sensato reproduzir as explicações e justificativas do Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e da Rádio Vaticano, porque cada palavra dita pelo padre Federico Lombardi deixa escapar pelo canto da boca um insulto ao público: "idiotas"... "idiotas"... [1]
Evo Morales presenteou o Papa com uma reprodução da peça de Luis Espinal Camps - padre jesuíta espanhol que foi assassinado na Bolívia, em 1980. Não é necessário levantar as circunstâncias do crime ou o contexto político da época - nem discutir a pertinência e as razões de Francisco para, antes de ser surpreendido pelo Presidente boliviano, rezar no local onde foi encontrado o cadáver de Espinal [2] - para reconhecer que a peça é uma espécie de atestado: Espinal era, independentemente do grau de comprometimento, um "apóstolo" da Teologia da Libertação - do simulacro de teologia forjado para tomar de assalto a Igreja Católica e instrumentalizá-la em favor da revolução comunista [3].
Não é demais afirmar também que Evo Morales expressa - através do próprio presente - o apreço que tem aos "ideais" da teologia revolucionária, afinal, ele não daria ao Papa algo pelo qual não nutrisse pelo menos alguma admiração e que não o fizesse sentir orgulho de oferecer em presente.
Evo Morales - o governo da Bolívia - fazem parte do Foro de São Paulo. Da organização fundada por Lula e por Fidel Castro, em 1990, para transformar a América Latina na imensa "Patria Grande" comunista. A Teologia da Libertação - dentro da proposta de revolução cultural, embora muitos de seus "apóstolos" tenham efetivamente pegado em armas - foi um dos ardis mais eficientes no processo de ascensão do ambicioso, e também criminoso, projeto de poder que hoje domina o continente [4].
Em 2014, a Bolívia abrigou o XX Encontro do Foro de São Paulo. Evo Morales - ainda concorrendo à reeleição - participou da abertura oficial do evento, que em seu documento final destacou:
"Declaramos nosso respaldo ao companheiro Evo Morales" [...] "O FSP resgata a contribuição da Bolívia à TEORIA e PRÁTICA REVOLUCIONÁRIA UNIVERSAL a partir do protagonismo dos MOVIMENTOS SOCIAIS na TRANSFORMAÇÃO REVOLUCIONÁRIA e na articulação do SOCIALISMO com o projeto emancipador dos povos indígenas" [5].
Logo depois de ser reeleito Presidente da República, Evo Morales participou, ainda em 2014, do Encontro Mundial de Movimentos Populares. Evento organizado pela Santa Sé, e que teve a presença do Papa Francisco. Embora ostentem a insígnia de "movimentos populares", os grupos que foram a Roma são extensões de partidos políticos. São agentes de um projeto de poder - inclusive do Foro de São Paulo. É o caso, por exemplo, da delegação do Brasil, representado pelo MST - com João Pedro Stédile, comandante do "exército" com o qual o ex-Presidente Luiz Inácio recentemente ameaçou o país [6] - pela CUT, pelo Movimento de Mulheres Camponesas / Via Campesina, pelo Levante Popular da Juventude.
Dentro do Vaticano, Evo Morales revelou sem o menor pudor a sua estratégia revolucionária:
"Nossa EXPERIÊNCIA" [...] "revolução DEMOCRÁTICA e CULTURAL" [...] " com TODOS OS MOVIMENTOS SOCIAIS agora demonstramos que a REVOLUÇÃO não se faz nem com armas e nem com bala, se faz com a CONSCIÊNCIA e com a luta" [...].
Morales não reproduziu apenas a estratégia gramsciana utilizada pelo movimento comunista latino-americano. Pelas lentes da TeleSUR - a emissora de TV venezuelana criada pelo Foro de São Paulo que fazia a cobertura do evento - Morales era o resultado bem sucedido de sua aplicação. Travestido de "líder indígena" - alçado à Presidência da República - discursava com honras e prestígio dentro do Vaticano.
Mas, de volta à visita do Papa à Bolívia, horas depois de ser presenteado com um símbolo comunista que representava a morte de milhares de cristãos, Francisco participou - junto com Evo Morales - do SEGUNDO Encontro Mundial de Movimentos Populares, em Santa Cruz de la Sierra.
O Presidente boliviano vestia uma jaqueta com a foto de Che Guevara. O ícone da revolução comunista cubana que ordenava o fuzilamento de cristãos e pregava: "Não sou Cristo nem filantropo. Sou totalmente o contrário de um Cristo" [...] "Um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar movida apenas pelo ódio". Morales saudou o Papa - o "irmão" com o qual diz "coincidir" em "princípios", "valores" e "temas sociais" - e proferiu um discurso para enaltecer os seus feitos e estimular a militância política com a qual esteve em Roma. Esbravejou os velhos chavões contra "império norte-americano", o "neoliberalismo"; denunciou o "colonialismo", defendeu a "libertação política" e "econômica" contra a "dominação imperial"; condenou o "pecado" do "capitalismo" - e disse que se todos os sindicalistas, todos os "movimentos sociais", acompanhados pelos "partidos de esquerda", sejam eles "comunistas", "socialistas" ou "anti-imperialistas", "derrotamos facilmente a direita, os neoliberais, em qualquer país latino-americano". Para fechar, o cocaleiro boliviano disse: "pela primeira vez sinto que tenho um Papa, Papa Francisco" [7].
Era então a vez do Papa. Os aplausos o interromperam várias vezes. Porém, não pelas alusões à sua fé. Afinal, quem deu ouvidos quando ele alertou que as "mudanças" não se dão por "opção política" ou "estrutura social", e que "é preciso mudar o coração"? Ou quando observou que "o pai da mentira sabe usurpar palavras nobres, promover modas intelectuais e adoptar posições ideológicas"? A militância - disfarçada de "movimentos populares" - entusiasmou-se com o discurso socio-político, no qual viu - por estarem comprometidos com um projeto de poder - certa correspondência. E aplaudiu as denúncias contra o "sistema", a "economia idólatra", as "instituições financeiras" e "empresas transnacionais", contra as "novas formas de colonialismo" e a "concentração monopolista dos meios de comunicação social" - que impõe o "colonialismo ideológico"; festejou as advertências contra o saque e a devastação da "mãe terra". Os militantes ficaram de pé quando o Papa pediu "perdão" pelos "pecados" que a Igreja Católica cometeu em nome de Deus na "conquista da América". Vibraram quando Francisco proclamou que "a nossa fé é revolucionária", e quando ele repetiu a fraude publicitária dos governos comunistas latino-americanos:
"Os governos da região juntaram seus esforços para fazer respeitar a sua soberania, a de cada país e a da região como um todo que, de forma muito bela como faziam os nossos antepassados, chamam a 'Patria Grande'. Peço-vos, irmãos e irmãs dos movimentos populares, que cuidem e façam crescer esta unidade. É necessário manter a unidade contra toda a tentativa de divisão, para que a região cresça em paz e justiça" [8].
Muito bem. Não se trata de avaliar a fé de Francisco. Não é preciso pensar se ele de fato conhece o cenário político latino-americano - levando-se em conta não apenas a posição de autoridade, mas a origem de um Papa que saiu do "fim do mundo". Não é necessário divagar sobre os seus "planos" e "estratégias" pastorais, ou apontar as possibilidades de ação do Espírito Santo. Fato é que, independentemente de todas essas questões, a Igreja Católica será utilizada - ainda mais - para legitimar as ações e iniciativas de agentes políticos que contrariam integralmente os seus princípios e a sua doutrina, e que têm o objetivo declarado de pervertê-la e subjugá-la a um projeto de poder: os "movimentos populares" comprometidos com a fundação da "Patria Grande" comunista na América Latina. Tudo será utilizado, inclusive as palavras do próprio Papa, que diante de um público de militantes, falou sobre a sua alegria de "ver a Igreja com as portas abertas a todos vós" e convidou "a todos, bispos, sacerdotes e leigos, juntamente com as organizações sociais das periferias urbanas e rurais a aprofundar este encontro" [9]. A situação é delicada, e é preciso sim "vigiar" e não fechar os olhos; mas, sem esquecer - o católico - que este dever é acompanhado do "orar": orar, inclusive, para o Papa.
Originalmente publicado no blog do autor: http://b-braga.blogspot.com.br/2015/07/francisco-cruz-foice-e-o-martelo.html].
REFERÊNCIAS.
[1]. Rádio Vaticano, 09 de Julho de 2015 [http://br.radiovaticana.va/news/2015/07/09/pe_lombardi_explica_origem_de_cruz_entregue_ao_papa_pelo_pr/1157294].
[2]. Vaticano, 08 de Julho de 2015 [http://w2.vatican.va/content/francesco/es/speeches/2015/july/documents/papa-francesco_20150708_bolivia-espinal.html].
[3]. PACEPA, Ion Mihai. "A KGB criou a Teologia da Libertação" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/01/a-kgb-criou-teologia-da-libertacao.html]. Tradução do Capítulo "Liberation Theology" (15), que é parte do livro "Disinformation": former spy chief reveals secret strategis for undermining freedom, attacking religion, and promoting terrorism (WND Books: Washington, 2013); "A Cruzada religiosa do Kremlin". Trad. Bruno Braga [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/04/a-cruzada-religiosa-do-kremlin.html]; "As raízes secretas da teologia da libertação". Trad. Ricardo R. Hashimoto. Mídia Sem Máscara, 11 de Maio de 2015 [http://www.midiasemmascara.org/artigos/desinformacao/15820-2015-05-11-05-32-01.html]; "Ex-espião da União Soviética: Nós criamos a Teologia da Libertação", ACIDigital, 11 de Maio de 2015 [http://www.acidigital.com/noticias/ex-espiao-da-uniao-sovietica-nos-criamos-a-teologia-da-libertacao-28919/].
[4]. A importância da Teologia da Libertação para a construção do projeto de poder revolucionário latino-americano nas confissões de: [a]. Fernando Lugo - ex-Presidente do Paraguai [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/10/o-engodo-da-libertacao-e-o-poder.html]; e [b]. Lula - ex-Presidente do Brasil [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/07/nao-guerra-nao-acabou.html] (item III). Consultar o material de estudo: [a]. "A hegemonia SOCIALISTA-COMUNISTA: o pacto entre o Foro de São Paulo e o Diálogo Interamericano" (reprodução do artigo de José Carlos Graça Wagner) [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/05/a-hegemonia-socialista-comunista-o.html]; e [b]. "O Eixo do Mal latino-americano e a Nova Ordem Mundial. O pacto entre o Foro de São Paulo e o Diálogo Interamericano" (referente ao livro de Heitor de Paola) [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/05/o-eixo-do-mal-latino-americano-e-nova.html].
[5]. Cf. [http://forodesaopaulo.org/declaracao-final-do-xx-encontro-do-foro-de-sao-paulo/].
[6]. "Lula ameaça com 'exército' do MST" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/02/lula-ameaca-com-exercito-do-mst.html].
[7]. Cf. [https://www.youtube.com/watch?v=PbVuStr4eQk].
[8]. O discurso do Papa Francisco pode ser assistido neste link: [https://www.youtube.com/watch?v=PbVuStr4eQk]. E o texto acessado aqui: [http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2015/july/documents/papa-francesco_20150709_bolivia-movimenti-popolari.html].
[9]. Idem.
A ESCOLA DE DEFESA SUL-AMERICANA - 11/07/2015
A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) foi constituída dentro dos princípios de integração da América do Sul, com a fusão das duas grandes uniões existentes no continente: o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a Comunidade Andina de Nações. No início de suas atividades com uma visão mercadológica e aduaneira, a Unasul vem-se transformando numa instituição intergovernamental que atua nos campos político e social dos países que a integram.
Ao final de 2008, em cúpula extraordinária da Unasul, foi instituído, por iniciativa do governo brasileiro, um Conselho de Defesa, composto pelos ministros de Defesa dos países integrantes. O conselho é o componente militar da Unasul, cabendo-lhe prioritariamente a criação conjunta de políticas de defesa. Outras missões recomendadas, como intercâmbio de pessoal militar, exercícios operacionais conjuntos, Forças de Paz da ONU e integração de indústrias de defesa, vinham sendo realizadas desde a década de 1980.
Entretanto, quanto à citada criação conjunta – anseio de lideranças que governam a maioria dos países sul-americanos, especialmente os ditos “bolivarianos” –, não existia um órgão específico para os estudos e propostas para tal finalidade. No início do corrente ano, a imprensa brasileira informou o início das atividades da Escola Sul-Americana de Defesa (Esude), com sede em Quito, um centro de estudos que representa, em última análise, um passo efetivo para o pretendido órgão de elaboração de políticas de defesa e, também, a capacitação de civis e militares nos assuntos de defesa e segurança regionais.
No período anterior à criação da Esude não foi observado nenhum debate em nossa sociedade, em nossas Casas Legislativas e muito menos na área militar. Um processo feito no mais alto nível governamental, porém às escuras, com deliberações impostas de cima para baixo, bem à feição das lideranças que nos governam, o que, sem dúvida, identifica o modus operandi gramscista do Foro de São Paulo. O escopo estratégico desse foro é intervir na área militar – principalmente a brasileira –, o que se está consumando de modo flagrante e abre caminho para o seu objetivo maior: a América Vermelha.
Segundo assessores do Ministério da Defesa (MD), a Esud vai gerar uma “confiança mútua” entre os membros da Unasul. Em bancos e currículos escolares será possível, mas, por certo, na prática isso não se dará. As nações ibero-americanas convivem, até os dias atuais, com atritos oriundos de suas respectivas formações. São conflitos que ainda deixam marcas em suas sociedades e, aliados ao forte componente emocional ibérico, poderão ressurgir. Um deles poderá ser o “imperialismo brasileiro”, ainda latente em alguns países fronteiriços. É bom lembrar que Simón Bolívar, o líder maior do “bolivarianismo”, como forma de confrontar o citado imperialismo pregava a integração da América espanhola. O Mercosul é um exemplo. A preocupação dos países integrantes é que o “irmão maior” se vai beneficiar das tratativas comerciais. Talvez o BNDES, com seus expressivos apoios financeiros aos países latinos, possa reduzir essa imagem imperialista.
Assessores do MD ainda informam que a frequência de militares brasileiros em cursos nos Estados Unidos será reduzida. Uma medida incompreensível e preconceituosa. Parece que tal redução advém de uma possível doutrinação americana favorável ao seu regime democrático, diferente da bolivariana a ser ministrada na Esude, que, por seu turno, não vê com bons olhos o “Satã do Norte”, como diria Hugo Chávez. Esse é um sinal claro de como essa escola estará comprometida com a ideologia bolivariana.
A par desse comprometimento ideológico, temas curriculares deverão ser considerados, e um deles será o estudo das personalidades que expressarão simbolicamente a pretendida integração. Simón Bolívar encabeçará a lista por sua capital importância para os países de origem espanhola. Estarão tais temas, sem dúvida, em consonância com a ideologia a adotar nomes como Fidel Castro, Hugo Chávez, Che Guevara, líderes indígenas andinos e outros. Não se tem conhecimento de personalidades históricas brasileiras que apoiaram uma integração latina.
O governo, para demonstrar coerência, deveria indicar como personalidade marcante o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, o sr. Marco Aurélio Garcia, um dos fundadores do Foro de São Paulo, ideólogo confesso das esquerdas e o maior orientador do PT em integração latina, com liberdade para agir superior à do Itamaraty – nesse caso, então, um simples coadjuvante.
Segundo ainda assessores do MD, a Esude terá um desafio para atingir um “consenso sobre uma Estratégia de Defesa comum”. Um desafio esdrúxulo e inexequível, que repercutirá nas doutrinas das Forças Armadas sul-americanas e em sua soberania. Política Nacional de Defesa e Estratégia de Defesa são documentos abertos só no Brasil, país de índole pacifista. Em outros países são documentos reservados por conterem em grande parte hipóteses de conflitos.
No Brasil, por sinal, os documentos teóricos em vigor apresentam um enorme hiato entre as teorias expostas e a prática no preparo e no emprego de suas Forças Armadas. Elas não poderão cumprir adequadamente a sua missão constitucional de defesa territorial e salvaguarda da soberania nacional. O seu poder de dissuasão é limitado e, ano a ano, seus orçamentos diminuem. Esta situação em que se encontram poderia ser reduzida por uma ação efetiva do MD, órgão político de convencimento das autoridades constituídas e do Legislativo quanto à função e relevância da missão constitucional das Forças Armadas brasileiras, bem como da cultura dos necessários e impreteríveis investimentos. Infelizmente, o MD preocupa-se muito mais em complexas, ineficientes e ideológicas ações, como a criação de uma Escola de Defesa Sul-Americana, do que se engajar na solução dos graves problemas que afligem as Forças Armadas nacionais.
*Rômulo Bini Pereira foi chefe EM/MD
"FOI GOLPE DO CUNHA!" - 05/07/2015
Breves apontamentos sobre processo legislativo
A modificação do critério biológico da imputabilidade penal – intitulado, nos meios de comunicação, de redução da maioridade penal – ganhou especial destaque esta semana.
Um dia depois da votação do substitutivo, de autoria do Deputado Laerte Bessa (PR-DF), à proposta de Emenda Constitucional 171/93, que não atingiu o quórum necessário de três quintos dos membros da Câmara dos Deputados para aprovação, foi colocada em votação uma emenda aglutinativa que, desta vez, logrou êxito em ser aprovada, com 325 votos.
É inegável que a partidarização das opiniões já tinha atingido os assuntos políticos e jurídicos. Mas, desta vez, ela atingiu níveis estratosféricos.
Mais uma vez, alguns esclarecimentos se fazem necessários, para que seja colocada ordem às idéias.
Primeiramente, para que se tragam à luz alguns conceitos.
Novamente, peço vênia àqueles que já os tem bem delineados na memória.
A começar, pelo conceito de proposição.
Ela é definida no artigo 100, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, como “toda matéria sujeita à deliberação da Câmara”.
Ela pode ser de atos normativos em geral – da qual é subespécie a proposta de Emenda à Constituição – e de requerimentos, indicações, e propostas de fiscalização e controle, institutos cuja análise não é importante no momento (artigo 138, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados).
Interessa-nos, por outro lado, definir o que é uma proposta de Emenda à Constituição.
Segundo o Dicionário Houaiss – em suas duas primeiras acepções, que são relevantes à presente exposição -, propor é, “1) apresentar (proposta) a, pôr diante de” ou “2) submeter (algo) à apreciação (de alguém); oferecer como opção; apresentar, sugerir”.
E – também na acepção que nos importa – emendar é “fazer modificação em, alterar”.
Logo, uma proposta de Emenda à Constituição consiste na apresentação de um texto, estruturado em redação legislativa, a ser submetido à apreciação do Congresso Nacional, de acordo com o respectivo processo legislativo, destinado a modificar um dispositivo da Constituição Federal.
Uma proposição também está sujeita à emenda, entendida como “a proposição apresentada como acessória de outra” (artigo 118, caput, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados). Por preciosismo, o termo “outra” refere-se à proposição originariamente apresentada.
A emenda pode ser denominada substitutiva quando for “apresentada como sucedânea a parte de outra proposição, denominando-se “substitutivo” quando a alterar, substancial ou formalmente, em seu conjunto” (artigo 118, § 4º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados – grifo nosso).
A emenda pode, ainda, ser denominada aglutinativa, quando for resultado “da fusão de outras emendas, ou destas com o texto, por transação tendente à aproximação dos respectivos objetos” (artigo 118, § 2º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados).
Destaque – ou destaque para votação em separado – é um mecanismo que possibilita a retirada de parte do texto da proposição para votação em separado, voltando a integrá-la em caso de aprovação.
Finalmente, sessão legislativa é o período compreendido no curso de um ano (artigo 57, da Constituição Federal), quando ocorrem as atividades regulares do Congresso.
Estabelecidos e definidos os conceitos a serem utilizados, é possível refletir sobre o que aconteceu na sessão plenária do Congresso Nacional, na noite do último dia 1º de julho.
Foi apresentada em Plenário, para ser posta em discussão e votação, a Emenda Aglutinativa 16 à Proposta de Emenda Constitucional 171/93.
Esse procedimento se vislumbra perfeitamente possível, à luz do artigo 122, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados.
É possível sustentar que o Presidente da Câmara poderia adiar a votação por uma sessão, com base no parágrafo 2º do dispositivo mencionado, mas não se trata de um comando cogente, e sim de uma norma cuja redação confere a ele uma discricionariedade.
Parece-nos óbvio, também, que a votação de uma matéria não se encerra, necessariamente, em um único ato.
Como o próprio nome diz, processo é uma sequência de atos destinados a um objetivo final.
Por conseguinte, processo legislativo é uma sequência de atos destinados a elaboração de um ato normativo.
É uma conclusão natural que nem sempre será possível o encerramento da votação de um projeto de ato normativo com apenas uma sessão plenária. Especialmente na hipótese em discussão, que se refere a um projeto que recebeu vinte emendas.
Outro aspecto que deve ser salientado, pois relevante para apreciar a ordem de votação de um projeto de ato normativo, é que a emenda é um acessório em relação a proposta original, conforme expresso no já mencionado artigo 118, caput, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados.
Chega-se, neste momento, ao ponto nevrálgico desta exposição.
O artigo 191 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados estabelece a ordem de votação entre as emendas e o projeto principal.
Daí se extrai que os substitutivos, na ordem inversa de apresentação – ou seja, do mais recente para o mais antigo –, devem ser votados antes do projeto principal.
Dentre as emendas, também há uma ordem de votação, estabelecida pelo inciso VII do já mencionado artigo 191, ora em análise.
Pois bem.
No dia 30 de junho foi votado o substitutivo apresentado pela Comissão Especial destinada a emitir parecer sobre a matéria, em razão da preferência na ordem de votação (artigo 191, inciso II, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados).
Na sequência, na hipótese de sua não aprovação – o que efetivamente aconteceu no caso em análise -, deveriam ser votadas as emendas ao projeto (artigo 191, inciso V, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados).
Ante a ausência de uma emenda supressiva – entendida como aquela que manda erradicar qualquer parte de outra proposição, nos termos do artigo 118, § 2º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados -, a preferência é de eventual emenda aglutinativa.
A regularidade formal, especialmente com relação ao momento, da apresentação da Emenda Aglutinativa 16, à Proposta de Emenda Constitucional 171/1993, já foi demonstrada. Logo, sua colocação em votação esteve perfeitamente adequada ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados.
Por amor à argumentação, pois há vozes que ecoam nesse sentido, não haveria necessidade de se destacar o texto e, a seguir, requerer sua preferência na votação.
Primeiro, é possível a apresentação de emenda até o início da sessão (artigo 120, inciso I, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados); na hipótese de emenda aglutinativa, por iniciativa dos autores das emendas a serem aglutinadas, por um décimo dos parlamentares ou pelos líderes que representem esse número.
Segundo, a própria ordem de votação, prevista no Regimento Interno, conferia essa preferência à emenda aglutinativa, sem a necessidade de destaque e de pedido de preferência.
O que pode ser discutível é um aspecto material (sobre o conteúdo) da emenda à proposta: se o texto apresentado, apesar da nova redação, acarretou na inclusão da matéria rejeitada na sessão plenária anterior, o que tornaria prejudicada a discussão (artigo 163, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados).
Entretanto, não se trata de procedimento inédito.
Durante a votação do Projeto de Lei 1.210/2007, que propunha alterações para a Lei 9.504/97, que estabelece normas para as eleições, o Presidente da Câmara dos Deputados, à época, Arlindo Chinaglia, assim decidiu:
“Em relação à questão de ordem formulada pelo Deputado Arnaldo Faria de Sá, a Presidência presta os seguintes esclarecimentos: conforme decisão prolatada na semana passada, o fato de a emenda aglutinativa incluir matéria também constante do substitutivo rejeitado não a inviabiliza do ponto de vista regimental, uma vez que se apóia em textos ainda não votados, isto é, todas as emendas apresentadas e o texto inicial.
Ademais, como se destacou na ocasião, a exigência de destaque para que a emenda possa ser aglutinada diz respeito às aglutinativas parciais, ou seja, a serem votadas após a votação de um texto. Como as emendas ainda não foram votadas em blocos, estando pendentes de votação, podem ser aglutinadas, independentemente da apresentação de destaques.
Finalmente, a Presidência procedeu, por meio da Assessoria, a análise da emenda aglutinativa apresentada e constatou que esta tem respaldo nos textos pendentes de votação, estando em condições regimentais de ser apreciada pelo Plenário.”
De todo o exposto, pode-se chegar a algumas conclusões.
Em momento algum esteve encerrada a votação da Proposta de Emenda Constitucional 171/1993.
Enquanto não sobrevier a deliberação sobre todas as partes dessa proposta (que são as emendas) – desde que uma votação não torne prejudicadas as demais e acarrete o encerramento da discussão -, para, finalmente, chegar-se ao debate do projeto principal, não se pode considerar que a discussão sobre uma matéria está encerrada.
Portanto, mesmo que vozes abalizadas digam que houve violação do artigo 60, parágrafo 5º, da Constituição Federal, pois houve repetição de votação de uma matéria já rejeitada na mesma sessão legislativa, uma análise mais detida mostra que essa afirmação incisiva não se sustenta.
Por oportuno, vale lembrar que o STF já se manifestou sobre o assunto, no julgamento do Mandado de Segurança 22.503-3/DF, cujo relator foi o Ministro Marco Aurélio – que, a propósito, já se posicionou em sentido contrário, em entrevista radiofônica concedida no último dia 02 de julho; é certo, entretanto, que ele restou vencido na decisão em apreço -, mas cujo redator do voto vencedor foi o Ministro Maurício Correa:
“1. Não ocorre contrariedade ao § 5º do art. 60 da Constituição na medida em que o presidente da Câmara dos Deputados, autoridade coatora, aplica dispositivo regimental adequado e declara prejudicada a proposição que tiver substitutivo aprovado, e não rejeitado, ressalvados os destaques (art. 163, V).
É de ver-se, pois, que tendo a Câmara dos Deputados apenas rejeitado o substitutivo, e não o projeto que veio por mensagem do Poder Executivo, não se cuida de aplicar a norma do art. 60, § 5º, da Constituição. Por isso mesmo, afastada a rejeição do substitutivo, nada impede que se prossiga na votação do projeto originário. O que não pode ser votado na mesma sessão legislativa é a emenda rejeitada ou havida por prejudicada, e não o substitutivo que é uma subespécie do projeto originariamente proposto.
Mandado de segurança conhecido em parte, e nesta parte indeferido.”
Essa decisão, inclusive, serviu como paradigma para o indeferimento de pedido liminar em Mandado de Segurança 33.630-DF, relatora Ministra Rosa Weber, que ataca expediente semelhante ao discutido, empregado na votação da Proposta de Emenda Constitucional nº 182/2007, que trata do financiamento de campanhas eleitorais.
Portanto, pode-se afirmar que não houve irregularidade formal no procedimento que aprovou a proposta de redução da maioridade penal em primeiro turno de votação, na Câmara dos Deputados, pois se observa que foi obedecido o respectivo Regimento Interno.
Pode-se discutir se o texto da emenda, da forma como foi apresentado – e aprovado -, implicou em repetição de texto de proposta anteriormente rejeitada, o que tornaria a discussão daquela prejudicada. Mas há precedente que afasta essa interpretação.
Algumas considerações poderiam ser feitas, todavia, quanto a outro aspecto de seu conteúdo, principalmente para o que pode ser definido como imputabilidade seletiva.
Mas esse é um assunto para outro artigo.
GRÉCIA: UM REFERENDO MUNDIAL! ANSIEDADE ECONÔMICA E POLÍTICA! - 02/07/2015
1. Neste domingo (05), o governo grego fará realizar um referendo sobre o acordo com a União Europeia e as obrigações do governo grego. Uma vitória do NÃO, defendido pelo governo de esquerda, legitimará as ações de resistência dele em relação às medidas exigidas. O SIM poderá abrir as portas para o acordo, com o governo lavando as mãos, dizendo ter honrado seus compromissos, mas que a decisão foi do povo. Ou renunciando e convocando novas eleições.
2. As consequências do rompimento do acordo com a União Europeia são imprevisíveis, pois enquanto alguns dizem que virá o caos, outros acham que a União Europeia terá que acomodar uma solução.
3. A vitória do SIM aliviará as tensões, pois o acordo seria cumprido, legitimado pelo voto popular.
4. O debate político e econômico passou a incorporar os líderes políticos e grandes economistas, envolvendo a Europa e os Estados Unidos. Lideres políticos europeus a favor do SIM dão entrevistas e gravam para as redes sociais tentando mostrar que a vitória do NÃO seria o caos e só a vitória do SIM permitiria uma transição para a normalidade. O primeiro ministro espanhol tem sido enfático.
5. Os economistas, na sua grande maioria, defendem o SIM. Mas dois grandes economistas, Paul Krugman e Stiglitz, defendem o NÃO em artigos e entrevistas. (Globo, 30/06) “Dois vencedores do Nobel de Economia — Joseph Stiglitz e Paul Krugman — também são contrários à aplicação de mais medidas de austeridade por Atenas. E registraram isso em artigos divulgados nesta segunda-feira em que tecem duras críticas à chamada troika — Banco Central Europeu (BCE), Comissão Europeia (CE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) — e à receita aplicada por eles à Grécia nos últimos cinco anos.”
6. As pesquisas flutuam. Numa delas o SIM tem 57%. Em outra, mais recente, o NÃO tem 47% e há 17% de indecisos.
7. É importante lembrar que o sistema eleitoral grego dá ao partido com maioria simples no parlamento uma bonificação de 50 deputados para formar maioria e, com isso, dar estabilidade ao sistema. Na última eleição em que venceu a esquerda, essa obteve 37% dos votos nominais. Ou seja, para vencer o referendo deste domingo, suas posições deverão ter avançado pelo menos 13 pontos nesses meses de conflito nas negociações. O partido de centro que governava, obteve nessa eleição 28% dos votos, e os demais pulverizados, no entorno dos 5% e abaixo. A expectativa de caos econômico e o fechamento dos bancos reforça a defesa do SIM.
8. A Grécia tem 10 milhões de eleitores inscritos. Na última eleição a abstenção foi de 35%, responsabilidade atribuída às distâncias até às sessões eleitorais e dificuldade de mobilidade. Brancos e Nulos alcançaram 2,3%. Analistas mais confiáveis e estudos dos principais bancos e empresas europeias indicam uma probabilidade maior de vitória do SIM, mas com um resultado apertado, o que poderia exigir renúncia do governo e nova eleição.
9. O mundo político e econômico aguarda com ansiedade o final da tarde de domingo, quando as pesquisas de boca de urna serão publicadas e os resultados começarão a ser divulgados.
OPOSIÇÃO OMISSA - 01/07/2015
Na raiz do problema existe o fato de que falta autenticidade a grande parte dos intitulados “oposicionistas” brasileiros. Os oito anos do “príncipe” da sociologia não sofreram solução de continuidade nos três mandatos petistas, em especial no tocante à administração econômica. Os últimos vinte anos caracterizaram-se por um conjunto de medidas que ilustram uma gestão contínua capaz de ser qualificada como “pai dos pobres e mãe dos ricos”. O processo de deterioração das principais Instituições Nacionais agrava-se a cada dia, sem possibilidade de reversão. As nossas Forças Armadas continuam a sofrer um brutal esvaziamento, sendo obrigadas a aceitar imposições descabidas.
Os petistas possuem o poder informal, somado ao poder formal, propiciado pelo exercício do comando do governo central. Em doze anos já nomearam dezenas de milhares de correligionários para cargos de confiança de alto nível. A cada momento, posições de relevo são ocupadas por eles. A maioria dos integrantes das mais Altas Cortes do Judiciário já foi nomeada por administrações petistas. Grande parte dos maiores empresários do país foi cooptada. Concorrências bilionárias sem as devidas licitações fazem a alegria dos “escolhidos” pelo rei. Através do BNDES grupos poderosos são beneficiados obtendo a concessão de vultosos empréstimos a juros subsidiados, inferiores aos pagos pela “rolagem” da enorme dívida interna. Financiamentos a países “companheiros” são concedidos sem garantia de retorno.
Não bastasse o grave erro cometido, na ocasião do triste episódio do “mensalão”, quando era o momento adequado para cobrar as responsabilidades dos infratores, pugnando pela justa punição deles e pela solicitação do devido impedimento de Lula, a oposição acomodou-se, com medo da reação dos ditos “movimentos populares” ligados ao PT ou por outras razões desconhecidas, mas indefensáveis. Talvez acreditando que Lula sangraria e seria um adversário fácil de ser batido em 2006, o que não aconteceu.
O atual "espetáculo" proporcionado pelos nossos "políticos" é de estarrecer. A troca desenfreada de partidos, o esquecimento das bandeiras defendidas no passado, alianças espúrias efetivadas, o clientelismo desenfreado, o assistencialismo enganoso, o nepotismo desvairado mostram o baixo nível de cultura política existente. A razão verdadeira destes procedimentos está na busca de verbas, cargos e nomeações para garantir a reeleição ou posições mais prósperas. Ora, os distintos chefes políticos tradicionais não estão enxergando um palmo a frente. O PT possui um projeto de poder para no mínimo 24 anos. Lula tentará vir de novo em 2018. Para os partidos aliados está oferecendo "migalhas". O PMDB, então, está engajado no apoio a todas as iniciativas petistas, altamente desgastantes, sem ter uma retribuição compatível ainda.
Constatando-se o poder da mídia, quase que inteiramente dependente das concessões públicas e das verbas publicitárias provenientes em especial da administração federal, encontramos um cenário preocupante. Apesar das diversas correntes que abriga, o PT adota o centralismo democrático modelo cubano e sabe impor a sua vontade aos eventuais contestadores.
Se este panorama for concretizado, com a continuação da "eleição eletrônica" nos viciados moldes atuais e com o controle da maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal nomeados por administrações petistas, estarão criadas as condições para o surgimento de um rolo compressor capaz de implantar uma “democracia bolivariana” no país. Nunca mais o PT abandonará o poder, a exemplo do que está acontecendo na Venezuela, com os seguidores de Chávez, na Bolívia e outros. Em paralelo com o crescente esvaziamento dos demais partidos, em virtude principalmente do fisiologismo, o PT não necessitará mais do apoio de outro partido, pois será forte o suficiente para governar sozinho, como o PRI.
Estarão criadas as condições para a implantação de um partido único, de fato, sectário, radical, perseguidor dos que não pensam como eles, conforme já está ocorrendo nas principais estatais brasileiras, permitindo-se a sobrevivência de alguns, apenas para afirmação da falácia de que vivemos em uma democracia, a exemplo do passado, com a Arena e o MDB. Será que os ilustres dirigentes partidários de outros partidos não estão percebendo o perigo que estão correndo? A única saída é a união de todos, em torno de um projeto democrático, para evitar a ditadura de fato, enquanto é tempo. Na realidade, como na fábula narrando a sociedade entre os porcos e as galinhas, os demais partidos entram com o bacon, enquanto o PT fornece os ovos.
É muito triste assistir as trapalhadas dos “oposicionistas” tentando fazer aquilo que não sabem para tentar evitar a continuidade da facção mais radical e irracional do PT no poder. Falta coragem, competência e capacidade de articulação para mostrar os pecados do desgoverno petista, mostrando um caminho alternativo. Não há um Carlos Lacerda mais. Oposição propondo mais do mesmo é ridícula. E o Projeto Nacional de Desenvolvimento?
Sítio: www.brasilsoberano.com.br
Economista, Professor, Titular Fundador da Academia Brasileira de Defesa e Autor do livro Brasil Soberano.
SOBRE A IMPUTABILIDADE PENAL – ANÁLISE DE (MAIS) UM ARGUMENTO INCONSISTENTE - 01/07/2015
Frequentemente, a redução da maioridade penal é assunto de destaque em vários meios de comunicação. Isso ocorre,sobretudo nos últimos tempos, ante o anúncio do Presidente do Congresso Nacional que os projetos de emenda constitucional e de lei sobre o assunto seriam colocados em discussão e votação, o que efetivamente começou a acontecer no último do dia 30 de junho.
Colocou-se em pauta o substitutivo do Deputado Laerte Bessa (PR-DF) – que previa a redução da maioridade penal apenas aos crimes hediondos e equiparados, homicídio doloso, lesão corporal grave e seguida de morte, e roubo qualificado – à proposta original de Emenda Constitucional 171/93, de autoria do – à época – Deputado Benedito Domingos (PR-DF), onde não consta a distinção de tratamento em razão da natureza da infração penal.
Apesar de a votação do substitutivo terminar com 303 votos a favor, não se atingiu o quórum qualificado necessário – 308 votos – para a aprovação de uma emenda constitucional.
Dedicam-se ao tema vários autores, de diversos ramos das ciências humanas.
No entanto, na última semana, surgiu um novo argumento contrário a essa modificação, cuja abordagem se faz necessária.
É possível encontrar, em alguns sítios na rede mundial de computadores, artigos que relacionam a redução da menoridade penal à possibilidade de se tornar legal o consumo de bebidas alcóolicas e a exploração sexual de menores de dezoito anos.
Ante o fato de que a maioria da população é favorável à redução da maioridade penal, os teóricos que ainda resistem à idéia lançam teses, no mínimo, equivocadas.
Antes de tudo, é necessário colocar as idéias em boa ordem.
Peço vênia, de antemão, àqueles que os tem bem delineados na memória, mas para trazer luz à essa linha de raciocínio e desfazer alguns enganos, é oportuno fazer uma digressão e tecer considerações sobre alguns conceitos.
Primeiramente, aqueles aplicáveis aos ramos do Direito de maneira geral.
Comecemos pela personalidade. Ela é entendida como “a aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações”[1].
Da personalidade se extrai a capacidade, que podemos conceituar como a “aptidão para adquirir direitos e exercer, por si ou por outrem, atos da vida civil”[2].
Finalmente, o conceito de responsabilidade. Juridicamente, em sentido amplo, implica na obrigação de todos os sujeitos de direitos em responder pelas consequências dos atos que praticam.
Responsabilizar alguém “é considerar-lhe responsável por alguma coisa, fazendo-o responder pelas consequências de uma conduta contrária ao dever, sendo responsável aquele indivíduo que podia e devia ter agido de outro modo”[3].
Por sua vez, responsabilidade civil é “a aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar o dano moral ou patrimonial causado a terceiros em razão de ato do próprio imputado, de pessoa por quem ele responde, ou de fato ou coisa ou animal sob sua guarda (responsabilidade subjetiva), ou, ainda, de simples imposição legal (responsabilidade objetiva)”[4].
No Direito Penal, responsabilidade “é a obrigação que alguém tem de arcar com as consequências jurídicas do crime. É o dever que a pessoa tem de prestar contas de seu ato”[5].
Capacidade penal é “o conjunto das condições exigidas para que um sujeito possa tornar-se titular de direitos ou obrigações no campo do Direito Penal”[6].
Imputabilidade é a capacidade que a pessoa tem de compreender o caráter ilícito de sua conduta e de se orientar de acordo com este entendimento.
A capacidade penal surge em um momento anterior à imputabilidade, pois diz respeito a uma condição geral, aferível em toda uma comunidade sujeita à lei penal de um determinado local. A imputabilidade, por sua vez, é aferível no momento contemporâneo ao crime.
O sujeito ativo de um crime é quem pratica a conduta descrita na norma como delituosa.
O sujeito passivo de um crime, por sua vez, “é o titular do bem jurídico lesado ou ameaçado pela conduta criminosa”[7].
Depois dessa rápida digressão, é possível melhor explorar o assunto.
Os diferentes ramos do Direito lidam com o critério etário de forma distinta, de acordo com as particularidades das matérias a serem tuteladas.
O Direito Constitucional estabelece, por um lado, a possibilidade de votar, ou eleger, a partir dos dezesseis anos e, por outro lado, diferentes limites etários para ser eleito, conforme o cargo a ser disputado.
O Direito do Trabalho permite o trabalho ao maior de quatorze anos – como aprendiz -, conferindo, a partir dos dezesseis anos, capacidade para dar recibo de pagamento de salários (artigos 402 e 439, da CLT). É admissível, ainda, o trabalho artístico de crianças, seja com fundamento no ECA (artigo 149, inciso II), ou na Convenção 138, da OIT.
O Direito Tributário prevê a possibilidade de exigir tributo de qualquer pessoa, independentemente da idade, a partir da simples ocorrência do fato gerador.
Aproveitando como exemplo o trabalho artístico de criança: se esta atividade proporcionar ao trabalhador infantil uma renda anual acima da respectiva faixa de isenção, acarretará na incidência do fato gerador de imposto de renda e a obrigará ao pagamento do tributo.
No entanto, sua exigibilidade, em caso de descumprimento desta obrigação, deverá ser cotejada com os conceitos de personalidade e de capacidade, já mencionados, assim como o instituto da representação processual, caso uma demanda judicial seja necessária.
Em um passado recente, sob a égide do Código Civil de 1916, o ordenamento jurídico conviveu com tratamentos etários diferentes para as capacidades civil e penal.
Enquanto se atingia a capacidade civil plena aos vinte e um anos (artigo 9º do Código Civil de 1.916), considerava-se – e ainda se considera – o agente imputável penalmente a partir de dezoito anos (artigo 27 do Código Penal).
Somente tivemos a equivalência entre a capacidade civil plena e a imputabilidade penal com a promulgação do Novo Código Civil, em 2.002.
Desta forma, é de uma clareza hialina que o tratamento de acordo com a idade da pessoa vai depender do bem ou interesse jurídico a ser tutelado.
É perfeitamente possível, dentro do ordenamento jurídico brasileiro, estabelecer especial proteção, conforme o bem ou interesse jurídico a ser tutelado, ao sujeito passivo de uma infração penal de acordo com determinada faixa etária.
O conceito de imputabilidade penal, especialmente em seu aspecto biológico – que é o objeto de nosso tratamento -, em nada isto influencia, pois diz respeito ao pólo oposto da relação jurídica penal, qual seja, ao sujeito ativo.
Superadas e estabelecidas as necessárias premissas, é possível se dedicar especificamente aos argumentos mais recentes que justificariam a manutenção da idade da imputabilidade penal como prevista na Constituição, objetivo desta análise.
Eventual alteração da norma constitucional para a diminuição da maioridade penal não implicará, automaticamente, na modificação do conceito de criança e de adolescente, previsto no artigo 2° da Lei 8.069, de 13 de julho de 1.990.
O dispositivo tem por objetivo conferir especial proteção a determinada fase da vida de pessoas em desenvolvimento, e nada tem a ver com o objetivo de imputar responsabilidade em razão da prática de ato ilícito.
Portanto, é um equivoco afirmar que a mudança legislativa em analise acarretaria na alteração automática do bem jurídico tutelado pelo Titulo VII, do Estatuto da Criança e do Adolescente.
E, por conseguinte, que o consumo de bebidas alcoólicas e participação, de qualquer forma, em produção pornográfica, estaria permitida aos maiores de 16 e menores de 18 anos.
Sob o mesmo raciocínio, incorre-se no mesmo equívoco ao afirmar que essa redução implicará mudanças nas regras para o trabalho em condições especiais (noturno, insalubre, perigoso, etc).
A proteção feita pela norma, nestes casos, não se dá em razão da imputabilidade penal, mas por conta da maior fragilidade do trabalhador em razão de sua faixa etária.
A única mudança que se vislumbra automaticamente possível, em virtude dessa redução, é relativa à obtenção de permissão para conduzir veículos.
Isto porque o artigo 140, inciso I, do Código Nacional de Transito prevê, expressamente, que um dos requisitos a serem preenchidos pelo candidato a condutor é ser penalmente imputável.
Portanto, nesses tempos em que a imensa maioria da população é favorável à redução da idade da imputabilidade penal, é preciso tomar muito cuidado com as teses lançadas por aqueles que são contra essa alteração.
Como se viu, em uma exposição de argumentos contrários à chamada redução da maioridade penal, cujo objetivo é sensibilizar a opinião pública, ante o fracasso das justificativas anteriores, verifica-se uma gritante confusão de conceitos.
O Direito é composto por vários ramos. Longe de serem compartimentos estanques, eles devem formar um conjunto que deve prezar pela unidade no emprego de conceitos e pela harmonia de todo o sistema.
Denota-se, cada vez mais, que se mostra imperiosa uma maior investigação, para compreender com clareza se uma exposição de raciocínio é correta ou equivocada.
A defesa de um posicionamento é perfeitamente válida, mas estamos a viver um momento em que a atenção deve ser redobrada, para que sejam identificadas e descartadas as construções de argumentos que acarretem em confusão e em indução do receptor a erro.
___________________________________
[1] Sílvio de Salvo Venosa, Direito Civil, volume I, 5ª edição, p. 141
[2] Washington de Barros Monteiro, Curso de Direito Civil 1º volume, 31ª edição, p. 57
[3] Adauto de Almeida Tomaszewski em Rui Stocco, Tratado de Responsabilidade Civil, 7ª edição, p. 111
[4] Maria Helena Diniz, em Rui Stocco, Tratado de Responsabilidade Civil, 7ª edição, p.112
[5] Magalhães Noronha, em Damásio E. de Jesus, Curso de Direito Penal 1, 25ª edição, p. 470
[6] Biagio Petrocelli, em Damásio E. de Jesus, Curso de Direito Penal 1, 25ª edição, p. 167
[7] Júlio Frabbrini Mirabete, Manual de Direito Penal, 12ª edição, p. 121
A REFORMA POLÍTICA É UMA MIRAGEM - 29/06/2015
Carecendo de tradição democrática mais profunda, o país que está na sétima Constituição Federal em menos de um século e meio de república necessita redefinir seu formato politico-institucional. O atual não convence mais. Não funciona mais. Não satisfaz mais. Mas segue inabalado.
Mas qual, dentre tantos, seria o adequado? Aquele que melhor conciliar as características nacionais. Para isso, é essencial levar em conta que não há sistema perfeito que tenha satisfeito, satisfaça ou vá satisfazer a unanimidade. Por quê? Porque como tudo na vida, cada um contém os seus defeitos e virtudes, em maior ou menor escala. No Brasil não é diferente. Basta referir que conceitos como cidadania e mandato, ainda que muito abstratos e não chegando ao cotidiano da maior parcela da população, não a impedeM de atribuir níveis acachapantes de desconfiança e rejeição à política e aos políticos a cada pesquisa de opinião que é realizada.
O lamentável é que mesmo diante dessa penúria, a reforma política é apenas uma miragem, uma palavra solta sem conexão. Só existe na teoria, na retórica das entrevistas, das frases-feitas e dos bordões de campanha. Nunca foi objeto de uma agenda parlamentar realmente ambiciosa e conclusiva. Transformada numa espécie de obsessão nacional adornada com argumentos sedutores, foi amesquinhada, virou palavrório, bolor e até piada. Ninguém acredita na sua efetivação. Da distante Comissão Temporária instalada em junho de 1995 para cá, vinte anos e seis legislaturas escoaram sem qualquer mudança, embora o Congresso Nacional tenha produzido um volume considerável de projetos dotados de potencial reformador.
O cenário de falcatruas e de dinheirama desviada evidencia que nem os abalos institucionais mais recentes geraram aprendizado para efetivá-la. Porém, não obstante um parlamento integrado por maiorias auto-interessadas e eficientes na blindagem do modelo atual para sobreviver eleitoralmente, há espaço para reações. Essa fadiga levada quase à exaustão pode ser um campo fértil para pautas menos intrincadas e mais convincentes.
As últimas propostas votadas na Câmara dos Deputados não qualificam a democracia brasileira. Trabalhosa mas possível, a edificação de uma nova engrenagem representativa depende do interesse dos cidadãos não apenas exigi-la como saber de que maneira isso pode realmente aperfeiçoar a modesta democracia do Brasil. Do contrário, o tema continuará raso e saltitando de legislatura em legislatura, como se fizesse parte de uma peça teatral monótona e de longa temporada onde cada ato repete o anterior e não empolga quem assiste mais do mesmo.
Advogado de Direito Eleitoral
TRAGÉDIA GREGA - 28/06/2015
Com poucas exceções, os países da zona do euro compartilham uma longa história de indisciplina fiscal. A dívida pública média mais que dobrou entre 1970 e 1995, passando de aproximadamente 30% do PIB dos respectivos países para mais de 60%. Nos dez anos seguintes ela se reduziu um pouco, mas a partir da crise financeira global de 2008 a dívida pública média aumentou rapidamente, chegando a quase 100% em 2013. Embora todos os países da zona do euro tivessem aumento nas suas dívidas públicas, em dois casos (Irlanda e Grécia) o aumento foi explosivo.
No que diz respeito à acumulação de dívida pública, é razoável que ela ocorra durante períodos de dificuldades econômicas, como guerras ou mesmo recessões, mas não é razoável que ocorra persistentemente ao longo do ciclo econômico. O problema é que a acumulação da dívida tem consequências negativas para o crescimento econômico, em particular quando a dívida se torna grande e sujeita a crises autorrealizáveis.
Considere o caso da Grécia. Em 2007, sua dívida pública representava mais de 100% do PIB e mesmo assim o prêmio de risco relativo a títulos do governo alemão era pequeno. Investidores não consideravam seriamente o risco imediato de calote pelo governo grego e, na ausência da crise financeira de 2008, tratava-se de um cenário plausível. Esta situação representa o que se chama equilíbrio bom. Entretanto, com o advento da crise financeira global, os investidores começaram a questionar cada vez mais este cenário, o que elevou o prêmio de risco e tornou a dívida grega cada vez mais instável, particularmente em função da queda subsequente do PIB.
O rápido crescimento da renda per capita grega até 2009 foi fruto de uma bolha criada pela acumulação de dívida pública e financiada com endividamento externo, pois não teve contrapartida em crescimento de produtividade.
dicionalmente, o déficit público grego ficou, em média, em 11,3% do PIB entre 2008 e 2013, elevando a dívida pública rapidamente de um patamar de 100% do PIB em 2006 para 175% em 2014. Esta rápida acumulação de dívida levou a economia grega a um equilíbrio ruim: da mesma forma que os prêmios de risco no equilíbrio bom eram muito baixos, eles se tornaram exageradamente elevados em 2010 – considerando ainda a descoberta de “contabilidade criativa” na mensuração dos déficits.
Em 2009, no rastro da crise financeira global, a situação econômica da Grécia começou a deteriorar muito rapidamente, o que levou à sua crise autorrealizável. O governo grego começou a perder acesso a mercados e ficou rapidamente claro que não seria capaz de lidar sozinho com esta situação: ou receberia auxílio externo –o que ocorreu – ou decretaria moratória.A deterioração iniciada em 2009 agravou-se pela adoção parcial das condicionalidades impostas pelo acordo de bailout: por um lado, a implantação de um regime de austeridade fiscal requer a redução do déficit público, o que tem um impacto negativo adicional sobre o PIB, já em queda; por outro lado, a não implantação de reformas estruturais impediu os ganhos de produtividade necessários para que a economia grega voltasse a crescer.
A despeito dos ajustes já efetuados, a Grécia ainda precisa de recorrentes socorros financeiros, mas seu governo parece ser incapaz de estabelecer os necessários compromissos de longo prazo. O problema é que as dificuldades econômicas da Grécia têm origem política. O atual partido no poder, o Syriza, tem compromissos com seus eleitores que são incompatíveis com novos acordos com a troika. Adicionalmente, elevados gastos públicos e empreguismo no setor são considerados virtudes pelo eleitor do partido, enquanto reformas pró-mercado são condenáveis. Entretanto, fica o lembrete: sair do euro para poder desvalorizar sua nova moeda apenas reduz os gastos correntes, permitindo que o país sobreviva à margem dos mercados financeiros. Mas ela não resolve os problemas de falta de crescimento de produtividade que comprometem a prosperidade do país.
Ronald Hillbrecht, doutor em Economia pela University of Illinois, é professor do Programa de Pós-Graduação em Economia da UFRGS e especialista do Instituto Millenium.
O MENTIROSO DISCURSO COMUNISTA - 24/06/2015
A década de 1960 foi emblemática como fundamentação para o statu quo ora vigente no planeta, nomeadamente quando a análise recai sobre o continente sul-americano, ainda que não exclusivo deste. Os fatores que interferem nesta assertiva são múltiplos, não obstante possam ser condensados em apenas um: a dependência ideológica latino-americana ao pensamento predominante à época, estampado na famigerada declaração do furibundo ditador cubano, Fidel Castro, e seu escudeiro-mor, Ernesto “Che” Guevara. Um chavão popular ecoava pelos quatro cantos do nosso continente: “Soy marxista-leninista y seré marxista-leninista hasta el último día de mi vida”, bradava ensandecido o autocrata Castro, enquanto todas as emissoras de rádio – exceções feitas a raríssimas e renitentes emissoras “reacionárias” (sic) – o reproduziam incansavelmente, infestando as frágeis e facilmente manipuláveis mentes de educadores e educandos em sentido lato. A juventude, sem realmente saber o porquê, exultava, bradava de forma animalesca, agredia, depredava, ao som da insanidade castrista.
França (essa inesgotável e histórica fonte revolucionária) ditava o tom revoltoso para o mundo. Maio de 1968 tornou-se um marco referencial na história dessa grande e culta nação (um paradoxo), contagiando todo o Ocidente. Nada menos que dez milhões de grevistas e um milhão de estudantes paralisam o país durante um longo e conturbado mês (o “maio vermelho”). Sequer o PC francês consegue atender à reivindicação social maciça, denotando às claras seu papel como mera sucursal do stalinismo soviético. Foucault irá demonstrar isto em sua festejada obra “Vigiar e punir” (1975) [[i]].
Dito movimento em nosso continente se espalha tal qual um rastilho de pólvora. Eclodem conflitos de toda natureza, realimentando (e sobrevalorizando) o pensamento revolucionário cubano que incitava ao motim social. Note-se neste detalhe outro aspecto paradoxal: a maioria dos estudantes revoltosos e dos grupos de trabalhadores irascíveis sequer compreendia o que os movia a tal promoção anárquica; se se perguntasse o motivo a um número aleatório deles (como este escriba o fez à época), invariavelmente a resposta seria fugidia, vaga, não raro centrando-se na reprodução impensada, irracional, das frases de ordem deglutidas à revelia. Descobrir isto era até fácil demais: bastava que se fizesse uma pergunta algo mais profunda (v.g., “o quê você espera de um governo comunista?”), para que se recebessem respostas idiossincráticas, repetidas ao modo ‘papagaio’.
Outro aspecto que merece destaque – cuja vigência perdura até o tempo presente e promete eternizar-se – é a brutal dissonância entre o discurso e a prática (novo paradoxo). Desde seu nascedouro, o marxismo-leninismo defende um discurso teorético que seus próprios discípulos decididamente não o praticam, muito menos o compreendem. E isto se deve a uma característica de cunho genético-filosófico que acompanha o ser humano desde priscas eras: seu exacerbado individualismo. Não há como considerar-se um verdadeiro exemplar de homem livre àquele ser individualista “apaixonado por um ideal social, político ou religioso que prescinde dos que não coincidem com ele ou trata de impor-lhes suas ideias e seus interesses erodindo a liberdade dos demais” [[ii]]. Hegel (1953), ao analisar o comportamento dominante durante a Revolução Francesa, refere à liberdade autodestrutiva ou liberdade irreal como aquela em que o sujeito “trata de transformar o mundo movido exclusivamente por seus interesses subjetivos em contenda com a liberdade dos outros” [[iii]]. Tampouco pode se adjetivar como livre o indivíduo que, acomodado num conformismo amorfo, ou ainda, paralisado pelo temor, submete-se injustificadamente às pressões ou às ordens de outrem.
O que é possível inferir-se de todo o exposto? Que a defesa desvairada e cega de ideologias – a exemplo do marxismo-leninismo, apenas para ficarmos no cerne desta discussão – advém do caráter egocêntrico do ser humano que persiste em ver a realidade através de uma perspectiva própria (ou incutida), o que não lhe permite diferencia-la da realidade fática (sentido lato) que o rodeia. “Entender cabalmente a realidade supõe situar-se frente a ela e tomar consciência de si próprio como algo distinto, ainda que vinculado a essa realidade” [[iv]]. Em sentido prático, a verdadeira lavagem cerebral e doutrinamento forçado a que são submetidos os adictos do marxismo-leninismo lhes cega em tal grau que, a partir de um determinado ponto de conscientização forçada (fixação repetitiva) passam a assumir como assentadas mentiras travestidas de realidades. O discurso ininterrupto, persistente e monocórdio se encarrega de sedimentar tais realidades (sic) até que, nas mentes instáveis dos ouvintes frágeis e despersonalizados, tornam-se verdades insofismáveis. O curioso, neste infausto procedimento de doutrinação, é o número pouco significante dos que se arriscam a contraditar fundamentando suas dúvidas, e que acabam por sucumbir sob o peso truculento e abusivo dos principais algozes, à grosseira pecha de traidores.
Permito-me, neste momento do texto, reproduzir um trecho do artigo da lavra do jornalista José Reinaldo Carvalho [[v]], editor do “Portal Vermelho”, com o intuito de ilustrar o afirmado no parágrafo anterior, lembrando ao leitor o fato de este excerto transcrito corresponder apenas a um microscópico grão de areia, na vastidão imensurável do deserto discursivo de milhões de indivíduos como ele, a serviço da mentira e da enganação desvairada e descarada, em prol do marxismo-leninismo hediondo e odioso. Assevera este senhor:
[...] 70 anos depois da vitória dos povos contra o nazi-fascismo, a burguesia e o imperialismo continuam a perpetrar monstruosidades, o sistema capitalista exibe as suas incuráveis chagas e lancinantes contradições, os direitos dos trabalhadores são vilipendiados, a insegurança quanto ao futuro da humanidade é persistente, o direito internacional é aviltado, a paz é ameaçada e o perigo de guerra é corriqueiro e banalizado. [todos os grifos são nossos]
Quanta ousadia e quanta ignorância! Quão fácil é perverter a ignara plebe, sedenta por ser enganada, pisoteada, subvertida. “Monstruosidades”, senhor jornalista, são todas as práticas levadas a termo pelas forças de Fidel e Che Guevara naquilo que cognominaram de “revolução” (melhor seria morticínio desvairado) e que se assemelha mais ao sequestro de todo um povo, mantendo-o em grilhões durante 56 longos anos, assassinando sumariamente os que se insurgiam contra as imposições ditatoriais dos celerados comandantes, expropriando-lhes todos os seus bens e direitos fundamentais, a começar pelo mais sagrado deles, lavrado a ferro e sangue em cláusula pétrea universal: o direito à liberdade. “Monstruosidades” são os atos irracionais e doentios dos dinásticos norte-coreanos, Kim Il-sung, Kim Jong-un e Kim Yong-nam, autoproclamados líderes supremos e eternos, auto-investidos do direito de assassinar qualquer um que se aventure na ousadia de se opor a regime tão hediondo e destrutivo. “Monstruosidades” foram os atos covardes dos mentores da Revolução Bolchevique de 1917 (Rússia), quantificando nada menos que 20 milhões de mortos, em nome das grosseiras e doentias elucubrações de indivíduos como Lênin, Stálin e seus ensandecidos asseclas seguidores. Um quadro extraído da obra editada por Stéphane Courtois (“Le livre noir du communisme: Crimes, terreur, répression” – 1997) expõe alguns números que bem comprovam o que são monstruosidades perpetradas durante os governos que regiam-se (e assim persistem) pelo terror [[vi]]:
Mortos pelo regime comunista – por ordem decrescente:
? República Popular da China: 65 milhões
? União Soviética: 20 milhões
? Coreia do Norte: 2 milhões
? Camboja: 2 milhões
? África: 1,7 milhões
? Afeganistão: 1,5 milhões
? Vietnã: 1 milhão
? Regimes comunistas Europa Oriental: 1 milhão
? Cuba e outros países de América Latina: 150 mil (mínimo estimado)
Num total aproximado de 100 milhões de inocentes (94 milhões, 350 mil indivíduos, resultante da soma dos números ora expostos), o tão propalado regime comunista (marxista-leninista) exterminou até o presente nada menos que 1,5% da população mundial atual, o que, convenhamos, é número assaz considerável, quando observado sob o corte de uma Ideologia do Imbecil Coletivo, termo cunhado pelo brilhante pensador Olavo de Carvalho. Comparativamente, ainda, vejam-se estes outros parâmetros: (1) na I Guerra Mundial houve um total de baixas da ordem dos 11 milhões; (2) na II Guerra Mundial, esse número ascendeu a pouco mais de 72 milhões; o conflito USA-VIETNÃ ceifou a vida de aproximadamente 1,5 milhão de vietnamitas (civis e militares) e 60 mil militares norte-americanos; (3) na Guerra Civil Chinesa (1928-1936) houve um total de baixas de 2 milhões de militares; na segunda versão desse conflito entre nacionalistas e comunistas (1946-1949), o número de baixas alcançou quase 3 milhões; (4) os dois conflitos armados sino-japoneses (1894-1895/1937-1945) ceifaram uma média de 2,5 milhões (dos quais 500 mil eram comunistas) [[vii]]. Grosso modo, todos estes conflitos não alcançaram o total de mortos pelo regime comunista exposto no quadro destacado acima; praticamente, chegaram apenas mui próximo dos 100 milhões de vítimas (93,7 milhões de mortes). Comparativo que remete a sérias reflexões a partir de uma questão: quem matou mais até agora, o regime comunista ou o somatório dos demais conflitos – as duas Grandes Guerras e os conflitos localizados –? A resposta está claramente expressa nos números acima, desde que considerada criteriosamente a variável que interfere em cada grupo de conflitos: os derivados do comunismo são puramente ideológicos (o que, convenhamos, é um absurdo contrassenso), enquanto os outros se fundam em raízes marcantes de disputa territorial, disputa pura de poder político hegemônico, etc.
Abrindo um breve parêntesis, necessário destacar-se que a belicosidade é parte inerente ao ser humano, é uma falha de projeto (como defendo em minha tese de 1976: “O homem: esse projeto mal-acabado”) intimamente ligada à sua ânsia de poder, de sobreposição em relação aos seus semelhantes, de busca extenuante pela supremacia social. Esta característica, essencialmente humana, denota sua aversão à vida em sociedade, um dos grosseiros cancros que corroem a espécie. Em suma, ela é autodestrutiva e heterofágica (por simples analogia). Autodestrói-se e também destrói a vida em seu entorno, lato senso.
Daí que as palavras do jornalista José Reinaldo Carvalho – supracitadas – são inaplicáveis a estratos ideológicos específicos, visto sua asserção estar equivocada ao estratificar tendências político-ideológicas em de direita e de esquerda. Nada mais obtuso e infundado. Mera retórica andrajosa que serve aos interesses vis do espúrio sectarismo comunista e todo o seu aparato alienante. Desafio o leitor a que exponha, com exemplos concretos e incontestáveis, uma (e apenas uma) nação regida pelo sistema comunista que seja representativa de um modelo social irretocável, justo, equânime – como apregoam os discursos ensandecidos dos falsos líderes dessa verdadeira seita fanática –. Não a encontrarão, simplesmente porque é utópica. China, Vietnã do Norte, Coréia do Norte, Rússia, Venezuela, Equador, apenas para ficar nestes exemplos emblemáticos, são nações conturbadas, ditatoriais, de governos truculentos e ensandecidos, cuja “justiça social” inexiste e, em seu lugar, erguem-se modelos de submissão total e incondicional da população aos desígnios nada louváveis dos seus mandatários despóticos. Onde reside, então, a “vantagem” (sic) de sua supervalorização em relação ao modelo capitalista? O silêncio é a melhor resposta.
À guisa de encerramento, vale duplamente sublinhar o maior paradoxo do discurso marxista-leninista: a grosseira dicotomia povo x governo. Ao povo cabe ser incondicionalmente submisso para fazer jus ao mínimo indispensável à sua existência (alimentação básica, saúde básica, educação básica, lazer básico...) e ao governo (e aos seus arautos) lhe é permitido extrapolar em todos os aspectos, a fim de poder satisfazer (sic) as necessidades básicas do povo. Curioso, não? Se o comunismo se apresenta como uma “ideia reguladora” (ao estilo de Kant), o marxismo colide frontalmente com essa concepção, ao defender sua tese de pretender ser um “movimento efetivo que suprime o estado atual das coisas” [[viii]], assumindo os contornos de uma crença moral, no sentido de autojustificar-se como ator da causa da emancipação de um povo. Algo deveras inusitado.
Concluo com uma reflexão:
Se o Estado e o capital (como afirma o pensamento comunista) pretensamente são responsáveis pela monopolização das forças da sociedade, a criação de um Estado controlado por um Partido (o comunista) não representaria similar monopólio das forças sociais, mas agora com o agravante da obediência cega e do trabalho escravo?
Com a palavra, o leitor.
Juan Y. Koffler A. é Professor Doutor, Cientista Jurídico-Social, Professor-Orientador Mestrado & Doutorado (Professor de Metodologia Científica da Investigação), Escritor, Sociólogo, Autor da tese de doutorado “O homem: esse projeto mal-acabado” (1976 – Universidad Complutense de Madrid), Autor de várias obras (“Ira dos Tempos”, “Central de Negócios”, “Empresa ou Inferno Familiar?” [organizador/revisor], “Direito à Vida, Direito à Morte” [em revisão, no prelo], dentre outras), Articulista internacional, Tradutor Trilíngue. Contato: johnny.koffler@gmail.com – Site: http://www.militar.com.br/blog-de-jkoffler-19592.
ENTREVISTA DO DEP. MARCEL VAN HATTEM AO JORNAL DO COMÉRCIO - 15/06/2015
Marcus Meneghetti, jornalista
O deputado estadual Marcel Van Hattem (PP) - o parlamentar mais jovem da Assembleia Legislativa, com 29 anos - acredita que o contingenciamento orçamentário promovido pelo governo de José Ivo Sartori (PMDB) deve preservar três secretarias: educação, segurança e saúde. Para Van Hattem, é possível economizar mais em outras áreas para preservar as três que, na sua opinião, são as prioritárias. O parlamentar defende que é preciso "eliminar gastos supérfluos, vender empresas estatais que não têm mais sentido".
Van Hattem pondera que ainda é cedo para fazer um juízo da gestão Sartori, mas acredita que o governador vai ter coragem para tomar as medidas necessárias para superar a crise financeira do Estado, que, na opinião do parlamentar, foi bastante agravada pelas gestões petistas dos ex-governadores Tarso Genro (2011-2014) e Olívio Dutra (1999-2002).
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, diz ainda que há uma "crise moral na política nacional", que, na sua avaliação, foi desencadeada pelos escândalos de corrupção nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT, 2003-2010) e da presidente Dilma Rousseff (PT).
Quanto à investigação de parlamentares do PP - inclusive gaúchos - envolvidos nesses escândalos, o deputado estadual se disse surpreso com a menção da bancada do Rio Grande do Sul, mas não com o envolvimento de membros do diretório nacional do seu partido. Van Hattem comenta ainda a reforma política em curso no Congresso Nacional e atribui ao "fisiologismo" a aproximação do PP nacional com o PT.
Jornal do Comércio - Alguns cortes de gastos promovidos pelo governador Sartori neste primeiro semestre de gestão foram bem polêmicos, como, por exemplo, o corte das horas extras na Brigada Militar. Como avalia essas medidas?
Marcel Van Hattem - Vejo como cortes feitos em uma situação emergencial, em um estado que realmente não tem dinheiro em caixa e que precisava achar uma forma de fechar as contas no final do mês. Eu faria toda a força necessária para preservar as principais áreas de atuação do Estado. A primeira delas é segurança. O cidadão não tem como resguardar seus direitos à vida, à propriedade e à liberdade se não houver segurança. As outras duas são educação e saúde. Acredito que o governador quer priorizar essas áreas, seja com os projetos que foram protocolados (na Assembleia) recentemente, seja com os que forem protocolados mais adiante, em uma tentativa de compensar (essas áreas) com algum investimento. Acho que vai priorizar essas áreas, cortando investimento de outras para compensar investir nessas. Mas, para isso, precisa eliminar gastos supérfluos, vender empresas estatais que não têm mais o menor sentido... Por exemplo, a Corag. Não faz sentido o Estado ter uma gráfica pública, ainda que diga que lucra. Bom, lucra, sim. Mas tem condição monopolística do mercado. Desvirtua o foco da ação estatal. Os órgãos públicos, a Assembleia Legislativa só imprimem na Corag. Não há uma livre concorrência.
JC - Há espaço suficiente para avançar em outras áreas do governo para preservar o orçamento da saúde, educação e segurança?
Van Hattem - Acredito que é possível reduzir mais em outras áreas para não precisar cortar nas essenciais. O governador está tendo que tomar medidas contingenciais. Ele assumiu faz pouco tempo. Têm áreas que podem ser melhoradas apenas com a gestão. Educação, por exemplo. Muitas coisas podem ser utilizadas nas áreas de educação inspiradas em sucessos de outros estados. Mais gestão, mais meritocracia fazem com que, mesmo que haja uma redução do orçamento, se ganha produtividade sem mexer em salários, por exemplo.
JC - Embora o governo Sartori não tenha nomeado todos os cargos em comissão (CCs) deixados pelo ex-governador, não excluiu os postos, o que gera a especulação de que podem ser ocupados ao longo da gestão. Qual a sua posição? Os cargos deveriam ser extintos?
Van Hattem - Acho que sim. Acho bom que extinga para não ter a tentação de colocar mais (nomeados nos postos). Depois, vai reduzindo mais. A única direção é para baixo. Reduzindo mais e mais (o número de CCs). O ideal seria a extinção total, ou praticamente total. A administração pública deveria ter caráter técnico. Talvez, uma ou outra diretoria com CC. E deu. De qualquer forma, é bom que o corte seja respeitado pelos secretários para que comecem a entender que a máquina pode andar com um número menor (de CCs). Essa é a pragmática da medida. E, nesse caso, a não nomeação de 30% de cargos em comissão, que foi a determinação do governador Sartori, é um bom número. Além disso, o mesmo problema que existe em Brasília se repete no âmbito estadual, que é o apoio a um governo, a formação de maioria, através da estrutura histórica, da participação no alto escalão, nomeação de CCs. Se desse para ser resolvido de uma vez, tenho certeza que o governador resolveria. Já enxugou o número de secretarias. E acho que dá para enxugar mais. Na visão de um liberal, poderia trabalhar com quatro ou cinco. Mas há de se fazer o possível para ter base dentro do Parlamento também. Então, são coisas gradativas.
JC - Como avalia o governo da presidente Dilma?
Van Hattem - Existe uma crise política evidente, acompanhada de uma crise moral. Fica cada vez mais evidente que o projeto do PT, que entra no 13º ano no governo federal, não é um projeto de governo, mas um projeto de poder. Os escândalos que surgiram nos últimos anos mostram que, para o PT, o importante é manter esses esquemas de corrupção para continuar no poder, mesmo que seja necessário comprar a base aliada. Além disso, o próprio governo Dilma tem uma administração fraca. Tanto que está tendo que fazer, mais uma vez, um ajuste fiscal e colocando, mais uma vez, os custos sob a sociedade que tem que pagar novos impostos. Nada ou muito pouco se faz para reduzir a burocracia que atravanca os empreendimentos. Para se arcar com o custo do governo, se aumenta impostos, aumenta a energia elétrica e não se cortam custos. Não se fala em cortar ministérios, nem em diminuir competências, nem em uma verdadeira reforma política.
JC - Também mencionou uma crise moral na política...
Van Hattem - Percebo dois problemas principais no que diz respeito à crise moral na política brasileira. O primeiro é o fato de que a política virou profissão. Se os políticos têm os seus próprios problemas como uma classe profissional, cada classe cuida dos seus interesses, enquanto eles cuidam dos dele. O problema desse raciocínio é que os políticos acabam se perpetuando no poder. O segundo ponto é o distanciamento dos partidos políticos da sociedade. E isso é culpa do próprio sistema partidário, com partidos de caráter nacional, dominados por caciques que estão ali para distribuir entre seus amigos os frutos obtidos tanto de empresas quanto do setor público. Os partidos não surgem no seio da sociedade civil, porque, para serem criados, são necessárias centenas de milhares de assinaturas. Ou seja, no momento que o cidadão quiser criar um partido, já precisa ter uma estrutura enorme, tanto de recursos financeiros quanto recursos humanos. Por isso, muitos desistem. Um dos motivos por trás disso é impedir que hajam mais partidos para dividir a verba do fundo partidário. Não se quer distribuir esse bolo com mais gente.
JC - É a favor da criação de novos partidos?
Van Hattem - Não defendo nem que haja mais, nem que haja menos. Defendo que cada pessoa possa ter a liberdade para criar o partido se quiser. Pode ser que surjam dois ou 10 mil. Mas o importante é que partido nenhum tenha acesso ao fundo partidário. Não sou favorável ao fundo partidário. Não sou favorável que o dinheiro dos meus impostos sirva para financiar uma ideologia com a qual eu não concordo. Fundo partidário é dinheiro de todo o cidadão brasileiro para financiar partidos brasileiros existentes. Então, se eu concordo com uma ideologia que não é representada em nenhum dos partidos existentes, o meu dinheiro está financiando outras ideologias e não está podendo financiar a minha própria. Acho que partidos políticos devem sobreviver de receitas da população diretamente envolvidas na criação desse partido.
JC - Então, defende que os partidos se autofinanciem...
Van Hattem - Como qualquer associação da sociedade civil. No Brasil, cria-se todos os tipos de subterfúgio para que mesmo as associações da sociedade civil recebam recursos do Estado. A própria discussão sobre financiamento exclusivamente público de campanha é uma cortina de fumaça, utilizada por aqueles que roubaram do patrimônio público para colocar sobre empresas privadas a culpa pelos fatos de eles mesmos serem ladrões.
JC - Então, defende o financiamento privado...
Van Hattem - Pessoa física. Preferencialmente, pessoa física.
JC - Mas não exclui o empresarial...
Van Hattem - Não excluo o empresarial. Prefiro o de pessoa física. E, entre empresarial e público, prefiro o empresarial. Mas, com limites, com regulação. O financiamento público privilegiaria o PT e o PMDB, que são as maiores bancadas, já que a divisão seria proporcional ao tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados. É uma discussão patife do início ao fim.
JC - Como avalia o caso do PP, em que a instância gaúcha do partido é dissidente da nacional?
Van Hattem - O PP do Rio Grande do Sul talvez seja o mais ferrenho opositor (ao diretório nacional) dentro do partido. Sempre fomos oposição aos governos do PT. Quando se anunciou que a presidente Dilma buscaria o apoio do PP em sua reeleição, organizei um abaixo-assinado junto às bases. Enviamos ao presidente nacional, que, de forma autocrática e ditatorial, sequer deu conhecimento do abaixo-assinado. Aí, fez aquela negociação deplorável do tempo de TV para apoiar o PT. Enquanto isso, aqui, no Rio Grande do Sul, apoiamos Aécio Neves (PSDB). Quando me filiei ao PP, o partido não fazia parte do governo Lula. E, na verdade, a própria ideologia do partido não tem ponto de encontro com a ideologia do PT. Nunca fez sentido ideológico a participação do PP no governo (federal) do PT.
JC - Se não tem afinidade ideológica, por que aconteceu essa aproximação?
Van Hattem - Fisiologismo. No nosso presidencialismo de coalizão, o presidente precisa buscar apoio no Congresso Nacional depois da eleição. Por isso, a cada votação importante, o governo precisa negociar verbas, cargos e favores. E, para o PT, que tem 16% ou 17% das cadeiras na Câmara dos Deputados, é muito mais interessante conseguir o apoio de bancadas relativamente grandes, que garantam 40 ou 45 votos, do que buscar o apoio dos partidos menores, ainda que sejam ideologicamente mais alinhados com o PT. Esse é o primeiro motivo para o PP ir parar na base do PT. O segundo motivo é que o PP, assim como praticamente todos os partidos no Brasil, justamente pelo fato de o Estado ser tão grande e a sociedade esperar tanto dos políticos, precisa circundar o poder para obter benesses. A principal delas era a emenda parlamentar. Os parlamentares votavam com o governo para garantir a liberação das emendas para a sua região e, por consequência, angariar votos.
JC - Embora o PP gaúcho critique a postura do diretório nacional, todos os deputados federais do PP gaúcho da legislatura passada foram citados na lista de investigados pela Operação Lava Jato. Como recebeu essa notícia?
Van Hattem - Recebi com muita surpresa. As bases, os filiados, quem acompanha política, independentemente de qual partido seja, recebeu a notícia com muita surpresa. Eles foram citados, não são réus, estão agora dando seus depoimentos. Garantem que não têm a ver com o escândalo, e estamos aguardando os pronunciamentos das entidades federais para que essa página seja passada a limpo e virada. Depois da notícia, tive acesso à íntegra da delação premiada, e o que mais me surpreendeu foi que quase todos os deputados foram citados uma única vez, alguns foram citados mais vezes. Mas a presidente foi citada 11 vezes.
Perfil
Marcel Van Hattem nasceu em Dois Irmãos, em 8 de novembro de 1985. É filiado ao PP desde os 17 anos. Sua primeira participação na política aconteceu do Colégio Pio XII, de Novo Hamburgo, em 2002, quando foi eleito vice-presidente do grêmio estudantil. Em 2009, foi um dos líderes da chapa de direita que venceu as eleições para o Diretório Central de Estudantes, da Ufrgs, historicamente comandado por estudantes de esquerda. Em 2004, começou a faculdade de Relações Internacionais na Ufrgs, mas não veio morar na Capital, pois elegeu-se vereador na sua cidade natal. Depois de se formar e cumprir o mandato na Câmara Municipal de Dois Irmãos, concorreu a deputado estadual. Entretanto, não foi eleito e passou a se dedicar aos estudos. Concluiu, em 2008, a pós-graduação na Ufrgs em Economia, Direito e Democracia Constitucional. Em 2011 e 2012, fez o curso de mestrado em Ciência Política na Universidade de Leiden, na Holanda. Neste ano, assumiu como deputado estadual - fez 35.345 votos nas eleições de 2014.
BASTA! FORA! - 12/06/2015
(Diário do Comércio em 11/06/2015)
O único partido da História que fomentou uma revolução contra si mesmo tem a obrigação de ser coerente e desaparecer do cenário o mais breve possível. Volto a explicar, agora ponto por ponto, a catástrofe estratégica monstruosa com que o PT destruiu a si mesmo e à nação.
1. No incipiente capitalismo brasileiro, as grandes empresas são quase sempre sócias do Estado, o único cliente que pode remunerá-las à altura dos serviços que prestam.
2. Por isso elas acabam se incorporando ao “estamento burocrático” de que falava Raymundo Faoro: o círculo dos “donos do poder”, que fazem da burocracia estatal o instrumento dócil dos seus interesses grupais, em vez da máquina administrativa impessoal e científica que ela é nas democracias normais.
3. Nesse sentido, o sistema econômico brasileiro não é capitalista nem socialista, mas sim patrimonialista, como destacaram, além do próprio Faoro, vários estudiosos de orientação liberal, entre os quais Ricardo Velez Rodriguez, Antonio Paim e o embaixador J. O. de Meira Penna.
4. Nos anos 70 do século passado os intelectuais de esquerda que sonhavam em formar um grande partido de massas tomaram conhecimento do livro de Raymundo Faoro, Os Donos do Poder. Formação do Patronato Político Brasileiro, então lançado em aumentadíssima segunda edição, e entenderam que o curso normal da revolução brasileira não deveria ser propriamente anticapitalista, mas antipatrimonialista: o ponto focal do combate já não seria propriamente “o capitalismo”, e sim – com nomes variados -- o “estamento burocrático”.
5. A definição do alvo era corretíssima, mas, ao mesmo tempo, o partido, como aliás toda a esquerda nacional, estava intoxicado de gramscismo e ansioso por tomar o poder por meio dos métodos do fundador do Partido Comunista Italiano, que preconizavam a infiltração generalizada e a “ocupação de espaços” destinadas a criar a “hegemonia”, isto é o controle do imaginário popular, da cultura, de modo a fazer do partido “o poder onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.
6. A aplicação do esquema gramscista obteve mais sucesso no Brasil do que em qualquer outro país do mundo. Por volta dos anos 80, o modo comunopetista de pensar já havia se tornado tão habitual e quase natural entre as classes falantes no país, que os liberais e conservadores, inimigos potenciais dessa corrente, abdicaram de todo discurso próprio e, para se fazer entender, tinham de falar na linguagem do adversário, reforçando-lhe a hegemonia ideológica, mesmo quando obtinham sobre ele alguma modesta vitória eleitoral em troca. Entre os anos 90 e a década seguinte, toda política “de direita” havia desaparecido do cenário público, deixando o campo livre para a concorrência exclusiva entre frações da esquerda, separadas pela disputa de cargos apenas, sem nenhuma divergência séria no terreno ideológico ou mesmo estratégico.
7. O sucesso da operação produziu sem grandes dificuldades a vitória eleitoral de Lula numa eleição presidencial na qual, como ele próprio reconheceu, todos os candidatos eram de esquerda, o que canalizava os votos quase espontaneamente na direção daquele que personificasse o esquerdismo da maneira mais consagrada e mais típica.
8. Com Lula na Presidência, intensificou-se formidavelmente a “ocupação de espaços”, fortalecendo a hegemonia ao ponto de levar ao completo aparelhamento da máquina estatal pelo comando comunopetista, que ao mesmo tempo precisava da ajuda das grandes empresas para cumprir o compromisso assumido no Foro de São Paulo, coordenação estratégica da política comunista no continente, no sentido de amparar e salvar do naufrágio os regimes e movimentos comunistas moribundos espalhados por toda parte.
9. Inevitavelmente, assim, o próprio partido governante se transformou no “estamento burocrático” que ele havia jurado destruir. E, imbuído da fé cega nos altos propósitos que alegava, atribuiu-se em nome deles o direito de trapacear e roubar em escala incomparavelmente maior que a de todos os seus antecessores, sem admitir acima de si nenhuma autoridade moral à qual devesse prestar satisfações. O próprio sr. Lula expressou esse sentimento com candura admirável, afirmando-se o mais insuperavelmente honesto dos brasileiros, ao qual ninguém teria o direito de julgar – e isso no momento em que seu partido, abalado por uma tremenda sucessão de escândalos, já era conhecido no país todo como o partido-ladrão por excelência.
10. Assim, não apenas o PT fortaleceu o patrimonialismo, como frisou o cientista político Ricardo Velez Rodriguez, mas se transformou ele próprio na encarnação mais pura e aparentemente mais indestrutível do poder patrimonialista, soldando numa liga indissolúvel a ilimitada pretensão esquerdista ao monopólio da autoridade moral, os anseios do movimento comunista continental, os interesses de grandes grupos industriais e bancários, o aparato cultural amestrado (mídia, show business, universidades) e, last not least, o instinto de sobrevivência da classe política praticamente inteira.
11. Tal foi o resultado da síntese macabra que denominei faoro-gramscismo -- a tentativa de realizar por meio da estratégia de Antonio Gramsci a revolução antipatrimonialista preconizada por Raymundo Faoro: na medida em que, ao mesmo tempo, instigava o ódio popular ao “estamento burocrático” e, por meio da “ocupação de espaços”, se transfigurava ele próprio no inimigo odiado, personificando-o com traços repugnantes aumentados até o nível do absurdo e do inimaginável, o PT acabou por atrair contra si próprio, em escala ampliada, a hostilidade justa e compreensível da população aos “donos do poder”, aos príncipes coroados do Estado cleptocrático.
"NÓS ENCONTRAMOS O INIMIGO E ELE SOMOS NÓS", DIZ O PERSONAGEM POGO, CRIADO POR WALT KELLY(1913-1973)
12. Ao longo do processo, a “ocupação de espaços” reduziu o sistema de ensino e o conjunto das instituições de cultura a instrumentos para a formação da militância e a repressão ao livre debate de ideias, destruindo implacavelmente a alta cultura no país e, na mesma medida, estupidificando a opinião pública para desarmar sua capacidade crítica. Ao mesmo tempo, no desejo de agradar a vários “movimentos de minorias” enxertados no Brasil por organismos internacionais, o governo petista fez tudo o que podia para desmantelar o sistema dos valores mais caros à maioria da população, contribuindo para espalhar a confusão moral, a anomia e a criminalidade, esta última particularmente favorecida por legislações que não se inspiravam propriamente em Antonio Gramsci, mas numa fonte mais remota do pensamento esquerdista, a apologia do Lumpenproletariat como classe revolucionária, muito em voga nos anos 60 do século XX.
O Brasil que o PT criou é feio, miserável, repugnante, tormentoso e absolutamente insustentável. Cumprida a sua missão histórica de encarnar, personificar e amplificar o mal que denunciava, o único partido da História que fomentou uma revolução contra si mesmo tem a obrigação de ser coerente e desaparecer do cenário o mais breve possível.
Por isso a mensagem que o povo lhe envia nas ruas, nos panelaços, nas vaias e nas sondagens de opinião é hoje a mesma que, em circunstâncias muito menos deprimentes e muito menos alarmantes, surpreendeu o desastrado e atônito presidente João Goulart em 1964:
- Basta! Fora!
CONTRA A DEMAGOGIA NA ESCOLA - 04/06/2015
Importante entrevista nas páginas amarelas de VEJA essa semana, com o matemático Nuno Crato, ministro da Educação e da Ciência em Portugal (favor não comparar seu currículo ao de Aloizio Mercadante, para não humilhar tanto a ex-colônia). Crato tem atacado o “eduquês”, a pedagogia romântica e construtivista nas escolas. Ele está certo! Logo no começo, ele explica melhor o que está condenando:
Minha crítica bate de frente com uma linha muito celebrada nas escolas de hoje. É uma corrente que dá ênfase excessiva às atitudes e à formação cívica do aluno e deixa em segundo plano o conhecimento propriamente dito. Pergunto: como investir em educação cívica se o estudante não consegue nem ler o jornal?
Infelizmente, muitos educadores levaram suas ideologias esquerdistas para dentro da sala de aula. Antigamente, ensinava-se a ler e a escrever, a fazer contas, enquanto hoje se “ensina” que é preciso ter “consciência social”, sem falar de toda a doutrinação ideológica absurda.
Alunos, cada vez mais cedo, são expostos à visão de mundo desses professores, que enfiam goela abaixo desses imberbes indefesos a noção marxista de “opressores e oprimidos”, tão disseminada por Paulo Freire e sua “pedagogia do oprimido”. Pelo visto, “aprender” que o homem branco ocidental era malvado e dominou as pobres minorias é mais importante do que saber ler direito e fazer contas.
Além disso, os métodos tradicionais de ensinar e cobrar dos alunos são atacados por esses pedagogos modernos. Eles partem da premissa de que os alunos não devem ser tão cobrados, que cada um tem seu próprio ritmo, que não é correto instaurar competição em sala de aula por meio de provas e coisas do tipo. Crato responde:
Muitos batem na tecla de que prova faz mal. Acham que ela submete o aluno a um alto grau de stress, sem necessidade. Vão aí na contramão do que afirmam os grandes pesquisadores. Eles já sabem que, ao ser questionada e posta a refletir sobre um conteúdo, a criança consegue absorvê-lo melhor, avançando no conhecimento.
Mais à frente, ele argumenta que essa visão que, no fundo, parece idealizar a criança e rejeitar qualquer forma de autoridade em sala de aula, acaba produzindo apenas desordem:
Esse grupo de educadores admite que o aluno pode ser no máximo incentivado a respeitar a ordem na sala de aula, mas nunca, sob nenhuma hipótese, ele deve ser forçado a fazer isso. Nesse caso, não é preciso de muita ciência para saber que o resultado final será muita bagunça e pouco aprendizado.
O construtivismo, ou a modalidade atual da idéia de Piaget, é alvo de mais ataques legítimos na entrevista:
Um mestre tem o dever de transmitir a seus alunos os conteúdos nos quais se graduou. E, sim, precisa ter objetivos bem claros e definidos sobre o que vai ensinar. É ingênuo achar que o estudante vai descobrir tudo por si mesmo e ao seu ritmo, quando julgar interessante. Quem de bom-senso tem dúvida de que, se a criança puder esperar a hora que bem lhe apetecer para mergulhar num assunto, talvez isso nunca aconteça?
Nuno Crato ainda defende a memorização, a imposição de leitura, algum grau de decoreba, a importância de excessivos exercícios de matemática para fixar bem a matéria, que é cumulativa, enfim, trata-se de um resgate dos métodos mais tradicionais de ensino, hoje tão rechaçados pela pedagogia moderna. Crato reconhece o obstáculo:
As sociedades hoje frequentemente não valorizam o conhecimento rigoroso, aquele que exige método, empenho e exercício para ser bem sedimentado. Acham que as crianças vão acabar aprendendo matemática por osmose. Mas elas não aprendem. As avaliações costumam ser impiedosas ao escancarar as deficiências.
Por fim, como não poderia faltar, Nuno defende a meritocracia, repudiada pelos “igualitários” da atualidade. Ele diz:
A utopia do igualitarismo, essa que muitos na educação defendem, só seria possível num único e não desejável cenário – aquele em que todos são medíocres. Esse é ainda um tabu. Dizer que uma criança precisa de um apoio especial não significa que ela será excluída. Num outro espectro, os ótimos alunos também não devem ser escondidos, mas, sim, radicalmente incentivados a seguir em frente. É um fundamento básico da meritocracia, de eficiência provada no setor privado.
Ou, como dizia Thomas Sowell, “Você não pode ensinar a todos no mesmo ritmo, a não ser que esse ritmo seja reduzido para acomodar o menor denominador comum”. Complicado é enfrentar os sindicatos corporativistas, que detestam a idéia da meritocracia em sala de aula e fora dela. Mas é necessário partir para esse enfrentamento, caso contrário, seremos medíocres. E não adianta jogar mais dinheiro público nesse modelo falido, como o próprio Nuno Crato reconhece:
Acho que nossos desafios dependem menos de dinheiro e mais de objetivos claros, ambiciosos e de organização. Para avançarmos, precisamos formar mais e mais engenheiros, médicos e cientistas. As crianças devem ser despertadas desde cedo para o interesse por essas áreas. Não será à base do velho e empolado “eduquês” que conseguiremos dar o grande salto.
Enfim, precisamos de mais engenheiros, médicos e cientistas, e menos gente das “ciências humanas” que adora divulgar ideologias ultrapassadas e igualitárias. Portugal parece ter a pessoa certa para lutar por esse caminho. Espero que consiga. Cá no Brasil, com o PT no poder e Mercadante como ministro da Educação, acredito que teremos de esperar mais um pouco para ao menos sair da direção errada e apontar na correta. O problema é que esse tempo custa caro. Muito caro.
MORALIDADE E POLÍTICAS DE EDUCAÇÃO - 04/06/2015
O senso comum a respeito do ensino na sociedade moderna, repetido como dogma indiscutível por ministérios, ONGs, educadores e pais, é o de que a educação de crianças e jovens tem de ser universal. Com isso, todos querem dizer que acreditam existir um núcleo mínimo de valores e conhecimentos que devem ser compartilhados por toda a sociedade e passados de geração a geração através de instituições desenhadas especificamente com esse fim. Essa premissa se funda, por sua vez, numa outra, a de que, sem aquele núcleo mínimo, o tecido social será corroído desde dentro por indivíduos que instaurariam o caos e a desordem.
Ora, quem poderia ser contra essas premissas? O que pode haver de ruim em tentar manter um denominador comum de ordem e harmonia na sociedade? E de fazê-lo através, entre outros, do legado às próximas gerações daquilo que as anteriores aprovaram e confirmaram na prática? Como não concordar, por exemplo, que o crime é ruim e deve ser combatido com vigor, que os valores religiosos e familiares são a base para a formação dos valores cívicos, que é preciso respeitar o amadurecimento sexual das crianças em seu devido tempo, e que se deva nutrir, se não o amor pelo saber, ao menos o respeito por quem o conserva? Se esses são valores compartilhados pela grande maioria das pessoas, por que não disseminá-los também a partir da escola?
Mas é impossível o observador atento não perceber que nas últimas décadas caiba justamente à escola, mais que à televisão e à cultura em geral, o papel principal na destruição, nos corações e mentes das novas gerações, de tudo aquilo em que a população adulta acredita. Foi a partir de práticas pedagógicas abomináveis que se forjaram a justificação, se não a própria glamorização, do crime como forma de luta contra as “injustiças”, com os corolários óbvios da vitimização do criminoso, da disseminação do consumo de drogas e da subida ao poder do partido mais criminoso da história ou então a destruição dos valores familiares e religiosos e a concomitante relativização dos valores cívicos ou ainda a sexualização acelerada de crianças através de aulas de “educação sexual” em que crianças de 9 e 10 anos são ensinadas a se masturbarem e camisinhas são colocadas nas suas mãos e, contra tudo o que se pudesse esperar de uma instituição de ensino, o total desprezo a qualquer forma de saber e de autoridade, com o concomitante desrespeito, quando não o ódio puro e simples, a seus portadores, acompanhado da elevação de verdadeiras deformidades aos postos de representantes da “alta cultura”.
O que vem dando errado, então? Como pode a instituição que fora projetada para servir de depósito e propagação dos valores compartilhados pela maioria voltar-se contra ela e passar a servir precisamente ao propósito contrário? Como é possível o espaço social construído justamente com o objetivo de preservar a moralidade ser sistematicamente empregado para destruí-la?
É que há pelo menos dois enganos na aceitação passiva daquelas premissas do primeiro parágrafo. O primeiro engano é o de que a elite dirigente e a população em geral têm o mesmo objetivo e que, portanto, as políticas públicas refletirão a vontade da maioria. Não importa se na escola pública ou privada, se no nível superior, secundário ou primário, o que se tem assistido na educação é a uma enxurrada de teses e comportamentos absurdos impostos goela abaixo dos filhos de uma população atordoada que, se entendesse o que está acontecendo e se pudesse intervir, ensinaria o contrário do que as escolas têm feito. Legalização de drogas, aborto, feminismo, casamento gay, racialismo e cotas, bolsa-bandido, desarmamento civil, aulas de “educação sexual”, agigantamento do estado, maioridade penal, substituição da religião tradicional por um panteísmo ecológico de quinta categoria – todo o cardápio, enfim, da elite politicamente correta- são temas nos quais a opinião majoritária da população é frontalmente desafiada pelo ensino atual. Em todos esses temas, a opinião da maioria da população é uma, mas invariavelmente o que seus filhos aprenderão na escola é o oposto.
O discurso da classe política, que se reflete integralmente nas faculdades de educação e, portanto, na formação dos professores, é o de que a “sociedade precisa avançar nas questões atuais”. Mas o que isso efetivamente significa na prática é que eles vão, a contragosto da população a quem têm a obrigação de servir, substituir todo o conjunto de valores tradicionais por uma pasta mental incapacitante planejada milimetricamente para deprimir a inteligência. A população rejeita qualquer um desses “avanços”, dando mostras claras disso em qualquer enquete. Mas governos e ONGs usam seu poder para impor às novas gerações valores e pensamentos em total discordância com as anteriores. No julgamento dos luminares da classe dirigente, o povo, tal como está, não serve, é muito “conservador” e precisa dos “avanços” ditados pela elite iluminada. Na nova democracia do politicamente correto não é mais o povo que escolhe o governante, é o governante que escolhe o povo.
O segundo engano consiste em acreditar que, se os valores tradicionais e a ordem vigente forem derrubados, reinarão na sociedade o caos e a desordem. Mas o caos não existe. E muito menos ainda está nos planos da classe dirigente instaurá-lo. O que temos testemunhado é a meticulosa substituição de um tipo de ordem por outro: em lugar da ordem tradicional, a ordem dos psicopatas e seus seguidores histéricos (http://www.olavodecarvalho.org/semana/131118dc.html). O que dá à população desavisada a impressão de ser um estado de caos é, na verdade, um passo adiantado na transição para a nova ordem.
Pouco importa que para a população adulta os temas e as vontades absurdas das classes dirigentes nos cheguem como propostas a serem debatidas “democraticamente” pela “sociedade civil”, porque, através de toda a rede de ensino e cultura, elas já estão sendo impostas ditatorialmente sobre as novas gerações e implementadas com a precisão de um projeto de engenharia. A nova ordem é gestada desde dentro da antiga. A revolução não precisa de um motor externo, é só fazer a máquina já existente trabalhar para o propósito oposto.
As práticas pedagógicas mais eficazes nesse processo de mutação social são os badalados “socioconstrutivismo” de Lev Vygotsky e a “educação para a crítica” de Henry Giroux, inspirada, entre outros, na “teoria crítica” dos intelectuais da Escola de Frankfurt e na “pedagogia do oprimido” de Paulo Freire, o maior produtor de analfabetos funcionais com diplomas universitários do universo. O slogan é o de que, ao invés de simplesmente expor o conteúdo de uma matéria para que os jovens a absorvam “apenas de modo passivo e monótono”, supostamente agora os faremos refletir “criticamente” acerca das origens e conseqüências sociais, políticas, ideológicas e psicológicas daquele conhecimento novo. A “crítica” levaria então à “construção social” do conhecimento na mente do jovem, supostamente com interferência mínima por parte do professor.
Ora, o garoto acabou de receber uma informação pela primeira vez, mal guardou os nomes dos conceitos e fatos e porcamente conseguiu estabelecer as relações requeridas para o correto entendimento do assunto, e já se espera que ele faça uma “abordagem crítica” daquela massa de dados. É óbvio que isso é impossível.
E nem é esse o intuito. O que esse estímulo à crítica vazia cria na mente dos alunos é ansiedade e um impulso histérico de debater por debater, de falar do que não entende nem estudou, de não ouvir o contraditório porque “cada um tem sua opinião”, e de agradar o professor e tentar adivinhar qual a opinião dele para terminar logo a aula sem levar nota baixa. É então que se perfaz o verdadeiro objetivo, não declarado mas óbvio, da “pedagogia crítica”: os alunos passam a aceitar passivamente a opinião do professor, ou como um dogma infalível acima de qualquer crítica(!), ou, pelo menos, como uma opinião que deva ser discutida em si, por mais absurda e contrária aos fatos que seja. E a perversão maior é que o aluno ainda sai com a ilusão, forjada pela condução socioconstrutivista da aula, de que é ele quem está pensando.
O resultado todo mundo conhece: seu filho sai da escola sem saber colocar uma crase nem fazer contas com decimais, mas com a plena convicção de que o socialismo é bom e de que, não somente o aquecimento global é um fato “científico”, como a culpa ainda é do George W. Bush.
O objetivo da nova educação não é necessariamente persuadir racionalmente ninguém de nenhum daqueles pontos de vista, mas dissuadir a todos da idéia de que exista a possibilidade de uma arbitragem racional a respeito. Afinal, a quem pode interessar criar um ambiente em que se coloca absolutamente tudo em discussão “crítica”, senão àqueles que já sabem de antemão que vão propor o indefensável racionalmente? É impossível não perceber que as tais “críticas” são sempre dirigidas às coisas menos criticáveis. Os alvos de sempre são o capitalismo (nunca o socialismo), os Estados Unidos (nunca a URSS ou a China), a direita (nunca a esquerda), a Igreja Católica e as religiões em geral (nunca o ateísmo organizado), o Estado de Israel (nunca o terrorismo palestino), a família tradicional (nunca o “poliamor”), o tabaco e o álcool (nunca a cocaína e a maconha), a ditadura e as Forças Armadas brasileiras (nunca as cubanas), e por aí vai. Críticas ao melhor, sempre ao pior, nunca.
A meta é acostumar a platéia ao absurdo, legitimar debates entre um ponto de vista razoável e outro quase sempre insano no qual nem mesmo seus defensores acreditam. O que para uma geração é totalmente inconcebível, a seguinte já discute com ares de seriedade socrática. Exagero? Aguarde: discussões sobre pedofilia, zoofilia e casamento entre N pessoas já estão na ordem do dia. A próxima geração vai discutir histericamente essas novas “propostas” e considerar a existência mesma da discussão um enorme “avanço democrático”.
Bella Dodd, uma professora americana, que no livro The School of Darkness (Devin-Adair Pub, 1963) fez uma autocrítica maravilhosa de seus anos de comunismo na juventude, demorou para entender aquilo que, vez após vez, lhe diziam os dirigentes do partido: “Toda derrota é uma vitória.” Sempre que uma elite de psicopatas consegue impor uma discussão séria em torno de uma proposta absurda, esta sair vencedora é o que menos importa, porque o objetivo principal é criar uma militância histérica que finja acreditar nela e manter o adversário ocupado em debater civilizadamente uma proposta cínica. A frase mais repetida pelo establishment esquerdista é: “A sociedade precisa discutir esse tema”.
A ambição dos luminares da “educação universal” era a de produzir milhões de cidadãozinhos bem comportados da nova ordem mundial, um tipo de ser que aceitasse polidamente as discussões políticas mais absurdas ao mesmo tempo em que, pelo menos nas áreas mais técnicas, um mínimo de racionalidade e competência fosse reservado para a manutenção mais ou menos equilibrada da economia. Em suma, a produção de milhões de tucanos. Mas é óbvio que, quando baixa o nível geral de inteligência, é impossível resguardar qualquer domínio que seja. O resultado é a pífia qualificação técnica de engenheiros, economistas, administradores, médicos e advogados, comprovada ano após ano nos mais variados testes nacionais e internacionais de conhecimento.
A equiparação do grotesco ao belo dentro do próprio ensino só poderia mesmo produzir essa incapacidade intelectual geral das últimas três gerações. Uma vez iniciado o processo deliberado de estupidificação dos jovens, não há freio que o segure: o mesmo rebaixamento que testemunhei em sala de aula na minha geração, em que se substituía Chico Buarque a Camões, e que nos anos 90 levou a hermenêuticas seríssimas sobre as letras das músicas de Gabriel Pensador, culminou, nos últimos anos, com enxurradas de teses universitárias sobre o Racionais MC e funkeiros de todo tipo.
Fundo do poço? E se tiver gente cavando mais fundo? Max Horkheimer, diretor da Escola de Frankfurt por décadas e seu principal teórico, rejeitou a inclusão de um novo associado baseado em que lhe faltava “o olhar aguçado pelo ódio a tudo o que está no lugar” (Rolf Wiggershaus, A escola de Frankfurt. História, desenvolvimento teórico, significação política. DIFEL, 2002). A cultura moderna é uma declaração de guerra permanente contra “tudo que está no lugar”, é uma aposta insana de que sexo, drogas e rock’n’roll redimirão o mundo e que o “mundo melhor” virá pelas mãos das piores pessoas.
Não espanta que, com o imaginário construído pela educação e pela cultura modernas, e não suportando o peso da responsabilidade pessoal pela condução de suas próprias vidas, milhões de pessoas permaneçam décadas a fio naquele estado de adolescência eterna onde até mesmo os protestos aos quais recorrem “contra o sistema” são postiços porque os canais de rebeldia estão todos instrumentalizados pela classe dirigente.
O único conselho que se pode dar é aquele do Pe. Paulo Ricardo quando perguntado sobre o que a Igreja esperava dos jovens de hoje: “Que se tornem adultos”!
A BRUXA CONTINUA SOLTA - 04/06/2015
Não foi mau para o governo o surgimento do escândalo da FIFA. Ele ajuda muito a desviar a atenção sobre outros escândalos mais graves.
Muito mais do que eventuais desvios realizados por autoridades esportivas, afetam muito mais aos brasileiros os escândalos diários sobre desvios ocorridos nas obras de estatais e do próprio governo.
É claro, sem deixar de lado o fato de que, coincidentemente, as mega obras de construção de estádios inúteis como o de Manaus e outros foram realizadas pelas mesmas empreiteiras que atualmente monopolizam o noticiário. Isso é bem mais importante do que conhecer as peripécias dos cartolas do futebol.
Enquanto o assunto FIFA desviava a atenção, uma das revelações do final de semana que passou veio em reportagem de "O Estado de S.Paulo". O fato de que os investigadores da força tarefa da operação Lava Jato encontraram indícios de desvios de dinheiro na construção do Estaleiro Rio Grande, aqui pertinho, iniciada em 2006, e nos contratos fechados para produção de cascos de plataformas e sondas de exploração de petróleo, a partir de 2010. A WTorre construiu o Estaleiro, mas em 2010, vendeu seus direitos no negócio para a Engevix.
Estão sendo investigados pagamentos da WTorre e Engevix às empresas de consultorias de quem? Antonio Palocci e José Dirceu.
Palocci alega que os pagamentos da W Torre à sua empresa, a Projeto Consultoria, foram referentes a quatro palestras aos diretores da empresa, cada uma por R$ 20 mil. A empreiteira apresentou 18 notas fiscais, num total de R$ 350 mil, emitidas pela Projeto, em 2007, 2008, 2009 e 2010.
A JD Assessoria e Consultoria, de José Dirceu recebeu R$ 2,6 milhões da Engevix, entre 2008 e 2012 – parte diretamente e outra parte por meio da Jamp Engenheiros Associados, do lobista Milton Pascowitch.
Às partes citadas, é claro, negaram que os contratos de consultorias prestados tiveram qualquer relação ou possibilidade de pagamento de propina.
Agora, o que preocupa mesmo o Planalto é a questão sigilo das operações de crédito do BNDES. A pressão para que seja aberta uma CPI do BNDES é e tem de ser, cada vez maior. É assunto muito mais do que arrasa-quarteirão.
A questão é: por que o governo se esforça tanto em esconder os detalhes dos investimentos financiados pelo BNDES com nosso dinheiro em Cuba, Angola e outros países?
"Estes segredos cheiram mal", chegou a declarar o deputado Onyx Lorenzoni.
Por que esta insistência governamental em descumprir o artigo 49/1 da Constituição Federal, que diz claramente:
"É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional;
Mais claro que isso, impossível. Mas o governo além de descumprir este dispositivo legal, ainda se dá ao requinte de sonegar as informações ao público. Por que?
Isso ainda vai render muito.
O BOM COMBATE EM DEFESA DA VIDA - 03/06/2015
Pronunciamento do Prof. Hermes Rodrigues Nery, diretor da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família e coordenador do Movimento Legislação e Vida, no Senado Federal, sobre a questão do aborto, em audiência pública, realizada na Comissão de Direitos Humanos, em 28 de maio de 2015.
Exmo. Sr. Senador Paulo Paim, Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, Profª. Fernanda Takitani, Dr. Gollop, Dra. Lenise Garcia, membros da mesa, e demais presentes.
Estando de volta a esta Casa Legislativa, novamente no Senado, para, mais uma vez, fazer a defesa da vida, desde a concepção, que é o propósito do Movimento Legislação e Vida1, da Diocese de Taubaté, fundado por nosso Bispo Dom Carmo João Rhoden, e que há dez anos2, junto com outras entidades e grupos, especialmente a Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, que aqui representamos nesta audiência pública, inúmeras vezes vindo ao Congresso Nacional para trazer informações aos parlamentares, exortando-os a decidirem em favor da vida e da família3, cujo combate pela vida tem se intensificado a cada dia, conforme S. João Paulo II expos na sua memorável encíclica Evangelium Vitae, dizendo que há um combate de mentalidades, cujo drama tem se agudizado em nossos dias, um conflito entre a cultura da morte e a cultura da vida. "Existe uma crise profunda da cultura"4, uma "conjura contra a vida"5, com circunstâncias dramáticas e terrificantes, que "tornam por vezes exigentes até o heroísmo as opções de defesa e promoção da vida"6. A vida humana tem um valor sagrado, que deve ser respeitado e salvaguardado, em todas as circunstâncias, desde a concepção até a morte natural. A questão do aborto é a ponta do iceberg. Sabemos que há um holocausto silencioso, vitimando milhares de seres humanos, a cada dia, em todas as partes do planeta, vidas ceifadas ainda no ventre materno, do modo mais cruento e doloroso, pois o inimigo de Deus tem sede do sangue inocente.
"Estamos todos na realidade presos pelas potências que de um modo anônimo nos manipulam"7, afirmou Bento XVI. Estas potências que atuam "de modo anônimo"8 tem expressão nos centros privados do poder e em grandes fundações internacionais9, na vasta rede de OnG's feministas que defendem os direitos sexuais e reprodutivos, em agências da ONU, e em tantos governos locais, como aqui, o governo brasileiro, cumprindo a agenda desses organismos, a agenda antinatalista e antifamília do Foro de São Paulo, dos partidos políticos de esquerda, especialmente o PT, que expulsou dois parlamentares deste Congresso Nacional, Luiz Bassuma10 e Henrique Afonso, por não aceitarem essa ideologia inumada e terem sido a voz dos nascituros indefesos, nesta Casa de Leis.
Sr. Presidente,
Na Câmara dos Deputados, quando aqui estive, em dezembro de 201311, disse que as Fundações internacionais usam as ONGs para seus fins, da forma mais pragmática. Fazem isso aqui no Brasil: agências da ONU, a Fundação MacArthur, a Fundação Ford, a lista é enorme, fazem ingerência em nosso País, e o governo brasileiro apoia e repassa recursos para essas Ongs, sob a orientação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, recursos para os fins de aborto e tudo mais. E mais uma vez afirmamos que isso deve ser motivo de se abrir a CPI do Aborto, para ver quem estão sendo beneficiados, quem estão recebendo para trabalhar contra a população brasileira.
Tudo isso tem uma história bem documentada, mas ainda conhecida por poucos. Trata-se de um processo por etapas. Primeiramente, desde os anos 50, o período do chamado "planejamento familiar", "um eufemismo de anticoncepcionismo"12, com programas gestados em países desenvolvidos, nos centros privados de estudo e pesquisa sobre demografia e população. Depois, essa fase foi superada para introduzir uma nova estratégia que chegou aos dias de hoje, com a chamada ideologia de gênero, o "conceito-chave da reengenharia social e anti-cristã para subverter o conceito de família"13.
Importante lembrar aqui uma publicação na revista Science14, em novembro de 1967, de Kingsley Davis, [diretor do Centro Internacional de Pesquisas Populacionais e Urbanas, da Universidade da Califórnia, em Berkeley], que chamou a atenção para uma nova estratégia muito mais sutil e sofisticada, para a eficácia da cultura da morte e para que o aborto acabasse sendo aceito com menos resistência como o meio mais eficaz de controle populacional. E para isso, seria preciso "descontruir a linguagem, os relacionamentos familiares, a reprodução, a sexualidade, a educação, a religião e a cultura, entre outros"15. Para ele, "a técnica de limitação demográfica concentrada no fornecimento de anticoncepcionais com programas patrocinados pelos organismos de saúde pública"16, não seria eficiente, para "influir na maioria dos determinantes da reprodução humana"17. O neomalthusianismo, que está aí até hoje na agenda de gênero e do ecologismo da ONU, aparece também em Davis, quando se refere às metas de "crescimento zero como objetivo final"18 com a ideia de que "qualquer ritmo de crescimento, se contínuo, acabará por esgotar a terra"19. Isso é uma falácia. Para Davis, naquela época, o controle demográfico era ainda "inaceitável para a maioria das nações a para a maioria das comunidades religiosas e atinentes."20 Então, como fazer para viabilizar o controle no "tamanho da família", para que os "casais em seu próprio interesse controlem automaticamente a população em benefício da sociedade"21, na ótica da referida agenda? O insight de Davis então foi captado, e a partir dos anos 70-80, mais ainda nos anos 90, depois das grandes conferências internacionais da ONU, se tornou esse movimento cultural e político global, com força econômica e tecnológica, para pressionar governos e instituições, pelo desmonte da família. As ideias de Davis foram operacionalizadas pela Fundação Ford, a partir do documento "Saúde Reprodutiva: Uma Estratégia para os anos 90"22. A própria IPPF acatou "as ideias básicas contidas no trabalho de Kingsley Davis23, e depois, "a orientação geral de todas as agências envolvidas com planejamento familiar, demografia e aborto passaram a seguir cada vez mais ostensivamente as linhas gerais das recomendações"24 de Kingsley Davis.
Seria preciso - para ele - então influir na consciência, manipular as consciências, colonizá-las ideologicamente, neutralizando as resistências a esta agenda, que insiste no "aborto provocado"25 como "um dos meios mais seguros de controlar a reprodução"26 e garantir não apenas a redução dos índices de natalidade, como também a pulverização e atomização da própria estrutura familiar. Foi então preciso responder à questão: "porque as mulheres desejam tantos filhos e como se pode influir sobre este desejo?"27 Isso não era só "uma questão tecnológica. A tarefa do controle populacional então se torna simplesmente a invenção de um instrumento que seja aceitável"28.
Então, sr. Presidente, a cultura da morte passou a ser também uma política de educação. Foi a partir de Davis, que Adrianne Germain, sua aluna, percebeu que era preciso uma estratégia de longo prazo, a partir da educação: "Nenhuma compulsão poderá ser usada, porque o movimento está comprometido com a livre escolha, porém filmes sobre sexo, posters, histórias em quadrinhos, conferências públicas, entrevistas e discussões são permitidos. Estes proporcionam informações e supostamente modificam os valores"29. Aí está a crise profunda da cultura, o combate de mentalidades, que a questão do aborto está inserida. "Considera-se que o esforço foi coroado de êxito quando a mulher decide que deseja apenas um determinado número de filhos e emprega um anticonceptivo efetivo"30. Por isso os meios de comunicação de massa, as escolas [não só públicas] fazem todo um trabalho de colonização das consciências [é a doutrinação ideológica] para que haja uma aceitação da cultura da morte, sem que as pessoas se dêem conta de que estão sendo manipuladas e agindo contra o que naturalmente elas jamais fariam se não estivessem sendo condicionadas culturalmente a isso. E para tais objetivos, tais ideologias visam mesmo "controle de seres humanos"31, daí a nova forma de totalitarismo. Foi o que sugeriu Kingsley Davis: "Mudanças suficientemente básicas para afetar a motivação de ter filhos seriam mudanças na estrutura da família, no papel das mulheres e nas normas sexuais"32. É preciso o "controle da motivação pela sociedade"33, para que o aborto pudesse ser praticado sem remorsos de consciência. E fazem tudo isso também com várias retóricas, que fazem parte dessa agenda, por exemplo, também a da defesa ambiental, da paz e dos diretos humanos, pois "o mandamento ecologista de controlar a natalidade para salvar o planeta"34 é "próprio do paradigma do desenvolvimento sustentável"35. Ora, "não é o assassinato de milhões de inocentes o maior ataque à paz e aos direitos humanos?"36 Esta cultura da morte é a perversão dos próprios direitos humanos, pois o primeiro e principal de todos os direitos humanos é o direito à vida, desde a concepção.
E agora, essas agências da ONU, com estas ideologias, estão, fazendo pressão, cada vez mais, promovendo eventos, a própria UNESCO, a Religions for Peace, a Aliança de Civilizações, todos juntos fazendo pressão, também junto à Igreja, intensificando os esforços por esta agenda. O Al Gore, por exemplo, "propôs um rigoroso controle de natalidade em nível mundial, sob o pretexto de preservar os recursos do planeta"37. A Organização inglesa Optimum Population Trust propôs "universalizar o controle obrigatório da população, dizendo: 'a cada sete dólares em anticoncepcional evita-se a emissão de uma tonelada de CO2."38 Outra grande falácia! E tudo isso com a retórica de combater a pobreza, quando, na realidade, sr. Presidente, querem é combater os pobres, especialmente dos países subdesenvolvidos e condená-los ao subdesenvolvimento. Pois essas agencias da ONU estão, de todas as formas, em todas as partes, até aonde não deviam estar, investindo pesado e pressionando para que a moral cristã seja flexibilizada, para não haver mais nenhuma resistência a este projeto de "reengenharia anti-cristã da sociedade"39.
E aí, para concluir esta minha colocação, sr. Presidente, demais membros da mesa, quero lembrar também da situação dos países desenvolvidos que adotaram essa agenda, e que hoje o movimento lá fora é muito grande por buscar reverter as legislações abortistas, pelos efeitos perversos [desumanos e de desagregação social], de uma agenda que comprovadamente não garante desenvolvimento [humano e social], pelo contrário, a crise atual dos Estados Unidos (que legalizou o aborto em 1973) e da Europa, e mesmo do Japão (em que o aborto é legalizado desde 1949) e de tantos outros países desenvolvidos, mostra o equívoco desta agenda que aceita o aborto como estratégia de controle populacional [o aborto químico, a pílula abortiva, tudo isso que é terrível, por cometer o assassinato de seres humanos inocentes e indefesos, e também de causar danos à saúde da mulher, principalmente pobre e negra, de violentá-la enquanto pessoa humana], estratégia essa de liquidação da família, e que nós temos o dever de rechaçar, pois a família é a primeira e principal instituição humana.
E mais: a ideologia laicista, que visa minar a moral cristã, está impregnada na agenda das agências da ONU, das Fundações internacionais e das forças políticas do internacionalismo de esquerda. E tais organismos e grupos sabem da força civilizatória do cristianismo, do cristianismo como promotor da liberdade, da liberdade com responsabilidade e compromisso com a vida, do cristianismo como força promotora do verdadeiro desenvolvimento humano e social, que começa na estrutura natural da família, constituída por homem e mulher, aberta à fecundidade. É o que reconhece os mais sérios especialistas da atualidade, que dizem: "é na erosão do casamento e da família, afirma o Dr. Mitch Peralstein, que está a raiz do declínio do desempenho educacional e econômico das crianças norte-americanas criadas em famílias desestruturadas"40, principalmente nas famílias monoparentais. "Pearlstein argumenta que a fragmentação da família não só inibe o crescimento normal e a educação das crianças, mas também tem um efeito deletério sobre a economia em geral"41. Ou ainda em "Family Structure and Income Inequality in Families with Children: 1976 to 2000", publicada na revista "Demography", em 2006, Molly A. Martin "estima que 41% da desigualdade econômica entre 1976-2000 foi decorrente da alteração da estrutura familiar"42. Portanto esta agenda antinatalista e antifamília não são promotoras do desenvolvimento humano e social.
O que fazer diante disso?
Há muitas iniciativas que podem e devem ser feitas, principalmente no campo da educação, em todos os níveis, para vencermos a batalha em favor da vida e da família; mas no campo legislativo, temos o Estatuto do Nascituro em tramitação, e outros projetos de lei nesse sentido, estivemos aqui e apresentamos ao senador Magno Malta, que através da Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família, possa encaminhar a PEC pela Vida, para que nós possamos resistir à cultura da morte, afirmando a cultura da vida, explicitando no texto constitucional, no art. 5º da Constituição Federal, a inviolabilidade da vida humana, desde a concepção. A exemplo do que já fez a Hungria43, e vários estados do México, alguns até dos EUA e outros, temos esperança de ver aprovada a PEC pela VIDA em nossa Carta Magna, porque o ser humano já é pessoa e já possui dignidade, desde o primeiro instante, com a concepção. Podemos vencer a cultura da morte e afirmar a cultura da vida, a partir dessa decisão, nesta Casa de Leis. Por isso, caro Senador, pode ter a certeza de que "uma das tarefas mais nobres"44, em meio aos tantos desafios de hoje, "consiste em permanecer firmemente ao lado da vida, encorajando aqueles que a defendem e edificando com eles uma verdadeira cultura da vida"45.
Muito obrigado!
Íntegra do pronunciamento no youtube: https://www.youtube.com/watch?v=CiBCrAMSDnk&feature=youtu.be
Notas:
http://fidespress.com/brasil/o-desafio-de-conjugar-legislacao-e-vida/
http://www.zenit.org/pt/articles/legislacao-e-vida-no-brasil
http://juliosevero.blogspot.com.br/2008/05/foi-uma-vitria-e-tanto-nunca-vi-isso.html
Evangelium Vitae, 11
Evangelium Vitae, 12
Evangelium Vitae, 11
Bento XVI, Jesus de Nazaré, v. 1, p. 35, 3ª reimpressão, Editora Planeta do Brasil, São Paulo, 2008
Ibidem.
http://www.amazon.com/Foundations-Influence-Rene-A-Wormser/dp/0925591289
http://jesus-logos.blogspot.com.br/2009/09/carta-ao-amigo-luiz-bassuma-de-hermes.html
https://www.youtube.com/watch?v=97EnsLrN64Q
Kingsley Davis, Política Populacional: os programas atuais terão sucesso?, publicado na revista Science, em 10 de novembro de 1967. http://www.aborto.com.br/historia/ha7-3.htm
Juan Cláudio Sanahuja, Poder Global e Religião Universal, p. 42, ed. Ecclesiae, Campinas, 2012.
http://www.sciencemag.org/content/158/3802/730.citation
Oscar Alzamora Revoredo, Ideologia de Gênero: Perigos e Alcance, Léxicon – termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas, Pontifício Conselho para a Família, p. 499; Edições CNBB, 2007
http://www.sciencemag.org/content/158/3802/730.citation
Ibidem.
Ibidem.
Ibidem.
Ibidem.
Ibidem.
http://www.votopelavida.com/fundacaoford1990.pdf
http://www.aborto.com.br/historia/ha7-1.htm
http://www.aborto.com.br/historia/ha7-1.htm
http://www.aborto.com.br/historia/ha7-4.htm
Ibidem
http://www.aborto.com.br/historia/ha7-5.htm
Ibidem.
Ibidem.
Ibidem.
Ibidem.
Ibidem.
Ibidem.
Juan Cláudio Sanahuja, Poder Global e Religião Universal, p. 57, ed. Ecclesiae, Campinas, 2012.
Ibidem.
Ib. p. 60.
Ib. p. 55.
Ib. pp. 55-56.
Ib. p. 57.
http://www.thedailybeast.com/articles/2012/04/11/book-review-mitch-pearlstein.html
Ibidem.
https://muse.jhu.edu/login?auth=0&type=summary&url=/journals/demography/v043/43.3martin.pdf
http://noticiasprofamilia.blogspot.com.br/2011/05/sancionada-nova-constituicao-da-hungria.html
L'Osservatore Romano, 24.10.1998, p. 6.
Ibidem.
CUBA, OUTRO SOCIALISMO? - 31/05/2015
Agora que o fracasso do socialismo em Cuba já é evidente, o país está caminhando para a criação de outra monstruosidade castrista: o capitalismo do Estado na economia -- com militantes sem emprendedores - e socialismo estalinista em toda a sociedade, sem liberdade de nenhum tipo. Neste ambiente, há algumas vozes que proclamam o estabelecimento de um experimento socialista com o argumento de que "Fidel não era socialista, nem sabia o que estava fazendo", enquanto o país navegando sem rumo em meio a um punhado de oportunistas ansiosos por dinheiro fácil.
O capitalismo é sobre tudo, um sistema econômico de produzir bens e ele . O capitalismo não é um sistema social no sentido estrito e, embora sua implementação envolva conseqüências na sociedade, não é em si mesmo um sistema social. Pode-se dizer que o capitalismo não foi "inventado". Ele é o sistema econômico mais eficiente que a sociedade humana desenvolveu ao longo de um processo lento e contínuo na história da humanidade.
O socialismo é, de sua parte e sobretudo, uma elocubração teórica sobre “o que deveria ser”. É um sistema econômico-social "inventado" a partir de posições teóricas baseadas em não-produtivos pressupostos filosóficos. Assim, ele não é um sistema "natural", mas é o produto de esquemas mentais que enfatizam a "distribuição" em vez da "geração" de riqueza.
As diferenças descritas acima nos levam pela mão, para responder por que o socialismo fracassou em quase todas as áreas onde foi aplicado como um sistema sócio-econômico, em função do que não há uma única palabra escrita pelos "clássicos" do socialismo sobre como gerar ou produzir bens ou serviços. Essas sociedades supostamente socialistas falharam em seus sistemas de produção e têm sido forçadas a adotar o esquema setores econômicos capitalistas para gerar bens e serviços.
Por todas estas razões, no caso de Cuba, as mudanças fundamentais que Raul Castro programa se situam no ámbito econômico, tentando efetivar tímidas mudanças na direção do capitalismo, mas sem o apoio do empreendedorismo de todos os cubanos, limitando, assim, os efeitos na ilha. Ao deixar os negócios nas mãos da "nomenclatura", Raul Castro comete um erro típico de socialismo: imaginar que qualquer um (sem capacidade empresarial) pode ser bem sucedido no papel de produção de bens e serviços.
No sistema capitalista, os empreendedores, os donos dos negocios, não são eleitos nem designados: eles surgem por seleção natural, dentro de toda a sociedade civil. São pessoas com habilidades especiais no mundo dos negócios que nada têm a ver com o compromisso político e muito menos com que seus pais teham sido guerrilheiros da Sierra Maestra, ou com o fato de serem militantes de um determinado partido político.
As mudanças de Raúl Castro na direção do capitalismo estão comprometidas por um erro grave: não existem capitalistas cubanos, ou seja, a sociedade cubana não pode contribuir com seu talento e capacidade. A ela é reservado o papel secundário de empregados do Estado. Assim, o que as pretensões socializantes de marxistas opositores e governistas têm por objetivo é organizar outra experiencia socialista, tratando a sociedade cubana como um “conselhinho das Índias”. Liberdade geral, democracia pluralista e economía de mercado são as únicas alternativas de solução.
Artigos deste autor pode ser encontrado em http://www.cubalibredigital.com
O SOCIALISMO EM UM SÓ PAÍS - 25/05/2015
"Como se reconhece um comunista? Bem, é alguém que lê Marx e Lênin. E como se reconhece um anticomunista? É alguém que compreende Marx e Lênin..." (Ronald Reagan)
A virtude principal do comunista, convocado para a transformação do mundo, suposto portador da ideologia social mais avançada, consiste em... não pensar!
Os partidos comunistas só podem cumprir o seu papel se forem organizados de forma mais centralizada, se possuírem uma disciplina férrea, próxima à militar, e se o seu organismo central estiver dotado de amplos poderes para exercer uma autoridade indiscutível. Cada comitê deve ser onipresente em face dos comitês inferiores e impotente face aos superiores.
A teoria do socialismo em um só país foi convertida na doutrina oficial da Internacional Comunista e passou a ser o princípio diretor da concepção da revolução mundial formulada no programa aprovado no VI Congresso do PCUS, em 1928, que assinalou: "A desigualdade do desenvolvimento econômico e político é uma lei absoluta do capitalismo. Essa desigualdade se agrava e acentua na época imperialista. Disto resulta que a revolução proletária internacional não pode ser considerada uma ação única, simultânea e universal (...) Conseqüentemente, o proletariado internacional, do qual a URSS é a única pátria, a fortaleza de suas conquistas, o fator essencial de sua libertação internacional, tem o dever de contribuir para o êxito do socialismo na URSS e defendê-la por todos os meios contra os ataques das potências capitalistas. A luta de classes em cada país e a luta de libertação nacional dos povos oprimidos pelo imperialismo continuam sendo fatores importantes da revolução mundial, mas o fator essencial é a construção do socialismo na URSS. Daí, que a ditadura do proletariado na URSS detenha a hegemonia do movimento revolucionário mundial".
Nas características adquiridas pela Internacional Comunista, desde os momentos iniciais, exerce notável influência a forma como ela foi criada. Partindo da idéia de que a revolução mundial comunista estava em marcha irresistível, que as grandes massas estavam em movimento e que tudo dependia da existência de uma vanguarda intransigente em face do reformismo e do centrismo, foram adotadas, desde o princípio, medidas drásticas para assegurar a pureza dos novos partidos. Essa foi a finalidade das chamadas "21 Condições", modelo de sectarismo e de método burocrático. Como se declara em sua introdução, o objetivo das "21 Condições" era impedir o ingresso na Internacional Comunista de grupos e partidos "que não se tornaram verdadeiramente comunistas" e o critério para reconhecer "os verdadeiramente comunistas" era a aceitação integral, incondicional, das "21 Condições". Nelas se resume a concepção de partido comunista, para que todos os postos nos órgãos da imprensa, frações parlamentares, sindicatos, cooperativas, prefeituras, fossem ocupados por comunistas "firmes e provados", eliminando-se os reformistas de qualquer matiz.
Sob a influência das "21 Condições" e, em geral, dos métodos adotados pela Internacional Comunista na luta contra o reformismo e o centrismo, implantou-se fortemente nos partidos comunistas de todo o mundo, desde o primeiro dia, um espírito sectário e dogmatizante, embalado num verbalismo revolucionário que dissimulava a perda de noção da realidade. Esse espírito sectário e dogmatizante permanece até hoje, embora o comunismo seja uma doutrina falida.
Em suma, a Internacional Comunista foi concebida em março de 1919, como uma organização semi-militar, constituída por revolucionários profissionais assalariados (Comitê Executivo, rede de delegados, instrutores, assessores e assistentes), voltados para a direção da guerra revolucionária internacional e, nesse sentido, exigia a criação de partidos bolcheviques quimicamente puros do dia para a noite, a partir de uma classe operária que durante decênios se educara no espírito reformista, na ação sindical e parlamentar. Isso significou que os revolucionários profissionais de cada partido comunista ficaram subordinados a esse corpo central, a IC. Os bolcheviques cristalizaram numa teoria acabada para todo o mundo a tática a que foram compelidos pelas condições de uma Rússia atrasada e medieval, e através da Internacional Comunista passaram a recomendar ao proletariado internacional a sua imitação como modelo de tática socialista.
Assim, a verdade da Revolução Bolchevique convertia-se em verdade da revolução em todas as latitudes, com ajustamentos táticos – é certo – conforme as "condições nacionais". Uma política abstrata e ineficaz que transformou a IC numa instituição alienada e alienante a serviço da nova classe burocrática soviética. Os partidos comunistas nutriam-se, basicamente, das obras de Stalin e chegavam a Lênin através de Stalin. Marx vinha em um remoto terceiro lugar e a maioria dos comunistas só o conheciam de ouvir falar...
No entanto, quando da criação da Internacional Comunista, contrariamente ao que Lênin pensava, ainda não haviam amadurecido as condições objetivas para a revolução comunista. Portanto, a Internacional Comunista foi concebida e criada para atuar em condições inexistentes e teve que enfrentar uma tarefa fundamentalmente diferente: ganhar as massas proletárias para uma política revolucionária em condições não revolucionárias.
É importante assinalar que do II (julho de 1920) ao VI Congresso (julho de 1928) da Internacional Comunista, os seus Estatutos foram sendo modificados sempre no sentido de acentuar a centralização e os poderes do Comitê Executivo, onde se acotovelavam os cappos da instituição. Os estatutos aprovados no II Congresso determinavam que as instruções do Comitê Executivo "têm força de lei" para todas as seções nacionais. O V Congresso, por sua vez, afirmava que as diretivas do Comitê Executivo "são imperativas" e têm que ser "imediatamente aplicadas".
Uma fórmula similar foi adotada pelo Foro de São Paulo quando da realização do seu II Encontro, em junho de 1991, no México. Esse Encontro foi precedido de uma reunião preparatória do Grupo de Trabalho do Foro (uma espécie de Comissão Executiva, da qual faz parte o Partido dos Trabalhadores), realizada na cidade do México em março de 1991, na qual foi definido, mediante acordo, que a partir desse II Encontro seria firmado o conceito do caráter consultivo e deliberativo dos Encontros. Isso significou que, a partir de então, as decisões aprovadas em plenárias e constantes das Declarações Finais passavam a ser consideradas deliberativas e decisórias em termos de aceitação e cumprimento pelos partidos e organizações membros do Foro, subordinando-os, dessa forma, aos ditames dos Encontros na ação a ser desenvolvida em nível internacional e nos respectivos países, fato que transfere para um segundo plano os interesses nacionais, fere os princípios de soberania e autodeterminação, viola a Lei Orgânica dos Partidos Políticos e ignora a Constituição.
Voltando à Internacional Comunista, o VI Congresso, finalmente, criou uma série de "birôs" para auxiliar o Comitê Executivo a dirigir os âmbitos regionais. Ou seja, aumentou consideravelmente o aparato burocrático do Comitê Executivo. Além disso, concedeu a este o direito de enviar "representantes" e "instrutores" às seções nacionais. Sobre essas decisões, Trotski comentou em 1930, em seu livro "Revolução Permanente", referindo-se à Internacional Comunista: "Atualmente todos os pensamentos e todas as ações humanas se dividem em duas categorias: as indiscutivelmente justas, que se inserem na 'linha geral do partido', e as indiscutivelmente erradas, que se desviam da 'linha geral do partido'. O que, é claro, não impede que se declare hoje errado o que ontem se proclamou como absolutamente justo".
A partir do momento em que a construção do socialismo na URSS foi considerada como o fator essencial, determinante, da revolução mundial, todos os outros movimentos revolucionários passaram objetivamente a ter um papel subordinado e assim foram enquadrados pela estratégia e pela tática da Internacional Comunista. Desnecessário é dizer que o princípio da "subordinação" dos interesses parciais do movimento revolucionário a seus interesses gerais foi adotado pela Internacional Comunista desde o seu nascimento e o VI Congresso apenas o reafirmou: "A coordenação das ações revolucionárias e sua boa direção impõem ao proletariado uma disciplina internacional de classe (...) que deve expressar-se na subordinação dos interesses parciais e locais do movimento a seus interesses gerais e permanentes".
Taticamente, até a viragem realizada no VII Congresso, quando a Internacional Comunista optou pela construção das frentes populares – que deveria unir comunistas e social-democratas na luta contra o fascismo – a Internacional sempre preconizou a formação de sovietes a cada vez que pressentia a chegada de uma situação revolucionária em determinado país. Todavia, essa palavra-de-ordem, manejada abstratamente, nunca surtiu efeitos práticos em qualquer país capitalista.
Giorgy Dimitrov, Secretário-Geral da Internacional Comunista, reafirmou esses dogmas no VII Congresso, em julho-agosto de 1935, advertindo em seu discurso de encerramento do Congresso: "Aquele que tentar violar a unidade de ferro de nossas fileiras através de uma ação fracionista qualquer aprenderá, por experiência própria, o que significa a disciplina bolchevique que nos ensinaram Lênin e Stalin. Que isto sirva de aviso aos poucos elementos que, em certos partidos, pensam poder aproveitar as dificuldades passadas, as feridas, as derrotas e os golpes assestados pelo inimigo para realizar seus planos fracionistas ou prosseguir com seus interesses de grupo! Acima de tudo o partido! Defender a unidade bolchevique do partido como a menina dos nossos olhos! Esta é a lei primeira, a lei suprema do bolchevismo!". Só faltou dizer, mas deu a entender, que aqueles que não agirem assim serão"justiçados".
Observe-se que o discurso raivoso de Dimitrov tinha razão de ser, considerando o desastre político que precedeu o VII Congresso. Entre as seções da Internacional Comunista, o Partido Comunista Alemão era o melhor organizado e o numericamente mais forte. Tinha profundas raízes na classe operária e o respaldo das chamadas massas. Em fins de 1932 tinha 360 mil membros e 6 milhões de eleitores, que somados aos da Social-Democracia ultrapassavam em cerca de 1,5 milhão os do partido nazista. Todavia, em janeiro de 1933, o marechal Paul Ludwig Von Hindenburg (1847-1934), presidente da República de Weimar, entregou o poder aos nazistas. E logo a seguir, em março, por decreto, Hitler dissolveu o Partido Comunista, confiscou seus bens, ocupou suas sedes, expulsou do Parlamento os seus 100 deputados e começou a encarcerar massivamente seus membros. Pouco depois fez o mesmo com o Partido Social-Democrata, tudo isso sem qualquer resistência das chamadas massas. Assim, o partido-modelo da Internacional Comunista desapareceu da cena histórica. Esse foi o maior desastre da história da Internacional Comunista, mesmo porque a Alemanha figurava na sua estratégia como o cenário mais provável de uma nova ruptura revolucionária do sistema capitalista, e para os destinos da Revolução de Outubro era vital que essa hipótese se confirmasse.
Mas a história do VII Congresso da Internacional Comunista é longa, pois foi aí que se aprovou e impôs a todos os partidos comunistas uma mudança de tática, ordenando a aliança entre os comunistas e os social-democratas, com a constituição das famosas Frentes Populares, tática que consistia, basicamente, em subordinar o movimento de massas aos limites admissíveis em cada momento pela ala burguesa ou reformista da "Frente". O papel essencial das "Frentes" era o de dar "um empurrão" na irresistível dinâmica histórica, facilitando às grandes massas populares compreender que a única salvação estava no poder soviético. Ou seja, fazê-las marchar atrás da vanguarda (os PCs), mesmo sem saber exatamente para onde iam. Facilitando também aos grupos sociais, partidos políticos e entidades estatais – que, no final da festa, deveriam desaparecer de cena – que caminhassem para esse destino ignorado oferecendo o mínimo de resistência. Segundo as análises da Internacional Comunista, a extrema caducidade das estruturas políticas e econômicas capitalistas conduzia velozmente toda a sociedade para o "Hic Rhodus, hic salta!"("Aqui está Rhodes, salta aqui!", passagem extraída de uma fábula de Esopo e utilizada por Marx em "O 18 Brumário de Luís Bonaparte").
Desde o momento em que a construção do socialismo na URSS foi definida como o fator permanente, essencial, determinante da revolução mundial, a Internacional Comunista passou a ser igualmente a representante por excelência dos "interesses gerais e permanentes" do movimento revolucionário. Todos os demais – "parciais e locais" – passaram a subordinar-se a ele. Mas como a expressão franca dessa subordinação se prestava ao ataque dos inimigos, às suas "calúnias", como disse Stalin em 1943, quando dissolveu a Internacional Comunista – dissolvendo as "calúnias" - era conveniente negá-las. Havia que negar a subordinação dos partidos comunistas do mundo para que ela se tornasse realmente efetiva.
A teoria do socialismo em um só país, convertida em fundamento teórico da estratégia da Internacional Comunista significou, em resumo, subordinar a revolução mundial – em cada uma de suas fases e episódios – às exigências da construção do socialismo na URSS. As estruturas ultracentralizadas da Internacional Comunista, o todo poderoso Comitê Executivo (do qual Luiz Carlos Prestes fazia parte), no topo da pirâmide controlado, por seu turno, pela direção do partido soviético e, em última análise pelo seu Secretário-Geral, o papai Stalin, constituíam o mecanismo idôneo para assegurar, na prática, a subordinação.
Como se sabe, Trotski foi o principal contraditor teórico de Stalin no que tange ao socialismo em um só país, criticando a degeneração burocrática e nacionalista da revolução russa. Trotski, todavia, não foi além dos velhos esquemas de Marx e Lênin, rubricando-os com a etiqueta de "revolução permanente".
Conforme a observação de Gramsci, a teoria da revolução permanente "é apenas uma previsão genérica que se apresenta como um dogma e se destrói a si mesma porque não se expressa nos fatos". No Programa de Transição, Trotski escreveu: "As forças produtivas da humanidade pararam de crescer (...) As premissas objetivas da revolução proletária não só estão maduras; já começam a apodrecer. Tudo depende do proletariado, isto é, tudo depende, antes de mais nada, da sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade se reduz à crise da direção revolucionária". A saída é... a Quarta Internacional.
A perspectiva da construção integral do socialismo em um só país não foi uma meta cientificamente elaborada, mas um mito que se agitou ao povo soviético para justificar os imensos sacrifícios que lhes eram requeridos. E, por isso, justamente por isso, não serviu para formar as massas como sujeito consciente, exigente e crítico de sua própria obra mas, ao contrário, serviu para cultivar nelas uma atitude acrítica, conformista, convertendo-as em objeto de fácil manipulação. Como todos os mitos que respondem a exigências reais não resolvidas cientificamente, o da construção integral do socialismo, ao fim de uns quantos planos qüinqüenais, desempenhou um papel instrumental eficaz, despertou ilusões, estimulou a fé, favoreceu a mobilização das massas e a liquidação de toda oposição crítica. Mas quando os prazos se cumpriram e houve que declarar: este é o socialismo, já está sendo construído – o mito entrou em derrocada. A fé começou a ser substituída pelo ceticismo, os sentimentos generosos pelo cinismo, a ebulição política pelo apoliticismo e, para dar relevo ao mito, houve que recorrer ao terror. Os problemas se tornaram cada vez mais complexos e suas dimensões quantitativas cederam lugar às qualitativas, mas o nível teórico para abordá-los era cada vez mais baixo, mais escassas as idéias em circulação, os cérebros mais atrofiados pelo terror e, sobretudo, pelo hábito de não pensar por conta própria, com a própria cabeça. Foi esse o esquema ideológico-organizacional que passou a vigir nos partidos comunistas de todo o mundo – isso até hoje -. Sua lógica conduz a considerar que a virtude principal do comunista, convocado para a transformação do mundo, suposto portador da ideologia social mais avançada, consiste em... não pensar!
A II Guerra Mundial chegou quando esse processo se iniciava, quando apenas uma minoria começava a tomar consciência da existência do mito. Essa minoria pagaria alto preço pela sua lucidez. Os sentimentos patrióticos vieram em ajuda ao mito e, afinal, a vitória conferiu-lhe nova seiva mas por pouco tempo, pois o XX Congresso do PCUS, em fevereiro de 1956, tirou todas as dúvidas: na URSS ainda não existia socialismo. Segundo o kamarada Kruschev expôs nesse Congresso, durante 30 anos existira uma autocracia burocrática – graças à qual, diga-se, ele chegou ao cargo de Secretário-Geral -, não uma democracia proletária. E sem democracia proletária não há propriedade social dos meios de produção. Na União Soviética existiam – e continuaram a existir até que ela desapareceu, em dezembro de 1991 – relações de produção não capitalistas e não socialistas, cuja caracterização teórica, do ponto de vista marxista, ainda está por ser feita. Por agora - e não se sabe até quando - é mais seguro defini-las por aquilo que não foram.
Por fim, devemos recordar que em 2 de março de 1969, exatos 50 anos desde a fundação da Internacional Comunista, os comunistas chineses e soviéticos se matavam no Usuri. Meses antes os tanques soviéticos foram lançados contra os comunistas checoslovacos. Anos antes, idem contra os comunistas húngaros, e apenas 5 anos depois que a Internacional Comunista foi dissolvida, em 1943, por Stalin, o movimento comunista internacional declarava guerra aos iugoslavos. Depois de tudo isso, Boris Ponomariov (membro do Comitê Central do PCUS e na década de 70 responsável pelo Departamento Internacional, encarregado das relações com os partidos comunistas do Ocidente), em seu livro "O Comunismo num Mundo em Mudança", editado em 1985, teve o desplante de escrever que "a Internacional Comunista criara os fundamentos sólidos e duradouros do internacionalismo, não apenas entre os comunistas, mas no conjunto do movimento operário mundial..."
* Historiador
A MAIORIA DOS CATÓLICOS E DOS BISPOS DO BRASIL NÃO APOIARAM A PROPOSTA DE "REFORMA POLÍTICA" DA COALIZÃO - 25/05/2015
A maioria dos católicos e dos bispos do Brasil não apoiaram a proposta de "reforma política" da Coalizão
Qualquer plebiscito que termine com um resultado de 99,6% contra 0,4% encerra qualquer debate. Houve a entrega do projeto de reforma política apoiado por esta Coalizão ao Congresso Nacional, com cerca de 630.000 assinaturas, entre presenciais e eletrônicas.
Brasília, 22 de Maio de 2015 (ZENIT.org)
Este capítulo da coleta de assinaturas para uma proposta de "reforma política" redigida por uma "coalizão" com entidades de esquerda, sindicais, corporativas e eclesiais parece ter sido encerrado no último dia 20 de maio. Houve a entrega do projeto de reforma política apoiado por esta Coalizão ao Congresso Nacional, com cerca de 630.000 assinaturas, entre presenciais e eletrônicas.
Não quero discutir mais os defeitos e a linha ideológica do projeto. Já o fiz diversas vezes em outros artigos publicados aqui mesmo, como este , este ,este e este . Como já foi dito, não se nega nem a necessidade de fazer-se, no Brasil, uma reforma política urgentemente, nem a necessidade de repensar a forma de financiamento de campanha. Mas incomoda aos católicos a adoção, por parte de uma instituição eclesial, de um determinado modelo em preferência a todos os outros, sem claras razões de fé e moral, a apontar pendores estritamente ideológicos em matéria opinável. Mas a meditação agora é outra.
Como foi possível reunir tão poucas assinaturas?
Trata-se de pensar como foi possível que uma coalizão que existe há mais de três anos, e que é composta por entidades como a OAB e a CNBB, não tenha conseguido chegar senão a pouco mais de um terço do número mínimo de assinaturas necessárias para que a proposta se transformasse em projeto de lei de iniciativa popular. É interessante proceder a esta reflexão, até por um imperativo bíblico: sempre foi critério, para reconhecer uma eventual profecia ruim, examinar os respectivos frutos.
Nem falo aqui dos descaminhos da esquerda bolivariana em toda a América Latina. Estes são por demais visíveis: falência dos respectivos países em que se instalou, aumento da violência e da miséria, destruição dos respectivos regimes democráticos e instauração de ditaduras que se proclamam "populares e libertadoras", mas cujos frutos estão bem claros para quem os quiser enxergar. Devemos lutar para que esta situação jamais se instale no Brasil.
Mas falo agora das lições que devemos refletir, nós católicos, sobre a forma com que este episódio foi conduzido, para que possamos amar mais verdadeiramente a Igreja, compreendê-la mais a fundo e colaborar efetivamente para a sua santificação, que é o objetivo de todos, leigos e clérigos igualmente. Não podemos pecar, nem por atos, nem principalmente por omissão.
Avaliando a quantidade de assinaturas, nota-se que não foi, nem de longe, representativa de qualquer popularidade da ideia entre os fiéis católicos. Ponderemos que o último Censo, bem como as últimas pesquisas populacionais do IBGE, apontam que cerca de 64% da nossa população é de católicos. Seriam cerca de 132 milhões de católicos no país, dos quais pelo menos 30% declara ir à missa todos os domingos – cerca de quarenta milhões de pessoas.
Assim, apesar de dispor de um rebanho deste porte, e de contar com várias entidades que se declaram "representativas " e "populares", ao longo de três anos a Coalizão só conseguiu convencer um grupo de "assinantes" que representa menos de 1,5% dos católicos que vão à missa todo domingo, e menos de 0,4% do total de brasileiros que se declaram católicos. Considerando que há diversas assinaturas obtidas por outros membros da Coalizão, como a OAB e diversos órgãos de classe e associações feministas e de "gênero", isto significa que muito mais do que 99,6% dos católicos não assinaram o documento, ou que pelo menos 98,5% dos católicos que costumam ir à missa no domingo não o fizeram.
Ainda que se descontem deste total os católicos que não são eleitores, como os mais idosos e os adolescentes, a proporção ínfima deve ser bem significativa: os católicos, em massa, rejeitam as ideias da Coalizão. Então o assunto acabou.
Não se alegue que a Coalizão, por qualquer motivo, não teve acesso ao grosso dos católicos. Se isto de fato ocorreu, é uma notícia muito animadora para nós, leigos. Isto significa que este setor da Igreja que se quer "popular" ou "social", e que se comprometeu com este setor ideológico da política brasileira, não tem, nem de longe, a relevância numérica que ele próprio acredita ter, entre os bispos. Não podemos duvidar que nossos santos bispos têm o poder de mover milhões de pessoas em direção á verdade de Jesus. Ora, somente a Jornada Mundial da Juventude colocou três milhões de católicos numa praia do Rio de Janeiro, ano passado. Esta coalizão, em três anos, e valendo-se de inúmeras ONGs além da CNBB, não conseguiu ultrapassar os seiscentos mil apoiadores – alguns dos quais, inclusive, pode-se supor, apenas católicos devotos que assinaram por temor reverencial, e não por convicção política.
Restar-nos-ia concluir, caso optemos pela primeira resposta, que este projeto da Coalizão tem uma esmagadora rejeição entre os católicos. Qualquer plebiscito que termine com um resultado de 99,6% contra 0,4% encerra qualquer debate. Perdeu.
Caso a interpretação seja a de que a Coalizão de alguma forma não teve acesso ao grosso da população católica para obter suas assinaturas, deve-se então concluir que a imensa maioria dos bispos agiu com extrema sabedoria e prudência neste assunto, e que simplesmente não apoia a atuação da Coalizão. De fato, pesquisando-se na Internet, descobre-se facilmente que não mais que meia dúzia de bispos estão com seus nomes vinculados a esta proposta, e nem todos dentre estes declararam-se incondicionalmente favoráveis. Quanto aos outras quatrocentos e tantos bispos, se simplesmente não deram prosseguimento prático a este intento nas suas próprias dioceses, estão demonstrando o que sempre se soube: o pastoreio efetivo do rebanho, no final das contas, cabe a cada Bispo em sua Igreja particular, e não às Conferências Episcopais nacionais como instituição colegial. Estas são sempre estruturas de apoio, de diálogo, não de substituição. A verdade na Igreja Católica jamais foi decidida e defendida no voto. Mas é muito bom ver que ela pode prevalecer estrondosamente mesmo quando é submetida ao voto.
Há notícias de que este abaixo-assinado parece ter circulado efetivamente em pouquíssimas dioceses. Não tenho dados concretos. Mas se isto ocorreu, foi um grande alento para nós, católicos: nossos pastores exercem, muitas vezes heroicamente, silenciosamente, seu pastoreio efetivo dentro das respectivas dioceses, onde são assistidos pelo Espírito Santo; e são sábios o suficiente para fazer com que projetos inadequados como este simplesmente não vinguem, por simples falta de apoio prático, poupando o rebanho da exposição pública das eventuais dissidências eclesiais frente a um ou outro mais entusiasmado neste ou naquele caminho político.
É aí que se mostra a força da Igreja: na sua aparente fraqueza.
É hora, pois, de louvar o fim deste procedimento. Acabou. Que bom. Que morra assim, silenciado e superado, para que a Igreja inicie, no Brasil, um novo capítulo de sua história. Embora, é claro, as notícias veiculadas no próprio site da Coalizão nos ameace com a continuação deste abaixo assinado. O que seria, no entanto, um absurdo lógico: ninguém entrega ao legislativo federal um abaixo assinado que ainda não terminou. Isto não seria sério. Ninguém levaria a sério.
Mas não podemos ficar desatentos: a crise política no país é gravíssima, e está longe de terminar. Precisamos deste mesmo trabalho silencioso e santo para manter a Igreja no seu rumo divino. Mas precisamos mais: queremos ser efetivamente Igreja, queremos ser ouvidos e representados, nós, os 99,6% de silenciosos. The end.
A "PRESTAÇÃO DE CONTAS" DO EX-SECRETÁRIO DO FORO DE SÃO PAULO - 25/05/2015
"Foro de São Paulo". A expressão, antes pronunciada com heroísmo por alguns poucos, está cada vez mais presente nos debates sobre a situação política do país. Nos últimos protestos contra a Presidente Dilma e contra o PT, que levaram milhares de pessoas às ruas, ela compôs gritos de denúncia, apareceu nas faixas e cartazes empunhados pelos manifestantes. Miopia aguda ou surdez dissimulada, não há outra forma de explicar a omissão da imprensa de não destacá-la.
O Foro de São Paulo foi criado por Lula e por Fidel Castro em 1990. O objetivo era - e é - reunir a esquerda latino-americana, de partidos políticos a quadrilhas de narco-guerrilheiros, para transformar o continente na "Pátria Grande" socialista-comunista. Porém, dúvidas e suspeitas são lançadas contra o audacioso projeto. Uma reação natural de desconfiança por causa do impacto da denúncia ou um artifício para ofuscar a gravidade das acusações. Mas, seja lá o que for, a documentação pode ser examinada por qualquer um que tenha interesse no assunto. E, para dissipar qualquer nuvem de incerteza, basta ler "A estrela na janela: ensaios sobre o PT e a situação internacional" [1]. O livro foi escrito por Valter Pomar, que o apresenta como a "prestação de contas" do seu trabalho de oito anos à frente da Secretaria de Relações Internacionais do PT e da Secretaria Executiva do Foro de São Paulo (2005-2013) (pp. 07-08).
"O Foro de São Paulo já é parte indissolúvel da história da esquerda latino-americana durante a última década do século XX e a primeira do XXI" (p. 256). O mapa do continente não foi pintado de vermelho de forma espontânea: "o Foro participou e contribuiu para esta mudança de correlação de forças na América Latina e Caribe" (p. 244). Pomar observa que, "quando o Foro foi criado, havia apenas um governo encabeçado pela esquerda: Cuba. Hoje governamos parte importante dos países da região. Isto se deve, ao menos em parte, à ação dos partidos que integram o Foro" (p. 267) [2].
As palavras do petista dão uma idéia da importância do Foro de São Paulo para a configuração do atual cenário político e da dimensão monstruosa que adquiriu este projeto de poder que é sim comunista [3]. Valter Pomar escreve como parte do movimento revolucionário. Ele enaltece a herança soviética, elogia o "modelo" cubano, faz da Unidade Popular do Chile uma fonte de inspiração, é um entusiasta das relações entre Brasil e China. O ex-secretário executivo do Foro de São Paulo fala abertamente sobre o horizonte perseguido pela organização:
[...] "o termo 'comunismo' é recusado ou simplesmente deixado de lado por amplos setores da esquerda, inclusive por alguns que se proclamam revolucionários. Mas, desde o ponto de vista teórico, o uso do termo é essencial, uma vez que permite distinguir entre o que é a 'transição' e o que é o 'objetivo final' (ou seja, a forma madura de sociedade que se pretende construir)" (p. 93).
Pomar ressalta que "a luta pelo poder pode se resolver no prazo de anos, mas a construção de outra sociedade é um projeto de décadas e séculos" (p. 117). As conquistas até o momento são inegáveis: "o potencial da esquerda latino-americana é confirmado, ao longo dos anos 1990 e adiante, com o surgimento do Foro de São Paulo; a gestação do Fórum Social Mundial; e a eleição de uma onda de presidentes progressistas" (p. 139). Porém, não basta estar no "governo" para "controlar o poder" (p. 155). O esquema comunista deve ser ampliado em uma "segunda etapa" (p. 206), e por duas vias: "aprofundar as mudanças e acelerar a integração" (p. 247).
"Temos que mudar o Estado, mudar sua natureza, não apenas sua forma" (p. 221). Pomar observa que as mudanças devem ser feitas com rapidez, porque as crises "externas" ou "internas" poderiam colocar "em questão nossa permanência no governo" - [...] "o tempo é curto, a janela é pequena, pode se fechar" (p. 213). Para ele, "reformas estruturais" precisam ser promovidas: a reforma política (p. 211); o controle do judiciário e dos meios de comunicação - o domínio da indústria cultural e do sistema educacional (p. 221).
A reforma política é imprescindível para o Foro de São Paulo:
"Nós precisamos fazer uma REFORMA POLÍTICA, mas não conseguimos, desde 2003 até hoje, fazer que este debate ganhe a sociedade. Não há como fazê-lo desde o governo nem desde o parlamento. Haveria que desencadear um movimento político-social, que tenha o partido [o PT] e os partidos de esquerda aliados como protagonistas" (p. 211).
As principais propostas de reforma política oferecidas para o público são a execução da estratégia descrita por Pomar. Para conquistar a adesão das pessoas, a coleta de assinaturas para a convocação de um Plebiscito Constituinte e para a legitimação do projeto de lei de "iniciativa popular" da "Coalizão pela Reforma Política Democrática" é propagandeada como mobilização da "sociedade civil organizada". Porém, os "movimentos sociais" envolvidos, as ONG's e sindicatos, ou estão a serviço do PT, ou estão de alguma forma alinhados com o partido. Pior. As propostas preveem - entre outros absurdos - a inserção desses mesmos grupos em instâncias decisórias da administração pública, promovendo aquilo que tanto quer o petista Valter Pomar: a ampliação sorrateira do esquema de poder do Foro de São Paulo [4]. Para a vergonha dos católicos - porque contraria escandalosamente os princípios e as orientações da Igreja, a CNBB apoia a convocação do Plebiscito Constituinte e assina o projeto da "Coalizão pela Reforma Política Democrática" [5].
A respeito da instrumentalização da Igreja Católica pelos comuno-petistas - algo que ocorre há décadas com a pregação de um engodo criado pela KGB e batizado por ela de "Teologia da Libertação" [6] - Pomar observa o estusiasmo da esquerda latino-americana com Francisco, o Papa argentino que poderia ser explorado para a promoção dos seus planos (p. 259).
Pomar - que esteve presente na fundação do Foro de São Paulo como representante do Instituto Cajamar, a "escola de quadros" do PT (p. 07) - destaca a importância da educação e da cultura para as pretensões da organização comunista. "A construção deste pensamento de massas, de uma cultura de massas, é, dentre as tarefas de longo prazo, talvez a mais estratégica" (p. 255). Trata-se de um ardil conhecido, sobretudo nos moldes gramscianos. Ocupação das universidades; formação de professores militantes; doutrinação nas escolas; "intelectuais" e artistas engajados - e a colaboração ingenua dos "idiotas úteis". Uma estratégia eficiente, que não só consagrou o comunista e "apóstolo" da Teologia da Libertação, Paulo Freire, como patrono da educação brasileira, mas forjou a falsa reputação que tanto contribuiu para a ascensão do PT ao poder [7].
Dentro do plano de promoção das "reformas estruturais", a reeleição de Dilma Rousseff, alertava Pomar, era imprescindível. "Não se trata da vitória de uma pessoa, mas sim da vitória de um projeto, de uma aliança, de um Partido" - o governo Dilma, no segundo mandato, "com reformas, com mudanças profundas, nos aproxima do socialismo" (p. 88). E a candidata petista foi de fato reeleita. Uma fraude eleitoral escandalosa conservou a marionete do Foro de São Paulo na Presidência da República [8].
Quanto à "integração", ela não é outra coisa que a construção da "Pátria Grande" comunista na América Latina. Trata-se de uma "integração de amplo alcance", que possa consolidar "laços econômicos, sociais, políticos, militares e ideológicos" entre os países governados pela organização (p. 37). "Esta compreensão de uma integração de amplo escopo constitui o pano de fundo da criação da Comunidade Sul-Americana de Nações (2004), cujo nome foi posteriormente alterado para UNASUL (2007)" (p. 141). O Foro de São Paulo é um dos "laboratórios" encarregados de planejar a institucionalidade da "integração" comunista (p. 268).
No entanto, observa Pomar: "Não haverá integração sem Brasil. Talvez sejamos o país menos latino-americano da região, mas somos também o capitalismo mais potente, que tem melhores condições para ajudar a financiar a integração" (p. 204). Os investimentos em "infraestrutura" são estratégicos, e devem subordinar "a ação das empresas brasileiras aos interesses da política externa e convertendo nossa política externa de política de governo em política de Estado" (p. 245). Porto em Cuba, metrô na Venezuela, estradas na Bolívia, hidrelétrica na Nicarágua. Um mar de dinheiro público, em vez de ser investido em obras que o país tanto precisa, é canalizado para patrocinar - com o disfarce de "integração" - o totalitarismo na América Latina.
Enfim, esta síntese da "prestação de contas" do ex-secretário executivo do Foro de São Paulo deixa à mostra o nefasto projeto de poder comunista. O petista diz que agora, da "planície", continuará contribuindo com a "luta pelo socialismo", com o Partido dos Trabalhadores (p. 08). O PT, contudo, permanece no altos postos de poder. Por isso, uma observação de Valter Pomar - feita quando ainda estava à frente da organização fundada por Lula e por Fidel Castro - é importante para concluir: "o PT valoriza extremamente o Foro de SP" [...] "Devemos, portanto, combinar a necessária luta ideológica em favor do socialismo, com uma estratégia e uma política organizativa mais amplas" [...] "para nós, do PT, o Foro de São Paulo é prioritário" (p. 87).
"Democratização das armas": a "desmilitarização" e o poder do Foro de São Paulo
Valter Pomar também apresentou no livro a "prestação de contas" do seu trabalho como secretário executivo do Foro de São Paulo [9]. Nela, o petista enaltece as conquistas da organização fundada por Lula e por Fidel Castro, principalmente a de ter instalado mandatários comprometidos com o seu projeto em diversos países da América Latina. Mas, Pomar observa que estar no "governo" não é suficiente para "controlar o poder" (p. 155). Para isso, é necessário promover uma série de "reformas estruturais" - entre elas: a reforma política, o controle do judiciário e dos meios de comunicação. Reformas que têm uma espécie de coroa:
"A conquista do poder de Estado é um processo complexo, cujo PONTO DE CRISTALIZAÇÃO é o MONOPÓLIO DA VIOLÊNCIA" (p. 95).
https://youtu.be/jlE1YlYEOIk
A IGREJA CATÓLICA DE VOLTA PARA OS CATÓLICOS! - 22/05/2015
(Publicado oroginalmente em Zenit.Org
Há um momento oportuno, com a renovação na direção da CNBB, para que finalmente soltemos um grito que está preso há muitos anos nas gargantas dos católicos do Brasil: precisamos da CNBB cada vez mais para os católicos. Precisamos acabar com este vago desconforto que os católicos mais simples, os que acreditam no Credo e tentam viver como manda a Igreja, sentem quando entram em muitas paróquias, sedes diocesanas e outros órgãos eclesiais católicos, de que estão entrando em centros de política partidária de esquerda, altamente laicizados.
Pode parecer pretensioso que um leigo se ponha a externar propostas de caminhos ou reformas na vida religiosa da Igreja; mas uma vez que nossos Bispos estão promovendo movimentos de rompimento constitucional na vida política, coletando assinaturas para reformas políticas visivelmente de esquerda e inclusive propondo a instalação de assembleia constituinte para modificar a Constituição Federal no meio da crise econômica e política mais séria que o Brasil já teve desde a redemocratização, e motivada pelas más opções ideológicas que estão presidindo a vida pública no Brasil - tomadas exatamente pelos grupos que serão beneficiados pela reforma política que a Igreja brasileira agora promove - essa fronteira fica, digamos, borrada: se os clérigos empenham seu precioso tempo em complicar os assuntos políticos, resta a nós, leigos, arcar com a situação um tanto desorganizada que se apresenta na nossa vida religiosa negligenciada. É preciso rezar. Alguém tem que fazê-lo.
Compreendemos que, no período da ditadura militar e da empolgação com uma leitura “descontinualista”, ou "de ruptura", do Vaticano II, e com a empolgação com uma “teologia da libertação” que nasceu na Alemanha e na URSS e foi trazida para a América Latina por alguns teólogos que estudaram ali no final da década de sessenta e na década de setenta, como se fosse uma “teologia latino-americana”, mas que na verdade é uma ideologia estrangeira que apenas tirou Jesus do centro da fé, retirando da Bíblia e da Tradição sua autoridade de Revelação, para substituí-los pelo socialismo, pelo “Pobre” e “Oprimido”, e por Marx e Gramsci, tenhamos perdido uma parte da Igreja brasileira para os esquerdistas, marxistas e socialistas. Isto decorreu, em grande parte, da circunstância política de então e, muitas vezes, da omissão dos bons católicos. Não se pode negar que alguma coisa boa ficou. Mas muita coisa péssima, também. Mas ainda há tempo de mudar.
É necessário iniciar uma grande corrente de oração, em frente às cúrias diocesanas, sedes de institutos religiosos e da CNBB ou mesmo paróquias pelo Brasil inteiro: a Igreja Católica de volta para os católicos! Seria talvez o caso de reunir semanalmente um grupo de leigos para rezar o terço nesta intenção, nas portas desses lugares, ou seja, cumprir o pedido do Papa Francisco de que todos rezemos pela fé dos nossos padres e bispos. É preciso que os bons padres e principalmente os bons bispos vejam que nós, povo católico, queremos que eles se posicionem mais corajosamente frente àqueles que já não têm fé, mas apenas querem usar a Igreja para fazer política ideológica. Eles podem parecer fortes, podem parecer maioria, mas não são. Estamos do lado de vocês: desafiem-nos com a verdade cristã! Deixemos de lado o engajamento político eclesial socialista, proponham-nos a verdadeira fé cristã, e sua verdadeira doutrina social. Quanto mais resgatarmos a verdadeira fé, mais gente haverá com vocês, do lado de Deus e da fé católica. E mais nossos pobres serão amados e nossos ricos, evangelizados. Ousemos retomar nossa identidade!
Pleitear a devolução da Igreja para os católicos não significa, de jeito nenhum, descuidar do grande diálogo com o mundo e com a cultura contemporânea, nem de abandonar o fervor missionário e evangelizador, nem de diminuir eventuais esforços de diálogo ecumênico e inter-religioso. o problema é que, muitas vezes a pretexto de diálogos assim, nós católicos perdemos a noção de quem somos. Vemos alguns de nossos pastores, ou seus delegados, a título de "diálogo com o mundo contemporâneo", tornarem-se algumas vezes tão mundanos quanto o mundo. A título de "diálogo com a cultura atual", renegarem o legado da Tradição católica. Ou a título de diálogo ecumênico, tornarem-se mais protestantes que os protestantes. para que o diálogo entre os católicos e estas realidades aconteça realmente, é preciso que do lado dos católicos haja verdadeiros católicos. Dialogar não significa renunciar nossa identidade, nem encher a Igreja de gente sem fé. Se não, não se trata de diálogo, mas de renúncia e destruição da própria Igreja.
Assim, como proposta de intenções a serem incorporadas nessa grande reza do terço em prol da fé católica em nosso país, sugerimos as seguintes:
- Que os sacerdotes estejam disponíveis aos fiéis leigos para as celebrações sacramentais, e que aconselhem o povo de Deus a frequentar a missa e educar seus filhos na fé católica.
- Que os sacerdotes voltem a estar disponíveis para confessar o povo, e ensinem aos leigos que a confissão sacramental, aliás a participação efetiva na vida sacramental como um todo, nunca foi revogada pelo Concílio Vaticano II.
- Os sacerdotes voltem a usar trajes eclesiásticos, conforme o direito canônico.
- Os religiosos voltem a rezar, e a usar os hábitos estabelecidos pelas respectivas regras de vida. Em especial os de vida ativa.
- As escolas e universidades católicas voltem a ser confessionais, e não apenas vagamente “espiritualizadas”.
- Os professores e formadores de seminário ensinem aos seminaristas a reta fé cristã, exposta em documentos como a “Dominus Jesus” e a “Libertatis Nuntius”, e sejam, caridosamente, impedidos de usar autores que solapam e destroem a fé católica, já notificados ou não pela Congregação da Doutrina da Fé. Que todo marxismo, toda teologia liberal protestante e todo enfraquecimento das normas de castidade e de disciplina sacerdotal seja banido dos seminários.
- Que a liturgia da Igreja tenha sua referência no Missal romano atualmente em vigor no mundo inteiro, revisando-se as traduções aberrantes como por exemplo falar “Ele está no meio de nós” quando toda a Igreja do mundo inteiro, durante os últimos dois mil anos, falou “et cum spiritu tuum”.
- Que invencionices locais bizarras, como o uso de música popular, as “respostas às orações eucarísticas” e a substituição de textos canônicos por poemas e outros textos não-bíblicos sejam proibidos. Que se eliminem as “homilias” paralelas feitas por “apresentadores” e “comentaristas” da missa que mais parecem os verdadeiros presidentes das celebrações, e que introduzem ritos descabidos e invencionices que descaracterizam o verdadeiro rito litúrgico, a ponto de o fiel desavisado duvidar se está mesmo na missa.
- Que se esvaziem os presbitérios das multidões de leigos uniformizados, devolvendo o centro da vida litúrgica para os sacerdotes e o centro da vida social e política para os leigos. Pela reversão da tendência de "clericização dos leigos", juntamente com a tendência de "laicização do clero".
- Que os catequistas ensinem aos catequizandos a verdadeira doutrina católica, e não uma “sociologia das religiões” ou uma espiritualidade meio difusa estilo new age. Que os sacerdotes se comprometam com a catequese, e acompanhem efetivamente os catequistas leigos no seu dia-a-dia.
- Não se trata de fazer a missa voltar a ser celebrada em latim. Mas que a língua utilizada nas celebrações litúrgicas seja ao menos uma língua utilizada pelos seres humanos, deixando as línguas angélicas para as celebrações ocorridas nas esferas dos anjos.
- Que as homilias passem a ser de novo para a edificação das almas na fé e na moral, e não para a “luta social” ou para a promoção de um “ecumenismo” vago ou uma “religiosidade” abstrata.
- Que as editoras católicas publiquem a verdadeira doutrina católica, e sejam fortemente recomendadas a retirar de catálogo autores já notificados pela Congregação da Doutrina da Fé da Santa Sé ou das respectivas Conferências Episcopais dos países de origem.
- Que os Bispos voltem a ser nossos guias seguros de fé e moral em todas as dioceses.
- Que os marxistas, os ateus e os não-católicos em geral que atualmente compõem as “comissões de Justiça e Paz” no Brasil inteiro sejam convidados a se converter e sejam efetivamente evangelizados, inclusive encaminhados para viver efetivamente uma vida sacramental.
- Que as campanhas da fraternidade e as “vias-sacras”, bem como os documentos da CNBB, deixem de lado as categorias sociológicas da “opressão” e da “luta de classes”, e a ideia de que os “pobres”, e não Jesus Cristo, são o centro da fé, para refletir a verdadeira Doutrina Social da igreja existente no respectivo Compêndio.
- Que nossos bispos e padres deixem de ser “intelectuais orgânicos”, líderes políticos ou militantes sociais e voltem a ser bispos e padres católicos.
Esta relação é exemplificativa, mas mostra como poderíamos usar, construtivamente, a energia que hoje usamos para combater o projeto de reforma política desastrosa que está sendo gerada no seio da Igreja brasileira para fazer aquilo que, acredito, é o anseio de muitos: ter, no Brasil, uma Igreja Católica cada vez mais santa, para construir um povo brasileiro mais santo, mais feliz, mais livre e mais próspero de verdade. Sem Marx. Sem Gramsci. Com Jesus.
* Procurador Regional da República e Mestre em Direito Econômico
MÃOS AO ALTO, CIDADÃO! - 21/05/2015
Certamente uma das mais pesadas e polêmicas frases dita aos 4 ventos pelos libertários mundo afora é “IMPOSTO É ROUBO.” Se considerarmos a forma como ele nos é retirado forçadamente e sem chance de defesa, e se atentarmos às consequências de não acatar a “ordem” dada, o imposto é sim um roubo. O monopólio da violência dá ao estado essa possibilidade, para não dizer premissa, para retirar do cidadão parte de algo que não lhe pertence. Mude o sujeito da frase é terá caracterizado um ladrão.
Advogados me corrijam se estiver errado, mas temos os tipos de roubo: furtos ou assaltos. Os impostos indiretos, ou seja, aqueles que o consumidor paga sem sabe que esta pagando se assemelham ao furto; enquanto os impostos mais diretos e escandalosos, tal qual era a CPMF é são hoje ainda IPVA, IPTU, ITBI etc, são assalto mesmo, à mão armada e sem chances de defesa!
Sempre se escuta uma tia bem intencionada dizer que “aceitaria pagar impostos se recebêssemos de volta as contrapartidas. É assim na Suécia.” . Também me perdoem os amigos psiquiatras, mas ela certamente sofre da “Síndrome de Estocolmo”, com o perdão do trocadilho. É a paixão doentia por aquilo que pode lhe fazer o mau. Certamente o modelo escandinavo é menos pior do que o nosso “tropicaliente”, mas não torna o ato de tributar menos imoral. Tributados não são os produtos/serviços; quem é tributado é o próprio cidadão! É sobre nós que a carga pesa.
Se o imposto é ou não roubo, não há consenso. Mas claramente há coisas que o imposto não é (ou não deveria ser), e muitas delas o governo insiste em ignorar.
Só para começar:
Existe uma imoralidade indissociável da cobrança de tributos: ao encarecer o preço final das coisas, os impostos dificultam o acesso das pessoas aos avanços civilizatórios, desde os mais simples aos mais complexos. Somos tributados a todo momento: água tratada, luz, remédios, combustível, comida, roupas, educação, tratamentos de saúde, habitação, veículos, passagens aéreas e terrestres, ferramentas, maquinário e uma infinidade de itens que não teria linhas suficientes para citar.
Pragmaticamente falando, impostos deveriam ser a fonte arrecadatória para pagar aquelas atividades definidas pela sociedade como sendofunções do Estado. As sociedades precisam então impor aos seus respectivos estados o limite; além de fiscalizar os gastos e questionar com veemência cada aumento alardeado como sendo para “o bem comum”. O “bem comum” é um álibi historicamente terrível e sob o seu pretexto foram cometidas enormes atrocidades. E nada nos fará melhor que um Brasil com menos impostos.”
* Arquiteto, urbanista e diretor de Comunicação do Instituto de Formação de Líderes de Belo Horizonte.
A REBELIÃO DOS CANÁRIOS - 19/05/2015
Os mineiros tinham, até bem adiantado o século XX, uma técnica infalível para proteger-se nas profundidades da rocha: os canários. A pequena ave, mais sensível que o homem à falta de oxigênio e aos gases tóxicos, morreria primeiro que estes se nas minas houvessem gases venenosos ou demasiado monóxido de carbono. Se os mineiros vissem os canários morrerem ou asfixiarem-se, sabiam que deviam abandonar a mina à toda velocidade. O canário era o primeiro que sofria por um mal que acabaria por matar a todos.
Em Skopje, na ex Iugoslávia, encontrei certa vez um ancião que havia sobrevivido à história eriçada de guerras de seu país. Me contou o segredo de sua sobrevivência: “Quando os judeus são perseguidos ou escapam – disse com sua boca desdentada – é hora de fazer as malas”.
O ancião iugoslavo tinha razão: na história moderna os judeus foram os “canários” do mundo. Elementos minoritários e vulneráveis da sociedade, os judeus foram sempre o primeiro alvo dos movimentos de destruição e desumanização. Na Inglaterra covarde do “apaziguamento”, Winston Churchill denunciava o verdadeiro caráter da Alemanha Nazi. Um regime que começa perseguindo os judeus – dizia Churchill – cedo ou tarde ameçaria a liberdade e a vida de todos.
A temperança moral do mundo é posta à prova. Se os judeus podem ser perseguidos ou assassinados impunemente – raciocinam os tiranos – então pode-se passar para o próximo passo. Todas as grandes ditaduras de nossa época – nazismo, stalinismo, esquerda, direita – tiveram os judeus como o alvo predileto e como coelhinhos da índia de sua violência assassina. Todas terminaram por causar milhões de mortos de todas as nações.
Se o gás mata o canário, cedo ou tarde matará o mineiro. E isto é o que sucede hoje em dia com o fundamentalismo islâmico. O integralismo é o novo totalitarismo que ameaça as sociedades ocidentais. Sob um verniz de conceitos religiosos, o fundamentalismo é uma doutrina política totalitária e fascista. Israel e os judeus foram seu primeiro alvo e, graças à indiferença do mundo, agora o flagelo estende-se por qualquer lugar como uma impiedosa epidemia.
Quando israelitas morrem despedaçados pelas bombas terroristas, o mundo cala. Vozes de condenação se levantam contra Israel e não contra os assassinos. Os algozes e não as vítimas recebem a solidariedade do mundo. O judeu entre as nações ocupa o mesmo lugar que o judeu entre as gentes: o eterno culpado, o vilificado, o causador de problemas. Israel é acusado de causar o terrorismo islâmico. Na realidade, o estado judeu é sua primeira vítima e é um campo de provas para os assassinos.
A covardia e a indiferença do mundo em lidar com o terrorismo, convenceu os assassinos de que poderiam atacar os Estados Unidos, a Europa e a Ásia.
Assim, o terrorismo – que poderia ter sido entendido com uma ação combinada e enérgica – converteu-se em um mal em escala mundial.
Houve também outros “canários” na história moderna. Em 1938 o estado pacífico e democrático da Checoslováquia foi a primeira vítima de Hitler. Foi um balão de ensaio do Nazismo. Se Praga caísse, cairiam também Varsóvia, Amsterdam, Paris e Londres. No infame tratado de Munique, as potências democráticas claudicaram ante Hitler que, convencido de sua debilidade, sentiu-se confiante para lançar a Segunda Guerra Mundial.
A lógica de Munique continua viva, tanto na Europa quanto nos assassinos. Quando a voracidade de Hitler reclamava a Checoslováquia, França e Inglaterra assinalavam o pequeno país centro-europeu como o culpado de uma tensão que levaria à guerra. “Esse país insolente deve ceder – dizia Chamberlain, referindo-se à Checoslováquia – para salvar a paz”.
Praga foi forçada a ceder, a Checoslováquia desapareceu e assim começou a guerra. Hoje em dia a mesma lógica se aplica a Israel. Frente ao terrorismo, Israel deve ceder, para salvar a paz. A falácia desse argumento é óbvia: o fundamentalismo islâmico não busca tal ou qual reivindicação territorial, senão a destruição de Israel e do Ocidente em seu conjunto. Frente a esta realidade, o Ocidente e especialmente a Europa são suicidamente cegos.
Se, como a Checoslováquia, Israel cai ante o fundamentalismo, qual será o próximo passo? França, que tem em seu seio milhões de muçulmanos e onde os grupos fundamentalistas ganham cada vez mais poder? Inglaterra, onde imãs fundamentalistas queimam bandeiras inglesas?
O que o Ocidente parece não entender é que Israel é o campo de batalha onde lança seu próprio futuro. Se Israel cai frente ao terrorismo, então todo o Ocidente estará ameaçado. As mesmas redes de tráfico de armas e dinheiro que os terroristas usam para atacar Israel, são utilizadas para atacar os Estados Unidos e outros países ocidentais.
Im’ad Magnia, o assassino do Hezbollá que organizou o atentado à AMIA, foi ativo na rede que permitiu a tragédia do 11 de setembro. Ramzee Yussef, o líder do primeiro atentado às torres gêmeas em 1993 fez suas primeiras armas no Hamas. O Irã arma o Hezbollá e com as mesmas redes comandou o assassinato de dissidentes nas ruas de Berlim.
Em Istambul, a estratégia dos “judeus primeiro, depois o resto” é ensaiada com sangrenta eficácia: duas sinagogas são atacadas e só uns poucos dias depois alvos ingleses e turcos também o são.
Berlim e Jerusalém: Durante a Guerra Fria, o mundo pareceu ter aprendido. O Ocidente se deu conta de que Berlim era o canário que não podiam deixar morrer. Enquanto a ditadura comunista construía o muro de Berlim, John F. Kennedy visitou a cidade sitiada e clamou “Eu sou um berlinense”. Estava enviando uma mensagem clara e forte: Se Berlim é atacada, todo o Ocidente o é. Se deixamos Berlim cair, isolada e fechada em um mar de forças hostis, então nós seremos os próximos. Israel – curioso paradoxo – é como Berlim: um oásis democrático e ocidental rodeado de forças hostís e de um mundo árabe em crescente radicalização. Assim como Berlim podia ser deglutida pela “maré” soviética, Israel pode desaparecer sob 20 ditaduras árabes.
Porém, a lucidez do mundo – em especial da Europa – durou pouco. A cegueira judeofóbica não deixa ver o óbvio e empurra a Europa para uma espiral suicida. Em vez de olhar o problema na cara, os europeus consideram Israel como “um perigo para a paz”. Igualmente ridículo que houvesse sido considerar Berlim – e não aos que a ameaçavam- como um perigo para a paz. A mesma cegueira que fez com que Chamberlain chamasse Benes (o líder checoslovaco) de insolente e não a Hitler.
Aos franceses, que por moda ou ódio judeofóbico acusam Israel de ser “o país que mais ameaça a paz mundial”, lhes perguntaria: Se o Hamas vence, como deterão os fundamentalistas da França? Na mente dos fundamentalistas, a queda de Israel aplanará o caminho para futuras conquistas, no coração mesmo da Europa.
Devido à cegueira e à covardia de Munique, a França passou a ser de primeira potência do mundo a um patético país de terceira e a Europa perdeu para sempre seu espaço de preeminência. Agora, graças a seu anti-semitismo e à sua hipocrisia, permitirá ao fundamentalismo islâmico reinar sobre o continente.
A Europa pensa “se Israel não existisse, o mundo seria um lugar mais seguro” da mesma maneira que pensava “se a Checoslováquia não existisse, a Europa estaria mais segura”.
É tão ridículo como um mineiro que veja o canário sofrer se enoje com ele, em vez de pensar que ele e seus companheiros correm perigo.
A “correção política” e a covardia não deixam atacar o problema na raiz. Experts alemães realizaram, a pedido da União Européia, um estudo sobre os atos de anti-semitismo que assolam a União. A conclusão foi taxativa: elementos radicais muçulmanos estavam por trás da onda de violência anti-judaica e a “nova esquerda” dava legitimação e sustento ideológico aos ataques. A demonização de Israel nas mídias, coadjuvava a violência.
A reação das autoridades frente a este estudo mostra porquê a Europa vai direto ao desastre: a reportagem foi engavetada por considerar-se demasiado “ofensiva”. Em vez de fazer frente ao problema e tomar medidas enérgicas, a comissão encarregou outra reportagem “mais lanceada”.
Alguém dirá: “Sim, porém, e os palestinos?” “Eles são os oprimidos e não Israel”.
A atitude da Europa não tem nada a ver com os justos reclamos dos palestinos.
Também durante Munique os alemães dos Sudetes (região Oeste da Checoslováquia) eram considerados oprimidos. Eles foram a desculpa de Hitler para reclamar o desmantelamento do pacífico país centro-europeu, apesar de que Praga havia acedido a quase todas as demandas de autonomia dos germanófobos dos Sudetes.
Israel, tal como os judeus, não é odiado pelo que faz, senão pelo que é.
Israel é odiado por ser um oásis democrático e ocidental em um mar de ditaduras. Israel é odiado por apoiar-se em valores de humanidade e liberdade cercado de tiranias sangrentas. Israel é odiado porque apresenta um exemplo nefasto para ditadores e tiranos. Não são os defeitos de Israel o que os terroristas odeiam – os quais existem em abundância -, senão suas virtudes.
A intifada não foi lançada por causa da falta de negociações de paz, senão para fazê-las fracassar. Os atentados suicidas começaram em pleno processo de paz, foram causa e não conseqüência de seu fracasso. Aos olhos da Europa Arafat ganhou popularidade e legitimidade precisamente após rechaçar a paz e lançar uma guerra.
A falácia de que maiores concessões por parte de Israel deterão o terrorismo é tão óbvia quanto perigosa. Ainda os que cremos, como a autora destas linhas, na justiça do reclamo palestino e na necessidade de um Estado Palestino ao lado de Israel, devemos saber que o terrorismo – e a hostilidade da Europa – têm pouco a ver com essa reivindicação.
A solidariedade com os palestinos é, talvez, uma das maiores hipocrisias do século. A Europa que colonizou o mundo árabe, que oprime suas próprias minorias muçulmanas e que cala complacente frente às tiranias que assolam o mundo muçulmano, se descobre como campeã dos direitos humanos precisamente no tema palestino.
A Europa, que - como a França – interveio dezenas de vezes em suas ex-colônias africanas, lava suas culpas nas costelas de Israel. A Europa que inventou o colonialismo, o genocídio e o totalitarismo converte as vítimas em culpados.
A Europa jamais protestou quando os palestinos eram submetidos pelo Egito, Síria e Jordânia. Tampouco quando o Kuwait expulsou 300.000 palestinos de seu território. Só quando Israel é o suposto “perpetrador”, a solidariedade se faz ver.
Longe de ser solidária, a Europa trata outra vez de “apaziguar” assassinos. Os que pagam, são outra vez os judeus.
Se não temos canários – pensaria um mineiro néscio e suicida – então não haverá gás tóxico na mina. Se não existisse Israel – pensam europeus covardes e anti-semitas – então não haveria fundamentalismo islâmico.
Os europeus são – nas palavras do grande Milan Kundera – “os engenhosos aliados de seus próprios coveiros”.
Israel, é como disse um jornalista israelense, um país “on probation”. O problema não são os territórios ocupados, nem o conflito palestino. O tema é o direito de Israel existir. A legitimidade mesma da existência de um Estado Judeu. Nenhum outro país do mundo tem sua existência mesma questionada. Inclusive os que cremos na necessidade de entregar territórios em troca da paz, não devemos enganar-nos. A hostilidade da Europa não tem nada a ver com os territórios.
Em uma notória pesquisa, 19% dos italianos disseram que Israel deveria deixar de existir. Mais revelador que o resultado é propriamente a pergunta: Por que é legítimo para um pesquisador europeu pôr em dúvida o direito de Israel existir e não o da Índia, Síria, França ou Itália?
Israel tem que pedir permissão e perdão pelo mero fato de existir. Quem acompanha atentamente as emissões televisivas européias verá que já não se debate acerca de tal ou qual plano de paz, nem acerca de regras territoriais. O debate centra-se em deslegitimizar a existência do Estado.
A “nova esquerda”, que na realidade tem pouco de nova e muito de ranço stalinista totalitário, converteu em legítimo e cool o anti-semitismo e a deslegitimização de Israel. Os anti-semitas modernos já não são velhos nazis ou fascistas repulsivos, senão intelectuais progressistas e da moda. Como dizem Alain Finkielkraut, “é o tempo dos anti-semitas simpáticos”.
O filósofo judeu-francês – que, diga-se de passagem, é um antigo militante pela causa palestina – queixa-se amargamente: “os debates nos quais participamos não são discussões, senão tribunais”. Aceita-se a terrível irracionalidade de ser anti-semita como condição necessária para ser liberal e anti-racista. O “direito de solo” que os intelectuais judeus têm que pagar para serem aceitos continua subindo: se antes tinha que ser pró-palestino, agora há que franca e plenamente negar o direito a Israel de existir.
A sociedade e os meios de comunicação colaboram ativamente. “Quando Le Pen – líder da extrema direita francesa – atacava os judeus, era condenado unanimemente; quando Tarik Ramadam – pseudo intelectual muçulmano de esquerda – lança uma lista de ‘judeus suspeitos’, é convidado a explicar sua posição em ‘tout le monde en parle” (um programa da atualidade muito em moda na elite artísitica e intelectual francesa).
Se houvesse objetividade, se poderia lutar com a mesma força pelos direitos dos palestinos e pelo direito de Israel de existir livre e seguro, como um estado judeu e democrático.
Paradoxalmente, as posturas israelenses mais extremas se vêem fortalecidas por esta atitude. Se o que se nega é a existência mesma do Estado, inclusive em suas fronteiras de 1967, - pensa a extrema direita – então, de que serve fazer dolorosas concessões?
Se o que se deslegitimiza é Tel Aviv, então para que renunciar a Hebron? O argumento é logicamente irreprochável. Para que ceder territórios que se tenham no coração da consciência histórica judaica, se esse sacrifício não nos assegurará a paz, o reconhecimento e a segurança?
Frente a isto, a esquerda se vê esvaziada de argumentos e impelida aos extremos, e os que desejam um acordo baseado em concessões mútuas sentem-se como ingênuos que ignoram os verdadeiros motivos de seus adversários.
Quando o presidente francês Daladier voltou de Munique esperava ser linchado por sua claudicação ante Hitler. Em vez disso, foi recebido por uma multidão que o ovacionava por ter salvado a paz. Ninguém queria “morrer pela Checoslováquia”. Fingindo um sorriso, voltou-se para seu ministro das Relações Exteriores e murmurou: “Quels cons!” “(Que imbecis!)”.
As similitudes com a época atual são arrepiantes. Líderes que legitimam ditadores e assassinos são tratados como “heróis da paz”, enquanto asseguram um futuro de mais guerra e terrorismo. Me pergunto se enquanto desfrutava de seu orgasmo midiático anti-americano e anti-israelense, Jacques Chirac se havia voltado para Dominique de Villepin para dizer “Quels cons”...
Canários indóceis. Agora bem, suponhamos que em uma mina, os canários dizem basta! Basta de morrer para alertar os mineiros de perigos iminentes. Basta de sofrer, porque de todos os modos os mineiros não nos prestam atenção e seguem envenenando-se lentamente com os gases tóxicos da mina.
Basta de morrer gratuitamente, porque a triste verdade é que aos mineiros não importa.
Basta de asfixiar-nos por nada, porque a única coisa que recebemos é o ódio e não a solidariedade dos mineiros aos quais salvamos. Basta, porque os mineiros jamais aprenderão a lição e jamais entenderão que se nós morrermos, morrerão eles também. Basta, porque nem sequer cuidam de nós, para cuidarem-se a si mesmos.
Basta. Nos negamos a ser as cobaias da mina; vamos fazer o que fazem todos os demais: defender nossa própria vida antes de tudo.
Esta é a legítima eleição de Israel hoje.
* Pilar Rahola foi deputada no Parlamento espanhol pela "Izquierda Republicana Catalana" e
vice-prefeita da cidade de Barcelona. Escreve nos jornais El País, El Periódico e Avui (em
catalão). Dirige o programa de entrevistas na TV espanhola. Além disso, participa de
debates públicos e congressos internacionais sobre a temática da mulher e da infância. Tem vários livros publicados em catalão e castelhano.
** Tradução de Marcos L. Susskind
MANIFESTO COMUNISTA - UM MANIFESTO ANTICRISTÃO - 19/05/2015
Seria bom se isso fosse apenas uma especulação. No entanto, isto é história. Passada e presente.
Como temos dito o Manifesto Comunista é apenas uma síntese do pensamento marxista. Nele é possível conhecer ao menos em resumo o que pensa o socialismo sobre vários assuntos. Por sua síntese o conhecereis. Logo, não podemos esperar daqueles que o consideram uma exposição de verdades qualquer simpatia com o cristianismo. Nele está escrito:
Mas o comunismo quer abolir estas verdades eternas, quer abolir a religião e a, moral, em lugar de lhes dar uma nova forma e isso contradiz todo o desenvolvimento histórico anterior.[1]
Se uma ideologia diz que quer abolir verdades eternas, religião e moral ela está declarando abertamente uma guerra ao cristianismo, porque ele proclama verdades eternas, é uma religião e apresenta um código moral. Nada mais lógico.
E quando essa ideologia se apossa do Estado e de seus recursos bélicos, com certeza levará esse conflito da esfera do pensamento para esfera da realidade física e social. Em outras palavras, se as ideias do Manifesto se concretizam, o ataque aos cristãos é inevitável.
Seria bom se isso fosse apenas uma especulação. No entanto, isto é história. Passada e presente.
A rejeição de qualquer tipo de religião pelo marxismo é uma necessidade de sua própria natureza. Como definiu James W. Sire em O Universo ao lado, o marxismo é o naturalismo na prática, uma visão do mundo sem espaço para Deus ou para qualquer coisa que não seja matéria. Se o cristianismo está certo, então o marxismo está errado e isso, segundo os seguidores de Marx, seria inconcebível.
“Posso entender”, escreveu um pastor que passou anos sendo torturado por sua fé, “Posso entender que os comunistas prendam padres e pastores como contra-revolucionários. Mas por que os padres foram forçados a dizer a missa sobre excrementos e urina, na prisão romena de Piteshti? Por que cristãos foram torturados para tomarem a comunhão com esses mesmos elementos? Por que a obscena zombaria da religião?” (Era Karl Marx um satanista?, p. 47). Respondo. Porque ele é anticristão em sua essência.
Marx era ateu muito antes de ser comunista.[2] “Numa só palavra: odeio todos os deuses”, escreveu ele em sua tese de doutorado.[3] E fez do ateísmo o fundamento para o seu socialismo. Por isso comunismo tornou-se sinônimo de perseguição religiosa e a morte aos cristãos ainda é uma realidade nos países que conservam a ideologia comunista[4]. Todo esse ódio concreto dos governos ao cristianismo tem como fonte o ódio concreto do próprio Marx. “Para Marx, de qualquer forma, a religião cristã é uma das mais imorais que existe”[5]
Lênin, que pôs em prática o pensamento marxista dizia que “toda ideia religiosa é uma abominação”. E acrescentava:
A guerra contra quaisquer cristão é para nós lei inabalável. Não cremos em postulados eternos de moral, e haveremos de desmascarar o embuste. A moral comunista é sinônimo da luta pelo robustecimento da ditadura proletária.[6]
Se a educação foi se tornando cada vez mais antirreligiosa e cada vez mais anticristã, devemos isso, em boa parte, ao marxismo. É quase impossível hoje fazer um curso em uma universidade sem ser inoculado com uma forte dose não de mero ateísmo, mas de um anti teísmo doentio que responsabiliza o cristianismo por todos os males da humanidade.
Os detentores das cátedras de história, geografia, direito, sociologia, psicologia, filosofia, política e mesmo matérias aparentemente inócuas, fazem ataques constantes aos cristãos. Não admira o grande número de ateus na faixa etária pós faculdade.
Quer um exemplo de educação marxista antirreligiosa?
A escola soviética, constituindo instrumento para dar educação comunista às gerações, não pode, por princípio, ter outra atitude em face da religião que a de luta intransigente. A base doutrinal da educação comunista é, com efeito, o marxismo, e ele é inimigo irredutível da religião. O marxismo é materialismo, disse-o Lenin; como tal, impiedoso inimigo da religião, à exemplo dos enciclopedistas do século XVIII ou do materialismo de Feuerbach.[7]
O anticristianismo marxista não é acidental. Ele é essencial. Não é um desenvolvimento pós Marx. É o próprio Marx despejando seu ódio anticristão sobre os que acreditam em Deus. “Desejo vingar-me Daquele que governa lá em cima”, escreveu ele em um de seus poemas da juventude. Como muitos ateus, ele dizia não crer em Deus, mas o odiava por via das dúvidas. E esse ódio foi e continua sendo a causa do sangue cristãos, derramado através do mundo e da história.
Para abolir as verdades eternas, a religião e a moral, conforme diz o Manifesto Comunista, o comunismo persegue, prende, tortura e mata desde o primeiro momento em que chegou ao poder. Assim foi, é e será. Não podemos como cristãos esperar nada melhor da parte dele.
[1] MARX, K. e ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Global Editora, 1986, p. 35
[2] ZILLES, Urbano. Filosofia da religião. São Paulo: Paulus, 1991, p. 123.
[3] WILSON, Edmund. Rumo à estação Finlândia. São Paulo: Companhia das Letrs, 2006, p. 147.
[4] MARSHALL, Paul, GILBERT, Lela e SHEA, Nina. Perseguidos – o ataque global aos cristãos. São Paulo: Mundo Cristão, 2013, pp. 35-74
[5] MCLELLAN. David. Karl Marx – Vida e pensamento. Petrópolis: Vozes, 1990, p. 54
[6] V. Souvenirs, de Clara Zetkine sobre Lenine, 1929.
[7] E. I. Petrovsky. L.Éducation athée à l’école – Sovietskaia pedagógica, 1955, nº 5
Pastor, jornalista, professor de teologia e história no Vale da Bênção. Palestrante nas áreas de apologética, seitas, escatologia, Israel e vida matrimonial. Colaborador da Bíblia Apologética de Estudos. Articulista das revistas Povos e Apologética Cristã. Criador do curso de Apologética Aplicada pela FAETESF e locutor da rádio Saber & Fé. Autor dos livros Lições de Amor e Novas Lições de Amor (casais), Israel Povo Escolhido, Visitação de Deus e Quem é o Perdido?
A EDUCAÇÃO ESTATAL - E COMO ELA SERIA EM UM LIVRE MERCADO - 16/05/2015
(Publicado originalmente em http://www.mises.org.br/
N. do T.: o artigo a seguir foi adaptado para a realidade brasileira
De todos os passos que foram dados rumo ao caminho da ervidão, qual foi o pior?
Em minha opinião, foi o de permitir que o estado educasse nossos filhos, seja diretamente por meio de escolas públicas, seja indiretamente por meio de escolas privadas reguladas integralmente pelo Ministério da Educação.
Dado que a educação que nossos filhos recebem é toda controlada por funcionários públicos, que operam dentro das normas estabelecidas por um sistema estatal, não é surpresa nenhuma que nossos filhos cresçam acreditando que:
— o estado é um árbitro justo, imparcial, amoroso e caritativo, ao contrário de empreendedores privados, que agem somente em interesse próprio;
— programas governamentais realmente entregam aquilo que prometem e, sem eles, as pessoas estariam em situação muito pior;
— sem a saúde e a educação públicas, e sem programas de assistência social do governo, todos morreríamos doentes ainda muito jovens, seríamos analfabetos e as ruas estariam repletas de pessoas passando fome; e
— o estado é o país, e é nosso dever patriótico apoiar toda e qualquer política idiota que o governo decida implementar.
A educação é um desastre. Se você não acredita em mim, pergunte aos próprios políticos. Todo ano de eleição eles aparecem para nos contar como a educação está terrível — crianças que não conseguem ler em idade já avançada, violência nas salas de aula, professores incapacitados e mal pagos, infraestrutura precária e aos pedaços, drogas sendo vendidas dentro das escolas, salas de aula com excesso de alunos etc.
É claro que todos os políticos têm na ponta da língua soluções que irão sanar todos estes problemas. Porém, mesmo depois de eleitos, e de implementarem suas soluções, eles sempre voltam nas eleições seguintes dizendo como a situação da educação continua terrível.
A primeira coisa que precisa ser entendida a respeito das escolas públicas é que elas não são instituições educacionais. Elas são agências políticas — logo, são controladas pelo grupo que tenha mais influência política. E isto exclui você e eu.
Não é de se estranhar, portanto, que suas políticas de ensino e de funcionamento sejam ditadas pelos sindicatos dos professores e dos funcionários, bem como pelas fantasias utópicas das universidades nas quais esses professores se formaram. Não existe um sistema de recompensas ou de incentivos para inovações. Mesmo os professores mais bem intencionados não têm oportunidades para utilizar métodos originais, lógicos e sensatos para resolver problemas rotineiros. Não há nenhuma chance de se recompensar aqueles que demonstram um desempenho superior. É a burocracia quem comanda tudo, e a ela todos devem ser submissos.
Para piorar, as escolas públicas acabam ensinando muitas coisas que iriam deixar os pais apavorados — isto se os pais soubessem exatamente o que se passa nas escolas. Orientação sexual e "kit-gay" são apenas a ponta do iceberg. Os alunos são ensinados a atormentar seus pais para que eles reciclem lixo, para que fechem a torneira do chuveiro enquanto estiverem se ensaboando durante o banho, e para que adotem inúmeros outros rituais da nova religião ambientalista. Literatura clássica quase nunca é mencionada. Quando o é, é apenas para mostrar como as pessoas já foram ignorantes e insensíveis, e não para mostrar aos alunos a complexidade da vida e a riqueza do idioma.
Tempo e recursos parece haver de sobra para ensinar as crianças a se conformarem com a ideologia e o pensamento politicamente correto da moda. Porém, se os pais reclamam que seus filhos não estão aprendendo ciências, português, história e matemática, os políticos respondem que está faltando dinheiro, os professores respondem que são mal pagos e vários "agentes sociais" dizem que a nova metodologia de ensino, com maior ênfase na 'consciência social do aluno', é bastante superior ao velho e reacionário método clássico de educação. E, no final, todos se unem para concluir que o grande problema realmente é o governo, que destina poucodinheiro para a educação — logo, novos impostos são necessários.
A questão é: teria como as coisas realmente serem diferentes? Nesse atual arranjo, sem estarem submetidos a uma pressão competitiva, sem estarem sujeitos à concorrência, as pessoas que realmente estão no controle das escolas públicas — os burocratas sindicalizados — estão livres para saciar seus desejos mais indômitos de doutrinar as crianças para que elas sejam cidadãos exemplares da Nova Ordem. Em um sistema como este, os bons professores não têm a menor chance — nem o estímulo — de fazer a diferença.
O problema não são professores despreparados. O problema não é a falta de recursos ou a falta de participação dos pais.
O problema é que as escolas são administradas pelo governo.
Podemos ver isso claramente ao comparar a educação pública com a indústria de computadores — um dos ramos menos regulados em todo o mundo.
— A educação está sob o comando de políticos e burocratas, gente que jamais irá enfrentar pessoalmente as consequências de suas próprias medidas, por mais que arruínem a educação de nossos filhos. E assim, os custos da educação vão ficando cada vez maiores, ano após ano, ao mesmo tempo em que a qualidade e a utilidade decrescem velozmente.
— A produção de computadores, notebooks e afins está sob o comando de empreendedores, pessoas que visam ao lucro e que, por isso mesmo, têm de estar sempre encontrando novas maneiras de nos satisfazer, produzindo cada vez mais com cada vez menos — caso contrário, perderão o que investiram e irão à falência. E assim, computadores, notebooks e demais apetrechos tecnológicos vão ficando cada vez mais baratos, ano após ano (ou mês após mês), ao mesmo tempo em que sua qualidade e utilidade aumentam velozmente.
Ao contrário das empresas de tecnologia, as escolas públicas são organizações monopolistas isoladas da concorrência — e inteiramente sustentadas pela coerção do governo. Um sistema de vouchers para as escolas privadas, nos moldes defendidos por alguns liberais genuínos, não tornaria as escolas públicas mais competitivas simplesmente porque as escolas do governo não precisam competir. (Em nível universitário, já temos os exemplos práticos do ProUni e do Fies, que nada mais é do que uma variância desse esquema de vouchers. O único resultado foi piorar a educação das universidades particulares que recebem esse subsídio, pois agora elas não mais têm de competir por novos alunos; o governo já garante a receita.)
Não importa quantos alunos as escolas públicas percam para as escolas privadas e para aqueles heróis que, à revelia do governo, praticam ensino doméstico; o fato é que as escolas públicas ainda obtêm seus recursos por meio da força — e quanto maiores os seus fracassos, mais eles são utilizados como desculpa para se exigir ainda mais recursos.
Dado que o governo possui livre acesso a um recurso que empresas privadas não têm — o dinheiro dos pagadores de impostos —, ele consegue oferecer seus serviços "gratuitamente". Eles não são realmente gratuitos, é claro; no contexto estatal, "gratuito" significa que todas as pessoas pagam pelo serviço, queiram elas ou não.
Infelizmente, isso que irei dizer agora não é compreendido por todos, mas enquanto o governo puder tributar os cidadãos para lhes fornecer serviços educacionais a preço marginal zero, todo um serviço educacional privado que poderia existir jamais é criado. Não deixa de ser irônico constatar essa contradição: ao mesmo tempo em que o governo vigilantemente pune empresas que praticam "concorrência predatória" (leia-se: fornecem produtos e serviços a preços baixos), ele próprio incorre nessa prática — só que de maneira totalmente coerciva, pois o faz com o dinheiro que confisca da população — no serviço educacional.
Suponhamos que o governo tenha estatizado a indústria de computadores tão logo ela surgiu (tudo para o "bem do povo", claro). Não é difícil imaginarmos como ela seria hoje:
— Um computador pessoal custaria alguns milhões de reais e seria maior que uma casa;
— Ele provavelmente seria capaz de realizar operações de soma e subtração, porém os funcionários públicos iriam nos explicar por que é cientificamente impossível uma máquina destas realizar multiplicações e divisões;
— O custo de um computador subiria continuamente, e cada modelo novo seria pior e mais caro que o do ano anterior;
— Haveria grupos de interesse organizados tentando fazer com que o governo produzisse computadores com DOS, e outros grupos exigindo interface gráfica. Haveria intensos debates sobre se os computadores fornecidos pelo governo deveriam poder acessar sites religiosos ou não.
O lado positivo seria que todos os computadores viriam com um software que ensinaria às crianças como manusear uma camisinha.
Por outro lado...
Agora vamos supor o contrário, que a educação fosse organizada de acordo com a indústria de computadores — formada por empresas privadas concorrendo em um mercado sem barreiras à entrada, livres de todos os tipos de regulamentações, que não estivessem sujeitas a matérias obrigatórias ou a comissões políticas. Em suma, por empresas que simplesmente tivessem de competir pela preferência dos pais.
— O custo da educação cairia ano após ano, com as empresas encontrando maneiras de fornecer educação de qualidade a custos cada vez menores. E todo o dinheiro que você gasta hoje para pagar pelas escolas públicas por meio de impostos ficaria integralmente com você, para gastar como achar melhor.
— A concorrência faria com que as escolas tivessem de melhorar ano após ano. Não dá para fazer previsões, mas é bem possível que as crianças precisassem passar apenas 3 horas por dia na escola para receber uma educação muito superior do que a obtida hoje nas escolas controladas pelo governo.
— As escolas seriam tão mais estimulantes, que as crianças poderiam perfeitamente querer passar várias horas por dia explorando o mundo da matemática, da história, da geografia, da literatura, da redação ou de qualquer outro tema que tenha despertado sua imaginação.
— Dado que não haveria nenhum Ministério da Educação impondo um determinado tipo de currículo para todo o país, não veríamos mais as brigas amargas sobre os conteúdos ministrados, sobre a necessidade ou não de se ensinar religião, "sensibilidade social" e educação sexual; não haveria problemas com a imposição estatal de "kit-gay" ou com a aceitação ou não de professores homossexuais. Se uma escola quisesse se especializar exclusivamente em esportes, por exemplo, caberia aos pais decidir se querem ou não que seus filhos estudem ali. A liberdade definiria as escolhas. Não mais haveria as centenas de controvérsias que vemos na educação atual, completamente controlada pelos burocratas do Ministério da Educação. Se você não gosta do que a escola do seu filho está ensinando, você simplesmente vai atrás de outra melhor — do mesmo jeito que vai atrás de um supermercado que tenha o que você quer.
— Haveria dezenas de opções disponíveis para você — escolas mais severas, escolas com disciplinas especiais, como música e cinema, escolas alternativas e até mesmo escolas que ofereçam um ensino completo sobre o funcionamento do livre mercado e do empreendedorismo, o que iria ajudar seu filho a obter uma vida mais confortável quando crescesse, além de poupar seu cérebro de infecções marxistas. Algumas escolas poderiam perfeitamente criar um currículo personalizado baseando-se em suas expectativas e nas capacidades de seu filho, ao passo que outras ofereceriam uma educação mais simples a um custo menor para aqueles que precisam economizar.
Temos de agradecer aos céus pelo fato de que nossos computadores e demais aparelhos eletrônicos não são fornecidos pelo estado. Mas também nunca podemos nos esquecer de como a educação poderia ser muito melhor, mais dinâmica e estimulante, se ela fosse tão livre do estado quanto é a indústria tecnológica.
Não há nada de específico na educação que nos faça duvidar de que o mercado poderia fornecê-la. Assim como qualquer produto ou serviço, a educação é uma combinação de terra, trabalho e capital direcionados a um objetivo claro: a instrução de assuntos acadêmicos e relacionados, os quais são demandados por uma classe de consumidores, majoritariamente pais.
O argumento de que uma educação de alta qualidade seria intrinsecamente cara para uma fatia significativa da população não se sustenta. Um livre mercado que consegue saturar a sociedade com telefones celulares, geladeiras, fornos microondas, televisões da alta definição, computadores, tablets e máquinas de lavar certamente pode produzir educação de alta qualidade para as massas. O segredo é a liberdade de empreendimento.
Imagine um mundo em que os impostos para a educação deixassem de existir, em que a liberdade conduzisse a educação de seus filhos e você pudesse escolher uma escola para eles da mesma maneira que escolhe qual artefato eletrônico quer comprar.
Isso é querer demais?
Harry Browne , o falecido autor de Por que o Governo Não Funciona e de vários outros livros, foi candidato à presidência dos EUA pelo Partido Libertário nas eleições de 1996 e 2000.
Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque
A PRESTAÇÃO DE CONTAS DO EX-SECRETÁRIO DO FORO DE SÃO PAULO. - 16/05/2015
(Publicado originalmente em http://b-braga.blogspot.com.br)
"Foro de São Paulo". A expressão, antes pronunciada com heroísmo por alguns poucos, está cada vez mais presente nos debates sobre a situação política do país. Nos últimos protestos contra a Presidente Dilma e contra o PT, que levaram milhares de pessoas às ruas, ela compôs gritos de denúncia, apareceu nas faixas e cartazes empunhados pelos manifestantes. Miopia aguda ou surdez dissimulada, não há outra forma de explicar a omissão da imprensa de não destacá-la.
O Foro de São Paulo foi criado por Lula e por Fidel Castro em 1990. O objetivo era - e é - reunir a esquerda latino-americana, de partidos políticos a quadrilhas de narco-guerrilheiros, para transformar o continente na "Patria Grande" socialista-comunista. Porém, dúvidas e suspeitas são lançadas contra o audacioso projeto. Uma reação natural de desconfiança por causa do impacto da denúncia ou um artifício para ofuscar a gravidade das acusações. Mas, seja lá o que for, a documentação pode ser examinada por qualquer um que tenha interesse no assunto. E, para dissipar qualquer nuvem de incerteza, basta ler "A estrela na janela: ensaios sobre o PT e a situação internacional" [1]. O livro foi escrito por Valter Pomar, que o apresenta como a "prestação de contas" do seu trabalho de oito anos à frente da Secretaria de Relações Internacionais do PT e da Secretaria Executiva do Foro de São Paulo (2005-2013) (pp. 07-08).
"O Foro de São Paulo já é parte indissolúvel da história da esquerda latino-americana durante a última década do século XX e a primeira do XXI" (p. 256). O mapa do continente não foi pintado de vermelho de forma espontânea: "o Foro participou e contribuiu para esta mudança de correlação de forças na América Latina e Caribe" (p. 244). Pomar observa que, "quando o Foro foi criado, havia apenas um governo encabeçado pela esquerda: Cuba. Hoje governamos parte importante dos países da região. Isto se deve, ao menos em parte, à ação dos partidos que integram o Foro" (p. 267) [2].
As palavras do petista dão uma idéia da importância do Foro de São Paulo para a configuração do atual cenário político e da dimensão monstruosa que adquiriu este projeto de poder que é sim comunista [3]. Valter Pomar escreve como parte do movimento revolucionário. Ele enaltece a herança soviética, elogia o "modelo" cubano, faz da Unidade Popular do Chile uma fonte de inspiração, é um entusiasta das relações entre Brasil e China. O ex-Secretário Executivo do Foro de São Paulo fala abertamente sobre o horizonte perseguido pela organização:
[...] "o termo 'comunismo' é recusado ou simplesmente deixado de lado por amplos setores da esquerda, inclusive por alguns que se proclamam revolucionários. Mas, desde o ponto de vista teórico, o uso do termo é essencial, uma vez que permite distinguir entre o que é a 'transição' e o que é o 'objetivo final' (ou seja, a forma madura de sociedade que se pretende construir)" (p. 93).
Pomar ressalta que "a luta pelo poder pode se resolver no prazo de anos, mas a construção de outra sociedade é um projeto de décadas e séculos" (p. 117). As conquistas até o momento são inegáveis: "o potencial da esquerda latino-americana é confirmado, ao longo dos anos 1990 e adiante, com o surgimento do Foro de São Paulo; a gestação do Fórum Social Mundial; e a eleição de uma onda de presidentes progressistas" (p. 139). Porém, não basta estar no "governo" para "controlar o poder" (p. 155). O esquema comunista deve ser ampliado em uma "segunda etapa" (p. 206), e por duas vias: "aprofundar as mudanças e acelerar a integração" (p. 247).
"Temos que mudar o Estado, mudar sua natureza, não apenas sua forma" (p. 221). Pomar observa que as mudanças devem ser feitas com rapidez, porque as crises "externas" ou "internas" poderiam colocar "em questão nossa permanência no governo" - [...] "o tempo é curto, a janela é pequena, pode se fechar" (p. 213). Para ele, "reformas estruturais" precisam ser promovidas: a reforma política (p. 211); o controle do judiciário e dos meios de comunicação - o domínio da indústria cultural e do sistema educacional (p. 221).
A reforma política é imprescindível para o Foro de São Paulo:
"Nós precisamos fazer uma REFORMA POLÍTICA, mas não conseguimos, desde 2003 até hoje, fazer que este debate ganhe a sociedade. Não há como fazê-lo desde o governo nem desde o parlamento. Haveria que desencadear um movimento político-social, que tenha o partido [o PT] e os partidos de esquerda aliados como protagonistas" (p. 211).
As principais propostas de reforma política oferecidas para o público são a execução da estratégia descrita por Pomar. Para conquistar a adesão das pessoas, a coleta de assinaturas para a convocação de um Plebiscito Constituinte e para a legitimação do projeto de lei de "iniciativa popular" da "Coalizão pela Reforma Política Democrática" é propagandeada como mobilização da "sociedade civil organizada". Porém, os "movimentos sociais" envolvidos, as ONG's e sindicatos, ou estão a serviço do PT, ou estão de alguma forma alinhados com o partido. Pior. As propostas preveem - entre outros absurdos - a inserção desses mesmos grupos em instâncias decisórias da administração pública, promovendo aquilo que tanto quer o petista Valter Pomar: a ampliação sorrateira do esquema de poder do Foro de São Paulo [4]. Para a vergonha dos católicos - porque contraria escandalosamente os princípios e as orientações da Igreja, a CNBB apoia a convocação do Plebiscito Constituinte e assina o projeto da "Coalizão pela Reforma Política Democrática" [5].
A respeito da instrumentalização da Igreja Católica pelos comuno-petistas - algo que ocorre há décadas com a pregação de um engodo criado pela KGB e batizado por ela de "Teologia da Libertação" [6] - Pomar observa o estusiasmo da esquerda latino-americana com Francisco, o Papa argentino que poderia ser explorado para a promoção dos seus planos (p. 259).
Pomar - que esteve presente na fundação do Foro de São Paulo como representante do Instituto Cajamar, a "escola de quadros" do PT (p. 07) - destaca a importância da educação e da cultura para as pretensões da organização comunista. "A construção deste pensamento de massas, de uma cultura de massas, é, dentre as tarefas de longo prazo, talvez a mais estratégica" (p. 255). Trata-se de um ardil conhecido, sobretudo nos moldes gramscianos. Ocupação das universidades; formação de professores militantes; doutrinação nas escolas; "intelectuais" e artistas engajados - e a colaboração ingenua dos "idiotas úteis". Uma estratégia eficiente, que não só consagrou o comunista e "apóstolo" da Teologia da Libertação, Paulo Freire, como patrono da educação brasileira, mas forjou a falsa reputação que tanto contribuiu para a ascensão do PT ao poder [7].
Dentro do plano de promoção das "reformas estruturais", a reeleição de Dilma Rousseff, alertava Pomar, era imprescindível. "Não se trata da vitória de uma pessoa, mas sim da vitória de um projeto, de uma aliança, de um Partido" - o governo Dilma, no segundo mandato, "com reformas, com mudanças profundas, nos aproxima do socialismo" (p. 88). E a candidata petista foi de fato reeleita. Uma fraude eleitoral escandalosa conservou a marionete do Foro de São Paulo na Presidência da República [8].
Quanto à "integração", ela não é outra coisa que a construção da "Patria Grande" comunista na América Latina. Trata-se de uma "integração de amplo alcance", que possa consolidar "laços econômicos, sociais, políticos, militares e ideológicos" entre os países governados pela organização (p. 37). "Esta compreensão de uma integração de amplo escopo constitui o pano de fundo da criação da Comunidade Sul-Americana de Nações (2004), cujo nome foi posteriormente alterado para UNASUL (2007)" (p. 141). O Foro de São Paulo é um dos "laboratórios" encarregados de planejar a institucionalidade da "integração" comunista (p. 268).
No entanto, observa Pomar: "Não haverá integração sem Brasil. Talvez sejamos o país menos latino-americano da região, mas somos também o capitalismo mais potente, que tem melhores condições para ajudar a financiar a integração" (p. 204). Os investimentos em "infraestrutura" são estratégicos, e devem subordinar "a ação das empresas brasileiras aos interesses da política externa e convertendo nossa política externa de política de governo em política de Estado" (p. 245). Porto em Cuba, metrô na Venezuela, estradas na Bolívia, hidrelétrica na Nicarágua. Um mar de dinheiro público, em vez de ser investido em obras que o país tanto precisa, é canalizado para patrocinar - com o disfarce de "integração" - o totalitarismo na América Latina.
Enfim, esta síntese da "prestação de contas" do ex-Secretário Executivo do Foro de São Paulo deixa à mostra o nefasto projeto de poder comunista. O petista diz que agora, da "planície", continuará contribuindo com a "luta pelo socialismo", com o Partido dos Trabalhadores (p. 08). O PT, contudo, permanece no altos postos de poder. Por isso, uma observação de Valter Pomar - feita quando ainda estava à frente da organização fundada por Lula e por Fidel Castro - é importante para concluir: "o PT valoriza extremamente o Foro de SP" [...] "Devemos, portanto, combinar a necessária luta ideológica em favor do socialismo, com uma estratégia e uma política organizativa mais amplas" [...] "para nós, do PT, o Foro de São Paulo é prioritário" (p. 87).
Referências.
[1]. POMAR, Valter. "A estrela na janela: ensaios sobre o PT e a situação internacional". Editora Fundação Perseu Abramo: São Paulo, 2014.
[2]. Em 2012, o ex-Presidente Luiz Inácio enalteceu o papel do Foro de São Paulo na construção do projeto de poder comunista na América Latina: "hoje governamos um grande número de países, e mesmo onde somos oposição, os partidos do Foro têm uma influência crescente na vida política e social" (Mensagem enviada para o XVIII Encontro do Foro de São Paulo, realizado em Caracas. Cf. [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/07/sob-o-efeito-do-encanto.html]).
[3]. Cf. "Um desajuste nocivo" [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/07/um-desajuste-nocivo.html].
[4]. Cf. "A reforma política para o Foro de São Paulo continuar governando o Brasil" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/04/a-reforma-politica-para-o-foro-de-sao.html].
[5]. Cf. "Padres pregam proposta de reforma política. Fiéis, não assinem!" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/07/padres-pregam-proposta-de-reforma.html]; "O porta-voz comunista da reforma política celebrada por padres" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/07/o-porta-voz-comunista-da-reforma.html]; "A reforma política da CNBB. Católicos, não assinem!" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/08/a-reforma-politica-da-cnbb-fieis.html]; "Se a CNBB realmente quer 'eleições limpas'..." [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/11/se-cnbb-realmente-quer-eleicoes-limpas.html].
[6]. PACEPA, Ion Mihai. "A KGB criou a Teologia da Libertação" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/01/a-kgb-criou-teologia-da-libertacao.html]. Tradução do Capítulo "Liberation Theology" (15), que é parte do livro "Disinformation": former spy chief reveals secret strategis for undermining freedom, attacking religion, and promoting terrorism (WND Books: Washington, 2013). ______. "A Cruzada religiosa do Kremlin". Trad. Bruno Braga [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/04/a-cruzada-religiosa-do-kremlin.html].
[7]. Cf. "A 'pedagogia' do Foro de São Paulo" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/04/a-pedagogia-do-foro-de-sao-paulo.html].
[8]. Cf. "O Foro de São Paulo governa o Brasil" [http://b-braga.blogspot.com.br/2015/03/o-foro-de-sao-paulo-governa-o-brasil.html].
AS RAÍZES SECRETAS DA TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO - 16/05/2015
Durante a Guerra Fria, a KGB era um estado dentro do estado. Agora, a KGB – rebatizada de FSB – é o próprio Estado.
Mikhailov e a sua KGB, rebatizada FSB, estão fazendo o possível para apagar por edição de imagem a barra da saia que os liga à teologia da libertação.
A História costuma se repetir, e, se você tiver vivido duas vidas como eu vivi, talvez tenha a oportunidade de ver uma repetição com os próprios olhos.
A teologia da libertação, sobre a qual pouco se falou nas últimas duas décadas, está de volta às notícias. Mas ninguém está falando nada sobre a sua origem. Ela não foi inventada pelos católicos latino-americanos. Foi concebida pela KGB. O homem que hoje é o chefe da Igreja Ortodoxa Russa, Patriarca Kirill, trabalhou secretamente para a KGB sob o codinome “Mikhailov” e passou quatro décadas promovendo a teologia da libertação, à qual, nós, do topo da comunidade de inteligência do leste europeu, demos o apelido de Marxismo Cristianizado.
A teologia da libertação tem sido normalmente entendida como um casamento entre Marxismo e Cristianismo. O que ninguém entende é que ela não foi inventada por cristãos que foram atrás do Comunismo, mas por comunistas que foram atrás dos cristãos. Eu descrevi o nascimento da teologia da libertação em meu livro Disinformation, escrito em coautoria com o professor Ronald Rychlak. A sua gênese foi parte do Programa de Desinformação do Partido/Estado, altamente secreto, aprovado formalmente em 1960 pelo chefe da KGB, Aleksandr Shelepin, e pelo membro do Politburo Aleksei Kirichenko, na época o segundo na hierarquia do partido, logo abaixo de Nikita Khrushchev.
Em 1971, a KGB enviou Kirill – recém-elevado ao grau de arquimandrita (NT: algo equivalente a abade na Igreja Católica) – a Gênova como emissário da Igreja Ortodoxa Russa para o Conselho Mundial de Igrejas (World Council of Churches). O CMI era, e ainda é, a maior organização religiosa internacional depois do Vaticano, representando cerca de 550 milhões de cristãos de diversas denominações em 120 países. A principal tarefa de Kirill/Mikhailov era envolver o CMI na disseminação da recém-criada teologia da libertação por toda a América Latina. Em 1975, a KGB conseguiu infiltrar Kirill no Comitê Central do CMI – posição que manteve até ser “eleito” patriarca da Rússia, em 2009. Logo após ter entrado no Comitê Central, Kirill informou à KGB: “Agora, a agenda do CMI é a nossa agenda”.
Durante os anos de Kirill na direção do CMI, a teologia da libertação lançou raízes profundas na América Latina – cujo mapa hoje tem expressivos retalhos vermelhos. Navios de guerra e bombardeiros russos estão de volta a Cuba pela primeira vez desde a crise dos mísseis de 1962, e a Rússia também enviou recentemente navios e bombardeiros para a Venezuela.
O Papa João Paulo II, que conhecia bem a cartilha comunista, não se deixou enganar pela teologia da libertação soviética. Em 1983, o seu amigo e homem de confiança, Cardeal Ratzinger (mais tarde Papa Bento XVI), na época chefe da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano, classificou como marxista a idéia da teologia da libertação de que a luta de classes seja essencial para a história. O Cardeal chamou a teologia da libertação de “heresia ímpar” e a dinamitou como uma “ameaça fundamental” para a Igreja.
É claro, era e continua sendo uma ameaça – uma ameaça deliberadamente concebida para minar a Igreja e desestabilizar o Ocidente por meio da subordinação da religião a uma ideologia política ateísta, que é quem vai lucrar geopoliticamente com isso.
Hoje, nomes como Oscar Romero e Miguel d´Escoto Brockmann, não pronunciados desde os anos 1980 quando a União Soviética ainda existia, estão novamente no noticiário internacional. Lá vai! Os promotores de uma ideologia religiosa concebida pela KGB, que no passado abraçaram a revolução marxista violenta, agora negam a ligação da teologia da libertação com o marxismo e com a KGB.
Cada sociedade reflete o seu próprio passado. Desde o início dos tempos, todos os que se sentaram no trono do Kremlin – czares autocráticos, líderes comunistas, presidentes democradicamente eleitos – estiveram ocupados em controlar todas as expressões de religião que porventura pudessem atrapalhar as suas ambições políticas. Quando, em 1547, Ivan IV – O Terrível – se auto coroou o primeiro czar russo, também se auto proclamou chefe da Igreja Ortodoxa Russa. Czarismo e comunismo podem ter sido tragados pela areia do tempo mas o Kremlin dá continuidade essa tradição.
Ao longo de toda sua história, a Russia tem sido uma samoderzhaviye, tradicional forma russa de autocracia totalitária na qual o senhor feudal domina o país e a igreja com o auxílio da sua força política policial. Esta, sempre que teve um problema difícil de imagem, simplesmente trocou de nome – de Okhrana para Cheka, para GPU, para OGPU, para NKVD, para NKGB, para MGB, para MVD, para KGB – e fingiu ser uma organização novinha em folha.
Muitos dos falecidos oficiais da KGB devem ter virado no túmulo na véspera do Ano Novo de 1999 quando o seu antigo chefe, Vladimir Putin, meu colega da KGB durante algum tempo, entronou-se no Kremlin. Durante a Guerra Fria, a KGB era um estado dentro do estado. Agora, a KGB – rebatizada de FSB – é o próprio estado. De acordo com um estudo publicado no jornal russo Novaya Gazeta, em 2003, cerca de seis mil ex-oficiais da KGB estavam tocando os governos locais e federal russos. O respeitado jornal britânico The Guardian noticiou que o presidente Putin acumulou secretamente cerca de 40 bilhões de dólares, tornando-se o homem mais rico da Europa.
Na Rússia, quanto mais as coisas mudam, mais parecem ficar do mesmo jeito.
Isso nos leva de volta a Kirill/Mikhailov. Em 2006, a fortuna pessoal do arcebispo Kirill foi estimada em 4 bilhões de dólares pelo Moscow News. Não se espante. Em meados dos anos 1990, o Departamento de Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa Russa, dirigida por Kirill, ganhou o privilégio de importar cigarros com isenção de impostos como recompensa por sua lealdade à KGB. Não demorou muito para que ele se tornasse o maior fornecedor de cigarros importados da Rússia.
Poucos anos atrás, quando Kirill estava visitando a Ucrânia como novo Patriarca da Rússia, um jornal publicou uma foto na qual o prelado aparecia com um relógio de pulso Breguet, com custo estimado em 30 mil euros. O jornal russo Kommersant acusou Kirill de abuso de privilégio de importação de cigarros sem pagamento de impostos e o apelidou de “metropolitano do tabaco”. Kirill negou possuir tal relógio. Disse que a foto devia ter sido alterada por seus inimigos, e postou a fotografia “real” no seu website oficial. Um estudo minucioso desta fotografia “real”, entretanto, mostra que o relógio Breguet havia sido apagado do seu pulso por edição da imagem mas o reflexo do relógio ainda está nitidamente visível na superfície da mesa abaixo do seu braço.
Mikhailov e a sua KGB, rebatizada FSB, estão fazendo o possível para apagar por edição de imagem a barra da saia que os liga à teologia da libertação. Não podemos deixar que eles consigam.
O general Ion Mihai Pacepa é o oficial de mais alta patente que desertou do Bloco Soviético. O seu livro mais recente, Disinformation, em co-autoria com o professor Ronald Rychlak, publicado pelo WND, está sendo filmado em Hollywood.
Publicado no National Review.
Tradução: Ricardo R Hashimoto
BASTA! FORA! - 12/05/2015
O único partido da História que fomentou uma revolução contra si mesmo tem a obrigação de ser coerente e desaparecer do cenário o mais breve possível. Volto a explicar, agora ponto por ponto, a catástrofe estratégica monstruosa com que o PT destruiu a si mesmo e à nação.
1. No incipiente capitalismo brasileiro, as grandes empresas são quase sempre sócias do Estado, o único cliente que pode remunerá-las à altura dos serviços que prestam.
2. Por isso elas acabam se incorporando ao “estamento burocrático” de que falava Raymundo Faoro: o círculo dos “donos do poder”, que fazem da burocracia estatal o instrumento dócil dos seus interesses grupais, em vez da máquina administrativa impessoal e científica que ela é nas democracias normais.
3. Nesse sentido, o sistema econômico brasileiro não é capitalista nem socialista, mas sim patrimonialista, como destacaram, além do próprio Faoro, vários estudiosos de orientação liberal, entre os quais Ricardo Velez Rodriguez, Antonio Paim e o embaixador J. O. de Meira Penna.
4. Nos anos 70 do século passado os intelectuais de esquerda que sonhavam em formar um grande partido de massas tomaram conhecimento do livro de Raymundo Faoro, Os Donos do Poder. Formação do Patronato Político Brasileiro, então lançado em aumentadíssima segunda edição, e entenderam que o curso normal da revolução brasileira não deveria ser propriamente anticapitalista, mas antipatrimonialista: o ponto focal do combate já não seria propriamente “o capitalismo”, e sim – com nomes variados -- o “estamento burocrático”.
5. A definição do alvo era corretíssima, mas, ao mesmo tempo, o partido, como aliás toda a esquerda nacional, estava intoxicado de gramscismo e ansioso por tomar o poder por meio dos métodos do fundador do Partido Comunista Italiano, que preconizavam a infiltração generalizada e a “ocupação de espaços” destinadas a criar a “hegemonia”, isto é o controle do imaginário popular, da cultura, de modo a fazer do partido “o poder onipresente e invisível de um imperativo categórico, de um mandamento divino”.
6. A aplicação do esquema gramscista obteve mais sucesso no Brasil do que em qualquer outro país do mundo. Por volta dos anos 80, o modo comunopetista de pensar já havia se tornado tão habitual e quase natural entre as classes falantes no país, que os liberais e conservadores, inimigos potenciais dessa corrente, abdicaram de todo discurso próprio e, para se fazer entender, tinham de falar na linguagem do adversário, reforçando-lhe a hegemonia ideológica, mesmo quando obtinham sobre ele alguma modesta vitória eleitoral em troca. Entre os anos 90 e a década seguinte, toda política “de direita” havia desaparecido do cenário público, deixando o campo livre para a concorrência exclusiva entre frações da esquerda, separadas pela disputa de cargos apenas, sem nenhuma divergência séria no terreno ideológico ou mesmo estratégico.
7. O sucesso da operação produziu sem grandes dificuldades a vitória eleitoral de Lula numa eleição presidencial na qual, como ele próprio reconheceu, todos os candidatos eram de esquerda, o que canalizava os votos quase espontaneamente na direção daquele que personificasse o esquerdismo da maneira mais consagrada e mais típica.
8. Com Lula na Presidência, intensificou-se formidavelmente a “ocupação de espaços”, fortalecendo a hegemonia ao ponto de levar ao completo aparelhamento da máquina estatal pelo comando comunopetista, que ao mesmo tempo precisava da ajuda das grandes empresas para cumprir o compromisso assumido no Foro de São Paulo, coordenação estratégica da política comunista no continente, no sentido de amparar e salvar do naufrágio os regimes e movimentos comunistas moribundos espalhados por toda parte.
9. Inevitavelmente, assim, o próprio partido governante se transformou no “estamento burocrático” que ele havia jurado destruir. E, imbuído da fé cega nos altos propósitos que alegava, atribuiu-se em nome deles o direito de trapacear e roubar em escala incomparavelmente maior que a de todos os seus antecessores, sem admitir acima de si nenhuma autoridade moral à qual devesse prestar satisfações. O próprio sr. Lula expressou esse sentimento com candura admirável, afirmando-se o mais insuperavelmente honesto dos brasileiros, ao qual ninguém teria o direito de julgar – e isso no momento em que seu partido, abalado por uma tremenda sucessão de escândalos, já era conhecido no país todo como o partido-ladrão por excelência.
10. Assim, não apenas o PT fortaleceu o patrimonialismo, como frisou o cientista político Ricardo Velez Rodriguez, mas se transformou ele próprio na encarnação mais pura e aparentemente mais indestrutível do poder patrimonialista, soldando numa liga indissolúvel a ilimitada pretensão esquerdista ao monopólio da autoridade moral, os anseios do movimento comunista continental, os interesses de grandes grupos industriais e bancários, o aparato cultural amestrado (mídia, show business, universidades) e, last not least, o instinto de sobrevivência da classe política praticamente inteira.
11. Tal foi o resultado da síntese macabra que denominei faoro-gramscismo -- a tentativa de realizar por meio da estratégia de Antonio Gramsci a revolução antipatrimonialista preconizada por Raymundo Faoro: na medida em que, ao mesmo tempo, instigava o ódio popular ao “estamento burocrático” e, por meio da “ocupação de espaços”, se transfigurava ele próprio no inimigo odiado, personificando-o com traços repugnantes aumentados até o nível do absurdo e do inimaginável, o PT acabou por atrair contra si próprio, em escala ampliada, a hostilidade justa e compreensível da população aos “donos do poder”, aos príncipes coroados do Estado cleptocrático.
"NÓS ENCONTRAMOS O INIMIGO E ELE SOMOS NÓS", DIZ O PERSONAGEM POGO, CRIADO POR WALT KELLY(1913-1973)
12. Ao longo do processo, a “ocupação de espaços” reduziu o sistema de ensino e o conjunto das instituições de cultura a instrumentos para a formação da militância e a repressão ao livre debate de ideias, destruindo implacavelmente a alta cultura no país e, na mesma medida, estupidificando a opinião pública para desarmar sua capacidade crítica. Ao mesmo tempo, no desejo de agradar a vários “movimentos de minorias” enxertados no Brasil por organismos internacionais, o governo petista fez tudo o que podia para desmantelar o sistema dos valores mais caros à maioria da população, contribuindo para espalhar a confusão moral, a anomia e a criminalidade, esta última particularmente favorecida por legislações que não se inspiravam propriamente em Antonio Gramsci, mas numa fonte mais remota do pensamento esquerdista, a apologia do Lumpenproletariat como classe revolucionária, muito em voga nos anos 60 do século XX.
O Brasil que o PT criou é feio, miserável, repugnante, tormentoso e absolutamente insustentável. Cumprida a sua missão histórica de encarnar, personificar e amplificar o mal que denunciava, o único partido da História que fomentou uma revolução contra si mesmo tem a obrigação de ser coerente e desaparecer do cenário o mais breve possível.
Por isso a mensagem que o povo lhe envia nas ruas, nos panelaços, nas vaias e nas sondagens de opinião é hoje a mesma que, em circunstâncias muito menos deprimentes e muito menos alarmantes, surpreendeu o desastrado e atônito presidente João Goulart em 1964:
- Basta! Fora!
O CÃO, O LOBO E O RATO - 09/05/2015
(Publicado originalmente no Diário do Comércio)
"Que o sr. Villa está doente, não se discute. A estreiteza do seu campo de visão é decididamente anormal. É um tipo de glaucoma intelectual."
Giambattista Vico ensinava que nada conhecemos tão bem quanto aquilo que nós mesmos inventamos. O sr. Marco Antonio Villa ilustra essa regra com perfeição.
Após declarar, em artigo do Globo, que, “na política é indispensável, ao enfrentar um adversário, conhecê-lo” - abertura triunfal que realiza às mil maravilhas o ideal literário do Conselheiro Acácio -, ele inventa um PT à imagem e semelhança da sua própria estreiteza mental e o enfrenta até mesmo com certa bravura.
No seu entender, o PT nada tem de comunista. É apenas “um mixoriginal que associa pitadas de caudilhismo, com resquícios da ideologia socialista no discurso — não na prática —, um partido centralizado e a velha desfaçatez tupiniquim no trato da coisa pública, tão brasileira como a caipirinha que seu líder tanto aprecia”.
Desprovido de todo aparato marxista e de toda conexão com o movimento comunista mundial e suas tradições, reduzido a um fenômeno folclórico local sem nenhuma retaguarda estratégica, o partido governante está pronto para ser demolido na base de puras notícias de TV, sem o menor combate ideológico ou sondagem das suas conexões internacionais.
Foi nisso que se especializou o sr. Villa, e ele desempenha essa tarefa pelo menos tão bem quanto o faria qualquer aprendiz de jornalismo.
Dos que temem que na sua atitude haja um excesso de presunção otimista ele se livra com meia dúzia de petelecos, rotulando-os de “exaltados e néscios”, proferidores de “puras e cristalinas bobagens”, culpados de “absoluto desconhecimento político e histórico”, de restaurar "o rancoroso discurso da Guerra Fria", de usar "conceituações primárias que não dão conta do objeto" e de retirar do baú da História o anticomunismo primário", isso quando alguns deles não chega mesmo a ser, como ele disse na TV, um "astrólogo fascista embusteiro metido a líder político".
Tendo assim alcançado um recorde jornalístico de insultos por centímetro de coluna, ele se sente preparado para provar cientificamente a ausência de comunismo no PT. E eis como ele se desincumbe da tarefa:
“O petismo impôs seu ‘projeto criminoso de poder’... sem que tivesse necessidade de tomar pela força o Estado. O processo clássico das revoluções socialistas do século XX não ocorreu. O ‘assalto ao céu’ preconizado por Marx.. foi transmutado numa operação paulatina de controle da máquina estatal no sentido mais amplo, o atrelamento da máquina sindical, dos movimentos sociais, dos artistas, intelectuais, jornalistas, funcionando como uma correia de transmissão do petismo.”
Quem quer que tenha estudado o assunto, ao menos um pouquinho, entende, logo ao primeiro exame, que isso que o sr. Villa acaba de descrever é a aplicação fiel, milimetricamente exata, da estratégia de Antonio Gramsci para a conquista do poder pelos comunistas.
Nada de tomar o Estado pela força, nada de “assalto aos céus”. Em vez disso, a lenta e quase imperceptível “ocupação de espaços”, ou, nos termos do sr. Villa, “o atrelamento da máquina sindical, dos movimentos sociais, dos artistas, intelectuais, jornalistas”.
Faz quase seis décadas que o movimento comunista internacional em peso adotou essa estratégia, por ser ela a única compatível com a política de “coexistência pacífica” entre a URSS e as potências ocidentais, preconizada por Nikita Kruschev no discurso que proferiu em 1956 no XX Congresso do Partido Comunista soviético.
Ou seja: a prova cabal de que o PT não é um partido comunista é que ele faz exatamente o que todos os partidos comunistas do Ocidente fazem há sessenta anos.
Não é de tapar a boca de qualquer astrólogo fascista embusteiro?
O sr. Villa mostra-nos um bicho de pele grossa, orelhas grandes, seis toneladas de peso e duas presas de marfim, mas se lhe dizemos que é um elefante ele sobe nas tamanquinhas e diz que são “conceituações primárias”.
Como exemplo do que deveria ser uma conceituação mais sofisticada, ele reconhece que o PT é leninista, mas só “na estrutura, não na ação”.
Precisamente: leninista na estrutura, gramsciano na ação. Como o próprio Gramsci recomendava. Mas pensar que isso é comunismo é “pura e cristalina bobagem”, não é mesmo? Especialmente para quem, nada sabendo de Gramsci e muito menos das longas discussões entre intelectuais gramscianos que prepararam e preparam cada decisão do PT, descreve o gramscismo sem saber que é gramscismo e jura, de mãos postas, que o PT jamais teve outro estrategista senão Macunaíma, nem outra inspiração senão a caipirinha.
“Como falar em marxismo se Lula sequer leu uma página de Marx?”, pergunta o sr. Villa. Bem, no tempo em que eu andava com os comunistas só vi dois deles lendo Marx. O terceiro era eu. Os outros liam exemplares de A Voz Operária e as resoluções do Comitê Central. O próprio Rui Falcão mal conhecia o Manifesto Comunista.
Mas isso é só uma curiosidade. O fato é que o sr. Lula não leu talvez uma só página de Marx, mas o sr. Frei Betto leu muitas, além de um bocado de Gramsci, e há décadas exerce as funções de cérebro do ex-presidente. Ou o sr. Frei Betto, coautor da Constituição cubana, co-fundador do Foro de São Paulo e mentor reconhecido de um gratíssimo sr. Lula, não é ele próprio comunista?
No entanto, se o argumento do sr. Villa não vale para o caso do sr. Lula, vale para o do próprio sr. Villa. Ele definitivamente não é comunista, já que não leu Marx. Se tivesse lido, não teria escrito esta lindeza:
“Quando Lula chegou ao Palácio do Planalto, o partido só tinha de socialista o vermelho da bandeira e a estrela. A prática governamental foi de defesa e incentivo do capitalismo. Em momento algum se falou em socialização dos meios de produção.”
Pois Marx ensinava, precisamente, que a socialização dos meios de produção não seria possível antes de totalmente desenvolvidas as forças produtivas do capitalismo.
O processo, dizia ele, poderia levar décadas ou até séculos. Para um partido comunista que chegue ao poder por via democrática, numa nação capitalista, o único caminho possível para o socialismo, sobretudo desde 1956, é desenvolver as forças produtivas do capitalismo ao mesmo tempo que as atrela ao Estado por meio de impostos e regulamentos e vai aos poucos – invisivelmente, dizia Antonio Gramsci – conquistando a hegemonia e neutralizando as oposições.
É precisamente o que o PT faz. Já me expliquei um pouco a esse respeito um ano atrás, neste mesmo jornal (leia aqui).
Mas nem o próprio Lênin, que subiu ao poder nas ondas de uma revolução armada e tinha todos os instrumentos para governar pelo terror, saiu logo falando em estatizar. Fez como o PT: deu um incentivo ao capitalismo enquanto montava o sistema de poder hegemônico, tomando gradativamente dos burgueses os meios de ação política enquanto os mantinha anestesiados por meio de vantagens financeiras imediatas.
Foi isso o que ele resumiu na máxima: “A burguesia nos venderá a corda com que a enforcaremos”. Nem mesmo em teoria Lênin pensou em estatização imediata. Ao contrário. Dizia ele: “O meio para esmagar a burguesia é moê-la entre as pedras da inflação e do imposto.”
Se o PT faz exatamente isso, é a prova cabal, segundo o sr. Villa, de que ele não é um partido comunista de maneira alguma.
O sr. Villa fala ainda contra o conceito de “bolivarianismo” quando aplicado ao PT. Nisso ele tem razão, mas não pelos motivos que alega. Ele investe contra o termo “bolivarianismo”, porque, no seu entender, Hugo Chávez só escolheu Simon Bolívar como símbolo da sua revolução por achar que “a crise do socialismo real tinha chegado ao seu ponto máximo e não havia mais nenhuma condição de ter como referência o velho marxismo-leninismo”.
Isso é absolutamente falso.
Em primeiro lugar, adotar a máscara nacionalista, populista ou coisa que o valha não foi, como sugere o sr. Villa, um arranjo de última hora, uma alternativa de emergência adotada no ponto extremo de uma crise do marxismo, mas é um dos hábitos mais velhos e constantes do movimento comunista, que desde os anos 30 do século passado veio se camuflando como “progressismo”, “terceiromundismo”, “movimento dos não-alinhados”, “antifascismo”, “anticolonialismo”, “teologia da libertação”, “filosofia da libertação”, “pan-africanismo” etc. etc. etc.
Segundo: O próprio sr. Villa qualifica o bolivarianismo de “fachada”, mas parece ignorar que toda fachada é fachada de alguma coisa. Como em 2010 Hugo Chávez, reeditando a célebre confissão tardia de Fidel Castro, admitiu publicamente sua condição de marxista, já não é preciso nenhum esforço divinatório para saber o que se escondia por trás do “bolivarianismo”.
Terceiro: No Brasil o termo “bolivarianismo” tem servido sobretudo como subterfúgio eufemístico para evitar a palavra proibida, “comunismo”, que o sr. Villa quer proibir ainda mais.
Aliás esse é um dos fenômenos linguísticos mais lindos de todos os tempos, uma conspiração de duas forças antagônicas que colaboram para silenciar o óbvio.
Os comunistas não querem que ninguém fale de comunismo porque, na estratégia de Antonio Gramsci, a revolução comunista só pode prosperar sob o manto da mais confortável invisibilidade (exemplo, os dezesseis anos de silêncio geral sobre o Foro de São Paulo).
Os anticomunistas também não querem que se fale de comunismo porque precisam que todo mundo acredite que saíram vencedores na Guerra Fria, sepultando o comunismo de uma vez para sempre.
O sr. Villa alista-se decididamente nesta segunda facção:
“Considerar o PT um partido comunista revela absoluto desconhecimento político e histórico... Não passa de conceder sentido histórico ao rançoso discurso da Guerra Fria. O Muro de Berlim caiu em 1989 mas tem gente em Pindorama que ainda não recebeu a notícia.”
Talvez o sr. Villa, que não chegou a 1956, tenha saltado direto para 1989, mas é seguro que não chegou a 2000, quando o filósofo Jean-François Revel, num livro de sucesso mundial (La Grande Parade, Paris, Plon, 2000), fez a pergunta decisiva: Como tinha sido possível que o movimento comunista, desmoralizado na URSS, em vez de desaparecer por completo, crescesse até proporções gigantescas na década seguinte?
As explicações eram muitas: adoção da estratégia gramsciana, troca da antiga estrutura hierárquica por uma organização mais flexível em “redes”, fuga generalizada ante a responsabilidade pelas atrocidades do regime comunista etc. etc.
Mas essas respostas não vêm ao caso, já que o sr. Villa não percebeu nem a pergunta. Não se vende remédio a quem não sabe que está doente.
Que o sr. Villa está doente, não se discute. A estreiteza do seu campo de visão é decididamente anormal. É um tipo de glaucoma intelectual. Só que o doente de glaucoma fisico se queixa quando o seu ângulo visual diminui, ao passo que o sr. Villa se gaba e se pavoneia.
“Estou pouco me lixando para o Foro de São Paulo”, declarou ele na TV tempos atrás, mostrando que, do alto da sua infinita superioridade, uma coisinha de nada como a maior organização política que já existiu no continente não merecia o dispêndio de uma gota sequer dos seus prodigiosos dons intelectuais.
Nós, os primários, os embusteiros, os fascistas, admitimos que nada podemos compreender do PT se o encaramos como um fenômeno estritamente local, fazendo abstração tanto das suas raízes (que remontam à criação da “teologia da libertação” por Nikita Kruschev;leia aqui), quanto das verbas estrangeiras que o alimentaram por décadas ou dos compromissos e conexões internacionais que determinam cada passo na consecução da sua estratégia.
Mas essas coisas são grandes demais para o campo visual do sr. Villa. Ele simplesmente as suprime e, fingindo desprezo ao que ignora, despeja insultos sobre quem as conhece.
Não desejo mal ao sr. Villa. O PT minúsculo que ele enxerga é uma parte do PT real, e ele até que faz o possível para trazer algum dano a esse pedacinho.
O cão de pastor que em defesa do redil se atraca com o lobo não há de achar ruim se um rato, pisoteado por acaso na confusão da luta, inventa de roer o dedão do invasor.
PRESTES E OUTROS MITOS - 09/05/2015
“Sou a favor da idéia socialista. Mas uma vez disse a meu pai: ‘se isso é socialismo, eu sou contra o socialismo” (Yuri Ribeiro Prestes, historiador; filho de Luiz Carlos Prestes; viveu na Rússia de 1970 a 1994; jornal Folha de São Paulo de 2 de novembro de 1997)
A partir do momento em que, na ex-União Soviética os arquivos da 3ª Internacional foram abertos aos pesquisadores, vários mitos e lendas não mais se sustentam. Alguns livros, editados com base nesses arquivos, foram publicados, dando conta de detalhes inéditos do Movimento Comunista Internacional.
A 3ª Internacional, ou Komintern, do alemão “Komunistiche Internationale”, foi uma entidade com sede em Moscou, criada por Lenin, que funcionou de 1919 a 1943.
O Komintern era dirigido pela “Uskaia Komissia”, a “Pequena Comissão”, responsável por todas as decisões relativas aos aspectos políticos, de inteligência e de ligação do Kominern com o Partido Comunista da União Soviética.
Desde a década de 20, o Komintern financiava e controlava os partidos comunistas de todo o mundo, com verbas fornecidas pelo Estado soviético. Essa prática permaneceu inalterada por mais de 70 anos. Quando o Komintern foi desativado, em 1943, o Departamento de Relações Internacionais do PCUS assumiu suas tarefas.
Ao final do ano de 1991, após o fim da União Soviética, foram encontrados na sede do Comitê Central do partido único documentos referentes à “ajuda financeira fraternal” aos demais partidos comunistas de todo o mundo Esses documentos, como é evidente, faziam menção ao Partido Comunista Brasileiro, e comprovam que já em 1935 Luiz Carlos Prestes era um assalariado do Komintern: No período de abril a setembro de 1935, US$ 1.714,00 foi a quantia destinada a Prestes.
Assinale-se que Luiz Carlos Prestes foi admitido como membro do Komintenr em 8 de junho de 1934. Antes, portanto, de sua filiação ao PCB, o que constituiu um fato inédito no comunismo internacional. Prestes só viria a ser admitido no PCB em setembro desse ano.
A alemã Olga Benário (que também utilizava os nomes de “Frida Leuschner”, “Ana Baum de Revidor”, “Olga Sinek”, “Olga Bergner Vilar” e “Zarkovich” (casada em Moscou com B. P. Nikitin, aluno da Academia Militar Frunze) que pertencia ao IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho foi a pessoa designada para a missão de acompanhar Luiz Carlos Prestes em sua volta da União Soviética ao Brasil, em 1935.
Ao contrário do que afirma o historiador brasilianista Robert Levine, em seu livro O Regime de Vargas - 1935-1938, bem como diversas outras publicações nacionais e estrangeiras, Prestes nunca foi casado com Olga.
O clube de revolucionários profissionais a serviço do Komintern, tinha poderes praticamente ilimitados de intervenção nos diversos partidos comunistas, bem como instruções muito precisas sobre como levar adiante as planejadas ações revolucionárias.
O Partido Comunista Brasileiro jamais se libertou de sua subserviência a Moscou. O PCUS, até ser posto na ilegalidade por Boris Yeltsin, em 1991, sempre manteve sobre estreito controle a direção política do PCB, a forma como eram escolhidas suas lideranças, seus processos de formação ideológica, bem como aquilo que sempre foi o mais importante para o partido: o auxílio fraternal. Em 1990, último ano de ativo funcionamento do PCUS, essa ajuda fraternal ao Partido Comunista Brasileiro foi de US$ 400.000 conforme divulgado pelo Tribunal Constitucional Russo que, em 1992, julgou os crimes do PCUS (jornal “Konsomolskaya Pravda”, Moscou, 8 de abril de 1992).
Prestes somente em setembro de 1934 seria admitido nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, conforme documento do Bureau Político do PCB, datado de 4 de setembro de 1934, publicado no jornal Sentinela Vermelha, nº 1, outubro de 1934, São Paulo. Segundo esse jornal, Prestes foi admitido no partido “por proposta da IC“ e como “simples soldado da IC”. No entanto, diz o jornal, “ao mesmo tempo que o BP aceita a adesão de Prestes, chama todo o partido para intensificar o fogo contra o prestismo dentro e fora de nossas fileiras, contra essa teoria e prática de conteúdo contra-revolucionário, pequeno-burguês, que consiste na subestimação das forças do proletariado como única classe revolucionária, nas ilusões em chefetes e caudilhos pequeno-burgueses, salvadores, cavaleiros da esperança, etc (...)”.
A aceitação de Prestes como membro do PCB foi, portanto, decorrente não do reconhecimento de sua liderança ou de seus atributos de dedicação à causa comunista, mas sim uma imposição do aparato da IC, o que desfaz um outro mito.
Em 10 de abril de 1935 - às vésperas da chegada clandestina de Prestes ao Brasil -, referindo-se à primeira reunião pública da Aliança Nacional Libertadora (ANL), realizada dia 30 de março desse ano, no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, um documento do PCB, assinado por M (“Miranda”), codinome de Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral do partido, referia-se a Prestes, aclamado presidente da ANL, como “um grande lutador antiimperialista e antifeudal”. Esse documento foi publicado no jornal A Classe Operária nº 178, de 10 de abril de 1935.
“Miranda”, na “A Classe Operária” de 23 de abril de 1935, assinala: “(...) As massas populares aclamam espontaneamente Prestes como Presidente de Honra da Aliança Nacional Libertadora (...) Essa aclamação de Prestes significa que as massas populares reconhecem nele um grande lutador contra o imperialismo (...) um lutador conseqüente de há muitos anos (...)”.
Em apenas 7 meses, portanto, Prestes passou de “caudilho pequeno-burguês” a “lutador conseqüente de há muitos anos”.
Logo depois, Fernando Lacerda, membro do Comitê Central do PCB, delegado do partido ao VII Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou em julho de 1935, em seu discurso nesse evento, transcrito na revista da IC, “Correspondência Internacional” de 4 de dezembro de 1935, assinalou: “(...) Desde outubro de 1934, após a 3ª Conferência dos Partidos Comunistas dos Países da América Latina, conseguimos realizar uma reviravolta decisiva, tomando audaciosamente a iniciativa da organização de uma Aliança de Libertação Nacional (...) Entre seus organizadores e dirigentes destacava-se o nosso camarada Luiz Carlos Prestes (...) Já lançamos audaciosamente a palavra de ordem de ‘todo poder à ANL’(...)”. Observe-se que na data referida por Fernando Lacerda - outubro de 1934 - Prestes vivia, ainda, em Moscou.
Essa é outra lenda que desaba: a de que, quando criada, a ANL não tinha qualquer vinculação com o partido. Na verdade, desde o primeiro momento, foi uma organização de fachada do PCB, como centenas de outras durante toda a existência do partido.
Em 14 de julho de 1935 a Aliança Nacional Libertadora foi colocada fora da lei pelo governo e suas sedes fechadas.
O Comitê Central do PCB, reunido em fins de julho de 1935, tachou o fechamento da ANL de “arbitrário e violento” e concitou seus militantes a recrutar elementos e formar o partido no campo, “criando Ligas Camponesas” (documento apreendido em agosto de 1935 e integrante do processo nº 1, arquivado no STM).
Desfaz-se, portanto, outro mito: o de que foi Francisco Julião o inspirador e criador das “Ligas Camponesas”, nos anos 50.
Em 15 de setembro de 1935, às vésperas, portanto, da deflagração da Intentona, o “BSA-Bureau Sul-Americano” do Komintern, que funcionava em Buenos Aires, recebeu do “EKKI” a determinação de passar a dirigir as atividades do PCB conjuntamente com Luiz Carlos Prestes e “Miranda”- Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral. Isso significou, na prática, que o “BSA”, organismo do Komintern para a América Latina, passou a comandar (esse é o verbo correto) as atividades do Partido Comunista Brasileiro.
Logo depois, com data de 6 de outubro de 1935, “Indio Negro” remetia a “Américo” (outro codinome de “Miranda”) uma carta com a proposta “de cooptar ‘Garoto’ para membro do Comitê Central e elegê-lo para o Birô Político do CC”. E determina: “Isso deve ser efetuado na próxima reunião do plenário do CC” (documento integrante do processo nº 1, arquivado no Superior Tribunal Militar). A pessoa referida como “Garoto” era Luiz Carlos Prestes.
Mas, quem é “Indio Negro” que dava ordens ao Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro?
Eram duas pessoas, segundo os dados obtidos nos arquivos da 3ª Internacional:
“Indio” – Rodolfo José Ghioldi, que também utilizava os codinome de “Autobelli”, “Quiroga” e “Luciano Busteros”; argentino; membro do “Bureau Sul-Americano”; agente do Komintern deslocado da Argentina para o Brasil em dezembro de 1934, juntamente com sua mulher Carmen de Alfaya.
“Negro”- Arthur Ernst Ewert, que também usava os codinomes de “Albert”, “Castro” e “Harry Berger”; alemão; agente do Komintern mandado para o Brasil em dezembro de 1934.
A lenda, já integrada à História, de que apenas os 9 estrangeiros presos após a Intentona integravam o aparato do Komintern no Brasil, revelou-se falsa. Os estrangeiros deslocados para o Brasil pelo Komintern, para fazer a Intentona, foram 23. Os nomes de todos podem ser encontrados no livro “Camaradas”, do jornalista William Waak.
Desaba também um outro mito: o de que a Intentona Comunista tenha sido uma ação genuinamente brasileira, imaginada e levada a cabo pelo PCB.
Não foi.
A ordem para que a insurreição fosse deflagrada partiu de Moscou, em telegrama do Secretariado Político do “EKKI”, dirigido a Ewert e a Prestes, nos seguintes termos: “A questão da ação (o levante) decidam vocês mesmos, quando acharem necessário. Assegurem apoio à ação do Exército pelo movimento operário e camponês. Tomem todas as medidas contra a prisão de Prestes. Enviamos 25.000 por telegrama. Mantenham-nos informados do rumo dos acontecimentos”.
Esse telegrama, escrito em francês, foi encontrado nos arquivos do Komintern, e na página 128 do livro “Camaradas” está publicada uma cópia xerografada do mesmo.
No período pré e pós-Intentona o partido cometeu diversos assassinatos de seus próprios correligionários, a título de “justiçamentos”, por suspeita de colaboração com o inimigo de classe.
Um deles foi o da jovem de 16 anos “Elza Fernandes” ou “Garota”, como era conhecida no partido Elvira Cupelo Colônio, amante de “Miranda”, Secretário-Geral do PCB - e que, devido a isso, conhecia todos os demais membros do Comitê Central, e outros, com atuação relevante na Intentona Comunista -, por suspeita de colaboração com a repressão. A decisão de eliminar “Garota” foi tomada por Luiz Carlos Prestes, conforme documentos que integram o processo nº 1, já referido. Nos autos desse processo está uma carta, de próprio punho de Prestes, com data de 16 de fevereiro de 1936, remetida a “Meu Caro Amigo” (não identificado), dizendo: “(...) Não podemos vacilar nessa questão (...) Tudo precisa ser preparado com o mais meticuloso cuidado, bem como estudado com atenção todo um plano de ação que nos permita dar ao adversário a culpabilidade (...) Ela já desapareceu há alguns dias e até agora não se diz nada (...)”.
Em outra carta , dirigida ao Secretariado Nacional do PCB, datada de 19 de fevereiro de 1936 (apenas três dias depois), Prestes escreveu: “(...) Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilações de vocês (...) Companheiros, assim não se pode dirigir o partido do proletariado, da classe revolucionária conseqüente (...) Já em minha carta de ontem formulei minha opinião a respeito do que precisávamos fazer (...) Não é possível dirigir sem assumir responsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem respeito à defesa da própria organização (...)”.
Cópia do original da carta acima, manuscrita por Prestes, está entre as páginas 33 e 34 do livreto “Os Crimes do Partido Comunista”, de Pedro Lafayette, Editora Moderna, 1946, Rio de Janeiro.
“Miranda” e “Elza Fernandes” haviam sido presos em 13 de janeiro de 1936. A Polícia colocou “Elza Fernandes” em liberdade, pelo fato de ser menor de idade. Logo, a direção do partido colocou-a em cárcere privado, na residência do militante conhecido como “Tampinha” (Adelino Deycola dos Santos), na rua Maria Bastos nº 41-A, em Deodoro, subúrbio do Rio, sob a guarda dos militantes “Gaguinho” (Manoel Severino Cavalcanti) e “Cabeção” (Francisco Natividade Lira).
Nessa casa, em 20 de fevereiro de 1936 - um dia após a segunda carta de Prestes -, “Elza Fernandes” foi assassinada por enforcamento, por esses elementos, e sepultada no quintal da casa. Após terem sido presos, todos confessaram o assassinato, dando-o como um justiçamento, sendo o corpo de “Elza Fernandes” exumado pela polícia em 14 de abril de 1936.
Luiz Carlos Prestes, o mandante, e Olga Benário foram presos em 5 de março de 1936. Em 17 de abril de 1945, 9 anos depois, Prestes foi anistiado e em outubro desse mesmo ano eleito Senador da República. Em maio de 1946 o partido foi tornado ilegal pela Justiça Eleitoral e passou a funcionar na clandestinidade. A partir de 1971 Prestes passou a viver em Moscou, sendo novamente anistiado em 1979 e, por força da Constituição de 1988, reincluido no Exército, promovido e reformado.
Em 16 de agosto de 2006 Luiz Carlos Prestes foi promovido ao posto de Coronel, com os proventos de General de Brigada.
Muitos dirão, principalmente os mais jovens: Caramba, eu não sabia!
Abaixo Portaria datada de agosto de 2006, do então Ministro da Justiça Tarso Genro, “promovendo” Luiz Carlos Prestes a Coronel com os proventos de General. Uma piada...
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PORTARIA No- 7/ANISTIA,
DE 16 DE AGOSTO DE 2006
O ................................................................................................,
no uso da competência que lhe foi delegada pela Portaria no- 479, de 11 de agosto de 2004, do Comandante do Exército, em cumprimento à Portaria Normativa no- 657/MD, de 25 de junho de 2004, do Ministro de Estado da Defesa, e nas condições impostas pela Portaria no- 1339, de 1o- de julho de 2005, do Ministro de Estado da Justiça, que decidiu: declarar LUIZ CARLOS PRESTES anistiado político "post mortem", reconhecendo o direito às promoções ao posto de Coronel com os proventos do posto de General-de-Brigada e as respectivas vantagens, e conceder em favor das requerentes MARIA DO CARMO RIBEIRO, ERMELINDA RIBEIRO PRESTES, MARIANA RIBEIRO PRESTES, ROSA RIBEIRO PRESTES, ZOIA RIBEIRO PRESTES, e demais dependentes econômicos, se houver, a reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada no valor de R$ 9.204,48 (nove mil, duzentos e quatro reais e quarenta e oito centavos), cabendo a cada uma das requerentes, respectivamente, os percentuais equivalentes a 50%, 12,5%, 12,5%, 12,5%, 12,5%, de cada prestação acima concedida, nos termos do artigo 1o- , incisos I e II da Lei no- 10.559, de 14 de novembro de 2002", resolve: CONSIDERAR, transferido para o Regime do Anistiado Político de que trata a Lei no- 10.559, de 13 de novembro de 2002, o anistiado político "post mortem" LUIZ CARLOS PRESTES, por imposição do disposto na Portaria no- 1339, de 1o- de julho de 2005, do Ministro de Estado da Justiça
E assim caminha a humanidade...
PT PROMOVE A PARASITAGEM DO ESTADO EM TODAS AS CLASSES, DIZ HUMORISTA - 04/05/2015
Ricardo Mioto
EDITOR-ADJUNTO DE "COTIDIANO" - FOLHA
O humorista Marcelo Madureira, 56, acha que o PT promove no país a vitória da parasitagem do Estado: a classe média quer um emprego público, os pobres querem bolsas assistencialistas e os ricos querem "Bolsa BNDES".
Enquanto isso acontece, os artistas, que ficaram reféns de dinheiro público, se omitem, afirma. "Em um momento como este, cadê o Caetano Veloso, o Chico Buarque?"
Madureira é um entusiasta dos protestos contra o PT e esteve nos eventos de março e abril, inclusive discursando aos manifestantes.
Ele, que foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) na juventude, diz que a esquerda contemporânea tem "formação política tabajara" e não tem senso de humor. Leia, abaixo, a entrevista concedida à Folha.
Folha - Existe agora uma nova direita no país?
Marcelo Madureira - Não dá para limitar a discussão aos termos esquerda e direita. A pergunta é que tipo de sociedade queremos. Aí eu digo: certamente não é a que o PT quer. Certamente não é aquelas que as pessoas que se dizem de esquerda propugnam, mesmo porque elas não sabem bem o que querem. É muito estranho. Hoje as pessoas se dizem de esquerda, mas não sabem dizer se são a favor ou contra a propriedade privada dos meios de produção.
Uma crítica comum é que existe uma "esquerda de Facebook", que não se dedicou muito à leitura...
Sim, é toda uma geração politicamente despreparada. A esquerda de hoje tem uma formação política tabajara. Você precisa perceber algo: o que as pessoas querem é ser legais, parecer legais, querem ser do bem. Na minha época era mais fácil. A direita era o mal, a esquerda era o bem.
Mas isso não existe mais. O mundo se apresentou muito mais complexo. Essa tentação de ter resposta para tudo não convence mais.
Mas sempre houve a noção de que os fins justificam os meios
Mas os fins serem a conta bancária da cunhada? [risos]
Sua crítica maior ao PT é a corrupção?
Não. Muito pior que a roubalheira, é a incompetência. A questão na Petrobras não é só roubar, é a gestão desastrosa. O que nos alivia é: embora tenham batido os recordes, talvez sejam incompetentes para roubalheira também.
O pior é que o PT reforça a vitória do atraso. Que sociedade é essa que você quer construir em que o sonho das pessoas se limita a, se for da classe média, passar em um concurso público; se for pobre, arranjar Bolsa Família; e, se for rico, conseguir uma "Bolsa BNDES"? Todo mundo passa a querer ser parasita do Estado. Não há país que dê certo assim.
Mas, enquanto isso foi acontecendo, o que se viu na oposição foi certo silêncio.
A oposição deixou a desejar? Deixou. Foi omissa, em alguns momentos até cooptada. O preço disso está sendo pago.
Há muita crítica ao papel do PSDB neste momento.
Eu votei no Aécio, até fiz um videozinho para a campanha. O PSDB tem certo reconhecimento de que há uma perplexidade, essa complexidade nas coisas. Há discussões densas que têm de ser feitas, as soluções não são simples, precisamos pensar também no longo prazo.
Mas, sim, eu vejo uma parcela grande da juventude querendo fazer política, e com frequência eles não encontram representação. Em alguns casos, o que acaba surgindo entre eles é até uma ideia meio exagerada de política liberal, de Estado mínimo. Eu não comungo totalmente com isso. É algo que precisa ser discutido com calma.
Talvez seja um pouco uma reação pendular, uma maneira de reforçar a oposição ao pensamento estatista.
Sim, é um movimento pendular, você vai em busca de um oposto, mas neste caso me parece oposto demais.
Essa é uma contradição que a esquerda aponta: nas manifestações recentes, tem o liberal de Chicago, o conservador cristão, até o cara que pede a volta dos militares.
Vejo isso como pluralismo, acho até admirável, desde que se respeite as regras da democracia. Eu não tenho nada contra os cristãos, contra o pessoal do quartel. Mas acho suprema ignorância pedir a volta dos militares.
Você se incomoda de ser chamado de coxinha?
Eu não. Meu único ponto é que as coxinhas de São Paulo são muito melhores do que as do Rio. Vou mandar trazer um monte e fazer uma "Coxinha's Party". Quem não tem senso de humor, não sabe rir de si mesma, é a esquerda.
Eu não frequento muito o meio artístico, prefiro ficar em casa lendo, vendo filme. Mas é lamentável o papel da classe artística. É digno de pena. Em um momento como esse, os artistas completamente omissos. Cadê o Caetano Veloso, o Chico Buarque?
Muitos artistas e até jornalistas têm hoje situação muito complicada de dependência de dinheiro público, não?
Sim, e não foi só a classe artística. Foi o meio acadêmico, uma parcela dos intelectuais. Veja o MST [Movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra] também. Está todo mundo imbricado de verbinhas. A explicação? Bom, no fundo, como sempre, basta seguir o dinheiro.
No nível pessoal, creio que tenha perdido oportunidades de trabalho, de comerciais. Não vou aqui falar apontando nomes, mas acontece isso de "não, o Madureira não".
Influenciou sua relação com os colegas do "Casseta"?
Não, nesse caso não. Alguém inventou que tínhamos brigado. Nada disso. Sempre fomos pluralistas e, para falar a verdade, o pessoal lá não pensa muito diferente de mim, não...
Vocês fizeram piada com vários governos.
Sim, embora não se faça muita piada política no Brasil. Eu atribuo o fato de o "Casseta & Planeta" ter saído do ar à pouca disposição da TV Globo de deixar a gente fazer piada política.
Mas vocês fizeram isso por quase 20 anos.
Sim, mas aí começaram cortes, cortes e mais cortes de conteúdo. Não acho que isso seja censura, veja bem. Cada empresa tem suas regras. Se você não concorda, você pede demissão. Censura vem do Estado.
Mas, de qualquer forma, o programa foi perdendo "punch", aquela verve crítica, que era vital. Mas isso é uma decisão dos empresários.
Você foi militante do PCB. É inevitável ser de esquerda na juventude?
Posso falar do meu caso. Eu fui procurando ao longo do tempo pensar, ter senso crítico, falar "pô, eu tô errado". Já defendi até o Partido Comunista da União Soviética. E agora? Não vou ficar aqui fazendo revisionismo histórico da minha própria vida.
Na época, era o que parecia mais certo. Não faço, digamos, que nem "O Globo" fez, aquele papel ridículo. [Em 2013, o jornal publicou que apoiar o golpe de 1964 tinha sido um erro.]
MARCELO MADUREIRA
FORMAÇÃO
Engenharia de produção pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
TRAJETÓRIA
Trabalhou no BNDES. Criou o jornal "Casseta Popular", que se fundiria ao "Planeta Diário" e viraria a revista "Casseta & Planeta". Na Globo, foi roteirista da "TV Pirata" e escreveu e atuou em "Dóris para Maiores" (92) e "Casseta & Planeta, Urgente!" (1992-2012). Assinou com Hubert, por 25 anos, a coluna Agamenon em "O Globo".
O IMPEDIMENTO DA PRESIDENTE É POSSÍVEL? - 04/05/2015
(Publicado originalmente no Correio Braziliense - 03/05/15)
Houve um caso em Minas, em encerros de liquidação extrajudicial do Banco Agrimisa pelo Banco Central. Esse banco fez um mútuo a empresa do Grupo Rural no valor de US$ 10 milhões em Belo Horizonte. O Banco Rural, na agência em Salvador, a seu turno, emprestou ao grupo controlador do Agrimisa o mesmo valor, com a mesma taxa de juros e o mesmo dia de vencimento. Tratava-se de uma operação cruzada envolvendo dois bancos: o Agrimisa e o Rural, e duas empresas ligadas a eles – o que é proibido pela legislação do BC ( até a presente data).
Na verdade, o Agrimisa estaria “emprestando” R$10 milhões a uma empresa do Banco Rural e este outro tanto ao grupo controlador do Agrimisa. Operações reais simulando negócios lícitos entre empresas diversas mas juridicamente volteando a lei para ocultar “financiamentos” desses bancos às empresas dos seus grupos. Mais tarde o caso resolveu-se e houve a conversão da liquidação do Agrimisa em ordinária.
Ante os papéis bisonhos da AGU, do BC e do Ministério da Justiça, que negam ter o BB, a CEF e o BNDES “emprestado” dinheiro ao Tesouro para fechar as contas deficitárias do governo, detectadas pelo TCU, que é o órgão de fiscalização a serviço do Poder Legislativo (CF, art. 71) veio a calhar a lembrança desse caso.
O que significa o negócio jurídico do mútuo se não a entrega atual de certo montante monetário, a prazo, vencendo juros e com dia certo no futuro do retorno do principal? O que é uma operação de crédito se não tomar dinheiro à vista ou, quando for preciso, de terceiros, com a obrigação de devolvê-lo com juros e demais deveres acessórios?
A legislação brasileira está de acordo com a legislação internacional que juramos respeitar quando assinamos Tratado Bancário Internacional nesse sentido. Diz ainda que concorda com transparência e se coaduna com a Lei de Responsabilidade Fiscal a obrigar União, Estados e Municípios a não se endividarem indiretamente mediante transações bancárias além dos limites previstos na Lei de Diretrizes Orçamentárias, sejam os bancos controlados ou não pelos governos.
Qual é a razão? Obrigar os governantes a não extrapolarem os limites orçamentários (seriedade e responsabilidade na administração da coisa pública). Caso contrário, que se volte ao tempo da conta movimento o BB, que era saco sem fundo à disposição do governo federal. E que voltem os bancos oficiais a fornecer dinheiro graciosamente aos controladores. A Lei de Responsabilidade Fiscal, ao lado da estabilização do real, da privatização das teles e das siderúrgicas que só davam prejuízos e hoje lucram, são os grandes feitos de FHC. A preservação das conquistas é imperiosa.
Ao não cumprir o superávit primário, obrigando o Congresso a alterar o Orçamento no final do exercício, o governo Dilma cometeu crime de responsabilidade. Ao tomar R$ 40 bilhões da CEF, do BC e do BNDES, instituições bancárias sob seu controle para maquiar as contas que não fechavam, Dilma cometeu pela segunda vez grave crime de responsabilidade, capaz de levá-la ao impeachment.
Há ainda um terceiro fato, sabido, mas ainda não imputado, que a faz ré de crime de responsabilidade. Violou a competência exclusiva do Congresso Nacional ao financiar, sem autorização, o porto de Mariel em Cuba. Art 49 da Constituição Federal: “ É da competência exclusiva do Congresso Nacional: I – resolver definitivamente sobre tratados, acordo ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. E diz o art.85: São crimes de responsabilidade os atos do presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, especialmente, contra: I - ...; II – o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; III- ...; IV-...;V- a probidade na administração; VI- a lei orçamentária ; VII- o cumprimento das leis e das decisões judiciais”.
Que a nação é leniente, como país latino-americano que somos, compreende-se. O que não se entende é o senhor Fernando Henrique Cardoso dizer”que há um fato objetivo ou não há”. Estou convidando-o a explicar à nação para fins de impeachment, nos termos da Constituição, o que é , ao fim e ao cabo, o seu enigmático “fato objetivo “.
Estamos fartos de meias palavras e de panos quentes . Curvo-me aos seus cabelos brancos, embora os tenha igualmente. Sua palavra vale mais. O grande entrave é a autorização de 2/3 do Congresso Nacional para iniciar o processo de impedimento, segundo penso. Questão de conveniência e oportunidade. Questão política, jamais questão jurídica ou constitucional.
*Ex-professor titular da UFMG e da UFRJ, advogado e coordenador da especialização em direito tributário das Faculdades Milton Campos
EDUCAÇÃO COMUNISTA - A PRAXIS CONTRA A VERDADE - 02/05/2015
A escola e o ensino, segundo os comunistas, devem ser permanentemente controlados para evitar a infiltração de resíduos e concepções burguesas. É esse o objetivo da educação marxista: formar consciências comunistas. E isso, como é obtido?
Para o marxismo, a prática tem prioridade sobre o conhecimento e é o fundamento deste. Essa é uma tese de Marx, que seus epígonos não hesitaram em manter e que é a própria base do marxismo: a primazia da praxis sobre o conhecimento, da ação sobre a doutrina e do fazer sobre o ser.
A conseqüência imediata dessa tese no ensino é a de que, para o marxismo, educar não é pôr em contato com a verdade e sim com a prática. Mao-Tsetung afirmou que uma das características do materialismo dialético "é o seu caráter prático; sublinha a independência da teoria à prática; que a prática é a base da teoria; que o critério da verdade nada mais é que a prática social".
A educação e o ensino, para o marxismo, devem realizar, na prática, a vinculação do homem ao sentido da história. A educação é necessária, seu significado e sua tarefa consistem em provocar a máxima aceleração no processo histórico e em tornar possível a transformação da consciência dos homens.
Para o marxismo, a única forma possível de educar consiste em lograr que, consciente e livremente - falamos da liberdade marxista - a educação se realize, por contradições sucessivas, na natureza e na história; a educação marxista deve ser interpretada como acomodação. A educação é uma atividade acomodadora à situação revolucionária. Educar é socializar.
Para o marxismo, o professor desempenha um papel importante, e é fundamental que o ensino esteja em mãos de mestres ideologicamente doutrinados e capacitados para acender a chispa da consciência comunista em seus alunos e, ademais, além de uma formação adequada deve ter, acima de tudo, uma consciência política. A escola e o ensino, segundo os comunistas, devem ser permanentemente controlados para evitar a infiltração de resíduos e concepções burguesas.
É esse o objetivo da educação marxista: formar consciências comunistas. E isso, como é obtido?
O procedimento varia, segundo as circunstâncias; não é o mesmo quando o partido comunista esteja no poder, ou quando ainda não tenha conseguido a tomada do poder. Quando domina a sociedade todos sabem como opera, e, no outro caso?
Em primeiro lugar devemos ter em mente que o marxismo não trata de melhorar nada, e sim fazer uma transformação total, face ao seu próprio caráter dialético. A crítica do marxismo a toda injustiça real ou a toda situação que se apresente como injusta, ou que se faça passar como tal, não tem por finalidade restabelecer a justiça ou melhorar as coisas em seu real e mais amplo sentido, e sim inserir o homem na dialética, lograr que os homens aceitem sua vinculação ao processo dialético, que é no que consiste o progresso para o marxismo.
O marxismo não se preocupa com o proletariado porque este esteja oprimido ou porque seja débil e sim na medida em que é ou pode tornar-se uma força, e quanto mais proletários existirem maior será sua força como classe revolucionária e mais próximo e possível estará o socialismo.
O objetivo confesso dos marxistas é a tomada do Poder pela classe trabalhadora. Isso, todavia, não significa que nada se possa fazer antes de o Poder passar às mãos dessa classe. A luta pela educação tem uma importância fundamental, pois sem a dedicação a essa luta não podem tomar forma e desenvolver-se os meios para tornar possível a ofensiva final, nem a ideologia que sustenta essa luta. Qualquer avanço no progresso educativo poderá vir, afinal, auxiliar o desenvolvimento da consciência de classe da classe trabalhadora.
Daí a importância e o perigo do ensino do marxismo nos centros escolares da sociedade em que este ainda não tenha assumido o poder. Perigo mais latente e real hoje, quando os ensinamentos de Gramsci, de tomada não-violenta e indolor do Poder pretende chegar ao final da história - o comunismo - por meio da conquista da sociedade civil, o que tornará possível a subseqüente conquista do Estado. Isto é, a conquista da sociedade civil como prelúdio da conquista da sociedade política. Ou seja, antes de tomar o poder é preciso conquistar a cultura, segundo a terminologia gramscista.
Exemplo clássico de derrota do marxismo por não possuir a hegemonia na sociedade civil foi a sofrida por Allende, no Chile. Daí a tática comunista adaptada à lição recebida. Uma vez conquistada a cultura, o caminho estará livre à implantação do socialismo.
Gramsci, ideólogo marxista-leninista italiano, falecido na década de 30, e seus seguidores, descartam, por esse motivo, a violência revolucionária - que, no entanto, admitem em último extremo - e dão mais importância à educação levada a cabo pelos intelectuais, considerando-a o principal fator revolucionário. Dessa forma, pretende-se evitar que a forte personalidade da sociedade civil nos países ocidentais se rebele contra um governo revolucionário, levando-o a fracassar, como ocorreu no Chile em 1971-1973.
Ainda Gramsci: "É impossível que uma luta política possa culminar em verdadeiros resultados se não vem acompanhada de uma revolução, de uma reforma intelectual e moral, se não se modifica a mentalidade das pessoas e, por conseguinte, a superestrutura da sociedade. Por isso, o problema da revolução é também um problema de educação. (...) É necessário que o fato revolucionário apareça não somente como um fenômeno de Poder, e sim, também, como um fenômeno de costume, como um fato moral, o que implica, necessariamente, numa radical transformação das mentalidades".
Daí a importância da Escola - na qual a política, a cultura e a pedagogia estão indissoluvelmente unidas - que poderá vir a cumprir, com relação aos jovens, o mesmo fim que um partido político.
Por tudo isso, ainda segundo Gramsci, "a difusão, desde um centro hegemônico - a Escola -, de um modo de pensar homogêneo, é a condição principal para a elaboração de uma consciência coletiva".
Direção, organização da cultura, centro hegemônico, modo de pensar homogêneo, consciência coletiva, escola unitária, tudo isso é destinado a impor e a lograr que se assimile a filosofia da práxis, isto é, o marxismo, pela sociedade civil.
No fundo, no fundo, nada mudou. Trata-se da instrumentalização da cultura e do ensino para atingir o objetivo visado pelo marxismo: a submissão do homem mediante a submissão da inteligência.
Volodia Valentin Teitelboim Volosky, advogado, político, escritor e intelectual, Secretário-Geral do Partido Comunista Chileno de 1988 a 1995, referiu-se a esse tema na Revista Internacional nº 1-1982: "A cultura é uma vaga e prestigiosa palavra em razão da qual, a seu juízo, os povos e as nações conservam, continuam e até superam seu passado, Porém, quem controlar a cultura e sua base imprescindível, a educação, poderá não só definir retrospectivamente o acontecido como também controlar o futuro. O amanhã se encontra nas mãos e no cérebro daqueles que estão sendo educados hoje".
FHC: UM “PONTO FORA DA CURVA”? - 02/05/2015
(Publicado originalmente em o Estado de São Paulo de 02/05/2015)
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem-se movimentado deliberadamente para aquele local misterioso, denominado por um ministro do STF como ponto fora da curva.
Este ponto fora da curva corresponde à sua manifesta oposição ao processo de impeachment da presidente Dilma, na contramão do que defendem lideranças de seu partido. Além dessa atitude, o ex-presidente também já manifestou sinais de abertura para eventualmente “pactuar” com o governo uma saída para a crise econômica.
FHC escolheu um posicionamento pessoal, no mínimo muito singular. Fora da curva do seu partido e do presidente do partido, Aécio Neves,que vem adotando uma atitude dura com Dilma e o PT;fora dacurva do sentimento popular de hostilidade ao PT e de rejeição do governo Dilma; fora da curva do debate politico onde tornou-se oalvo de Lula, Dilma e políticos do PT à sua pessoa, à sua administração e ao legado do seu governo; fora da curva da oposição que, por mais de uma década, mostrou-se inapetente para a função e que agora deseja manter o governo e o PT enfraquecidos. Não há como saber com certeza as razões dessa sua opção. Pode-se, entretanto tentar algumas conjeturas.
FHC deve sentir-se (e tem sobradas razões para tal) muito acima da maioria dos líderes mundiais na escala dos estadistas e, muito mais ainda, dos brasileiros. Para ele Lula, Dilma, Aécio, Temer,Marina não passam de políticos voluntaristas, ambiciosos e superficiais que não estão preparados para as responsabilidades do governo de um país do porte e potencial do Brasil.
Ele deve se ver como professor, por vezes o preceptor, no mínimo como um possível exemplo para essas lideranças que, por sua imaturidade, desmontaram o país que ele com tanta competência havia consertado. Não sendo persuadidos pela razão nos bons momentos, talvez nos momentos de crise possam se abrir para uma influência mais madura e equilibrada.
Creio que essa interpretação pode não ser a mais exata, mas não deve estar muito distante da realidade.
Dir-se-á que, se verdadeira, a postura de FHC seria de vaidade e presunção, traços pessoais que,se não forem exatos, também não estarão muito longe da realidade, já que o ex-presidente não costuma “ser acusado” de humildade.
Impossível saber-se com certeza quais as razões que fazem FHC buscar este ponto fora de todas as curvas que somente favoreceria ao PT. Em situações como essas, a sabedoria da política ensina que devemos recorrer à expressão latina ‘Cuiprodest’: A quem beneficia este curso de ação?
• Não a Aécio que se cacifou para a estatura presidencial pelo combate dado à Dilma na campanha e que,com a próxima eleição marcada para daqui a 3 anos, não pode se afastar demais do sentimento popular;
• Não à Dilma que, se chegar ao fim de seu segundo mandato estará politicamente exaurida;
• Não à Lula que agora precisaria da ajuda de FHC. Do mesmo FHC cujo legado, há doze anos tenta demonizar na lembrança dos brasileiros, com agressividade, mau gosto e demagogia;
• Não à oposição que encontra agora, com os escândalos da corrupção e o desgaste de Lula, de Dilma e do partido, sua chance de derrotar o PT no Congresso, na opinião pública e nas eleições municipais de 2016;
• Não à Temer que recém ganhou protagonismo por causa do enorme desgaste de Dilma; nem ao PMDB que nada teria a ganhar com o ingresso no jogo político de um Cardeal, de elevada estirpe, reconhecida habilidade política e de uma carreira política irreprochável.
• Incidentalmente, FHC traiu-se ao usar a expressão cardeal,
numa palestra promovida pela Goldman Sachs, quando afirmou que “se a situação de Dilma piorar muito, chegará um momento em que os "cardeais” do país deverão se reunir para costurar uma saída para este governo”.
• Ao implicitamente se incluir como Cardeal, no jogo político brasileiro (termo que não vem sendo usado no vocabulário político) quis inevitavelmente significar sua posição superior em relação aos demais e sua presença como player neste jogo. O jogo político dominado por cardeais sempre visou o poder papal e só ocorria na combinação de um papa fraco com um baixo clero desqualificado.
De outro lado, não seria sensato admitir que FHC adotasse essa posição política generosa para com Dilma e o PT, num momento em que, quem pode deles busca se afastar.
Deve haver uma razão muito mais elevada que as usuais acusações de ‘murismo’, ‘covardia’ ou ‘esquerdismo enrustido’, que justifique seu comportamento e que possa compensar os riscos a que expõe sua imagem.
Esse ponto fora da curva somente pode ser ocupado por ele. Num momento em que todas as outras lideranças nacionais (Dilma, Aécio, Marina, Temer e Lula) estão derrotados ou sem chances de vir a disputar a presidência, quem vai sobrar daqui a 3 anos e meio?
Mais ainda: assim como o Lula dos tempos de glória abafava FHC, agora, o Lula desgastado pode ressuscitar FHC.
Se Aécio não sobreviver politicamente ao desgaste deste período; se Lula, Dilma e o PT estiverem inviabilizados politicamente; quem além de FHC poderá unir um PT fraco, mas agradecido pela proteção recebida no seu pior momento e um PSDB que, finalmente, com ele poderá voltar ao poder?
FHC pode (e acredito está tentando) emergir como o estadista acima dos medíocres interesses políticos ,voltado para os grandes objetivos da nação e emprestando seus talentos, sua sabedoria e sua respeitabilidade à recuperação da nação. Não lhe faltam saúde, nem condições intelectuais e, deve-se supor, nem vontade para dedicar-se a esta missão.
Talvez não seja um ponto tão fora da curva lembrar que, o povo brasileiro pode querer convoca-lo novamente para presidir o país, num regime, quem sabe parlamentarista, em mais um desafio de recuperação nacional. Por certo este não é hoje o resultado mais provável. Trata-se, entretanto, de uma hipótese que nem nós nem ele, neste momento, podemos excluir.
PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA E EX -REITOR DA UFRGS
PÓS-GRADUAÇÃO CIÊNCIA POLITICA UNIVERSIDADE DE PRINCETON,
DIRETORDO SITE www.política para políticos.com.br
O PARTIDO COMUNISTA E O INDIVÍDUO - 26/04/2015
Louis Aragon, poeta oficial do Partido Comunista Francês, ao verificar o desmoronamento do socialismo real, simplesmente constatou: “Perdi meu tempo”.
Quando alguém examina livros, revistas e folhetos comunistas verifica um fato surpreendente. Em nenhuma parte da interminável verborréia que pretende abordar o político-social se encontra qualquer referência ao indivíduo.
Página após página, encontramos os termos massas, proletariado, burguesia, mercenários do capitalismo, reformistas, revisionistas, renegados e sempre, em toda a parte, referências à vanguarda revolucionária do proletariado. Isto é, ao partido.
Sempre que se refere a qualquer membro do partido, ele é esterilizado psicologicamente e tirada a sua individualidade: é convertido no companheiro, kamarada ou quadro.
Não é, porém, por acidente que o ser humano está ausente dos escritos comunistas. O indivíduo não tem cabimento na teoria e no programa dos partidos comunistas. A ideologia só se interessa pelo homem como membro de uma classe e, no que se refere ao programa, os indivíduos são manejados como massa.
Na medida em que o indivíduo siga sendo ele mesmo, diz-se que está animado por interesses e esperanças pessoais: é sensível às dúvidas e ao otimismo; é capaz de ser tocado pelo mistério da vida; torna-se imprevisível e capaz de ater-se às suas próprias opiniões.
As mesmas qualidades que fazem dele um indivíduo o desqualificam para os fins partidários. Tende demasiado a não ser facilmente convencido, a mostrar-se cético, a aborrecer-se pelas reiteradas abstrações próprias da ideologia comunista, a duvidar do método, a manter uma opinião ainda mesmo depois de se ter convertido à linha partidária e a simpatizar ou antipatizar com seus semelhantes sem permissão do Comitê Central.
Em conseqüência, não é confiável. Necessita ser desenvolvido e integrado às massas, a fim de que o partido cumpra a sua missão histórica.
De acordo com a doutrina científica, todos os aspectos do ser humano que não se prestem à sua politização são burgueses.
CUIDADO REDOBRADO QUANDO A TROPA BATE EM RETIRADA - 21/04/2015
Quanto tempo se gasta em debates que se mosttam inúteis, petições eletrônicas sem qualquer relevância e que nunca surtirão efeito?
Há tantas pessoas - e são muitas – que sequer tomam conhecimento aprofundado do que realmente acontece ao redor, uma vez que estão às voltas com suas próprias vidas, com as necessidades imediatas de suas famílias. O pensamento em relação ao coletivo passa longe das mentes das pessoas comuns, que são a absoluta maioria. É quase luta inglória, mas que fique longe de se desistir de tentar resgatar o que já foi nação, agora é sucata. Peça de reposição da "Pátria Grande", que começa pelos primeiros passos, se autodenominando "Pátria Educadora".
Uma das manobras mais difíceis de se executar, por parte de um grande exército, é a sua retirada. Ceder território é desmoralizante e passa o sentimento psicológico de que a derrota se aproxima. Mas, independentemente dessa situação ser constrangedora, um bom general precisa garantir que seus exércitos consigam se reagrupar, ganhando condições operacionais para enfrentar as próximas batalhas. Todas elas estrategicamente bem pensadas, estudas e organizadas.
Isso mesmo! Estamos no meio do campo de batalha e a guerra já está em curso, mesmo sem que se tenha ouvido um único disparo de canhão. Está tudo em conformidade com os ensinamentos da cartilha de Antonio Gramsci, o maior de todos os estrategistas de implantação do comunismo que se teve notícia. Suas táticas, regras e estratégias, vêm sendo seguidas à risca, tal como reeditou e compilou Saul Alinsky em seu livro "Regras para radicais", publicado em 1945, com base nos ensinamentos gramscistas.
Ao realizar a manobra de retirada, tática obrigatória para obter êxito, que o exército em recuo deixe pelo caminho uma parcela de suas tropas, com a função de obrigar o inimigo a perder algum tempo enfrentando-as. Assim, quem se retira troca espaço por tempo, conseguindo as condições para se reorganizar e melhor poder defender suas posições; a seguir.
O governo petista e seus aliados têm feito isso o tempo todo, mas poucos percebem.
Os avanços de investigações; as denúncias contra membros do governo; as manobras de trocas de cargos por favores e favorecimentos; a queda diária de integrantes de campanhas eleitorais, arrecadadores, doleiros, "laranjas" e "testas de ferro". Enquanto tudo isso ocorre em alto e bom som, sob alardes de trombetas, integrantes do alto escalão da quadrilha governamental são anistiados, progridem de regime prisional para cumprirem penas domiciliares, ou simplesmente libertados, sumindo do cenário. Ninguém sequer lembra seus nomes.
Relembre, mas observe com atenção o que aconteceu com Graça Foster, presidente da Petrobras: ela foi submetida a um desgaste desumano, nos dois últimos anos (2013 e 2014). Enquanto ficava evidente que a Petrobras teve seus recursos dilapidados e foi literalmente implodida em nome dos interesses do partido que se apoderou da máquina de governo, Graça Foster atraiu o fogo da bateria do exército da oposição, enquanto isso, na melhor estratégia de combate, o ex-presidente da empresa, o ex-presidente da República e a liderança partidária do PT ganharam um tempo precioso que lhes permitiu vencer a eleição presidencial e se organizarem para um eventual grande embate judicial, que mesmo parecendo ser cada dia mais próximo, talvez nunca ocorra.
Apenas como um dos muitos exemplos que se poderia elencar, Graça Foster foi usada como "tropa retardadora", além de um grupo de diretores da Petrobras, e ela deu o melhor de si, sacrificando-se com ardor missionário – sabe-se lá por que – em benefício de Lula da Silva e de Dilma Rousseff.
Diante desses fatos, observe-se que o exército da oposição não pode esquecer que é necessário levar à rendição quem assinou o contrato que levou a Petrobras a perder mais de um bilhão de reais com a Refinaria de Pasadena. E quem assinou esse contrato foi o Conselho da empresa, dirigido – na época – por Dilma Rousseff. Deve ser levado ao tribunal de crimes de guerra o camarada que fez o acordo com a Venezuela para se construir a Refinaria Abreu e Lima, o que levou a um prejuízo de aproximadamente 20 bilhões de dólares. E quem realizou esse acordo foi Lula da Silva.
Deve ser levado à rendição quem doou petróleo para a Venezuela no período da crise que quase derrubou Hugo Chávez. E quem fez isso foi Lula da Silva.
Precisa ser derrotado quem alterou o contrato de exploração das jazidas de petróleo, criando o sistema de partilha que esgotou os recursos da Petrobras. É necessário levar à rendição quem resolveu combater a inflação mantendo congelado os preços dos combustíveis, destruindo o equilíbrio financeiro da Petrobras.
E, para não perder a viagem, a oposição - se realmente tivermos uma oposição real e que seja capacitada pelo apoio popular, mas longe de ser como os opositores da Venezuela - deve levar aos tribunais, apesar de que hoje todos eles estão aparelhados pelo governo, quem destruiu o equilíbrio das empresas que produzem energia elétrica. E também quem entregou os recursos do BNDES – com juros subsidiados – para algumas empresas que, posteriormente, faliram. A oposição também precisa punir, sempre dentro da lei, (mesmo sabendo que a Lei não vale muito no Brasil da atualidade) quem doou dinheiro para se construir um porto, em Cuba, e uma linha de metrô, na Venezuela, com os recursos do contribuinte brasileiro, enquanto há tantas deficiências de infraestrutura em nosso próprio país.
Do mesmo modo, se deve punir rigorosamente quem doa usinas brasileiras à Bolívia, que já se apropriou com a força militar de seu exército, de uma refinaria de petróleo que era brasileira, mas que o então presidente Lula da Silva, nem tomou conhecimento. Assim como se faz doação de energia elétrica para a Argentina, enquanto no Brasil sofremos com os aumentos das tarifas de energia, além dos riscos de apagões iminentes, por causa da falência de nosso sistema energético.
Graça Foster é desimportante. Peão menor, que sequer tem status de cavalo do rei ou da rainha, neste tabuleiro de xadrez, tal como Alberto Youseff, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Sergio Gabrielli. João Vaccari Neto é outro, só que com posição de torre. Mas há bispos, como Humberto Costa, Antonio Palocci, Marco Maia, Miguel Rossetto.
Da rainha não temos dúvidas da identidade, mas quanto ao rei...
Sempre esqucemos do homem das mil faces, um certo José Dirceu, além do ajudante de ordens José Genoíno. Lula da Silva é o rei? É possível, pois que o diabo tem todas as caras.
O que realmente deveria interessar, concentrar esforços, ter a atenção dirigida e formação de foco é na penalização efetiva dos mandantes. Trata-se de capturar os generais desse exército em retirada, que usam manobras diferentes todos os dias para dispersar a resistência e desviar o olhar de seus inimigos.
Todos os dias temos escândalos novos, para que os outros se tornem antigos e esquecidos, e muito rapidamente, notícia velha.
Ninguém quer saber de notícia velha.
Mas todos saberão, em breve, da má notícia: todas as velhas notícias não caducaram; amadureceram e criaram raízes profundas.
MOVIMENTO PRÓ-IMPEACHMENT: ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS? - 20/04/2015
As manifestações que ocorreram nos dias 15 de março e 12 de abril passados levaram milhões de brasileiros às ruas para protestar contra a corrupção e a favor do impeachment de Dilma. O povo mandou um recado claro ao PT, ao governo e a todo o sistema político.
A tentativa do PT, do governo e da mídia chapa branca de desqualificar o movimento alegando que no dia 12 havia menos manifestantes é absolutamente irrelevante. As pesquisas confirmam que os índices de insatisfação do povo com o governo, seu apoio às manifestações e ao impeachment de Dilma não diminuiu. Qualquer ator político com mais de dois neurônios entre as orelhas reconhece essa realidade.
No artigo “O caminho para o impeachment”, afirmei: “Para que um processo de impeachment seja instaurado e levado a cabo, é preciso, em primeiro lugar, que existam condições políticas. E o primeiro pré-requisito é o clamor popular. Dia 15 de março comprovará, com multidões nas ruas, que o clamor popular existe e é crescente. Essa será a primeira de uma longa jornada de manifestações que aquecerão o caldeirão da opinião pública até o Congresso se dobrar à vontade das ruas. Em segundo lugar, é preciso que as elites políticas da nação concluam que Dilma não tem mais condições de governar e entrem em acordo em torno da decisão de remover a petista do poder pela via democrática, como ocorreu com Collor. Conversas e acordos entre líderes das Forças Armadas, líderes dos principais partidos, líderes empresariais, líderes religiosos e de organizações socialmente relevantes devem preceder à decisão coletiva de instaurar o processo de impeachment. Feito isso, é preciso ir aos fundamentos jurídicos do processo em busca dos argumentos que serão esgrimidos para legitimar a cassação de Dilma obedecendo o que a lei prevê para casos como esse. Os que dizem que o impeachment não se aplica difundem a falsa afirmação de que não haveria provas contra Dilma, dando a entender que ela teria que ser flagrada roubando para ter o mandato cassado.”
Esse roteiro segue válido e o curso dos acontecimentos evolui na direção apontada nesse artigo de 14 de março passado. As condições para um processo de impeachment estão dadas.
O povo nas ruas, as pesquisas, a evolução da Operação Lava Jato e a profusão de CPIs no Congresso (Petrolão, BNDES, Fundos de Pensão, etc.) em curso ou por serem instaladas, bem como a construção de inúmeros pareceres jurídicos encomendados por agentes políticos ou produzidos pelos advogados que protocolaram pedidos de impeachment no Congresso se encarregará de produzir o argumento para que, no momento certo, o PMDB aceite a abertura do processo.
Da mesma forma, a prosseguir o curso dos acontecimentos dessa forma, dificilmente o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, terá como se negar a investigar a participação (ou omissão) de Dilma nas falcatruas perpetradas pelo PT em seu projeto de perpetuação no poder.
Dilma Rousseff, definitivamente, jamais poderá ser acusada de falta de coragem e de temer viver perigosamente. Prova disso foi a escolha de seu ex-tesoureiro de campanha para a Secretaria de Comunicação do governo.
Da mesma forma, Dilma confirmou sua vocação para a vida perigosa ao entregar a articulação política do seu governo a Michel Temer (PMDB). É bem verdade que o fez contrariada e premida pelas circunstâncias decorrentes de seus próprios erros. Mas, em política, julga-se os atores pelas atitudes, não pelas palavras.
Esse duplo movimento, entregar a comunicação ao PT e a articulação ao PMDB, criou nos comentaristas da mídia a falsa sensação de que Dilma estaria ganhando fôlego para recuperar a inciativa e voltar a fazer as peças brancas retomarem a iniciativa no xadrez da política. Ledo engano. Bastou Vaccari Neto, o segundo tesoureiro do PT ser algemado pela PF, dessa vez junto com seus familiares, para que essa percepção se esvaísse.
Fontes bem informadas da imprensa independente sugerem que José Dirceu, aclamado pelos petistas como guerreiro do povo brasileiro, voltará para o xilindró em breve, amanhã talvez, por motivos tão nobres quanto os que levaram Vaccari para trás das grades. E dessa vez, o anistiado e reincidente Zé Dirceu, não será mais réu primário.
Hostilizado pelo PT e pelo PSOL nos eventos que frequenta pelo Brasil discutindo Reforma Política, o deputado Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara dos Deputados, emite claros sinais de que não se sente contemplado pelo fato de o Vice-presidente Michel Temer (PMDB), ser nomeado articulador político.
Da mesma forma, o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB), contrariado pela nomeação de Henrique Alves (PMDB), para o Ministério do Turismo em detrimento de seu apaniguado (quem era mesmo?), recusa cargos no governo, segue defendendo a redução dos ministérios e sinaliza que a nomeação do advogado do MST, Luiz Fachin, para a vaga no STF, não obedecerá o script do Planalto.
Definitivamente o PMDB na oposição é muito mais divertido do que no governo.
Para complicar ainda mais a vida de Dilma e do PT, os movimentos de rua; Revoltados On Line, Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre (MBL), evoluíram nas formas de ação e assumiram o risco de uma Marcha para Brasília, a pé, de São Paulo até a capital do Brasil, ao término da qual pretendem acampar na frente do Congresso até que Renan Calheiros abra o processo de impeachment ou que Rodrigo Janot admita investigar Dilma Rousseff.
Por fim, a conjuntura econômica caminha a passos rápidos em direção a Agosto, o mês do cachorro louco; o mês do suicídio de Getúlio Vargas.
Recessão, inflação acima de 8% ao ano, fim do seguro desemprego para quem forçou a demissão em fevereiro para fugir da nova regra e viver às nossas custas até julho e terá que buscar emprego em seis meses, sugerem que todos os ingredientes da cena política e econômica conspiram para que o processo de impeachment de Dilma floresça na primavera de 2015.
Amém.
http://professorpaulomoura.com.br/
AS TESES DO PT - 19/04/2015
Para nossa alegria, o Partido dos Trabalhadores deu à luz sua versão dos Cadernos do Cárcere de Antonio Gramsci: são os “Cadernos de Teses para o 5º Congresso Nacional do PT”. É um calhamaço que poderia ter sido assinado por Hitler, Göbbels, Mussolini ou, naturalmente, Stalin. A primeira parte do documento, que discutiremos brevemente, tem o sugestivo título de “Um Partido para Tempos de Guerra”.Os recentes sucessos dos Movimentos Sociais Liberais - MSL e da Operação Lava-Jato alertaram o partido que ele caminha para o abismo. Conforme nós dos MSL já acusamos (e o Deputado José Carlos Aleluia operacionalizou), a queda do PT arrastará consigo o foro de São Paulo - fSP e livrará nosso país da mais grave ameaça que pairava sobre nossas cabeças. Como o Brasil é a maior fonte de recursos desse grupo criminoso, sua destruição aqui se refletirá certamente por toda a América Latina.
Aquele bando de apátridas criou antolhos de realidade virtual que lhes permite achar progresso onde houve retrocesso, verdade onde existe a calúnia, conseguir defender ao mesmo tempo o fSP e a Soberania Nacional e ainda ver um Brasil que só existe no software por eles desenvolvido.
Em nenhum momento admitem que o caos econômico-social em que se debate o País foi obra deles mesmos. Malgrado exaustivos alertas e continuadas recomendações, o governo do PT conduziu sistematicamente o país à falência, por incompetência, por submissão ao fSP e pela paranoia da permanência no poder a qualquer custo, gastando para isso o suado dinheiro cuja guarda o povo brasileiro lhes tinha confiado. “Faremos o diabo para vencer essas eleições”. E fizeram. Mas o diabo não é um parceiro confiável. Depois de divertir-se com o espetáculo deprimente do mês de outubro, ele tinha outras tarefas mais fáceis para cumprir e foi-se embora.
Agora, se esforçam para colocar em terceiros a conta dos descalabros, que lhes cabe integralmente. Os bodes expiatórios são os de sempre: as zelites, a direita, a burguesia, o grande capital transnacional financeiro, a crise (que só existe para o Brasil) etc.
As manifestações alegres, pacíficas, democráticas e abrangentes do 15/03 e do 12/04 são descritas como manifestações de ódio contra as classes trabalhadoras.
Nesse documento, elegeram seus inimigos materiais: os militares da ativa e da reserva, juntamente com os meios de comunicação e defendem tolerância zero com aquilo que chamam de “facção golpista da direita”: “As articulações golpistas, especialmente as vindas de militares da ativa ou da reserva e de meios de comunicação, devem ser tratadas como determina a Constituição e a legislação nacional". E deixam implícito que os vandalismos das chamadas organizações sociais, invadindo, saqueando, queimando, destruindo, bloqueando estradas e ruas e semeando a baderna e a insegurança devem ser considerados como manifestações justas, legais e democráticas, com o direito de receber um tratamento paternalista e cooperativo das autoridades.
O PT reconhece que está perdendo espaço na vida política nacional. Reconhece as derrotas ideológicas que os MSL vem lhe impondo e reage, deixando bem clara sua intenção de intervir cada vez mais sobre a formação de nossos estudantes, adequando as políticas de cultura e de educação com o objetivo de mudar o senso comum de nossa população transmitindo-lhe ideias socialistas como forma de transição rumo ao comunismo.
Prega a utilização com ênfase crescente do dinheiro público para pagar mecanismos de propaganda tais como os denunciados no relatório interno em que o então ministro da Comunicação Social Thomas Traumann recomendava a retomada do pagamento da rede suja do partido na internet (“Os robôs foram desligados”).
Deseja impor o controle da mídia e sua versão de reforma política, insistindo ainda na convocação de um plebiscito que possa decidir sobre a convocação de uma Assembleia Constituinte, recurso padrão de ditadores bolivarianos.
Convoca a uma autocrítica “...que recoloque o socialismo como objetivo estratégico. Que constate que o grande capital é nosso inimigo estratégico. Que não acredite nos partidos de centro-direita como aliados. Que seja baseada na articulação entre luta social, luta institucional, luta cultural e organização partidária. Que retome a necessidade do partido dirigente e da organização do campo democrático-popular". E que lute pela (já desgastada ideia) das “reformas de base”.
O desespero levou os petistas a abandonar a dissimulação característica da esquerda. Deixaram bem claro sua intenção de ir à guerra e identificaram muito bem seus alvos prioritários. Sun Tzu agradece.
Os MSL devem perceber que a hora é grave e não comporta vaidades pessoais ou egos inflados. É imperioso que se unam, coesos em torno do objetivo principal que é a construção de um novo Brasil, onde partidos criminosos, submetidos a organizações que contam entre seus membros grupos terroristas e narcotraficantes, não tenham mais espaço, nem para difundir suas ideias alienígenas nem para roubar desbragadamente em todos os sítios onde houver algo a ser subtraído.
Os militares devem ouvir os tambores de guerra soando ao longe e devem se preparar para o combate. Mais do que nunca, a união entre o pessoal da Ativa e o da Reserva deve prevalecer sobre qualquer outro argumento. Insisto que cada um deles tem sua missão específica. A Ativa, presa a seus compromissos e deveres constitucionais, não pode se dar à futilidade de tomar posições públicas ou revelar as táticas que tem preparadas para a eventualidade do combate. A Reserva deve confiar em que os Chefes passaram toda uma existência se preparando para o exercício do Alto Comando, que estarão prontos para a atitude adequada no momento adequado e que devem oferecer-lhes todo o apoio e suporte que estiver ao alcance dela.
A mídia constitui os olhos e os ouvidos da Nação. É a fiadora dos direitos republicanos. A ela cabe estar alerta para denunciar toda infração às normas legais e morais que constituem o repositório das tradições e do senso comum de um povo. Atacar essas regras é premissa básica do Gramscismo a que o ideário do PT desgraçadamente nos submete. A luta dela nesse instante é a da defesa da liberdade e de sua própria sobrevivência.
* Coronel
POVO E RALÉ - 19/04/2015
Karl Marx podia ter todos os defeitos do mundo, desde a vigarice intelectual até as hemorróidas, mas ele sabia que a palavra “proletário” significa “gente que trabalha” e não qualquer Zé-Mané. Ele combatia o capitalismo porque achava que os ricos enriqueciam tomando o dinheiro dos pobres, o que é talvez a maior extravagância matemática que já passou por um cérebro humano, mas, reconheça-se o mérito, ele nunca confundiu trabalhador com vagabundo, povo com ralé.
Alguns discípulos bastardos do autor de “O Capital”, uns riquinhos muito frescos e pedantes, fundaram um instituto em Frankfurt com o dinheiro de um milionário argentino e resolveram que valorizar antes o trabalho honesto do que os vícios e o crime era uma deplorável concessão de Marx ao espírito burguês. Usando dos mais requintados instrumentos da dialética, começaram ponderando que o problema não era bem o capitalismo e sim a civilização, e terminaram tirando daí a conclusão lógica de que para destruir a civilização o negócio era dar força aos incivilizados contra os civilizados.
Os frankfurtianos não apostavam muito no paraíso socialista, mas acreditavam que a História era movida pela força do “negativo” (uma sugestão de Hegel que eles tomaram ao pé da letra), e que portanto o mais belo progresso consiste em destruir, destruir e depois destruir mais um pouco. Tentar ser razoável era apenas “razão instrumental”, artifício ideológico burguês. Séria mesmo, só a “lógica negativa”.
A destruição era feita em dois planos.
Intelectualmente, consistia em pegar um a um todos os valores, símbolos, crenças e bens culturais milenares e dar um jeito de provar que no fundo era tudo trapaça e sacanagem, que só a Escola de Frankfurt era honesta precisamente porque só acreditava em porcaria – coisa que seu presidente, Max Horkheimer, ilustrou didaticamente pagando salários de fome aos empregados que o ajudavam a denunciar a exploração burguesa dos pobres. Isso levou o nome hegeliano de “trabalho do negativo”. A premissa subjacente era:
-- Se alguma coisa sobrar depois que a gente destruir tudo, talvez seja até um pouco boa. Não temos a menor idéia do que será e não temos tempo para pensar em tamanha bobagem. Estamos ocupados fazendo cocô no mundo.
No plano da atividade militante, tudo o que é bom deveria ser substituído pelo ruim, porque nada no mundo presta e só a ruindade é boa. A norma foi seguida à risca pela indústria de artes e espetáculos. A música não podia ser melodiosa e harmônica, tinha de ser no mínimo dissonante, mas de preferência fazer um barulho dos diabos. No cinema, as cenas românticas foram substituídas pelo sexo explícito. Quando todo mundo enjoou de sexo, vieram doses mastodônticas de sangue, feridas supuradas, pernas arrancadas, olhos furados, deformidades físicas de toda sorte – fruição estética digna de uma platéia high brow. Nos filmes para crianças, os bichinhos foram substituídos por monstrengos disformes, para protegê-las da idéia perigosa de que existem coisas belas e pessoas boas. Na indumentária, mais elegante que uma barba de três dias, só mesmo vestir um smoking com sandálias havaianas -- com as unhas dos pés bem compridas e sujas, é claro. A maquiagem das mulheres deveria sugerir que estavam mortas ou pelo menos com Aids. Quem, na nossa geração, não assistiu a essa radical inversão das aparências? Ela está por toda parte.
Logo esse princípio estético passou a ser também sociológico. O trabalhador honesto é uma fraude, só bandidos, drogados e doentes mentais têm dignidade. Abaixo o proletariado, viva a ralé. De todos os empreendimentos humanos, os mais dignos de respeito eram o sexo grupal e o consumo de drogas. De Gyorgy Lukacs a Herbert Marcuse, a Escola de Frankfurt ilustrou seus próprios ensinamentos, descendo da mera revolta genérica contra a civilização à bajulação ostensiva da barbárie, da delinqüência e da loucura.
Vocês podem imaginar o sucesso que essas idéias tiveram no meio universitário. Desde a revelação dos crimes de Stálin, em 1956, o marxismo ortodoxo estava em baixa, era considerado coisa de gente velha e careta. A proposta de jogar às urtigas a disciplina proletária e fazer a revolução por meio da gostosa rendição aos instintos mais baixos, mesmo que para isso fosse preciso a imersão preliminar em algumas páginas indecifráveis de Theodor Adorno e Walter Benjamin, era praticamente irresistível às massas estudantis que assim podiam realizar acoincidentia oppositorum do sofisticado com o animalesco. Com toda a certeza, a influência da Escola de Frankfurt, a partir dos anos 60 do século passado, foi muito maior sobre a esquerda nacional que a do marxismo-leninismo clássico.
Sem isso seria impossível entender o fenômeno de um partido governante que, acuado pela revolta de uma população inteira, e não tendo já o apoio senão da ralé lumpenproletária remunerada a pão com mortadela e 35 reais, ainda se fecha obstinadamente na ilusão de ser o heróico porta-voz do povão em luta contra a “elite”.
Dois anos atrás, já expliquei neste mesmo jornal (v. http://www.olavodecarvalho.org/semana/140209dc.html) que uma falha estrutural de percepção levava a esquerda nacional a confundir sistematicamente o povo com o lumpenproletariado, de tal modo que, favorecendo o banditismo e praticando-o ela própria em doses continentais, ela acreditava estar fazendo o bem às massas trabalhadoras, as quais, em justa retribuição de tamanha ofensa, hoje mostram detestá-la como à peste.
O Caderno de Teses do V Congresso do PT é um dos documentos mais reveladores que já li sobre o estado subgalináceo a que os ensinamentos de Frankfurt podem reduzir os cérebros humanos.
Publicado no Diário do Comércio.
SOBRE O ATAQUE DAS FARC NO CAUCA - 19/04/2015
O duro golpe propinado pelas FARC às tropas da Terceira Divisão no Cauca, na madrugada do dia 15 de abril de 2015, reafirma uma vez mais que desde a aparição das guerrilhas comunistas na Colômbia, os sucessivos governos, sem exceção, atuaram sem estratégia nem coerência político-militar frente ao problema, enquanto que as FARC seguiram ao pé da letra os conteúdos de seu Plano Estratégico, os documentos programáticos e a re-engenharia de seus programas políticos e armados, traçados durante cada uma das conferências guerrilheiras e os Plenos ampliados do Secretariado.
Com habilidade tática em guerra de guerrilhas e camuflados dentro da população civil previamente organizada em Milícias Bolivarianas, Movimento Bolivariano Clandestino e Partido Comunista Clandestino, as estruturas armadas das FARC “construíram mais Partido Comunista na periferia, para ir rodeando os centros de poder político-social e econômico da burguesia em 30 cidades do país”, como aparece textualmente em alguns de seus escritos.
Ao cotejar o mapa da Colômbia com os conteúdos dos documentos programáticos das FARC, com seu Plano Estratégico e os fatos paralelos à mesa de conversações em Cuba, salta aos olhos que o problema da zona Pacífica não é somente a atividade armada das quadrilhas que delinqüem no estado do Cauca, pois esta ação é apenas uma parte do projeto a longo prazo: rodear a “periferia” de Cali, Popayán, Buenaventura, Tumaco, Quibdó, controlar todo o litoral Pacífico, dominar os estados de Nariño, Cauca, Valle e Chocó, e assegurar o controle fronteiriço com Panamá e Equador, da mesma maneira que o ISIS pretende fazer desde Iraque e Síria com Turquia e Jordânia.
Essa mesma construção geo-estratégica de zonas controladas pelas Milícias Bolivarianas, respaldada por organizações populares inclinadas ao terrorismo (as mesmas que clamam aos céus cada vez que alguém assinala tal realidade), está se desenvolvendo de maneira sistemática em toda a periferia da Colômbia, para quando as guerrilhas tiverem maior fortaleza ou quando, produto de um acordo político, os cabeças das FARC que não pagarão cárcere, adequarem as condições para o assentamento do Socialismo do Século XXI.
Nesse sentido, como pormenorizaram os teóricos da guerra revolucionária, as guerrilhas são um estímulo à subversão. Essa é a parte fundamental do Plano Estratégico das FARC que sábios e ignaros do assunto, nem entendem nem se deixam explicar.
A soberba é a pior conselheira em assuntos de guerra e paz. Para as FARC, as conversações em Cuba são mais um passo do materialismo dialético e mais uma etapa de seu avanço para a tomada do poder porque “juraram vencer”. Para seu ensoberbecido inimigo de classe, como denominam o fissurado estabelecimento colombiano, a paz é a oportunidade de que os terroristas silenciem os fuzis e se mantenha o status quo das “famílias donas do país”, acolitadas por séquitos imersos na corrupção e politicagem. Assim, a grande massa colombiana está sujeita ao vai-vem da violência terrorista comunista e à violência por inação dos auto-convencidos donos do poder.
Nesse cenário, o Exército colombiano, obrigado por dever constitucional, entrega o melhor da juventude colombiana para defender umas castas inoperantes e corruptas para que o país não caia nas mãos de criminosos comunistas, tão corruptos e talvez pior de sinistros do que os que desejam substituir, sem que o Congresso da República cumpra sua função constitucional para a qual foi eleito, que é a de exercer controle político e penal sobre as atuações do presidente.
Como o governo nunca - pois não é somente agora - teve estratégia clara para se opor ao Plano Estratégico das FARC, hoje os terroristas dirigem a agenda e os tempos em Cuba. E por meio de argúcias habilidosas como a falsa promessa publicitária de um cessar fogo unilateral, cacarejado por estrategistas de escrivaninha e analistas do divino e do humano, exigiram a suspensão dos bombardeios sobre as guaridas, urdiram a farsa do desminado tão defendido pelos míopes assessores e contratados de caríssimos e improdutivos estudos governamentais, e mil tramas mais, enquanto em Cuba aproveitam as longas ausências dos negociadores oficiais para comprar armas dos traficantes internacionais, planejar e aprovar ações audaciosas como a ocorrida em Buenos Aires-Cauca, com os claros propósitos de pôr contra as cordas a escassa credibilidade do presidente Santos, pressionar com os cúmplices desarmados o cessar fogo bilateral e ganhar tempo nos objetivos de seu Plano Estratégico.
Entretanto, a soberba de Santos, seu ministro Pinzón e o enorme séquito de congressistas da Unidade Nacional, carentes de conhecimento político-estratégico da guerra que todos os dias se tece desde selvas e montanhas contra a institucionalidade colombiana, deixam à deriva os soldados de diariamente recebem mensagens ambíguas, ameaças veladas do Ministério Público, mensagens utilitaristas nascidas da briga pela torta burocrática entre o mandatário atual e seu antecessor, mensagens críticas aos montões pelas redes sociais e pouca clareza de seus comandantes acerca do que fazer, não por falta de vontade da liderança militar, senão por falta de clareza da direção política do Estado e a missão das tropas.
A explicação é simples. Tome-se como referência a frase do marechal alemão Von Clausewitz: “A guerra é a continuação da política por outros meios”. Esta frase vista em sentido prático, quer dizer que um Estado vai à guerra quando sua política falhou e com maior razão quando não há uma política clara como ocorre na Colômbia, onde há várias décadas o Partido Comunista declarou a “combinação de todas as formas de luta” como o método ideal para ascender ao poder, substituir a odiada oligarquia e impor uma ditadura totalitária.
Por desgraça, em vez de entender isso caiu-se no erro de acreditar que os terroristas renunciarão a seus objetivos, cada presidente se crê um Messias sem estratégia, e seus funcionários e assessores se crêem doutos sobretudo do que não conhecem.
Enquanto isso a Colômbia continua afundada no atraso terceiro-mundista nas zonas onde as guerrilhas são a força co-ativa e a construção do embrião do Estado marxista-leninista, em que pese os cantos de sereia e auto-elogios dos melhores ministros do continente, condecorações coordenadas pelos embaixadores para os mandatários de turno e o tropicalismo que nos caracteriza.
Portanto, as FARC aplicam os princípios da guerra com ênfase na surpresa, conservam a iniciativa estratégica e manipulam a opinião pública. Ao mesmo tempo, humildes colombianos ataviados com o uniforme da pátria caem crivados de balas ou ficam inválidos pelo resto de suas vidas, com a triste realidade de que o lamentável fracasso operacional que custou a vida de 11 soldados e graves feridas em outros mais, não será o último deste prolongado sangramento, pois por desgraça a direção política da guerra está falhando, quer dizer, não há clareza nem objetivos estratégicos.
Doa a quem doa, essa é a crueza do atual cenário de guerra e paz na Colômbia.
* Analista de assuntos estratégicos
www.luisvillamarin.com
TERRA DE ZUMBIS - 16/04/2015
Recentemente me lembrei de uma frase de Dean Acheson, que fora Secretário de Estado de Harry Truman (1949-53), quando chamado por JFK para auxiliar os Joint Chiefs (o comando militar dos Estados Unidos) acerca de estratégias a serem adotadas para impedir que os mísseis soviéticos, já bem instalados em solo cubano, se tornassem 100% operacionais. Ele disse em bom tom: 'os soviéticos (comunistas) entendem apenas uma razão, a força bruta! De nada adiantarão debates na ONU, ou mesmo um mero bloqueio-quarentena ao redor daquela ilha em troca da suposta retirada dos mísseis, quando em alguns meses estaremos novamente lutando contra comunistas em outro canto do globo...'.
O raciocínio está corretíssimo (embora seja justo admitir que a opção pela 'quarentena' da ilha tenha sido uma solução diplomática inteligente, pois incapacitava qualquer Armagedom Nuclear!), e não há maneira melhor de se enfrentar um vírus tão persistente - e vírus certamente é a melhor definição para esse distúrbio mental chamado comunismo, que infecta um sistema plenamente saudável e o destrói aos poucos, deixando uma falsa ilusão que na superfície tudo está na mais pura ordem! E depois que ele começar a se reproduzir exponencialmente, pode ser tarde demais para qualquer tratamento; no caso específico do Brasil, é ainda mais sério, pois inclusive nossas escolas particulares estão impregnadas de professores marxistas - até professor de Química Orgânica é comunista convicto!
O nosso adulto de classe média foi um estudante que sofreu diversos bombardeios ideológicos desde a tenra idade, e hoje, no primor de sua maturidade física, acha perfeitamente normal pertencer a uma sociedade dominada por sindicatos e tecnocratas incrivelmente variados - ele vive, respira e navega um autêntico pesadelo Orwelliano! O jovem aluno, maltratado por tantas porcarias relativistas já não mais existe, pois agora lidamos com zumbis de 40 e poucos anos, programados para pagar todos os tipos de impostos – são zumbis totalmente desarmados, vivendo em condomínios fechados e com medo das inúmeras ameaças do mundo externo (algumas bem reais!). E para piorar o cenário, ainda são manipulados e humilhados por tecnocratas corruptos - os reais membros do Politburo! Vou dar um exemplo bem flagrante: se algum Projeto de Lei que extinguisse a CLT fosse à Plenário, ele seria engavetado imediatamente, inclusive contando com gigantesco apoio populacional (os zumbis!); e mesmo aqueles que se dizem democratas e antagonistas declarados do Foro de São Paulo, estariam gritando pelos quatro cantos contra o fim da CLT! A sociedade em geral já foi contaminada além da dosagem segura, e talvez precisemos até de um novo Êxodo Bíblico, no qual toda essa geração vagasse 40 anos no deserto, para que depois uma nova, não comprometida pelo marxismo-sindicalismo, possa adentrar de peito aberto a Terra Prometida!
A UNIÃO SOVIÉTICA PRESTOU UM GRANDE SERVIÇO À HUMANIDADE: COMPROVOU, NA PRÁTICA, QUE O SOCIALISMO NÃO FUNCIONA - 14/04/2015
- O Advento do Socialismo
A sofreguidão de Marx e Engels, no Século passado, prevendo o advento do socialismo não é difícil de explicar, pois a expectativa da realização de um ideal revolucionário não pode ser postergada para além da vida do revolucionário. Se este não tiver em vista a possibilidade do êxito do seu esforço ainda em sua geração, estará, na verdade, adotando um credo religioso. A esperança da realização de um ideal pelas gerações seguintes eqüivale à fé na vida após a morte, à crença no sobrenatural. O revolucionário luta para que ele e seus contemporâneos façam a revolução e se convence de que sua expectativa é acertada.
As relações de produção capitalistas surgiram e se desenvolveram, na Europa Ocidental, nas próprias entranhas da formação social feudal. Isso aconteceu pela via de um processo inteiramente espontâneo. O capital se acumulou no âmbito do comércio e da produção artesanal e agrícola, e deu origem a empresas que passaram a explorar operários assalariados. A exploração da força de trabalho renovava continuamente os ciclos de acumulação do capital, com o fortalecimento e expansão das relações de produção capitalistas. No interior da formação social feudal surgiram e se consolidaram as novas classes sociais: o burguês empresário e o operário assalariado.
Contudo, a expansão das relações de produção capitalistas não poderia deixar de se atritar e de se chocar com a prevalência das relações de produção feudais e do aparelho jurídico-político (superestrutura) nelas apoiado e que as defendia. As revoluções burguesas superaram essa contradição histórica ao eliminar as relações de produção feudais – com maior ou menor radicalidade – e ao erigir um aparelho institucional jurídico-político compatível com a prevalência das relações de produção capitalistas.
Nenhum dos protagonistas desse processo pensou, sequer vagamente, em algo que pudesse ser entendido como “construir o capitalismo”. O capitalismo se constituiu espontaneamente. Não surgiu por efeito de um plano, indispensável a qualquer construção. Ao invés de um plano com um grau mínimo de deliberação centralizada, o surgimento do capitalismo se efetivou como resultado imprevisto e imprevisível da ação dispersa de muitos milhares e mestres artesãos, agricultores, comerciantes e empresários variados. Do intercâmbio entre eles, milhões de vezes repetido, tomou corpo e ganhou consistência o mercado apropriado às características do capital.
- A Construção do Socialismo
O capitalismo não foi construído. Chegou sem ser anunciado.
Enquanto a forma de propriedade permanece privada na revolução burguesa, na revolução socialista sucede o contrário: a propriedade privada é abolida e substituída pela propriedade social. Mas, enquanto a revolução burguesa encontra as relações de produção capitalistas preparadas dentro do regime feudal, a revolução socialista não recebe do regime capitalista relações de produção socialistas constituídas. As relações de produção socialistas teriam de ser criadas, o que não se daria por um processo espontâneo semelhante ao da criação das relações de produção capitalistas. Ao contrário, seria imprescindível a ação deliberada e consciente dos homens. Desta situação decorriam as enormes tarefas construtivas que a revolução socialista reclamava.
A história da União Soviética veio mostrar o quanto a construção do socialismo é problemática.
A tentativa de construção do socialismo na URSS foi feita por meio de arremetidas e frustrações sucessivas. A primeira tentativa, logo após a Revolução Bolchevique, foi a que veio ser conhecida como comunismo de guerra, que só fez agravar a carência. Numa virada de 180 graus, em 1921 o comunismo de guerra foi abolido e seguiu-se a NEP (Nova Política Econômica), que praticamente restabeleceu o mercado, liberando os preços. Depois, em mais uma virada de 180 graus, à NEP, a partir de 1929, já sob o domínio de Stalin, sucederam-se os planos qüinqüenais, que instituíram um planejamento centralizado totalitário, a industrialização acelerada e, no campo, a coletivização forçada. Por causa da industrialização acelerada, acompanhada pela coletivização compulsória e quase integral da agricultura, milhões morreram de fome. Essas foram as relações de produção, supostamente socialistas, impostas à União Soviética durante cerca de 70 anos.
Sobre esse aspecto, assinale-se que enquanto na economia capitalista impõe-se como obrigação implacável a redução de custos, de tal maneira que a empresa que não o faz perde na concorrência e é eliminada do mercado, na economia socialista planejada, ao estilo soviético, o aumento dos custos tornou-se absurdamente vantajoso e foi estimulado, uma vez que permitia o cumprimento do plano. O planejamento favorecia absurdos, que impediam a prevalência da racionalidade econômica.
A eliminação completa do mercado de bens de produção tornava as empresas dependentes dos fornecedores designados pelo plano. Qualquer falha no fornecimento planejado gerava um impasse sem saída, uma vez que não existia mercado capaz de indicar fornecedores substitutos. Semelhante ausência de alternativas engendrou o hábito das empresas se proverem de estoques excessivos de toda a ordem de insumos e também de força de trabalho excessiva, tendo em vista os picos de produção.
A formação de estoques desmedidos também foi estimulada pelo gigantismo das empresas criadas pelos planos qüinqüenais.
A ausência de mercado propiciava as condições em que produtos caros e de baixa qualidade podiam circular por muito tempo, sem que nenhuma providência fosse tomada para corrigir deficiências gritantes. Os consumidores não dispunham de ofertas alternativas e inexistiam canais democráticos que viabilizassem discussões e críticas. Nas condições monopolístas em que operavam as empresas estatais, não havia incentivo para aumentar a produtividade do trabalho e elevar a qualidade dos produtos.
Todos esses fatores confluíram para o retardo tecnológico ou mesmo para a estagnação da economia. Uma vez que não precisavam enfrentar desafios de concorrentes nem as críticas de consumidores, prevalecia a tendência de mexer o menos possível com inovações tecnológicas, que costumam eliminar empregos, provocar alterações na hierarquia de cargos e funções, obrigar a aprendizagens cansativas, e assim por diante.
Cristalizou-se, assim, uma atitude de preguiça tecnológica abrangente das mais altas direções políticas e econômicas até as bases operárias. Com exceção de setores com significação estratégica do ponto de vista militar, o retardo tecnológico e administrativo colocou a União Soviética, na década de 80, em desvantagem já larga e progressivamente agravada diante dos países capitalistas desenvolvidos.
A economia centralmente planejada deu lugar a uma burocracia específica, que se avantajou, assumindo proporções muito maiores do que aquelas derivadas de exigências estritamente técnicas, acumulou privilégios e transformou-se em uma nomenklatura.
O padrão desenvolvido na União Soviética repetiu-se nos demais países do chamado socialismo real. Mesmo a Checoslováquia e a Alemanha Oriental, que partiram de patamares mais elevados, não escaparam a esse padrão que, no final do percurso, impôs o achatamento e a prostração.
Todavia, a tendência à estagnação não teve causas exclusivamente econômicas. Estas foram tremendamente agravadas pela ausência de democracia. Por outro lado, o regime de partido único não tem fundamentação no que escrevram Marx e Engels. No Manifesto Comunista há uma referência aos partidos operários já constituídos, sem nenhuma proposição de que os comunistas devessem varrê-los da história.
A linha de ação dos bolcheviques, de tomada do poder através de um golpe, sem consulta ao Conselho dos Sovietes, do qual faziam parte, bem como o fechamento da Assembléia Constituinte em janeiro de 1918, contribuíram decisivamente e conduziram ao beco sem saída do partido único. A partir daí, a ditadura do partido, substituta da ditadura do proletariado – que nunca chegou a existir – e a autocracia stalinista, foram conseqüências lógicas.
Todas essas debilidades sistêmicas sofriam agravamento insuportável com a corrida armamentista a que a União Soviética estava obrigada pela Guerra Fria, sobretudo na década de 80, quando Ronald Reagan expandiu o orçamento militar dos EUA e lançou o programa conhecido como Guerra nas Estrelas.
A última tentativa reformista, a perestroika, foi o episódio derradeiro, e terminou em fiasco. Ao assumir a Secretaria-Geral do PCUS, em 1985, Mikhail Gorbachev tinha em vista um projeto de reforma do sistema soviético com o objetivo de fazê-lo funcionar. O que ele não previu é que, caminhando em campo minado, cada passo à frente provocaria novas e piores explosões, até que a situação tornou-se incontrolável.
Depois de 70 anos de ausência de democracia e de mercado, não se dispunha de experiência para a criação de instituições democráticas e mecanismos próprios da economia de mercado. As relações burocráticas de planejamento centralizado foram substituídas pelo vale-tudo das relações mafiosas e o partido entrou rapidamente em processo de desagregação e, com ele, debilitou-se de forma irreparável a capacidade de direção do Estado e do próprio partido, ocorrendo um fato sem precedentes na história: o império de uma superpotência foi desmantelado e deixou de existir sem que ela tivesse sido derrotada no campo de batalha.
No caso da China a história não é muito diferente. Basta focalizar o fracasso das comunas rurais e o retorno à agricultura privada. A China se distingue da União Soviética por ter sido submetida por menos tempo ao planejamento centralizado totalitário e dispor de possibilidades reformistas aparentemente viáveis.
Finalmente, parece ter ficado claro ser inviável a estratégia gradualista de criação, dentro do sistema capitalista, de uma dualidade de poderes, na medida em que isso depende da propensão revolucionária do proletariado.
- A Classe Operária, Sujeito Histórico da Revolução Socialista
A classe operária sofreu, nos últimos 30 anos, tão grandes mudanças em sua densidade social e em sua configuração que, hoje, deve-se submeter a graves interrogações sua capacidade para realizar a missão que Marx e os marxistas sempre lhe confiaram com a convicção do indubitável: a missão se ser o sujeito histórico da revolução socialista.
Mais do que a objetividade científica é a propensão utópica que vai se manifestar na exaltação dos atributos do proletariado para redimir toda a humanidade. Por isso mesmo, Marx e Engels não foram capazes de avaliar a grandiosidade da tarefa de que o incumbiam. Ou seja, a tarefa única na história humana de fazer uma classe explorada e oprimida se converter em classe dominante, capaz de modelar a sociedade à sua imagem e semelhança.
A exaltação idealizante do proletariado tornou-se uma constante na literatura marxista. Seria a única classe a substituir as visões parciais pela visão da totalidade social. O proletariado seria um sucedâneo do Espírito Absoluto hegeliano.
Marx e Engels apostaram no proletariado. Conforme salientam enfaticamente no Manifesto Comunista, notaram que, ao contrário de outras classes, o proletariado cresce com o crescimento da grande indústria. A industria fabril concentra e disciplina os operários. Com o desenvolvimento do capitalismo, como escreveu Marx em O Capital, aumenta também a revolta da classe operária. Assim, o modo de produção capitalista preparava seus próprios coveiros. A classe operária se incumbiria de dar fim à exploração à qual era submetida e, ao se emancipar, emanciparia também toda a humanidade.
Mais tarde, Lenin afirmou que, espontaneamente, a classe operária não chegaria à consciência revolucionária de classe socialista. Deixada a si mesma, a classe operária somente seria capaz de alcançar a consciência sindicalista, a consciência da necessidade da luta conjunta por reivindicações econômicas. Ou seja, de seus interesses espontâneos imediatos. Seguindo um curso apenas espontâneo, seria inevitável a subordinação do proletariado à ideologia burguesa por intermédio da consciência sindicalista. Uma vez que a teoria socialista era resultado unicamente da atividade da intelligentzia, a consciência revolucionária socialista deveria ser introduzida na classe operária, trazida a ela de fora para dentro. Essa argumentação visava demonstrar a necessidade do partido revolucionário, que se dedicasse não só a incentivar reivindicações econômicas, à maneira dos sindicatos, porém, prioritariamente, a introduzir no proletariado a consciência de classe revolucionária.
Rossana Rosanda fez uma crítica filosófica à tese leninista do “Que Fazer?” acerca da introdução da consciência socialista de fora para dentro do proletariado. A tese estaria em contradição com o princípio materialista enunciado por Marx segundo o qual é o ser que determina a consciência e não a consciência que determina o ser. Portanto, a consciência socialista do proletariado não pode ser produto da ação externa de intelectuais, mas deveria derivar de seu próprio ser.
Todavia, mais a fundo, iremos encontrar algo que os teóricos revolucionários do marxismo evitaram admitir e, no entanto, nas circunstâncias atuais, tornou-se impossível negar. Ou seja, que a classe operária é ontologicamente reformista. Toda a experiência histórico-mundial demonstra que, dia a dia, no transcurso cotidiano de sua existência, a classe operária não ultrapassa a fronteira da ideologia do reformismo.
Quanto mais poderosa e desenvolvida, mais reformista é a sua conduta política, maior sua preferência pelos benefícios de possível obtenção dentro do regime capitalista e mais taxativa a sua rejeição a iniciativas revolucionárias. Ou seja, a condição ontológica reformista da classe operária não se enfraquece, mas se fortalece com o seu desenvolvimento.
Semelhante comportamento não é contraditório com a posição de classe do proletariado no quadro do modo de produção capitalista.
Robert Kurz percebeu o fato essencial de que o movimento operário é parte integrante do mundo burguês da mercadoria e que constitui terrível engano dos marxistas atribuir-lhe uma essência anticapitalista (“O Colapso da Modernização. Da derrocada do socialismo de caserna à crise da economia mundial”, Editora Paz e Terra, 1992).
O crescimento do proletariado é compatível com a estabilidade do sistema capitalista e serve de índice de seu progresso. Quanto mais operários a produzir mais-valia, mais florescente o regime burguês. Ao invés de criar condições revolucionárias, o crescimento do proletariado consolida a formação social capitalista, tanto sob o aspecto puramente econômico, como também sob todos os aspectos sociais, inclusive os políticos e os ideológicos. O proletariado não constitui um corpo estranho na estrutura socioeconômica burguesa, porém a integra normalmente.
O oposto se dava com a burguesia industrial no quadro do modo de produção feudal. O seu crescimento a colocava em contradição também crescente e, por fim, em choque com o regime feudal.
Enquanto a burguesia foi uma classe efetiva e eficientemente revolucionária, o revolucionarismo do proletariado é, por enquanto, inexistente ou, quando menos, problemático. Constatação histórica da qual os marxistas precisam extrair as devidas conclusões, se quiserem restabelecer a coerência teórica que hoje lhes falta.
Constitui uma contradição logico-formal reconhecer que o proletariado nunca alcança, por si só, espontaneamente, a consciência de classe revolucionária e, no entanto, atribuir-lhe a missão histórica de fazer a mais radical das revoluções. Ora, uma classe que é impotente para formar a própria consciência revolucionária só pode ser considerada, pela natureza do ser real, como uma classe também impotente para fazer a revolução.
Lenin e seus companheiros bolcheviques se esforçaram para introduzir a consciência revolucionária no proletariado russo. Todavia, no momento da tomada do poder, em novembro de 1917, não mais que um dentre os 21 membros do Comitê Central do Partido Bolchevique procedia das fileiras da classe operária.
- O Dilema Reformismo x Revolução
Sobre o dilema Reformismo x Revolução, deve ser assinalado que esse é, justamente, o problema tático e estratégico mais sério com que se defronta o marxismo. Até agora, com a experiência acumulada de século e meio, não há um único exemplo de revolução socialista que tenha se seguido a uma prática reformista. O reformismo, absolutamente, em nenhum caso, preparou qualquer revolução.
As revoluções vitoriosas, pretensamente socialistas, sempre se seguiram a guerras civis ou insurreições, ou seja, à prática de lutas armadas. Esse foi o caso da China, do Vietnã, de Cuba. Quanto à Rússia, o Partido Bolchevique pregou sempre a luta armada e preparou seus militantes para ela, o que os habilitou a assumir a liderança revolucionária nos meses decisivos de março a novembro de 1917.
Disso se poderia extrair a recomendação fácil de que os revolucionários marxistas não deveriam ficar indecisos quanto ao desencadeamento da luta armada. No entanto, aí está o problema. Para ter êxito, a luta armada só pode ser travada em condições determinadas. A concepção de luta armada incondicionada conduz aos piores desastres, como o demonstra a experiência de tantos países, inclusive o Brasil.
Em conseqüência, se não há condições favoráveis à luta armada, só resta aos partidos revolucionários a prática reformista, se não quiserem acomodar-se na inatividade. E a prática reformista dos revolucionários não se distingue essencialmente da prática reformista dos reformistas. Mesmo que se distinga em alguma coisa, como às vezes acontece, isso não muda o resultado, que até agora tem sido o de inabilitar a classe operária à luta revolucionária, quando, afinal, chegam os momentos aparentemente propícios. Talvez no futuro seja possível acelerar a revolução através de reformas. Até hoje tem sido um problema estratégico sem solução.
Ainda que se equivocassem seriamente acerca da tendência revolucionária do proletariado e o incumbissem de uma missão histórica fora do seu alcance, Marx e Engels acertaram plenamente quando nele apostaram, pois ele cresceu durante cerca de um século, concentrado e organizado pelas grandes empresas industriais, de transportes, comunicações e outros serviços. Todavia, um novo quadro da estrutura social está sendo desenhado pela mais recente revolução tecnológica e por outros fatores, impondo também uma nova configuração do proletariado, imensamente distanciada daquela que Marx e Engels conheceram.
- Conceito de Ditadura do Proletariado
No Manifesto Comunista, seus autores definiram o poder político como o poder organizado de uma classe para opressão de outra e previram a conquista de um Estado que viria a ser o proletariado organizado como classe dominante. Posteriormente, a atenção de Marx voltou-se para a máquina do Estado-burguês, que não seria adequada ao Estado-operário. Por isso mesmo, deveria ser destruída pela revolução proletária. Em particular, o proletariado se desfaria da burocracia e do Exército permanente. Com o advento do proletariado à condição de classe dominante, o Estado deixaria de pairar acima da sociedade. Submetido à sociedade, proletarizadas, as forças que o Estado extraiu da sociedade seriam devolvidas a esta, com o que se iniciaria o processo de extinção do próprio poder estatal.
A idéia de uma sociedade sem Estado, isenta da tutela de um órgão nascido dela, mas superior a ela, previa um período de transição caracterizado por um governo proletário ditatorial, preparatório da sociedade finalmente liberta do Estado. Em torno dessa questão se opera a disjunção entre marxismo e anarquismo. Em oposição aos adeptos deste último, Marx e Engels fizeram da ditadura do proletariado um dos pontos fundamentais de sua proposição doutrinária. Marx afirmou que essa ditadura somente constitui a transição à abolição de todas as classes e à sociedade sem classes.
Lenin enfatiza que ela será um Estado em extinção e deverá fenecer num processo paulatino. Nem extinção imediata do Estado, como pretendiam os anarquistas, nem um Estado democrático burguês como queriam Kautsky e seus seguidores.
Todavia, após a tomada do poder, em novembro de 1917, Lenin e os bolcheviques tiraram da agenda a questão do Estado transitório despolitizado e da extinção paulatina de suas funções. O que se colocou sempre no topo das prioridades foi o contrário, ou seja, o fortalecimento do exercício ditatorial do poder da classe operária, de tal maneira que o regime político unipartidário e o sufoco de toda divergência apareceram quase como necessidade lógica.
A dominação de classe através do Estado deu destaque ao exercício da coerção, à imposição de certa ordem econômico-social por meio da força legitimada.
A ditadura do proletariado, parece não haver dúvida, torna-se inviável se o Estado não puder soldar a função coercitiva à legitimidade decorrente da aceitação consensual pelas classes sociais que pretende representar e dirigir. A carência dessa aceitação consensual legitimadora provoca a exacerbação dos instrumentos coercitivos do Estado, incita-o à violência contra sua própria base social de apoio. A hegemonia deixa de existir e se converte em opressão despótica. Daí a face pesadamente tirânica de uma ditadura, que deveria, segundo o cânone marxista, iniciar a extinção de toda ditadura classista.
- O Internacionalismo
No Manifesto Comunista, Marx e Engels resumiram num pequeno parágrafo, com grande força retórica, o seu pensamento sobre o internacionalismo da luta do proletariado: “Os operários não têm pátria. Não se lhes pode tomar aquilo que não têm”.
Convencidos de que a natureza internacional do proletariado tinha proeminência com relação à vivência nacional concreta e que, nas condições de desenvolvimento mundial do capitalismo, a revolução proletária não poderia deixar de resultar da ação conjugada dos operários dos países mais avançados, Marx e Engels consideraram, com absoluta prioridade, a missão de educar os proletários de todos os países para a defesa do internacionalismo e para a prática da solidariedade sem consideração de fronteiras. O internacionalismo deveria ser um traço fundamental da atitude proletária em oposição intransigente ao nacionalismo da ideologia burguesa. Marx e Engels estavam convencidos de que a natureza internacional de sua condição de classe prevaleceria na consciência dos operários e os levaria a repudiar as posições burguesas de hostilidade entre nações.
Essas idéias tiveram tradução prática na fundação e na atuação da Associação Internacional dos Trabalhadores (I Internacional).
Conferindo à luta de classes o papel de “motor da história“, era preciso que Marx e Engels encontrassem as mediações que vinculavam a esse “motor” as engrenagens das questões propriamente nacionais. Adotando o princípio de defender as nações oprimidas e de, nelas, distinguir os interesses particulares das massas trabalhadoras, os fundadores do marxismo deram a partida à abordagem de um problema que se revelaria intrincado e de difícil solução para os marxistas das gerações seguintes. Propugnar causas de caráter especificamente nacional, em ser nacionalista, mas também internacionalista, o que nem sempre encontrou expressão política suficientemente clara e coerente do ponto de vista teórico e prático.
Ao eclodir a II Guerra Mundial, em agosto de 1914, a bancada de 110 deputados social-democratas do Reichstag, na Alemanha, aprovou, na sessão de 2 de dezembro, os novos créditos solicitados pelo governo do Kaiser Guilherme II.
Nos demais países envolvidos no conflito, os partidos social-democratas adotaram atitude idêntica à da social-democracia alemã. Em cada país beligerante, os partidos filiados à II Internacional esqueceram as resoluções dos congressos da organização sobre a condenação à guerra e a ação solidária entre os operários dos países adversários e apoiaram os respectivos governos. A II Internacional, então, deixou de existir.
Isso porque, ao condenarem a guerra, os social-democratas separaram as massas trabalhadoras de seus países. Estas aceitaram a guerra com entusiasmo, embora implicasse a matança recíproca entre trabalhadores, que, de acordo com os princípios socialistas, deveriam agir solidariamente como irmãos de classe. Ao contrário do que afirmaram Marx e Engels no Manifesto Comunista, os operários faziam questão de ter pátria e lutar por ela, ainda que numa guerra declarada por governos reacionários. Operários alemães, ingleses, franceses, russos, austríacos e outros, colocaram a pátria acima da classe, ainda que fosse a pátria comandada pela burguesia. E impeliram os seus partidos social-democratas a fazerem o mesmo.
Iniciada com uma perspectiva internacionalista, a revolução bolchevique se exauriu na sua marcha e recuou para a fórmula da revolução em um só país. Foi o termidor stalinista.
Diversas explicações já foram dadas buscando esclarecer realidade tão inesperada e enfrentar a gravíssima dificuldade conceitual dela decorrente, no quadro da teoria marxista da revolução. Assim é que já se falou de aristocracia operária, capitalismo organizado, estabilização capitalista relativa e hegemonia ideológica burguesa. No segundo pós-guerra viriam as cogitações suscitadas pelo Estado do Bem-Estar Social. No entanto, seria preciso que o tempo corresse ainda mais um pouco para que se chegasse à conclusão definitiva acerca do reformismo ontológico da classe operária.
Por fim, a União Soviética ruiu por força da inviabilidade sistêmica. Era uma questão de tempo que a inviabilidade atingisse o ponto em que o sistema não pudesse continuar a operar . Não se deve atribuir à Guerra Fria a causa principal da derrocada soviética. Ela apenas apressou a chegada desse ponto insustentável.
Dados Bibliográficos: “Marxismo sem Utopia”, Jacob Gorender, 1999, Editora Ática
PARTINDO PARA A AÇÃO - 14/04/2015
PARTINDO PARA A AÇÃO
Dando seguimento ao compromisso assumido pelo Ponto Critico e pelo Pensar+, qual seja de propor e defender ações PROPOSITIVAS que possam, efetivamente, dotar o nosso setor público de alguma EFICIÊNCIA (jamais experimentada), peço que observem que, finalmente, estamos saindo do campo das simples ideias e/ou críticas, para ingressar no ambiente das EFETIVAS PROVIDÊNCIAS.
CONVOCAÇÃO
Pois, para que algo realmente aconteça, desde já faço aqui um convite, ou, se me permitirem, uma convocação: que todos os leitores/assinantes do Ponto Critico, que, certamente, já estão cansados de ler e ouvir críticas que não produzem efeitos, para que assumam o compromisso de lutarmos juntos pela aprovação do Projeto de Lei 141/2014, que já tramita no Senado.
MÍDIA SILENCIOSA
Aliás, vale registrar que a mídia tradicional, cada dia mais desacreditada, não se interessou em informar sobre a existência desse importante Projeto de Lei 141/2014. Isso que o Brasil está diante de explosiva combinação de desperdício de recursos públicos com aumento de impostos para cobrir os rombos provocados pela incompetência governamental. Isto sem falar na compulsiva roubalheira petista, que anda à solta como nunca no nosso pobre país.
EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA
Pois, para dotar o setor público de mínima EFICIÊNCIA -ADMINISTRATIVA e FINANCEIRA-, o Projeto de Lei 141/2014 propõe NOVA REDAÇÃO ao
-Artigo 67 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000, que estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências, para ampliar as atribuições do Conselho de Gestão Fiscal e viabilizar a instalação e o funcionamento desse Conselho-.
NOVA REDAÇÃO
A NOVA REDAÇÃO, uma vez aprovada, impõe o seguinte:
“Art. 67. O acompanhamento e a avaliação, de forma permanente, da política e da operacionalidade da gestão fiscal serão realizados por conselho de gestão fiscal visando a:
I – acompanhar e avaliar a gestão fiscal nos três níveis de governo tendo por objetivo a progressiva eficiência dessa gestão;
II – harmonizar e coordenar as práticas fiscais e contábeis dos entes da federação, propondo medidas para o constante aperfeiçoamento dessas práticas, inclusive mediante o assessoramento técnico à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios;
CONTINUANDO...
III – disseminar práticas que resultem em maior eficiência na alocação e execução do gasto público, na arrecadação de receitas, no controle do endividamento e na transparência da gestão fiscal;
IV – estimar os montantes das receitas e despesas do Orçamento Geral da União durante o processo de elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias e dos orçamentos anuais, promovendo periódicas reestimativas, com o objetivo de informar à sociedade acerca do exato esforço fiscal imposto aos contribuintes e do impacto da política fiscal sobre o desempenho da economia;
V – adotar normas de consolidação das contas públicas, padronização das prestações de contas e dos relatórios e demonstrativos de gestão fiscal de que trata esta Lei Complementar, a serem obrigatoriamente utilizados na administração pública brasileira, com vistas a elevar a qualidade e a confiabilidade dos registros, e garantir tempestiva publicação, admitidos normas e padrões simplificados para os pequenos municípios;
MAIS AINDA...
VI – realizar e divulgar análises, estudos e diagnósticos sobre a gestão fiscal nos três níveis de governo, com ênfase nas avaliações de políticas públicas e de proposições legislativas quanto à eficiência, eficácia e efetividade, explicitando-se custos e benefícios;
VII – propor regras de contenção da despesa pública total no âmbito dos três poderes, nomeadamente, do custeio, das despesas financeiras e de investimentos, de modo a permitir a moderação da carga tributária, bem como ampliar a capacidade de investimento público em todas as esferas de governo.
Art. 2o - Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação.
Que tal? Vamos nessa? Como fazer? Converse (mande mensagem) com o seu senador!
Amanhã divulgo a JUSTIFICAÇÃO do projeto.
QUAL O RUMO DAS MANIFESTAÇÕES? - 12/04/2015
O que é preciso evitar é que o governo e a mídia manipulem as manifestações, dizendo que as ruas querem a "reforma política popular" que eles próprios pretendem implementar.
O legado do PT no poder foi o de ter tirado as bases morais da democracia brasileira e provocar a maior crise política (crise sistêmica), nunca antes vista na história do País, em que não há o mínimo de confiança entre representantes e representados, em todos os níveis, em todos os aspectos. As instituições se tornaram simulacros, esvaziadas quase que inteiramente de qualquer vigor para fazer valer a defesa de princípios e valores humanos, sendo instrumentalizadas para os fins perversos de uma facção de poder, que utiliza a democracia como método revolucionário. Os que tem postos de decisão nas instituições optam pelo silêncio, por declarações ambíguas, pelo cinismo e por formas abomináveis de covardia. Os que detém algum poder nas instituições, preferem deixar serem usados e até prostituídos ou fazer de conta que vivem no melhor dos mundos possíveis, segundo a lógica de Pangloss. Muitos sabem que estão reféns desta facção de poder, mas preferem a omissão, o politicamente correto, até mesmo o recurso à mentira, ao marketing e tudo mais, na mais abjeta cumplicidade com o mal. Nunca se viu uma população inteira sem saber o que fazer, sem saber ao que se ater, sem confiar seja lá em quem for, por que não há lideranças, não há rumo, apenas a realidade gelatinosa [por isso perigosa] por extrair a perspectiva projetiva da realidade nacional. Muitos tombam no conformismo, sentindo-se impotentes diante do quadro que aí está, as poucas vozes conscientes vão sendo aquietadas, sofrendo até a exaustão, de muitas formas, enquanto se acentua, cada vez mais, a corrosão dos valores.
A Presidente Dilma Roussef age como se não houvesse crise, os convocados à CPI dizem que nada sabiam, que nada fizeram, que tudo é golpismo da oposição. Nem mesmo Sófocles se inspiraria tanto para escrever uma tragédia tão intensa. Todas estas personagens que frequentam as CPIs e vão e voltam ao Palácio do Planalto parecem mesmo viver "nas nuvens", como diria Aristófanes. Perderam o chão da realidade e vivem num teatro que não se sabe mais se é trágico ou cômico, mas que é terrível, porque ninguém sabe como irá terminar.
Há o apelo falacioso das forças revolucionárias pela "democracia direta", por uma reforma política que é apenas retórica, para radicalizar ainda mais o processo de desmonte das insitituições, de acirramento das vulnerabilidades, para que a facção de poder, em meio ao pântano que se tornou o cenário político, junto a outras forças, inclusive internacionais, possam se mover com mais avidez de poder, de controle, manipulação e perversão social. Nesse contexto, os fracos não podem mais contar com a legislação, pois que a lei se tornou a arma do forte, com seus embustes cada vez mais sofisticados, com suas hermenêuticas mais favoráveis aos que tem o poder, o mando, e as astúcias dos que assaltaram o Estado brasileiro e o aparelharam, vão conduzindo a uma consoliação ainda maior da facção de poder, ideologicamente cada vez mais à esquerda, com todo o populismo e o clientelismo, e toda espécie de trapaças que fariam Maquiavel se empalidecer diante de tanto pragmatismo e imoralidade.
Resta saber que rumo irão tomar as manifestações de rua, que desde o dia 1º de novembro vem clamando pelo "Fora Dilma, "Fora PT", "Fora Foro de São Paulo", etc. A indignação da população não pode ser convertida astutamente pelos marqueteiros do Palácio do Planalto como argumento a justificar a agenda que o próprio governo quer implantar, com o pretexto de combater a corrupção, que eles mesmos fizeram chegar a um nível tão extremo, com o mensalão, petrolão e tudo mais. O que é preciso evitar é que o governo e a mídia manipulem as manifestações, dizendo que as ruas querem a "reforma política popular" que eles próprios pretendem implementar, com o discurso já defendido pela CNBB, por exemplo, em seu documento 91, ainda em 2010, de radicalização da democracia. Não se sabe quem são títeres e quais forças exatamente estão os movendo. O fato é que o tempo atual requer vigilância, pois não será tão fácil libertar o Brasil da facção de poder que o levou a esta crise sistêmica.
* Coordenador do Movimento Legislação e Vida
DILMA, CARCEREIRA - 10/04/2015
(Publicado originalmente em O Globo)
• Sem a cumplicidade brasileira, o governo venezuelano não teria meios para persistir no rumo da implantação de uma ditadura
Fidel Castro costumava jogar basquete. Logo mais, pela primeira vez, a NBA fará uma visita a Cuba, promovendo um seminário sobre o desenvolvimento profissional do esporte na Ilha. Amanhã, no Panamá, abre-se a VII Cúpula das Américas, que assinala o retorno de Cuba ao Sistema Interamericano. Contudo, o drama histórico, possibilitado pelo reatamento entre Washington e Havana, será desfigurado pela ópera bufa da crise venezuelana. No lugar de um debate apontado para o futuro, a América Latina experimentará, novamente, uma reencenação da farsa anti-imperialista. Só será assim porque o Brasil aceitou reduzir-se ao papel de sentinela diplomática do regime moribundo de Nicolás Maduro.
Havia espaço para falar sobre uma Cuba pós-castrista, capaz de reconhecer o princípio da pluralidade política. Premido pela crise na Venezuela, Raúl Castro convenceu-se do imperativo de acelerar as reformas econômicas cubanas, eliminando gradualmente o sistema de preços fixados centralmente, as cadernetas de racionamento e o câmbio duplo. Na Ilha, aos poucos, florescem os pequenos negócios familiares e o trabalho por conta própria, enquanto surge um mercado imobiliário. O reatamento com os EUA obedece à finalidade estratégica de estimular um fluxo sustentado de investimentos estrangeiros. As democracias latino-americanas tinham a chance de dizer a Castro que o embargo americano já não pode ser usado como pretexto para calar a divergência política.
Cuba conhece uma tímida, oscilante, abertura política. Levantaram-se as restrições a viagens ao exterior, a internet começa a decolar e os dissidentes, ainda reprimidos, operam mais ou menos publicamente nas redes sociais. A publicação digital “14Ymedio”, criada pela blogueira Yoani Sánchez mas ainda bloqueada pelos servidores da Ilha, oferece aulas diárias de jornalismo para os cinzentos veículos oficiais. Rosa Maria Payá, filha do falecido líder oposicionista Oswaldo Payá, viajou ao Panamá e participa de um fórum pela democracia paralelo à Cúpula das Américas. Era a hora de pressionar Havana a saltar um novo degrau, admitindo que as liberdades econômicas devem ter sua contrapartida nas liberdades políticas. Mas, sob o signo do lulopetismo, o Brasil figurará como cúmplice da tirania sem futuro do sucessor de Hugo Chávez.
Acossado pelo desastre econômico, o regime venezuelano apela à truculência aberta, encarcerando oposicionistas eleitos e instaurando um estado de exceção no qual Maduro governa por decreto. O objetivo do que resta do poder chavista é evitar uma provável catástrofe eleitoral no pleito legislativo previsto para o segundo semestre. Semanas atrás, uma delegação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) visitou Caracas pedindo garantias de que as eleições serão realizadas. Vergonhosamente, porém, a Unasul não solicitou a libertação dos presos políticos, entre os quais se encontram o líder opositor Leopoldo López e o prefeito da capital, Antonio Ledezma. A reação de Barack Obama foi a imposição de sanções pessoais, meramente simbólicas, contra algumas autoridades venezuelanas, o que deflagrou a ópera bufa.
No Panamá, Maduro protestará contra a “ingerência imperialista”, secundado por governantes que fazem do antiamericanismo uma ferramenta para silenciar sobre a violação das liberdades públicas. O jogral “anti-imperialista” terá a participação ativa de Cuba: na ordem de prioridades de Castro, a defesa do princípio ditatorial tem precedência sobre os interesses da abertura econômica. Mas ele só se sustenta porque conta com as vozes das duas grandes democracias do Mercosul, que são o Brasil e a Argentina. A relevância de Dilma Rousseff é, obviamente, muito maior que a de Cristina Kirchner. Sem a cumplicidade brasileira, o governo venezuelano não teria meios para persistir no rumo da implantação de uma ditadura. Por uma triste ironia, a ex-presa política que ocupa a cadeira presidencial no Palácio do Planalto funciona, de fato, como carcereira dos opositores venezuelanos.
A posição brasileira torna-se menos sustentável na razão direta do agravamento da crise do chavismo. O antigo primeiro-ministro espanhol Felipe González anunciou que se engajará pessoalmente na defesa dos presos políticos venezuelanos. Os ex-presidentes Fernando Henrique, do Brasil, e Ricardo Lagos, do Chile, aceitaram o convite de González para constituir um grupo empenhado na libertação de López e Ledezma. Na mesma linha, Aécio Neves invocou o Protocolo de Ushuaia, do Mercosul, para cobrar de Dilma uma atitude compatível com os compromissos internacionais do Brasil.
A leniência com a escalada autoritária já não conta com o silêncio unânime dos governos da América Latina. “Há mais de 30 anos, o Uruguai viveu as mesmas condições que parte dos venezuelanos está vivendo hoje”, constatou o uruguaio Rodolfo Nin Novoa, ministro das Relações Exteriores de um governo de centro-esquerda que não admite medir a liberdade com a régua da ideologia. Os presidentes do Uruguai, do Chile e da Costa Rica foram convidados por Obama para uma reunião, durante a Cúpula das Américas, que certamente discutirá o impasse na Venezuela. Ao mesmo tempo, Washington articula um projeto de cooperação energética com países caribenhos envolvidos pela política chavista de fornecimento subsidiado de petróleo.
O conceito de América Latina tem uma longa história, mas sempre expressou o desejo de separar os EUA do restante do continente. No cenário geopolítico atual, a cunha não serve para acelerar a modernização econômica ou afirmar a soberania política das nações latino-americanas. Ao contrário, funciona unicamente como muralha protetora de regimes autoritários. Dilma, a carcereira, consumirá os próximos dois dias na defesa de um tirano sem futuro. Falará como representante de um partido e de uma ideologia, não como presidente de todos os brasileiros.
* Sociólogo
FRENTE AMPLA DO ATRASO - 10/04/2015
Observando o que acontece com o PT fica-se a pensar na possibilidade desse partido não ter construído sozinho suas estratégias para alcançar o poder e lá permanecer. Afinal, parece não haver mentes brilhantes na grei petista.
Tampouco Lula da Silva é um gênio do jogo político ou um estadista como exageram alguns. Sem dúvida, foi escolhido pela cúpula petista e algo acima por sua retórica verborrágica que faz dele um enganador bem-sucedido. Além disso, Lula se ajustou hipoteticamente à ideologia marxista como uma espécie de proletário. Ajudou sua origem simples e o fato de ter passado rapidamente pelas lides metalúrgicas. Construiu-se, então, a imagem do homem comum tão bem aceita pela massa por transmitir aquela agradável sensação de identidade: ele é um de nós que chegou lá.
Habilmente a propaganda consumou o culto da personalidade que ampliou o poder de enganação do “pobre operário”, contra o qual toda crítica foi tomada como preconceito e heresia. Lula da Silva consagrou o detestável politicamente correto que inibiu os que poderiam arranhar seu santo nome.
Com medo de sua popularidade qualquer oposição, partidária ou institucional, calou-se diante de seus desmandos, de suas gafes, de seu linguajar chulo e insultante à língua portuguesa. E essa aceitação incondicional, mais a propaganda de fazer inveja a Goebells deram aos “mandarins” petistas e a Lula da Silva a força que parecia os tornar invioláveis.
No entanto, se Lula foi hábil como orador de porta de fábrica, perito como politiqueiro, nunca administrou o país. Seu negocio foi jogar futebol, comer churrasco e fazer viagens dignas de um emir. Em suma, Lula é um falsário e uma fraude construída não só pelo PT, mas por uma organização internacional, o Foro de São Paulo, fundado por Lula, Fidel Castro e outros do figurino esquerdista. O objetivo do Foro é promover a integração da América Latina e formar a Pátria Grande Comunista através de partidos, entidades de classe, ONGs, movimentos sociais.
Na quarta tentativa o PT chegou ao poder mais alto da República. Não foi preciso dar um tiro sequer. Lula vestiu Prada, mudou o discurso, deslumbrou a hoje achincalhada classe média composta por intelectuais, estudantes, professores, artistas, religiosos, profissionais liberais, jornalistas, funcionários públicos, que fizeram de sua ideologia uma religião, do PT uma seita e sentiram-se guerreiros imortais da luta de classes. Lula prometeu tirar os pobres da pobreza. Aos ricos garantiu mais lucros.
Ao tomar posse a nova classe dirigente deu continuidade a politica macroeconômica do governo anterior, antes criticado de modo estridente, inclusive, aos berros de fora FHC. Não foi dado calote no FMI nem se rompeu com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, utilizou-se a política econômica antes xingada de entreguista e neoliberal.
Por outro lado, avançou a centralização do PT que dominou o Legislativo, o Judiciário e significativa parcela dos meios de comunicação. Na mesma linha intervencionista e autoritária houve várias tentativas de censurar a imprensa, como as Comissões de Redação, a criação da ANCINAV (Agência Nacional de Cinema e Áudio Visual) e a instituição do CFJ (Conselho Federal de Jornalismo). Agora o governo petista fala em regulação da mídia e Rousseff apontou a necessidade de punir os “crimes” cometidos na Internet.
Mas se o Foro de São Paulo é comunista, como poderia dar certo se esse sistema fracassou em todo mundo? Quer melhor exemplo de fracasso econômico e social do que o da Venezuela, Bolívia, Argentina? Quanto a Lula da Silva, se surfou por 12 anos na demagogia encontrou o fim de todo malandro: foi engolido por sua esperteza. Isso se deu quando ele elegeu o “poste” Rousseff. Nos quatro anos em que continuou como presidente de fato, ele e sua criatura que não consegue juntar uma frase com outra, detonaram a economia Brasileira, enquanto a corrupção desenfreada atingia seu auge com o escândalo do petrolão.
O PT tenta resistir, fala em hegemonia do partido, propõe tirar verbas da imprensa não domesticada, proclama-se inocente. Entretanto, não há governo que resista quando a economia vai mal. Em pânico, os dirigentes petistas percebem que até Lula da Silva não é mais o mesmo. Rousseff, a incompetente, totalmente desacreditada é descartável e já foi substituída por seu vice Michel Temer (PMDB), mas sem Lula o PT acaba, pois quem poderá substituí-lo em 2018? Mercadante? Haddad? Marco Aurélio Garcia? Rui Falcão? Impossível.
Então, quem sabe se por inspiração do Foro de São Paulo, Lula da Silva já sonha com a criação de uma Frente Ampla, que esconderia o PT desmoralizado e englobaria partidos de esquerda, ONGs, ditos movimentos sociais, enfim, tudo que compõe a tranqueira esquerdista do Brasil. Os candidatos não sairiam pelo PT, mas da Frente Ampla do Atraso. Uma ideia engenhosa. Resta saber se vai daR CERTO.
* Socióloga.
O FUROR E O DELÍRIO - 09/04/2015
"Quando teníamos todas las respuestas se cambiaram las perguntas" ( frase pichada em um muro, em Quito, Equador, logo após a queda do socialismo real )
"O Furor e o Delírio" é o título de um livro escrito por Jorge Masetti, editado em 1999 na Espanha. Jorge Masetti, nascido na Argentina, é filho de Ricardo Masetti, jornalista argentino que chegou a Cuba em 8 de janeiro de 1960, com sua mulher e filho, então um menino, no mesmo dia em que Fidel Castro entrava em Havana à frente de seus guerrilheiros.
Nesse mesmo ano Ricardo Masetti fundou a agência de notícias "Prensa Latina", que existe até hoje. Tornou-se amigo de Che Guevara e, em 1965, foi mandado para chefiar um grupo guerrilheiro em Salta, Argentina, onde foi morto.
O menino Jorge Masetti, então com 9 anos, tornou-se um protegido de Manuel Piñero Losada, responsável pelos Serviços de Inteligência de Cuba. Posteriormente, ainda muito jovem, com 17 anos, recebeu treinamento armado e passou a integrar o Departamento América (órgão de Inteligência vinculado ao Comitê Central do Partido Comunista Cubano), sob as ordens de Piñero.
Durante toda sua vida desempenhou atividades clandestinas em diversos países da América e África, bem como lutou na Nicarágua junto às forças da frente Sandinista de Libertação Nacional.
Um dos capítulos do livro (páginas 134 a 137), refere-se às suas atividades no México, nos anos de 1981. Esse relato revela a estratégia empregada pelo Departamento América e o apoio aos grupos guerrilheiros de então, na América Latina, bem como as atividades desenvolvidas para conseguir dinheiro, "de qualquer jeito".
"Minhas tarefas foram diversificadas cada vez mais. Fui encarregado de conseguir contatos que nos emprestassem seus nomes para abrir contas bancárias que utilizaríamos para depositar o dinheiro que obtínhamos com o que chamávamos de "centrífugas", operações que consistiam em facilidades a todos os que viajavam a Cuba através do Departamento, fornecendo dinheiro mexicano para que comprassem os 500 dólares autorizados pelo governo. Eu trocava esses dólares no câmbio negro e os depositava nessas contas e, após, comprávamos dólares novamente. Então, a diferença entre o preço do dólar oficial e o negro era de quase cem por cento. Viajavam a Cuba cerca de 20 a 30 pessoas por semana.
Posteriormente, começamos também a utilizar essas contas para depositar o dinheiro que as organizações revolucionárias da América Latina colocavam aos cuidados de Cuba.
Essa era uma forma de conseguir autofinanciamento para complementar o estreito orçamento oficial. Desde Cuba, as pressões eram cada vez maiores para que conseguíssemos, de qualquer maneira, divisas. A partir de então, começamos a desenvolver todos os tipos de atividades, cada vez mais comprometedoras.
De Havana recebemos ordem para prestar apoio técnico a grupos guerrilheiros latino-americanos que operavam no México. Desde assaltos a bancos até a joalherias. O responsável em Cuba era Armando Campos, Primeiro Vice-Chefe do Departamento América ( Armando Campos Ginestra responde, até hoje, por uma das chefias do Departamento América ).
O êxito de algumas operações montadas por esses grupos em outras latitudes estimulou Cuba a lançar-se, indiscriminadamente, a esse tipo de atividades, dando apoio financeiro e logístico em qualquer país. O México, por suas facilidades para emigrar, ineficiência policial, pela densidade da sua população e pela presença de um numeroso exílio, apresentava vantagens excepcionais.
Aquilo que começou sendo uma atitude conjuntural converteu-se em tarefa permanente e. por que não admití-lo, em um fim em si mesmo. Houve companheiros que se especializaram nesse tipo de missões, gerando o desenvolvimento de uma bandidagem revolucionária. Essas ações outorgavam um poder, uma capacidade de manipulação e uma autonomia de recursos muito acima das que dispunham o restante dos militantes, inclusive aqueles que se encontravam em uma verdadeira situação de clandestinidade em seus países.
Essas operações permitiam a Cuba não só reduzir a ajuda que desembolsava, como, também, como administradora desses fundos, arrogar-se ao direito de dispor de maiores orçamentos para apoiar o movimento revolucionário que desejasse e, inclusive, financiar os deslocamentos dos funcionários do Departamento América. A princípio, a colaboração não era de grande envergadura. A mala diplomática era utilizada para introduzir o armamento necessário, mas logo começou a colaboração em matéria de informações e, inclusive, colocávamos em contato grupos de origens distintas para desenvolver operações de maior alcance e estimulávamos aquelas organizações que ainda não estavam implicadas nesse tipo de atividades a preparar grupos especiais. Nós, do escritório do México, em mais de uma oportunidade lhes demos apoio e facilitamos contatos.
Recordo que uma vez um dos funcionários que trabalhavam com Armando Campos viajou ao México e tentou recrutar-me para que me incorporasse diretamente com um desses grupos, o que não foi aceito pelo meu chefe imediato na embaixada: "Alejandro" ( Armando Coma. Seria Fernando Pascual Comas Perez, até hoje integrante do Departamento América ).
Nós dávamos apoio e entregávamos aos grupos operacionais o que chegava de Havana: armas, dinheiro para a montagem das operações e passagens, caso algum deles tivesse que viajar a Cuba para entrevistar-se diretamente com Armando.
Recordo de uma vez, quando entregamos armas. Nessa mesma semana foram assaltados dois bancos que estavam na mesma esquina, em Concepción Beistegui com Avenida Coyoacán. A imprensa comentava que, pelo nível de especialização e sangue frio dos atacantes, só poderia tratar-se de ex-policiais afastados. Nós sabíamos de quem se tratava e, poucos dias depois, obtínhamos a confirmação quando a pessoa à qual havíamos entregado as armas nos passou uma soma de "traveler's checks" em banco para que os negociássemos.
Os assaltos continuaram e, na mesma medida, a introdução de armas e as viagens dos funcionários que trabalhavam com Armando.
Em uma ocasião, também, demos apoio a um grupo de "Los Macheteros", que lutava pela independência de Porto Rico".
Posteriormente, em 1988, em Havana, "Tony de La Guardia" ( como era conhecido o Coronel Antonio de La Guardia, com cuja filha, Ileana, Jorge Masetti posteriormente se casou ), que lutara no Líbano e na Nicarágua e que no Chile, durante o Governo Allende, chefiara um grupo cubano das Forças Especiais, dirigia um grupo que dependia da DGI ( "Direción General de Informaciones" ). Esse grupo tinha por tarefa tentar romper o bloqueio norte-americano obtendo tecnologia para os diversos ramos da indústria e da medicina. Devia também buscar divisas de qualquer forma, pois Cuba não contava com o orçamento necessário para a aquisição do abastecimento de que precisavam os diversos ministérios. O nome da seção especial dirigida por "Tony", no seio da DGI, era MC, que significava “moeda conversível", ou seja, Fidel Castro lhe havia outorgado uma espécie de "patente de corsário" para buscar dinheiro.
Antonio de La Guardia viria a ser julgado e fuzilado em 1989, em Havana, pois na sua busca por "moeda conversível", para atender às necessidades cada vez maiores do Estado cubano, foi acusado de "ligação com o narcotráfico".
Em 1990, Jorge Masetti e Ileana exilaram-se na Espanha, onde vivem atualmente.
No final do livro, Jorge Masrtti faz uma autocrítica demolidora:
"Quando observo o que foi a minha vida e a de tantos outros, caio em conta de que a revolução não foi mais que um pretexto para cometer as piores atrocidades tirando-lhe todo vestígio de culpabilidade. Escudávamo-nos na meta de buscar fazer o bem à humanidade, meta que era uma falácia. Éramos jovens irresponsáveis, aventureiros. Éramos uma casta à parte, inclusive à parte dos revolucionários que operavam localmente em seus países, os quais se viram obrigados a adotar a luta armada pelas circunstâncias políticas. Nós, em troca, éramos uma mescla de James Bond com umas gotas de marxismo muito superficiais, aos quais tudo era permitido, sobretudo viver de maneira diferente de como o faziam os militantes que realizavam o obscuro e anônimo trabalho de massas para construir uma organização política. Éramos a vanguarda da revolução cubana, os meninos mimados de Fidel e de Manuel Piñero, que não fomos eleitos nem por nossa inserção nas massas nem por nosso espírito de sacrifício cotidiano. Éramos eleitos por não pertencer a nada, sem religião nem bandeira, com uma capacidade de aventura muito desenvolvida e com um grau de cinismo não menos importante. Hoje, posso afirmar que por sorte não ganhamos, pois, caso contrário, tendo em conta nossa formação e o grau de dependência com Cuba, teríamos afogado o continente em uma barbárie generalizada. Uma de nossas palavras de ordem era fazer da Cordilheira dos Andes a "Sierra Maestra" da América Latina, onde, primeiro, teríamos fuzilado os militares, depois os opositores, e logo os companheiros que se opusessem ao nosso autoritarismo. Eu sou consciente de que atuaria dessa forma.
É muito cômodo invocar o argumento de que fomos manipulados, como é muito cômodo, também, escudar-se por trás das lutas contra as ditaduras militares para justificar os abusos. É necessário revelar a parte obscura, essa parte inconsciente relacionada com a fascinação pelo poder, vizinha da tendência de praticar a crueldade, porque não só tratamos de destruir nossos inimigos, como destruímos nossos companheiros, nossos filhos e os colaboradores. Em realidade, durante todos esses anos de luta, destruímos sem construir nada. Nós vivíamos num mundo fechado entre nós, freqüentando lugares especiais onde só íamos nós. Eu não ia a pizzarias, onde come todo o mundo. Eu freqüentava os restaurantes onde comiam os chefes. Esse era o meu mundo.
O que eu vivi desde minha chegada a Cuba será sempre uma ferida aberta. Uma fratura entre o antes e o depois. Entre as ilusões do furor guevarista, o delírio da luta armada e a época do desencanto".
No livro de Jorge Masetti podem ser encontradas as raízes, em 1982 / 1983, no México, da estratégia dos Serviços de Inteligência de Cuba no apoio a "operações" em toda América Latina, a fim de buscar equilibrar os orçamentos do país. São essas as origens dos seqüestros de Abílio Diniz, do banqueiro Beltran Martinez e dos publicitários José Salles, Geraldo Alonso e Washington Olivetto, no Brasil; de Christian Edwards Del Rio ( filho do dono do jornal "El Mercurio"), no Chile; e outros, no Panamá e no México, todos utilizando a mão-de-obra ociosa de antigos revolucionários do continente. Nesses seqüestros, como não é segredo, os Serviços de Inteligência de Cuba sempre atuaram nos bastidores.
MORALIDADE E OMISSÃO NA GESTÃO DA COISA PÚBLICA - 31/03/2015
(Site Clube Militar – Março/2015)
Alegra-me ter o Clube Militar dado início à campanha pela moralidade no país - tão pisoteada, nos últimos 12 anos com escândalos diários desventrados ao público pela imprensa. Nunca o Brasil viveu, no âmbito do governo federal, tamanho desvio de recursos públicos, cujos valores representam, de rigor, um verdadeiro assalto à sociedade, pelo Estado representada.
O último dos escândalos -e maior deles, em que se fala em, pelo menos, 10 bilhões de reais, o que é superior aos orçamentos de muitos Estados da Federação (!!!)-, está a demonstrar que nunca foi tão aplicável ao Brasil a famosa frase, em “Hamlet”: “há algo de podre no Reino da Dinamarca”.
Com efeito, duas seriam as vertentes para examinar-se uma eventual responsabilidade da Presidente da República e de de seu antecessor nos desvios constantes e permanentes de recursos públicos. A de prática de dolo, fraude ou má-fé, que só com provas materiais pode ser demonstrada, e a de culpa decorrente de omissão, imperícia e negligência, por não se ter detectado, ao longo de tantos anos, este verdadeiro saque aos recursos públicos para benefícios pessoais, por parte dos gestores da coisa pública.
Prefiro ainda não falar, no caso do “Petrolão”, de responsabilidade por dolo dos governantes, pois esta matéria está sob investigação e será, à evidência, objeto de profunda análise por acusadores, defensores e pelo Poder Judiciário.
Quero analisar, exclusivamente, e de forma sucinta, a culpa como geradora de responsabilidade, inclusive de ressarcimento por parte do agente que gerou lesão, como claramente comprovado nos episódios da Petrobrás.
A Presidente da República foi presidente do Conselho de Administração da empresa, durante parte do tempo em que ocorreram desvios ilícitos dos recursos da empresa. E, como Presidente da República, nomeou a nova gestora, em cuja administração os desvios continuaram.
Ora, o § 6º do artigo 37 da CF declara que a lesão causada pelo Estado, ao cidadão ou a sociedade gera a obrigação do Estado de indenizar, determinando, o § 5º, que tal esão terá que ser ressarcida ao ente estatal pelo agente público que a gerou, POR CULPA OU DOLO.
Os dois dispositivos estão assim redigidos:
§ 5º - A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento.
§ 6º - As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. (grifos meus)
Como se percebe, a responsabilidade do Estado é objetiva, vale dizer, independe de culpa ou dolo, bastando haver o nexo de causalidade entre a ação do agente público e o dano provocado. Mas a do agente, só ocorrerá por culpa (negligência, omissão, imperícia) ou dolo (fraude e má-fé). Esta, todavia, É IMPRESCRITÍVEL.
Ora, salvo melhor juízo, quem foi Presidente do Conselho de Administração da Petrobrás e Presidente da República, convivendo durante oito anos com este assalto de mais de 10 bilhões de reais –fatos estes comprovados— sem nada ter percebido, teria sido diligente no exercício desses cargos? À evidência, a conduta adotada nos seus anos de gestão direta e indireta, estão a demonstrar omissão, negligência ou imperícia, vícios de conduta que caracterizam a figura da culpa.
Para mim, a fala da presidente, declarando que, se tivesse sido alertada, na celebração de um negócio de dois bilhões de dólares (!!!), dos pormenores do contrato, não teria autorizado a compra da empresa americana, serve como demonstração de que não exerceu suas atribuições da forma como deveria, lastreando-se apenas em informações superficiais, sem examinar os aspectos inerentes a compra de tal magnitude.
É matéria que merece reflexão. O suceder dos fatos demonstrará se houve comportamento doloso dos detentores atuais do poder, nos desvios da Petrobrás. Para mim, todavia, a improbidade administrativa por culpa já está caracterizada por omissão, imperícia ou negligência.
COMO LEVAR MAIS POVO ÀS RUAS EM 12/4 - 28/03/2015
Formou-se consenso entre atores e observadores da cena política nacional de que as manifestações programadas para 12 de abril próximo servirão de indicador decisivo para o futuro do governo Dilma. Se o público que for às ruas nessas datas for expressivamente mais amplo do que já o foi em 15 de março passado, mais um passo decisivo, talvez o derradeiro, será dado na direção da abertura do processo de impeachment da presidente.
Para os defensores do impeachment, portanto, aumentar a quantidade de povo nas ruas é a missão número um. Como fazer isso?
Antes de qualquer coisa, convém observar que o número de pessoas que já confirmaram presença nos eventos locais convocados pelo Facebook, em várias das principais cidades, já é maior que o dobro daqueles que haviam confirmado presença, em período de tempo equivalente de divulgação das manifestações de 15/3. Cresceu, também, o número de cidades novas em que há eventos marcados.
Há um público adjacente ao que foi às ruas em março, que deixou de comparecer por medo das ameaças de Lula e do MST de usar a violência contra os manifestantes. O rotundo fracasso das manifestações petistas e o caráter ordeiro e pacífico das manifestações contra o governo serviu de incentivo para a ida às ruas de mais gente em 12/4.
Em artigo recente no Estadão, o cientista político José Roberto de Toledo (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,o-eleitor-sao-tome-imp-,1655855) identificou os públicos que podem engrossar as fileiras do movimento pelo impeachment em 12 de abril.
A primeira descoberta é de que os manifestantes de 2015 são de outra faixa etária, cerca de 13 anos mais velhos, em média, do que os manifestantes de junho de 2013. Os jovens de 2013 eram, também, mais antipartido e menos inseridos no mercado de trabalho. Mas, há vasocomunicação entre os públicos, devido ao perfil de classe média de ambos, o que possibilita a influência dos que foram às ruas em 2015 sobre os que foram em 2013.
Em 2013 as pautas eram difusas, mas Dilma cometeu o erro de chamar a si a reposta às ruas, colocando-se no centro do alvo. A recente campanha eleitoral, o estelionato político patrocinado por Dilma e a crise econômica, política e moral em que o país mergulhou, contribuíram para dar foco antigoverno às manifestações de 2015.
E, é justamente a crise econômica que oferece aos manifestantes de 15 de março a oportunidade de atrair para as ruas os segmentos populares que estão insatisfeitos com as consequências da crise sobre seus bolsos, e que não foram às ruas antes. As pesquisas de opinião recém publicadas sugerem, dado o grau de rejeição à Dilma, que esses novos contingentes poderão ser mobilizados para 12 de abril.
A chave aqui é a comunicação. Será preciso, aos mobilizadores de abril, agregar conteúdo econômico às convocatórias. Associar a inflação, o aumento do desemprego, a abaixa qualidade dos serviços públicos, os cortes nos programas sociais (foco nos estudantes excluídos do FIES) e demais maldades patrocinadas por Dilma, à roubalheira na Petrobrás, como custo transferido ao bolso do trabalhador por Dilma e pelo Partido dos Trabalhadores.
Esse é um atalho cognitivo de fácil compreensão para qualquer um. Para além do Facebook, esse tipo de mensagem terá que ser lavado às periferias urbanas em panfletos criativos para serem distribuídos nos transportes públicos nos horários de pico, quando o povão estiver voltando para casa, cansado do trabalho em ônibus e trens abarrotados.
Além do número de gente nas ruas, a mídia usou como indicador de força das manifestações de março, o número de cidades em que elas aconteceram. Incentivar a criação de eventos no Facebook convocando o povo às ruas no maior número de cidades possível é outra tarefa central dos mobilizadores de abril.
A conjuntura está a favor. A crise econômica recém está começando e suas consequências se farão sentir ao longo do ano, evoluindo em sua gravidade em proporção e velocidade exponenciais. Paralelamente, a crise política avança a passos rápidos para um quadro de crise institucional. Não há perspectiva de que a presidente Dilma adquira capacidade pessoal de mudar a si mesma para inverter a espiral negativa que sua conduta desastrada estimula. Dilma está em conflito, com Lula; Dilma está em conflito com o PT; Dilma está em conflito com o PMDB; Dilma está e conflito com povo.
O PMDB, por seu turno, percebeu que o jogo de Dilma e dos petistas é para destruí-lo e passou a travar uma luta de vida ou morte contra o PT. A CPI da Petrobrás é a arena central dessa luta, e o PMDB controla a comissão, sentando um por um dos corruptos petistas na vitrine inquisitorial, e impedindo o PT de convocar os envolvidos dos demais partidos. A requisição das gravações das reuniões do Conselho de Administração da Petrobrás na época da compra da refinaria de Pasadena revela que os peemedebistas estão em busca do “Fiat Elba” da Dilma.
O grito dos manifestantes nas ruas em março, com palavras de ordem como: “Lula cachaceiro, devolve o meu dinheiro” e “Um, dois, três, Lula no xadrez”, e pesquisas qualitativas não publicadas revelam que a imagem do líder maior do PT já foi arranhada a ponto de o ex-presidente FHC assegurar na imprensa que se Lula concorresse hoje a presidente, perderia.
Conectados online pelas mídias sociais no exato momento em que estão se manifestando em todo o país, os manifestantes transmitem uns para os outros o que se passa nas diferentes cidades, fazendo com essas palavras de ordem se espalhem como rastilho de pólvora pelo país.
Para completar, essa semana o Clube Militar se manifestou abertamente a favor do impeachment, e, portanto, contra a intervenção militar, puxando o tapete da minoria militarista que se infiltrou nas manifestações de março para dividir e tumultuar a luta pelo impeachment.
O cerco à Dilma, Lula e o PT vai se fechando. Não existe, na história, registro de que um exército mercenário remunerado com pão, mortadela e tubaína, possa vencer uma multidão de cidadãos livres lutando para viver num país livre e descente. O povo brasileiro está tomando as rédeas do seu destino.
http://professorpaulomoura.com.br/como-levar-mais-povo-as-ruas-em-124/
PROLETÁRIOS, A GRANDE CAUSA DO ATRASO - 25/03/2015
Você quer que o proletariado se integre à vida econômica e social? Não o entregue aos cuidados de quem precisa dele exatamente como está. Leia com atenção este artigo do Prof. Dr. Luis Milman.
Desde a década de 80, o Partido dos Trabalhadores, mais especificamente o lulopetismo , estimulou sempre a ascensão do proletariado à cena política de ponta, tutelando-o, estimulando-o, tornando-o agente, ainda que dependente do partido, de transformações na sociedade brasileira. Os métodos de cooptação são conhecidos; distribuição de bolsas-família pelo governo, atendimento popular feito por médicos cubanos, programas de assentamento para sem terra, financiamento para casas populares nas periferias, entre outros. Por essa razão, é importante considerar, no plano da análise sociológica, as implicações desta ascensão para a nação nos últimos 30 anos. Ao contrário do que apregoa o esquerdismo de frases feitas, derivado do Manifesto Comunista de Marx e Engels, o crescimento do proletariado e da sua ideologia é corrosivo, do ponto de vista civilizacional.
A economia de subsídios para os proletários não retira deles a sua condição de párias. Convém lembrar que as palavras “prolertariado” e “´proletário” vêm-nos dos tempos romanos e não dos tempos de Marx. Na acepção romana, um "proletarium" era um homem que não contribuía para a comunidade política com nada, a não ser com a própria prole. Uma tal criatura não pagava impostos (porque não tinha renda suficiente), vivia às custas do público, não cumpria deveres cívicos, não fazia nenhum trabalho digno de menção e não conhecia o significado da solidariedade social ou da piedade. Como massa, os proletários coletivos, o proletariado, são formidáveis; exigem certos direitos – em tempos antigos, pão e circo; em nossos dias, direitos muito mais amplos, que lhes são concedidos para evitar que se tornem violentos como coletividade. Ao Estado, repito, o proletário contribui apenas com os filhos – que, por sua vez, quase sempre viram proletários. Ocioso, ignorante e muitas vezes criminoso, o proletariado pode arruinar uma nação. O que Arnold J. Toynbbe (1889-1975), em "A Study of History – Volume V: Desintegration of Civilization", Parte 1, chamava de “proletariado interno”, arrassou dessa maneira, a civilização romana de mil anos; os invasores bárbaros, o proletariado “externo”, apenas irromperam pelo frágil casco de uma cultura que já havia sangrado até a morte. Karl Marx, o duro inimigo do patrimônio da civilização moderna, conclamou o proletariado moderno a se levantar e a verter sangue em grande escala. O Manifesto do Partido Comunista, de 1848, conclui com as seguintes palavras: 'Os comunistas recusam-se a ocultar suas opiniões e intenções. Declaram abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados com a derrubada violenta de toda a ordem social até aqui existente. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista. Os proletários nada tem a perder nela a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todo o mundo, uni-vos'. Triunfantes no Império Russo após a Primeira Guerra Mundial, na Europa Oriental e tantas outras regiões do mundo pouco depois da Segunda Guerra Mundial, os discípulos ideológicos de Marx instalaram no poder proletários brutais, como Lênin, Stálin, Mao Tse Tung e Fidel Castro, onde se mostraram tão impiedosos quanto estúpidos. As carnificinas, os genocídios e o terror que implantaram quando chegaram ao poder estão relatados nos livros de Stephanie Courtois ET. Al, " O Livro Negro do Comunismo: Crimes , Terror e Repressão" (1999), e de Paul Johnson, "Tempos Modernos: O Mundos dos anos 20 Aos 80 (1999)". Em nossos dias, no Brasil, o proletariado não possui apenas os meios de intimidação por meio da violência; ele tem mais efetivamente o poder da urna eleitoral. Nossos hunos e vândalos têm sido engendrados dentro de nosso País por subsídios estatais e nossas ominosas instituições educacionais e culturais. Ora, no Brasil de hoje, a quem nos referimos quando falamos de um proletariado, de uma classe desenraizada e descontente, que é um ônus para a comunidade política? Primeiro é necessário especificar os grupos que não podemos enquadrar nesta categoria social. O proletariado não é idêntico aos “pobres”. Embora a maioria dos proletários seja pobre, um homem pode ser rico e, ainda assim, proletário, se não for nada mais que uma vergonha para a comunidade política, e se tiver a mentalidade de um proletário. Por outro lado, também há muitas pessoas de renda modesta, que recebem baixos salários e que, mesmo assim, possuem um caráter louvável e são bons cidadãos e, por isso, não se enquadrando na categoria social dos proletários. O proletário não é idêntico ao “trabalhador” – de fato, uma das características do proletário é não trabalhar voluntariamente. O proletário não é idêntico ao “recebedor de auxílio social”, ainda que a vasta maioria dos proletários esteja na lista dos beneficiários deste auxílio. Logicamente, entre aqueles que recebem bolsas e auxílios locais, estaduais e federais, encontramos vários idosos, enfermos, ou pessoas afligidas por algum outro mal, que, contudo, não são tão desventurados a ponto de compartilhar da mentalidade e da moralidade proletária. O proletário não é idêntico ao homem negro que habita os bairros pobres dos centros urbanos. Parece que mais da metade dos proletários brasileiros são brancos e a outra metade gente negra, embora isto signifique, obviamente, que a proporção dos proletários entre a população negra do Brasil seja consideravelmente mais alta do que a proporção de proletários brancos. A população proletária não é apenas a população urbana. Cada vez mais a, a condição de vida proletária se expande até mesmo para remotos distritos rurais. Mesmo em longínquas pequenas cidade do interior, como Vicente Dutra e Panambi, no, Rio Grande do Sul, lúgubres ajuntamentos de casebres em decomposição circundam as ruelas que se projetam da praça central. Por lá, a taxa de crimes, especialmente a venda de drogas, a violência contra as mulheres, os homicídios e os latrocínios crescem a cada ano devido a presença de estratos já significativos de proletários nestas cidades. O proletariado, em suma, é uma massa desenraizada de pessoas, originada de deslocamentos populacionais sucessivos, que perdeu – se é que alguma vez possuiu – a comunidade, a esperança de melhora, as convicções morais, os hábitos de trabalho, o senso de responsabilidade pessoal, a curiosidade intelectual, a participação em uma família saudável, a propriedade, a participação ativa nos assuntos públicos, nas associações religiosas e a consciência de fins e objetivos da existência humana. A maioria dos proletários vive dia após dia, sem refletir. Em tempos de declínio na produção industrial e crise econômica, o proletariado moderno se vê quase sem dinheiro, com pouco trabalho desqualificado disponível e, invariavelmente, numa confusão social e moral. O divórcio, o abandono de esposas e de crianças e o crime endêmico tornam-se mais comuns, assim como o surgimento de pseudofamílias monoparentais, fazendo com que estados democráticos controlados por uma casta política de socialistas, como o Brasil, ativem programas assistenciais extremamente dispendiosos para atender suas demandas. Nosso panorama de políticas públicas é dominado pelo assistencialismo, via benefícios governamentais em grande escala. Ao mesmo tempo, o tecido dos costumes e o sistema educacional públicos se degradam pela ideologização esquerdista e permissiva. As esquinas das grandes cidades são dominadas por guangues de jovens sem futuro, entendiados e ociosos, que adotam como exemplos paternos o dono de bordel, o extorsonário e o traficante de drogas. Se pensarmos nos estados totalitários, ao longo da nossa mais recente história (século XX), constatamos que estes atacaram o problema da desagregação social que está na origem da ascensão do proletariado, com violência revolucionária interna ilimitada, guerras, reformas coletivistas desastrosas e deslocamentos populacionais forçados, gerando miséria generalizada, fome e instituindo o domínio do cotidiano da sociedade por gangues de criminosos com função policial, a serviço do estado. Cuba e Coréia do Norte, onde dinastias comunistas se perpetuam no poder e os níveis de pobreza e ignorância são aterradores, são os países que ainda hoje representam a assunção ao poder da mentalidade proletária; e a Venezuela é o exemplo mais recente do que a proletarização da política, com a correlata assunção de tiranos demagogos ao poder, é capaz de acarretar para uma nação. Passo a analisar um ponto importante No Brasil, ainda são precárias as estatísticas sobre o consumo de álcool e drogas pelos trabalhadores da indústria, mas estima-se, com base em pesquisas realizadas nos EUA, Canadá e Europa, que mais de 30 por cento encontram-se num nível de “debilitação” ou vivem perigosamente sob a influência de narcóticos e álcool, sendo que no setor de serviços a estimativa é de que este número ultrapasse os 20 por cento. Um trabalhador italiano da indústria, por exemplo, que pertence ao grupo consumidor de substâncias psicoativas pode gastar até a metade de seu salário em cocaína, heroína, maconha e bebidas destiladas e, ainda assim, permanecer empregado. Em que proporção este diagnóstico se aplica ao trabalhador industrial brasileiro? Não sabemos ao certo, mas os números, por projeção, nos colocam diante de um quadro muito mais alarmante. E, pelo vigor com que são apregoadas e recepcionadas as doutrinas de tolerância à droga no Brasil, este trabalhador é, certamente, um proletário situado na fronteira do desemprego e da ruptura com todos os padrões morais.
Ele busca alucinógenos ou a estupefação de bebidas muito fortes porque não tem mais nenhum fim ou objetivo na vida. Ele e, provavelmente, sua prole na escola, constituem a ponta de uma cadeia de escala planetária do tráfico e distribuição de drogas, controlado por mafiosos mundiais e locais, associados muitas vezes a governos e a grupos políticos terroristas, que se financiam mutuamente. O vício em narcóticos, convém não esquecer, faz de pessoas com chances de sucesso no trabalho e no estudo, proletários vazios. E quando quase um terço da mão-de-obra industrial está viciada desta forma, por quanto tempo uma sociedade urbana, como nossas cidades, pode se manter coesa? O que dizer, então, dos estratos econômicos inferiores, ligados ao subemprego e à desqualificação profissional? Por quanto tempo os costumes, a moralidade pública, a busca pelo sucesso e o estímulo ao aprendizado, podem resistir à corrosão continuada promovida pelo arremedo de vida proletária, pela embriaguez e a drogadição , que multiplicam a mentalidade proletária nas novas formas de família precária, na espetacularização do gosto vulgar e pornográfico, que a indústria de massa explora, transformando os proletários em consumidores de uma cultura degradada?
É por isso que a contribuição dos proletários à vida pública e aos bons costumes civilizatórios é apenas destrutiva, Como na Roma antiga, eles geram filhos que serão iguais a eles e permanecem à margem de qualquer contribuição pública. Os proletários continuam a ser movidos pelo tédio, pelo pão e pelo circo. Na realidade, estão ligados ao crime e ao ódio à vida civilizada. A forma de enfrentar o problema, nas repúblicas constitucionais, cada vez mais ameaçadas pelo avanço destas hordas nas cidades pequenas e grandes, é a reforma moral radical no sistema de educação pública que, a longo prazo, poderia transformar estas massas destrutivas, paulatinamente, em potenciais cidadãos orgulhosos de suas capacidades, dos valores cívicos adquiridos e, assim, capazes de integrarem-se em redes de atividades produtivas. Mas em países como o nosso, dominados por uma inteligentsia revolucionária, que estimula, usa e financia a cultura proletária para fins ideológicos, é de se esperar que não venhamos a sair da situação dramática em que estamos, ao menos tão cedo. Somente a ação política destinada a recuperar a alta cultura, que foi banida da escola e da universidade, pode alterar este quadro. Esperemos que ela não venha tarde demais.
A CRISE É O PT - 24/03/2015
(Publicado originalmente em O Globo, 21/03/2015)
Diz-se que uma foto vale mais que mil palavras – e um símbolo mais que mil fotos. Uma das primeiras providências que Lula tomou, ao chegar à Presidência da República, foi mandar recortar na grama do jardim do Palácio da Alvorada uma imensa estrela do PT e pintá-la de vermelho.
Estavam ali simbolizados os valores que pautariam os sucessivos governos petistas. Governo e partido – pior: Estado e partido – passaram a ser uma coisa só, numa linha de raciocínio segundo a qual o que é bom para o PT é bom para o Brasil.
Portanto, apenas o PT – e ninguém mais – sabe o que é bom para o Brasil. Dentro dessa lógica, cabem todo o Mensalão, o Petrolão e outras caixas pretas ainda não vasculhadas (BNDES, Eletrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica etc.). O PT inventou a corrupção do bem – e a defende com ódio sincero.
Ainda que a estrela ajardinada tenha sido removida semanas depois, em face das críticas que provocou, seu simbolismo mostrou-se irremovível. “O Brasil é nosso”, dizem os petistas. Lula, no recente ato da ABI, bradou que “a Petrobras é nossa” – isto é, deles, que, com base nisso, a sugaram até a falência.
Num de seus inumeráveis arroubos de palanque, registrados no Youtube, Lula diz que só não descobriu o Brasil porque “não estava vivo naquela época”. Se estivesse, é o que se deduz, teria se antecipado a Pedro Álvares Cabral. Como não foi possível, joga ao lixo os 500 anos que o precederam e inaugura uma nova história.
Esse sentimento de posse em relação ao país e suas instituições explica a, digamos assim, dificuldade do PT em aceitar a alternância no poder. São capazes, nas palavras da candidata Dilma Roussef, de “fazer o diabo” para ganhar as eleições. E fizeram e ganharam, mas o “diabo” mandou a conta, que aí está.
A insistência com que o PT repete que venceu as eleições sugere que ele mesmo não está convencido disso. Venceu, mas como? Mediante compromissos que não está cumprindo e não terá como cumprir. Não só: venceu por estreita margem, que, numa pesquisa, indicaria empate técnico.
Não apenas os 51 milhões de eleitores de Aécio rejeitaram o PT. O que dizer dos 37 milhões que não votaram em nenhum dos dois? De que lado estão? Dilma não parece ter entendido que, na soma total, foi eleita por uma minoria – e mesmo esta acabou frustrada pelo descumprimento das promessas eleitorais.
Isso explica o fato de estar refém de vaias, manifestações e panelaços. Para se locomover, precisa acionar um vasto aparato de blindagem, que contrasta com o fato de estar no terceiro mês deste segundo mandato. O “Fora FHC”, acionado menos de um mês após a posse de Fernando Henrique - reeleito no primeiro turno, em 1999 -, não foi um grito das ruas.
Foi concebido por alguns aloprados do PT, sob o comando do então governador gaúcho Tarso Genro. Não prosperou exatamente porque faltou o grito das ruas. Agora, acontece o contrário: os tucanos se opõem ao “Fora Dilma”, enquanto as ruas bradam por ele. Que governador petista se disporia às vaias de sua base e do adversário – como aconteceu quinta-feira passada, em Goiânia, com o governador tucano Marcone Perillo – para defender a presidente em nome da tolerância política?
O sentimento petista de posse legítima e definitiva do país dificulta a negociação da crise. Documento interno vazado da Secretaria de Comunicação da Presidência da República recomenda que se invista nos blogs sujos – aqueles pagos com dinheiro público para difamar adversários – e nos “guerrilheiros” (sic) virtuais.
Rui Falcão, presidente do PT, pede punição às redes de TV, que, segundo ele, deram publicidade às manifestações do dia 15. Confunde notícia com publicidade: se a notícia é boa, é jornalismo; se é ruim, é publicidade golpista. Como não noticiar dois milhões de pessoas nas ruas do país contra o governo?
O fracasso das manifestações do partido no dia 13 indica que já não manda nas ruas. O “exército do Stédile” carece de mão de obra. Não bastam sanduíche de mortadela e cachê. Sem classe média – a mesma que levou o PT ao poder e hoje o abandona -, não há movimento nas ruas, não há revolução, não há nada.
Marx, Lênin, Stalin, Fidel Castro, Che Guevara eram todos de classe média. É onde se produz e se põe em cena a chamada massa crítica de qualquer sociedade, à direita ou à esquerda.
A “elite branca” – termo racista (e, portanto, criminoso) com que o PT busca satanizar a classe média e apostar na divisão do país – é responsável pela construção do PT, que não possui (nunca possuiu) um único negro em seu comando.
Lá estão os olhos azuis de Marta Suplicy, João Pedro Stédile, Guido Mantega, Gleisi Hoffmann, Renato Duque, entre outros. O mesmo partido que diz ter levado 20 milhões à classe média agora a abomina e discrimina racialmente.
Um partido nutrido nas elites acadêmicas de São Paulo tem tanta legitimidade para rejeitar a “elite branca” quanto para defender a Petrobras. E o resultado de tanta contradição para não “largar o osso” (vide Cid Gomes) é que o partido não vê saída para a crise – e por um motivo simples: ele próprio é a crise.
* Jornalista
O PT E A IMPRENSA 'SIMPÁTICA' - 23/03/2015
É sabido que a proposta do PT para "regulamentar a mídia" nada mais é do que a intenção de submeter a imprensa ao governo petista e ao próprio partido. Os petistas douram a pílula para convencer a opinião pública de que não se trata de uma forma de censura e, eventualmente, podem confundir os incautos. No entanto, quem ainda tiver alguma dúvida sobre qual é realmente o espírito que preside esse projeto do partido basta prestar atenção ao que disse o presidente da agremiação, Rui Falcão, em recente reunião com parlamentares do PT na Câmara: o caminho, sugeriu ele, é asfixiar os veículos de comunicação que ousarem portar-se com independência e espírito crítico em relação ao governo petista.
Segundo relatos de participantes do encontro, Falcão defendeu que o governo corte a verba de publicidade destinada a veículos de comunicação que, no seu entender, "apoiaram" e "convocaram" as manifestações populares do último dia 15. Para o presidente do PT, é necessária "uma nova política de anúncios para os veículos da grande mídia". Pode-se depreender que essa "nova política" seja, simplesmente, colocar anúncios do governo somente em jornais e emissoras de TV que sejam camaradas.
Para demonstrar a urgência de uma nova política de distribuição das verbas publicitárias, Falcão argumentou que o clima beligerante contra Dilma e o PT levou até mesmo a TV Record, segundo ele um veículo "simpático" ao governo, a participar da suposta mobilização nacional por parte da imprensa para incitar os protestos de rua - mas isso, disse Falcão, ocorreu somente em razão da "briga por audiência". O importante a se observar é que, ao mencionar a suposta existência de veículos "simpáticos", Falcão demarca o território em que o PT julga disputar a guerra da comunicação: há os amigos e os inimigos. Aos primeiros, tudo; aos segundos, a danação.
Falcão sugeriu que a estratégia usada até agora para enfrentar o que julga ser uma campanha orquestrada pela grande imprensa para desacreditar o partido e o governo não tem dado resultado. "Não se enganem. O monopólio da mídia não será quebrado apenas nas redes sociais. Isso é uma ilusão", disse o presidente petista, referindo-se à comunidade de blogueiros e ativistas digitais montada para defender o PT e agredir sistematicamente a imprensa livre.
Por um momento, os estrategistas do partido julgaram que a guerra da comunicação seria ganha no ambiente virtual. No entanto, como reconheceu um documento da Secretaria de Comunicação Social que criticou a política oficial de comunicação, "o governo e o PT passaram a só falar para si mesmos".
Mas o PT não perdeu espaço apenas nas redes sociais; parece ter perdido também as ruas, lugar onde reinava. Isso explica a aflição de Falcão e de seus companheiros. Como sempre acontece com aqueles que interpretam o mundo exclusivamente por meio da ideologia, e não da razão, os petistas atribuem esses reveses não aos erros que o partido e a presidente Dilma Rousseff cometeram, mas a uma grande conspiração das "elites" para derrubar o "governo popular".
Em flagrante estado de negação, Falcão atribuiu o enorme sucesso das manifestações do dia 15 "exclusivamente" ao suposto trabalho da "grande mídia" - responsável, segundo ele, por tirar as pessoas de casa e por inflar o número de participantes.
Com isso, o presidente do PT, bem como a maioria de seus pares, parece ter se convencido de que nada há de errado no País, que tudo vai às mil maravilhas e que, se não fosse a imprensa "golpista" a conclamar os brasileiros a se manifestar, a população não teria ido às ruas.
A receita petista para resolver esse problema é simples: tratar as verbas de publicidade do governo como se fossem do PT. O princípio da impessoalidade, que deve nortear qualquer administração pública - e está explicitamente inscrito na Constituição -, é estranho a um partido que se acredita proprietário do poder. Por enquanto, Dilma tem resistido aos insistentes apelos do PT para que submeta a imprensa aos desígnios autoritários do partido. Espera-se que seu enfraquecimento político não a faça capitular.
CÂMARA FARÁ AUDIÊNCIA SOBRE DOUTRINAÇÃO NAS ESCOLAS PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA - 20/03/2015
Há indícios de ventos de mudança por todo lugar. O brasileiro vai aos poucos despertando da longa sonolência, descobrindo que tem mais poder do que pensava, que pode reagir aos avanços dos bolivarianos, que é possível remar contra a maré vermelha. Pela primeira vez na história, a Câmara terá uma audiência para investigar a doutrinação ideológica nas escolas.
É um primeiro passo. Não sabemos o que vai sair de concreto disso, mas sem dúvida é uma notícia alvissareira. Miguel Nagib, da ONG Escola Sem Partido, celebra a notícia: “Modéstia à parte, acho que o trabalho do ESP tem muito a ver com isso. Essa audiência prepara o caminho para uma lei nacional contra a doutrinação. Foi o mais longe que nós já chegamos até agora”.
Não resta dúvida de que o árduo trabalho da ONG tem parte nisso. Indivíduos fazem a diferença. Por isso mesmo precisamos parar de só reclamar e arregaçar as mangas para agir. Cada um precisa fazer sua parte, mostrar-se vigilante, não permitir passivamente a doutrinação dos filhos nas escolas, mesmo as particulares, denunciar os “professores” que, em vez de ensinar sua matéria, preferem fazer proselitismo político e defender partidos corruptos.
Em sua coluna de hoje no GLOBO, Roberto DaMatta foi certeiro quando disse que chegou a hora do brasileiro comum. O que vimos no domingo foi uma multidão de gente da classe média com bandeiras verdes e amarelas, gritando que nossa bandeira não é vermelha. É exatamente isso: não aceitamos mais o socialismo, as ideologias empurradas goela abaixo de nossos filhos, pois somos brasileiros, não bolivarianos. Escreveu o antropólogo:
A nobreza das utopias — alimentar os famintos, vestir os nus, dar abrigo aos sem-teto — são as palavras magicas dessa cosmologia política pervertida, segundo a qual o governo, sabendo tudo e tudo possuindo, sabe mais e melhor do que a sociedade.
Mas eis que, depois uma década no poder, nada disso ocorre, exceto a utopia de enricar sem fazer nada — apenas governando e politicando: vendo onde, quando e quanto se pode tirar sem dolo, culpa ou remorso porque o dinheiro era do lucro e o lucro, como na Idade Média, é roubo e pecado. E quem rouba o ladrão tem mil anos de perdão…
Assusta, neste glorioso 15 de março, essas manifestações não encarnadas pelo falso vermelho, e marcadas pelo verde-amarelo. O verde-esperança e o ouro sem mácula que pintam o coração de milhares de brasileiros. Esses cidadãos comuns. Essa gente miúda. Esse povinho sem ideologia ou utopia, mas com a moralidade, apesar de tudo, intacta!
A utopia marxista serviu, até hoje e em todos os lugares, apenas para espalhar um mar de miséria e muita escravidão, enriquecendo os governantes enquanto isso. Não aceitaremos mais que militantes disfarçados de professores tentem praticar lavagem cerebral em nossos filhos. O ensino público é essa desgraça em boa parte pela substituição do aprendizado objetivo pela disseminação de ideologia vermelha nas salas de aula. Desde escolas até universidades.
Que os deputados saibam que estamos atentos, que acompanharemos o andar dessa comissão, que estamos cansados de tanta doutrinação e, como cidadãos comuns, desejamos apenas um melhor ensino público, onde nossos filhos aprendam a ler e a escrever direito, a fazer contas, e não que o socialismo é uma maravilha e o capitalismo o grande mal da humanidade. Chega de tanta doutrinação!
Rodrigo Constantino
DILMA OU O BRASIL, QUEM QUEBRA PRIMEIRO? - 20/03/2015
O cientista político Francisco Ferraz, meu ex-professor de mestrado, responsável pelos conhecimentos teóricos mais importantes que adquiri sobre política, em sua análise sobre a hegemonia do Estado sobre a sociedade e o mercado na formação histórica do Brasil, afirma que as nações, assim como os indivíduos, possuem uma espécie de “personalidade”. Nos indivíduos, a personalidade, o caráter e a índole, resultam da soma da herança genética e das influências recebidas do meio social durante a vida. Nos países, essa “personalidade”, ou matriz estrutural, com ele a define, resulta dos ingredientes fundacionais da nação, agregadas às experiências decorrentes do processo histórico em seu ciclo evolutivo.
O conceito de Patrimonialismo, que alguns dos mais importantes pensadores políticos brasileiros tomaram emprestado de Max Weber, é atualizado pelo enfoque de Ferraz como sendo o que ele define por “paradigma do Estado hegemônico”. Em síntese, essa perspectiva da análise da formação política do Brasil trata de precedência e da proeminência do Estado sobre a sociedade e o mercado.
Em sua análise, Ferraz trata de um intrigante paradoxo entre a formação histórica dos EUA e do Brasil. Duas nações continentais, descobertas na mesma época, formadas por colonização multiétnica, com suas independências declaradas em período próximo e, no entanto, com processos fundacionais, trajetórias e resultados praticamente opostos.
Nos EUA, a sociedade e o mercado deram origem ao Estado. Indivíduos empreendedores construíram propriedades produtivas, comunidades e instituições antes de se formar a União. A independência dos EUA nasceu de uma guerra colonial contra o Império Britânico. A federação nasceu como opção dos estados que deliberaram em plebiscito de suas populações a decisão de converterem-se em Estados Unidos. O fim da escravidão e o salto da sociedade agrária para a sociedade industrial decorreu de uma guerra civil. Os indivíduos organizados em empresas e instituições civis constituíram a força motriz da nação. A sociedade e o mercado são mais fortes que o Estado. A riqueza é percebida com algo que se cria pelo trabalho e pelo mérito. Os saltos do desenvolvimento social e econômico decorrem da força e do protagonismo dos indivíduos, da sociedade e do mercado.
No Brasil os portugueses, criadores de um dos estados mercantilistas mais poderosos do século XVI, dizimaram os nativos, fundaram o Estado e esquadrinharam nosso território em capitanias hereditárias, que fracassaram porque não havia sociedade ou mercado por debaixo dessas estruturas. Indivíduos aboletaram-se nos cargos públicos, usando-os com se propriedade privada fossem, para usarem suas posições políticas como alavancas para o enriquecimento pessoal. A independência foi protagonizada pelo filho do rei colonizador, a pedido, antes que os colonizados o fizessem. O fim da escravidão foi concessão de uma princesa. O estamento dos controladores do Estado é protagonista do processo social e político. A passagem do Império à República resultou do primeiro de muitos golpes de Estado. O Estado é mais forte que a sociedade e o mercado. A riqueza é percebida como algo que se tira da natureza, do Estado ou dos outros. Os saltos de modernização social e econômica são protagonizados pelo Estado (Getúlio, JK, Regime de 1964).
Segundo Ferraz, características fundacionais e experiências históricas como essas que conformam as matrizes estruturais dos EUA e do Brasil, não mudam facilmente. Assim com os indivíduos só mudam radicalmente sua conduta e modo de perceber a vida após sofrerem traumas profundos, as nações também precisam viver seus traumas para mudarem seus paradigmas estruturantes.
Assim, os EUA somente adentraram a sociedade industrial após a guerra da sesseção. A Alemanha se industrializou e modernizou após perder duas guerras e viver a crise da hiperinflação no entre guerras. O Japão após levar duas bombas atômicas sobre sua população civil. A Coréia do Sul após sua guerra contra os comunistas. E, mesmo a Rússia e a China, se modernizaram e entraram na era industrial sob os auspícios do Estado Comunista, após passarem por suas revoluções.
Observe-se que a primeira tentativa de ruptura do paradigma do Estado hegemônico no Brasil foi protagonizada por Collor nos anos 1990, após os ventos liberais que sopraram do norte a partir das experiências de Thatcher e Reagan nos anos 1980. Alimentado pela influência das ideias de José Guilherme Merchior, um dos mais brilhantes liberais brasileiros, o intrépido coronel alagoano imaginou que derrotaria 500 anos de patrimonialismo com um único golpe de jiu jitso (Ippon) e apoiado por um partido com apenas 16 deputados federais, a partir de sua iniciativa individual como presidente eleito.
Collor começou a abrir nossa economia forçando empresários que o haviam financiado a competir com o mercado global num território que antes era reserva de mercado. Em seguida, fechou estatais na canetada e mandou funcionários públicos para casa sem gratificação. Negava-se a conceder 147% de reajuste aos aposentados. Reatou relações com o mercado financeiro internacional e voltou a pagar nossas dívidas. Suspendeu o programa nuclear militar brasileiro. Fechou as portas do governo para os partidos tradicionais compondo ministério sem nenhum deles. Pretendia comprar a falida rede Manchete para criar uma rede de TV para competir com a Rede Globo. Collor não era um liberal, pois se o fosse não teria confiscado a poupança dos brasileiros. Seguiu as orientações programáticas de Merchior, mas não tinha formação intelectual e nem um estrategista com quem se orientar. Foi derrubado num Ippon, não por causa de uma Fiat Elba, mas porque contrariou muitos e poderosos interesses ao mesmo tempo.
FHC, contido por Mário Covas, por muito pouco escapou de ser ministro de Collor. Conhecedor dos textos sobre o patrimonialismo no Brasil e observador da aventura collorida, o sociólogo tucano tentou retomar a experiência de modernização econômica do Brasil pelo caminho da menor resistência. Ao perceber a oposição do parlamento ao seu projeto de Reforma da Previdência, retirou-o da pauta do Congresso, substituindo-o pela reforma do capítulo da Ordem Econômica da Constituição. Surfando a onda boa dos ganhos econômicos do Plano Real, e sustentado pela opinião pública, aprovou, entre fevereiro e junho de 1995, todas as reformas constitucionais que quis, com maioria de 3/5 nas duas casas legislativas.
Como se pode ver, após o impeachment de Collor, não adveio o caos, como protagonizam os defensores enrustidos da perpetuação do petismo no poder ante a defesa do impeachment de Dilma. Ao contrário, criou-se, assim, o mais consistente período de prosperidade econômica e democracia que o país já experimentou.
Mas, FHC não é um liberal e nem o PSDB um partido de direita como querem fazer crer os petistas. Após reformar a Ordem Econômica e dar novo impulso à modernização da economia, era chegada a hora de reformar o Estado e a Ordem Política e deslocar o estamento que controla o Estado de suas posições de poder, abrindo as portas para o protagonismo da sociedade e do mercado. Reformar a Previdência, privatizar a Petrobrás e os bancos públicos, completar a privatização do setor elétrico, introduzir a meritocracia no setor público, reduzir o tamanho do Estado e aumentar sua eficiência, reduzir a carga tributária, etc. Essa seria a agenda liberal.
No entanto, FHC decidiu que havia uma mudança constitucional mais prioritária do que a agenda das reformas estruturais. Alegando que precisaria de mais um mandato para cumprir a missão, o tucano gastou todo seu capital político para, somente em dezembro de 1997, aprovar a emenda da reeleição no Congresso, à custa de enorme desgaste político e precisando elevar a carga tributária e a taxa de juros para financiar o Estado balofo. Reeleito, em janeiro de 1999 liberou a flutuação cambial provocando uma desvalorização de 40% do real frente ao dólar. Com isso, perdeu apoio popular, perdeu a força para fazer as reformas e pavimentou a chegada do lulopetismo ao poder.
A destruição dos fundamentos do Plano Real começou já no segundo mandato de Lula, com o ingresso de Mantega no Ministério da Fazenda, e completou-se com a remoção de Henrique Meireles do BC e sua substituição pelo submisso Tombini, sob comando da “economista” Dilma Roussef.
A presidente Dilma Rousseff teve sua personalidade forjada sob condições excepcionais. Na juventude, assaltou bancos, sequestrou, foi presa e torturada e, até onde se saiba, resistiu à tortura sem entregar seus camaradas. Ninguém passa impune por experiências como essas. Dilma está arrasada, com o semblante crispado, olheiras profundas e novas e recentes rugas, evidentes mesmo sob toneladas de maquiagem. Mesmo assim, não dá o braço a torcer, não admite erros, e semana passada fez o impensável para qualquer petista: peitou Lula aos gritos negando-se a submeter-se ao seu criador. Nesse traço de sua personalidade reside o descrédito de muitos analistas sobre a sinceridade de Dilma nas suas convicções sobre a necessidade do ajuste fiscal de Levy.
Pois bem, até o advento dos governos do PT, e em especial desse segundo mandato de Dilma Roussef, nunca na história da nação brasileira viveu-se a iminência de uma crise tão profunda como essa que se anuncia no início do décimo terceiro ano de petismo no poder, o quinto do reinado de Dilma.
Seria esta a crise traumática de que nos fala Ferraz em sua análise, e que nunca antes se apresentou na história do gigante eternamente deitado em berço esplêndido?
Quem quebrará primeiro, Dilma ou o Brasil?
O CAMINHO PARA O IMPEACHMENT - 14/03/2015
Na mesma proporção em que cresce nas ruas o apoio ao impeachment de Dilma, começam a proliferar nos jornais, argumentos de gente de oposição afirmando que o impeachment não se aplica ao caso da Dilma, ou que, por diversas razões jurídicas (não há provas) ou políticas (é difícil obter 2/3 de votos no Congresso) o processo não é viável. Já os defensores da intervenção militar afirmam que são contra o impeachment por não adiantar substituir Dilma, e que só a volta dos militares possibilitaria a faxina nas instituições, destituindo e prendendo todos os políticos corruptos.
Nosso intuito aqui é combater esses argumentos e afirmar, que sim, o impeachment se aplica ao caso de Dilma, que é possível aplicá-lo e que ele é a solução adequada ao caso. Antes de mais nada é preciso reafirmar que um processo de impeachment é um processo político e não jurídico, embora seu ritual seja acompanhado de alguns requisitos análogos aos processos judiciais.
Para que um processo de impeachment seja instaurado e levado a cabo, é preciso, em primeiro lugar, que existam condições políticas. E o primeiro pré-requisito é o clamor popular. Dia 15 de março comprovará, com multidões nas ruas, que o clamor popular existe e é crescente. Essa será a primeira de uma longa jornada de manifestações que aquecerão o caldeirão da opinião pública até o Congresso até se dobrar à vontade das ruas.
Em segundo lugar, é preciso que as elites políticas da nação concluam que Dilma não tem mais condições de governar e entrem em acordo em torno da decisão de remover a petista do poder pela via democrática, como ocorreu com Collor. Conversas e acordos entre líderes das Forças Armadas, líderes dos principais partidos, líderes empresariais, líderes religiosos e de organizações socialmente relevantes devem preceder à decisão coletiva de instaurar o processo de impeachment.
Feito isso, é preciso ir aos fundamentos jurídicos do processo em busca dos argumentos que serão esgrimidos para legitimar a cassação de Dilma obedecendo o que a lei prevê para casos como esse. Os que dizem que o impeachment não se aplica difundem a falsa afirmação de que não haveria provas contra Dilma, dando a entender que ela teria que ser flagrada roubando para ter o mandato cassado.
O jurista Ives Gandra Martins já demonstrou quais são os fundamentos jurídicos e legais que legitimam a remoção de Dilma do cargo. A prevaricação, decorrente da omissão de Dilma em tomar as decisões necessárias no tempo certo para remover a diretoria da Petrobrás já seria suficiente motivo para o impeachment, isso, mesmo considerando o argumento de Janot para retirar Dilma das investigações judiciais.
Observe-se que a citação de Dilma e Lula pelos delatores premiados permite à CPI da Petrobrás trazer ambos para dentro das investigações parlamentares, já que o Procurador Geral da República se negou a indiciar Dilma, alegando a lei que impede investigar um presidente no cargo por atos anteriores ao mandato em curso. No entanto, não obstante essa lei, se Dilma se elegeu em 2010 financiada com dinheiro roubado da Petrobrás, seu primeiro mandato foi ilegítimo, ao mesmo tempo em que serviu se suporte para a conquista do mandato atual.
Tendo sido a primeira eleição de Dilma financiada com dinheiro roubado, nada impede que a CPI da Petrobrás investigue o financiamento da eleição de Dilma em 2014. Considerando-se que o assalto à Petrobrás transcorreu sem constrangimentos enquanto tramitava o processo do Mensalão, há sobradas razões para se acreditar que esquemas similares sigam em curso em outras estatais, bancos e órgãos públicos. No mínimo, o povo brasileiro tem direito à investigação sobre os financiamentos do BNDES, as contratações do setor elétrico, as concessões de rodovias, portos e aeroportos, as compras do Ministério da Saúde (lembremos da compra de Viagra). Enfim, queremos faxina completa.
Como se pode ver, ante a estranha resistência de Janot para investigar Dilma, não obstante as citações dela na delação premiada, a CPI da Petrobrás é o lugar adequado para levar adiante a busca de elementos que encorpem a fundamentação jurídica e política do impeachment. Para entender como funciona o impeachment, leia aqui: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/os-seis-passos-de-um-processo-de-impeachment?utm_source=redesabril_veja&utm_medium=facebook&utm_campaign=VEJA.
Isso é possível? Os políticos estariam dispostos a fazer? Cremos que não se trata apenas de disposição, mas de uma necessidade vital para o PMDB. Renan Calheiros, Eduardo Cunha e o clã Sarney foram feridos de morte por sua cumplicidade com o PT. Impõem-se a eles usar suas posições no Congresso como arma para pressionar politicamente o governo e o Procurador Geral da República e para condicionar o curso das investigações, já que atribuem sua inclusão na lista de indiciados à mão nem tão invisível do PT. É sabido, também, que Janot quer ser reconduzido ao cargo e que isso passa por uma decisão de Dilma e pela aprovação do Senado.
Destruir o PMDB e desalojá-lo da posição de poder que desfruta no jogo político brasileiro é requisito estratégico do projeto hegemonista do PT, cuja meta é a perpetuação dos petistas no poder. Aliás, isso vale, também, para os demais partidos da base alugada. Portanto, esses partidos estão vivendo momentos decisivos de uma luta de vida ou morte contra o PT. E a CPI da Petrobrás é o palco central do teatro dessa guerra. Levar Dilma e Lula para os holofotes da CPI é, portanto, requisito fundamental para matar politicamente quem quer matá-los para a vida política.
Dilma está isolada até mesmo dentro do PT. A presidente é criticada em público por Lula e combatida pelo grupo majoritário do PT. Seus índices de desaprovação nas pesquisas mostram que ela está sem apoio inclusive de parcelas das bases sociais do petismo. Dilma está emocionalmente abalada e não consegue esconder isso de seu semblante, mesmo debaixo de toneladas de maquiagem. Dilma perdeu, como diria Marx, a capacidade de decidir com base na “análise concreta da realidade concreta”. Decide sozinha ou ouvindo Mercadante, e erra insistentemente, agravando sua já difícil situação.
Fruto do ajuste fiscal que precisa pôr em prática, Dilma é e seguirá sendo a causadora de uma crise econômica que se arrastará pelos próximos meses pareada com a crise política protagonizada pelas investigações do juiz Sérgio Moro e a CPI da Petrobrás, essa última condicionada pelas circunstâncias antes descritas.
Mas não é só Dilma que está tonta. O PSDB, um partido de tucanos criados em cativeiro, está assustado e não sabe lidar com o povo nas ruas. Seus próceres passaram a semana ziguezagueando aos olhos da opinião pública, sem saber se vão às ruas ou ficam em casa lendo a revista Caras em busca das suas fotos nas colunas sociais. FHC, o tucano mor, permitiu-se jogar um balde de água fria sobre o povo que vai às ruas dia 15, ao condenar o impeachment às vésperas da megamanifestação. O povo, portanto, já sabe que não pode contar com o PSDB. Para forçar os tucanos a descerem do poleiro e saírem da gaiola para apoiar o impeachment, só há uma solução: povo na rua! A perspectiva de aprovação do impeachment, portanto, passa pelas manifestações massivas de rua, e pelas decisões da cúpula do PMDB na condução da CPI da Petrobrás.
Outro obstáculo a ser removido para viabilização do impeachment é o argumento dos defensores da intervenção militar. As militaristas dizem que de nada adianta remover Dilma do cargo, pois ela será substituída por outro político dos partidos envolvidos em corrupção, e que só a intervenção militar permitiria fazer-se uma faxina completa nas instituições políticas nacionais. Alegam ser a intervenção militar constitucional, e que os militares ficariam pouco tempo no poder, convocando novas eleições logo em seguida à limpeza do sistema político dos corruptos que o dominam.
Com a onda de insatisfação crescente na sociedade e nas mídias sociais, muita gente jovem e desinformada aderiu à mobilização real e virtual comprando sem um olhar crítico esses argumentos tão simplistas quanto enganadores.
A primeira coisa que todos precisam fazer é ler o artigo 142 da Constituição. Lá está escrito que a intervenção militar só é constitucional se ela for convocada por um Chefe de Poder. Ou seja, se Dilma, Renan Calheiros, Eduardo Cunha ou Levandovski não convocarem os militares a intervir, a intervenção não será constitucional. Portanto, ou os militaristas são ingênuos para imaginar que Dilma, Calheiros, Cunha e Levandovski convocariam os militares para destituí-los do poder e levar a si mesmos para a cadeia, ou estão mal intencionados. Isto é, estão manipulando setores da opinião pública para darem sustentação a um golpe militar inconstitucional.
Em segundo lugar, há investigações em curso conduzidas pela Justiça, pelo Ministério Público, pela Política Federal e para CPI da Petrobrás. Dezenas de políticos já foram indiciados, apenas pelos delatores ligados ao PP. Novas listas decorrentes dos delatores do esquema do PT e do PMDB deverão ser enviadas do Procurador Geral da República, elevando o número de investigados para a casa das centenas. Michel Temer, Calheiros e Cunha, que as pessoas legitimamente querem ver fora do poder, também podem ser cassados em função de seu envolvimento nas investigações políticas e/ou policiais.
O rito investigatório e processual leva tempo, mas, é assim mesmo que deve ser para que se obedeça o que lei prevê numa democracia. A pressão popular persistente nas ruas é fundamental para impedir que o Procurador Geral da República e a cúpula do Judiciário se dobrem às pressões dos políticos para livrar todo mundo da devida punição. Assim, o que a intervenção militar pode causar é, isto sim, uma ruptura no rito legal das investigações em curso, possibilitando aos indiciados uma porta de saída, ou, então, o risco de que pessoas sejam punidas sem provas e investigações, coisa que somente se vê em ditaduras com a da Venezuela, por exemplo.
Por fim, convém lembrar, que os militares que tomaram o poder em 1964 anunciaram a pretensão de permanecer no governo por um ano apenas. Ficaram vinte anos no governo, suprimindo as liberdades democráticas e entregando ao povo um país endividado e mergulhado na hiperinflação. E de nada adiantou, pois, com a volta de democracia a esquerda retornou ao poder pelo voto, depois de vinte anos conquistando corações e mentes da juventude ao longo dos anos 1980 e 1990. Além, disso, as Forças Armadas passaram a ter sua imagem manchada pela pecha do autoritarismo, do golpismo e do uso da violência, num desgaste que somente agora começa a ser revertido.
A esquerda deve ser derrotada politicamente, no terreno das ideias e dos valores morais. As pessoas precisam ser convencidas com argumentos racionais de que o socialismo e o comunismo, assim como seus gêmeos siameses, o fascismo e o nazismo, não são ideologias generosas e justas como profetizam, mas sim, que produziram o assassinato de milhões, a miséria do povo e ditaduras em todas as sociedades onde seus defensores chegaram ao poder. Não adianta prender, torturar e matar os esquerdistas. Se queremos viver em sociedades livres e democráticas, precisamos, repito, derrotar suas ideologias com argumentos lógicos e compreensíveis ao cidadão comum.
Isso leva tempo e dá trabalho, mas é assim que as sociedades livres evoluem construindo a maturidade política da cidadania com educação e luta política dentro dos marcos legais da democracia. Não há atalhos.
Estamos diante de uma chance histórica e rara. A Venezuela, a Argentina e, agora o Brasil, nos oferecem a oportunidade preciosa de mostrar ao povo, com exemplos práticos, visíveis e compreensíveis, os danos políticos e econômicos que as ideias socialistas geram quando chegam ao poder e são postas em prática.
Interromper o processo democrático pela via de um golpe militar e abandonar a chance histórica de derrotar a esquerda e seus ícones, de desmascarar Lula aos olhos do povo e de convencer as pessoas que não se deve votar em gente assim, para repetir 1964 e daqui alguns anos ver Lula voltar ao poder como mártir da causa, seria um erro grave cujo preço não temos o direito de pagar. Os petistas sabem disso e estão desesperados. Defender a intervenção militar nesse momento, é tudo o que a esquerda quer para desmoralizar a mobilização democrática do povo pelo impeachment.
http://professorpaulomoura.com.br/o-caminho-para-o-impeachment/
SOU DA ELITE - 13/03/2015
Sempre que faço críticas ao PT, alguém me chama de elitista. E é verdade. Sou da elite que acorda às cinco da manhã e dorme depois das dez, trabalhando o dia inteiro. Pertenço à elite que vai de ônibus para o serviço, porque nunca aprendeu a dirigir. Sou da elite que come arroz e feijão todos os dias. Que conversa com os porteiros. Que lava a louça depois do jantar. Que assiste desenho da Peppa com o filho.
Sou daquela elite golpista e pernóstica chamada classe média, que faz das tripas coração para evitar o vermelho no banco. Elite que paga contas cada vez mais altas de água, luz, educação, saúde, condomínio. Elite que luta para não se afogar em impostos e taxas. Elite que se espanta com os aumentos de preços no supermercado, no sacolão, na padaria, no shopping, no restaurante. Que os companheiros me desculpem, mas continuo preocupado com a situação do País. Um elitismo incorrigível da minha parte!
Sou da elite que guardaria dinheiro na poupança – se tivesse dinheiro. Elite que anda pelo Calçadão diariamente, que já comeu muito pastel na feira, que não vive sem tomar uma cervejinha sexta-feira no bar do japonês.
Um de meus mais irritantes hábitos elitistas é percorrer os sebos da cidade atrás de livros que jamais encontro. Mas acabo achando outros livros e os levo para casa – meio escondido da mulher, porque já não há mais espaço nas estantes.
Estou entre os 88% de londrinenses elitistas que desaprovam o governo Dilma. Sou da elite que neste domingo vai sair às ruas contra a corrupção e a incompetência dos companheiros. Sou daqueles reacionários imperdoáveis que ainda acreditam em coisas antiquadas como moralidade, receitas e despesas, economia de mercado, liberdade de expressão, respeito à vida humana.
O pior, no entanto, é ser um elitista cristão. Escandaloso! Faço parte da elite que acredita em Deus, lê a Bíblia, vai à missa todos os domingos e reza o terço todos os dias. Só mesmo um burguês inimigo do povo para fazer isso. E agora vocês me dão licença, que eu vou brincar de sabre de luz com o Pedro. Gente fina é outra coisa.
http://www.jornaldelondrina.com.br/blogs/comoperdaodapalavra/
O EXÉRCITO DO MST NAS RUAS - 27/02/2015
GRAMSCI ÀS FAVAS
Ao disparar a frase NADA DEMOCRÁTICA, que define bem o seu compromisso -ditatorial-, do tipo que formou líderes comunistas, como Fidel Castro, Hugo Chávez e Nicolas Maduro, por exemplo, o ex-presidente Lula mandou às favas a Cartilha de Antonio Gramsci, que prega uma REVOLUÇÃO DOUTRINÁRIA, ao invés de uma LUTA ARMADA.
FORMA E PROPÓSITO
Confuso na forma, mas extremamente focado no propósito de manter o PT no Poder a qualquer custo (que as manifestações pró-impeachment da presidente Dilma, marcadas para o dia 15/03 em todo o país, estão ameaçando) Lula ainda foi enfático: -Em vez de ficarmos chorando, vamos defender o que é nosso. Defender a Petrobras (??) é defender a democracia e defender a democracia é defender a continuidade do desenvolvimento social nesse país.
POVO DESARMADO
Mesmo sabendo que a sociedade, totalmente DESARMADA, só está cansada de tanta roubalheira, principalmente na Petrobras (que Lula diz que é preciso defender), o ex-presidente não se fez de rogado e completou: - Nós sabemos brigar. Sobretudo quando Stédile colocar o exército dele (com armas de todo tipo e calibre) nas ruas.
ESPÍRITOS INCENDIADOS
Espero, sinceramente, que o povo brasileiro não se deixe levar por essa ameaça de Lula, que à base da força -prometida- pretende fazer com que os manifestantes repensem se devem ou não ir às ruas. O melhor de tudo é que Lula, com o seu pronunciamento nada democrático, tenha incendiado os espíritos dos indignados para que não esmoreçam.
QUADRO PREOCUPANTE
Como se vê, a economia não para e, portanto, não espera o Carnaval passar. Antes mesmo dos tambores calarem, os números já gritavam dizendo o quanto a situação do país é complicada e continuará complicada. Somando o que já era ruim com a paralisação causada pelos caminhoneiros, a mistura produz um quadro ainda mais preocupante.
INTERVENÇÃO
Como o governo tem viés comunista, a primeira promessa que fez aos caminhoneiros é que não vai mudar o preço do diesel nos próximos seis meses. Ora, quem é capaz e legítimo para alterar preço de qualquer bem ou serviço é o mercado. O nosso péssimo governo, passando por cima de tudo e de todos, diz que, independente do que acontecer com o preço do petróleo, vai manter o diesel como está. Pode?
0S SAQUEADORES DA LÓGICA - 27/02/2015
(Originalmente publicado em O Estado de São Paulo, 27/02/2015)
Se o PT pusesse fogo em Brasi´lia e algue´m protestasse, a resposta viria ra´pida: onde voce^ estava quando Nero incendiou Roma? Por que na~o protestou? Hipocrisia.
Com toda a pacie^ncia do mundo, voce^ escreve que ainda na~o era nascido, e pode ate´ defender uma ou outra tese sobre a importa^ncia histo´rica de Roma, manifestar simpatia pelos crista~os tornados bodes expiato´rios. Mas e´ inu´til.
Voce^ esta´ fazendo, exatamente, o que o governo espera. Ele joga migalhas de nonsense no ar para que todos se distraiam tentando cata´-las e integra´-las num campo inteligi´vel.
Vi muitas pessoas rindo da frase de Dilma que definiu a causa do esca^ndalo da Petrobra´s: a omissa~o do PSDB nos anos 1990. Nem o riso nem a indignac¸a~o parecem ter a mi´nima importa^ncia para o governo.
Depois de trucidar os valores do movimento democra´tico que os elegeu, os detentores do poder avanc¸aram sobre a li´ngua e arrematam mandando a lo´gica elementar para o espac¸o. A ta´tica se estende para o pro´prio campo de apoio. Protestar contra o dinheiro de Teodoro Obiang, da Guine´ Equatorial, no carnaval carioca e´ hipocrisia: afinal, as escolas de samba sempre foram financiadas pela contravenc¸a~o.
O intelectual da Guine´ Juan Toma´s A´vila Laurel escreveu uma carta aos cariocas dizendo que Obiang gastou no ensino me´dio e superior de seu pai´s, em dez anos, menos o que investiu na apologia da Beija-Flor. E conclui alertando os cariocas para a deme^ncia que foi o desfile do carnaval de 2015.
O pro´prio A´vila afirma que na~o ha´ nu´meros confia´veis na execuc¸a~o do orc¸amento da Guine´ Equatorial. Obiang na~o deixa espac¸o para esse tipo de comparac¸a~o. Tanto ele como Dilma, cada qual na sua esfera, constroem uma versa~o blindada a`s ana´lises, comparac¸o~es nume´ricas e ao pro´prio bom senso.
O mundo e´ um espac¸o de alegorias, truques e efeitos especiais. Nicola´s Maduro e Cristina Kirchner tambe´m constroem um universo pro´prio, impermea´vel. Se for questionado sobre uma determinada estrate´gia, Maduro podera´ dizer: um passarinho me contou. Cristina se afoga em 140 batidas do Twitter: um dia fala uma coisa, outro dia se desmente.
Numa intensidade menor do que na Guine´ Equatorial, em nossa Ame´rica as cabec¸as esta~o caindo. Um promotor morre, misteriosamente em Buenos Aires, o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, so´ e indefeso, e´ arrastado por um pelota~o da poli´cia poli´tica bolivariana.
Claro, e´ preciso denunciar, protestar, como fazem agora os argentinos e os venezuelanos. Mas a tarefa de escrever artigos, de argumentar racionalmente, parece-me, no Brasil de hoje, ta~o antiga como o ensino do latim ou o canto orfeo^nico.
Alguma evide^ncia, no entanto, pode e deve sair da narrativa dos pro´prios bandoleiros. Quase tudo o que sabemos, apesar do excelente trabalho da Poli´cia Federal, veio das delac¸o~es premiadas.
Alguns dos autores da trama esta~o dentro da cadeia. Na~o escrevem artigos, apenas mandam bilhetes indicando que podem falar o que sabem.
Ao mesmo tempo que rompe com a lo´gica elementar, o governo prepara sua defesa, organiza suas linhas e busca no fundo do colete um novo juiz do Supremo para aliviar sua carga punitiva. O relator Teori Zavascki, na pra´tica, foi bastante compreensivo, liberando Renato Duque, o u´nico que tinha vi´nculo direto com o PT.
Todas essas manobras e contramanobras ficara~o marcadas na histo´ria moderna do Brasil. Essa talvez seja a raza~o principal para continuar escrevendo.
Dilmas, Obiangs, Maduros e Kirchners podem delirar no seu mundo fanta´stico. Mas vai chegar para eles o dia do vamos ver, do acabou a brincadeira, a Quarta-Feira de Cinzas do deli´rio autorita´rio.
Nesse dia as pessoas, creio, tera~o alguma complace^ncia conosco que passamos todo esse tempo dizendo que dois e dois sa~o quatro. Constrangidos com a obviedade do nosso discurso, seguimos o nosso caminho lembrando que a opressa~o da Guine´ Equatorial e´ a histo´ria escondida no Sambo´dromo, que o esquema de corrupc¸a~o na Petrobra´s se tornou sistema´tico e vertical no governo petista.
Dilma voltou mais magra e diz que seu segredo foi fechar a boca. Talvez fosse melhor levar a ta´tica para o campo poli´tico. Melhor do que dizer bobagens, cometer atos falhos.
O u´ltimo foi confessar que nunca deixou de esconder seus projetos para ampliar o Imposto de Renda. Na Dinamarca (COP 15), foi um pouco mais longe, afirmando que o meio ambiente e´ um grande obsta´culo ao desenvolvimento.
O Pai´s oficial parece enlouquecer calmamente. E´ um pouco redundante lembrar todas as roubalheiras do governo. Ale´m de terem roubado tambe´m o espac¸o usual de argumentac¸a~o, voce^ tem de criticar politicamente algue´m que na~o e´ poli´tico, lembrar o papel de estadista a uma simples marionete de um partido e de um esquema de marketing.
O governo decidiu fugir para a frente. Olho em torno e vejo muitas pessoas que o apoiam assim mesmo. Chegam a admitir a roubalheira, mas preferem um governo de esquerda. A direita, argumentam, e´ roubalheira, mas com retrocesso social. Alguns dos que pensam assim sa~o intelectuais. Nem vou discutir a tese, apenas registrar sua grande dose de conformismo e resignac¸a~o.
Essa resignac¸a~o vai tornando o Pai´s estranho e inquietante, muito diferente dos sonhos de redemocratizac¸a~o. O rei do carnaval carioca e´ um ditador da Guine´ e temos de achar natural porque os bicheiros financiam algumas escolas de samba.
A ta´tica de definir como hipocrisia uma expectativa sincera sobre as possibilidades do Brasil e´ uma forma de queimar esperanc¸as. Algo como uma introjec¸a~o do preconceito colonial que nos condena a um papel secunda´rio.
Na~o compartilho a euforia de Darcy Ribeiro com uma exuberante civilizac¸a~o tropical. Entre ela e o atual colapso dos valores que o PT nos propo~e, certamente, existe um caminho a percorrer.
Artigo publicado no Estadão em 27/02/2015
CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2015 E REFORMA POLÍTICA. - 13/02/2015
A Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), com o texto-base da Campanha da Fraternidade de 2015 — com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45) –, confirma que é hoje extensão do Foro de São Paulo e, de modo especial, do PT, ao explicitar sua adesão e comprometimento com a revolução bolivariana em curso na América Latina e com uma reforma política plebiscitária que se volta contra a democracia representativa, propondo a sovietização no Brasil. A CF-2015 propõe a “radicalização da democracia”, corroendo-a em demagogia, pois a chamada “democracia direta”, como defende, é o instrumento anárquico para subverter a ordem jurídica e propiciar a implantação do socialismo em nosso País. O alinhamento ideológico da CNBB à esquerda e ao socialismo, como quer o Foro de São Paulo e o PT, é evidentíssimo e cada vez mais escancarado. O que antes se suspeitava, agora está mais do que comprovado. Os assessores da CNBB [intelectuais orgânicos, gramscianos], que tanto influem os bispos, sabem que paróquias e dioceses estão reféns desse “alinhamento” e de tais forças, e funcionam como tentáculos do grande polvo que se tornou a CNBB, a serviço dos interesses políticos do Foro de São Paulo e do PT.
Aos poucos, a sã doutrina moral e social da Igreja é esvaziada de seus conteúdos e substituída pela ideologia bolivariana, que quer implantar a “Pátria Grande” socialista, projeto este que vem sendo trabalhado há décadas e agora parece ter encontrado a conjuntura política favorável para isso, tendo em vista que bolivarianos transitam e dão as cartas com desenvoltura até mesmo no Vaticano. Aliás, o projeto da “Pátria Grande” já é mencionado no próprio Documento de Aparecida (2007), e com a reforma política bolivariana em curso hoje no Brasil (com a conivência, cumplicidade e apoio ostensivo da CNBB), prepara o País (na tática da rã cozida lentamente) a aceitar a revolução comunista travestida de democracia, com a retórica do apelo à “democracia direta”, para a subversão total da ordem jurídica e política, com a ideologização da fé em detrimento da doutrina religiosa. Com isso, os setores católicos à esquerda e muitos que desconhecem o que está acontecendo, manipulados pela CNBB, deixam-se usar para tais fins perversos, pois os assessores da conferência episcopal brasileira sabem da capilaridade da Igreja e pouco se importam com os efeitos dessa reengenharia social que ajudam a promover. São padres e bispos que querem o paraíso terrestre, aqui e agora, aceitam o populismo, o imanentismo e até o panteísmo, em se tratando de buscar manter seus confortos, nos postos em que estão, e, no campo das ideias, convergir cristianismo e comunismo, mesmo sabendo que o Magistério da Igreja é categórico em condenar o socialismo e o comunismo. Mas, para Frei Betto, por exemplo,”o cristianismo é essencialmente comunista”. E então, a teologia da libertação (mais viva hoje e com mais poder) chegou aonde não devia estar, e, no Vaticano, bispos e cardeais estão encantados com a nova utopia da “Pátria Grande” latino-americana. Tais prelados dão todo respaldo para reabilitar os “teólogos da libertação”, para conseguir a revolução tão desejada por muitos desde os anos do Vaticano II. Não é só a reforma política sovietizada que querem no Brasil, mas em toda a Igreja. E a revolução no continente latino-americano é hoje expressão da obsessão bolivariana, insuflada pela teologia da libertação, para alcançar os propósitos de poder acalentados a tanto tempo.
Afinal, desde 1985, com o primeiro encontro de Fidel Castro com os bispos cubanos (depois da revolução de 1959), que o projeto bolivariano começou a ser gestado concretamente para fazer da integração da América Latina o novo bloco regional socialista, sonhado tanto por Fidel Castro. Mas o próprio Fidel sabia que isso só seria possível instrumentalizando a Igreja, inoculando em seu seio, de modo sutil e sofisticado, a subversão da doutrina, com a ideologização da fé. Feito isso, usaria a estrutura física da instituição para dar suporte à nova utopia do bolivarianismo, sem que os católicos se dessem conta do processo, lento e gradual, de corrosão da sã doutrina pelos agentes da revolução, que conseguiram alcançar, com astúcia, os altos escalões eclesiásticos. Desde o início, o Brasil foi visto como a galinha dos ovos de ouro, pois é um país continental, cujos recursos em muito ajudariam não só Cuba, mas toda a “Pátria Grande” socialista. Mas para fazer a revolução por dentro seria preciso contar com a “teologia da libertação”. Mesmo barrada por Ratzinger (especialmente Boff, em 1984), Fidel não desistiu. Ele sabia que ela seria o “fermento na massa” da revolução dentro da Igreja. Já em 2005, tentaram um “plano ousado” de cardeais progressistas para eleger um papa latino-americano comprometido com o projeto da “Pátria Grande”, mas foi o próprio Ratzinger quem ganhou e, ao menos naquele momento, tentou por um dique à convulsão revolucionária. Mas o próprio Andreas Englisch conta, em seu livro sobre Bento XVI, que não havia chegado a hora da “grande revolução”. E o mesmo Englisch narra o quanto Ratzinger foi boicotado desde o início. Ele próprio reconheceu em seu livro: “Existe, definitivamente, um grupo anti-Ratzinger dentro do Vaticano”. O fato é que Ratzinger havia condenado a teologia da libertação, mas Fidel Castro, no ano seguinte à condenação de Boff, explicou pessoalmente a Pedro Casaldáliga: “A teologia da libertação é mais importante que o marxismo para a revolução latino-americana”.
“A democracia como método revolucionário”
Ao apoiar explicitamente a reforma política que favorece o projeto totalitário do PT no Brasil, com a constituinte exclusiva, a CNBB endossa assim o afã da esquerda política pela “radicalização da democracia”, que Dilma Roussef inclusive já quis impor com o Decreto 8243, rechaçado pela Câmara dos Deputados. Bolivarianismo este que significa a implantação do socialismo, a exemplo do que já aconteceu na Venezuela e na Bolívia, etc. No Brasil, as Campanhas da Fraternidade são parte desta estratégia de doutrinação ideológica marxista e revolucionária, que há anos vem instrumentalizando setores da Igreja (via CNBB, Pastoral da Juventude, e outras pastorais e movimentos), ampliando assim a infiltração esquerdista no seio da Igreja, cujas bandeiras ideológicas e políticas de premissas socialistas contradizem com a sã doutrina moral e social da Igreja. O caso da Venezuela foi bem explicado no programa Força, Foco e Fé, em que Carla Andrade explicou que Hugo Chavez utilizou-se dos mesmos argumentos que a CNBB defende na CF-2015, para “sequestrar os direitos civis e políticos dos venezuelanos, passando de uma democracia representativa para passar a um estado totalitário com a retórica da democracia participativa. Um golpe de estado sui generis, instalado com aparência jurídica”.
A democracia corrompida em demagogia é utilizada como “método revolucionário”, como afirmou Álvaro Garcia Linera, vice-presidente da Bolívia e intelectual marxista, na inauguração do XX encontro do Foro de São Paulo, realizado em La Paz, entre 25 a 27 de agosto de 2014. Nos 24 anos de existência do Foro de São Paulo, Linera conta que o sucesso para instalar governos progressistas e revolucionários na América Latina foi justamente aceitar a democracia como etapa prévia para um processo que desague na acalentada revolução socialista, cujos insurgentes latino-americanos, há décadas vem atuando de modo organizado e sistematicamente nesse sentido. Linera ressalta aos participantes do XX encontro do Foro de São Paulo que é preciso entender “a democracia como método revolucionário” e, para isso, é preciso “radicalizar a democracia” — é o que propõe a CNBB no Documento 91, de 2010, “Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática”, chegando à chamada “democracia direta e participativa”, pois só assim será possível o contexto anárquico favorável à revolução socialista, com o método indicado por Linera. Por isso, a reforma política no Brasil, apoiada na CF-2015, que querem tais grupos é a que Dilma Roussef acenou com o Decreto 8243/2014, com a chamada Política Nacional de Participação Social. Mas não foi possível viabilizar tal iniciativa nas instâncias decisórias do Legislativo brasileiro, daí que as OnGs, as entidades, os movimentos, as redes e os coletivos, junto com a CNBB, OAB e outros, defendem a reforma política bolivariana de modo plebiscitário, com constituinte exclusiva, para efetivar assim as condições políticas para a concretização da integração latino-americana, com Cuba comunista no comando da “Pátria Grande” socialista. E tudo isso com as bençãos da CNBB, do CELAM e até do Vaticano.
O fato é que a Igreja Católica está em perigo, e perigo muito grande, com inimigos tão ardilosos, agindo por dentro, e com tão grande poder. Urge que os católicos entendam essa situação e se mobilizem em defesa da sã doutrina moral e social da Igreja, não aceitando que a Esposa de Cristo seja refém de tais forças. No Brasil, o primeiro passo é exigir que a CNBB retire o apoio a esta equivocada reforma política bolivariana, como apresenta no texto-base da Campanha da Fraternidade de 2015.
http://fratresinunum.com/2015/02/13/campanha-da-fraternidade-2015-e-reforma-politica/
INTELIGÊNCIA ISRAELENSE - 10/02/2015
(Por um lapso faltou-me publicar o primeiro artigo desta importante série de autoria do historiador Carlos I. S. Azambuja)
O Serviço de Inteligência é a batalha das mentes e cérebros e a função dos equipamentos é ajudar o ser humano em seu desafio conceitual. Mas na integração do homem e da máquina o fator humano é decisivo, mormente no Serviço de Inteligência” (Meir Amit, diretor do MOSSAD de 1963 a 1968)
Trinta e dois séculos após Moisés ter acatado a ordem de Deus, escolhendo 12 eminentes israelitas para se infiltrarem na Terra Prometida, o Estado de Israel foi criado, em 1948, e Ben Gurion, seu primeiro presidente, fez exigências rigorosas a seus agentes secretos: que fossem motivados pelo patriotismo; que representassem os melhores aspectos da sociedade israelense; que obedecessem ao postulado singular de comedimento; e que se lembrassem que defendiam uma democracia e não um Estado monolítico. Nesse sentido, Israel é um país singular sob muitos aspectos, um dos quais tem sido o total apoio de seus cidadãos aos Serviços de Inteligência, considerados entre os melhores do mundo.
Os Serviços de Inteligência de Israel, assim como os de outras nações, são um reflexo de suas sociedades, das quais trazem seu poder de inspiração. Cada país possui uma estrutura de Inteligência moldada à sua própria imagem, refletindo a índole e as características culturais da Nação.
O que está no centro dos Serviços de Inteligência de Israel, diferenciando-os dos demais serviços de qualquer outra Nação, é a imigração. Desde a sua formação a comunidade de Inteligência de Israel empenhou-se em proteger os judeus em todo o mundo e ajudá-los a emigrarem para sua Pátria bíblica.
Quem pode imaginar a CIA, por exemplo, com a tarefa de proteger cada possuidor de passaporte dos EUA através do mundo?
A tarefa de defender não apenas o Estado, mas também “todo o povo de Israel” é a missão precípua dos Serviços de Inteligência de Israel: MOSSAD (Inteligência Externa, criado em1951), AMAN (Inteligência Militar, criado em 1949), SHIN BET (Segurança Interna, criado em 1948), Serviço de Ligação (para a Imigração Judaica, criado em 1958), LAKAM (com a funçãoprimária de resguardar o programa nuclear secreto e obter dados científicos e tecnológicos noexterior, criado em 1957) e Departamento Político do Ministério do Exterior, criado em 1948.
Desde sua criação, o Estado de Israel vê-se cercado por um círculo de nações árabes hostis. Todas essas nações, todavia, possuem minorias étnicas e religiosas e Israel sempre pôs em prática o desenvolvimento de amizades com essas minorias, que sofrem, como Israel, em maior ou menor grau, com a ascensão do nacionalismo e radicalismo árabes. A idéia por trás dessa tática pode ser resumida em uma frase: “os inimigos do meu inimigo são meus amigos”.
Qualquer força que lute ou se oponha ao nacionalismo árabe é considerada por Israel uma aliada em potencial: a minoria maronita no Líbano, os drusos na Síria, os curdos no Iraque e os cristãos do Sul do Sudão, todos sofrendo o jugo das maiorias muçulmanas de seus países. Oconceito de manter contato com todos eles tornou-se conhecido para as lideranças israelenses como “a aliança periférica”.
Desde 1951, quando foi criada, a agência externa, o MOSSAD, possui acordos de cooperação com a CIA. Mas a grande abertura dos altos escalões dos Serviços de Inteligência ocidentais para com o MOSSAD decorreu de uma vitória conseguida na Europa em 1956, quando os israelenses conseguiram superar a CIA, o MI6 inglês, franceses, holandeses e outros Serviços de Inteligência ocidentais que buscavam o texto de um discurso: o discurso secreto pronunciado por Nikita Kruschev no XX Congresso do PCUS, em fevereiro de 1956, que praticamente sepultou a era Stalin ao relatar, pela primeira vez, os horrores dos gulags, dos julgamentos encenados, dos assassinatos e das deportações de populações inteiras.
A partir de então, a reputação do MOSSAD tornou-se uma lenda.
Em suas memórias, Isser Harel, que dirigiu o MOSSAD de 1952 a 1963 e o SHIN BET de 1948 a 1952, escreveu: “Fornecemos a nossos equivalentes americanos um documento que é considerado uma das maiores realizações na história da espionagem: o discurso secreto,completo, do 1º Secretário do PCUS”. Harel, entretanto, não revelou como conseguiu o discurso.
Como qualquer outro país, o MOSSAD possui agentes secretos trabalhando nas embaixadas, sobcobertura diplomática. Onde não é possível estabelecer relações oficiais ou estas são cortadaspor divergências políticas, os diplomatas alternativos do MOSSAD desempenham tarefas quenormalmente não são da competência dos Serviços de Inteligência. Especificamente, na África, a CIA forneceu milhões de dólares para financiar as atividades clandestinas de Israel, pois sempre foram consideradas do interesse geral do Ocidente.
De acordo com o conceito periférico do primeiro diretor do MOSSAD, os vínculos sigilosos de Israel com a Etiópia, Turquia e Irã nunca deixaram de existir. Tanto Israel quanto o Irã ajudaram a revolta dos curdos contra o governo do Iraque; agentes do MOSSAD no Iêmen do Sul ajudaram os realistas a combater os egípcios; no Sul do Sudão aviões israelenses lançaram suprimentos para os rebeldes cristãos; e, no fundo da África, o MOSSAD operou num lugar tão distante como Uganda, em outubro de 1970, ajudando Idi Amin a depor o presidente Milton Obote.
Em todos os países há Estações do MOSSAD, sempre operando sob a cobertura diplomática,dentro das embaixadas.
O chefe da Estação, todavia, não comunica suas atividades ao embaixador e remete seus relatórios diretamente para o MOSSAD, em Tel-Aviv. Suas missões incluem ligações oficiais com os Serviços de Inteligência do país-anfitrião, mas também operam suas próprias redes, sem o conhecimento do país-anfitrião. A ênfase em atividades semi-diplomáticas concentra-se basicamente em dois continentes: África e Ásia.
O sucesso do SHIN BET em controlar os territórios tomados em junho de 1967, na Guerra dos Seis Dias (margem ocidental da Jordânia, Sinai e Faixa de Gaza do Egito, e as colinas de Golan) teve um preço: a sociedade israelense passou a ser julgada no mundo exterior pelo que se podia observar a respeito de sua política de segurança. A subversão e os atentados com os homens e mulheres-bomba foram e vêm sendo esmagadas, mas a boa vontade para com Israel no resto do mundo diminui, graças, fundamentalmente, à mídia. Em vez de admirado por grande parte da opinião política internacional, o Estado judaico tornou-se abominado para muita gente.
O SHIN BET, forçado pelas circunstâncias passou a ser encarado como uma força opressora de ocupação. Teve que aumentar seus efetivos, os critérios de recrutamento foram facilitados e o perfil social de seu pessoal mudou.
Os novos agentes baseavam sua atuação mais na força doque na inteligência. A natureza diferente da missão também determinou novos métodos. Numaépoca em que dois mil árabes era detidos para interrogatórios, em que carros explodiam e hotéis e aviões passaram a ser alvo dos terroristas, o essencial era extrair informações tão rápido quanto possível. O fator tempo – aliás, como em todas as guerras sujas - passou a ser o elemento mais importante e a ação rápida passou a exigir a brutalidade. Isso também ocorreu no Brasil na guerra suja dos anos 70.
Em 23 de julho de 1968, um Boeing 707 da El AL, num vôo de Roma para Tel-Aviv, foi seqüestrado e aterrisou na Argélia. Os seqüestradores eram três árabes, militantes da Frente Popular pela Libertação da Palestina. Esse foi o primeiro e último seqüestro bem sucedido de um avião israelense. A partir daí Israel introduziu um esquema de segurança radicalmente novo em seus aviões de passageiros, colocando homens do SHIN-BET, armados, em cada vôo, viajando em poltronas comuns, disfarçados de passageiros, tornando a EL AL a empresa mais segura do mundo.
O mundo, no entanto, só tomou conhecimento dessas medidas quando um desses agentes respondeu a um ataque terrorista, em Zurique, em fevereiro de 1969, na pista do aeroporto de Kloten. Em 1968, Meir Amit, diretor do MOSSAD desde 1963, foi surpreendentemente substituído pelo general Zvi Zamir, sem experiência anterior no Serviço de Inteligência. Segundo as especulações, ele havia sido substituído por ser eficiente demais. Os líderes do Partido Trabalhista, então no Poder, não desejavam um chefe do Serviço de Inteligência que fosse forte demais...
Dados bibliográficos:
Noticiário da imprensa nacional e internacional e livro “Todo o Espião é um Príncipe”, Imago Editora, 1991, de Dan Ravin e Yossi Melman.
PT, O PARTIDO DA TRADIÇÃO - 09/02/2015
(Artigo publicado originalmente na Revista Época, 09, 02,2015)
O PT é, de longe, o maior caso de sucesso na história do sistema partidário brasileiro. O Partido tem cinco governadores, a maior bancada na Câmara dos Deputados, e terá permanecido por 16 anos à frente do Governo Federal, quando se encerrar o mandato da Presidente Dilma Rousseff.
Sucesso que deriva, em primeiríssimo lugar, de seus próprios méritos. Partido com a maior e mais aguerrida militância, feito objeto de crença e via de ascensão social para milhares de pessoas, com um líder cujo carisma e senso estratégico não parece ter rival na política brasileira. Além disso, a sorte. O Partido governou o Brasil na época de ouro das commodities, na esteira da bem sucedida estabilização econômica do País, nos anos 90, e da grande mutação social que varreu a América Latina, no início do século, resultando na formação disso que se convencionou chamar de “nova classe média”.
Esta semana, o Partido comemora seus trinta e cinco anos. Em tempos sombrios. A economia parou, a miséria voltou a crescer, a corrupção não sai das manchetes, e nossa maior Empresa pública está na lona. Para qualquer partido, seria o fim. Não para o PT, que retribuirá ao País com uma grande festa, em Belo Horizonte. A frase mais ouvida, ao longo desses dias, será a de que o partido deve “voltar às origens”. Volta e meia, este discurso aparece. Lula faz cara de sério, restringe as aparições públicas, reúne antigos amigos para discutir a identidade do partido. Dá até uma boa mídia, isso tudo. Depois passa, e a política segue no ritmo de sempre.
O PT é um caso inédito, em nossa história, de resiliência política. Protagonista, em sequencia, de dois casos espetaculares de corrupção “sistêmica”, envolvendo ícones da vida brasileira, como a Petrobrás, o Partido não se abala. Não reconhece seus delitos, ganha as eleições, não perde parlamentares, transforma apenados em heróis, e seus militantes, alguns já meio grisalhos, continuam firmes, mandando ver, em geral nas redes sociais.
Em parte, a resiliência do Partido se explica nas alegorias que compõem a cultura política brasileira. Desde criancinha, aprendemos que a “direita” é sempre autoritária e corrupta, e a “esquerda”, sempre democrática e bem intencionada. O sujeito elogia os irmãos Castro e continua certo de que é um democrata (dia desses li um artigo chamando Kim Jong un de “líder moderno”, e ninguém achou estranho). O mito da esquerda x direita vem do fundo da nossa cultura. É ensinado pelos professores, no colégio, nas universidades, e aceito acriticamente por boa parte de nosso jornalismo político. O mito resiste aos fatos, e suas conseqüências são evidentes. A corrupção da esquerda é sempre “política”, e não “pessoal”. Por isso o sujeito pode ir pro xadrez, em um camburão da Polícia Federal, não sem antes erguer o braço esquerdo, punho cerrado. E a imagem ainda vira peça de campanha do partido.
A matriz ideológica do PT vem dos anos 80. Talvez da transição para os anos 80, período final e melancólico do ciclo autoritário brasileiro. Época de profundo vazio político, em que a velha tecnoburocracia civil-militar, instalada no poder, há muito perdera qualquer legitimidade, ao mesmo tempo em que a oposição democrática, liderada pelo MDB, formava uma frente heterogênea, de corte parlamentar, envelhecida, carente de programa ou utopia, incapaz de entusiasmar a juventude que voltava a se interessar pela política, no retorno da democracia.
Nesse ambiente, o PT surge como um extraordinário experimento de participação política. Partido ordenado sob estatutos democráticos, alternativos à normatização burocrática da LOP - Lei Orgânica dos Partidos. Organizado em células de base, com um amplo leque de correntes de opinião. O PT nasce como um grande partido de base não parlamentar, intenso no debate e na deliberação coletiva. Algo raro na história política brasileira. É evidente que isto iria se perder, à medida em que o Partido passa a ocupar, crescentemente, posições de Estado. Mas não totalmente.
Já nos anos 80, percebia-se o paradoxo: nascido “da sociedade”, e com uma estrutura moderna, o Partido cultiva uma visão programática pobre, recheada dos clichês tradicionais da esquerda acadêmica. Revolucionário sem revolução, socialista sem socialismo, o PT aprendeu, desde o início, a não levar muito a sério tudo que dizia e escrevia em seus documentos. As palavras estavam lá, a “estatização dos bancos e da indústria farmacêutica”, o “rompimento com o FMI.” Ninguém sabia bem o que isto significava, o que também não tinha a menor importância. Na constituinte de 1987/88, o Partido chegou a defender posições como a concessão de estabilidade no emprego pra todo mundo, no setor privado, aos noventa dias de trabalho. O curioso é perceber que até hoje, na lenda partidária, propostas “progressistas”, como esta, foram barradas pela maioria “conservadora“ que dominava a constituinte.
A ideologia cumpre, na história do PT, uma função ambivalente. O militante típico realmente acredita que políticas de “austeridade” são coisas do capeta, amaldiçoa os bancos, e vai passar o fim de semana exorcizando o “neoliberalismo”, na festa de Belo Horizonte. Ao mesmo tempo, Joaquim Levy está lá, no comando do ministério da Fazenda. Foi assim, em 2002, com a “Carta ao Povo Brasileiro”, e a posterior nomeação de Henrique Meireles para o Banco Central. Não há nada errado com isso. A ambivalência foi uma via para os grandes acertos do Partido. Da sabedoria em revisar, de quando em quando, suas posições. O problema é a ambivalência moral. O engano sistemático. Onde uma “ética da convicção” (para usar a expressão weberiana), fundada em um tipo de discurso, serve à militância, enquanto uma ética da responsabilidade, fundada na negação deste mesmo discurso, serve ao governo.
Uma segunda ambivalência diz respeito à visão republicana. Estridente no discurso ético em relação à esfera pública, desde o início, considerava perfeitamente normal colonizar estruturas sindicais e estudantis. Os anos 80 foi o tempo do pequeno patrimonialismo. Da máquina dos sindicatos, instituições públicas, usadas em proveito de um ente privado: o Partido. A justificativa? Muito fácil. Um, como o outro, não defendiam os mesmos “interesses de classe”? A ideologia como verniz do costume patrimonialista. Foi um bom exercício para o que viria depois.
Nos anos 90, os ventos da modernização econômica e da reforma do Estado chegaram ao Brasil. E o PT saiu atirando. Ficou contra o Plano Real, contra o modelo das Organizações Sociais, contra a privatização de empresas como a Embraer, Vale do Rio Doce e Cia Siderúrgica Nacional. Por um instante, penso no que teria ocorrido a todas estas empresas, caso permanecessem, até hoje, nas mãos do Governo. Talvez tivessem um destino melhor do que a Petrobrás. Difícil saber.
A rejeição da reforma do Estado, nos anos 90, estabeleceu as bases para a dicotomia que marca, há mais de duas décadas, a política brasileira. De um lado, a aposta na impessoalidade do Estado, no realismo fiscal, na autonomia das agências reguladoras. A ênfase na eficiência, na competitividade econômica e no realismo fiscal. Do outro, o capitalismo orientado pelo Estado, a política dos “campeões nacionais”, a explosão do gasto público, a defesa do modelo burocrático de gestão pública consagrado na constituição de 1988. Modelo da estabilidade rígida de emprego, das autarquias e repartições públicas prestadoras de serviços, da recusa da meritocracia no setor público.
É interessante como um partido nascido “na sociedade” tenha se tornado, gradativamente, porta voz de uma “ideologia do Estado”. Talvez isto decorra da influência que as corporações do setor público sempre tiveram, em seu interior. Talvez seja nosso passado colonial. Do Estado que sempre precedeu a sociedade, por estes trópicos. Seu traço mais característico é a permanente confusão entre o “público” e o “estatal”. O militante entoa slogans a favor da “educação pública e gratuita”, mas quando você vai ver o que ele quer dizer, descobre que é pura e simplesmente a defesa do modelo estatal de ensino. A agenda dos sindicatos de “trabalhadores da educação” no setor público. A mesmíssima agenda que colocou nossos alunos no 58º lugar na última edição PISA, entre 65 países avaliados.
Na área da saúde, o mesmo eufemismo. O sujeito defende a “saúde pública e gratuita”, mas basta raspar um pouco da tinta ideológica para descobrir que ele está falando, de fato, do sistema tradicional de hospitais estatais. O modelo não funciona, as filas estão cheias, os indicadores de atendimento são pífios, mas não dá nada. A classe média descobriu como se proteger, contratando planos privados de saúde e bons colégios particulares. Aos mais pobres, que não tem escolha, resta o Estado.
O PT não é, por óbvio, o único porta voz da ideologia do Estado. É apenas o seu campeão. Ela pertence ao cerne da nossa cultura política. Forma uma ideologia própria, com justificações à “esquerda“ e à “direita”. Vai daí o casamento harmonioso entre a liderança petista e nossas velhas oligarquias regionais.
Alberto Carlos Almeida, em seu A Cabeça do Brasileiro, mostrou a força do viés estatista e antiliberal, em nossa cultura. 51% da população mostrou-se favorável ao controle estatal dos bancos. O número vai num crescendo, até chegar a 77%, entre os analfabetos. 83% acha que o governo deve socorrer empresas em dificuldades, e mais da metade acha que o governo deve controlar os preços de todos os produtos. Almeida conclui dizendo que o Brasil é “hierárquico, familista, patrimonialista, e aprova tanto o jeitinho como um amplo leque de comportamentos similares”. Não deveria surpreender a ninguém um discurso anti-privatizações continue rendendo votos, ainda que contra toda evidência empírica. Tão pouco que o Partido consiga reeleger a presidenta da República, mesmo com seus dois últimos presidentes e seu tesoureiro na cadeia, por corrupção. O PT navega a favor, não contra, a tradição brasileira.
UM CADÁVER NO PODER (II) - 04/02/2015
Volto à análise da Teologia da Libertação.
Se a coisa e até o nome que a designa vieram prontos da KGB, isso não quer dizer que seus pais adotivos, Gutierrez, Boff e Frei Betto, não tenham tido nenhum mérito na sua disseminação pelo mundo. Ao contrário, eles desempenharam um papel crucial nas vitórias da TL e no mistério da sua longa sobrevivência.
Os três, mas principalmente os dois brasileiros, atuaram sempre e simultaneamente em dois planos. De um lado, produzindo artificiosas argumentações teológicas para uso do clero, dos intelectuais e da Cúria romana. De outro lado, espalhando sermões e discursos populares e devotando-se intensamente à criação da rede de militância que se notabilizaria com o nome de “comunidades eclesiais de base” e viria a constituir a semente do Partido dos Trabalhadores. “Base” é aliás o termo técnico usado tradicionalmente nos partidos comunistas para designar a militância, distinguindo-a dos líderes. Sua adoção pela TL não foi mera coincidência. Quando os pastores se transformaram em comissários políticos, o rebanho tinha mesmo de tornar-se “base”.
No seu livro E a Igreja se Fez Povo, de 1988, Boff confessa que foi tudo um “plano ousado”, concebido segundo as linhas da estratégia da lenta e sutil “ocupação de espaços” preconizada pelo fundador do Partido Comunista Italiano, Antonio Gramsci. Tratava-se de ir preenchendo aos poucos todos os postos decisivos nos seminários e nas universidades leigas, nas ordens religiosas, na mídia católica e na hierarquia eclesiástica, sem muito alarde, até chegar a época em que a grande revolução pudesse exibir-se a céu aberto.
Logo após o conclave que o elegeu, em 1978, o papa João Paulo I teve um encontro com vinte cardeais latino-americanos e ficou muito impressionado com o fato de que a maioria deles apoiava ostensivamente a Teologia da Libertação. Informaram-lhe, na ocasião, que já havia mais de cem mil “comunidades eclesiais de base” disseminando a propaganda revolucionária na América Latina. Até então, João Paulo I conhecia a TL apenas como especulação teórica. Nem de longe imaginava que ela pudesse ter se transformado numa força política de tais dimensões.
Em 1984, quando o cardeal Ratzinger começou a desmontar os argumentos teóricos da “Teologia da Libertação”, já fazia quatro anos que as “comunidades eclesiais de base” tinham se transfigurado num partido de massas, o Partido dos Trabalhadores, cuja militância ignora maciçamente quaisquer especulações teológicas, mas jura que Jesus Cristo era socialista porque assim dizem os líderes do partido.
Dito de outro modo, a pretensa argumentação teológica já tinha cumprido o seu papel de alimentar discussões e minar a autoridade da Igreja, e fora substituída, funcionalmente, pela pregação aberta do socialismo, onde o esforço aparentemente erudito de aproximar cristianismo e marxismo cedia o passo ao manejo de chavões baratos e jogos de palavras nos quais a militância não procurava nem encontrava uma argumentação racional, mas apenas os símbolos que expressavam e reforçavam a sua unidade grupal e o seu espírito de luta.
O sucesso deste segundo empreendimento foi proporcional ao fracasso do trio na esfera propriamente teológica. É possível que na Europa ou nos EUA um formador de opinião com pretensões de liderança não sobreviva à sua desmoralização intelectual, mas na América Latina, e especialmente no Brasil, a massa militante está a léguas de distância de qualquer preocupação intelectual e continuará dando credibilidade ao seu líder enquanto este dispuser de um suporte político-partidário suficiente.
No caso de Boff e Betto, esse suporte foi nada menos que formidável. Fracassadas as guerrilhas espalhadas em todo o continente pela OLAS, Organización Latino-Americana de Solidariedad, fundada por Fidel Castro em 1966, a militância se refugiou maciçamente nas organizações da esquerda não-militar, que iam colocando em prática as ideias de Antonio Gramsci sobre a “ocupação de espaços” e a “revolução cultural”. A estratégia de Gramsci usava a infiltração maciça de agentes comunistas em todos os órgãos da sociedade civil, especialmente ensino e mídia, para disseminar propostas comunistas pontuais, isoladas, sem rótulo de comunismo, de modo a obter pouco a pouco um efeito de conjunto no qual ninguém visse nada de propaganda comunista, mas no qual o Partido, ou organização equivalente, acabasse controlando mentalmente a sociedade com “o poder invisível e onipresente de um mandamento divino, de um imperativo categórico” (sic).
Nenhum instrumento se prestava melhor a esse fim do que as “comunidades eclesiais de base”, onde as propostas comunistas podiam ser vendidas com o rótulo de cristianismo. No Brasil, o crescimento avassalador dessas organizações resultou, em 1980, na fundação do Partido dos Trabalhadores, que se apresentou inicialmente como um inocente movimento sindicalista da esquerda cristã e só aos poucos foi revelando os seus vínculos profundos com o governo de Cuba e com várias organizações de guerrilheiros e narcotraficantes. O líder maior do Partido, Luís Inácio “Lula” da Silva, sempre reconheceu Boff e Betto como mentores da organização e dele próprio.
Nascido no bojo do comunismo latino-americano por intermédio das “comunidades eclesiais de base”, o Partido não demoraria a devolver o favor recebido, fundando, em 1990, uma entidade sob a denominação gramscianamente anódina de “Foro de São Paulo”, destinada a unificar as várias correntes de esquerda e a tornar-se o centro de comando estratégico do movimento comunista no continente.
Segundo depoimento do próprio Frei Betto, a decisão de criar o Foro de São Paulo foi tomada numa reunião entre ele, Lula e Fidel Castro, em Havana. Durante dezessete anos o Foro cresceu em segredo, chegando a reunir aproximadamente duzentas organizações filiadas, misturando partidos legalmente constituídos, grupos de sequestradores como o MIR chileno e quadrilhas de narcotraficantes como as Farc, que juravam nada ter com o tráfico de drogas mas então já costumavam trocar anualmente duzentas toneladas de cocaína colombiana por armas contrabandeadas do Líbano pelo traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar.
Quando Lula foi eleito presidente do Brasil, em 2002, o Foro de São Paulo já havia se tornado a maior e mais poderosa organização política em ação no território latino-americano em qualquer época, mas sua existência era totalmente desconhecida pela população e, quando denunciada por algum investigador, cinicamente negada. O bloqueio chegou ao seu ponto mais intenso quando, em 2005, o sr. Lula, já presidente do Brasil, confessou em detalhes a existência e as atividades do Foro de São Paulo. O discurso foi publicado na página oficial da Presidência da República, mas mesmo assim a grande mídia em peso insistiu em fingir que não sabia de nada.
Por fim, em 2007, o próprio Partido dos Trabalhadores, sentindo que o manto de segredo protetivo já não era necessário, passou a alardear aos quatro ventos os feitos do Foro de São Paulo, como se fossem coisa banal e arqui-sabida. Somente aí os jornais admitiram falar do assunto.
Por que o segredo podia agora ser revelado? Porque, no Brasil, toda oposição ideológica tinha sido eliminada, restando apenas sob o nome de “política” as disputas de cargos e as acusações de corrupção vindas de dentro da própria esquerda; ao passo que, na escala continental, os partidos membros do Foro de São Paulo já dominavam doze países. As “comunidades eclesiais de base” haviam chegado ao poder. Quem, a essa altura, iria se preocupar com discussões teológicas ou com objeções etéreas feitas vinte anos antes por um cardeal que levara a sério o sentido literal dos textos e mal chegara a arranhar a superfície política do problema?
Nos doze anos em que permaneceu no poder, o PT expulsou do cenário toda oposição conservadora, partilhando o espaço político com alguns aliados mais enragés e com uma branda oposição de centro-esquerda, e governou mediante compras de consciências, assassinatos de inconvenientes e a apropriação sistemática de verbas de empresas estatais para financiar o crescimento do partido.
A escalada da cleptocracia culminou no episódio da Petrobrás, onde o desvio subiu à escala dos trilhões de reais, configurando, segundo a mídia internacional, o maior caso de corrupção empresarial de todos os tempos. Essa sucessão de escândalos provocou algum mal-estar na própria esquerda e constantes reclamações na mídia, levando aintelligentsia petista a mobilizar-se em massa para defender o partido. Há mais de uma década os srs. Betto e Boff estão ocupados com essa atividade, na qual a teologia só entra como eventual fornecedora de figuras de linguagem para adornar a propaganda partidária. A TL havia assumido, finalmente, sua mais profunda vocação.
Quem quer que leia os escritos de Gutierrez, Boff e Betto descobre facilmente as suas múltiplas inconsistências e contradições. Elas revelam que esse material não resultou de nenhum esforço teorizante muito sério, mas do mero intuito de manter os teólogos de Roma ocupados em complexas refutações teológicas enquanto a rede militante se espalhava por toda a América Latina, atingindo sobretudo populações pobres desprovidas de qualquer interesse ou capacidade de acompanhar essas altas discussões.
Os boiadeiros chamam isso de “boi-de-piranha”: jogam um boi no rio para que os peixes carnívoros fiquem ocupados em devorá-lo, enquanto uns metros mais adiante a boiada atravessa as aguas em segurança.
Intelectualmente e teologicamente, a TL está morta há três décadas. Mas ela nunca foi um movimento intelectual e teológico. Foi e é um movimento político adornado por pretextos teológicos artificiosos e de uma leviandade sem par, lançados nas águas de Roma a título de “boi de piranha”. A boiada passou, dominou o território e não existem piranhas de terra firme que possam ameaçá-la.
Sim, a TL está morta, mas o seu cadáver, elevado ao posto mais alto da hierarquia de comando, pesa sobre todo um continente, oprimindo-o, sufocando-o e travando todos os seus movimentos. A América Latina é hoje governada por um defunto.
A LIBERDADE DE IMPRENSA EM PERIGO - 03/02/2015
O Ministro Berzoini pretende discutir o controle da imprensa no Brasil, mas diz que não no seu conteúdo, visto que a Constituição assegura a liberdade dos meios de comunicação.
Reiterando posições do presidente de seu partido, Rui Falcão, de que a imprensa precisa ser “democratizada” e que a concentração de capital no controle de jornais e canais de TV macularia tal liberdade, sustenta que a diluição desse controle entre outros participantes levaria a uma imprensa “mais democrática”.
À evidência, não faz menção ao controle governamental da imprensa oficial, esta com conteúdo definido exclusivamente pelo governo. A imprensa oficial, não desvenda os porões e as podridões do poder. Só a imprensa livre o faz e, quando o faz, surgem idéias semelhantes às dos que advogam uma “democratização conduzida” dos meios de comunicação, como na Argentina ou na Venezuela. Sabe-se o que efetivamente ocorre. Os governos financiam grupos dóceis ao seu controle, que assumem jornais e os meios de comunicação audiovisuais.
Basta ver o que aconteceu com o principal canal de TV da semiditadura venezuelana e o que a Presidente Kirchner tem feito com o jornal Clarin, exclusivamente por terem mostrado, na Venezuela, a violação de direitos fundamentais e, na Argentina, o fracasso econômico do governo.
Na mesma linha, tentou o governo, com os denominados Conselhos populares, criar um poder paralelo ao do Congresso Nacional, com eleições teleguiadas por correligionários, para definir políticas para os esclerosados e inchados Ministérios de 39 cadeiras, no melhor estilo de conselhos semelhantes existentes em algumas ditaduras e semiditaduras, com as quais o governo federal tem estreitas relações e a presidente Dilma, principalmente com a ditadura cubana, particular afinidade.
À evidência, as últimas eleições demonstraram uma fragilização do PT, com uma presidente eleita por estreita margem de votos e por 38% dos eleitores inscritos. 62% dos eleitores não votaram na presidente. De há muito o partido perdeu suas raízes de defensor da ética, quando na oposição, convivendo hoje com o maior assalto público ao dinheiro do contribuinte. São bilhões de reais desviados, por culpa (omissão, negligência ou imperícia) ou por dolo (fraude ou má-fé), beneficiando correligionários e aliados, durante pelo menos oito anos, seja no caso do “mensalão”, seja no do “petrolão”. E a imprensa teve papel fundamental neste desventrar, ao lado da Polícia 2 Federal e do Ministério Público - órgãos que não prestam vênia ao Poder -, o maior escândalo da história do Brasil.
O “petrolão” será examinado pelo Poder Judiciário, pois no “mensalão” já houve decisão. Causa, todavia, particular estranheza que, neste momento, em que o povo começa a descobrir como agiu o governo por culpa ou dolo –não faço avaliação prévia— no desvio do dinheiro público, venha-se novamente falar em controle indireto da imprensa, através do controle das direções dos jornais.
Não conheço o Ministro Berzoini, embora conheça Rui Falcão, com quem, no passado, tive debates na Assembléia e na TV e de quem sempre tive boa impressão. Entendo que a liberdade de imprensa é, todavia, cláusula pétrea da Constituição Federal, por dizer respeito ao mais sagrado direito de uma sociedade de ser informada da verdade, não pelos detentores do poder, mas pela imprensa. Não podem, portanto, ser modificados os fundamentos do “caput” do artigo 220 da Lei Suprema. Além de não ser o momento de discuti-los, fica-se com a impressão que o governo, em conjuntura delicada, na qual se examina sua moralidade, pretende calar a imprensa.
http://www.gandramartins.adv.br/
DILMA, A BREVE? - 03/02/2015
A presidente imaginou (ingenuamente) que a vitória obtida nas urnas era mérito seu.
O governo Dilma acabou. É caso único na história republicana brasileira. Vitorioso nas urnas, duas semanas depois do pleito já dava sinais de exaustão. De um lado, a forma como obteve a vitória (usando da calúnia e da difamação) enfraqueceu a petista; de outro, o péssimo cenário econômico e as gravíssimas acusações de corrupção emparedaram o governo.
Esperava-se que Dilma aproveitasse os louros da vitória para recompor a base política e organizasse um ministério sintonizado com o que tinha prometido na campanha eleitoral. Não foi o que aconteceu.
Acabou se sujeitando ao fisiologismo descarado e montou um ministério medíocre, entre os piores já vistos em Pindorama.
A presidente imaginou (ingenuamente) que a vitória obtida nas urnas era mérito seu. Pobre Dilma. Especialmente no segundo turno, quem venceu foi Lula. Sem a participação direta do ex-presidente, ela teria sido derrotada. Vale sempre lembrar que, em vários comícios da campanha, a candidata foi “representada” por Lula.
Mas ela entendeu que a vitória daria uma espécie de salvo-conduto para organizar a seu bel-prazer o Ministério e as articulações políticas com o Congresso Nacional. Ledo engano. Em um mês de governo, já gastou o crédito dado a qualquer presidente em início de mandato.
Isolada no Palácio do Planalto, a presidente perdeu a capacidade de iniciativa política. E pior: se cercou de auxiliares ruins, beirando o pusilânime. Nenhum governo sério pode ter na coordenação política Aloizio Mercadante.
Na primeira presidência Dilma, ele ocupou três ministérios distintos e não deixou sequer uma simples marca administrativa. Foi um gestor de soma zero. Lula, espertamente, nunca o designou para nenhuma função executiva. Conhece profundamente as limitações do ex-senador e sabe o potencial desagregador do petista.
Não satisfeita com a ruinosa escolha, Dilma nomeou para a coordenação política o inexpressivo e desconhecido Pepe Vargas. Não é a primeira vez que a presidente mete os pés pelas mãos ao formar sua equipe política. É inesquecível a dupla Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti, mas naquele momento a conjuntura política e o cenário econômico eram distintos.
Assolada pelo petrolão — que pode colocar em risco o seu mandato —, Dilma passou um mês escondida dos brasileiros. Compareceu à posse — que era o mínimo que se poderia esperar dela —, discursou e sumiu. Reapareceu na ridícula reunião ministerial, discursou sobre um país imaginário, brigou com um funcionário e só.
Poderia ter aproveitado o tempo para articular a sua base de sustentação no Congresso. Mas não. Delegou aos auxiliares a atribuição presidencial. Ela dá a impressão de que não gosta da sua função, que não tem qualquer prazer no exercício da presidência e que estaria somente cumprindo uma missão (mas para quem?).
Como seria de se esperar, foi duplamente derrotada na eleição paras as mesas diretoras da Câmara e do Senado. Na Câmara foi mais que derrotada, foi humilhada. Seu candidato teve quase que o mesmo número de Júlio Delgado e metade dos votos do vencedor.
Em outras palavras, ficou a sensação de que o governo tem seguros apenas 25% dos votos dos deputados. Se fosse no final da gestão, seria ruim mas até compreensível. Porém, a nova presidência mal começou. Mais da metade dos parlamentares forma uma maioria gelatinosa, sem forma e que pode a qualquer momento, dependendo da situação política, se voltar contra Dilma.
No Senado, a vitória com Renan Calheiros pode ter vida curta. Ainda no ano passado foi revelada uma lista de parlamentares envolvidos com o doleiro Alberto Yousseff e dela fazia parte o senador por Alagoas.
Caso se confirme, veremos novamente o filme de 2007: ele deverá renunciar à presidência para, ao menos, garantir o seu mandato. E naquela Casa — agora com uma participação mais qualificada da oposição — também a maioria dos senadores vai, primeiro, pensar em garantir o seu futuro político e depois em defender o governo.
Dessa forma, Dilma corre perigo. Sem uma segura base parlamentar, tendo, especialmente na Câmara, um presidente que não reza pela sua cartilha; e com uma pífia coordenação política, poderá ter a curto prazo sérios problemas.
De forma mais direta: vai ter de engolir uma CPI sobre a Petrobras. E com o que conhecemos até hoje da Operação Lava-Jato, o seu mandato pode ser abreviado — caso, evidentemente, se confirmem as denúncias envolvendo a empresa, políticos, empreiteiras e o Palácio do Planalto.
Lula se mantém em silêncio. Estranho, muito estranho. Por quê? Ele, que sempre falou sobre tudo, mesmo quando não perguntado, agora está homiziado em São Bernardo do Campo. Medo? Teria vergonha da compra da refinaria de “Passadilma”?
E o projeto mais desastroso da história do Brasil, a refinaria de “Abreu e Lulla”? Como explicar que tenha custado dez vezes mais do que foi orçada? Conseguiria responder sobre a amizade com Paulo Roberto Costa, mais conhecido como “Paulinho do Lula”? O silêncio é uma forma de confissão? Afinal, foi durante a sua presidência que foram gestados estes escândalos.
Teremos um 2015 agitado, o que é muito bom. Nunca um governo na História da República esteve tão maculado pela corrupção, nunca. O que o Brasil quer saber é se a oposição estará à altura da sua tarefa histórica.
Se não cometerá os mesmo erros de 2005, no auge da crise do mensalão, quando não soube ler a conjuntura e abriu caminho para a consolidação do que o ministro Celso de Mello, em um dos votos no julgamento do mensalão, chamou de “projeto criminoso de poder.”
O Globo, 03/02/2015
A HIPÓTESE DE CULPA PARA O IMPEACHMENT - 03/02/2015
À luz de um raciocínio exclusivamente jurídico, há fundamentação para o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff
Pediu-me o eminente colega José de Oliveira Costa um parecer sobre a possibilidade de abertura de processo de impeachment presidencial por improbidade administrativa, não decorrente de dolo, mas apenas de culpa. Por culpa, em direito, são consideradas as figuras de omissão, imperícia, negligência e imprudência.
Contratado por ele --e não por nenhuma empreiteira-- elaborei parecer em que analiso o artigo 85, inciso 5º, da Constituição (impeachment por atos contra a probidade na administração).
Analisei também os artigos 37, parágrafo 6º (responsabilidade do Estado por lesão ao cidadão e à sociedade) e parágrafo 5º (imprescritibilidade das ações de ressarcimento que o Estado tem contra o agente público que gerou a lesão por culpa --repito: imprudência, negligência, imperícia e omissão-- ou dolo). É a única hipótese em que não prescreve a responsabilidade do agente público pelo dano causado.
xaminei, em seguida, o artigo 9º, inciso 3º, da Lei do Impeachment (nº 1.079/50 com as modificações da lei nº 10.028/00) que determina: "São crimes de responsabilidade contra a probidade de administração: 3 - Não tornar efetiva a responsabilidade de seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição".
A seguir, estudei os artigos 138, 139 e 142 da Lei das SAs, que impõem, principalmente no artigo 142, inciso 3º, responsabilidade dos Conselhos de Administração na fiscalização da gestão de seus diretores, com amplitude absoluta deste poder.
Por fim, debrucei-me sobre o parágrafo 4º, do artigo 37, da Constituição Federal, que cuida da improbidade administrativa e sobre o artigo 11 da lei nº 8.429/92, que declara: "Constitui ato de improbidade administrativa que atente contra os princípios da administração pública ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições".
Ao interpretar o conjunto dos dispositivos citados, entendo que a culpa é hipótese de improbidade administrativa, a que se refere o artigo 85, inciso 5º, da Lei Suprema dedicado ao impeachment.
Na sequência do parecer, referi-me à destruição da Petrobras, reduzida a sua expressão nenhuma, nos anos de gestão da presidente Dilma Rousseff como presidente do Conselho de Administração e como presidente da República, por corrupção ou concussão, durante oito anos, com desfalque de bilhões de reais, por dinheiro ilicitamente desviado e por operações administrativas desastrosas, que levaram ao seu balanço não poder sequer ser auditado.
Como a própria presidente da República declarou que, se tivesse melhores informações, não teria aprovado o negócio de quase US$ 2 bilhões da refinaria de Pasadena (nos Estados Unidos), à evidência, restou demonstrada ou omissão, ou imperícia ou imprudência ou negligência, ao avaliar o negócio.
E a insistência, no seu primeiro e segundo mandatos, em manter a mesma diretoria que levou à destruição da Petrobras está a demonstrar que a improbidade por culpa fica caracterizada, continuando de um mandato ao outro.
À luz desse raciocínio, exclusivamente jurídico, terminei o parecer afirmando haver, independentemente das apurações dos desvios que estão sendo realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público (hipótese de dolo), fundamentação jurídica para o pedido de impeachment (hipótese de culpa).
Não deixei, todavia, de esclarecer que o julgamento do impeachment pelo Congresso é mais político que jurídico, lembrando o caso do presidente Fernando Collor, que afastado da Presidência pelo Congresso, foi absolvido pela suprema corte. Enviei meu parecer, com autorização do contratante, a dois eminentes professores, que o apoiaram (Modesto Carvalhosa, da USP, e Adilson Dallari, da PUC-SP) em suas conclusões.
* Advogado, é professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra
A INTELIGÊNCIA ISRAELENSE - ( II ) - 29/01/2015
A primeira excursão de retaliação, no exterior, contra o terrorismo, foi realizada em 28 de dezembro de 1968, após o atentado no aeroporto de Atenas, dois dias antes. Comandos Sayeret – força especial subordinada ao chefe do Estado-Maior do Ministério da Defesa – foram enviados a Beirute, de onde haviam partido os terroristas. No Aeroporto Internacional de Beirute, um grupo, chegado de helicóptero, à noite, explodiu 13 aviões vazios da Middle East Arlines do Líbano e outras empresas árabes. O Ministro da Defesa de Israel era, então, o general Moshe Dayan.
Em 1969-1970, durante a chamada Guerra de Atrito, em que disparos aleatórios de artilharia mataram milhares de egípcios e israelenses, comandos Sayeret voltaram a realizar um golpe espetacular, explodindo um complexo de radar de fabricação soviética no lado egípcio do Golfo de Suez. Na noite de 26 de dezembro de 1969, os Sayeret, utilizando dois helicópteros, retiraram do Egito e transportaram para Israel uma estação completa de radar, com suas antenas giratórias e painéis de controle, pesando cerca de 7 toneladas.
A luta contra o terrorismo intensificou-se em 1972. Em 8 de maio desse ano, quatro palestinos seqüestraram o avião da SABENA que realizava o vôo 571 de Bruxelas para Tel-Aviv, quando do pouso previsto no aeroporto de Lod, em Israel. Mantendo 100 passageiros e tripulantes como reféns, exigiram a liberdade de 317 guerrilheiros palestinos presos em Israel. Às 04:22 horas do dia seguinte, 9 de maio, um comando Sayeret, disfarçado com os macacões do pessoal de manutenção, invadiu o Boeing e matou dois dos quatro terroristas, prendendo os outros dois. Um passageiro israelense morreu e 97 reféns foram libertados.
Muitas nações, depois, criaram suas próprias unidades de comando baseadas no modelo israelense. Alemanha Ocidental, Inglaterra e outros países enviaram agentes de segurança e comandos militares a Israel, onde receberam treinamento ministrado pelo Sayeret. Posteriormente, a Alemanha Ocidental criou uma força semelhante, denominada GSG-9.
O círculo vicioso da violência atingiu o auge nos Jogos Olímpicos de Munique, em 5 de setembro de 1972, quando sete terroristas árabes capturaram onze atletas israelenses na Vila Olímpica. Os terroristas disseram-se membros do Setembro Negro, uma ramificação da OLP, e passaram a exigir a libertação de 250 terroristas palestinos presos em Israel. O governo israelense manteve-se firme em sua política de nunca negociar com terroristas.
O governo alemão-ocidental não permitiu que Israel enviasse um comando Sayeret para cuidar do caso, que ficou entregue às autoridades locais, e Zvi Zamir, diretor do MOSSAD, que se deslocara para Munique, assistiu, da torre de controle do aeroporto militar da cidade, os reféns israelenses sendo mortos, já sentados e algemados nos helicópteros, na pista, em represália a um desastrado ataque de atiradores alemães mal equipados e mal adestrados.
Golda Meir, então na direção do Estado de Israel determinou pessoalmente que “aqueles que haviam matado deveriam ser mortos, onde quer que estivessem” (“vamos matar os que mataram”, disse ela), assumindo a decisão histórica, mas ultra-secreta, de assassinar todos os terroristas do Setembro Negro envolvidos, direta ou indiretamente, no planejamento, preparo e execução do massacre dos atletas olímpicos. A missão não previa a captura de ninguém. Tratava-se, pura e simplesmente, de levar o terror aos terroristas. Decisão muito semelhante, independente de ordens de quem quer que seja, foi adotada nos anos 70 por aquele grupo de militares e civis que, no Brasil, nas cidades e nos campos combateu o terrorismo, os seqüestros, os assassinatos seletivos, os assaltos e os justiçamentos.
Mike Harari, um dos veteranos agentes do Departamento de Operações do MOSSAD foi incumbido da tarefa de matar os que mataram.
O primeiro a morrer foi Adel Wael Zwaiter, em Roma, em outubro de 1972, apenas um mês após o Massacre de Munique. Nos 10 meses seguintes a equipe de Mike Harari matou 12 palestinos do Setembro Negro, em Paris, Roma e Nicócia, no Chipre. Além disso, dois comandantes do Setembro Negro – Muhammad Najjar e Kamal Adwan -, bem como o porta-voz da OLP, Kamal Nasser, foram mortos em suas casas, no centro de Beirute, em 10 de março de 1973, por um comando Sayeret, em uma operação organizada conjuntamente pelo AMAN e MOSSAD.
Em julho de 1973, no entanto, a equipe de Mike Harari cometeu um terrível erro, que pôs fim à operação. Em Lillehammer, pequena cidade da Noruega, foi morto um garçon marroquino, na noite de 21 de julho, confundido com Ali Hassan Salameh, oficial de operações do Setembro Negro na Europa e comandante da Força 17, uma unidade da OLP responsável pela segurança de Yasser Arafat. Seis agentes do MOSSAD foram presos pela polícia norueguesa e encontradas provas que ligavam o grupo aos assassinatos sem solução de palestinos em diversos países. Somente Mike Harari conseguiu escapar da Noruega.
Cerca de cinco anos depois, em 22 de janeiro de 1979, outra equipe israelense estacionou um carro cheio de explosivos à beira de uma estrada, em Beirute, e o detonaram, por controle remoto, no exato momento em que outro carro passava pelo local. O terrorista Ali Hassan Salameh e seu carro foram pulverizados.
Sabe-se que a CIA não ficou satisfeita com essa operação, pois Ali Hassam Salameh era a ligação secreta entre a OLP e a CIA. Esse fato comprova que os Serviços de Inteligência, assim como as nações, não têm amigos. Apenas interesses frios e objetivos.
O aspecto espantoso da história do LAKAM (Departamento de Ligação Científica) é que, apesar de todas as suas atividades de espionagem, as agências de Inteligência estrangeiras parece nunca terem tido conhecimento de sua existência. O LAKAM tornou-se parceiro da África do Sul em projetos clandestinos, inclusive a pesquisa nuclear e de mísseis.
A especialidade do LAKAM era adaptar – e não apenas copiar – as invenções de outros países. Assim, o míssil MD-660, fornecido pela França, gerou uma família de mísseis: primeiro, o Luz; depois, o Jericó.
Após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, o presidente Charles de Gaulle impôs a Israel um embargo de armamentos, recusando-se até mesmo a entregar munição, embarcações e aviões que Israel já havia pago. As cinco lanchas lançadoras de mísseis adquiridas pela pequena Marinha israelense antes do anúncio do embargo, ficaram retidas no porto de Cherbourg. O impasse diplomático para a entrega dessas embarcações foi resolvido quando o MOSSAD adotou a ação direta. Agentes secretos, que haviam verificado todos os pontos vulneráveis do estaleiro de Cherbourg, conduziram algumas dezenas de militares da Marinha israelense à França, em fins de 1969 e, na véspera do Natal, o grupo apossou-se das lanchas, levando-as para o porto de Haifa, em Israel, a uma distância de cinco mil quilômetros. A parte burocrática da operação, incluindo falsos contratos e outros documentos, foi resolvida por empresas do Panamá controladas pelo MOSSAD.
O LAKAM tinha o sentimento de tomar tudo o que precisava mas não conseguia obter através de negociações. O roubo, o suborno e outros esquemas ilegais sempre foram usados para obter tesouros valiosos que ninguém se dispunha a vender.
Uma dessas manobras ocorreu na Suíça, onde o Adido Militar de Israel, coronel Dov Sion – que por acaso era genro do general Moshe Dayan – recrutou um engenheiro suíço, Alfred Fravenknechet, que trabalhava em uma fábrica de motores para o avião francês Mirage.
Seis meses depois, Israel contava com um novo avião de guerra, o Nesher, que aproveitava um pouco da tecnologia do Mirage. A 29 de abril de 1975, Israel apresentou orgulhosamente o seu mais novo caça a jato, o Kfir, que tem extraordinária semelhança com o Mirage.
A reputação do LAKAM na comunidade de Inteligência israelense adquiriu proporções míticas na década de 70, e havia a convicção disseminada de que Israel alcançaria seu objetivo de entrar para o seleto clube nuclear através do reator de Dimona – montado em instalações ultra-secretas no deserto de Negev -, cedido pela França em 2 de outubro de 1957, através de um documento secreto assinado pelo Primeiro-Ministro Bourge-Maunnoury, 24 horas antes de ser substituído no cargo.
* Historiador
Dados bibliográficos: Noticiário da imprensa nacional e internacional e livro “Todo o Espião é um Príncipe”, Imago Editora, 1991, de Dan Ravin e Yossi Melman.
DILMA SOB FOGO AMIGO - 23/01/2015
Reportagem do Estado revela que, em defesa apresentada ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre sua participação no episódio da compra da Refinaria de Pasadena, no Texas, o ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli procura se eximir, e à Diretoria Executiva que comandava, de qualquer responsabilidade pelos azares da transação e argumenta que o Conselho de Administração da estatal, então presidido pela ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff, que autorizou a aquisição em 2006, deve ser responsabilizado pelos prejuízos decorrentes do contrato Gabrielli sugere ainda que todos os integrantes do Conselho em 2006 sejam ouvidos no processo e, a exemplo do que já ocorre com os membros da Diretoria Executiva, tenham seus patrimônios congelados. Trocando em miúdos, o ex-presidente da Petrobrás entende que Dilma Rousseff, na posição que então ocupava, foi a principal responsável pela compra sobrefaturada e pelo prejuízo de quase R$ 1 bilhão sofrido pela estatal apenas nessa ocasião.
Esse novo episódio do escândalo da Petrobrás é apenas mais um da intensa troca de fogo amigo dentro do lulopetismo, desde que se tornou inevitável que, a exemplo do que ocorreu com o mensalão, as investigações sobre a corrupção na maior estatal brasileira levem à barra dos tribunais, e certamente às grades, novo e seleto time de figurões do partido de Lula. Começou, portanto, a fase do salve-se quem puder.
O envolvimento da presidente da República no rumoroso escândalo da Petrobrás é mais do que provável. Não significa que Dilma Rousseff tenha entrado na partilha que beneficiou os sócios do enorme esquema de corrupção que a Operação Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF), com apoio da Polícia Federal (PF), vem desvendando desde março do ano passado. A chefe do governo, infelizmente mais por palavras do que por atos, tem demonstrado repulsa pela ação de delinquentes travestidos de homens públicos que se dedicam à rapinagem do erário. Jamais seguiu o exemplo de seu antecessor e criador no tratamento complacente de notórios larápios, inclusive alguns investigados e presos pela Lava Jato.
Mas o fato é que a participação de Dilma na gestão da Petrobrás, pelo menos desde sua investidura no Ministério de Minas e Energia, nos primeiros dois anos e meio da era Lula, e depois na chefia da Casa Civil e na concomitante presidência do Conselho de Administração da estatal, até assumir seu primeiro mandato presidencial - toda essa experiência junto ao comando da petroleira, principalmente para uma "gerentona" considerada centralizadora, exigente e detalhista -, torna evidente duas coisas. A primeira é que é inconcebível que Dilma Rousseff não tivesse alguma noção do amplo, geral e irrestrito esquema de corrupção que atuava com desassombrado desembaraço nas entranhas da empresa tomada de assalto pelo PT e aliados. A segunda é que Dilma Rousseff, à luz fria da lei, é responsável pelos atos praticados sob sua gestão e supervisão.
É por isso que Dilma está envolvida no escândalo. Para fugir dessa evidência só lhe restaria o recurso - que a lei não acataria, por ser ela responsável por seus atos - de admitir publicamente que, como ministra, presidente do Conselho de Administração e presidente da República, jamais teve contato com a administração da maior estatal brasileira.
Não é apenas a chefe do governo que gostaria de ser acometida de miopia seletiva. Uma comissão interna de apuração da Petrobrás que se dedicou a investigar o episódio da suspeitíssima compra da Refinaria de Pasadena apresentou relatório, em março do ano passado (na mesma época em que a Lava Jato iniciava suas investigações), divulgado agora pela revista Veja, no qual apresenta uma lista de ações que resultaram em prejuízo para a empresa, mas limita-se a apontar "falhas" de gestão, sem jamais se referir a "irregularidades". São mencionados no relatório os diretores hoje presos no curso das investigações da Lava Jato, como Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, mas em momento algum os auditores internos levantam qualquer suspeita sobre a motivação das "falhas". É munição para o fogo amigo.
A INTELIGÊNCIA ISRAELENSE - ( I ) - 23/01/2015
Alguns detalhes sobre os Serviços de Inteligência de Israel, considerados os melhores do mundo
O Serviço de Inteligência é a batalha das mentes e cérebros e a função dos equipamentos é ajudar o ser humano em seu desafio conceitual. Mas na integração do homem e da máquina o fator humano é decisivo, mormente no Serviço de Inteligência” (Meir Amit, diretor do MOSSAD de 1963 a 1968).
Trinta e dois séculos após Moisés ter acatado a ordem de Deus, escolhendo 12 eminentes israelitas para se infiltrarem na Terra Prometida, o Estado de Israel foi criado, em 1948, e Ben Gurion, seu primeiro presidente, fez exigências rigorosas a seus agentes secretos: que fossem motivados pelo patriotismo; que representassem os melhores aspectos da sociedade israelense; que obedecessem ao postulado singular de comedimento; e que se lembrassem que defendiam uma democracia e não um Estado monolítico.
Nesse sentido, Israel é um país singular sob muitos aspectos, um dos quais tem sido o total apoio de seus cidadãos aos Serviços de Inteligência, considerados entre os melhores do mundo.
Os Serviços de Inteligência de Israel, assim como os de outras nações, são um reflexo de suas sociedades, das quais trazem seu poder de inspiração. Cada país possui uma estrutura de Inteligência moldada à sua própria imagem, refletindo a índole e as características culturais da Nação.
O que está no centro dos Serviços de Inteligência de Israel, diferenciando-os dos demais serviços de qualquer outra Nação, é a imigração. Desde a sua formação a comunidade de Inteligência de Israel empenhou-se em proteger os judeus em todo o mundo e ajudá-los a emigrarem para sua Pátria bíblica.
Quem pode imaginar a CIA, por exemplo, com a tarefa de proteger cada possuidor de passaporte dos EUA através do mundo?
A tarefa de defender não apenas o Estado, mas também “todo o povo de Israel” é a missão precípua dos Serviços de Inteligência de Israel: MOSSAD (Inteligência Externa, criado em 1951), AMAN (Inteligência Militar, criado em 1949), SHIN BET (Segurança Interna, criado em 1948), Serviço de Ligação (para a Imigração Judaica, criado em 1958), LAKAM (com a função primária de resguardar o programa nuclear secreto e obter dados científicos e tecnológicos no exterior, criado em 1957) e Departamento Político do Ministério do Exterior, criado em 1948.
Desde sua criação, o Estado de Israel vê-se cercado por um círculo de nações árabes hostis. Todas essas nações, todavia, possuem minorias étnicas e religiosas e Israel sempre pôs em prática o desenvolvimento de amizades com essas minorias, que sofrem, como Israel, em maior ou menor grau, com a ascensão do nacionalismo e radicalismo árabes. A idéia por trás dessa tática pode ser resumida em uma frase: “os inimigos do meu inimigo são meus amigos”.
Qualquer força que lute ou se oponha ao nacionalismo árabe é considerada por Israel uma aliada em potencial: a minoria maronita no Líbano, os drusos na Síria, os curdos no Iraque e os cristãos do Sul do Sudão, todos sofrendo o jugo das maiorias muçulmanas de seus países. O conceito de manter contato com todos eles tornou-se conhecido para as lideranças israelenses como “a aliança periférica”.
Desde 1951, quando foi criada, a agência externa, o MOSSAD, possui acordos de cooperação com a CIA. Mas a grande abertura dos altos escalões dos Serviços de Inteligência ocidentais para com o MOSSAD decorreu de uma vitória conseguida na Europa em 1956, quando os israelenses conseguiram superar a CIA, o MI6 inglês, franceses, holandeses e outros Serviços de Inteligência ocidentais que buscavam o texto de um discurso: o discurso secreto pronunciado por Nikita Kruschev no XX Congresso do PCUS, em fevereiro de 1956, que praticamente sepultou a era Stalin ao relatar, pela primeira vez, os horrores dos gulags, dos julgamentos encenados, dos assassinatos e das deportações de populações inteiras.
A partir de então, a reputação do MOSSAD tornou-se uma lenda.
Em suas memórias, Isser Harel, que dirigiu o MOSSAD de 1952 a 1963 e o SHIN BET de 1948 a 1952, escreveu: “Fornecemos a nossos equivalentes americanos um documento que é considerado uma das maiores realizações na história da espionagem: o discurso secreto, completo, do 1º Secretário do PCUS”. Harel, entretanto, não revelou como conseguiu o discurso.
Como qualquer outro país, o MOSSAD possui agentes secretos trabalhando nas embaixadas, sob cobertura diplomática. Onde não é possível estabelecer relações oficiais ou estas são cortadas por divergências políticas, os diplomatas alternativos do MOSSAD desempenham tarefas que normalmente não são da competência dos Serviços de Inteligência. Especificamente, na África, a CIA forneceu milhões de dólares para financiar as atividades clandestinas de Israel, pois sempre foram consideradas do interesse geral do Ocidente.
De acordo com o conceito periférico do primeiro diretor do MOSSAD, os vínculos sigilosos de Israel com a Etiópia, Turquia e Irã nunca deixaram de existir. Tanto Israel quanto o Irã ajudaram a revolta dos curdos contra o governo do Iraque; agentes do MOSSAD no Iêmen do Sul ajudaram os realistas a combater os egípcios; no Sul do Sudão aviões israelenses lançaram suprimentos para os rebeldes cristãos; e, no fundo da África, o MOSSAD operou num lugar tão distante como Uganda, em outubro de 1970, ajudando Idi Amin a depor o presidente Milton Obote.
Em todos os países há Estações do MOSSAD, sempre operando sob a cobertura diplomática, dentro das embaixadas. O chefe da Estação, todavia, não comunica suas atividades ao embaixador e remete seus relatórios diretamente para o MOSSAD, em Tel-Aviv. Suas missões incluem ligações oficiais com os Serviços de Inteligência do país-anfitrião, mas também operam suas próprias redes, sem o conhecimento do país-anfitrião.
A ênfase em atividades semi-diplomáticas concentra-se basicamente em dois continentes: África e Ásia.
O sucesso do SHIN BET em controlar os territórios tomados em junho de 1967, na Guerra dos Seis Dias (margem ocidental da Jordânia, Sinai e Faixa de Gaza do Egito, e as colinas de Golan) teve um preço: a sociedade israelense passou a ser julgada no mundo exterior pelo que se podia observar a respeito de sua política de segurança. A subversão e os atentados com os homens e mulheres-bomba foram e vêm sendo esmagadas, mas a boa vontade para com Israel no resto do mundo diminui, graças, fundamentalmente, à mídia. Em vez de admirado por grande parte da opinião política internacional, o Estado judaico tornou-se abominado para muita gente.
O SHIN BET, forçado pelas circunstâncias passou a ser encarado como uma força opressora de ocupação. Teve que aumentar seus efetivos, os critérios de recrutamento foram facilitados e o perfil social de seu pessoal mudou. Os novos agentes baseavam sua atuação mais na força do que na inteligência. A natureza diferente da missão também determinou novos métodos. Numa época em que dois mil árabes era detidos para interrogatórios, em que carros explodiam e hotéis e aviões passaram a ser alvo dos terroristas, o essencial era extrair informações tão rápido quanto possível. O fator tempo – aliás, como em todas as guerras sujas - passou a ser o elemento mais importante e a ação rápida passou a exigir a brutalidade. Isso também ocorreu no Brasil na guerra suja dos anos 70.
Em 23 de julho de 1968, um Boeing 707 da El AL, num vôo de Roma para Tel-Aviv, foi seqüestrado e aterrisou na Argélia. Os seqüestradores eram três árabes, militantes da Frente Popular pela Libertação da Palestina. Esse foi o primeiro e último seqüestro bem sucedido de um avião israelense. A partir daí Israel introduziu um esquema de segurança radicalmente novo em seus aviões de passageiros, colocando homens do SHIN-BET, armados, em cada vôo, viajando em poltronas comuns, disfarçados de passageiros, tornando a EL AL a empresa mais segura do mundo.
O mundo, no entanto, só tomou conhecimento dessas medidas quando um desses agentes respondeu a um ataque terrorista, em Zurique, em fevereiro de 1969, na pista do aeroporto de Kloten.
Em 1968, Meir Amit, diretor do MOSSAD desde 1963, foi surpreendentemente substituído pelo general Zvi Zamir, sem experiência anterior no Serviço de Inteligência. Segundo as especulações, ele havia sido substituído por ser eficiente demais. Os líderes do Partido Trabalhista, então no Poder, não desejavam um chefe do Serviço de Inteligência que fosse forte demais...
Dados bibliográficos: Noticiário da imprensa nacional e internacional e livro “Todo o Espião é um Príncipe”, Imago Editora, 1991, de Dan Ravin e Yossi Melman.
A ILUSÃO DO HORÁRIO ELEITORAL - 20/01/2015
Sou parlamentarista. Defendi na Constituinte, a adoção do sistema parlamentar de
governo, assim como em meu livro preparado para 66 deputados/senadores, a pedido
deles, editado pela Editora Forense e intitulado “Roteiro para uma Constituição”.
Apesar de ter havido consulta popular sobre sua implantação, em que se mesclou o
debate do tema com o retorno à monarquia, algo que, certamente, prejudicou a
isenção da discussão, vale a pena relatar uma experiência ocorrida em 1962/83, que
passo a encampar.
Em 1962, presidi o diretório metropolitano do Partido Libertador tendo, com o apoio da
direção nacional (Deputado Raul Pilla e Senador Mem de Sá), vencido as eleições para
dirigi-lo em São Paulo. Apenas deixei a política definitivamente em 1965, quando da
edição do Ato Institucional nº 2, que extinguiu os partidos existentes, criando dois
conglomerados (Arena e MDB).
Naquele ano, foi instituído o horário gratuito. O primeiro programa abriu a polêmica
quanto a devermos ou não continuar com o parlamentarismo de ocasião, então
vigente, ou voltar ao presidencialismo. Participei desses programas criticando o
presidencialismo - o PL era o único partido favorável ao regime parlamentar -, mas
tecendo críticas também ao desfigurado sistema parlamentar brasileiro. Aconselhei o
eleitor a não dizer nem sim, nem não, mas “talvez”, naquele plebiscito.
No ano seguinte, apresentei 60 candidatos a vereador, depois de ter criado uma
Comissão com professores universitários, para aferir os predicados culturais e o
conhecimento de política nacional do candidato, além de, mediante pesquisas
paralelas, sua idoneidade.
Como à época, os candidatos exibiam-se AO VIVO, durante as programações, os do PL
foram aqueles que tiveram maior participação, pois mais habilitados a expor suas
idéias, segundo o programa elaborado pelo partido. Abreu Sodré até chegou a brincar
comigo, afirmando que eu queria fazer do PL uma Academia e não um partido político.
De último colocado nas eleições anteriores, conseguimos formar a terceira bancada,
perdendo apenas para o PSP, de Ademar de Barros e para a UDN, do próprio Sodré.
É que o eleitor avaliava os candidatos por aquilo que eram, sem a intervenção de
marqueteiros. Cheguei a presidir um Colégio de presidentes dos diretórios
metropolitanos dos diversos partidos, na luta contra as emissoras de TV, para garantir a exibição de nossos programas em horários nobres, tendo recebido o apoio do
presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Desembargador Euler Bueno.
Os programas se justificavam, então.
Hoje, não. Os horários gratuitos transformaram-se numa indústria de marqueteiros,
em que o que de menos verdadeiro existe é a imagem que criam de seus candidatos,
todos eles predestinados, por sua “honestidade, competência, descortínio, cultura e
inteligência”, a se transformar, se eleitos, em grandes figuras da história do País.
A cinematografia dos programas gratuitos é de tal ordem, que qualquer candidato
ganha perfil de herói dos personagens de filmes hollywoodianos, que nada têm a ver
com os artistas que os encenam. Assim são apresentados os candidatos produzidos por
tais manipuladores da opinião pública, com o objetivo de conquistar o eleitor, pouco
importando se aquele retrato é verdadeiro ou não, pois o que interessa é passar a “boa
imagem” de seu contratado ao cidadão desprevenido, para que ganhe a eleição.
Por esse motivo, defendo que tais horários - que interferem na decisão de considerável
parte dos eleitores - voltem a ter a característica de seus primeiros tempos, quando os
candidatos apresentavam-se ao vivo e se mostravam como eram, sem a participação
dos manipuladores de imagens eleitoreiras.
À evidência, não sou contra o trabalho de tais especialistas, desde que atuem na
produção de novelas ou filmes ou qualquer outra atividade que gere distração ao
público. Mas, decididamente, não aprovo que utilizem sua técnica para influenciar o
eleitor, criando fotografias “alcandoradas” de candidatos a fim de transformar a
realidade numa triste fantasia. Esse procedimento deságua na eleição de pessoas que,
no exercício do poder, têm provocado decepção e desesperança no espírito do eleitor
brasileiro, que não confia nos políticos eleitos.
Acresce-se que quanto mais alianças um candidato fizer com os 32 desfigurados
partidos políticos, mais terá condições de enganar o eleitorado, pois o tempo pago
pelos contribuintes será maior. Como não há no mundo 32 filosofias políticas
diferentes, à nitidez tais conglomerados de políticos existem para gozar de um “poder
de negociação” em que os interesses individuais valem mais que o interesse público.
É matéria a ser meditada, principalmente pela Justiça Eleitoral.
* Advogado tributarista, professor emérito da Universidade Mackenzie e professor honoris causa do Centro Universitário FIEO. É membro da Academia Paulista de Letras e da Ordem dos Advogados, secção de São Paulo.
BNDES -O ROMBO - QUANDO É A FALÊNCIA? - 17/01/2015
Fala-se muito em rombo do BNDES. Alguns falam em até R$ 1 trilhão a ladroagem do maior banco de fomento do País. Tem ladroagem, sim. Isto não tenho nenhuma dúvida. O MPF investiga a relação incestuosa do presidente do Banco com a instituição BNDES. Também, é de conhecimento público a ascendência do Lula sobre o Luciano Coutinho.
Com relação à relação promíscua entre o Luciano Coutinho e o BNDES, se refere à empresa de consultoria que elabora os projetos de financiamento junto ao Banco. A ex-empresa de consultoria é contratada para ter sucesso no financiamento. A empresa tinha como sócio o próprio Luciano Coutinho até assunção dele como presidente do Banco. Nada há de ilegal, uma vez que o Luciano Coutinho não é mais sócio daquela empresa de consultoria. Mas tudo parece que os atuais sócios são "laranjas" do próprio.
O projeto do Lula tentar criar os maiores "players" brasileiros atuando no mundo com o PSI - Programa de Sustentação de Investimentos, criado por ele LULA no auge da crise financeira mundial em 2009, nada haveria de anormal, se não funcionasse como Bolsa Empresário.
Para criar "players" brasileiros, o BNDES emprestou e empresta a alguns poucos privilegiados a juros de 3,5% ao ano, enquanto o Tesouro paga Selic, hoje em 11,75% ao ano, para captar os mesmos recursos.
O Tesouro injetou no BNDES, segundo balanço semestral de 2014, exatos R$ 431,4 bilhões, nominal. Isto é o valor que foi injetado, sem considerar a equalização de juros. No apagar das luzes de 2014, Dilma autorizou injeção de mais R$ 30 bilhões no mesmo esquema do PSI, somando hoje R$ 461,4 bilhões.
Nada haveria de anormal se a injeção do dinheiro fosse na forma de investimento da parte da União. A crítica de analistas econômicos, na qual eu me incluo, é que a injeção de recursos da União está sendo feito em forma de "empréstimos" do Tesouro para o BNDES. O Tesouro capta o recurso no mercado pagando juros Selic e empresta ao BNDES. O empréstimo feito pelo Tesouro no mercado para este fim não entra no cômputo da dívida pública líquida.
Desta forma o dinheiro repassado pelo Tesouro para o BNDES sob forma do PSI, não entra também como despesa da União. Resumindo, os R$ 461,4 bilhões estão na contabilidade do Tesouro e do BNDES como uma espécie de "volume morto". O volume de dinheiro é de responsabilidade, portanto, do contribuinte.
Os principais recursos do BNDES para empréstimos vem do Tesouro em forma de PSI, do FAT, do Fundos PIS/PASEP e do Fundo de Marinha Mercante e de outros fundos constitucionais. No total, considerando o empréstimo do Tesouro, o passivo do BNDES é de cerca de R$ 544 bilhões. Em tese, este é o montante que está no risco do BNDES e em consequência do contribuinte. No entanto, o BNDES, pelo menos em cima do papel está enquadrado nas regras do BIS, banco central dos bancos centrais.
Na coluna de ativos constam como realizável a Curto e Longo Prazo, cerca de R$ 300 bilhões em empréstimos diretos do BNDES e cerca de R$ 217 bilhões em empréstimos com aval dos agentes financeiros. Somado os ativos referentes aos empréstimos alcança R$ 517 bilhões. Ainda na coluna de ativos consta a aplicação, no dia 31 de julho de 2014, em ações das empresas com financiamento no Banco, no montante de R$ 66,9 bilhões e R$ 10,4 bilhões em debêntures.
O problema de tudo isto é que o Patrimônio Líquido do sistema BNDES, incluindo BNDESpar, é de R$ 74,1 bilhões em 31 de julho de 2014. Outro problema grave é com referência à qualidade do crédito de responsabilidade direta do BNDES no montante de R$ 300 bilhões. O crédito referente ao repasse às instituições financeiras no montante de R$ 217 bilhões não tem tanta preocupação. Não se sabe qual é o percentual de "empréstimos podres" dentre os R$ 300 bilhões.
No mercado financeiro, até o engraxate da BMFBovespa sabe, de duas verdades. A primeira verdade é de que o presidente Lula teria intermediado a negociação de empréstimos do PSI no montante de R$ 300 bilhões, da parte do empréstimo direto do BNDES. Se realmente houve, qualquer 3% daria R$ 9 bilhões de comissionamento para o Lula. Isto merece investigações por parte do TCU e MPF, mas negadas pelo BNDES. Para ser negado acesso às informações para os órgãos de controle da União, é de supor que o "boato" do engraxate deve ser verdadeiro.
A segunda preocupação do mercado é quanto à natureza das garantias oferecidas pelos tomadores preferenciais dos empréstimos do sistema BNDES. Muitos dos empréstimos destinados aos amigos do Lula e do Palácio do Planalto, as garantias são as próprias ações das companhias. São empréstimos no montante de R$ 300 bilhões com alto risco de não receber de volta o empréstimo. Comenta-se que cerca de R$ 100 bilhões é quase como crédito podre. O montante é superior ao Patrimônio Líquido do sistema BNDES.
O rombo só vai aparecer no decorrer dos próximos anos, pois que o financiamento concedido pelo Banco é de longo prazo. Alguns antes, como foi o caso dos empréstimos de R$ 10,6 bilhões concedidos ao grupo OGX. Outra empresa que tem um passivo próximo de R$ 30 bilhões com o sistema BNDES é o grupo JBS/Friboi, a juros subsidiados de 3,5% ao ano. A empresa com dificuldade econômica conhecida no mercado que tem passivo alto junto ao sistema BNDES é a empresa de telefonia Oi. A Construtora Odebrecht, em dificuldade por conta da Operação Lava Jato, tem também tem passivo muito alto junto ao BNDES.
Curiosamente, essas empresas falidas ou em dificuldade financeira conta com o apoio explícito do Lula. Não, Lula não é sócio dessas empresas como comentam, mas apenas intermediário nas operações de financiamentos e refinanciamentos. Digamos, que o Lula deve ter amealhado, no mínimo, R$ 5 bilhões em intermediações no BNDES. Claro, os depósitos estão nas contas nos paraísos fiscais, por orientação do Henrique Meirelles, principal executivo do JBS/Friboi.
Ufa, consegui fazer o resumo do assunto complexo como este. Será que consegui fazê-los entender? Preocupa, não, se não entender o assunto na primeira leitura. O assunto é para quem tem vivência no mercado financeiro.
A LEGITIMAÇÃO DO MAL - 16/01/2015
Os recentes atos terroristas perpetrados na França por fundamentalistas islâmicos levam a reflexões importantes, pois envolvem situações globais que atingem indivíduos isoladamente ou mesmo populações inteiras.
Para começar lembremos que a liberdade é essencial à vida, uma espécie de oxigênio que permite viver com dignidade. É fruto da sociedade ocidental capitalista, do Estado Liberal que evoluiu para o Estado Democrático de Direito. É um bem precioso que foi conquistado aos poucos, lembrando que sistemas totalitários como o comunismo e o nazismo extinguiram a liberdade e massacraram os que tentaram exercê-la, assim como os regimes ditatoriais.
Mas existe limite à liberdade de expressão? Pode a mídia ser antissemita, racista, achincalhar, insultar, tripudiar sobre valores incluindo os religiosos? E não me venham dizer que não posso perguntar isso ou que estou do lado do terror. Tenho direito de me expressar livremente enquanto o ministro petista Berzoine não baixar a cesura total.
Que fique bem claro de minha parte, que as charges sem graça e de péssimo gosto jamais justificariam a chacina dos chargistas levada a cabo pelos irmãos terroristas Chérif e Said Kouachi, na redação do jornal Charlie Hebdo, em Paris. Defender o terrorismo e legitimar o mal é característica da esquerda primitiva e acéfala que culpa os franceses, os Estados Unidos, os judeus, a islamofobia, a direita pelos brutais assassinatos em nome da fé. Tudo indica que os grupos fundamentalistas sendo totalitários, expansionistas, tribais, medievais atraem irresistivelmente a esquerda que encontra naquelas organizações fanáticas ecos do seu próprio modo de ser, identificando-se com as mesmas.
Seguiram-se às mortes dos jornalistas o assassinato de quatro judeus em um supermercado Kosher, pelo terrorista, Amedy Coulibaly e sua amante, Hayat Boumeddiene. As quatro vítimas chamavam-se: Yoav Hattab, 21, Yohan Cohen, 20 (que salvou uma criança de três anos quando lutou com o terrorista), Philippe Braham, 45 e François Saada, 64.
Lembra Gilles Lapouge sobre os judeus na França (O Estado de S. Paulo, 14/01/2015), que “fundidos na sociedade francesa e sentindo-se franceses até a raiz dos cabelos, seus talentos (Bergson, Lévi-Strauss, Mendés France, Léon Blum, Montaigne e outras milhares de centenas de pessoas) levaram à incandescência o gênio da França, à beleza de sua civilização – excluindo, claro, o vergonhoso espetáculo da ocupação nazista (1940 – 44) quando o general Pétain empreendeu uma campanha de perseguição aos judeus”.
Contudo, passado um dia ou dois dos ataques terroristas tudo voltou ao normal e as afrontas, as agressões e ameaças aos judeus se multiplicaram. Uma contradição, sem dúvida, pois se milhões de franceses foram às ruas para defender a liberdade de expressão, por que alguns negam a outros a liberdade de existir?
Um dos irmãos Kouachi também matou o policial Ahmed Merabet, um mulçumano que ferido e deitado no chão pediu clemência, mas levou um tiro na cabeça. Coulibaly, um dia antes de entrar no Koscher atirou em dois policiais, sendo que a agente Clarissa Jean-Philippe, de 25 anos, morreu.
Os franceses acorreram às ruas para defender um valor que lhes é caro, a liberdade ou para defender sua sobrevivência. Afinal, o ato terrorista se deu dentro do seu território e atingiu o chamado Quarto Poder. Porém, há uma legitimação do mal que não é só apanágio da esquerda diante das facções jihadistas ou guerra santa. Afirmo isso porque houve mais espanto do que manifestações mundiais quando emissários de Bin Laden derrubaram as Torres Gêmeas em 11 de novembro de 2001. Atualmente ninguém se comoveu com o sequestro e assassinato de três jovens Israelense, ao que tudo indica pelos terroristas do Hamas cujo objetivo é dar fim a israel. Mulçumanos matam mulçumanos e fica por isso mesmo entre eles. O Boko Haram sequestra jovens que são estupradas, mantidas como escravas, vendidas, além de dizimar populações inteiras a ferro e fogo, algo que parece apenas uma notícia longínqua que não interessa a ninguém. Outras facções do Islamismo radical seguem atuantes como o Taleban e agora entra em cena o Estado Islâmico com seus degoladores, crucificadores de cristãos, experts em todo tipo de atrocidades. Isso se dá sob a indiferença, legitimação ou aceitação das maiorias que aguardam sua vez de se submeter. Afinal, Islã quer dizer submissão.
Está na hora do mundo se movimentar para valer em vez de ficar esperando a ação dos Estados Unidos para depois criticá-la. E nem menciono o Brasil porque aqui a governanta quer diálogo com o terror, como se isso fosse possível, enquanto já se diz que fundamentalistas recrutam jovens em nossas favelas. Só falta Maria do Rosário declarar que terroristas desumanos têm direitos humanos.
*Socióloga.
FRENTE - TÁTICA PERMANENTE DOS PARTIDOS COMUNISTAS - 12/01/2015
"Não seríamos verdadeiros comunistas se não soubéssemos modificar inteiramente nossa tática de conformidade com o momento. Todos os recuos, todos os zig-zags de nossa tática tem um único fim: a revolução mundial". (Giorgy Dimitrov, Secretário-Geral da III Internacional na década de 30).
A incredulidade de seus adversários é a maior arma dos comunistas
Os princípios segundo os quais é organizada uma Frente Comunista são semelhantes a uma série de círculos concêntricos. Ao centro situa-se o partido da classe operária, composto tanto por comunistas conhecidos como por cripto-comunistas.
Em torno desse seleto núcleo central estão os companheiros de viagem, ou seja, pessoas que apóiam a filosofia, os objetivos, a tática e a organização do partido, mas que, por quaisquer motivos, não se submetem à disciplina partidária, talvez por não terem ainda atingido o ponto de completa entrega pessoal.
Os simpatizantes, por sua vez, mostram-se contrários a alguns aspectos do comunismo, mas reconhecem que nele há “coisas boas, aspectos positivos que correspondem aos interesses das classes trabalhadoras”, bem como que é plausível a associação com os comunistas para determinadas reivindicações. Alimentam a esperança de que, trabalhando ao seu lado, sendo tolerantes com eles, conseguirão, um dia, afastá-los de suas atividades extremadas. Nesse grupo pode ser incluído um bom número de religiosos, especialmente propensos a esse tipo de argumentação. Ou seja, como disse Winston Churchil, “alimentam um crocodilo na esperança de serem comidos por último”.
Após os simpatizantes, existe a categoria dos pseudo-liberais, cuja grande maioria é encontrada nas cátedras dos colégios e universidades. Freqüentemente, assim explicam sua posição: “Sou contra o comunismo. Sou contra as restrições comunistas à liberdade das pessoas e à livre manifestação do pensamento. Mesmo assim, ainda que abomine o que eles dizem e fazem, lutarei pelos seus direitos de expressão e organização, pois sou um democrata”.
Todos os partidos de esquerda sempre proclamaram a necessidade da união em uma Frente: as famosas “Frentes Populares”. Essa tática não é recente. Ela foi aprovada e determinada pelo VII Congresso da Internacional Comunista, em agosto de 1935. Jamais foi revogada e não deixou de ser utilizada, embora o comunismo tenha sido demolido em 1989, 1990 e 1991.
Um partido comunista é e sempre será o mesmo e, onde quer que exista, legal ou clandestino, lutará pela constituição de uma Frente em termos de um Programa Comum. Desde os anos 30, em qualquer parte do mundo, sejam quais forem as circunstâncias de sua existência – legal ou ilegal – os militantes passaram a repetir, de forma insistente, a palavra-de-ordem de formação de uma Frente, ou seja, de uma unidade dos comunistas com os demais setores democráticos que, assumido o Poder, serão expelidos.
A essência dessa tática consiste em descobrir lemas ou slogans populares que possam servir de base a uma atividade conjunta. Eles, os comunistas, nunca desprezarão quaisquer oportunidades históricas que lhes permitam buscar a unidade de forças, inclusive antagônicas sob o aspecto doutrinário, visando a obtenção de benefícios políticos, de conformidade, aliás, com a ética e moral comunistas.
“Unidade pela base para obter – como disse Lênin – um aliado de massas, ainda que temporário, instável, vacilante, pouco seguro e condicional”.
O objetivo principal dos comunistas, ao unir-se a não-comunistas, é conseguir um meio de obter acesso a setores da sociedade que, de outra forma, poderiam manifestar-se hostis ou inibidos.
Fiéis a essa tática, todos os partidos comunistas do mundo mantêm, sempre atualizado, um Programa-Mínimo contendo um elenco de reivindicações transitórias adaptado às condições objetivas de cada etapa da revolução e coerente com o grau de mobilização das massas.
É desnecessário recordar que o militante comunista é um profissional que desempenha compulsoriamente e em tempo integral uma tarefa proselitista e pastoral, para cujo exercício relega a um segundo plano a família, o lazer e quaisquer outras atividades. Essa é uma das qualidades que diferenciam o militante dos membros dos partidos políticos tradicionais – uma livre associação de homens livres. Livres para permanecerem ou retiraram-se de seus partidos na medida em que suas convicções ou opiniões coincidam ou não com as da maioria e, ademais, livres para fazer o que quiserem fora do limitado perímetro de uma militância voluntariamente aceita.
O nível de organização, a capacidade de exercer tarefas de agitação e propaganda objetivando a mobilização das massas e a homogeneidade de pensamento são outras qualidades dos partidos ou movimentos comunistas.
A circunstância de que a sua revolução social deva ser desencadeada antes ou depois de assumirem o Poder não passa de um irrelevante problema tático.
A finalidade da formação de Frentes é, em suma, buscar converter o maior número de pessoas em grupos de influência submetidos ao seu comando.
Os abaixo-assinados têm também muito valor para os partidos e grupos de esquerda, onde constem assinaturas de artistas, intelectuais e conhecidos liberais não-comunistas. Igualmente as concentrações de massas, as caminhadas e atos públicos nos quais esses mesmos liberais aparecem sempre nas chamadas comissões de frente.
Embora, na maioria dos casos, essas atividades não tenham nenhuma influência sobre a política governamental, os comunistas são sempre vitoriosos, pois criam uma situação na qual um grupo de liberais não-comunistas compartilha de seu fracasso.
Embora as palavras e as táticas sejam as mesmas através dos tempos, mudando apenas, como agora, o vermelho pelo rosa, muitas pessoas relutam em crer no que vêem, ouvem e lêem, incredulidade que se constitui no principal fator de força dos comunistas.
* Historiador
SEM TEOLOGIA NEM LIBERTAÇÃO - 09/01/2015
O estilo é o homem? Sim, e o é para o bem e para o mal. Para o bem, quando a análise revela, por trás das construções sintáticas e figuras de linguagem, a percepção viva de aspectos obscuros e dificilmente dizíveis da experiência humana, que assim emergem da nebulosidade hipnótica onde jaziam e se tornam objetos dóceis da meditação e da ação, transfigurando-se de fatores de escravidão em instrumentos da liberdade. Para o mal, quando nada mais se encontra por baixo da trama verbal senão o intuito perverso de construir uma “segunda realidade” à força de meras palavras, transportando o leitor do mundo real para um teatro de fantoches onde tudo e todos se movem sob as ordens do distinto autor, elevado assim às alturas de um pequeno demiurgo, criador de “outro mundo possível”.
Para demonstrá-lo, pedirei ao leitor a caridade de seguir até o fim esta exposição do sr. Leonardo Boff, conselheiro de governantes e, segundo se diz, até de um Papa, bem como, e sobretudo, porta-voz eminente de uma “teologia da libertação” onde não se encontra nenhuma teologia nem muito menos libertação:
“A pobreza não se restringe ao seu aspecto principal e dramático, aquele material, mas se desdobra em pobreza política pela exclusão da participação social, em pobreza cultural pela marginalização dos processos de produção dos bens simbólicos...
“A pauperização gera por sua vez a massificação dos seres humanos. O povo deixa de existir como aquele conjunto articulado de comunidades que elaboram sua consciência, conservam e aprofundam sua identidade, trabalham por um projeto coletivo e passa a ser um conglomerado de indivíduos desgarrados e desenraizados, um exército de mão-de-obra barata e manipulável consoante o projeto da acumulação ilimitada e desumana.
“Essa situação provoca um modelo político altamente autoritário... Somente mediante formas de governo autoritárias e ditatoriais se pode manter um mínimo de coesão e se abafam os gritos ameaçadores que vêm da pobreza.”
O trecho é extraído do livro E a Igreja se Fez Povo (Círculo do Livro, 2011, p. 167). Tudo o que aí se descreve realmente aconteceu. São fatos, e fatos tão bem comprovados historicamente, que não teríamos como recusar ao sr. Boff um definitivo “Amém”, se não nos ocorresse a idéia horrível de perguntar: Aconteceu onde e quando?
O segundo parágrafo fala-nos de algo que aconteceu na Europa nas primeiras décadas do século XIX: massas de camponeses reduzidos à miséria pelo rateio dos seus parcos bens e obrigados a deixar suas terras para vir à cidade compor um “conglomerado de indivíduos desgarrados e desenraizados”, reservatório de mão-de-obra barata para a prosperidade dos novos capitalistas. Karl Marx descreve em páginas que se tornaram clássicas a formação do proletariado urbano com os destroços do antigo campesinato, no começo da Revolução Industrial.
Mas justamente onde isso aconteceu não aconteceu nem pode ter acontecido o que se descreve no parágrafo anterior: a “pobreza política pela exclusão da participação social” e a “pobreza cultural pela marginalização dos processos de produção dos bens simbólicos”. Bem ao contrário, a vinda dos camponeses para as concentrações urbanas coincidiu com o advento das eleições gerais, não apenas convidando mas forçando a participação das massas numa política que lhes era totalmente desconhecida no tempo em que viviam no campo, isoladas dos grandes centros. E coincidiu também com a criação da instrução escolar obrigatória, que extraía os filhos dos proletários das suas culturas locais provincianas para integrá-los na grande cultura urbana da razão, da ciência e da tecnologia, substancialmente a mesma cultura das classes altas, dos malditos capitalistas. Pode-se lamentar a dissolução das velhas culturas locais, mas ela não aconteceu pela exclusão e sim pela inclusão das massas na vida política e na cultura urbana.
A “exclusão da participação social” e a “marginalização dos processos de produção de bens simbólicos” aconteceram, sim, mas a centenas de milhares de quilômetros dali, em países da África, da Ásia e da América Latina que viriam a ser chamados de “Terceiro Mundo” justamente porque neles não houve Revolução Industrial nenhuma, nem portanto integração das massas, seja na política, seja na cultura urbana. O sr. Boff cria a unidade fictícia de um espantalho hediondo com recortes de processos históricos heterogêneos e incompatíveis, ocorridos em lugares enormemente distantes uns dos outros. A única realidade substantiva desse monstro de Frankenstein é o ódio que o sr. Boff desejaria instilar contra ele na alma do leitor.
Mas a fisionomia do monstro não estaria completa sem uma terceira peça, que o sr. Boff vai buscar em outro lugar ainda:
“Esta situação, diz ele, provoca um modelo político altamente autoritário... Somente mediante formas de governo autoritárias e ditatoriais se pode manter um mínimo de coesão e se abafam os gritos ameaçadores que vêm da pobreza.”
Descontemos a imprecisão vocabular -- “provocam” em vez de “produzem” – e a sintaxe subginasiana: “esta” em vez de “essa” e “se pode manter um mínimo de coesão e se abafam os gritos” em vez de “se pode produzir um mínimo de coesão e abafar os gritos”. Vamos direto aos ponto essencial: é verdade que para controlar as massas esfomeadas surgiram governos autoritários, mas não na Europa da Revolução Industrial nem nos EUA da mesma época, onde justamente iam triunfando as instituições democráticas junto com o capitalismo nascente, e sim, bem ao contrário, em países subdesenvolvidos (ou empobrecidos pela guerra), que, invejando a prosperidade das nações industrializadas, mas não dispondo de uma classe capitalista pujante e criativa, resolveram industrializar-se às pressas e à força por via burocrática, desde cima, por meio do investimento estatal maciço e da economia planificada. Foi essa a fórmula econômica da Alemanha nazista, da Itália fascista e, obviamente, a de todas as nações socialistas queridinhas do sr. Boff. Foi também, pelas mesmíssimas razões, e embora em menor grau, a da ditadura Vargas e a do governo militar brasileiro.
Em suma, se fosse possível juntar o que há de mau nos países mais distantes, nos tempos mais diversos e nos regimes mais heterogêneos, teríamos aí o monstro ideal contra o qual o sr. Boff deseja voltar a ira da platéia. O sr. Boff aposta na possibilidade de que o leitor não repare na superposição postiça de recortes e, impressionado pela soma de maldades, acredite piamente estar vivendo entre as garras do monstro, tirando daí a conclusão lógica de que deve deixar-se libertar pelo sr. Boff.
Nisso, e em nada mais, consiste a “teologia da libertação”. A técnica da superposição é, a rigor, o único procedimento estilístico e dialético do sr. Boff e o resumo quintessencial do seu, digamos, pensamento. Podemos encontrá-la, praticamente, em cada página da sua autoria, onde em vão procuraremos outra coisa.
Já poucas linhas adiante temos outro exemplo, no trecho em que ele usa a figura de S. Francisco de Assis como protótipo do revolucionário que ele mesmo pretende ser. O leitor, paciente e bondoso, por favor, siga mais este paragrafinho:
“Tal atitude [a de S. Francisco ao rejeitar os bens do mundo] corresponde à do revolucionário e não a do reformador e do agente do sistema vigente. O reformador reproduz o sistema, introduzindo apenas correções aos abusos por meio de reformas.... O que [Francisco] faz representa uma crítica radical às forças dominantes do tempo... Não optou simplesmente pelos pobres, mas pelos mais pobres entre os pobres, os leprosos, aos quais chamava carinhosamente ‘meus irmãos em Cristo’.”
Francisco aparece aí, pois, como o revolucionário que em vez de servir ao sistema vigente busca destruí-lo e substituí-lo por algo de totalmente diverso. Nem discuto a inverdade histórica, que é demasiado patente. S. Francisco jamais se voltou contra o sistema hierárquico da Igreja, mas, ao contrário, fez da sua ordem mendicante o instrumento mais dócil e eficiente da autoridade papal. Para usar os termos do próprio Boff, corresponde rigorosamente à definição do “reformador” e não à do “revolucionário”. Mas o ponto não é esse. A coisa mais linda é que, segundo o sr. Boff, quando Francisco se aproxima não somente dos pobres, mas “dos mais pobres entre os pobres”, isto é, dos leprosos, há nisso um claro protesto contra a hierarquia social. Mas desde quando a lepra escolhe suas vítimas por classe social? Não eram leprosos o rei de Jerusalém, Balduíno IV, e o rei da Alemanha, Henrique VII, filho do grande imperador Frederico II e de Constança de Aragão? Francisco recusaria o beijo ao leproso de família rica? Superpondo artificialmente a idéia da deformidade mórbida à da inferioridade econômica, que lhe é totalmente alheia, o sr. Boff faz do menos anti-social dos gestos de caridade cristã um símbolo do ódio revolucionário, e o leitor, estonteado pela imagem composta, nem percebe que foi feito de trouxa mais uma vez, engolindo como pura teologia católica a velha distinção marxista entre reforma e revolução. Desfeito pela análise o jogo de impressões, a “teologia da libertação” do sr. Boff revela-se nada mais que uma técnica de escravização mental.
Sim, o estilo é o homem. Uns escrevem para mostrar, outros para esconder e esconder-se, lançando, desde as sombras, a miragem de uma falsa luz.
O TESTAMENTO POLÍTICO DE CARLOS MARIGHELA - 03/01/2015
Os estudantes e os intelectuais de classe média – e não as “amplas massas”, que segundo a doutrina científica são o motor da revolução – representaram a grande fonte de militantes e quadros da Ação Libertadora Nacional e, ademais, de todas as outras organizações de luta armada.
Conrad Detrez, um jornalista colaborador da revista trotskista francesa Front, entrevistou Carlos Marighela em outubro de 1969, um mês antes de sua morte em São Paulo. A capa da edição mensal de novembro dessa revista teve que ser alterada devido à sua morte, no mês seguinte.
Carlos Marighela foi membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro e foi o fundador e principal dirigente da Ação Libertadora Nacional (ALN), maior organização de luta armada atuante no Brasil no final dos anos 60 e início dos anos 70.
Joaquim da Câmara Ferreira (“Toledo”) – participante no seqüestro do embaixador dos EUA, no Rio, em setembro de 1969 - que viria a ser o novo comandante da ALN, foi surpreendido com a morte de Marighela, em Paris, onde se encontrava, a caminho de Cuba, na casa de Aloysio Nunes Ferreira (que viria a ser Ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso nos anos de 2001 e 2002, hoje é senador pelo PSDB e foi candidato a vice-presidente de Aécio Neves), juntamente com Conrad Detrez.
“Toledo” viria a ser morto em São Paulo um ano depois, em 23 de outubro de 1970, graças às informações precisas fornecidas por um militante da ALN, seu subordinado, cursado em Cuba: José da Silva Tavares (“Severino”, “Vitor”).
Pode ser dito que a entrevista de Carlos Marighela para o Front foi seu testamento político e guerrilheiro.
As principais questões tratadas nessa entrevista foram as seguintes:
Front – Por que iniciar pela guerrilha urbana?
Marighela – Na condição de ditadura em que se encontra o país, o trabalho de propaganda e de divulgação a priori só é possível nas cidades. Movimentos de massa, sobretudo os que foram organizados pelos estudantes, intelectuais, alguns grupos de militantes sindicalistas, criaram nas principais cidades do país um clima favorável para a acolhida de uma luta mais dura (ações armadas) (...). Os revolucionários conseguiram a cumplicidade da população. A imprensa clandestina avança. As emissões piratas são recebidas favoravelmente. A cidade reúne, pois, as condições objetivas e subjetivas requeridas para que se possa desencadear com êxito a guerrilha (...). A guerrilha rural deve ser posterior à guerrilha urbana, cujo papel é eminentemente tático.
Front – Como imagina a continuação da guerrilha urbana?
Marighela – Pode-se fazer uma enormidade de coisas: seqüestrar, dinamitar, abater os chefes de polícia, em particular os que torturaram ou assassinaram nossos camaradas; depois continuar expropriando armas e dinheiro. Desejamos que o Exército adquira armamento moderno e eficaz; nós o tiraremos dele. Já posso anunciar que raptaremos outras personalidades importantes e por objetivos de maior envergadura do que libertar 15 presos políticos, como aconteceu com o seqüestro do embaixador norte-americano.
Front – Algumas simpatias em particular?
Marighela – Estive na China em 53-54, o partido (PCB) foi que me enviou (...). Na China estudei muito a revolução. Mas, falando de inspiração, a nossa vem especialmente de Cuba e do Vietnã. A experiência cubana, para mim, foi determinante, sobretudo no que respeita a um pequeno grupo inicial de combatentes.
Front – A guerrilha rural surgirá simultaneamente em vários pontos do país?
Marighela – Atacaremos grandes latifundiários brasileiros e também americanos. Seqüestraremos e executaremos os que exploram e perseguem os camponeses. Tiraremos gado e víveres das grandes fazendas para dar aos camponeses. Desorganizaremos a economia rural, porém não defenderemos nenhuma zona, nenhum território, nada disso. Defender é terminar sendo vencido. É necessário que sempre, em todas as partes, como na guerrilha urbana, tenhamos a iniciativa. A ofensiva é a vitória.
Front – Você é contra as idéias de Regis Debray?
Marighela – Algumas idéias me foram úteis; quanto às do foco insurrecional, estou em desacordo.
Front – Sua estratégia para o Brasil se insere dentro de uma estratégia revolucionária continental?
Marighela – Sem dúvida, uma vez que temos que responder ao plano do imperialismo norte-americano com um plano global latino-americano. Nós estamos ligados à OLAS - Organização Latino-Americana de Solidariedade - (nota: organização criada em Cuba em janeiro de 1966) bem como a outras organizações revolucionárias do continente e, em particular, às que nos países vizinhos lutam com a mesma perspectiva que nós. É, enfim, um dever para com Cuba; libertá-la do cerco imperialista ou aliviar seu peso, combatendo-o externamente em todas as partes. A revolução cubana é a vanguarda da revolução latino-americana; esta vanguarda deve sobreviver.
A entrevista acima foi intermediada pelos dominicanos e realizada no Convento das Perdizes. Os mesmos dominicanos que no mês seguinte, novembro , entregariam Marighela à polícia.
A partir da morte de Marighela, o Serviço de Inteligência Cubano, através de seu chefe, Manuel Piñero Losada, passou a centralizar e controlar diretamente os preparativos para a retomada da luta. Uma intervenção radical na estrutura da organização foi efetuada e foi o seguinte o diagnóstico cubano sobre a derrota: O processo foi acelerado sem a menor infra-estrutura e condição política e militar. Tudo tinha sido feito de maneira equivocada, com métodos empíricos.
Passaram a disputar o espólio de Marighela, Clara Charf (em Cuba; codinome “Claudia”), Zilda Paula Xavier Pereira (em Paris; “uma coroa analfabeta de codinome "Carmen" que graças a esquemas familiares queria dominar a ALN”, segundo definição de um militante), que além dela própria tinha três filhos e o marido na ALN, e Joaquim Câmara Ferreira (em Cuba). Não custaram a chegar à conclusão de que a ALN estava estilhaçada e a discussão passou a girar em torno de frear a luta armada, reconstruir a rede logística, fazer trabalho de massa e de base e retomar a atividade dentro das fábricas e, finalmente, uma acusação que incomoda a todos: o grande responsável pela tragédia havia sido Manuel Piñero Losada, pois sua postura e influência nas mudanças que ocorreram nas intenções iniciais da Organização haviam sido maléficas. A luta armada é uma conseqüência da luta de classes e os cubanos confundem luta de classes com guerra de classes. A ALN era apenas um foco e o braço da revolução cubana no Brasil e, como Organização, nasceu em Cuba.
A Organização inteira no Brasil estava na cadeia e não havia estrutura para receber os companheiros que estavam em Cuba, concluindo o treinamento, destinados a conformar uma coluna móvel na área rural. As avaliações eram frustrantes. No entanto, o alinhamento da militância paulista e a decisão do contingente já preparado para a guerrilha rural no Norte do Brasil de se colocar ao lado de “Toledo” na retomada da luta, assegurou seu predomínio como novo comandante.
Após a morte de “Toledo”, que foi sucedido por Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, como se não bastasse assaltar padarias, trocadores de ônibus e armazéns para sobreviver, irrompe a loucura interna que deu origem ao justiçamento do militante Marcio Leite Toledo (também treinado em Cuba) em 24 de março de 1971, nas ruas de São Paulo. Marcio foi assassinado com uma rajada de metralhadora por quatro de seus companheiros, inclusive o então comandante da ALN que havia sucedido “Toledo“: Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, que o julgou e o matou. Seu crime: falar em voz alta o que diversos companheiros pensavam e ter escrito um documento político assinalando erros. Foi acusado de “vacilação diante do inimigo”. Segundo o panfleto deixado sobre seu corpo, na rua Caçapava, em São Paulo, “uma Organização revolucionária, em guerra declarada, não pode permitir a quem tenha uma série de informações como as que possuía, vacilações dessa espécie”.
O desvario e a inconseqüência em que a ALN estava mergulhada em 1971, tem um exemplo funesto: num assalto a banco, no bairro da Lapa, São Paulo: o militante Ari Rocha Miranda, 22 anos, foi ferido mortalmente por um companheiro seu. Seu corpo foi transportado dentro de um fusca e enterrado em um local ermo, em Itapecerica da Serra, à beira de uma estrada secundária. O corpo estaria lá até hoje, pois ninguém jamais o reclamou.
No entanto, o certo é que todas as crises surgidas na esteira da morte de Marighela já existiam. A principal delas era a ingerência dos cubanos no processo e na condução da revolução brasileira. Houve sempre uma discordância dentro da ALN: a querela entre a guerrilha rural e urbana. Os cubanos queriam a opção rural e haviam preparado os contingentes guerrilheiros para isso. Todavia, alguns militantes do Rio de Janeiro e Minas Gerais, bem como alguns militantes nordestinos, queriam a luta urbana, à lá tupamaros.
Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz (“Clemente”) deixou o Brasil, para o Chile, em dezembro de 1972 e chegou a Havana no ano seguinte, onde recebeu um curso de Estado-Maior ministrado pelo general Arnaldo Ochoa Sanchez. Concluído o curso e pronto para regressar ao Brasil, Carlos Eugênio desertou, abandonando seus companheiros, e passou a viver em Paris até a decretação da anistia, em 1979.
A maioria dos militantes da ALN que se encontravam em Cuba ou exilados em outros países, ao final de intermináveis discussões, vislumbraram os contornos de um retrato político inquietante: a perspectiva de vitória nunca existira e a luz que avistavam no fim do túnel assustava: o caminho justo era a volta ao PCB, a grande família, e o abandono definitivo de qualquer propósito de luta armada. Ou seja, uma traição ao caminho traçado por Marighela.
Durante os cinco anos de existência da ALN, a maior organização guerrilheira durante a luta armada, foram estes os números da derrota: 884 presos e condenados a penas de 6 meses a 10 anos, 64 mortos e cerca de 2 mil pessoas indiciadas em inquéritos. Isso é uma prova de que os aparatos de repressão são iguais em todos os países. Elefantes brancos que demoram a mexer-se, mas quando o fazem, destroem o que estiver pela frente.
Esse foi o princípio do fim. Os 28 militantes que se encontravam em Cuba que abandonaram a ALN e criaram o Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), a última tentativa do setor internacionalista do Partido Comunista Cubano, especificamente do Departamento América, de manter a atividade revolucionária na América Latina, ao voltarem para o Brasil foram todos mortos, com a exceção do “Comandante Daniel” (José Dirceu de Oliveira e Silva), um dos quadros escolhidos para essa missão, que desertou, abandonando seus companheiros, e três outros, que também desertaram.
José Dirceu, em Cuba, foi apresentado por Alfredo Guevara (Alfredo Guevara Valdés, um homossexual que em meados dos anos 80 foi embaixador de Cuba junto à ONU) ao então Ministro da Defesa Raúl Castro, durante uma solenidade. A partir daí teve início a relação político e militar entre os dois. José Dirceu teve o acesso franqueado por Raúl Castro a documentos importantes sobre estratégia militar, informação e contra-informação e segurança militar. Finalmente, fez um curso de Estado-Maior que o tornou especialista em questões militares e lhe outorgou o grau de “Comandante Daniel”. Nada disso adiantou. Na realidade ele se tornou um corrupto e hoje cumpre prisão domiciliar, depois de uma temporada na Papuda.
Foi essa especialização e mais o treinamento militar que o tornou habilitado, segundo os internacionalistas cubanos, a viabilizar a entrada no Brasil do contingente guerrilheiro que retomaria a luta armada. Foi ele, em Havana, o planejador do dispositivo político-militar que dentro do Brasil receberia o grupo dos 28, cuja média de idade variava de 22 a 24 anos. Isso em 1971. Esse foi o último comboio.
Essa história, no entanto, ainda não foi devidamente contada. Ainda faltam detalhes importantes...
* Historiador
Bibliografia: “A Revolução Impossível”, Luis Mir, editora Best Seller, 1994.
AS VÍTIMAS DAS VÍTIMAS - 31/12/2014
quando ouço falar em revisão da Lei da Anistia, fico enojado. Se ela for revista, minha mãe terá a chance de ver julgados os assassinos de meu pai?
A divulgação do relatório final da Comissão Nacional da Verdade veio à tona no último dia 10 comovendo muitas pessoas, inclusive a presidente da República, Dilma Rousseff. Para minha família e eu, no entanto, a emoção se transformou em um misto de revolta e indignação. Esse documento não dedica um capítulo sequer às pessoas que, como meu pai, foram brutalmente assassinadas por terroristas de esquerda.
Meu pai, Cardênio Jayme Dolce, nasceu em Dom Pedrito (RS), em 1914. Ainda pequeno, mudou-se para Porto Alegre onde fez o Colégio Militar. Na década de 1930, foi morar no Rio de Janeiro, onde serviu na Escola Naval. Saiu da Marinha como aspirante porque não queria prosseguir na carreira militar, seu desejo era ser policial civil.
Foi da Polícia Civil até 1968, quando se aposentou como agente federal de primeira classe, cargo que hoje equivale ao de um delegado da polícia civil. Em 1969, começou a trabalhar como chefe de segurança da Casa de Saúde Dr. Eiras, instituição privada que atendia doentes mentais em Botafogo, no Rio.
Lá trabalhou até 2 de setembro de 1971, quando foi cruel e covardemente morto a tiros de metralhadora disparados por terroristas da ALN (Aliança Libertadora Nacional).
Na época eu tinha 10 anos e meus irmãos, 13, 12 e 8. O grupo terrorista invadiu a clínica onde ele trabalhava para roubar cerca de 100 mil cruzeiros, que seriam pagos aos funcionários. Para realizar o assalto, mataram meu pai e outros dois colegas, Silvino Amancio dos Santos e Demerval Ferreira. O enfermeiro Almir Rodrigues de Morais e o médico foram feridos.
Meus irmãos e eu nos tornamos quatro das 21 crianças que ficaram órfãs de pai depois da chacina promovida pelos terroristas da ALN. Pouco tempo depois do atentado, soubemos pela televisão que havia sido feito um ataque terrorista à Casa de Saúde Dr. Eiras e que meu pai e outros colegas tinham sido baleados. Ou seja, fomos os últimos a saber do atentado.
Depois de 2 de setembro de 1971, nossa rotina se transformou completamente. Meu pai deixou algum patrimônio e uma boa pensão da polícia, mas, apesar disso, minha mãe teve que se desdobrar para sustentar meus três irmãos e eu.
Hoje, aos 79 anos, mamãe continua esperando um pedido de desculpas do Estado.
Minha família nunca entrou na Justiça, pois sabíamos que eram pequenas as chances de haver algum reparo. O dono da Casa de Saúde Dr. Eiras era Leonel Miranda, que tinha sido ministro da Saúde no governo do general Artur da Costa e Silva (1967-1969). Ele prometeu dar amparo às famílias das vítimas.
No final das contas, não fomos amparados por ninguém, nem pela Casa de Saúde Dr. Eiras nem pelo governo militar. Minha família recebeu apenas os direitos trabalhistas do meu pai. Só isso.
Dos terroristas que assassinaram meu pai, dois estão vivos: Sônia Hipólito, servidora da Câmara dos Deputados, e Flávio Augusto Neves Leão Salles, que vive hoje no Pará.
Minha família, apesar de todo o estrago que foi feito, hoje vive em paz. Eu espero apenas que não se faça a revisão da Lei da Anistia, como querem aqueles que defendem os terroristas de esquerda.
Meu pai não era agente da ditadura, não torturou ninguém, não caçou comunistas. Teve o azar de estar no lugar errado, na hora errada. Quando ouço alguém falar em revisão da Lei da Anistia, fico enojado. Se a lei for revista, minha mãe, aos 79 anos, terá a chance de ver julgados os assassinos de meu pai?
Jaime Edmundo Dolce, 53, é comerciante em Varginha (MG)
OBAMA VEM PARA SALVAR CASTRO - 27/12/2014
Front Page Magazine, 22 de Dezembro de 2014.
[http://www.frontpagemag.com/2014/humberto-fontova/obama-comes-to-castros-rescue/].
Tradução: Bruno Braga.
Você notou o exato momento da salvação econômica dada por Obama a Castro, de acordo com o anúncio do dia 17 de Dezembro, sob o pretexto de "mudar [nossas] relações com o povo [a ênfase é minha] de Cuba"?
Não? Mas você tem observado os preços nas bombas de gasolina, certo? Estas duas questões estão intimamente ligadas. Ah, por falar nisso, todas as evidências indicam que o "povo" real de Cuba, na verdade, quer as sanções americanas contra o regime stalinista que o tortura [1]. Por isso, o Presidente Obama deveria parar de insultar a inteligência dos Observadores de Cuba com a pretensão de falar e agir em nome deles. Eis a reação que tiveram nesta semana com o presente de Natal antecipado que Obama deu ao ditador stalinista que os tortura:
"Infelizmente, o Presidente Obama tomou a decisão errada. A liberdade e a democracia não serão alcançadas para o povo cubano através dos benefícios dados por ele - não ao povo cubano - mas ao governo de Cuba. O governo cubano só vai aproveitar para fortalecer a máquina repressiva, reprimir a sociedade, o povo, e permanecer no poder" - Berta Soler, líder do "The Ladies in White", o maior grupo dissidente de Cuba.
"[Alan Gross] não foi preso pelo que ele mesmo fez, mas pelo que poderia ser ganho com a sua prisão. Ele era simplesmente uma isca, e eles estavam cientes disso desde o começo... O Castrismo venceu" - Yoani Sanchez, a dissidente cubana mais famosa no exterior.
"Sinto-me como se tivesse sido abandonado no campo de batalha" - Dr. Oscar Elias Biscet, ex-preso político cubano premiado com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo Presidente Bush.
A lista de dissidentes cubanos apunhalados e indignados é muito, muito maior.
De qualquer forma, a Venezuela - o "papaizinho" [2] pós-soviético de Cuba - está atualmente em situação econômica difícil com a queda abrupta do preço do petróleo, seu principal produto de exportação. A salvação econômica do regime de Castro parece incerta, daí o "Aqui vou eu para salvar o dia" do Presidente Obama.
Mas vamos encará-lo. Por mais de meia década, o regime stalinista de Castro prendeu, torturou e assassinou milhares de pessoas (incluindo cidadãos americanos), mas a maioria dos americanos parece não dar a mínima. Muito bem. Então vamos consultar mais um dissidente cubano - um que consome um pouco de carne vermelha. Vamos avisar ao cidadão comum e à dona de casa (que de forma muito compreensiva acham todas essas coisas de direitos humanos relativas a um país estrangeiro totalmente irrelevantes) que talvez seja a hora de prestar mais atenção ao problema:
"Se os Estados Unidos permitem financiamento para Cuba, então seriam os contribuintes americanos que sustentariam o regime Castro. Uma vez que ele corre para bater à porta [por crédito], o regime Castro está focado agora nos Estados Unidos" - Rene Gomez Manzanoin, dissidente cubano e três vezes considerado prisioneiro de consciência pela Anistia Internacional.
Bom, a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, o lobby agrícola, o Council on Foreing Relations e os agentes de influência de Castro (e eu me repito) evitam de forma compreensiva esta questão como uma praga, daí a sua invisibilidade na mídia. Portanto, ouça: por mais de uma década, o chamado embargo americano, tão difamado pelo Presidente Obama, estabeleceu que o regime stalinista de Castro pague um "adiantamento" [3] por todos os produtos agrícolas americanos através de um banco de terceiros; nenhum Exportador-Importador - contribuinte americano - financia vendas desse tipo. E é isso que enfurece Castro e motiva seus agentes de influência dos Estados Unidos [4].
Promulgada pela equipe de Bush em 2001, essa política de adiantamento [5] tem sido monumentalmente benéfica para os contribuintes americanos, colocando-os entre os poucos no mundo que não são trapaceados pelo regime Castro, que proporcionalmente à população é o maior devedor do mundo, com uma dívida externa estimada em 50 bilhões de dólares, uma classificação de risco próxima à da Somália e um registro ininterrupto de calotes. A Standard & Poors se recusa até mesmo a avaliar Cuba, considerando os dados econômicos apresentados pelo seu apparatchiks stalinista como absolutamente falsos. Só neste ano os russos perdoaram 30 bilhões de dólares que os Castro ainda os devia.
É interessante que um dissidente cubano possa compreender este assunto com mais precisão do que aqueles "defensores dos contribuintes americanos", Rand Paul e Jeff Flake, que aplaudiram fortemente o presente de Natal que Obama deu esta semana a Castro. Da Casa Branca, "Informe: Traçar um novo curso para Cuba":
* Instituições americanas terão permissão para abrir contas correspondentes em instituições financeiras cubanas para facilitar o processamento de transações autorizadas.
* A definição regulamentar do termo estatutário "dinheiro adiantado"será revisada para especificar que ele significa "dinheiro antes da transferência do título"; isso proporcionára um financiamento mais eficiente do comércio autorizado com Cuba.
Opa! Apesar de um pouco superficial, certamente soa como se estivéssemos nos movendo na direção contra a qual Rene Gomez nos alertou. Essa questão foi explicada recentemente com mais detalhes por um colunista do interior no SunNews network do Canadá [6].
Obama alega que temos "isolado" Cuba. Novamente, pare de insultar nossa inteligência, Senhor Presidente. A saber:
Em 1957, quando Cuba era uma "colônia econômica dos Estados Unidos", como é dito constantemente pela mídia (embora os investimentos americanos em Cuba representassem apenas 14% do PIB da ilha), os Estados Unidos exportaram 347,5 milhões de dólares em valor de mercadoria para Cuba.
Em 2013 (quando Cuba estava sendo "estrangulada pelo bloqueio econômico americano", como constantemente é dito pela mídia), os Estados Unidos exportaram 457,3 milhões de dólares para Cuba. De fato, para cada ano de Obama no gabinete do "Cuba-embargo", os Estados Unidos exportaram mais bens para Cuba que em 1957.
Em 1957 (quando Cuba era um "parque de diversão para turistas americanos", como constantemente é dito pela mídia), 263.000 pessoas dos Estados Unidos visitaram Cuba.
Em 2013 (quando Cuba estava sendo diabolicamente "bloqueada" pelos Estados Unidos, de acordo com a mídia), estima-se que 500.00 pessoas dos Estados Unidos visitaram Cuba. Então, com Obama, visitam Cuba duas vezes mais pessoas que nos anos de ouro da década de 1950.
Em 1958, - com um "ditador apoiado pelos Estados Unidos", com os americanos "controlando a economia cubana" (de acordo com a mídia, embora, de fato, as companhias americanas empregassem 7% da força de trabalho de Cuba) - a equipe da embaixada dos Estados Unidos em Cuba era de 87 pessoas, incluindo os funcionários cubanos.
Hoje, que supostamente não há qualquer relação diplomática com Cuba (de acordo com a mídia) a equipe da Seção de Interesse dos Estados Unidos tem 351 pessoas, incluindo os funcionários cubanos. Na verdade, por mais de uma década os Estados Unidos tiveram o dobro de funcionários diplomáticos em Havana que no Canadá e no México juntos. Na zona cinzenta ocupada pela mídia americana isso é "isolamento diplomático".
De ordem executiva em ordem executiva, o Presidente Obama já aboliu as restrições de viagens e envios do Presidente Bush ao feudo patrocinador do terrorismo de Castro. Abriu o oleoduto a um ponto em que o fluxo de caixa dos Estados Unidos para Cuba foi estimado em 4 bilhões de dólares no último ano; enquanto Cuba - uma orgulhosa província da União Soviética - recebia anualmente de 3 a 5 bilhões de dólares dos Sovietes. Em resumo, quase todos os anos desde que Obama assumiu a presidência, escoou mais dinheiro dos Estados Unidos para Cuba que dos Sovietes no auge do seu patrocínio à ilha caribenha. Na zona cinzenta ocupada pelos principais órgãos de mídia isso é conhecido como "embargo econômico".
Em suma, a demonstração é: registro de turismo e investimento estrangeiro em Cuba = registro de repressão do povo cubano. Cada fragmento de evidência observável prova que viajar para Cuba e fazer negócios com essa mafia stalinista enriquece e consolida estes proprietários da economia de Cuba fortemente armados e treinados pela KGB. Desta maneira, eles continuam sendo os mais empolgados guardiões do status quo do Stalinismo e Patrocínio-do-Terror de Cuba.
Esta semana eles estão todos brindando com Obama, rindo e esfregando as mãos. Então, protejam suas carteiras, amigos [7].
Referências.
[1]. Cf. [http://www.capitolhillcubans.com/2014/06/over-830-cuban-democracy-activists-sign.html].
[2]. "Sugar-daddy", "o velho rico que sustenta a jovem namorada".
[3]. "Cash up front".
[4]. Cf. [http://www.amazon.com/Longest-Romance-Mainstream-Media-Castro/dp/1594036675/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1376276049&sr=1-1&keywords=the%20longest%20romance%20humberto%20fontova&tag=viglink20738-20].
[5]. "Cash-up-front policy".
[6]. Cf. [http://www.sunnewsnetwork.ca/video/3949008632001].
[7]. Cf. [http://www.amazon.com/Longest-Romance-Mainstream-Media-Castro/dp/1594036675/ref=sr_1_1?s=books&ie=UTF8&qid=1376276049&sr=1-1&keywords=the%20longest%20romance%20humberto%20fontova&tag=viglink20738-20].
PERIGO SEM OPORTUNIDADE - 23/12/2014
CRISE
Dizem as boas e más línguas que, em chinês, a palavra crise é composta por dois caracteres. Um representa PERIGO; o outro, OPORTUNIDADE. Para a maioria dos brasileiros, pelo que estamos assistindo, no Brasil isto não passa de uma fantasia.
VELHA EXPRESSÃO
Sendo ou não, o fato é que diante de uma grande dificuldade, quase todos aqueles que são chamados com a missão de deixar a sociedade mais animada e confiante diante dos -perigos- nunca deixam de usar essa velha expressão chinesa.
OVERDOSE
Pois, diante da overdose de CORRUPÇÃO, misturada com enorme INCOMPETÊNCIA e descaradas MENTIRAS , que o governo petista injetou em todas as veias administrativas do País e dos Estados em que governa, tudo leva a crer que -CRISE-, no nosso pobre país, diferentemente da China, não é uma palavra composta.
CAIR FORA
Aqui, tão logo Lula e Dilma passaram a presidir o país, a primeira coisa que ambos trataram de fazer, mesmo que muita gente não tenha se dado conta pelo efeito das mentiras e bravatas, foi matar à mingua todas as OPORTUNIDADES, deixando intactos apenas o PERIGOS.
Com isso, lamentavelmente, a única forma de OPORTUNIDADE que ainda resta é CAIR FORA DO PAÍS.
SOFRIMENTO DUPLO
Se os PERIGOS se preparam para entrar com força ainda maior em 2015 para os brasileiros em geral, o povo gaúcho, sem a menor possiblidade de engano e/ou erro, diante do caos das finanças públicas do Estado, promovido com ardor pelo governo Tarso Petista Genro, precisam estar preparados para sofrer duplamente.
DUAS ENTREVISTAS
Observem que neste apagar das luzes de 2014, a TV Globo disponibilizou duas entrevistas, as quais, pela reação firme da presidente Dilma, nos dá a quase certeza de que não há a mínima possiblidade de se recuperar alguma ponta de decência e/ou boa governança, que porventura ainda poderia existir no âmbito governamental do nosso pobre país.
MAGOADA, DESIQUILIBRADA E MENTIROSA
A presidente Dilma, fazendo todos os jornalistas presentes no tradicional café da manhã de final de ano, mostrou que está casada e vivendo de amores profundos com a Graça Foster, presidente da Petrobrás. A ex-gerente Venina Velosa, pela reação mostrada por ambas, foi totalmente desqualificada, como se fosse uma mulher magoada, mentirosa e desequilibrada. Pode?
Mais: agindo de forma maquiavélica, como sempre, Dilma disse que não enxerga irregularidades na Petrobras. E ainda disse, durante o café com os jornalistas, que fará um IPO da Caixa. Pelo visto será algo parecido com o que o PT fez com a Petrobrás. Você pretende comprar ações da Caixa????
TOMARA QUE CAIA - 20/12/2014
Quem, em sã consciência, pode apostar que um grupo que se enraizou no Estado brasileiro para saqueá-lo fará tudo diferente agora?
Ao ser diplomada no TSE para o novo mandato, Dilma Rousseff propôs um pacto nacional contra a corrupção. Quase na mesma hora, a Controladoria-Geral da União afirmava que a compra da Refinaria de Pasadena não foi um mau negócio, foi má-fé. Dilma presidia o Conselho de Administração da Petrobras, responsável pela aprovação da negociata. A dúvida é se os critérios para a compra da refinaria e para o pacto anticorrupção serão os mesmos.
O Brasil precisa saber urgentemente qual será o papel do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no pacto nacional contra a corrupção. Nas investigações da Polícia Federal, Vaccari é acusado de beneficiário do esquema do petrolão, e de injetar propinas na campanha de Dilma - essa mesma que foi reeleita e diplomada declarando guerra à corrupção. As faxinas da presidente deixariam o FBI de cabelo em pé.
Os EUA, aliás, já foram apresentados às entranhas do governo popular, com a chegada do escândalo da Petrobras à Justiça americana. O problema é que lá não tem um Lewandowski ou um Dias Toffoli para tranquilizar os companheiros na última instância. Também não tem um ministro da Justiça servindo de garoto de recados do marqueteiro petista. Como incluir os americanos, holandeses e suíços lesados pelo petrolão no pacto contra a corrupção? Será que o apoio deles custa mais do que os da UNE e do MST?
Uma das ascensões políticas mais impressionantes nos últimos anos foi a do ex-deputado André Vargas. Virou secretário de comunicação do PT e chegou a falar grosso com o STF no julgamento do mensalão - cuja transmissão televisiva ele queria embargar. Depois provocou Joaquim Barbosa publicamente, fazendo a seu lado o gesto do punho cerrado dos mensaleiros. André Vargas chegou à vice-presidência da Câmara dos Deputados, nada menos. Aos inocentes que não entendiam aquela ascensão meteórica, veio, enfim, a explicação: Vargas era comparsa do doleiro Alberto Youssef, o operador do petrolão.
Essa singela crônica de sucesso mostra que hoje, no Brasil, não há nada mais claro e seguro do que a lógica de funcionamento do PT. A qualquer tempo e lugar que você queira compreendê-la, o caminho é simples: siga o dinheiro.
Seguindo o dinheiro (farto) do doleiro, a polícia chegou a uma quadrilha instalada na diretoria da Petrobras sob o governo popular. Tinha o Paulinho do Lula, tinha o Duque do Dirceu, tinha o tesoureiro da Dilma, tinha bilhões e bilhões de reais irrigando a base de apoio do império petista. Um ou outro brasileiro mal-humorado se lembrou do mensalão e resmungou: mais um caso de corrupção no governo do PT. Acusação totalmente equivocada.
O mensalão e o petrolão não são casos de corrupção. Pertencem a um sistema de corrupção, montado sob a bandeira da justiça social e da bondade. Vamos repetir para os que seguiram o dinheiro e se perderam no caminho: trata-se de um sistema de corrupção. E as investigações já mostraram que esse sistema esteve ligado diretamente ao Palácio do Planalto nos últimos dez anos. Um deputado de oposição disse que o maior medo do PT não era perder a eleição presidencial, mas que depois Dilma fizesse a delação premiada.
E lá vai o Brasil para mais quatro anos dessa festa. Quem tem autoridade para acreditar que o método será abandonado? Quem em sã consciência pode apostar que um grupo político que se enraizou no Estado brasileiro para saqueá-lo irá fazer tudo diferente agora? Responda, prezado leitor: quem são as pessoas nesse governo ou nesse partido capazes de liderar uma guinada virtuosa? Lula? Dilma? Vaccari? Mercadante? Pimentel? Cardozo? Carvalho? Dirceu? Delúbio?
Mesmo depois de passada toda a propaganda suja da eleição, mesmo depois de exposta a destruição da maior empresa brasileira pelos que juravam amá-la, Dilma não recuou. Foi para cima do Congresso e rasgou a Lei de Responsabilidade Fiscal. Obrigou o parlamento a legalizar o golpe do governo popular contra a política de superávit - que é um dos pilares da estabilidade monetária. O que falta fazer?
Que passe de mágica devolverá a credibilidade a um governo desmoralizado no país e no exterior? Quem vai querer investir aqui com esse bando de parasitas mudando as regras ao sabor das suas conveniências fisiológicas? Quem tem coragem de afirmar (com alguma dignidade) que os próximos quatro anos poderão reerguer esse Brasil em processo de argentinização?
Num sistema parlamentarista razoável, a extensão do escândalo na Petrobras já teria derrubado o governo. Os acordos de delação premiada já indicaram que Dilma e Lula sabiam de tudo. Se o Brasil quiser (e o gigante abrir pelo menos um dos olhos), essa investigação chegará onde tem que chegar. Esse é o único pacto possível contra a corrupção.
Em 1992, quando Collor estava balançando, já por um fio, Bussunda resolveu dar a sua contribuição e apareceu diante do Palácio do Planalto vestindo um tomara-que-caia - “em homenagem ao presidente”. É isso que falta?
Publicado originalmente em O Globo de 20/12/2014
DILMA E AS CIRCUNSTÂNCIAS DO GOVERNO QUE HERDOU - 19/12/2014
A presidente Dilma esforça-se para transparecer que o momento é de normalidade e que reina a calmaria na cena política. O anúncio da equipe econômica foi o lance principal desse esforço para impor uma agenda positiva ao noticiário dominado pelo escândalo da Petrobrás e pelos números cada vez piores da economia.
O “mercado”, dizem, reagiu bem aos três nomes. Sempre acho estranha essa propensão ao otimismo e ao desejo de acreditar no governo que essa entidade abstrata que chamam de “mercado” revela pela boca de certos comentaristas. Qualquer analista com conhecimentos parcos da teoria econômica poderia prever, com base nos livros e na experiência, que as aventuras de Dilma e Mantega na condução da economia só poderia dar no que deu.
As estripulias começaram quando Mantega assumiu o ministério da Fazenda esforçando-se para destruir o trabalho de Henrique Meireles no BC, para conter a inflação. Isso, no entanto, não impediu a conceituada revista The Economist, de insuspeitas inclinações liberais, de publicar aquela capa com o Cristo Redentor disparando aos céus como um foguete a representar a suposta consistência dos rumos do Brasil sob comando petista.
Não bastaram a teoria e as experiências pregressas com as concepções econômicas de Dilma e Mantega para The Economist projetar o cenário que hora se apresenta. Foi preciso o fracasso se apresentar como evidência e prova para que The Economista publicasse outra capa com nosso Cristo voando como galinha rumo ao fundo da baía da Guanabara.
E o erro se repete com a anúncio da “nova” equipe econômica. A toada dos comentaristas chapa branca reconhece os tempos difíceis, afinal, é não dá para negar o óbvio, mas revela otimismo e confiança de que Dilma teria se rendido e jogado os livros nos quais estudou economia no lixo e mudado de posição para o extremo oposto.
O fiador desse otimismo injustificado é Joaquim Levy. Somente ele. Nelson Barbosa reza pela cartilha de Dilma e Mantega em matéria econômica e somente saiu do governo por discordar da criatividade de Arno Augustin no trato da contabilidade governamental.
O aumento dos juros logo após a eleição foi percebido pelo “mercado” como sinal de independência do BC. É o contrário. O aumento dos juros se fazia necessário muito antes da eleição e só não aconteceu porque Tombini obedeceu as ordens de João Santana. Tombini somente foi guindado à presidência do BC por ser submisso à Dilma.
As tintas com que mandaram pintar a fachada da “nova” política econômica, de fato, respondem à necessidade incontornável de corrigirem-se as trapalhadas de Dilma e Mantega nos dois últimos mandatos presidenciais. Levy é um cavaleiro solitário lutando contra o exército de ministros da Dilma, todos sedentos por gastar, gastar e gastar.
Os otimistas baseiam seu otimismo na comparação entre o governo Dilma II com o governo Lula I. Ocorrer que os ajustes ortodoxos patrocinados por Palocci no governo Lula I foram implementados tendo como base uma economia com os fundamentos organizados legados por FHC ao seu ingrato sucessor.
A situação atual é muito diferente. Não há mais dinheiro sobrando no mundo com disposição para correr riscos em apostas em quem pensa e governa como Dilma e o PT. Há quem confunda inflação com o índice que o IBGE divulga de tempos em tempos. O índice é apenas o índice. Inflação é um fenômeno econômico decorrente do descontrole do gasto público e não do aumento ocasional do preço do chuchu, do tomate, da carne ou dos ovos.
Enquanto os fundamentos da economia não forem reorganizados, não bastará ao BC aumentar ainda mais, e sem convicção, os juros, para conter a inflação. A bagunça é tamanha que torna difícil entender-se a pressa com que o “mercado” sorriu para Dilma olhando para Joaquim Levy.
As análises mais sérias que se podem encontrar nas páginas dos jornais projetam um cenário de prolongada estagnação (ou recessão) com inflação cercando o teto da meta nos próximos dois anos, somente caminhando para um crescimento de 2% do PIB em 2018, ano em que Lula decidiu voltar à Presidência da República. Isso, é claro, se Dilma deixar Joaquim Levy fazer tudo o que precisa ser feito para consertar seus estragos.
Faltou combinar com os árabes, que decidiram derrubar os preços do petróleo para um patamar próximo dos U$ 50,00 o barril, por cerca de quatro ou cinco anos, para tornar desinteressante aos americanos o investimento nos novos métodos de produção do ouro negro e do gás de xisto.
Essa decisão levará a Venezuela ao colapso nos próximos dias e forçou Cuba a abrir as pernas para Obama, pois os Castro sabem que da Venezuela e do Brasil não receberão mais almoço “grátis” às nossas custas. Só o capitalismo, de mercado ou de estado, salvará Cuba de um destino venezuelano. E isso tem fortes impactos políticos sobre o projeto bolivariano hegemonista que o Foro de São Paulo projetava para o continente. Dilma terá que se virar sozinha para sair dessa enrascada.
Tudo indica que recém começa-se a perceber o tamanho do estrago que a quebra da Petrobrás causará à economia brasileira. Os custos econômicos dessa aventura patrocinada pelos corsários do lulopetismo ainda não são claros e crescem assustadoramente a cada dia que passa. Lula e Dilma gastaram os créditos futuros do pré-sal. A Petrobrás não tem dinheiro nem crédito para financiar a exploração no mar profundo. Explorar esse petróleo se tornou desinteressante com o barril a U$ 50,00.
Isso que as investigações nas demais obras públicas de todo o país e de vários ministérios, da lista de 750 encontradas na planilha de Alberto Youssef, sequer começaram a ser investigadas. Dadas as circunstâncias, não convém, também, menosprezar a declaração do Procurador Federal Hélio Telho Corrêia Filho ao afirmar que o escândalo do BNDES poderá ser sete vezes maior do que o do petrolão.
Terá Dilma a humildade, a competência e a coragem para desfazer a cagada de Lula quando resolveu mudar o sistema de exploração do petróleo do modelo de concessões criado por FHC, pelo modelo de partilha? Será possível recuperar a Petrobrás sem privatizá-la? E se a privatização for inevitável, Dilma venderia o que sobrou da “nossa” queridinha? E a Eletrobrás? E o BNDES? Duvido!
Bem, até aqui estivemos falando de economia. Mas economia não é ciência dos números; é ciência do comportamento. E, não é possível projetar cenários econômicos sem considerar as variáveis políticas, que também são comportamentais. Não parece que o apressado otimismo com que o “mercado” recebeu Levy tenha precificado essa variável em todas as suas dimensões. Até porque, a ignoraram e também, porque os custos intermináveis dessa roubalheira indiscriminada não param de jorrar das páginas do noticiário. Impossível precificar agora.
Lula foi chamado a PF para esclarecer o mensalão e será chamado de novo para explicar o petrolão. Se a PF está chamando Lula só pode ser porque o nome de Lula já circula nos relatórios das delações premiadas. Assim como os custos econômicos da destruição da Petrobrás não param de crescer, a precificação do strike que esse escândalo fará em todo o sistema político também é impossível agora, diante do desconhecimento sobre o tamanho da frota de corsários que sangra os cofres públicos a serviço do projeto hegemonista do petismo.
Num país sério todos os condenados deveriam pagar penas perpétuas. As empreiteiras deveriam ser declaradas inidôneas e sofrer intervenção do governo na tentativa de sanear o setor e salvar algumas com novos donos. Mas, para isso, Dilma, ou o presidente que vier a sucedê-la depois do impeachment, terá que abrir o mercado às empreiteiras estrangeiras. Quem terá vontade ou coragem de fazê-lo?
Num país sério, certamente, ao final das investigações desse escândalo, partidos-máfia inteiros terão que ser extintos e proscritos. Quem terá vontade ou coragem de fazê-lo?
Por fim, não convém menosprezar as manifestações de rua que se seguiram ao fim da eleição pedindo o impeachment de Dilma. A imprensa mente e distorce os fatos, tenta minimizar e descaracterizar essas manifestações. Mas, num cenário que combina crise econômica com crise política e institucional, num contexto em que os pagadores de impostos serão chamados a arcar com a conta desse descalabro, a hipótese de que vejamos repetirem-se eventos como os de junho de 2013 não é nada desprezível. Só que agora há líderes à frente das manifestações de 2014. E são todos de direita. E os defensores de um golpe militar são minoritários, para desagrado do PT e da mídia chapa branca.
9 BILHOES QUE VOCE VAI PAGAR, LEITOR: APENAS UM DOS CUSTOS ECONOMICOS DA PRESIDENTE - 14/12/2014
O PT, como todos sabemos, cometeu muitos crimes. Não me refiro apenas a crimes comuns, desses equivalentes a assaltos a bancos, furto qualificado em residências privadas, como podem ser os assaltos aos cofres públicos, as fraudes nas compras governamentais, os superfaturamentos em transações públicas, as aquisições milionárias sem licitações públicas, os desvios nos repasses governamentais, as dotações para ONGs fantasmas, sem falar das comissões recebidas a títulos diversos, enfim, todos crimes comuns, pelos quais bandidos comuns vão para a cadeia devidamente enquadrados pelos Códigos penal e criminal, coisas de bandidos ordinários.
Mas, além desses, pelos quais o partido totalitário e os que cometeram esses crimes comuns merecem ser condenados e encarcerados, o partido e seus chefes aloprados também cometem o que eu chamo de crimes econômicos, aqueles que não se enquadram exatamente nos termos dos códigos acima referidos, mas que costumam provocar despesas e perdas patrimoniais para a nação infinitamente maiores, uma vez que não apenas incorrem em perdas efetivas, nominais, nos valores aferidos, como o que vai abaixo explicitado, como também em perdas potenciais, o que entra na categoria do chamado custo-oportunidade, aquelas perdas que os economistas estimam a partir do que poderia ser potencialmente feito, investido, com esse dinheiro que se perdeu (mas que existe, de fato).
Além disso tudo, tem os crimes derivados da teimosia da mais alta esfera do país, que é um misto de arrogância, suficiência, ignorância deliberada, e demagogia deslavada, como essa que redundou em perdas imensas para todo o setor elétrico, apenas porque o poste, por populismo eleitoreiro, resolveu "baixar" as tarifas de eletricidade. Em lugar de reduzir seus próprios impostos e contribuições, os aloprados econômicos que mal aconselham quem deve tomar a decisão, quiseram obrigar as produtoras e intermediárias a não corrigir seus custos por repasse no preço final, o que deveria ter sido compensado com subsídios do Tesouro. Pois bem, as perdas aqui vão a dezenas de bilhões de reais, e só no caso deste empresa, a Eletrobras, a conta vai a quase 10 bilhões.
Creio que está na hora de fazer um Código Penal para Crimes Econômicos.
Só eu vou ter dezenas de casos para serem enquadrados na nova figura do direito penal.
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O DIA NACIONAL DA VERGONHA - 13/12/2014
O Brasil escreveu uma de suas páginas mais obscuras com o encerramento dos trabalhos e entrega do relatório final de uma fraude chamada Comissão Nacional da Verdade. Tendo como objetivo investigar a violação dos direitos humanos cometidas por agentes do Estado entre 1946-1988, com foco prioritário na ditadura militar de 1964-1985, somente se ateve aos eventos de que teriam sido vítimas integrantes dos movimentos terroristas de esquerda que viviam na clandestinidade e utilizaram como instrumento político a violência (consubstanciada em sequestros, assaltos, atentados a bomba, tortura, execuções, justiciamentos e assassinatos).
O mais lastimável foi ver a presidente da República Dilma Rousseff – integrante de uma das facções terroristas mais violentas, responsável por mortes, sequestros e assaltos – declarar sem qualquer pudor que os grupos terroristas estavam lutando pela democracia, quando muitos de seus companheiros e ex-companheiros testemunharam que desejavam implantar no Brasil a ditadura comunista do proletariado. Na verdade, a fonte principal das pretensões político-ideológicas dos grupos guerrilheiros e terroristas não se encontra somente nos testemunhos, por importantes que sejam. Tudo está devidamente documentado em livros, documentários, filmes, jornais, revistas e manifestos produzidos pelos próprios guerrilheiros. Não bastasse isso, talvez a maior prova das intenções da esquerda brasileira é o fato de ainda professarem as mesmas ideias, mantendo relações com países como Cuba e Coreia do Norte e promovendo figuras desprezíveis como os irmãos Castro e os carniceiros Kim Jong.
Incompreensível que os comunistas tenham sido perdoados pela comunidade internacional tendo assassinado mais do que os nazistas. No Brasil ocupam posição de eminências pardas e servem como referência moral e intelectual. Talvez essa indigência política seja o que ainda nos mantém cativos no Terceiro Mundo.
A História no Brasil, além de estar sendo“mal contada”, também passou a caracterizar-se pela mentira, com o objetivo de justificar as maiores atrocidades praticadas contra a humanidade e defendidas por grupos de esquerda que tomaram de assalto o Estado brasileiro. Recentemente foi divulgado um vídeo (http://youtu.be/zktATUeQh3w)sobre a VII Conferência Nacional do Partido Comunista do Brasil realizada em fevereiro de 1978 em Tirana, capital da República Popular Socialista da Albânia. O comunismo albanês era referência para os subversivos de esquerda brasileiros, que mantinham estreita relação com o Partido do Trabalho da Albânia, inclusive com transmissões em português na Rádio Tirana.
Faço uma especial referência a Albânia porque é desconhecida ou negada ao povo brasileiro a informação de que, entre os anos de 1944 e 1987, foram assassinadas pelos comunistas mais de 100 mil pessoas que se opuseram ou foram arbitrariamente identificadas como inimigas ou nocivas ao regime. Atualmente, esse país possui em torno de 3 milhões de habitantes. Enquanto a Comissão Nacional da (in)Verdade lamenta o número de 434 vítimas, entre mortos e desaparecidos em 21 anos de repressão no Brasil, nenhuma lágrima foi derramada pelas 2.300 vítimas por ano produzidas pela desolação comunista na “amada” Albânia. Leandro Narloch, na sua obra “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil” (pág. 278), fez uma relação de proporção em comparação com alguns países, caso tivéssemos tido a desgraça de ser governados por comunistas. Somente para exemplificar, no Camboja, entre os anos de 1975-1979, o ditador PolPot assassinou 1,7 milhões de pessoas, ou seja, 21% da população. A mesma proporção no Brasil significaria a morte de 22 milhões de brasileiros. Um simples cálculo aritmético, em comparação com a Albânia, nos dará a dimensão do tamanho do genocídio caso João Amazonas et caterva tivessem assumido o poder no Brasil.
A Albânia, em 22 de novembro de 1967, tornou ilegal qualquer espécie de religião, tornando-se, assim, o primeiro Estado oficialmente ateu no mundo. Mesmo antes desta data milhares de religiosos de todos os credos, especialmente católicos, foram assassinados, presos e torturados pelo regime genocida albanês. No relatório final da Comissão Nacional da (in)Verdade são narradas algumas das atrocidades praticadas pelos órgãos de repressão. Entretanto, a amada Albânia, idolatrada ainda hoje pelos comunistas brasileiros, superou em muito o número de vítimas no Brasil e também nas perversidades praticadas, conforme se pode verificar do registro no diário do jesuíta Jak Gardin, que sobrevivente ao regime, e retratado na obra de Robert Royal (“Os Mártires Católicos do Século XX”, pág. 296):
“Batiam-lhes nos pés descalços com bastões de madeira; faziam-lhes cortes nos músculos das pernas e das nádegas, punham pedras de sal por baixo da pele e depois cosiam novamente; punham-lhes os pés dentro de água a ferver até a carne cair, e depois esfregavam-nos com sal; furavam-lhes os tendões de Aquiles com arames em brasa. Alguns eram pendurados pelos braços durante três dias, sem qualquer alimento; metiam-nos dentro de gelo e de água gelada até ficarem quase congelados, punham-lhes fios eléctricos nos ouvidos, no nariz, na boca, nos órgãos sexuais e no ânus; espetavam-lhes agulhas de pinheiro a arder debaixo das unhas; eram obrigados a ingerir um quilo de sal e proibidos de beber água durante 24 horas; punham-lhes ovos acabados de cozer nas axilas; arrancavam-lhes os dentes sem anestesia; eram amarrados às traseiras de furgões e arrastados; deixavam-nos na solitária sem comida nem água até ficarem quase mortos; obrigavam-nos a beber a própria urina e a comer os próprios excrementos; eram colocados em fossas com excrementos até ao pescoço ou numa cama de pregos cobertos com objetos pesados; eram postos em jaulas com tachas, que depois rodavam rapidamente; puseram um gato e um rato dentro do corpete de uma freira; havia religiosas que eram obrigadas a despir-se e a andar nuas nas ruas.”
A Comissão Nacional da (in)Verdade prestou um desserviço à cidadania brasileira ao deixar de investigar todos os fatos e personagens que participaram da disputa político-ideológica que naqueles tempos sombrios de plena Guerra Fria marcavam a realidade mundial. Notadamente há uma tentativa espúria e inaceitável de reescrever a História do Brasil, com vistas a sedimentar no poder um grupo político que professa uma ideologia reconhecidamente perversa e genocida que, além de assassinar mais de 100 milhões de pessoas em tempo de paz, nunca promoveu a democracia, em lugar algum onde se instalou. A verdade foi furtada dos brasileiros. E não somente isso, mas pela inverdade nega-se às pessoas o direito de fazerem suas próprias escolhas e traçarem um projeto de nação a partir de uma reconciliação, que deveria ser o real objetivo de uma Comissão dessa espécie (como ocorreu na África do Sul de Mandela, com as Comissões da Verdade e Reconciliação, instaladas logo após o fim do regime do apartheid).
Não se constrói uma nação com base no engano, na dissimulação e na mentira. A História há de fazer justiça e lembrar o 10 de novembro de 2014 como o Dia Nacional da Vergonha.
Advogado
O TRABALHO DE UMA COMISSÃO - 11/12/2014
Editorial O Estado de S.Paulo - 11/12/14
Se a pretensão da Comissão da Verdade era reproduzir os fatos ocorridos durante o regime militar "em sua plenitude, sem ocultamentos", como disse a presidente Dilma Rousseff ao instalá-la, há dois anos e sete meses, esse objetivo não foi atingido. Mas que ninguém se surpreenda, pois estava claro desde o princípio que todo esse processo, cujo resultado é o relatório ora entregue pela comissão, tinha o objetivo de reescrever a história daquele período conforme uma narrativa que não só ignora os crimes da esquerda armada, como a transforma em mártir da democracia - embora agisse sob inspiração (e em alguns casos com financiamento e treinamento) de ditaduras comunistas.
Ao receber o relatório, a presidente Dilma Rousseff disse que era um estímulo à "reconciliação do País consigo mesmo". Mas, como o que se tem é uma versão parcial dos fatos, o resultado pode não ser a reconciliação, mas um acerto de contas. O relatório, aliás, culmina com a recomendação de que sejam suspensos alguns efeitos da Lei de Anistia para permitir a punição de agentes da repressão.
A Comissão da Verdade, segundo a lei que a criou, tinha como objetivo "examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período fixado no artigo 8.º do Ato das Disposições Transitórias (1946 a 1988), a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional". Não há, neste e em nenhum outro item da lei, qualquer limitação ao escopo da investigação - isto é, a apuração não deveria se restringir às violações cometidas pelos agentes do Estado.
No entanto, no ano seguinte, a Comissão da Verdade - que tinha a prerrogativa de editar resoluções para solucionar "questões jurídico-administrativas relacionadas à sua atuação", como está dito em seu site - resolveu esse "problema" ao estabelecer, por meio da Resolução n.º 2, que seu objeto de análise seriam os crimes cometidos "por agentes públicos, pessoas a seu serviço, com apoio ou no interesse do Estado".
Com isso, a Comissão da Verdade sobrepôs-se ao Congresso e legislou - com o claro propósito de contar a história do período militar a seu modo, rejeitando, por princípio, que a violência da esquerda armada fosse relatada e qualificada. Não se trata de comparar o que fizeram a guerrilha e os agentes do Estado, pois aquele era um combate obviamente assimétrico, mas não se pode ignorar que, na "guerra suja", havia dois lados - e ambos cometeram atrocidades.
A escolha dos integrantes da comissão ajudou a criar a atmosfera propícia para que o trabalho fosse contaminado por interesses ideológicos. Entre os sete comissários estavam, por exemplo, uma psicanalista conhecida por sua aguerrida militância petista e uma advogada que defendeu Dilma durante a ditadura. Não eram acadêmicos preocupados com a exposição exata de acontecimentos históricos.
Constituiu-se, assim, uma comissão que se arrogou o papel de tribunal da história para efetuar um julgamento que, segundo entendem seus promotores, foi indevidamente protelado pela Lei de Anistia. Por essa razão, o relatório final diz considerar que a anistia a agentes do Estado que participaram de crimes "é incompatível com o direito brasileiro e a ordem jurídica internacional". Entendem seus autores que há "total impossibilidade de lei interna afastar a obrigação jurídica do Estado de investigar, processar e punir" essas violações, pois são crimes contra a humanidade. Nessa interpretação, o Estado brasileiro não é soberano para lidar com seus conflitos internos.
Em relação a tal absurdo, o Supremo Tribunal Federal já havia se pronunciado em 2010, quando informou que revogar a Lei de Anistia significaria ferir cláusulas pétreas da Constituição. Ademais, convém novamente lembrar qual é o espírito daquela lei. Não se tratava de perdoar crimes, mas de deixá-los no passado, no âmbito da história, para que a transição do regime militar para a democracia se desse de forma pactuada, evitando o revanchismo que inviabilizaria a reconciliação. Não foi esse o espírito que moveu a Comissão da Verdade.
O PALPITEIRO - 09/12/2014
Em nosso violentado, tributado e inflacionado país, há uma figura cuja nocividade só não é maior do que a aceitação do público a suas falhas: o palpiteiro. E parece que quanto mais furados são seus palpites, mais aceito e celebrado é o tipo. Um espécime mui representativo dessa classe de embusteiros é Luis Fernando Verissimo. Metido a sarcástico, sagaz e irônico, sua maior ironia reside em seu sobrenome.
Se esse senhor se dedicasse a conhecer tudo aquilo que finge entender, seria de um gênio quase inigualável. Contudo, porque não vai além da pose afetada, igualmente não vai além de falaciar e enganar sua legião de ingênuos leitores. Alertado por um amigo, li a coluna de Verissimo na ZH de 01/12/2014, de título “Bang!”***, na qual o escritor desdenha da Igreja Católica em relação à Ciência, debochando do fato de o papa Francisco haver admitido a possibilidade de ocorrência do "Big Bang".
Quem estranha essa posição do papa desconhece completamente aquilo que finge entender – a ciência. Pois, o propositor da teoria do "Big Bang" foi um astrônomo que era... padre. Falo do belga Georges Lemaître.
Ou seja, era religioso o cientista que propôs a teoria que Verissimo e outros farsantes imaginam contrapor o criacionismo. Lamaître, aliás, era tão religioso quanto o "pai da Genética" (o monge agostiniano Gregor Mendel), o "pai da Geografia" (o beato Nicolaus Steno), o pioneiro do rádio brasileiro (o padre Landell de Moura), filósofos da estatura de Alberto Magno, Roger Bacon e Guilherme de Ockham, os mais de 30 jesuítas que dão nomes a crateras lunares (em homenagem a suas contribuições às pesquisas sobre nosso satélite) e muitos, muitos outros cientistas que contribuíram grandiosamente à humanidade. Aliás, eram religiosos – e católicos – os indivíduos que constituíram aquilo que conhecemos por universidades e hospitais.
Por omissão ou por ignorância, em postura consonante com seu petismo, Verissimo [a ironia deste nome é incrível!] falha retumbantemente em seu palpitarianismo. Por caridade e piedade, suportamos a ignorância de pessoas "normais", cujas opiniões não ultrapassam seu círculo de vivência. Todavia, pessoas que detêm as prerrogativas de espaços midiáticos como o que ZH oferece a Verissimo devem ser corrigidas – caso falhem em seu mister – e constrangidas – se insistirem nos erros. Pois, só disseminam desinformações as pessoas mal-informadas e/ou mal-intencionadas. De uma forma ou de outra, essas pessoas não deveriam meter-se a opinar em público. Deveriam limitar-se a babar na gravata, como diria Nelson Rodrigues (este sim, de verdadeiro gênio). Na melhor das hipóteses, poderiam recolher-se a estudar aquilo sobre que pretendem opinar e bancar gostosura intelectual.
***Eis o texto de Luis Fernando Verissimo:
A última do Papa Francisco é que nem o Big Bang desmente a teologia nem a teologia desmente o Big Bang. Um cristão pode aceitar a teoria do grande estouro que, segundo a ciência, deu origem ao Universo em um milésimo de segundo, sem abandonar sua crença na existência de um Deus criador de tudo. Pode-se até imaginar uma hipotética conversa do Papa, que o representa na Terra, com Deus, em que Este lhe confidencia:
— Francisco...
— Sim, Senhor.
— O Big Bang... Existiu mesmo.
— O quê?
— Existiu. Não adianta mais negar. A teoria está certa.
— O Senhor tem certeza?
— Meu filho, Eu estava lá.
— Então o Big Bang... foi o Senhor?
— Modestamente...
A Ciência não nos assegura que o Grande Nada que precedeu o Big Bang não fosse o tempo ocioso de Deus, indeciso sobre o que fazer da Sua vida. Crio um universo? Me resigno a esta imensa solidão, por toda a eternidade? E este meu poder sem limites, o que faço com ele? Se posso tudo, por que não fazer tudo? E Deus explodiu, criando tudo.
A vantagem de criacionistas sobre evolucionistas é que a Bíblia, onde está escrito tudo o que um criacionista precisa saber, pode ser lida como verdade incontestável ou como uma coleção de parábolas e metáforas. Assim, trechos que parecem cientificamente improváveis são explicados como sendo em linguagem figurada, com liberdade poética, e os outros, menos fantásticos, como fatos históricos. Não há nem poesia nem certezas iguais nas explicações científicas.
Há pouco uma sonda pousou num cometa e, entre as transmissões que mandou para a Terra, detectaram o que pareciam ser notas musicais. Não eram, mas por um breve instante de encantamento foi lembrada uma ideia antiga, a de um Universo sinfônico, e Deus como uma espécie de Beethoven sideral. O cometa traria, entranhado, algum resto da música das estrelas. Mas o ruído da sonda era só estática. Pena. Seria um ponto para o deslumbramento religioso contra a frieza da ciência.
DUAS MULHERES, DUAS POSTURAS - 07/12/2014
OLHO EM SANTIAGO E EM QUITO
Atrasei, propositadamente, a publicação deste editorial porque antes de fazer qualquer manifestação precisava ouvir o que tinham a dizer, principalmente, duas mulheres, as quais participaram, nesta sexta-feira, de eventos diferentes na America Latina.
CHRISTINE LAGARDE
Uma delas é a diretora-geral do FMI - Fundo Monetário Internacional-, Christine Lagarde, que esteve em Santiago (Chile) para participar da conferência "Desafios para Assegurar o Crescimento e uma Prosperidade Compartilhada na América Latina.
DILMA ROUSSEFF
A outra é a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, que esteve em Quito (Equador) para participar efusivamente da reunião de Cúpula Extraordinária da UNASUL -União das Nações Sul-Americanas-. ou, como já conhecida, a URSAL -União das Repúblicas Socialistas da América Latina-, por ser uma cópia fiel da URSS -União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
SEMELHANÇA
A propósito: a Unasul bem que poderia se chamar URSAL - União das Repúblicas Socialistas da América Latina-. Afinal, o compromisso é o mesmo, qual seja a formação do regime ditatorial comunista nos mesmos moldes do que foi feito na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a extinta URSS.
Aliás, a semelhança é tamanha que até a bandeira da Unasul tem as mesmas cores da bandeira da URSS: vermelho-sangue e amarelo, que continuam sendo utilizadas pelo Partido Comunista.
LAGARDE ADVERTE E ADMITE
Christine Lagarde fez uma alerta: a América Latina enfrentará um caminho que parece cada vez mais instável com as mudanças nas condições econômicas globais. Mais: os preços das commodities, que alavancaram a região por mais de uma década, estão agora em queda forte. Como se isso não bastasse, a era do financiamento barato em dólar está prestes a acabar.
Lagarde arrematou dizendo: - Se forem introduzidas as reformas estruturais necessárias, o Brasil pode ser um gigante ainda maior do ponto de vista econômico.
DILMA CULPA O MUNDO PELOS SEUS ERROS
Dilma, por sua vez, em Quito, acompanhada pelos líderes de países-membros do Foro de São Paulo (que é representado pela Unasul), para comprovar que, além de grande mentirosa também é uma péssima administradora, cheia de arrogância preferiu culpar a crise internacional pelos problemas no Brasil. Pode?
Agindo de acordo com os ensinamentos obtidos através da Cartilha de Antonio Gramsci, cuja obra inspira as propostas do Foro de São Paulo, Dilma disse que a queda dos preços das commodities são, agora, os grandes responsáveis pela crise brasileira.
NÃO FOI GRAÇAS AO LULA
Ora, com este discurso até os menos atentos perceberam, finalmente, que não foi a capacidade do então presidente Lula que levou o Brasil a ganhar certa notoriedade internacional , como chegou a estampar o The Economist.
Portanto, só para esclarecer de uma vez por todas, o que, entre 2008/2012, realmente levou o Brasil a ser visto com interesse pelos investidores foram os altos preços das commodities e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Hoje, infelizmente, não temos em uma coisa nem outra. E para piorar, nenhuma reforma foi feita e nem será feita.
THE NEW ECONOMICS OF OIL - 04/12/2014
The economics of oil have changed. Some businesses will go bust, but the market will be healthier
Dec 6th 2014 | From the print edition
THE official charter of OPEC states that the group’s goal is “the stabilisation of prices in international oil markets”. It has not been doing a very good job. In June the price of a barrel of oil, then almost $115, began to slide; it now stands close to $70.
This near-40% plunge is thanks partly to the sluggish world economy, which is consuming less oil than markets had anticipated, and partly to OPEC itself, which has produced more than markets expected. But the main culprits are the oilmen of North Dakota and Texas. Over the past four years, as the price hovered around $110 a barrel, they have set about extracting oil from shale formations previously considered unviable. Their manic drilling—they have completed perhaps 20,000 new wells since 2010, more than ten times Saudi Arabia’s tally—has boosted America’s oil production by a third, to nearly 9m barrels a day (b/d). That is just 1m b/d short of Saudi Arabia’s output. The contest between the shalemen and the sheikhs has tipped the world from a shortage of oil to a surplus.
Fuel injection
Cheaper oil should act like a shot of adrenalin to global growth. A $40 price cut shifts some $1.3 trillion from producers to consumers. The typical American motorist, who spent $3,000 in 2013 at the pumps, might be $800 a year better off—equivalent to a 2% pay rise. Big importing countries such as the euro area, India, Japan and Turkey are enjoying especially big windfalls. Since this money is likely to be spent rather than stashed in a sovereign-wealth fund, global GDP should rise. The falling oil price will reduce already-low inflation still further, and so may encourage central bankers towards looser monetary policy. The Federal Reserve will put off raising interest rates for longer; the European Central Bank will act more boldly to ward off deflation by buying sovereign bonds.
There will, of course, be losers (see article). Oil-producing countries whose budgets depend on high prices are in particular trouble. The rouble tumbled this week as Russia’s prospects darkened further. Nigeria has been forced to raise interest rates and devalue the naira. Venezuela looks ever closer to defaulting on its debt. The spectre of defaults and the speed and scale of the price plunge have unnerved financial markets. But the overall economic effect of cheaper oil is clearly positive.
Just how positive will depend on how long the price stays low. That is the subject of a continuing tussle between OPEC and the shale-drillers. Several members of the cartel want it to cut its output, in the hope of pushing the price back up again. But Saudi Arabia, in particular, seems mindful of the experience of the 1970s, when a big leap in the price prompted huge investments in new fields, leading to a decade-long glut. Instead, the Saudis seem to be pushing a different tactic: let the price fall and put high-cost producers out of business. That should soon crimp supply, causing prices to rise.
There are signs that such a shake-out is already under way. The share prices of firms that specialise in shale oil have been swooning. Many of them are up to their derricks in debt. Even before the oil price started falling, most were investing more in new wells than they were making from their existing ones. With their revenues now dropping fast, they will find themselves overstretched. A rash of bankruptcies is likely. That, in turn, would bespatter shale oil’s reputation among investors. Even survivors may find the markets closed for some time, forcing them to rein in their expenditure to match the cash they generate from selling oil. Since shale-oil wells are short-lived (output can fall by 60-70% in the first year), any slowdown in investment will quickly translate into falling production.
This shake-out will be painful. But in the long run the shale industry’s future seems assured. Fracking, in which a mixture of water, sand and chemicals is injected into shale formations to release oil, is a relatively young technology, and it is still making big gains in efficiency. IHS, a research firm, reckons the cost of a typical project has fallen from $70 per barrel produced to $57 in the past year, as oilmen have learned how to drill wells faster and to extract more oil from each one.
The firms that weather the current storm will have masses more shale to exploit. Drilling is just beginning (and may now be cut back) in the Niobrara formation in Colorado, for example, and the Mississippian Lime along the border between Oklahoma and Kansas. Nor need shale oil be a uniquely American phenomenon: there is similar geology all around the world, from China to the Czech Republic. Although no other country has quite the same combination of eager investors, experienced oilmen and pliable bureaucrats, the riches on offer must eventually induce shale-oil exploration elsewhere.
Most important of all, investments in shale oil come in conveniently small increments. The big conventional oilfields that have not yet been tapped tend to be in inaccessible spots, deep below the ocean, high in the Arctic, or both. America’s Exxon Mobil and Russia’s Rosneft recently spent two months and $700m drilling a single well in the Kara Sea, north of Siberia. Although they found oil, developing it will take years and cost billions. By contrast, a shale-oil well can be drilled in as little as a week, at a cost of $1.5m. The shale firms know where the shale deposits are and it is pretty easy to hire new rigs; the only question is how many wells to drill. The whole business becomes a bit more like manufacturing drinks: whenever the world is thirsty, you crank up the bottling plant.
Sheikh out
So the economics of oil have changed. The market will still be subject to political shocks: war in the Middle East or the overdue implosion of Vladimir Putin’s kleptocracy would send the price soaring. But, absent such an event, the oil price should be less vulnerable to shocks or manipulation. Even if the 3m extra b/d that the United States now pumps out is a tiny fraction of the 90m the world consumes, America’s shale is a genuine rival to Saudi Arabia as the world’s marginal producer. That should reduce the volatility not just of the oil price but also of the world economy. Oil and finance have proved themselves the only two industries able to tip the world into recession. At least one of them should in future be a bit more stable.
FINALMENTE, A INVESTIGAÇÃO ESTÁ CHEGANDO AOS FUNDOS DE PENSÃO E, EM ESPECIAL, À PETROS! - 27/11/2014
A maior caixa preta da corrupção do governo federal não é a Petrobras. As irregularidades nos fundos de pensão são ainda mais dissimuladas, e no caso delas o que está sendo desviado são recursos dos planos de previdência, que resultam das contribuições mensais das empresas estatais e de seus funcionários.
Os atuais gestores dos fundos de pensão são todos ligados ao PT. Segundo reportagem de Alexandre Rodrigues e Daniel Biasetto, publicada em O Globo, “o currículo de alguns gestores dos fundos de pensão alimenta as denúncias de aparelhamento. Vários já passaram por outras fundações com indicações políticas ou de sindicatos ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Desde o início do governo Lula, em 2003, ex-integrantes do Sindicato dos Bancários de São Paulo dominam os principais fundos: Previ, Petros, Funcef e Postalis. João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, é originário desse grupo, assim como Wagner Pinheiro, ex-presidente da Petros e atual presidente dos Correios, que indicou o presidente do Postalis, Antonio Carlos Conquista. Este, por sua vez, já foi gestor da Petros e da Fundação Geap (de servidores federais)”.
FAPES SE REBELOU
A única exceção entre os fundos de pensão é o discreto e poderoso Fapes, dos funcionários do BNDES, que no primeiro governo Lula se uniram e conseguiram impedir que um preposto de José Dirceu, chamado Marcelo Sereno, colocasse as garras no caixa do fundo de pensão dos empregados do banco de fomento.
Nos outros fundos, porém, as denúncias se multiplicam há anos e a agência reguladora Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), também controlada pelo PT, nada faz para coibir as irregularidades.
O pior é que, para abafar as constantes acusações dos sindicatos e das entidades representativas dos empregados das estatais, o PT conseguiu controlar também a estratégia Associação dos Participantes de Fundos de Pensão (Anapar), que é presidida por Cláudia Ricaldoni, uma militante que defende ardorosamente os interesses do partido e vive a elogiar a agência reguladora.
“A Previc tem tomado bastante cuidado com todas as denúncias. Não concordo com os que acham que o órgão é lento e irregular em suas fiscalizações”, diz a dirigente da Anapar.
E a própria agência reguladora, quando procurada pela imprensa, justifica sua omissão nos seguintes termos: “Como autarquia de supervisão, a Previc não trata publicamente de situações específicas, em face da necessária preservação de fatos e dados”. Se alguém conseguir explicar o que a Previc está tentando dizer com essa frase, por favor nos oriente, porque a justificativa foi feita naquele linguajar estranhíssimo que a presidente Dilma Rousseff costuma usar e está se disseminando pelo resto do governo.
LAVA JATO
A oportuna reportagem de Alexandre Rodrigues e Daniel Biasetto no Globo mostra que investigadores da Lava-Jato já encontraram indícios de ramificações do esquema do doleiro Alberto Youssef em fundos de pensão. “Em outubro, o advogado Carlos Alberto Pereira Costa, um dos principais auxiliares de Youssef, disse em depoimento que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, frequentou uma empresa em São Paulo entre 2005 e 2006 para tratar de negócios com fundos de pensão com um operador do doleiro. Carlos Alberto Costa menciona, ainda, um suposto pagamento de propina a dirigentes da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras”, dizem os repórteres.
A denúncia de O Globo acentua que a “PF também encontrou e-mails em computadores de pessoas ligadas a Youssef atribuindo à influência de Vaccari a aplicação, em 2012, de R$ 73 milhões das fundações Petros e Postalis, este último dos funcionários dos Correios, na empresa Trendbank, que administra fundos de investimentos, causando prejuízos às fundações. Vaccari negou as acusações. Também em 2012, o Postalis teve prejuízo ao aplicar R$ 40 milhões num fundo no banco BNY Mellon, por meio de uma gestora de investimentos indicada a dirigentes da fundação por operadores de Youssef”.
Traduzindo: a busca da Polícia Federal está apenas começando. Como dizia Roberto Carlos, daqui para a frente, tudo vai ser diferente.
• C. Newton
OS COMPANHEIROS PRIVATIZARAM A VERDADE - 27/11/2014
Revista Época, 13/11/2014 19h20
Teste de história para o 3º ano do ensino médio, numa escola particular do Rio de Janeiro bem colocada no ranking acadêmico:
“O presidente eleito (FHC) governou o Brasil por dois mandatos, iniciando a consolidação da política neoliberal no país, principiada pelos presidentes Collor e Itamar Franco. Sobre os dois mandatos (1995-2002), pode-se afirmar que se caracterizam:
e) pelo limitado crescimento econômico; privatização das empresas estatais; diminuição do tamanho do Estado; e apagão energético, que levou ao racionamento e ao aumento do custo da energia.
A alternativa “e”, acima, é a resposta correta, segundo o professor que aplicou o teste. As quatro alternativas erradas são recheadas de bondades sociais, naturalmente identificadas pelos isentos elaboradores do teste com os governos do PT – muito distantes das maldades neoliberais de FHC. É muito grave o que acontece no Brasil. Um arrastão que mistura má-fé e credulidade empreende uma lavagem cerebral no país. Vamos repetir o termo, para destacá-lo da frase anterior, que ficou um pouco longa: lavagem cerebral.
O exemplo acima é um retrato triste, vergonhoso, do que se passa nas bases da civilização brasileira. A transmissão do conhecimento no Brasil está empesteada pelo vírus ideológico – aquele que sabota a cultura e prostitui a verdade. Nada, absolutamente nada, pode ser mais grave para uma civilização. A quebra da confiança no saber destrói uma sociedade. Quando os monstros nazistas e comunistas foram pegos na mentira, o flagelo social já estava consumado – com a complacência da coletividade.
O PT caminha para 16 anos no poder. Engana-se quem vê inflação e recessão como os piores produtos de uma gestão desonesta. O pior produto é o envenenamento das instituições – gradual, sorrateiro, letal. O brasileiro, esse ser dócil, acha que o julgamento do mensalão foi um filme de época. Recusa-se a perceber que aquele golpe (submeter o patrimônio público a interesses partidários) se aprofunda há 12 anos. O PT montou uma diretoria na Petrobras para a sucção bilionária do dinheiro do contribuinte. Qual é o grande escudo para mais esse assalto?
É a lavagem cerebral. O Brasil engole o assalto petista porque está embriagado dos clichês de bondade, associados aos heróis da vagabundagem. Eles são administrativamente desastrosos e contam com grande elenco de pilantras condenados, mas pelo menos não são “neoliberais de direita”. É esse o truque tosco do teste escolar aqui citado.
O que é uma “política neoliberal”, prezados mestres da panfletagem? Por acaso vocês se referem à abertura econômica do país, com o avanço de prosperidade dela advindo? Claro que não. Vocês citaram “neoliberal” como um palavrão, cuspido pelo filho do Brasil num desses palanques em que ele mora. Vocês não têm nem uma pontinha de vergonha de resumir os anos FHC a um “limitado crescimento econômico” – tendo sido esse o governo que deu ao Brasil uma moeda de verdade?
Não, ok. Vocês não têm vergonha de nada. Nem de escrever que, nesse período, se deu “a privatização das empresas estatais”. Como assim? Todas? Acrescentem ao menos: com exceção de empresas como Petrobras, Correios e Banco do Brasil, que permaneceram públicas para que os companheiros pudessem fazer nelas seus negócios privados. Vocês também poderiam, prezados mestres da educação brasileira, escrever que FHC privatizou a telefonia agonizante e, assim, melhorou a vida dos pobres. Não, desculpem: os pobres pertencem a vocês, e a seus patrões petistas. “Privatização das empresas estatais” – mais um palavrão ideológico, cuspido nos ouvidos de estudantes adolescentes. Prezados professores: vocês são uns covardes.
Nem merece retificação a referência ao “apagão” – que só aconteceu nas suas mentes obscuras. O que vocês devem admirar é a mentira progressista das tarifas de energia e gasolina, que finge dar ao consumidor o que rouba do contribuinte. Ou os truques da contabilidade criativa e do adestramento de dados no Ipea e no IBGE.
O país é hoje comido por dentro. Só passará no vestibular se responder a uma questão, antes de qualquer outra: Dilma sabia ou não sabia do petrolão? Tapem os ouvidos, prezados lavadores de cérebros.
O SISTEMA FINANCEIRO É CAPITALISTA? - 25/11/2014
A crise econômica de 2008 levou muitos comentaristas apressados a declarar a morte do liberalismo. Alguns mais exagerados chegaram a enxergar a queda de um outro muro depois daquele de Berlim, o de Wall Street. A economia de livre mercado teria demonstrado sua ineficiência, sua incapacidade de prover segurança e desenvolvimento.
Entretanto, um olhar mais atento nos leva a conclusões opostas. É aceito amplamente que a crise teve origem no sistema financeiro. Vejamos algumas características deste sistema e investiguemos se realmente ele atende aos requisitos mínimos para ser classificado como de livre mercado.
1. O produto básico com o qual lida o sistema financeiro é a moeda. Há tempos nos diversos mercados a moeda não passa de papel pintado, de curso forçado, emitido de forma monopolista pelos diversos governos, sem nenhum tipo de lastro ou garantia real. A moeda pode ser criada em qualquer quantidade pela autoridade emissora, tendo, portanto, seu valor amplamente manipulado pelo governo. Eventualmente, como demonstrado em inúmeros episódios de hiperinflação ao longo da história, a moeda pode ter seu valor reduzido a zero, deixando de ser um bem econômico. Num ambiente de livre mercado haveria várias moedas concorrentes, lastreadas em ouro e prata, e os consumidores escolheriam livremente a de sua preferência, baseados na maior ou menor confiança em seus emissores.
2. Os bancos e instituições financeiras que atuam neste mercado somente podem fazê-lo com autorização expressa dos governos. Os entes governamentais distribuem para, alguns escolhidos, cartas patentes que habilitam seus detentores para as operações com o produto moeda e seus derivados. Portanto não há livre competição nem genuína liberdade no acesso de empresários a este mercado. Há uma barreira artificial à entrada neste mercado, erguida pelo poder de coerção governamental.
3. As regras para atuação no mercado financeiro são estritamente moldadas, controladas e fiscalizadas pelos órgãos governamentais. No âmbito nacional o controle é exercido pelos bancos centrais, enquanto no internacional os agentes financeiros se submetem a regras como as configuradas no Acordo de Basiléia. Não há livre iniciativa nem liberdade empresarial nos tais mercados financeiros.
4. O preço fundamental nos mercados financeiros, a taxa de juros, é definido pelos bancos centrais. Não há, portanto, o processo de livre negociação com a oferta e a demanda de moeda definindo o nível dos preços, situação típica dos mercados livres capitalistas. Num mercado sem intervenção, os preços são resultado das ações e das informações de milhões de agentes num processo de interação dinâmica em contínua mutação. Ao mesmo tempo em que são definidos pela ação dos empresários, os preços de mercado guiam e informam a atuação empresarial, indicando as iniciativas economicamente viáveis. Claro que a taxa de juros definida pelos bancos centrais é uma meta, mas ela distorce de maneira inegável os preços no mercado financeiro. Ao não incorporar os conhecimentos e informações dos incontáveis agentes econômicos, mas apenas a visão limitada e distorcida da autoridade monetária, a taxa de juros administrada propaga falsos sinais e informações equivocadas, induzindo empreendimentos com grande probabilidade de fracasso.
5. Um aspecto fundamental do sistema de livre mercado, o respeito ao direito de propriedade, não vigora no sistema financeiro. As regras vigentes hoje permitem o regime de coeficiente de caixa fracionário, ou seja, dos depósitos recebidos apenas uma fração permanece no caixa à disposição dos depositantes. A adoção do coeficiente de caixa fracionário implica alavancagem dos recursos realmente existentes nos cofres das instituições financeiras. Os bancos, ao receberem o depósito de um cliente com o compromisso implícito de guardá-lo em segurança, em função dos mecanismos de alavancagem, emprestam o dinheiro recebido para dezenas de outros clientes sem autorização expressa do depositante inicial. No caso dos bancos americanos o grau de alavancagem chegou a 32, ou seja, para cada dólar depositado o banco emprestava 32. Nos bancos brasileiros, mesmo escaldados pela recente crise que motivou o PROER, o grau de alavancagem passa de 12. O depositante tem seu direito de propriedade desrespeitado e o banco cria moeda do nada mediante expedientes meramente escriturais, atividade que, a rigor, não se distingue da simples falsificação de moeda. Note-se que os modernos instrumentos financeiros sobre os quais a mentalidade estatista e antilibertária joga a responsabilidade da crise atual não passam de novas e criativas maneiras de se cometer o velho pecado do multiplicador bancário.
6. Diante de uma corrida bancária, situação em que os diversos clientes comparecem em massa aos bancos para resgatar seus depósitos, um banqueiro alavancado estaria em virtual falência. Entretanto, o detentor de carta patente bancária desfruta de outro privilégio que o distingue dos empresários capitalistas comuns. Neste caso, vem em seu socorro o banco central e põe à sua disposição numerário suficiente para impedir a quebra do banco. Esta ação do banco central, como emprestador de última instância, para proteger os interesses do banqueiro, ao aumentar a massa monetária, gera inflação, prejudicando a população em geral, que terá parte de sua riqueza sequestrada.
Em resumo: o sistema financeiro em seu desenho atual não é um sistema de livre mercado nos marcos das regras universais do direito. Trata-se de um processo caracterizado por monopólio governamental, monopólios privados por concessão estatal, por preços administrados, pela iniciativa empresarial severamente tolhida. Além disso, no sistema financeiro, direitos fundamentais, como, por exemplo, o de propriedade, são desrespeitados, vigem privilégios inaceitáveis como a permissão de emitir moeda falsa. Assim o sistema financeiro está muito mais próximo do chamado socialismo do que do capitalismo.
Não se pode portanto aceitar que a crise atual seja decorrente do livre mercado. O que entrou em crise foi um modelo fortemente regulado pelo Estado, sob o regime de preços administrados, onde o desrespeito aos princípios fundamentais do Direito é permitido. Como nada do que foi exposto aqui foi cogitado e atribuiu-se a crise à uma insuficiência de controle num setor já altamente controlado, pode-se prever com segurança que mais crises advirão.
* Físico pela UFMG, Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental pela ENAP e Mestre em Economia da Escola Austríaca pela Universidad Rey Juan Carlos de Madri.
CUBA, FOCO DA SUBVERSÃO CONTINENTAL - 13/11/2014
Muito já se falou e escreveu sobre a subversão continental patrocinada por Cuba, desde os primeiros anos da década de 60 até os dias atuais. Todavia, até hoje a verdade ainda permanece obscura. O artigo abaixo é uma contribuição à busca dessa verdade, baseado no livro “La Subversion”, Montevidéu, com 1.522 páginas, em dois tomos, editado pelas Forças Armadas do Uruguai em 1977.
A introdução do “La Subversion” assinala que a documentação em que se baseia foi obtida pelo esforço feito muito além do cumprimento do dever, e em muitas páginas existem as impressões digitais do sangue derramado por oficiais, soldados e policiais que caíram defendendo os postulados e valores sobre os quais descansa o sistema jurídico-político do mundo ocidental.
A principal fonte de informação foi constituída pelos próprios guerrilheiros, baseada em seus documentos, apreendidos em inumeráveis procedimentos, bem como em suas idéias, suas opiniões, suas apreciações que, em forma objetiva, permitiram conhecer a natureza das organizações desde o ponto de vista teórico, pois a prática, a realidade se encarregou de mostrar.
Duas circunstâncias tiveram uma incidência decisiva sobre a subversão na América Latina: o êxito da ação guerrilheira iniciada em Cuba em 1953, com o ataque ao Quartel Moncada e o conflito sino-soviético nos anos 60.
O triunfo da revolução em Cuba marcou o início de uma etapa revolucionária na América Latina, pois demonstrou – como disse Che Guevara – que não seria necessário esperar que se apresentem, juntas, as condições objetivas e subjetivas. O dinamismo da luta faria com elas amadurecessem. Até então, a possível tomada do Poder nunca se havia apresentado como uma possibilidade imediata, mas a revolução cubana deu fim a todo um conjunto de velhas concepções dos partidos marxistas tradicionais e inaugurou o início de uma nova etapa.
Por outro lado, a querela sino-soviética viria agregar-se à tomada de consciência dos setores revolucionários do continente. Opostos à ortodoxia tradicional dos partidos comunistas, os chineses estabeleceram uma posição frente ao “sistema imperialista mundial”, que teve um impacto sobre numerosos setores revolucionários e contribuiu com a tomada de consciência da necessidade de colocar em ação a “luta popular”, buscando novos métodos e formas de trabalho, a partir do cerco das cidades pelos campos.
O regime castrista se propôs, desde os primeiros dias, a exportar sua revolução a toda a América Latina, segundo o figurino de sua própria experiência, baseada em focos guerrilheiros nas áreas rurais, independentes dos tradicionais partidos marxistas-leninistas ortodoxos, como posteriormente escreveu Regis Debray, em seu livro “Revolução na Revolução”.
Segundo essa idéia, qualquer grupo organizado e suficientemente audaz teria possibilidade de derrubar um governo, vencer sua polícia e seu Exército e instaurar a “nova sociedade socialista”, que os partidos comunistas tradicionais anunciavam desde o início dos anos 20 do século passado.
Na viagem que, como chefe da revolução triunfante, realizou a Caracas em fins de janeiro de 1959, Fidel Castro propôs a criação de um organismo para impulsionar a subversão a toda a América Latina (esse organismo só seria constituído em 1967: a Organização Latino-Americana de Solidariedade - OLAS).
Tal atitude, que teve enorme repercussão e despertou grande expectativa, transformou Havana na Meca aonde seriam formados milhares de revolucionários latino-americanos e da África. A essa insólita proposição seguiram-se, quase de imediato, os desembarques de cubanos armados no Panamá, Nicarágua, República Dominicana e Haiti, que se constituíram em um estrepitoso fracasso. Foi essa a razão que levou Fidel a projetar e planificar um vasto programa de subversão continental de doutrinamento político e treinamento militar de guerrilheiros latino-americanos nas técnicas da guerra de guerrilhas, espionagem, sabotagem e terrorismo em escolas e centros estabelecidos na Ilha.
É comum que se diga até hoje que fulano ou beltrano recebeu treinamento em Cuba, sem deixar claro, todavia, onde teria sido realizado tal treinamento, dando a impressão de que eram realizados em um único local, especialmente capacitado para isso.
Mas não foi assim. Mais de vinte estabelecimentos destinados a adestrar e instruir os agentes revolucionários da América Latina e da África foram instalados em Cuba desde o primeiro momento da revolução. Esses estabelecimentos, verdadeiras academias de subversão, reproduziam no continente americano técnicas da guerra revolucionária utilizadas anteriormente na URSS e China na preparação de experts em conspiração, insurreição e conflitos sociais.
As escolas soviéticas de subversão – como a de Kuchino, instalada no bairro de mesmo nome, em Moscou -, em cujos programas de estudos se incluem cursos de judô, seqüestros, uso de armas especiais para assassinatos, manejo da propaganda, táticas de insurreição armada, fabricação de armas e explosivos, derrubada de pontes, apoderamento de centrais elétricas e estações de rádio, falsificação de documentos oficiais e penetração ideológica nas Forças Armadas, tiveram uma rápida réplica nas escolas e centros cubanos destinados a ministrar treinamento aos países da América Latina e da África.
Recorde-se que foi em 1911, na escola clandestina do Partido Bolchevique, em Longjumeau, França, que Lênin traçou o desenho de tais centros de subversão, destinados, segundo dizia, a preparar “corpos de trabalhadores revolucionários especialmente adestrados durante um longo período de treinamento”.
Nas Escolas Especiais cubanas, dependentes da Direción General de Informaciones (DGI), receberam treinamento milhares de militantes dos países latino-americanos. Entre tais centros de “ensino” podem ser mencionados os seguintes:
- Escola El Cortijo, para pessoal militar, na cidade de Pinar Del Rio;
- Escola Ciudad Libertad, em Marianao, cidade de Havana, a cargo de instrutores soviéticos;
- Escola Blas Roca, em Los Pinos, cidade de Havana;
- Escola Marcelo Salado, em Luyanó, Havana;
- Centro de Capacitación Juvenil, na Fortaleza Militar de La Cabaña, cidade de Havana;
- Escola Boca Chica, na Praia de Tarará, município de Guanabacoa, cidade de Havana, que funcionou sob a chefia do general comunista espanhol Alberto Bayo Gosgaya, com instrutores russos e checos, segundo narração do militante de esquerda venezuelano Juan de Dios Marin; o texto principal de estudo consistia no livro do próprio Bayo, intitulado “150 Pontos que uma Guerrilha deve saber”;
-Campo de treinamento para Haitianos, centro-americanos e guyaneses, nas proximidades da cidade de Trinidad, ao sul da cidade de Las Villas;
- Escola Julio Antonio Mella, na praia de Marbella, município de Guanabacoa, cidade de Havana;
- Campo de treinamento em problemas agrários e sabotagem rural, em San Pedro, cidade de Camaguey, para bolivianos, peruanos e colombianos;
- Campo de treinamento para equatorianos e bolivianos, nas cercanias da cidade de Nuevitas, ao norte da cidade de Camaguey;
- Campo de treinamento para 300 homens, para venezuelanos, no município de Victoria de las Tunas, cidade de Oriente;
- Centro Especial para Venezuelanos, de adestramento em agitação e luta guerrilheira, no município de Mayari, ao norte da cidade de Oriente;
- Centro Minas de Frio, o mais avançado e o de maior importância na preparação de guerrilheiros, em Sierra Maestra, ao sul da cidade de Oriente;
- Centro Lumumba, para treinamento em luta guerrilheira, na Sierra de Siguanea, na Isla de Pinos;
- Centro de treinamento para Peruanos, incluindo o ensino do idioma quéchua, em 17 y L, bairro de Vedado, cidade de Havana;
- Escola para Bolsistas Latino-americanos, com capacidade para 800 bolsistas, onde era ministrado ensino político e militar em Santa Maria Del Mar, município de Guanabacoa, cidade de Havana;
- Centro de treinamento para nativos do Congo, no quilômetro 7 da estrada a Bejucal, cidade de Havana;
- Centro de treinamento para Africanos, na fazenda La Unión, em Bahia Blanca, município de Cabañas, cidade de Pinar Del Rio;
- Centro de treinamento para Ghaneses, na fazenda Villalba, bairro de El Cano, município de Marianao, cidade de Havana;
- Acampamento do Serviço Militar Obrigatório, para treinamento de jovens cubanos a serem enviados ao então Vietnã do Norte, a cargo de instrutores soviéticos, a 2 quilômetros da povoação Santiago de Las Vegas, cidade de Havana;
- Acampamento para Treinamento de Guerrilheiros, com capacidade para 200 homens, em Jardins de Hershey, município de Santa Cruz do Norte, cidade de Havana;
- Zona de Treinamento em Artilharia de Montanha, para bolivianos, guatemaltecos, peruanos e venezuelanos, na região montanhosa de San Cristóbal, cidade de Pinar Del Rio.
Além dessas Escolas e Centros, existem também os Institutos Tecnológicos Agropecuários, as Escolas do Instituto Nacional de Reforma Agrária, as Universidades e as Escolas de Pesca, onde, além do ensino ideológico, se ministra instrução política e militar.
Outros centros destinados especialmente à preparação subversiva são as Escolas de Instrução Revolucionária, nas quais, já em dezembro de 1966, funcionavam 244, de conformidade com as seguintes divisões: 2 Escolas Superiores de Instrução Revolucionária; 4 Escolas Nacionais de Instrução Revolucionária; 12 Escolas Provinciais de Instrução Revolucionária; 25 Escolas Básicas de Instrução Revolucionária e 201 Escolas Básicas de Instrução Revolucionária (noturnas).
Desde a fundação dessas Escolas de Instrução Revolucionária até dezembro de 1966, passaram por elas 145 mil estudantes. Regis Debray foi instrutor nessas escolas.
No período compreendido entre 1960 a dezembro de 1966, mais de 6 mil jovens latino-americanos receberam treinamento em Cuba, regressando a seus países de origem para atuar na guerra de guerrilhas. Cerca de 250 militantes brasileiros, até meados dos anos 70, receberam esse tipo de treinamento.
Um telegrama das agências internacionais de notícias difundiu mundialmente, em 18 de março de 1962, um informe sobre esses cursos nos seguintes termos: “Uma organização clandestina cubana contrária ao regime descobriu os planos de subversão comunista na América Latina e o intensivo adestramento militar e de doutrinamento a que são submetidos atualmente 1.500 latino-americanos que depois organizarão e dirigirão movimentos guerrilheiros. Cruzada Autêntica Revolucionária, em um informe enviado clandestinamente desde Cuba, assegura que os futuros guerrilheiros recebem o adestramento em vários estabelecimentos militares e que os instrutores são os comunistas espanhóis Enrique Lister, Alberto Bayo e Manuel Monreal, além de outros militares cubanos (...). Os alunos são recrutados em cada país pelos partidos comunistas ou por agrupamentos cripto-comunistas e são enviados a Cuba como convidados pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) (...)” (citado por Alejandro Rovira, Las Associaciones Ilícitas en la Legislación Uruguaya, Montevidéu, 1963, páginas 312 e seguintes).
Além disso, o minucioso informe produzido em 1964 pela Comissão Investigadora designada pela OEA para apurar as denúncias formuladas pela Venezuela contra Cuba permitiu comprovar a intromissão deste país nos assuntos internos de outros através de atos tais como: introdução de propaganda subversiva e armamento em território venezuelano; treinamento de guerrilheiros e terroristas venezuelanos nas “academias” cubanas de subversão; financiamento e planejamento das atividades subversivas na Venezuela pelo governo cubano, etc.
Tais evidências permitiram à Comissão concluir que “o conjunto de atos resenhados e especialmente o envio de carregamentos de armas, configura uma política de agressão do atual governo de Cuba contra a integridade territorial, a soberania política e a estabilidade das instituições democráticas da Venezuela”. Três anos depois, e ante denúncias de igual natureza, outra Comissão similar produziu um informe semelhante, com declarações do ex-agente castrista e ex-integrante das milícias nacionais revolucionárias cubanas, de origem venezuelana, Manuel Celestino Marcano Carrasquel (“Subversão na América Latina”, 1967, Miami, publicado pela Federação Ibero-Americana de Editores).
Também funcionaram em Cuba institutos de doutrinamento e preparação subversiva para mulheres, como o Liceo Feminino, instalado nas imediações de Havana, a cargo exclusivamente de instrutores soviéticos, em cursos com duração de 6 a 8 meses, sobre espionagem, sabotagem, enfermaria, psicologia e investigação. Deve ser assinalado que diversas militantes de organizações revolucionárias brasileiras receberam esse tipo de treinamento.
Finalmente, observe-se que algumas dessas Escolas e Institutos, embora o comunismo realmente existente tenha naufragado em todo o mundo e em Cuba esteja em estado falimentar, ainda existem e funcionam.
* Historiador
TODA A GÁLIA ESTÁ OCUPADA! TODA? NÃO! UMA PEQUENA ALDEIA RESISTE AINDA... - 12/11/2014
Nous sommes en 50 avant Jésus-Christ ; toute la Gaule est occupée par les Romains… Toute ? Non ! Car un village peuplé d’irréductibles Gaulois résiste encore et toujours à l’envahisseur. Et la vie n’est pas facile pour les garnisons de légionnaires romains…
No prefácio com o qual distinguiu meu livro “Nunca Antes na Diplomacia…: a política externa brasileira em tempos não convencionais”, o embaixador Rubens Barbosa começa exatamente por essas palavras: “Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos… Toda? Não! Uma pequena aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste bravamente ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos…”. Ele continua dizendo que eu não sou exatamente um “asterisco” na bibliografia brasileira de relações internacionais e de política externa, dado o acúmulo de obras já produzidas nessas áreas, e que tampouco me pareço com Obelix, embora eu costume arremessar menires intelectuais contra os acadêmicos ingênuos que interpretam o mundo através de seus livros.
O Brasil se encontra dividido em quase duas metades simétricas.
Com efeito, creio poder orgulhar-me de uma boa contribuição para a literatura especializada nesses campos que constituem minha especialidade de pesquisa e de produção de trabalhos acadêmicos, ademais de participar do debate intelectual nessas e em outras áreas de relevante interesse público para o Brasil. Mas o fato é que, nos últimos dois meses, pelo menos, eu tinha deixado de lado essa produção voltada para estudos mais estruturais, ou de natureza mais analítica, passando a ocupar-me de pequenos textos de intervenção na realidade política do país, em compasso com a conjuntura eleitoral. Até cheguei a inverter uma antiga resistência a certas ferramentas de comunicação social, como o Facebook, por exemplo – que considero, acertadamente, como um grande “perdedor de tempo”, o precioso e extremamente exíguo tempo de que disponho para ler e escrever – para participar mais ativamente do debate político que incendiou o país em torno de dois projetos de nação.
A questão agora não é tanto pessoal – embora eu tenha que confirmar um novo retraimento nos estudos de maior profundidade, em lugar da dispersão em textos curtos de intervenção no debate político – quanto ela é, justamente, de natureza social, mais especificamente, no caso presente, de ordem intelectual grupal. Aparentemente, o Brasil se encontra dividido em quase duas metades simétricas, não exatamente opostas no plano das políticas públicas – uma vez que ambos tendem a confirmar o papel bastante preponderante do Estado no encaminhamento dos principais problemas nacionais – quanto elas o são no que respeita as filosofias que subjazem aos programas de governo das duas coligações que se digladiaram nas eleições presidenciais de 2014. As pessoas, como eu, mais identificadas com a preeminência do indivíduo sobre o Estado, com os terrenos das liberdades individuais e das iniciativas privadas, como forma de superar os graves problemas de desenvolvimento econômico e social do país, podem estar se sentido órfãs no momento presente, quando triunfam – não de maneira acachapante, mas ainda assim de modo incisivo – os elementos mais negativos da institucionalidade política e da mobilização social, o que pode dar uma impressão de desesperança, ou de inutilidade, quanto à mensagem que elas gostariam que fosse, finalmente, incorporada ao ideário brasileiro do desenvolvimento nacional: o das liberdades econômicas, o da redução do papel do Estado e da promoção concomitante do papel da iniciativa privada, da concorrência sadia, da abertura econômica e da liberalização comercial, como as formas mais adequadas para justamente fazer o país avançar.
Uma sombra de desesperança, quando não de desespero, perpassa as mentes e as vontades mais engajadas nos combates dos dois ou três últimos meses: alguma intenção de abandonar o combate intelectual, projetos de abandonar o país, retraimento em áreas de exclusivo interesse pessoal, enfim, retirada do campo de batalha e abandono do terreno de lutas que sempre foi o nosso: não necessariamente a liça eleitoral, mas o esforço didático de educação política, de esclarecimento econômico, de defesa da lógica e da promoção do raciocínio inteligente na exposição, análise e divulgação de pontos de vista que se identificam com uma visão liberal, libertária, em todo caso de democracia avançada e de regimes de mercados como os mais consentâneos com a construção de um país progressista, avançado no plano das liberdades individuais e comprometido, tanto quanto outras correntes, com a redução de iniquidades sociais e de falta de oportunidades para os menos contemplados com riqueza pessoal ou familiar.
Não somos poucos, mas certamente somos minoria, pelos tempos que correm. Mas, se tivermos certeza da validade de nossas ideias, do acertado de nossas propostas, da adequação de nossos projetos aos ideais de um mundo livre e de um Brasil mais próspero, não podemos recuar no combate intelectual. Constituímos, no presente, uma espécie de quilombo de resistência intelectual contra ideias e propostas aparentemente dominantes, mas que sabemos contraditórias ou mesmo retrógradas em relação aos valores e princípios de organização social, econômica e do trabalho produtivo, que caberia imprimir a setores mais vastos da sociedade brasileira para retomar um curso mais virtuoso de desenvolvimento com plena defesa das liberdades individuais e coletivas no Brasil contemporâneo.
Não vamos nos desmobilizar: combateremos à sombra – no duplo sentido analógico e metafórico – mas combateremos, reorganizando nossas forças, examinando o panorama após a batalha, e traçando novas estratégias e novos princípios táticos para melhor posicionar nossas ideias – como diria um especialista em publicidade – com vistas a conquistar mais terreno nos espaços que são os nossos: estes são, basicamente, de inteligência, de trabalho analítico, de esforço didático e de continuidade no nosso próprio esforço de aprofundamento do estudo das questões teóricas, dos problemas do Brasil e da região, da discussão em torno de propostas factíveis de melhorias gradativas num país que escolheu, temporariamente pelo menos, mais distribuir do que produzir.
Esse esforço não é em vão, e não será inútil, pois ele corresponde exatamente às nossas vantagens comparativas, às nossas qualidades de pesquisadores, aos nossos projetos de vida e ao nosso engajamento no terreno do debate de ideias em prol de um país mais avançado. Momentaneamente, estamos submergidos pelas hordas de hunos e de visigodos, que destruirão um pouco mais dos valores acadêmicos que tanto prezamos e que tanto procuramos defender, contra o culto da ignorância e da crua prepotência antiliberal, mas a escuridão não é completa, nem está ela destinada a durar para sempre. Persistiremos em nosso quilombo, que aos poucos vai se alargar à medida em que consigamos propagar nossas luzes, com base unicamente na razão prática e na lógica bem fundamentada.
Este é justamente o momento de se fazer um balanço completo das razões e das causas do triunfo das nulidades, e da nossa própria derrota, para traçar um programa de trabalho, de estudos e de discussões, que focalize as questões mais relevantes da atualidade brasileira e internacional. Dispomos de ferramentas analíticas para tanto e de instrumentos operacionais para persistir nessa missão intelectual. Vou me dedicar a estudos de maior profundidade, a trabalhos de maior consistência empírica, mas não pretendo abandonar a arena do debate público e da apresentação de propostas, sempre quando minhas vantagens comparativas se revelarem úteis nesse tipo de trabalho. Não esmorecer é a palavra do momento; redobrar os esforços é um projeto decidido.
Allons, enfants, a aldeia continua resistindo…
http://diplomatizzando.blogspot.com
*Diplomata e professor universitário
ESTAMOS ACABANDO COM O PAÍS - 10/11/2014
Uma leitura indispensável a toda cidadão que queira combater o mal que se infiltrou no País através do sistema de ensino. Este artigo, que reproduzo para que fique em arquivo no site homenageando o autor, foi publicado na Revista Veja deste final de semana.
Há algumas semanas, dei uma palestra em um evento sobre educação, organizado por uma grande empresa e sediado em uma escola. Havia muitos educadores e alunos na plateia. Compartilhei alguns dos dados preocupantes sobre o fracasso do nosso sistema educacional. Expus minha oposição ao plano — agora consagrado em lei — de investirmos 10% do PIB em educação, notando que o único país que investe nesses patamares é Cuba. (Não porque aprecie sobremodo a educação, mas porque não tem PIB: qualquer meia dúzia de vinténs já dá 10% do PIB cubano...)
Depois da minha fala, vieram as perguntas do público. Sempre que há professores na plateia, estas perguntas se repetem: não é muito simplista/reducionista/alienado falar apenas em qualidade do ensino através do domínio dos conhecimentos de linguagem, matemática e ciências medidos por meio de exames como a Prova Brasil, o Enem e o Pisa? A função da educação não vai muito além disso? Não seria formar o cidadão crítico e consciente, engajado na construção de um país mais justo? Respondi o que sempre respondo nesses casos: a educação brasileira está tão mal — incapaz até mesmo de alfabetizar seus alunos ou ensinar-lhes as operações matemáticas básicas — que podemos gerar um consenso abarcando desde os stalinistas do PSTU até o neoliberal mais empedernido. Quer você deseje gerar o próximo Che Guevara, quer um operário preparado apenas para trabalhar numa linha de montagem, ambos precisam ser alfabetizados e dominar as operações matemáticas básicas. Então vamos primeiro focar a criação de um sistema educacional que garanta a 100% de seus alunos o direito de aprender pelo menos essas competências básicas, e deixemos as discussões ideológicas para outras áreas e outros momentos. Para mim, isso tudo é de uma obviedade mais do que ululante.
Qual não foi a minha surpresa quando, ao terminar, fui interpelado por uma meia dúzia de adolescentes, na faixa dos 15 anos, alunos daquela escola, dizendo-se indignados com meu desprezo por milênios de linguagem oral, meu menosprezo pelos analfabetos (“Então o senhor acha que é preciso ler para ter conhecimento?!”) e minhas críticas ao “grande” modelo cubano. Sim, sim, tem bastante gente ainda pensando assim em 2014, não estou brincando! Caiu o Muro de Berlim, e eles ainda estão sonhando em descer a Sierra Maestra. Você deve estar pensando que essa escola era da rede pública de alguma biboca do nosso interior profundo, administrada por uma prefeitura de partido socialista, certo? Pois é, eis a minha surpresa: essa escola, senhores e senhoras, está no Rio de Janeiro, na divisa entre a Barra da Tijuca e Jacarepaguá, e — esta é a melhor parte — pertence ao Sesc. Sim, o Serviço Social do Comércio, mantido pelos empresários e funcionários das áreas de comércio e serviço através de impostos cobrados na folha salarial. Longe de ser exceção, essa dinâmica é a regra: escolas e universidades de entidades privadas, algumas inclusive com fins lucrativos, estão entupindo o cérebro de seus alunos com a mais rasteira e ignóbil doutrinação política marxista. Depois, quando esses alunos se tornam adultos e passam a comandar o país, os donos e diretores dessas escolas e universidades passam anos a fio reclamando (com razão) do intervencionismo estatal e do viés antiempresarial dos líderes... que eles mesmos formaram!
Não acredito que esse tiro no pé seja intencional. É só miopia ou visão de curto prazo. Nas universidades, as áreas de pedagogia e licenciaturas são muito desprestigiadas, e acabam se tornando incompetentes. Formam maus professores, mas ninguém se importa, porque, como muito poucos prefeitos ou governadores são cobrados pela qualidade do ensino que oferecem, mesmo o mau professor não terá muita dificuldade de se encaixar no mercado, desde que tenha o diploma. Como os cursos não precisam ter qualidade, o jeito de reter aquele aluno é dizendo-lhe o que ele gosta de ouvir. De preferência, algo fácil de entender. Como esse é um público muito idealista, que já vem doutrinado do ensino médio, e como os pedagogos responsáveis por esses cursos também estão, na maioria dos casos, imbuídos de um sentido de missão revolucionária, o que você acha que esses cursos fazem? Trilham o caminho difícil de transmitir o domínio da didática e da matéria a ser ensinada ou optam por falar do papel revolucionário do professor, da missão grandiloquente da formação do cidadão crítico etc.? Sim, eles optam pelo caminho do ensino raso recheado por profundo doutrinamento. E assim se formam os professores que formarão as futuras gerações.
Lendo estas linhas você deve estar com um misto de compaixão e desprezo pelos proprietários de nossas universidades, investindo hoje na criação do seu opositor de amanhã. Mas eles não são os maiores culpados pela situação que vivemos. Sabe quem é? Você. Sim, você, que tem recursos para ler esta revista e, provavelmente, para pôr seu filho em uma escola particular. Você que faz parte da elite financeira e intelectual do país, que representa a sua liderança. Pois eu pergunto a você: qual foi a última vez que leu um livro didático de história ou geografia adotado pela escola do seu filho? Se você for como a maioria dos pais, deve fazer muito tempo. Você sabe que seus filhos estão ouvindo nas escolas diatribes contra o capitalismo e a burguesia brasileira (leia-se: você) e elogios ao modelo cubano e outros lixos socialistas? Provavelmente não sabia. É provável que só esteja preocupado com que seu filho entre em uma boa universidade, preferencialmente pública, em que o doutrinamento rastaquera praticado na escola será substituído por uma panfletagem esquerdista travestida de intelectualidade. Ou talvez até saiba o que está se passando mas não tenha vontade suficiente para debater com os professores e diretores, mantidos pela sua mensalidade, o lixo mental que seu filho recebe diariamente. Você que se preocupa com a saúde física do seu filho a ponto de obrigá-lo a comer arroz integral e tomar suco verde não dispõe da mesma energia e entusiasmo para fazer com que seu cérebro seja preservado dos detritos descarregados diariamente pela escola que você financia.
Talvez acredite que não importa o que seu filho ouve na escola: você corrige os desvios de caminho em casa. E pode ser até que tenha razão. Mas os 83% de alunos que estudam em escolas públicas têm pais cujo nível de instrução é muitas vezes insuficiente até para ajudar na alfabetização do filho. Certamente não conseguirão fazer o mesmo nem saberão que seu filho está sendo vitimado pela historiografia marxista, ou mesmo que há outras historiografias possíveis.
O resultado das últimas eleições mostra que não é possível construir um país nos três meses que antecedem a votação. Mostra que, sim, é ótimo que a nossa elite ganhe muito dinheiro, progrida e tenha condições de passar um tempo em Miami, Paris ou onde bem lhe aprouver, mas que só isso não basta: precisamos de uma elite empenhada em alterar a realidade do país, não em fugir dela. O Brasil está criando pessoas que desconfiam da democracia, dos valores republicanos, de sua própria capacidade empreendedora. Se as lideranças do país continuarem se abstendo da discussão que mais importa — a de valores, de identidade, de aspirações nacionais —, continuaremos colhendo atraso e frustração. Não se constrói um país desenvolvido sem elites. Esse debate é indelegável.
Já passou da hora de termos uma escola apolítica, sem doutrinação, que consiga fazer com que nossos alunos pensem e tenham os instrumentos para pôr de pé seus sonhos de vida. Não podemos nos furtar desse debate nem adiá-lo. Ele começa hoje, na sua sala de jantar, na escola de seus filhos. Aproveite essa liberdade enquanto a temos.
SUCESSÃO DE FRAUDES - 30/10/2014
Houve fraude nas eleições presidenciais de 2014? Sem o menor temor de errar, afirmo categoricamente: Houve não uma, nem duas, nem mil, mas a mais longa e assombrosa sucessão de fraudes que já se observou na história eleitoral de qualquer país, em qualquer época.
Essa afirmação, que soará hiperbólica aos ouvidos de quem não conhece os fatos o suficiente para poder medi-la, traduz uma verdade literal e simples que qualquer um, se quiser investigar um pouco em vez de julgar sem conhecimento de causa, poderá confirmar por si próprio.
Primeira série de fraudes:
A Lei dos Partidos Políticos de 1995, Art. 28, alínea II, afirma taxativamente que será cassado o registro de qualquer partido que se comprove subordinado a uma organização estrangeira.
O PT, segundo a propaganda do seu III Congresso, reconhece o Foro de São Paulo como “coordenação estratégica da esquerda latino-americana”. Ao subscrever e colocar em prática as decisões das assembléias gerais do Foro, esse partido reconhece sua subordinação a um plano internacional que não somente jamais foi discutido ou aprovado no nosso Parlamento, como também advoga, sem dar disto a menor ciência ao povo brasileiro, a dissolução da soberania nacional mediante a integração do país num monstrengo internacional chamado “Pátria Grande”, cuja capital é Havana e cuja língua oficial é o portunhol.
A sra. Dilma Rousseff, em especial, chegou a ser louvada pelo ditador venezuelano Hugo Chávez como “grande patriota... patriota da Pátria Grande”. Será possível não entender que ninguém pode ser ao mesmo tempo um patriota da pátria brasileira e um servidor leal da organização internacional empenhada em engolir essa pátria e governá-la desde assembléias e em reuniões secretas realizadas em Havana, em Caracas ou em Santiago do Chile?
Quando digo “reuniões secretas”, não é uma interpretação que faço. É o traslado direto da confissão cínica apresentada pelo sr. Luís Inácio Lula da Silva, não numa conversa particular, mas em dois discursos oficiais transcritos na página da Presidência da República (v. um deles em http://www.olavodecarvalho.org/semana/050926dc.htm).
Se ainda vale o princípio de que de duas premissas decorre uma conclusão, esta só pode ser a seguinte: O PT é um partido ilegal, que não tem o direito de existir nem muito menos de apresentar candidatos à presidência da República, aos governos estaduais ou a qualquer câmara estadual ou municipal.
Segunda série de fraudes:
Tão óbvia e gritante é essa conclusão, que para impedir que o cérebro nacional a percebesse foi preciso ocultar da opinião pública, durante dezesseis anos seguidos, a mera existência do Foro de São Paulo, para que pudesse crescer em segredo e só se tornar conhecido quando fosse tarde demais para deter a realização dos seus planos macabros. Nesse empreendimento aliaram-se todos os órgãos da “grande mídia”, reduzindo o jornalismo brasileiro a uma vasta e abjeta operação de desinformação e forçando o povo brasileiro, em sucessivas eleições, a votar em candidatos cujo programa de ação desconhecia por completo e, se o conhecesse, jamais aprovaria.
Terceira série de fraudes:
O Foro de São Paulo é a mais vasta, mais poderosa e mais rica organização política que já existiu no continente. Seu funcionamento – assembléias, grupos de trabalho, publicações, viagens e hospedagens constantes para milhares de agentes – é inviável sem muito dinheiro que até hoje ninguém sabe de onde vem e cuja origem é feio perguntar. É praticamente impossível que verbas do governo brasileiro não tenham sido desviadas em segredo para essa entidade. É mais impossível ainda que grossas contribuições não tenham vindo de organizações de narcotraficantes e seqüestradores como as Farc e o MIR chileno, que ali são aceitas como membros legítimos e tranqüilamente discutem, nas assembléias, grupos de trabalho e encontros reservados, a articulação dos seus interesses criminosos com o de partidos políticos como o PT e o PC do B.
Quarta série de fraudes:
A sra. Dilma Rousseff, servidora dessa geringonça imperialista, jamais poderia ser candidata a qualquer cargo eletivo no Brasil. Urnas que votam sozinhas ou que já chegam à seção eleitoral carregadas de quatrocentos votos para a candidata petista, como tantos eleitores vêm denunciando, são apenas subfraudes, ou pedaços de fraudes, em comparação com a fraude magna que é a presença, na lista de candidatos presidenciais, da agente notória e comprovada de um esquema estrangeiro empenhado em fagocitar e dissolver a soberania nacional.
Quinta série de fraudes:
Eleição com contagem de votos secreta não é eleição, é fraude. O sistema de ocultações montado para isso, sob a direção de um advogadinho chinfrim sem mestrado, sem obra notável publicada e sem qualquer currículo exceto serviços prestados a um dos partidos concorrentes, viola um dos princípios mais elementares da democracia, que é a transparência do processo eleitoral. Como observou uma advogada que tentou denunciar em vão a anomalia imposta ao eleitor brasileiro, “é o crime perfeito: o acusado se investiga a si próprio”.
Que mais será preciso para concluir que, sob todos os aspectos, a eleição presidencial de 2014 foi em si uma fraude completa e majestosa, coroamento da longa sucessão de fraudes em série em que se transformou a política brasileira desde o ingresso do PT no cenário eleitoral?
Publicado no Diário do Comércio.
A HORA DA LIBERDADE - 21/10/2014
O Brasil tem em sua frente, pelos próximos quinze dias, uma escolha bem séria — junto com a opção entre Aécio Neves e Dilma Rousseff, precisará decidir entre democracia e alguma coisa chamada "projeto do PT". Ninguém explicou bem, até agora, o que poderia ser isso. Mas democracia com certeza não é. Não é democracia por um motivo simples: ou um país vive com liberdades individuais e públicas por inteiro, dentro do desenho que todos conhecem e pode ser explicado em menos de cinco minutos, ou vive numa ditadura. Exagero? Não, não é — não quando se quer lidar com ideias descomplicadas. Naturalmente, essa ditadura não requer um general de quepe, bigode preto e óculos escuros na Presidência da República; também não precisa seguir os moldes de Cuba ou da Coreia do Norte. Ela pode ser disfarçada. Pode fingir que é um novo modelo de justiça, no qual ficam dispensados direitos obsoletos que só atrapalham a tarefa superior de salvar os bons e punir os pecadores, missão que seria privativa da trinca Lula, PT e Dilma Rousseff.
Ou, ainda, pode ser um desses regimes que dividem a liberdade em dois tipos, a boa e a ruim — cabendo a quem manda no governo decidir qual é uma e qual é a outra. O problema é que só existe um tipo de democracia: essa aí que temos, com todos os seus vícios, mas melhor que qualquer outro sistema já tentado até hoje na história. Se não é assim, é tirania, aberta ou oculta. Infelizmente, não há "terceira via7". Ou é produto legítimo, ou é produto falso.
A nuvem de gás totalitário que se espalha hoje pelo Brasil não é uma questão de palavras ou de opinião; pode ser detectada e medida pela observação direta dos fatos. Os fatos comprovam em alta definição, logo de saída, que o sermão oficial da campanha para a reeleição da presidente tem como alicerce o principal mandamento das ditaduras: "Os únicos votos legítimos são os nossos; todos os demais são viciados, desonestos e vêm de inimigos da vontade popular". A votação do primeiro turno mal tinha terminado e esse bumbo já estava sendo batido por Dilma. "O povo não quer de volta os fantasmas do passado", disse ela. Como assim? O povo tinha acabado de dar 57 milhões de votos a Aécio e Marina Silva, dois candidatos absolutamente de oposição; bem mais, por sinal, do que os 43 milhões dados à candidata oficial. Não é possível, simplesmente, que milhões de brasileiros tenham sentido, justo no dia da eleição, uma súbita vontade de sofrer com a volta de fantasmas. Além disso, considerando que o eleitorado total do país é de 143 milhões de cidadãos, a aritmética mostra que 100 milhões de eleitores, no fim das contas, não votaram em Dilma.
Eis aí uma dificuldade e tanto para a doutrina do governo. Segundo o evangelho do PT e dos seus subúrbios, o Brasil de hoje está dividido entre dois lados. Um deles, o lado de Dilma, é o dos pobres, da esquerda e de todos os que querem justiça e progresso; o outro lado. onde ficam os que estão contra a sua candidatura, é o dos ricos, da direita e dos senhores de engenho que querem voltar aos tempos da escravidão. É uma divisão impossível. Pelo que as urnas do dia 5 de outubro acabam de mostrar, 100 milhões de brasileiros — ou no mínimo os 57 milhões que votaram em Aécio e Marina — seriam ricos etc. Que nexo faz uma coisa dessas? Nenhum, mas as ideias totalitárias são exatamente isto: dane-se o nexo, o que interessa é intimidar, agredir e calar a voz de quem discorda delas. Ou "desconstruir" os adversários, como o PT fez com Marina — desconstruiu tão bem, aliás, que acabou construindo Aécio para o segundo turno.
Ninguém melhor que Lula para provar que a candidatura oficial não admite pontos de vista contrários. "Eu não entendo como tanta gente quer votar no Alckmin aqui em São Paulo", disse o ex-presidente, num surto de sinceridade, já no fim da campanha. É exatamente isto: Lula não admite que alguém tenha o direito de preferir um candidato diferente do seu. No caso, Geraldo Alckmin foi eleito pela terceira vez como governador do Estado de São Paulo com quase 60% dos votos: só perdeu em um dos 645 municípios paulistas e só em quatro das zonas eleitorais da capital, enquanto o "poste" que Lula inventou para a disputa foi rejeitado por mais de 80% dos cidadãos que formam o maior eleitorado do Brasil. O que mais seria preciso para provar livremente a existência de uma maioria? Nada, é óbvio — mas o ex-presidente Lula diz que "não entende". Fica-se com a impressão, assim, de que ele acredita num fenômeno fabuloso: 644 municípios de São Paulo seriam controlados pelas elites que não se conformam com o bem-estar dos pobres etc. Ou, então, a imensa maioria da população paulista seria composta de idiotas incapazes de votar direito ou entender os próprios interesses.
A campanha de Dilma deixou mais do que claro, também, seu maciço empenho em aproveitar todas as oportunidades de falsificar a realidade — outra instrução-chave do manual de regras das ditaduras. Não se trata apenas de inventar que durante o governo Fernando Henrique o Brasil quebrou "três vezes", catástrofe que pelo menos 60% da população nacional não chegou a perceber, ou que Aécio levará o país ao racionamento de energia elétrica. A marca da maldade, na vida real, está na negação de fatos visíveis para todos, dentro da doutrina segundo a qual qualquer barbaridade acabará ignorada pelo "povão" se os responsáveis disserem, o tempo todo, que não aconteceu nada. É exatamente o procedimento adotado por Dilma e sua tropa de apoio diante dos crimes de corrupção cometidos na Petrobras durante os últimos anos. Os dois principais acusados admitiram oficialmente os delitos que praticaram, tanto que recorreram ao benefício da "delação premiada"; a Justiça ainda tem um demorado caminho a seguir até uma avaliação completa do caso, mas a roubalheira está provada acima de qualquer dúvida. A única resposta do governo, até agora, tem sido a falsificação dos fatos e a recusa intransigente em aceitar as verdades mais elementares.
Dilma, no caso da Petrobras, parece estar tendo um severo acesso da conhecida doença ocupacional dos governantes totalitários — a fé exagerada na própria capacidade de controlar os acontecimentos. A presidente chegou a dizer, em público, que foi ela quem demitiu da empresa o principal envolvido na ladroagem, o altíssimo diretor que hoje vive equipado com uma tornozeleira eletrônica para não fugir da cadeia. É falso. Está comprovado que o homem pediu demissão, e foi brindado ao sair com uma salva de elogios oficiais. Dilma sustenta que é praxe permitir que funcionários demitidos do serviço público por justa causa saiam "a pedido". Trata-se de uma desculpa desesperada; se o que a presidente afirmou fosse verdadeiro, não dá para entender por que raios o demitido recebeu tantos elogios na saída e menos ainda por qual motivo não foi imediatamente denunciado à polícia e ao Ministério Público. O DNA das tiranias está presente, também, numa das alegações em que Dilma mais insiste: a de que é ela, por seus méritos pessoais, que tem permitido à Polícia Federal e aos promotores de Justiça investigar atos de corrupção em seu governo. Só em regimes de força o chefe do governo permite ou proíbe que a polícia faça isso ou aquilo. Numa democracia, a autoridade policial e judiciária não tem de pedir licença a ninguém para apurar violações ao Código Penal; ao contrário, fazer isso é a sua obrigação legal.
As liberdades, como se sabe, raramente se dão bem com a fraude. Mais informações a respeito no dia 26 de outubro.
RETORNO A UMA DIPLOMACIA NORMAL? - 16/10/2014
Os companheiros no poder praticaram o que eles mesmos designaram como sendo uma “diplomacia ativa, altiva e soberana”. Sua primeira tarefa, em 2003, foi denegrir a anterior, considerada – como, de resto, as demais políticas – como manchada pela submissão ao império, pela adesão voluntária às regras perversas do “Consenso de Washington” e por vários outros pecados, no contexto da “herança maldita” que teriam recebido do governo precedente. Eles passaram a orientar a nova política externa por outros critérios: alianças estratégicas com supostas potências anti-hegemônicas, sonhos de “mudar as relações de força no mundo”, construir uma “nova geografia do comércio internacional” e manter relações preferenciais com os países do Sul, numa pouco disfarçada oposição ideológica ao império e às grandes potências hegemônicas.
Qual foi o resultado dessa agenda ativíssima? Certamente a ampliação da presença brasileira no mundo, nem sempre com os resultados esperados, mas sempre em benefício de alguns parceiros privilegiados pelos companheiros: alguns regimes deploráveis na região, e outros aliados pouco democráticos alhures. Nenhuma das principais prioridades – reforço do Mercosul, obtenção de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança, conclusão exitosa da Rodada Doha – foi alcançada, mas é claro que nem todas dependiam do Brasil. A que dependia, o Mercosul, retrocedeu de bloco comercial a mero agrupamento político em pouco tempo, e sua ampliação se fez às custas de seus fundamentos. Enfim, se poderia continuar por vários outros fracassos companheiros, mas agora a hora é de olhar para a frente e ver o que poderia ser feito para corrigir alguns dos equívocos dos últimos três governos na frente externa.
Em primeiro lugar, caberia restabelecer a dignidade e a credibilidade da política externa e da diplomacia profissional, afetadas por uma formidável confusão com a – na verdade submissão à – diplomacia partidária, um ajuntamento anacrônico de velhos mitos esquerdistas e de ações e iniciativas que se desenvolveram à margem, até contra, antigas (mas válidas) tradições do Itamaraty: não intervenção nos assuntos internos dos outros Estados, observância aos tratados, condução técnica dos temas da agenda e, sobretudo, avaliação isenta dos interesses nacionais em oposição a qualquer tratamento ideológico das relações exteriores. Em segundo lugar, corrigir a miopia sulista, por uma política externa multidirecional e centrada em objetivos concretos, não em ilusões anti-hegemônicas, que aliás não são correspondidas por esses supostos aliados estratégicos. Em terceiro lugar, honrar alguns princípios constitucionais brasileiros, que parece terem sido esquecidos nos últimos tempos, como a adesão integral aos valores da democracia e dos direitos humanos e a rejeição absoluta do terrorismo como arma política (e aqui estamos falando da própria região, não de fundamentalismos médio-orientais).
Mesmo quando se admite que a diplomacia ativa foi importante para colocar o Brasil no mapa do mundo – e os 27 doutorados honoris causa concedidos ao chefe da pirotecnia diplomática estão aí para provar isso mesmo – deve-se reconhecer que a política econômica externa dos companheiros contribuiu ativamente para retrair o Brasil no índice das liberdades econômicas, fazê-lo retroceder nos rankings de competitividade internacional e aumentar suas fragilidades comerciais, com uma queda na pauta exportadora manufaturada e uma dependência quase colonial do novo primeiro parceiro externo. Uma diplomacia econômica focada em resultados concretos reduziria o absurdo protecionismo comercial, trabalharia para reinserir o Brasil nas grandes redes globais de integração produtiva – abandonando o atual retorno ao stalinismo industrial da era militar – e redefiniria completamente nossa política comercial externa, a começar pelo Mercosul e demais esquemas de integração regional. O tratado do Mercosul, não custa lembrar, começa por proclamar objetivos de liberalização comercial e de abertura econômica, e não foi exatamente concebido para criar novas utopias sociais.
Em relação a certos sonhos de grandeza, é muito provável que a sociedade brasileira não veja na obtenção de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança uma alta prioridade nacional, a despeito de esse tema provocar orgasmos em alguns diplomatas. As grandes “alianças estratégicas” com certos parceiros escolhidos a dedo também precisariam ser revistas, em função estritamente do interesse nacional, não de um desejo pouco secreto de enfrentar a “arrogância imperial”, disfarçada como uma tentativa de “democratizar as relações internacionais”. Algumas iniciativas de escassa racionalidade econômica – o Banco do Sul, cujo parto vem sendo feito a fórceps, e o Banco dos Brics, um grande negócio para os chineses – teriam igualmente de ser medidas sob o diapasão de sua utilidade efetiva.
No plano do relacionamento bilateral, há muito o que mudar, dada a natural propensão dos companheiros por certas preferências políticas que serviam mais às idiossincrasias ideológicas dos que estavam no poder do que a uma agenda equilibrada moldada pelo profissionalismo do Itamaraty. Um exame cuidadoso do perfil geográfico da diplomacia brasileira poderá ajudar nessa tarefa.
Por fim, caberia restabelecer de verdade a soberania nacional, deixando, por exemplo, de servir a governos estrangeiros de duvidosa reputação democrática com empréstimos secretos e outros mimos financeiros retirados do orçamento público. O Senado deve recuperar suas prerrogativas institucionais, voltando a examinar com todo o cuidado operações que envolvam recursos nacionais – como um inacreditável Fundo Soberano que jamais deveria ter existido –, como, aliás, determinado na Constituição.
* Diplomata e professor universitário
http://diplomatizzando.blogspot.com
MINHAS IRRITAÇÕES COM A PRESIDENTE - 16/10/2014
Em 16 de março de 2011, publiquei nesta Folha um artigo em que apoiava a presidente Dilma e seu vice, Michel Temer –meu confrade em duas Academias e companheiro de conferências universitárias–, pelas ideias apresentadas para o combate à corrupção e a promoção do desenvolvimento nacional.
Como mero cidadão, não ligado a qualquer partido ou governo, tenho, quase quatro anos depois, o direito de expressar minha irritação com o fracasso de seu governo e com as afirmações não verdadeiras de que o Brasil economicamente é uma maravilha e que seu governo é o paladino da luta contra a corrupção.
Começo pela corrupção. Não é verdade que, graças a ela, os oito anos de assalto à maior empresa do Brasil, estão sendo rigorosamente investigados. Se quisesse mesmo fazê-lo, teria apoiado a CPI para apurar os fantásticos desvios, no Congresso Nacional.
A investigação se deve à independência e à qualidade da Polícia e do Ministério Público federais que agem com autonomia e não prestam vênia aos detentores do poder. Nem é verdade que demitiu o principal diretor envolvido. Este, ao pedir demissão, recebeu alcandorados elogios pelos serviços prestados!
Por outro lado, não é verdade que a economia vai bem. Vai muito mal. Os recordes sucessivos de baixo crescimento, culminando, em 2014, com um PIB previsto em 0,3% pelo FMI, demonstram que seu ministro da Fazenda especializou-se em nunca acertar prognósticos.
Acrescente-se que também não é verdade que controla a inflação, pois, se o PIB baixo decorresse de austeridade fiscal, estaria ela sob controle. O teto das metas, arranhado permanentemente, demonstra que a presidente gerou um baixo PIB e alta inflação.
Adotando a pior das formas de seu controle, que é o congelamento de tarifas, afetou a Petrobras e a Eletrobras, fragilizando o setor energético, além de destruir a indústria de etanol, sem perceber que desde Hamurabi (em torno de 1700 a.C.) e Diocleciano (301 d.C.) o controle de preços, que fere as leis da economia de mercado, fracassou, como se vê nas economias argentina e venezuelana, que estão em frangalhos.
O mais curioso é que o Plano Real, que tanto foi combatido por Lula e pelo PT, é o que ainda dá alguma sustentação à Presidência.
Em matéria de comércio internacional, os governos anteriores aos atuais conseguiram expressivos saldos na balança comercial, que foram eliminados pela presidente Dilma. Apenas com artimanhas de falsas exportações é que conseguiu obter inexpressivos saldos. O “superavit primário” nem vale a pena falar, pois os truques contábeis são tantos, que, se qualquer empresa privada os fizesse, teria autos de infração elevadíssimos.
Seu principal eleitor (o programa Bolsa Família) consome apenas 3% da receita tributária. Os 97% restantes são desperdiçados entre 22 mil cargos comissionados, 39 ministérios, obras superfaturadas, na visão do Tribunal de Contas da União, e incompletas.
Tenho, pois, como cidadão que elogiou Sua Senhoria, no início –para mim Sua Excelência é o cidadão, a quem a presidente deve servir–, o direito de, no fim de seu governo, mostrar a minha profunda decepção com o desastre econômico que gerou e que me preocupa ainda mais, por culpar os que criam riqueza e empregos em discurso que pretende, no estilo marxista, promover o conflito entre ricos e pobres.
Gostaria, neste artigo –ao lembrar as palavras de apoio daquele que escrevi neste mesmo jornal quase quatro anos atrás–, dizer que, infelizmente, o fracasso de seu projeto reduziu o país a um mero exportador de produtos primários, tornando este governo um desastre econômico.
* Advogado tributarista, professor emérito da Universidade Mackenzie e professor honoris causa do Centro Universitário FIEO. É membro da Academia Paulista de Letras e da Ordem dos Advogados, secção de São Paulo.
DEBATE: FESTIVAL DE MENTIRAS - 15/10/2014
DEBATE – FESTIVAL DE MENTIRAS
Enio Meneghetti
Dilma foi ao debate de ontem depois de exaustiva preparação para responder ao tema da corrupção, especialmente o mega escândalo da Petrobrás.
Lá pelas tantas, Aécio disparou:
- Todos nós, brasileiros, acordamos a cada dia surpresos com novas denúncias. Em relação à Petrobras é algo absolutamente inacreditável. Eu vi um momento apenas de indignação da candidata ao longo de todo esse período em que essas denúncias sucessivas chegaram aos brasileiros. Foi no momento em que houve o vazamento de alguns depoimentos nesses últimos dias. Não vi a mesma indignação em relação ao conteúdo desses vazamentos.
Dilma atrapalhou-se:
- A minha indignação em relação a tudo o que acontece, inclusive no caso da Petrobras, é a mesma de todos os brasileiros. A minha determinação de punir todos os investigados que sejam culpados, os corruptos e os corruptores, é total.
Deslavada mentira. Ela não agiu ao tempo em que devia ter agido para desmontar o esquema instalado na Petrobrás. Depois da prisão de um diretor, o caso está com a Polícia Federal que - ao contrário do que ela costuma insinuar - não age e nem poderia agir a mando dela.
O caso hoje está na alçada do Ministério Público e do Judiciário, que enquanto formos uma democracia, não são e nem poderiam ser subordinados ao Executivo. Dilma não apita mais nada neste tema. Está fora de sua alçada constitucional, ao contrário do que tenta fazer parecer a cada vez que é encostada na parede com esse enorme "malfeito" de seu governo.
Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobrás, pivô do escândalo e seu principal operador, prestou depoimento público à Justiça Federal na semana passada. E o conteúdo foi divulgado corretamente, dentro da lei, e não “vazado” como Dilma quer fazer parecer.
Paulo Roberto foi nomeado por Lula. E seguiu no posto no segundo ano do mandato de Dilma. É ladrão confesso, "arrependido" somente porque comprometeu a própria família no embroglio. Usou o nome das filhas e genros nas maracutaias para esconder o dinheiro roubado. Só por isso abriu o bico. Em troca de redução da pena e alívio para seus familiares. Entregou tudo para a Polícia Federal e o Ministério Público. E como parte desse acordo, está restituindo R$ 70 milhões, seu quinhão no dinheiro roubado.
Na ata da Petrobrás onde foi registrado seu pedido de demissão - dele, e não exoneração de Dilma - estão oficialmente consignados, os agradecimentos pelos relevantes (!!!) serviços prestados a Petrobras.
Confrontada com isso, Dilma tentou se esquivar:
– Eu tenho uma vida toda de absoluto combate à corrupção e de nenhum envolvimento com malfeitos.
(Puxa, será que aqui caberia um pergunta sobre o cofre do Ademar de Barros?)
– Quero dizer ao senhor que, quando este diretor foi demitido, o Conselho da Petrobras não sabia dos atos. Ele foi demitido em abril de 2012. E os fatos estão ocorrendo, graças ao meu governo e à minha investigação.
“Graças a minha investigação!” – não é incrível? Ela parece acreditar mesmo nessa lorota!
Quanto à investigação, esta ocorre à revelia e ao pavor de Dilma e do PT.
Ou será que ela não conhece o conceito da separação entre os poderes?
Alguém precisa avisar dona Dilma, que os três poderes que formam o Estado – Legislativo, Executivo e Judiciário – atuam (ou deveriam, no caso dela) separadamente. Avisar inclusive que que essa separação deveria ser “harmônica”.
Mas como talvez o ex-Ministro do STF, Joaquim Barbosa, poderia atestar, nem sempre essa harmonia se faz presente… Ou mesmo Gilmar Mendes, que foi peitado por Lula para que “aliviasse” no julgamento do mensalão….
Será que esses petistas tem dificuldade de compreender que o objetivo dessa secular separação é justamente evitar que o poder concentre-se nas mãos de uma única pessoa, um títere, para que não haja abuso, como o ocorreria em um Estado totalitário, bolivariano, ditatorial?
Mas dona Dilma já deu demonstrações práticas que tem dificuldade para conviver com as idéias democráticas.
A edição de seu Decreto 8243, assinado em 25/05/2014, onde tenta mudar totalmente o regime de governo do Brasil é demonstração cabal disso.
O texto do decreto estabelece a Política Nacional de Participação Nacional e o Sistema Nacional de Participação Social, com conselhos e comissões de políticas públicas – a serem escolhidos a dedo e nomeados pelo governo – para decidir sobre qualquer tema e perpassando os Três Poderes, tendo o mesmo poder do Legislativo. Qualquer semelhança com os sovietes da Rússia de 1917 e que começaram a União Soviética, levando aos crimes mais brutais e escabrosos que se conhece.
Também da mesma forma, o atual governo descumpre a Constituição ao destinar a países estrangeiros (vide Porto de Mariel em Cuba, etc) volumes colossais de dinheiro a fundo perdido que fazem falta ao Brasil.
http://eniomeneghetti.com/2014/03/17/emprestimos-ilegais/
A veia totalitária está ai para quem quiser ver.
Que cacoete, dona Dilma!
A MENTIRA COMO MÉTODO - 02/10/2014
Eles sabem que estão mentindo e, sem qualquer respeito próprio, repetem a mentira por décadas.
Tenho com frequência criticado o governo do PT, particularmente o que Lula fez, faz e o que afirma, bem como o desempenho da presidente Dilma, seja como governante, seja agora como candidata à reeleição.
Esclareço que não o faço movido por impulso emocional e, sim, na medida do possível, a partir de uma avaliação objetiva. Por isso mesmo, não posso evitar de comentar a maneira como conduzem a campanha eleitoral à Presidência da República. Se é verdade que os candidatos petistas nunca se caracterizaram por um comportamento aceitável nas campanhas eleitorais, tenho de admitir que, na campanha atual, a falta de escrúpulos ultrapassou os limites.
Lembro-me, como tanta gente lembrará também, da falta de compromisso com a verdade que tem caracterizado as campanhas eleitorais do PT, particularmente para a Presidência da República.
Nesse particular, a Petrobras tem sido o trunfo de que o PT lança mão para apresentar-se como defensor dos interesses nacionais e seus adversários como traidores desses interesses. Como conseguir que esse truque dê resultado?
Mentindo, claro, inventando que o candidato adversário tem por objetivo privatizar a Petrobras. Por exemplo, Fernando Henrique, candidato em 1994, foi objeto dessa calúnia, sem que nunca tenha dito nada que justificasse tal acusação.
Em 2006, quem disputou com Lula foi Geraldo Alckmin e a mesma mentira foi usada contra ele. Na eleição seguinte, quando a candidata era Dilma Rousseff, essa farsa se repetiu: ela, se eleita, defenderia a Petrobras, enquanto José Serra, se ganhasse a eleição, acabaria com a empresa.
É realmente inacreditável. Eles sabem que estão mentindo e, sem qualquer respeito próprio, repetem a mesma mentira. Mas não só os dirigentes e o candidato sabem que estão caluniando o adversário, muitos eleitores também o sabem, mas se deixam enganar. Por isso, tendo a crer que a mentira é uma qualidade inerente ao lulopetismo.
Quando foi introduzido, pelo governo do PSDB, o remédio genérico --vendido por menos da metade do preço do mercado-- o PT espalhou a mentira de que aquilo não era remédio de verdade. E os eleitores petistas acreditaram: preferiram pagar o triplo pelo mesmo remédio para seguir fielmente a mentira petista.
Pois é, na atual campanha, não apenas a mesma falta de escrúpulo orienta a propaganda de Dilma, como, por incrível que pareça, conseguem superar a desfaçatez das campanhas anteriores.
Mas essa exacerbação da mentira tem uma explicação: é que, desta vez, a derrota do lulopetismo é uma possibilidade tangível.
Faltando pouco para o dia da votação, Marina tem menos rejeição que Dilma e está empatada com ela no segundo turno --e o segundo turno, ao que tudo indica, é inevitável.
Assim foi que, quando Aécio parecia ameaçar a vitória da Dilma, era ele quem ia privatizar a Petrobras e acabar com o Bolsa Família.
Agora, como quem a ameaça é Marina, esta passou a ser acusada da mesma coisa: quer privatizar a Petrobras, abandonar a exploração do pré-sal e acabar com os programas assistenciais. Logo Marina, que passou fome na infância.
E não é que o Lula veio para o Rio e aqui montou uma manifestação em defesa da Petrobras e do pré-sal? Não dá para acreditar: o cara inventa a mentira e promove uma manifestação contra a mentira que ele mesmo inventou! Mas desta vez ele exagerou na farsa e a tal manifestação pifou.
Confesso que não sei qual a farsa maior, se essa, do Lula, ou a de Dilma quando afirmou que, se ela perder a eleição, a corrupção voltará ao governo. Parece piada, não parece? De mensalão em mensalão os governos petistas tornaram-se exemplo de corrupção, a tal ponto que altos dirigentes do partido foram parar na cadeia, condenados por decisão do Supremo Tribunal Federal.Agora são os escândalos da Petrobras, saqueada por eles e por seus sócios na falcatrua: a compra da refinaria de Pasadena por valor absurdo, a fortuna despendida na refinaria de Pernambuco, as propinas divididas entre o PT e os partidos aliados, conforme a denúncia feita por Paulo Roberto Costa, à Justiça do Paraná.
Foi o Lula que declarou que não se deve dizer o que pensa, mas o que o eleitor quer ouvir. Ou seja, o certo é mentir.
A HISTORIOGRAFIA COMUNISTA: A ESTRADA PARA O TERROR - 28/09/2014
"A matriz leninista serviu a todos os `pequenos irmãos´. O modelo foi aplicado de forma diferente de acordo com as diferentes situações culturais. O vetor da repressão na Rússia foi a polícia política, a CHEKA-OGPU-GPU-NKVD-KGB, ao passo que na China foi o Exército de Libertação Popular e, no Camboja, os adolescentes, vindos dos campos a quem foram dados fuzis (...) O objetivo por toda a parte era reprimir os `inimigos do povo´" (Jean-Louis Margolin, O Livro Negro do Comunismo).
*Carlos I. S. Azambuja
O fato de que um político seja estúpido e seu governo incompetente não lhe tira a responsabilidade quanto ao seu caráter criminoso.
Além de A Era dos Extremos, outra obra característica das reações nostálgicas à queda do comunismo, foi a de J. Arch Getty e Oleg Naumov, The Road to Terror, 1999, que trata dos expurgos preparados dentro do Partido Bolchevique em 1932 e concluídos, por meio do Grande Terror, em 1939. A documentação utilizada constitui-se, em sua maior parte, em notas estenográficas das sessões ultra-secretas do Comitê Central do PCUS, nas quais foram acusados Ienukidzé, Rykov e Bukarin, para citar apenas as figuras principais. As sessões de 4 de dezembro de 1936 e de 23 de fevereiro de 1937, que concernem a Bukarin e a Rykov, são verdadeiras sessões de tortura psicológica e de linchamento político.
Molotov, 50 anos mais tarde, assim se referiu à ausência de provas contra Bukarin e Rykov: "De que provas suplementares da culpa deles vocês precisam, quando sabíamos que eram culpados, que eram inimigos?" E acrescenta: "É claro, as exigências (de repressão) vinham de Stalin. Claro, as coisas foram longe demais, mas penso que tudo era permitido em função de uma única coisa: manter o Poder de maneira sólida".
Anotem: tudo era permitido...em função de manter o Poder...
A carta secreta do Partido Bolchevique - que somente em 1952 passou a ser denominado Partido Comunista da União Soviética - de 29 de julho de 1936, que dá partida ao Grande Terror, assinala um ponto fundamental: `A marca indiscutível de cada bolchevique na situação atual deve ser sua capacidade de reconhecer e de identificar os inimigos do partido, qualquer que seja a maneira pela qual eles consigam esconder sua natureza´.
Em The Road to Terror um dos autores, Arch Getty (professor de História da Rússia moderna na Universidade de Califórnia, Riverside), fez a revisão do revisionismo, abandonando suas afirmações de 1985, segundo as quais o Grande Terror fizera apenas `alguns milhares de mortos´, e volta à realidade: 690 mil assassinatos em 14 meses, de 1937 a 1938, o que é muito diferente! Diferente porque o número de vítimas é um dos elementos importantes da apreciação histórica. Quando se escreve que o Grande Terror fez alguns milhares de mortos e não 690 mil fuzilados, a interpretação dos fatos é muito diferente.
Contrariamente ao que afirma Getty, o expurgo não foi um fenômeno misterioso pelo qual um grupo que se apoderou do Poder seria condenado a se suicidar. Os documentos mostram, contrariamente, que Stalin e seus acólitos quiseram com o terror - o Grande Terror, quando conhecido em toda a sua extensão - eliminar, em primeiro lugar, os concorrentes potenciais e também os membros do aparelho de Estado ligados em demasia às necessidades do governo e não o suficiente à ideologia e ao projeto utópico e, por fim, as pessoas `sensíveis demais´, que não se demonstraram cruéis e impiedosas o bastante e manifestaram, aqui e ali, alguns resquícios de sentimentos humanos.
O outro objetivo era assegurar a obediência absoluta da parte sobrevivente do partido e da sociedade. Para Stalin, toda e qualquer crítica era sinal de oposição, toda oposição implicava uma conspiração, e a conspiração era uma traição que merecia a morte. Essa foi a dinâmica do regime totalitário.
Getty insiste no fato de que muitos daqueles bolcheviques, ex-conspiradores, tinham um espírito formado no que os russos chamam de konspiratzia - o trabalho conspirador - baseado na fidelidade e na confiança, com seus corolários, a suspeita e a traição, o que nos faz remontar o fenômeno ao inventor e ao chefe dessa konspiratzia: Lenin. Essa prática conspirativa desenvolvia de forma inconteste uma paranóia levada a seu paroxismo com Stalin, mas também revelava um cálculo racional no líder de um partido-Estado ideocrático, cujos contornos ainda não foram de todo avaliados.
Mesmo não se considerando sua dimensão criminosa e contrariamente à vulgata trotskista que o apresenta como um apparatchik medíocre, Stalin foi o homem de poder mais eficaz do Século XX. Durante mais de 35 anos ele levou à frente a administração dos bolcheviques com mão de mestre. Ele foi o mais capaz de ajustar seus meios a seus fins políticos. Tudo agora passa a demonstrar que por trás da lenda `vermelha´ do `pequeno pai dos povos´ e da lenda `negra´ de burocrata festivo, bêbado e cinéfilo, escondia-se um homem de vontade inflexível, de argúcia política excepcional, cujo profissionalismo foi, e muito, superior ao do diletante Hitler.
Se Getty afirma acertadamente que o Grande Terror foi `uma das maiores tragédias humanas e pessoais dos tempos modernos´, ele se esquece de precisar que ela tocou as elites do poder apenas marginalmente, e nem uma palavra sequer foi dita acerca dos milhões de vítimas das camadas populares.
Assiste-se a uma curiosa defesa da memória dos privilegiados que asseguraram suas promoções fulgurantes com a crueldade da repressão praticada. Zinoviev, Bukharin, Iagoda, Iejov, Tukhatchevski e outros, que também caíram na máquina de moer stalinista eram, desde 1918, eminentes carrascos dos povos da URSS, assim como Kruschev que, 20 anos depois, tentaria se inocentar acusando o homem – Stalin - ao qual obedecera de maneira servil.
Getty fala longamente sobre a crítica e a autocrítica, apresentada como um ritual dos militantes do partido. Mas ele nada diz acerca da natureza desse ritual, que facilitava o condicionamento psíquico, a submissão e a fidelidade. A crítica implica seu autor no assassinato - político, simbólico ou psíquico -. A autocrítica é o sinal da aceitação, por seu autor, de seu próprio assassinato pelos demais membros do partido, pois no sistema leninista e stalinista as palavras e os rituais não são apenas simbólicos, mas induzem necessariamente os atos. Nesse sistema, as palavras são balas que matam. Em uma carta datada de dezembro de 1935, um certo Assev, quando acusado, preferiu suicidar-se: `Por que vocês me destruíram? (...) Não posso viver fora do partido. Para mim, o partido é tão indispensável quanto o ar´, escreveu ele. Ser excluído do partido significava ser atirado nas trevas; perder o trabalho, alojamento, alimentação, para si e para a família, antes de perder a liberdade e - eventualmente - a vida.
Annie Kriegel, no Grandes Processos nos Sistemas Comunistas (Paris, 1972) já havia interpretado o sistema de expurgos e do dispositivo crítica/autocrítica como uma `pedagogia infernal´. E em seu Catecismo do Revolucionário (que apareceu na Rússia em meados do Século XIX) Netchaiev escreveu: `O revolucionário é um homem perdido. Existe apenas a Causa; fora dela não há nada´.
O mais surpreendente é a observação de Getty em seu livro, explicando porque não deu resposta à pergunta: `Quais as causas do terror?´, sob o pretexto de que se recusa a trazer `respostas fáceis a uma pergunta extremamente complexa´. No entanto, ele se atreve a esboçar uma resposta tímida e convencional: o atraso do Estado russo e o medo dos comunistas em face da sociedade... De fato, os comunistas tinham apenas um medo: o medo de perder o poder. Na verdade, a cultura bolchevique inicial feita de paixão revolucionária e cientificismo - reforçada pela prática dos anos 1917-1922 -, o papel fundamental de Lenin - do qual Stalin era, na época, um dos principais auxiliares -, o projeto utópico inaugurado no comunismo de guerra e reposto como ordem do dia a partir de 1928. Foi esse conjunto do projeto bolchevique que, por oposição formal a toda idéia de autonomia das forças sociais, econômicas e intelectuais, implicou o terror como único meio de assegurar sua implementação.
Num artigo mais recente - em março de 2000 -, Getty se pronuncia, simultaneamente, acerca do Passado de uma Ilusão (livro de François Furet) e do Livro Negro do Comunismo, mantendo uma linguagem bem mais crua. Contradizendo a afirmação de Furet, segundo a qual o comunismo foi uma espécie de parêntesis no Século, não deixando qualquer herança nem nenhum aspecto positivo, ele levanta a tese do mal necessário: a existência do comunismo teria, em particular, `mudado o desenvolvimento social no Ocidente de maneira fundamental (...), pois tornou difícil a vida para o Poder estabelecido no Ocidente, e é duvidoso que as reformas tivessem acontecido do lado ocidental se a URSS não tivesse existido. Enfim, se a democracia e a economia de mercado triunfam, deve-se agradecer ao sistema comunista´. É a mesma argumentação utilizada por Eric Hobsbawn na Era dos Extremos...
Getty não pára por aí. Ele reivindica as aquisições do socialismo na URSS: a alfabetização generalizada e um dos melhores sistemas de educação tecnológica, o primeiro homem no espaço e, finalmente, a educação e a saúde gratuitas e a previdência para a velhice. Ora, pesquisas recentes mostram que a alfabetização já estava bastante avançada em 1917; que os progressos tecnológicos soviéticos - por exemplo, na área nuclear - deveram-se de fato ao saque das tecnologias ocidentais; e que o sistema foi incapaz de se adaptar à revolução da Informática. Enfim, a derrocada da URSS revelou a situação catastrófica dos serviços de saúde e do regime de aposentadorias num sistema corroído pela ineficácia e pela corrupção. Vê-se, portanto, a que ponto alguns meios acadêmicos permanecem submissos à propaganda comunista mais banal - de um Estado que não existe mais -, perpetuando uma cegueira que compromete a abordagem científica.
Mas, tem mais: referindo-se à fome ucraniana de 1932-1933, Getty escreveu que uma ampla maioria dos pesquisadores que trabalham com os novos arquivos soviéticos, pensa que essa terrível fome (...) foi o resultado da incompetência e da rigidez de Stalin, e não que se tratou de um plano genocida. Getty se omitiu em citar os nomes dessa ampla maioria de pesquisadores que consideraram incompetência e rigidez de Stalin a fome que matou seis milhões de pessoas. E foi mais longe, estimando que mais da metade dos 100 milhões de mortos pelo comunismo - número que ele não contesta em momento algum - foi o resultado da `estupidez e da incompetência´ dos regimes comunistas. Ora, o fato de que um político seja estúpido e seu governo incompetente não lhe tira a responsabilidade quanto ao seu caráter criminoso!
Getty conclui sua argumentação afirmando que uma enorme quantidade de vítimas atribuídas aos regimes comunistas refere-se à categoria chamada de `sobremortalidade´, óbitos prematuros que ultrapassam a taxa normal de mortalidade na população. E acrescenta: "Os que foram executados, exilados na Sibéria ou conduzidos à força aos campos do Gulag, nos quais a alimentação e as condições de vida eram medíocres, poderiam entrar nessa categoria". E, fazendo uma evidente alusão ao extermínio de judeus pelos nazistas, ele conclui que`a sobremortalidade não é idêntica à das mortes programadas´. Nesse raciocínio ele esqueceu e passou por cima das cotas de fuzilados, das populações inteiras deportadas, das requisições de alimentos que causaram mortes em massa. Nada disso é sobremortalidade, termo que remete a um eufemismo típico do negacionismo.
Concluindo, recorde-se que J. Arch Getty é um dos professores universitários norte-americanos mais em evidência em matéria de História da URSS, responsável pela publicação dos arquivos do comunismo na Universidade de Yale!
* Historiador
NA MÃO DA APATIA - 26/09/2014
Sejamos claros e francos: os dois principais oponentes da presidente que pleiteia a reeleição, Aécio Neves e Marina Silva, nos últimos quatro anos não se notabilizaram pelo exercício do antagonismo ao governo de maneira a que façam jus à representação do oposicionismo como atividade política constante.
Justiça se faça, nem eles nem ninguém em especial, porque a oposição nunca se organizou desde que o PT assumiu o poder. E por se organizar entenda-se ter planos táticos e estratégicos de atuação não apenas em épocas de eleição, mas principalmente entre um período eleitoral e outro.
Aécio e Marina se dispuseram a enfrentar um governo politicamente atuante, por nascido de oposição belicosa e operante, sem contar com nenhum treino. Tal carência lhes fará falta em caso de vitória, pois vão encarar um PT violento como oposição, mas pode servir de lição para ambos ou para quem dos dois for derrotado.
Quando chegou à Presidência da República, o PT já tinha mais de 20 anos de construção de uma identidade junto à população. Forte e arraigada o suficiente para poder contrariar diversos de seus compromissos - o da ética, notadamente - sem perder por completo seu patrimônio político.
O PSDB chegou ao poder depressa. Nasceu em 1988 e em 1994 já estava no Palácio do Planalto. Em 2002, perdeu a eleição e nunca mais se achou. Disputou todas as presidenciais, mas não encontrou o caminho para construir uma ponte que pudesse ligar o partido à sociedade entre uma eleição e outra.
Aconteceu com todos os candidatos, mas fiquemos com Aécio Neves, que é o atual. Passou oito anos como governador desenvolvendo um "bom relacionamento com o governo federal". Em 2008, na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte, aliou-se ao atual candidato do PT ao governo de Minas Gerais, Fernando Pimentel, para eleger Marcio Lacerda, sob o argumento de que era preciso avançar para além da polarização entre PT e PSDB e criar um "novo ambiente" na política.
Hoje o mineiro está em sua maioria optando por Pimentel em prejuízo do tucano Pimenta da Veiga. Tem culpa? Não foi o eleitor quem criou a confusão. Caminhemos. Eleito senador, Aécio era visto como o líder da oposição, mas não foi assim que se colocou perante a sociedade. Optou por uma atuação discreta, dedicou-se às articulações de bastidores e foi até certo ponto bem sucedido.
Quando entrou em cena o imponderável, a morte de Eduardo Campos, não tinha consigo a fidelidade do público, pois não fora a ele que se dirigira nos últimos anos. Seu alvo, os políticos, com facilidade se transfere para onde os ventos ventam. No Rio, o movimento "Aezão" virou "Marinão" ao sabor das pesquisas que indicavam a conveniência de os correligionários do governador Luiz Fernando Pezão a embarcarem em outra canoa.
E assim chegamos a Marina Silva. Depois da recusa da candidata a presidente em 2010 de apoiar Dilma ou Serra no segundo turno, nunca mais se ouviu falar dela até 2013, quando da tentativa de criar seu partido, Rede Sustentabilidade.
Oriunda do PT, discípula reverente assumida de Lula, crítica de Dilma como se esta não fosse invenção daquele, Marina não fez política da última eleição para cá. Apareceu para concorrer. A última coisa que se pode dizer é que seja uma oposicionista praticante. No exercício do mandato de senadora ela jamais se referiu aos "assaltos" constatados no processo do mensalão nas estatais como agora faz no caso da Petrobrás.
A ex-senadora não é uma oposicionista de fato. Assim como Aécio. Se perderem, nada impede os dois de virem a sê-los de direito. A depender dos planos futuros.
*Jornalista
TÁTICAS DOS COMUNISTAS - 12/09/2014
Os comunistas, que sempre estão em minoria, trabalham para propagar sua influência além de seu número, formando coalizão com ouros grupos, entidades civis ou partidos, em nome de alguma causa comum para depois irem, gradativamente, ocupando os espaços e os cargos dirigentes de todo o movimento.
Objetivam, com isso, insinuar sua linha política na consciência dos demais, de forma que, instintivamente, todos comecem a falar o idioma comunista, exigindo medidas definidas como de seu programa mínimo
Recorde-se que seu carro-chefe nos anos 80, após a anistia de 1979, no Brasil, foi o fortalecimento da sociedade civil.
Através da infiltração sistemática, a rede de instituições que conforma a sociedade civil é levada, sutilmente, a conjugar suas reivindicações específicas com as palavras-de-ordem definidas pelo partido como capazes de mobilizar as forças contrárias ao regime em uma ampla frente.
Essa expressão – sociedade civil –, foi hoje incorporada de tal forma ao uso corrente que passou a fazer parte dos discursos e pronunciamentos de parlamentares e demais autoridades. Alguns sem mesmo conhecer o seu real e abrangente significado, citando-a na presunção de que exista uma sociedade militar, e não para estabelecer um parâmetro entre ela, a sociedade civil, e a sociedade política.
Eles, os comunistas, procedem baseados em um planejamento calculado e concebido para influenciar os não-comunistas, enquanto que estes últimos atuam como indivíduos, isoladamente, que querem realizar uma obra e sabem que os problemas a resolver são complexos. Os comunistas estão isolados de qualquer influência recíproca por sua ideologia, por seu desprezo aos liberais burgueses e pelo sentido de superioridade que lhes proporciona o saber que são eles quem, de fato, manejam a situação.
Outra finalidade da atuação em frente ampla, frente única, frente popular, pacto comum ou qualquer que seja a denominação que, de acordo com as circunstâncias, se lhes dê, é converter o maior número possível de pessoas em grupos de influência submetidos ao seu comando.
O partido dá, também, muito valor a abaixo-assinados onde constem as assinaturas de conhecidos liberais não-comunistas, que não viram motivos para dizer não aos companheiros de luta. Igualmente às concentrações de massas e atos públicos, nos quais esses mesmos liberais aparecem como comissão de frente.
Embora na maioria dos casos não consigam influir na política governamental, os comunistas sempre são vitoriosos, porque criam uma situação na qual um grupo de liberais não-comunistas compartilha de seu fracasso.
Na medida em que esses companheiros de fracasso, por suas posições, vão sendo jogados para a oposição ao governo, tenderão a dizer desse governo e de seus dirigentes o mesmo que os comunistas.
Ademais, a experiência compartilhada do fracasso abranda, quase sempre, a atitude para com o partido, fazendo essas pessoas mais receptíveis às suas interpretações sobre os problemas nacionais e a forma de solucioná-los.
Os comunistas colocam a reforma em um extremo da escala e a revolução em outro extremo, com a reação entre ambas. Encaram os reformadores e os reacionários como preservadores do status-quo.
O inimigo principal dos comunistas, porém, não é a reação, que por sua própria resistência às mudanças contribui para a criação de uma situação revolucionária, e sim os reformistas que, ao melhorarem as condições de vida do povo, contribuem para a redução das tensões das lutas de classes, dificultando, assim, o triunfo dos comunistas.
Entretanto, o partido não pode opor-se abertamente à reforma da mesma maneira que, com efeito propagandístico, se opõe à reação, pois fazê-lo equivaleria a perder o apoio das massas que, corrompidas pela democracia burguesa e carecendo de consciência de classe, preferem apenas uma pequena melhoria a uma melhoria total, que dependerá de um vasto descalabro revolucionário.
Em conseqüência, desempenham os comunistas a estranha tarefa dual de aparentar aliança com os reformadores para, ao mesmo tempo, tratar de desacreditá-los e impedir que resolvam os problemas o suficiente para aliviar as tensões. Para essa tarefa, a frente, o pacto, a aliança, ou seja lá o nome que receba, oferece um campo de manobra ideal, pois legitima a presença dos comunistas junto aos reformadores e aproveitam ao máximo toda ocasião de assumir uma tarefa de vanguarda contra as forças da reação.
Isso permite aos comunistas realizar o que Marx recomendou em seu discurso à Liga Comunista: andar adiante dos reformadores, sendo menos tímidos e mais generosos nas demandas que formulam em nome dos necessitados e descontentes. Gozam também da mesma vantagem de que gozou Lenin quando se propôs derrubar o governo de Kerenski: a de ser irresponsável, ao contrário dos reformadores responsáveis que consideram viável a nossa sociedade e contribuem para que ela funcione, propondo soluções que sejam praticáveis.
Diz um dos princípios básicos do marxismo-leninismo que o governo de qualquer país é um governo de classe e nenhum Estado jamais defende os direitos e promove o bem-estar de mais de uma classe. Em conseqüência, os partidos comunistas dos países não comunistas consideram-se atuando sob um governo inimigo, o qual deve ser destruído.
* HISTORIADOR
A FANTASIA DO HORÁRIO ELEITORAL - 12/09/2014
Em 1962, presidi o diretório metropolitano do Partido Libertador tendo, com o apoio da direção nacional (Deputado Raul Pilla e Senador Mem de Sá), vencido as eleições para dirigi-lo em São Paulo. Apenas deixei a política definitivamente em 1965, quando da edição do Ato Institucional nº 2, que extinguiu os partidos existentes, criando dois conglomerados (Arena e MDB).
Naquele ano, foi instituído o horário gratuito. O primeiro programa abriu a discussão quanto a devermos ou não continuar com o parlamentarismo de ocasião, então vigente, ou voltar ao presidencialismo. Participei desses programas criticando o presidencialismo - o PL era o único partido favorável ao regime parlamentar -, mas tecendo críticas também ao desfigurado sistema parlamentar brasileiro. Aconselhei o eleitor a não dizer nem sim, nem não, mas “talvez”, naquele plebiscito.
No ano seguinte, apresentei 60 candidatos a vereador, depois de ter criado uma Comissão com professores universitários, para aferir os predicados culturais e o conhecimento de política nacional do candidato, além de, mediante pesquisas paralelas, sua idoneidade. Como à época, os candidatos exibiam-se AO VIVO, durante as programações, os do PL foram aqueles que tiveram maior participação, pois mais habilitados a expor suas idéias, segundo o programa elaborado pelo partido. Abreu Sodré até chegou a brincar comigo, afirmando que eu queria fazer do PL uma Academia e não um partido político.
De último colocado nas eleições anteriores, conseguimos formar a terceira bancada, perdendo apenas para o PSP, de Ademar de Barros e para a UDN, do próprio Sodré. É que o eleitor avaliava os candidatos por aquilo que eram, sem a intervenção de marqueteiros. Cheguei a presidir um Colégio de presidentes dos diretórios metropolitanos dos diversos partidos, na luta contra as emissoras de TV, para garantir a exibição de nossos programas em horários nobres, tendo recebido o apoio do presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Desembargador Euler Bueno.
Os programas se justificavam, então. Hoje, não. Os horários gratuitos transformaram-se numa indústria de marqueteiros, em que o que de menos verdadeiro existe é a imagem que criam de seus candidatos, todos eles predestinados, por sua “honestidade, competência, descortínio, cultura e inteligência”, a se transformar, se eleitos, em grandes figuras da história do País.
A cinematografia dos programas gratuitos é de tal ordem, que qualquer candidato ganha perfil de herói dos personagens de filmes hollywoodianos, que nada têm a ver com os artistas que os encenam. Assim são apresentados os candidatos produzidos por tais manipuladores da opinião pública, com o objetivo de conquistar o eleitor, pouco importando se aquele retrato é verdadeiro ou não, pois o que interessa é passar a “boa imagem” de seu contratado ao cidadão desprevenido, para que ganhe a eleição. Por esse motivo, defendo que tais horários - que interferem na decisão de
considerável parte dos eleitores - voltem a ter a característica de seus primeiros tempos, quando os candidatos apresentavam-se ao vivo e se mostravam como eram, sem a participação dos manipuladores de imagens eleitoreiras.
À evidência, não sou contra o trabalho de tais especialistas, desde que atuem na produção de novelas ou filmes ou qualquer outra atividade que gere distração ao público. Mas, decididamente, não aprovo que utilizem sua técnica para influenciar o eleitor, criando fotografias “alcandoradas” de candidatos a fim de transformar a realidade numa triste fantasia. Esse procedimento deságua na eleição de pessoas que, no exercício do poder, têm provocado decepção e desesperança no espírito do eleitor brasileiro, que não confia nos políticos eleitos. É matéria a ser meditada, principalmente pela Justiça Eleitoral.
* Advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra.
PLANO ECONÔMICO DA CANDIDATA MARINA - 12/09/2014
CUSTO DE FAZER - Conforme prometi volto ao tema iniciado no editorial de ontem para concluir a leitura que fiz sobre as propostas apresentadas pelo economista Eduardo Gianetti da Fonseca, consultor da candidata Marina da Silva.
- Para colocar a situação fiscal do país em ordem, e produzir superávits fiscais necessários para se restabelecer a confiança e a sustentabilidade das contas públicas, Gianetti, acertadamente, afirma que há um custo de fazer o ajuste hoje. Mas, certamente, é bem menor do que o de não fazê-lo.
LASTRO - A diferença fundamental é você estar enfrentando uma dificuldade que é legitima porque restabelece um horizonte de volta ao crescimento versus estar enfrentando uma situação de dificuldade sem nenhuma perspectiva de reconquistar a confiança e um horizonte de normalização.
São as duas coisas que estão em jogo hoje no Brasil: não se pode contar só com o choque de confiança. Ele é parte importante e ele vai ser ainda mais importante se vier acompanhado de um movimento crível de que as coisas voltaram a se direcionar no caminho certo. A confiança é fundamental, mas precisa ter lastro.
DESEMPREGO - Quanto ao fato de que esse ajuste proporcionaria desemprego e queda de renda, Gianetti disse: - o desemprego já é uma realidade. E a ideia é que termine o quanto antes. Não está nos planos de ninguém fazer ajuste recessivo. Não é disso que se trata. Se trata de restabelecer a confiança e mostrar que a economia voltou a um bom caminho.
A experiência mostra que a capacidade de resposta da sociedade brasileira é muito forte. Tendo a crer que ainda em 2015 será possível ver a volta da economia ao crescimento, se for muito bem feito.
VÁRIOS ORÇAMENTOS - Os compromissos se distribuem no tempo, assevera Gianetti. - É um erro grave imaginar que o que está colocado no programa vai se materializar no primeiro orçamento. Não será o caso. É preciso construir condições adequadas para que isso possa acontecer ao longo do mandato.
Pela revisão das prioridades no orçamento, o que inclui -desonerações, subsídios explícitos e ocultos- que hoje estão prejudicando muito esses compromissos de caráter mais social. Vai depender da evolução da arrecadação, à medida que a economia for retomando, vai depender do PIB, vai depender da gestão, de reduzir o desperdício.
CRÉDITO - Quanto ao crédito, Gianetti está convencido de que há uma extravagância muito grande na expansão do crédito subsidiado no Brasil. Não proponho um choque, porque teria um efeito traumático e ninguém quer isso, mas vai ter que rever essa política extravagante que levou a uma expansão de 9% do PIB na oferta de crédito subsidiado financiado com dívida pública.
O problema é que o governo Dilma levou ao limite o uso desse tipo de -funding- para que o BNDES escolha campeões nacionais e transfira recursos do contribuinte em subsídios para seus parceiros, que são grandes empresas que poderiam se financiar no mercado de crédito ou com lucros retidos ou no mercado internacional.
BNDES: REMÉDIO-VENENO - O BNDES é um típico caso de remédio-veneno. Ele tolheu o mercado de capitais, distorceu o mercado de crédito, prejudicou a política do Banco Central de aperto monetário, fora a falta de transparência, que é gravíssima no estado de direito.
Não é nenhum problema manter subsídio no estado de direito, mas é uma regra de ouro que ele seja explícito e passe pelo orçamento.
Do modo como ele está sendo feito no BNDES ele é oculto, ele não foi negociado e ele está transferindo para grupos privilegiados recursos da sociedade brasileira. Isso é política parafiscal.
OPERAÇÃO DESMAME - Quanto à política industrial, Gianetti arrematou: a indústria deve se preparar para uma operação desmame. Ela está acostumada a chorar e ser atendida. Ela vai ter que se acostumar a uma situação em que ela será vitoriosa se for bem na competição. E ela irá bem na competição de mercado se for eficiente e inovadora.
Temos que sair da situação -viciada- em que vale mais a pena para uma empresa ter uma boa rodada de negociação em Brasília, para uma situação em que vale a pena para ela concentrar sua atenção e seus esforços em fazer melhor o que ela faz ou em fazer algo que ninguém está fazendo.
É necessário integrar mais a economia brasileira, fazer uma nova rodada de abertura comercial, de mais integração competitiva, e dar para o empresário a confiança de que as regras são permanentes e não vão ser negociadas de maneira arbitrária na base da pressão setorial.
Elas valem para todos, serão horizontais e visam ao aprimoramento do ambiente de negócios. No governo Dilma houve um retrocesso para um modelo de microgerenciamento, que gerou uma espiral intervencionista no Brasil.
Quanto ao que diferencia o projeto da Marina dos demais, Gianetti disse que não vemos a economia como um fim em si mesmo. Ela é pré-condição para uma vida melhor para todos, de uma realização mais plena. O sonho que nos move é que a economia deixe de ocupar o lugar de proeminência que ela ocupa hoje no debate brasileiro para que a gente possa focar em questões ligadas à cidadania, à realização humana, à felicidade.
FEDERALISMO FICTÍCIO E BANCADAS MUTILADAS - 08/09/2014
Em tempos de pacto federativo – o novo lero-lero convertido em retórica salvacionista – a desproporcionalidade nas representações regionais junto ao Congresso Nacional é uma anomalia histórica tolerada sem esboço de reação.
Indiferentes e soberanos às tímidas tentativas de ajuste ou correção pela via legislativa, os 20 estados que formam as regiões Norte (7), Nordeste (9) e Centro-Oeste (4), embora reunindo menos da metade da população brasileira (43%), monopolizam 74% das 81 cadeiras do Senado Federal.
Na Câmara dos Deputados a situação não é outra quando as mesmas bancadas controlam 50,1% das cadeiras (257), enquanto que os deputados oriundos das 7 unidades que formam as regiões Sul (3) e Sudeste (4), as mais industrializadas e populosas do país (IBGE 2010), preenchem 49,9% (256). Também a maior parte dos eleitores está localizada na região Sudeste, que concentra 43,44%, somando 62.041.794 pessoas (TSE 2014), e o maior colégio eleitoral se localiza no estado de São Paulo, com 31.998.432 eleitores (TSE 2014).
Tanto a sobre-representação daquelas primeiras quanto a sub-representação das demais foram introduzidas pelo Código Eleitoral de 1932 e incrementadas a partir da Constituição Federal de 1934. É indisfarçável que essas normas, reproduzindo os desmandos e despotismos vigentes à época, sacramentaram uma federação mutilada e parlamentarmente deformada, onde a representação de várias unidades goza de um peso extra refletido através de desigualdades na formação de comissões, votações, etc. De lá para cá, a situação se consolidou. Aliás, conforme recentemente lembrou o jornalista e escritor Laurentino Gomes, tais distorções são fortemente enraizadas e tem origem no Império, quando “os conservadores tinham representação mais forte nas províncias do Nordeste e, em geral, favoreciam a centralização do poder imperial, enquanto os liberais representavam as províncias do Sul e do Sudeste – especialmente São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul – e defendiam uma maior descentralização em favor da economia regional” (2013, p. 106).
O Brasil da década de 30, aquele queera tipicamente rural, não dispunha de urna eletrônica eonde pouco mais de 6% da população brasileira votava, estabeleceu um federalismo ilusório, assentado numa representação congressual fictícia onde a maioria da população elege menos representantes do que deveria e a minoria elege além do que devia.
Diante de configurações políticas desnaturadas pela desproporcionalidade – e pela complacência –, a representação dos estados perante o Parlamento não é autêntica.
*Advogado eleitoralista
A DEGRADAÇÃO DOS MELHORES - 05/09/2014
No último número da elegante revista do Banco Itaú Personnalité, Ruy Castro enfatiza o contraste entre duas fases da existência do poeta Vinícius de Moraes:
"Há um Vinícius de Moraes sobre o qual não resta a menor dúvida: ... o compositor, o letrista e o showman; o diplomata, o homem do mundo e o amigo de ilustres; o boêmio, sempre com um uísque a bordo, e o liberal, o homem de esquerda, com muitas amizades entre os comunistas; o cantor da beleza, o homme à femmes, que se casou nove vezes e vivia em permanente estado de paixão; o capitão do mato e o branco mais preto do Brasil, na linha direta de Xangô; o diletante da crônica, do teatro e do cinema..."
"Mas houve também um Vinícius tão real quanto esse acima, e que seus admiradores mal conseguiriam reconhecer se descrito sem as necessárias ressalvas. Um Vinícius profundamente católico, metafísico, passadista, politicamente de direita, simpático ao fascismo, íntimo de assombrações, inimigo do cinema falado, alérgico ao jazz moderno, desconfiado da juventude – e olhe que ele também era jovem – e certo de que o sexo era uma coisa apenas espiritual. O que? Sim, esse era o Vinícius de 1933."
Sim, esses dois Vinícius existiram, e, se o do primeiro parágrafo é ainda um personagem popular decorridos trinta e tantos anos da sua morte, o do segundo permanece tão desconhecido que Ruy Castro tem de revelá-lo a um grupo de admiradores estupefatos, numa revista de poucos e requintados leitores.
Só há um problema. O "Vinícius de 1933", que Ruy Castro descreve em termos que fazem dele um monstrinho antediluviano, era, malgrado algumas esquisitices inegáveis, um dos poetas mais sérios e profundos do idioma. Já o Vinícius nacionalmente conhecido – para Ruy Castro, o único normal e digno de admiração irrestrita – nunca passou de uma figura do show business, um velho caricato macaqueador da moda juvenil, gabando-se de ser "o branco mais preto do Brasil", mas bebendo uísque importado em vez de cachaça, namorando populisticamente mulheres da alta sociedade, e escrevendo nada mais que sambinhas autocongratulatórios e umas frases de efeito que se conservaram na memória nacional não por meio da história literária, mas da indústria de discos e do governo que ele tanto ludibriou, vivendo de dinheiro público sem nem marcar o ponto na repartição.
"A vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros pela vida", "A mulher amada é o tempo passado no tempo presente no tempo futuro no sem tempo", "Quem já passou por essa vida e não viveu pode ser mais, mas sabe menos do que eu...", "Quem de dentro de si não sai vai morrer sem amar ninguém" e milhares de tolices semelhantes, que parecem ter sido produzidas especialmente para diários de moças, assinalam com toda a clareza a decomposição de um talento de poeta e de um caráter de homem, diluídos em álcool para mais rentosa distribuição comercial.
Não é coincidência, de maneira alguma, que essa transfiguração da literatura em cocô acompanhasse pari passu a aproximação cada vez mais íntima do poeta com os grupos de esquerda, que naqueles anos da ditadura precisavam desesperadamente de poster men. Se para servir a esse fim um grande homem tinha de ser infantilizado por meio de paparicações grudentas e seduções corruptoras, tanto melhor.
Era uma política consciente. Lembro, como se fosse hoje, o zunzum entre os comunistas da redação quando Carlos Alberto Libânio Christo, o "Frei Betto", veio trabalhar na Folha, naquele intervalo de retorno ao ambiente profano, que nos seminários precede a opção definitiva pela ordenação sacerdotal. Era necessário, era urgente, comentavam, fazer amizade com o padreco, embebedá-lo, levá-lo a boates e puteiros, fazer dele um membro em regra da patota dos bons.
A ética por trás disso era a boa e velha inversão: já que a sociedade burguesa é corrupta e hipócrita, é preciso combatê-la desde dentro por meio da corrupção ostensiva, exibida, orgulhosa de si. Os serviços prestados ao Partido santificavam tudo. Quando Vinícius trocou o cristianismo por uísque, mulheres, samba e comunismo, tornou-se um modelo de virtudes.
Às vezes não era preciso chegar a tanto. O Partido sabia tocar o ponto sensível de cada um. Se o alvo escolhido fosse um pobretão apavorado com a perspectiva de morrer de fome, como Otto Maria Carpeaux, bastava oferecer-lhe empregos em troca de favores prestados, depois ir pedindo cada vez mais favores até que consumissem por inteiro o tempo e os talentos do infeliz, bajulando-o e aplaudindo-o à medida que se imbecilizava cada vez mais.
O apoio na hora da encrenca sempre deixava marcas fundas. Roland Corbisier, brilhante intelectual do Partido Trabalhista, intermediou o apoio dos comunistas à candidatura de Negrão de Lima ao governo do Rio em 1965, foi demitido do Ministério da Educação pelos militares e acabou fisgado. Virou o típico "bom sujeito": divorciou-se da mulher, abandonou a Igreja e, de seus primeiros livros, A Responsabilidade das Elites e Formação e Problema da Cultura Brasileira (ambos de 1956), estudos magníficos sobre a vida intelectual no Brasil, passou a escrever manuais de marxismo-leninismo dignos da Academia de Ciências da URSS.
À medida que o gramscismo se consolidou como doutrina dominante nas universidades, a política de cooptação perdeu seu caráter de seleção individual e se tornou o critério geral de aprovação na carreira acadêmica e jornalística, a conditio sine qua non para os neófitos serem reconhecidos como "intelectuais". A imbecilização industrializou-se e a cultura superior no Brasil acabou.
DOIS DECRETOS DITATORIAIS - 05/09/2014
Dois decretos governamentais (8242 e 8243) podem afetar o regime democrático e a ação social das Instituições sem fins lucrativos, principalmente as católicas.
O primeiro cria inúmeras restrições às imunidades garantidas pela Constituição, matéria que é objeto de ação direta de inconstitucionalidade no STF (nº. 2028) de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa e de repercussão geral da relatoria do Ministro Marco Aurélio, com resultado, até o momento, favorável às Instituições (4x0 – votos dos dois Ministros relatores e dos Ministros Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia). Se prevalecerem as ações (ADI e RE) o decreto perderá validade.
O segundo institui a Política Nacional de Participação Social – PNPS. Tal como descrita no Decreto 8243/14, tende a substituir o Congresso Nacional na representação popular, para “fortalecer e articular mecanismos e instâncias democráticas de diálogo” e em “atuação conjunta com a administração pública federal” da “sociedade civil” (art. 1º), criar Conselhos e Comissões de políticas públicas e sociais (artigos 10 e 11) eleitos pelo povo, objetivando auxiliar a Secretaria Geral da Presidência da República (artigo 9º) a “monitorar e implementar as políticas sociais” por eles definidas, com atuação junto às diversas instâncias governamentais.
Num curto artigo, é impossível descrever e analisar o nível de força que se pretende atribuir a instrumentos “populares”, na promoção com o governo, das políticas que desejarem, sem a participação dos legítimos representantes do povo, que são os senadores e deputados. Como os Conselhos e as Comissões serão eleitos pelo “povo”, mas a eleição não é obrigatória e o “povo” dificilmente terá condições de dedicar-se em tempo integral, deixando trabalho ou ocupações diversas, para estar presente nestas “eleições”, serão os “amigos do rei” os beneficiados pelas indicações, que lá estarão presentes, num verdadeiro aparelhamento do Executivo e redução do Congresso Nacional à sua expressão nenhuma.
Por pior que seja, o Legislativo é eleito pelo povo. Nele está contida 100% da representação popular (situação e oposição). No atual Executivo, nem 50% do povo brasileiro está representado, pois a atual presidente teve que ir ao 2º turno para ganhar as eleições. Em outras palavras, pretende o decreto que a autêntica representação popular de 130 milhões de brasileiros seja substituída por um punhado de pessoas,que passará a DEFINIR A POLÍTICA SOCIAL DE TODOS OS MINISTÉRIOS, INDICANDO AO EXECUTIVO COMO DEVE AGIR!
A linha da proposta é tornar o Congresso Nacional uma Casa de tertúlias acadêmicas, pois os Conselhos e Comissões eleitos pelo “povo” serão aqueles que dirigirão o país. Por exemplo, a Comissão encarregada da Comunicação Social poderá determinar que o Ministério correspondente imponha restrição de conteúdo à imprensa, a pretexto de que é esta a “vontade do povo”, que será “obrigado” a atender aos apelos populares. As políticas públicas e sociais não mais serão definidas pelo Poder Legislativo, mas, por este grupo limitado de cidadãos enquistados nestes organismos.
Estamos perante uma autêntica ressurreição, da forma mais insidiosa e sorrateira, do PNDH-3, que recebeu o repúdio nacional e, por isto, nunca foi aplicado. Às vezes, tenho a impressão, com todo o respeito que tenho pela figura da presidente da República, que ela tem recaídas “guerrilheiras”. Talvez, a “devoção cívica” que demonstrou nutrir pelo sangrento ditador Fidel Castro – tão nítida no retrato exibido por todos os jornais, de sua recente visita a Cuba – a tenha levado a conceber e editar esta larga estrada para um regime antidemocrático. É que o decreto suprime as funções constitucionais do Parlamento e pretende introduzir entre nós o estilo bolivariano das Constituições da Venezuela, Bolívia ou Equador. Nelas, o Executivo e o “povo” são os verdadeiros poderes, sendo –é o que está naquelas leis maiores— o Legislativo, Judiciário e Ministério Público, poderes acólitos, vicários, secundários e sem maior expressão.
Por ter densidade normativa própria, o referido decreto é diretamente inconstitucional, ferindo cláusula pétrea da Constituição, que é a autonomia e independência dos Poderes (artigos 2 e 60 § 4º, inciso III). spero que o Congresso Nacional repila o espúrio diploma, com base no artigo 49, inciso XI, da Carta Maior, zelando, como deve, por sua competência legislativa.
* * Advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra
O "PODER ECONÔMICO" NO PROJETO DE REFORMA POLÍTICA DA CNBB - 02/09/2014
Promotores, "apóstolos" e entusiastas do projeto de reforma política da CNBB frequentemente destacam - como sinal da inspiração divina dele - o item que propõe o "financiamento público" das campanhas eleitorais. Pregam que proibir doações de empresas privadas a partidos e candidatos - mantendo a permissão para doações de pessoas físicas - visa a eliminar a influência do "poder econômico" nas questões políticas e a evitar que os interesses do "capital" se sobreponham ao interesse público.
O componente ideológico do termo é escandaloso: demonização da iniciativa privada e divinização do Estado. É como se as empresas - representadas por seus proprietários - fossem excluídas da vida pública e ficassem impedidas de se posicionarem sobre o plano que determina o exercício de suas atividades.
Mas o item citado - o financiamento público das campanhas eleitorais - é ineficaz inclusive para os fins alegados. Primeiro. A proposta veta a doação de "empresa privada", mas não a do dono dela, a do "empresário" - pessoa física que pode figurar como doador. E mesmo que limite a contribuição individual ao valor de R$ 700, nada impede que "laranjas" sejam utilizados para burlar a limitação. E mais. Uma vez que as empresas privadas serão proibidas de fazer doações para candidatos e partidos, na contabilidade das campanhas não haverá mais nenhuma menção a elas - o que não coíbe as doações ilegais, pelo contrário, poderá inclusive facilitá-las.
Outro ponto. Se um dos propósitos da reforma política é diminuir os custos das campanhas eleitorais, então soa disparatado exigir - fixando a escolha dos parlamentares em dois turnos - o financiamento público para boa parte das despesas dos candidatos e partidos. Isso é exigir que o Estado, que o dinheiro público, do cidadão, banque as contas. Ademais, é necessário observar que "O Estado" não é uma entidade abstrata e supra-natural; ele é formado por pessoas de carne e osso que irão estabelecer - através do jogo político e do confronto de interesses - o valor das verbas e os "critérios" para a distribuição delas.
No entanto, há na proposta de reforma política da CNBB algo ainda mais grave. Se os seus "apóstolos" pretendem "exorcizar" o "poder econômico" da política, então, como explicar que as entidades e organizações que pretendem inserir na administração pública - sob o disfarce de "movimentos sociais" - sejam financiadas pelo "grande capital"? Duas amostras relevantes: a ABONG - que congrega uma série de organizações não-governamentais; e a Cáritas - que é um organismo da CNBB (Cf. Cartilha Coalizão pela Reforma Política e Democrática, p. 43) são financiadas por eminentes e poderosas organizações financeiras e empresariais através de suas fundações. A Caritas, pela Fundação Ford e a ABONG, entre outras, pela Fundação Ford, Fundação Bradesco, Bovespa Social, Fundação Bunge, Brazil Foundation.
Abong, consultar: [http://abong.org.br/links.php?id=13].
Cáritas, consultar [http://caritas.org.br/parceiros-e-apoiadores].
É preciso notar que aqui há outro problema. Quando um candidato recebe doação de empresa privada, o eleitor tem a liberdade de votar nele ou não; mas os "movimentos sociais" - patrocinados por fundações multibilionárias - serão introduzidos pelo projeto de reforma política em instâncias decisórias do poder público sem a participação do cidadão brasileiro.
Nestes termos, a pregação sobre o "financiamento público" das campanhas eleitorais é uma fraude em todos os sentidos. A proposta de reforma política da CNBB maquia o estabelecimento de um consórcio para o exercício do poder político - consórcio que inclui agentes determinados do "poder econômico". Para a Conferência dos Bispos, tal comprometimento é um pecado imperdoável porque implica contrariar os princípios e orientações da Igreja Católica - que ela, a Conferência, não representa - fortalecendo um projeto de poder totalitário - o PETISTA-SOCIALISTA-COMUNISTA - e a engenharia social e comportamental que o envolve, com o ABORTO, a IDEOLOGIA DE GÊNERO, a LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS, etc.
ARTIGOS RECOMENDADOS.
BRAGA, Bruno. "Padres pregam proposta de reforma política. Fiéis, não assinem!" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/07/padres-pregam-proposta-de-reforma.html].
______. "O porta-voz comunista da reforma política celebrada por padres" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/07/o-porta-voz-comunista-da-reforma.html].
______. "A reforma política da CNBB. Católicos, não assinem!" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/08/a-reforma-politica-da-cnbb-fieis.html].
______. "CNBB firma PACTO com Governo PETISTA: promover a reforma política SOCIALISTA-COMUNISTA" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/08/cnbb-firma-pacto-com-governo-petista.html].
______. "'O Chefe' convoca a militância para a reforma política da CNBB" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/08/o-chefe-convoca-militancia-para-reforma.html].
______. "Padre Rodrigo Maria. Eleições 2014 e a desastrosa proposta de reforma política que promove o projeto de poder PETISTA-SOCIALISTA-COMUNISTA [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/08/padre-rodrigo-maria-eleicoes-2014-e.html].
PÂNICO NA ELITE VERMELHA - 31/08/2014
Pela primeira vez em 12 anos, os companheiros avistam a possibilidade real de ter que largar o osso. Nem a obra-prima do mensalão às vésperas da eleição de 2006 chegara a ameaçar a hegemonia dos coitados sobre a elite branca. A um mês da votação, surgem as pesquisas indicando que o PT não é mais o favorito a continuar encastelado no Planalto. Desespero total.
Pode-se imaginar o movimento fervilhante nas centrais de dossiês aloprados. Há de surgir na Wikipédia o passado tenebroso dos adversários de Dilma Rousseff. Logo descobriremos que foram eles que sumiram com Amarildo, que depenaram a Petrobras, que treinaram a seleção contra os alemães. É questão de vida ou morte: como se sabe, a elite vermelha terá sérias dificuldades de sobrevivência se tiver que trabalhar. Vão “fazer o diabo”, como disse a presidente, para ganhar a eleição e não perder a gerência da boca.
O Brasil acaba de assistir à queda de um avião sobre o castelo eleitoral do PT. Questionada sobre as investigações acerca da situação legal da aeronave que caiu, Dilma respondeu que não está “acompanhando isso”, e que o assunto não é do seu “profundo interesse”. Altamente coerente. Se a presidente e seu padrinho não “acompanharam” as tragédias no governo popular — mensalão, Rosemary e grande elenco — não haveria por que terem “profundo interesse” numa tragédia que veio de fora. Eles sempre fingiram que estava tudo bem e o povo acreditou, não há por que acusar o golpe agora. Avião? Que avião?
Melhor continuar arremessando gaivotas de papel, para distrair o público. Até o ministro decorativo da Fazenda foi chamado para atirar a sua. Guido Mantega, como Dilma e toda a tropa, é militante de Lula. O filho do Brasil ordena, eles disparam. Mantega já chegou a apresentar um gráfico amestrado relacionando o PAC com o PIB — um estelionato intelectual que o Brasil, como sempre, engoliu. Agora o homem forte (?) da economia companheira entra na campanha para dizer que Armínio Fraga desrespeitou as metas de inflação. Uma gaivota pornográfica.
Para encurtar a conversa, bastaria dizer que Armínio Fraga foi um dos homens que construíram aquilo que Mantega e seu bando há anos tentam destruir. Inclusive a meta de inflação. Armínio foi o comandante da etapa de consolidação do Plano Real — última coisa séria feita no Brasil — enfrentando o efeito devastador da crise da Rússia, que teria reduzido a economia nacional a pó se ela estivesse nas mãos de um desses bravateiros com estrelinha. Mantega e padrinhos associados devem a Armínio Fraga e aos realizadores do Plano Real a vida mansa que levaram nos últimos 12 anos. E deve ser mesmo angustiante desconfiar pela primeira vez que essa moleza vai acabar.
Se debate eleitoral tivesse alguma ligação com a realidade, bastaria convidar os companheiros a citar uma medida de sua autoria que tenha ajudado a estruturar a economia brasileira. Uma única. Mas não adianta, porque, como o eleitorado viaja na maionese, basta aos petistas dizer — como passaram a última década dizendo — que eles livraram o Brasil da inflação de Fernando Henrique. A própria Dilma foi eleita em 2010 com esse humor negro, e jamais caiu no ridículo por isso. Com a fraude devidamente avalizada pelo distinto público, Guido Mantega pode se comparar a Armínio Fraga e entrar em casa sem ter que esconder o rosto.
Em meio às propostas ornamentais, aliás, Armínio é o dado concreto da corrida presidencial até aqui. Nada de poesia, de “nova política”, de arautos da “mudança” — conceito tão específico quanto “felicidade”, que enche os olhos da Primavera Burra e dos depredadores do bem. Armínio não é terceira, quarta ou quinta via, nem a mediatriz mágica entre o passado e o futuro. É um economista testado e aprovado no front governamental, que não ficará no Ministério da Fazenda transformando panfleto em gaivota.
O PSDB, como os outros partidos, adora vender contos de fadas. Mas seu candidato, Aécio Neves, resolveu anunciar previamente o seu principal ministro. Eis a sutil diferença entre o compromisso e a conversa fiada.
Marina Silva também é uma boa notícia. Só o fato de ser uma pessoa íntegra já oferece um contraponto valioso à picaretagem travestida de bondade. Nunca é tarde para o feminismo curar a ressaca dos últimos quatro anos. O que seria um governo Marina, porém, nem ela sabe. Se cumprir a promessa de Eduardo Campos e empurrar o PMDB S.A. para a oposição, que grande partido comporia a sua sustentação política? Olhe em volta e constate, com arrepios, a hipótese mais provável: ele mesmo, o PT — prontinho para a mudança, com frete e tudo.
Marina vem do PT e está no PSB, cujo ideário é de arrepiar o maior sonho cubano de José Dirceu. E tentar governar acima dos partidos foi o que Collor fez. Que forças, afinal, afiançariam as virtudes de Marina?
A elite vermelha está pronta para se esverdear.
* Jornalista
O ESGOTAMENTO DO CAMPO POLÍTICO CUBANO - 25/08/2014
A corajosa e beligerante carta que o opositor político cubano Jorge Luis García Pérez, “Antúnez”, recentemente direcionou a Raúl Castro, veio preencher um longo vazio no panorama da oposição política cubana. A carta coloca no centro das discussões a validade da luta opositora como alternativa ao governo na ilha após a desaparição física dos irmãos Castro, tenham eles encabeçado a transição ao capitalismo, ou não.
Já poucos acreditam que a solução do chamado “problema cubano” virá de uma deposição súbita da ditadura atualmente no poder. É a solução biológica que tem ocupado um primeiro plano, seja por uma inércia natural, seja pela forma como a ditadura tem-se defendido dos perigos associados às mudança num regime que tem se mostrado incompetente em levar comida à mesa dos cubanos.
Tudo parece indicar que as já iniciadas conversações com a União Europeia - e as que logo começarão com os EUA - marcarão os rumos que guiarão tíbios câmbios políticos dentro da ilha. A solução deixará nos lutadores democráticos cubanos um sabor amargo ao constatar que um novo “Tratado de Paris” está próximo, e lhes fornece poucas possibilidades de participar, mesmo que apenas insinuando soluções associadas aos anseios democráticos, ante uma população cubana entediada e indiferente com o futuro do país face às contínuas frustrações dos últimos 55 anos. Os culpados marcarão o ritmo das reformas econômicas, possibilitando, isso sim, participar da “pinhata” toda solução capitalista que se agregue. Contanto que não se fale de política.
Nas altas esferas da ditadura cubana também se nota o esgotamento natural de mais de meio século de “batalhas” supostamente vitoriosas, mas, sem comida para o sofrido povo da ilha, cuja esperança se cifra na emigração a todo custo. Os serviços de inteligência cubanos, tanto dentro de Cuba como fora dela, continuam seu trabalho com razoável sucesso. Têm conseguido dividir as Damas de Branco; dos principais opositores cada vez se fala menos; no exílio de Miami tudo transcorre numa longa espera ante o avanço das missões culturais da ditadura, que tomam por assalto o último bastião declaradamente opositor.
Nas altas esferas norte-americanas nota-se igualmente o cansaço pelos anos de tensão, nos quais o poderoso do norte tem deixado à ditadura castrista “se cozer na sua própria salsa” dentro de uma sociedade cada vez mais miserável econômica e socialmente, mas, com uma contrapartida política cada vez mais estendida em toda América Latina, onde tem encontrado padrinhos, financiamento, abrigo e muito eco político.
Nestes momentos é natural que EUA aspirem a normalizar a situação “especial” das relações com Cuba, tendo constatado que, em primeiro lugar, o castrismo - enquanto perdia a guerra de guerrilhas em toda Latino-américa - ganhava em paralelo a guerra civil cubana dos anos sessenta do século passado, que se estendeu até meados dos anos setenta com um saldo de quase 10 mil cubanos fuzilados e centenas de milhares de jovens cubanos condenados a longas penas de prisão. Nos decênios seguintes, prosseguiu a intervenção castrista na América Latina, no plano civil, político, ajudando a eleger presidentes pró-castristas em vários países da região. Esse trabalho chega ate nossos dias na forma de um grupo importante de nações da órbita castrista que exercem pressão sobre EUA para a normalização com Havana.
Por outro lado, nota-se dentro dos Estados Unidos uma tendência forte para hierarquizar a estabilidade dentro de Cuba, muito por cima da pura derrota da ditadura, por três razões que se conjugam. Em primeiro lugar, os atuais procedimentos em Cuba denotam de maneira explícita uma auto-derrota da ideologia marxista, deixando um saldo leninista de ditadura que somente afeta os cubanos, que podem/devem resolver isso a médio prazo. Em segundo lugar, uma desestabilização política dentro da ilha, ou um vácuo do poder castrista atual, ocasionaria uma desagradável “explosão balseira”, o pior pesadelo atual para os governantes norte-americanos, que apenas começam a emergir de uma forte crise econômica. Em terceiro lugar, a oposição política cubana não tem podido (sabido, conseguido) posicionar-se como uma opção real de poder aos olhos dos EUA, com uma força tal que permita controlar a possível influência narcotraficante que muito provavelmente caia sobre a ilha se houver um vácuo de poder associado a dissolução dos atuais corpos armados da ditadura, que até o momento tem garantido um status de convivência “aceitável” para os EUA.
É evidente que estes interesses norte-americanos - ademais totalmente legítimos desde o ponto de vista de sua própria nação - primarão nas conversações que se aproximam. A grande incógnita para os cubanos democratas é se outros interesses norte-americanos, também comuns aos do povo de Cuba, como a eliminação do foco de anti-norte-americanismo que representa o castrismo, ou o estabelecimento de um regime democrático a 90 milhas de suas costas, escolhido em eleições livres e supervisionadas, o que também significaria estabilidade dentro da ilha, estaria na agenda das conversações que se aproximam.
A grande pergunta é: devemos os cubanos aguardar pelo desenvolvimento dos acontecimentos, ou ser proativos nas propostas ante as instâncias da União Europeia e dos EUA para instituir uma sociedade democrática dentro de Cuba?
POR DENTRO DO JIHAD - 17/08/2014
O pequeno ensaio a seguir, dividido em quatro partes, foi elaborado pelo historiador Carlos I.S. Azambuja, colaborador deste site, com base no livro "Por dentro do Jihad", de autoria de Omar Nasiri, editado pela Record.
Carlos I. S. Azambuja
* Historiador
PARTE 1
Entre 1994 e 2000, Omar Nasiri trabalhou como agente secreto para os principais serviços externos de Inteligência da Europa - incluindo a DGSE (Direction Genérale de la Securité Exterieure), da França, e o MI5 e MI6, da Grã-bretanha. Do submundo das células islâmicas da Bélgica até os campos de treinamento do Afeganistão e as mesquitas radicais de Londres, ele arriscou a vida para derrotar a emergente rede global que o Ocidente viria a conhecer como Al-Qaeda.
Agora, pela primeira vez, em um livro editado pela Editora Record - "Por dentro do Jihad" - (1), Nasiri compartilha a história de sua vida - precariamente equilibrada entre o mundo dos jihadistas islâmicos e dos espiões que os perseguem. Como árabe e muçulmano, ele pôde infiltrar-se nos rigidamente controlados campos de treinamento afegãos, onde encontrou homens que mais tarde se tornariam os terroristas mais procurados da Terra: Ibn al-Sheikh al-Libi, Abu Zubayda e Abukhabab al-Masri. Enviado de volta à Europa, Nasiri tornou-se um intermediário de mensagens trocas entre o recrutador-chefe da Al-Qaeda no Paquistão e o clérigo radical de Londres, Abu Qatada.
Em suma, "Por dentro do Jihad" oferece uma perspectiva inteiramente original da batalha que se desenvolve contra a Al-Qaeda. Omar Nasiri, nome fictício, nasceu no Marrocos e atualmente vive na Alemanha.
Eis um trecho de "Por Dentro do Jihad":
"Em algumas noites (no Afeganistão) nós praticávamos tajwid (2) em outras estudávamos o Corão e a hadith, o conjunto de tradições estabelecidas pelas palavras e ações do profeta Maomé (...).
Nós aprendíamos muito todas as noites nessas aulas mas, acima de tudo, aprendíamos sobre as leis do jihad. Existem mais de 150 versos no Corão sobre o jihad e centenas de referências na hadith. (...) Foi somente quando cheguei a Khaldan (3) que comecei a aprender o que o Corão tinha realmente a dizer sobre o jihad.
Naturalmente, há muitos tipos diferentes de jihad. Existe o jihad interior, que é algo que todos os verdadeiros muçulmanos praticam constantemente. Existe o jihad da língua, que tem todos os tipos de forma. Pode significar o proselitismo, como eu vira no Tabligh (4). Ou pode significar manifestar-se politicamente, através de sermões ou protestos ou, até mesmo, de propaganda como o Al Ansar (5). Existe o jihad realizado por meio de ações, tais como fazer a peregrinação hajj (6) até Meca. Ou mesmo dando dinheiro para apoiar o jihad supremo, a kutila fi sabilillah. A guerra santa.
Nós falávamos quase que exclusivamente sobre esta última forma de jihad. Nós aprendemos todas as regras de combate. A força deve ser evitada, a menos que seja absolutamente necessária e, mesmo assim, deve ser empregada somente em proporção ao poderio do inimigo.
Mas, uma vez que a força torna-se necessária, ninguém pode fugir do seu dever. Se uma mulher do outro lado do mundo é estuprada ou tirada de sua família, todos os muçulmanos devem unir-se para lutar até que a injustiça seja corrigida. É uma exigência de Deus.
Antes de lutar, um irmão deve preparar-se. Primeiro, e acima de tudo, ele deve se preparar espiritualmente. Com fé, um exército pode derrotar um oponente dez vezes maior.
Outros tipos de preparação também são vitais. Um mujahid (7) deve estar moralmente preparado; ele deve evitar todos os pecados e purificar-se diante de Deus. Ele também deve preparar seu corpo e fortalecê-lo o máximo possível. E todo irmão deve aprender tudo o que conseguir sobre ciência e tecnologia, para que sua superioridade sobre o inimigo seja total.
Uma vez em combate, um mujahid deve obedecer leis muito rígidas. São proibidos o massacre de inocentes, a matança indiscriminada, a morte de mulheres e crianças, a mutilação dos cadáveres dos inimigos e a destruição de escolas, igrejas, fontes de água ou, até mesmo, campos e rebanhos. Ninguém deve ser assassinado enquanto está rezando, independentemente de as orações serem muçulmanas, cristãs, judaicas ou quaisquer outras.
Um mujahid deve lutar somente por Deus, não por ganhos materiais, não por política. Ele luta com a razão a seu lado e luta para servir à criação de Deus. Quanto mais profunda for sua fé em Deus, maior será sua capacidade de honrar a obra de Deus.
Os verdadeiros fiéis são aqueles cujas vidas Deus obteve em troca da promessa do paraíso. Eles não devem fugir da batalha, ainda que estejam diante da morte certa. Um homem que dá as costas aos infiéis e corre, diz o Corão, sujeitou-se, de fato, à severa punição de Deus e seu refúgio final é o fogo; quão abomináveis são o retorno e a destinação que o aguardam?
Fiquei surpreso ao aprender como são tão específicas as leis do jihad, muito mais do que quaisquer convenções sobre direitos humanos sonhadas no Ocidente. Na verdade, nossos professores repetiam para nós incontáveis vezes que esses princípios são os que diferenciam muçulmanos de não-muçulmanos. Os infiéis são aqueles que matam indiscriminadamente, sem lei. Eles destroem cidades inteiras, até mesmo populações inteiras. Eles bombardeiam igrejas, mesquitas e escolas.
Nós aprendemos sobre os ingleses e os franceses, que conquistaram povos em todo o mundo e roubaram as terras para suas colônias. Nós aprendemos sobre Hitler e seus campos de concentração. Aprendemos como os americanos tinham massacrado coreanos e vietnamitas. Aprendemos sobre Hiroshima, Nagasaki e os bombardeios em massa no final da Segunda Guerra Mundial. E, é claro, aprendemos sobre os horrores que os israelenses perpetraram na Palestina, mas isso todos nós já sabíamos. Os infiéis massacravam, bombardeavam e destruíam tudo em seu caminho. Eles eram uns animais.
Naturalmente, aprender tudo isso me faz pensar de novo a respeito do que eu sabia sobre a guerra na Argélia. O GIA fizera muitas das coisas proibidas na lei islâmica. Eles haviam matado civis, disparando até mesmo contra escolas inteiras. Mas, com o tempo, aprendi algo sobre as leis do jihad: há espaço. Há espaço dentro dos limites da lei para todos os tipos de interpretação.
Há espaço, particularmente na hora de definir quem são os inimigos e quem são os inocentes. Parece simples, é claro - os inimigos são aqueles com as armas. Entetanto, de acordo com as leis do jihad, a definição de "inimigo" pode ser expandida para incluir toda a cadeia de suprimentos: quem quer que apóie o inimigo com dinheiro ou armas, ou mesmo com comida ou água; até mesmo aqueles que dão apoio moral - jornalistas, por exemplo, que escrevem em defesa da causa do inimigo. Ms até onde, me perguntei, a cadeia de suprimentos vai? Até aquele que vota em um regime inimigo? E quanto àqueles que não escolhem um lado? Até onde vai?
Mulheres geralmente são consideradas inocentes; mas elas também podem ser o inimigo. Se uma mulher reza a Deus para proteger o marido, então ela não é um inimigo. Mas se reza a Deus para matar um muçulmano, então ela é. Com as crianças é parecido. Um menino pode ser perdoado por suas orações; ele é jovem demais para ser responsável por isso. Mas se ele leva comida, ou até mesmo uma mensagem, para um combatente inimigo, então se torna um inimigo.
Acabei compreendendo como, na mente de um extremista, quase todo o mundo pode tornar-se um inimigo".
* * *
Notas:
(1) - Jihad - conceito essencial da religião islâmica. Pode ser entendido como uma luta de busca e conquista da fé perfeita. Ao contrário do que muitos pensam, jihad não significa "guerra santa"
(2) - Tajwid - Corão cantado
(3) - Kaldhan - um dos campos de treinamento no Afeganistão
(4) - Tabligh - grupo fundamentalista
(5) - Al Ansar - jornal do grupo radical muçulmano GIA, da Argélia
(6) - Hajj - Denominação dada pelos muçulmanos à peregrinação à cidade santa de Meca
(7) - Mujahid - muçulmano envolvido no que ele considera ser uma jihad
PARTE 2
Eis mais um trecho de "Por Dentro do Jihad":
“Em Durunta (um dos centros de treinamento de guerrilheiros internacionalistas no Afeganistão), começamos o treinamento com explosivos. Havia uma espécie de sala de aula em um dos alojamentos e Assad Allah escrevia fórmulas no quadro negro ou fazia demonstrações em uma grande mesa. Antes de mais nada, ele nos ensinou procedimentos de segurança. Passamos dias nisso, memorizando as temperaturas e umidades adequadas para a estocagem de diferentes componentes e aprendendo sobre os vários equipamentos de segurança – luvas, máscaras contra gazes, óculos – a serem usados com inúmeros produtos químicos e explosivos, Assad Allah também ensinou o que fazer se alguma experiência desse errado.
Ele não se cansava de dar o mesmo aviso:
Vocês têm um visto e devem trazê-lo todos os dias à aula. Mas eu posso tirar o visto a qualquer momento. Se vocês violarem os procedimentos de segurança, eu os mandarei para casa imediatamente. Nós sabíamos que ele não estava brincando.
Nós ficávamos no laboratório ou na sala de aula todos os dias pro cerca de 10 horas. Só parávamos para comer e fazer a salat (1). Trabalhávamos com química e matemática bastante complicadas e tínhamos que ter extrema concentração. Aprendemos a fazer todos os explosivos a partir do zero, Essa era a idéia: para onde quer que fôssemos, nós não teríamos acesso a explosivos de categoria militar ou material industrial. Nós teríamos que nos virar com o que conseguíssemos encontrar.
Aprendemos a fazer as mais diferentes coisas: pólvora, RDX, tetril, TNT, dinamite, C2, C3, C4, Semtex, nitroglicerina e daí por diante. Aprendemos a fazer cada um com produtos que poderíamos encontrar em lojas ou roubar de laboratórios escolares. Xarope de milho, tintura para cabelo, limões, lápis, açucar, café, sal de Epsom, naftalina, baterias, fósforos, tintas, produtos de limpeza, água sanitária, fluido de freios, fertilizantes, areia. Cada um desses contém componentes de diferentes tipos de materiais explosivos. Aprendemos como decompor esses produtos e como transformá-los em bombas. Eu até mesmo aprendi como fazer uma bomba com a minha própria urina.
Nós testávamos os explosivos perto de algumas ruínas na extremidade do campo. Quase sempre usávamos quantidades muito pequenas, mas medíamos a velocidade da explosão para calcular quais seriam os efeitos com cargas maiores. Falamos como e quando usar diferentes tipos de explosivos. Aprendemos quais materiais deveríamos utilizar para explodir um trem, quanto de explosivos precisaríamos e como posicioná-lo nos trilhos para obter o máximo de impacto. Aprendemos a explodir carros e prédios.
Falávamos bastante sobre aviões. Estes eram difíceis de explodir devido à segurança nos aeroportos. Ficamos sabendo que Semtex era o mais fácil de levar à bordo, por ser quase impossível de detectar. Mas o Semtex era difícil de se obter, Assad Allah lembrava-nos. Também aprendemos sobre explosivos líquidos.
Fazíamos anotações sobre tudo nos cadernos pequenos que ganhamos no campo. Mas, no fim, eles esperavam que soubéssemos tudo de cor. Quando chegasse a hora de usar os explosivos, nós não teríamos um manual diante de nós. Assim, passávamos pelas fórmulas infindáveis vezes até conseguirmos repeti-las durante o sono. E Assad Allah nos submetia a provas todos os domingos, para se assegurar que havíamos aprendido.
Certa ocasião, Assad Allah falou sobre um incidente que ocorrera durante seu próprio treinamento em explosivos. O seu grupo estava aprendendo a fazer nitroglicerina e um dos irmãos não prestava atenção. Ele deixou os materiais esquentaram mais do que o permitido. Felizmente, o instrutor viu o termômetro bem a tempo de evitar que os materiais explodissem. Havia mais 7 pessoas no laboratório e todas poderiam ter morrido.
- Vai explodir! – ele gritou para o irmão.
Havia uma pia cheia de gelo bem ao lado do recruta e ele deveria ter jogado o material ali para esfriar. Mas, em vez disso, ele correu para a porta com a bomba-relógio líquida nas mãos. Assim que saiu, a mistura explodiu. A explosão arrancou os dois braços na hora e destruiu um dos olhos.
- O irmão sobreviveu? – perguntei.
- Sim – Assad Allah responde – Ele vive agora em Londres e prega nas mesquitas. Seu nome é Abu Hamza.
Na época eu não tinha idéia de quem era esse homem e nem a importância que ele viria a ter em minha vida.
Um dia, Abdul Kerim e eu entramos em uma mesquita e vimos alguém pendurado nas vigas pelos tornozelos. Seus olhos estavam vendados e ele gritava. Havia vários irmãos parados ao redor. Eles gritavam com o prisioneiro e um apontava uma arma para a sua cabeça.
Senti calafrios. É isso que fazem com espiões, pensei. Isso é o que vai acontecer comigo, se eu for pego. Meu estômago revirou, mas não tive muito tempo para pensar nisso porque Abu Mousa veio por trás e nos tirou da mesquita.
- O que está acontecendo? – perguntei.
- Eles são do outro campo – falou. – Um dos irmãos vai numa missão. Os outros estão preparando-o para o interrogatório, no caso de ser pego. Não sabemos o que ele vai dizer. Ele pode revelar alguma coisa sobre sua missão e vocês não devem saber nada sobre ela..
Ele deve ter percebido nossa decepção e, logo depois, passou a ler um livro, em voz alta, escrito em árabe, sobre interrogatórios. Desde as primeiras frases o livro era fascinante, e incrivelmente detalhado. Começava listando os diferentes estágios de um interrogatório: da prisão, passando pelas perguntas iniciais, até as ameaças e a tortura. E, aí, vinha a série de todas as diferentes coisas que os interrogadores poderiam fazer: pendurá-lo de cabeça para baixo em sua cela, espancá-lo com as mãos, cassetetes ou fios elétricos, deixá-lo nu por vários dias, arrancar as unhas, queimar a pele com cigarros ou fogo, atacá-lo com cães, acertá-lo na virilha ou dar choques nos genitais. A lista não tinha fim e Abu Mousa disse que todas essas técnicas haviam sido empregadas em irmãos em diferentes países.
A primeira lição era simples: um mujahid (2) deve guardar tudo para si mesmo. A melhor maneira de impedir a revelação de segredos era, antes de mais nada, não os ter. Percebi que era por isso que, desde o primeiro dia, nós recebemos ordens de nunca falar com outros sobre nossa vida fora dos campos. Não era apenas porque tinham medo de espiões. Era porque queriam se assegurar de que nenhum dos irmãos pudesse revelar muita coisa se cedesse sob pressão.
Mas a fé, e não o segredo, era, de longe, a arma mais importante à disposição do mujahid. Um verdadeiro mujahid pode suportar qualquer coisa se estiver sofrendo por Deus. Ele deve se preparar para o interrogatório e a tortura do mesmo modo que se prepara para qualquer outro tipo de batalha. Abu Mousa foi bastante claro quanto a isso: o interrogatório era uma espécie de guerra psicológica. E assim, como na guerra de verdade, não havia como um irmão pudesse perder. Ou ele derrotava o inimigo ou morria como um mártir.
for capturado, o irmão não deve, jamais, ceder qualquer informação e deve compreender que nenhuma vantagem pode ser conseguida assim. Somente levaria a mais tortura, porque os interrogadores perceberiam que o prisioneiro teria segredos para revelar. Mas os interrogadores jamais o matariam, porque não teria utilidade morto.
Como explicado por Abu Mousa, o interrogatório era uma grande oportunidade para um irmão. Ele poderia aprender mais sobre o inimigo e disseminar contra-informação que ajudasse seu grupo a atingir o objetivo. Esse tipo de manipulação exige habilidade e os irmãos devem praticar isso, assim como treinam para o uso de uma arma. Ele deve aprender a fazer os interrogadores falarem. Quanto mais durar o interrogatório, mais informações os interrogadores revelarão sobre o que sabem e sobre sua estratégia. O irmão pode usar essas informações para delinear suas próprias respostas, para dizer ao inimigo mentiras que pareçam verdades. Para um mujahid, o contra-interrogatório é apenas mais uma batalha tática.
Muitos anos depois eu pensaria novamente nessa lição, quando comecei a aprender mais sobre Ibn al-Sheikh al-Libi e seu papel dentro do que veio a ser conhecido por al-Qaeda. Ibn Shekh continuou a dirigir campos de treinamento no Afeganistão durante os anos 1990 e era próximo a bin-Laden. Ele foi capturado logo após a invasão dos americanos ao Afeganistão depois dos ataques de 11 de setembro, sendo levado de avião para o Egito, onde foi torturado pela CIA. Lá, ele disse aos interrogadores que Saddam Hussein dera à al-Qaeda informações sobre a confecção de armas químicas. Era às informações de Ibn Shekh que George W. Bush e Collin Powell se referiam quando disseram ter provas de que Saddam Hussein tinha conexões com a al-Qaeda. Eles usaram o que Ibn Sheikh lhes contara para justificar a invasão do Iraque.
Mas tarde Ibn Shekh disse que a historia a respeito de Saddam Hussein não era verdadeira. Na verdade, a CIA sabia que a história de Ibn Shekh não era confiável bem antes de Collin Powell se referir a ela em seu famoso discurso na ONU. Mas, quando esse fato emergiu, já não tinha mais importância. A América já estava em guerra.
Muitos dizem que Ibn Shekh mentiu aos captores por desespero, porque estava sendo torturado brutalmente. Eu sei que isso não é verdade. Ela havia sido preparado para interrogatórios, do mesmo modo que o irmão da mesquita estava se preparando. Ele sabia o que fazer.
Não. Ibn Sheikh não cedeu à pressão da tortura. Ele manipulou seus interrogadores com a mesma habilidade com que empunhava sua arma. Ele sabia o que seus interrogadores queriam e ficou contente em dar-lhes. Ele queria ver Saddam derrubado ainda mais do que os americanos. Como ele nos disse em Khaldan, o Iraque era o próximo grande jihad.
Em algum lugar, numa câmara de tortura secreta. Ibn Sheikh venceu sua batalha”.
* * *
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(1) Salat ou Salah (árabe:???? ) refere-se às cinco orações rituais que cada muçulmano deve realizar diariamente voltado para Meca. É um dos Cinco Pilares do Islão (arkan al-Islam). Em outras línguas estas orações são chamadas de Namaz.
(2) Mujahid - muçulmano envolvido no que ele considera ser uma jihad
PARTE 3
Os ataques de 11 de setembro de 2001 não vieram do nada. Durante os anos 1990, uma série de movimentos islâmicos violentos começou a se congregar, desviando seu foco dos conflitos locais, em seus países, para o “inimigo distante” dos EUA e do Ocidente. A organização emergente ficaria conhecida como Al-Qaeda. O relato de Omar Nasiri, autor de Por Dentro do Jihad apresenta uma percepção particular desse período crucial que parece pouco compreendido. Sua história é única, especialmente porque ele fornece a perspectiva incomum de alguém que se infiltrou nessas redes terroristas.
A noção freqüentemente repetida é a de que a derrota do terrorismo exige um bom serviço de Inteligência e a coleta de dados de Inteligência exige indivíduos dispostos a arriscar suas vidas para se transformarem em espiões, E suas histórias raramente são contadas.
Esse foi o início da introdução ao livro de Omar Nasiri, escrita em setembro de 2006 por Gordon Corera, correspondente da BBC para Assuntos de Segurança.Este texto é um resumo do que escreveu Gordon Corera.
Tendo passado mais de sete anos trabalhando para os Serviços de Inteligência franceses, britânicos e alemães, Nasisi apresenta a visão de quem está por dentro de como essas agências funcionam e seu relato de reuniões, conversas e técnicas de espionagem dos vários serviços é de um raro detalhamento.
Mas o que fica claro de seu relato é que a rede emergente era muito mais organizada e determinada do se supunha. Os campos de treinamento afegãos foram a incubadora da atual ameaça terrorista, e Nasiri oferece o quadro mais detalhado até agora da vida dentro desses campos – um quadro bem mais rico e preocupante do que qualquer outro já visto (1)
Embora nascido no Marrocos, os argelinos desempenham um papel central no relato de Nasisi, já que eles constituíam o núcleo da rede terrorista islâmica na Europa antes do 11 de setembro. A Argélia mergulhou em uma sangrenta guerra civil após o Exército ter cancelado as eleições de janeiro de 1992 para impedir que a Frente Islâmica de Salvação (FIS) conquistasse o poder. A violência eclodiu e um conjunto de grupos insurgentes apareceu. O mais violento era o Grupo Islâmico Armado (GIA). Acredita-se que até 3 mil argelinos tenham combatido os soviéticos no Afeganistão nos anos 1980 e a Argélia foi o primeiro país a sentir o impacto do retorno dos veteranos da guerra afegã.
O GIA era liderado por centenas de homens endurecidos pela guerra que voltaram radicalizados e dispostos a empregar táticas cada vez mais brutais. O GIA atraiu o apoio de redes dentro das comunidades de imigrantes na Europa. A princípio essas redes de apoio lidavam principalmente com propaganda, mas logo passaram a oferecer dinheiro, auxílio logístico, como passaportes falsos e, por fim, armas ao GIA.
Quando regressou à Bélgica em 1994, Nasiri descobriu que a casa de sua mãe havia se tornado um importante centro de operações do GIA. O boletim informativo Al Ansar era feito e distribuído ali. Ele emergiu como a publicação oficial do GIA, embora com o passar do tempo artigos de outras fontes começassem a ser divulgados, inclusive de outras organizações islâmicas, como o Grupo Combatente Islâmico líbio, grupos
marroquinos e grupos egípcios ligados a Aiman al-Zawahiri. O Al Ansar foi o pioneiro da união de redes militantes islâmicas nacionais em um movimento global e seus textos eram um alerta às autoridades do que vinha pela frente.
Não demorou muito para que o sangrento conflito na Argélia começasse a se alastrar para a Europa. A França, o antigo senhor colonial da Argélia, na visão dos jihadistas, havia apoiado o golpe e, desse modo, tornou-se um alvo. A primeira ilustração dramática da ameaça surgiu quando um grupo de terroristas do GIA dominou um jato da Air-France na pista do aeroporto de Argel em 24 de dezembro de 1994.
Em março de 1995 uma série de buscas foi iniciada pelas autoridades belgas e, durante uma busca em um veículo foi encontrado um pacote contendo um manual de treinamento terrorista de 8 mil páginas, cujo frontispício o dedicava a Bin Laden. O manual revelou um verdadeiro tesouro de informações e uma das primeiras indicações da extensão da rede e do papel de Bin Laden em suas operações. Isso foi confirmado poucos meses depois, no verão de 1995, quando uma onda de atentados a bomba atingiu a França, inclusive o metrô de Paris.
Uma corrente de pensamento sustenta que o GIA desde o começo estava tomado por espiões do serviço secreto argelino. E mais, que estes incluíam agentes provocadores que, por volta de 1995, estavam deliberadamente direcionando a campanha de violência para a França, para tentar atrair Paris para o conflito, opondo-se aos islâmicos e apoiando o Estado argelino.
De acordo com um ex-oficial de Inteligência, cerca de cem a duzentos residentes franceses viajaram para o Afeganistão para receber treinamento durante a década de 1990. Alguns filiaram-se ao jihad internacional, outros simplesmente queriam poder voltar para casa e apregoar que sabiam manejar um AK-47
Nasiri mostrou-se capaz de cumprir sua missão e o relato de suas viagens oferece um retrato pessoal extremamente revelador de como se infiltrou em círculos jihadistas e abriu caminho até o núcleo da Al-Qaeda. Viajando através da Turquia e depois Paquistão, ele infiltrou-se em grupos islâmicos radicais.
Em Peshawar, Paquistão, Nasiri conheceu o palestino Abu Zubayda, coordenador e controlador do acesso a vários campos de treinamento afegãos. “Ele era um homem que fazia as coisas acontecerem, no sentido administrativo”, explica Mike Scheuer, chefe da unidade Bin Laden da CIA de 1996 a 1999. Abu Subayda acabou sendo preso em março de 2002.
Cerca de duas dúzias de campos de treinamento foram montados no Afeganistão. Os campos tiveram um papel fundamental na transição do jihad original dos anos 1980, para o jihad de múltiplas nações dos anos 1990, bem como na emergência do final da década de 1990 de um jihad global sob a Al-Qaeda. Eles foram o caldeirão nos quais diferentes grupos começaram a trabalhar juntos, forjando uma identidade comum,
Não existia uma única fonte de recursos ou controle dos campos. O Afeganistão estava mergulhado no caos em meados dos anos 1990. Os soviéticos tinham sido expulsos em 1989. Um governo submisso liderado por Mohammad Najibullah, durou até 2002, quando foi derrubado pelas facções mujahidin, que começaram a lutar entre si pelo poder, sendo que vários chefes tribais ficaram com o controle de bolsões do país.
Embora Bin Laden tenha deixado o Afeganistão após o fim da guerra com os soviéticos e residisse no Sudão no começo dos anos 1990, ele continuou a financiar alojamentos e instalações de treinamento dentro do Afeganistão, inclusive, segundo Nasiri, a alimentação no campo que freqüentou.
Pouco depois, o ISI (1) começou a apoiar o Talibã como uma força proposta para estabilizar o Afeganistão e fortalecer os interesses de segurança do Paquistão.
(1) ISI – Serviço de Inteligência do Paquistão
Em meados dos anos 1990 o número de nacionalidades representadas e a disciplina de treinamento eram notáveis e muito maiores do que anteriormente se suspeitava. Grupos da Argélia, Chechênia, Caxemira, Quirguistão, Filipinas, Tadjiquistão e Uzbesquistão recebiam treinamento militar que colocariam em prática quando retornassem a seus países. Grande número de árabes, especialmente da Arábia Saudita, Egito, Jordânia e Iêmen, também passaram por lá, assim como terroristas da Europa, África do Norte e outras regiões, que desejavam participar do jihad.
O treinamento que Nasiri recebeu em Khaldan era altamente organizado e extensivo. Boa parte do aprendizado baseava-se em manuais de treinamento dos EUA obtidos durante a luta contra os soviéticos. Os participantes também passavam quase o mesmo tempo em treinamento religioso. A preparação espiritual era considerada um aspecto central do jihad, mais importante que o treinamento físico.
Entre os que passaram por Khaldan havia terroristas envolvidos nos dois ataques, de 1993 e 2001, ao World Trade Center (inclusive Mohammad Atta, líder dos ataques do 11 de setembro); pessoas envolvidas nos atentados a bomba de 1998 contra embaixadas dos EUA, Ahmed Ressam, o fracassado bombardeador do milênio, os dois britânicos dos “sapatos-bombas”, Richard Reid e Sajid Badat; e Zacarias Moussaoui, sentenciado em 2006 à prisão perpétua pelo envolvimento no complô do 11 de setembro. Mas o líder de Khaldan em meados dos anos 1990 era um homem chamado Ibn al-Sheikh al-Libi, com quem Nasiri passou um tempo considerável. al-Libi havia combatido no Afeganistão da década de 1980.
Preso em novembro de 2001, al-Libi foi o primeiro membro do alto escalão da Al-Qaeda a ser capturado pelos EUA após os ataques. Depois de uma disputa entre o FBI e a CIA ele foi entregue ao Egito, onde pode ter sido submetido a maus tratos sendo que informações extraídas de seu interrogatório foram utilizadas por autoridades dos EUA para declarar a existência de vínculos entre o Iraque e a Al-Qaeda, com base na alegação de al-Libi de que o Iraque oferecera treinamento à Al-Qaeda a partir de dezembro de 2000. Isso foi citado pelo vice-presidente Cheney , pelo secretário de Estado Collin Powell, em seu decisivo discurso na ONU em fevereiro de 2003, e pelo presidente George Bush, em Cincinnati, em outubro de 2002, quando declarou que “ficamos sabendo que o Iraque treinou membros da Al-Qaeda na produção de bombas, venenos e gazes”.
O problema era que al-Libi mentiu. Em janeiro de 2004, al-Libi desmentiu suas declarações sobre o Iraque, forçando a CIA a cancelar inúmeros relatórios de Inteligência baseados em suas declarações.
Especulou-se que ele estaria deliberadamente fornecendo informações falsas para fazer os EUA atacarem o Iraque, pois expressava seu desagrado pelo regime secular de Saddam Hussein no Iraque e era um homem altamente treinado para resistir a interrogatórios. Na primavera de 2006, segundo alguns relatos, al-Libi foi entregue às autoridades líbias.
Em Khaldan, a formação de Nasiri parece tê-lo diferenciado dos demais recrutas, tanto assim que ele foi um dos poucos selecionados para seguir ao campo de Durunta, mais avançado. Durunta fornecia um treinamento mais individualizado em explosivos e terrorismo. Em Khaldan os recrutas aprendiam a detonar explosivos; em Durunta eles aprendiam a fazer explosivos e detonadores a partir do zero. Em Durunta o treinamento não era para o combate militar, mas para serem indivíduos solitários que agiriam como os clássicos agentes terroristas que ficam na espera até chegar a hora da ação – um agente dormente – necessitando assim de um conjunto diferente de habilidades.
Entre os que se formaram em Durunta antes da sua destruição por ataques aéreos dos EUA no fim de outubro de 2001, está Ahmed Ressam, mas tarde condenado por envolvimento no complô de atentado a bomba contra o Aeroporto Internacional de Los Angeles.
Havia agentes de Inteligência nos campos perto da fronteira paquistanesa, mas outros campos, como os de Durunta, eram muito mais difíceis de serem infiltrados. Algumas estimativas afirmam que, entre 1996 e os ataques de 11 de setembro , de 10 mil a 20 mil terroristas passaram pelos campos para serem treinados. Outros acreditam que esse número pode chegar a 100 mil. Ninguém apurou para onde foram esses terroristas, ou quem eles, por sua vez, foram treinar.
No momento em que Nasiri saiu do Afeganistão, na primavera de 1996, Bin-Laden retornou e chegou num momento crucial, em que o Talibã estava conquistando o poder.. Em setembro o Talibã já havia tomado Jalalabad e forneceria a Bin-Laden e à Al-Qaeda um porto seguro no qual começariam a planejar operações mais drásticas.
(1) Vide Por Dentro do Jihad 1 e 2
PARTE 4 - FINAL
Após a volta do Afeganistão e um longo período sem contato, Nasiri encontrou-se com o DGSE e recebeu uma nova missão. Com a repressão na França e Bélgica, foi para o ambiente mais tolerante de Londres que muitos dos jihadistas começaram a se mudar. “Londres era o foco”, explica Alain Grignard um oficial antiterrorista belga, pois o local servia de trampolim para a passagem da era de extremistas islâmicos nacionais para a rede global fundada no caldeirão afegão.
A segunda metade da década de 1990 foi o período em que a capital britânica ganhou o apelido de “Londrestão”, um título dado por autoridades francesas enfurecidas com a crescente presença de radicais islâmicos em Londres e com a omissão das autoridades britânicas frente ao problema. Historicamente, Londres sempre foi um lar para os dissidentes e desde os anos 1980 cada vez mais se tornou refúgio para extremistas islâmicos que ganhavam asilo de autoridades pouco conscientes de suas atividades.
Pouco depois de chegar a Londres, Nasiri mais uma vez travou contato com o Al Ansar, agora impresso na capital britânica. Entre os que estavam envolvidos com Al Ansar em Londres estava Rachid Ramda, que fora visto na França e na Bélgica freqüentando círculos do GIA. Quando o juiz contra-terrorista francês Jean Louis Brugière pediu à Grã-Bretanha que prendesse Ramda, que era procurado por conexões com o financiamento dos atentados a bomba no metrô de Paris, a reação britânica foi dizer que não poderia prendê-lo, pois ele nada fizera de errado no Reino Unido. Ramda finalmente foi detido, mas lutou contra a extradição por dez anos, para a crescente irritação dos franceses. Somente em dezembro de 2005 foi que as autoridades da Grã-Bretanha o transferiram para a custódia francesa, sendo que ele viria a ser condenado, em Paris, em março de 2006 pelos atentados a bomba de meados dos anos 1990.
Em Londres, Nasiri foi comandado pelos serviços de Inteligência franceses e britânicos, recebendo a missão de se infiltrar na comunidade de radicais.
Abu Hamza e seus seguidores haviam transformado a mesquita de Finsbury Park no principal santuário e centro de conexões, não apenas da Grã-Bretanha, mas de toda a Europa, para aqueles comprometidos com o jihad internacional. Cerca de 200 pessoas dormiam no subsolo da mesquita. Uma estimativa calcula que 50 freqüentadores da mesquita morreram em operações terroristas e ataques insurgentes em conflitos no exterior.
A mesquita funcionava como um centro de recrutamento para grupos aliados à Al-Qaeda. Terroristas eram mandados ao Afeganistão com passagens aéreas, dinheiro e cartas de apresentação de Abu Hamza para entrar em Khaldan.
A tolerância dos britânicos, bem como sua tradição de liberdade de expressão, multiculturalismo e concessão de asilos, foram exploradas e as autoridades não desejando interferir na liberdade de expressão, não conseguiram compreender o tipo de retórica inflamada que emanava da mesquita de Finsbury Park e tampouco suas atividades.
Muitos países, além da França reclamaram dessa mesquita, mas nada foi feito. Somente em janeiro de 2003 é que as autoridades britânicas decidiram agir, fechando-a temporariamente, mas Abu Hamza continuou livre, pregando na rua em frente à mesquita. Somente quando os EUA emitiram um pedido de extradição é que as autoridades britânicas agiram, em parte pelo constrangimento causado pela pressão americana. Em outubro de 2004, Abu Hamza foi acusado e por fim condenado por ser o mentor de assassinatos e outros crimes.
Outra figura-chave espionada por Nasiri foi Abu-Watada, um palestino-jordaniano que havia entrado no Reino Unido em 1993 com um passaporte falso . A Jordânia exigiu a sua extradição, mas a Grã-Bretanha não a concedeu.
Para os militantes islâmicos a necessidade de autoridade religiosa é de grande importância. Os nomes daqueles que se acredita terem recebido treinamento religioso de Abu Qatada forma um “quem é quem” de militantes islâmicos baseados na Europa. Fitas com sermões de Abu Qatada foram encontradas no apartamento de Hamburgo usado por Muhammad Atta, um dos atacantes do 11 de setembro.
A base de operações de Abu Qatada ficava no Four Feathers Club, em Londres. Nasiri diz que autoridades britânicas mandaram-lhe deixar Abu Qatada em paz e centrar suas atividades em Hamza. Acredita-se que Qatada também tivesse contatos com o MI5, mas não está claro quem manipulava quem.
Finalmente, em fevereiro de 2001 Abu Qatada foi interrogado pela Polícia, que encontrou 170 mil libras, em dinheiro, em sua casa, parte dessa quantia dentro de um envelope onde se lia “para os mujhadin da Chechênia”.
Autoridades britânicas citam a estrutura legislativa como um problema. Em meados dos anos 1990, conspirar dentro da Grã-Bretanha para cometer atos terroristas no exterior não era crime. Assim grupos como o Hamas e os Tamil Tigers, bem como o GIA, começaram a usar o Reino Unido como pólo central. A Polícia investigava um problema apenas se existissem evidências de que leis tivessem sido desobedecidas. A Polícia e os Serviços Secretos não priorizavam a coleta de informações sobre esses grupos. Os especialistas em contraterrorismo britânicos continuavam focados no terrorismo republicano irlandês, em vez do terrorismo islâmico.
Em fevereiro de 1996, uma bomba de meia tonelada explodiu na região portuária de Londres sinalizando uma nova fase de atividades após o cessar fogo irlandês. O MI5 e a Polícia estavam envolvidos em uma disputa burocrática sobre quem comandaria a política contraterrorista na Irlanda do Norte – por fim, vencida pelo MI5 – que também canalizava recursos e energia nessa direção.
Foi somente no início de 1998 que as autoridades britânicas começaram a ouvir mais sobre a Al-Qaeda. Na época ninguém se preocupava com Abu Qatada, Abu Hamza ou as redes do Norte da África. A preocupação girava em torno de grupos de árabes que haviam chegado por volta de 1998, predominantemente do Egito, bem como de outros árabes associados a Bin-Laden, como Khalid al-Fawwaz, que se acreditava vinha administrando o escritório de mídia de Bin Laden em Londres, organizando entrevistas para jornalistas ocidentais e publicando declarações em seu nome.
Khalid al-Fawwaz foi posto sob custódia britânica à espera de extradição para os EUA.
Embora as autoridades britânicas tenham começado a considerar a ameaça da Al Qaeda a partir do início de 1998, ela era percebida como distinta de figuras como Abu Qatada, Abu Hamza e os argelinos operando no Reino Unido.
O terrorismo internacional e particularmente o terrorismo ligado aos islâmicos, não era visto como algo que ameaçasse diretamente o país. A França poderia ser um alvo primário, devido ao seu envolvimento na Argélia, mas não o Reino Unido.
A Grã Bretanha está sentindo agora o impacto do longo prazo de sua tolerância para com os elementos radicais nos anos 1990-. A radicalização que se espalhou em algumas comunidades britânicas não se estabeleceu da noite para o dia.
Em 1998, um novo conjunto de ações da Polícia na Bélgica resultou em mais provas de natureza internacional das redes jihadistas e da ameaça que representavam. Os detidos vinham da Argélia, Marrocos, Síria e Tunísia e tinham conexões com inúmeros grupos islâmicos diferentes, bem como com Abu Zubayda, Afeganistão, Bósnia e Paquistão. Foram descobertos detonadores e materiais para a fabricação de explosivos e havia suspeitas de que a Copa do Mundo, que se realizaria na França no meio daquele ano, seria um alvo.
A Europa sempre foi uma base central de operações da Al Qaeda, um lugar no qual diferentes grupos islâmicos radicais forjaram suas alianças. Os sinais de alerta estavam ali, mas somente uns poucos os compreenderam.
Cinco anos após os ataques de 11 de setembro, é a Europa – e o Reino Unido em particular – não os EUA, que se defronta com o maior desafio do terrorismo.
Foi uma conquista de Bin Laden a globalização da noção de jihad. Reunir grupos que antes se concentravam unicamente em seus próprios conflitos locais – na Argélia, Ásia Central, Chechênia e outras regiões - e convencê-los a fazer parte de uma luta maior. Uma luta contra o “inimigo distante” - os EUA -, que apoiava os governos aos quais se opunham. Uma luta que devia ser travada sob a bandeira da Al Qaeda.
Em fevereiro de 1998 Bin Laden divulgou uma nota declarando a formação da Frente Islâmica Mundial para a Jihad contra Judeus e Cruzados. Ele anunciou uma fatwa de que “matar os americanos e seus aliados – civis e militares – é um dever pessoal de cada muçulmano que puder fazê-lo em qualquer país em que for possível fazê-lo” . Pouco depois, em agosto de 1998 veio a primeira operação de grande escala da Al Qaeda contra os EUA, atacando suas embaixadas na Tanzânia e no Quênia.
A história de Omar Nasiri termina quando ele se muda para a Alemanha. Lá, em relação aos serviços secretos alemães, entra em colapso. Na sua visão, eles o abandonaram sem jamais fornecerem proteção e a nova identidade que os franceses haviam prometido inicialmente. Quase quatro anos depois, enquanto assistia aos atentados a bomba em Londres em 7 de julho de 2005, ele decidiu que queria contar a sua história. Isso o fez procurar a BBC e a escrever o relato dos sete anos em que viveu como espião no emergente movimento jihadista.
REAÇÕES AO DECRETO 8.243 — A SOCIEDADE AINDA RESPIRA. ATÉ QUANDO? - 13/08/2014
A principal característica de um governo esquerdista é que ele jamais se contenta em governar de acordo com a ordem legal, instituída. Ele sempre acredita que detém a chave, a poção, a receita miraculosa para transformar o país no que, ele imagina, será o melhor dos mundos. O problema é que o melhor dos mundos, quando se trata da esquerda, está sempre próximo do que imaginamos ser o Inferno, quando não é o próprio Inferno.
A prova do que afirmo encontra-se não apenas na história das revoluções — vejam o Purgatório congelado no tempo em que Cuba se transformou, sobrevivendo graças à submissão de um povo sem esperança e sem armas e à propaganda esquerdista mundial, ou os milhões de crimes perpetrados pelo comunismo soviético —, mas também no presente, no cotidiano da sociedade brasileira, sequestrada, em grande parte, pelo pior tipo de populismo que já conhecemos, superior, em método e recursos, aos refinamentos do getulismo.
Esta semana, mais uma vez, o governo ensaiou uma tentativa de golpe. O alarme foi dado pelo editorial do Estadão, “Mudança de regime por decreto”, e rapidamente se espalhou pelas redes sociais e blogs, transformando-se em um fenômeno viral.
De fato, enquanto os políticos de oposição dormem, refestelados em seus altos salários e mordomias, parcela da sociedade vigia, atenta, os ensaios para se criar uma ditadura. As reações foram múltiplas: Reinaldo Azevedo pontificou: “A ‘democracia direta’ de Dilma é ditadura indireta do PT”. Alexandre Borges deu uma breve mas incisiva aula de história em “Todo poder aos sovietes petistas”. Felipe Moura Brasil denunciou a lentidão dos tucanos, sempre envergonhados ou sempre pactuando silenciosamente com o governo, no post“Ronaldo Caiado sai na frente de Aécio: ‘É golpe do PT!’”. No artigo “Um tumor inserido por decreto”, Fábio Blanco sangrou ainda mais a manobra traiçoeira. E Milton Simon Pires não deixou por menos: mostrou, em“Brasil 8243”, como o PT pretende destruir as instituições do país.
O mais didático e irônico, contudo, foi Erick Vizolli, no sempre ótimo Liberzone. No artigo “Afinal, o que é esse tal Decreto 8.243?”, Vizolli mostra que o sistema representativo, apesar de todos os seus defeitos, ainda é a única forma de nos protegermos de um Estado controlado por grupos que não têm compromisso com a democracia ou a liberdade, mas apenas com suas próprias ideologias.
Todos esses articulistas me recordaram as reflexões de Roger Scruton em The Uses of Pessimism and the Danger of False Hope (As vantagens do pessimismo, Editora Quetzal, Lisboa). No Capítulo 6, “A Falácia do Planeamento”, Scruton faz uma brilhante analogia entre a estrutura da União Europeia e a forma como Lenin aboliu, na Revolução Russa, “todas as instituições através das quais o partido e seus membros pudessem ser responsabilizados pelo que fizeram”, permitindo que um erro se sucedesse a outro, sempre maior, sempre mais criminoso.
Scruton reflete como se tivesse acabado de ler o decreto de Dilma Roussef: “Quando os poderes de Governo estiverem adequadamente repartidos e quando os que detêm a soberania puderem ser expulsos por uma votação, os erros podem encontrar o seu remédio. Porém suponhamos que as instituições de Governo estão montadas de tal maneira que toda a concentração de poder é irreversível, de modo que os poderes adquiridos pelo centro nunca podem ser recuperados. E suponhamos que aqueles que mandam no centro são nomeados, não podem ser afastados a pedido do povo, encontram-se em segredo e guardam poucas ou nenhumas atas das suas decisões. Acha que, nessas circunstâncias, existem condições em que possam ser retificados erros ou mesmo convincentemente confessados?”.
Todos os infinitos casos de corrupção; todas as manifestações de ódio coletivo que têm tomado as ruas; o longo e incansável trabalho de controle ideológico feito pelo Ministério da Educação, censurando, de forma velada, o conteúdo de milhões de livros didáticos distribuídos país afora; todas as tentativas de manter sob vigilância a mídia e a Internet; o evidente controle do Executivo sobre parcela do Congresso e do Supremo Tribunal Federal — tudo contribui para transformar o Decreto 8.243 na cereja do bolo.
Se ainda podemos ter alguma esperança, ela reside no fato de que eles sempre acabam destruindo uns aos outros. “Doze vozes gritavam cheias de ódio e eram todas iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco” — conta George Orwell no final de A Revolução dos Bichos.
A GRANDE AMEAÇA NA AMÉRICA LATINA: RETROCESSOS NA DEMOCRACIA E NA ECONOMIA DE MERCADO - 10/08/2014
* O autor é mestre em Ciências Sociais e diplomata de carreira.
Caminhos divergentes: a América Latina troca de lugar com a Ásia
Menos de meio século atrás, um dos mais famososestudiosos dos processos de desenvolvimento econômico, Gunnar Myrdal, antevia, em uma obra em três volumes, Asian Drama(1968), um futuro negro para a maior parte dos países asiáticos, contrapondo a essa visão pessimista suas perspectivas relativamente otimistas para a América Latina. Dois anos depois, ele resumia suas reflexõesnuma obra síntese, The Challenge of World Poverty: A World Anti-Poverty Program in Outline(1970), na qual confirmava, já na introdução, seu pessimismo em relação aos países asiáticos, que para eleestariamcondenados a uma miséria insuperável.
Os países capazes de alcançar as economias avançadas seriam, para Myrdal, os latino-americanos, que constituíam uma espécie de “classe média” no contexto mundial e estavam seguindo políticas industrializantes segundo recomendações da Cepal, e de seu diretor, Raul Prebisch. Os países asiáticos em geral, e os da Ásia do sul em particular, ficariam reduzidos à pobreza, salvo, dizia Myrdal, se eles seguissem o exemplo da Índia, que praticava um socialismo moderado, uma combinação de planejamento indicativo, com uma forte propensão ao controle dos setores estratégicos da economia, tudo isso combinado a políticas intervencionistas e protecionistas, entre elas a manipulação da taxa de câmbio e a alocação política dos recursos pelo Estado.
A história real tomou um caminho praticamente inverso ao que ele esperava. A situação dos asiáticos melhorou progressivamente – mais para os países da Ásia do Pacífico do que para os do Oceano Índico, com progressos muito rápidos para certo número dos primeiros, justamente conhecidos como “tigres” – enquanto os países latino-americanos não alteraram basicamente sua condição e status no contexto mundial. Eles continuam a ser uma espécie de “classe média” e sequer parecem destinados a se tornar aprendizes de tigres nos anos à frente. Pior: eles viram a sua parte do comércio mundial recuar fortemente, ao passo que os países asiáticos se apropriaram de nichos e mesmo de setores inteiros dos intercâmbios internacionais –sobretudo produtos de alto valor agregado – ao mesmo tempo em que os latino-americanos ficaram presos, na maior parte dos casos, às exportações de um número limitado de produtos minerais e de matérias primas agrícolas.
Quanto à Índia, ela preservou – durante mais de três décadas após ser apontada como exemplo de futuro promissor por Myrdal – o seu lento crescimento e o seu atraso no terreno social, justamente por ter seguido as políticas preconizadas por Gunnar Myrdal. Ela só decolou para taxas mais vigorosas de crescimento quando abandonou aquelas ideias, passando a adotar não as políticas latino-americanas, como recomendadas por Prebisch, mas as receitas asiáticas de inserção na economia mundial, baseadas no setor privado e nos investimentos estrangeiros, em substituição à proteção nacional e o controle do Estado.
O Brasil e o México se tornaram industrializados com base no modelo cepalino e myrdaliano, mas seria difícil dizer que eles tenham conhecido, até os anos 1990, um sucesso de tipo asiático no seu desenvolvimento social, na educação de base ou na sua integração produtiva às cadeias mundiais de alto valor agregado, ou seja na exportação de produtos manufaturados de maior elasticidade-renda. Mesmo em termos de crescimento econômico, o desempenho foi mais errático do que constante, como ressaltado por Robert Barro e Xavier Sala-i-Martin em seu manual sobre o crescimento econômico (1995).
A América Latina poderia ter conhecido taxas mais robustas de desenvolvimento econômico e social se ela tivesse estabelecido um conjunto de políticas e de instituições voltadas para o crescimento, em lugar de se perder na instabilidade econômica e social durante boa partedo período contemporâneo. Tal situação alimentou golpes de Estado, revoluções, até mesmo guerras civis, além da fuga de capitais, crises de cambiais e de endividamento. Ocontinente poderia ter atingido uma melhor situação do ponto de vista econômico e social, se tivesse escapado do emissionismo inflacionista e preservado o equilíbrio fiscal e a abertura externa.
Os líderes políticosda América Latina se referem sempre à busca da igualdade e da justiça social, objetivos que também estavam no centro das reflexões de Gunnar Myrdal em torno dos projetos de desenvolvimento que se necessitaria implementar nos países subdesenvolvidos daquela época para aproximá-los dos países já desenvolvidos do Ocidente capitalista. A maior parte dos países asiáticos – salvo, talvez, a Coreia do Sul, e Taiwan, em virtude de uma reforma agrária de alguma forma forçada pelos Estados Unidos – se desenvolveram mantendo, ou mesmo aumentando – é o caso da China na sua conjuntura atual –altas taxas de desigualdade na distribuição de renda. Gunnar Myrdal colocava os países avançados em face de uma espécie de “imperativo moral”, que era o da assistência ao desenvolvimento, preconizando um forte aumento da cooperação técnica e de doações concessionais dirigidas aos países mais pobres, por meio do CAD-OCDE e dos programas do ONU e de suas agências, ou diretamente, pela via bilateral.
Contudo, não seria falso afirmar que os países que se desenvolveram de fato não o fizeram porque foram beneficiários da ajuda multilateral, mas em virtudede suaintegração à economia mundial pela via dos mercados, como recomendava, aliás, desde 1957, o economista Peter Bauer. Inversamente, seria importante registrar que os países que mais receberam ajuda continuaram patinando na miséria, ou na pobreza, e assistiram ao aumento da corrupção, como observado pelo economista William Easterly, ex-funcionário do Banco Mundial, atualmente um crítico acerbo da assistência oficial ao desenvolvimento (2006).
A América Latinaenfrentou vários dissabores e frustrações, comparativamente a outras regiões, particularmente em relação à Ásia, no tocante a vários temas, tanto os econômicos quanto os políticos ou sociais: integração regional, desenvolvimento social, instituições políticas, crescimento econômico, participação no comércio mundial, competitividade, liberdade econômica, democracia, direitos humanos.
A realidade não é sempre negativa, e não se pode negar os progressos reais logrados em alguns desses terrenos, a começar por uma diminuição – mas verdadeiramente muito modesta – da miséria, da pobreza e das desigualdades, ainda que de forma bastante variável segundo os países da região. Mas é preciso também reconhecer que esse desempenho aconteceu ao cabo de várias décadas de inflação acelerada, processo que constitui o pior dos impostos sobre a população mais pobre, uma vez que esta não tem meios para se defender do fenômeno. A diminuição do ritmoda inflação, nos últimos anos, respondeu sobretudo uma exigência da sociedade, bem mais do que representou uma conquista dos governos.
Divergência de políticas econômicas na região
Caberia, no entanto, fazer uma distinção entre três tipos de países, que praticam políticas econômicas variadas, segundo sua orientação geral com respeito ao que normalmente se chama de ortodoxia doutrinal: existem nítidas diferenças entre as orientações de políticas econômicas tomadas por eles. Quais são eles?
Primeiramente, o Chile e o México, que levaram mais longe o processo de reformas com orientação de mercado, logrando sucesso relativo na empreitada; em seguida, o Brasil e a Argentina, que ficaram no meio do caminho das reformas, e que avançam ou recuam em função dos grupos políticos que ocupam o poder alternativamente; finalmente, os países ditos bolivarianos, comandados pela Venezuela, fortemente engajados em políticas antimercado, ou de retorno à antiga preeminência do Estado na condução dos principais assuntos econômicos; aqui poderiam ser incluídos o Equador e a Bolívia, embora eles não tenham avançado tanto quanto a Venezuela chavista no caminho da estatização dos principais setores de atividade.
Outros países, como a Colômbia, o Peru, ou o Uruguai e o Paraguai, podem se aproximar do primeiro ou do segundo grupo, segundo as circunstâncias e em função de uma conjuntura que pode ser determinada pelos seus problemas específicos, pela dinâmica interna de suas economias, pelas relações com vizinhos, ou ainda pelas condições dos mercados internacionais. Os itinerários nacionais variam de maneira surpreendentemente rápida, ou por desenvolvimentos mais influenciados pelos cenários políticos do que pelas flutuações econômicas, embora estas últimas sempre influenciem os primeiros. Existem ainda casos especiais, e a Argentina certamente constitui um deles, podendo inclusive se aproximar do terceiro grupo. Da mesma forma, países aparentemente ameaçados de derrapagens constantes, pelos inúmeros problemas sociais persistentes – inclusive com ameaças de guerras civis – podem surpreender de modo positivo, como a Colômbia e o Peru, que se aproximaram do primeiro grupo.
Alguns critérios, ou parâmetros de comparação, permitem esse agrupamento em função das orientações básicas adotadas pelos três grupos de países. Os globalizados tomam a ordem global como um dado da realidade, e adaptam as suas políticas aos desafios percebidos, sempre no sentido de sua inserção naquele oceano revolto. Os reticentes, ou dubitativos, hesitam, como parece claro, a se lançar ao mar, preferindo construir anteparos às marés montantes da globalização. Os bolivarianos, finalmente, seguem mais ou menos a cartilha dos antiglobalizadores e partem de uma recusa da ordem global para propor caminhos alternativos, que nunca ficam claros quanto aos objetivos finais.
Pode-se considerar quatro tipos de critérios para examinara evolução recente desses três grupos de países. Alguns deles exibem indicadores objetivos, como as políticas econômicas, que podem ser avaliadas pelas taxas de crescimento, de inflação, de estabilidade monetária, de equilíbrio das contas públicas e das transações externas, entre outros. Outros critérios são de natureza mais qualitativa, como por exemplo, a atitude em relação à integração regional ou à inserção internacional, o que também pode ser avaliado pelo número de acordos comerciais e o seu impacto nos intercâmbios externos do país. Vários outros, finalmente, pertencem a um universo mais subjetivo, ou sujeito a contestações políticas, como podem ser a adesão do país – na verdade dos dirigentes políticos – aos valores mais profundos da democracia, das liberdades individuais ou o respeito aos direitos humanos.
Os globalizados
O México foi o primeiro país a ter empreendido um novo caminho, imediatamente após a crise da dívida de 1982. Mesmo o Chile de Pinochet, com suas orientações mais favoráveis ao capital estrangeiro e à iniciativa privada, perdeu bastante tempo na rota da estabilização e das reformas estruturais. Entretanto, uma vez lançadas as reformas de seu modelo econômico, o Chile foi mais longe e de maneira mais consistente no caminho adotado, talvez porque o peso das tradições sociais e um sistema político muito rígido, no caso do México, atuaram para retardar o ritmo e a extensão das mudanças requeridas pela sua nova opção estratégica, que era simplesmente a de deixar de lutar contra a sua geografia para se acomodar nos benefícios de estar acoplado a um império econômico aberto.
Os mexicanos pensaram no Nafta bem mais como um tratado de “exportação” de seus excedentes demográficos do que como uma extensão do sistema já estabelecido das maquiladoras, essas fábricas instaladas na fronteira, de assemblagem de acessórios fornecidos por empresas americanas que depois voltam para o mercado americano. O México continua a servir como uma extensão da máquina produtiva dos Estados Unidos, tanto quanto de oficinas de montagem para grandes indústrias estrangeiras que querem penetrar no mercado americanos sem os mesmos custos de mão-de-obra do mercado final.
O Chile, em contrapartida, deu início a um processo de reformas orientadas para a produtividade e a competitividade do seu sistema econômico alguns anos depois do brutal golpe de 1973, causador de milhares de vítimas entre seus inimigos presumidos, aliás, após que uma crise bancária e a persistência da inflação começassem a colocar em dúvida as capacidades gestoras dos militares, aparentemente apenas habilitados a manter o regime repressivo. Com a substituição dos responsáveis econômicos, o país também resolveu compatibilizar suas ofertas de mercado às possibilidades de sua geografia, dos seus recursos naturais, embora modernizando seus sistemas produtivos para aproveitar ao máximo suas vantagens comparativas, em linha com suas especializações de maior retorno (totalmente de acordo com a teoria ricardiana do comércio internacional). O Chile passou a se abrir ao mundo sobre a base de acordos de livre-comércio e talvez seja hoje o país de maior extensão nessa rede de instrumentos de liberalização comercial, se não pelo seu número total, ao menos por sua incidência econômica: o país andino provavelmente consolidou uma abertura parcial ou total com cerca de 80% do PIB mundial, conjunto que compreende toldo o hemisfério, a União Europeia e todos os demais grandes parceiros do sistema multilateral de comércio (e de investimentos, o que cabe também lembrar).
O crescimento registrado nos anos 1990 lhe valeu o título de “tigre asiático” da América Latina, e mesmo as crises financeiras desses anos, ou da primeira década do novo milênio, não afetaram a sua estabilidade econômica, nem, de resto, o seu modelo de política econômica, que poderia ser chamado de neoliberal (e mantido mesmo sob a presidência de socialistas). Exceção feita dos defeitos ainda importantes no sistema de educação pública, e de uma grande desigualdade na repartição da renda nacional, o Chile talvez esteja mais à vontade no seio da OCDE do que o México ou outros países exibindo um perfil ainda mais dirigista ou intervencionista. Neste sentido, o Chile é, no conjunto latino-americano, o país que decisivamente deu um grande passo à frente.
Os reticentes
A situação dos “intermediários” é bem diferente. Trata-se de países que deram início a reformas muito sérias no decorrer dos anos 1990, como o Brasil e a Argentina, mas que acabaram ficando na metade do caminho, ou que podem mesmo ter recuado a fases que já pareciam ter sido enterradas em sua história econômica. A história econômica da Argentina é extraordinária a todos os títulos, pelo sentido inverso que o país sempre deu aos resultados habitualmente esperados em termos de progressos no caminho da prosperidade e da acumulação de riquezas (BEATTIE, 2010). Um século atrás, a Argentina era mais rica do que a França, pelo menos em renda per capita: ela conseguia alcançar 73% do PIB per capita dos americanos, enquanto a França superava com dificuldades 60% (o Brasil era cinco ou seis vezes menos rico do que a Argentina, realizando, se tanto, 11% da renda da média americana). Atualmente, os Argentinos alcançam o máximo de 1/3 da renda per capita dos americanos, e são também apenas um terço mais ricos que os brasileiros. O valor agregado pela economia brasileira superou, desde muito tempo, a soma da riqueza nacional argentina, sem mencionar o produto industrial e, certamente também, diversos setores da agricultura, outrora o grande diferencial a favor do país platino (MADDISON, 2001).
Depois do golpe de Estado de 1930 – que inaugurou a longa ruptura do país com o Estado de direito – a Argentina percorreu praticamente todas as etapas de um longo processo, ainda não terminado, de declínio econômico, mas que constitui também um exemplo único no mundo de erosão contínua de suas instituições políticas. Pode-se dizer, em seu favor, que os argentinos não inverteram totalmente o manual básico de economia elementar – como o fizeram, por exemplo, os chavistas venezuelanos, com e sem Chávez –, mais eles maltrataram de tal forma as regras fundamentais da vida econômica que terminaram por se descobrir sozinhos em face do mundo.
Quanto ao Brasil, depois de um único ciclo de reformas efetuadas durante o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, em meados dos anos 1990 – quando foram substancialmente modificados diversos artigos da Constituição tratado de dispositivos-chaves para a vida econômico do país, entre os quais a discriminação contra o capital estrangeiro – o processo de ajustes e mudanças pós-Plano Real, para consolidar a estabilização e retomar o crescimento, ficou sob severa pressão das crises financeiras regionais e internacionais, ameaçando inclusive a sobrevivência do real, para o qual se teve de adotar um regime de flutuação, em vista dos fortes ataques contra uma banda cambial que não resistiu à erosão das reservas internacionais do país. Os apagões de energia elétrica e a crise terminal do peso argentino fizeram o resto, mas, com o apoio de três acordos de sustentação com o FMI, o Brasil pode superar a pior fase das turbulências. A próxima foi constituída precisamente pela eleição de Lula, que havia prometido mudar toda a política econômica, sendo que o programa do PT previa calotes na dívida externa e na interna.
As privatizações efetuadas sob FHC não foram revertidas por Lula, mas este não deixou de explorar politicamente as mudanças liberais que tinha sido implementadas no governo anterior; Lula simplesmente paralisou o processo de reformas, e passou a viver sob a bonança da demanda chinesa, que permitiu sete longos anos de preços recordes nas matérias primas exportadas pelo Brasil para aquele grande mercado. O que Lula efetivamente operou, sem qualquer constrangimento, foi um retorno ao Estado e aos ensaios de planejamento centralizado dos tempos militares, sem dispor de tecnocratas competentes como os da conjuntura autoritária anterior.
De forma geral, ocorreu um nítido viés dirigista, de protecionismo às empresas nacionais (sobretudo estatais) e de aprofundamento da carga fiscal, penalizando tanto as empresas privadas quanto os brasileiros de classe média, chamados a pagar os benefícios sociais que Lula passou a distribuir nas camadas mais pobres da sociedade. Não é surpreendente, assim, que ao cabo desse processo de extração estatal sempre crescente, as indústrias brasileiras se tenham tornado pouco competitiva – não apenas externamente, mas inclusive no próprio mercado interno –, e não especialmente por causa da concorrência predatória dos chineses (que também existe, mas o Brasil ainda tem tarifas aduaneiras bastante elevadas), mas em virtude essencialmente de problemas made in Brazil. A taxa de poupança nacional continuou medíocre e como o Estado passou a gastar mais consigo mesmo, a taxa de investimento manteve-se em patamares insuficientes para sustentar um crescimento autônomo superior a 2% (o resto sendo efeito da demanda chinesa e dos efeitos sobre os preços das commodities).
Os bolivarianos
O bolivarianismo remete mais a um rótulo –construído e desviado do conceito original pelo ex-caudilho da Venezuela, Hugo Chávez, para servir aos seus objetivos políticos – do que propriamente a um conjunto coerente de políticas econômicas. A base doutrinal seria dadapor um mal definido “socialismo do século XXI”, bem mais próximo do fascismo econômico – e sobretudo político – do que de qualquer experiência análoga ao marxismo econômico. Não existem grandes objetivos comuns aos bolivarianos – entre os quais poderiam ser ainda incluídos a Bolívia de Evo Morales, o Equador de Rafael Correa, e a Nicarágua de Daniel Ortega –, a não ser a mesma vontade de se opor ao fantasma do imperialismo americano, que parece ser o único obstáculo a que esses países se tornem desenvolvidos. Em nome desses vagos objetivos, eles se empenham em construir um simulacro de “poder popular” que se confunde, em tudo e por tudo, com os velhos regimes autoritários dominados pela figura de um caudilho que assume ares salvacionistas.
Os mal definidos bolivarianos estão entre os que mais recuaram do ponto de vista dos critérios considerados para avaliar o desempenho relativo da região e dos países, no que se refere a economia, política, a democracia, os direitos humanos, a integração regional e a inserção na economia mundial, a liberdade de expressão e de imprensa, a independência dos demais poderes ante o Executivo e, talvez o fator mais relevante, a mobilização do sub-proletariado para servir de escudo – algumas vezes armado – ou de tropa de manobra a serviço do poder bonapartista.
No meio do caminho entre os globalizados e os reticentes podem ser vistos alguns países que na verdade se comportaram bastante bem economicamente nos últimos anos, como o Peru e a Colômbia, mas que ainda enfrentam graves problemas de ordem política e social, que pode afetar de alguma forma sua estabilidade institucional e as perspectivas para o futuro. Mas são estes dois países que concluíram uma aliança econômica com os dois globalizadores, para constituir uma área de integração mais profunda do que a existente na região, chamada de “Aliança do Pacífico”, que deve permitir-lhes prosseguir seus processos de liberalização comercial e de abertura econômica recíproca, de maneira a apresentar uma espécie de frente comum no grande diálogo econômico e comercial que se trava atualmente no âmbito do Pacífico, em especial com os asiáticos no contexto da Apec, base possível de uma futura ampla zona de livre comércio naquela região.
Os países do Mercosul, assim como os do Alba, estão completamente à margem desses arranjos pragmáticos que se estabelecem em torno de novas oportunidades comerciais, mas sobretudo de investimentos diretos das grandes empresas multinacionais que se situam na vanguarda do progresso tecnológico. Peru e Colômbia se engajaram resolutamente nessa direção, com o Chile e o México, e não importa muito aqui se a liberalização comercial que eles fizeram entre eles – quase total, mas cobrindo uma parte pequena do comércio total de cada um deles – não produzirá grandes efeitos nas correntes de comércio adicionais que forem criadas pela Aliança do Pacífico: o importante, na verdade, não é tanto a integração entre eles – que será sempre relativamente limitada – mas a decisão de se abrir aos novos circuitos da integração produtiva global, algo que os reticentes desdenham, ou ainda não se decidiram a enfrentar.
Os outros dois pequenos membros do Mercosul, Paraguai e Uruguai, já sinalizaram, em diversas ocasiões, que estariam dispostos a seguir adiante na integração global, independentemente das reticências do bloco, mas, por um lado, eles são obstados pelas regras comuns – que na verdade atuam como uma camisa de força – de se negociar conjuntamente e, por outro, pelo próprio caráter errático de seus cenários políticos internos. Em face da relativa estagnação do Mercosul, eles podem deixar de ser indecisos e tomarem partido pelo bloco que preferiu avançar.
Avanços e recuos na América Latina
A América Latina, durante a maior parte da história contemporânea, foi estatista, protecionista, dirigista, características geralmentelegitimadas por um projeto qualquer de desenvolvimento. As reformas dos anos 1980 e das décadas posteriores estabilizaram parcialmente economias assoladas por inflações virulentas, mas poucos países continuaram a seguir o caminho das reformas estruturais para abrir suas economias, reduzir os gastos do Estado, capacitar a mão-de obra ou melhorar as infraestruturas. Os países que o fizeram, de maneira mais acabada, foram recompensados por taxas de crescimento sustentadas, como foi o caso do Chile. Os países menos capazes de avançar nas reformas – seja por falta de liderança política, seja por alguma maldição dos recursos naturais, como acontece facilmente com o petróleo – estão em grande medida condenados a repetir a história de booms and busts, de um crescimento errático seguido de uma crise, ou até de uma recessão.
Pode ocorrer, também, que países reticentes só consigam avançar em marcha irregular, comumente chamada de “voo de galinha”, em virtude desses saltos frustrados, buscando uma decolagem sempre comprometida pelo peso do Estado, pela falta de poupança e de investimentos, ou pela ausência de inovação técnica, dos quais decorre o “eterno retorno” à exportação de matérias primas, como parece ser atualmente o caso do Brasil. De maneira geral, o Brasil e a América Latina parecem ter sido confirmados num papel substantivo de fornecedores de matérias primas para os países industrializados, inclusive, e sobretudo, para a China.
Essas experiências diversas em matéria de desenvolvimento podem ser reavaliadasem função de algumas regras simples de políticas macroeconômicas e setoriais que, caso bem implementadas, são potencialmente capazes de sustentar um processo de crescimento econômico com transformação produtiva e distribuição social dos resultados. Estas regrasestão compreendidas nos seguintes conjuntos de políticas:
1) Estabilidade macroeconômica;
2) Microeconomia competitiva;
3) Boa governança, instituições sólidas, regras estáveis;
4) Alta qualidade dos recursos humanos, via educação geral e especializada;
5) Abertura ao comércio internacional e aos investimentos estrangeiros.
Vejamos agora, um pouco mais em detalhe, estes cinco requerimentos de políticas econômicas.
Estabilidade macroeconômica
A condição básica dessa situação, que permite taxas sustentadas de crescimento econômico e oferece aos agentes privados perspectivas seguras de investimentos produtivos, são regras estáveis na política econômica, e estas são feitas de previsibilidade, baixa volatilidade do regulador principal – ou seja, o contrário do ativismo governamental extremo que costuma caracterizar a ação pública na região, com mudanças repentinas de regras – e de um conjunto de indicadores no plano macroeconômico que apontam para: (a) taxa de inflação relativamente reduzida, de preferência dentro da média mundial; (b) taxa de inflação inferior ao nível habitual das taxas de juros; (c) equilíbrio aceitável das contas públicas, que não precisam apresentar superávits fiscais de forma permanente, nem é desejável que o façam, mas cujo déficit deve ser mantido numa progressão inferior ao do crescimento do produto; (d) déficits orçamentários preferencialmente financiáveis internamente, ou com apelo a capitais externos a taxas de juros compatíveis com o crescimento das receitas de exportações; (e) a taxa de juros referencial da autoridade monetária deveria estar o mais possível ajustada aos níveis do mercado, e se possível afastadas das preferências políticas do governo (o que recomenda uma autoridade monetária independente); (f) taxa de câmbio com paridade realista, o que geralmente é feito pelo próprio mercado, não pelas manipulações do governo, o que recomenda, igualmente, uma adesão ao regime de flutuação, com um mínimo de intervenções governamentais; (g) mercado de capitais aberto e concorrencial, sem muitas barreiras ao ingresso de novos participantes, o que também permitiria fazer baixar o custo do capital e a oferta de financiamento, aliás para o próprio governo.
Uma adesão a estas poucas regras de políticas macroeconômicas transparentes e sadias permitiria oferecer um ambiente de negócios sem muitos sobressaltos, para o maior benefício dos agentes econômicos privados, que, animados dos seus “espíritos animais”, são os que oferecem empregos, introduzem inovações, criam renda e riqueza para a sociedade. Ora, se considerarmos esses critérios, parece inevitável concluir que a maior parte dos países latino-americanos, na história econômica do último meio século, conheceram poucos períodos contínuos, de estabilidade macroeconômica, menos ainda longos períodos. Basta com lembrar os episódios de acelerações da inflação em quase todos eles, as mudanças de moedas (podendo chegar inclusive à dolarização completa), as emissões incontroláveis, os tabelamentos de preços, enfim, todos os tipos de atentados mais ou menos graves nos planos fiscal, monetário e cambial. A região assistiu a fugas repetidas de capitais, a uma sucessão incontável de programas de socorro emergencial por parte do FMI, tanto quanto a inúmeros planos mal concebidos e mal aplicados de estabilização, que certamente não acrescentaram muito à credibilidade dos governos, ao contrário. Depois de tantos desastres e humilhações impostas pelos mercados, a maior parte dos governos parece ter encontrado uma espécie de convivência aceitável com as regras elementares do jogo econômico, embora alguns deles ainda se permitam a tarefa arriscada de desafiar ou até de negar as leis mais fundamentais da economia, sempre com as melhores intenções possíveis. Nem todos os países bolivarianos ousaram, como os governos chavistas da Venezuela, inverter os manuais de economia aplicada, pelo menos não na extensão praticada naquele infeliz produtor de petróleo, mas um ou outro reticente – e o governo peronista argentino entra nessa categoria – encarnou a inglória missão de desafiar os mercados e as modestas regras da racionalidade econômica.
Microeconomia competitiva
Conceito muito amplo, que significa, antes de qualquer outra coisa, fazer com que os agentes econômicos trabalhem num ambiente de livre competição, ou seja, sem barreiras à entrada de novos concorrentes nos diferentes mercados de bens e serviços; ele também significa a ausência de monopólios ou carteis, com amplas facilidades para intercâmbios e relações com parceiros externos – de onde costuma provir o essencial dos capitais e tecnologia para países e empresas dotados de baixa capacidade de inovação, como os da região latino-americana. Em combinação com as regras macroeconômicas transparentes e estáveis, a competição aberta num ambiente de livre mercado, sem regulações excessivas e sem privilégios para grupos de interesse, pode contribuir para a atração de novos investidores desejosos de testar suas vantagens intrínsecas, sem temer mudanças intempestivas de regras em favor de algum monopólio estatal ou cartel setorial.
Aqui também, é preciso reconhecer que a América Latina constitui, talvez, o continente que mais conheceu nacionalizações – ou seja, estatizações – no último meio século, fora do mundo socialista (já praticamente enterrado no último quarto de século). Os monopólios europeus do pós-guerra abrangiam frequentemente os serviços públicos; na América Latina eles extrapolaram facilmente para o terreno produtivo, cobrindo inclusive atividades comerciais ou mesmo nos produtos de base, quando ele poderiam mais racionalmente submeter-se a regras de concorrência num ambiente privado, o que permitiria certamente ganhos de produtividade, uma noção praticamente desconhecida no setor público. Não é raro que as companhias do Estado – em muitos casos antigas empresas sob o controle de investidores estrangeiros, quando capitais e expertise nacionais eram insuficientes – sirvam de cabides de empregos bem remunerados (e bem pouco produtivos) a amigos do poder. Não é preciso lembrar, tampouco, os muitos casos de setores concorrenciais eventualmente “encolhidos”, sob um novo regime de concessões públicas modelado, precisamente para favorecer a formação de lucrativos carteis de fornecedores amigos do mesmo poder.
Boa governança, instituições sólidas, regras estáveis
Líderes medíocres e má governança não são um privilégio exclusivo da América Latina: eles podem ser encontrados em todas as partes, até mesmo nos países mais avançados. Mas bastaria, por exemplo, fazer o relato pouco edificante da instabilidade institucional na região para se constatar que ela talvez tenha exagerado na aplicação da famosa frase do conde Lampedusa, segundo a qual é preciso mudar alguma coisa para que, finalmente, tudo fique no mesmo lugar. Pode-se contar, a esse respeito, o número de constituições promulgadas no Equador, na Bolívia, ou mesmo no Brasil, para se medir a profunda instabilidade institucional do continente, entre golpes de Estado, regimes militares e governos populistas, aliás até hoje. Algumas constituições são tão prolixas e abrangentes, que para alterar uma regra qualquer das atividades correntes – digamos, trabalho doméstico ou qualificação de jornalistas – se deriva facilmente para uma mini-crise parlamentar, ou entre os poderes, já que se requer maiorias qualificadas para fazê-lo (no Brasil, por exemplo).
Uma outra característica da região é o reforço constante do poder executivo, em certos casos do novo líder popular diretamente, em detrimento do poder legislativo e muito frequentemente no contexto de fortes pressões contra o Judiciário. Os países ditos bolivarianos são exemplares, no mau sentido da palavra, na aplicação dessas novas regras de servidão involuntária. O controle das receitas públicas e a manipulação dos orçamentos constituem elementos fundamentais desse processo de submissão dos dois outros poderes, nominalmente independentes, mas sujeitos às pressões do executivo. Os exemplos abundam, na América Latina de práticas perversas nesse terreno.
Na Venezuela chavista ou na Argentina peronista se viu muito frequentemente, ou ainda se vê, a promulgação de leis atribuindo ao chefe de Estado a competência exclusiva para alterar o orçamento ao seu bel-prazer, ou para emitir decretos executivos com força de lei (o que existiu, por exemplo, no regime militar brasileiro). Aliás, é duvidoso que na Venezuela se aplique um orçamento formal, aprovado pelo Parlamento (mesmo chavista) ou que as receitas de uma companhia todo poderosa, como a PDVSA, sejam integrados ao processo orçamentário normal. No Brasil, mesmo na ausência dessas práticas tão deletérias para a boa gestão dos recursos públicos, ocorrem frequentemente chantagens recíprocas entre o executivo e o legislativo na definição e na implementação dos orçamentos anuais, e são por demais conhecidas as práticas de “emendas orçamentárias” aumentando artificialmente a previsão de receitas e contemplando projetos paroquiais que se pretende converter em “despesas obrigatórias”. Tais procedimentos são tão comuns que já se convencionou chamar os deputados de “vereadores federais”.
A maior parte dos analistas políticos concorda em enfatizar os defeitos de fábrica dos regimes democráticos na região, felizmente poupada, atualmente, dos aspectos mais sombrios conhecidos durante as ditaduras militares ou sob regimes monocráticos de alguns caudilhos de opereta. A contrapartida é que se caiu, em vários casos, em simulacros de democracia, regimes eletivos que derivam para o populismo plebiscitário, ou mesmo em contrafações do cesarismo e do bonapartismo, por meio dos quais se degrada e se deforma a noção mesma de democracia, sem a necessidade de golpes ou de rupturas formais do sistema, ao mesmo tempo em que se suprime a dissidência ou as forças de oposição par vias aparentemente legais. A Venezuela chavista é o exemplo mais acabado desse tipo de “inovação” política.
Alta qualidade dos recursos humanos, via educação geral e especializada
A má qualidade da educação, em todos os níveis, juntamente com a desigualdade estrutural na repartição da renda, são características comuns a quase todos os países latino-americanos. Independentemente da existência de universidades mais ou menos antigas, é um fato que a escola pública de base – elemento essencial de ascensão social em todos os países – permanece um obstáculo à incorporação das camadas mais pobres a trabalhos de qualidade e a uma remuneração digna. Mais recentemente é o secundário que se tornou um ponto de estrangulamento para a expansão adequada do ensino superior, que permanece ainda uma reserva de mercado para uma pequena fração da faixa etária de 18 a 24 anos, mesmo se a expansão quantitativa, à base de verdadeiras fábricas privadas de diplomas, permitiu absorver uma pequena parte da demanda reprimida. É isto que explica, em grande medida, a fraca produtividade do trabalho e o nível medíocre da inovação técnica. Basta conferir as tabelas do PISA, e os lugares ocupados pelos países da região, para se convencer desta triste realidade.
O que seria preciso, então, fazer? As soluções não são simples e demandam algum tempo, à condição que se caminhe na boa direção, o que não é verdadeiramente o caso, ao se observar diversos exemplos de massificação populista do ensino em alguns países da região. Aparentemente, os Estados pretendem fazer economias num setor vital para o progresso do país: eles hesitam em reformar as carreiras e a formação dos professores, introduzindo, por exemplo, sistemas de remuneração por mérito; eles tampouco pretendem enfrentar sindicatos profissionais que se entrincheiraram num falso democratismo – e num puro corporatismo –, tanto quanto na defesa de uma isonomia tão irrealista quanto nefasta, do ponto de vista das responsabilidades individuais dos mestres nos desempenhos dos estudantes. As técnicas pedagógicas, por sua vez, continuam a formar professores que insistem numa falsa ideologia da “consciência cidadã” – à la Paulo Freire – em lugar de se concentrar nos conteúdos e nas competências reconhecidas e necessárias nas disciplinas centrais para a formação dos estudantes. Vai ser muito difícil extirpar os sistemas educativos latino-americanos desse amontoado de perversões pedagógicas acumuladas durante tanto tempo.
Abertura ao comércio internacional e aos investimentos estrangeiros
Finalmente, se chega às questões diretamente ligadas às orientações de política econômica externa, tocando em temas que foram frequentemente envelopados numa aura maldita, enfeixada sob o conceito viciado do neoliberalismo. Nada disso é válido, obviamente: a abertura econômica, a liberalização do comércio internacional, bem como a receptividade aos capitais estrangeiros não podem ser considerados como sinônimos de submissão aos interesses estrangeiros; a participação nos fluxos dinâmicos dos intercâmbios externos constitui um dos vetores mais poderosos da modernização tecnológica e da integração à redes produtivas mundiais. A China e a Índia, por sinal, não conseguiram verdadeiramente decolar até que se declararam abertas a esses fluxos, colocaram suas diásporas respectivas espalhadas pelo mundo a serviço de seus setores produtivos nacionais e começaram a receber investimentos diretos para sustentar seus processos de inserção global.
Não é necessário ser liberal para se abrir ao comércio e aos investimentos internacionais, como aliás observado em diversas experiências na Ásia, região que se fez conhecida, nas últimas décadas, por políticas fortemente dirigistas ou mesmo protecionistas. A lição relevante para os países latino-americanos, de fato, é que os tigres asiáticos jamais se recusaram a participar das trocas internacionais ou em receber investimentos estrangeiros, sem por outro lado renunciar a políticas ativas nos terrenos industrial e tecnológico, e mesmo a certo mercantilismo no plano dos intercâmbios comerciais; o essencial era o fato de estar ligado aos mercados internacionais para poder aproveitar as vantagens dos fluxos nas duas direções. Incidentalmente, os asiáticos sempre foram mais responsáveis em suas políticas monetárias e fiscais, e eles também tiveram o cuidado de estimular a educação universal e a técnico-profissional, duas condições chaves para dispor de uma mão-de-obra capacitada para tarefas mais complexas do que a simples assemblagem de acessórios, partes e peças feita por maquiladoras de fronteira.
Aprofundamento das divergências?
A América Latina não conheceu as guerras que assolaram a Europa no decorrer do século XX, ou desastres humanitários tão extensos como os da África;tampouco experimentou a miséria extrema de certas regiões da Ásia, sobretudo aquela ainda mais extrema do subcontinente indiano. Ela ficou na média do mundo em desenvolvimento, e ali estacionou, conseguindo evitar os bloqueios africanos, mas sem lograr construir economias dinâmicas como as da Ásia Pacífico. Entre o início dos anos 1960 e o final do milênio, pode-se dizer que essas duas regiões trocaram de lugar, em termos de comércio, de investimentos, de renda, de inovações tecnológicas e de inserção na economia global.
Na verdade, a América Latina se recolheu sobre si mesma, e isso tem um custo em termos de progressos tecnológicos – ou melhor, de atrasos – e de perda de oportunidades de acesso a mercados mais amplos. Ainda hoje, enquanto a bacia do Pacífico constrói, pouco a pouco, um imenso espaço de produção e de intercâmbios industriais, comerciais, financeiros e tecnológicos do mais alto nível, os latino-americanos se orgulham de organizar encontros exclusivamente latino-americanos – sem a tutela do império, como dizem alguns – e criam organismos para seu uso exclusivo, como se o estabelecimento de novas burocracias alheias ao controle de Washington pudesse lhes garantir ganhos que eles supostamente não poderiam obter no plano hemisférico.
O que, sobretudo, é preciso constatar, entretanto, não é tanto a existência de resultados contrastados dentro da América Latina – já que isso é absolutamente normal, como ocorre frequentemente em continentes tão vastos, como também acontece na Ásia, na África, ou mesmo na Europa, onde, a despeito da união política que engloba agora quase três dezenas de países, ainda se vive num mosaico de povos e de culturas –, quanto uma tendência latente que confirma o aprofundamento da diversificação estrutural das políticas econômicas nacionais, segundo as linhas já expostas anteriormente: existem países que perseguem incessantemente sua inserção nos mercados globais – e o Chile constitui o exemplo mais evidente desse tipo de atitude –, assim como existem outros que resistem e procuram conter esse processo – como vimos nos casos dos reticentes, como o Brasil e a Argentina. Também existem alguns outros, finalmente, que pretendem fazer girar para trás a roda da História, como se fosse realmente possível impedir processos econômicos de continuar avançando, ainda que de forma contraditória; de fato é possível, mas ao custo de um isolamento das correntes mais dinâmicas da economia internacional, e ao preço de controles cada vez mais extensos, e inúteis, para impedir os seus povos de aceder aos benefícios da globalização.
Os líderes políticos desses últimos países, os bolivarianos, correm o risco de fazer suas sociedades retrocederem vários anos em direção ao passado, se seguirem seus instintos no sentido de qualificar a democracia – que seja “popular”, ou “participativa”, ou ainda “direta” – e de controlar pelo alto as engrenagens da vida econômica. De seu lado, os reticentes pode, por suas hesitações, atrasar os ajustes necessários ao ingresso dessas sociedades no grande turbilhão da globalização. Num ou noutro caso, eles correm o risco de simplesmente fazer com que a América Latina continue a acompanhar com um passo hesitante o ritmo irregular e desigual dos progressos econômicos e sociais que se desenvolvem em escala planetária.
Infelizmente, nem todo mundo consegue acelerar o carro de bois da História, ou substituí-lo por veículos mais ágeis, capazes de levar adiante sociedades inteiras de maneira mais rápida. Essas acelerações só acontecem muito raramente no itinerário histórico das nações. A América Latina, com muito poucas exceções, não parece ainda preparada, ou capacitada, para empreender uma via mais rápida em direção à modernidade.
Bibliografia:
BARRO, R.; SALA-I-MARTIN, X. 1995. Economic Growth. 2a. ed.; Cambridge, Mas.: The MIT Press.
BAUER, P. 1957. The Economics of Under-developed Countries. Cambridge: Cambridge University Press.
BEATTIE, A. 2010. False Economy: a surprising economic history of the world. New York: Riverhead.
EASTERLY, W.2006. The White Man’s Burden: Why the West’s Efforts to Aid the Rest Have Done So Much Ill and So Little Good. Nova York: Penguin Books.
MADDISON, A: 2001. The World Economy: a millenial perspective. Paris: OECD.
MYRDAL, G. 1970. The Challenge of World Poverty: A World Anti-Poverty Program in Outline. New York: Pantheon Books.
MYRDAL, G. 1968. Asian Drama: An Inquiry into the Poverty of Nation. Londres: Allen Lane: The Penguin Press.
Resumo:
Vários países latino-americanos tiveram um desempenho decepcionante ao longo das últimas décadas, comparativamente aos asiáticos. O ensaio fornece explicações para o atraso relativo de alguns, apoiando-se em fatores macroestruturais, examinando as políticas econômicas seguidas no continente e os resultados de longo prazo. A inflação, as inconsistências fiscais e a introversão econômica são em grande medida responsáveis pelas desigualdades e pelo modesto crescimento da América Latina. Nem todos eles recuaram, todavia, podendo ser identificadostrês tipos de países: (a) os globalizados, que são os que empreenderam reformas estruturais); (b) reticentes, que ficaram na metade do caminho dos ajustes necessários à sua integração internacional; e (c) bolivarianos, termo genérico aplicado àqueles que pretendem operar um retorno aos tempos de intervenções estatais na economia e de redistribuição de renda por meio de mecanismos compulsórios. São finalmente apresentados os elementos de política econômica e social que poderiam sustentar um processo de crescimento durável com transformação produtiva e redistribuição da renda, cuja primeira condição é o aumento da produtividade, por sua vez fundamentado sobre a boa qualidade da educação e das instituições de governança.
Palavras-chave: América Latina; fragmentação; políticas macroeconômicas; divergência.
Abstract:
Many Latin American countries underperformed in the last decades, in comparison with Asian countries. The essay gives some explanations for the backward path followed by some of them, starting by macro-structural factors, examining their economic policies and its long term results. Inflation, fiscal disequilibria and economic introversion are to be blamed for the inequalities and by the modest economic growth. Notwithstanding, some countries have performed better than others, and the essay distinguishes three types of countries: (a) the globalizers, which performed structural reforms; (b) the reticents, going just half-way in the path of reforms to be integrated to the world economy; (c) the Bolivarians, a generic concept applied to those pretending a way back to the state-guided economic policies, intervention, and redistribution commanded from above. Lastly, the essay emphasizes the main elements able to sustain a growth path together with productive transformation and income redistribution, for which a required condition is productivity growth, taking support on a high quality education and good governing institutions.
Key-words: Latin America; fragmentation; macroeconomic policies; divergence.
O NEW YORK TIMES CRITICA SEU FOTÓGRAFO GANHADOR DO PRÊMIO PULITZER - 09/08/2014
Se alguma vez você se perguntou por quê a cobertura fotográfica do New York Times em Gaza mostrou quase que exclusivamente crianças palestinas mortas e sangrando no hospital de Shifa e muito poucos homens armados do Hamás, ou do lançamento de mísseis contra Israel desde uma escola ou de uma mesquita para ilustrar a narração do que ocorre lá, o referido jornal tem uma resposta surpreendente: Tyler Hicks, o fotógrafo ganhador do prêmio Pulitzer, faz um trabalho medíocre.
Para toda pessoa que sabe algo de foto-reportagem, a resposta do New York Times suscita algumas perguntas muito sérias sobre a saúde mental das pessoas que fazem este periódico, assim como sobre a lealdade desse jornal a respeito de um dos maiores fotógrafos de sua época, que põe sua vida em perigo diariamente pelo New York Times nos pontos quentes do globo e nas zonas de conflito.
Porém, segundo Eileen Murphy, Vice-presidente do Times para as Comunicações Corporativas, os fotógrafos do jornal que trabalham em Gaza, dirigidos por Hicks, são a única razão do desequilíbrio radical que existe na cobertura fotográfica do Times dessa guerra. Pelo menos isso é o que ela disse a Uriel Heilman, de JTA, quando lhe perguntou por quê, das 37 imagens das três últimas apresentações de diapositivos em Gaza, não havia nem uma só de um combatente do Hamás ou do lançamento de mísseis, ou de qualquer outra coisa que pudesse indicar aos eleitores que Israel não decidiu simplesmente, por esporte, mutilar e assassinar as crianças palestinas na faixa de Gaza.
Embora pareça incrível, Murphy, na primeira parte de sua resposta, culpou os fotógrafos de fornecer só um punhado de imagens de baixa qualidade:“Nossa editora de fotos revisou todas as nossas fotos recentes e, entre várias centenas, encontrou duas imagens distantes, de baixa qualidade, que foram sub-tituladas ‘combatentes do Hamás’ por nosso fotógrafo no terreno. É muito difícil identificar as pessoas do Hamás porque não têm uniformes nem insígnias visíveis, nosso fotógrafo nem sequer viu alguém que porte uma arma”.
É assim que funciona realmente um legendário jornalista fotográfico como Tyler Hicks? Duas imagens de baixa qualidade, muito distante, e nem uma foto de uma só pessoa que carregue uma arma em toda Gaza, durante três semanas de um longo conflito no qual mais de 1.500 pessoas morreram? Se a missão de Hicks o leva a outro lugar fora de Gaza, alguém poderia suspeitar que ele não sai do bar do hotel.
O resto da resposta de Murphy oferece só um pouco de luz sobre por quê o rendimento de Hicks foi tão pobre: “Eu acrescentaria que não íamos reter as fotos dos militantes do Hamás. Nos empenhamos em obter fotografias de ambos os lados do conflito, porém estamos limitados pelo acesso que nossos fotógrafos têm”.
A palavra-chave da segunda parte da resposta de Murphy, certamente, é “acesso”. Tyler Hicks desmoronou em seu trabalho: ele está fazendo um trabalho muito duro e perigoso em uma zona de combate, onde os fotógrafos são dificilmente livres para fotografar o que querem. Este é o ponto-chave que Murphy e seus chefes estão decididos a olhar de soslaio.
O que o New York Times e outros meios noticiosos importantes parecem decididos a esconder de seus leitores, é que seus fotógrafos e jornalistas têm dificuldade para ir e vir livremente nessa zona de combate. De fato, trabalham em condições terrivelmente difíceis sob o controle efetivo de uma organização terrorista que – como a guerra mesma mostra – não duvida em mutilar, seqüestrar e matar as pessoas que não lhe agradam.
Como pode um jornalista medir o potencial impacto de sua cobertura se seu acesso depende diariamente do Hamás – sem falar de sua vida? Bem, o fato de que o New York Times tenha só duas distantes, borradas e inutilizadas imagens de Tyler Hicks de homens armados do Hamás diz tudo o que você necessita saber. Não é assim?
Se sua imaginação necessita de mais ajuda, eis aqui o que diz a coluna de Liel Liebovitz: “Só nos últimos dias, ouvimos o relato de Gabriel Barbati, um jornalista italiano que, tão logo saiu de Gaza, escreveu em seu Twitter: ‘Fora de # Gaza longe da represália do # Hamás: um míssil que falhou matou crianças ontem em Shati. Testemunhas: militantes se equilibraram e limparam os escombros’. Também ouvimos de Radjaa Abou Dagga, ex-correspondente do diário francês Liberación, que por tentar exercer o jornalismo honesto foi convocado por matadores do Hamás e acusado de colaborar com Israel. Lhe disseram que parasse seu trabalho como repórter e que saísse de Gaza imediatamente.
Brincar de tímido com os leitores acerca das razões pelas quais a cobertura do New York Times é tão desequilibrada, faz pensar que esse jornal está defendendo o trabalho de seus repórteres e fotógrafos. Na realidade, faz com eles e o jornal apareçam como idiotas, enquanto que atua como o braço de propaganda de uma organização terrorista. Alguém nesse periódico tem que dedicar uma séria atenção ao raciocínio que transformou as condições de trabalho difíceis em Gaza em um fracasso editorial evidente.
*Tradução do inglês para o espanhol: Eduardo Mackenzie
*Tradução para o português: Graça Salgueiro
EM PROCESSO DE DERRETIMENTO - 03/08/2014
Pela forma agressiva, e muitas vezes irada, com que a presidente Dilma-Neocomunista trata todos aqueles que -ESPECULAM- sobre o escancarado e incontestável (mau) desempenho que a economia brasileira vem apresentando, antes que o termo vire sinônimo de -COISA DO DIABO- nada melhor do que conhecer o seu real e correto significado.
Como bem escreveu Stephen Kanitz, em 2009, a palavra tem sua origem na raiz indo-germânica -SPEC-, que significa OLHAR. Especulador, portanto, é aquele que enxerga antes; aquele que enxerga aquilo que os outros não veem.
Toda sociedade, completa Kanitz o seu raciocínio, necessita de especuladores, pessoas que enxergam na frente (antes) e mostram o caminho. Deveríamos venerar nossos especuladores, e não vilipendiá-los como fazemos costumeiramente.
A rigor, a presidente Dilma-Neocomunista, pela maneira como reage aos ESPECULADORES que não acreditam no sucesso da Matriz Econômica-Petista, se comporta também como uma ESPECULADORA. Só que no sentido contrário.
Até agora, no entanto, pelo desempenho pífio da nossa economia, aqueles que previram o fracasso estão ganhando de goleada.
Ora, não é necessário estudar muito a situação para entender que a visão dos -ESPECULADORES- que estão deixando Dilma Neocomunista irada e de cabelo em pé. Os indicadores que medem o desempenho da indústria, do comércio, da inflação, dos preços administrados, dos resultados colhidos pelos países que, assim como o Brasil, defendem a Matriz Econômica Bolivariana, por exemplo, falam por si.
A rigor, como se vê, a admissão desse retumbante fracasso nem deveria ser considerada como -ESPECULAÇÃO_. Mesmo porque, tudo aquilo que, provadamente, nunca deu certo em lugar algum deste mundo, por óbvio que teria como não dar certo aqui. O fracasso, pois, já estava cantado.
Vejam, por exemplo, somente três notícias divulgadas hoje:
1- A produção industrial recuou 6,9% em junho ante o mesmo período de 2013, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. Foi a queda mais significativa nesses termos de comparação desde setembro de 2009, quando houve declínio de 7,4%.
2- A piora nas contas públicas registrada nos últimos dois meses torna mais -difícil- o cumprimento da meta fiscal para esse ano, segundo informa o Banco Central.
3- O setor público consolidado - governos federal, estaduais e municipais e empresas estatais- registrou pelo segundo mês seguido déficit primário. Em junho, o déficit primário chegou a R$ 2,1 bilhões. Em maio, o déficit ficou em R$ 11,046 bilhões. Essa foi a primeira vez na série histórica do Banco Central (BC) que foi registrado déficit primário no mês de junho. A série histórica tem início em dezembro de 2001. Com esses resultados, no primeiro semestre o superávit primário ficou em R$ 29,380 bilhões, contra R$ 52,158 bilhões registrados em igual período de 2013.
EUA DEVEM LEVANTAR O EMBARGO EM TROCA DE UMA ABERTURA POLÍTICA EM CUBA - 26/07/2014
O embargo norte-americano que pesa sobre Cuba tem sido um tema de debate, argumentação e divisão dentro da oposição cubana ao regime dos irmãos Castro: “Não tem atingido seus objetivos”; “É uma justificativa para o castrismo”; “Não é um problema cubano”; “É um remanente da guerra fria”; “Levantá-lo levará a uma mudança positiva dentro da ilha”; “É a causa da deplorável situação econômica cubana”; “Sem o embargo, Cuba seria um paraíso”; “O embargo é ingerencista”; “O embargo implica num ‘bloqueio’ a Cuba”, entre outros pontos de vista, muitos deles carimbados pelo castrismo, outros por opositores honestos.
Os enunciados anteriores -todos- implicam sempre meias verdades, precisamente para serem críveis, mas, em nenhum dos casos são verdades absolutas. Sob o embargo, Cuba passou os longos anos do subsídio soviético (desde a década dos 60 até inícios dos 90) sem ser mencionado pelo oficialismo, mas, quando a subvenção “companheira” acabou, a propaganda oficial ressuscitou-o “de entre os mortos”. Na realidade os opositores cubanos - sejam quais foram seus critérios sobre esta medida dos EUA com respeito a Cuba- podem entender que o embargo é uma importante ferramenta de negociação dos EUA com o castrismo, agora que a Cuba dos irmãos Castro finalmente levanta bandeira branca ante “o inimigo do norte”.
Ate o mais ingênuo opositor à ditadura castrista sabe que Estados Unidos não vão levantar o embargo sem que os irmãos Castro paguem o preço que ele implica. Por que, por exemplo, o regime cubano insiste em que, para libertar ao norte-americano Alán Gross preso em Cuba, EUA deve “reciprocar” libertando os três espiões cubanos presos lá, porém, quando se trata do embargo, pede sua eliminação “unilateral” sem “reciprocar”, nem dar nada em troca?
Um grupo de exitosos empresários cubano-americanos tem pedido diretamente ao presidente norte-americano Barack Obama o levantamento das limitações financeiras, econômicas e comerciais que EUA mantém com relação a Havana. É um direito destes empresários fazer tal solicitação na área econômica, junto ao executivo norte-americano – área na qual eles têm-se desenvolvido. Pela mesma razão - e com o mesmo direito - políticos opositores cubanos devem pedir ao governo norte-americano negociar com os irmãos Castro o levantamento do embargo, em troca de uma apertura política, também na área em que eles se desenvolvem.
Estamos ante uma realidade de conversações - já em andamento - entre a União Européia e a Cuba dos irmãos Castro. De igual maneira, se aproximam negociações entre EUA e os representantes de Fidel y Raúl. Porém, não haverá conversações entre a ditadura cubana e os opositores políticos (como deveria haver). Este diálogo não acontecerá porque, da parte da oposição será trair a memória das lutas contra os opressores, e da parte da ditadura cubana não há vontade política. São duas as razões básicas para que o diálogo não aconteça: primeiro, a ditadura não quer diálogo com os opositores cubanos (prefere dialogar com “o inimigo externo”) e as poucas vezes que tem conversado com opositores cubanos, tem acontecido um monólogo; segundo, porque o diálogo somente se produz quando ambos estão convencidos que do diálogo surge uma melhor posição para as duas partes, e este não é o caso agora, nem da ditadura castrista, nem da oposição política democrática digna, que entende o diálogo com o opressor, nas atuais circunstâncias, como uma forma de traição.
No caso específico de EUA - ante o avanço das influências conjuntas de Rússia e China dentro de Cuba, procurando, ademais, lesionar os interesses norte-americanos em todo o nosso hemisfério oferecendo créditos e investimentos em Latino-américa - deve aquele país tomar providencias urgentes para definir uma política exterior pro ativa em relação a Cuba e à intromissão da China y da Rússia no nosso Sub Continente. Saindo, enfim, da inércia atual.
Assim as coisas, é claro que a oposição política cubana deve exercer a maior e melhor de suas influências, tanto dentro da União Européia (onde tem pouca influencia real) como frente ao governo atual de EUA, fornecendo seus argumentos para que sejam analisados pelas grandes potências, visando a que sejam utilizadas nas conversações com Cuba.
Um grupo de opositores cubanos têm ido à Europa (Madrid) para falar sobre as futuras negociações Europa-Cuba e recentemente foram de novo em Espanha para tratar de influir nos negociadores europeus. Os interesses cubanos e os interesses da UE e EUA devem coincidir nos pedidos que sejam feitos. Não é o caso de incluir opositores cubanos em delegações estrangeiras, ou incluir uma ‘parte cubana’ (opositora) em negociações onde não têm sido convidados. O correto seria propor elementos de negociação à Europa y aos EUA de beneficio, tanto aos cubanos em geral, como para europeus e norte-americanos, com argumentos que sejam aceitáveis (e evidentes) para toda a comunidade internacional.
Os EUA pela sua parte têm no levantamento do embargo a carta de negociação que os europeus perderam renunciando à sua “posição comum”. Isso deve ser aproveitado em conjunto com a real e atual influência que o exílio cubano possui dentro dos EUA sobre as decisões do executivo e o legislativo norte-americano, estruturando argumentos para que EUA não entregue sua mais importante carta de negociação - o embargo - sem pedir ao castrismo uma abertura política em troca. Desta maneira, o executivo de EUA colocaria em crise a posição cubana de não abrir-se politicamente, na certeza que o mundo exterior vai ver a proposta com muitos bons olhos e aprovaria a lógica de que, em todas as negociações “há que dar para receber”. Adicionalmente, o pedido de apertura política estaria muito em fase com a cultura política latino-americana atual, já que até em regimes como o “chavismo” venezuelano, o “evismo” boliviano y o “correismo” equatoriano, há eleições com vários partidos.
Não creio que os opositores cubanos devam pedir agora diálogo com os irmãos Castro; mas, já que as conversações vão-se produzir entre Cuba e seus aliados democráticos (EUA y a UE), acredito que os opositores devem pôr toda a sua força em convencer aos EUA y à UE (ambos democratas e livres) da necessidade de obrigar à ditadura cubana para atuar em função da cultura democrática mundial atual, para que permita uma abertura política dentro da ilha.
O povo cubano tem executado uma longa e constante luta pela suas liberdades democráticas neste mais de meio século. Nada mais lógico que agora as potencias que negociarão seus interesses com a ditadura, incluam nas suas negociações a necessidade do acesso dos cubanos ao seus diretos políticos cancelados sem razão nenhuma, sobre tudo, quando a ditadura se dispõe a negociar com “o inimigo”, deve ver-se ela constrangida a dar liberdades ao seu povo.
Para a abertura política (pouca ou muita) que seja conseguida neste processo em mãos de aliados democráticos (se é que convencemos à UE y aos EUA, e se conseguimos a abertura política nas conversações) toda a oposição cubana deve estar preparada para dar a batalha pacífica dentro da ilha no terreno cívico. A ditadura também se prepara para esta nova fase -que sabe inevitável da luta - y já monta seus “partidos políticos opositores” amestrados.
O novo campo de ações que nasce de uma situação como a descrita será gradual, porque não haverá uma derrota contundente e imediata do castrismo, mas, seguramente haverá oportunidades que o nosso povo vai aproveitar junto à oposição democrática, para superar este pesadelo de demasiados anos de opressão, repressão e divisão da Nação Cubana.
A PROPÓSITO DO "ANÃO DIPLOMÁTICO" - 25/07/2014
Assim que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou energicamente Israel pelo “desproporcional uso de força na Faixa de Gaza” e convocou seu embaixador em Tel Aviv a retornar a Brasília para consultas, o governo israelense, por seu Ministério do Exterior, lamentou que o “Brasil, um gigante cultural e econômico, permaneça um anão diplomático”.
Realmente lamentável o comportamento do governo da sra. Dilma.
Gostaria que nosso chanceler explicasse como ele mede “proporcionalidade” no campo bélico. Saberia ele que se Israel enviasse o mesmo número de mísseis que o Hamas lançou sobre Israel nos últimos anos, Gaza estaria totalmente destruída?
Sabe ele os cuidados que Israel tomou na semana passada avisando centenas de milhares de palestinos para abandonarem suas residências, possibilitando com isso que o Hamas soubesse exatamente onde o Exército israelense se preparava para atacar e causando assim quedas que não ocorreriam se os ataques fossem realizados de surpresa? Ou seja, Israel colocou em perigo seus soldados, sacrificando alguns deles, no esforço de minorar ao máximo as vítimas civis do inimigo.
Têm Sua Excelência e a presidente que ele serve a menor noção da barbárie dos dirigentes de Hamas forçando seu povo a permanecer em casa, enviando mísseis de hospitais e de áreas residenciais, para conseguir que a reação defensiva israelense cause vítimas civis entre o povo palestino?
Aliás, conhece o ministro alguma guerra que não causou vítimas civis? E que sempre houve desproporcionalidade entre o número de vítimas das partes envolvidas no conflito? Não compreende o chefe do Itamaraty que em Israel praticamente não caem vítimas civis porque o Estado protege seus cidadãos, com o mais sofisticado sistema de alarme e refúgio? Não está evidente aos olhos do governo brasileiro que esta, como as anteriores guerras entre Israel e Hamas, foi provocada pelos terroristas fanáticos que governam a Faixa de Gaza como déspotas medievais? Fez o chanceler a mais elementar pesquisa para se assenhorear do que diz a Constituição do Hamas sobre seu desiderato de destruir Israel e eliminar toda a sua população?
A equipe do Ministério de Relações Exteriores se assenhorou dos longos e sofisticados túneis pelos quais os bárbaros se preparavam para atacar covardemente a população civil do Sul de Israel? Qual o nível do sistema de informação de que dispõe nossa chancelaria?
E tem o governo brasileiro uma equipe jurídica sofisticada que poderia adverti-lo de que condenar Israel por sua defesa contra o terrorismo pode perfeitamente constituir cumplicidade com os terroristas e as atrocidades que praticam? Aliás, o mesmo se aplica aos governos dos países da União Europeia. Será que isso traz conforto ao governo brasileiro? E o povo brasileiro, os intelectuais, os estudantes universitários, os jornalistas, saberão aquilatar o fenômeno psíquico que reside atrás desta discriminação contra Israel?
Quanto mais o Estado de Israel progride em alta tecnologia, no avanço de sua medicina, de sua ciência; quanto mais Israel comparece para ajudar populações vitimadas por desastres naturais; quanto mais Israel contribui para minorar o sofrimento de certas populações africanas via todo tipo de assistência, quanto mais os judeus concentrados em Israel lutam por uma paz séria e duradoura com seus vizinhos — apresentando propostas irrecusáveis — sempre ignoradas pelos árabes, que por sua vez nunca oferecem contrapropostas; quanto mais Israel se revela um pais com o mais alto nível de democracia; quanto mais a Suprema Corte israelense atende a reclamações de palestinos; enfim, quanto mais Israel se destaca no plano intelectual, moral e jurídico, mais é vitimado pela hipocrisia das potências democráticas que, em vez de apoiar o Estado Judeu, lançam-se contra ele com mentiras, cinismo e má-fé. Qual a razão mais profunda desta injustiça gritante e vergonhosa? Ninguem desconfia?
Que cada um examine sua alma, sua história familiar, sua educação, sua visão do mundo e responda honestamente por que a demonização do Estado Judeu, por que a campanha injusta, cruel e perversa contra o Estado construído pelos sobreviventes do Holocausto?
* Professor
http://diplomatizzando.blogspot.com.
HERÓIS E TRAIDORES - 24/07/2014
Em artigo publicado em 22.03.12 neste espaço, escrevemos um texto sobre este assunto, que se revela assustadoramente atual, feitas algumas adaptações.
Afirmamos que em reunião sobre a grave questão da demarcação de áreas indígenas, em especial sobre a denominada região Raposa/Serra do Sol, e seus desdobramentos sobre o futuro do país, enquanto Nação soberana, independente e autônoma, surgiu em paralelo uma discussão sobre quem figuraria na História do Brasil, como herói e como traidor da Pátria. Houve unanimidade quanto aos heróis. Afinal, não há como negar o exemplo de brasilidade de vultos como Tiradentes, Duque de Caixas, Barão do Rio Branco, Tamandaré, Brigadeiro Eduardo Gomes, Vidal de Negreiros, Henrique Dias, Felipe Camarão, do anônimo soldado da FEB que lutou na Itália e outros.
No relativo aos traidores da Pátria houve dissenso. O ilustre brasileiro Jornalista Barbosa Lima Sobrinho já definia que no Brasil só existiam dois partidos políticos. O dos heróis, representados por Tiradentes e o dos seguidores do traidor Joaquim Silvério dos Reis. Mas, um participante argumentou, com propriedade, que Silvério teria sido um traidor sob a ótica de nós, brasileiros, mas não para os portugueses, a quem servia, sendo natural da nossa então matriz. Apenas houve consenso em Judas, como traidor universal.
Analisando a iminente perda de mais da metade do território nacional, representada, de início, pela demarcação irresponsável de vastas áreas do Brasil para indígenas (agora já criaram também os “quilombolas”), por “coincidência” justamente onde já estão mapeadas e conhecidas vastas riquezas e recursos naturais, que, no decorrer do tempo serão arrancadas do nosso país, sob qualquer pretexto, algumas reflexões se fazem necessárias.
Qual o país do mundo que, por “vontade própria”, sem o disparo de um tiro sequer, abre mão de um milímetro do seu território sem resistência armada? Em que lugar se escondem as autoridades (ir)responsáveis, por omissão, covardia, cumplicidade, que não reagem contra o crime de lesa-pátria a ser perpetrado? Será que o Brasil não fabrica mais Homens como no passado, quando tivemos Plácido de Castro, Marcílio Dias e tantos outros?
A maioria de nosso povo não sabe o que está acontecendo de fato. Pensa apenas em sobreviver, com as “bolsas-esmolas” ou com os empregos de baixa remuneração existentes, ou talvez ocupados com o samba, o futebol e o carnaval. Porém, existe uma parcela do povo conhecedora do que está em jogo. E é justamente esta que decide. A disputa não é entre “arrozeiros” e índios desprotegidos da época de José de Alencar. Se o leitor quiser apurar o que está sendo escrito aqui, pode entrar nas páginas do Greenpeace, do WWF-Brasil, da FUNAI e outros menos votados. Vai encontrar uma perfeita sintonia, uma ação orquestrada entre eles, com o mesmo objetivo.
Não é por acaso que dirigentes de órgãos governamentais decidem, ignorando o Congresso, os locais a serem demarcados, tendo sido (ou virão a ser), integrantes de ONGs suspeitas. Inclusive, algumas financiadas por governos estrangeiros. O G-7 e até potências emergentes estão carentes de nióbio, petróleo, bauxita, urânio e outras riquezas encontradas em abundância exatamente nas áreas que estão sendo entregues. Por isto, eles querem estas áreas. O argumento falacioso de que a propriedade da terra (solo e subsolo) é da União, possuindo os indígenas apenas o usufruto não se sustenta, quando observamos a prática nas regiões já demarcadas.
Não existem coincidências. Há planejamento e ação decorrente. Por que autoridades brasileiras assinaram na ONU a famigerada declaração universal dos direitos indígenas, ao contrário de EUA, Austrália, Nova Zelândia etc? Por que as Forças Armadas brasileiras estão sendo deliberadamente sucateadas, retirando-lhes a capacidade de cumprir com sua destinação constitucional? Por que o cidadão brasileiro está sendo desarmado, através de campanhas financiadas do exterior, executadas por sicários estrategicamente posicionados, com ampla cobertura da mídia? Por que os órgãos de comunicação, com raras exceções, não divulgam a verdade sobre o assunto, ao invés de praticar o reducionismo de tentar iludir a opinião pública, desinformando por intermédio da falsa assertiva de que a luta é entre o fazendeiro branco mau e o índio desprotegido e nômade? Por que não esclarecem que estes índios falam inglês, usam celulares e Pcs?
Por que a pressão externa intimidatória de organismos internacionais e governos estrangeiros? Por que ignorar que a maioria dos índios que defendem a posição do G-7 é orientada por órgãos estrangeiros, sendo movimentados de lugar, por ordem externa, de acordo com a existência de riquezas nos territórios a serem ocupados? Por que ignorar os indígenas que são contra? Por que nossas autoridades não aprenderam com a dura lição da Iugoslávia, do Iraque, do Kosovo etc.? Nossos descendentes reverenciarão quais novos heróis e desprezarão que novos traidores da Pátria? Afinal, a administração petista terá a coragem de denunciar o artigo 169 da “Convenção” da OIT – Organização Internacional do Trabalho, nesta data?
* Economista, Professor, Membro do Conselho Diretor do CEBRES, Titular da Academia Brasileira de Defesa e Autor do livro Brasil Soberano.
O DECRETO DO FORO DE SÃO PAULO - 09/07/2014
O Foro de São Paulo realizou em meados de 2013 o seu XIX Encontro. A organização, naquele ano reunida na capital paulista, concentrou suas atividades em dois objetivos centrais, aprofundar as mudanças e acelerar a integração nacional. Uma síntese do que supostamente foram os resultados dos trabalhos está na "declaração final" do encontro. Um documento que fixa uma série de diretrizes para os seus membros. Uma, em especial - se relida hoje - chama a atenção:
[...] "Temos que REPOSICIONAR O ESTADO e APROFUNDAR a democracia, ASSEGURAR A HEGEMONIA e a estabilidade política para a realização das MUDANÇAS e GERAR NOVOS ESPAÇOS DE PARTICIPAÇÃO POPULAR NA GESTÃO PÚBLICA e no cumprimento dos direitos básicos da população"
No tempo de sua publicação, essa diretriz parecia marcada por uma obscuridade insanável. O que seria propriamente "reposicionar o Estado" e como "gerar novos espaços de participação popular na gestão pública"? No entanto, o que antes era obscuro hoje aparece preenchido de sentido. Adquire forma e gera a espectativa de produzir efeitos com um ato presidencial: o decreto 8.243 [2].
Publicado no Diário Oficial da União no dia 26 de Maio de 2014, o decreto de Dilma Wanda pretende instituir a Política Nacional de Participação Social (PNPS) e o Sistema Nacional de Participação Social sob o pretexto de "fortalecer" e ampliar os mecanismos de participação da "sociedade civil" na administração pública (art. 1o) e "consolidar a participação social como método de governo" (art. 4o, I). A proposta pode parecer legítima, como um grande benefício para a "sociedade civil". Contudo, "sociedade civil" é apenas uma maquiagem para disfarçar os agentes que efetivamente irão representá-la: líderes, "coletivos" e "movimentos sociais" controlados ou ligados ao partido ou ao grupo político da Presidente da República e fartamente patrocinados com dinheiro público.
A inserção desses agentes nas instâncias decisórias da gestão e do estabelecimento de políticas públicas - em órgãos da administração pública direta e indireta, em agências reguladoras, conselhos, comissões, conferências, ouvidorias, mesas de diálogo, fóruns, audiências, consultas públicas - significa o aparelhamento da administração. Fere o sistema representativo nacional, atinge as prerrogativas do poder legislativo, composto por representantes, estes sim, escolhidos pela população através do voto.
Nestes termos, trata-se de fortalecer - não o poder discricionário do cidadão comum, ou da "sociedade" como um todo -, mas o projeto de poder de um grupo. O decreto de Dilma Wanda pretende subverter a ordem constitucional - "reposicionar o Estado", na expressão da diretriz supra citada - para tornar-se peça da ambição maior do Foro de São Paulo: promover o SOCIALISMO-COMUNISMO na América Latina. É o que estabelece a declaração final do XIX Encontro:
"Temos a convicção de que, continuando o aprofundamento das mudanças e acelerando a integração regional, podemos percorrer caminhos até o SOCIALISMO em nossa América Latina e no Caribe, o que seria uma obra original de nossos povos" (Tradução livre. O destaque é meu) [3].
Dilma Wanda é apenas um títere. Não só do seu partido, que é protagonista do Foro de São Paulo, mas da própria organização fundada por Lula e por Fidel Castro, que no encontro do ano passado decretou em seu "plano de ação": "aprofundar as mudanças onde governamos" [4]. Quer dizer, "nós" - o Foro de São Paulo - "governamos" o Brasil. Se o decreto 8.243 aparece como amostra clara desta determinação, a mensagem que Dilma Wanda gravou para o XIX Encontro do Foro de São Paulo é um sinal nítido de submissão. Porém, mais que servilismo pessoal, é a soberania de um país curvada às ambições de um grupo, a um projeto de poder continental, ao projeto de poder SOCIALISTA-COMUNISTA.
NOTAS.
[1]. XIX Encuentro del Foro de São Paulo. Declaración final [http://peppersp.com.br/forodesaopaulo/?p=3030]. Download do documento em PDF [http://peppersp.com.br/forodesaopaulo/?dl_id=196].
[2]. Decreto 8.243, 23 de Maio de 2014 [http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Decreto/D8243.htm].
[3]. Cf. Nota [1].
[4]. Cf. Documento "Plan de acción aprobado en el XIX Encuentro", Objetivos principales, ítem 2 [http://peppersp.com.br/forodesaopaulo/?p=3054].
A PROPÓSITO DO "ANÃO DIPLOMÁTICO" - 27/04/2014
A PROPÓSITO DO ‘ANÃO DIPLOMÁTICO’
Jacob Dolinger
Assim que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil condenou energicamente Israel pelo “desproporcional uso de força na Faixa de Gaza” e convocou seu embaixador em Tel Aviv a retornar a Brasília para consultas, o governo israelense, por seu Ministério do Exterior, lamentou que o “Brasil, um gigante cultural e econômico, permaneça um anão diplomático”.
Realmente lamentável o comportamento do governo da sra. Dilma.
Gostaria que nosso chanceler explicasse como ele mede “proporcionalidade” no campo bélico. Saberia ele que se Israel enviasse o mesmo número de mísseis que o Hamas lançou sobre Israel nos últimos anos, Gaza estaria totalmente destruída?
Sabe ele os cuidados que Israel tomou na semana passada avisando centenas de milhares de palestinos para abandonarem suas residências, possibilitando com isso que o Hamas soubesse exatamente onde o Exército israelense se preparava para atacar e causando assim quedas que não ocorreriam se os ataques fossem realizados de surpresa? Ou seja, Israel colocou em perigo seus soldados, sacrificando alguns deles, no esforço de minorar ao máximo as vítimas civis do inimigo.
Têm Sua Excelência e a presidente que ele serve a menor noção da barbárie dos dirigentes de Hamas forçando seu povo a permanecer em casa, enviando mísseis de hospitais e de áreas residenciais, para conseguir que a reação defensiva israelense cause vítimas civis entre o povo palestino?
Aliás, conhece o ministro alguma guerra que não causou vítimas civis? E que sempre houve desproporcionalidade entre o número de vítimas das partes envolvidas no conflito? Não compreende o chefe do Itamaraty que em Israel praticamente não caem vítimas civis porque o Estado protege seus cidadãos, com o mais sofisticado sistema de alarme e refúgio? Não está evidente aos olhos do governo brasileiro que esta, como as anteriores guerras entre Israel e Hamas, foi provocada pelos terroristas fanáticos que governam a Faixa de Gaza como déspotas medievais? Fez o chanceler a mais elementar pesquisa para se assenhorear do que diz a Constituição do Hamas sobre seu desiderato de destruir Israel e eliminar toda a sua população?
A equipe do Ministério de Relações Exteriores se assenhorou dos longos e sofisticados túneis pelos quais os bárbaros se preparavam para atacar covardemente a população civil do Sul de Israel? Qual o nível do sistema de informação de que dispõe nossa chancelaria?
E tem o governo brasileiro uma equipe jurídica sofisticada que poderia adverti-lo de que condenar Israel por sua defesa contra o terrorismo pode perfeitamente constituir cumplicidade com os terroristas e as atrocidades que praticam? Aliás, o mesmo se aplica aos governos dos países da União Europeia. Será que isso traz conforto ao governo brasileiro? E o povo brasileiro, os intelectuais, os estudantes universitários, os jornalistas, saberão aquilatar o fenômeno psíquico que reside atrás desta discriminação contra Israel?
Quanto mais o Estado de Israel progride em alta tecnologia, no avanço de sua medicina, de sua ciência; quanto mais Israel comparece para ajudar populações vitimadas por desastres naturais; quanto mais Israel contribui para minorar o sofrimento de certas populações africanas via todo tipo de assistência, quanto mais os judeus concentrados em Israel lutam por uma paz séria e duradoura com seus vizinhos — apresentando propostas irrecusáveis — sempre ignoradas pelos árabes, que por sua vez nunca oferecem contrapropostas; quanto mais Israel se revela um pais com o mais alto nível de democracia; quanto mais a Suprema Corte israelense atende a reclamações de palestinos; enfim, quanto mais Israel se destaca no plano intelectual, moral e jurídico, mais é vitimado pela hipocrisia das potências democráticas que, em vez de apoiar o Estado Judeu, lançam-se contra ele com mentiras, cinismo e má-fé. Qual a razão mais profunda desta injustiça gritante e vergonhosa? Ninguem desconfia?
Que cada um examine sua alma, sua história familiar, sua educação, sua visão do mundo e responda honestamente por que a demonização do Estado Judeu, por que a campanha injusta, cruel e perversa contra o Estado construído pelos sobreviventes do Holocausto?
Jacob Dolinger é professor
http://diplomatizzando.blogspot.com.
CÂMARA FARÁ AUDIÊNCIA SOBRE DOUTRINAÇÃO PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA - 20/03/2014
Há indícios de ventos de mudança por todo lugar. O brasileiro vai aos poucos despertando da longa sonolência, descobrindo que tem mais poder do que pensava, que pode reagir aos avanços dos bolivarianos, que é possível remar contra a maré vermelha. Pela primeira vez na história, a Câmara terá uma audiência para investigar a doutrinação ideológica nas escolas.
É um primeiro passo. Não sabemos o que vai sair de concreto disso, mas sem dúvida é uma notícia alvissareira. Miguel Nagib, da ONG Escola Sem Partido, celebra a notícia: “Modéstia à parte, acho que o trabalho do ESP tem muito a ver com isso. Essa audiência prepara o caminho para uma lei nacional contra a doutrinação. Foi o mais longe que nós já chegamos até agora”.
Não resta dúvida de que o árduo trabalho da ONG tem parte nisso. Indivíduos fazem a diferença. Por isso mesmo precisamos parar de só reclamar e arregaçar as mangas para agir. Cada um precisa fazer sua parte, mostrar-se vigilante, não permitir passivamente a doutrinação dos filhos nas escolas, mesmo as particulares, denunciar os “professores” que, em vez de ensinar sua matéria, preferem fazer proselitismo político e defender partidos corruptos.
Em sua coluna de hoje no GLOBO, Roberto DaMatta foi certeiro quando disse que chegou a hora do brasileiro comum. O que vimos no domingo foi uma multidão de gente da classe média com bandeiras verdes e amarelas, gritando que nossa bandeira não é vermelha. É exatamente isso: não aceitamos mais o socialismo, as ideologias empurradas goela abaixo de nossos filhos, pois somos brasileiros, não bolivarianos. Escreveu o antropólogo:
A nobreza das utopias — alimentar os famintos, vestir os nus, dar abrigo aos sem-teto — são as palavras magicas dessa cosmologia política pervertida, segundo a qual o governo, sabendo tudo e tudo possuindo, sabe mais e melhor do que a sociedade.
Mas eis que, depois uma década no poder, nada disso ocorre, exceto a utopia de enricar sem fazer nada — apenas governando e politicando: vendo onde, quando e quanto se pode tirar sem dolo, culpa ou remorso porque o dinheiro era do lucro e o lucro, como na Idade Média, é roubo e pecado. E quem rouba o ladrão tem mil anos de perdão…
Assusta, neste glorioso 15 de março, essas manifestações não encarnadas pelo falso vermelho, e marcadas pelo verde-amarelo. O verde-esperança e o ouro sem mácula que pintam o coração de milhares de brasileiros. Esses cidadãos comuns. Essa gente miúda. Esse povinho sem ideologia ou utopia, mas com a moralidade, apesar de tudo, intacta!
A utopia marxista serviu, até hoje e em todos os lugares, apenas para espalhar um mar de miséria e muita escravidão, enriquecendo os governantes enquanto isso. Não aceitaremos mais que militantes disfarçados de professores tentem praticar lavagem cerebral em nossos filhos. O ensino público é essa desgraça em boa parte pela substituição do aprendizado objetivo pela disseminação de ideologia vermelha nas salas de aula. Desde escolas até universidades.
Que os deputados saibam que estamos atentos, que acompanharemos o andar dessa comissão, que estamos cansados de tanta doutrinação e, como cidadãos comuns, desejamos apenas um melhor ensino público, onde nossos filhos aprendam a ler e a escrever direito, a fazer contas, e não que o socialismo é uma maravilha e o capitalismo o grande mal da humanidade. Chega de tanta doutrinação!
Rodrigo Constantino
PLANO COMUNISTA DO FORO DE SÃO PAULO AVANÇA NA AMÉRICA LATINA. URUGUAI E CHILE JÁ TÊM PROJETOS PARA CENSURAR IMPRENSA, INTERNET E REDE SOCIAIS. - 17/01/2014
O Foro de São Paulo, com a colaboração de Gilberto Kassab, o criador de partidos políticos de aluguel, deverá fazer aterrissar no Congresso Nacional um projeto de lei que institui o "controle social da mídia", ou seja, a censura à imprensa. Aliás, o PT, dirigente e operador do Foro de São Paulo, já conseguiu executar esse projeto da mordaça na Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador.
Os próximos países onde a liberdade de imprensa e de expressão cairão serão o Uruguai e o Chile. Depois será a vez do Brasil, quando o Foro de São Paulo, com a colaboração de Kassab e demais sabujos dos comunistas conseguir recriar a base alugada que neste momento anda meio avariada por causa do escândalo do petrolão e também pelo fato de que o PT resultou enfraquecido nas últimas eleições legislativas.
Como o PMDB faz qualquer negócio para obter poder e dinheiro já são favas contadas a rearticulação da base alugada que também tem agora o efetivo apoio dos banqueiros e mega empresários cujo representante oficial no governo do PT é o Joaquim Levy, estafeta dos donos do Bradesco.
Se no Uruguai e no Chile há ainda uma certa repulsa à censura à imprensa, no Brasil a censura não tem só o apoio das moscas varejeiras empresariais mas - pasmem - dos próprios donos dos veículos da grande imprensa brasileira. Ainda pode-se excetuar - por enquanto - a revista Veja.
Prova do que estou afirmando está no noticiário internacional do jornal Folha de S. Paulo desta quinta-feira onde se pode ler duas matéria sobre a morte anunciada da liberdade de imprensa no Chile e no Uruguai. Causa espécie o fato de que a notícia é dada sem que o jornal expresse um mínimo de revolta ante esse ataque a liberdade de imprensa e de expressão que agora também foca na internet, já que no Chile o governo esquerdista de madame Michelle Bachelet também pretende calar os blogs independentes e até mesmo as redes sociais como Facebook e Twitter.
Está aí portanto um assunto que merece ser levado ao Conclave de Washington, evento que está sendo organizado para denunciar no Clube Nacional de Imprensa dos Estados Unidos, as ações do Foro de São Paulo no que respeita a fraudes es eleitorais e desmantelamento das instituições democráticas em todos os países sul americanos, bem como a perseguição e prisões de dissidentes como já ocorre na Venezuela, Equador e Bolívia.
JORNALISTA BRASILEIRO APOIA CENSURA
Mas o que causa espanto mesmo é o fato de que no Brasil a censura à imprensa tem o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas e de todos os sindicatos da categoria. Além disso, tem também o apoio da maioria dos jornalistas nas redações dos veículos de comunicação. Tanto é que as exceções podem ser contadas nos dedos. A rigor, a censura à imprensa no Brasil já está em vigor há muito tempo e ficou mais escancarada depois que o PT chegou ao poder. Essa censura consiste na filtragem das informações relevantes ou, ainda, na versão 'politicamente correta' dos fatos. Basta atentar para o seguinte: programas, cartuns e textos humorísticos, irônicos ou satíricos já foram totalmente banidos. O que resta de humor e sátiras é veiculado apenas nas redes sociais e por isso o projeto de lei de censura no Chile sob o domínio também do Foro de São Paulo, mira nas plataformas digitais.
Esse tipo de censura funciona sob as regras do denominado "marxismo cultural" que promove a subversão dos conceitos, essência dessa lavagem cerebral. Por isso, em vez de se falar em censura à imprensa, os comunistas falam em "controle social da mídia", fazendo com que as pessoas suponham que será a própria sociedade que decidirá o que deve ou não ser noticiado e/ou comentado na imprensa, rádio e televisão. Chamam isso também de "democratização da mídia".
O ARDIL COMUNISTA
Ora, trata-se de um ardil para iludir os incautos. Lembrem-se, por exemplo, do projeto do PT que cria os tais "conselhos populares" para definir as políticas públicas incluindo, evidentemente, o que deve e não dever ser noticiado. Sob o disfarce democrático esses conselhos que ditam o que é certo e o que é errado são na verdade integrados por esbirros do Foro de São Paulo, que atendem pelo qualificativo de "movimentos sociais", mas que não passam de asseclas do grande movimento comunista conduzido pelo Foro de São Paulo.
Como se pode observar, a apresentação de projetos de lei de censura à imprensa não seriam apresentados sem que o Foro de São Paulo não tivesse a certeza de sua acolhida. Notem também que o que definem como "socialismo do século XXI", significa a possibilidade de utilização das instituições democráticas para sua própria destruição. Em outras palavras, isso também significa o aparelhamento total e irrestrito de todas as instâncias de poder do Estado, algo sonhado pelo filósofo comunista italiano Antonio Gramsci e também pelos psicopatas da Escola de Frankfurt.
O que acabo de discorrer de forma muito superficial neste texto constitui exatamente o que é escamoteado pela grande imprensa. Aliás, o Foro de São Paulo foi transformado em tabu pelos próprios jornalistas, como de resto qualquer discussão a respeito do que realmente está acontecendo. O que aparece nos jornais, no rádio e na televisão não tem o menor vínculo com a realidade política. Os veículos de comunicação noticiam apenas eventos administrativos e burocráticos. E quando a notícia é realmente quente e tem profundas implicações na gestão do Estado com reflexos práticos na vida das pessoas, seja do ponto de vista coletivo ou particular, aparece descontextualizada.
Como exemplo do que acabo de afirmar nestas linhas, transcrevo na íntregra as duas notícias sobre a censura à imprensa em andamento no Chile e no Uruguai, publicadas pela Folha de S. Paulo desta quinta-feira. Tirem as suas próprias conclusões e façam os seus comentários enquanto ainda se tem liberdade e se pode contar com a internet, os blogs independentes e as redes sociais. Ainda há tempo para resistir? Creio que há, mas já não tenho certeza. Leiam:
O ATAQUE À LIBERDADE DE IMPRENSA:
1 - URUGUAI:
Uma nova lei que regula o mercado de comunicação, aprovada no final de dezembro pelo Congresso uruguaio, tem sido motivo de polêmica no país.
Lançada pelo Poder Executivo, a Ley de Servicios de Comunicación Audiovisual (LSCA) vai regulamentar os mercados tanto de TV aberta como a cabo.
Trata-se de uma mudança de tom do presidente José "Pepe" Mujica, que se posicionava contra a criação de legislação que controlasse a mídia.
"A melhor lei de meios é a que não existe", repetia o mandatário uruguaio.
Em 2014, no entanto, o discurso do presidente mudou: "A pior ameaça é que venha alguém de fora e tome conta. Não quero que Clarín [Argentina], Globo [Brasil] ou [Carlos] Slim [empresário mexicano] se façam donos das comunicações do Uruguai", declarou.
A lei será regulamentada em março, quando assume o novo presidente, Tabaré Vázquez, também da Frente Ampla e favorável à medida.
Seu texto declara que serviços de comunicação são de "interesse público" e fixa limites para a autorização de licenças para prestação de serviços de TV paga.
Serão permitidas, a partir de agora, só seis por pessoa física ou jurídica, número reduzido a três se uma das licenças for para operar em Montevidéu. A norma obrigará algumas empresas a abrir mão de licenças.
Fica estabelecido na nova legislação também que 60% da programação dos canais deverá ser de produção ou coprodução nacional.
As rádios terão de dedicar 30% de sua grade à música nacional.
A participação estrangeira também será limitada. Será criado ainda um conselho regulador, com poder de punir meios que não cumpram as regras ou mesmo retirar concessões.
A lei aprovada, porém, não trata de meios digitais ou impressos.
CRÍTICAS À LEI
Para Claudio Paolilo, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), a aplicação da lei pode representar uma ameaça à liberdade de expressão.
"Além disso, ela é obsoleta num mundo em que governos caem via Twitter e cada vez menos se precisa de uma concessão", declarou.
Paolilo dirige o semanário conservador "Búsqueda", um dos mais lidos do país.
O diretor do jornal "El País" de Montevidéu, Martín Aguirre, disse à Folhaque considera a lei "antiquada" e que ela pode criar precedentes para o controle da mídia no país.
"Não gosto desse espírito hiper-regulador que setores mais esquerdistas da Frente Ampla defendem. A lei como um todo não é ruim, mas há pontos que preocupam. A criação da comissão reguladora é um deles. É sempre complicado convocar representantes populares que não foram eleitos pelas urnas", afirmou Aguirre.
Para o senador socialista Daniel Martínez, aliado do governo, a lei é "dever do sistema republicano".
Já o ex-presidente Julio María Sanguinetti fez ataques mais duros. Para ele, é "inconstitucional" e representa "um revólver carregado na nuca do jornalismo independente".
Mujica defende a decisão: "Parece que qualquer coisa para regular é um pecado mortal. Penso exatamente o contrário. Sem regulação, os tubarões de fora vão nos engolir. As famílias [proprietárias] não são eternas, e eu sei o que fazem os herdeiros. É preciso ter liberdade de imprensa. O que não pode haver é monopólio". Da Folha de S. Paulo
2. CHILE:
O Chile também discute implantar uma lei de mídia, que já está em discussão no Congresso e deve ser votada nos próximos meses. O ponto mais polêmico é a inclusão de plataformas digitais.
Caso seja aprovada, a lei estabelecerá que donos de sites que tenham no mínimo quatro publicações semanais sejam considerados proprietários de meios de comunicação social.
"Esse recorte fará com que possam ser controlados blogs pessoais e até atualizações no Facebook", alertou a advogada Rayén Campusano, da ONG Direitos Digitais.
O deputado governista Ramón Farias tentou conter a enxurrada de posts negativos nas redes sociais que afirmavam que a nova lei poderia controlar o conteúdo do Facebook ou do Twitter.
"Não se trata disso. Queremos só dar a meios digitais o mesmo status dos de papel. Estamos legalizando a internet. Será necessário que proprietários de páginas ou sites tenham residência no Chile, que sejam pessoas conhecidas e identificáveis e que possam se responsabilizar por aquilo que publicam", disse.
Já o deputado Giorgio Jackson afirmou que "aqueles que impulsionam essa iniciativa lamentavelmente não compreendem como se desenvolvem os meios digitais. "Por isso mesmo", acrescentou, "não é papel do Parlamento elaborar leis que limitem a liberdade de expressão das pessoas." Da Folha de S. Paulo
FRENTE - TÁTICA PERMANENTE DOS PARTIDOS COMUNISTAS - 12/01/2014
"Não seríamos verdadeiros comunistas se não soubéssemos modificar inteiramente nossa tática de conformidade com o momento. Todos os recuos, todos os zig-zags de nossa tática tem um único fim: a revolução mundial". (Giorgy Dimitrov, Secretário-Geral da III Internacional na década de 30).
A incredulidade de seus adversários é a maior arma dos comunistas
Os princípios segundo os quais é organizada uma Frente Comunista são semelhantes a uma série de círculos concêntricos. Ao centro situa-se o partido da classe operária, composto tanto por comunistas conhecidos como por cripto-comunistas.
Em torno desse seleto núcleo central estão os companheiros de viagem, ou seja, pessoas que apóiam a filosofia, os objetivos, a tática e a organização do partido, mas que, por quaisquer motivos, não se submetem à disciplina partidária, talvez por não terem ainda atingido o ponto de completa entrega pessoal.
Os simpatizantes, por sua vez, mostram-se contrários a alguns aspectos do comunismo, mas reconhecem que nele há “coisas boas, aspectos positivos que correspondem aos interesses das classes trabalhadoras”, bem como que é plausível a associação com os comunistas para determinadas reivindicações. Alimentam a esperança de que, trabalhando ao seu lado, sendo tolerantes com eles, conseguirão, um dia, afastá-los de suas atividades extremadas. Nesse grupo pode ser incluído um bom número de religiosos, especialmente propensos a esse tipo de argumentação. Ou seja, como disse Winston Churchil, “alimentam um crocodilo na esperança de serem comidos por último”.
Após os simpatizantes, existe a categoria dos pseudo-liberais, cuja grande maioria é encontrada nas cátedras dos colégios e universidades. Freqüentemente, assim explicam sua posição: “Sou contra o comunismo. Sou contra as restrições comunistas à liberdade das pessoas e à livre manifestação do pensamento. Mesmo assim, ainda que abomine o que eles dizem e fazem, lutarei pelos seus direitos de expressão e organização, pois sou um democrata”.
Todos os partidos de esquerda sempre proclamaram a necessidade da união em uma Frente: as famosas “Frentes Populares”. Essa tática não é recente. Ela foi aprovada e determinada pelo VII Congresso da Internacional Comunista, em agosto de 1935. Jamais foi revogada e não deixou de ser utilizada, embora o comunismo tenha sido demolido em 1989, 1990 e 1991.
Um partido comunista é e sempre será o mesmo e, onde quer que exista, legal ou clandestino, lutará pela constituição de uma Frente em termos de um Programa Comum. Desde os anos 30, em qualquer parte do mundo, sejam quais forem as circunstâncias de sua existência – legal ou ilegal – os militantes passaram a repetir, de forma insistente, a palavra-de-ordem de formação de uma Frente, ou seja, de uma unidade dos comunistas com os demais setores democráticos que, assumido o Poder, serão expelidos.
A essência dessa tática consiste em descobrir lemas ou slogans populares que possam servir de base a uma atividade conjunta. Eles, os comunistas, nunca desprezarão quaisquer oportunidades históricas que lhes permitam buscar a unidade de forças, inclusive antagônicas sob o aspecto doutrinário, visando a obtenção de benefícios políticos, de conformidade, aliás, com a ética e moral comunistas.
“Unidade pela base para obter – como disse Lênin – um aliado de massas, ainda que temporário, instável, vacilante, pouco seguro e condicional”.
O objetivo principal dos comunistas, ao unir-se a não-comunistas, é conseguir um meio de obter acesso a setores da sociedade que, de outra forma, poderiam manifestar-se hostis ou inibidos.
Fiéis a essa tática, todos os partidos comunistas do mundo mantêm, sempre atualizado, um Programa-Mínimo contendo um elenco de reivindicações transitórias adaptado às condições objetivas de cada etapa da revolução e coerente com o grau de mobilização das massas.
desnecessário recordar que o militante comunista é um profissional que desempenha compulsoriamente e em tempo integral uma tarefa proselitista e pastoral, para cujo exercício relega a um segundo plano a família, o lazer e quaisquer outras atividades. Essa é uma das qualidades que diferenciam o militante dos membros dos partidos políticos tradicionais – uma livre associação de homens livres. Livres para permanecerem ou retiraram-se de seus partidos na medida em que suas convicções ou opiniões coincidam ou não com as da maioria e, ademais, livres para fazer o que quiserem fora do limitado perímetro de uma militância voluntariamente aceita.
O nível de organização, a capacidade de exercer tarefas de agitação e propaganda objetivando a mobilização das massas e a homogeneidade de pensamento são outras qualidades dos partidos ou movimentos comunistas.
A circunstância de que a sua revolução social deva ser desencadeada antes ou depois de assumirem o Poder não passa de um irrelevante problema tático.
A finalidade da formação de Frentes é, em suma, buscar converter o maior número de pessoas em grupos de influência submetidos ao seu comando.
Os abaixo-assinados têm também muito valor para os partidos e grupos de esquerda, onde constem assinaturas de artistas, intelectuais e conhecidos liberais não-comunistas. Igualmente as concentrações de massas, as caminhadas e atos públicos nos quais esses mesmos liberais aparecem sempre nas chamadas comissões de frente.
Embora, na maioria dos casos, essas atividades não tenham nenhuma influência sobre a política governamental, os comunistas são sempre vitoriosos, pois criam uma situação na qual um grupo de liberais não-comunistas compartilha de seu fracasso.
Embora as palavras e as táticas sejam as mesmas através dos tempos, mudando apenas, como agora, o vermelho pelo rosa, muitas pessoas relutam em crer no que vêem, ouvem e lêem, incredulidade que se constitui no principal fator de força dos comunistas.
* Historiador
Carta aberta à oposição: resgatem as nossas liberdades e os seus mandatos! - 00/00/0000
Katia Magalhães - IL
À atenção dos deputados e senadores opositores ao autoritarismo judicial
Dirijo esta missiva à restrita gama de parlamentares que, da tribuna e fora dela, manifestam oposição aos crescentes desmandos do STF e, em particular, aos atentados judiciais à liberdade de expressão e à autonomia do Legislativo. Afinal, de nada adiantaria escrever aos inúmeros pares de V. Exas. que, traindo seus eleitores e a nossa ordem constitucional, aplaudem ou calam diante de decretos de juízes abusivos.
Ontem, o Brasil presenciou uma autêntica sessão legislativa na corte que deveria arbitrar litígios. Em vez de cumprir sua função institucional de aferir se julgados de outras instâncias ou normas infraconstitucionais são ou não compatíveis com a Constituição, o tribunal se arrogou a ditar as regras do jogo. No encerramento do julgamento sobre a responsabilização das redes sociais por conteúdos, o ministro Barroso, após a proclamação dos resultados dos casos concretos em apreciação, passou a palavra ao colega Toffoli para que este enunciasse as “teses” destinadas à regência dos conflitos no ambiente digital.
Na prática, juízes legislaram, pois criaram para as plataformas obrigações não-previstas no ordenamento vigente, dispondo sobre situações genéricas e futuras, em atuação que cabe tão somente a V. Exas., parlamentares. Responsabilizaram provedores pela não-remoção imediata de conteúdos relacionados a atos antidemocráticos, terrorismo, induzimento ao suicídio e à automutilação, incitação à discriminação, crimes sexuais e tráfico de pessoas e, ao assim fazerem, reescreveram dispositivos inteiros do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/14).
No dia seguinte à sessão, foi noticiada, pelo jornal Gazeta do Povo, uma reação parlamentar ao arbítrio da véspera, mediante esforços tendentes à aprovação de uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Segundo a reportagem, a PEC, de autoria da deputada Caroline de Toni, promoveria uma alteração no artigo 5º da Constituição: a redação atual, que ampara a livre manifestação opinativa e veda o anonimato, seria substituída por uma versão que conferisse liberdade plena às opiniões e vedasse qualquer tentativa de limitá-la. Em que pese a coragem na iniciativa, a solução parece inadequada e ineficaz.
Inadequada, vez que redundante, ao conferir à liberdade opinativa um amparo já previsto em nossa Constituição e consagrado, diga-se de passagem, em sua plenitude. Embora repleta de imperfeições, a CF em vigor não pode ser acusada de não conceder uma amplíssima chancela ao direito natural de falar, pensar, e exprimir ideias. Promulgada após o trauma de um longo período de repressão, a Carta de 88 se preocupou em elencar a liberdade de expressão no rol das garantias fundamentais, que, ainda por cima, constam da seleta lista de cláusulas pétreas (art. 60, parágrafo 4, inciso IV). Assim, a PEC representará algo como “chover em um molhado” de proteção ampla à liberdade de expressão, que, de tão resguardada, sequer pode ser afetada por eventuais mudanças no texto constitucional.
Ineficaz, pois de nada adiantaria inserir, na Constituição, um reforço de proteção às manifestações opinativas. Afinal, a despeito da já robusta chancela constitucional, a liberdade de expressão já vem sendo desrespeitada pelo Judiciário pelo menos desde a instauração do Inquérito das Fake News, em 2019.
A supressão da vedação ao anonimato, também objeto da PEC, parece igualmente inócua no enfrentamento do autoritarismo togado. Como se vê nos últimos anos, o STF não se incomoda com opiniões provenientes de perfis anônimos, com poucos seguidores e baixa reverberação nas redes. Antes, a mordaça judiciária tem sido direcionada a contas de titulares conhecidos por seus verdadeiros nomes e sobrenomes, perseguidos exatamente em virtude da ampla repercussão de suas manifestações críticas ao STF. Não à toa, conforme revelado pelos Twitter Files, a censura maciça tem recaído sobre jornalistas e influenciadores notórios, e até sobre parlamentares!
A despeito desse cenário sombrio, V. Exas. podem e devem agir, lançando mão de todas as suas prerrogativas constitucionais para impor que juízes retornem às suas funções e deixem de se imiscuir na seara parlamentar. Cabe a V. Exas a tarefa de colocar em prática o artigo 49, XI da CF, que reconhece como sendo de atribuição exclusiva do Congresso nacional a faculdade de zelar pela sua própria competência legislativa.
Ora, se o texto constitucional é claríssimo ao conferir a V. Exas. o poder de resguardar a exclusividade da função de promulgar normas jurídicas, então partam para a ação e neguem vigência a julgamentos como o de ontem, em que magistrados desempenharam indevidamente o papel de legisladores. Não se trata de disrupção, mas de simples aplicação de dispositivo da Constituição, norma fundamental que tem de reger todos os poderes!
Ainda no âmbito das atribuições legislativas de V. Exas., revoguem a Lei 14.197/21, que introduziu, em nosso Código Penal, os crimes contra o Estado democrático de direito. Trata-se de tipos penais perigosamente abertos, cuja redação genérica e indefinida foi maliciosamente usada como fundamento a todos os inquéritos e processos por suposto “golpismo”. Cabe a V. Exas. a faculdade constitucional de banir esses tipos penais do nosso ordenamento e, por consequência, de cancelar todas as condenações e os procedimentos injustos contra indivíduos que nada fizeram além de manifestar suas opiniões. Assim como cabe aos membros do nosso Senado processar e punir todos os magistrados que, sob o pretexto de “enfrentamento ao golpismo”, tenham incorrido em crimes de responsabilidade.
Momentos críticos como o presente demandam as respostas prontas que a Constituição coloca ao alcance de V. Exas. Em jogo, estão o cerceamento indevido às liberdades individuais e a invasão da esfera legislativa por togados, que vêm tornando V. Exas. figuras cada vez mais decorativas e vulneráveis. Coloquem um pouco de lado as aparições em redes e priorizem ações efetivas que V. Exas. podem e devem tomar para frear um J1udiciário que se coloca como “poder moderador”, pairando acima dos demais e da própria Constituição. Ajam, antes que seja tarde demais para chorarem por seus mandatos perdidos!
Atenciosamente,
Katia Magalhães
OAB/RJ 95.511
* Publicado originalmente no excelente site do Instituto Liberal, em https://www.institutoliberal.org.br/blog/justica/carta-aberta-a-oposicao-resgatem-as-nossas-liberdades-e-os-seus-mandatos/
Fracasso em samba e verso - 00/00/0000
Gilberto Simões Pires
MODO PETISTA DE GOVERNAR
Mais do que sabido, a partir de 2003, quando LULA foi eleito pela primeira vez para comandar o Poder Executivo do Brasil, em muito pouco tempo o mundo todo percebeu, compreendeu e comprovou que o -MODO PETISTA DE GOVERNAR- sempre teve como -FOCO PRINCIPAL E SECUNDÁRIO-a PRODUÇÃO DE MAZELAS do tipo que misturam, em doses cavalares, ALTA CORRUPÇÃO, MÁ ADMINISTRAÇÃO, INCOMPETÊNCIA, INFORTÚNIOS, ROMBOS NAS CONTAS PÚBLICAS etc., com reflexos SOCIAIS ECONÔMICOS INCALCULÁVEIS.
PROSPERIDADE PETISTA
Em meio ao processo de convencimento -palpável, paulatino e inequívoco- do quanto o MODO PETISTA DE GOVERNAR tem sério compromisso com a DESTRUIÇÃO, A CORRUPÇÃO E A ROUBALHEIRA, muita gente, com cara de espanto, acabou por descobrir, enfim, que a PROSPERIDADE, sob a ótica dos PETISTAS, tem -COMPROMISSO ETERNO COM O INSUCESSO-, ou seja, com a OBTENÇÃO DE RESULTADOS TRÁGICOS E/OU INSUSTENTÁVEIS A MÉDIO E LONGO PRAZO.
FRACASSO EM SAMBA E VERSO
Ainda assim, partindo do princípio de que -TUDO TEM LIMITE-, nem mesmo os mais resistentes, do tipo que apoiam o FUNESTO IDEÁRIO PETISTA, imaginavam que o -MODO PETISTA DE GOVERNAR-, acabaria, por óbvio, levando - A ESCOLA DE SAMBA - ACADÊMICOS DE NITERÓI- ao inevitável -REBAIXAMENTO PARA O GRUPO DE ACESSO-. Como se vê, tudo que LULA e o PT tocam, se envolvem, participam e elegem, resultam sempre em estrondosos FRACASSOS. Vide, por exemplo, as ESTATAIS, que ano após ano acumulam prejuízos cada vez maiores.
O POVO É O GRANDE FRACASSADO
Pois, para deixar bem claro que, NA REAL, o maior FRACASSADO É O POVO BRASILEIRO, pois a Escola de Samba ACADÊMICOS DE NITERÓI recebeu R$ 9,6 MILHÕES EM VERBA PÚBLICA (DINHEIRO DOS PAGADORES DE IMPOSTOS) para realizar seu desfile. Os pagamentos vieram da PREFEITURA DE NITERÓI, DO GOVERNO DO ESTADO DO RJ, DO GOVERNO FEDERAL, POR MEIO DA EMBRATUR, E DA PREFEITURA DO RJ, VIA RIOTUR. Mais: o governo federal, leia-se LULA e JANJA, se envolveu diretamente com o desfile.
NÚMEROS DO DESASTRE PETISTA - //
A trágica herança deixada pelos últimos anos da era lulopetista na economia fica evidente também nos dados sobre a demografia das empresas que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) acaba de divulgar. Em 2016, último ano da desastrosa passagem de Dilma Rousseff pela Presidência da República, o Brasil perdeu 70,8 mil empresas, o que resultou na demissão de 1,6 milhão de trabalhadores. É o que mostra o estudo Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo 2016 divulgado pelo IBGE.
O fato de esse ter sido o terceiro ano consecutivo em que o saldo total de empresas em operação no País foi negativo comprova, com estatísticas expressivas sobre a deterioração do ambiente empresarial, o que outros indicadores já mostravam. A crise que afetou duramente o País começara efetivamente em 2014. Foi o ano em que, escondendo dados sobre a realidade da economia e das finanças públicas e fazendo promessas que jamais poderia cumprir, Dilma iludiu boa parte do eleitorado e conseguiu sua reeleição.
As mentiras com que Dilma e sua companheirada animaram a campanha eleitoral tinham pernas curtas, a recessão se instalou, as pedaladas fiscais com que o governo petista tentou esconder a gravidade da crise das contas públicas se evidenciaram e a presidente, afinal, foi definitivamente afastada do cargo no dia 31 de agosto de 2016. Os efeitos de sua danosa gestão, porém, persistiram por vários meses após seu impeachment. Desse modo, comprometeram o início do governo de seu sucessor legítimo, Michel Temer, a despeito do esforço deste para iniciar um severo controle das contas públicas destroçadas nos anos anteriores.
Em 2016, havia 4,5 milhões de empresas ativas, que ocupavam 38,5 milhões de pessoas, das quais 32,0 milhões eram assalariadas e 6,5 milhões, sócias ou proprietárias. Em relação ao ano anterior, o saldo total de empresas caiu 1,6% e o total de pessoal assalariado, 4,8%.
A taxa de entrada das empresas no mercado, que mede a proporção de empreendimentos iniciados no ano em relação ao universo total das empresas, por sua vez, caiu pelo sétimo ano consecutivo. Essa taxa fixou em 14,5% em 2016, o menor valor da série iniciada em 2008. Isso sugere que, no Brasil, os efeitos da crise financeira mundial de 2008 - que afetaram a disposição de empreender em todo mundo durante algum tempo - se estenderam por um período mais longo em razão das imensas dificuldades que a equivocada política econômica do governo Dilma impôs à atividade empresarial.
O impacto negativo dessa política econômica foi particularmente notável nas estatísticas sobre as empresas consideradas de alto crescimento. São as empresas que desempenham um papel socioeconômico mais relevante, pois estão nessa classificação aquelas que aumentaram o número de empregados em pelo menos 20% ao ano, em média, por três anos consecutivos e tinham 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial da classificação. Entre 2015 e 2016, o número dessas empresas diminuiu 18,6% e seu pessoal assalariado caiu 23,5%. Mesmo assim, embora representassem apenas 0,9% do total do universo das empresas, elas ocupavam o equivalente a 8,3% de todo o pessoal assalariado.
O forte impacto social negativo dos últimos anos do governo de Dilma é nítido também nas taxas de desocupação aferidas regularmente pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua, também do IBGE. Essa taxa é a média do trimestre móvel encerrado no mês de referência. Ela começa a subir no trimestre encerrado em janeiro de 2015, primeiro mês do segundo mandato de Dilma, quando ficou em 6,8%. Um ano depois, já estava em 9,5%. A deterioração do mercado de trabalho em consequência da recessão provocada pelos equívocos da política econômica petista se acentuou nos meses seguintes, até alcançar seu ponto máximo em março de 2017, quando chegou a 13,7%.
São números que o eleitor deveria levar em conta quando for depositar seu voto domingo.
COMO VENCER A GUERRA CULTURAL - //
A sociedade está em crise. Esta é uma constatação inescusável para qualquer um que se proponha a examinar o mundo à sua volta. Banalização da violência e a disseminação da criminalidade. No entanto, o que mais atormenta as pessoas são as questões sociais e culturais, a reformulação dos valores e da moral. Este movimento não é espontâneo. Não é fruto do “progresso” ou consequência do “desenvolvimento”. É o resultado de uma verdadeira guerra.
“Como vencer a guerra cultural” é um chamado à realidade. Peter Kreeft - professor de filosofia do Boston Collegy e do King´s College - alerta os incautos e desavisados, os iludidos e conformados, sobretudo os cristãos, que insistem em proclamar paz, paz, paz: estamos em uma GUERRA e diante de um EXÉRCITO DA DESTRUIÇÃO. Milícias revolucionárias que – tomadas por um surto psicótico de autodivinização - reivindicam poder para destruir as estruturas sociais – a moral judaico-cristã, denunciada como a fonte e a origem da injustiça e do mal - para erguerem um “novo mundo” das ruínas e dos escombros.
O livro de Peter Kreeft é mais que um chamado à realidade, é uma convocação dos cristãos para a guerra. Os católicos são “pacíficos”, porém, não “pacifistas”, advertia o Papa Paulo VI. Não devem aceitar tudo e qualquer coisa sob o pretexto da “paz” e do “amor”, porque AMOR também é “luta”. Basta olhar o amor de um pai e de uma mãe pelo filho para reconhecer que ele é uma guerra contra o ódio, a deslealdade e o egoísmo. Não há amor sem ODIAR o MAL – e o Maligno - e sem o compromisso com a VERDADE.
Trata-se de uma guerra ESPIRITUAL travada no campo de batalha CULTURAL. A lei de Colson – exposta em um diagrama lógico que envolve “Comunidade”, “Caos”, “Consciência” e “Polícia” - é um esquema útil para compreender os termos deste conflito. É importante identificar o “inimigo”, mas também os seus colaboradores. Por isso Kreeft denuncia os “especialistas” e “Intelectuais”, que ele chama de “experts”. São agentes que ocupam centros de ensino e universitários, a mídia e a imprensa. Suas armas são artifícios retóricos e pseudofilosofias, utilizados para justificar a “transformação da sociedade” e impor todo tipo de absurdo: desde o ABORTO – o ASSASSINATO de crianças - à revolução sexual GAYZISTA-FEMINISTA, o vício das DROGAS, etc.
Neste conflito o cristão não está desamparado. Ele tem um poderoso estímulo para lançar-se ao combate: o DEVER de SANTIDADE. Seus modelos são os santos e o próprio Filho de Deus. Kreeft desconstrói a imagem “pacifista” de Jesus Cristo, forjada para domesticar os cristãos e que contrasta com Aquele que advertiu: “Mas qualquer um que fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse lançado no mar” (Mc 9, 42). Quanto aos santos, não, eles não são ascetas que abandonaram o mundo para uma vida na estratosfera:
“[...] os santos amam a verdadeira paz. Eles também odeiam a falsa paz, a paz baseada em mentiras. Os santos odeiam a violência e a intolerância para com os pecadores. Mas eles odeiam também a tolerância ao pecado. Os santos amam mais os pecadores e menos os pecados do que todas as outras pessoas. Essas duas excentricidades confundem as pessoas e, não raro, as ofendem” (p. 130).
É uma guerra com a espada trazida por Cristo, que separa, de um lado a PESSOA, inviolável, mas do outro o PECADO – intolerável em pensamentos e palavras, atos e omissões.
Kreeft adverte. Na guerra denunciada não está em jogo apenas a “sociedade”. Estão em risco sobretudo as ALMAS (p. 136). Almas conformadas ou que se degradam alimentando-se com uma CULTURA DA MORTE, com uma “espiritualidade” pueril. Que investem em uma felicidade forçada e em uma paz fingida. Elas podem estar decidindo a sua eternidade ao disseminar o MAL que insistem tanto em esconder ou negar. Para estas almas, mas também para as que preenchem as fileiras do combate, um anúncio sobre a sua condição: “a estrada do paraíso perdido até o paraíso reconquistado está encharcada de sangue. Bem no centro da história está uma cruz – um símbolo de conflito mais do que qualquer outro” (p. 23). O livro de Kreeft é edificante, porque mostra a dignidade de percorrer este caminho.
BIBLIOGRAFIA.
KREEFT, Peter. “Como vencer a guerra cultural”: um plano de batalha cristão para uma sociedade em crise. Tradução MárcioHack. Ecclesiae: São Paulo, 2011.
Golpe contra a História - //
DESAPRENDENDO COM A HISTÓRIA - //
OS MITOS DO COMUNISMO: PRESTES & CIA - //
“Sou a favor da idéia socialista. Mas uma vez disse a meu pai: ‘se isso é socialismo, eu sou contra o socialismo”(Yuri Ribeiro Prestes, historiador, filho de Luiz Carlos Prestes. Viveu na Rússia de 1970 a 1994 - jornal Folha de São Paulo de 2 de novembro de 1997)
A partir do momento em que, na ex-União Soviética os arquivos da 3ª Internacional foram abertos aos pesquisadores, vários mitos e lendas não mais se sustentam. Alguns livros, editados com base nesses arquivos, foram publicados, dando conta de detalhes inéditos do Movimento Comunista Internacional.
A 3ª Internacional, ou Komintern, do alemão “Komunistiche Internationale”, foi uma entidade com sede em Moscou, criada por Lenin, que funcionou de 1919 a 1943.
O Komintern era dirigido pela “Uskaia Komissia”, a “Pequena Comissão”, responsável por todas as decisões relativas aos aspectos políticos, de inteligência e de ligação do Kominern com o Partido Comunista da União Soviética.
Desde a década de 20, o Komintern financiava e controlava os partidos comunistas de todo o mundo, com verbas fornecidas pelo Estado soviético. Essa prática permaneceu inalterada por mais de 70 anos. Quando o Komintern foi desativado, em 1943, o Departamento de Relações Internacionais do PCUS assumiu suas tarefas.
Ao final do ano de 1991, após o fim da União Soviética, foram encontrados na sede do Comitê Central do partido único documentos referentes à “ajuda financeira fraternal” aos demais partidos comunistas de todo o mundo Esses documentos, como é evidente, faziam menção ao Partido Comunista Brasileiro, e comprovam que já em 1935 Luiz Carlos Prestes era um assalariado do Komintern: No período de abril a setembro de 1935, US$ 1.714,00 foi a quantia destinada a Prestes.
Assinale-se que Luiz Carlos Prestes foi admitido como membro do Komintern em 8 de junho de 1934. Antes, portanto, de sua filiação ao PCB, o que constituiu um fato inédito no comunismo internacional. Prestes só viria a ser admitido no PCB em setembro desse ano.
A alemã Olga Benário (que também utilizava os nomes de “Frida Leuschner”, “Ana Baum de Revidor”, “Olga Sinek”, “Olga Bergner Vilar” e “Zarkovich” (casada em Moscou com B. P. Nikitin, aluno da Academia Militar Frunze) que pertencia ao IV Departamento do Estado-Maior do Exército Vermelho, foi a pessoa designada para a missão de acompanhar Luiz Carlos Prestes em sua volta da União Soviética ao Brasil, em 1935.
Ao contrário do que afirma o historiador brasilianista Robert Levine, em seu livro O Regime de Vargas - 1935-1938, bem como diversas outras publicações nacionais e estrangeiras, Prestes nunca foi casado com Olga.
O clube de revolucionários profissionais a serviço do Komintern, tinha poderes praticamente ilimitados de intervenção nos diversos partidos comunistas, bem como instruções muito precisas sobre como levar adiante as planejadas ações revolucionárias.
O Partido Comunista Brasileiro jamais se libertou de sua subserviência a Moscou. O PCUS, até ser posto na ilegalidade por Boris Yeltsin, em 1991, sempre manteve sobre estreito controle a direção política do PCB, a forma como eram escolhidas suas lideranças, seus processos de formação ideológica, bem como aquilo que sempre foi o mais importante para o partido: o auxílio fraternal. Em 1990, último ano de ativo funcionamento do PCUS, essa ajuda fraternal ao Partido Comunista Brasileiro foi de US$ 400.000 conforme divulgado pelo Tribunal Constitucional Russo que, em 1992, julgou os crimes do PCUS (jornal “Konsomolskaya Pravda”, Moscou, 8 de abril de 1992).
Prestes somente em setembro de 1934 seria admitido nas fileiras do Partido Comunista Brasileiro, conforme documento do Bureau Político do PCB, datado de 4 de setembro de 1934, publicado no jornal Sentinela Vermelha, nº 1, outubro de 1934, São Paulo. Segundo esse jornal, Prestes foi admitido no partido “por proposta da IC“ e como “simples soldado da IC”. No entanto, diz o jornal, “ao mesmo tempo que o BP aceita a adesão de Prestes, chama todo o partido para intensificar o fogo contra o prestismo dentro e fora de nossas fileiras, contra essa teoria e prática de conteúdo contra-revolucionário, pequeno-burguês, que consiste na subestimação das forças do proletariado como única classe revolucionária, nas ilusões em chefetes e caudilhos pequeno-burgueses, salvadores, cavaleiros da esperança, etc (...)”.
A aceitação de Prestes como membro do PCB foi, portanto, decorrente não do reconhecimento de sua liderança ou de seus atributos de dedicação à causa comunista, mas sim uma imposição do aparato da IC, o que desfaz outro mito.
Em 10 de abril de 1935 - às vésperas da chegada clandestina de Prestes ao Brasil -, referindo-se à primeira reunião pública da Aliança Nacional Libertadora (ANL), realizada dia 30 de março desse ano, no teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, um documento do PCB, assinado por M (“Miranda”), codinome de Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral do partido, referia-se a Prestes, aclamado presidente da ANL, como “um grande lutador antiimperialista e anti-feudal”. Esse documento foi publicado no jornal A Classe Operária nº 178, de 10 de abril de 1935..
“Miranda”, na “A Classe Operária” de 23 de abril de 1935, assinala: “(...) As massas populares aclamam espontaneamente Prestes como Presidente de Honra da Aliança Nacional Libertadora (...) Essa aclamação de Prestes significa que as massas populares reconhecem nele um grande lutador contra o imperialismo (...) um lutador conseqüente de há muitos anos (...)”.
Em apenas 7 meses, portanto, Prestes passou de “caudilho pequeno-burguês” a “lutador conseqüente de há muitos anos”.
Logo depois, Fernando Lacerda, membro do Comitê Central do PCB, delegado do partido ao VII Congresso da Internacional Comunista, realizado em Moscou em julho de 1935, em seu discurso nesse evento, transcrito na revista da IC, “Correspondência Internacional” de 4 de dezembro de 1935, assinalou: “(...) Desde outubro de 1934, após a 3ª Conferência dos Partidos Comunistas dos Países da América Latina, conseguimos realizar uma reviravolta decisiva, tomando audaciosamente a iniciativa da organização de uma Aliança de Libertação Nacional (...) Entre seus organizadores e dirigentes destacava-se o nosso camarada Luiz Carlos Prestes (...) Já lançamos audaciosamente a palavra de ordem de ‘todo poder à ANL’(...)”. Observe-se que na data referida por Fernando Lacerda - outubro de 1934 - Prestes vivia, ainda, em Moscou.
Essa é outra lenda que desaba: a de que, quando criada, a ANL não tinha qualquer vinculação com o partido. Na verdade, desde o primeiro momento, foi uma organização de fachada do PCB, como centenas de outras durante toda a existência do partido.
Em 14 de julho de 1935 a Aliança Nacional Libertadora foi colocada fora da lei pelo governo e suas sedes fechadas.
O Comitê Central do PCB, reunido em fins de julho de 1935, tachou o fechamento da ANL de “arbitrário e violento” e concitou seus militantes a recrutar elementos e formar o partido no campo, “criando Ligas Camponesas” (documento apreendido em agosto de 1935 e integrante do processo nº 1, arquivado no STM).
Desfaz-se, portanto, outro mito: o de que foi Francisco Julião o inspirador e criador das “Ligas Camponesas”, nos anos 50.
Em 15 de setembro de 1935, às vésperas, portanto, da deflagração da Intentona, o “BSA-Bureau Sul-Americano” do Komintern, que funcionava em Buenos Aires, recebeu do “EKKI” a determinação de passar a dirigir as atividades do PCB conjuntamente com Luiz Carlos Prestes e “Miranda”- Antonio Maciel Bonfim, Secretário-Geral. Isso significou, na prática, que o “BSA”, organismo do Komintern para a América Latina, passou a comandar (esse é o verbo correto) as atividades do Partido Comunista Brasileiro.
Logo depois, com data de 6 de outubro de 1935, “Indio Negro” remetia a “Américo” (outro codinome de “Miranda”) uma carta com a proposta “de cooptar ‘Garoto’ para membro do Comitê Central e elegê-lo para o Birô Político do CC”. E determina: “Isso deve ser efetuado na próxima reunião do plenário do CC” (documento integrante do processo nº 1, arquivado no Superior Tribunal Militar). A pessoa referida como“Garoto” era Luiz Carlos Prestes.
Mas, quem é “Indio Negro” que dava ordens ao Secretário-Geral do Partido Comunista Brasileiro?
Eram duas pessoas, segundo os dados obtidos nos arquivos da 3ª Internacional:
“Indio”– Rodolfo José Ghioldi, que também utilizava os codinome de “Autobelli”, “Quiroga” e “Luciano Busteros” argentino membro do “Bureau Sul-Americano” agente do Komintern deslocado da Argentina para o Brasil em dezembro de 1934, juntamente com sua mulher Carmen de Alfaya.
“Negro”- Arthur Ernst Ewert, que também usava os codinomes de “Albert”, “Castro” e “Harry Berger” alemão agente do Komintern mandado para o Brasil em dezembro de 1934.
A lenda, já integrada à História, de que apenas os 9 estrangeiros presos após a Intentona integravam o aparato do Komintern no Brasil, revelou-se falsa. Os estrangeiros deslocados para o Brasil pelo Komintern, para fazer a Intentona, foram 23.. Os nomes de todos podem ser encontrados no livro “Camaradas”, do jornalista William Waak.
Desaba também outro mito: o de que a Intentona Comunista tenha sido uma ação genuinamente brasileira, imaginada e levada a cabo pelo PCB.
Não foi.
A ordem para que a insurreição fosse deflagrada partiu de Moscou, em telegrama do Secretariado Político do “EKKI”, dirigido a Ewert e a Prestes, nos seguintes termos: “A questão da ação (o levante) decidam vocês mesmos, quando acharem necessário. Assegurem apoio à ação do Exército pelo movimento operário e camponês. Tomem todas as medidas contra a prisão de Prestes. Enviamos 25.000 por telegrama. Mantenham-nos informados do rumo dos acontecimentos”.
Esse telegrama, escrito em francês, foi encontrado nos arquivos do Komintern, e na página 128 do livro “Camaradas” está publicada uma cópia xerografada do mesmo.
No período pré e pós-Intentona o partido cometeu diversos assassinatos de seus próprios correligionários, a título de “justiçamentos”, por suspeita de colaboração com o inimigo de classe.
Um deles foi o da jovem de 16 anos “Elza Fernandes” ou “Garota”, como era conhecida no partido Elvira Cupelo Colônio, amante de “Miranda”, Secretário-Geral do PCB - e que, devido a isso, conhecia todos os demais membros do Comitê Central, e outros, com atuação relevante na Intentona Comunista -, por suspeita de colaboração com a repressão. A decisão de eliminar “Garota” foi tomada por Luiz Carlos Prestes, conforme documentos que integram o processo nº 1, já referido. Nos autos desse processo está uma carta, de próprio punho de Prestes, com data de 16 de fevereiro de 1936, remetida a “Meu Caro Amigo” (não identificado), dizendo: “(...) Não podemos vacilar nessa questão (...) Tudo precisa ser preparado com o mais meticuloso cuidado, bem como estudado com atenção todo um plano de ação que nos permita dar ao adversário a culpabilidade (...) Ela já desapareceu há alguns dias e até agora não se diz nada (...)”.
Em outra carta , dirigida ao Secretariado Nacional do PCB, datada de 19 de fevereiro de 1936 (apenas três dias depois), Prestes escreveu: “(...) Fui dolorosamente surpreendido pela falta de resolução e vacilações de vocês (...) Companheiros, assim não se pode dirigir o partido do proletariado, da classe revolucionária conseqüente (...) Já em minha carta de ontem formulei minha opinião a respeito do que precisávamos fazer (...) Não é possível dirigir sem assumir responsabilidades. Por outro lado, uma direção não tem o direito de vacilar em questões que dizem respeito à defesa da própria organização (...)”.
Cópia do original da carta acima, manuscrita por Prestes, está entre as páginas 33 e 34 do livreto “Os Crimes do Partido Comunista”, de Pedro Lafayette, Editora Moderna, 1946, Rio de Janeiro.
“Miranda”e “Elza Fernandes” haviam sido presos em 13 de janeiro de 1936. A Polícia colocou “Elza Fernandes” em liberdade, pelo fato de ser menor de idade. Logo, a direção do partido colocou-a em cárcere privado, na residência do militante conhecido como “Tampinha” (Adelino Deycola dos Santos), na rua Maria Bastos nº 41-A, em Deodoro, subúrbio do Rio, sob a guarda dos militantes “Gaguinho” (Manoel Severino Cavalcanti) e “Cabeção” (Francisco Natividade Lira).
Nessa casa, em 20 de fevereiro de 1936 - um dia após a segunda carta de Prestes -, “Elza Fernandes” foi assassinada por enforcamento, por esses elementos, e sepultada no quintal da casa. Após terem sido presos, todos confessaram o assassinato, dando-o como um justiçamento, sendo o corpo de “Elza Fernandes” exumado pela polícia em 14 de abril de 1936.
Luiz Carlos Prestes, o mandante, e Olga Benário foram presos em 5 de março de 1936. Em 17 de abril de 1945, 9 anos depois, Prestes foi anistiado e em outubro desse mesmo ano eleito Senador da República. Em maio de 1946 o partido foi tornado ilegal pela Justiça Eleitoral e passou a funcionar na clandestinidade. A partir de 1971 Prestes passou a viver em Moscou, sendo novamente anistiado em 1979 e, por força da Constituição de 1988, reincluido no Exército, promovido e reformado.
Em 16 de agosto de 2006 Luiz Carlos Prestes foi promovido ao posto de Coronel, com os proventos de General de Brigada. Veja, aí em baixo, a Portaria respectiva.
Muitos dirão, principalmente os mais jovens: Caramba, eu não sabia!
PORTARIA No- 7/ANISTIA,
DE 16 DE AGOSTO DE 2006
O .................................................................................................,
no uso da competência que lhe foi delegada pela Portaria no- 479, de 11 de agosto de 2004, do Comandante do Exército, em cumprimento à Portaria Normativa no- 657/MD, de 25 de junho de 2004, do Ministro de Estado da Defesa, e nas condições impostas pela Portaria no- 1339, de 1o- de julho de 2005, do Ministro de Estado da Justiça, que decidiu: declarar LUIZ CARLOS PRESTES anistiado político "post mortem", reconhecendo o direito às promoções ao posto de Coronel com os proventos do posto de General-de-Brigada e as respectivas vantagens, e conceder em favor das requerentes MARIA DO CARMO RIBEIRO, ERMELINDA RIBEIRO PRESTES, MARIANA RIBEIRO PRESTES, ROSA RIBEIRO PRESTES, ZOIA RIBEIRO PRESTES, e demais dependentes econômicos, se houver, a reparação econômica em prestação mensal, permanente e continuada no valor de R$ 9.204,48 (nove mil, duzentos e quatro reais e quarenta e oito centavos), cabendo a cada uma das requerentes, respectivamente, os percentuais equivalentes a 50%, 12,5%, 12,5%, 12,5%, 12,5%, de cada prestação acima concedida, nos termos do artigo 1o- , incisos I e II da Lei no- 10.559, de 14 de novembro de 2002", resolve: CONSIDERAR, transferido para o Regime do Anistiado Político de que trata a Lei no- 10.559, de 13 de novembro de 2002, o anistiado político "post mortem" LUIZ CARLOS PRESTES, por imposição do disposto na Portaria no- 1339, de 1o- de julho de 2005, do Ministro de Estado da Justiça.
Carlos I. S. Azambuja é historiador
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